The Sound of the Heart...



Capítulo 1

Sabe qual é a melhor coisa do mundo? O sinônimo da diversão, zoação, mulher e bebida? As férias!
É o tempo que você sai e não tem hora pra voltar, certo?
Certo!
É o tempo que você tem mais festas, certo?
Certo!
É o tempo que as boates mais fodonas abrem, certo?
Certo!
É o tempo que as minas dão sopa, certo?
Certo!
O tempo de zoar muito, certo?
Certo!
É. Cara... Eu amo as férias. Alguma dúvida? Não!

Mas sabe qual é a pior coisa de morar com a mãe? É que elas inventam de acordar a gente bem cedo. Praticamente de madrugada.
! Levante dessa cama agora. Já são cinco da tarde!
Que ódio! Cinco da tarde? Cedo! Demais.
– Que é, velha? – O bom filho .
– Me respeite! É o . Ele tá no telefone. Quer falar com você!
. Sempre ele! Ô cara pra me amar! Até parece que temos um caso. Ecaaa... Lembrem-me de nunca mais falar isso. Foi nojento.
– Fala, dude! – eu, o bom amigo, falei ao telefone morto de alegre. É. Isso foi uma ironia!
– Hey, ! Tava dormindo, môr? – Palhaço!
– Vai te lascar, . – Eu sou muito educado.
– Okay. Não ouvi isso! Esqueceu que hoje tem ensaio da banda, man? A galera já tá toda aqui!
– Ah... – Merda! Esqueci totalmente! – Chego aí em dez minutos!
– Onde você pensa que vai, ? – Minha mãe. A pessoa mais compreensiva do mundo.
– Vou pra casa do , mãe. Tem ensaio! – Caralho, mãe! Eu sou maior de idade!
– Pois bem... Pensei que fosse pra alguma festa.
Eu virei os olhos.
– Sabe que horas você chegou ontem?
– Sei não, mãe! E nem quero saber!
Corri no meu quarto e peguei a primeira calça jeans que vi, escovei os dentes, molhei o rosto e baguncei o cabelo. Peguei uma blusa que estava em cima da cama e corri para o estacionamento. É, eu moro em condomínio. E de apartamento. Pode? Odeio condomínios. Meu Deus. É muito chato. Ter que descer e subir escadas todo santo dia. Pelo menos eu não preciso fazer academia. Eu moro em um condomínio de cinco andares. E adivinha qual é o andar que eu moro? É claro! tem que se lascar. Moro no último andar. Minha mãe é muito mão de vaca. Só ficou com o último por que o preço era menor. Cara... Eu falo muita merda!
Beleza... Liguei o carro e saí apressado para a casa do . Liguei o rádio. Estava tocando uma música do Lifehouse. Everything. Como eu curto, deixei tocando.

~

– Enfim o Sr. chega! – , o palhaço, falou, vendo-me entrar na enorme casa do .
– Vai se lascar, ! – Eu já disse que sou educado?
– Oi, minha nega! – , o retardado, chegou me abraçando.
– Pára, cara, tu me assusta!
– E aí? Vamos ou não vamos tocar? – falou. É. Ele se acha O cara.
– Falou aí o responsável! – tem que fazer a piadinha do dia. Sem graça que nem ele!
dá o dedo do meio.
– Hey, gente! Vamos logo! – eu disse impaciente.
– Que foi, ? Tá todo impacientizinho! Tá apressado? – , o desgraçado, falou.
– Vai te ferrar, man!
Cada um foi para os seus respectivos instrumentos. (Mentes poluídas xD~) Começamos a tocar.
, eu quero meu CD do “The Calling”!
A insuportável da Mandy (irmã do ) chega à sala (leia-se: INSUPORTÁVEL!), atrapalhando o ensaio. Desgraçada!
Ela estava acompanhada de outra garota que eu percebi logo que não era patricinha.
– Tá em cima da minha mesa do computador.
Elas subiram as escadas.
– Quem é a mina, man? – , o tarado, perguntou.
– Quem? A Mandy? – Não, man. Lembrem-me de matar o . Cara... Às vezes, eu fico em dúvida de quem é mais lesado, se é o ou o .
– Não! A amiguinha dela!
– Ah... A .
– Eita, hein? Já é ? Estão tão íntimos assim, é? – Eu sou mala, mermão. Adoro zoar com a cara do . Não me perguntem por quê! Mas é bom!
– Ha, ha, ha... Tô morrendo de rir, ! Ela é a nova vizinha daqui da frente. Fez amizade com a Mandy. É . Foi porque ela jantou aqui semana passa aí a gente conversou um pouco.
– Uh... Show de vizinha! – falou rindo.
Eu apenas virei os olhos. Até me perguntei por quê. Sei lá. Eu, eu mesmo, faria essa piadinha. Mas sei lá, não deu vontade, sabe?
– Beleza. Agora a conversinha das menininhas pode ficar pra depois? E vamos ensaiar. – Eu disse que o se acha o responsável.
– Falou aí o responsável!
, você tá enchendo hoje, sabia? – falou com raiva.
– Ei, galera... Na paz! Nada de briga por aqui! – falou e eu fiquei com curiosidade.
– O que foi que aconteceu com o ? – eu perguntei baixinho para .
– Ele brigou com a .
– Ah...
– “Vamo”, cambada! Cinco, quatro, três, dois, um...

Boys, we've been here for a while
(Garotos, nós estamos aqui há um tempo)
But we've finally got the style
(Mas finalmente pegamos o jeito)
Strike your pose and fake a smile
(Faça sua pose e finja um sorriso)
Give me Kenny, give me Kyle
(Me dê um Kenny, me dê um Kyle)
I hate to break it but it's true
(Eu odeio acabar com isso, mas é verdade)
Fifteen minutes we'll be through
(Quinze minutos passarão)
And I won't have to talk to you, you, you, you
(E eu não terei que falar com você, você, você, você)

Eu sentia a boa vibração da música. Olhei para a escada e vi uma moça parecendo prestar muita atenção em nós.

Now you know the words, you fool
(Agora você sabe as palavras, seu bobo)
Sing along to your own tune
(Cante junto a sua própria melodia)
Wrote to prove you are a tool
(Escrevi pra provar que você é uma ferramenta)
Tell your friends you joined a boyband, boyband
(Diga aos seus amigos que você entrou numa boyband)

Percebi que a garota curtia a melodia e sorria. Ela cantava o refrão. Eu vi. Timidamente, mas cantava.

Good Charlotte said they like McFly
(Good Charlotte disse que gosta de McFly)
Is half their fanbase gonna cry?
(Metade dos seus fãs vão chorar?)
It's so pathetic, dry your eyes
(Tão patético, seque seus olhos)
When you gonna realise, a tune's a tune?
(Quando você vai perceber que uma melodia é uma melodia?)
I don't know why, the metalheads want us to die
(Eu não sei por que, os metaleiros nos querem mortos)
But these days they're all under nine
(Mas por esses dias eles estão todos abaixo de nove)
So I'll be fine
(Então eu ficarei bem)

Eu olhei bem para ela. Ela parecia perder a vergonha e descer as escadas.

Now you know the words, you fool
(Agora você sabe as palavras, seu bobo)
Sing along to your own tune
(Cante junto a sua própria melodia)
Wrote to prove you are a tool
(Escrevi pra provar que você é uma ferramenta)
Tell your mom you joined a boyband, boyband
(Diga a sua mãe que você entrou numa boyband)

A garota curtia a música. Isso era muito bom. Provava que ela tinha um bom gosto. Até na roupa cara. Usava uma sainha preta com listras brancas verticais, uma blusona com o símbolo dos Rolling Stones com um dos ombros a mostra e um All Star preto. Interessante... , ... Pára de pensar besteira!

I get calls from girls who saw me on the TV
(Eu recebo ligações de garotas que me viram na TV)
Behind my back they're saying nasty things about me
(Pelas minhas costas elas dizem coisas horríveis sobre mim)
'There's the kid who blew it all
('Tem esse garoto que estragou tudo)
I sat next to him in school
(Eu sentava perto dele na escola)
Everyone thought he was cool
(Todo mundo achava que ele era legal)
Till he quit his job and joined a boyband'
(Até ele se demitir do emprego e entrar numa boyband')

Eu quase gritava nessa parte. A garota ria da minha cara. É, eu sou palhaço... quando quero. É claro!

Now you know the words, you fool
(Agora você sabe as palavras, seu bobo)
Sing along to your own tune
(Cante junto a sua própria melodia)
Wrote to prove you are a tool
(Escrevi pra provar que você é uma ferramenta)
Tell the kids you joined a boyband, boyband
(Diga aos garotos que você entrou numa boyband, boyband)

– Canta, ! – falou sorrindo.
É, eu não disse que esse povo gosta de rir!
– Eu?
– É! – todos falamos juntos.

Join a boyband, join a boyband
(Se junte a uma boyband, se junte a uma boyband)
Screw your life up, join a boyband
(Estrague sua vida, se junte a uma boyband)
Kids will hate you, out to get you
(Os garotos vão te odiar, vão querer te matar)
Ever since you joined a boyband
(Desde que você se juntou a uma boyband)
It's really scary (boyband), palms are sweaty
(É realmente assustador, palmas são suadas)
Potato guns are armed and ready
(Armas de batata, armadas e prontas)
Screwed your life up (boyband), just like Eddie
(Estragou sua vida, assim como Eddie)
Ever since you joined a boyband
(Desde que você se juntou a uma boyband)
Joined the boyband, joined the boyband
(Se juntou a uma boyband, se juntou a uma boyband)
Joined the boyband, joined the boyband
(Se juntou a uma boyband, se juntou a uma boyband)
Joined the boyband, joined the boyband
(Se juntou a uma boyband, se juntou a uma boyband)
Joined the boyband, joined the boyband
(Se juntou a uma boyband, se juntou a uma boyband)

Ao terminar, todos rimos um da cara do outro. ria da dela mesma. “”? Que intimidade é essa, ?

– Você canta muito bem! – falou.
– Eu sei, amor! – eu disse, me intrometendo.
– Você não, idiota! – tem que me esculhambar. Eu não falo nem mal dele! Ta, isso me soou meio dramático e gay. Mas foi uma ironia. – A !
– Ah, que isso... Eu sou super desafinada.
– Nada, menina! Desafinada é o . No modo feminino também! – , o palhaço.
Tava na cara do desgraçado que ele queria chamar atenção da menina.
– Desafinada é tua avó! – eu disse, dando o dedo do meio. Ele deu de ombros. – Mas o retardado aqui tem razão. Você canta bem mesmo. – Tá. Eu sou o intrometido. Todo mundo tá careca de saber disso. Ah... esqueci de dizer, curioso também. – Gostei da sua blusa.
Ela olhou para a blusa e sorriu para mim.
– Ah... Valeu! Eu gosto do som dos Rolling Stones.
– E como você consegue andar com minha irmã?
– Ah... Ela é uma amiga. Foi simpática comigo.
– Engraçado... Comigo ela nunca foi simpática. – Eu disse que sou intrometido.
– Cala a boca, ! – Quem o acha que é pra me mandar calar a boca? Eu mato! – Aposto que ela não disse que era irmã do cara mais bonito do SoD. – Falou aí o convencido!
– Ai, amor! Assim eu fico com ciúmes. – Eu adoro cagar o pau. Eu sou maus! (N/A: Que nada! Você é muito é Lindo! *.* Surtei!)
– Pára que o é meu! – falou, abraçando o MEU bofe!
– Ei, gente! Não brinca assim na frente da mina. O que ela vai pensar da gente?
– Ah... Que temos um caso, minha nega! – Eu amo fazer isso... Brincadeira. Parei! – Não adianta mentir. Ela já descobriu, amor!
apenas ria da arrumação que eu e fazíamos. Era muito engraçado. “”? Tô perguntando. Que intimidade é essa?
e nos olhavam com uma cara de “vocês não tem jeito mesmo!”.
– Fora o showzinho a parte, eu sou o ! – , o cavalheiro (leia-se: de merda), apresentou-se.
. – Ele apenas levantou a mão.
! – Ele também levantou a mão. Meu Deus, se eles não tivessem passado desodorante ia ser uma perdição. Tá, parei!
– E você é o – ela falou, apontando para . Noooooossa... Ela descobriu sozinha? Quase não dissemos o nome do safado! – E você deve ser , não é?
A mina me conhece! É, eu sou muito modesto. Vocês me conhecem! Mas eu sou foda! Ela sabe meu nome, rapaz! Do ela sabe porque ele é irmão da amiga dela. Mas eu sou? De onde eu a conhecia? Eu sou eu, cara. Na verdade... eu sou O cara! Então... sabe o que eu fiz pra ser assim? Nasci! Tá. Parei!
, prazer! – É, eu não surtei na frente da garota. Eu disse que sou modesto!
Voltando... “ ”? Eu tô muito ajeitadinho pro meu gosto.
– É, eu já ouvi bastante de vocês!
– Eu sei! – Qualé? Eu sou modesto!
– Bom... vou indo, pessoal. Prazer aê! – (é, vou chamá-la de mesmo) falou.
– Tipo, galera... Hoje tem show do McFly. – , o abençoado, falou. – Eles nos deram vários convites ontem para o camarote.
O show! Tinha me esquecido completamente! Tinha marcado de ficar com a Mandy (Não! Não é a irmã do . Só se eu fosse cego, surdo, burro, feio e ainda por cima tivesse na seca pra ficar com aquela menina).
– Caralho... Esqueci totalmente! – Ah... Esqueci de dizer que sou esquecido também.
– Você não tá a fim de ir com a gente, ? – é bem engraçadinho. Convidando a mina pra que, hein?! Mentes poluídas. Eu ia dizer pra dançar!
– Ah... Eu... Sei lá! Pode ser...
– Se você quiser... Pode ir comigo! – , o amostrado, falou. Acontece que ele se ferrou. Sabe por quê?
– Ô, bonitão! – Eu adoro fazer isso, man. – Esqueceu que seu carro tá no conserto? Se você for, vai ter que ir comigo, flor!
– Iiiiih, é mesmo!
– Relaxa! ... – Na frente dela eu sou mais formal, okay? – Se você quiser ir comigo, eu passo por aqui dentro de duas horas. Eu tenho que pegar esse babaca mesmo. Aí tu vai comigo. Se quiser, é claro!
– Ô, ... Magoou. – fez cara de gay.
– Vai te lascar.
– Okay, então. Eu vou com vocês. A... A Mandy vai?
– A irmã do ? Nem morta! Se for, vai sozinha. Eu saí com ela uma vez pro show deles e ela quase arrancou meus cabelos porque viu o disse sorrindo.
Meu Deus. A mina arrancou o cabelo dele e ele sorri? , ... Tá chamando muita atenção pra si.
– Mas a Mandy do vai, não vai? – riu e eu também.
– Então... eu vou me arrumar, pessoal. Até mais tarde!

~

McFly faz muito sucesso por aqui, man! Tinha muita gente. Muuuuuuuuuita gente mesmo! E olha que eu não sou exagerado! Os caras eram os que mais faziam sucesso por aqui. As paradas eram eles.
– Tá bastante lotado, hein, ?
– Como eu vou encontrar a Mandy por aqui? – E era verdade. Como? Tinha muita gente.
– Talvez você a encontre ligando para ela – falou.
É, ela tinha ótimas idéias. Tá, isso foi um elogio? ? Elogiando alguém? Não. Eu devo está doente, só isso.
– E é isso mesmo que eu vou fazer.
Eu peguei meu celular e procurei.
– Maah, Mabelle, Macélia... Quem é essa Macélia? Ah... Do show do 30 Seconds to Mars. Ah… Tá aqui. Mandy! – Cliquei na teclinha pra chamar lá. Chamou uma, duas, três vezes e nada. – Ela não atende!
– Também... Com esse barulho... – olhava para os lados.
Eu também olhei e avistei os garotos. e . Eles caminharam até nós.
– Hey! Cadê o ? – eu perguntei. Até estranhei, normalmente ele é o mais baladeiro. Brincadeira. Isso foi uma ironia.
– Não veio. Tá com a maior cara de cuzão só porque brigou com a namorada.
– Affz... Tô fora de compromisso. Quero ficar é longe de amor e seus derivados! – E é verdade. tem uma fama a zelar. – Nunca namorei na minha vida. E quero que seja assim por um bom tempo!
Eu percebi que me olhava de uma forma curiosa. Até que vi Mandy. Ela caminhava na minha direção.
! – Ela me abraçou pelas costas e me deu um selinho. Bonita, ela!
– Aê, cambada... Vou ali! Mais tarde a gente se encontra – eu disse, sorrindo para os garotos com uma cara de malicioso.
– Vai aí, o grande ! – falou rindo.
não parava de me olhar com aquele olhar, sabe? Era... sei lá! E eu me perguntei o porquê. Tipo... eu sou homem (bem homem, viu?) e sinto atração e tal. Mas... eu sei quais são as garotas pra noitada, entende? A não era esse tipo de garota. A é muito bonita, sim, ela é. Qualquer pessoa em sua sã consciência pode ver isso, mas eu não senti aquela... química. Entende? Então eu continuo a aproveitar a vida, certo? Certo!


Capítulo 2

Acordei com o cheiro bem forte de café. Levantei e vi que estava numa sala que nunca havia visto. Ao meu lado estavam , e . Levantei coçando a cabeça para tentar me lembrar de alguma coisa. Ouvi um barulho vindo da cozinha e fui ver quem era. Ao entrar, vi colocando o café na garrafa.
– Ah... Bom dia, ! – ri quando acorda? Que maravilha! Mais uma pra turma.
– Oi... Onde estamos? – eu perguntei, sentando-me à mesa.
– Na minha casa. Vocês estavam bem bêbados ontem!
– Ontem?! – Estava tentando me orientar. Qual é? Eu acabei de acordar! É muita coisa pra minha cabeça, okay? – Ah... o show do McFly.
– E foi muito bom, por sinal! Mas aposto que vocês nem assistiram! Bom... eu dirigi seu carro. Pega a chave. – Ela me mostrava a chave.
– Ah... – Eu peguei. – Obrigado... eu acho.
– É... Fiz café. Quer?
– Ah... Eu aceito, sim. Vê se melhora essa dor de cabeça.
– Bom dia, povo! – , o sorridente, entrou na cozinha.
– Hey, !
– Essa é sua casa, ? Seus pais não acharam ruim quatro marmanjos aqui?
– Ah... não! Eu moro sozinha. Eles moram em Stevenage, Hertfordshire.
– Ah... – olhou a cozinha.
– Eu só moro com minha mãe porque meu pai a deixou e ela não vive sem mim. Ou seja... Sem gritar comigo! – Eu sou um bom filho, sim!
, o salvador da família. Dava título pra filme!
sempre fala besteira Lembrem-me de espancá-lo quando vir-lo mais uma vez. Caraca... “Vir-lo”. Nunca usei essa palavra. A única palavra que aprendi no colégio. Tá... exagerei!
– Oi, galera! – entrou na cozinha. – De quem é essa casa mesmo?
– Minha! – Tenho certeza de que a estava se enchendo com essa pergunta.
– Cara, mal conhecemos a menina e já dormimos na casa dela!
é abestado. É sério, cara!
? – eu chamei num tom amigável.
– Oi?
– Cala essa merda que você chama de boca!
me deu o dedo do meio e fechou a cara, enquanto eu, e ríamos.
– Hey, cambada! – entrou na cozinha. – De quem é--
– É minha! – Não disse que ela estava se enchendo?
– Ah...
– Bom, povo... Eu vou indo! – eu disse, despedindo-me de com um abraço e um beijo na bochecha. – Valeu, ! Aparece aí. Você é sempre bem-vinda!
– Ah, que isso... De nada! Valeu vocês!
Eu vi que ela corou levemente. Sabe, agora que eu estava saindo foi que eu fui perceber a roupa que ela estava vestida. Era um shorts e uma regata com um desenho de uma bailarina. Não que eu ligue muito pra roupa, sabe? Mas até que a era arrumadinha! Gostei.
– Não vai me beijar também, amor? – Crises de ciúmes do . Ele me ama.
– Sai pra lá!

~

! Onde você estava até essa hora?
– Na casa do . – Caralho! Já tô com dor de cabeça e ainda tenho que agüentar a gritaria da porra que a velha faz.
– Ah é? Pois eu liguei pra lá e a Mandy atendeu. Sabe o que ela disse? Que vocês não aparecem desde ontem.
– Tecnicamente na casa do . Dormi na vizinha da frente.
! Na vizinha? Ai... que bafo é esse?
– De cerveja! Agora me deixa dormir que eu tô cansado. Ô, inferno!
Estava entrando no meu quarto quando a velha disse:
– Tô me cansando é de você!
Bati a porta do quarto. Tinha perdido até o sono. Ô, ressaca do caralho! Fui ao banheiro e tomei um banho. Saí e fui olhar no calendário. Caramba... Meu aniversário era em três semanas. Pois bem... Farei A festa!
Deitei na cama ao som de Penny Lane dos Beatles. Eu já disse que adoro os Beatles? Os caras eram... os caras. Entende? Enfiei-me embaixo das cobertas e fiquei olhando o teto, esperando o sono chegar. Lembrei-me da noite passada. Lembrei-me da Mandy. Ela era minha ficante fiel. Tá... isso soou meio compromisso. Mas sempre que eu precisava ficar com alguém ela sempre tava ali. E eu, claro, nunca neguei! Mas sabe, por que o olhar da não saía da minha cabeça? Sei lá! Cada louco com sua mania!

~

Baladeiro diz:
Hei man... Tu foi embora cedo ontem por quê?
= Gostoso diz:
Tava nunca ressaca danada. E a velha ia pegar mais ainda no meu pé.
Baladeiro diz:
Ta na hora de comprar um apê, man!
= Gostoso diz:
Olha quem fala! Tu mora muito sozinho, né? Ainda mais como uma irmã chata que nem a Mandy. xD~
Baladeiro diz:
_|_²³²³²³ ‘¬¬
= Gostoso diz:
Mas você tem razão. Vou procurar um Apê o mais rápido possível!
Baladeiro diz:
Falou e disse, man! Ei... Mudando de assunto... O que tu achou da ?
= Gostoso diz:
Como assim? =S
Baladeiro diz:
Ah, ... Você sabe... Ela é gata...
= Gostoso diz:
Ah cara... Não sei por que, mas não a vejo de outra forma a não ser como amiga. Sei lá... É tipo como se ela fosse da turma!
Baladeiro diz:
falando isso? Sai do pc dele seja lá quem for!
= Baladeiro diz:
Vai te foder, man! Ela é bonita sim. Mas não sinto vontade de ficar ou ter algo a mais com ela.
Baladeiro diz:
Tá perdendo a forma irmão? Cuidado, hein?!
= Gostoso diz:
_|_³³³
Baladeiro diz:
Ei... Ela entrou. Chamo ela pra conversa?
= Gostoso diz:
Chama, ué...

~ entra na conversa.

= Gostoso diz:
Aê... Pelo menos uma garota! Não agüentava mais ouvir o falar merda!
Baladeiro diz:
Ei, Man... Mó paia isso!
~ diz:
Kkkkkkkkkkkk... Oi, gente! Boa tarde!
Baladeiro diz:
Boa !
= Gostoso diz:
, seu safado! Respeita a menina! xD~
Baladeiro diz:
O que... O que eu disse de errado? =S
~ diz:
Hehehehe... Não esquenta, . É só o viajando.
= Gostoso diz:
Mas tu é lesado mesmo, man. Peeensee...
~ diz:
Hehehe... , você foi embora tão cedo ontem! Meu café tava tão ruim assim? >)
= Gostoso diz:
Aieoapeioaueioaoe... Nada! Foi porque minha mãe ia pegar no meu pé.
~ diz:
Não sei como você consegue morar com ela. Tipo... Quando eu morava com minha mãe, eu brigava demais com ela. Por isso que eu escolhi morar sozinha.
diz:
Nem dá tempo de brigar com minha mãe. Eu quando não tô em casa, tô no meu quarto!
Baladeiro diz:
Ou no banheiro. Não é? Fazendo o quê, ?
diz:
_|_²³²³³ ¬¬’ Man... Tem uma garota na conversa!
Baladeiro diz:
É. Mas você não se lembrou que tinha uma garota quando brincou de dá em cima de mim.
diz:
Gay! Tu não levou a sério mesmo. Não é?
Baladeiro diz:
Ah cara... Vai te lascar! >/ E eu vou saindo! Tchau, ! Depois a gente se fala!
~ diz:
Bye, bye, !
diz:
Não vai dizer “adeus” pro seu melhor amigo?

Baladeiro sai da conversa.

diz:
Que safado!
~ diz:
Hehehe... Você são muito amigos, né? Acho isso legal!
diz:
Ah... Somos amigos faz bastante tempo. Somos irmãos. Praticamente.
~ diz:
Eu sei! O me falou muito bem de todos vocês!
diz:
Você está ouvindo Paramore, né?
~ diz:
Um rum... For A Pessimist I’m Pretty Optimistic. Eu curto bastante eles. Eu já vi a Hayley de pertinho.
diz:
Legal! Você tem bom gosto!
~ diz:
Eu gosto mesmo de música boa! E você está escutando The Beatles, né?
diz:
É! ^^ Help. Gosto muito de The Beatles.
~ diz:
Me empresta o CD?
diz:
Claro! Mas você tem que me emprestar o CD do Paramore. Você tem o primeiro?
~ diz:
Claro que empresto! Não tenho o primeiro não! =/ Procurei pra caramba o primeiro. Eu tenho o segundo. Riot!
diz:
Ah... E... O que tu achou do show?
~ diz:
Tipo... Sinceramente?
diz:
Por favor!
~ diz:
Eu tipo meio que boiei entende? Você sumiu, saiu pra comprar cigarro e não voltou e e desapareceram. Eu assisti o show todo e depois fui falar com os meninos.
diz:
Você conhece eles?
~ diz:
Na verdade, eu conheço o , porque eu estudei com ele. Fomos amigos. Fomos e somos!
diz:
Legal! Então temos muito em comum!
~ diz:
É verdade! =] ... Eu vou indo. Vou ver se não passo o dia inteiro na frente desse computador.
diz:
Vai sair?
~ diz: Tô pensando em tomar sorvete.
diz:
Legal! Então... Eu também não tô a fim de passar o dia aqui. Será que... Sei lá. Podia te acompanhar? É claro que se não tiver acompanhante.
~ diz:
Ah... Mas é claro!
diz:
Eu te pego aí?
~ diz:
Não precisa. Eu vou andando. Gosto de andar! A sorveteria é pertinho daqui de casa.
diz:
Pois também vou andando! A gente se encontra em vinte minutos, okay?
~ diz:
Combinado!

~ fica Offline.


Capítulo 3

Não me perguntem por que a chamei para tomar o tal sorvete. É. Nem eu sei. Mas me deu vontade. E eu costumo agir por impulso.
Entrei na tal sorveteria, era bem animada. O dia estava bem quente. Vi alguns garotos em uma mesa, conhecia dois deles. Eles acenaram para mim e eu retribui o aceno. Sentei em uma mesa mais no canto, esperei alguns minutos e vi a entrando na sorveteria. Usava uma sainha jeans – não muito curta não muito longa, digamos, a um palmo acima do joelho –, uma blusinha rosa, um All Star rosa e preto e seu cabelo feito uma trança. Ela parecia procurar alguém. Levantei da mesa e falei:
!
Ela me olhou e sorriu. Caminhou até minha mesa. Eu também sorri.
– Oi, ! – ela falou, me cumprimentando.
– Hey, ! – Eu a abracei.
Ela sentou de frente para mim.
– Já pediu alguma coisa?
– Não. Acabei de chegar.
Uma moça chegou a nossa mesa e perguntou:
– O que vocês vão querer?
– Eu vou querer um milk-shake de morango. – Por que as garotas gostam de coisa rosa, hein? Morango. É bem rosa. Mas acho que não liga muito pra cor. Affz... Viajei agora!
– E o Senhor? –“Senhor”? Desde quando me chamam de “Senhor”?
– Eu vou querer um de chocolate. – É. Eu sei ser gente, okay?
– Você é , não é? Do SoD? – Ela olhou para mim. Eu disse! Eu sou Foda!
– Ah... Sou eu sim!
– Ai, meu Deus! Minhas amigas não vão acreditar. Será que você me daria um autógrafo?
– Ah... mas é claro! – Eu sou O cara!
Ela me entregou o bloquinho de anotar os pedidos e uma caneta. Eu autografei e entreguei a ela.
– Muito obrigada! – ela me disse radiante.
Cara... Juro que fiquei com medo dela. Eu fico imaginando quando a banda tiver fazendo sucesso realmente.
Nesse meio tempo, apenas me observava. Vi algumas vezes ela sorrindo pelo modo como eu tratava a moça. Ah... eu sei ser gentil, okay? Principalmente com fãs!
– Você nunca mais falou com a Mandy? – Eu queria acabar com o silêncio chato.
– Ah... Desde anteontem. Mas ela não é tããão minha amiga. A gente só conversava. – Eu posso imaginar. Mas vocês não têm nada a ver uma com a outra. Tipo... ela é patricinha e você... curte um bom rock.
– Tipo... Na verdade, eu sou bem eclética. Eu posso dar uma boa roqueira. Mas eu sei ser uma boa patricinha também. Shopping, compras, maquiagem... Eu entendo bem. Mas não é muito que eu realmente gosto.
– Posso ver! – Eu tinha que falar. – Você não tem cara daquelas garotas que gritam “Justin Timberlake, eu te amoooo!”
Ela bebeu um pouco do meu milk-shake e riu.
– Ei! Meu milk-shake!
– Ah, ! Vai te lascar!
Eu comecei a rir. Ela era muito louca.
– Voltando... Apesar de eu gostar do Justin, eu não fico gritando isso por aí.
Eu comecei a rir da cara dela. Mas ria muito. Quer dizer... Justin era coisa de patricinha. (N/A: Geeente... Eu amo o Justin, okaay? ;P*).
– JUU... US... TIN... – Eu gargalhava, fazendo com que todos nos olhassem.
– Qualé? Justin é muito massa.
– Hum... – Eu apoiei meu cotovelo na mesa e fiquei olhando para . – Que mais?
– Ah... Ele tem estilo. Poxa... Ele não é tão ruim, !
– Não é tão ruim... – eu repetia. Adorava a cara que ela fazia; era de fã querendo convencer que seu ídolo era o melhor do mundo.
– Qualé, ... Deixa de ser chato! As músicas dele são bem dançantes.
Eu ri mais uma vez. Só que desta vez eu me controlei para não chamar tanta atenção. Percebi que um dos garotos que estava na mesa dos meus conhecidos se levantou e veio até nossa mesa.
... – ele falou, chegando perto dela. Ela olhou para trás.
– George! – Ridículo! Nome feio da porra! Não. Eu não estou implicando com ele por causa da !
Ela se levantou e foi falar com o tal George. Foi impressão minha ou eles trocaram olhares? Tô preocupado! Só isso! Não. Não é ciúme. É cuidado. A se tornou uma boa amiga em pouco tempo. Entenda. Eu quero vê-la bem. Só isso. Não quero vê-la em rolo, certo? Certo!
Eles se abraçaram e eu vi nitidamente que ele beijou o canto de sua boca. Ela se sentou mais uma vez e começou a tomar o milk-shake de morango, olhando para baixo. Isso não me incomodou. Nem um pouco, okay?
– Amigo? – Eu tinha que perguntar.
– Ex – ela disse sem olhar para mim.
– Ex-amigo? – O quê? Não achem que isso é anormal. Eu mesmo tenho vários ex-amigos. Mais ex-amigas. Mas isso não vem ao caso!
– Não. Ex-namorado.
Hum... Para ser ex-namorado, eles estavam bem íntimos. Eu só queria saber o porquê dela ficar de tititi com o ex-namorado. Não que eu me importasse. Mas é que... Vocês me entenderam!
– Ah... E são amigos? – Porra! Eu sou amigo dela! Tenho que perguntar! me olhou e riu. Caralho! Será que ela sacou? Mas sacar o quê? Porra. Ela é minha amiga! A única coisa que eu sinto por ela é amizade, certo? Certo!
– A gente não se vê há algum tempo. Mas na boa. Continuamos a nos falar.
Beleza. Ela entendeu. Um a zero pra ela. Mas eu ia continuar. É claro!
– E por que vocês acabaram?
– Ciúmes.
– De quem? – Sou curioso. Eu disse!
– Dele comigo. Não podia sair com as minhas amigas. Ele queria tomar satisfação.
– Então ele deve de tá em marcação em mim. Tô com a garota dele! – eu disse rindo. Man... Eu sou palhaço.
– Conversa. A gente acabou faz tempo.
Ela continuou a beber o milk-shake de morango sem encostar no meu de chocolate. – E o ? Não tem nenhuma namorada ciumenta?
Eu? Namorar? Nem morto! Fujo dessa palavra desde quando nasci!
– Não. Nunca namorei na minha vida.
– E não tem vontade? Tipo... ter alguma coisa séria?
Essa menina tá perguntando muito para o meu gosto!
– Não! – respondi seco. Qual é? Não nasci pra isso, certo? Certo!
– Hum...
É impressão minha ou ela pareceu mais envergonhada?
– Você tá a fim de dar uma volta? Sei lá. – Oh, ... Me desculpe. Eu marquei de estudar com uma amiga minha daqui a pouco.
Legal! Levei um fora. Burro, burro, burro e mais uma vez burro! Ao cubo ainda por cima! Tudo bem que não foi um fora. Mas, tecnicamente, ela prefere estudar com a tal amiga a ficar conversando com um amigo. Tudo bem que essa história de não querer compromisso não é uma boa para conversar com uma garota, mesmo sendo amiga. Mas ela me perguntou, ué. E eu tinha que responder, não tinha?
– Então... Você já quer ir? – eu perguntei, disfarçando minha cara de merda.
– Ah... Acho que sim.
Ela pegou a bolsa e ia tirar o dinheiro. Eu não deixei.
– Não, não, ! Eu pago. – Eu não sou o mais cavalheiro, mas sei ser educado, okay?
– Tudo bem, . Só dessa vez!
Paguei a conta e saímos da sorveteria. Andamos alguns minutos calados. Qualé? Eu não tinha assunto.
– Você faz faculdade, né? De quê?
– Faço. Artes Cênicas.
– Ah... Legal. Quando eu era pivete, gostava desse negócio de teatro, sabe? Mas quando cresci, vi que era música o que eu queria.
– Legal. Eu gosto muito de teatro. Mas envolve tudo. Música, dança e atuação.
– Pensei que você fazia música.
– Nossa... Nada a ver. Por que você pensou isso?
– Ah... Sei lá. Eu só... pensei.
– Música é legal! Mas meu negócio é teatro. Entende?
– Eu sei...
– É... Eu tava pensando transferir a minha faculdade para Nova York.
– Por quê? Aqui em Londres ficam as melhores faculdades de Artes Cênicas do mundo.
– Era só uma idéia sem fundamento essa minha.
– Hum...
Por que eu não tinha assunto? Caraca... Eu sou o , o palhaço. Dá uma idéia, man!
Chegamos em frente a casa de e eu não tinha inventado nenhum assunto. Boa, ! Muito boa!
– Bom... Eu acho que fico por aqui, . Valeu pela companhia!
– Que nada. Acho que nós somos amigos agora, né? – É! Isso me soou meio gay. Mas o que ela era minha? Amiga!
– Eu acho que somos, né
? – Então até mais... amiga.
– A gente se vê, então... amigo!
Ela me abraçou. Era típico dela. Estava até meio que me acostumando. E era bom! Qual é? Somos amigos, mas ela é mulher e eu sou homem.
Aproveitei que estava na frente da casa do e resolvi passar por lá.
! Safado. Pegando a ! – Por que a Mandy tem que ser tão intrometida?
– Sua mãe não lhe ensinou que é pra se meter na sua vida e não da de ninguém?
– Então... Você tá mesmo pegando a ?
– Que mané pegando o quê? Claro que não. E eu também não te devo explicação nenhuma. Cadê o ?
Eu aprendi que falar com a Mandy o negócio é dialogar rápido antes que ela fale muita merda.
– “Eu só vejo a como amiga!” safado! Pegando a ! – é abestado, cara. Um idiota mesmo!
– E desde quando eu chamo uma garota pra sair pra ficar com ela?
– Sei lá. Sua tática pode ter mudado! Você nunca me chamou pra sair!
– Seu idiota! Eu só a chamei pra tomar sorvete. Na verdade, ela já ia. Eu só a acompanhei. E pára de falar merda! – Eu me sentei no sofá. – Daqui a três semanas é meu aniversário, cara.
– Legal! Vai ter festinha? – Mandy é intrometida demais, cara!
– Vai. Mas quem disse que vou te chamar?
– Ui! Você é tão delicado, !
– E você é tão intrometida!
– Affz... Vou sair daqui!
– Vai tarde! – eu disse rindo.
Mandy me deu a língua e subiu as escadas.
– Agora me fala, man. Tu e a ...?
– Eu já disse que não aconteceu nada entre eu e ela. E tu já tá me enchendo com esse assunto!
– Tá, tá... Mas é difícil de acreditar, !
– Eu e ela deixamos bem claro isso. Ela também só quer ser minha amiga e eu também quero ser apenas amigo dela! Você acha que ela é garota de noitada?
– Claro que não!
– Então? Nós a conhecemos o bastante pra saber que ela não é pra isso. Digamos que ela é proibida. Entende?
– Entendi. Porque ela é amiga da galera.
– Isso. E eu tô a fim de beber, cara. Tem cerveja aí?
– Man... Tem, não. Mas os meninos podem também querer uma zoeira.
– Liga pra eles. Vamos fazer bagunça. Não agüento mais ficar em casa!
– Já é!


Capítulo 4

Porcaria de celular. Tocar três da manhã. Eu bem que podia desligar. O safado não devia ter devia ter nada o que fazer. Peguei o celular e vi o nome no visor. É, vocês acertaram! Era o .
– Puta que pariu, ! Tá me ligando essa hora por quê?
... – A voz do não estava uma das melhores. O que esse gay tinha? – Vem aqui no hospital St. Frederick.
Eu me sentei na cama e liguei o abajur.
– Pra que, man? O que tu tá fazendo aí?
– A sofreu um acidente.
– O quê? Como assim?
– Ela estava voltando da casa de uma amiga com um amigo. Ele tava bêbado, sei lá. Então bateu o carro em outro que vinha na direção contrária. Vem aqui, man. Aqui eu te conto melhor.
– Me espera aí. Quem tá aí?
– Eu, Mandy, e . tá a caminho. Os pais delas estavam em Liverpool, por sorte. Estão a caminho também.
– Erhn... Ela tá bem?
– Vem logo, man!
Eu ainda não acreditava. Maldito estudo! Se ela não tivesse ido e tivesse ficado conversando comigo, nada disso teria acontecido. Mas já que aconteceu... O negócio é ver como ela estava.
Vesti a primeira calça jeans que vi e uma blusa que estava em cima da cômoda. Peguei a chave do carro e saí.
– Aonde você vai? – Porra! Essa velha não dorme, não?
– Eu vou ao hospital, mãe. Uma amiga sofreu um acidente.
– Meu Deus, ! Quem foi?
– A senhora não conhece. Foi a .
– Vocês a chamam de ?
– Sim. Como sabe?
– Ela ligou mais cedo aqui para casa.
– O que ela queria?
– Falar com você.
Minha mãe me deixa puto, cara. É claro que ela queria falar comigo. Dôôô...
– Quero dizer se ela disse o que queria.
– Não. Só perguntou e eu disse que você não estava.
– Por que não me avisou?
– Não vi quando você chegou.
– Bom... Eu vou lá! Tô no celular!
– Vai logo. Me dê noticias, okay?
– Tchau!
Desci as escadas correndo. Entrei no carro, acelerei e fui em direção ao hospital que ficava no centro da cidade. Nem liguei o som.

~

Entrei no hospital com tudo e fui à recepção. Encontrei , Mandy, , e o , que também havia acabado de chegar.
– Oi, gente! Como tá a ? – eu perguntei assim que cheguei perto deles.
– Ela tá dormindo. Mas já está bem melhor – falou, tentando me acalmar.
– Então está tudo bem mesmo? – questionei mais aliviado.
– Bem, bem ainda não. Mas ela está melhor – explicou, sentando na poltrona.
– E quem estava dirigindo?
– Era um tal de George – Mandy disse com o rosto vermelho. Ela estava bem preocupada. – Ele é um--
– Ex-namorado. É. Eu sei. – Eu, completo com raiva. – Um irresponsável, isso sim!
– É. E como sabe? – Mandy sentou na poltrona, olhando-me com curiosidade.
– Eu sei... – Eu falava andando para lá e para cá. – Como esse idiota conseguiu bater o carro?
– Parece que ele estava bêbado – contou, sentando ao lado de Mandy. – E também havia bebido.
– Mas ela não foi estudar com uma amiga? Pelo menos, foi o que ela me disse quando a deixei em casa. – Eu não falaria do “fora” que havia levado nem sob tortura.
– Ela ligou lá pra casa pedindo seu número assim que você saiu – Mandy disse, ainda me olhando com curiosidade.
– É. Ela ligou lá pra casa, mas fui saber quase agora, a minha mãe falou. Mas não cheguei a falar com ela, não.
– Mas o negócio é esperar, gente! – falou conformado.
– É isso aí! – concordou.
– De pensar que dormimos na casa dela! – fala muita merda, cara.
– Que isso, ? Ela não vai morrer! – disse com raiva.
– Você sabe?
, cala essa merda que tu chama de boca. Senão é você que vai morrer – eu falei com raiva.
tá todo preocupadinho com a , né, gente? – , O maldito, disse.
– É mesmo. – Mandy tinha que se intrometer, cara. – Hoje, ele tava todo de tititi com a . Até sabe quem é o ex dela!
– Querem calar o caralho da boca? Vocês não percebem que eu estou preocupado com ela?
– Tá até brigando com a gente por ela. Será que o nosso está apaixonadinho? – , eu juro que um dia eu te mato!
– Cheio de tititi? Fiquei sabendo que foi tomar até sorvete com ela. – é um idiota. Cara. Ninguém percebeu que a sofreu um acidente? Porra! Caralho! Puta que pariu! Todos os palavrões! Eu não gosto dela! Eu me preocupo, merda!
– Sabe o que eu quero? Que todos vocês se lasquem, okay? Vão se foder! Caralho! Tô cansado disso! Quer saber? Eu vou é pra casa. Já sei que ela tá bem, não tá? Então eu estou perdendo tempo ficando nessa merda enquanto poderia estar dormindo.
– Qual é, man? Foi uma brincadeira! Não precisa ficar com raiva por causa disso! – disse, tentando me acalmar.
– Me diz, . Se sua namorada sofresse um acidente e eu ficasse preocupado? É por que eu estou apaixonado por ela?
ficou calado por uns minutos. Eu apenas o fitei.
– Eu acho que não – ele disse me olhando.
Eu abri os braços e sorri cínico.
– Pronto! Satisfeitos? Agora eu vou embora!
– Mas...
Eu saí antes que o falasse mais alguma coisa.
Não me julguem, okay? Eu estava preocupado com a , sim! Mas se ela está bem, o que eu tenho que ficar fazendo perdendo meu tempo naquele hospital, certo? Certo! Sem falar daqueles idiotas mais a patricinha de merda que ficavam pegando no meu pé.
é minha amiga. Que mal tem em tem ter uma amiga? Tudo bem que minha fama não é uma das melhores. Quer saber? Eu vou ficar com uma menina na frente da e da galera. Só pra calar a boca desses idiotas. No dia do meu aniversário. É isso! Ela vai estar melhor. É isso!

~

... Acorda! – Minha querida mãe sempre tem esse dom de me acordar. – tá no telefone!
– O que é, ? – eu atendi ao telefone ainda dormindo.
– Ô, Juba! Liguei pra te avisar que a acordou. Vai receber alta mais tarde.
– Só isso? – Qual é? Eu estava com sono!
– É, revoltado! E te dizer que a galera tá toda aqui, até o . E todos já falaram com a . Menos tu, idiota, que ainda não falou.
– Eu que não vou aí, não! Diga a ela que não posso ir. Inventa, man. Tu é ótimo pra isso!
– Tipo, que você não vem aqui por causa de uma brincadeira besta que você ficou com raiva, mas está doido pra vê-la e não quer dar o braço a torcer?
– Vai te ferra, man! Tchau!
– Vai voltar a dormir, chato. É melhor mesmo você nem vir com esse humor de merda. Vai é piorar o estado dela.
Desliguei o telefone e fui para o meu quarto. Deitei de novo, mas o sono não veio. Pior que o idiota do tem razão. Eu queria, sim, ver a , saber como ela estava e perguntar por que havia me ligado. Droga! Toda a galera estava lá. E eu era o único que não estava, o cara que ela considerava amigo. O cara que dizia que considerava ela amiga. Até o , man! Merda! Eu tenho que ir!

~

– Olha quem resolveu dar o ar de sua graça por aqui! – Ironias de Mandy.
– Ô, Juba! Resolveu aparecer? – perguntou.
– Fiquei sabendo do showzinho de ontem! – estava me enchendo já. Povo idiota.
– Antes que eu mande vocês irem pra aquele lugar, eu quero ver a . É por isso que tô aqui!
– Pode entrar! – falou, saindo do quarto. Ele me olhava com raiva. Eu nem liguei e entrei no quarto.
Eu entrei e vi uma garota diferente da que eu conhecia. Estava pálida, bem branca e tinha um olhar cansado. Estava tomando soro.
! – Ela me viu e riu.
– Oi, pequena! – eu disse. Foi meio gay. Mas era assim que a via.
disse que você não ia poder vir!
– Pois é! Mas eu vim e estou aqui! Também estive hoje de madrugada.
– Eu só dou trabalho pra vocês, né?
– Claro que não! Não se esqueça do dia do show. Você que quebrou o galho!
riu e eu também dei uma risada.
– Você nos deixou preocupados.
– Eu sei! – ela disse rindo, meio que conformada. – E vocês são uns fofos comigo. Só que eu ainda estou fraca.
– Trate de se recuperar logo porque eu quero ver você no meu aniversário. Pra isso, você tem que descansar.
– Seu aniversário? Quando vai ser?
– Daqui a duas semanas. Quero ver você lá. Chata!
– Estarei sim, retardado!
Nós dois rimos. Era tão bom rir com a . Affz... Que gay. Mas estou mentindo? Ela era extremamente alegre. Até naquela situação.
– Você me ligou ontem, né?
– Oh, sim! Liguei sim! Queria perguntar se aquele convite ainda estava de pé. Eu acabei nem estudando.
– Eu tô vendo! – comentei sorrindo. – E você acabou saindo com o George, né?
Eu vi nitidamente o sorriso de desaparecer do rosto.
– Fomos a uma amiga. Ele passou lá em casa e me pegou. Mas acabamos bebendo além da conta.
– E onde esse irresponsável está?
– Deve tá na cadeia. Não sei...
Ficamos alguns minutos em silêncio. Ela parecia se divertir vendo o teto. Eu estava sem assunto.
... Posso te fazer uma pergunta? – Ela confirmou com a cabeça. – Você ainda gosta desse... George?


Capítulo 5

me olhou curiosa, mas sorrindo. Quando ela abriu a boca para responder, a porta do quarto foi escancarada.
– Minha filha! Você está bem? Está sentindo alguma coisa?
Uma mulher alta, magra, de óculos, com os traços de bem estampados no rosto, com uma roupa altamente chamativa correu em direção a cama de .
– Estou bem, mamãe. Não se preocupe.
Um homem também entrou ao quarto. Só que ele era baixo, usava óculos “fundo-de-garrafa”, um paletó e com o rosto bem rabugento.
– Onde está? Onde está o responsável por isso? Foi você não foi, seu cretino? – Ele apontou para mim.
Fiquei sem ação. Qual é? Vocês não queriam que eu desse uma voadora bem na cara o homem, não é?
– Não, papai. Esse é . Meu amigo. Ele não tem nada a ver com o que aconteceu.
O homem me olhou dos pés a cabeça e, no final, deu um risinho sarcástico. É. Esse é um antipático de carteirinha.
– Isso é para você aprender que não se deve ficar longe dos pais, ! – o homem falou, ainda me olhando.
– Obrigada, pai. Eu estou ótima. E o senhor?
– Johnne! Não vai começar a implicar com nossa filha agora. Afinal... Você deveria dar graças a Deus dela estar viva!
– Bom, ... – eu disse, querendo me livrar do ambiente. – Eu vou indo. Te vejo no meu aniversário?
– Claro, ! Pode me esperar. Estarei bem melhor!
Eu caminhei até a cama e a beijei na testa.

~

– Não, ! Eu não quero a Julia. Quero a . Não... . É! A loira. Isso...
É. Era meu aniversário. E sério... Estava super feliz! Mesmo. E nem contei a novidade, não é? Me mudei. Estava morando em um apê. Sozinho e solteiro. Pode?
– É, cara... – Naquela hora, abriu a porta da sala e estava com muitas sacolas de compras.
– Onde eu coloco? – ela cochichou.
– Na cozinha – eu disse, cochichando também. – É, . A mesmo. Dá um jeito, man. Ah, man! Sabia que podia contar com você! Valeu!
Desliguei o telefone e vi escorada na porta da cozinha, comendo uma maçã e rindo para mim.
– Que foi? – eu perguntei rindo.
– Nada! – ela falou, caminhando para a cozinha. – Ah... As cervejas estão dentro do carro.
– Eu vou lá buscar. Enquanto isso, liga pro e pergunta se ele está vindo de ré.
– Ainda se usa o “por favor”. Já ouviu falar?
Eu dei o dedo do meio e saí do apê. Desci as escadas e peguei uma caixa de cerveja.
Subi mais uma vez e vi desligando o telefone.
– Ele disse que tá vindo de frente mesmo. Ah... E que ele tá chegando em dois minutos.
– Beleza.
sentou no sofá e olhou para mim.
– Ei... Tem um monte de caixa de cerveja lá no carro.
– E eu com isso?
– Você não vai me ajudar a pegar, não?
– Ah não, ! Nem vem... Eu já comprei!
– Não vai não, é? – eu disse, olhando malicioso.
– Não. Não vou!
– Ah... Mas vai sim!
Eu a peguei no colo e desci as escadas.
! Me coloca no chão! Agora.
– Só se dizer as palavrinhas mágicas!
– Não! Eu não vou pedir “por favor”!
– Não é “por favor”!
– Me coloca no chão.
– Só se falar as palavrinhas mágicas!
– E qual é, seu gay?
– “Eu te amo”!
riu.
– É ruim, hein? Eu dizer isso pra você?
– Então se acostume a ficar aí!
– Me coloca no chão, ! Ou eu não respondo por mim.
– Só com as palavrinhas mágicas!
– Seu cavalo! Vamos logo! Me coloca no chão!
– Resposta errada!
Naquela hora, e Mandy chegaram à portaria e viram a cena.
– O que tá acontecendo? ! Põe a garota no chão! – falou rindo.
– Não! Só depois das palavrinhas mágicas!
– Não. Nem morta! Seu filho de uma égua!
– Ah... Eu sou filho de uma égua. Era pra eu ser um jumento. Não um cavalo. Eu acho!
, Mandy e começaram a gargalhar. já estava gemendo de dor na barriga de tanto rir.
– Sem as palavrinhas mágicas, eu não solto.
– Okay, ! Você venceu!Eu te amo – ela falou tão baixinho que Mandy e não conseguiram ouvir.
– Eu não ouvi. Tem que ser alto e em bom som!
– Okay, retardado! EU TE AMO! Satisfeito?
– Ah... Agora sim eu ouvi! – Eu a coloquei no chão.
– Abestado. Você me paga por essa! Eu vou fazer você beijar meus pés em frente a todas suas fãs. Você não perde por esperar!
– Oh, meu Deus... Estou morrendo de medo!
– Retardado!
– Sem graça!
Todos rimos.
– Mandy, me ajuda com as coisas lá em cima enquanto os garotos pegam as cervejas.
– Okay.
Elas subiram e me olhou curioso.
– E aí? Já rolou?
– Rolou o quê?
– Você e a ...
– Já te disse que eu e a não temos nada.
– Mas... Pô... Vocês tão direto juntos.
– Ela é minha amiga. Agora fica quieto! A propósito... Hoje, eu vou ficar com .
Mara?
– Maravilhosa. Isso sim!
riu e começou a pegar as caixas de cervejas do porta-malas.

~

Metade dos convidados que estavam na minha casa eu não conhecia. O outro resto, eu não lembrava.
Cara... Pense numa festa lotada! E cada vez chegava mais gente. Eu estava sentando na poltrona quando os garotos do McFly chegaram. veio me cumprimentar
– E aí, cara? Parabéns!
– Valeu, man! Aproveita a festa!
Vi saindo do quarto com Mandy. Cara... É sério. A é linda mesmo. Não. Não é exagero. Mas é que ela é linda mesmo. Ela usava uma sainha xadrez, um All Star branco e uma blusinha branca também. O jogo de luzes refletia toda a blusa branca. Ela estava com os cabelos soltos e uma leve maquiagem. Coisa que, sinceramente, ela não precisa para ficar bonita.
Eu ia me levantar para falar com ela, quando uma garota chegou atrás de mim e colocou suas mãos nos meus olhos.
– Adivinha quem é?
Eu imediatamente peguei em seus braços e a puxei para o meu colo.
– Boa noite, aniversariante. Como vai a festa?
– Melhor agora! – Eu a beijei.
Precisava de uma mulher daquela! É sério. Ela é bonita. Tubos e tubos de maquiagem, pelo menos, faziam algum efeito.
Olhei para o lado e vi que estava olhando para mim, mas disfarçou e começou a conversar com .
– E aí, ? Curtindo a festa? – chegou perto de mim e .
– Opa! E como! – eu falei, abraçando por trás.
– Você já viu a ?
Eu olhei de novo para ela e vi uma cena que eu não estava preparado para ver. Naquela hora, o sangue subiu à minha cabeça. Vi e no canto da sala se beijando. No maior amasso. Cara... A . Ficando? Tá. Tudo bem. Isso não é o fim do mundo, okay? Eu faço isso direto. Mas... Pô... Eu já estava acostumado a ver a como um ser intocável. Tá. Exagerei bacana agora. Não é ciúmes, okay? É cuidado. Ela é minha amiga. E eu quero o melhor pra ela, certo? Certo!
– É. Tô vendo – eu disse, com um dos meus piores humores.
– Quem é ? – a voz irritante de me interrogou.
– Uma amiga.
– Pra uma amiga, você está bem interessadozinho.
– Não. Não estou!
Eu a peguei mais uma vez e a beijei.

– E agora, na passarela para dançar o “Créu”... , como sempre linda, e , como sempre gay! – , O palhaço, falou no microfone.
deu o dedo do meio e foi para a passarela com . Eles dançaram uma música brasileira lá. Cara. Eu estava me irritando com a tal dança. Era um pega-mexe ali, outro mexe-pega aqui...
– Agora, na passarela... , como sempre sem-graça, e , como sempre cega.
Eu também dei o dedo do meio lá e dancei a tal música.
Quando consegui sair da “passarela” improvisada, puxei pelo braço e a levei para a entrada o apê.
– O que foi, ? – ela perguntou rindo.
– O que é isso? – eu perguntei sério de volta.
– Isso o quê?
– Dançando assim. Se mostrando desse jeito...
– Qual é, ? Não tô te entendendo.
– Não, você está me entendendo sim. Qual é? Deu pra ficar com isso agora?
– Ficar com o quê, ?
– Porra, ! Ficar dançando daquele jeito, com o . Fazendo isso?
– Fazendo o quê? Me divertindo? Ah, ... Qual é? Agora todo mundo pode se divertir menos eu? Porra, cara! Até você tava dançando lá! E eu? Não posso!
– Não é isso. Mas você está igual a uma...
– Uma o quê, ? Fala! Uma o quê?
Eu a encarei.
– Uma igual às outras.
deu uma risada de deboche.
– Engraçado. Quando as outras fazem isso, você adora. Olha aqui, . Eu pensei que podia me divertir nessa porcaria de festa. Mas como não posso... não adianta estar aqui! Quer saber? Eu vou embora!
começou a descer as escadas. Eu fui atrás dela.
– Espera, . – Ela continuou a descer. – ... Por favor... Me espera.
Ela virou de uma vez.
– Pra quê? Porra, ! Agora eu não posso dançar que você parece com meu pai. Tá me lembrando ele essa tua autoridade aí. Se toca, rapaz. Tu não é perfeito.
– Desculpa, .
Ela abriu a porta do carro.
– Fica. Por favor. Tô te pedindo!
– Toma teu presente!
Ela me entregou um pacote embrulhado.
... Fica.
– Não tô mais com saco pra ficar aqui. Depois me diz se você gostou! Tchau!
Eu me afastei do carro e ela acelerou, desaparecendo na esquina.
Eu? Fiquei com a cara de otário. Porra! Sou um idiota mesmo!
Subi as escadas e entrei no apê.
, onde você... – me pegou na entrada.
– Agora não, . Não enche!
Eu passei pelos convidados e fui até o quarto. Fechei a porta e abri o pacote. Era um livro: “Como vencer na vida mesmo sendo um bosta”. Eu ri. Cara... Só podia ser coisa da mesmo, man! Oh, palhaça! Pense... (N/A: Existe mesmo esse livro. Tem no Extra. Eu ia comprar pra um amigo xD~ Quem quiser comprar... Acho que tá R$25:90). Coloquei o livro na cama e voltei para a sala. Afinal... Era meu aniversário, não é mesmo?


Capítulo 6

Acordei com os cabelos de no meu rosto. Olhei para ela que ainda dormia. Cara... Essas garotas ficam umas tremendas gatas quando estão com a tal maquiagem. Mas quando não estão... É uma outra história.
! ! Acorda! – eu falei, me levantando.
– Que horas são?
– Sete da manhã!
– Toma vergonha na tua cara. Ainda é cedo!
– Não! Você precisa ir embora!
Ela riu e levantou.
– Onde tem banheiro?
– Seguindo o corredor, à direita.
Ela saiu e eu coloquei um calção floral. É meio gay, eu sei, mas foi o único que eu encontrei.
Desci as escadas e fui à cozinha. Abri a geladeira. Não tinha nada, cara. Sério. Nada para comer. E a Mandy e o estavam aqui em casa. Peguei a única coisa comestível, no caso bebível, e coloquei o leite no copo. Tomava o primeiro gole quando a campainha tocou. Andei até a sala e abri a porta.
? – eu falei, surpreso ao vê-la na porta.
– Oi! – ela disse rindo. – Dá para me ajudar aqui?
Ela estava com os braços lotados de coisas.
Tinha quatro copos de cappuccinos, pães, bolo, bolachas... Enfim, várias coisas.
– Ainda bem que você trouxe. Não tem nada na geladeira.
– É por isso que trouxe, bocó! – ela disse, me dando uma pedalada.
Fomos à cozinha.
– E Mandy e ? Ainda estão dormindo? – ela perguntou, colocando o leite, queijo e o presunto na geladeira.
– Sim. Mas devem já acordar.
De repente, apareceu na cozinha.
– Ai, meu Deus! Eu amo cappuccino! – ela disse, pegando um copo na mesa.
– Eu posso imaginar. Mas... – Eu pego o copo da mão dela. – Esses, infelizmente, não são para você!
Ela me olhou com raiva.
– Pois eu vou embora!
– A porta é logo ali! – eu falei, apontando para a porta.
Ouvi uns risinhos de . Ela me jogou um de seus piores olhares e saiu.
– Coitada da menina, ! – disse rindo.
– Nada...
– Bom dia, flores do meu dia! – é o mais palhaço de todos, cara. É sério! Eu o adoro!
– Bom dia, ! Hey, Mandy! – disse sorrindo.
– Oi, gente! – Mandy falou, esfregando os olhos.
– E onde está? – perguntou, abrindo o copo do cappuccino.
– Ela acabou de sair! – eu falei rindo.
– Ave Maria, ! Não sei como você agüenta essa !
– Da mesma forma que eu agüento você, Mandy querida! – eu respondi e ela me deu língua.
De repente, o celular de começou a tocar.
– Alô? Oi, ! Sim, sim... Eles estão aqui sim. Ah... Espera um pouco. – Ela tampou o lugar de falar no celular. – O tá convidando a gente pra passar o final de semana na casa de praia da namorada dele. E aí?
– Por mim... Tá tudo certo! – eu respondi, dando os ombros.
– Por mim também! – falou, tomando um gole de capuccino.
– Por mim... – Mandy disse, abrindo a geladeira.
faz um “okay” com as mãos.
– Então está certo, . Sim. Vamos, sim! Daqui a duas horas no posto da estrada? Okay! Beijo!
Ela desligou o celular.
– Tenho que arrumar as coisas! – disse empolgada.
– Nós também, ! Vamos logo pra casa! – Mandy avisou, pegando a bolsa dela.
– Eu posso ir contigo, – eu falei, tomando um gole de capuccino.
– Sim, sim... Mas temos que apressar. Você ajeita logo suas coisas aqui e vamos lá em casa. Okay?
– Sim, senhora!
– Palhaço!
– Sem graça!
e a irmã dele saíram e eu fui ao meu quarto. Peguei minha mochila preta e coloquei quatro calças jeans e quatro blusas. Coloquei o necessário. Escova de dente, xampu e o resto. Coloquei meu All Star e uma roupa mais leve.
– Pronto! – eu disse, chegando à sala.
– Vamos lá à minha casa agora.
Descíamos a escada quando ela jogou a chave do carro para mim.
– Pra que a chave? – eu perguntei segurando.
– Pra você dirigir, oras! Não sei dirigir em estrada!
– Tu és uma analfabeta!
– Valeu, ! Valeu mesmo!
– Vamos, sem graça!
Entramos no carro e ela colocou um CD do Eagles. Chegamos a casa dela ao som de “Hotel California”.
– Fica aí na sala enquanto arrumo minhas coisas! – ela falou, subindo as escadas.
Eu fiquei naquela sala já conhecida. Eu me lembro de quando tinha acordado naquela sala. No dia que eu tinha ficado... digamos... ah... bêbado mesmo, eu dormi aqui. Mas não havia prestado tanta atenção. Na sala havia várias fotografias. Uma ela e a mãe; ela usava um vestido rosa e sua mãe um branco. Acho que era no aniversário de quinze anos de . Ela estava bem novinha. Outra foto era ela e duas garotas, acho que eram suas irmãs. Estavam todas de biquíni. Outra era ela e um homem que era bastante parecido com . Devia ser seu irmão. Ele estava com terno preto, usava um vestido branco. Outra foto era ela e . Sim. Do McFly. Eles estavam um pouco mais novos. Não entendi bem a foto. Ela estava abraçada a ele, ele beijava seu rosto.
– Pronto! – ela falou, descendo as escadas. – Pega minhas coisas.
Ela me empurrou a mala dela.
– Ei! Eu não vou levar isso não!
– Vai sim! Eu vou aqui à cozinha pegar alguma coisa para comermos no caminho.
Eu fui ao carro e coloquei a mala dela no porta-malas. Esperei um pouco e ela apareceu, comendo umas daquelas batatinhas.
– Tu vai ficar obesa! – eu falei rindo.
– Valeu, . Mas quem disse que eu ligo para o que você diz?
... Isso me deixa triste! – eu brinquei, fazendo cara de ofendido.
– Cala a boca e entra nesse carro logo! – ela falou, entrando no carro.
Eu entrei rindo. Ela pegou um CD do porta CDs dela e colocou no som.
– Que CD é esse?
– McFly.
Começou a tocar “Lies”. Era até boa a música. Mas não estava muito feliz com o .

~

– Até que enfim os dois chegaram! – falou ao chegarmos a casa de praia.
– O trânsito estava um horror. E o não dirige muito bem.
– Ah, é? Por que tu não veio dirigindo, hein, bonitinha?
– Ah... Fica quieto aí! – ela falou, me dando uma pedalada.
– Então, ... Quero te apresentar minha namorada. – chegou ao lado de sorrindo. – , . , . – Prazer, ! – falou sorrindo. – Pode me chamar de .
– Então me chame de , como todo mundo.
– Então... Vamos levar as coisas lá para cima enquanto eles ficam aqui.
– Vamos lá!
Elas saíram, deixando e eu no carro.
– Elas fazem amizade rápido, né? – falou, olhando para as duas.
– Pode crer.
– Então? Banho de piscina?
– Toda hora, rapaz!
Caminhamos até a piscina, onde , e já estavam tomando banho. Peguei a roupa de tomar banho lá, que eu não sei o nome, e coloquei para entrar na piscina.
– Aniversário bom, né, ? – falou ao me ver.
– Pode crer, rapaz!
– E a ? – perguntou malicioso.
– Pois é, né? – Eu ri.
– Agora, gente... Vocês viram a e o , né? – falou malicioso.
Eu fiquei calado. Eles não podiam saber da briguinha besta que eu tive com a por causa daquela cena. Não foi ciúmes. Foi apenas... cuidado que eu tenho por ela.
– Claro que vimos. Só se eu fosse cego para não ver – disse, pulando na piscina.
– Ela pode ficar com qualquer um, não pode, ? – eu falei um pouco bruto.
– Calma, . Foi só um comentário, tá? Não precisa ficar com raiva de mim.
– Eu não estou com raiva de ninguém. É só que... não foi coisa de outro mundo. Ela é livre para ficar com quem ela quiser.
Nessa hora, olhei para a entrada da casa. Vi saindo da casa e conversando com Mandy. Ela usava um biquíni roxo.
– Que foi, ? – ela perguntou ao chegar perto da piscina. Eu não havia percebido, mas estava olhando feito um idiota para ela. – Nada. É que eu pensei ter visto uma celulite ali. – Eu apontei e, como resposta, senti um coisa na minha cabeça. – Ai! – eu falei, pegando na minha cabeça.
– Você é um insensível, sabia? – Ela riu. – E me passa o protetor pra cá!
– E pra que serve isso? – eu perguntei, dando o tal protetor para ela e pegando na nuca. Estava doendo.
– Eu sei! – , idiota, falou animado. – É para ela não ficar vermelha!
, você quer um galo que nem o do ?
– Não! – ele se apressou em dizer.
– Pra que, ? Ela já tá vermelha com esse sol pouco que tá fazendo.
Ela me olhou indignada.
– Tá. É brincadeira! Linda, bonita e charmosa. Não é vermelha!
Ela deu a língua.
– Agora sai do meio que eu vou pular.
– Gente! Cuidado. Uma baleia vai pular na piscina! – eu avisei rindo.
Mas é claro que era uma piada. ? Baleia? Poupe-me!
Ela pulou e logo atrás Mandy pulou.
– Agora a baleia vai te esganar! – ela falou, nadando em minha direção. Eu desviei.
– Louca! – Eu ri.
– Me paga. Você dorme, ! Cuidado com o bicho papão, viu?
Eu ri.
– Então, gente... Vamos brincar de briga de galinhas? – Brincadeiras infantis de .
– Como é? – perguntou.
– Assim... A gente sobe nisso do menino... – ela começou, batendo no meu ombro.
– Tá falando do ombro? – eu perguntei rindo.
– Que seja. Aí... A gente briga com a outra garota.
– Pra que brigar com a pobre da garota? – é lesado, man. É sério!
– Tu não entendeu? Elas vão brigar por minha causa, . Deixa de ser lesado! – Eu ri.
olhou para mim indignada.
– Olha... Você já me chamou de sedentária dizendo que eu ia ficar obesa, já me chamou de baleia e agora de galinha? Você está bem insensível hoje, né?
– Ôôh... Desculpa, ! – eu disse, abraçando-a.

~

Droga! O dia fora agitado demais. E eu estava cansadão. Mas não conseguia dormir. Olhei para o lado. babava o travesseiro da outra cama. Eu mereço!
Saí da cama e desci as escadas. Ia fazer alguma coisa, nem que fosse só ficar vendo a piscina. Saí da casa e vi a luz do espaço lá da churrasqueira acesa. Olhei bem e vi sentada na cadeira, desligando o celular.
– Não consegue dormir também? – eu perguntei ao chegar perto dela.
– Ah... – ela falou sorrindo. – Mais ou menos. acabou de me ligar.
– Ah... . – Eu peguei uma cadeira e sentei ao lado dela.
– Pois é. Ele vem amanhã passar o dia por aqui.
– Hum... – eu falei, olhando para o céu.
– E você? Não consegue dormir por quê?
– Dia agitado. Minha cabeça tá a mil. Não consigo dormir assim.
– Ah...
Ela levantou e foi até a beira da piscina.
– Vai pular? – eu perguntei rindo.
– Nada. Não sou tão doida. E tá bem frio.
– Duvida eu pular?
Ela olhou para mim, não acreditando no que eu falava.
– Duvido! – ela falou rindo.
Eu fui até a beira da piscina e tirei a blusa.
– Não, . Você não seria louco!
Eu olhei mais uma vez para ela e ri. Pulei. É. Pulei. Sou louco, né?
– Seu retardado! – ela disse preocupada.
– Vem! A água está bem quentinha.
– Deus me livre! Quente está minha cama.
– Vem!
– Não!
Eu olhei para ela e ri.
– Sai daí, . Você vai pegar um resfriado!
– Então me ajuda a sair!
– Não! Pra você me derrubar?
– Claro que não! Você acha que eu teria coragem de fazer isso?
– Acho! Acho não, tenho certeza.
– Me ajuda!
Ela pensou um pouco e me olhou com raiva.
– Você promete?
– Prometo.
Ela me olhou mais uma vez e me deu a mão. No impulso, eu a puxei para dentro da piscina.
– Seu idiota! Você prometeu!
– Eu não disse o que eu prometia!
Ela se debatia nos meus braços. Eu só ria.
– Fica quieta. A água só fica quentinha quando você não se mexe.
Ela parou de se debater e me deu uma pedalada.
– Seu idiota!
Ela olhou para mim.
Eu não sei o que eu sentia. Mas meu corpo inteiro pedia para que eu a beijasse. E sua boca estava assustadoramente perto da minha. Resolvi parar de pensar e partir para o beijo. Ela fechou os olhos e eu cheguei bem perto.


Capítulo 7

começou a se debater.
– Ai! Um sapo!
Eu ri e peguei uma folha de bananeira.
– Tá aqui seu sapo! – eu falei rindo.
– Ah... – Ela riu.
Eu ia me virar para voltar o que estava fazendo quando a vi saindo da piscina.
– Eu vou... Vou me enxugar e trocar de roupa. Vou dormir, . Boa noite!
– Tchau, .
Tá. Eu estava um pouco decepcionado. Quero dizer... ia rolar o beijo. Se não fosse a bananeira. Ia mesmo. Mas foi bom assim. Ia ser bem chato se... Bom... Se a gente tivesse se beijado mesmo. Sem falar que ela está ficando com o .
Então... Esquece o que aconteceu lá.
Saí da piscina e subi até o quarto.

~

– Acorda, ! Porra, man!
Senti as pancadas do . – Que é, man? – eu perguntei mal humorado.
– O pessoal tá tudo lá embaixo. Tu vai pra praia ou não?
– Podem ir na frente. Eu apareço já!
saiu do quarto e eu virei para o outro lado da cama. Mas não peguei no sono. Com raiva, fui ao banheiro, escovei os dentes e coloquei uma roupa de praia e desci.
Cheguei à sala e todo mundo estava lá. havia chegado e estava sentado no sofá ao lado de .
– Bom dia, ! – ele falou e eu fiquei com ódio só da voz dele.
– Se o dia for bom, eu te digo mais tarde.
– Eita! zinho acordou mal-humorado. – riu.
, me faz um favor? Vai ver se eu estou na esquina, vai?
– Quem vai pra praia?
apareceu parecendo uma doida na sala. Usava um óculos rosa, um chapéu rosa, um maiô rosa e levava uma cadeira de sol rosa também.
– A gente, não é, ? – falou, olhando para .
– Aham.
Quem é esse idiota para falar “a gente, né, ”? Ai. Não é ciúmes. É que ele é um idiota. Só por isso!
Esperei todo mundo sair e fui tomar café.

~

– Resolveu aparecer? – perguntou mal-humorado.
– Não, ainda estou lá. Não tá vendo? – disse brutamente.
– Ah, ... Não começa com os teus ataques aqui! – falou com raiva. – Por favor!
– Antes que eu mande vocês irem para aquele lugarzinho, eu vou sair.
Fui até a areia da praia e sentei. Fiquei olhando o mar. Não demorou muito quando vi uma moça correndo pela praia. Conheci logo. Era . Usava um biquíni laranja. Atrás dela, estava . Ela corria dele. Devia correr mesmo. Parecia que eles eram crianças. Porque o prêmio se ele a pegasse era um beijo. Eu tentei não olhar, mas não dava, era involuntário.
– Oi, ! – chegou rindo e se sentou ao meu lado. – Tudo bom?
– Não! – eu falei frio.
Acho que olhei para ela com minha pior cara, já que ela desmanchou o sorriso na hora.
– Fala, ! – se sentou do meu outro lado. Eu rolei os olhos. – Melhorou o humor?
– Não! – eu respondi com raiva. – Droga!
– O que você tem, man? – ele perguntou e eu me segurei para não dar um murro nele.
– Deixa, , ele é assim mesmo. Muda de humor de uma hora pra outra.
Eu rolei os olhos e levantei.
– Vai embora? – perguntou.
– Não. Vou andar. Não tá vendo?
Eu comecei a andar pela praia, afastando-me dos meninos. Sentei na areia mais uma vez e deitei. Fechei os olhos.

~

? – perguntou assustado ao vê-la ao portão.
– Oi! – ela falou, sorrindo ao ver .
– Mas... O quê...?
– Eu a convidei, ! – eu disse, chegando perto deles.
– Ah... – me olhou sem entender.
– Coloca suas coisas lá dentro, ! – eu falei, dando um selinho nela.
Ela passou pelos meninos que estavam sentados na sala. Eu olhei para , que a olhou dos pés a cabeça.
– Quem a convidou? – Mandy perguntou, assistindo subir as escadas.
– Fui eu! Algum problema?
me olhou com raiva.
– Não, ! Mas você sabe que nem todo mundo se dá com ela! – falou e eu ri.
– E eu estou preocupado com isso? – eu perguntei, olhando para . – Os incomodados que se mudem!
Ela levantou com raiva e disse:
– Acontece, , que eu não vou ficar ouvindo você me tratar mal e tratar toda a galera desse jeito porque você acordou de TPM, okay?
Ela subiu as escadas e todo mundo ficou em silêncio. Eu rolei os olhos e fui atrás dela. Andei pelo corredor e vi a porta do quarto que estava entreaberta. Bati e entrei.
– Posso entrar? – perguntei. – Já entrou! – ela falou, colocando algumas roupas em uma mala.
– Você vai embora?
– Não. Só estou guardando algumas roupas e... Ah... o que você quer?
– Te pedir desculpas!
– Quantas vezes eu vou ouvir você pedindo isso? – ela perguntou, sentando-se na cama com raiva e baixando a cabeça.
Eu caminhei até ela e me abaixei.
– Muitas, . Muitas vezes você vai ouvir isso de mim. Porque eu sou um idiota. E piso na bola o tempo todo.
me olhou. Seus olhos estavam vermelhos.
– O que você quer que eu diga? Que eu fui um idiota? Tá bom. Eu fui um idiota. Ou que eu sou um idiota? Tá. Eu sou um idiota. Sou mesmo! Mas me perdoa. Por favor.
me olhou séria e depois sorriu.
– Tá, idiota! Eu te perdôo.
Ela levantou e continuou guardando algumas roupas.
Eu saí do quarto e fui ao quarto em que estava.
– Nem acredito que você me convidou, !
– Ah é. Nem eu! – falei baixinho.
– É tão romântico. Nós dois aqui! Sério!
Ela caminhou até a mim e me beijou. Eu retribui, mas por obrigação. Havia convidado a pé no saco, tinha que agüentar agora. Boa, ! Muito boa!

~

– Eu não gosto dela, ! Ela quis se meter nas coisas! Eu não agüento!
Passava pelo quarto de e quando ouvi falando.
– Mas o a convidou.
– Não quero saber! Fala com o . Sei lá! Eu não quero essa ai aqui!
Desci as escadas rindo. Ia ter barraco.
– Mudou o humor? – perguntou ao me ver.
– Aham... Ei... Tu não ia embora hoje?
– Pois é. A galera vai tudo para a praia agora, né? Vai ter um luau lá. Eu não vou poder ir. Vou embora.
– Que pena – eu falei falsamente.
– Pois é.
desceu as escadas.
, quero bater um lero contigo. Vamos ali.
Eu segui .
– A vai matar ! – Foi a primeira coisa que disse.
– O que você quer que eu faça?
– Fala com ela! Ela não pode ficar aqui.
– Eu?
– Exatamente! Foi você que convidou!
– Ah, cara... Exatamente. Eu convidei. Ela vai encher o saco. Tu é dono dessa casa. Tu pode expulsar.
respirou fundo.
– A casa é da .
– Mesmo assim. Tu expulsa.
riu da minha cara.
– Pede logo.
– Expulse-a? – eu pedi, quase implorando.
– Okay! – riu.
Voltamos à sala. Sentei no sofá e fiquei conversando com .
Minutos depois, desceu as escadas com ódio. Eu me segurei para não rir.
– Seu idiota! Nunca mais me procure! – ela falou com ódio e saiu.
Eu olhei para e começamos a rir.

~

Cheguei à festa na praia com o melhor dos humores.
– Boa noite, ! Saiu da toca? – perguntou e eu ri. É, meu humor estava melhor.
– Sim, !
– E ? – Mandy perguntou.
– Foi embora! Sou um homem livre! – falei rindo.
– Ah... É por isso que ele está tão feliz, né, gente? – riu também.
– Sim, ! Muito!
Olhei para entrada e vi chegando ao lado de . As duas riam muito. Ela estava com um vestido longo e branco. Linda. É. era linda. Não posso mentir. Ela me olhou e sorriu.
. Convida uma daquela de novo que eu te mato! – falou com raiva.
– Pode deixar, . Recado recebido!
– Iiiiih... Esqueci meu celular! – disse do nada. – zinho? Amor da minha vida, coração da minha alma, minha vida perdida na reencarnação passada... Vamos comigo lá na casa?
Eu rolei os olhos.
– Pára de puxar meu saco. Isso não combina contigo. Mas vamos lá! Preciso pegar algumas coisas também.
Saímos da festa rindo à toa. Parece que também havia tomado um chá de bom-humor. Nem parecia que tínhamos brigado.
Andávamos feitos dois doidos no meio da rua. Ela me empurrava e eu a empurrava também. Detalhe: era quase meia noite, mas a rua estava bem agitada.
– E aí? O que você fez?
– Fiquei com ela!
– Eeeeca, ! Ficar com uma menina dessas!
Eu ri.
– Eca mesmo? – eu falei rindo e fazendo cócegas nela.
– Páááraaaaaa, ! – ela gargalhava.
Eu não a largava.
– O quê?
– Páááááraaaaaaa! Porra! Pára!
Eu a segurei e nos olhamos. Mais uma vez, estávamos bem perto um do outro, só que dessa vez no meio da rua. Eu podia sentir a respiração de . Minhas mãos estavam em sua nuca. Ela fechou mais uma vez os olhos. Coloquei minhas mãos por debaixo de seus cabelos.


Capítulo 8

BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!
- SAI DO MEIO DA RUA, SEUS DOIDOOOOOS!!! - Um homem passou de moto buzinando e nos afastamos.
- SEU FILHO DE UMA PUTA!!! – eu gritei, mas ele não podia mais ouvir, já havia desaparecido na esquina.
- Pára, ! – pediu.
Continuamos a andar lado a lado. Só que em silêncio. Acho que ela percebeu o que realmente iria acontecer. Mas esse motoqueiro do... Enfim... Foi até bom ele ter aparecido.
Chegamos à casa. subiu para o quarto para pegar o celular e eu subi até o meu quarto. Peguei algumas camisinhas e o meu celular também.
- Pronto? – perguntei ao ver descendo as escadas.
- Aham... Vamos lá!
Pegamos o caminho de volta à festa. Falávamos sobre alguma coisa sobre filmes quando chegamos à entrada da festa.
Eu olhei para que me olhou desconfiada.
- Você não tá a fim de ficar nessa festa, né, ?
Eu olhei para ela e disse “não” com a cabeça.
- Nem você, né? – perguntei.
- Hã, hã... – Ela disse “não” com a cabeça.
- Quer dar uma volta na praia? – perguntei.
Ela olhou para a praia, em que não havia quase ninguém.
- Vamos lá! – ela falou sorrindo.

~

Estávamos bem afastados da festa. havia tirado a sandália e eu carregava a minha e a dela. Meus pés já doíam. Sentei na areia.
- Já vai sentar, morto?
- Aham. E você sente aqui também. Não vai ficar andando por aí sozinha! – falei rindo.
- E você é muito um guarda-costas, né?
- Fica quieta aí! – eu falei, deitando.
Ela sentou do meu lado e depois deitou.
- Legal as estrelas, né? – ela falou.
- Aham. Sabe fazer desenhos?
- Sei! Olha... – Ela pegou meu braço e fez nas estrelas um guarda-chuva.
- Legal! – falei sorrindo. – Olha... – Fiz uma maleta.
- Fazendo isso só me lembro do filme “Uma mente brilhante”!
- Eu também. Adoro aquele filme. Apesar de ser muito excêntrico.
- Besta! – ela falou batendo no meu ombro.
Ficamos em silêncio um pouco.
- Como você conheceu o ? – perguntei. Era curiosidade, okay?
- Bom... Tem bastante tempo. Eu tinha quinze anos. Acho. Então faz mais ou menos cinco, seis anos... Nós estudamos juntos.
- Mas... Você começou a ficar com ele... Agora?
Ela pensou um pouco.
- Na verdade... Bom... Eu gostei muito dele quando nova. Ficávamos. Nada tão sério. Tanto que... foi com ele que eu perdi... er... a virgindade.
Fiquei surpreso. Não sabia o que falar. Tipo... Total.
- Sério?
- Aham... Mas... Faz tempo.
- Sabe? Eu estou sem palavras. Não esperava essa... Bom... Isso.
riu e virou pra mim.
- Confio em você, ! Tem sido um bom amigo. Brincadeiras a parte, sabe?
Eu sorri e a abracei forte.
- Você também tem sido a melhor amiga que um cara pode ter. Nem mereço tua amizade.
- Ah, ! Fala sério – ela falou rindo.
- Sério! Às vezes eu sou aquele idiota, que nem eu fui hoje de manhã. Mas eu adoro você. E quando você me conta essas coisas... Sei lá. Eu sei que você confia em mim. E isso é tanto um peso como também é um voto de confiança.
- É – ela fala me abraçando. – Promete sempre estar comigo?
- Nos momentos bons e ruins também! – falei abraçando-a.
Sentia meu corpo ficar um pouco mole com aquela cena. Sério. era O cara, entende?
Tá. Você não entende. Mas ela era.
Ficamos um tempo abraçados. Foi meio gay. Mas eu gostei.

~

me deixou em casa e foi para a casa dela. Entrei no meu apartamento e fui direto para a cama. Estava cansado mesmo. Não tinha dormido. Fiquei na praia com até o pôr-do-sol. Uma coisa meio de gay. Mas ela havia pedido para mim ficar com ela.
“Mim”. Aff... Índio. Nem sei se está certo. Não. Na verdade, é “Eu”. Tá vendo? O sono está corroendo meu cérebro. Preciso dormir. Peguei no sono e fui acordar só sete da noite com o toque do celular.
- Alô? – atendi.
- Ei, ! Vai ter festa na casa do hoje. Vem!
- Ei, man... Eu tô um caco. Não vai rolar mesmo.
- Então eu vou por ai.
- Traz a pizza.
- Tá de boa, man!
Desliguei o celular e fui tomar banho. Com certeza viria ele e toda mundo.
Coloquei uma calça jeans e uma blusa dos Beatles.
Fui à cozinha e olhei a geladeira. Não havia nada. Resolvi sair e comprar.
Peguei o carro e fui até o supermercado.
Comprei bebida, refrigerante, sorvete, pipoca e aluguei alguns filmes.

~

Abri a porta e vi os quatro sorrindo feitos quatro idiotas.
- Boa noite, meu lindo! – falou e eu dei o dedo do meio, rindo.
- Sintam-se em casa! – falei parecendo aquelas donas de casa.
- Agora o pareceu com minha mãe recebendo minhas tias – falou rindo.
- Vai te ferrar, ! E a festa na casa do ?
- Deve tá rolando – falou sentando no sofá.
- Ah... E a foi?
Os meninos se entreolharam. falou rindo.
- Não, . A não foi não, porque amanhã começam as aulas dela. Convidamos ela, mas ela deu o mesmo pretexto.
- Ah... – eu falei um pouco mais animado. Não sei por quê. Não. Não é por causa da . Não tem nada a ver com ela!
- E cadê a bebida? – perguntou.

~

Faz exatamente duas semanas que eu não vejo a . Não que isso me incomode. Não. Longe de mim. Mas é que eu pensei nisso agora.
Os dias estão cada vez mais frios. Apesar de estarmos no meio de Setembro. Mas Dezembro está bem perto. E Dezembro significa natal. Natal significa “Papai Noel”. Tá. Tudo bem. Eu não acredito mais em “Papai Noel”, mas foi um choque quando eu descobri que ele não existia. Tu é louco. Foi uma decepção. Mas eu quero dizer que é época de festa, presentes e tudo mais.
Agora também parece que a banda vai decolar mesmo. Nossa música toca direto nas rádios. E está pau a pau com o McFly. Harry, Tom, Dougie e Jones que me perdoem, mas o SoD está desbancando eles.
Enfim... Eu ando muito sem fazer nada.
Hoje é domingo. Minha mãe me convidou para almoçar lá na casa dela. Eu vou, né? Afinal... A velha é a mulher que me gerou. Nossa... Filosofei agora.
Parece que ela convidou os meus tios, sei lá. Meus primos, amigos... Coisa do tipo. Vão tudo almoçar juntos. Eu não gosto muito dessas reuniões familiares. Mas até que eu curto.
Então tratei de ficar bem arrumadinho e perfumado (como a velha diz: Gente!).
Peguei o carro em direção à minha antiga casa.

- Família, cheguei! – falei entrando e um pivete correu e passou correndo pela porta.
- Ô , querido. Entre! – Minha mãe me chamando de “querido”? Ela não chama assim desde que eu tinha o quê? Dois anos?
- Nossa... Como ele está grande! – uma mulher magra e alta falou sorrindo para mim.
- , você se lembra da Tia Vivian?
- Ah... Nossa... Faz quase um século.
Ela me abraçou. Mais uns três tios me abraçam e umas cinco tias, eu acho.
- , você se lembra da sua prima Isabelle? – minha mãe perguntou e eu olhei para onde ela apontava.
O que era aquilo? Prima? Aquela era a minha prima Isabelle? Aquela que eu tive um rolo aos seis anos. Tá. Tudo bem. Seis anos eu era criança. Mas eu comecei a fama cedo. Caraca... A menina era um avião. Sério. Era loira, magra, um pouco alta, olhos verdes e que corpo. Não. Que corpo!
- Esse é o ? – ela perguntou. Eu ainda estava impressionado com tanta beleza. – mesmo?
- Oi... – eu falei abraçando-a. – Nossa... Como você cresceu.
- Você também. Mas sua mãe disse que você continuava o mesmo.
- Minha mãe aumenta muito.
- E que você tem uma banda? Ela aumentou?
Eu ri.
- Não. Eu tenho uma banda sim. Son of Dork.
- Conheço. Nas paradas das rádios, né?
- Aham. Poxa... Nem acredito que é você, Isabelle.
- Pode me chamar de Belle.
- Então... Você vai morar em Londres?
- Vou. Meu pai não quis mais ficar no Kentucky. Mas eu preciso de alguém para me mostrar Londres.
- Eu posso mostrar – falei sorrindo.
- Vou cobrar.
- Gente... Vamos almoçar! – minha mãe pediu e todos foram à mesa.
- Então eu sou prima do do SoD – ela falou ao sentarmos na pequena varanda. É. Não dava todo mundo na sala.
- Sim. E com certeza do mais bonito.
- E do mais convencido também!
Rimos.
Isabelle havia mudado muito. Ela sempre foi a prima mais bonitinha que eu tive. E a primeira a eu conquistar. Mas a garota havia se transformado. Sério. Eu me recordo pouco da infância. E foi bom ter reencontrado-a de novo.
- E como vão as garotas, ?
- Muito bem!
- Ainda tem a fama de pegador?
- Sempre fui fiel a ela. Nunca perdi nesse quesito.
Ela riu.
- E você?
- Eu? Bom... Eu até então namorava um imbecil. Mas... não deu certo.
- Que ruim pra ele, né? – falei bebendo um pouco de vinho.
- Por quê?
- Perder uma garota do seu porte.
- Muito obrigada, primo querido. Vejo que, como sempre, continua galanteador.
- Conta outra!
Já estava escurecendo quando meu celular tocou.
Vi no visor o nome: .
- Fala, meu homem! – atendi rindo.
- Diz ai, meu amante! – falou e eu ri. – Ei, man... O pessoal todo tá marcando de ir pra casa da .
- O que vai ter na casa da ?
- A gente tava pensando em assistir filme, beber alguma coisa... Sei lá! Vamos?
- Beleza! Eu tô na casa da minha mãe. Só vou me despedir do pessoal aqui e vou pra lá.
- Falou. Cheiro, meu homem!
- Não se empolga!
Desliguei o celular.
- Casa da namorada? – Belle perguntou e eu ri.
- Não. Casa de uma amiga.
- Amiga? Colorida?
- Não. Nem pensar. Eu e ... Não. Nunca. É que parece que vai ter uma festinha por lá.
-Ah tá... Mais animado que isso, né? – ela falou olhando para o pessoal que estava na sala.
- Bem mais – falei rindo. – Você quer ir?
- Não. Nem conheço seus amigos. Não.
- Deixa de ser besta. O pessoal é super legal. Vão adorar você.
- Não sei, .
- Deixa de frescura. Você só não vai se não quiser.
Ela pensou um pouco.
- Só se você prometer não me deixar na merda.
- Prometo! – falei fazendo um “juro” com os dedos. – Agora vamos?


Capítulo 9

Chegamos à casa de quase oito horas.
- Ai, . Eu estou morrendo de vergonha! – Belle falou nervosa.
- Deixa de ser besta. Você é minha prima.
Não sei por que, mas me deu um alívio ao ver a casa de . Quer dizer... Faz duas semanas que não a vejo. E ela é minha amiga.
Ao chegarmos à porta, ouvimos os risos e barulho de dentro da casa da casa.
Toquei a campainha. Belle segurou em minha mão bem forte. Como quando éramos crianças. Quando ela tinha medo de alguma coisa.
Eu olhei para ela e ri.
- Calma – falei olhando para ela.
Esperamos um pouco e abriu a porta rindo com uma colher de pau cheia de chocolate.
- Deve ser o e... – Ela olhou para nós. – Ah... Oi! Desculpa a colher, é que... – ela falou olhando para colher. – Estamos fazendo chocolate e... Enfim... Oi!
Sério. Eu adorava esse jeito dela de rir e de desenrolar as coisas.
- Oi, ! – falei rindo e abraçando-a. – Essa é minha prima. Isabelle.
- Oi... – Isabelle falou um pouco envergonhada.
- Olá, Isabelle. – falou, cumprimentando-a. – Entrem logo!
Entramos na casa de e todos estavam na sala. Até e Mandy.
- Olha aí! Meu homem chegou! – falou jogando a almofada em mim.
- Agora não, . Só mais tarde! – falei jogando a almofada de volta.
- Olha aí... O assumiu! – falou rindo.
- Fica quieto aí que eu posso revelar a sua história com o .
Todos rimos.
- Minha é uma ova! – falou jogando outra almofada em mim.
- Ainda bem que o me tem! – falou abraçando o noivo.
- Tá brincando! Não sabia do e do do McFly? – falou e riu irônico.
- Tá certo, ! Sou nem tu!
- E quem é a moça? – perguntou olhando para Belle, que corou na mesma hora.
- Ah... Essa é minha prima, gente! A Isabelle. Ou Belle. Tratem-a bem. Não a deixem assustada – falei rindo.
- Vocês já a assustaram! – Mandy falou rindo.
- É verdade... Esse negócio de “meu homem” aí, , num é muito legal não! – falou e rimos. Até Belle riu.
- Aí, galera... A pipoca e o chocolate já saíram! – falou vindo da cozinha com duas tigelas enormes.
- Ótimo! – foi logo pegando uma tigela.
- Passando fome, ? – perguntei indo para o sofá. Belle vinha atrás de mim.
apenas me deu o dedo do meio.
- Tem mais ainda na cozinha! – falou passando entre os meninos que estavam no chão e sentou no carpete. No chão mesmo.
- A é uma menina tão prendada, não é, gente? – falou abraçando ela.
- Obrigada, . Mas não, eu não caso com você!
Todos nós rimos.
- Caramba! Só por que eu ia pedir com tanto carinho – falou desanimado.
Sentei no sofá e Belle se sentou ao meu lado.
- Falando em casamento... - perguntou rindo. - Onde está o , ?
Eu virei os olhos. Belle percebeu.
- Ah... Ele tá viajando. Tem umas apresentações do McFLY aí. O Jones mandou um abraço.
- Ei, gente, nós nem nos apresentamos pra garota! – falou do nada.
- Não seja por isso. Oi. Meu nome é . – falou sorrindo. Elas estavam lado a lado.
- O meu é .
- .
- .
- O meu é !
- Mandy! – Mandy falou sentando no chão.
- E falou com a boca cheia de pipoca.
- Cuidado pra não se engasgar, – falei rindo.
- Tá certo, . Vou tomar muito cuidado depois que você agourou aí – ela disse, levantando e pegando os DVDs.
- Salvei tua vida! - falei rindo.
- Aham... - ela disse olhando para os filmes.
- E aí? Qual é o filme que tem? – perguntei.
- “O resgate do Soldado Ryan”, “Todo mundo em Pânico”, “Todo Poderoso”...
- Caramba! Não tem um de romance? – perguntei rindo.
- Eita, . Querer assistir um de romance? Isso não é normal! – falou rindo e eu sorri ironicamente.
Olhei para , que ainda olhava os DVDS sem nos olhar, mas prestava atenção na conversa.
- E aí, gente? Qual vai ser? – ela perguntou um pouco mais séria.
- Não sei, . O que você sugere? – perguntou atencioso.
Não é por nada não, mas eu senti que está um pouco mais assanhado para .
- Não sei... – ela falou olhando os DVDs. – “Piratas do Caribe”?
- Pode ser! – falou. – Qual?
- O terceiro! – ela disse sem olhar para e examinando a capa do DVD. – “Até o fim do mundo”.
- Ótimo! – falou se ajeitando do meu lado.
- Ai... Eu amo O Johnny Depp! – falou e olhou torto pra ela.
- Pois eu prefiro o Orlando Bloom! – falou colocando o DVD.
- Pois eu me prefiro! – eu disse e riu.
- Não. Ainda assim eu ainda prefiro o Orlando Bloom. Aquele corpinho lindo! Nossa... Que inglês! – disse rindo.
- Se isso é para me deixar com raiva, você não conseguiu. Há há há... – falei irônico quase no ouvido dela.
- Quem disse que era pra você ficar com raiva? – ela falou fazendo uma cara de “E daí?”.
- Eu também sou inglês, sabia? - disse fazendo cara de ofendido.
- Quero saber qual inglesa vai te querer - Mandy disse rindo.
- Olha quem fala! A Encalhada da turma - falou rindo. Mandy só deu a língua.
- Cala a boca! O filme vai começar! – falou e todos olharam para ele. – Que dizer... Se vocês quiserem!
Rimos e olhamos para a TV.
- Eu prefiro a Keira – disse do nada e nós todos rimos.

~

- Adoro esse filme! – disse tirando o filme do DVD.
- Eu também! – falou abraçando .
A essa altura, meus braços estavam entre os ombros de Belle. pegou alguns copos e foi à cozinha.
- Eu vou ajudar a a levar essas tigelas. Volto já! – falei pegando as tigelas que estavam no chão.
- Okay.
Fui à cozinha e lavava alguns copos.
- Oi...
Ela me olhou.
- Ah... Oi... – Ela voltou a olhar para a louça.
- Tudo bem? – perguntei.
- Aham. Por que não estaria?
- Não sei... Você está um pouco esquisita.
- Estou? Nossa... Desculpa, é que... eu ando estudando pra caramba e...
Eu cheguei mais perto dela. Encaramo-nos um pouco. Ela parecia um pouco nervosa. Ela virou para a louça e recomeçou a lavá-la.
- E tá bem puxado – ela continuou.
- Tem certeza que é isso? – eu perguntei, colocando as tigelas na pia e me escorando no balcão.
- Aham...
- E o “Orlando Bloom”? – eu perguntei e ela riu.
- Pra mim ele continua lindo.
Eu ri.
- E as aulas? Como vão?
- Eu já disse, um pouco puxadas. Mas tá bem.
- Quer parar de lavar a louça e olhar pra mim? – falei com um tom de raiva.
Ela me olhou.
- Pronto. Eu estou olhando pra você! – ela falou com um olhar sério. - O que é?
- Você não tá normal – falei chegando mais perto.
- Tô, . Eu tô normal – ela falou levantando um pouco o rosto já que estávamos bem perto um do outro. Ela estava bem nervosa, isso dava para perceber.
- Então olha nos meus olhos e diz que você tá normal – falei sério.
- Que isso, ? – ela falou rindo.
- Fala – eu insisti.
- Gente, ainda tem alguma coca e... – chegou à cozinha quando estávamos perto um do outro. – Ah... Desculpa.
- Tem sim, ! – falou saindo de perto e abrindo a geladeira, tirando uma coca-cola de lá. – Tá aqui.
- Ah... Valeu, ! – falou um pouco envergonhada e saindo rápido.
me olhou e continuou a lavar a louça.
- Tá okay. Você não quer falar – eu disse indo em direção à saída da cozinha.
- Não, . Espera!
Eu virei. Ela olhava para mim e correu em minha direção.
Eu a abracei.
- O que foi? – eu perguntei ainda abraçado a ela.
- Não sei. De repente eu senti um medo – ela falou parecendo bem nervosa. Estava gelada.
- De quê?
- Não sei.
Eu a abracei mais forte.
- Você tá fria – falei beijando sua testa.
Eu nunca havia visto ela naquele estado.
- O que foi que aconteceu, ?
- Eu não sei – ela falou quase chorando. – Me promete que não vai me deixar? Por favor. Que vai sempre está comigo?
- Que isso, boba? – falei rindo e abraçando-a mais forte. – Claro que sempre vou está com você. Eu sou seu amigo. Esqueceu?
- Não – ela falou.
- Você está tremendo.
Ela estava bem gelada e tremendo muito.
- Você precisa deitar. Eu vou te levar pro quarto.
Eu a abracei mais forte e fomos à sala para subir as escadas.
- O que foi, ? – perguntou preocupada.
- Ela está gelada e tremendo. Vou levar ela pro quarto – falei subindo as escadas.
Chegamos ao quarto de e ela deitou na cama. Eu a embrulhei com o edredom.
- Você está com frio? – perguntei e ela confirmou com a cabeça.
Fui ao aquecedor do quarto e aumentei um pouco a temperatura. Realmente estava bem frio. Voltei à cama e me ajoelhei ao lado dela e peguei em suas mãos.
- Você é meu anjo da guarda sabia? – ela falou me olhando sorrindo.
- Sabia! E eu estou aqui pra isso.
- Desculpa por lá na cozinha.
- Esquece isso - falei beijando sua testa. – Eu vou estar aqui sempre. Você sabe disso.
- Eu sou tão boba, né?
- Não. Você é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci.
Olhamo-nos nos olhos. Mais uma vez estávamos mais perto um do outro. Eu me aproximei de novo de sua boca e ela fechou os olhos.
- A precisa... Droga! De novo! – chegou bem na hora e entendeu o que estava acontecendo
- Não – eu falei me levantando. – Eu estava cobrindo ela. Você pode ficar com ela. – Eu virei para . – , eu preciso ir mesmo. Estou com minha prima. Você entende, né?
- Claro, ! Pode ir. Obrigada – ela falou e eu beijei sua mão.
- Olha... Eu volto daqui a pouco com um médico.
- Não precisa mesmo, , eu...
Eu coloquei meu indicador em seus lábios.
- Quietinha... – disse sorrindo e ela sorriu.
Desci as escadas e vi Belle conversando com os meninos.
- Como ela está? – perguntou.
- Ela está bem? – também perguntou.
- Eu acho que ela está com gripe. Sei lá. Mas ela está bem. está lá.
- Mas tá tudo bem, né? – Mandy perguntou.
- Sim, sim! Bom... Belle. Vamos?
- Vamos.
Despedimo-nos dos meninos e saímos.
- Ela está bem mesmo, ? – Belle perguntou quando entrávamos no carro.
- Sinceramente, eu não sei. De qualquer forma, eu vou voltar com um médico aqui daqui a pouco.
- Você queria ficar aqui com ela, não era?
Eu a olhei.
- Por que você acha isso?
- , eu olhei a forma como vocês se tratam. O jeito que ela te olha, o jeito que você a olha. A forma engraçada de carinho que vocês têm um pelo outro... Quem não ver, isso é cego. Tá na cara que não é apenas amizade.
- Eu queria ficar com ela sim porque eu quero saber como ela está porque ela é minha amiga. Mas nada mais que isso.
- Amiga?
- Sim. Amiga. Só amiga.
Isabelle abaixou a cabeça.
Ficamos em silêncio por um bom tempo até eu chegar em frente a nova casa dela.
- Desculpa eu ter que te deixar assim. Mas é que... Você entende, né? Eu tenho que ir atrás de um médico. Ela não tá muito bem.
- Tudo bem, . Eu entendo. – Ela me olhou sorrindo. – Adorei conhecer seus amigos e te ver de novo.
Ela me olhou um pouco e ao se despedir me deu um selinho. Eu apenas ri.
- Nós vamos ter vários momentos desses como hoje – falei sorrindo.
- Uhum... – Ela abaixou novamente a cabeça e eu levantei o rosto dela, dando-lhe um beijo.
Não sei por que eu fiz isso, mas é que... Não sei. Me deu vontade, entende?
- Tchau! – ela falou rindo.
- Tchau! – falei vendo-a saindo.
Esperei ela entrar em casa para sair.


Capítulo 10

- Sr. , é apenas um mal estar. De qualquer forma, se ela piorar, me ligue imediatamente. Eu dei um remédio para ela dormir. Agora ela já está dormindo.
- Okay.
- Bom... Eu vou indo. Não se esqueça de ligar caso ela piorar.
- Muito obrigado, Senhor!
O médico saiu e eu subi as escadas. Todos já haviam saído. Fiquei apenas eu. E eu não iria embora e a deixaria ali. Sem falar que eu teria que falar se ela havia piorado ou não.
Entrei no quarto.
dormia um sono profundo. Sério. Ela era linda até dormindo. O que é? Eu nunca neguei que ela era bonita. Ou linda. Sei lá.
Sentei no carpete do quarto e fiquei observando-a. Era bom olhá-la ali. Sem ela falar. Sem ela ver que eu a admirava. Sim. Eu admiro a . Como mulher, garota, estudante, amiga e como pessoa.

~

- ? ? Acorda! – Senti alguém me chamando. Abri os olhos e vi .
- ?
- Você dormiu aí?
Eu olhei para o lado e eu estava deitado no carpete.
- E-Eu acho que sim – falei sentando.
- Não acredito. Você... Está aqui desde ontem?
- O médico lhe medicou. Quando subi, você já dormia. Eu não ia te deixar sozinha.
- Mas... Estou bem.
- O doutor disse que se você piorasse era para ligar pra ele.
Ela me olhou com um olhar de impressionada, mas feliz.
- Bom... Então o mínimo que eu posso fazer é fazer um café para você – ela disse sorrindo.
- Não. EU faço o café – falei levantando. – Você está bem?
- Melhor que você!
- Ótimo! – falei beijando sua bochecha. – Então tome um banho e eu faço questão de preparar o café.
Ela me olhou desconfiada.
- Confie em mim.
- Da última vez que você me pediu isso, você me puxou para dentro da piscina. Lembra?
Eu ri.
- Vai logo.
Desci as escadas e fui à cozinha.
Coloquei a água no fogo, peguei alguns ovos que estavam na geladeira, fui a uma padaria ali perto e comprei alguns pães.
Cheguei e preparei tudo. Coloquei a mesa também.
- Nossa... Estou impressionada, . Parabéns! – falava descendo as escadas e vendo a mesa toda arrumada.
- Eu sei fazer as coisas quando eu quero! – falei puxando a cadeira para ela.
- Vou ficar doente mais vezes! – ela falou sentando.
- Não fale isso nem brincando. Fiquei preocupado com você.
Ela riu e colocou um pouco de café em uma xícara.
Eu apenas a observava.
- Que foi? – ela perguntou.
- Nada.
- E sua prima? Bonita ela – falou tomando um pouco de café.
- Você achou? Eu nem reparei – falei naturalmente.
- Ah... Conta outra, ! – falou rindo.
- Eu só tenho olhos pra você, meu amor! – falei parecendo o marido dela.
- Aham... – Ela riu. – Vai dizer que vocês não ficaram?
- Não.
- Não?
- Não! Não ficamos.
- Uhum... Tá certo.
- É sério, . Eu... – Me lembrei da noite passada. É. Eu havia ficado com ela. Mas não iria falar isso para . – Não fiquei com ela.
- Impressionante – disse colocando o ovo mexido dentro do pão. – Pela amizade que vocês estavam ontem...
- ... Você está com ciúmes? – perguntei rindo.
- EU como ciúmes? Não – ela falou rindo. Eu olhei desconfiado para ela. – Não mesmo, s. Nem morta!
- Então por que essa preocupação sobre eu ter ficado com ela?
- Não é preocupação. Eu só perguntei. Tipo... Não seria anormal você ficar com alguma menina.
- Minha prima.
- Dizem que amor de primos nunca acaba.
- E quem disse que eu a amo?
- Você!
- Eu? Não. Você que tá dizendo.
- Olha aí. Você tá nervoso.
Eu realmente estava.
Eu baixei minha cabeça rindo e fazendo um negativo com a cabeça.
- Por que você acha que eu e a Belle tivemos alguma coisa?
- Todo mundo já ficou com um primo, . É normal – falou naturalmente.
- É, eu já tive uns lances com ela. Mas hoje não. Hoje é diferente...
- Você não precisa me explicar nada, . Estava brincando. Você não tem nenhuma obrigação comigo.
Agora que ela falou, é verdade. Tipo... Eu estava preocupado em explicar tanta coisa para ela que esqueci que eu não preciso. Tá vendo? A é tão esquisita que me passa isso.
- É... – falei sorrindo. – Você tem razão.
- E eu vou cuidar. Tenho aula hoje.
- Não. Você não pode ir pra aula.
- , eu estou bem!
- Isso é o que você pensa. Você ainda está debilitada. Não vai passar o dia em aula.
- Mas, ... Hoje eu não posso faltar.
- Pode... Melhor que você passar mal na aula.
Ela me olhou e respirou fundo.
- Você é impossível igual a mim.
- Deve ser por isso que a gente dá tanto certo.
- Ou não – ela falou me olhando nos olhos.
- Ou não! – falei sorrindo.
Por que o fato de eu ter ficado com Belle estava me incomodando tanto? Como se eu tivesse traído a ? Porra. Nada haver. Eu e a não temos nada. Deve ser pelo fato dela passar tanto tempo comigo. Ou eu me importar muito com ela. A é como uma irmã. Bem... Uma irmã diferente. Mas uma irmã.
- E me diz? O que eu vou fazer o dia todo, ?
- Assistir filme comigo – falei sorrindo.
- O dia todo?
- Por que não? A gente aluga um montão de filme e fica o dia inteiro assistindo.
Ela me olhou incrédula.
- O que é? Eu já fiz isso varias vezes – falei com a maior naturalidade do mundo.
- Você é esquisito, . Muito!
- Não! Eu só sou único! – falei puxando ela para a sala.
Liguei a TV e passava alguns clipes do “30 seconds to mars”.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai meu Deus!!! Eu amo o Jared! – amava essa banda. Eu não via nada demais neles.
Ficamos vendo o Clipe “From Yesterday”.

~

- Caramba... Que filme perfeito! – falou ao terminarmos de ver “Eu sou a lenda”.
- Eu também acho. Então... O dia foi tão ruim assim?
- É verdade. Você tem razão quando diz que podemos passar o dia inteiro assistindo filme.
Olhamos para o relógio. Ia dar oito horas.
- Bom... Eu vou indo nessa – falei pegando a chave do carro.
- Já vai? – perguntou. Eu olhei desconfiado para ela.
- Vai sentir saudades?
- Nenhuma. Eu só ia dizer pra quando você sair fechar a porta.
Eu ri.
- Ah é? Então tá! – Eu andei até a porta e ela correu até mim.
- Besta! – ela falou parando na minha frente.
Olhamo-nos mais uma vez. Caramba... Aqueles lábios estavam tentadores demais. E dessa vez não havia telefone, , sapo, motorista doido... Era apenas eu e ela.
Eu a encarei e ela que fechou os olhos. Eu procurei sua boca e quando ia beijá-la senti seu dedo indicador nos meus lábios.
- Não, . Não vamos estragar tudo assim – ela falou me olhando nos olhos.
Eu respirei fundo.
Ela saia da minha frente quando eu a puxei pelo braço e nos olhamos. Peguei sua nuca e a puxei para um beijo intenso.
Suas mãos passavam pelas minhas costas e eu segurava com cuidado, mas com muita atitude, a sua nuca.
Partimos o beijo com alguns selinhos.
Olhamo-nos novamente e ela sorriu fazendo com que eu sorrisse.
- Nossa... Até que enfim – falei sorrindo.
- Até que enfim o quê?
- Consegui te beijar.
Ela riu.
- Nunca dava certo – falei segurando seu rosto lhe dando outro beijo. Só que esse bem mais lento.
Partimos o beijo e mais uma vez sorrimos.
- Vai embora vai – ela disse me empurrando para a porta.
- Tá me expulsando? – perguntei rindo.
- Tenho aula amanhã cedo. Tenho que dormir.
Eu a encarei mais uma vez.
- Só um comentário – falei sorrindo.
- O quê?
- Tu beija mal pra caramba, sabia?
- Cretino! – ela falou rindo e me batendo e a segurei. – Me solta, abestado!
- Calma. Você acha mesmo que eu achei ruim? – falei sorrindo.
Ela me olhou e rimos um do outro.
- Mas isso não pode acontecer de novo, . Por favor. Você sabe por que não.
- Sei. Sei bem por quê.
- Então... Não aconteceu. Somos amigos e pronto.
Eu beijei suas mãos.
- Com certeza.
- Tchau! – Ela falou beijando meu rosto.
Entrei no carro e respirei fundo. Okay. Isso foi esquisito. Bastante esquisito. Mas não aconteceu. Ela é minha amiga. E fica com o .
Liguei o carro e dirigi até em casa ouvindo "Not Alone" do McFly. Altamente romântica.

~

Eu ainda sentia o gosto do beijo de na minha boca. Sério. Estava deitado em minha cama. Caramba. Ela beija muito melhor que eu imaginava. Mas eu não posso. Todas menos ela. Todas as garotas. Menos ela. Porra. Que mulher é aquela, meu irmão? não é burro não.
Virei para o outro lado da cama. Não conseguia dormir. Esse beijo ficou com o gosto de “quero mais”.
E Belle? Bom... Belle é outra história. Ela apareceu em um momento não muito legal. E eu ter beijado-a não foi uma boa idéia. Não que ela beijasse mal. Mas... Bom... De qualquer forma, sem Belle ou com Belle nunca daria certo eu e a mesmo. Quando eu falo “dar certo” eu falo no sentido de ficar com ela mesmo. Não namorar ou coisa parecida.
Sinto inveja do . Sério. Ele pode ter a sem medo de perder a amizade. Mas eu o conheço. Ele não gosta da . Eu também não. Mas... Eu digo porque eu sei que ela pode sofrer. Sei lá. E eu nunca queria vê-la sofrer por causa do .
Mas sério. Eu queria poder ter essa sorte.

Capítulo 11

- Alô?
- Oi, boneco? Tava dormindo?
- Quem é?
- É a Isabelle. Tá lento hoje, né? Já se esqueceu de mim, foi?
- Ah... Oi, Belle - falei esfregando os olhos e me sentando na cama.
- Caraca... Como é difícil encontrar você, hein? Tive que quase pagar pelo seu número.
- Ah... - Eu ri. - E aí?
- E aí que você me prometeu mostrar a cidade. Esqueceu? E já faz dois dias que você não entra em contato.
- Ah... Desculpa. É que... eu sou um pouco esquisito.
- Pode ser hoje? Tudo bem pra você?
- Hoje é o quê? Quarta?
- Aham... Tá perdido no tempo, ?
- Mais ou menos. Mas dá hoje sim. Vai ser bacana.
- Okay. Você pode me pegar às dez. Pode ser?
- Tá certo.
Desliguei o telefone. Imediatamente o celular tocou de novo. Vi no visor: .
- Fala, dude!
- Ei... Tá ligado que dia é hoje?
- Quarta-feira, não é?
- Tá lento hoje, hein?
- Você não a primeira pessoa que me diz isso. Vou começar a acreditar.
- Cala a boca. Hoje é o aniversário da .
- Hoje?
- Aham. A gente tava organizando uma festa surpresa aqui na casa da .
- Que horas?
- Às sete e meia. Fica bom pra você?
- Cara... Hoje nada fica bom pra mim. Mas conta comigo. Eu vou.
- Olha lá, . Você tem que vir! Você é o melhor amigo dela.
- Eu vou, eu vou... Não posso faltar à festa da sem-graça.
- Não pode mesmo. Tenho certeza que ela vai ficar muito feliz em te ver.
- Que história é essa?
- Ah, , pelo amor de Deus! Todo mundo já percebeu.
- Percebeu o quê?
- Você e a . A disse que vocês quase se beijaram no domingo.
- Olha aqui... Eu e ela não temos nada. Nada, okay?
- Tá, . Não precisa ficar com raiva. Só liguei pra avisar.
- Tá certo. Eu... Eu posso levar a Belle?
- Pode, ué. Mas não se atrasa. Por favor.
- Tá certo.

~

- Demorei muito? - Belle falou entrando no carro.
- Não. Só duas horas, quarenta minutos e trinta e cinco segundos.
- Besta... – ela falou no tom da . Tá. Eu falo demais nela. Tá ficando chato isso já.
Ela me olhou sorrindo e me deu um selinho. Eu não correspondi, mas não a afastei.
- Você tá legal?
- Eu tô bem. É que... Belle... Não vamos avançar o sinal.
- Tudo bem, . Eu só achei que...
- Aquele beijo foi ótimo. Foi bom. Mas... Vamos nos conhecer melhor. Tá certo?
- Okay...
- Museu de cera? - perguntei sorrindo.
- Vamos lá!

~

- Amei o dia com você, . Amei! - Belle disse ao chegarmos em frente a sua casa.
- Também gostei. Foi até legal porque eu fui a alguns lugares que eu não ia há séculos.
De repente o celular tocou e eu vi uma mensagem.

Valeu, , obrigado por pelo menos ter avisado que não ia pro aniversário. .

- Droga! - falei colocando a mão na cabeça.
- O que foi?
- Que horas são?
- Dez e vinte e quatro.
- Caramba! Como eu fui esquecer?
- O que foi? - ela voltou a perguntar.
- Esqueci o aniversário da . Droga!
- Aniversário? Por que você não disse?
- Eu achei que ia dar pra gente ir. Mas esqueci.
- Desculpa! - Belle disse ao ler a mensagem.
- Você não tem culpa.
- Tenho. Eu... Eu não devia ter pedido isso pra você. Logo hoje.
- Você não ia adivinhar! Pára com isso! - falei com raiva.
Ela me observava.
- Você e essa sua amiga... Você gosta dela, não é?
- Não gosto.
- Gosta sim! Ah, ... Dezenove anos de experiência, eu sei. Eu não sou burra o bastante para não perceber que você gosta dela, mas... tem medo de admitir.
- Não daria nunca certo, Belle. Não daria! Ela é minha amiga. E eu... Eu acho que estaria preparado para assumir que eu gosto de alguém.
- Mas um dia você terá que assumir.
- Ela fica com o . Meu amigo. E ele... Bom... Ele gosta dela. Gosta mesmo. Apesar deles só ficarem.
- E daí? Duvido que ela goste tanto dele quanto de você.
- Como você sabe que ela gosta de mim?
- Pelo amor de Deus, . O jeito como ela me olhava naquele dia. Parecia que ela queria me matar. E na cozinha...
- Não aconteceu nada na cozinha.
- Mas quase ia acontecendo. Eu... Eu estava levando uns copos pra cozinha quando... Eu vi vocês abraçados.
Eu baixei minha cabeça.
- Eu não estou acostumado com a idéia de estar gostando de alguém. - Eu sei como é isso, . Mas... você tem que admitir isso. Ou vai perder ela de vez.
- Mas eu... Não amo. Entendeu? Eu gosto de estar com ela. Mas... Não. Amor não.
- Eu sei. Eu te entendo perfeitamente. É gostar, sem amar.
- É. É isso. É assim mesmo.
- E você vai perdê-la por causa desse seu amigo?
- Mas se... Se ao menos ela quisesse...
- Ela quer. Você que não tem atitude. - Eu a beijei.
Belle me olhou com os olhos arregalados. - É. Eu a beijei na segunda. Mas... ela disse que era bom não continuarmos com isso. E eu... Acho isso certo. De certa forma. Quer dizer... Somos amigos.
- E daí?
Eu olhei para ela e sorri.
- Você não se importa mesmo? Quer dizer... Nos beijamos no domingo.
- Claro que não, . Eu aprendi uma coisa: não adianta mexer em coração que já tem dona. E... nossa história passou. Faz bastante tempo - ela falou sorrindo. – E eu sou uma intrometida nessa história.
- Você... quer que eu te apresente alguns amigos?
Ela riu.
- É. Seria uma boa!
Ela me beijou na bochecha e saiu do carro.
Fiquei parado até ela entrar em casa e acelerei para a casa de .

~

- Você veio? - Mandy perguntou ao abrir a porta.
- Não. Não tá vendo que eu ainda estou em casa?
Ela me deu a língua e abriu a porta.
A casa de estava lotada. Gente de tudo quanto era canto.
- Então você veio? - perguntou ao me ver entrar.
- Eu esqueci, tá?
- Aham... Esqueceu? Ou tava com a Belle?
- Tá. Eu tava. Mas eu esqueci.
- Pelo amor de Deus, ! Esquecer do aniversário surpresa da própria amiga? - perguntou me dando um copo de cerveja.
- Tá. Eu esqueci. Mas onde ela está?
e se entreolharam.
- No jardim! - falou chegando já bêbado.
- ! - e repreenderam .
- Que foi? - perguntou, mas não pude ouvir o resto porque saí.
Fui até o jardim e andei alguns segundos procurando .
Consegui avistá-la, mas ela estava com . Eles se beijavam. Mas parecia algo muito diferente. Sei lá.
Resolvi tomar fôlego e ir até os dois. Afinal, era minha amiga. E era o aniversário de vinte e um anos dela.
- ? - falei e eles me olharam.
- Ah... ? Pensei... - Ela me olhou surpresa. - Pensei que não ia vir.
- Oi, ! - falou sorrindo.
- Parabéns. Eu só vim dar... Parabéns! - falei abraçando-a.
- Ah... Obrigada.
- Você já está sabendo? - perguntou.
- O quê?
- Estamos namorando.
- Namorando?! - perguntei surpreso.
- Aham... Namorando - disse e abaixou a cabeça.
- Ah... Parabéns em dobro então - falei um pouco cínico. - Que sejam muito felizes!
me olhou um pouco com raiva.
- Obrigada, . Obrigada mesmo.
- Agora... Eu vou deixar vocês sozinhos. Tchau!
Saí do jardim sem olhar para os dois.
, você é o homem mais idiota dessa terra. Eu me odeio. Me odeio de todo coração! Parabéns. Você é o mais novo, mais novo idiota.
A culpa é minha. A culpa disso tudo é apenas MINHA!
Entrei no carro e acelerei em direção a minha casa.
Namorando. É. Essa é boa.

Notinha da autora: Se acalmem, eu não quero morrer tão jovem. AGSUAISYUAGSUAISYUA
Tá certo. Vocês têm razão. Eu mereço apanhar. Poxa, você namorando. Que ruim, hein? Com quem é? O Jones, Poynter, Fletcher ou Judd?
AGHSUIAISUAHSIAISIA
Eu estou até ouvindo uma música que tem tudo haver. “Because” do “The Beatles”. A minha cara já.
Sem comentários. RONAAAAAALDO! Assistindo Panico e seem criatividade, desculpa. =S EuAMOvocês.



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