That’s what I go to school for!
Por Luíza
Capítulo 1
- ! Levanta logo e vai pra escola! – ouvi uma voz berrando do andar de baixo. Abri os olhos pra checar onde estava. Constatei que estava dormindo na minha cama. Olhei para o relógio. Seis e meia. Resolvi dormir mais tempo, o colégio podia esperar.
Cochilei mais cinco minutos e aquela voz irritante voltou a chamar meu nome, mas dessa vez ela abriu a porta também.
- , você vai chegar atrasado de novo! – olhei pro lado, abri os olhos um pouco para não machucar com a luz do dia. Reparei que a voz que me chamava era a de minha mãe, que estava parada na porta segurando uma toalha. Não respondi e tapei meu rosto com a coberta. Já tinha decidido chegar na segunda ou terceira aula hoje. Esperei para que ela descobrisse isso sozinha, sem que fosse preciso nenhum esforço da minha parte para explicar. Mas isso não aconteceu, já que ela voltou a reclamar e a me mandar tomar um banho.
- Mãe, eu vou chegar na segunda aula. – resmunguei sem tirar o cobertor do rosto.
- Escute aqui, mocinho, quando você vier me pedir para ir a mais uma dessas festas na casa de seus coleguinhas em dia de semana, veremos qual vai ser a minha resposta. – ela bufou e saiu do meu quarto, finalmente! Mas ela realmente disse ‘coleguinhas’?
Depois do episódio do ‘coleguinhas’ eu não consegui mais dormir, mas não daria o braço a torcer tão facilmente. Continuei enrolando na cama até as sete, quando cansei de olhar para a cortina do meu quarto e resolvi tomar um banho.
Acabei meu banho e desci para comer alguma coisa. Quer dizer, beber um suco de laranja, já que meu estomago completamente ferrado não iria agüentar alguma coisa sólida pela manhã. Abri a geladeira e para minha surpresa, nada de suco de laranja! Como minha mãe pretendia que eu curasse minha ressaca sem suco de laranja??? Só pode ser perseguição!
Peguei meu casaco pendurado, minha mochila e fui atrás do meu suco de laranja.
- , o que você está fazendo por aqui, menino? – uma voz feminina me chamou.
Eu estava sentado na lanchonete perto do colégio, tomando meu precioso suco de laranja, tentando fazer com que minha cabeça parasse de latejar, quando essa menina loira e extremamente gostosa veio falar comigo. Eu a conhecia, mas de onde?
- Ah, oi... – pensei um pouco. Se ao menos eu lembrasse o nome da sujeita...
- Julie. – acho que ela percebeu que tinha sido esquecida... Pobre Julie.
Dei um sorrisinho sem graça e voltei para meu suco.
- Mas o que você tá fazendo aqui? Achei que ainda estudasse. – ela insistiu.
- To atrasado... – acabei com meu suco que estava na metade em um único gole. Não tinha a mínima vontade de ficar alimentando um papo sobre qualquer assunto idiota com uma sujeita que eu devo ter transado sabe-se lá quando. – Te vejo por aí! – levantei-me e fui embora.
Cheguei no colégio na hora do intervalo. Encontrei meus amigos sentados no banco em baixo de uma árvore comendo e conversando.
estava tento um papo... Digamos que um tanto íntimo com uma garota do segundo ano, estava se agarrando com sua namorada e estava ocupado demais comendo seu super sanduíche.
- Fala, . - falou com a boca cheia ainda. – Tava curando a ressaca com sucos de laranja de novo, é?
- Cala a boca, . – continuei andando pelo colégio até achar a cantina. Estava ouvindo alguns risinhos atrás de mim, mas só depois fui perceber que os risinhos vinham de algumas duas garotas que estavam me seguindo há algum tempo. Não me incomodei e continuei andando tranqüilamente cantarolando alguma música.
- Ele deu muitoooo mole pra Julie ontem na festa do , eu bem acho que eles dormiram juntos.
- Ouvi dizer que ele nem se lembra de quem ela é...
Não tive como segurar o riso. Então a de ontem era a tal Julie... Enfim, pode parecer cruel pra você o que eu fiz ontem e hoje com a tal Julie, as garotas atrás de mim fofocando e soltando gargalhadas e o modo como todo mundo sabe de tudo e como eles se tratam nessa escola... Mas não se assuste e seja bem vindo à minha escola!
Capítulo 2
O dia passou rápido, até. Sem novidades em geral, apenas o de sempre... Quer dizer, ficamos sabendo que a atual professora de Inglês vai ter o bebê e uma estagiária vai ficar em seu lugar até o final desse ano. Agora você deve estar pensando o mesmo que eu: Grandes coisas, não? Exatamente. Tenho mais com o que me preocupar, como por exemplo, o que vou fazer hoje à noite. Ainda não sei aonde vou, mas sei o que não vou fazer: Ficar em casa morgando... Opa, telefone tocando! Problema solucionado.
- Fala, . – atendi rapidamente no segundo toque.
- Que vai fazer hoje à noite?
- Nada que eu saiba, por quê?
- , e eu vamos a um pub, tá a fim?
- Aham, aham...
- Vinte minutos pra você aparecer na porta da sua casa ou fica pra trás, falou?
Desliguei o telefone sem falar mais nada. já estava acostumado com esse meu hábito de desligar do nada, mas é que eu acho que falar "tchau" ou confirmar alguma coisa no telefone é algo completamente inútil, porque, pense comigo, se você não quiser confirmar, vai dizer alguma coisa contra, não vai? E dizer tchau é simplesmente perda de tempo mesmo.
Chegamos ao pub em exatos quarenta minutos depois do telefone. Olhei para todos os lados, analisando a todos do recinto.
Maioria conhecida... Pessoas do colégio ou freqüentadores do pub. Sentamos em uma mesa e ficamos por lá bebendo por horas e conversando.
- tá nessa garota tem séculos – e eu estávamos falando de uma garota que era a fim desde sempre, mas ela nunca tinha dado bola pra ele. – Vamos ver se hoje sai alguma coisa.
Fiquei observando os dois por um tempo. sussurrava algumas coisas no ouvido da menina, que ria. E assim ficaram por um grande tempo, até que a garota saiu do colo dele para ir sei lá onde, fazer sei lá o que.
- , meu caro, vou ter que te ensinar a pegar mulher de novo? – falei enquanto apagava meu cigarro.
- Fica na sua aí que você não pegou nada até agora também, . – ele bebeu um gole de seu Red Bull.
- Não peguei porque não achei ninguém interessante hoje. Mas se você quiser que eu te ensine... Pode escolher qualquer uma daqui que eu aposto como saio com ela do pub em menos de três minutos.
- Opa! Isso tá me cheirando a aposta das boas, hein? – se meteu na conversa fazendo gestos exagerados.
- Ótimo, tava precisando mesmo de uma aposta pra animar meu final de dia. Já é, escolhe qualquer uma aí. – falei observando as mulheres do pub. Ia me dar bem; sempre me dava.
- Hum... – analisava cada uma delas cochichando alguma coisa com . – Aquela ali.– ele apontou com a cabeça discretamente para uma menina sentada no balcão. Ela parecia estar sozinha, usava um jeans e uma camiseta branca com alguma coisa escrita. Estava bebendo algo que não consegui identificar de longe, mas sem sombra de dúvidas era a mais gostosa do local, ainda mais por parecer uns dois ou três anos mais velha.
- Beleza, encontro vocês amanhã no colégio pra contar as novidades. – deixei a mesa e fui andando em direção a menina.
Capítulo 3
- Oi linda. – sussurrei no ouvido dela chegando por trás. – Está sozinha?
Ela olhou para o lado e esticou o olho para trás, tentando ver quem estava falando com ela. Ficou alguns segundos em silêncio e depois respondeu:
- E pretendo continuar assim...
- Mas você não sabe o que tá perdendo... – sentei-me ao lado da moça.
Mais alguns segundos em silêncio e ela deu um último gole em seu copo.
- Quantos minutos você ainda tem? – ela perguntou me olhando.
- Hã? Minutos? Como assim?
- Minutos pra sair do pub comigo e faturar uma grana dos seus amigos. – ela apontou com a cabeça para , e que estavam olhando discaradamente para nós dois. Deu um risinho sem graça e voltei meu olhar para o relógio.
- Agora uns dois minutos, eu acho.
Sem falar nada, ela tirou um dinheiro da bolsa e botou em cima do balcão. Levantou-se e me mandou segui-la. Fui atrás dela e paramos na porta do pub.
- Tá vendo aquela pizzaria ali? – ela apontou para um estabelecimento ao lado e eu assenti com a cabeça.
- Me encontre sexta-feira às oito horas ali e eu quero metade da grana que ganhar dos seus amiguinhos bestas.
- Ok, eu acho... – falei meio confuso. Aquela situação estava confusa. Aquela mulher era confusa...
Nesse momento um táxi parou na nossa frente e ela abriu a porta.
- Não se esqueça...
- Não vou, mas... Você tem um nome? – perguntei, colocando a mão sobre a porta do carro.
- Tenho. – ela fechou a porta do táxi e ele começou a andar.
- E você tem noção de que eu não posso mais entrar lá dentro? – falei para mim mesmo, já que o carro já havia partido.
Capítulo 4
Acordei assustado com o barulho do despertador. Havia sonhado com a mulher da noite anterior. No sonho eu tinha voltado ao pub ontem à noite pra pegar o dinheiro da aposta, mas daí ela apareceu com outro cara sentada no balcão e tinha uma fila de garotos tentando cumprir suas apostas com ela.
“Patético”, pensei sozinho.
Tomei meu banho e segui para a escola como todos os dias.
- Fala, . – me cumprimentou. – O que te traz ao colégio tão cedo?
- Que é que você tá querendo dessa vez, ? – perguntei, sentando-me ao lado dele.
- Nada, meu caro! Apenas lhe dar os parabéns. – respondeu, fingindo estar ofendido.
- Pois é, . Dessa vez você se superou, hein? – se meteu no meio da conversa, empurrando sua carteira mais pra perto das nossas – Uma mulher super gostosa e ainda mais velha... Diz aí, vai ter segundo encontro?
- Ok, ok, se estiverem atrás de dicas, estou pensando em lançar um livro, mas se quiserem autógrafos vão ficar esperando pra sempre. – resolvi zoar com eles me gabando um pouco, afinal, não teria como eles descobrirem a verdade mesmo.
- Meninos, fiquem quietos aí que eu tenho um comunicado importante a fazer. – Senhora Cyrus interrompeu a conversa e prosseguiu. – Bem, como todos sabem, a nossa professora de inglês se retirou ontem para ter seu bebê, e hoje vamos conhecer a nova estagiária, Senhorita MacKenzie.
Eu que não estava prestando nem um pouco de atenção ao que a Senhora Cyrus estava falando anteriormente, quase tive um ataque quando olhei para porta e vi a garota do pub ontem, a garota da aposta que eu não sabia nem o nome, mas meus amigos pensavam que eu tinha levado pra cama.
Acho que não fui o único que ficou pasmo com o acontecido. me deu um tapinha nas costas e murmurou algo como ‘Se deu bem de novo’ para e .
“Bom dia, turma!” – a MacKenzie entrou na sala.
Você já pode imaginar o decorrer dessa aula... Foi uma com o outra qualquer, na qual eu não prestei atenção, só fiquei pensando em várias hipóteses que poderiam acontecer, por exemplo, ela poderia me ignorar e fingir que me conheceu hoje como todos os outros, poderia exigir seu dinheiro e também não tocar no assunto, poderia virar amiguinha dos meus amigos e contar a verdade... Enfim, várias possibilidades passavam pela minha cabeça enquanto ela se apresentava e todos babavam nela.
No fim da aula, demorei um pouco na sala mexendo nas minhas coisas. Fiquei enrolando pra ver se ela falava alguma coisa comigo no final da aula em particular, sabe como é, né? Ela não falaria nada no meio de todos. Até que a tática deu certo, mas não como eu queria...
- Sexta a feira, oito horas. – ela pegou seus livros em cima da mesa e foi andando até a porta. – Não me dê um furo ou eu te reprovo. – e saiu.
Ah ótimo, então a senhorita eu-sou-misteriosa pelo menos se lembrava que havia marcado um ‘encontro’ comigo, isso não era mal sinal. Ou era?
Capítulo 5
Tá legal, era sexta-feira e eu iria encontrar com a professora. Cara, isso não era nada demais, certo? Afinal, eu só ia lá, tomava alguma coisa com ela, comia uma pizza e dava o tal dinheiro. Mas por que isso tava me incomodando tanto assim? Provavelmente era porque eu tava cagando de medo dela contar a verdade pros meus amigos. Fala sério, depois dessa eu era quase uma lenda pra eles. Se bem que eles estranharam que eu não tinha falado com ela a semana toda, mas eu avisei que tinha um encontro na sexta, e obviamente não informei onde.
Lá estava eu, sentado em uma mesa da pizzaria, às sete horas da noite, o que significa que eu estava uma hora adiantado. Foda-se, eu pelo menos estava bebendo e ouvindo música no meu iPod, não significava nada o fato deu ter chegado super antes, apesar de nunca ter feito isso. E por que diabos eu ficava olhando para o relógio de cinco em cinco minutos?
“Relaxa , você tá assim porque vai descobrir qual é a daquela mulher misteriosa...” Tentava me manter ocupado com esse pensamento.
- Oi, . – ouvi uma voz feminina atrás de mim. – Que tá fazendo sozinho aqui? – me virei achando que ia encontrar a tal MacKenzie.
Mas não, me deparei com Lizzie . É, Lizzie é a irmã do , que eu pegava às vezes quando éramos mais novos. Mas é claro que tudo escondido do irmão, já que ele era estupidamente ciumento.
- Oi, Lizzie. – disse olhando fixamente para ela.
- Quanto tempo... – uns segundos de silêncio reinaram. Ela não ia sair dali não? Eu estava ocupado esperando uma pessoa, não dava pra perceber isso não, é? – Não vai me convidar para sentar a mesa com você não?
- Ah, pode sentar se quiser... – apontei para o lugar vago na mesa. Era só o que me faltava, já eram sete e quarenta e a garota resolve me aparecer logo agora.
- Então... – ela pegou o meu copo – Por que está bebendo suco de laranja? Tá de ressaca? – ela perguntou, dando um gole.
- Na verdade, não. Estou só esperando uma pessoa mesmo e não sei se ela bebe. – respondi seco enquanto ela acabava com meu suco.
- Ah, isso explica o que está fazendo sentado sozinho em uma pizzaria tomando suco de laranja.
- Pois é. – respondi o mais secamente possível, não estava tentando dar corda pra ela continuar conversando. Não que eu não gostasse da irmã do . Ela era muito, mas muito hot mesmo. E a gente se divertia juntos, ela era bem safadinha também. Pelo menos costumava ser.
- Arranjou uma mulher mais velha ou uma santinha dessa vez?
- É, ela é mais velha mesmo... E já deve ta chegando... Então será que a gente pode conversar mais tarde, Liz? – segurei a mão dela e olhei bem nos olhos dela também. Dar uma de sexy era sempre o segundo plano caso o de ignorar não funcionasse para tirar uma garota da cola.
- Ah, claro, . Mas não se esquece de mim de novo, okay? A gente pode se encontrar amanhã na minha casa, já que o vai dormir na casa do e meus pais estão viajando... – ela falou bem próximo à minha orelha e deu uma mordida seguida de um beijo nela. Confesso que fiquei tentado, afinal de contas, fazia tempo que a gente não ficava mesmo. Mas agora não estava com cabeça pra isso, então apenas concordei e avisei que ligava para ela.
Assim que Lizzie me deixou só na mesa, eu aviste a MacKenzie sentada no balcão pedindo alguma coisa. Levantei-me e fui falar com ela.
- Atrasada, hein? – sentei no balcão ao lado dela.
- Dez minutos e por sua causa, . – ela me respondeu sem tirar os olhos de seu copo que havia acabado de chegar.
- Uau, já sabe meu nome! Impressionante... Mas como por minha causa? Eu to aqui já tem um tempinho...
- E eu também. Cheguei aqui às oito em ponto e encontrei você e uma loirinha quase se agarrando em uma das mesas. Resolvi não estragar a sua diversão e sentei-me para esperar. – ela olhou para mim pela primeira vez.
Ah, então ela viu a Lizzie...
- E então, hoje eu vou ter o prazer de saber seu nome? – falei tranqüilamente. Eu estava tranqüilo, afinal de contas, a professora era bem normal até e bem, mas beeem gostosa.
- Não acho que saber meu primeiro nome venha ao caso, . – ela me encarou. – Afinal de contas, só vamos nos ver nas salas de aula a partir de agora e lá é conveniente que você me chame apenas de Senhorita MacKenzie.
- Huum, então a donzela não é casada... – falei rindo.
- Ótimo, agora que você já ficou satisfeito em saber que não sou casada, pode passando meu dinheiro e eu vou embora preparar sua aula, okay? – ela disse impaciente.
- Não sei se vou te entregar o dinheiro sem antes te pagar um drink e sem descobrir seu nome de verdade...
- Já acabei de tomar um suco se você não percebeu. – ela colocou a mão no meu bolso na frente e tirou de lá o dinheiro da aposta. – Até mais, aluno. – MacKenzie estava prestes a se levantar, mas eu a segurei pelo braço.
- Você não vai sair sem uma dança ao menos, vai? – perguntei, mordendo meu lábio inferior. Ah, qual é? Essa nunca falhou, vai... Não com .
- Só por causa do meu fraco por dançar, mas não vai pensando que vai sair daqui se gabando com seus amiguinhos panacas não, hum? – ela me respondeu puxando minha mão para a pista de dança, que estava vazia. Pra falar a verdade, eu não tinha reparado que tinha uma pista de dança na pizzaria até segundos antes da professora (não sei como chamá-la ainda, mas hoje à noite eu descubro...) se levantar. Estranho não?
Enfim, enquanto dançávamos alguma música que eu não sei de quem era, resolvi puxar assunto, porque eu não sairia daquele lugar sem um nome ao menos.
- Mas então, MacKenzie... Quando você vai se render e me dizer seu nome?
- Suzannah. – ela me respondeu rapidamente e eu a repreendi com os olhos. – Meu nome é Suzannah.
- Tudo bem, tentaremos de novo. – cheguei mais perto dela, colando nossos corpos. – Sou , e você, senhorita? Como se chama? – sussurrei em seu ouvido com a voz mais tentadora que pude fazer.
- MacKenzie, agora pára de me encher o saco? – ela respondeu, também sussurrando em meu ouvido e logo depois ganhei uma mordida no mesmo local. Ui, mas era uma professora bem assanhadinha, hein? Como eu tenho certeza de que o nome dela é ? Não sei, ela só tem cara de , entende?
Continuamos dançando, bebendo, rindo como loucos, bebendo, nos divertimos como não fazia há tempos com ninguém, bebendo... Até que percebemos que já eram lá pras duas e meia da manhã e como estávamos em uma pizzaria não tinha mais ninguém no local a não ser nós dois bêbados e um garçom que tava mais dormindo do que acordado.
- O que você acha que ele merece? – me perguntou, olhando para o garçom.
- Merece não receber gorjeta, com certeza – respondi, tirando o dinheiro do bolso e colocando em cima do balcão. Nem sabia ao certo quanto estávamos devendo pelas tantas cervejas, mas aquilo deveria pagar. Não tudo, mas ah, ninguém mandou o sujeito dormir em serviço.
- Ai, como você é bonzinho... – ela respondeu, pegando a bolsa na cadeira e virando-se para mim.
- O quê? Você queria que eu não pagasse? – falei, apontando para o estrago que tínhamos deixado para trás.
- Estou falando de zoar com a cara do sujeito. – abriu sua bolsa, chegou perto do garçom e tirou um batom vermelho lá de dentro.
- Ah, agora eu saquei! Mas você não era aquela mulher mais velha, senhorita eu-sou-responsável-não-digo-meu-nome-a-ninguém?
- Não me enche não, . – ela começou a fazer uma boca gigante de palhaço no cara e eu fiquei olhando e rindo da cena.
estava fazendo caras e boca e rindo escandalosamente enquanto macacava o sujeito todo. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo mal feito e sua blusa já estava toda torta, um pouco aberta em cima e com as mangas arregaçadas. Ela olhou pra mim e estendeu o batom.
- Não vai se divertir comigo não? – ela perguntou.
- Não, to bem aqui olhando a sua alegria – ri.
Esperei ela acabar com sua ‘obra de arte’, como ela mesma tinha chamado, e fomos andando pra algum lugar. Não, não tinha destino mesmo, apenas estávamos andando e conversando.
Capítulo 6
Acabamos indo parar em um parquinho de criança deserto, devido à hora. se sentou em um balanço. Resolvi segui-la e sentei ao lado dela.
- , você tem um sonho? – a garota perguntou enquanto tirava as sandálias.
- Tenho, continuar rico fazendo alguma coisa divertida pelo mundo. – respondi, arrancando meus tênis com o próprio pé.
- Ah, que ótimo plano... – falou sarcásticamente e começou a balançar vagarosamente o balanço. – Você já ta terminando o colegial, devia ter um plano decente.
- , nós temos mesmo que falar disso agora? – olhei para a garota que brincava com os pés na areia – É madrugada de sexta-feira, estamos os dois sentados em balanços de crianças sendo que eu não estou mais raciocinando direito e você me vem com esse tipo de papo? – eu estava encarando meus pés.
- Quem deixou você me chamar de ? – ela resolveu falar alguma coisa depois de algum tempo. Ah tá, por que mesmo eu achei que ela começaria a ser simpática comigo agora?
- Você me chama de ... Achei justo te chamar pelo apelido também, mas como eu não sabia, inventei um agora.
- Ah ok, vou te chamar de agora então, tá? – ela ainda estava brincando com a areia e eu parei meu olhar no rosto dela por enquanto. Completamente linda, com uma cara inocente que eu não tinha visto a noite inteira. Fiquei hipnotizado por alguns segundos até ouvir ela praticamente gritando:
- ! !!! – saí dos meus pensamentos no susto.
- Hã? – perguntei confuso.
me ignorou e saiu correndo pelo parquinho. Pensei em ficar apenas observando a linda cena, mas resolvi correr atrás dela e tentar aproveitar um pouco mais de perto.
Ela começou a rodar feito uma criança com os braços abertos e com os olhos fechados. Ta aí uma coisa que eu nunca poderia imaginar minha professora séria fazendo. Não resisti e fiquei ali parado, olhando e rindo. Sem abrir os olhos ela me puxou pelo braço e começou a rodar comigo, mas é claro que eu não estava rodando, ela estava pulando alegremente e eu estava ali sendo puxado. O que ela queria, afinal? Que eu soltasse meu lado gay e começasse a rodar com ela? Há há!
- Anda, ! – ela dizia animadamente. – Se solta pelo menos uma vez na noite, criatura!
Vendo que eu não ia começar a rodar entrando na brincadeirinha dela, pois eu estava parado segurando a mão dela ainda, pulou no meu colo, envolvendo suas pernas na minha cintura e seus braços no meu pescoço.
Tá legal, o que ela tava querendo afinal? Primeiro ela me da patadas e é toda séria comigo, horas depois ela estava pulando no meu colo assim como se nos conhecessemos há anos? Não que eu tenha me importado, já que outras faziam isso direito, mas elas não eram... Tipo a MacKenzie.
Enfim, não sei o que ela queria no momento, mas sei o que eu queria e não demorou muito para que o fizesse. Nossos narizes foram encostando vagarosamente e depois nossos lábios. Naquele momento ela era como qualquer uma das outras, nada de professora durona ou mulher mais velha extremamente gostosa. Apenas . Depois de algum tempo resolvemos ir embora, afinal eu tinha aula amanhã e ela também.
Voltamos a pizzaria, peguei meu carro e fomos para a casa dela primeiro.
- Quer entrar? – ela me perguntou com um sorriso malicioso no rosto. Eu não sabia se entrava mesmo ou não, porque, pra falar a verdade, ela parecia ser meio maluca. Mas o meu organismo masculino falou mais alto e eu entrei mesmo assim. O que ela poderia fazer? Era uma fracote.
- Bela casa... – eu disse, observando a enorme casa toda pintada de vermelho e branco, com uma longa escada de madeira – Divide com alguém?
- Aham... – ela respondeu subindo a escada e tirando as sandálias. Ok, se ela não falou com quem, não iria nem responder se eu perguntasse. Estava começando a entender o seu joguinho de misteriosa. Eu não sabia se ia atrás dela ou ficava por ali mesmo, o que ela foi fazer? Colocar uma lingerie pra me seduzir? Eu já estava mais do que seduzido.
- Vai ficar aí esperando o quê? – Srta. MacKenzie falou do topo da escada.
- Eu não sou de sair entrando na casa das pessoas que eu mal conheço, ainda mais minha professora... – ok. Eu não devia lembrar com tanta freqüência que ela é minha professora. Isso é broxante.
- Ah, qual é, ! – ela riu sarcasticamente. – Até parece que você lembrou que eu sou sua professora quando me beijou.
- Acho que eu posso olhar o resto da sua casa – eu subi lentamente os degraus fingindo analisar a casa. Enquanto isso, ela sumiu da minha vista em um longo e escuro corredor.
- MacKenzieee! – eu comecei a procurá-la adentrando naquele longo corredor. – Cadê você? – antes que eu pudesse tentar achá-la, ela apareceu atrás de mim e me abraçou por trás. Eu me virei de frente pra ela e envolvi a cintura dela com os dois braços.
- Eu achei que não ia ter que dar o primeiro passo, vindo de um aluno como você. – ela disse, colando os lábios nos meus e apertando minha bunda em seguida. Quando uma garota fica próxima assim de mim, eu normalmente não respondo por minhas ações, em situações como essas, eu viro outro . Um que não está nem aí para o sentimento alheio e a baboseiras femininas. Sem pensar duas vezes, eu a empurrei contra uma parede do corredor com violência e pressionei meus lábios contra os dela. Ela pareceu ter se assustado com a minha reação, já que se desequilibrou um pouco. Ela abriu os braços como quem diz ‘Me possua, eu sou sua’. Eu sorri para ela, que sorriu de volta, e abri os botões de sua blusa que caiu no chão e foi chutada por ela em seguida. agarrou nos meus cabelos com tanta força que eu achei que ela quisesse arrancá-los. Eu dei algumas leves mordidas em seu pescoço e fui descendo até me ajoelhar no chão e parar em sua barriga. Ela deu um gemido ligeiramente alto e me puxou pra cima com voracidade, arrancando minha camisa logo em seguida e isolando-a na escada. Eu a envolvi em meus braços novamente enquanto a beijava, quando ela agarrou-se fortemente em mim e pulou no meu colo envolvendo suas pernas na minha cintura. Eu a segurei e dei um chute na primeira porta que vi na frente, adentrando no que provavelmente era o quarto de . Eu a coloquei deitada em uma cama que tinha ali e ajoelhei na sua frente desabotoando minha calça.
A partir daí você já sabe o que aconteceu, certo? Não vou ficar aqui descrevendo como terminou a noite.
Capítulo 7
Acordei no dia seguinte com a cabeça doendo mais do que não sei o que. Olhei pro lado e não reconheci o lugar. Fiquei alguns segundos mais com os olhos fechados pra ver se acordava completamente. Estava convencido de que aquilo era um sonho e quando abrisse os olhos novamente acordaria na minha cama e me depararia com meu quarto escuro e desorganizado, e não com um quarto limpinho e claro.
Mas quando abri os olhos de novo me vi em uma cama completamente bagunçada também, mas de casal e sem ninguém do meu lado. Sentei na cama e olhei para o relógio ao lado. Dez e meia. “Puta que pariu!” – pensei. – “Perdi algumas aulas de novo”.
Levantei e fui andando até o banheiro do quarto que pude ver graças à porta que estava entreaberta. Lavei o rosto com a água gelada e olhei-me no espelho. Estava acabado. Flashes da noite anterior vieram à minha cabeça.
Eu estava na casa da , a srta MacKenzie, A MINHA PROFESSORA!
Cacei minhas roupas rapidamente pela casa assim que realizei tudo que tínhamos feito. Rodei a casa inteira atrás de e não a encontrei. Deduzi que ela tinha ido trabalhar e me deixado pra trás. Típico dela.
Quando estava saindo da casa, derrubei um porta retrato. Xinguei todos os parentes do objeto e me virei para pegar. Observei a foto e vi abraçada com um sujeito. Os dois estavam sorrindo e com roupa de praia. Supus que era alguém da família dela, pois não tinha me falado nada sobre estar comprometida.
Fui andando para o colégio. Na verdade, quase correndo. Chegando lá, recebi mais uma daquelas broncas da diretora, daquelas que eu poderia dar aos outros de tanto que já escutei. Daquelas bem inúteis mesmo tipo: ‘O que você pensa que está fazendo da sua vida?’ ou ‘Desse jeito você não vai conseguir nada...’ Minha vontade é de arrebentar a cara gorda dela e responder algo como ‘Desde que eu não termine meus dias dando discursos como os seus, está ótimo’, mas, ao invés disso, eu balanço a cabeça e digo coisas como ‘Tentarei cuidar disso da próxima vez, Diretora.’
Cheguei na sala, cumprimentei os caras e abaixei minha cabeça na mesa. Tentei dormir na aula de Física, pois a próxima seria de Inglês e eu teria alguns assuntos particulares para tratar com uma certa professorinha que deixa os outros dormirem demais. Não que eu me importasse em perder aulas, afinal, eu dormia nelas mesmo. Mas se isso continuasse acontecendo com essa freqüência, a escola ligaria para meus pais e eu teria problemas para explicar com meus velhos. E tudo que eu menos preciso agora é ter que ficar dando explicações de onde eu passei a noite para meus pais.
Caso você pense que eu não me preocupo com o meu futuro, eu vou logo explicando o porquê desse descaso. Meus pais são donos da maior rede de lojas de bolsas, dessas conhecidas internacionalmente e que são vendidas nas lojas mais absurdas e que uma perua se mata para conseguir. Por tanto eu posso vagabundear a vontade, pois enquanto meus pais estão vivos eles pagam as coisas pra mim e eu nem preciso pedir, pois não converso muito com eles pela devido a falta de tempo, e depois que eles morrerem eu herdo tudo e vivo feliz e podre de rico para sempre. Por tanto não me encha a paciência falando que eu deveria ir a faculdade quando acabar esse pesadelo. Meu sonho mesmo é sair viajando pelo mundo sem destino conhecendo várias garotas em cada cidade.
Opa! Finalmente aula de Português. Agora é só esperar mais algum tempo até a aula acabar para ir conversar com a professora.
Até que a aula passou rápido. Fiquei trocando mensagens com Lizzie, a irmã do . Ela está no segundo ano da mesma escola que eu e também não é um exemplo de aluna. Mas enfim, eu fiquei lá arrumando um jeito de dispensar a garota hoje e quando dei por mim, só restavamos eu e Srta. MacKenzie na sala. E, por incrível que pareça, ela estava me ignorando.
- Vai almoçar onde, madame? – perguntei chegando perto dela que estava arrumando seu material. Ela pode ser bem safada e sarcástica e nem chega perto de ser um exemplo de pessoa, mas até que parece uma professora competente.
- Já acabei minhas aulas por hoje, devo almoçar longe desse colégio. – ela parou de ajeitar suas coisas e me olhou nos olhos. – Esquece tudo isso, . É o melhor que você faz.
- Sem problemas, eu também não agüento mais nem uma aula a mais por hoje... – eu ignorei o último comentário dela. – Aonde vamos?
Ela já estava deixando a sala, mas quando me ouviu parou e vagarosamente virou-se para mim.
- , você não entendeu? Eu não sou pra você.
- Por acaso estou te pedindo em casamento? – falei, indo até ela e colocando meus braços em volta de seu ombro. – Qual é, MacKenzie? É só um almoço... O que tem de errado nisso?
Ela não falou nada, apenar tirou minha mão de seu ombro e continuamos andando até o carro dela que estava no estacionamento dos professores.
- Você ainda vai conseguir nos meter em confusão, . – ela falou rindo e entrou no carro.
- Pelo menos você não ta mais me chamando de . – falei com um sorrisinho, mas acho que ela não ouviu, pois já tinha entrado e ligado o carro. Eu fiz o mesmo.
Capítulo 8
Algum tempo depois, chegamos no restaurante. Sentamos e pedimos.
- E então... – comecei a falar alguma coisa tentando quebrar o gelo.
- E então o quê? – ela falou secamente. Estava tentando me evitar, era fato. Durante o caminho todo no carro não nos trocamos mais do que cinco palavras, mas não foi por falta de tentativas da minha parte.
- Como a gente resolve isso? – falei.
- Isso? – ela disse, abrindo a bolsa e procurando alguma coisa. – Isso o que, ?
Ah não! de novo? Já mencionei que isso é meio... Estranho? Assim como lembrar que ela é professora.
- A nossa situação, oras! – falei, aumentando um pouco o tom de voz. Ela estava conseguindo me irritar, se esse fosse o objetivo. – Eu nunca saí com uma professora antes e convenhamos que isso é uma coisa que precisa ser discutida... Não dá pra pegarem a gente. – controlei um pouco o volume da minha voz.
- Simples, meu caro. – ela parou de procurar sei lá o que na bolsa e voltou seu olhar para mim. – Resolveremos como você costuma resolver com as outras... As normais. – ela fez sinal de aspas com as mãos quando falou ‘normais’.
- Como assim? – perguntei confuso. Ela bufou.
– Vou ver se explico as coisas de um jeito bem claro, ok? Porque já vi que vai ser difícil de entender... – disse ela com um tom muito irônico pro meu gosto – Você sai com as garotas, bebe, dorme com elas, acorda no dia seguinte quase morrendo de dor de cabeça e nem se lembra do nome da sujeita, esquece que ela existe e é isso ai. Por que com a gente seria diferente?
Pensei um pouco... Ela tinha razão, era sempre assim mesmo. Mas por quê então eu queria que fosse diferente dessa vez? Depois de alguns (muitos) segundos refletindo e abrindo a boca algumas vezes sem dizer nada, resolvi falar:
- Como você sabe disso?
- Há... – Ela riu ironicamente. Não gosto disso. – É assim com todo garanhão da sua idade, ... Esqueceu que eu só sou alguns anos mais velha que você? Já freqüentei a escola, caso você não saiba...
A comida chegou. Mais alguns minutos pra eu pensar em alguma resposta.
- Mas e se puder ser diferente dessa vez? – falei enquanto o garçom ainda nos servia. – Porque... Eu realmente acho que pode ser diferente...
- Você tá assim porque provavelmente eu fui a sua primeira mais velha... – ela começou a comer. – Mas relaxa que outras virão, ok? Mas torça pra que elas sejam mais idiotas.
Cara, como ela faz isso? Como ela tem sempre razão sobre o que fala? É obvio que eu tava assim porque ela era mais velha, mais experiente, e diferente das outras. E por ser diferente, envolvia um certo perigo, meu nome do meio.
- E, além do mais, eu tenho namorado caso você não tenha percebido pelas fotos lá em casa... – ela completou.
Ah, então o cara das fotos era namorado dela.
- E por que ele não tava em casa ontem? – conversávamos entre uma garfada e outra.
- Tá viajando a trabalho, como sempre...
Não sei o que há de errado comigo, mas o fato de saber que ela tem namorado e que isso é apenas mais um motivo pelo qual deveríamos não nos ver nunca mais, só me fez ficar mais atraído por ela. , ... Você precisa ser mais pacífico. Impressionante como o perigo me atraí. Acho que a culpada disso é da Lizzie.
Comemos em silêncio e depois ela me deixou no colégio, porque ainda teria mais algumas aulas de tarde. Acho que ela foi pra casa dormir, ou alguma coisa assim.
Depois das aulas só queria mesmo era ir pra casa, mas me convenceu a ficar e assistir o jogo de basquete do colégio. Achei melhor não contrariar, porque se estivesse em meu estado normal nunca recusaria a um pedido desses, portanto, se recusasse ele iria querer saber o motivo com certeza, e tudo que eu menos queria fazer era me explicar com .
Assim, estava eu sentado na arquibancada do colégio com sentado ao meu lado, mas, ao invés de me fazer companhia, ele estava se pegando com uma garota que eu não conheço e eu estava com o olhar fixo nas garotas paradas na porta do ginásio, mas com o pensamento longe, em uma tal MacKenzie. Não sei como ainda estava pensando nela... Isso estava me irritando profundamente.
- Oi, . – uma voz feminina me chamou e tocou meu ombro.
Virei pra trás todo animadinho achando que era a que poderia estar fazendo hora extra no colégio. Mas não, me deparei com Lizzie.
- Oi Liz... – falei calmamente com ela. Não ia ser grosso nem seco com a garota, afinal, ela não é de se jogar fora e envolve um certo perigo. – Me encontra no vestiário?
- Claro... – ela mordeu o canto da minha boca. Olhei para os lados tentando achar o . Lizzie nunca me beijou em público por causa do irmão, então eu não entendi o porque daquilo se estava sentado do outro lado da arquibancada atento ao jogo. – Mas antes eu tenho que te contar uma coisa...
- O quê? Comprou outro daqueles seus brinquedinhos sexuais? – falei com um tom preocupado. – Você sabe que eles não dão certo, né? A gente já tentou aquele... – eu ia lembrá-la do episódio não feliz que tivemos, mas fui interrompido.
- Não! – ela colocou o dedo indicador na minha boca. – Uma coisa melhor...
- Então desembucha!
- Contei pro sobre a gente. – ela falou rápido, achei que não tivesse entendido direito.
- Como assim? Contou o que, criatura? – falei confuso.
- Contei, ué! Tudo, tudinho... – ela estava falando isso em um tom animadinho ou era impressão minha, hein? – Do nosso caso que temos há algum tempo... Claro que eu não contei sobre as transas secretas e principalmente sobre as do quarto dele, mas contei que já nos pegamos e adivinha só?
- Hum... – murmurei tentando parecer animado com a idéia.
- Ele adorou! – agora ela estava batendo palminhas pra completar com o sorriso de orelha a orelha que tinha no rosto. – Disse que se nos gostamos mesmo devemos ficar juntos e ele nos apóia.
Bem, acho que ela ficou esperando um sorriso meu, ou algo como ‘nossa, que demais!’ e, como não obteve, resolveu me beijar. E eu retribuí, mas claro que não com todo aquele entusiasmo que ela estava esperando, porque, convenhamos que a Lizzie não é de se jogar fora, mas eu não to pronto pra encarar um relacionamento sério e muito menos um que não envolva perigo, e como agora o já sabe, que perigo teria em ficar com a Liz?
- E que tal o vestiário agora? – foi a única coisa que eu consegui falar. Ah por favor, né? Você não queria que eu desse um fora numa garota com essa cara de anjo que estava tão feliz, queria? E nada como uma despedida com a Lizzie pra me tirar a professorinha da cabeça.
Capítulo 9
A semana passou bem rápido, se você quer saber... Fiquei evitando a Lizzie na escola o máximo que podia, acho que ela entendeu o recado. Ou não. Mas não estava realmente preocupado com isso, já que minha vida continuou normalmente sem ela e sem a professorinha. Tá, tudo bem, eu confesso que às vezes, repare bem, eu disse às vezes, eu sentia algumas coisas estranhas quando estava assistindo às aulas dela, mas daí eu pegava o celular e ficava trocando mensagens com alguém qualquer pra me desviar dos meus pensamentos.
Era exatamente o que estava acontecendo naquele momento. Estava eu, sentado na última carteira da sala a fim de evitar contato visual – o que é meio difícil – e de repente me pego pensando se o tal namorado da MacKenzie estaria viajando de novo... Ou se eu podia aparecer na casa dela mais tarde pra conferir, ou então, quem sabe, eu poderia falar com ela ao final da aula, certo?
Sei lá, um almoço não mata ninguém.
E o pior, ninguém respondendo minhas mensagens no celular. Bufei e desliguei o celular furiosamente, enfiando-o na mochila assim que o sinal anunciando o término da aula tocou.
Resolvi ignorar completamente meus pensamentos e sair daquela sala o mais rápido possível sem dirigir a palavra à , como estava sendo ultimamente.
Mas quando estava já na porta da sala, ouvi alguém me chamando:
- , você poderia ficar um instante? – chamou a professora. – Tenho uns assuntos sobre seu trabalho para resolver...
Ah, qual é? Por que ela estava usando desculpinhas? Até parece que alguém se importaria se ela apenas falasse ‘, preciso falar com você.’
Esperei as pessoas saírem da sala e andei em direção a ela.
- Que trabalho? – falei cinicamente.
- Um trabalho sobre o qual eu ficarei feliz de discutir com você hoje na hora do almoço. – ela não olhou para mim enquanto falou, apenas continuou guardando suas coisas e jogando outras no lixo.
- Não sei se posso, acho que vou almoçar com os caras mesmo... – tentei pensar em uma desculpa decente, mas depois percebi que estava sendo ridículo fazendo isso com e como eu a conhecia (não tãão bem, mas conhecia o seu ‘tipo’), sabia que ela não insistiria, se eu não quisesse não iria e pronto. Ela não parecia ser do tipo que se importa demais com os outros e principalmente com a companhia deles.
- Pensando bem... – continuei. – Acho que eles não se importariam se eu não almoçasse com eles um dia...
Ela não disse nada como sempre. Apenas mostrou aqueles dentes brancos em um sorriso encantador. To ficando gay ou é impressão minha?
- Vamos almoçar onde, afinal de contas? – perguntei, já sentado no banco carona do carro.
- Na minha casa – respondeu ela.
- Então seu namorado está viajando de novo?
Capítulo 10
Chegamos na casa dela e o almoço já estava pronto. Até que não posso reclamar do almoço, a comida estava boa e o papo sobre filmes também. A essa altura, já tinha trocado de roupa e agora estava vestindo uma calça de moletom roxa e uma camiseta branca. Eu apenas tinha tirado os sapatos como ela mandara.
- Que filme vamos ver? – perguntei, sentando-me no sofá.
- Qualquer um que esteja passando na tevê. – ela ainda estava em pé remexendo em alguma coisa na bolsa. – Pode procurar por aí algo que preste.
Liguei a tevê e fiquei zapeando pelos canais. Nada de interessante, como sempre. Jogo de basquete com certeza não iria querer ver, filme de comédia romântica não é comigo e eu tinha a impressão de que ela não gostaria também. Acabei deixando na Oprah. Quando não se tem nada de bom passando, recorre-se a Oprah.
- Qual é o tema de hoje? – sentou-se ao meu lado no sofá em perna de índio, pegando uma almofada e botando no colo.
- Nada de adolescente comendo professoras... – falei ironicamente.
- Seu tema preferido, né? – ela zombou também.
- Hum... Pode ser que sim, mas eu aprendo com a especialista no assunto.
- , você anda saindo com a professora de Geografia e não me contou, seu babaca? – ela me deu um tapa no braço rindo.
- Ui, como você sabe que ela é especialista? – desabamos em risos depois do meu comentário infeliz.
- Ai, ai... – ela soltou de repente.
Eu olhei pra ela também depois de ter controlado o riso e me hipnotizei.
Assim como aconteceu da primeira vez que a vi, e como vem acontecendo nas aulas delas e nos momentos que a minha mente está vazia apenas olhando para ela e observando cada detalhe de seu rosto. Não me controlei mais e a beijei. Obviamente, ela não resistiu. Devagar, entre um beijo e outro, fui deitando-a e me deitando por cima no sofá. Ela passava as mãos embaixo da minha blusa enquanto os beijos iam ficando mais intensos. Eu já estava sem camisa e prestes a tirar a dela quando ouvimos a campainha tocar.
Bufei e sai de cima dela para que fosse atender a porta.
- Já vai! – ela berrou enquanto se recompunha. – Se veste e se enfia em algum canto da casa. – ela estava sussurrando. – E não sai de lá até eu mandar, ok?
Assenti com a cabeça e me meti dentro da primeira porta que vi.
Ótimo, agora estava preso no banheiro.
- Josh?? – ouvi a MacKenzie falando surpresa. – Que você ta fazendo aqui?
- Não gostou da surpresa, ? – provavelmente foi a vez do tal Josh falar alguma coisa. Então ela deixa o sujeitinho chamá-la de , hum?
- Não, que é isso! – as vozes lá de fora estavam abafadas e era difícil de ouvir alguma coisa. – Adorei ver você aqui mais cedo!
Afinal de contas, quem era o tal Josh? Será que era o namorado viajante?
Ah! Tenho que comentar uma coisa aqui: que tipo de namorado é esse, hein? Convenhamos que ele é um idiota de deixar uma namorada como (eu digo porque ela é uma garota que chama atenção de todos) sozinha pra ir ‘viajar a trabalho’, hein? Apenas um retardado mental, ou cego, faz uma coisa dessas. Ah, também tem sempre a opção do namorado traíra.
Depois disso, só ouvi alguns passos subindo as escadas com algumas risadinhas que pareciam ser femininas e mais nada. Também porque eu tinha meu iPod no bolso e fiz questão de não ouvir nada mesmo. Coloquei ele no meu ouvido e fiquei ouvindo Busted, uma banda que eu conheci em uma festa esses dias na casa de ; fiquei sabendo que eles são amigos. Perdi a noção do tempo lá dentro e acabei pegando no sono sentado no chão com a cabeça apoiada em um vaso de planta.
Acordei algum tempo depois (mas presumi ser um BOM tempo mesmo, já que no meu iPod estava marcando Queen, o que significa que eu ouvi quase todas as letras do alfabeto enquanto dormia) com alguém abrindo a porta do banheiro. Graças a Deus não era o tal do Josh e sim a .
- Meu Deus! – ela berrou colocando a mão na boca. – O que você ta fazendo aí?
Ela estava usando uma camisa masculina branca e uma calcinha. Mais nada. É, o tal Josh tem duas opções agora: namorado cego ou amante número dois.
- Sexo te causa perda de memória ou o quê?
Ela bateu com a mão na testa.
- Tinha me esquecido mesmo de você aqui... – ela me puxou pela blusa pra eu me levantar. – Você tem que ir o mais rápido possível, já são oito horas.
- OITO HORAS? – berrei levanto um tapa de reprovação depois. – Você me deixou dormir por cinco horas? – controlei o volume.
- O que eu posso fazer se você não faz barulho enquanto dorme? – ela abriu a porta devagar e enfiou a cabeça pra fora, checando se não tinha ninguém ali. – Anda, sai e vai direto pra porta.
Olhei para fora observando a sala como estava antes. Olhei para logo em seguida e lhe dei um beijo. Ela me socou um pouco, mas não resistiu ao beijo, como sempre faz.
- Saaaí! – foi a última coisa que ouvi antes de deixar a casa.
Capítulo 11
Fui pra casa xingando o tal Josh de todos os nomes que conhecia. Nem sei porque, pra falar a verdade... Mas não fui com a cara dele, mesmo sem nem ver a cara do sujeito.
Quando me deitei na cama após conseguir fugir do jantar com meus pais e o blábláblá todo, já era onze e meia, mas quem disse que eu consegui dormir? Primeiro porque não costumo dormir a essa hora e, depois, eu estava pensando demais na MacKenzie e no que teria novamente acontecido se o imbecil do Josh não tivesse aparecido do nada.
Eu tinha que tomar uma decisão da minha vida! Pela primeira vez na história, precisava fazer alguma coisa para mudar o rumo das coisas porque o atual não estava satisfazendo mais.
Como eu iria conseguir viver com a mala da Lizzie no meu pé querendo namorar? Como eu iria tocar na mesma banda que o com ele achando que eu quero namorar com a irmãzinha dele? Como eu iria continuar vendo a professora sem me apaixonar por ela e sem ninguém descobrir a traição e muito menos a falta de ética da escola? Vamos lá, todos repetindo com o tio :
ESTOU FUDIDO!
Precisava de uma pessoa para quem contar tudo isso, desabafar um pouco os problemas. Quem sabe assim não conseguiria relaxar a cabeça e pensar melhor no que fazer? Ou até ganhar um conselho? Mas quem? , à quem eu sempre contava os segredos, não poderia ser, pois ele era um dos problemas.
era pateta demais pra pensar em algum conselho decente. não entenderia meu problema e acharia que eu estou inventando a história com a MacKenzie, afinal, mesmo se eu tivesse visto algum deles saindo de um pub com ela um dia, não acreditaria se ele viesse me dizer que ainda estava pegando a professora e que ela era exatamente como ele falaria. Tipo, fazendo as coisas que a faz... Não é qualquer um que acredita depois de ver a cara de santa que ela consegue ter... Mas enfim, não tinha mais opções! Era o ou nada. E então isso foi tudo que minha mente brilhante conseguiu pensar antes de dormir, à uma e quarenta da manhã.
No dia seguinte acordei, tomei café e saí de casa cedo o suficiente pra conseguir chegar a tempo na primeira aula, mesmo que eu tivesse que matá-la pra falar com o . Estava digno de um bom filho dedicado às suas tarefas. Ganhei até um ‘muito bem’ da minha mãe. HAHA! Como se ela se importasse realmente com o que faço ou deixo de fazer por aí...
Encontrei o bem rápido quando cheguei à escola. Achei que minha tarefa fosse ser mais difícil devido a mania do de se enfiar pelos cantos mais estranhos pra dar uns amassos nas novatas.
- , eu preciso conversar com você. – fui direto ao assunto, não queria enrolações, ainda mais porque a primeira aula era de inglês.
- Fala, cara.
E daí eu falei. Falei tudo mesmo, até sobre a Lizzie, o que não estava planejado. E querem saber? Mesmo com a cara de idiota que o fez depois de ouvir praticamente toda minha vida, eu me senti satisfeito. Um peso saiu das minhas costas, apesar de eu saber que eles ainda estavam lá.
- , você ficou maluco? – foi o que ele disse depois da cara de idiota.
- É sério, ! – insisti. – Por que eu mentiria sobre isso?
- Hum... – ele pensou um pouco. – Pra tirar onda com a minha cara?
- Se eu quisesse apenas isso, acha mesmo que eu inventaria uma história gigantesca dessas? – encarei-o com minha melhor cara de desprezo.
- Sei lá, você é maluco mesmo. – ele deu de ombros e começamos a andar em direção à sala de aula, já que o sinal tinha acabado de bater.
- E o que eu faço, então?
Nós sentamos e eu virei para a cadeira de trás para continuar o papo.
- Cara, você dorme com a Liz desde quando? – fez aquela cara de bobo idiota de novo. Acho que ele estava processando todas as informações lentamente, como de costume.
- Desde... – pensei um pouco. Na verdade eu não lembrava bem... – , que importância isso tem? Eu estou aqui abrindo minha vida pra você esperando sinceramente que você me dê um conselho decente e você só me pergunta coisas como essa?
- Olha aqui, -fodão-que-dorme-com-todas, - falou seriamente. – eu não sei o que você tem que fazer, porque eu sinceramente não acho que dormir com duas gostosas ao mesmo tempo seja um problemão assim tão grande como você está me dizendo que é. Larga esse drama todo de lado e vê se aproveita a vida como o velho faria, certo? – a essa altura metade da classe já prestava atenção a nossa conversa que estava ficando um pouco alta e escandalosa demais.
Sabe, eu até acho que ele tinha razão. Quer dizer, eu não pretendia continuar com a história toda da Lizzie. Estava pensando seriamente, aliás, já tinha me decidido, eu ia terminar com ela assim que a visse novamente, e então poderia ficar com tranqüilamente. Quer dizer, não tão tranqüilamente assim por causa do tal Josh, mas ah... É um começo, certo? Estou me esforçando para melhorar... E pode ser que o fato de ter uma mulher só que me satisfaça esteja ajudando um pouco nessa minha mudança de comportamento, mas foda-se.
Pronto, ela acabara de entrar na sala. Imediatamente todos os olhares se guiaram até ela. Impressionante como ela é a única que consegue fazer isso acontecer. Eu digo, tirar a atenção de todos na sala. Obviamente os garotos olham para ela desejando aquilo que eu tinha, mas as garotas... Bem, eu não sei porque prestavam atenção nela ela. Talvez seja na esperança de conseguir agir como ela futuramente ou para achar algum defeito nela.
Enfim, a única coisa que importava naquele momento era que o sinal avisando que a aula tinha acabado tocasse. Daí eu falaria com ela, marcaríamos um encontro às escondidas no intervalo ou na hora do almoço e depois eu falaria com Lizzie no momento vago que não poderíamos mais ficar juntos. Tudo maquinado e planejado tão perfeitamente que eu podia contar os segundos para que eu e estivessemos em cima de uma cama novamente, fazendo o que eu sei fazer melhor do que qualquer outra coisa.
Mas antes que o sinal pudesse tocar anunciando o esperado momento, veio me encher o saco com algum assunto-não-tão-importante no momento.
- E ai, ? – começou ele se inclinando um pouco para poder falar mais baixo. – O que vai fazer hoje à tarde?
- Tenho planos... – tentei enrolar.
- Pois então desmarque, nós temos ensaio hoje e é realmente importante que você compareça e esteja compenetrado.
- Mas hoje não vai dar mesmo, . – o sinal tocou e eu arrumei minhas coisas rapidamente para poder sair dali o mais rápido possível. Estava louco para ir até o ginásio, checar atrás do banheiro dos professores se estava lá como sempre. Já mencionei que era sempre lá que eu a encontrava? Pode parecer que era apenas um hábito comum dela ir até lá todos os dias depois das aulas, mas eu sabia que era proposital. – Compromisso inadiável. Mas de qualquer jeito, eu te ligo se der. – e então sai correndo rumo ao ginásio antes que pudesse abrir a boca para protestar novamente.
Capítulo 12
- ! – falou com uma cara de espanto. – Que surpresa, você por aqui... – ela estava segurando um copo grande de café expresso.
- Pois é... Não esperou que eu fosse dar as caras depois do episódio do tal Josh?
- Interessante, você é muito espertinho mesmo, hein? – ela riu sarcasticamente. – Já sabe até o nome do concorrente.
- Então está confirmada minha teoria de que ele é o namorado imbecil.
- Me diga, ... – ela deu um gole em seu café antes de prosseguir. – Como foi a experiência de dormir em um banheiro?
- Sinceramente, não foi das melhores... – cocei o queixo. – Mas nada que uma noite com uma dama como você não possa compensar. – cheguei mais perto dela, quase encostando nossos lábios. Pra falar a verdade, eu tinha mesmo me esquecido de que estávamos na escola, mas, pelo visto, não, já que ela me empurrou delicadamente.
- Olá, senhora Cyrus – disse educadamente.
Eu a cumprimentei do mesmo jeito com meu melhor sorriso.
- Você quer fazer o favor de tomar cuidado, seu idiota? – ela me repreendeu depois que ela passou.
- Olha, eu tenho que ir agora... – falei quando vi Lizzie saindo de sua aula. – Mas vamos conversar mais tarde, ok? Lá pras seis, dá pra ser ou o Josh ainda tá pela área?
- Não, mas às seis não vai dar... – ela jogou seu copo fora. – Dez horas na minha casa...
Pisquei pra ela e fiz sinal de positivo sem tirar os olhos de Lizzie para não perdê-la. seguiu meu olhar e depois me olhou com aquela cara de tarada que eu me impressiono a cada vez que vejo.
- Vá logo cuidar dessa sua fama de garanhão, ! – ela deu um tapa na minha bunda e mordeu o lábio.
Ah, mas é por isso que eu gosto dessa mulher, cara! Que tipo de menina da minha idade com quem eu costumava sair ia me encorajar a ir dar em cima de outra? Com que tipo de menina eu ia passar por esse perigo de ser pego e mesmo assim ainda ganhar tapinhas na bunda do nada? Não sei porquê eu queria me enganar dizendo para mim mesmo que não estava me apaixonando cada vez mais pela professora...
- Lizzie! – gritei levantando a mão para que ela me visse antes de sair. – Espera aí!
Ela parou com aquele sorriso enorme e eu fui correndo até ela.
- Olha, será que podemos conversar a sós alguns minutos?
Ela assentiu com a cabeça e quando abriu a boca para falar alguma coisa, uma mão encostou em meu ombro e me fez virar pra trás automaticamente, me deparando com um sorridente.
- , se eu soubesse que seu compromisso essa tarde era com minha irmã não tinha te enchido a paciência pra comparecer ao ensaio, cara. – ele apoiou um braço no meu ombro e outro no de Lizzie, se metendo entre a gente.
- Mas devo dizer que hoje a Lizzie é apenas minha. – fomos andando assim, os três abraçados como se fôssemos os melhores amigos, tirando a minha cara nada boa, mas suponho que nenhum dos dois estava vendo esse detalhe. – Mas se você quiser nos acompanhar, vamos a uma sorveteria e depois ao ensaio. O que me diz?
- Bem, eu... – comecei a falar e fui interrompido.
- Vamos, ! – era Lizzie. – Vai ser divertido...
- É, ... – chegamos ao carro de , que já abria a porta. – Está decidido, vamos.
Enfim, que outra escolha eu tinha, certo? Não tinha como dizer não àqueles irmãos insistentes! Eles estavam dispostos a me arrastar para a sorveteria.
Acho que queria ver como eu me comportava com a irmãzinha dele e de quebra me levar ao ensaio. E Lizzie... Bem, não preciso dizer o que ela queria, não é mesmo? Acho que o sorriso estampado na cara dela já dizia tudo.
E eu fui. Não foi a tortura do século, mas posso dizer que não via a hora de ir encontrar com . Olhava no relógio de minuto e minuto, e acho que isso incomodou um pouco a , pois ele me perguntou várias vezes se estava atrasado pra alguma coisa.
Até que o ensaio foi melhor do que eu esperava pelo tempo que estávamos sem tocar nada. Já mencionei que eu, , e temos uma banda? Se não, acabo de fazer. Tirando os olhares de para ver se eu estava conversando ou agarrando a irmã dele às vezes e o risinho afetado e provocativo de eu diria que foi até interessante.
Tudo bem, eu admito! Eu posso falar mal às vezes dos meus amigos, mas eles são o máximo. No ensaio eu nem fiquei preocupado com as horas e me deixei levar pelas palhaçadas que eles fazem e pelas nossas músicas bestas que fazemos pra descontrair às vezes... Acho que vou querer ser músico mesmo, não me sinto tão completo assim fazendo nada nessa vida!
Mas bem, finalmente tinha chegado o grande momento! Já era dez e meia. Eu estava meia hora atrasado, mas quem se importaria? Eu não, e acho que também não. Provavelmente ela tinha arrumado alguma coisa mais interessante pra fazer do que a que eu estava fazendo...
- Olá. – falei simplesmente isso quando ela abriu a porta.
Sem me responder ela olhou para os lados e me puxou para dentro da casa. Depois de sentar no sofá da sala eu pude perceber que ela estava usando apenas um robe rosa claro e aparentemente mais nada por debaixo do mesmo, mas vai saber, né? Quando se trata dela, eu nunca sei de nada mesmo...
Ou quase nada.
- Como estão as coisas? – perguntei, observando-a sentar do meu lado.
- Tudo bem, oras! O que poderia estar errado? – ela respondeu com um sorrisinho nervoso. Se eu a conheço bem, não estava tudo bem e não era nada relacionado ao meu pequeno atrasado. Mas peraí, eu não a conheço bem, certo?
- Tudo bem, então... – puxei-a para mais perto de mim e ela deitou-se no meu colo entre as minhas pernas. – O que faremos hoje?
- Acho que conversar seria uma boa pedida...
Conversar? MacKenzie querendo apenas uma conversa?
Tudo bem, vocês acabaram de ver um fenômeno acontecer diante de seus olhos, meus caros! Mas sabe, eu também estava gostando da idéia de apenas conversar, considerando que eu andava muito confuso esses dias...
- Percebi você meio confuso esses dias – ela concluiu.
- Percebeu, é? – perguntei, arqueando a sobrancelha e olhando para ela que ainda estava com a cabeça encostada em meu peito. – Como?
- Simples... É praticamente impossível saber o que uma pessoa que você mal conhece pensa, certo? – ela perguntou olhando para cima e me encarando, esperando uma resposta e eu assenti com a cabeça. – Então, eu simplesmente presto atenção nas atitudes, nos olhares e em algumas falas das pessoas que me interessam e descubro pelo menos o que ela está sentindo...
- E...? – perguntei interessado. Queria mesmo saber como ela achava que eu estava, sabe? Era um sinal de que eu era meio que importante pra ela, que ela se importava com o que eu estava sentindo.
- E que pela sua falta de comunicação com outros na escola, pelos seus olhares desviados de minuto em minuto para a janela da sala e para minha pessoa, pela perda do seu terrível hábito de mandar mensagens na sala de aula, pelo sorriso fraco e falso que você dá quando alguém vem falar com você e sua cara de perdido eu constatei que está confuso e não é pouco.
- Hum... – pensei um pouco antes de falar. – E eu acabo de constatar que você presta atenção em mim no colégio. – falei ainda pensador.
Ela soltou uma gargalhada e levantou a perna simultaneamente.
- Você é um ótimo observador! – ela falou ainda rindo, e à essa altura eu também ria.
- Sou mesmo...
- Ah é? – ela se virou de frente para mim jogando todo seu peso em cima de mim. – Então me prove. – lançou um olhar desafiador.
Pigarreei e fiz uma pose importante fingindo me preparar para uma declaração muito importante.
- Bem, hoje, pela sua roupa de dormir, pela sua cara de preocupação e sua olhadinha para os arredores quando abriu a porta, pela sua resposta vaga ‘tudo bem, oras!’ – falei a última frase imitando a voz dela. – E pelo fato de você querer conversar comigo eu pude perceber que não sou o único confuso aqui...
Sem me responder (como de costume), ela me deu um selinho e voltou à sua posição anterior, deitada no meu peito. Acho que ela fez isso para que eu não visse sua expressão confusa depois de perceber que eu tinha a ‘decifrado’.
Percebendo que ela não falaria mais nada, resolvi falar para ela o porquê da minha confusão. Eu acho que falei um pouco demais, sabe? Comecei contando a minha vida antes de conhecer uma MacKenzie e só calei a boca depois de passar pelo furacão Lizzie e terminar contando sobre o novo pós-MacKenzie. E quando terminei, não tive uma surpresa muito agradável. começou a rir! Primeiramente, tive a impressão nada boa de que ela estava rindo da minha cara porque achou que eu estivesse apaixonado por ela, ou por eu estar confuso.
- Desculpe pela risada, não estou rindo de você... – ela falou tentando controlar-se. – Estou rindo é dessa pobre Lizzie. Como você é mau com ela, !
- Ela é um grude! – falei em minha defesa, quase que começando a rir da minha situação também.
- Por que você não dá logo um fora nela se ela tá se tornando um fardo tão grande assim?
- Ah... – eu estava pensando em alguma coisa pra falar. Realmente algum motivo melhor do que ‘ela é irmã do ’ tinha que ter! E enquanto eu estava pensando, me interrompeu.
- Você não dá um fora nela porque é bom ter pra quem voltar.
- Hã? Claro que não é isso, é só que... – eu tinha que me defender, certo? Não era por isso que eu ainda estava com a Lizzie!
- É claro que é por isso, ! – me olhou rindo. – Eu ainda to com o Josh por causa disso. Você é igualzinho a mim.
- Então você não larga o Josh porque tá com medo que eu te largue também?
- Hey, não pense que você ta com essa bola toda não, ... Eu ainda estou com o Josh porque é bom tê-lo por perto quando não estiver com mais ninguém e carente. – ela enfatizou bem esse ninguém, mas eu sei que sou eu.
- Que seja. Cansei de falar sobre isso. – dei de ombros.
- Então falaremos sobre o quê? – ela me olhou provocativa.
Me aproximei dela, colocando uma de minhas mãos em sua nuca.
- O que você quiser... – falei baixinho, quase encostando nossos lábios.
Então ela me beijou docemente enquanto se ajeitava. Por fim acabou optando por ficar sentada em cima de mim com cada joelho de um lado da minha perna, para ter mais controle sobre a situação, aposto. Mas eu não estava me importando muito com isso no momento, só queria mesmo ficar ali beijando-a eternamente. Parece que como tocar com os caras, estar com ela me completava... Era perigoso e relaxante ao mesmo tempo... Era agressivo e suave, era tentador acima de tudo.
Acordei no dia seguinte meio lerdo... Não sabia que dia era, que horas eram e depois de alguns segundos fui sacar que estava na casa da MacKenzie.
"Ainda vou levar um tempo pra me acostumar com essa casa!", pensei.
Olhei pro lado e ainda dormia tranqüilamente só enrolada no lençol... Linda! Pensei em dar um beijo nela para acordar, mesmo que atrasada, ainda dava tempo de ir pro colégio. Mas como não tinha certeza do dia, me estiquei com cuidado pra não fazer barulho e enfiei minha mão no bolso da minha calça, que se encontrava no chão. Respirei aliviado quando vi que era domingo, mas meio dia. Pensei em descer e fazer um almoço pra gente, mas como eu não sei fazer nada além de suco de laranja, resolvi fazer o café da manhã. Lê-se: biscoito, pão ou qualquer coisa que tiver E suco de laranja.
Enquanto estava tentando achar as coisas na cozinha de , fiquei pensando na noite anterior, mas não nas coisas impuras que vocês estão pensando, eu estava refletindo sobre a conversa antes dessas coisas. Sobre como eu tinha descoberto que ela prestava atenção em mim e pela primeira vez eu tinha decifrado o que ela estava sentindo... Nem sabia que eu podia fazer esse tipo de coisa! Realmente eu aprendo muitas coisas com .
Capítulo 13
- Bom dia, – apareceu na cozinha vestindo minha blusa.
- Você consegue ser muito desagradável às vezes, sabia? – falei sem tirar os olhos do suco que eu estava fazendo.
- Hum, vai dizer que você estava preparando café da manhã para me levar na cama? – ela se aproximou de mim e me abraçou pelas costas.
- Sim, eu estava, por quê? – continuei ignorando-a e prestando atenção ao suco.
- Talvez porque eu duvide da sua capacidade de ser um cara romântico... E também um pouquinho das suas habilidades culinárias.
- Pois fique você sabendo que eu sou muito bem dotado dos dois – pisquei para ela, finalmente levando o suco até a mesa, onde eu já tinha deixado alguns biscoitos.
- HÁ! – ela sentou-se na mesa, a minha frente. – Então quer dizer que sua idéia de café romântico digno de um mestre cuca é na verdade biscoitos com suco de laranja?
- Olha, dona MacKenzie, - eu peguei um biscoito e o balancei perto do meu rosto – pode não ser o melhor café da manhã do mundo, mas a culpa não é minha que você não é uma boa dona de casa e não faz compras!
- Tudo bem, – ela riu e se levantou, caminhando até a bancada da cozinha. – Eu aprecio a sua tentativa, mas não foi dessa vez que você conseguiu me agradar em alguma coisa, eu detesto qualquer coisa de manhã que não seja café.
- Viciada – dei de ombros. Ela é viciada sim! E eu estava feliz com meu café da manhã, se ela não quisesse aproveitar comigo, problema era dela!
Depois de alguns minutos estávamos sentados na mesa frente a frente, eu comendo meus biscoitos e tomando meu suco e ela me encarando, com uma xícara de café à mão.
- Estive pensando aqui... – falei terminando de mastigar. – acho que está na hora de termos um encontro sério, sabe?
- Hum, o que você acha que estávamos fazendo aqui noite passada, brincando? – ela riu.
- Você me entendeu, – a encarei sério. – Eu estou falando de um encontro sem ser na sua casa ou na escola, sem ser escondido, uma coisa romântica de verdade, você sabe, essas coisas que os casais fazem.
- Primeiro, nós não somos um casal e muito menos um casal normal – ela foi enumerando razões com os dedos. – Segundo, desde quando você se importa com essas palhaçadas que todos casais fazem?
- Ah, nós poderíamos fingir que somos um casal normal às vezes, ué... – bebi o último gole do meu suco. – E eu só estava imaginando que você talvez pudesse gostar de fingir que é normal pra variar... – me levantei da mesa carregando as coisas do nosso ‘café da manhã’ junto e dei uma piscada sexy para ela.
- ! – ela riu. – Quantas vezes eu vou ter que te dizer que não vou dar pra você no nosso primeiro encontro? – ela fez uma cara de indignada.
- Ok dona MacKenzie... Não está mais aqui quem falou!
E lá se foi metade de mais uma semana chata na vida de . Já é quarta feira e cá estou eu, deitado na minha cama, sozinho em casa, pra variar, com várias ligações perdidas, umas de Lizzie e outras do , provavelmente ambos querendo saber do meu sumiço, já que eles só me vêem na escola agora, assim como , que só vejo durante as aulas de Inglês e fico me martirizando por isso algumas horas do meu dia... Principalmente quando não estou fazendo nada, como agora.
O celular tocou de novo e como eu vi que dessa vez era novamente, resolvi atender.
- Fala, – disse tentando parecer animado.
- Onde tu se enfiou, coisa?
- Tô em casa, ué! Não tenho mais nada pra fazer mesmo...
- Eu hein, tá ficando anti-social ou é alguma coisa secreta?
Pensei um pouco antes de responder.
- Um pouco dos dois, mas fala ai o que você quer...
- Ah... – enrolou um pouco pra falar, típico dele, nunca vai direito ao ponto. – Eu, e estávamos querendo ensaiar amanhã... Sabe né? Ainda temos uma certa banda chamada McFLY...
- Não me diga?
- Ah, é que da última vez que tocamos você parecia tão animado que eu achei que fossemos ensaiar todos os dias agora...
- Por mim podemos, como já disse, não tenho feito nada mesmo.
- Ótimo, tá livre agora? – ele perguntou sem rodeios, pela primeira vez!
- Agora? Mas já são onze horas, ! – falei após olhar no relógio.
- E daí? – ele perguntou indiferente. – Desde quando se importa com isso? Amanhã a gente falta à primeira aula, qualquer coisa...
- Tá, tá... – a primeira aula era de Inglês... Impressionante né? Como já dizia o bom e velho Murphy... Quando uma coisa tem que dar errado, ela vai dar! Mas bem que ele podia me dar uma ajudinha às vezes lá de sei-lá-onde-ele-se-encontra, hein? Juro que não me importava...
- E traz as coisas pra dormir aqui hoje, não sei que horas vamos acabar de tocar.
E assim desliguei o telefone, peguei minhas coisas, e parti rumo à casa de . No caminho tentei ligar umas duas vezes para , só pra... Sei lá! Avisar que eu faltaria à aula dela no dia seguinte, ou algo do tipo...
Mas ela não me atendeu, então eu desliguei o celular de raiva e o joguei no banco de trás do carro antes de parar na rua da casa de , onde já podia se ouvir a nada escandalosa risada de e uns acordes vindos de uma guitarra.
- Oi – falei acenando para os três marmanjos jogados no sofá, tentando demonstrar alguma empolgação.
- Faaaala, ! – disse , bem mais ‘animadinho’ do que de costume.
- A Lizzie acaba de ir embora – avisou . – Falei que você não vinha pra ela ir dormir...
- Hã... – tentei parecer desapontado. Juro que tentei. – Vamos ensaiar ou o quê?
Em resposta, obtive uma gargalhada escandalosa de . Algo que dizia que aquela seria uma longa noite sem nenhum ensaio sério. Então, pra não ficar dando uma de chato e velho com meus amigos, peguei uma cerveja já aberta no chão e sentei lá, juntando-me, assim, ao clube dos vagabundos que não têm nada melhor para fazer numa quinta à noite.
Vou te dizer que no dia seguinte não acordei da melhor maneira possível.
Se você considera ser acordado por uma garota chatinha e mimada de mini saia rosa berrando, em um dia de ressaca, melhor que um bom dia e um suco de laranja na cama, bom pra você.
Porque vou te dizer, para a maioria das pessoas – com algum juízo -, isso não é nada agradável.
Abri os olhos com dificuldade devido ao clarão que adentrava a enorme janela da sala e me deparei com o par de pernas vestindo uma mini saia rosa (como já disse) que aparentemente estava berrando alguma coisa que eu não queria identificar.
- Que foi? – perguntei meio desnorteado.
- ! – um grito estridente assassinou meus ouvidos. E não, não estou exagerando! – Não sabia que você estava aqui! – a voz assassina chegou mais perto. DOR!
- Cala a boca, Liz! – outra voz berrou, mas dessa vez o grito soou como música para meus ouvidos defuntos.
Então eu fechei o olho novamente, apreciando a paz do silêncio e quase pegando no sono de novo, quando reparei que a sala tinha escurecido, e depois reparei que ninguém menos, ninguém mais que Lizzie estava ajoelhada na minha frente, aparentemente fazendo o que mais odeio que façam comigo, principalmente quando estou dormindo, me encarando!!!
- Que foi, Lizzie? – disse secamente.
- Estamos perdendo a primeira aula! – ela disse como se fosse a pior coisa do mundo. – Então vim aqui acordar vocês para que não levem uma suspensão e então você possa me levar à festa que os alunos do segundo ano vão dar semana que vem.
- Ham... – resmunguei como se tivesse entendido alguma coisa que ela tinha falado.
Olha, se eu não tivesse plena convicção de que não conseguiria dormir de novo, levando em conta que sempre que me interrompem no meio do meu sono eu não consigo, eu teria ignorado a loira de mini saia. Mas sabendo de tudo isso, eu me levantei aos poucos, esfregando meus olhos e segurando a minha cabeça de todos os jeitos, tentando dessa forma, obviamente frustrada, fazer a dor parar.
- Estou te esperando lá fora, amorzinho... – finalmente Lizzie se levantou e saiu da minha frente. – Não demora para se arrumar, e nem adianta tentar acordar esses porcos, eu já tentei de tudo! – ela me deu um selinho seguido de um sorrisinho e saiu cantarolando alguma coisa da sala de .
Olhei em volta e percebi que nem uma orquestra inteira acordaria aqueles três.
Mais ou menos meia hora depois, eu tinha acabado de deixar Lizzie em frente à sala dela e me despedido com um beijo demorado, provocado por ela mesma.
E então quando eu estava me arrastando para a minha sala mais conhecida como purgatório, ouvi uma voz conhecida vindo de uma das salas abertas perto do banheiro dos professores. Demorei um tempo pra perceber que estava no corredor dos professores e aquela voz vinha da sala dos professores ! E que, obviamente, era de .
E ao invés de sair rápido dali antes de ser pego pela diretora para escutar um daqueles discursos que ela tanto deve ensaiar em casa, como qualquer outro aluno normal e são faria, eu fiquei parado em frente à porta semi-aberta dos professores. Com aquela cara de idiota e tudo mais. Cena digna de uma criatura irracional e babaca!
- ? – alguma das professoras, se não me engano a de Biologia, falou comigo, me tirando de uma espécie de transe, já que no fundo eu sabia que parecia um idiota e estava tentando descobrir como reverter a situação.
- Sim? – respondi parecendo mais idiota ainda, pois deixei claro que estava viajando antes.
- O que está fazendo aqui, querido? – a mesma senhora me perguntou com aquela voz calma de sempre... Odeio quem me chama de querido, eu hein! Nem minha mãe me chama assim!
- Na verdade... Er... – sim, eu estava pensando em alguma coisa pra não deixar a situação pior , se é que era possível! – Preciso tirar uma dúvida sobre o teste de Inglês...
- Oh, acho que posso ajudar com isso, não Senhor ? – MacKenzie resolveu se pronunciar. Finalmente, não?! Já tava na hora dela parar ficar rindo de mim pelas costas da professora de Biologia.
- Sim, por favor... – mexi no meu cabelo, deslizando a mão pela parte de trás da nuca, sinal de nervosismo, merda!
- Com licença, Sra. Kimball – disse educadamente jogando um copo no lixo e saindo da sala. Eu a segui, após acenar com a cabeça para a professora.
Capítulo 14
- Que foi, ? – ela disse me olhando com aquela cara de quem tem alguma coisa melhor pra fazer da vida.
- Dá pra parar de me chamar de ? – falei impaciente.
- Não, agora anda rápido porque meu tempo aqui já acabou.
- Ok senhorita MacKenzie, acho muito bom que o seu tempo aqui já tenha acabado, porque nós estamos saindo – falei rapidamente e sem muita cerimônia, fui puxando-a pra fora daquele corredor medonho.
- Que você pensa que tá fazendo, ? – ela falou resistindo e parando novamente no corredor, em seguida jogou o copo de café (vicio dela) no lixo.
- Penso que estou te raptando, e gostaria muito de receber sua colaboração para isso, mas – ela me interrompeu.
- Pois eu penso que estou indo para a minha casa tomar um banho relaxante e esperar o meu namorado - sentiram um tom de provocação e mentira nessa parte? –,e você está indo para a sua sala de aula, de onde nunca deveria ter saído!
- Há há, muito engraçadinha você – ignorei os comentários e continuei puxando-a. Ela continuou reclamando, mas eu sei que estava gostando no fundo, porque se não estivesse gostando nada nada mesmo, já teria dado um jeito de se soltar bem rapidinho. Mulheres podem ser bem fortes quando querem, falo por experiência própria.
Então, tivemos um pequeno problema pra sair da escola, porque, bem, não podíamos sair andando normalmente pelo portão da frente, já que nem todo dia um aluno e uma professora saem de mãos dadas (mais ou menos, porque eu ainda estava puxando-a), sorridentes (mais ou menos, só eu sorria, mas eu sabia que ela estava sorrindo por dentro) pelo portão da frente e as pessoas acham isso normal. Simplesmente não acontece, o que é uma pena!
Lá fomos nós pular o muro de trás da escola...
- Aaah não, eu não vou sair do meu local de trabalho como uma fugitiva! – ela tinha que reclamar, né? Tava demorando mesmo... – Nem vem, , estou vazando.
- MacKenzie, nós já chegamos até aqui, - eu continuei empurrando-a – agora nós vamos até o final, ok? Eu tenho uma surpresa pra você.
Ela virou-se de frente para mim e me encarou, colocando as mãos sobre meus ombros, logo em seguida soltou um longo suspiro.
- Só por causa da surpresa, tá? – ela revirou os olhos. – Você sabe que eu não resisto a uma surpresa! Covardia isso...
- Anda, vamos – falei de cima do muro, estendendo minha mão para ajudá-la.
Bem, exatamente nesse momento, quando eu estava ajudando uma completamente atolada a subir no muro para pularmos, eu juro que vi dois vultos se agarrando atrás da arvore. Primeiro um deles ficou me encarando, eu tenho certeza, mas depois balançou a cabeça e voltou sua atenção à gostosa que estava em sua frente. Que eu reconheci sendo Kim, a garota mais peituda da face da Terra! (por isso facilmente reconhecida).
Só espero que, como eu, o primeiro vulto não tenha reconhecido nem a mim e nem a , isso não seria nada agradável.
- Que você tanto olha pra lá? – perguntou assim que conseguiu subir no muro e se ajeitar.
- Eu? – fui tirado dos meus pensamentos perigosos com essa pergunta. – Ninguém, eu acho...
Ela resmungou alguma coisa e eu acrescentei baixinho um ‘eu espero’.
- , onde estamos indo? – me perguntava pelo que parecia ser a décima vez em três minutos.
- Você quer parar com isso? – eu ri. – Já não te disse que era uma surpresa?
A verdade é que eu não sabia ao certo onde estávamos indo, só sei que estava tentando fugir de lugares agitados. Quanto menos gente e barulho tivessem, melhor.
Ao som de Spice Girls tocando na rádio e da batucando a mão no porta-luva eu fui andando e pensando para onde levaria aquela garota.
Tentei me lembrar de todas as cidades próximas que conhecia e sabia o caminho, mas nada veio à minha cabeça. Até que uma vaga lembrança de uma cidadezinha bem pequena e aconchegante que minha mãe me levava quando era criança... Puts, eu não sabia nem o nome da cidade, quem dirá chegar lá! Melhor pensar em alguma coisa dentro da cidade, mas vazia... Onde?
- Ahá, já sei! – me empolguei um pouquinho demais e berrei.
- Já sabe o quê, Einstein? – me perguntou, rindo.
- Ah, como chegar onde eu estou planejando te levar desde ontem a noite – pisquei pra ela.
- Mentiroso...
- Tá duvidando que eu saiba como chegar onde eu estou querendo te levar?
- Não, tô duvidando que você tenha planejado isso um segundo antes de me encontrar do nada no corredor dos professores.
- Bem, nesse caso tudo bem você duvidar, porque eu vou te deixar curiosa sobre isso mesmo – falei rindo de lado.
- Ah, está bem então, ... Vou te deixar com crédito só dessa vez, mas ainda duvido da sua capacidade de romantismo.
Algum tempo mais dirigindo e ouvindo cantarolar qualquer coisa, chegamos ao Hyde Park. Vai, me chama de inútil sem criatividade! (NA: chamem a autora tb o/)
É que eu não consigo pensar bem sobre pressão, era isso ou nada! E eu tinha que ir a algum lugar bem longe da escola também, pô. Dêem um desconto...
- Então, aqui estamos nós – me encarou. Estávamos os dois sentados no parque em uma daquelas cadeiras reclináveis. – E o que faremos agora?
Um tempo para eu pensar numa resposta, e nada de convincente veio em mente.
- Tinha que ter planejado isso também? – olhei para ela fazendo uma careta.
- , você é um fracasso! – ela começou a rir bem alto e eu fiquei lá olhando-a rir escandalosamente, eu e mais todas as pessoas que passavam por nós de bicicleta.
É ISSO! Como eu não pensei nisso antes?
- E por isso, é claro que eu pensei no que faríamos, não te disse que sou romântico?
Ela concordou com a cabeça, cinicamente.
- Vamos andar de bicicleta! – falei depois de reunir todo o entusiasmo que eu consegui.
Capítulo 15
Bem, depois de muito esforço pra convencer a andar de bicicleta comigo e correr atrás de uma pessoa alugando bicicletas, nós finalmente estávamos andando pelo parque com aquelas bicicletas gigantes e verdes que as pessoas andam em Amsterdã.
- , você é consciente que não me ajuda nem um pouco a ser romântico, né? – perguntei depois de um algum tempo em silêncio.
- E quem disse que eu quero que você seja romântico? – ela rebateu a pergunta.
- É, essa é uma boa pergunta, ninguém me disse isso, mas me baseando nas outras mulheres com quem eu saí, eu deduzi.
- Então, com essa sua bela dedução podemos ver que você não se tocou ainda que eu não sou como as outras meninas – ênfase no ‘meninas’ – que você sai por ai.
- Que merda, você sempre tem uma resposta pra tudo! – soquei o guidão da bicicleta e ela apenas riu.
- Um dia você aprende a lidar comigo, . Mas aviso que o Josh convive comigo há três anos e ainda não sabe.
“Mas ele é um idiota” eu pensei comigo mesmo, mas obviamente não falei alto.
- Pelo menos eu já tô conseguindo algumas coisas que eu quero com você...
- O que você conseguiu comigo? – ela perguntou em tom de deboche. – E nem venha me falar que...
- Não, . – eu a encarei sorrindo. – Estou me referindo a esse dia, a nós dois aqui no parque andando de bicicleta pra lá e pra cá como dois idiotas apaixonados sem estarmos apaixonados, quero dizer, isso é um encontro de verdade, daqueles que você não queria ter!
- Cansei de andar de bicicleta, vamos achar o velhinho pra devolver? – ela mudou de assunto.
Na boa, um dia ainda vou me estressar com essas fugidas de assunto que ela dá às vezes e eu não quero nem pensar na briga que isso pode gerar! Porque não tem coisa mais irritante.
- Tá, tá... – mas por enquanto eu ignoro e vou agüentando, afinal, ela querendo ou não, hoje eu tenho que bancar o cavalheiro romântico.
Procuramos pelo velho que nos alugou as bicicletas e nos sentamos novamente embaixo de uma arvore gigante.
- Eu andei pensando esses dias numa coisa que você me disse... – falei quase que num suspiro.
- O quê? – ela me olhou nos olhos depois de um tempo encarando criancinhas correndo.
- Descobri que você tem razão.
- Eu sempre tenho, . Você foi descobrir isso só agora? – ela disse sorrindo divertida.
- Não, sua mala – dei um pedala na cabeça dela, me arrependendo logo em seguida. Não devia ter feito isso, mas virou hábito fazer isso sempre que um de meus amigos falava besteira ou se achava demais. Ia pedir desculpas quando ela começou a esfregar a cabeça e fazer cara de ofendida.
- Essa doeu, você vai ver só uma coisa! – então ela chegou mais perto de mim e estendeu a mão para revidar o tapa, mas eu a segurei a tempo.
- Nem vem, MacKenzie - eu disse ainda segurando seu braço –, estou tentando fazer uma confissão séria aqui.
- Ui, depois dessa eu sento e ouço – ela riu sentando com as pernas cruzadas e olhando atentamente para mim.
Eu sorri satisfeito.
- Então, como eu ia dizendo, eu percebi que você tem razão sobre a Lizzie.
Esperei que ela dissesse alguma coisa, mas como não disse continuei.
- Você sabe, sobre porquê estou com ela. Realmente é porque é bom ter uma ‘step’ como eles chamam por aí – ri.
- Tá vendo? – ela estendeu o dedo indicador na minha direção. – Viu só como eu sei mais de você do que você mesmo?
- Não começa a se achar de novo senão vai levar outro tapa hein – avisei sorrindo.
- Ah , pára com isso! – ela deitou com a cabeça no meu colo. Eu hesitei de primeira, mas logo me acostumei. Quero dizer, não estou acostumado com essas demonstrações de afeto principalmente em público. – Fique sabendo que isso não é nada romântico.
- E quem disse que você quer romantismo? Estou começando a achar que quanto mais eu te maltrato, o que não acontece com freqüência, mais você gosta de mim.
- Não é isso, - ela brincava com os dedos enquanto falava, parecia uma menina indefesa – é só que eu já tenho o Josh que é sério, adulto e romântico demais comigo...
- E bem chato e otário – acrescentei a interrompendo.
- Também, às vezes... – ela riu. – Então eu gosto de ficar com você porque, sei lá, você é um garoto bobo e engraçado que só fala merda! – ela socou minha perna como se estivesse com raiva de mim.
- Ah, gostei da minha descrição.
- É - ela olhou para cima me encarando –, mas você sabe com quem eu prefiro passar o tempo livre? – ela sorriu maliciosamente.
- Depois dessa não precisa nem falar! – abaixei minha cabeça e lhe dei um selinho demorado.
- – ela disse cortando o selinho que estava realmente demorando demais, mas eu estava gostando. – Estou com fome.
- Ahhh ! – bati na grama como de estivesse indignado. – Assim não dá!
- Que foi? O selinho estava demorando muito e eu estou com fome, ué! Não dá pra enganar o estomago só com café até agora, já deve ta bem tarde...
Sorri e sem falar nada levantei-me, ajudando-a logo em seguida a levantar também. Como ela estava segurando em minha mão desde que eu a ajudara a levantar, continuamos andando assim, de mãos dadas até achar um restaurante, lanchonete, ou qualquer estabelecimento que vendesse comida.
- Vou ao banheiro, já volto – se levantou assim que acabou seu sanduíche, eu ainda estava comendo meu sorvete.
- Vai lá – assenti com a cabeça e continuei parado comendo e cantarolando alguma coisa, até que ouvi o celular da tocando, mas não atendi, deixei tocando né.
O celular ficou tocando algumas vezes até que eu peguei para ver quem era o chato insistente. Só aparecia quatro chamadas perdidas de um número não identificado e uma mensagem do mesmo número, que eu não me incomodei em ver. Dizia assim:
“Se você ainda presta pra alguma coisa, vá visitar o Angêlo no Hospital hoje, ele precisa de algum apoio, mesmo que seja seu”
Uau! Tem gente com um pouco de raiva da por aí hein... E quem seria Amélia? Uma amiga? Fiquei pensando nessas coisas e relendo a mensagem quando sentou-se novamente à mesa.
- Que houve? O celular tocou? – ela me olhou, confusa.
- Tocou e eu não atendi, mas vi a mensagem.
Ela pareceu não gostar muito, mas sem falar nada arrancou o aparelho da minha mão e deu uma olhada.
- Quem mandou você ler minha mensagem, ? – ela sequer tirou os olhos do celular e já começou a gritar.
- Desculpa, eu não sabia que você não ia gostar – falei erguendo as mãos. – E se te conforta saber, eu não entendi nada mesmo, só queria saber quem era o chato que ligou tantas vezes.
- O ‘chato’ por acaso era minha mãe – ela disse, se arrependendo depois. Eu sei que ela se arrependeu, deu pra perceber pela cara que ela fez depois de ter dito.
- Ah, desculpa de novo – falei com sinceridade.
Porra, eu realmente só queria ajudar!
Depois disso terminei de comer meu sorvete em silêncio enquanto mexia no celular furiosamente e também em silêncio.
Ela me escondia coisas demais, isso me irritava! Tudo bem que ela ainda não tinha muitos motivos pra confiar em mim, mas eu estava tentando pelo menos, isso ninguém podia negar.
- Você sabe que pode me contar se alguma coisa não estiver bem, né? – falei numa tentativa se fazê-la se abrir.
- HÁ! – foi tudo que saiu da boca dela. Ótimo, não sei pra que eu fui contar pra ela hoje o que descobri sobre a Lizzie. Falando nela...
Liz, precisamos conversar. xx xx Mandei uma mensagem pra ela e depois fiquei esperando terminar de fazer sei lá o que no celular, e assim saímos da lanchonete.
- Pra onde vamos agora? Tem alguma coisa em mente? – falei colocando minhas mãos no bolso, estava começando a esfriar.
- Quero ir pra casa, tenho muitas coisas pra fazer – ela me respondeu seca e rapidamente.
- Tem certeza? Nós podemos passear pelo... – tentei falar, mas fui cortado.
- Não, , - ela disse firmemente – eu quero ir para minha casa.
Capítulo 16
- Essa porra não vai andar não? – MacKenzie falou batendo no carro. Estávamos presos no engarrafamento devia ter mais de quarenta e cinco minutos.
- Não precisa bater no Marley, ele não tem culpa disso – avisei.
- Marley? – ela me olhou incrédula.
- Que tem? Você não sabia que meu carro é o Marley? – olhei-a de canto de olho.
- Que coisa mais pré-adolescência, ! – ela riu.
- Não me enche, ele é especial, merecia um nome.
Mais alguns minutos de silêncio, parados no mesmo lugar ainda.
- O nome da minha é Dorothy – ela disse por fim.
- Quem? – falei confuso. Não estava prestando atenção em nada antes dela falar, estava com a cabeça cheia sei lá de que, pensando em como terminaria com a Lizzie, ela respondera minha mensagem há um tempo, marcando um encontro na minha casa hoje à noite.
- Meu carro, o nome dela é Dorothy.
Só consegui rir também, depois eu que era o pré-adolescente.
- Vamos casar os dois um dia.
Meia hora depois
- , eu vou ter um piti aqui! – bufou. Ela já estava toda esparramada no banco do carona, com os pés para cima e completamente descabelada. Parecia realmente nervosa e de saco cheio.
- Olha, eu posso tentar pegar um atalho, mas não...
- E por que não me falou antes?
- Porque eu não tenho...
- Não quero saber, só faça! Preciso chegar em casa o quanto antes.
Eu ia dizer que não tinha certeza se sabia o caminho certo, mas não adiantaria muito, no estado que ela se encontrava.
Então ao invés de continuar na rua onde estávamos seguindo, virei na segunda esquina a direita e fomos parar numa rua menos movimentada.
E continuamos andando por mais alguns minutos em silêncio.
- Qual foi? Vai demorar muito aí? – ela reclamou.
- Eu disse que não tinha certeza do caminho...
Ela ficou me encarando, abrindo e fechando a boca algumas vezes.
- Não, você não disse!
- Tá, mas eu tentei... – dei de ombros.
- TENTOU? – ela berrou. – COMO ASSIM TENTOU? Eu te disse que estava atrasada, por que não me avisou?
- Olha, eu tentei, ok? Comecei a falar, mas você me ignorou toda irritadinha como sempre! – gritei de volta, tentando manter meus olhos nela e na pista ao mesmo tempo.
- Não quero saber, pára esse carro!
- Ah tá – ruborizei – posso saber pra quê?
- Vou chamar um táxi! Já que você não conhece nem sua cidade direito...
- Ué, não posso fazer nada se eu não passo por esse lado aqui mesmo... E além do mais, não vai adiantar você chamar um táxi porque também não sabe onde está.
Ela bufou e novamente ficou em silêncio, com aquela cara de estressadinha.
Mais algum tempo rodando de um lado pro outro que nem peru tonto, percebi que já tinha passado por aquela rua algumas vezes.
- Ótimo, estamos perdidos, definitivamente – pelo visto não fui o único que percebeu.
- Não é tão ruim assim... – tentei melhorar a situação.
- Não, eu só dei um bolo no meu namorado no único dia da semana que posso vê-lo.
- Que grande problema – murmurei comigo mesmo, torcendo para que ela não ouvisse, depois que disse.
- , pára o carro – ela mandou de novo.
- Não, não vou parar pra você pedir um táxi.
- Eu não quero pedir um táxi, quero fazer xixi – ela disse cruzando as pernas.
Eu a olhei desconfiado, mas ela realmente parecia estar apertada.
- Tá, tá – disse encostando o carro.
Ela abriu a porta e saiu rapidamente e eu fiz o mesmo. Quando ela percebeu minha presença parou do nada e ficou em encarando.
- O que você tá fazendo aqui?
- O que você acha? – levantei uma sobrancelha, fingindo uma cara de perversão.
- Ai meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso? – ela levantou a mão pro céu.
- Relaxa, MacKenzie – abanei as mãos. – Eu vim fazer o mesmo que você, também não sou de ferro, como pode parecer – continuei andando na direção dela, tranqüilamente, e ela parada lá, me olhando.
- Pode dando meia volta, você vai prum lado eu vou pro outro né!
- Mulheres... – rolei os olhos, rindo – ninguém as entende.
Fui pro ‘meu canto’ fazer minhas necessidades rindo da ainda. Ela muda muito rápido de extremos... Uma hora banca a adulta chata e ocupada, na outra é uma criança inocente, uma hora tá toda estressadinha e na outra me faz rir a toa... Vai entender.
- ? – ouvi uma voz receosa me chamando, conhecia muito bem a dona da voz.
- Que foi? – gritei de volta. Poderia ter ido até onde sabia que a encontraria, mas vai saber como seria recebido né.
- Você pode me ajudar aqui? – a voz estava macia agora.
Ri sozinho, seguindo até onde ela estava. Não pude conter meus pensamentos nada cristãos no momento, mas me segurei.
- Que foi? – olhei para baixo, estava ajoelhada, abaixada, sei lá. Ela parecia concentrada em alguma coisa no chão.
- Me ajuda aqui – ela disse sem olhar para cima, então me abaixei.
- Qual foi a genialidade da vez?
- Meu sapato ficou preso, merda – então eu percebi que sua atenção não estava no chão, e sim na sua sandália, presa pela parte de trás numa rachadura ou algo assim na calçada.
- Não seria melhor tirar a sandália pra depois arrancar ela daí? – falei com a voz óbvia.
- Pra que você acha que eu te chamei aqui, ? – ela me olhou com aqueles olhos de ‘você é tão óbvio, chato e inferior a minha pessoa’. (na: me ensiiina a fazer essa cara? *-*).
Sem falar nada, fiquei um século tentando desprender aquela sandália metida a besta e difícil de mexer. Pior tipo de sandálias, na minha opinião, são as difíceis de tirar, às vezes elas podem broxar alguém!!! Mas enfim, quando eu consegui, finalmente, tirar as sandálias, percebi que ela tinha uma tatuagem no tornozelo, antes escondida metade pela calça e metade pela bendita sandália preta. Levantei a calça um pouco para observar a tatuagem.
-Você não me disse que tinha uma – falei, passando minha mão por cima da tatuagem. Era uma borboleta bem pequena.
Assim que ela percebeu sobre o que estava me referindo, não fez uma cara muito boa.
- Porque não era para ninguém saber, talvez – ela levantou-se rápido, arrancando a sandália com ela, involuntariamente, tamanha foi a força com que ela se levantou. Estava raivosa.
- Opa, desculpa – me levantei também, estendendo minhas mãos.
Sem dizer nada ela começou a andar na direção contrária do carro, entrando numa pracinha que tinha ali perto, que eu não notara antes.
Eu fiquei ali em pé, observando aquela mulher misteriosa que tinha entrado a minha vida e em poucos meses colocando-a de cabeça para baixo! No momento ela estava descalça, carregando as benditas sandálias na mão, parecendo pensativa e triste. Observei-a sentar e abraçar as pernas, olhando para o horizonte. Não sei por quanto tempo fiquei ali quieto olhando aquela cena e imaginando mil coisas, mas acordei quando senti umas gotas de água aporrinhando.
- ? – imediatamente gritei. Ela não me ouviu, talvez porque não quis mesmo, mas eu não desisti. – MacKenzie? – chamei de novo, me aproximando cada vez mais dela, que ainda estava na mesma posição, de costas para mim o tempo todo.
Sem obter resposta, me sentei ao lado dela. Ela parecia tão distraída em seus pensamentos que não sei se tinha notado que a chuva estava engrossando e que eu estava sentado ali agora.
- Tá tudo bem? – perguntei, olhando-a. Por um minuto pensei ter visto uma lágrima descendo de seus olhos, mas não tive certeza, poderia ser uma gota da chuva. De qualquer forma, envolvi um de meus braços em sua cintura, num meio abraço. Não esperava ação nenhuma em forma de agradecimento, mas me surpreendi quando ela encostou a cabeça em meu ombro... E começou a chorar.
É, eu também pensei que tinha entendido errado, mas não. Ela definitivamente começou a chorar! E, tá, não foi um daqueles choros escandalosos e frenéticos, não ouvi sequer um soluço, mas foi um choro, que, eu pude sentir, estava preso há muito tempo. Um choro merecido, vamos colocar assim, mesmo sem saber o motivo ao certo.
Quando me dei conta do que estava acontecendo, já estávamos completamente ensopados e já estava quase parando de chover.
- Vamos? – minha voz saiu meio rouca devido ao tempo sem falar nada, pigarreei.
- Pode ser – se desaconchegou de mim e limpou suas lágrimas, levantando-se logo em seguida com minha ajuda, ela parecia meio fraca.
Fomos de mãos dadas até o carro e entramos os dois no banco de trás.
Tirei meu sapato e me deitei, ela jogou sua sandália, que ainda estava na mão, no chão e se deitou em cima de mim, na verdade, meio que entre minhas pernas.
Apesar de estarmos molhados, me senti meio quente e confortável, e útil também... Afinal, pela primeira vez estava podendo ajudar a , além de estar meio pasmo pelo fato de vê-la de um modo diferente, relativamente desprotegida.
- Se importa se ficarmos por aqui mais um tempo? – ela perguntou aconchegando a cabeça no meu peito depois de desabotoar dois botões da minha camisa – ainda estava de uniforme – para não deitar no molhado.
Na verdade eu não me importava nem um pouco, definitivamente! Mas aí me lembrei de Lizzie, e do encontro que tínhamos marcados para hoje à noite, em qual eu ‘terminaria’ com ela.
- Não, por mim está ótimo assim – respondi sorrindo para confortá-la, mesmo que ela não estivesse vendo meu sorriso.
Podia dar um bolo na Lizzie, afinal de contas... tinha dado um no Josh também, então, nada mais justo.
- Quando quiser comentar sobre o que está acontecendo, sou todo ouvidos – falei levando minha mão ao cabelo molhado dela e fazendo um cafuné. – Digo, se você quiser falar sobre isso...
Ela fungou em resposta. E eu sei que isso tinha sido um sim.
- Problemas com minha família.
Puts, tinha me esquecido... Ela tem família!
- Meu avô anda meio doente, desde que eu o deixei e vim morar em Londres.
Não me leve a mal, mas ela nunca havia mencionado a família, então eu tinha me esquecido desse detalhe, até porque não costumo conversar sobre e nem conhecer a família das minhas ficantes e afins.
- Acho que o câncer que ele tinha se espalhou – senti uma lágrima quente em meu peito.
Sério, meu coração se apertou. Se ela estava chorando e falando assim do avô, era porque o negócio era sério e ela devia gostar muito dele. E o pior, eu nem sabia o que falar! Fala sério, eu tenho todos os meus avôs vivos e uma avó por parte de mãe, e nem falo com eles direito, só no Natal e afins.
- Nossa, que péssimo isso... – respondi com a voz meio fraca. Eu sou um inútil, nem ajudar eu sei! Fala sério! – Vocês eram muito próximos?
- É, na verdade eu era a única da família que cuidava dele, sabe... – ela estava falando pausadamente, como se estivesse se impedindo de chorar. – Tudo bem que minha mãe pagava as despesas dele e tudo mais, mas eu era sua única companhia, a única da família que gostava de conversar e passar tempo com ele.
Eu continuei fazendo cafuné em sua cabeça, sem falar nada, apenas esperando que ela desabafasse.
- Mas também ele era o único da família que me ouvia e me dava bons conselhos – ela sorriu fracamente – ele me aconselhava a seguir meu sonho, vir pra Londres depois que eu acabasse a faculdade, então eu fiz, por mim e por ele – uma longa fungada. – Achei que estivesse fazendo a coisa certa – mais uma pausa e ela não agüentou, começou a chorar, mas não parou de falar – achei que se realizasse o ‘nosso’ sonho, ele pudesse ficar mais alegre, mas acho que me enganei. Desde que eu saí de lá, a situação dele só piora e meus familiares me culpam por isso.
- Mas você sabe que isso não é verdade, né?
- Não sei... Às vezes até acho que eles têm um pouco de razão...
- Pelo amor de Deus, ! (na: quase falei ‘Nombre de Dios, Suzannah!’ huahuauh, abafem o surto)
- Mas , ele ficou assim depois que eu sai de lá! – ela se levantou um pouco, para poder me ver.
- E quem disse que ele já não estava doente antes e não tinha apresentado sintomas graves? Ele podia estar escondendo tudo de você pra você não desistir de vir pra Londres, oras. – Nem eu acreditei muito no que falei, mas enfim... Ela pareceu se contentar com minha suposição idiota.
Ficamos sei lá mais quanto tempos abraçados, conversando sobre qualquer coisa do dia a dia, eu estava tentando fazer com que esquecesse um pouco seus problemas... Deve estar sendo realmente difícil pra ela, já que ela nunca se abre assim.
Capítulo 17
Acordei no dia seguinte afundado no sofá verde da minha sala. Estava claro demais e isso me irritava pelas manhãs... Eu gostava de acordar no breu total, e ir me adaptando aos poucos com a luz do dia. Além de eu ter dormido no sofá sei lá porquê e de estar muito claro, eu estava ouvindo um barulho irritante, mas não sabia exatamente de onde vinha. Até que vi um relógio: Onze e meia da manhã. Era domingo. Graças a Deus! Não tinha idéia de onde meus pais estavam, na verdade nunca tinha, né. O barulho chato era do meu celular, atendi sem olhar no visor, não fazendo muita questão de disfarçar minha voz de sono, queria mais que a pessoa inconveniente percebesse que tinha me acordado mesmo.
- ? – disse a voz estridente do outro lado. Não acredito que atendi a porra do telefone! Era Lizzie! E devia estar bem estressada comigo por ter lhe dado um bolo ontem à noite.
- Oi Liz – falei ainda com minha voz sonolenta, sentando-me no sofá.
- Onde você está? Onde se meteu noite passada? Tá tudo bem contigo? Precisa de alguma coisa? Acho que temos que conversar sério, – ela disse tudo isso sem dar tempo nem para que eu raciocinasse direito sobre cada frase.
- Hum... Você pode vir aqui em casa agora, Lizzie? – perguntei esfregando os olhos.
- Ok, estou a caminho. Seus pais estão em casa?
- Não... Quer dizer, não sei, mas provavelmente não.
- Ótimo – pude perceber que ela estava sorrindo. Quando meu professor mala de Filosofia disse que dava pra perceber quando uma pessoa atendia ao telefone sorrindo ou emburrada eu não acreditei, mas pior que o mala tava certo.
Fui ao banheiro dar um jeito na minha cara e fazer tudo mais. Olhei no espelho e vi que estava com as marcas do sofá na bochecha. E uma marca de batom na testa. Na testa? Hãm? O que deu na ? E por que eu não me lembrava bem como tinha ido parar no sofá? Eu não bebi ontem... Não que eu saiba...
Lavei meu rosto e peguei o celular.
- ? - falei automaticamente quando alguém atendeu.
- Hum... A senhorita não está disponível no momento, mas quem está falando? – uma voz de velha respondeu do outro lado.
- Ah, é , aluno dela... E quem é?
- Oh sim, ! Aqui quem fala é a sua diretora, Senhora Cyrus. Por acaso se lembra de mim?
Bosta, por que eu não tinha inventado um nome qualquer? Ou falado que era o Josh? Idiota!
- Ah, mas é claro que eu sei quem você é, Diretora... – falei meio enrolado. – Você poderia pedir para a Senhorita MacKenzie me ligar assim que puder? Estou cuidando de um trabalho importante para ela...
- É, acho que você não vai mais precisar esperar. A ‘’ chegou aqui, . – Ela disse com uma voz um tanto quanto suspeita ao pronunciar o apelido de . Ela não tinha esquecido disso! Merda, merda, merda, mer...
- ? – atendeu ao telefone, com uma voz surpresa. Me impressiono com a capacidade dela de interpretar. – Algum problema?
- Sim, a DIRETORA está na sua casa e percebeu que eu te chamei de !
- E quantas vezes eu te disse para não fazer isso? – ela disse com uma voz entediada. Um dia vou aprender esses truques todos com ela. – Será que você não vai aprender a ouvir seus professores nunca, ?
- Ok, desculpa... Mas e aí, pode me ver hoje? Preciso perguntar algumas coisas sobre ontem à noite... Não me lembro muito bem o que aconteceu. Nós bebemos?
- Desculpe, mas não estou livre hoje para te ajudar no seu trabalho. Nos falamos amanhã na escola, primeiro horário, não se atrase.
E assim ela desligou o telefone. Eu sabia que estava disfarçando e logo que a Sra Cyrus deixasse sua casa, ela me ligaria marcando alguma coisa. Pelo menos eu esperava que fosse assim, depois de ontem até quando eu consigo me lembrar.
- Oi, Lizzie – atendi a porta uns dez minutos depois acho que ainda com a cara amassada pelo sofá, mas já sem o beijo na testa.
- Olá, querido! – Ela imediatamente jogou seus braços contra meu pescoço, me sufocando no que ela chama de ‘abraço’.
- Senta aí – apontei com a cabeça para o sofá grande que eu estivera dormindo a pouco, ao lado do pequeno onde eu me encontrava no momento.
Ela ignorou meu comentário e se sentou no meu colo, de lado. Ótimo, assim seria mais difícil de evitar ficar encarando-a quando tiver que terminar tudo.
- Estava com saudades – ela disse antes de me dar um beijo longo enquanto segurava minha nuca com força. Depois dessa vai ser duas vezes mais difícil terminar.
- Eu também, mas... – comecei e ela me olhou séria – acho que realmente precisamos conversar, porque eu andei pensando e...
- Pára! Não fala! – ela colocou o dedo indicador sobre minha boca, me impedindo de falar. – Eu sei exatamente o que você vai dizer!
- Sabe? – Como ela poderia saber o que eu ia dizer e continuar sorrindo? Será que isso vai ser mais fácil do que eu pensava?
- Claro que sei... E concordo plenamente com você!
- Então... É isso? – perguntei arqueando a sobrancelha.
- É – ela continuou sorrindo e no meu colo - quero dizer, acho que você poderia fazer um pedido mais fofo, não? Mas eu não me importo, se é isso que nós queremos e é isso que nos fará felizes, eu aceito sem um pedido fofo e nem um anel de compromisso...
O QUE? ELA TAVA ACHANDO QUE NÓS IRIAMOS NOIVAR OU ALGO DO TIPO?
- Lizzie, você não tá achando que nós vamos noivar nem nada assim não, né? – disse começando a me assustar. Engoli seco.
- Haha! – ela riu de mim, me dando um tapinha nos ombros – Bobinho! Só você pra me fazer rir numa hora dessas...
Então ela me beijou. De novo.
- Eu acho que você não tá me entendendo, Lizzie. Eu não estou querendo noivar, casar e NEM namorar no momento, sabe?
- Como assim? – o sorrido dela foi-se no momento.
Droga.
- Assim... Você entendeu... Acho que preciso mesmo de um tempo, sabe? – disse com a voz mais suave que consegui fazer na hora.
- VOCÊ TÁ TERMINANDO COMIGO ASSIM NA CARA DE PAU MESMO? – ela saiu do meu colo – até que enfim, estava ficando com a perna dormente -, e ficou parada me encarando.
- Er... Desculpe, Lizzie...
-VOCÊ SABE QUEM EU SOU, ? – ela estava berrando histericamente. – Eu sou Lizzie , okay?? UMA GAROTA LINDA, SENSUAL E POPULAR! – e eu fiquei lá parado ouvindo, já estava esperando esse tipo de escândalo... Lido com essas crianças patricinhas há anos...
- TODAS AS PESSOAS USANDO CALÇAS MASCULINAS NAQUELE COLÉGIO QUEREM QUE EU DÊ PARA ELES, SABIA? E SABE QUEM FOI O ÚNICO SORTUDO QUE CONSEGUIU QUE EU FIZESSE ISSO? – ela disse quase com lágrimas se formando nos olhos.
- Você, ! – ela diminuiu o tom de voz e uma lágrima desceu.
Eu estava olhando fixamente para ela. Uma pontada de culpa me bateu no coração. Mas então lembrei que seria pior pra ela se eu ficasse com ela só pra tê-la do que fazer o que estava fazendo. No fim das contas ela ia me agradecer, sei disso.
- Talvez eu não te mereça, então – falei, calmamente.
- É, pelo visto não merece mesmo! – Ela pegou sua bolsa que estava no sofá e saiu bufando e pisando forte pela sala até abrir a porta. – E vê se não fala mais comigo! – e assim ela bateu a porta com ódio e foi-se. Junto com ela um peso nas minhas costas também saiu. Mas naquele momento, tudo que eu conseguia pensar era o quão imatura ela era e em como eu tinha conseguido agüentá-la por tanto tempo...
Capítulo 18
Passei o resto do dia mofando mesmo, nada de , nada de amigos, nada de pais, nada de Lizzie... Todos sumiram estranhamente. Há tempos eu não ficava sozinho em casa em um dia de domingo. Sempre tinha meus pais me enchendo pra ir a algum almoço com eles, os caras da banda me ligando pra um ensaio e bebidas, alguém que eu não conheço da escola me chamando pra uma festa e Lizzie querendo se encontrar comigo em algum lugar escondido. Não que eu estivesse arrependido de estar me afastando de tudo isso assim meio que do nada, porque agora eu tenho a pra passar tempo comigo.
, preciso falar com você... Fiz uma coisa importante hoje :)
Mandei essa mensagem pra ela já fazia mais ou menos meia hora e aqui estava eu vendo tv, ouvindo música e fazendo meu dever de história ao mesmo tempo.
Já disse que não podemos nos ver hoje, ! Josh está aqui...
Ótimo, exatamente a resposta que eu esperava ouvir. Nessas horas me dá vontade de ligar pra Lizzie ou qualquer amiguinha dela...
I don’t care who your boyfriend is, ‘cos one day it’s gonna be me...
Sim, eu estava ouvindo essa música no momento, muito apropriada. Valeu, Busted!
Não estava esperando por uma resposta... Quando ela lesse a mensagem, provavelmente riria sozinha e pensaria o quanto estou ficando ousado graças a ela.
Como previsto, ela não respondeu e eu passei o resto do domingo mofando mesmo.
- ! – ouvi berrando meu nome. Não queria parar pra esperar ninguém. me mandou encontrar com ela na primeira aula, queria chegar na sala antes de todos.
- , me espera, porra! – comecei a andar mais devagar, até que parei pra esperar o lerdo do , que se apoiou em meu ombro depois, ofegante.
- Tá com pressa pra quê? – ele disse ainda tentando recuperar o fôlego. – Pra aula de Inglês é que não é, né? – ele riu.
Senti uma pontada dentro de mim, não sei porquê exatamente. Quer dizer, até que sei. Nunca menti pros meus amigos. Só em relação à Lizzie, mas não era coisa séria... Com a MacKenzie pelo menos eu estava começando a desejar que fosse. Não queria ficar a escondendo por ai como fazia com Lizzie. Queria poder mostrá-la para todos e dizer que ela é minha. Mas ainda tinha o Josh, os outros professores, a diretoria, todos os alunos e tudo mais que atrapalhavam isso. Por que a bosta do terceiro ano tem que passar tão devagar?
- Mas e você? Tava correndo assim atrás de mim por quê? – desconversei depois de um sorrisinho nervoso.
- Ah, queria saber se tem algum trabalho de Inglês pra fazer que eu não tô sabendo?
- Hum... Não que eu saiba, por quê?
- Ah, a Cyrus veio me perguntar se eu estava “a par” do trabalho de Inglês, porque eu não podia ficar de recuperação de novo e blábláblá... – disse debochando da voz da diretora com aquele jeito engraçado sem-noção dele.
Eu tinha a sensação de que a Cyrus só tinha ido perguntar isso pra ele na esperança de que ele contasse alguma coisa sem querer sobre eu e . Coitadinha, está achando que estava lidando com amadores. Pra sua informação, dona Cyrus, eu escondi um caso com a irmã do meu melhor amigo por anos e a minha futura namorada está traindo o namorado dela também. Vai superar? Nossa, isso saiu bem mais sujo do que eu esperava.
- Ah, sei como é...
Nesse momento Lizzie passou por nós. Mandou um beijinho pro irmão dela e me ignorou. Como eu esperava que ela fizesse isso há uns meses, meu...
- Hey, , você sabe o que houve com ela? – me perguntou fazendo uma cara confusa. Já era de se esperar que ele viesse me perguntar o que tava havendo, né. A irmã dele costumava me venerar, se ela começasse a me ignorar como disse que faria, ele ia estranhar.
- Não sei... Quem sabe TPM? – Dei de ombros. Eu podia evitar essa conversa, não? Pelo menos até eu ter uma desculpa melhor do que ‘cansei da sua irmã chatinha’ ou ‘estou tendo um caso com uma professora dez vezes mais hot e inteligente que a Liz’.
- Ah, , queria te contar uma coisa também, cara. – sorriu maliciosamente e eu ri. – Se lembra da Kimberly, a peituda do segundo ano?
Assenti com a cabeça. Como alguém poderia esquecer aqueles peitos do tamanho de duas melancias?
- Então, eu tava ficando com ela algum tempo atrás, mas não era nada sério. Só uns amassos escondidos na parte de trás do colégio...
E aí eu congelei. continuou tagarelando sobre como tinha se apaixonado pela tal Kimberly, mas eu não estava prestando mais atenção a ele. era a pessoa que tinha ficado me encarando aquele dia que eu fugi com a pelos fundos? E isso quer dizer que... Ele sabia sobre nosso ‘namoro’ escondido?
- Por que você não me disse nada disso antes, Fletcher? – perguntei assim que ele parou de falar. Estava esperando ele responder algo do tipo ‘não queria que você soubesse que eu sabia sobre a professora de Inglês’, ou algo assim...
- , você por acaso conversa comigo ou com e por mais de cinco minutos há alguns meses?
- Hm... – foi só o que consegui dizer. Ou melhor, murmurar.
Fomos andando pra sala depois disso lado a lado sem dizer nada. As coisas estavam mesmo ficando estranhas entre mim e meus amigos, mas eu sabia que só precisávamos de um tempo e tudo se resolveria... Como sempre.
Entrei na sala e estava lá, mexendo em algumas coisas, sentada em sua mesa, linda como sempre...
- Oi – fiquei de pé frente a ela. levantou o olhar e sorriu pra mim. – Podemos conversar mais tarde?
- Por mim, tudo bem... Mas vamos ter que tomar cuidado, você sabe que a Cyrus já tá de olho. – Ela revirou os olhos e eu ri.
- Até mais tarde, então. – Me despedi e fui andando até meu lugar, que havia guardado ao seu lado. e também já estavam lá.
Passei a aula inteira prestando atenção aos mínimos detalhes em . O jeito como ela falava com a turma, como ela tentava inutilmente colocar o cabelo atrás da orelha pra parar de cair sobre seu rosto, os sorrisos de canto que dava às vezes, ao perceber que eu a observava, e todas essas coisas idiotas. Simplesmente porque eu estava feliz demais pelo fato de não ter recebido uma bronca pelo telefonema no Domingo. Estávamos evoluindo mesmo, não?
Depois da terceira aula do dia, no intervalo, eu estava esperando a MacKenzie no carro. Tínhamos combinado que eu ficaria lá até o sinal anunciando o fim do intervalo soar, então ela me encontraria e nós iríamos a algum lugar tranqüilo e escondido pra conversar. Mas eu já estava impaciente, batucando no volante do carro sem música tocando, porque todos os meus CDs pareciam me irritar. Estava ansioso demais para vê-la, beijá-la e também contar sobre o fim do ‘namoro’ com Liz.
- Hey! – entrou no carro rapidamente e colocou seu cinto de segurança. – Tudo bem? – ela perguntou olhando pra mim. Ainda estava ofegante, parecia ter corrido mesmo.
Assenti com a cabeça e logo dei partida no carro. Sabia que não podíamos continuar dando bobeira.
- Tenho novidades pra... Nós. – falei assim que nos distanciamos da escola. Como se alguém fosse ouvir o que estávamos falando.
- Eu acho que também tenho... – Ela sorriu. – Mas vá em frente!
- É que... Ontem eu conversei com a Lizzie... – Eu ia falando, e, mesmo sem estar olhando para ela, eu sabia que estava com os olhos atentos a mim. – E, bem, eu finalmente dei um fora nela.
- Hum... Você tem certeza que não andou me espionando, ? – arqueou uma sobrancelha. – Porque foi exatamente isso que eu fiz esse fim de semana... Quer dizer, além de sair com você e inventar umas desculpas pra Dona Cyrus. – Ela revirou os olhos, fingindo vômito ao citar o nome da Diretora. Vejo que ela não é querida nem pelos próprios professores... Ou pode ser um caso especial com a .
- Não viu o Josh ontem? Achei que não tivesse me ligado por estar com ele...
- , você ouviu bem o que eu acabei de dizer?
- Ouvi, ué... Você disse que passou o dia enrolando a mala... Por quê?
- Ai, , você me impressiona com essa sua lerdeza! – bateu com a cabeça no banco. – Eu acabei de dizer que terminei ontem com o Josh, anta!
Eu congelei, admito. Ela tinha dito isso mesmo? Não era só pra zoar com a minha cara nem nada, certo?
- Por... Por que você fez isso? – perguntei com uma certa dificuldade. Estava meio difícil de acreditar, aposto que pra você também.
- Ah... Sei lá...
- MacKenzie, você não tá de brincadeira com a minha cara não, né? – Paramos no sinal nesse momento, então eu pude encará-la. – Porque se estiver, pode ficar sabendo que não teve graça...
- , mas que porra! – Ela estava rindo. Provavelmente da minha cara. – Você não acredita em mim não? Eu tô dizendo que terminei, oras...
- Mas tipo... Não teve um motivo nem nada? – Eu ainda estava meio incrédulo, foi difícil me concentrar no trânsito, naquela novidade e também pensar para onde estávamos indo.
- Você quer mesmo saber o motivo? – Ela me olhou, agora mais séria.
- Eu gostaria sim...
- É que eu percebi que... – A voz dela quase morreu. – Eu realmente gosto de você...
Encostei o carro imediatamente.
- Você tá falando sério mesmo?
- Ih, mas que coisa, hein! – Ela voltou a rir. – Por acaso eu minto tanto assim pra você ficar duvidando de tudo?
- Não, é só que... Você nunca demonstrou que gostasse de mim... – Dei de ombros. Era a mais pura verdade, não?
- E nem você, ué!
- Ah, mas eu tentei... Só nunca disse que eu te amo porque achei que você ia me achar maluco – falei sem pensar. Realmente sem pensar, porque eu ainda tinha medo dela me achar um maluco por amá-la. Mas eu não podia mais nem me enganar, eu amava e pronto.
- Tudo bem, agora você sabe que eu gosto de você e eu sei... – Ela ficou em dúvida se devia repetir o que eu falei, tenho certeza. – O que você realmente sente por mim...
- Ótimo, acho que nós podemos fazer isso mais vezes, não? – perguntei voltando à pista. – Quero dizer... Dizer como nos sentimos em relação ao outro, certo?
- Tudo bem... Mas tem um motivo pra isso? – disse tentando segurar uma risada. Eu também estava com vontade de rir da situação. Éramos claramente dois desastres em relacionamentos afetivos.
- Ah, acho que tem... – Pensei um pouco. – Se você morrer qualquer dia desses, pelo menos você vai morrer sabendo que eu te amo. – Falei de novo que a amava. Dessa vez foi de propósito, pra saber sua reação.
- Hum... É justo. Se o mesmo acontecer com você, não quero ficar me lamentando no seu túmulo pensando que eu poderia ter demonstrado... Meus sentimentos. – Ela hesitou um pouco ao falar isso. Eu acho que consegui a deixar no mínimo um pouco nervosa. Não tinha arrancado um ‘eu te amo’ dela, mas eu já sabia que isso não ia ser fácil.
Decidimos parar num restaurante pra tomar outro café da manhã, já que eu não tinha comido nada desde às sete e ela... Bem, sei lá se tinha comido ou não, mas com certeza ia querer um café.
- Sabe o que eu tava pensando... – ela começou a falar. Já estávamos sentados na mesa, esperando nosso pedido chegar. – Daqui a um mês, se não me engano, sua professora de Inglês vai voltar a dar aula...
- E isso é bom pra gente? – Arqueei a sobrancelha. Não estava entendendo o ponto. Nós íamos nos ver menos, isso era bom desde quando?
- Provavelmente eles não vão mais precisar dos meus serviços na sua escola, .
Ela estava mesmo me dando um fora depois de admitir que gostava de mim?
Continuei com minha cara de confuso, demonstrando que não estava entendendo o ponto dela com isso tudo. Ela bufou.
- Cara, como você é leeerdo! – Depois riu. – Se eu for dispensada da sua escola, nós vamos poder assumir um compromisso, ! – Ela me deu um tapa na testa.
Nossa, as coisas estavam começando a ficar mesmo sérias, hein? Quando eu ia imaginar que a MacKenzie ia querer alguma coisa séria... Comigo, então!
- Aah... – Lancei um olhar sexy em sua direção. – Sabia que você não resistiria ao meu charme! – Mandei um beijo e pisquei. Completamente cafona. Ela riu e me deu um selinho.
Capítulo 19
Algumas semanas haviam se passado desde que eu tinha dito ‘eu te amo’ à , e as coisas
estavam indo tão bem entre a gente, como nunca.
Estava contando os dias para a volta da minha professora antiga de Inglês (uma coisa que eu nunca pensei em fazer, eu sei).
Faltavam exatamente quatro dias. Você não esperaria que eu ficasse contando as horas também, né? Posso ser meio bobo às vezes,
mas nunca chegaria a esse extremo de idiotice apaixonada, por favor!
Meu celular começou a tocar, era ela. Sorri instantaneamente.
- Fala, MacKenzie. – Fingi um tom casual, enquanto sorria marotamente.
- Nós podemos conversar hoje, ? – Ela perguntou, simplesmente.
- Hum, acho que sim... Você pode passar aqui em casa quando quiser, meus pais não estão aqui, pra variar...
- Tudo bem. – A voz dela estava meio chorosa ou era impressão minha? - Te encontro daqui a uma hora, tá?
Desliguei o telefone assim que confirmei. Se a intenção dela era me deixar meio nervoso e na expectativa para esse encontro, ela
tinha conseguido.
Exatos cinqüenta minutos depois da ligação (quem está contando?), eu a atendi na porta com um selinho demorado.
- Tá tudo bem com você? – Perguntei assim que estávamos acomodados no sofá da sala. Ou pelo menos eu estava, já que
ficava se mexendo nervosamente no sofá enquanto só encarava sua mão.
- Na verdade, não – ela soltou depois de uma longa inspirada de coragem. – Eu estava saindo da sala da Cyrus quando te liguei.
Ah, não era pra menos que ela estivesse com uma voz de choro na ligação e aparentando cansaço e nervosismo agora.
- E? – A encorajei a continuar. Aquela conversa não estava indo muito bem.
- E que eles me contrataram. De verdade, não só como substituta.
- E você não está feliz com isso? – Agora eu estava ficando confuso mesmo. – Quer dizer, eu sei que nós vamos ter que esconder
o namoro por mais uns cinco meses, até eu me formar, mas veja pelo lado positivo: nós vamos continuar nos vendo quase todos os
dias na escola, hein? – Tentei animá-la.
- Não, , primeiro que eu vou dar aula pro Segundo ano, e depois... – Ela respirou
fundo. – Nós não vamos poder continuar nos vendo, nem escondidos.
- E... – Tentei me manter calmo. Não podia aparentar estar tão abalado como eu realmente estava depois dessas palavras duras
que saíram tão calmamente da boca de . – Por quê, exatamente? Nós estamos há tanto
tempo nos escondendo e ninguém descobriu nada, por que agora tem que ser diferente?
Ok, isso saiu um pouco mais desesperado do que eu queria.
- É ai que você se engana, . – Ela se levantou e ficou de costas para mim. – A
Diretora sabe. E uma das condições para eu conseguir esse trabalho, era que eu parasse de sair com você.
Joguei a cabeça pra trás num ato de frustração e fiquei apoiado no sofá por um tempo, olhando pra cima e pensando em uma
maneira de agir racionalmente naquela situação toda.
- Como? – murmurei. Fraco demais, nem eu pude me ouvir claramente. – Como ela descobriu isso? – Repeti, dessa vez mais forte.
- Parece que um aluno nos viu saindo da escola um dia e contou pra ela, que resolveu ficar de olho e descobriu, né.
- Eu não acredito! – Soltei furiosamente me levantando automaticamente do sofá.
Como o poderia ter feito isso comigo? E principalmente: por quê? Só por que eu não
havia contado a eles? Por que eu estava me afastando da banda?
E então de repente tudo fez sentido. Ele sabia sobre Lizzie e agora estava tentando me dar o troco.
- , você não vai aceitar essa condição, vai? – Controlei minha voz para parecer mais
calmo. não importava no momento, eu podia me entender com ele depois. Tudo que eu
queria no momento era acertar as coisas com .
- Eu tenho, . - ainda não olhava nos meus
olhos. Ela sequer olhava pra mim. Como eu ia saber se ela estava chorando, calma, nervosa, com raiva...? Como eu ia saber como
agir? – Você sabe que não posso ficar desempregada, estou ajudando com as despesas do meu avô no Hospital. E também tenho
que me sustentar...
Pude ver pelo reflexo da janela que ela encarava que tinha se abraçado. E estava
contorcendo seu rosto, obviamente para não chorar.
Andei até ela em silêncio e a abracei por trás, colocando minha cabeça em seu ombro e segurando forte suas mãos, que estavam
apertadas ao seu peito. Fiquei feliz que ela não tinha recusado meu conforto, isso era um bom sinal.
- Nós vamos dar um jeito, tá bem? – sussurrei em seu ouvido. Soltamos uma lágrima ao mesmo tempo. Apenas uma lágrima, da qual
nos encarregamos de limpar imediatamente, cada um de seu respectivo rosto.
Ela se desvencilhou de mim, pegou sua bolsa na mesa de centro e abriu a porta de entrada. Me olhou uma última vez. Eu estava
parado no mesmo lugar onde estivemos abraçados uma última vez.
- Não vamos, ... Não dessa vez.
Ainda parado, ouvi a porta se batendo e, um minuto depois, um carro dando partida.
Agora vocês devem estar querendo saber como eu fiquei. Nem eu sei direito. Num primeiro momento, as palavras e emoções
estavam oscilando dentro de mim, ora eu ficava deprimido, ora com raiva, ou apenas não sentia nada por um tempo. Demorei um
tempo pra encarar realmente o que tinha acontecido, e quando isso aconteceu, finalmente identifiquei o sentimento mais forte
dentro de mim: raiva. Mas não de , e sim de
.
Sem pensar duas vezes, peguei as chaves do meu carro e fui direto para a casa dos
’s.
Assim que abriu a porta (graças a Deus que foi ele), eu o empurrei e ele cambaleou um
pouco pra trás, me dando passagem para entrar.
- ? – Ele ficou me olhando com uma sobrancelha arqueada e uma cara confusa. – Que
houve contigo, cara?
- O que houve comigo, ? – Meu tom era sarcástico e eu não estava berrando como
imaginei que fosse estar. – Você quer mesmo saber por mim ou prefere me dizer você mesmo? Porque, você sabe, ouvindo da boca
dos outros, nossos atos podem parecer mais sujos...
- Como assim? O que eu poderia falar? – Ele ainda estava parado lá, me olhando com aquela cara babaca.
- Tudo bem, já que você vai se fazer de desentendido, eu vou ter que te contar. A MacKenzie terminou comigo, satisfeito?
- Ela terminou, cara? – Agora ele estava espantado. E tinha andado um pouco, mas sem chegar perto demais. – Mas por quê?
- , não se faça de idiota! – O encarei com uma cara de nojo.
- , eu juro, cara! Não tenho a menor idéia do que você tá falando! – Ele colocou a mão
no peito, se fazendo de inocente.
Quase acreditei. Mas eu o conhecia bem o bastante pra saber que ele o melhor da banda a mentir.
- Como você sabia que eu estava com ela? - Tentei controlar o tom da minha voz pra não acabar falando tudo rápido demais.
- Eu, eu vi vocês dois saindo escondidos uma vez na escola, quando eu tava ficando com a Kimberly.
- Você era o único que sabia do nosso relacionamento e agora ela terminou comigo porque a maldita Diretora ficou sabendo por
um dedo-duro. Agora finge que não sabe do que eu tô falando, .
- , - estava me encarando boquiaberto –
que motivos eu teria para usar isso contra você? Eu tava meio puto mesmo por você não ter nos contado sobre ela, mas eu entendi
seus motivos e não contei pra ninguém!
- Por favor, ! Eu posso enumerar motivos pra você ter me dedado!
- Pois então diga. – Ele cruzou os braços e ficou esperando. Cínico.
- Primeiro: eu me afastei de você e da banda por causa da – fui falando e contando
nos dedos -, eu terminei com a sua irmã por causa dela, eu já peguei a Kimberly na oitava série, ou sei lá! Pode ter sido ciúmes, eu
não sei porquê você fez! – Joguei os braços pra cima. – O que importa é que eu sei que você fez. Então vê se me esquece,
beleza?
Fui andando até a porta e saí daquela casa que eu passei bons dias da minha adolescência com meus melhores amigos. Será que
eram meus melhores amigos? Eu já não tinha tanta certeza...
Só sei que saí pela porta sem ouvir mais nenhum ruído vindo de , o que quer dizer que
ele se entregou com o silêncio.
Voltei pra casa me perguntando se e
sabiam dessa história toda. Mas também não queria saber a resposta, tinha medo. Medo de descobrir que eles também tinham me
traído. Porque no momento eu não tinha mais ninguém. Família eu nunca pude contar mesmo, não tinha mais minha banda, não tinha
mais Lizzie babando meu ovo, não tinha mais aquela popularidade toda, por mais que não tivesse virado um completo anti-social, e,
principalmente, não tinha mais ela. Só de pensar nisso senti-me mais sozinho do que nunca.
Tratei de afastar todos esses pensamentos assim que deitei na cama.
Por incrível que pareça, peguei no sono rápido àquela noite.
Capítulo 20
Não me perguntem como eu consegui me arrastar até a escola no dia seguinte. Acho que o fato de que essa seria a última semana de aula que ainda seria minha professora me deu vontade de levantar e continuar nessa vida, só para poder vê-la e ficar observando seus detalhes de novo, mesmo que de longe e sem falar com ela.
Assim que cheguei à escola, dei de cara com conversando com Lizzie e Kimberly. A cara de nenhum deles era muito agradável, e confesso que isso me deixou um pouquinho melhor.
Mais a frente estava , terminando um dever de História meio atordoado. Quando passei por ele, me forcei a dar um sorrisinho, pois não sabia ainda se ele tinha me traído também. Mas acho que ele estranhou o fato deu não ter parado e sentado ali com ele, como antigamente.
Me desanimou bastante descobrir que aquele dia não teria aula de Inglês, mas não fui embora da escola, continuei lá sentado brincando com umas canetas até bater o sinal do intervalo.
Fiquei sem saber o que fazer na hora do intervalo. Antigamente, eu iria dar uma volta na escola e procurar por pra gente sair da escola de fininho e voltar mais tarde. Mais antigamente ainda, eu iria me sentar à mesa debaixo das árvores e conversar com os caras sobre algumas músicas, garotas ou festas. Depois algumas garotas atiradas chegariam e se juntariam a nós, perguntariam o que nós estávamos fazendo e não largariam mais do nosso pé por pelo menos uma semana.
No momento, pensar sobre esses dois hábitos que eu tinha adquirido com o tempo me enjoou. Então eu resolvi andar pelos corredores imensos e vazios da parte de dentro do colégio.
Fui andando e, pela primeira vez, olhando aquele lugar que eu havia passado a maior parte da minha vida. Pela primeira vez reparei que as paredes eram brancas com uma faixa marrom em baixo, e que vários avisos e horários estavam colados em alguns murais. Também fui reparando nos armários e nas besteiras que cada um colava na parte de fora. Passei pelo meu armário, número 203. Na parte de fora ele era cinza e igual ao da maioria. Chequei se eu ainda sabia a minha senha, e, por incrível que pareça, eu ainda lembrava, mesmo quase nunca usando o armário pra nada. Do lado de dentro da portinha tinha uma foto minha tocando e algumas letras de músicas de nossa autoria pichadas de corretivo. “Oh baby you, got nothing to prove; but if we decide to go doesn't mean he's gotta know”
Sorri ao ler essa frase. Tínhamos escrito essa música baseada numa paixonite de . Ri sozinho ao lembrar que ele pensava mesmo em fugir com ela. Na época, nós achávamos que ele era maluco de querer fugir e passar o resto da vida escondido no Hawaii com a mesma mulher, mas, nas atuais condições, a idéia não me parecia tão ruim.
Reparei nos quinhentos convites jogados dentro do armário. E eu achando que as pessoas tinham desistido de me convidar pras festas...
Talvez fosse bom voltar à vida como era antes... Com o tempo eu poderia perdoar o e voltar à banda. Aí seríamos só nós quatro de novo... Nada de MacKenzie me hipnotizando apenas com um olhar e me fazendo desistir de todos os compromissos pra ficar com ela. Mas isso só se eu conseguisse perdoar o algum dia... O que parecia mais fácil do que a voltar pra mim, então era uma opção a ser pensada.
- ? – Ouvi alguém me chamando e de repente saí do meu transe. – O que tá fazendo aqui sozinho?
- Ah, oi, Mandy. – Não me dei ao trabalho de forçar um sorriso. – Tava só pensando na vida...
- Hm, e eu estava te procurando. – Ela sorriu. Não me pareceu nada forçado.
- Por quê? Precisa de alguma coisa? – perguntei colocando as mãos nos bolsos. Não sei por que fui abrir o bocão pra perguntar isso.
- Não sei, tô me sentindo meio sozinha ultimamente...
- Hm... – murmurei enquanto encarava meu armário. Eu sei que há segundos eu estava pensando em voltar à vida normal, mas isso não quer dizer que eu precisava convidar a primeira que passasse na minha frente, certo?
- Então, será que a gente podia se encontrar depois das aulas pra fazer alguma coisa? – ela perguntou mordendo a boca em sinal de nervosismo.
Ok, mas eu podia pelo menos aceitar o convite da primeira que aparecesse na minha frente, certo?
- Na minha casa, às cinco, beleza? – Fechei a porta do meu armário e ela sorriu. Me deu um beijo na bochecha e saiu andando na mesma direção pela qual viera.
Deviam ser umas quatro e meia da tarde, e lá estava eu, deitado na sala de casa, com um livro de Geografia aberto na página da matéria que eu deveria estar estudando, mas eu só conseguia olhar fixamente para as cabras que estavam aparecendo na televisão e pensar em ao mesmo tempo. Não que as cabras me lembrassem especificamente dela, mas depois que ela terminou comigo nessa mesma sala, tudo remete meus pensamentos a ela.
A campainha tocou. Eu não tinha idéia de quem seria, então fui me arrastando até a porta, até dar de cara com a Mandy, aquela garota do corredor, mais cedo.
- Ah, oi! – falei surpreso.
Uma garota sorridente entrou pela minha sala segurando uma mini bolsinha contra o peito, e se sentou no meu sofá, ignorando meu livro de Geografia ainda aberto.
- Como você tá, ? – ela perguntou, me encarando.
Fechei a porta, mas não sabia o que fazer. Não sabia se ia até ela e sentava ao seu lado, se ficava parado na porta a observando, se ia até a cozinha pegar alguma coisa pra bebermos... Eu estava meio apavorado e nem sabia por quê!
Acho que depois de tanto tempo apaixonado por uma pessoa só, completamente diferente de todas as outras garotas, eu esqueci como se age!
Com a as coisas eram naturais, a gente se encontrava e eu tinha logo alguma coisa pra falar, por mais banal que fosse... Ou tínhamos alguma coisa pra fazer, ou não, apenas ficávamos sentados juntos em silêncio e aquilo parecia a melhor sensação do mundo!
- Acho que vou pegar alguma coisa pra gente beber, certo? – falei por fim, me dirigindo à cozinha. Ela falou alguma coisa, mas eu não ouvi, fiz questão de não ouvir, pra não ficar com nojo da pobre Mandy.
Fiquei enrolando na cozinha com dois copos de coca na mão por mais tempo que pude, mas a campainha tocou e eu tive que ir atender, agradecendo mentalmente quem quer que fosse.
Abri a porta e dei de cara com , que foi logo entrando pela sala, sem nem dizer ‘oi’. Acho que cheguei a deixar um pouco de coca cair no chão, já que não estava mesmo esperando que ele resolvesse dar as caras por bastante tempo. Deixei os copos na mesa e me virei para , que encarava a Mandy sem entender o que ela estava fazendo sentada ali.
- Que você quer, ?
- Será que dá pra gente conversar a sós por um instante? – ele perguntou ainda encarando a Mandy, que não se moveu.
- Hm, acho que não... Primeiro porque eu tô meio ocupado aqui, e depois eu não quero ouvir suas desculpas agora.
- , é sério, você precisa acreditar em mim, não fui eu que te dedurei, cara!
Olhei para Mandy, ela continuava segurando aquela bolsinha contra o peito e aquilo já estava me irritando. Não consegui dizer nada, primeiro porque não queria discutir com de novo, e também não queria que ninguém ficasse sabendo do rolo todo com a e tudo mais.
- Depois a gente conversa, tá? Você sabe que eu não fui de guardar ressentimento, mas ainda não tá descendo.
Eu queria dizer que ia ser mais difícil de perdoar dessa vez porque ele tinha me feito perder a primeira garota que eu podia dizer que amava, mas não podia, porque a inconveniente da Mandy estava na sala, nos encarando sem nem se mover.
O celular de começou a tocar assim que ele abriu a boca para falar alguma coisa.
A campainha tocou ao mesmo tempo.
- Mas que porra – fui gritando em direção à porta. – Isso aqui virou a casa da mãe Joana agora?
Abri a porta e congelei. estava parada ali, segurando uma bolsa e alguns livros, e seus óculos escuros na cabeça.
Fiquei a encarando por algum tempo, e ela também.
- Entra aí – foi o que eu consegui falar depois de um tempo.
Fechei a porta assim que ela entrou e percebi que ela ficou observando falando no celular e Mandy sentada como sempre.
- Tudo bem? – perguntei, ainda meio nervoso.
- O que ela tá fazendo aqui? – Mandy se pronunciou pela primeira vez.
- , tenho que ir – finalmente desligou o celular. – A gente se vê na escola, ainda tenho que conversar contigo...
Dei um tchau seco para e deixei que ele saísse sozinho, já que, mais do que ninguém ali, ele sabia o caminho da rua.
- Você ainda está com meu livro do professor emprestado, ? – perguntou, ignorando a minha pergunta e a de Mandy também.
O livro dela estava no meu quarto, ela havia esquecido ali há uma semana mais ou menos e eu não tinha tido coragem de devolver, ainda.
- Posso procurar, não tenho certeza... – dei de ombros. – Esperem um segundo aí.
assentiu com a cabeça e se sentou no sofá, mas na ponta contrária a de Mandy.
Entrei no escritório do meu pai, que ficava ao lado da sala, deixei a porta entreaberta e as luzes apagadas. Sabia muito bem que o livro estava no meu quarto, mas queria ver se elas iam conversar sobre alguma coisa, então fiquei observando.
Nenhuma das duas disse nada por um tempo, apenas trocaram sorrisinhos.
- Você é do segundo ano, não é? – perguntou, por fim.
Mandy assentiu com a cabeça.
- Acho que vou ser sua professora de Inglês, então...
Mais um tempo de silêncio e eu já estava quase saindo da sala, achando que elas não falariam mais nada, até que novamente se pronunciou.
- Não sabia que você conhecia o , e os amigos deles...
- É, na verdade eu não sou super íntima de nenhum dos dois, mas o me chamou pra vir aqui hoje, passar o tempo, sabe como é...
- É, sei... Imaginei mesmo que vocês não se conhecessem, o costuma me contar tudo, e nunca tinha ouvido falar de você... Como é seu nome mesmo?
Opa, impressão minha ou o negócio estava começando a esquentar ali?
- Me chamo Mandy – ela sorriu forçadamente. – E aposto que o vai te falar bastante sobre mim a partir de hoje.
- É o que todas dizem... – disse quase que num sussurro, olhando para o lado.
Como ela era dissimulada! E como eu amava isso!
- Com licença? – Mandy arqueou a sobrancelha, a encarando.
- Ah, nada não, queridinha... Eu só disse que todas as que vêm aqui dizem a mesma coisa.
- Ah sim, como se você fosse saber disso, né... O não é de ficar pegando todas, ele era, mas mudou...
- Achei que você tivesse acabado de conhecê-lo...
Mandy ficou quieta. Eu já estava quase saindo do escritório de novo, antes que as duas começassem a se estapear.
- Mandy, como sua professora e companheira feminina mais madura, eu vou te dar um conselho...
- Se conselho fosse bom, a gente vendia, e não dava.
rolou os olhos. Ela devia estar de saco cheio da infantilidade dessa gente, assim como eu fiquei depois da convivência com ela.
- Desiste do , ele tá te usando – disse calmamente.
- Assim como você o usou?
- Acorda, garota! Ele sabe a verdade...
- E daí?
- E daí que ele te odeia. – MacKenzie deu de ombros e falou essa frase como se dissesse ‘ele odeia bananas!’.
- Já passou pela sua cabeça que eu posso fazer o que fiz de novo?
- Já passou pela sua cabeça que eu posso te deixar com um zero? – revidou a pergunta com o mesmo tom de voz usado por Mandy, ironizando. – E já passou pela sua cabeça que o tem uma influência e tanto naquele colégio pra falar o que bem entender de você?
Eu não entendi muito bem aonde a conversa das duas estava chegando. Elas sabiam segredinhos sobre as outras desde quando?
Mandy bufou e as duas ficaram em silêncio. estava analisando suas unhas e Mandy mexia freneticamente seus pés, bufando de cinco em cinco segundos.
- Eu estou indo. – Por fim, Mandy se levantou e foi caminhando até a porta. – Se o voltar, diga a ele que nos falamos na escola amanhã.
confirmou com a cabeça e acenou com a mão, sorrindo cinicamente, de propósito, obviamente.
Capítulo 21
Assim que a porta da sala se fechou, eu saí do escritório rindo escandalosamente. se assustou e olhou pra mim imediatamente.
- Que demora foi essa, ? Não sabe que eu tenho horário e preciso desse maldito livro?
- , que cena de ciúmes foi essa que eu acabei de presenciar?
- Que cena de ciúme? – ela se fez de desentendida, arqueando a sobrancelha.
- Não adianta disfarçar, eu estava no escritório e vi a discussão toda!
- E você acha que eu não sabia que você estaria espiando? – ela sorriu com um ar de superioridade. – , por favor! Eu falei aquelas coisas com o objetivo de te fazer acordar pra vadia com quem você estava saindo.
- Ah sim, nem foi uma crise de ciúmes, né? Sei...
rolou os olhos novamente e se levantou.
- Olha, se você não entendeu as indiretas que eu te dei através da conversa com a Mandy, eu sinto muito, sim?
- Que indiretas, MacKenzie? Você só esculachou a garota, foi isso que eu vi.
ficou me encarando e balançando a cabeça negativamente.
- Eu tinha me esquecido que você é lerdo demais pra pegar as coisas.
Quando passou por mim para ir embora, eu a segurei pelo braço e a puxei para perto de mim.
- Não foi só isso que você esqueceu, né? – sussurrei em seu ouvido.
Depois da cena de ciúmes, eu tinha certeza de que ela também não tinha me esquecido ainda, como eu imaginava.
Rapidamente ela se soltou e se sentou no sofá novamente.
- Ótimo, que você fique sabendo que essa é a sua última chance, ok?
Concordei com a cabeça e me sentei ao lado dela, rindo. Sim, rindo porque estava me divertindo ao perceber a saudade dela, o ciúme e o nervosismo por estar perto de mim.
- Você sabe quem nos dedurou pra Diretora?
- Claro que sei, foi o idiota do ! – Ao falar nesse assunto novamente, a raiva voltou a me invadir.
- É aí que você se engana, camarada... Isso é o que elas querem que você pense, pra te distanciar dos seus amigos também.
- Elas quem, MacKenzie? – perguntei com um certo descaso. Na verdade, eu achava que ela estava viajando. Tinha certeza que o dedo-duro havia sido !
- Lizzie, Mandy e sei lá quantas mais delas existem pelo mundo!
- O que a Lizzie e a Mandy têm a ver com a história, ? Isso é outra crise de ciúmes?
não disse nada, apenas se levantou com aquele olhar furioso, mas novamente eu a paguei pelo braço e a coloquei de volta ao sofá.
- Ok, termina de me explicar, prometo não fazer mais comentários.
- Enfim, acontece que quem contou tudo foi a Mandy! – Abri a boca para falar que aquilo era um absurdo, mas continuou. – Você mais do que ninguém sabe que garotas adoram fazer complôs e fofocar sobre tudo, certo? – Assenti com a cabeça. – E se você raciocinar um pouco, vai perceber que Lizzie, Kimberly e Mandy são amigas desde sei lá quando!
Agora a coisa começava a fazer sentido na minha cabeça.
- Você tá querendo dizer que a Kimberly contou pra Lizzie que tinha nos visto juntos, e a Lizzie com raiva nos dedurou pra se vingar de mim?
- Exatamente. – estampou um sorrisinho vitorioso no rosto.
- E a Mandy entra onde na história toda?
- A Mandy foi usada para delatar nosso ‘caso’, já que ninguém suspeitaria dela.
- Hum... E como você chegou a essa conclusão sozinha, Sherlock?
- A Cyrus me contou, porra.
Não me contive e tive que rir disso! Só a mesmo pra dizer uma coisa dessas, cara...
Naquele momento, eu não estava com raiva de Lizzie e companhia, e também não estava com remorso por ter brigado com . Eu só queria poder beijá-la e abraçá-la! Ela era maravilhosa e eu nunca encontraria ninguém pra amar assim... Perfeitamente errado.
- Never felt so good to be so wrong... – Me contentei em cantarolar o pedaço da música que não saía da minha cabeça há tempos...
- Bem - se levantou –, agora que você já sabe a verdade e pode pedir desculpas ao pras coisas voltarem a ser como antes, acho que já posso ir...
- Fica, por favor! – pedi olhando em seus olhos. – Eu queria conversar mais com você... Eu sinto saudades, sabia? Você não pode simplesmente sair andando assim pra fora da minha vida tão de repente!
- - sua voz agora saía cansada, como se ela desejasse mais do que tudo não estar tendo essa conversa –, eu entrei na sua vida de repente demais, e acabamos nos precipitando, fazendo tudo errado! Eu me sinto culpada por isso, sabia? Eu mudei seu ritmo de vida completamente, e não posso deixar isso assim!
- Claro que pode. Eu também mudei o seu ritmo e não estou me sentindo culpado! Nós podemos juntos dar um jeito com a Diretora...
- Não vamos entrar nesse assunto de novo, está bem? Não é só por causa dela que nós terminamos... Vai ser melhor assim, você vai ver, com o tempo...
- Eu não acho que vá ser melhor assim! – Me levantei juntamente com meu tom de voz. – E tenho certeza que você também não acha!
- A vida não é fácil como você pensa, ! As pessoas não são como você acha ou quer que elas sejam, conviva com isso.
- Então diz olhando nos meus olhos que você não me ama - supliquei sentindo-me extremamente idiota. Mas uma parte de mim acreditou que ela fosse agir como qualquer outra menininha enquanto ela me encarava diretamente.
Mas me enganei seriamente.
- Não vamos voltar ao pré-escolar, está bem, ? - ela respondeu secamente, desviando o olhar do meu rosto. - Achei que você tivesse passado dessa fase.
E assim ela saiu pela porta da minha casa, me deixando confuso e magoado mais uma vez.
Capítulo 22
Obviamente a primeira coisa que eu fiz quando cheguei à escola quarta-feira foi ir falar com , afinal, ele merecia um pedido de desculpas, certo?
Assim que o encontrei, sentei de frente para ele na mesa que ele estava sentado, comendo um sanduíche natural e lendo uma revista. Ele tirou os olhos lentamente da revista e ficou me encarando.
- Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou depois de uns segundos me encarando.
- É, na verdade muitas coisas vêm acontecendo na minha vida...
- Tenho certeza de que você deixou tudo ir acumulando até não suportar mais e o peso desabar, como sempre...
Eu pensei um pouco no que falar, tinha que medir minhas palavras, afinal, agora tinha motivos pra ficar com raiva de mim.
- Sabe, é por isso que eu sempre fui seu amigo... – Respirei fundo. – Você, e são os únicos que me conhecem de verdade, os únicos que me entendem e isso chega a ser até ridiculamente irritante!
deu uma risadinha.
- Eu me sinto um patético previsível quando eu falo com vocês, porque vocês simplesmente sabem o que eu fiz, ou o que eu vou fazer, sempre!
- A convivência é um saco, cara... Encare essa! – deu de ombros.
- É... – fiquei um pouco sem graça agora, eu nunca fui fã de pedir desculpas - Mas eu queria me desculpar com você, ... Não devia ter te culpado por contar a Cyrus sobre a MacKenzie, mas é que eu tava com a cabeça quente e todos os indícios apontavam pra você e então... – Eu já estava começando a me embolar com as palavras, então resolvi acabar logo com aquilo: - Ah cara, só me desculpa logo porque eu sinto falta dos meus amigos!
- Tava demorando, hein, ? – sorriu e me puxou pra um abraço desajeitado, considerando o fato que ele estava do outro lado da mesa, se esticando todo pra ficar com os braços em volta do meu pescoço.
Como nada é perfeito, assim que eu estava finalmente conseguindo me desvencilhar dos braços desastrosos de , e chegaram berrando coisas como ‘ó, que gracinha’ e foram logo pulando em cima da gente também, dando origem a uma cena completamente estranha pra quem estava passando.
Eu não consegui resistir e tive um ataque de risos, pois estava realmente sentindo falta daqueles babacas e não me importava pra quantos olhares nós estávamos atraindo pra mesa.
Quando finalmente a confusão toda passou, pude perceber que estava nos observando pela janela da sala do segundo ano.
Obviamente, assim que eu botei meus olhos nela, ela olhou para os lados, fingindo estar procurando alguém e depois saiu da janela.
Eu fiquei bem contente de saber que ela tinha me visto me dando bem com meus amigos de novo e sorrindo pela primeira vez desde que ela me deixara... Assim ela ficaria achando que eu estou começando a ficar bem sem ela por perto, como ela teima em fazer com que eu ache o mesmo.
Depois da aula, eu e os caras rumamos para minha casa, como de costume antes de certos acontecimentos que eu resolvi não nomear para o meu bem.
- Bem, e agora? – falei assim que me joguei no sofá de qualquer jeito.
Os três me observavam em pé.
- Como assim, ? – foi logo tirando os tênis.
- Tipo, o que faremos agora?
- , por acaso você esqueceu como se diverte? – me olhou com uma cara estranha.
- Não, é que tipo... – Me enrolei um pouco. Mas é claro que eu não tinha esquecido como se diverte, afinal, tudo que eu fiz com a MacKenzie nesse tempo foi me divertir, certo? – Ah, sei lá!
- Tudo bem, o que você ficava fazendo esse tempo todo com a ?
- Coisas de casal, oras... Não um casal normal, mas não deixavam de ser coisas de casal... – respondi um pouco inseguro, porque, na verdade, nós nem chegamos a ser um casal...
- Sério? – pareceu interessado. – E como ela é? Divertida, brincalhona ou séria e resmungona?
- Hum... – eu ia responder e me interromperam.
- É mais sexy atrevida ou tímida menininha?
- Companheira ou reclamona? – Foi a vez de .
- Gente, qual foi?! – Me irritei com eles. – Vocês vieram aqui pra gente se divertir ou pra ficar sabendo como a MacKenzie é?
- Um pouco dos dois, na verdade...
Taquei uma almofada em .
- Se vocês querem saber sobre a personalidade dela, vieram perguntar à pessoa errada, porque eu estou tentando esquecê-la, portanto não vou falar mais sobre ela, certo?
- Tá, tá, não tá mais aqui quem perguntou! – estendeu as mãos pro alto. – Tudo bem, então, quem tá pronto pra se divertir hoje?
Nós três levantamos as mãos em concordância.
- Ótimo, então prestem atenção porque eu não vou repetir. – Todos olhamos atentamente para . – , vá procurar alguma bebida alcoólica pra gente. – Ele ia falando e apontando para nós. – , quero que você ache um violão pela casa. E, , vá pro seu quarto deixar o ambiente ‘habitável’ pra gente subir.
Todos nós concordamos com a cabeça e nos levantamos para botar o ‘plano’ em ação.
- Eu vou escolher uns jogos de videogame e vocês me encontrem lá em cima no quarto do daqui a pouco. RÁPIDO, RÁPIDO!
Algumas horas depois, eu já estava entupido de pizza e cerveja, não agüentava mais ouvir as tentativas do de fazer uma música nova no violão e meus dedos estavam doendo de tanto jogar videogame!
Mas, em compensação, eu tinha me esquecido de como era divertido ficar fazendo nada com pessoas do mesmo sexo.
Não que isso fosse melhor do que fazer nada com a , não fique me achando com cara de gay, sim? É só que... Com ela não era a mesma coisa.
E a minha mente continuava me traindo, remetendo todos os meus pensamentos a ela.
- , fala uma frase que vier na tua cabeça – me pediu na expectativa. Ele ainda estava segurando o violão.
- O é um idiota que não sabe escrever.
- Sério, , larga de palhaçada e me fala uma frase, alguma coisa que esteja na sua cabeça há tempo!
- Her voice is echoed in my mind... I count the days till she is mine.
(A voz dela está ecoando em minha mente, eu conto os dias para ela ser minha)
- Ooopa, impressão minha ou alguma música com dor de cotovelo tá chegando por aqui?
- Can’t tell my friends ‘cause they will laugh, I love a member of the staff! – Continuei falando as palavras, sem ritmo, sem nada... Só fui falando o que eu vinha passando e o que não saía da minha cabeça, sem me importar também com a zoação de meus amigos.
(Não posso contar a meus amigos porque eles ririam, eu amo um membro da equipe de professores)
- That’s what I go to school for...
(É por isso que eu vou à escola...)
- Sério, , isso dá mesmo uma música séria, pra gente voltar à ativa como antes! – se sentou perto de mim e começou a anotar algumas coisas.
- Gente, pode parando com isso. – Tirei a caneta da mão de . – Eu não quero que a minha história com a MacKenzie vire pública, ok? Isso é passado, uma coisa sem noção que aconteceu comigo e tá bem guardada na memória, de onde nunca vai sair, certo?
- Qual foi, ! Não enche o saco e senta aí, a música pode ficar só entre a gente... – pegou a caneta de volta da minha mão e devolveu a . – Vamos lá, that’s what I go to school for, even though it is a real bore...
Bem, eu acabei me deixando levar pela onda e escrevemos um pedaço de música, depois de bastante sacrifício.
Her voice is echoed in my mind
I count the days till she is mine
Can’t tell my friends cos they will laugh
I love a member of the staff
That’s what I go to school for
Even though it is a real bore
You can call me crazy
I know that she craves me
That’s what I go to school for
Even though it is a real bore
Girlfriends I’ve had plenty
None like Miss Mackenzie
That’s what I go to school for
That’s what I go to school for
- Dude, essa música ficou muito escrota, não gostei... – falei enquanto encarava aquele pedaço de papel todo rabiscado. – Não mostra exatamente como a é, entende?
- Como assim? – me encarou. Só estávamos eu e ele sentados no chão do meu quarto. e já tinham ido embora, pois tinham compromissos no dia seguinte. – Você quer colocar na música as safadezas da MacKenzie, como você tentou me contar uma vez?
- É, sei lá... Podia deixar de ser séria assim a música, porque a pode aparentar seriedade, mas no fundo ela não passa de uma menina crescida com oscilações de humor...
- Ótimo, se você quer vamos dar um tom brinchalhão a música, você sabe que eu adoro essas coisas! – bateu e esfregou as mãos, olhando diabolicamente para mim.
I fight my way to front of class
To get the best view of her ass
I drop a pencil on the floor
She bends down and shows me more
Mais esse pedaço de música foi escrito e então eu e fomos dormir. Tudo que eu conseguia pensar era na cara da se um dia ela visse ou ouvisse essa música, quando ficasse pronta... Acho que ela iria querer me bater, mas isso não importava muito no momento.
Olha, estou começando a achar que eu consigo sim viver sem a MacKenzie.
Capítulo 23
- Okay, será que, afinal de contas, alguém poderia me contar o que aconteceu naquele fatídico dia? – Juliet, uma amiga antiga de , perguntou pela milésima vez.
- Eu tô tentando te contar há um século, mas a mala da MacKenzie não deixa! – gritei, um pouco alterado pela quantidade de bebida ingerida.
- Claro que eu não deixo, você não sabe contar! – retribuiu, gritando do mesmo jeito. – Você não se lembra nem do que jantou ontem, como quer saber detalhes daquele dia?
- Eu sei, porque foi um dos dias mais importantes da minha vida!
- Owwn, isso foi romântico, ! – Juliet colocou as mãos no peito, sonhadora. – Deixa ele contar depois dessa, vai!
- Começa logo isso, . – MacKenzie bufou. – Mas eu vou te impedir se você esquecer de alguma coisa.
- Bem, Juliet, você já sabe que foi o dia da minha formatura, certo? – Juliet assentiu com a cabeça. – Então, eu estava bem tenso aquele dia, já que a não falava comigo havia meses, e o McFLY ia se apresentar com uma música não muito agradável, só pra sacanear mesmo.
- Pra ME sacanear, que fique bem claro – interrompeu.
- Ah, só porque você tava me ignorando, ué. – Dei de ombros. – Você esperava que eu fizesse o quê? Escrevesse uma música romântica?
- Ai merda, qual era a música no fim das contas? – Juliet perguntou, impaciente.
- That’s What I go to school for – respondemos juntos.
- Aaah, essa música é bem melosinha também, pô! Não é só sacanagem... Mas, vem cá, é inspirada na ? – Juliet não pôde controlar uma risadinha.
- É, na verdade foi... – Comecei a rir.
Ainda me lembrava muito bem do dia em que escrevemos essa música, apesar de já ter uns três anos.
- Ah, você não sabe contar nada, ! – me deu um tapa no braço. – A questão é que eu não podia ficar com você, e você sabia disso! Mas, como eu ia dizendo, eu também estava bem nervosa aquele dia, já que o iria embora da escola e eu não poderia ficar observando ele pelos cantos da escola...
- VOCÊ FICAVA ME VIGIANDO?
- Ah, nem vem que eu sei que você fazia o mesmo, ! Enfim, eu estava mais nervosa ainda porque fiquei sabendo que vocês iam tocar, e sabia que alguma coisa misteriosa tava rolando...
- E aí? Vocês tocaram ou não no fim das contas? – Juliet perguntou, apreensiva.
- Faaala, cambada de desocupados! - uma voz estridente ecoou pela área de lazer em que nos encontrávamos. Era . - Cheguei, e, para alegria geral na nação, trouxe a carne!
- Aleluia, né? - reclamou . - Já estou ficando verde de fome aqui!
A situação era que eu, e Juliet estávamos sentadas na churrasqueira do condomínio de há quase uma hora esperando o dono da casa, que tinha nos convidado para um churrasco e simplesmente esquecido de comprar a carne.
Tinha que ser o .
- Vocês vão continuar contando ou o quê? - Juliet estava impaciente. Ela chegara de viagem no dia anterior e estava hospedada lá em casa. É, minha casa e da . E não, nós não somos casados.
- É, como eu ia dizendo... - continuei - nós tocamos a música depois da formatura. E todo mundo ficou tipo - fiz uma expressão espantada e MacKenzie ficou rindo da minha cara.
- , as pessoas não estavam nem aí pra vocês tocando, elas tinham acabado de se formar, cara! - ela disse em meio a risadas.
- Ah, mas você ficou assim quando viu o que a gente tava tocando, nem vem que não tem!
- Quando a gente tocou o quê? That's What I go to School For ontem no show com o Busted? - se meteu na conversa enquanto enfiava a carne na geladeira.
- Não, quando a gente tocou na formatura, ô lerdo!
- Ah cara, vocês tão contando essa história de novo? - me olhou entediado.
- Não enche, - MacKenzie ralhou. - Continua, .
- Enfim, a ficou me encarando com um olhar mortal durante a apresentação inteira, e a Cyrus também.
- Caraca, quando vocês vão esquecer que essa Cyrus existiu? - entrou no recinto, carregando um engradado de cerveja. - Ô praga de Diretora que foi aquela, hein?
Juliet bufou e eu também.
- , você está interrompendo o casalzinho a contar a historinha deles pela milésima vez! - zoou e eu mandei um dedo pra ele.
riu e foi até para guardar o que parecia ser o terceiro engradado que chegava ali hoje.
- Eu estava te olhando daquele jeito, mas na verdade queria era morrer de rir - admitiu.
- Não queria nada, você queria era me matar mesmo... Ou então me beijar, tanto faz. - Sorri maroto para minha namorada.
- Eu tô ficando confusaaa! - Juliet berrou, colocando as mãos na cabeça. - Se ela queria te matar, como vocês ficaram juntos depois disso?
- Quem vai querer uma cervejinha aí? - apareceu do meu lado de repente, com uma garrafa enfiada na minha cara.
- Pode completar aí. - Ergui meu copo e fez o mesmo.
- Estamos chegando à parte mais interessante, Juliet... - falou levantando um suspense no ar.
- É, quando acabamos de tocar a música, eu peguei o microfone e chamei a atenção de todo mundo - continuei a história por .
- Exatamente, porque antes o povo não estava nem aí pra nós - entrou no meio, se sentando. - Eu duvido muito que eles fariam o mesmo se soubessem que nós viraríamos famosos como somos hoje em dia.
Rolei os olhos e tentei continuar:
- E aí eu me declarei pra .
- Simples assim? - perguntou Juliet.
- Ah, não foi simples assim não, ok? Eu devia estar suando que nem um porco.
- Mas pelo menos não gaguejou - MacKenzie falou, me olhando com um olhar orgulhoso. - Eu me lembro como você desandou a falar de como nos conhecemos e tudo mais...
- É, o povo ficou bem estático nessa hora... - chegou perto da mesa para encher seu copo e aproveitou pra comentar. – Também, né, foi a revelação do ano!
- E depois eu desci correndo do palco, não sabia se ia chegar mais perto de você ou se saía correndo - admiti para .
Foi um momento bem difícil aquele. Mas cada palavra valeu a pena.
- Ah, fala sério! Não acredito que você ficou com medo depois da declaração! - riu da minha cara.
- Gente, acalmem-se! - Escutamos mais uma voz se aproximando. - O membro mais gostoso do McFLY acaba de chegar ao recinto. Por favor, sem escândalos!
, o idiota, entrou também carregando mais um engradado.
- Caraca, quantas pessoas vocês pensam em chamar hoje? - perguntou , assustada, olhando para o engradado de .
- Acho que só nós mesmo, ... - também encarou o mesmo. - Por quê? Acha que precisava ter trazido mais um?
Juliet soltou uma gargalhada.
- Não ligue pra eles, amiga - desculpou-se . - Como íamos dizendo, ficou completamente perdido, e, como eu percebi...
- Mentira – falei fingindo que estava me engasgando, para que ela não percebesse.
me lançou um olhar mortal, mas ignorou.
- Logo dei um sorriso e abri os braços, pra que ele percebesse que podia vir até mim.
- Ahh, tão falando da formatura de novo? - Os olhinhos de brilharam enquanto ele se sentava conosco. - Eu adoro essa história.
Todos encaramos e preferimos não contrariar a criança.
- E então eles se beijaram, foi uma cena emocionante e blábláblá - terminou entediado. - Podemos conversar sobre alguma coisa interessante agora?
- É, dude... Vocês viram a loira que eu peguei ontem depois do show? - perguntou , animando-se.
E então os três idiotas começaram a discutir sobre o show, a after party e as garotas de lá, enquanto Juliet se ocupava em beber e apenas observar meus amigos estranhos.
Eu olhei para carinhosamente, e pousei minhas mãos sobre a perna dela, fazendo com que ela sorrisse para mim.
- Acho melhor pararmos de contar essa história, já tá ficando clichê demais! - ela falou.
- Eu não acho... Gosto dessa história. - Dei de ombros.
- Eu também gosto, mas o pessoal tá cansando... - Ela riu.
- E daí? Eu preciso continuar treinando pra contar essa história pra nossos filhos, ué!
- É, é justo. - figiu pensar por um momento.
Eu fiquei meio pasmo. Eu sempre comentei sobre 'nossos supostos futuros filhos' e MacKenzie sempre revirava os olhos, falava que eu era precipitado, ou qualquer coisa do gênero.
Mas, pela primeira vez, ela não reclamou, de certa forma ainda concordou com isso!
- O que acha da gente ir providenciar isso agora, hein? - Sorri olhando maliciosamente para ela.
- Providenciar o quê? Um livro de memórias pra contarmos aos pirralhos depois? - Ela se fez de desentendida, apertando minha mão que ainda estava em sua perna.
- É, você pode chamar assim, se quiser. - Pisquei para ela.
Nós nos levantamos e foi andando na minha frente.
- Gente, nós vamos sair – avisei, chamando a atenção de todos - não esperem por nós, tudo bem?
Meu sorriso devia estar realmente muito sugestivo, porque assim que comecei a seguir Mackenzie, que já estava quase no portão, pude ouvir alguns comentários.
- Aonde eles vão? - Juliet perguntou.
- Sei lá, são malucos - respondeu sem muito entusiasmo. - Da última vez que foram dar uma voltinha voltaram seis meses depois. Minha irmã demorou bastante tempo pra se recuperar do trauma.
- SEIS MESES?
- É, pô! Eles não te contaram que quando a palhaçada da declaração acabou eles foram fazer uma viagenzinha do nada pra sabe se lá onde? - Não sei quem foi que falou isso.
Juliet deve ter negado com a cabeça, porque alguém completou:
- É, normalmente eles omitem esse detalhe final.
Ri comigo mesmo e vi que também estava rindo da conversa deles.
- Vamos deixá-los preocupados de novo? - perguntei assim que peguei a mão dela e fui arrastando-a até meu carro.
- Com certeza!
- Pra onde, então? Alguma região de praia ou vamos pra um hotel fazenda escondido dessa vez?
- Hmm... - pensou um pouco - surpreenda-me!
É, e eu não sei mais como seria minha vida sem Miss MacKenzie, futura .
The End.
NA: SURTEI. SURTEI. SURTEI.
Não acrediiiito que estou dizendo adeus à MacKenzie! o.O UHSDUHSD É, eu acho que gosto mais da MacKenzie do que do meu Harry nessa fic... huhahuuhahu Descuuulpe, Judd!
Enfim, eu estou surpresa por ter acabado essa fic, pq lembro que comecei a escrever só pq gostava da música... Eu tinha em mente que ela seria uma professora e só. SÓ! E daí saiu isso tudo aí que vocês leram ;)
Agradecimentos... Bem, primeiro lugar a toooodas as pessoas foofas que acompanharam essa fic e que sempre me animaram com seus comentários do tipo você é um homem? HUSDUHSD esses me incentivaram mto como autora, juro! xD
Paula e Cássia não podem faltar em nenhuum agradecimento, simplesmente pq eu devo minhas fics a vocês, meninas! Sempre me ajudando em momentos de bloqueio e tudo mais, brigada demaais, amo vocês!
Deeeh, minha beta mais foofa, obrigada por betar 'that's blablabla' (piadinhas internas) com tanta eficiência, assim como você faz com todas as minhas fics, sim? ;)
E é isso aí, gurias... Eu fico por aqui, mas podemos manter contato, sim? Me adicionem no orkut, se quiserem... Ou então leiam minhas outras fics.
BEIJOOOOOS!
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He is Back. And to stay (?) - Luíza e Paula
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