So Close... So Far
Escrita por:Bru Pozes
Beta-Reader:Larii



Capítulo 1

O relógio marcava dez horas quando o sinal finalmente tocou. Era o último dia de aula e, exatamente por isso, os minutos haviam se tornado horas.
jogou sua mochila preta nas costas e se dirigiu para o refeitório, onde encontraria e, com sorte, conseguiria convencer o garoto a cabular os dois últimos tempos.
, além de seu vizinho e melhor amigo, era uma das poucas pessoas com quem conversava naquele colégio; as pessoas de New York, às vezes, eram fúteis demais.
Chegando ao refeitório ocupou a mesa no canto direito perto da janela onde seu melhor amigo já lhe esperava com um sorriso no rosto,como de costume.
– Bom dia, , a sua aula tava tão ruim quanto a minha? – perguntou, dando-lhe um beijo no rosto.
Ambos estavam no último ano, mas se iria conseguir se formar ainda era um mistério.
– Com certeza a minha estava pior. Não foi você que chegou atrasado e teve que sentar na primeira fileira, onde o meu querido professor de química cospe litros dando aula.
– Alguém tá mal humorada hoje, hein? – ele comentou, enquanto se levantava e ia em direção à fila.
Depois de música, o segundo maior vício de era Coca-Cola.
– Huum, pois é.Mas o meu humor pode melhorar se, por algum acaso, o amigo mais gostoso que eu tenho aceitar cabular aula comigo... – falou, ao também se levantar.
– Vou fingir que a parte do gostoso não foi só pra me chantagear, ok? E você sabe que eu não sou fácil assim.
– Eu sei que não. Mas, , hoje é o último dia de aula e eu provavelmente vou viajar semana que vem. A gente tem que aproveitar melhor o tempo vago, sabia?
– Mas não vai ser você que vai fazer mil trabalhos extras, sabia? – respondeu, numa tentativa frustrada de imitar a voz aguda da garota, enquanto recebia um pedala da mesma.
– Então fica aí, Sr. Dedicação. Eu vou pra casa fazer qualquer coisa. Me liga mais tarde, ok?
se despediu de com um beijo no rosto e partiu em direção a porta dos fundos. Ela não tinha culpa se os inspetores ficavam ocupados demais na hora do intervalo e nenhum deles se importava com aquela porta.
Depois de andar cinco quarteirões xingando mentalmente por não só ter ficado no colégio, como também por ter quebrado seu iPod-companheiro-de-caminhadas-da-escola-pra-casa no dia anterior, a garota chegou em casa.
morava com a sua irmã mais velha Molly e as duas se davam muito bem; era como uma festa do pijama constante. Apesar dos cinco anos de diferença entre elas, e Molly trocavam roupas, sapatos, maquiagens, viam filmes velhos juntas comendo brigadeiro e contavam praticamente tudo uma para a outra. Morar com Molly era como morar com uma amiga mais velha para . Seus pais não tinham uma relação muito boa com as filhas, não sabiam escutar e brigavam sempre com as garotas. Isso levou Molly a abandonar Londres quando completou dezoito anos, e não pensou duas vezes antes de aceitar o convite da irmã para morar com ela.
Entrando em casa, viu Molly na cozinha falando com alguém no telefone. Ela pegou uma lata de Coca (viciada graças a ) enquanto escutava a conversa da irmã.
– É uma pena mesmo... Mas ano que vem nós vamos com certeza, não precisa se preocupar, tá? Eu vou avisar pra e sei que ela também vai sentir muito. Tô indo pro jornal, pai, depois te ligo. Tchau.
arregalou os olhos ao escutar o fim da ligação. Tipo... elas não iriam pra Londres? ELAS NÃO IRIAM PRA LONDRES? Ela não ia ter que acordar cedo, nem ir a jantares chatos com as roupas que a mãe dela escolhesse? Não ia ter que discutir com seus pais?
– Molly, eu escutei bem ou eu tô sonhando? O que aconteceu? A GENTE NÃO VAI PRA LONDRES? – A garota abriu um sorriso de orelha a orelha enquanto perguntava. – ME EXPLICA!
– Exatamente, minha querida! Eu tô sonhando também! Parece que eles tão reformando a casa e não podem deixar a obra sem vigia, como também não sobrou nenhum quarto vago pra gente ficar!
– AAAH, MOLLY, EU NÃO ACREDITO! Vão ser as minhas primeiras férias em New York em três anos!
– E vão ser só suas mesmo... Vou aproveitar e aceitar o convite de viajar com as meninas do trabalho. – Molly mexia no cabelo curto, com um certo medo da reação da irmã. – Elas vão pra Amsterdã.
– Como assim, vai viajar? Desde quando você viaja com aquelas garotas? E eu vou ficar aqui sozinha?
– Relaxa, , dezessete anos já é uma idade suficiente pra isso. E você tem o aqui do lado pra te fazer companhia.
não vai fazer café da manhã pra mim e nem vai alugar filmes com o Orlando Bloom pra ficar suspirando comigo. – fez um biquinho de decepção – Mas vai ser bom pra você, você tá precisando desencalhar, e ninguém melhor do que as suas amiguinhas fáceis pra isso.
– Não fala assim delas... São meio biscates, mas são legais. Você devia ser menos anti-social com as garotas daqui, sabia?
– Ah, eu não tenho culpa se as garotas daquele colégio em irritam.
– Eu acho que você é a irritante. – Molly apertou a bochecha da irmã – Falando em colégio, você tá fazendo o que em casa essa hora?
– Er... minha professora faltou e eu fui liberada mais cedo. Essa gripe pegando todo mundo por aí, né? Coitada.
– Tá, , eu nasci ontem. Te vejo depois do trabalho, se cuida. – Molly saiu pela porta, e ficou curtindo seu tempo livre.




Capítulo 2

O dia passou rápido; e tinha passado praticamente todo ele revirando seu quarto atrás de seu antigo iPod, aquele que ainda não tinha destruído. Seu quarto era decorado com paredes brancas e verdes, uma janela com cortinas também verdes acima da cama, seu computador ao lado e um guarda-roupa com um pôster do Blink na porta. Já era uma bagunça em dias normais, mas quando ela perdia alguma coisa e tentava procurar, ficava especialmente pior. Escutou gritando seu nome e foi até a janela, onde viu o garoto na sacada dele.
– Demorou pra me chamar, hein?Já tava pensando que você tivesse sofrido algum tipo seqüestro.
– É, , com certeza – ironizou. – Você vem aqui ou eu vou aí?
– Eu vou aí, tenho uma coisa muito boa pra te contar!
Ela desceu as escadas e rapidamente chegou à casa de , onde tocou a campainha. O garoto atendeu sem demora e fez um gesto exagerado para entrar, curvando o corpo e estendendo as mãos.
– Fala, o que é tão bom? – O garoto fechou a porta atrás de si. entrou e se jogou no sofá; a casa dele era como sua segunda casa.
– Eu não vou pra Londres esse ano! – Seus olhos brilhavam como os daqueles personagens de desenho. – Não é perfeito?
não parecia tão empolgado com a notícia.
– Humm é ótimo! Nossa é totalmente... inesperado – ele disse, coçando a nuca, o que sabia que era um sinal claro de que estava mentindo... ou estava apertado pra ir no banheiro. É claro que ele não queria ir ao banheiro.
– Tá, eu te conheço, qual é o problema?
– Problema nenhum, , eu tô super feliz por isso!
– Pára, , eu sei que tem alguma coisa. Vai me obrigar a retirar a informação na base da coseguinha? – lançou um olhar malicioso para o amigo.
– NÃO! Tudo menos isso! Eu fico sem ar! – Ele soltou um suspiro longo. – Eu tenho que te contar uma coisa que acontece todos os anos... Mas você vai me prometer que isso não sai daqui, escutou? Senão, eu esqueço que você é mulher e te dou um soco!
– Nossa, perigosão, fala logo.
– Você sabe que eu vivo compondo músicas e que eu sou o melhor guitarrista que você conhece. – abriu um sorriso convencido. – Mas essas músicas não são pra mim... Eu meio que tenho uma banda. – Sem saber o que fazer com mãos, colocou as mesmas dentro do bolso. – Desculpa por não ter te contado antes?
estava em choque. Como podia ter uma banda? Como ele escondeu isso dela? E principalmente... quem eram os outros integrantes?
– Acho que você vai ter que me explicar melhor. E eu ainda vou pensar se te perdôo.
– Ok. O nome da banda é McFly e só se junta nessa época porque é a única em que todos estão disponíveis... É meio complicado. – O garoto explicava sem jeito. – Eu tenho um primo que mora em Londres e sempre passa as férias aqui. O nome dele é e ele é .Tem o , que mora aqui na cidade mesmo, mas joga no time de futebol onde o pai dele é treinador, então ele é muito cobrado e não tem tempo pra nada. O é obrigado a trabalhar pra mãe dele na floricultura dela... Eu e o somos os únicos que não são obrigados a nada, mas como ele mora do outro lado do oceano, fica difícil.
, isso é... inacreditável! Como eu nunca soube disso? – Se não estivesse sentada, com certeza cairia no chão.
– Você sempre ia pra Londres, né, espertona? Eu nunca te contei porque eu jurei segredo pros caras. A gente ensaia naquele estúdio perto da praça onde você sempre me leva quando a gente cabula aula. Eles fazem um preço bom e fica longe tanto da casa do como da casa do .
– Huum, entendi seus motivos e prometo que não sai daqui. Mas ainda tô meio espantada. Quando esse vem pra cá?
– Semana que vem. Mas relaxa que eu não vou te abandonar, ok? Eles são idiotas, mas você vai adorar conhecer.
– Assim espero, né? E eu vou poder ver vocês tocando?
– Ainda não, eu não sei como eles vão reagir quando souberem que eu contei pra alguém... mas eu posso tentar.
– Ok, , mas só vou te desculpar totalmente se você fizer aquela caipirinha pra mim. Depois de um choque emocional desses, eu preciso beber!
– CACHACEIRA! Quando você cair e eu tiver que te levar pra casa, não esquece que a idéia foi sua, hein?
sorriu e puxou para um abraço quente e forte; aquele abraço protetor que só sabia dar.
– Obrigada por entender – ele sussurrou no ouvido da garota.
Depois disso ambos se dirigiram para a cozinha, onde beberam a noite toda, até cair de sono e carregá-la para casa.




Capítulo 3

Exatamente uma semana depois, dormia quando Adam's Song começou a tocar; era o seu celular. A garota esfregou os olhos e passou a mão pela mesa do computador até encontrar o aparelho. O nome piscava na tela, e tentava imaginar qual o motivo do amigo ligar tão cedo. Ou pelo menos cedo para ela. Ela aceitou a chamada.
– Oi, , o que foi? – ela perguntou, tentando fazer a voz mais acordada possível.
– Boa tarde pra você também, ! Tem noção de que horas são? Você tem que parar de dormir desse jeito, sabia?
nasceu com o dom de falar muito quando não era hora. não acordava de bom humor.
– Enfim, o que é?
– É que eu ainda tô no colégio, tenho que apresentar um trabalho daqui a cinco minutos e preciso muito muito muito de um favor seu. Eu esqueci totalmente que o chegava hoje e, pra falar a verdade, ele já deve ter chegado e eu não posso sair daqui – explicava praticamente sussurrando.
– Tá falando baixo desse jeito por quê? E o que você quer que eu faça com o ? – Ela se sentou na cama enquanto bocejava.
– Será que é porque eu tô na sala? – ele respondeu com sarcasmo. – Eu quero que você desça, pegue aquela chave reserva no vaso de planta perto da porta, leve o até o meu quarto pra deixar as malas e faça sala pra ele até eu chegar. Ok?
– Só te matando, . Vou tomar banho, e vê se não demora aí. Te amo
– AAAH, você não existe, te amo também. Beijo!

****

Depois de pronta mas ainda com sono, estava sentada na escada de entrada da casa de . Não havia se preocupado com a aparência, apenas pegou a primeira calça jeans e a primeira regata que viu, calçou seu All Star branco e desceu.
já havia mostrado para ela as músicas que mostraria para , e a garota simplesmente tinha adorado cada uma delas. A banda devia ser incrível. havia insistido nos últimos dias com de que esconder a banda não levaria a lugar nenhum, mas ele insistia que a decisão não era só dele.
E onde estava a merda do que não aparecia logo? Depois de longos dez minutos de espera, avistou um garoto se aproximando da casa. Ele era alto, mas não alto demais... possuía o tamanho ideal. Seus cabelos estavam levemente desarrumados e seus olhos pareciam mais claros quando o garoto olhava em direção a claridade. Ele era simplesmente lindo. ficou observando o garoto se aproximar, praticamente imóvel.
– Er... oi? Você sabe se o está em casa? – perguntou sorrindo e com uma expressão que parecia dizer ‘o que essa garota tá fazendo na entrada do meu primo?’
– Oi! Sei! Quer dizer, não está em casa e ele pediu pra eu vir aqui te receber... , certo? – Ela gostaria que seu tom de voz não tivesse saído com tanto entusiasmo.
– Aham... Mas ele tá onde?
– Ele ainda tá no colégio, mas ele não vai demorar. – se levantou, pegou a chave reserva e abriu a porta. – Acho que você já conhece o quarto do . Pode subir e eu vou pegar uma Coca na cozinha.
– Conheço, claro. – sorria de uma forma espontânea. – Você é... er... namorada dele?
– Imagina! – queria não ter falado com tanto desespero. – Somos melhores amigos, eu moro aqui do lado. – Ela apontou para casa.
– Ah, sim... Estranho eu nunca ter te visto aqui, nem lembrar do falando de você. – entrou e deixou as malas no canto da sala. – Você mora aqui a pouco tempo?
– Não, faz três anos que eu me mudei pra cá, mas sempre passava as férias viajando, por isso que você nunca me viu. – foi em direção à cozinha, onde pegou uma lata de Coca.
– E pelo visto ele também te viciou, né? – apontava para a lata na mão dela.
– Pois é. É o que acontece quando se convive demais com ele. – sentou no sofá perto do garoto e logo depois ouviu o barulho da porta se abrindo. Ela desejava que tivesse demorado mais um pouco.
, seu merda! – berrava, enquanto dava um abraço no primo, aquele típico abraço masculino cheio de tapas nas costas e soquinhos.
ficou parada no sofá, vendo os dois trocarem ‘elogios’ por alguns minutos e resolveu voltar para casa. Ela poderia visitar , ops, mais tarde com menos cara de sono.
– Meninos, eu já vou indo, tenho mil coisas pra fazer hoje!
aparentemente só agora havia notado a presença da amiga.
– Mil coisas tipo dormir mais um pouco? – sorriu. – Vai lá, linda, obrigado por ter feito companhia pra esse animal. – Ele beijou a testa da garota. – Passa aqui mais tarde.
Ela iria passar, sem dúvidas.
– Ok, vejo vocês mais tarde. – sorriu e começou a caminhar em direção à porta.
– Ei! – gritou. – Acho que você esqueceu de se apresentar. – Ele abriu um sorriso malicioso e bobo ao mesmo tempo.
– Huum... agora eu estou me sentindo uma mal-educada! Meu nome é . – Ela encarou os olhos de rapidamente antes de se virar e ir para casa.




Capítulo 4

Algumas horas depois, estava pronta para voltar à casa de . Os pais do garoto não estavam em casa (como sempre!), então provavelmente ficariam bebendo até tarde, e ela ficaria babando por até tarde.
Bateu na porta e esperou alguns minutos até a mesma se abrir, mas não era o seu melhor amigo com um sorriso no rosto que estava atrás da porta e sim ... sem camisa. Será que menores de vinte anos poderiam sofrer infartos? realmente gostaria de saber.
– Oi, ! Entra aí, o tá tomando banho e já vai descer.
– Ok... Ele disse quais são os planos pra hoje? – A garota entrou e se jogou no sofá, como de costume.
– Ele disse alguma coisa sobre te apresentar pro e pro e beber vodka. Aliás, tudo o que ele não havia me contado sobre você antes ele me contou hoje!
torceu para não ter contado nada sobre ela falar dormindo ou sobre qualquer situação constrangedora que ela tenha passado. Mas do jeito que falava tudo sem perceber, ela poderia jurar que já até tinha visto suas fotos antigas de óculos e aparelho.
– Jura? Que bom! Ele me falou bastante sobre você esses dias também, desde a sua mania de roer unhas até as músicas que você já escreveu e ele não me mostrou nem por tortura.
soltou uma gargalhada.
– Eu não acredito, ele é ridículo, dude! Se ele te contou alguma coisa sobre eu ser atropelado por uma bicicleta, pode esquecer? Por favor?
sorriu, arqueando a sobrancelha.
– Tá, eu prometo tentar, mas vai ser difícil! Imaginar você sendo atropelado por uma velhinha de bicicleta me traumatizou.
A garota viu descendo as escadas, parecia empolgado com alguma coisa, seu sorriso mostrava tanto os dentes que dava medo.
! Eu estava esperando você chegar pra anunciar o que eu tenho na minha mochila!
– Eu sempre desconfiei que você usava drogas, mas você vai mesmo querer corromper a menina? – ironizou.
– Eu também já desconfiei, , mas ele é burro demais pra conseguir esconder isso de mim. que você tem, ?
– O amor de vocês por mim é comovente, sério., lembra da Wendy? Uma loirinha líder de torcida que ia pra diretoria todo dia?
– Hum, lembro. Continua.
– Então, ela também teve que fazer vários trabalhos extras, acho que ela tá pior do que eu! A gente conversou muito hoje e ela não é a garota fútil que nós achávamos. O melhor é que o pai dela é dono daquele club na Quinta Avenida e eu ganhei cinco cortesias pra festa de amanhã! O que você acha?
– Eu acho que não consigo te imaginar amiguinho daquela garota! Ela é uma piranha, !
– Hum, alguém tá com ciúmes, é? – apertou a ponta do nariz da amiga. – Pára de besteira, você vai adorar a Wendy! E eu não pretendo ficar as férias todas chapando dentro de casa, a gente tem que fazer alguma coisa diferente! Sem falar que eu posso levar o e o pra você conhecer, já que eu falei com eles e não vai dar pra eles virem aqui em casa hoje.
– Ah, mentira! Esses dois só atrasam a nossa banda, eu tinha que mostrar a música nova pra eles hoje! – parecia puto, mas não deixava de ser lindo o jeito como enrugava o rosto. E...e le tinha mesmo falado sobre o McFly na frente de ?
– O sabe que você sabe, , pode começar a torturá-lo pra ver as músicas. Mas e aí? Vocês vão?
também nasceu com o dom de adivinhar o que estava pensando só pelo olhar da garota.
– Claro! Tenho que comemorar a minha chegada! – falou subitamente animado, enquanto recebia um pedala de .
– Ai, , você é um desastre, sabia? Eu vou. Mas não se acostuma. – recebeu um abraço esmagador de quando terminou a frase. – A gente pode beber agora?
– Eu te sirvo, , mas se você cair de sono, por favor, não fala dormindo do meu lado. – ria alto, enquanto pegava a vodka na geladeira.
Realmente não era surpresa que tivesse contado tudo e mais um pouco.




Capítulo 5

Na manhã seguinte, acordou com a cabeça latejando; estava de ressaca e só iria melhorar com um banho bem frio.
A noite anterior tinha sido... perfeita. Os três ficaram bebendo até amanhecer e, apesar de não muito conscientes, conversaram sobre tudo! Desde filmes infantis até aquecimento global.
definitivamente não era apenas bonito, ele parecia ser até mesmo mais maduro do que os garotos da idade dele. Além de tudo, era engraçado... e um pouco estabanado. Ela havia perdido a conta de quantos vezes havia tropeçado no sofá.
se dirigia ao banheiro quando ouviu Adam's Song tocar. O som vinha de dentro do seu tênis, e ela não queria imaginar o quanto devia estar bêbada para colocar o celular ali. O nome “Molly” piscava na tela e pulou na cama enquanto atendia.
– MOOOOLLY! Achei que você tivesse esquecido de mim, sua desnaturada!
, meu amor! Claro que não, é que eu tô saindo demais aqui e não tenho tempo pra nada! Mas você entende, né?
– Claro que eu entendo... mas é que eu tô com saudade. A casa fica muito quieta sem você. Saindo muito, é? A noite daí é boa mesmo?
– Eu também tô morrendo de saudade, mas um mês vai passar rápido, relaxa! É perfeita, ! Só tem homem lindo aqui! Sério, tô até perdida! Ontem eu conheci um cara incrível e vou sair com ele daqui a pouco!
– Espero que passe mesmo, eu não agüento mais comer a minha comida. Ah, tava na hora já, hein? Como ele é? Beija bem? Só toma cuidado, por favor, pra não ficar igual as suas amigas biscates.
– Você fala demais, sabia? Eu sou uma garota decente e ainda não o beijei. Mas isso é questão de tempo.
– Nossa! Quando tiver foto, me manda por e-mail, fiquei curiosa.
– Mando, sim! E prepara seu coração porque eu comprei muitas roupas! Acho que vou ter que comprar uma mala só pra elas!
– Isso é tortura, sabia? Só liga pra me deixar curiosa.
– Sem drama, ok? Eu vou ter que desligar... depois te ligo com mais calma. Te amo.
– Liga mesmo! E boa sorte com o bonitão. Te amo, Molly.
desligou com o coração apertado. Queria que a irmã estivesse ali. Quem iria ajudar na hora de escolher a roupa pra festa de hoje?
A garota estava totalmente ansiosa para a noite. Não apenas pela festa, mas também porque estaria lá e ela poderia ficar babando por ele até tarde mais uma vez. A única parte ruim era que ela havia sido ‘convidada’ por Wendy. Ela não conseguia entender como havia se tornado amiguinho daquela garota e ainda mais como ele parecia empolgado quando falava nela. Talvez quisesse ser mais do que um amiguinho pra Wendy e tinha medo do amigo acabar se machucando.




Capítulo 6

terminava de pentear o cabelo quando ouviu a campainha tocar; os garotos já deviam estar prontos.Ela desceu as escadas o mais rápido que seu salto agulha permitia e abriu a porta. Do lado de fora estavam , e dois outros garotos que certamente eram e .
Ela usava um vestido preto acima dos joelhos, sandália também preta e seus cabelos estavam soltos e caindo pelos ombros. A maquiagem estava leve, usava apenas brincos de argola prateada como acessório.
analisou a garota dos pés a cabeça e não se incomodou em tentar disfarçar.
– Dude, você tá linda! – deu um beijo estalado na bochecha da amiga. – Eu acho que você vai me dar trabalho hoje, sério, .
– Deixa de ser exagerado, , desde quando eu te dou trabalho? – encarou , que pareceu finalmente sair do transe.
– Tenho que concordar com o , você está linda, .
se aproximou e também beijou no rosto. Ela pôde sentir suas bochechas corarem com a aproximação do garoto.
– Er... deixa eu te apresentar esses dois. , esse é o e aquele é o . Eu já disse que eles têm cara de idiota, mas são legais?
– Já disse, ! – sorriu. – Prazer, meninos, o e o falaram muito mal de vocês ontem.
– Ei! Eu estava bêbado! Não tava me expressando bem! – se defendeu. – Não sei como você, a que tava pior, consegue lembrar de alguma coisa!
revirou os olhos e fez uma careta exagerada para .
– Prazer, , isso é bem típico deles mesmo – disse, enquanto dava um leve tapa nas costas de . – Cuidado.
– Na próxima eu vez, eu vou estar lá pra me defender. Prazer, . – abriu um sorriso para a garota.
- Ok, todo mundo conhece todo mundo agora. Vamos logo, porque eu disse pra Wendy que onze horas eu já estaria lá! – não fazia o tipo pontual, mas parecia realmente preocupado em chegar na hora combinada com a garota.
parou um táxi onde os quatro garotos se espremeram no banco traseiro e sentou na frente.
Não demorou até chegarem a Quinta Avenida, que estava totalmente lotada. Com certeza, metade daquelas pessoas na fila não iriam conseguir entrar no club. Os cinco se aproximaram da entrada e, ao mostrarem as cortesias, entraram imediatamente.
O club estava absurdamente cheio e um tipo de hip hop explodia nas caixas de som. O lugar tinha uma iluminação fraca e algumas mesinhas perto do bar. E, como esperado, Wendy estava sentada lá. Ela sorriu quando avistou e esperou o garoto se aproximar.
! Achei que não viesse mais! – Wendy atirou os braços, envolvendo o garoto, que corou instantaneamente. – Que bom que você trouxe seus amigos também, eles vão adorar!
– Eu nem me atrasei tanto, vai! – falava como um garotinho de doze anos perto da primeira namoradinha. Aquilo era irritante; pelo menos, para era. – Olha, esses são , , e .
– Prazer, queridos! Qualquer coisa, pode me chamar, meu pai me deixou como responsável pelo lugar hoje. – riu para si mesma, imaginando o quanto Wendy esbanjava responsabilidade e se o lugar não corria o risco de pegar fogo e a loira nem reparar. – E, , meu amor, pode pegar o que quiser no bar que é por conta da casa.
, meu amor“? Beber por conta da casa? Segundas intenções estavam definitivamente rolando.
Wendy se aproximou do ouvido de e disse algo que só o mesmo poderia ouvir, já que a música estava absurdamente alta.
– Gente, eu vou ter que ir ali com a Wendy resolver umas coisas com o DJ, mas eu já volto, ok?
coçou a nuca, que era o alerta claro de que estava mentindo. Mandou um beijo no ar para e começou a andar para o meio da multidão, segurando a mão de Wendy.
Desde quando era tão íntimo da garota e resolvia problemas pra ela? Talvez houvesse coisas mais importantes para resolver antes de falarem com o DJ.
ficou paralisada com a idéia de seu melhor amigo indo beijar aquela vadia, enquanto e se infiltravam na multidão e vinha em direção a ela.
– Parece que alguém não tá muito feliz com o e a Wendy.
– O quê? Imagina, , nada a ver.
– Eu te conheci ontem, mas pelo olhar cortante que você deu pra Wendy... nem tenta desmentir a realidade!
– Tá tão na cara assim, é? – suspirou. – É que eu tenho medo que ela use o . Ele é tão bobo quando o assunto é relacionamento e ela é tão experiente, se é que você me entende.
– Entendo, . Mas você tem que deixar o se arriscar. E se for o caso, aprender com os próprios erros. Por que a gente não bebe uma tequila e dança pra esquecer isso? – Ele sugeriu como uma animação exagerada, o que achou extremamente fofo da parte dele.
– Aceito a tequila. Mas dançar não é comigo.
– Ah, por que não? – ele perguntou, enquanto pedia duas tequilas ao bartender. – Você vai mesmo me deixar dançando sozinho que nem um autista?
– Se você pretende voltar pra casa com os dois pés inteiros, acho melhor parecer um autista.
– Nossa. Então eu vou ficar aqui pra me certificar que você não vai dançar e destruir o pé de ninguém.
O bartender (que parecia mais um modelo bronzeado saído de uma revista) entregou as bebidas a , que, por sua vez, empurrou uma para .
Os dois viraram suas respectivas tequilas e continuou: – Eu adoro o jeito como você cuida do meu primo, sabia? Ele tem muita sorte de ter uma amiga como você. Não é todo mundo que se preocupa desse jeito.
Ele olhava nos olhos, demonstrando sinceridade ao falar da amizade com .
– Eu tenho certeza de que ele faria o mesmo se estivesse no meu lugar.
Os dois continuavam se encarando. Ela nem ouvia mais a música alta, apenas olhava para . Os olhos dele pareciam se destacar em meio a todas aquelas pessoas, e eram também muito mais interessantes do que os olhos de qualquer uma delas. percebeu que se continuasse ali, acabaria beijando o garoto por impulso.
– Er... eu preciso ir ao banheiro,,já volto! – ela disse, desviando o olhar e disparando para o reservado feminino, deixando sem reação.
Ela podia sentir seu estômago dar voltas, como se mil borboletas estivessem lá dentro. mexia com , ela só não conseguia entender como isso foi acontecer tão rápido.




Capítulo 7

apenas fazia hora no banheiro. Olhou seu reflexo no mínimo vinte vezes, passando os dedos entre os cabelos e retocando o lápis de olho.
Ela finalmente resolveu retornar ao bar. O local parecia estar ainda mais cheio e poderia jurar que demorou mais para chegar ao bar do que o tempo que ficou no banheiro. Mas quando chegou, depois de tanto esforço, não estava mais lá.
A garota resolveu sentar em uma das mesas perto do bar e esperar. Bebeu outra tequila e esperou trinta, quarenta, cinqüenta minutos sem nenhum sinal de , , e muito menos de . Ela não iria tentar procurar alguém, até porque para chegar na parede oposta de onde estava, levaria no mínimo duas horas. Decidiu ir embora, saiu do club e pegou um táxi até sua casa. A noite definitivamente não havia sido como ela imaginava.
se jogou no sofá e resolveu ficar por ali mais um pouco antes de subir. Fechou os olhos, acabou cochilando e só acordou com o som da campainha. Quem era o animal que ia perturbar o sono pacífico das pessoas uma hora daquelas? Ela abriu a porta e se deparou com... .
– Ahá! Sabia que você tava em casa! Por que você não esperou eu voltar?
– Eu esperei, ! Mas você não chegou e aquilo lá tava lotado demais pra eu procurar você ou qualquer pessoa.
– Tava mesmo. Eu só saí porque o se perdeu do e me arrastou pra procurar com ele. E quando a gente achou o , ele estava... er... ocupado com uma ruiva. – soltou uma risada e fez sinal para entrar; o garoto continuou: – Eu voltei, mas como a chave da minha casa temporária está com o , não havia como entrar. Eu imaginei que você também pudesse ter voltado e vim até aqui. Tem problema?
– Claro que não, , sinta-se em casa. Se a gente tiver sorte, pode estar passando algum filme velho na TNT pra salvar o nosso sábado.
sentou no sofá e colocou no respectivo canal, onde passava Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você, um dos filmes preferidos da garota.< SCRIPT>document.write(Harry) se acomodou ao lado dela.
– Dude, esse filme é velho mesmo. Mas eu gosto, sabia? Principalmente da cena em que ele canta pra ela na arquibancada, na frente de todo mundo. É engraçado.
– Tá brincando? Essa é a cena que eu mais gosto também! Aliás, esse filme é um dos meus favoritos, eu sempre vejo com a minha irmã.
– Você falou tanto da sua irmã ontem que eu fiquei até curioso pra conhecer, sabia?
– Ela é boa demais pra você, , lamento. – arqueou a sobrancelha sarcasticamente.
– Você é péssima! – Ele soltou uma gargalhada. – Não foi nesse sentido! E mesmo se fosse... Eu sou tão ruim assim?
– Talvez. Eu não quero que a minha irmã ande com um cara que corre o risco de ser atropelado por velhinhos em bicicletas.
– Pode parar com os elogios? Se eu me tacar da sacada do na madrugada, a culpa é sua!
– Como se a sacada do fosse realmente muita alta.
– Experimenta se jogar de lá, então.
– Ok, homem-suicídio, parei.
sorriu, enquanto passava o braço em cima dos ombros da garota, que não fez nada para impedir. Ela se limitou a respirar e olhar para o filme.
– Eu acho que foi bom todo mundo se perder – disse, olhando para a televisão.
– Bom? Por quê?
A garota podia sentir seu coração acelerar. Será que estava pensando no mesmo que ela?
– Você pode achar que não tem nada a ver e que eu sou um idiota, mas eu vou falar logo. Eu queria ficar assim, sozinho com você, desde ontem, quando eu te vi morrendo de sono na escada do . E de lá pra cá, a vontade só aumentou. Você parece ser tão... diferente das garotas que eu conheço.
– N-nossa – ela gaguejou, e pôde sentir suas pernas ficarem fracas; agradeceu mentalmente por estar sentada. – Por essa, eu não esperava
E depois não disse mais nada. Limitou-se a observar os olhos e a boca de , que agora se aproximava da sua. Seus lábios se tocaram levemente e ambos abriram as bocas a procura um da língua do outro. segurou pelos cabelos, enquanto ele puxava a garota pela cintura para mais perto de si. Ele mordeu lábio inferior da menina, que se arrepiou, por sua vez.
se encontrava deitado no sofá e estava deitada por cima dele. beijava do jeito que toda garota queria e quase nenhum homem fazia. Ele segurava o rosto dela durante o beijo e só descia a mão para os quadris quando a intensidade exigia. Ela não conseguia acreditar em como ele beijava de um jeito perfeito, em como era carinhoso e bruto nas horas certas.
diminuiu o ritmo até separar suas bocas. Ela se aproximou do ouvido dele e sussurrou: – tem uma chave reserva no vaso de plantas se você quiser entrar.
– Hum, você acha mesmo que eu já não sabia disso? – Ele sorriu e ambos voltaram de onde haviam parado.
Seguiram a noite toda entre beijos, sorrisos e quedas doídas do sofá até adormecerem, com ela deitada sobre o peito dele.




Capítulo 8

acordou com raios de sol em seu rosto. Ela se encontrava deitada no sofá, ainda com o vestido preto que usava na noite anterior. Sentou-se e olhou em volta, procurando por , até que ouviu algum barulho na cozinha. Jogou algumas mechas de cabelo por trás da orelha e seguiu o som. O garoto estava em pé junto ao fogão em uma briga com o que parecia uma frigideira e um ovo. Ele estava mesmo fazendo café da manhã? não conseguia acreditar. Ela se aproximou de sem fazer barulho e o abraçou por trás.
– Bom dia! – beijou delicadamente o pescoço do garoto.
– Bom dia, ! Eu queria que o café já estaria pronto quando você acordasse, mas eu demorei horas pra achar as coisas aqui.
– Acredite, eu também demoro. A Molly não tem um lugar fixo para guardar as coisas. Oh, eu ia ganhar café na cama, é? Quer dizer, no sofá?
– Se voltar pro sofá e me esperar, você ainda vai ganhar.
– Hum, então eu vou tomar um banho enquanto você termina e vou te esperar lá, ok?
Ela deu um selinho no garoto e disparou para o banheiro. Era engraçado o jeito como se sentia à vontade com . Se essa mesma situação estivesse acontecendo com outro garoto qualquer, certamente estaria tímida e não saberia como agir. Mas com ele era... diferente. Ela mesma não sabia as atitudes que iria tomar, pois as coisas com aconteciam de uma forma natural. Afinal,que tipo de garoto dormia com uma garota e apenas dormia? Sem tirar proveito da situação e ainda fazia café da manhã para ela?

****

Meia hora depois, a garota já havia tomado banho, estava jogada no sofá com , bebendo Coca e comendo ovos fritos com torrada.
, eu tenho que admitir que você é meio sem prática, mas sabe fazer um ovo com torradas, ok?Tá ótimo. Sério.
– Como assim, “meio sem prática”? Eu sempre faço o meu café e eu nunca tive motivos pra reclamar de mim. – Os dois caíram na gargalhada.
– Não foi o que pareceu quando eu te vi todo enrolado com a frigideira. Você mora sozinho em Londres?
– Não, moro com os meu pais. Mas eles conseguem ser mais ausentes que os pais de , então é como se eu morasse sozinho.
– Entendo. Eu não consigo me imaginar morando com meus pais outra vez.
– Mas você tem a Molly, isso é suficiente pra você não se sentir sozinha. É tão ruim assim com eles?
– É péssimo com eles. Brigas dia e noite. Eu não pretendo voltar para Londres tão cedo.
– Entendo. Acho que os pais são difíceis para quase todo mundo. , eu vou ter que ir embora daqui a pouco. Tenho que ir hoje no estúdio que a gente aluga com o e ver se está tudo certo para o ensaio amanhã.
– Hum, sem problemas. Daqui a pouco, eu vou chamar o para vir aqui. Preciso falar com ele.
– Contar sobre a nossa noite quente? – sorriu sarcástico, enquanto levava um tapa de no braço.
– Também. Ele precisa saber que você não resistiu aos meus encantos – ela ironizou. – Mas eu quero mesmo conversar sobre a Wendy.
– Você tá mesmo preocupada com isso, hein? Mas é bom você dizer tudo o que está pensando pra ele, desabafar de uma vez. Ele deve ter motivos pra ter ficado com ela. E falando sobre os seus encantos...
– Espero que tenha bons motivos mesmo – a garota disse sorrindo. – O que é, ?
– É que eu nunca só dormi com uma garota, sem fazer nada demais. É a primeira vez que isso acontece – ele disse, mexendo nos cabelos da garota. – Porque eu sei que você é diferente e eu não quero estragar nada.
– Acredita que eu tava pensando exatamente isso? Eu também te acho diferente, . – Ela se inclinou para perto dele e beijou levemente seus lábios.
– Que bom que você pensa assim. – Ele deu novamente um selinho na garota e fez uma pausa, olhando para ela com um olhar ansioso. – , quer ir ao nosso ensaio amanhã?
– Han? Como assim, , bebeu escondido? E o e o ?
– Eu posso contar pro hoje e pedir pra ele contar pro . Que diferença vai fazer se eles souberem que você sabe? Você não vai contar pro pai do e muito menos pra mãe do .
– Será mesmo que não vai fazer diferença? De qualquer forma, a culpa é do que me contou e sua por querer falar pra eles.
– Esperta, eu posso dizer que me você fez chantagem comigo!
– Pára de falar besteira, ! Mas eu admito que eu ia adorar ver vocês tocando. Até porque eu adorei todas as músicas que o me mostrou.
– Então tá resolvido? Fala sobre isso com o hoje também. E depois eu quero saber como foi a conversa de vocês. Eu vou lá, , mais tarde você me liga.
– Te ligo? Como, se eu não tenho seu número? – Ela revirou os olhos.
– Tem certeza? Olha no seu celular depois.
– Eu não acredito que você andou mexendo no meu celular! Cadê o respeito? Eu só vou te perdoar porque eu também já mexi no seu... – Ela olhava para as unhas. – Você deixou aqui na sala enquanto fazia o café e eu não resisti, pronto, falei!
– FOFOQUEIRA! Eu não esperava isso de você, ok?
Ele puxou a garota sorrindo e a beijou devagar, enquanto a mesma passava a mão por suas costas. Ela brincava com a língua de , enquanto ele subia as mãos para nuca da garota, também mexendo em seu cabelo. Ele segurou o rosto de , diminuindo o ritmo e beijando levemente sua boca.
– Agora eu vou mesmo, antes que eu mude de idéia e não saia daqui tão cedo. Boa sorte com o . – se virou em direção à porta e fechou a mesma atrás de si ao sair.
Talvez ela realmente precisasse de sorte com o melhor amigo.




Capítulo 9

subiu até seu quarto, onde abriu a janela e gritou por . Pra que ligar ou ir até a casa dele se o quarto dele era praticamente em frente ao seu? O garoto apareceu em sua sacada, com os cabelos molhados e desarrumados como se estivesse acabado de sair do banho.
– Tá ocupado, ? Eu queria que você viesse aqui pra gente conversar.
– Desde quando eu fico ocupado domingo pela manhã? – Ele sorriu. – Conversar sobre...?
– Muita coisa. Quando você chegar eu falo, ok? A porta tá aberta, é só chegar e subir.
– Nossa, que suspense! Ok, , já estou indo.
ligou seu computador e logo Paramore explodia nas caixinhas de som com Hello, Hello, enquanto a garota deitava em sua cama, esperando por . Minutos depois, pôde escutar o barulho de subindo as escadas e, logo, o garoto chegou em seu quarto.
– Só pra você saber, eu me dei o trabalho de procurar a chave pela casa pra trancar a porta e não encontrei. Não pode ficar com a casa destrancada assim, sabia?
– Será que é porque a chave tá comigo? – Ela tirou a chave do bolso e sacudiu na frente de – Relaxa, .
– Enfim, o que a senhorita quer tanto falar comigo? – Ele se deitou na cama ao lado da amiga.
– Jura que você não desconfia mesmo sobre quem eu quero falar?
– Ah, eu sabia. É sobre a Wendy, não é?
– Claro que é, . Eu sei que você ficou com ela ontem e eu quero saber os seus motivos.
– Ok, começou o interrogatório. Pra começar, ela é linda, engraçada, quer ficar comigo tanto o quanto eu quero ficar com ela... Ela não é só uma líder de torcida fútil. Ela já fez até aula de judô, sabia? Gosta das mesmas bandas que a gente gosta, se interessa por tudo o que eu falo, sabe me provocar e beija muito bem. Satisfeita?
– Mas, , você tem noção da quantidade de garotos do nosso colégio que ela já saiu? Eu sei que você se apega muito rápido, mas não sei se posso dizer o mesmo dela. Eu tenho medo que você seja só um passatempo, entendeu?
– Eu sinceramente não ligo pro que ela já fez ou deixou de fazer. Entendo que você fique preocupada, mas eu já sou bem grande pra saber o que é certo, não acha? Dá uma chance pra ela. Se vocês se conhecem melhor, eu tenho certeza de que você vai mudar de opinião.
– Eu vou confiar que você sabe o que está fazendo. Ok? Mas eu vou confiar desconfiando. E espero mesmo que eu esteja errada e que ela seja melhor do que eu imagino.
– Eu sabia que você ia entender! – Ele esmagou a amiga em um abraço forte. – Daqui a pouco, vocês duas vão fazer compras juntas.
– Não exagera, ! E eu não te chamei só pela Wendy, aconteceu uma coisa ontem... – Ela se soltou do abraço com o amigo.
– Estou ouvindo...
– Hum, você não reparou que o não dormiu em casa? – Ela encarou as unhas.
– Reparei que ele não estava em casa de manhã, mas eu cheguei tão tarde ontem que nem prestei atenção... Ele fez alguma merda? Foi preso?
– Não, , ele tava aqui. A gente se perdeu de todo mundo no clube e eu vim pra casa. Depois, ele apareceu também, começamos a ver um filme e acabou acontecendo... um beijo. Uns beijos.
– O QUÊ? VOCÊ E ? COMO ASSIM? E eu não havia percebido nada antes? Dude, eu sou muito otário mesmo!
– Ah, , tava na cara que eu tava a fim dele! Aconteceu tão rápido, não deu pra te falar antes.
– Mas espera... ELE DORMIU AQUI?
– Calma! Não aconteceu nada! A gente só dormiu e rolaram beijos, nada além disso.
– Porra, , que susto! Quase tive um infarto agora. E parando pra pensar, até que vocês combinam, sabia? Os dois são lerdos, infantis, não acordam de bom humor...
– Enfim, , então tudo bem por você? Porque eu realmente estou me sentindo bem com ele.
– Tudo bem por mim, . Se você está feliz, eu estou também. Só tem uma coisa... já parou pra pensar que quando acabarem as férias, volta pra Londres?
ficou olhando sem reação para , ela ainda não havia pensado nisso. Até porque tudo aconteceu tão de repente que ela ainda não havia parado para refletir sobre a situação por um tempo.
– Não... não havia pensado nisso ainda. – Ela encarou os olhos do amigo, como se esperasse uma solução para o problema.
é meu primo, é um dos caras mais fodas que eu conheço, mas se você estiver pensando em alguma coisa além das férias com ele, acho melhor tomar cuidado pra não se decepcionar.
– Nossa, , você tá certo, eu tenho mesmo que pensar nisso... Aliás, ele me chamou pra ver o ensaio de vocês amanhã, foi resolver umas coisas com o agora e vai contar pra ele e pro que eu sei.
– Dude, eu tinha esquecido do ensaio amanhã! Ele foi no estúdio, é? Se eu correr, eu os encontro lá. , pensa mesmo sobre o que eu falei, ok? – Ele deu um beijo estalado na testa da garota. – Se tudo correr bem no estúdio, a gente se vê de noite. Se cuida.
– Ok, , vou precisar desse tempo pra pensar mesmo. Te vejo depois.
observou o garoto sair e, ainda deitada na cama, pensou no que estaria achando disso. Será que ele também não havia se tocado que as férias não seriam pra sempre? Ou já havia pensado nisso e estava com ela só por estar? A garota desceu as escadas e foi á procura de um pote de sorvete de chocolate, o melhor remédio quando se tem que tomar alguma decisão importante.




Capítulo 10

passou o dia em casa, dividindo seu tempo em ver TV e olhar para o teto tomando sorvete. Ela não sabia o que decidir e odiava tomar qualquer tipo de decisão.
Depois de refletir horas e mais horas, ela simplesmente decidiu não decidir. Por que se preocupar tão cedo com uma coisa que acabou de começar? Por que não aproveitar ao máximo e deixar para tomar decisões ou mesmo conversar sobre isso com quando as férias estiverem acabando? Se falasse sobre o assunto com o garoto agora, poderia acabar estragando tudo, e isso era a última coisa que desejava.
Sentiu-se vinte quilos mais leve depois de definir o que iria fazer (ou o que não iria fazer) e resolveu ligar para , como havia prometido. Procurou o nome do garoto na agenda de seu celular e realizou a discagem rápida. Após dois toques, ele atendeu.
, que bom que você ligou! – Ela conseguia ouvir várias vozes abafadas junto a de .
– É? Algum motivo especial pra essa alegria toda?
– Em primeiro lugar, eu fiquei com medo de você ter enjoado da minha cara e não me ligar. E em segundo, eu falei com o e o e eles aceitaram super bem o fato do ter te contado sobre o McFly!
– Em primeiro lugar, eu cumpro com o que prometo, e eu disse que iria ligar. E isso é bom demais! Quer dizer que eu posso ir no ensaio amanhã? Sem ter que usar um disfarce com óculos e bigode?
– Claro que pode! Tá todo mundo aqui no estúdio, apareceu aqui literalmente correndo e carregou com ele. Esses dois não se desgrudam, né? – pôde escutar dizendo algo inaudível e certamente agressivo para . – Por que a gente não vai a algum barzinho comer uma pizza daqui a pouco? Se você quiser, claro.
– Perfeito! Queria mesmo comer uma pizza. – Por que ela estaria satisfeita só com a metade de um pote de sorvete?
– E tem problema se os garotos forem também?
– Claro que não! Eles devem estar azuis de fome também.
– Daqui a vinte minutos a gente passa por aí, ok? Beijo.

****

usava um vestido roxo acima dos joelhos e um par de All Star quadriculado com detalhes em vermelho e bege. Caprichou no perfume e deixou os cabelos soltos.
A garota se encontrava na sala quando a campainha tocou. Ela abriu a porta e foi recebida com um abraço apertado e um beijo rápido de . O garoto vestia calça jeans, uma blusa preta básica e tênis. E ele estava lindo. Era lindo com qualquer roupa, de qualquer jeito.
Ambos se dirigiram para o táxi e estava sentado na frente e... Wendy atrás. Ela certamente esperava e , mas não Wendy. Ela escorregou para o lado da garota, enquanto sentava ao seu lado e fechava a porta.
– Oi, ! Que bom te ver outra vez! – Wendy abriu um simpático sorriso.
– Er... oi, Wendy! Bom te ver também! Oi pra você também, mal educado. – Nada que envolvesse Wendy era exatamente bom, mas a garota iria se esforçar pelo bem do amigo.
– Oi, ! Eu ia falar contigo, mas você não sabe esperar... – estava concentrado no rádio. Ele aparentemente queria mudar de estação sem o motorista velhinho perceber. Boa sorte, .
– A gente está indo pra onde? – se virou, perguntando para . Procurou logo começar qualquer tipo de conversa antes que Wendy o tentasse fazer.
– Ah, é um lugar novo, me disse que era ótimo. – sabia pelo olhar vago de que a garota não estava confortável com a situação. Ele passou sua mão por cima da dela e entrelaçou seus dedos. Aproximou-se do ouvido da mesma e disse: – Se você se irritar com ela, conta até dez.
A garota apenas sorriu e apertou a mão dele em resposta. Seguiram todos em silêncio, até chegarem à pizzaria e se acomodarem em uma mesa.
pediu duas pizzas grandes, uma de quatro queijos e outra de chocolate. Os quatro conversavam sobre assuntos clichês, como o frio que fazia ou como um garçom conseguia carregar tantas pizzas ao mesmo tempo, até anunciar que iria ao banheiro.
O celular de Wendy tocou em seguida e a garota se afastou da mesa para atender ao mesmo. A oportunidade perfeita.
, eu não esperava encontrar com ela aqui – falou, certificando-se de que Wendy estava distante o suficiente para não ouvir a conversa.
– Você não ia tentar? Tá mais do que na hora, então.
– Eu sei, mas você podia ter me avisado pra eu me preparar psicologicamente, não acha?
– Ah, , esquece esse detalhe e tenta não fazer essa sua cara de tédio quando ela estiver falando. E o que decidiu fazer com o ?
– Eu não vou fazer nada por enquanto, vou deixar isso mais pra frente – ela afirmou, convencida mais do que nunca que era o certo a fazer.
– Mas, ...
– Assunto encerado, eu não vou mudar de idéia – a garota retrucou, antes de terminar a frase.
– Você tem certeza? Mesmo?
– Tenho, tem alguma coisa diferente com o Harry e eu não quero colocar isso em risco. Pelo menos, não agora. tá voltando, morreu o assunto.
As pizzas chegaram e as conversas foram se tornando gradativamente menos tediosas. No começo, se viu obrigada a contar algumas vezes até dez. E não é que o conselho funcionava? Mas com o passar da noite, com o passar das cervejas e da música cafona que um homem igualmente cafona tocava, Wendy parecia ser realmente simpática. E não mais artificial. Talvez tivesse confundido o jeito extravagante da loira com algo forçado, feito apenas para ganhar desataque. começou a considerar a possibilidade de ter se enganado. E ficou surpresa consigo mesma por ter considerado essa possibilidade. Voltar atrás não era uma coisa que a garota fazia com freqüência.
Voltaram para casa tarde. Não estavam bêbados, mas com certeza cansados. e Wendy ainda deviam ter disposição, visto que a garota voltou para casa com ele. Parece que um certo primo agregado teria que dormir na sala hoje. levou até a porta de casa e esperou pacientemente enquanto a garota procurava suas chaves na bolsa.
– Acho que a Wendy ganhou a aprovação de uma pessoa hoje. – tentou ser indiferente, mas não conseguiu esconder o divertimento em sua voz.
– “Ganhou” é definitivo demais. Ela está ganhando – disse, ainda revirando sua bolsa.
– Mas isso é bom de qualquer forma. Eu não quis te falar por telefone porque senão o iria me matar, mas ela passou a tarde no estúdio com a gente... – encarava seus próprios pés, preparando-se para ouvir a desaprovação dela.
– UAU, por isso eu não esperava.
– Não esperava que eu fosse omitir isso de você?
– Eu não esperava que ela soubesse sobre a banda. E muito menos que ela conhecesse o estúdio antes de mim. – A garota sabia o que estava sentindo. Ciúme, muito ciúme de .
– Então você não quer me bater, me xingar, me praguejar até a morte?
– Claro que não. Acho que eu só estou com ciúmes do – ela foi sincera, o que era fácil quando falava com .
– Eu estou aliviado por você não tentar me matar, sabia? Você é imprevisível. Esquece isso, , eu tenho certeza que ele nem pensou antes de chamar a Wendy. Você sabe como o fala e só pensa depois.
– É, você está certo.
– Hum, não se acostumou ainda que eu sempre vou estar certo? – Ele fez uma careta exagerada para a garota, que se limitou a sorrir enquanto pegava sua mão e a puxava.
Seus lábios se tocaram e o garoto colocou o corpo de contra a porta. Ela arranhou levemente as costas de por debaixo da camisa enquanto sentia o calor da respiração dele entre beijos em seu pescoço. A pele do garoto estava quente apesar do frio, e seu perfume parecia dominar o ambiente. se sentia descontrolada. Deveriam proibir um garoto de ter uma pegada tão boa.
Continuaram assim até o máximo que o sono de ambos permitiu, cerca de uma hora depois. Ela se despediu dele e decidiu tomar um banho quente antes de se deitar. Ao retirar seu vestido, pôde sentir o cheiro de fixado nele. E ela não sentia a mínima vontade de parar de respirar aquele perfume.




Capítulo 11

acordou uma hora da tarde e já começou a correr para se arrumar. Todos sairiam de casa às duas horas para irem ao estúdio, onde e já estariam ajustando os últimos detalhes. O ciúme que ela havia sentido no dia anterior havia se transformado em um leve ressentimento, nada que um abraço apertado de e um pedido de desculpas não resolvessem.
Depois de pronta, a garota se dirigiu à casa do amigo. estava na porta, gritando para não demorar. Ela se aproximou do garoto, que sorriu e a recebeu com um selinho.
– Tem um animado pra hoje. – Ela passou a mão por dentro dos cabelos do garoto.
– Correção. Tem um com medo do que a quase namorada dele vai achar de hoje – ele disse sorrindo, enquanto empurrava algumas mechas do cabelo de para trás da orelha.
havia mesmo dito quase namorada? não conseguiu de deixar de pensar outra vez no que o garoto estava pensando. Merda! Ela havia decidido que não iria mais pensar nisso! Ela não esperava que a palavra namorada fosse usava tão cedo por . Mesmo com um quase antes, era uma palavra forte. Talvez aquela conversa devesse ser antecipada. Ou talvez ele começasse a conversa antes dela.
– E qual o motivo pra ele ter medo? – acariciou o rosto de e tentou não transparecer a multidão de dúvidas que passavam por sua cabeça.
– Ele tem medo dela achar que ele toca mal. Ou de achar a música nova, que ele fez com os amigos dele, ruim.
– Hum. Mas ela já ouviu algumas músicas deles e gostou, vai gostar dessa também. E se for ruim ou se ele tocar mal, ela pode procurar outro quase namorado de uma banda melhor, não é?
– Você é ridícula! Vai virar groupie, é?
– E desde quando nós estamos falando de mim? – Ela mostrou a língua como uma criança. – Qual o nome da música?
Too Close For Comfort. Não esquece que é a primeira vez que nós vamos ensaiar com ela, ok? Eu posso sair do ritmo, me perder...
– Ai, , fica calmo! Você não tem que se preocupar com o que eu vou achar de nada – exclamou, enquanto e Wendy finalmente saíam de casa.
O estúdio não era muito longe, por isso, resolveram ir andando. e passaram o caminho discutindo sobre tempo, notas, ritmo e outras coisas que as garotas não conseguiam entender.
Certas vezes, olhava para Wendy e encontrava o mesmo olhar de “eu não tenho noção do que eles estão falando”, enquanto elas riam juntas da situação em que se encontravam. A loira estava ganhando cada vez mais a simpatia de .
Chegaram ao estúdio e, logo, e correram para seus respectivos instrumentos. se acomodou com Wendy em um sofá no canto da parede, enquanto as duas riam sobre o nervosismo dos garotos. Cerca de vinte minutos depois os garotos, anunciaram que iriam tocar Too Close For Comfort primeiro e começaram. se preocupou em prestar extrema atenção à letra da música, que era muito profunda, por sinal. E extremamente linda.
sorria para ela enquanto tocava, e a garota tinha que admitir, ele era bom no que fazia. Aliás, todos os garotos do McFly eram bons no que faziam.
Tocaram mais quatro músicas e fizeram uma pausa. foi ao banheiro, e foram comprar alguma coisa para beber. se levantou e puxou , antes que o mesmo fosse a algum lugar também.
– Parabéns! Vocês são bons demais, sabia? Eu só não te dou um abraço agora porque você tá todo suado. Eca!
– Então eu só sou seu amigo quando eu estou bonitinho? Eu duvido que você vá manter essa distância toda do . – Ele revirou os olhos. – Mas obrigado, , eu sabia que você iria gostar.
olhou ao redor para se certificar que ninguém estava perto o suficiente pra ouvir e falou baixo:
– Eu preciso muito conversar com você. Outra vez.
– Porra, sempre tem gente por perto agora. A gente tem que marcar hora, literalmente, pra ter uma conversa particular. – Ambos sorriram, e fez um sinal afirmativo com a cabeça. – E eu também preciso te contar umas coisas.
– Fuja lá pra casa depois que o estiver dormindo e a gente se fala, ok? Eu não pretendo dormir cedo mesmo. E vai logo falar com a Wendy porque ela tá olhando muito pra cá.
se juntou a loira no sofá, que parecia extremamente animada com a banda. observou por alguns segundos como ficava bobo ao lado dela e gostou de ver o jeito como ela o tratava. e chegaram de onde quer que eles tenham ido e se aproximaram, desviando a atenção de .
– E aí, nos saímos bem tocando em público? – perguntou, abrindo um simpático sorriso.
– Se você acha que eu e a Wendy somos um público... Vocês se saíram muito bem, eu gostei de verdade.
– Olha! As garotas aprovaram! Bom pra gente, não é, ? Só falta o resto de Nova York agora. Eu vou ali falar com o , já volto gente.
se afastou, enquanto encarava com um olhar divertido.
– Quer dizer que eu não sou um desastre como ?
– Não, , definitivamente, não. E essa música nova é... perfeita.
– É um alívio pra mim que você tenha gostado. Sério. – Ele tocou os lábios de com os seus rapidamente. – Eu vou voltar pra lá, depois a gente se fala com mais calma.
A banda voltou ao ensaio e, cerca de uma hora depois, havia terminado. e acompanharam Wendy até em casa, já que moravam perto. estava muito cansado e, por perceber isso, não demorou muito ao se despedir. E também porque queria um pouquinho que a noite chegasse logo e dormisse para ela poder conversar com . Só um pouquinho.




Capítulo 12

Passava da meia noite quando recebeu uma mensagem de texto em seu celular mandada por , que dizia ”Ele dormiu, abre a porta pra mim”. A garota abriu a porta e o amigo já esperava do lado de fora.
– Eu estou me sentindo um fugitivo, sabia? Fiquei morrendo de medo do acordar e me pegar no flagra!
Os dois gargalharam alto. entrou e ambos subiram até o quarto de , onde se acomodaram na cama da garota.
– Aproveita que você tá transbordando adrenalina e começa a contar. Depois eu falo.
– Bom, a primeira coisa é que eu estou muito feliz mesmo com a Wendy, acho que isso você já notou. – Ele sorriu sem graça. – E eu quero muito pedi-la em namoro, mas eu tenho medo dela recusar... Como vai ficar a minha cara se ela disser não? E como vai ficar o clima? Dá nervoso só de pensar!
– Oh, você está apaixonado, ! Isso é lindo! – apertou a bochecha de . – E se você quer pedir ela em namoro, pede de uma vez! Até porque eu vi o jeito como ela olha pra você. Eu mudo o meu nome pra Gatinha Selvagem se ela não aceitar! – Os dois gargalharam.
– Então, se ela me der o fora eu já vou ter um motivo pra rir pela vida inteira! Mas mesmo assim, eu ainda tenho medo.
– Fica calmo. É só você esperar e fazer tudo na hora certa. Por que você não faz aquele seu macarrão pra ela? E guarda um pouquinho pra mim, claro. Pode acender umas velas também. Garotas gostam desse tipo de coisa, é romântico.
– Sabe que não é má idéia? Eu tava quebrando a cabeça pensando como eu ia fazer isso. Mas quando será que ela vai me apresentar pros pais dela? Será que o pai é forte demais? Será que ele vai querer me bater?
– Você se preocupa muito! Quem vai decidir isso é ela, que deve conversar sobre você com eles primeiro e só depois te apresentar... Não vai ser de imediato assim, . Dá até tempo de você entrar em uma academia!
– Eu não tô brincando, ! Eu nunca namorei sério, eu não sei direito como funciona... Mas deixa isso pra lá. A segunda coisa é sobre uma proposta irrecusável que ela me fez hoje depois do ensaio... – O garoto fez uma longa pausa.
– Sem pausas dramáticas, , fala logo.
– Ela perguntou se nós aceitaríamos tocas no club do pai dela nesse sábado! Não é incrível?
– O QUÊ? , EU NÃO ACREDITO! ESSA É A CHANCE DE VOCÊS! E o que você respondeu?
– Eu disse que sim, claro! O e o vão manter a discrição em casa, eu já planejei tudo! O único problema é que hoje é segunda e sábado tá tão perto... A gente vai ter que ensaiar dia e noite pra sair tudo perfeito.
– Vocês vão fazer isso! O esforço vai valer a pena depois!
– Espero mesmo, eu tô muito ansioso... Imagina se ficar tão cheio como naquele dia? Acho que eu vou precisar beber trinta litros de cerveja antes de subir no palco.
– Então vai se preparando, porque vai estar cheio. Você não tem vergonha de nada mesmo! É totalmente cara de pau! Nem vai precisar beber.
– Mas eu posso ficar tímido na hora, ué! Er... acho que já falei tudo. Agora é a sua vez.
– Ok. Eu preciso te dizer que... ontem eu fiquei com ciúme da Wendy. Você, tipo, levou-a no estúdio antes de mim, contou sobre o McFly pra ela e nem me avisou... Eu sei que é besteira. Mas eu tenho ciúme mesmo, o que eu posso fazer?
– PUTAQUEPARIU! Dude, como o é fofoqueiro! – sacudiu a cabeça, provavelmente tentando afastar os pensamentos de “como se matar um primo traidor enquanto ele dorme” que passavam por sua cabeça. Ele suspirou e continuou: – Você sabe muito bem como está sendo difícil ter uma conversa sem ninguém escutando ultimamente, mas eu juro que eu queria ter te contado antes de chegar no seu ouvido por outra pessoa. E pode ir parando com isso, porque você é a garota mais importante da minha vida! E nem mesmo a Wendy vai roubar o seu posto!
Ele envolveu a garota em um abraço protetor, e os dois ficaram assim por alguns segundos, até se afastar um pouco e começar a brincar com o cabelo dele. Ficou satisfeita em saber que o seu posto não estava em risco.
– É ótimo ouvir isso de você. E falando em ... Acho que eu não vou poder adiar aquela conversa. Eu não quero me iludir. Se for pra acabar, é melhor que seja agora do que quando eu estiver ainda mais envolvida... me conquistou muito rápido, u não quero imaginar o quanto o que eu sinto por ele pode crescer mais ainda com o tempo.
– Eu também acho. Mas sabe, vocês têm muitas opções. Os seus pais moram em Londres, você podia visitar o de vez em quando.
– Como se eu tivesse algum tipo de liberdade quando eu estou com os meus pais! E como se eu não odiasse ter que ir pra lá. Essa opção tá totalmente fora de questão, .
– Hum, então eu acho que vocês só podem resolver isso juntos mesmo. Mas chega com calma. Se você sair atropelando as palavras, pode deixar o garoto assustado.
– Eu sempre atropelo quando eu fico nervosa, fato. Vou falar com ele amanhã mesmo. Por falar nisso, é amanhã que você vai saber finalmente se vai se formar, não é?
– Dude, nem me lembra! Eu me matei pra fazer aqueles trabalhos todos! Eu preciso me formar. E só mais uma coisa... Acho melhor você falar com ele cedo. Por que nós vamos ensaiar até tarde amanhã.
– Relaxa, . Passa aqui em casa quando você voltar de lá... Nossa, melhor ainda! Quanto mais cedo, mais bem disposta eu fico – ela respondeu com sarcasmo e um olhar relutante. – Ai, , quer pegar uma Coca? Eu estou morrendo de sede!
– Você ainda pergunta? Vamos.
– Eu perguntei se você queria pegar. Ir lá em embaixo, pegar uma pra mim e outra pra você e depois subir.
– Sabia que tava fácil demais, sua preguiçosa. Só vou fazer isso se você continuar mexendo no meu cabelo quando voltar, vai?
– Vou. – Ela sorriu, e disparou para o andar de baixo.
Continuaram conversando por cerca de uma hora até voltar para casa, na ponta dos pés para não acordar o primo.
se deitou, mas não conseguia dormir. Como dormir sabendo que amanhã tudo poderia mudar?




Capítulo 13

acordou antes das oito e praticamente não dormiu nada. O céu havia amanhecido com muitas nuvens carregadas e clima estava mais frio que o de costume. Era melhor se conformar com uma chuva mais tarde. Tomou um banho demorado, um café mais demorado ainda e se arrumou extremamente devagar. Às dez horas, mandou uma mensagem de texto para , que dizia: ”Passa aqui quando acordar, beijo”.
Aproximadamente meia hora depois, a campainha de tocou. Ela pôde sentir seu coração disparar e suas mãos suarem quando viu sorridente pelo olho mágico da porta. Não passaria de hoje e não fazia noção de como iria começar a conversa. Ela abriu a porta e foi recebida com um abraço forte seguido de um selinho.
– Bom dia! Recebi sua mensagem. Você pode ir a uma cafeteria comigo? esqueceu de ir ao supermercado para os pais dele e não existe nada além de pizza velha e Coca naquela geladeira.
– Posso, eu pretendia dar uma volta mesmo.
Ela trancou a casa e os dois se dirigiram a cafeteria mais próxima, a famosa Hudson, que ficava a dois quarteirões de distância. segurou a mão de durante o caminho e contou sobre a proposta de Wendy. É claro que fingiu estar surpresa com a notícia. Ele falou sem parar sobre como estava ansioso para sábado, como nunca havia tocado para um público de certa forma grande e sobre o repertório que eles iriam escolher. apenas concordava com a cabeça e fazia algum comentário gentil de hora em hora. Ao chegarem e se acomodarem, pediu um café expresso com torradas e apenas um chocolate quente.
– Você está tão quieta, . Aconteceu alguma coisa?
– N-não é nada, , só não dormi muito bem nessa noite – ela gaguejou ao falar, deixando transparecer a tensão em sua voz enquanto olhava para as unhas.
– Você não me engana. Não é só isso. – fez uma pausa enquanto recebia seu café da manhã e passava o chocolate para a garota. – Pode falar comigo. O que foi?
– Olha... Eu tava tentando adiar essa conversa o máximo possível. Mas acho que não agüento mais. Eu preciso saber o que você pensa... – Ela sentiu a voz falhar na última frase e encarou sua xícara de chocolate, sem jeito.
– Você tá me assustando, . Como assim, quer saber o que eu penso?
– Vou ser mais específica, ok? – Ela soltou um longo suspiro. – Eu sei que nós ficamos há pouco tempo, que eu te conheço há pouco tempo... Mas eu estou sentindo uma coisa muito forte por você. E eu não tenho palavras pra dizer o quanto é bom sentir isso. Só que você mora em Londres, . E uma hora você vai ter que voltar pra casa... Isso me preocupa.
– UAU! Direto ao ponto! Eu já havia pensado sobre isso, mas não sabia como tocar no assunto com você. Pensei em falar com o , mas vi que só resolveria o problema com você mesma.
– E você conseguiu pensar em alguma solução?
– Não. A única coisa que passava pela minha cabeça era te pedir em namoro o mais rápido possível. Tudo com você é novo e maravilhoso pra mim.
– E acho que também passou pela sua cabeça que um namoro à distância seria impossível, não é?
– Passou – respondeu com um olhar decepcionado.
– Eu estou com medo de ficar mais envolvida do que eu já estou e você ir embora. Quer dizer, você vai embora!
– Desculpa, . Eu não sei o que dizer. Só posso te garantir que eu não sei explicar o que eu tô sentindo. Que te deixar aqui, deixar o tempo apagar tudo referente a você não está nos meus planos.
– Sentimentos não suficientes agora, . Apesar de eu desejar que fossem.
– Mas a gente não tem o que fazer! Você quer parar de ficar comigo? É isso?
– Não! Eu não estava pensando nisso!
– Você vai pra faculdade ano que vem? Porque se não, a gente podia revezar. Eu seis meses aqui e você seis meses com os seus pais. É uma sugestão.
– Tá escutando o que você mesmo tá falando, ? – se espantou com uma idéia tão absurda e não se esforçou em disfarçar. – Você sabe o quanto eu não suporto os meus pais! E não é porque eu não vou pra faculdade que eu vou ficar parada. Eu quero trabalhar! Fazer outras coisas aqui!
– Nossa! Desculpa se eu não estou me esforçando pra pensar em alguma coisa – ele respondeu com sarcasmo.
– Eu não disse isso – ela disse seca.
– Mas pareceu exatamente isso. – a encarou nos olhos com frieza.
– Isso não vai levar a lugar nenhum, sabia? Eu acho melhor nós dois pensarmos no que vai ser melhor pra cada um e pronto – elevou o tom de voz, nervosa demais para pensar no que estava falando.
– Em outras palavras... “Não vou mais ficar contigo, ” – ele falou ainda mais frio e contrariado. Uma ponta de raiva surgia em seus olhos. – Acho que eu me enganei com você, não achei que você fosse desse tipinho de garota.
– Olha aqui, , a última coisa que eu quero é brigar com você, ok? Eu não tentei puxar uma conversa adulta e civilizada pra escutar você ficar putinho e falar merda! Se você entendeu assim, ótimo! Vai ser exatamente isso que vai acontecer. Obrigada pelo chocolate.
se levantou e ignorou quantas vezes chamou por seu nome. Ela fechou a porta da Hudson atrás de si e pôde sentir lágrimas descendo por rosto. E como o destino não estava economizando crueldade com ela, uma chuva forte começou a cair do céu. A garota andou encharcada e com mil pensamentos na cabeça. As palavras de e as suas próprias se repetiam em sua mente sem parar, e ela desejava apagar todas aquelas frases que não a deixavam raciocinar.
Chegou em casa completamente molhada e desarrumada, uma mistura de choro desesperado com chuva de vento. Desligou o celular, puxou a tomada de seu telefone fixo. Naquele dia, ela não queria falar com mais ninguém. Planejou chorar pelo resto do dia e observar os pingos de chuva caindo sobre a janela de vidro de seu quarto. E foi exatamente isso que fez, até bater em sua porta, pulando como uma gazela, anunciando que havia se formado. Ele estava tão feliz, tão aliviado que o fato de não estar totalmente normal passou despercebido. A conversa não se estendeu muito, porque agora o McFly teria que ensaiar sem parar e não podia perder tempo. Ela estava feliz por ter ido embora rápido e não ter percebido que ela usou apenas monossílabos. Ela precisava ficar sozinha.
demorou a dormir naquela noite. Dormiu mal, acordando o tempo todo. Ela queria poder apagar tudo o que aconteceu pela manhã.




Capítulo 14

passou o resto da semana como um vegetal. Não saiu de casa, os telefones continuaram desligados e ela passou a maior parte do tempo vendo comédias românticas melosas e Padrinhos Mágicos. Desenhos são mestres em esvaziar a cabeça, fato. Resolveu entrar na internet no sábado de manhã para mandar um e-mail para Molly, já que as duas não se falavam há um bom tempo. Ao abrir sua caixa de entrada, se deparou com duas mensagens de (que seriam correntes idiotas de internet; ele era totalmente paranóico com essas coisas), cinco e-mails de (que ela se recusou em abrir) e um de Molly .Ela clicou no último sorrindo. O seu primeiro sorriso em dias.

Para: her.name.is.@live.com
De: naotemnadadisponivel@live.com
Assunto: Saudade

! Como eu tô sentindo a sua falta! Tô sentindo falta até de você roubando as minhas maquiagens! Tenho tanta coisa pra te contar!
Posso saber o motivo do seu celular estar desligado? Tentei te ligar três dias seguidos e não consegui. Aposto que você perdeu o carregador de novo... tsc, tsc, tsc! Enfim, eu vou voltar semana que vem! Um pouco mais cedo, eu sei. Mas é que eu já gastei mais do que a minha conta bancária permitia e acho que o dinheiro não agüenta até o fim do mês. Eu quero ver a casa inteira quando eu voltar, ok?
Eu te amo.
P.S. Se eu fosse você, eu procuraria o carregador na geladeira. É só uma dica.


Sua irmã estava voltando! Aquela notícia salvou o dia de . Ela se acomodou na cadeira e digitou uma resposta.

Para: naotemnadadisponivel@live.com
De: her.name.is.@live.com
Assunto: NÃO ACREDITOOOO!

MOOOOOLLY! Você não tem noção do quanto eu fiquei feliz em saber que você vai voltar antes! E eu tô louca pra saber os detalhes da viagem, TODOS os detalhes! Fui clara? Incluindo aventuras sexuais com estrangeiros! HAHAHA.
E não tem nada de errado com o meu carregador. É uma história longa que só posso te contar mesmo ao vivo e a cores. Mas relaxa, ok ?Eu estou bem e casa também vai ficar.
Também te amo.


apagava o resto das mensagens quando ouviu sua campainha tocar. Implorou mentalmente para que não fosse enquanto descia as escadas. Não que ela esperasse uma visita dele, mas a possibilidade não deixou de passar por sua cabeça. Espiou pelo olho mágico e viu Wendy do lado de fora. Estranhou a garota aparecer sem avisar antes, mas mesmo assim abriu a porta.
! O que aconteceu com o seu telefone, garota? Tentei te ligar direto!
Ops! Aí estava o motivo da falta de aviso.
– Oi, Wendy. Meu telefone? Não sei. Estranho, não é? O vento deve ter destruído alguma fiação – ela mentiu e fez sinal para a loira entrar. – Mas o que você quer falar comigo?
– Amor, acorda! Hoje é sábado! O dia da apresentação do McFly! Eu vim entregar sua cortesia. anda tão ocupado que nem tem dormido em casa direito. Então resolvi eu mesma te entregar pra economizar o tempo dele.
– Ah... Claro. Mas como assim, não tem dormido em casa? – ela perguntou, talvez mais preocupada onde estava dormindo.
– Eles ficam até tarde no estúdio ensaiando, repassando um treco que eu esqueci o nome e, nos dois últimos dias, dormiram na casa do . Que, por sinal, é perto da minha casa! Mas não tem nenhum tempinho pra dar vinte passos e me visitar. – Ela bufou. – Eles fizeram uma música nova em menos de uma semana e vão tocar hoje! Dá pra acreditar? Estou super curiosa pra ouvir! Mas eu nem fico demonstrando isso pro , sabe? Ele tem que arrumar mais tempo pra mim, poxa! Ah! Falando em tempo... Ele me contou alguma coisa sobre você e o . Vocês brigaram, é? Deram um tempo?
Wendy e haviam nascido definitivamente um para o outro. E não era a primeira vez que chegava a essa conclusão. Falavam tanto e tão rápido que acabavam se atropelando nas palavras.
– É. Não vejo desde o início da semana. Mas isso vai acabar hoje, Wendy. Eu tenho certeza de que ele não está fazendo isso porque quer. Er... Eu e o demos um tempo, sim... Quer dizer, eu acho que aquilo foi um tempo. Ou um término do que nem começou. – A garota coçou a cabeça confusa. – Eu não vou aparecer hoje. Desculpa por você ter perdido seu tempo vindo aqui. Eu não quero encontrar com ele tão cedo.
– Ficou maluca? – Wendy agitou as mãos no ar. – Você vai, sim! Tudo bem que você não quer ver o , ele deve ter feito uma merda muito grande mesmo pra chegar nesse ponto. Mas o vai ficar muito mal se você não for! Ele tá contando com você na primeira fila, poxa! Ele anda meio desaparecido, mas ele quer que você vá mais do que qualquer pessoa. Eu sei que ele quer. Não precisa me contar os detalhes com o se você não se sente bem pra isso, mas eu acho que você deve ir mesmo com ele lá. Pelo .
– É verdade. Seria injusto fazer isso com o . – se jogou no sofá e abraçou os joelhos. – Mas eu não quero ver a cara do . Eu fui um monstro com ele. E ele também foi um monstro comigo. Eu não durmo bem há dias pensando nisso.
– Ah, ! Deixa de ser dramática! Se eu soubesse que você tava tão pra baixo, tinha aparecido por aqui antes. O que você acha de se arrumar na minha casa? A gente faz um aquecimento pré-festa com vodca e depois vamos com o carro do meu pai. Eu não vou aceitar nenhuma resposta além de sim!
refletiu por alguns segundos. Por que não? Ela estava desanimada demais pra começar a se arrumar... Mas ela precisava se arrumar! Precisava ir ao show! Era um dia muito importante para , ela não queria e nem podia perder. E, com certeza, Wendy iria se encarregar de arrastá-la para o show caso ela desistisse.
”Pelo , disse mentalmente para si mesma.
– Vou aceitar, Wendy. É pelo e um pouquinho pelo e o também. Nada de ! Falando no idiota, preciso mesmo melhorar essa cara de derrota antes de aparecer na frente dele. Não que ele tenha culpa por eu estar assim, mas sei lá... Ele pode achar que é por causa dele! ¬– mentia mal. Muito mal.
estava se sentindo, para a sua surpresa, confortável em conversar com Wendy agora. Ela nunca iria imaginar uns tempos atrás que poderia ter uma conversa pessoal com a antiga “inimiga”. precisava de uma companhia e de uma opinião feminina. Wendy apareceu na hora certa para ela.
– Por que você não pega as suas coisas e me explica essa história no caminho? Ah, eu posso te ajudar a escolher a roupa! Você tem que estar gostosa hoje e deixar o babando!
juntou tudo o que precisaria e partiu para a casa de Wendy em um táxi. Ela não esperou nem mesmo chegarem a casa, ignorou o fato de que o motorista (um velhinho com cara de mexicano) agora iria descobrir tudo sobre sua vida amorosa e começou a disparar frases que antes só circulavam em seus pensamentos. Wendy não economizou palpites para o caso. Mesmo que nenhum deles fosse aproveitável, admirou o esforço da garota em ajudar.
Não escondeu o espanto ao chegar na casa de Wendy. Era uma mansão. A casa era gigante, com uma ampla varanda e um jardim que se estendia do portão à casa e depois continuava nos fundos. A grama exibia um verde vivo e havia também algumas árvores bem aparadas. A fachada era em pintada em um bege claro e garagem não parecia ter limites para vagas. Ser o dono do Branch, que era talvez o melhor club da Quinta Avenida, rendia uma fortuna.
As garotas entraram na casa. Depois de ter terminado seu relatório sobre e ter babado pela decoração, Wendy começou a falar sobre , de como duvidava se ele gostava dela o quanto ela gostava dele, se ele queria alguma coisa mais séria ou não. Aparentemente, se esqueceu que conversava com a melhor amiga dele, que sabia de todas as respostas. Mas se segurou para revelar o mínimo possível e apenas disse para Wendy que ela teria uma surpresa muito boa em breve. A garota entendeu o que quis dizer e se mostrou satisfeita só com a “pista”. Ambas subiam as escadas que levariam ao quarto da loira quando a mesma tocou em um assunto que não esperava que ela tocasse.
– Eu não entendo como eu não falava com vocês no colégio. Nós estudamos juntos por quanto tempo? Três anos? Eu lembro de vocês dois sentados sempre juntos no refeitório, mas eu nem sabia os seus nomes. Isso é tão bizarro!
– Culpa das famosas panelinhas! Se é que eu e fazíamos parte de alguma – ela disse indiferente.
– Você devia me achar uma piranha, não é? Pode falar a verdade, . Uma líder de torcida que passa mais tempo na sala do diretor do que o próprio diretor e já saiu com o colégio inteiro.
– Ah, Wendy...Desculpa. – encarou os degraus da escada sem graça. – Mas o que eu posso dizer? Essa é a imagem que eu tinha de você. Como a maioria do colégio também... Mas as aparências enganam! Certo?
Elas chegaram ao quarto da garota, rosa de ponta a ponta, o que não era uma surpresa. Havia muitas fotos, uma estante lotada com DVDs e CDs e muitos ursos de pelúcia, o que também não era uma surpresa.
– Relaxa. Eu já tô tão acostumada com isso que nem me abalo mais. E se eu te disser que eu não fiquei com metade dos garotos que dizem que eu fiquei?
Wendy se jogou em um sofá pink e deu espaço para fazer o mesmo.
– C-como?
– Não tenho muito que explicar... Só o fato de eu ser uma líder de torcida já é o bastante para ser considerada como piranha. Sem falar nos boatos falsos. Esses são os mais irritantes! Os idiotas do time de futebol fazem qualquer um acreditar em qualquer coisa! Você acredita que eu nunca nem mesmo troquei um “bom dia” com o Josh Harper? – arregalou os olhos e sentiu o queixo cair.
– Mas tem foto de vocês dando uns amassos no vestiário! Eu vi! Todo mundo viu!
– Montagem de muito mau gosto. Aquela é Jessica Wells, só mudaram o cabelo dela. Mas como a foto tava longe e fora de foco... eu levei o crédito. E o pior é que eu nunca descobri quem é o animal que faz esse tipo de coisa. Eu e o Josh levamos três dias de suspensão quando a foto caiu na mesa do diretor.
Depois de se recompor do choque, citou mais diversos nomes de supostos casos de Wendy e a garota realmente negou a maioria. sabia que ela não mentia. Afinal, o colegial havia terminado e nada referente à popularidade importava mais. E também porque a garota estava com a aprovação de ganha. E dessa vez, a opinião de não iria mudar. Continuaram conversando, parando apenas para comer, até a hora de se arrumarem e partirem para o show.




Capítulo 15

As garotas entraram no carro preto que as levaria ao Branch. O pai de Wendy, Sr. Settle, já esperava no banco traseiro. Wendy se acomodou ao lado do pai e recebeu este com um beijo no rosto. não tinha motivos para temer o pai de Wendy. Além de não ser tão forte como imaginava, ele era um homem em torno dos quarenta anos, com alguns fios grisalhos e um sorriso tão exuberante quanto o da filha. Tanto ele quanto a Sra. Settle foram bem receptivos com e conversaram animadamente com ela enquanto as garotas comiam. sentiu um vazio ao pensar que seus pais eram totalmente o oposto dos de Wendy. Parece que ainda existiam famílias normais por aí. Mas ficou feliz em conhecer os futuros sogros de . Eles estavam completamente aprovados na opinião dela.
Chegando ao local, o Sr.Settle dispensou o motorista e se dirigiu para a entrada com as meninas. Os três entraram sem demora e ganharam olhares de espanto. havia esquecido por um segundo que estava entrando junto ao proprietário. Todos que sabiam quem era aquele homem ficaram intimidados. As garotas se direcionaram para o bar e sentaram em uma das mesinhas que havia perto.
– Eu vou ligar pro . Eles já devem estar aqui em algum lugar – Wendy comunicou, enquanto puxava o celular da bolsa e discava.
começou a avaliar suas chances de fugir de , e elas não eram boas.
– Oi, amor! Já cheguei aqui! A está do meu lado, você não vai acreditar no quanto nos divertimos hoje (...) Em uma mesa perto do bar (...) Quando você diz os garotos, você quer dizer todos eles? (...) Eu sei disso, , eu só não acho que... (...) Tudo bem. Estamos esperando. Beijo. – A loira desligou e devolveu o celular para seu lugar de origem.
– Ele tá vindo, não é? – perguntou, fazendo uma careta.
– Você sabia que ia encontrar com ele hoje, . Mas isso não significa que você tem que conversar com ele! Você só vai fazer o que você quiser. Mas de qualquer forma, se prepara, eles estão bem ali.
Os garotos chegaram e Wendy cumprimentou todos com um beijo no rosto, exceto por , é claro. permaneceu imóvel em seu lugar a princípio, mas ela não seria mal educada em não falar com e e não seria louca de não dar um abraço-de-urso-cheio-de-saudades em . Ela fez exatamente isso e apenas sorriu fraco e sem vontade para . Mas é claro que ele não se conformaria com um sorriso torto, então puxou a garota levemente pelo braço e a beijou no rosto, demorando um pouco mais do que o normal para desgrudar seus lábios das bochechas dela.
, eu quero falar com você. – Ele ainda segurava o braço da garota.
– E eu quero falar com o . Com licença.
Ela se afastou de , virando-se para em seguida e fazendo o possível para não olhar mais para . Ela ainda pretendia fugir.
, eu estou tão feliz por você! Já viu quanta gente tem aqui? Já pensou no quanto vocês podem ficar conhecidos depois de hoje? E que história é essa de música nova?
– Interrogatório? – respondeu sarcástico. – É claro que eu já pensei. Não dá pra ver mesmo o quanto eu estou arrepiado? Eu não bebi nada pra espantar o nervosismo, juro! E sobre a música... vai ter que esperar pra ver.
– Fez bem. Vai ser um momento único e você não deve estar bêbado quando ele acontecer. Hum... Acho que vou gostar dessa tanto quanto as outras!
– É boa. Mas essa vai ser diferente pra você. – sorriu para si mesmo, como se estivesse rindo de uma piada que só ele entendia.
– Diferente pra mim?
– Esquece. Mais tarde você vai entender. Agora eu vou ali, porque eu não vejo a Wendy há dias e eu estou começando a achar que ela vai ter um ataque de abandono. E eu também acho que você devia conversar com um certo bonitão, que tem um primo mais bonito ainda, sabe? – Seus lábios se abriram em um sorriso, mas rapidamente se curvaram para baixo. – O não tá nada bem, . E pelo o que eu te conheço... você também não.
– Acho que eu não vou conseguir fugir dele durante a noite inteira. Eu nem tô com raiva dele. Acho que agora eu só tô com medo. Medo do que pode acontecer.
– Você realmente pensou em fugir dele? – gargalhou. – Você tem cada idéia! Mas relaxa.Você é pequena, mas é mais corajosa que eu. – Ele beijou a amiga delicadamente na testa.
– Falando em coragem... Eu tenho que te dar uma notícia muito boa depois. Vou logo falar com o , acabar com isso de uma vez! Sorte pra mim.
– Vai me deixar curioso de qualquer jeito, não é? Nem vou insistir. Boa sorte pra você. Vocês vão se acertar.
se virou, andando em direção a , e desejou como nunca que a última frase de realmente acontecesse. Ele estava sentado sozinho no bar com uma bebida que não conseguiu identificar quando ela cutucou seu braço, fazendo o garoto se virar e a encarar nos olhos.
– Oi, – ela disse baixo. – Oi, . – Seus olhos brilharam, parecendo ainda mais atraentes agora. Ela havia sentido falta desse par de olhos intensos.
– Acho que você já sabe o que eu quero... er... conversar. Tem problema se for agora, antes do show?
– Pra falar a verdade, eu acho que só vou conseguir subir naquele palco se eu souber o que você está sentindo. – Aconteceu um pequeno silêncio e o quebrou suspirando.
– O que eu estou sentindo... – Ela repetiu a frase do garoto. – Eu não tô com raiva, tô arrependida de ter falado daquele jeito com você e tô com medo. Medo de te perder... Se eu já não te perdi.
– Eu também sinto as mesmas coisas. Não fui à sua casa porque eu imaginei que você estivesse precisando de espaço. E tive certeza disso quando você não respondeu meus e-mails e os dois telefones magicamente estavam sem serviço. – Ele sorriu sem humor ao terminar.
Estava tão na cara assim que ela havia desligado? Por que ninguém pensou num vento forte, em um furacão ou em um caminhão de mudança que tenha estragado a fiação?
– Você não foi o único a duvidar dos meus telefones. – Ela sorriu menos preocupada. – Desculpa. Eu estava muito nervosa com a situação e não devia ter descontado em você.
– Sou eu quem te deve desculpas aqui. Só falei merda, eu sei disso. – Ele segurou a mão da garota.
– Vamos esquecer aquilo, ok? Eu não quero brigar com você. Nunca mais.
– Nem eu. No que depender de mim, aquela gritaria nunca mais vai se repetir. – beijou a mão de – Mas...O que você quer fazer agora? Sabe, com nós dois.
– Eu sei o que eu quero fazer agora – respondeu com um sorriso malicioso.
– O quê? – o garoto respondeu com curiosidade
– Gritar o seu nome que nem uma louca perto do palco, cantar todas as músicas e tirar muitas fotos da primeira apresentação do McFly. E quando acabar... eu quero você. E não parar pra pensar no que vai acontecer amanhã ou depois. Só você.
É. Ela estava decidida.
– Adorei isso! – Ele mordeu o próprio lábio inferior. – A gente só tem que aproveitar, , e depois deixar o amanhã pro amanhã todos os dias. Deixar o depois pra depois – ele respondeu, passando a mão pelo rosto de . – Eu senti tanto a sua falta.
– Eu também, . Você não imagina o quanto.
Ela observou enquanto envolvia sua cintura com seus braços e a puxava para ficar de pé com ele. Ele fez o contorno da boca da garota com os dedos enquanto a mesma apenas fechava os olhos e sentia a respiração de tão perto da sua. O hálito, o cheiro e a pele dele. Eles se beijaram, mas não foi um beijo qualquer. Foi um beijo desesperado de vontade, de saudade e de intensidade. E nenhum deles parecia disposto a parar com esse momento tão cedo.





Capítulo 16

Depois de e terem finalmente desgrudado, o garoto seguiu para o camarim junto aos outros três. se sentia bem melhor agora. Qualquer coisa podia acontecer, e se ela tivesse ao seu lado, tinha certeza que suportaria.
- EU SABIA QUE VOCÊS IAM VOLTAR! – Wendy surgiu pulando ao lado da garota e a abraçou.
- Deixa de ser escandalosa, garota! – resmungou, ainda abraçando a loira. – E obrigada por ter me tirado daquele estado horroroso hoje.
- Imagina, . Eu te tirei do fundo do poço e ganhei uma amiga de brinde.
- Oh, eu também ganhei uma amiga hoje! Você me ganhou, sério! Mas agora chega de escândalo que todo mundo tá olhando a gente pulando. E os garotos já vão entrar, pega a câmera!
Ambas se dirigiram para frente do palco com suas respectivas máquinas fotográficas, se espremendo ao passarem pela multidão. tremeu ao imaginar a quantidade de pessoas no lugar. As luzes do local se apagaram por completo e a música que tocava parou. O DJ anunciou a banda da sua própria cabine e colocou uma música de suspense, antes do palco se iluminar e os garotos entrarem. Esse jogo de luzes e a música ao fundo eram típicos do Branch. não conseguiu deixar de rir da cara de . Seu sorriso era tão grande que os dentes pareciam prontos pra pular a qualquer momento. parecia tenso. Muito tenso, para falar a verdade. Ele passou os olhos na primeira fila e esboçou um sorriso quando recebeu um beijo mandado no ar por . parecia bêbado, e provavelmente estava. permaneceu de olhos arregalados olhando para a multidão por alguns segundos antes de encarar os amigos, completamente assustado. torceu para que o nervosismo não atrapalhasse em nada. Cada um se posicionou em seu respectivo instrumento. Começaram com a lenta Too Close For Comfort, e seguiram com a agitada Five Colours in Her Hair. Wendy e cantavam e tiravam fotos freneticamente. Todos no club se mexiam ao som da música e pareciam realmente estar gostando. A banda que antes ninguém conhecia estava ganhando fãs naquela noite. pôde ver vários rostos desconhecidos tirando fotos dos garotos. Isso era um bom sinal, não era? Todos os garotos estavam lindos e mereciam demais essa atenção e reconhecimento. Depois de todo o repertório do ensaio terminado, esperava pelo fim do show. E não conseguia parar de pensar em uma garrafinha de água, ela havia gritado o tempo inteiro. Ficou surpresa quando puxou o microfone e disse, meio sem graça e vermelho:
- Esse é nossa última música e também a nossa mais recente. Nós trabalhamos muito nela nessa última semana. Espero que vocês gostem. Er... Eu quero dedicar I Wanna Hold You pra garota mais linda desse club. É pra você, .
apenas conseguiu escutar inúmeros gritos eufóricos atrás de si. Sentiu as pernas ficarem fracas e as mãos congelarem. lançou um sorriso na direção dela, que retribuiu, ainda pasma. Então era por isso que a noite seria diferente pra ela? Todo mundo já sabia disso? fez mesmo uma música pra ela e anunciou na frente de uma boate inteira? Não parecia real.

Tell me that you want me baby
Me diga que você me quer, baby
Tell me that it's true
Me diga que é verdade
Say the magic words and I'd destroy the world for you
Diga as palavras mágicas e eu destruiria o mundo pra você
An army for the broken hearted
Um exército para os de coração partido
Marching through the streets
Marchando pelas ruas
And every city's burning to the ground under your feet
E cada cidade está queimando no chão abaixo dos seus pés

I wanna hold you
Eu quero te abraçar
My skies are turning black
Meus céus estão ficando negros
Feels like a heart attack
Parece um ataque cardíaco
And I'd do anything you ask
E eu faria qualquer coisa que você pedisse
I wanna hold you bad
Eu quero muito te abraçar

Ela apenas sentia uma voz familiar invadir seus ouvidos e olhava para , sem piscar. Ele sorria exatamente da mesma forma que ela enquanto tocava, como uma criança.

I'd melt the polar ice caps baby
Eu derreteria as geleiras polares, baby
And watch them flood the earth
E as assistiria inundar a terra
And I'd do anything to show you what your love is worth
E eu faria qualquer coisa pra mostrar o quanto vale o seu amor
So won't you show me your devotion?
Então você não vai me mostrar sua devoção?
To heal my aching heart
Pra curar meu coração doído
It's like a neutron bomb explosion tearing me apart
É como uma explosão de bomba nêutron me deixando em pedaços

I wanna hold you
Eu quero te abraçar
My skies are turning black
Meus céus estão ficando negros
Feels like a heart attack
Parece um ataque cardíaco
And I'd do anything you ask
E eu faria qualquer coisa que você pedisse
I wanna hold you bad
Eu quero muito te abraçar

sentiu sua visão embaçar. Ela estava chorando. Ninguém nunca havia feito algo parecido para ela. Se apaixonar por era a coisa mais linda que havia acontecido em sua vida. Ela tinha certeza disso agora.

Attention please, we interrupt this program
Atenção por favor, nós interrompemos esse programa
With some disturbing news
Com algumas notícias perturbantes
A worldwide evacuation
Uma evacuação mundial
We're going to lose
Nós vamos perder
And they've pulverised the nation
E eles pulverizaram a nação
I guess it shows us just what love can do
Acho que isso nos mostra o que o amor pode fazer

I wanna hold you
Eu quero te abraçar
My skies are turning black
Meus céus estão ficando negros
Feels like a heart attack
Parece um ataque cardíaco
And I'd do anything you ask
E eu faria qualquer coisa que você pedisse
I wanna hold you bad
Eu quero muito te abraçar

Quando terminaram de tocar a música dela, agradeceram ao público e sumiram pelas escadas atrás do palco. não pensou duas vezes antes de disparar para lá. Desviou de inúmeras pessoas, tomou um banho de alguma bebida verde que não conseguiu identificar até chegar onde o McFly estava. Mas ela pouco se importou com o fato de sua nova blusa branca decotada em “V” estar verde. O único rosto no qual conseguia se concentrar era o de . O seu . Sorriu para si mesma com o pensamento. Chegando lá, observou enquanto , e pulavam, rodavam e se abraçavam de felicidade. Wendy corria para se juntar a eles. também queria comemorar com seus amigos, mas isso podia esperar. Agora ela observava descendo as escadas devagar. Seria cansaço ou ele também estava tão em transe quanto ela? se dirigiu para o primeiro degrau e esperou que chegasse até ela.


Capítulo 17

- Aquele sorriso gigante significa que você gostou da surpresa? – disse, passando os dedos levemente pela bochecha dela. Ele parecia sem fôlego.
- Você ainda pergunta, ? Foi o momento mais perfeito da minha vida!
Ela puxou o garoto pela nuca com uma das mãos e apertou seu corpo contra o dele com a outra. a envolveu com os braços e a levantou até o segundo degrau da escada, enquanto se beijavam. Agora os dois estavam quase da mesma altura, visto que não estava de salto. Eles não ouviam mais nenhum barulho, apenas sentiam um ao outro naquele momento. se arrepiava com o toque do garoto e sorria nas pequenas pausas que faziam. Pequenas mesmo. Ela não sentia a mínima vontade de largar . Depois de um tempo, ele diminuiu o ritmo e afastou seus lábios dos dela.
- Aquela coisa de “Eu quero você quando o show terminar” ainda tá de pé? Sabe, você podia me levar pra casa e...
- Com certeza. – Ela interrompeu. - Até porque uma celebridade como você não pode dormir sozinha. Sem ninguém pra proteger, sabe?
- Hum... E os seus serviços de segurança são vinte e quatro horas? – Ele sorriu malicioso, levando um tapa no braço em seguida.
- Hora extra é mais caro... Espere dois minutos. Vou falar com os meninos e a Wendy, ok? – Ela deu um selinho demorado se soltando de .
Encontrou e Wendy se abraçando eufóricos, não muito longe de onde estava. Cacete, eles não cansavam de pular?
- ,TODO MUNDO ME ADOROU! EU SOU FODA! – se jogou em cima da amiga, pulando e obrigando a mesma a pular também. Wendy se afastou resmungando alguma coisa sobre banheiro.
- Se eu não tivesse te visto antes eu ia dizer que você tá bêbado! Pára de pular e olha pra mim, porra! – O garoto fez exatamente o que pediu. – Eu vou parecer a sua mãe falando, mas tudo bem. Você me deixou muito orgulhosa! Eu nunca senti tanto orgulho de você na minha vida! , eu tô muito feliz por você!
- Eu sei que você tá, ! – Ele voltou a abraçar a garota, mas sem pular dessa vez. – E não têm preço poder dividir isso tudo com você. Eu me arrependo de ter escondido isso de você no começo. Você iria me apoiar... Eu sou um idiota.
- Shii, você não fez nada errado. – disse, cobrindo a boca do amigo com o indicador.
Ela sentiu uma lágrima descer em seu rosto. Outra lágrima de felicidade. Ela estava muito mais sensível que o normal naquela noite. encarou , que sorriu enquanto secava a lágrima com seus dedos.
– Só você mesmo pra chorar que nem uma menininha por minha causa. – A garota gargalhou com o comentário. – E você pode me contar logo a boa notícia? Eu morri tentando adivinhar.
- É mesmo! Nem lembrava mais disso. – Ela inclinou sua cabeça mais para perto de . - Ok, o pai da Wendy não é forte demais. Acho que ele nem vai pensar em te bater. – Ela disse baixo, de modo que somente ele pudesse ouvir.
- Isso é muito tranqüilizador, ele nem pode ter uma arma em casa! – Respondeu com sarcasmo. - Mas depois eu quero detalhes.
- Cala a boca, . É claro que eu vou te dar detalhes. Detalhes bons, pra ser mais exata.
deu um beijo demorado na bochecha de e finalizou o abraço em seguida. Mas de imediato viu que Wendy corria em sua direção e a abraçou por trás, fazendo com que ela voltasse a mesma posição de antes.
– Eu ainda não me cansei de comemorar! E acho que nem vocês.
Agora era um abraço triplo. Continuaram assim por mais alguns instantes até lembrar que a esperava pra voltar pra casa, e não para dormir. Ela se despediu dos dois e tentou achar e ,mas não conseguiu. Imaginou que eles estariam ocupados com alguma nova fã. Voltou para perto das escadas e disparou para fora do Branch com . Os dois estavam inegavelmente felizes. Pegaram um táxi e passaram todo o caminho em silêncio. Não aquele silêncio incômodo e chato, mas aquele que acontece apenas pelas palavras não serem necessárias. E elas não eram.
Saltaram do táxi e pagou o motorista, como de costume. Ele segurou a mão de enquanto entravam na casa da garota e se acomodavam no sofá. Os dois se encararam sentados por alguns minutos. Ambos sabiam o que aconteceria em seguida, mas queriam curtir cada momento com calma. Queriam lembrar daquele dia em detalhes.
- Posso te perguntar só uma coisa? – disse, mordendo seu próprio lábio inferior, ainda olhando intensamente para .
- Claro. Qualquer coisa, .
- Quando eu for embora... Você jura não me esconder nada? Eu não quero segredos entre a gente quando eu estiver do outro lado do mundo. Eu quero ter certeza que você tá bem, que você tá sendo sincera comigo. Jura?
- Eu nunca vou mentir pra você. Nunca. Até porque eu acho que não conseguiria... Eu juro.
- Eu confio em você, . Só não quero te perder. – Ele se aproximou, beijando rapidamente a garota.
- Eu também confio em você. E confio em nós dois juntos. Relacionamentos à distância são difíceis, mas não impossíveis. A gente vai conseguir.
Ela segurou a mão de , entrelaçou seus dedos nos dele e guiou o garoto até o segundo andar da casa. Assim que ela bateu a porta atrás de si, a puxou para mais perto e beijou-a. Sua língua macia passava pelos lábios da garota e procurava a dela, em movimentos leves. puxou cuidadosamente pela camisa até sentir a cama atrás de si e se deixar cair sobre a mesma. Ele se deitou por cima da garota e agora beijava-a com mais voracidade. Ela suspendeu as pernas na altura da cintura do garoto e o envolveu com elas. As mãos de escorregaram pelo corpo de , parando nas coxas. Em seguida, retirou a blusa da garota, mas teve dificuldade com o sutiã. Pensou consigo se esses fechos eram complicados assim de propósito. notou o problema de e ela mesma tirou o sutiã, rindo das bochechas coradas do garoto. Ela puxou a camisa dele em um movimento rápido e depois o próprio se encarregou de livrar-se dos jeans. arranhava as costas de enquanto o garoto beijava seu pescoço e mordia sua orelha. Ela tratou de despir por completo enquanto ele fazia o mesmo com ela. saltou da cama por alguns instantes e revirou sua calça em busca da carteira. Nenhum deles dispensaria a camisinha. Ele voltou à posição em que se encontrava anteriormente e ambos estavam ofegantes. aumentava a força sobre o corpo da garota, apertando seus corpos enquanto puxava os cabelos dele e soltava um gemido baixo. Ela permanecia de olhos fechados, apenas sentindo . Sentiu seu cheiro misturado ao dele, a pele macia do garoto e o calor de sua respiração acelerada. conseguia ser intenso e cuidadoso ao mesmo tempo. Sabia dominar em todos os aspectos. E ela não conseguia resistir. Ele era tão bom que não parecia ser real. Quando terminaram, se deitou sobre o peito de e pôde sentir o mesmo aumentando e diminuindo, conforme o garoto respirava. Era uma sensação simples e perfeita. Ele mexia nos cabelos da garota e a observava.
- Posso fazer um comentário? - Ele perguntou, com malícia.
- Só se você parar de perguntar se pode. – Ela advertiu, com sarcasmo.
- Não tá mais aqui quem falou, nervosinha. – Ele beijou o topo da cabeça da garota e continuou. – É que... se todo segurança tiver peitos assim, eles merecem um aumento de salário! Porque, ... Que peitos!
- ! Mais respeito! – Ela deu um leve tapa no braço de . - Mas... Isso significa que eu vou ganhar um aumento? – Ela o encarou provocante.
- COM CERTEZA! – Os dois gargalharam alto. Ela inclinou a cabeça e deu um selinho em . Ele segurou o rosto dela por um instante, de modo que a garota o encarasse.
- Você sabe que eu te amo, não sabe?
- Acho que eu acabei de descobrir, já que é a primeira vez que você fala.
- Eu não tô falando da boca pra fora. Eu estou falando muito sério, .
- Eu sei, . Eu também te amo, mais do que você imagina.
Ele a beijou rapidamente e a garota voltou a deitar sua cabeça sobre seu peito. agora se sentia realizada. Como se estivesse preenchendo uma parte dela que havia o esperado a vida toda. Como se ele tivesse despertado um lado dela que ela mesma não sabia que existia. Estava completa. Os dois não demoraram a cair no sono.



Capítulo 18

Uma semana havia passado desde a apresentação do McFly. Uma semana corrida e cheia de novidades. A banda havia conquistado um público grande naquela noite, e influente também, não eram apenas adolescentes querendo voltar pra casa bêbados que freqüentavam a Quinta Avenida, a imprensa também estava lá. No dia seguinte ao show, jornais e revistas locais já procuravam os garotos para entrevistas. E, nessas condições, se viu obrigado a contar para seu pai e para sua mãe sobre o que faziam. Era impossível manter o segredo agora. Os respectivos responsáveis reclamaram muito, mas acabaram aceitando. Quem iria impedir um filho de fazer uma participação em uma apresentação no rádio? Os garotos passaram a maior parte do tempo em entrevistas e ensaios. e Wendy agora eram um casal oficialmente. Ele havia tomado coragem pra fazer o pedido, exatamente do jeito que havia sugerido. praticamente mudou de endereço. Nesses últimos sete dias ele não havia passado uma noite na casa do primo. Haviam roupas dele jogadas por toda a casa de , eles não se preocuparam muito com roupas nessa semana.

havia acabado de acordar com o sol que entrava pela janela do seu quarto. A garota prometeu mentalmente que nunca mais ia esquecer de fechar a cortina, acordar com o sol no rosto não era nada feliz. Ela esticou os braços e segundos depois percebeu alguma coisa pesada em cima dela. A garota sorriu para si mesma quando viu o braço de jogado por cima de sua barriga. Como era espaçoso pra dormir! A cada dia a garota se deparava com alguma nova parte dele sobre ela! E ela adorava isso. deixou a cama, escovou os dentes e voltou para acordá-lo. Ela deitou ao lado dele e lhe deu um leve beijo no rosto.
- Acorda, coisa espaçosa. – Ela murmurou enquanto sorria, ainda de olhos fechados.
- Só mais cinco minutos. – resmungou sonolento.
- Não, eu sei bem quantas horas duram esses cinco minutos. – Ele finalmente abriu os olhos e se inclinou para beijar a testa da garota.
- Você é chata pra caralho, sabia?
- Eu sei. Mas você me ama mesmo assim.
- CONVENCIDA! – se jogou por cima de , subitamente acordado e cheio de disposição, e atacou a garota com cócegas na barriga.
Ela ria tanto que até sentia falta de ar. parou repentinamente com o ataque e pareceu sério, encarando a porta.
- O que foi, ?
- Escutei um barulho. Como se alguém tivesse aberto a porta... Sei lá.
- Impossível. Eu sempre durmo com a porta fechada.
Segundos depois ambos ouviram passos, que ficavam mais próximos. Como se alguém estivesse subindo a escada. encarou com os olhos praticamente pulando do rosto. Puta que pariu, um assalto! Foi a única coisa que veio à mente da garota. Ela havia trancado a casa, tinha certeza disso! pulou da cama mas já era tarde. A maçaneta do quarto girava. O garoto permaneceu em pé sem reação enquanto se colocava sentada na cama.
- ! Já acordou, pirralha? – Molly gritou sorrindo quando abriu a porta.
Molly ficou sem reação tanto quanto e , que lançou um olhar espantado para a irmã. Os três permaneceram congelados por alguns segundos até Molly quebrar o silêncio com uma gargalhada. Ela ria tanto que teve que se apoiar nos joelhos para não cair.
- Parece que você tá ocupada, não é? A gente se fala lá embaixo. Gostei do samba canção de estrelinhas, garoto.
ficou tão vermelho que podia jurar que ele iria explodir. Ou abrir a janela e tentar suicídio. Molly saiu deixando os dois a sós.
- PUTAQUEPARIU! A MOLLY ME VIU NO SEU QUARTO DE SAMBA CANÇÃO!
passava as mãos pelos cabelos com uma expressão chocada quando parou pra analisar o que vestia. Ela usava apenas calcinha e sutiã pretos. E a irmã dela havia visto um garoto com ela. Vestida daquele jeito! Que vergonha!
- , você sabia que ela chegava hoje?
- Claro que não! Eu sabia que ela chegava essa semana, mas não hoje! Muito menos de manhã, com você aqui! O que ela vai pensar de mim?
- Eu não vou ter cara de olhar pra Molly... Vou pular pra sacada do ! Fácil! – sorriu como se tivesse resolvido o problema.
havia chegado perto com a teoria do suicídio pela janela.
- Tá maluco? Você vai se vestir e nós vamos tomar café com ela como se nada tivesse acontecido. O máximo que ela pode fazer é uma piadinha maldosa.
- Quem tá maluca é você! Eu vou travar! Vou gaguejar! Não tô preparado pra conhecer a minha cunhada!
- , você tá falando como se a Molly fosse o meu pai! Relaxa. Você não tem outra opção mesmo. Eu não vou deixar você se tacar pela janela.
olhou insatisfeito para . Mas ele sabia que a garota estava certa. Não existia outra opção. Ele se agachou procurando por algumas de suas roupas.

Depois de devidamente vestidos os dois desceram. Molly assistia TV quando pulou na frente do aparelho, e ela não demorou pra se levantar e abraçar a caçula. - Eu senti tanto a sua falta, sua cretina! – esmagava a irmã, que não parecia se importar nem um pouco com a força do abraço.
- Eu também, ! Demais, demais, demais! Desculpa por ter interrompido alguma coisa lá em cima. – Molly voltou a gargalhar, se soltando de que também ria.
- Tenta esquecer aquela cena, ok? Pelo bem da família! Esse é o , ele é primo do . – apontou pra , que se encontrava encostado na parede com as mãos nos bolsos. - , vem aqui falar com a Molly.
se aproximou das garotas e cumprimentou Molly com um beijo no rosto.
- Prazer, Molly. A me falou muito sobre você.
- Bom te conhecer também, garoto das estrelinhas. – Ela sorriu – Prometo que isso não vai sair daqui.
- Já comeu quando chegou? – perguntou para a irmã.
- Não. Resolvi esperar vocês. E eu comprei pasta de amendoim!
- Pasta de amendoim? Tá esperando o quê pra comer? – sorria empolgada enquanto disparava para a cozinha.
Os três comeram e jogaram conversa fora por cerca de uma hora. Molly foi a que mais falou, contando coisas sobre os lugares e as pessoas que conheceu. Ela tentou deixar o mais confortável possível. E parece que funcionou. Ele já não ficava corado com tanta facilidade e falava uma coisa ou outra de vez em quando. Molly anunciou que estava cansada e que iria tomar um banho e depois dormir. Ela se despediu do casal e se afastou em direção ao seu quarto.
- Parabéns, .Você já consegue respirar sem ter que ser lembrado. – disse, indiferente, enquanto reunia a louça do café.
- Eu nem fiquei tão tenso, ok? A Molly é legal. Acho que não vai demorar muito pra eu olhar pra ela e não sentir vergonha.
- É. Ficou menos tenso do que eu imaginei.
- Eu tenho autocontrole, querida. – Ele levantou as sobrancelhas com uma arrogância fingida. – Mas eu acho melhor eu não dormir aqui hoje.
- Também acho. Não que eu não te queira aqui...Você sabe que eu quero. Mas é porque ia ficar meio estranho. Tipo, nós três.
- Meio? Ia ficar totalmente estranho! Então eu pego o resto das minhas roupas depois, ok? Tô indo pra casa do . – Ele se levantou e puxou a garota para um beijo rápido. Rápido e perfeito, como sempre. – Te ligo mais tarde.
saiu e disparou para o quarto de Molly quando terminou de arrumar a cozinha. Ela tinha certeza que a irmã não estava tão cansada para contar os detalhes da viagem que não podiam ser contados na frente de .


Capítulo 19

As irmãs passaram o resto da manhã e a tarde inteira conversando. Molly contou sobre as festas de Amsterdã, sobre as bebedeiras intermináveis e sobre todos os caras que conheceu. Também ouviu todos os acontecimentos que havia perdido. Como a banda de , que ela nunca sonhou que existia e agora começava a fazer sucesso, o relacionamento de (que ela achou arriscado por ele ter que voltar pra Londres, mas não se colocou contra) e os novos amigos da irmã. Molly era como uma espécie de diário para , ela sabia de tudo nos mínimos detalhes. As duas assistiam O Diabo Veste Prada aconchegadas no quarto de Molly quando escutou o início de Adam's Song tocar. Pulou para perto do celular. O nome “” piscava na telinha e a garota aceitou a chamada.
- Oi, meu ! – Ela disse, com entusiasmo.
- Oi, amor! Corre aqui pra casa do , agora! – escutou diversas risadas e vozes ao fundo, mas não conseguiu identificar todas.
- Hum, vai ter festinha, é? Quem tá aí?
- Vai ter música e muito vinho, então acho que você pode chamar de festinha. Ah, todo mundo de sempre e mais duas garotas que o e o trouxeram. Acho que o e a Wendy também não conhecem.
- Não abre uma garrafa sem mim, escutou? Já estou indo.
- Eu não pretendia começar sem você mesmo... Beijo.
desligou e encarou Molly, que lançava um olhar malicioso sobre ela.
- Me deixa adivinhar, festinha improvisada na casa do ? Pra beber até cair?
- Exatamente! Você se importa em terminar de ver o filme... Sozinha?
- Claro que não, . Você já tem até as falas da Andrea decoradas. Vai lá dar uns pegas no seu amorzinho! Quem sabe dessa vez ele vai estar usando samba canção de ursinhos?
- Você pode para de zoar por dois minutos a roupa íntima do ? Tadinho!
subiu para seu quarto e trocou seu moletom branco de ficar em casa por um jeans justo, regata e All Star uva, combinando. Foi para casa de , onde, não para a sua surpresa, a porta estava destrancada. O lugar cheirava uma mistura de cigarro e perfumes variados. Ela vasculhou a casa com os olhos e se deparou com rostos desconhecidos. Certamente as garotas que falou. Uma delas possuía a pele muito branca, cabelos lisos e ruivos até a cintura. Ela estava sentada no colo de em um dos sofás e era uma das responsáveis pelo cheiro de cigarro. A outra estava encostada na parede ao lado de e sorria sobre algo que o garoto falava em seu ouvido. Ela era da mesma altura que , possuía cabelos negros na altura do queixo e também era branca. Porém menos branca que a acompanhante-quase-transparente de . E finalmente achou quem procurava. estava na cozinha, conversando com e Wendy. Ela se dirigiu até o grupo, cumprimentou cada um com um beijo e se sentou na bancada da cozinha ao lado de .
- Tô vendo o quanto o senhor me esperou. – Ela ironizou, apontando para a taça de vinho nas mãos de .
- Amor, a culpa é toda do . Eu disse que iria te esperar. – Ele respondeu, com a cabeça baixa.
- Não seja por isso, você bebe por ele e por você! – Wendy sorriu passando uma taça cheia para .
- Não carrego ninguém pra casa hoje, ok? – direcionou o olhar pra amiga e sorriu. – , lembra daquela brincadeira que a gente sempre fazia? Quem já tivesse feito a coisa que o outro falou tinha que beber um copo? Qual é o nome mesmo?
- “Eu nunca”?
- Essa aí! Por quê a gente não brinca agora? É melhor assim, com bastante gente!
- , você sabe pensar! – Ela respondeu com uma surpresa forçada. - Vamos, chama o resto do pessoal.
convocou os outros dois casais e em poucos minutos os oito estavam sentados em círculo no chão da sala de , com duas garrafas de vinho ao meio. - Vou explicar. – começou. - Prestem atenção, ok? Vamos supor que eu seja o primeiro a falar. Eu digo “Eu nunca cantei HSM no chuveiro”. Quem já tiver cantado HSM no chuveiro, bebe uma taça. Simples assim! Seja o mais sincero possível, porque essa é a graça da brincadeira. Ok?
- Ok. – O grupo respondeu ao mesmo tempo.
- Então eu mesmo vou começar. – tentou lançar um olhar ameaçador, mas se aproximou mais de uma careta. – Eu nunca beijei um garoto.
- AH! ASSIM NÃO VALE, VOCÊ QUER EMBEBEDAR AS MULHERES PRESENTES! – resmungou, contrariada.
- E quem disse que isso não vale? – disse, enquanto todos os garotos sorriam, se entreolhando. Homens são e sempre vão ser safados. Fato.
- Nós não somos fracas assim, não é e garotas que eu não sei os nomes? – Wendy sugeriu, levantando sua taça. percebeu que a amiga já havia bebido um pouco mais do que ela imaginava.
- Concordo, loirinha! E meu nome é Layla – A ruiva respondeu.
- Vocês estão enganados se acham que eu fico no brilho rápido! E meu nome é Pamela, pra quem não sabe. – A garota de cabelos curtos respondeu, também erguendo sua bebida.
As quatro viraram o conteúdo de suas respectivas taças e Wendy, que estava ao lado de , anunciou que era sua vez.
- Eu nunca roubei nada.
e se entreolharam por um minuto. O garoto fez um sinal afirmativo com a cabeça para , como se estivesse confirmando que ele pensava o mesmo. Os dois começaram a encher suas taças e receberam um olhar espantado de todos ao redor.
- Calma, a gente não assaltou um banco! – praticamente gritou. – Eu roubei um chaveiro da mochila de uma garota ano passado e o meio que foi meu cúmplice. Era um dado lindo, eu não resisti.
Todos caíram na gargalhada, incluindo e .
- Criminosa! Vou colocar um cadeado na carteira! – agitou as mãos no ar.
- Ridículo. – deu um tapa no braço do mesmo. – Agora sou eu! – Ela terminou sua taça e corrigiu a postura, esticando a coluna. – Eu nunca fui em uma praia de nudismo.
Dessa vez foi quem pegou a garrafa, levantando a cabeça em seguida na direção do primo.
- Ano retrasado eu voltei pra casa uma semana mais cedo, lembra ?
- Lembro. – respondeu, com um ar de admiração.
- Meus pais não sabem que eu “Voltei pra casa mais cedo”... Alguns amigos meus estavam viajando e me ligaram, sabe como é. – Ele sorriu satisfeito de si mesmo.
- Vocês homens são nojentos! Nojentos! – estava indignada.
- Você é uma ladra, ! Não pode falar de ninguém aqui! – fazia uma careta pra ela, mas se interrompeu colocando a mão no bolso. Seu rosto ficou confuso quando ele olhou para a tela do celular. – Vocês me esperam dois minutos? É a minha vez mesmo.
Todos começaram a falar sobre assuntos sem importância enquanto se concentrava nas expressões de , ao longe. Ele parecia preocupado, parecia gritar ao telefone e não tirava a mão da cabeça. Depois de minutos de curiosidade e preocupação, voltou à sala com uma expressão rígida.
- , , posso falar com vocês? – Ele estava seco.
O resto da sala se calou de imediato. trocou um olhar rápido com e os dois acompanharam até o segundo andar. segurou a mão do garoto, ela estava gelada.
- O que aconteceu, ? Você tá mais pálido que a Layla! – murmurou, já dentro de seu quarto.
se limitou a sentar na cama de e esperar até que , em pé na sua frente, falasse.
- Era a minha mãe no telefone... Ela gritou que iria se separar do meu pai, que ele levou uma mulher pra casa e ela pegou os dois juntos quando chegou mais cedo. – fez uma pequena pausa após ter praticamente cuspido as palavras. – Como ele conseguiu fazer isso com ela? Meu pai é um idiota, um otário, um filho da puta! – O garoto andava de um lado para o outro. – Ela pediu pra eu voltar pra casa o mais rápido possível porque os dois querem conversar comigo. Meu pai conversando comigo... Isso vai ser interessante! – Ele arqueou a sobrancelha.
- Eles provavelmente querem saber com quem você vai ficar. – afirmou o óbvio.
- Será que Kevin acha mesmo que pode morar com o filho depois de ter traído a mãe dele? Ele é mais idiota do que eu imaginava! Vou pegar o primeiro vôo pra Inglaterra amanhã. Vocês entendem, não é?
- É claro, ! É uma situação muito... complicada pra se tratar à distância. Mas você tem que ficar calmo, dude! Se você chegar em Londres com essa raiva toda só vai piorar as coisas. – falava, assustado.
- Eu me conheço e você também me conhece, . Não vou ficar calmo.
- Infelizmente, eu sei. Vou lá embaixo falar com o pessoal, não tem mais clima pra bebedeira hoje... E eu tenho que estar sóbrio pra dar a notícia aos meus pais. Já volto. – saiu do quarto, deixando imóvel em sua cama e apoiado em sua sacada.
Agora caía uma chuva fina e fria, mas nem parecia notar as gotas caindo em sua pele. Sua mente estava distante, muito distante. se levantou e se juntou a ele, abraçando-o por trás.
- A Molly não vai se importar se eu não dormir em casa hoje. Eu não quero te deixar preocupado desse jeito, e sozinho. – Ela sussurrou, apertando-o com mais força.
- Você não existe. – Ele sorriu.
Os dois continuaram abraçados por um tempo até se aprontarem para dormir. Não poderiam dormir tarde, porque pegaria o avião cedo. O silêncio se arrastou pelo resto da noite. estava longe e soube respeitar isso. Ela precisava respeitar isso.


Capítulo 20
Os três acordaram às seis da manhã e tomaram o café em silêncio. Parte pelo clima pesado, parte por nenhum deles ter acordado tão cedo assim desde o último dia no colegial. subiu para pegar as malas e conferir se não esquecia de nada. e permaneceram na cozinha, arrumando a mesa do café.
- Eu queria dizer alguma coisa que confortasse ele. Eu sempre falo demais, mas nessas horas nada que preste aparece na minha cabeça! – resmungou, ligando a torneira para lavar os copos.
- Nunca se tem muito que falar nessas situações, . O melhor que a gente faz é ficar perto dele e escutar se ele quiser desabafar. – esboçou um sorriso amarelo para amiga e continuou com a louça.
- É verdade, ... Só que o tá uma pilha e eu sei que ele só vai piorar quando chegar lá. Os pais dele são bem ausentes, mas são os pais dele, de qualquer forma. E eu tenho certeza que a minha tia não vai facilitar as coisas.
- Eu entendo. Mas ela acabou de descobrir a traição do marido, é a última pessoa que tem que ficar calma e facilitar alguma coisa, não é?
- Eu sei. Mas é péssimo! Eu conversei com o meu pai ontem, depois que vocês dois foram dormir. Ele não pareceu muito surpreso, disse que isso é a cara do meu tio. – suspirou, guardando os talheres.
permaneceu em silêncio. Agora era ela quem não sabia o que falar. Ela tentou imaginar como a mãe de estava se sentindo. A garota estremeceu com o pensamento.
Quando estava pronto, o trio saiu e pegou um táxi até o aeroporto. O silêncio permanecia. havia reservado sua passagem por telefone mais cedo, e agora só faltavam vinte minutos para o embarque. Os três se acomodaram em cadeiras de espera até quebrar o silêncio, finalmente.
- Obrigado por vocês terem vindo aqui comigo. – Seu tom de voz era pacífico. desejou que ele continuasse calmo assim até conversar com o pai.
- Imagina, . Você sabe que pode contar com a gente. – respondeu, acariciando a mão dele.
- Eu vou te ligar todos os dias. Três vezes por dia. Ok? – encarou a garota que amava, sentada na sua frente. Ela estava ali, apoiando quando ele mais precisava. Ele não queria partir com a mesma intensidade que ela desejava que ele ficasse.
- Não se preocupa com isso. Liga quando você puder... Eu não quero que você se sinta na obrigação de ligar toda hora. – sorriu de boca fechada para ele. Ele se preocupava com Bruna mesmo no meio dessa situação pavorosa, o que fazia dele ainda mais perfeito para ela.
Uma voz feminina invadiu o local.

Passageiros do vôo cinco para Londres, embarque no portão sete dentro de cinco minutos. Desejamos a todos uma boa viagem.

Era o avião dele. O avião que ele pegaria, sem data pra voltar. sentiu um arrepio. Como se só agora ela tivesse percebido que eram os últimos minutos ao lado do seu antes dele partir por tempo indeterminado. Ela observou os dois primos se abraçarem e dizer algo inaudível no ouvido de . Talvez alguma coisa que preste finalmente tenha passado pela cabeça dele. Ou não. Quando eles se afastaram, encarou o par de olhos azuis mais bonitos e mais encantadores que ela conhecia. posicionou uma de suas mãos na nuca de e outra na cintura da garota, enquanto a encarava nos olhos. envolveu o garoto e fechou os olhos, apenas sentindo a respiração dele ficar mais próxima de sua boca. Ela o beijou devagar, com movimentos leves. Era tão difícil parar com um beijo quando se tem certeza que é o último. Pelo menos seria o último por muito tempo. A última lembrança do garoto que ela mais amava no mundo. Ela iria sentir falta daqueles lábios, daquele cheiro que era dele, sem perfume nenhum... Nenhum dos dois queria acabar com o momento, mas era necessário. Então o fez, com um selinho em seguida.
- Acho que eu vou sentir a maior crise saudade da minha vida. Eu não consigo imaginar o que vai acontecer sem você aqui. – Ela soltou o que parecia estar preso em sua garganta, não se importando com a intensidade das palavras que usou. Porque mesmo as palavras fortes não conseguiam expressar o que ela sentia.
- Eu também. Mas eu vou voltar. Eu te juro que eu vou. – Ele segurou o rosto de entre as mãos, aproximando seus rostos e apoiando sua testa na dela.
- Eu sei. E eu vou te esperar. – o abraçou com mais força. – Agora vai antes que o avião te esqueça aqui. – Disse, numa tentativa frustrada de amenizar a tensão.
- Eu te amo, . – Sussurrou.
- Eu também te amo, . E eu quero muito que dê tudo certo em Londres.
A definição de “dar tudo certo” era vaga. O que seria o certo para agora? Dar um soco no pai dele e se mudar sozinho com a mãe para outra casa? Ou expulsar seu pai de casa e queimar as roupas dele em praça pública? não sabia o que pretendia, mas preferiu confiar que ele iria fazer o melhor para todos. Os dois se separaram e seguiu para o portão de embarque, olhando para trás de segundo em segundo. esperou o garoto desaparecer de vista para mergulhar no ombro de e chorar. A última coisa que precisava agora era ver chorando, e ela sabia disso. A garota se esforçou ao máximo para não perceber quanto estava preocupada com a data em que ele iria voltar. Mas agora ele já tinha partido, ela não precisava mais disfarçar. A garota chorou por ele estar indo embora, o que parecia egoísta perto da situação em que ele se encontrava. Mas pareceu entender isso. Ele sempre entendia a amiga. Ele a abraçou durante todo o caminho de volta para casa. E o abraço de nunca foi tão bem-vindo para ela como naquele momento.
chegou em casa com os olhos inchados, cabelos desarrumados e a blusa molhada pelas lágrimas. Ela só parou pra pensar em como devia estar parecida com uma fugitiva do hospício quando olhou para os olhos arregalados de Molly. A garota explicou a situação em detalhes pra irmã, mesmo sem muita vontade de fazer isso. Ela precisava de um banho. E foi isso que fez. ficou mais tempo que o comum sentindo as gotas frias escorrerem por seu corpo, descendo por seus pés e se juntando a milhares de gotas no chão do box. Em seguida seu corpo implorou por algumas horas de sono, afinal, ela estava desacostumada a acordar cedo como tinha acordado aquela manhã. Para a sua surpresa, não demorou a pegar no sono. Dormiu por horas e acordou com Molly gritando seu nome para o almoço. desceu as escadas e sentou-se na mesa da cozinha, de frente para a irmã.
- Eu não quero almoçar agora, Molly. Mais tarde eu como. – deitou a cabeça sobre a mesa e brincou distraidamente com uma ponta de seu cabelo.
- , deixa de ser dramática, por favor. Eu sei que você não vai comer depois.
- Eu não estou sendo dramática. Só não tô com fome, algum problema nisso? – Ela levantou a cabeça para a irmã e usou um tom agressivo.
- Ah meu Deus, ele foi embora hoje e você já tá com essa cara de derrota. Você é dramática sim!
- Eu estou bem. Totalmente bem. – voltou a analisar a ponta dos cabelos, evitando o olhar da irmã.
- Aham. Acredito. – Molly respondeu com sarcasmo. – Ah, uma tal de Wendy te ligou.
se deu conta que não falava com a amiga desde a festa do dia anterior. E que a loira provavelmente estava preocupada. Mas não era trabalho de , o namorado dela, explicar a situação? Já foi exaustivo ter de contar toda a história para Molly, será que ela também teria que contar pra Wendy? disparou para o telefone na mesinha de centro da sala e discou o número da garota. Depois de dois toques, a empregada atendeu. - Residência dos Settle, quem deseja? – A empregada mexicana perguntou como uma daquelas vozes automáticas de gravação.
- É a . Eu poderia falar com a Wendy, por favor?
- Só um minuto. – A mulher certamente transferiu a ligação para a linha do quarto de Wendy e a loira rapidamente atendeu.
- Ei, ! Finalmente acordou! – pôde imaginar o sorriso de Wendy ao telefone.
- É. Eu acordei muito cedo e voltei a dormir. E então, o que você queria falar comigo? – Decidiu ser direta.
- Ah querida, é que eu liguei pro mais cedo e ele me contou tudo! Tudinho! Era pra ele ter ligado, mas tava demorando tanto que eu resolvi ligar de uma vez. Você sabe como eu fico preocupada quando ele não liga, não é? Ele é tão avoado! – Como de costume, Wendy estava tagarelando sem perceber. agradeceu mentalmente por já ter contado toda a história e ela não precisar repetir – Ele disse sobre os pais do , que coisa chata, não é? Nossa. Ele tipo deve estar arrasado! Eu me imagino no lugar dele, tendo que voltar correndo com mil coisas pra resolver por lá. E a mãe dele, coitadinha! Mas... E você? Com você está? Deve tá chateada, não é?
- Imagina. Eu estou ótima. Só um pouco preocupada com ele.
- Eu sei que você tá preocupada, mas vai ficar tudo bem, daqui a pouco ele volta! E tem alguma coisa que eu possa fazer pra distrair a sua cabeça? O provavelmente não vai querer sair de casa hoje, então a gente podia fazer uma festa do pijama! Com muito sorvete! O que você acha?
adorava o fato da amiga sempre fazer de tudo pra coloca-la pra cima. E ela possuía um talento incrível pra isso! Mas não era o dia. Não hoje.
- Obrigada, mas acho que hoje não, amor. Eu não tô muito no clima e a minha irmã chegou de viagem ontem. Preciso de mais um tempinho com ela.
- Hum, tudo bem então! A gente deixa pra outro dia. Qualquer coisa pode me ligar, viu? Estou disponível pra compras, cinema...
- Pode deixar que eu ligo. Beijo, Wendy.
- Beijo, . Cuide-se.
devolveu o telefone ao seu lugar inicial e encarou Molly olhando-a com curiosidade, sentada na ponta do sofá.
- Você não havia me contado que estava tão amiguinha assim da namorada do ! As garotas de New York não eram todas fúteis e siliconadas?
- Pois é. Os pontos de vista mudam. E a Wendy é ainda por cima uma ex-líder de torcida, dá pra acreditar?
- Líder de torcida? – Molly falou, entre risos. – As coisas mudaram mesmo por aqui enquanto eu estava fora!
- A Wendy é como uma versão feminina do . Fala tanto quanto ele e pensa ainda menos que ele! – Ela sorriu.
- Nossa! Não consigo imaginar dois s e um universo sem estragos ao mesmo tempo. – Molly retribuiu o sorriso da irmã. – Quero conhecer essa garota.
- Você vai. Qualquer dia desses. – ligou a televisão e as duas a encararam em silêncio por algum tempo, enquanto trocava freneticamente de canal. Nada de interessante passava, então a garota desistiu e parou em um TeleJornal. Passava uma reportagem qualquer sobre as ruínas egípcias. rolou os olhos e pegou o celular que estava na mesa de centro. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação perdida. Ela soltou um longo suspiro e voltou a encarar a TV sem prestar atenção.
- Quando estiver tudo resolvido ele vai ligar, . Ansiedade só piora as coisas pra você. – Molly adivinhou os pensamentos de . - Ansiedade não é exatamente uma coisa que se pode controlar, Molly. Eu não posso evitar.
- Você pode evitar deixar a sua irmã preferida preocupada e comer alguma coisa.
- Como se eu tivesse várias irmãs, não é? – sorriu. – Se você fizer um sanduíche de peito de peru pra mim e trouxer aqui eu juro que eu como!
- Deixa de ser folgada, garota! Nem tenta se aproveitar da sua situação comigo!
levantou-se e despenteou o cabelo curto da irmã ao passar por ela. Ela se dirigiu para a cozinha e logo reuniu tudo o que precisava para o sanduíche. A garota realmente não sentia fome, mas iria se esforçar por Molly. Ela não conseguia parar de imaginar o que estava fazendo agora, nesse exato momento. E essa preocupação só fazia o tempo passar mais devagar.


N/A: HEEEY! Como vocês estão, amores? E o carnaval de vocês? O meu nem foi lá essas coisas, mas deu pra pegar uma praia e quase ficar morena (HH) q E um aviso. A caixinha de comentários não tá muito legal. Eu não consegui ler tudo e algumas meninas não conseguiram comentar... Se o problema continuar, eu vou providenciar outra. A Lari me contou que esse tipo de coisa tá acontecendo agora mesmo e tal. But, qualquer coisa vocês podem falar por e-mail mesmo ou msn (brunapozes@hotmail.com) ,sem problemas! :D Gostaram da att? Eu sei que ninguém gosta de ficar longe do Mcguy, mas é vida, não é? :/ É isso. Beijãão pra todas :*

N/B: Pois é, rabanetes verdejantes, a caixa de comentários está uma porcaria. Sumiram os comentários antigos e tals... Se o problema continuar, eu tento botar outra. E vamos fazer comentários para compensar os desaparecidos!
Beijos&queijos



N/B: betanova&muitofofa&muitochic, bgs. –Q Ah, eu fazia n/a’s personalizados, e são tão fofos! Eu vicei na história, má oê! E venho em nome de todas as leitoras que ATUALIZE LOGO! \o/