Love, Hate And Tragedy
(By Anne Odd and Louise Lannye)
Capítulo 01: “Lei de Murphy”
['s POV]
Já dizia a “Lei de Murphy” que “se algo pode dar errado, dará”. Com certeza, se ela fosse baseada na minha vida, seria algo como “tudo dará errado.” É exatamente por isso que eu estou aqui, na detenção. Porque mesmo quando eu não estou brigando, me meto em brigas.
Lá estava um dos caras mais populares da escola, Christopher Moore, batendo em um garoto chamado Dougie Poynter, só porque ele é baixinho. Eu fui muito gentilmente tentar apartar a briga, ou melhor, o espancamento, mas a professora de matemática, a Sra. Smith, me acusou de envolvimento na briga e me mandou pra detenção. É a maldita monarquia dos colégios públicos ingleses.
Eu estava sentada em uma carteira na sala de detenção, observando os ponteiros do relógio se moverem segundo por segundo, quando Dougie entrou na sala, apoiando um saquinho cheio de gelo na testa. Ele se sentou numa carteira na minha frente, com uma cara bastante fúnebre.
- Ei... – cutuquei Dougie, sussurrando. – Você está bem?
- Tô. – ele sussurrou, sem se virar para trás. – Na verdade, eu já estou acostumado.
- Como você pode deixar eles te baterem assim, sem motivo nenhum?
- É. Eu disse pra eles que eles não tinham nenhum motivo pra me bater.
- E o que eles fizeram.
- Enfiaram minha cabeça no vaso. – Dougie disse, com tristeza na voz. Achei melhor parar de falar, antes que a professora nos xingasse.
Me afundei na carteira, voltando a observar o relógio. Eu praticamente me “desliguei” do mundo, algo que eu fazia com freqüência, me perdendo em meus pensamentos. Fiquei assim até o fim da detenção.
Quando a professora se levantou e disse que estávamos liberados, foi um alívio. Me levantei correndo e fui a primeira a sair da sala. Do lado de fora, meu melhor amigo, Danny, me esperava. Corri até ele e fui recebida com um abraço.
- Ei, baixinha. – ele disse. – Ainda é segunda-feira e você já foi pra detenção. Que coisa feia...
- Mas eu não fiz nada. – retruquei. Danny ainda estava me abraçando. – Só tentei impedir o Christopher de bater em um garoto.
- Eu já disse um monte de vezes: quem tenta separar brigas sempre se ferra.
- Não era exatamente uma briga. Tava mais pra um... massacre.
Danny riu e começou a andar, segurando minha mochila com uma mão e passando o outro braço pelos meus ombros.
- Fora se meter em encrenca, o que você fez hoje? – ele perguntou.
- Nada demais. Me dá uma carona pra casa?
- Carona? – Danny falou, fingindo raiva. – Você me faz te esperar aqui um tempão, pra me pedir carona?
- É.
- Mas eu não posso te dar carona, se não vou chegar tarde demais em casa.
- Ah, Danny. Por favor... – fiz a cara mais convincente que eu conseguia.
- Não.
- São só cinco minutinhos até lá.
- Ai, tá bom. – Danny se convenceu. Ele era um cara muito fácil de convencer.
Andamos para fora do colégio e entramos no carro dele. Danny ligou o ar condicionado e começou a espirrar.
- Desliga isso. – sugeri, ou melhor, mandei. – Você vai ficar resfriado.
- Não vou não.
- Vai sim. Você tem um sistema imunológico sensível.
- Não tenho não.
Danny ligou o som e colocou na radio, por preguiça de pegar um CD. Ficamos em silencio até que ele parou na porta de minha casa e eu desci do carro.
- Até amanhã, Jones. – me despedi.
- Até amanhã, baixinha.
Fiz uma careta e fechei a porta do carro. Danny abaixou o vidro, deu um tchauzinho e foi embora.
Capítulo 02: “Dougie Poynter”
('s POV)
Detenção. Volta e meia eu estava parada na frente da porta da sala de detenção. Não porque eu fosse mandada pra lá constantemente. Eu ficava ali, basicamente, para esperar por Dougie.
Dougie, Douglas Lee Poynter, o baixinho que apanhava todo dia de alguém. É, era ele quem apanhava e ia pra detenção. Uma coisa realmente revoltante. Não que eu possa fazer algo pra impedir, já que em questão de altura... eu devo admitir que, sim, sou mais baixa que Dougie.
- Então, o que foi dessa vez? – perguntei assim que Dougie saiu por aquela porta.
- Moore... – ele respondeu cabisbaixo.
Na verdade, eu nunca (ou quase nunca), presenciava os “ataques dos brutamontes” aos quais Dougie sofria. Mas, se ele ficasse 10 minutos fora do meu campo de visão... eu já sabia que o encontraria na detenção.
- O que, exatamente, ele fez? – questionei.
- Não quero falar sobre isso.
- Okay. – dei de ombros.
- Eles são todos iguais. – Dougie começou.
- Eles quem? – me abaixei para amarrar os cadarços do meu all star.
Estava distraída observando meu all star, enquanto amarrava os cadarços. Pensando em como eu deveria estar bêbada quando escrevi “Blink 182” naquele tênis. Como assim o 8 tinha ficado maior que o 1 e o 2? Simplesmente inaceitável, eu teria que consertar aquilo quando chegasse em casa. Era só pensar em Blink 182 e, instantaneamente já soava as vozes de Tom e Mark em meus ouvidos. Eu já ia começar a cantarolar “Down”, quando ouço Dougie pronunciar aquele nome.
- Scott Adams e Christopher Moore.
- O que tem o Scott a ver com o Chris? – me levantei imediatamente e me pus a encarar Dougie.
- Como assim o que ele tem a ver? Todo mundo sabe que o Christopher é o maior paga pau do Scott, NÃO TENTA NEGAR ISSO! – ele disse a última frase rápido, antes que eu pudesse contestar.
- Por que você sempre tem que colocar o Scott no meio disso? Ele nunca te fez nada!
- Nunca fez, porque sempre manda o amiguinho dele fazer. – Dougie agora mantinha um tom de voz tão calmo que chegava a irritar.
- Você é tão absurdo Poynter! – berrei caminhando pra longe dele.
- Oh, e o seu Scott é perfeito. Ui ui Scott. – ele disse debochado, enquanto corria pra me alcançar.
- Douglas, eu vou repetir mais uma vez. O Scott não é o tipo de pessoa que faz o que o Chris faz. – disse autoritária.
Dougie sabia que quando eu o chamava de “Douglas”, era melhor nem discutir comigo. E bem, de fato ele se calou. Mas não porque sabia que não deveria discutir. E sim porque alguém, que passava ao nosso lado no corredor, o empurrou. Já ia me aproximar pra ajudar Dougie a se levantar e xingar o possível culpado que fez aquilo, quando percebo que... o possível culpado que fez aquilo, era, nada mais, nada menos que... Scott Adams. É, eu sabia que era ele, pelo simples “perdedor” que ele murmurou pra Dougie. E pelo simples fato que, ele, era a pessoa mais próxima de Dougie naquele momento.
Scott desviou os olhos de Dougie e me encarou. Até aquele momento, eu o encarava sem reação, mas foi só ele olhar pra mim... que a primeira coisa que eu fiz foi ficar branca, roxa, azul, amarela... resumindo, de todas as cores possíveis. Uma coisa é observar Scott de longe, sem que ele nem note minha presença. E outra, era observá-lo... me observando também. Felizmente, ou, infelizmente, essa foi uma cena bem rápida. Scott abriu um sorrisinho de canto... e piscou pra mim. Repetindo, Scott Adams piscou pra mim! Pra mim!
Logo depois, Scott já estava bem longe dali, e eu... continuei no mesmo lugar. Parada, estática, tentando digerir o que tinha sido aquilo.
- , não vai me ajudar aqui? – Dougie me chamava – . !! !!! – ele simplesmente berrou.
- Que é? – disse, por fim, desviando meu olhar do “nada” e encarando Dougie.
- Argh! – ele resmungou se levantando e pegando sua mochila – “... o Scott não é o tipo de pessoa que faz o que o Chris faz” – Dougie me imitou ligeiramente irritado – Aquele filho da—
- Cala a boca Dougie! Ele estava só brincando. – tentei achar um argumento.
- Brincando? Brincando ?! Quem deve ‘tá brincando aqui é você, o cara me empurrou no chão, eu poderia ter batido a cabeça e estar sangrando até a morte!
- Você está sendo absurdo de novo, Douglas.
- Pára de me chamar de Douglas!
- Oh, por acaso você se chama Epaminondas? – disse irônica.
- Quer saber, vai lá ficar com seu Scott! – ele berrou.
- Ótimo!
- Ótimo! – ele repetiu.
- Eu odeio você!
- Idem!
Nos viramos de costas um para o outro, indo em direções opostas. Já começava a seguir meu caminho, quando surge Dougie na minha frente de novo.
- Quer ir no McDonald’s comigo? – ele perguntou com um sorrisão.
Apenas soltei uma gargalhada e abracei Dougie. Logo já estávamos caminhando novamente pelo corredor. Ele, como sempre, com o braço apoiado em meus ombros.
Era sempre assim. Discutíamos por alguma coisa... e não ficávamos nem um minuto brigados. Esse era meu melhor amigo, Dougie Poynter.
Capítulo 03: Hipnotizada
['s POV]
Na terça-feira, procurei Danny por todos os lados na escola, mas ele não estava em lugar nenhum. Eu odiava quando Danny faltava, porque eu ficava sozinha e meio sem rumo. Decidi ligar para ele, pra ver se estava tudo bem, mas ninguém atendeu. Guardei meu celular no bolso e atravessei o refeitório, sem ser notada por ninguém.
Eu me sentia como um vulto naquela escola. Sentei-me em uma mesa vazia e afastada, revirando minha comida sem sentir fome. Pouco depois, o grupinho que eu costumava chamar de “populares metidos e nojentos’’, sentou-se na mesa ao lado. Scott, Christopher, Grace e minha arquiinimiga Hazel estavam lá. Hazel sacudiu seus cabelos loiros e me lançou um olhar maligno. Preferi ignorar e olhar pro outro lado.
O refeitório constituía-se basicamente de vigas sustentando um telhado. Era quase todo aberto, de forma que tínhamos uma vista do pátio e da grande árvore que lá ficava. E encostado naquela árvore estava James.
James era o tipo “popular legal” da escola. Ficava tocando seu violão, encostado na sua árvore, e as meninas se juntavam a sua volta, babando sobre ele. E com razão. James tinha um cabelo multicolorido, um par de olhos brilhantes e um carisma incontável. Ele me deixava hipnotizada.
Levantei-me, pois achei melhor sentar em outra mesa, que ficava longe de Hazel e perto de James. Não parei de olhar pra ele enquanto me sentava. Ele pareceu me notar e me encarou, enquanto tocava seu violão.
Ele parecia um imã, me puxando cada vez pra mais perto dele. Me levantei com a intenção de me aproximar ainda mais, juntando-me as meninas que o viam tocar, mas Harry Judd pulou no meu caminho.
Harry era um amigo de Danny. Tinha os cabelos arrepiados e bagunçados, os olhos azuis e uma barba mal feita.
-Oi ! – ele disse com um sorriso. – O Danny pediu pra avisar que não veio a aula hoje porque tá resfriado e mandou dizer que é culpa sua.
Eu mal prestei atenção no que Harry estava dizendo. Estava ocupada demais ficando na ponta dos pés para ver James. James deu uma ultima olhada e foi embora, acabando com minha coragem de falar com ele.
- Ah, Harry! – xinguei. – Você estragou tudo!
- Tudo o que? – Harry fez cara de desentendido.
- Tudo!
Harry continuava com cara de desentendido quando Scott Adams, que passava perto de nós, fez um comentário nada a ver:
- Olha só, gente! O Harry é malvadão com as garotas.
Harry fechou a cara e olhou pra Scott. Eu sabia que eles se odiavam e também sabia que aquilo não ia resultar em coisa boa.
- Quer saber, Adams. – Harry disse ameaçador, apontando o indicador na cara de Scott. – Porque você não cala a boca e pára de falar coisas que não sabe?
- Ah... Você tá a fim de brigar, né? – Scott falou de forma natural.
- Só se você quiser.
Scott e Harry se atacaram e começaram a brigar no meio do refeitório. Os outros alunos formaram uma roda em volta e começaram a incentivar a briga, enquanto eu ficava no meio da roda e tentava separá-los.
- Harry Judd, pare com isso agora! – gritei. – Deixa de ser infantil!
Senti uma mão pousar no meu ombro. Olhei pra trás e dei de cara com minha professora de matemática.
- Se metendo em brigas de novo... – ela disse em tom de reprovação.
- O que? Eu... – tentei me explicar, mas ela me interrompeu.
- Te vejo na detenção, . E vocês dois também. – a professora apontou para Harry e Scott e foi embora.
E o sinal anunciando o fim do almoço soou, fazendo todos alunos voltarem para classe.
Capítulo 04: “Vômito”
('s POV)
- Que tal McDonald’s? – Dougie pediu, com os olhinhos brilhando.
- Não, McDonald’s de novo não, a gente já foi lá ontem. – disse, entediada.
- Shopping? – ele sugeriu.
- Não acha uma coisa gay demais pra você não? – falei, debochada.
- Aff. – ele murmurou, me dando um tapa na cabeça.
A questão era... estávamos tentando arranjar uma desculpa pra matar aula. Poxa, estávamos cansados de tanta aula ok? Dougie resolveu reivindicar seus direitos ao me dizer “temos que arranjar um motivo pra matar aula”. Isso, pra ele, era reivindicar seus direitos. Tudo bem que faltavam apenas pouco mais de duas horas para estarmos livres daquela prisão estudantil. Mas Dougie era o tipo... desesperado.
- Já sei! – ele gritou, animado. – Vamos patinar no gelo naquela pista que tem no shopping! – seus olhinhos brilhavam... de novo.
- Ótimo! – o puxei pela mão e saímos em direção ao portão de trás do colégio.
Dougie não sabia patinar... mas eu nem quis discutir, já estava cansada desse negócio de arranjar uma desculpa. Eu sim sou o tipo de pessoa que admite “porra, matei aula porque eu quis, e daí?”. Mas Dougie, infelizmente, não era esse tipo.
E bom... alegria de... revoltados dura pouco. Muito pouco pra falar a verdade. Estávamos a praticamente um passo de alcançar a saída, quando...
- O que vocês pensam que estão fazendo? – aquela voz aguda e irritante que 99,9% da escola odiava soou em nossos ouvidos.
Eu e Dougie paramos instantaneamente e nos viramos para encará-la, ambos com sorrisinhos falsos.
- Olá, Sra. Smith. – nós dois falamos ao mesmo tempo.
Sra. Smith era a professora de matemática... e não podemos esquecer... a megera que sempre pegava todo mundo no flagra. O que foi exatamente o que aconteceu comigo e Dougie naquele momento.
- Vocês ainda não responderam minha pergunta. – ela continuou.
- Er... – tentei pensar em algo.
- Qual era mesmo a pergunta? – Dougie sorriu o mais infantilmente possível.
O que eu sei é que a próxima coisa que eu vi foi Sra. Smith ficar vermelha e uma única palavra sair de sua boca.
- Detenção!
Não tinha nem como tentar escapar, já que eu e Dougie estávamos com nossas mochilas nas costas e caminhando para a saída dos fundos do colégio. Era óbvia nossa real intenção. O que podíamos fazer era abaixar a cabeça e seguir Sra. Smith até a sala de detenção.
- Pelo menos é melhor do que assistir mais aulas. – Dougie sussurrou.
Eu apenas concordei, rindo silenciosamente. Poucos minutos depois, já havíamos chegado ao nosso não tão cruel destino. Mas, ao passar por aquela porta, senti um nervosismo passar por todo o meu corpo. A causa desse nervosismo... era Scott Adams.
Ele estava lá, sentado, com uma carinha de tédio, assoprando a franja, que toda hora caía sobre seu rosto. Simplesmente hipnotizante. Devo ter ficado alguns segundos ali, e, se não fosse por Dougie me cutucando, eu teria continuado. Lancei meu melhor olhar de “eu te mato quando a gente sair daqui”. Dougie nem ligou, fingiu que nem era com ele. Avistei um lugar vago bem ao lado de Scott e corri pra lá. Dougie se sentou do outro lado daquela sala e cruzou os braços, me encarando e fazendo careta.
Scott nem havia se mexido, como se eu nem estivesse ali. Onde estava aquele sorrisinho de canto e aquela piscada sexy que ele tinha dado pra mim no outro dia? Certo, resolvi entrar no “jogo” e ignorá-lo também. Coloquei meu capuz e apertei meu blusão do Blink 182 ao meu corpo. Desviei minha atenção de Scott e passei a analisar as outras pessoas que estavam ali.
Havia uma garota com os cabelos pretos e lisos, com uma perfeita franja e os olhos castanhos, que, pouco depois eu descobriria que se chamava . Gostei do cabelo dela. Havia também alguns garotos que eu não fiz muita questão de visualisar e... claro, Harold Judd. Geralmente, eu sempre procurava não olhar pra ele. A razão era bem simples. Harry é apaixonado por mim desde... bom, desde que eu entrei no colégio. Isso faz uns 3 anos. E até hoje parece que ele não entendeu que eu não sou afim dele. Eu evitava ao máximo qualquer contato com ele, nem sequer o olhava, pra que o cara não desenvolvesse algum tipo de esperança.
Mas... naquele momento eu queria olhar pra ele. Como um ímã que atraía meu olhar pra Harry. Ele não estava prestando atenção mesmo, que mal faria eu dar uma olhadinha? Harry cantarolava alguma música de seu mp4, acho que nem percebeu que eu havia chegado ali. Ele estava com os cabelos levemente bagunçados e a barba mal feita. Sexy. Harry Judd melhorou muito desde quando o conheci.
Minha atenção foi desviada novamente. Só que dessa vez, por uma dor no estômago. Não uma dor. Meu estômago estava simplesmente embrulhado. Melhor eu me lembrar de não olhar pro Harry de novo, olha só o resultado!
Só sei que me sentia mal a cada segundo. É, eu tinha esse probleminha às vezes. Do nada, eu começava a passar mal. Eu já sabia o que ia acontecer, assim como também sabia que aquele não era um bom momento pra isso.
Acontece que eu não tinha como impedir. Então, a próxima coisa que eu soube... é que eu havia vomitado.
- Sua... vadia! – eu ouvi uma voz exclamar.
Na verdade... não era uma voz qualquer. Era aquela voz. Tudo bem que eu estava quase colocando as tripas pra fora [n/a: eca :x], mas, mesmo assim, eu ainda podia distinguir vozes. Foi aí que eu realmente soube... eu tinha acabado de vomitar em Scott Adams.
- Hey, não fala assim com ela! – Harry falou, alterado.
- É! Não fala assim com ela! – Dougie repetiu no mesmo tom.
- Que nojo! – senti Scott se afastando.
- Acho que aquele pastel com palmito não te fez muito bem. – ouvi Dougie se aproximar.
Limpei a boca com as costas das mãos e fechei os olhos respirando fundo. - Que nojo? A garota passando mal e você preocupado com si mesmo?
- Cala a boca, Judd!
- Seu idiota!
- Vamos ver quem é o idiota! – Scott provocou.
- Opa, opa, vamos deixar as brigas pra lá fora. – outro alguém interferiu.
- Tá melhor, ? – Dougie perguntou.
- Não. – murmurei.
Se eu tinha alguma chance, por mínima que fosse, com Scott, ela tinha acabado de ir por água abaixo. Literalmente.
Os segundos se arrastaram, enquanto eu, apenas sentia que ia vomitar tudo o que tinha comido semana passada. Oh sim... sem mencionar as várias discussões entre Harry e Scott. Eu passando mal e eles discutindo. Digamos que isso não mudou muito quando saímos de lá.
Foi só os dois colocarem o pé pra fora da sala de detenção, que já estavam se matando. Literalmente de novo. Dougie foi ajudar Harry, já que Chris veio ajudar Scott. De modo que tudo que se ouvia eram socos e xingamentos. E claro, os gritos da Sra. Smith tentando separar a briga.
Tudo que eu consegui fazer, foi me deixar escorregar pela parede e sentar no chão encolhida.
Capítulo 05: Romeu
['s POV]
Mais uma vez na detenção. Tudo porque eu não ouvi o conselho de Danny. “Quem tenta separar brigas sempre se ferra.” E falando em Danny, eu sabia que a detenção não ia fazer muito sentido hoje, já que não havia ninguém pra me esperar lá fora.
No meio da detenção, uma garota chamada começou a vomitar, de forma que fomos liberados mais cedo, já que ninguém agüentava o cheiro do vômito.
Quando saí da sala vi sentada no chão, perto de onde Chris, Scott, Harry e Dougie armavam uma confusão. Era fácil achar , considerando seu cabelo ruivo e seus olhos grandes e verdes.
Dessa vez, ao invés de tentar separar a briga, decidi ajudar .
- Ei... Você não parece muito bem. – falei, me aproximando.
- Eu... Estou tonta. – falava tudo embolado. Ela estava muito pálida.
- Vem. – ajudei a se levantar. – Eu te levo pro banheiro.
se apoiou em meu ombro e começamos a caminhar em direção ao banheiro. Mas no meio do caminho havia um obstáculo: Hazel. Hazel e eu nunca nos dávamos bem. Pra ser mais exata, nós nos odiávamos. Pra mim ela era apenas uma metida loira e safada.
- Ei! Olha quem foi para na detenção de novo. – Hazel colocou as mãos na cintura e sorriu maliciosamente. – A defensora dos fracos e oprimidos.
- Hazel. – encarei-a. – O que você está fazendo aqui?
- Ensaiando. Eu ganhei o papel da Julieta na peça. – Hazel fez questão de enfatizar o “eu”.
- Claro. Seja feliz com seu Romeu. – tentei passar por Hazel, mas ela me cercou.
- James.
- O que?
- James vai interpretar Romeu.
- Espero que ele faça um bom trabalho. – mais uma vez tentei passar por ela e mais uma vez ela me cercou.
- James é um garoto realmente incrível, não acha? – Hazel tentava me fazer ciúmes.
Olhei pra . Ela estava de saco cheio com aquela situação. Ela sorriu maldosamente e enfiou o dedo na garganta, vomitando em Hazel.
Um grito agudo saiu da boca de Hazel, que começou a xingar tudo e todos.
- Dá licença, Hazel. – pedi educadamente. – É que a está passando mal.
Hazel saiu do nosso caminho ainda gritando. Eu e caminhamos pacientemente pro banheiro, como se nada tivesse acontecido. Chegamos lá e imediatamente começamos a rir.
- Eu não acredito que você fez aquilo. – falei uma risada e outra.
- Fiz o que? – fez cara de desentendida. – Eu to passando mal.
- Você fez de propósito, admite.
- Eu? Não. – fez cara de indignação e se abaixou na pia.
Bochechou um pouco de água e olhou-se no espelho.
- Tá melhor? – perguntei.
- To.
- Bom... Então eu vou embora. Já tá tarde e eu vou á pé.
- Tá bom. – falou, ajeitando o cabelo no espelho.
- A gente se vê.
Saí do banheiro e passei pelo corredor onde Harry, Dougie, Scott e Chris ainda brigavam. Seria uma longa caminhada até em casa...
Capítulo 04: “Vômito”
('s POV)
- Que tal McDonald’s? – Dougie pediu, com os olhinhos brilhando.
- Não, McDonald’s de novo não, a gente já foi lá ontem. – disse, entediada.
- Shopping? – ele sugeriu.
- Não acha uma coisa gay demais pra você não? – falei debochada.
- Aff. – ele murmurou, me dando um tapa na cabeça.
A questão era... estávamos tentando arranjar uma desculpa pra matar aula. Poxa, estávamos cansados de tanta aula ok? Dougie resolveu reivindicar seus direitos ao me dizer “temos que arranjar um motivo pra matar aula”. Isso, pra ele, era reivindicar seus direitos. Tudo bem que faltavam apenas pouco mais de duas horas para estarmos livres daquela prisão estudantil. Mas Dougie era o tipo... desesperado.
- Já sei! – ele gritou animado. – Vamos patinar no gelo naquela pista que tem no shopping! – seus olhinhos brilhavam... de novo.
- Ótimo! – o puxei pela mão e saímos em direção ao portão de trás do colégio.
Dougie não sabia patinar... mas eu nem quis discutir, já estava cansada desse negócio de arranjar uma desculpa. Eu sim sou o tipo de pessoa que admite “porra, matei aula porque eu quis, e daí?”. Mas Dougie, infelizmente, não era esse tipo.
E bom... alegria de... revoltados, dura pouco. Muito pouco pra falar a verdade. Estávamos a praticamente um passo de alcançar a saída, quando...
- O que vocês pensam que estão fazendo? – aquela voz aguda e irritante que 99,9% da escola odiava soou em nossos ouvidos.
Eu e Dougie paramos instantaneamente e nos viramos para encará-la, ambos com sorrisinhos falsos.
- Olá Sra. Smith. – nós dois falamos ao mesmo tempo.
Sra. Smith era a professora de matemática... e, não podemos esquecer... a megera que sempre pegava todo mundo no flagra. O que, foi exatamente o que aconteceu comigo e Dougie àquele momento.
- Vocês ainda não responderam minha pergunta. – ela continuou.
- Er... – tentei pensar em algo.
- Qual era mesmo a pergunta? – Dougie sorriu mais infantilmente possível.
O que eu sei, é que a próxima coisa que eu vi, foi Sra. Smith ficar vermelha e uma única palavra sair de sua boca.
- Detenção!
Não tinha nem como tentar escapar, já que, eu e Dougie estávamos com nossas mochilas nas costas e caminhando para a saída dos fundos do colégio. Era óbvia nossa real intenção. O que podíamos fazer era, abaixar a cabeça e seguir Sra. Smith até a sala de detenção.
- Pelo menos é melhor do que assistir mais aulas. – Dougie sussurrou.
Eu apenas concordei rindo silenciosamente. Poucos minutos depois, já havíamos chegado ao nosso não tão cruel destino. Mas, ao passar por aquela porta, senti um nervosismo passar por todo o meu corpo. A causa desse nervosismo... era Scott Adams.
Ele estava lá, sentado, com uma carinha de tédio, assoprando a franja, que toda hora caía sobre seu rosto. Simplesmente hipnotizante. Devo ter ficado alguns segundos ali, e, se não fosse por Dougie me cutucando, eu teria continuado. Lancei meu melhor olhar de “eu te mato quando a gente sair daqui”. Dougie nem ligou, fingiu que nem era com ele. Avistei um lugar vago bem ao lado de Scott e corri pra lá. Dougie se sentou do outro lado daquela sala e cruzou os braços, me encarando e fazendo careta.
Scott nem havia se mexido, como se eu nem estivesse ali. Onde estava aquele sorrisinho de canto e aquela piscada sexy que ele tinha dado pra mim no outro dia? Certo, resolvi entrar no “jogo” e ignorá-lo também. Coloquei meu capuz e apertei meu blusão do Blink 182 ao meu corpo. Desviei minha atenção de Scott e passei a analisar as outras pessoas que estavam ali.
Havia uma garota com os cabelos pretos e lisos, com uma perfeita franja e os olhos castanhos, que, pouco depois eu descobriria que se chamava . Gostei do cabelo dela. Havia também alguns garotos que eu não fiz muita questão de visualisar e... claro, Harold Judd. Geralmente, eu sempre procurava não olhar pra ele. A razão era bem simples. Harry é apaixonado por mim desde... bom, desde que eu entrei no colégio. Isso faz uns 3 anos. E até hoje parece que ele não entendeu que eu não sou afim dele. Eu evitava ao máximo qualquer contato com ele, nem sequer o olhava, pra que o cara não desenvolvesse algum tipo de esperança.
Mas... naquele momento eu queria olhar pra ele. Como um ímã que atraía meu olhar pra Harry. Ele não estava prestando atenção mesmo, que mal faria eu dar uma olhadinha? Harry cantarolava alguma música de seu mp4, acho que nem percebeu que eu havia chegado ali. Ele estava com os cabelos levemente bagunçados e a barba mal feita. Sexy. Harry Judd melhorou muito desde quando o conheci.
Minha atenção foi desviada novamente. Só que dessa vez, por uma dor no estômago. Não uma dor. Meu estômago estava simplesmente embrulhado. Melhor eu me lembrar de não olhar pro Harry de novo, olha só o resultado!
Só sei que me sentia mal a cada segundo. É, eu tinha esse probleminha às vezes. Do nada, eu começava a passar mal. Eu já sabia o que ia acontecer, assim como também sabia que aquele não era um bom momento pra isso.
Acontece, que eu não tinha como impedir. Então, a próxima coisa que eu soube... é que eu havia vomitado.
- Sua... vadia! – eu ouvi uma voz exclamar.
Na verdade... não era uma voz qualquer. Era aquela voz. Tudo bem que eu estava quase colocando as tripas pra fora [n/a: eca :x], mas, mesmo assim, eu ainda podia distinguir vozes. Foi aí que eu realmente soube... eu tinha acabado de vomitar em Scott Adams.
- Hey, não fala assim com ela! – Harry gritou alterado.
- É! Não fala assim com ela! – Dougie repetiu no mesmo tom.
- Que nojo! – senti Scott se afastando.
- Acho que aquele pastel com palmito não te fez muito bem. – ouvi Dougie se aproximar.
Limpei a boca com as costas das mãos e fechei os olhos respirando fundo. - Que nojo? A garota passando mal e você preocupado com si mesmo?
- Cala a boca, Judd!
- Seu idiota!
- Vamos ver quem é o idiota! – Scott provocou.
- Opa, opa, vamos deixar as brigas pra lá fora. – outro alguém interferiu.
- Tá melhor, ? – Dougie perguntou.
- Não. – murmurei.
Se eu tinha alguma chance, por mínima que fosse, com Scott, ela tinha acabado de ir por água abaixo. Literalmente.
Os segundos se arrastaram, enquanto eu, apenas sentia que ia vomitar tudo o que tinha comido semana passada. Oh sim... sem mencionar as várias discussões entre Harry e Scott. Eu passando mal e eles discutindo. Digamos que isso não mudou muito quando saímos de lá.
Foi só os dois colocarem o pé pra fora da sala de detenção, que já estavam se matando. Literalmente de novo. Dougie foi ajudar Harry, já que Chris veio ajudar Scott. De modo que, tudo que se ouvia eram socos e xingamentos. E claro, os gritos da Sra. Smith tentando separar a briga.
Tudo que eu consegui fazer, foi me deixar escorregar pela parede e sentar no chão encolhida.
Capítulo 05: Romeu
['s POV]
Mais uma vez na detenção. Tudo porque eu não ouvi o conselho de Danny. “Quem tenta separar brigas sempre se ferra.” E falando em Danny, eu sabia que a detenção não ia fazer muito sentido hoje, já que não havia ninguém pra me esperar lá fora.
No meio da detenção, uma garota chamada começou a vomitar, de forma que fomos liberados mais cedo, já que ninguém agüentava o cheiro do vômito.
Quando saí da sala, vi sentada no chão, perto de onde Chris, Scott, Harry e Dougie armavam uma confusão. Era fácil achar , considerando seu cabelo ruivo e seus olhos grandes e verdes.
Dessa vez, ao invés de tentar separar a briga, decidi ajudar .
- Ei... Você não parece muito bem. – falei me aproximando.
- Eu... Estou tonta. – falava tudo embolado. Ela estava muito pálida.
- Vem. – ajudei a se levantar. – Eu te levo pro banheiro.
se apoiou em meu ombro e começamos a caminhar em direção ao banheiro. Mas no meio do caminho havia um obstáculo: Hazel. Hazel e eu nunca nos dávamos bem. Pra ser mais exata, nós nos odiávamos. Pra mim ela era apenas uma metida loira e safada.
- Ei! Olha quem foi para na detenção de novo. – Hazel colocou as mãos na cintura e sorriu maliciosamente. – A defensora dos fracos e oprimidos.
- Hazel. – encarei-a. – O que você está fazendo aqui?
- Ensaiando. Eu ganhei o papel da Julieta na peça. – Hazel fez questão de enfatizar o “eu”.
- Claro. Seja feliz com seu Romeu. – tentei passar por Hazel, mas ela me cercou.
- James.
- O que?
- James vai interpretar Romeu.
- Espero que ele faça um bom trabalho. – mais uma vez tentei passar por ela e mais uma vez ela me cercou.
- James é um garoto realmente incrível, não acha? – Hazel tentava me fazer ciúmes.
Olhei pra . Ela estava de saco cheio com aquela situação. Ela sorriu maldosamente e enfiou o dedo na garganta, vomitando em Hazel.
Um grito agudo saiu da boca de Hazel, que começou a xingar tudo e todos.
- Dá licença, Hazel. – pedi educadamente. – É que a está passando mal.
Hazel saiu do nosso caminho ainda gritando. Eu e caminhamos pacientemente pro banheiro, como se nada tivesse acontecido. Chegamos lá e imediatamente começamos a rir.
- Eu não acredito que você fez aquilo. – falei, dando uma risada.
- Fiz o que? – fez cara de desentendida. – Eu to passando mal.
- Você fez de propósito, admite.
- Eu? Não. – fez cara de indignação e se abaixou na pia.
Bochechou um pouco de água e olhou-se no espelho.
- Tá melhor? – perguntei.
- To.
- Bom... Então eu vou embora. Já tá tarde e eu vou á pé.
- Tá bom. – falou, ajeitando o cabelo no espelho.
- A gente se vê.
Saí do banheiro e passei pelo corredor onde Harry, Dougie, Scott e Chris ainda brigavam. Seria uma longa caminhada até em casa...
Capítulo 06: “Almoço interrompido”
('s POV)
- ... – uma voz me interrompeu.
Bati a porta do meu armário e passei reto por Scott. Porra, ele tinha me chamado de vadia! Simplesmente porque eu tinha vomitado nele. Qual é, se alguém que eu “fosse com a cara” vomitasse em mim, eu não xingaria essa pessoa com palavras desse nível. Vomitar é uma coisa involuntária.
- , por favor... – Scott pedia enquanto me seguia.
Espera... como assim ele sabia meu nome?
- Ótimo. Então acho que vou ter que procurar outra companhia pro almoço. – ele disse simplesmente.
Parei instantaneamente e me virei para encara-lo. Isso fez com que ele abrisse um sorriso.
- Eu sabia que você não iria recusar.
- E quem disse que eu aceitei? – retruquei.
Ele abriu a boca pra dizer algo, mas antes que o fizesse, eu já tinha retomado meu caminho. E claro, Scott continuou me seguindo.
- Desculpa. – ele murmurou baixo.
Dei um sorrisinho malicioso e parei me virando pra ele novamente,
- Como é, Scott? – perguntei relativamente alto.
- Desculpa. – ele repetiu baixo.
- Ainda não ouvi, Scott. – algumas pessoas já tinham parado pra observar a cena.
Scott apenas soltou um longo suspiro e me encarou.
- Desculpa, ‘tá legal? – ele gritou.
Sorri e me aproximei dele.
- Aceito almoçar com você. – disse no ouvido dele.
Apenas vi a cara de bobo dele e me afastei. Foi aí que eu parei pra raciocinar. Ele tinha mesmo pedido desculpas pra mim. E tinha mesmo me convidado pra almoçar com ele. É, pela primeira vez senti como se as coisas estivessem se acertando pra mim.
- Bom dia, Hazel! Bom di,a Grace! Bom di,a Sra. Smith! Bom dia, Dougie! Bom dia, Harry! – ia cumprimentando todos no meu caminho com um largo sorriso.
Harry foi o único que retribuiu meu sorriso. Mas, eu nem fiz muita questão de reparar nele hoje.
Como sempre, os minutos pareciam horas. Na verdade, pareciam anos. Não consegui sequer prestar atenção na aula.
Até que, finalmente o sinal soou em alto e bom tom lá fora. Juntei minhas coisas rapidamente e já ia sair.
- ... – Harry se aproximou.
- Harry, depois a gente se fala. – mandei um beijinho no ar pra ele e sai dali rapidamente.
Para minha surpresa, Scott estava encostado na parede, ali perto da sala, me esperando. Sorri e fui até ele, que sorriu também. Com um sorriso daqueles, quem resiste?
Ele pegou na minha mão e fomos caminhando até o refeitório em silêncio.
Foi só chegar naquele refeitório, que todos os olhares se voltaram pra nós. Ok, essa é a parte que eu fico de todas as cores possíveis de novo.
Scott escolheu uma mesa bem no centro daquele lugar e puxou uma cadeira pra que eu me sentasse. Sorri agradecida e vi ele se sentando à minha frente. Não economizamos sorrisos um com o outro. Quando Scott ia abrir a boca pra dizer algo, uma voz o interrompe.
- E aí amizade, posso sentar contigo? – disse a voz do “além”.
Scott desviou o olhar de mim e encarou o indivíduo parado ao lado da nossa mesa. Eu não tinha muita escolha se não fazer o mesmo. Era um garoto branquelo, com os olhos castanhos e os cabelos loiros.
- Não. – Scott respondeu seco. – Não ‘tá vendo que eu ‘tô ocupado?
- Mas... – o garoto tentou inutilmente se justificar.
- Cai fora. – Scott disse pausadamente.
O garoto “murchou” e se afastou lentamente. Scott voltou a me encarar e segurou minha mão.
- ... – ele começou.
- Que isso ? Resolveu sentar com um idiota? – outra voz, a qual eu tinha o desprazer de conhecer bem, nos interrompeu novamente.
Me virei lentamente pra encarar Harry e dei um sorrisinho falso.
- Dá licença pra eu cuidar da minha vida? – disse calmamente.
- Toma otário... – Scott murmurou debochado. Harry apenas me encarou com um certo olhar de raiva e desviou os olhos para minha mão entrelaçada com a de Scott sobre a mesa. Harry apenas baixou o olhar e saiu.
- Enfim sós... – Scott começou mais uma vez.
Eis que surge Dougie remexendo nos bolsos e olha pra mim.
- , me empresta dinheiro pra comprar um pacote de Doritos? – Dougie pediu com uma carinha fofa.
Scott largou minha mão quase que imediatamente e se levantou.
- Porra, será que não dá pra almoçar em paz, não? – ele gritou com raiva, o que atraiu a atenção de todos ali.
Na verdade, não atraiu apenas a atenção... atraiu um bando de curiosos olhando pra Scott com cara de “ahn?”.
Foi só eu me virar pra Dougie para “despacha-lo”... que o sinal do fim do almoço bateu.
- Ótimo! – Scott murmurou irônico.
Certo... retiro o que eu disse sobre “as coisas estão finalmente se acertando pra mim”.
Capítulo 07: Sorveteria
['s POV]
A volta de Danny naquela quarta-feira foi um grande alivio. Estar com ele no almoço desviava meus pensamentos de James. Danny não parava de dizer que só tinha ficado resfriado por causa de minha “boca maldita”, que se eu não tivesse falado sobre seu sistema imunológico frágil isso nunca aconteceria e outros mil blá, blá, blás. Ele falou tanto que eu disse que pagaria o almoço dele se ele calasse a boca.
Quando o almoço acabou, obriguei Danny a me acompanhar até minha sala. Estávamos saindo da cantina, andando entre os montes de alunos apressados e eu não percebi um único degrau na minha frente. Meus pés passaram um por cima do outro e me fizeram perder o equilíbrio. Eu estava prestes a acertar o chão quando senti duas mãos segurarem minha cintura. Por um momento pensei que fosse Danny, mas ao ouvir aquela voz doce, concluí que estava errada.
- Opa. – disse James. – Te peguei.
Olhei pra ele. Ele sorria infantilmente com seu violão nas costas e, agora que eu estava tão próxima dele, descobri que tinha um perfume muito bom.
- Er... Eu... É... Desculpa. – eu realmente não conseguia falar nada perto dele.
As mãos dele se moveram na minha cintura. Senti meu coração se acelerar e um arrepio subir pelo meu corpo. Meus joelhos fraquejaram, como se toda aquela tensão fosse peso demais pra eles. Minhas bochechas estavam queimando e eu podia saber que estavam muito vermelhas.
- Você tá legal? – James perguntou, provavelmente percebendo como eu me sentia.
Abri a boca pra responder, mas meu queixo estava tremendo demais pra que eu pudesse falar com coerência. Então, antes que eu desmaiasse ou tivesse um ataque cardíaco, tirei as mãos de James da minha cintura e saí correndo. Só parei de correr quando cheguei à sala de ciências. Danny chegou alguns segundos depois e me cercou contra a parede.
- . – ele arfava um pouco, pois teve que correr pra me alcançar. – O que foi aquilo?
- Aquilo o quê? – me fingi de desentendida. Era melhor que dar satisfações.
- Com o James. Você saiu correndo do nada. Ficou louca?
- Aquilo não foi nada, ok?
- Tá. Vou fingir que acredito. – Danny disse, com pouco caso. – Vamos na sorveteria depois da aula?
- Aham.
- Então eu apareço em frente sua sala pra te buscar.
Sorri e entrei na sala de ciências, ainda com o coração explodindo por causa de James. A aula passou lentamente e eu mal prestei atenção. Estava rabiscando as palavras “James Bourne” por todo caderno.
O sinal tocou e eu comecei a arrumar meu material lentamente, como sempre fazia. Quando saí da sala, Danny estava olhando seu reflexo no vidro do quadro de avisos e arrumando seu cabelo. Eu o cutuquei delicadamente e ele se virou com um sorriso.
- Olá. – ele falou, estendendo a mão pra pegar minha mochila, como sempre fazia.
- Obrigada. – entreguei minha mochila a ele. – Vamos?
- Vamos. Vai querer sorvete de que? – começamos a andar pra fora do colégio.
- Não sei. De chiclete, eu acho.
- Eu vou querer de creme com bastante cobertura. – os olhos de Danny brilhavam enquanto ele falava.
- É uma boa escolha.
Chegamos ao carro de Danny, eu abri a porta e entrei. Danny não precisava dizer nada, pois eu pegava tanta carona com ele que sentia que aquele carro era meu. Danny deu partida no carro e me olhou sugestivamente.
- Agora você vai ter que explicar o que foi aquilo, se não eu te seqüestro. – o tom de piada na voz dele não ajudou muito, pois eu sabia sobre o que estava falando. Só fingi que não sabia:
- Aquilo o quê?
- Com o James, sua ruim de memória!
- Ah... Eu só tenho uma quedinha por ele... Só isso.
- Fala sério. – Danny deu uma risada empolgada. – Algumas garotas têm uma quedinha por ele, mas você tem literalmente um tombo.
- Não tenho nada.
- Tem sim. Você ficou vermelha e depois saiu correndo que nem uma louca.
Cruzei os braços e fiquei calada. Eu odiava quando Danny tinha razão. Fiquei calada até chegarmos à sorveteria. Servi meu sorvete e me sentei numa mesa afastada. Pensei por um tempo e resolvi perguntar:
- O que você acha do James? – só perguntei por que Danny era meu melhor amigo e a opinião dele era importante pra mim.
- Ah... Bom... Eu só conversei com ele algumas vezes, mas ele parece ser um cara legal. – Danny me lançou um olhar desconfiado e sorriu. – Por quê?
- Á toa.
- Mentira. Você tá apaixonada por ele, cara! – Danny apontou pra mim, falando bem alto. – Admite!
- Eu estou completamente apaixonada por James Bourne. – admiti com um suspiro. – O que eu faço?
- Bem... Sabe... Se você acha que ele é o cara certo pra você, eu acho que você devia ir em frente. – Danny disse sem olhar pra mim. Ele parecia se esforçar pra encontrar as palavras.
- Sério mesmo?
- Sério... Eu só quero que você seja feliz. – Danny sorriu falsamente. – Mas mesmo que você namore, não esqueça de mim, tá?
- Tá bom... – falei, rindo da carinha de cachorro sem dono dele.
Então comecei a falar sobre sorvete. É que, sinceramente, o assusto já estava ficando incômodo.
Terminamos de tomar o sorvete e Danny me levou pra casa. No caminho, pensei sobre o que ele disse e resolvi tomar uma atitude: no dia seguinte, eu ia falar com James Bourne. Porque somente assim eu ia conseguir que ele me conhecesse.
Capítulo 08: “Decisão”
('s POV)
- Então... está entregue. – Scott deu mais um de seus sorrisos encantadores ao me deixar na porta da sala.
- É... valeu pela... tentativa de almoço. – sorri sem graça.
- Não se preocupe, vamos ter mais oportunidades. – ele piscou.
Já ia me virar pra entrar na sala, quando ele segurou meu braço, me fazendo voltar a encara-lo.
- Hey ! Você... ahn... quer uma carona pra casa depois da aula?
Abri um sorriso maior ainda.
- Claro.
- Certo. Até depois da aula então. – ele foi se aproximando.
Meu estado? Devo dizer que não estava muito legal. Como queria que eu ficasse com Scott se aproximando tanto de mim?
O que ele fez foi me dar um beijo no canto da boca e se afastar, ainda com o olhar grudado ao meu. Balancei a cabeça e me virei. Nem sei de onde eu tirei coragem pra deixar de olhar Scott.
Foi só eu entrar na sala que sinto um olhar “pesado” sobre mim. Procurei por aquele olhar e logo o encontrei no fundo da sala, de braços cruzados e uma cara de quem queria matar alguém. E mais uma vez, Harry Judd está com ciúmes.
[...]
Devo comentar o quanto aquelas malditas últimas aulas demoraram a passar? Pois é, acho que nem é preciso. O pior foi agüentar o olhar mortal do Judd. Qual é, ele devia ‘tá feliz por ter conseguido arruinar meu almoço com Scott. Garoto irritante.
O fim da aula custou, mas chegou. Scott tinha pedido pra que eu o esperasse e era exatamente isso o que eu estava fazendo ali, sentada em um dos bancos do pátio do colégio. Não muito longe, estavam Dougie e Harry. Eu estava com meus fones, mas não havia música alguma tocando, de modo que eu conseguia ouvir perfeitamente o que Harry e Dougie diziam.
- Se ela passar mais dois minutos com aquele cara, eu nunca mais olho pra ela, dude. – podia sentir o olhar de Harry sobre mim.
- Bom, os próximos dois minutos ela não vai passar com ele mesmo, já que ele nem ‘tá aqui. – pela voz, eu sabia que Dougie estava pensativo.
- Por que ela faz isso comigo? Quer dizer, ela nunca me deu uma chance e eu sinto como se ela me odiasse.
- Ela não te odeia Harry. Ela apenas... não te conhece o suficiente.
- Tanto faz... – o outro disse com um tom decepcionado.
Certo. Devo admitir que me senti um pouco mal com aquele tom que Harry usou. O que ele disse era verdade. Eu nunca deixava que ele se aproximasse, sempre o cortava quando ele tentava.
- Hey, vamos? – a voz de Scott me tirou de meus devaneios.
- É pra já! – sorri e me levantei, indo pra perto dele, que passou o braço gentilmente ao redor da minha cintura.
Olhei para o lado e vi Harry olhando pra qualquer outro lugar e Dougie me lançando um olhar de reprovação. Respondi com um sorriso e um aceno feliz e voltei minha atenção à Scott.
Scott foi me guiando até sua moto prateada. Que a verdade seja dita: caras que andam de moto são sexy’s. Não que isso altere algo em Scott, já que, com ou sem moto... ele continua sendo sexy naturalmente.
Logo eu e ele já estávamos a caminho da minha casa. Estar em uma moto era uma das melhores sensações que eu já havia sentido. Estar em uma moto com Scott, era mil vezes melhor ainda. Eu deveria estar no céu.
Estava tão distraída com tudo isso, que nem percebi quando Scott parou a moto em frente à minha casa. Logo nos pusemos de pé ao lado de sua moto.
- Então... er... obrigada pela carona. – disse visivelmente corada.
- Só obrigada? – ele disse se aproximando.
Apenas o olhei e percebi um sorrisinho malicioso em seus lábios. Eu não tinha dúvidas do que ele queria. Até porque era uma coisa que eu também queria. Pelo menos até algum tempo atrás...
- Scott... – murmurei ao perceber a proximidade de nossos corpos.
- Hum? – ele murmurou sem tirar os olhos dos meus lábios.
Suas mãos já se encontravam em minha cintura, me segurando fortemente.
- Não... – tentei tirar suas mãos de lá.
- Por que não? – agora ele falava baixinho e com a boca quase encostando à minha.
Por que não? Por que não? É, essa era uma pergunta que eu estava fazendo a mim mesma também. Talvez... porque eu não queria que ele pensasse que eu era como as outras garotas do colégio. Não queria ser aquela que ele descartava no dia seguinte.
Estava meio difícil resistir àquela tentação, já que, naquele momento, os lábios de Scott roçavam de leve nos meus.
- Não agora, Scott. – disse baixinho e dei um rápido selinho nele.
Me desvencilhei de seus braços rapidamente e corri para dentro de casa. Me sentia realizada. Estava sorrindo por dentro.
Demorou um pouco pra que eu ouvisse o motor da moto de Scott novamente.
Subi pro meu quarto e procurei rapidamente por um dos primeiros cd’s do Blink. Algo que fosse animado, que combinasse com o que eu estava sentindo. E foi ao som de Blink que eu tomei uma decisão.
Eu iria dar uma chance a Harry Judd. Não pra que ele fosse meu namorado, ou algo assim, já que agora eu tinha Scott. Mas para que ele tivesse a chance de ser um amigo. Apenas um amigo.
Capítulo 09: James Bourne
['s POV]
Naquela quinta-feira eu estava rezando pra que a hora do almoço chegasse. Eu estava realmente decidida a falar com James Bourne, só não sabia como ia fazer isso. Quando o sinal do almoço bateu, saí correndo da sala e arrastei Danny até o refeitório, sem dizer nenhuma palavra. Ele provavelmente não estava entendendo nada, pois ficava gritando coisas como “Tá louca menina?” ou “Pra que essa pressa toda?”.
Sentei- me numa mesa próxima do lugar onde James sempre ficava. Eu mantinha meus olhos concentrados ao meu redor, esperando a “aparição” de James.
- ... o que é que você tá – começou Danny, mas eu o interrompi.
- Shhh! – falei. – Olha ele lá.
Indiquei a direção onde James estava. Ele passava do lado de fora do refeitório, rodeado de pessoas com sorriso simpático no rosto. Por uma fração de segundos achei que ele tinha olhado pra mim e isso me provocou um arrepio. Notei que pouco a pouco ele se afastava dos seus “fãs” e arrumava um lugar pra ficar.
James estava estonteantemente lindo hoje. Usava um chapéu cinza e uma blusa vermelha. Ele tirou seu violão da capa e sentou-se encostado numa árvore do pátio, como geralmente fazia. Então ele começou a tocar Wonderwall, do Oasis. Ele tocava e murmurava a música, olhando pra mim, provavelmente porque percebeu que eu estava encarando. Se bem que metade das garotas ali estavam encarando ele...
Danny ficava reclamando comigo, mas eu não estava ouvindo nem meia palavra. Eu estava concentrada demais em James e sua música. Tentei desviar o olhar dele, pois sentia minhas bochechas queimando e sabia que estava boquiaberta. Eu devia estar ridícula, já que Dougie olhava pra mim com uma cara engraçada.
De repente Dougie se levantou e caminhou até a mesa onde eu e Danny estávamos.
- Ei, Danny. Me ajuda a estudar pra prova de física? – perguntou Dougie, cutucando Danny.
- Eu não estou na mesma série que você. – Danny respondeu secamente.
- Está numa mais avançada. É perfeito. – Dougie começou a puxar Danny, fazendo-o se desequilibrar.
- Mas Dougie... eu não posso deixar a sozinha. – Danny disse, se levantando com os puxões de Dougie.
- Pode ir. – falei sorrindo.
- Mas é que...
Dougie puxou Danny com força, sem deixá-lo terminar a frase. Pouco a pouco, Danny foi arrastado pra longe, com bastante má vontade.
Voltei a observar James tocando.
’’I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now’’
Suspirei, admirando a forma com que ele parecia estar desligado do mundo enquanto tocava.
A música se encaixava perfeitamente com o que eu estava sentindo naquele momento.
James tocou o último acorde e colocou o violão no colo. Ele me encarou. Juro que me encarou concentradamente e me chamou, dando um sorriso e gesticulando com o indicador.
Olhei pra trás e a minha volta. Ele não podia estar me chamando. Devia haver outra pessoa. Mas não havia ninguém que prestasse atenção suficiente em James.
Apontei pra mim mesma e perguntei: “Eu?”.
James balançou a cabeça afirmativamente. Levantei-me e caminhei até ele com dificuldade. Dificuldade por que eu estava tão nervosa que minhas pernas ficaram frouxas de repente.
Quando eu já estava perto, James deu palmadinhas no chão pra que eu me sentasse ao seu lado. Ele colocou o violão do outro lado e sentou-se com as pernas cruzadas. Apoiou o cotovelo no joelho e o queixo na mão, olhando para mim. Me encolhi, assustada por estar tão perto dele.
- Você é meio tímida, não é? – perguntou com um sorriso.
Apenas balancei a cabeça e sorri de volta.
- Certo... Você não é meio tímida. É super tímida. – ele riu.
- Não... eu só estou nervosa.
- Nervosa por quê? Eu juro que não mordo.
Ambos rimos do que ele tinha dito.
- Porque... você tá sozinho aqui hoje? – perguntei. James podia ter a companhia de qualquer uma que quisesse, por que ia querer falar logo comigo?
- Eu gosto de ficar sozinho às vezes. – ele sorriu. – E você? Fica sempre com aquele garoto... Ele é seu namorado?
- Não... – respondi, rindo da absurda idéia de namorar Danny.
- Isso é bom. – meu corpo estremeceu quando James disse essas palavras. – Soube que amanhã o time de futebol americano do colégio vai jogar?
- Uhum...
- E você vai vir?
- Eu não sei... ainda não decidi. – eu estava olhando pra baixo, porque se olhasse pra James, ia desmaiar.
James levantou minha cabeça segurando meu queixo e me fez olhar pra ele.
- Quer vir comigo? Se você não gostar de futebol americano, a gente pode ir à festa do Chris depois do jogo.
Balancei a cabeça afirmativamente. Eu queria pular de alegria, mas todos os músculos do meu corpo estavam paralisados.
James perguntou onde eu morava e pediu meu telefone. Ele combinou de me buscar às seis e depois iríamos pro jogo juntos.
O sinal do fim do almoço soou, causando me infelicidade. James se despediu educadamente e, antes de nos separarmos, ele disse:
- Te vejo amanhã.
Foi preciso esperar um tempo até eu voltar ao normal e voltar à classe. Meu coração estava disparado e eu estava em êxtase. Isso tudo, porque eu ia sair com James Bourne.