Chapter 1

Três horas da tarde de um sábado e sou acordada pelo meu celular tocando. Por mim estaria tudo bem se meu toque não fosse tão gay. Digo, que pessoa de 21 anos acorda com o refrão de I Don’t Feel Like Dancing? Tirando eu, claro.

Eu jurei que fosse ser uma forma melhor de acordar. Vai entender. Pensei que fosse atender feliz. E até atenderia, se não tivessem me acordando. Olhei na bina e ao perceber que era Jorge, desliguei e joguei meu celular em algum lugar. Sem dúvidas que mais tarde acordaria possessa por não achá-lo. Digo, o celular. Não o Jorge. Mas com isso eu me preocupo quando acordar, certo? E não que eu não goste do Jorge. Ele foi super bacana de me oferecer um emprego como jornalista. Tipo, ele nem me conhecia nem nada. Na verdade, ninguém me conhece até hoje. Só fui famosa por uma coluna polêmica que escrevi sobre a África com uma visão totalmente pessoal. Digo, as pessoas não tem saneamento básico. E tem gente que reclama porque o café demorou ou algo do tipo. Depois essa minha coluna, Jorge disse passivamente ‘Vou ter que te mandar pra coluna de fofocas, .’ Tudo bem então. Comentar sobre as roupas da Tyra Banks é bem mais importante do que gente passando fome e vivendo em um esgoto ao ar livre.

- ? – Ah, não. Escuto vozes do além e não quero levantar. – São três horas da tarde. Você tem noção? Daqui a pouco você tem que ir ao lançamento do restaurante do Adam Sandler. – Na minha época ator era ator. Sem restaurante. – E o Jorge te ligou e disse que você desligou na cara dele.

Na verdade não foi assim. Pra desligar na cara de alguém você tem que atender. E eu não atendi, tecnicamente.

- Ai, , me deixa vai... Fui dormir tarde, tava cansada demais.

- Do quê? De dormir e comer?

Ah claro, a não tem moral nenhuma para falar dos meus hábitos não saudáveis. Ela não vive só de mato e afins. Ela ama um hambúrguer com batata frita. E ela é no mínimo muito mal agradecida. Mora na minha casa, não paga aluguel e ainda por cima me acorda me chamando de obesa sedentária. Vou mandar ela pra debaixo da ponte pra ela me dar mais valor.

- E também, , eu quero muito ir nesse lançamento. Não é sempre que o Adam abre um restaurante.

Realmente, ator, pra mim, estréia filme. E sabia que tava rolando um interesse mor da pra cima de mim. Não que eu esteja surpresa ou que essa seja a primeira vez. É que sei lá. Eu achei que ela mudaria com o tempo. Se aproveitar das amigas não é legal. O tempo todo.

- Tá bom então. Quero Waffles com sorvete. – Eu disse que não é legal o tempo TODO.

- Só porque você vai me levar pra ver bilhões de pessoas famosas e com crachá de imprensa!

Tenho dó da . Ela merece um Prozac por estar, às três da tarde de um sábado, saltitante. Ela falou que leu no horóscopo que esse é o mês de encontrar o amor da vida dela. Juro que se surgir uma vaguinha na área exotérica eu vou inscrevê-la.

Por motivo de força maior decidi levantar. Até eu me arrumar ia demorar um bom tempo. Além de eu me olhar no espelho e ficar espantada com o meu cabelo. Eu durmo como uma pessoa e acordo como um leão. Levantei, me espreguicei, dei bom dia pra Melly – minha maltês que é o único ser vivo que dorme tanto quanto eu – peguei minha pantufa do Mickey e saí andando que nem um zumbi até o banheiro. Minha cara estava péssima, obrigada por perguntar. Você já viu alguém tomar alguns copos de vodka e ficar com essa aparência horrível? Tirando a pessoa do espelho, nem eu. Escovei meus dentes e prendi meu cabelo. Lavei meu rosto e vi a toalha borrada de maquiagem. Que bom, dormi parecendo um travesti. Que bom que a não viu minha cara. E nem vai ver minha toalha. Mentira, vai ver sim. Quem manda pra lavanderia é ela, mesmo.

- Seu sorvete vai derreter, .

Saí correndo do quarto e desviando de tudo que eu tinha jogado ali nos últimos três dias (a filha da faxineira ficou doente) e cheguei sã, salva e ofegante na cozinha, sendo seguida pela Melly que se ajeitou no meu colo enquanto eu tentava cortar o Waffle.

- O que aconteceu ontem à noite, ? Eu acabei dormindo na casa do Jorge e...

Imagina sua melhor amiga namorando seu chefe. Não adianta se beliscar, amiga, você não vai acordar desse pesadelo.

- Acordei com dor de cabeça. Eu bebi muito? Porque assim, hoje é o dia que eu vou conhecer ele, ! Hoje é o ultimo dia do mês, tem que ser hoje.

Sabe o que é estranho? Ela namora meu chefe e tá de olho no cara da vida dela que ela nem conhece. O Jorge nem sabe disso, senão ele não mandaria flores pra ela praticamente todo dia, deixando-a toda boba. Ao contrario de mim, que não sou nem um pouco romântica. Acho que foi por isso que eu terminei com meu ultimo namorado. Ele deu o maior escândalo porque eu não me lembrei do nosso aniversario de namoro. Eu não lembro nem o que eu comi ontem, minhas contas são todas em débito automático (depois que nós ficamos sem luz porque eu esqueci de pagar) e um cara quer que eu lembre datas?

- É, tem que ser hoje. – Respondi enquanto comia meu sorvete de creme e tentava tirar a Melly do meu colo. – Você sabe se meu vestido preto voltou da lavanderia? O curtinho?

- Chegou junto com o meu vermelho curtinho. Tá lá na área, entregaram ontem.

- Que bom que não entregaram pro Murphey.

Murphey, nosso vizinho de 76 anos que reclama constantemente das roupas de ‘menininhas’ que são deixadas em sua porta ao invés de seus lenços e seu único suéter caqui.


X

Saí com a Sam – minha companheira de trabalho - para fazer compras. O lançamento só ia ser às 21 horas, então eu tinha umas duas horas no shopping. Andar por ali é uma das coisas que eu mais gosto de fazer nas minhas horas de folga. Não que eu esteja reclamando do meu emprego no jornal, mas a sessão ‘Pretty Stars’ não foi bem o que eu sonhei em fazer. Mas como ainda não terminei minha faculdade, não posso pedir muita coisa. Tirando que o salário é muito bom, considerando meus atos consumistas, ainda sobra dinheiro. Acho que o Jorge só me paga bem porque a sai com ele. Passei duas horas e meia no shopping e fui correndo pra casa. Mentira. Peguei meu carro, deixei a Sam em seu apartamento, parei na Starbucks e aí sim fui pra casa.
Ao chegar em casa, percebo que ainda não tinha chego de sua visita semanal a Dona Consuela (a mulher que lê a mão dela. Uma vez ela me arrastou pra lá e a infeliz disse que eu ia ganhar roupas novas. Me senti lendo a sorte do orkut e ainda tive que pagar 40 libras. Qua-ren-ta libras pra ouvir que eu ia ganhar roupas novas.) A disse que ela não conseguiu ler minha mão nem ver minha aura porque eu não costumo freqüentar a casa dela. Ok, por 40 libras eu faço muita coisa sem ser visitar minha sorte do orkut. É sério.

Apertei os recados da minha secretaria eletrônica e fui pegar um copo de água e li um bilhete da dizendo que o Jorge tinha me ligado. Acho que na verdade ele tem uma paixão secreta por mim e usa a pra fazer ciúme. Chuta de quem era o primeiro recado! Dele.

- ? ? Bom, percebi que não tem ninguém em casa. Eu coloquei a Sam para cobrir o lançamento do restaurante de hoje. Precisamos conversar, . Me liga quando voltar do shopping. E outra coisa, aprenda a ligar seu celular e não sair com ele só pra fazer volume na bolsa.

A última experiência do precisamos conversar não foi muito boa. Acho que a única coisa pior que estar na Pretty Star era cobrir eventos esportivos. Claro que ver aqueles caras gostosos era tipo um colírio. Mas ter que entrevista-los após uma corrida e deveria ser bem desagradável. Os homens suam muito e eu vejo isso pelo Jorge. Ele parece uma cachoeira quando corre. É super-divertido. O segundo recado começou a tocar.

- Você ficou sabendo? Eu não vou ver o Adam hoje e a Susu (ela chamava a Consuela assim) disse que minha vida estava para mudar. Ela também disse que tudo tinha seu tempo e que tinha a ver com você. Achei estranho, mas ela disse que quer te ver. E vê se aprende a usar seu celular. Ele não é de brinquedo. Ah, , mentira. Vou parar na casa do Jorge antes. Enquanto o homem da minha vida não chega serve ele. Beijos!

Sonha que eu vou pagar 40 libras pra mulher falar que eu vou ter uma vida confortável ao lado da minha esposa. Acho que o orkut acha que todos os usuários são homens. Não terminei nem de raciocinar ouvi a porta abrir. Mas a não ia passar na casa do Jorge? Quando eu olho pra trás dou de cara com os dois me olhando.

- O que foi, gente?

- , você não vai acreditar! Ai amiga, to tão feliz!

- Hum... Conta então!

- Eu sei que você não gosta muito deles, mas eu fiz isso pela . – Selinho. – Você agora vai fazer parte do jornal de música. Sua primeira entrevista vai ser com o McFLY!

Hum... Tchô pensar. McFLY? , , ... E meu ex namorado. .




Chapter 2

Engoli seco. Não tive reação nenhuma a não ser olhar para e Jorge e ficar meio incrédula. Como ela pôde fazer isso comigo? Ela sabia. Ela tava dando aquele sorrisinho do tipo ‘eu venci’. Meu Deus, eu não falo com o desde o... High School. Porque ele foi seguir o sonho dele e eu fui seguir o meu. A gente não se falou mais. Foi estranho. E vai ser mais estranho ainda olhar pra ele e falar ‘Oi, lembra de mim? Então a gente namorava. Ah, não lembra? Brigada, tem algum psicólogo pra me indicar?’ Eu sempre tinha sido apaixonada por ele. Eu lembro que quando eu tinha dezesseis anos, ele me deu um cartão que ele mesmo tinha feito. Em forma de coração dizendo que me amava. Quando a gente ‘seguiu rumos diferentes’ eu joguei fora. Era uma recordação meio dolorosa. Sabe como é, ele tem uma banda, devem ter bilhões de groupies seguindo ele... Mas eu já superei isso. Já faz cinco anos.

- ! Eu não acredito nisso.

- Ai , hora de superar traumas do passado.

- Alguém pode me contar alguma coisa porque eu não to entendendo nada?

- Depois, Jorge. Quando é essa entrevista?

- Era isso que eu precisava te contar. É hoje na verdade. Eles tiveram que cancelar o show porque o estava com o braço quebrado e não poderia tocar.

- Eles cancelaram o show hoje? E eu vou ter que entrevistá-los? Pra que?

- Eles são a banda pop de maior sucesso aqui, . Achei que você ficar feliz em saber...

- Ai, não liga, Jô. – Vamos deixar bem claro que eu acho esse apelido gay - Ela só ta assim porque vai ver o amorzinho dela.

- Qual deles?

- .

- Não acredito! , você sabe muito bem que não se pode misturar...

- Trabalho com assuntos pessoais. Eu sei, é um dos lemas do jornal. Nunca se envolver com aquele que você entrevista... Quem se envolve fica desempregado. – Fiz uma cara de nojo - E relaxa, Jorge. Tipo, a esqueceu de falar ‘o antigo amorzinho’ dela. Eu já namorei outros caras desde então. Relaxa, é sério.

- Vou confiar em você. Mais tarde eu passo aqui pra deixar o endereço de lá. E você vai levar a com você, ok?

Que dúvida. Só vou ter que ir lá porque ela quer. Acho bom ela ter um plano de saúde. Mesmo que plásticas não sejam cobertas pelo seguro. Eu sei por que já tentei colocar silicone de graça, mas falaram que era só para saúde. Quando eu falei que era saúde estética a mulher desligou na minha cara.

- Tá bom! Ah, que pena Jorge, você já tá indo? Tchau.

Fui o empurrando enquanto ele mandava beijinhos pra , que retribuía. E eu no meio. Sabe, ser castiçal meio que já deu pra mim. Fechei a porta, tranquei pra me assegurar que ele não voltaria e que a porta viria em direção a minha cara em alguns segundos. Como eu já disse, plano de saúde não cobre plástica.

- , por favor, me diga com sinceridade. Você tem bosta na cabeça?

- , a Susu falou que tava na hora de você superar os traumas do passado e eles nos levariam pro grande amor. Aí eu pensei que você deveria começar pelo !

Vocês sentiram o egoísmo? ‘Nos levariam’ Tá entendido então.

- Como você sabe que meu maior trauma do passado não é não ter tido um pônei rosa? Hein?

- Como um pônei te levaria a um grande amor?

Cavalgando? Mas achei melhor guardar minha resposta infantil pra mim. Minha mãe disse que eu devo pensar antes de falar, principalmente por ser uma jornalista. Ela disse isso depois que eu perguntei pra Britney se andar sem calcinha a trazia uma liberdade enrustida.

- Ai, tá bom. Que horas é essa entrevista?

- Às oito. Mas calma, , ainda são... Seis horas. E a gente precisa sair às sete porque é longe.

Eu em um dia normal demoro duas horas pra me arrumar. Hoje, que eu vou ver o eu tenho uma hora pra me arrumar. A Lei de Murphy tem uma paixão platônica por mim. Deixei-a falando sozinha e fui correndo pro meu quarto, desviando dos obstáculos (cachorra, pantufa, sapato...) E tem gente que me chama de sedentária. Calculei o tempo e percebi que tava ferrada, então tinha que fazer duas coisas ao mesmo tempo. Enquanto eu escovava os dentes eu escolhia uma roupa. Enquanto tomava banho, fazia uma grande preparação psicológica, dizendo para mim mesma que não poderia ser tão ruim assim. Só poderia ser pior do que eu imaginava! Imagina se ele olhar pra mim e falar ‘eu era apaixonado por você’ e aí entram 4 groupies e sentam no colo dele? Preciso de um calmante. E de uma imaginação nova. Sai do banho, coloquei a roupa, me maquiei e coloquei o sapato. Em tempo recorde! Deu tempo de chegar à sala e interromper a com o Jorge.

- Caham...

Jorge deu um pulo. Sabe, eu sou chata, mas não sou mãe dela ou algo assim. Cruzes.

- ! Aqui estão os crachás, o endereço, o táxi já está esperando vocês lá embaixo e, por favor, não deixe a fazer nenhuma besteira.

- Hey! – exclamou enquanto levantava – Não vou fazer nenhuma besteira.

E quando Jorge virou ela o abraçou e piscou pra mim. Ao sair de perto dele percebo que a blusa dela é do McFLY. Ela é uma das groupies que eu temia. Ou senão ela não trocou de roupa ainda.

- , você está pronta?

- Claro que sim, !

Ela puxou para baixo a blusa de modo que eu pudesse ler ‘McFLY’ e uma foto dos quatro juntos. Já vi que ela que precisa de um calmante. A menina tava elétrica.

- Vou levar minha máquina! – Ela exclamou saltitando e indo para o quarto.

- ... – Jorge sussurrou – Garanta que ela não vai fazer nada. É sério. Ela não sabe o quanto ela é especial pra mim...

- Relaxa, Jorge.

Acho que é uma das coisas que eu mais falo. [i]Relaxa Jorge, eu não to atrasada. Relaxa Jorge, eu sei o que eu to fazendo. Relaxa Jorge, eu cuido da ...[/i] Mesmo me sentindo mal por mentir com tanta freqüência pra ele. Eu quase nunca sei o que eu to fazendo, eu sempre estou atrasada... Mas eu tento cuidar da . Ela que não quer ser cuidada. Ele deu uma piscadinha pra mim enquanto retornava cantarolando uma música deles. Eu falo que não gosto, mas eu adoro. É só pra mandar aquela coisa de ‘eu não gosto nem das músicas dele!’

- Então, vamos?

- Vamos!

Nós quatro descemos (a Melly ia para a casa do Jorge já que eu não queria deixá-la sozinha) e ao entrarmos no táxi vi o olhar de Jorge encontrar com o meu e ele fez cara de dó. Tipo a cara que a Melly faz quando quer um Biscrock. Acho que ele sabia por que a gente ia lá. Digo, ele deve ser amigo da Susu também. Mas ele é tão burro ao ponto de deixar a ir lá? Será que ele acha [i]mesmo[/i] que eu tenho algum poder sobre ela? Eu só tenho quando tô nervosa e quando tenho motivos pra isso.

- , não tô acreditando! Obrigada mesmo por estar fazendo isso.

- Na verdade eu não tô indo pela Consuela. Nem pelo . E sim por causa do meu emprego.

Leia-se: eu estou indo pela Consuela e pelo , não por causa do meu emprego.

- Mas mesmo assim você está indo. Obrigada.

- Tudo bem, só aviso que se for tudo um desastre você vai morar com o Jorge.

Ela pareceu não ligar. Já falei o quanto ela duvida de mim? Só que eu não vou fazer isso com ela. Já o vi dormindo no escritório e os roncos dele pareciam uma britadeira. Até passei um trote pra secretária dele perguntando quem estava usando uma britadeira àquela hora. Ela ficou sem graça e na hora o ronco parou.

Quando o taxista mencionou que tínhamos chegado - depois de um bom tempo dentro daquele táxi em silêncio pensando em deixar a fazer minha entrevista e voltar pra casa e comer cookies debaixo do meu edredom vendo Doctor 90210 (minha mãe diz que é um dos meus problemas, ver tanto reality show de plástica, ai eu acabo me sentindo feia e ligo para meu plano de saúde para fazer alguma operação) – realmente achei que pudesse fazer isso, mas ela percebeu que eu ia chutá-la dali e voltar pra casa. Então ela pagou o táxi e me fez descer.

- Vamos, , não vai ser tão ruim assim.

- Pra você, não é.

- ! Você tem 21 anos, está na faculdade, quase se formando e já tem emprego garantido. E é bonita! Tem como você parar de temer uma pessoa?

Ela tem 19 anos, não está na faculdade, não está quase se formando e não trabalha. Ela é cega, porém bonita. Tem como ela parar de agir que nem uma psicanalista? Eu ia falar isso em voz alta quando uma moça, que aparentava ter uns 25 anos saiu de dentro daquele prédio imenso e veio perguntar se nós éramos e . Quase falei que meu nome era Consuela Hermana, mas acho que iria me bater. Então, ela assentiu com a cabeça e foi me empurrando pra dentro do prédio, para dentro do elevador e para dentro de uma sala onde eu só conseguia ouvir risadas.

- Você tá bem?

- Adianta falar que não?

Naquele momento achei que deveria ter seguido os conselhos da minha mãe. Fazer um tour pela Europa, despreocupada e sem data pra voltar. Mas não, quis ficar aqui para não perder o emprego. Eu me arrependo tanto das coisas que eu faço.

Respirei fundo, e esperei com que a mulher que nos identificou avisasse que nós tínhamos chego. Os crachás que o Jorge nos deu foram totalmente inúteis. Quando ela disse ‘Por favor, entrem’ eu senti meu estômago ter um pequeno revertério.




Chapter 3

Entrei devagar e contei na sala... Quatro pessoas e... NENHUMA PESSOA CONHECIDA! Ai meu Deus, será que ele tinha sido despedido ontem? Acho que isso é meio impossível porque não vi nenhuma manifestação com placas e gritos do tipo ‘Volte ! Não ao McFLY, sim ao !’ no hall de entrada. E bom, acho que os outros não iam estar rindo. Me apresentei super sorridente e fiquei totalmente desconcertada quando os abraçava com força e me pedia pra tirar fotos. Até com o Fletch, que eu descobri que é empresário deles. E eu só apertei a mão deles. Que mundo injusto. Só porque tinha um ali que eu tinha achado bem bonitinho.

Eu gostava das músicas, não deles. Ou seja, eu sei os nomes, mas não sei identificá-los. Só do . Mas isso não vem ao caso. Fletch apontou para sentarmos em duas cadeiras de couro que pareciam ser bem confortáveis, então abaixei meu vestido, sentei e cruzei as pernas. sentou do meu lado e cruzou as pernas como um índio. Em cima da cadeira. Tinha esquecido como ela regride em seus aniversários.

- Desculpem meninas, mas o – estremeci assim que Fletch disse esse nome – teve uma emergência em casa e não conseguiu chegar a tempo.

Eu realmente espero que ele não consiga chegar. Ouvi uma respiração ofegante, mas percebi que não era a minha. Olhei para o meu lado e estava ao ponto de ter um filho ali. Que vergonha. Os meninos perceberam, e principalmente o bonitinho foi e ficou conversando com ela. Fiquei com ciúme, admito. Eu queria atenção dele só pra mim mesmo sem saber o nome dele. Mas eu comecei a pensar que a entrevista só tinha sido marcada porque um deles tinha machucado o braço. E ele estava com o braço enfaixado. Então ele era o... o... o... ! Isso, . Pronto, meu bonitinho tinha nome. Comecei a conversar com os outros dois – que fui informada que um era o e o outro era o . Até que eles eram engraçados. Não pude negar que bom, o sempre foi daquele jeito. Engraçado, bobo e idiota que sempre me fazia rir até quando eu tava brava com ele.

Passamos mais alguns minutos conversando com eles, até que o bonitinho falou comigo. Sim, comigo. Eu tremi muito. Ele era lindo. Tinha um olho muito hipnotizante. Era engraçado. Inteligente... Já disse que ele era lindo?

- Mas , - ele disse sorrindo – pra essas perguntas você precisa do pra responder também. Afinal, ele é um dos membros da banda.

- Pode deixar que eu ligo pra ele. – se afastou de nós com o celular. Todo o encanto por ele me oferecer uma barra de Kit Kat tinha desaparecido.

Não demorou muito e vi uma mão abrir a porta. Comecei a pensar que pular pela janela seria uma boa opção. Mas eu estava em um andar alto e meu medo de altura não colabora em nada para qualquer atitude irracional que eu pudesse tomar. Não consegui ver o rosto da pessoa de tantos pacotes do Mc Donalds que ela carregava. Mas estava na cara que era ele. Afinal, porque meu coração ia dar tantos pulinhos ao ver aquela calça jeans praticamente no joelho? E aquela risada, pedindo ajuda... É, era ele e minha vida estava acabada. Escondi meu rosto com as mãos e comecei a cantar uma música de auto-ajuda que eu tinha composto quando era menor, pra não chorar quando tomava vacina. ‘Não chora não, senão não vai ganhar sorvetão.’ Hey! Nem vem exigir muito. Eu tinha uns sete anos quando compus isso. E dava certo. Menos agora.

Ele nem tinha olhado pra trás. Não que eu quisesse. Mas sabe, ele podia olhar só pra que eu visse como ele estava. E pra que ele me visse. Poxa, eu cresci. E tô mais bonitinha. Digo, não tenho mais aquela cara de adolescente espinhenta. Tenho cara de uma menina de 21 anos bem cuidada. andava em direção a uma mesa que tinha bem no canto da sala – a qual eu nem tinha reparado a existência – e deixava os pacotes lá. Só que eram sete. Acho que o Fletch ligou pra ele e contou que tinham duas meninas aqui. Vai saber.
- Como elas chamam e qual é qual? – Consegui o ouvir perguntar pro , que disse que a da direita era a e a da esquerda . E a disse que sorriu ao ouvir ‘’. Será que ele lembra de mim? Tá, a gente namorou por uns três anos acho. Se ele esquecesse meu nome seria uma atitude cafajeste da parte dele. Eu não conseguia olhar pra mesa onde ele estava. Eu acho que imaginei TANTO meu celular tocando que quando fui perceber o toque de I don’t feel like dancing começou a ecoar na sala, fazendo com que na hora que eu pegasse o celular e levantasse o rosto, percebesse que me olhava como se tivesse vendo um fantasma.


Chapter 4

Atendi e como já era de se esperar era Jorge. Tremendo, e claro tentando esquecer os olhos que haviam pairado sobre meus atos destrambelhados e altamente desesperados, tentava responder com concordância e sem gaguejos o que ele falava. Não consegui prestar atenção em uma palavra. Encostei a cabeça na janela e só ouvi palavras soltas como ‘Você... Melly... Morder... Xixi... Sofá’. Tá, e daí que ele mordeu a Melly e eu fiz xixi no sofá dele? Ai meu Deus! A Melly o mordeu e eu fiz xixi no sofá? Ou a Melly fez xixi no sofá e eu o mordi? Meu cérebro não conseguia processar nada no momento, então falei que ligava mais tarde e o mandei relaxar. Desliguei o celular, mas continuei com ele no ouvido respondendo ‘Aham’ pra dar uma disfarçada. Mas a sabia que era mentira. Mas ela ignorou e ficou tirando foto com o , o único que faltava. Só peguei uma parte da conversa, que eu achei bem interessante:

- , certo? – ela deve ter assentido com a cabeça – O nome da sua amiga, a jornalista... É o quê?

- O que o quê? – Comecei a rir baixinho.

- O sobrenome dela, . – Ele disse como se explicasse pra uma criança de seis anos.

- Ah sim! É .

- ? ? – O tom dele mudou de ‘estou falando com uma criança especial’ para ‘eu vou surtar’ em três segundos. Contados por mim.

- É, . Mas por quê?

Agora parecia interessado e ouvi passos em minha direção. Claro que era , querendo saber quem era. Então falei ‘Relaxa, Jorge’ e fechei o celular, olhando para ela.

- Diga.

- Quem era?

- Chuta? O Jorge.

- O que ele queria?

- E avisar que a Melly tinha me mordido e que alguém tinha feito xixi nele enquanto ele tava no sofá, algo assim.

- – ela me ignorou – você ouviu como o ficou quando ouviu seu nome? E sobrenome?

- Isso foi bom ou ruim? – Soltei um sorriso fraco.

- Bom!

Bom? Ele praticamente gritou meu nome como se eu fosse uma aberração. Exemplo: ‘UM MACACO QUE FALA? COMO ASSIM?’ Doeu, tá. Eu tava escutando.

- Acho melhor a gente voltar pra lá.

Ela apontou com a cabeça pra onde os meninos estavam. Eu não queria voltar. Eu queria saber por que o Jorge tinha mordido a Melly. Mas a me puxou pra lá e eu fui meio que tropeçando no salto, mas fui. Na verdade a gente podia esperar eles terem terminado a conversa, certo? Como o sofá que eles estavam era virado para o outro lado, nenhum deles percebeu nossa aproximação. O que foi mais fácil de ouvir.

- ELA ERA SUA NAMORADA? – pareceu não acreditar. – Desde quando você consegue meninas assim, ? Ela tem cérebro. Ela faz faculdade! Ela trabalha.

- Mas quando eles namoravam, ela não era nada disso. – disse.

- É, ela devia ser uma patricinha fútil. Ela tem cara.

Tá. Meu bonitinho disse que eu tenho cara de patricinha fútil. Não vai demorar muito para que eu saia daqui e vá visitar o psicólogo que minha irmã foi depois de colocar suas barbies para nadar na banheira, falar que todas morreram afogadas, fazer um enterro pra elas e passar uma semana chorando.

- Ela sempre foi assim. – Assim como? Patricinha Fútil? – Do jeito dela. Não sei de uma maneira... Dela. – Não consegui controlar meu sorriso. Toma isso, bonitinho! – Encantadora. E eu sei que ela não tava comigo por causa do dinheiro e da fama.

- Muito menos pela inteligência.

- Ou pela aparência.

- Obrigada, , obrigada mais ainda, . – Os ouvi rindo e parando a conversa. Então nós nos aproximamos e eu ia passar reto e sentar na cadeira ao lado da onde eu estava antes, mas me empurrou e cochichou ‘Tenha bons modos’ E lá fui eu, tremendo apertar a mão dele. Pra minha surpresa ele levantou, abriu um sorriso enorme e me abraçou. Ele me abraçou. Forte. E disse que eu sumi. E continuou abraçado comigo. E eu estava com as mãos paradas. Não sabia se abraçava de volta ou não. Meu cérebro não consegue raciocinar sob pressão. Então, decidi abraçar de volta. E como a disse...

Não podia ser tão ruim assim.


Chapter 5

Soltei do abraço e arrumei meu Armani preto, e ele continuava ali parado olhando pra mim. Reconheço que fiquei com medo da forma como ele me olhava. Geralmente pedreiros me olhavam daquele jeito. Não uma pessoa da minha idade, com algum talento que não seja jogar cimento e colocar um tijolo em cima, com dentes e dinheiro. Muito, só pra ressaltar.

- Acha isso bonito, ? Nunca mais mandou notícias! Eu liguei pra sua mãe assim que você tinha ido passar as férias na casa da sua avó, mas... Você não ligou de volta.

- Ah, , desculpa... Minha vida ficou meio corrida depois daquilo. Bom, mas não foi só a minha né, senhor do McFLY.

Ele sorriu. Aquele sorriso que me fazia ter pequenos ataques cardíacos.

- Poisé! Mas nossa, de alguma maneira estranha nossos caminhos se encontraram de novo, .

Maneira estranha tem nome. Chama-se Consuela e cobra 40 libras pra dizer minha sorte do dia do orkut. Mas eu não consegui parar de sorrir. O fato de ele ser mais alto me dava dor no pescoço. Nem saltos resolviam isso. Posso garantir que meu sapato de salto não amenizava meu torcicolo. Então, lembrando porque eu estava ali me afastei e sentei ao lado de que estava surpresa com a minha reação.

- Bom, agora começa realmente a entrevista, certo? Como vocês já sabem, eu sou a e preciso fazer algumas perguntas que vocês devem estar cansados de responder...

X

A entrevista correu tranqüila, tirando alguns momentos em que respondia antes do que eles. Mas era engraçado. O menino do Kit Kat, o , parecia vidrado em cada movimento dela. Coitado do Jorge. Depois da última pergunta já estava guardando minhas coisas e pegando meu celular para chamar um táxi até que o bonitinho resolveu redimir-se.

- Porque vocês não jantam com a gente? – Ele falou sorrindo – O lanche que o trouxe já deve estar frio. Então porque nós não saímos pra comer alguma coisa?

- E a gente coloca o papo em dia, .

- Por mim tudo bem, mas a criança aqui tem hora pra dormir! – E abracei a , meu oposto. Com blusa do McFLY, calça jeans e all star.

- Pára de ser babaca, ! – Ela me deu um empurrão. – É você quem tem aula amanhã, não eu.

Ah, é verdade. Eu estudo enquanto você dorme. Eu trabalho enquanto você... Bom, vem junto. Na verdade ela é bem útil quando me ajuda a digitar as matérias. Tenho certeza que essa ela que vai digitar.

- Esqueceu que amanhã eu não vou? Tenho que cuidar de uns papéis da empresa de decoração da minha mãe. Sabe como é ela resolveu fazer outra viagem pelo mundo.

- De novo? – falou rindo – Não esqueci como sua mãe amava a Suíça e sempre trazia aqueles chocolates divinos.

- É verdade, né. Você sempre comia tudo.

Ele riu e berrou da porta:

– Vamos! Eu já chamei o motorista.

foi andando na frente e conversando com o Kit Kat sobre como tinha sido dura para eles à separação do Blink. Eu fiquei pra trás, andando com dificuldade com os meus saltos. Fiquei impressionada em como a temperatura estava gostosa lá fora. A brisa gelada no meu rosto me fez ficar rosinha. me comparou com um porquinho. Eu só desculpo porque ele é estupidamente maravilhoso. E antes que eu pudesse responder, algumas fãs apareceram na porta do prédio onde nós estávamos. a) foi facilmente confundida com uma fã. E eu? Totalmente ignorada por elas. Então me juntei a o segurança que estava observando de longe enquanto um outro estava perto dos meninos. logo se juntou a mim arfando.

- Cruzes, essas fãs são terríveis! Não deixam eles respirar. Uma até me empurrou e me unhou quando viu que eu estava do lado do .

- , você avançou neles lá em cima. – Disse rindo enquanto o segurança afastava uma fã mais tarada que tentava abaixar as calças do .

- Nem vem! Eu não agi assim. Digo, não tentei tirar a calça de ninguém.


Depois de alguns minutos, eles vieram na nossa direção rindo da fã tarada que quase arrancou as calças do .

- Se ela fosse bonita pelo menos. – O Kit Kat disse. – Mas não, era horrível como a grande maioria das inglesas.

- Mas é claro que temos exceções... – disse olhando pra mim e pra . Na hora eu fiquei meio surpresa, mas comecei a rir. Isso, a rir. Eu sempre dou risada nesses momentos. rolou os olhos. Eu tenho certeza. Eu o vi rolando os olhos quando o falou aquilo! Mas... Ah, deve ser coisa da minha cabeça. Então continuei rindo até que apontou pro carro e foi empurrando pra lá. Agora a não tinha me abandonado pelo Kit Kat guy. Então me senti um pouco melhor. Entramos no carro – e que carro, mas eu não sei qual era. Mas meu pai saberia, tenho certeza. – e todo mundo começou a cantar I wanna hold your hand e outras músicas dos Beatles depois da idéia do (aprendi direito os nomes agora e estou super orgulhosa de mim mesma). Os quatro fizeram uma dançinha estranha e percebi que a) estava nas nuvens. Pensando bem, que fã não estaria? E eu não estava estranhando a presença do ali. Acima de tudo nós sempre fomos muito amigos e acho que isso ajudou um pouco para que a situação não ficasse desconfortável. Quando eu percebi, nós não estávamos em um restaurante e sim em frente a uma casa. Uma casa imensa. Era a casa do bonitinho, porque ele pegou um controle do bolso e abriu o portão.

- Bem-vindos ao paraíso. – Ele falou rindo.

- Paraíso só porque fizeram uma faxina aqui, senão seria... Bem-vindos ao aterro sanitário. – disse e a) riu que nem uma hiena. Que vergonha.

- Podem se sentar. O que as garotas bebem? – Ele disse tirando cerveja da geladeira. Eu odeio cerveja.

- A tomaria champagne, se tivesse. Mas como não tem ela aceita uma coca. Acertei? – piscou pra mim. Ele ainda me conhecia. E bem, pelo jeito. Falei ‘Aham’ e tirou uma coca da geladeira.

- E você ? – O Kit Kat falou.

- Uma coca também. c Acho que eles não estão acostumados com alguém que tem praticamente da mesma idade deles não beber. Então eles resolveram jogar Verdade ou Desafio. Eu não quis. Claro que os desafios iriam incluir atitudes que a alguns anos atrás eu não recusaria. Mas aceitou mais rápido do que eu imaginava e perguntou se eu não ia. Então, peguei uma almofada para colocar entre minhas pernas – para ninguém ver mais do que devia – e sentei no chão.



Chapter 6

- A gente roda essa garrafa – virou o resto de cerveja que ainda tinha e colocou no chão – o fundo responde e a ponta pergunta.

Todos concordaram. Claro que eu não queria jogar. Com certeza a perguntaria algo indevido numa hora ruim. Mas tudo bem. virou a garrafa e disse.

- Ponta pra mim e pergunta pra ! – Ela ficou vermelha – E aí, o que você quer?

- Verdade. – Ele fez uma cara de ‘ai que merda’

- Qual de nós é seu favorito?

- Hey! Isso não vale. É pergunta de sim ou não.

- Saco. O é seu favorito? – Ela olhou pras mãos e disse confiante:

- Não.

- Okay, agora eu rodo! – girou e disse – Eu pergunto e senhor responde. O que você quer?

- Verdade.

- Ai que saco! Esse jogo tá um porre. – deitou de costas pra cima. – Precisa de mais emoção.

- É verdade que... Você já beijou um cara achando que era uma mulher?

Respirei aliviada. Aliviada mesmo. Não sei, mas de alguma maneira o bonitinho parecia saber o que ia perguntar. E fiquei com medo que isso me envolvesse.

- Não! Claro que não!

- Não vale mentir . – deu um tapinha em seu braço.

- É sério! Quem fez isso foi o !

- EU? – Ele berrou – Não fode, ! Foi você sim.

- Eu não! Nunca!

- Ta, já vi que não vai sair nada aqui... Eu rodo de novo. pergunta e responde.

- Hum... Verdade ou Desafio?

- Verdade.

- Você são uns bostas! – berrou. – Odeio vocês.

- Hum... É verdade que foi você quem beijou a mulher? – Disse fazendo aspas no ar. Todos começaram a rir e disse extremamente vermelho.

- É, fui eu sim! Mas eu tava muito bêbado, e só percebi que ela tinha ‘aquilo’ quando eu senti aquilo encostar em mim.

Eca. Eca. Eca. Eca. Eca. Eca. Eca. Eca. Mas ri muito, fato.

- Ai gente, para de rir... – Tadinho do . Acho que ele me odeia agora.

- Eu rodo agora! – pegou a garrafa – Bom... pergunta e responde.

- Verdade ou desafio?

- Verdade. – deitou de novo.

- É verdade que... Eu sou o seu favorito?

- Não.

Hum... Ela nunca tinha me contado qual era o favorito dela. E deve ser o Kit Kat. Eu percebi que ela olha pra ele meio diferente e tudo mais. E que bom que não é o bonitinho. Podia ser o . Eles fariam um casal bonitinho. Não posso deixar de mencionar o sorriso enorme que surgiu no rosto do .

- Eu rodo. – disse irritada. – Ah que ótimo! pergunta e eu respondo. – Ele riu.

- Verdade ou Desafio? Bom, como eu já sei que é verdade... O é o seu favorito?

Ficou um silêncio terrível na sala. Sabe como é... esses joguinhos não são muito bons. Fiquei com medo do que ela pudesse responder e ela só falou secamente ‘Não.’ E abriu um sorriso enorme.

- Que foi, ? Quem disse que é você? – Ela completou.

- Eu sobrei.

- E eu lá preciso ter um favorito?

Ele olhou meio triste pra ela. Sabe, a fica bonita até de all star e blusa do McFLY. Não posso culpá-lo por isso. Fiquei me sentindo mal e pensei que era a hora de dar o troco. Eu vim aqui contra minha vontade. Fiz tudo contra a minha vontade por causa dela. Então, tava na hora dela ter o que merece.

- Posso rodar? – Perguntei levantando e rodando. – pergunta, eu respondo. – Saco! Era a última coisa que eu queria.

- Verdade?

- Sim.

- É verdade que você... Está namorando?

- Não.

Porque raios ele quer saber disso?

- Eu rodo agora. – rodou e disse – pergunta, responde.

Sorri pra ele e acho que ele sabia o que eu ia fazer. Então, nem precisei perguntar e ele já disse com toda convicção ‘Desafio.’

- Desafio você a beijar a .

- Hey! Isso não é justo. O desafio é pra ele, não pra mim. – Outch!

- Ok então. Desafio você a passar uma cantada na .

- Ah, !

- Culpe sua donzela.

E quando eu fui perceber estava ajoelhado na frente dela.

- Pela primeira vez eu li meu horóscopo hoje e ele disse que eu ia encontrar a mulher da minha vida. Eu achei que fosse a , porque não sabia que você vinha junto. Mas depois que eu te vi... Sem ofensas, – Ele olhou pra mim e eu fiz um ‘joinha’ – Eu vi que não poderia ser mais alguém a não ser você.

Acho que não só eu – mas todos naquela sala – estavam perplexos com as palavras que tinha dito. Pelo visto isso não era comum.

- Você lê horóscopo? – disse. Bom, já vi que ele não perdeu o costume de ser babaca. jogou uma almofada nele. Eu também ia jogar. Mas ao perceber que meu vestido não é apropriado para sentar de perna de índio no chão, desisti.

olhava para ele como se ele fosse um macaco que tinha pronunciado as primeiras palavras. Até que ele beijou sua bochecha e sentou ao seu lado. Empurrando-me pra cima do . Não que tenha sido ruim, mas...

- Eu rodo agora. – disse – pergunta e eu respondo.

- Verdade ou Desafio?

- Desafio.

- Hum... Desafio você a pedir desculpas pra mim.

- Por quê?

- Por ter me chamado de patricinha fútil.

- VOCÊ OUVIU?

- Não, , tava consultando minha bola de cristal ai ela disse pra mim.

- Não era pra você ter escutado.

- Não era pra você ter dito. Você me conheceu hoje, não tem o direito de me julgar.

- Você me conheceu hoje, não deveria ligar para o que eu penso de você.

De certo modo é verdade. Porque eu ligava pra isso? Acho que é só porque ele é bonitinho. E tem uma casa bonita. Na verdade é tudo culpa da coca-cola.

- O que custa você pedir desculpas, ?

- Porque eu pediria se eu continuo achando?

AI MEU DEUS. Pode ir preparando seu enterro, . É sério.

- Você por acaso conversou comigo hoje? Você sabe como eu sou? Não. Então não fala nada.

- Eu conheço as pessoas só de olhar, cara .

- Você acha que conhece. Seu idiota prepotente.

Admito, podia ter falado algo mais inteligente. Mas eu fiquei muito irritada. É sério. Então, levantei, peguei minha bolsa e sai batendo o pé. Vi levantando e a segurando, falando pro ir atrás de mim. Bom, pelo menos ele me acha encantadora.

- , não liga pro . Ele é estúpido mesmo...

- Acho que ele não quer uma patricinha fútil na casa dele, certo? Pode ir lá , vou chamar um táxi.

- Não, ! Eu te levo! Vou pegar as chaves.

Ele saiu. Não deu tempo de berrar nem nada. Mas por um lado, eu tinha carona. Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa ele apareceu e abriu a porta pra mim. Falei para ele esperar e voltei pra sala.

- Tchau, meninos. Foi um prazer. - Todos acenaram e falaram ‘também’. Inclusive o idiota prepotente. Ele sorriu pra mim. ELE SORRIU PRA MIM. Eu tô brava, ele não pode sorrir pra mim. Como eu não podia sorrir de volta, mostrei o dedo. – , você ta com a chave?

Ela disse que sim, mas eu duvido. Então eu teria que acordar de madrugada pra abrir a porta pra ela. Então fui até a porta e vi o encostado no carro.

- Vamos?

- Claro. Mas, – eu falei entrando no carro – antes você pode passar na casa do meu amigo? É que a Melly ta lá.

- Melly?

- Minha cachorra.

- Ah, sim. Fala onde ele mora então.

Depois de alguns minutos no carro ele resolveu conversar.

- Como você está? Sua mãe, seu pai... Sua irmã.

- Tá todo mundo bem. Minha irmã virou pintora. Ela não sabe pintar nem nada. E coloca os quadros pra leilão. Então minha mãe sempre compra e dá de presente quando alguém compra algum sofá na loja dela. – Ele riu – E meu pai quando compra larga no porão. Minha mãe expandiu aquela loja de decoração dela e meu pai abriu outro escritório de advocacia. Eu estou na faculdade, terminando já e trabalho em um jornal.

- Uau.

- E você?

- Bom, minha carreira nunca esteve tão bem. Minha banda é famosa e querida. Acho que isso é o mais importante.

- E seus pais?

- Apóiam totalmente. Faz muito tempo que eu não os vejo. Essa vida de artista é dura...

Ele sorriu pra mim e parou o carro. A hora que eu vi estava na porta da casa do Jorge. Então bati e peguei a Melly. Ele já estava meio sonolento e disse que depois conversava comigo. Voltei pro carro.

- Melly, esse é o tio .

Ela pareceu gostar dele. Ela abanou o rabo várias vezes e ficou se esfregando nele. Ela acha que é um gato. Então ela foi pro banco de trás e eu fiquei observando o modo como ela cavava com força.

- De quem é o carro?

- Do .

- Cava com mais força, Melly!

gargalhou e eu percebi que ele estava me olhando. Não me senti muito confortável. Muito menos quando ele tirou o cinto e virou pra mim.

- Você pensou em mim?

- Ahn? Ah sim. Claro né, ... Você foi muito importante pra mim...

- Eu pensava em você todos os dias. Até na hora de compor músicas eu pensava em você. Isso me inspirava.

Ok , devagar porque meu coração tá na boca.

- E eu sempre me culpava por não ter você do meu lado. A maior besteira que eu poderia ter feito foi ter te deixado ir. Foi não ter falado que eu não queria ser só o seu amigo e seguir um caminho diferente.

Ai meu Deus. Eu preciso mesmo de um chocolate agora. Nem se fosse um Kit Kat.

- , eu...

- E quando eu te vi, parada na minha frente. Rindo e conversando... Eu percebi como eu senti sua falta. E em como eu fui idiota de deixar ir. Eu sempre quis você, . Só você.

Juro que isso não faz bem pra minha mentalidade. Eu não o amo mais. Talvez só um pouquinho. E antes que eu pudesse responder alguma coisa, ele já tinha colado com braços em volta de mim e tinha me beijado. Fazia tempo que ninguém fazia isso. Considerando que meu último namorado era um professor de francês que falava inglês de uma maneira engraçada. Mas ele era gostoso. Mas ele não era... O . Eu podia muito bem ter afastado ele de mim, mas não. Como uma boa pessoa eu devolvi o beijo e coloquei meus braços em volta do pescoço dele.


n/a: Desculpem a demora pra att! Sério, desculpa mesmo. É que eu sou desmemoriada e se as pessoas não me lembram que eu tenho fic aqui eu nem lembro. :( Mas enfim, obrigada pelos comentários, mesmo que tenham sido bem poucos... E eu odeio quando não tem comentário, porque daí eu acho que não tem ninguém lendo e mesmo me lembrando, não dá vontade de atualizar. E por fim, antes que eu me esqueça, queria agradecer à Maricotinha <33333, por me cobrar todos os dias por atualizações e por ser tão fofinha! That’s all folks. Beijos!