Escrito por Aly ~ Betado por Tah :)






Minhas pálpebras pesavam, não me permitindo abrir os olhos. "Foi uma noite e tanto” era o que minha dor de cabeça me dizia a cada latejada devido as minhas inúmeras tentativas de abrir meus olhos. “Da próxima vez, , beba mais!”. Como ela era sarcástica.

Virei-me para o lado, tentando mandar uma mensagem para o meu cérebro que eu precisava de uma aspirina urgente, mas em vez disso, a mensagem que chegou nele foi que havia mais alguém na minha cama, fazendo-me acordar na mesma hora.

Passei a mão sobre a cabeça, xingando-me mentalmente pela décima vez só naquela manhã. “Sou um animal”, me condenava a cada instante, enquanto tentava sair da cama sem fazer muito barulho.

Assim que eu me vesti, quase que imediatamente, saí de casa, batendo a porta atrás de mim, torcendo para que quando eu voltasse, minha cama estivesse do jeito que ela devia ficar, vazia.


(POV )

Abri meus olhos assim que ouvi uma porta se fechando em algum lugar da casa. Minha cabeça rodava tanto que não atrevi me mexer nem um centímetro sequer da minha posição inicial, mesmo que por um momento, esperando que aquela tontura toda terminasse de uma vez por todas. Sorri quando percebi que a cama estava vazia, não queria ter que olhar para o rosto do... Quem era ele mesmo? Essa é a última vez que bebo mais de dois copos de cerveja. É, nunca acabo bem quando exagero. Permaneci parada no meu lugar por mais alguns minutos, me dando conta assim que não importava quanto tempo eu ficasse parada que nem uma lagartixa, minha cabeça continuaria travando sua guerra contra o álcool que insisti em adicionar ao meu corpo na noite passada.

Olhei o relógio ao lado da mesa de cabeceira e percebi que estava mais que na hora de eu me retirar da casa do estranho que eu dormi na noite passada.

Como eu queria lembrar do rosto dele.

Tirei os lençóis de cima de mim e procurei minhas roupas pelo chão fofo do quarto do meu estranho, mas nem tudo estava lá, então rumei para a sala apenas de roupa íntima, tentando localizar minha última peça de roupa; um vestido preto, tomara-que-caia. Não sei se era o sono ou se realmente aquele canto estava EXATAMENTE no meu ponto cego, mas eu demorei mais de cinco minutos para finalmente estar com meu vestido nas mãos, para poder vesti-lo de uma vez por todas e sair daquele apartamento.

Assim que coloquei minha sandália de salto agulha, respirei fundo e amarrei o cabelo em um coque frouxo, deixando que algumas mechas caíssem sobre meu rosto ainda amassado, devido ao sono. Peguei minha pequena bolsa em cima da mesa de centro e rumei para porta branca com maçaneta de metal para sair. Antes de fechar a porta atrás de mim, dei uma última olhada no apartamento, esperando nunca mais colocar meus pés por lá.

(/)




Logo que entrei no meu apartamento, notei que ele estava silencioso e diferente. Não tinha mais roupas femininas jogadas e nem nada que pudesse pertencer a outra pessoa que não fosse eu. Respirei aliviado, fechando a porta atrás de mim e indo em cada cômodo, para ter certeza de que estavam realmente vazios.

Depois de checar e perceber que a barra estava limpa, deitei-me sobre a cama, ainda bagunçada da noite passada, e mantive meu olhar fixo no teto acima de mim, pensando no que realmente tinha acontecido naquela noite, analisando meus atos e percebendo a besteira que eu havia feito. Fechei meus olhos, afundando minha cabeça com mais força na almofada branca e macia, pensando assim com mais calma em tudo que estava acontecendo. Senti minha consciência pesar, deixando-me preocupado e apreensivo. ‘Se ela decidisse voltar?’. Tudo me fazia suspeitar, eu tinha medo; ‘logo agora que tudo estava dando certo você decidi estragar tudo, né, ?’

Mantive meus olhos fechados, esperando que tudo aquilo não passasse de um sonho ruim, mas para o meu azar, nada aconteceu, absolutamente nada. Senti o perfume dela invadir, fazendo-me lembrar de cada suspiro dado horas atrás, deixando-me ainda mais tonto e bêbado, controlando-me, tornando-me apenas um boneco. Balancei a cabeça, tomando coragem de abrir os olhos e tomar uma atitude, ser homem e reconhecer os meus erros, todos eles. Então senti meu bolso vibrar e me deparei com a última facada que esperava tomar:

“Meu amor, estou com saudades. Pensei a noite inteira em você, está melhor? Espero que sua gripe tenha passado, ainda não sei por que não podia ficar aí com você. Você sabe que eu não me importo. Não pense em me impedir, hoje passo aí para cuidar de você. Te amo, .”

Senti a culpa invadir, tomar conta de mim. Definitivamente não teria coragem de contar para tudo, nem a metade, nem nada. Eu simplesmente me senti um covarde; um covarde que prefere enganar sua namorada e não a ver sofrer a contar a verdade e se sentir culpado pelo resto da vida por ter sido um idiota. Eu era da pior espécie de covardes, mas não havia jeito, era a melhor escolha... para mim.

Enquanto remoía minha culpa, ouvi de longe uma musica conhecida tocar, e ela aumentava cada vez mais, fazendo-me perceber que ela tocava dentro do meu quarto, debaixo da minha cama. Pulei da cama e me agachei no chão para ver o que estava fazendo Time after time tocar. Foi quando eu o vi, um aparelho preto luminescente vibrando a uma braçada de distância enquanto tocava, esperando que seu dono o atendesse. E, para meu azar, eu não era o dono. Quando o alcancei, ele havia parado de tocar. Suspirei aliviado, não queria ter que atender ao telefone da... Quem era ela mesmo? Não importava mais. Eu, de um jeito ou outro, teria que reencontrá-la para devolver seu objeto de comunicação. Logo que me descuidei, escutei tocar mais uma vez, respirei fundo e o peguei, contando mentalmente até três para ter coragem. Um... dois... três...

- Alô?




(POV )

Logo que coloquei os pés no meu apartamento, senti minhas pernas falharem devido ao meu salto agulha oito centímetros lindo e destruidor. Não havia como negar, eu tinha um caso de amor e ódio com aquela sandália, mas hoje não era um bom dia para lembrar de casos de amor, ou rixas bobas com sandálias de salto alto.

Tirei minha roupa da noite passada e segui para o banheiro, desejando que um banho quente resolvesse todos os meus problemas. Ao tirar minha roupa íntima e entrar no boxe, senti o silêncio e o frio se instalarem por todo meu banheiro, deixando assim minha mente livre para pensar em qualquer coisa. Senti arrepios percorrem por toda minha pele, tirando meu fôlego imediatamente; parecia que ele estava bem ali, como ele estava ontem à noite, me entorpecendo com suas mãos, me deixando completamente mole. Respirei fundo e decidi me concentrar no meu objetivo principal, esquecer.

Liguei o registro, e só bastou um segundo para que a água quente descesse por ele, me tirando daquela sensação de silêncio e frio. O alívio percorreu meu corpo nu, e bastaram apenas alguns minutos para que eu me sentisse leve e consideravelmente limpa. Fechei o registro do chuveiro, deixando que apenas o barulho das últimas gotas caindo ecoassem por todo meu banheiro.

Assim que me enrolei em minha toalha fofa, segui para meu quarto, esperando encontrar meu pijama larguinho, para apenas descansar vendo mais uma maratona de filmes, que passaria em um canal por assinatura. Peguei meu pijama no fundo do armário e sorri ao perceber que ele ainda estava com aquela mancha de molho de tomate, devido a minha ultima maratona de filmes. Coloquei-o e segui para o pequeno lavabo do meu quarto, pegando ali minha escova de cabelo e começando a desembaraçá-los com cuidado. Assim que me encontrei pronta, segui para a sala, me jogando no sofá e estranhando a sobra de espaço.

- ...

Como podia esquecer da minha companheira de maratona de filmes? Sorri de maneira boba, indo em direção à minha pequena bolsa. Derramei todo seu conteúdo sobre a mesa, mas nada, ele não estava ali. Respirei fundo, não acreditando que poderia ter sido tão idiota; como fui capaz de perder meu celular? Peguei o telefone sem fio sobre a mesinha e disquei meu número, esperando escutá-lo por algum canto, mas nada, ele apenas tocou e tocou. Bufei, desejando tacar o aparelho que estava em minhas mãos na parede, mas ao invés disso, respirei fundo, apertando o redial.

- Alô?

Escutei uma voz masculina do outro lado da linha, fazendo meu estomago afundar imediatamente. Desejei silenciosamente que não fosse de quem eu estava imaginando.

- Er... Alô!? Eu... Hmm... Quem está falando?

Minha cabeça rodava. Não podia estar com ele; com qualquer um, menos com ele. O silêncio de alguns segundos parecia ser de anos, e, aos poucos, senti minhas pernas falharem, me obrigando assim sentar no sofá.

- ... ops, . E você quem é?

- Oi, , hmm... aqui é a... , dona do celular...

Senti meu batimentos aumentarem, fazendo-me não sentir mais meu coração, devido a sua rapidez. Fechei os olhos, desejando que ele fosse apenas um barman ou qualquer outra coisa.

- Er... Acho que você esqueceu seu celular aqui, quer dizer, você esqueceu seu celular aqui em casa na noite passada, e...

- Podemos nos encontrar? Preciso do meu celular tipo... para agora. – Sorri ao perceber o clima que se instalava. Esperei paciente sua resposta, enquanto escutava sua respiração bater contra meu celular.

- Hoje? Tem mesmo que ser hoje? – Sua voz estava apelativa. Não queria piorar as coisas, mas eu realmente precisava do meu celular. Mesmo assim, decidi cooperar.

- Teria, mas acho que você não vai poder, certo? Então de amanhã não passa. No máximo, até a hora do almoço, combinados? – Isso aí, , colocando moral!

- Está certo, amanhã, na hora do almoço, nos encontramos... mas onde?

Bingo! Onde? Um lugar onde ninguém conhecido pudesse passar por perto ou por longe, um lugar movimentado por pessoas desconhecidas que não ligam para a cena mais patética: um cara devolvendo o celular que a idiota mulher deixou no apartamento dele após uma noite. Pensa, , onde, onde, onde?

- Que tal na Livraria Brucks, perto da estrada central? Sabe onde é? Preciso comprar uns livros, vou estar lá por volta de uma hora da tarde. Pode me encontrar lá?

- Podemos, sim. Uma hora, amanhã, certo?

- Exatamente, então marcado. Desculpe o incômodo... mas... posso te perguntar uma coisa?

- Er... Pode.

- Onde meu celular estava? – Escutei a risada dele entrar pelo meu ouvido, fazendo-me rir juntamente. – É sério, eu não o achei de manhã largado por qualquer canto, onde ele estava?

- Debaixo da cama, não me pergunte como ele foi parar lá.

- Nossa, eu realmente não o encontraria... Então, vou te dar uma dica, desligue-o. Costumam me ligar demais.

- Pode deixar, considere-o desligado. Então... até amanhã?

- É até amanhã, tchau...

- Tchau...

Tu tu tu...

(/)


Logo que o aparelho se encontrava desligado, coloquei-o dentro da minha mochila para que não pudesse haver perguntas assim que decidisse aparecer. Sorri ao perceber que ela não havia dado sinal de vida até agora, mas logo meu sorriso desapareceu quando escutei o barulho de chaves invadir meu apartamento gradualmente. Olhei pela fresta que havia se formado entre a porta do meu quarto e vi seus longos cabelos de relance.

- Amor? ?

O barulho do seu sapato batendo contra o assoalho fazia toda aquela cena parecer ainda mais macabra. Era como se ela estivesse esperando para dar o bote, aparecendo sorrateiramente, me chamando para dar apenas mais emoção à cena; definitivamente, eu havia enlouquecido. Pulei na cama e me encolhi sobre as cobertas, fazendo com que todo meu corpo ficasse imóvel por segundos, como se eu estivesse dormindo a horas.

Ouvi a porta do meu quarto se abrir e o tapete abafar seus passos, enquanto ela caminhava lentamente ao meu encontro. Minha cama afundou quando ela se sentou, anunciando sua chegada, mas me mantive parado e com os olhos fechados. Suas mãos percorreram meu rosto e cabelo, tentando me acordar de alguma maneira. Abri os olhos com calma assim que percebi que não teria como mais fingir, encarando-a da maneira mais cínica, escondendo toda minha culpa com um sorriso.

- Oi, amor. – Selei seus lábios, fazendo-me sentir nojo de mim mesmo.

- Amor! Como você tá, meu lindo? – Ela retribuiu meu selinho com outro, só que mais forte, fazendo meu estomago embrulhar e me deixando enjoado.

- Não sei, tô me sentindo melhor, mas ainda quero passar do dia na cama.

Ela me encarou, fazendo-me notar a malícia por trás das minhas palavras. É isso que dá sempre fazer de tudo um motivo para levar uma garota para a cama. Mesmo assim, não queria mesmo dormir com outra, mesmo que essa “outra” fosse minha própria namorada.

- ... – Sua voz me despertou dos meus pensamentos. – Você escutou o que eu disse?

- Não, não... – Balancei a cabeça, me prendendo apenas àquela cena; meu emaranhado de pensamentos teria que esperar. – Desculpa, pode repetir? Acho que não acordei ainda.

- Deixa para lá, não era importante. – Ela seguiu para fora do quarto, parando antes de passar pela porta. – Tá com fome?

- Sem fome, acho que vou dormir mesmo.

- Tudo bem.

A última coisa que ouvi foi a porta da sala batendo; eu estava sozinho novamente.




(POV )

- Bom dia, , a Clarisse pediu para você entregar o seu artigo até uma hora da tarde de hoje, tudo bem? Ela quer fechar a revista mais cedo, tá com medo de não chegar a tempo com esse feriado. – Sorri concordando e voltando para a tela do meu computador, olhando para o relógio no canto direito e percebendo que só faltavam duas para meu prazo. – . – Alysson se virou para mim novamente, como se estivesse esquecido algo realmente importante. – Tentei de ligar ontem, mas não consegui. O que aconteceu com seu celular?

- Jura? É que acabei o perdendo, mas eu já achei. Na verdade, já sei onde ele está e eu vou, hmm, acho que você entendeu, né? – Sorri tímida, tentando não deixar na cara meu drama.

- Ah... acho que sim. Beba menos, , ajuda lembrar das coisas. – Ela sorriu e foi para fora da minha visão, permitindo-me voltar minha atenção ao meu artigo, que ainda estava em branco.

Quando comecei a dedilhar o teclado do meu laptop, fui novamente interrompida por uma voz familiar, a santa voz de cada dia, minha melhor amiga, .

- AMIGAAAAAA, ME AJUDA? HEIN, HEIN, HEIN? – Fechei os olhos e respirei fundo, olhando para ela com um sorriso.

- O que você fez agora, amiga? – Mantive um sorriso ao notar sua cara de desespero como se me pedisse: ME AJUDA? POR FAVOR!

- É que eu sem querer, hmm... Você sabe como eu fico quando estou entediada, né? Aí, eu decidi sair, já que você não me ligou, então eu fui para um pub e lá conheci um cara, e ele ainda não me ligou. – Seu olhar desesperado me fez rir, entendendo a história por completo, sem que ela precisasse me dar mais detalhes.

- Já te disse, , não adianta ficar dando para qualquer um só porque você se sente entediada.

- Exatamente, minha querida, não adianta nada, faça como eu, dê mesmo sem estar entediada, é mais divertido. – Se tem uma pessoa que chega do nada para falar idiotices, essa pessoa se chama Elle, a minha moça do café/xerox/ correspondência, bem... de tudo. – Café?

- Santa Elle e seus conselhos descartáveis! Chegou na hora certa, eu quero, sim. – Sorri, selando meus lábios sobre sua bochecha e ouvindo uma risada sapeca da mesma.

- Pára, gente, é que a não me ligou. A culpa é dela, SÓ DELA. Onde está seu celular que você não atende? – me perguntou indignada, procurando-o por minha mesa bagunçada.

- Pára, , ele não está aqui, ok? Eu o perdi – disse para mim mesma, torcendo para que elas não me escutassem e nem perguntassem de novo. Mas não adiantou nada, logo escutei perguntar e, dessa vez, com um tom mais agressivo.

- Fala logo, , onde tá? – Respirei fundo, mais uma vez, pensando em como explicar a história.

- Resumindo, deixei na casa de um cara que nem me lembro o nome, fim!

Fechei meus olhos, não querendo ver a cara delas, mas, por um lado, eu já sabia a reação de cada uma. estava estática, tentando digerir letra por letra, concentrando em tudo, implorando para que esse cara fosse um senhor que se locomove com ajuda de um andador; já a Elle estava parada, rindo, imaginando o que estava pensando. Abri meus olhos com calma, esperando a bronca.

- ... e o James?

Tá ok, James é meu namorado. Na verdade, ex-namorado, mas estávamos voltando com nosso relacionamento. Não somos esse casal que ‘nasceram um para o outro’, mas eu gostava demais do James e ele de mim, por isso, estávamos nos dando essa segunda chance depois de dois anos.

- , não sei. Eu estava bêbada, o cara também estava, ele devia ser atraente, e, quando eu acordei, estava nua sobre a cama dele. Não sei do James, não sei de nada. – Fechei os olhos mais uma vez; droga de vida boêmia.

- Ah, , nem grila, amiga, essas coisas acontecem mesmo, né? – Cala sua boca, Elle.

- Ok, chega! Tenho que terminar isso aqui a tempo, ainda tenho que pegar meu celular.

Virei-me para a tela do meu computador, ignorando a presença de qualquer uma das duas. Bebi um pouco do meu café, ainda olhando a tela, pensando a melhor maneira de começar minha matéria, nomeada “Perdoar ou não uma traição? Eis a questão!”.

(/)


O som do meu despertador invadiu meu quarto, anunciando mais um dia. Bufei ainda com a cara na almofada, desejando que ele parasse de tocar sozinho, como num passe de mágica. Mas para a minha sorte, ele não iria parar, a não ser que eu levantasse para desligá-lo. O eco foi ficando da vez mais forte, me irritando ainda mais. Levantei, indo em direção ao despertador como o caçador vai atrás de sua caça. Essa era a última vez que seguia algum conselho de ; que animal compra uma coisa que não pára de tocar? Desliguei e segui para o banheiro; eu precisava de um banho.

Senti o frio invadir meu corpo assim que coloquei os pés sobre o chão azulejado do meu banheiro. Permaneci parado, enquanto a sensação de deja vu penetrava por meu corpo com a mesma velocidade que as memórias, que eu pensava ter destruído, vinham à tona. Recolhi todo oxigênio que meus pulmões podiam conter e andei em direção ao chuveiro. Despi-me, deixando meu moletom velho no chão, e segui para o boxe. Uma corrente de ar passou pelo vasculhante e fez meus poros pularem; o banheiro estava silencioso, e isso começou a me deixar extremamente irritado. Girei o registro; um ronco alto soou antes que a água, ainda gelada, descesse por meu chuveiro. Lentamente, o toque quente da água passou a tomar meu corpo, deixando toda aquela sensação de canto, me permitindo apenas não pensar em nada.

Não demorou muito; eu já estava enrolado na toalha, de frente para meu closet, escolhendo a roupa para poder sair de casa. Peguei uma calça jeans escura e uma blusa social listrada (n/a: leia-se: meu uniforme de lenhador. MADEIIIIIIIIIIIIIIIIIIRA! rsrs.), sobrepondo a básica blusa branca, só para não perder o costume.

Em menos de dez minutos, eu já estava pronto, cheiroso e assustado. Em menos de três horas, eu estaria frente a frente com a “garota da noite passada”. Confirmei a localidade do seu celular – na parte pequena da minha mochila – e fui em direção à porta de entrada. Definitivamente, hoje seria um dia longo.


- , dá para prestar atenção aqui? Precisamos fazer isso logo, cara! – estava certo, já passavam duas horas e nada, não saia uma melodia se quer; eu não estava em um bom dia para composições.

- Desisto, dude! Que horas são?

- Meio dia e quarenta, por quê?

- Droga! Tenho que ir, dude, depois te explico.

Saí correndo da casa do , deixando-o um pouco confuso e revoltado. Nossa música teria que esperar.


(POV )

- Dá licença, Clarisse, boa tarde. – Entrei na sala da minha chefe, com meu artigo em mãos e com o melhor sorriso que eu podia dar.

- Boa tarde, . Está pronto? Deixe-me ver.

Passei o maço de folhas que tinha sobre as mãos, esperando-a dizer algo. Cinco minutos foram o suficiente para que ela analisasse cada vírgula minha e para que ela me olhasse novamente.

- Muito bom, . Vejo que está melhorando demais na sua função como conselheira da nossa revista. Mas vejo que ainda pode melhorar esse seu artigo, por isso, que quero te fazer um desafio. – Seu olhar fugaz me devorava, esperando alguma reação afirmativa rápida.

- Claro, qual seria ele? – Fui firme e calma, mesmo que desejasse dizer que não estava afim de mais um dos seus joguinhos de “você pode melhorar!”.

- Ótimo! Você vai ter que escrever sobre o comportamento de uma mulher que trai seu namorado e tornar disso um diário de passo a passo, com funciona a mente de alguém que tem que levar a culpa de decepcionar alguém que ama. Simples, não? – Um sorriso malicioso foi esboçado, me dando vontade de voar sobre o pescoço daquela bruxa. Que pessoa em sã consciência usa os outros para fazer um artigo? Mas não tinha escapatória, eu teria que o fazer.

- Simples, simples... – Deixei que as palavras escapassem de mim, mal ela sabia que eu já estava fazendo isso, antes que ela desejasse. Parabéns, , já fez o dever de casa, palmas, palmas!

- A próxima edição sai daqui a duas semanas. Se apresse com sua pesquisa de campo, faça-me ter orgulho de você.

Saí da sala dela sem dar um pio; eu tinha que sair daquele escritório, meu celular me esperava.

(/)


- Alô?

- , é o , beleza, dude?

- Tudo certo, e com você?

- Certo, certo. Cara acabei de chegar no , cadê você?

- Tô no carro, dude, tenho que fazer uma coisa. O não te falou?

- Ele disse que você saiu daqui como se tivesse que casar. Qual foi, dude, para onde tá indo?

- Depois explico, não dá agora, é uma longa história, e quero ter certeza de que serão processados caso aja algo dano físico.

- Já vez merda, né, ? Tá, vem rápido, o tá tocando .

- Manda aquele destruidor tirar a mão da minha filha, senão ele perde as mãos!

- HAHA. Nem, dude, venha você mesmo ameaçá-lo. Fui.

- Morra, , tchau!


(POV , e )

- Não sei vocês, mas acho que o vacilou de novo.

- Pow, , aquele animal só vacila. Ele me deixou aqui sozinho do nada. Não sei por que a pressa, parece te vai tirar o pai da forca.

- Concordo com o , acho que ele traiu a . Se lembra quando ele deu o primeiro par de chifres na coitada? Ele tava assim, todo estranho.

- , pára de falar isso. Ele aprendeu a lição, sei que aprendeu, né, ?

- Sei de nada, não, dude. Espero que ele tenha, mas não sou eu que vou colocar a mão no fogo por ele, não mesmo.

- Vamos parar de falar nele e ver Back to the future, que tal?

- Boa, ! Falou tudo, ‘bora. , pega pipoca!

- Por que eu?

- É o dono da casa, nós somos visitas, essas coisas.

- Morra, ! Visita é sua vó!

- Não reclama, não, ô, . Vai logo!

- Vocês ainda me pagam!




(POV )

O prédio da Lowd ficava em uma agitada avenida, cheia de outros prédios comercias, onde trabalhavam centenas de outros escritores, advogados, empresários, assessores e toda espécie de empregado que é necessário em um grande centro econômico. Não bastava apenas meu medo e apreensão, eu teria que lutar com o trânsito caótico de uma cidade preste a explodir, em um horário que chamo de inoportuno. Meu relógio de pulso marcava meio dia e meia, e para o meu azar, era o auge do caos de uma segunda-feira.

Fechei os pulsos sobre minha mão direita, pensando como eu faria para estar avenida central em pelo menos vinte e cinco minutos. O barulho ensurdecedor dos carros entrava pelo meu ouvido, fazendo ecos por toda a sua extensão. Respirei fundo, fazendo o mais óbvio: chamei um táxi.

- Livraria Brucks, por favor. – Sorri, olhando pelo retrovisor do carro e vendo o motorista, um senhor de mais ou menos quarenta anos, usando um bigode avantajado e grisalho, deixando com que seu nariz igualmente avantajado se sobressaísse por toda a extensão do seu rosto pequeno e redondo, ou seja, típico motorista de táxi das minhas comédias românticas favoritas. Querendo ou não, eu estava vivendo uma... agora.

- É aquela livraria perto da Avenida Central? – Soltei um murmúrio concordante, afirmando sua especulação.

Definitivamente, eu não gostaria de ter concordado com aquilo, mas de uma maneira ou outra, não haveria jeito, meu celular me aguardava.

O caminho até a livraria foi calmo, mesmo com o trânsito complicado. Em menos de quinze muitos a corrida já havia terminado, e eu me encontrava em frente a ela. Agradeci antes de sair do táxi, deixando com o motorista a quantia de vinte euros.

Agora com os pés sobre a calçada, senti uma onda de nervosismo e desespero transcorrer por todo meu corpo, fazendo-me parar por longos minutos de frente a porta da grande Livraria Brucks. Não ia conseguir encará-lo, não nesse estado de choque. Eu queria fugir, sair correndo para longe, muito longe dali, de uma vez por todas. Mas ao invés de ceder aos meus instintos mortais, fechei os olhos, tentando puxar a maior quantidade de oxigênio necessária para que meu cérebro funcionasse perfeitamente, e entrei, entrei pela porta de madeira escura, cuidadosamente lustrada, que envolvia um vidro transparente e grosso, que ficava bem no meio dela. O barulho de sino fez com que uma atendente gordinha de óculos me observasse meticulosamente, provavelmente atrás de algum defeito nas minhas roupas ou no meu cabelo. Sorri simpaticamente para ela, que ainda olhava para mim, por cima de uma revista, que logo a identifiquei; era a Lowd.

- Boa tarde. – Aproximei-me do balcão de atendimento ainda com meu sorriso simpático sendo perfeitamente esboçado, da maneira mais sincera que consegui o fazer.

- No que posso te ajudar? – Ela abaixou seu exemplar e me retribuiu o sorriso, menos simpático, mais cínico, mas ainda sim era um sorriso.

- Bem, estou procurando por um exemplar de um livro antigo, gostaria de obter a primeira edição dele. Por acaso, vocês ainda trabalham com raridades? – Bem, se eu tinha que estar lá, pelo menos faria o que eu realmente precisava fazer: comprar o presente perfeito para a formatura da minha amada irmã mais nova, Jouse.

- Sim, ainda temos algumas primeiras edições disponíveis aqui. Qual a senhora está procurando?

- Senhorita – corrigi sorridente. Senhora é sua mãe, querida. – Hamlet.

- Desculpe, senhorita, – eita sarcasmo, né? – mas não o temos mais, já foi vendido semana passada.

- Tudo bem, vou dar uma olhada nos outros, então.

Antes que eu pudesse dar o primeiro passo para o interior da livraria, o sino tocou novamente, juntamente com o bip do meu relógio de pulso; uma hora em ponto. Fiquei paralisada, sem ter coragem para ver quem havia acabado de chegar. Já disse que aquele dia não era um bom dia para reencontros? Para meu azar, mais uma vez, as palavras da Clarisse sugiram na minha mente, e eu tive uma idéia: ele seria minha isca para ganhar o peixão em forma de papel, coberto de tinta, mais conhecido como artigo.

(/)


O caminho para a livraria foi mais tenso do que eu havia planejado. Após algumas tentativas de não pensar no que iria acontecer, eu simplesmente me deixei levar por meus pensamentos e decidi, de maneira digna, acertar tudo. Não é o bastante, quando se carrega uma culpa desse tamanho, mas o que custa fazer um esforço para se enganar? No estado que estou, qualquer coisas que me faça olhar para com mais sinceridade seria o bastante.

Conforme meus cálculos, em menos de vinte e poucos minutos, eu já estava estacionando o carro bem próximo da livraria, com o celular da minha estranha no bolso do meu casaco de couro preto. O peso que ele fazia sobre lá era mais simbólico do que físico. Era como se eu carregasse a prova final do meu crime sem perdão, era como ficar com as moedas de prata que Judas havia conseguido ao vender Cristo. Era, sem dúvida, a pior sensação que eu poderia estar sentindo. Então, mais uma vez, bloqueei dos meus pensamentos as possíveis memórias e decidi fazer o meu ato mais digno de dias, entregar o aparelho.

Andei pela calçada com calma até avistar a placa de metal e maneira, pendurada na extensão de uma loja longa e velha. Li com atenção o que dizia “Livraria Burcks, desde 1809”. Bati meu polegar sobre meu jeans e entrei na loja. O erro já havia sido cometido, o sino acabava de tocar.


(POV )

Virei-me assim que a porta havia sido fechada. Se era para conquistar aquele estranho e escrever minha matéria, era isso que iria fazer.

- Olá, você é o ? – perguntei de maneira simpática, esboçando o melhor sorriso possível.

- Não... Bob. – Olhei assustada.

Aquele não era meu estranho, definitivamente. Respirei aliviada, eu não teria coragem de ir para a cama com aquele homem, nem bêbada.

- Prazer Bob, sou a . Desculpe-me, pensei que você era uma outra pessoa – consertei minha mancada, seguindo novamente para as prateleiras com os lançamentos, mas, para minha surpresa novamente, o sino tocou, e dessa vez, trazendo um aroma forte de culpa junto a ele. Sem, dúvida esse era meu estranho.

(/)


Observei com cuidado toda a livraria. Ela tinha um aroma de guardado, e a luz por toda ela era escassa, fazendo com que o clima de “fonte do saber” fosse ainda mais forte. Segui para frente, ficando bem no centro do balcão de madeira, notando que uma pessoa do outro lado me observava com atenção. Ignorei. Tinha que achá-la logo e terminar com isso.

Olhei com calma toda livraria e logo avistei uma mulher de cabelos longos parada logo adiante de mim; ela estava de costas, que fazia com que tudo ficasse ainda mais complicado. Olhei mais uma vez, para ter certeza de que podia ser ela. Para meu alívio, ela se virou, e pude assim a observar com mais detalhes. Seu rosto não me parecia estranho, e ela tinha uma expressão que me vez ter um sentimento de deja vu imediato.

Tirei o aparelho do bolso do meu casaCo e a olhei novamente. Senti que o olhar das poucas pessoas da livraria estavam virados para nós dois, assim que ela foi ao meu encontro com um sorriso de satisfação no rosto. Antes que estivéssemos próximos, ela parou, deixando-me sem reação. Por que não trocávamos nenhuma palavra mesmo? Respirei fundo, ainda com o aparelho sobre minhas mãos, encarando-a com calma e cuidado, tentando fazer com que meu coração parasse de disparar como uma metralhadora desgovernada.

Ela se virou novamente, dando-me a entender que a seguisse por uma fileira de estantes grandes e empoeiradas. Quando chegamos à sessão de ficções, ela parou e me olhou novamente, estendendo a mão na direção da minha, pedindo seu aparelho. Sorri e recoloquei-o sobre meu bolso; não sabia o porquê, mas ela teria que falar comigo se desejava tê-lo novamente.

- Hã? – Ela fez uma cara confusa, fazendo-me esboçar um sorriso de sincera satisfação.

- Boa tarde, como você está? – Estendi minha mão para ela, esperando um aperto de mão.

- Você está louco, não? – Em vez de ser uma boa menina, ela apenas ignorou minha incrível educação legitimamente britânica e me observou com precisão.

- Finalmente falou comigo, isso já é um começo! – Inclinei minha mão mais uma vez, esperando que dessa vez ela correspondesse meu comprimento.

- Boa tarde, , maravilhosa, e você? – Ela apertou de maneira forte minha mão, esboçando juntamente um sorriso que me fez desejar... ela.

- Sempre bem, acho que isso é seu! – Tirei o celular do meu bolso, colocando sobre a mão dela, que já estava estendida.

- Obrigada, bem acho que é somente isso, certo? – Ela não olhava mais para mim, apenas se preocupou em ligar o aparelho, recebendo imediatamente aviso de ligações perdidas.

- Você tinha razão, muitas ligações. – Sorri, apontando para a tela que contava um pouco mais de vinte e cinco ligações.

- É, algumas pessoas não vivem sem mim. – Ela fechou o aparelho e olhou para mim mais uma vez. – Algo mais?

- Sim, qual seu nome mesmo? É que eu esqueci e... – Sorri timidamente, colocando mão por de trás da minha cabeça.

- , e você? ...?

- Me chama de , e é , . – Sorri, depois de fazer a maior pose de Bond boy que eu já havia feito.

Ela riu e olhou para os pés, que, segundo minha irmã, era sinal de insegurança. Isso me deixou assustado, como ela poderia ter insegurança?

document.write(Jones), mas preciso ir, meu horário de almoço já vai acabar, mas... podemos marcar um dia para se ver, se não for... er, se não houver problema claro e se você puder lógico e se... er... – Ela sorriu para mim, demonstrando ainda mais insegurança.

- É, acho que sim, um almoço ou algo do tipo, que tal? – Sorri mais uma vez, perguntando-me o motivo de eu ter aceito seu convite. Eu tinha namorada, não era justo; sem dúvida, eu era a pior espécie de canalha.

- Ótimo... – Ela tirou uma caneta do bolso e puxou minha mão em sua direção, anotando no canto dela seu telefone. – Bem, me liga quando estiver disponível, assim marcamos alguma coisa tudo bem?

Sorri concordando, observando o telefone sobre minha mão e, antes que eu pudesse falar, ela se adiantou, deixando-me ainda mais confuso.

– Vou embora, tenho trabalho para fazer. Bem... me liga mesmo, hein? Senão, vou ter que te caçar. Hmm... tchau!

Ela seguiu para fora da livraria, saindo de vista rapidamente e me deixando com a maior cara de babaca do mundo. Sem dúvida, eu estava cometendo o pior erro da minha vida, e sabe o que era ainda pior? Eu estava gostando. Como eu já disse, eu sou a pior espécie de canalha, e isso não estava me incomodando mais, por incrível que pareça.




(POV )

Bati meu polegar sobre o pequeno espaço ao lado do mouse do meu laptop, esperando assim que alguma inspiração viesse a mim, do mesmo jeito que os problemas costumavam vir. Eu respirei fundo, apenas para tentar circular mais oxigênio por meu corpo, retomando o costume de usar o ar, como forma de consolo. Refiz todos meus antigos exercícios, todas as técnicas de ioga para auto-meditação e respiração que eu havia aprendido e, para meu azar, não estavam dando certo.

Eu sabia que algo estava por trás disso, e não era a minha falta súbita de inspiração, e sim algo mais além, algo que prefiro chamar de alguém, alguém que costuma ser conhecido como , ou apenas . Carinhosamente reconhecido pelo meu corpo como ‘meu maior problema e solução’.

Coloque-se no meu lugar, é extremamente confuso depositar em uma pessoa esperança suficiente para destruir toda a possível educação familiar necessária. É complicado manter a ‘esperança’, enganando duas pessoas, pelas quais, de algum jeito, existe um ligação sentimental suficientemente grande, a ponto te de fazer perder o sono. É compreensível?

Eu fui o tipo de adolescente que condenava os relacionamentos relâmpagos e futilidade afetiva. Sempre disse que traição e luxuria nunca levariam ninguém a lugar algum, e principalmente, sempre deixei claro que pessoas que se deixavam levar por pessoas ou desejos carnais eram definitivamente a escória da sociedade.

Sim sempre fui de ‘queimar sutiã em praça pública’, mas tirando meu exagero, eu estava no caminho certo, o de dignidade moral. Infelizmente, agora eu estava parada, esperando que alguma ajuda do inferno – pois do céu não posso mais esperar nada – me fizesse ter coragem e inspiração para começar o diário detalhado de como perder o caráter.

Respirei fundo mais uma vez e apenas toquei algumas teclas com meus dedos, sem movê-las, só as toquei, dedilhando por cimas das letras R O e E. “Erro, uma boa palavra”, pensei voltando a dedilhar letras alheatórias, sem me preocupar qual palavra elas poderiam formar. E subitamente, meus batimentos oscilaram ao ver meu telefone vibrando sobre minha mesa e piscando no seu visor o número do causador da minha insônia.

(/)


Não sei por que todos aqueles dois dias foram longos e estranhos. Comecei a pensar em muitas coisas, e nenhuma delas fazia o real sentido para mim. Eu fechava os olhos e podia jurar que ela estava mais perto de mim, respirando pesado, apoiada sobre meu peito, imóvel.

Decidi me isolar e enfrentar todos os meus fantasmas sozinho, deixar tudo e todos fora daquilo. Não estava afim de ter que explicar algo que eu ainda não sabia a resposta. É como se eu ensinasse cálculo I para uma criança de dois anos, sem ter estudado para isso. Não faria sentido, certo? Eu precisava digerir o fato de estar apaixonado por uma mulher que eu simplesmente não sabia nada. Apaixonado? Não fazia sentido.

Durante aqueles dois dias, eu me isolei de tudo e todos, sem nem atender telefonemas da minha mãe, o , ou de qualquer pessoa que decidisse encher o meu saco. Desliguei meus telefones, não liguei o computador, deixei uma ordem clara de que nenhuma pessoa estava autorizada de entrar no meu apartamento, ninguém, ABSOLUTAMENTE NINGUÉM!

Sim, por dois dias, desliguei-me de qualquer coisa, mantendo apenas minha cabeça livre para pensar. Eu estava ficado louco? Talvez sim, ou não, quem sabe?

Dois dias, os mais longos, os mais estranhos e melhores da minha vida. E foi neles que tomei uma decisão: parar de pensar.

Na verdade, nunca fui bom com reflexões, e acho que meu maior problema é usá-la de maneira errada, usar a reflexão no lugar do reflexo. Faz sentido? Talvez, mas todo o tempo que passara com a document.write(Olivia), eu dedicava grande parte dele com reflexões idiotas e decisões erradas. De tanto pensar, acabei voltando com ela, que eu sabia que seria como entrar em um barco furando e remar para mar aberto. As chances de êxito não costumam ser grandes ou existentes, para ser sincero. Então pergunto eu, por quê? Simplesmente por hábito, não estar com alguém me torna cafajeste, a pior espécie de homem, o mais idiota. Minha querida mãe, o , sempre dissera que eu precisava achar uma mulher e sossegar, deixar de magoar uma mulher a cada noite, não era certo. Ele tinha a razão, mas sempre é mais fácil ter tudo e não ter nada. Acho que sempre me senti livre e bem desse jeito, é melhor. Mesmo assim, não seguir os conselhos do nunca foi a melhor escolha, sempre rolou algo como “eu te avisei, !”, definitivamente não estava afim de escutá-lo dizer isso mais uma vez.

Mas dessa vez, eu sentia que tinha que deixar de fazer o que todos me aconselhavam, eu tinha que tomar as rédeas da situação e fazer pela primeira vez o que era o certo para mim! Por isso, ao término dos meus dois dias, decidi, peguei meu telefone abri a lista de chamadas feitas, apertei o primeiro nome que aparecia lá e liguei para ela, mas dessa vez sem desligar antes de ouvir a voz dela.

- Alô?


(POV )

- Alô?

Meu medo foi maior do que qualquer coisa. Ele estava me procurando, depois de longos dois dias, minha esperança de ter caráter havia sido jogada ralo abaixo.

- ? – Sua voz não estava apreensiva como a minha, deixando-me mais calma.

- Isso! Oi, , tudo bom? – Eu tinha que parecer calma e calma. É, eu precisava apenas ser calma!

- Com sabia que era eu? – Ele me parecia mais assustado que o normal.

- Tenha boa memória para voz. – Sorri, imaginando o que ele poderia estar pensando.

- Hmm... Entendi! – Decidi descobrir o motivo, mesmo ele sendo aparente, para tal ligação.

- Então, me ligou para eu adivinhar quem era? – Ri da minha péssima, mas oportuna, piada.

- Não, isso veio de brinde! – Boa, ! – Te liguei para saber se aquele almoço está de pé.

- Apenas esperando que seja marcado. – É, eu estava colocando meus jogadores sobre a mesa.

- Amanhã, no Tim’s Break, meio-dia em ponto.

- Está mandando agora, é, ? Não garanto pontualidade, mas presença, sim. – Estava me saindo melhor que a encomenda, levando em consideração tudo... É, você me entendeu!

- Não se atrase muito, então, vou estar te esperando, lembre-se disso. – Ele riu do outro lado da linha, obrigando-me a repetir sua ação.

- Não conheço ninguém que morreu por esperar, então sem pressões. – Tinha que continuar fazendo aquele jogo parecer ainda mais interessante; se era para ser uma vaca, que fosse a melhor.

- Marcado, então. Er... até amanhã! – concordei com um murmúrio, desligando o telefone seguidamente. Estava feito!


Quando sai do banho haviam duas chamadas perdidas no meu celular, mas o deixei de canto por alguns instantes para poder colocar uma roupa confortável e escovar meus cabelos. Assim que me encontrava pronta para mais uma maratona de filme, – mas, dessa vez, com a , após ela ter prometido que não me questionaria de nada até que o Leonardo di Caprio estivesse no fundo do mar – sentei para ver quem havia me ligado. Veio-me um remorso tremendo, era o James, ele havia acabado de voltar para Londres, e não imaginava o que suas aspirante a namorada – novamente – havia feito. Respirei fundo, para apenas não perder meu costume, e apertei o verde, retornando sua ligação. Para a minha sorte – ou não –, ele não atendeu, dando-me assim mais tempo para pensar no que fazer e dizer quando me encontrasse com ele.


- De boa, amiga, eu casaria com o Leo, sabia? ELE É TUDO! – Ri ao ver a cara da minha amada se dirigindo ao ator que, para mim, não tinha graça nenhuma.

- Por favor, , sou mil vezes o Orlando Bloom! Já disse que elfos me fazem perder a cabeça? – Sorri sapeca, pegando um pouco de pipoca e colocando na boca imediatamente.

- Elfos e estranhos que ficam com seu celular, diria eu. – Ela, uma hora ou outra, acabaria tocando naquele assunto, mas eu não estava ainda preparada.

- O que você quer saber? Vamos acabar com isso mais rápido o possível, ok? – Virei-me para ela, colocando a almofada no meio das minhas pernas e apoiando meu cotovelo nela.

- Tudo, comece do começo e até... agora! – Ela não desistiria tão cedo, fato!

- Bem, fui na Howlks na sexta passada, eu estava cansada de ver a maratona de Friends na TV e decidi fazer algo mais divertido. – Ela manteve o olhar calmo e compreensivo, incentivando-me a continuar. – Então, eu me arrumei e fui ao pub. Cheguei lá e dancei um pouco com algumas meninas que conheci na fila, bebi um pouco a mais do que estou acostumada e, em uma dessas minhas perdas de equilíbrio, esbarrei em um homem muito atraente. , ele é REALMENTE atraente, não era apenas álcool. – Ela riu, percebendo a minha cara de ‘amiga, ele é gato demais’. – Então... quando eu esbarrei nele, não sei como, não sei quem começou, só sei que nos beijamos, e por muito tempo, tanto tempo que não sei como conseguimos. Ele me levou para apartamento dele, e quando acordei, estava sem roupas, na cama dele, sozinha. – Abaixei o rosto, sem coragem de olhar para ela.

- ... como você...?

Ela estava ainda muito impressionada com tudo, pois eu nunca fui de beber e acabar pelada na cama de algum homem, esse era o papel da , ela que fazia essas coisas. Não por piranhagem, e sim por tédio.

- É, sou humana, erro... Erro tanto que esqueci meu celular lá e me encontrei com ele para pegar de volta. Quer coisa mais patética que isso?! – Coloquei a mão sobre meu rosto, balançando-a negativamente; eu era um nojo.

- Mas já acabou, certo? Foi um erro... e acabou, né? Tem o James e--

- Não sei, , não sei mesmo. A monstra da Clarisse me mandou fazer uma coisa que, sinceramente, o seria perfeito para isso...

- ? O que Clarisse mandou? Hein?

- É, é o nome dele, e ela me disse para fazer uma reportagem sobre como funciona a cabeça de uma pessoa que trai. E, bem, eu tenho que trair alguém para fazer isso... Não sei mais o que eu faço, só sei que amanhã tenho um almoço marcado com o . – Não tive coragem de olhar para a cara da , ela estava estática na minha frente, sem saber o que fazer.

- Vale mesmo a pena? – Escutei um pequeno murmúrio bem baixo depois de algum tempo; ela ainda estava digerindo tudo aquilo.

- Não sei, vou descobrir com o tempo...

- Ou não.

(/)


- Quem é vivo sempre aparece!

- Oi, , beleza, dude?

- Por onde você andou, infeliz? – Bem vindo ao lindo carinho by , ele é incrível mesmo.

- Por aê, por quê?

- não conseguia entrar no seu apartamento, você não atendia telefone, parecia que havia sido seqüestrado por alguma máfia de alienígenas, juro!

- Na boa, , pára de ver ET, cara, isso tá te fazendo mal. Conselho de amigo! – Sorri para ele, notando sua cara de ‘ETs estão entre nós’.

- Pára de idiotice e vamos entrar logo, hoje a festa promete.

Já disse que os passinhos de dança loser do eram completamente idiotas mesmo? Meu amado da era demais.

- Vamos!

Entramos no salão da casa de shows que o Peter sempre alugava quando decidia chamar os amigos para beber e pegar geral, mas conhecíamos como ‘a-festa-não-tô-fazendo-nada-mesmo!’. Era a hora que reuníamos os dudes que eu mais amava, para papear um pouco e curtir uma noite com músicas agitadas e bons porres. Não é o mais indicado, mas era o que eu precisava.

A vantagem era que namoradas não eram permitidas, tornando isso ainda mais atraente e relaxante para mim.

- ! Quanto tempo, dude! – James veio em minha direção, abraçando-me forte. Ele já estava aéreo, mas mesmo assim, era bom vê-lo.

- Bourne! Como foi lá nos EUA?

James havia viajado para compôr algumas músicas para um filme, primeiro trabalho oficial do meu amigo, era demais isso.

- Muito bom, nossa, foi perfeito. Pena que tô meio enrolado aqui, porque, man, as meninas davam em cima de mim toda hora, e eram boas demais. Muito hots! – Ri da cara dele, ao descrever as americanas enquanto bebia o conteúdo da garrafa de vodca que estava na sua mão.

- Prefiro as brasileiras, particularmente. (n/a: eu sei , eu sei IUSHDIUS). Mas você tá namorando?

Andamos até o bar, sentei-me em uma cadeira de frente para a dele, pegando uma bebida para mim e o observando beber descontroladamente.

- Não NAMORANDO, mas estamos juntos. É uma ex minha, você não conhece, não. Estamos tentando voltar, porque, sabe, gosto demais dela. Mas e você, continua com a ?

Ele virou a garrafa, ficando com órbita própria. (n/a: bem meninas, sabe quando sua amiga ou amigo ficam bêbados demais que dão aquela roda neles mesmo (?) simples, eles se movimentam fazendo um pequeno circulo envolta deles mesmos. Isso eu chamo de órbita própria IUHSIDUHSIUHDIUS)

- Legal, dude, sorte aê na volta. Sim, estamos juntos sim, é.

- Já tá enchendo o saco, é, safado? – Ri; James bêbado era o melhor.

- Não, dude, só que sei lá. Tem horas que queria estar solteiro, mas penso e percebo que é bom tá namorando, entende? – Abrir o coração para um amigo não apenas bêbado, mas trêbado não é uma boa. Considere isso um conselho.

- Sim! Termina com ela e corre atrás de coisa melhor. Vou te mandar a real, , você deve tá apaixonado por outra, eu sei, HAHAH, é, eu sei, sei de tudo, de todos, HAHA, SEI! Corre atrás, e se não tiver ninguém, chuta a assim mesmo, ela é cha... aa... ta! – Apenas ri. Para ser sincero? Eu amo o James!

Pensei muito e acho que o fator álcool piorou tudo. Eu seguiria o conselho do James, mesmo que ele não estivesse sóbrio para me dizer algo sensato. Era isso que eu precisava, escutar de alguém o conselho que eu mais esperei ouvir nos últimos sete dias.




(POV )


Acordei com uma calma estranha, tão estranha que demorei um pouco para me lembrar o porque me estranhava. Após alguns instantes a melodiosa voz do meu estranho invadiu minha mente, e suas palavras eram tão claras e nítidas, que parecia que ela acabava de proferi-las: “Amanhã no Tim’s break, 12:00 em ponto”. Respirei fundo, como de costume, eu precisava me sentir nervosa, mas para o meu azar, uma sensação tranqüila e estranha percorreu meu corpo lentamente; definitivamente, eu estava ficando louca.

Um banho foi a melhor pedida, já que era o momento que eu me concentrava em apenas... Nada. Como se eu entrasse em algum plano alternativo, e passasse meus preciosos minutos fora da terra, apenas curtindo minha vida sem problemas, gorduras, ex-namorados, ‘amantes’ e culpa. Sem a mínima dúvida, era o melhor momento, o que eu mais precisava, o que eu mais desejava, dia-a-dia.

Não que fosse uma raridade eu tomar banho, claro que não. Mas o primeiro banho das minhas manhãs de cada dia, tinha um valor diferente, mais forte, mais... Especial. Era como voltar aos meus nove anos, escutar minha amada mãe dizer de como um bom banho sem pensamentos pode fazer de tudo mais claro e simples. Ela me dizia que o poder vinha de onde nós acreditássemos que viria, e se colocássemos todos os medos, saudades, mágoas, tristezas, arrependimentos, e tudo que estivesse deixando a vida mais pesada, do lado de fora do banheiro, e entrássemos e tomando, assim, um banho sem aquilo que fazia nossos corações se apertarem, seria mais fácil depois achar consolo, calma ou até mesmo solução para tudo. Desde então, fiz de um conselho da minha querida mãe, uma forma de escape, um modo de acabar com tudo que me faz entrar em desespero. E sem duvida o Senhor estava nessa lista.

Assim que me encontrei pronta para mais um dia de trabalho, peguei minhas chaves e saí de casa, sem dar tempo de desistir e ter um resfriado imaginário. Eu iria até o final. Bati a porta com certa força, assustando um vizinho que estava esperando o elevador no corredor silencioso – até minha extravagância, sempre – e iluminado apenas por luzes florescentes.

- Não estamos com uma boa manhã, né, ? – ele tentou ser simpático, mas seu tom de voz tinha receio demais para um comentário matinal corriqueiro.

- Pelo contrário Bob, maravilhosa. Só me animo às vezes, sem motivo. – sorri tentando ser a mais simpática e cotidiana o possível.

- Bem, pensei que tinha algo de errado, há tempos que te vejo sozinha. – eu já sabia onde ele queria chegar. Bob devia ter, no máximo, quarenta anos, ou seja, a idade do desespero para alguém solteiro, como ele. Há tempos que tentava algo comigo, e, como sempre, preferia não aparentar necessidade de relacionamentos, ou até grande confusão emocional, ou mesmo – minha preferida particularmente -, uma paixão avassaladora por algum homem que eu estivesse saindo, ou até um amigo qualquer.

- Não, não. Estou ótima, aliás, eu e o James, sabe? Meu ex-namorado, estamos tentando algo, reacender o que temos certeza que ainda está bem vivo em nós. – sorri deixando no ar uma possível dúvida, vendo o elevador chegar no 17º andar, o meu. – Então, você vem? – abri a porta, deixando que ele a segurasse e entrasse no elevador junto a mim.

Não foi necessário que eu me preocupasse tentando achar algum assunto para não tornar o ambiente silencioso, ele preferiu assim, quase que me ignorando, ficando parando em frente a porta, contando os segundos para que ela fosse finalmente aberta, e não precisasse passar aqueles momentos com minha presença o sufocando. Era a reação normal do Bob, ele sempre me ignorava após um fora, e estaria lá, dois dias depois, me perturbando novamente, aiaiai.

Quando cheguei na Lowd, fiquei surpresa ao ver no máximo meia dúzia empregados trabalhando – sendo, em sua maioria, da área de limpeza -, olhei para os lados mais uma vez, para me certificar que estava no prédio certo, mas para minha surpresa eu REALMENTE estava na Lowd.

Era confusa toda aquela cena; bem, existiam cerca de cem empregados da Revista Lowd, entre eles: escritores, cronistas, cartunistas, fotógrafos, cartomantes, esotéricos, editores, encarregados, serventes, secretárias, assessoras, profissionais de limpeza, entre outros. Ou seja, era improvável que a louca da Clarisse mandasse todo mundo embora da noite pro dia, ou que desse FÉRIAS para todo mundo, em semana de produção. Isso me deixou com a pulga atrás da orelha, e a melhor maneira de descobrir o que aconteceu, era ir direto ao covil da megera e perguntar, na lata.

- Oi, Clarisse. Bom dia. – sorri entrando na sala, após ela indicar com as mãos, que eu o fizesse.

- Bom dia, , como vai a matéria? – ela sorriu, pedindo que eu me sentasse em uma cadeira de couro, à sua frente.

- No começo, mas está em andamento, vai ficar pronta do prazo, garanto. - sorri, tomando um pouco de ar, antes de continuar. – Bem, onde está todo mundo? – ela me olhou paciente, tirando seus óculos de armação quadrada, esboçando um sorriso.

- Bem, dei um dia de folga. Amanhã vou querer todos aqui até a madrugada, pretendo mostrar as mudanças na cara da revista e vou precisar de trabalho duro, para que isso aconteça. E um dia normal de expediente não vai ser suficiente, não para amanhã. – sorri, concordando.

- Então, precisa de mim aqui? – olhei curiosa para ela, esperando sua reação.

- Não, pode ir, trabalhe fundo na matéria hoje e amanhã. Só precisa chegar às... – ela fez uma pausa olhando para o seu Rolex de ouro puro. – Seis horas, no fim do expediente. E vai madrugar, ok? Não vai passar das duas da manhã, prometo. – ela sorriu novamente, me fazendo um sinal para que levantasse e fosse embora.

(/)


- Hey, aqui é o , , rsrs. Deixe seu recado depois do bip. BIP!
Oi Amor, é a , saudades de você. Bem, não consigo te ligar e estou tentando a mais ou menos uma semana te avisar que vou viajar hoje, mas bem, queria te ver antes de ir, não sei quando eu vou voltar. Podemos almoçar juntos? Te amo, me liga. BIP!


Essa não foi a melhor maneira de ser acordado, eu escutei o telefone tocar cada vez, eu sabia que era ela, suspeitava que era ela, não queria ter que descobrir da pior maneira que era ela. Mesmo com meu senso de pesar alto, eu sabia que não teria coragem de dizer não para ela. Não queria dizer que almoçaria com outra mulher, no restaurante que eu costumava levá-la. Era desgastante ser mais espontâneo, era desgastante ser eu. Isso já estava me cansando.

Não quis me importar, então decidi não ligar para ela e fingir que não havia escutado o recado deixado na minha secretária eletrônica. Fui para o banho, sem ao menos chegar perto do aparelho, não tocaria nele tão cedo.

Depois de um boa - e quente - ducha de água na cabeça, consegui pensar melhor, e me lembrar do conselho do meu bom e bêbado amigo James. Esse cara era demais, ele e suas frases de impacto em meio a um possível coma alcoólico, sempre me deixavam animado. Sorri ao me lembrar com tanta nitidez – devido ao álcool que eu havia ingerido (pouco, se compararmos ao pequeno James) – de suas sábias palavras: ‘Termina com ela, e corre atrás de coisa melhor.’ Ele tinha razão, eu teria que correr atrás de coisas melhor. E eu já sabia o que queria, mas a questão final era saber como terminar com a , isso ainda me faria ter algumas rugas de expressão – nota mental: parar de ver Discovery home and health, está me deixando sensível, fato.

Saí de casa um pouco mais calmo, sem ter ainda pensando no que faria sobre a , caso ela me procurasse novamente. Eu não poderia almoçar com ela hoje, não hoje, já que me menos de quarenta minutos me encontraria com a ‘garota-da-noite-passada’, e não furaria em nosso primeiro encontro, nunca.

(POV )


Odeio surpresas, nunca foram agradáveis o suficiente para mim. Gosto de tudo as claras, é o modo mais simples de tudo. Mas, por incrível e estranho que pareça, gostei da pequena e singela surpresa que Clarisse deu para todos nessa manhã diferente; é uma das coisas que você não espera, mas deseja. Eu precisava mesmo fazer algo antes de ir almoçar com ele, por isso, não perdi tempo, me apressei em sair do escritório, mais rápido que minhas sandálias salto quinze, permitiam.

Peguei um táxi assim que saí do prédio e pedi para que ele fosse a um endereço muito bem conhecido por mim, que, para minha sorte, não ficava muito longe dali, por isso, em menos de dez minutos eu já tinha saído do táxi, e estava tocando a campainha.

- ? – a doce voz do meu amado amigo tocava com lentidão sobre meu ouvidos; ele podia estar agitado, mas sua voz ainda caminhava lentamente para dentro de mim, me fazendo sentir em casa.

- ! – sorri erguendo meus braços para o alto, e automaticamente ele me puxou para um longo e gigante abraço que durou o suficiente para me sentir leve e sem culpa novamente.

- Você sumiu e esqueceu do seu , eu sei, eu sei. – dramatizando como sempre, esse era meu .

- Vai ficar aqui me crucificando, ou vai me chamar para entrar? – sorri e ele fez o mesmo, me dando passagem. Entrei na sua casa e sentei no sofá, antes que ele me convidasse, eu tinha intimidade o suficiente para fazer isso, acho.

- Mas me diz ae, o que anda fazendo? – sorri pensando muito bem antes de falar, não queria falar TODA a verdade.

- Trabalhando. E muito. Clarisse, minha chefe, ela me suga mais que tudo. Mas aquela louca do nada deu um dia de férias para todo mundo, do nada, acredita? Então decidi te ver, estava com saudades de você. – sorri sincera, e ele percebeu a sinceridade automaticamente, e me olhou com aquele olhar que sempre me deixou mais calma e feliz.

- Trabalhar é bom, , acredite, eu estou trabalhando em músicas, quero promover minha banda. Você sabe que sempre fui apaixonado, na escola te enchia o saco. – ele riu, me fazendo lembrar de quando éramos dois losers extremamente grudados e felizes. Mais felizes que eu supunha ser.

- Verdade, você sempre foi chato, aiaiai, por que somos amigos mesmo? – levantei minha sobrancelha, fazendo minha cara mais cínica o possível, tirando grande gargalhadas dele, que, agora, se retorcia no sofá.

- Não sei. Na verdade, acho que é meu charme, minha e claro, meu abraços, que sempre te fizeram para de chorar por falta do amor daqueles jogadores de cricket, acho que é isso. – sorri concordando, mas meu sorriso foi murchando lentamente, eu precisava desabafar com o , mas tinha medo do que ele iria pensar de mim, era complicado, mas precisava saber o que ele achava que eu deveria fazer, eu precisava dele, como sempre precisei.

- Você precisa de ajuda, né, linda? – concordei com a cabeça, respirando fundo, como de costume, deixando que meus cabelos caíssem sobre meu rosto. – Ei, não fica assim, vem cá e me conta o que ta acontecendo. – ele abriu os braços e eu me levantei e fui até ele, me abraçando a ele, apoiando minha cabeça sobre seu ombro e sentindo seu perfume, como eu sempre fazia na minha época de escola.

- Ando fazendo algumas coisas que não estão certas, . É estranho me sentir desse jeito, e tudo por culpa da Clarisse, tudo! Não inicialmente, mas eu tava alcoolizada, cara! Preciso ter desconto por isso, é preciso.

- Calada, explica o que aconteceu, ae eu vejo se tem desconto com álcool. – sorri, percebendo que não estava fazendo sentido mais.

- Certo – respirei fundo – Bem começou há um tempo atrás, quando eu caí no erro de deixar as coisas acontecerem. Acho que esse sempre foi meu problema, achar que tem que se estar em muitos lugares para se achar o que deseja, entende, ? O James viajou e eu simplesmente ignorei a existência de um possível ‘nós’ e sai à procura. Não sei se estava realmente bem, mas parei no primeiro pub e sai do táxi, deixando minha personalidade perdida por lá; eu não estava sendo eu mesma. Conheci umas meninas na fila, e ficamos ‘amigas’ o suficiente para regar um papo espontâneo com bastante álcool. Mas assim que decidir pegar mais uma das minhas milhões de doses já tomadas, me deparei com um cara, que, sinceramente, só desejei que ele me beijasse. E por mais estranho que pareça, isso que fizemos, apenas nos beijamos, e nos beijamos, e acabei no dia seguinte no que aparentemente me parecia o apartamento dele, e nua. – Olhei para o , e ele estava calmo, com a mesma expressão, sem mover um músculo, decidi terminar de contar minha história. – Para o meu azar, esqueci acidentalmente meu celular lá, então tive que me encontrar com ele, coisa que ainda não havia feito sóbria. Mas antes de me encontrar com ele, Clarisse me pediu para fazer uma reportagem sobre traição, e disse que seria com pesquisa de campo, eu precisava de uma cobaia. Me encontrei com ele, e percebi que deveria ser ele, então, estou nessa vida dupla. Daqui a pouco tenho um almoço com ele, e não sei como vou achar forças para continuar ou acabar com isso. – abaixei minha cabeça, e deixei que ele se recuperasse. Não precisou de muito tempo, pois eu senti ele me apertar com mais força contra ele, e como eu, ele sabia que eu não precisava de palavras e sim de conforto.

(/)


Meu relógio marcou onze e cinqüenta quando cheguei ao Tim’s break. Não esperava encontrá-la lá, mas, para a minha surpresa, ela já estava sentada na mesa que eu havia reservado no canto mais privado do restaurante. Ela me recebeu com um sorriso e eu o retribuí da mesma maneira e me sentei na sua frente. Não era a mais fácil ou difícil maneira de começar um almoço, mas ela me passava uma confiança no olhar, que fui incapaz de dizer uma palavra se quer.

- Er... Boa tarde, . – ela ergueu as sobrancelhas, eu entortei a boca antes de pensar no que falar. Eu estava suando frio.

- Boa tarde, ! Me chama de , vai? – sorri confiante, tentando fazer ela rir. Consegui, ela parecia de bom humor.

- Quem sabe um dia, ? Ou até nos seus sonhos? Se lá eu habitar, claro...- sua risada foi baixa e divertida, mas aquilo parecia algo mais que uma simples piada.

- E isso te importa? – aprendi a manter o controle, coisa que ela conseguia fazer sem problemas.

- Não, porque me importaria com os sonhos de um cara? Se quiser me incluir neles fica a seu critério. Há anos não sei o que é sonhar mesmo. – ela bateu os dedos sobre a mesa, e eu a encarei, tentando entender porque de tanta segurança e calma. Ela me assustava com seu jeito bipolar.

- Não, vamos apenas ocupar uma mesa ou comer algo? – sorri empurrando um cardápio que se manteve fechado, até agora.

Ela olhou um por menos de dois segundos, e passou ele para mim, sem falar absolutamente nada. Antes que eu decidisse, ela chamou um garçom com os dedos.

- Boa tarde, Peter. – ela sorriu para o garçom, após ler seu nome na plaquinha dourada, que ficava pendurada sobre seu avental preto. – Eu gostaria de uma salada com frango grelhado e uma água. E você, ? O que vai ser? – odiava admitir, mas ela sempre estava sobre o controle, mesmo que sem querer.

- Quero um hambúrguer com fritas e uma cerveja, valeu. – ela sorriu, mas eu não sabia o que pensar, definitivamente, ela estava me levando à loucura.

(POV )


Não demorou para eu perceber que estava na hora de seguir em frente, e fazer o que o havia me dito. Ele sabia, e agora eu me sentia melhor comigo mesma, já que auto-piedade nunca foi o meu forte.

Saí da casa do com outro pensamento, e não hesitei em falar para o senhor de dirigia o táxi:

- Tim’s break, por favor!

Era fácil ser mais livre quando estava com as palavras do meu melhor amigo de maneira fresca na minha cabeça. Eu sabia, estava em paz.

Entrei o restaurante e consultei uma possível reserva, e, para minha surpresa, ela existia, então segui para a mesa escolhida e me sentei esperando ter que aguardar ele, no mínimo, uns vinte minutos. Entretanto, escutei sua voz na entrada, e senti todo meu corpo reagir contra mim; eu queria sair correndo. Porque tinha que ser tão complicado? Mas não, eu estava disposta a ser o que eu sempre fui, direta.

Nosso papo foi cordial, e depois de fazer os pedidos eu escutei The Academy Is tocar, mas era do outro lado da mesa, provavelmente o celular do .

- Você me dá licença? – ele indagou, após ler o nome sobre o visor. Concordei com a cabeça e ele se foi, deixando a área de visão mais aberta, infelizmente.

Quando me dei conta, estava em pleno e completo desespero, eu sabia que de onde eu estava, James não seria capaz de me vez, mas eu infelizmente o via junto com Dave, um amigo de banda dele. Era apavorante, tanto lugar para se estar, e logo ali?

Em poucos minutos chegou, e logo percebi que ele estava completamente diferente, parecia apreensivo e atormentado.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntei com um tom mais preocupado que eu queria parecer.

- Sim, talvez eu precise sair, logo. Você me mataria? – seu desespero se somou ao meu, e antes que eu perguntasse o motivo da tensão, me virei para o garçom que chegava com nossos pratos na mão.

- Embrulha para a viagem e traz a conta? – sorri, e ele concordou.


(/)


Sai do restaurante após um semi-briga para pagar a conta. Ela concordou de repente, e saímos quase que sorrateiramente. Não sabia porque de tanto mistério, mas não me importei tanto, precisava me livrar de uma vez por todas da . Ou pelo menos fazer ela viajar tranqüila.

Antes de entrar no carro, observei-a pegar um táxi e senti meu coração afundar. Eu precisava correr atrás do prejuízo.

Joguei a comida fora no primeiro lixo. É como eu sempre digo, sem provas, não há crime.




(Que tal colocar pra carregar: Endlessly - Muse?)

(POV )

Cheguei em casa com uma dor de cabeça estranha. Não era como as outras que eu tinha, era como se houvesse um bloco de carnaval dentro dela, fazendo o máximo de barulho o possível. Cruel. Desisti de tomar remédio. Antes de chegar perto da caixinha de medicamentos, fui direto para um banheiro, precisava de um banho.

Deixei minha bolsa em cima da cama, e fui deixando rastros de roupas, que davam no meu banheiro. Menos de vinte minutos foram o suficiente para que eu me sentisse limpa e relaxada. E, para a minha sorte, a dor de cabeça estava quase que imperceptível, só me restava pensar...

Sim, eu estava confusa, e ver James no restaurante foi a gota d’água. Eu me sentia culpada e viva, um monstro e confortável, com medo e segura. Um misto de emoções que pensava não ser possível desfrutar desse jeito. Era assustador e bom, um modo diferente de se sentir culpada, mil vezes cruel. Não havia motivos fortes para me fazerem - ou não - desistir de tudo, ou mesmo, continuar. Eu apenas estava deixando as coisas fluírem, do seu modo. Odiava a posição de dominadora-mor, ou mesmo, carcereira da minha própria prisão, aquela que eu me mantia cativa. Eu sempre fui da opinião clara; de deixar a vida seguir seus próprios rumos, sem medo de que isso seja um jeito covarde de não querer que a culpa recaia sobre mim. Idiota, eu sei, mas era o modo que estava levando a minha vida, desde... Sempre.

Fechei meus olhos, me certificando de que estava realmente bem, e fui abrir minha bolsa. Cruzei minhas pernas, sentindo o short que eu havia colocado, junto com uma blusa adquirida na sessão masculina, apertar sobre minha coxa. Bufei e levantei, arrumando ele, e voltando a minha posição, agora sem incômodos. Remexi minha bolsa a procura do meu celular, e para meu espanto – ou não – ele tinha mensagens a serem lidas. Engoli em seco ao ver o nome. Era carma! Apertei o botão ‘ler’...

‘Oi, ! Estou te devendo um almoço, né? Jantar pode? Hoje às 9hrs, que tal? Me liga,

’ Bateu sobre mim um pesar, mas não me entreguei à ele, auto-piedade não era meu forte, mas, infelizmente, aquela frase deixou de ter tanto sentido assim. Vi que havia mais uma mensagem, e era da ultima pessoa que eu esperava...

‘Amor, onde você está? Vamos sair, e não, não é um convite. Te ligo quando estiver saindo de casa, James’

Agora eu tinha um problema. E dos grandes.

(/)


Não estava animado em ver minha namorada, mesmo depois de tantos dias. Não mesmo. Eu tinha que fingir um amor, que agora, não sentia mais. Não que eu não a amasse, e sim, acho que a amo, mas estava me cansando de ter que mostrar esse amor do modo que particularmente não sentia. É estranho. Aéreo, mas é como eu estava. Estranho e aéreo. Não havia um dia que eu fechava meus olhos, e não sentia meu corpo mais pesado, sua mão deslizando com calma por minha nuca, seus lábios perfeitamente doces tocando os meus. Era como dar vida a algo que nunca fui, sonhador. Sai do restaurante ainda com sua pergunta em mente: ‘...Porque me importaria com os sonhos de um cara? Se quiser me incluir neles fica a seu critério.’ Mal ela sabia que já era eles.

Rumei até um pequeno restaurante que ficava a menos de duas quadras de onde eu estava. Me xinguei por dentro a cada rua que eu virava. Por que estava fazendo isso mesmo? Não entendia mais as minha atitudes. Era como deixar de lado todo tesouro, depois de ir em busca dele. Minha falha consciência me obrigava ir desejar boa viagem para ela, antes que eu caísse mais fundo em algo que eu já estava pronto para me entregar. E como de costume, estava sendo precipitado.

- ! – Ela sorria radiante me olhando com aquele olhar de saudade. Partiu meu coração não poder retribuir.

- , como está meu amor? – passei meus braços ao redor da sua cintura, abraçando-a do modo mais carinhoso que pude.

- Com saudades, . Muita! Por que sumiu? – ela deixou uma ponta de mágoa tomar seu tom de voz, era torturante.

- Precisava de um tempo para mim, só. – acariciei seus cabelos, ainda abraçado com ela. Doía demais.

- Então, está melhor? – apenas concordei com a cabeça, soltando-a com calma, para minha frente e encarei-a com duvida. – Ótimo, vamos comer? Preciso te contar sobre a viagem.

Se eu escutei dois terços do seu longo monólogo sobre como ir ao Brasil era lindo, foi muito. Eu vaguei com meus pensamentos para um lugar onde eu ainda não havia ido, mas tinha certeza que ela estaria lá. Pedi licença, e fui ao banheiro batendo o polegar sobre o lugar onde meu celular estava sobre meu jeans, e assim que entrei no banheiro, peguei-o e digitei algo previamente pensado. Seria uma chance.

Voltei para perto de , e continuei a ignorar cada palavra que ela insistia em dizer. Apenas concordava com a cabeça e proferia uma ou duas respostas com cada letra contada. Eu não estava mais agüentando. Agradeci ao perceber que já estava na hora de me encontrar com , eu tinha compromissos, felizmente. Me desculpei com ela, e prometi que a buscaria assim que ela voltasse da sua viagem. Ela concordou com a cabeça, e me beijou com carinho, sem que eu correspondesse do mesmo modo. Deixei o dinheiro para pagar a conta sobre a mesa, e saí antes que o garçom chegasse. Estava na hora de contar nos dedos o tempo que faltava para ver quem meu coração chamava a cada batida.


(POV )

Depois que se conhece o , fica difícil entender o que se passa na cabecinha dele. Não que ele seja misterioso ou qualquer coisa similar. Ele é apenas confuso, instantâneo, instintivo. Qualquer coisa que ele faça te surpreende, e não adianta prever os passos dele, na última hora ele pode mudar de curso, como sempre. Por isso, sempre foi mais difícil ver o que acontece com ele, observação apenas nunca foi o suficiente, e felizmente hoje, as condições estavam ao me favor. Ele havia se adiantado, e provavelmente seria apenas eu e ele, por alguns preciosos minutos. Os suficientes para meus objetivos.

Ele entrou sem dizer uma palavra, e apenas se jogou no sofá, olhando fixamente para algum lugar da casa, que eu ainda não havia decifrado qual.

- ? – chamei com calma, dando tempo para ele me olhar. – O que ta rolando, dude? – cerrei meus olhos, o observando com meu olhar de preocupação que a sempre elogiava.

- Mulheres, dude, mulheres... – ele foi perdendo força a dada palavra dita, e por mais incomum que fosse, eu sabia o que estava acontecendo.

- De novo? – sentei do seu lado, apoiando meus cotovelos sobre minhas coxas, o observando pensar.

- Dessa vez é diferente, eu... – ele balançou a cabeça, respirou fundo. Definitivamente, ele estava... Em pânico.

- Me conta de uma vez – coloquei a mão sobre o ombro dele, e ele me olhou como se estivesse vendo através dos meus olhos.

- ainda não sabe, e bem, quero terminar com ela para tentar algo... Com a outra. – ele abaixou a cabeça, e eu sabia, que ele se sentia culpado. Concordei com a cabeça, apenas. Não iria interferir sobre uma decisão tão pessoal dele.

- Vai terminar quando? – fechei os olhos, tentando ser mais indiferente o possível, mas não estava dando. De certo modo, saber que ele havia pisado na bola de novo, era ver claramente que suas promessas de mudanças não valiam absolutamente nada, e que todo aquele arrependimento era simples mentira. Decepcionante.

- Assim que ela voltar de viagem, hoje não consegui. – concordei sem falar nada, precisava digerir tudo isso.

- Dude, só quero que você seja feliz, com ou sem . – passei meus braços ao redor do seu ombro, dando um ‘abraço’. Me levantei longo depois, os meninos haviam chegado...

(/)


(POV James)

Fechei meu celular depois de enviar a mensagem para a , eu estava com muita saudade. Como sempre, Dave estava certo, eu deveria correr atrás dela, já que ela não faria isso. Sorri, besta, por ser tão confiante, eu estaria com ela em poucas horas, e se tudo desse certo, voltaríamos a ser um casal. Eu sentia saudades de observar seu rosto pela manhã, ou mesmo, de tocar sua mão só para saber que ela estava ali, junto a mim. A única mulher que me fez pensar em um altar com ela de branco sobre ele. Era gay, idiota e... Gay! Mas não havia explicação mais correta. Eu estava realmente apaixonado por ela e, mesmo tentando, eu não conseguia achar em outras mulheres o que ela tinha de sobra, vivacidade. Era o que mais me chamava a atenção, seu modo de saber viver, e simplesmente fazer aquilo parte de uma rotina normal. Ela vivia de maneira espontânea, e me tornava mais... Vivo, só em olhar para seus olhos divertidos. Era a melhor sensação!

Deitei a cabeça sobre a almofada e, para meu espanto, ainda havia vestígios de sua presença, mesmo que, quase como impossível. Eu sabia que era apenas minha mente me colocando mais uma das suas peças e, como sempre, eu estava amando a sentir tão, tão... Próxima.

(/James)


(POV )

Eu não tinha noticias de há alguns dias. Mesmo que eu a visse todos os dias na Lowd, não era a mesma coisa. De alguns dias para cá, não estávamos sendo amigas de verdade, e sim colegas de trabalho, e isso me deixava sufocada. Por isso, me senti bem ao ver seu nome piscando no visor do meu identificador de chamadas naquela tarde.

- Alô?

- , preciso de você... – sua voz era falha, parecia um desespero, não os de costume.

- Fala amiga, to te escutando – sentei no sofá, observando a minha parede cor gelo, esperando que ela falasse algo.

- Hoje fui almoçar com aquele cara do... Celular. E, bem, não almoçamos porque vi James no restaurante com aquele amigo que você já catou e o recebeu uma ligação e precisava ir. E depois de tomar um banho e relaxar, havia duas mensagens no meu celular, uma do , marcando um jantar e outra do James, não apenas me chamando para sair, e sim, me obrigando a sair. To desesperada... – concordei com a cabeça, tentando pensar em algo que a deixasse mais calma.

- Liga para o e marca para sair com ele amanhã, já que, amanhã, Clarisse deu mais tempo de vida para todos. E não esquece de omitir isso para o James, o que te dá uma vantagem de desculpa para ir embora mais cedo. – me concentrei, tentando fazer sentido e deixá-la tranqüila.

- Ok, mas, mas, mas... Eu queria sair com o ... - ela abaixou o tom de voz, me tirando um sorriso calmo do rosto.

- Quer que eu dê um jeito no James para você sair com o ? Mas nada de restaurantes ou bares! Tem que ser pub, quanto mais gente, melhor. – sorri e ela resmungou algo do outro lado da linha que eu sabia que era um sim. – Vou dar meu jeito, mas tenta fazer algo diferente no cabelo. Lembra que se tu for descoberta, eu to ferrada com ele.

- Não se preocupa, , eu vou dar meu jeito, mas garanta que ele não vai sair de casa, ok? – concordei, e ela se despediu dizendo as palavras que eu tanto sentia falta. – Te amo, amiga!

(/)


Saí da casa do com dor de cabeça, eu não estava mais agüentando escutar as mesmas coisas sobre as músicas, ou mesmo, as idéias repetidas para a finalização de umas. Eu queria tomar um banho e escutar sua voz do outro lado da linha. Entrei no meu carro e liguei o rádio, esperando que alguma música me animasse. (Coloque pra tocar)

Uma música começou a tocar e aumentei o som, deixando que ela tomasse conta do meu carro.

There's a part in me you'll never know
(Há uma parte em mim que você nunca conhecerá)
The only thing I'll never show
(A única coisa que eu nunca mostrarei)

Cerrei meus lábios e respirei passado, sentindo a música ir bem mais longe que eu imaginava. Eu conseguia ver os olhos dela, com um brilho sóbrio, mesmo que seu corpo não tivesse.

Hopelessly I'll love you endlessly
(Desesperadamente eu a amarei eternamente)
Hopelessly I'll give you everything
(Desesperadamente eu te darei tudo)
I won't give you up, I won't let you down
(Eu não a deixarei, eu não a decepcionarei)
And I wont leave you falling
(E eu não deixarei você cair)
If the moment ever comes
(Se o momento vir a chegar)

Bati meus punhos sobre o volante, tentando não concordar com cada parte da música que era cantada. Eu sentia raiva, eu não podia estar entorpecido, mas minha mente decidiu tirar uma com a minha cara, me fazendo tornar a sentir seu perfume. Condenei-me.

It's plain to see it's trying to speak
(Está claro pra ver, está tentando falar)
Cherished dreams forever I sleep
(Sonhos prazerosos para sempre dormirei)

Virei na esquerda, já estava próximo de casa. Me lembrei dela deitada sobre a cama na manhã. Sorri sozinho. Me condenei novamente. Era impossível não alimentar silenciosamente minhas vontades de tê-la perto, eu precisa de mais um pouco da droga que estava me dominando tão delicadamente. A mesma droga que eu reconhecia como meu desejo mais real, minha vontade mais sincera, meu prazer mais desejado, ela.

Hopelessly I'll love you endlessly
(Desesperadamente eu a amarei eternamente)
Hopelessly I'll give you everything
(Desesperadamente eu te darei tudo)
I won't give you up, I won't let you down
(Eu não a deixarei, eu não a decepcionarei)
And I wont leave you falling
(E eu não deixarei você cair)
If the moment ever comes
(Se o momento vir a chegar)

Buzinei, e meu porteiro abriu o portão da garagem. Entrei nela, e coloquei meu carro na vaga de sempre, apertando o botão da tranca automática, assim que já estava ao lado dele. Caminhei até o elevador, apenas escutando o som dos meus sapatos batendo sobre o piso. Aguardei, silencioso, o elevador e entrei assim que ele chegou. Apertei meu andar, e esperei a porta se abrir mais uma vez. Fiz o mesmo de sempre, o meu trajeto normal, e por alguns minutos – os suficientes para chegar em casa – eu não pensei em nada. Era bom.

Abri a porta tirando meu celular do bolso do casaco de couro, e o coloquei em cima da mesa. Fui para meu quarto e, antes que eu pudesse entrar no banheiro, escutei meu aparelho tocar. Meu coração pulou, e como rapidez fui ao encontro dele, atendendo um pouco animado demais...

- Alô!






N/a: Chuuuuuuus! Ah que saudade daqui sabia? ‘-‘ UHAUHAHA É lindo poder falar com vocês, e sem resumos, hihihi. Desculpa pela outra n/a, eu estava para baixo .-. Mas mas mas mas AHAUHUA Agora eu estou a mil e quinze por minuto EEEEEEEEE. Tenho muitas notícias boas para vocês, e espero que todo mundo se anime, EEEEEEEE². Primeiramente: VOCÊS SACARAM NA NOVA CARA DA TAT? EIN EIN EIN? UHAUHAUHAUHA TÁ AHAZANDO NÉ GENTEM?! Eu sei, cofcof, obra da minha nova beta, e essa é a nova novidade (?) Vamos para o segundamente logo? :DD SEGUNDAMENTEEEE: Temos uma nova beta! A Ma, minha AMADA beta desistiu de betar no ffadd por motivos pessoais, e ela me deu de presente a linda da Taazinha do meu coração *-* (sim, sou COMPLETAMENTE APAIXONADA POR ELA). Genten olha que tchuco, a Taa, ela lia a TAT antes de betar *-* E e e e, ela é um amorzinho de menina. Quero todo mundo recebendo ela com MUITO, MAS MUIIITO carinho ok? :DDD Então gatas, tenho mais novidade EEEEEE AHUHAAHUA Terceiramente: Eu to desocupada até o dia 2 de março (Quando começa a facul, é). Então to morgando 4ever em casa, sem fazer nada .-. Em um dos meus ataques de tédio, eu criei um blog GATÍSSIMO para as minhas fics, hihi. E vamos fazer um votação aqui para ver se vocês querer que o você-decide passe ou não em forma de enquete lá no blog. ENTENDIDAS? :D Duas votações hoje então, não esqueçam! Mais uma coisinha HEHE, O QUARTAMENTE, SUPER IMPORTANTE: Dia 28 de fev (espero que a fic atualize antes, ou no dia ‘-‘) É MEU ANIVERSÁRIOOOOOOW! SORRINDO GENTEN! Isso mesmo, Alice aqui ta fazendo 17 aninhos lindos (é sou baby, oiqq). E eu queria muito muito, que vocês me mandassem aquele PARABÉNS BABY! Ok?! Vai ser tipo, MEGA importante :DDD Já que vocês são as lindas do meu coração, hihihi. Essas são as novidades ok? Agora vou fazer meus coments sobre tudo... EEEE MAIS COISA PARA LEEER! UHAUHAUHUA Então... MENINANS EU AMO VOCÊS, É! HAUHAUHUAHAHUA. Mesmo que tenha ficado BEM BEM BEM triste com a escolha de vocês para o você-decide UHAUHAUHA. EU QUERIA INTERNAR O JAMES *chora rios* HUAHAHUAH IMAGINA COMO VOCÊS – no caso, hihi – FICARIAM COM MO DOR NA CONCIENCIA? HAUHAUAUHAUHAHUAHU SERIA MO ENGRAÇADO, É. Só a Kaah quis internar o bichinho, AHAZOU NEGA! Sorri que nem besta quando vi que tinha uma alma que queria o mal dele UHAUHUHUHAU. Eu amo o James *morre de amores* mas seria mo lindão ver como seria. Mas deixa, depois eu interno ele, pfff! Intoxicação alimentar seria MARA né? HUHAUHUAHUAHUHAU. Ah, fiquei besta como o pessoal tava em duvida, mas é legal que vocês estão votando e tals. E para ajudar a meninas que estão acompanhando a TAT agora, vou deixar sempre explicadinho como funciona o você-decide ok? hihi. AH OUTRA COISA, VOCÊS PERCEBERAM né? HAUHUAHUA Ele sabe que está traindo, mas não com quem. OOOH COISA BOA :D MISTÉRIO, HISHISHSI. Bem quero agradecer a vocês que leram e votaram ok? A Ivi, a Van, a Fer, a Day Ismério, a Thais R. Poynter*, Grazi W*, a Vah (valeu pelos parabéns pela facul *-*), a Vick j, a Cíntiiapoynter, a Nine, a Dubahh*, a Thay, a Kaah* e a Laiza. (se tiveram mais, SORRY! Próxima att, eu coloco aqui) (* = estão comigo a um tempo já.)
Queria pedir desculpa a Mandy Poynter por ter demorado a att da outra vez, esqueci de me desculpar ‘-‘ e queria mandar um beijão para a Nina, que é uma fofa, leitora também e e e, ME ADICIONEM NO MSN AMORES! AMO CONVERSAR É! Esses dias conversei com a Vivi’s, que att o site, e descobrimos que somos almas gêmeas, hehe UAHUAUAHUHUA.
MINHA N/A TA MONSTA :O, MAS TAVA COM SAUDADES .-. E BEM, AGORAAAAAAAAAA... A Taa linda,vai dizer umas palavretes para vocês, minhas div-ans (k) UHAHAAUAUHUAHUAHUA CARINHO COM MINHA BEBE OK? :DDDDD
Amo vocês demais, e na próxima att será MARA! hihihih
xx aly!

Ps: Credito da musica para o Poli, hihi. (mandei besta <33)

Contatos:
msn | e-mail | orkut | blog

Outras fics:
Enjoy Now | Drive Me Insane | Kiss Me Butterfly.

n/b: Estava na hora de contar nos dedos o tempo que faltava para ver quem meu coração chamava a cada batida.
eu super ia fazer uma apresentação monstra, uma coisa super lusho, aqui, mas, depois dessa frase POWER LIMDS que o Tom (no meu caso, é. *-*) falou, eu meio que morri. AEAEAE, eu sou a beta nova, bgs me liguem! Ally, gostosa, sua fic é muito catínia, digologo. (R)
PS: essa cor foi a mais parecida que tinha com a capa,não me soque! (Y)

Lembrando: Três dias para a votação, a partir do dia que a fic for att, ok? Escolha a opção que vai fazer a fic ser mais legal e ... MARA, hihi.

Você decide!
Se você quer que...

se encontre com o , sua opção é a A.
conheça você, sua opção é a B.
Clarisse surte e te faça uma surpresa, sua opção é a C.