Prólogo:
“Droga, Daniel, o que você pensa que está fazendo?” pensei comigo mesmo. Eu, definitivamente, não podia estar sentindo isso. Além do mais, ele é meu melhor amigo. “Deixe de besteira, Danny.”

Olhei-o novamente: deitado tortamente no assento reclinável do avião, deixando, sem querer, alguns fios de cabelo cobrir suas pálpebras delicadas. Ele dormia tão graciosamente... Me senti na necessidade de envolver meus braços em seu corpo, abraçá-lo e protegê-lo. Naquela posição estranhamente confortável, ele parecia uma relíquia. Tão frágil e hipoteticamente falando: quebrável com apenas um toque em falso. Continuei a observá-lo em seu sono profundo, embora, tentando não deixar transparecer o que eu fazia para qualquer outro no avião. Agradeci mentalmente por Tom ter me escolhido como seu companheiro, e sorri inconscientemente por isso.

Fiquei durante um bom tempo o observando, disfarçando toda vez que a comissária de bordo passava pelo meu assento. Apertei firme o fone em meu ouvido, deixando Bruce cantar para pelo menos tentar me distrair. O que não deu muito certo, obviamente. Não conseguia manter a mente focada em outra coisa, a não ser ao loirinho ao meu lado. Merda... Isso realmente não podia estar acontecendo.

Seu corpo mexeu e virou-se para o lado oposto, ficando-se de costas para mim. Bufei, logicamente. Agora terei que me concentrar em outra coisa. Comecei a olhar a minúscula janela ao lado de Tom, e percebi que estava escurecendo. Logo mais estaríamos na Austrália e terei que enfrentar aquele bando de groupies histéricas tentando arrancar um pedaço de mim. É difícil ter que admitir, mas eu não sinto mais absolutamente nada por elas. A única coisa que me importa nesse momento é ter Tom ao meu lado, não exatamente do jeito que eu quero, mas, ele estando aqui, comigo, já é motivo para meu coração disparar e um sorriso extremamente bobo deslocar-se em meus lábios. Absorto em tantos pensamentos, o sono vinha e voltava, deixando-me cansado, e com uma vontade imensa de deitar-me sobre aquele corpo quente do Thomas. Resistir ao sono foi realmente difícil e em alguns minutos, meus olhos já estavam fechados, e eu, sonhando.


Capítulo 1
Abri os olhos preguiçosamente; senti algo me chacoalhando fracamente. Esperei meus olhos ganharam à nitidez exata, e pude perceber que era Tom, o que me agradou rapidamente.
- Danny, acorda. Chegamos. – Sua voz macia adentrou meus ouvidos, e uma vontade insana queria agarrá-lo ali mesmo. Apenas assenti com a cabeça, levantando-me largamente do assento, e pegando minhas malas acima do mesmo. Bocejei algumas vezes, e segui Tom e o resto da banda até a porta do avião.
- Obrigada por viajarem conosco, esperamos que tenha sido uma boa viagem. – A mesma comissária de bordo irritante falou antes de sairmos literalmente do portão de desembarque. Se eu pudesse, teria jogado-a do avião quando levantamos vôo.

Como sempre, Fletch fez o check-in rapidamente e pudemos sair do aeroporto antes que qualquer fã desesperada pudesse nos ver. Entramos todos na van preta e continuei calado, observando cada mísero movimento do Tom.
- Hey, Danny... Está calado por que, dude? – Dougie, com sua voz chata falou, observando-me.
- Estou com saudades... Da Olí. Isso, saudades. – Nem que eu quisesse, eu estaria com saudades daquela estúpida. Mas o que eu iria dizer? “Hm, só estou assim porque quero ver o Tom com mais clareza, e ah, pessoal, eu sou gay e estou completamente apaixonado pelo Tom.” Ótimo Daniel.
- Mal saímos da Inglaterra e você já está com saudades da sua garota, Danny? Cara, para de ser melodramático! – Dougie me olhou de um jeito abominável. Como se eu fosse uma aberração e que aquilo fosse a pior coisa do mundo a se dizer. Embora, aquilo seja... Pelo menos, para mim.
- Ok, Dougie. Fica na sua, ‘ta? Não quero te dar um murro sendo que mal chegamos como você mesmo disse. – Lancei-lhe um olhar de desaprovação. O mesmo apenas bufou, e voltou-se para a janela.
- Ei, Danny, curte a Austrália, ok? Tem um monte de mulher doidinha querendo “ser sua” e você só pensa na Olívia? Oh, man, você é estranho demais... Que me dá até medo. – Dessa vez foi Harry quem falou, levantando a maldita sobrancelha, porém, não me aborreci tanto dessa vez. Eu gosto do Harry e ele é bem mais maduro do que o Dougie, portanto, posso levá-lo mais a sério.
- Hm, certo. – Falei sem a mínima vontade, tentando não olhar diretamente para Tom, o que estava se tornando humanamente impossível.

Depois de trinta minutos dentro daquela van insuportável, me senti livre ao sair dela e me livrar por alguns segundos dos pensamentos estranhos que me vinham à cabeça toda vez que eu olhava para Tom.
Foi um alívio imenso jogar-me em cima da cama enorme que tinha em meu quarto. Entretanto, fiquei realmente chateado em saber que não ficaria no mesmo quarto que Tom, aliás, eu não ficaria no mesmo quarto com ninguém. Afinal, até seria bom. Eu poderia ser eu mesmo sem nenhum filho da puta para me incomodar. Estava tarde, já passava das duas da manhã quando chegamos ao hotel. Rolei algumas vezes pela cama, me contorcendo brevemente para tirar o meu jeans surrado. Logo mais, fiz o mesmo com a minha camisa xadrez, jogando-a para longe e ficando apenas de samba-canção.
Fitei o teto. Vários pensamentos insanos e estúpidos vieram na minha cabeça. Mas, o que eu mais queria naquele momento era apenas descansar e esquecer do que eu penso sobre esses sentimentos ridículos que estão tomando conta de mim. Continuei fitando o teto, a leveza foi chegando, deixando meu corpo mole e sonolento. Dormi.

“Toc-toc” acordei. Abri os olhos preguiçosamente e levei algum tempo para recuperar todos os meus sentidos. Levantei e fui até a porta, abrindo-a devagar.
- Hm? – Foi o que consegui falar antes de bocejar. Levei um susto ao ver que era Tom.
- Danny, acorda aí, a gente vai pra praia. – Merda, como ele consegue fazer isso comigo só quando abre a boca? Tom vestia um short, um chapéu estranho na cabeça, chinelos e o que me deixou mais feliz ainda, sem camisa, mostrando a estrela no ombro.
- ‘Ta, vou me arrumar, encontro vocês lá embaixo. – Às vezes eu nem sei da onde eu consigo tirar forças para falar quando eu o vejo. É tão incrível o modo que ele me faz feliz sem ao menos saber que o faz.
- Ok, Jones. – Ele sorriu, e saiu pelos corredores, deixando-me parado na porta. Saí de lá e fechei a porta atrás de mim. Comecei a procurar por minhas malas, e as achei num canto do quarto. Peguei-as tacando-as em cima da cama e as abrindo rapidamente. Peguei um short qualquer, chinelos, óculos e um boné. Olhei-me no espelho do banheiro por alguns segundos.
- É, não está ruim. – Falei. Fiquei meio receoso de ir sem camiseta, mas o que posso fazer? Eu vou a uma praia!



Capítulo 2
Peguei o elevador, tentando não mostrar minha felicidade para nenhum dos hóspedes que compartilhavam o lugar comigo. Fico feliz por saber que nenhum deles me conhece, ou tenham a decência de não incomodar. Cheguei ao salão principal do hotel, e não só Tom, mas Harry e Dougie estavam lá, o que era de se esperar.
- Olha quem chegou... A Rainha Elizabeth! – Enquanto me aproxima dos três, Dougie fez uma reverência estúpida e eu rangi os dentes, dando um sorrisinho torto.
- Er... Vamos? – Falei, enfiando brevemente as mãos nos bolsos do short. Lancei um olhar desaprovado a Dougie quando o mesmo passou por mim, socando meu braço esquerdo. No mesmo segundo, ele tirou o sorrisinho cínico do rosto. Gosh, como é que alguém pode me irritar tanto quanto Dougie?

Entramos na van. A praia não era literalmente longe, mas para não causar um tumulto nas ruas de Sidney, era melhor irmos de carro. Não demorou muito mais do que uns quinze minutos. Estacionamos o carro, e Fletch saiu primeiro, retirando alguns guarda-sóis do porta-malas, juntamente com cadeiras e uma caixa de isopor. Imagino eu que só tenha cerveja ali dentro.
Fui ajudá-lo, juntamente dos outros três. Peguei duas cadeiras, e as carreguei a até a areia fofa e quente. Paramos não muito longe do mar, até. A brisa agradável batia em meu rosto, ameaçando levar meu boné consigo. Armamos o acampamento, e sentei-me o mais longínquo possível de Tom, tentando – inutilmente – tirá-lo dos pensamentos. Estranhamente, fiquei olhando para o mar espesso e naturalmente lotado com criancinhas com seus pais, e um pouco mais longe, aqueles pontos minúsculos, pessoas mais ou menos da minha idade buscando adrenalina.

Harry e Tom conversavam animadamente, enquanto Dougie já se despia e corria para a água. Fletch sentou-se ao meu lado, puxando a tampa da caixa de isopor e pegando uma cerveja. Fiz o mesmo, além do mais, eu precisava de uma. Acho que beber era o único modo de fazer-me desviar tais pensamentos. Vendo que eu também pegaria uma cerveja, Fletch pegou-a e a entregou para mim.
- Valeu, Fletch. – Sussurrei, sorrindo em seguida. Fletch balançou a cabeça, sorrindo e levantando a cerveja para mim, proporcionando um brinde.
- À Austrália. – Ele riu, bebendo um gole da sua cerveja em seguida, voltando-se para conversar com Harry e Thomas.
- À Austrália... – Sussurrei para mim mesmo, abrindo o lacre da cerveja. O barulho dela abrindo deu uma sensação confortável. A bebi rapidamente, deixando algumas gotas caírem pelo lado da minha boca.

Voltei à atenção ao mar verde, observando suas ondas furiosas baterem com velocidade nas pessoas, fazendo-as caírem. Mexi a cabeça algumas vezes, e sorri involuntariamente. Senti as gotas de suor começar a escorrer em minhas bochechas. Tirei o óculos rapidamente, deixando os raios extremamente fortes de sol banharem meu rosto, queimando-o lentamente. Fechei os olhos, me aconchegando na cadeira reclinável, e pude sentir o aroma suave que vinha daquele lugar.

Dessa vez não lutei contra meus pensamentos sujos. Os deixei invadir cada pedaço da minha mente. Ou seja, comecei a ter sonhos extremamente pornográficos com Thomas, e isso estava me fazendo um bem inexplicável. Merda! Eu precisava sentir Tom pelo menos uma vez...

Comecei a ficar completamente suado, e o sol estava literalmente mais forte. Levantei.
- Vou dar um mergulho... – Anunciei para os três que estavam sentados curtindo o sol. Pela primeira vez, notei que Tom estava dormindo. Delicadamente, e totalmente apertável.
- Ok, Danny... Mas volte logo, e aproveite e chame o Dougie. Já, já iremos embora, o sol está muito forte, e vocês tem ensaio hoje à noite.
- Sem problemas, Fletch. – Lancei-lhe um sorriso estonteante, e joguei meu boné na areia.
Caminhei até a beira da água, e olhei para trás, observando-o brevemente. Sorri, e virei-me, continuando meu caminho até o mar.
A água não estava nem fria, mas também não estava quente. Aproveitei o máximo que pude, e consegui ver Dougie mergulhar não muito longe de mim.
- Hey, Douglas! – O chamei, quase gritando. Ele parou, e voltou-se a me olhar.
- O que é? – Cruzou os braços no peito, tentando parecer autoritário.
- Vamos. Temos que ir embora. – Entrefechei os olhos por causa do sol, e o chamei com as mãos.
- Ah, ok. – Ele se virou, e veio caminhando dificilmente pelas águas furiosas, se aproximando cada vez mais de mim.
Enquanto caminhávamos, o silêncio pairou a não ser o som que as ondas faziam ao se quebrar.
- Ei, Danny. – Dougie cortou o silêncio. Droga, logo agora que eu havia começado a gostar.
- Hm? – Resmunguei. Não queria falar, não agora.
- Você ‘tá estranho, cara. Curte a praia, o sol, a vida. Não se prenda ao que você deixou lá atrás. – Senti sua mão pousar em meu ombro, e sorri por isso. Não é que o garoto estava aprendendo a ser homem?
- Hm, ok, Dougie. Sem problemas... – Virei um pouco o rosto para encará-lo, e sorri ao ver que ele estufava o peito, e ria de si mesmo.

Saímos da água, e voltamos correndo até o acampamento. Quase tudo já estava nos braços de Harry e Tom, a não ser as duas cadeiras que antes eu havia trazido. As peguei, e voltamos para o carro. Fico feliz que pelo menos uma tarde nós não tivemos que correr por causa de groupies malucas. Eu realmente estou começando a gostar de Sidney.



Capítulo 3
Dougie e eu esperamos um pouco para fora do carro, aguardando nossos shorts ficarem um pouco secos para entrarmos na van. Sentei no muro perto do estacionamento, e aguardei. Depois de uns longos cinco minutos, percebi que não estava mais molhado e adentrei a van, sendo seguido por Dougie estupidamente bobo.

Não deixei de me entrosar na conversa, dessa vez. Embora os assuntos sejam sempre os mesmos. Shows, mulheres, música, música, mulheres e shows. Era até legal conversar com os caras. Dei boas risadas ali, esperando ansiosamente nós chegarmos ao hotel. Não demorou muito, e já estávamos adentrando o grande estacionamento do hotel. Descarregamos o carro, e deixamos na recepção do mesmo. Pegamos o elevador de serviço pelo fato de termos chegados da praia, mas mesmo assim, o elevador era extremamente grande e luxuoso, com espelhos em suas paredes. Não era tão bonito quanto o social, mas era literalmente confortável e magnífico.

Cada um foi para o seu andar, sem mais nem menos. E eu fiquei apenas esperando a droga do barulhinho anunciar que tinha chegado ao décimo segundo andar. Meu quarto era o último, o cento e vinte e seis. Peguei o cartão dentro do bolso, e abri a fechadura, adentrando o quarto silencioso e obscuro.

As cortinas estavam fechadas, e a cama ainda desarrumada. Pelo jeito, teria que chamar o serviço de quarto. Basicamente, fiz meu caminho até o banheiro, ligando rapidamente as torneiras, e deixando a água cair fortemente na banheira branca de mármore. Voltei para o quarto, e parei em frente à janela, jogando as cortinas para o lado, deixando entreaberta a porta da pequena sacada que havia ali. Dei alguns passos, me apoiando no muro que separava a sacada do ar. Respirei fundo, fechando os olhos levemente, e os abrindo novamente. Fitei a paisagem espontânea a minha frente, e senti algo extremamente bom entrar em mim. Um pressentimento... bom.

Voltei para o quarto, e fui diretamente ao banheiro. A banheira quase transbordava quando fechei as torneiras. Felizmente, não havia molhado nada. Tirei o short e a cueca de uma vez só. Senti uma sensação tão boa ao colocar meu membro para fora, deixando-o sentir a brisa que vinha da sacada entreaberta.

Entrei na banheira. "Urgh!" resmunguei pelo fato da água estar extremamente quente. Sentei na mesma, e um pouco da água escapou pelas bordas da banheira, molhando todo o piso. Dei de ombros, queria mais era aproveitar o banho. Deitei-me e apoiei a cabeça na borda, fechando os olhos e refletindo em tudo o que está acontecendo.

- Eu não consigo entender o que está acontecendo comigo... - Sussurrei em um tom brevemente baixo. Eu não sou de falar sozinho, porém, eu não sabia se conseguiria levar de boa toda essa pressão que minha mente está passando.

Levantei um pouco a cabeça, e brinquei um pouco com a espuma formada pela água fervida. Imagens da minha infância foram se formando em meus olhos, e gargalhei por isso. Lembrei-me de como eu adorava ficar horas no banho, brincando com as espumas coloridas, por causa dos sais de banho. Era tão bom... Uma saudade imensa de Bolton bateu em mim, e respirei fundo, voltando à posição inicial, e colocando novamente a cabeça na borda da banheira, fechando os olhos.

Depois de uma longa meia hora deitado ali, aproveitando o máximo que eu podia, resolvi sair. Minha pele já estava começando a ficar em camadas e descamando. Senti-me uma velha de oitenta anos, ao ver os meus dedos. Ficou ainda mais feio quando olhei para o resto: tudo descamando, e para piorar, as sardas davam um toque ainda mais grotesca àquela imagem.

Levantei-me, e peguei a toalha, enrolando-me na cintura. As gostas caíam do meu cabelo e deixavam seu rastro pelo chão do quarto. Amarrei a toalha na mesma, e comecei a caçar alguma roupa confortável dentro das malas. Optei por um short jeans surrado, e uma camiseta da Hurley azul. Primeiramente, coloquei minha boxer branca, e olhei brevemente para o meu "amiguinho". Sorri ao ver sua elevação, e coloquei o short por cima.

Fechei as malas, e as taquei no chão, deixando-as em um canto obscuro do quarto. Logo mais, voltei ao banheiro, parando em frente ao espelho e colocando a toalha molhada em seu devido lugar. Olhei-me, e abri o "espelho", pegando a escova de cabelo velha que sempre levo comigo, e penteando meus cachos molhados.

Suspirei, e voltei ao quarto. Sentei na cama, e olhei para a sacada entreaberta. Uma brisa suave passava por ela, e batia em meu rosto, levando alguns fios de cabelo para trás. Levantei-me e fui até ela.

- Ah... - Suspirei ao ver que logo, logo o sol iria se por, e eu o veria de camarote. Adoraria ver o crepúsculo se formar, então, apoiei-me mais uma vez no murinho, e fiquei encarando o horizonte, vendo as mais perfeitas e insanas cores darem um efeito maravilhoso ao céu. Deixei um sorriso se formar em meus lábios, e fiquei ali por alguns minutos.
O sol começou a sumir, os vários tons de azul escuro foram tomando conta do céu. A noite caía, e a única coisa que eu queria, era ter Tom para mim.

A noite caiu literalmente, e meu corpo pediu para descansar. Adentrei mais uma vez o quarto vazio, e sentei-me na cama. Mais cedo ou mais tarde Fletch viria me chamar para ensaiarmos. Eu realmente não estava com cabeça para isso, mas era essa a minha vida. Ensaios, shows, turnês, ensaios e mais shows. Eu já estava começando a ficar tão cansado disso. Embora eu ame o que eu faço, eu queria viver a minha vida normalmente só mais uma vez. Queria poder sair pelas ruas sem ter que usar um disfarce ridículo; queria poder sair para passear com os meus amigos, sem ter alguma fã louca querendo arrancar um pedaço de mim. Eu só queria ter uma vida normal.

"Toc-toc." ouvi pela segunda vez no mesmo dia. Levantei-me com um esforço fodido, e abri a porta. Lá estavam os três. Harry, Dougie e... Tom.
- Danny, o Fletch cancelou o ensaio, então nós - e aponta só para ele e Harry - vamos sair, topa? - Olhei-o surpreso, e depois joguei meu olhar em cima de Tom. Ele nem arrumado estava.
- Ah, acho que não...
- Ótimo! Não vou ficar sozinho essa noite! - Mal terminei de falar e Tom me cortou com aquela voz, e me surpreendi ao ver que ele não iria sair também.
- Ok, fiquem aí então, bando de cuzão. Fiquem aí, curtindo os filmes pornôs e se masturbando. - Dougie deu de ombros quando terminou de falar e saiu pelo corredor, sendo seguido por um Harry indeciso.

Tom passou por mim, encostando seu ombro no meu, involuntariamente, o que fez meu coração bater mais alto e muito mais veloz.
- Uau, Danny. Eu sabia que você era todo desorganizado, mas nem tanto, dude. - E apontou para as roupas de ontem jogadas no chão, mais as malas socadas em um canto, e a cama literalmente desarrumada. E sorriu, mostrando seus dentes tortos.

- Bem, você sabe como eu sou, Tom. - Fechei a porta atrás de mim, e andei em sua direção, sentando-me na cama, e deixando um espaço para ele ao meu lado.
- E aí, o que faremos? Não me diga que nós vamos MESMO ver filmes pornôs e nos masturbar... - Ele sentou-se ao meu lado, e me fez a cara mais linda de todas.

Mordi meu lábio sem perceber, mas aquela cara de cachorro sem dono era tão irresistível. Segurei-me firme para não fazer nada.
- Eu tava pensando mesmo é em encher a cara. - Disse dando de ombros. Nunca iria dizer o que eu realmente queria. "Ah, Tom, que tal a gente transar até o sol nascer, e você ficar comigo?" Daniel, você é um completo idiota.
- Bem, uma opção legal. Mas, aí... A gente pode ver filmes pornôs, mesmo assim? É até uma idéia boa... - E deu um sorrisinho de lado. Seus olhos brilharam por alguns instantes, e eu sorri de volta.
- Claro! - Falei, enquanto ia à direção ao mini-bar ao lado da cama. Ficar bêbado, ver filmes inúteis, falar bosta... E tudo isso ao lado dele. O que mais eu iria querer?



Capítulo 4
Ok. Realmente não era isso que eu esperava.
Tom estava literalmente bêbado, e eu apenas alegre. É tão estranho vê-lo assistir esses filmes e ficar excitado. Porque, na realidade, eu queria que ele ficasse excitado comigo.
- Ei, Tom! Acho melhor você ir pro teu quarto... Já tá tarde, e você tá muito bêbado... – Resmunguei enquanto tentava tirá-lo da poltrona perto da tevê. Tentei inutilmente, até que ele me puxou com força, que me fez cair em seu colo.
- Não, Danny. Eu não quero ir. – Ele sussurrou no meu ouvido, causando-me breves arrepios.
Tentei levantar-me, mas os braços de Tom me seguravam com força em seu colo. Não que eu não estava gostando...
Virei-me para encará-lo, e me deparei com seus olhos castanhos me encarando também.
Nossos rostos estavam a centímetros de distância, e eu podia ouvir a respiração ofegante dele. Em um movimento involuntário de minha parte, o beijei.
Meu coração disparou e um medo gigantesco tomou conta de mim neste momento. Porém, não aconteceu nada. Tom apenas continuou ali, com os lábios grudados nos meus. Depois de alguns segundos, pude sentir a língua de Tom pedindo passagem, e foi o que eu fiz. Abri a boca lentamente, e nossas línguas se encontraram. O beijo começou lento, e eu brinquei com a sua língua o máximo que pude, dando chupões, e sugando a mesma com vontade.
Ajeitei-me em seu colo, virando-me totalmente para ele. Suas mãos se posicionaram em minhas costas, alisando-a rapidamente. Aquilo era tão bom...
Conforme eu inclinava a cabeça, Tom fazia o mesmo. Uma combinação perfeita de movimentos. Ele rompeu o beijo, e deixou seus lábios quentes e macios escorregarem até o meu pescoço, beijando-o e mordiscando-o várias vezes. Fechei os olhos com força. Senti suas mãos entrando por entre a minha camiseta, e cravando as unhas com força em minha pele. Gemi baixo, e mordi meu lábio inferior. Tom me soltou aos poucos, e me encarou. Ele sorria encantadoramente e notei que seus lábios estavam contraídos, sinal de que estava mordendo-os. Levantei-me, e ele fez o mesmo. Hesitei; estava tão ofegante nesse momento. Meu coração dava pulos inacreditáveis dentro do meu peito. Era mesmo possível estar acontecendo tudo isso? O segui com os olhos, e ele ia à direção a cama. Sorri ao vê-lo sentando-se na mesma, e batendo a mão em seu lado da cama, chamando-me. Fui até lá, hesitante, mas extremamente confiante do que faria. Sentei-me ao seu lado, e seus braços envolveram minha cintura. Tom fez alguns movimentos inexplicáveis, tentando tirar minha camisa velozmente. Sorri por isso. Ajudei-o, e joguei a camisa para longe. O olhei, e fiz o mesmo com a sua camisa.
- Bem melhor assim... – Ele chegou mais perto, e sussurrou no meu ouvido, causando-me mais uma vez, arrepios. Coloquei minhas mãos em sua cintura nua, e apertei-a com força, arranhando algumas vezes. Tom se soltou de meus braços e levantou, se ajoelhando na minha frente. Suas mãos acariciaram toda a minha coxa, até a virilha, deixando-me excitado cada vez mais. Suas mãos macias percorreram todo o trajeto até o zíper do meu short, e o abriu delicadamente. Levantou a cabeça, e piscou para mim; eu apenas assenti com a cabeça. Eu queria senti-lo mais que tudo...
Suas mãos quentes me davam choques toda vez que se encostavam a minha pele gélida. Rebolei um pouco, ajudando-o a tirar meu short, e alguns segundos depois eu já havia chutado o mesmo para algum canto do quarto. Só de boxer, Thomas me olhava com desejo, e meu coração batia cada vez mais rápido. Suas mãos exploravam toda a região da minha coxa, e arranhava certas vezes, me deixando completamente louco de prazer. Lentamente, Tom tirou minha boxer, deixando meu membro rígido para fora. Joguei a cabeça para trás, enquanto Tom me masturbava com cuidado. Suas mãos delicadas faziam movimentos de vai e vem, e algumas vezes, dava alguns beijinhos na minha ereção. Aquilo estava me deixando totalmente louco. Tom segurou com força na minha coxa, e colocou sua boca literalmente no meu membro, lambendo-o completamente. Senti meu membro extremamente rígido chegando perto de sua garganta, e Tom fazia movimentos de vai e vem com a mesma. Contraí meu corpo com força, ajudando-o basicamente. Deixei minha cabeça cair para trás, e mordi os lábios com força, sentindo os lábios se cortarem e o gosto salgado do sangue em minha língua. Segurei com certa força na cabeça de Tom, forçando-a para baixo. Gemi inúmeras vezes, e uma sensação maravilhosamente gostosa foi explodindo dentro de mim. Meu membro ainda rígido pedia mais, e eu segurei com mais força a cabeça de Tom, forçando-a com tudo para baixo. Senti seu queixo, bater em minhas bolas, e ri momentaneamente por isso. Tirei as mãos de sua cabeça, e segurei com força os lençóis, quase os rasgando. Era agora, eu ia gozar.
Olhei-o, e vi aquele líquido escorrendo pelos cantos de sua boca. Gargalhei baixinho. Thomas retirou a boca de meu membro, e o vi passando a língua nos lábios, sugando todo o líquido que tinha escapado. Alisei seus cabelos, e sorri por vê-lo se levantando e deixando nossos lábios bem próximos. O beijei fortemente, sugando algumas das gostas que ainda faltavam. Enrolei nossas línguas, e dei várias mordiscadas na dele, enquanto, uma hora ou outra, ele gemia prazerosamente. O beijo foi rompido, e sua língua atravessou toda a minha bochecha, até chegar a minha orelha, mordendo-a e sussurrando.
- Eu quero você dentro de mim, Daniel... - Estremeci, e segurei fortemente sua cintura.
- Ah, quer, Thomas? - Me diverti ao vê-lo todo excitado, e pedindo para que eu o fodesse.
- Quero... É o que eu mais quero nesse mundo, Danny. - Suas palavras ecoaram como cantigas de ninar em meus ouvidos, deliciando-me ao ouvi-las. Agarrei seu corpo, e o joguei na cama. Fiquei de joelhos no colchão, enquanto Thomas tirava desesperadamente o short, juntamente com a sua cueca. Logo mais, ele ficou de quatro, empinando a bunda, e balançando a cabeça sem parar.
- Vamos, Danny. Eu quero "você" em mim, porra! - Sua voz trêmula, e maravilhosamente linda fazia-me delirar. Posicionei-me atrás de seu corpo, segurando com força sua cintura. Primeiramente coloquei apenas a cabeça de minha ereção em sua entrada, e depois, fui estocando com força até o fim. Com força, eu ia e vinha e Tom gemia altamente abafado. Fechei os olhos com força, e espalmei em suas costas nua e suada, onde arranhei com as poucas unhas. Soquei meu membro com força várias e várias vezes na entrada de Tom e ele dava gritinhos altos, fazendo-me aumentar a velocidade. Eu ia e vinha, e Tom se masturbava velozmente. Senti minhas bolas baterem com força em suas coxas, e fazer um barulho estranho. Tom rebolava, ajudando ainda mais na penetração. Meu corpo suava, e eu estava quase gozando mais uma vez. Tom gemeu, e seu corpo estremeceu; deveria ter gozado.
Tom soltava alguns gemidos constantemente, e eu fazia o mesmo. Guiei meus olhos até suas mãos, e vi seu membro extremamente rígido e molhado; em sua mão uma quantidade boa de gozo. Sorri, e estoquei mais algumas vezes. Aumentei a velocidade e senti que seria agora. Meu membro ficou mais rígido, e novamente gozei. Estoquei com força dentro de Tom, e meu membro foi amolecendo, e depois de mais algumas estocadas, retirei meu membro de lá. Sem forças, caí sobre o corpo quente e suado de Tom, deitando minha cabeça em suas costas. Pude ouvir sua respiração ofegante. Levei uma das mãos até minha testa, passando a mesma por ali, tirando alguns cachos que haviam grudado graças ao suor. Tom virou-se de frente, colocando minha cabeça em seu peito. Suas mãos pousaram docemente no topo de minha cabeça, mexendo delicadamente em meu cabelo suado. Sorri sem nem perceber, e me virei para olhá-lo.Suas bochechas extremamente rosadas, e as gotas de suor pingando de sua franja loura. Estonteantemente lindo.
- Tom... - Sussurrei, sem deixar de olhá-lo.
- Sim, Danny? - Ele falou, deixando nossos olhares se encontrar.
- Eu te amo. - Finalmente deixei meu coração falar mais alto, e as palavras saíram como vômito de minha garganta.
- Eu também. - Meu coração disparou, e fechei os olhos. Aquilo só poderia ser um sonho. Os abri novamente, e ele continuava lá, olhando-me com um sorriso meigo nos lábios. É... Não era um sonho.


Capítulo 5
“Hm...” acordei, enquanto tentava inutilmente me desviar dos fortes raios solares que adentravam meu quarto, banhando o mesmo com a luz envolvente. Rolei pelos lençóis e as cenas da noite anterior invadiram minha cabeça. O prazer, os gemidos, a dor, a felicidade, o suor e principalmente o amor.
Pensei brevemente em Tom, perguntando-me onde o mesmo estava, já que o meu corpo era a única extensão de massa, carne e sangue que se deitava folgadamente na cama. Observei o quarto atenciosamente e com cuidado, mas desisti assim que percebi que não havia mais ninguém ali. Senti-me vazio por isso.

Tentei levantar-me e quando o fiz, uma dor incontrolavelmente aguda latejou em minha cabeça.
- Ótimo. Ressaca. – Resmunguei alto, adentrando os dedos com cuidado em meus cachos. Pressionei os olhos em minha face, assim os fechando. A dor continuava e a pergunta que eu não obtinha resposta também estava lá. “Onde ele está?” perguntei-me incansavelmente.

Mal conseguindo ficar em pé, andei em passos largos, arrastando-me ao banheiro. Parei e me olhei no espelho. O corpo nu, suado, os lábios inchados e machucados, e olheiras enormes abaixo de meus olhos. “Parabéns, Daniel.”
Abri a torneira, e coloquei as mãos embaixo da mesma, deixando a água cair furiosamente em meus dedos. Juntei as mãos, e “peguei” uma boa quantidade de água, jogando em meu rosto morto. Olhei-me mais uma vez no espelho, e passei brevemente as mãos em minha face. Alguns cachos molhados caíam sob meus olhos, e os tirei com os dedos, colocando-os para trás.

Voltei ao quarto, e procurei vagamente por minhas malas, achando-as no canto do quarto. Peguei qualquer roupa, e me vesti. Enquanto a dor ia e vinha de minha cabeça, lembrei-me do rosto avermelhado de Tom, e em como sua voz doce havia me deixado abobalhado... “Deus, por que eu tinha que me apaixonar pelo meu melhor amigo? Por que, justamente, com ele eu me sentia tão... vivo?”

Joguei meu corpo cansado na cama, e fechei os olhos.
“Toc-toc” ouvi e a dor aumentou. “Merda!” pensei comigo mesmo, e levantei-me bruscamente para abrir a porta.
- Fletch? – Abri a porta e o vi parado ali, com as mãos no cabelo.
- Me diz que você não bebeu à noite, por favor... – Sua voz sussurrada e baixa entrou em meus ouvidos com bastante esforço.
- Não posso. Eu bebi à noite...
- Fuck... O que vocês têm na cabeça? Amanhã à noite tem show e vocês têm que ensaiar! – Ele aumentou a voz, adentrando o quarto, e dando voltas e mais voltas pelo mesmo.
- Me dá qualquer coisa para dor de cabeça que eu consigo ensaiar, agora, não sei os outros... – Falei, fitando-o com raiva.
- Ta, Danny. Depois você pede para alguém da recepção, ou pede serviço de quarto... Sei lá, mas eu sei que vocês têm que ensaiar ainda hoje! – Deu ênfase no têm. – Bem, faça o que tem que fazer, e daqui uma hora nos encontre lá embaixo.
- Ok, Fletch.

Ele saiu dali, batendo a porta atrás de si, fazendo minha cabeça latejar graças ao estrondo barulho que a mesma fez ao se colidir. Voltei-me até a cama, sentando-se nela, e apoiando os braços nos joelhos, e colocando assim, as mãos no cabelo.
Fiquei assim por um bom tempo, até dar me conta de que precisava mesmo de um comprimido. Liguei para o serviço de quarto, e alguns minutos depois, uma doce mulher apareceu na minha porta, dando o remédio e um copo com água. A dor foi passando lentamente, enquanto meu corpo descansava largamente em cima dos lençóis podres.

Olhei para o relógio ao lado da cama, e dei-me conta de que já estava atrasado.
Corri para a porta, trancando-a, e andando em passos largos até o elevador.

Lá embaixo, Fletch me esperava juntamente com os outros três. Olhei para Tom, e seu olhar perdido encontrou-se ao meu. Porém, em menos de segundos, sua expressão ficou vazia, e virou-se de costas para mim. Senti um aperto tão forte em meu peito.
- Aleluia, Danny! – Fletch falou e puxou meu braço com força, arrastando-me até a van, seguidamente dos outros. Entramos, e seguimos até o estúdio em silêncio. Dougie com os cabelos terrivelmente despenteados, Harry com olheiras gigantescas, e Tom... Ah, Tom... A aparência cansada, e seus lábios meio roxos. Suas bochechas estavam levemente coradas e lembrei-me do excesso de vermelhidão que ontem suas bochechas mantinham. Sorri mentalmente.

Após quase uma hora sentado naquele banco de couro desconfortável, chegamos ao estúdio. Grande e bonito. Entramos em uma sala onde havia vários instrumentos diferenciados. Harry logo foi sentando-se atrás de uma bateria qualquer, retirando suas baquetas do bolso. Dougie correu para o baixo preto e sentou-se no sofá de couro branco. Tom arrastou-se até uma guitarra qualquer, e eu fiz o mesmo.
- Então, que música nós vamos tocar no show? – Dougie falou, afinando o baixo.
- Podemos abrir o show com I’ve got you. Faz tempo que não a tocamos. – Falei precisamente, e encarei a guitarra. Uma Gibson vinho.
- Acho legal... – A voz de Harry foi entrando lentamente em meus ouvidos. Comecei a me desligar daquilo tudo, e de todos eles.

O silêncio foi se ausentando de minha mente, e vozes e mais vozes foram invadindo meus ouvidos e não consegui pensar em mais nada. Tudo estava tão confuso em minha mente. Olhei para os lados, e vi tudo em câmera lenta... O jeito que Harry batia ansiosamente o pé no pedal da bateria, como Dougie tocava nas cordas grossas do baixo e como Tom fazia alguns acordes irreconhecíveis na guitarra...

- Danny? Danny? – A voz grossa do Harry ecoou em meus ouvidos, e me fez acordar do breve transe em que eu me encontrava.
- Hm? O que? – Falei, balançando a cabeça, tentando em um ato desesperado tirar os pensamentos estranhos de minha cabeça.
- Cara, você ‘ta bem? Tua cara ‘ta horrível! – Seu olhar atencioso, me fez sorrir.
- É, acho que estou sim, Harry. Não se preocupe comigo. Vamos ensaiar...

E foi isso o que fizemos. Ensaiamos, ensaiamos e ensaiamos.
- Dude, vou comer alguma coisa. – Dougie falou, largando o baixo em um canto qualquer e correndo em direção a porta.
- Espera, Dougie, eu vou contigo! – Harry gritou, e saiu correndo ao ver que Dougie já havia saído de nosso ponto de vista.

Meu coração disparou ao perceber que estava sozinho com Tom, e o vi olhar-me com desespero, o que cortou meu peito. Ele andou em minha direção e senti calafrios.
- Preciso falar com você. – Seu tom arrogante e frio estava explícito em sua voz.
- Pode falar. – Sentei-me no sofá de couro, e ele fez o mesmo, só que o mais longe possível de mim.
- Hoje de manhã... Eu acordei no seu quarto, sem roupa, e só lembro-me de meras coisas. Eu quero saber o que aconteceu, Daniel. – Seus olhos cortantes e vazios pararam em minha face.
- O que aconteceu? Você quer mesmo saber o que aconteceu, Thomas? – Cerrei os olhos, e me virei para encará-lo.
- Obviamente, Daniel. – Sorriu cinicamente.
- Então 'ta, vou te contar o que aconteceu. Você... E eu... Transamos. Foi isso que aconteceu. Ou você quer mais detalhes, hm? – Senti meu coração pulsar fortemente dentro de meu peito, e vi a expressão assustada de Tom. Provavelmente ele não esperava ouvir isso.
- Nós... O QUÊ? Are you kidding me? – Sua voz sobressaltada e extremamente fina entrou cortando em meus ouvidos.
- Nós transamos, Thomas. E não, eu não estou brincando. Acredite se quiser, eu sei muito bem o que aconteceu, por que eu mentiria? – Minha voz saiu fraca e quase inaudível.
- Mas então é verdade... O que você disse... Você.. Você me ama, Danny?

Meu coração parecia uma bateria frenética, de tanto que batia fortemente dentro de meu peito. Fitei seu rosto tímido e assustado, e sorri por alguns momentos. Eu tinha que falar a verdade, eu tinha que falar o que eu realmente sentia.
- Você quer mesmo saber? - Com um pouco de medo nos olhos, aproximei-me dele, ofegante e puxando todo o ar que eu poderia inalar.
- Que... Quero. - Sua voz tremula entrou em meus ouvidos como uma doce e lenta música ao piano.
- Eu te amo, Thomas. Eu te amo como nunca imaginei amar alguém. É... Eu te amo. - As palavras saíram rapidamente dos meus lábios, e um medo estrondoso começou a florar em mim naquele momento. Tom arregalou os olhos, e levantou-se do sofá, andando de um lado para o outro, enquanto eu fiquei jogado ali, me arrependendo por ter dito tudo.
- Não, não pode ser! Você... Você não pode me amar, Danny! Não... E a Olívia? Caralho, o que foi que nós fizemos?! Não, eu não posso acreditar nisso, não mesmo. - Cada palavra doía ao ser escutada... Fechei os olhos por um momento, tentando saber se aquilo era um pesadelo. Os abri, e ainda o via lá, andando e resmungando. Era realidade e eu estava completamente fodido.
- Tom... Só me diz uma coisa...
- O que, Danny? - Ele voltou-se a mim; sua voz extremamente furiosa e com uma expressão confusa no rosto.
- Você sente, pelo menos um pouco, de amor por mim? - Perguntei. Eu precisava falar, e eu precisava ouvir.
- Eu... Eu... - Gaguejando, e balançando a cabeça freneticamente, Tom correu pela sala, saindo rapidamente pela porta, deixando-me sozinho. Deitei no sofá, e apoiei a cabeça no braço do mesmo. Respirei e inspirei tantas vezes. "Você é um estúpido, Daniel... Como você pôde achar que ele te amava?".



Capítulo 6
Os dias depois do ocorrido não estavam sendo muito agradáveis.

Tom não olhava na minha cara e me evitava há dias. Estava me sentindo um lixo. Um lixo tóxico e fedorento...
No próximo final de semana, as namoradas iriam chegar e eu não estava pronto... Não estava pronto para encarar a Olívia. Não estava pronto para dizer que não a amava mais. Não estava pronto para terminar tudo.

- Danny! Que saudades! - Seu corpo pequeno e frágil correu até meus braços largados, e me abraçou com força. Olívia estava bonita naquela noite... Sorri falsamente. Apesar de tudo, eu gostava dela. Não como antes; não com o mesmo amor. Mas... Já havia um ano de namoro.
- É... Saudades... - Falei com a voz grossa, abraçando-a também. Seu perfume era suave, e meu rosto se perdeu em seus cachos louros. Inalei com força todo o cheiro doce de seu perfume; talvez fosse a última vez que eu faria isso.
- Como você está, amor? Estava com tantas saudades... - Fiquei cara à cara com ela, e seu rosto aproximou-se do meu, roçando suas bochechas macias nas minhas. Sorri. Eu adorava quando ela fazia.
- Eu estou bem, Olí. E você, pequena? - Fechei os olhos por alguns instantes, e abracei fortemente sua cintura. Naquele abraço apertado e carinhoso, lembrei-me de Tom. Uma tristeza e um calor enorme tomaram conta do meu corpo. Pensei em como ele ficou feliz quando a Giovanna o abraçou; de como ele a beijou. Fuck... Doía pensar. Mas, ao mesmo tempo, a noite maravilhosa que passamos juntos não saia de forma alguma de minha mente. Era como uma lembrança constante.

- Estou bem melhor agora, Dan. - Sua voz fez-me despertar do pequeno transe que entrei. Afastei-me um pouco, e peguei em sua mão. Enlaçando nossos dedos, e sorrindo tortamente. Eu a queria por mais uma noite... É. Mais uma noite.

Aparentemente, Olívia estava me embebedando, ou simplesmente eu estava bebendo para tentar fazer o que ela queria. Era completamente não aconselhável beber em uma situação dessas... Eu poderia falar mais do que devia.

- Awn, amor... Estava com tantas saudades... - Entre gemidos e algumas mordidas em meu pescoço nu, ela deitava-se sobre meu corpo suado devido ao calor. Fechei os olhos, e ela fez todo o trabalho: tirou meu jeans, juntamente com a cueca, e logo mais, minha camisa. Sua boca deslizou até meu membro, enfiando-o com certa rapidez para dentro de sua boca. Com movimentos exageradamente rápidos, sua boca deslizava com vontade por toda a superfície do meu membro. Sua língua a acariciava, e suas mãos arranhavam minha virilha. Gemi inúmeras vezes... Espalmei as mãos em sua cabeça, empurrando a mesma para baixo. Algumas vezes meus gemidos abafavam o quarto. Terrivelmente, as imagens da noite maravilhosa com Tom foram aparecendo diante de meus olhos. Lembrei-me de cada detalhe, e de como eu gostei do jeito que ele me tocou. Gemi alto, e acabei cortando os lábios no momento em que os fechei. Seus dentes arranhavam levemente "minha cabeça" e pude perceber que em meio de tudo isso havia um sorriso em seu rosto. Não sei como isso acontecera, mas estava lá. Eu sabia. Senti-me um completo lixo. Lixo, por falta de palavra melhor.
Ocasionalmente, eu já havia gozado em sua boca, e ela havia engolido como sempre fazia. Retirou sua boca rapidamente, e subiu a mesma até a minha, beijando-me com força. Segurei em sua cintura, e ela sentou-se em meu colo, encaixando sua vagina em meu membro. Pulando algumas vezes, e indo e voltando... Fuck... Aquilo era realmente bom. Apertei minhas quase-unhas em sua pele, e forcei com força para baixo. Gemi, e ela também. Em cada estocada, eu via Thomas em seu lugar. "Porra, Daniel! Pára de pensar nele! PÁRA!" insisti a mim mesmo inutilmente. Olhei para seu rosto contorcido pelo prazer, e seu cabelo louro estava grudado em suas bochechas fortemente rosadas. Pensei ainda mais nele.

Acordei com a dor aguda cintilando em minha cabeça. Abri os olhos preguiçosamente, e olhei para o meu peito. Olívia apoiava a cabeça nele, dormindo profundamente. Tentei levantar-me sem acordá-la, e assim que retirei seu corpo nu de cima do meu, ela apenas gemeu baixo, e virou para o outro lado. Suspirei, e cambaleei até o banheiro. Abri a torneira, e deixei a água cair pesadamente em minhas mãos, e logo, joguei uma boa quantidade em meu rosto. Olhei no espelho e a imagem era assustadoramente terrível. Meus lábios mais inchados, as olheiras profundas e completamente roxas em baixo de meus olhos... A cara de um literalmente bêbado acabado. Bufei, e lembrei-me da noite passada. Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos sexualmente doentios, entretanto só consegui que a dor percorresse uma grande extensão da minha cabeça, me deixando completamente arrependido pelos litros de álcool que tinha ingerido. Voltei ao quarto, e vi que a janela estava escancarada, e as cortinas abertas. O sol brilhava fortemente lá fora, iluminando quase por completo o quarto, e reluzindo nas costas nuas da Olí. Acho que fiquei observando-a durante muito tempo. Cada momento bom que eu passei com ela passou em minha cabeça. Não eram exatamente os melhores, mas eram realmente bons. Seria mesmo o Fletcher que eu queria, que eu precisava? Não sabia. Só sabia que depois da noite passada, minha cabeça confundiu-se novamente. Precisamente, perguntei-me se estava disposto a trocar toda a minha vida por uma paixão impossível. Eu sabia que meu orgulho, ou até mesmo minha teimosia não me deixaria desistir, mas o medo de perder esse jogo era o que estava me deixando nervoso. Nunca soube lidar com a dor. Nunca soube demonstrar meus sentimentos tão publicamente, ou até mesmo chorar por alguém. Não sabia se era exatamente isso que eu estava disposto a fazer. Me machucar para ter o que eu queria. Mas a idéia de necessidade que Thomas me passava era tão imensurável, que tomei a decisão antes mesmo de colocar uma roupa.

Eu iria lutar por aquele amor perdurto, e iria vencer. Não importa quantos, muito menos quem vai sair machucado, o que importava era o amor que eu sentia por ele.

Olívia começou a se mexer, provavelmente estaria acordando. Já estava na hora... Observei-a, agora eu já estava vestido, e sentado em uma das poltronas. Antes, aproveitei e virei a mesma para a janela, observando o tom azul-bebê que o céu ganhava.
- Hmmm. Bom dia, Danny. - Sua voz meio rouca ecoou no quarto, enquanto seus braços se despreguiçavam. Eu observei cada traço de seu corpo, e perguntei se tinha mulher mais perfeita do que ela. Provavelmente, mas não vinha ao caso agora.
- Bom dia, Olí. - Pisquei e sorri casualmente; seu corpo se levantou, enrolado nos lençóis da cama. Ela pegou uma de suas malas, e foi até o banheiro, trancando-se lá. Suspirei. A dor já havia passado quase literalmente. Alguns minutos, ou até mesmo horas depois, - não sabia exatamente, me distrai olhando o céu magnífico - Olívia saiu do banheiro; um vestido floral, e um biquíni branco por baixo do mesmo. Pude ver as alças enlaçando em seu pescoço. Estava bonita. Ela sorriu e veio até mim, sentando-se no meu colo, e beijando delicadamente meus lábios. Retribui; tentando o máximo possível não deixar transparecer a ausência de vontade de beijá-la. Ficamos em silêncio por uns longos minutos.
- Café-da-manhã seria digno, huh? - Sussurrei, e ela sorriu, saindo de cima de mim, e esperando-me levantar, com a mão estendida. E assim o fiz, levantei e peguei sua mão. Saímos e descemos até o térreo, indo até o restaurante do hotel. Por enquanto, tudo estava bem. Olívia não parecia perceber meu certo desânimo. Sentei em uma das mesas mais afastadas, enquanto ela correu para fazer um prato de comida. Incrivelmente, ele estava ali. Absorto em seus pensamentos, e ela ao seu lado. Giovanna dava dentadas em seu pão de forma, enquanto Thomas davas goles pequenos em um suco qualquer. Os observei, e de repente ouvi uma voz conhecida.

- Gio! Aqui! - Olívia falava alto o suficiente para que todos no restaurante a ouvisse. Quis fugir dali. Ela não pretendia mesmo falar com eles, pretendia?
- Oh! Hey, Olí! - Giovanna procurou, e quando encontrou, abriu um sorriso extremamente gordo. Corando as bochechas literalmente enormes. Tom olhou na mesma direção que ela, e sorriu fracamente. Olí foi até a mesa deles e não pude ouvir a conversa das duas. Estava longe demais para que meus ouvidos ouvissem. Entendi alguns gestos, e as duas sorriam animadamente. "Merda." pensei comigo. Não queria nem imaginar se elas resolverem sentar juntas para o café-da-manhã. "Não! Ah, merda!" Xinguei mentalmente as duas, quando Olívia me chamou.
- Danny, venha cá! - Ela me olhou, e os olhos de ambos a seguiram até mim. Senti uma náusea imensa em meu estômago, ao perceber o modo que o olhar dele me penetrava. Sorri tortamente, e levantei, acenando e indo até lá. Se eu pudesse, jogaria a Olívia pela janela agora mesmo.
- Hey... Bom dia. - Tentei parecer o mais animado possível, por mais que isso seja difícil. Dei meu melhor sorriso, e as duas sorriram de volta, no entanto, Tom apenas assentiu com a cabeça, e virou o rosto. Mal sabia os presentes o quanto aquilo me machucou. Eu literalmente não sabia lidar com isso... É.
- Sentem-se conosco, Danny. - O rosto gordo e corado de Gio, iluminou-se assim que as palavras saíram de sua boca, e o pior de tudo, não pude recusar, que por um simples piscar de olhos, Olívia já estava aconchegada em uma das cadeiras à mesa, conversando animadamente com Gio. Com certo esforço, sentei-me o mais distante que meu corpo permitia da cadeira de Tom. Ele me seguiu com os olhos. Sorri para ele, e ele fez o mesmo, só que como se fosse uma obrigação.
- Então... Sabe quando vai ser o próximo show? - Perguntei. Não iria agüentar o silêncio permanente entre eu e ele, além do mais, as risadas das garotas estava começando a me irritar. Seu rosto branco e corado me fitou por alguns segundos, me analisado eu diria. Senti uma pontada dentro do peito, mas continuei firme com o sorriso no rosto.
- Sei lá. Parece que essa semana terá mais dois... - Sua voz de desdém, e finalmente, ele deu de ombros. Suspirei, e abaixei a cabeça.
- Ah... - Só consegui dizer isso.
- Com licença, meninas, não estou muito bem. - Tom levantou. Gio o olhou assustada.
- O que foi, amor? Algum problema? - Preocupada, a mesma se levantou. Porém, Thomas a tranqüilizou e acenou para que ela voltasse a se sentar, e assim, como uma ordem, ela sentou-se.
- Sem problemas, amor. Só estou precisando de um pouco de ar. Não se preocupe. - Ele falou; sua voz calma, serena, talvez.
- Nos vemos depois, então?
- Claro. - E ele saiu, deixando nós três ali. As duas reataram a conversa animadamente. Olhei para a mesa, e peguei alguns pãezinhos, dando pequenas dentadas. Era bom. Depois de uma ressaca daquelas, eu precisava comer. Comi quase cinco. A fome era tanta...
- Dan, se importa se eu sair com a Gio, hoje? - Olí aproximou-se, e me abraçou. Assenti com a cabeça, e as duas sorriram e saíram dali. O sentimento de solidão aterrissou sobre mim, e nada nesse mundo poderia me fazer melhor agora. Parecia tudo parte de meu pior pesadelo. Meu coração dilacerado, e ainda por cima, ignorado. Não havia nada pior do que isso.



Capítulo 7
Arrastei-me da cadeira, assim que o refeitório começava a encher-se. Fiquei incomodado com o barulho de garfos e facas batendo nos pratos; as vozes desconhecidas falando incansavelmente; o som dos líquidos descendo pela garganta; o ritmo acelerado em que todos ficavam animados. Não era o tipo de ambiente que eu poderia me encontrar, não nesse momento. Levantei-me. "Agüente firme, Danny. Você é um homem adulto. Você já lidou com relacionamentos piores. Você vai superar, ou melhor, lute!" Briguei com a minha mente. Eu queria lutar, mas não podia. Que chances teria eu, com Thomas? Afinal, ele é da... Gio.
Deixei uma nota de vinte dólares sobre a mesa antes de sair; assim não teria um incomodo maior com ninguém batendo em meu quarto por causa da conta do café-da-manhã. Eu estava literalmente acabado. Meu corpo cansado, meus olhos e boca inchados. "O que está acontecendo com você, Daniel?" Era só o que eu podia me perguntar. Andei pelo saguão, dando voltas na pequena sala de espera, perto do atendimento. Porém, logo cansei, e decidi sair dali.
Verifiquei se não havia problemas em sair, mas pouco me importava agora. O que eu mais precisava era, pelo menos, ter um momento meu. Sem problemas, sem pensamentos, sem nada.
Sai do hotel, percorrendo as ruas quase-cheias do bairro. Poderia ir à praia, talvez? Seria uma longa caminhada, então, teria tempo suficiente para deixar meus pensamentos vagarem, e minha mente relaxar. Ela precisava disso. Eu precisava disso. Estava cada vez mais difícil lidar com essa situação. Posso dizer que caminhei, aproximadamente, uns quarenta minutos, antes de encontrar com um loiro sentado em um banco velho de mármore. Senti meu coração disparar, meu corpo estremecer. Meu sangue percorreu todo o trajeto de meu sistema sanguíneo; o coração bombardeava cada vez mais. "Não... Agora não."

Dei alguns passos largos; minhas pernas e mãos tremiam. Eu sentia que meu corpo poderia cair ali a qualquer momento. Cheguei perto. Thomas estava concentrado em seus pensamentos, que nem notou minha vaga aproximação.
- Tom? - Perguntei, apenas para confirmar o que eu já sabia. Ao ouvir minha voz trêmula, Thomas virou o rosto e me encarou calmamente. Seus olhos castanhos ainda brilhavam maravilhosamente, como sempre.
- Oh... Oi, Danny. - Sua voz estava meio rouca, entretanto, continuava esplêndida.
- Posso me sentar? - Receoso, eu franzi a testa calmamente.
- Você já está aqui mesmo... Por que não? - Não parecia que ele estava respondendo diretamente a mim, mas sim a um de seus pensamentos.
Ficamos algum tempo em silêncio; eu estava gostando daquilo, pelo menos. A presença dele era tão reconfortante, que eu poderia ficar ali juntamente a seu corpo quente até mesmo embaixo de uma tempestade de areia, que eu nem me importaria.
- Então, Danny... O que nós vamos fazer? - Sua voz quebrou o curto silêncio. Eu o olhei assustado.
- Em relação a quê?
- A nós dois, Danny. - Sua expressão tornou-se de dor, talvez.
- Eu não sei... - Não conseguia pensar... Não conseguia falar. Eu só queria envolver seu corpo quente em meus braços e nunca mais soltar.
- Danny... Eu tenho namorada. [i]Você[/i] tem uma namorada. Eu... Estou confuso. Eu não sei por que fiz aquilo, e... - Ele levantou-se. O medo percorria minhas veias, e eu não sabia o que fazer. Seu corpo frenético ameaçava ir embora, até que eu me levantei e o puxei. Não sei de onde tirei força e coragem para isso.
- Thomas, eu te amo. Eu simplesmente não agüento mais viver sem você. Foda-se a Olívia! Foda-se a Giovanna! Eu não me importo com elas! Eu só me importo com você, mais que merda!

Seus olhos pretensiosos me encaram naquele momento. Meu coração palpitava forte e rapidamente dentro do meu peito. Minhas mãos começaram a suor enquanto ainda segurava o braço pálido de Thomas.
- Eu... Eu não... Danny.
- Eu não o quê, Thomas? - Minha voz, alterada umas oito oitavas acima, gritava. Naquele momento, eu não me importava com mais nada nem ninguém. Que pensassem o que quisessem.
- EU NÃO POSSO, DANIEL! Eu não posso simplesmente largar a [i]minha[/i] vida, por causa de uma paixão sua! Porra, não é assim! Eu... Eu... Também te amo, mas simplesmente, não dá! - E então, ele se soltou de meus enormes dedos, e correu, afastando-se rapidamente de mim.

Fiquei ali, desnorteado... Anestesiado. [i]Eu... Também te amo.[/i] Um sorriso literalmente grande formou-se em meu rosto. Apesar de tudo o que ele havia falado, de que não dava, eu não tinha como não ficar feliz. Ele me amava! Ele me amava... Sentei-me novamente no banco de mármore, e deixei que meus pensamentos felizes me levassem para qualquer lugar onde Thomas estivesse. Já estava quase anoitecendo quando finalmente resolvi voltar ao hotel. Mais uns quarenta minutos, e eu já estava vagando pelos corredores largos e elegantes do hotel, até que me dei conta de que havia uma pequena aglomeração na recepção.

- GRAÇAS A DEUS! - Uma voz irritamente conhecida soou. Olívia. - Onde você estava, Danny?! Nos deixou preocupados! - Seu corpo pequeno vinha em minha direção, juntamente com outros cinco corpos que eu poderia reconhecer a trinta metros de distância.
- Céus, Danny... Você sabe que não pode ficar andando por aí sozinho. Principalmente em outro país! - Dessa vez foi Fletch que falou. Era engraçado como aquilo soava uma bronca para qualquer garotinho de oito, nove anos de idade. Não parecia algo adequado para um homem de 22 anos.
- Calma, gente. Eu estou vivo, não estou? É isso que importa, certo? - Estendi os braços quando percebi os movimentos inúteis de Olí para me abraçar. Ela rapidamente se aconchegou em meus braços grandes. Olhei rapidamente para Thomas, e não pude deixar de sorrir. Ele, no entanto, abaixou a cabeça. Aquilo, em qualquer outra ocasião teria me deixado mal; como se facas estivessem me dilacerando. Mas não. Aquilo não me magoou, não me machucou, e sim, aumentou meu bom-humor.
- Certo, Danny. Mas, por favor, sem saídas para qualquer lugar que não seja este Hotel sem a minha permissão, certo?
- Certo, capitão. - Fiz um sinal de marinheiro com as mãos, e todos reviraram os olhos. Assim, de forma que eu estava "a salvo em casa", todos saíram de lá, e foram para seus devidos cômodos. Observei rapidamente Thomas virando-se, com as mãos nos bolsos e ainda com a cabeça baixa, indo em direção ao elevador. Não havia percebido que Gio estava presente até o momento em que ela o abraçou, e ele logo correspondeu. Minha reação não foi tão má assim.
- Vamos, Danny? - A voz rouca e delicada de Olí fez-me olhá-la rapidamente. Seu rosto mantinha uma expressão preocupada.
- Hm, claro, claro. - Então a abracei com certa força, e suas mãos - que pousavam delicadamente em minha cintura, a apertou e cravou as poucas unhas existentes em seus dedos. Eu sorri, até.

Andamos em silêncio até o elevador, entrando no mesmo e permanecendo quietos até a porta do elevador abrir-se no décimo segundo andar, e eu encontrar, sem mais nem menos, Thomas encostado à parede ao lado de minha porta.



Capítulo 8
Aquela estranha pulsação voltou a bater tão intensamente, quanto no momento em que eu o vi sentado no banco daquela histórica praça. Um meio sorriso manifestou-se em meus lábios.
- Tom? – Não tive o prazer de pronunciar este nome. Olívia já o havia feito, soltando-se rápida e delicadamente de meus braços. Saímos do elevador, e o encarei encostando tão graciosamente na parede, com as mãos enfiadas – literalmente -, nos bolsos dos jeans. Thomas mantinha seu olhar tão fixo nos meus, que eu tinha certeza que ele estava podendo ver até minha alma. Senti minhas bochechas arderem.
- Oh, ei, Olí! Eu preciso falar com o Danny por alguns minutos, você se incomoda? – Ele retirou as mãos dos bolsos, e logo veio em nossa direção, parando logo à minha frente. Prendi a respiração.
- Comigo? – Tentei manter a histeria dentro de minha garganta, mas sabia que meus esforços não eram suficientes.
- Yep. – Ele apenas concordou, balançando a cabeça. Seu cabelo foi jogado para o lado, deixando que seu cheiro queimante fosse inalado por minhas narinas.
- Sem problemas, Tom. Só que eu quero o Danny de volta, hm? – Olívia respondeu com sua voz singela, um tanto rouca para aquela ocasião.
- Pode deixar. – Ele fingiu uma risada, e então, Olí virou-se para mim.
- Te encontro depois, então. – Ela sorriu, dando-me um beijo estalado nos lábios. Fiquei completamente desnorteado pensando em como Thomas reagiria com aquela cena toda. Seus lábios desgrudaram-se dos meus, e então, ela foi até o quarto. Ficamos parados ali, na frente do elevador, enquanto esperávamos a porta bater, dando-nos sinais concretos de que Olívia havia desaparecido de nosso campo de visão, de fato.
- O que você quer? – Perguntei assim que aquela certeza insana que de só estávamos apenas nós dois no longo corredor concretizou-se.
- Vem comigo. – Sua voz soou como uma ordem, e quando percebi, já estávamos dentro do elevador novamente. Olhei vagamente para suas mãos e percebi que algo brilhava entre seus dedos: uma chave. A fraca luz iluminava-as cuidadosamente, fazendo-a brilhar ainda mais. “Pin.” O irritante barulho soou, avisando-me que havíamos chegado. Dei-me conta de que não havia percebido até o certo momento, que estávamos indo para a garagem. Rodeados de carros, Thomas foi em direção a uma van preta estranhamente conhecida, e simplesmente entrou na mesma. O segui, abrindo a porta e parando ali.
- Espera! Pra onde estamos indo? – Falei ofegante.
- Cala a boca, e entra no carro. – E mais uma vez, obedeci calado. Damn! Era terrivelmente insuportável o poder que só a voz dele exercia sobre mim, como afetava insanamente minhas ações – e até mesmo, minha vontade própria.
Entrei na van; passei o cinto de segurança sobre meu peito. Não demorou muito até Thomas fazer o mesmo.
Silêncio. A única coisa que eu podia ouvir era as nossas respirações ofegantes. Embora eu soubesse que meu coração batia veloz demais que qualquer um – principalmente Thomas – poderia o ouvir a quilômetros. A van parecia pequena demais... Meu corpo ansiava cada parte do loiro ao meu lado. Minha boca grunhia para encontrar-se com seus lábios; meus braços apertavam-se, querendo enlaçar loucamente seu corpo quente; meu membro pulsava, vibrava querendo estar [i]dentro[/i] dele.
Não tive certeza de quanto tempo ficamos rodando pelas estradas de Sidney, até o momento em que paramos em frente a um prédio acinzentado, com uma placa vulgar e extremamente chamativa anunciando [i]Midnight Sun.[/i] Estremeci quando Thomas abriu a porta rapidamente, e disparou para o portal de entrada. Eu estava sonhando ou aquilo estava mesmo acontecendo?
Inspirei todo o ar que pude, e sai do carro, correndo para encontrar com o loiro eufórico em frente ao balcão da recepção. Uma moça o olhava assustada.
- Nós precisamos de um quarto agora mesmo, antes que aquela multidão enfurecida que nos seguia nos encontre! – Ele gritava desesperadamente. E pelo que parecia, a pequena mulher estava caindo em sua atuação deplorável, pois ela, rapidamente, pegou uma chave e a entregou para Tom. O encarei assustado. Onde é que ele queria chegar?
Corremos até o elevador, e Thomas olhou para a chave, e logo apertou o botão de número seis. Olhei para a chave em suas mãos; mais vulgar impossível. Em um tom rosa-pink, o 63 era desfocado. O elevador deu um balanço, então a porta se abriu, mostrando inúmeros quartos começados em seis. Procurei pelo quarto indicado pela chave, e no meio do corredor o 63 graciosamente e estrategicamente sobreposto na porta branca de madeira destacava-se. Thomas colocou a chave na fechadura, e logo a porta se abriu, mostrando um quarto simples, com uma cama redonda coberta de almofadas cor-de-rosa, em diversos formatos. Entrei no mesmo, e acabei cansando de enigmas. Thomas trancou a porta, e então, comecei.
- Você vai me dizer o que diabos está...



Continua...


N/A: hey, hey! não pensei que a smother me fosse fazer sucesso aqui no FFADD *-* awn, obrigada a todas que comentaram, sério mesmo. espero que gostem de todos os capítulos, hm? (: eu estou dando meu mulher por essa flones (L). enfim, leiam e COMENTEM! haha :]
E-mail/MSN: galaxydefenders@hotmail.co.uk
xoxo, vicky