YOU
Por Cami Gregori

Capítulo 1

- Me solta, seu bobo!
Eu ria e gargalhava. Como alguém tão bobo podia ser tão doce? Tudo bem, ele é um amor, mas não significa que eu goste dele, tá legal? Quer dizer, um pouquinho. Como amigo. Um pouco mais do que amigo, nada de mais! Só uma quedinha... Mas quem teria uma queda seria eu se ele me soltasse agora!
- ! Me coloca no chão! É TÃO difícil assim?
- Talvez um pouco!
Ele sorriu. Ah! QUE SORRISO LIIIINDO!
Tudo bem... Morri com esse sorriso! Mas o já estava chegando para terminar o trabalho e ele não me deixava em paz. Eu PRECISO da nota (e cá entre nós, ele também)!
- E é, !
Ele me colocou no chão e foi abrir a porta para . Ouvi risadas altas. BEM altas. Segurei a minha boca quando vi tirando a camisa.
- Oi, .
- Oi, . Beleza?
- Aham e com você? O tava te torturando?
Se você considerar ele tirar a camiseta, eu gostar (POUQUINHO) dele e não poder ficar com o fofo tortura, sim.
- Não. Ele só estava sendo... Ele.
- Ah... ! Põe uma camiseta senão a morre aqui fora!
- EI! Vamos fazer logo esse trabalho!
É, vida no terceiro ano não é fácil... Principalmente se você for indecisa como eu sou. Eu AMO escrever, ou seja, podia ser jornalista, mas amo fotos, então penso em fotógrafa. Mas medicina tem um grande significado para mim, e mais um monte!
entrou para pegar sorvete. pegara o violão e tocava alguma coisa. SERÁ QUE SÓ EU FAÇO ESSE TRABALHO? Tudo bem, estamos sozinhos (os pais de estão em Liverpool), mas alguém poderia me ajudar.
- , ajuda aqui?
Ele foi me ajudar, mas na tentativa (homens são tão lerdos...) ele caiu em cima de mim.
- Epa! Epa! Epa! Que abuso é esse aí?
voltou com os sorvetes. Ou melhor, O sorvete. Ele trouxe o pote.
- Gente, vamos terminar isso logo! É para semana que vem e estamos super atrasados e...
enfiou uma colher de sorvete na minha boca. Desgraçado! Esqueci o que ia falar!
Acabamos uma parte do trabalho... Amanhã iríamos à casa de de novo terminar. Ficou tudo lá. E aqui estava eu, conversando com a . Ela falou que eu PRECISO ficar com o . Eu acho que não. Não é necessidade. Ou é? Ah, sei lá.

Mais um dia na minha nada muito agitada vida. Pelo menos hoje eu tinha companhia no almoço. A ia comigo.
- Você tem que ficar com ele, ! Tá super na cara!
- ! As coisas não funcionam assim.
- Funcionam como? – me perguntou.
Ta, eu não sabia a resposta! Apenas balancei a cabeça disfarçando.
Não é assim mesmo! Só não sei como é! Quer dizer, o é meu amigo! Com uma atençãozinha a mais, claro. Mas nada de importante!
- Olha quem vem. Príncipe 1 e príncipe 2.
Olhei para ver quem era e e estavam entrando. Destino é uma coisa in-crí-vel!
- Oi, meninos! A já estava indo, né? Beijos.
A me faz passar por cada coisa...
- Ah, legal. A gente veio comprar Milkshake. Quer um?
- Claro... Mas eu não pago!
Mensagem da : “Hmm... Milkshake! Só amigos?”
Como ela ouviu e escreveu tão rápido? Essa minha amiga me surpreende!
O caminho até a casa de foi bem calmo... Os três tomando milkshake em silêncio.
- Vamos! Trabalho, trabalho, trabalho.
- Não agora!
- Há! Faz-me rir! Vamos terminar logo isso!
- Acho que não!
me pegou, e com a ajuda de me jogou na piscina.
- Ah! Não acredito! Seus INSANOS!
Legal. Estava COMPLETAMENTE encharcada, esperando a toalha que fora buscar.
- Valeu. , mal a pergunta, mas... Será que a minha roupa pode secar?
- E você vai vestir o quê?
Ele deu um sorrisinho malicioso.
- Alguma roupa que VOCÊ vai me emprestar.
O sorriso sumiu e foi atrás de roupas dentro da casa.
- Pronto... Uma calça, blusa e uma boxer. Feliz?
- Muito... Já volto!
Tomara que eles fizessem alguma coisa enquanto eu me trocava!
- Meninos... Cadê vocêaaaaaaAAAAAAAAH!
ria em cima de mim e gargalhava no fundo. Hm, que perfume booom! É essa a hora que eu morro? Acho que sim...
Ele parou de rir, mas não saiu de cima de mim. Nossos rostos se aproximaram, nossas bocas, nossos lábios. Abri a boca um pouquinho, dando permissão ao beijo. Pelo jeito, ele aceitou bem...
- ... ... ! Seus pais chegaram!
saiu de cima de mim e eu fiquei no chão com cara de idiota. trouxe o trabalho e foi falar com os pais.
- Mãe, pai, vocês conhecem o , e essa é a , uma amiga da escola.
- Olá, querida... Trabalho?
- Sim.
entrou, mas logo já estava de volta. Eu e segurávamos o riso.
- Desculpa... Eu não sabia quando eles iam voltar.
- Tudo bem... Gente, vamos pra casa! O Sr. E a Sra. devem estar querendo descansar!
- Tudo bem... Seus pais estão em casa, ?
- Não... Nem eles, nem minha irmã, Lizzie.
- Ah, então vamos... PAI, MÃE! ESTAMOS SAINDO!
e pegaram o trabalho e eu levei as bolsas.
- Vamos pro meu quarto... É melhor!
olhou suspeito para . Tá legal, o que estava acontecendo aqui?
- , onde é o banheiro?
- Segunda porta à esquerda.
saiu correndo do quarto e riu.
- Desculpa aquela hora. Mesmo.
- Tudo bem... Seja lá sobre o que você estiver dizendo.
Sorri.
- O beijo e meus pais.
- Sobre seus pais, tudo bem, eles são legais. – Não é mentira! – Sobre o beijo... Eu gostei. – AH! O que aconteceu com você, menina? Desde quando você fala isso? AH, SE MATA!
- É, eu também...
Tudo bem, não se mata não! Só entra em coma temporário. [n/a: pra você essa, Pri!]
Ele se aproximou de mim. Nossos corpos, nossos rostos, e, novamente, nossas bocas. Esse menino tem O melhor perfume do MUNDO!


Capítulo 2

Estávamos nos beijando há muuuuuuito tempo! NOSSA! O fora ao banheiro e ainda não voltara!
- Gente, sou sempre eu que atrapalho os beijos – É mesmo! –, mas é melhor pararem...
falava isso, a música tocava, eu e nos beijávamos quando...
- FILHA?
- MÃE?
Tô ferrada! Eu me desgrudei de e pulou. foi parar no chão por causa do susto.
- Quem é esse?
- . – Apontei para o menino que me beijava até pouco tempo. – E . – Apontei para o outro que estava encostado na parede.
Minha mãe SÓ me olhou.
- Ele é meu... Meu... – AH! O QUE EU RESPONDO? – Meu...
- Namorado.
Olhei para . O quê? Como assim? Ele olhou para mim, pedindo ajuda.
- É verdade, mãe...
Ela olhou surpresa. Também, quem não estaria?
- Desculpa, então... Continuem.
Ela deu um sorriso forçado e saiu. Me virei para .
- Namorado? Como assim? Vamos ter que fingir para os meus pais!
- Se você quiser fingir...
soltou um ‘ui’. Ele tava me...
- Pedindo em namoro?
- Aham. Você aceita?
CLARO, SEU IDIOTA!
- Sim...
Ele me beijou. Ah! Eu namoro o ! Nem acredito. Pelo jeito, nem !

- O quê? E você nem me contou?
- Desculpa... Não deu tempo. Foi muito... estranho, eu acho.
- Sei...
tentou me arrancar mais um monte de respostas, mas não tinha muita coisa para contar. Eu fiquei com o menino DUAS vezes e ele é meu namorado! E lá vem o fofo. E seu perfume! *-*
- Oi, gata! Oi, .
Ele me deu um selinho. e apareceram em seguida.
- Uau! O que eu perdi?
- Eu e estamos namorando.
A boca de caiu e se engasgou com a coca que estava bebendo. tossiu e apareceu.
- Ah, você contou?
- Sim...
deu uma risadinha e foi ajudar a se desengasgar.
- Gente, nem é tão estranho assim, vai.
É sim, , mas é melhor eu ficar quieta.
O sinal bateu e eu e fomos para a aula de espanhol.
- Hola, guapas!
- Hola, profe!
virou-se para mim:
- A gente precisa conversar.
- O que foi? Se for sobre eu e , esquece! - Não é nada disso! Bem, é sobre ele, mas é melhor você saber agora.
- Ai meu Deus! O que aconteceu, menina?
Vi que ela hesitou, mas era melhor me contar. Pronto, era agora. Quando ela rola os olhos é por que vai começar.
- Eu ouvi a profe contar para a diretora algumas coisas do .
- Tipo o quê?
- Que ele desmaiou na aula de álgebra, que ele tem se sentido meio mal ultimamente, que tem tido muitas dores de cabeça e que ele está se sentindo muito cansado.
Uau...
- Deve ser a escola... Todos estamos estudando muito! Ele mal dormiu semana passada por causa das provas.
- É melhor ficar atenta!
- Eu sei cuidar do meu namorado. Relaxa.
Ele vai morrer? AI! Isola, ! Bate três vezes na madeira, sua louca! Madeira... Madeira... Achei...
O que a disse é sério, mas deve ser o estresse da escola, nada de mais... Ou será que é?


Capítulo 3

Quatro meses com o . Nem acredito! Ele disse que tinha uma surpresa pra mim. Mal posso esperar para chegar à escola!
- Oi, amor!
- Oi, linda!
Ele se ajoelhou na minha frente! Pegou uma caixinha.
- , você...
AAAAH! ELE VAI ME PEDIR EM CASAMENTO!!!!!!!!
- Quer ser, oficialmente, minha namorada? De aliança e tudo?
Ufa, achei que ia casar! o.o
- Siiiiiim!
O beijei profundamente... Ah, eu AMO esse garoto! O melhor: ele já conhece a minha família e eu já conheço a dele! Legal! (Y)
Ele pegou na minha mão e entramos na escola. Antigamente nos olhavam torto, hoje em dia, já nem ligam e... Olha a ... E o ?
- Deixa os dois, vamos achar o e o para contar!
Ele me pegou no colo e saiu correndo atrás dos dois amigos.
- !
Ele me colocou no chão e pegou em minha mão. O corpo cambaleou para o lado. Ele não conseguia andar direito...
- ? Tudo bem?
- Sim... Minha perna fraquejou, nada de mais.
Me lembrei do que me dissera há quatro meses! “...Ele desmaiou na aula de álgebra, que ele tem se sentido meio mal ultimamente, que tem tido muitas dores de cabeça, e que ele está se sentindo muito cansado”.
E agora a perna fraquejando? Deve ser a escola, só pode ser a escola!
- , você tá legal? Eu vi o que aconteceu.
- Tô sim, . Não precisa se preocupar.
- Sei...
- Cadê o ?
- Com uma tal de Lizzie.
-Lizzie? Lizzie ? Do segundo?
- Essa mesma!
- Uau, você já conhece seu cunhado!
- Ela é sua irmã? Hahahahaha!
saiu rindo atrás de , e apareceu com .
- Oi, gente... Vamos para a sala? Prova.
Me levantei, seguida de , mas ele caiu no chão.
- ? ? Amor?
Ele desmaiou… ELE DESMAIOU!
- ALGUÉM AJUDA? POR FAVOR!
- , liga para os pais dele, agora!
deu o celular para ela, e se ajoelhou ao outro lado de . A cabeça do mesmo estava no meu colo. - . Acorda, ! Por favor!
Comecei a chorar.

- Ele acordou.
Três horas após ter desmaiado na escola, me encontrava ao lado da Sra. e do Sr. , de e na sala de espera do hospital.
Os pais entraram antes, e, quando saíram, eu e os outros dois entramos.
- ? Que susto que você me deu!
Abracei o garoto, que tentou retribuir o abraço, mas parecia fraco demais para isso.
- Tudo bem?
- Tô melhor agora... O que aconteceu?
Ia abrir a boca, quando apareceu com .
- ! Que susto, cara! - Ah, , estão te chamando lá fora.
Sorri de leve para eles e saí.
- Me chamaram?
- Sim, mas só você, afinal, você é a namorada.
Xiii, fiquei com medo depois desse começo de conversa.
- O que aconteceu? O que o tem é grave?
A Sra. me abraçou de leve.


Capítulo 4

O médico nos olhou apreensivo.
- Doutor?
- O tem câncer cerebral.
Minha respiração parou. Comecei a chorar. A Sra. também. O Sr. abraçava a nós duas.
- O sabe?
- Ainda não... Precisaria de vocês três, no caso.
- É melhor contar agora.
Concordei com o Sr. e fomos em direção ao quarto de .
- Gente, podem nos dar licença? É rápido...
Os quatro se despediram e saíram.
- Filho... Os médicos...
- O que eu tenho é sério, né?
Fiquei espantada com a simplicidade com que ele disse isso. É sério, mas... Ele podia se preocupar.
- Mãe... Eu tô com medo. O que eu tenho?
Ele olhou para nós quatro. Controlei as lágrimas.
- Sr. – o médico prosseguiu –, você tem câncer cerebral.
chorou. Eu nunca o tinha visto chorar assim. Ele tremia e abraçou os pais.
- Bem, isso são os sintomas que dizem, mas se tudo estiver, infelizmente, certo, o que você tem é o tipo Meningioma. Esse tipo é relacionado ao tipo de célula de revestimento das membranas que envolvem o cérebro e a espinha dorsal. Eles geralmente são benignos, mas podem ser recorrentes - que voltam freqüentemente - ou malignos.
Tudo bem... Benigno... Mas pode ser maligno! AH NÃO! Chorei mais e apertei contra o meu corpo. Nunca quis tanto que ele estivesse comigo!
- Vamos fazer uma tomografia, ressonância, punção lombar... Se o tumor for confirmado, faremos outra ressonância, mais uma tomografia e uma angiografia cerebral.
Ele começou a explicar as coisas para os pais de e eu fiquei deitada ao lado do meu namorado.
- Amor, eu quero falar com meus amigos.
- Eu vou lá chamá-los.
Saí e, quando eles me viram nesse deplorável estado (chorando muuuuito), me perguntaram por que e eu simplesmente disse:
- quer vê-los.
Eles foram e eu os segui.
contou-lhes o que era. Eu nunca vira os meninos naquele estado. me abraçou. Percebi que ela queria chorar.
- ...
- Tudo bem, . Mesmo. Eu só quero... o meu namorado!
- Ele ainda está aqui! Vai dar tudo certo! Você vai ver... Vai ser benigno.

AAAH! Esse resultado de tumor não sai! É o nosso segundo dia no hospital. Eu dormi aqui com o Sr. e Sra. .
- Sr. Sra. Srta. Os resultados.
Me levantei tão rápido que fiquei tonta. Ou é por que eu não comera nada e já estava na hora do almoço?
- É benigno?
Ele negou. Tremi.
- Maligno?
- Infelizmente.
O médico pediu que fôssemos até o quarto, assim poderíamos conversar todos juntos. Ele contou que era um caso raro naquele hospital. Ele explicou tudo (TUDO) sobre o tumor.
- Maligno?
- Maligno!!! O que eu faço, ? Ele pode morrer!
- Eu sei, amiga! Eu sei! Mas você vai ver... Vai dar tudo certo!
- É! Vai dar sim.
- , sai! Eu tô no telefone!
- ?
- Ele e os meninos vieram. Estávamos esperando noticias.
- Ah. Tá. Tenho que ir. Beijos.
- Beijos, amiga, se cuida.
desligou o celular e voltou para perto do namorado, que agora dormia.

- Posso falar com vocês?
- Claro, Doutor!
- Bem, quanto antes o tumor for tratado, melhor. Faremos uma cirurgia amanhã, se os senhores permitirem, e, depois, seguiremos para a radioterapia e quimioterapia. O tratamento pode ser rápido, ou demorado. Isso dependerá da cirurgia.
- Querido, é melhor permitirmos...
- Onde eu assino?
- Eu vou falar com .
A Sra. saiu em direção ao quarto, para falar com o filho. Vi-a acordar o menino e, depois de um tempo, em que só se via a boca da Sra. mexer, ele abraçá-la.

Capítulo 5

- Amor, vai pra casa! Vai tomar um banho, dormir. E vai pra escola, depois você vem me ver.
- Não! Eu quero ficar com você.
- Por favor?
Sorri de leve, dei-lhe um selinho e sai.
Fui andando para casa. Ainda bem que não moro longe do hospital.
- Filha? A me contou o que aconteceu.
Mamãe abriu a porta e me abraçou.
- Vai ficar tudo bem.
- Eu vou pro banho.
Entrei em casa e Lizzie chegou perto.
- O que é Lizzie? Eu quero ficar sozinha!
- Ei! Relaxa! A ligou, ela disse que era urgente!
Peguei o telefone e liguei para a .
- ? O que aconteceu?
- A Sra. ligou e pediu para eu avisar que a cirurgia vai ser amanhã de manhã. Ela perguntou se a gente vai.
- Eu vou!
- Mas...
- EU VOU, ! Eu PRECISO ficar perto dele!
Comecei a chorar. Minha mãe pegou o telefone, disse para que depois eu ligava e me guiou ao banheiro.
- Eu não quero que ele se vá mãe, eu não quero!
Lizzie apareceu e me abraçou.
- Vamos, . Vamos tomar um banho e depois você vai dormir.
- Eu não quero dormir.
Minha mãe deu aquele olhar do tipo “dorme ou você não vai amanha” e resolvi não discutir.

- ! ... !!! Sete horas. O começa a se preparar para a cirurgia daqui a trinta minutos.
- Aimeudeus! Lizzie, fala para a mamãe que eu já desço.
Fui procurar uma roupa para pôr, e, no final, acabei de jeans, camiseta e um moletom. Nada de anormal. Peguei um livro e o coloquei na minha bolsa.
- Tchau. Gente, quando tudo estiver bem, eu volto.
- Ei! Vem tomar um café.
- Eu passo na... Starbucks. Tchau.
Sorri quando pensei na Starbucks. Eu e costumávamos ir lá nos domingos. Comprei alguns croissants e uma coca e fui direto para o hospital. Cheguei exatamente na hora.
- ? Oi, querida.
- Olá, .
- Oi, .
Sorri para , os pais de e os meninos.
- Cadê ele? Eu posso falar com ele?
A Sra. percebeu o pânico na minha voz.
- Vamos lá, querida.
Ela pegou em minha mão e me levou até uma salinha.
- ?
- Gata? O que você está fazendo aqui? – perguntou-me ele sério.
- Eu queria te ver.
- Ah é. Talvez essa seja a nossa última vez.
- NÃO FALA UMA COISA DESSAS! Isola, ! Isso não acaba aqui. Não pode acabar aqui!
Quando percebi já estava chorando e ele me abraçava.
- Vai dar tudo certo, amor. Tudo certo.
Concordei de leve com a cabeça.
- Mas agora lá se vai o meu cabelo.
Ele me beijou profundamente e eu só olhei para ele.
- Nunca se sabe!
Dei um tapinha no braço dele e saí. Vi que seus olhos me percorreram com um certo medo, mas deixei isso passar despercebido.
- Ele tá muito nervoso?
- Até demais!
Sentei-me ao lado de e e ficamos todos esperando o médico aparecer. Ele chamou os pais de para verem a cirurgia e eles foram. Ficamos nós cinco esperando noticias.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!! Cinco horas e pouco desde que a cirurgia começou e NADA de notícias!!! percebeu meu nervosismo e me abraçou.
- Relaxa, , vai dar tudo... certo.
Ela disse essa última palavra em um sussurro. O medico apareceu com os pais de em seguida. Levantei-me rapidamente.
- E? Como ele está?
- A cirurgia foi um sucesso.
Soltei um gritinho e abracei .
- Mas...
ODEIO a palavra ‘mas’, ODEIO!
- Mas... O tratamento será difícil. Ele precisará do apoio dos amigos, da familia e da namorada. Talvez ele perca esse ano!
- Mas é o terceiro! Ele não pode perder o ano!
- Será que a gente não poderia se revezar e levar a matéria para ele? Ai ele faz trabalhos, a gente fala na escola.
falou tão rápido que acho que só eu entendi.
- Bem... Ele está dormindo. Acho que só acorda amanhã.
Despedi-me de todos em seguida e fui para casa. queria me acompanhar, mas não deixei.
Cheguei em casa e todos me olharam.
- Filha? Como foi?
- O tá bem?
- A cirurgia foi um sucesso, mas ele só deve acordar amanhã.
- Você vai para a escola amanhã, certo?
Apenas olhei para meu pai querendo dizer não, mas não tive coragem. Concordei com a cabeça e fui tomar um banho.

Acordei mais cedo no dia seguinte. Fui andando para a escola. Estava sendo insana. Nada disso ia curar o .
- Oi.
se sentou ao meu lado enquanto esperava chegar.
- Oi.
- O desgraçado me mandou uma mensagem.
- Quem?
- O .
Ah é. O amor deles é incrível.
Uma mensagem?
- O quê? O que ele disse?
- Foi de madrugada. Ele tinha acabado de acordar e queria falar com você, mas seu celular estava desligado. Ele pediu para dizer que te ama muito e que depois que tudo isso acabar a banda continua tocando. Ah, e pediu para você passar lá depois.
- Tudo isso em uma mensagem?
- Aham! Incrível esse menino! Tem uma paciência do caramba.
Ri de leve e vi se aproximar.
- Oi, amiga! Oi, amigo!
- Oi, amiga!
- Oi, fofa.
corou com o ‘fofa’ de . Esses dois estavam muito estranhos pro meu gosto! chegou com em seguida.
A manhã passou bem devagar, eu só queria ir para o hospital. Hoje começava as sessões de radioterapia do . Os meninos estavam tão ansiosos como eu. Não queria demonstrar, mas meu rendimento escolar hoje foi zero!
Mesmo com a manhã passando bem devagar, ela passou.

- Srta. ? Pode vir aqui um segundo?
Eu vou matar a minha diretora! Eu tava indo visitar o .
- Claro, diretora.
Eu a segui até a sala dela e percebi que todos os alunos me olhavam curiosos.
- Bem... Sabemos sobre o Sr. , e, bem, todos sabem que vocês namoram e... Só queremos que você tome cuidado. A doença pode atrapalhar seu rendimento escolar e...
A diretora falava quando o meu celular tocou.
- Com licença... É o – disse sorrindo de leve. – Oi, amor!
- Gata, eu tô com medo.
Percebi rapidamente o medo em sua voz.
- Vai dar tudo certo!
- Eu tenho medo de te perder! Que você me perca! Eu te quero aqui.
Comecei a chorar.
- Eu já estou indo, amor.
Desliguei o celular e saí correndo da sala. Todos os alunos AINDA me olhavam. Uma menina do segundo ano me parou.
- É verdade que o está com câncer? – ela me perguntou.
- Cerebral? – completou sua amiga.
- É. É sim, agora me deixa!
- Coitado. Ele era tão sexy com aquele cabelo, agora ele vai ficar careca! – comentou a primeira.
- Eca! – continuou a segunda.
Respirei fundo (ou pelo menos tentei) e saí correndo da escola em direção ao hospital.

- ?
Corri para perto do meu namorado e o abracei. Eu chorava desesperadamente e ele acompanhava meu choro.
- Vai ficar tudo bem. Acredita em mim.

Capítulo 6

Acordei com meu celular tocando. Era alguma música do Blink, então provavelmente era de casa.
- Alô?
- ! Filha! Que bom! Onde está? – Mamãe surtou.
- No hospital... Com .
- E NÃO AVISOU? Ai meu Deus... O que faço com você, menina? Calma, eu falei com a Sra. e agora vai começar as sessões de quimioterapia!
Desliguei o telefone e acordei . Enquanto meu namorado acordava, chamei a mãe dele.
- É verdade? Já vão começar as sessões?
- Sim!
- Então significa que tudo está indo bem?
- Perfeitamente bem! – ela respondeu sorrindo e nos abraçamos. Pude perceber que as lágrimas beiraram em meus olhos.
- O já sabe?
- O médico conversará com todos...
- Agora – o doutor completou sorrindo.
Todos entramos no quarto e sentei na beira da cama de , que logo se ajeitou.
- Pois não?
- Amanhã começaremos as sessões de quimioterapia! – o doutor disse animado e soltou um ‘outch’. – Isso será doloroso, Sr. . É bem simples, você realizará a Quimioterapia adjuvante, que é a quimioterapia que se administra geralmente depois de um tratamento principal, como, por exemplo, a cirurgia, para diminuir a incidência de disseminação a distância do câncer e a Radioquimioterapia concomitante, também chamada quimioradioterapia, costuma ser administrada em conjunto com a radioterapia, com a finalidade de potencializar os efeitos da radiação ou de atuar especificamente com ela, otimizando o efeito local da radiação. [n/a: wikipédia!]
encolheu-se na cama. Provavelmente se perdeu na quimioterapia adjuvante, mas...
- Vocês irão usar aquelas agulhonas? – perguntou com cara de criança e todos rimos.
- Sim, Sr. . Mas fique calmo. Sei que tem gente que te ama que estará ao seu lado. – O doutor olhou para mim e para a Sra. e em seguida para a porta. – Olá, amigos do meu paciente medroso!
Os meninos entraram seguidos de .
- Oi...
- Ele vai começar a quimioterapia amanhã! – eu disse – E tem medo da “agulhona”. – Zombei e todos rimos.
A Sra. saiu do quarto e ficamos todos conversando até tarde na cama. Ou melhor, até a Sra. nos expulsar do quarto.

Acordei um pouco nervosa naquele sábado. O relógio marcava oito horas, mas mesmo assim liguei para a .
- Oii. É hoje!
- Eu sei. Poxa, , eu tava dormindo... – ela reclamou.
- Desculpa... Mas eu tô com medo – sussurrei.
começou a falar que eu me preocupava demais. Nem prestei atenção, estava escolhendo a roupa.
- , você está aí? - Oi... Ah sim!
- Eu perguntei se você quer que o te pegue!
- Ah... Claro. Que horas?
- Meio-dia na porta da sua casa. Beijos, distraída.
- Oi? – E deixei meu celular cair.
O relógio já marcava nove horas. Decidi tomar café e ir pro banho.
- Já acordada?
- Sim... e vêm me buscar às doze horas.
Minha mãe me serviu, mas nem toquei na comida.
- Come, garota! Faz dias que você não come bem.
Dias... Desde que descobrimos que tinha câncer.
Terminei de comer e subi para meu quarto. Olhei meu mural e vi as fotos penduradas. Umas três minha e da , uma da sala, cinco com o , duas com os meninos, três com a minha família... Mas a do centro é a que mais me chamou atenção. Era uma foto, em uma moldura de coração escrita “I Love You” por toda parte, em que me dava um beijo na bochecha.
Comecei a chorar desesperadamente. Sentei no chão e fiquei soluçando com a foto em mãos por um bom tempo. Agarrei a foto e sussurrei “Eu te amo”.
Estava sendo boba. Fui para o banho.
Tomei um banho rápido (eu acho), pois quando saí já era onze e meia. Corri para me arrumar e ao meio-dia estava na porta de casa.
- ! ! – Eles apareceram no carro do pai de . Entrei no banco de trás e fomos buscar e .
- Eu disse! Ele vai se atrasar, ! – disse nervosa.
- Não vai! – respondeu impaciente.
Estávamos na frente da casa de fazia vinte minutos. pegou o celular e ligou para ele.
- Alô? – Uma voz sonolenta atendeu.
- Viu? Dormindo... DESCE, SEU IDIOTA! A GENTE JÁ TÁ AQUI HÁ VINTE MINUTOS!
Pudemos ouvir cair da cama e o vimos na janela do quarto. Em cinco minutos, ele apareceu pedindo desculpas. E logo seguimos para a casa de .
- Trinta minutos atrasados. Parabéns, ! – ele disse rindo.
- EI!
Todos rimos e fomos conversando, não tão animadamente, para o hospital.
teria a primeira seção às nove horas, provavelmente já teria terminado.
Chegamos e fomos para o seu quarto, antes sendo barrados pela Sra. .
- Ele está bem enjoado. São os efeitos colaterais, então... Cuidado.
Entramos no quarto e ouvimos um som nojento vir do banheiro.
- Eu pretendia te beijar... mas eu espero – comentei quando apareceu. – Tudo bem, amor?
- Pareço bem? Cara, isso dói muito! Você nem imagina. Agora eu tô com um mal estar... Uma vontade de vomitar.
- É assim que nos sentimos quando temos cólica – comentou e todos olharam para ela. – Calei?
Todos assentimos com a cabeça e ela se sentou.
correu para o banheiro.
- Amor?
- Eu tô legal... Eu acho. Pretendo não por minhas tripas para fora hoje! – ele disse e rimos.
- Idiota! Fica deitado, qualquer coisa chamamos a enfermeira!
Ficamos conversando a tarde toda, e, quando deu seis horas, a mãe de nos expulsou.
- Bem... Pizza?
- Yeah!
Corremos para o carro e quando chegamos na pizzaria, gritou:
- O ÚLTIMO A CHEGAR PAGA!
E saímos correndo. Bem, a conta ficou para .
- Saco... Cadê o nessas horas?
- No hospital, se tratando do câncer – respondi e todos me olharam. – Poxa é a verdade. Triste, mas é.
Todos se sentaram em silêncio. Mandei uma mensagem pra minha mãe, dizendo que não ia comer em casa, e pedimos.

Entrei no meu quarto e liguei o rádio. Tocava uma música qualquer e depois mudou para Bye Bye – Mariah Carey ft. Akon.

As a child there were them times
Enquanto criança, houve tempos em que
I didn't get it
Não compreendia,
But you kept me in line
mas você me mantinha na linha
I didn't know why
Eu não sabia o porquê
You didn't show up some times
Você não aparecia às vezes
On sunday mornings and I missed you
Aos domingos de manhã e eu sentia sua falta
But I'm glad we talked through
Mas estou feliz que conversamos sobre isso
All them grown folk things
Todos aqueles problemas de gente grande
Separation brings
Que as separações trazem
You never let me know it
Você nunca me avisou
You never let it show
Você nunca demonstrou
Because you loved me and obviously
Porque você me amava e obviamente
There's so much more left to say
Há muito ainda o que dizer
If you were with me today
Se você estivesse aqui comigo hoje
Face to face
Face a Face

Parei para ouvi-la.

I never knew I could hurt like this
Eu nunca soube que podia doer tanto
And everyday life rolls on I wish
E a cada dia que a vida passa eu desejo
I could talk to you for a while
Poder falar com você por um tempo
I miss you but I try not cry
Sinto saudades, mas eu tento não chorar
As time goes by
Enquanto o tempo passa
And it's true that you've
E é verdade que você
Reached a better place
Atingiu um lugar melhor
Still I'd give the world to see your face
Mas eu ainda daria o mundo para ver seu rosto
And be right here next to you
E estar bem ao seu lado
But it's like you're gone too soon
Mas é como se você tivesse ido cedo demais
And the hardest thing to do is say
E agora a coisa mais difícil de fazer é dizer
Bye bye
Adeus

Olhava para a foto minha e do ainda em minha cama. Ela ainda tinha marcas do meu choro. Coloquei meu pijama e me deitei. Peguei meu celular e liguei para um número já decorado.
- Alô? – A voz calma dele me acalentou.
- , você conhece “Bye Bye”?
- Mariah Carey? Sim...
- Canta pra mim?
- Claro... “This is for my peoples who just somebody,
Your best friend, your baby
Your man or your lady
Put your hand way up high
We will never say bye
Mamas, daddys, sisters, brothers
Friends and cousins
This is for my peoples who lost they grandmothers
Lift your head to the sky
Cause we will never say goodbye”

E foi na voz dele que transformei aquela música na nossa música. E, assim, adormeci.


Capítulo 7

Acordei com minha mãe gritando da cozinha. Meu celular ainda estava na cama.
- ! Levanta! NOVIDAAAAAAAAAAAADES! – ela escandalizou.
Fui correndo para a cozinha e dei de cara com meus avós.
- Oi? – Escondi-me atrás da mesa; meu pijama é minúsculo.
- QUE ROUPA É ESSA, MENINA? ISSO É ROUPA PARA RECEBER SEUS AVÓS? – Meu avô começou a gritar, mas mamãe explicou que era meu pijama.
- Então... Por que chegaram tão de repente? – perguntei inocente.
- Sua mãe contou sobre seu namorado – vovó disse e olhei feio para mamãe. – E seu pai vai viajar, então viemos ajudar!
“Grande ajuda” pensei. Comecei a comer minhas panquecas em silêncio. Acabei e me levantei.
- , querida, deixe-me ver o seu quarto? – vovó perguntou e fomos.
Ela começou o escândalo quando viu a minha cama. Depois ela foi para meu armário e disse tudo sobre minhas roupas. Quando ela entrou no meu banheiro, até assustei com o berro que ela deu, mas foi nas estantes que não agüentei mais:
- Quanta falta de cultura. Crepúsculo, Lua Nova, Harry Potter, Gossip Girl... Cadê a cultura nisso aqui? E música? Quem são “Simple Plan”? “Blink 182”? Hein, garota? E... Ai meu Deus! Que fotos são essas? – Ela se dirigiu ao meu mural. – Amigos estranhos, devo admitir. Ah! Devoção a família e... Amor. – Ela fechou a cara. – QUE INDECÊNCIA É ESSA? – Ela começou a tirar minhas fotos com , foi quando segurei sua mão.
- Nem ouse, vovó – disse firme.
- Como?
- Isso é meu! SAI DAQUI! – Empurrei-a para fora do quarto, as lágrimas já beirando.
Ouvi minha vó xingar baixo e tranquei minha porta. Deixei as lágrimas rolarem soltas e ouvi minha vó gritar com minha mãe sobre minha atitude, mas uma coisa inesperada aconteceu:
- Vovó! Deixe a em paz! O namorado dela está doente pra caramba! Coitada, dá uma trégua! Não sei como o vovô te agüentou todos esses anos! – Lizzie gritou e subiu as escadas. – Ei, abre a porta – ela pediu e eu obedeci.
- Obrigada! – sussurrei em seu ouvido no meio de nosso abraço.
- Vai no hospital hoje? – ela perguntou.
- Sim. Combinei com o pessoal às quatro horas, mas eu vou antes, quero curtir o meu namorado. – Sorri.
- Posso ir com você? - Lizzie perguntou envergonhada.
- Claro! O te adora e vai adorar a sua visita!
- O vai?
Opa! Lembrei... Lizzie e saíram por três semanas, mas eles terminaram. Ou melhor, ele terminou. Lizzie realmente gostava do .
- Vai... Eu acho.
- Não vai ficar estranho?
- Imagina! Vamos! Que tal um almoço na Starbucks, comprinhas e depois vamos pro hospital?
- AAAH! Eu te amo! – ela gritou e pulou em mim.

E lá estava eu, com Lizzie, fazendo compras. Nosso almoço na Starbucks fora ótimo! Falamos sobre tudo possível. Fiquei super feliz, há um bom tempo não saiamos juntas, só nós duas... Ou melhor, acho que nunca fizemos isso!
Lizzie saiu do provador com um vestido rosa e uma jeans skinny.
- ! Essa calça e essa camiseta ficaram ótimas em você! – Eu estava com uma skinny preta e uma camiseta branca com uma guitarra desenhada.
- Lizzie. Uau! Sua roupa... Leva! Leva! Leva! – eu disse e ela riu.
Saímos com uma roupa mais incrível que a outra.
- Ai meu Deus! ! ! ! Olha isso! – Lizzie apontava para a vitrine.
- Que sandália linda... Tenho uma idéia! Entra! – Empurrei Lizzie para a loja e ela experimentou a sandália. Ficou realmente boa.
- Eu quero. – Ela fez bico.
Peguei a sandália e paguei por ela sob os olhos arregalados de Lizzie.
- Presente. – Dei para a minha irmã que surtou... Literalmente.
Vimos a hora e corremos para o hospital.
- ? – Lizzie abriu a porta.
- Lizzie! Que surpresa! – ele disse sorrindo e correu pro banheiro. – Desculpa... Quimioterapia.
Ficamos conversando por um bom tempo, até que chegou com , e, em seguida, e .
- Lizzie? – perguntou surpreso.
- Vim visitar meu cunhadinho... – ela disse sorrindo. – Algum problema? – desafiou.
- Nenhum – respondeu mal a vontade.
Ficamos horas conversando e Lizzie e pareciam estar se entendendo novamente.
Era por volta das oito horas quando mamãe ligou e nos obrigou a voltar pra casa. Ainda tínhamos escola no dia seguinte.

Acordei e fui acordar Lizzie. Hoje iríamos a pé para escola. Nada de amigas. Só nós.
- Liz! Acorda!
Ela não se mexeu e...
- ACORDA! – eu gritava de cima dela.
- SAI DE CIMA DE MIM, SUA LOUCA! – Lizzie me empurrou e corri para o meu quarto.
Em quinze minutos, estava de banho tomado e devidamente trocada e fui tomar café. Lizzie já estava lá.
- Bom dia, flor do dia!
- Ha! Ha! Ha! – ela disse e eu ri.
Saímos em seguida e fomos andando. O céu estava aberto, fazia sol, mas ventava. Usávamos nossas roupas novas.
- ... Acho que gosto do de novo.
Dei um tapa em Lizzie.
- Como assim? Você não o odiava?
- Não! Nunca. Ontem ele foi tão fofo comigo... Não sei. Tô tão confusa! – ela disse.
- Calma... Vai dar tudo certo. – Coloquei meu braço em seu ombro e joguei meu peso sobre ela.
Fomos conversando até a escola, onde cada uma foi para seu devido grupo.
- , posso falar com você a sós? – me perguntou.
- Claro! – Coloquei meu livro de lado e saí com ele. – O que foi?
- Acho que gosto da Lizzie de novo – Eu mereço? – Ontem... Não sei! Tive uma recaída!
- Ótimo! Ela também gosta de você! – Eu ri. – Vai lá, garoto! – Dei um soco no braço de e corri para a aula.
Acho que a notícia que estava melhorando fez meu ânimo subir 90%. Prestei atenção na aula, fiz todas as atividades, conversei normal com todos e... Não chorei.
comentou a mudança rindo. Os meninos disseram que eu estava mais bonita assim. Lizzie disse que eu estava mais legal. E ... disse que me amava (eu AMO mensagem!).
Na hora do intervalo, ligou.
- Oi, amor.
- Oi. Hoje... Será que você pode não vir?
- Por quê? Aconteceu alguma coisa? – Preocupei-me.
- Não quero que você me veja.
- Cabelo? – Sim, eu pesquisara sobre quimioterapia na internet.
- Sim - ele sussurrou e eu ri.
- , é psicológico... Não começa a cair tão cedo. Relaxa! E hoje não dá... Eu tenho médico, lembra? Talvez eu passe aí!
- Ah é! parecia aliviado e eu ri.
- Fica calmo, amor.
- Pode deixar. Beijos. Te amo!
- Beijos. Te amo mais. – Desliguei o telefone rindo.
Contei para sobre a preocupação e ela riu. Foi nessa hora que tudo aconteceu.
- Gente... Oi, aqui é falando na rádio eu esqueci o nome dela. – Todos riram e ele abafou o riso. – Srta. , minha peguete, você pode vira a sala do diretor? Tenho um pedido a te fazer... Bem, ele chegou, é melhor fazer agora. Você quer ser minha namorada? Mentalize seu ficante com um anel na mão, por favoooor! – A voz de ecoava por toda escola e gritava ao meu lado. Logo ela saiu correndo em direção à diretoria.
- Eu aceito! – A voz de ecoou e pude ouvir muitos ‘aaws’ e vários aplausos.
chegou correndo e me abraçou.
- AH! EU TENHO UM NAMORADO! Eu namoro o ! – Ela pulava e eu ria.
Lizzie chegou em seguida.
- Sabe quem pediu pra ficar comigo? O ! Vou chegar tarde em casa hoje, avisa a mamãe! – Ela me deu um beijo na bochecha e saiu correndo.
- Acredita? Você e , Lizzie e ... Tá bom demais pra ser verdade – disse rindo. Meu celular tocou nesse momento.
- Alô? Mãe? Mãe! Fica calma... Por favor! O quê? – E eu comecei a chorar.
- ? O que foi?
- Chama a Lizzie? – supliquei.
Lizzie, que não estava longe, veio correndo.
- , é o ?
- Não... O papai.

Eu e Lizzie estávamos na sala de casa esperando mamãe chegar com novidades. Vovó e vovô em silêncio deixavam a situação pior.
- Oi. – Mamãe abriu a porta.
Eu e Lizzie corremos para ver o que aconteceu.
- Mãe? E o papai? O que foi?
Mamãe se ajoelhou no chão e a acompanhamos.
- Deixe-me explicar. Seu pai dirigia para buscá-las e... um caminhão atingiu o carro e... ele não resistiu.
Mamãe nos abraçou e desabamos em lágrimas. Nós três nos abraçávamos sobre os olhares de vovó e vovô.
Corri para o quarto e liguei para .
- Ei amor! Por que não está aqui? me contou o que houve na escola, tudo bem? – Solucei e percebeu. – Amor, o que aconteceu?
- Meu pai... sofreu um acidente de carro. Um caminhão bateu de frente e ele não resistiu.
Chorei com ao telefone. Muito.
- O enterro é amanha?
- Sim...
- Eu vou!
- , você está mal e...
- EU VOU! Seu pai era um ótimo cara! Eu o adorava! Eu vou. Te amo. – E ele desligou o telefone.
Contei para e ela ficou de falar com os meninos. Em cinco minutos, , e já tinham me ligado e prometido estar no enterro.

O dia amanheceu ensolarado, mas, do meu ponto de vista, cinzento e triste. Saímos cedo. O enterro seria às dez horas da manhã. Estava no local do velório, sentada no canto, chorando litros, quando eles chegaram.
ficou segurando minha mão e os meninos ficaram quietos em um canto. Quando estava na hora das últimas homenagens, ele chegou. Vestia uma jeans escura e uma camiseta preta.
- ! – Corri para seu abraço. Fraco, mas poderoso.
- Meus pêsames.
- Obrigada, Sra. .
Com ao meu lado, beijei a testa de meu pai e prosseguimos para o enterro.
E nessa hora eu li a eterna frase de meu pai, que vivia viajando: “para estar junto, não precisa estar perto!”. Chorei.


Capítulo 8

Faz uma semana que não consigo ir para a escola, nem visitar . Fiz coisas melancólicas, na verdade. Levei, todos os dias, flores para meu pai, e ontem fomos ver o negócio do testamento. Tudo piorou quando vi que papai deixou a nossa casa de campo para mim. Mesmo assim, falei todos os dias com e , mas no meu sétimo dia de fossa, resolvi que não precisa ser assim. Saí de casa, usando um vestido balonê rosa claro - estava de All Star, mas isso não tirou meu charme - e fui visitar .
- !!! Você está bem? – Ele correu para me abraçar, mas o banheiro foi mais convidativo e ele foi vomitar. – Desculpa... Tudo bem?
- Melhorando. Pelo menos já saí de casa. – Sorri fraco. – Como vai a quimio? – perguntei simpática.
- Dolorosa – ele respondeu envergonhado e eu ri. – Mas acho que não tão doloroso quanto o que você está passando.
- Relaxa, . Vai ficar tudo bem – eu disse isso e comecei a chorar. Ele me abraçou e ficamos assim por um bom tempo. Eu deitada ao seu lado soluçando e ele levantando de tempos em tempos para ir ao banheiro.
Aquela segunda-feira parecia alegre aos olhos de todas as pessoas, mas aos meus olhos era uma segunda-feira deprimente. Coloquei uma jeans e minha camiseta do Blink preta. Prendi meu cabelo em um coque mal-feito, com a franja caindo no rosto, e saí de casa. No caminho encontrei com e .
- Oi, meninos. Perdi muita coisa na escola? – perguntei tentando não parecer abalada.
- Bem... Só a palestra sobre “Sexo Seguro” – debochou e rimos.
Andamos uns dois quarteirões em silencio, até que o cortou:
- Você tá bem? E a Lizzie?
- Superando. Ambas... As coisas estão difíceis em casa. Meus avós não estão ajudando muito no quesito humor, mamãe chora por qualquer coisa e Lizzie... Coitada, ela e papai iam abrir um negócio com as camisetas dela ano que vem!
Os meninos me abraçaram e soltei um soluço.
- Tá tudo dando errado! – eu disse com voz de criança e eles riram.
Fomos conversando até a escola, acho que numa tentativa deles de me distrair. Bem, honestamente... funcionou!
Realmente, nesse ponto da minha vida, não tem como a escola não ser entediante. Ainda bem que pelo meu estado minha professora de Educação Física me dispensou mais cedo e fui direto para casa.
- Oi, vó! Oi, vô! Me dispensaram mais cedo. Tô no meu quarto. – Disparei subindo as escadas.
Entrei no meu quarto, fechei a porta e liguei o computador. O bom da internet, e do orkut, é que posso voltar às minhas origens de vez em quando (afinal, sou brasileira).
Abri meu orkut e fui direto ver o perfil de um menino que estudava comigo.
- Alê, prazer. – Ri. Quanta coisa banal. Mas a parte seguinte foi uma música: “Pensa em mim”, Darvin.
Abri os vídeos para poder escutar a música. Foi quando comecei a tremer e a chorar.

Inspiração dos meus sonhos, não quero acordar.
Quero ficar só contigo, não vou poder voar.
Por que parar pra refletir se meu reflexo é você?
Aprendendo uma só vida, compartilhando prazer.

Por que parece que na hora não vou agüentar,
Se eu sempre tive força e nunca parei de lutar?

Como num filme, no final tudo vai dar certo.
Quem foi que disse que pra tá junto precisa tá perto?

(refrão):

Pensa em mim
Que eu tô pensando em você
E me diz
O que eu quero te dizer
Vem pra cá, pra eu ver que juntos estamos
E te falar
Mais uma vez que te amo

O tempo que passamos juntos vai ficar pra sempre.
Intimidades, brincadeiras, só a gente entende.

Ouvi a música em silêncio e, em seguida, liguei para . Pelo barulho, ele devia estar saindo da escola.
- ... Preciso de um favor! Você pode passar aqui em casa em uma hora com seu violão? – pedi e ele concordou.
Ele chegou e eu simplesmente pedi.
- Tem como você me ensinar uma música?
riu, mas o lembrei que já tinha feito dois anos de vilão, mas precisava de ajuda.
Ficamos treinando a música até às quatro horas, quando ligou surtada perguntando onde estava, porque ele deveria ter ido buscá-la para visitarmos . Saímos correndo e fomos buscar , e .
Chegamos ao hospital e, logo de entrada, entreguei um papel para e disse:
- Tente acompanhar. Tá traduzida.
Olhei nervosa para , mas ele sorriu confiante. Peguei o violão e me sentei na ponta da cama de .
- Inspiração dos meus sonhos, não quero acordar.
Quero ficar só contigo, não vou poder voar.
Por que parar pra refletir se meu reflexo é você?
Aprendendo uma só vida, compartilhando prazer.

Por que parece que na hora não vou agüentar,
Se eu sempre tive força e nunca parei de lutar?

Como num filme, no final tudo vai dar certo.
Quem foi que disse que pra tá junto precisa tá perto?

(refrão):

Pensa em mim
Que eu tô pensando em você
E me diz
O que eu quero te dizer
Vem pra cá, pra eu ver que juntos estamos
E te falar
Mais uma vez que te amo

O tempo que passamos juntos vai ficar pra sempre.
Intimidades, brincadeiras, só a gente entende.

Pra quem fala que namorar é perder tempo eu digo:
Há muito tempo eu não cresci o que eu cresci contigo.

Juntos no balanço da rede, sob o céu estrelado,
Sempre acontece, o tempo pará quando eu tô do seu
lado.

A noite chega, eu fecho os olhos e é você que eu vejo,
Como queria estar contigo eu paro e faço um desejo:

Pensa em mim
Que eu tô pensando em você
E me diz
O que eu quero te dizer
Vem prá cá, pra eu ver que juntos estamos
E te falar
Mais uma vez que te amo (3x)
Mais uma vez que te amo...

Terminei a música e percebi que chorava. e estavam abraçados, e olhavam orgulhosos. Olhei de relance para a porta e vi Lizzie chorando. Abracei meu namorado e corri para minha irmã.
- Papai?
Concordei com a cabeça e enxugamos as lágrimas. Voltei-me para .
- Eu te amo, .
Ele sorriu e respondeu, no maior sotaque:
- Éu te ámo.
Beijei seus lábios úmidos com o choro de leve.


Capítulo 9

Acordei aquele dia me sentindo aliviada. Fui para a escola e uma notícia nos dispensou antes: a professora de biologia faltou. Ou seja, poderíamos ir para casa mais cedo. Liguei para e disse que depois do meu dever de casa passaria lá. foi para casa comigo fazer o dever. Ficamos conversando e finalmente nos focamos na lição.
De tantas dúvidas que tivemos, desistimos de passar no , mas prometi que passaria no dia seguinte. Parece que ele tinha uma coisa importante pra me dizer. Contei pra e ela ficou achando que ele iria pedir minha mão em casamento. Idéia absurda! Mesmo assim, dormi aquela noite pensando nessa possibilidade.
No dia seguinte, eu e chegamos indignadas em casa para mais uma sessão de deveres.
- Como ele marca uma prova assim para daqui a dois dias? – eu disse me referindo a prova de biologia que teríamos em dois dias, marcada hoje pelo professor.
- Ainda mais três capítulos, mais outras coisas... Eu vou me matar de estudar. Nem sei se vou visitar o hoje – disse.
- Ah. Por favor, vá! A gente vai e fica só um pouco, depois voltamos para estudar!
percebeu que eu realmente queria isso. Preparamos nossos pratos e fomos fazer o dever de casa almoçando. Acabamos e fomos direto para o hospital.
- ! – Eu entrei correndo e beijei seus lábios.
- Curiosa? – ele perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
- Muito!!! acha que você vai propor para mim! – eu falei debochando.
- Como ela sabe? – disse e eu parei de respirar. – Você caiu! – ele disse num tom brincalhão. Ri com ele. – , você poderia nos dar licença?
concordou e saiu do quarto em silêncio. olhou sério para mim.
- Precisamos conversar – ele disse. – Na vida de um casal de adolescentes, dúvidas e coisas novas são comuns. Como desejos.
Fiquei olhando dura para a cara serena de .
- Bem... E eu acho que... Já estamos aptos – Aptos? Segurei a risada – para dar um passo a mais na nossa relação.
- Um passo a mais? – perguntei.
- Eu quero um filho seu, ! – disse e eu caí da cama. – Tudo bem, ? – Ele olhou preocupado enquanto eu me levantava.
- Um filho... Ou seja, isso indica...
- Sexo – ele disse meio vermelho. Ri cínica.
- , isso é impossível agora! – eu disse ainda rindo com dificuldade.
- Por quê?
- Bem... Porque você ainda está em tratamento e pode ser prejudicial. É melhor você estar curado, aí discutiremos isso.
- Não tem nada a ver! EU POSSO MORRER, ! – ele disse com a voz chorosa.
- Eu sei! Mas, no momento, você só está melhorando! Você vai se curar, eu tenho certeza! – eu disse me aproximando dele, mas ele recuou.
- ! Ouça bem: eu posso morrer! Eu quero um filho seu! A não ser que você não queira um filho meu!
- Claro que quero um filho seu! Não agora! Nem terminei a escola, nem decidi faculdade, nada...
me olhou com uma cara séria.
- É tudo culpa sua – ele disse.
- O quê? – perguntei pasma.
- É tudo culpa sua eu sofrer tanto por causa da doença! Tenho tanto medo de te perder! – ele disse.
- Você não vai me perder!
- Já perdi – ele disse frio. – É melhor tudo acabar aqui, .
Meus olhos se encheram de lágrimas.
- Como?
- Assim nenhum de nós sofre – ele disse segurando o choro. – Vai embora, , por favor!
Peguei minha bolsa e saí correndo da sala. saiu atrás de mim, perguntando o que aconteceu. Eu disse que queria ficar sozinha e corri para casa. Tranquei-me no quarto, chorando. Lizzie perguntou se eu queria jantar, disse não. me ligou, mas não atendi.
No dia seguinte, fui para a escola com a cara inchada. Os meninos me disseram que contou. chegou e me abraçou, mas tentei disfarçar dizendo que tudo estava bem. Algumas pessoas me olhavam e umas meninas fofocavam, dizendo que eu tinha levando um pé na bunda. Prefiro não pensar assim.
A primeira aula era de física, na qual meu companheiro era . Olhei nosso lugar e saí correndo. As lágrimas correndo fortes pelo meu rosto. Cheguei em casa e bati a porta com toda a força que consegui reunir. Cheguei a rachar o vidro da janela do lado. Subi correndo não ligando para o que iriam pensar. Afundei minha cabeça no travesseiro e comecei a gritar de dor e a chorar. Nunca tinha me sentido assim. Nem quando caí de dois metros (show de uma banda qualquer, um monte de bêbado, eu querendo ir embora e... fui empurrada. Caí de dois metros) doeu tanto! Meu coração batia lentamente e desesperado.
Queria me matar agora. Nunca tive esse sentimento antes. Levantei-me correndo e fui para minha janela. Fiquei olhando e pensando se deveria pular... e morrer. Assim a dor finalmente passaria. Quando metade do meu corpo estava para fora, minha mãe entrou em meu quarto.
- !!!! O que você está fazendo menina? – ela disse desesperada.
- O terminou comigo. – Narrei a história completa e contei sobre meu desejo.
- Por favor – ela suplicou. – Não quero perder mais ninguém. Eu não quero perder você! – Ela começou a chorar e nos abraçamos. – Promete nunca mais fazer algo assim?
- Prometo – eu disse num sussurro.
Talvez as coisas passassem. Lentamente, mas um dia passariam.
Eu acho.

A dor de perder alguém, duplamente, é intensa. Acordei naquela noite desesperada. Na verdade... Gritando e chorando.
Tentei ligar para várias vezes, mas ele não atendeu. Parece que nem a parte do “seremos só amigos” teremos. Comecei a chorar e agarrei meu travesseiro, que ainda tinha o cheiro do perfume dele. Comecei a rir, lembrando daquele dia.

/flashback
- Para, ! – tentava me fazer dançar. O tapete do lado da minha cama estava jogado em algum canto.
parou rindo. Ele dormiria essa noite em casa. No outro quarto, claro, mas suas coisas estavam no meu.
- Crianças... Hora de dormir – minha mãe anunciou na porta.
Concordamos e abriu sua mochila e pegou seu perfume.
- Para você dormir pensando em mim. – E borrifou o perfume pelo meu travesseiro e todas minhas pelúcias. Ele me deu um beijo na testa e saiu.
/flashback

Aquele dia foi perfeito. Rimos e conversamos muito, até dançou tango com minha mãe! Foi hilário. Peguei meu mural e tirei todas as fotos com . Deixei a que tinha apenas todos os amigos juntos. Joguei tudo num canto e liguei o rádio no máximo. Alguma música agitada tocava, mas eu nem prestei atenção.
Minha vida ta um droga!


Capítulo 10

Estava enfurnada em meu quarto há três dias pensando na vida... Só se ela tivesse o nome de . Acho que estou tendo uma crise existencial. Passava horas deitada, me empanturrando de chocolate e sorvete, vendo fotos, ouvindo músicas melancólicas e, se a me ligava, me lamentava com ela. Vida triste...
- !!! Sai dessa escuridão menina! – Lizzie gritava de fora.
- Não! – choraminguei.
- Tudo bem... Eu entro! – Ela escancarou a porta usando um vestido branco, meia calça preta e um casaco preto em cima. Ela estava divina, como sempre. Como minha irmã pode ser assim e eu nem passo da jeans, camiseta e All Star? Ela abriu um sorriso, que sumiu ao ver meu estado, deplorável. – Eu tive uma idéia. – Uau... ando muito sarcástica esses dias. Deve ser o chocolate. Nem tenho dormido direito... – Eu, você e mamãe num dia... “trash”! Comendo besteiras, fazendo panquecas com mel, chocolate, etc? Esse sábado. Te acordo às oito!
Hoje ainda é quarta! Droga! Amanhã tenho prova de geografia... Tenho que ir para a escola. Droga de telefone tocando. Minha vida tá uma droga e eu tô virando emo! Tenho que levar a minha vida adiante! Já sei! Vou me empanturrar de chocolate enquanto pesquiso faculdades. Pois é. Vida no terceiro ano não é fácil!
Peguei meu telefone e liguei para .
- Tô acabada – disse de cara.
- Nossa!
- Mas... Tá pensando em que faculdade?
- Cambridge ou Oxford. Falei com meus pais esses dias. E você?
- As duas... Mas prefiro Cambridge.
- Opa... chegou, vamos no... hospital – ela disse receosa. - Beijos.
- Tchau – eu disse sem emoção nenhuma.
Já que quero ir para Cambridge, hora de começar a estudar. Peguei minha bolsa e fui para a biblioteca.
Peguei alguns livros para estudar e voltei para casa. Continuei trancada no quarto. Devo ter engordado uns quatro quilos de tanto chocolate que eu comi esses dias.

Tenho certeza que fui mal na prova! Desenhei corações partidos na borda inteira e, pelo jeito, a escola inteira já sabia que eu e tínhamos terminado.
Voltei para casa e combinei com Lizzie que no dia seguinte compraríamos as coisas para sábado.

- HEY HEY YOU YOU I DON’T LIKE YOUR GIRLFRIEND!
Eu, mamãe e Lizzie cantávamos, ou melhor, gritávamos ouvindo meu cd da Avril. Fazíamos bolo de chocolate, e a cozinha estava uma bagunça. Já era quatro horas e eu estava de short e regata.
Peguei a colher que estava usando, subi numa cadeira e comecei a cantar, mamãe e Lizzie começaram uma coreografia hilária.
- ! – Lizzie chamou e eu olhei. Ela jogou um pouco da massa do bolo, que a gente deveria estar batendo, em meu cabelo. Eu gritei e joguei nela, e assim começamos uma... guerrinha.
- Meninas... A campainha! – mamãe disse gritando por causa do som alto e gargalhando.
- Eu atendo – eu disse e corri para a porta. Abri-a e meu sorriso sumiu do rosto. – ? – minha voz falhou.
- ... – ele começou e olhou meu estado: short jeans curto, uma regata branca, Havaianas e toda suja de comida. – Desculpa.
Eu bati a porta na cara dele e comecei a chorar. Ele abriu a porta de leve, com medo de me machucar. Escancarei-a e disse:
- O que você quer? Arruinar minha vida? Impossível! Você já fez isso! – eu disse com a voz chorosa e tentei fechar a porta, mas ele segurou com o pé. – Vai embora, !
- Eu não vou mais te abandonar!
- Você já me abandonou. Sai daqui, .
Eu bati a porta na cara dele e desliguei o rádio. Minha mãe e Lizzie chegaram para ver o que aconteceu e começamos a ouvir alguma coisa.

Broken hearts and last goodbyes
Corações partidos e últimos adeus
Restless nights but lullabies
Inquietas noites mas canções de ninar
Helps make this pain go away
Ajudam a fazer essa dor ir embora
I realize I let you down
Eu percebi que eu te magoei
Told you that I'd be around
Te disse que estaria junto com você
Building up the strength just to say
Obtive força apenas para dizer

I'm sorry
Me desculpa
For breaking all the promises
Por quebrar todas as promessas
that I wasn't around to keep
que eu não estava por perto para cumprir
It's on me
Está em mim
This time is the last time
Esta vez é a última vez
that I will ever beg you to stay
que eu irei te pedir para ficar
But you are already on your way
Mas você já está em seu caminho

Abri a porta e vi com seu violão cantando. Coloquei a mão na boca segurando o choro.

Filled with sorrow, filled with pain
Preenchido com tristeza, cheio de dor
Knowing that I am to blame
Sabendo que sou o culpado
For leaving your heart out in the rain
por deixar o seu coração tão machucado
And I know your gonna walk away
E eu sei que você irá embora
And leave me with the price to pay
E me deixar na mão pagando pelo que eu fiz com você
But before you go I wanted to say
Mas antes de ir eu queria dizer

Yeah!

That I'm sorry
Me desculpa
For breaking all the promises
Por quebrar todas as promessas
that I wasn't around to keep
que eu não estava por perto para cumprir
It's on me
Está em mim
This time is the last time
Esta vez é a última vez
that I will ever beg you to stay
que eu irei te pedir para ficar
But you are already on your way
Mas você já está em seu caminho

Can't make it alive on my own
Não é possível torná-la viva em mim mesmo
But if you have to go, then please girl
Mas se você tem que ir, então por favor garota
Just leave me alone
Me deixa em paz
Cause I don't want to see you
Porque eu não quero ver você
and me going our separate ways
E eu em caminhos separados
I'm begging you to stay
Eu estou implorando para você ficar
If it isn't too late
Caso não seja tarde demais

I'm sorry
Me desculpa
For breaking all the promises
Por quebrar todas as promessas
that I wasn't around to keep
que eu não estava por perto para cumprir
It's on me
Está em mim
This time is the last time
Esta vez é a última vez
that I will ever beg you to stay
que eu irei te pedir para ficar
But you are already on your way
Mas você já está em seu caminho

terminou a canção, jogou o violão de lado e me abraçou.
- Eu te amo. Me desculpe – ele disse me abraçando forte.
- Amor... Você não pode sair assim do hospital! – eu bronqueei e rimos.
Nos beijamos e fui levar no hospital. Do jeito que estava.
- Eu te amo.


Capítulo 11

A vida é um mar de rosas, lá lá lá!
Tudo bem, viajei legal, mas... no momento, acho que eu posso. Parecia que eu tinha perdido meu pai duas vezes. Sério. Tem coisa melhor do que: ter a casa só para você e passar o dia no telefone com o namorado (já que a mãe dele vetou visita)? Lizzie saiu com e mamãe foi levar vovó e vovô no aeroporto, depois ia na casa de uma amiga.
- ! Precisamos conversar! – Lizzie entrou correndo em casa.
- Amor, a Lizzie chegou. Te ligo depois. Te amo. – Desliguei o telefone e me virei para a garota surtada ao meu lado – O que foi?
Ela ficou quieta. Hesitava.
- Você é virgem? – ela perguntou. Odeio quando me perguntam isso, mas... é a Lizzie!
- Sou – respondi envergonhada – Por quê?
Ela ficou quieta. Diz que não, meu Deus!
- Então... Eu... Eu acabei de perder a minha pro – ela soltou isso num jato.
Tudo bem... Minha irmã, um ano mais nova, acaba de perder a virgindade com um dos meus melhores amigos e, bônus, amor dela. Eu não tô podendo.
- Uau... Mas... Vocês se preveniram? – perguntei, bancando a irmã mais velha.
Ela corou.
- Não... Mas a gente queria, só que foi tão rápido que nem lembramos... E a minha menstruação acabou anteontem, ou seja, sem nenhum risco! – ela disse vendo minha cara de surpresa mudar para raiva.
- Como assim? Ai meu Deus! Elizabeth , as coisas não funcionam assim! – Ela odeia quando dizemos seu nome inteiro. – Lizzie... Você é minha irmãzinha mais nova – que acabou de perder a virgindade, fato – e eu não quero que faça besteira.
- Eu sei... Desculpa, mas não foi muito pensado.
- NÃO FOI MUITO PENSADO? – estrilei, levantando-me e ficando de pé na frente dela. – O terminou comigo porque eu disse que não queria transar com ele! E a gente namora faz um tempo já! Lizzie!
- Sabia que você não ia entender! – ela disse triste. Eu me ajoelhei em sua frente e coloquei a minha mão em seu queixo.
- Da próxima vez, toma cuidado, e converse antes! – bronqueei – Mas... E aí? Foi bom?
- Muuuuuito!
Nós duas rimos e fomos fazer um brigadeiro.
- O era...?
- Não – ela respondeu enquanto mexia o brigadeiro de panela. – Foi isso que me deu mais confiança.
- Ai, meu Deus. O que eu faço com você, menina?
- Não sei... Ah! Vamos alugar um filme?
Colocamos o brigadeiro para esfriar e fomos na locadora. Passamos na frente da sessão de filme pornô e Lizzie se demorou.
- Elizabeth! Sai daí, menina! Acabou de fazer, caramba! – Nós duas rimos.
No final escolhemos “Eu e as Mulheres”.
Estávamos sentadas, na parte que Carter e Lucy estão na floresta, quando mamãe chegou. Ela falava no celular.
- Hahaha! Tudo bem. Nos falamos depois, Carter. – Coincidência de nome? – Olá, meninas.
- Carter? – eu e Lizzie perguntamos.
- É... É o Doutor Carter Green. – Dr. Carter Green? É o médico do . – Ele é...
- O médico do . Eu sei – eu disse olhando significadamente para Lizzie.
- Ele é irmão da Lucy. – Lucy é a amiga da mamãe. – O que está acontecendo com você, Sra. ? – ela perguntou para si mesma e rimos. Jogou o celular e a bolsa na poltrona do lado e sentou ao meu lado.
- Como foi o dia? – ela perguntou e eu e Lizzie nos olhamos preocupadas.
- Normal – respondemos sorrindo.

Estava trancada em meu quarto, lendo alguma coisa para a faculdade, quando Lizzie bateu na porta. Já era cinco horas da minha monótona segunda-feira. A Sra. vetou minha visita por uma semana depois do que fez por mim. Voltando a Lizzie... Levantei-me e abri a porta. Ela estava com o cabelo bagunçado preso em um rabo de cavalo e sorria abobada.
- ... É estranho? – ela me perguntou.
- O quê? O fato de a minha irmã estar transando com um dos meus melhores amigos...
- Todos os dias – Lizzie acrescentou.
- Sem prevenção? – continuei – É. Bem estranho sim. E preocupante! – eu disse brava.
- Poxa, , entende. Eu realmente gosto do e, pelo jeito, ele realmente gosta de mim! – ela disse ficando brava.
- Eu sei disso, Lizzie. Só não quero que você faça besteira! Você nem contou para a mamãe!
- Eu sei! Eu sei! Afe, . - Ela saiu bravinha do meu quarto (do mesmo jeito que ela ficava quando eu ganhava em algum jogo ou escolhia a Barbie mais bonita). Eu ri e voltei para meu livro. – INVEJOSA – Lizzie gritou do quarto dela e eu levantei a cabeça. – SÓ PORQUE UM CARA JÁ ME COMEU E VOCÊ É VIRGEM!
Não sei por que, mas isso me magoou profundamente. Não pelo o que disse, nem pelo modo. Mas QUEM disse foi o problema. O pior de tudo foi minha resposta.
- MAS EU NÃO DEIXO QUALQUER UM ME COMER! NÃO FICO DANDO POR AÍ! – Peguei o livro e o celular e saí de casa. Antes de fechar a porta, ouvi Lizzie gritar.
Coloquei os fones do meu iPod no ouvido e liguei uma música qualquer. Segurava o choro e andava depressa. Cheguei numa pracinha e me joguei no banco.
- As coisas não vão se resolver assim – alguém disse.
- Eu sei.
- Então por que ainda está aí? – a voz continuou.
- Poxa, pai... Eu não tenho nenhuma idéia e... PAI? – Sentei-me correndo e olhei. Meu pai estava sentado à minha frente, mas... meu pai morreu.
- Pai?
- Sim? – ele respondeu.
- AAAAAAAAAAAAH! UM ESPÍÍÍRITO! ALGUÉM ME SALVA! SOCORRO! – comecei a gritar.
- Ei, ei, ei! ! Chega! Eu só vim ajudar! – ele disse e, quando eu pisquei, ele não estava mais lá.
Meu coração batia acelerado. Algumas pessoas na rua me olhavam curiosas. Ignorei-as e decidi falar com alguém. Ou seja: , O Culpado. Ri com esse meu pensamento e fui para a casa dele.
A mãe dele abriu a porta e eu entrei. Eu adorava a sala do . Era grande. Pareço uma criança.
- ? – finalmente chegou. – O que foi?
- A gente precisa conversar.
- TCHAU, CRIANÇAS! FUI FAZER COMPRAS – a mãe dele gritou fechando a porta.
- Sozinhos – disse sorrindo.
Sorri de volta e me preparei para falar.
- É sobre a Lizzie.
Ele ficou quieto. E com vergonha.
- Ela te contou? – ele perguntou.
- Só faltaram os mínimos detalhes – eu disse rindo. Melhor descontrair, certo? Ou não? riu também, e disse:
- É por causa da camisinha, né? Eu sei que você tá preocupada, mas... Não vai acontecer nada. – pegou minha mão e me levou até o quarto dele. A cama desarrumada.
- Ela esteve aqui hoje – ele disse e eu fiz uma cara de nojo.
Ele me guiou até o banheiro e abriu uma gaveta. Tinha umas dez camisinhas para mais lá dentro.
- E você não usa por que? – eu perguntei brava.
- Na hora acabo esquecendo de por – ele disse envergonhado.
- ! Que mau exemplo! E SE ELA ENGRAVIDAR? – surtei e gargalhou.
O telefone tocou e ele atendeu. Na outra mão, ele pegou uma camisinha e começou a passar no meu rosto. Nojento...
- Pára, ! Que noooooojo! – eu estrilava no maior estilo Patricinhas de Beverly Hills.
- Sim, ela está – disse rindo e passando o telefone para mim – É o .
- Alô? – eu disse ainda rindo e tive que explicar o que aconteceu, desde o momento que Lizzie disse que perdeu até agora.
- Tenho uma novidade!
- Conta – eu disse e me joguei na cama do .
- Vou continuar o tratamento em casa! - Uau! Nossa... Uau! Tô super feliz!

Andava com o fone no ouvido e a música que tocava no meu iPod agora era Shimmy A Go Go - Short Stack. Pensava no que me disse. Tratamento em casa é ótimo!
- Já arranjou alguma solução? – a mesma voz me perguntou.
- AAH! Que susto, pai! Um espírito – estremeci com a palavra – não pode aparecer assim!
- Eu não sou um espírito! – ele disse sorrindo.
- Se você não é um espírito, o que você é? – eu perguntei tentando manter a calma. E, assim, ele sumiu de novo. Droga...
Entrei em casa e fui para meu quarto.
A Lizzie vai fazer besteira, eu sei. Isso era a única coisa que pensava.
- Não exatamente – a voz do meu pai apareceu.
- O quê?
- Sobre Lizzie fazer besteira – ele disse e sorriu. Mas eu só pensei isso, então ele deve ser alguma coisa da minha cabeça. Uma alucinação?
- Eu tô alucinando? – perguntei na maior normalidade.
- Talvez. – E ele sumiu novamente.
Fiquei quieta por um tempo e depois ouvi o rádio de Lizzie ser desligado.
- Liz? Lizzie!!!
Ela entrou de cara fechada.
- O que é?
Contei que tinha conversado com e só queria cuidado. Abraçamo-nos e rimos. Pedi desculpas e fomos jantar.
Já faziam três semanas que havia briguado com Lizzie. Estava na casa de , conversando com ele e vendo meu amor correr para o banheiro.
- Amor – gritei. – Lizzie mandou uma mensagem. Preciso ir para casa.
- Tchau – ele disse em meio a um vomito e saí do quarto.
No caminho, meu telefone tocou. Lizzie, desesperada, falava coisas sem sentido.
Comecei a correr e logo estava em casa.
- Liz? Lizzie? O que foi? – eu entrei perguntando.
- Tá atrasada! – ela disse desesperada. Meu único pensamento foi: fodeu!
Fiquei paralisada na poltrona. Lizzie correu para o banheiro e trouxe um teste de gravidez.
- Fiquei com medo de fazer sozinha – ela disse envergonhada.
Esperávamos o resultado. Enquanto isso, subi no meu quarto.
- Droga! Droga! Droga! Irresponsável! – eu dizia tirando meu All Star. – É só as coisas voltarem a melhorar e ela estraga tudo!
- Não pense assim – a mesma voz voltou.
- O que você quer? – perguntei à voz.
- Te ajudar.
- É difícil, hein? – eu disse, tirando a calça e colocando um moletom.
- O futuro é uma caixinha de surpresas – a voz disse e olhei. Meu pai – ou o que isso é dele – estava sentado na janela e sorria para mim. – Pense nisso. – E sumiu.
Fiquei parada no meu lugar.
- Vai pensar? – a voz perguntou atrás de mim.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Saí correndo do quarto e fui falar com Lizzie. Ela estava estática no sofá. – EU TÔ ENLOUQUECEEEEENDO! – escandalizei.
- Não.
- Como ‘não’, Elizabeth ? FALA SÉRIO! E...
- Negativo! – Lizzie começou a gritar e a pular em mim. Eu comecei a gritar e a pular com ela.
Ficamos abraçadas um bom tempo.
- Viu? – a voz inundou meus ouvidos.
- Ouviu isso, Liz?
- O quê?
- O papai!
- HAHAHAHA! Deve ser coisa da sua cabeça. – Ela saiu e deu um pedala em mim. É. É coisa da minha cabeça. Mas realmente assusta!
Estava vendo MTV quando Lizzie gritou do banheiro:
- AAAH! CHEGOU! ALELUIA!
Eu só olhei para a porta. Peguei o telefone. Liguei para e contei tudo. Ele ria. Muito!


Capítulo 12

Acordei aquela manhã e me espreguicei. Coisa básica. Nem tinha terminado de me levantar e meu celular tocou. Li no visor “” e atendi.
- Alô – eu disse meio sonolenta.
- AMOOOR! disse agitado. – Eu já tô em casa! Passa aqui com o pessoal depois da escola. Minha mãe vai fazer brownie. Que saudade do brownie dela! Então, passa aí, e ela vai em matar! Os créditos e bla bla bla, beijos te amo.
Ele desligou e eu ri. Esse jeito dele – que não nos deixa dizer nada – é hilário.
Tomei um banho rápido e desci. Lizzie e mamãe conversavam animadamente.
- O que eu perdi?
- Eu vou fazer uma festa de debutante! – Lizzie disse animada e senti meu humor despencar.
Lizzie faria dezesseis anos em um mês. Uau. Minha irmã tá grande já! E eu já tenho dezessete anos! AAAAAH!
- Legal – foi a única coisa que pude dizer.
- Mas vai ser assim, vou usar a herança do papai, sabe? Então, vai ter valsa, e eu preciso de quinze amigas e amigos para fazerem os pares. Aliás, o meu vai ser o – ela sorriu – e o seu vai ser o , claro. Ai vou chamar a , o , o e alguma cheerleader e minhas amigas – Lizzie tagarelava animada.
Os preparativos começariam em uma semana e Lizzie estava super animada. Lembro que nos meus dezesseis anos eu fui ao show do Simple Plan (com direito a camarim!!!) com a . Encontramos , , e lá. E depois fomos comer pizza. Foi simplesmente perfeito. Nunca entendi muito essas cosias de festa de debutante. Quer dizer, fui a várias ano passado, mas... não é muito minha praia.
- Os vestidos que e cia terão que usar vai ser roxo com strass rosa...
- NÃO! – eu disse. – Liso, por favor.
- Tudo bem... – Lizzie pareceu assustada e voltou ao seu discurso de festa perfeita.

Estava sentada em um banco do pátio quando chegou.
- Sua irmã acabou de falar da festa comigo e com o – ela disse, sentando-se ao meu lado.
- Se você disser mais alguma coisa disso hoje, eu te mato! NÃO aguento mais!
Ficamos conversando até o sinal bater.
No intervalo, falei rapidamente com os meninos ( ficou de falar com , que estava morrendo de cólica).

- zinho! – entrou na sala de dizendo isso e rimos.
- zinho! – Eles se abraçaram de um jeito bem gay e rimos.
- Poxa, , meu namorado não. O tudo bem, eu sempre suspeitei dele, mas o não – eu disse e apanhei de enquanto os outros riam.
Ficamos conversando horas, até que solta a maldita pérola:
- Sua irmã me ligou para falar da festa.
- AH NÃO! – Eu me deitei no sofá ao lado de . - Eu não mereço isso! – eu disse e todos riram. A nossa conversa super animada sobre shows que queríamos ir esse ano foi interrompida pelo meu assunto que eu chamo de ‘inferno particular’: a festa de Lizzie!
- Parece que vamos organizar um casamento e Lizzie é a noiva!
- E o é o noivo – disse e rimos.
- E você, ? Como está o coracebo? – perguntou sorridente.
corou e ficou em silêncio, enquanto todos olhávamos para ele.
- DÁ PARA PARAR DE ME ENCARAR! – ele gritou e rimos. – Assim. No momento, ninguém, mas parece que vem uma intercambista do Brasil e, bem... Vou ficar de olho nela – ele disse fazendo cara de safado.
- Seu bobo! Ela vai ser minha “irmã”! Eu não quero você como cunhado! – disse e rimos. Me lembrei! A menina vai passar um ano aqui com a gente, e vai ficar na casa da .
- Coitada da Flora! – disse e rimos.
- Vai ser legal ver alguém do meu país de novo – eu disse com cara de sonhadora.
- Pois é. Também acho. Vou aprender a falar português, aí a gente pode fofocar sem nenhum menino entender! – disse empolgada e os meninos fizeram cara de indignados.
- Droga! Um cara que vai ajudar na festa vai lá em casa hoje. Eu tenho que ir. – Despedi-me de com um selinho e me virei para (e o resto). – Aprendam como brasileiros se cumprimentam. Pelo menos os de São Paulo. A menina é de onde?
- Jundiaí, eu acho – disse.
- Tá legal – eu disse, e dei um beijo na bochecha de cada um, deixando-os com umas caras meio assustadas. Eu ri enquanto me dirigia a porta. – Se acostumem!
Eu andava em direção a minha casa com um sorriso bobo no rosto. Só de saber que veria uma brasileira, sem ser da minha família, em dois dias me animava.
Abri a porta e vi mamãe, Lizzie, um cara de óculos com armação preta e uma mulher de terninho e rabo-de-cavalo.
- Oi? – eu disse. – Desculpa pelo atraso.
- Querida, esses são John e Alysson. Eles vão ajudar a arrumar a festa.
- Não é muito caro contratar um desses? – eu perguntei na maior cara de pau.
- Alysson estudou comigo no High School. Éramos grandes amigas, e John foi meu namorado, até eu descobrir que ele era gay. Mas continuamos grandes amigos! – Mamãe disse sorrindo e eu fiz uma cara de assustada. – Sente-se.
Me sentei ao lado de Lizzie e ouvi as coisas mais banais, do tipo: cor da toalha, enfeites, etc. Lizzie parecia que ia casar. Sentia que ia vomitar. Dei a desculpa que estava com cólica e fui para meu quarto.

Acordei atrasada e tive que pular o banho. Coloquei uma roupa básica e saí de casa sem café. Corri o caminho todo. Cheguei na escola arfando e o sinal batia no exato momento em que entrei pelos portões. Corri direto para a aula de inglês.
- Que demora, ! – disse estranhando.
- Acordei atrasada. E aí? Animada com a Flora? Ela chega amanhã.
- Eu sei! E, aliás, vai comigo?
- Como assim? Eu não posso. Não sou da família e...
- Eu preciso de ajuda em Álgebra. A gente vai buscá-la às seis da tarde. Você fica em casa estudando comigo, e conversando, e depois vamos buscá-la e te deixamos na esquina da sua casa – ela disse animada.
- Tá. Tudo bem – eu disse pegando meu caderno na mochila.
ficou a aula toda murmurando coisas como: “é amanha”, “vamos juntas” e “que emoção!”. Parecia uma criança.

Estávamos revisando a matéria nova de Álgebra, pela quinta vez, e o pai de nos chamou.
- Vamos? Ela chega logo.
pulou da cama e colocou o All Star dela. Recolhi minhas coisas e fomos.
Esperávamos na frente do portão de desembarque 4. tremia ao meu lado e sorria radiante. Eu ria da expressão de criança dela.
- Ali está! – O Sr. apontou. Era uma menina alta. Os cabelos louros (bem louros) e cacheados na ponta. Cara, eu quero esse cabelo! Ela usava uma calça jeans skinny e uma camiseta azul com morangos.
- Oi. – Ela chegou sorrindo. Todos se apresentaram. Eu virei e disse (em português):
- Oi, Flora! É ótimo encontrar alguém do Brasil depois de tanto tempo!
- VOCÊ É DE LÁ!? – ela disse impressionada. – Precisamos conversar! – ela disse sorrindo.
No carro, fomos todos conversando. Flora contava um pouco da sua vida. Ela fazia algumas perguntas também.
- Tchau. Até amanhã – eu disse, esquecendo-me completamente que amanhã não teríamos aula. É SÁBADO!
Antes de entrar em casa, liguei para mamãe dizendo que ia na casa do . E fui, claro.
- Amor – eu disse e o cumprimentei com um selinho estalado. – A Flora é linda!
- Concorrência? – ele perguntou e eu joguei uma almofada nele.
- Não, seu bobo! Comentário – eu disse e mostrei a língua, como uma criança de cinco anos. Ele riu.
- Oh! ! Vai ficar para o jantar? – A Sra. perguntou.
- Se não tiver problemas...
- Oh não! , seja útil e ponha a mesa! – minha sogra bronqueou e eu ri.
- Tô doente. – tossiu falsamente, fazendo eu e sua mãe rir.
- Tudo bem. Fiquem aí – ela disse com voz de derrotada.
Eu liguei para casa dizendo que ia jantar na casa do meu amor, lindo maravilhoso, e isso tá ficando cafona.

Saí da casa do por volta de meia-noite. Vimos um filme com seus pais (V de Vingança) depois do jantar. Nossa casa tinha mais ou menos cinco quarteirões de distância e resolvi ir andando. Afinal, nada pode acontecer. Ou pode? Coloquei meu iPod no ouvido e liguei Gun’s N’ Roses. É uma coisa que me ajuda a pensar, não sei por que. Fui cantarolando November Rain, até que ouvi um barulho. Abaixei o volume da música. Parei de andar. Não ouvi mais. Voltei a andar, mas com o som baixo. Estava cautelosa e com medo. Continuei em silêncio.
Mais uma vez o barulho. Olhei para trás assustada e vi dois homens no escuro, parados, encarando-me. Uma voz em minha cabeça me mandou correr.
Continuei a andar, como se não fosse comigo. Uma risada estrondosa me fez olhar para trás e ver que os homens corriam para mim. Tentei correr, mas não rápido o suficiente.


Capítulo 13

Vi o desespero passar em meu rosto lentamente. Meu coração batia rapidamente.
- Ei, mocinha! – um deles gritou.
- Como vai a vida? – o outro perguntou rindo.
- Não corra! – O primeiro me jogou no chão. – Não vale a pena. – Eles riram e eu tentei me soltar das mãos do meu agressor.
- Fica aí. – O outro me empurrou contra o chão. – Ainda temos um serviço a fazer. – E ele jogou minha bolsa longe.
Eu tremia, mas tentava me controlar.
- O que vocês vão fazer? – eu perguntei, na maior inocência.
Eles se olharam e riram.
- Vamos abusar.
- Te molestar.
- E tudo o que a gente quiser.
Eu comecei a gritar, mas um deles tampou minha boca.
- Nem ouse – ele sussurrou e eu fechei os olhos.

Senti o calor do sol de leve em minha pele nua. Alguns curiosos me observavam e senti alguém jogar um cobertor em mim. Essa mesma pessoa me guiou para dentro de sua casa. Abri os olhos. Olhei para o lado e vi a professora Willis me observando. Ela era professora de francês e eu a adorava.
- O que aconteceu, querida?
Eu resumi até a parte que fechei os olhos. Contei que senti muita dor. Ela parecia chocada. Deu-me uma roupa e fui me trocar, enquanto ela ligava para minha mãe, que parecia desesperada.
Pouco tempo depois vi: , , Mamãe e Lizzie parados na sala da Sra.Willis.
- Oi?
Todos avançaram e começaram a fazer perguntas. Respondi com calma, sentindo meu corpo doer por dentro, e senti uma coisa – além de nojo – por aqueles dois homens de ontem. Uma vontade que eu nunca tive: vontade de matar.
Eles me levaram ao hospital. Os policias nos encontrariam lá.
Detalhei – mais uma vez – a noite anterior. O médico exigiu minha permanência no hospital por pelo menos vinte e quatro horas.

Estava deitada na cama. Parada. A TV ligada na MTV passava algum clipe no MTV Lab ao Cubo. A banda agora era Short Stack e meus lábios se moviam de acordo com a letra de Shimmy A Go Go. Nessa hora, o delegado entrou seguido de minha mãe. tentava me ligar, mas Lizzie atendia e dizia que eu não estava bem – o que era verdade.
- Temos novidades sobre os exames e sobre os delinquentes.
Sentei-me rapidamente na cama e desliguei a TV.
- E? – eu perguntei nervosa.
- Seu exames não deram nada de errado. Você só deverá comparecer a psicólogo por no mínimo um mês. E... – Ele fez uma pausa. – Esses infratores já passaram pela delegacia, como você nos mostrou no retrato-falado. – O delegado me mostrou duas fotos. Eram os mesmo homens da noite anterior. – São os mesmo? – Eu concordei com a cabeça. – Muito bem.
Eles se retiraram e eu liguei a TV novamente, acompanhando Princess, tentando esquecer os fatos.
Minha mãe disse que eles iriam atrás dos infratores. Eu teria alta no dia seguinte. A Sra. Willis foi me visitar. Ela disse que algumas fofocas sobre o acidente vazaram na escola, mas ninguém confirmou nada.
Meu dia foi miserável: visita da , , , e Lizzie. Mamãe comigo no quarto e falando com o delegado. No final, acabei ligando para .
Ele parecia minha mãe de tão preocupado e ficou xingando os infratores foi meia hora. Eu ria devagar – meu estômago doía.

- Muito bem, Srta. . Está dispensada – o médico disse e eu não deixei de sorrir. – Você precisará me visitar – ele deu uma risada – toda semana, e qualquer dor que seja também venha me ver!
- Obrigada, Doutor Green – mamãe disse animada.
- Pode me chamar de Carter – ele disse sorrindo e eu e Lizzie trocamos olhares significativos.
Fomos para casa e mamãe parecia que cuidava de uma criança.

Estava deitada no colo de Lizzie assistindo Scooby Doo 2 – Monstros a Solta [n/a: esse fato é verdade. Eu dormi no colo da minha irmã de 9 anos. Folgada? Qéisso.] quando o delegado entrou em casa.
- Sra. . Srtas. – ele nos cumprimentou formalmente e eu acordei em um salto.
- Novidades? – eu perguntei desesperada.
- Sim. Precisamos que você deponha.
Ele me explicou que era preciso para acusar os infratores. Essas coisas são bem complicadas na verdade.
A audiência seria em três dias – coisa rápida.

Estava deitada em minha cama, tentando ficar calma, quando minha mãe apareceu na porta.
- Filha? Está na hora – ela disse séria. Hoje eu iria depor.
Levantei-me devagar. Corri para o banheiro e terminei de me arrumar. Saí do quarto e Lizzie estava na porta.
- Boa sorte, sis! – ela me disse e eu sorri.
Saí de casa e entrei no carro de mamãe. Ela tentava falar coisas do tipo: vai ficar tudo bem, relaxe, respire, só responda o necessário, o advogado estará lá, lembra do que conversamos? etc.
- Senhoras e senhores... – Bla bla bla. O juiz começou e eu bocejei. Meus olhos se encheram de lágrimas. E finalmente minha vez chegou.
Eu relatei mais uma vez o que aconteceu naquela noite.
- Eu saí da casa do meu namorado por volta da meia-noite. Estava andando na rua, voltando para minha casa que fica a cinco quarteirões de distância. Até que eu ouvi um barulho – eu fiz uma pausa – o barulho sumiu e eu voltei a andar. Pouco depois, o barulho se repetiu e eu vi dois homens parados no escuro me encarando com malícia. Eu tentei correr, mas eles me pegaram. Eles me jogaram no chão e prenderam minha mão. – Meu corpo se estremeceu. – Eu perguntei o que eles iriam fazer e eles responderam “vamos abusar, te molestar e tudo mais o que quisermos”. Algo assim. Eu gritei e eles tamparam minha boca. O primeiro deles, eu acho, rasgou minha camiseta, aí eu fechei os olhos. Sentia dor. E só fui acordar no dia seguinte.
Eu disse, estremecendo no final do relato.
O juiz falou mais algumas coisas, os advogados fizeram mais algumas perguntas e eu parei de respirar quando os dois suspeitos entraram.
- São eles? – o juiz perguntou.
- Sim, eles! – eu disse tremendo, minha voz algumas oitavas acima.
- Eu condeno Josh Maden e James Pork a prisão perpétua cada por homicídio culposo, estupro, roubo, formação de quadrilha e tráfico de drogas.
Uau. Prisão perpétua.
Os guardas levaram Josh e James para fora e eles saíram xingando. Minha mãe se aproximou de mim.
- Tudo certo, pequena, tudo certo! – E eu vi uma lágrima correr por seu olho azul. Ela me beijou na testa e saímos do Fórum.
- Mãe, me leva na casa do ? Todo mundo ta lá esperando o fim da história.
Ela murmurou um “claro” e me levou. Mas estabeleceu algumas regras: sair enquanto estiver dia se for a pé e se for de noite, pedir na maior cara-de-pau uma carona básica. Claro, não queria ser estuprada de novo. Bem, mas como os caras me molestaram eu – teoricamente – não perdi minha virgindade. Um dom que é do e... AI MEU DEUS! Quem sou eu e o que eu estou pensando?
Chacoalhei a cabeça tentando fazer meus pensamentos pervertidos sumirem e quando percebi, estava na frente da casa de . Desci correndo do carro e bati na porta. abriu a porta e pulou em mim, arrastando-me para dentro e fechou a porta.
- Amor!!! – correu para mim. – O que foi? No que deu?
Todos perguntaram afobados e eu contei, fazendo todos soltarem exclamações de alívio.
me deu um selinho e eu abracei sem fôlego.
Ficamos conversando até tarde – meia-noite especificamente – e decidimos dormir na casa do , para evitar problemas.
Pegamos todos os colchões – 8, Flora estava lá e Lizzie estava vindo – e colocamos todos no chão da espaçosa sala da família . As meninas arrumaram as camas e os meninos foram pegar um filme. Ou melhor, os meninos menos . Ele foi ajudar a mãe na cozinha. Depois que terminamos, nos sentamos no sofá e... Como posso dizer? Fofocamos MUITO!
Os meninos chegaram logo e trouxeram: Um Amor Para Recordar (ordem explícita das namoradas), Batman – O Cavaleiro das Trevas (eles escolheram, mas a gente gostou. Heath!), Um lugar chamado Nothing Hill (coisa da ) e...
- Tentamos pegar um pornô, mas não deixaram. Então pegamos American Pie mesmo! – disse e rimos.
Todos fomos ajudar a Sra. a por a mesa. Terminamos e ligamos o rádio.
- Escolham um CD – disse apontando para mim, , Lizzie e Flora. Corremos para a estante de CDs e de cara eu peguei um.
- Que tal? – perguntei.
- Perfeito... – elas responderam.
Colocamos e esperamos começar. “Penny Lane” de cara. Rimos. Era um CD que gravamos para no aniversário dele de 14 anos. Todas as minhas músicas favoritas. começou a rir e eu fui dançando em sua direção. Dei um selinho nele e sentei-me.
- Abunde-se, amor – eu disse rindo.
Todos se sentaram e logo devoramos a macarronada a bolognesa preparada com muito amor, carinho e dedicação total a você pela titia .
Parecia que as coisas iriam ficar bem.
Por enquanto...

Capítulo 14

Estávamos assistindo Nothing Hill. segurava minha mão e a acariciava fazendo movimentos circulares com seu polegar. Passei meu braço em seu ombro e comecei a brincar com seu cabelo. Fiz um cachinho em uma mecha, mas na hora de tirar minha mão, o cabelo veio junto. Fiquei paralisada, olhando para minha mão. Pode ser exagerado, mas não consegui fazer mais nada. Tirei a mão de trás e a coloquei em frente aos meus olhos. olhou. Sua expressão foi assustada, e ele passou a mão no cabelo. Seu olhar foi de pânico e o meu de súplicia.
- Posso te pedir uma coisa? – disse ao meu ouvido e eu concordei. – Gente, podem ir vendo. A gente já volta.
Ele pegou minha mãe e me guiou até seu quarto. Entramos no banheiro e ele tirou uma caixinha.
- Por favor – ele pediu.
- Não. Eu não posso – minha voz falhou quando ele me entregou a tesoura e a maquininha.
- Só você pode fazer isso por mim – ele me disse com lágrimas nos olhos e me convenceu.
Comecei pela tesoura. Digamos que tirando o excesso. Vi cada pedaço de seu cabelo cair em meus pés. Depois de ver o pequeno estrago, peguei a máquina.
Olhei para .
- O estrago já está feito – ele me disse conseguindo arrancar um sorriso.
Liguei a máquina e comecei a passar nos restos de cabelo.
Vi uma lágrima escorrer pelo olho de . Ele a limpou.
- Tudo bem, amor. Pode chorar – eu disse o encorajando.
Terminei o serviço e limpamos o banheiro. Olhei para meu namorado – agora careca – e uma lágrima correu em meu rosto.
- Eu estou tão feio assim? – perguntou limpando a lágrima.
- Não. Você continua sendo lindo – eu disse bajulando-o. Ele me beijou. Eu retribuí o beijo com tanto amor que em pouco tempo estávamos ofegantes.
- Vamos voltar, antes que achem que estou te engravidando! – disse e eu ri. Muito.
Descemos de mãos dadas depois de trocar a camiseta. Aquela ficou cheia de cabelo.
Nos sentamos no sofá em silêncio. Era a parte em que ele vai atrás dela e todos prestavam atenção. Assistimos ao filme até o final, e, como todos prestavam atenção, ninguém percebeu a diferença. Até...
- AMERICAN PIE! AMERICAN PIE! – pulava ao nosso lado feito uma pipoca.
- Relaxa, cara. Eu ponho o filme. – se levantou rindo e foi a frente de todo mundo colocar o filme no DVD. As risadas cessaram. O silêncio estava no ar. Todos olhavam perplexos para .
- O que foi? Tô de verde? Tô cagado? – disse tentando fazer uma piadinha, sem sucesso algum.
- Não! Você tá careca! – disse.
Eu e explicamos o que ouve, e logo a Sra. apareceu na sala. E caiu em prantos. Mulher forte. Mas sensíííível! foi atrás da mãe explicar. Ele voltou logo e começamos a ver o filme. e eram os mais animados. Flora e Lizzie estavam no canto falando da festa de debutante de Lizzie que seria em duas semanas. Amanhã todos iriam em casa ensaiar a valsa. Animação: zero!
O segundo filme passou mais rápido do que imaginamos e decidimos arrumar as camas na sala.
Estendemos todos os colchões. Um ao lado do outro. Os meninos determinaram que eles só ficariam ao lado de meninas, então a seqüência de camas foi a seguinte: , eu, ( quase me espancou), , , Lizzie, Flora e . Colocamos os lençóis e, como em pleno Março o final de inverno e início de primavera reinava, pegamos edredons. Os meninos foram se trocar no quarto de hóspedes e nós, meninas, no quarto do .
- E aí, Flora? Já se interessou por algum gatinho? – Lizzie perguntou. Flora e Lizzie tinham a mesma idade e estavam em várias classes iguais.
- Bom... Tem alguns – ela disse envergonhada.
- Mas qual é o mais mais? – perguntei.
A garota corou.
- Pode contar pra gente, siiiis! – a encorajou.
- Tudo bem, tudo bem... O - ela disse enfiando a cara na calça que ela segurava.
- O NOSSO? ? QUE LEGAAAL! – Lizzie estrilou.
- Shiiiiiiiu! – Flora pediu corando ainda mais. Se isso fosse possível.
Ficamos conversando mais um pouco sobre isso e disse que faria – FARIA – o ficar com a Flora. Descemos e os meninos estavam conversando.
- Pronto! – anunciou.
Decidimos que os casais oficiais (eu, , e ) iriam para a cozinha preparar a pipoca e os outros (Lizzie, , Flora e ) iriam dar um jeitinho na sala. Voltamos logo com pipoca, refrigerante e chocolate. Nos jogamos nas camas e colocamos Um Amor Para Recordar. Olhamos no relógio do DVD: Meia-noite.
Decidimos que assistiríamos Um Amor Para Recordar, e Batman seria de manhã. Eu já sabia a história do filme décor, mas é completamente apaixonante.
A hora que Landon descobre que ela tem câncer foi a mesma hora que eu comecei a chorar. Realmente, eu posso entender o que esse personagem passa! conseguiu acabar com o clima romântico na área dizendo:
- A é o Landon do .
Pausamos o filme e ficamos rindo histericamente por um tempo. Quando demos ‘play’ minhas lágrimas já haviam cessado.
começou a falar junto de Jamie:
- O amor é paciente, o amor é bondoso, não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante; Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses. Não se irrita; Não se guarda rancor. Não se alegra com a injustiça... – ele fez uma pausa e eu continuei.
- Mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa. Tudo crê, tudo espera...
Nos olhamos e dissemos juntos:
- Tudo suporta!
Ele tocou meus lábios de leve e depois me beijou. Eu deitei minha cabeça em seu ombro. Ele ficou brincando com as pontas de meu cabelo.
Chegou no final do filme e todas as garotas estavam em prantos.
Mas, mesmo assim, parece que e tiveram a mesma idéia. No momento que Landon vira, eles disseram:
- O amor é como o vento. Não podemos ver, mas podemos sentir.
Eu e nos olhamos e começamos a soluçar. Foi uma cena bizarra, mas romântica.
Depois de tantas lágrimas decidimos dormir.

Meu alerta para acordar gritava em minha cabeça.
- 1, 2, 3!
Senti corpos pularem em mim e gritou ao meu lado. Todos riam em cima de mim. Caíram ao nosso lado, todos rindo histericamente. começou a xingar e, em um ato reflexo, passei a mão em seu cabelo.
Minha mão deslizou rapidamente por sua... careca? Foi bem estranho. Tirei minha mão rapidamente e me olhou curioso.
- Amor?
Eu fiquei parada, encarando seu mais novo visual. Não consigo acreditar que ele está assim. E eu fiz isso.
Uma vontade súbita de vomitar chegou e eu corri para o banheiro.
O que posso dizer? Eu vomitei!

Continua...


N/A: Dois capítulos para compensar a demora. Geente, eu fico maal lendo esse dois capítulos :x. BTW, descuuuuuuulpa a maldita demora, maaaas é que eu to sem pc e meu aniversario foi dia 29 e eu tenho que preparar as coisas pra festa, afinal, aniversario só uma vez por ano e 15 anos uma vez por vida
Quero meus parabéns de 15 anos atrasado – hmmm
Lõh – Desculpa, mas eu ri oceanos! USHAUSH. Como assim você não percebeu que tava molhada? Matando aula, eim mocinha(?). Já fiz. USHAUSHUAHS
Bom. Tenho que sair e voltar para o meu livro que eu ganhei da Rê de aniversario (A enciclopédia da moda – há)
Beijos sabor morango com chocolate!
Adoro vocês gatas que comentam sempre na fic - hã