I'm Yours



Capítulo 1 - Fechei-me para o amor Eu não preciso sentir dor...

Ouvi o maldito despertador zunir em meu ouvido. Tentei fazê-lo parar... Sem sucesso. Resolvi então tacá-lo longe. E, diga-se de passagem, já é o quinto despertador quebrado neste mês.
Resolvi levantar de vez, ao ouvir um berro estrondoso de dona , que deveria ser cantora de screamo. Levantei meio cambaleante, bosta, bela maneira de começar a semana, uma puta ressaca!
Fui até o banheiro vendo a minha imagem. Assustei-me; cara, eu tô só o pó da rabiola. Escovei os dentes e fiz minhas necessidades básicas diárias. Fui até o quarto me vestir. Coloquei uma calça jeans, uma camisetinha roxa super fofis da Pink Devil do tokidoki - já disse que amo os personagens da tokidoki? Pois é... Eu amo! Enfim, calcei meus vans e passei meu incrível perfume que titia Alice me deu, Carpe Diem!
Desci às presas. Sim, estou atrasada, para variar um pouquinho!

Corri feito louca para a escola. Eu tinha prova na primeira aula, e se não chegasse a tempo, a professora cara de Tramontina não me deixaria entrar.
Cheguei a tempo de ouvir o sinal, encontrando-me com , minha irmãzoca!
- Hey, guria, atrasada de novo? – brincou.
- Está tão óbvio? – perguntei, tentando “caçar” um pouco de ar.
- Básico. Vamos? – ela perguntou, esperando que eu a seguisse.
Fomos para a sala. As aulas que se passaram foram um porre. Nunca quis tanto ouvir aquele som estrondoso do sinal.

- Eu juro que um dia antes de sair da escola, eu quebro este sinal! – falei para a enquanto caminhávamos até a cantina.
- Pode deixar que eu te ajudo! – falou antes de acenar para uma única mesa.
Olhei para onde ela acenava. Vi e já sentadas guardando o nosso lugar. Corremos para lá antes que algum indivíduo roubasse.
- E ae, bitches? – perguntou antes de tomar um gole do suco de abacaxi.
- Meu, ainda quero matar aquela bruaca... – esbravejou .
- Que bruaca? – perguntei enquanto abria cuidadosamente o pacote de Ruffles.
- A professora mexerica. – respondeu.
- O que ela fez desta vez? – perguntei.
- Me deu nota 8! Minha pesquisa valia 10, mas ela disse assim – se levantou e começou a imitá-la. Abaixou-se como corcunda e afinou a voz – Você não teria capacidade mental de fazer tal relatório, conforme o proposto, tirará 8!
- Ah, , nem liga, mulher, pensa... Você ainda tira 8 e eu, que nem passo dos 6! – falou antes de roubar-me uma batata.
- Isso é verdade! – exclamou.
- Ae garotas, vamos sair hoje? – perguntou.
- Nem vira pra mim... prometi à mamis que levaria o Fênix ao veterinário! – respondi logo.

Conversamos mais um pouco antes de ouvirmos o sinal tocar. A próxima aula seria de Ed. Física, ou seja, papear!
Como eu e tínhamos essa aula juntas, fomos para o nosso “esconderijo”, ficamos embaixo do pé de cerejeira. Começamos a jogar papo fora...
- ... e aí... fiquei sabendo que o Lucas pediu para ficar com você!
- Nossa... – espantei-me. – As notícias voam, heim.
- Sem zoeira agora, por que você não aceitou?
- Porque eu não quis, ué! – respondi indiferente, afinal, não devo satisfações da minha vida para ninguém!
- , você mesma disse que ele era o maior gato. O que a fez mudar de idéia?
- Nada! – respondi, já sem paciência.
- Depois que você se relacionou com o David, você mudou!
Ok... eu não era obrigada a ouvir. Apesar de saber que tudo era verdade, eu não queria, ou melhor, ainda não estava preparada para enfrentar a verdade.

- Tá bom, , chega de lição de moral, hoje eu não estou com saco para isso. Preciso ir, assina a lista de chamada para mim? – pedi, nem ouvindo sequer a resposta da mesma.
Afastei-me rapidamente. Era uma tortura retornar a certas lembranças, tudo o que eu mais queria era removê-las de minha mente, e comentar delas era a última coisa que eu queria.
Andei rapidamente. Eu queria chegar logo em casa e tomar uma aspirina para ver se essa dor insuportável passava, mas fui impedida por uma voz...

- Hey... eu tô perdido!


Capítulo 2 - Uma ou duas vezes foi o suficiente E foi tudo em vão...

- Hey... – ouvi uma voz atrás de mim.
Virei ao mesmo instante. Olhei para o garoto que falava comigo.
Cara... Uau... De onde saiu esse Deus grego? Encarei-o de cima a baixo.
Ele era loiro, tinha os cabelos desalinhados em forma de franja. Seus olhos. Ah, que olhos... eram azuis feito o céu, e tão penetrantes quanto qualquer coisa que se pode imaginar. Ele usava uma bermuda preta, um tênis que pude identificar como da DC e uma camiseta do Blink 182. Ele também estava com um boné virado para trás, e posso informá-los, ele era perfeito.
- Eu tô perdido! – ele disse por fim. – Você poderia me ajudar? – ele pediu.

Ah, querido... como não ceder a um pedido desses?
- Depende, para onde você vai? – perguntei.
- Procuro a padaria. Disseram que ficava neste quarteirão... – ele disse olhando para os lados, procurando a tal padaria.
- É... acho que você realmente se perdeu... a padaria fica para lá – apontei para o leste – E não para cá!
- É... eu estou perdido! – ele disse por vencido. Sorri. Cara... ele é tão... TÃO! – Se não for incômodo, poderia me mostrar onde é? – ele pediu com cara de cão sem dono.
- Posso... com uma condição... – respondi.
- Qual? – ele perguntou.
- Se você for levar meu cachorro ao veterinário comigo! – respondi.
- Bom... – ele se pôs para pensar – Acho que posso fazer esse sacrifício! – ele respondeu antes de abrir um sorrisão. – Ah... e antes de tudo... me chamo Dougie!

Fomos até a padaria, mostrei-o o caminho mais fácil e ele sempre se mostrava interessado. Finalmente ele comprou o que queria e fomos embora. Fomos nos conhecendo e, cara, ele é muito fofo.
- Então, você veio da Inglaterra para cá? – perguntei.
- Sim... sou britânico! – ele disse sorridente.
- E eu sou brasileira... – sorri.
- Ué... – ele me encarou. – E que raios você faz aqui na Califórnia? – ele perguntou.
- Vim morar com minha mãe... – respondi.
- Seus pais são separados? – ele perguntou.
- Não... é que eu nunca quis sair do Brasil... então fiquei na casa de minha avó enquanto meus pais vieram para cá... depois de 1 ano, senti falta deles e vim morar aqui! – contei a ele.
- Nossa... que loucura... – ele disse sorrindo.
- Bem... – sorri, parando. – Esta é a minha casa... – falei parando na frente da mesma.
- Legal... a minha é aquela ali. – ele apontou para a casa cor vinho do outro lado da rua.
- Nossa... somos vizinhos... – sorri.
- Eu acho que te persigo! – ele disse. – Mas e aí... que horas você levará seu cachorro ao veterinário?
- Ah... não precisa ir não... eu estava só brincando! – sorri envergonhada por ver que ele havia levado a sério.
- Ah... qual é... faço questão... Aliás, assim eu não fico tão sozinho!
- Ok... Então umas três horas eu tô saindo, pode ser?
- Sem problemas! – ele sorriu. – Então... até logo... – ele se despediu dando um beijo em meu rosto e indo até sua casa.

Fiquei parada por alguns minutos. Meu Deus...
Entrei finalmente em casa dando um oi rápido a Madeline, nossa empregada, e subi ao meu quarto.
Entrei e tranquei a porta. Deitei em minha cama que ainda estava desarrumada, para dizer a verdade, odeio arrumar a cama.
Deitei-me confortavelmente. Como um ladrão, Dougie veio aos meus pensamentos novamente, chegando do nada. Assustei-me. Estava acontecendo de novo, e eu pressentia que desta vez seria pior.
Já não bastava tudo o que sofri? Parece que eu não aprendia mesmo a lição!

Resolvi ir tomar um banho... Eu tinha que removê-lo de minha mente logo...


Capítulo 3 – O Tempo começa a passar antes que você perceba que parou nele...

Alguns dias se passaram desde que conheci Dougie.
A cada dia ficávamos mais próximos e eu percebia o quanto ele era parecido comigo.
Meus pais já o conheciam, viam-no como um garoto de ouro, afinal, ele era!
Sempre dávamos um jeito de sair com a galera...

Meus pensamentos foram interrompidos pelo celular... Ótimo, eu agora dei de viver no mundo da lua!
Atendi e era ele no outro lado da linha.
- Hey, baby... – Ele disse. Sorri com o seu “olá” improvisado.
- Oi, Dougie... Como vai?
- Bem... Tá a fim de dar uma volta?
- Estou sim... Já saio! – Falei.
- Tá bom... Estou esperando!

Desliguei o celular e fui me aprontar. Parei de frente ao guarda-roupa olhando para as diversas roupas... Apesar de muitas, não conseguia escolher sequer uma. Por que isso agora? Nunca fui uma garota de ficar demorando muito para se aprontar!
Deixei os pensamentos de lado e fui me aprontar logo...
Ok... Vou bem Clean... Acho que assim o Dougie irá gostar!

Coloquei uma bermuda preta, uma babylook preta do Pen Penguin, personagem do skelanimals, e uma sandália baixa. Fiz um rabo de cavalo e fui saindo quando ouvi o telefone tocar...
- Alô? – Atendi.
- E ai, garota... Como vai?
- Oi, ... Eu vou bem e você? – Perguntei um pouco nervosa, afinal, estava atrasada.
- Eu também estou bem... Mas e aí, vai fazer que agora?
- Dar uma volta com o Dougie! – Falei indo até a janela e vendo-o sentado na calçada olhando para o céu.
- Sei... É assim que começa, heim! – zoou.
- Cala a boca, ... – Ri de seu comentário, ainda o encarando.
- , me fale a verdade... Ele não é o tipo do cara que a gente quer se pegar às escondidas?
- Ele? Bem... – Parei para pensar.
tinha razão... Ele é o tipo de cara que a gente simplesmente quer se catar em qualquer lugar... E eu não sabia sequer o que estava fazendo...

- Ah ... Pára de me embaraçar, caramba... Tenho que ir, tchau! – Desliguei o telefone na cara dela.
Parei novamente de frente à janela olhando seus traços.
Ele era perfeito, na medida certa!
Não... Isso não estava acontecendo... NÃO PODIA ACONTECER!
De novo não!
Voltei a me concentrar e desci as escadas. Respirei fundo antes de abrir a porta. Saí o encontrando lá, ainda sentando, mas agora, encarando-me.

- Foi fabricar a roupa? – Ele perguntou sarcástico.
- Não necessariamente... Vamos? – Perguntei vendo-o se levantar.
- Vamos! – Ele disse pegando em minha mão e caminhando ao meu lado.
Ok... Eu vou fingir que não senti isso que senti... Fingi que nada aconteceu... Mas quem eu quero enganar?
Já estou até vendo... Essa será uma longa tarde!

Capítulo 4 – Mas alguma coisa aconteceu pela primeira vez que estive com você...

Fomos até a praia. Ele comprou sorvete para mim e ficamos sentados um pouco lá na areia. O mar estava surpreendentemente calmo e muito gostoso de ficar vendo.
Senti que Dougie encarava-me então voltei minha atenção a ele...

- O que foi? – Perguntei ao comprovar minha teoria.
- Nada... Só estava me lembrando de uma música aqui, mas nada demais... – Dougie respondeu meio envergonhado.
- Que música? – Perguntei curiosa.
- Ah... Uma aí... Acho que você nem conhece... – Ele disse ficando repentinamente corado. Estranhei.
- Querido... Esqueceu que sou ótima em quesito musical? Fala aí... – Pedi.
- Conhece Jason Mraz? – Ele perguntou por vencido.
- Ér... Não... – Respondi.
- Enfim... Ele tem uma música que, eu diria que é... – O interrompi.
- Fofa? – Apostei.
- Não...
- Emo? – Mal o deixei falar.
- Não... É...
- Samba? – Perguntei.
- Interessante! – Ele respondeu por fim...
- Ah... E como ela é? – Perguntei.
- Você não quer que eu cante aqui, não é? – Ele perguntou encarando-me meio assustado.
- Qual é? Você já fez coisas piores... – Respondi tentando convencê-lo.
- Tipo?
- Ah... Não me lembro de nenhuma agora, mas eu tenho certeza que você já fez! – Respondi cinicamente.
- Aham... Sei! – Ele respondeu segurando o riso.
- Ah gatinho... Vai... Canta para mim... – Pedi fazendo a melhor cara de cão sem dono.
- Hum... – Dougie fingiu-se pensar sobre o assunto – Canto... Com uma condição. – Ele disse fazendo sua melhor cara de sapeca.
- Qual? – Perguntei.
- Enquanto eu canto você dança comigo! – Ele respondeu sorridente.
- Ah... Eu vou parecer uma louca! – Respondi inconformada com a tal hipótese.
- Então não canto! – Ele respondeu.
- NÃO... – Berrei dando-lhe um susto – Eu danço vai... – Respondi xingando-me mentalmente.
- Ok... – Ele sorriu animado.

Ai... O que não faço por aquele garoto. Enfim... Levantei-me junto a ele, ainda bem que a rua não estava tão movimentada, afinal, já estava anoitecendo.
Dougie pegou minha mão e puxou-me colocando um ritmo em nossos passos um pouco animado.
Sorri. Cara... Isso vai para o livro de micos anuais.
Dougie começou a cantar. Admito, o garoto tinha uma voz penetrante que me fazia estremecer, ouvi atentamente a cada frase que ele cantava perto de meu ouvido...

Bem, você me pegou de jeito e pode apostar que eu senti
Tentei ficar frio, mas você é tão quente que me derreti
Eu caí bem no meio de um buraco
E vou tentar voltar
Antes que essa sensação boa acabe, darei o meu melhor

Ótimo... Ele estava olhando para meu rosto e lembrando-se desta música. Sou só eu ou todos já perceberam que isso quer dizer algo a mais?
Encarei-o. Ele cantava como se nada estivesse acontecendo, mas, fala sério... Algo está acontecendo... Entre nós.

Nada me deterá a não ser uma intervenção divina
Reconheço que é minha vez novamente
De ganhar alguma ou aprender alguma coisa

Meu coração está disparado. E por quê? Não havia o porquê de ele estar assim! Mas admito... Ele está. E muito forte! Sua voz entra em meus ouvidos parecendo bombas. A velocidade delas é inigualáveis e eu já não sei mais se conseguirei deter tal sentimento.

Capítulo 5 – Meu coração se derreteu pelo chão encontrando algo verdadeiro...

Não vou mais hesitar, não vou
Não dá pra esperar, eu sou seu


Senti Dougie aproximar nossos rostos e cantar um pouco mais suave. Parei para encará-lo e percebi que ele fazia o mesmo. Eu não sabia o que fazer... Me movia ou ficava parada? Encarava-o ou pensava em qual passo faria depois? Minha cabeça estava pesada, e eu sentia que algo estava nascendo!

Então, abra sua mente e veja como eu vejo
Abra seus planos, e caramba, você está livre
Olhe em seu coração e você encontrará o amor, amor, amor, amor


Cada frase que ele cantava mostrava o quanto ele estava se tornando único para minha vida. Meus planos, todos eles estavam indo por água abaixo.
Eu tinha planos, seguir uma carreira solitária e feliz, mas ele acabou de mudar o rumo... Acho que encontrei o que tanto temia!

Ouça a música do momento
As pessoas dançam e cantam, como uma só família
Eu gosto da pacífica melodia
É um direito divino seu ser amado, amado, amado, amado


Ele pegou em minha mão fazendo-me rodar de uma forma desajeitada. Sorri, apesar de ainda estar impactada com a música. Será que eu merecia isso que ele acabara de cantar? Será que eu me encaixava neste meio? Será que eu consigo suportar mais uma dor?

Então, não vou mais hesitar, não vou
Não dá pra esperar, tenho certeza
Não precisa complicar
Nosso tempo é curto
Esse é nosso destino, eu sou seu


Meu estômago embrulhou. Senti algo gelado escorregando pela minha espinha. Encarei-o e ele não tirava esses lindos olhos azuis de cima de mim. Se esta me incomodando? Nem um pouco, afinal, viajo pelo azul deles. Mas só gostaria de entender do porquê dele estar se aproximando tanto... E... Não consigo reagir...

V-v-vo você, mas você, v-v-vo
Mas você quer vir pra cá?
Chegue mais perto, querida
Que vou dar uma mordidinha na sua orelha


Dougie aproximou-me de seu corpo deixando-me perigosamente colada nele. Cantando essa parte ele deu uma leve mordida em minha orelha fazendo-me tremer até a base. Cara, o que está havendo com ele?

Passei tempo demais olhando minha língua no espelho
E inclinando para trás para ver melhor
Mas meu hálito embaçou o vidro
Então desenhei nele um rosto feliz e sorri


Ele cantava e encarava-me. Sorriu e não pude deixar de sorrir. Ele me encantava com sua simples forma de ser e eu não sabia mais o que fazer. Cara, ele mudou meus pensamentos... E isso esta me assustando!

Acho que quero dizer é que não há razão melhor
Para deixar a vaidade para trás e apenas seguir o ritmo
É o que queremos fazer
Nosso nome é nossa virtude


Ele cantava sem problema algum. Senti que ele não se importava mais com nada, e eu começava a segui-lo. Algo impossível. Sim, impossível, ele não tinha o direito de me mudar desta forma, apesar de sequer ao menos perceber...


Capítulo 6 – Enquanto todos me olham achando que estou ficando louca

Então, abra sua mente e veja como eu vejo
Abra seus planos, e caramba, você está livre
Olhe em seu coração e você descobrirá que o céu é seu


Dougie aproximou-se novamente sussurrando este trecho, me arrepiei novamente. São detalhes assim que me fazem flutuar e esquecer quem sou. Cada palavra que era dita por ele percorria meu coração como se fosse melodia, era tudo o que eu mais queria ouvir e já fazia tempo, apesar de tentar retrucar e dizer o contrário.

Então, por favor não, por favor não, por favor não
Não precisa complicar
Pois nosso tempo é curto
Esse, esse, esse é o nosso destino, eu sou seu


Ele terminou de cantar e meu coração pulsava mais rápido que de um recém-nascido. Eu não sabia o que dizer... Fiquei estática. De fundo pude ouvir algumas palmas, olhei para o lado e vi alguns curiosos olhando para nós, provavelmente acharam que somos retardados... Mas isso realmente não importava. Não agora!
Encarei-o sem pudor. O que ele acabara de cantar era verdadeiro ou era algo que veio à sua mente ao nada? Esta dúvida me perturbava e eu não sabia se eu perguntava ou se deixava o tempo responder.

Dougie se aproximou novamente de mim e envolveu seus braços ao meu redor.
- Desculpe... – ele sussurrou.
- Pelo quê? – perguntei confusa.
- Por não conseguir evitar... – ele respondeu muito vago.
Encarei-o agora sem entender, por que ele não podia ser mais óbvio e dizer logo o que havia?
- Evitar o quê? – perguntei.
- Me apaixonar por você! – Dougie respondeu encarando-me.

Eu perdi meu chão. Eu não sabia identificar se estava caindo ou apenas flutuando... Era inimaginável e ao mesmo tempo esquisita.

Capítulo 7 – Mas eu não me importo com o que eles dizem, estou mesmo apaixonada por você.

Passaram-se alguns dias e admito que não falei mais tanto com Dougie. Eu o evitava, mas sentia sua falta. me ligou para ir à casa dela e estava me preparando para ir quando o telefone tocou...

- Alô? – atendi enquanto puxava minha calça, com dificuldade, para cima.
- ? – ouvi sua voz ecoar. Meus sentidos pararam... Entrei em colapso. Era ele!
- ! – gaguejei.
- Oi... Tudo bem? – ouvi-o perguntar.
- Estou sim e você? – perguntei ainda baqueada.
- Estou bem... Mas sinto sua falta! – ele respondeu.
Putz... Senti meu estômago revirar. Ótimo... Está acontecendo DE NOVO.
- Desculpe! – respondi sincera.
- Tudo bem... – percebi em sua voz que estava mais feliz. – Está a fim de pegar um cinema?
- Que horas? – perguntei.
- Se você quiser, agora! – ele respondeu.
- Agora não dá... ‘Tô indo para a casa da ... – respondi com um pouco de tristeza na voz.
- Faz assim então... Te pego lá umas 7... Pode ser? – ele perguntou.
- Pode... Vou te esperar, viu?! – falei brincando.
- Não desmarcaria por nada! – ele respondeu e pude perceber que ele sorrira.

Nos despedimos e, admito, eu estava com um sorriso extremamente besta na cara. Perfeito... Agora sou uma trouxa apaixonadinha, só espero que ninguém descubra...

ALGUNS MINUTOS DEPOIS...

- A ‘tá gamadinha, a ‘tá gamadinha! – me zoava.
- Cala a boca! – respondi sem paciência.
- Fala sério... Tanto garoto e tu vai pegar bem o Poynter? – disse com nojo na voz.
- Eu não vou pegá-lo! – respondi.
- Já pegou? – zoou.
- Não... Dá para parar, ? – pedi nervosa.
- , convenhamos... Ele é um merda! – pronunciou-se.
- Verdade... Desde quando um garoto de banda tem “futuro”? – a ajudou.
- Ele não é um merda, não fala assim dele! – o defendi.
- Hum... Já está defendendo o namoradinho... – zoou.
- ... Se você não tem o que falar, então, fecha a boca! – respondi nervosa.
- Fala sério, ... Olha o tipinho que ele é! – dizia com pudor.
- Ela está certa, olha a diferença dele pelo David! – a apoiou.
- David foi um erro! – respondi sem paciência.
- Meu... Deixa a menina – tentou me defender, em vão.
- Ah tá... Você que está errada... – dizia.
- O Dougie é um sem noção... Você irá se afundar com este garoto, escuta só! – afirmou.
‘Tá... Eu estava visivelmente nervosa. Elas não tinham o direito de dizer essas coisas dele, afinal, mal o conheciam...
- Olha... Querem saber... ‘Tô indo nessa! – respondi me levantando.
- Já vai para a casa do namoradinho? – perguntou.
- E se eu for?... Não é da sua conta! – respondi rispidamente saindo.

Capitulo 8 – Eles tentam me afastar, mas eles não sabem da verdade...

Saí da casa de irritadíssima. Comecei a caminhar sem rumo, tudo o que eu mais queria era ficar sozinha.
Meus pensamentos rodavam pela minha mente. Eu estava confusa.
Num impulso, liguei para Dougie...

- Alô? – Ouvi-o.
- Dougie... – falei visivelmente aliviada.
- Oi, minha querida... O que houve? – ele perguntou.
- Você pode vir aqui na pracinha? – perguntei.
- Perto da lan?
- Isso! – afirmei.
- Posso sim... Você está bem? – ele perguntou preocupado.
- Não muito... Por favor, não demora... – pedi.
- Não demorarei! – ele respondeu.

E cumpriu. Rapidamente o vi se aproximando. Corri ao seu encontro e o abracei. Eu estava nervosa. Também... Ninguém merece brigar com suas melhores amigas por um único garoto.
- O que foi, anjo? – ele perguntou alisando meus cabelos.
- Nada... Só me abraça! – pedi escondendo-me em seus braços.
- Se acalma, querida... Não importa o que houve... Irá passar! – ele disse ajudando-me.
- Mas não passa... – falei com a voz trêmula.
Dougie fez-me olhar para ele, vi seus olhos azuis penetrarem sobre mim, e incrivelmente, o mundo parou.
- Eu estou contigo... Nada te afligirá... – ele respondeu esboçando um sorriso.
Sorri e o abracei mais ainda. Resolvemos nos sentar um pouco e ficamos lá por alguns minutos me silêncio.
A presença dele era magnífica, não sei como identificar, só sei que era bom demais do que eu poderia imaginar.
- E aí... – ele começou a puxar assunto – Vamos ao cinema?
- Vamos... – respondi sorrindo. – Que filme iremos ver? – perguntei.
- Bom... – ele se pôs a pensar – Tem um que acho que você irá gostar!
- Qual? – perguntei curiosa.
- Você só vai descobrir lá... – ele respondeu, se divertindo ao ver minha curiosidade.
Dougie levantou-se e me puxou. Fomos para o carro, enquanto eu tentava de qualquer maneira descobrir que filme seria.

Capitulo 9 – Meu coração esta trancado por uma veia que eu a mantenho fechada...

Chegamos à sala do filme. O filme que vimos era P.S. I Love you, que achei REALMENTE lindo.
- Cara... Quase chorei. – admiti.
- Eu percebi... – ele sorriu.
- Canalha... – respondi. – Ah... Mas sério... Aquele filme é lindo!
- É... – ele concordou.
Olhei-o de escanteio. Ele mantinha um sorriso suave, suas mãos em seus bolsos e seu olhar baixo, não sei porquê mas senti um arrepio no estômago.
Cara... Por que eu tenho de sentir isso? Eu não posso estar gostando dele!
- Quer uma foto? – Ouvi-o dizer e encarar-me com um sorrisinho sacana.
- Ér... – fiquei meio sem reação e o mesmo riu.
- Brincadeira, querida... Não me importo de ter seu olhar sobre mim! – ele disse.
- Nada modesto! – respondi envergonhada.
- Um pouquinho! – ele respondeu dando uma piscadinha marota.

Ficamos em silêncio. Caminhávamos sem rumo, mas eu não podia negar de que estava amando.
- Cara... Tô aqui me lembrando do dia que te conheci! – Dougie disse do nada.
Ri. Lembrei desse dia, realmente, foi BEM interessante!
- Posso dizer que sua cara era a melhor! – afirmei.
- Mas você quer que eu faça o quê? Eu estava perdido! – Dougie disse fazendo cara de cão sem dono.
- Oh pecado! – brinquei. – Como uma pessoa foi capaz de se perder tão facilmente?
- Uma pessoa que nunca sequer conheceu este lugar! – Dougie respondeu.
- Tá... Você ganhou! – falei por fim.

Chegamos perto de casa, não estávamos nem um pouco a fim de entrarmos, então acabamos sentando na calçada enquanto conversávamos...
- Como assim você se esqueceu? – falei fingindo-me estar indignada.
- Sério... Eu não me lembro! – Dougie respondeu normalmente.
- Mas o Fênix até te deu uma lambidona lá no consultório! – respondi.
- Já disse que não me lembro, só me lembro de uma única coisa! – ele falou.
- Do quê? – perguntei curiosa.
- De como você estava linda naquele dia... E de como comprovei que você não era só linda por fora e sim por dentro! – ele falou deixando-me sem reação. – Só me responda algo... Por favor... Será que um dia eu terei a chance de controlar os seus pensamentos a fim de saber que sou o único por quem seu coração se acelera e suas mãos suam frio?


Capitulo 10 – E você me corta e eu... Continuo sangrando, continuo, continuo sangrando de amor

– Só me responda algo... Por favor... Será que um dia eu terei a chance de controlar os seus pensamentos a fim de saber que sou o único por quem seu coração se acelera e suas mãos suam frio?
AI MEU DEUS.
O que eu respondo?
Meu olhar não saía do dele, e eu via em seus olhos uma esperança que não morria.
- Dougie... Eu... – comecei a dizer meio envergonhada, afinal, nenhum garoto nunca havia sigo TÃO direto assim como ele!
- Desculpe... Eu forcei a barra... Foi mal! – Dougie respondeu visivelmente chateado.
- Não... Não é isso... – falei rapidamente para que ele não desistisse de... mim.

Ficamos alguns minutos nos encarando. Minhas mãos estavam trêmulas e a vontade que eu mais tinha era de tirar todo esse mal de dentro de mim e dizer a ele tudo o que esta entalado aqui dentro.
- Me desculpe, Dougie, mas não sei se posso te responder algo assim agora! – falei a ele sentindo uma ponta de arrependimento.
- O importante é que eu não te perca! – ele respondeu meio desapontado.
- Seria impossível! – respondi.
- O quê? – ele perguntou.
- Me perder... – afirmei.
- Mas... – ele parecia confuso – Eu nunca a tive...
- Você que ainda não percebeu! – me aproximei mais dele e abracei-o – Você me tem desde a primeira vez que cruzou seu olhar ao meu! – falei rapidamente dando um beijo em sua bochecha e me levantando.
- Tenho que entrar! – falei rápido sem encará-lo.
Rapidamente entrei em casa. Eu não sei se o que falei foi algo bom, mas por pouco tempo tirou um peso em meu ser. Corri até meu quarto evitando falar com qualquer pessoa que cruzasse meu caminho.

Entrei rapidamente e fui direto à janela. Pude vê-lo caminhando até sua casa. É incrível como essas borboletas tendem a voar em momentos importunos! Vi-o entrar em sua casa. Saí da janela e deitei em minha cama abraçando minha almofada, a noite foi realmente boa! Só espero que eu não me arrependa de nada.