Right Things to Say

Por: Jess.
Script e betagem: Biia.



Capítulo 1
A estrada estava calma. Não havia carros, não havia pessoas, apenas uma brisa leve e fresca sob o sol de verão. Quando repentinamente um carro passa a toda velocidade, quebrando toda atmosfera de tranqüilidade que o ambiente passava. Dentro do carro, havia uma menina cujos cabelos iam sendo carregados pelo vento. Ela não se importava se ia ficar descabelada depois, não se importava se na velocidade que estava ela poderia ganhar uma bela de uma multa. Ela não se importava mesmo.
– Merda de sol britânico!
Ela olhava sensivelmente para o céu e sentia falta do calor californiano. tinha acabado de voltar de um ano em um colégio californiano; foi um ano de grandes besteiras e escândalos e depois de ouvir muito dos pais estava sendo obrigada a ir estudar na mesma escola que a sua avó freqüentou. ’Uma escola cheia de regras e cheia de riquinhos hipócritas’ alegou com os pais, o que não funcionou muito. A menina continuava a dirigir furiosamente pela estrada vazia até começar a avistar a escola e diminuir a velocidade.
– Parece que cheguei a minha tortura.
Ela acabara de passar por uma placa que avisava que ela já estava chegando. Subiu a capota do carro, olhou-se no pelo retrovisor, passou uma fina camada de brilho labial e arrumou alguns fios de cabelo que estavam rebeldes.
Finalmente estacionou, desceu do carro sendo observada por alguns estudantes que estavam ali, alguns jogavam futebol e a grande maioria se despedia dos pais que os acompanhavam até os dormitórios.
A escola era uma das mais tradicionais da Inglaterra, onde só estudavam filhos da alta sociedade inglesa era retirada da cidade e os estudantes eram obrigados a ficarem em dormitórios tendo autorização para saídas somente aos fins de semana ou no meio se os seus pais assim permitissem.
foi até a porta malas de onde tirou a única mala que não havia sido enviada para a escola. Trancou o carro, respirou fundo e foi andando pela grama verde até o prédio principal que era um tipo de castelo medieval adaptado para escola. Passou por alguns meninos que a observava, um deles bem atentamente olhava a menina caminhar sob o sol. passou a mão pelos cabelos com a mão que não estava segurando a mala fazendo com que eles tivessem um caimento sensual e continuou a andar sem dar atenção às pessoas que lhe cercavam, como se ali só houvesse ela e o ambiente vazio.
Enquanto isso, sentado não muito longe dali um menino dono de um belo par de olhos azuis a fitava, reparando em cada detalhe da menina. Ela vestia uma saia jeans curta, o que deixava suas pernas bronzeadas bem a mostra para o deleite do menino, uma blusa branca simples, seus cabelos refletiam os raios de sol que batiam nele enquanto a menina permanecia parada em frente ao prédio como se encarasse um monstro de sete cabeças.
– Nova vítima, Daniel?
Disse Harry enquanto sentava-se ao lado do amigo e olhava na mesma direção que o mesmo.
– Bom... Você sabe que o carrossel aqui precisa dar umas voltas, né?
Danny olhava para o amigo com um sorriso libertino. Harry apenas riu do garoto enquanto balançava a cabeça sem acreditar, fazia apenas três minutos que eles estavam no colégio e Danny já tinha uma nova vítima, uma nova vítima bem bonita por sinal. Era assim normalmente, uma menina nova entrava e logo caía nos braços do Danny. Quase sem exceções. Podemos dizer que Danny não tinha grandes preferências, ia da banda clássica ao time de futebol sem se importar na diferença das meninas ali. Elas eram apenas mais uma diversão, para mais algumas semanas. Talvez com não fosse diferente.

Não muito longe dali, Dougie andava rapidamente pelos corredores em meio à confusão de alunos. Parecia que a senhora Malkin tinha cometido mais um erro e uma das novas alunas tinha ficado no dormitório masculino.
- Por que eles não ficam velhos e simplesmente se aposentam?
Ele se questionava enquanto olhava pela milésima vez a lista de dormitórios femininos procurando onde encaixar a garota. Sua agonia era ainda maior quando pensava que teria que agüentar uma menina resmungando em seu ouvido pelo resto da tarde. Bufou enquanto empurrava a pesada porta que levava as escadas para o primeiro andar do dormitório. Subiu as escadas lentamente e assim que chegou ao hall esbarrou em algumas malas. Para a surpresa dele não eram rosa da Gucci ou qualquer coisa assim. Eram três grandes malas, uma azul piscina, outra laranja e uma roxa uma sobre a outra e sobre todas as mochilas uma verde com um par de sapatilhas de balé caindo de um dos bolsos. Seu semblante passou de raiva para clara curiosidade.
Quem seria essa menina? Deu mais alguns passos até a sala de convívio e pode vê-la pela primeira vez. Ela estava tendo uma pequena briga com a máquina de refrigerantes. Seus cabelos eram grandes e levemente encaracolados, sua calça era apertada nos lugares certos e ela usava um converse cinza masculino. Ela virou-se assim que seu refrigerante desceu pela máquina. Ela pareceu levemente assustada pela presença de Dougie ali.
- Oi... A senhora Malkin me mandou aqui... Você deve ser a...?
Ele não se lembrava o nome dela. Na verdade, não tinha feito nem questão de prestar atenção no quê a senhora Malkin tinha falado. Achava que ela estava estragando o primeiro dia dele, mas pelo visto o dia não estava tão perdido assim. Dougie congelou momentaneamente enquanto olhava a menina. Fitava cada pedaço de sua face. Seus cabelos dançando por seus ombros, seu rosto simétrico e angelical, os olhos profundos e suaves. Olhos que transbordavam mistério, olhos dos quais ele poderia mergulhar e nunca mais voltar.
- .
- Dougie Poynter.
Ele estendeu a mão para que a menina apertasse.
- Eu sou presidente do grêmio estudantil e ficarei aqui com você até que seu problema seja resolvido. Tudo bem?
- Sim, obrigada.
sentou-se sendo seguida por Dougie, que se sentou no sofá que ficava a sua frente. Seu cenho estava levemente franzido em duvida enquanto fitava Dougie.
- Você é mesmo presidente do grêmio?
Ela perguntou por fim e logo depois deu um longo gole em sua coca cola. Dougie não entendeu o porquê da pergunta.
- Sim. Por quê?
- Bem... Não se ofenda! Eu esperava alguém... Diferente.
fez uma leve careta ao pronunciar a ultima palavra e Dougie riu levemente.
- Bom e você esperava o quê?
- Sei lá. Algum nerd. Quero dizer, nós estamos em Saint Paul! E você tá de bermuda e camiseta do blink!
- Bom. Nós estamos em Saint Paul e você esta de all star masculino, calças largas e camiseta - Dougie retrucou.
- Quebramos as regras?
Os dois riram levemente um para o outro.
Um silêncio invadiu a sala até que puxou o controle da televisão para ligá-la. Passeou pelos canais até parar em um que estava dando um jogo de futebol qualquer. Dougie a encarou curioso e levantou as mãos como se alegasse que não tinha culpa.
- Meu irmão.
Dougie então começou a puxar assunto com a menina e eles engataram numa longa conversa. O dia estava sendo melhor do que o imaginado por Dougie e por .
O jogo já tinha acabado há bastante tempo e a tarde também começava a findar quando o celular de Dougie tocou. O dormitório começava a ficar cada vez mais movimentado e ele teria que passá-la logo para o dormitório das meninas.
- Bom, já acharam um lugar para você.
Dougie esboçou um sorriso enquanto colocava o celular no bolso. se levantou e foi até o hall onde estavam suas malas sendo acompanhada por Dougie. Ele a ajudou a descer as malas até onde um dos funcionários do colégio a esperava.
- Quarto 541 - Dougie disse para a menina.
- Bom, então a gente se vê por ai.
Ela finalizou vendo Dougie sinalizar com a cabeça que sim. Seguia o homem silenciosamente pelo colégio, que pela primeira vez na tarde estava quase vazio e quieto. Os corredores iam ficando mais escuros gradativamente e conseqüentemente ia ficando mais gelado. Não demorou muito até eles chegarem ao dormitório feminino. se apressou em achar o quarto enquanto o homem subia as escadas com sua bagagem. Deu dois toques de leve na madeira pesada e fria da porta e rapidamente alguém abriu a porta.
- ?
A mesma menina vista por Danny mais cedo disse ao encará-la.
- ! Cara, o que você tá fazendo aqui, guria?
Ela disse abraçando a amiga. As duas tinham estudado juntas no externato californiano. Tinha sido um ano de grandes bagunças e elas imaginaram que nunca mais se veriam, principalmente porque os pais de não a deixaram falar com a amiga antes que essa se fosse. deu espaço para que a menina entrasse no quarto.
- Esse é o meu castigo...
rolou os olhos enquanto se sentava em uma das camas do local.
- É incrível como os adultos não são criativos...
As duas riram e se jogou ao lado de na cama ignorando totalmente o funcionário que entrava e saía carregado de malas.

Enquanto isso um carro clássico estacionava lá embaixo. Uma menina saía irritada da parte de trás do carro sendo seguida por um homem e uma mulher mais velhos - seus pais sem duvida.
- Não se distraia, ! Esse é um ano crucial para sua entrada em Cambridge e você sabe que este é o seu maior sonho!
Dizia a mulher enquanto tirava farelos imaginários da blusa da filha. Era a mesma cena todo o ano. Cobranças, cobranças e mais cobranças. Ela sempre tinha que ser sinônimo de perfeição. Eles tinham os melhores carros, as melhores propriedades e bom, queriam mostrar que tinha a melhor filha também. Seu pai parou ao lado de sua mãe e pôs se a falar também. Não era segredo para ninguém o quanto à menina era torturada por tudo aquilo. Ela lançou discreto um olhar de desespero para a amiga que passava por ali.
- Olá, senhor e senhora ! Tudo bem?
era melhor amiga de desde que as duas se conheciam por gente. As mães eram amigas, o que fez com que elas se grudassem muito mais, mas foi quando fez xixi no carpete persa da mãe que decidiu que aquela seria sua melhor amiga. Ela invejava toda aquela audácia. Ficaram alguns minutos ali se cumprimentando e logo foram liberadas pelos pais de , que se não fossem embora se atrasariam para o famoso chá das cinco.
- Ai, amiga, obrigada! Você não sabe há quanto tempo eu estava agüentando tudo aquilo.
- Eu imagino, ...
- Duplique tudo que você tem em mente e pode ter 10% do que eu ouvi. Por que eles não podem simplesmente esquecer o ‘sonho de Cambridge’? Toda nossa geração estudou lá, eles não podiam fazer uso desse privilégio?
descarregava toda sua frustração na amiga que na maioria do tempo tentava dar atenção o que ela estava dizendo, mas nem sempre conseguia. tinha uma forte tendência a começar a viajar em pensamentos enquanto estava fazendo uma coisa que não lhe interessava tanto e... Bom, podemos dizer que ficar sempre ouvindo a amiga reclamar sobre as cobranças excessivas dos pais não era seu passatempo favorito.
- Você já foi até o nosso quarto?
perguntou quebrando o pensamento viajante de .
- Não... Eu nem conferi se minha bagagem já chegou lá.
- Bom, meu motorista já deixou tudo lá em cima. Você tem idéia de quem está no quarto com a gente?
- , eu não fui na secretaria... Mas não esquenta, deve ser alguém legal. Mesmo porque, se não fosse você, poderia trocar com uma ligação para os seus pais.
fez uma pequena careta quando a amiga lhe falou aquilo. E prosseguiu enquanto se levantava.
- Eu vou até a secretaria conferir as minhas malas. Por que você não aproveita pra ir até o quarto?
acenou que sim com a cabeça e cada uma seguiu seu caminho distinto. Saint Paul era grande em todos os sentidos, as instalações da escola se separavam em cinco partes. Sua construção era rústica, fazendo qualquer um acreditar que estudasse em Hogwarts. Era ridiculamente grande e bem equipada para a mínima quantidade de alunos que era freqüentada.

andava lentamente pelo caminho que a levaria até o primeiro prédio. O velho piso de madeira da secretaria reclamava ruidosamente enquanto a menina passava sobre ele. Com tanto dinheiro eles ainda não tinham reformado aquilo.
- Boa tarde. Eu gostaria de saber se as minhas malas já foram levadas para o quarto.
disse encostada ao balcão quando uma simpática gordinha de bochechas rosadas veio lhe atender. Ela pegou o costume de verificar suas malas desde seu primeiro ano aqui, quando ainda não era interna do colégio e mandaram suas coisas para o quarto de um menino por engano. Sorriu levemente ao se lembrar do dia que abriu uma mala pensando ser sua e encontrou praticamente toda a coleção de bonecos do power ranger. Eram de Harry. Desde aquele dia os dois não se desgrudaram mais. Lógico que a fascinação dos dois por desenhos japoneses facilitou bastante as coisas.
- Checando as malas, pequena?
Harry disse enquanto se aproximava de fazendo-a virar-se para encará-lo. O menino tinha um bronzeado lúbrico, usava uma camisa pólo amarela e uma bermuda cáqui, de onde saiam duas baquetas de um dos bolsos laterais. Ele se apressou em envolvê-la em seus braços e ela pode respirar o perfume do menino misturado com uma leve brisa marítima.
- Quem sabe eles não as trocaram por um maníaco por power rangers de novo?
Os dois riram timidamente. E a moça do balcão pigarreou para chamar atenção.
- Senhorita , suas malas já foram devidamente entregues no quarto de número 541.
Dito isso os dois saíram da sala em direção ao pátio da escola. Era um lugar bonito, com uma grama excessivamente verde, algumas árvores e o pôr do sol davam um toque ainda mais jovial ao lugar que era lotado por pessoas conversando, jogando futebol ou simplesmente fazendo nada.
- Então, França ou Itália nas férias?
sabia de tudo sobre Harry e podia dizer que era uma coisa recíproca.
- Nenhum dos dois. Grécia.
Harry disse surpreendendo-a. Harry tinha paixão por velejar e nas férias de verão era a época que ele mais colocava sua paixão em prática. Ela já tinha ido algumas vezes com o menino e ele a chamara para ir esse ano novamente, mas ela decidiu que não iria. E havia um ótimo motivo para isso.
- E você não cumpriu sua promessa de me visitar... - Harry piscou e fez uma pequena careta.
- Ocupada.
- É, eu sei. Poderia saber o motivo também?
- Ah, Harry... É só que...
- Você não tem uma boa desculpa?
- Na verdade, não.
- Tudo bem, eu te perdôo dessa vez. Desde que na próxima você não falte. Eu tenho que te levar a Grécia... Você vai perceber que a Itália não é nada...
Ele dizia enquanto os dois dividiam uma pequena barra de chocolate, sentados na grama. observava os últimos raios de sol do dia brincarem sobre a pele de Harry e uma suave brisa passar por seus cabelos. Ele parecia um deus. Seus olhos estavam mais azuis do que nunca enquanto ele tentava passar para a menina a sensação que tinha tido por praticamente todas suas férias. Ela se imaginou lá com ele: na proa do barco, batendo contra as marolas, alguns beijinhos enquanto ele cuidava do leme e ele a observaria com um sorriso fascinado enquanto ela tomava sol e eles estavam ancorados em qualquer lugar do mar. Um pequeno sorriso brincou em seus lábios enquanto ela pensava nisso, mas sumiu assim que ela pensou em quem realmente tinha presenciado isso. Harry tocou levemente o delicado nariz da menina fazendo-a acordar de seus sonhos.
- Você e Annie perderam.
- Annie? Como assim?
perguntou confusa. Quer dizer que ela não tinha participado de todas as cenas fantasiadas em sua mente? Isso era realmente ruim para ? Acho que não, e a prova disso foi o sorriso que brincou em seus lábios novamente, sem ser percebido por Harry. Harry passou as mãos pelo cabelo, quase agoniado pela pergunta.
- Pois é, ela simplesmente não apareceu. Ela não me ligou, eu realmente não sei o que esta acontecendo. Só sei que eu fiquei lá, velejando sozinho...
- Não minta, Harry! Você deve ter arranjado uma bela de uma grega pra te fazer companhia!
deu um leve soco nos ombros de Harry e ele abraçou-a, os dois rindo levemente.
- Olha só a concepção que você tem de mim!
Depois que os dois já tinham parado de brincar, Harry continuou com envolta em seus braços o que fez seu coração perder o compasso levemente.
- E você, o que fez durante as férias?
- Erm... Meus pais só puderam viajar por uma semana e você sabe o quanto eu detesto ficar sozinha... Então eu fiquei em casa assistindo Gossip Girl ou Supernatural na maior parte do tempo...
Ela disse tentando fazer com que tudo soasse interessante. Harry soltou-a de seus braços o que a desapontou, ela teria inventado uma boa história se ele permanecesse com eles ali.
- Trocado pela Warner... Eu estou pior do que imagino.
Ele dramatizava fingindo demasiada desilusão. riu levemente de sua interpretação e não tardou muito até uma voz excessivamente nasalada romper o momento dos dois.
- Harry! Harry!
Annie gritava do outro lado do pátio enquanto acenava e caminhava lentamente até os dois. Seus cabelos castanhos escuros ficavam levemente ruivos quando expostos ao sol, sua pele era excessivamente branca em contraste com seus profundos olhos chocolate. Ela estava exatamente igual a última vez que a vira, trocando a roupa, é lógico. A senhorita Lockman nunca se permitiria a isso.
Harry não se levantou para ir até a namorada, mas um sorriso iluminado surgiu em seu rosto sem o mínimo esforço. Quando Annie finalmente chegou ao lado deles, Harry levantou-se. Uma de suas mãos acariciava o pequeno rosto de Annie, enquanto a outra colocava uma mecha de seus cabelos atrás da orelha da menina, os dois sussurravam um para o outro com as testas coladas e entre uma palavra ou outra trocavam alguns beijos. mordeu o lábio e engoliu seco enquanto permanecia sentada na grama observando os dois.
- Harry, eu vou pro quarto... Depois a gente se fala.
Ela apressou-se em dizer enquanto se afastava sem fazer questão de saber se o menino a ouvira ou não. Continuou caminhando sem parar até o quarto e apenas acenando fracamente para quem acenava para ela. Empurrou com dificuldade a porta pesada que dava acesso ao hall do dormitório e agradeceu por não ter ninguém por lá, evitaria que ela tivesse que fingir mais sorrisos.
Abriu a porta do quarto e caiu atordoada sobre a primeira cama que ela vira. , e que conversavam como velhas amigas no quarto pararam imediatamente.
- Tá tudo bem, ?
disse enquanto se sentava em frente à amiga. tentava recuperar o seu equilíbrio mental.
- Tá, . Tá tudo bem, sim.
Ela disse fracamente e enxergou e assistindo a situação.
- Oi. Vocês são as novas meninas, não é? , prazer - ela tentava soar simpática e evitar as lágrimas que regavam levemente suas pálpebras. - Meninas, eu vou tomar banho. Tudo bem?
Ela não esperou aprovação, apenas levantou-se e foi até o banheiro.
, e olhavam para a porta, que acabara de bater, duvidosas. Dentro do banheiro regulava a temperatura para a mais quente possível. Deixou que suas roupas deslizassem por seu corpo até tocarem o chão e entrou no Box.
Não tinha sido uma das cenas mais carinhosas que ela já vira Harry e Annie trocarem, mas tinha sido a primeira depois de tudo. ‘Eu nunca amei alguém como eu a amo’, ela se lembrava da voz de Harry quando lhe dissera isso. ‘Sabe, , ela me faz querer ser algo melhor. Como se ser apenas eu, não fosse bom o bastante’, ela se lembrava de sustentar um sorriso duro no rosto, junto a um olhar falsamente encantado. Aquelas e as outras declarações que Harry tinha confessado a torturavam sua mente. Seu coração parecia bater em reverso, enquanto era espetado por milhares de pequenas agulhas. Dois anos sofrendo daquela forma, ela simplesmente não sabia até quando agüentaria tudo aquilo.


Capítulo 2
Não havia acontecido nada de muito mais interessante naquela noite. As meninas tinham conversado praticamente a madrugada inteira. Ninguém diria que elas não se conheciam.
É estranho quando você conhece outra pessoa que você é igual demais. Elas eram um quarteto de perfeito encaixe.

Uma música irritante ecoou no quarto e virou para o outro lado ignorando o barulho. E ignorou uma vez. Mais uma vez. E outra vez. Até que esse barulho veio acompanhado de um sinal difícil de se ignorar. finalmente saiu do mar de travesseiros que utilizava para dormir e fitou o relógio.
- Merda!
Ela disse enquanto saia correndo até o banheiro. Ela estava atrasada no primeiro dia, belo começo. Apressou-se em jogar uma água pelo corpo, escovar os dentes e pentear o cabelo. Graças a Deus e a insistência das meninas, na noite anterior ela já tinha deixado seu uniforme separado ao lado da sua cama. Pegou sua bolsa e saiu correndo pelos corredores já vazios. ‘Ai que fome’, ela reclamava mentalmente enquanto finalmente chegava ao prédio onde ficavam as salas de aula. Seus passos apressados faziam grandes ruídos, mas ela não se importava, ela precisava chegar na hora. Você sabe, a primeira impressão é a que fica.
- Ai!
Ela reclamou quando bateu com alguém nos corredores.
- Atrasada, mocinha?
Não era uma voz estranha, mas também não soava familiar. Ela teve que colocar seus óculos para descobrir de quem vinha. Maldita miopia - ela era praticamente cega.
- Ah, oi, Dougie!
Ela disse enquanto sorria. Dougie sorriu de volta enquanto observava a menina desajeitada em sua frente. Percebeu o quanto ela ficara bonita no uniforme do colégio. A saia pregueada xadrez escocês, a blusa branca simples por baixo do casaco com o emblema bordado, o sapato preto estilo Mary Jane. tinha dado seu próprio estilo ao uniforme, usava também uma boina do mesmo xadrez que a saia, uma pulseira lotada de pingentes e seus óculos quadrados davam um toque ainda mais nerd ao visual.
- Que feio, o presidente do grêmio atrasado.
Ela brincou quando os dois voltaram a caminhar.
- Na verdade... Eu estava inspecionando os corredores para achar atrasados como você.
- Erm... Eu acho que eu estou ferrada, não?
- Talvez.
- Droga! Bom, você sabe onde fica a sala de... Filosofia?
- Tô indo para lá agora.
- Dois coelhos com uma cajadada só. Eu acho a sala e o professor não me dá bronca porque eu estou com o presidente.
sorriu triunfante e Dougie riu da expressão da menina. Os dois falaram qualquer besteira enquanto iam até a sala, e como previsto, não houve reclamações por parte do professor sobre o pequeno atraso.

estava impaciente na aula de matemática. Podemos dizer que o professor não tinha os métodos mais legais de ensino e por ter freqüentado sempre turmas avançadas ela já tinha visto tudo aquilo. Mas não era exatamente a aula que estava deixando-a impaciente. Checou novamente dois papéis que se encontravam em sua mão. Uma lista de horários dela e outra de alguma outra pessoa.
- Poxa, cadê o Tom?
Ela resmungou para que também não fazia questão de prestar atenção na aula.
- Deve estar chegando, , calma.
- Mas, , era pra ele ter chegado ontem... E se aconteceu alguma coisa?
Os olhos da menina transpareciam ansiedade e preocupação. divertiu-se com a preocupação da amiga. Conhecia Tom, e sabia que ele provavelmente não estaria no colégio hoje.
- Depois tenta me convencer que isso é só amizade...
deu língua para e tentou se concentrar na aula. Não demorou muito para a aula findar-se.

- Hei, !
Ela ouviu alguém sussurrar e parou na porta da sala procurando de onde vinha o som. Foi impossível esconder a felicidade quando ela finalmente fitou-o.
- Tom!
Ela quase gritou e correu para a direção do menino abraçando-o calorosamente.
- Como você ta, minha linda?
Ele disse enquanto segurava o rosto da menina em suas mãos.
- Ótima... E você? Aconteceu alguma coisa? Você não apareceu por aqui ontem...
- Muito melhor agora, meu amor... E, , alunos de classe avançada podem faltar a primeira semana...
- Eu sei, mas... Eu achei que você vinha me ver.
Ela encarou o chão por um momento e Tom puxou-a para um abraço.
- Eu até vinha, mas eu tive um pequeno problema em Londres... Que tal um piquenique de café da manhã para compensar?
- Uhn... Vamos!
Os dois não se importaram de simplesmente sair do prédio. Eram uns dos alunos de melhor rendimento da Saint Paul, ninguém reclamaria se eles faltassem uma aula, as aulas avançadas só começavam na semana que vem. Mesmo porque, os dois eram alunos cujas famílias eram bem generosas com a escola, quase nunca se meteriam em grandes problemas.

- O Tom tá aí?
Harry perguntou incrédulo quando encontrou no corredor observando os dois amigos cabularem as aulas na cara dura.
- Estou tão surpresa quanto você.
- Que bicho o mordeu?
- A ?!
Os dois riram levemente enquanto chegavam ao laboratório de química. Sempre foram parceiros em qualquer matéria que estudassem. Sentaram na mesma mesa e continuaram conversando, até que Annie entrou na sala.
- Olha, amor! Eu consegui mudar de turma!
Ela dava pulinhos de animação e seus olhos brilhavam claramente. Harry deu um sorriso meio apologético para e ao mesmo tempo enquanto puxava seus livros para outra mesa. forçou um sorriso de lado enquanto via o amigo se afastar. Assim que ele saiu de seu campo de visão seus lábios viraram apenas uma linha de desapontamento.
- Você não vai chorar, sua idiota! Ele tá feliz, você está feliz também.
Ela repetia pra si, baixinho enquanto fingia acompanhar o professor na leitura do livro.
- Senhorita ?
A menina ouviu o professor chamar ao seu lado e desviou a atenção do livro. Ao lado dele se encontrava um menino que a observava com atenção. Seus olhos eram de um azul extremamente reluzente, seu maxilar másculo e quadrado, seus cabelos tinham um loiro escuro particular. Nem tão castanho, nem tão ruivo, nem tão loiro. Talvez pudesse ser descrito como algo como bronze.
- Sim, senhor.
- A senhorita se incomodaria de por hora fazer par com o senhor Hubbermman nas minhas aulas?
- Será um prazer.
Ela disse sendo simpática e sorrindo levemente para o menino que retribuiu com um perfeito sorriso de lado.
- Edward Hubbermman - ele disse estendendo sua mão para que a menina o cumprimentasse.
- .
O menino permaneceu com um sorriso no rosto durante todo o tempo e isso fez com que se sentisse bem. Ela não olhou para Harry e Annie nem uma vez durante a aula, o que por algum motivo fez com que Harry sentisse raiva.
Os dois tinham se dado muito bem para um primeiro dia, era quase como tinha sido com as meninas. O sinal tocou novamente e era hora do intervalo, juntou seu material e não esperou por Harry. Apenas olhou-o de relance antes de sair do lugar acompanhada pelo novo aluno.

Enquanto isso e Tom estavam no bosque que ficava próximo ao colégio. estava deitada na grama com a cabeça apoiada nas pernas de Tom que estava sentado na grama. Os dois tinham falado durante duas horas inteiras e agora estavam apenas parados.
- Everybody, rock your body, everybody.
sibilava baixinho e Tom riu levemente da musica que a menina cantava.
- , você precisa urgentemente ouvir música boa!
- Ah, Tom, nem vem! Os BSB são lenda, beleza?
- Lógico... O inicio da decadência musical...
Após pequenas e discretas risadas os dois ficaram em silêncio por uns segundos novamente. Podemos dizer que não era uma pessoa muito fácil de calar.
- Tom, e aquele livro que você estava lendo... Você disse que ia me emprestar, seu tratante!
- , eu vou te emprestar... Assim que a gente voltar para escola.
- Mas, Tom, a gente tá na escola.
- Agora sim, mas não está nos meus planos permanecer aqui.
franziu o cenho em dúvida. O que Tom estava querendo dizer?
- Que tal uma voltinha por Londres?
- Erm... Nada mais perto?
- Ah, vamos lá! Quarenta minutinhos, !
sentou-se do lado de Tom encarando o fundo de seus olhos chocolate. Os dois ficaram assim por algum tempo. O vento soprava levemente contra os cabelos de e Tom pegou uma das mechas rebeldes e colocou atrás da orelha da menina. Mas sua mão não recuou, continuou acariciando levemente o rosto da menina, que ainda estava absorta pela profundidade do olhar do menino. Compartilhavam pensamentos pelo olhar e foram sentindo a respiração um do outro ficar mais próxima e mais próxima.
- Ai, merda, minhas folhas!
disse quando reparou que o vento levara todas as folhas do seu fichário, que estava aberto. Levantou-se num súbito movimento e saiu correndo desastrada atrás das folhas, tropeçando algumas vezes sobre seus próprios pés causando risadas da parte de Tom. Depois de alguns minutos estava de volta com todas as folhas na mão e um pouco de grama no cabelo. Tom levantou-se e ficando de fronte a ela.
- Então, aceita dar um passeio por Londres hoje?
Ele disse pegando levemente na mão da menina acariciando-a.
- Com você me olhando desse jeito, não vale!
disse desviando os olhos do olhar de criança abandonada lançado por Tom.
O menino colou a testa na de que continuava desviando o olhar. Pela proximidade começou a sentir a respiração suave e quente de Fletcher tocar levemente seu rosto e começou a enrubescer pela situação.
-Tá bom, tá bom! Só me deixa trocar de roupa antes.
disse se afastando de Tom lentamente voltando em direção ao colégio.
- Tudo bem, vou te esperar no carro.
foi andando até o quarto meio saltitante. Ela não entendia muito o quê acontecia entre ela e Tom. Os dois sempre tinham sido muito amigos, mas de um tempo para cá a coisa vinha tomando um rumo diferente. Tom sempre tinha sido um doce com a menina que sempre teve olhos só para eles, mas tinha medo de estar interpretando erradas as ações do amigo. Entrou no quarto e encontrou por lá.
- O que aconteceu, chuchu?
- Nada, eu só vim pegar um negócio aqui antes de ir lanchar. E você, hein, mocinha?
- Eu nada, ué.
- Sei... Sei... Tá se arrumando pra ir brincar no parquinho das crianças, não é?
- Besta! Eu só vim trocar de roupa porque o Tom me chamou pra ir a Londres e eu não iria de uniforme.
- Londres?
- Pois é.
- Não tinha nada mais perto, não? Qual é a implicância com Surrey?
- Não sei, chuchu. De toda forma eu aceitei, né?
lançou um olhar acusador para que corou levemente.
- , ele é só meu amigo!
- Amigo, claro...
Ela ironizou e deu língua.
- Que você acha?
disse enquanto colocava as peças de roupas escolhidas sobre sua cama.
- Bem curtinho pra um encontro de amigos...
comentou maliciosa e jogou um de seus ursinhos de pelúcia na amiga.
- Você é ridícula!
- E você pensa que me engana.
- Falando sério agora... Tá bonito?
- Tá sim, chuchu. Agora eu tenho que ir, senão eu não tomo café. Beijinhos e juízo.
se apressava em falar enquanto passava pela porta. olhou-se no espelho. Usava uma bata creme, com um short jeans escuro, sapatilhas pretas combinando com a maxi bolsa que ela carregava. Passou uma fina camada de gloss nos lábios e se apressou em descer para o estacionamento onde encontraria Tom. O menino ficou boquiaberto assim que a viu através do vidro fume do meu carro.
- Tá linda!
Ele falou saindo do carro para abrir a porta para ela. entrou no carro e antes que Tom também pudesse fazê-lo ouviu alguém gritar seu nome.
- Ei, Fletcher!
gritava do outro lado do estacionamento chamando atenção do menino e das pessoas que estavam ali.
- Juízo, hein?!
A menina brincou e Tom lhe mandou um sorriso malicioso logo depois saindo com o carro.

foi andando até o refeitório, onde e tomavam café do lado de fora. Ela visualizou Harry em algum lugar perto de Annie e do seu grupinho e então preferiu sentar com as meninas.
- Oi, .
falou simpática assim que a menina se aproximou da mesa. estava concentrada demais em sua briga com a embalagem do bolo para olhar a menina.
- Oi, meninas... Então, como foram as primeiras aulas?
- Eu cheguei atrasada pra aula de filosofia... Mas até que não foi tão ruim.
- Eu acho que foi geografia... Algo assim. Bom, faltou à sala dormir com a explicação do professor. Eu me senti um gênio, sabia de tudo que ele estava explicando.
- , não se iluda era uma aula de revisão.
disse e deu ombros para ela.
- Ei, ... Será que eu poderia sentar aqui com vocês? É que... Bom, eu não conheço muita gente aqui...
Edward se embolava nas palavras enquanto segurava uma bandeja com seu café. observou rapidamente as feições das meninas, que pareceram não ligar.
- Claro que pode! Senta aí!
Ela disse depois de um tempo. Os quatro ficaram por ali conversando assuntos irrelevantes até dar a hora da aula e cada um tomar o rumo para sua sala.

A próxima aula de era de literatura. A sala era grande e bem iluminada. As cadeiras estavam separadas em pequenos grupos de quatro, pouco a pouco os grupos iam se formando enquanto chegavam e ela resolveu sentar-se sozinha em um grupo de mesas que ainda não tinha sido preenchido. Danny entrou na sala e observou a menina sozinha em um canto, nas mesas que ainda permaneciam vazias perto da janela. Fitou o sol batendo contra a pele levemente bronzeada da menina e o tom bonito de seus cabelos contra o sol. Direcionou-se lentamente até ela, já tendo em mente um plano.
- Oi.
Ele disse com sua voz rouca por trás da menina fazendo-a virar-se abruptamente.
- Oi?
- Você se incomodaria se eu me sentasse aqui?
Danny disse apontando uma cadeira ao lado da menina. acenou que não com a cabeça. Danny escorregou para a cadeira e sorriu levemente para .
- Danny Jones.
- .
retribuiu o sorriso timidamente, nunca foi muito fácil fazer amizades para ela. Ela fitava Danny pelo canto de olho, observando o quanto o menino era lindo. Seus olhos extremamente azuis, seus cachos que caíam sobre os olhos e o sorriso que ele lhe dera... Tinha a encantado totalmente.
- Você é nova aqui?
Danny perguntou quebrando o silêncio chato que preenchia a mesa. acenou que sim e Danny empolgou-se em explicar como era cada aula e cada professor. Foram interrompidos pelo senhor Wagner que acabara de entrar na sala. Outro grupo da sala também tinha ficado com apenas dois componentes então antes de tudo o professor os juntou com e Danny, para a raiva do menino, que planejava começar a jogar a isca para naquele momento.
- Sejam bem vindos a mais um ano letivo! Para quem não me conhece, meu nome é Willian Wagner e eu serei seu professor de literatura no decorrer deste ano. Bom, o meu método de ensino é este: em grupos. Então eu espero que vocês tenham escolhido bem porque a partir deste momento não poderão mais trocar...
O professor havia desatado a falar como uma vitrola sem controle. Seu sotaque australiano era logo notado e estranhado por alguns alunos. Ele explicava a matéria, assim como o Galvão Bueno narrava uma jogada de gol do Brasil causando algumas gargalhadas aleatórias.
- Bom, após toda essa explicação eu passarei a tarefa. Vocês terão que me apresentar daqui a duas semanas um trabalho sobre o romantismo. Por isso, aproveitem todos esses hormônios da paixão que explodem em vocês a cada momento e entreguem-se. Vocês têm a partir de agora para fazer.
Ele secou algumas gotas de suor imaginárias da testa antes de voltar a se sentar. De fato, Willian Wagner era um professor engraçado não só na sua forma de dar aula, mas também em sua aparência. Ele era baixinho e gordinho, com cabelos loiros dourados e um cavanhaque com alguns fios brancos entregando sua idade. Assim que ele se sentou os grupos começaram a fechar um círculo entre si para discutirem melhor o que iria acontecer e com o grupo de não foi diferente.
- Eu acho que antes de tudo devemos nos apresentar, não?
A menina que também estava no grupo sugeriu. Seus cabelos eram loiros e lisos até a altura dos ombros e seus olhos eram grandes, amendoados e de um azul fora do comum.
- Mas, Rose, a gente já se conhece...
- Mas não a ela.
Rose apontou para que apressou em falar seu nome.
- Chuck, prazer.
Disse o menino que acompanhava Rose. Ele não era muito bonito se comparado aos outros meninos da escola, mas seu charme excedia a qualquer um com toda certeza. Depois das devidas apresentações eles finalmente começaram a pensar no que fariam para o trabalho.

- Muito bem, meus queridos, meu horário acabou... Então eu os espero na próxima aula para continuarmos a falar e caso vocês tenham alguma duvida relativa ao trabalho podem me procurar na sala dos professores.
Todos se apressavam em pegar suas coisas e saírem da sala.
- Ei, você esqueceu isso.
Danny disse entregando a um caderno. A menina sorriu levemente como agradecimento e pegou-o da mão de Daniel.
- Mas, então... Que aula você tem agora?
- Eu não sei... Sociologia.
- Eu estou indo para lá perto. Você sabe onde fica a sala?
- Na verdade, não.
- Tudo bem, eu vou lá com você.
Danny se mostrava mais prestativo e simpático a cada momento o que deixava mais simpática com ele, pois por algum motivo todo o tempo que os dois conversaram nada pareceu forçado.
- Vamos, então?
Ele sugeriu e o seguiu pelos corredores lotados.


Capítulo 3
Enquanto isso, Tom e chegavam a Londres. Os dois tinham se divertido dentro do carro, conversando as mesmas besteiras de sempre.
- Dá para o senhor mistério dizer aonde nós vamos, por favor?
perguntava pela milésima vez e Tom permanecia negando ao seu pedido rindo levemente ao ver o bico que a menina fazia.
- Você é muito mimada.
Ele disse observando-a quando pararam em um sinal. A menina, no entanto permaneceu sem encará-lo muito. Depois de um tempo emburrada, ela adormeceu e não percebeu que Tom mudou a direção na qual eles iam. Acordou ouvindo o barulho do mar.
- Tom, onde nós estamos?
- Num lugar que eu sempre quis te mostrar. Meus pais compraram esse barco durante o verão e eu queria que você me acompanhasse até um lugar.
ficou levemente congelada pela surpresa, mas rapidamente recuperou-se. Tom entrou no barco e ajudou a menina a entrar também. Um homem dirigia o barco enquanto os dois remontavam a cena de Titanic na proa do barco. O sol brilhava timidamente no céu; estava com os braços esticados e cabelos contra o vento enquanto Tom se posicionava logo atrás dela observando a dança dos seus cabelos no ar.
- Sabe, meus pais não costumam me levar muito à praia. Eu raramente fui a uma.
Ela comentou ainda de olhos fechados sentindo o vento contra si. Tom resmungou para que ela continuasse a história.
- Acho que eles preferem o gelo... Talvez isso justifique seu comportamento... Eu me sinto tão mal, Tom... Eu nunca serei perfeita, eles não conseguem entender isso.
Tom não respondeu nada fazendo a menina esperar por alguma reação. Sentiu-o abraçá-la pela cintura e dar um pequeno beijo no seu ombro, fazendo-a arrepiar-se levemente.
- , você já é perfeita assim.
Ele sussurrou depois de um tempo. Dessa vez era ele quem se encontrava de olhos fechados. Apoiava-se levemente em , respirando seu perfume doce, que se virou sensivelmente para observar o menino. Ela queria tanto saber o que se passava na cabeça dele. Ela voltou a fechar os olhos até sentir o motor do barco abrandar-se. Abriu os olhos e deparou-se com uma linda praia com uma mansão no meio.
- Uau, Tom... Onde nós estamos? Eu não sabia de ilhas no litoral inglês.
Ela questionou e o menino finalmente abriu os olhos.
- Bom, você não ouviu falar dessa ilha no litoral inglês porque nós já estamos na França e é uma ilha particular.
estava totalmente surpresa. Ela esperava só um passeio bobo por Londres, talvez uma rodada pelo shopping, mas nada disso. Nada mesmo.
- Que foi?
Tom perguntou ao ver a expressão pasma da menina.
- , eu liguei pro seu irmão e ele disse que as suas férias não foram muito boas. Eu só resolvi te dar um pouquinho de diversão... Coisa de amigo, sabe?
Apesar da beleza de tudo, a última frase dele engasgou a garganta de . Amigos. Ela forçou seu melhor sorriso.
- Você poderia ter me dito!
- E estragar a surpresa?
Os dois desceram no deck da praia e correu para a areia causando um sorriso bobo no rosto de Tom. Por que ele ainda escondia seu real sentimento por ela? Por que ele era sempre consumido pelo medo da rejeição? Ele foi caminhando sob o sol até a que já estava sentada na areia branca apontando um lugar ao seu lado para o menino.
- Tom, tire os sapatos! Coloque os pés na areia! É um esfoliante natural, sabia?
- Sério?
- Na verdade, eu não sei, mas eu vi num filme.
- , os filmes mentem, sabia?
- Os filmes de ação, sim. Mas os filmes de romance, não, Tom.
- Então, você acredita em romance? Do príncipe e a princesa?
- É preciso ter alguma coisa pra se acreditar, Tom... Um lugar para ir, um alguém para se ter. É preciso se sentir em casa alguma vez. Como uma águia no céu, ou um peixe no mar...
- É, talvez. Mas como seria? Eu não consigo entender como deve ser a sensação de alguma dessas coisas.
- Deve ser como... Se sentir livre. Nada pode te barrar lá em cima. Talvez um dia, se nós fossemos a lua, poderíamos ter uma idéia. Sem gravidade, nada que te prenda.
- ... Isso tá tão filosófico...
Tom disse depois de uma pausa e os dois começaram a rir. Depois de um tempo quando pararam, Tom pôde ouvir um ronco do estômago de , que corou envergonhada.
- Você está com fome, não é?
- Er... Na verdade, sim.
- Vem vamos comer.
Ele se levantou batendo levemente na parte de trás da calça para soltar à areia, e estendeu a mão para que o acompanhasse. Os dois foram até a grande casa da ilha e ficaram por ali pela maior parte do dia.

Os alunos davam graças a Deus pelas aulas do dia terem finalmente acabado, principalmente os novatos que não tinham aulas extras ainda.
- , o que você pretende fazer pelo resto do dia? Você preencheu aquele negócio das matérias extras e não sei o quê mais?
- Ai, , eu não fiz nada ainda!
- Legal, então morgue comigo.
- Ai, amiga, eu realmente gostaria, mas você acredita que um professor lá já passou trabalho? E como o resto do pessoal do meu grupo já é velho aqui e têm aulas extras, nós só vamos poder nos encontrar por essa hora.
- Caramba! Trabalho, já?! Nessas horas eu me lembro porque eu adorava aquele método californiano...
- Bons tempos...
- Pois é. Pelo menos eu vou ficar aqui, já que não tenho realmente nada para fazer.
- Bom, então descanse por mim também.
pegou alguns livros que estavam em cima da escrivaninha e saiu do alojamento rapidamente. Teria que encontrar seu grupo dentro de dez minutos na biblioteca e ainda queria comer alguma coisa no caminho. Topou com um menino enquanto descia as escadas, mas nem se deu conta e continuou andando.
- 541, 541.
Dougie resmungava para si mesmo, enquanto checava cada número na porta dos quartos. Ele sabia que não era permitido para ele ficar ali, mas ele realmente achou melhor se arriscar. Por algum motivo a ficha de chamara sua atenção. Era uma tradição no colégio formar um livro anual com uma página falando sobre cada aluno: preferência culinária, preferência musical, preferência em vestimentas e etc... A menina tinha praticamente todos os gostos iguais aos do menino, tirando o ballet, com certeza. Dougie não era um desses que se via dando piruetas de calça apertada por aí, mesmo que ele não tivesse nada contra quem gostasse. Bateu na porta levemente quando finalmente achou o quarto.
- Entra.
Ele ouviu gritar e então rodou a maçaneta.
- Licença.
- Dougie? Você pode ficar andando por aqui?
- Na verdade, não. Mas é que eu vi que sua ficha não está totalmente preenchida e eu preciso enviá-la para a secretaria.
- Eu tenho mesmo que ter ao menos três aulas extras?
- Não precisa ser aulas, escolha alguma atividade.
- Como, por exemplo?
- O comitê estudantil.
- Descartado. Mais alguma opção?
- Eu acho que temos, sim. Talvez você possa fazer umas aulas experimentais para ver em qual quer se encaixar, já que o comitê é tão odioso para você.
- Não é isso, é só que... Eu não gosto de comitês estudantis. Pronto, falei.
- Tudo bem, tudo bem... E só mais uma coisa. Isso tudo que você escreveu aqui é verdade?
- Lógico, não é, Dougie? Porque eu iria mentir?
- É só que... Uau, não é comum uma menina gostar de Yves Saint Laurent e Blink ao mesmo tempo.
- Assim como não é comum um menino gostar de New Found Glory, andar como um skatista por aí e ser conhecido como presidente do comitê estudantil. Você deveria ser ruivo, baixinho, feio e com espinhas. Se bem que baixinho e feio, você já é!
- Muito engraçado brincar com minha altura. E eu sei que sou uma pessoa linda, tudo bem?
- Lindo e modesto.
- Bom, então já vou. Passa lá na minha sala pra ver o que você vai querer fazer.
acenou que passaria e observou Dougie se afastar. A bermuda do menino estava um pouco caída atrás deixando à mostra sua boxer e por algum motivo ela não conseguiu mais desviar os olhos do lugar. Era óbvio que ela havia mentido sobre a parte dele ser feio e ainda não tinha reparado que ele também era... Er, gostoso.
Depois de alguns segundos, ouviu a porta bater e acordou do seu transe pela roupa íntima do menino. Tinha achado Dougie tão legal, apesar deles nem terem convivido tanto... Eles tinham tido uma empatia instantânea desde que se viram no dormitório pela primeira vez, e vamos concordar que passar o dia inteiro sem poder sair dali, fez com que os dois conversassem bastante. Ela tapou os olhos com o braço e ficou deitada em sua cama durante um tempo até ouvir a porta se abrir novamente.
- Ei.
disse quando deu sinal de vida e olhou para ela.
- Ué, não tem aulas extras? E a onde se meteu?
- Não agora. E a esta em Londres com aquele menino que a gente te contou.
- Assim, o pseudo-namorado.
- Não vai demorar muito pra virar verdade, ...
- É, eu realmente imagino que não. Pelo que vocês me falaram...
se deitou novamente e ficou sentada esperando e olhando para o nada. Depois de alguns segundos de silêncio, finalmente falou:
- Quem era aquele gatinho na mesa do café hoje, hein?
- Meu novo parceiro de biologia.
- Ué, mas você não era o par do Harry? Era Harry o nome dele, né?
- Era Harry, sim. E bom, parece que a namorada dele conseguiu trocar de turma e ir para nossa. Ele foi fazer par com ela obviamente, e eu fiquei sozinha.
- Epa, ! Sozinha não, muito bem acompanhada por sinal!
- É que, ...
- É que tá na hora de você desempatar sua vida, chuchu! Você tem estado há quanto tempo só nessa desse Harry? E alguma vez você foi algo mais que melhor amiga? , quando se é amiga ainda se pode evoluir para namorada, agora quando se é melhor amiga, se morre melhor amiga.
- Mas não é fácil, sabe, ?
-Eu sei, ... O pior é que eu sei. Mas dê uma chance para outras coisas, outros meninos. Esse da biologia me pareceu um ótimo menino...
- É. Ele é um doce também! Acho que ele é alemão, o inglês dele é meio estranho de vez em quando.
- , você viu aqueles olhos? Um doce com aqueles olhos! Não desperdice!
- Se você continuar assim, vou acabar deixando ele pra você.
As duas deram uma gargalhada básica e continuaram comentando sobre a beleza masculina alheia.

Enquanto isso, praticamente do outro lado do campus, se descabelava com os outros do grupo.
- Gente, eu detesto romantismo.
Ela resmungava com a cabeça apoiada numa pilha de livros que estava em sua frente.
- Eu odeio ler.
Rose reclamou imitando , os meninos tinham ido procurar mais livros pela imensa biblioteca da escola.
- Que tal nós fazermos a releitura de algum poema?
Chuck sugeriu ao voltar à mesa, acompanhado de Danny, e sentar-se junto às meninas, reparando em suas feições.
- Releitura? Como assim?
- Não sei. Uma música, uma peça talvez... Poderíamos pegar algo diferente da literatura inglesa... Acho que seria bem interessante.
- É, talvez.
Um silêncio instaurou-se momentaneamente na mesa até Danny dar um pulo repentinamente.
- Porcaria, Jones! Quer me matar?
- É que eu tive uma idéia, e acho que é boa.
- Idéia? Boa? Vinda de você?
Chuck riu levemente irônico, recebendo um olhar gelado de ambas as meninas da mesa.
- Fala, Danny.
- Nós poderíamos expressar tudo que é passado pelo romantismo através de uma música, mas sem fazer adaptação nenhuma, sabe? Passar todas as idéias que o romantismo passava, mas sem usar da literatura para isso.
- É uma boa idéia.
- Parece que o Jones finalmente começou a usar a cabeça de cima.
ficou chocada com o comentário de Chuck, mas ninguém mais do grupo pareceu se importar. Nem o próprio Danny. Um silêncio se instaurou novamente.
- Legal, mas como nós vamos começar a fazer?
questionou e a feição de leve desespero tomou o rosto de todos novamente. Aquilo iria dar mais trabalho do que eles imaginavam...


Capítulo 4
Já era noite e estava um tanto quanto frio na escola, parece que finalmente o tempo bom e ensolarado tinha dado adeus à Inglaterra e sua comum e conhecida chuva tomara seu lugar.
Os alunos estavam em sua maioria nos alojamentos, havendo poucas exceções: os meninos do time de futebol que estavam treinando, algumas meninas estranhas conversando na arquibancada, uns alunos fora do peso que conferiam o cardápio do jantar e o grupo de que permanecia na biblioteca.
- É sério, gente! Eu não consigo ter mais nenhuma idéia e eu juro que vou explodir se tiver que rimar mais qualquer coisa!
dizia estressada gesticulando exageradamente. Chuck fechou o livro que se encontrava na sua frente e encarou a menina.
- Concordo com você. Tô indo.
Chuck se levantou, levando o livro que estava lendo antes e foi seguido por Rose. antes de sair resolveu arrumar a enorme pilha de livros que tinham pegado e Danny resolveu esperá-la.
- Quer ajuda aí?
Ele falou apontando com a cabeça para enorme pilha de livros que a menina segurava.
- Seria bom...
Imediatamente Danny retirou de seus braços mais da metade dos livros que se encontravam ali.
- Então... Está ficando legal, não é?
Ele questionou enquanto os dois percorriam as estantes colocando cada livro no seu lugar.
- Apesar de estar exigindo um tanto quanto da minha imaginação... Sabe, nós temos sorte de você estar no grupo. Você é todo lerdo assim, mas escreve umas coisas realmente boas... Deve ser um desses nerds reprimidos com certeza.
Danny riu da expressão da menina e observou-o rindo também. O sorriso exagerado do menino, a gargalhada sonora, os olhos azuis; ela fixava cada detalhe em sua mente. Era com certeza o sorriso mais bonito que ela já tinha visto na vida. E apesar de toda maturidade mostrada por seu corpo, Danny parecia tão inocente, tão puro. Isso a encantava. Os dois se encararam por alguns segundos e logo voltaram a fazer o que estavam fazendo antes.
- Bom, esse era o último, Danny.
disse colocando o último na prateleira e logo depois teve seu pulso agarrado por Jones, o que a assustou levemente.
- Que legal... - ele disse acariciando levemente a tatuagem que a menina tinha ali. - É um coelho!
Os olhos do menino brilhavam e riu da sua expressão.
- Você sabia que eu já fui seguido por um quando eu era menor, cara? Foi... Estranho! Mas eu tenho orgulho de ter conseguido fugir dele. Você não tem idéia o quanto é difícil de fugir de um coelho! Eles são muito ágeis e traiçoeiros. Nunca confie em um coelho, não mesmo.
ria cada vez mais, não do que o menino contava, mas das caras que ele fazia. Não tardou muito a bibliotecária chegar para acalmar os dois. Eles trocaram um sorriso cúmplice enquanto a mulher passava o sermão de ‘como você vai interpretar enquanto duas pessoas riem ruidosamente pelo local’. Ela praticamente empurrou os dois para fora e eles acabaram caindo na risada novamente.
- Já está na hora do jantar.
Danny comentou enquanto os dois caminhavam lentamente em meio aos cascalhos do caminho. apenas esperou que ele continuasse.
- Você quer jantar comigo?
Ele perguntou depois de um tempo e a menina acenou com a cabeça que sim. Os dois fizeram todo o caminho em meio a gargalhadas e preferiram sentar-se do lado de fora do refeitório, para evitar maiores problemas quando outra crise de risos os atacasse.
- Então, é sua única tatuagem?
- Não... Na verdade eu tenho outra secreta...
- Uau, você gostaria de me mostrar?
Danny disse levantando as sobrancelhas numa expressão altamente pervertida. apenas riu como resposta. De duas uma: ou ela tinha fumado maconha, ou ela tinha tendência a rir quando ficava nervosa. Pelas bochechas rosadas eu realmente penso ser a segunda opção.
- Você também tem alguma?
- Tatuagem secreta? Não, não sou menino dessas coisas...
- Tô falando de uma tatuagem. Não precisa ser secreta.
- Eu tenho sim... É um desenho do Tom: uma estrela. Todos nós temos.
- Estilo um pacto?
- É, mais ou menos assim.
Os dois deram um longo gole no refrigerante ao mesmo tempo, sem desviarem o olhar um do outro, ambos com sorrisos brincando nos lábios.
- Tenho uma brincadeira.
- Qual?
- Eu vou perguntar uma coisa e você responde, depois você me pergunta e eu respondo.
- Isso parece uma entrevista...
- Pois é, eu tenho que treinar pra quando tiver que fazer bastantes para tevê.
- Então eu vou ser a primeira a ter o prazer de entrevistar você?
- É. O dia que o McFly fizer sucesso, você vai poder vender as respostas por uma boa grana.
- O que é McFly?
- Isso já faz parte da brincadeira?
Eles se encararam por um segundo e logo depois riram um pouco. Eles fizeram perguntas idiotas um para o outro durante bastante tempo, rindo de vez enquanto.
- Uau, quantas sardas.
disse ao observar as grandes mãos do menino que envolveu o copo de refrigerante para seu último gole. Ele recolheu as mãos rapidamente e percebeu que o deixara envergonhado.
- Não ligue! Eu também tenho algumas. Olha só...
Ela disse apontando para a maçã de seu próprio rosto. Danny aproximou-se da menina por cima da mesa para poder observar melhor, já que estava pouco iluminado no local e ele não conseguia as ver de longe. Rapidamente, os dois já estavam próximos o bastante para a respiração quente de Danny tocar a pele de , quebrando um pouco do gelo que era causado pela frieza da noite. O coração da menina ia perdendo o compasso conforme ele soprava o ar. Ela percebeu que causara o mesmo efeito nele também, já que este respirava mais ofegante agora.
- Ei, ratleg!
Tom se aproximou da mesa segurando uma bandeja com seu jantar, fazendo com que Danny pulasse novamente para seu lugar.
- Fala, Tom...
Ele disse soando meio estressado com o menino. rapidamente consertou-se na cadeira também. Seu coração voltava ao normal pouco a pouco, mas mesmo assim ela preferiu encarar o chão a encarar qualquer um dos meninos que estava na sua frente. Ela sabia o tom rosado que sua pele deveria ter tomado naquele momento. Com certeza toda aquela aproximação tinha mexido com ela. Não que ela gostasse dele ou coisa assim, mas qualquer garota ficaria balançada ao ver um menino lindo como aquele respirando a centímetros de sua bochecha.
- A foi se trocar antes de jantar e eu resolvi jantar com você... Os outros meninos estão vindo aí, também.
A postura rígida e levemente rancorosa de Danny em relação a Tom foi se diluindo com o tempo. E rapidamente os meninos se juntaram a mesa também.
- Gente, essa aqui é a .
Danny disse quando todos já estavam sentados e deu um pequeno sorriso para todos eles. Não é segredo o quanto o Jones é lerdo, então também não é surpresa que ele tenha se esquecido de apresentar para os meninos. estava meio quieta, na verdade tímida por estar numa mesa com quatro meninos lindos sem saber o que dizer. Não demorou muito para que as meninas se juntassem a mesa também e ela acabasse ficando mais à vontade.
- Ei, que tal elas irem ao ensaio da banda, gente?
Tom sugeriu depois que todos já tinham terminado seu jantar e estavam ali simplesmente conversando.
- É, seria com certeza uma ótima idéia!
- E aí, meninas, o que acham?
- Eu topo.
- Por mim, problema nenhum.
- Finalmente vou ouvir o McFly ao vivo, eu já tinha começado a achar que era tudo mentira pra vocês se pegarem secretamente no auditório...
Eles riram levemente se levantando.
- Então, nos encontramos daqui a meia hora no auditório, certo?
- É.
Eles se despediram rapidamente e foram cada um para seu dormitório. As meninas caminhavam animadas até o quarto e assim que fecharam a porta começaram a encher de perguntas.
-Pode começar a falar, Dona !
disse animada, indo se sentar em sua cama. ouvia tudo do banheiro enquanto escovava seus dentes e escolhia uma roupa enquanto ouvia a amiga.
- Nós fomos para uma ilha na França...
- Na França?
- Cara, o Tom é muito exagerado! Ele não se contenta nem em ficar no país...
- Gente, é só atravessar o canal da Mancha. Pouca coisa.
- Tá, tá, tá continua!
explicava cada detalhe do que aconteceu na ilha corando algumas vezes. As meninas se animavam cada vez mais a cada comentário.
- Que perfeito, ! Lindo mesmo!
dizia encantada com o relato da amiga que se jogou sobre sua própria cama suspirando.
- É mesmo... Agora outra coisa que tá me deixando curiosa é como um inocente trabalho de literatura acabou com um jantar na parte escura fora do refeitório...
começou a falar com um tom de suspeita sendo seguida por e .
- Pois é, não é, ? Como será que isso aconteceu?
- Er... Aconteceu de jeito nenhum, ué, e agora eu tenho que tomar banho.
tropeçava nas palavras e nas coisas enquanto cruzava rapidamente o quarto em direção ao banheiro. As meninas resmungaram num misto de suspeita e frustração pela menina não ter contado o acontecido. Depois de algum tempo elas finalmente desceram em direção ao auditório velho que os meninos usavam para ensaiar. Ele ficava mais distante do campus e tinha sido abandonado pela escola há muito tempo.
- Finalmente, senhoritas.
Danny disse no microfone assim que elas entraram no local. Eles fizeram algumas palhaçadas se apresentando antes de começar a cantar de verdade. olhava atenciosamente para Harry. O menino estava extremamente concentrado em sua bateria, tocando com força o bastante para quebrar as baquetas muitas vezes. Ela sabia que algo não estava bem.
- E aí, meninas, o que acham?
Danny perguntou depois de terem tocado mais uma música. Dessa vez uma nova, que e ainda não tinham ouvido. As meninas aplaudiam e elogiavam exageradamente, dizendo que eles mereciam o grammy. , no entanto, contrariando as amigas levantou-se e subiu no palco para ficar mais próximas dos meninos.
- Olha, ela tá muito boa... Mas eu acho que poderia melhorar um pouco umas coisinhas. Tom, me empresta sua guitarra?
Todos a observavam com atenção enquanto Tom a entregava a guitarra. sempre teve medo de palco, mesmo quando não havia platéia lá em baixo, então tocava olhando para o chão gasto do palco. Ela dedilhava a guitarra sem precisar olhar onde seus dedos tocavam e repetia perfeitamente a seqüência que tinha acabado de ouvir, só que agora fazendo certas modificações em alguns acordes.
- Viram? Eu acho que soa melhor desse jeito... Mas... Er, esqueçam, é a musica de vocês. Está perfeita de todo jeito.
Ela ainda encarava o chão e quando levantou a cabeça todos a encaravam boquiabertos. Ela foi se sentindo cada vez mais e mais vermelha, suas bochechas chegavam a pulsar tamanha a concentração de sangue ali.
- Que foi, gente?
perguntou assustada pela reação deles.
- Dude, você toca muito.
Tom foi o primeiro a se pronunciar sendo seguido pelos outros meninos. Seus olhos percorriam as expressões orgulhosas dos amigos parando em Dougie. O menino a encarava com uma expressão de orgulho e curiosidade. Ela se sentiu corar mais ainda, se é que isso era possível. Mordeu levemente o canto da boca, sem partir seu olhar do de Dougie. Eles permaneceram assim por poucos segundos, quando ela foi cutucada por Tom.
- Você pode me explicar o que você fez aqui... Porque, eu não tenho seus incríveis dons. Eu simplesmente não consegui memorizar exatamente cada mudança e...
- Tudo bem, Tom. Eu explico.
Ela pegou um caderno que estava por perto e escreveu o acorde que tinha feito para os meninos, demorou um pouquinho para eles se adaptarem e algumas vezes eles tinham vergonha de dizer que não se lembravam dos arranjos, mas com um tempo razoável já soava perfeito de novo.
- Ei, que tal uma pizza para fechar?
- Mas... A gente não acabou de jantar?
- Comer nunca é demais!
- Então tá.
Danny e Dougie saíram do auditório atrás da pizza, Tom desceu para perto das meninas e Harry continuou sentado no banquinho da sua bateria massageando seu pulso dolorido. chegou silenciosamente e colocou um saquinho com dois gelos sobre o pulso do menino. Automaticamente ele virou-se para trás dando um pequeno sorriso quando a vira.
- Ei, pequena.
- O que aconteceu, hein?
- Meu pulso ta doendo por causa...
- Você sabe que eu não estou falando disso.
sentou-se no chão na frente de Harry e este a encarou como se já soubesse que ela já tinha percebido. Ele achava um tanto quanto estranho essa relação dele com . Ela o conhecia como ninguém e ele acreditava conhecê-la da mesma forma também. Ele apertou seus lábios um contra o outro a encarando e logo depois fechou os olhos, agoniado. Sentiu os dedos mornos de percorrerem suas bochechas.
- Harry... Fala, por favor... Me dói ver você assim...
Ela sussurrava enquanto ele permanecia de olhos fechados e agora de cabeça baixa. Vagarosamente ele foi levantando a cabeça para encarar a amiga.
- É a Annie, .
Aquele nome foi como uma punhalada no coração da menina. Ela mordeu o lábio levemente e respirou antes de falar novamente.
- O quê tem, Harry?
- É que... Tá tudo tão estranho... Eu não sei se a amo mais... Ela não me entende, ela fica achando que tudo que eu faço é idiota, ela não gosta dos meus amigos. Isso tudo me faz ter tanta vontade de terminar, ... Só que quando eu vejo aqueles olhos castanhos me olhando, eu simplesmente não consigo. Está tudo estranhamente ligado a ela na minha vida. Às vezes, os meninos me perguntam como eu a agüento com todos seus papos fúteis... Ela não é assim na verdade, sabe? É só uma capa. Eu sei que é. Só que eu tô vendo essa capa tomar cada vez mais conta dela. Eu simplesmente não sei mais o que fazer. Eu não agüento mais toda a besteira dela de vez em quando, mas eu não sei se agüentaria viver sem ela também.
Harry abaixou a cabeça novamente. sentia seu coração bater ao contrário e sufocá-la cada vez mais, a cada batida a vontade de chorar a invadia e sua vontade era sair correndo dali, ou simplesmente dizer para ele que desse um pé na bunda de Annie, mas ela sabia que não era esse o certo. Harry a amava - disso ela já tinha mais que certeza - e ela preferia mil vezes vê-lo sorrir a ver ela mesma. Suspirou tentando soar casual.
- Uau.
Foi tudo que ela conseguira falar, nada mais. Os olhos de Harry se ergueram meio duvidosos sobre ela.
- Harry, você a ama. Você deve ficar com ela... Sobre seus amigos, bom, você não gosta dos dela também. Ninguém precisa gostar dela além de você e se algo que ela faz esta te incomodando, conversem sobre isso. Porque talvez ela nem perceba que isso esta te afetando desse jeito, Harry... Apenas tente, tudo bem? Se você gosta dela, não tem por que ficar agoniado dessa forma... No final, fica tudo bem.
Ela pode ouvir sua voz vacilar no final da frase. Harry pareceu analisar tudo que a menina lhe disse por um instante e logo depois a abraçou carinhosamente dando um beijo no topo da sua cabeça.
- Obrigado, minha pequena... Você sempre tem a melhor coisa para me dizer.
Ele soltou-a por um momento e lhe deu mais um pequeno sorriso com o canto dos lábios. Aquilo tudo já estava ficando difícil demais.
- Vamos comer?
Harry perguntou já se levantando e indo a direção ao grupo que estava sentado no meio do auditório. avisou que iria antes ao banheiro e observou-o se afastar durante um tempo. Assim que ela se virou em direção ao banheiro do local a primeira lágrima escorreu em seu rosto, ela apressou seus passos. A dor que ela sentia dentro de si era imensa, era sufocante. Era como se pouco a pouco o ar fosse deixando seus pulmões e nunca mais retornasse. Ela chorava sentada no banheiro inesperadamente limpo do local. Seus soluços eram baixos, porém estridentes, ela queria alguma forma de jogar todo aquele sentimento para fora, mas não conseguia. Ia perdendo suas forças pouco a pouco. Ela não poderia voltar para onde os amigos estavam, definitivamente não. Não naquele estado. A janela do banheiro era bem ampla. Ela não pensou duas vezes.
- Ai.
Ela disse assim que caiu sem jeito no chão. Apressou-se em levantar-se e seguiu o caminho até o seu quarto. As lágrimas em seus olhos a impediam de enxergar o caminho perfeitamente, mas mesmo assim ela prosseguiu sem perceber que agora ela tinha companhia.
- Veja se não é minha parceira de biologia.
Alguém disse de baixo da sombra escura da copa de uma árvore. apressou-se em apertar o passo e agradeceu mentalmente por ter calçado seus novos tênis. As lágrimas rolavam mais rapidamente por seu rosto agora.
- Ei, , sou eu, o Edward.
O menino disse pegando no braço dela e de certa forma a tranqüilizando.
- Você... Você tá chorando? Aconteceu alguma coisa, ? Alguém machucou você?
Edward envolveu instintivamente em seus braços sentindo a menina chorar contra seu peito. A menina chorava silenciosamente e cada vez menos, aspirando o perfume exalado pelas roupas de Edward e o seu abraço aconchegante. Os dedos do menino acariciavam o topo de sua cabeça delicadamente, quase a fazendo dormir. Ela respirou fundo pela última vez e afastou-se de Edward, limpando os olhos. Ele entendeu que não deveria perguntar nada e os dois andavam devagar de volta ao campus.
- O que você estava fazendo lá?
Ela disse quebrando o silêncio de minutos. Ele olhou para ela meio acanhado.
- Você realmente quer saber?
o encarou. As pupilas dilatadas de Edward respondiam sua pergunta.
- Oh...
- Espero que isso não te incomode...
- Edward, praticamente todo mundo que eu conheço faz isso. É, só que... Sei lá, não esperava isso de você.
Edward soltou uma risada baixa e rouca, quase inaudível. não conseguia discernir se ele estava sendo irônico ou se ele apenas achara algum humor no seu comentário. O silêncio voltou a reinar entre os dois e então Edward resolveu quebrá-lo.
- Então, o que a senhorita estava fazendo lá?
- Os meninos estavam ensaiando...
- Eles tocam tão mal assim? Pra você sair fugida e chorando?
- Não é isso, é que... É complicado.
-Tenho todo o tempo.
- Não sei se terá paciência...
- Vamos lá, . Você vai se sentir melhor se colocar isso para fora.
pensou durante alguns poucos segundos se deveria ou não contar para Edward o que estava acontecendo. Ela fitou-o por alguns segundos. Seu cabelo estava bagunçado, sua expressão era de leve cansaço, ele usava um sobretudo gasto marrom escondendo seus outros trajes. Apesar de tudo estava bonito, lindo como raramente vira homem algum. Não que isso fosse contar de alguma forma para que ela contasse ou não sobre o seu sentimento sobre Harry. Ela estava cansada de falar sempre as mesmas para e acabar ouvindo as mesmas coisas também. O assunto ‘amor platônico por Harry’ deveria excitar a assim como o assunto ‘meus pais são malucos perfeccionistas’ excitava a . Depois de ponderar durante um tempo, tomou a decisão de contar para Edward sobre tudo. Ela precisava mesmo de algum outro ponto de vista. Conversaram sobre isso durante toda volta ao campus e depois que voltaram também.
- Então é isso.
- Cara, isso é... Complicado.
Edward disse contorcendo o rosto enquanto pensava em tudo que tinha lhe contado. Os dois riram levemente e deu um gole no chocolate quente que estava em sua frente. Depois de sentirem bastante frio conversando no meio do pátio, eles decidiram ir até o refeitório que estava vazio há essa hora.
- Você quer o meu ponto de vista?
Ele perguntou ainda com o cenho levemente contorcido. acenou que sim.
- Bom... Você já tentou mostrar pra ele que é mais que amizade o que você sente? O coitado não é vidente, não é, ...
- Eu já. E alguns dias depois ele veio me falando que tinha algo importante para me falar: ele estava namorando a Annie.
- Outch...
O silêncio reinou entre os dois, mas os dois continuavam se encarando cruelmente. Edward tinha um sorriso brincando nos lábios, enquanto olhava para com uma expressão minimamente perversa. o fitava com um inesperado sorriso brincando nos lábios também. Não demorou muito até os dois sem explicação caírem na risada.
- Tá bom, acho que o sono já está afetando a nós dois.
Ela disse, porém nenhum dos dois fez menção em se mexer. Pelo contrário, continuaram ali se encarando bobamente sem explicação, até que o celular de tocou no seu bolso. Edward gargalhou abertamente do toque polifônico da menina e ela apenas mandou língua antes de atender.
- Oi. (...) Não, Harry. (...)
Edward mandou um olhar significativo para nessa hora.
- Ei, , vem aqui, amor!
Ele gritou e fuzilou-o com os olhos. Ele apenas ficou rindo divertido da cara de desespero da menina.
- Não, Harry. (...) Lógico que eu estou no colégio. (...) Desculpe, mas é que eu me senti um pouco mal. (...) Eu sei, Harry, eu sei. (...) Tudo bem, depois a gente se fala, tudo bem?
Ela não esperou por resposta. Ela jogou a cabeça para trás com o celular fechado ainda na palma da mão. Edward a encarava com o mesmo sorriso e ela voltou a olhá-lo. Riram novamente. Havia algo bem diferente surgindo por ali.


Capítulo 5
andava alegremente pelo colégio sob o céu parcialmente nublado. Parou em frente ao prédio onde ficava o comitê e analisou-o um pouco antes de subir. Não se preocupou nem em bater na porta da sala de Dougie.
- !
O menino disse assim que a viu entrar na sala. Ele tinha um sorriso brincando nos lábios e se consertava na cadeira enquanto ia a sua direção.
- Então... Quais são as nossas aulas hoje?
- Bom, são todas físicas, então apesar desse seu short e salto estarem bem bonitinhos e eu ter gostado particularmente desse decote, eu acho melhor você se trocar.
- Dougie!
o censurou e o menino continuou rindo maroto.
- Me desculpe, sou só uma pessoa sincera.
- Tanto faz. Vamos logo, eu mudo de roupa quando a gente passar pelo dormitório.
Dougie e conversavam animadamente enquanto se dirigiam até o campo de futebol. A menina já tinha trocado de roupa e agora vestia uma roupa mais esportiva com um tênis. Ao chegarem ao treino, os times já estavam sendo separados, Dougie acabou indo ser goleiro e atacante. Iam jogar um contra o outro já que era um time misto.
- Boa sorte, molenga.
- Vamos ver quem é molenga, nanico.
Dougie deu um pedala em enquanto entrava no campo e ia à direção ao gol. retrucou dando-lhe língua.
A partida começou meio morna, mas foi logo esquentando. Apesar de tudo, as meninas conseguiam chegar bastante ao gol, inclusive . Em uma dessas tentativas a menina recebera a bola no meio de campo e carregou-a até a área, driblando grande parte de seus adversários tomada por um espírito craque que nem ela mesma sabia que tinha. Ela chegou à área driblando Dougie também, mas algo inesperado aconteceu: ao invés de jogar a bola direto para o gol, acabou pisando na bola e conseqüentemente caindo para trás. Dougie, que assistiu toda a cena de camarote, ria de se engasgar assim como a grande maioria das pessoas no campo. Como o gol, apesar de tudo, acabou sendo feito, a partida foi dada como encerrada. se levantou da grama encarando Dougie que permanecia rindo no chão.
- Já acabou a graça, Poynter.
- Não, não acabou. Cara, você é muito pereba!
E Dougie caía na risada novamente.
- Pelo menos não sou frangueira.
falou irritada enquanto se dirigia para os vestiários. Dougie vendo que a menina ficou irritada resolveu segui-la.
- ...
Ele chamou carinhosamente e ela parou para olhar para trás.
- O quê?
- Não vai se trocar, nós temos outra aula agora.
- Mas eu tô fedendo...
- Você vai tomar banho pra daqui a quinze minutos ficar fedendo de novo?
- Tá bom, tá bom... O que nós temos agora?
- Baseball.
- Er... Eu realmente acho melhor nós não jogarmos baseball...
- Vamos lá, show de bola...
- Cara, você é muito chato.
- Jura, show de bola?
- Dougie, você vai ver a show de bola daqui a pouco.
Dougie arregalou os olhos para que tentou manter sua pose, mas não conseguiu.
- Vamos, frangueiro?
- Vamos, show de bola.
Os dois foram implicando um com o outro até a quadra de beisebol que ficava ao lado. A aula era um pouco mais freqüentada, por ser um esporte tradicionalmente americano e tudo mais, mas isso não serviu para desestimular Dougie e que apostavam quem conseguia marcar os pontos primeiro. Depois de muito brincarem, brigarem e tirarem a paciência de vários professores eles resolveram ir tomar banho e jantar.
- , o que o pobre do Newton fez com você pra você tacar o taco bem na cabeça do menino? Olha lá! Tá roxo!
Dougie dizia em meio a risos, enquanto o menino passava pelos dois. O corte baixinho do cabelo do menino fazia com que a marca roxa deixada por e seu taco assassino tornasse logo aparente.
- Cala a boca, beleza? Eu sou uma jogadora cheia de habilidade. Diferente de você que foi jogar a bola igual uma mocinha. Que vergonha, Poynter... Que vergonha...
Dougie deu língua para que deu língua para ele também. Os dois ficaram nesse joguinho muito maduro de fazer caretas um para o outro durante um tempo, até serem interrompidos por .
- Posso saber o porquê da discussão sadia?
- Não é nada demais. É só que o Poynter não admite que joga igual uma moça...
- Eu só não queria deixar os outros meninos constrangidos com a minha força...
- Claro, Dougie, claro...
olhava a discussão particular dos dois rindo pela infantilidade. Pouco a pouco os outros também foram se juntando na mesa e logo já estavam todos conversando sobre outro assunto qualquer.
- E aí, foram convidados para a festa do fim de semana?
- Eu não ouvi falar de nada...
- Que iss,o gente! Eu, o humilde Chuck, fui convidado e vocês não? Espera que eu tenho que ligar pro meu irmão e dizer que virei alguém.
- Ah! O... Como é o nome dele? Aquele que é zagueiro do time... Dane-se. Aquele garoto pediu pra eu falar com vocês sobre a festa... Não falei antes porque eu tinha esquecido.
Harry e Edward lançaram um olhar meio enciumado para . Desde quando o zagueiro do time falava com ela?
- E quando é?
- Amanhã, ué.
- Caraca, amanhã já é sexta!
- É, o tempo voa.
- É, voa mesmo. Já são dez horas, gente! Vamos, meninas...
disse se levantando logo depois se despedindo dos meninos, gesto que foi seguido pelas outras meninas.

Não demorou muito para que o outro dia passasse. Estavam todos ansiosos para a primeira festa do ano: a festa dos populares. Apesar de serem totalmente proibidas, ninguém nunca vinha reclamar sobre as festas dadas pelos alunos todo final de semana no antigo auditório. Afinal de contas, quando se tem um legado estudantil em Saint Paul são poucos os problemas que cairão sobre seus ombros e se acontecer de algum cair, tem sempre um bolsista para levar a culpa em seu lugar. É a vida: manda quem tem dinheiro, obedece quem não tem e precisa dele.
- Meninas, o que vocês acham?
disse segurando um vestido preto para as meninas. Estavam todas lindas, cada uma a sua maneira: usava um vestido preto marcado na cintura, com ankle boots pretas e acessórios pratas e pretos; usava uma blusa creme decotada com uma saia jeans um pouco curta, sapatos marrons, uma pequena bolsa chanel e um casaco preto; usava uma saia xadrez, um coturno preto, uma blusa simples branca e suspensórios.
- , você não vai à festa?
Indagou ao ver que a amiga usava apenas uma calça jeans com um moletom velho e seu tênis surrado.
- Não agora... Eu... Vou daqui a pouco.
falava meio insegura enquanto terminava de amarrar o cabelo.
- Tudo bem, mas não demora porque pode ser que a gente saia da festa mais cedo e você fique lá sozinha.
- Não se preocupe, eu já irei.
mandou alguns beijinhos para as meninas que rapidamente deixaram o prédio.
Ao chegar lá embaixo já deram logo de cara com os meninos e os pares rapidamente acabaram se formando. sentiu um leve peso no coração por perceber que Harry não estava ali, mas o peso foi logo amenizado assim que ela avistou Edward.
Edward usava uma blusa branca gasta por baixo de um blazer cinza, seu cabelo estava meio bagunçado - o que dava a ele um ar mais charmoso e despojado do que nunca. Ele rapidamente abriu um sorriso ao vê-la e ela retribuiu mais calorosamente do que ela mesma esperava.
- A não vai?
Dougie indagou confuso quando percebeu que a menina não desceu.
- Não sei, Poynter... Ela disse que iria depois.
disse enquanto Edward se aproximava dela. Os dois se despediram do menino e foram andando até a festa. Dougie aguardou por sentado num banco escondido próximo dali. Não demorou muito para a menina descer trajando as mesmas roupas que antes e ir à direção ao bosque.
- A vai vestida assim?
Dougie se questionou baixinho seguindo-a. Ele não sabia exatamente o porquê, mas achou melhor não fazer barulho e teve certeza que foi a melhor opção assim que viu aonde a menina chegou.
Outro garoto estava sentado em baixo de uma das velhas árvores a esperando. Ele a recepcionou com um caloroso abraço e logo depois a puxou para sentar-se em seu colo. Os dois trocavam pequenas carícias, como beijos na ponta do nariz, um brincando com os dedos do outro entrelaçados, mordidas no queixo. Dougie observava a cena ainda longe. Quem seria aquele? Não lhe parecia ninguém no colégio. O cabelo e os olhos negros como o céu à noite, o maxilar quadrado, os ombros largos... Não parecia alguém nem da idade deles. Por fim ele achou melhor retirar-se, ele tinha uma festa para ir e motivos nenhum para continuar ali.

Enquanto isso a festa rolava já animadíssima no auditório. Ao invés de altas luzes o salão estava todo iluminado por velas o que dava um toque levemente lascivo. No meio da pista improvisada os alunos dançavam e ao redor era possível ver isopores e mais isopores lotados de álcool.
- Me concede essa dança?
Tom brincou com quando ouviu que uma versão remixada da música preferida dos dois começara a tocar. sorriu e Tom a conduziu até o meio da pista. Os dois balançavam ao ritmo da música com os corpos parcialmente unidos. A música mais lenta dera lugar a novas músicas mais agitadas novamente, mas mesmo assim eles permaneciam dançando meio alheios, apenas curtindo a presença um do outro. mantinha os olhos fechados e as mãos sobre os ombros de Tom, enquanto esse a fitava apaixonadamente. Depois de uma bela sessão de músicas, finalmente abriu os olhos novamente e fixou seu olhar sobre os olhos chocolates de Tom que insistiam em olhá-la. Ficaram assim durante um bom tempo, até que as mãos de Tom escorregaram até a cintura da menina e as mãos dela começaram a acariciar timidamente a nuca do menino, brincando um pouco também com seus cabelos. Os dois foram se aproximando mais e mais, até que alguém passou e derramou cerveja em .
- Droga!
Ela disse se afastando abruptamente de Tom que já praguejava mentalmente contra o imbecil que acabara com seu momento.
- Tom... Eu vou lá limpar isso... Aproveito e pego alguma coisa para a gente beber, tudo bem?
- Tudo bem, pequena... Eu vou te esperar onde nós estávamos antes, tudo bem?
acenou com a cabeça que sim, logo depois partindo em direção ao banheiro. Passou despercebida por que dançava animadamente com Edward. Harry e Annie se encontravam bem a sua frente, dançando tão apaixonadamente quanto e Tom estiveram e inicialmente ficara com raiva disso, porém depois de um tempo ela resolveu não mais ligar. Dançava como nunca houvera dançado antes. Estava de costas para Edward que a abraçava pela cintura, uma de suas mãos bagunçava o cabelo do menino, enquanto a outra repousava entrelaçada a dele. Ambos dançavam rapidamente sem deixar escapar a magia do momento. Edward virou para sua frente e continuaram a dançar. Qualquer um que olhasse a cena diria que não eram simplesmente amigos já que se encontravam de mãos dadas, testas coladas e olhos fechados. Tão próximos um do outro que eram capazes de sentir o respirar. A opinião de Harry sobre os dois não foi muito diferente da que qualquer um teria, mas a reação – para um menino que tinha uma namorada – foi.
Harry não entendia o que ele sentia por , mas a cada vez que levantava os olhos e se deparava com a cena de e Edward, seus nervos entravam em chamas e tudo o que ele tinha era vontade de ir até lá e estourar a cara do menino. Mas ele não poderia. Ele não deveria. A namorada dele era aquela ali, a menina delicada que estava na frente dele, não aquela que estava um pouco mais à frente. Aquela ali nunca chegara a ser nada, nada além de amiga. Para se livrar da cena, Harry beijava cada vez mais Annie que não entendia a repentina agressividade do menino em seus beijos, mas correspondia. Aquilo continuou até que disse estar cansada e resolveu sentar-se.
- Oi, .
Uma , mais para lá do que para cá, disse ao ver a menina se aproximando. riu do estado da amiga e sentou-se ao seu lado, com Edward a tiracolo.
- , esse é o Ted! O Ted é um menino muito legal, sabia? Estou me divertindo horrores e ele tem um sotaque que é uma graça!
tagarelava tropeçando nas palavras e gesticulando muito, o que fazia com que não conseguisse ver quem era o tal Ted. Depois de um tempo a menina aproximou-se da orelha de e sussurrou.
- , eu to meio bêbada... Então me diz: ele é bonito ou não?
se inclinou levemente para frente, tirando do seu campo de visão e fitando o menino que estava ao seu lado.
- Não.
Disse regressando rapidamente ao local que estava antes com cara de quem chupou limão azedo. riu sem graça e deu um jeito de fazer o menino sumir e logo depois voltou para a pista à procura de outros meninos. No mesmo momento em que se dirigia a pista novamente, cruzava a mesma segurando duas cervejas.
Seus olhos examinavam cada rosto à procura de Tom, e quando o encontrou a raiva rápida e inexplicavelmente tomou seu ser. Tom estava sentado em um dos pufes que estava espalhado pela festa e, ao seu lado, uma menina acariciava o cabelo do menino dando totalmente em cima dele. O que irritou não foi o fato da mão dela estar repousando sobre a dele, não foi a outra mão dela estar acariciando seus cabelos, nem o decote que ia até o umbigo e atraia os olhos do Fletcher, era simplesmente o fato dele deixar tudo isso acontecer.
Será que era só ela que tinha um sentimento além? Ela sabia, algo dizia lá no fundo, que ela não deveria achar que ele gostava dela. Bingo, certa mais uma vez, não? deu meia volta e foi para o lado de fora onde ficou bebendo sozinha enquanto ‘Oasis’ dava fim à festa.


Capítulo 6
No outro dia a escola estava praticamente vazia; os poucos alunos que restavam iriam permanecer lá por todo fim de semana.
- Er... Eu acho que o senhor vai ter que levar minhas malas novamente para o quarto...
falava sem graça para o carregador de malas depois de desligar o celular. Pelo que parece, sua mãe teria um fim de semana cheio com umas novas premiações e ela teria que ficar no colégio. Ela mordeu a boca levemente. Ficava muito chateada quando não podia ir para casa. Ela tinha saudade da sua cama, do seu quarto, das suas coisas em geral. Ela tinha saudade do abraço da mãe e do colo do pai... Quando havia sido mesmo a última vez que os três haviam estado juntos? Ela respirou fundo e resolveu não se irritar com isso, iria acabar achando algo legal para fazer ali na escola mesmo.
- Não vai para casa?
Harry perguntou enquanto se aproximava da menina e observava o homem descarregar a mala do carro.
- Pelo visto não... Sabe como é, não é? Mais uma premiação, entrevistas, essas coisas. De novo ela não vai ter tempo para mim...
- E o seu pai?
- Não sei.
- Hm...
Harry ficou pensativo durante alguns segundos enquanto fitava a tristeza escondida nos olhos de . O dia estava meio nublado, o vento batia levemente no cabelo da menina fazendo-o esvoaçar. Ela se balançava levemente enquanto escondia as mãos geladas no bolso. Harry acariciou levemente o rosto de desenhando a face delicada da menina.
- Pequena, por que você não vai lá para casa?
Harry disse depois de um tempo e pareceu pensar durante alguns segundos.
- Tudo bem... Você tá de carro?
- Tô sim. Moço, o senhor pode deixar as malas aí. Volto daqui a um minuto.
Harry falou e saiu correndo até o outro estacionamento para buscar o carro. Enquanto o menino não voltava, ela sentou-se em um dos banquinhos que tinha por ali.
- Oi, ...
sentou-se ao seu lado e ofereceu um pouco de café para a amiga que a fitou com uma expressão engraçada. usava uma blusa preta do avesso, uma calça jeans surrada, um chinelo qualquer, o cabelo estava enrolado num coque mal feito da onde escorregavam algumas mechas grossas de cabelo e um óculos enorme que tapava quase todo seu rosto.
- O que aconteceu com você?
- Ressaca, minha querida... Só a ressaca.
- , você não deveria ficar bebendo assim... Você tinha que ver o bagulho que você ia pegar.
- Até parece, ! Eu tenho bom gosto até bêbada, chuchu.
- Não tem mesmo.
- Tá bom, quem era então?
- Você nem lembra!
- Não, ué... Qual a parte de ‘bêbada’ você não entendeu? Fala logo, caramba!
- Eu não sei o nome dele, mas na segunda eu te mostro e tu vai saber o que é desgosto.
- ... Mentir é feio. E aí, vai ficar na escola?
- Não, vou pra casa do Harry.
murmurou qualquer coisa e Harry encostou com o carro perto de .
- ! Tudo bem? Você ta meio... Erm...
- Eu tô de ressaca, Judd.
- Isso explica bastante coisa. Vamos, ?
- Vamos, sim. Tchau, . Divirta-se!
- Pode deixar, vou ir tomar chá com a sra. Malkin. Você sabe, não é? Diversão maior não há!
riu enquanto acompanhava Harry para dentro do carro. acompanhou durante algum tempo a escola se afastar pelo espelho retrovisor. Uma música qualquer tocava baixa no rádio e Harry corria em silêncio, olhando para a menina às vezes. Depois de um tempo quando os dois já estavam na auto-estrada avistou longe uma loja dos McDonald’s e rapidamente pediu para que Harry parasse.
- Vamos... Por favor?
- , ainda está de manhã...
- Eu sei! Só um refrigerante! Eu estou com a garganta seca...
- Fica bebendo na festa e hoje está desidratada. Tá bom, eu paro pra você tomar sua preciosa pepsi da manhã.
Harry ligou a seta do carro sinalizando que entraria no estacionamento do restaurante. sorria satisfeita enquanto uma dúvida pairava em sua mente. Como ele sabia que ela pediria uma pepsi? Sim, ela tinha a consciência que eles se conheciam há tempos e que ela também sabia muita coisa sobre ele. Só que fazia apenas uma semana que ela tomava pepsi todas as manhãs. Exatamente na semana em que nem toda manhã eles se sentavam juntos. Como ele sabia? Por que ele ligava?
- Vai lá, pequena.
Ele disse desligando o carro e tirando dos seus pensamentos. Ela sorriu levemente como uma criança e saiu saltitante em direção ao restaurante. Harry acompanhou-a com os olhos e só naquele momento percebeu que ela usava a blusa do uniforme ao invés de outra roupa qualquer. Ela era a única maluca que usava uniforme num dia que ele não era preciso. Ele sorriu instantaneamente. Estava tudo tão diferente em relação a ela agora. Ela parecia ser ainda aquela menininha, mas ele sabia que ela não era mais. Ela tinha crescido e algo daquele crescer agora chamava a sua atenção. Só agora. Agora que ele tinha uma namorada e pelo que parece ela tinha um pretendente a namorado também. O cenho de Harry enrugou-se em raiva ao lembrar-se de Edward. Aquilo tudo estava deixando-o louco. Ele amava a Annie da mesma forma que ele amava a ? Por fim o menino passou a mão nos cabelos e recostou a cabeça no volante.
- Não, claro que não! Ela é minha amiga... É amor de amigo... Essa raiva é só porque eu não gosto da idéia de algum menino machucando ela.
Ele resmungava para si mesmo e levantou a cabeça lentamente. Harry olhou para porta da lanchonete a procura de e viu que ela vinha conversando animadamente com um menino. Automaticamente saiu do carro e foi ao encontro dela.
- Ei, ... Vamos?
- Vamos, sim. Tchau... Qual é o seu nome mesmo?
- Zac... Tchau para você também, linda.
Harry fechou a cara enquanto os dois trocavam abertos sorrisos. Passou o braço pelos ombros de e foi assim até o carro. Ele não entendia a raiva, quase fúria, que o tomou quando viu aquele garoto se insinuando para ela.
- Tá bom, Harry, pode me soltar agora.
disse divertida assim que eles chegaram ao carro. Harry fez uma cara engraçada e os dois entraram de volta no carro.

Enquanto isso no colégio continuava sozinha. Já tinha ido ao seu quarto, a biblioteca e a maioria dos outros aposentos disponíveis. Por fim estava ali, deitada a beira da piscina aquecida. Uma de suas mãos acariciava a água, enquanto a outra pousava sobre sua barriga.
- Ei, mais um ser vivo por aqui.
Ela ouviu uma voz rouca familiar dizer enquanto a porta de entrada se fechava. Levantou-se rapidamente e encarou o menino que vinha em sua direção. Danny Jones, mais simples e bonito do que nunca. Uma toalha ao redor do pescoço, uma bermuda vermelha, cabelos úmidos e como sempre, com aquele sorriso no rosto. Ele sentou-se ao lado de colocando os pés na água.
- Então, seus pais não te querem em casa?
- Não é isso... Eu não quero a eles.
- Estranho.
- Isso aqui é meu castigo, Jones. Mesmo porque, meus pais moram em Nova York.
- É... Eu me esqueço que você é americana.
- E você? Por que está aqui?
- Sei lá. É bem melhor conversar com ninguém do que conversar com o seu pai sobre o primeiro ministro da França ou da Alemanha...
- Tá me chamando de ninguém, Jones?
- Não é isso, é só que normalmente só eu fico aqui. É bom ter companhia... Apesar de não ter nada para fazer.
Os dois encararam a água por um tempo. Repentinamente o rosto de se iluminou tendo uma idéia.
- Danny, quer ir à cidade?
- Tanto faz. Por quê?
- Porque eu estou com meu carro aqui... Quem sabe, nós não poderíamos dar uma volta? É bem melhor que ficar aqui fazendo nada.
- Tudo bem... Eu só preciso me trocar rapidamente.
- Me encontra daqui a quinze minutos no estacionamento.
Os dois se despediram indo cada um para um lado. cuidou de colocar seu casaco antes de sair, pois sabia que provavelmente estaria bem mais frio lá fora. Depois de alguns minutos escolhendo sua roupa ela finalmente chegou até o estacionamento. Danny estava encostado casualmente na lateral traseira de seu conversível vermelho. Ela se sentiu estremecer por dentro ao ver o menino. Seus olhos mais azuis do que nunca, sua aparência levemente séria ao encarar o nada, as mãos dentro do bolso se protegendo do frio de outono que começava a surgir.
- Oi, Jones.
Ela disse assim que estava ao lado dele, vendo-o sorrir levemente ao encará-la. Ela deu a volta até o banco do motorista vendo entrar do lado do carona levemente confuso.
- Que foi?
- Eu... Não estou acostumado com isso de sentar no banco do carona. Normalmente, eu sempre dirijo.
riu enquanto tirava o carro da vaga sem muitas dificuldades, já que não havia outros carros no estacionamento. Danny ligou o rádio enquanto eles pegavam a estrada. Os dois ficaram em silêncio durante um curto espaço de tempo, aproveitando o som.
- Sabe, você e a sua amiga me confundem.
- Sério? Como?
- Eu não sei... Vocês... Você sabia que ela tocava guitarra daquele jeito? E você... Você não me parece uma pessoa que ouviria Bruce.
- Eu sabia que ela tocava daquele jeito, porque a gente aprendeu a tocar guitarra juntas. E pelo amor de Deus, Danny! Eu sou uma menina, não um extraterrestre. É engraçado como as pessoas criam paradigmas e não conseguem mais quebrá-los por mais ridículos que sejam. Só porque eu sou uma menina eu tenho que ouvir Girls Aloud?
- Eu gosto de Girls Aloud!
encarou Danny pelo canto dos olhos sem acreditar no que ouviu. O menino corou momentaneamente e pôs-se a explicar.
- Quero dizer, elas são muito hot!
- Danny... Não precisa ficar sem graça... Imagino que você até dança quando ouve. Já tentou imitar elas em algum clipe? Oh meu Deus, eu não quero nem imaginar a cena!
Ela mentiu levemente. Imaginar Danny Jones rebolando com certeza era idealizar uma cena no mínimo tentadora...
- Eu só as acho gostosas, tá legal?
- Elas não são um pedaço de carne, Daniel.
finalizou a conversa. Detestava essa forma machista de encarar as coisas. Por que ele simplesmente não admitia que gostava, sim, da banda? estava irritada pelo jeito que Danny via as coisas. Ela não conseguia vê-lo como mais um dos riquinhos babacas, mas vê-lo falar dessa forma a fazia pensar que ele realmente era assim. Ela resolveu mudar de assunto antes que ele falasse alguma coisa que a fizesse o chutar para fora do carro...
- O que nós vamos fazer quando chegarmos lá?
- Eu não sei... Acho que tem um filme legal passando no cinema.
- Cinema?
- Tem alguma idéia melhor?
deu ombros e continuou a dirigir. Não demorou muito até que chegassem à nem tão pequena nem tão grande cidade. O clima continuava meio pesado entre os dois quando ela finalmente estacionou a frente do cinema. A opção de filmes não era muito grande mais foi o bastante para fazê-los discutir.
- Filme de mulherzinha!
- Fala sério, Jones! Eu não vou assistir essa merda de filme machista.
- , eu que não vou assistir a esse filme de mulherzinha.
- Então, você assiste a seu filme de homenzinhos com meio cérebro e eu assisto o meu.
- Não.
- Por que não?
- Porque a gente veio fazer alguma coisa juntos e é o que nós vamos fazer.
- Eu não vou assistir esse teu filminho idiota.
- , deixa de ser infantil. Que foi? Não tem estômago o suficiente para ver um pouquinho de sangue?
- E você, não é macho o suficiente para assistir um filme “para mulheres” de vez em quando?
Eles estavam tão próximos um do outro que se não fosse pela pequena diferença entre as alturas dos dois poderiam estar sentindo a respiração um do outro. Danny não pensou duas vezes antes de agarrar e lançar-lhe um beijo arrebatador em seus lábios. Não sabia exatamente o porquê daquilo. Era simplesmente pelo calor da briga, ou finalmente o desejo que ele tinha de beijá-la tinha tomado-o? Ele não parou para pensar e ela pareceu fazer o mesmo. As mãos de corriam pelos cabelos cacheados desgrenhados do menino enquanto as grandes mãos de Danny acariciavam suas costas e massageavam levemente sua cintura.
- Quem não é macho o suficiente aqui?
Se o humor não estivesse claro na voz de Danny, aquilo com certeza seria motivo de mais uma briga.
- Isso não prova nada. Você não pode assistir nem a um filme...
- E você não pode ver nem um pouquinho de sangue...
- Tudo bem. Não vamos brigar por isso de novo.
- Alguma sugestão?
Danny segurava próxima ao seu corpo e as mãos da mesma estavam sobre os ombros do menino. Os dois se viraram levemente para o painel de filmes novamente.
- Uma comédia cairia bem.
Danny deu ombros puxando-a pela mão até a bilheteria.
- Duas entradas, por favor.
Ele disse para o homem e pegou a carteira no bolso de trás, observando fazendo o mesmo com a carteira dela.
- , eu pago.
- Não, Jones. Minha entrada, eu pago.
- , não vamos brigar de novo.
- É só você deixar de ser tão machista.
- E você parar de ser tão ridiculamente feminista.
- Dá para dizer logo quem vai pagar?
Danny foi mais rápido e pagou as duas entradas fazendo com que bufasse rispidamente. Ele pegou as entradas e foi até o lado dela, abraçando-a pela cintura e dando um beijo carinhoso em sua bochecha.
- Se te deixa feliz, você paga a pipoca. Eu nunca vi ninguém ficar tão irritada por não ter que pagar alguma coisa.
Um sorriso brincou nos lábios dela e esta se virou para encará-lo, então os dois se beijaram novamente. Dessa vez de forma mais doce e delicada, tratando um ao outro como se fossem as coisas mais delicadas que tinham nas mãos. Os dois assistiram ao filme em meio à guerra de pipocas, implicâncias e beijos. Muitos beijos.
- Jones, olha a hora! Nós temos que ir para a escola agora.
Disse enquanto os dois terminavam de comer. O filme já tinha acabado há relativamente bastante tempo e os dois estavam há quase uma hora numa lanchonete que ficava ali perto.
- Não tem problema... A gente fica aqui em Surrey.
- Mas eu não tenho casa aqui! E definitivamente, não quero dormir no carro.
- Você não tem uma casa aqui, mas eu sim.
Danny disse tranqüilizando-a, logo impondo uma condição.
- Mas eu só deixo você dormir lá, se eu puder dirigir.
- Isso é sério?
olhou para Danny com uma expressão suspeita, mas entregou a chave na mão do menino. Os dois caminharam até o carro conversando mais baboseiras do que de costume e continuaram assim enquanto Danny dirigia por uma estrada diferente da que eles tinham pegado para chegar até a cidade. Ele estacionou num espaço vazio da estrada que ficava de frente para um vale lindo. Ele saiu do carro sendo seguido por até a frente do carro.
- É lindo, não?
Ele disse enquanto ambos olhavam para a lua gigante que surgia no céu. Os dois sentaram-se no capô do carro e ficaram observando a beleza da noite enquanto uma música tranqüila soava baixa do rádio do carro. Algumas vezes conversavam sobre coisas profundas, mas logo depois começavam a rir por alguma besteira dita por Danny. Era impossível se passar muito tempo séria perto dele.
- Sabe, eu fico me perguntando... Quantas pessoas te conhecem dessa forma? Porque... Porque eu te olho dessa forma, e não vejo nem um pouco do Danny que eu vejo na escola. E eu acho tão melhor assim. Sem máscaras, sabe? Sendo somente você.
Danny não respondeu nada, apenas encarou a menina que permanecia olhando para o céu. Sua pele pêssego, rosada nas bochechas, estava levemente arrepiada pela brisa gélida do lugar, seus olhos fitavam a lua amarelada e chamavam mais a atenção de Danny do que o devido. Ele se sentia um pouco ameaçado por aquilo. Pelo fato dela conhecê-lo tanto, sendo que se conheciam há tão pouco tempo. Da forma com que ela o enxergava e o entendia. Danny também não gostava daquela máscara: ‘Danny, o idiota pegador’. Só ele sabia o quanto ele estava cansado daquilo. Havia mais dentro dele. Um mais que conseguia enxergar, os outros não. Outra brisa mais gelada soprou pelo lugar, revelando pela temperatura mais baixa, que estava ficando mais tarde. Danny percebeu se arrepiar.
- , vamos embora você está com frio.
Ele disse saltando do carro e ela o olhou como se não quisesse sair dali, porém desceu alguns segundos depois. Os dois tomaram a estrada e voltaram à escola apesar da hora.


Capítulo 7
Enquanto isso Harry e estavam na casa do menino sem fazer nada em especial. Os pais do menino tinham viajado e conseqüentemente eles estavam sozinhos em casa. estava sentada no espaçoso sofá enrolada em um cobertor impregnado pelo perfume de Harry enquanto o mesmo caminhava até ela segurando um balde de pipoca.
- Você ainda está chorando?
Ele perguntou incrédulo, enquanto se ajeitava ao lado da menina no sofá encarando seus olhos molhados.
- É que é muito triste, Harry... É muito triste ver o quanto ela gosta dele. A ponto de abrir mão dessa forma. Porque ela sabe que ele está feliz, então de alguma forma, estranha e talvez até masoquista, ela estaria também. Só que vai chegar uma hora, uma hora que ela vai ver que apesar de tudo, só a felicidade dele não é o bastante para ela. Porque ela vai se sentir pior cada vez que ele chegar reclamando para ela de algo que não deu certo, porque ela sabia que daria certo se fosse com ela, porque só ela o conhece daquela forma. Daquela forma que evitaria brigas e desentendimentos bobos. Ela vai se sentir o pior ser humano da terra quando perceber que na verdade, lá dentro ela deseja com todas as suas forças que eles se separem e que ele, enfim, repare nela. E é uma coisa que não vai acontecer, ele estando com essa aí ou não. Ela conquistou a amizade dele, é alguém em quem ele confia. Uma vez melhor amiga, nunca namorada.
Harry olhou assustado para que agora esfregava os olhos ferozmente na tentativa de não chorar. Ele apertou o botão para parar na mesma hora o filme.
- Ei... O filme não acabou!
- Isso está te deixando pra baixo demais... Algo me diz que toda essa choradeira e sua explicação não estão relacionadas somente ao sofrimento da menina no filme.
O medo corroeu por alguns instantes. Ela podia sentir suas veias e artérias pulsarem numa velocidade e veemência que a qualquer momento poderiam saltar de sua pele e deixá-la em carne viva. Será que ela tinha deixado exposto demais seu sentimento por ele? Como seria tudo agora? Ela tinha certeza que não conseguiria olhar naqueles olhos, porque eles não a correspondiam e ela iria ser consumida a cada dia pela vergonha e pelo arrependimento. Um dos motivos que a fizera segurar suas próprias verdades até hoje: melhor ser amiga do que nada. A sala estava escura, o rosto de Harry sendo iluminado apenas pela luz pálida que vinha da janela da frente um pouco distante. Ela não conseguia decifrar o que se passava naquela mente, mas tudo o que passava pela dela eram as piores hipóteses.
- Isso tem haver com aquele Edward!
Ele disse por fim e ela pode respirar mais aliviada.
- Com o Edward? Por quê?
- Você tem andado muito com ele por esses dias... E ele deve ter uma namorada. Eu vi como você olhou para ele esses dias... Não que eu fique prestando tanta atenção assim em você! Mas eu não posso deixar você se apaixonar por qualquer um.
- É...
Ela disse alimentando a imaginação do menino para essas hipóteses. Era melhor do que ele deduzir a verdade: que tudo aquilo era por ele.
- Tá vendo, você não é a única que decifra emoções aqui. Agora, vamos assistir a um filme a minha escolha porque eu realmente não quero que a minha casa inunde com as suas lágrimas e também não quero te ver chorar.
Ele secou um vestígio de lágrima no rosto de e foi até a pilha de filmes que estava na mesinha de centro analisando cada capa que ele já tinha separado previamente.
- Harry... Eu não quero assistir terror. Você sabe que eu tenho medo.
disse se encolhendo ainda mais no sofá e Harry olhou para trás gargalhando levemente da menina.
- ... Deixa de ser cagona. Eu vi todos esses águas com açúcar seus.
- Mas você disse que tinha gostado...
- De um! Aquele que era menos boiola que isso fique bem claro!
- Harry...
- Nada disso. Minha vez.
O menino ligou o filme e os dois começaram a assistir. tinha reações cada vez mais cômicas ao menor suspense que tivesse no filme.
- Vou pegar refrigerante.
Ele disse enquanto se levantava e ia até a cozinha. encarou a tela morrendo de medo enquanto estava sozinha. Ouviu um barulho estranho e olhou ao redor amedrontada. Voltou a encarar a tela, morrendo de medo do barulho que ainda podia ser notado. Foi quando ela pôde ver de onde vinha aquele barulho. Um carrinho de madeira velho estava no canto da sala se movimentando para frente e para trás sozinho, assim como faziam os brinquedos assombrados do filme. pôs-se a gritar palavrões e mais palavrões enquanto saia correndo até a cozinha, encontrando Harry no meio do caminho rindo da cara da menina.
- Seu... Seu... Seu...
Ela falava trêmula e ele só fazia rir mais ainda. Voltou para sala a trazendo envolta por seus braços, um pouco relutante.
- , existem carrinhos de controle hoje em dia. Foi só uma brincadeirinha para testar seu coração.
Ele dizia divertido e logo a expressão de medo de foi substituída por uma de raiva bem maior.
- Harry, seu gay! Quem você acha que é para ficar me assustando dessa forma? Vá se ferrar, eu vou dormir.
Ela agarrou o cobertor que antes ela estivera envolta e marchou pelas escadas de mármore até o andar de cima, onde ficava o quarto dos hóspedes. Ele a seguiu ainda rindo um pouco por sua reação.
- ... Foi só uma brincadeira, pequena... E além do mais, você não vai conseguir dormir sozinha mesmo. Dou uma hora para você arrastar seu colchão até o meu quarto e pedir para ficar lá. Com a minha luz noturna ligada ainda.
Ele explicava para a porta fechada.
- Vamos ver quem vai estar lá então. Você sabe que eu tenho problemas hereditários de coração, Harry! Eu poderia ter morrido. Não teve graça nenhuma. E ainda por cima vem me chamar de covarde agora. E não se preocupe com sua lanterna noturna, porque eu trouxe a minha.
- Olha... Eu posso rir dessa sua última afirmação? Porque... Cara... Quem com dezesseis anos de idade sai andando por aí com uma lanterna noturna na bolsa?
- Alguém que tem medo de escuro.
- Aposto que é da Barbie também.
- Não, não é.
- Das bailarinas?
- Não.
- Da Suzie?
- Errado.
- Estou ficando sem opções.
- Não é de nada, Harry.
- Você costumava trazer umas engraçadas aqui para casa. Eu lembro que você colecionava umas com uns motivos bem gays.
- Eram lindas, beleza? Melhor do que as suas do Batman. Dava mais medo do que dormir de luz apagada.
E sem perceber os dois começaram a conversar sobre seu passado. Power rangers, thundercats, lanternas noturnas, fantasias de haloween… Devem ter ficado conversando ali durante horas sem perceber.
- ... Você ainda está com raiva?
Harry disse temeroso e ouviu a menina suspirar do outro lado.
- Na verdade, não.
Ela se levantou e abriu a porta dando de cara com o menino ali.
- Desculpe.
- Tudo bem... Mas nada mais de filmes de terror ou suspense.
- Tá, sua cagona... Vamos comer alguma coisa?
- De novo?
- Eu sei que você está com fome.
- Não, você está e quer me deixar gorda igual você é.
- Pára de reclamar e vamos logo comer.
Harry puxou pela ponta dos dedos até o andar debaixo onde ficava a cozinha. Eles nem precisavam ter ido até a cozinha já que o máximo que Harry fez lá foi pegar o telefone e ligar para a pizzaria. Os dois ficaram de palhaçada ali, beliscando uma coisa ou outra enquanto esperavam. preparava a receita de um doce que os dois gostavam para depois da pizza e Harry fazia uma dança tosca enquanto no rádio velho da empregada tocava algo como “It’s Raining Man”.
- Vou atender.
Ele disse assim que a campainha tocou. foi atrás do menino, parando entre a escada, o hall e o corredor que levava até parte outras partes da casa.
- Oi...
Uma voz feminina dizia do outro lado da porta. Ela não podia ver quem era, mas definitivamente aquela não era a voz de uma amiga ou mesmo de Annie. Percebeu a mão da menina sobre o peito de Harry acariciando-o levemente.
- Oi.
Ele foi ríspido em sua resposta.
- Então... Eu liguei para a escola e me disseram que você provavelmente estaria em casa... Bom, eu pensei que você estaria sozinho, querendo se divertir um pouco...
- Pensou errado.
- Credo, Harry... Por que toda essa grosseria?
- Vai embora, Jamie.
- Você está com alguém aí, não é? É ela?
A menina tentou colocar a cabeça para dentro da casa e verificar quem estaria ali, mas foi impedida por Harry.
- Eu vou embora... Mas você não precisa se preocupar se eu vou voltar ou não. Você já sabe a minha resposta sempre... Você sabe que eu não tenho ciúmes.
Ela aproximou-se e deu um beijo demorado na bochecha de Harry aproveitando para olhar o interior da casa e ver se realmente havia mais alguém ali. suspirou aliviada por estar em uma posição na qual não poderia ser vista pela menina. Ao ter a certeza de que o ambiente estava vazio, a menina passou a espalhar mais beijos pelo menino, mais perto de sua orelha, descendo até seu pescoço.
- Tchau, Jamie.
Ele foi frio novamente e dessa vez a empurrou levemente para fora, fechando a porta em seguida. olhou pela janela para ver quem era aquela. Apesar da precária luz que iluminava a rua ela conseguiu distinguir os formatos da menina. Não era muito alta, seus cabelos eram pretos como a noite e iam até pouco abaixo de seu ombro, quase idênticos aos de Annie e pela distância não pode ver muito de seu rosto. A menina não parecia ser de uma situação financeira muito diferente da de e Harry, já que estava vestida excepcionalmente bem. Inclusive fazendo questionar-se sobre onde ela teria comprado aquela bolsa carteira linda que tinha nas mãos.
- ?
Ela percebeu que Harry voltava para cozinha.
- Oi.
Ela disse antes que ele passasse para o corredor, denunciando onde ela estava.
- Não era a pizza, né?
Harry expirou o ar ruidosamente, com um pouco de vergonha por ser flagrado naquela situação talvez.
- Sabe? Eu sempre achei que você realmente amasse a Annie...
- Eu amo.
- Então, por que a trai? Não venha me dizer que não o faz, eu pude perceber muito bem qual é o papel dessa menina.
- ... Não é tão fácil assim... As coisas estão estranhas entre eu e a Annie...
- Converse! Termine! Eu não sei! Mas... Trair, Harry? Você acha que essa é a solução?
- Não, eu sei que não é... É só que... É diferente agora. Quando a gente começou, era fácil. Conversar com ela... Fazer as coisas darem certo. Mas agora não é a mesma coisa. Ela só fica com aquelas amigas estúpidas dela... Ela não me ligou, não me viu, o verão todo! E nem parece que se importa, porque ela também não quis estar comigo agora. Isso não é justo comigo.
- E traí-la é justo com ela?
O silêncio se instaurou entre os dois e a campainha tocou novamente. encarou Harry e esse foi atender a porta. Dessa vez era a pizza. Os dois não trocaram muitas palavras enquanto começavam a comer.
- ... Desculpe-me por isso.
- Eu... Não é pra mim que você tem de pedir desculpas. Não pense que eu vou te apoiar nisso, Harry. A Annie pode está sendo a pior pessoa com você, mas ela não merece isso. Quem era a menina? Eu acho que conheço aquela voz de algum lugar...
- E você conhece. Jamie Harrison.
A surpresa nos olhos de foi instantânea. Essa não era a melhor amiga de Annie fora de Saint Paul? Os lábios da menina viraram uma linha de desgosto enquanto ela encarava o prato sem acreditar. Quem era mais sem caráter ali? Harry por trair a namorada com uma amiga da mesma, ou a amiga por trair a outra dessa forma. As coisas pareciam girar. Annie e Jamie tinham muito em comum. Os mesmos grandes olhos, o mesmo rosto em formato de boneca, os mesmos cabelos. Tirando alguns detalhes, os olhos de Jamie eram azuis bebês e os cabelos extremamente negros.
- Então, você não arranjou uma grega nessas férias. Foi uma britânica mesmo. Uma britânica amiga da sua namorada.
Ela riu de seu humor negro e colocou mais um pedaço de pizza na boca. Ela não sabia o porquê daquilo deixá-lo tão sem graça ou o porquê dela ter tanta raiva. Talvez porque aquilo não era uma coisa que ela esperasse dele. Não era algo que fazia parte do Harry que ela sustentava em sua mente.
- Isso faz tudo soar tão pior.
- Não tão pior do que já realmente.
- Nós... Podemos parar de falar disso?
- Não antes de eu te alertar que um dia isso vai deixar de dar certo.
- É, eu sei.
Harry parecia mesmo sentido. Mas sentido pelo quê? Pelo fato de estar traindo sua namorada ou pelo fato que talvez ela descobrisse mais cedo do que o esperado?


Capítulo 8
Tudo que é bom acaba. E o fim de semana não seria uma exceção. Todos estavam de volta à escola, a maioria com aquela cara de sofrimento típica das segundas.
- Bom dia.
Disse parando na frente de Dougie no meio do pátio. Ele sorriu singelamente em resposta e tomou-lhe o café que estava em sua mão. Ele pôde ver que ela olhava para os lados como se estivesse procurando por alguma coisa, logo lhe veio em mente o menino que ele tinha visto no dia da festa. A expressão de Poynter que já não era muito boa fechou-se mais ainda.
- Que foi?
- Tô procurando a Branca de Neve.
- Como?
- Pra avisar que um dos anões se perdeu.
Dougie lançou-lhe um sorriso irônico e logo amenizou sua expressão rude também. fitou-o por alguns segundos com uma interrogação clara em sua expressão.
- Você está tão... Estranho. Isso tudo por causa de uma segunda feira?
- Não... É só muita coisa para fazer.
Ele disse dando ombros e pegando o copo da mão de novamente. A menina olhou para ele sem acreditar muito no que ele havia falado, mas resolveu deixar para lá. Se ele quisesse contaria, não? O sinal tocou e os dois foram andando juntos até a sala de aula encontrando com no meio do caminho.
- Bom dia, gente.
disse enquanto eles entravam no prédio com uma expressão até animada para alguém que estava voltando de fim de semana. Ela ficava assustada com isso, mas ela sabia que cada dia mais a motivação dela acordar não era apenas viver. Era vê-lo também. Dougie, e caminharam em silêncio em meio aos alunos barulhentos que seguiam até suas salas.
- , nos vemos no almoço.
se despediu da amiga seguindo Dougie para dentro da sala onde aconteceria a primeira aula dos dois. passou os olhos por todas as cadeiras da sala antes de se sentar e não só ela como todos da sala, sabiam quem ela procurava.
- A senhorita poderia se sentar, ou gostaria de dar aula em meu lugar?
O professor falou ríspido para que rapidamente tomou seu lugar. Ela não conseguia prestar muita atenção na aula. Vamos combinar que trigonometria não é uma coisa que prende muita atenção, ainda mais quando você já não está muito a fim de fazê-lo.
- Desculpe, senhor. Poderia entrar?
Uma voz conhecida soou da porta fazendo automaticamente levantar seus olhos do caderno a sua frente. Ao invés da matéria, havia alguns esboços de roupas. Tom vinha em direção a , com uma mão dentro do bolso da calça cáqui do uniforme e outra carregando casualmente alguns cadernos. Ela tentou de todas as formas não parecer muito alterada pela presença do menino, olhando para o quadro e para o caderno, mordendo os lábios por dentro para evitar aquele maldito sorriso que teimava em sair.
- Bom dia, linda.
- Bom dia, Tom.
Pronto, acabou-se a tentativa de não sorrir... Lá estava ela, mostrando todos seus dentes para Tom. O menino como sempre lhe lançara um sorriso tímido.
- Nossa, , tô vendo o quanto você está interessada na matéria...
Tom comentou assim que viu um imenso vestido vermelho desenhado ao invés da matéria. olhou para o quadro fazendo uma pequena careta logo em seguida e Tom sorriu novamente.
- Eu tenho uma novidade...
- Sério? Conta! O que é?
- Na verdade, eu tenho uma coisa para te mostrar...
- Thomas, eu sou astrologicamente curiosa, pare de enrolar!
- Calma, senhorita! É uma música... Levou um tempo... Sabe, para compor... É, para uma pessoa...
O menino gaguejava um pouco e coçava o nariz em alguns momentos, claramente nervoso ao falar. deu um sorriso simples de canto de boca, o que não passou despercebido por Tom. Ele sabia o quanto àquela menina mexia com ele, ela não tinha a mínima idéia disso.
- Me diz, como é a letra?
- Esse é um problema... Não tem letra. Basicamente, é só ritmo.
franziu o cenho levemente e Tom prosseguiu.
- É como... Uma música clássica.
- Como Mozart?
- Não, , bem menos que Mozart.
- Tenho certeza que é igualmente genial...
sorriu enquanto Tom apenas rolou os olhos voltando à atenção novamente ao professor, que encarava os dois. A aula demorou um pouco a passar, mas logo eles já estavam trocando de horário novamente.

Enquanto isso, Harry e tinham aula de biologia no outro lado do prédio. estava concentrada tentando entender o que o professor falava, mas acabava perdendo totalmente a concentração quando acabava encontrando os olhos de Harry mirando-a e fazendo, oportunamente, algumas caretas ou brincadeiras com as sobrancelhas.
- Nossa, pelo visto o fim de semana com o Judd surtiu efeito.
Edward comentou quando viu abrir outro sorriso besta enquanto voltava a olhar para o livro que estava apoiado sobre a mesa. Só aí foi notar a real presença do menino ali.
- O quê?
- Você. Tá claramente babando no Judd.
- Não, eu não...
- , você realmente acha que me engana? Meu Deus! Olha, tente ser mais discreta e me diga o que aconteceu nesse fim de semana.
- Você soou tão gay agora.
Edward rolou os olhos e bufou encarando novamente a .
- Não aconteceu nada demais, Edward...
- Não é o que parece. Eu passei os últimos tempos todos com você, e você estava totalmente fria com ele. E agora olhe para você! Está toda se derretendo com esse sorriso babaca por ele.
- Edward...
tentou falar em vão, mas foi logo chamada pelo professor na frente da sala e teve que se voltar para a aula. Olhou rapidamente para Harry, mas ele estava olhando pela janela com uma expressão levemente afetada. Ela mordeu levemente o lábio inferior e pela primeira vez naquela manhã ela conseguiu prestar atenção no que era dado.
Depois disso não demorou muito para que chegasse a hora do almoço e enquanto todos estavam no refeitório comendo pato ou salmão, Jones e se encontravam atrás da escola conversando e principalmente rindo. estava sentada na grama, envolta pelos braços de Danny e recostada sobre seu peito.
- Então vocês vão ensaiar hoje de novo?
- Mais que isso, vamos ensaiar para uma apresentação real! Cara, é o inicio de uma grande carreira. Acho melhor você pegar logo um autógrafo vai valer milhões qualquer dia...
Ela sorriu para ele enquanto fitava os olhos azuis de Danny ficarem mais sonhadores do que nunca. Os dois puderam ouvir a barriga de Danny roncar.
- Uhn... Hora do almoço.
Ele disse se levantando e puxando junto a ele. Eles foram conversando sobre detalhes da apresentação durante o caminho e não demoraram a encontrar seus amigos numa das mesas bem no centro do refeitório. O clima não parecia dos melhores, Edward estava com uma cara emburrada ao lado de , Harry estava abraçado a Annie do outro lado sem uma cara boa também, Dougie ria, mas também não parecia feliz. Os únicos que estavam ao menos normais ali eram e Tom. O almoço também passou rápido já que ninguém se esforçou em demorar ali.
- Acho que vou dar uma passada na biblioteca antes de voltar para as aulas...
disse enquanto saía do refeitório na companhia dos amigos. Ela andava distraída até o local, aproveitando o vento deliciosamente frio.
- Senhorita !
Gritou o professor de literatura para quando esta deixava a biblioteca.
- Oi?
- A senhorita poderia me fazer um favor?
- Claro. O que seria?
- Você poderia, por favor, entregar isso aqui ao seu namorado?
- Meu namorado?
- É... Thomas Fletcher…
- Na verdade, o Tom...
O professor não deixou que ela terminasse apenas entregou os papéis à menina e saiu andando novamente sem nem agradecer. olhou a capa do grosso trabalho que lhe foi entregue.
- Adormecer, por Thomas Fletcher.
Murmurou para si mesma e logo depois guardou o livro na bolsa indo à direção a sua aula extra de francês.

Do outro lado do campus, voltava aquele prédio que ela tanto visitara na semana passada. Dessa vez ela carregava sua ficha totalmente preenchida. Bateu na porta ouvindo o estalar da madeira e logo depois a voz de Dougie ecoar lá de dentro.
- ?
- Eu vim te trazer minha ficha.
Ela disse sorrindo e sentou-se na cadeira que havia em frente à mesa de Dougie. Ele pegou a ficha e analisou por alguns segundos.
- Comitê?
- Pois é... Eu percebi que não tem mais nada em que eu seja realmente boa, e, além disso, você não faz nada aqui. Tem forma de ganhar nota mais fácil que essa?
Dougie sorriu levemente.
- Você quer é o prazer de ter a companhia do Dougie aqui.
- Caramba, como você descobriu que é tudo que eu desejo?
ironizou e logo depois os dois começaram a realmente trabalhar. Nada muito árduo, apenas revisaram alguns pedidos de cotas monetárias antes de passarem para a diretoria.


Capítulo 9
Já era noite e todos já estavam recolhidos em seus quartos e dormindo quando se lembrou do trabalho que o professor deixou com ela. Uma espécie de livro sobre autoria de Tom. A curiosidade ultrapassou sua discrição e a menina não resistiu a pegá-lo de dentro da bolsa e ler. Inicialmente tudo falava de um mundo ilusório, um novo planeta, uma estrela longe daqui, até que começava então a descrever sua garota estrelar. sentiu imensas doses de ciúmes ao ler cada letra e a real paixão por trás de tudo aquilo. Tudo se sentia través da narrativa do menino. Ela sabia que aquilo era real.
‘Ela era linda. A sua pele reluzindo sobre o doce toque solar, seus olhos reluzindo o mar. Eu poderia ficar cego e ter apenas aquilo sobre meus olhos durante o resto de minha vida. Ela era tudo, era a minha...’
A página acabava aí. Sem nome. Ela perguntou-se quem seria essa. Ela não se lembrava de Tom ter comentado sobre nenhuma garota nas férias de verão. Mas pelo visto havia e não era ela, era claramente alguma menina que ele tinha visto na praia.
- Estúpida.
Ela resmungou para si mesma deixando o livro aberto na cabeceira. Seria melhor ela ter sido discreta? Não sabia, não queria saber. Ela devolveria aquele livro estúpido a Tom e junto a ele todo o sentimento que ela nutria se fosse possível.

Não demorou muito até que mais um dia chegasse a Saint Paul. O ar úmido formava uma forte neblina na escola e se sentia sufocada pela mesma, que fazia seus cabelos grudarem em seu rosto conforme a garoa fina caia. Ela saía da biblioteca atrapalhada com alguns livros quando avistou Tom e conversando animadamente enquanto passavam pelo corredor. Com uma velocidade inigualável, a idéia que seria a menina do livro atingiu sua mente. Tom não falava de ninguém do verão, falava de uma menina americana bronzeada da escola. Desde quando a era dele? Por que a merda daquele professor tinha entregado aquilo a ela? Ela estava claramente furiosa. Ela preferia continuar apaixonada, eu acho.
- ...
- Oi, Tom.
Ela falou seca quando o menino se aproximou e Tom ficou sem entender muita coisa.
- Então, ninguém tem matérias extras hoje então nós vamos ensaiar. Vamos lá ouvir?
- Desculpe, mas eu tenho mitologia.
- Desde quando você faz mitologia?
- Desde... Desde que eu quis!
- ... Matar aula e não fazer cursos extras estúpidos faz parte de uma vida saudável!
- Uma vida saudável não vai me fazer entrar em Cambridge.
- Nem aula de mitologia. Qual vai ser sua tese para faculdade? Como domar o cabelo da medusa?
- Não, vai ser de como arranjar bons óculos para um ciclope. Agora é sério... Preciso ir, Tom. Já até começou, bom ensaio.
estava um pouco menos ríspida quando saiu da frente do menino indo realmente em direção aonde acontecia aula de mitologia. Tom não entendeu muita coisa. Não era que vivia dizendo que os pais dela a colocavam sob pressão demais para a faculdade? Deu de ombros e foi até onde os amigos já o esperavam para tocar.

e Rose estavam tendo algumas aulas juntas, então estavam se encontrando bastante, o que fazia que as duas criassem inevitavelmente um vínculo de amizade.
- Então, você se lembra o que o professor tinha dado na aula passada de cinema? Porque... Bom, eu não copiei.
- Lógico... Brad Willians é melhor do que aprender a fazer um bom script.
- Loiro, alto, romântico e atleta. Não se pode perder um homem assim! Nunca!
- E eu disse que era? De qualquer forma, eu tenho sim a matéria...
- Então depois da aula você me empresta! Porque eu realmente preciso, afinal os testes começam na semana que vem.
Rose começou a folhear seu caderno e continuou fitando a menina, com apenas uma pergunta ressoando em sua mente.
- Uhn... Rose, o que exatamente você tem com o Chuck?
- Bom... Nós somos enrolados. Há algum tempo, mas nunca foi nada tão sério. Eu fico com quem eu quero, ele fica com quem ele quer e quando estamos sozinhos ficamos juntos por conveniência. Por quê? Você está interessada, é?
- Não, é só que... Eu acho que ele realmente gosta de você, sabe?
- Não é por nada, mas é ele e a maioria do colégio. Linda, de boa família e simpática é difícil resistir...
- Estou falando sério...
- , se ele gosta, eu realmente não posso fazer nada. Ele é legal, lindo, simpático, engraçado, mas não é nele que eu estou realmente ligada. Se eu tiver que ficar com ele, vai ser como é agora. Nada mais.
As duas ficaram em um pequeno silêncio, olhando para cantos aleatórios da sala até que Rose se pronunciou novamente.
- E você? Existe alguém que mexe com seu coração?
- Na verdade, acho que não.
- Claro... Nenhum dos meninos de Saint Paul são bons o bastante. Ande logo, me conte!
- E que... Bom... Eu não sei. Eu nem sei o que está acontecendo, então não sei se posso te contar, sabe? Eu só...
- No momento certo?
- É. Você vai ficar sabendo. Não quero ser precipitada.
- Uhum. E... Bom... Não olha agora, mas o Jones está te encarando no corredor lá fora.
Uma onda de emoções percorreu o cenho de . Tudo bem, ela estava ficando com Danny – de certa forma, porque eles nunca estavam juntos quando alguém estava olhando – e eles andavam juntos como amigos. Mas sei lá... Por algum motivo aquilo era realmente estranho.
- Acho que ele quer falar com você. Ele está movimentando as mãos como um louco... Só que nunca se sabe. É o Jones! Ele pode estar apenas... Fazendo qualquer uma das idiotices que ele faz normalmente...
- O que... O que eu faço?
- ... Tão bonita, tão sem experiência... Eu nem acredito que você veio da Califórnia. Normalmente não são as britânicas que têm mais malícia... De qualquer forma, vai lá ver o que o panaca quer. Se não for nada, diga que ia até o banheiro.
- Tudo bem.
se levantou e já estava se virando para deixar a sala quando as mãos de Rose a agarraram de volta.
- É ele?
- Ele o quê, Rose?
- O menino que você está mexida...
- Erm...
ponderou por alguns segundos. Rose era uma menina legal, mas ela não era de confiar nas pessoas de cara. Com certeza ela tinha deixado as emoções fluírem mais do que desejava. Não, ela não iria deixar as coisas fluírem dessa forma. Ainda era cedo para mais alguém saber dos sentimentos que nem ela tinha certeza que estava sentindo.
- Não. Ele é só um amigo.
Sentiu as unhas de Rose soltarem seu braço e voltou a andar casualmente em direção a Danny.
- Oi?
- Ah! Oi...
- Você não deveria estar numa aula extra?
- Na verdade... É, eu deveria, mas vai ter ensaio, sabe? Aquele que eu te falei? Bom... Você quer ir assistir?
- Tudo bem, eu só vou pegar minhas coisas.
deu as costas para Danny entrando novamente na sala sobre os olhares curiosos de Rose. Principalmente quando começou a arrumar suas coisas que já estavam sob a mesa.
- Por favor, pega a matéria para mim?
- Claro... Mas eu posso saber aonde os amigos vão?
- Uhn... Talvez um dia.
- Talvez um dia então a sua matéria.
- Tudo bem... Mike está sempre disposto a fazer um favor a seus compatriotas.
Ela disse sorrindo vitoriosa e Rose rolou os olhos, irritada. Observou deixar a sala e um Danny sorridente e animado recebê-la lá fora, mas não foi isso que a fez morrer por dentro. Afinal, Danny sorria para quase todas. Foi quando as mãos de Danny hesitaram em envolver a cintura de que Rose quase caiu para trás na cadeira. A novata e o mais cobiçado. Talvez já estivesse começando a ameaçar ofuscar uma glória que normalmente era dela...

Do outro lado do campus, Edward e estavam se divertindo jogando beisebol na quadra enquanto a aula extra de nenhum dos dois começava.
- Isso é um...
- Eu não tenho idéia de como isso se pontua, não me pergunte.
respondeu enquanto fazia pose na base para rebater. Edward posicionou-se atrás da menina para pegar a bola e uma terceira pessoa lançou-a na direção dos dois. Ao invés de pegar com o taco na bola, fez o movimento contrário e o bastão – que escorregou de suas mãos – acabou batendo na cabeça de Edward que caiu no chão.
- Ai, meu Deus!
gritou enquanto corria até o menino e se jogava no chão ao seu lado. Edward gemia de dor com o supercílio cortado e de olhos fechados. Sentiu os dedos delicados de tocarem sua pele e resolveu usar um pouco de suas táticas teatrais também.
- Ai, Ed, desculpe... Não, não se mexa! Você! Vai lá pegar um gelo alguma coisa! Anda, menina! Edward, não se mexe!
dizia cada vez mais desesperada enquanto Edward contracenava cada vez mais no chão.
- Calma, Ed... Deixe-me ver isso.
Ela se aproximou mais do rosto do menino tocando-lhe levemente o supercilho cortado. Edward podia sentir a respiração de contra sua pele e parou de encenar tanto quando percebeu a aproximação da menina, trincou o maxilar aproveitando ao máximo a proximidade em que estavam. acariciava levemente o rosto de Edward, ajoelhada ao seu lado, aproximou-se mais ainda do rosto do menino tentando ver em meio a tanto sangue o tamanho do corte.
- Toma.
Disse a outra menina ofegante entregando a o saco de gelo nas mãos de . afastou-se de Edward para poder olhar para a menina e Edward resmungou descontente.
- Obrigada.
Disse ela tomando o gelo e colocando levemente sobre o corte de Edward, que a essa altura já tinha os olhos abertos.
- Vamos, Edward, a gente precisa te levar a enfermaria...
- Não, ... Vamos ficar aqui... Nem tá doendo mais tanto assim...
- Ed!
- , só um pouco vai? Você já viu o céu desse ângulo?
- Não...
- Então. Deita aqui do meu lado e a gente observa o céu enquanto eu me recupero.
- Você não participa de ‘Heroes’ para se regenerar.
- Por favor?
Edward fez uma cara de carente para que acabou cedendo e deitando-se ao lado do menino no campo. Ele passou a mão sobre os ombros da menina, trazendo-a para perto dele. Para ela, talvez aquele gesto não valesse o mesmo que para ele. Os dois ficaram assim durante um tempo.

abriu a porta do galpão ruidosamente, fazendo os meninos olharem para ver quem vinha de lá.
- Você não chamou a ?
Disse Harry já sentado atrás da bateria.
- Bom... Eu até ia... Mas ela estava com aquele Edward e... Bom, eu fiquei com... Sei lá, não quis atrapalhar os dois.
explicou-se se sentando ao lado de em baixo do palco. A expressão de Harry anuviou-se sem que ninguém conseguisse perceber. Os meninos se olharam e logo começaram a tocar sob aplausos e gritos de incentivo das meninas entre uma música e outra. Até que um Danny estranhamente nervoso começou a falar no microfone.
- Bom... Essa música é nova, eu a escrevi bem rápido e... Bom, não está ótima, mas... É só que... Não é comum alguém me fazer sentir dessa forma... Então eu queria de alguma forma colocar isso para forma e deu nisso. Essa música se chama ‘I wanna hold you’.
Danny disse para as meninas e logo depois os meninos se entre olharam começando os primeiros acordes.

Tell me that you want me baby
(Me diga que você me quer baby)
Tell me that it's true
(Me diga que é verdade)
Say the magic words and I'll change the world for you
(Diga as palavras mágicas e eu destruirei o mundo para você)
Not before the broken hearted
(Um exército de corações partidos)
Marching through the streets
(Marchando pelas ruas)
Every cities burning to the ground under your feet
(E toda a cidade esta queimando debaixo de seus pés)

I wanna hold you
(Eu quero te abraçar)
My skies are turning black
(Meu céu está ficando preto)
Feels like a heart attack
(Sinto como um ataque cardíaco)
(And I) Do anything you ask
(E eu faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad
(Eu quero muito te abraçar)

Eles começaram a tocar e ele claramente olhava para no meio na música, fazendo a menina corar e desviar o olhar daqueles olhos azuis hipnotizantes por alguns momentos.

Melt the polar ice caps baby
(Eu derreteria as calotas polares baby)
Watch them flood the earth
(Assistiria elas inundarem a Terra)
Id do anything to show you what your love is worth
(E eu faria qualquer coisa para mostrar que seu amor tem valor)
Won't you show me your devotion?
(então me mostre sua devoção)
Heal my aching heart
(Cure meu coração dolorido)
It's like a neutron bomb explosion tearing me apart
(é como uma explosão de bomba atômica acabando comigo)

I wanna hold you
(Eu quero te abraçar)
My skies are turning black
(Meu céu esta ficando preto)
Feels like a heart attack
(Sinto como um ataque cardíaco)
(And I) Do anything you ask
(E eu faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad
(Eu quero muito te abraçar)

puxou e as duas começaram a dançar e pular timidamente no decorrer da música. Danny fitava se balançando timidamente e se sentia mais orgulhoso do que nunca, ele tinha a feito dançar. Era uma música dele que ela estava dançando. Danny às vezes ficava orgulhoso por coisas bem babacas, mas tudo bem.

Attention please, we interrupt this program, with some disturbing news,
(Atenção por favor, interrompemos esse programa com alguma noticias perturbantes)
World wide evacuation, we're going to lose, we've pulverised the nation,
(Uma evacuação mundial, nós vamos perder eles vão pulverizar a nação)
I guess it shows that's just the love you do
(Eu acho que isso mostra o que o amor pode fazer)

I wanna hold you
(Eu quero te abraçar)
My skies are turning black
(Meu céu esta ficando preto)
Feels like a heart attack
(Sinto como um ataque cardíaco)
Do anything you ask
(E eu faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad, bad, bad
(Eu quero muito muito muito te abraçar)
Do anything you ask
(E eu faria qualquer coisa que você pedir)
I wanna hold you bad
(Eu quero muito te abraçar)

Eles finalizaram a música sob aplausos, gritos e pulos animados das meninas. Dougie e Danny fizeram uma reverência exagerada enquanto Tom e Harry sorriam tímidos para as meninas. Os meninos arrumaram os instrumentos e foram jantar. Enquanto saiam do galpão, e Danny ficaram para trás. A noite já tinha caído e a temperatura estava uns cinco graus mais baixos, estremeceu levemente assim que passou pela porta e isso não passou despercebido por Danny. Ele não sabia se poderia abraçá-la ou não, então permaneceu parado observando-a inseguro na porta.
- Danny, você pode me abraçar sempre que quiser.
Ela sussurrou ao ouvido dele percebendo a luta que havia dentro do menino e saiu andando para voltar ao colégio logo depois. Danny ficou durante um tempo parado refletindo o que a menina tinha lhe dito e, depois de alguns segundos, andou em passos largos até ela, passando seus braços sobre seus ombros, puxando-a para mais perto dele, fazendo-a ficar recostada sobre seu peito durante todo o percurso.


Capítulo 10
A apresentação dos meninos tinha finalmente chegado e estavam todos inacreditavelmente animados com aquilo. A viagem da escola até Londres no novo furgão personificado dos meninos tinha sido a mais divertida da vida de todos. Faltava apenas uma hora para a apresentação e estavam todos estacionados na frente da casa de Danny guardando os últimos instrumentos.
- Vamos?
disse assim que o bumbo da bateria foi colocado dentro do carro. Danny, Tom e Dougie iriam no furgão, as meninas iriam no carro de e Harry iria sozinho já que passaria na casa de Annie antes. Eles se despediram cada um seguindo em uma direção diferente. Harry dirigia com apenas uma das mãos no volante e com a outra discava o número da namorada.
- Caixa postal.
Disse ele jogando o celular no banco do carona. Uma música animadinha qualquer tocava no rádio enquanto Harry pensava no quanto estava nervoso sobre esta apresentação. Era a primeira vez que os meninos faziam aquilo profissionalmente, aquilo não era mais apenas uma brincadeira no teatro abandonado. Ele riu se lembrando do primeiro ensaio deles... As baquetas sempre acabavam tendo de voar na cabeça do Danny. Seus pensamentos inevitavelmente passaram para o final dos ensaios quando as mãos de sempre carregavam um saquinho de gelo para ele.
- Sempre a pequena...
Ele resmungou para si mesmo se lembrando que apesar de tudo era sempre que estava ao lado dele, independente de banda ou não. Estava viajando tanto nos pensamentos que acabou quase por perder a casa de Annie. Estacionou na frente da mansão cor gelo e observou as janelas do segundo andar percebendo que a luz do quarto de Annie estava acesa. Desceu do carro e foi até a imensa porta azul tocando a campainha.
- Posso ajudar?
- A Annie está?
- Sim, senhor. Eu vou chamá-la. Gostaria de entrar?
- Não, obrigado. Vou esperar ali no carro mesmo.
A mulher fechou a porta e Harry caminhou até o seu carro novamente. Encostou-se na lataria levemente observando o sereno fino que caía do céu. Não demorou muito para que Annie deixasse a casa, mas ela não estava da forma que ele esperava. Estava de pijama, os cabelos negros presos num rabo de cavalo bagunçado e parada encostada à porta logo atrás dela estava Jamie encarando-o com um sorriso cético e sedutor como sempre. A semelhança entre as duas era tanta que elas poderiam ser irmãs.
- Amor...
Ela disse encostando seu corpo ao de Harry e dando lhe um selinho nos lábios.
- Você não vai?
- Vou aonde, Harry?
- Na apresentação da minha banda, Annie...
- Ah, amor, me desculpe... Mas você não achou que eu fosse realmente perder meu tempo, não é? Quero dizer... É só você e seus amigos se divertindo.
- Erm... Como?
- Qual é, Harry?! Não é como se fosse algo importante para você... É só diversão... Eu não estou a fim.
Harry tirou os braços dela de seu pescoço e desencostou seus corpos encarando Annie, incrédulo. Tudo bem que ela nunca fosse a um ensaio deles, mas aquilo era a gota d’água para ele. Por que tudo que tinha relação a ele era menor e insignificante.
- Bebê...
Annie disse se aproximando novamente e ele saiu de sua direção.
- Harry! Olha só, é só uma coisa estúpida, meu amor! Você realmente queria que eu fosse?
- Eu queria que você ao menos se importasse! Ou fingisse isso, pelo menos.
- Com a sua banda?
- Não, Annie, com tudo! Me diga, qual a última vez que a gente conversou? A última vez que você realmente deu atenção a algo que eu faça? Você não pode ir para Grécia comigo porque acha que velejar é idiota. Você não pode sentar comigo no recreio porque suas amigas não gostam dos meus amigos. Você não pode passar o fim de semana comigo porque já marcou hora no spa... Você já parou para pensar no que a nossa relação se tornou, Annie? Ou você está ocupada demais para isso também? Eu quero alguém que seja bom se estar junto... Onde haja uma colaboração mutua para isso dar certo... Sexo? Bom, isso eu tenho com qualquer novinha do colégio... Eu não preciso estar preso a ninguém para isso. Você já não é a mesma pessoa. Não é a mesma Annie de antes... Não é a Annie pela qual eu me apaixonei. Aquela que pelo menos parecia se importar, nós podíamos conversar por horas... E agora olha isso! Nos encontramos algumas vezes pela semana, transamos e só. Desculpa, mas eu estou cansado disso. Quero alguém para mais que só isso. Se for para ser assim, então é melhor que eu esteja sozinho... Afinal, são mais garotas.
- Harry... Espera... Eu vou!
- Não, Annie... Agora é um pouquinho tarde demais. Fica com a sua amiga e me deixa ir para a minha banda idiota. Acabou.
Ele entrou no carro novamente e arrancou deixando Annie parada na calçada. Era isso, os dois anos juntos acabavam ali de uma forma horrível. O telefone de Harry tocava insistente no banco, mas ele simplesmente ignorava o barulho. Ele estava cansado disso tudo. Ele estava cansado dela não ligar. Tudo que ele fazia era estúpido, ou menos importante. O trânsito fluía bem e o ressentimento fazia com que ele dirigisse ainda mais rápido, então não demorou muito para que Harry chegasse aonde os amigos lhe esperavam. Todos repararam na cara do menino, mas ele expressava tamanho estresse que ninguém quis perguntar o que era. olhava para ele quase torturada por vê-lo daquela forma. Harry evitava olhá-la; ele sabia que era capaz dele desmoronar se visse o olhar da amiga ali.

- Boa noite, senhoras e senhores. Nós somos o McFly e esperamos diverti-los esta noite.
Tom disse iniciando o show. As meninas ficaram ao lado do palco todo tempo torcendo pelos meninos que fizeram uma apresentação maravilhosa, apesar de rápida. Todos estavam sentados numa das mesas do pub conversando ou simplesmente fazendo palhaçadas até que ficou tarde o bastante para ser admissível se ir embora.
- Harry... Eu vou com você, tudo bem?
disse assim que os meninos já tinham guardado seus instrumentos e estavam se dirigindo a seus carros para irem pra casa. Harry deu de ombros e caminhou girando a chave em seus dedos até o carro. entrou silenciosa e assim ficou até que o celular de Harry tocou em suas mãos.
- Desliga essa merda.
Ele disse ríspido quase cuspindo as palavras e ela pôde ver a quantidade de chamadas não atendidas vindas do celular de Annie.
- Harry...
- Acabou, .
Ele explicou simplesmente ainda sem parar para olhar a menina. O carro parou e ela pode ver que já estava na frente de sua casa, mas ela não se moveu. Ficou observando Harry no escuro até que a máscara de raiva foi se desfazendo pouco a pouco na expressão do menino. não disse nada, apenas aproximou-se de forma que Harry pudesse estar entre seus braços. O menino escondeu seu rosto entre o pescoço e ombro da menina. Apesar de tudo, ele amava Annie. acariciava a cabeça dele levemente enquanto sentia a respiração pesada dele em seu pescoço.
- Obrigado, pequena.
Ele disse após dar um beijo na menina e afastar-se de seus braços. sorriu levemente para o menino quando este sorriu para ela. Antes de deixar o carro suspirou pesadamente e ela já estava no meio de seu quintal quando ouviu os passos de Harry seguindo-a.
- Será que a senhora se importaria se eu ficasse aqui hoje?
Ela sorriu e ele abraçou-a entrando junto com ela em casa.

Não muito longe dali, deixava em casa. As meninas tinham até combinado de dormirem uma na casa da outra, mas não tinha conseguido contatar seus pais e preferiu ir mesmo para casa mesmo.
- Bom, então... Shopping amanhã?
- Isso. Se hoje foi o dia dos meninos, amanhã vai ser o nosso.
- Com certeza. Beijinhos, meninas. Tchau.
disse entrando em sua casa que estava estranhamente vazia e com todas as luzes acesas. Tirou seus saltos que já estavam a matando e subiu até seu quarto. Estava se aprontando para tomar um banho quando ouviu um barulho do quarto dos pais. Andou silenciosamente até lá e não pensou duas vezes antes de abrir a porta que estava apenas encostada e se deparar com a pior cena de toda sua vida.
- Que merda é essa?!
Ela falou com lágrimas nos olhos ao ver seu pai e uma das empregadas na cama. Na cama que deveria ser dele e da mãe dela somente. O homem rapidamente saiu da empregada se enrolando em seus lençóis e indo até a filha. saiu correndo até seu quarto e fechou a porta antes que seu pai pudesse alcançá-la.
- , abre essa porta!
- Sai daqui!
Os dois gritavam um com o outro com a porta separando-os. estava deitada no chão de seu quarto, abraçada com suas pernas tentando juntar as partes dela que estavam separadas pelo que ela acabara de ver. Por fim, foi até o seu banheiro – por algum motivo ela sempre se refugiou lá – e tomou seu banho enquanto se derramava em lágrimas. Desde quando aquilo acontecia? E como ele tinha coragem de fazer aquilo dentro de sua própria casa? Como ela pôde ser tão cega? A cena ficava rondando sua mente fazendo com que ela tivesse cada vez mais nojo. Quando ela finalmente saiu do seu banheiro e chegou ao quarto sua mãe estava sentada lhe esperando. Sua expressão vazia enquanto segurava um dos cachorrinhos da família.
- Eu quero falar com você...
- Mãe, o...
- Eu sei de tudo, .
encarou-a incrédula e a mulher apenas encarava o chão sem ser atingida por um pingo de emoção.
- Então por...
- , nós somos uma família de prestigio. Você imagina o que um divórcio poderia acarretar?
- Mas...
- , isso acontece em todas as famílias. Por favor, encare isso com maturidade. Não são problemas seus de qualquer forma. Mantenha o foco nos nossos objetivos, não seja burra como a filha dos Harrison que se afetou com isso. Cambridge não vai aceitar alunas problemáticas, principalmente se elas deixarem que os problemas se tornem más notas. E não se esqueça da festa beneficente da semana que vem.
não acreditava nas palavras da própria mãe. Ela não conseguia decidir de quem tinha mais nojo. A única coisa que ela podia sentir com certeza era toda a raiva que tomava seu corpo. A raiva por ter acreditado que o amor deles era de verdade. A raiva de pensar que algum dia eles foram uma família. A raiva de ter acreditado nos malditos contos que lhe eram contados. As lágrimas começaram a escorrer por seus olhos sem que ela percebesse. Sua mãe levantou-se tão fria quanto antes e deixou o local. Ela agarrou as coisas que lhe lembravam da mentira que sua família era e foi quebrando e jogando fora cada uma delas. E agora não sabia o que fazer, mas ela sabia que precisava sair dali. Imaginou que estava com Harry pela forma que o menino saiu do show, sabia que e estavam juntas e não queria atrapalhar as amigas. Ela não pensou duas vezes antes de ligar para o primeiro número da sua discagem rápida.
- Alô?
Tom disse dando pause no filme e ouviu uma chorosa do outro lado da linha.
- Tom...
- ? , o que aconteceu? Por que você está chorando assim, linda?
- Tom...
- , onde você está? Fizeram alguma coisa com você? , pelo amor de Deus, me fale alguma coisa!
- Tom, eu posso ir para aí?
- Claro, ! Sempre, minha linda... Agora me diz, o que aconteceu?
- Era mentira, Tom... Era tudo mentira...
- O que era mentira, ?
- Eu... Eu te conto assim que eu chegar aí.
Dito isso ela desligou o telefone, pegou o primeiro casaco que viu em seu closet e saiu rapidamente de casa. Ouviu o seu pai gritar o seu nome, mas não deu atenção. Chegou correndo na casa de Tom que não ficava muito longe da dela. Além de toda dor e de toda a raiva, o medo de estar sozinha nas ruas londrinas àquela hora da noite piorou a situação. Ela tocou a campainha e Tom rapidamente atendeu. Seus olhos castanhos transbordantes de preocupação fitaram os olhos transtornados de e ele rapidamente envolveu-a em seus braços.
- ... O que aconteceu, meu amor?
apenas chorava tristemente com a cabeça escondida entre o pescoço e peito de Tom. Tom fechou a porta com os pés e caminhou com a menina até a sala. Os dois ficaram ali abraçados até que estivesse despejado toda sua frustração em lágrimas.
- Eu te atrapalhei, não é?
disse quando viu o filme pausado na tela da tevê e o balde de pipoca em cima da mesinha de centro.
- , você nunca me atrapalha. Agora vamos lá na cozinha para você tomar alguma coisa e me dizer o porquê de você está dessa forma.
Os dois andaram ainda abraçados até a espaçosa cozinha da casa de Tom. O menino preparou um chocolate quente para e os dois estavam sentados a mesa de mármore que ficava no meio da cozinha quando começou a falar.
- Eu... Eu peguei meu pai e a empregada transando na cama dos meus pais hoje quando eu cheguei em casa.
A voz da menina vacilava e a surpresa foi nítida nos olhos de Tom. Os sempre pareciam uma família tão unida e... Bom, ele com certeza não esperava isso deles.
- Tudo que eu tinha acreditado, Tom... Acabou ali. Eu... Como eu pude ser tão burra? E... E as camisetas que eles me davam... Aquelas escritas ‘meus pais são casados para sempre.’ Tudo aquilo de verdadeiro amor que eles me fizeram acreditar... É mentira. Não são vinte anos de amor, como dizia no quadro que nós temos juntos... São vinte anos de mentiras.
- E a sua mãe, ela...
- Ela sabe de tudo. Ela aceita a tudo.
encarou o nada e uma expressão indecifrável tomou seu rosto e a repulsão nítida a sua voz. Ela levou a caneca de chocolate até seus lábios novamente, e Tom esperou-a continuar.
- E ela ainda veio me falar sobre Cambridge... Ela me disse que isso não é problema meu...
Um sorriso sombrio tomou o rosto da menina enquanto ela falava e no fim ela deu uma gargalhada sem humor.
- Acho que quando acabam com meus sonhos é problema meu sim.
Ela parecia longe enquanto falava. Os dois terminaram os seus chocolates e subiram até o quarto de Tom. agora usava uma calça de moletom e uma camiseta larga do menino. Os dois estavam deitados conversando com a televisão ligada esperando adormecer.
- Por mais que eu esteja com muita raiva da minha mãe, Tom, eu vou fazer isso por ela...
dizia enquanto Tom ajeitava uma mecha de cabelo dela que tinha escorregado de seu coque mal-feito.
- Sabe... Apesar de tudo, ela é só uma vitima disso também. Agora eu entendo porque ela se envolve tanto nesses eventos de caridade... E eu detesto cada um deles. De qualquer forma, é a única coisa que eu posso fazer por ela. Só o meu amor... Bom, eu não tenho muito mais que eu possa dar.
- Cambridge?
- Isso. Eu acho que eles querem todas as minhas aceitações nessas faculdades grandes para esfregar na cara dos outros, como o resto das nossas coisas. Mas de qualquer forma, eu imagino o quanto minha mãe deve sofrer. O quanto ela deve estar vazia. Eu tenho que fazer isso por ela. Eu acho que isso não deve ser fácil para ela... De certa forma, ela está pensando em mim também. Ela sabe que talvez uma separação pode acarretar muitas coisas ruins para mim...
bocejou e Tom acariciou levemente o rosto da menina.
- Dorme, ... Você passou por emoções muito grandes hoje...
Ele disse simplesmente e assistiu a menina fechar seus olhos lentamente. Fez menção de se levantar mais foi rapidamente puxado de volta por .
- Por favor, fica aqui... Eu não quero ficar sozinha hoje.
- Tudo bem...
- E, Tom... Obrigado por ter me salvado.
fechou os olhos dessa vez dormindo de verdade. Ela resmungava algumas palavras enquanto dormia sendo cuidadosamente observada por Tom. Os olhos da menina ainda estavam levemente inchados por tantas lágrimas e isso matava Tom por dentro. Antes de dormir ele pegou o caderno que estava na sua cabeceira. E como sempre, tornou-se mais uma vez a letra de sua melodia.


Capítulo 11
- Bom dia! Disse Tom quando viu chegar a cozinha esfregando os olhos.
- O quanto eu dormi?
- Acho que não muito...
Ela perguntou e ele olhou o relógio para ver que horas eram antes de responder. Enquanto isso, se sentava na mesma mesa que sentara ontem e observava Tom cozinhar sem camisa. Tom tinha um leve bronzeado – daqueles que você só pega quando vai sempre à praia de manhã – o que fez imaginar se o menino fazia bronzeamento artificial, já que não era temporada de sol e fazia já algum tempo desde as férias. Mas não foi exatamente a cor do menino ou sua tatuagem de estrela sobre seu peito semidefinido que chamou a atenção de , mas sim sua bunda grande e definida por baixo da calça de moletom semelhante a que ela usava. Mordeu os lábios levemente, mas logo se conteve porque o efeito do sono estava deixando-a e ela sabia exatamente sua realidade: um lar de mentira e Tom gostando de outra menina. Ela não conteve um suspiro alto. Ele olhou-a levemente preocupado enquanto levava dois pratos de ovos mexidos para a mesa e sentava-se em sua frente.
- Teve bons sonhos?
- Digamos que sim... Eu sonhei com a faculdade, mas eu não quero falar sobre isso.
- Tudo bem...
Só nesse momento notou que todos os momentos estiveram somente ela e Tom na casa e resolveu perguntar onde estava o senhor e a senhora Fletcher.
- Tom, os seus pais não estão em casa?
- Não... Se eu não me engano, eles estão numa convenção da empresa na Alemanha. Algo do tipo, eu não entendi muito bem...
- Ah sim... Então, o que você vai fazer hoje? Porque se você já tiver planos eu vou para casa numa boa...
- , por favor, pare de achar que está me atrapalhando. E... Lembra a música que eu te falei?
- Claro...
forçou um sorriso. A música que ele tinha feito para alguém... Para alguém que não era ela.
- Eu coloquei uma letra nela ontem e quero que você ouça.
- Tudo bem, quando nós chegarmos ao colégio...
- Nada disso. Vou tocar ela no piano aqui de casa. Porque se for esperar no colégio você vai arranjar outra aula de mitologia e fugir de mim.
corou levemente, envergonhada pela forma infantil que ela tinha agido com Tom naquela semana. Não era porque ela gostava dele que ele era obrigado a gostar dela, ela tinha de entender isso. E no mais, ele tinha ajudado-a mesmo ela tendo sido uma criança ridícula o tempo todo. Ela não merecia a Tom. Ele percebeu que ela ficou um pouco desconfortável com aquele assunto e tratou de mudá-lo logo.
- Vamos!
Ele falou puxando pela ponta dos dedos até a sala de estar da casa. A senhora Fletcher tinha, realmente, um belíssimo gosto. A sala era totalmente épica com uma lareira, tapetes, quadros, sofás tudo remetendo a uma típica sala da realeza Inglesa no século XV. E finalmente, em um dos cantos havia um imenso piano negro. Tom sentou-se no banquinho e o observou de longe, sentada em um dos sofás. Rapidamente o som inundou a sala, encantando a cada nota. Primeiramente foi tocado apenas ritmo, até que a voz doce de Tom também se incorporou a música.

She falls asleep and all she thinks about is you
(Ela adormece e tudo em que ela pensa é você)
She falls asleep and all she dreams about is you
(Ela adormece e tudo com que ela sonha é você)
When she's asleep the air she's breathing is for you
(Quando ela está dormindo, o ar que ela respira é para você)
Are why she wants to live
(Você é o motivo pelo qual ela quer viver)
She's not got that much more to give
(Ela não tem mais tanto assim para oferecer)

She sits alone, on her phone
(Ela se senta sozinha, ao telefone)
She's calling about her broken home
(E ela está ligando sobre seu lar partido)
And I don't know what I should say cause she's crying
(E eu não sei o que eu deveria falar, porque ela está chorando)
And feels as though she's thrown it all away
(E parece que apesar de ter jogado tudo fora,)
She won't last another day
(Ela não vai durar mais outro dia)

se reconhecia naquelas letras e pouco a pouco seus olhos foram se enchendo de lágrimas e sua respiração foi ficando alterada por tamanha dor que ela sentia dentro de si.

You're climbing the stairs, unaware that she's hurting
(Você está subindo as escadas, sem saber que ela está machucada)
Bad and lying very still on the floor by the door
(Gravemente e deitada imóvel no chão à porta)
But it's locked 'cause she was hoping
(Mas está trancada e ela estava esperando)
You would come back for more
(Que você fosse retornar para mais)
But it's too late to realize you've made mistakes
(Mas é tarde demais para perceber que você cometeu erros)

A cena ia sendo refeita dolorosamente em sua mente, mas algo não permitia que ela se sentisse tão mal assim. Apesar de tudo, agora ela estava ali a salvo. Nem que fosse temporariamente. Ela estaria a salvo se tivesse Tom ao seu lado, nem se fosse só como um amigo.

She falls asleep and all she thinks about is you
(Ela adormece e tudo em que ela pensa é você)
She falls asleep and all she dreams about is you
(Ela adormece e tudo com que ela sonha é você)
When she's asleep the air she's breathing is for you
(Quando ela está dormindo, o ar que ela respira é para você)
Are why she wants to live
(Você é o motivo pelo qual ela quer viver)
She's not got that much more to give
(Ela não tem mais tanto assim para oferecer)

Please save me
(Por favor, salve-me)
I've been waiting,
(Eu tenho esperado)
Been aching for too long
(Tenho sofrido há muito tempo)

She falls asleep and all she thinks about is you
(Ela adormece e tudo em que ela pensa é você)
She falls asleep and all she dreams about is you
(Ela adormece e tudo com que ela sonha é você)
When she's asleep the air she's breathing is for you
(Quando ela está dormindo, o ar que ela respira é para você)
Are why she wants to live
(Você é o motivo pelo qual ela quer viver)
She's not got that much more to give
(Ela não tem mais tanto assim para oferecer)

Please save me
(Por favor, salve-me)
I've been waiting,
(Eu tenho esperado)

Tom tocou as últimas notas e olhou para que se desfazia em lágrimas no sofá. Seus olhos repentinamente jorraram preocupação e ele se amaldiçoou eternamente por ter tocado aquilo logo agora. Ainda era cedo demais, com toda certeza aquilo ainda deveria doer ao ser falado.
- ...
- É tão linda, Tom... E... Você me usou como inspiração. Para você ver, tudo tem um lado bom.
Ela tentou soar divertida enquanto secava as lágrimas em seu rosto e assistia Tom sentar-se ao seu lado. Ela estava abraçada as próprias pernas, com o queixo apoiado aos joelhos observando Tom fixamente enquanto ele fazia o mesmo com ela. hesitou um pouco antes de falar, mas sabia que uma hora teria de contar a Tom sobre aquilo, então quebrou o silêncio novamente.
- Tom... O professor de literatura me entregou um livro seu...
- Você leu?
Tom falou assustado e desviou os olhos dos deles por um momento respondendo que sim.
- Então você já sabe...
- É, eu já sei que você gosta da ...
- O quê?
- Então é da ?
- ...
- Outra garota? Mas você não falou de nada nas férias... É alguém diferente do colégio?
Tom olhou para como se ela estivesse falando a coisa mais absurda do planeta. Ele puxou as mãos dela carinhosamente, fazendo-a soltar suas pernas e trazendo-a para mais perto dele. Ela olhava dentro dos olhos castanhos dele que pareciam queimar de tão brilhantes quando olhavam para ela.
- É tudo sobre você.
Ele disse simplesmente. Os dois se observavam profundamente. Como se estivessem se conhecendo novamente através apenas dos olhares. Eram duas faces um do outro que eles nunca conheceram. Um Tom superprotetor, carinhoso e romântico. E uma assustadoramente frágil. Foram se aproximando um do outro a cada momento mais, até estarem tão próximos um do outro que eram capazes de sentirem suas respirações suaves tocarem suas peles. Tom acariciou levemente o rosto de antes dos dois se entregarem num beijo cheio de doçura, carinho, cuidado e amor.

Enquanto isso Dougie, Danny, e estavam na casa dos fazendo qualquer coisa.
- Danny, não vale se você estiver roubando!
- Você só está assim porque está perdendo e não sabe meus macetes.
Danny dizia enquanto uma quase roxa de raiva o encarava. não era uma boa perdedora, daquele tipo de gente que sai dizendo ‘o importante é participar’. Coitado do Danny que não sabia disso ainda e continuou roubando.
- Daniel Jones, se você continuar roubando, eu vou dar com esse controle na sua cabeça!
gritou com o menino que a observava dessa vez realmente assustado. Ela deu pause no jogo e encarou o outro lado da sala emburrada. Já que se ficasse olhando pro sorriso de vitória dele não ia segurar a vontade de dar na cara dele.
- ...
Danny disse depois de um tempo olhando-a. Ela simplesmente não respondeu.
- ...
Ele insistiu dessa vez arrastando-se para mais perto dela, que continuou olhando para o outro lado com raiva. Danny foi lentamente envolvendo-a em seus braços e dando alguns beijos do seu rosto desfazendo lentamente a cara de emburrada da menina.

Dougie e estavam chegando à sala nesse exato momento e, logo, trataram de voltar à cozinha, dando alguma privacidade ao casal.
- Danny e ? Juntos! Como que ela não me conta essas coisas?
falava mais com ela mesma do que com Dougie enquanto colocava a pipoca em cima do balcão da cozinha. Alguns minutos de silêncio encheram o local, enquanto eles apenas comiam algumas poucas pipocas.
- Bom, então o que nós vamos fazer enquanto o novo casal ternura se pega na sala?
- Eu... Sinceramente não sei.
Os dois ficaram perdidos no silêncio durante um tempo.
- Vamos sair?
Dougie perguntou depois de um tempo e acenou que sim com a cabeça pegando seu casaco e seguindo o menino para fora. tentava se equilibrar no meio fio enquanto Dougie andava ao seu lado na calçada pelas ruas atualmente frias de Londres.
- Um parquinho!
Ela disse alegremente antes de sair praticamente correndo até o lugar. Ele a observou enquanto se aproximava. Ela balançava animada, sorrindo como uma criança, seus cabelos esvoaçantes, seus olhos doces olhando para ele como se estivessem convidando-o para estar ao lado dela. E pela primeira vez Dougie sentiu algo estranho no seu coração. Algo que ele não conseguia descrever, algo gelado e quente, algo barulhento e silencioso, algo simples e complexo. E apesar de um pouco assustado com aquilo, e um pouco assustado de reparar que tudo aquilo estava ligado com a menina que estava em sua frente, ele se sentia bem. E ele queria continuar se sentindo daquela forma.


Capítulo 12
Já era segunda e Saint Paul estava um total caos. Todos indo de um lado para o outro como loucos carregados de mais e mais cadernos e livros, inclusive a biblioteca nunca havia sido tão visitada quanto naquela semana. A realidade era simplesmente esta: a semana de prova chegou e não havia ninguém realmente preparado para ela. Ninguém tirando os nerds, é claro.
- Eu simplesmente não entendo nada disso aqui! Eu vou ficar louca! Tudo culpa do maldito professor de física!
dizia irritada enquanto folheava o livro com raiva tentando achar a explicação do maldito cálculo que estava no caderno.
- Você ainda vai precisar disso para estudar...
Danny comentou enquanto se sentava ao lado dela colocando dois cafés em cima da mesa.
- Danny, eu vou me ferrar amanhã.
Ela murmurou enquanto recostava a cabeça nos ombros do mesmo. Ele abraçou-a e deu um pequeno beijo em sua cabeça antes de puxar o caderno para ver qual era a matéria. Danny franzia o cenho constantemente e realmente achou que ele estivesse achando a solução para aquilo durante um tempo.
- Definitivamente, não sei.
Disse ele por fim, passando novamente o caderno para ela que murmurou alguma coisa frustrada. Um tempo depois, eles puderam ver Tom e se aproximarem da mesa. Finalmente, a salvação.
- Oi, gente.
disse enquanto parava em frente às cadeiras que ainda estavam vazias da mesa. pode reparar que ela e Tom estavam com as mãos dadas e dedos entrelaçados, mas resolveu não comentar nada ainda, ela precisava primeiramente de ajuda com a matéria.
- Deus atendeu minhas preces! Thomas, meu caro amigo...
Danny disse animado levantando-se repentinamente e indo abraçar Tom, que o encarou assustado logo depois entendendo o que estava acontecendo.
- Não está entendendo a matéria. Não é, Jones?
Danny acenou que sim com a cabeça e Tom sentou-se na mesa sendo acompanhado por . Ele também precisava estudar para prova de qualquer forma.
- Tudo bem, ... Eu não queria tomar meu café mesmo.
comentou irônica ao ver que a amiga tinha tomado posse do seu café sem a menor cerimônia. sorriu levemente para a amiga com aquela cara de criança que fez merda e sabe disso, o que fez rir também. Mas logo depois todos eles começaram a estudar no sério. fitava Tom durante todo tempo, o que às vezes a fazia perder a concentração, mas ela já sabia daquilo tudo de qualquer forma. Ela observava o quanto ele ficava lindo concentrado naquilo que estava fazendo, o quanto seus olhos pareciam ainda mais profundos e bonitos, até mesmo quando ele franzia o cenho, ele era sempre lindo. E agora, ele seria sempre dela.

Enquanto isso do outro lado do colégio, mais precisamente no novo teatro, Dougie se escondia atrás da ultima fileira de cadeiras.
- Dougie Poynter, você tem idéia do quanto você é babaca? Olha o que você está fazendo... Faça-me o favor, olhe aonde você chegou... E você tem prova amanhã...
Ele conversava com ele mesmo enquanto tentava se esconder e observar o palco ao mesmo tempo. A verdade é que ele estava ali por . Ele nunca tinha a visto dançar e ele tinha sonhado com isso. Tinha sonhado com , a noite inteira. Com seus profundos e convidativos olhos, com seus cabelos caindo sobre os ombros quando escorregavam do coque mal-feito que ela fazia, quando estava escrevendo coisas ou fazendo dever de casa, com seus lábios rosados depois de beber seu chocolate quente assim que acordava ou antes de dormir, com a risada doce parecida com de criança, com seu perfume extremamente doce... Ele sonhou com cada pequena coisa que ela fazia: como ela mordia a caneta quanto estava concentrada na aula de música, como ela sorria quando finalmente era a hora do lanche, como ela mordia levemente os lábios quando tinha alguma dúvida, como ela sempre dava um pequeno sorriso de lado quando finalmente encontrava a resposta. Ele sonhou com todas as pequenas coisas que o fizeram gostar dela, daquela menina que ele praguejou tanto antes de ir socorrer no primeiro dia. A assistiu entrar no palco em ponta, seus movimentos delicados acompanhando a batida suave da música. Estava linda, como ele imaginou que estaria. Sempre com seus toques pessoais, ela não usava gel no coque, ela usava uma camiseta larga e uma calça de ginástica ao invés de saia e colant e suas sapatilhas eram de um cetim vermelho como sangue. Ele estava definitivamente apaixonado e encantado por aquela menina. Mas repentinamente um bailarino entrou no palco, ele dançava com , apoiava as mãos na cintura da mesma e enquanto esta dava rodopios, segurava-a com uma das mãos em sua coxa enquanto a suspendia no ar. E de repente, para Dougie, a dança não estava mais tão bonita assim.

e Harry já tinham estudado previamente para as provas enquanto estavam na casa da menina, então ao contrário de todos, os dois estavam sentados tranqüilos comendo qualquer coisa no refeitório.
- Cara, meu aniversário está chegando...
Comentou enquanto dava mais uma garfada em sua comida. Harry arregalou levemente os olhos ao perceber que realmente o aniversário da amiga estava mesmo chegando.
- Caramba, , é mesmo! O que você vai fazer?
- Não faço a mínima idéia... A minha mãe andou me dando umas idéias e tudo mais, só que eu não faço a mínima idéia do que eu posso fazer.
- Você tem que fazer alguma coisa, .
- Eu sei... Só não sei o quê.
- O que sua mãe falou?
- Para fechar aquela nova boate de Londres por uma noite só para os meus amigos... Ela contrataria o buffet do meu restaurante preferido...
- Eu acho uma ótima! É por isso que eu amo a sua mãe, ela tem ótimas idéias! Mas ela iria?
- Lógico que não, Harry... Eu iria almoçar com ela e o meu pai no outro dia.
- Eu nem acredito que é mais um aniversário que a gente passa junto, ... Parece que foi ontem que eu te dava barbies de presente.
- Você nunca me deu barbies de presente...
- Não estraga o momento, poxa!
Os dois se entreolharam e logo depois começaram a rir, saindo do refeitório logo a seguir.


Capítulo 13
As provas estavam realmente levando todos a loucura. estava pegando alguns de seus livros no armário quando Rose foi falar com ela.
- Eu odeio esse gordo desse professor, é sério, ! Vou encomendar a morte desse cara...
Ela dizia irritada enquanto apoiava-se nos outros armários esperando a amiga.
- Isso é contra a lei... Mas se precisar de ajuda, me chame.
disse rindo levemente. Não tinha ido perfeitamente bem na prova, mas com certeza tiraria uma boa nota. As duas foram andando pelo corredor enquanto continuavam a falar sobre o professor e as táticas assassinas que nele poderiam ser usadas. Chegaram à biblioteca, que estava tão movimentada quanto nos outros dias.
- Isso é porque são as primeiras... Imagine quando forem as finais!
- Eu não quero nem ver... Isso aqui vai estar um caos com certeza.
- , que prova é agora mesmo?
- No próximo horário?
- É.
- É a prova do Wagner.
- Wagner, é professor de quê?
- Literatura, Rose. Eu não acredito que você ainda não sabe nem o nome do professor.
- Me desculpe se a minha memória não é boa o bastante, tá legal.
rolou os olhos e Rose sentou-se na mesa ao lado da amiga. Alguns minutos depois Chuck chegou e sentou-se também.
- Chuck voltou a nos dar a doce honra de sua presença.
Rose ironizou fazendo que levantasse os olhos do livro para encarar o menino.
- Fazer o que se o Wagner vai dar prova e a única pessoa realmente boa em literatura que eu conheço é a . Falando nisso, , você poderia me responder algumas coisas sobre o sentimentalismo do romantismo?
Chuck disse inclinando-se para falar com ignorando totalmente a presença de Rose que se levantou bufando e foi batendo os pés até fora da biblioteca. Assim que a menina passou pela porta, Chuck voltou a sua posição normal na cadeira.
- Você vai me dizer o que está acontecendo?
- A mesma coisa de sempre...
- E o que seria?
- É a Rose, ... Ela está sempre nessas criancices... Eu cansei de ser o brinquedinho dela... E o pior disso tudo, é saber que eu realmente amo aquela garota. Que eu fico sonhando igual um pateta com aqueles olhos azuis brilhantes dela. É, eu fico sonhando com ela enquanto ela tá transando com outro pela manhã...
Chuck dizia irritado e olhava para ele sem saber exatamente o que dizer. Era visível a agonia do menino naquela situação. Seus maxilares estavam apertados enquanto ele olhava para o outro lado do local. Algum tempo se passou antes de alguém pronunciar alguma coisa.
- Bom... Sua dúvida era só pretexto ou você realmente quer saber sobre o romantismo?
Chuck deu um pequeno sorriso simbolizando que ele realmente precisava saber o que era aquilo e eles começaram a estudar.

Enquanto isso, Dougie e estavam sentados num banco do outro lado do campus com cadernos e mais cadernos abertos entre eles.
- Eu estou falando, ... Eu realmente me ferrei na prova de filosofia.
- Dougie, não adianta você ficar se massacrando agora... E eu duvido que você tenha se dado tão mal...
dizia enquanto analisava umas folhas de caderno. O vento soprava forte no local e Dougie observava o cabelo da menina esvoaçar no ar, até que repentinamente fechou um dos olhos e começou a balançar as mãos.
- Que foi, ?
- Caiu alguma coisa dentro do meu olho...
- Calma, espera. Deixa eu ver.
ia se acalmando enquanto Dougie se aproximava cada vez mais. Ele levantou-se sensivelmente, tocando delicadamente a face da menina, analisando se realmente não havia alguma coisa dentro do olho dela. Soprava suavemente tentando expulsar aquilo dali.
- Pronto...
Ele voltando a se sentar, mas sem afastar-se tanto da menina. Ambos sentiam a respiração do outro tocar suas peles, ambos estavam perdidos dentro da troca de olhares que haviam, ambos sabiam o que iria acontecer se houvesse mais um centímetro de aproximação.
- Senhorita e Senhor Poynter, eu sinto muito em interromper o momento romântico, mas a aula já vai começar.
A inspetora falava observando os dois de longe. Dougie recuou, seus lábios formavam apenas uma linha de desgosto. olhava para baixo fechando os cadernos e mordendo levemente o lábio inferior. Dougie nunca tinha odiado tanto a senhora Malkin.

Edward e já estavam sentados juntos em sua mesa sozinhos na sala, enquanto a maioria da turma aproveitava o pequeno intervalo que havia entre as provas. Os dois conversavam animadamente sobre a nova temporada de uma série que ambos gostavam.
- , eu tenho algo para você...
Edward mexia na mochila procurando alguma coisa enquanto apenas olhava para ele esperando o que o menino tinha para mostrar. Repentinamente ele tirou de dentro da mochila uma caixa de chocolate mesclados em formato de coração.
- Comprei pra você esse fim de semana na Suíça.
Ele explicou simplesmente entregando o pacote na mão da menina que estava maravilhada. Como que ele tinha acertado seu chocolate preferido? Ela envolveu-o em um abraço finalizando com um beijo da bochecha em agradecimento, o que fez o menino ficar levemente corado.
- Obrigada, Ed! Você não precisava se preocupar...
- Imagina... Eu estava passeando com meus avós e passei por uma lojinha bem convidativa... Olhei esse coração e achei que você ia gostar.
Edward mentiu. Na verdade, o menino tinha passado o fim de semana inteiro pensando no que poderia levar para . A menina estava andando muito com Harry, o que dava muita raiva nele porque ele sabia o quanto aquilo a faria sofrer. E o quanto isso o fazia sofrer. Ele precisava chamar atenção dela de alguma forma. Ele perdeu todos seus momentos de sono até lembrar-se da paixão da menina por chocolate, mas para ele estava tudo bem. O sorriso dela já era recompensa bastante.
- Nossa, que chocolate delicioso! Adoro a Suíça! Adoro! Me deu até vontade de esquiar...
dizia enquanto mordiscava um dos bombons e observava Edward dar um de seus sorrisos tortos perfeitos para ela. Os olhos do menino pareciam mais brilhantes do que nunca e o contraste entre eles e a pele branca impecável do menino chamou atenção de . Depois do primeiro dia ela nunca tinha reparado tanto mais na beleza do menino, mas agora aquilo lhe chamou a atenção mais do que nunca. Seu cabelo estava um pouco diferentes, ainda mais casualmente bagunçado, seus olhos reluziam quase como crisocola e sua pele aparentava a mesma maciez que sempre aparentou. Um desejo louco de acariciar o rosto de Edward a invadiu, mas ela resolveu se conter, principalmente porque naquele mesmo momento o professor entrou na sala.

estava deixando a biblioteca e indo em direção ao refeitório quando Danny interviu seu caminho.
- Bom dia.
Ele disse carinhoso logo depois dando um beijo na bochecha da menina.
- Bom dia.
- Você se importa de ir até um lugar comigo?
- Que lugar?
- Um lugar, ué...
Danny disse meio sem graça e deu ombros seguindo o menino para um lugar qualquer do colégio. Eles estavam conversando qualquer besteira enquanto andavam, quando finalmente avistou uma pequena cesta e uma toalha de piquenique no meio do bosque.
- Danny, o que é isso?
perguntou boquiaberta. A cesta parecia extremamente farta, com algumas uvas caindo da tampa meio aberta e a toalha sobre o chão aparentemente úmido do bosque abaixo de uma grande árvore, que só tornava tudo mais fofo.
- Eu não posso preparar um café para eu e minha... Eu e... Eu não posso preparar um café para eu e você?
Danny se embolava levemente nas palavras, sem saber que termo usar para a relação de com ele. Ele queria que fosse algo mais do que estava sendo, algo que mostrasse que ela era dele, mas ao mesmo tempo era consumido pelo medo de um compromisso. Pelo medo do que seus amigos iriam pensar se ele começasse a namorar de repente, ele era o pegador da turma, ele não queria parecer um idiota. Mas apesar de tudo, ele não queria pensar nisso, não agora. Não quando ele estava com em meio aos seus braços.
- Lógico que pode, é só que eu não esperava...
Ela explicou enquanto os dois finalmente se sentavam. Danny espalhava as diversas comidas sobre a toalha enquanto apenas o observava encostada ao caule da árvore que estava atrás deles.
- Mate gelado para você, e suco de melão para mim.
Danny disse entregando uma latinha de mate nas mãos da menina e indo para o lado dela, que estava entre o peito e o braço do menino. olhava para tudo aquilo encantada com Danny. Ele tinha sido tão fofo de ter feito isso por ela, e mais ainda por ter levado tudo aquilo que ela gostava: brioches, nutella, sanduíches de atum, mate gelado e uvas. Era engraçado pensar no quanto Danny prestava atenção no que ela comia para poder juntar tudo aquilo ali. Os dois conversaram, riram e brincaram um com o outro durante algum tempo até que a comida acabou e os dois perceberam que era melhor voltar logo para o campus. estava catando as embalagens e os guardanapos que estavam espalhados enquanto Danny os colocava dentro da cesta.
- Danny, obrigado... Foi realmente muito fofo da sua parte fazer isso aqui para mim, com tudo que eu gosto e tudo mais...
disse levemente corada enquanto entregava o último pote para Danny. O menino colocou uma pequena mecha de cabelo de atrás da orelha da mesma, olhando todo o tempo fixa e intensamente os olhos da menina.
- , por você eu faria tudo e algo mais.
Danny disse por fim, sua voz rouca como sempre soou melhor do que música aos ouvidos de que sentiu perder todas as forças que suas pernas tinham naquele momento. Principalmente quando percebeu Danny se aproximar mais e mais da menina, logo depois tocando seus lábios com os dele e depois intensificando o beijo. Os lábios de Danny eram quentes, macios, sua língua massageava a de com os movimentos certos, na velocidade certa. Não era o primeiro beijo deles, não soava como o último, mas com certeza aquele beijo tinha um sabor especial.


Capítulo 14
Já tinha anoitecido em Saint Paul, e a maioria das pessoas já estavam em seus quartos quando as meninas finalmente resolveram subir. Elas comentavam qualquer coisa sobre a prova do dia seguinte enquanto entravam. foi direto para o banheiro, estava morta e realmente precisava tomar um banho, mas voltou assim que ouviu gritinhos empolgados das meninas no quarto.
- Que foi?
- Olha o que o Judd deu para a !
dizia empolgada apontando para um enorme ursinho de pelúcia que estava sobre a cama da menina junto com alguns bombons.
- Olha! Olha, tem um cartão!
disse animada quando achou um cartão preso a orelha do bichano. Em questão de segundos todas já estavam sentadas ao redor da cama de esperando que a menina lê-se o que estava escrito lá.
- Um pré-presente de aniversário. Nunca confie em meninos que te dão bombons. Harry.
- Nunca confie em meninos que te dão bombons?
- É, o Edward me deu bombons hoje de manhã. Mas nem foi por aniversário nem nada.
- Sinto uma briga pela donzela no ar...
- , pára de falar besteira...
- Mas é a verdade!
- Concordo.
- O Harry não gosta de mim... Ele acabou de terminar com a Annie...
- E desde lá, ou até desde antes disso, só tem andado com você.
disse fazendo com que parasse para pensar. Realmente, aquilo era verdade. Mas será que Harry realmente gostava dela? Bom, ele não mandaria um ursinho de pelúcia daquele tamanho só como um pré-presente não é mesmo? E o que significa um pré-presente? Ninguém dava pré-presentes. - apesar de toda sua cautela em não alimentar seu amor platônico – sabia que aquilo poderia significar muito mais que uma simples amizade. Sem dizer a história dos bombons... Ele tinha ficado mesmo com ciúmes do Edward?
- Ai que bonitinho! Finalmente e Harry juntinhos.
comemorava.
- Pelo visto não foi só a e o Harry que estão ficando juntinhos agora, não é, dona ...?
- É mesmo... Que história é essa de não contar para gente, sobre o seu rolo já oficial com o Fletcher?
- Eu... Eu ia contar, mas vieram as provas e tudo mais...
- Sei... Sei...
- E você, ! Não pode falar nada. Por que não contou nada sobre o Jones também? E falando nisso, o que vocês dois fizeram no horário de almoço?
- Eu não contei porque eu não sabia se podia... A gente só tá ficando, sabe? Só que hoje foi tão fofo... Tão lindinho... Ele arrumou as coisas para gente tomar café lá no bosque, ao invés de no refeitório... Com as coisas que eu mais gosto de comer e tudo...
- Caramba! O Tom não fez isso para mim.
- Se liga, , o Tom te levou naquela ilha francesa... Não reclama.
- Mas foi antes...
- ? E você?
- Eu o quê?
- Você e o Poynter... Não rolou nada?
- Por que rolaria alguma coisa?
- Você realmente está tentando mentir para mim, ? Fala sério, você está caidinha pelo Poynter.
- E ele por você.
- Conta logo, o que aconteceu.
- Não aconteceu nada, ué... Quer dizer, a gente quase se beijou um dia, mas a senhora Malkin... Na verdade, eu não sei se ele ia mesmo me...
- Vocês o quê? – As três gritaram.
- Ué, gente, vocês não se beijam, não é?
- Cala a boca, ! Quero dizer, para de enrolar e conta melhor essa história.
As meninas passaram bastante tempo daquela noite falando sobre as coisas que aconteciam entre elas e os meninos até que acabaram pegando num sono.
No outro dia, a escola continuava na mesma loucura. e Tom estavam conferindo juntos as respostas do teste de física quando em algum lugar alguma música da Madonna começou a tocar e, como logo depois, se movimentou procurando por seu celular, Tom imagino que aquele fosse seu toque. O menino ficou observando no celular por algum tempo. As expressões facilmente lidas da menina; o quanto ela falava gesticulando mesmo que por telefone e a pequena mordida no lábio que ela dava enquanto apertava a tecla para desligar.
- , minha linda, você tem que ouvir coisas melhores...
- Madonna é mito, Thomas!
Tom olhou para com uma cara engraçada e a menina deu ombros, divertida. voltou os olhos aos livros, mas Tom apenas continuou fitando a menina. Seus traços delicados, seus olhos amendoados, seus lábios finos e carnudos.
- ...
- Eu também não entendi essa última parte...
Ela disse automaticamente sem olhar para os livros, apontando para o parágrafo que ela não tinha entendido. Thomas tocou levemente a mão da menina, retirando-a delicadamente de cima das páginas do livro e fechando-o. olhou para ele com dúvidas.
- A gente ainda precisa estudar, Tom...
- Ah, esquece um pouco disso...
Logo as mãos de Thomas começaram a acariciar o rosto da menina, trazendo-a mais para perto até que suas respirações estavam quentes, uma na pele do outro e por um momento os dois permaneceram assim, de olhos fechados, sentindo apenas a presença do outro ali. Até que Tom finalmente findou o espaço que existia entre suas bocas, sentindo seus lábios finos desenharem-se sobre os de . Eles seguiam no mesmo ritmo doce, entregues por completo um ao outro de uma forma apaixonada, respeitosa e afável. Eles findaram o beijo com vários selinhos, mas assim que olharam novamente para o livro, que se encontrava a sua frente, começou a parecer perda de tempo estudar naquela hora.
- É... Acho que ninguém morre se a gente estudar depois.
Tom comentou, imediatamente puxando para outro beijo. A menina sorria sobre os lábios dele, querendo que aquilo não acabasse nunca.

andava tranqüilamente pelo campus levando seu material até o quarto depois das aulas, quando repentinamente sentiu uma mão sobre sua boca e uma força maior puxando-a para trás. Legal, ela estava sendo seqüestrada. Ficou tentando se lembrar das táticas de defesa, que foi ensinada na aula de educação física, mas tudo que ela conseguia se lembrar era do novo esmalte chanel que ela tinha comprado na época.
- Você não é muito difícil de ser seqüestrada, temos que trabalhar isso, mocinha.
Ela ouviu Harry dizer quando eles já estavam no estacionamento. Virou-se para ver o menino com uma certa fúria surgindo em seus olhos.
- Harry! Harry! O que você estava pensando? Meu Deus, eu poderia ter... Sufocado! Como naquele filme...
- Eu não te coloquei no porta malas do carro.
- E espero que não tente! Não fiz todos os meus golpes de ioga porque... Porque tive pena.
- Golpes de ioga? Oh, eu realmente estou morrendo de medo...
Os dois ficaram em silêncio ali, sem nenhum dos dois fez menção de sair. Era um silêncio quase confortável.
- Não vai me perguntar por que eu te seqüestrei?
- Na verdade, eu já tinha esquecido... Quer dizer, eu... Ah, esquece! Então, Harry, por que você me seqüestrou?
- Lembra que uma vez você ficou me falando sobre um restaurante árabe que você gostava que iria reinaugurar esta semana?
- Lembro... Eu te falei que estava difícil conseguir umas reservas, que eu iria tentar no dia do meu aniversário...
- Uhum... Bom, que tal um jantar diferente do da cantina hoje?
Harry mostrou para o comprovante de reserva no restaurante. Uma reserva para dois exatamente naquele dia. Foi inútil tentar conter o sorriso que ela tinha no rosto. Ele realmente tinha feito aquilo? Aquele restaurante era o novo moderninho de Londres... Deveria ter sido extremamente caro, além de difícil, conseguir uma reserva. E ele nem gostava tanto de comida árabe assim.
- Vamos?
Ele disse dando a volta no carro indo à direção ao banco do motorista assistindo – ainda levemente afetada – caminhar até o banco do carona. Os dois foram brincando dentro do carro e só quando eles já estavam longe da escola e quase na cidade se lembrou que ainda estava de uniforme.
- Harry!
- Oi, ? Que foi? Você tá sentindo alguma coisa? Esqueceu alguma coisa?
- Esqueci! Esqueci de trocar de roupa! Eu ainda estou de uniforme...
- , você vive saindo da escola com esse uniforme...
- Não para jantar...
- Tudo bem, a gente passa na sua casa para você se trocar.
- Obrigada, Harryzinho!
ajoelhou-se no banco e deu um beijo no rosto de Harry, que fingiu espantar a menina logo depois.
- Não posso ser distraído enquanto dirijo.
- Tudo bem... Eu entendi o recado.
Ela disse falsamente aborrecida, sem saber que na verdade ela estava distraindo-o sim naquela posição. Principalmente pelos primeiros botões abertos na blusa colegial.
Não demorou muito até que eles estivessem na casa de . Harry ficou sentado na moderna sala de estar, enquanto se trocava no segundo andar.
- Olá, Harry.
A mãe de disse ao entrar no local, tirando o menino de um aparente transe. Ele ajeitou-se na poltrona roxa confortável que estava sentado antes de responder, assistindo à senhora caminhar até uma das poltronas que ficava em frente a essa.
- Oi, senhora . Tudo bem?
- Tudo ótimo, querido. Você e a não deveriam estar no colégio?
- Na verdade, sim, mas as provas estão acabando e um restaurante que a estava falando muito vai inaugurar... Então eu a chamei para jantar lá, mas não se preocupe quando a gente saiu de Surrey já não estava tendo aula nenhuma.
- Não tem problema faltar aulas... Às vezes faz bem... Só não espero que vire um costume.
- A senhora pode ter a certeza que não.
- Então... Tudo bem com a sua mãe? Não tenho tido muito tempo para visitar as amigas...
- Ela está bem sim, obrigado.
Nesse mesmo momento os dois se viraram para a escada ouvindo som de passos. descia a escada, com os cabelos ainda meio úmidos, usava uma bata braça simples, uma calça jeans skinny, sapatilhas cor de rosa, uma bolsa de couro de um tom um pouco mais escuro que as sapatilhas e alguns acessórios dourados. Harry achou-a extremamente bonita e lá dentro ele sabia que estava babando por ela. Mas ao mesmo tempo ele era consumido pela culpa de estar pensando em sua melhor amiga daquela forma, afinal de contas eles se conheciam há muito tempo, cresceram juntos, não era uma coisa muito legal de se fazer. A única coisa que o redimia com si mesmo era o fato de que acima de tudo ele era homem, e só um homem muito burro não olharia - e desejaria - por uma garota como aquela.
- Vamos?
disse levemente acanhada pelo olhar fixo de Harry em sua direção. Ele se levantou rapidamente e passou a mão pelo cabelo um pouco atrapalhado, ficando sem graça por ter sido pego encarando a menina daquela forma por tanto tempo.
- Vamos sim... Tchau, senhora .
- Tchau, mãe.
- Tchau, queridos, divirtam-se e não voltem tarde para a escola.
O caminho até o restaurante foi um tanto quanto difícil para Harry. Ele tentava ao máximo não pensar no quanto estava linda, para que não acabasse pensando coisas que não queria em relação a ela. Fala sério, ela era a única que sabia das lanternas para dormir dele! Não, com certeza não era certo pensar nela daquela forma. A forma de agir um pouco hesitante de Harry começou a deixar um pouco nervosa também, e qualquer um que olhasse acharia que os dois estavam naquela fase do primeiro encontro. O restaurante era com certeza de beleza singular. A iluminação era pouca, vindo apenas de lugares estratégicos ou das mesas – onde haviam belos lustres suspensos – que eram separadas por cortinas de seda finíssima, de modo que se pudesse ter alguma privacidade, mas ainda uma boa visualização. Eles foram recebidos e rapidamente levados a uma das mesas que ficava no fundo do local.
- Nossa, eles capricharam da nova decoração.
- Essas cortinas são o máximo. É como se falassem ‘são tão chique que uso uma cortina para você não me ver comer, mas sou legal e te deixo assistir um pouco’.
riu da observação de Harry e se sentou, sendo acompanhada por ele que se sentou bem a sua frente. Os dois comentavam as mudanças no restaurante enquanto esperavam ser atendidos, o que não demorou muito.
- Você realmente quer pedir isso?
perguntou desconfiada enquanto olhava Harry fazer os pedidos. Sempre soube que o menino não era o maior fã de comida árabe, ainda mais quando levavam berinjela, o que acabava acontecendo quase sempre.
- Por que não?
- Porque tem berinjela.
Harry fez uma cara feia e olhou para , o que fez com que o garçom – um homem moreno, e olhos extremamente pretos – olhasse para ela também. Só que Harry não gostou nem um pouquinho da maneira que ele olhava para ela. Ela era a garota dele! De alguma forma pelo menos...
- Hout magli e arroz com lentilha, por favor.
Ela disse para o homem, logo depois lhe entregando o cardápio, largando as mãos delicadamente sobre a mesa. Harry rapidamente colocou as mãos dele sobre as dela, que ficou sem entender muita coisa, mas gostava do calor das mãos de Harry sobre as suas. O garçom foi com os olhos de Harry para algumas vezes com uma dúvida clara nos olhos.
- E para beber? A sugestão da casa é um vinho...
- Chá gelado.
- Coca cola.
O garçom torceu o nariz para as escolhas de bebida, principalmente para a de Harry. encarou Harry por alguns segundos, mas ele ainda olhava o garçom indo até a cozinha. Ele tinha consciência de que suas mãos ainda estavam sobre as de , mas algo o impedia de tirá-las dali. Ao invés disso, começou a brincar com os dedos delicados da menina. podia sentir seu coração bater mais rápido do que asas de um beija flor e já se perguntava mentalmente o quanto demoraria para ela ter um aneurisma ou coisa parecida. Os dois conversavam sobre os assuntos mais variados, desde coisas bestas como as novas luzes noturnas que tinha comprado até coisas mais sérias, como... Bom, até coisas mais relevantes.
- A Annie veio falar comigo esses dias...
- Sério? E... E o que ela falou?
- Sobre voltar... Que ela estava errada e tudo mais...
Um nó apertou o coração de , enquanto Harry brincava com seus dedos sobre a mesa e olhava para as mãos da menina entre as dele.
- E?
- Eu não aceitei.
- Não?
- Ela iria mudar, ela me prometeu isso. Mas por quanto tempo? Um mês, uma semana? Ela iria voltar à mesma coisa. No mais, eu nem gostava mais dela... Era mais comodidade do que tudo.
Harry finalizou, separando suas mãos das de para que pudessem ser servidos já que os pratos haviam chegado. segurou-se para não sorrir abertamente, como ela queria fazer. Enfim, o coração de Harry estava livre. E pelo visto, enfim era a vez dela. Os dois comeram sem nenhuma pressa, conversando e rindo oportunamente das outras pessoas que estavam no local.


Capítulo 15
andava animada pela escola carregando alguns livros até o comitê.
- Olá, Poynter.
Ela disse alegre, enquanto apertava o nariz do menino antes de ir sentar-se na sua mesa que era paralela a dele. Dougie sorriu pela animação da menina, que assoviava enquanto esperava seu computador ligar.
- Que alegria, hein?
- É sexta feira, acabaram as provas... Tenho milhares motivos para ficar feliz. Tome, vamos brindar com café.
disse entregando um dos copos de papelão parecidos com os da starbucks para o menino que pegou sorrindo e bateu levemente com o copo dela logo depois começando a beber.
- Isso não é café, ...
- Claro que é, só não é o puro tradicional. Eu sei que você não gosta daquele. É macchiato.
disse sorrindo, fitando Dougie tomar mais um gole do copo. Dougie observava a menina voltar-se novamente para seu computador e começar a concentrar-se em uma coisa qualquer que estivesse fazendo. Então ela o observava também. Ele a viu enrolar seu cabelo fazendo um daqueles coques frouxos que ele adorava e ainda mordiscar a ponta do lápis anotando qualquer coisa. Dougie não podia negar que sentia seu coração bater mais forte agora, nem as borboletas em seu estômago fazendo com que seu corpo todo parecesse extasiado pela simples presença de ali, pelo simples fato dela saber qual era seu sabor favorito de café.
- Sabe qual é o bom dessa ser minha atividade extra?
Ela disse cortando o pensamento do menino, fazendo-o voltar de seus devaneios e prestar atenção nela.
- Não, qual é?
- Eu não tenho que fazer quase nada. Liguei o computador, digitei a numeração do atestado médico da menina e pronto, acabou-se todo meu árduo trabalho por hoje.
Dougie tinha um sorriso esboçado nos lábios, enquanto observava falar gesticulando e dramatizando levemente. A menina balançava-se de um lado para o outro na grande cadeira giratória, parecendo uma criança no dia de visitação nos trabalhos dos pais.
- Então, agora que o seu trabalho árduo acabou e você não tem que estudar para mais provas também, você aceita matar a tarefa e ir num ensaio da minha banda com os meninos?
- Claro. Eu iria perder mais um show da maior banda inglesa depois dos Beatles?
- Eu sei que você nunca faria isso...
Os dois riam casualmente enquanto guardavam as coisas para irem ao galpão abandonado do colégio.

Enquanto isso, e estavam conversando do outro lado do colégio, durante o intervalo das atividades físicas extras que as duas resolveram praticar naquele dia.
- Mas ainda não é oficial?
- Não... E eu acho que nem eu quero que seja. Eu gosto do Danny, mas... Sei lá, acho que por enquanto não tenho sentimento para isso.
- Sei como... Bom, eu estou totalmente encantada com o Tom...
- Você é totalmente encantada com o Tom!
- Desde quando?
- Desde que eu te conheço. É um pacote: A do Thomas e o Thomas da . Sempre foi.
sorria e gesticulava de forma engraçada enquanto falava sobre sua fabulosa teoria sobre os dois. fez uma pequena careta – assumindo a contragosto que aquilo realmente acontecia – antes de responder a observação da amiga.
- Tanto faz... De qualquer forma, ele me chamou para jantar com a família dele!
- Mas você já jantou com os pais dele, ...
- Não como uma amiga. Ele quer me apresentar como namorada dele!
- Cara, parece até que vocês vão se casar. Tudo tão... Sério.
encarou com uma cara nada feliz e ela fez questão de se retratar. Afinal, tinha dúvidas sobre o destino de sua vida se não o fizesse.
- Claro que é uma coisa muito fofa da parte dele... Sem dizer que vocês são um desses casais que passam para a fase da endorfina e ficam juntos para sempre e sempre.
- Menos, .
As duas se olharam por alguns segundos e logo depois começaram a rir novamente.
- ?
Rose – que tinha se aproximado das duas sem ser percebida – murmurou fazendo com que as duas olhassem para onde vinha o som. A menina tinha uma expressão meio chorosa.
- , eu vou voltar para a corrida...
disse se levantando e juntando-se as outras meninas que também tinham voltado a correr. Rose sentou-se ao lado de , que a observava sem saber o que fazer exatamente. Podemos dizer que não era lá aquela pessoa que amava sair por aí dando conselhos... Na verdade, ela era bem ruim nisso.
- Que foi Rose?
- É... Bom... É o Chuck. Ele vem me tratando tão estranho, sabe? Só porque eu fiquei com outro menino esses dias! Mas não é como se eu e esse menino estivéssemos alguma coisa. Mesmo porque nem eu e o Chuck temos alguma coisa... Só que eu sinto falta dele! Muita mesmo. E ele fica me ignorando como um estúpido! Eu o vi com uma novata nojenta no estacionamento hoje... Você tinha que ver ! Que menina feia... Uma ruiva, cheia de sardas daquelas bem escuras, o cabelo dela era oleoso e o gosto para roupas era horrível! Estava com uns sapatos bem feios por sinal... E ele fica com isso, ! E quando eu fui lá, abraçar ele depois... Porque eu posso ficar com qualquer um, mas o Chuck tem o melhor abraço de todos, ele me renegou! Simplesmente disse que tinha cansado de ser meu cachorrinho...
Rose dizia entre pequenos soluços e a encarava sem saber o que fazer, porque se ela falasse o que achava com certeza iria machucar ainda mais a amiga.
- Você já pensou que ele gosta mesmo de você?
- Claro que já, ! E eu gosto dele, só não quero me prender a ninguém.
- Rose, eu não sei o que te dizer... Mesmo! Só que... O Chuck pode estar meio cansado dessa brincadeira, de estar não estando com você ao mesmo tempo.
Rose pareceu pensar no assunto durante alguns segundos, mas logo depois deu ombros limpando as marcas de pequenas lágrimas abaixo de seus olhos.
- E você?
Ela disse mudando de assunto, antes que precisasse admitir que realmente aquilo fosse um erro seu.
- Eu o quê?
- Seu coração, sua besta... Você não me falou mais nada desde aquele dia que o Danny te tirou da aula.
- Eu não falei porque não tem nada para falar, ué...
Rose apertou os olhos e analisou cuidadosamente.
- Você está achando mesmo que eu caí nessa? Metade da escola está achando que tem algo entre você e o Danny tem alguma coisa.
- A gente está ficando ou sei lá como pode se chamar o que tem entre nós...
- Você está ficando com o Danny Jones?
- É.
- Você se dá sempre tão bem, para uma novata.
Rose disse com um tom indescritível, encarando o nada. não sabia o porquê, mas sentiu um calafrio assim que olhou para a menina. Algo a dizia que ela deveria temer aquilo, ela só não sabia o motivo.
Já era um pouco mais tarde quando os meninos foram ensaiar. afinava uma das guitarras enquanto conversava com Dougie sobre uma besteira qualquer, brincava na bateria de Harry que assistia, e Tom estavam num momento quase proibido para menores em uma das cadeiras da platéia e Danny e terminavam de ligar os amplificadores.
- Ei, arranjem um quarto! Têm crianças no recinto.
disse jogando alguma coisa em cima do casal que se agarrava, fazendo com que lhe fizesse um sinal obsceno e todos rirem.
- Está tudo pronto.
Disse Danny enquanto arrumava a última caixa. entregou a guitarra para Tom, que lhe deu um beijo no rosto como agradecimento, e desceu do palco sendo acompanhada por e .
- Senhoras e nenhum senhor...
- Dougie, nós somos homens! Então tem senhor.
- Mas nós não estamos na platéia, ué! Posso continuar, Jones?
- Não! Senhoritas, este é o McFly e estamos aqui para alegrar a noite de vocês mais uma vez.
Os meninos começaram a tocar como sempre apoiados pelas meninas. Tiveram mais algumas discussões bestas, mas que sempre acabavam em gargalhadas por ambas as partes. Pode até se dizer que eles estavam se tornando cada dia mais uma família, daquelas que até brigando se diverte.


Capítulo 16
No outro dia o sol brilhava como nunca – levando em conta que já era outono – sobre Saint Paul e todos aproveitavam a temperatura inesperada para desfilar com suas roupas de verão ou mesmo com seus trajes de banho na piscina descoberta. E não era diferente com as meninas, que ainda estavam indo tomar café já que dormiram tarde no outro dia.
- Gente, que calor é esse?!
- Já estou com saudades da garoa.
- Fala sério, vocês reclamam como velhas. É bom ter um pouquinho de sol nesse lugar... Estou até pensando em ir à piscina...
- Bem freqüentada do jeito que ela está, até eu vou dar uma passadinha lá.
disse com uma expressão safada no rosto, quando alguns meninos passaram exibindo seus belos corpos na direção da piscina.
- Que isso, dona ! Você é uma menina de família... E compromissada.
- Só estou falando que podem surgir amizades bem interessantes...
- Lógico... Você iria ficar conversando sobre o campeonato inglês com os meninos do time de futebol, não é?
- Futebol! Quer assunto mais legal que esse?
disse rindo levemente fazendo as amigas rirem também. Elas enchiam suas bandejas com frutas e sucos, para dar um ar mais verão ainda para aquilo tudo.
- Melancia!
dizia animada enquanto pegava um pedaço da fruta em seu prato. As meninas continuaram a conversar animadas na mesa, quando Edward se juntou a elas. O menino estava com o rosto meio inchado, provando que ele tinha acabado de acordar.
- Oi, meninas.
- Que isso, Edward! Que desânimo... Parece até que não gosta de sol!
- Eu não gosto mesmo, não. Que calor insuportável...
- Entre no clube de velhinhos a favor da chuva com a , então.
disse e ele se virou para e os dois tocaram as mãos.
- Seus gordos, continuem a comer sozinhos aí, que eu vou lá nadar...
- Credo, ! Apaga esse fogo!
- Exatamente. Por isso que eu vou para a água.
- Deixa seu Thomas saber disso...
- Boba, eu vou lá chamá-lo para nadar comigo. Beijinhos.
levantou-se saindo quase saltitando em direção ao sol novamente, fazendo os amigos rirem de sua animação. Pouco a pouco as outras meninas foram deixando a mesa também, restando apenas Edward e que ficou esperando o menino terminar de comer.
- ... Vamos fazer alguma coisa? Comemorar o fim das provas?
- Vamos sim, ué...
- Só que não aqui... Não agüento esse calor.
- Então, nós vamos fazer o quê?
- Não sei... Estava pensando em ir à Londres dar umas voltas...
- Tudo bem, eu ia para casa mesmo esse fim de semana.
- Vamos fazer o seguinte então: daqui a meia hora você me encontra no estacionamento?
- Tudo bem.
Edward e se levantaram e saíram dali em direção aos dormitórios.

Enquanto isso, Harry, , , Danny e Tom estavam sentados na grama perto da piscina. Dougie e brincavam na água como duas crianças, quase tão animados quanto os outros ali.
- A ainda está dormindo?
- Não, Harry... Ela ficou conversando com o Edward no refeitório. Os dois estavam resmungando como velhas sobre o calor.
explicou e Harry fechou a cara. Por algum motivo, ele não gostava de Edward. Os outros continuaram conversando enquanto ele deu uma explicação qualquer para ir ao quarto. Chegando lá viu Edward e caminhando para o carro do menino.
- Oi, Harry...
Uma menina baixinha loira disse – tentando ser sedutora – para Harry. Não foi tão difícil para ele ficar com ela depois disso.

Todos os outros ainda estavam no mesmo lugar naquele meio tempo. Tom tinha se rendido e ido até a piscina com , e Danny, e conversavam uma besteira qualquer sentados na grama.
- Eu gostava muito do snoppy.
- Claro! Charlie Brown! Hoje em dia essas crianças só assistem a lixo...
- Nem me fala! Hanna Montana é o cúmulo.
- , nem vem com essa que esses dias eu peguei você cantarolando uma música dela na aula.
- Não tenho culpa se essas merdas grudam no subconsciente.
Enquanto eles continuavam a discutir, Dougie ia chegando molhado atrás de , que percebeu que havia alguma coisa errada pela forma que Danny e a olhavam. A menina subitamente pôs-se de pé.
-Dougie Poynter, você não vai fazer isso.
Ela tentou impor, mas pareceu mais que ela estava implorando para que o menino não a abraçasse molhado daquela forma. Vendo que ele não estava brincando mesmo, começou a correr com Dougie em seu encalço.
- Agora se arrependa da sua vida sedentária, !
gritava sentada na grama, vendo a menina quase sendo pega por Dougie, o que não demorou muito para acontecer. se debatia tentando se afastar do menino, mas ele a segurou e mergulhou na piscina com ela nos braços.
- Você vai se arrepender disso, anão! Ah, como vai!
ameaçava enquanto saía ensopada da piscina.
- Eu senti que você estava com muito calor aqui. Te fiz um favor!
Ele dizia divertido, enquanto andava atrás dela para fora da piscina também.
Tom e aproveitaram e voltaram para perto dos amigos de novo.
O sol foi pouco a pouco cedendo e no final da tarde já estava bem frio. estava com as meninas se arrumando para ir jantar na casa dos Fletcher.
- Meninas, me ajudem! Jimmy ou Gucci?
- Com esse vestido?
- É...
- Sou mais o Jimmy Choo, mas coloca aquele seu anel da Gucci.
- , me ajuda a fazer alguma coisa no meu cabelo?
- , você está pedindo minha ajuda, amiga? Tenha a certeza que você está melhor se arrumando sozinha.
- , não é como se você fosse noivar nem nada... Pára de se preocupar tanto.
- Eu estou agindo como uma paranóica?
- Igual àquelas noivas da televisão.
olhou para ameaçadoramente e tacou uma das almofadas na menina. Ela continuou surtando a cada pequeno detalhe que achava que estava errado e as meninas continuaram a dizer que ela tinha que parar de se preocupar daquela forma.
- Estou pronta.
disse depois de mais ou menos meia hora, saindo da frente do espelho. Ela usava um vestido preto com uma faixa com detalhes dourados na cintura, um sapato preto também com pequenos detalhes dourados, os brincos de ouro com pedras de âmbar, o anel que havia lhe falado, uma pulseira de ouro trabalhada lindíssima, um cordão também de ouro com o pingente delicado trabalhado com diamantes e uma pérola creme e uma bolsa carteira básica preta.
- Thomas vai babar.
- Hoje tem!
As amigas zoavam e elogiavam ao mesmo tempo e ficava rosada enquanto retrucava tudo. Depois de se despedir das meninas, desceu até o estacionamento e esperou por Tom.
O menino quase não acreditou quando viu o quanto estava bonita. Ele realmente não se achava merecedor de uma menina como aquela: beleza e inteligência juntas. Tom se considerava um homem de muita sorte.
- Você está linda.
Tom dizia enquanto dava vários selinhos em , logo depois passando para um beijo mais profundo. Os beijos de e Tom eram quase sempre como aquele: suaves, delicados, apaixonados. Ele acariciava o rosto de e sua outra mão repousava sobre sua cintura enquanto a menina tinha uma das mãos descansando sobre o peito do menino e a outra bagunçava levemente seus cabelos.
- Vamos deixar isso pra depois do jantar, tudo bem?
disse separando o beijo assim que viu que o clima começava a esquentar ali. Tom sorriu – não um de seus sorrisos doces, mas sim um sorriso diferente, um tanto quanto pervertido – e abriu a porta do carro para entrar, entrando do outro lado logo em seguida.
- Você está meio vermelho...
- Você me obrigou a ficar no sol hoje...
- Desculpa, mas é tão raro sol aqui que eu me empolgo... Meu camarãozinho!
Tom olhou para como quem não estava acreditando naquilo e ela sorriu sapeca para o menino. Os dois continuaram conversando qualquer besteira e – para maior nervosismo de – rapidamente eles já estavam na casa de Tom. O menino abriu a porta do carro para ela, apertando levemente sua mão passando um pouco de segurança enquanto eles passavam pelo belo jardim dos Fletcher.
- Pronta?
Ele perguntou antes de abrir a porta de casa e afirmou que sim com a cabeça. Assim que ele abriu a porta os pais dele surgiram junto com sua irmã, quase que como uma coisa ensaiada.
- , essa é minha família. Mãe, pai, Carrie, esta é , minha namorada.
Tom anunciou assim que eles passaram pela porta. se sentia um pouco esquisita por aquela situação, mas um orgulho até engraçado a invadiu quando ela ouviu Tom dizer ‘minha namorada’. Depois daquilo, vieram os costumeiros abraços e conversas irrelevantes sobre a vida de e Tom. Era quase como se ele estivesse apresentando sua futura esposa, mas Thomas não ligava. Porque apesar dele ter apenas 17 anos, quando ele olhava para a menina que agora estava conversando com a sua mãe ao seu lado, era assim que ele queria estar. Se casando com ela, podendo mostrar para todos que aquilo era para sempre. E tudo aquilo para ela, era mais que recíproco.


Capítulo 17
O fim de semana foi embora tão rápido quanto o sol daquela tarde, então não demorou até que estivessem todos de volta ao colégio, só que dessa vez não havia ninguém correndo como louco.
- Dougie...
falou enquanto se sentava ao lado do menino durante a aula de música. Dougie sorriu levemente para a menina como resposta. O professor estava demorando a entrar na sala e estavam todos em pleno alvoroço, menos Dougie que rabiscava furiosamente algo em seu caderno.
- Dougie, está tudo bem?
- Está sim, ...
Dougie ficou quieto e continuou a encará-lo esperando a hora que ele diria a verdade.
- É que eu quero chamar uma menina para sair, sabe? Mas eu não sei como... Eu nunca fui muito bom nessas coisas e também não sei se ela me vê desse jeito.
- É a ?
- Como você sabe?
- Desculpe, mas você não é muito bom em guardar sentimentos... Na verdade, nenhum dos dois é.
- De qualquer forma, isso está me deixando louco! E eu não tenho a mínima idéia de como eu poderia chamá-la ou se ela realmente quer que eu a chame... A não expõe seus sentimentos, me trata como ela trata todos os outros meninos, não dá para saber o que ela quer ou não...
- Dougie, fica tranqüilo que eu vou te ajudar. Faz o seguinte, finge que eu sou a e me pergunta se eu quero sair com você.
- ?
- Oi, Dougie.
- Você tem lápis de cor?
franziu o cenho antes de responder.
- Tenho, Dougie. Por quê?
- Para colorir nossa amizade... Quer sair comigo?
Dougie olhava com expectativa para , que ainda não acreditava que o menino tinha falado aquilo.
- A ia com certeza achar que você estava brincando. Que cantada é essa, Dougie?!
- Ah, sei lá... O Harry que me ensinou.
fechou os olhos respirando fundo, enquanto Dougie estava sem graça pela cantada merda que tinha falado. permanecia de olhos fechados, enquanto Dougie não entendia o porquê a menina continuar assim.
- Já sei!
- Já sabe o quê?
- Como você vai pedir a Jess para sair. Depois o meu Jones que é lerdo...
- Tá, tá... Como eu vou fazer isso?
- Simples: você não vai fazer.
- Como assim não vou fazer?
- Eu vou chamar a Jess para sair junto comigo e com o Danny, e você é claro. Quando nós já estivermos lá, eu e o Danny deixamos vocês sozinhos.
- , você é um gênio!
- Sempre soube.
- E eu não sabia que agora era ‘seu’ Jones...
- Eu nunca falei isso.
- Falou sim...
- Se isso sair daqui, você vira picadinho, nanico.
disse vermelha por ter sido pega e Dougie apenas ficou rindo da cara da menina.

- Senhores e senhoritas, houve mudanças no calendário de aulas e eu peço que todos vocês se dirijam agora para o ginásio onde terão aula de saúde junto com as outras turmas.
Uma senhora baixinha de óculos dizia em meio a resmungos e burburinhos da sala. Dougie e saíram conversando sobre aquilo da sala, mas logo deram de cara com nos corredores e mudaram de assunto. Foram conversando sobre o que tinha acontecido antes de serem convocados para a aula de saúde e encontrando os outros durante a caminhada. Grande parte da arquibancada lateral foi ocupada pelos alunos que assistiam entediados aos professores ensinando sobre métodos de sexo seguro.
- E agora, para mostrar a vocês a responsabilidade que é um filho, vamos separar as turmas em duplas e cada uma ganhara um bebê de brinquedo que é programado para chorar em momentos oportunos. Ele também é monitorado, então se você o pegar da forma errada perderá ponto...
A professora de educação física encenava os modos que o ‘bebê’ deveria ser ou não tratados.
- E para mostrar os diferentes moldes familiares de hoje, haverá meninos com meninos e meninas com meninas.
Houve um burburinho geral e a professora torceu os lábios em desaprovação. Quando a mulher olhou novamente para a arquibancada Tom e Danny riam então ela decidiu que eles seriam os primeiros.
- Por que não começamos por vocês, senhor Jones e senhor Fletcher? Por favor, vocês serão nosso primeiro casal...
- Como?
- Isso mesmo que vocês ouviram. Desçam, peguem seu bebê e vão até a senhora Malkin naquela mesa para ela registrá-lo em seus nomes.
Danny e Tom se olharam desesperados percebendo que a professora realmente falava sério, enquanto os amigos ao seu redor quase choravam de tanto rir dos dois.
- Finalmente eles assumiram esse amor.
Dougie disse fingindo secar algumas lágrimas e Harry acenava que sim com a cabeça.
- Daniel e Thomas, os senhores estão esperando o que para descer?
Algum outro professor que estava ali perguntou irritado com a demora, e os dois desceram contrariados. Tom pegou a criança de qualquer forma e foi batendo os pés até a senhora Malkin. Alguns outros nomes foram citados antes de voltarem a chamar alguém do grupo.
- Senhorita e senhor Bass.
- Senhorita e senhor Poynter.
- Senhorita e senhor Judd.
- Senhorita e senhor Hubbermann.
Conforme os nomes iam sendo citados eles desciam e pegavam seus bebês. deu significativos olhares para Dougie enquanto ele e examinavam a criança deles. O menino riu levemente sibilando “é o destino” para a amiga.
Os alunos foram liberados das aulas seguintes o que foi comemorado com muita euforia e bonequinhos para o ar. Tom dirigiu-se com seu ‘filho’ para um dos banquinhos do campus, segurando-o com um dos braços e folheando um livro com a mão do braço livre.
- Eu te deixo um segundo sozinho e você já sai fazendo filhos com o Jones, Fletcher!
se aproximou com seu filho nos braços também.
- Até você, ?! E se eu me lembro bem, a senhorita também teve um filho com outro, não é?
- Tom, você sabe! Foi tudo um caso passageiro, não significou nada para mim.
dramatizou e Tom riu da cara da namorada, deixando o livro de lado e puxando-a para perto dele. Eles ficaram ali se curtindo até dar a hora do almoço.


Capítulo 18
No outro dia, a maioria dos alunos estava de cara inchada na aula; aqueles malditos bebês não tinham parado de chorar um segundo sequer. Mas de todos os alunos não havia nenhum pior do que . Ela ficava muito, muito mal mesmo quando não dormia.
- Essa merda não pára de chorar!
Ela dizia encarando o seu bebê com muita fúria nos olhos. Dougie estava achando a cena o máximo desde que tinha chegado ao comitê com a criança dos dois.
- , não fala assim do fruto do nosso amor...
- Fruto do nosso amor o cacete! Isso aqui é o filho do demônio que veio me atormentar. O que eu fiz para merecer isso na minha vida, Jesus?
- , não traumatiza o nosso filho...
- Não traumatiza o nosso filho?! Essa merda chorou a noite inteirinha e quem teve que ficar acordada? Dando comida, trocando faldas, massageando a barriga de um boneco de plástico? Quer saber? Toma que o filho é teu.
disse jogando ‘delicadamente’ a criança nos braços de Poynter. Ficando mais furiosa ainda segundos depois, quando o ‘bebê’ parou de chorar.
- Tudo que ele precisava era de um pouquinho de amor, está vendo?
Dougie zoava enquanto respirava fundo contando até três.
- , eu adoro o jeito que você cuida de crianças... Acho que vou te escolher como mãe dos meus outros filhos.
- Acho melhor ficar quietinho, Poynter. Senão, você vai ver esse grampeador voar bem no meio da sua testa e você sabe que eu tenho boa mira.
dizia irritada e Dougie apenas ria da menina. O bebê finalmente parou de chorar depois que foi para os braços de Dougie, o que só deixou mais irritada e aliviada ao mesmo tempo.

Enquanto isso, Tom quase explodia do outro lado do campus. Tudo pelo simples fato de Chuck e estarem juntos estudando qualquer coisa na biblioteca. Ta, não era só isso. Era o fato dela estar rindo e o fato dele estar dando claramente em cima dela, também. Mas o que ele podia fazer? Ele não queria dar uma de possessivo e tinha um ‘filho’ com Chuck, não era?
- Oi, amor.
A menina disse dando um leve selinho mal retribuído enquanto chegava perto de Thomas.
- Aconteceu alguma coisa, Tom?
- Não, ... Por quê?
- Sei lá, você está sério...
- É mesmo? Por que você não volta a rir com seu amiguinho lá?
- Eu não estou acreditando no que eu estou ouvindo...
- Por que não?
- Você está mesmo com ciúmes?
- Eu acho que eu tenho esse direito.
- Tom...
chamou baixinho, mas o menino continuou olhando para o outro lado. Ela então pegou delicadamente o rosto de Tom e fez com que ele olhasse para ela.
- Será que você ainda não entendeu que eu amo você?
- Mas estava rindo com ele.
- Thomas, ele é meu colega... Estava contando umas piadas... Você não vai ficar nessa paranóia, vai?
- E se for, ? Ele não parecia estar só contando piadas no meu ver.
- Tom, fala sério! Você está sendo ridículo, criança e possessivo.
- Agora eu sou ridículo?
- A gente conversa quando você estiver apto a isso, Thomas.
disse se levantando irritada e Tom observou-a caminhar durante um tempo, mas logo depois foi atrás dela.
- ...
- O que foi?
- Desculpa?
- Eu só não entendo, Tom... Eu não dei motivo nenhum para você ficar desse jeito. Mesmo porque o Chuck é um amigo que eu estou fazendo trabalho... Se você for ficar sempre nessa, nem rola. Porque ou confia ou não.
- Eu confio em você, ... É só... É só que eu te vi lá e aquele cara meio que dando em cima de você... Eu... Fiquei com ciúmes. Você me desculpa?
- Desde que você não fique com essas paranóias mais...
- Nunca, nunca mais...
Tom aproximou-se mais de e selou seus lábios carinhosamente.
- E mais uma coisa.
- O quê?
- Promete que todos seus outros filhos vão ser meus também?
riu e selou seus lábios nos de tom novamente, só que agora de uma forma ainda mais carinhosa e apaixonada.

e estavam no quarto descansando com suas respectivas crianças, quando o bebê de começou a chorar de novo.
- Puta merda, onde fica o botão para desligar?
Ela falou abrindo os olhos e pegando o bebê na mesa de cabeceira, logo fechando os olhos novamente.
- Também queria saber...
- Quando a gente devolve isso, ?
- Não tenho a mínima idéia, ...
- Que droga!
- Pode ter certeza... Não poderiam dar coisas como, sei lá, ovos? Ou ser tão simples quanto lá nos EUA... É só você pegar umas camisinhas na secretaria e eles te dão dez por estar fazendo sexo seguro.
- Somos ingleses e complexos.
- Somos americanos e práticos. Falando em EUA, eu preciso fazer umas compras... Estou ficando sem muitas opções de roupa por aqui.
- E por que você não pega na sua casa?
- Acho que é meio óbvio, não, ?
- Ah é, eu esqueço que você é americana... Você não tem sotaque... Você é uma americana sem graça.
- E sem roupas.
- , eu não acredito que você está andando pelada pelo quarto.
- Cara, depois o Jones é o lerdo! Eu estou falando que as minhas roupas estão acabando.
- Eu estou com sono, não me culpe. E tem umas ótimas lojas em Surrey... Por que você não vai lá?
- Não sei... Não quero ir sozinha.
- Se eu não estivesse tão cansada, eu até ia lá com você.
- Cuida do meu bebê para eu ir lá?
- Tá brincando, não é?
- Você vai ter que cuidar dele um dia de qualquer forma... Esqueceu, é filho do Judd também.
- Isso não me seduz.
- Bebê, sua madrasta te odeia, não a deixe ficar com o seu pai.
- Para de palhaçada...
- Poxa, , o que custa?
- Minutos do meu sono.
- Mas a Cristal é uma menina comportada...
- Quem é Cristal?
- O bebê, gênia.
- Ele é homem.
- E se chama Cristal. Vai cuidar dele para mim?
- Deixa logo essa merdinha aí.
- Te amo, .
- Pura falsidade.
disse virando-se para o outro lado na cama e saiu rindo do quarto. Ela já estava quase no seu carro quando encontrou Rose.
- Rose, tá fazendo alguma coisa?
- Não, , por quê?
- Vamos a Surrey comigo?
- Pra quê?
- Comprar.
- Só se for agora!
Rose correu até onde estava a amiga e as duas foram até Surrey falando sobre o quanto gastavam em roupas e acessórios, tanto em tempo como em dinheiro. A loja da qual tinha falado era a única que realmente prestava segundo Rose. Era uma multi marcas que tinha aberto ali especialmente para a escola, já que provavelmente mais ninguém em Surrey pudesse comprar qualquer coisa que estivesse ali dentro sem gastar todo seu salário. No final, as duas nem tinham levado tantas coisas assim, mas uma coisa em especial estava meio que irritando : a mudança de Rose frente às coisas que ela gostava pelo simples fato dela falar que não gostava. Quer dizer, era legal ver que alguém estava começando a segui-la e tudo mais... Só que algo dentro dela dizia que aquilo não era nada bom.
Ao chegarem à escola, os outros estavam começando a ir jantar. Então elas aproveitaram e foram junto.
- Cadê o filho do Chuck?
Dougie disse animado achando que estava fazendo uma piada, fazendo todos olharem sem acreditar para ele, a não ser que quase chorou de tanto rir quando entendeu o sentido da coisa.
- Dougie fez uma piada.
Harry sinalizou sem nenhuma emoção e os amigos voltaram a comer. levantou a mão e Dougie bateu nela.
- Muito boa!
Ela falou ainda rindo da palhaçada que o menino disse. Os outros resolveram apenas continuar ignorando. O resto do jantar não foi muito diferente do inicio, piadas sem graça, conversas sem nexo... Nada muito diferente do que sempre acontecia quando todos sentavam juntos.


Capítulo 19
Todos estavam aparentemente melhores já que os bebês resolveram parar de chorar tanto. Nada que uma conversa dos seus pais com a diretoria da escola que não resolvesse... As aulas da manhã também tinham passado rapidamente, mas a maioria dos alunos estava em suas aulas extras agora. e Danny estavam no ginásio. Danny estava acabando de treinar com o time do colégio e assistia encantada na arquibancada já que o menino tinha dedicado todos os seus gols para ela.
- Você ainda vai ser o melhor do mundo, sabia?
Ela dizia sorrindo enquanto olhava Danny se aproximar com um sorriso no rosto.
- Nem pense, Jones. Você está nojento!
fazia careta enquanto se afastava de Danny, que queria abraçá-la. Quando ele finalmente conseguiu, os dois acabaram se desequilibrando e caindo no degrau abaixo de onde eles estavam sentados.
- Agora você está nojenta também.
Danny disse sorrindo vitorioso e dando um beijo na ponta do nariz de . Os dois começaram a trocar selinhos, logo aprofundando mais o beijo. As mãos de Danny traçavam um caminho pelo corpo de , enquanto a menina massageava a nuca de Danny bagunçando levemente seus cabelos também.
- !
Rose se aproximou e instantaneamente os dois pararam o que estavam fazendo. De algum modo o sorriso que Rose tinha quando se aproximava era de vitória. Danny parecia muito irritado enquanto observava Rose se aproximar.
- Depois eu falo contigo.
Ele agiu quase rudemente enquanto se afastava, e olhava sem entender para os dois. Rose sentou-se e ficou falando de uma besteira qualquer que não prestou atenção.

Não demorou muito até estarem todos reunidos na mesa para jantar. Harry examinava atenciosamente Edward e conversando do outro lado, enquanto ainda tentava entender o porquê de Danny está tão estranho com Rose. Tom, e Chuck foram os últimos a se sentarem já que o prato que eles queriam ainda não estava pronto.
- Gente, eu estava pensando sobre o feriado que está chegando...
começou a dizer, quebrando as pequenas conversas que havia na mesa.
- Caramba, eu quase esqueci.
- Legal, mais um dia que eu vou ficar na escola sozinha.
- Talvez eu fique na escola também...
- Eu com certeza vou ficar aqui.
- Já que a maioria vai ficar aqui, por que a gente não se reúne e viaja?
- O problema é para onde... Minha mãe não me deixaria viajar só com as minhas amigas para um lugar desconhecido.
- Mas, , você tem a mim.
- Como se isso contasse, Thomas.
- Cala a boca, .
- Tem a casa de verão do meu pai... Na Itália... Eu posso perguntar se ele empresta. Mesmo porque, teríamos a governanta como responsável, ou seja, sem problemas com a mãe da .
- Para mim parece ótimo...
- E como a gente vai? Porque eu não viajo de trem!
Todos olharam para Rose que acabara de se manifestar. Pelo visto ninguém queria muito que ela fosse realmente.
- Ir de avião da Inglaterra para a Itália é desperdício de grana.
- Mas ir de trem nos tomaria uma boa parte da viagem.
- É, o feriado não vai ser tão longo assim.
Todos se entreolharam sem saber o que fazer. Sabiam que com as notas que tinham tirado, os pais não lhe dariam grana nem tão cedo. Não que tenham sido tão ruins, porém boas também não estavam.
- Gente...
disse timidamente e todos direcionaram seus olhos para ela.
- Bom... Os meus pais têm um... Eles têm um avião... Eu poderia ver se eles me emprestam.
O espanto na cara dos amigos fez com que ficasse mais vermelha ainda. Tudo bem que todos eles eram ricos, mas ninguém a ponto de comprar – e manter – seu próprio avião. Era no máximo um jatinho, muitas vezes alugado.
- Você tem um avião?
Dougie estava boquiaberto, na verdade a que parecia mais normal com aquilo tudo era , que vendo a situação da amiga resolveu falar também.
- Para mim parece bom.
- É.
Logo o jantar voltou ao normal, mas Dougie não conseguia parar de encarar , que comia olhando mais do que o preciso para o seu próprio prato. A menina deu uma desculpa para ir para o seu quarto novamente e ele a seguiu.
- ?
- Oi, Dougie.
- Você tá bem?
- Acho que sim. Só estava sem fome.
Os dois se sentaram na grama meio molhada do meio do pátio. olhava para o nada, enquanto Dougie de certa forma temia encará-la por muito tempo. Havia alguma tristeza nos olhos da menina que ele simplesmente não podia entender, era quase uma angústia. Ele pode notar o qual pouco sabia sobre ela.
- Você... Tem certeza que está bem?
- Não sei. Acho que eu vou me deitar.
- E o seu chocolate?
esboçou um sorriso enquanto se levantava, percebendo que ele havia reparado nas manias dela.
- Já pedi para deixarem no quarto. Boa noite, Dougie.
- Boa noite, .
Dougie observou se afastar ainda sentado na grama. Algumas dúvidas lhe rondavam a mente, o deixando preocupado com a menina. Por que ela tinha ficado daquela forma depois de falar dos pais? Ele nunca tinha notado o quão pouco sabia sobre a vida da menina fora da escola.


Capítulo 20
Era sexta feira de manhã e a maioria dos alunos parecia dar graças a Deus por isso. Era o fim do prazo para eles ficarem com os bonecos bebês - cada um ia sendo recolhido e avaliado lentamente e logo depois a maioria dos alunos deixava a escola indo cada um para as suas casas.
- Eu nem acredito que a gente vai entregar essa coisa.
- A não vai ser uma boa mãe.
- Cala a boca, . Até parece que você não está aliviada de ter que entregar o seu bebê também.
As duas riram levemente enquanto os meninos se aproximavam.
- Danny, agora que nós não temos mais filhos nosso caso acabou. Eu percebi que você não é o cara certo... Não fique mal, o problema é mais comigo do que com você.
- Tudo bem. E agora que já não estamos juntos, eu queria te falar que eu te traí com o Dougie. Você sabe... Cochas de café e creme de coco, olhos azuis... Não resisti! Dougie, tenho toda liberdade de fugir de você. Vamos para o Caribe viver todo nosso amor.
- Mas eu tenho mulher e filhos!
- Pode levar, Danny, eu não tenho ciúmes.
disse fazendo desdém, olhando a cena palhaça dos amigos fazendo Dougie olhá-la falsamente afetado. Eles continuaram sentados ali conversando qualquer palhaçada, quando Edward chegou dando um beijo nos cabelos de e colocando seus braços sobre os ombros da mesma que o recebeu com um sorriso.
- Tá quase na nossa vez.
- Tudo bem. Já volto, gente.
Ela disse se afastando e olhar de todos foi automaticamente para a cara de Harry, que parecia não acreditar.
- Perdeu, Judd.
- Perdi o quê?
- A , ué.
- Mas eu não...
- E ficou com essa cara toda aí por quê?
- Repara que os pulsos estão até fechados de raiva!
- Vocês vêem coisa onde não tem.
Harry tentou mentir, sem enganar muito os amigos. Ele tinha mesmo sido tomado por uma raiva – quase uma fúria – estranha quando viu aquilo, mas era só por amizade. Não era como se ele estivesse realmente gostando dela. Ela era a melhor amiga dele. Era improvável, impossível e inaceitável.
- Dougie, vamos logo entregar essa coisa lá também! Eu preciso ir para casa.
disse subitamente após olhar algum novo torpedo no celular. Os dois se dirigiram até a mesa onde a senhora Malkin recolhia os bebês. Demorou um pouco até que ela finalmente pegasse os deles, mas nenhuma demora exorbitante.
- Nossa, o bebê de vocês foi tão bem cuidado! Com certeza serão bons pais!
A senhora parecia realmente impressionada enquanto anotava algumas coisas numa prancheta. Dougie e se entreolharam, eles não tinham feito nada de especial. Depois de um rio de conversa chata sobre bons pais com a senhora Malkin, os dois finalmente começaram a andar para fora do ginásio.
- Sabe, , eu estive pensando e... Já que agora a gente já entregou nosso filho de mentira, a gente podia sair e fazer um de verdade.
encarou Dougie incrédula e ele tentou remendar a merda que tinha falado.
- Era uma piada. – Disse sem graça.
- Não teve graça.
- Acho que percebi.
- Que bom.
Os dois – que tinham parado no meio do caminho pelo choque – voltaram a andar. Dougie quase morrendo de vergonha, querendo enfiar a cabeça no primeiro buraco que visse e brisando por falta do que dizer.
A escola foi ficando vazia pouco a pouco, até que no fim só restaram e Dougie do grupo.
- Eu não acredito que você falou isso!
quase rolava no chão de tanto rir da cara do amigo.
- Foi tão ruim?
- Foi péssimo! Meu Deus, Poynter! Daqui para frente espere minha ajuda, tá legal?
Dougie deu ombros e continuou a zoar dele.

Enquanto isso, e Tom estavam chegando juntos à Londres. O menino dirigia enquanto dormia no banco ao seu lado embalada pelo som baixinho do som.
- , meu amor, chegamos.
Ele disse baixinho enquanto passava levemente o polegar pela bochecha da menina acariciando-a. Ela resmungou um pouco antes de realmente falar.
- Tô com tanto sono.
- Eu sei... É melhor dormir em casa, não?
- Minha mãe vai surtar se eu não chegar em casa cedo... Tem aquele jantar beneficente que ela organizou...
- Então... Não queremos deixar a Sra. com raiva, não é?
- Claro, claro.
abriu os olhos lentamente e Tom ainda permanecia acariciando sua bochecha. Ela sorriu levemente e logo depois se aproximou dele, beijando-o como despedida.
- Você vai, não é?
- Não sei, ... Eu vou ver o que eu consigo fazer. Qualquer coisa nós marcamos para sair amanhã, tudo bem?
- Tá bom, tchau, amor. Manda beijos para a Carrie.
- Tchau.
desceu do carro, meio cambaleante de sono e Thomas largou com o carro assim que a viu entrar em casa. A casa estava estranhamente quieta e isso a assustava. O que será que ela poderia encontrar agora? Porque ela com certeza não gostou do que encontrou da última vez. Andou calmamente até o seu quarto, passando as mãos pelo cabelo que estava levemente despenteado sem procurar olhar para o quarto de sua mãe. Chegando ao seu quarto havia algumas araras cheias de vestidos de estilistas renomados e logo abaixo um exército de sapatos lindos e também renomados. Em cima de sua cama ainda havia algumas jóias para que ela pudesse escolher.
- Por que isso está tudo aqui?
questionou jogando a bolsa que estava em suas mãos em cima da cama. Era bastante normal que sua mãe fizesse aquele alarde todo somente para um evento beneficente, mas ela sempre colocava as coisas no closet da menina. Será que havia algum problema lá? Ou fora a nova empregada que estava apressada demais para fazer as coisas direito? Ela bufou com esse pensamento. Tirou os saltos que estavam matando-a e arrastou-se até seu closet para ver o motivo de tudo aquilo não estar lá.
- Surpresa!
Uma menina ruiva, de pele extremamente branca salpicada por sardas e olhos profundamente azuis gritava enquanto via pular de surpresa e animação.
- Halley!
- Como você ta, ? Faz tanto tempo!
- Nem me fala... Eu tô ótima! E você está tão diferente! Seu cabelo está imenso...
- Resolvi mudar um pouco... Deixar crescer... Caramba, eu tenho tanta coisa para contar!
- É verdade, nem parece que a gente mora na mesma cidade! Parece que eu te via mais quando você estava naquele internato suíço.
- Você ainda não se livrou do internato e eu nunca passo meus fins de semana por aqui...
- Tanto faz!
- Vamos escolher nossas roupas agora ou vamos deixar para sua mãe dar a louca depois?
- Agora é melhor.
e Halley eram melhores amigas desde sempre. As duas eram primas e como as mães eram muito amigas também acabaram vivendo grudadas. Acontece que como estava sempre na escola e Halley quase nunca parava em um país só as duas quase não se viam. As duas conversavam animadas enquanto olhavam o conteúdo das araras recheadas, quando ambas finalmente escolheram o que vestir pediu para que uma das empregadas fosse recolher tudo.
- Me conte quando ficou esnobe.
Halley dizia curiosa, assim que a prima fechou a porta ruidosamente atrás da empregada.
- É uma longa história...
- Nós não temos que nos arrumar para a festa ainda.
- Essa mulher... Ela é amante do meu pai! Eu vi os dois aqui dentro de casa! Na cama da minha mãe! E eu não sei de quem eu tenho mais raiva: se é dessa puta mexicana, do meu pai ou da minha mãe por não fazer nada!
- A sua mãe só está agindo de acordo com as regras da alta sociedade.
- Regras do quê?
- , quando eu tive minha festa de dezesseis anos com aquela babaquice toda de iniciação social, minha mãe me deu um livro sobre como os nobres devem agir. A principal regra era: você ver aquilo que é conveniente de ser visto. Seria muito ruim para a imagem da família se seus pais se separarem. Então sua mãe simplesmente não vê.
- Isso é ridículo e inaceitável, Halley!
- Isso é a vida, . Eu não sei por que você ainda fica assim, acontece em todas as famílias.
Halley disse dando ombros e permaneceu inflada de raiva e inexpressiva. Não demorou muito para que elas tivessem de se arrumar. Halley escolheu um vestido cobre simples, com sapatos pretos, uma bolsa pequena de mão também preta, um sobretudo alguns tons abaixo do vestido e jóias douradas. Enquanto usava um vestido de cetim creme e tafetá preto, com sapatos brancos Mary Jane e cordão, anéis e pulseiras de pérolas e ouro da Chanel.
- , finge um pouquinho melhor.
Halley murmurou para a amiga assim que elas desceram do carro. olhava para os pais que estavam andando um pouco à frente – já sendo clicados por fotógrafos – com extremo ultraje. Simplesmente a enojava ver o quanto eles fingiam ser um casal feliz ali, com as mãos abraçando a cintura da esposa e sorrindo para os flashes. respirou fundo e sorriu da melhor forma que pode assim que os fotógrafos partiram para cima dela. As duas acenavam sorrindo pela entrada e o fingimento não pararia tão cedo dentro da festa. Muitos sorrisos, abraços e falsas alegrias enquanto a comida parecia embolar na boca do estômago de cada vez mais. Ela se levantou educadamente, indo até o banheiro sendo minuciosamente seguida por Halley. estava sentada sobre uma das tampas de um sanitário enquanto Halley estava sentada encarando-a silenciosa sobre o lavatório de mármore.
- Chega disso para você!
Ela falou simplesmente se levantando, tirando o enfeite do cabelo balançando o um pouco até parecer extremamente casual. a observava pensando que ela tinha ficado louca.
- Vamos!
Halley exclamou simplesmente apressando a prima. pôs-se de pé sem saber muito que fazer. Halley balançou um pouco as mãos pelo cabelo da prima, fazendo com que o penteado se desfizesse em ondas perfeitas sobre seus ombros, tirou o cordão de pérolas que ela usava e rasgou a barra do vestido logo depois a puxando para fora do banheiro, porém indo em direção a saída.
- Aonde a gente tá indo?
- , eu estou te levando para a vida.
A menina explicou simplesmente chamando um táxi. podia sentir o coração palpitar enquanto era tomada pela animação que ela nunca sentira antes. Quando ela estivesse de volta seria uma nova pessoa – algo dizia isso para ela - ela não sabia exatamente de que forma, mas algo de novo surgiria ali.


Capítulo 21
O táxi parou em frente a uma boate lotada. Uma fila imensa se formava na porta e as luzes que refletiam do segundo andar pareciam extremamente sedutoras. Halley saltou fora do táxi jogando uma nota – muito mais alta do que a corrida realmente tinha custado – no banco da frente. seguia a prima timidamente, furando a imensa fila da boate assim que chegaram à porta. fitava Halley percebendo o quanto ela parecia acostumada com tudo aquilo. A boate estava extremamente lotada, a música martelava nos ouvidos e as duas passavam pela multidão parecendo procurar por alguma coisa. As duas chegaram ao outro lado do salão onde havia algumas mesas para as pessoas descoladas demais para se misturar com a ralé. Halley acenou levemente e eles sorriram convidando-a para sentar-se.
- Toma isso, você não vai querer parecer a chata de sempre aqui.
Ela gritou no ouvido de entregando-a um copo pequeno com um conteúdo desconhecido para a menina que virou de uma só vez, sentindo a garganta queimar logo após. A consciência indo embora, o corpo se entregando cada vez mais as batidas da música, a alegria da liberdade tomando cada canto de seu corpo – era tudo aquilo que procurava sem saber. Ela estava voltando da pista, rindo de qualquer merda que um dos amigos de Halley – a falta de consciência não deixava que ela lembrasse o nome – estava dizendo quando percebeu que horas eram.
- Nossa! Eu realmente preciso ir embora.
Ela parecia preocupada mesmo em meio aos seus risos bobos. Passou os olhos pela mesa e pela parte da boate que podia visualizar sem achar Halley em nenhum lugar aparente.
- Você viu a Halley?
perguntou para um dos garotos que tinha permanecido na mesa todo o tempo. Um sorriso malicioso tomou os lábios finos do menino antes que ele realmente começasse a falar.
- Gata, eu acho que você vai ter que arranjar outra carona para casa...
Legal, ela estava ali sozinha. Passou as mãos pelos cabelos, nervosa. Ela não fazia a mínima idéia de onde estava e com certeza arranjaria um belo problema se ligasse para o motorista dos pais. Um homem passou carregando uma bebida e ela não se acanhou em tomá-la sem permissão. Ela pegou o celular na pequena bolsa que carregava – sem consciência de que o aparelho estava recebendo uma chamada - decidida a ligar para o motorista mesmo.
- Tom? O que você está fazendo com o celular do motorista da minha mãe?
- ? Que barulho é esse? Onde você está? Eu estive durante todo o jantar procurando por você...
- Não... Eu não fiquei lá... Eu não sei onde eu estou...
começou a cantarolar alguma música desconhecida e Tom começou a soar cada vez mais preocupado do outro lado da linha.
- Como assim você não sabe, ?
embolava-se nas palavras, rindo desesperadamente algumas vezes, falando grandes porcarias de vez enquanto. Deixando Tom preocupado do outro lado da linha.
- , você está bêbada?
- Na... Na... Na, na, não.
- , onde você está?!
- E fazia assim, tchunz! Eu fiquei muito louca, Tom!
- Passa o telefone para alguém que estar perto para você.
entregou o telefone para a primeira pessoa que passou, a menina ficou assustada, mas colocou o telefone no ouvido explicando para Tom onde estava.
Poucos minutos depois Tom estava desesperado andando pela boate procurando pela namorada.
- !
Ele gritou assim que a avistou. ria com o mesmo menino de antes, mas ele não parecia mais tão feliz assim parece que ele estava querendo realmente falar alguma coisa séria. Tom fechou os punhos, irritado, assim que avistou a cena, correndo para o lado dela. Ele não explicou nada, apenas passou as mãos pela cintura da menina carregando-a para fora. O menino pareceu até um pouco aliviado.
- Você vai me explicar o que aconteceu?
Thomas perguntou assim que entrou no carro. Ela ainda tinha um sorriso besta no rosto e balbuciou besteiras antes de realmente falar alguma coisa séria.
- Acho que não.
Tom disse irritado ligando o carro e partindo no silêncio até a casa da menina. Como ela tinha parado ali? Por que ela estava bêbada daquele jeito? Quem era aquele cara? As perguntas rondavam a cabeça de Tom sem nenhuma resposta. Maldito silêncio sem resposta. Não era o silêncio que costumava acontecer entre os dois, - aquele silêncio aconchegante de quando se está ao lado de alguém que se ama – aquele com certeza era um silêncio muito mais assustador.

Dougie e faziam companhia um para o outro, enquanto não havia quase mais ninguém no colégio durante o fim de semana.
- Eu acho que você e a combinam muito! Muito mesmo...
- Não acho que ela pense assim.
- Então você além de ruim de cantada é cego!
- Você um dia vai parar de me zoar com isso?
- Nem tão cedo... De qualquer forma, você vai sair com a e vai ser hoje.
- Como assim, ?
- Guarda a franga, Poynter.
disse assim que viu o desespero surgindo nos olhos de Dougie. Ela pegou o celular de dentro do bolso da calça e ligou para o número que tinha lhe passado sob o olhar atencioso e ansioso de Dougie.
- ! (...) A escola está um tédio, você não sabe o quanto. (...) Então, foi exatamente por isso que eu te liguei. (...) Uhum. (...) Entendo... (...).
Dougie tentava escutar o que estava falando do outro lado da linha ao mesmo tempo em que tentava decifrar a expressão de .
- Ele vai me emprestar sim. (...) Eu falo com ele depois. (...) Olha só, eu estava pensando em sair... Ir para o parque de Londres... (...) Não, o de diversões mesmo. (...) Eu, você, o Jones e o Poynter. (...) Não, , não é como um encontro duplo. (...) Eu sei que você detesta essas coisas. (...) , há quantos anos eu te conheço? (...) Pare de besteiras. (...) Já falei para deixar isso comigo. (...) Te espero.
desligou o telefone com um sorriso vitorioso brincando nos lábios antes de se virar para Dougie.
- Meu Deus, parece uma moça esperando para saber se o gatinho a convidou para o baile!
- Vai à merda, . Me diz logo.
- Calma, donzela.
riu e Dougie a encarou fingindo desprezo, mas com a ansiedade ainda refletindo nos olhos.
- Ela vai.
- É por isso que eu te adoro, !
- Menos, Poynter.
Logo depois ligou para Danny chamando-o também. E quando já eram umas três horas da tarde, Dougie e estavam chegando à cidade. Os dois foram direto para o parque e ficaram esperando por e Danny. Dougie pode perceber os olhos de reluzirem um pouco assim que viram Danny saindo de seu carro, o menino estava lindo: usava um blazer, com uma blusa de botões branca e uma calça jeans. O cabelo natural e perfeitamente cacheado, os olhos azuis reluzentes. Danny chegou abraçando pela cintura dando-lhe vários selinhos até Dougie pigarrear ao seu lado.
- Ah, oi, Poynter.
- Oi.
- Danny, olha só, antes que a gente entre no parque você vai dizer que esqueceu o celular no carro e precisa voltar.
- Por quê?
- Porque a gente tem que deixar o Dougie e a sozinhos.
Danny olhou para e logo depois para Dougie.
- Ta pegando, é?
- Tá tentando.
respondeu e Dougie fez uma cara debochada.
Depois de algum tempo finalmente chegou ao local. Dougie fitava se aproximando sorrindo, gravando cada detalhe da menina: a bata com dizeres em francês, a calça jeans escuro, o all star preto simples, uma bolsa de tecido lotada de bottons das mais variadas bandas, uma boina de tricô preta e alguns acessórios.
- Demorei?
Ela disse se colocando automaticamente ao lado de Dougie, o que fez Danny e abafarem um sorriso. Todos caminharam até a entrada do parque e Danny fez seu papel muito bem, saindo logo de perto dos dois junto com .
- Isso foi proposital, não?
comentou e Dougie gelou pensando que a menina tinha percebido toda a emboscada que aquilo era para que os dois saíssem.
- Na... Na...
- O Danny podia simplesmente dizer que queria ficar sozinho com a ... Está tão na cara que ele não esqueceu celular nenhum!
- Pois é!
Dougie afirmou simplesmente. Os dois continuaram conversando besteiras pelo parque.
- Eu tenho que ir naquele brinquedo!
exclamou assim que seus olhos bateram por certo brinquedo, que Dougie não prestou muita atenção qual era. A luz refletida nos olhos da menina, dançando colorida no meio daqueles olhos escuros e misteriosos o havia hipnotizado. pegou a mão de Dougie e o carregou – sem nenhuma resistência da parte dele – até uma das enormes cadeiras do brinquedo. Os dois gritavam, riam, soltavam os braços enquanto o brinquedo sacolejava. Os dois estavam se entreolhando sorrindo quando num solavanco o brinquedo parou, o sorriso foi sumindo do rosto de ambos conforme seus olhares foram se perdendo um dentro do outro e a distância entre os dois foi diminuindo também. E quando eles já estavam perto o bastante para sentir a respiração um do outro tocar sua pele o brinquedo voltou a funcionar em outro solavanco.
- Merda...
Dougie resmungou baixinho fazendo sorrir fechando os olhos e jogando sua cabeça para trás. Não demorou muito para que o brinquedo parasse de vez e eles fossem liberados para levantar. ficou em pé rapidamente, mas Dougie continuou emburrado sentado. Ela estendeu as mãos para ele e ele agarrou-as para se levantar; soltando apenas uma delas depois, continuando a andar de mãos dadas. Não era um parque muito grande e maioria das atrações eram infantis então não demorou muito até que eles já estivessem andando para fora do parque. Uma música soava um pouco alta perto dali e eles foram andando até que acharam a origem do som; um sorriso pareceu brincar nos lábios de quando reconheceu a música. Ela olhou para Dougie que também parecia apreciar bastante o som.

This is the dance for all the lovers
(Esta é a dança para todos os amantes)
Takin' a chance for one another
(Tendo a chance para mais outro)
Finally it's our time now
(Finalmente é nossa hora agora)
These are the times that we'll remember
(Esta é a hora que nós vamos lembrar)
Breaking the city sight together
(Quebrando a vista da cidade juntos)
Finally it's our time now
(Finalmente é nossa hora agora)
It's our time now
(Nossa hora agora)

Ele cantou simplesmente para ela, acariciando levemente seu rosto antes de trazê-la para mais perto e beijá-la docemente.
e Danny não repararam na presença de Dougie e no mesmo show cover que eles estavam assistindo. Os dois estavam ali sentados desde que saíram do parque, conversando sobre como poderiam estar Dougie e ou simplesmente em silêncio surtindo um ao outro. Repentinamente pôde sentir Danny enrijecer ao seu lado e olhou ao redor para ver se havia alguma coisa errada, até avistar os amigos do time de futebol.
- Veja se não é nosso artilheiro.
Um dos meninos se aproximou com um sorriso. Danny apertou um de seus braços na cintura de e pegou a cerveja que ele estava tomando ainda pouco. inicialmente achou que era algum tipo de ciúmes, mas logo depois percebeu a maneira idiota que Danny estava se portando. Nada mais do menino romântico, fofo e ternamente lerdo que ela conhecia. Era outro Danny, um estúpido. Depois de mais ou menos meia hora ali ela já não estava mais agüentando.
- Danny, eu vou embora... Não estou me sentindo bem.
Ela mentiu. Pôde ver os olhos de Danny arderem talvez de preocupação, vergonha ou arrependimento por estar agindo daquela forma, mas o menino apenas deu ombros e se virou para os amigos novamente enquanto fingia não ligar. saiu dali não com raiva de Danny, mas com pena. Ele parecia não saber que aqueles babacas não eram amigos de verdade.


Capítulo 22
A semana de aulas passou correndo e o esperado feriado finalmente tinha chegado. Todos estavam cada um em sua casa terminando de arrumar as coisas antes de finalmente partirem.
- Harry. (...) Não, eu estou indo para aí agora. (...) Tudo bem, tchau.
falava no celular enquanto seguia a empregada até a porta de sua casa, verificando se todas as malas estavam corretamente no carro. Assim que a empregada abriu a porta, ela pôde ver Edward encostado casualmente em uma das colunas da varanda.
- Ed?
- Eu estava pensando se você não queria pegar uma carona para ir...
- Eu ia com o carro da minha mãe, mas já que é assim...
disse dando ombros com um sorriso esboçado nos lábios, pedindo depois para que colocassem suas malas no carro de Edward. Os dois foram conversando juntos até o aeroporto, onde encontraram Harry assim que chegaram. O menino olhou para os dois com uma expressão de dúvida nos olhos, mas resolveu que era melhor não comentar nada.
- A acabou de me ligar avisando que vai demorar um pouco, que era melhor a gente arrumar alguma coisa para fazer aqui enquanto isso.
- Sério? Tinha que ser a para se atrasar mesmo... Bom, eu ainda não almocei...
- Nem eu.
- Para mim tanto faz.
Os três então se dirigiram até um dos restaurantes do aeroshopping, com Edward e Harry, um a cada lado de . Era uma cena até engraçada de ver os dois brigando pela a atenção da menina, tentando se superar em assuntos que ela gostava. Talvez até provar quem era mais inteligente ali.
- Bom, os soldados simplesmente usavam um lado da casa e a minha família o outro... Minha avó vive contando umas histórias da Segunda Guerra que são bem legais. Como quando ela conheceu meu avô...
Edward contava algumas histórias da sua família alemã durante a Segunda Guerra Mundial. – apesar dos pais judeus – simplesmente adorava as histórias da guerra. Tirando o fato das mortes, é claro. Harry percebeu que aquele assunto estava realmente encantando a menina, o que fez irritá-lo e planejar uma pequena mentira.
- Estava treinando umas batidas novas na bateria hoje lá em casa... Nossa, meu pulso está estourado.
Harry reclamou em um tom casual, largando o pulso estrategicamente em cima da mesa. deixou de dar atenção a Edward por um instante e fitou o rosto de Harry, que fingia dor exageradamente. Ela pegou seu refrigerante gelado e colocou ao lado do pulso do menino – já que não havia gelo ali – e começou a massagear o lugar lentamente, como sempre fazia depois dos shows e ensaios. Harry lançou um olhar vitorioso na direção de Edward, enquanto ainda fitava seu pulso, atenciosa.
- Bem fraquinho você, hein, Judd? Não agüenta uns exercícios na bateria. Imagina quando tiver que tocar de verdade.
- Ele tem tendinite, Ed.
censurou parecendo um pouco irritada e Harry teve de se segurar para não gargalhar vitorioso. Um silêncio instalou-se enquanto continuava a examinar o pulso de Harry e Edward olhava para o outro lado. Planejando alguma coisa para ter a atenção da menina de volta.
- Eu sei tocar piano.
Ele disse repentinamente fazendo os olhos de voltarem-se novamente para ele.
- Minha mãe tentou me ensinar quando eu era pequena... Acho que ela percebeu que o meu negócio não era música...
- E que música você toca? Parabéns para você, não vale...
- Coisas que estão fora do seu repertório, Judd.
Harry enrijeceu do outro lado da mesa, causando uma reação em Edward também. pareceu finalmente notar a bolha de tensão que rodeava os dois. Mas um momento de silêncio pairou na mesa – só que agora de uma forma muito mais tensa e desconfortável – até que o celular de tocou alto na bolsa.
- Oi, ! (...) Tudo bem. (...) Não, eu não sei. (...) Portão três? (...) Eles estão comigo. (...) Não, a não está. (...) Tudo bem, te encontro daqui a pouco. (...) Beijo, tchau (...).
Ela examinou a expressão dos dois meninos antes de expirar pesadamente e levantar-se jogando uma nota na mesa.
- A chegou, vamos lá.
Eles seguiram a menina até um dos terminais privados do aeroporto, onde os amigos já esperavam.

- Eu pensei que vocês não vinham mais também...
Tom comentou observando os amigos se aproximando. Ele não parecia estar muito confortável e eles se perguntavam o porquê daquilo.
- A gente foi almoçar... E como assim ‘também’?
- A não vem.
O mal estar de Tom em dizer aquilo era quase palpável. Os amigos se encararam sem saber exatamente o que dizer para o amigo. Sabiam que Tom estava mais ou menos assim durante a semana toda, mas ninguém sabia exatamente um por quê.
- A senhora deve estar com um novo programa para ajudar... Quem sabe ela não nos encontre lá depois?
Rose quebrou um pouco a tristeza que tinha se formado ali, fazendo com que todos olhassem para ela agradecidos. Não demorou muito até que eles estivessem indo para a plataforma de embarque. Havia um homem parado na porta do avião, ele pareceu abrir a boca para falar alguma coisa assim que viu se encaminhando a entrada, mas resolveu ficar quieto assim que viu o olhar de desespero que a menina o lançou. O que deixou Dougie – que vinha andando bem atrás dela – bem confuso. O que aquele homem ia dizer que a fez ficar daquela forma? Não demorou muito até todos estarem aconchegados nos bancos de couro creme do avião esperando pela partida.
O vôo estava sendo bem tranqüilo, a música ressoava pelos auto falantes, Dougie e dormiam nos primeiros bancos, e Danny ficavam olhando as nuvens pela janela discutindo qual deveria ser seu sabor, Edward e Tom estavam conectados cada um a seu notebook, Rose e conversavam a meia voz enquanto Harry e Chuck aborreciam a pequena tripulação pedindo comida e bebida a todo momento.
- Estamos entrando no ritmo da Itália!
Harry exclamou enquanto pedia mais uma taça de champagne.
- Pena que champagne é francês...
comentou baixinho causando risos entre ela e Rose. O vôo não era muito longo, então eles finalmente chegaram até a Itália onde uma espécie de Kombi mais luxuosa os esperava para levar até a casa do pai de . A casa era afastada da cidade e tão simpática, quanto linda: um muro mediado de pedra rústica a envolvia terminando em portões graciosamente trabalhados em cobre, um jardim colorido e ensolarado com uma fonte no meio dividia o espaço entre o portão e a casa principal. A casa era amarela com colunas gregas, sustentando a entrada de um branco totalmente igual ao das janelas e portas. O automóvel parou na entrada da casa e todos desceram livrando-se rapidamente de seus casacos, já que – apesar de também ser outono – era bem mais quente que na Inglaterra.
- Sua casa é definitivamente linda!
disse assim que abriu a porta da frente, revelando uma casa ainda mais bonita por entro. As influências da arquitetura jônica grega eram claras, com toda a delicadeza e feminilidade de todos os detalhes da construção. As paredes eram de um branco impecável, com uma decoração neutra, leve e aconchegante salpicada por flores recém colhidas de cores vívidas.
- Boa tarde, senhorita .
Uma senhora esguia de cabelos surpreendentemente pretos presos em um coque falou assim que percebeu a figura de parada na sala. Aquela deveria ser a governanta que falara.
- Boa tarde, Ágata. Esses são os meus amigos que eu te falei quando meu pai ligou.
A mulher acenou em direção e todos acenaram de volta, numa reação educadamente instantânea.
- Tem um lanche preparado para vocês no deck da piscina e reservei lugares naquela boate que você me pediu também.
A mulher fitou com diversão e logo depois a menina abraçou-a extremamente feliz.
- Um dia ainda te carrego para trabalhar em Londres!
disse soltando-a e indo em direção aos fundos da casa, sendo seguida pelos amigos que não sabiam exatamente o que fazer. O deck era tão impressionante quanto todo o resto da casa: a piscina num desenho perfeito, um espaço ao lado para festas ou qualquer coisa do tipo e ao fundo a praia.
- Eu adoro a Itália!
Harry comentou animado assim que fitou a mesa lotada de comida que os esperava. Eles riam como bêbados – não que estivessem muito longe disso – enquanto comiam, mas não demorou muito até estivessem todos subindo aos seus quartos para se arrumarem, afinal de contas tinham ingressos para uma boate. Os quartos tinham sido separados da seguinte forma: e Dougie, e Danny, Chuck e Rose, Harry e Edward. Tom tinha ficado sozinho, já que anteriormente todos contavam com a presença de e tinha ficado em seu próprio quarto. Depois de todos prontos, eles finalmente foram até a tal boate.

Enquanto isso, estava totalmente irritada sozinha em casa. Ela nunca sentira tanta raiva de sua mãe quanto naquele momento. Pôde ouvir os passos se aproximando novamente na porta.
- Vamos ver qual vai ser agora...
Ela murmurou para si mesma, mas diferente do que pensava não foi sua mãe quem aparecera, mas sim Halley.
- Me diz agora por que você está sentada nessa fossa.
- Eu não estou na fossa.
- Não?
- Não.
- Tá legal, ... Sorvete, cobertas, pijama e maratona de ‘The O.C.’. Isso é uma fossa! Só seria pior se você fosse apelar para ‘Friends’.
- É um seriado muito legal, valeu?
- Claro...
Halley desdenhou notando um dvd da série de friends na cabeceira da cama da menina.
- Sério... O que foi?
- Minha mãe não me deixou viajar com meus amigos e eu estou furiosa!
- E o que você ainda está fazendo em casa?
- Você queria que eu fizesse?
- O que uma adolescente normal faria! Vou te levar para uma balada. Depois que você tomar um banho, é claro...
Halley empurrava em direção ao banheiro e depois que já tinha deixado-a ali, foi até o closet da menina adiantando o processo de procura de roupa. Sabia que demoraria um ano para fazer aquilo.
- Para quê? Para me deixar sozinha lá de novo? Afinal de contas, o que você foi fazer para me largar lá sozinha?
gritava, não por raiva, mas para que Halley pudesse ouvi-la, já que a porta estava fechada e o chuveiro ligado. Halley abriu a porta e fitou a amiga não acreditando que ela não tinha deduzido.
- Eu conheci um gatinho... Ele era bonito, maneiro... Bom, você sabe ... Homens e mulheres... Erm...
- Você? Você? Você foi para cama com um cara que tinha acabado de conhecer?
- Pode me mandar para a inquisição agora...
Halley disse num suspiro impaciente saindo do banheiro novamente. não conseguia acreditar que a amiga realmente tivesse feito aquilo. Quer dizer, Halley costumava ser tão quieta, quanto mais em relação a essas coisas. Por um momento ela se perguntou o que mais poderia ter mudado. Mesmo assim não demorou muito para que elas estivessem saindo do quarto de pelo telhado.


Capítulo 23
As luzes da boate dançavam numa convulsão de cores sob os olhos doces de Tom que pareciam perdidos em qualquer lugar, menos ali. Algumas meninas passaram em sua frente flertando, mas ele também estava alheio demais para perceber isso. A maioria de seus amigos estava na pista de dança e os que ainda estavam sentados na mesa estavam envoltos em sua própria conversa, tinham simplesmente desistido de falar com ele.
- Tom?
chamou num tom preocupado e ele olhou para ela.
- Você quer ir para casa? Você não me parece bem...
- Não é nada...
Alguns segundos de silêncio reinaram entre os dois. fitava o amigo, preocupada, enquanto este apenas se preocupava em olhar para o copo de bebida que estava em sua mão.
- É a , não é?
O menino acenou que sim com a cabeça, fitando o chão sujo abaixo da mesa.
- Vocês brigaram ou coisa assim? A gente percebeu que vocês estão meio estranhos essa semana...
- Nós não brigamos é só que... Lembra da festa beneficente que a mãe dela deu?
- Lógico que lembro... A não parecia muito animada para ir...
- Então, ela fugiu da festa... Só que ela tinha me chamado par ir antes, então eu fiquei lá igual a um babaca esperando por ela. E quando finalmente ela me liga, ela estava tão bêbada que não sabia nem dizer em que lugar ela estava... E ela ainda estava com outro cara! E eu não fiz nada. Eu pareci absurdamente ciumento uma vez e ela ficou muito chateada... Eu não queria que fosse assim de novo.
Os lábios de viraram uma linha tensa ao ouvir as palavras do amigo. Ele parecia bem chateado com tudo aquilo, principalmente com a parte dela estar bêbada daquele jeito na companhia de outro cara, apesar deles não estarem fazendo nada aparentemente.
- Eu realmente não sei o que te dizer... Mas se você precisar de ajuda, eu estou aqui.
- Obrigado, ... Eu acho que vou ligar para ela. A gente não se falou muito bem... E provavelmente ela deve estar mal por ter brigado com a mãe dela.
- Ela brigou?
- É... Por isso ela não veio.
- Ah, sim...
Tom se levantou e foi até o terraço do local, onde estava tudo quieto, mas ainda assim movimentado já que a quantidade de pessoas se agarrando ali era incontável. Ele encarou o celular durante alguns segundos antes de finalmente discar o número.
- ?
- Acho que esse é o nome que a minha mãezinha me deu!
Tom achou que ela estivesse apenas brincando, mas percebeu uma pequena vacilada na voz da menina no final da frase e a risada que ela deu no final de tudo denunciara seu estado. Desde quando vinha bebendo daquele jeito?
- Onde você tá?
- Não sei... A Halley me trouxe aqui e ela deve estar dando para outro cara agora, porque ela sumiu!
- Halley?
- Mas você sabe como é o código, né? Ignore aquilo que não precisa ser notado. Então nós dois não sabemos disso.
- , desliga isso!
Ele ouviu uma voz diferente falando e logo depois o celular foi desligado. Uma agonia tomou conta de Thomas novamente. Era quase uma fúria. Por que ela estava fazendo aquilo? Ele temia em pensar nela naquele mesmo estado que estava há uma semana, só que agora simplesmente sozinha. Alguns fantasmas começaram a rondar a sua mente, fantasmas do que poderia acontecer. Tom não pode evitar estremecer diante disso. Ele desceu rapidamente precisando de um escape para seus pensamentos, indo diretamente ao bar. Ele encarou o copo que lhe era servido, desconfiado por algum tempo. Mas ele precisava fugir daquilo, era melhor estar inconsciente do que ficar imaginando o que poderia acontecer com a sua namorada que estava do outro lado do continente. A última coisa que ele pôde ouvir naquele lugar era uma mistura de Oasis com Green Day, que poderia realmente estar sendo tocada ou apenas era fruto de sua confusa mente.

- Isso, Tom... Coloca para fora...
apoiava o amigo, que estava vomitando novamente.
- Se vomito fizer bem as plantas... vai ter ainda mais flores...
Os amigos se divertiam e todos entraram na casa assim que Tom acabou. Eles ficaram algum tempo lá embaixo, conversando ou jogando cartas, sem muitas opções sobre o que fazer. Quando todos resolveram ir dormir, já estava chovendo bastante lá fora, o que segundo era sinal que faria um lindo sol no outro dia.
Ela tinha acabado de sair de um banho fervendo e seus músculos estavam totalmente relaxados por baixo de sua confortável camisola de seda chinesa. Passou por sua cabeceira acendendo sua luminária, rindo levemente quando as imagens de fadas começaram a refletir em suas paredes, aquilo tinha a feito pensar numa conversa muito engraçada na casa do Judd. Assim que ela desligou o interruptor da luz do quarto, todas as luzes se apagaram. Repentinamente ela estava mais alerta e assustada do que tudo.
- Merda!
Harry resmungou ao mesmo tempo em que resmungava a dois quartos de distância. Edward o encarou com uma expressão não vista de claro escárnio nos olhos.
- Tem medo de escuro, Judd...
Harry não se deu o trabalho de responder, apenas levantou-se indo em direção ao quarto de . Abriu a porta lentamente, sussurrando o nome da menina para a escuridão.
- ?
miou uma resposta incomprensível, abraçada as suas próprias pernas, sentada em meio aos edredons de sua cama. Seus braços se soltaram um pouco de suas pernas ao perceber quem estava ali. estava morrendo de medo de toda aquela escuridão, mas nenhuma emoção era mais forte do que o encantamento e a surpresa. Ele tinha ido até lá por ela! Não é como se ele tivesse atravessado um grande espaço também, mas ele estava ali. Isso tinha que significar alguma coisa. Ela ouviu ansiosa, os passos dele até chegarem a sua cama, logo depois se deitando ao seu lado e abraçando-a ternamente. Ela encostou sua cabeça sob o peito de Harry. O cheiro de perfume e cigarro que vinha da camisa gasta que ele usava para dormir era profundamente aconchegante, por mais que detestasse essa mania dele de fumar.
- Harry, será que a luz vai demorar a voltar?
- Acredito que não, ...
- Por que você veio para cá?
- Bom... Eu... É... Você quer que eu vá embora?
- Não... Eu... Só... Sei lá.
Os dedos de agarraram-se leve e inconscientemente a blusa do menino ao pensar nessa idéia. Num misto de dois medos: de ficar ali sozinha e de perder aquele momento. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, até que falasse novamente. Ela tentou falar sobre um assunto mais leve, que não estivesse envolvido com sua fobia pelo escuro.
- Meu aniversário está chegando...
- Eu sei... Parece que foi ontem que a gente acabou trocando malas lá no colégio.
- Depois do primeiro ano a gente ficou tão amigo...
Os dois ficaram em silêncio novamente, remetendo suas mentes ao mesmo momento de suas vidas. pareceu meio relutante ao falar novamente.
- Eu tinha medo de que não durasse... Me apeguei a você com muita facilidade...
- No entanto, aqui estamos nós... Você ainda morrendo de medo do escuro.
- E você ainda vindo me socorrer do escuro.
Mais um pequeno silêncio atingiu os dois até que Harry falou mais uma vez.
- Eu não tenho mais medo do que pode vir...
- Como assim?
- Sabe... Eu... Sei lá... Tinha medo que você arrumasse outro alguém... Um namorado, sabe? E se esquecesse de mim. Eu vi... Vi isso acontecer na televisão... Me aterrorizava que acontecesse com você também...
Harry deu graças a Deus das luzes estarem apagadas e, assim, não pudesse perceber o rubor que tinha tomado sua face assim que ele falou aquilo. Mesmo sabendo que não poderia ver nada, levantou os olhos e pode ver apenas o tracejado da face de Harry. Seu sangue pulsava forte contra suas veias, o coração estava disparado, as borboletas dançavam em seu estômago e, em seus pensamentos, talvez aquilo significasse muito mais do que realmente deveria. Nenhum dos dois falou mais nada e Harry pôde sentir bocejar ao seu lado.
- Dorme, ...
- Não consigo, está muito escuro...
- Eu tô aqui com você.
- Eu sei... Mas eu não vou conseguir...
- Como você conseguia dormir em casa quando faltava luz?
- Minha mãe... Quero dizer, na maioria das vezes era uma das empregadas... Elas cantam para mim... Canta para eu dormir?
- Cantar, ?
- Só um pouco...
Harry afinou sua voz, mas interviu antes que ele soltasse a primeira nota.
- Tem que ser uma música latina... Sabe como é, empregadas mexicanas.
Harry pareceu ponderar durante um tempo.
- Serve se for só de um artista latino?
Dessa vez que ponderou durante um tempo, logo depois assentindo que sim. Apesar do escuro ela sabia que provavelmente Harry estava corado e totalmente sem graça pela situação. Ele realmente detestava cantar para alguém que não fosse seu chuveiro. Ela achava uma real palhaçada ele ter vergonha de uma voz daquela. Seus pensamentos foram cortados pelas primeiras notas cantadas pelo menino.

Would you dance
(Você dançaria)
If I asked you to dance?
(Se eu te pedisse pra dançar?)
Would you run
(Você correria)
And never look back?
(E nunca mais olharia para trás?)
Would you cry
(Você choraria)
If you saw me cryin'
(Se me visse chorando?)
Would you save my soul tonight?
(Você salvaria a minha alma hoje a noite?)

Os primeiros versos saíram meio tremidos e hesitantes dos lábios do menino, enquanto fechava seus olhos colocando-se entre o peito e o braço de Harry, e ele acariciava levemente o braço dela.

I can be your hero, baby.
(Eu posso ser o seu herói, baby)
I can kiss away the pain.
(Eu posso te beijar e a dor ir embora)
I will stand by you forever.
(Eu vou esperar por você para sempre)
You can take my breath away.
(Você pode tirar o meu fôlego)

- Você pulou grande parte de música...
- Dorme, ...
Ele disse a restringindo docemente beijando a testa da menina logo depois. foi entregando-se pouco a pouco ao sono sendo seguida por Harry também.

Já tinha amanhecido e a maioria dos amigos já estavam devorando - quase que ferozmente - todo café. Como havia previsto, estava um lindo dia. Ela e Harry conversavam qualquer palhaçada quando chegaram até a sala de jantar.
- Bom dia...
resmungou se sentando recebendo um ‘bom dia’ de todos que já estavam sentados. As meninas se entreolharam e logo depois olharam para com perguntas e mais perguntas guardadas, mas a quantidade de sono que ela ainda sentia não permitiu que ela percebesse nada. Os meninos – que tinham acordado antes – deixaram a mesa em direção a piscina, o que foi a deixa perfeita para que as meninas começassem com os milhares de perguntas.
- Conta tudo!
- Tudo o quê?
- Nada não... Só como o Harry foi parar no seu quarto.
- Como vocês sabem disso?
- Vocês desceram juntos hoje...
- Mas isso...
- E quando eu fui te chamar de manhã, lá estavam vocês dois dormindo juntos. A cena mais fofa de se ver!
pareceu ponderar um pouco sobre os olhares curiosos das amigas. Ela sabia que elas a pressionariam até ela contar de qualquer forma.
- Ou conta de boa, ou vamos ter que aplicar nossas técnicas ninjas.
ameaçou fazendo arregalar os olhos, falsamente assustada. Elas riram levemente e encarou seu prato enquanto começava a falar insegura.
- Ontem faltou luz... E eu tenho medo. Ele só foi lá porque ele sabe disso e não queria me deixar dormir no escuro sozinha... Eu não conseguiria dormir naquele escuro de qualquer forma.
- Que bonitinho!
- E ele cantou para mim...
- Harry cantando?
- Uhum.
- Só pode ser muito amor!
- Como assim, Rose?
- Fala sério, ! Quantas vezes você viu Harry Judd cantar? E desde que ele terminou com a Annie ele só tem andado com você...
Rose insinuou e pareceu lutar um pouco com a idéia. Considerando-a melhor segundos depois.
- Vocês acham que ele...
- Eu tenho certeza que ele gosta de você!
finalizou incentivando a amiga, que abriu o maior sorriso que pôde. Foi impossível não conter os gritos de animação.
- Agora, vamos para a piscina porque esse sol está chamando...
disse e todas as meninas concordaram seguindo até a piscina. A água estava perfeitamente azulada, assim como o céu. Alguns raios de sol brincavam na água o que só tornava tudo mais bonito ainda. Danny, Tom e Dougie estavam sentados nas espreguiçadeiras conversando, Harry e Chuck jogavam futebol em um espaço de grama que tinha por perto e Edward estava deitado em uma das espreguiçadeiras também, mas ao contrário dos outros ele não aparentava estar muito feliz. Ele pareceu ter uma súbita inspiração e entrou em casa de novo, antes que as meninas pudessem ter chegado até o deck.
- Cara, essa água tá me chamando...
disse enquanto tirava sua blusa indo em direção a piscina, sendo seguida pelas outras meninas, exceto que permanecia em pé olhando o local, parecendo perdida em pensamentos. A menina não percebeu Dougie se aproximando.
- Você não vai entrar na água, não?
- Não agora... Estava pensando em ir à cidade.
Dougie observou cuidadosamente a expressão de .
- Tudo bem, vou colocar minha camisa e nós vamos juntos.
Ele disse colando rapidamente seus lábios no dela e entrando na casa a procura de sua camisa, sendo seguido por .
- Você vai comigo?
- Você não achou mesmo que eu fosse te deixar andar sozinha num país estranho, achou?
Dougie perguntou retoricamente enquanto puxava até a porta da frente, sem reparar que a menina corara levemente com seu comentário protetor. Ele pegou a chave de um dos carros que estava na garagem – que segundo estavam a disposição para uso deles – e os dois foram até a cidade.

- ... Eu fui até aquela central de turismo e tem um lugar que parece realmente lindo para nós conhecermos.
- Não antes de um sorvete.
- , não acredito que dê tempo, e esse lugar é mesmo muito lindo.
- Mas, Dougie... É a Itália! Dizem que é o melhor sorvete...
disse fazendo manha e Dougie não conseguiu resistir a expressão fofa dela. Segundos depois, lá estavam os dois comendo o tão desejado sorvete.
- É realmente bom.
Dougie comentou enquanto os dois andavam pelo calçadão do lugar, percebendo só depois que tinha parado algumas vitrines antes.
- Não é à toa que a Itália tem formato de bota... Olhe esses sapatos! É como se Deus quisesse dizer, “os melhores sapatos vão ser feitos aqui”.
- , você não vai querer parar de novo...
- Mas, Dougie...
- Caramba, . Eu programei uma coisa legal para a gente hoje... Sapatos você pode comprar em qualquer lugar... E daqui a pouco vai ficar tarde para fazer o que eu quero.
Os dois ficaram em silêncio se encarando até que cedeu.
- Tudo bem... Mas depois você vai voltar aqui comigo...
- Até quinhentas vezes.
Ele disse pegando na mão de andando de volta para o carro. Os dois seguiram conversando pela estrada estreita e deserta, a música que saía dos autofalantes do carro tornava tudo ainda mais aconchegante. Dougie tinha uma das mãos no volante e com a outra gesticulava copiosamente, o sol vindo do teto solar do carro acariciava sua pele, enquanto o vento vindo da janela bagunçava seus cabelos fazendo com que não desgrudasse seus olhos dele, de seus lábios levemente secos, de sua pele agora avermelhada por estar exposta ao sol.
- Eu... Acho que nós chegamos.
- Erm... Dougie, chuchu, se você não prestou atenção, não tem nada aí.
- Tem sim. Uma trilha, não está vendo?
- Isso significa que nós vamos ter que andar?
- Acho que é uma coisa que as pessoas fazem numa trilha.
- Mas... Mas...
- Mas?
- Não tem condições de andar com esses sapatos!
Dougie fitou prestando atenção no que a menina vestia. Uma sapatilha vermelha aparentemente plástica, um short jeans despojado, uma camiseta com uma frase engraçada, algumas pulseiras vermelhas combinando com os outros acessórios e uma bolsa listrada bem navy. Quando parou para olhar o rosto da menina, ela o encarava com uma cara falsamente emburrada, uma expressão bonita e até um pouco sexy nos pensamentos dele.
- Espero que você tenha trazido biquíni.
Foi a única coisa que ele disse antes de sair do carro, fazendo segui-lo, já que a mesma não iria ficar ali sozinha.
- Se eu ficar com calos... Ou se a minha sapatilha simplesmente se estragar...
ameaçou passando na frente de Dougie para entrar na trilha, fazendo com que o menino tivesse que prender o riso levemente. Mas ao contrário do que ela esperava, a caminhada não estava sendo tão ruim. Ela e Dougie conversavam sobre coisas irrelevantes, porém engraçadas e não havia tantos obstáculos pelo caminho, que parecia calçado para melhorar o acesso dos turistas.
- Se essa vista não valer a pena...
resmungava enquanto eles estavam prestes a chegar ao topo da trilha.
- Você não está tão perto de onde eu quero te levar...
- Dougie!
Gradualmente a quantidade de oliveiras e pequenas árvores do caminho foram acabando, revelando que eles estavam chegando ao cume do local. Inicialmente o que pode ver era apenas uma ponta do mar, mas logo depois havia uma bela praia cercada por vegetação nativa. A água límpida e azul era convidativa, a areia branca como talco refletia a luz solar e as ondas chocavam-se as pedras espalhadas pela orla do mar formando uma espuma branca na parte mais rasa.
- É lindo...
sussurrou para si mesma, logo depois sentindo os braços de Dougie envolverem-se em sua cintura e os lábios do menino encostaram-se no seu rosto quente.
- Vai ficar só vendo a vista ou descer para praia?
Ele sussurrou para ela dando-a pela primeira vez no dia a chance de escolher alguma coisa.
- Não iria valer o sacrifício dos meus sapatos se eu não descesse até lá...
Ela disse divertida sem querer delongar o tempo que eles estavam parados ali. Dougie soltou seus braços da cintura dela e agarrou uma de suas mãos puxando-a para a descida de acesso a praia tomando cuidado para não escorregar em nenhuma pedra.
- Está tão vazio para um lugar tão bonito...
- Aparentemente, esse não é o melhor clima para os italianos irem à praia...
- Eles esperam o quê? Estar chovendo para entrar na água? Olhe todo esse sol!
Dougie deu ombros como se não entendesse também e separou-se um pouco de , de modo que pudesse tirar a camisa. A menina ficou temporariamente paralisada pelo inesperado abdômen definido que o menino tinha. Enquanto isso, os dois não reparam na presença de uma terceira pessoa na praia. Um alguém que vinha se aproximando deles a cada momento.
- Ciao!
O homem aparentemente mais velho disse a alguns metros deles, fazendo que ambos olhassem na direção que ele vinha.
- Olá?
- Ah, sim, ingleses...
O homem pareceu estar falando consigo mesmo durante um instante.
- Tudo bem com vocês?
- Erm... Acho que sim.
- Eu não quero atrapalhar o passeio de vocês... É que a agência do centro avisou que talvez aparecessem alguns visitantes por aqui e pediu para que eu trouxesse pranchas de surf... São vocês?
encarou Dougie com dúvida e ele acenou com a cabeça que sim.
- Bom, as pranchas estão ali na areia e quando vocês terminarem é só deixarem ali de novo...
Dougie concordou com a cabeça e o homem se afastou sumindo ao longo do caminho.
- Você veio de biquíni? Porque se você não veio, eu não me incomodo se você quiser tomar banho de sutiã, afinal eu não me incomodaria nem um pouco ver você sem ele também.
- Dougie!
Dougie começou a falar assim que viu a interrogação nos olhos da menina, recebendo um quase grito de desaprovação.
- Tudo bem... Nada de mergulho de sutiã...
- Você é uma pessoa de pensamentos meio impuros para a sua altura.
- Saiba você que pequenos homens podem fazer grandes coisas!
- Claro, claro. Que diga os sete anões.
comentou, enquanto aproximava-se do lugar onde as pranchas estavam colocadas. Os dois ficaram ali por bastante tempo, surfando ou tentando fazê-lo, já que não conseguia ficar em pé e de alguma forma Dougie sempre acabava tomando um caixote ou tomando uma pranchada na cabeça - até que o sol começou a dar os sinais de que já era mais que hora de irem para casa.
- Acho que nós podemos esperar um pouquinho aqui...
Dougie disse observando o pôr-do-sol sobre a praia, do mesmo lugar que tinha parado antes de seguir até a praia com antes. Os dois se apoiaram em uma pedra que tinha ali e observaram o sol descer cada vez mais no horizonte.
- Sinto falta de música...
- Como?
- Seria mais legal se tivesse uma música... Eu faço isso com todos os lugares que eu realmente gostei de visitar... Ouço uma música antes de sair deles. Para sempre que ouvi-la, eu me lembrar.
- Desculpe, mas eu não faço aula de carpintaria. Então eu não sei construir um violão.
- É realmente lamentável. Vamos, Dougie... Já esta tarde para ir para casa.
selou os lábios do menino contra os seus e fez menção de sair, sendo segurada por Poynter.
- Nem tão rápido.
Ele disse divertido, antes de puxá-la novamente para perto dele, beijando-a como se não o tivesse feito há muito tempo.


Capítulo 24
Enquanto isso, na casa de , todos permaneciam na piscina. e estavam na margem direita deitadas nas espreguiçadeiras; Tom estava perdido em algum lugar da casa; Edward e Rose estavam conversando perto da churrasqueira e Harry estava deitado sozinho até que Chuck chegou bufando e jogou-se ao seu lado.
- Que foi, cara?
Chuck apontou a cena com um gesto com a cabeça. Edward estava encostado na mesa conversando animadamente com Rose, que não tirava os olhos dele, encantada pelo menino. Eles gesticulavam, riam exageradamente e trocavam olhares significativos, o que com certeza não deixava Chuck nem um pouco feliz. Harry observou por um segundo a expressão do menino e logo depois voltou a sua posição inicial, falando enquanto expirava tranqüilamente.
- Também não sou o maior fã do Hubbermann.
- Eu sei... Por causa da , não?
- De certa forma, sim.
- Você gosta dela.
Chuck sentenciou e Harry olhou para ele subitamente nervoso.
- Não! Quero dizer... Não nesse sentido. Eu vi a crescer... Eu não quero qualquer cara com ela.
- Sei, sei...
- É sério, Chuck!
- Quem disse que eu não estou acreditando, cara?
Chuck parecia entretido com alguma coisa que estava longe e Harry resolveu olhar na mesma direção e ver o que prendia tanto sua atenção. Seus olhos pararam diretamente sobre , o sol batia sobre a menina que acabava de sair da água; seu corpo era perfeitamente desenhado e esguio; as gotas de água escorriam de seu cabelo até sua pele aonde se misturavam aos raios solares de forma lúbrica; os lábios dela formavam um sorriso enquanto ela conversava com e passava a toalha felpuda sobre seu próprio corpo. Ele ficou hipnotizado pela visão, como ela era naturalmente bela e sensual, sem nenhuma vulgaridade, apenas sensualidade, graciosidade e beleza.
- Cacete, Harry!
Chuck exclamou, assim que uma das mãos de Harry empurrou seu rosto quase com violência, fazendo-o olhar para o outro lado.
- A sua garota... É aquela.
Ele disse quase ríspido apontando para Rose do outro lado da piscina. A idéia que Chuck estava olhando – e pelo visto desejando – a o enchera de uma fúria estranha que ele não conseguia entender. Chuck riu da reação do garoto e bateu levemente em suas costas, num gesto amigável, enquanto se levantava e ia para longe dali deixando um Harry confuso e sozinho.

- , onde está o Danny?
perguntou levantando os olhos e procurando o menino pelo local.
- Não sei... Por aqui ele não está...
- Acho que eu vou procurá-lo lá dentro.
avisou à amiga, vendo-a acenar que tinha ouvido. Levantou-se e foi em direção a casa, mas antes que chegasse a procurá-lo em algum lugar, ouviu sua barriga reclamar de fome e foi até a cozinha.
- Acho que a não vai se importar se eu mexer na geladeira dela...
comentou para si mesma enquanto caminhava pela cozinha estranhamente vazia. Abriu a geladeira fartamente abastecida, pegando uma caixinha de pasta de atum que estava por ali, logo depois se dirigindo até a bancada. Ela cantarolava enquanto cortava o pão e não reparou quando uma segunda pessoa entrou no local.
- Sua voz é linda.
Danny disse com a voz rouca bem próxima ao ouvido da menina, fazendo-a arrepiar-se enquanto ele a abraçava por trás. deu um pequeno sorriso e Danny começou a espalhar beijos entre o pescoço e a orelha da menina. Ela nada respondia ou fazia, mas sua respiração começava a oscilar conforme os lábios quentes de Danny atingiam mais e mais sua pele. Danny pousou suas mãos sobre a cintura da menina, fazendo-a virar-se de frente para ele. Ele subiu uma de suas mãos até o rosto dela, acariciando-o ternamente, colocando algumas mechas de cabelo atrás da orelha dela, enquanto observava cada traço do rosto da menina. tinha os olhos fixados nos olhos extremamente azuis e fascinantes do menino. À distância entre os dois foi diminuindo gradativamente até que não restasse nenhuma e seus lábios pudessem tocar um ao outro. Danny passou a língua quente sobre os lábios de e essa rapidamente deu passagem a ele. O beijo que começara doce e terno, ia se tornando cada vez mais desesperadamente apaixonado. As mãos de Danny traçavam um caminho por todo corpo de , enquanto a mesma tinha suas mãos passeando entre os cabelos e a nuca do menino. As mãos de Danny pousaram sobre as coxas da menina apertando-as levemente, ele levantou-a delicadamente fazendo-a sentar-se na bancada com suas pernas agora agarradas a cintura do menino.
- Acho... Melhor... A gente... Procurar... Um... Quarto...
dizia quase sem fôlego fazendo Daniel parar repentinamente o beijo e olhá-la como se questionasse se era mesmo isso que ela queria ou não. A verdade é que, apesar de eles estarem juntos há algum tempo, isso ainda não havia acontecido entre os dois; Danny sentia que não era igual às outras e isso fazia com que ele ficasse meio hesitante ao pensar nesse assunto. Não houve nenhuma palavra e, no pouco tempo que aquela troca de olhares aconteceu, foi como se milhares de palavras fossem ditas. Um sorriso brincou nos lábios de Daniel antes que ele colasse seus lábios ao de novamente e levasse-a em direção ao quarto em que os dois estavam hospedados.

A noite já atingira novamente o local e todos estavam sentados sem fazer nada em especial na sala de estar: , Tom e Dougie conversavam qualquer coisa em um canto; Danny e estavam se curtindo abraçados em um dos sofás; e Rose liam a edição italiana da Vogue e o resto dos meninos assistia uma reprise de um jogo de futebol.
- Cara... Eu tô com fome.
declarou alto o bastante para que todos olhassem para ela e concordassem com a afirmação.
- ... Não é por nada, mas cadê o pessoal que trabalha na casa?
- Rose, nem eu sei... Quero dizer, acho que é alguma espécie de feriado aqui... Vamos ter que apelar para pizza.
- Gente, pizza é bom, mas eu não agüento mais! Mesmo porque, até chegar aqui, vai estar mais fria que não sei o quê.
- O que você sugere então?
- Erm... Ninguém sabe cozinhar?
Todos na sala se entreolharam com a mesma expressão de dúvida, quase amedrontada. Os males de ser um mimado: é meio difícil se virar sozinho.
- Eu sei.
Edward disse para a surpresa de todos. Ele levantou-se sobre os olhares curiosos e foi em direção a cozinha, levando com ele – para a raiva de Harry.
- ... Você sabe onde fica alguma coisa aqui?
- Sinceramente, não. Mas é só me dizer o que você quer que eu procuro.
- Então tá... Veja se tem salmão, uma frigideira e azeite. O resto eu estou vendo por aqui.
Não foi difícil achar nada daquilo na organizada cozinha, então em questão de minutos estava sentada apenas observando o menino. O menino vestia apenas uma calça de moletom, bem à vontade assim como todos estavam. analisava as costas malhadas e desenhadas mordendo levemente o lábio, nunca tinha reparado no quanto Edward era atrativo. Quer dizer, não era apenas um rosto bonito e uma mente brilhante. Era também um dono de um belo corpo. Ele comentou qualquer besteira, fazendo deixar momentaneamente seus pensamentos levemente impuros e voltar à realidade.
- ... Você sabe fazer macarrão?
- Eu assisti um capítulo do James Oliver fazendo...
- Você pode ir fazendo enquanto eu termino isso aqui?
Edward fez uma cara fofa enquanto pedia e deu ombros descendo da bancada onde estava sentada e indo até o armário pegando uma panela e o macarrão, logo depois ficando ao lado de Edward no fogão. Os dois implicavam um com o outro enquanto cozinhavam e em pouco tempo já estava tudo pronto. Os dois caminhavam rindo escandalosamente com as travessas de comida na mão.
- Degustem...
disse enquanto colocava sua travessa em cima da mesa e sentava-se a mesma, gesto que foi imitado por todos. e Edward trocaram um olhar significativo antes de comerem, fazendo Harry virar-se para seu próprio prato furioso, sem esperar muita coisa daquela comida. Durante um tempo a única coisa que pode se ouvir foi o tilintar dos talheres no prato, até que quebrou o silêncio.
- Edward, você definitivamente já pode casar!
- Concordo!
- O macarrão não está lá às maravilhas, mas esse peixe...
- Mais respeito com meu macarrão, Rose!
- cozinhando? Droga, eu vou lá pegar o remédio de desintoxicação.
brincou enquanto fingia levantar da mesa, fazendo lançar-lhe uma careta e as outras meninas rirem da situação.
- Pra mim está bom.
Harry disse depois de um tempo, quando todos já estavam quietos e as meninas se entreolharam antes de abafar um sorriso e perceberem corar levemente.
- Tá legal, seus gordos, acabou a comida. Isso porque vocês disseram que estava ruim.
- A gente estava brincando, biju. Você pode casar também! Casa com o Edward que eu vou jantar na sua casa toda noite.
brincou com enquanto elas se levantavam da mesa indo em direção à cozinha levando os pratos e travessas, recebendo um olhar quase ameaçador de Harry.
- Cara, eu estou com sono...
resmungou apoiando-se em Dougie colocando sua cabeça no ombro do menino, enquanto este a abraçava pela cintura. Pouco a pouco foram todos subindo para seus quartos e não demorou muito para que todos dormissem também.


Capítulo 25
No outro dia, Harry tinha sido o primeiro a acordar, a verdade era que ele pouco havia dormido pensando nos sentimentos cada vez mais confusos em sua mente, ficando cada vez mais aflito ao pensar em . Ele levantou-se e estava sentado sozinho em uma das espreguiçadeiras da piscina olhando o mar, até que uma idéia o atingiu subitamente fazendo-o sair dali quase elétrico a procura do que desejava. Algumas horas depois, também desceu e encontrou o menino mexendo nas cordas de um barco enquanto os empregados se movimentavam atrás da mesma colocando a mesa do café. fitava o corpo do menino contra o sol da manhã, enquanto esse arrumava algumas cordas de um barco. Os braços semimusculosos do menino, seu rosto concentrado no que estava fazendo, a praia linda atrás dele, tudo deixava encantada até que ele percebeu o olhar da menina sobre si e sorriu em sua direção fazendo quase ter um ataque do coração.
- Ai meu miocárdio...
Ela comentou inspirando o máximo de ar que seus pulmões permitiam e vendo Harry se aproximando dela lentamente, os raios de sol brilhantes brincando pela pele do menino, uma brisa suave soprando contra seu cabelo e seu abdômen desenhado a mostra já que ele estava sem blusa.
- ... Eu estava me perguntando se você gostaria de dar um passeio de barco por aqui comigo.
Ele disse assim que chegou ao lado da menina, pegando em suas mãos olhando docemente no fundo de seus olhos quase a hipnotizando. Para os dois, momentaneamente existiam apenas um ao outro ali, então ambos se assustaram quando uma voz diferente – mas não desconhecida – soou vinda de trás deles.
- Legal Judd, posso ir também?
Edward falou, fazendo com que ambos olhassem para ele. com um sorriso brincando nos lábios e Harry com uma fúria clara nos olhos. Apesar de pensar que seria muito mais romântico se estivessem apenas ela e Harry no barco, pensou que a presença de Edward ajudaria, já que isso impediria que deixasse seus sentimentos por Harry tão óbvios. Porque, apesar de tudo que as meninas vinham lhe dizendo, ela não queria deixar tudo o que ela estava sentindo transpassar, ela não queria arriscar a amizade que existia entre os dois.
- Então, ?
- É claro que eu vou, Harry! E eu adoraria que você fosse também, Ed! Só esperem-me trocar de roupa. Já volto.
Enquanto ia se afastando, uma máscara de ódio cobria o rosto de Harry e um cinismo, nunca antes visto, tomava o rosto de Edward. Nenhum dos dois se atreveu a falar, sabendo que aquilo traria ainda mais tensão a cena e eles iam acabar se batendo. Os dois ficaram se encarando tempo o bastante para ter tempo de ir e voltar. Ao perceber que a menina voltava, os dois refizeram suas expressões falsamente satisfeitas. O que não deu muito certo, porque assim que a menina entrou no campo de visão dos dois a única expressão que tomou os dois foi a de surpresa: usava um vestido tomara que caia azul com estampas tribais vermelhas, uma sandália rasteirinha creme, óculos de sol grandes Dolce e Gabbana e os cabelos caiam levemente cacheados em seus ombros.
- Vamos, meninos?
- Vamos.
Harry caminhava na frente dos outros dois, passando pela piscina e indo em direção ao barco que os esperava. O barco era espaçoso e não um veleiro como Harry gostava, mas sim uma lancha.
- , fica aqui em cima a vista é ótima!
Harry disse da cabine de cima do barco, fazendo com que subisse até lá e ficasse ao seu lado enquanto ele dirigia.
- Isso está errado.
Edward comentou assim que chegou até ali também, apontando para um dos controles do barco deixando Harry irritado, ele sabia o que estava fazendo.
- Não, não está.
- Fica tranqüilo, Ed, o Harry sabe o que está fazendo.
- É, eu sei o que eu estou fazendo.
- Não você não sabe, se soubesse tinha colocado aquela alavanca para cima.
- Edward, cala a boca. Já disse que sei o que estou fazendo e aquela alavanca ali não tem nada que estar ativada.
- Lógico que tem, Judd! Aprendeu a navegar aonde?
- Com meu pai, que por um acaso é chefe da marinha britânica e não ganhou esse título à toa. E isso aqui não é assunto seu.
- Pelo visto seu pai se esqueceu de te explicar certas coisas. E a partir do momento que eu estou dentro desse barco correndo riscos, porque você é estúpido o bastante para não ligar a porcaria da alavanca certa, é meu assunto.
- Engraçado, até onde eu me lembro você se autoconvidou, então não banque a vítima por estar dentro desse barco.
- Liga a porcaria da alavanca, Judd.
- Vai cozinhar, Hubbermann.
- Dá pra parar vocês dois?!
se manifestou pela primeira vez durante a briga e os dois ficaram automaticamente quietos.
- Edward, deixa o Harry, ele sabe o que está fazendo... Não precisa se preocupar.
- Mas...
- Ed, por favor!
- Tá bom, .
Um sorriso vitorioso se formou nos lábios de Harry e Edward desceu da cabine revoltado, fazendo se sentir um pouco mal por talvez ter magoado o menino.
- Harry... Eu vou descer para ver se o Ed está bem...
Ela murmurou com uma voz afetada, fazendo o sorriso sumir dos lábios de Harry automaticamente e descendo logo depois. Edward estava sentado meio emburrado, olhando o mar na lateral do barco num lugar onde não poderia ser visto se alguém olhasse da cabine superior. A raiva pulsava forte em suas veias e ele se perguntava por que tipo de motivo idiota e masoquista ele tinha pedido para estar ali. Quer dizer, ele sabia que o que sentia por não era só amizade e sabia que o sentimento que ela tinha por Harry era maior que amizade também, então por que infernos ele estava ali? Para vê-la defendê-lo? Para ver se derreter a menor porcaria que Harry fizesse? A raiva de si mesmo o atingia cada vez mais forte e a única coisa que ele queria naquele momento era sumir dali, até que pode sentir sentando-se ao seu lado apoiando levemente a cabeça no ombro do menino.
- Ed... Desculpa, eu não queria te deixar chateado.
- Eu que peço desculpas, . Eu que não deveria estar aqui... Quer dizer, eu tinha tanto medo do que isso poderia causar no seu coração. Porque eu gosto de você , de verdade! E esse cara... Cara, ele não te vê dessa forma... E eu não quero te ver sofrer, sabe? Eu não quero te ver chorar como naquele dia... Eu não posso deixar ele te machucar e não fazer nada.
ficou quieta apenas ouvindo o menino, com os olhos fechados sem saber realmente o que ela poderia dizer. Edward tinha os olhos fechados também, mas dessa vez ele tinha medo de abri-los e ver algo que não queria nos olhos de .
- Ed...
Ela chamou depois de um tempo e o menino abriu os olhos, encarando-a.
- Obrigada por se preocupar. Eu... Eu nem sei o que te dizer... Eu só...
Os dois ficaram apenas se olhando na falta de palavras e mal sentiram o barco parar suavemente. Harry havia descido da cabine e observava a cena de longe e sentia uma mágoa furiosa tomar seu corpo. Ele pigarreou alto, fazendo com que Edward e desviassem seus olhos para ele momentaneamente.
- Eu achei um lugar bom para mergulho.
Harry disse simplesmente fazendo com que se levantasse animada, pronta para mergulhar. Os três seguiram até a proa da embarcação, dando de cara com uma gruta marítima linda, com a água azulada e relativamente calma para um lugar em mar quase aberto.
- Tem certeza que dá para mergulhar aqui, Harry? Eu não quero virar comida de tubarão...
- Eu nunca deixaria um tubarão te pegar, .
Edward e Harry responderam no mesmo momento fazendo a menina corar levemente. Primeiramente, Harry tirou a blusa fazendo com que os olhos de explorassem claramente cada parte do corpo definido do menino com um sorriso pervertido brincando nos lábios ao reparar o caminho da perdição, logo depois o menino jogou-se no mar de forma engraçada fazendo-a rir abertamente. Os olhares para o corpo de Harry não passaram desapercebidos por Edward que se apressou em levantar-se e livrar-se de sua camiseta também. Os olhos de inevitavelmente também pairaram sobre o corpo do menino. Edward não era tão definido quanto Harry, mas tinha o corpo desenhado e sua pele era tão britanicamente branca que refletia o sol. O que não o fazia ficar menos sexy ou atrativo.
- Tô feita...
murmurou divertida para si mesma, antes de levantar-se e se livrar de seu vestido para mergulhar revelando um biquíni tomara que caia com a parte de cima creme e a de baixo rosa de formatos sensuais, mas não vulgares para o deleite dos meninos.
- , de onde é esse biquíni? Não vi você usando ele ainda.
- É um biquíni brasileiro que a minha mãe me deu quando esteve lá, Harry.
- É bonito, deveria usar mais vezes.
- Adoro o Brasil.
Edward murmurou, alheio a conversa dos outros dois enquanto observava mergulhar muito mais graciosamente que os dois. Os três ficaram ali mergulhando e brincando na água, esquecendo-se momentaneamente de todos os problemas e diferenças que existiam entre eles, aproveitando aquele tempo apenas para se divertir.

No fim da tarde, todos estavam de volta a casa, aproveitando a noite que seria a última deles naquele lugar ao redor da piscina que estava iluminada por tochas de luau havaianas.
- Harry Judd tem pêlos no peito.
- Repara só, é o mais peludo de todos eles...
- E aí, , é gato ou urso?
perguntou sentada junto à roda de conversas das meninas, fazendo todas rirem exageradamente.
- Posso saber do que as senhoritas tanto riem?
Danny comentou sentando-se ao lado de , dando uma pequena mordida no lóbulo da orelha da mesma. Pouco a pouco todos os meninos se sentaram ali, fazendo uma grande roda.
- Bom... Como é nossa última noite aqui, nós resolvemos fazer a primeira apresentação do McFly em território internacional.
As meninas gritavam imitando groupies, enquanto assistiam os meninos se levantarem e pegarem os violões. Harry permaneceu sentado ao lado de , já que não tinha bateria por ali e apenas os amigos tocariam os violões.
- Essa música é nova no nosso repertório e eu espero que as senhoritas gostem.
Tom comentou enquanto ajeitava o violão nos braços e começava a tocar as primeiras notas.

We ran through strawberry fields
(nós corremos por campos de morango)
And smelt the summer time,
(e sentimos o cheiro do verão)
When it gets dark
(quando ficar escuro)
I'll hold your body close to mine,
(eu vou abraçar seu corpo perto do meu)

Harry descansou a cabeça nos ombros de e estendeu sua mão entrelaçando seus dedos ao dela, sinalizando que tinha sido ele que havia escrito aquilo. A menina tinha um sorriso brincando nos lábios ao se lembrar na noite que a luz tinha faltado.

Then we'll find some wood
(então nós vamos achar madeira)
And hell we'll build a fire,
(e como vamos construir uma fogueira)
And then we'll find some rope and make a string guitar.
(e então vamos achar umas cordas e fazer um violão)

riu levemente olhando para Dougie, lembrando dos dois comentando sobre fazer um violão no final da tarde mais linda que ela já tinha presenciado.

Captivated by the way you look tonight the light is
(cativado pelo jeito que você está essa noite a luz está)
Dancing in your eyes
(dançando em seus olhos)
Your sweet eyes,
(seus doces olhos)
Times like these we'll never forget,
(tempos como esses nós nunca esqueceremos)
Staying out to watch the sunset,
(ficar fora para assistir ao pôr-do-sol)
I'm glad I shared this with you,
(estou contente por ter compartilhado isso com você)
You set me free,
(você me liberta)
Showed me how good my life could be,
(me mostrou quão boa minha vida podia ser)
How did happen to me? Yeah aw
(como isso aconteceu comigo?)

Dessa vez tinha sido quem se reconhecera naquela letra. Seus olhos perdidos dentro dos olhos de Danny, enquanto ela se lembrava no dia que eles tinha ido até Surrey. O dia da primeira briga. E do primeiro beijo.

And then I'll swing you girl until you fall asleep,
(e então eu vou te balançar, garota, até você adormecer)
And when you wake up you'll be lying next to me,
(e quando você acordar, estará deitada ao meu lado)

corou levemente ao sentir Harry apertar levemente a sua mão sinalizando mais uma parte para ela.

We'll go to Hollywood make you a movie star,
(nós iremos à Hollywood fazer de você uma estrela de cinema)
I want the world to know how beautiful you are,
(eu quero que o mundo saiba quão bonita você é)

Captivated by the way you look tonight the light is
(cativado pelo jeito que você está essa noite a luz está)
Dancing in your eyes
(dançando em seus olhos)
Your sweet eyes,
(seus doces olhos)
Times like these we'll never forget,
(tempos como esses nós nunca esqueceremos)
Staying out to watch the sunset,
(ficar fora para assistir ao pôr-do-sol)
I'm glad I shared this with you,
(estou contente por ter compartilhado isso com você)
You set me free,
(você me liberta)
Showed me how good my life could be,
(me mostrou quão boa minha vida podia ser)
How did happen to me? Yeah aw
(como isso aconteceu comigo?)

There are no secrets anymore,
(não há mais segredos)
Nothing we don't already know,
(nada que nós já não saibamos)
We've got no fears of growing old,
(nós não temos medo de envelhecer)
We've got no worries in the world.
(nós não temos nenhuma preocupação no mundo)

Mais uma vez as mãos quentes e grandes de Harry apertaram as mãos de antes que a música acabasse, mas não foi preciso pensar muito para chegar à conclusão de onde ele tirara inspiração para aquela parte. Era exatamente a mesma noite de antes; a noite em que eles puderam ter certeza que nunca perderiam a amizade e o companheirismo um do outro. Ela achou bom que Harry não pudesse olhá-la naquele momento, porque um lampejo de tristeza passou por seus olhos.


Continua...

N/A: Então meninas, animadas para o mcfly?! Eu tenho toda certeza que sim. Acho que vai rolar tanta coisa legal nesse show e com eles no twitter vamos ter em primeira mão o que eles acharam e tudo mais... Falando em twitter, eu fico me perguntando se o Tom não tem mais o que fazer da vida porque ele fica mais lá do que eu até! Tudo bem que a escola tem monopolizado totalmente meu tempo e eu não tenho ficado muito na internet, mas toda vez que eu entro lá está o bendito. Por essas e outras que eu digo que quero ter uma banda famosa. Mudando de assunto, cara, eu queria muito agradecer todas vocês que lêem, comentam e elogiam a fic eu fico muito, muito, muuuito feliz mesmo! Vocês são todas muito fofas e eu nem sei o que falar para mostrar o quanto eu fico feliz em saber que vocês gostam de rtts. E eu quero agradecer também a Naná que vive fazendo merchan de rtts por aí. Eu não vou falar muita coisa se não o ego dela vai ficar grande demais e não vai caber naquela pequena pessoa. E agradecimentos a minha beta fofa também. E agora eu estou reparando que eu sempre agradeço alguma coisa em toda n/a. Isso é legal. Pra terminar, bom show para vocês meninas... Gritem, pulem, cantem, tirem fotos, aproveitem o máximo! E me contem depois as histórias. Sabia que o ano passado o Danny apontou pro meu camarote no show do Rio? É sério mesmo. Bom, comentem, recomende, se cuidem e qualquer dia eu conto essa história do Danny direito por aqui :*