How it’s like to be loving you
Capítulo 1
Oh, beautiful release memories
seep from my veins
Então eu fechei a porta.
Estava me sentindo completamente exausto. Tudo o que eu queria no momento era uma cama quente e fofa para deitar, afundar para ser o mais exato possível. E queria a minha cama, não a porra da cama de um hotel.
Mas que cacete! Estou até parecendo um gay falando essas coisas. Quem ouve vai pensar que eu, maioral, passei para o outro lado...
Porra, mais que dor de cabeça!
- Boa noite, Sr. . – o atendente disse, estendendo a chave na minha direção – Como foi o show? – o sotaque dele era péssimo.
- Muito bom. – parei - Aliás, como todos os outros que eu já fiz. – respondi com aquele ar que muitos tentam imitar, mas só o papai aqui possui.
- O senhor vai... ah... Receber visita essa noite? – ele perguntou sem me olhar.
- De que tipo de visitas você está falando? – retruquei, mesmo sabendo exatamente de que tipo de visita ele estava falando.
- O senhor sabe... – ele me olhou – O mesmo tipo que o senhor recebeu ontem.
- Ahhhh! Esse tipo de visita. – dei um sorriso idiota – Não precisa se preocupar. Tudo o que eu mais quero essa noite, é bater na minha cama e acordar só amanhã. – fui em direção ao elevador, mas voltei antes de chamá-lo – Providencie para que eu consiga dormir tranqüilamente até as dez horas, sem ser perturbado.
- Não precisa se preocupar, Sr. . – ele disse visivelmente mais aliviado agora que sabia que eu não receberia ninguém no meu quarto – Ninguém vai lhe perturbar.
Era justamente isso que eu precisava no momento, um bom e relaxante banho de banheira! Onde a minha única companheira é a garrafa de cerveja que eu estou levando nesse exato minuto a boca.
Porra! Quem é o imbecil que está me ligando as duas da madrugada?
- Que é? – disse do alto de toda a minha educação.
- Senhor , eu sei que o senhor tinha avisado que não queria ser incomodado, mas é que...
- Se você sabe, porque, raios, está me incomodando? – não queiram me irritar quando eu estou cansado, o meu mau-humor tende a se multiplicar por mil nessas horas.
- Mas é que tem uma senhora que quer muito falar com o senhor.
- É caso de vida ou morte?
- O senhor não entendeu...
- É caso de vida ou morte? – só um pequeno aviso, quando eu começo a repetir o que falei é sinal de que a minha pouca paciência está se esgotando a olhos vistos.
- Não senhor. – a voz dele falhou um pouco nessa hora – Mas é que ela disse que é a namorada do senhor. Então eu achei que o senhor, talvez, quando disse que não queria ser perturbado não estava se referindo a ela.
- Eu estava me referindo JUSTO a ela. – respondi firme – Faça o seguinte: diga a ela que quando você ligou para o meu quarto eu já estava dormindo. – nem esperei ele falar mais nada, desliguei logo a merda o telefone.
Era tudo o que me faltava! Que depois de tudo o que aconteceu ela ainda me ligue, dizendo, se é que isso é possível, que é a minha namorada!
Essa garota parece que não entende! Ela não é mais a minha namorada, eu não quero mais nada com ela. Não sei porque é tão difícil que alguém entenda que acabou! Como essa garota é chata!
Falando no diabo...
- Eu sabia que você não estava dormindo coisa nenhuma! - escutei ela fazer um muxoxo – Por que você não quis fala comigo?
- Porque eu estava, realmente, me preparando para dormir, e quando você começa a falar, não pára tão cedo. – apesar de não querer mais ficar com ela, eu não precisava ser grosso. Afinal, o meu namoro com ela foi um dos mais longos que eu já tive.
Ou talvez não tenha sido tão longo assim...
- ? ? Você ainda está aí? – a voz dela chegou aos meus ouvidos como se viesse de bem longe.
- Estou aqui sim. – não sei exatamente porque, mas de repente me deu vontade de continuar, de tentar novamente – Estou sim, princesa. Vou estar sempre.
Respirei ruidosamente.
Há muito tempo que eu não falava esse tipo de coisa, estava até achando que não sabia mais como se falava isso. Mas no fim, acaba saindo naturalmente, é quase uma lei da vida.
- Eu estou bem.
- Mas você está tããããooo longeeee. – ela praticamente cantou essas palavras.
“Não, . Não cante!” Tapei a boca dela.
“E por que não?” Ela me olhou desafiadoramente.
“Você canta muito mal.” Ri da carranca que ela fez.
Porque, RAIOS!, estou lembrando disso?
De onde é que foi que eu tirei essa lembrança? Tanta coisa que eu podia lembrar, porque justo isso apareceu, sem o menor convite, na minha cabeça? Acho que é a cerveja misturada com o sono que estou sentindo que não está deixando eu pensar direito. É isso.
Pelo menos eu espero que seja.
- Tem certeza que você está bem? Estou te achando tão distraído hoje.
- É que eu estou muito cansado, mais do que os dias anteriores.
- E você tem certeza que não quer que eu vá te ver? Posso passar o fim de semana com você.
“Pare logo de fazer manha. Abra logo a porra dessa porta!” Ela tornou a bater.
“Não estou com a mínima vontaaaaa... ATCHIM!” Me enrolei mais no cobertor.
“! Deixa eu entrar! Eu posso cuidar de você!”
“Não, você não pode. Eu estou passando mal, você pode ficar doente também.” Tornei a espirrar.
“E eu me importo com isso? Vamos, , abra.”
Balancei a cabeça, tentando fazer com que aqueles pensamentos loucos saíssem de lá. Talvez essa seja uma boa hora para concordar com a Leona. Quem sabe seja melhor ela vir me fazer companhia?
- Você não precisa se preocupar, eu estou muito bem.
EU NÃO IA FALAR COM ELA PARA VIR ME VER?
MAS QUE PORRA É ESSA QUE ESTÁ AFETANDO O MEU CÉREBRO DESSE JEITO?
Não sabia que o álcool no cérebro fazia tanto estrago. Vou ter que começar a maneirar no consumo dele... – olha para dentro da garrafa, praticamente vazia.
Eu acho que não vou maneirar, porra nenhuma!
****
- Puta que pariu! – exclamei, mais vermelho que um pimentão – Eu não aquento mais essa turnê! Porra, Clark! Você tinha me prometido cinco dias de descanso!
- Mas você vai ter. – ele disse sem tirar os olhos do papel que estava lendo – Eu não disse que não ia.
- Então para quando é essa maldita entrevista? – disse vencido.
- Amanhã pela manhã um carro da emissora vem te buscar aqui no hotel.
- E de tarde eu vou estar no avião de volta para casa? – tentei. Minha mãe sempre disse que com essa carinha que herdei do infeliz do meu pai, ninguém recusa nada para mim.
- Até parece que você não está acostumado com essa correria toda. Você faz sucesso há quanto tempo? Um ano? Dois? – retiro o que disse. Quase ninguém recusa algo para mim, menos o imbecil do meu agente.
- Já entendi, não precisa continuar.
- Você ainda tem mais ou menos uma semana aqui. Depois eu acho que você pode tirar cinco dias de férias.
- Eu vou querer duas semanas. – virei o meu copo de uma vez só – E sem ter que ficar sequer pensando em música. – levantei.
- Mudanças de planos.
- Mas hein? – tirei o travesseiro do rosto – Porra, Clark! Eu tava dormindo. Apaga a merda dessa luz!
- Tava, não ta mais. Levante logo essa sua bunda gorda da cama!
- Para que? Eu acabei de deitar.
- Você tem uma festa para ir nesse exato minuto.
Foi assim que eu vim parar aqui, desse jeito calmo e delicado.
E cá estou eu, em pé segurando um copo com uma bebida esquisita e quente na mão, num lugar onde eu não conheço ninguém.
Minto, eu conheço o Clark, a Cameron e o Tom. Só três em uma festa que deve ter mais de cinqüenta pessoas. Oh, lugarzinho bom esse que eu me meti!
É justamente dessa forma que eu pensei em passar a minha noite, depois de ter acordado às cinco da manhã para gravar um comercial que durou mais de dez horas.
Quero ver como é que eu vou acordar amanhã. Se o Clark está pensando que eu vou levantar mais uma vez as cinco da matina, ele está redondamente enganado. Se continuar desse jeito, vai ser bom ele arrumar um outro cantor otário que acredite nele. Porque esse aqui, já deixou de acreditar no que ele diz há muito tempo.
Cacete! Estou com tanto sono que nem pensar com clareza eu consigo mais.
Pelo menos as mulheres desse país são bonitas. Alguma coisa tinha que ter de bom. Tipo aquela morena ali. Tem tempo que eu não vejo uma mulher tão bonita como aquela. Ela tem um corpo bem feito, lindas pernas...
Esquece o que eu disse antes.
Aquela ali é a mulher mais linda que eu já vi. Sem sombra de duvidas, aquela de cabelo castanho é mais bonita que todas as mulheres daqui.
Será que alguém me apresenta a ela? – olha para os lados – Cadê o Clark quando eu mais precis...
Caraca! Ela é ainda mais bonita de frente! Pena que ela é meio baixa, eu não sou muito chegada nas baixas. Mas, pensando bem, não me incomodo que ela seja baixinha. – sorriso-32-dentes-brancos. Fica até melhor.
Fico aqui pensando se esse bronzeado se espalha pelo corpo todo dela, ou se é focado apenas nos braços e pernas dela. Estou louco para descobrir isso.
Cara, e eu que nunca pensei que pudesse gostar tanto de verde assim.
HEI! Ela me lembra alguém... Só que eu não faço idéia de quem seja. Por mais que eu tente puxar pela memória, nada me vem à mente. Acho que eu, realmente, preciso do Clark.
- Finalmente te encontrei! – Clark parou ao meu lado com os poucos cabelos que ele ainda tinha na cabeça em pé – Está na hora de você ir.
- Mas eu acabei de chegar! – eu vivo dizendo que um dia o cigarro ia fundir a cabeça dele.
- Não importa. – ele começou a olhar desesperadamente para os lados – Você tem que ir embora nesse exato minuto.
- Agora que você vai me apresentar uma garota? – disse maroto.
- Te apresentar? – ele arregalou os olhos – Eu não vou te apresentar a ninguém! Vamos embora logo, !
Espera só um minuto.
Quando ele me chama pelo sobrenome, das duas uma: ou ele está com muita raiva de mim ou ele não quer que eu saiba de alguma coisa. E como eu não tenho dado problema para ele esses dias, logo ele só pode...
- O que é que você não quer que eu veja?
- Não veja? – ele ficou branco – Você pode ver tudo! Principalmente a...
- Brown!– alguém exclamou ao meu lado - Quanto tempo!
Capítulo 2
So tell me you love me,
Come back and haunt me...
E a minha cabeça acompanhou automaticamente, quase como se tivesse vida própria, para onde a pessoa apontou.
E foi com agradável surpresa que os meus olhos se encontraram com os castanhos da minha ex-namorada. Agora, o mais surpreendente disso não era o fato dela estar em uma festa organizada por uma revista de entreterimento, mas sim o fato de que ela estava vestida com um lindo e curto vestido verde!
VERDE! Você tem noção disso? VERDE! Cara, eu tava secando a minha ex-namorada. Como isso é esquisito.
Agora que ela sorriu tudo ficou claro e nítido na minha mente. Ali está o mesmo sorriso, o mesmo olhar, o mesmo jeito de andar decidido, mas não está o mesmo cabelo dourado e ondulado e sim um castanho, liso e curto. É quase como se fosse ela, mas não fosse ao mesmo tempo a mesma pessoa.
Eu sei, isso é confuso demais. Não se preocupe, eu também não estou entendendo nada.
Então era isso que o Clark não queria que eu visse. Vai ver na idéia maluca dele, ele achou que se eu visse a minha ex-namorada, que por acaso eu não vejo a cinco anos, passar bem na minha frente talvez eu surtasse.
“O que você está fazendo?” Tinha acabado de passar na porta do meu quarto, vindo do banheiro, indo em direção a cozinha quando o que a fazia no quarto me chamou atenção “, algum problema?”
“Você acha que os meus seios são pequenos?” Ela virou para mim, segurando os seios. Se eu não soubesse a resposta, com certeza teria dito a primeira coisa sem vergonha que passasse pela minha mente depois de vê-los.
“Do que é que você está falando?” Tentei manter um pouco da minha sanidade mental. Até porque, tudo o que ela não queria no momento era ser agarrada pelo namorado tarado.
“Olha!” Ela apontou para eles “Você não acha eles pequenos?” E eu fui obrigado a olhar.
“Não, eu não acho.” Não sei exatamente em que momento a minha sanidade foi dar um passeio, mas eu estava bem mais longe da porta e bem mais perto dela do que quando começou essa conversa sem noção.
“Pois eu acho!” Ela tornou a virar para frente do espelho. “Vou colocar silicone.” Ela disse categórica.
E não é que ela colocou mesmo?
Meus olhos vagaram, sem pudor nenhum, para... vocês sabem para onde eles olharam. Acho que ela não percebeu o meu olhar, para falar a verdade, acho que nem percebeu a minha presença também. Ao menos, era o que parecia.
- Você não acha melhor a gente ir embora?
- Era isso que você não queria que eu visse, Clark? – falei sem ao menos olhar para ele.
- Não exatamente...
- Não precisa se preocupar, eu não vou fazer nada esquisito. A gente só terminou, nada mais que isso. E além do mais, tem tanto tempo isso, que quase não lembro mais.
Então eu abri a porta.
Como eu já tinha feito tantas vezes antes.
E o que encontrei lá dentro não foi nada do que gostaria de ver.
Como tantas vezes antes.
Não, eu não encontrei a mulher que amo com outro ou nada do gênero. Eu apenas vi a sentada no chão, encostada no sofá com as mãos no rosto, seu peito descendo e subindo em um ritmo muito rápido.
Um choro descontrolado.
Eu tinha certeza que era isso que estava acontecendo.
“...” Chamei incerto, mas sem sequer ter coragem de chegar perto dela “...” Chamei mais uma vez, um pouco mais perto dela. Eu precisava ter coragem, se queria fazer o que tinha que fazer.
“?” Ela levantou o rosto virando aqueles olhos castanhos que eu tanto amo na minha direção “Eu pensei... Eu pensei...” Ela os fechou por um momento “Pensei que tinha te mandado embora.” Ela disso o mais firme que podia.
“Mandou.” Cheguei o mais perto que o bom senso permitia dela.
“Então, o que você está fazendo aqui?” Ela já não chorava mais, mas seus olhos mostravam uma magoa e uma tristeza muito grande.
- Você está bem? – a carranca branca do Clark entrou no meu foco de visão.
- ... – repeti baixo.
Acho que só agora o fato deu estar, depois de cinco anos, no mesmo local que ela entrou na minha cabeça oca. Não sei exatamente o que isso quer dizer, mas acho que não tinha pior hora para isso ter acontecido.
Coisas que a gente viveu, tanto tempo atrás, voltaram a povoar a minha mente depois de não dar sinal de vida há tanto tempo.
Coisas que eu nem sabia mais que ainda lembrava, coisas que eu nem sabia mais que tinha vivido, coisas pequenas, coisas sem importância nenhuma... Coisas que não tinha porque eu lembrar. Coisas como o perfume que ela usava, o cheiro do xampu dela...
Se você me perguntar qual o cheiro do perfume que ela usava, posso responder de olhos fechados. Jasmim.
Se você me perguntar qual o cheiro do xampu que ela usava, posso responder de olhos fechados. Mamão.
Se você me perguntar o que o sorriso dela representava para mim, posso responder de olhos fechados. Tudo.
Tirei o Clark da minha frente, passei pelo meio de um pequeno grupo de pessoas, por entre um casal esquisito e por um grupo de garotas para, finalmente, conseguir parar ao lado da mulher que um dia foi a coisa mais importante da minha vida.
Ela ainda não havia me visto, apesar deu estar apenas dois passos de distância dela. Esse pequeno tempo enquanto eu esperava a minha vez para falar com ela foi o suficiente para saber que todos esses anos fizeram muito bem a ela, o que eu realmente não posso falar de mim. Ela estava ainda mais bonita do que antes, se é que isso era possível. O que realmente não tinha acontecido comigo, tão pouco.
Ela tinha acabado de se despedir da tal pessoa e antes que ela pudesse se locomover mais uma vez para longe de mim, eu toquei de leve no ombro dela. Ela virou na minha direção sorrido.
- Sim? – o sorriso dela continuou por algum tempo, até que eu vi uma pontada de reconhecimento brotar em seu rosto – ? Meu Deus do céu! ! – o sorriso voltou, mas não sei porque, ele me soou um pouco forçado, e até mesmo um pouco falso – Quanto tempo! Já tem o que? Cinco anos que a gente não se vê?
- Por ai. – coloquei a mão no bolso.
- O que você está fazendo aqui? – o sorriso dela agora, parecia ser um pouco mais natural.
- A mesma coisa que todos os outros cantores que estão aqui. – respondi debilmente.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
- Eu não sabia que você estava morando aqui. – ainda mantinha as minhas mãos bem seguras no meu bolso.
- Tem muito tempo que eu moro aqui. Sou editora-executiva da revista. – ela apontou para uma faixa com o nome da revista pendura acima da minha cabeça. Eu não olhei, achei mais interessante continuar olhando para ela e não para uma faixa sem graça.
- O que devo a honra da humilde visita do grande cantor, , ao meu humilde país? – ela perguntou, sorrindo de lado.
- Estou fazendo uma pequena turnê pela região. – balancei a cabeça – Alguns shows, entrevistas, programas de tv, rádio... Essas coisas. Vou dar uma entrevista para a sua revista também.
- Não sabia que iam te entrevistar. – ela olhou para os lados, alguém estava a chamando – Depois a gente se fala. – saiu de perto de mim, mais uma vez preciso acrescentar.
- ! – uma mulher chegou de braços abertos na direção dela – Como estava Bahamas? Não sei como a revista se manteve essas duas semanas sem você! – elas se abraçaram sorridentes.
Agora tudo começou a fazer sentido.
O porquê dela estar corada, o porquê dela não saber que eu ia ser entrevistado...
Ela estava, possivelmente, de férias.
Será que ela foi sozinha?
****
Duas semanas atrás eu estava bem tranqüilo desfrutando da comodidade do meu apartamento, com tempo sobrando para fazer só as coisas que eu gosto de fazer, sem ter que me preocupar com apresentações alguma.
E agora, aqui estou! Nesse país estranho, com um povo que fala uma língua diferente e que na maioria das vezes não entendo nem metade do que falam, nem quando falam na minha língua, para se ter uma idéia.
E para completar, acabei de encontrar com uma antiga namorada minha. Não que isso seja problema, longe disso inclusive. Porque, quantos de vocês trabalham com suas antigas namoradas, convivem com elas ou mesmo esbarram quase todo dia com elas, sem problema algum? Muitos, não é mesmo?
Mas agora, quantos de vocês encontram depois de cinco anos, em outro país, com a única garota que um dia você pensou que talvez, fosse a garota certa para você casar? Poucos, não é?
Pois essa é a minha situação.
Casar...
Só agora que eu me dei conta que era isso que passava na minha cabeça toda vez que ela sorria para mim, toda vez que eu sentia o meu coração bater mais forte.
“Você já pensou em se casar, ?” Perguntei para ela.
“Casar?” Ela virou o rosto para mim “Por que isso agora, ?” Sorriu.
“Sei lá.” Dei de ombros “É que agora que o Matt casou...”
“Ficou tentado a seguir o exemplo dele?” Um garçom parou perto da gente, oferecendo alguma coisa para a gente beber “Não, ele não bebe.” O garçom foi embora.
“Desde quando eu não bebo?” Perguntei divertido.
“Sua mãe não vai gostar de ver você dando vexame no casamento do seu irmão.” Ela sorriu para uma tia minha que tinha acabado de passar perto da nossa mesa acenando para a gente.
“Você não me respondeu.” Tornei a olhar para ela “Já pensou em casar?”
“Não, eu nunca pensei. ” Ela sorriu“Ainda tenho muito tempo pela frente antes de cogitar essa hipótese.”
Olhei nos olhos dela, sem saber ao certo o porquê deu ter perguntado isso para ela. E o porquê da resposta dela ter me deixado tão inquieto.
Será que foi só mesmo influência do casamento do meu irmão?
“Eu adoro essa música!” Ela me olhou com um sorriso encantador brincando nos lábios “Vamos dançar, por favor!”
“Como seu pudesse negar alguma coisa para você.” Beijei de leve seus lábios e fomos em direção a pista de dança. Onde nos abraçamos e começamos a dançar no ritmo da música.
Quando eu tinha por volta de 16, 17 anos, eu dizia que só os grandes babacas é que se deixavam ser amarrados por uma mulher. Que o bom mesmo era ter várias, e não uma única mulher.
Como eu era um idiota naquele tempo.
Tem coisas que a gente só aprende realmente com o tempo. Outras, nem com o tempo você aprende. Principalmente, quando se trata de mulher e de seus corações.
Do jeito que eu falei até parece que eu não tenho um coração. Que ele não bate descontrolado no meu peito sempre que penso como fui um idiota e a perdi para sempre.
Sim, agora eu posso confessar. Eu pensava na muito mais do que gostaria, muito mais do que eu devia, mas muito menos do que ela merecia.
Coloquei a minha mão no meu peito, como para me certificar que o meu coração ainda batia lá dentro. E qual não foi a minha surpresa ao constatar que o ritmo dele estava descontrolado. Ele sabia que ela estava por perto. Mesmo estando muito longe.
Ela.
.
Quem eu nunca mais pensei que tornaria a por os olhos. Que eu nunca pensei que me deixaria desse jeito de novo. Acabado. Isso porque a gente só tinha trocado uma ou duas palavras, mas o jeito frio e distante com que ela me tratou foi o suficiente.
Ela lembra de tudo que teve que agüentar enquanto estava comigo, tudo o que não queria ter passado. Tudo aquilo que eu a fiz passar.
- Porra, mas o que aconteceu aqui? – Aaron entrou ligando a luz do meu quarto – Quando falaram lá em baixo que você chegou de madrugada de uma festa eu não pensei que ia te encontrar desse jeito.
- Que jeito? – perguntei me levantando da cama, onde eu estava sentado desde que havia chegado da festa duas horas atrás – Para falar a verdade, o que você está fazendo aqui a essa hora da madrugada?
- Porra, seu idiota. – me deu um tapa na cabeça - Eu não te falei que eu ia passa aqui quando tivesse indo entregar aquele pacote?B
- Falou? – voltei do banheiro de roupa trocada – Eu não me lembro de ter escutado.
- Estou sem animo para festas. – disse seco.
- Está sem animo, mas em compensação, o mau humor está presente. – ele sentou ma minha cama – Que isso? – pegou um papel que eu tinha largado na cama.
- Mas que merda, ! Aquele era o papel onde a anotou o telefone dela quase dez anos atrás? – não o respondi – Porra, pensei que você já tivesse jogado esse papel fora. – ele amassou e jogou fora – Vai seu idiota, bora sair. Eu não vou ficar na cidade por muito tempo.
Capítulo 3
So, when I’m lying in my bed
Thoughts running throug my head
“Acorda, seu dorminhoco!” Escutei uma voz doce vindo de muito longe “Vai ficar dormindo o dia todo?” Me sacudiram “Vamos” Deram uma risadinha “! Levanta.” Me beijaram.
Abri rapidamente os olhos, e tudo o que eu vi foi uma massa dourada, e um cheiro de mamão entrou por dentro do meu nariz me entorpecendo. Não tinha como eu não reconhecer essa massa dourada com cheiro de fruta.
Tornei a fechar os meus olhos, ela ainda me beijava calmamente. Eu diria que calmamente demais para o meu gosto. Mas do que depressa segurei na nuca dela a trazendo para mais perto, aprofundando o beijo, que de calmo passou para intenso em questão de segundos.
Ela soltou um gritinho, a tinha pegado desprevenida. Eu sorri por entre os beijos, eu gosto de fazer isso com ela. Escorreguei a minha mão da nuca dela, para os ombros, passando a mãos pelos seus braços brancos, levando junto a alça da camisola dela. E conforme ia movimentando a minha língua dentro da boca dela, ia mudando de posição, fazendo com que ela ficasse em baixo de mim.
Desgrudei a minha boca da dela, e comecei a beijar o ombro desnudo dela passando depois para o colo. Beijei o contorno, ainda coberto dos seios dela. Tirei uma das minhas mãos de sua cintura, e segurei num dos seus seios por cima da camisola. Apertei. Ela gemeu baixo perto do meu ouvido.
“Eu tenho que ir...” Ela disse, puxando os meus cabelos.
“Você não vai a lugar nenhum.” Grudei mais os nossos corpos. Nem se eu fosse louco ia deixar ela sair de perto de mim, não no estado em que eu me encontrava no momento.
Ela começou a morder de leve o meu peito, depois subiu para o meu pescoço, deixando a sua marca lá. Tal como eu fazia em seus seios. Ela passou forte as unhas nas minhas costas. Eu gemi. Ela me olhou mordendo o lábio inferior, tentando reprimir um sorriso.
Era a minha vez de provocar.
Me posicionei melhor por cima dela, suprimindo qualquer espaço que ainda existisse entre a gente. Ela agarrou a minha bunda como que para me ajudar. Tirei um seio para fora. O chupei com vontade. Fiz a mesma coisa com o outro.
Parei na metade do movimento. Ela tinha descido a mão até a barra da calça do meu pijama. Fiquei parado esperando o que ela ia fazer a seguir. Ela sorriu para mim, quando percebeu o estado que eu estava.
Eu a queria.
E a queria agora.
Resolvi acabar de uma vez com essa tortura.
Arranquei a camisola dela, de uma vez só. Ela soltou outro grito de surpresa. Fui na intenção de tirar eu mesmo a minha calça, mas ela segurou na minha mão. Eu olhei para o rosto dela, que estava vermelho – não de vergonha – e com alguns fios de cabelo grudados. Ela balançou lenta e sensualmente a cabeça, me fitando.
“Não tão rápido, querido.” Sussurrou “Você não vai fazer isso.”
Ela deu um impulso e passou para cima de mim. Eu arregalei os olhos, o que essa garota ia fazer? Ela sentou no meu colo, se mexendo mais do que esse simples ato pedia. Ela sorriu mais uma vez.
“Você fica muito bonitinho com essa cara.” Ela abaixou e ficou com a boca a milímetros da minha. Achei que ela fosse me beijar, mas não o fez. Eu resmunguei um pouco, eu precisava do toque dos lábios dela. E precisava cada vez mais. Ela rebolou um pouco mais no meu colo. Soltei um gemido rouco e alto. Ela tornou a sorrir, ela sabia o poder que tinha sobre mim.
Fechei os olhos, não agüentava mais ficar olhando para ela, sabendo que ela me torturaria ainda mais. Gemi mais um pouco. Ela com certeza me deixaria louco se continuasse com essa tortura.
Gemi ainda mais alto. Ela tinha começado a se movimentar. Agarrei com firmeza o quadril dela, a ajudando no movimento. Essa demora toda dela ia sair muito caro para ela.
Sentei na cama ainda arfando, meu peito nu ainda subia e descia descontrolado, como se eu tivesse corrido uma maratona inteira. Mas eu não tinha corrido, eu tinha era acabado de acordar.
Coloquei automaticamente a mão na cabeça. Ela estava pesada e dolorida. Fechei os olhos, a claridade estava me incomodando. Apertei a palma da minha mão nos meus olhos, até a minha visão ficar turva. Tirei, e abri lentamente os meus olhos. Vi umas estrelas voando na minha frente. Balancei a cabeça devagar.
Alguém se mexeu do meu lado. Virei o rosto para o amontoado de cobertas ao meu lado. Alguns fios ruivos apareciam por baixo de várias cobertas. Levantei lentamente as cobertas brancas, me deparando com um corpo nu. Acompanhei o contorno dos seios, do quadril e o começo das pernas. Balancei a cabeça, sorrindo fracamente.
Uma perna se encostou na minha. Eu franzi o cenho. Como assim tinha uma perna encostada na minha perna esquerda? Sendo que a garota ruiva estava do meu lado direito? Virei o rosto para o outro lado. Tinha um outro amontoado de cobertas do meu outro lado.
Franzi mais uma vez o cenho.
Levantei a coberta, revelando uma garota loira, com alguns pontos roxos no pescoço. Ela abriu os olhos, eles eram grandes e castanhos, sorriu abertamente para mim.
- Já acordou? – olhei para o corpo dela, que também estava nu – O que foi ?
- Nada... – olhei para a ruiva do outro lado.
- A Halle já acordou? – ela passou por cima do meu corpo e olhou para a outra – Não, ela não acordou. – riu – Ela demora a acordar mesmo. – se acomodou melhor – Você não vai voltar a dormir?
- Acho que sim. – deitei mais uma vez e a garota loira se acomodou no meu peito, fechou logo depois os olhos.
Eu ainda fiquei acordado mais alguns segundos, tentando imaginar onde é que eu tinha encontrado essas duas garotas. Mas o sono mais uma vez venceu.
- SEU IDIOTA!
- Não fui eu! – levantei rápido com as mãos para cima como me rendendo, o meu travesseiro voou para o chão com esse movimento.
- VOCÊ É UM IMBECIL! – reconheci a figura do Clark – ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA COM A CABEÇA? NÃO, NÃO RESPONDA. EU FAÇO UMA IDÉIA DE ONDE ELA ESTAVA!
- Do que é que você está falando? – esfreguei o rosto – Onde é que eu estava com a cabeça? – sentei na beirada da cama, me enrolando no lençol.
- VOCÊ NÃO SABE? NÃO FAZ A MÍNIMA IDÉIA? – ele chegou perto – E AINDA POR CIMA UMA ERA MENOR! TAVA QUERENDO O QUE? – ele tava tão perto que eu cheguei a ver as salivas pulando da boca dele – SER PRESO MAIS UMA VEZ?
- O que foi que eu fiz dessa vez?
- Sabe a pequena festinha que você e o Aaron deram aqui ontem? – olhei confuso. Como assim, festa? – Nem quero pensar o que é que vão encontrar aqui quando você for embora. E quantas vezes eu já te falei que não é para você dormir com menores de idade?
- Menores de idade? De quem é que você está falando?
- Da garota loira que você dormiu ontem! Não me fale que você não sabia. – ele apontou o dedo para mim.
- Mas eu não sabia mesmo! Ela era bem...
- Não quero sabe como era ela! – ele bufou – Levanta logo de uma vez dessa cama, ! A imprensa está em peso aqui em baixo e você ainda tem que dar uma entrevista.
Quando eu disse que é uma das piores coisas que poderia me acontecer é acordar com o Clark gritando e esmurrando a porta, ninguém acreditou. Mas aí está a prova viva do que eu disse.
E quando ele disse que a imprensa estava em peso na portaria do Hotel, quem não acreditou foi eu. Mas estava. A imprensa toda desse país devia estar acampada esperando para pegar o grande cantor saindo bêbado e acompanhado de duas mulheres, sendo um menor, do seu quarto. Tudo isso por conta de uma grande festa que o grande cantor nem mesmo lembra de ter dado.
Eu devo, definitivamente, parar de beber. Isso não vai me levar a lugar nenhum, só ao caixão. Como a minha mãe gosta de falar.
- Para onde você está me levando? – levantei os enormes óculos de sol e olhei para o Clark, que estava ao lado do motorista.
- Ponha esses óculos! – eu o obedeci – Para onde é que pode ser?
- Para a minha casa? – tentei. Ele me olhou emburrado, acho que não é a melhor hora para gracinhas.
- Para a revista, onde você... – a voz dele foi sumindo – Eu não acredito nisso! – ele balançou a cabeça – Não, não e não! Como é que eu fui esquecer disso?
- Como é que eu vou saber?
- Preste bastante atenção. – ele virou e me olhou – Se você não quiser dar a entrevista, tudo bem, eu vou entender. Posso dizer que você amanheceu indisposto...
- Que mane indisposto! Quem amanhece indisposto é mulher. – cruzei os braços.
- Presta atenção, seu idiota, é para a revista da...
- ? – olhei para fora e lá estava ela parada.
Parada como se estivesse me esperando, parada como se soubesse que eu vou sempre voltar para os braços dela...
Parada como se soubesse que é tudo para mim.
“?” Ela levantou o rosto virando aqueles olhos castanhos que eu tanto amo na minha direção “Eu pensei... Eu pensei...” Ela os fechou por um momento “Pensei que tinha te mandado embora.” Ela disse o mais firme que podia.
“Mandou.” Cheguei o mais perto que o bom senso permitia dela.
“Então, o que você está fazendo aqui?” Ela já não chorava mais, mas seus olhos mostravam uma magoa e uma tristeza muito grande.
“Tentando concertar tudo o que eu já fiz de errado.” Ela me olhou.
“Do que você está falando?”
“Eu preciso de você.” Disse de olhos fechados “Preciso, como se não fosse mais possível viver sem você.” A olhei esperando uma reação de sua parte.
“Não fale besteiras.” Ela levantou e passou por mim “Você não precisa de mim. Você precisa do que eu posso te oferecer.” Disse de costas para mim “Você precisa do que eu represento, não do que eu sou.” Ela parou “Você nunca me quis de verdade, você queria o que eu podia te dar...”
“Você sabe que não é isso. Eu te amo.”
“Engraçado... Você tem um jeito muito esquisito de mostrar isso.” Ela disse ainda de costas para mim.
“Por favor, não volte a esse assunto.” As lembranças daquela maldita noite voltaram “Eu não quero falar sobre isso.”
“Vamos falar sobre o que, então?” Ela virou para mim de braços cruzados com o rosto contraído de raiva “Da Copa do Mundo? Da inflação? Ou quem sabe você prefira falar sobre a última da Britney Spears?” A voz dela saiu carregada de sarcasmo “Se você preferir podemos falar também...”
“ , por favor.” Ela parou de falar, mas ainda me olhava irritada “Eu só acho que esse assunto deu tudo o que tinha que dar.”
”Será que você não vai entender nunca?” Ela quase gritou, suas bochechas adquirindo um tom avermelhado “É POR CULPA DESSE ASSUNTO QUE A GENTE ESTÁ ASSIM!” Ela apontou dela para mim “É POR CAUSA DO SEU PASSEIO PELAS CURVAS DAQUELA MODELO QUE A GENTE ESTÁ ASSIM!” Ela tapou os olhos e eu escutei ela fungar “Eu ainda não sei porque você voltou aqui.” Ela disse mais controlada.
“Me desculpa, eu não queria ter magoar... ”
“Mas me magoou.” Ela me olhou com o queixo tremendo “Como você sempre faz. Você não pensou um minuto que fosse que eu poderia ficar sabendo? Não lembrou que você é um cantor famoso e que as pessoas iam, com certeza, tirar fotos suas?”
“ ...” Minha voz saiu suplicante. Tão suplicante que até ela se assustou, e por um momento eu achei que ela fosse me abraçar e dizer que estava tudo bem. Mas isso não aconteceu. Ela deu um passo para trás, ficando o mais longe possível de mim.
“Chega, .” Ela engoliu em seco “Estou cansada das suas desculpas, estou cansada das suas mentiras e estou cansada ainda mais das suas infantilidades.”
“... Por favor, me escute pelo menos.” Falei impaciente.
“Te escutar porque? Para você me pedir desculpas, mais uma vez?”
Ela me olhou firme.
“Eu preciso que você me entenda, que você me desculpe...” Tentei chegar perto dela, mas ela deu um passo para longe de mim.
“Parece que as minhas desculpas só servem para te encorajar a pisar na bola de novo.” Ela suspirou“Por que aí é só pedir desculpas e fica tudo bem mais uma vez.”
“Meu Deus será que você não vê?” Falei impaciente.
“O que eu não vejo, ? O quanto você é inocente? Que você foi usado pela modelo má?” E mais uma vez aquele ar de sarcasmo se fazia presente. E mais uma vez eu tive vontade de me amaldiçoar por ter sido tão estúpido e por ter conseguido perder a única garota que significou alguma coisa para mim.
- Clark. – ela sorriu para ele – Fico muito feliz em receber vocês dois na minha revista. – sorriu para mim – E quanto você, . Mal chegou na cidade e já está arrumando confusão. – riu.
- É... – disse encabulado – Também não é assim... – tem a mais completa certeza que as minhas bochechas ficaram mais vermelhas que um tomate.
Mas que porra! Eu detesto quando isso acontece!
- Não é bem assim? – Clark olhou incrédulo para mim – Você aprontou sim! Aliás, como sempre apronta!
Minha vontade foi voar em cima dele e o encher de porrada! Ele não percebeu que tudo o que eu não queria no momento era que ela se lembrasse de coisas desagradáveis? Qual vai ser a próxima coisa que ele vai falar? Sobre o fato da gente ter terminado porque eu dormi com outra mulher?
- Não precisa se incomodar. – ela tornou a sorrir, mas mais uma vez o sorriso dela me pareceu pouco autêntico.
Era quase como se ela fosse obrigada a sorrir, como se isso viesse no pacote com a nova Brown. E eu não sei porque, mas eu não gostei nadinha dessa nova
Gosto mais da antiga.
Capítulo 4
Well, it’s too late tonight
To drag your past out
Saí meio tonto da entrevista. Aquela repórter... Como é mesmo o nome dela? Rose... Sue... Katie! Isso, o nome da matraca é Katie.
Como aquela mulher fala! Ela devia ser paga por palavra, ela estaria rica nessa altura do campeonato! Tudo bem, que repórteres têm que falar bem, mas ela passou do estagio de falar bem há muito tempo. Ela fala é muito mesmo!
Mal dava tempo para eu pensar numa resposta e lá vinha ela com mais uma! Quero só ver o que ela vai fazer para colocar a entrevista na revista.
Acho que eu vou fazer hora na cantina, tenho quase uma hora antes das fotos. Talvez eu encontre com a na cantina e consiga falar direito com ela.
Mas... Exatamente, para que lado fica a cantina?
- Você sabe onde fica a cantina?
- Cantina? – a mulher levantou os olhos e me olhou – Não faço a mínima idéia de onde fica. – voltou a atenção a revista de fofoca que lia.
- Minha senhora... – ela me olhou enfezada – Como é que você não sabe onde a cantina fica? Você trabalha ou não trabalha nesse prédio?
- Eu tenho cara de balcão de informação? – bufou e virou a página com suas unhas grandes e vermelhas.
Olhei por cima do balcão para a revista dela. Consegui distinguir, mesmo de cabeça para baixo, um borrão colorido. Apertei os olhos e percebi quem era.
- Não adianta acreditar. – arranquei da mão dela a revista – O Justin não está namorando a Scarlett Johansson. – joguei a revista para trás – Eles só se pegaram no meio do clipe. Vocês nunca devem acreditar em tudo o que lêem nessas revistas.
- O senhor é muito mal educado!
- Eu me esforço para ser. – sorri presunçoso – Agora, voltando ao meu probleminha... Onde fica essa maldita cantina?
E depois ainda dizem que eu que sou o mal educado. Aquela velha ficou toda nervosa só porque eu arranquei a revista da mão dela. Agora, custava ela ter me dito onde é que fica a merda da cantina? Não, preferiu estragar o grampeador, jogando ele em cima de mim!
Velha maluca!
- Agora deu para ficar falando sozinho, também?
Virei o rosto e me deparei com o rosto delicado da . Ela sorria, e dessa vez, era um sorriso que chegava até seus olhos. Era um daqueles que eu sempre gostei de ver, um daqueles que nos meus melhores anos, ela dirigia para mim.
Só para mim.
- ? – ela balançou a mão na minha frente – Eu estou falando com você.
- Me desculpe. – balancei a cabeça – Eu não te ouvi, o que foi que você disse mesmo?
- Estou perguntando como foi a entrevista. Katie te tratou bem? – ela chegou perto de mim e tocou de leve no meu rosto – Por que você está cheio de grampos? – prendi a respiração.
- Sua... Sua atendente. – fechei os olhos.
- O que a Victoria fez com você? – ela riu enquanto passava delicadamente os dedos no meu cabelo – Tem até no seu cabelo. – sorriu mais um pouco – A Vitoria pode ser bem má quando quer. – ela assoprou perto da minha orelha.
Por favor, alguém diz para ela que isso não é uma boa coisa a se fazer. Que há ainda a possibilidade deu nutrir algum tipo de sentimento por ela e que isso não vai me ajudar em nada.
- Você vem? – só percebi que ela tinha aberto a porta do elevador quando ela tocou de leve no meu braço.
- Vou. – respondi soltando o ar todo de uma vez.
- Que andar? – ela me olhou.
- Qual é o andar... – o elevador deu um solavanco.
- Oops! – ela me olhou – Eu venho dizendo há um tempão que esse elevador está com problema.
- O que será que aconteceu? – comecei a dar socos nos botões.
- Calma. – ela apertou o botão vermelho de emergência – Daqui a pouco alguém aparece.
- Você tem certeza disso? – olhei para ela.
- Não muita. – ela olhou de lado para o botão que não tinha acendido.
- Será que o Clark ainda está no prédio? – tirei o celular do bolso.
“O telefone para qual você ligou encontra-se desligado ou fora da área de cobertura. Por favor, tente mais tarde.”
- Mas que merda.
- Deixa ver se consigo falar com a minha secretária. – ela também tirou o celular do bolso – Não, sem sinal. O meu telefone nunca funciona dentro do elevador. – ela suspirou.
- Então só resta para a gente sentar e esperar, literalmente. – escorreguei pela parede e sentei no chão mesmo – Você não vem? – olhei para ela, que ainda socava o botão de emergência – Isso não vai funcionar, você batendo nele ou não.
- Alguém tem que aparecer. – ela começou a socar a porta.
- Você vai acabar se machucando assim. – ela me olhou.
- Você vai ficar sentado sem fazer nada? – ela cruzou os braços irritada.
- Vou. – tirei duas balas do meu bolso e estendi uma para ela – Você quer? É uma das suas preferidas. – ela olhou com dúvida para a bala verde que eu estendia – Não se preocupe, não está envenenada. – desenrolei a minha e coloquei na boca, olhando firme para ela.
- Você pegou na minha sala? – ela pegou a bala ainda olhando torto para ela.
- Não, eu comprei mesmo. – olhei para as pernas dela – Você tem certeza que vai ficar em pé?
- Não vou estragar minha roupa de... AI! – eu a tinha puxado pela mão, ela acabou caindo sentada do meu lado – Você não poderia ter sido mais educado?
- Não, porque você não entende de outra maneira.
- Esqueci. – disse séria – Você é mal-educado por natureza mesmo. – virou para frente.
- O que você quer dizer com isso? – olhei para o perfil dela.
- Você sabe. – ela disse séria.
- Ah certo. – balancei a cabeça concordando – Esqueci que você tem a mania...
- Vai dizer que você é um amor de pessoa? – ela olhou irritada para mim.
- Sempre fui educado com você. – respondi simplesmente.
- Ah claro! Você foi da mais completa educação quando dormiu com aquela modelo!
- Pelo amor de Deus! Pensei que você já tivesse esquecido isso.
- Como é que você quer que eu esqueça? As revistas que eu vi me impediram de fazer isso! – ela praticamente gritou.
- Eu achei que...
- Que eu fosse esquecer só porque não estou mais com você?
- Pensei que você tivesse deixado bem claro que eu não significava mais nada para você. – disse firme.
- E quem disse que você significa? – ela disse mais firme ainda, e o tom de voz que ela usou não me deixou mais dúvidas: eu era carta fora do baralho dela.
E, exatamente, porque isso estava em incomodando tanto? Eu já não convivia com essa informação há cinco anos? O que de novo ela acrescentou que me fez ficar dessa forma?
E... De que forma eu fiquei?
- Eu sei disso. – disse entre dentes – Eu só fiquei surpreso que você ainda se lembre.
- Eu sou praticamente obrigada a lembrar desde que dei de cara com você.
- E isso te incomoda? – levantei as duas sobrancelhas.
- Não tanto quando a minha presença te incomoda, . – ela disse cheia de si.
- E quem disse que a sua presença me incomoda? – olhei nos olhos dela, ela deu um sorrido debochado.
- Certo, então. – ela colocou uma mecha do cabelo escuro atrás da orelha – Não sei para que negar, uma coisa que está...
- Porque você cortou o seu cabelo? – perguntei sem pensar.
- O que? – ela virou rápido na minha direção.
- O seu cabelo. – peguei uma mecha – Você cortou e escureceu. – soltei, mas continuei olhando para eles – Gostava mais do jeito que era antes.
- Resolvi mudar. – deu de ombros – Não é bom ficar muito tempo com a mesma coisa. – ela olhou significamente para mim.
- Pois eu daria todo o meu dinheiro para continuar sempre com a mesma coisa.
“E então? Como anda a divulgação do CD novo?” O idiota que eu nem conseguia mais lembrar o nome me perguntou, ainda segurando o maldito copo na mão.
”Está sendo fantástico!” Apesar deu estar achando esse papo totalmente enfadonho, eu ainda gosto de falar dos meus CD. Afinal, hei!, eles sempre são fodas! “ Lotamos a casa de show. Clark anda dizendo que o CD vai ser exportado para os países latinos. Muitos cantores têm conseguido grandes vendagens por lá.”
“Todo mundo fala que o negócio é exportar as músicas para os países de terceiro mundo.” Ele tomou mais um gole da bebida e sorriu logo em seguida olhando para um ponto acima da minha cabeça “Não sei se você já foi apresentado a ela, mas você precisa conhecê-la. Essa garota ainda vai longe!” Ele sorriu para um ponto atrás de mim e fez alguns gestos com a mão, chamando alguém “Querida, venha aqui um minuto. Você precisa conhecer esse rapaz!”
Ele saiu do meu campo de visão por um momento para logo voltar acompanhado por uma bonita mulher loira. Não sei ao certo o que me chamou mais atenção nela, se foi o decote do vestido preto, se foi o cabelo que caia no seu ombro tapando a bela visão que eu certamente teria de seu decote ou se foi o sorriso. Talvez, um pouco de tudo.
“, você já conhece o ?” A garota sorriu, o que eu adorei ver, e logo depois estendeu a mão na minha direção “E quem é que não conhece o famoso e grande cantor , não é mesmo?” O velho completou, dando tapas no meu ombro. Ela puxou a mão na mesma hora, não dando tempo deu esboçar nenhum movimento “ , o que foi?”
“Você disse que o nome dele é ? ” O homem, assim como eu, concordou “E ele é o cantor que está fazendo sucesso na MTV?” Concordamos novamente e ela fez uma cara que lembrava muito uma careta de asco “Já fomos apresentados.”
“Já fomos?” Franzi o cenho, olhando melhor para ela. De onde eu conhecia essa garota? Tudo bem, que eu não sou um bom fisionomista, mas era tecnicamente impossível eu esquecer de um rosto tão bonito.
“Já.” Ela esboçou um sorriso meio de lado “Não oficialmente, é claro. Mas já esbarramos um outro dia.” Ela fechou a cara, me olhando fixamente. E uma luz se acendeu na minha cabeça. A garota irritadinha que vinha de Marte do parque! Como é que eu não a reconheci na mesma hora? Devia ser o vestido de festa que ela usava “Lembrou?” Ela disse com sarcasmo.
“Infelizmente”.
“Também não é para fazer essa cara, por mais que o nosso encontro tenha sido desastroso.”
“Só foi desastroso porque você estava completamente irritada, e resolveu, que eu, mesmo não tendo nada haver com o seu mau humor, seria castigado.”
“Você deve adorar se fazer de coitadinho, não é mesmo? Quem ouve até acredita que a culpa foi só minha.” Ela disse com um sorriso estampado no rosto “Afinal, o afobado foi você. Se você tivesse saído da minha frente quando eu pedi, nada teria acontecido.” Ainda sorrindo para mim, ela nos deu as costas e saiu para perto de um outro grupinho parado ali perto. Eu acompanhei o caminhar dela, bem interessado. Talvez, ela seja, além de esquentada, muitas outras coisas.
“Eu acho que ela não foi muito com a sua cara.” O sujeito comentou depois de dar uma risada estridente.
“!” Fui atrás dela, que se virou quando ouviu o seu nome. Ela me olhou, parando o caminho que estava fazendo, esperando para ver o que eu queria “Me desculpa por ter te tratado mal naquele dia.” Falei firme. E falei com sinceridade, e não porque eu queria muito sair com ela, e sim porque eu sabia que não tinha que ter a tratado tão mal.
“Tudo bem.” Ela sorriu “Eu também estava muito irritada naquele dia, mesmo se você tivesse me tratado bem eu teria reclamado. Eu estava muito atrasada.” Tornou a sorrir, e eu fui obrigado a imita-la. O sorriso dela é contagiante.
- O que você quer dizer com isso? – ela me olhou e durante o tempo que esse olhar durou, fui capaz de ver nitidamente a mulher que um dia eu amei ali.
Fixei nos olhos castanhos dela, como se toda a minha vida dependesse disso, queria que ela entendesse, somente com esse pequeno gesto, tudo o que eu sempre quis dizer para ela e nunca tive coragem.
Não sei ao certo se ela conseguiu entender o que eu queria dizer, mas ela virou o rosto para frente, interrompendo o contato.
- Será que você não sabe mesmo? – disse baixo.
- Eu... Eu não quero falar mais sobre isso. – ela levantou e foi para mais longe de mim que o pequeno espaço permitia.
- Foi você que começou a falar sobre isso. – parei perto dela, tentando olhar nos olhos dela, mas ela desviou o rosto, impedindo que isso acontecesse.
- Então sou eu que decido se quero ou não continuar falando sobre isso. – ela fechou os olhos por um segundo.
- Me desculpa. – disse baixo, eu quase nem consegui ouvir a minha voz direito.
- Pelo quê? – ela virou na minha direção e tudo o que eu mais queria no mundo, naquele momento, era poder abraçá-la e dizer que tudo ia ficar bem.
- Por ter te feito sofrer. – ela me olhou firme, mas com os olhos ligeiramente marejados.
- Você me fez muito feliz também.
Ela suspirou, colocando delicadamente suas mãos no meu braço. Eu olhei para o rosto dela, uma vontade louca de beijar aqueles lábios se apoderou de mim.
Desviei dos olhos castanhos dela e foquei nos lábios, que para mim estavam mais vermelhos e convidativos do que nunca. Acompanhei eles se curvando para cima, quase como se fosse um convite mudo para prová-los mais uma vez.
Coloquei uma mão na cintura dela, tocando de leve na pele dela e esperei. Esperei que ela reagisse negativamente, mas ela não o fez. Coloquei a outra em sua nuca, a puxando um pouco mais para perto. Esperei mais uma vez, mas ela não reagiu ao contrário.
Não sei se vocês conhecem uma coisa chamada Lei de Murphy. Parece que essa tal lei diz alguma coisa como: Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o pior dano possível. É mais ou menos isso que diz, pelo menos é o que eu acho.
Quando eu estava a poucos centímetros de beijá-la, o elevador deu mais um solavanco e com um rangido esquisito começou a se movimentar mais uma vez. No segundo seguinte a porta se abriu e a saiu por ela, sem nem mesmo virar para trás.
E eu fiquei igual a um completo idiota parado lá dentro esperando.
Esperando não sei o quê.
“!” Gritei.
“O que você quer agora?” Ela cruzou os braços e me olhou irritada “Você já não falou tudo o que tinha para falar?”
“Falei, mas parece que você não acreditou em nada do que eu disse.”
“E como é que você quer que eu acredite no monte de bosta que você disse?” Ela colocou a mão na cintura.
“Monte de bosta?” Olhei incrédulo para ela.
“Monte de bosta, de merda, de porra... Qualquer adjetivo que você quiser e que encaixe na minha frase!” As bochechas dela ficaram vermelhas.
“Você está dizendo que REALMENTE não acreditou no que eu disse?” Olhei incrédulo para ela. “Como é que você não acreditou no que eu disse?”
“Se você quiser colocar assim.” Ela virou de costa para mim.
“EU NÃO POSSO ACREDITAR NISSO!” Minha vez de ficar vermelho “O que eu estou te dizendo é a mais pura verdade!” A segurei pelos braços.
“POIS EU NÃO ACREDITO EM UMA PALAVRA SEQUER QUE VOCÊ DISSE!” Levantou o queixo “E me solta que você está me machucando.” A soltei na mesma hora.
“Eu não estava apertando.” Disse firme, ela sabe que eu detesto quando ela faz isso.
“Era o meu braço que você estava segurando, então, sou eu que sei se estava doendo ou não.” Ela pegou a bolsa dela e começou a andar para longe de mim.
“Aonde você vai?” Comecei a segui-la pela casa.
“Para o meu apartamento.” Respondeu sem ao menos virar para mim.
“Mas eu ainda estou falando com você.”
“Foda-se.” Ela me respondeu simplesmente. Eu bufei irritado. Essa garota estava me tirando do sério “Eu vou para minha casa, e você não vai comigo.” Apontou para mim, e logo depois abriu a bolsa “E quer saber de uma coisa? Tome essa porra de chave que eu não preciso dela mais dessa merda.” Pegou o chaveiro e começou a tentar arrancar a chave do meu apartamento de lá.
“Quer parar com isso?” Arranquei o chaveiro da mão dela e taquei longe. Ela me olhou mais irritada ainda, jogou o cabelo para trás e saiu pisando duro porta a fora “, que fazer o favor de voltar aqui?” Fui atrás dela.
“Não.” Ela socou o botão do elevador e começou a murmurar coisas sem nexo.
“Você tem que entender!” A segui porta dentro do elevador.
“Eu não tenho que entender porra nenhuma!” A velhinha do 925 olhou feio para ela “Se você quer tanto que eu entenda o que aconteceu, você deveria me contar a verdade! E não um monte de merdas!” A velhinha soltou um muxoxo de reprovação e olhou para o marido, agarrando o braço dele.
“Mas que merda, ! Eu estou falando a verdade!” A segurei pelos ombros.
“Eu estou pouco me fudendo com a sua verdade, eu quero o que aconteceu de verdade!” Ela retrucou, num tom cada vez mais alto.
“CARALHO! Que parte do eu estava na casa da minha mãe, você não entendeu?” A porta do elevador abriu no térreo e o casal de velhinhos saiu rapidamente. se desvencilhou dos meus braços e saiu, indo em direção a entrada do prédio.
“Não me siga!” Ela berrou.
“Mas eu vou te seguir, sim!” Berrei de volta, já alguns passos dela “Volte já aqui!”
“Você não manda em mim!” Ela já estava quase na entrada quando eu consegui alcança-la. A segurei novamente pelo braço e a virei bruscamente na minha direção.
“Por que você não acredita no que eu estou dizendo?” Ela se desvencilhou mais uma vez.
“O que você estaria fazendo na casa da sua mãe em pleno sábado à noite?” Ela me encarou “Se você está me traindo eu acho melhor você me dizer logo de uma vez!” Levantou o queixo, me olhando decidida “Eu não gosto de ser a última pessoa a saber das coisas!”
“EU NÃO ESTOU TE TRAINDO!”
“E porque você acha que eu vou acreditar em você?”
“Simplesmente por que eu te amo.” Ela olhou fundo nos meus olhos. Acho que ela estava procurando algum resquício de mentira ali. Não encontrou nada disso, mas eu acho que o que ela viu nos meus olhos , a agradou. Já que ela abriu um singelo sorriso, ao mesmo tempo em que uma única lágrima escorria de seus olhos.
“Você jura?” A voz dela não era mais que um fiapo agora.
“Juro.” Sequei a outra lágrima que escorreu.
“Eu te amo.” Eu a abracei e ela escondeu a cabeça no meu peito “Você me perdoa? ” A voz dela saiu abafada e baixa.
“Eu devia ter te avisado que estava indo para casa dela.” Passei o queixo nos cabelos dourados dela “Devia ter te falado.”
“Eu devia ter acreditado em você.”
“Vamos esquecer isso agora, .”
“Vamos, .” Ela deu um sorriso maior agora. Mas ele não durou muito tempo, eu a beijei logo em seguida, beijei de um jeito não muito apropriado de se fazer na entrada de um prédio familiar.
Capítulo 5
I whish I was special
You’re so fucking special
- QUEM É O FILHO DA PUTA QUE ACENDEU A LUZ?! – berrei do alto de toda a minha enorme educação. O lençol e o travesseiro voaram longe, junto com esse meu singelo grito.
Mas que porra! Quem é que foi o imbecil que resolver me acordar as sete da manhã? Esse idiota sabe que tem quase três noites que eu não durmo direito? E não são noites aleatórias não! São seguidas!
S E G U I D A S!!
- PORRA! – não contente em ter acendido a merda da luz, agora escancararam as cortinas.
- Isso são modos de falar comigo? – abri os olhos rápido.
- LEONA?! – arregalei ainda mais os olhos, se é que isso fosse possível assim que uma figura de cabelo preto comprido entrou no meu foco de visão.
- Claro, que sou eu! – ela sorriu – Quem você pensou que fosse? A rainha da Inglaterra? – riu, fazendo com que o seu cabelo batesse na lateral do seu rosto.
- Não... – respondi baixo, passando a mão freneticamente pelo rosto – Não pensei. – ainda não tinha coragem de olhá-la, e não era por conta do meu pequeno ataque.
- O que há com você? – ela me olhou bem.
- Nada. – virei o rosto – Só estou cansado. – acho que ela não ia ficar muito contente se eu contasse sobre o sonho calmo e tranqüilo que eu tive ontem à noite.
E só para ficar claro, não foi com ela que eu tive esse sonho, que de calmo e tranqüilo só tinha o início.
- O que você está fazendo aqui? – perguntei me sentando.
- Estava com saudades! – ela disse fazendo um muxoxo, acho que ela gosta muito de fazer isso – Até parece que você tinha me esquecido. – fez bico.
Posso confessar uma coisa? Eu realmente não me lembrava mais dela. Sério. Não faça essa cara, ela não era assim tão importante para fazer com que eu pensasse nela todo o tempo... Tudo bem, que ela era a minha namorada, mas só isso. Nada mais que isso. Isso não era lá grande coisa, não é mesmo?
- ! – ela gritou de repente – Você está me escutando?
- O que foi, Leona? – desviei a minha atenção do armário branco e foquei nos olhos azuis da minha namorada.
- Eu estava falando com você. – acabei de me levantar – Você escutou alguma coisa?
- Posso ser sincero? – ela balançou a cabeça – Não escutei uma palavra que fosse. – parei ao lado de duas enormes malas pretas e de uma menor que as outras, que estavam ao lado da cama – O que é isso?
- Minhas malas. – ela respondeu simplesmente, como se o fato dela chegar em outro país as sete da manhã de mala e cuia fosse uma coisa muito normal e usual de se fazer.
- E o que exatamente a sua mala está fazendo aqui? – perguntei mais ríspido do que pretendia, só percebi quando ela me olhou feio. Eu não liguei muito.
- Você não queria que eu viesse ficar com você com apenas a roupa do corpo, não é mesmo? – ela sorriu, um daqueles sorrisos que um dia eu gostei muito de presenciar, mas que por algum motivo desconhecido não me chamavam mais atenção.
Como assim “viesse ficar com você”? O que ela quis dizer com isso? Será que ela pretende ficar mais tempo aqui comigo?
- Você não se importa se eu colocar esses vestidos pendurados no armário, não é mesmo? – ela abriu a porta, empurrando para o lado algumas camisas minhas que estavam penduradas lá.
Foi então que um monte de coisas aconteceu ao mesmo tempo... E por favor, me perdoem se vocês não conseguirem entender direito o que aconteceu, me dêem um desconto, eu não estava muito preparado para o que aconteceria a seguir.
Mas então vamos lá!
Leona retirou uma capa preta de dentro de uma das enormes malas, deu uma sacudida, para logo a seguir abrir o zíper e conferir se o que quer que esteja lá dentro ainda estava no lugar correto. Depois que se deu por satisfeita, fechou o zíper e o pendurou dentro do armário, ao lado de um blazer escuro que eu tinha usado na última entrevista que tinha dado.
Pegou mais uma capa preta, repetiu o pequeno ritual e pendurou perto do mesmo blazer. Foi aí que a coisa ficou realmente confusa. No segundo seguinte o lugar onde o cabide estava pendurado desabou no chão, levando junto com ele, duas camisas pólo minhas, uma camisa azul, uma outra listrada, um num tom muito esquisito de verde e o tal blazer escuro, que caiu completamente esparramado no chão, bem ao lado dos dois vestidos dela.
- Ah! – ela choramingou – Que catástrofe! – ela levou a mão a boca e logo em seguida pegou as minhas duas camisas pólo – Eu não faço idéia de como isso pode aconteceu!
- Tudo bem. – me abaixei e peguei os dois vestidos dela, me virei e coloquei em cima da cama, tentando não amassa-los ainda mais.
- Mas o que é isso? – ela perguntou de repente.
- Isso o que, Leona? – virei na direção dela lentamente.
E não vi mais nada...
Não, eu não desmaiei, não eu não sofri um colapso e não!, eu definitivamente não morri!
- SEU INSENSÍVEL! SEU MISERÁVEL!
Minha querida e amada namorada tinha se jogado em cima de mim, enchendo o meu peito de socos. Eu tentava inutilmente impedir que ela fizesse isso, mas não surtia efeito nenhum. Parecia que a mulher estava possuída.
Estou falando sério.
- QUER PARAR COM ISSO, LEONA? PÁRA DE ME BATER, MULHER! – berrei tentando segurar os punhos dela – PÁRA, LEONA!
- QUEM É ESSA? HEIN? QUEM? SUA AMANTE? – ela esfregou um papel na minha cara – QUEM É??! VAMOS, ME DIGA LOGO DE UMA VEZ! EU EXIJO SABER QUEM É ESSA PIRANHA! – ela tornou a esfregar o papel na minha cara.
Foi no momento que eu finalmente consegui segurar o punho dela, que eu vi largado no chão de qualquer jeito o meu maravilhoso blazer.
Agarrei com vontade o punho dela, pouco me importando se a estava machucando ou não, e arranquei o que agora já sabia ser uma foto da mão dela. Olhei para a foto mais atentamente.
“O que é isso?” Desviei a minha atenção do velho caderno onde escrevia algumas músicas e foquei nos olhos castanhos dela “O que é isso, ?” Repeti olhando mais atentamente para ela.
“Vai dizer que você não sabe?” Ela sentou ao meu lado, cruzando as pernas logo em seguida, me olhando com aquele ar arteiro que só ela consegue ter. Ainda não sei como ela consegue passar desse ar para um ar mais... Mais... Intenso, eu acho que seria a palavra correta.
“Tenho uma vaga lembrança do que pode ser isso.” Olhei meio irritado para o objeto na mão dela.
“Até porque seria bem esquisito se você não soubesse o que é isso, não é mesmo?” Não sei porque, mas eu estava com a impressão que ela estava adorando ver a minha cara irritada.
“E o que você pretende fazer com isso?” Olhei de lado para ela, tentando não me irritar ainda mais. O que estava sendo um grande sacrifício, afinal, ela sabia como aquele objeto podia me irritar.
“Não é obvio, ?” Ela me olhou com um sorriso zombeteiro nos lábios. E lá está aquele ar mais uma vez.
“Se fosse obvio, eu não estaria perguntando, Brown.” Retruquei, voltando a minha atenção para a frase que havia deixado pela metade no caderno. Mas ela não se incomodou que a minha atenção não estivesse mais nela. Se acomodou melhor, roçando de leve a sua perna na minha.
“Eu não sei.” Ela deu de ombros, começando a mexer no objeto “Vai ver você começou a sofrer de um amnésia repentina.” Ela comentou, ainda sorrindo, mas em vez de ser para mim, era para o objeto na mão dela, com a perna nua ainda colada a minha.
“Onde você achou isso?” Ignorei o comentário dela, tentando ignorar também o contato da perna lisa dela com a minha. Afinal ela podia ser bem sarcástica se quisesse.
“No armário do meu quarto.” Ela começou a rir de alguma coisa que havia visto “Olha só isso.” Estendeu na minha direção, mas eu não olhei para a máquina na mão dela, foquei no meu caderno, mesmo que as palavras não fizessem mais sentindo algum para mim “Eu não acredito que você vai continuar com essa bobeira!” Apesar do tom dela ser um pouco mais irritado, eu sei que ela não estava mesmo irritada com a minha falta de atenção. Eu sei do que estou falando, eu conheço a minha garota, seria estranho se não conhecesse.
“Não é bobeira!” Retruquei começando a me arrepender de não estar no conforto do meu lar “Você sabe que eu não gosto... disso.” Coloquei todo o sarcasmo possível na palavra.
“Mas deveria gostar.” Ela disse indiferente “Você vive disso.” Dei uma espiada rápida na tal máquina.
“Eu não vivo, exatamente, disso.” Levantei o meu caderno e mostrei para ela “É disso que eu vivo, e não do que sai dessa máquina.”
“Pensei que fosse por causa do que sai dessa máquina que você consegue vender cds. Ou você já ouviu falar sobre algum cantor que conseguiu se promover sem nunca ter tirado uma foto sequer na vida?” Ela olhou firme para mim, e eu encolhi os ombros, como se fosse uma criança que tinha sido pega fazendo alguma traquinagem.
“Você sabe o que eu quis dizer.” Disse ainda sem encará-la.
“Sei, querido, é claro que eu sei.” Ela colocou a máquina fotográfica de lado e segurou o meu rosto com as duas mãos, me forçando encará-la “Eu sei como você se sente, . Mas você não pode deixar que isso impeça que você se divirta.” Ela sorriu para mim, e só para mim. Sorriu daquele jeito que eu tanto amo e que nunca vou me cansar de ver.
“Eu não agüento mais esses reportes, eles parecem que não se cansam de falar da minha vida.” Disse muito irritado, essa era a única coisa que eu realmente não gostava do fato de ser famoso. As pessoas pegavam muito no meu pé, principalmente por eu ter subido tão rápido.
“, você tem que aprender a conviver com isso.” Ela sorriu mais uma vez, depositando um leve beijo nos meus lábios. Eu senti um arrepio percorrer toda a minha espinha “Não é porque eles te perturbam tanto que você tem que ficar evitando até bater fotos com a sua família.”
“E você não acha que eu sei, mais do que ninguém, disso, ?” Passei a mão pelo meu cabelo, o bagunçando “Mas é muito complicado não misturar as coisas.”
“Você tem que aprender a separar as coisas.” Engraçado como o sorrido dela me faz sentir algumas sensações tão esquisitas, coisas que eu nunca senti por mulher nenhuma.
“Eu não posso nem mais ir até a padaria que um monte deles começam a tirar várias fotos.” Parei, respirando fundo. Eu realmente não gostava de falar sobre esse assunto “E no dia seguinte, eu estou estampado em várias revistas, com dizeres nada agradáveis, desde o porquê eu ter saido de casa só de chinelo de dedo, passando no porque eu ter ido naquela padaria e não na outra mais perto da minha casa e chegando na pergunta crucial: onde é que está a namorada? Será que o caso deles já acabou?” Respirei bem fundo. Já tinha lido tanta coisa nesses jornais que eu acho que nada mais me surpreenderia.
“Eu sei como isso te irrita.” Ela disse docemente, tão docemente que eu senti o meu peito se aquecer.
Eu sei, isso é meio gay de se falar, principalmente quando é um homem que fala isso. Mas eu estou sendo sincero. Meu peito se aqueceu. Sério. E não ria, estou falando sério. E se você não sentiu ainda isso, azar o seu. Porque é muito bom sentir, principalmente quando a gente tem certeza que é recíproco.
E não! Eu não sou gay!
“Eu tive uma idéia!” Ela disse de repente, me acordando do meu pequeno devaneio.
“Você teve uma idéia?” Levantei uma sobrancelha, não que ela não tivesse idéias, ela as tinha e geralmente elas eram fantásticas. O que me deixou nervoso, foi o sorriso que ela deu quando falou isso. Esse sorriso nunca é uma boa coisa, e quase sempre sobra para mim no final “Fala logo de uma vez.” Ela tirou o caderno de perto de mim e segurou na minha mão, fazendo com que eu levantasse do sofá “Para onde você está me levando?”
“Não se preocupe, querido. Eu não vou fazer nada que você não queira.” Ela piscou de um jeito esquisito e eu ri com vontade.
“Eu sei que não vai, eu confio em você.” Ela sorriu, um daqueles sorrisos que iam de orelha a orelha, resumindo, um daqueles sorrisos bestas, tão característicos dela.
“Aqui.” Ela parou em frente ao espelho do banheiro “Vamos, faça uma cara bem bonita.” Ela me olhou bem “Eu sei que isso é muito difícil, mas eu gostaria que você tentasse.” Fiz uma careta para ela.
“Vou tentar, mas eu não sei se consigo.” Ela riu.
- Vamos, , eu estou esperando uma resposta.
Pisquei algumas vezes, balançando a cabeça de um lado para o outro. Tomei um susto quando o rosto redondo da Leona entrou no meu campo de visão. Para onde, diabos, que o rosto delicado da tinha ido parar?
- Será que você pode me responder ainda nessa encarnação, ? – foquei nela, que estava com o rosto todo vermelho, com uma expressão completamente enfurecida estampada nele e os braços estavam cruzados na frente do corpo.
- Falar o que, Leona?
- Quem é essa piranha! – arrancou a foto da minha mão e tornou a esfregá-la na minha cara.
- Se você me deixar olhá-la melhor quem sabe eu consiga te responder. - ela me entregou meio relutante.
E eu olhei, apesar de saber quem estava na tal foto. Coloquei a foto na altura dos meus olhos, respirei fundo e olhei de uma vez. E lá estava a , pendurada no meu pescoço, com a mesma expressão arteira estampada no rosto. Ela me olhava e eu olhava para o teto, como se não ligasse para a garota ao meu lado.
“Olhe para o outro lado agora.” Ela me ditou a ordem, e eu como bom cachorrinho a obedeci “Isso, como se você não estivesse se importando com a garota gostosa que está pendurada no seu pescoço.” Tornei a olha-la.
“Você não acha que isso vai ser um pouco impossível?”
“Eu sei que você consegue fingir um minuto que seja, que não me deseja.” Ela disse toda cheia de si.
“Estava dizendo, que vai ser difícil eu fingir que você é gostosa, não que eu te desejo.” Ela me deu um tapa estalado no braço e eu bati uma foto da cara que ela fez.
“Pare de bobeira, e olhe logo para o outro lado.”
- Quem é? – o tom dela estava começando a ficar preocupante.
- Bem... – tentei pensar rápido em uma resposta convincente – Onde você achou essa foto? – perguntei tentando ganhar tempo.
- No bolso do seu blazer. – respondeu firme – E nem adianta tentar me enrolar, você vai me dizer quem é essa piranha que está pendurada no seu pescoço em frente a esse espelho.
Fudeu! E agora? O que eu vou responder? Parece que o meu cérebro travou, parece que nenhuma resposta convincente apareceria ali nos próximos minutos...
Não precisei responder nada, o telefone tocou, para o meu alivio. Eu corri para atender, ainda com a foto apertada na minha mão.
- Alô?
- É... ? – juro que eu tive a impressão que o meu coração parou de bater quando eu escutei a voz da .
- Sim.
- Tudo bem? Espero que você não se importe, mas eu pedi para o Clark o telefone do hotel que você está hospedado. – ela parecia hesitante.
- Sem problema. – parei um segundo – Olha, queria pedir desculpas pelo outro dia. Eu... Eu não devia ter feito aquilo.
- Não tudo bem... – ela parou um momento - Eu deixei, não foi? – falou baixo – Então não precisa se preocupar. Além do mais, não aconteceu nada de mais.
- Você está certa. – disse ligeiramente chateado.
- Eu não posso demorar muito, por isso, deixa eu lhe fazer o convite logo de uma vez.
- Convite?
- Sim, um cantor, que eu, infelizmente não posso divulgar o nome ainda, vai fazer o lançamento da mais nova linha de perfumes masculinos da sua coleção. – ela parou um segundo, falou baixo alguma coisa que eu não entendi direito tendo como resposta algo que eu não prestei atenção – Desculpe.
- Por que você não pode falar o nome dele? – perguntei curioso.
- Você sabe como essas celebridades são. – parou mais uma vez – Me desculpe, . Eu não queria dizer isso, o que eu quis dizer é que... Tem pessoas que são muito excêntricas... O que, é obvio, não é o seu caso.
- Tudo bem. – sorri – Não se preocupe. – escutei ela respirar mais aliviada.
- Então? Você vai poder vir? O lançamento vai ser hoje à noite, por volta da meia noite.
- Meia noite? – repeti espantado.
- Estou te dizendo, o cara é cheio de manias. – eu ri, afinal, eu vivo nesse meio, sei como as pessoas podem ser – Mas você vai poder vir? Olha, eu adoraria que você viesse. – se ela já não tivesse me convencido, teria feito isso nesse momento.
- Tudo bem, eu apareço.
Capítulo 6
And you dressed like a star
Rockin’ your fuck me pums
- Você vai ficar parada aí, ou vai entrar? – me virei e olhei para ela.
- Se você pudesse me esperar. – ela resmungou, acertando a sandália.
- Você demora muito. – olhei no relógio, 01:37. Eu estava muito atrasado, nem sei mais se a ainda estava me esperando – Mas que merda, Leona. Vamos logo com isso! – parei, resmungando muito. Eu sabia que não devia ter falado com ela sobre essa festa, mas só assim para ela parar de me azucrinar por causa daquela maldita foto.
- Como você é chato, . – depois eu digo que ela é rabugenta, e ninguém acredita.
Entramos no salão muito bem decorado e apinhado de gente. Virei a cabeça reconhecendo algumas pessoas, dentre eles alguns famosos. Alguns até que já haviam gravado comigo. Olhei para o outro lado, olhei por cima das cabeças das pessoas tentando encontrá-la.
- Quem você tanto procura? – Leona me perguntou, olhando para os lados também.
- Ninguém. – sorri para algumas pessoas que passavam me cumprimentando.
- Então porque você está olhando tanto para os lados?
As palavras dela foram morrendo no meio caminho da boca dela até chegar aos meus ouvidos. Tinha achado a . Ela estava do outro lado do salão conversando com um grupo de pessoas, rindo muito. Parecia que ela era o centro das atenções, todos ali olhavam para ela.
Também, não tinha como ser diferente. Ela brilhava.
Sério.
Ela brilhava. Ela era, sem sombra de duvidas, a mulher mais linda do salão. E não só eu percebi isso, como vários outros homens já tinham percebido.
Não gostei nada quando um cara moreno parou ao lado dela e falou alguma coisa no ouvido dela. Ela sorriu para ele, balançando a cabeça. Ele sorriu ainda mais, e tornou a falar algo no ouvido dela. Ela sorriu mais uma vez, com as bochechas meio avermelhadas e falou no ouvido dele também.
- Espera. – sai de perto da Leona e fui em direção ao grupo em que ela se encontrava.
Parei ao lado dela, e o tal cara moreno me olhou de cenho franzido quando eu tossi o mais ruidosamente que consegui.
- ! – ela sorriu para mim – Pensei que você não fosse vir mais. – parecia que o cara tinha levado uma bordoada na cara. Bem feito, seu idiota.
- Tive um pequeno problema. – olhei rapidamente para onde a Leona devia estar, mas não a encontrei.
- Tudo bem. – ela continuava olhando para mim – Você já conhece o Ben? – ela apontou para o tal cara moreno, ainda olhando para mim.
- Acho que eu nunca tive o... prazer de conhece-lo. – estendi a mão – .
- Prazer. – ele apertou firme a minha mão, me olhando de cara feia.
- Será que eu posso falar com você um minuto? – perguntei para ela.
- Claro, . – sorriu – Tchau, Ben.
- É... – disse presunçoso – Tchau, Ben. – coloquei a mão nas costas nuas, perto do decote que o vestido vermelho dela tinha, para que ela me acompanhasse.
- O que foi? – ela perguntou, andando ao meu lado.
- Você quer beber alguma coisa?
- Acho que não. – ela fez uma careta – Eu já bebi demais.
- Já é? – sorri.
- Não faça essa cara.
- E que cara eu estou fazendo?
- Você é terrível, . – ela sorriu e saiu de perto de mim, andando na minha frente – Você nunca muda. – ela virou e me olhou.
- Eu sei disso. – parei ao lado dela – Quanto você já bebeu? – perguntei tentando não sorri.
- O suficiente. – levantou o queixo – Mas não se preocupe, eu ainda consigo andar em linha reta.
- Maluca. – balancei a cabeça, sorrindo cada vez mais – Você é muito maluca. – parei no balcão e pedi alguma coisa para eu beber.
“Puta que pariu, !” Exclamei irritado “Mas que demora!” Olhei o relógio “Eu já tinha que está lá há mais de uma hora.” Coloquei a perna na mesinha de centro, me esparramando ainda mais no sofá dela “Isso é para hoje ainda?”
“Como você é chato!” Ela gritou do quarto “Eu estou me arrumando!”
“Eu sei que você está se arrumando.” Bufei, para logo em seguida revirar os olhos “Você está demorando demais! Você podia se arrumar mais rápido!”
“Fica tecnicamente impossível, com você me berrando o tempo todo!”
“Eu não estou te berrando o tempo todo!”
“Então porque, diabos, você não cala a boca um minuto?” Olhei para trás, a tempo de ver a cabeça da aparecer na última porta.
“Você tem que decidir o que você quer que eu faça.” Resmunguei, me levantando.
“Decidir o que eu quero?” A cabeça dela apareceu mais uma vez “Mas de que porra você está falando?”
“Uma hora você quer que eu comece a falar, na outra quer que eu cale a boca! Não dá para entender o que você quer.”
“Você quer saber o que eu quero no momento?” Eu resmunguei um pouco “Vou encarar isso como um sim”
“Você encare como quiser.” Disse emburrado.
“Pois eu quero que você cale essa maldita boca por míseros cinco minutos!”
“Você vai estar pronta no final desses cinco minutos?” Rebati, tirando o meu casaco e abrindo alguns botões da camisa. Estava um calor dos diabos.
“CINCO MINUTOS!” Ela berrou lá de dentro “Se você ficar quieto eu vou conseguir me arrumar ainda mais rápido” Bufei.
“Vou começar a contar. E eu estou falando sério! Vou contar no meu relógio.”
“Você faça o que bem entender! Contanto que fique calado!”
Encostei a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos, na esperança de conseguir, quem sabe, descansar um pouco. Não fiquei nem um minuto nessa posição, alguma coisa caiu no quarto dela, logo depois escutei ela xingar o que quer que tenha caído. Eu ri, ela fica muito irritada quando eu a perturbo por causa da hora.
Como se ela tivesse problema com horários! Está para nascer alguém mais pontual do que ela. O único problema é quando ela tem que se arrumar para sair comigo. Às vezes eu acho que é algo pessoal.
Um perfume doce chegou até o meu nariz, me fazendo levantar e ir até o corredor, que dava para o quarto dela e para o banheiro. O apartamento dela era bem grande, para não falar outra coisa.
Parei perto da porta, olhei para dentro do quarto dela pela pequena fresta que a porta entreaberta proporcionava. Tentei não fazer barulho algum, para que ela não me pegasse ali.
Consegui distinguir um borrão amarelo andando de um lado para o outro, às vezes saindo do meu campo de visão quando ia para perto do armário. Só que no segundo seguinte já estava perto da cama novamente, possibilitando a minha visão dela mais uma vez. E como eu gostei de poder vê-la mais uma vez!
Ela já tinha ajeitado o cabelo, e ele caia liso no seu ombro, tapando a visão que eu com certeza teria do decote dela. Como eu queria que ela virasse de frente para mim! Ah, como eu queria isso.
Sentou meio de lado na beirada da cama. Abaixou e pegou uma sandália de salto alto com tiras, de uma cor que eu não conseguir distinguir muito bem. Calçou uma de cada vez bem devagar, como se soubesse que eu estava ali vendo ela fazer esse movimento. Assim que acabou de se calçar, ela passou as mãos pelas pernas.
Respirei fundo.
Ainda tinha uma festa para ir e não podia deixar que esses atos dela me descontrolassem antes do tempo. Quem sabe depois ela não me deixa tirar o seu vestido? Ou melhor, quem sabe ela não me deixa passar, uma vez só que fosse, as mãos pelas pernas dela?
“!” Olhei assustado para ela, que estava parada bem na minha frente “O que você está fazendo aqui?” Perguntou divertida.
“Vim ver porque você estava demorando tanto.” Sai de perto dela, tentando passar uma indiferença que eu, com certeza, não tinha.
“Agora espionar mudou de nome?” Passou na minha frente, acabando de colocar o brinco. Acompanhei com o olhar ela passar, olhando mais atentamente para os movimentos que a bunda dela fazia nesse simples gesto.
“Você não vem?” Ela virou e me olhou sorrindo “Pelo que eu saiba, estamos muito atrasados.” Eu balancei a cabeça, tentando fazer que, com que esse movimento, os pensamentos impróprios para esse momento saíssem da minha mente.
“Sim estamos.” Respondi firme, ou pelo menos o mais firme que consegui.
“, tudo bem com você?” Ela sorriu do jeito que só ela consegue fazer.
“Você está linda.” Disse colocando as mãos nas costas nua dela.
Só agora, parado ao lado dela, foi que eu consegui prestar atenção no vestido amarelo de costas nuas que ela usava. Que nem tinha um decote tão grande assim na frente. Afinal, não precisava ter, já tinha um bem generoso nas costas.
“Obrigado. E você também não está nada mau com esses botões abertos.” Ela sorriu, passando a mão na frente da minha camisa. “Gostei muito dessa camisa, realçou mais os seus olhos .” Revirei os olhos, isso é bem coisa que mulher gosta de falar.
“Você achou mesmo?” Enlacei a cintura dela, a trazendo para mais perto.
Ela sorriu, antes de balançar a cabeça afirmando, olhando fixamente nos meus olhos. Passou os braços delicadamente pelo meu pescoço, sem desviar dos meus olhos um segundo que fosse.
“Pois eu achei esse seu decote...” Falei olhando não pra o das costas, mas sim para o singelo que ela ostentava na frente.
“Você é um idiota, .” Disse colando ainda mais os nossos corpos.
“Eu sei disso.” Foi a última coisa que eu disse antes de beijá-la.
A apertei ainda mais contra o meu corpo, fazendo com que ela sentisse tudo o que eu sentia só de estar perto dela. Larguei a boca e me concentrei no seu pescoço, enquanto ela bagunçava os meus cabelos.
Mordi de leve o nódulo da orelha dela. Ela suspirou no meu ouvido, começando a passar os lábios pelo meu pescoço, me provocando. Eu soltei o cabelo dela e os joguei de lado. Passei a mão pelo seu ombro, beijando logo em seguida. Tentei arriar a fina alça do vestido, mas não consegui. Resmunguei um pouco.
Foi quando eu senti as mãos frias dela no meu peito me empurrando em direção ao quarto dela. Tornei a beijá-la, não conseguia ficar muito tempo sem sentir aqueles lábios. Ela mordeu o meu ombro, enquanto eu tentava desesperadamente abaixar a alça do vestido dela.
Acabei arrebentando.
Pelo menos consegui o que eu tanto queria.
Comecei a beijar o ombro dela segundos antes de bater com a perna na cama. Eu agarrei o pescoço dela, a trazendo para mais um beijo no mesmo momento que me deixava cair na cama, a trazendo junto comigo.
Ela exclamou surpresa.
Agora só faltava eu conseguir achar o maldito fecho desse vestido. Passei a mão pelo corpo dela atrás dele, mas nada deu encontra-lo. Mas que porcaria esses vestidos de hoje em dia!
“Será... Você...” Tentei dizer, mas o fato dela estar beijando o meu peito me impedia de pensar em frases inteiras. Ela subiu e começou a me beijar mais uma vez. Senti as mãos dela descendo para o cós da minha calça. Ela desabotoou e abriu o cinto, colocando a mão por dentro da calça.
Joguei a cabeça para trás de olhos fechados. Ela retirou as mãos e eu não agüentei mais essa tortura. Arranquei eu mesmo a minha calça.
Ela riu da minha afobação e eu a puxei para perto. E enquanto movimentava a minha língua em sua boca, tentava achar mais uma vez o zíper do vestido.
Ela segurou a minha mão e colocou perto de onde ele estava. Eu abri e tirei logo de uma vez esse vestido que me impedia de sentir o corpo quente dela em contato com o meu.
Ela passou uma perna de cada lado do meu corpo, se posicionando melhor em cima de mim. Eu espalmei as minhas mãos nas coxas dela e subi pela lateral do copo dela. Senti a pele dela se arrepiar com esse toque.
Girei o corpo, ficando por cima.
Senti-a colocar uma perna em volta da minha cintura, me apertando. Eu beijei o contorno do seio dela e eu a senti passando as unhas nas minhas costas. Tirei o sutiã dela, o jogando longe.
Tinha me cansado dessa brincadeira sem graça.
No momento seguinte já me movimentava dentro dela, como eu vinha desejando desde que a tinha conhecido.
Sorri antes de beijá-la mais uma vez. Tinha escutado ela sussurrando o meu nome bem perto do meu ouvido. Como eu queria escutar isso!
- Sabe, - ela disse parando do meu lado – eu acho que vou beber alguma coisa também. – olhou para o meu copo.
- Você não disse que já bebeu o suficiente? – franzi o cenho na direção dela, me fingindo de sério – Olha só, eu não vou levar ninguém para casa, não. – ri.
- Azar o seu, se você não quiser me levar para casa. – ela respondeu simplesmente dando de ombros.
Franzi o cenho, olhando confuso para ela. Ela não quis dizer o que eu escutei, não é mesmo? Eu só posso ter entendido errado. Ela não disse o que eu entendi, não pode ter dito mesmo!
Porque até o outro dia, ela estava me tratando superficialmente e agora está me tratando desse jeito.
E para falar a verdade, de que jeito ela está me tratando?
- Não te contei, - ela disse antes de levar o copo à boca – eu comprei o seu cd novo.
- Você comprou o meu cd? – olhei confuso para ela.
- Comprei. – ela deu uma risadinha – Por que? Não era para ter feito isso? – levantou uma sobrancelha – Tinha alguma música que você fez falando de mim lá que eu não vá gostar?
- Não foi isso que eu quis dizer. – sorri sentindo o meu rosto esquentar – Pensei que você não gostasse do meu som. – desconversei, quando percebi que ela me olhava atentamente – E não tem nada lá que você não pudesse escutar. – pelo menos eu espero que ela não perceba o que está escrito nas entrelinhas das músicas.
- Eu nunca disse uma barbaridade dessas! – ela fez uma expressão chocada – Eu gosto muito das suas músicas. Sempre gostei, inclusive. E você sabe muito bem disso.
- Você gostando das minhas músicas? – sorri - Você sempre implicou muito com elas.
- Não. – ela colocou o copo no balcão e encostou-se nele – Das suas músicas eu sempre gostei, o que eu não gostava era das suas fãs.
- Só porque elas gostavam de mim? – ergui uma sobrancelha, a olhando convencido.
- Elas não gostavam de você, elas praticamente te adoravam. Faltava pouco se atirarem por onde você passava. – ela comentou divertida.
- Não fale no passado, pode dar azar.
- E você lá acredita nessas coisas de azar? – olhou firme para mim.
- Acredito desde que conheci você. – fiz um cumprimento exagerado com a bebida na direção dela antes de tomar um grande gole – Acho que sou capaz até de acreditar em gnomos depois disso!
- Você acreditando em gnomos? – ela riu descrente – Você? A pessoa mais cética que eu conheço? – riu mais abertamente agora – Não mesmo!
- E porque não?
- Eu desconfio que você, nem quando era criança, acreditava em Papai Noel. E de uma hora para outra começa a acreditar em sorte e azar? Mas não mesmo! – riu.
- Para você ver como uma mulher pode mudar um homem. – ela parou de rir e me olhou.
- Não quero falar sobre isso. – ela encarou o balcão, desviando dos meus olhos.
- Sobre o que você não quer falar? – franzi o cenho, agora verdadeiramente confuso.
- Eu realmente não quero falar sobre isso. – consegui encontrar com os olhos dela, finalmente entendi do que ela estava falando.
- Me desculpa. – acho que já perdi a conta de quantas vezes pedi desculpas para ela.
- Você não precisa pedir, não mais. – ela finalmente me olhou – Já passou, ficou para trás.
“Meu Deus será que você não vê?” Falei impaciente.
“O que eu não vejo, ? O quanto você é inocente? Que você foi usado pela modelo má?” E mais uma vez aquele ar de sarcasmo se fazia presente. E mais uma vez eu tive vontade de me amaldiçoar por ter sido tão estúpido e por ter conseguido perder a única garota que significou alguma coisa para mim.
“Não fale assim.” Disse firme, vendo todo o rosto dela ficou vermelho agora ”Eu já te expliquei o que aconteceu.”
“SIM É CLARO QUE VOCÊ EXPLICOU! Você simplesmente achou engraçado trair a namorada com a primeira mulher bonita que passasse na sua frente!”
“Calma ... Você sabe que não foi assim...”
“Foi como então? Hein? Você resolveu que já estava há muito tempo saindo com uma mulher só e já estava na hora de você diversificar um pouco?”
“Diversificar?” Repeti incrédulo “Para que eu ia quer outra mulher se eu tenho você?”
“É justamente isso que deixa a situação ainda mais confusa!” Ela parou me encarando “Se você estava tão contente assim comigo, porque merda!, dormiu com aquela mulher?” Ela apontou para uma mesinha de centro, onde jazia esquecida a fatídica revista “Quis pagar para ver se eu ia aceitar ou não você de volta quando descobrisse? Acho que essa sua brincadeira saiu caro, no final das contas.” Ela completou com a voz carregada de desdém.
“NÃO!” Fiquei realmente surpreso que ela sequer pensasse numa coisa dessas “Mas é claro que não! Eu nunca faria uma coisa dessas.”
“Do mesmo jeito que nunca me trairia?” Ela me encarou com uma expressão dura e fria ao mesmo tempo.
“Eu já disse que aquilo não significou nada para mim!” Tentei chegar até onde ela estava, mas ela me impediu.
“Ah, claro!” Olha o sarcasmo dando o ar da graça mais uma vez “Agora é a hora que eu pulo no seu colo, gritando que te desculpo?” Ela colocou as mãos na cintura, me encarando seriamente “Se você realmente acha que eu vou fazer isso, é porque você não me conhece tão bem como gosta de dizer por aí!”
“Eu não quero que você pule no meu colo.” Tentei usar o mesmo tom que ela usou, mas não deu muito certo “Só quero que você entenda, e que me dê mais uma chance!”
“E como é que você quer que eu faça isso? Você realmente quer que eu passe uma borracha em cima de tudo o que você me fez? É inacreditável!”
“Será que você não entende que todas as vezes que eu errei com você foi porque eu não sabia como lidar com o que eu sinto?” Estava começando a me desesperar com o rumo que essa conversa estava tendo. Não era assim que eu imaginei que ela seria “Eu não sabia o que fazer com isso que eu sentia toda vez que você sorria, toda vez que você me olhava...”
“Certo então.” Ela disse calmamente “Você não sabia como agir comigo, então preferiu meter os pés pelas mãos?” Eu balancei a cabeça freneticamente, ela não havia entendido aonde eu queria chegar “Claro, porque entre o certo e o duvidoso, vamos ficar com o duvidoso! Afinal, o que pode dar errado no fato de TODO MUNDO DESCOBRIR QUE EU DORMI COM OUTRA MULHER?” O rosto dela ficou num tom muito perigoso de vermelho “Você realmente quer que eu acredite que você não sabia que eu não ia gostar de saber que você transou com outra mulher?” Ela me encarou lívida de raiva “Que tipo de mulher você acha que eu sou? Uma qualquer? Uma daquelas que você tem o costume de levar para casa em uma noite, e na manhã seguinte nem lembrar mais o nome? Uma daquelas que você encontra nas esquinas?”
“Eu nunca disse isso! Eu sempre respeitei você! Eu apenas não sabia como agir!” Esfreguei o meu rosto “Merda! Não era nada disso que eu queria falar para você.” Olhei para ela, que me encarava com os braços cruzados “Só queria que você entendesse...” E o tom suplicante apareceu mais uma vez.
“Esse é o problema, .” Ela disse com uma voz anormalmente séria “Eu já entendi.” E eu soube ali naquele momento, que talvez eu estivesse em uma batalha há muito perdida. Que talvez, não valesse a pena realmente batalhar pelo o que eu sentia. Se ela já tinha desistido, para que eu ia ficar insistindo?
- Não, não passou. – disse firme.
- É claro que passou. – ela tentou se mostrar indiferente – Ficou perdido no meio de outras tantas coisas na minha cabeça. – deu de ombros, como se o que estivesse falando fosse algo insignificante.
- Quer dizer que você não pensou um segundo que fosse como teria sido se você tivesse aceitado voltar para mim?
Olhei apreensivo para ela, esperando a pior reação possível dela. Pensei que talvez ela voltasse aquele ar tão distante e frio com qual ela vinha me tratando nos últimos dias. Ou quem sabe, na melhor das hipóteses, ela só daria as costas para mim e iria falar com alguém.
Mas nada teria me preparado para a reação que ela realmente teve
.
- Não. – ela abriu um sorriso verdadeiro alguns segundos depois, um que chegava a ser contagiante – Eu nunca pensei momento algum como teria sido.
Ela me olhou com um ar arteiro, como perguntando se eu teria coragem de contradize-la. Sorri de volta, tentando entrar nesse jogo complicado que ela estava fazendo.
Mas ela sabia, que eu tinha a mais absoluta certeza que ela estava contando uma mentira das grandes. E eu não estou falando isso porque eu tenho um ego muito grande, mas sim, porque essa era a mais pura verdade.
Capítulo 7
Sometimes the system goes on blink
And the whole thing turns out wrong
- E isso te incomoda? – ela me olhou de lado, ainda esperando alguma reação da minha parte.
- Nem um pouco. – disse indiferente.
Ela me olhou de cenho franzido. Acho que ela também não acreditou no que eu disse.
- O que você tem feito? – perguntei alguns segundos depois, quando a minha segunda bebida chegou.
- Você sabe... – deu mais uma vez de ombros – Uma coisa aqui... Outra coisa ali... – sorriu de lado – Tenho trabalhado bastante.
- Você sempre trabalhou muito. – dei o mesmo sorriso que ela – Sempre foi assim.
- E porque eu iria mudar, não é mesmo? Você sabe o quanto eu gosto disso! Acho que não tem nada mais prazeroso do que trabalhar. – ela respondeu de forma vaga.
- Bem... – sorri safado – Fale por si própria. – ela me olhou confusa – Eu posso pensar em bem um monte de coisas mais prazerosas que trabalho.
- Não é bem desse tipo de prazer que eu estava falando. – as bochechas dela ficaram vermelhas.
- De qual tipo de prazer que você estava falando, então? – o meu sorriso safado ainda se encontrava presente.
- Você só pensa nisso, ? – ela perguntou sem me encarar, em um tom divertido.
- Não tem como pensar em outra coisa, principalmente quando estamos acompanhados de mulheres bonitas. – dei uma conferida, sem pudor nenhum, no corpo dela.
Eu já disse antes que ela está ainda mais linda? Pois então eu estou falando agora.
- Acho, então, que você deve dormir com todas as garotas que param para conversar com você. – ela comentou como quem não quer nada.
- Não, eu não durmo com todas. – olhei bem para ela – Só com as que valem a pena.
- E você consegue ganhá-las com esse papinho meia boca? – ela deu um meio sorriso.
- Depois você fala que eu que não presto, Brown. – entornei o resto da minha bebida – Além do mais, quando eu disse que podia pensar em outras coisas mais prazerosas, não estava me referindo apenas a isso.
- Estava se referindo a quê, então?
- Bem... – parei olhando bem para ela. Não sei porque, mas nada do que passava na minha mente eram coisas inocentes – Você não gosta de chocolate-branco? – ela afirmou – Então, acho que para você, chocolate-branco é mais prazeroso que trabalho.
- Porque eu estou achando que essa sua resposta é meio furada?
- Só no seu caso eu posso citar um monte de outras coisas. – ignorei o comentário dela – Bala de maçã verde, morango, chuva, a areia em contado com o seu pé, cheiro de livro novo...
- Como você lembra disso tudo? – ela me olhou de cenho franzido. Eu apenas encolhi os ombros.
- Sei lá. Eu apenas lembro. Você não lembra das coisas que eu gosto? – ela mordeu o lábio inferior.
- Não. – respondeu baixo – Eu não me lembro de nada.
- É justo. – respondi firme – É mais que justo.
- Por que você lembra? – franziu o cenho.
- Porque era a única coisa que me sobrou de você. – disse chegando mais perto dela – Somente as suas lembranças.
- Do que mais você lembrava? – ela perguntou num fio de voz.
- Do seu sorriso... – passei o dedão pelo queixo dela – Do seu cheiro... – acariciei a bochecha dela – Do seu jeito... Mas, principalmente... – contornei seus lábios – Da sua boca.
- Você vai me beijar? – ela perguntou com os olhos quase fechados. Eu sorri.
- Se você quiser... – respondi passando a minha mão pela cintura dela, a trazendo mais para perto de mim.
- Eu quero. – acabou de fechar os olhos.
E eu ainda fiquei um segundo olhando para aquele rosto delicado, tentando decorar cada contorno dele, cada nuance do nariz ligeiramente arrebitado dela.
Rocei de leve o meu lábio no dela, a sentindo suspirar com esse pequeno contato. A encostei no balcão, colando ainda mais o meu corpo no dela, acho que nem uma agulha passaria por entre a gente naquele momento.
Colei um pouco mais os nossos lábios. Não queria que esse momento acabasse nunca, queria alongá-lo o máximo que pudesse.
Engraçado o que alguns anos podiam fazer com a nossa mente!
Como eu disse antes, eu lembrava de tudo o que dizia respeito aos beijos dela. Só tinha uma coisa que eu não conseguia lembrar: a sensação maravilha que era estar em contato com aqueles lábios vermelhos mais uma vez.
Acho, que nunca vou poder descrever com palavras como é. Acho que atos descrevem muito melhor. Dei uma leve mordida no lábio dela. Ela suspirou mais uma vez.
A apertei um pouco mais, queria ter certeza que ela era real, que ela estava realmente ali e que não era mais um sonho maluco meu. Senti-a colocar a mão na minha nuca e a outra no meu ombro. Ela forçou a minha boca de encontro à dela, acho que ela não estava gostando dessa brincadeira.
A partir daí, comecei a trilhar caminhos que já conhecia de cor e salteado, mas que nunca vou me cansar de provar. E realmente me senti nas nuvens quando a língua dela encontrou com a minha.
Certo.
Isso foi muito clichê de ser dito.
Muito clichê e muito gay também. Mas foi assim que eu me senti. Então, paciência, se eu não agradei todo mundo. O importante é que ela me agradou. E como agradou!
“Será que você pode me dizer onde estamos indo?” Ela perguntou divertida.
“Sem chance, pequena.” Sorri, a encarando rapidamente “Já disse que é uma surpresa.”
“Mas o que custa você me dar pelo menos uma dica?” Ela me olhou suplicante “Umazinha que seja.” Juntou o polegar com o indicador “Nem precisa ser uma graaaande dica. Pode ser algo bem simples. Tipo o nome do lugar para onde você está me levando.”
“Nada disso, garota.” Apertei o nariz dela “Você não vai conseguir me enrolar dessa vez.” Disse antes de virar o carro para direita. Estava cansado de fazer só o que ela quer. Mas o que eu posso fazer, se ela me domina com esse jeitinho dela?
“Nem se eu fizer... isso?” Ela colocou a mão na minha perna, a apertando levemente. Engoli em seco, bem sei que se eu relaxar um pouco que seja, posso acabar dando adeus à surpresa e dando olá para sensações bem mais agradáveis.
Quem sabe, eu não queira fazer essa pequena viajem?
Não. Eu realmente preciso ser o mais firme possível, não posso deixa-la ganhar. Pelo menos dessa vez, vai ser do jeito que eu quero.
“Nem se você arrancasse a blusa, baby.” Ela levantou a sobrancelha, me encarando incrédula não acreditando no que eu disse. O que eu não posso culpa-la, nem eu mesmo acreditei no que eu falei “Certo, acho que exagerei um pouco.” Ela riu, retirando a mão da minha perna. Confesso que suspirei aliviado.
“Por que você está fazendo tanto mistério?”
“Será que é porque é uma surpresa?”
“Como você é chato.” Ela cruzou os braços parecendo uma criança mimada “Você sabe que eu sou muito curiosa.”
“Eu sei disso.” Sorri mais uma vez “Por isso mesmo que você vai ficar quietinha aí, enquanto eu tento lembrar o caminho que vai nós levar até a sua surpresa.” Disse só para provocá-la.
“Você esqueceu o caminho?” Ela arregalou os olhos “Por favor, não me diga uma coisa dessas!”
“Certo, então. Eu não digo.” Segurei o riso. Ela tinha feito uma careta muito engraçada.
“Ah, não, !” Ela me olhou assustada “Você não pode estar falando mesmo sério! Olha só onde a gente está!” Apontou para fora, onde não era possível se ver nada “Eu nem quero pensar como vai ser, se a gente ficar parado aqui no meio do nada!” Ela disse exasperada.
“Certo, então.” Sorri “Vou ver o que eu posso fazer.”
“Você não tem um mapa perdido por aqui, não?” Ela perguntou olhando para os lados.
“Não acho que vamos precisar de um mapa.” Disse me concentrando na estrada, para não me perder realmente.
“E você pretende achar o caminho como? Com a força do seu pensamento?” Ela me olhou irritada.
“Que tal se eu virasse aqui?” Fiz uma curva e ela me olhou de cenho franzido “Não é que deu certo? Até que não foi uma má idéia. Vou fazer isso mais vezes!”
“Mas o que...?” Ela olhou em volta, abrindo um grande sorriso logo em seguida “Ah! ! Eu não acredito que você lembrou!” Sorriu ainda mais, como se fosse uma criança.
“Eu nunca ia me esquecer.”
Ela havia me dito, algum tempo atrás, que quando era criança o pai levava ela e o irmão para uma cidadezinha que tinha uma praia muito bonita. Mesma praia que estávamos observando no momento.
“Acho que você vai gostar ainda mais do que eu preparei.” Apontei para uma casa, toda de madeira, a nossa frente.
“AH! !” Ela abriu a porta do carro e saiu correndo, parecendo cada vez mais uma criança que acaba de ser informada que o Natal seria mais cedo “Você conseguiu alugar a mesma casa que o meu pai alugava quando víamos aqui!” Ela virou para poder me olhar, eu estava parado um pouco mais atrás dela observando a felicidade estampada nos atos dela.
“Acho que eu dei sorte.” Dei de ombros, vendo ela correr pelo quintal contando lembranças que ela tinha do falecido pai.
Talvez essa seja uma boa hora para falar o que vem passando na minha mente a algum tempo. Talvez ela goste, realmente, de ouvir o que eu tenho para falar.
Ela sorriu mais uma vez e depois correu até mim, para logo em seguida me beijar, sussurrando que me amava.
Talvez, eu possa deixar para falar outra hora.
Descolei lentamente a minha boca da dela, não queria acabar com esse contato antes do tempo e só o fiz, porque respirar de vez em quando é uma boa coisa para os seres humanos. Me separei apenas o suficiente para olhar para os olhos castanhos dela que brilhavam na minha direção.
Morram de inveja seus babacas! E para mim que a está sorrindo!
Encostei a minha testa na dela, tentando encontrar alguma coisa para falar. Mas nada inteligente passava pela minha cabeça. Para falar a verdade, nada passava pela minha cabeça nesse exato minuto. Só uma confusão de coisas sem sentido algum.
Ela sorriu mais uma vez, olhando dentro dos meus olhos, como se assim ela pudesse perceber tudo o que eu sentia por ela. Devolvi o olhar com a mesma intensidade, queria que ela percebesse que tudo o que eu senti por ela um dia, ainda estava presente, só esperando que ela aparecesse mais uma vez.
Ela fechou os olhos e encostou seus lábios nos meus mais uma vez, tão lentamente que eu senti como se um vento quente estivesse passando e levantando todos os pêlos do meu corpo.
Fechei os olhos mais uma vez acompanhando os movimentos que ela fazia de encontro a minha boca. Subi a minha mão, que estava nas costas dela, para o seu braço, passando logo em seguida para a sua nuca. A senti afundando os dedos no meu cabelo. Aprofundei ainda mais o beijo...
Não pude fazer mais nada, além disso.
Ela tinha chegado a cabeça para traz. Tentei chegar até ela mais uma vez, mas ela não permitiu. A olhei confuso, será que tinha feito alguma coisa errada?
- O que foi?
- Nada. – ela respondeu baixo, passando delicadamente os dedos pelos lábios, que estavam ainda mais vermelhas.
- Me diz o que aconteceu. – implorei – Olha, se eu fui rápido demais, me desculpa...
- Não, não é nada disso. – ela mexeu o braço, derrubando um copo cheio que estava em cima do balcão. A bebida por pouco não caiu nela, ela chegou para o lado rapidamente.
- Se machucou? – segurei o braço dela, olhando o cotovelo, que tinha um pequeno corte.
- Está tudo bem. – sorriu para mim.
- Pelo amor de Deus, ! Estou te procurando há horas! Onde é que você tinha se metido?
Virei o rosto lentamente em direção da voz. Dei de cara com o rosto contorcido de raiva da Leona. Ela estava totalmente vermelha e enfurecida. Devo ter ficado de todas as cores possíveis nesse momento, principalmente quando os olhos dela foram do meu rosto para o rosto, também vermelho, da . Passando nesse meio de tempo, pela a minha mão que ainda segurava o cotovelo dela.
- Você saiu e nem me disse aonde ia. – ela parou ao meu lado – Fiquei preocupada. – ela sorriu, se encostando em mim.
- É... Bem... – olhei para ela e depois para a – Eu fui...
- Eu conheço você? – ela virou a cabeça, tentando focalizar a melhor.
- Não acho, eu me lembraria se conhecesse. – ela respondeu firme.
- Tenho certeza que o seu rosto não me é estranho.
- Repito, se eu já te conhecesse, eu com certeza me lembraria. – olhou para mim rapidamente – Sou ótima fisionomista, nunca esqueço um rosto.
- Certo então. – deu de ombros, voltando a sua atenção para mim – , não vai me apresentar a sua amiga?
- Te apresentar?
- É, querido. Se eu, realmente, não a conheço, nada mais justo que você apresentar a sua namorada. – sorriu – Não é mesmo?
- Namorada? – repetiu firme – Ela é sua namorada, ?
- Eu posso explicar, ...
- Prazer, Brown. – me ignorando, ela estendeu a mão na frente da Leona.
- Leona Smith. – ela sorriu de forma afetada e apertou a mão dela rapidamente – De onde você conhece o ? – perguntou se pendurando no meu braço.
- Para falar a verdade, eu não conheço.
- Não conhece? – franziu o cenho – Mas eu vi vocês dois conversando...
- Pois é. – olhou em volta – Ah! Com licença, mas estão me chamando. – saiu a passos firmes de perto de mim. Eu ainda pude acompanhar o rastro do perfume dela.
- Eu quero ir embora. – Leona disse categórica.
- Acabamos de chegar. – disse ainda olhando para onde a tinha desaparecido.
- Será que é demais, pedir que você olhe para mim, e não para aquela garota? – apontou para um ponto moreno, que eu sabia ser a , eu estava acompanhando seus passos desde que ela saiu de perto de mim.
- Como? – olhei para ela.
- Não sei se você sabe, mas eu estou aqui, e não lá! – cruzou os braços mais irritada ainda.
- Do que é que você está falando?
- Como você é um idiota! – saiu andando – Você é um completo idiota, ! IDIOTA!
- Mas de que porra você está falando, garota? – a segurei pelo braço.
- Você acha mesmo que eu não vi vocês dois se beijando? – arregalei os olhos – É ela não é?
- É ela o que? E você está ficando doida, Leona. Eu não estava beijando ninguém.
- Ah, mas estava sim! – se desvencilhou de mim e saiu porta a fora.
E para mim, só me restou segui-la.
Não sem antes olhar para onde a estava. Será que eu estou ficando louco, ou ela estava mesmo me olhando desapontada?
“Ah, qual é, ! Volte aqui!” Fui atrás dela, passando pelas pessoas que se apertavam naquele camarim pequeno “Não é nada disso.”
“Eu sei o que eu vi, está bem, ?”
“Você realmente não vai acreditar nisso, não é mesmo?” Toquei de leve no braço dela.
“Eu vi, está bem?” Ela virou e me olhou “E eu não sou idiota.”
“Certo, então.” Suspirei chateado, tudo bem que eu não sou um amor de pessoa, mas também não é para tanto “Você realmente acha que eu ia ficar com aquela garota? Mesmo sabendo que você cobrou alguns favores para poder assistir o meu show?” Ela me olhou.
“Eu... Então porque ela estava sentada no seu colo quando eu cheguei no camarim?” Ela voltou ao começo da conversa.
“... Não é nada disso que você está pensando.”
“É o que então?” Ela continuava irritada, mas já estava começando a querer acreditar que tudo não passava de um mal entendido “E não me venha com ‘ela caiu no meu colo’, porque não vai colar.” Cruzou os braços, me olhando ainda esperando por uma resposta.
“Bem...” Cocei a cabeça, a história não era nada fácil de ser acreditada “Lembra quando a gente se conheceu? Então, eu estava saindo com ela naquela época.” Ela abriu a boca e me olhou mais irritada ainda.
“Você estava saindo com ela quando me chamou para sair?”
“Não!” Me apressei em responder “Quando eu comecei a sair com você, eu não estava mais com ela.” Ela me olhou incrédula “Sério.”
“E o que isso tem haver com o fato dela estar sentada no seu colo quando eu cheguei?”
“Bem, ela não aceitou muito bem o fim do nosso relacionamento. E ela anda me procurando...”
“Quando você ia ter a decência de me contar isso?”
“Não queria que você se irritasse atoa. E hoje ela resolveu me fazer uma pequena surpresa, resolveu ir até o meu camarim.”
“Pule logo para a parte que ela sentou no seu colo, sem ser convidada, eu espero.”
“Foi justamente isso que aconteceu. Ela sentou no meu colo, achando que assim que ia querer voltar para ela.”
“E você quer?” Ela perguntou ligeiramente preocupada.
“...” Sorri achando graça do ciúme dela, chegando perto dela “Mas é claro que não! Eu estou com você não é mesmo?”
“É... Mas nunca se sabe...” Sorriu, passando os braços pelo meu pescoço “Você podia ter mudado de idéia.”
“Só se eu fosse um louco.” Segurei na cintura dela, a puxando para perto “Eu estou com você, e é com você que eu quero ficar.” Encostei o meu lábios nos dela, aprofundando o beijo logo em seguida.
Capítulo 8
I’m the man in the box
Burried in my shit
- NÃO ME SIGA! – ela berrou antes de entrar no quarto.
- Acho pouco provável isso não acontecer. – retruquei tentando manter a calma – Você está no meu quarto, se você não sabe.
- Pois então arrume um novo para você! – ela bateu a porta do banheiro.
Ainda bufando, sentei na cama arrancando os meus sapatos de qualquer jeito. Os joguei pelo quarto sem receio algum, afinal, as pessoas são pagas para arrumar o meu quarto mesmo.
Me joguei na cama de roupa e tudo. Fechando os olhos assim que a minha cabeça encontrou o travesseiro macio.
E não vi mais nada.
Abri só um olho.
Tentei abrir o outro, mas a claridade me impediu. Fechei os dois rapidamente. Tateei a cama ao meu lado, eu tinha uma vaga lembrança de ter visto a Leona saindo do banheiro e deitando ao meu lado. Mas eu acho que foi somente um sonho, porque a cama está vazia e fria.
Será que ela ficou tão chateada que resolveu ir embora?
Abri rapidamente os olhos, pouco me importando com a claridade que entrava pela fresta da janela, e foquei o quarto, que estava do mesmo jeito que eu tinha deixado ontem. E as duas malas dela estavam no mesmo lugar, ao lado da mesinha.
- Ah, você já acordou. – ela entrou – Pensei que você fosse dormir o dia inteiro. – ela continuou falando em um tom muito seco – O Clark ligou querendo falar com você umas cinco vezes. – ela tirou o casaco e colocou na cadeira.
Olhei para o relógio no meu pulso – eu aparentemente tinha ido dormir totalmente vestido, apenas sem os sapatos – e constatei que era mais de duas horas da tarde.
Levantei rapidamente.
- Por que você não me chamou mais cedo?
- Eu tentei. Mas você resmungava algo que parecia muito com “não, , só mais cinco minutos” e virava para lado e voltava a dormir.
Então eu voltei a falar durante o sono? Pensei que essa minha mania já tinha passado, mas aparentemente não. Eu já tive experiências bem desagradáveis com isso outras vezes. E parece que vou ter mais uma vez.
- Quem é ?
- O que? – perguntei confuso, eu não tinha acordado direito ainda.
- Quem é ? E não adianta tentar me enrolar. – cruzou os braços – Eu quero saber quem é ela. – parou na minha frente, me impedindo de acabar de levantar – E quero saber agora. – disse firme e impaciente.
- Você não conhece. – desviei do rosto dela.
- Você acha que eu sou o que? Uma idiota? – olhei confuso para ela – Eu sei quem é ela. – foi até o casaco que eu tinha usado ontem e mexeu nele até achar o que queria – E porque você levou a foto dessa piranha para a festa? Vamos, me responda logo de uma vez! Eu exijo saber!
- Leona, mantenha a calma. Não é nada disso. – seu idiota! Assuma logo de uma vez! Diga de uma vez por todas a verdade, e acabe com essa situação desagradável.
- Eu sei quem é, eu sei que essa garota aqui – apontou para a foto – é a mesma que você estava beijando ontem na festa! Você pensou que eu era uma burra que e que não ia descobrir, não é mesmo? Mas se enganou.
- Pelo amor de Deus, Leona! Eu já disse que eu não a estava beijando! E não é ela! – arranquei a foto da mão dela – Está vendo? Essa garota é loira e a outra era morena. Elas não são a mesma pessoa.
- São sim! – tirou da minha mão – Não adianta tentar me enrolar! Eu sei!
- ESTÁ BEM! – berrei abrindo os braços, ficando a cada segundo mais irritado ainda – JÁ QUE VOCÊ QUER TANTO SABER! ELAS SÃO SIM A MESMA PESSOA! SATISFEITA AGORA?
- MUITO! – ela berrou de volta – ELA FOI SUA NAMORADA, NÃO É? DAVA PARA VER PELO JEITO QUE ELA FICOU QUANDO EU DISSE QUE ERA SUA NAMORADA!
- Leona, por favor! Isso foi muito tempo atrás!
- ÓTIMO! ENTÃO VOCÊ NÃO VAI SE IMPORTAR SE EU FIZER ISSO COM ESSA MALDITA FOTO! – e ela começou a rasgá-la em milhares de pedaços – Pronto! Aqui está a sua preciosa namoradinha! – ela jogou os papéis para cima e saiu batendo a porta.
Não sei o que me irritou mais. Se foi, eu ter finalmente contatado a verdade para ela, se foi ela ter me visto beijando a ou se foi ela ter rasgado a única foto que eu ainda tinha dela.
Acho que foi de tudo um pouco.
“A sua mãe não gostou de mim.” Ela comentou baixo.
“Pára com isso, .” Disse no mesmo tom que ela “É claro que ela gostou de você.”
“Só se ela tiver o costume de tratar mal as pessoas que gosta.” Retrucou “E se é assim, eu acho que ela não gosta muito de você,” Rolei os olhos “poque ela te trata muito bem.”
“, não é nada disso. Minha mãe é assim mesmo, ela sempre teve problemas para aceitar as minhas namoradas.”
“Claro! Afinal, ela deve conhecer uma diferente a cada semana! Ela deve ter problemas é em decorar o nome delas! ”
“Não, , eu não apresento uma diferente a cada semana.” Sacudi a cabeça divertido, eu realmente acho engraçado quando ela sente ciúmes do meu passado “De todas as minhas namoradas eu só apresentei umas quatro. Contando com você, é claro.”
“Quatro?” Ela repetiu incrédula “Como se eu fosse acreditar nisso.” Foi a vez dela rolar os olhos “Você ta querendo mesmo que eu acredite que de todas as namoradas que você já teve em quase 23 anos de vida, você só apresentou à ela quatro?”
“Aqui! Achei! Eu nem me lembrava mais que tinha trocado de lugar. É essa minha cabeça, que está começando a me pregar peças.” Minha mãe voltou para a sala “Eu achei que estava no meu armário, mas estava mesmo era no antigo dele. Veja só que coisa.” Sorriu para a que tentou sorrir de volta “Você vai adorar ver essas fotos. Tem umas até da formatura do colegial dele.” Ela virou para mim “Tem até uma sua com aquela sua namoradinha, como era mesmo o nome dela?”
“Que namoradinha, mãe?” Não estava gostando muito do rumo dessa conversa.
“Aquela que você dizia que ia casar.” Abriu, cada vez mais sorridente, o álbum e começou a virar as páginas “Aqui.” Estendeu uma foto para mim “Como é mesmo o nome dessa garota morena?”
“Jessica.” Respondi entre dentes “O nome dela é Jessica.” Não sei porque, mas a minha mãe tinha um ar vitorioso demais estampado no rosto que não estava me agradando em nada.
“Isso mesmo! Jessica! Ela era um amor de garota, nem sei por que o relacionamento de vocês terminou. E você sempre gostou das morenas, não é mesmo querido?” Passou a foto para a , que me olhou de rabo de olho antes de pegar “Essa garota era definitivamente um encanto. Você nunca mais me apresentou nenhuma garota tão encantadora como ela.” Me olhou sorrindo. Eu escondi o rosto com as mãos. Bem que o Matt me falou que não era para eu trazer a para a mãe conhecer. Porque a gente nunca escuta os avisos dos irmãos mais velhos?
“Onde é o banheiro?” Ela levantou de repente.
“Eu te mostro onde é.” Levantei.
“Não, querido, pode deixar que eu faço isso.” Minha mãe também se levantou.
“Não, mãe. Eu a levo.” Disse firme, começando guiá-la pelo apartamento da minha mãe “Por favor, ” Comecei em um tom baixo assim que chegamos no corredor “você tem que dar um desconto...” Ela bateu a porta do banheiro na minha cara, não deixando eu terminar a minha frase “Ou você pode fazer isso também.” Voltei para a sala e encarei a minha mãe.
“Está tudo bem com ela?” Perguntou ingenuamente.
“Quer parar de fazer isso?” Sibilei.
“Fazer o que, querido?” Odeio quando ela faz essa cara.
“Isso!”Apontei para o álbum “Não quero que você fale mais nada sobre as minhas antigas namorada para a .”
“Porque? Você acha que ela não agüenta?”
“Não é questão de agüentar ou não...” Não terminei a frase, ela tinha voltado do banheiro.
“Me desculpa.” Ela sentou calmamente ao meu lado, como se nada tivesse acontecido.
“Ah, querida.” Minha mãe segurou a mão dela “Me desculpa por ter sido tão insensível com você. O meu filho me disse que você não gostou deu ter tocado no nome de uma das namoradas dele.”
“Não se preocupe, Sra. .” Ela sorriu “Eu não me incomodei.”
“Eu sei que não. Mas você sabe como o é.” Sorriu mais uma vez “Ele é meio controlador, às vezes. Nada de mais, é claro...”
“, acho que está na hora da gente ir.” Levantei a puxando junto, era melhor irmos embora logo, antes que ela fale mais alguma coisa inconveniente.
“Mas já querido?” Ela levantou e foi atrás da gente. Eu já estava guiando a até a porta.
“É, mãe. Já está na hora, eu acho que a gente já abusou de mais da sua hospitalidade.”
“Ah, que pena! Mas, volte, Paris, querida.” Minha mãe sorriu para a minha namorada "Eu fiquei encantada em te conhecer, Paris, encantada!” Minha mãe disse afetada.
“É , mãe. .” Repeti antes de fechar a porta.
Olhei para a , que ainda segurava a minha mão. Estava esperando que ela começasse a reclamar do jeito que a minha mãe tinha a tratado. Mas em vez disso, ela começou a rir muito.
“Ela me chamou mesmo de Paris?”
Estou dizendo, cada dia que passa, a me surpreende mais!
E cada dia que passa, eu gosto ainda mais dela. Mesmo com todos as variações de humor dela.
****
- .
- ?
- !
Continuei a ignorando.
Não adianta fazer essa cara. Se tivesse sido a única foto que você tinha da sua ex-namorada que a sua atual rasgou, você também ia estar ignorando a garota.
E não adianta falar nada. Isso é um fato da vida.
Bem, talvez você tenha a sorte de não ficar nesse estado só por causa de uma maldita foto. Sortudo você.
- Mas que porra, ! – ela sentou ao meu lado – Não adianta fingir que você não está me escutando. Sei muito bem que você está escutando tudinho que eu estou falando.
Estou. Mas tudo o que eu mais queria é não estar. Sabe, a voz dela está começando a me irritar.
- "Summer has come and passed, the innocent can never last, wake me up when September ends, like my father’s como to pass, seven year has gone so fast... – comecei a cantarolar, e só fiz isso porque eu sei que ela detesta quando eu faço esse tipo de coisa. (n/a. Rafaah!)
- Não adianta. – ela tirou os fones dos meus ouvidos – Você não vai se ver livre de mim assim tão rápido.
- Que foi, Leona? – disse ainda não prestando total atenção a ela.
- Será que custa muito você deixar o seu prato para o lá um pouco e prestar atenção em mim um minuto? – ela choramingou ao meu lado.
E pode parecer que eu sou um completo insensível, mas eu não sou. Está bem? Mas o que eu posso fazer se ela está torrando a pouca paciência que ainda me resta?
Mas que porra! A garota rasgou a minha foto!
A única que eu ainda tinha da !
Deu para entender? A única!
Puta merda!
- Que é que você quer? – virei irritado para ela – Não pode esperar eu acabar de comer antes não? – ela está querendo o que? Que o jantar fique entalado e que eu morra com isso?
- Me desculpa? – ela perguntou fazendo bico.
Eu preciso dizer que odeio quando fazem isso? E o pior é que ela sabe que eu não gosto, mas ela faz de propósito.
Bufei bastante irritado e logo em seguida revirei os olhos. Foquei a minha atenção nela, não podia continuar a ignorando por muito mais tempo. Se eu continuasse fazendo isso, é capaz dela fazer um escândalo. E tudo o que eu não preciso no momento é isso.
Até porque possivelmente isso vai acabar chegando até os ouvidos da , e isso é uma das inúmeras coisas que eu não quero que aconteça.
Entre outras coisas, é claro.
Resolvi atendê-la, não custava muito fazer isso, mesmo.
- Pelo o que exatamente? – se ela quer se desculpar ela teria que falar tudo.
- Você sabe... – ela resmungou – Você realmente não quer que eu fale, não é? – ela fez um pouco de doce.
Sei lá... Mas eu acho, que por algum motivo desconhecido, eu não sinto o que sentia antes.
Não, não sou um completo insensível. Por incrível que pareça, já senti alguma coisa pela Leona. Não sei o que era, exatamen