
1- True Friend, You’re here ‘till the end
acordou assustada com o barulho do despertador. Ela ainda não sabia o porquê de não ter se acostumado com o som que aquele rádio-relógio fazia pra ela acordar de manhã. Ela se levantou ainda sonolenta e foi escovar os dentes. Seu pai, pra variar, estava viajando e a mãe, pra conseguir pagar as contas de casa, estava em 2 empregos e quando não estava no serviço,
estava dormindo.
, como era carinhosamente chamada, não tinha irmãos e era bem verdade, quase não tinha amigos. A única
amiga que
sempre teve foi
. Desde sempre, ela supunha,
fazia parte da sua vida, como se fossem irmãs mesmo, e
era feliz desse jeito.
As duas amigas, inseparáveis, sempre estudaram no mesmo colégio, na mesma sala, com os mesmos horários. Só não paqueravam os mesmos carinhas pra não
dar briga, afinal de contas, elas preferiam preservar a amizade do que se confrontar
por causa de uma amor que talvez nem durasse a vida toda, como a amizade delas
certamente duraria.
vestiu uma calça jeans e uma blusa da sua banda favorita, calçou seu All-Star verde e foi tomar seu café.
Achou umas bolachas e as engoliu com um suco de qualquer coisa, que estava
na geladeira. Logo
estaria berrando por ela e provavelmente ficaria irritada se elas se atrasassem
mais uma vez pra chegar no colégio.
jogou todo o seu material dentro da mochila, catou uma maçã e foi saindo, pra
se encontrar com a amiga.
- Achei que a Cinderela ainda ia demorar uns cem anos pra se aprontar pro baile. -
ria.
- Não enche! Hoje eu nem me atrasei, ta bom? E vamos andando porque eu tenho certeza que nessa lerdeza, a gente vai se atrasar pela 5º vez
essa semana. -
puxou a amiga pelo braço e saiu andando.
A sintonia entre elas era visível. Algumas pessoas até apostariam que uma era capaz de adivinhar o que a outra estava pensando só de olhar. Não houve ainda no mundo quem conseguisse fazer com que as duas se separassem e não
haveria...
-
, vamos lá pra casa hoje? -
escrevia alguma coisa na carteira, durante a aula de física.
- Ah, claro! Eu ia ficar sozinha lá em casa mesmo... -
deu de ombros, copiando o que o professor passava no quarto.
- Sabe, a gente podia chamar umas pessoas... -
olhava pra amiga.
- Ih,
, desembucha! Quando você fala assim eu sei que você já tem todo um plano em
mente!
- Então, minha amiga-que-lê-mentes... O meu pai não vai estar em casa - trabalho - e a minha mãe, você sabe, com esses vôos internacionais que tem feito, quase não
para em casa. -
fez careta ao falar da mãe. Elas quase não conviviam, pois a mãe de
era aeromoça.
- E você pensou em chamar o Kevin e o Josh pra ir “assistir” filme na sua casa,
acertei? -
ria.
- Ok, isso de você ler a minha mente já está ficando sério! -
também ria.
- As senhoritas estão achando a minha matéria engraçada? - O professor interrompeu a sessão
de risos.
- Não senhor. -
respondeu, segurando o riso.
- Então acho bom que não tenham dúvidas. - O professor resmungou qualquer outra
coisa e se virou de novo pra lousa.
fez sinal pra
, dizendo que depois da aula elas conversariam.
e
saíram do colégio animadas, pois os garotos iriam à casa de
naquela tarde, e seria definitivamente interessante. As duas foram planejando
a tarde pelo caminho a fora, dando gargalhadas. Ao chegarem à casa de
,
colocou sua mochila em cima da cama da amiga.
era visivelmente mais rica: sua casa era pelo menos 3 vezes maior, tinha uma
piscina gigante e um enorme salão de festas. Os quartos ficavam no segundo andar
e
tinha intimidade suficiente pra ficar perambulando pela casa sem estar necessariamente acompanhada da amiga.
parou na sala de estar. Foi conferir se o DVD estava ligado à TV, mas parou na estante, pra olhar os porta-retratos da família
da amiga.
também era filha única, e talvez esse fosse o principal motivo delas serem tão
amigas.
pegou um porta retrato em especial, onde havia uma foto da amiga com os pais.
Ela ficou por bastante tempo olhando como eles não pareciam felizes juntos, como se a presença de algum deles incomodasse o outro, deixando o sorriso menos espontâneo.
Num outro porta retrato,
viu a amiga e o pai. Naquele sim, o sorriso ela verdadeiro e contagiante e
sempre soube que
se sentia melhor na presença do pai. Só então concluiu que a presença que pesava era a mãe
de
. Como será que ela nunca tinha reparado nisso?
correu o olho pelo restante do móvel e seus olhos pararam numa foto do
, pai de
, ainda bem jovem. Não que ele fosse velho, mas ele já não era um garotão, pois tinha uma filha de 18 anos. Ele devia estar bem próximo dos 40, achava. Como aquele homem tinha sido lindo, aliás,
ainda era, mas
não cometeria a impertinência de comentar esse tipo de coisa com
. Sabia que a amiga ficava muito chateada quando faziam esse tipo de elogio ao
pai dela, ainda que fosse verdade. Ela não sabia bem o porquê, mas não conseguia
tirar os olhos daquela fotografia.
- Viajando na maionese, aí,
? -
chegou na sala.
- Ah, tava só vendo as fotos da sua estante. -
desconversou.
- Você não cansa, não? Toda vez que a gente vem pra essa sala é isso. -
deu um pedala na amiga.
- Ah, qual é?! A minha sala não tem dez por cento das fotos que a sua tem, ta
bom?! Quando eu venho aqui, eu nunca tenho a certeza de ter visto todas. -
brincou.
- É,
, porque você não tem um pai que preza pelas aparências. Ele acha que espalhando fotos da família “feliz” que ele tem, que as coisas vão
voltar a dar certo. -
fez sinal de aspas quando pronunciou o FELIZ. - Mas enfim, vamos mudar de assunto,
que os garotos já devem estar chegando.
2 - I never meant to hurt you...
Kevin e Josh não demoraram a chegar. Eles tinham levado algumas bebidas e uns
filmes.
sempre soube que
tinha uma queda pelo Josh, mesmo que ela ficasse com o Kevin. Ela se sentia mal cada vez que eles 4 se encontravam e
acabava ficando com o rapaz, porque Kevin não saía do pé de
e naquele dia não seria diferente.
Assim que entrou na sala, Josh lançou um olhar totalmente indiscreto pro decote
de
enquanto a menina dava um selinho em Kevin.
percebeu aquilo e achou graça. Talvez o garoto tivesse se interessando pela amiga dela e isso era no mínimo engraçado. Josh se jogou no sofá bem
em cima de
e a beijou, como se não tivesse mais ninguém ali.
- Hei! A minha casa não é motel não! -
dava tapinhas nas costas do garoto enquanto
se segurava pra não rir.
-
, vai logo na cozinha e pega os copos! Vamos beber e ver esses benditos filmes
logo. - Kevin sentou-se no tapete e ficou enchendo a paciência do casal que tentava se beijar “sossegadamente” no sofá.
Eles assistiram o primeiro filme enquanto bebiam. Quase não conversavam e prestavam bastante atenção à história. A essa altura, as meninas já tinham exagerado um pouquinho na bebida e estavam mais “alegrinhas” que os meninos. E foi no segundo filme que o clima na sala começou a esquentar. De um lado, no sofá,
estava praticamente deitada com Josh encaixado por entre as pernas dela e eles
se beijavam com vontade. O rapaz estava com as mãos por dentro da blusa da garota e eles se esfregavam bastante. Já no
tapete, Kevin sentou
em seu colo e a beijou, enquanto a garota abria o zíper dele, pra que eles ficassem mais “em contato”. Os casais só não se comeram por ali mesmo porque a música da televisão aumentou o volume inesperadamente, indicando que o segundo filme também já tinha
acabado.
resolveu olhar se tinham chamadas não atendidas em seu celular, enquanto
foi fazer pipoca, Josh foi ao banheiro e Kevin resolveu esperar na sala. A menina subiu as escadas e foi direto ao quarto da amiga, pegar sua mochila. Olhou o celular: nada de chamadas. Resolveu ir ao banheiro, que ficava na porta ao lado. Olhou-se no espelho e riu. Estava descabelada. Lavou o rosto e o secou numa toalha que estava pendurada ali no box. O perfume da toalha era excessivamente bom e
parou pra sentir aquele perfume por alguns instantes. Depois de alguns minutos de devaneio, largou a toalha depressa, ao se lembrar que ela podia ser do pai de
.
Ela riu da sua atitude e desceu as escadas sorrindo. Pensou em ir pra sala, fazer
companhia a Kevin e Josh, que provavelmente já teria saído do banheiro, mas resolveu ir até a cozinha e ajudar a amiga. Qual não
foi a surpresa de
ao chegar na cozinha e encontrar
e Josh se atracando na fenda produzida pela posição da geladeira. Eles estavam
ocupados demais pra reparar que a garota estava ali e
ainda se deu ao luxo de imaginar que ali era um lugar interessante de se agarrar
com alguém, visto que quem chegasse na cozinha não os veria de imediato.
imaginava que isso fosse acontecer algum dia, mas não pensou que seria assim, tão
na cara dela.
Ela subiu correndo e pegou sua mochila. Estava decidida a ir embora. Não podia fingir que não tinha visto, mas também não ia queimar a amiga ali, na frente dos dois rapazes. Chegou na sala e disse que sua mãe
tinha ligado, que ela precisaria ir embora naquele momento.
sequer suspeitou que
tivesse visto alguma coisa e entendeu que a amiga sairia correndo caso a mãe chamasse por ela. Josh até ofereceu
uma carona, mas
já ia longe quando ele resolveu sair com o carro.
não estava chateada com a amiga. Elas tinham se prometido que jamais brigariam
por causa de homem nenhum.
esperaria
vir falar com ela sobre o que tinha acontecido.
chegou em casa e se jogou em sua cama. Sua mãe não estava em casa.
chorou pelo resto da tarde, mas não sabia direito o motivo pelo qual o fazia. Ela nem gostava de Josh, ou coisa parecida. Aliás, estava até feliz daquele ser seu último ano no colégio e que não
precisaria mais olhar praquele idiota, mas
... Não, elas iriam pra mesma faculdade! Daria à amiga a chance de se explicar.
A campainha tocou e
pensou bastante antes de atender. Foi ao banheiro e lavou o rosto, disfarçando um pouco a vermelhidão por ela estar chorando. Deu uma ajeitada nos cabelos e foi abrir a porta. Qual não
foi sua surpresa ao se deparar com
ali, àquela hora da noite.
-
? O que você está fazendo aqui a essa hora da noite? -
perguntou ainda meio incrédula.
-
, eu precisava conversar contigo. -
atropelou a amiga e foi entrando.
- Meu Deus, aconteceu alguma coisa? -
parecia preocupada.
- Aconteceu sim,
. Você saiu lá de casa meio apressada e eu esperava conversar com você depois
que aqueles dois fossem embora. -
sentou-se no sofá e encarou as mãos.
- Gente, pois então me diga! -
parecia estar mais aliviada.
- Bem, eu nem sei por onde começar... -
estava constrangida.
- Que tal pelo começo? -
riu da própria piada.
- Bom, o Josh... Bem, você sabe não é,
, que eu sempre tive uma quedinha por ele. -
agora não conseguia mais encarar a amiga.
- Sim, e muitas vezes eu te disse que não queria ficar com ele, mas você sempre
me obrigava... -
fez cara de nojo.
- Ah, qual é,
, ele é um gatinho! -
deu um tapinha na amiga.
- E que diferença isso faz? Quem gostava dele era você e não eu! -
riu.
- Então... Hoje, lá na minha casa, quando você subiu pra olhar o seu celular...
Bem, na cozinha... Sabe, o Kevin estava dormindo... -
tinha medo de continuar.
- Ele te beijou, certo? -
facilitou o trabalho de
, que apenas consentiu com a cabeça. - Eu vi isso, sabe,
e fiquei com muito medo que você não me contasse. Foi mais por isso que eu saí dali.
Com que cara eu ia ficar se o Josh viesse me beijar de novo?
- Aihn,
, diz pra mim que você não ficou com raiva? -
quase chorava.
- Eu? Ta louca? JAMAIS! Mesmo porque, agora eu não vou mais ser obrigada a ficar
com ele.... - E
desatou a rir.
- Sua poia! Aqui, você ta aqui sozinha e eu também estou lá em casa sozinha... Vamos dormir lá em
casa? -
falou e
fez uma cara de “não sei não”. - Pretty please?
- Ta bom, ta bom! -
sorriu e foi arrumar suas coisas pra passar a noite na casa de
.
3 - Oh, shame on myself
A noite na casa de
foi até legal. Elas pediram pizza e falaram um pouco mais daquela tarde bizarra
que tinham tido.
se sentiu aliviada por
ter lhe contado a verdade, e isso só provou pra ela mais uma vez que a amizade
delas era algo que
considerava, acima de qualquer relacionamento amoroso.
É bem verdade que
nunca tinha namorado antes, mas ela achava que isso era algo naturalmente aceitável, visto que ela nem saía tanto e quase não conhecia garotos interessantes. Pra ser sincero, ela nunca tinha se apaixonado de verdade por alguém,
alguma vez em sua vida. Já
não: ela sempre estava namorando alguém ou apaixonada por um fulaninho que não dava a mínima
pra ela. E sempre sobrava pra coitada da
enxugar as lágrimas da amiga. Não que ela se importasse, pois
mesmo sabia que
estava ali pra todas as horas, mas tinha vezes que
estava mesmo cansada de avisar pra
que ela ia acabar sofrendo, mas nunca era ouvida.
estava aliviada por ter sido sincera com
, afinal de contas, não era o Josh que as faria brigar. Aliás,
sequer se recordava de uma briga entre elas, mesmo que fossem briguinhas bobas,
elas não passavam mais que dois minutos chateadas uma com outra.
Quando elas dormiram, era pouco mais de 2 da manhã. O pai de
ainda não tinha chegado.
se perguntava se ele ficava fora pra não ter que encarar a cama vazia quando ele se deitava, por não ter com quem conversar e dividir os problemas quando chegasse em casa, mas isso não
era da conta de
e ela se sentia culpada toda vez que começava a analisar a família da amiga. Não que sua família fosse perfeita, pelo contrário. Algumas vezes sentia inveja da amiga por ela poder contar com o carinho do pai, pelo menos, já que o único
carinho que
tinha contato era o de
.
acordou um pouco cedo naquele dia e como
não se levantava, decidiu ir tomar seu café sozinha. Antes, passou pelo banheiro e escovou os dentes. Deu uma ajeitada nos cabelos e desceu as escadas devagar. Ela ainda estava de pijamas e estava descalça. O contato dos pés com o chão gelado causava certo desconforto, mas isso era pouco comparado à fome
que ela sentia.
abriu a geladeira e ficou pensando [N/A: eu abro a geladeira pra pensar (y)].
Lembrou-se da cena que presenciou no dia anterior e não pôde deixar de rir.
Pegou um iogurte e já ia se sentar, quando se deparou com a figura de
parada perto da porta. Ele estava ali observando a menina já havia algum tempo. O pijama curtinho dela, então, achou uma graça.
Ele havia esquecido como era o rosto da amiga de
e sequer se lembrava que ela tinha um corpo tão bem esculpido. Antes que ela se virasse e o visse ali parado, ele mordia os lábios, imaginando quem seria a figura ali de frente à geladeira, visto que não reconheceu a cabeleira loura da filha. Ele até se sentiu meio culpado de observar com olhos tão
maldosos uma menina que ele viu crescer, mas qualquer culpa sumiu com o susto
que a garota levou ao se deparar com ele ali, ainda babando no shortinho que
ela vestia.
- Oh, me desculpe,
. Eu não quis te assustar! - Ele prontamente se desculpou.
- Imagine, senhor
. Eu às vezes me esqueço de que não estou na minha casa, porque lá sim eu estou
sempre sozinha. -
agora limpava todo o iogurte que tinha derramado.
- Pois eu às vezes me esqueço que tenho casa! - Ele riu, ajudando a garota a
limpar a sujeira.
- Bem, se o senhor me dá licença, eu vou me trocar. -
já ia saindo quando ele começou a lhe falar.
- Hei, mocinha! Quantas vezes eu tenho que te pedir pra não me chamar de senhor? Eu não sou assim tão
velho! - Ele gargalhava a essa altura.
- Me desculpe, é o costume. -
estava envergonhada.
- Pois então trate de decorar o meu nome.
. Estamos entendidos? - Ele fazia gracinha.
- Sim, senhor! -
bateu continência e saiu correndo, antes que ele brigasse mais uma vez pelo “senhor”.
4- I really need to tell you..
O coração dela nunca se acelerou
tanto como naquele minuto. Ela entrou mais que depressa no quarto de
e ainda tremia, tamanho o nervosismo que estava.
- Viu alguma assombração,
? -
coçava os olhos e se levantava.
- Quase isso! O seu pai me aparece na cozinha, pé-ante-pé! Acho que ele pensou que fosse você por lá e
estava prestes a te dar um belo susto!
- Nossa, você salvou a minha vida! -
riu.
- Pois é, e quase morri por causa disso! -
caiu na cama, em cima da amiga, ainda rindo.
-
, senta aí. -
ficou séria de repente. - Eu quero conversar uma coisa com você.
- NOSSA, Deve ser mesmo uma COISA, pra você ficar séria desse jeito. -
ainda ria, mas cessou o riso quando viu que a amiga não achava a menor graça daquilo tudo. - Ok, podemos começar
agora.
- Então,
... Você sabe, nós nunca tivemos segredos uma pra outra, certo? -
tinha muita dificuldade em iniciar assuntos mais sérios.
- Hum, ate essa parte eu entendi sim, mas enfim, pula essa parte de que nós somos amigas há séculos e blá, blé, bli e vai pra parte que você tem um segredo que ainda não
me contou. -
simplificou.
- Credo! Isso de você ler minha mente já está me assustando de verdade. -
riu. - Pois bem, lá vai. Você se lembra daquela festa que a gente foi na semana
passada...
- Como se eu fosse esquecer de um evento tão recente! Qual é,
! A gente quase nunca sai! Se você dissesse, “aquela festa de quando a gente tinha 13 anos e você derramou suco na minha roupa”, eu me lembraria até do
que as pessoas falaram aquele dia! -
ria da própria desgraça. Ela quase nunca saia mesmo!
- Pois então, você se lembra que eu e o Kevin, bem, nós demos uma sumida, assim,
de alguns minutos... -
corou.
- Alguns minutos? Você só pode estar brincando!
, eu te esperei por longuíssimas DUAS horas da minha vida, sentada naquela calçada enquanto aquele chatonildo daquele Josh beijava o meu pescoço!
-
até se levantou nessa hora.
- Hei, você não precisa fazer um anúncio na internet disso, ok? -
riu. - Então, vai me deixar contar ou não?
- É exatamente isso que eu estou esperando. -
abriu um sorrisão.
- Então, o Kevin e eu, nós saímos no carro dele. -
prosseguiu.
- Ta, me poupa da parte que eu já sei,
, porque do jeito que você é dramática, eu vou ficar aqui o resto do meu século ouvindo você falar!
-
estava meio aflita.
- Ta bom! Vou ser direta então: o Kevin e eu, nós transamos. -
falou e em seguida tapou o rosto com um travesseiro.
ficou ali ainda meio abismada por algum tempo, literalmente de queixo caído.
Como assim
tinha transado com o Kevin e demorou aquele tempo todo pra contar pra ela? Então quer dizer que era assim, ela perdia a virgindade com um cara que sequer era namorado dela, gosta do amigo dele e nem se dá ao
luxo de contar pra melhor amiga?
se sentiu quase que ferida.
- Eu estou chocada,
! Sério, eu esperava qualquer notícia cabulosa, menos essa. -
ainda estava meio atônita.
- Aihn,
, não me olha desse jeito! Você não sabe o quanto eu estou arrependida de ter
feito isso! -
estava meio chorosa.
- Nossa,
, por quê? Não foi bom? -
carinhava a cabeça da amiga.
- Foi, foi legal sim, mas eu me arrependo de não ter te contado antes, porque afinal de contas, se fosse com você, você teria vindo correndo me contar. Mas eu só não o fiz antes, porque eu estava com vergonha demais pra fazê-lo.
- Vergonha de mim,
? Ah, tenha dó! Se você me disse que estava com vergonha do seu pai ou da sua mãe, eu até entendia...
Mas vergonha de mim? Francamente... -
abraçou o travesseiro meio com raiva.
-
, por favor, não fica com raiva de mim! Eu ainda estava meio com medo, entende? Era a minha primeira vez e eu sempre tive medo, você sabe! Nas últimas noites eu tenho insistentemente sonhado que estou grávida e você não sabe o quanto isso é angustiante!
-
choramingava.
- Own, não fica assim,
! -
a abraçou. - Você sabe que pode me contar qualquer coisa e que por mais que eu ache que você esteja errada eu vou te apoiar. Quanto a essa história de você estar grávida, é tudo farofa da sua cabeça.
A menos que....
, vocês usaram camisinha, não é?
- Claro, né,
?! Eu não sou assim tão irresponsável, não! -
se sentiu meio ofendida.
- Hei, não precisa ficar azeda não ta legal? Só perguntei mesmo por perguntar, pra ter certeza. Se vocês se protegeram, está tudo certo, logo, relaxa, porque você não está grávida.
-
a tranqüilizou.
- Aihn,
! Me abraça e diz que vai ficar tudo bem? -
chorava.
- Não se preocupe. Vai ficar tudo bem. -
a abraçou forte, pra que ela se sentisse protegida.
não sabia ao certo o que dizer à amiga naquele momento.
ainda era virgem e jamais tinha tido assim, um contato tão profundo com um homem. Ela só rezava
pra que
não estivesse mesmo grávida, porque isso com certeza atrapalharia o sonho delas
de fazerem faculdade juntas.
Elas passaram o restante da manhã ali conversando sobre um assunto qualquer, procurando não
tocar no assunto da suposta gravidez de
.
, ainda que achasse aquilo uma bobagem,pois eles tinham se cuidado, se colocou
no lugar da amiga e imaginou se ela não estaria se sentindo daquele mesmo jeito
caso o acontecido fosse com ela. Concluiu que sim.
5- Oh, boy you’re looking like
you like what you see...
Elas estavam no quarto vendo qualquer bobagem na TV, quando o pai de
bateu na porta e entrou. Elas estavam deitadas no tapete de
, morrendo de rir de alguma coisa que passava no programa e
reparou que a saia de
era bem curta e caso ela risse descontroladamente, ele veria a calcinha dela.
Depois desse surto, ele riu ao constatar que a sua filha e a amiga eram da mesma
idade e que ele não acharia graça alguma se algum marmanjo tivesse pensamentos
como aqueles a respeito de sua filha.
sentiu o olhar do pai da amiga pensar sobre as pernas dela, mas nem se preocupou
em se ajeitar, pra não deixá-lo sem graça. Simplesmente ignorou sua presença no quarto, até que
ele resolvesse sair ou falar alguma coisa.
- Hei, meninas. Vamos almoçar fora? -
propôs.
- Hum, aonde iremos, papai? -
já se levantava e ajeitava a roupa no corpo.
- Hoje vocês mandam. - Ele parecia empolgado.
Ela se entreolharam e disseram unissonamente: SHOPPING!
não sabia mais o que fazer pra não dar na vista que estava realmente olhando
pras pernas de
e imaginando todo o conteúdo por debaixo daquelas roupas apertadas. Algumas vezes, enquanto elas experimentavam roupas numa loja qualquer do shopping, ele se pegou mordendo os lábios
e desejando profundamente que
não fosse amiga de
. Não era possível que ele se interessasse por uma garota de apenas 18 anos, uma criança ainda! Uma criança que por um acaso ele viu crescer, que ele viu quando trocou os dentes ou mesmo quando o corpo começou a se formar. E, meu Deus, que corpo ela tinha agora! O que devia ter de homens babando por ela não devia ser brincadeira. Ela ainda não sabia como, mas precisava tirar aquela garota da cabeça.
Se havia uma coisa que divertia aquelas duas garotas, era fazer compras! A sensação de experimentar milhões de roupas e encontrar uma que lhe cabia perfeitamente era indescritível.
olhava mil blusinhas diferentes e experimentava algumas. Já
, fazia questão de experimentar cada pecinha que gostava, ainda se dando o descaramento
de perguntar a
qual lhe caía melhor. Ela ainda não tinha consciência do porque, mas a vontade de provocar aquele homem era maior que tudo. Algumas vezes, ela acordava desse surto psicótico,
temendo que a amiga estivesse notando as trocas de olhares entre a amiga e seu
pai.
sabia que estava mexendo com ele, mas sabia que precisava parar, pois não achou
que
fosse gostar de saber que
estava dando mole pro seu pai. Nunca.
Eles finalmente se sentaram pra almoçar e conversaram sobre assuntos diversos.
O legal ali era que o pai de
nem era assim tão velho e tinha umas idéias bem legais. Ainda mais porque ele, na idade delas, fazia parte de uma banda que fez muito sucesso, então ele ainda era conhecido por algumas pessoas e tinha nome no meio musical, por causa de sua gravadora. Sempre que podia, ele apresentava pra elas pessoas famosas e as vezes, ele apresentava artistas novos, que dentro de pouco tempo, estouravam nas paradas. Ele era um cara divertido e simpático,
especialmente lindo,
diria.
Naquele almoço as garotas riram muito com as histórias que
contou e
especialmente, adorou passar um tempo com o pai, visto que há muito ele não tinha
tempo pra ela.
sequer notou o climão que estava entre o pai e a amiga, mas a tensão ali seria
notada por qualquer outro que por ali passasse.
- Então, meninas, se divertiram hoje? -
perguntava, animado.
- Claro, papai! Onde já viu meninas irem às compras e não se divertirem! -
ria alto.
- Credo,
! Falando assim, eu me sinto um poço de futilidade! -
reclamava, mas ainda assim ria.
- Hum, falou, viu, Miss Cultura! Até parece! -
desceu do carro carregada de sacolas.
O dia tinha agora dava espaço pra noite e
, mais uma vez, convenceu
a ficar na casa dela. Assim, elas teriam mais tempo pra fofocar, ver filmes,
fazer coisas que amigas fazem num sábado à noite em que não se programou nada.
- Vocês duas não vão sair? -
chegou na porta do quarto, cheirando a perfume.
- A gente não pretende, mas já o senhor, hein,
! Que perfume! Sente só,
! -
fungava o ar e fazia caras e bocas.
- Nossa! Que perfume mais gostoso - “Assim como quem o usa!”, ela pensou e logo se repreendeu por esse pensamento. Estava decidida a não
dar mais mole pro pai da amiga.
- Andem, se arrumem! Vamos dar uma volta. - Ele falou, saindo pra que elas pudessem se trocar.
- Ah, qual é, pai! Você vai querer sair com a gente? -
foi atrás dele.
- E qual o problema nisso? Estamos os três entediados aqui nessa casa e essa cidade tem milhões de coisas pra se fazer! Então,
pra que ficar enfurnado nessa casa? - Ele sorria.
- Óin, você não existe, pai! -
deu um abraço apertado no pai e saiu correndo pro quarto pra se vestir.
6- And when you move like that
it’s hard to breathe...
colocou duas pedra de gelo num copo e colocou dois dedos de whisky. Não queria ficar bêbado, apenas dar um trago pra relaxar. Desde que se pos a imaginar o modo como aquela garota poderia estar vestida, perdeu um pouco de seu juízo. Na verdade, queria sair apenas pra vê-la
mais um pouco, porque se ficasse em casa, ela provavelmente ficaria trancada
no quarto com
vendo TV. Quando ouviu um barulho no corredor, deu um grande gole na bebida
e esperava pra vê-la com um vestido prateado que a garota tinha comprado na
sua ida ao shopping. Mas era
quem estava a procura dele. Estavam prontas e queriam sair.
- Vamos, papai, antes que a desista de ir com aquela roupa! -
o empurrava pra fora.
- E onde ela está? Não estou vendo! - Ele desejava intensamente vê-la.
- Já está esperando aí fora. Vamos! -
disse enquanto trancava a porta da frente.
parou por um minuto pra tomar fôlego diante da visão que estava tendo. Os poucos segundos que ele ficou ali admirando a garota, lhe pareceram uma eternidade. Ela estava realmente com aquele vestido prata, larguinho, que ele ajudou a escolher, pois tinha lhe caído extremamente bem. Ela se apoiava numa das pernas (e que pernas) e calçada sandálias de um salto muito fino. Os cabelos estavam num rabo de cavalo alto e ela usava grandes brincos. O que ele achou mais interessante é que o vestido parecia ter sido moldado no corpo dela, pra que se ajustasse tão bem àquelas curvas. Ele só acordou
daquele devaneio porque
o agarrou pela cintura e saiu puxando pro carro. Ele procurou agir com naturalidade
e até elogiou
pela ótima escolha da roupa.
entrou no carro ainda sentindo calores provocados pelo elogio de
. Pode ter sido muito bem um elogio inocente, apenas um comentário sobre a roupa que ela estava usando, que ela também achou que lhe caiu muito bem, mas no fundo, ela desejou que ele a tivesse secado, que por um segundo ao menos, tivesse imaginado o que ela esconderia por debaixo daquele vestido. Agora era inevitável
pensar em
.
Eles foram pra uma boate no centro da cidade. Logo que entraram, todos os olhares
se voltaram pra
, principalmente os masculinos. Os homens ali não entendiam como uma coroa daqueles podia sair com duas garotas tão novas e daquele nível.
Quando notou isso,
passou os braços pelos ombros das duas garotas e foi entrando.
As meninas foram dançar e ele se sentou num dos banquinhos do bar e olhava atentamente pras duas. Não precisava ser muito esperto pra constatar que os olhares masculinos se concentravam nas garotas que dançavam,
e
achou isso engraçado. Sua garotinha agora atraía olhares masculinos e isso
de certa forma o incomodava, mas o que ele podia fazer? Sua filha era mesmo
bonita.
Um cara se aproximou das duas e cochichou algo no ouvido de
. A garota sorriu e continuou dançando, mas
não gostou nada daquilo. Esperou que as duas garotas entrassem no banheiro e se aproximou do cara, ameaçando partir a cara dele caso ele se engraçasse
pra cima da garota DELE mais uma vez. Mas por que diabos ele falou isso? Nem
ele sabia ao certo.
estava se divertindo, vendo os caras babarem pra cima dela e até esqueceu de
.
estava meio preocupada, pois sabia que qualquer cara que se aproximasse dela
já seria um motivo grande o suficiente pro seu pai ciumento entrar e ação,
por isso, estava mais comportada. As duas garotas estavam no banheiro rindo
muito
do cara que tinha cantado
ali no meio da pista, arrancando uma gargalhada da garota.
-
, você acha o meu pai bonito? -
soltou essa pergunta enquanto arrumava o sutiã.
- Mas que pergunta descabida,
! Como assim se eu acho o seu pai bonito? -
ficou com medo de a amiga ter reparado na troca de olhares mais cedo.
- Ah, sei lá! Às vezes eu acho que o meu pai merece uma namorada que dê atenção a ele, sabe, e não a minha mãe que vive viajando e nunca tem tempo pra nós.
-
falava sério.
- Você já perguntou pra ele o que ele acha disso? -
estava mais aliviada.
- Não, né,
! Afinal de contas, eu não vou chegar pro meu pai e perguntar se ele sente falta da minha mãe!
-
retocava o batom.
- Ora, e por que não? -
consertava um borrado do rímel.
- Ah, o meu pai nunca me responderia esse tipo de coisa... Ele tenta fingir
que está tudo bom lá em casa e que não tem problema a minha mãe praticamente morar no aeroporto mas eu sei que ele sente falta de alguém pra conversar e eu sei que não
sou a pessoa mais indicada pra isso.
- Acho que você devia conversar com ele, sei lá. De repente pode melhorar as coisas... Eu não sei muito bem o que te dizer por que você sabe como é a situação lá em
casa: um pouquinho pior!
As duas deram o assunto por acabado quando saíram e o homem que tinha mexido
com
estava parado bem na porta do banheiro esperando por elas. A princípio, as duas acaram foi graça,
mas depois, o homem agarrou
pelo braço e saiu arrastando-a pra longe da vista de
.
ficou sem entender nada e foi correndo chamar o pai.
- Então, gatinha... Vai ficar fazendo jogo duro até quando? Você acha que é só provocar e ta tudo bem? Aqui o buraco é mais embaixo! - Ele disse e prensou a garota na parede, beijando-lhe o pescoço.
- Me solta, seu ogro! Seu nojento! -
esperneava.
- Ô, imbecil! Qual a parte do SOLTA você não entendeu, hein?! -
olhou pra frente e viu o seu herói com as mãos no ombro do patife que tentava agarrá-la à força.
- Cai fora, meu irmão! Eu estou me entendendo com a garota. - Ele tirou a mão
de
rapidamente.
- Número 1: ela não parece estar muito feliz com isso não. E número 2, ela está comigo!
- E
deu um gancho de direita direto no olho do cara fazendo com que ele caísse no chão,
sangrando.
puxou a amiga dali e
esperou pra ver se o idiota se levantava, pois não era de fugir de briga. Quando viu que o cara não ia revidar, saiu atrás das duas garotas que a essa hora, já aguardavam
por ele no carro.
-
, você está bem? - Ele perguntou enquanto colocava o cinto.
- Estou sim, obrigada, senhor
. -
até estranhou o fato de ele tê-la chamado pelo nome, coisa que não acontecia com muita freqüência.
Ele devia mesmo estar irritado.
- Mais uma vez, esquece a parte do senhor,
. Isso me irrita tanto quanto um folgado querendo se aproveitar de uma menina.
- Ele a encarava pelo retrovisor.
até sentiu arrepios ao olhar como ele a encarava.
- Contanto que você não me acerte um gancho de direita! -
disse e todos começaram a rir.
7- But I know you hurt people that you love...
Assim que chegaram em casa, eles foram dormir. O dia havia sido meio longo pra todos eles. Naquela casa, apenas duas pessoas não conseguiam dormir. As coisas estavam saindo um pouco do controle e ambos podiam sentir isso no ar. Rolaram em suas camas mas não pegavam no sono de jeito algum. Quase como que por transmissão de pensamento, saíram do quarto.
- Não consegue dormir também? - perguntou ao notar que
a garota saía do quarto. Ela deu um pulo, de susto. - Parece que eu
tenho a mania feia de te assustar!
- Eu não sabia que você estava acordado. - Ela falou com a voz
um pouco trêmula por causa do susto.
- É, eu não estou conseguindo dormir de jeito nenhum. Estava
indo até a cozinha ver se preparo um chá... Está servida?
- Ele queria ser gentil.
- Ah, sim. Um chá cairia muito bem, visto que eu também não
consigo dormir. - E foi descendo as escadas, sendo seguida por .
Ao chegarem na cozinha, eles não conseguiam trocar sequer uma palavra e então preparou o chá em silêncio, servindo-a em seguida. Ele se assentou numa cadeira de frente pra e ficou observando o modo como ela tentava desviar o olhar do dele, como se tivesse medo de que algo acontecesse. Ele resolveu não comentar nada e continuou tomando o seu chá em silêncio. ainda tremia, agora não pelo susto, mas pela simples presença do homem ali na frente, o qual não conseguia sequer encarar. Sabia que ele a estava olhando, mas não se sentiu à vontade pra retribuir o olhar. Ela acabou de tomar o chá e subiu, desejando a uma boa noite. Ele ainda ficou algum tempo por lá, mordendo os lábios ao pensar nela.
No dia seguinte, voltou pra casa. Saiu antes mesmo de se levantar. abriu a porta pra amiga e ela simplesmente se foi, deixando para o pai da amiga o agradecimento pela hospitalidade. Ao chegar em casa, como que por milagre, encontrou a mãe, que naquele momento tomava café.
- Achei que você tivesse se mudado de vez pra casa da , .
- A mãe dela tomava uma xícara de café bem preto.
- Bom dia pra senhora também, mamãe. Ah, claro, eu também
senti a sua falta. Os últimos dois dias que eu passei em casa, não
tive a honra da sua presença. - disse insolentemente.
- Então é isso o que você pensa da sua mãe, não é?
Você acha que eu gosto de trabalhar todo esse tempo, ? Você acha
que eu não faço isso pra te dar do bom e do melhor? Pra que nunca
te falte nada? Pra que você possa fazer uma bendita duma faculdade e
ser alguém na vida? - Era sempre assim. Elas nunca podiam ter uma conversa
amistosa.
- Sabe, mamãe, eu agradeço todos os dias por eu ainda ter a senhora,
sabe... Pra me garantir uma faculdade, pra não me deixar faltar nada,
ou quase nada. Porque na verdade, eu sinto falta de chegar na minha casa e
ter alguém pra conversar! A senhora sabe que eu não tenho amigos,
só a . E ela é sempre a única que tem tempo pra mim,
já que a senhora vive pro trabalho! - agora esbravejava.
- Ora, ! E quem você acha que paga as contas dessa casa? Quem você acha
que paga o seu colégio? Ou que banca o seu cartão de crédito
e todas as essas coisas que você faz? - A mãe se levantou e batia
na mesa.
- Eu sei muito bem que é a senhora, mamãe! Mas a senhora já parou
pra pensar que todo esse dinheiro que gasta comigo NUNCA vai ser suficiente
pra substituir a sua atenção? - saiu pela porta da cozinha
e foi seguida pela mãe.
- Faça-me o favor, ! Você NUNCA reclamou disso antes! Nunca
foi importante isso pra você! Depois que você sair de casa, você vai
perceber que nada disso tem importância! Pra ninguém! - A mãe
agora gritava pelos corredores.
- Você tem razão, mãe! A gente só sente falta daquilo
que teve um dia! E na verdade, eu acho que eu nem tenho culpa se a senhora
se tornou uma velha amargurada que nunca teve e nunca vai saber DAR carinho!
Deve ser por isso que o meu pai saiu de casa! - agora gritava e depois
de proferir essa ultimas palavras, levou uma bofetada na cara.
- Nunca mais me falte com respeito, garota! Se você é alguém
hoje, nunca foi porque algum dia já teve um progenitor! - A mãe
de saiu pela porta da frente e a bateu em seguida. desabou na cama
e chorou.
Ela se cansou de ficar ali se lamentando sozinha da vida que tinha, de não ter carinho nem de pai, nem de mãe, nem de irmãos nem nada! Se havia alguém naquele mundo que tinha por ela carinho e consideração, aquele alguém era e ela tinha certeza que a amiga não lhe negaria abrigo por pelo menos mais uma noite. Se a mãe era amargurada demais pra oferecer um cafuné que fosse, ela não tinha culpa de nada. Pegou a mochila e colocou algumas peças de roupas pra se juntar as que já estavam lá, juntou as coisas da escola e saiu com pressa.
8 - Take hold of me, and never let me go...
chegou à casa de e tocou a campainha. Ainda tremia e soluçava bastante. Veio chorando por todo o caminho e seus olhos já estavam inchados e vermelhos. Começava a chover e ninguém tinha atendido ainda. Então, a garota despejou seu dedo na campainha, na esperança de que alguém estivesse em casa, pra abrigá-la. Foi aí que a chuva engrossou de verdade e agora além de ter brigado com a mãe, ela não tinha onde ficar e estava completamente molhada.
Do lado de dentro, saía do banho. Ainda estava apenas de short, quando ouviu a campainha tocar. Esbravejou por instantes, pensando que havia esquecido as chaves, mas depois, calçou um chinelo e já estava descendo pra ver quem chamava. Quando constatou que chovia, tratou de correr, pois quem que estivesse chamando, a essa hora já estaria bem molhado.
Ele quase não teve reação ao constatar que quem havia tocado a campainha era . E pior: ela chorava desesperadoramente. Ele tratou de colocá-la pra dentro e lhe arranjar uma toalha. Deixou a menina na sala de estar e foi lhe preparar uma bebida quente, pois ela tremia bastante. Quando voltou, com um chocolate quente, já parecia estar mais calma. Ela tomou toda a bebida e parava de soluçar.
- Está se sentindo melhor agora, pequena? - também se
surpreendeu pelo fato de chamar a garota de pequena, como se fosse uma pessoa
muito íntima dela.
- Acho que sim. - Ela se levantou e novamente os olhos de se encheram
de lágrimas e ela voltava a chorar.
- Hei, você quer conversar? - Ele levantou o rosto da garota, pra poder
fitá-la nos olhos. Ela sequer respondeu e então ele a abraçou.
Foi um abraço apertado, sem nenhuma outra intenção, que
não fosse proteger. Ele a envolveu com ternura e todo o carinho que
ela tanto precisava sentir. Um abraço quentinho e aconchegante, que
a faz esquecer, por alguns segundos, o motivo de tanta choradeira.
- Olha pra mim, . - E a menina obedeceu. - O que foi que aconteceu? - E
a garota continuava sem responder. Ela sabia que se fosse falar alguma coisa,
choraria logo em seguida. - Tudo bem, não precisa falar.
Ela então se sentiu mais à vontade e o abraçou também, enquanto as lágrimas que escorriam do seu rosto pingavam no peito nu dele. Ele a sentou no sofá e ficou ajoelhado na frente dela, apenas analisando o rosto da menina enquanto esta chorava. Ela parecia e na verdade era tão frágil quanto porcelana. Ele queria ter a fórmula pra fazer as lágrimas dela pararem de cair, pois isso ofuscava e muito o brilho dos seus belos olhos. Uma vontade incontrolável lhe invadiu, precisava fazê-la parar de chorar, de alguma forma. Ele então, docemente carinha o rosto da menina, e ela o olha diretamente nos olhos. Ele então não teve dúvidas: aproximou seu rosto do dela, bem devagar. Quando já estavam bem próximos, ele a olhou nos olhos mais uma vez e só então a beijou.
No início, pensou em recuar, mas a atração era mais forte do que qualquer impulso que ela viesse a ter de afastá-lo. Ela estava com tanto frio e o corpo dele estava muito quente. Depois do contato inicial das bocas, foi intensificando o beijo e abriu espaço pra língua quente dele passar e então ela colocou uma das mãos no pescoço dele, enquanto ele segurava o rosto dela com as duas mãos. Ao mesmo tempo em que fazia bem, aquele beijo doía por dentro de . Ela não sabia até que ponto ele estava envolvido, se estava fazendo aquilo apenas pra consolá-la ou se ele realmente sentia alguma coisa. Por outro lado, ele era o pai de sua melhor amiga! Aquilo não seria muito bacana de se contar pra melhor amiga, não mesmo. a beijava bem devagar e sentia cada pêlo do corpo se arrepiar com o toque das mãos geladas da garota em seu rosto. Ele ainda não entendia a qual estímulo ele estava obedecendo, mas esperava sinceramente não estar confundindo as coisas. Aquela garota já sofria o suficiente.
Ele foi se afastando devagar e terminou o beijo com um selinho suspirado. Ele queria olhá-la nos olhos, sorrir e dizer que estava tudo bem, que ela não precisava ter medo,ou se sentir sozinha, mas ao ver a expressão da garota, ele se assustou e só então pensou que aquela era uma amiga de sua filha, que a situação não ia ser nada legal.
- Oh, , me perdoe... Eu não sei o que... - Ele tentava achar palavras,
mas foi em vão. - Eu não sei o que me deu.
ainda olhava pra ele com uma expressão de incredulidade, como
se tivesse cometido o mais feio dos pecados e ele percebeu isso.
- Eu vou lhe trazer um copo d’água. - E saiu às
pressas pra cozinha.
Ao chegar lá, ele bateu umas mil vezes com a cabeça na parede, se perguntando por que é que tinha beijado a menina, e por mais que ele tentasse, não achava resposta. De alguma forma, ele não estava arrependido, muito pelo contrário, aquele beijo tinha deixado nele um gosto de bis. Ele queria mais e não poderia ter.
tocou os lábios com a ponta dos dedos. Ela ainda não acreditava no que tinha acabado de acontecer, ainda mais porque agiu que nem um adolescente de 13 anos que não sabe como foi seu desempenho no primeiro beijo. Ela se sentia meio estranha depois daquele beijo, pois agora tinha ainda mais vergonha de . Ela escutou um barulho na porta e julgou ser , foi aí então que ela resolveu usar seus dotes artísticos e voltar a chorar. Quando voltou pra sala com um copo de água na mão, entrou e viu chorando enquanto seu pai tentava consolá-la.
- Papai, o que aconteceu? - estava preocupada.
- Eu não sei, . Eu demorei pra abrir a porta porque estava no banho
e quando eu cheguei lá fora, ela estava toda molhada e chorando. -
tentava se explicar.
- Tudo bem, papai, prepare uma sopa quente, pra ela não se resfriar.
Eu vou lá em cima com ela, pra que ela tome um banho e vista uma roupa
seca. Vamos, . - abraçou a amiga com força e as duas
subiram.
9 - And I can’t sleep at night...
contou pra o que havia se passado na casa dela. Ainda chorou por mais alguns instantes, mas depois parou. perguntou se se importava que ela ficasse por ali alguns dias e a amiga disse que definitivamente, ela poderia ficar o tempo que quisesse. também se sentia muito sozinha de vez em quando e era a única companhia suficientemente agradável e não-enjoativa que ela poderia contar. Seria legal ter uma irmã que nem a .
Depois de tomar a sopa carinhosamente preparada por , resolveu se deitar um pouco. , pra não atrapalhar a amiga, foi assistir TV na sala, pra matar o restante do domingo, ainda mais porque chovia. Mesmo que fizesse força, não conseguia tirar aquele beijo da cabeça. Cada vez que ela fechava os olhos, ela podia sentir o toque dele, o perfume, como ele se aproximou e a beijou de maneira tão suave, como ela jamais havia sido beijada na vida. Do jeito que a fez arrepiar só de olhar pra ela, e como foi bom quando ele a abraçou, fazendo-a se sentir protegida, como há muito não se sentia. Ela não sabia realmente o que estava sentindo, mas sabia que era errado, que não podia sentir.
estava sentado em seu escritório. Fumava um charuto. Adquiriu essa mania de algum cantor que costumava pensar e compor enquanto fumava um daqueles. Ele precisava colocar os pensamentos em ordem. Afinal de contas, o que é que ele tinha feito de tão errado? A garota é maior de idade e ele não a forçou por um instante sequer. Tudo bem que ele a viu crescer e que ela era a melhor amiga de sua filha, mas isso a fazia menos mulher do que as outras? Ah, sim, ele ainda era casado. Droga de casamento! Via a mulher uma vez no mês e mesmo assim nem mantinha relações com ela. Por que não se divorciava? . Tinha medo de que a filha sofresse. Como se já não bastasse a mãe ser ausente, teria que submetê-la a uma separação? Não, nem pensar! Mas espera aí, já era bem crescidinha! Mas que diabos ele estava pensando? Ele não podia querê-la... Não podia.
se levantou da cama. Olhou pela janela e encarou a rua. Ela queria sair dali,não ter que encarar ou o fato de que talvez pudesse estar se apaixonando pelo seu pai. Mas ela nem tinha pra onde ir, onde se refugiar. Ela entendia sim que aquele beijo foi errado, mas em momento algum ela sentiu que estivesse se aproveitando dela, de sua ingenuidade ou fraqueza. O perfume dele parecia empestear todos os ambientes da casa então. E cada vez que o perfume ficava mais forte, ela sentia as pernas tremerem e o coração disparar. Ela não queria sentir, mas era impossível evitar.
foi ao escritório. Queria saber por que o pai estava tão quieto e quando entrou, ele estava de charuto na boca e violão na mão. Provavelmente a vaca que um dia ela teve coragem de chamar de mãe estava fazendo falta de novo, pois ele só pegava no violão quando estava deprimido ou pensativo demais. até queria fazer algo pra animar o pai, mas ao sabia o que. Pensou em perguntar se ela tinha alguma idéia, mas não queria aborrecer a amiga com seus problemas, ela já tinha problemas demais na cabeça. Uma coisa era certa, por mais que aquilo doesse, eles teriam que se separar. não suportaria mais ver o pai tão aborrecido. Ali, olhando pra figura quase decadente do pai, ela jurou que faria de tudo pra vê-lo feliz.
A noite caiu. Logo veio a madrugada. dormia tranquilamente. , porém, se revirava na cama sem parar. Ainda não tinha encontrado um jeito de tirar da cabeça o beijo que tinha acontecido. Não conseguia aceitar que talvez a primeira paixão da sua vida seria alguém que ela jamais poderia ter.Queria chorar, mas não tinha mais lágrimas. Abriu a janela pra pegar um pouco de ar e no fundo pôde escutar uma música triste que ressonava na noite, vinda de um violão. Ela reconheceu como sendo uma música que uma vez ela ouviu no rádio.
Her beautiful eyes are all I want to see
(Os lindos olhos dela são tudo o que eu quero ver)
Staring back at me
(Olhando de volta pra mim)
Just like I’m staring into the sun
(Como se eu estivesse vendo o sol)
Her tender touch is all I want to feel
(O toque suave dela é tudo o que eu quero sentir)
(...)
ficou por algum tempo parada na janela, escutando aquela voz doce e aveludada invadir o ambiente e tocar fundo no coração. Ela fechou os olhos e tudo que pra poder sentir a música e quando ela achou que ia continuar ouvindo, o som parou. Ela então olhou pra baixo e viu olhando-a da janela do escritório. Bem, talvez ele não a tivesse visto. Ela fechou a janela e finalmente conseguiu pegar no sono.
não podia e nem conseguia acreditar no que via. Ele cantava e sorria. Seria o máximo, se não fosse proibido. Seria bom, se não parecesse brincadeira. Seria tudo, se não fossem os outros.
10- This summer girls are really something else..
No dia seguinte, acordou antes do despertador. Foi ao banheiro, escovou os dentes e foi se trocar. levantou-se e ficou surpresa ao ver a amiga já de pé, mas resolveu nem comentar, pois sabia que o humor de não era dos melhores pela manhã. Já trocadas e penteadas, resolveram descer e tomar café.
comeu torradas, muitas delas, com bastante geléia. Ela podia, era magra de ruim. só tomou um café preto e comeu umas fatias de presunto dentro de um pão de fôrma. tinha acordado cedo e deixado a mesa posta pra que as duas tomassem café. Não queria estar presente pra causar qualquer tipo de constrangimento à . Enquanto elas estavam lá embaixo, ele cuidadosamente colocou um bilhete no meio das coisas de , pra que ela lesse apenas depois que já tivesse saído dali e de preferência bem longe de .
As meninas subiram, pegaram suas coisas e seguiram seu caminho. sequer comentou o fato de não ter ido tomar café com elas, como ele sempre fazia. Sabia que talvez ele estivesse envergonhado, ou pior, que não queria dar falsas esperanças à garota. Ela queria ver apenas se ele estava com olheiras, como ela, por ter conseguido dormir pouco, ou se estava completamente saudável e já tinha esquecido do dia anterior.
Ao chegarem no colégio, e se dirigiram a seus armários e pegaram o material de que precisavam. Antes que pudesse mencionar alguma palavra, lá estava conversando com Josh e Kevin. Será que ela já tinha se decidido por um dos dois? apostou que não, principalmente quando viu Josh vindo na direção dela, na intenção de beijá-la. Ela fez que não viu e entrou no banheiro, deixando lá for, com cara de tacho. O cadarço dela desamarrou e então ela colocou suas coisas no chão e foi amarrá-lo. Qual não foi a surpresa dela quando, do meio dos cadernos, cai um bilhete? Ela entrou em uma das cabines e começou a ler atentamente o bilhete.
Er, oi. Eu estou me sentindo ridículo fazendo isso. Nem pareço o homem de quase quarenta anos que sou. Mas sinto não ter coragem o suficiente e menos ainda, oportunidade de lhe falar a sós, sem que a faça um interrogatório inteiro. |
teve que abafar um gritinho histérico ali naquela cabine. Com certeza aquilo era algo memorável, pra se guardar e mostrar pros netos! Então ele tinha gostado do beijo? Não, isso não ficava claro. Mas ele não tinha se arrependido. Seria isso um bom sinal? Ou não? Ela ia ficar com essa angústia até vê-lo novamente, se ele lhe desse a oportunidade, claro, porque do jeito que ele mesmo disse que estava fugindo de um confronto, talvez ele nem quisesse vê-la.
embolou o bilhete e enfiou no bolso quando ouviu a voz de no banheiro, chamando por ela. Tentou disfarçar o nervosismo e empolgação e saiu do banheiro.
- Hei, qual é? Vai ficar fugindo do Josh, é? - estava visivelmente
irritada.
- Qual é o que? Você beija o cara e depois quer que eu o deixe
vir todo mansinho pra cima de mim? Me ajuda aí, ! - ria.
- , foi só um beijo! - tentava justificar.
- E QUE beijo, hein, amiga?! Eu também não acharia nada ruim
em “provar” o Kevin! - falou, sarcástica.
- A qual é, ! Nós vamos brigar por causa de homem? -
batia o pé.
- Não, , eu não quero brigar! Eu só não quero
mais ficar com o Josh. Nem hoje, nem amanhã, nem ir ao baile com ele!
- concluiu.
- E você iria com QUEM ao baile? - sabia que não tinha
a MENOR chance de conseguir outro par. - Pretty please?
- Ta bom! Mas eu aturo aquela peste SÓ até o dia do Baile de
Formatura e SÓ porque eu não vou conseguir arranjar outro par.
deu pulinhos de alegria e abraçou a amiga. Não que sair com Josh fosse assim um sacrifício muito grande. Ele era até bonito. Ok, era um gato. Mas achava que ele era melosinho demais e muito empolgado também. Ainda mais agora que perigava dele e de se pegarem às escondidas por aí. Fazer papel de corna não era muito a cara de não, ainda mais pela melhor amiga. saiu daquele banheiro meio ressabiada, mas deu o selinho que Josh esperava, como se nada tivesse acontecido.
Enquanto no colégio era “obrigada” a beijar o Josh, na casa de , o pai dela quase tinha convulsões só de pensar quando seria a oportunidade perfeita pra dizer pra o que ele achava de verdade daquele beijo. Queria dizer pra ela que desde que a tinha beijado naquela sala, ele não conseguia mais pensar em outra coisa ou pessoa. Queria dizer que estava se sentindo o mais patético dos adolescentes e que não entendia como uma menina que ele viu crescer conseguiu despertar nele semelhante sentimento. Ele precisava. Essas garotas de hoje realmente têm algo a mais...
11- Turn the radio up, push the pedal to the ground
Os dias se passaram sem que tivesse coragem de voltar à casa dos . Ainda que lhe implorasse, suplicasse, a garota sempre tinha uma desculpa na ponta da língua. Ela tinha medo de ir lá e acabar ouvindo o que não quer, pois, durante todo esse tempo que não freqüentou a casa da Família , ela alimentou uma esperança de que talvez estivesse pensando nela ou até mesmo sentindo sua falta. Mas ainda assim, matinha um dos pés no chão: era um homem bem mais velho e ainda por cima era casado.
Enfim, era o dia do baile de formatura. As duas, e , mal podiam acreditar eu finalmente estariam livres do colégio e entrariam na fase adulta da vida, de ir pra faculdade. queria que elas se arrumassem na casa dela, mas , com seu poder de argumentação, logo a convenceu de que era melhor que elas se arrumassem em sua casa. Concluindo, teria que encarar e finalmente saberia o que ele pensou a respeito do beijo (ou não).
Chegaram na casa de com quilos e quilos de sacolas. Compraram 3 diferentes modelos de vestido, com diferentes cores, decotes, fendas e bordados. O baile de formatura era o último e mais importante evento do calendário escolar. Não poderiam jamais ir mal vestidas.
- Pai! - gritou, logo que colocaram os pés dentro da casa.
sentiu o coração disparar.
- Meu Deus! Vocês compraram o shopping inteiro! - Ele disse assim que
entrou na sala e pegou algumas sacolas. - , você esteve sumida! -
E ele lançou pra ela um lindo sorriso e ela teve que se controlar pra
não derreter ali mesmo.
- Ah, sim, senhor , mas cá estou. - Ela devolveu o sorriso. Afinal,
não era assim tão ruim falar com ele.
- Um dia ainda lavo a tua boca com sabão, pra que a senhorita PARE de
me chamar de senhor! Não te basta que meus documentos, rugas e cabelos
brancos me digam o quanto estou velho não? - Ela gargalhava.
- Pai, você é o coroa mais gostoso e enxuto que eu conheço,
não é, ? - deu um beijo na bochecha do pai.
- É pra eu dizer que sim? - estava confusa.
- Diga que sim e estamos de relações cortadas. - também
ria.
- Mas pensar pode? - dessa vez gargalhava mais alto e reparou sem querer
que corava.
- Ok, assim vocês me deixam constrangido! - Ele disse, por fim.
- Papai, você poderia nos fazer um grande favor. - agora fazia cara
de menina pidona.
- Coisa boa não é, pra você fazer essa carinha. - Ele apertava
as bochechas da menina.
- É uma coisa meio chata. A e eu compramos muitos vestidos e queríamos
que você nos ajudasse a escolhe o que fica melhor. - sorriu,
não imaginando quão custoso seria pra fazer aquilo.
- Ok, mas eu não tenho o dia todo. Comecem já. - Ele se sentou
no sofá.
estava empolgadíssima, , nem tanto.
Elas desfilaram todos os modelos e sempre achava que ia se surpreender mais com o bom gosto das duas. Até que no último modelo, ele teria que dar o veredicto final.
- Então, pai, qual você acha? - fazia uma carinha preocupada.
- , você e a vestem o mesmo tamanho? - Ele perguntou, depois
de analisar bem.
- Vestimos sim, mas o que isso tem a ver? - não entendeu.
- Esse modelo te vestiu muito bem, , mas você é muito branca
e loira pra usar amarelo. Acho que em você ficaria perfeito o vermelho
que a vestiu. E , qualquer um ficaria perfeito em você, mas
acho particularmente que o dourado que a vestiu ia lhe cair muito bem.
Você fica ainda mais radiante em cores fortes. - Ele sorria.
teve que se segurar pra não desabar ali no chão, na rente
dos dois, mas logo a puxou pela mão, pra que fossem trocar os vestidos.
Quando elas desceram de novo, achou que ele é quem não
agüentaria. Se tudo desse errado na música, ia tentar carreira
como consultor de moda, tamanho foi o seu acerto. se destacou naquela
cor, que não era um vermelho, ma quase um tom de vinho. E , bem,
não teria palavras pra descrever a cena. Foi como se o sol tivesse
entrado na sala.
- Perfeitas! - Ele aplaudiu.
- , você já viu pai mais coruja que o meu? - pulava no
pescoço do pai.
- Na, to pra conhecer! - Ela apenas sorria.
As meninas então subiram , tomaram banho e começaram a se arrumar.
Lá embaixo, se perguntava o que é que faria quando a garota
descesse no esplendor daquele vestido, com o sorriso mais angelical de todo
mundo e aqueles olhos que pareciam trazer luz até pra mais profunda
escuridão. Se ele ainda compusesse, com certeza escreveria pra ela muitas
canções.
Depois de quase duas horas trancadas naquele quarto, após ouvirem uma
buzina anunciando que os rapazes tinham chegado, as duas resolveram descer.
estava tranquilamente lendo um jornal na sala e teve eu parar pra observar
o resultado da produção das duas. Naquele momento, odiou a mãe
de por não estar ali e ver a filha, quão linda estava,
parecia uma boneca pintada à mão. Ele nem poderia descrever com
palavras o fascínio que lhe causava aquele dia. Era algo singular.
- Eu preciso tirar fotos! - Ele disse apontando a câmera pras duas.
- Ai, meu Deus! Pai, que coisa mais de mulherzinha! - ria.
- Me deixa, ! - E ele continuou tirando fotos. Mesmo depois que
saiu pra atender a porta, ele tirou mais umas 5 fotos de , captando os
diferentes níveis de rubor da garota.
- Vamos, ! Deixa o meu pai surtado aí sozinho. - puxou
pela mão.
- Olha como você fala comigo, menina. - Ele disse e deu um beijinho
no rosto dele. - Levem o celular e qualquer coisa, me liguem, eu vou estar
acordado. E vocês dois, - apontou pra Josh e Kevin - não bebam!
Eles fizeram que sim com a cabeça e saíram carregando as duas
garotas. Antes de entrar no carro, deu um última olhada pra casa
e jurou que viu alguém no andar de cima de olho neles.
Só sabia o quanto tinha sido duro deixá-la ir, mesmo que fosse só pra uma festa. Estava se tornando um debilóide apaixonada e isso não era nada bom, nem pra ele, nem pra . Precisava esquecê-la, tirá-la de sua cabeça, mas não fazia idéia de como. Pegou a câmera e começou a ver as fotos. Deu um zoom em uma das fotos que tirou de . Ela sorria. Ele apagou a foto. Precisava tirar aquele sorriso dos pensamentos.
Como qualquer outro baile de formatura, as pessoas se embebedaram e dançaram. Das duas, era a que tinha bebido mais e estava do lado de fora do ginásio se amassando com Kevin. , do lado de dentro e meio alegrinha por causa do álcool, trocava uns beijinhos isolados com Josh. Ele, Josh, já estava impaciente com as demonstrações de indiferença de e a pegou pelo braço, puxando-a pra fora. Levou-a pro carro e sentou-a no banco do carona. Desceu o banco até embaixo, de modo que a garota ficasse deitada.Então, deitou-se por cima dela e começou a beijá-la. não tinha muita noção do que acontecia ali, e foi se rendendo às investidas de Josh. Ele levantou o vestido dela e abriu a calça, colocando as genitálias dele em contato, só que ainda cobertas pelas roupas íntimas. Beijou-a com vontade e desejo, se esfregando excessivamente na garota. Quantas e quantas vezes não tinham chegado àquele estágio e sempre fugia, dando uma desculpa qualquer. Dessa vez, não teria escapatória. Ele colocou a mão por dentro da calcinha da menina, pra deixá-la mais excitada, mais olhada, pois sabia que a garota era virgem e que se ela não estivesse lubrificada o suficiente, ia sangrar. se contorcia, mas não dizia não. Josh, ao contrário de , estava completamente lúcido e sabia exatamente o que estava fazendo. Quando o nível de lubrificação da garota chegou num ponto que ele achou ideal, tratou de abaixar a calcinha da menina. Ele então, descobriu o seu membro e roçou no órgão da menina, fazendo-a suspirar. Eis então que alguém bate na janela.
- PIROU, Kevin? - Josh estava visivelmente furioso e se vestiu rapidamente,
acordando um pouco a menina que estava ali deitada.
- A ta passando mal, cara! Eu não sei mais o que fazer! - Kevin
estava preocupado.
- SE VIRA! A mulher é sua! - Josh já ia fechando a janela de
novo, quando viu se vestir e sair. - !!! Você não vai
me deixar aqui assim não é?
- Bate punheta, Josh! Minha amiga precisa de mim, já que esse bundão
desse Kevin não pôde ajudá-la. - E ela saiu pisando duro.
Quando entrou , a amiga já não estava consciente. Tinha vomitado muito e estava pálida. não sabia bem o que fazer, então ligou pro pai de .
- Alô? - Ouviu a voz do outro lado da linha.
- Senhor ? - Perguntou, mesmo sabendo a resposta.
- Sim, sou eu. - Ele não tinha reconhecido a voz.
- Sou eu, a . - Ela disse tímida.
- , algum problema? - A voz dele passava preocupação.
- Na verdade sim, senhor. - Ela não tinha coragem.
- Primeiro, , PARE de me chamar de senhor e diga logo o que aconteceu. É alguma
coisa com a ? - Ele começava a perder a paciência.
- Sim, . Ela esta desacordada e eu não sei o que fazer. -
agora chorava.
- , não se mexa, deixe a cabeça dela virada de lado. Eu estou
indo praí. - Ele nem esperou uma resposta, desligou o telefone e foi
correndo.
12 - And nobody needs to know...
chorava tanto que até soluçava, mas isso era perdoável, ela estava bêbada e vendo a amiga ali desmaiada. Os dois imbecis que as levaram pro baile? Nem sinal. Não voltaram ali nem pra saber se tinha morrido. até achou melhor assim, pois muito ajuda quem não atrapalha. Ela nunca tinha visto a amiga assim tão mal e olha que elas já tomaram altos porres por aí! Mas agora, estava ali, pálida e desacordada e , com o cérebro cheio de álcool, não sabia o que fazer, a não ser chorar!
chegou ao colégio e procurou pelas meninas em todos os cantos possíveis e não achou. Não sabia mais onde procurar quando se lembrou de ligar pro celular de , do qual ela havia ligado minutos antes. Na ligação a menina lhe revelou que elas estavam atrás do ginásio, logo depois do estacionamento, e então, foi correndo pra lá. Ele nem olhou pra naquele momento. Não havia tempo. estava desacordada há muito tempo e precisava ser levada a um médico com urgência. Ele colocou a garota com cuidado na parte de trás do carro, onde logo depois, se sentou e escorou a cabeça de .
- Então, você pode
me explicar o que aconteceu, ? - Ele estava frio.
- Eu não sei ao certo, senhor . Eu não estava com a
na hora em que ela desmaiou.
- Como não, ? Vocês saíram de casa juntas! - Ele olhava
pelo retrovisor, muito sério.
- Isso significa que eu tenha que passar toda a festa grudada nela? -
ainda não entendia o porquê de ele estar falando assim com ela.
- Não, , não significa. - Ele não quis falar mais.
Ao chegarem ao hospital, resolveu tomar um café bem forte, pra recobrar o restante de lucidez que lhe faltava, enquanto passava pela avaliação médica. ficou ali na sala de espera andando de um lado pro outro sem parar, como se fosse o marido de uma mulher grávida esperando por notícias do bebê. A essa altura, já estava bem melhor, mas ainda estava magoada pelo modo como havia falado com ela no carro, como se a culpa de estar ali naquele hospital fosse dela.
- O senhor é o pai da ? - O médico
perguntou.
- Sim, sou eu. Como ela está, doutor? - Ele já estava aflito
e podia jurar ter visto nascer nele uma mecha de cabelos brancos.
- Ela está bem, senhor . Não fraturou nenhum osso, nenhuma
lesão ou escoriação. Ela está na enfermaria, tomando
glicose na veia, pra melhorar do estado excessivamente alcoólico. Ela
vai ficar bem. - O médico falava serenamente, como se tomar um porre
daquelas proporções fosse a coisa mais normal do mundo.
- E eu posso vê-la? - já havia roído todas as unhas.
- Claro. A enfermeira vai acabar de aplicar a glicose e o senhor inclusive
já vai poder levá-la. - Dito isso, o médico saiu.
achou melhor não falar nada com daquele jeito. Apenas ajudou a filha a entrar no carro, onde ela se deitou e dormiu. foi no banco da frente e ela e não trocaram sequer uma palavra durante o caminho. A menina ainda estava meio fragilizada por conta da cena no carro. Ela colocou as mãos sobre as pernas, pra controlar um pouco a vontade de roer as unhas. Era sempre assim, quando ficava nervosa ou chateada, descontava tudo roendo as próprias unhas. A isso ela devia uma gastrite.
Chegaram em casa e ajudou a levar pra cama. Ele saiu do quarto e tirou o vestido de , vestindo nela o pijama. Então, se trocou e desceu as escadas em direção à cozinha, pra pegar um copo de água. E lá na cozinha, ela encontrou . Ele fazia café e sequer se virou quando a garota entrou na cozinha. Ela então abriu a geladeira, pegou a garrafa de água e encheu um copo. Quando se preparava pra sair, ele finalmente resolveu falar.
- , por favor, sente-se. Eu
quero conversar com você. - A voz dele
estava meio falha.
- Me desculpe, senhor , mas eu estou com um pouco de sono e gostaria
de dormir. - Ela já ia saindo de novo.
- Por favor, . É só um minuto. - Ele segurou o braço
dela.
- Tudo bem, então. - se sentou.
Ele serviu café em duas xícaras, e ofereceu uma delas à , que não bebeu o conteúdo da xícara. sentou na cadeira ao lado e virou de frente pra ele. Ela olhava pras mãos que se mexiam incessantemente enquanto seguravam o copo. Não tinha coragem de encará-lo, não naquele momento. Eis então que ele levanta o queixo dela e a faz olhar diretamente nos olhos. “Vai dar merda!”, ela pensou. Lembrava-se bem como tinha sido a última vez que se olharam daquele jeito.
- Hei, me desculpa por ter falado
com você daquele jeito? A culpa não
foi sua, eu sei! Mas eu estava nervoso. Tudo bem que isso não me dá o
direito de te culpar das coisas. Me perdoe, . - Ele não tinha deixado
de olhar nos olhos dela por um segundo sequer.
- Tudo bem, senhor , eu já nem me lembrava disso. - mentiu,
desviando o olhar.
- Eu sei que você ficou chateada, dá pra ver isso nos seus olhos!
E por favor! PARE de me chamar de senhor! Quantas vezes eu terei que te dizer
isso? - Ele já sorria daquele jeito que iluminava o mundo de qualquer
pessoa.
- Acho que vai ter que repetir sempre que eu me esquecer e olha que memória
não é um dos meus pontos fortes. - Ela também sorria.
- Ok... - Ele tomou um gole de seu café quente e , um de seu copo
de água.
- Bem, se o se... você não se importa... - fez menção
de levantar da cadeira.
- Espere, tem mais uma coisa. - E então segurou a mão
da menina, fazendo-a se sentar novamente. - Acho que nós dois temos
um assunto pendente, não?
- Temos? - O coração de disparou e ela jurou que ele até conseguiria
escutar as batidas.
- É, eu acho que te devo explicações sobre a minha atitude
um tanto quanto infantil aquele dia. O fato é que... - nem sabia
por onde continuar. - eu não sei se conseguiria olhar pra você naquele
dia sem sentir uma vontade imensa de te beijar de novo.
Naquele momento, sentiu que poderia explodir. Sua boca se secou instantaneamente
e ela sentiu uma sede gigantesca! Bebeu mais um grande gole de seu copo de água
antes que tivesse coragem suficiente pra se pronunciar.
- Nossa! Isso foi um tanto quanto... inesperado. - Ela tremia, mas não
queria que ele percebesse.
- Mesmo? Eu julguei que não. Achei que você já tivesse
percebido que eu fico um tanto quanto perturbado com a sua presença.
- se encostou na cadeira, bebendo um pouco mais de café.
- O que é que tem nesse café, hein? - riu, tentando descontrair
o ambiente, mas não conseguiu.
- Sei lá, acho que um libertador de verdades ocultas. Você devia
tentar um tomar um pouco, já estou constrangido de falar tanto. - Ele
se inclinava em direção a ela.
- Já imaginou que possa ser devido ao fato de que eu não faço
IDÉIA do que falar? - , nervosa, tomou mais um gole de água.
- Então, não falemos mais. - Ele pegou o copo da mão de
e colocou em cima da mesa. Ela, sem reação, apenas assistia
a cena, meio que em slowmotion.
passou a mão pelo rosto da garota, que não se mexia. Ele sorriu pra ela, daquele jeito mais lindo do mundo todo, passando a mão em seus cabelos e lhe deu um beijo na bochecha. então, fechou os olhos. Ela achou, sinceramente, que dali, ele fosse se afastar e as coisas voltariam a ser normais, mas não. Ele arrastou o beijo até a boca de , onde seu um demorado selinho. Bem devagar, ele foi abrindo a boca e passou a língua levemente pelos lábios da menina, que se arrepiou toda. Ela então abriu a boca, dando passagem pra que a língua quente dele se encontrasse com a dela, que estava gelada por causa da água. Sentiu o gosto do café, que tornou o beijo ainda melhor. segurou pela nuca, apertando-a com força, enquanto ela nem sabia o que fazer com as mãos. Ele foi se afastando aos poucos e quanto mais ele ia pra trás, mais avançava em sua direção. Aquele poderia ser o último beijo dos dois, então ela queria aproveitar.
Ele partiu o beijo e se levantou. olhava pra cima, contemplando o rosto dele, que continha um sorriso aberto. Ele pegou a mão dela e saiu puxando pela casa adentro. Com o coração a mais de mil, ela o foi seguindo, e no caminho, não trocaram uma palavra. Chegaram ao escondido escritório de , que ficava no final de um extenso corredor, embaixo da escada. Lá, ele segurou as duas mãos de e a encarava intensamente, ainda com aquele sorriso no rosto. Ela não pôde deixar de sorrir, ainda mais quando ele passou os dois braços da menina por seu pescoço e retomou o beijo. Ela passou as mãos pelos cabelos dele e ele a envolveu pela cintura. foi andando em direção ao pequeno sofá daquele cômodo e cuidadosamente deitou a menina, deitando-se por cima dela em seguida, sem ao menos partir o beijo.
sabia o que ia acontecer se ela continuasse ali e a última coisa que queria era que a amiga acordasse e a visse se pegando com . Aliás, não podia sequer cogitar essa hipótese, mas como fugir daquele homem sedutor? Ainda mais depois que ele começou a beijar o pescoço dela, dando mordidas de leve no ombro enquanto passava a mão pelas coxas da menina, apertando-as.
- ... - E a voz dela quase
não saía.
- Desculpe, eu me empolguei, não é? - E ele se escondeu no ombro
dela.
- Tudo bem. - acariciou os cabelos dele. - Agora acho melhor eu ir dormir,
não é?
- Nãaaaaao.... Por quê? - fazia uma carinha irresistivelmente
linda.
- Porque, por enquanto, eu ainda tenho algum juízo na minha cabeça
e sei que o que está acontecendo aqui não é certo... -
Ela se lembrava de e da mulher de .
Ele se saiu de cima dela e ajudou-a a se levantar. Segurou-lhe a mão
e por algum tempo ainda ficou olhando pra ela e depois, passou a mão
no rosto da menina e chegou bem pertinho.
- Eu pelo menos tenho direito a um último beijo? - sequer o respondeu.
Aproximou as bocas e então se beijaram. a abraçou bem
forte e terminou um beijo num daqueles selinhos demorados. Soltaram-se devagar
e saiu pela porta ainda pisando em nuvens.
Ela subiu as escadas ainda meio atordoada pelo que tinha acontecido. Custava a acreditar que tinha mesmo beijado aquele homem mais tudo de bom da vida toda! Enfim, ela não podia se dar o luxo de empolgar-se demais com aquilo. Era a última vez. Ela caminhou pelo corredor do segundo andar ainda tocando os lábios e sentindo aquele gosto de café, arrepiando-se com as lembranças de um passado assim recente. Antes de entrar no quarto de , ouviu chamando-a. Parou em frente à porta e ele a beijou mais uma vez, disse boa noite ao pé do ouvido e entrou no quarto dele. Aquela sim tinha sido uma noite interessante.
13- To be free, is all we wanna be...
Os dias foram passando. e agora só aguardavam as cartas das universidades pras quais tinham se inscrito. não voltou mais à casa dos , pelo menos não enquanto estivesse lá. O tempo que passou trancafiada em casa deu-lhe um pouco de juízo, ela pensava. O fato é que, de um lado, ela não conseguia dormir à noite, nem deixar de suspirar pelos cantos da casa quando se lembrava da noite do baile; do outro, ele sempre esperava chegar, pra ver se acaso ela estaria acompanhada de ou não.
e , enfim, receberam as respostas das universidades. Elas tinham sido aceitas em algumas universidades ali na cidade mesmo. até achou que elas fossem mesmo continuar estudando juntas, mas não esperava que fosse escolher ir exatamente pra uma das universidades pra qual não tinha se candidatado. No início, ela ficou um pouco decepcionada com a amiga, afinal de contas, elas combinaram aquilo há anos atrás, mas depois ela ponderou e concluiu que talvez aquilo fosse ser bom pra amadurecer e fortalecer ainda mais a amizade das duas.
- Vamos sair e comemorar! -
puxou a amiga pela mão.
- Ah, não, ! De jeito algum! Eu não estou com o menor
pique pra baladas hoje! - protestou, se jogando de volta na cama.
- Ah, qual é, ! A gente ta indo pra faculdade! Quer ocasião
melhor pra comemorar, conhecer uns gatinhos, dar uns beijinhos por aí?!
Poxa, nós não fizemos absolutamente NADA nessas férias!
- fez bico e sentou na cama, ao lado da amiga.
- A GENTE? ! Você saiu o tempo todo com o Kevin! Alguns dias com
o Josh! Qual é digo eu! De quem mais você precisa? - agora
ria.
- Ah, eu preciso de carne nova! Aqueles dois estavam mais que manjados. Anda,
! Junta suas coisas e vamos lá pra casa... Depois que meu pai me
deu o carro, as coisas ficaram assim BEM melhores, não dependemos de
homens!! Anda logo! - dessa vez deu um puxão muito forte na amiga.
Não tinha como dizer não.
rezou pra que calasse a boca e elas pudessem entrar na casa sem despertar a atenção de um certo homem que morava ali. Em vão. Mas não por culpa de , pois ela não havia dado um pio sequer, mas, para o enorme azar de , saía naquele momento. Por um momento, sentiu que o ar lhe faltava e talvez ela fosse cair ali mesmo, de tanto que seus joelhos vacilavam. , por sua vez, não pôde deixar de sorrir para assim que a viu. Por dias ele desejou vê-la, tocá-la, beijá-la, mas parecia que a garota não partilhava do mesmo desejo.
- Saindo, Senhor ? - olhou o pai de cima a baixo, reparando
bem nos trajes dele.
- É o que parece, não? - Ele deu um beijinho no topo da cabeça
da filha. - Olá, . Esteve sumida. - E deu-lhe um beijo no rosto.
Os dois de arrepiaram instantaneamente. A tensão na sala era notória,
exceto pra , que a essa altura falava sem parar.
- Então, papai, nem pense em ficar me ligando hoje, ta bom? - colocou
as duas mãos na cintura e bateu o pé pro pai.
- Número 1, , se eu ligo, é porque eu me preocupo, correto?
Número 2, quem você pensa que é pra ficar me dando ordens,
mocinha? E finalmente e não menos importante, número 3, não
me espere essa noite. Estou indo pra um barzinho, atrás de uma cantora
que está dando o que falar!
- Tudo bem, tudo bem! Mas vê se não deixa essa cantorazinha de
porta de boteco te arrancar nenhum pedaço, ta ok? - ria.
- Ela pode arrancar pedaço, eu sou bonzinho! - E então
piscou pras meninas e deu mais um daqueles sorrisos de parar o trânsito
da Avenida Paulista em horário de pico, e depois, saiu.
precisou cutucar pra que ela “acordasse”. A mente de ia longe enquanto tagarelava sem parar sobre os planos praquela noite. Na verdade, a mente de nem ia assim tão longe... Ela ia direto a um certo dia no escritório do pai da amiga, trazendo à lembrança os beijos e depois, remetendo ao arrepio sentido na sala minutos atrás e no evidente “climão” que tinha ficado entre eles. tinha medo da atração mútua entre ela e e essa atração estava se tornando meio incontrolável, visto que nenhum dos dois fez a menor cerimônia, sequer questão de disfarçar na frente de naquela sala. sabia que tinha muito a perder, mas o proibido era mesmo o mais gostoso.
Enfim, elas se arrumaram e saíram de casa. Foram a uma boate qualquer, só pra dançar mesmo. resolveu beber um refrigerante assim que viu tomar uma caprichada dose de Martini. Ela sentou-se no balcão e ficou apenas observando a amiga, que naquele momento era assediada por nada menos que três caras. deu um grande gole na sua Coca-Cola com gelo e limão, analisando um a um os candidatos de . Nem precisou olhar muito pra saber qual a amiga ia escolher, lógico que seria o de blusa branca. não tinha muito mistério: bastou que o cara exibisse a arcada dentária bem formada e piscasse aquele par de olhos azuis pra ela, que ela se jogou. ria do próprio pensamento. Como era possível que conhecesse tão bem aquela garota?
Um sujeito sentou-se ao lado de e ofereceu-lhe uma bebida. Ela recusou, dizendo que teria que dirigir de volta pra casa. Eles engataram um papo animado e , mais uma vez usando o seu lado analítico, passou a observar o homem na sua frente. Ele tinha uma voz gostosa e usava um perfume realmente bom, mas nada comparado a . O perfume do senhor era único, só dele e a voz, bem, ela nem precisava comentar. Bastava que fechasse os olhos pra escutar aquela voz grave chamando pelo nome dela. Mas, como naquela noite estava completamente fora dos planos dela, deixou-se envolver pelo homem que tomava uma dose de conhaque e consentiu que ele a beijasse.
achou a noite bem agradável, principalmente pelo fato de não ter ficado o tempo todo pensando em , seus beijos, perfume, abraços, etc. Quando resolveu procurar por , já era tarde. O homem da blusa branca e sorriso encantador provavelmente a tinha carregado dali, pra fazerem algo mais íntimo, pensava. E agora? Como iria pra casa? Ligou por várias vezes no celular de , mas sabia que a amiga não atenderia. O jeito era se virar.
saiu da boate e procurou por um táxi, no entanto, não achou. É incrível como quando se procura por um táxi, não se acha! Resolveu voltar andando, mesmo sabendo que um bom pedaço de chão a esperava. De repente, um carro se aproxima do meio-fio e o vidro vai sendo baixado. rezou em silêncio, desejando que não fosse um seqüestrador, estuprador ou assaltante. Mas nem de Deus ela se lembrou mais quando ouviu a voz do motorista.
- Isso são horas pra uma mocinha assim tão indefesa estar voltando
sozinha e a pé pra casa? - , o herói.
- Bom, acho que fui uma menina malvada e agora, além de castigada pelo
Papai do Céu, não ganharei presentes no Natal. - Fazia frio e
estava quase congelando.
- Entre, se continuar aí fora, você vai virar uma pedrinha de
gelo. - Ele abriu a porta e a garota entrou. - Bem, onde está a senhorita
?
- Essa seria uma boa pergunta, mas não estou apta a respondê-la
e nem adianta perguntar por quais razões, que eu também não
respondo. - colocava o cinto, medindo as palavras pra não dedurar
a amiga.
- Você a defende mesmo quando ela te deixa na rua, sozinha e passando
frio? - Ele sorria. Ainda não tinha dado partida no carro.
- Quem disse que ela me largou por aí? E no mais, amiga é pra
essas coisas! - não encarava o homem a seu lado, por medo de não
resistir.
- , , . Eu conheço a filha que eu tenho, sei muito bem que
a adora dar seus perdidos por aí de vez em quando. E nem venha
me dizer que não é verdade! E eu sei que você não
faria o mesmo com ela. - estava pouco preocupado em chegar logo em casa.
- Ah, sim! Agora o senhor também é meu psicanalista e sabe exatamente
do que eu sou capaz ou não? - finalmente parou pra encará-lo,
fazendo caretas.
- O pior, , é que eu sei. - se curvou pra cima do banco do
carona, onde estava sentada. - E sei que abandonar uma amiga numa festa,
pra curtir uma aventurazinha, não faz seu estilo.
- Nesses termos, até acho que você tenha razão, mas hoje
o senhor está errado. Talvez a já esteja em casa. -
recuou um pouco.
- Quer apostar que não? - Ele sorria meio de lado.
- Claro! - sabia que ia perder, mas não custava nada tentar.
- Ok, então, o que eu ganho se a ainda não estiver em casa?
- Ele voltou pro seu banco e ajustou o volume do som do carro.
- Bem, você pode escolher! - mordeu os lábios, mas antes
de fazê-lo, certificou-se de que não olhava.
- Não faça isso! Você sabe muito bem o que eu quero...
- Dessa vez ele deitou a cabeça no volante, fazendo cara de piedade.
- Sei? Ora, senhor ! Eu ainda não terminei o meu curso de vidente!
Talvez eu faça uma mínima idéia, apenas. - estava
trêmula e tinha o coração bastante acelerado. O frio que
sentia na barriga era desconsertante.
- Oh, Deus! Por que fazes isso comigo? - Ele encarava o teto do carro. - Tudo
bem, , maltrate esse pobre homem indefeso! Melhor esquecermos a aposta.
- Ele ligou o carro e deu partida.
- Ah, não me diga que está com medo de perder? - provocava.
- Pelo contrário. Tenho medo de ganhar. - Ele respondeu, deixando-a
muda.
14- So, kiss me...
O caminho foi feito em silêncio, quebrado apenas pelo som gostoso que saía do rádio. se encostou bem ao banco, viajando nas luzes da rua, enquanto pensava seriamente no pequeno diálogo ocorrido há pouco. O coração estava apertado! Ela queria, PRECISAVA fazê-lo olhar pra ela, chamar a atenção. Um sentimento de culpa ameaçava invadi-la, mas naquele momento, não escutaria a vozinha irritante do seu anjo de guarda, pedindo-a pra parar.
estacionou o carro na garagem de casa, praguejando por morar tão perto. O cheiro bom do perfume de estava impregnado no ar do carro, fazendo com que ele, algumas vezes, esquecesse de prestar a atenção ao caminho. Ele estava se sentindo um adolescente: não sabia o que dizer, o que fazer! Logo ele, o mais garanhão de todos na época da escola, o que mais arrancava suspiros das fãs de sua antiga banda! Não, definitivamente ou ele estava perdendo a prática ou aquela garota abalava profundamente o sistema nervoso dele. E ele tinha certeza que a segundo opção era a mais correta.
- Pois bem, vamos ficar
nos tratando como dois estranhos até quando?
- quebrou o silêncio, antes mesmo de tirar o cinto de segurança.
- Eu não estou te tratando diferente! Aliás, estou! Mas é porque
eu ainda estou elaborando a teoria do porquê eu tenho sempre que agir
estranhamente quando estou no mesmo ambiente que você. - Ele foi curto
e grosso.
- Ah, você ainda não sabe o porquê? - Ela soltou o cinto
e se virou pra ele.
- Saber, eu sei! Mas tenho muito medo de admitir! - Ele também se soltou
do cinto e virou de frente pra ela. - Você nem precisa fazer nada pra
me provocar e eu já me sinto provocado! E esse mundo conspira pra que
eu acabe numa situação tipo essa com você, me forçando
a cair em tentação.
- Hei, peraí! Eu não estou te forçando a nada! Aliás,
eu nem te pedi carona alguma! - ria da própria sorte. Estava tão
ou mais desconsertada do que ele.
- , olha pra mim. - pegou a mão da garota e aproximou seu
rosto do dela. - Eu sei que não é culpa sua... Mas tenta me entender.
Você desperta pensamentos nada puritanos na minha mente!
- Agora eu fiquei com medo. - parou imediatamente de rir.
- Agora você me entende, não é? Ao mesmo tempo em que eu
quero pensar, eu não quero. É algo que eu não tenho mais
controle! - Ele falava muito perto de e ela já começava
a se arrepiar.
- Então é simples: não se controle! - Ela quase selou
seus lábios nos dele, mas queria que fosse mais difícil. - Nossa
aposta ainda ta de pé?
- Com toda certeza. - Ele estava hipnotizado.
Entraram em casa e procuraram por na sala. Nada. Procuraram pela cozinha, sala de TV, sala de jantar, despensa, área de serviço, quartos, banheiros e nada.
- O que eu ganho se ela estiver aqui? - provocou.
- Peça o que quiser! Direitos iguais... Mas eu te digo, tenho certeza
que a não está, o que faz a minha imaginação
borbulhar, pensando em qual será o meu prêmio da aposta. - Ele
fechou a última porta do corredor.
encostou na parede e ficou esperando que ele se aproximasse. Taylor entendeu
bem o recado e foi chegando bem pertinho da garota.
- O seu escritório fica lá embaixo e nós ainda não
procuramos por lá. - virou-se de costas pra ele e desceu as escadas,
deixando com a cara mais desoladora do mundo.
Ela ganhou as escadas e foi correndo pro escritório, caminho que conhecia bem. Era óbvio que não estaria lá, mas pra que se arriscar beijando o pai da melhor amiga no corredor de casa, onde qualquer um que chegasse poderia ver, sendo que o escritório, o escondido escritório, cúmplice antigo daquele caso, estava ali, vazio?
desceu as escadas devagar, planejando cada sílaba que diria ao entrar naquele escritório e visse aquela moleca lá, rindo dele e pra ele, tudo ao mesmo tempo. Ele a tinha visto crescer, sabia que ela estava “a fim” de brincar. E se ela queria diversão, era isso que ela teria! Ele abriu a porta do recinto portando seu melhor sorriso. Ajeitou os cabelos de olhos fechados, planejando ver a garota toda sapeca sentada em sua mesa. Mas quando abriu os olhos, viu uma outra cena. Uma menina quase melancólica, olhando a lua pela vidraça. Podia jurar que todas as suas forças se esvaíram naquele momento.
- Sabe, quando eu era pequena,
eu passava horas e mais horas olhando a lua. - falava despreocupadamente.
- Eu ficava tentando imaginar quão
longe ela estava de mim...
- E chegou a alguma conclusão? - Ele se posicionou logo atrás
da garota e falava ao pé do ouvido dela.
- Não. Sempre fui péssima pra fazer reflexão! - Ela ria
gostosamente.
- Você tem tempo... - virou de frente pra ele, ficando com
o nariz encostado no dela. - Você vai descobrir que não importa
o quão distante pareça, se você tem vontade, um dia você chega.
- Você já quis assim, muito mesmo, algo que te parecia tão
distante quanto a lua? - perguntava com a doçura e a inocência
de uma criança.
- Há muito tempo que isso não me acontecia... Até agora.
Mas ao mesmo tempo em que parece distante, parece tão perto! Mesmo quando
eu pareço conseguir tocar, parece tão impossível! Mesmo
quando eu não quero, eu desejo com todas as minhas forças. -
passou as mãos pela cintura de , deixando os corpos mais
próximos.
- E você já escolheu qual vai ser o seu prêmio pela aposta?
- olhou no fundo dos olhos dele.
- Eu nunca tive dúvidas de qual seria. - E ele enfim, a beijou com toda
a vontade que ele tinha acumulado durante todo aquele tempo.
sentiu uma coisa estranha, uma palpitação diferente. Teve medo de estar enfartando, mas se julgou ainda muito novo pra tal acontecimento. Ele então se encostou à parede e apertou a cintura de com a maior força que ele conseguiu fazer, fazendo-a suspirar. foi escorregando pela parede, forçando a se abaixar com ele. Ficaram de joelhos, ainda se beijando intensamente e daí, se sentou e colocou por entre suas pernas, acariciando docemente as coxas descobertas da moça, deixando todo o corpo dela arrepiado.
se perguntava se aquilo seria ou não errado. era sim um cara casado, pai da sua melhor amiga, que por um acaso tinha a sua idade, mas desde quando se escolhe a pessoa pela qual se apaixonar? Sim, ela admitiu pra si mesma. Não era uma atração, não era desejo, não era brincadeira. Ela, , estava sim apaixonada e não sabia como lidar com aquela nova sensação, aquele sentimento despertado por . Pensaria no que fazer depois. Ao lado dele, não conseguia pensar em mais nada.
15- I got what you need...
e ainda ficaram algum tempo ali, sem fazer nada, apenas sentindo o calor do corpo um do outro. Ambos se sentiam sozinhos e carentes, mal sabiam o bem que se faziam. Aliás, sabiam sim, mas tinham ainda algum receio em admitir, afinal de contas, havia muita coisa em jogo: pra , uma amizade de anos; pra , um casamento e toda a relação com sua filha. Se bem que pra , o casamento não era bem uma desvantagem a se contar, ele já estava mesmo pensando em se divorciar, mesmo que sua atração por não fosse um pretexto.
fechou os olhos e descansou a cabeça no peito de , que afagava seus cabelos. Ela sentiu o abraço gostoso, uma sensação de proteção jamais sentida antes, aliada àquele perfume que fazia todo o corpo dela arrepiar! Queria ficar ali pra sempre!! Mas como o “pra sempre” sempre acaba, se virou de frente para , ajoelhou-se e passou a mão pelos cabelos dele. Olhava abobadamente pra ele, que sorria. Ela, então, beijou-o carinhosamente, depois se levantou e subiu pro quarto de .
ficou sentado ali no cantinho da parede do seu escritório. Respirava fundo, de olhos fechados e mãos na cabeça. Queria, desejava, precisava dela. Quando estava em paz, era nela que pensava. Quando estava nervoso, ela era sua calma, sossego. Não sabia se estava apaixonado, não ainda. Já tinha se apaixonado várias vezes na vida e em todas tinha quebrado a cara. As vezes se envolvia demais, outras, de menos. Em uma delas, acabou por engravidar a garota e se casou com ela. Anos e mais anos de tortura, de uma felicidade maquiada, vista apenas em fotos que ele insistia em deixar na sala. Antes, ele tinha esperanças de manter seu casamento, mesmo que fosse pelas aparências, mas agora, nem por isso. Queria mesmo se ver livre da mulher e experimentar um pouquinho da verdadeira felicidade.
chegou quando o dia já estava claro. Teve que ligar pro celular de , pra que ela abrisse a porta, pois tinha ficado com a chave. prontamente se levantou e foi atender à amiga. Elas aproveitaram e já tomaram o café, enquanto colocava a par de toda a sua noite. Não demorou muito e apareceu, trajando apenas uma samba-canção. Os cabelos estavam bagunçados e tinha olheiras, indicando que mal havia dormido à noite.
- , posso saber onde você estava? - perguntava sério.
- Ah, pai, você sabe! Eu sai com a , num foi, ? - olhava
desesperadamente pra amiga.
- Sim, sair você saiu, mas não voltou com ela. - Ele se sentou
e encarava a filha.
- Como não?! - procurava alguma palavra pra se explicar, mas
não conseguia. sequer se mexia.
- Eu encontrei a no caminho, sozinha, a pé e com frio, porque
a senhorita tinha desaparecido. E eu a trouxe pra casa. - tomava o seu
café e tinha expressão muito séria.
- Obrigada, ! - fez cara de emburrada, como se a culpa fosse única
e exclusiva de .
- Não culpe a pelos seus erros, ! Se você queria sair
pra se divertir, ao menos trouxesse a sua amiga em casa! Você já imaginou
se ao invés de mim, ela tivesse sido encontrada por um assaltante ou
estuprador, ?! Você está proibida de sair de carro, até segunda
ordem! - Ele se levantou da mesa e saiu.
- Ótimo! Agora estou sem meu carro! - pegou sua xícara e
saiu. foi atrás dela.
- , eu juro que não queria que isso acontecesse! Eu tentei achar
um táxi, mas não apareceu nenhum! Eu não queria te colocar
em problemas... - estava com os olhos cheios de lágrimas.
- Tudo bem, . Não foi culpa sua. Eu devia mesmo ter te trazido aqui.
Me desculpa por ser irresponsável com você. - E as duas se abraçaram.
Alguns dias depois, voltou atrás na decisão de deixar sem o carro e na primeira oportunidade, as duas saíram novamente. Dessa vez, pra uma festa na casa do cara com o qual tinha saído naquele outro dia, o cara do sorriso bonito e camisa branca. Mas naquele dia, ele estava de vermelho. A casa do rapaz estava lotada de gente. Pessoas se pegando por todas as partes, bêbadas, algumas drogadas. estranhou o ambiente, mas depois resolveu não achar aquilo tudo muito bizarro, pois as festas da faculdade seriam assim.
Na primeira deixa, fez com que o “namoradinho”, de nome Jason, apresentasse pra um dos seus amigos. David era um cara alto, visivelmente forte, de cabelos pretos e profundos olhos azuis. sentiu nele um perfume familiar, mas não comentaria o fato por nada nesse mundo. Dave tinha um papo agradável e além de tudo, era um belo exemplar do gênero, logo, presumiu que não deixaria a oportunidade passar em vão. Era notório o interesse de Dave em , mas o dela por ele não era assim tão explícito. Ela sabia que de uma maneira ou de outra acabaria ficando com ele, se não fosse por vontade própria, seria por pressão de . Enfim, acabaram ficando. David era um cara, inicialmente, bastante carinhoso, sensível e tinha gostado realmente de .
No meio da festa, some com Jason, deixando perturbada com a sensação de “deja vu”. Desta ela não estava sozinha, no entanto, infelizmente, não haveria para encontrá-la perdida pelo caminho. Dave se ofereceu pra levá-la em casa e ela aceitou. Entraram no carro e informou-lhe o caminho. Ele estacionou o carro na porta da casa de e ela foi se despedir. Ele simplesmente a beijou e deram início a uns amassos no carro. Depois de muito se amassarem e a coisa ficar um tanto quanto quente ali, disse que tinha que entrar e se afastou do rapaz. Ele não questionou, apenas pegou o número do telefone da garota e prometeu ligar no dia seguinte. então se lembrou e pediu pra que ele entregasse a chave da casa de pra ela. Ele lhe sorriu e deu partida e foi-se embora.
16 - But I have fallen in love with you...
estava entrando em casa quando ouviu o celular tocar. Achou estranho e ao mesmo tempo bonitinho que o garoto, que mal acabara de sair dali, estivesse ligando, mesmo que fosse apenas pra dizer boa noite. Qual não foi a surpresa dela quando viu na tela que conhecia muito bem o número que ligava pra ela. “Mr ”, era o que aparecia no visor, esperou entrar em seu quarto pra atender.
- Alô?
- ... Sou eu. - Ele estava com a voz trêmula. - Estou te atrapalhando?
- Não, imagina. Acabei de chegar em casa. - Ela tirava os sapatos.
- Em casa? Você não vem pra cá hoje? - estava em
sua casa e bebia whisky.
- Não, achei melhor não. Estou abusando da hospitalidade de vocês
há tempos. Só acho ruim de ficar aqui porque estou sempre sozinha.
- nem trocou de roupa. Deitou na cama e relaxou.
- Está sozinha agora? - Ele perguntou, inseguro.
- Sim, estou. Por quê? - Ela sabia bem qual era a resposta.
- Queria poder ir ver você... - Após falar, bebeu um pouco
mais de sua dose.
- E por que não pode? - Por que diabos ela tinha falado aquilo?
- Eu posso? - Ele já se levantou da cadeira do escritório e procurou
pelas chaves do carro e já ia se dirigindo à porta.
- Pode... - Ela não sabia ao certo o que estava dizendo.
- Então esteja pronta, passarei aí em alguns minutos. - A essa
altura, ele já estava dentro do carro.
- Mas espera, você não disse que estava vindo aqui? - Ela calçava
novamente as sandálias.
- Eu vou, e daí a gente vai pra um outro lugar. Preciso falar com você.
- então deu partida no carro.
- Mas você já está falando comigo! - foi no banheiro
e retocou a maquiagem.
- Não, , não brinque comigo! Por telefone não tem
a menor graça. - Ele sabia que era proibido falar ao celular enquanto
dirigia, mas a voz dela era um bálsamo aos seus ouvidos e ele não
conseguia desligar.
- Mas por que você não pode conversar comigo na minha casa? -
Ela passou o batom e um pouco mais do perfume. Agora se dirigia pra sala, pra
esperá-lo.
- Ah, sim. Digamos que de repente a sua mãe chega e me pega, a essa
hora da noite, conversando no sofá da sala contigo, assim, inocentemente.
Eu seria processado! - Ele riu do próprio pensamento.
- É, não seria engraçado! - Ela riu. - Mas eu não
sei se você se lembra, mas eu já sou maior de idade, só eu
posso te processar.
- E eu creio que isso não esteja nos seus planos, certo? - Ele dirigia
cada vez mais rápido.
- Por enquanto não. Talvez algum dia eu mude de idéia. - Ao dizer
isso, gargalhou.
- Oh, Deus! Onde é que eu estou amarrando o meu cavalinho?! Bom, eu
vou arriscar e torcer pra que você não mude de idéia. -
Ele então estacionou o carro. Uma sorte
morar assim tão perto.
- Torça mesmo, eu sou muito instável! - Ela ainda gargalhava.
- Estou na porta. Vou precisar buzinar ou você vai ser uma boa menina
e vai sair agora? - Ele nem desligou o carro, pois a menina já apontava
no portão.
- Bem, agora eu acho que já posso desligar o celular, não é?
- chegou perto do carro, que já tinha a porta aberta e sentou-se
enquanto falava.
- Não, agora você não precisa falar mais nada! -
então se curvou pro lado da menina, tascando-lhe um beijo. Inicialmente
ela ficou surpresa, mas depois, se rendeu, pois era exatamente o que ela queria.
Após partirem o beijo, deu parida no carro. Passaram em um Drive
Thru e compraram alguma bobagem pra comerem. Minutos depois, entrava
na garagem de um prédio mais afastado do centro da cidade. Eles entraram
no elevador e subiram até o 7º andar, onde tirou um molho
de chaves do bolso e abriu a porta do 704. O apartamento era muito bem decorado
e aparentava ser usado com freqüência, visto que estava limpo.
colocou os pacotes com sanduíches em cima da mesinha de centro da sala
e foi para janela, que dava vista pra um parque. Enquanto isso, fechava
a porta e observava a garota.
- Gosta da vista? - Ele a abraçou por trás e deu um beijo no
ombro.
- Nossa, é lindo! - então se soltou do abraço e virou-se
de frente pra . - Mas aposto que eu não sou a primeira a conhecer
esse seu refúgio.
- Bom, isso é verdade. Mas o propósito é diferente. -
se dirigiu à mesinha e sentou-se no chão, começando
a comer.
- Diferente como? - o seguiu, fazendo o mesmo, ou seja, comendo.
- As outras vinham aqui só pra satisfazer meus desejos carnais, entende?
- Ele colocou algumas batatinhas na boca depois de dizer isso. Ela, que tomava
sua coca cola tranquilamente, quase engasgou.
- E você tem a cara de pau de me falar isso? - olhava pra ele, incrédula.
- Hei, eu não disse que o propósito é diferente? Você está aqui
porque eu quero FALAR contigo, não foi a isso que eu me propus quando
te peguei na sua casa? - Ele colocou o sanduíche de volta na caixinha.
- Ah, sei lá, né?! Vai que você muda de idéia...
- , agora mais calma, voltou a beber a coca cola.
- Hum, você vai mudar de idéia em relação a me processar?
- Ele se encostou no sofá e comeu mais um pouco de batatinhas.
- Olha, se for contra a vontade, eu saio daqui e você só vai falar
com meu advogado e na frente do juiz! - Ela roubou uma das batatinhas dele.
- E se eu te convencer? - Ele se curvou pra cima dela.
- E se eu te disser que não? - Ela também se curvou na direção
dele.
- Bom, nesses termos, eu não vou te obrigar a nada. Mesmo porque, especialmente
hoje, minha mente está completamente livre de pensamentos pecaminosos
a seu respeito. - Dito isso, ele terminou de comer seu sanduíche.
- Ui! Estou presenciando progressos! - limpou as mãos com um guardanapo.
- Eu te disse, eu quero conversar. E a menos que você me tente, eu não
vou te atacar, não. - Ele, então, voltou a tomar seu refrigerante.
- Temos um acordo? - Ela estendeu a mão.
- Feito. - Ele pegou a mão dela e a puxou, dando um selinho. - Agora é a
hora de falar sério.
- Eu não gosto de falar sério. - foi se afastando.
- Mas você não vai precisar falar nada, só eu. -
puxou-a pra perto. - Mas eu preciso olhar nos seus olhos enquanto falo. - ,
sabendo que isso a faria derreter por completo, resolveu não topar.
- Ah, não! Você fala daí, que eu escuto daqui. - Ela foi
se sentar na outra ponta do tapete.
- Assim não tem graça. Anda, , estamos perdendo tempo! -
Foi aí que ela voltou pra onde estava, sentada ao lado dele, mas ainda
de frente pra mesinha.
passou uma das pernas por cima das pernas cruzadas da menina, ficando
propositalmente muito próximo a ela. Ele passou as mãos pelos
cabelos dela e depois, com uma das mãos no queixo dela, deu-lhe um selinho.
- Você já quis assim, muito mesmo, algo que te parecia tão
distante quanto a lua? - Ele sorria e passava as costas da mão pelas
maçãs do rosto dela.
- Agora eu posso te processar por plágio! - Ela riu.
- Anda, responde... - Ele olhava bem dentro dos olhos dela.
- Hum, talvez. Mas é como você disse... Ao mesmo tempo em que
parece distante, parece tão perto! É uma coisa muito estranha...
-
já não o olhava nos olhos. - Eu não sei bem o que é isso,
eu não reconheço esse sentimento dentro de mim! - E agora, tinha
os olhos marejados.
- E você tem medo? - enxugou nela uma lágrima que começava
a cair.
- Muito. E por vários motivos. E sinceramente, não sei qual deles é o
pior! - Uma lágrima escorreu pelo seu rosto..
- Olhe pra mim. Bom, eu tinha que falar e estou aqui, fazendo você chorar!
E isso, , é a última coisa que eu quero. Escute, - ele levantou
a cabeça de , fazendo-a olha pra ele - tem coisas na vida que a
gente simplesmente não planeja que elas aconteçam. Elas simplesmente
não obedecem a qualquer regra que tenhamos feito anteriormente. Eu juro
que eu tentei esquecer, fingir que não era comigo, mas foi ficando cada
mais forte, cada vez mais intenso, a ponto de eu não conseguir disfarçar!
E por várias vezes eu me comportei como um adolescente, mesmo quando
eu quis provar que eu era extremamente maduro. Quanto mais eu queria esquecer,
mais eu pensava... Quanto mais eu pensava em me afastar, mais próximo
eu me encontrava! Foi inevitável! Não que tenha sido ruim pra
mim, não! Pra mim, era tudo o que eu mais queria e precisava, mas a
outra parte é que me importa: você. Eu não me importo mais
comigo, sabe, so não quero te fazer sofrer, mas eu precisava te dizer,
, que eu estou completamente apaixonado por você.
ficou muda por alguns instantes. Teria sido verdade? Será que ela ouviu MESMO o que ela tinha pensado ter ouvido, ou sua imaginação excessivamente fértil estava produzindo coisas que ela gostaria de ouvir?
- Dá pra repetir? Eu acho que eu não entendi direito... Eu podia
jurar que ouvi que você está apaixonado por mim! - Ela ria.
- É tão difícil assim de acreditar? - Ele perguntou, ainda
embasbacado.
- Muito! - Ela parou imediatamente de rir.
- Que credibilidade a minha, não?! - Ele se levantou e foi pra cozinha,
abriu a geladeira e pegou uma cerveja.
- Não, você não entendeu. - Ela foi andando atrás
dele.
- Não? Quisera eu não ter OUVIDO! Tudo bem, , se era engraçado
se divertir às custas do tio, você conseguiu. - Ele abriu a latinha
e bebeu um grande gole.
- É, você não entendeu mesmo. Como você reagiria
se alguém dissesse que você é capaz de alcançar
a lua? - Ela se aproximou dele devagar. - Ou que, de repente, estrelas começaram
a cair do céu? Ou simplesmente, a pessoa pela qual você está apaixonada,
também está apaixonada por você?
a olhou dentro dos olhos e viu que ela não mentia. Tanto quanto
ele, ela tinha medo, mas sentia o mesmo, talvez até na mesma medida
e intensidade. Tinha tudo pra ser perfeito... tudo!
O que faltava pras coisas ficarem melhores do que estavam? Ah, sim, esquecer que existia. Se esquecer era difícil, eles tentavam ao menos não se lembrar, mas uma hora isso viria à tona, de um jeito ou outro. Depois das devidas declarações, deixou a cerveja no balcão e foi correndo beijar . E mais do que nunca, aquele beijo foi aproveitado. Não era apenas vontade, era paixão. então começou a caminhar em direção ao quarto, mas ainda beijando . Ela, que não estava completamente em si, pois se entregava totalmente ao beijo, foi deixando que ele a guiasse e só tomou consciência das coisas quando caiu deitada na cama. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, se jogou por cima dela e voltou a beijá-la com ainda mais ímpeto. No calor do momento, ele tirou a camisa e foi então que ela pôde abusar um pouco dele, alisando todo o tórax ainda malhado dele. Por um, instante, ele parou de beijá-la e começou a fitá-la nos olhos. Ele sorria pra ela enquanto subia as mãos vagarosamente por entre as coxas da menina, provocando arrepios. Chegando na borda da calcinha dela, ele ameaçou tirá-la, mas ela logo o interrompeu.
- ... - Ela segurou a mão dele, que puxava uma das alças
da cacinha dela pra baixo.
- O que foi? - Ele parou, tirando a mão de onde estava e passando pelos
cabelos de .
- Eu não... nunca... - nem sabia COMO dizer aquilo.
- Nem precisa falar. Sem pressão... Nós não precisamos
fazer isso, não agora. - E voltou a beijá-la. Por que é que
ele tinha que ser tão perfeito?, pensava.
Ficaram por muito tempo se amassando naquela cama, até que pegaram no sono, dormindo abraçadinhos. experimentava a sensação de se dormir assim tão perto de alguém. Sentiu a respiração quente de em seu pescoço, e um sentimento de culpa a corroia, enquanto ela tentava dissipar o pensamento fixo na provável reação de se soubesse daquilo tudo.
Antes que o dia amanhecesse por completo o celular de toca e se levanta pra buscá-lo, uma vez que ela nem se mexeu na cama. Quando escutou o barulho mais perto, ela acordou assustada, se perguntando se havia sonhado com tudo na noite anterior. Após entregar a ela o celular, desabou na cama de novo.
- Alô? - atendeu, ainda sonolenta.
- Ah, meu Deus, eu te acordei, pequena? - A pessoa parecia aflita.
- Ah, acordou sim, mas quem é que está falando? - Ela calçava
a sandália.
- Me perdoe, linda. Aqui é o Dave, se lembra? - O carinha da “noite” passada.
- Ah, claro! Me desculpe, Dave, estou um pouco sonolenta ainda, por isso não
reconheci a sua voz. - Mas que diabos ele queria àquela hora?
- Oh, me desculpe de novo. Às vezes eu esqueço das horas. Volte
a dormir, pequena, mais tarde eu volto a ligar.
- Não, Dave, agora eu já acordei. Diga. - foi calmamente
caminhando pra fora do quarto.
- Bom, eu estava pensando, é domingo... Eu estava aqui imaginando se
você teria algo programado pra hoje, não sei... - Convites? Àquela
hora? Ele só podia estar brincando!
- Eu ainda não sei... Não parei pra pensar nisso ainda. -
não ouve, mas se aproximou e estava escutando a conversa. Ele
a abraçou por trás e deu um beijo no ombro. A surpresa foi tão
grande que a voz quase falhou.
- Bom, o Jason me ligou agora. Ele e a sequer dormiram! Bem, eles estão
pensando em dar umas voltas por aí, talvez uma biblioteca, tomar café da
manhã, depois sei lá o que eles querem fazer, estou meio atordoado!
- Dave ria do outro lado da linha. - Então... O que você acha?
- Bom, sair logo a essa hora da manhã? - virou de frente
pra ele e fazia sinais de negação com a cabeça, pra que
ela recusasse o convite. - Mas não pode ser um POUQUINHO mais tarde?
Eu pretendia dormir mais um pouco...
- Bem, eu não creio que a vá te deixar dormir... Ela
disse que está indo pra sua casa nesse minuto. - quase morreu.
- Ok, ok. Vou tomar um banho. Me dê meia hora, sim? - já se
preparava pra sair. Despediu-se de Dave e desligou o telefone.
- Hei, eu achei que você fosse tomar café comigo! Ou vai dizer
que você prefere a companhia desse playboyzinho à minha? -
disse isso em meio a beijos estalados nos lábios de .
- Eu adoraria, se a não estivesse indo me buscar em casa em
meia hora.
- ,é?! - Ele foi se afastando dela, devagar. Era evidente que
aquele era o ponto fraco da relação dos dois.
- Pois é... Então, vou pegar um táxi. - Ela foi caminhando
em direção à porta.
- Não, não, eu te levo. - Ele segurou uma das mãos dela.
- Espera só eu me trocar.
- Não seria melhor se eu fosse de táxi?! - encarava a mão,
que estava sendo carinhosamente massageada por .
- Não, eu te trouxe, eu te levo. Eu te deixo na esquina. - beijou
a mão da garota e foi se trocar.
O caminho foi silencioso. Eles não conseguiam se encarar, pra não ter que lidar com a vergonha que sentiam de terem se encontrado às escondidas, mas nada mudava o fato de que estavam se gostando. Entretanto, ainda era casado, e esse sim era um fato que o preocupava. , por sua vez, tinha sua cabeça focada em , na provável reação da amiga caso soubesse daquele encontro... Não, estava fora de cogitação falar alguma coisa agora.
Como prometeu, deixou na esquina de casa. Eles se despediram apenas com um olhar, não conseguiam se pronunciar a respeito daquela situação, mas haveria tempo...
entrou em casa depressa e tomou um banho. estaria ali em poucos minutos e tinha que aparentar ter estado em casa desde o minuto seguinte ao que se despediu de David no portão. A expressão de sono foi disfarçada com um pouco de maquiagem. Como resolveu não ser pontual, relaxou no sofá e começou a relembrar flashes da noite passada, principalmente aqueles que mais interessavam... Era incrível como ele a fazia se sentir mais feliz, protegida. Os beijos, as carícias, toda lembrança a fazia arrepiar! O perfume dele ainda estava impregnado em sua pele e as mãos dele ainda pareciam percorrer seu corpo delicadamente. Os devaneios foram trazendo o sono, e logo, pôs-se a dormir, tranquilamente.
- Hei, hei, hei! Acorda, Bela Adormecida! Você não sabia que
a gente vinha te buscar? - sacudia , que estava deitada no sofá. Às
vezes ela se perguntava por que a amiga tinha uma cópia da chave.
- Ninguém mandou você ser a senhorita pontualidade, ! Se
você tivesse passado na hora que tinha combinado, eu estaria em pé e
com um ânimo muito mais motivador! - falava, mas não abria
os olhos.
- Ta bom, me desculpe, , prometo que não vai se repetir. Agora levanta
porque tem dois gatos no carro e eu só dou conta de um! - ria.
saiu arrastando até a porta. A essa altura, só pensava o quão mais interessante o seu “sonho” estava! Mas ela tinha sido intimada, não convidada, a participar do passeio e jamais deixaria a amiga na mão, como fazia com ela algumas vezes. David era um cara divertido, de certa forma: não era assim um Deus grego, com a voz suave e melódica, maduro, lindo, gostoso... Ta, lindo e gostoso ele até era, mas não era um da vida, não mesmo!
Tomaram café em uma lanchonete qualquer, comendo bobagens, diga-se de passagem. era mais fã de comer bobagens: pegou um pacote de bolachas de chocolate e um refrigerante... diet, pra não sair da linha [n/a: u.u”]. Os meninos sim pegaram bobagens: biscoitos, balas de goma, chocolates e mais doces, calorias... só tomou um café preto e comeu os chocolates que David lhe deu. Precisava ficar atenta à realidade, mas bem verdade, estava difícil não pensar na noite que passou com naquele apartamento...
- , você está bem? Parece que está no mundo da lua!
- virou-se e viu a amiga encostada no ombro de David, que fazia cafuné em
seus cabelos.
- Ah, não é todo fim de semana que uma amiga louca, desvairada,
minha passa a noite em claro e resolve perturbar meu sono de beleza pra me
levar pra não sei onde. - falou, em meio a um bocejo.
- Poxa, , vamos deixar a dormir, coitadinha. - David deu um cutucão
em . - Linda, se você quiser voltar pra casa, tudo bem. - Ele,
então, deu um beijinho na testa de .
- Há! Nada disso! Ela já está aqui mesmo, David! Além
do mais, dormir é para fracos! Vamos aproveitar o dia!
E lá se foram. não sabia pra onde iam, mas sabia exatamente onde queria estar...
18 - You know that you’ve been on my mind...
O carro parou e desceu ainda meio sonolenta. A todo momento, David dava apoio, pra que ela não caísse, pois estava, além de sonolenta, desatenta. Bem verdade, o “namoradinho” estava sendo um fofo, despendendo-lhe toda a atenção, faltava carregar água em balaio pra ela [n/a: expressão da minha abuela!]. estava, de fato, agradecida, mas que culpa ela tinha se tinha tido uma noite um tanto quanto perfeita? Os quatro estavam num parque, sentados à sombra de uma árvore, conversando sobre um programa de TV. Ou seria um filme? Eis então que o telefone de toca, despertando-a do tédio que sentia ante a conversa. Ela olhou no visor e o coração disparou.
- Ah, é a minha mãe. Já volto. - pegou o celular
e saiu correndo. - Alô? - Ela disse, quando a distância já era
grande o suficiente.
- Eu esperava menos formalidade, mas estou aqui imaginando que você tenha
que fazer cena pra me atender, não é mesmo? - segurava
uma gargalhada.
- Ainda bem que você sabe disso. - ria. - Posso saber qual o motivo
da ligação?
- Ouvir sua voz não lhe parece um motivo suficientemente grande? -
sentiu borboletas no estômago.
- Bom, parecer até parece, mas não acho que essa seja uma hora
assim, conveniente. - falava mais baixo, com medo de alguém se
aproximar.
- Eu estava com medo de você estar se divertindo com o rapazinho aí...
- A voz dele falhava.
- Insegurança? - mordeu o lábio inferior.
- Digamos que sim. As chances de eu te perder pra um cara da sua idade são
grandes. Eu não queria correr riscos. - Do telefone, ouvia os
dedos dele tamborilarem numa superfície de madeira, que ela julgou ser
a mesa do escritório dele.
- Eu não esperava tal sentimento lhe ocorrer. Você sempre me pareceu
tão.. convicto de si. - Ela ainda andava.
- Em se tratando de você, tudo pra mim é novo! Eu tenho medo,
ciúmes, insegurança, coisas que eu não sinto já faz
um bom tempo. É estranho não conseguir parar de pensar em você...
- suspirou alto, fazendo se arrepiar do outro lado da linha.
- Eu ia dizer a mesma coisa... - Ela então sorriu.
- O que? Você tem medo? - Ele também sorria.
- Não... Quer dizer, eu tenho medo, mas de outras coisas. Mas eu ia
dizer que é estranho não conseguir parar de pensar em você...
- sentiu as faces corarem.
- Você podia fazer isso mais vezes, sabe... - Do outro lado da linha,
ele fechava os olhos.
- Isso o que? - enxugou as mãos na roupa, pois estavam molhadas
do tanto que suava.
- Falar que pensa em mim. Provoca umas sensações estranhas. -
Ele parou pra rir. - Mas eu ainda preferia que você estivesse aqui, falando
isso pessoalmente... Saudades do seu cheiro...
- Eu espero que meu cheiro seja agradável! - A garota então caiu
na gargalhada.
- É muito bom, ta? Viciante... - Ele suspirou de novo.
- Eu gosto do seu perfume. Na verdade, poderia reconhecê-lo entre milhões
de cheiros... Está gravado no meu cérebro e impregnado no meu
nariz. - sentou-se num banco e tentou disfarçar o sorriso que estampava
sua face.
- Eu quero ver você... Agora. Inventa uma desculpa e vai embora! Eu vou
te buscar... - Ele praticamente implorava.
- Não dá. Você sabe como a é... Ela vai
fazer um drama danado se eu resolver ir embora agora. Mesmo ela vendo que eu
estou mais entediada aqui do que em qualquer outro lugar do mundo. -
meio que se lamentava.
- Às vezes eu me pergunto onde foi que eu errei com essa menina, pra
ela ser assim tão mimada! Te juro que se você estivesse comigo,
nada seria tedioso. - A voz de pareceu a uma coisa extremamente
sexy e convidativa.
- Acho melhor eu desligar esse telefone, sério. Se você continuar
falando com esse tom de voz, eu posso não me responsabilizar pelos meus
atos! - agora ria sonoramente.
- Isso sim seria uma coisa interessante de se ver! - Ele também ria
alto do outro lado. - Você assim, toda menina, toda contida e responsável,
perdendo a linha... Promete que vai me dar o prazer de presenciar tal cena
algum dia da minha vida?
- Agora o assunto está tomando proporções quase sexuais.
Acho melhor eu desligar, enquanto ainda conservo certo recato nas minhas palavras...
- parecia séria.
- Me desculpa? - Ele disse, também sério.
- Por...? - começou a roer as unhas.
- Por te deixar constrangida. Não era minha intenção.
Mas eu perco um pouco da minha racionalidade ao ouvir a sua voz, já te
disse, é estanho como você faz eu me sentir! É um misto
de prazer e agonia, como se a cada palavra ao som da sua voz tomasse outro
significado... É como se tudo o que eu penso não fizesse o menor
sentido, sem concomitantemente pensar em você, entende? Agora você sabe,
está nos meus pensamentos, dos mais puros aos mais profanos, e eu não
tenho controle sobre eles. Eles simplesmente aparecem, sem que seja necessário
mencionar o seu nome ou vislumbrar sua notável silhueta. Não é segredo
nenhum que eu te quero, muito, imensamente, e também creio que você saiba
que eu estou disposto a esperar, o tempo que for necessário... - E
não respondeu de imediato. - , ainda está aí?
- Estou sim, só estou absorvendo cada palavra, devagar.
- Promete que vai me ver de novo? - tinha a voz suplicante.
- Eu estaria mentindo se dissesse que não quero... Eu ligo. - Ela disse,
por fim.
- Os segundos serão horas infindáveis de espera.
- Você podia ser poeta... - riu.
- Eu sou, eu componho. - Ele se gabou.
- Tinha me esquecido desse detalhe. Bom, vou voltar pro meu dia tedioso. Sei
que nada vai conseguir superar a sensação de falar contigo mesmo...
- mordia os lábios nervosamente.
- Pra mim também não. Sinta-se à vontade pra me ligar
a qualquer hora. Quero muito ver você, hoje, se possível. -
fez uma pequena pausa. - Pensamento em você, sempre. - E só então
desligou.
abraçou o telefone contra o peito e suspirou forte. Mãos suando e tremendo, coração acelerado. Era o efeito que ele causava, como droga, que alivia e acalma, mas ao mesmo tempo, provoca euforia imensa. Como qualquer droga, seu efeito adverso: um possível rompimento com . Arriscar ou não? ainda não sabia a resposta, mas por enquanto, ainda estava pagando pra ver.
19 - You’re the one that I want, you are the only one
David estava esperando por debaixo da árvore, sentado no mesmo lugar desde que ela se retirou pra atender ao telefone. estava mais à frente, caminhando vagarosamente com Jason. Ela sabia que seria impossível fugir de David àquela altura do campeonato e também, se ela o fizesse, era capaz de armar um pequeno escândalo quanto a isso.[n/a: escandalosa a sua amiga né?!]. David, assim que a garota se aproximou, enlaçou-a pela cintura e lhe deu um beijo demorado. , lutando pra afastar do pensamento a imagem de , tentou corresponder-lhe da melhor maneira possível, mas isso a torturava, machucava, só de pensar que aquilo poderia ser considerada uma traição. Ela estava traindo não só o sentimento que tinha por , mas traindo a si mesma, fazendo algo que não queria de verdade.
Depois de algum tempo, estava em cólicas de vontade de ir pra casa, pra ligar logo pra , pra ver o jeito lindo como ele olhava pra ela, sentir suas mãos macias acariciando seu corpo lentamente, o perfume dele invadindo o ambiente e levando todos os problemas, aflições e medos pra bem longe, onde não pudessem alcançá-la. Ela até gostava do David, mas não era por ele que seu coração disparava. Ela queria estar com - e tinha que ser rápido.
- Gente, vamo embora? Sério, eu to com muito sono... - reclamava.
- Mas é muito lerdo, mesmo! Você não presta nem pra manter
a garota acordada, hein, David? - E a voz de Jason se fez ouvir por todo o
quarteirão.
- Não fui quem teve a idéia DEMENTE de acordar a garota às
6 da manhã num domingo! - Dave retrucou.
- Aihn, , tem certeza que não dá pra esperar? - balançou
a cabeça positivamente. - Nem um pouco?
- , VOCÊ ainda não dormiu. Eu senti o calorzinho e a maciez
da minha caminha, o meu travesseiro... Sabe, ta batendo uma saudadezinha...
- Ela falava entre bocejos.
- Gente, se vocês quiserem, fiquem aí, eu levo a em casa,
depois levo o carro pra você, Jason. - David já se levantava enquanto
falava.
- Ta bom, mas não se percam no caminho, crianças! - Jason jogou
a chave e David e saíram.
Já dentro do carro, colocou o cinto e encostou a cabeça no banco, fingindo dormir. Ela não queria alimentar idéias em David. Bem verdade, sua cama estava parecendo MESMO mais convidativa, porque o sono começava a bater. A noite tinha sido boa, mas mal-dormida. O dia seguinte seria um dia de faculdade, começo de vida nova, sentimentos novos...
- Dormindo, pequena? - David interrompeu o sonho.
- Ah, um pouco... - Ela falou e bocejou.
- Estou vendo! Sabe, eu até achei que esse seu sono excessivo fosse
uma desculpa esfarrapada pra ficar um pouco sozinha comigo, mas vejo que me
enganei, não é mesmo? - Dave fez uma carinha de cachorro pidão.
- Own, David, me perdoe. Eu fiz você criar expectativas, mas eu estou
com tanto sono que nem me liguei que você pudesse ter pensado isso! -
tentou se explicar.
- Tudo bem, fofa. Você compensa outro dia, pode ser? - David deu uma
piscadinha e deu partida no carro.
Durante o caminho, pegou no sono, e sonhou com Mr . Na verdade, não foi bem um sonho. Foi um princípio de pesadelo, onde, por mais perto que ela chegasse dele, mais longe ele parecia estar. E quando ela finalmente se aproximou, não pôde tocá-lo, como se algo a impedisse. E ele chamava por ela...
- ? - David mais uma vez a despertou.
- Oh, eu peguei mesmo no sono! - Ela acordou, meio sem jeito.
- É, você está mesmo cansada, linda. Vem, eu te ajudo a
descer. - E David, fofamente, ajudou-a a sair do carro e a carregou no colo.
- Hei, você não precisa me carregar! - Ela riu.
- Imagina! Com o sono que você está, é bem capaz que você durma
escorada no portão! Deixa, eu te levo! Não é trabalho
algum, pelo contrário, será sempre um prazer! - Ele então
a levou no colo pela casa adentro, deitando-a em sua cama.
- Muito obrigada, Dave... - passou a mão no rosto dele, e ele,
simplesmente, fechou os olhos.
- , eu posso ficar aqui mais um pouco, pra ver você dormir? - Ele
perguntou, como se fosse uma coisa simples.
- David...
- Por favor! - ele interrompeu.
- Tudo bem...
No início, ele estava apenas olhando, passando a mão pelos cabelos dela. apenas imaginava quando é que ele ia se cansar daquilo e ir embora, pra que ela pudesse, então, ligar pra , mas ao contrário do que ela pensou, ele não desistiu e foi embora. Ele começou a acariciar as mãos da garota, roçando os lábios nas pontas de cada dedo. Ela acompanhou toda a investida do rapaz meio sonolenta e quando ele avançou para os braços dela, já estava completamente anestesiada pelo sono. Como ela não reagia contra, ele continuou, subindo os beijos pelo pescoço dela. Ela não entendia porque, mas estava respondendo aos estímulos dele e quando ele a beijou, ela beijou de volta. Dave viu aquilo como um sinal verde pra investir ainda mais, subindo na cama e deitando-se por cima dela. Ela abriu as pernas devagar, deixando um espaço certo pra que os corpos se encaixassem [n/a: oferecida né?!]. David suspendeu o vestido dela, revelando a calcinha de bichinhos que ela usava, e acariciou sua barriga, enquanto a beijava incessantemente. As mãos dele exploravam o corpo da menina por inteiro, parando por alguns segundos onde mais interessava a ele. Quando a coisa foi ficando quente demais, foram interrompidos pelo barulho de um celular.
- Não atende... - Ele falava meio arfante.
- Eu preciso... - Ela se levantou e pegou o telefone. “Mr ”.
Ela foi pra sala. - Alô?
- Onde você está? - Ele parecia nervoso.
- Estou em casa. - Ela percebeu o tom de voz dele e respondeu no mesmo tom.
- Ele está aí, não está? - A voz dele parecia tremer.
- Sim. - O coração de doeu pra responder.
- Manda ele embora, por favor. Eu estou saindo da minha casa e em pouco tempo
estarei aí na sua porta. Não me peça pra não ir
e nem pra esperar. - Antes que pudesse dizer alguma coisa, ele desligou.
- Dave... - Ele estava sentado na cama, esperando. - Você precisa ir
embora.
- Mas por quê? Você não estava se divertindo? - Ele se levantou
e beijou o pescoço da garota.
- Alguém ligou pra minha mãe no serviço dela e disse que
você está aqui, e ela está vindo pra cá. Se ela
pegar você aqui, é provável que ela me bote pra fora de
casa. - Os olhos dela encheram de lágrimas, dando ainda mais crédito à mentira
que contava.
- Não, linda, eu não quero te arranjar nenhum problema. Eu vou
embora. - No mesmo minuto, ele saiu pela porta, ligou o carro e sumiu de vista.
E o telefone toca.
- Estou na porta. - Ao ouvir aquela voz suave e aveludada, apenas pegou
sua bolsa e saiu.
20 -Was it something I did?
Ela entrou no carro e ele sequer olhou pro lado. Parecia mortalmente ferido com o que tinha ouvido no telefone e aquilo impedia que ele falasse, xingasse ou ao menos reagisse à presença dela. colocou o cinto e olhou pra frente, enquanto ele dava partida e seguia pro apartamento.
- Você não vai falar comigo? - Ela finalmente criou coragem pra
falar.
- Eu estou dirigindo, não posso me exaltar. - Ele nem virou a cabeça
em direção a ela.
- Então isso significa que eu vou ouvir umas poucas e boas? - )
roeu a unha.
- Bem, você não esperava que eu te desse um prêmio, não é?
- Só então, olhou pra ela; pararam num semáforo
e o sinal estava fechado.
- E também não esperava que você fosse dar um de superprotetor
ciumento. - Ela retrucou.
- De que adianta todo aquele mel no telefone, se é só eu desligar
e você esquece tudo o que falou? Esquece o que eu disse? - voltou
a encarar a rua. Detestava a idéia de que estava sendo infantil e passional.
- Em momento algum eu me esqueci. - olhou pra janela. Se sentia um lixo.
O silêncio invadiu o carro. Os dois ocupantes estavam sérios, contraídos e nervosos. se concentrava o máximo que podia, olhando pra frente pra não ter que olhar pra . Ela encarava a rua, as pessoas que passeavam e tinha os olhos marejados. O céu estava encoberto e logo começaria a chover. Uma brisa gelada soprava, deixando o clima ainda mais frio e tenso.
Chegaram ao prédio e entraram rapidamente. A chuva caía pesada e só o trajeto que fizeram até a porta, deixou-os completamente ensopados. Ele abriu a porta e deu passagem pra que entrasse. Por alguns segundos, ela hesitou, pensando que talvez fosse melhor ir embora dali e esquecer tudo isso, mas depois considerou que havia passado o dia inteiro esperando por aquele momento - com outras circunstâncias, claro, e então, não fugiria. Quanto a , um sentimento misto de raiva e paixão fazia o seu sangue correr rápido nas veias: ao mesmo tempo em que queria xingá-la e ofendê-la, seu corpo pedia pelo dela - urgentemente.
Entraram no elevador e ele apertou o botão do sétimo andar. Ele se ajeitou do lado oposto ao que estava, mas quando viu que a garota tremia de frio, aproximou-se dela e a abraçou. Nos primeiros instantes, ela sequer se moveu: deixou que os braços dele a enlaçassem e suas mãos fortes e pesadas a apertassem contra o seu peito. Antes de abraçá-lo de volta, ela prendeu a respiração e só escutou as batidas do coração dele... O elevador parou e ele pressionou o botão, pra que ela saísse; enfiou a mão no bolso da calça e tirou a chave, abrindo a porta e dando passagem a ela.
não sabia direito o que fazer: sentia frio, culpa, remorso, ódio de si mesma e mais um monte de outros sentimentos confusos. Viu passar direto por ela e entrar no quarto. Resolveu não segui-lo; se ele insistia em não falar com ela, não ia forçar a barra. Ela andou até a janela e ficou observando a chuva cair, algo extremamente dramático e melancólico. Sentiu algo sobre os seus ombros e olhou para trás. havia colocado uma toalha sobre ela.
- Se você quiser tomar um banho quente, tem um roupão no quarto,
em cima da cama e você pode usá-lo. - Ele ainda estava com as
roupas molhadas.
- Eu estou bem. - Ela se virou de volta pra janela.
- Não seja teimosa! Eu não quero que você fique resfriada.
- foi andando em direção à cozinha.
- E você? - apertou a toalha contra o corpo.
- Eu vou logo depois de você.
entrou no banheiro do quarto, diga-se de passagem, o único do apartamento. Havia algumas toalhas penduradas e ela parou pra sentir o cheiro. O perfume dele era deliciosamente inconfundível. Ela entrou no chuveiro e deixou a água quente escorrer pelo seu corpo, completamente congelado pela água da chuva. Tudo ali cheirava como ele [n/a: deve ser porque é o banheiro dele, dã!], tudo! E era tudo ótimo, tudo perfeito, como ele. Mas ela tinha errado com ele, tinha ficado mais uma vez com David, depois de tudo o que ele lhe disse, depois dos beijos e abraços e tudo o mais. não havia sido justa e reconhecia, mas tinha que haver uma maneira de se retratar.
Enquanto tomava banho, se prontificou a fazer um chá quente. Bem verdade, não queria que ela adoecesse, apesar da raiva que estava sentindo dela. O que será que havia dado errado? Por que ela tinha feito aquilo com ele? Ela não podia... Mas ainda assim, doía não estar a seu lado, tocar sua pele e beijá-la. Sozinho - era assim que se sentia na ausência de seu sorriso, voz doce e sua presença contagiante. Precisava dela, a queria muito, mas não podia simplesmente esquecer...
Quando saiu do banheiro, a esperava sentado na cama com uma xícara de chá quente na mão. Ela ia dizer qualquer coisa, mas antes que a voz pudesse sair, ele entrou no banheiro e se trancou lá. Ela sentiu que merecia aquilo, mas mesmo assim, queria uma chance, só uma...
saiu do banheiro vestindo apenas uma bermuda, toalha nos ombros secando os cabelos. Encontrou no sofá, olhos perdidos num quadro na parede. Por alguns minutos, resolveu esquecer que ela tinha estado outro cara, na casa dela, sozinhos, fazendo sabe-se lá o que, e se aproximou. agachou-se na frente dela no sofá e segurou as duas mãos dela. O olhar deles se encontrou, então, ele se inclinou pra cima dela e beijou-lhe de leve o pescoço. então segurou o rosto dele com as duas mãos e fez com que os lábios se encontrassem e foi se inclinando até deitar-se. Ele se deitou por cima dela, sem romper o beijo. até pensou que estava tudo completamente resolvido, mas partiu o beijo depois de algum tempo e se levantou, andando até a janela. Ele acendeu um cigarro e ficou olhando pra chuva.
Não seria fácil.
21 - I’ll be there to kiss your lips, to breathe your air
- ...
- Eu sei - Ele disse antes que ela pudesse sequer concluir a frase. - Mas isso
não me impede de ficar com raiva, certo?
- Eu nem sei o que te dizer... - procurava um buraco, pra enfiar a cabeça.
- Me diz o que aconteceu. Já seria de grande ajuda. - soltou
a fumaça no ar.
- Ele só foi me levar em casa... - Ela buscava as palavras e não
encontrava. Não havia COMO contar o que realmente tinha acontecido.
- Ele te levar em casa não significa que ele tenha que necessariamente
entrar... - O tom que ele usou foi um tanto quanto acusador.
- O fato de ele ter entrado na minha casa não significa que eu tenha
feito alguma coisa... - se exaltou.
- Então ele entrou na sua casa? - Ela podia sentir o deboche na voz
dele.
- O que é isso? Um jogo? Um teste? - Visivelmente nervosa, se
levantou do sofá.
- Por que você está tão nervosa, hein? Se não fez
nada, não há o que temer! Eu só quero saber o que aquele
pirralho estava fazendo SOZINHO com você na SUA casa! - A essa altura,
gritava.
- Eu não esperei o dia todo pra vir aqui e ouvir você gritando
comigo e fazendo acusações! Se isso era tudo o que você esperou
o dia todo pra me dizer, ótimo, já ouvi! - Ela foi andando em
direção ao quarto, pra se trocar e ir embora.
- Espera! Nina... Eu não quero que você vá embora. - A
voz dele ficou quase inaudível.
- Então diz logo o que você quer de mim, ! Eu passei o dia
inteiro naquele maldito passeio com a , só pensando em voltar
pra casa, pra te ligar, ouvir a sua voz de novo, pra VER você de novo
e quando eu chego aqui você GRITA comigo, como se eu fosse uma criança!
- Nina começou a chorar e ele correu pra abraçá-la.
- Não, não! Por favor, não chore! Me desculpe, eu não
quis te magoar, eu juro! Mas eu fiquei com ciúmes, entende? Quando a
chegou em casa e me falou do passeio, eu fiquei meio atordoado, eu
não sabia o que fazer! Eu... tive medo que você... me esquecesse.
- Ele parecia sinceramente arrependido. - Ela me disse que vocês se beijaram
e que você tinha inventado estar com sono, pra poderem ficar sozinhos.
Eu fiquei louco! Possesso! Eu não conseguia acreditar que você tinha
mentido pra mim!
- E eu não menti! Eu estava sim com sono, mas eu queria ir embora, pra
poder te ligar, como eu havia prometido, mas você sabe como é a
... E o Dave pensou exatamente como ela, que eu queria ficar sozinha com
ele... Eu... sinto muito não ter tido pulso firme com ele... -
afundou a cabeça no peito dele.
- Tudo bem, não precisa falar mais nada, esquece isso. Você está aqui
e é isso que me importa. Eu estou sendo tão imaturo, tão
inseguro... - disse, depois de beijar-lhe o topo da cabeça.
- Me desculpe? - Disseram juntos e depois caíram na risada. Um beijo
e estavam de bem de novo.
- Me promete uma coisa: por mais cruel que seja a verdade, promete que vai
me dizer? - olhava dentro dos olhos dela.
- Começando por hoje? - estava preocupada.
- Começando por ontem.
ficou meio apreensiva no começo, mas resolveu contar pra ele toda a verdade. ouvia atentamente, não fazendo comentários, para não interrompê-la. No gancho, ela falou de toda a sua vida, da relação com a sua mãe, coisas sobre o seu pai, sobre como ela se sentia quando estava na casa dele, dos porta-retratos, daquele dia no shopping em que ela se exibiu pra ele... Dos beijos, abraços e de todas as sensações estranhas que ela sentia quando estava com ele, de como se sentia quando ele estava longe... E depois, finalmente, do que havia acontecido entre ela e David, sem detalhes, claro.
Ele ouviu a primeira parte muito atentamente: queria saber como ela era, como tinha vivido, tudo! Tudo referente a era interessante, e, daquele jeito que estavam, deitados na cama, ela deitada em seu peito, abrindo toda a sua vida pra ele, permitindo que ele, então, entrasse o mundo dela, enquanto ele lhe fazia cafuné. Ali, tudo era perfeito. Quando ela falou dele, de todas as coisas que lhe diziam respeito, ele se sentiu mais confiante, mais feliz. E seus olhos brilhavam tanto quanto os dela. Depois, ao ouvir todo o relato sobre o dia com Dave, ficou aborrecido, de fato, mas foi ele quem escolheu saber da verdade.
- Então, está chateado? - Ela apoiou o queixo no peito dele,
olhando-o nos olhos.
- Se é pra ser sincero, sim, eu fiquei chateado, mas eu escolhi ouvir
a verdade e fico feliz que você tenha resolvido contá-la pra mim,
mesmo sabendo que eu poderia me chatear. - passou a mão pelos
cabelos dela.
- Então, agora é a sua vez. Conte-me tudo! - Ele se sentou na
cama.
- Hum, por onde eu deveria começar? Bem, eu tinha uma banda. Há muitos
anos atrás, muitos mesmo. A gente estava fazendo sucesso, quando a Suzane
apareceu grávida. Eu nunca fui exemplo de conduta entre os caras, mas
resolvi me casar com ela, por causa da mídia, da família dela
e tal. O dia que a nasceu, foi o dia mais feliz da minha vida. Eu achava
que estava completo, tinha uma família. Mas logo no primeiro ano, as
coisas começaram a dar errado. A sempre viveu com a avó,
porque a Suzane nunca foi uma mãe de verdade, estava sempre viajando,
não parava em casa. Eu tentei ser um cara compreensivo, um bom pai,
na medida do possível. Com os porta-retratos, eu tentava mostrar aos
outros a minha “família perfeita”, mas eu nunca enganei
ninguém, nem a mim mesmo. Desde então, meu casamento é uma
farsa. Eu escrevia sobre o amor sem acreditar nele... Por este apartamento
passaram muitas, mas nenhuma ficou, como você pode ver. Acho que você é a
mulher que mais vezes esteve aqui... Sabe, às vezes eu sinto falta de
alguém pra fazer isso...
- Isso o que? - resolveu se deitar ao lado dele.
- Alguém pra ficar do meu lado, me ouvindo falar sobre qualquer coisa.
Alguém pra me abraçar, pra dormir agarradinho comigo! - E foi
dizendo isso que abraçou a menina bem forte.
- E eu sou o alguém escolhido? - tirou o cabelo dele do rosto.
- Pior é que não. - ria.
- Não?!?!??!? - o empurrou pra longe.
- Não, , você não entendeu. Se fosse pra escolher,
eu ia escolher outra pessoa, alguém que eu possivelmente não
magoaria. O que eu mais tenho medo, desde que me vi assim, completamente apaixonado
por você, é justamente te magoar, . Você sabe, tem a
...
- Ah... Achei que você me escolheria apesar de tudo... - Ela choramingou.
- Bom, digamos que você possa escolher entre duas frutas: uma que você conhece
o gosto e outra que você não conhece. Você escolhe a que
você conhece, óbvio. Mas depois alguém te dá da
outra fruta e o gosto é melhor do que o da fruta que você escolheu.
Então, você escolhe a outra, sem pestanejar, afinal, nada te impede
de mudar de opinião.
- Senhor neologismos! Bom, então quer dizer que, se você pudesse,
escolheria outra, mas depois que me “conheceu”, não tem
pra mais ninguém. - frisou bem as aspas no CONHECEU, afinal de
contas, se conheciam há anos, mas não daquele jeito.
- Nem se eu quisesse, nem se eu pudesse! Estou completamente enfeitiçado
e de mãos atadas! Pra mim, agora, se não for você, não
pode ser mais ninguém! - E ele então a beijou da forma mais terna
e carinhosa.
Eles conversaram por mais algum tempo, namoraram mais um pouco e enfim, o
sono de venceu. Ela adormeceu e ele ficou acordado, velando o sono dela,
atentando-se pra cada suspiro, cada movimento, por menor que fosse. Por fim,
encostou seus lábios aos dela, abraçou-a e dormiram, juntos.
De manhã bem cedo, se levantou, deixando dormindo preguiçosamente em sua cama. Ela começaria a faculdade naquele mesmo dia, então, tinha que ir pra casa, preparar as coisas pra enfrentar o dia. Ela estava procurando um emprego, pra que pudesse ter alguma ocupação e dinheiro, pra então, estudar à noite. vestiu suas roupas, ainda um pouco úmidas, e se sentou no sofá pra calçar as sandálias.
- Está indo a algum lugar, ? - Ele chegou por trás da menina
e falou em seu ouvido.
- Casa, já ouviu essa palavra? Faz algum tempo que eu não volto
diretamente pra lá! - Ela riu e deu um selinho nele.
- Você podia vir morar aqui, pra facilitar a minha vida! - Ele mordeu
a orelha dela de leve.
- Facilito a sua e complico a minha! Como eu vou explicar pra que ela
não pode saber do meu endereço novo? - abotoou as sandálias
e se levantou.
- Ah, meu Deus! Sem chances de você cortar relações com
ela por minha causa né? - fazia beicinho.
- Não adianta vir com essa cara pra mim não! Sem chances mesmo!
Você sabe, a é a única família que eu conheço...
Eu não sei o que seria da minha vida sem ela.
- Bom, pelo menos eu sou o responsável pela razão da sua vida,
logo, eu sou a razão da sua vida, não?! - se aproximou
e segurou a menina pela cintura.
- De certa forma, mas não fique muito feliz por isso! - lhe deu
um beijo na ponta do nariz.
- Hum, , eu quero te dizer uma coisa... - , com uma expressão
séria, fez com que se sentasse no sofá novamente.
- Me chamando pelo nome? - Ela se assustou.
- É sério... - A cara dele não era das melhores.
- Pois diga! Já estou ficando meio preocupada. - Ela se virou completamente
de frente pra ele.
- Eu não quero que você se sinta pressionada, nem que você pense
que eu estou querendo mandar em você ou ditar regras sobre o que você pode
ou não fazer. - Ele deu uma pausa e o silêncio foi angustiante.
- Eu não gostaria que você visse esse tal David mais. - Ao dizer
o nome de David, fez uma careta.
- Hum... Eu não pude perceber qual a intensidade disso... Você não
gostaria ou você não QUER?
- Bem, na verdade, se eu pudesse assim, de verdade mesmo, eu te proibiria de
vê-lo novamente. - Ela arregalou os olhos. - Mas eu não quero
bancar o idiota ciumento, inseguro... Quando eu digo “não gostaria”,
queria dizer “não quero”, mas eu não mando em você.
Você é livre pra ir e vir a todo instante, sair com quem bem entender. É só que
a idéia de te imaginar com um cara que te deseja tanto quanto eu me
dói, machuca, entende?
sorriu.
- Ok, eu vou fazer o impossível para não mais sair com o Dave.
Mas você sabe como a é né? Quando ela começar
a me encher, não vai dar outra... - Ela encarou as mãos.
- Ai, Deus! Por que eu criei uma filha tão convincentemente persuasiva?
- Ambos riram. - Tudo bem, tudo bem...
- Agora eu preciso ir. O dia vai ser BEM longo. - deu um selinho nele,
pegou sua bolsa e já se encaminhava pra porta.
- Espera! Só mais uma coisa: eu vou ter que viajar pros Estados Unidos
por uns dias a trabalho, então, será que você poderia vigiar
a pra mim? Digo, ficar com ela lá em casa?
- Claro! - E saiu.
Os primeiros dias de na faculdade foram bastante produtivos, mas nada afastava o pensamento de . Ele tinha viajado algumas horas depois que ela deixou o apartamento dele e só voltaria no fim da semana. Como havia prometido, ela foi pra casa dele, fazer companhia a . As duas passavam o dia inteiro em casa e à noite iam pras suas respectivas faculdades. Numa noite, porém, logo após sair da faculdade, se depara com a figura de no banco do carona de seu carro. Jason estava no volante. rezou pra que David não estivesse no banco de trás. Em vão.
- , posso falar com você um instante? - graciosamente escorou-se
na janela de .
- Ta, né?! - E desceu do carro e as duas se afastaram do carro.
- O que foi, ?
- , poxa! Você podia ter me avisado! Eu teria ido embora de táxi!
- bateu o pé.
- Eu, hein, ! Fugindo do Dave? Ah, qual é, vai dizer que você não
gosta de ficar com ele?!
- Eu até gosto, , mas eu não quero! - Ela tentava se justificar.
- Não quer? , tem um outro cara na história, não
tem? - gelou. - Eu te conheço, ! Você está estranha!
Vive suspirando pelos cantos! Eu achei que era pelo Dave, mas agora... Quem é,
?
- Não é ninguém, ! Mas eu tenho certeza que se continuar
nessa ‘forçação’ de barra, vai acabar sendo
o David! - A voz dela tremia.
- E cadê o problema nisso, ? Vai dizer que você está com
medo de se apaixonar pelo David?! - ria da amiga.
- Não é medo, ... É que.. eu só não
queria isso agora... Não agora. - suspirou.
- Seguinte: a gente sai com eles hoje e você manda a real por Dave, diz
que não quer mais sair com ele e pronto! Você sabe que ele só fica
perguntando de você e eu não vou mentir, não é,
? Afinal de contas, não tem outra pessoa, NÃO É? -
O tom que usou foi um tanto quanto acusador, como se escondesse um
segredo, e ela de fato o fazia.
- Não, ninguém... - E então, puxou a amiga pelo
braço, levando-a até o carro, onde elas, então, entraram.
Durante toda a noite, tentou se mostrar completamente entediada, mesmo quando David faltava bater em alguém pra que ela desse ao menos um sorriso. Mas ela estava impassível e de certa forma, preocupada, afinal de contas, não demoraria a voltar e ele provavelmente ficaria sabendo dessa noite e não seria nada legal. Ela não queria obedecê-lo, mas não queria desapontá-lo. A noite foi longa e acabou vencendo David pelo cansaço. Ela só queria chegar em casa, no caso, na casa de . Pouco depois, elas foram embora. Estavam caladas e o som do carro estava desligado. O silêncio dominava.
- , você pode me dizer o que foi isso? - estava brava, mas
não tirava os olhos da estrada.
- Isso o quê? - ainda não tinha entendido.
- Uma coisa é você não querer mais sair com o Dave. Outra
bem diferente e você ficar destratando o garoto, ! Não foi
NADA legal o que você fez com ele hoje! Conseguiu que, no máximo,
ele ficasse chateado com você! - fala ligeiramente alto.
- , você sabe que eu nunca fui muito boa em dar foras! Eu simplesmente
não consegui! - Ela estava arrependida de não ter falado nada.
- Talvez você não QUEIRA dar um fora nele! , quando um não
quer, dois não brigam, que dirá beijar! Você só precisa
dizer a verdade. Se não for o que você quer, deixe que ele saiba!
Não vale a pena perder uma possível amizade porque não
sabe dar um fora, entende? - A voz dela já saía mais baixa, compreensiva.
- Eu não quero mais ficar com o David, só não sei como
dizer isso...
- Relaxa, a gente vai pensar em alguma coisa, mas fato é: você vai
ter que sair com ele de novo, nem que seja só pra dispensar o garoto...
Elas chegaram em casa e comeram alguma coisa. subiu e se trocou. Viu que havia uma chamada não atendida no celular e seu coração disparou. Olhou o número e sim, era ele. Precisava ligar de volta. Discou o número e assim que começou a chamar, entrou no quarto. fechou o telefone tão rápido quanto pôde, enquanto ouviu a amiga dizer que ia tomar um banho. Ela já ia discar os números de novo, quando o seu telefone tocou.
- Me desculpe, eu me esqueci do fuso horário! Deve estar bem tarde
aí, volte a dormir. - Ele nem esperou que ela dissesse alô.
- Não, tudo bem, eu acabei de chegar. - Essas palavras entraram no ouvido
dele como um trovão e o choque foi tão grande que ele nem se
pronunciou. - Ainda está aí?
- Estou... Eu acho. Onde você estava, que mal lhe pergunte? - Curiosidade
e desconfiança dominaram.
- Invenções da . Ela não sossega! Mas quando você volta?
- Ele percebeu que a mudança de assunto fora proposital, pra que ele
não perguntasse quem as estava acompanhando.
- Ainda não sei. Em 3 ou 4 dias, no máximo. , há alguma
coisa que eu mereça saber?
- Não, creio eu. - Seria ou não mentira? Ela não sabia.
- Hum, então está bem. Tudo bem por aí, com a ? -
sabia que havia algo pra se saber, mas resolveu não pressioná-la.
Se ela quisesse, teria contado.
- Tudo bem sim. Estamos nos comportando. - esperou que com essa frase
ele se acalmasse, mas ele não se deu por convencido.
- Espero que sim. - Indireta. - Bem, vá dormir, já está tarde.
Boa noite.
- Hei, espera! - Ele já havia desligado o telefone. Um sentimento de
traição a dominou por completo, como se estivesse suja, tivesse
falado a mentira mais sórdida de toda sua existência. Não
podia evitar, omitir detalhes pra ele era como mentir pra si mesma.
então resolveu mandar uma mensagem:
Eu não achei que você fosse desligar o telefone na minha cara,
mas eu creio que você julgou que eu mereço, não?
Não, eu não achei que você merecia. Aliás, se você quisesse, eu teria falado por horas contigo, mas não sei se você está muito disposta a conversar agora...
Eu só desejei que você soubesse ler menos o tom da minha voz... Eu imaginei que você tivesse suposto que nem toda a verdade foi colocada no nosso curto papo no telefone.
, eu já te disse, eu não vou te pressionar! É óbvio que eu reparei que você não quis me contar sobre hoje porque muito provavelmente aquele cara estava junto de vocês. Eu não quero discutir isso.
Eu também não quero discutir.. Eu não quero ficar brigada com você. Por favor, me desculpe por não ter falado, eu tive medo que você se chateasse comigo.
Eu jamais conseguiria ficar chateado com você...
Estou desculpada então?
Não há pelo que se desculpar. Eu já disse que você é livre pra fazer o que quiser! Não é só porque eu não gosto de uma coisa que você deva parar de fazê-la, compreende?
Estou sentindo sua falta...
Não mais que eu estou sentindo a sua, tenha certeza. Mal posso esperar pra voltar... Agora vá dormir! Está tarde!Boa noite, minha menina...
Depois dessa última mensagem recebida, saiu do banheiro e ela sequer pôde responder. Ela teria que se explicar quando ele voltasse, mas que ele já estivesse preparado pra ouvir era de grande ajuda. Suspirar era inevitável...
23 - World assume, tomorrow we’ll find what’s gone…
Dia seguinte, bem cedo, resolve ir em casa, pra pegar algumas coisas. fica em casa estudando. Durante todo o caminho, que ela fez a pé, pensou como faria pra falar com David que ela não podia mais vê-lo sem mencionar que havia outra pessoa. A faculdade seria uma boa desculpa, de fato, mas talvez não colasse. Ela teria que pensar em desculpas alternativas.
chegou em casa e se deparou com a figura da mãe, e ela, completamente absorta em pensamentos, nem sequer reparou na entrada da filha em casa. Devia fazer mais ou menos uma semana que ela não parava em casa: sempre trabalhando ou fugindo dos encontros com . Mas a menina nem se incomodou em mexer com a mãe. Apenas passou direto pela sala e foi para o quarto, onde juntaria suas coisas e depois finalmente sairia dali. Enquanto enfiava algumas coisas na mochila, reparou que alguém entrava no quarto e então, o suspiro da mãe fez com que ela se virasse.
- O que há, mamãe? - Ela disse, meio insolente.
- Não há nada, não mais. Creio que se essa casa fosse
alugada, eu a entregaria, pois não há mais quem more nela, não é mesmo?
- Mamãe, não vamos começar com isso de novo, ok? Eu já estou
meio farta desse assunto. - E então fechou a mochila.
- Tudo bem, , eu não quero brigar. Eu só quero te entregar
isso. - E a mãe lhe estendeu um envelope.
- O que é? - pegou o envelope e, antes de abrir, deu uma olhada
no remetente.
- É do seu pai e eu não sei do que se trata. Não era endereçada
a mim, então eu não abri. Ele, na verdade, também me mandou
uma carta, mas eu não quis ler, não ainda. Não tenho um
preparo psicológico pra isso.
- Você quer que eu abra? - perguntou.
- Oh, não, não quero. Acho que você deve abrir no momento
em que achar próprio, necessário. Eu ainda não sei o que
o seu pai pretende, mas, o que quer que seja, ele não quer que eu saiba.
Acho melhor você fazer isso outra hora.
- Hum... - ela apenas resmungou.
- Vai pra casa da de novo?
- Vou, o pai dela está viajando, vou fazer companhia. - colocou
a mochila nas costas.
- Ah... Eu sinto muito que você não se sinta em casa aqui. Eu
realmente tentei fazer disso um lar, mas não tive muito sucesso. - E
antes que pudesse dizer alguma coisa, sua mãe saiu e se trancou
em seu quarto. Só restou a ela voltar pra casa de .
Antes de entrar na casa da amiga, parou na varanda e se sentou em uns dos degraus e foi então ler a carta que seu pai tinha mandado. Ela não sabia ao certo que emoção esperar... Depois de tanto tempo, tantos anos, as coisas não podiam mais ser previstas em relação àquele assunto. Seu pai era de fato um mistério em sua vida, mistério esse que ela talvez pudesse desvendar agora.
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olhou o papel ainda assustada. Como assim seu pai esteve por perto todos esses anos? Era assustador demais pensar em qualquer possibilidade de argumentação. Mas enfim, ela teria um lugar pra ela. Ou não só pra ela. Um arrepio lhe subiu pela espinha. Parecia bom demais pra ser verdade.
24 - You bring me back again, back under the stars, back into you arms...
entrou na casa ainda olhando pra carta. Ela virou o envelope e em suas mãos caíram um cartão de visitas, um cartão de crédito e um molho de chaves. Ela leu o endereço anotado no cartão de visitas e guardou as chaves no bolso. De acordo com a data da carta, o apartamento estava vazio há dois dias, então, ela estava decidida a conhecê-lo. Ela até pensou em levar consigo, mas aquele poderia ser um trunfo na manga e ela não queria desperdiçar a chance!
- ? - entrava na sala.
- Ah, oi, ! Nem vi que você estava aí... - calmamente
guardou o papel na bolsa.
- Ta muito distraída pro meu gosto, mocinha! O que está acontecendo?
- foi chegando perto pra olhar o que tinha escondido na bolsa.
- Ah, nada de mais... Só uma tia chata que quer uma visita. Ainda não
sei se quero ter uma família que finge se preocupar comigo...
- Nossa, coitada da sua tia! Vai ver ela só está tentando ser
legal, caramba! - se jogou no sofá.
- Naaaa, aposto que ela ta fazendo isso porque a minha mãe pediu... Ótimo!
- estava chocada com seus dotes artísticos.
- Eu acho que você devia dar uma chance, sei lá... - olhava
pro teto.
- É, vou pensar nisso... - fingiu se dar por vencida e subiu as
escadas.
, enquanto se encaminhava pro quarto de , elaborou todo um plano pra conhecer o apartamento, que por um acaso era dela. Ela não pretendia ir sozinha... Por mais que ela tivesse receio de acabar descobrindo alguma coisa, ela agora estava mais propensa a ousadias: tinha que fazer alguma coisa pra esquecer um pouco dos desgostos que ela lhe deu.
Ela ainda ficou algum tempo viajando na maionese, sentada no parapeito da janela calculando tudo nos mínimos detalhes: dia, hora e principalmente, a desculpa que ela daria. Ela respirou fundo, pensando em tudo o que poderia acontecer, se estava mesmo disposta... Ela nunca fantasiou um príncipe encantado ou coisas do tipo, mas seria a sua primeira vez, então tinha que ser especial, com o cara que ela achava especial... Enfim, ela decidiu que seria ele.
- Sonhando acordada? - Aquela voz! quase caiu da janela quando a ouviu.
- Ai, meu Deus do Céu, que susto! - , percebendo eu tinha falado
um pouco alto, resolveu moderar o tom de voz. Enquanto isso, a enlaçava
pela cintura. - Hei, o que você está fazendo?
- Só estou com saudades... - Ele sussurrou em seu ouvido, fazendo-a
se arrepiar.
- Você está louco? A está em casa! - Ela tentava se
desvencilhar. Em vão.
- Relaxa, ela nem vai ver. - tentava convencê-la.
- Não relaxo nada, você deve estar bêbado ou com algum problema!
Anda, sai daqui logo! Ela pode chegar a qualquer minuto! - foi empurrando-o
porta afora.
- Hei, só eu estou com saudades aqui? - Eles ainda conversavam bem baixinho.
- É óbvio que não, mas eu não quero colocar tudo
a perder agora! Ande, saia! - E colocou ele pra fora e fechou a porta.
- , abra a porta, antes que eu arme um escândalo. - bateu
na porta.
- Nem pensar! Você está fora de si! E além do mais, se
você fizer um escândalo, a vai querer saber o que é que
está acontecendo! - se segurava pra não rir das atitudes
dele.
- Anda, , abre a porta. A saiu. - Ela respirou fundo e então
abriu a porta.
estava encostado na porta, portando o mais sexy dos sorrisos do mundo e sentiu o ar em sua volta desaparecer por alguns instantes. Só voltou a respirar quando colocou a mão em seu rosto e a puxou para um beijo. Ele nem quis colocar em discussão a vontade que ele tinha naquele minuto, pois teve que fazer uma força absurda pra não obedecer ao seu instinto. Eles estavam em sintonia de pensamento, no entanto, era mais consciente quanto ao fato de poder voltar a qualquer momento.
- Céus, como eu senti falta disso! Da próxima vez, eu sinto
muito, mas a vai ficar sozinha, porque eu vou te roubar pra mim! -
Ele disse, olhando no fundo dos olhos dela.
- Não repita isso, porque eu me iludo fácil demais! - O olhar
de não conseguia se desviar.
- Estamos fazendo progressos...
- Por que você disse isso? - Ela perguntou, curiosa.
- Você já não está cortando drasticamente os momentos
românticos... - Ambos riram.
- É, eu sou uma estraga prazeres, eu sei. Colocando isso em prática,
cadê a ? - se afastou um pouco.
- Hum, eu não consigo competir com ela, certo? Então, a
foi ao supermercado. Disse que precisávamos comemorar a minha “volta” e
foi comprar alguma coisa... Eu nem sabia que você estava aqui, mas vim
deixar a minha mala e encontrei uma figura olhando pro tempo, toda pensativa
e sonhadora... Posso saber no que você pensava?
- Simples: em você. - respondeu e depois abriu um sorriso largo.
- Nossa, depois dessa eu tenho até que sentar! Meu coração
não agüenta! O que aconteceu com você nesses dias que eu
fiquei fora, hein? - sentou-se na cama de e colocou em
seu colo.
- Agora você é quem está estragando os momentos! - Eles
riram. - Bem, eu só me dei conta do quanto você me fez falta.
- Sorrisão.
- Mesmo com aquele idiotinha amigo da te tentando? - fez uma
careta.
- Eu nem vou te responder. Isso já é... - Nesse momento, quando
ia se explicar, foram interrompidos pelos gritos de , já subindo
as escadas.
- Paaaaaaaaaaaai... - se caminhava pelo corredor.
- Puta que o pariu! - sussurrou do quarto, levantando-se do colo de .
-
, relaxa. - E ele deu uma piscadinha. Quando
entrou no quarto,
estava perto da janela e sentado na cama, tranquilamente.
- Oi, pessoas! Achei que teria uma recepção calorosa pra mim
na sala, quando eu voltasse com a comida! - entrou sorridente no quarto
e não reparou que estava com o coração quase saindo
pela boca.
- Na verdade, , eu estou MESMO com fome, no entanto eu achei que estávamos
só nós dois em casa e subi, quando encontrei a viajando
ali sentada no parapeito. Acho que a assustei... Olha só como ela está pálida!
- dava risadas. sentiu que poderia enforcá-lo naquele momento.
- É, , nossa! Você não parece nada saudável!
- ria.
- Pois experimente estar distraída e tomar um baita susto! Aí sim
conversaremos a respeito! - colocou a mão no coração,
enquanto assistia abaixar a cabeça e depois lançar pra
ela o olhar mais sexy EVER. “Senhor Jesus, tende piedade de mim”,
pensou.
- Okay, então vamos descer porque eu estou faminta. - disse
isso já saindo do quarto.
- Vá na frente, eu ainda vou me trocar. - saiu do quarto tirando
o casaco.
- E eu... vou... lavar as mãos, isso! - E se aboletou no banheiro.
- Ta, né? - E deu as costas e desceu as escadas.
Menos de quinze segundos depois, estava na porta do banheiro do quarto de e abriu a porta e encontrou uma um tanto quanto chocada lá dentro. Ele entrou e trancou a porta.
- Você está definitivamente louco! - Ela sussurrou.
- Se você só reparou isso agora, você tem andado bem distraída.
- E então, a beijou.
25 - I just watch her make the same mistakes again…
- Olha, a gente não pode ficar aqui muito tempo, entende? - respirava
cada vez mais fundo, a fim de encontrar ar.
- Se você falar menos, nós vamos ter mais tempo. - E tentava
beijá-la.
- Esquece isso! Você vai fazer outra coisa... - Enquanto falava,
pensamentos nada puritanos passavam pela cabeça de , que deu o
sorrisinho mais safado que conseguiu.
- Isso está começando a ficar irritantemente interessante. - Ele
encostou sua testa na dela, abraçando-a pela cintura. enfiou a
mão em um dos bolsos e tirou um cartão.
- Hoje à noite, nesse endereço. Eu ainda não parei pra
pensar exatamente no que eu estou fazendo, mas eu não vou voltar atrás.
E eu espero que você esteja lá. - Ela deu um selinho nele e saiu
do banheiro, deixando-o lá, olhando pro cartão, ainda sem reação.
Seja lá o que ela estivesse armando, era sério demais pra que
ele não obedecesse.
Ele colocou o cartão no bolso e foi pro quarto se trocar. Quando ele desceu, e estavam ajeitando a mesinha de centro da sala e a pizza estava quase pronta. Enquanto foi até a cozinha buscar a pizza, tirou o cartão do bolso da calça e olhou pra .
- Eu vou estar lá. - Ele sussurrou e piscou pra ela.
- Eu espero que sim. - Ela apenas mexeu os lábios enquanto colocava
coca cola num copo.
Depois de comerem, e foram pro quarto da dona da casa, enquanto foi pro escritório. No quarto, foi direto sentar o parapeito da janela, que dava uma ótima vista pra janela do escritório. Ela olhou pra baixo e o viu fumando um charuto, como na noite em que ele tocou uma música triste. Nisso, se virou e viu juntando umas coisas dentro de uma mochila...
- Hei, mocinha... Onde você PENSA que vai? - perguntou pra amiga,
enquanto ela colocava a escova de dentes na bolsa. - UIA, ela vai demorar!
- Cala a boca, ! Quer que meu pai te escute? - cochichava.
- Espera aí, isso de sair às escondidas é sério?
- se sentou na beira da cama.
- Seguinte, a gente vai sair sem ser notada. Meu pai só vai saber amanhã.
- colocou a mochila embaixo da cama.
- A GENTE? Por um acaso você estava pensando em me incluir nessa? -
levantou da cama, fazendo cara de indignada.
- Claro, né? Ou você pensou que eu ia deixar a minha amiga pra
trás? - abraçou a amiga.
- Dessa vez, eu faria questão que você me deixasse de fora.
- Qual é, ?! Não gosta mais de sair com a sua amiga do coração
não? - colocou as duas mãos na cintura.
- Com a minha amiga, sim. Mas ela tem um namorado e esse namorado tem um amigo
mala que fica no meu pé. E eu não estou a fim de dar uma das
suas escapulidas com ele, não. Uma saída a quatro? Nem! -
andou pelo quarto enquanto falava.
- Eu disse que você ia ter que dar um jeito de dispensar o Dave. Taí uma ótima
oportunidade! - abriu um sorrisão.
- Me explica direito o seu plano, pra ver se eu me interesso... - sentou-se
novamente.
- Então, vai rolar uma festa. Festa da boa. Só VIP. E o Jason
foi convidado. E o Dave também. E eles arrumaram convites pra gente,
olha que legal! A festa é um bocado longe daqui, então a gente
vai hoje e volta depois de amanhã. - concluiu, feliz.
- Ta, mas e o seu pai? O que ele achou de tudo isso? - fez uma careta.
- Pois é, o meu pai não sabe. E nem vai saber.
- Ih, ... nem to gostando dessa mutreta, não! - se levantou
e voltou a andar pelo quarto.
- , eu quero MUITO ir a essa festa! - suplicava.
- Mas eu não, ta bem? - se jogou no tapete.
- Ta bem, ta bem, . Olha, vamos conversar. Você pode não
querer ir, mas você pode me ajudar a ir, certo? - olhava, suplicante.
- Você quer que eu te acoberte? - riu.
- Por favor, ?! - E ela fez carinha de cachorro pidão.
- Por mais que eu ache que seja errado isso, eu vou te ajudar. - E
pulou no pescoço dela. - Mas se algo der errado, , eu não
vou assumir as responsabilidades. Você que as assuma sozinha!
- Aihn, , obrigada! Eu nem sei como te agradecer. - aperta a amiga
com força.
- Eu sei! Número 1: larga o meu pobre pescoço. Número
dois: tira o chato do Dave do meu pé... - A segunda frase foi dita bem
baixinho.
- O primeiro problema eu resolvo - e soltou a amiga. - Mas o segundo,
xuxu, por sua conta! - se levantou.
- Ah, qual é, ! Me ajuda nessa aí!
- Eu já te disse, , não quero que fique climão. Você não
precisa deixar de ser amiga do Dave. Não custa nada falar com ele. Acho
que ele não vai arrancar pedaço. - entrou no banheiro,
deixando falando sozinha.
desceu as escadas enquanto tomava banho. Ela respirou fundo umas cinco vezes antes de bater no escritório de . Quando ela entrou, ele estava sentado, bem perto da janela, olhando pra cima, em direção à janela de . Talvez estivesse esperando-a passar por lá.
- Interrompo? - Ele se assustou um pouco, mas logo se recompôs.
- Você jamais me interrompe, . Entre. - Ele se virou de frente pra
ela e ficou de pé. Antes de entrar, tomou o cuidado de fechar
a porta. - A que devo a honra? Veio buscar o seu cartão de volta? Agora
não adianta, já gravei o endereço de tanto olhar pra ele.
- riu.
- Não... É um pouco mais complexo que isso. - Ele desfez o sorriso.
- Aconteceu alguma coisa? - A tom de voz dele denotava preocupação.
- Não exatamente. A quer ir numa festa.
- Novidade. - Ele se encostou de novo na poltrona.
- Mas...
- Mas... Ela quer que você vá junto e você vai desmarcar
comigo. É, tudo bem. Não tem como competir com a mesmo,
né?! - Ele já estava com a cara emburrada.
- Vai me deixar falar? - Ele fez sinal de zíper na boca. - Ela quer
ir e eu disse que não queria ir. Agora ela quer que eu a ajude, pra
você não implicar.
- Ela vai com aquele cara lá que é amigo do idiotinha que é a
fim de você? - fazia cara de desprezo.
- Vai. Mas o Dave vai junto.
- Minha filha, dois marmanjos. JAMAIS. - Ele se levantou.
- Tudo bem. Então eu vou com ela. - Nina se levantou e já ia
saindo.
não pôde calcular como, mas antes que ela saísse, ele estava com a mão na porta, que ele fechou depressa. segurou Nina pelos ombros e a beijou com força, puxando-a pra si. Desceu as mãos e abraçou a menina pela cintura. passou as mãos pelos cabelos dele e apertou sua nuca com força e depois, então, partiu o beijo.
- Aproveita enquanto o meu cérebro ainda ta sem oxigenação
suficiente pra começar a negociar. - Ele disse.
- Ela quer ir à festa e eu quero um pretexto pra sair sem ela. Perfeito.
- sorria.
- Isso não vai dar certo! A vai tirar mais proveito dessa situação
do que eu! - Ele riu.
- Eu duvido. - Ela piscou e saiu, deixando-o com a cabeça a mais de
mil.
26 - I could use a little time alone with you...
subiu as escadas rapidamente, parando no banheiro, pra dar uma olhada na cara de idiota que ela provavelmente estava fazendo. Ela molhou as duas mãos e esfregou no rosto. Olhou a imagem refletida no espelho e achou que já estava boa o suficiente pra encarar .
- Como eu vou fazer, ? - estava sentada na beirada da cama, penteando
os cabelos.
- Então, , relaxa! Já cuidei de tudo! - sorriu satisfeita.
- COMO? - arregalou os olhos.
- Lembra da tia chata? A gente vai visitá-la hoje! - Sorrisão.
- Ah, e voltamos depois de amanhã.
- Fácil assim? - estava incrédula.
- Ah, qual é?! Ter uma família problemática às
vezes é bom! E só a minha amiga pode me ajudar nesse momento
tão difícil da minha vida. - fez cara de cachorro pidão.
- E você? Vai ficar onde? Tem certeza de que não quer vir junto?
- Certeza! Eu vou ficar em casa, trancadinha, estudando pra faculdade. Vá e
aproveite por nós duas! - sorria.
- Eu nem sei como te agradecer! Te amo, amiga! - E pulou no colo de .
À noite, estava aprontando a mochila, enquanto secava os cabelos. passou em frente a porta e chamou . Ela imediatamente parou de fazer tudo o que estava fazendo e foi atendê-lo, coração na mão.
- Como você a convenceu pra que você pudesse ficar? Há horas
eu estou pensando sobre isso, sem chegar a uma conclusão. - Ele brincava
com os dedos da mão dela.
- Eu disse a ela que uma tia minha quer me ver e que te dei essa desculpa pra
nós duas sairmos sem levantarmos suspeitas. - encarava o chão,
sem forças suficientes para olhar nos olhos dele.
- Hum, bem inteligente. Sabe, o tempo ta demorando demais a passar. - Ele passou
a mão pelo rosto de , que levantou o olhar e viu a carinha fofa
que ele fazia pra ela. - Eu sinto que estou sendo um pai irresponsável,
sendo cúmplice dessa barbaridade que a está prestes a
fazer, mas eu simplesmente não tenho mais controle de mim quando você está por
perto. E não tem nada que eu queira mais do que ficar com você essa
noite. - se preparava emocional e psicologicamente pra responder alguma
coisa à altura, mas desligou o secador.
- Não, senhor , não precisa levar a gente não. A
vai dirigindo, ela conhece bem o caminho. - Ela se afastou dele.
- Tem certeza? Pode ser perigoso. - Ele disfarçou o tom de voz, pra
parecer preocupado.
- Não, o caminho não tem perigo não. - respirava
fundo.
- Tudo bem, então. Não saiam muito tarde. - Ele virou as costas
e entrou em seu quarto.
estava dando pulinhos de felicidade e, assim que ela acabou de se aprontar, as duas saíram do quarto, bolsas na mão. saía de seu quarto, completamente perfumado.
- Olha, ! Enquanto nós duas vamos fazer a nossa boa ação
do mês, o meu pai vai galinhar por aí! - tinha o dom de
mentir.
- Olha como você fala comigo, mocinha. Eu não vou galinhar, não!
Tenho um compromisso importante, pra não dizer inadiável! -
ajeitava as mangas do paletó.
- Nesse perfume? Aposto que é com alguma mulher! - cruzou os braços.
- E se for? O que você vai fazer? Tentar me impedir? - Ele ria.
- Imagina! Divirta-se, papai! - foi saindo enquanto se derretia,
lembrando que aquela produção era pra ela.
Já no carro, tirou o vestido de “menina comportada”, que escondia a roupa de festa. Jason a pegaria no caminho, umas oito quadras da casa dela. ficaria com o carro.
- , pode fazer uma pergunta meio indiscreta? - encarava os próprios
sapatos.
- Pois não. - retocava o batom.
- Você não se importa, assim, que seu pai saia com outras mulheres,
digo, ele ainda é casado com a sua mãe... - ficou vermelha.
- Ah, a minha mãe não liga pra ele. Aliás, eu não
sei se alguém além de mim liga pro meu pai de verdade. Ele tem
mais é que se divertir mesmo. Senão, daqui a pouco ele está velho
e amargurado.
- Que nem a minha mãe. - riu e deu partida no carro.
Menos de um quilômetro depois, desceu do carro e assumiu a direção. Ela ainda pôde ver a cara de decepção de Dave quando viu que ela não ia pra festa com eles, mas não se abalou por isso. Algo realmente bom esperava por ela. Quando estava se encaminhando para o apartamento, seu celular começa a tocar. Era ele.
- Oi. - Ela quase não conseguia falar.
- , você gosta de vinho? - Ele perguntou despreocupado.
- Hum, gosto.
- Tinto ou branco? Suave ou seco? - Ele perguntou.
- Tinto suave? - Ela perguntou, meio confusa.
- Ok, tinto suave. Algo pra comer?
- Qualquer coisa.
- Hum, aqui eles não vendem qualquer coisa...
- Olha, eu nem to assim com tanta fome. - Na verdade, o estômago dela
dava mil voltas. - E deve ter coisas de comer no apartamento.
- Hum, okay então. Até daqui a pouco. - E desligou.
pensou seriamente em voltar atrás e não ir pro apartamento, mas respirou fundo e pisou no acelerador. Se fosse pra chegar, que fosse logo. Quando ela estacionou o carro, deu de cara com encostado na parede, garrafa de vinho na mão e olhar fulminantemente apaixonante.
- Você dirige como uma lesma.
- É que eu tenho medo de bater o carro. Ainda mais quando o carro não é meu.
- olhou o carro de .
- Hum, bom você não ter batido ele. Senão, a ia
ter que se explicar direitinho pra mim! - Ele deu uma piscadinha e teve
que se segurar em cima das próprias pernas pra não derreter ali
mesmo.
Dentro do elevador, sentiu a mão suar frio quando ele respirou bem perto de seu pescoço.
- Hum, ainda preciso me acostumar com a tontura que seu perfume me causa.
- Ele sorriu se segurando na parede.
- Por quê? É ruim? Você não gosta? - Ela entrou em
desespero.
- Não, pelo contrário! É bom demais! Eu sinto como se
fosse a minha cocaína particular... E eu, cada vez mais, me encontro
viciado. - E enquanto dizia, se posicionou atrás da menina, falando
bem perto de seu pescoço, causando arrepios.
Antes que eles pudessem se pronunciar de novo, ou pelo menos, criar uma condição psicológica pra poder falar alguma coisa, a porta do elevador se abriu, revelando um corredor em mármore preto, muito frio. olhou pra todas aquelas portas de uma madeira escura. Com certeza um apartamento naquele prédio devia custar mais do que a sua casa e tudo o que havia dentro dela. até quis sentir raiva do pai, mas não conseguia pensar nele naquele momento, pois estava lhe dando a mão. O calor da mão dele, em contraste com o frio que a mão dela exalava foi demais pro coração dela, ainda mais porque acompanhado dos arrepios, veio aquele beijo que ela não esperava, de tirar o fôlego.
- Erm... dá pra gente continuar isso lá dentro? - interrompeu,
segurando-se na parede.
- Corredores são lugares legais... - Ele disse, beijando-a no pescoço.
- Não tão legais se você não tem controle das suas
pernas e não sabe de que tipo são seus vizinhos e, principalmente,
não tem controle sobre o que você está pensando. - Ela
disse isso tudo rapidamente, afastando-o com uma das mãos. Ele sorriu
de lado e a deixou abrir a porta.
- Então você não conhece seus vizinhos? - Ele foi entrando
logo atrás dela.
- Não. Na verdade, estou conhecendo esse apartamento hoje. Nunca tinha
vindo aqui em toda a minha vida. - tentava falar, enquanto a enlaçava
pela cintura, beijando-lhe o pescoço mais uma vez. - É do meu
pai. - imediatamente se soltou dela.
- Seu pai? Ele não tinha saído de casa, vivia viajando ou algo
do tipo? - olhava pros lados, como se temesse ser pego pela polícia.
- É, mas ele ta viajando e me disse pra vir conhecer o apartamento,
que é meu. Ele não vai voltar em menos de um mês, eu creio.
- disse, rindo-se da cara que fez quando ela disse que o apartamento
pertencia a seu pai.
- Hum, menos mal. Mas isso me deixa preocupado. - Ele se encostou à bancada
do bar.
- Com o que?
- O que será que a faz na minha ausência. - Ele coçou
a cabeça, pensativo.
- Nada que você já não tenha consciência de que ela
faça. - deu de ombros e saiu em sua exploração do
apartamento.
- E o que você faz quando eu estou longe, além de pensar em mim, é claro.
- Ele a abraçou por trás e os dois saíram andando pelo
apartamento.
- Hum, boa pergunta. Não sei exatamente, mas pode ter certeza que não
faço nada do que a faz! - Ela riu e encostou-se à parede
do corredor.
- Não por falta de insistência daquele idiotinha que é amigo
dela, né? Porque eu tenho certeza que ele tem diversos pensamentos impuros
sobre você! - Ele encostou sua testa à dela e falava sussurrando.
- Como se você também não pensasse nada impuro a meu respeito!
- fechou os olhos, sentindo as mãos de deslizarem sobre
o seu corpo.
- Mas eu creio que eu posso...
- Quem te disse que pode? - Ela até pensou em dizer mais alguma coisa,
mas a boca de estava tão próxima a sua...
- Hum, então eu não posso? - Ele se afastou rapidamente, deixando-a
de boca aberta, literalmente.
- Eu não disse que não pode. - respondeu.
- Melhor assim, porque mesmo que não pudesse, eu ia continuar fazendo.
- E só então a beijou.
Ficaram longos minutos se beijando no corredor. Quando partiu o beijo, ela ficou encarando , pra tentar descobrir qual seria o próximo o próximo passo dele, mas ele simplesmente olhou pra ela, com aquele olhar de ternura e deu-lhe um beijo na testa, puxando-a pra continuar a exploração do apartamento.
A primeira parada foi na cozinha, onde já chegou abrindo a geladeira.
- Você gosta de uma geladeira, hein?! - Ele disse, abrindo uma gaveta.
- Eu só queria saber o estado em que se encontrava. - Ao fechar a porta
da geladeira, se deparou com um bilhete preso a um imã.
| Espero
que você goste do seu apartamento. Eu fiz umas compras e a Mary Sue vai limpar o apartamento toda segunda-feira. |
Ela riu e amassou o bilhetinho, enquanto comemorava o fato de ter achado um saca-rolhas. Eles foram andando pra sala, e riu muito quando viu que o bar tinha um saca-rolhas elétrico. Ele pegou a garrafa e, depois de abrí-la, serviu duas taças e se jogou no sofá, ao lado de , entregando-lhe uma das taças.
- Você quer me deixar bêbada? - Ela riu, depois de já terem
esvaziado não só a garrafa que havia levado, mas outras
três que estavam na geladeira do bar.
- Olha, com a minha experiência, eu sei que mulheres ficam mais relaxadas
depois de bêbadas... Porém, homens ficam mais idiotas, então,
eu não estou sendo muito inteligente. - E ele se deitou no colo de .
- É, nesse caso eu acho que ta mais fácil eu me aproveitar de
você! - Ela riu e ele se levantou e se agachou na frente dela.
- Então eu acho bom você começar logo, antes que eu melhore.
- sorriu de lado e se levantou, sendo acompanhado por , que os conduziu
para o quarto.
Ao chegar na porta do quarto, respirou fundo, girou a maçaneta e entrou, sendo ainda seguida por . Ela reparou nos detalhes da decoração, enquanto se sentou na cama e ficou olhando pra ela. Quando ele achou que aquela análise não era única e exclusivamente de curiosidade, ele se aproximou dela e colocou as duas mãos em seu rosto e deu um selinho demorado.
- O que foi, ? - Ele já não tinha mais aquele olhar de embriaguez
de minutos atrás.
- Não sei direito... É estranho estar aqui. - não
conseguia olhar diretamente nos olhos dele.
- E por que será que isso não me parece ter relação
alguma com a casa? - Ele mordeu o lábio. não respondeu.
- , se estiver acontecendo alguma coisa, eu quero saber. Por favor, não
se feche pra mim.
- Hei, você não está bêbado! - Ela se afastou dele.
- Não, eu não estou e você sabia disso.
- Mas eu queria acreditar que sim. - se virou de costas pra .
- Por que, ?
- Talvez, fosse mais fácil.
- O que seria mais fácil? Abusar de mim? - Ele riu. - Você sabe
que eu aceitaria ser abusado por você mesmo em completa consciência.
- andou em direção à , mas ela se afastou mais
uma vez.
- Você não entende...
- Talvez, se você me explicar, eu entenda. - Ele finalmente a alcançou
e abraçou.
- Eu nem sei como dizer, aliás, eu não tive muito sucesso da
outra vez que eu tentei... - gaguejava.
- Eu estou ficando preocupado! Deve ser algo terrível, pra você nem
conseguir articular as palavras...
- Hum, não sei se é terrível, mas é no mínimo...
intrigante. - Ela sorriu sem graça. - O caso é que, mesmo eu
tenho vergonha de falar algumas coisas, principalmente pra você, é difícil,
estranho...
- Agora eu estou definitivamente preocupado. Não tem nada a ver com
aquele amigo da não, né?! Ele não tocou em você,
tocou? - segurava pelos braços.
- Não, ele não tocou em mim. Não desse jeito que você está pensando.
- Nem me lembre que ele já TENTOU algum dia. Isso me deixa nervoso.
- Ele a soltou e se sentou na cama.
- Hei - ela se agachou em frente a ele, - não precisa ficar nervoso!
O Dave nunca encostou em mim e nem vai fazê-lo. - Ele esticou a mão
e acariciou o rosto da menina. E sem mais conversas, ele puxou-a e a beijou.
Sem que ela conseguisse [ou quisesse] lutar contra, ele a jogou em cima da cama e se jogou por cima dela, beijando-a intensamente. não sabia mais se devia ou não contar pra ele que ela era virgem, se isso teria ou não importância. Decidiu não dizer. Ele partiu o beijo e ficou olhando pra ela.
- Então, o que é que você tinha pra me falar? -
passava as mãos pelas pernas dela.
- Não era nada de mais. - sequer abriu os olhos.
- Ora, , até parece. Ande, dá pra sentir no seu beijo que
te algo te preocupando e eu não vou me mover enquanto você não
me disser o que é. - Ele sorria e ela pensava se seria mesmo um mau
negócio se ele jamais saísse de onde estava.
- Não é nada de interessante. - Ela acabou de dizer e puxou o
rosto dele com as duas mãos, voltando a beijá-lo.
- Isso é golpe baixo! - tentou se livrar, mas não conseguiu
de imediato. - Tem certeza que não quer me contar? - Ele se sentou na
cama.
- Não há o que ser dito. - Ela finalizou, levantando-se.
- Antes não era nada de importante, agora não há o que
ser dito. , por favor, deixe de ser teimosa! - Ele a puxou pelo braço,
colocando-a sentada em seu colo.
- Por que você não pode simplesmente fingir que eu não
falei nada, hã?! Seria tão mais fácil...
- Seria mais fácil se eu não quisesse te escutar! , escute.
- Ele virou o rosto da garota de frente para o seu. - Tudo o que vem de você é extremamente
importante pra mim e eu quero saber tudo o que você pensa, TUDO!
- Convenhamos que esse não é o momento mais apropriado pra gente
ficar conversando. - E deslizou o dedo indicador pelo rosto dele.
- Olha... . - Quando a chamou pelo nome, a expressão dela
modificou-se. - Não pense que por que eu quero te ouvir que eu não
te deseje não. Pelo contrário. Mas pra mim, ouvir o que você pensa,
sente ou quer é infinitamente mais importante do que simplesmente vir
aqui e dormir com você. Entenda que não é uma questão
de não te querer, eu quero sim, imensamente, mas quanto mais você me
diz de você, mais eu descubro o quanto eu não sei. E eu quero
saber! Tudo o que é sobre você me interessa... Até mesmo
quando são coisas que você não gostaria de dizer.
- O que você quis dizer com essa última frase?
- Que talvez você não queira me conta algo que tenha acontecido
na minha ausência. - Ele concluiu.
- Tipo...? - O rosto de refletia apenas um por cento da raiva que ela
sentia naquele momento.
- Que você tenha dormido com o “DAVE” enquanto eu estive
viajando. - E assim que ele fechou a boca, o rosto dela abriu uma expressão
que era misto de raiva e incredulidade, ainda mais com a ênfase que ele
deu quando disse o nome de Dave. se levantou e ia saindo pela porta, quando
ele a segurou pela braço de novo. - Não foi isso?
- Não, , não foi NADA disso.
- Então por que você está tão irritada? Foi só uma
suposição.
- De muito mau gosto. - se soltou e estava prestes a sair de novo.
- Se não é isso, então me conte o que é! Afinal
de contas, você tem alguma coisa pra me contar e eu não quero
mais falar daquele imbecil. Se não é algo relativo a ele, então
significa que não tem problema. - Ele falava, sorria, beijava-a e a
empurrava de volta pra cama.
- Certeza? - caiu sentada na cama.
- Absoluta. - foi se jogando pra cima dela enquanto beijava o seu pescoço.
- É, mas assim fica difícil me concentrar.
- Tudo bem, você se concentra depois. - E ele foi tirando o casaco.
- Você é meio contraditório! Ao mesmo tempo em que me ouvir é importante,
outras coisas já são importantes! - disse, enquanto ele
puxava sua saia para baixo.
- Vamos discutir níveis de importância outra hora? - beijou
a barriga dela.
- Não, agora eu quero discutir.
- Você quer é me deixar louco, menina! É isso! - Ele se
jogou ao lado dela, respirando fundo.
- E você ainda me obedece, ah, meu Deus! - Ela se sentou, escorando-se à cabeceira
da cama.
- Você tem que se decidir, , ou a gente conversa agora, ou conversa
depois, porque durante, eu sinto muito... - Ele já estava novamente
beijando-a no pescoço, descendo pelos ombros.
- Depois... - E segurou o rosto dele com as duas mãos, voltando
a beijá-lo.
enfiou as mãos por dentro da blusa de , que levantou os braços, facilitando que ele a tirasse. Um a um, foi abrindo os botões da camisa dele, e quando já estava toda aberta, ela cuidadosamente fez deslizar pelos braços dele, e então, escorregou pela cabeceira e se deitou nos travesseiros, e então, deitou-se por cima dela, sem sequer quebrar o beijo.
Sem que ela sequer se desse conta, tirou suas calças e as jogou longe. Feito isso, ele se deitou na cama e puxou pra cima dele, abrindo o sutiã dela. Antes que ele pudesse fazer menção a tirar e peça do corpo da garota, ela saiu de cima dele e se deitou em cima de um outro travesseiro. Ele saiu de seu lugar e se deitou novamente por cima dela, beijando-lhe o colo enquanto as mãos estrategicamente iam em direção ao sutiã da menina.
- ... - disse, e sua voz quase não saiu.
- Não, , agora não... A gente conversa daqui a pouquinho.
- disse, enquanto arrancava o sutiã da menina e colocando as
mãos na alça de sua calcinha.
- É importante. - A voz dela saiu baixinha. respirou fundo, e
parou o que estava fazendo e ficou olhando pra ela.
- Pois não. - Ele sorriu.
- É que...
- Você não quer transar comigo, certo? - Ele sorriu ainda mais
graciosamente e teve que se lembrar que ela devia a ele uma resposta.
- Não, não é isso...
- Está tudo bem, , se você não quer, não sou
eu quem vai te forçar... - Ele já ia se levantar.
- Não, você entendeu tudo errado... - Ela tentava consertar as
coisas.
- Entendi errado? É a segunda vez que você faz isso... O que foi
que eu entendi errado? - Ele voltou pra posição anterior, e seu
rosto ficou bem perto do dela.
- Eu quero... Muito... Mas é que...
- É que... - Ele a encorajava a continuar.
- Eu achei que você devesse saber...
- Saber o que, ? - A essa altura, ele já não sorria mais.
- Eu sou virgem. - Ela quis fechar os olhos, mas estava louca de curiosidade
sobre qual seria a reação dele diante desse fato.
- UAU! - sentiu o ar sumir. - Eu esperava muita coisa... Menos isso.
- Isso é uma coisa ruim? - Agora já fechava os olhos.
- Não, de modo algum! Eu só não sei como lidar com isso.
- E ele se escondeu nos ombros dela.
- Vai me dizer que você nunca fez isso na sua vida? - perguntou,
curiosa.
- Não conscientemente. Se fiz, nunca soube. - disse bem perto
do ouvido dela, ainda sem coragem de encará-la.
- E agora?
- Não sei.
- Você não quer mais? - Nina estava insegura.
- O pior é que eu quero. Muito.
- Então continua...
- Você tem certeza?
- Tenho. - Ela disse com segurança, dessa vez.
- Eu jamais quis alguém na minha vida assim como eu quero você.
- E ele a beijou, recomeçando de onde eles haviam parado.
Antes que ele pudesse terminar as preliminares, o celular de começou a tocar, e ele reconheceu como sendo o toque para chamadas de . Ele estava tentando se concentrar, mas não conseguia.
- É a , eu preciso atender. - se levantou e tirou o celular
do bolso da calça. - Alô?
- Senhor ? - Uma voz não familiar dizia.
- Sim, sou eu. Quem é e por que está ligando do celular da minha
filha?
- Eu sou a enfermeira Clare Albright, do Saint Patrick Hospital e gostaríamos
de informar que a sua filha se encontra internada aqui.
- Merda! Já estou chegando.
- O que aconteceu? - perguntou, enquanto vestia suas roupas.
- Não sei, a ta no hospital e eu vou vê-la. Me desculpe
por estragar tudo. - Ele deu um beijo na testa de .
- Eu também vou! - E ela acabou de se vestir e foi saindo logo atrás
de .
Em menos de meia hora, chegou à cidade vizinha, onde se localizava o Saint Patrick Hospital. chegaria cerca de 20 minutos depois. estava sentada ao lado da maca de Jason, que estava dormindo. chegou abraçando-a, perguntando se estava tudo bem. tinha machucado apenas a mão, com os estilhaços do vidro. Jason tinha batido a cabeça no volante, porque estava sem cinto e David sequer tinha se machucado.
- , o que foi que aconteceu? - perguntou, preocupado.
- Um idiota de um motorista doido, invadiu a outra pista e bateu no nosso carro.
- Ela imediatamente fechou a cara.
- Onde está a ? Ela se machucou? - tentava ser convincente.
- Er, pai, a não estava com a gente. - passou a mão
pelos cabelos.
- Como não, ? Vocês saíram de casa juntas e se mentiram,
tinham que mentir juntas! - alterou um pouco o tom de voz.
- Calma, pai! A foi embora pra casa, ela está bem. - voltou
a se sentar na beira da cama de Jason.
- Como você pode saber?! Ela pode ter sido assaltada, seqüestrada!
, quando é que você vai aprender a ter responsabilidade?!
- já falava um tanto alto.
- Pai, você quer fazer o favor de parar de gritar? - Nesse minuto,
adentrava no quarto. - Tá vendo? A está bem.
- , você está bem? E os meninos? - abraçou a
amiga.
- Estamos todos bem, , obrigada por perguntar.
- Muito bonito, hein, dona . Olha o que a irresponsabilidade de vocês
duas acabou causando! A eu esperava de mentir pra mim, mas você?
Estou decepcionado. - fazia um cara de decepção muito
boa, tanto que não sabia até que ponto ele estava interpretando.
- Sinto muito. - Foi a única coisa que conseguiu pronunciar.
- , você está de castigo! - disse.
- O que? Ah não, pai! Até parece que eu tenho 10 anos! -
se emburrou.
- Você pode não ter, mas age como se tivesse! Está sem
o carro e está proibida de receber visitas e isso inclui a .
- Você não pode estar falando sério! - se levantou
da cadeira.
- Estou sim, mocinha e , você me ouviu. A está de
castigo e você não poderá visitá-la! - apenas
olhou pra ele com um ar de incredulidade.
- Pai, eu não sou mais uma criancinha! Você não pode ficar
me colocando de castigo! - falava bem alto agora.
- Quero ver alguém que me diga que eu não posso! Você mora
sob o meu teto, vive com o meu dinheiro, portanto, segue as minhas ordens!
E anda, vamos pra casa! - Ele estava tranqüilo de novo.
- Pai, e o Jason? - estava de fato preocupada com o rapaz.
- Já ligaram pros pais dele e eles devem estar chegando. Anda, ,
vamos embora.
pegou o carro de e voltou pro apartamento. Ainda se recusava a acreditar nas coisas que tinha falado, proibindo-a de ver . Ela se perguntava se ele estava atuando ou se estava de verdade bravo com ela. Mas todas as suas dúvidas seriam respondidas em breve, pois o seu telefone estava tocando e com certeza era ele.
- ... - Ele começou.
- Olha, eu sei que você está chateado comigo, mas eu não
pensei que isso fosse acontecer, e além do mais, nem foi culpa da ,
e também, não tinha como eu saber, e... - Ela falava sem parar.
- Hei, hei, hei! Vai me deixar falar? - Silêncio - Eu não estou
com raiva de você, minha menina. - Coração de goes
BOOOM! - Eu precisava demonstrar que estava bravo, mas eu acho que peguei um
pouco pesado.
- É, eu fiquei com medo.
- Olha, eu queria muito voltar praí, mas não creio que vá ser
possível. - O desânimo da voz de era gigante.
- Tudo bem, eu entendo. - tentou parecer compreensiva.
- Você sabe que é só chamar que eu paro o que eu estiver
fazendo só pra ver você, não sabe? - A voz dele encheu-se
de animação.
- Agora sei.
- Boa noite, então.
- Boa noite.
- Eu amo você. - E ele desligou. não conseguiu dormir.
28 - You don’t have to ask me do I love you...
No dia seguinte, custou a se levantar. Ela queria continuar sonhando com as palavras de ecoando em sua memória. EU AMO VOCÊ, ela ouvia sem parar. E fazia a respiração acelerar, o coração disparar e ela ainda não conseguia entender aquilo tudo. Era sentimento demais, algo desconhecido, e o novo assusta!
Ela nunca quis algo assim, tão intenso e tão assustador, que ao mesmo tempo em que trazia paz, era o maior dos tormentos! Mas estava decidida a viver, se deliciar com a morna companhia de , das coisas que ele dizia só pra ela, do jeito que ele olhava, só pra ela... Não era apenas a mente que pertencia a ele. Seu corpo e sua alma se renderam, e ela respirou fundo, admitindo pra si mesma que não havia mais jeito.
se sentou na cama, tentando acostumar os olhos à luz que entrava pela janela. Ela olhou pro telefone. Ligar pra ele ou não? Dúvida cruel. Resolveu tomar banho antes de fazer qualquer coisa. Assim que saiu do banho, o telefone tocou.
- Alô? - Ela atendeu, ainda meio confusa. Quem poderia estar ligando?
- ? - a voz perguntou. Ela não reconhecia a voz, mas de algum jeito,
ela fazia idéia de quem era.
- Eu mesma. Quem está falando? - Mas não custava nada perguntar.
- Erm, sou eu... seu pai. - Ela ficou calada, incapaz de responder. - Me
desculpe, eu sei que não devia ligar, eu só queria saber se você tinha
ido mesmo conhecer o apartamento. Está gostando?
- Eu... estou sim. Ele é bem... bonito.
- Ótimo! Fico feliz. Como você está? - Será mesmo
que ele queria saber?
- Bem, obrigada. E você?
- Hum, bem, também... - Ele pareceu pensar num tópico pra puxar
o próximo assunto. - Bom, eu deixei o meu número anotado no bloco
ao lado do aparelho, caso você precise de alguma coisa, sei lá.
- Tudo bem... - Ela preparava a despedida.
- Er, ... - ele começou.
- Sim?
- Eu acredito que você considere um pouco tarde pra uma aproximação,
eu sei que demorei muito pra perceber que o tempo estava passando... Mas eu
queria que você, por favor, ao menos tentasse perdoar a minha ausência,
sim?!
- Tudo bem, eu acho. Vou fazer o meu melhor. - Ela não estava certa
disso.
- Bom, é um começo.
- Quando você vai voltar pra casa? - disse rapidamente.
- Fique sossegada, eu ainda devo demorar um pouco aqui... - Sem saber por que,
ficou triste com aquilo.
- Você está aonde mesmo?
- Califórnia. - Ele respondeu rapidamente.
- Então, está um pouco tarde ai, não? - Ela riu baixinho.
- É, um pouco - ele também riu. - , eu... posso
te ligar amanhã de novo? - Ela hesitou por um instante antes de responder.
- Pode, eu acho.
- Você não vai se incomodar em me atender?
- Não... - Ela disse, sem ao menos pensar.
- Perfeito! Amanhã eu ligo, nesse mesmo horário! - Ele falou
num tom animado.
- Okay, eu vou esperar, então.
- Até! - e ele desligou.
ponderou se estaria em casa àquela hora do dia seguinte. Concluiu que era bem possível, levando-se em consideração que ela estava proibida de visitar . Ela não sabia se essa proibição se estendia à , e desejou profundamente que não. Talvez se ela ligasse... O celular tocou. Só podia ser ele.
- Alô?
- Bom dia. - Ela se derreteu ao som da voz macia e aveludada dele.
- Bom dia. - se detestou por não conseguir disfarçar a
euforia em sua voz.
- Então... como foi a sua noite?
- Hum, foi... normal. - Toda a felicidade desabou.
- Pela primeira vez na minha vida acho que normal não é uma coisa
boa. Eu estraguei tudo, não é mesmo?
- Definitivamente, não. A é mais importante do que qualquer
outra coisa! - aumentou o tom de voz.
- Eu só não sei por que ela é tão inconseqüente,
meu Deus! - suspirou.
- Você sabe que não foi culpa dela, dessa vez.
- DESSA vez... E você, pare de defendê-la! - Ele riu alto.
- Me desculpe... - a voz dela soou triste.
- O que foi? - E a dele, preocupada.
- Eu não gosto da idéia de não poder ver a Mari...
- ... - ele interrompeu.
- Eu entendo. - ela interrompeu de volta. - Eu jamais iria contra a sua autoridade.
- É pro bem dela, sabe... Ela nunca vai ter responsabilidade se não
sentir falta das pessoas que ela ama.
- Eu entendi, - sussurrou - mas isso não me impede de ficar triste,
certo?
- Certo... Você tem razão. Mas eu não vou voltar atrás.
- E nem deve. - Ela disse, ainda triste.
- Mas me corta o coração saber que você está triste
por minha causa... - não sabia mais o que fazer.
- Não é exatamente por SUA causa. - Houve um momento de silêncio.
- Eu... queria ver você. Agora. - Silêncio. - Eu posso?
- Deve. - Ela respondeu depressa demais, quase que com urgência.
- Eu chego em uma hora. Me espera. - E ele desligou.
foi pra cozinha, tomar seu café. Ela tinha uma hora. Uma LONGA hora. O tempo parecia passar mais devagar quando ela esperava por ele. Pegou suco de maçã na geladeira e riu-se. Como era possível que, depois de tantos anos, seu pai ainda se lembrasse de seu suco favorito? Talvez ele não tivesse mesmo tentado esquecê-la. Isso era bom, ela achava. andou pela casa, abrindo as portas ainda não exploradas. Ao abrir uma delas, seus olhos brilharam: O quarto era todo pintado de amarelo, com cortinas brancas; ela observou atentamente o papel de parede floral, o edredom xadrez, o lustre, a escrivaninha, as luminárias em cima dos criados, o computador... Ela se perguntou se aquilo tudo era pra ela, mas não queria criar falsas expectativas. Ela caminhou pra dentro do quarto, deslizando os pés pelo carpete macio. Abriu a porta do closet. Estava cheio de roupas, então ela rapidamente fechou a porta de novo. Em cima da escrivaninha, um bloco de notas rabiscado.
, não sei se está a seu gosto. A sua cor favorita ainda é amarela,
não?Sua mãe disse que não sabia. No closet tem algumas
roupas, são do seu tamanho. Um presente. |
Ela voltou depressa pro closet, e olhou cada uma de suas roupas novas. Eram todas do seu tamanho mesmo! Começou a experimentar uma a uma, freneticamente, como uma criança numa loja de doces. Eram todas lindas! LINDAS! E os sapatos então? Ela nunca tinha ganhado TANTA coisa no mesmo dia! Nem comprado... Escolheu um vestido branco. Vestiu-se e saiu dali se sentindo em casa! Tudo ali era dela!
Olhou no relógio. Ainda faltavam vinte minutos! Maldito relógio que não andava! Ela apostava que se fosse pra assuntos menos interessantes, o relógio teria corrido depressinha. Mas como se tratava de algo que ela queria muito... Era sempre assim! Quando uma coisa absurdamente chata era pra ser feita, o relógio corria léguas até o acontecimento, depois insistia em repousar sobre os números, como se não fosse mais passar - como acontecia nas classes de espanhol de Miss Márquez. O contrário acontecia quando era algo divertido: ponteiros rastejavam antes, e praticamente VOAVAM durante o acontecimento - como nas vezes em que estava com .
Resolveu olhar nos livros se algo prendia a atenção dela por pelo menos dez daqueles vinte minutos. Não que fosse adiantar alguma coisa, mas quem sabe ela não achasse algo que prendesse a atenção dela por tempo suficiente? Quem sabe o relógio não dava uma trégua já que ela não estava olhando? começou a ler um artigo sobre alguma coisa do Freud, que seria tema de sua próxima aula da matéria que ela não lembrava qual [n\a: aluna relapsa, eu sei]. Tentou prestar atenção ao conto que ilustrava o maldito artigo. Resolveu ler depois. Quando olhou pro relógio, qual não foi a surpresa dela? Dez minutos a menos de espera!!
caminhou até a sala, sentindo calafrios. Por que diabos o tempo não passava mesmo? E por que ela se sentia daquele jeito só de pensar em vê-lo. Algo inexplicável. Com o tempo, ela se acostumaria. Ou não.
A campainha tocou. respirou fundo, pra tentar fazer o coração voltar ao ritmo, uma vez que ele quase lhe saltara pela boca, e suas batidas ecoassem tão fundo em seus ouvidos, que ela jurava que se chegasse perto da porta, mesmo ouviria os tambores da Timbalada fazendo uma festa em seu peito!
Assim que se sentiu um pouco mais calma, levantou-se cuidadosamente do sofá, e foi abrir a porta. Lá estava ele, camisa branca e paletó, cabelos meio atrapalhados e os olhos mais incríveis de todo o mundo. Ela perdeu a concentração ainda pelo olho mágico, mas depois de rir de sua própria idiotice, abriu a porta e sentiu o calor invadir o ambiente: como ele era lindo, meu Deus! Como ela poderia não ter notado antes? Aliás, como não se apaixonou antes, porque notar, ela já havia notado faz é tempo!
Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele entrou e a enlaçou pela cintura, encostando-a na porta - de modo que ela fechou - e tascou-lhe um beijo. sequer teve tempo de perder o fôlego, e se rendeu ao beijo. Parecia que não se viam há meses, que a saudade era tamanha que as bocas não conseguiam se desgrudar.
Quando o beijo se partiu, a olhou nos olhos e sorriu. Jamais havia visto olhos tão brilhantes, repletos de uma felicidade tão espontânea, e que provocava arrepios estranhos. Aqueles olhos, olhando pra ele daquele jeito, eram mesmo como se o nascer do sol. Ele sorriu pra ela e a abraçou o mais forte que pôde, como se quisesse fundir os dois corpos. O abraço que podia durar uma vida!
, que permaneceu de olhos fechados, procurou não pensar em nada. Só guardou aquele momento bem dentro dela, como se aquilo não fosse se repetir nunca mais. Ela respirou fundo, guardando pra sempre o cheiro bom que ele exalava na memória. Ela passou as mãos pelos cabelos de , repousando as mãos em sua nuca, apertando. Escorou sua cabeça em um de seus ombros e deu nele um beijo no pescoço. Era tão fácil estar com ele, que ela desejaria que durasse pra sempre, se pudesse...
- Como isso é possível? - quebrou o silêncio.
- Isso o que? - disse como se acordasse de um sonho.
- Isso de não precisar de falar nada. - Ele riu baixinho, falando ao
pé do ouvido dela.
- É engraçado né? Pelo menos, eu ainda não leio
a sua mente! - Ela riu.
- Ler mentes? Você tem esse tipo de talento? - Ele se afastou e olhou
pra ela.
- É claro que não! Só funciona com a . Porque é muito
fácil saber o que ela está pensando, eu acho. - se sentiu
mal ao falar de , pois se lembrou que não tinha permissão
para visitá-la.
- Bem, eu não me sentiria à vontade se você lesse a minha
mente. - Ele ponderou. - Eu confesso que não é o lugar mais...
apropriado pra você navegar, apesar de você estar presente em grande
parte desses pensamentos.
- Toda vez que você fala assim, eu sinto como se você estivesse
imaginando que toda a minha roupa tivesse sumido! - Ela riu.
- Que DUMAL esse seu poder! - Ele riu quando levou um tapinha dela. - Mudando
de assunto... - Ele permaneceu calado.
- Mudando de assunto... - Ela insistiu.
- Eu vou deixar você ver a hoje. - Antes que ele tivesse terminado
a frase, ela já dava pulos de alegria. - MAS... é só porque
ela está bastante triste.
- Aconteceu alguma coisa com ela? - , que antes tinha abraçado
, de felicidade, agora se afastava, com uma expressão preocupada.
- Bom, não com ela exatamente. - Ele coçou a cabeça e
perdeu um pouco o ritmo da conversa. - Você sabe, a morou
com a avó quando era criança... E hoje chegou a notícia
de que a avó dela está doente. Muito doente. Então, é possível
que a vá passar umas semanas com ela.
não sabia se pensava nisso como uma coisa ruim, ou como uma coisa boa. Se por um lado, era ruim ver a amiga triste por causa de um ente querido dela que estava doente em uma outra cidade, bem longe dali, por outro, ela conseguia ficar muito feliz pelo fato de que teria mais liberdade para se encontrar com , ligar pra ele...
- Eu posso ir agora? - Ela estava ansiosa!
- De jeito nenhum! Você ACHA que eu vim aqui só pra de te dar
o recado e você sair correndo ver a ? E eu? Como eu fico nessa
história? - resmungou.
- Hei, hei, Senhor Egoísta! Tem pra todo mundo! - Ela riu.
- Pra todo mundo uma ova! Os monopolizaram esse mercado! - Dito isso,
ele a beijou de novo.
Eles se abraçaram bem forte de novo. foi guiando a menina pro sofá, onde ele a deitou e se deitou por cima. já estava tão habituada a isso que dessa vez não ficou nervosa, no início. Eles estavam se beijando, e ela não pensou no que poderia vir depois. Era tão estranho pensar neles dois desse jeito, pois num dia, era como se ela fosse filha dele e hoje, ele não consegue imaginar os dias sem os beijos dela, sem tocar seu corpo. E ela, que via nele uma figura quase de pai, agora suspirava pelos cantos, arrepiada com a lembrança do calor dele junto a seu corpo.
Eles ainda não tinham tido tempo suficiente pra eles dois, era o que ambos pensavam. Sempre eram interrompidos por telefonemas, ou simplesmente pelo medo de alguém acabar aparecendo. E dessa vez, não seria diferente.
- Alô? - A voz de quase falhou ao atender ao telefone.
- Pai, - se arrepiou ao ouvir o com distante da voz da amiga - você não
vai mesmo deixar a vir me ver?
- , a gente não vai discutir isso AGORA. - Ele tentou colocar
um ponto final na história.
- Poxa, pai! Pensa no meu lado também, né?! Eu estou sofrendo,
a vovó lá, toda cheia de tubo naquele hospital, e eu estou proibida
de ver a única amiga que me consola, aliás, a única amiga
que eu tenho! Isso não é justo! - choramingava do outro
lado da linha.
- , escuta... - Ele tentou ser razoável.
- O que mais você quer de mim, papai? Que eu amargue de arrependimento? É isso?
Pois bem, o senhor está conseguindo! Mesmo quando eu não estou
errada, eu digo! Fui eu que menti, me desculpe! Me perdoe! Mas não me
deixe ir ver a vovó sem falar com a antes, pelo amor de Deus! É a única
coisa que eu te peço!!!! - chorava histericamente dessa vez.
- , tudo bem! Tudo bem! Pare de chorar! Você vai poder receber
a visita da , porém, você só sai de casa pra ir ao
hospital ver a sua avó. Logo, a terá de ir aí! -
disse, por fim.
- Ah, obrigada, papai! Eu prometo.. - Ela tentou prosseguir.
- Opa! Opa! Não prometa nada, mocinha! Já sabemos que você não
vai cumprir mesmo. - Ele riu.
- Ok, então. Mal posso esperar pra dar essa notícia pra !
Vou ligar pra ela agora mesmo! - falava empolgada.
- Negativo, senhorita! Você está proibida de usar o telefone a
não ser que seja pra falar com a sua tia ou comigo. Portanto, eu ligo
pra e eu mesmo passo na casa dela e a levo aí pra casa. E eu espero
que você esteja mesmo se comportando e cumprindo as partes do nosso acordo,
pois caso contrário, eu já sei onde te dói mais. - Ele
não estava sendo rude, apenas firme.
- UAU! Tudo bem, então. Mal posso esperar! Eu amo você papai!
Apesar de você me tratar como se eu tivesse 13 anos. - Ela riu.
- Se você se portasse de acordo com a idade que tem, talvez eu te tratasse
de outra forma, . - Ele também riu. - Daqui a pouco estaremos
aí, e eu. - Ele olhou pra , sorrindo, admirando como os olhos
dela brilhavam. Ele desligou sem nem dizer tchau pra filha e se debruçou
sobre , beijando-lhe a testa.
O beijo então foi “escorregando”, e ele a beijou na ponta do nariz e então na boca. Ele prosseguiu, mordendo-a no queixo, beijando toda a extensão de seu pescoço até o colo. , de olhos fechados, passava as mãos pelos cabelos de , arrepiando-se cada vez que os lábios dele tocavam sua pele. O clima começava a esquentar.
- O seu “daqui a pouco” demora quanto tempo mesmo? - disse
repentinamente.
- Ah, não! Você não está fazendo isso de novo! -
Ele afundou o rosto no pescoço dela, escondendo-o no sofá.
- Isso o quê? - estava confusa.
- Quando a diversão começa, você pára, dá um
jeito de falar da , faz uma piadinha... Você nunca vai me levar
a sério. - Ele fez drama.
- Hei, o que é isso? Agora eu sei de onde a herdou todo o lado
dramático dela! - riu.
- ... - Ele se ergueu, olhando-a nos olhos. - Você sente alguma coisa
por mim? Me diga sinceramente, eu preciso saber. Não quero ser o tiozinho
feito de bobo.
- Assim você me ofende! - Ela fez uma careta.
- Então diz... - pediu.
- Dizer o que? - Ela respirou fundo.
- Que você me ama. - A menina respirou fundo quando ele disse aquelas
palavras, e ele percebeu que ela não tinha fica à vontade com
aquilo. - Diga pelo menos que não é brincadeira.
- Você acha que eu seria capaz de brincar? - perguntou séria.
- Eu não sei! Eu sinceramente não PENSO quando eu estou com você,
mas sempre que estamos juntos, quando algo externo não atrapalha, você sempre
da um jeito de cortar o meu barato, como se fosse divertido ver a minha cara
de desolação! - quase sussurrava.
- Me desculpa... - Ela abaixou muito o tom de voz.
- Não tem o que desculpar. - Ele novamente afundou a cabeça no
pescoço dela, acomodando-se no espaço vazio entre ela e o sofá.
- Eu... - respirou fundo, criando coragem. - Eu amo você. De verdade.
- Ele se levantou rapidamente, como se não acreditasse no que tinha
acabado de ouvir.
- Repete. - ensaiou um sorriso.
- Eu amo você, . - Ela sorriu e ele acompanhou.
- EU é que amo você. Eu. - Ele a abraçou bem forte. Ele
sempre soube, só precisava ter certeza.
29 - There she goes... There she goes again...
e não ficaram muito mais tempo no apartamento. Aquela declaração tinha mudado definitivamente os planos de , e ele então, decidiu que podia esperar um pouco mais até ficar um bom tempo a sós com a menina. Ele então a levou pra que pudesse ver logo e daí, pudesse finalmente pensar em outra coisa, de preferência nele. sabia o quão egoísta estava sendo, mas não conseguia não ser. Não agora.
não se lembrava algum dia de já ter se sentido assim, em relação à mulher alguma. Não era o desejo de possuí-la e fazê-la ser dele apenas por uma noite. Era um desejo singular, de tomá-la em seus braços e nunca fazê-la chorar, beijá-la de modo que ela jamais esquecesse, e fazer todo aquele sentimento perdurar no tempo. Queria fazê-la feliz, fazer com que ela se sentisse amada, desejada, especial - como ela de fato era.
, por outro lado, tinha medo. Era tão estranha essa sensação, como se ela pertencesse a ele, como se eles estivessem unidos por um forte laço. Nos olhos dele ela via desejo, paixão - o que às vezes a fazia sentir medo de que não houvesse outro sentimento dentro dele em relação a ela. Mas, no entanto, era só olhar mais uma vez, que ela sentia o corpo queimar, com todo carinho e ternura com que ele sorria pra ela, toda segurança que os braços dele passavam, aquela gostosa sensação de que não haveria no mundo um lugar onde ela se ajustasse melhor.
E era um segredo. Um segredo que ambos guardavam, e que nunca poderia ser revelado. Pelo menos, era o que pensava.
Eles chegaram à casa dos meia hora depois, portando um sorriso de orelha a orelha e feliz por vê-la tão radiante. A menina mal pôde esperar abrir a porta, de tão desesperada que estava. Parecia que ela não via há meses! Mas logo que se viram, deram um gritinho histérico, se abraçaram e logo se pôs a chorar. deu um sorrisinho sem graça, e subiu com a amiga pra ajudá-la a fazer as malas.
foi para o seu escritório e tentou não pensar em . Teria tempo pra isso mais tarde. Ao invés de planejar como seria sua primeira noite sozinho com ela, sem ter que se preocupar com , ele foi trabalhar um pouco em seu computador. Fato é que há tempos ele não dava as caras de verdade na gravadora e pra ele estava tudo bem, tinha quem resolvesse os pepinos pra ele. Mas agora, ele resolveu checar ao menos os e-mails, saber a quantas andavam seus negócios. Talvez tivesse ficado mais rico. Ou não. Que importava? Ele tinha . Droga, pensou nela de novo. Ele riu da própria idiotice.
, enquanto isso, colocava algumas coisas de numa pequena mala. Uma semana, a amiga disse. Não era possível! Era como se fosse um sonho! se sentiu mal por desejar a ausência da amiga, e resolveu não pensar no tempo que ela ficaria fora. estava falando alguma coisa sobre seu rolo com Jason, ou algo assim. A cabeça de estava bastante concentrada no melhor jeito de fazer todos os cacarecos de caberem naquela mala.
- Ta me ouvindo, ? - deu um pedala na amiga.
- Meio que não. - respondeu ainda aérea.
- Ah, qual é, ?! Toda vez que eu falar do Dave vai ser assim agora?!
Nós duas sabemos que ele é um cara MUITO legal. Eu ainda não
sei qual o problema dele, a menos que... - fez uma cara de chocada.
- A menos que...? - agora prestava atenção, mas não
estava gostando da cara da amiga.
- MELDELS, alguém me acode! - fingia estar sem ar. - Vocês
dois, vocês...? - Ela sequer ousou terminar a frase e não
entendeu bulhufas. - Menina, você devia ter me contado! Quando foi?
- Quando foi o que, , pirou?! - levantou da cama e foi se sentar
no parapeito da janela.
- Raciocina comigo, amor! Você não ta a fim de outro cara, - Ao
ouvir as palavras da amiga, respirou fundo - você não quer
continuar com o Dave... O que pode ter feito você desiludir de um cara
tão bonitinho, cavalheiro, gentil, etc., só pode ser porque ele é ruim
de cama! - sorriu, como se aquilo fosse bastante óbvio.
- Ta, . Como eu vou saber se um cara é ruim de cama se eu não
tenho um parâmetro de comparação? - fez uma cara
de sarcasmo.
- Ué, se você não gostou, ele é ruim de cama, ponto
final. - A menina fechou a mala, sentando-se na cama. - Mas vem, cá...
Me conta ai como foi! Isso é algum tipo de vingança, porque eu
não te contei da minha primeira vez logo de cara, é isso?
- , relaxa, sossega! O dia que rolar, eu vou te contar. Eu NÃO dormi
com o Dave e eu NÃO sei se ele é bom ou não de cama. -
se virou pra amiga, tentando não olhar pra janela do escritório,
que ficava bem na direção daquela janela.
- Então você está perdendo tempo, ! - se deitou
na cama. - Ele tem a maior cara de ser ÓTIMO!!!!
- E desde quando você conhece as habilidades sexuais de um cara só por
olhar na cara dele? - Ela riu.
- Não sei. Não é que eu saiba, eu imagino. - Ela também
riu.
- Ta vendo? Como você quer que eu invista num cara com quem você tem
fantasias sexuais? - desatou a rir.
- Não viaja, ! Não tenho fantasias sexuais com o Dave! Eu
apenas imaginei, um dia só. Além do mais, eu tenho o Jason pra
realizar TODAS as minhas fantasias. - E mostrou língua pra amiga.
- Nossa, super vou querer saber dessa parte da história quando você voltar!
- falou animada.
- Eu conto, pode deixar! Assim, quem sabe você não se anima, e
resolve testar as habilidades sexuais do Dave. - piscou, carregando
sua mala pra fora do quarto.
ainda estava no escritório, respondendo aos poucos suas dezenas de e-mails, quando apareceu na porta. Então, ela finalmente estava indo. Eles três entraram no carro, no banco da frente, atrás, entretida com um joguinho no celular. Assim que chegaram na estação de trem, deu uma braço apertado na amiga, que mais uma vez a assegurou que tudo ia ficar bem. , como pai, deu conselhos.
- , não ande sozinha pelas ruas. Você não é o
super-homem. Não durma com os cabelos molhados, você sabe o quanto é sensível,
pode se resfriar! Tente ao máximo obedecer à sua tia e não
passe a noite no hospital. Você sabe que a sua avó não
gostaria disso e você não quer deixá-la chateada, certo?
- despejou pra cima da menina.
- Pai, pai! Pára de falar! Eu já entendi! Você falou pelo
menos quinhentas vezes na minha cabeça isso! - disse enquanto
abraçava o pai.
- Eu sei, mas não custa de relembrar, sua miolo mole! - Ele a apertou
com força.
- Você vai me amassar, pai! Eu amo você! - Ela deu um beijo estalado
na bochecha dele. - Aliás, eu amo vocês dois.
entrou no trem e partiu pra visitar a sua avó doente. Logo que a menina sumira de vista, ensaiou dar as mãos a , mas a menina fugiu, com medo de que alguém pudesse vê-los juntos. Ele não forçou nada e quando entraram no carro, ele não estava chateado nem nada, porém estava vermelha como um pimentão.
- Com fome? - perguntou, uma vez que já era hora do almoço.
- É, um pouco. - A voz de estava trêmula.
- Okay. - Ele arrancou o carro e saíram da estação num
instante. Ele se perguntou o que é que tinha feito de errado, mas não
conseguiu imaginar o que teria feito a garota ficar tão estranha
de repente. Queria ao menos fazer idéia...
30 - I’m lost somewhere deep inside of you…
estacionou na porta de um restaurante, nada muito chique. Ele apenas tinha bom gosto. respirou fundo, olhou as mãos e desceu do carro, meio cabisbaixa. Ela não estava preocupada com o que iam achar daquela situação no restaurante. Provavelmente iam pensar que ela era filha de . Ou se os conhecessem e falassem pra , nada de pânico. A amiga ia supor que eles estivessem com fome, só isso. Certo, agora o jeito era entrar e tentar relaxar.
A primeira vez que eles seriam vistos juntos e sem . Ambos estavam nervosos, não sabiam como se portar um em relação ao outro. Era uma situação nova, estranha. Quando estavam sozinhos, as coisas aconteciam mais fáceis, naturalmente. Mas agora, com todas aquelas pessoas olhando, e sem pra tornar a situação mais confortável...
Sem trocar muitas palavras, eles almoçaram e saíram. De volta no carro, ligou o som. , virada pra janela, sequer se mexeu quando a música começou a invadir o ambiente. O que estava errado ali? O que aconteceu com toda a ansiedade que ela estava sentindo horas mais cedo? O que foi que mudou?
- Então... - Ele tentou puxar alguma conversa, mas ela não se
virou. Ele colocou o carro dentro da garagem coberta e desligou o motor. -
Qual o problema?
- Não tem problema nenhum. - respondeu, desafivelando o cinto
e abrindo a porta.
- Então por que nós dois estamos desse jeito? - Ele segurou o
braço dela, impedindo-a de sair.
- Eu não sei. - ainda se recusava a olhar nos olhos dele e não
sabia por que.
- , escuta... Não vai ser sempre assim. Eu te prometo. Um dia a
vai saber... - Ele tentou se explicar.
- NUNCA! - gritou. - Ela não pode saber NUNCA, porque ela nunca
me perdoaria! Ela não pode saber, , você está me
ouvindo? Ela é a pessoa mais importante da minha vida e me mataria perder
o carinho e a confiança dela! - Ela se soltou e foi andando pela garagem.
saiu atrás dela, praticamente correndo pra alcançá-la. Quando estava próximo o suficiente, pegou-a pelo braço.
- , espera. Afinal de contas, você está ou não levando
isso a serio?
- Claro que eu estou! Mas a não pode saber! Não PODE!!
Eu não suportaria que ela me detestasse! - A garota praticamente não
respirava.
- Olha pra mim e me escuta. A VAI ficar sabendo, ela VAI entender e
quem sabe com o tempo ela até APOIE a gente, . Eu não quero
ter que me esconder quando eu estou com você! A gente não precisa
disso! Eu amo você e eu quero que todo mundo saiba disso, eu não
quero ter que esconder de ninguém o que eu sinto por você! Eu
nunca fui tão feliz quanto eu estou sendo agora! Você não
pode querer que eu finja que a minha vida ainda é uma droga! - Ele estava
olhando bem fundo nos olhos dela.
- Você não entende... - Ela tentou se soltar.
- Eu entendo, claro que entendo! A é minha filha! Como você acha
que eu me sentiria em perdê-la? Mas isso não vai acontecer, ,
não vai! Confia em mim! - segurava os braços dela com
certa força.
- Você está me machucando. - lutou pra se desvencilhar.
- Me... desculpa... - Ele a soltou, envergonhado por tê-la machucado.
- Anda, entra no carro. Vou te levar em casa.
- Não precisa. Eu pego um táxi. - saiu chorosa, indo em
direção ao portão.
- ... - Ele se pôs novamente a seguir a menina.
Ela parou instintivamente. Fechou os olhos e respirou fundo. chegou por detrás dela, colocou as mãos em seus ombros, beijou-lhe os cabelos. Então, passou as mãos pela cintura dela, beijando-a no ombro direito. permanecia de olhos fechados. Ele deslizou o queixo pelo ombro da menina, subindo para o pescoço, onde também a beijou. Em seu ouvido, ele agora sussurrava.
- ... A gente não vai brigar, não é? Não hoje, não por esse motivo... Tenta se esquecer disso a menos por hoje, eu te imploro. - esboçou um sorriso quando viu a pele dela se arrepiar. - Escute, se você não quer contar pra agora, tudo bem, eu não vou me opor a isso. Mas um dia, ela vai ter que ficar sabendo. Por enquanto, é nosso segredo.
Ele então, vagarosamente a virou de frente pra ele. Ela ainda estava de olhos fechados, mãos suando frio. Ele pegou as mãos dela e colocou-as em seu pescoço, e depois, encostou a testa na dela. Com as mãos na cintura da menina, puxou-a lentamente pra mais perto dele. Ela abriu os olhos, olhando diretamente nos olhos dele. Ele então, carinhosamente passou uma das mãos pelo rosto da menina e se aproximou para beijá-la. Enquanto a beijava, ele foi girando o corpo dela, de modo que ela parou encostada ao carro. As mãos de não se moveram sequer um centímetro de onde as havia colocado, então, ele, de novo, segurou os dois punhos dela, fazendo com que ela descesse as mãos pelo tórax dele, e assim soltou as mãos dela, pressionando-se contra ela.
fazia força pra respirar, uma de suas mãos entrando por debaixo da camisa de , alisando seu abdômen; a outra, na nuca dele, pressionando-o ainda mais fortemente contra ela. Enquanto isso, subia o vestido branco que ela usava, massageando suavemente as coxas dela. O clima estava suficientemente quente, então, se assustou com o celular de vibrando no bolso dele.
- MERDA! - Ele tirou o celular do bolso e jogou longe, espatifando o aparelho.
- Pode ser importante! - Ela estava meio assustada.
- Nada pode ser mais importante que você. - Ele pegou a mão dela
e foi caminhando casa adentro.
Os dois subiram as escadas quase correndo, ambos com os batimentos cardíacos acelerados, respiração quase falhando. achou engraçada a sensação de passar direto pelo quarto de , mas não pensou muito sobre isso, pois quando deu por si, mantinha aberta a porta de seu quarto. Ela deu um passo pra dentro e então ele fechou a porta.
pôde sentir a tensão que partia de todo o corpo da menina, sabia que aquele momento era especial demais pra ela pra deixar que seus desejos tomassem conta de suas ações. Ele se aproximou lentamente dela e pegou uma de suas mãos. Ele passou a mão da menina pelo seu rosto, fechando os olhos diante do toque suave dela. beijou cada uma das pontas dos dedos da menina, bem devagar, enquanto ela colocava a outra mão no rosto dele. não sabia exatamente o que fazer agora, ela estava com medo de parecer idiota, e por isso quase não se mexia. Sem sabe qual o próximo passo ela deveria dar, ela passou os dois braços pelo pescoço de , abraçando-o com força. Ele a abraçou de volta, na mesma intensidade, beijando-lhe o pescoço e ao mesmo tempo, descendo o zíper do vestido dela.
- Hoje eu sou só seu. - Ele sussurrou no ouvido dela, enquanto a deitava
carinhosamente na cama.
respirou bem fundo enquanto deixava seu corpo cair na cama lentamente, amparado pelos braços de . Ele tirou seu casaco e o jogou sobre uma poltrona, voltando a beijar a garota. Ele segurou a mão dela, entrelaçando os dedos, sem interromper o beijo. viu que agora não haveria interrupções, e não haveria escapatória. Não que ela quisesse escapar de fato... Ela soltou sua mão e começou a desabotoar a camisa dele. encarou isso como um sinal verde e subiu o vestido dela, se encaixando no meio das pernas dela.
Depois que sua camisa também já repousava na poltrona do quarto, delicadamente beijou o pescoço dela, se dirigindo ao ombro e ao colo, baixando a alça do vestido que ela usava. Ele a olhou e sorriu, tentando inspirar calma e confiança, mas ela ainda tinha uma expressão amedrontada. Será que havia sido assim das outras vezes? Ou ele estava preocupado demais com seu próprio prazer que não notou o quanto ela tinha medo dele? Seria mesmo MEDO dele?
Ela notou a expressão de dúvida no rosto dele e logo concluiu que a cara dela não devia ser das melhores naquele momento, pra fazer com que ele ficasse daquele jeito. De repente ela lhe sorriu, puxando-o mais pra perto e o beijando. Ela jamais tinha imaginado aquilo pra ela, jamais havia se imaginado tão apaixonada quanto estava ou ao menos gostando muito de alguém. E agora lá estava ela, na cama dele, a cama que ele dividia com a mulher há tantos anos, agora ela quem ocupava, ainda que por pouco tempo. E ele era dela, só dela, e de mais ninguém. Prova disso era a vontade que ele tinha de que soubesse deles dois...
se cansou de pensar. Não queria se torturar, imaginando o quão errado era e quais as conseqüências o fato de estar ali lhe traria. Ela estava feliz, mais do que fora em toda a sua vida até agora. Era ele quem ela queria, e queria muito, imensamente. Enquanto ela sonhava acordada, havia tirado o seu vestido por completo e agora a beijava com ainda mais intensidade.
Ele estava sendo bastante cauteloso, para deixá-la à vontade pra sair correndo dali, caso ela desejasse. Em momento algum ele a forçou, ou impôs sua vontade sobre a dela. Ele a tocava com firmeza, tentando mostrar pra ela a força do que ele estava sentido. Apesar de todo esse cuidado, ele não podia deixar de sentir... Ele tentava guardar a sanidade que ainda lhe restava pra fazer com que aquela experiência fosse a melhor possível pra ela, e quando o seu corpo falava mais alto, ele respirava fundo. As mãos dele passeavam pelo corpo dela, e ela quase não conseguia respirar. Era intenso demais, forte demais...!
- ... - Ela tentava recuperar um pouco do fôlego pra falar.
- O que? - Ele sussurrou. - Você quer que eu... pare?
- Não... Não é isso... É só que... - As
unhas de cravaram nas costas de com força. - Tá doendo.
- Ah... - Ele diminuiu a força. - Está melhor assim?
Ela sequer respondeu.
xx-xx-xx-xx-xx-xx
acordou e olhou pro lado. Lá estava ela. Ele se inclinou sobre ela, e deitou-se mais perto, sentindo o cheiro de fruta que exalava de seus cabelos. Com a ponta do indicador, ele acompanhou o traçado das costas dela e teve que controlar o impulso forte de abraçá-la. Ela se mexeu e ele se afastou um pouco, temendo tê-la acordado. Mas ela ainda dormia, linda... Ele sorriu abobado. E ficou ali, vendo-a dormir por algum tempo, até que ela abriu os olhos...
Ela viu sorrindo pra ela e fechou novamente os olhos. Era certo que estava sonhando! Mas daí então, ela lembrou do que havia acontecido... Resolveu acordar.
- Hei... - Ela disse meio manhosa.
- Hei... - Ele sussurrou baixinho.
- Tem muito tempo que você acordou?
- Um pouco...
- Por que você não me acordou, então?
- Na, eu estava bem vendo você dormir... - Ele sorriu.
- Eu estava sonhando, até. - Ela riu.
- Era um sonho bom, porque você estava sorrindo. - apertou a bochecha
dela.
- Eu estava sonhando com você... - Ela chegou mais perto e se deitou
no peito dele.
- Hum, isso é ainda melhor! - Ele riu. - Com fome?
- Um pouco... - Ela olhou pra cima e viu a carinha de satisfação
dele. Impagável.
- O que você quer comer? - Ele brincava com uma mecha do cabelo dela.
- Pizza? - Cara de dúvida.
- Esse monte de caloria? - Ele a beijou na testa enquanto se levantava.
levantou da cama, se dirigindo até a poltrona, onde pegou a seu samba-canção xadrez. , na cama, cobria o rosto com os lençóis. Ele olhou pra trás e viu a menina cobrir o rosto e achou graça. Vestiu-se e foi até o banheiro do quarto, olhou-se no espelho, sorriu pra imagem que viu refletida. Há muito ele não se sentia tão.. leve! Voltou pro quarto e se jogou na cama, em cima de , que desatou a rir. Ele retirou o lençol do rosto dela e beijou devagar, passando a mão em seus cabelos e tocando bem de leve a sua pele.
Ele então pegou o telefone e pediu a bendita da pizza. Enquanto ele saiu (n/a: só de samba-canção, meldels) pra atender o entregador de pizza, ela se vestiu depressa e desceu as escadas. Quando a viu na cozinha, riu de novo mais uma vez. Quanta timidez pra uma pessoa só!
- Já se vestiu? - se segurou pra não rir.
- Você pretendia que eu ficasse “de lençol” até que
horas? - arregalou os olhos.
- Bom, até pelo menos mais um pouco. - a encostou à parede
- Eu estava aqui, num ataque de romantismo, prestes a te levar pizza na cama,
e você estragou tudo.
- Bom, agora já era! - Ela deslizou as mãos pela barriga dele
[n/a: *¬*] - Eu já estou vestida, você nem tanto, e eu estou
morrendo de fome! A pizza está quentinha e convidativa.
- Eu poderia dizer a mesma coisa da minha cama se você ainda estivesse
lá. - Ele então deslizou a mão pela silhueta da menina.
Oh-oh, ia começar de novo.
- Mas eu não estou mais lá e estou com fome! - se esquivou
e foi comer da pizza.
Ele encostou a cabeça na parede, suspirou alto.
32 - What I like about you....Continua...
N/A: N/A (08-06-2009): Antes de mais nada, um milhão de infinitos perdões, gente! Eu me enrolei nas coisas da minha vida, faculdade, namorado (yes, ganharei presente!), entrando em sites, saindo de sites, shows do McFLY, correr atrás do McFLY, me apaixonar ainda mais pelo Tom (sem esquecer da minha essência Jones, obviously)... Mas o McFLY me tira do sério! Eu os odeio, odeio! Odeio por simplesmente não odiar \clichê Eu os amo simplesmente por serem fodas, por me darem as amigas mais lindas,fofas, legais, e espetaculares do mundo todo! Ok, vou explicar: nesse meio tempo, a Bia, minha beta linda, querida, fofa, xuxu, amada, idolatrada, salve-salve, virou minha beta em tempo integral, uma vez que eu me afastei não só do FFADD, mas de TOOODO o portal addiction. Triste, né? Fora muitas emoções nos últimos meses e eu acabei por dar uma estacionada legal na fic! =/ Mas eu voltei, ainda não estou na minha melhor forma criativa, mas ta tudo se encaminhando! Estou em processo de avaliação da minha nova fic - dramática e Jones, como eu - e muito em breve vocês também poderão lê-la, olha que bacana! Mais um vez, perdão,amores! Não foi por querer, não mesmo :) Estava com saudades de vocês! Comentem bastante, pra compensar o tempo em que eu estive fora, okay? E mandem beijos pra beta mais linda e fofa de todo o Fanfic Addiction (agora que eu sai, claro \lixa): BIUXA <33333 Eu não sei o que seria de mim sem essa guria. Amem a Bia. Ela é foda (L) Bia é amor <33 E visitem os sites: Pattinson Brasil e Equipe Flyes. Até! xoxo