
by Ana Lígia e Estela
• Capítulo Um: The start of something new
- Como assim, o vai vir morar aqui?! O senhor está brincando
comigo, né papai?
- Por acaso eu estou com cara de quem está brincando, ? A mãe
dele faleceu e ele vai vir morar conosco.
- E daí que a mãe dele morreu? Ele não tem nenhuma tia ou algo
parecido? Por que ele tem que vir para nossa casa?
Eu não quero conviver com a razão da mamãe ter nos deixado.
- Ele vai vir porque, como você, é meu filho e minha responsabilidade.
Eu nunca mais quero ouvir você repetindo uma coisa dessas, .
Está na hora de você começar a aceitar o seu irmão, porque é o que ele
é, gostando você ou não, e ele também virá independentemente da sua
vontade.
- Ainda bem que eu não vou ter que aturá-lo por muito tempo. Tchau
papai, vou ao shopping. A propósito, quando o meu, caham,
irmão chega?
- Shopping? Você não se cansa de fazer comprar não, ?
- Compras são relaxantes, definitivamente preciso delas agora...
- Ele chega amanhã, de avião. E, por favor, nada de ironias.
- Tá, ele não chega naquele vôo da madrugada não, né?
- Não, , ele chega na hora do almoço...
- Ótimo! Beijinhos.
***
- , cadê você aqui quando eu preciso? - eu falava enquanto andava
sozinha olhando as vitrines. Compras definitivamente não são a mesma
coisa sem a melhor amiga.
De repente, eu ouço Memory, do Sugarcult, tocando. É o meu celular, a
ligando - só ela pra colocar esse toque.
- Fala, xuxu [n/a by lilly: morre leela O_o] - atendi.
- Hey berinjela! - esses são apelidos que nós
arranjamos quando tínhamos 10 anos, sabe? - Eu vi um vestido
roxo aqui, e lembrei de você... Resolvi ligar! E aí, como
anda?
- Com as pernas - revirei os olhos. Não que ela fosse me ver, de
qualquer forma.
- Ha, o que aconteceu?
- N... - ela me interrompeu antes que eu pudesse começar. Típico.
- Aconteceu sim, fala logo que eu to pagando DDI!
- Reclama não, até parece que vai te fazer falta. Mas é que o idiota do
meu irmão chega amanhã.
- Irmão? Que irmão? - às vezes eu também esquecia
que ele existia.
- O filho que meu pai teve fora do casamento.
- Ah sim... - ela foi vaga. Sabia que essa
história me fazia mal. - Mas, , tu nem conhece o
moleque, dá uma chance, po...
- Claro, claro. Deve ser um idiota mimado e convencido, tô até vendo! E
além de tudo ele é mais velho... Ainda bem que estamos indo pra Los Angeles.
- Falando nisso, amiga... Eu não vou voltar mês que vem...
Saindo daqui de Amsterdã, eu vou direto pra lá com os meus pais, eles
querem ver como ficou o lugar e tal.
- Eu não acredito que vou ter que aturar o idiota sem você! Mas meu
pobre coração vai superar, não se preocupa.
- Será que dá pra ser mais drama queen
do que você?
- Claro que dá, olha só pra você - eu ri enquanto provavelmente
fazia uma careta.
- HAHA, muito engraçada você. Agora eu vou desligar, que eu
vou conhecer a cidade de bicicleta com meus pais - e
desligou na minha cara. Odiava quando ela fazia isso.
Depois disso, continuei minha empreitada solitária. [n/a by leela: nada
dramática essa lilly...] Andava, andava e não encontrava nada.
Parecia que o mundo estava conspirando contra mim. A vinda do
bastardinho estava realmente mexendo comigo... Isso não ia prestar, não
mesmo.
Até que eu a vi. A loja que a e eu mais gostávamos, pois sempre
encontrávamos o que queríamos. E, como sempre, a bendita loja me
salvou. Eu vi na sua vitrine a roupa perfeita para ir ao aeroporto no
dia seguinte: uma minissaia jeans básica e uma blusa frente única
branca com estampa em roxo, que combinaria perfeitamente com meu All
Star roxo. Pronto, entrei na loja e pedi pra provar, mesmo certa de que
a da vitrine caberia em mim.
Experimentei e, como eu imaginava, ficou perfeito. Definiu minhas
curvas, sei lá... Ficou legal de um jeito estranho.
Depois da compra, meu humor estava bem melhor. E isso significava uma
coisa: salão de beleza. Unhas, retoque nas luzes, depilação, limpeza de
pele... saí de lá me sentindo renovada. Eu não
podia me deixar abalar.
Quando cheguei em casa, fiquei com vontade de falar com a .
Infelizmente, o celular dela tava desligado, mas eu tinha esperanças de
que ela não tivesse esquecido do seu precioso iBook com internet Wi-Fi
e entrasse no messenger.
Em vão. Ela não o fez. Fiquei até meia-noite e meia ouvindo música,
lendo blogs, fuçando MySpace e vez ou outra me distraindo com o The
Sims. E nada. Decidi dormir, afinal, eu precisaria estar muito bem no
dia seguinte.
***
Acordei de bom humor, mas os minutos pareciam se arrastar enquanto eu
esperava ao lado de meu pai. A minha sorte é que meu iPod me
distraía, mas se eu dependesse da pontualidade britânica...
- Pai, eu vou comprar algo pra comer. Tem trocado? - perguntei enquanto
me levantada e arrumava minha saia.
- Nós vamos almoçar daqui a pouco, sente e espere - ele é que estava de
mau humor, fato.
- Eu almoço também, relaxa pai. Eu pago com o cartão mesmo então, deixa
quieto - e saí.
Então eu estava lá, feliz com meu milkshake de chocolate na mão,
procurando meu pai no meio do tumulto que se formara com a chegada de
um vôo. Estava tudo ótimo, até um corpo esbarrar em mim e derrubar
metade do líquido na minha blusa nova. Eu ia matar um.
- Olha por onde anda, seu idiota!
• Capítulo Dois: How could we carry on this way?
- Olhe você, sua metida! - eu disse para a menina do milkshake.
Detesto esse tipo de garota fresca: não olha por onde anda e culpa os
outros. Patricinhas que se acham acima de tudo e de todos... Mas até
que ela era bontinha, sabe?
Onde estava o meu pai?, eu pensava. Não, eu não ia
chamá-lo de pai. Eu nunca havia visto aquele homem na minha vida... Pai
é quem cria, dá amor e carinho. Mandar presentinhos nos meus
aniversários não representa nenhuma dessas coisas. Em 16 anos de vida,
eu só havia visto uma foto dele, que a minha mãe me mostrou quando eu
tinha uns 12 ou 13 anos... Sei lá, genética não faz um pai...
Ele estava vindo em minha direção com os braços abertos. Eu não ia
abraçá-lo, não me sentiria confortável. Eu não tinha uma irmã? Onde
será que ela estava? Ele vinha sozinho...
- Olá, - ele continuava com os braços abertos e com um sorriso,
mas, ao ver que eu não o abraçaria, disfarçou aquele abraço e o
transformou em um aperto de mão.
- Ahn... Oi - eu disse, tímido. O que mais eu poderia dizer?
- Como você está, filho? - ele perguntou.
- Erm.... Bem - eu deveria ter dito "e você?"?
- Olha, nós três vamos sair pra almoçar, certo?
- Ah, então a minha... irmã veio?
- Ah, a . Claro, claro... Ela chegou aqui dando um piti
qualquer e saiu, dizendo que já voltava - ele olhou o relógio. - Se bem
que já faz 10 minutos... Ah, lá vem ela - e apontou.
Olhei na direção que ele apontou: vinham duas garotas. E uma delas...
era a garota do milkshake. Não, não podia ser essa a minha irmã, devia
ser a outra.
Más notícias, a outra desviou da nossa direção e a única que vinha
agora era, adivinhem só? A garota do milkshake. Eu não podia acreditar
naquilo. Parebéns, , você e a sua mega sorte para as
cosias...
- Olá, papai - ela disse. Estava com outra blusa agora e,
aparentemente, não havia reparado na minha presença.
- Outra blusa, ? Ou você veio com essa mesmo e eu não notei? -
Charlie perguntou.
- Não, papai, é que um idiota qualquer esbarrou em mim e derrubou meu
milkshake na minha blusa novinha - eu não acreditava que a porcaria da
blusa, ainda por cima, era nova. Era azar demais pra uma pessoa só.
- Ah, então era isso que você estava berrando quando veio aqui -
Charlie revirou os olhos e suspirou. - A propósito, , esse é
seu irmão, - ela virou-se repentinamente, notando a minha
presença. A expressão dela ao ver que eu era o
"irmão" dela foi indescritível.
- O senhor está brincando, né papai? Esse não é o . Isso é só uma
pegadinha, né? - ela estava incrédula.
- - e foi estranho ouvir o meu sobrenome -, é a
segunda vez em dois dias que você me faz essa pergunta. E pela segunda
vez eu te respondo: estou com cara de quem está brincando? - ele disse
e eu juro que tentei, mas não consegui esconder o ar de riso do meu
rosto.
- Mas, papai - ela fez uma cara de choro e a graça acabou. Era uma
menina muito metidinha, qual é.
- Nada de "mas", . Agora use a boa educação que eu te dei e
cumprimente seu irmão.
- Oi - ela disse olhando na minha direção, mas sem realmente olhar para
mim. - Cumprimentei, satisfeito agora? Vamos logo, por favor - falou
dirigindo-se a Charlie. Deu meia volta e começou a andar, mas não foi
muito longe.
- Volte aqui, mocinha - ele disse com a voz firme, mas estavan a cara
de que ele normalmente não conseguia controlá-la. - Cumprimente-o
direito, vamos.
- , sem prazer pravocê - ela estendeu a mão e deu um sorriso
cínico.
- , e o desprazer é todo meu - eu retribuí e Charlie suspirou
derrotado. É, meu caro, as coisas não seriam nada fáceis.
- Certo que eu imaginava que a pudesse me ajudar a superar o
lance da minha mãe e talz, mas as coisas mudaram de cena.
Infelizmente, necessário completar.
Depois da ceninha, ela chamou Charlie e saiu à frente novamente. Ela
podia ser muito mimadinha e tal, mas era inegável que era muito bonita.
Fiz uma pequena nota mental de nunca falar isso pra ela, vai que ela
conseguia a proeza de ficar ainda mais convencida?
***
O almoço "em família" foi, pra dizer o mínimo, esquisito. Apesar da
óbvia força maior do silêncio, Charlie tentou ir contra ele várias
vezes e falhou miseravelmente em todas elas.
Eram sete da noite e eu estava terminando de tentar consertar o meu
quarto. Vários pôsteres e colagens depois, as coisas pareciam um pouco
melhores. Eu ainda precisava desempacotar muitas coisas que tinham sido
despachadas pouco depois que minha mãe se fora, mas estava cansado.
Lembrando de minha mãe, me joguei na cama e pus-me a pensar em como as
coisas estavam diferentes nos últimos dois meses. Minha mãe havia sido
minha mãe e meu pai durante os meus 16 anos... Ela nunca falhara comigo
durante todo esse tempo.
Alguém bateu na porta, tirando-me demeus devaneios. Sequei uma lágrima
que havia escapado e autorizei a entrada.
- Papai está chamando a gente lá embaixo - falou com uma voz
estranha e, antes que eu pudesse pegar ar para responder, eu a ouvi
fechar a porta e descer a escada com passos pesados.
Eu respirei fundo, tentando afastar aqueles pensamentos de minha mente.
Cheguei a passos arrastados na sala e Charlie estava andando de um lado
para o outro, enquanto estava sentada no braço de uma
poltrona.
- Bem... Eu vou precisar muito da ajuda de vocês, porque... - ele
começou, parando de andar. - Eu gosto muito dessa casa, sabe, então eu
gostaria que vocês não a derrubassem e nem explodissem, enquanto... -
ele pigarreou e recomeçou a andar.
- Enquanto...? - estimulou.
- Eu viajo - ele completou por fim e parou de andar.
- Ah não - ela protestou -, não mesmo!
Certo que passar muito tempo só com ela não ia ser muito agradável, mas
não ia ser todo aquele monstro que ela estava pintando. Porra! Ela nem
me conhecia! Mas eu ainda acreditava que a primeira impressão não é a
que fica... Tinha que acreditar.
- Por quanto tempo, Charlie? - perguntei ignorando a garota ao meu lado.
- Acho que uns três ou quatro dias... Talvez uma semana...
- Você não sabe, não é? - disse estranhamente calma, parecendo
derrotada.
- Na verdade não. Mas eu não acredito que vá demorar mais que uma
semana.
- Vai ser a semana mais longa da minha vida - ela murmurou e deu meia
volta, subindo as escadas.
Olhei para Charlie e ele me lançou um olhar de quem pedia compreensão.
Tudo o que eu sabia era: se as cosias continuassem assim, realmente
seria uma longa semana.
• Capítulo Três: My living nightmare
"Encarar um tempo sozinha com o ... Isso vai ser bem
estranho e, no mínimo, desagradável. Calma, , você agüenta.
Pense n'O Segredo: pensamento positivo. Não deve ser tão ruim assim...
Ele até que é bonitinho... PÁRA JÁ COM ISSO, ! Além de
ser seu irmão, ainda é bastardo! Você não gosta
dele. A sua mãe foi embora por culpa dele. É, isso mesmo. Você o
odeia...", pensava eu enquanto subia as escadas.
Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Eu sabia que nunca podia
contar com meu pai... E muito menos com minha mãe. Eu não entendia por que
minha mãe tinha me abandonado. Tudo bem deixar o meu pai e tal, mas ela
nunca mais deu notícias...
Foi pensando nisso que adormeci em um sono conturbado.
***
Três dias. Três longos dias. E eu nessa casa gigante e vazia, que por
vezes tinha a presença de algum empregado ou vagando por aí. A
gente resolveu se ignorar, enquanto não existia briga, mas acontece que
essa condição foi quebrada.
Ele bateu na porta do meu quarto nesse dia, por volta de cinco da tarde.
- ? - parecia com medo da minha reação.
- Que foi? - resmunguei.
- O Charlie deixou dinheiro?
- Não.
- E como eu faço compras agora?
Eu me levantei num pulo.
- Como assim, 'como você faz compras'? Você não
tem um cartão de crédito? - era realmente um espanto.
- Claro - ele respondeu, mas antes de eu poder respirar aliviada,
continuou -, no nome da minha mãe.
- Charlie deve ter deixado um pra você na cama ou no criado-mudo - eu
sugeri, me deitando de novo.
- Você não acha, só acha, que eu teria visto se ele tivesse deixado? -
sua voz estava carregada de ironia.
- Ah, sei lá, do jeito que você é idiota... - ele bufou. - De qualquer
forma, o que você sugere que eu faça? Vá e pague pra você? - falei em
tom de deboche.
- Sabe que não seria uma má idéia? - eu me sentei num pulo de novo, ele
estava sorrindo encostado no batente da porta. Como se tivesse alguma
graça naquilo.
- Nem sonhe! - minha voz saiu estridente.
- Então tá, eu vou ali ligar pro Charlie e-
- Não!
Droga. Mil vezes droga. Minha situação com meu pai estava horrível,
antes de viajar ele ameaçara não me deixar ir pra Califórnia se eu
desse mais um chilique po causa do .
- Mas que merda, viu - eu me levantei. Virei-me para ele e aquele lindo
sorriso sarcástico ainda brincava em seus lábios.
- E não é? - ele levantou levemente as sobrancelhas sugestivamente.
- Tá, eu vou fazer a droga da compra contigo. Agora sai do meu quarto,
vai, daqui meia hora a gente vai - eu disse indo até ele e fechando a
porta. - Eu mereço - reclamei indo até o banheiro, enquanto o ouvia
gargalhar pelo corredor.
***
Vesti uma calça jeans e uma blusa rosa de alcinha, calcei meu Adidas
Star branco e desci as escadas, indo à sala, onde o se encontrava
com os pés na mesinha de centro. Assistia 'I'm not a girl, not yet a
woman' da Britney Spears na MTV Hits. Necessário ressaltar, ele parecia
bem concentrado no clipe.
- Caham - interrompi, parando em frente à TV. Ele se sobressaltou, mas
só elevou o olhar até meu rosto. - Dá pra tirar os pés daí?
- Qual o problema? A mesinha é nobre demais para suportar o peso dos
meus pés? - ele debochou, aquele sorriso cretino brotando novamente em
seus lábios. Merda.
- Não recebeu educação em casa não, garoto? - eu coloquei as mãos na
cintura.
- Minha educação depende da sua - ele ergueu as sobrancelhas e se
levantou. - Vamos?
- Chamou o Richard? - eu comecei a andar na direção da porta da frente.
- Richard? Que Richard? - ele fez uma expressão confusa. Como ele
queria ir até o supermercado sem o Richard?
- O motorista! você quer ir dirigindo, é? - debochei, agora indo para a
porta dos fundos.
- Existe metrô, ônibus, minhas pernas... - eu parei de andar.
- Por acaso eu tenho cara de quem anda em transporte coletivo? A pé
muito menos - recomecei a andar ouvindo ele bufar.
Claro que nós demoramos muito mais, Richard teve que se arrumar, tirar
o carro da garagem e todo aquele blábláblá. E pensar que eu que dei a
maldita idéia de ir com ele. Eu torcia para que o cartão dele estivesse
chegando pelo correio em alguns dias, se eu tivesse que sair novamente
com ele... Não ia prestar.
Bom, chegamos no supermercado quando estava anoitecendo, depois de tudo
aquilo. Ele comprava donnuts, nutella, nudles, red bull... Só baboseira, mas pelo
menos bom gosto ele tinha. Eu peguei alguns biscoitos, leite e bolinhos
prontos... e quanto encontrei-o de novo, ele estava comprando cuecas.
Cuecas! Que tipo de pessoa compra
cuecas no supermercado?
- Hey, deixa pra comprar isso na Calvin Klein ou sei lá - eu disse me
aproximando.
- Você vai comigo? - ele estava provocando, saquei a dele e não me
deixei abalar desta vez.
- Se você quiser - ele se surpreendeu com minha reação.
- Nossa, tudo isso por causa de grife? Eu mereço. Você é mesmo a
patricinha fútil que aparenta ser - ele fez pouco caso, se voltando
novamente para as cuecas. Quem ele pensava que era pra falar comigo
daquele jeito?
- Como é que é? Olha só, seu idiota, eu vim aqui contigo fazer a
porcaria das compras, e você me trata desse jeito?
- Foi você que sugeriu. Porra, eu só quero comprar cuecas, será que dá?
- essa foi a primeira vez que ele levantou a voz. Confesso que foi
estranho e me fez ficar quieta.
A partir daí, não nos falamos mais. Chegamos em casa, guardamos nossas
compras e nos separamos - ele voltou a assistir MTV Hits e eu voltei
para o meu quarto. Será que a tinha lembrado do iBook dela?
Entrei no messenger e de novo fiquei até de madrugada, mas nada da
. Pensei que quando eu a encontrasse novamente, eu cometeria um
homicídio. Definitivamente, não sei como sobrevivi a esse pesadelo sem
ela.
Capítulo Quatro: I'll be ready for a fight
Ir às compras com a naquele dia, obviamente, não fora uma boa idéia. Não sei como eu pude pensar, nem por um minuto, que seria uma oportunidade de nos conhecermos. Ela, definitivamente, me tirava do sério.
Naquele dia, acabei adormecendo no sofá, vendo qualquer besteirinha na TV. Na verdade, olhando, porque minha atenção era toda voltada pro que eu faria no caso de uma nova necessidade ou nova briga - provavelmente os dois viriam juntos.
***
Uma semana. Uma semana e nada do Charlie. , no dia que se seguiu às compras, resolveu sacar e me entregar uma boa quantia em dinheiro. Depois disso, voltamos à condião anterior: enquanto possível, nós ignorávamos as presenças um do outro. Mas, mesmo nas poucas vezes que nos encontramos, eu podia sentir seus olhares de desprezo e desaprovação recaindo sobre mim. Mas, tanto fazia - era só a .
Na maior parte do tempo, eu ficava ouvindo música no meu quarto. Na verdade, eu queria poder falar com alguns dos meus amigos... Mas todos pareciam estar se divertindo, aproveitando suas férias de verão, porque quando não estavam desligados, os celulares estavam fora de área e nenhuma boa alma dava sinal de vida no messenger.
Resolvi, como um bom solitário, chamar o Richard e pedir para que ele me levasse para conhecer a cidade, porque a única vez que eu havia saído fora naquele dia do supermercado com a . E as coisas acabaram daquele jeito. Resolvi não chamá-la para ir junto, isso seria exigir demais da "boa" vontade dela, e eu não estava a fim de aturar outro chilique.
Richard me levou a vários lugares. Me levou, inclusive, ao London Eye, mas não subi. Eu tinha um certo problema com altura. Depois, ele me levou a um shopping e, voilá!, colírio para os meus olhos.
Porém, passamos menos de uma hora por lá. Nenhuma garota realmente havia chamado a minha atenção. A única coisa que fiz no shopping, além disso, foi um pequeno lanche no Burger King. Eu mal havia notado o quão faminto eu estava.
Quando cheguei em casa, estava sentada no sofá, visivelmente irritada.
- Até que enfim você chegou! Olha, me diz logo o número do seu celular, pro caso de você resolver sair sem me avisar, de novo - ela disse, se levantando e tirando o próprio celular da bolsa. Será que aquilo tudo tinha sido uma demonstração de preocupação? E comigo? Involuntariamente, sorri por dentro ao cogitar tal possibilidade.
- E eu deveria fazer isso porque... - comecei desconfiado, esperando que ela completasse.
- Porque eu precisava sair, mas o Richard não estava. Liguei paa ele e ele estava com você, mas aí você não tava perto e ele não podia te deixar sozinho e blábláblá. Agora eu estou aqui, há mais de meia hora, esperando vocês chegarem - e bufou. Ah, então era esse o motivo. Sabe aquele sorriso interior? Pois é, ele desapareceu. Como eu pude pensar, mesmo que por um segundo, que ela se importava comigo?
Disse o número da porcaria do meu celular e comecei a andar, indo na direção das escadas. Toda a calma e serenidade que aquele passeio havia me proporcionado haviam sumido no momento que começou a falar. Pra variar. Quer bela e grande bosta!
- Aonde é que você pensa que vai? - ela falou com uma voz estridente.
- Eu não penso que vou. Eu vou para o meu quarto - falei sem nem ao menos olhar para ela.
- Não antes de eu falar com você - sua voz tinha um ar mandão. Respirei fundo e me virei para ela.
- Fale, Rainha - eu disse, em tom de deboche.
- Papai ligou, disse que não tem previsão para voltar. Disse também que o seu cartão provavelmente chegaria hoje ou amanhã.
- Sabe no que eu parei para pensar agora, ? Na verdade, você daria uma ótima secretária - e ri da forma clara e objetiva com que passou os recados. De repente, desejei não ter feito isso: ela me olhava com ódio.
- Secretária é a mãe! - nesse instante, as coisas deixaram de ser engraçadas. Ela estava furiosa. - Acha que só porque o papai te trata como queridinho dele você pode alguma coisa, é? - revirei os olhos e voltei às escadas. - Own, tadinho do bebezinho, a mamãezinha não tá aqui pra cuidar de você não, ? Cadê ela? Ah, esqueci, ela morreu, né - havia um misto de prazer e maldade na sua voz. Ela havia entrado em uma área de grande perigo: ela que não ousasse prosseguir. Continuei a subir.
- Sua mãe nunca te ensinou que a gente não deve ignorar as pessoas, não, ?
- Deixa a minha mãe fora disso, - eu disse sem alterar a voz.
- Own, por quê? O bebezinho vai chorar se eu falar, é? - e gargalhou maldosamente.
- Olha aqui, eu não vou aturar você ofendendo minha mãe, não! A sua nunca te ensinou a respeitar os mortos?
- Presta atenção no que você fala, seu bastardinho! Minha mãe me educou muito bem, tá? Mas eu poderia ter sido muito melhor educada se eu pudesse ter passado mais tempo com a minha mãe! Mas eu não pude, não é mesmo? Por quê? Ah, foi porque ela descobriu a pequena escapadinha do meu pai, que resultou em... VOCÊ!
- Olha aqui, sua patricinha mimada, fútil e egoísta - gritei, finalmente perdendo o controle -, eiste muito mais coisa no mundo do que essa sua cabecinha pequena e sua mente fechada e estreita podem pensar! Eu não tenho culpa se a sua mãe foi embora, eu não pedi pra nascer, muito menos pra ser filho do Charlie. Você ao menos ainda pode ve a sua mãe, agora, eu? Minha mãe está em um lugar inalcançável, nada do que eu faça vai trazê-la de volta! - ela balbuciou qualquer coisa, na qual eu não fiz questão de prestar atenção. - Câncer é realmente uma doença devastadora, sabia? Eu vi a minha mãe se acabar aos poucos, bem diante dos meus olhos! Ah, mas por que eu tô falando isso mesmo? Isso é algo que você NUNCA vai poder entender. É algo muito além das novas peças da Chanel, ou qualquer outra marca que patricinhas como você usem, não é mesmo?
Eu havia desabafado tudo o que eu sentia, e estava com sentimentos que oscilavam entre a raiva e a tristeza. Subi as escadas e me tranquei no quarto, finalmente deixando que as lágrimas descessem.
• Capítulo Cinco: Something's gotta give
"Então nós não somos tão diferentes assim", eu pensava em enquanto subia as escadas. "Ele também não queria estar aqui". Eu havia passado dos limites, e sabia disso, mas... Sei lá. Eu perdi a cabeça. Agora eu queria consertar as coisas, mas... Como consertar algo que nunca esteve inteiro?
***
No dia seguinte, não se sentou à mesa para tomar café comigo. Era estranho, mas, mesmo na semana em que nos ignorávamos, tomávamos café-da-manhã juntos. Mas não dessa vez. Eu soube por Jullie, uma das cozinheiras, que ele havia levado uma bandeja com seu café-da-manhã para o quarto. Segundo ela, ele estava com os olhos meio inchados, como se tivesse chorado. Será que o estrago que eu causara tinha sido tão sério assim? Eu esperava que não, mas receava que sim.
Tomei meu café e subi para o quarto. Enquanto eu tomava banho, uma idéia me ocorreu. Eu esperava que desse certo. Depois de terminar, chamei o Richard para que ele me levasse ao shopping.
***
Toc toc toc. Nada. Tentei novamente. Toc toc toc. Nada de novo. Resolvi tentar a sorte e girei a maçaneta - para a minha surpresa, a porta estava aberta. Olhei ao redor e nada dele, então percebi que havia um barulho de água caindo. Ele estava tomando banho, afinal.
Sentei-me na cama e me pus a esperar. Olhei para os vários pôsters nas paredes, algumas daquelas bandas eu até gostava... É, até que ele tinha um bom gosto. A Kate certamente o diria.
De repente, um barulho de tranca se abrindo e saindo do banheiro, enrolado numa toalha e sacudindo o cabelo com uma das mãos. Ele não havia notado a minha presença, mas, quando notou, teve um sobressalto.
- O que você faz aqui? - ele usava um tom de voz seco. Evidentemente, ainda estava com raiva de mim.
- Ahn... Eu vim falar com você. Posso?
- Antes, me permita uma pergunta: como foi que você entrou? - ele continuava seco. Tá, eu sabia que não seria fácil.
- A porta estava aberta.
- Ah... O que você quer? Brigar de novo? Será que a última não foi o suficiente pra você? - ele estava bastante na defensiva, chegando a me assustar um pouco.
- Não, eu não vim brigar, - eu falava sem perder a pose.
- Veio fazer o que então? Pedir desculpas? Faça-me rir, - ele cruelmente desdenhou.
- Quer me dar uma chance? - levantei minhas sobrancelhas: seria minha última tentativa.
- Para que eu o faria, se você me julgou desde o primeiro momento? Olha... - ele hesitou por um segundo: será que cederia? - Não.
- Hã?!
- Não, não quero te dar uma chance - curto e grosso, fez meu sangue subir à cabeça.
- Tá, desculpa se eu to tentando fazer as coisas darem certo! Que merda! Eu errei, eu sei, mas eu não queria que fosse assim! Eu não sabia que ia ser assim! - gritei e bati a porta do quarto. De repente, parecia que toda a mágoa dele estava me afetando. O que diabos estava acontecendo comigo?
***
Passaram-se mais três dias, e em nenhum ele me procurou, nem tomou café-da-manhã comigo. O cartão dele chegou, e ele saiu algumas vezes, mas eu só observava.
Durante a noite - eu tinha desistido de falar com a Kate, definitivamente, ela tinha me esquecido -, resolvi que era hora de tentar novamente com o . Eu esperava que, dessa vez, ele pelo menos me ouvisse.
Atravessei o corredor, pronta para bater na porta que pertencia ao quarto de . Porém, notei que ela estava entreaberta. Ouvi algo como um violão e uma voz começou a cantar.
- I'm sittin' here all by myself just tryin' to think of something to do, tryin' to think of something, anything, just to keep me from thinking of you. But you know it's not working out, 'cause you're all that's on my mind. One thought of you is all it takes to leave the rest of the world behind. (estou sentado aqui sozinho só tentando pensar em algo pra fazer, tentando pensar em alguma coisa, qualquer coisa, para me manter sem pensar em você. mas você sabe que não está funcionando, porque você é tudo que está em minha mente. um pensamento de você é tudo o que preciso para deixar o resto do mundo para trás).
Ele parou. Secou os olhos. Se não fosse aquele movimento, nunca imaginaria que ele chorou. Permaneceu parado, com o violão no colo, olhando para o nada. Percebi que estava espionando-o, e resolvi que aquela era a hora de entrar. Era aquela hora ou nunca. Respirei fundo e bati.
- Erm... , posso entrar? - nem esperei a resposta e já estava entrando.
- Já tá dentro, né. Sabe, , a gente geralmente espera a pessoa responder para poder entrar. Sua mãe nunca te ensinou isso?
- Por favor, , não começa. Eu não vim brigar.
- Ah, não? Veio fazer o que então? - ele mantinha um tom defensivo sempre que falava comigo.
- Eu vim conversar com você. Você vai me dar a chance que eu te pedi da outra vez?
Ele respirou bem fundo antes de responder.
- Tá, , você tem a sua chance. Trate de não desperdiçá-la, pode ser que eu não te dê outra - ele estava calmo e tinha um tom de dúvida na voz, como se se perguntasse se deveria mesmo fazer aquilo.
- Eu não sabia que você tocava violão.
- Já notou como você não sabe muita coisa? Tá, tá, desculpa.
- Obrigada. Eu gostei daquela música que você tava tocando, que música era?
- Peraí, você me viu tocando? Há quanto tempo você estava aí?
- Não importa.
- Certo, vou tentar ignorar o fato de que você estava me espionando. Bem, a música era 'A Lonely September' do Plain White T's. Esse início dela me lembra muito a minha mãe, ela adorava me ver tocar violão... Desde que ela morreu, essa foi a primeira vez que eu peguei em um de novo - ele parecia triste.
- Eu gostei da música. E de você tocando também.
- Obrigado, mas você não veio aqui pra falar de música ou de como eu toco violão, veio?
- Er... não - eu sorri sem-graça e estendi o pacote em sua direção. - Comprei pra você...
- Ah - ele estava visivelmente sem palavras, como se não acreditasse nos próprios olhos e ouvidos. - Erm... obrigado, eu acho - disse a última coisa mais para si mesmo, mas ainda assim pude ouvi-lo. Ele pegou o pacote sem muita convicção - o que é?
- Abra - sorri marota.
- Não é uma bomba, é? - ele levantou uma sobrancelha desconfiado. Certo, ele ia começar com aquilo de novo, mas não me atingi.
- Cuida, abre logo, !
Ao abrir, ele sorriu e revirou os olhos.
- Cuecas Calvin Klein? Você não tem jeito mesmo, - falou em tom brincalhão.
- É, eu achei que você gostaria - dei o meu melhor sorriso. Eu já não me importava com o que ele pensaria. - Trégua?
Ele só sorriu e me abraçou, mas logo soltou. Eu me surpreendi e fiquei estática por alguns segundos, inebriada pelo seu perfume. - Você não quer que eu experimente pra você ver, quer? - ele riu.
- Haha, que engraçado - disse com sarcasmo, rindo sinceramente logo depois.
- Falando nisso... como você soube que tamanho comprar? - aposto que ele estava se divertindo às minhas custas. Merda.
- Er... Eu... eu comprei médio, sabe, meio termo e tal... Qualquer coisa é só ir lá trocar... - aposto também que a cada palavra eu ficava mais vermelha, porque a cada palavra ficava mais difícil para ele segurar o riso. Por que as pessoas se divertem com o constrangimento dos outros?
- Fica tão bonitinha envergonhada - ele disse sorrindo sarcástico e brincando com meu nariz. Foi muito estranho, mas ao contrário do abraço, ele não recuou.
- Ah, seu idiota! - eu falei e bati no braço dele: só assim para ele parar com aquilo, que estava começando a me deixar desconfortável.
Mas eu me senti orgulhosa por ter passado por cima do meu orgulho e ido falar com ele. Nada contraditório, né? Essa sou eu.
• Capítulo Seis: What have you done to me now? I just can't sleep at night
realmente tinha me surpreendido ao pedir trégua e ir além: comprar algo pra mim. Certo que eu acho que eu merecia, no mínimo, um pedido de desculpas, mas eu acho que, vindo da , provavelmente isso podia ter equivalido a um "Eu Te Amo".
Eu e ela ficamos conversando por horas, até de madrugada, quando Charlie chegou. Ela se mostrou uma pesso ótima de papo, por baixo da máscara.
No dia seguinte, voltamos a tomar café juntos - agora, começávamos com o tradicional 'bom dia'. Em um momento de silêncio, porém, me surgiu uma curiosidade.
- Você namora? - eu não fazia idéia do por quê. Quero dizer, fazia, mas...
- Não - ela respondeu, mas não sem alguma hesitação.
- Ótimo.
- Ótimo?
- É. Quer sair hoje? É sábado - sugeri casualmente.
- Não é um encontro, é? - ela me olhos desconfiada, como se realmente estivesse cogitando a possibilidade.
- Claro - ela arregalou os olhos - que não - ela soltou o ar, aliviada. Revirei os olhos. As meninas podem ser bem bobas às vezes, sabe?
- Ah, sei lá - ela tentou fazer pouco caso. É, parece que ela realmente achou que eu estava flertando (?) com ela.
- - ela fez uma careta.
- , por favor.
- , que seja. Eu estou com cara de quem está brincando? - imitei Charlie e nós gargalhamos, mas havia uma terceira risada...
- Você já fez aula de teatro? - ele dizia com um sorriso, mas eu não conseguia achar engraçado.
- Um pai deveria saber disso - me levantei.
- - ele me lançou um olhar cansado. - Me dê uma chance, por favor.
- Pra que eu o faria? - As coisas estavam ficando um tanto repetitivas, não acham?
- Pras coisas se tornarem um pouco melhores? - ele disse como se eu fosse uma criança. estava comendo normalmente, como se não estivesse acontecendo nada.
- Não tem como ficarem melhores - senti o olhar de sobre mim e completei -, não com você.
- ...
- Não adianta! Dois dias não vão mudar 16 anos!
- Você não pode tentar?
- Você não acha que está pedindo um pouquinho demais? - longos segundos de silêncio. - Acho que perdi a fome - e saí de lá, deixando um clima tenso no ar.
Poxa, eu não tinha mais a minha mãe, não tinha meus amigos, estava num lugar desconhecido e com pessoas que eu não sabiam ao certo quem eram. Sem falar que eu não sabia quanto tempo duraria a tal trégua... Ele não podia querer que ficasse tudo bem!
***
À noite, eu e realmente saímos. Ela andava bem informada sobre pubs para uma garota que ainda era menor de idade... Se bem que ela facilmente enganaria lugares com segurança menos atenta, com aqueles sapatos e toda aquele maquiagem. Ela tinha se arrumado bastante.
Acabamos não entrando em nenhum - até parece que eu ia empurrar a garota pro mau caminho. E na falta de idéias, pra onde nós íamos? Shopping Center.
- Eu quero ir no Castle! - ela dava piti. Argh, eu nem acreditava. [n/a by Leela: eu não conheço Londres (ainda), então inventei os nomes, certo?]
- Mas, , o Richard disse que a gente tá do lado do Jaded, vamos ficar por aqui!
- Mas o Jaded é ruim, só tem os losers - a menina estava se esforçando, era visível.
- Faz diferença?
- Faz! O que vão dizer de mim depois? Que eu estava no Jaded no verão, pff! - lágrimas chegaram aos seus olhos. Devia ter algum outro motivo por trás disso, então eu só respirei e contei de um a dez mentalmente.
- Certo, Richard, vamos ao tal Castle - eu disse a ele, que estava dando voltas, enquanto e eu discutíamos.
Foram mais 45 minutos nessa brincadeira, o que foi o suficiente para que eu e ela voltássemos a nos falar normalmente. Estávamos fazendo o máximo para nos darmos bem, afinal, éramos nós e nós naquela casa. Charlie tinha um bom poder de desaparecer.
Acabamos - de novo -, não fazendo nada. Demos umas voltas, ela cumprimentou algumas pessoas, comemos pizza e voltamos. Ela não quis fazer nada.
- Ei, você me deve explicações - eu chamei quando ela foi para as escadas.
- Devo? - tinha um tom irônico na voz.
- Colabore, vai - pedi, não querendo brigas.
- O que você quer saber? - ela se jogou no sofá, prevendo mais uma noite em claro, conversando.
- O real motivo de você não querer ir ao Jaded - pelo olhar dela, ela estava decidindo se eu merecia saber ou não. Até que ela suspirou, derrotada. Respirou fundo, aparentemente tomando coragem.
- Senta... É uma longa história.
***
Certo. A longa história era: ela vai embora. Okay. Isso foi como um baque pra mim. E o pior é que eu nem sei o porquê disso ter me atingido tão fortemente. Talvez tenha sido porque, agora que nos falávamos direito, eu tenha encontrado nela uma razão pra suportar estar aqui.
Mas, o ponto da longa história não era esse: era o ex-namorado dela que vivia no Jaded. Apesar de não amá-lo e blábláblá, tinha sido seu primeiro namorado e, antes disso, ela costumava ser uma pessoa solitária. Comovente (sem ironias).
Não sei por quê, mas eu não conseguia imaginá-la como uma pessoa solitária. É o tipo de pessoa que se encaixa perfeitamente em LA. A típica patricinha do high school.
Ela começou a chorar, enquanto me contava. Eu fiquei sem ação. O que se faz quando uma garota que, até pouco tempo te odiava, começa a chorar na sua frente? Abraça ela? Enxuga as lágrimas? Eu optei por algo mais, digamos assim, ousado, para duas pessoas que até pouco tempo, mal se falavam: descansei sua cabeça em meu peito e afaguei seus cabelos. Ela me abraçou, soluçando. Eu senti um embrulho no estômago, que eu não saberia explicar.
Agora ela está lá, no quarto dela, e eu estou aqui no meu. Eram duas da manhã, e eu me flagrava imaginando o que ela fazia. Será que estava chorando novamente? Será que, como eu, pensava no quão estranho havia sido o último momento? Será que me reprovava pela minha atitude? Ou será que que só dormia um sono tranquilo? Acho que eu nunca saberia.
***
Desci para tomar café da manhã e me surpreendi ao encontrá-la sentada na pia da cozinha comendo uma maçã, com tranquilidade.
- O que aconteceu? - indaguei.
- Você sabe que horas são? - ela perguntou casualmente. Olhei para o relógio da cozinha e acordei de vez: eram duas da tarde.
"Meu Deus", pensei. "O que aconteceu comigo?" Eu nunca acordava tão tarde assim.
- EU é que sei? - ela desceu da pia e abriu a geladeira.
- Você lê mentes ou eu pensei em voz alta? - ri, enquanto ela colocava o leite em cima da mesa.
- Sabe que agora você me deixou na dúvida? - ela riu também, indo até o forno microondas e tirando uma fôrma lá de dentro. - Pra você - e colocou os donuts na minha frente.
- Sério? - olhei surpreso para ela.
- Não, é brincadeira - revirou os olhos, sentando-se na pia, novamente.
- Poxa, obrigado! - sorri sinceramente, colocando o leite numa tigela. - Por que isso? - perguntei enquanto mergulhava um donut no leite, e o levava até a boca.
- Sei lá, você não veio para o café, então eu pensei em algo que você pudesse comer... - ela falava enquanto eu comia. - Daí, eu pedi pra Jullie fazer pra você - ela sorriu, mas foi decepcionante saber que não tinha sido ela quem havia preparado.
Em silêncio, terminei de comer, enquanto ela falava da vida. Quando me levantei, ela disse:
- O que você quer fazer hoje? A gente poderia ir a um parque ou cinema, quem sabe até a uma boate.
- Ai cala um pouco a boca, - eu ri, mas ela fechou a cara. Merda viria. Ficou me encarando aparentemente se sentindo ofendida, enquanto eu deixava a tigela e a fôrma na pia. Ela ficava sexy daquele jeito. Levantei minhas sobrancelhas e ela movimentou os lábios, porém sem som: "Vem calar".
O que tinha dado naquela garota? Ela queria me provocar, era isso? Pois ela tinha conseguido. Aquele ato me levaria a mais uma noite em claro, mas, quando eu percebi, eu já havia selado meus lábios nos dela.
Continua...
N/A: Hey pessoas! Tudo bem? Desculpem a demora, a culpa é toda da Lilly. HAHAH, brincadeira.
E aí, o que acharam do cap, ahn? *levanta as sobrancelhas sugestivamente*
Espero que não nos abandonem ;P
Beijinhos,
xx Leela