
Capítulo 1 - So proud to see you lying naked next to me
Uma luz insuportável invadia o quarto, antes escuro. Onde ela estava mesmo? Qual era seu sobrenome mesmo? Que dia era hoje mesmo? QUEM ERA AQUELE SUJEITO DORMINDO DO LADO DELA MESMO?
Ela tentou levantar a cabeça para ver melhor quem era o ser deitado nu ao seu lado, mas sua cabeça estava imóvel. Tentou mexer as mãos para levá-las à cabeça, mas não obteve sucesso. Só conseguiu movimentar seus pés, e aos poucos puxou sua perna, encolhendo-se. Fechou seus olhos em uma tentativa de fazer sua cabeça parar de latejar.
- ? - Ouviu alguém chamar seu nome com uma voz meio rouca.
Ela não respondeu. Na verdade estava com medo. Sim, medo porque achava que sabia quem estava ali ao lado dela. Se não estava ficando tão doida assim, achava que quem estava deitado nu ao seu lado no momento, era ninguém mais, ninguém menos do que .
Sentiu uma mão grande e macia sobre seu ombro. Apertou seus olhos já fechados. Era ele. O garoto que era supostamente loucamente apaixonado por ela. Mas ele não era seu Ethan. Quer dizer, seu ex Ethan.
- Bom dia! - disse com a voz um pouco mais suave, beijando o ombro da garota no lugar que
antes estava sua mão.
puxou o lençol que cobria a cama para si, numa tentativa de cobrir-se. Não que ela tivesse com vergonha de , porque aparentemente ele já tinha visto o que tinha para ver, mas ela estava com vergonha de si mesma, por ter feito isso com um cara legal, sabendo que era apenas para esquecer outro. Aliás, atualmente, tudo que ela fazia era para esquecer Ethan.
- Acorda, Bela Adormecida... - sorriu chegando ainda mais perto de . Por que ele tinha de ser tão fofo? Ele não poderia simplesmente acordar, vestir-se e ir embora sem dizer uma palavra? Isso deixaria as coisas mais fáceis para ela...
- Oi, - disse, virando-se para ele após ter reunido toda coragem e força dentro de si para não
começar a chorar. - Você sabe que dia é hoje, onde eu estou e... Que horas são?
- Hum... - esfregou seus olhos, tentando acordar e se lembrar de tudo. - Não me faça perguntas difíceis, ... Eu sei que estamos na minha casa e sei o que fizemos ontem à noite.
Uma pontada no peito da garota.
- , só não me diz que hoje é domingo, por favor! - sentou-se na cama ainda enrolada com o lençol, mexendo em seus cabelos.
- Não posso te garantir muita coisa... - inclinou-se para o lado esticando os braços para pegar o celular que estava na mesinha de cabeceira, dando uma bela visão de seu corpo à , que não pôde
evitar de ficar olhando. – Ih, ... Sinto muito, mas hoje é domingo sim. Que você tinha que fazer hoje?
se desfez do lençol que a cobria e se levantou, pegando suas roupas no chão e tentando se localizar no quarto de , já que ela nunca estivera lá antes.
- Que horas são? - parou de olhar para os lados a procura de um banheiro e encarou . Ele fazia o mesmo com ela, mas com pensamentos um pouco diferentes dos dela...
- Meio dia e... Meio dia e quinze - ele disse depois de gaguejar um pouco. teve vontade de rir, mas
se controlou. Era engraçado perceber o efeito que ainda exercia sobre ele, pois ela achou que o encanto já tivesse acabado, principalmente agora que eles já tinham até dormido juntos.
- Droga, 'tô atrasadérrima! - começou a se vestir num canto do quarto, visto que não achara nenhuma porta para um banheiro.
ainda encarava a garota, que estava se enrolando ao botar a calça jeans apertada. Ele balançou sua cabeça tentando afastar alguns flashes da noite anterior que vieram a sua cabeça. Ele conhecia bem o bastante para perceber que ela não estava muito contente em ter acordado com ele hoje. Sabia perfeitamente que ela ainda era meio obcecada pelo seu ex, Ethan. Mas isso não o impedia de ter vontade de tê-la para ele, certo? Até porque ele não a amava e tinha plena consciência disso. Era atração física, pura.
- Aonde você vai? - se levantou só de boxers e tentou ajeitar seu cabelo, mas só conseguiu deixá-lo mais bagunçado do que antes. - Acaba de sair das fraldas e já está cheia de compromissos assim?
riu e o olhou com um olhar fuzilante. Não tinha coisa pior para ela do que a chamarem de
criança.
- Muito engraçadinho, , mas caso você não se lembre, ontem você estava na minha festa de 18 anos, e de penetra, a propósito.
- Ah, quer dizer então que você se lembra de ontem à noite? - Um sorriso safado se formou na cara do garoto que já tinha se sentado na ponta da cama novamente.
- Lembro... - ficou um pouco encabulada. Só tinha dormido antes com Ethan. Mas que porra, será que tudo tinha que fazê-la lembrar-se dele? - Quer dizer, até uma parte... Na verdade não sei como vim parar aqui.
- Você exagerou um pouco na bebida ontem, já que foi a primeira vez que você pôde fazer isso em público, mas devo dizer que seu agente não ficou muito feliz com isso, você sabe que ainda tem que manter sua fama de menina boa. Depois me disse que precisava esquecer o Ethan, e então eu... - ia contando resumidamente a história do dia anterior, mas o interrompeu com uma bolsada no braço.
Na verdade, ela já tinha se lembrado de ontem à noite e não precisava ouvir alguém contanto seus atos impuros. Saindo da boca dele eles iriam parecer dez vezes pior.
- Tô indo, . - abriu a porta do quarto e virou-se para - A gente se vê qualquer dia.
- Não mereço nem um beijinho de despedida, ? - Ela ouviu berrar assim que fechou a porta. Não
pode deixar de sorrir. era mesmo um cara legal, apesar de tudo.
Capítulo 2 - Memory Lane
saiu da casa de , pegou um táxi e foi direto para seu apartamento. Não queria nem saber se ontem fora seu aniversário e ela não via seus pais há dias e muito menos queria saber de ir almoçar na casa deles, como tinha combinado dias atrás. Eles iriam entender se mais tarde ela inventasse uma desculpa qualquer como um compromisso inesperado e inadiável em cima da hora, levando em conta que isso estava acontecendo com muita freqüência ultimamente.
Assim, abriu a porta e contemplou seu apartamento novo mais uma vez. Ficou sem ar. Já fazia uma semana que ela morava ali, mas toda vez que olhava aquela sala cheia de equipamentos tecnológicos de última geração, aquela mobília que antes ela só tinha visto na tevê e principalmente: aquela vista estonteante da 'sua Londres' que ela tinha da janela, ela prendia a respiração e forçava a se lembrar que aquilo não era um sonho.
Deixou sua bolsa no chão e foi tomar um banho de banheira. tinha duas válvulas de escape desde
criança. Uma era ficar sozinha no banho por horas e outra era sua amiga , que ultimamente nem olhava na cara dela.
Os últimos oito meses rodavam na cabeça da garota. Era realmente muita informação para uma pessoa que até o ano passado tinha o futuro planejado como atendente da loja de seu pai, em Bolton. Quem imaginaria que os sonhos e pesadelos dessa mesma garota pacífica virariam verdade em menos de um ano?
Em 26 de Março, e foram a uma festa de gente famosa em Londres, porque o vizinho do pai de era amigo do empresário de uma tal banda que iria lançar seu CD, e como ele sabia que as duas meninas sonhavam em ser famosas um dia, deu os dois convites a elas. E foi lá que conheceu a pessoa que, mais tarde, seria a mais importante de toda sua vida.
Flashback
- , não é por nada não, mas acho que a gente tá meio perdida... - disse enquanto lia pela milésima vez o convite da tal festa. Elas já estavam andando há mais ou menos meia hora atrás do salão da festa e nada até agora. Sem contar que estavam 'vestidas para matar', como dizia . Ambas de saltos agulhas e vestidos de festa curtos, acima do joelho. Mas o de era preto e frente única, já estava com um roxo escuro.
- , quantas vezes eu vou ter que te dizer para não ser tão pessimista? Nós chegamos a Londres, não chegamos? - segurava a amiga pelos ombros e a encarava séria nos olhos. - E quem foi que disse que nem aqui a gente chegava?
- Eu sei que disse isso, , mas agora... - tentou dizer que agora elas estavam perdidas e nunca achariam a porcaria da festa, quando foi interrompida por um gritinho de .
- AI MEU DEUS! - A menina disse boquiaberta. - CHEGAMOS!
virou-se vagarosamente para trás, não acreditando que elas tinham mesmo conseguido chegar ao salão. Ela levou um tempo para analisar a situação e demorou também para parar de pular e soltar gritinhos escandalosos, mas depois as duas se recompuseram, retocaram a maquiagem ali no meio da rua mesmo e entraram na festa, como se fossem famosas e conhecessem todo mundo no local, dando sorrisinhos simpáticos e flertes a cada inglês gato que passava por elas.
Depois de umas três horas de festa, vááários flertes dados e recebidos, e depois de terem se acabado, literalmente, na pista de dança, foi ao banheiro e ficou sentada perto do bar improvisado.
Ela estava com um martini na mão, mas não queria beber, simplesmente porque precisava se lembrar de cada detalhe daquele salão, das roupas das pessoas e, principalmente, da feição e do tanquinho de cada homem da festa.
- Será que posso te oferecer uma bebida? - Um cara - lindo, diga-se de passagem - sentou na frente de , segurando uma taça com um líquido esverdeado super estranho.
- Obrigada, mas... - levantou a taça com seu martini intocado, sinalizando que já tinha o que beber.
- Hum... Pelo que posso perceber a senhorita não gostou nem um pouco do seu martini... - Ele estendeu a mão, fazendo menção de pegar a taça da mão dela. - Me permite?
assentiu com a cabeça e ele pegou a taça, colocando no balcão e pedindo uma bebida desconhecida por ela.
- Mas então, - ele disse estendendo outra taça com o mesmo líquido esverdeado que continha a dele – não vai me dizer o que está fazendo nessa festa entediante, sozinha?
'Entediante?' pensou , 'desde quando?'
- Ah, tentando me divertir... Mas a minha companhia sumiu. - passou os olhos rapidamente pelo salão, procurando por , que aparentemente tinha mesmo evaporado.
- Somos dois, então... - O rapaz virou o líquido estranho de uma vez só e depois encarou a taça ainda cheia na mão da garota. - Que foi? Você não bebe?
- Bem, eu até bebo... Quer dizer, eu sou menor de idade, mas bebo às vezes, só não... - parou de falar assim que percebeu a burrada que tinha dito. Ela realmente acabara de admitir que era menor de idade? Para um cara absurdamente gato e supostamente famoso? (Não era porque ela não o conhecia nem sabia seu nome que ele não era famoso, certo?)
O cara deu uma risadinha, pegando a taça da mão de assim que ela percebeu o que tinha dito e se calou.
- Já que temos uma menor de idade aqui, acho melhor você não beber isso... - Ele colocou a taça de volta no balcão. - É meio forte demais para principiantes.
não estava vendo seu rosto no momento, mas tinha certeza de que estava mais vermelha do que nunca. Só queria sair correndo dali e encontrar , para que elas pudessem fofocar sobre a burrice de e pesquisar sobre o tal cara no Google.
- Tudo bem, vamos começar de novo... - Aparentemente percebendo o constrangimento de , o rapaz
mudou o assunto. - Me chamo Ethan McGuire, 25 anos, empresário e organizador da festa.
- Meu nome é , todo mundo me chama de - ela se arrependeu de ter dito isso também, mas estava tão nervosa que acabou escapulindo - eu tenho 17 anos e acabei de me formar.
- E você já sabe o que quer fazer da vida agora, ? - Ethan disse de uma forma fofa. gostou que ele tivesse a chamado de . Isso meio que fez ela se sentir melhor pelas besteiras que já tinha soltado.
- Ainda não... Eu até queria ser... - ela ia dizer que queria ser atriz, mas ficou com medo dele achar que ela era uma idiota lunática querendo tirar proveito numa festa de famosos que não tinham nada haver com ela - Eu até tinha um sonho, mas todo mundo sempre me disse que eu não conseguiria, então acho que vou me conformar em um trabalho medíocre em Bolton mesmo.
pegou novamente a taça com o 'treco verde' em cima do balcão e deu um gole, não controlando uma careta depois. Ethan deu uma risadinha.
- Eu avisei que era forte... Mas quer dizer que a senhorita menor de idade também é do interior?
assentiu com a cabeça, novamente envergonhada.
- Sem querer te ofender mesmo, não leve isso pro lado pessoal nem nada, é só uma curiosidade mesmo, mas... O que uma menina como você está fazendo numa festa como essa?
- Ah, tentando conhecer gente nova e socializar, sabe como é... Eu não desisti totalmente do meu sonho assim, só desanimei um pouco.
- Ah sim, é verdade... Você me disse que tinha um sonho, mas ainda não me disse qual seria.
- Hum, acho melhor não contar... Pra não dar azar nem nada, sabe como é? - disse dando mais um gole na bebida.
Onde estaria numa hora dessas? Ela mal podia esperar para contar tudo sobre Ethan para ela.
- Você tá dizendo que eu poderia azarar seu sonho? - Ethan fez uma cara de ofendido. Ele até que era divertido pra um cara de 25 anos!
- Nãão... - riu. - Só quis dizer que contar os sonhos pra alguém pode dar azar, não é um caso específico com a sua pessoa... Nunca ouviu falar disso, não?
- Na verdade, não, deve ser uma superstição do interior.
deu um tapa no braço de Ethan, mal acreditando que tinha feito isso logo após fazê-lo. Mas ele não ligou. Não ligou mesmo.
- Anda, me conta logo isso... Pára de ser fresca!
- Ok, se eu te contar você promete que não vai rir nem nada? - A essa altura a taça dos dois já estavam vazias e o barman já tinha aparecido com mais duas.
- Prometo, anda logo.
- Desde que eu tinha, sei lá, uns cinco anos, eu era viciada em televisão e todo esse glamour do 'mundo dos famosos', e tudo que eu mais queria era ser famosa... - ia se soltando cada vez mais. Falar de seu sonho, mesmo que fosse para um desconhecido qualquer que provavelmente ela nunca mais veria, era emocionante. Principalmente se a pessoa te ouvisse, não apenas escutasse. - Mas depois eu fui amadurecendo a idéia, fiz uns cursos de teatro em Bolton e decidi que viraria uma atriz, tipo a Audrey Hepburn.
Ethan estava encantado com a garota falando sem parar na sua frente. Sem brincadeira, deve ter falado por uns dez minutos sem parar sobre seu sonho de infância e como ele estava sendo frustrado por sua família. Mesmo que ele não tivesse entendendo nem metade do que ela estava dizendo, era engraçado ver a empolgação daquela garota linda e sonhadora.
Naquela noite, ficou realmente bêbada, não muito diferente de Ethan. Eles conversaram até às cinco da manhã sobre tudo, até que apareceu, eles trocaram celular, e-mail e essas coisas, e foi embora para sua cidade natal, babando no trem.
End Flashback
Uma semana se passara desde a festa e não parava de falar um segundo no tal Ethan, que, aliás, não tinha nem dado um sinal de vida. Mas um mês depois recebeu um e-mail dele, pedindo
desculpas por não ter entrado em contato antes, pois estivera ocupado trabalhando na Alemanha. Eles continuaram conversando, viraram amigos e um mês depois, tinha conseguido um teste para uma
nova série adolescente (com ajuda de Ethan, é claro). Mas ele prometera que não iria interferir no teste dela, deixaria que ela ganhasse o papel por merecimento, pois já era demais só o fato dele ter conseguido inscrevê-la no teste. Mas não foi isso que apareceu na revista Seventeen uma semana depois que ela passou no teste. A matéria dizia que ela e Ethan tinham um caso às escondidas e por isso ela teria conseguido a participação especial como a rival da série. Quando ela leu aquilo, ficou muito puta com tudo e pensou até em desistir da sua carreira que nem tinha começado ainda, mas Ethan conseguiu convencê-la a ficar e ensinou-a a lidar com tudo isso, afinal, ela teria que aprender mais cedo ou mais tarde, se quisesse continuar no ramo.
Em Junho do mesmo ano, ela e Ethan estavam namorando e morando juntos em Londres. era sucesso total, e de uma participação especial, tinha conseguido um papel fixo na série, Secrets. já estava brigada com , porque, segundo ela, a fama tinha lhe subido a cabeça e ela não era mais a mesma pessoa. Realmente, sobre os holofote, aprendera que não poderia ser ela mesma, teria que sorrir quando estivesse de TPM e conversar animadamente com pessoas que ela detestava e estavam sendo tão falsas quanto ela. Mas por isso ela gostava de Ethan. Com ele, e só com ele, ela podia ser ela mesma, a mulher mais madura e a adolescente mais criança ao mesmo tempo. Só que simplesmente não entendia isso e suas outras amigas de Bolton só falavam com ela para ter uma chance de aparecer em uma revista. Sua família continuava não gostando da idéia de ter uma filha famosa e, principalmente, namorando um homem mais velho, por isso o contato entre eles tinha diminuído bastante. Basicamente eles se falavam em aniversários e quando queriam pedir dinheiro a filha. Mas não se importava muito com isso, estava, na medida do possível, feliz vivendo todas essas novas experiências.
Mas em Setembro a vida da garota simplesmente acabou.
Flashback
e Ethan tinham acabado de sair de um jantar insuportável na casa de um amigo de Ethan, mas até que eles tinham se divertido bastante, tirando sarro escondido do dono sistemático da casa. Agora estavam no carro ouvindo The Red Jumpsuit, tentanto competir com a voz do vocalista.
- Do you feel like a man, when you push her around? - Eles cantaram, lê-se: berraram, juntos, até que desligou o som.
- Ethaaaan, seu celular tá tocandooo! - falou com a voz arrastada, balançando o celular do rapaz de um lado para o outro enquanto um toque irritante tocava.
Não que ela estivesse bêbada, pois eles não haviam ingerido uma gota de álcool, mas música e adrenalina deixavam a garota assim: retardada como se estivesse bebido todas.
- Me dá aqui! - Ethan estendeu o braço tentando pegar o celular da mão de e prestar atenção à
pista ao mesmo tempo. – Anda, , pode ser importante!
- Nananinanãão! Você tá dirigindo, quer ser multado? - A garota olhou no visor do aparelho. - Ooopa, é o Joseph de novoo! Acho que tem alguém bem preocupado com você, Ethan... - deu língua para ele, que rapidamente pegou o celular da mão dela.
- Fala, Joe... Não, desculpe a demora... Foi culpa da lesada da que tá com aquele probleminha de agitação dela... Sim, nós fomos na casa dele, não te avisei que estaria lá hoje? - Ethan falava ao telefone e prestava atenção à pista. não estava prestando atenção à conversa, até que o tom de voz dele ficou mais alto e parecia que Ethan estava brigando.
- Não fui culpa minha, você sabe disso, porra! E você acha que eu não falei com o Diretor de propósito? Quantas vezes eu já te deixei na mão, Joseph?
já estava ficando preocupada, Ethan e Joe nunca brigavam.
- Merda! - Ethan gritou assim que seu celular caiu no chão do carro. - Pega pra mim aí, . A bicha do Joseph vai ter outro ataque!
se abaixou tentando achar o celular que tinha caído embaixo do banco.
- Não tô achando, merda! - se levantou rápido e bateu a cabeça com a de Ethan, que estava
bisbilhotando por cima dela.
- Aaaai! - Ele levou as mãos aos olhos, gritando de dor.
- ETHAAAN! - berrou assim que percebeu que eles tinham ultrapassado o sinal vermelho. - O sinal!!!
Imediatamente Ethan pisou no freio e ambos bateram com a cabeça no banco, nada grave.
Um carro passou buzinando na frente deles, causando mais um susto.
- Caraca, precisamos tomar mais cuidado no trânsito... - Ethan suspirou assim que tudo se acalmou.
não respondeu, estava imóvel com os olhos arregalados e boca aberta olhando para Ethan, mais precisamente para o que estava vindo com toda força atrás de Ethan.
Ela simplesmente não conseguiu dizer nenhuma palavra antes deles ouvirem uma buzina estridente e verem uma luz branca cegante saindo de um caminhão.
End Flashback
Depois disso, acordou no hospital e foi recebida por Joseph, anunciando que Ethan havia falecido. Ela chorou por semanas em sua cama, de onde não saiu por nada, foi notícia em todos os jornais e revistas existentes, se culpou e se xingou mentalmente pela morte da pessoa que ela mais amava, mas um dia percebeu que não podia deixar de viver também. Por mais que ela estivesse sozinha no mundo naquele momento e achasse que ninguém a amava, ela tinha amor próprio e precisava reconstituir sua vida. E era isso que ela estava tentando fazer até agora, quase três meses depois do acidente de Ethan, esquecê-lo de todas as maneiras possíveis. Ela se esqueceu da fama de menina boazinha e intocável que carregava para começar a dar e freqüentar festas toda semana, se vestir despojadamente e não se importar tanto com o que os outros - mídia - estavam comentando sobre ela. Apenas tentava seguir a vida mantendo-se sempre ocupada com trabalho, bebida, homens, amigas (mesmo que falsas), festas... E foi numa dessas que ela conheceu o McFly, quatro garotos lindos, simpáticos, talentosos e muito gostosos também. Eles ficaram bastante 'amiguinhos', principalmente ela e , depois que descobrira que ele nutria um certo desejo sobre ela... Mas como ele era uma pessoa realmente legal, ela nunca o usou para esquecer suas frustrações como usava os outros. Quer dizer, até ontem, pelo visto.
Depois dessa retrospectiva geral, já estava quase dormindo na banheira, completamente enrugada. Ela se secou, vestiu um pijama confortável e deitou em sua cama, onde dormiu a tarde toda.
Capítulo 3 - It's killing me and taking control
Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
? Você tá bem? Não acha que tá na hora de mudar essa mensagem de caixa postal, não? Mas enfim, hoje já é segunda e eu não te vejo desde sábado, na sua festa... Ainda se lembra dela, não? Enfim, caso você não se lembre, temos aquele compromisso de sempre na segunda, você sabe, pra descansar após o final de semana agitado, mas acho que você já fez isso ontem, já que não deu sinal de vida pra ninguém. Estou esperando você me ligar, beijos, .
(Clique)
ouviu o recado de e depois apagou os outros que tinham na caixa de mensagem. Não estava com saco para ouvir a chamada dizendo que era a casa dela e do Ethan de novo e muito menos queria ouvir pessoas reclamando por ela ter dormido o domingo inteiro. Será que ela não tinha direito nem a um dia sozinha em casa?
A garota vestiu qualquer coisa que encontrou no seu armário. Como já disse, ela não estava se preocupando mais com a roupa que deveria usar, já que era Ethan quem a obrigava a se vestir sempre impecável e exageradamente linda. E foi a caminho do set de gravação com uma cara de sono inexplicável, já que ela só tinha feito dormir no dia anterior.
- Bom dia menina má! - Matt, protagonista da série, sempre 'bem humorado', veio cumprimentar assim que ela botou os pés no set. - Pronta para um dia cheio hoje? Fiquei sabendo que a pós-festa foi bom, hein? Me arrependi de ter saído mais cedo...
sorriu fraco para ele, pegando seu copo de café rotineiro em cima da mesa, junto com a correspondência.
- Não estou zoando, a Lizzie me contou sobre como você caiu bêbada no meio da sala e o teve que te carregar pra casa dele... - Matt continuou provocando - mas a sua sorte é que você está aprendendo a ser mais resistente ao álcool e agüentou até o fim da festa, porque você sabe, se tivesse desmaiado no começo, a essa hora já estaria em todos as revistas do país! - e continuou ignorando-o. - A não ser que fosse exatamente isso que você estava planejando... Pra voltar a ser o centro das atenções depois do acidente com o Ethan, você sabe, né...
- Matt, me faz um favor? - virou-se para ele. - Vá te foder e se puder leve a Lizzie junto com você pra coisa ficar mais divertida.
bateu a porta de seu camarim na cara do rapaz, mas não sem antes dar um de seus famosos sorrisinhos cínicos para ele.
Fora esse pequeno incidente com Matt do qual já estava completamente adaptada, pois tivera o melhor professor do ramo para ensiná-la, Ethan, o dia no trabalho correu normalmente, e lá pras seis horas ela já estava esgotada, mas ao invés de ir para casa mofar sozinha de novo, ligou para .
- ? És tu, cavalheiro?
- ! Finalmente você resolveu dar sinal de vida! - sorriu ao ouvir a voz de . Era bom falar com alguém amigável depois de um dia ouvindo gente reclamando no seu ouvido por não estar 100% compenetrada. - O já estava começando a dar aqueles ataques gays dele de stress.
- Er... Eu tava precisando dormir ontem um pouco, esfriar a cabeça depois de sábado... - disse com a voz fraca, entrando no carro.
- Ah sim, o me contou sobre vocês dois, depois de chegar aqui no domingo com um sorriso enorme de perversão. Mas pode ficar tranqüila que como eu achei que você não ia querer que ninguém soubesse disso, eu mandei ele calar a boca e também não vou contar a ninguém.
Ao ouvir isso, ela respirou aliviada. realmente sempre pensava em tudo. Era por isso que ela o amava!
- Hum, obrigada. Sabe como é, acho que fiz burrada de novo, né.
- , acho que não seria bom se você dissesse que foi uma burrada a , ele meio que está todo feliz por finalmente ter conseguido depois de tantos meses tentando alguma coisa.
riu. realmente estava tentando uma aproximação desde o dia que eles se conheceram.
- Pode deixar que eu vou tomar cuidado, mas não posso assumir um compromisso nem nada agora, né !
- Ah sim, claro... Você está muito ocupada tentando pegar todo e qualquer homem solteiro gato de Londres, tinha me esquecido...
Tá, tudo bem, talvez ela não o amasse tanto assim, já que ele era muito sincero e não aprovava nem um pouco o fato dela estar se rebelando e fazendo de tudo para superar a morte.
- Hum... A saída de hoje ainda está de pé? - disse, mudando de assunto rapidamente, antes que eles começassem aquela mesma discussão de sempre.
- Estava esperando você tocar no assunto! - riu. - Pode me encontrar na mesma pizzaria de sempre daqui a... Uma meia hora?
- Não dá pra ser daqui a dez minutos, não? É que eu já estou praticamente no estacionamento... - Os dois riram. sempre chegava atrasada ou adiantada demais.
- Pode ser, ... Tô saindo daqui, 'guenta ae!
- Olá! - ouviu a voz de atrás dela e sorriu. Era confortante tê-lo por perto, eles sempre se encontravam ás segundas feiras para 'organizar as idéias depois do fim de semana e aliviar o stress da segunda-feira', como explicavam toda vez que alguém perguntavam o que eles iriam fazer.
- Espero que você não se importe nem me mate, mas o veio comigo - disse enquanto sentava-se à mesa, em frente a .
- E cadê ele? - Ela disse forçando um sorrisinho.
- Eu pedi pra ele ir comprar um maço de cigarros, exatamente pra poder te preparar psicologicamente para um encontro pós-burrice.
Imediatamente o sorriso falso de deu lugar a uma expressão de 'eu vou te matar'.
- O que ele veio fazer aqui, afinal de contas? Ele sabe que nós temos esse costume às segundas e sempre fazemos isso SOZINHOS! - estava quase berrando.
- Calma, é que ele chegou lá em casa assim que eu estava saindo, e quando eu expliquei que vinha te encontrar, ele praticamente me bateu pra deixá-lo vir também.
bufou.
- E agora, o que a gente faz?
- Agüenta ele por hoje, ué! Até parece que vai ser um grande problema, vocês sempre foram bem amiguinhos que eu sei, ok? Não faz essa cara de quem tá indo pra forca que ela não cola comigo, eu te conheço, ...
bufou novamente e chegou, se juntando aos dois na mesa com um sorrisão aberto.
- Tudo bem, ? - Ele disse, entregando o maço para .
- Tudo certo, e com você? - Ela respondeu também forçando um sorriso fraco. Não que ela estivesse chateada com , afinal de contas, ele era um de seus melhores amigos - um dos únicos, pra falar a verdade -, mas ela achava que não estava preparada para ver e conversar com ele tão cedo.
- Belezinha... Mas então, o que vocês tanto fazem aqui nas segundas? Só comem e conversam mesmo? Porque quando o me disse que era só isso, eu confesso que achei que tivesse algo a mais...
- Não, normalmente é só isso que fazemos mesmo. O não me deixa beber. - olhou para o garoto com um olhar entediado.
- Bem, então para comemorar minha ilustre presença aqui hoje, acho que podemos tomar um drink, né? - olhou para com um sorriso safado e depois para , como se implorasse com os olhos.
- , será que eu posso falar com você um instante? - disse olhando sério para o garoto.
- Sim, claro. - apenas observava os dois se encarando.
- A SÓS! - praticamente berrou e fez um sinal para que não se incomodassem com ela, e foi ao banheiro.
- , me diz uma coisa, sinceramente... Você tem algum tipo de esperança, ou intenção com a agora?
- No momento não, por quê, você tem?
- Claro que não! - deu um pedala no garoto. - Só perguntei pra saber mesmo, porque parece que você continua dando em cima dela depois de ter conseguido o que, aparentemente, queria.
- Eu só acho divertido ficar bancando o obcecado pela , mas acho que ela sabe que é só brincadeira mesmo, qualé, essa fase já passou faz meses. - estava rindo, provavelmente pensando que estava interessado em . - Mas e se eu tivesse, teria algum problema, ?
- Sim, teria, porque você sabe que ela não está querendo nada sério agora e tudo que ela menos precisa é de mais problemas.
, sempre o protetor. Ai, que fofo!
- Acho bom que você saiba disso. - sussurrou, mas, infelizmente, ouviu. Só não falou nada porque nesse momento, chegou com seu sorriso encantador.
- Será que vocês dois poderiam continuar a conversinha mais tarde? Eu estou definitivamente morrendo de fome! - Ela sentou-se à mesa e chamou o garçom. O resto da noite correu bem, e não tocaram mais no assunto e estava tão animadinha que nem parecia aquela mesma pessoa que tinha estado ali anteriormente. Alguém entende essa garota?
Capítulo 4 - 'Cause all she wants is go out with the boys
A semana passou voando. ia do trabalho pra casa e de casa pro trabalho. O estranho era que ela não tinha se metido em nenhum escândalo esse tempo todo. Mas, enfim, era sábado de novo, paraíso dos paparazzis e similares, ia sair de casa e aprontar alguma, como de costume nos últimos tempos. Ou pelo menos era o que eles queriam...
- zinho, amore mio! - A voz empolgada e estridente de invadiu o ouvido de no momento em que ele atendeu ao telefone.
- Já tá nesse fogo todo às sete horas, ? - Ele riu.
estava de toalha andando que nem uma barata tonta de um lado pro outro em seu apartamento, tentando achar uma bota que combinasse com a roupa já escolhida.
- Hoje é sábado, , dá um desconto e pára de andar tanto com o ! - Mais uma risada de . não se agüentava com as risadas dele. Ao telefone elas já eram encantadoras, ao vivo então... Nossa, sem comentários!
- Tudo bem, mas está me ligando pra quê? Não arranjou nenhum solteiro disponível hoje e resolveu recorrer ao bom e velho ?
- Não... Na verdade hoje vamos fazer a noite das garotas, só a gente em um restaurante chique por aí, alguma coisa com alto teor alcoólico e os garçons gatinhos pra gente se divertir paquerando, claro! Eu só queria saber se você se lembra de ter visto minha identidade jogada por aí na sua casa...
- Não me lembro não, ... Vou procurar aqui pra você. Mas deixa eu te perguntar uma coisa, você vai sair com que amigas? Até onde eu saiba você não é de ter amizades femininas...
- Não é só porque eu não tenho amigas que eu não posso ter colegas, ok? E muito obrigada por procurar minha identidade, vou precisar dela hoje, as meninas querem me levar a um lugar proibido, olha que emocionante? Primeira vez que eu não vou precisar usar a identidade falsificada! - soltou uma risadinha excitada. riu de imaginar a cara que ela estaria fazendo no momento. Parecia mesmo uma criança às vezes... Definitivamente isso só a deixava mais sexy.
- Se eu a achar, te ligo pra você vir aqui buscar ou levo aí, beleza?
- Combinado, . - Eles desligaram o telefone, mas antes ainda pôde ouvir comemorando animadamente por ter achado alguma coisa que estava procurando.
A verdade era que a carteira de identidade da garota estava na mesa de cabeceira dele o tempo todo, ele havia pegado no sábado da bolsa dela exatamente pra ela ir procurar depois por ela.
Meia hora depois já estava quase pronta, só faltava terminar a maquiagem e achar a bendita identidade. E foi ai que a campainha tocou e milagrosamente quando ela abriu a porta viu encostado no batente da porta sorrindo com sua identidade na mão.
- Você é um anjo! - sorriu e estendeu a mão para pegar a identidade que estava sendo abanada de um lado para o outro, mas a guardou no bolso de trás da calça antes que ela pudesse a pegar.
- Não vou te dar isso tão fácil assim, sem uma recompensa. - Ele disse deixando com uma cara confusa enquanto entrava no apartamento da garota e sem convite se sentou no sofá da sala.
- , eu não tenho tempo agora, daqui a pouco tenho que encontrar as meninas... - disse se sentando ao lado de . - O que você quer? Sem enrolações.
sorriu maliciosamente e pulou em cima da garota, a beijando fortemente enquanto se apoiava com uma mão no sofá ao lado dela. Eles ficaram se beijando e trocando carinhos maliciosos e doces durante um bom tempo, até que separou suas bocas, empurrando para o lado. Suas roupas já estavam amassadas e todo o esforço de com o cabelo já tinha ido por água abaixo.
- , eu já disse que não vou te usar como ando fazendo com os outros... - Ela disse recuperando o fôlego. - Sábado passado você sabe o que aconteceu, até melhor do que eu...
- Você não precisa se explicar, - ele passou uma mão pelo rosto de . - Eu sei que você não quer compromisso no momento, muito menos eu quero. E não me importo que você diga que está me usando, já pensou se eu posso querer ser usado por você?
- Hum... Não tinha pensado por esse lado - se levantou -, mas será que dá pra gente conversar sobre isso mais tarde? Eu preciso me arrumar de novo agora.
- Tá, tá... Já entendi, você está me expulsando! - se levantou fazendo uma cara de indignado, com as mãos pra cima.
- Não fica assim, meu bebê frágil... - riu e o abraçou, colocando a mão no bolso da calça do garoto.
- Ui , não faz isso que eu não saio daqui hoje, hein...
- Tudo bem, então não faço nada, vai logo, ! - colocou as mãos em seu bolso e foi andando até a porta. - Anda, anda! E passa pra cá essa identidade.
- Não vou te dar identidade nenhuma hoje, você não me convidou pra sair - foi andando em direção a porta dando língua para a garota.
- Tudo bem, eu uso a falsificada mesmo. - bateu a porta na cara do garoto.
Cinco minutos depois bateu na porta de de novo.
- , sua ridícula, devolve essa identidade! - Ele berrou, batendo na porta.
apenas soltou uma risada escandalosamente deliciosa enquanto se abanava com a identidade.
[na: pra quem não se lembra, ela colocou a mão no bolso onde a identidade se encontrava ;)]
Capítulo 5 - Sunday morning rain is falling
Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
Nossa , quando você vai mudar essa caixa de mensagem? (risadas) Bem, eu só tô ligando pra te chamar pra um almoço aqui em casa, quer dizer, na casa do , - caso você ainda não tenha percebido que sou eu quem está falando. Os garotos estão todos aqui e estão implorando pra você aparecer! Ai , não me chuta, porra! (risos e um grito). A propósito, se divertiu bastante ontem à noite, hein? Um garçom dessa vez, ? Pode admitir, foram as suas coleguinhas que mandaram, não foi? Já tô indo, , que saco! Bem, vem logo, menor de idade. Estamos te esperando, bei...
(Clique)
O domingo amanheceu da pior maneira possível. Ressaca terrível, sem suco de tomate em casa pra curar isso, sensação de ter feito merda noite passada, recado do na secretária confirmando que ela havia feito merda com um garçom - foque bem o fato de ter sido um garçom -, e ainda por cima estava chovendo.
bateu a cabeça no travesseiro algumas vezes pra ver se adiantava de alguma coisa, mas só serviu pra piorar a dor de cabeça. Idiota. Ficou mais uma meia hora na cama tentando esquecer de tudo.
Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
Você não vai aparecer não? O tá comendo o macarrão que eu tinha feito todo!!! Sem contar que o tá babando no sofá e o ... Bem, o tá quieto na dele, sendo . Vê se aparece logo que estamos ficando com fome. Quer dizer, menos o . (risos) Ah, é o , só pra constar...
(Clique)
se levantou e resolveu encarar os problemas. Não ia adiantar ela ficar deitada o dia todo, sua cabeça não ia parar de latejar, seu telefone não ia parar de tocar e as revistas sobre ela não parariam de circular com isso.
Agasalhou-se da melhor maneira possível e foi pra casa de salvar a pátria antes que eles morressem de fome, sabia que a essa altura o macarrão de já tinha acabado mesmo - graças a Deus!
- Bom diiiiia, gazelas da minha vida! - entrou animadamente na sala, assim que abriu a porta para ela.
Os outros três estavam espalhados pela sala assistindo alguma coisa chata na tevê.
- É boa tarde, . - resmungou desanimado.
- Que seja, mudem logo essas carinhas desanimadas porque a titia chegou pra fazer comida e salvar a pátria! - bateu as mãos como se estivesse diante de quatro criancinhas.
- Ih , valeu, mas eu já tô cheio... - sorriu passando a mão pela barriga que ele fazia questão de estufar, parecendo que ele estava umas dez vezes mais gordo, não que ele fosse gordo antes.
- Ótimo, , porque eu não ia fazer comida pra você mesmo, já fiquei sabendo que você foi uma criança má e comeu o macarrão do todo!
- Graças a Deus, eu não ia comer aquele treco grudento e insonso de jeito nenhum! - se pronunciou pela primeira vez, caminhando até e lhe abraçando por trás. - Você vai fazer aquele sanduíche de atum maravilhoso que só você sabe fazer pra mim? - Essa última parte ele sussurrou no ouvido de , fazendo todos os pêlos da nuca da garota se arrepiar.
- Só se você se comportar e me ajudar - virou o rosto de lado, tentando ver que ainda estava agarrado à ela. Perigosamente perto demais. Por um momento tinha se esquecido que o único que sabia da situação ali era , e ela não queria que os outros soubessem, era melhor assim. Sorte dela que estava passando mal de tanto que comera e era meio lerdinho demais, além do mais, como ele vivia agarrando e qualquer outra pessoa do sexo oposto, nem ligou muito pros dois.
- , me solta! Eu não vou fazer sanduíche pra você! - Ela se soltou do garoto e foi andando para cozinha. Ele foi atrás.
- Que houve? - se apoiou no batente da porta. Ele amava fazer isso, e ela amava quando ele o fazia. - Achei que tivéssemos conversado sobre manter um relacionamento não sério, sem compromisso... Você sabe...
- Tá tudo bem - o cortou, encarando-o -, eu só não quero que os outros saibam. Pelo menos não por enquanto... Você não se importa, né?
se aproximou da menina que estava virada de frente para a mesa, cortando pão.
- Não me importo mesmo, acho que isso só deixa a coisa mais excitante... - Ele segurou forte nos dois braços da garota e apoiou seu queixo no ombro dela. - Mas acho que o já sabe de alguma coisa...
- O não tem problema... Ele já implica com todos os meus relacionamentos mesmo, mais um não vai fazer diferença.
não disse nada, mas não tinha tanta certeza assim disso. De uns tempos pra cá ele vinha reparando que prestava atenção demais no que fazia, e se importava demais também.
Seria apenas ciúme ou poderia estar certo?
- Sanduíches de atum saindo, cambada! - chegou a sala uns quinze minutos mais tarde, trazendo uma bandeja cheia de seus famosos sanduíches, a única coisa que ela sabia fazer na cozinha.
- Nossa, demorou hein? - reclamou levantando instantaneamente e pegando logo dois sanduíches.
Ninguém respondeu nada. lançou um olhar malicioso para , que não retribuiu, apenas olhou para baixo. Obviamente, viu. Ele estava mesmo reparando demais ultimamente, não?
- Opa, tem pra mim ae? - perguntou assim que desceu as escadas, enrolado numa toalha na cintura. nem reparara que a criatura não estava presente anteriormente.
- Achei que você tivesse passando mal, - riu enquanto comia. Estava faminta!
- Que nada, já tomei um banho, tô pronto pra outra panelada de macarrão do . - Todos o encararam, atônitos. - Ou alguns sanduíches da , tanto faz...
- Cara, como ele consegue ser tão magro assim? - perguntou ainda olhando estática para . - Me dá sua receita, colega!
Os garotos riram.
- Não precisa humilhar, ! Eu tenho preguiça de freqüentar uma academia...
- Alguém bate nele por mim? - olhou com uma cara de tédio para que estava ao lado de . Ele apenas ignorou o comentário, estava ocupado demais saboreando seu sanduíche para parar. Mesmo que fosse para bater em .
- Tudo bem, eu mesma vou ter que bater! - se levantou e foi andando até , que estava sentado no chão.
Assim que ela deu um pedala na cabeça do garoto, ele deixou seu sanduíche cair no chão e a puxou pela perna, fazendo-a cair sobre ele.
- Hã, agora eu entendi porque ele tava sentado aí comendo sem protestar... - riu. Ele também reparou que encarava seu sanduíche, sem falar nada.
- Porra! Da próxima vez vou chantagear o pra dar o pedala no mesmo... - disse indignada enquanto se levantava do chão e arrumava seu cabelo que estava pra cima num rabo-de-cavalo bem mal feito.
não disse nada, apenas deu um sorrisinho de satisfação, pegou seu sanduíche no chão e continuou comendo.
E foi assim que o domingo passou. Com os cinco comendo, falando merda, brincando, se xingando... e trocando uns olhares, desviando esses olhares pra ninguém perceber nada... Típico. De noite, os garotos não queriam deixar ir para casa de jeito nenhum, mas ela começou a dar uma de chata dramática e a reclamar de tudo, começando pelo lugar onde ela ia dormir, passando pela pasta de dente e terminando em quem a levaria no dia seguinte às seis da manhã pra casa. Esse plano era infalível. Mas a verdade era que ela não queria ir pra casa, domingo à noite era sempre deprimente, especialmente se ela ficasse sozinha, porque aí mesmo que ela se lembrava de Ethan e de como eles costumavam passar os domingos isolados em casa, comendo pizza e jogando pôquer. Não que ela não gostasse de passar os domingos com McFly, mas era sempre bom ter Ethan ali com ela, pra fazer um chocolate quente à meia noite quando ela não conseguisse dormir. Droga, por que ele tinha que fazer tanta falta? Lá estava ela: dirigindo e chorando ao som de uma música deprimente qualquer que estava tocando na rádio, lembrando-se do homem que ela mais amou, preparando-se para chegar em casa, onde ela se enfiaria embaixo de todas as cobertas que tivesse no armário e choraria até dormir. Não importava o quanto ela se esforçasse, quantas vezes ela saísse de casa, com quantos homens ela se envolvesse, Ethan nunca a deixaria em paz para seguir seu caminho. Sua vida estaria fodida pra sempre. Pelo menos era assim que ela se sentia naquele momento.
Capítulo 6 - I'm Miss American Dream since I was seventeen
Hum, segunda-feira, não? Normalmente um dia tedioso, mas depois de chorar praticamente a madrugada inteira, resolvera que aquela segunda seria divertida... Ou pelo menos, diferente. Ela estava tomando banho, tinha escolhido uma roupa antiga, e usaria a primeira sandália que Ethan tinha lhe dado, alegando que elas tinham sido feitas especialmente para ela.
Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
, eu acho bom mesmo você dar as caras no trabalho hoje um pouco mais cedo, ou considere-se uma mulher morta. E nem venha reclamar comigo mais tarde pelo modo como estou falando agora, você já tem 18 anos e é uma mulher, acredite ou não, com mais responsabilidades sobre os ombros do que muitas mulheres com 30! Encare essa e venha à minha sala assim que pisar naquele set de gravação. Você sabe quem está falando, é o Joseph! Sim, voltei de Miami e não estou feliz com o que vejo por aqui... E mais uma coisa: mude essa mensagem da sua caixa de perdidas, ok? Até mais.
(Clique)
- Meeeu Deus! - acabara de ouvir o recado de Joseph, editor-chefe da Everything I'm not. - Acho que a bicha louca voltou de Miami mais estressadinho do que quando partiu!
Ela se vestiu calmamente e se maquiou cuidadosamente, como não fazia há alguns meses para ir ao trabalho, só para festas e ocasiões especiais. Já estava até esquecendo como era bom se sentir bonita pela manhã e ser cantada pelo porteiro.
Desde que colocara seus sapatos especiais Jimmy Choo, até a hora que ela entrou na sala de Joseph, não teve um olho que não caiu sobre ela, e a impressão que ela tinha era de que isso não estava acontecendo só porque ela estava radiante de novo. Tinha alguma coisa rolando que ela não sabia?
- Com licença... - bateu na porta de seu chefe educadamente antes de entrar. O único barulho que se ouvia eram os do salto da garota. - Que bom ter você de volta, Joe!
- Não me chame de Joe em local de trabalho, . - Com essas palavras, o sorriso de murchou na hora. - Será que eu não posso nem me retirar por uns meses e você se transforma num caos?
- Joe, quer dizer, Joseph, eu não me transformei num caos! Só estava passando por uma crise, o que é normal depois de perder alguém tão querido! Não é todo mundo que pode ir pra Miami quando quiser pra esquecer os problemas, ok? - fez questão de pronunciar a última frase com uma entonação diferente.
- Ah não? - Joseph jogou com força sobre a mesa um exemplar da People e um da Top 10. - E como você me explica isso?
A foto das capas das revistas era a mesma, vestindo a roupa que ela estava sábado passado, segurando uma garrafa de Vodka enquanto abraçava um cara vestido como um garçom. "Mais um na mira de !" Dizia uma das revistas.
Ela não conseguiu ler o que a outra dizia sobre ela, seus olhos se encheram de lágrimas, por um momento. Ela tinha realmente se esquecido que havia lhe dito sobre as revistas!
- Você sabe como eles exageram... - disse assim que conseguiu controlar suas lágrimas. - Só querem vender...
- , eu sei que estava isolado em Miami esses últimos meses e que não fui um cara muito camarada com você depois que perdemos o Ethan, mas eu sei que essa não foi a primeira vez que manchetes como essa saem por aí e também sei que essas não são as únicas revistas pelas quais elas circulam! - Joseph estava tentando controlar sua voz para não sair berrando com . Ele não queria mesmo que ela chorasse, afinal, ela ainda teria um dia pela frente de gravação.
O choro estava entalado na garganta da garota. Ela era realmente uma pessoa frágil, Ethan vivia lhe dizendo isso, embora ela nunca tenha acreditado.
- Isso não foi muito profissional da sua parte - Joseph disse após dar um longo suspiro. - Eu espero que as coisas mudem daqui pra frente, ok? Sinceramente, eu espero...
- Pode deixar, Joe... Prometo me esforçar mais pra manter meus problemas pessoais fora da mídia... - Uma lágrima teimosa desceu sobre a bochecha de .
Ela foi andando até a porta, e, antes que pudesse fechá-la, Joseph se pronunciou uma última vez.
- Já disse, me chame de Joseph, .
- Dá pra acreditar que ele disse isso? - disse indignada assim que terminou de contar a história do que tinha acontecido mais cedo, com Joseph.
- , esse cara é definitivamente um idiota. Ele só está te julgando assim porque não é famoso o suficiente pra sair nas revistas se fizer alguma merda. Aí fica com inveja de quem é e sai fazendo isso, não esquenta a cabeça com ele...
- Ah, obrigada por dizer que meu seriado não é famoso, ! - riu, dando um gole em sua garrafa de coca-cola.
Os dois estavam sentados no tapete fofo do quarto de , já que decidiram fazer a reunião de segunda num lugar mais reservado. estava mesmo decidida a evitar os holofotes.
- Não foi isso que eu quis dizer, você me entendeu. E você é a prova viva de que seu seriado é famoso, Srta. Sonho Americano de 18 anos! - deu um tapa de leve no braço da amiga.
- É, cara, às vezes eu fico pensando que não deveria ter ido àquela festa com a pra começo de conversa...
- , a única coisa que você faz bem além de atuar é ser famosa! - disse com desdém.
- Ah, olha só quem fala, Senhor Eu-sou-da-banda-que-ficou-em-primeiro-lugar-com-menos-idade-do-que-todos! Vá fazer uma música com esse nome, ! - deu língua pro garoto.
- Com esse nome mínimo?
- É, tá na moda agora, não sabe? Seu desatualizado!
Eles caíram na gargalhada.
- , amore da minha vida, meu celular tá vibrando ali em cima da mesa... - fez uma cara de anjinha.
- Nem vem, eu não vou pegar pra você. - falou mostrando pedaços de pizza dentro de sua boca.
- Por favoooor - ela piscou os olhos e sorriu - por favorziiinho!
- Meu Deus, eu não sei como agüento conviver com uma criança como você! - Dado por vencido, ele se levantou e pegou o celular da garota. - Ih, é o . Quer que eu desligue? Ou prefere que eu atenda e fique gemendo pra ele se tocar de que ligou num momento inoportuno?
soltou uma gargalhada gostosa.
- , tá maluco? Se você ficar gemendo que nem uma bicha ele só vai ficar rindo do outro lado, afinal, ele sabe que eu tô com você, e alôôu! O que a gente faz de errado nesses encontros de segunda? - Ela disse ainda rindo.
- Ai, essa doeu. - fingiu estar se assassinando com uma faca no coração e depois entregou o celular à .
ficou observando a conversa de com sem falar nada. Ela ria bastante de algumas coisas que ele falava, pareciam um casal de verdade. Quer dizer, se não ficasse xingando de cinco em cinco segundos, eles até pareceriam um par romântico.
- Então... - quebrou o silêncio assim que desligou o celular. - A coisa entre vocês está ficando séria?
- Hã-ã... - engasgou com sua coca. - Não séria... A gente só... Tá ficando mesmo, sabe?
- E você acha isso certo? Quer dizer, você tá bem com isso? Vocês conversaram e chegaram a essa conclusão?
riu, achando divertido o nervosismo de .
- Calma, , nós conversamos e tá tudo bem... Pode não parecer sempre, mas eu não sou mais uma criancinha, sei me cuidar bem sozinha, apesar de gostar de depender dos outros às vezes.
- É, eu sei... Mas é que depois da morte do Ethan, às vezes... - estava falando devagar, não queria soltar nada sem querer. - Eu me sinto meio que na obrigação de cuidar de você, pra que você não sofra tanto de novo...
- Ahh! Isso é bem fofinho da sua parte, . Mas, falando sério, não precisa se preocupar tanto assim comigo, eu tô aprendendo cada vez mais a cuidar de mim mesma, já que não tenho mais pai, mãe, amigas, namorado... - começou a enumerar e sentiu sua garganta novamente ficando entalada com choro. - Mas tá tudo bem, quando eu precisar de ajuda, sei que vou poder contar com você e os meninos...
abraçou a garota antes que ela pudesse chorar. Ele era mesmo um bom amigo, ela sabia disso. Mas não queria que ele ficasse a protegendo tanto assim.
Capítulo 7 - All the alcohol in the world would never help me to forget
Um mês havia se passado. Um mês desde que dormira com pela primeira vez, um mês desde que ela prometera não se meter mais em confusão com a imprensa e um mês que ela não tinha mais paz em nenhum segundo.
tinha parado com o ataque de galinha, a palavra 'homem' pra ela só poderia vir acompanhada de ou gargalhadas. Não que ela e estivessem num relacionamento sério, quer dizer, pela parte dela até poderia ser, mas ele continuava com sua vida normal, em que ele ficava às vezes com a musa de seus sonhos, , mas quando ela estava ocupada demais se divertindo com ou com uma garrafa de bebida, ele ia procurar outras pra satisfazer sua vontade.
No momento, seu grande problema com as revistas era a quantidade de bebida alcoólica que ela andava digerindo. Segundo as fofocas, acordava e dormia com uma garrafa prata contendo sei lá o que, sabia-se apenas que era algo forte.
O que não era uma mentira deslavada, mas também não era completamente verdade, a bebida era intercalada por uns cigarros de vez em quando. Nem ela própria acreditava que andava fumando.
- Meu Deus, ! - gritou assim que entrou no quarto da garota. Já eram duas horas da tarde de sábado e ainda estava enfiada embaixo das cobertas. - Qual é o problema com você? - Ele abriu as cortinas, deixando a luz do dia invadir o quarto escuro e fedorento.
- , slipe cho ne exxkiiina - A garota murmurou alguma coisa assim que enfiou a cabeça embaixo da coberta, tentando tapar os olhos.
se sentou no pé da cama dela. Ele observou umas latinhas de cerveja no chão e abanou o ar, tentando se livrar do cheiro insuportável de cigarro, mas não adiantou, o cheiro já estava impregnado nas cobertas.
- Desde quando você fuma e bebe tanto, ? - Ele puxou a coberta e jogou no chão, revelando uma encolhida, abraçando seus joelhos, vestindo uma calça preta de moletom e uma camiseta branca tão velha que estava quase transparente.
- Você veio aqui pra me julgar, ? - disse bem baixinho, ainda com o rosto enfiado entre os joelhos. - Porque se veio, perdeu seu tempo, já estou cansada de ouvir isso.
- Não, na verdade eu vim aqui porque o me deu a chave da sua casa e pediu pra te fazer sair daqui.
- Por que ele mesmo não veio?
- No momento ele se encontra no mesmo estado que você... - passava as mãos pelo cabelo da garota carinhosamente. - Não sei porquê vocês não ficam logo juntos, são idênticos, fazem farra a noite toda, dormem a tarde toda e depois ficam sentimentais.
não entendia como que depois de um mês convivendo com ela e saindo juntos misteriosamente de um lugar e depois aparecendo todo amassados, e ainda não entendiam que eles estavam 'juntos'.
- Se eu levantar da cama, você promete que não vai contar pro do estado do meu quarto? - desconversou.
- Prometo, ... Agora vamos te levar pro chuveiro, você tá precisando tirar essa nhaca de bebum.
riu e pegou no colo, completamente sem jeito. Ele seguiu pro banheiro com dificuldade, já que estava em seu ombro rindo e lhe dando pancadas nas costas, mas assim que chegou lá, ligou o chuveiro e enfiou a menina de roupa e tudo.
- Anda rápido com isso que eu tô te esperando na sala! - disse assim que garantiu que a garota ia mesmo tomar um banho.
- Queridos, cheguei! - berrou numa tentativa de imitar os Flinstones. Só conseguiu um pedala de .
- Trouxe a ? - desceu as escadas correndo.
- Serve essa? - disse sorrindo, dando um beijo na bochecha do 'amigo' e entrelaçando os braços no pescoço dele.
- Não tem melhor que essa... - estava prestes a dar um beijo em , quando interrompeu.
- Credo, arrumem um quarto! - disse ele fazendo cara de nojo.
Ele tinha dito isso pra quebrar o clima ou só mesmo pra avisar que os outros estavam por perto?
Imediatamente os dois se separaram.
- Preciso falar com você depois - sussurrou no ouvido de , que fez um sinal pra eles se encontrarem mais tarde no quarto dele e depois foi andando até a sala.
- O que você ficou fazendo ontem, menor? - perguntou assim que sentou-se no braço do sofá que ele estava sentado.
- Quando você e vão parar de me chamar de 'menor'? Eu fiz ou não fiz 18 anos, afinal? - a garota disse, indignada.
- Não vamos parar com isso, é legal ver sua cara de fuinha quando ouve... - riu da garota que não entendeu nada, na verdade.
- Mas enfim, ontem eu me diverti sozinha.
- Meus parabéns! - disse batendo palmas sarcasticamente.
- Ah, pra que exatamente vocês me chamaram aqui, cavalheiros?
- Na verdade a intenção inicial era que você fizesse uns sanduíches pra gente, mas como você chegou tarde demais, acho que podemos só ver uns filmes... - deu de ombros.
- Ótimo, vocês têm algo pra beber? - perguntou esfregando as mãos, como se quisesse 'esquentar as coisas' com a bebida, no caso.
- Acho que tem resto de coca sem gás de ontem na geladeira, - disse sem tirar os olhos da tevê. Piratas do Caribe Dois estava começando.
- Hellôu! Eu estava falando de bebida de verdade! - franziu a testa. Imediatamente todos olharam pra ela.
- Nossa, achei que você fugisse de bebidas... Depois daquele incidente na casa do... - começou a falar, mas foi interrompido por abanando as mãos na cara dele.
- Não, não... Aquilo foi antes de... Vocês sabem... - Sim, ela estava falando de Ethan. E sim, ela ainda tinha uma certa fraqueza pra comentar sobre o assunto.
Silêncio reinou por uns segundos.
- Vem, , vamos pegar alguma coisa pra beber. - pegou a mão da garota e os dois subiram as escadas, em direção ao quarto dele.
- Você anda guardando bebida no quarto, é? - perguntou assim que a puxou pra cama. Estavam os dois sentados, um de frente pro outro, se encarando.
- Não, não quero beber a essa hora, ! - Ele riu. - Só te trouxe aqui porque nós precisamos conversar mesmo...
entendeu o recado, ou pelo menos achou que tinha entendido, estampou um sorrisinho safado, pulou pra cima de e selou seus lábios aos dele. Obviamente que ele não recuou, mesmo que esse não fosse o motivo por ele tê-la chamado ali.
Algum tempo depois, e já tinha empurrado contra a cama e estava em cima dele, fazendo loucuras com aquela língua enfiada na boca dele.
- ... - tentou parar o beijo que já durava um tempo, mas parecia querer ignorar qualquer coisa que ele fosse dizer, então continuou dando selinhos nele, de olhos fechados. - Não quero parecer broxa nem nada do tipo, você sabe que eu não sou, mas...
bufou e sentou ao lado de . Murmurou algo como 'fala' e ele prosseguiu, receoso depois desse 'fora'.
- É que... Eu queria saber porquê a gente ainda esconde o nosso... Como podemos chamar? - pensou um pouco. Não queria que nada fosse interpretado de maneira errada. - Relacionamento?
- Hmm... Sei lá, achei que a gente já tivesse conversado sobre isso. Acho que é pra gente não iludir os outros com nossa história, sei lá... Você sabe que o ia começar a planejar nosso casamento só se soubesse que nós nos beijamos uma vez, né? - riu. também, mas um risinho nervoso.
- ? - Eles ouviram uma voz berrando da escada. - ?
- Vamos lá, depois a gente conversa... - deu um tapinha na perna de e se levantou. - Não fique pensando que isso acaba aqui, você me deixou com expectativas, garoto! - Ela piscou pra ele, sorrindo maliciosamente.
Capítulo 8 - You know that I won't stop until I've got you
- Oi, ! - abriu a porta de casa surpresa. Ela estava com seu 'pijama', segurando um pote de sorvete de morango e esperando ninguém mais do que o porteiro. - O que você tá fazendo aqui? Hoje é segunda e eu esqueci?
- Haha, muito engraçadinha. - foi entrando e tirando seu tênis surrado. - Por acaso você só pode me receber às segundas, é?
- É, normalmente sim, né? - fechou a porta com o pé. - Quer dizer, olha pra mim! - Ela apontou pra ela mesma. - Estou de pijamas tentando curar a ressaca de ontem!
- É, pode crê... Acho que você exagerou um pouquinho demais ontem na bebida, não?
- Claro! Você tem noção que ontem foi uma noite histórica? - A garota se jogou no sofá, colocando os pés em cima de , que estava sentado. - Você nunca me deixa beber às segundas-feiras! Vem sempre com aquele discursinho de 'você sabe que tem trabalho amanhã, uma semana toda pela frente' e blá blá blá...
- Isso não me parecia um grande problema pra você quando começamos a nos reunir... - tirou as meias de e começou a massagear seus pés.
- - ela o encarou com um olhar de desprezo -, quando nós nos conhecemos, eu não tinha problemas como hoje, ok?
- Ah sim... - O garoto continuou massageando os pés dela. Ele sabia que era tudo que precisava fazer para acalmar a 'fera'. - Esqueci que estou conversando com a rainha do drama!
- Experimenta trocar de lugar comigo pra você ver o que é ter uma vida ferrada.
deitou sua cabeça para trás, relaxando e tentando aproveitar a massagem de enquanto esfregava as duas mãos pelos olhos, tentando espantar o sono.
- Por acaso nós não vivemos na mesma merda de mundo com os mesmos problemas por estarmos sendo vigiados o tempo todo?
- É, mas você ainda fala com seus pais, tem amigos verdadeiros do mesmo sexo pra fofocar sobre os homens gostosões, não mora sozinha num apartamento gigante e deprimente e não perdeu seu namorado e melhor amigo há uns meses. E, ah, como eu pude me esquecer, NÃO TEM TODO MUNDO PEGANDO NO SEU PÉ POR ESTAR BEBENDO UM POUCO A MAIS DO QUE ANTES! - elevou o tom de voz, mostrando seu nervosismo.
Um momento de silêncio constrangedor.
- , eu e meus amigos não costumamos conversar sobre os 'homens gostosões'.
Como resposta, obteve um dedo do meio na cara.
continuou deitada por alguns minutos apreciando a massagem de seu amigo, que só a observava de canto de olho. Até que ela sentiu um corpo pesado caindo sobre o dela e esmagando sua barriga. Abriu os olhos subitamente.
- Que foi, amore? - Perguntou, brincando com o nariz de .
- Já te disse que você é a minha amiga mais linda de todas?
- Hum... - fingiu pensar um pouco - que eu saiba eu sou sua única amiga, ! - Eles riram.
- Ah, eu tenho muitas amigas pelo mundo a fora, não vem com essa não. Mais que você, eu tenho, pelo menos. - Ele deu língua e quando ela ia mostrar seu dedo do meio de novo, pegou a mão dela com força e colocou no sofá.
se aproximou mais da menina, encostando seus narizes. O coração de estava começando a bater forte demais pro gosto dela, mas não parava de roçar seus narizes e ficar a encarando com aquele olhar... Bem, o olhar do . Aquela coisa doce e gostosa de ficar se encarando.
- Er... - tentou falar alguma coisa, mas não conseguiu. Antes que pudesse, lhe deu um selinho.
- ? Hum... - A garota estava mesmo desconfortável. Ela podia esperar isso de e até mesmo de . Quer dizer, talvez não de , devido a nova namoradinha dele. Mas de ? O único que sabia da 'história' dela com ? - O que exatamente foi isso?
- Uma coisa que eu venho tentando fazer há tempos... - Ao dizer isso, ele selou seus lábios novamente nos dela, mas dessa vez com mais sentimento. Passou sua língua pela boca de , mas ela hesitou em permitir que o beijo fosse aprofundado.
- Você sabe que eu ainda estou com o , certo? - Ela o afastou um pouco com as mãos para poder dizer isso lhe encarando.
- Claro que sei, você me disse isso ontem. Na mesma hora que me disse que o negócio entre vocês não era sério, e que vocês continuavam saindo com outras pessoas.
- Eu sei disso... Mas vocês são amigos, não vai ser uma situação meio desconfortável?
não respondeu, ao invés disso grudou seus lábios no pescoço da menina e ficou fazendo loucuras por ali, até que ela esqueceu completamente de quem era .
Existem algumas maneiras de ter certeza do que você acha que fez, na noite passada.
Uma delas é ver onde você acordou. Se for em um lugar desconhecido, ponto para sua mente pervertida. Se for no seu quarto, passe para a segunda etapa e confira suas vestimentas. Se estiver nua ou semi-nua, mais um ponto para sua mente pervertida. Terceira parte, só pra confirmar, é ver se sente cheiro de perfume masculino ou gel no travesseiro ao lado. Quarto e último passo é mexer os pés e ver se eles se esbarram acidentalmente em um outro pé (ou cabeça, depende de cada caso). Se pelo menos dois desses passos forem positivos, há uma grande chance de você ter feito mesmo o que pensa que fez noite passada.
No caso de , apenas dois desses fatos foram comprovados. Ela estava semi-nua e sentindo cheiro de perfume masculino, mais precisamente perfume de . Mas ele mesmo não estava ao seu lado.
Ela se levantou, vestindo só sua calcinha e sutiã mesmo, já que suspeitava estar sozinha em casa, e entrou no banheiro, dando de cara com no boxe. Porcaria de chuveiro silencioso! tapou os olhos e ficou tateando a porta, procurando pela maçaneta.
- , pode abrir os olhos, nós fizemos mesmo o que você está se perguntando se fizemos - ele disse rindo da cara de assustada da garota.
abriu os olhos e deu um sorrisinho sem graça para . Ela se encarou no espelho embaçado e pegou sua escova de dentes.
- Eu sabia que você era esquecida, mas nem tanto...
- ... - olhou para o garoto abanando a cabeça negativamente e ele piscou pra ela. - Acaba logo com esse banho porque eu não posso chegar atrasada hoje.
Capítulo 9 - Honest, let's make this night last forever!
Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
Eu não vou mais comentar sobre essa sua mensagem. Sei que ela ainda está aí só pra provocar, principalmente a mim. Mas olha, reservei uma mesa pra gente hoje naquele restaurante novo perto da nossa gravadora, sabe qual? Aquele com comida Japonesa, que eu sei que você gosta [na: desculpa as pessoas que não gostam, mas não tô com criatividade pra pensar em outro tipo de comida]. Te pego às sete? Te amo. .
(Clique)
foi pro trabalho ansiosa para chegar sete horas logo. Ela tinha resolvido esquecer de por um tempo e voltar a viver sua vida normal só com , que pegava outras garotinhas às vezes achando que ela fazia o mesmo, quando não fazia. Até o dia anterior.
Nada de anormal aconteceu durante o dia. Quer dizer, se você acha normal dar uma entrevista fingindo ser super íntima de seus colegas de trabalho, que na verdade são pessoas metidas e repugnantes que você odeia. Mas achava isso extremamente normal.
Sete horas. estava esperando no carro do lado de fora do prédio de desde seis e quarenta, ele estava mesmo nervoso.
estava quase pronta, como sempre, só faltava achar suas sandálias. Como ela sempre conseguia perder os sapatos? Ah, é! Esqueci que isso é comum quando se chega em casa e a primeira coisa que se faz é isolar os calçados em qualquer lugar.
tentava relaxar no carro, cantarolando uma música chata e irritante qualquer, daquelas que gruda e não sai por nada da cabeça, enquanto batia os dedos no ritmo no volante do carro. Ele não queria bater na porta de agora para não parecer que estava ansioso demais com isso.
- Alô? - Atendeu o telefone decepcionado, depois de ver na tela que não era ela. - Fala, mãe... Não, eu não tô no trabalho, por quê? Como assim? - Sua voz ia ficando cada vez mais entediada. - É, mas eu tô ocupado... Não, mãe, eu não posso sair no meio de um encontro pra ir pegar o bolo de aniversário da vovó! Eu sei que ela é minha avó, mas eu tô com a minha namorada aqui! - Ele revirou os olhos. Sua mãe era mesmo um saco quando queria. Ela insistiu mais uns cinco minutos, até que houve uma negociação. - Ok, se eu levar o bolo até a casa dela, você me libera do jantar de domingo na casa da Lucy? Jura? Beleza, chego lá em vinte minutos! - E desligou.
correu para atender o telefone que estava tocando insistentemente, mas no meio do caminho deu uma topada na ponta da mesinha e ficou se contorcendo de dor, tentando inutilmente fazer a dor passar enquanto urrava. Típico dela.
Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
, eu sei que você deve estar ocupada procurando algum sapato, mas eu só queria te avisar que não vou poder te pegar aqui... Quer dizer, na sua casa às sete. Ouve um imprevisto com a minha avó e coisa e tal... Será que a gente pode se encontrar no restaurante sete e meia, mais ou menos? A mesa está no meu nome. Desculpe por isso, gata. Até mais.
(Clique)
- Alô? ? ???? - Ela atendeu, mas ele já havia desligado. Droga, ela não queria mesmo ir dirigindo. O trânsito devia estar um inferno!
Dez minutos passados das oito. Três garrafas de Ice vazias. Quarenta minutos de chá de cadeira. Mãos apoiadas no queixo. Tédio. Sensação de bolo chegando. Perturbação mental por achar que era a única ansiosa pro 'encontro'. Essa era a situação em que se encontrava.
- A senhorita tem certeza que seu acompanhante está chegando? - Um garçom educado e engomadinho chegou perto de .
Sem sair da posição que se encontrava, ela rolou os olhos para poder encará-lo. Seus olhos diziam 'você não sabe mesmo quem eu sou, seu pé-rapado?', mas, educadamente, ela só apontou para uma garrafa vazia, indicando que queria outra.
Ela olhou no relógio de novo. Oito e quinze. Se não chegasse em quatro minutos, ela iria embora correndo dali. Três minutos depois uma menininha loira de mais ou menos uns sete anos chegou perto de com um guardanapo e uma caneta e os estendeu para ela. Devido a quantidade de álcool já ingerida, demorou um pouco para entender o que a garotinha querida.
- Qual seu nome, querida? - Ela perguntou educadamente, sorrindo. Adorava quando crianças vinham pedir seu autógrafo. Era melhor do que dar pra uns homens mal-encarados colecionadores de autógrafos ou pros tarados de marca maior que só queriam ter uma visão privilegiada dos seus seios pra depois inventar uns boatos de que tinham pegado neles.
Mas a pequenina não respondeu nada. Ela estava com a ponta da manga enfiada na boca e parecia estar morrendo de vergonha. Diante desta situação, só escreveu: xx Para minha fã pequenina, com amor, xx . Assim que conseguiu o papel, ela voltou correndo para mesa onde se encontravam duas senhoras conversando, e pegou sua bolsa para pagar a conta. Mas se pensava que ia ficar por isso mesmo, estava muito enganado. Ele ia pagar e não ia ser barato não.
- ! - ouviu alguém chamando seu nome atrás dela, assim que já estava se levantando da mesa. - Me desculpe!
Ela se virou para trás e se deparou com um meio descabelado e respirando com dificuldade. Parecia ter acabado de sair de uma maratona. Só não estava fedendo, de jeito nenhum. Cheirar mal era algo que simplesmente não existia na mesma frase que o nome .
- Por que a demora? - ela perguntou, se sentando novamente.
- Tava na porra do trânsito! Tinha me esquecido que minha vó morava há milhas de... Onde eu estava...
Onde tinha ido parar a vontade de vingança de ?
- Ah, tudo bem, eu também fiquei presa. Devo ter chegado há uns vinte minutos, só. - sorriu falsamente. Qual é, ela não ia ficar mal na história, ia?
- Sim, realmente, essas milhões de garrafas na mesa indicam isso. - riu brincando com a garota.
amaldiçoou o garçom lerdo que esquecera de levar as garrafas vazias. Ela riu, nervosa.
- Ok, você me pegou...
Depois de cinco minutos, o garçom voltou à mesa e o recebeu com um sorrisinho triunfante. 'Eu não disse que ele vinha, idiota?' ela teve vontade de dizer, mas ao invés disso, só fez seu pedido.
- Reparou que esse é o nosso primeiro encontro de verdade? Tipo, sem nenhum dos garotos por perto e num restaurante legal? Com possibilidades de paparazzis e tudo!
- Estamos evoluindo, não? - riu. - Mas não fique achando que eu vou dar pra você no primeiro encontro, ! Eu não sou dessas...
Algum tempo depois, mais precisamente uma hora e vinte minutos, os dois já estavam bem 'comidos', como disse , e bem 'bebidos' também.
- Posso dizer que a noite foi perfeita? - perguntou sorrindo enquanto pagava a conta.
- Hum... Acho que pode. Eu diria o mesmo se não fosse o meu surto por ter quase levado um bolo no início. Mas acho que vou ser obrigada a te dar uma nota nove em primeiro encontro.
- Ah tá, então vamos ver pra onde minha nota vai subir com... - mexeu nos bolsos da calça, procurando alguma coisa. - Isso!
levou um susto. De verdade, só o que passou pela sua cabeça quando viu aquele anel lindo, perfeito e maravilhoso numa caixinha na mão de foi 'MEU DEUS, O QUE ISSO SIGNIFICA?'
- ... Eu... - A garota estava abrindo e fechando a boca, mas não conseguia proferir nenhum som. Simplesmente porque tinha medo de abrir a boca grande e falar alguma coisa inapropriada, tipo o que estava passando em sua cabeça no momento. - Não sei o que dizer! - ela soltou, por fim.
- Simples, diga que aceita. - estava com um sorrisão de orelha a orelha.
- Aceito? Mas aceito o quê? - ainda estava meio atônita.
- Ok, já vi que vou ter que pedir mesmo... - pigarreou. - , você aceita namorar comigo?
Ótimo, agora ele tinha pedido oficialmente. O que ela ia fazer? Contar que tinha dormido com o melhor amigo dele noite passada?
- ... O anel, tudo... - Ela sentia que lágrimas estavam por vir. Mas não eram de emoção como normalmente, e sim de decepção e culpa por ter feito o que fez. - É tudo tão perfeito...
esfregou seus olhos impedindo que uma lágrima descesse. segurou a mão dela, fofo como sempre.
- Será que você pode me dar um tempo pra pensar?
Capítulo 10 - Man, we’ve been messing with the same girl!
- Tutz, tanatã, tutz tá! - passou por , que estava tentando imitar uma batida qualquer com a boca.
- Eu vou fingir que não vi isso... - ele comentou passando direto pelo amigo e indo até o balcão da cozinha, pegar café.
o ignorou e continuou se divertindo tentando imitar sons com a boca e comendo desajeitadamente seu sanduíche.
- Cloooose your eyes, and I'll kiss you! - Assim que ouviram isso, parou de se servir café e parou com os barulhinhos e os dois prestaram atenção a um ser parado de pijamas, completamente descabelado. Quando perceberam que era , voltaram a fazer o que estavam fazendo antes.
- Papapa, tatis tutz!
- Remember I'll always be true!
- Hakuna Matata! - entrou na onda e começou a encher o saco também. - What a wonderful phrase!
- And I'll send all tátatarara my loving Hakuna Matata to yooou! - Eles aumentavam o volume cada vez mais e já não se entendia nada do que estava sendo cantado.
- QUE PORRA É ESSA AQUI? - berrou.
Todos olharam para ele assustados.
- Ih, alguém acordou de mau humor... - cochichou com , que estava ao seu lado.
A verdade era que já estava parado na porta perguntando educadamente o que estava acontecendo, mas ninguém o vira até então.
- Eu hein! Vocês sabem que horas são? - ele continuou berrando num tom de voz autoritário. - Vocês acham que é bom ouvir três bebês berrando de manhã antes de ir trabalhar?
- Foi mal, ... É que eu tô meio empolgado mesmo, só isso... - se desculpou com o amigo dando tapinhas no ombro dele.
Depois de meia hora de embolação pra terminar o café e se arrumarem, os quatro foram trabalhar. Eles estavam bem ocupados ultimamente gravando um novo single.
- I can't belive I've found, the girl... - deu um pedala em que estava olhando uns CDs em cima da mesa sem prestar atenção enquanto cantava, desafinado.
- Que deu em vocês hoje? - ele perguntou assustado.
- Eu estou muito feliz, meu caro amigo ! - sorriu abertamente, deixando os CDs de lado.
- Hmmm... - desconversou. Não estava afim de ouvir apaixonado contando horas de histórias com alguma mulher qualquer.
- Pedi a em namoro ontem. - Mas prosseguiu mesmo assim, causando um espanto e tanto em .
- A ? - ele perguntou arqueando a sobrancelha. – Nossa, cara, achei que você já tivesse desencanado com essa história da depois de tantos foras...
- Ah, mas é aí que você se engana, meu caro! Eu e a estamos tendo um caso há alguns meses...
- Sim, você e a torcida do Manchester. Sem querer ofender a nossa , mas você sabe que ela não é mais mulher de um homem só, desde de... Bem, desde o Ethan.
- Tem um mês que ela não fica com ninguém, ! - deu um pedala no garoto. - E eu também.
- O sabe disso? - esfregou a cabeça no lugar que fora atingido.
- Acho que sabe, por quê?
- Ah, nada... Só pra saber mesmo... - tentou disfarçar, mas sua cara de confuso não enganava. Ele ia ou não ia contar a que acabara de lhe confessar ter ficado com há dois dias atrás? - Pra conferir se eu fui o último a saber das coisas, como sempre...
- Na verdade, não, o ainda não sabe... E nem era pra você saber também, porque ela ainda não aceitou. Mas vai aceitar, eu sei que vai.
- Bom então... - se levantou e foi andando de volta pro estúdio. – Ah, , você por acaso sabe quem é a mulher misteriosa que anda deixando o nas nuvens? - perguntou como quem não quer nada.
- Nem sei, cara. O não anda me contando as coisas, nem sabia que ele tinha alguém no momento!
assentiu com a cabeça e voltou pra dentro do estúdio, deixando um bobo feliz cantarolando sozinho novamente.
- ! - recebeu seu amigo com dois beijinhos na bochecha e uma confusão em sua mente. Ela realmente não esperava ver tão cedo. - Que surpresa!
- Má hora? - o garoto perguntou entrando na sala enquanto ela fechava a porta e tentava se manter calma ao mesmo tempo.
- Não, é que o ... - ela frenou um pouco, gelando ao mencionar esse nome - me disse que vocês iam ficar o dia todo ocupados, ensaiando e tudo mais...
- É, eu acabei de sair do trabalho... - se sentou no sofá e jogou a cabeça pra trás, relaxando de todo o stress das gravações. - E você? Não foi trabalhar hoje não?
- Estou de férias, fim da segunda temporada. - levantou as mãos pro céu. - GRAÇAS A DEUS!
Eles riram. Um silêncio constrangedor se instalou. queria acabar com aquilo pulando em cima de e a puxando para um beijo, mas sentia que não podia. Já ela, queria era dizer que havia a pedido em namoro e que ela ia aceitar, mas também sentia que não seria muito apropriado.
- Ok, será que nós podemos fazer isso se tornar um pouco menos estranho? - falou por fim.
sorriu.
- Vou pegar uma garrafa de licor e o restinho de brigadeiro na cozinha. - se levantou em direção a cozinha e soltou uma gargalhada escandalosa e gostosa ao mesmo tempo.
- , tô indo pra casa... - gritou. - Tá com carro?
- Aham, eu vou com o mais tarde... - ele respondeu sem tirar os olhos de seja lá o que fosse o que ele estava fazendo.
- E o ?
- Saiu mais cedo... Disse que ai encontrar com 'a garota dele' - respondeu zoando o que havia lhe dito mais cedo. olhou para ele, mas não comentou nada, apenas balançou a cabeça em sinal de desaprovação e continuou seu trabalho. riu e seguiu seu caminho. Pra casa de , é claro. Ele esperava obter uma resposta ainda hoje.
estacionou o carro em frente ao prédio de . Como já era realmente tarde, a rua estava bem vazia. Ele pegou um embrulho que tinha comprado de manhã para ela e olhou para a janela da garota, que era uma das poucas acesas a essa hora. Ele respirou fundo e abriu a porta do carro, avistando sorridente saindo do prédio com as mãos no bolso. Instantaneamente pensou em chamar o amigo, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, as palavras de vieram à sua cabeça. “...disse que ia encontrar a garota dele”. Não podia ser, podia?
Olhou pra cima novamente, a luz em seu apartamento havia se apagado. bateu no volante com força e jogou o embrulho de presente no chão do carro. Mais rápido do que você possa dizer seu nome, deu partida no carro, rumo à sua casa.
Capítulo 11 - You could call me six times but still I won't pick up the phone
acordara bem agitada, considerando o fato de que eram seis da manhã, ela sabia que passaria mais um dia de férias tedioso fazendo nada, acompanhada apenas de uma bebida qualquer e um pacote de pipoca de microondas.
Ela passou a manhã raciocinando sobre o que faria da sua vida. Conclusões que ela chegou:
Ela não gostava de , ela o amava. Mas não era apaixonada por ele.
Ela gostava de , o amava e estava a caminho de uma paixão.
Ela poderia ser sincera com sobre tudo isso e com certeza eles não brigariam por isso, mas se ela abrisse o jogo com , as coisas não seriam tão fáceis assim, levando em conta as ceninhas de ciúme que ele andava tendo ultimamente.
Conclusão final: Ela explicaria a situação a , pedindo para que ele esquecesse e não comentasse a ninguém o acontecido. Logo depois, ela aceitaria namorar e tentaria viver um dia de cada vez, esquecendo de Ethan e as mágoas que ela ainda tinha, aos poucos.
Oi, eu sou o . Sim, o do McFly. HAHA, como você conseguiu meu celular? Se eu não te conheço, não perca seu tempo deixando um recado, mas caso contrário, vá em frente!
(Sinal)
, preciso mesmo falar com você... É sério, ok? (risos) Pode passar aqui à tarde? Mas tem que ser por volta das quatro, porque eu tenho, pelo menos pretendo ter, um compromisso às sete, beleza? Amo você, amigo. Ah, eu acho que você já sabe, mas é a . (risos)
(Clique)
Você ligou pro e ele não pode atender. Deixe um recado que ele retorna depois. (vozes e risos ao fundo) Não acredito que você me fez fazer isso, seu idiota! E sim, aqui é o , mas deixe o recado pro .
(Sinal)
O sinal anunciando que podia deixar seu recado tocou, mas ela desligou. Tinha que conseguir respirar primeiro, estava sem ar de tanto rir. O que era aquele recado na caixa postal de ? A julgar pelas vozes de e (era impossível entender o que ele havia falado, mas jurou ter ouvido sua voz) eles estavam completamente bêbados. E os outros companheiros de banda também estavam presentes, a risada de todos eles eram escandalosas e completamente reconhecíveis, principalmente por .
Assim que ela se recuperou, ligou de novo para e deixou um recado marcando um encontro - na casa dela - lá pelas sete horas, quando ela esperava já ter resolvido tudo com .
Cinco horas da tarde, a situação era a seguinte: Uma esparramada no sofá encarando o teto, bufando de cinco em cinco minutos pela falta de notícias.
Uns três recados na caixa postal de e cinco na de . Isso porque ela parou de deixar recados depois de um tempo, mas continuou ligando para ambos.
Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
? Até que enfim mudou esse recado, hein? Mas você tá aí? Porque se tiver... Atende ao telefone! As coisas tão meio doidas por aqui, acho que você não vai gostar de ficar sabendo, mas é um direito seu...
correu para atender ao telefone, escorregando algumas vezes por estar de meias.
- ? , você ainda tá aí? POR FAVOR, NÃO DESLIGA! - a garota berrou, estava desesperada por notícias.
- Calma, , eu tô aqui sim... - Ele riu. - Você pode vir aqui pra minha casa, por favor? O tá aqui e as coisas estão meio confusas... Ele e o ...
- Sem problemas, chego aí o mais rápido que puder. - cortou o garoto e desligou o telefone.
Não se importando em estar trajando uma calça de moletom e uma blusa de manga comprida velha com um coelhinho na frente, ela calçou uma bota sem salto e grande (o estilo que Ethan não a deixaria sair de casa nunca), pegou um casaco gigante pra cobrir a blusa e um pedaço da calça e saiu de casa prendendo o cabelo no melhor coque que a pressa lhe deixou fazer.
Capítulo 12 - Don't tell me you're sorry cause you're not!
- ! - berrou assim que entrou na casa de , ignorando-o completamente. - Que houve com você? - Ela foi até ele, que estava deitado no sofá sem camisa com um olho levemente arroxeado, e se ajoelhou.
, sem responder, lançou apenas um olhar fuzilante para .
- O que ela tá fazendo aqui?
- Ué, achei conveniente chamá-la, né? Você mesmo me disse que a pediu em namoro... - estava olhando a cena confuso, com os ombros contraídos. Não era só ele que não estava entendendo nada.
levou uma mão à cabeça de e encostou levemente num machucado recém-limpo na testa dele. Assim que ela o encostou, ele se sentou no sofá, deixando-a mais confusa do que antes.
- Que houve com você? - se levantou, encarando o garoto que mexia em seus cabelos, aparentando estar nervoso.
lançou outro olhar impaciente para , que ao invés de se defender ou falar qualquer coisa, exclamou um 'aaah!' lançando suas mãos pro alto e deixou os dois a sós na sala.
- , o que você tem com o ? - encarou a garota seriamente, ignorando a pergunta anterior.
- Co-como assim? - Ela gaguejou um pouco. De repente tudo se encaixava.
rolou os olhos, impaciente. Ótimo, ele sabia que isso era uma confirmação. Na verdade, ele nem precisava mais de uma depois da briga com . Sim, os dois haviam se socado, rolado no chão e tudo mais. Um escândalo digno de primeira página em todas as revistas de fofoca, mas que fora abafado por e , portanto ninguém tinha conhecimento do acontecido.
- Você ficou sabendo? - perguntou mordendo o lábio.
Ele apenas assentiu com a cabeça.
- E eu sei o que você vai me dizer... Que foi antes deu te pedir em namoro, antes de termos uma coisa séria, mas... - deixou a frase morrer. Estava sem forças. Tinha brigado com um de seus melhores amigos e estava prestes a fazer isso com sua quase namorada, com a mulher que ele amava. Sim, não que ele tivesse plena convicção de que a amava, mas amava.
- Eu sei que isso não é desculpa...
- Também não adianta dizer que vocês estavam bêbados, isso não cola comigo, nunca colou. Além do mais, você acorda bebendo ultimamente!
pressionou seus dentes com mais força ainda em seu lábio, mas dessa vez com a intenção de segurar o choro.
- Isso não é verdade... , você não sabe como tem sido difícil pra mim, acordar todas... - começou a se explicar, como vinha fazendo sempre que alguém a acusara de estar bebendo além da conta.
- Por favor, ! - balançou a cabeça negativamente. - Todos nós temos problemas na vida! E pode ser que você não esteja vivendo uma das melhores fases da sua, mas não justifica esse alcoolismo todo!
Estava difícil pra ela se manter de pé, em frente àquele homem que ela tanto gostava acusando-a. Pior, acusando-a de coisas que ela sabia ter feito.
- Daqui a pouco você vai arruinar com a sua carreira, vai afastar todos os seus amigos que restaram e principalmente acabar com a sua vida! - encarava , seus olhos demonstravam claramente sua frustração. - Você tem que parar de usar a morte de Ethan como uma desculpa pra todos os seus atos! Você sabe que sair com três caras por semana, beber até cair em todas as festas e ficar toda revoltadinha com a vida não é culpa do Ethan. Você acha que ele ia gostar de te ver nesse estado?
A essa altura, o discurso que havia preparado mentalmente para brigar com por ter ficado com seu amigo já tinha ido água abaixo. Isso já estava virando mesmo era um desabafo por todas as merdas que ela vinha fazendo e ele só assistira calado.
- Mas... Como a gente... - precisou se abraçar e respirar fundo pra continuar a frase - fica nessa história toda? Acabou? Eu ainda tenho chances de me redimir?
- Olha... - também juntou todas as suas forças - por enquanto eu não vou conseguir aceitar isso. Eu sei que não vou conseguir evitar você e o pra sempre... E também sei que você não é minha propriedade pra eu ficar tão puto assim, mas por enquanto não dá pra mim. Sinto muito, mas acho que não vai mais rolar nada entre a gente...
- Eu... Acho que entendo. - se virou pelo calcanhar e foi andando até a porta o mais rápido que pôde, o que no momento significava que até uma tartaruga era mais rápida que ela. Mas em nenhum momento olhou para trás. Não ia deixar que visse seu estado deplorável. Não depois dele ter acabado com ela.
, que estava com os olhos fechados para não se permitir derramar uma lágrima sequer, afundou-se no sofá assim que ouviu a porta da sala batendo com força.
chegou em casa aos prantos. Sua cabeça rodava e sua vista estava prejudicada e embaçada por causa das lágrimas que caiam sem piedade. Sua sorte foi ter conseguido dirigir até em casa.
Mudando de hábitos, a primeira coisa que ela fez não foi tirar seus sapatos, como normalmente. pegou uma almofada e afundou seu rosto nela, gritando com todas as suas forças. Quase nenhum som foi abafado pela almofada, o que a encorajou a continuar gritando por um tempo.
Quando estava sem força nenhuma, a garota deixou seu corpo pesado cair em cima do sofá de barriga para baixo. Assim que ela percebeu que ia adormecer em pouco tempo se continuasse naquela posição, se levantou, esfregando seus olhos inchados, e foi rumo à cozinha. Abriu o armário com uma certa dificuldade, pegou um copo, colocou duas pedrinhas de gelo e derramou uma dose de whisky generosa no copo. Ela ergueu o drink até seus olhos e observou seu reflexo no copo transparente. Estava literalmente acabada. Quem ligaria se ela se acabasse mais um pouquinho? Afinal, ela precisava de alguma forma para fazer com que seus problemas parassem de girar em sua cabeça, pensar estava fora de cogitação. Sem se importar com mais nada, levou o copo à boca e deu um gole 'digno de um homem', como Ethan costumava nomear. Assim que sentiu o líquido passando por sua garganta, mais uma lágrima caiu. Sem saber se a lágrima fora por causa dos últimos acontecimentos ou do álcool, continuou bebendo, bebendo, bebendo... Até que sua memória foi se apagando, sua cabeça latejando, sua visão ficando embaçada demais para distinguir objetos, seu corpo pesado demais para ela agüentar.
Capítulo 13 - I'll take a risk, take a chance, make a change, and break away...
Não preciso nem comentar o estado que estava quando acordou na manhã seguinte. Sua cabeça doía horrores e ela mal conseguia abrir os olhos. Até a garota conseguir se localizar e ir se arrastando até o sofá, foram precisos uma eternidade e vários esbarrões.
Um tempo e alguns comprimidos depois, conseguiu se estabilizar e até pensar sem a cabeça doer tanto. E foi aí que ela decidiu que precisava dar um tempo. Ela precisava se afastar dos holofotes, da bebida, de e principalmente de . E quando seria melhor para ela fazer isso do que nas férias que ela estava tendo?
Imediatamente a garota se levantou e foi tomar um banho, onde decidiu que iria para a casa de seus pais, já que não os via há meses e sabia que lá sempre seria bem recebida. Ou pelo menos recebida, se por acaso eles também estivessem magoados com ela por alguma merda.
Quando saiu do banheiro já vestida com uma roupa confortável e quente, começou a pegar todas as roupas que via pela frente e jogar dentro de uma mala gigante. E foi assim até a mala estar completamente entupida de roupas sorteadas.
Os pais dela não estavam atendendo ao telefone, mas não se importou com isso, já que eles não atendiam ninguém na hora do almoço, e, pelos cálculos da garota, eram mais ou menos duas horas da tarde. Sem pensar em voltar atrás sequer uma vez, ou sem se despedir de ninguém, pegou a estrada ao som de... Green Day? Não, isso lembrava . Beatles? Também não, lembrava . Three Days Grace? Uma das bandas favoritas de Ethan... McFly? Faz-me rir!
Por fim, a viagem foi toda ao som das músicas deprimentes de Simple Plan, só pra entrar no ritmo.
- Manhê??? - já tinha desistido de tocar a campainha e de bater na porta da casa de seus pais.
- Paaai??? - E agora tentava, inutilmente, chamar a atenção de seus pais batendo na janela e berrando por eles. O que o desespero das pessoas não faz?
- ? - Ela ouviu uma voz a chamando. Olhou para trás e deu de cara com a vizinha gordinha e simpática. Como era mesmo seu nome?
- Oi... Você sabe se meus pais estão aqui? - ela perguntou sorrindo simpaticamente.
- Na verdade, não... Você não ficou sabendo? - negou com a cabeça. Tudo que ela conseguia pensar no momento era sobre como sua ex-vizinha tinha cara de fofoqueira... Devia saber tudo sobre a vida dela. - Seus pais foram viajar... Já tem um mês que não voltam pra casa! Devem estar gostando mesmo de sei lá onde estão...
- Ah... - A garota não sabia mais o que pensar, nem o que falar e muito menos o que fazer. - Obrigada, acho...
A fofoqueira deu um sorrisinho e fechou a janela de onde estivera falando com .
se sentou no meio fio da calçada e colocou seus óculos. Ela estava decepcionada, cansada, desamparada, sem teto e sem ninguém. Tinha como a situação piorar?
[na: acharam que eu ia falar que começou a chover, né? HAHA -q]
Ela ficou lá sentada por um tempo, tentando decidir onde iria passar suas 'férias', enquanto algumas pessoas passavam por ela a olhando estranhamente. Provavelmente pensando 'de onde eu conheço essa maluca?'
podia bem ir para um Hotel qualquer ou pegar a estrada de novo para um lugar melhor e mais divertido, com mais coisas pra fazer... Mas o que ela menos queria fazer agora era se acabar em festas ou ficar em Hotéis caros comprando e comendo direto. Ela só precisava de um ombro amigo, de uma casa aconchegante e de alguém que lhe amparasse. Mas quem se ela não sabia onde seus pais estavam, e ninguém sabia onde ela estava? Tentou pensar em algum velho amigo da cidade, mas só vinha a sua cabeça. Ninguém mandou ela passar a infância inteira sendo anti-social com uma amiga só.
- ? - Uma de pijamas atendeu a porta com uma cara nada agradável. - O que você tá fazendo aqui?
- Oi... - Ela tentou sorrir e fingir que nada havia acontecido e elas ainda eram melhores amigas. Afinal, era a única pessoa que ela tinha no momento, então, de algum jeito, elas iam ter que se entender... - Como tem passado?
- Que malas são essas? - ignorou a 'amiga', encarando super discretamente a mala gigante parada em frente à sua porta.
- É que... - Ela tentou se explicar, mas não sabia nem como começar... - Será que eu posso entrar um instante?
Capítulo 14 - Os anos vão confirmar as três palavras que proferi: Amigo, estou aqui.
Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
? Atende ao telefone, eu sei que você tá mofando no sofá se entupindo de chocolate... (suspiro) Quando der, então, me liga, tá? Beijos do .
(Clique)
- E então... O que... - começou a falar assim que as duas sentaram no sofá.
- Me perdoa? - soltou rápido antes que perdesse a coragem.
- Pelo quê, exatamente? - A garota cruzou as pernas encarando , esperando por um pedido de desculpas convencível. Ela estava realmente puta com sua ex-melhor-amiga.
- Você sabe, por tudo... - a olhava com um olhar cansativo por trás dos óculos escuros. A verdade é que ela não sabia por que estava pedindo desculpas. Também, ela deveria saber?
- Na verdade, eu não sei, ... Você poderia me dizer por que está pedindo desculpas?
- , eu não sei por que estou aqui pedindo desculpas, satisfeita? - explodiu sua raiva com um tom de voz meio alterado. - Não sei nem o que eu estou fazendo nessa bosta de cidade e muito menos na casa de alguém que parou de falar comigo simplesmente por inveja!
- Inveja? - O tom de era de total desdém. - Você se acha demais mesmo, né, ? Esse por acaso é um dos motivos do qual você me deve desculpas... Sempre se achou melhor que eu, melhor que todos só porque tem um rostinho e um corpinho bonito... E depois que ficou famosa começou a se achar mais ainda!
- , eu nunca disse nada que pudesse te rebaixar, ok? Sempre te tratei como uma irmã, que era o que você costumava ser pra mim... - estava calma, por incrível que pareça.
- Não precisava falar, seus atos diziam tudo... - revirou os olhos. - Mas eu nunca liguei, sabe? Sempre achei que você não fazia por querer, então eu ignorava e continuava sendo sua amiga, calada.
respirou fundo e tirou seus óculos escuros.
- Olha, me desculpe se eu me achei demais algumas vezes, tá certo? Não foi por mal, mesmo...
deu as costas para a garota. Ela estava com a mão na cabeça, nervosa por tudo que estava acontecendo.
- Você sabe que dia eu fiz aniversário? - ela perguntou por fim.
- Hum... - pensou um pouco. - Eu sei que é em Agosto... - falou incerta. O aniversário da garota era Agosto ou Setembro?
- O que você estava fazendo dia quinze de Setembro?
- Eu fui a uma festa com Ethan e Joseph... Foi exatamente uma semana antes do acidente de carro... - receou um pouco logo após que falou. Ela estava começando a entender o ponto de .
- Por acaso esse dia não te lembra alguma coisa? - Uma lágrima nervosa percorreu o rosto de .
- , eu... - Uma pontada de culpa acertou o coração de . Como ela pôde esquecer o aniversário de 18 anos de sua melhor amiga? Ela havia se sentido péssima por não ter ligado para ela no dia de seu aniversário, mesmo elas já estando brigadas... Só de imaginar o que a amiga sentiu naquele dia, novamente uma vontade imensa de chorar invadiu seu ser. - Simplesmente não tenho palavras pra descrever o quanto estou mal por ter feito isso...
- Agora você sabe como eu me senti naquele dia... Eu passei o dia rodeada de amigos, mas imaginando quando uma certa pessoa que me considerava uma 'irmã' deixaria seu dia atordoado para mandar pelo menos uma mensagem...
ficou lá parada observando sua amiga desabafando. Ela teve a impressão que esse discurso queria sair da boca de há tempo, e por isso ela estava tão nervosa e... Tremendo?
- Também passei a semana seguinte esperando que você desse sinal de vida, inventando desculpas pra me enganar... E você pode pensar que esse é um motivo besta pra eu deixar de falar com você, afinal de contas, sua cabeça ficou cheia de coisas com a morte do Ethan logo depois, né?
ia assentir com a cabeça, mas pensou duas vezes antes de fazê-lo e optou por continuar calada ouvindo enquanto mordia a boca com toda força que podia para não chorar.
- Mas você me procurou quando isso aconteceu? - ainda falava freneticamente, sem saber quando ia conseguir parar com isso. - As revistas diziam que você estava passando pelo momento mais difícil da sua vida e você nem sequer me telefonou pra me dizer como se sentia sobre isso! E eu fiquei tipo 'como assim ela não precisa mais da melhor amiga num momento como esse?'
- E por que você não me ligou? Eu estava atordoada demais pra pensar em qualquer coisa... - tentou se defender, mas nem ela mesma se achou muito convincente.
- Por favor, ! - riu sarcasticamente. - Na semana seguinte você estava novamente nas revistas saindo com suas novas 'amiguinhas', enchendo a cara e dormindo com todos os homens!
sentia que se continuasse mordendo sua boca tão forte e com tanta freqüência assim, daqui a pouco a região ficaria em carne viva.
- Eu precisei tanto de você... - Pronto, foi só abrir a boca e as lágrimas finalmente rolaram. - Mas não sei, antes a gente se falava todo dia e de repente paramos de nos comunicar, quando o acidente aconteceu, eu achei que você estava puta comigo e eu nem sabia por que, dai simplesmente tive que ir buscar outras saídas pra amenizar os problemas...
Agora era que observava uma se debulhando em lágrimas com dificuldade em pronunciar as palavras. Com o peito dolorido, confesso.
- Mas eu estava aqui, o tempo todo esperando uma ligação sua... - se sentou ao lado da amiga.
O silêncio reinou por um curto tempo.
- Se lembra quando eu cantei aquela musiquinha pra você? - perguntou enquanto segurava a mão de . - Quando você ficou triste porque o idiota do Brian tinha terminado com você?
assentiu com a cabeça.
- Se a fase é ruim... - começou a cantar novamente, com a voz fraca. - E são tantos problemas que não tem fim, não se esqueça que ouviu de mim, amigo, estou aqui...
Elas soltaram uma risadinha fraca, ambas aliviadas por terem dito o que queriam e pela discussão ter cessado.
- Me perdoa? Mesmo? - A voz de soou fraca.
- Se você fizer uma pipoquinha pra gente ir comendo enquanto me conta tudo e me bota a par das novidades do mundo dos famosos... - sorriu, selando a resposta com um abraço.
Algumas horas e muitas risadas depois, as amigas (sim, amigas!) estavam entupidas de pipoca e meio alteradas pela garrafa de vinho. Ó novidade!
- E então esse foi o resumo da minha vida esses últimos meses... Eu perdi os três melhores homens do mundo... - suspirou e deu mais um gole (o último, por sinal) direto na garrafa de vinho assim que terminou de contar sua história.
- Não acredito que você foi idiota ao ponto! - a encarava com uma cara de peixe morto.
- Ah, agora já passou, né? - se levantou e começou a se espreguiçar. - Posso dormir aqui por uns dias, amiga? - Ela lançou um sorrisinho sem graça. - Você sabe que eu não tenho muito a quem recorrer...
- , o dia que eu te negar um teto é porque eu tô morando debaixo na ponte, né! Fala sério. - se levantou também e as duas foram catando a bagunça que tinham feito no chão da sala. - Mas me diz uma coisa que eu não entendi... O não pegou pesado demais com você não? Quer dizer, foi meio escroto mesmo da sua parte, mas ele não poderia esquecer e agüentar a barra por você?
- É mais complicado do que você pensa... - encarava o chão enquanto ajudava a amiga a colocar as coisas no lixo. - Acho que ele considerou como traição e eu não o culpo por isso, o erro foi meu mesmo.
O detalhe era que tinha escondido da amiga a parte da discussão em que a acusara de alcoólatra. Ela não queria, nem precisava, de mais uma a julgando pelo seu comportamento com a bebida ultimamente.
- Tudo bem, você quem sabe... Vamos dormir, você tá precisando disso. Amanhã vou deixar você dormir até uma hora da tarde, ok? Mas não vá se acostumando, é só amanhã, senão você fica muito preguiçosa e começa a achar que... - foi seguindo a falante até que elas se deitaram e pegaram no sono. Apesar de todos os problemas, a garota estava feliz. Até aquele momento, ela não havia percebido o quanto sentira falta de uma voz feminina reconfortante e tagarela. O quanto sentira falta de sua melhor amiga.
Capítulo 15 - I told you secrets that no one else knew
Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
Olá, dona ! É o Joe. Eu sei que você não está em casa, e eu adorei o fato de você ter tirado essas férias, você precisava mesmo espairecer e as revistas precisavam te esquecer. Mas eu espero que você volte hoje ou amanhã no máximo, sim? Não sei se você está lembrada, mas tem aquela festa de estréia do novo filme do Matt e você como amiga íntima dele não pode faltar! (risadas) Mas não se mate por isso, seus amiguinhos daquela banda, McFly, vão estar lá pra te salvar do tédio. Acho que eles contribuíram pra trilha sonora... Mas enfim, te espero lá, mocinha! Não me decepcione.
Clique
- Bom dia, ! - foi recebida por preparando panquecas na cozinha.
- Não acredito que você colocou a bosta do despertador pras oito horas, DE NOVO! - Ela se sentou de frente para e jogou a cabeça no balcão.
- Eu não disse que você só ia dormir até tarde no primeiro dia que ficou aqui? - estava rindo da cara de sono da amiga.
- Eu não sei o que ainda estou fazendo aqui! - bufou. - Hm, isso me lembrou que tenho que voltar amanhã...
- Como assim? Já vai começar a gravar a próxima temporada?
- Não, mas eu me lembrei de uma bosta de festa do filme do Matt. - fingiu que ia vomitar ao mencionar o nome de Matt.
- Matt Striker? - Os olhos de começaram a brilhar. - O principal do seu seriado? Aquele que você luta pra conseguir?
- É, , o idiota em pessoa, esse mesmo. - Os olhos de rolaram. - Eu tenho que fingir que gosto dele até na vida real, olha que coisa mais ridícula! Eles decidem até de quem eu tenho que ser amiga ou inimiga...
- Sério? Então quer dizer que existe uma possibilidade da Mischa Barton e a Rachel Bilson serem inimigas? - estava boquiaberta. Ela sempre fora viciada no mundo da televisão e principalmente em seriados.
riu com a pergunta da amiga.
- Não, acho que elas são amigas mesmo, ... Mas eu sei que a Lindsay e a Paris sempre se odiaram, aquela amizade era de fachada, agora que elas resolveram admitir que se odeiam mesmo.
- Nossa! - ainda estava frustrada. - Não se pode mais confiar em ninguém hoje em dia...
- Mas ó, você pode me visitar quando quiser em Londres, tá? - mudou o assunto enquanto saboreava uma das únicas coisas que sabia fazer na cozinha. - Eu ainda tenho algumas semanas de férias...
- Vou pensar no seu caso, ok? Mas agora tenho que ir trabalhar, se eu fosse você, não ficava deitada no sofá o dia inteiro. Faz bem se arrumar às vezes, ok?
- Blábláblá. - zombou da amiga fazendo umas caretas. - Se pelo menos eu tivesse pra quem ficar bonita, né? Mas nããão, tinha que estragar tudo como sempre!
- Quem sabe você não tem a chance de consertar as coisas hoje? - piscou para e saiu carregando suas coisas, rumo ao restaurante que trabalhava.
fingiu pra ela mesma que não tinha ficado abalada, nem mesmo curiosa com a frase de .
Por coincidência (sim, sei...) ela não ficou de pijama o dia todo como estava acostumada essa semana que estava de férias na casa da amiga.
Também não se produziu toda, mas trocou de roupa, o que já era um grande passo. Passou a manhã esparramada no sofá com um short jeans e uma camiseta branca escrita 'ROCKSTAR' assistindo desenhos. Só na hora do almoço ela levantou a bunda preguiçosa do sofá e foi providenciar algo pra comer. Mas não pensem vocês que ela seguiu para a cozinha, e sim para o telefone, pedir comida japonesa.
Lá pras três horas da tarde, e com muitos resmungos, foi atender a porta.
- O que... - a garota estava abrindo e fechando a boca algumas vezes, a procura de palavras que fizessem sentido juntas - que exatamente você tá fazendo aqui?
- Hm... Na verdade, eu também não sei, acho que cometi um engano, desculpa.
- ! - segurou o braço do garoto assim que ele se virou para ir embora. - Entra, por favor.
a encarou por um tempo, observando cada detalhe. Ele reconheceu aquela blusa do 'ROCKSTAR' que estava suja com alguma coisa preta, que ele julgou ser shoyu. Seus cabelos estavam soltos e caiam sob seus ombros perfeitamente, dando uma vontade imensa de abraçá-la só para poder tocá-los e sentir o cheiro bom que sempre tinham, um cheiro que sempre o reconfortou.
também estava o observando, por isso nenhum dos dois falou nada por algum tempo, até que a garota o puxou para dentro, fechando a porta.
- Como você chegou aqui? - ela perguntou assim que parou de observar a sala de e olhou para ela.
- Ah, sua amiga me ligou esses dias dizendo que você estava precisando conversar com alguém, ai me bateu saudade e um pouco de... - ele pigarreou e depois soltou finalmente - culpa.
- Sabia que a tava armando alguma... - resmungou para si mesma. ouviu, mas não falou nada.
- Mas e aí, como estão as coisas? - se sentou. Ele estava se sentindo meio desconfortável por estar num ambiente desconhecido e sozinho com a garota que esteve rodando em sua cabeça essa última semana mais do que de costume. - Você sabe que tem que voltar no máximo amanhã pra Londres, né?
- Acho que tá tudo tranqüilo por aqui, imagino que mais do que em Londres. - também se sentou, mas na poltrona ao lado da que estava. - E sim, eu vou voltar amanhã pra Terra da Rainha. - Ela rolou os olhos. Não queria MESMO voltar.
- Se quiser, pode voltar comigo hoje, não me importo - disse encarando seus polegares, que estavam entretidos em ficar girando um em volta do outro.
- Tudo bem, eu tô com meu carro aqui.
Apenas o som irritante da voz do Bob Esponja quebrava o silêncio incômodo entre os dois.
- .
- . - Ambos soltaram juntos, e depois riram da situação.
- Fala. - o encorajou.
- Eu só... Queria saber se você me perdoa, por ter brigado com você e dito aquele bando de coisas sem noção...
- Não, , você que tem que me perdoar por ter feito o que fiz e depois ter fugido que nem uma criança com medo.
Nenhum dos dois tinha coragem de olhar nos olhos do outro.
- É, você errou, mas eu devia ter te apoiado, porque você está mesmo passando por um momento difícil. E, ao invés disso, eu só joguei na sua cara mais um problema.
- Não se pode ficar remoendo pra sempre, né? Eu devia ter acordado e parado de beber pra me concentrar melhor nas pessoas novas que estavam ao meu redor tentando me ajudar.
- Mas se eu ao menos tivesse te dito isso de uma maneira mais sutil...
- Ok, , já chega de jogar a culpa em nós mesmos. - riu. - Nós erramos porque não somos perfeitos, mas vamos passar uma borracha nisso tudo e voltar a ser o que éramos antes.
A garota foi andando até onde estava e sentou ao seu lado, mas virada de frente para ele.
- O que éramos antes? - fez uma careta. - Não dá pra melhorar não?
pegou uma mão do rapaz com as suas duas e deu uma mordida nela. Ele resmungou e ela só riu.
- Prometo tentar ser uma amiga melhor...
puxou para um abraço e a garota se ajeitou nos braços dele, deitando em seu ombro e esticando as pernas por cima das dele.
- Só uma amiga? - Ele a beijou na testa. Sorriu por estar abraçando a quem amava e poder sentir o cheiro gostoso de seus cabelos.
- Sim, por enquanto só uma amiga... - continuou brincando com os dedos de , sentindo-se finalmente reconfortada por alguém, como não era há algum tempo.
- , o que o Ethan tinha de tão demais? - perguntou enquanto observava a garota em sua frente lambendo os dedos.
Os dois tinham ficado num clima agradável a tarde toda, vendo TV, conversando, matando a saudade... E agora estavam comendo um doce estranho que havia feito no dia anterior. Estranhamente delicioso.
- Como assim?
- É, o que ele tinha pra te deixar tão apaixonada por ele? - estava meio sem graça por perguntar aquilo, mas ele realmente queria saber qual o encanto que ele tinha jogado sobre 'a sua garota'. - Eu nunca tive a chance de conhecê-lo, mas sabia da fama que ele tinha de ser um profissional competente e um galã que fazia todas as garotas se apaixonarem por ele.
- Bem, o Ethan foi a pessoa mais doce que eu conheci em toda minha vida... - mal começou a falar e seus olhos já se encheram daquele brilho. - O que mais me ajudou e me compreendeu em todos os momentos.
apenas a observava, começando a ficar arrependido por ter perguntado.
- Ele me ensinou todos os truques desse mundo em que nós vivemos, desde como me vestir em cada ocasião até como lidar com todas as pessoas.
- E por isso você o amava?
- Sim, eu amava muito aquele homem... - suspirou. estava se remoendo por dentro. Ninguém mandou perguntar, não é mesmo? - Ele era meu melhor amigo, minha melhor companhia, sabe?
- Ele devia ser um cara e tanto - disse seco.
apenas riu.
- Ele era tudo de bom no início, mas depois me decepcionou tanto que eu quase voltei pra cá.
- Como assim decepcionou? - O rapaz começou a ficar interessado de novo na conversa.
o encarou, tensa por um momento. Não devia ter tocado no assunto.
- Ah, depois de um tempo que a gente se conheceu, eu estava decidida a ficar com ele, custasse o que fosse. Aí eu comecei a retribuir os elogios e investidas que ele dava às vezes, essas coisas, sabe? - assentiu com a cabeça. Ele não tinha idéia de onde ela queria chegar com aquilo. - E eu me decepcionei bastante quando ele me negou.
- Te negou?
- É, quando ele não quis ir pra cama comigo, ! - pegou mais uma colherada do doce. Ela nunca tinha comentado isso com ninguém, sempre manteve sua relação com Ethan entre quatro paredes, por motivos muito convincentes.
- Ele não quis? - arqueou a sobrancelha. - Qual era a desse cara? Só podia ser um gay mesmo, né... - riu divertido e olhou para . Ela estava séria, encarando o pote de doce sem dizer e nem fazer nada. Ele esperava que ela risse da piadinha dele, ou lhe batesse por ter chamado seu amor de gay. Mas nada.
- ? - Ele a chamou. Nada dela se mover. - Desculpa, não quis ofender o Ethan, foi só uma brincadeira, porque, convenhamos, que homem não quer te ter na cama?
apenas jogou a colher em cima da mesa com força e saiu correndo. se xingou mentalmente. Como ele conseguia ser tão burro e falar as coisas mais erradas e imbecis toda vez que eles estavam se acertando?
entrou em um quarto sem saber exatamente de quem era e encontrou deitada de barriga pra baixo, encarando uma parede branca e vazia enquanto soluçava. Ele foi andando mais pra perto dela e se sentou na cama. Esperou até que o choro cessasse e então colocou uma mão no ombro da garota.
- Me desculpa, de novo - disse quase que num suspiro. Nem ele mais agüentava se ouvir dizendo essas palavras, já estava ficando clichê demais. - Eu não devia ter insultado o Ethan, eu sei que ele era importante pra você.
- A culpa não é sua - disse apertando os olhos pra não deixar a voz sair como se ela ainda estivesse chorando.
- Como assim?
se sentou na cama lentamente e encarou por alguns segundos, tomando coragem pra dizer o que ia dizer no momento.
- É que... Eu escondo uma coisa de todo mundo há algum tempo... - Ela falava devagar. Primeiro porque queria ter certeza de que estava contando, finalmente, seu maior segredo a alguém, e depois porque ela precisaria saber medir bem as palavras.
não disse nada, apenas ficou a encarando, esperando que ela continuasse.
- O Ethan não era meu namorado, nunca foi - soltou assim que conseguiu. Não saiu rápido, nem devagar demais. Até parecia que ela estava controlada.
- Co-como assim? - O rapaz ainda a encarava com uma cara mais confusa do que nunca.
- É que... - respirou fundo antes de continuar e acabar com aquilo de uma vez por todas. - Simples, eu me apaixonei pelo Ethan, e, quando ele percebeu, me contou que era gay.
Capítulo 16 - It's okay, you're in love!
Flashback
- Ethan, você pode parar de mexer os quadris enquanto cozinha, por favor? - zoou o rapaz assim que conseguiu parar de rir da cena. Ethan estava fazendo para eles uma de suas especialidades, ou melhor, a única. E ele fazia questão de manter segredo sobre o que era.
- Acontece, dona - ele começou a se explicar -, que o sucesso do meu prato especial está exatamente nos movimentos precisos que eu estou fazendo, certo? - Ethan estava tendo dificuldade em se manter sério, queria explodir em risadas junto com a garota.
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou! - sentou-se em cima da mesa com pernas de índio e fechou os olhos. Ela começou a cantarolar baixinho uma música que gostava muito desde que era criança.
- No chance! No way! I won't say it no no... (Sem chances! De jeito nenhum! Não vou dizer isso não mesmo...)
Ela não se lembrava muito bem da letra, apenas algumas partes em especial, que ela fez questão de cantar, talvez para se convencer de aquelas palavras eram verdade, ou a outra pessoa no recinto...
- It's too cliche, I won't say I'm in love! (É muito clichê, não vou dizer que estou apaixonada!)
Seu tom de voz foi aumentando aos poucos, até que foi interrompida por uma voz masculina cantando um outro pedaço da música meio fora do ritmo:
- Girl, don't be proud, it's okay, you're in love... (Garota, não seja orgulhosa, está tudo bem, você está apaixonada...)
Ethan saiu de perto do fogão e foi andando até enquanto cantava, com um sorriso enorme no rosto e uma colher também enorme nas mãos.
- Oh... At least out loud... I won't say I'm in love! (Pelo menos em voz alta... Eu não direi que estou apaixonada!)
terminou de cantar sorrindo alegremente e meio nervosa por estar perto demais de Ethan, que também sorria.
- Você é o homem perfeito! - ela disse em um tom brincalhão, mas não exatamente com a intenção de que fosse apenas uma brincadeirinha.
- Nem tão perfeito assim... - Ethan balançou a cabeça negativamente enquanto se apoiava com as duas mãos na mesa, uma de cada lado do corpo de .
- Sério? - A garota arqueou a sobrancelha. - Então me diz, o que tem de errado num homem engraçado, bonito, bem sucedido, carinhoso, fofo, que aparentemente sabe cozinhar e conhece músicas da Disney?
estava mesmo decidida a contar de uma vez o que sentia por Ethan, e tinha quase certeza que ele corresponderia ao sentimento.
- Hum, você quer mesmo que eu diga?
- Com toda certeza.
- Promete que não vai se decepcionar muito comigo e nem me ignorar pelos próximos dez anos?
- Acho meio improvável que isso aconteça - disse, rindo. Estava esperando uma resposta brincalhona que a faria rir e discordar completamente.
- Ótimo, mas não diga que eu não avisei. - Com isso, o tom fofo e casual de Ethan desapareceu, dando lugar a uma feição séria. Ele se sentou ao lado dela e ficou olhando para frente enquanto tomava coragem para falar.
- Veja bem, eu estou falando com você agora, uma quase mulher, quase perfeita. - Ethan virou-se para e pegou a mão dela. - Você é linda, me ouve, gosta de mim de verdade e eu sei disso, aprende tudo que eu te ensino rápido e... - Ele desceu o olhar que antes encarava os olhos da garota para seus pés. não estava entendendo bem aonde ele queria chegar com aquela conversa.
- Mesmo assim eu não consigo gostar de você. Quer dizer, eu gosto de você, muito mesmo. Mas não consigo me apaixonar, entende?
Aquelas palavras entraram pelo ouvido de e, no momento, ela achou que nada, nunca mais, poderia fazê-la se sentir como estava se sentindo, como um lixo.
- Mas não é por sua causa, por favor, não fique pensando isso! - Ethan foi rápido em se corrigir. - Eu não consigo gostar de ninguém... Da sua... Ham... Vejamos como posso colocar isso sem que você fique pensando que eu sou um gay sem escrúpulos.... Digamos que eu não goste de ninguém do seu sexo.
- Ethan, você poderia ter dito qualquer coisa que ainda assim eu te acharia gay depois que se expressasse. - optou por dar uma de engraçadinha ao invés de demonstrar seu desapontamento com isso. Mas não conseguiu nem rir de seu comentário.
- Mas não um gay sem escrúpulos. - Ele piscou, sexy como sempre. Por que tinha que ser tão bonito e sensual?
- Pode ser...
- , faça o favor de rir pra mim! Eu avisei que você ia se chocar e você prometeu que não me ignoraria! - Ele apertou a mão da garota, e só então ela percebera que ainda estavam de mãos dadas.
- Desculpa, Ethan... Eu juro que ainda vou falar com você, mas ainda estou meio pasma, sabe?
End Flashback
- Depois disso eu passei meio que uma semana o evitando, tentando colocar as informações mais recentes na minha cabeça que teimava em rejeitá-las. - terminava de contar sua 'história' para que ouvia tudo atentamente, mal acreditando também na descoberta.
- Mas obviamente vocês voltaram a se falar, né.
- Voltamos, quando ele me chamou pra ir morar com ele...
- Tá, eu tô confuso, mas entendi tudo direitinho... Só tem uma coisa que não tá processando aqui.
sorriu.
- Por que eu comecei a namorar com ele mesmo sabendo que ele gostava de outro tipo? - ela se perguntou por ele.
- Exatamente.
- O Ethan tinha um namorado e precisava esconder isso, porque ele não queria admitir de jeito nenhum que era gay, então ele me pediu essa ajudinha...
- Ajudinha? O cara praticamente te pediu pra você desistir da sua vida pra ele esconder a merda que era a dele, não acha?
- Ah, no início eu achei meio sacanagem da parte dele também, mas eu estava completamente sozinha no momento, não tinha família nem amigos, só ele.
- Mesmo assim, ...
- O namorado dele era o Joe.
- Joseph, diretor da sua série? - Agora sim estava realmente surpreso.
- O próprio. Está entendendo a minha situação? Eu não tinha a quem recorrer pra me ajudar e ainda corria risco de perder meu primeiro emprego decente se não aceitasse a proposta. Não que o Ethan tenha me chantageado, longe disso... Mas eu sei que o Joe seria bem capaz de fazer se descobrisse que eu não tinha aceitado.
- Nossa, ! E eu achando que o namoro de vocês era um mar de rosas e a sua vida antes também.
- As coisas nunca foram fáceis pra mim, . Dê valor à amiga guerreira que você tem! - disse brincando e os dois riram por um tempo.
- Mas, enfim, eu aceitei e um tempo depois me mudei pra casa dele. E fim de história, felizes para sempre. Ou pelo menos até o acidente, né.
- Como assim 'felizes para sempre'? - se indignou. - Tá na cara que você não era feliz nem quando o Ethan ainda estava entre nós.
- Nada disso, pelo contrário, senhor . Eu fui muito feliz morando com o Ethan, ok? Ele podia não querer nada comigo, mas sempre continuou me tratando muito bem e foi um amigo fiel até seu último dia. - concluiu aquela conversa com esse discurso e nenhum dos dois tocou mais no assunto pelo resto do dia, até que foi embora, assim que chegou em casa do trabalho.
Capítulo 17 - She’s back again... She knows just what to say
Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
Na boa, , eu já cansei de te mandar recados, esse é o último, falou? Puxa, será que você esqueceu mesmo do seu zinho aqui? (pausa) Volta logo, eu preciso falar contigo... As coisas estão se ajeitando por aqui, o parece ter esquecido as coisas, ele já não está mais me ignorando. E sabe por que ele ainda não está falando com você também? Porque você fugiu dos problemas, como sempre faz, de um jeito ou de outro. Eu só espero que você esteja bem, e que me procure quando voltar, porque eu parei por aqui. Amo você, menor de idade.
Clique
tinha finalmente acabado de ouvir os milhões de recados que tinha na secretária eletrônica. Ela estava esparramada no sofá com uma almofada jogada na cara. Sentia-se mais cansada do que nunca, e não tinha nenhum motivo concreto. Tudo que ela queria era descansar o dia inteiro para estar bem disposta e com uma cara nova na festa que tinha à noite, portanto nem de longe respondeu a todos os recados.
Um tempo depois, já estava mais entediada do que cansada. Se encontrava ainda deitada no mesmo sofá, com as mesmas roupas, e já tinha ouvido quase todas as músicas de seu iPod. Ela se levantou e foi até a cozinha pegar alguma coisa para comer. Assim que chegou lá, percebeu que as coisas ainda estavam exatamente como ela as tinha deixado: uma bagunça. Um copo e uma garrafa de Wisky vazia estavam no chão e, ao percebê-las ali, um flash de memória veio à cabeça da garota, que imediatamente levou as mãos até a mesma, puxando seu cabelo para trás. Ela não queria se lembrar daquele dia que finalmente estava sendo esquecido, portanto deixou as bagunças como estavam e só foi até a geladeira, onde pegou um único pote de Iogurte que ainda restava.
- ? - ela perguntou num tom de criança feliz assim que o amigo atendeu ao telefone.
- ? - não estava acreditando que ela finalmente estava ligando.
- A própria, morrendo de saudades! - riu pegando uma colher do seu Iogurte Light.
- Como você ousa rir numa hora dessas, ? - O tom de voz de estava sério, mas na verdade ele só queria dizer que morreu de saudades e se encontrar com ela o mais rápido possível. - Você sabe como eu fiquei preocupado com você essa semana, criatura?
- Ai, eu sei, zinho, me desculpa por isso! - A garota colocou a colher na boca. - É que eo extava meio confuca por cauxa da confusão todja...
- Pára de comer enquanto fala comigo, que coisa! - não se agüentou e deu uma risada. - Eu te perdôo, mas com a condição de que a senhorita não dê mais uns ataques e suma assim, ok?
- 'Brigada, amor! - A resposta demorou um pouco a chegar, pois ela ainda estava terminando de comer antes de falar. - Mas e aí, você vai à festa tediosa do Matt hoje, né?
- Só se você estiver lá. - fez uma cara de galã, mesmo que não pudesse vê-lo.
- Já estou lá, então, querido! Com a saudade que eu tô, não perderia a festa por nada, mesmo sendo do loirinho besta.
- Tudo bem, dona , a gente se vê lá. Agora eu tenho que ver por que a anta do tá berrando aqui.
riu ao ouvir uns gritinhos finos do outro lado da linha.
-Vai lá, ! Beijooooooooooooooooooooo... - desligou assim que percebeu que não ia parar com o 'ooooo' enquanto ele não desligasse.
Algumas horas se produzindo e sentia-se perfeitamente apresentável para ir à festa. Depois desse tempo sumida, ela sabia que vários jornalistas iriam querer saber onde ela tinha se metido e também fariam muitas especulações, por isso ela queria estar o mais bonita possível, e calma. Como se nada acontecera e ela apenas tivesse ido visitar uns velhos amigos em Bolton.
A garota ligara algumas vezes para enquanto estava se arrumando, mas o celular estava fora de área, ou desligado. Mas ela não se importou muito, pois tinha certeza de que ele estaria na festa e não demoraria muito para vê-lo.
chegou a festa finalmente depois de passar por aqueles flashes todos na porta do salão. Ela deixou seu olhar percorrer pelo salão a procura de algum rosto amigável, mas, de conhecidos, só achou Joseph, Matt e algumas pessoas do seriado. Nada de McFLY. Ótimo, tudo que ela menos precisava agora era ficar sozinha, assim as pessoas viriam falar com ela e, obviamente, ela teria que sorrir simpática e responder a perguntas sem noção. Imediatamente esticou o braço e tocou no ombro de um garçom que acabara de passar por ela com uma bandeja de drinks, mas assim que percebeu o que fizera, parou instantaneamente com o contato físico. Ela sabia que deveria ficar longe de garçons se não quisesse virar primeira página das revistas novamente. Mas, mesmo assim, o garçom se virou, e ela pegou um drink, sorrindo agradecida.
- ! - só tinha dado apenas um gole em sua bebida quando ouviu alguém a chamando.
Ela se virou imediatamente e deu de cara com um sorridente e muito bem vestido; lindo e irresistivelmente casual como sempre.
- Você não devia começar a noite bebendo, sabia? - ele disse em tom brincalhão, tirando a taça da mão da garota. - Não faz bem pra alguém que está tentando fugir de escândalos ficar bebendo em público.
piscou para e deu um gole no drink. Ela apenas ficou o observando, boquiaberta.
Mas depois pensou melhor. Além de não querer fazer escândalos, resolveu provar para que conseguia muito bem ficar sem bebidas alcoólicas o quanto quisesse. Mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa, surgiu do nada pegando a taça da mão de .
- Você não vai querer ficar bebendo antes do show - argumentou ele assim que deu uma golada do drink e depois largou-o em cima de uma bandeja que estava passando por ali no momento. - Deixa pra depois.
apenas ficou olhando para , rindo. E logo em seguida partiu para cima de , dando-lhe um abraço apertado.
- É bom ter você por perto novamente, menor de idade - sussurrou no ouvido da garota, sem se desvencilhar do abraço.
- Eu que o diga, ! - Ela sorriu, finalmente se soltando dos braços do rapaz.
Logo percebeu que não se encontrava mais por perto, ele tinha saído dali, completamente do nada.
tentou ignorar o fato e continuou sorrindo. Afinal, estava ali agora, e ela tinha morrido de saudades dele.
- Mas me diz, que show é esse que você falou com o ?
- Ah, nós vamos cantar uma música hoje... - deu de ombros. - Uma da trilha sonora do filme, nada demais.
- Hum sim...
Os dois ficaram conversando sobre coisas banais por mais um tempo, até que teve que se dirigir ao camarim para se preparar pra tocar, deixando sozinha, sentada em uma mesa, sentindo-se tentada a pegar um copo de bebida. Mas ela conseguiu se manter firme e forte, afinal, tinha motivos especiais para se manter sóbria.
Alguns bons minutos de tédio sentada numa mesa e Lonely começou a tocar. Imediatamente, se virou para o palco, e encontrou seus quatro meninos tocando. Lindos e felizes, do jeito que ela gostava.
- ! - A garota se virou para trás, a fim de encontrar a voz que a chamava. Era Matt. - Que surpresa você por aqui na minha festa!
- Pois é, vim retribuir o favor que você me fez indo à minha festa de 18 anos... - estampava um sorrisinho amarelo forçado, mas não aparentemente falso, pois os fotógrafos estavam por perto.
- Então faça isso direito e pegue uma bebida, oras! - Matt colocou uma mão no ombro da garota. - Nem parece aquela mesma de antes...
- Talvez porque eu não seja a mesma de antes. - respirou fundo antes de falar qualquer coisa. Sua vontade mesmo era de quebrar a cara daquele sujeito. Além de tudo, ele ainda estava tirando sua concentração para a música de seus amigos.
- Eu acho que você... - ele começou a falar, mas foi interrompido por .
- Matt, os fotógrafos já tiraram as fotos e nós já cumprimos nosso papel socializando, ok? - ela falava enquanto tirava a mão do rapaz de cima de seu ombro. - Pode ir agora.
Quando Matt abriu a boca pra responder, se virou e voltou a prestar atenção ao show, dando um gole em seu copo de água e sorrindo vitoriosamente.
- , que saudades de você, menor de idade! - Novamente se virou para ver quem a estava chamando, mas desta vez com um sorriso verdadeiro.
- ! - Ela 'pulou' em cima de seu amigo, o abraçando.
- Cuidado, garota! Assim você me enforca, oras!
Assim que matou a saudade de e também e explicou seu paradeiro, o jantar já tinha acabado.
Claro que os garotos já sabiam da história, já que eles conviveram alguns dias numa casa com e não se falando, mas eles queriam saber a versão de da história, que era muito mais emocionante e cheia de detalhes.
Todos ficaram bem envolvidos na conversa, exceto por , que não falou nada, apenas deu uns sorrisinhos e concordou com a cabeça algumas vezes. achou o fato meio estranho, já que eles tinham conversado em Bolton e tudo parecia ir bem.
Quando o jantar terminou, , e ficaram tentando arrastar para a pista de dança, mas ela alegou que estava cansada. Mentira, na verdade ela queria conversar com .
- ! - ela chamou quando ele já estava saindo em direção à pista.
- Precisa de alguma coisa? - perguntou sem ao menos chegar mais perto de .
- Hum... - A garota pensou um pouco e achou melhor deixar ele ir se divertir, afinal, ela mesma tinha sugerido que as coisas deviam ficar como estavam antes, e ele tinha o direito de estar meio chateado ainda. - Nada não, divirta-se!
falou aquilo com um pouco de esperança de que sentaria com ela para ver realmente se ela queria alguma coisa, ou então que ele insistisse um pouco mais para ela dançar, mas, ao contrário, ele apenas continuou indo em direção à pista de dança.
- Por que me parece que a senhorita não está se divertindo nada? - foi surpreendida por , que apareceu do nada sentando em sua mesa.
estava submersa em seus pensamentos, olhando para dançando. Ele parecia estar se divertindo, mas ela sabia que no fundo aquilo era fingimento.
- É, não estou me divertindo muito mesmo... - ela confessou.
- O que te perturba?
revirou o copo de água que vinha lhe acompanhando a festa toda.
- Acho que esqueci como é se divertir de cara limpa.
O olhar de também estava acompanhando os gelos sendo revirados no copo da garota.
- Sério, o que te perturba? - estava encarando nos olhos. - Tem que ter um motivo pra você não estar bebendo hoje, e eu desconfio que esse é o mesmo motivo que está te chateando.
- ... - soltou um suspiro - Você sabe que o foi a Bolton me encontrar, não sabe?
O rapaz fez que sim com a cabeça.
- Bem, a gente se acertou por lá... Ele foi bem legal comigo, nós pedimos desculpas sinceras, nos divertimos e tudo mais...
parou de falar por um instante, se perguntando como ela conseguia contar seus problemas amorosos pra um cara que provavelmente gostava dela e lhe causara problemas há uma semana.
A resposta veio logo em seguida em sua cabeça. Simplesmente por que ela não tinha pra quem contar e estava ali, parado à sua frente, olhando em seus olhos com sua carinha fofa e atenciosa de sempre.
- E agora ele nem olha mais na minha cara!
- ... - começou a falar naquele seu tom de voz superior de aconselhador. - Você sabe que o tem orgulho, certo? E um bem grande, diga-se de passagem.
concordou com a cabeça, revirando os olhos.
- Bem, e os últimos acontecimentos deixaram esse orgulho meio ferido... Por mais que o assunto não tenha caído na mídia, nossos amigos sabem. E por mais nossos amigos que eles sejam, você sabe que o ser humano comenta... - estava falando calmamente, e fazia uns gestos sugestivos com as mãos, para que entendesse logo aonde ele queria chegar e ele não tivesse que ficar sendo tão específico.
- Entende o que eu quero dizer?
- Hum, acho que entendo... Provavelmente ele tá com vergonha de admitir pro e que me perdoou depois do que eu fiz e nós vamos continuar numa boa, certo?
- Na verdade, eu acho que ele tá com mais vergonha de admitir isso pra mim, mas pro e pro também. - deu de ombros.
- Acontece que as coisas não estão exatamente 'numa boa'... - deu um gole em sua água. - Nós não começamos a namorar, nem ficamos, nem nada.
- Por enquanto, né? Porque você e ele sabem mais do que ninguém que isso não vai durar por muito tempo, e que na primeira chance que tiverem vocês vão estar aos beijos, abraços e xingamentos, como antes.
- É, acho que sim... - voltou a encarar . Agora ele estava sentado no balcão do bar improvisado, revirando seu copo com o olhar vago, encarando o nada. - Espero que sim...
Capítulo 18 - I know who I want to take me home
resolveu acabar logo com aquela tortura. Agora que sabia o motivo do 'gelo' que estava levando, ela podia ir conversar com para eles se entenderem logo.
- Oi, - ela disse se sentando no balcão ao lado dele.
Imediatamente um barman veio até ela, mas ela recusou qualquer tipo de bebida. Realmente ela não precisava de mais água, sua bexiga já estava cheia o suficiente.
- Por que você foi até Bolton me procurar? - perguntou assim que percebeu que não começaria um diálogo.
- Eu disse, senti saudades de você. - falou sem parar de encarar seu copo meio cheio.
- E agora que não está mais com saudades vai me ignorar? - Ela estava o encarando, e seu tom de voz estava mais forte e duro do que ela desejava.
- Eu não tô te ignorando, só não estou num dos meus melhores dias mesmo...
- Você tá me ignorando, e eu sei que é vergonha de admitir que me perdoou.
deu um último gole em seu copo e fez silêncio por um tempo.
- Podemos esquecer tudo isso e sair daqui agora?
sorriu em confirmação, e assim que pegou a mão do rapaz para saírem juntos, apareceu sorrindo na frente dos dois.
- Olá, colegas!
simplesmente bufou, e continuou segurando firme na mão de , que não conseguia acreditar que o mesmo amigo que lhe dera conselhos há pouco agora estava atrapalhando uma reconciliação.
- Aonde estão indo?
Inconveniente, não?
- Embora daqui, estamos meio entediados... - respondeu meio seco.
- Podem me dar uma carona?
- , mas eu vim de carona com você. - observava os dois conversando sem falar nada, mas com os olhos de reprovação fixos em .
- Ah, mas o pode levar o carro... - deu de ombros. - Quem vai dirigir?
- Eu vou, o bebeu. - se pronunciou logo.
- Opa, então acho que vou com meu carro mesmo... - Ele riu, brincando.
lançou um olhar vitorioso para e foi logo o puxando para a saída, sem se despedir de ninguém.
Os dois caminharam um pouco em silêncio, apenas sentindo o toque quente um do outro, de mãos dadas.
- , onde você parou esse carro? - quebrou o silêncio.
- Ali na esquina, por quê?
- Nada, mas você sabia que tinha estacionamento no salão que a gente tava? - O rapaz estava rindo, encarando seu all star preto.
- Eu sei, mas quis parar meio longe pra ir andando e refrescando as idéias antes de chegar à festa, oras!
riu novamente e puxou a garota para mais perto dele, passando o braço pelo ombro dela. deitou a cabeça no ombro dele.
- Só você mesmo, ...
Eles andaram mais alguns metros e paparam para esperar o sinal fechar. A rua estava razoavelmente vazia devido ao horário, mas os carros passavam em alta velocidade, e teimou em esperar o sinal fechar.
- Você é muito chato, nós podíamos ter passado já se não fosse sua precaução toda! - cruzou os braços.
- Não contraria, ... - estava olhando atentamente para o sinal que estava há um bom tempo verde para os carros. – Se não fosse minha precaução, poderíamos estar mortos agora também, sabia?
- Haha, até parece!
Os dois esperaram mais alguns segundos até que um carro parou um pouco atrás da faixa, fazendo sinal para que os dois passassem.
- Nossa, até que enfim uma boa alma! - sorriu em direção ao motorista.
- Ah sim, até parece que ele parou porque é gentil... - bufou enquanto atravessavam a rua. - Óbvio que ele só parou porque você é linda e está usando um vestidinho curto. - Ele observou as pernas de . - Falando nisso, não acha que tá curto demais não, ?
- Ai Jesus! - levantou as mãos pro céu. - Só você mesmo pra receber uma gentileza e ainda sair reclamando disso...
abraçou por trás, envolvendo seus braços na cintura da garota, que riu.
- Isso tudo é ciúme?
- Ciúmes? Quem foi que falou em ciúmes aqui? - beijou o pescoço de , tentando controlar o riso. - Eu tô te abraçando porque você deve tá morrendo de frio, oras!
Após uma pequena discussão para ver quem ia dirigir o carro, que ganhou pelo simples fato de não ter ingerido nenhuma gota de álcool - surpreendendo a todos -, os dois chegaram na casa da garota, rindo horrores da cara de sono e do cabeço despenteado do porteiro que abriu a portaria para eles.
- Coitado, a gente acordou o pobrezinho! - fez um bico de brincadeira, enquanto isolava suas sandálias em algum canto da sala.
se jogou no sofá.
- Coitado nada, ele não tá sendo pago pra ficar acordado a noite toda?
O garoto já estava com os pés pra cima no sofá, esfregando os olhos numa tentativa de afastar o sono, quando sentiu alguém o empurrando pro lado no sofá e deitando ao lado, quase em cima dele.
não falou nem fez nada, apenas sorriu involuntariamente e começou a balançar seu pé no ritmo de alguma música que estava em sua cabeça.
beijou seu pescoço e sentiu que os pêlos da região se arrepiaram.
- , você tá muito gelada... - pegou a mão da garota e colocou sobre seu peito, ainda de olhos fechados.
- Eu quero vocêêê! - resmungou como uma criancinha, também fechando os olhos e mexendo as pernas. - Me dá atenção! Não me ignora, não dorme, por favor...
- Não vou dormir, amor, só tô descansando os olhos... - A voz de estava cansada e saiu como um murmúrio.
descansou a cabeça no peito do rapaz, ainda segurando suas mãos. Os dois cochilaram por um tempo, sem nem perceber que tinham adormecido.
Uma hora depois, acordou ainda completamente sonolenta, e assim que conseguiu abrir os olhos e perceber que estava dormindo no sofá com , esticou o braço e tateou a mesinha de centro até encontrar seu celular. Constatou que eram três e meia da madrugada, seu estômago estava pedindo desesperadamente por alguma coisa sólida e sua bexiga precisava ser esvaziada.
Assim que ela foi ao banheiro e terminou de comer uma caixinha de kit kat, o sono já tinha ido embora e ela estava ajoelhada num sofá ao lado do qual dormia tranqüilamente, o observando.
sentia uma vontade enorme de tocá-lo, abraçá-lo, beijá-lo, ou apenas conversar com ele, mas sabia que se o acordasse só conseguiria arrancar alguns murmúrios e muxoxos da parte dele, então contentou-se em apenas contemplá-lo, até que o sono voltasse.
Quatro horas da manhã e nada de ter sono... A garota então resolveu ir para o quarto e trocar de roupa, já que ainda estava com a roupa da festa. Talvez fosse a roupa meio incômoda que estivesse a impedindo de dormir.
estava com o sono muito leve, e assim que se virou no sofá sem encontrar um obstáculo no caminho, abriu os olhos repentinamente, dando de cara com um vazio ao seu lado.
Ele esfregou os olhos e deixou os mesmos percorrem a sala em busca de , mas não a encontrou.
Levantou-se rapidamente e sentiu aquela tonteira de sempre, que logo passou.
foi andando pelo apartamento e abriu um pouco a porta do quarto de , que estava entreaberta.
Deu com as costas de uma completamente atolada, vestindo uma calça de pijama cinza quentinha, tentando desesperada e inutilmente colocar um casaco vermelho gigante, mas que não passava por sua cabeça.
- Vai, porra! - Ela xingava o casaco enquanto travava uma luta com o mesmo, que estava ganhando de no mínimo uns três a zero.
não pôde deixar de sorrir e também rir da menina. Ele foi andando até ela com o intuito de ajudar, mas assim que ela percebeu sua presença, desistiu de tentar passar o casaco pela cabeça e o usou para tapar seu tronco nu.
- , que você tá fazendo aqui? - perguntou, assustada.
- Vim te ajudar a colocar o casaco, ... - ainda estava rindo enquanto desabotoava uns botões que o casaco tinha perto da gola. - Não podia deixar ele ganhar essa guerra contra você.
sorriu sem graça, e assim que os botões foram todos desabotoados, ela colocou o casaco rapidamente e tirou o cabelo de dentro do mesmo.
- Eu tava com frio, e quando isso acontece, eu não consigo raciocinar... - ela tentou se explicar, sem obter muito sucesso.
- Tudo bem, ... Não precisa se explicar, eu te acho fofa atolada e desastrada do jeito que você é!
Os dois riram e foram juntos até a cama de casal da menina, onde deitaram de frente um para o outro.
- Ainda tá com sono? - perguntou encarando os olhos perfeitos do rapaz.
- Por incrível que pareça, ele se foi... - também olhava para com atenção e um olhar terno, enquanto alisava sua bochecha rosada e brincava com alguns fios de cabelo caídos por ali.
Sem falar mais nada, pegou com jeito e aproximou os corpos, fazendo com que ela ficasse com a cabeça no pescoço dele. A garota ainda podia sentir o cheiro do perfume de misturado com o aroma natural dele que era sempre reconfortante. Naturalmente, ela começou a distribuir beijinhos no pescoço do rapaz, enquanto ele acariciava os cabelos dela com a boca colada em sua testa.
Mais algum tempo trocando carícias e as bocas dos dois foram se aproximando, dando início a um beijo calmo, com máximo aproveitamento para ambos. De pouco em pouco, os beijos foram ficando mais intensos e os toques mais ousados, com segundas intenções. A mão de já passeava por dentro do casaco de , pedindo permissão para retirá-lo. A garota não hesitou e deixou que ele fosse retirando vagarosamente o casaco vermelho que ela acabara de vestir, enquanto ela também fazia carinho na barriga do rapaz por debaixo da blusa social que ele usara na festa mais cedo. Enquanto os dois se beijavam em várias partes do corpo já desnudas e acabavam de se despir, as mãos de ambos percorriam livremente pelos corpos e eles se contraíam, se arrepiavam e soltavam uns gemidos abafados freqüentemente.
sorriu ao perceber que já estava apenas de calcinha, e agradeceu mentalmente por ela não estar usando um sutiã, evitando a 'guerra' que ele ia ter que travar com o mesmo para retirá-lo.
também sorriu nervosamente ao perceber que os olhares do rapaz estavam sobre ela enquanto ela terminava de tirar-lhe a calça e a boxer junto.
- Que foi? - ela perguntou, mordendo os lábios.
- Você quer isso mesmo, certo? - ele perguntou, inseguro.
- Claro que sim, ! - deu um tapinha no braço de e o puxou mais para perto dela novamente. - Não seja idiota.
- Eu só precisava ouvir isso da sua boca, mas eu já sabia. - Os dois riram em meio a mais um beijo.
já estava por cima de e tentava desajeitadamente colocar o preservativo que a garota acabara de pegar em cima do criado mudo. estava fitando com um sorriso malicioso na boca, pois ele estava extremamente sexy já meio suado, com os cabelos despenteados e a língua pra fora da boca devido ao 'esforço' que ele estava fazendo para colocar a camisinha.
Algum tempo depois, o corpo suado de já estava colado com o da garota, que fazia carinho na cabeça do mesmo, ambos com os olhos fechados, respiração falha e corações desacelerando aos poucos.
Capítulo 19 - It's not supposed to hurt this way
Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
, ser feliz da minha vida! Aqui é o , pra variar... Queria te parabenizar pelo fato histórico de ontem: você não bebendo. Mas, enfim, tô passando aí daqui a uma hora, mais ou menos, esteja apresentável! Beijos, menor!
(Clique)
ouviu o recado de e agradeceu por não ter atendido ao telefone que estava tocando alguns segundos atrás.
Primeiro porque ele teria que falar com e explicar o que ele estava fazendo na casa de , e depois porque ele não ouviria o recado e não teria a chance de apagá-lo, que foi o que ele fez assim que terminou de ouvir.
Ciúmes.
- Falando sozinho, ? - entrou pela sala com uma cara de sono recém lavada e sentou-se no sofá.
- Eu não, por quê?
- Nada... Pensei ter ouvido uma voz masculina vindo daqui...
- Ih, já tá ouvindo minha voz em tudo que é canto agora, é? - se jogou ao lado de no sofá, sorrindo maliciosamente para ela.
- Engraçadinho! - A garota deu um tapa no braço dele. Na verdade, ela ia dizer que pensou ter ouvido a voz de , mas sabia que não ia gostar muito de ouvir isso pela manhã, ainda mais considerando a noite maravilhosa que eles tiveram.
- O que temos na agenda da garota mais ocupada de Londres?
- Nada que eu saiba... - falava e analisava suas unhas que já estavam começando a descascar.
- Então você vai comigo ao after party essa noite! - abriu um sorriso enorme. - Te pego meia noite e meia, combinadíssimo! - Ele selou seus lábios nos de numa tentativa de impedi-la de contrariá-lo.
- Mas after party de quê? Vocês têm show hoje?
- Não, uma banda nova mandou um convite pro show deles, aí acho que o vai só pra marcar presença e nós vamos à festa, nos divertir às custas dos outros!
- , que coisa feia! - fingiu fazer uma cara de indignada.
- É, mas agora eu tenho que ir, mocinha! - beijou a testa de e se levantou.
- Ah não!! - A cara de era de coitadinha. - Vai me abandonar aqui em pleno Domingo?
- Sinto muito, babe.
Segunda-feira havia chegado e esperava ansiosamente para se encontrar com . Apesar da relação entre eles ter se tornado meio tensa, queria aproveitar bastante essa noite, pois era sua última semana de férias e, conseqüentemente, a última segunda em que ela poderia extrapolar.
Devo dizer que ela estava se tornando uma menina 'comportada'. Estava reduzindo a bebida e se dando bem com , desde que eles não tocassem nos assuntos 'bebida, , mídia e namoro'.
- Oi, ! - abriu um sorriso assim que abriu a porta e deu de cara com um também sorridente, carregando dois copos. - Veio preparado?
- Com toda certeza!
Os dois se sentaram no chão e pegou uma caixa que se encontrava em cima do sofá.
- Eu tenho certeza que sei seu objetivo... - comentou, dando mais um gole em seu copo.
- Você ainda não aprendeu que eu sou a melhor pessoa nesse jogo que você já conheceu, ? - tinha um sorriso malicioso no rosto. - Ou eu vou ter que te mostrar novamente?
Eu poderia dizer que essa noite seria super agitada e que marcaria os 'encontros de segunda', porque definitivamente ela foi diferente. Mas não pelo motivo que todos nós estamos pensando, e sim porque os copos que estava carregando continham, na verdade, capuccino, e o 'jogo' que havia se referido, era nada mais, nada menos do que War.
- Eu vou atacar a Austrália! - jogou os dados e fitou-os até que eles parassem.
Uma hora depois já havia ganhado de uma vez e estava se preparando para sua 'tacada final' da segunda rodada.
- Cara, quem foi que te ensinou a jogar assim, garota? - estava indignado.
- Meu filho, antes de eu me tornar uma pessoa sociável, eu passava dias jogando isso com Ethan, ok? - deixou seu corpo cair para trás, deitando no chão, onde ficou encarando o teto.
- Esse Ethan devia ser bem estranho, né? Que nem você...
- Não me venha falar mal de quem você não conheceu, hein... Você não sabe onde vai se meter assim!
- Eu posso não ter o conhecido pessoalmente, mas eu sei bastante sobre a pessoa dele!
- Ah é? - deu uma risadinha. - E posso saber como?
- Simples: muitas pessoas falam dele até hoje, sabia? Inclusive a senhorita, que insiste em citá-lo pelo menos uma vez toda vez que me encontra.
- Mesmo assim, ainda tem muuuita coisa sobre ele que você nunca vai sonhar em saber, então não se atreva a insultá-lo!
- Se você está se referindo a preferência sexual dele, pode ficar sabendo que eu já sei disso, mas não vou te dedurar, fica tranqüila...
se sentou imediatamente, encarando o rapaz à sua frente com os olhos arregalados.
- Co-como assim?
- ... Eu sei que vocês não eram exatamente um casal, okay?
- Quem te disse isso, ? - A expressão de era de extrema seriedade, completamente diferente da de , que parecia não ligar muito para o rumo da conversa.
O garoto deu de ombros.
- Não interessa.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. se levantou e colocou uma mão na cabeça, tentando afastar o único pensamento que rondava por ali. realmente teve coragem de contar ao ?
- Será que você pode me deixar sozinha por um tempo, ?
- Ah , você não vai ficar estressadinha com isso, vai?
- Não estou 'estressadinha'. - ainda mantinha a seriedade. Ela nunca gostara que mencionassem o nome de Ethan, muito menos sobre aquele assunto. - Só quero ficar sozinha, posso?
- Tudo bem, tudo bem... - se levantou e jogou as mãos pro alto, se rendendo.
Ele andou até e deu um beijo na bochecha da garota, que continuava parada em pé com os braços cruzados e o olhar perdido em algum canto da sala. - Te vejo por aí.
Assim que chegou em casa, deu de cara com todas as luzes apagadas. Chamou por seus amigos e não obteve resposta. Resolveu deitar um pouco e, quando chegou ao pé da escada, ouviu umas risadas.
- ? - ele gritou, andando em direção a cozinha. - Tem alguém aí, porra?
chegou à cozinha, abriu a porta, que estava entreaberta, e então pôde ver e , sentados ao redor da mesa com alguns aperitivos e dois copos de cerveja.
Imediatamente, os olhos dos dois companheiros viraram para , que apenas acenou para eles e seguiu seu caminho de volta para seu quarto.
- Eu tô te falando sério, cara! - tentava se controlar para não rir junto com do que ele acabara de dizer. Afinal de contas, ele tinha dito uma verdade apesar de parecer mentira. - Pode parecer idiota, mas eu sinto mesmo isso!
- Pode parecer idiota, ? - ainda ria escandalosamente. - É completamente coisa de bicha!
- Espera então até você sentir isso um dia... - disse pegando mais uma azeitona.
- Mas me diz uma coisa... Essa paixão toda aí tem direito às famosas borboletas no estômago também? - perguntou debochado.
- Não diria borboletas, mas digamos que eu sinta alguns choques quando ela me toca, e...
não conseguiu terminar a frase, e já caiu em gargalhadas de novo.
- Tá bem, eu desisto de tentar falar sobre a com você...
- , você há de convir comigo, a situação é engraçada porque se eu imaginava ouvir essas tosquices de alguém um dia, com certeza não seria de você!
balançou a cabeça negativamente, encarando seu copo de cerveja.
- Mas e ai, quando rola o casamento? - voltou a rir e recebeu um tapa na cabeça.
- Nós não estamos nem namorando ainda, besta!
- E por que não, seu lerdo?
- Simplesmente porque eu não posso, agora... Não tenho certeza se eu quero mesmo ter algo mais sério com ela...
- , onde foi parar aquele papo de 'estou apaixonado' que estávamos falando agora mesmo?
- É que, tipo, eu tava aqui pensando comigo mesmo... Se eu já fico meio besta dependente dela nesse 'pouco' tempo que a gente tá se dando bem, como eu vou ficar se a gente tiver algo sério, entende?
fingiu pensar um pouco.
- Hmmm, não.
deu outro tapa na cabeça do amigo.
- Mas tu não presta pra nada mesmo, hein, ?
- É que, tipo, pra mim você tá é fazendo draminha demais porque não quer se enrolar com uma só, ...
- Não, pô! - protestou. - Não é isso, é só que... - ele procurou as melhores palavras - não era pra ser tão sofrido assim, entende? Era só pra ser divertido, só isso!
- Então você pretende terminar com ela assim que enjoar e se sentir preso demais?
- Não não, eu não conseguiria fazer isso nas circunstâncias em que me encontro... Eu só acho que vou tentar levar as coisas menos a sério e ver no que vai dar, certo?
- Certo, você quem sabe...
Capítulo 20 - Enjoy the silence
[na: pra quem quiser ouvir a música que faz sentido com esse capítulo: Rooney - Are you afraid? (não precisa ser durante, podem deixar pra depois)]
Ignorar o problema é a solução? Para os fracos ou cansados do drama, sim.
Ignorar a pessoa que lhe causou esses problemas é a melhor opção? Definitivamente não, se essa pessoa está apaixonada por você.
Mas foi a solução que encontrou para tentar dar um basta nos problemas e no drama em sua vida.
A garota se encontrava deitada em sua cama, 'aproveitando' seu último domingo de férias. No dia seguinte, começavam as gravações para o seriado e ela tinha a impressão de que as coisas não seriam tão fáceis como ela estava esperando que fossem.
- ? - Uma voz invadiu o quarto silencioso de .
- ? - se sentou na cama, surpresa. - Que você tá fazendo aqui?
, sem dizer nada, se dirigiu até o som do quarto e abaixou o volume da música que estava tocando.
- Desde quando você ouve Rooney?
- Eu sempre ouvi Rooney nos meus momentos depressão, ok? - Ela deu uma leve risadinha, encolheu suas pernas e apoiou o queixo entre seus joelhos. - Desde que eu vi o Seth ouvindo essas músicas em The OC nos seus momentos 'ninguém me ama'.
- Você precisa parar de seguir a risca essa vida de seriado... - se sentou ao lado da menina. - A vida não é fácil assim como na televisão... Ninguém esquece os problemas ouvindo músicas enquanto deteriora lentamente.
- Como se eu já não soubesse disso, né? - riu ironicamente.
Are you afraid? continuava tocando bem baixinho, mas, devido ao silêncio que os dois teimavam em permanecer, eles conseguiam ouvir perfeitamente a música. ainda estava com a cabeça abaixada, enfiada entre os joelhos, e encarava a cortina quase preta do quarto, que estava fechada.
- What are you trying to do to me, to do to me? - A voz meio rouca de começou a acompanhar a música. - What are you trying to prove to me, to prove to me?
(O quê você está tentando fazer comigo, fazer comigo? O quê você está tentando me provar, me provar?)
- There's something you're not saying, but your actions say enough - As palavras saíam quase que num sussurro, mais faladas do que cantadas. - And I don't know what's really going on.
(Tem alguma coisa que você não está falando, mas suas ações falam o bastante. E eu não sei o que está acontecendo.)
- , que houve contigo? - colocou uma mão sobre a cabeça abaixada de e ficou acariciando seus cabelos. - Que houve com a gente?
Em resposta, balançou negativamente a cabeça.
- Por favor, me diz o que aconteceu pra você começar a me ignorar! Você nem olha mais na minha cara direito, não mantém mais um diálogo comigo e não é mais carinhosa como você costumava ser... - suspirou profundamente e continuou a falar. - Você tá com medo? Medo de mim? - Mais uma vez negou com a cabeça. Os carinhos de não cessaram, nem suas palavras. - É medo da nossa relação? Porque eu vou te confessar, eu tive medo de estarmos indo fundo e rápido demais, sabe? Na verdade, medo de necessitar demasiadamente de você com o passar do tempo, mas eu tento afastar esse pensamento o máximo que posso da minha cabeça e só deixo rolar... Se você quiser, posso tentar de ensinar a fazer isso, o que você acha?
não respondeu. passou uma mão pela cabeça e despenteou-se todo. Ele estava nervoso com a falta de diálogo.
- Olha, eu não consigo conversar e muito menos resolver um problema sozinho, será que você pode pelo menos olhar pra mim, por favor?
Ela levantou a cabeça lentamente e o encarou nos olhos, apenas por uns segundos.
- , acontece que eu não sei se posso confiar em você... Não sei se quero confiar em você.
- Por que exatamente? - O rapaz a encarava com os olhos surpresos e aflitos. - Eu te dei motivos pra isso?
- , o sabe que o Ethan era gay! - A voz da garota foi alterada e ela sentiu um certo nojo ao dizer em voz alta o segredo que ela tanto lutou para guardar e de repente duas pessoas já estavam sabendo. Ou mais.
- E o que você quer dizer com isso? Que eu contei a ele?
- Quem mais pode ter sido?
- Olha, eu não dou a mínima pra como o descobriu isso, se é que ele sabe mesmo... - pausou um pouco. Por que diabos ele estava tendo aquela conversa? Parecia tão inútil e... Superficial. parecia inútil e superficial naquele momento. - A questão é que eu cansei de brigar, de discutir... Cansei de você me ignorando sem dar satisfações e...
- E o quê? - o encarava com uma expressão séria. Ela sabia que aquela discussão não ia acabar bem se continuasse naquele rumo, mas não estava se importando muito no momento. Talvez fosse melhor mesmo se afastar de por uns tempos, talvez ele estivesse causando seus problemas. Ela não sabia. E esse era o problema.
- E nada, porra! - se levantou nervoso e parou de costas para ela. - Eu não sei mais de nada!
- Exatamente. - A voz de soava calma e serena, como se ela tivesse plena consciência do que estava fazendo, uma mentira deslavada. - A questão é que nenhum de nós sabe o que está acontecendo e eu acho melhor...
- Ótimo, se é assim que você quer, tudo bem. - se dirigiu até a porta do quarto da garota sem ao menos olhar para trás. - Mas não venha me procurar depois que as coisas derem errado e você se sentir sozinha.
E novamente se encontrava metida em seu quarto escuro e com sua solidão. No momento, ela estava mais do que satisfeita. Pela primeira vez, tinha conseguido se 'livrar' de um problema sem escândalos, sem grandes brigas e sem choro.
Será que estava evoluindo ou perdendo o coração?
Por quanto tempo uma pessoa consegue viver 'sozinha' em seu mundinho? Por quanto tempo uma pessoa atura a rotina de casa-trabalho, trabalho-casa? Sem nenhuma companhia agradável?
Pois bem, nessa segunda-feira acinzentada, fazia exatamente sete dias que estava vivendo sob esse regime, respondendo às pessoas com o mínimo de palavras que conseguia, e ignorando até seus amigos que insistiam em continuar ligando... Com exceção de , que tentava com todas as suas forças se convencer de que nunca fora a garota certa para ele, e que ele não a amava, não precisava dela para ser feliz.
Inúteis.
- , você quer parar de cantarolar músicas românticas? - A garota se repreendeu. Há dois dias tinha entrado nessa paranóia de falar sozinha. - O momento da sua vida pede agressividade, e não músicas melosas que tentam convencer as pessoas de que elas podem ser felizes com o amor da vida delas. - Ela riu ironicamente.
estava na cozinha procurando um pote de sorvete ou de Nutella para devorar sentada no seu sofá, conversando com si mesma ou assistindo filmes de tragicomédia, de preferência sem romance nenhum.
Assim que ela achou um pote de sorvete de creme e pegou uma colher, foi andando até a sala, mas parou assim que passou em frente ao espelho de parede toda que tinha numa parte da sala, para se analisar.
Ela devia ter engordado uns dois quilos essa semana, nada que tenha feito muita diferença. O que mais chamava atenção mesmo era seu estado... Seus cabelos não estavam brilhando tanto quanto antes, e, soltos do jeito que estavam, só dava um ar mais desleixado à menina. Olheiras e bolsas embaixo dos olhos eram claramente percebidas, e suas roupas largas e velhas só davam o toque final à sua aparência.
- Deplorável - ela constatou, mas, sem se importar muito, voltou a se sentar no sofá, e, quando percebeu que o controle da tevê se encontrava em cima da mesa, resmungou e demorou um tempo para conseguir sair da posição.
- Finalmente um filme que pareça prestar passando nessa porra!
olhou para seu pote de sorvete e sentiu ânsia de vômito. Há quanto tempo ela não comia alguma coisa que prestasse? Estava enjoada de comer besteiras e não agüentava mais se olhar no espelho e se sentir cada vez mais gorda e feia.
Mas, ao invés de tomar um banho, vestir uma roupa sexy e sair correndo para o salão de beleza como uma mulher normal faria, se levantou e foi procurar uma velha amiga companheira de fossa que estava guardada no armário do canto da sala, a sua espera.
- Como não pensei em você antes? - A garota contemplou a garrafa com os olhos brilhando e serviu-se com uma dose generosa de Whisky, acrescentando uns cubos de gelo. Uma pontada de culpa invadiu seu peito, afinal, ela conseguira ficar uma semana sem ingerir álcool, mas logo o sentimento passou, pois ela merecia aquele conforto, não?
Alguns (muitos) copos de bebida depois, se encontrava apenas mais deplorável do que antes, 'mas pelo menos ela não havia engordado', era o que tentava pensar para se consolar.
- , minha amiiiga! - abriu um enorme sorriso assim que sua amiga atendeu ao telefone. - O que deu em você pra não atender esse telefone o dia todo?
- Alguém tem que trabalhar, né, ? - A voz de não era das melhores, ela devia estar mesmo muito cansada.
- Hey, eu entendi isso, ok? - Já a voz de era arrastada e meio anasalada. Aquela típica voz de bêbado que não sabe a hora de parar. - Eu trabalhei hoje de manhã, mas cheguei mais cedo em casa!
- Ótimo que você entendeu, , mas o que você tem?
- Como assim o que eu tenho? Não posso mais ligar pra minha amiga?
- Poder você pode, claro... Mas tem uma semana que você não dá notícias e agora me liga às onze e meia com essa voz de bêbada... Era pra eu desconfiar que você quer alguma coisa, né?
- Merda, você me conhece demais. - soltou uma risadinha idiota que durou alguns bons segundos. bufou. Não estava com saco para aguentar os chiliques de a essa hora! - Certo, mas eu te liguei pra te convidar pra vir morar comigo.
- Você sabe que eu não posso, eu trabalho e moro aqui em Bolton desde sempre, obrigada pelo convite. - estava sendo seca de propósito e sem remorsos, pois sabia que no dia seguinte a amiga sequer lembraria que as duas se falaram pelo telefone.
- Mas nem por uma semana? - choramingou. - Eu tô sozinha, , preciso de vocêêêê!
tinha certeza absoluta de que estava fazendo caras e bocas, enquanto agarrava uma almofada e falava com ela. Era simplesmente típico demais, ou era simplesmente previsível demais.
- Olha, eu prometo que vou pensar, ok? Mas agora vá dormir, amanhã a gente se fala.
- Eba!!! Te pego amanhã no aeroporto, tá? - estava sorrindo de novo. - Não esquece de mim, eu te amôou!
deu um tapa em sua testa e desligou o telefone após se despedir vagamente.
Capítulo 21 - Cause I'm in too deep, and I'm trying to keep up above in my head, instead of going under
- , essa é a última vez que eu vou te avisar isso, ok? – falou Joseph, ríspido. - Você tem que parar de agir como uma descontrolada qualquer!
estava parada em pé de frente para seu chefe, que estava sentado em sua mesa com uma cara nada boa, dando-lhe um sermão que a garota já estava cansada de ouvir.
- Joseph, quantas vezes eu vou ter que te dizer: eles não têm provas do que estão falando nessas revistas! - A garota quase berrou, mas tratou de se controlar, pois estava falando com seu chefe, apesar de toda 'intimidade' e segredos entre eles.
Por onde anda nossa dark ? Enchendo a cara como sempre?
- , eu só vou perguntar isso uma vez, sim? - Fletch tirou seus óculos e encarou com um olhar cansado. - O que está acontecendo com você?
- Comigo? Que eu saiba, nada, por quê? - deu de ombros. Ele estava sentado no sofá vermelho da gravadora, com as mãos no bolso e batendo seu pé freneticamente no chão, em sinal de nervosismo.
- Como assim nada? As pessoas estão começando a perceber, sabia?
O que anda acontecendo com ? Depressão pós o furacão , talvez?
- Dane-se que eles não têm provas, ! - Joseph passou as mãos pelos cabelos. Estava perdendo a paciência. - Eles têm uma revista nas mãos pra escreverem o que bem entenderem, sobre quem quiserem! E tudo que eles mais querem é que alguém idiota o bastante faça o que você está fazendo: dar uma de louca!
- Olha, eu não posso fazer nada se não estou mais saindo por aí e pegando qualquer um, ok? - cruzou os braços. - E se eu estiver bebendo sozinha em casa? Qual é o problema?
Ela estava realmente indignada. E com razão. Ou pelo menos um pouco de razão.
- Essa sua depressão tem mesmo alguma coisa a ver com a ?
- Fletch, encare essa: eu não estou deprimido!
- Ah não? - Fletch arqueou a sobrancelha e olhou para ironicamente. - Então me explique o motivo do seu isolamento, o porquê da sua desconcentração nos ensaios e shows, a sua cara emburrada e cansada todos os dias e o seu afastamento dos seus amigos.
rolou os olhos e não falou nada. Ficou apenas encarando a parede branca com desenhos. Fletch bufou nervoso.
- Tudo bem, eu desisto de tentar te compreender, ! Só vê se melhora esse humor e saí dessa fossa, porque você tem milhares de fãs querendo saber qual é o seu problema, e não pode decepcioná-los!
- Vê se não esquece que você não tem mais Ethan aqui pra te proteger, sim? E eu posso te cortar do seriado a qualquer hora que quiser...
- Você não pode me cortar no meio de uma temporada, isso é suicídio de audiência!
- Dá licença, quem é que manda aqui mesmo, ? - Joseph estreitou os olhos e encarou ameaçadoramente. Ela se calou. - Ah sim, suspeitei que você tivesse esquecido...
- Ótimo, vou me esforçar pra parecer mais sociável, certo, chefinho?
- Sem deboches, . Anda logo, volta praquele set que as gravações já atrasaram demais por sua causa!
- Tem certeza que você não sente falta dela? - perguntou , pelo que parecia ser a centésima vez no mesmo dia, a . - Nem um pouquinho?
- , pela milésima vez eu vou te dizer que não! - deixou a cabeça cair para trás, apoiando no sofá. - Eu tô bem sem ela, cara!
- Tô percebendo isso, né...
- Mas que porra, todo mundo deu pra encher meu saco hoje!
- Exatamente porque você tá estressadinho demais e ninguém agüenta mais seu mau humor! Já tem umas semanas que você tá nesse estado e a paciência do povo acabou!
- Ótimo, então pára de falar comigo, me ignora e seja feliz! - bufou e fechou os olhos.
- Só se você admitir que isso tudo é por causa dela.
- Entende uma coisa, . - olhou pacientemente para o amigo e apoiou uma mão em seu ombro. - Eu não falo com a porque as coisas estão confusas entre a gente, ninguém sabia o que estava sentindo e então nós resolvemos amigavelmente dar um tempo, perder contato pra esfriar as idéias, certo? E não é isso que está me afligindo, você pode ficar tranqüilo!
Que atire a primeira pedra quem nunca diminuiu os fatos pra um chato parar de encher o saco!
- Pelo menos eu admito que estou sentindo falta da ... - deu de ombros e encerrou a discussão se levantando do sofá.
- Fala sério! - rolou os olhos. - A quem você tá querendo enganar?
e estavam lanchando em algum lugar desconhecido e calmo. havia acabado de chegar a Londres e fora buscá-la.
- Como assim? - estava começando a se animar um pouco. Uma voz amigável pode fazer milagres depois de sete dias de alto teor alcoólico com muita depressão. - Eu não fiz nem falei nada!
- Exatamente! Você não mencionou nem uma vez o nome .
- Talvez por que ele não tenha mais importância na minha vida?
- Pode falar, ... - olhou para a amiga com os olhos reconfortantes. - Eu sei que você está em crise de abstinência porque não tem ninguém pra reclamar sobre a sua vida e principalmente sobre o .
- Você poderia, por favor, parar de fingir que sabe tudo que eu penso? - disse em meio a um sorrisinho.
- Não consigo. - deu de ombros - Sai naturalmente...
- Okay, a questão é que nós brigamos...
- E a novidade?
O garçom chegou com duas xícaras de café bem forte e uma fatia de torta para as duas.
- Quer parar de ser engraçadinha? Dessa vez a coisa foi séria, já tem uma semana que nós não nos falamos!
- Hm... Quantos dias você ficou lá em casa sem falar com ele da última vez que vocês brigaram mesmo? - fingiu estar pensando, tentando se lembrar.
O sarcasmo da garota podia ser legal pra descontrair e tudo mais, mas, naquele momento, não estava ajudando a resolver seus problemas.
- Engraçadinha, da última vez ele terminou comigo... E dessa vez, eu simplesmente o ignorei e terminei sem ao menos olhar na cara dele!
- Como você consegue fazer isso, ? - encarou a amiga, esfriando seu café, pela primeira vez interessada realmente no assunto.
- Não sei! - A voz de saiu um pouco mais alta e esganiçada do que ela queria. - Eu sou uma idiota, essa é a questão! No primeiro obstáculo que aparece na minha vida, eu tomo as decisões mais drásticas e idiotas e acabo me ferrando no final...
- Eu não estou entendendo absolutamente nada, será que dá pra começar do começo?
Os minutos passaram voando e duas xícaras de café nem de longe deram conta de durar por todo o tempo da conversa. ia derramando as palavras - algumas sem sentido - em cima de com um certo desespero de quem queria ter contado isso há dias e não pôde. Assim que já estava ciente da preferência sexual de Ethan, do fato de que só sabia disso até que misteriosamente descobriu, do gelo que dera em e na briga que eles tiveram no fim das contas, as duas resolveram ir para casa e pensar em uma solução para o problema.
- Por que você simplesmente não conversou com ele quando viu que sabia? - perguntou. A dupla passara horas e horas discutindo o assunto e agora estavam deitadas na cama de , com as luzes apagadas, encarando o teto.
- Você por acaso já percebeu que eu não penso direito sob pressão? - Os dedos de , que estavam sobre a sua barriga, se mexiam nervosa e freneticamente.
- É, pude perceber... - suspirou pela milésima vez. - Certo, você vai fazer o seguinte: ligar para e perguntar como ele descobriu sobre Ethan...
- Você acha que eu já não fiz isso?
- Ah, mas agora você vai fazer direito porque não está sob pressão, então ele vai te responder! - se esticou um pouco e pegou o celular na mesinha de cabeceira, entregando-o a .
A garota discou os números do celular de e mordeu o lábio, apreensiva.
- Eu estou sob pressão! - Ela fechou o flip do celular com força. - Não vou conseguir!
- Que pressão, ? - a olhou com uma expressão entediada.
- Você me encarando!
bufou, deitou a cabeça na cama e colocou o travesseiro em cima da cabeça, indicando que não iria atrapalhar, pois não ouviria nada.
Cinco minutos de muita persuasão e descobrira que tinha lhe feito uma 'visitinha surpresa' quando ela estava em Bolton, e, procurando por alguma coisa que pudesse dizer onde ela estava, ele achou uma foto na gaveta dela em que Ethan... Bem, 'aflorava' seu lado gay.
Essa pelo menos era a versão de , que poderia ser verdade, já que ele e tinham a chave da casa dela. Mas também poderia ser uma mentira deslavada. O que não fazia muita diferença para no momento, já que o que ela mais queria era ter companhia novamente, deixar de ser um morcego comilão e voltar a ser sociável.
Mas ela tinha plena consciência de que fazer as coisas voltarem a ser como antes não ia ser fácil, principalmente em relação a .
Afinal, não se pode brincar com os sentimentos de uma pessoa (especialmente essa pessoa sendo tão especial assim para você), magoá-la e depois fingir que nada aconteceu.
Você ligou pro e ele não pode atender. Deixe um recado que ele retorna depois. (vozes e risos ao fundo) Não acredito que você me fez fazer isso, seu idiota! E sim, aqui é o , mas deixe o recado pro .
(Sinal)
Hm... ? Aqui é a ... Faz um tempinho que não nos falamos, né? (risinho nervoso) Bem, eu só queria saber se tá tudo bem aí com você e o pessoal, eu meio que... Er, era só isso mesmo. Me liga, se der... Não precisa, mas, sei lá... Bem, a gente se vê, tchau.
(Clique)
- ?? - berrou, levantando as mãos pro alto, assim que a amiga desligou o telefone. - Qual é o teu problema?
- Não seeei! Se eu soubesse, você não estaria aqui pra me ajudar!
Capítulo 22 - 'Cause I'm lonely, I feel empty inside, can't you make me fell alright?
Nove horas da noite, havia acabado de chegar em casa da estação de trem, onde tinha deixado , que precisava voltar para casa.
Ela deixou suas sandálias no canto da porta, sua chave na mesa da sala e calçou suas pantufas.
começou a andar de um lado para o outro na casa, entrando em cada cômodo, dando uma olhada e saindo em direção a outro...
Quando chegou à cozinha, abriu a geladeira, pegou uma garrafa de Smirnoff Ice e voltou a fazer seu 'tour' pelo apartamento grande, que costumava ser cheio de pessoas, mas a cada mês parecia que as visitas diminuíam...
A garota entrou em uma espécie de transe enquanto andava. Lembrava-se de cada momento especial que passara naquela casa, em meio a risadas, beijos, gozações, amigos... Sentiu que sua garganta ardia não só por causa da bebida, que a cada dia parecia fazer menos efeito sobre ela, mas pela vontade de chorar e gritar.
Flashback
- Ethaaan, pára com isso! - berrava, debatendo os pés e rindo descontroladamente.
Ela estava deitada no sofá e Ethan, que estava por cima da garota, fazia cosquinha e passava o cabelo pelo rosto da garota, impedindo-a de respirar direito. - E-eu vou...
- Vai o quê, me deixar cantar agora? - Ethan estava rindo bastante também.
Os dois estavam lutando pelo microfone do karaokê há alguns bons minutos, e os convidados da 'pequena festa' que eles estavam dando pareciam gostar cada vez mais da briga, pois eles achavam que os dois eram um casal, e aquilo poderia ficar quente a qualquer momento.
- Não, eu vou te bater mesmo! - começou a socar o braço de Ethan e a tentar morder o mesmo.
Ethan segurou seus braços com força e ficou encarando a garota ofegante por um tempo. Ele foi aproximando seus rostos e a deixou sem entender nada.
Assim que ele colou seus lábios nos dela, fechou os olhos e aproveitou o toque do rapaz, sem abrir a boca. Ela sempre se esquecia que eles tinham de fingir que eram um casal, então sempre se surpreendia quando Ethan fazia uma coisa dessas.
Por um minuto, eles se esqueceram das quinze pessoas berrando ao lado para que eles aprofundassem o beijo, passando para algo mais quente. Também se esqueceram que Joseph era uma dessas pessoas, mas a única que assistia à cena sem opinar.
O beijo durou tempo demais, até que abriu os olhos e empurrou de leve o peito de Ethan.
- Eu odeio quando você faz isso - ela sussurrou para que apenas ele a ouvisse.
Afinal, Ethan sabia dos sentimentos dela por ele, e também sabia que ela vinha tentando lutar contra isso, mas que assim ficaria mais difícil.
Mas talvez ele gostasse um pouco de provocá-la exatamente por saber disso.
End Flashback
Momentos que ela jurava que nunca sairiam de sua memória e que estavam começando a serem esquecidos surgiram em sua cabeça, a cada gole que ela dava em sua garrafa.
Ela também não poderia esquecer os momentos bons que passou ali depois que conheceu seus melhores amigos.
Flashback
- What would you say, if I told you... - cantarolava enquanto andava saltitante com suas pantufas gigantes de girafa pelo corredor de seu apartamento, em direção a seu quarto.
- ! - berrou da sala. - Dá pra ser ou tá difícil aí?
- Calma aí, seu bando de retardados! - riu e gritou de volta.
Ela estava à procura de uns CDs para eles ouvirem enquanto comiam e falavam sobre qualquer merda.
- Sugarcult, Sugarcult, Sugarcult... - A garota ia passando pelos CDs à procura do certo. - Porra, cadê o CD do Sugarcult?!
deu um pulo e deixou uns CDs que estava segurando caírem no chão.
- Ai merda! - ela gritou e se virou para a porta, que tinha acabado de ser fechada com força. - Que foi, assombração?
- Vim te ajudar a procurar um CD decente, não tô a fim de ouvir Spice Girls ou algo do tipo... - riu e foi andando em direção à garota, colocando a mão em sua cintura por trás.
- Pra sua informação, eu estava procurando o CD do Sugarcult, ok? O Ethan me deu mês passado, mas eu não consigo achar essa merda!
- Ah não, eu não quero ouvir isso... - aproximou seus corpos e pegou a pilha de CD da mão de , prendendo-a entre sua barriga e seus braços. - Vamos ver o que você tem de bom aqui...
Então ele ficou passando os CDs e fazendo comentários sobre cada um.
sabia bem qual era a intenção de com essas brincadeirinhas, mas, na verdade, ela não esquentava muito; até gostava.
A garota deitou a cabeça para trás, se apoiando no ombro dele.
- Você quer me deixar sair daqui, por favor? Já achei o CD que eu queria... - sussurrou no ouvido do rapaz e pegou o primeiro CD da pilha, sem ao menos olhar para ele.
- Fala sério, você não quer ouvir Clássicos da Disney, quer? - arqueou sua sobrancelha, rindo do CD que havia escolhido sem querer.
riu sem graça e começou a beijar toda a extensão do pescoço da menina, fazendo-a se arrepiar.
- , quer parar com isso, por favor? - A voz da garota era quase um suspiro arrastado, mostrando que ela definitivamente não queria que ele parasse.
- Não tá gostando? - ele disse entre os beijos, que cada vez ficavam mais longos e profundos, começando a deixar uns avermelhados pela área. - É só sair daqui, não estou mais te prendendo...
Os braços de agora estavam sobre os braços de , os apertando vez ou outra. Ele a virou de frente para ele e ela repousou as mãos sobre os ombros do rapaz, mordendo de leve o lóbulo da orelha dele.
- Você sabe que vai entrar por essa porta estressado por não termos aparecido com o CD a qualquer momento, não sabe? - ela falou com a voz fraca.
- Sei... - ele respondeu em meio a um suspiro. - E isso não deixa as coisas mais emocionantes ainda?
entrelaçou uma perna pela cintura de , que segurou sua coxa para dar-lhe suporte.
Os dois continuaram trocando carícias e se provocando, mas sem se beijar nenhuma vez de verdade.
A questão é que eles sempre faziam isso, se provocavam até que algum deles não agüentasse mais. Normalmente esse alguém era .
Assim que começou a sentir uma certa excitação pela parte do rapaz, tratou logo de cortá-lo.
- Você sabe que não é certo, por que continua tentando? - ela se desvencilhou dos braços dele e falou calma e tranqüilamente, como se nada tivesse acontecido entre os dois.
E então simplesmente andou para fora do quarto, carregando qualquer CD, com o mesmo sorrisinho inocente de antes.
- , o que houve com você? - arqueou uma sobrancelha assim que o amigo entrou na sala, com as mãos na cabeça. - Se perdeu pela casa?
Os quatro estavam sentados no chão com uma bacia de pipoca e copos contendo sei lá o quê.
- Engraçadinho... - se sentou com os amigos no chão, visivelmente atordoado.
até sentiu uma pontada de pena, já que ele estava claramente tentando esconder um certo volume dentro das calças, mas ao invés de falar qualquer coisa, apenas continuou sorrindo e agindo normalmente, como sempre fazia.
End Flashback
E também os momentos com Ethan e Joseph, que não eram os melhores, mas também a divertiam.
Flashback
- Okay, esse momento merece uma foto! - soltou um gritinho de empolgação e foi correndo até seu quarto pegar uma câmera fotográfica. - Não se mexam que eu já tô chegando!
Assim que ela chegou novamente à cozinha, onde Ethan e Joseph estavam parados na mesma posição desde que ela os deixara a sós (Joe em cima de Ethan com a cabeça pendendo para trás), ambos usando roupas de seguranças com distintivo de agende do FBI e cap de policial.
- Essa eu vou botar no mural do Set de Gravação, cara! - tentava controlar o riso enquanto ia batendo várias fotos dos dois, que vira e mexe trocavam de posição.
- Pode colocar as fotos lá, elas vão ficar ótimas ao lado de uma certa foto de alguém dormindo de boca aberta com uns bobs na cabeça de lingerie vermelha sexy! - Ethan falou continuando com as poses.
Eles estavam se divertindo há horas fazendo palhaçadas ridículas que Joseph, por ser o cara mais sério do 'triângulo', nunca concordava.
- Você não teria coragem de fazer uma crueldade dessas, Ethan McGuire! - fingiu uma cara de indignação e se meteu no meio dos dois para tirarem mais fotos juntos.
- Experimente, ...
End Flashback
Capítulo 23 - Friends don't let friends dial drunk
se lembrou que guardava essas fotos até hoje em algum canto da casa, não conseguia se lembrar exatamente onde. Talvez fossem essas as fotos que vira em sua casa, semanas atrás. Mas isso era o que menos importava no momento, já que, sendo verdade ou mentira, dificilmente a perdoaria, mesmo que ela estivesse precisando bastante dele no momento.
"Mas não venha me procurar depois que as coisas derem errado e você se sentir sozinha!"
Tentando se livrar das últimas palavras de , que não saiam de sua cabeça, pegou seu celular de novo e discou o número dele.
Àquela altura do campeonato, a garota já não estava raciocinando bem. O álcool e a tristeza que invadiram seu ser estavam dominando no momento, e agia pura e completamente por instinto.
'Caixa postal, por favor... Caixa postal...' pensava consigo mesma, batendo seus dedos freneticamente na garrafa já vazia de Smirnoff.
- Alô? - A voz de invadiu seus ouvidos e ela sentiu seu corpo amolecer. Sentiu-se reconfortada como não era há um bom tempo, e pensou em desligar, pois aquela simples palavra fizera a ligação valer a pena.
'Ele provavelmente atendeu sem ver quem era no visor...'
- Quem tá falando? - perguntou já mostrando-se impaciente.
- Sou eu... - sussurrou, no fundo querendo que ele não a ouvisse.
congelou. Não queria admitir nem para si mesmo, mas a verdade era que ele sentira falta de ouvir a voz de , mesmo que quase inaudível.
- Só queria saber se você estava bem e se tinha recebido meus outros recados na caixa postal... - virou a garrafa na boca, esquecendo-se que ela já estava vazia há tempo. - E também pedir desculpas...
suspirou e sentou-se no sofá. Ele não queria falar nada, apenas ouvir sua voz. Mesmo sentindo falta dela, ele sabia que não podia perdoá-la facilmente assim. E, mesmo que perdoasse, voltar para ela estava fora de cogitação. Afinal, que homem gosta de ficar de capacho ou estepe?
- As coisas não vão indo bem pra mim, sabe? Como você disse que iria acontecer, tudo está dando errado e eu estou mesmo me sentindo sozinha...
O fato de saber que ainda estava ouvindo, que ele não havia desligado em sua cara, fez com que tivesse forças para continuar falando, mesmo que ele não a respondesse, pelo menos ficaria sabendo como ela estava se sentindo.
- Não tenho falado com nenhum amigo meu depois que terminamos... Só a me agüenta... Ela passou uns três dias aqui comigo, mas foi embora hoje e parece que eu só piorei... - respirou fundo, tomando coragem para seguir em frente. - As revistas não param de falar mal de mim, especular... Só porque eu não saio mais de casa pra me divertir, eles dizem que eu fico o dia inteiro em casa, tendo como companhia apenas uma garrafa de bebida. - Ela riu nervosa.
sabia que isso era verdade, pois já esperava que ela fosse agir assim.
- O Joseph também não facilita, briga comigo quase todo dia, já estou ficando sem forças e argumentos...
No fundo, estava se comovendo por ouvir a mulher que ele - ainda - amava tão triste assim, mas ele também gostou um pouco de saber que não era o único que estava sofrendo com a separação.
- Eu nunca passei tanto tempo em casa comendo e ouvindo música... Já não consigo mais agüentar esse apartamento e as lembranças que ele me trás. Eu quero sair, mas não sei pra onde e muito menos com quem... Será que você pode me ajudar?
fechou os olhos. Ele queria ser forte o bastante para falar alguma coisa e perdoá-la de uma vez, mas não conseguia. Apenas ficou quieto e continuou ouvindo.
- Tudo bem, você já me ajudou bastante só de ficar ouvindo minhas lamúrias...
A voz de estava irreconhecível. Não tinha mais aquele tom sarcástico e de menina má que ela gostava de passar. Estava apenas... vulnerável.
Nenhum dos dois sabia ao certo quanto tempo ficaram deitados, com os olhos fechados, segurando as lágrimas, com o telefone pendurado na orelha, esperando que o outro falasse alguma coisa.
O barulho da respiração descompassada de ambos era só o que se ouvia. E nenhum dos dois queria desligar.
respirou fundo e pegou fôlego para cantar:
- Everything is fed up straight from the heart, tell what do you do when it all falls apart... - A voz da garota saia bem fraca e a música estava completamente sem ritmo, mas pôde reconher. - Gotta pick myself up, where do I start, cause I can't turn to you, when it all falls apart.
"Tudo está ferrado de dentro do coração,
Diga-me o que você faz quando tudo desmorona.
Tenho que catar meus pedaços,
Por onde eu começo?
Porque eu não posso recorrer a você
Quando tudo desmorona."
ia falar alguma coisa, qualquer coisa que viesse a sua cabeça no momento, mas continuou cantando.
- Don't know who my real friends are, I put my faith in you, what a stupid thing to do! - A música começava a ganhar mais ritmo e a voz de estava mais alta, mas às vezes era interrompida por soluços. - And not to mention I drank too much, I'm feeling hung over and out of touch...
"Não sei mais quem são meus amigos verdadeiros.
Eu acreditei em você,
Que coisa estúpida de se fazer...
E sem contar que eu bebi demais
Estou me sentindo de ressaca, sem poder conversar..."
não conhecia a música muito bem, só a melodia que não lhe era muito estranha. Mas ele sabia que ela estava cantando apenas uns fragmentos. Ele resolveu não interromper, sabia que precisava desabafar, e se esse fora o jeito que ela encontrara para fazer, que fizesse, pois provavelmente no dia seguinte nem se lembraria de ter cantado ou sequer falado com ele.
- Can it be easier? Can I just change my life? Cause it just seems to go bad everytime! - Novamente ela começou a falar a música, ou berrar, acho que seria a melhor colocação. - Will I be mending?
" Isso pode ser mais fácil?
Posso simplesmente mudar minha vida?
Porque ela parece dar errado toda hora
Eu vou melhorar?"
Mais alguns minutos de silêncio.
passava as mãos pelo cabelo, nervosamente, mas sem dizer nada.
começara a chorar baixo e soluçar, e isso estava o deixando aflito.
- , escuta... - não agüentou e acabou falando alguma coisa. Mas já era tarde demais, ela já havia finalmente desligado o telefone.
desligou o telefone e passou as mãos pelos cabelos pela milésima vez em minutos. Não tinha como ele ter ficado mais tenso. Milhares de possibilidades passavam por sua cabeça. O que estaria fazendo agora? Enchendo a cara? Chorando? Ligando para outras pessoas a fim de encontrar um ombro amigo? Dirigindo para algum lugar escondido?
Todas as opções não lhe soavam bem. Ele só queria ter certeza de que ela estava relativamente bem, ou pelo menos segura em sua casa, com objetos perigosos fora do seu alcance.
entrou sorrateiro na casa da garota, agradecendo mentalmente por ter a chave e por ela não ter trocado a fechadura. Ele caminhou silenciosamente, observando o local. Parecia que ninguém dava uma limpezinha ali há meses! Todas as luzes estavam apagadas, mas ele pôde perceber a quantidade de pacotinhos de biscoitos, caixas de pizza, latas e garrafas jogadas pelos cantos. Assim como percebeu que ninguém abria as janelas há um bom tempo também.
A situação estava mais crítica do que ele imaginava.
Ele foi caminhando até o quarto dela, temendo que ela não estivesse ali.
O quarto conseguia ficar mais escuro do que o resto da casa, também cheio de coisas pelo chão.
avistou um objeto não identificado no chão e foi até ele, achando ser encolhida por ali. Mas quando chegou mais perto, percebeu que o 'monte' se tratava de um amontoado de roupas coberto por um lençol.
Ele foi até a cama desarrumada e se sentou na borda, tateando o edredom preto em busca de algo que pudesse ser uma perna.
Ele se ajeitou mais pra cima da cama, e quando encostou na cintura de , a garota se mexeu um pouco, virando-se de frente para .
Ele a fitou e a observou como sentira vontade a semana toda. Ela estava pálida e com olheiras nada agradáveis, mas mesmo assim conseguia parecer serena. Por mais que ele soubesse que ela não estava.
teve que se controlar para não ajeitar a mecha de cabelo que caía sobre o rosto da garota, pois ela poderia acordar.
Mais algum tempo em silêncio apenas ouvindo o barulho da respiração de e ela se virou de novo, encolhendo os joelhos. Sem pensar duas vezes, se ajeitou na cama, tirou os tênis com os próprios pés e a abraçou por trás, encostando todo seu corpo ao da garota, fazendo com que eles ficassem deitados de 'conchinha'.
Seu rosto estava enfiado no ombro da garota e ele olhava fixamente para um ponto da parede, mesmo que não pudesse enxergar nada. Só não queria dormir, para poder aproveitar o momento e também não correr o risco de acordar e o ver ali. Não estava pronto para admitir nem para si mesmo, muito menos para ninguém, que precisava de uma problemática para ficar de bom humor.
Suas mãos acariciavam o braço descoberto de , enquanto o cheiro natural do corpo dela entrava por suas narinas como se fosse o perfume mais embriagante de todos. Embora a garota só tivesse tomado um banho pela manhã e estivesse com um pouco do odor de álcool.
Vencido pelo cansaço, fechou os olhos e apagou - simplesmente apagou - por alguns longos minutos. Mas assim que acordou, assustado, olhou em seu relógio de pulso e constatou que já era hora de ir embora. Três e meia da manhã.
- Porra, cadê o outro tênis? - perguntou baixinho a si mesmo, xingando mentalmente por ter os tirado.
Ele se agachou para procurar seus calçados e ficou tateando o chão de quatro, agradecendo consigo mesmo por ninguém estar presenciando a cena.
Após alguns esbarrões e xingamentos, estava pronto para deixar a casa da garota.
Ele deu uma última olhada nela, só para garantir que ela ainda estava dormindo e ficaria bem sem ele, e então fechou a porta delicadamente.
Sete horas da manhã um barulho completamente irritante e inoportuno começou a sair do celular.
, sem abrir os olhos, pegou o telefone e o levou ao ouvido.
- Alô? - ela murmurou quase sem abrir a boca.
Mas o aparelho não parou de tocar, e ela levou um susto por ter ficado com ele tão próximo ao ouvido.
- Ai merda! - Ela socou a cama e desligou o despertador. - e sua mania de acordar cedo... E ainda usa o celular dos outros pra isso!
se deitou de novo, mas com a cabeça no travesseiro ao lado, para poder ficar mais esticada do que antes, do jeito que ela gostava.
Assim que ela fechou os olhos, jurou ter sentido o cheiro de .
Ótimo, agora estou até sentindo o cheiro dele... Maravilha! se martirizava mentalmente.
Mesmo achando que estava maluca por sentir o perfume de em sua cama, a garota gostou da sensação, e acabou pegando no sono de novo.
Capítulo 24 - Leave me alone!
[na: se por acaaaso alguém ainda não tenha essa música, pode ir baixando aí: Plain White T's – A Lonely September]
- O quê vocês estão fazendo aqui? - Uma completamente atônita atendeu a porta de casa, encarando o grupo de pessoas parado do lado de fora.
- Podemos entrar, ? - Joseph, uma das pessoas, perguntou educadamente.
deu espaço para as pessoas entrarem, sentindo-se envergonhada pelo estado deplorável de seu apartamento.
Isso sem falar no estado em que ela se encontrava.
Enquanto os 'convidados' sentavam-se, tentou arrumar pelo menos seu cabelo, mas não conseguiu se controlar direito assim que percebeu que uma das pessoas sentadas em seu sofá era ninguém mais, ninguém menos do que .
- Quem é essa? - perguntou olhando torto para a única pessoa que ela não conhecia.
, Joseph e a estranha a encaravam de uma forma não muito agradável.
- Meu nome é Audrey, sou médica e amiga do Joseph. - A senhorita aparentando no máximo uns 20 anos estendeu a mão para apertar, com um sorriso enorme.
- Pude perceber que você é médica... - observou mais uma vez a roupa da mulher. Uma calça jeans clara e um jaleco branco. - Mas o que exatamente está fazendo na minha casa? Com e Joe?
- Bem, a questão é que seus dois amigos vieram me procurar hoje pela manhã, me pedindo para conversar com você sobre um assunto um tanto quanto delicado...
, já tomada pelo medo e ansiedade, começou a olhar para todos os rostos presentes, desde encarando o chão, passando por Joseph a olhando com pena, pela doutora e seu sorrisinho cínico, até os dois caras também vestidos de branco que permaneceram do lado de fora.
- Você não é psiquiatra nem nada do tipo não, é? - A garota arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.
- Não, na verdade eu trabalho no Instituto para Dependentes MAC. - A doutora se explicava com uma voz calma e suave que só servia para deixar mais nervosa ainda.
- Ahh, acho que tô começando a entender o que tá rolando aqui...
- , a Audrey só quer o seu bem, ela só está aqui para te ajudar, assim como nós dois. - se pronunciou pela primeira vez.
- Olha, se vocês dois querem se livrar de mim, é só falar, ok? Eu sei que ando causando problemas pra ambos, mas não precisa...
- , nenhum dos seus amigos veio aqui com a intenção de se livrar de você, eles só querem...
- Meus amigos? Esses dois? Ah sim, sei... - Ela riu sarcasticamente.
- Sim, eles são seus amigos, caso contrário, não se dariam ao trabalho de me procurar apenas para te ajudar!
- Não é por nada não, Doutora, mas se eles fossem meus amigos, pra começo de conversa, não teriam me abandonado como fizeram essas semanas, não acha? - falou isso olhando diretamente para , que parecia ser o mais tenso na sala.
- Por favor, ... - estava com uma voz cansada. De certo passara o resto da noite toda em claro. - Não tente desviar da questão principal, só escuta o que a Audrey tem pra te dizer.
- Eu não quero ouvir, eu sei exatamente onde vocês estão querendo chegar com essa palhaçada! - O tom de voz da garota se elevou.
- Palhaçada é você continuar vivendo desse jeito! - também se alterou.
- Acontece que eu estou vivendo desse jeito por culpa sua!
- Quer parar de culpar os outros por seus erros pelo menos uma vez na vida, ? - Ele se levantou.
- ... - Audrey interveio calmamente. Obviamente ninguém deu ouvidos a ela.
- Não, eu não vou parar porque ninguém me deixa em paz! Ficam me cobrando e me enchendo a cabeça, eu não agüento mais, ok?
- Ah ótimo, você não agüenta nem resolver os seus problemas e por isso bebe vinte e quatro horas, pra arrumar mais problemas ainda pra você e pros outros que se preocupam com você!
- , o que foi que nós conversamos sobre alterações? - Audrey teve que se impor um pouco mais para evitar grandes estragos.
O rapaz se sentou novamente ao lado de Joseph, que estava quieto assistindo à discussão. Na verdade, ele nem queria estar ali, só foi para acompanhar , que o procurara mais cedo desesperado, pedindo ajuda por .
- Enfim, . - Audrey voltou ao tom de voz original e macio. - Essas duas pessoas aqui presentes que te amam e se importam com a sua saúde e bem-estar estão querendo que você vá conhecer a nossa Clínica aqui pertinho, sem compromissos nem nada, só para dar uma olhadinha no nosso processo por lá... O que me diz?
- Doutora, eu sei que você só está fazendo seu trabalho e que a culpa disso tudo não é sua... - se esforçava ao máximo para não ser rude com a pobre Audrey, mas isso estava ficando cada vez mais difícil. - Mas a questão é que eu não quero nem chegar perto de uma Clínica dessas!
- , você não acha que precisa de ajuda para mudar seu comportamento atual? - Audrey olhou para o ambiente ao seu redor e depois para a garota à sua frente.
- Você está perguntando se eu sei que estou bebendo demais? Sim, eu sei disso.
- Então, admitir o problema já é um grande passo!
- Mas agora eu te pergunto: você por acaso sabe o que eu penso sobre isso? E se por um acaso eu não quiser mudar nada na minha conduta? Já passou pela sua cabeça que eu possa estar gostando do jeito que estou vivendo?
- Por favor, ! - Joseph se intrometeu. Ele já estava cansado daquela baboseira e queria terminar logo com aquilo. - Pare com isso, admita pra você mesma que precisa de ajuda e se interne logo na Clínica! Eu prometo que abafo o escândalo da imprensa.
ia responder, mas Audrey foi mais rápida em continuar falando.
- Apenas uma olhada na Clínica não vai fazer mal a ninguém... - Ela apontou para as garrafas jogadas ao chão. - Você sabe que isso não faz nada bem pra sua saúde.
- Eu não preciso de ajuda pra parar de beber, porra! - voltou a berrar. - Quantas vezes eu vou precisar dizer que só preciso de um pouco de paz nessa vida?
- Eu também acho isso, e essa paz você poderá encontrar com a ajuda de especialistas, que temos em nosso...
interrompeu a Doutora novamente.
- Só te digo uma coisa, Audrey: conviva uma semana com as pessoas que eu convivo e vamos ver quem vai precisar de especialistas pra resolver seus problemas!
E com isso ela foi andando com passadas grandes e rápidas para seu quarto, onde trancou a porta e se enfiou debaixo das cobertas, como se ali fosse ficar segura.
Um tempo depois ela ouviu a porta da frente sendo fechada, e só assim seu corpo relaxou.
- Qual seu problema? - atendeu a porta pela segunda vez naquele dia. Era que estava parado à sua porta, mas, desta vez, sozinho. - Será que aquele telefonema estúpido de ontem foi o suficiente pra você querer infernizar minha vida por quanto tempo mais?
- Eu só vim pedir desculpas por mais cedo. - estava com as mãos no bolso e a expressão mais cansada do que nunca. - Eu devia ter perguntado sua opinião antes de agir e tudo mais...
- Ótimo, depois que faz a burrada, se arrepende! Sinto muito, mas isso não muda nada agora. - ia fechar a porta na cara do rapaz, mas ele a impediu, segurando a porta.
- De qualquer jeito, eu só vim te entregar uma coisa. - tirou um objeto pequeno e quadrado do bolso.
pegou o que reconheceu ser um CD em uma capa comum.
- Só tem uma música, que eu gravei pra você assim que cheguei em casa hoje. - Ele deu de ombros e enfiou as mãos no bolso da calça de novo, encarando o chão. – Mas, enfim, vou indo nessa. Boa noite.
deu um sorrisinho fraco e fechou a porta, olhando para o CD. Ela estava realmente intrigada e curiosa com aquilo.
A garota foi andando até seu quarto e acendeu a luz. Mas a luz não acendeu.
Merda de lâmpada queimada! ela praguejou, olhando para a lâmpada. Tinha se esquecido que ela tinha queimado, já que estava se acostumando a viver no escuro essa última semana.
Tentando não tropeçar em nada, foi até o som e colocou o CD para tocar, percebendo que tinha um papel junto a ele, mas ela não conseguiu ler devido ao escuro.
Assim que a introdução começou a tocar, já reconheceu a música.
I'm sitting here all by myself,
just trying to think of something to do
Trying to think of something, anything
just to keep me from thinking of you
But you know it's not working out
'cause you're all that's on my mind
One thought of you is all it takes
to leave the rest of the world behind
Ela sorriu, já que adorava essa música. Sentiu uma curiosidade enorme de ver o que estava escrito no papel, então deixou a música tocando e foi até a sala.
Eu só consegui cantar essa música desde que você parou de falar comigo. Me explica por quê?
Esse simples recado fez o maior sorriso - talvez o único em muito tempo - aparecer no rosto da garota, que fechou os olhos e respirou fundo, controlando suas emoções.
Quando ela voltou ao quarto, a música já estava em uma de suas partes favoritas:
I know it's not the smartest thing to do
We just can't seem to get it right
But what I wouldn't give to have one more chance tonight
One more chance tonight...
A garota colocou a música para repetir e foi deitar-se, puxando a coberta até seu pescoço e se encolhendo toda, numa tentativa de se abraçar.
Ela fechou os olhos e dormiu feliz, só pra variar.
Não que ela tivesse esquecido a tentativa de de interná-la mais cedo, mas ela não conseguia negar que ele havia conseguido se redimir de uma grande parcela de raiva que ela sentia por ele no momento.
Alguém normal acorda às seis da manhã em um sábado?
Ah sim, esqueci que estamos falando de , que, por acaso, estava entrando no quarto de exatamente às seis e dez da manhã, tentando não cair e arrumar uma mala ao mesmo tempo num quarto escuro.
- AAAH ESSA MÚSICA JÁ TÁ ME IRRITANDO!! - ele berrou depois de vinte minutos tentando se concentrar na mala que estava fazendo para . - , acorda!! Eu preciso abrir essa janela pra enxergar alguma coisa!
foi até a janela e abriu as cortinas. Uma luz que pareceu ser cegante entrou pela janela do quarto que não sabia o que era claridade há um tempo.
- ? - se sentou na cama, confusa. Ela observou o garoto andar até o som e desligá-lo enquanto esfregava os olhos, tentando se convencer da cena que estava presenciando. - O que você tá fazendo aqui, garoto?
- Suas malas. - Ele voltou finalmente a pegar algumas roupas sorteadas no armário e a enfiar sem piedade dentro de uma mala preta de rodinhas gigantesca. - Você não tem nenhuma menor não?
- Tenho, mas por que exatamente você tá arrumando minhas malas?
- Nós vamos passar um fim de semana na casa da minha avó. - se estressou mais uma vez com o tamanho da mala e começou a procurar alguma mala de mão. - Eu, você e o resto.
- Quem decidiu isso? - começou a ajeitar seu cabelo, prendendo-o num coque enrolado e colocando a franja atrás da orelha.
- Eu decidi ontem à noite, depois que passei aqui. Percebi que você gostou bem do meu CD, né.
- Eu não vou! - Ela deitou-se novamente e colocou o edredom em cima do rosto.
- Vamos ver - sussurrou, enquanto tirava as roupas da mala grande e enfiava numa mochila jeans imunda.
fingiu que não estava mais ali e tentou pensar no preto. Sempre que ela não queria pensar em nada, pensava no preto. Normalmente não adiantava, e não estava sendo diferente naquele momento.
Eu não quero viajar! Fala sério, quem ele pensa que é pra sair decidindo isso assim? Eu estou muito bem na minha cama, não vou sair daqui pra me arrastarem pra uma clínica com a desculpa de que estamos indo pra casa da vovó. Pelo amor de Deus, que tipo de desculpa é essa?
Depois de um tempo pensando em várias coisas, menos no preto, resolveu se levantar. Ela passou rápido por , ainda ocupado em escolher roupas para colocar na mochila, sem falar nada. Rumou para a cozinha, pois precisava colocar alguma coisa na boca.
Assim que chegou lá, deixou seus olhos percorrerem o local à procura de um biscoito, barrinha de cereal, pedaço de pão, muffin velho, qualquer coisa. Mas tudo que achou foi uma banana que provavelmente deixara para trás.
Banana? Eca!
foi se arrastando para a sala e se jogou no sofá, bufando. Fitou a prateleira à sua frente por uns instantes, reparando mais em um porta-retrato redondo com alguns detalhes manchados que estava sem foto e na garrafa de Conhaque que estava do lado dele.
A garota nunca se interessara por aquela garrafa que costumava ser extremamente especial para Ethan. Ele sempre lhe oferecera um pouco quando tomava raramente, mas ela nunca aceitara. Quem sabe não poderia experimentar?
Imediatamente ela se levantou e pegou a garrafa. Observou-a bem e voltou para a cozinha, a fim de achar alguma coisa para beber junto com aquilo. Conhaque puro devia ser extremamente horrível pela manhã.
Encarou aquela banana novamente e depois olhou para a garrafa que carregava.
É, definitivamente aquilo era melhor do que a banana solitária em cima do balcão.
começou a abrir desesperadamente os armários em busca de alguma coisa.
Canela e chocolate em pó. Era tudo que ela tinha no momento jogado pelos armários. A canela provavelmente já estava pra vencer, mas quem se importava?
A garota ferveu um pouco de leite que ainda tinha - ela sempre tinha que ter leite - e despejou em um copo com algumas colheres de chocolate e algumas pitadas de canela.
Quando começou a despejar o Conhaque, hesitou um pouco, já que ainda estava em seu quarto provavelmente arquitetando um plano para interná-la.
Eu sou maior de idade, ele não pode me internar se eu não quiser. Então foda-se.
- ? Tá pronta? - Ela ouviu a voz de ao longe. Encarou seu copo. Se ela se lembrava, era mais ou menos assim que Ethan tomava seu Conhaque, mas com alguns marshmallows. - Cadê você?
Ardência. Ela havia virado tudo quase de uma vez só, e aquilo estava MUITO quente.
- Merda, merda, merda, merda!! - se xingou enquanto entornava o resto do líquido na pia. Ela passou uma água no copo e voltou para seu quarto, antes que fosse procurar por ela.
- Já te disse que não vou com você? - Eles se encontraram na sala. estava carregando sua mochila nas costas e o um edredom roxo com bolinhas brancas que ele havia pegado no armário.
- Eu já imaginava que você se negaria, por isso vim preparado. - Ele foi se aproximando da garota que estava com os braços cruzados, imaginando que ele tentaria seduzi-la para suborná-la.
foi andando até , enrolou o edredom nela e a pegou no colo, deixando com que a cara dela ficasse bem... Er, um pouco acima da bunda dele.
- Hey , o quê você pensa que está fazendo??? - começou a berrar.
- Te levando para a casa da minha avó, uma hora e meia de Londres - ele respondeu na maior tranqüilidade, carregando um enroladinho de e uma mochila até o elevador.
- , pára com isso, você tá me fazendo passar a maior vergonha no meu próprio prédio! - Agora ela também estava socando as costas dele.
Os dois entraram no elevador que estava vazio com exceção de um senhor já de idade que ficou observando o casal.
- Sou eu quem estou de pijamas berrando e socando outra pessoa por aí? - perguntou . não respondeu, apenas bufou. - Ótimo, então acho que não sou eu que estou passando vergonha.
- Dá pra me botar no chão, pelo menos? - ela pediu, abaixando o tom de voz. - Eu tô quase com a cara na sua bunda!
não pôde deixar de rir e perceber que o senhor os encarava cada vez mais.
- Quando a gente chegar lá embaixo, eu te solto, combinado?
soltou um muxoxo e fechou os olhos, tentando não pensar na situação em que se encontrava e no que aconteceria se alguém conhecido entrasse no elevador. Bosta de prédio gigante, aquele elevador não chegava nunca para ela!
Eles pararam no terceiro andar e o velhinho saiu... resmungando?
- Esses jovens de hoje em dia...
- Você tem alguma bala aí? - perguntou assim que eles desceram do elevador, no térreo. Ela já estava sobre seus dois pés. - Não deu tempo de escovar os dentes.
riu e tirou um drops do bolso, entregando-o a .
- Obrigada.
Eles andaram até a porta sob o olhar de todos os presentes, afinal, ainda parecia um enroladinho com aquele edredom extravagante arrastando pelo chão.
- Como eu vou sair daqui? - travou assim que chegaram na porta. - O que vão pensar de mim?
- , olha pros lados... - mandou e ela o fez. - Já estão todos pensando o pior de você, quer continuar andando ou vou ter que te pegar de novo?
- Mas vão tirar fotos, o Joe vai brigar comigo e... - A garota resmungou até que a olhou com reprovação e impaciência.
- Tá, tá! - bufou e levantou um pouco seu cobertor para não arrastar pela rua. - Já tô indo! Mas acho bom você ter parado esse carro perto...
Capítulo 25 - I don't know why you love me, and that's why I love you!
- ... - colocou a cabeça dentro do quarto onde estava deitada na cama.
- Eeeeu?
- O que você tá fazendo aí? - Ele foi andando até a menina e só então ela percebeu que ele estava apenas de bermuda, completamente encharcado.
- Descasando, já que alguém não me deixou dormir durante a viagem...
se deitou na cama, ao lado de e a abraçou.
- Vamos dar uma voltinha? - ele perguntou, fazendo voz de criança.
- Aaaaai! Saí daqui, sapo! - berrou se encolhendo. - Vai molhar a cama da sua vó toda!
ficou apenas rindo da cara da menina, esfregando seu cabelo - que estava pingando - na cara dela.
- Anda, ! Pára de dar uma de velha e vamos lá pra piscina, tá todo mundo lá!
- Se você sair de cima de mim, eu posso me trocar - parou de se debater e falou calmamente, assustando a , que se levantou apressado e saiu correndo, fechando a porta, sem questionar.
- Isso sempre funciona! - A garota riu sozinha, se levantando e pegando sua mochila no chão. - O quê será que o colocou nessa mala pra mim?
É, a mania de falar sozinha não tinha ido embora com a solidão.
foi se aproximando da piscina e observando seus amigos. Como eles conseguiam ser todos tão lindos assim?
Ela se sentou à beira da piscina e colocou os pés dentro d'água. Até que havia sido espertinho e colocado algumas coisas úteis na mochila, como um biquíni, um short jeans curto e seus óculos escuros Dolce & Gabbana favoritos.
- Olha só quem resolveu dar o ar da sua graça! - berrou de dentro da pis cina. apenas sorriu para o amigo.
- Vem pra cá, ! - chamou.
- Mais tarde... - Ela suspirou, mexendo os pés na água. - Ainda estou me recuperando dos últimos acontecimentos.
nadou até a beirada e agarrou os pés da garota.
- Eles não sabem sobre a clínica nem nada - falou baixinho apenas para ouvir.
- Que acontecimentos? - perguntou .
- Ah, você acha que acordar e ser literalmente arrastada pra um lugar desconhecido, por um cara que nem fala mais comigo, acontece todo dia na minha vida, ? - Ela riu sarcástica.
- É verdade... - Ele pensou um pouco e depois sumiu dentro da piscina.
- Mas, , você não tá chateada com a gente por nada não, né? - perguntou, preocupado. - Você sabe que a gente também não tava entendendo muita coisa recentemente, vocês são muito complicadinhos. - Ele fez uma careta de desdém.
- A culpa não foi de vocês, ! Tá tudo certo. - Ela piscou.
se sentou ao lado dela na borda.
- Obrigada por não contar a eles sobre Audrey - agradeceu sinceramente.
a abraçou de lado, molhando suas costas toda e fazendo com que ela se contraísse.
- É pra isso que os amigos servem - falou com sua voz completamente fofa.
não se agüentou e deu um selinho no rapaz, que a olhou sem entender muito no início, mas depois não resistiu aos lábios vermelhos e convidativos dela e a puxou pela nuca para um beijo carinhoso e cheio de saudades.
Em poucos minutos, já estava quase sentada no colo de , o cabelo de ambos estava despenteado e as bocas vermelhas. Mas eles não paravam de se beijar, simplesmente porque haviam sentido falta demais disso.
- Ham ham - pigarreou perto deles.
riu sem graça e separou suas bocas - finalmente.
rolou os olhos e se levantou, puxando pela mão até uma espreguiçadeira. Os dois deitaram espremidos um ao lado do outro ali e abraçou a garota pela cintura.
- Não sabia da existência dessa casa... - comentou depois de um tempo em silêncio, apenas contemplando a bela vista que tinha da piscina, jardim e um pedaço da casa branca e velha (porém bem cuidada).
- É, eu não costumava vir aqui, mas desde que minha avó faleceu, só o caseiro fica aqui, então resolvi pedir a chave a minha mãe.
- ! - levou uma mão a boca, encarando o rapaz. - Eu não sabia sobre sua avó, sinto muito!
- Qual é, . Isso faz tempo, não esquenta não.
- Mas de qualquer jeito é uma bela casa... - ela reparou.
começou a beijar sua orelha e a mordê-la de fraquinho, fazendo com que se arrepiasse.
- Dá pra parar de reparar na casa e no bando de bocós na piscina quando se tem um cara como eu deitado ao seu lado?
riu e virou-se de frente para , que estava extremamente irresistível à luz do sol, com os cabelos, desgrenhados e molhados, jogados no rosto.
Ela levou uma mão ao rosto dele e acariciou-o na bochecha, sorrindo.
suspirou e fechou os olhos ao sentir que havia colado os lábios em seu rosto e estava o beijando em vários lugares.
- Senti tanto a sua falta, ... - falou baixinho. - Você nem imagina o quanto... já estava me ameaçando de morte caso eu colocasse A Lonely September pra tocar de novo.
riu fraco, sem parar com os beijinhos e carícias pelo rosto do rapaz.
- Bom saber que eu também fiz falta.
cansou de se segurar e puxou pela nuca, beijando-a fervorosamente, apoiando uma de suas mãos à barriga dela.
Assim que percebeu um certo movimento suspeito vindo de dentro da bermuda de , tratou de afastar as bocas, afinal, estavam na beira da piscina com três marmanjos jogando bola por ali.
- - ela falou ofegante.
- Que foi? - ele perguntou, tirando um fio de cabelo irritante do rosto dela.
- Acho melhor pararmos por aqui, não?
- Não dá mais! - Ele riu sem graça. - Vamos lá pra dentro... - queria se levantar e pegar no colo, para levá-la até um lugar privado, mas suas condições atuais não permitiam.
- Não. - Ela se sentou com as pernas pra fora da espreguiçadeira e depois se levantou. - Eu vou tomar um banho de piscina, mais tarde a gente se resolve.
fechou os olhos, tentando controlar sua respiração. olhou para ele com vontade de rir, mas controlou-se.
Ela tirou seu short e estava desprendendo seu cabelo quando abriu os olhos e a encarou.
- Porra, , quer me matar?
- É, eu sei que engordei alguns quilinhos, mas é que eu não parei de comer esses dias... - ela disse analisando sua barriga.
- Engordou? - Ele a olhou mais uma vez de cima a baixo, mordendo o lábio. - Você só ficou foi mais gostosa desde a última vez que te vi!
segurou o braço da garota, puxando-a para mais perto dele.
- Vamos lá pra dentro, anda... - ele choramingou fazendo cara de coitadinho.
apenas riu, se desvencilhou de e pulou na piscina, mergulhando e indo até o outro lado da mesma.
- Gente, vou desidratar! - berrou jogando a cabeça para trás. - Tô indo nessa. - Ele saiu da sauna, deixando e sozinhos pela primeira vez em uma hora e meia dentro da sauna.
estava deitada no último andar da sauna com os olhos fechados. já estava quase morrendo de falta de ar lá dentro, mas estava esperando por um momento a sós com ela.
- , você dormiu aí? - ele perguntou olhando para ela.
- Hmmm, ainda não - resmungou com a voz arrastada.
- Ótimo. - sorriu e subiu um degrau, deitando em cima de , que abriu os olhos imediatamente, assustada.
- Que você quer, criança?
- Você - ele respondeu grudando sua boca ao pescoço dela. - E nem vem que você não me escapa de novo.
sorriu e fechou os olhos de novo. continuou beijando e mordendo seu pescoço, passeando com as mãos pelo corpo da garota.
- Só disso que você sentiu falta, foi? - ela perguntou brincando, afastando a boca de de sua pele para poder olhá-lo nos olhos.
- Hm... – Ele fingiu pensar um pouco. - Basicamente sim.
deu um tapa no braço dele e depois mordeu o mesmo.
- Não faz nem questão de esconder, hein ?
- O quê você quer que eu faça se você fica mais linda a cada vez que a gente se reconcilia?
passou as mãos pelos cabelos do rapaz, o puxando mais para perto de si enquanto ele guiava um beijo calmo.
- Hmmmm - ela gemeu tentando parar o beijo. - Você tá precisando de uma massagem no cabelo, sabia?
rolou os olhos, se apoiando com os dois braços em volta da menina.
- Isso tem muita importância no momento, ?
- Claro que tem! - Ela o empurrou pelo peito e se levantou, descendo os degraus da sauna à procura do creme de chocolate que havia visto por ali mais cedo. - E você ainda vai adorar! Só não pode se acostumar mesmo...
se sentou e levou as mãos até seu rosto, cobrindo o mesmo com impaciência. o observou mordendo o lábio inferior, enquanto abria o pote grande e marrom.
- Vai tomar uma ducha gelada ali fora primeiro, vai . - se controlou para não rir do pequeno desespero do rapaz, que se levantou bufando e saiu da sauna em direção à ducha.
Quando voltou, estava cheia de um creme estranho e pegajoso na mão, observando-o cuidadosamente.
- Abaixou um pouco o vapor da sauna? - ela perguntou sem tirar os olhos do creme gosmento.
- Aham... - Ele se aproximou dela e sentou-se no primeiro degrau. - Não pretendo desidratar.
Sem pedir permissão alguma, espalmou suas mãos melosas no cabelo de , que levou um susto.
- O que seria isso? - Sua voz era desesperada.
- Relaxa, babe. - Ela sorriu enquanto espalhava o creme. - Só vai hidratar um pouco seu cabelo, deixando-o mais macio...
- Pra que eu quero um cabelo mais macio se você fica me evitando? - ele perguntou, emburrado.
- Não estou te evitando, você é que tá com um fogo muito aceso aí. - A garota riu da careta que fazia ao sentir aquele creme gosmento em sua cabeça.
- A culpa é minha se o desejo tá acumulado?
gargalhou alto e ignorou a pergunta, começando a puxar o cabelo do rapaz para cima, fazendo uma espécie de moicano.
- Ai meu Deus, você vai estragar meu cabelo qualquer hora dessas! - fez uma cara de desgosto observando seu reflexo no pequeno espelho da sauna.
- Quer parar de reclamar? Vai ficar muito bom, sente só o cheirinho. - colocou a mão perto do nariz de para que ele pudesse sentir o aroma de chocolate.
- Quero saber é se vou ficar irresistível. - Ele sorriu maroto, puxando pela cintura e ficando com a cabeça colada em sua barriga.
deu um beijinho um pouco acima do umbigo da garota, que sorria e continuava com sua massagem.
Algum tempo depois, ainda se divertia fazendo penteados diversos com o cabelo pastoso de , que já não aguentava mais a situação.
- Como você é chata - resmungou pela milésima vez.
- E como você é impaciente! - ela rebateu.
- Não sei como consigo te amar, sabia? - Ele olhou para cima, encarando o rosto de , com os olhos espremidos, temendo que alguma coisa caísse sobre seus olhos e o cegasse.
observou o rosto inocente e lindo do rapaz sentado à sua frente por uns segundos, perdida em seus traços quase perfeitos. Essa quase perfeição dele era o que o deixava mais irresistível, no ponto de vista dela.
- Eu também não sei como você me atura - ela sorriu, pousando delicadamente uma mão na bochecha dele -, mas é por isso que eu te amo.
sorriu e sem se importar com o fato de estar todo melecado, agarrou as pernas de e as puxou, fazendo com que ela se sentasse de lado em suas pernas. Eles se encararam sorrindo por um tempo, até que iniciaram mais uma sessão calorosa de beijos.
Capítulo 26 - Just tell me why this misery won't go away
Onze e meia da noite, cinco corpos jogados pela sala, espalhados em sofás, colchões e almofadas, tentando resistir ao sono e cansaço e prestar atenção ao segundo filme seguido que rolava na tevê.
e já estavam roncando há muito tempo, amontoados um em cima do outro no sofá maior.
Ninguém conseguia distinguir se estava dormindo ou não, sentado com os olhos fechados na cadeira de balanço.
estava claramente desmaiado de bruços ao lado de , no chão.
Por mais cansada que estivesse, a garota não conseguia pensar no preto para conseguir dormir tranqüilamente.
Ela bufou se levantando e olhando ao redor. Tentou falar alguma coisa, mas sua garganta estava seca demais, e a preguiça era muita.
Assim que conseguiu alguma coragem, levantou-se e encarou seu reflexo no espelho, ajeitando a calça de moletom e o rabo de cavalo.
se arrastou até a porta da casa, pegou a chave da mesma numa mesinha de canto e saiu, sem fazer muito barulho, à procura de algum estabelecimento aberto. Ela precisava de uma bebida.
Durante o trajeto que fez a pé até um barzinho meio espelunca, ela se perguntou o motivo de estar precisando beber, já que não precisava esquecer nem se livrar de nada naquele momento. Ela estava feliz. Então por que a necessidade estúpida?
- O que você tem pra beber aí? - perguntou enquanto se sentava em um banco alto perto do balcão. Desde que ela havia entrado pela porta, todos os olhos masculinos viraram-se para ela. Não era pra menos, já que ela era a única mulher por ali.
- No momento só cerveja e cachaça - o sujeito gordo e careca com uma bandana na cabeça respondeu, encarando-a.
fez uma careta. Não estava acostumada a esse tipo de bebida em bares escuros e imundos onde só se encontrava homens.
Mas ela realmente precisava daquilo. Estava com sede e sabia que só alguma coisa que descesse queimando aliviaria.
- Me vê uma dose - ela respondeu simplesmente, tirando seu celular do bolso e colocando-o sobre o balcão para poder ver a hora. Dez pra meia noite.
O cara virou e rapidamente lhe entregou um copo pequeno com um líquido amarelo e com um cheiro horrivelmente forte. Todas as cabeças viraram instantaneamente para ela de novo. apenas apertou o casaco preto contra o peito, fechando-o mais um pouco enquanto encarava o copo com um certo nojo e desejo.
A garota deu um gole pequeno e uma careta enorme se formou em seu rosto. Ela se achava o ser mais repugnante do mundo naquele momento, e tinha certeza de que Ethan diria a mesma coisa. De que pensaria a mesma coisa.
- É... - chamou sem graça o careca de novo - acho que vou ficar com uma cerveja mesmo.
Ele deu uma risadinha e pegou o copo de , deixando uma latinha no lugar.
Duas horas da manhã, as preocupações da garota quanto ao que Ethan ou poderiam pensar dela já tinham ido por água abaixo.
chegou ao jardim da casa da parente de (que ela já não lembrava ao certo quem era especificamente) com muita dificuldade. Ela se sentou na beirada da piscina, que era a única coisa iluminada no momento, já que possuía iluminação interna, com muito cuidado para não cair e morrer afogada. Ela colocou os pés para dentro e ficou encarando seu reflexo na água distorcida, que, por sinal, estava lhe dando dor de cabeça por se movimentar demais. Chutou com raiva a água e passou as mãos pelos cabelos, dando um nó no mesmo para tirar-lhes do rosto.
A água não estava muito fria, e seus pés já estavam acostumados ali dentro. chegou um pouco mais para a beirada e enfiou as pernas até o joelho dentro da piscina. Continuava não muito gelada. Seu corpo estava anestesiado, esse era o motivo para ela não sentir o gelo que estava a água, assim como não sentia a dor no corpo que certamente sentiria no dia seguinte.
Enquanto a garota chutava a água e observava as imagens que apareciam ali, ela começou a rir sozinha, achando tudo aquilo muito engraçado. A risada foi aumentando gradualmente e, sem ao menos perceber, ela já estava de pé dentro da piscina, com água até a cintura. E isso só fez com que as gargalhadas aumentassem. Rapidamente, ela retirou sua blusa e jogou para a borda, mergulhando em seguida.
Um tempo dando cambalhotas embaixo d'água, rindo sozinha e metendo a cara na luz forte dos holofotes dentro da piscina, já estava com a boca roxa, tremendo de frio e com os dedos enrugados. Mas frio? Frio ela não sentia! Estava com calor e precisava acabar com aquela sensação!
- ? - ela ouviu uma voz a chamando, mas não se preocupou em prestar atenção, já que a tonteira que girar a cabeça estava lhe dando era prazerosa demais. - , é você que está aí?
- Woooow! - berrou estendendo as mãos pra cima, sentindo que a cabeça continuava a girar, mesmo que ela já tivesse parado de movimentá-la.
- ! - exclamou assim que chegou na beira da piscina, vendo aquela garota descabelada e roxa com um sorriso enorme estampado no rosto. - O que você tá fazendo aqui?
- See that girl... - Ela começou a cantar, fazendo gestos exagerados com os braços. - Watch that scene... Digging the dancing queen!!!!
passou as mãos nervosamente pelos cabelos, ajoelhando-se ao lado da piscina. Ele percebeu que não adiantaria falar ou berrar chamando-a, ela estava curtindo um momento êxtase sozinha.
Ele começou a tacar água na garota, que ainda cantando Dancing Queen se aproximou dele devagar.
- ! - gritou num tom de voz abobalhado quando o reconheceu. - Veio se juntar a mim?
- Não - ele respondeu calmamente, puxando-a pelo braço. - Vim te tirar daqui antes que você tenha uma hipotermia.
- Hipotermia? HAHA! - ela riu irônica, sem forçar seu peso contra os braços de , e até o ajudando a tirá-la dali. - Mas eu nem estou com frio, amorzinho...
- Onde você se meteu? - perguntou finalmente, depois que já estava seca, enrolada numa toalha, segurando uma xícara de café, dentro da sala, que tinha as luzes apagadas.
- Ah, fui dar uma volta.
Um tempo em silêncio, soltou um suspiro alto, frustrado e cansado.
- Posso te perguntar uma coisa? - ele perguntou e ela assentiu com a cabeça, ainda sem encará-lo. - Promete sinceridade?
- Se eu souber a resposta certa, sim.
- O que tem de errado no momento? - A voz de não poderia ser mais paciente.
- Como assim? - A voz de não poderia ser mais confusa.
- Você sempre diz que bebe para esquecer os problemas, porque sua cabeça está cheia demais e esse blábláblá todo... - Ele pausou um pouco, como se tentasse decifrar a expressão de , que não passava de um borrão no momento devido a falta de luz. - Então queria saber qual o problema agora pra você continuar bebendo?
não respondeu. Apenas sentiu uma pontada em seu peito e seu coração apertando.
- Quero dizer, se você quisesse ter bebido alguma coisa, poderia ter nos pedido, certo? Estamos entre amigos, você sabe que poderia ter feito isso.
Ela queria responder que não poderia ter feito isso, já que sabia que essa viagem repentina não passava de uma tentativa de fazer com que ela se esquecesse do álcool e dessa bagunça toda. Porém não disse. Não pronunciou uma palavra.
- Não garanto que teria providenciado alguma bebida, mas pelo menos teria conversado com você e resolvido essa história com calma. Como pessoas civilizadas fazem.
O frio voltou a percorrer as espinhas de .
- Eu não sei - ela começou a se pronunciar, mas parou para pensar melhor e conter o choro -, não sei mais o que me leva a fazer isso. É um impulso.
- Vamos lá, tente explicar... Isso deve fazer bem - ele falou com a voz macia, o que fez com que realmente se sentisse confortável para tentar explicar um sentimento que nem ela entendia, já que evitava ao máximo pensar sobre isso.
- Olha, eu não tinha parado pra pensar nisso, porque eu realmente achava que bebia para esquecer os problemas e curar a solidão... E hoje, o dia foi simplesmente perfeito - um sorriso se formou no rosto da garota - com pessoas que eu amo mais que tudo, então eu não sei realmente o que me levou atrás daquele bar. - O sorriso foi embora e o sentimento de nojo voltou. - Eu agi sem pensar, e, quando dei por mim, estava lá, em um lugar completamente abominável, que eu não pensaria nem em entrar antigamente... Mas eu não era eu mesma, entende?
assentiu com a cabeça e hesitou um pouco. O rapaz pegou nas mãos frias dela, dando-lhe forças para continuar.
- Era como se eu precisasse daquilo, pra me revigorar, me sentir viva de novo, sabe? Todos vocês estavam dormindo, então não vi mal nenhum na hora...
- E você consegue me dizer um nome pra isso? Quero dizer, pra esse sentimento? - perguntou , muito compreensivo. Ele parecia mesmo um psicólogo naquele momento.
Mas é como dizem por aí, o melhor psicólogo é aquela pessoa que te conhece como ninguém.
sabia que deveria dizer que estava se tornando uma alcoólatra, mas simplesmente não tinha coragem pra isso.
- , não... - ela pediu em meio a um suspiro.
- , você sabe que eu só tive boas intenções levando a Audrey pra conversar contigo, não sabe?
- Eu sei, mas é que... - A voz de morria sempre que tentava falar alguma coisa. - Eu não quero...
abraçou sua garota, que logo enfiou o rosto em seu ombro e pôs-se a chorar.
- Eu sei que preciso de ajuda... - ela falava entre os soluços. - Eu já sei disso há muito tempo! Mas eu não quero, , não quero...
- Calma, , calma - sussurrava enquanto acariciava o cabelo de .
- Eu não posso ir pra uma clínica, vai tudo desmoronar se eu for!
- E como as coisas estão no momento?
- Mas só vai piorar tudo, você não entende? - se desvencilhou do colo de por impulso e gritou, encarando-o como podia em meio a tantas lágrimas.
- Você é quem não entende, ... Eu só estou querendo te ajudar, minha intenção sempre foi essa. Você sabe o problema que tem e sabe que não vai conseguir sozinha. Na clínica você vai ter o apoio de médicos, pessoas sérias, sem se esquecer de contar com seus amigos... - ele deu destaque a essa última palavra - e comigo.
- Mas a imprensa, e Joseph... O que vão pensar de mim, ?
- A pergunta é: o que já não pensam de você? - tentou puxar de novo para um abraço, mas ela resistiu. – E, falando sério, a opinião dessas pessoas realmente importa tanto assim pra você?
, sem falar mais nada, se jogou nos braços de e ficou no colo dele por um tempo, chorando, mas se esforçando (sem obter muito sucesso) para não soluçar muito.
Um tempo depois, se levantou e, ainda com em seu colo, foi andando, desviando dos três corpos jogados na sala.
já estava quase dormindo, ainda no colo do rapaz, com as mãos espalmadas em seu peito e cabeça jogada em seu ombro.
Ele subiu as escadas e entrou no quarto em que suas coisas e as da garota estavam. Deitou-a na cama e tirou-lhe a calça úmida.
se virou na cama, resmungando alguma coisa inaudível.
procurou algum tipo de pijama na bolsa da menina, mas só encontrou o que parecia ser um short pertencente a um conjunto de pijama, então vestiu a garota com isso mesmo, cobrindo-a com a coberta e dando-lhe um beijo na testa.
- Já venho, ... Só vou tomar um banho - ele sussurrou perto do ouvido de , que apenas resmungou, mas sem nem entender o que estavam falando.
Alguns minutos depois, se deitou ao lado de , enfiando-se debaixo das cobertas e aproximando bem seu corpo do da garota a fim de se aquecer mais rápido. Ele passou um braço pela cintura da garota, que virou-se de frente para ele, sorrindo.
- Ainda acordada? - ele perguntou também sorrindo, com a voz fraca.
- Acordei com o barulho do chuveiro...
soltou uma exclamação como resposta e continuou encarando a garota, quieto.
Um tempo em silêncio e os dois fecharam os olhos, deixando que o sono os levassem. Ou pelo menos estava deixando.
- Amanhã eu vou pra clínica, - disse sussurrando de uma maneira tão baixa que parecia que ela não queria que ninguém ouvisse.- E você quem vai me levar, só você vai ficar sabendo... Prometo.
Ela beijou levemente a mão de e fechou os olhos, finalmente pronta para dormir, achando que o rapaz não havia ouvido a promessa.
Mas ele escutara, e estava controlando o sorriso dentro de si.
Capítulo 26 - I wanna take back all the shit that I have done
- Bom dia, princesa - sentiu uma voz quente falando perto de seu ouvido.
Tentou sorrir, mas o menor movimento doía.
- Acordou disposta?
- Acho que sim - a voz da garota saiu mais rouca do que ela esperava -, mas acho que não tô conseguindo falar direito... Nem me mexer.
- Como é fresca essa minha menina - riu e se levantou. - Vou pegar um suco pra você.
- Traz um analgésico também! - tentou gritar antes que ele fechasse a porta.
- , o que você tá fazendo acordado às nove? - um com a cara mais amassada perguntou.
Ele estava sentado no balcão da cozinha usando apenas sua boxer listrada, bebendo um copo de leite puro.
- A mesma coisa que você - ele respondeu simplesmente, pegando uns tomates.
- Eu não estou fazendo nada com tomates. Isso sim é estranho...
- Ah, vou fazer um suco de tomate pra ... Pra ela, er... Acordar.
não queria dizer que tinha lido que suco de tomate era bom pra curar ressaca e que por isso ele estava fazendo um pra .
- Estranho - murmurou - vai dormir! Eu vi vocês dois ontem subindo as escadas de madrugada, pareciam super animadinhos... - ele comentou, maldoso.
riu e não respondeu, pensando na noite passada. Se soubesse uma pequena parte do que eles estavam fazendo, com certeza não estaria pensando sacanagens.
- Estou indo nessa, acho que minha cama tá me chamando. - se arrastou para fora da cozinha sem esperar por uma resposta.
entrou silenciosamente no quarto, carregando uma bandeja com suco de tomate, um copo de água e umas torradas.
A explicação para esse café-da-manhã 'saudável' é que os cinco tinham se esquecido de fazer as compras no dia anterior, por isso estavam sobrevivendo das frutas, verduras e torradas que já estavam na casa. Não ter biscoitos, pipocas, pizzas ou qualquer coisa congelada estava fazendo falta.
- , o que isso significa? - estava olhando estranho para a bandeja, enquanto se sentava na cama, com uma mão na cabeça, já que a mesma não parava de latejar.
- Café da manhã na cama, ué! - Ele se sentou ao lado dela, apoiando a bandeja no colo e mexendo o suco vermelho sangue.
- E o que seria esse treco vermelho? - Sua voz ainda estava rouca, mas continha também um certo nojo.
- , não reclama não porque tive a maior trabalheira pra fazer esse suco, ok?
não admitiria, mas havia ligado para sua mãe pedindo ajuda com o suco depois de uma primeira tentativa completamente frustrada.
deu um gole no suco, com uma cara nada agradável.
- Eca, ! - ela berrou limpando a boca assim que engoliu o primeiro gole. - O que exatamente você pôs aqui?
- Tomate, ué! Eu li que faz bem pra curar ressacas... Você devia saber disso, não acha?
- Engraçadinho. - Ela o encarou por uns segundos, pegando uma torrada. - Não quero beber isso não, toma. - estendeu o copo para , que pegou e levou-o para perto da boca da menina de novo.
- É só fechar os olhos e tampar o nariz que você nem vai sentir...
- Eu não sou mais uma criancinha, ... - resmungou, manhosa.
- Sério? Então por que está me dando tanto trabalho assim? - Ele ainda forçava o copo perto da boca dela.
pegou o copo e, desgostosa, deu uma longa golada, só para provar que era capaz. Mas não conseguiu deixar de fazer uma careta, o que fez rir.
- Olha, vou dizer que eu nunca simpatizei muito com tomates, mas esse treco é a PIOR coisa que eu já provei! - ela reclamou assim que terminou de beber o suco.
Tinha que ter um drama, ou não estaríamos falando de , não é mesmo?
- Você é realmente a frescura em pessoa... - estendeu o copo de água para , ainda rindo das caras dela. - Trouxe isso já prevendo seu mini escândalo.
agradeceu pelo copo de água e ficou enrolando para beber, enquanto observava , que já tinha se levantado e agora arrumava as malas dos dois.
- O que nós vamos fazer hoje? - ela perguntou.
- Voltar pra Londres, ué - respondeu ainda agachado, enfiando umas roupas na mala sem ao menos dobrá-las. - Uma certa Audrey está nos esperando.
tentou argumentar, mas assim que abriu a boca foi interrompida.
- E nem adianta reclamar, eu já liguei pra ela e nós temos hora marcada às duas da tarde com ela lá na Clínica, ok? - virou sua cabeça em direção a garota e sorriu, encorajando-a.
Ela não contrariou, mas não estava gostando muito da idéia. Pensando melhor no momento, ela sabia que podia vencer o problema sozinha. Nem estava com vontade de beber!
Mas tudo bem que acabara de beber um copo gigante de suco e outro de água, e sua bexiga estava estourando.
- Já volto. - A garota se levantou meio tonta e foi cambaleando até o banheiro do outro lado do corredor, carregando consigo o estojo de maquiagem que viu jogado perto se sua bolsa, já prevendo o estrago de seu rosto.
Encarou seu reflexo pálido no espelho e passou as mãos pelo rosto, tentando melhorar suas olheiras.
Enquanto fazia xixi, cantarolava alguma música qualquer balançando os pés que não tocavam o chão.
Voltou a encarar-se no espelho, dessa vez com mais coragem para tentar dar um jeito na situação. Lavou o rosto e deixou a água gelada encostar diretamente em sua pele, causando-lhe arrepios. Depois prendeu o cabelo em um coque com nó e passou uma fina camada de base, tentando esconder as marcas da ressaca e noite mal dormida. Deu um tom mais rosado à sua bochecha e, com a ajuda de um rímel incolor, deixou seus cílios maiores e naturais.
Voltou para o quarto um pouco mais animada por não estar mais parecendo um zumbi.
Encontrou um ainda atolado, tentando fechar a mala que explodia roupas.
- Vai uma ajudinha aí? - a garota perguntou rindo enquanto pegava a roupa que havia separado para ela em cima da cama.
- Quer sentar aqui em cima? - Ele apontou para a mala com a cabeça.
Ela riu e colocou o pé descalço em cima da mesma.
- Eu tava brincando, . - a encarou. se perdeu nos olhos lindos que o garoto tinha e na cara angelical que a observava sempre como se ela fosse o mais frágil brinquedo, que tinha que ser cuidado com o maior carinho e dedicação. Que era na verdade como ele a tratava. Com respeito e afeto que ninguém jamais demonstrara com tanta intensidade.
Ela não resistiu e abaixou-se para ficar na altura do rapaz, encostando sua testa na dele.
- Eu te amo - sussurrou antes de dar um selinho nele e sair correndo para se sentar na cama.
Enquanto observava escovando os dentes, andando de um lado para o outro no quarto, terminou de vestir sua calça jeans, blusa de manga comprida branca com detalhes verde claro, tênis branco e preto estilo skatista e pegou o casaco preto pendurado na porta.
- Alguém sabe aonde vamos? - ela perguntou enquanto os dois desciam as escadas, cada um carregando sua mala.
- Ainda estão dormindo, mas se você quiser, eu conto.
fez que não com a cabeça e os dois foram andando até o carro em silêncio.
- Preparada? - a encarou. Ele estava com a porta do motorista aberta, pronto para entrar no carro. estava do outro lado, com o pé já dentro do mesmo.
- Acho que sim - eles trocaram olhares e sorrisos cúmplices antes de entrarem no carro.
Capítulo 27 - I got a check into rehab
O caminho de volta para Londres não foi lá muito animado. dirigia atento, sem se importar em puxar algum assunto, pois sabia que precisava de um tempo para pensar.
E era exatamente isso que ela fez o caminho inteiro: pensou.
Mas não pensou em como seria melhor para ela ir para a bendita reabilitação. Ela só pensou em como seria péssimo para sua carreira, pensou em Ethan e o que ele diria se a visse nessa situação. Mas depois chegou a conclusão de que ele não tinha a menor moral para julgá-la, ainda mais porque nem nesse mundo mais ele estava. Mas era inevitável não se lembrar dele nessas horas.
também pensou em seus outros amigos e o quão decepcionados eles iriam ficar com ela. Ou talvez não.
Pensou em quanto tempo ela ficaria lá, em como seria seu quarto de 'hóspede', em como a tratariam...
Com certeza não seria o mesmo tratamento dado aos internos nos filmes, nem passou pela cabeça dela ser mal tratada lá dentro, já que deveria ter pesquisado bastante antes de ir conversar com Audrey.
E também não deixou de pensar em alguma desculpa para não ir a tal clínica, ou pelo menos para adiar.
Mas engraçado era que sempre que esses pensamentos ocorriam em sua cabeça, dava alguma demonstração de que estava com ela, fosse dando um simples sorriso, ou pegando a mão dela para um carinho, ou então com poucas palavras.
- Te admiro pela sua coragem, minha .
Bastava uma dessas coisas e a idéia de decepcioná-lo 'fugindo' de seu destino lhe parecia absurda.
- Podemos parar em algum lugar pra almoçar, ? - perguntou assim que eles entraram nos limites de Londres.
Ele a olhou desconfiado.
- O suco de tomate não vai me sustentar pra sempre, oras! - ela argumentou.
- Mas ainda tá cedo pra almoçar, não devem ser nem meio dia ainda... - explicou .
- Então você quer me internar sem ao menos um almoço decente? – O tom de voz de era de brincadeira, mas mesmo assim mexeu com .
- Não fale assim, ninguém vai te internar - ele falou seriamente.
- Hm, como você chama isso que vamos fazer comigo hoje?
Ele não respondeu, mas continuou olhando sério para frente, procurando algum restaurante já aberto.
- Tá tudo bem, . Eu já me acostumei com a idéia da internação, não precisa ficar cheio de cuidado pra falar sobre isso. Sério. - olhava diretamente para o perfil de , sem o menor tom de sarcasmo na voz.
- Olha, um restaurante aberto - falou dando graças a Deus por não ter sido obrigado a continuar aquela conversa.
Algum tempo depois os dois já haviam pedido e estavam esperando impacientemente para que a comida chegasse. Ninguém estava agüentando aquele silêncio incômodo.
- Então... - pigarreou. - Bonito aqui, né? Não sei como não achei esse lugar antes, acho que tem uma boate no andar de cima, parece ser bem legal também.
deu um gole em seu refrigerante e observou o local.
- Acho que você nunca veio aqui simplesmente porque é bem longe de onde a gente mora.
- Ah, isso não nos impede de ir ao BG's - deu de ombros.
não respondeu e , ainda incomodado com a falta de diálogo, resolveu tentar continuar uma conversa.
- Só é meio lento mesmo, não acha?
- , me desculpe, mas eu não estou mesmo com cabeça para conversas inúteis. - o encarou nos olhos, fazendo com que ele fizesse o mesmo. - E como eu percebo que você não quer tocar no assunto reabilitação, eu sinto muito, mas teremos que comer em silêncio mesmo.
E depois disso os dois comeram realmente em silêncio. E com esse mesmo clima eles chegaram à clínica de reabilitação.
- E agora? - se pronunciou enquanto tirava o sinto de segurança.
- Vamos atrás da Audrey, né - respondeu saindo do carro.
Eles caminharam lado a lado até a portaria da clínica. carregava a mochila de que ele mesmo havia arrumado para passarem o fim de semana.
Entrando no local, foi logo para o balcão da recepção pedir informações e foi sentar-se no banco de espera, onde deu de cara com uma cena não muito esperada.
- O que vocês estão fazendo aqui? - ela perguntou incrédula.
- Já que não nos convidam, nós viemos, né - respondeu fingindo indignação na voz.
- Sério, como vocês souberam que nós viríamos pra cá? - Ela se sentou ao lado de no banco, encarando-os admirada.
- Ah, uma longa história... Acordamos, não achamos vocês dois, voltamos pra Londres, passamos em casa, ouvimos o recado do seu agente, como é o nome dele mesmo? - ia contando a história sem muita empolgação.
- Joseph - informou.
- Isso, o Joseph queria saber sobre uma tal de Audrey e se tinha conseguido te convencer de alguma coisa, aí nós ligamos pra ele e ele nos contou um bando de coisa e é por isso que estamos aqui - finalmente respirou.
- E como vocês chegaram aqui antes de nós?
- Minha querida , já te disseram que o é a criatura mais lerda do Universo? - zoou o amigo, que finalmente voltou para sentar com e percebeu a presença dos outros.
- Ué, o quê vocês estão fazendo aqui, cambada? - ele perguntou surpreso.
- Não vou explicar a história toda de novo não, sinto muito - tratou logo de se impor.
- Mas então... Vocês estão chateados comigo ou alguma coisa assim? - começou a se sentir desconfortável.
Afinal, aquele ambiente não era nada agradável e o que eles estavam fazendo ali não era uma brincadeirinha.
- Não pelo fato de você estar enfrentando problemas, né, - disse tranqüilamente, os outros assentiram. - Mas um pouco porque a senhorita não nos chamou pra acompanhá-la nesse momento importante.
encarou o chão por um momento. Não sabia bem o que responder.
- É que... - ela tentou enrolar - eu não sabia o que dizer, nem o que fazer. Estava tentando agir por impulso, porque se eu parar pra conversar sobre o assunto, acho que vou acabar desistindo.
Por fim ela resolveu admitir. Não dá pra ficar se fazendo de forte a vida inteira, certo?
- Ah , você sabe que pode sempre contar com a gente, né, sua menor de idade! - abriu os braços para abraçá-la, estampando um sorriso enorme.
rejeitou o abraço e ainda lhe lançou um olhar mortal pelo apelido.
fez um biquinho fingindo estar ofendido.
- Mas enfim, . - interrompeu a briguinha que iria se formar entre os dois. - A Audrey não está no momento, então parece que você vai ter que... - ele enrolou um pouco nessa parte - se internar sozinha. Quero dizer, por contra própria.
- Tudo bem - deu de ombros, pegou sua mochila que tinha colocado no chão e se levantou. - Vamos até ali comigo, meninos? - Ela forçou um sorrisinho e os quatro se puseram rapidamente de pé.
encarou a mão de por bastante tempo, perguntando-se se deveria pegá-la ou não. Por fim, resolveu que não, já que fora mais rápido e o fizera.
- Com licença - chamou a atenção do recepcionista meio sem graça. Ela não tinha a menor noção do que fazer. - Eu vim aqui pra me internar, acho.
- Acha? - O recepcionista a encarou sem muito humor. assentiu com a cabeça enquanto seus amigos apenas observavam, quietos. - Que tipo de problema você tem?
- Eu... Er, eu sou... - Ela se enrolava com as palavras. Olhou para , querendo pedir ajuda a ele, mas ele apenas a incentivou a continuar com o olhar. - Eu tenho problemas com bebidas alcoólicas.
- Hm, sei. - O cara começou a fazer algumas anotações, deixando a espera insuportável. - Bem, eu vou precisar de alguns documentos seus, pode me passar?
- Você trouxe alguma coisa aí? - Ela olhou preocupada para , que apenas retirou da parte menor da bolsa dela um bolinho com alguns documentos.
- Brigada por sempre pensar em tudo, . - sorriu sincera para o rapaz, que tentou um sorriso também.
Era difícil saber quem era o mais atordoado no momento.
Algum tempo depois esperando em pé, sem falar nada e quase sem se mexer, o recepcionista resolveu começar a falar.
- Bem, , como você sabe, está assinando um termo de responsabilidade com a clínica, submetendo-se às nossas regras, que não são muito rígidas, você facilmente irá se adaptar, mas elas existem para serem cumpridas, porque, do contrário, seu tratamento não vai funcionar.
Apresentado como Mark, o recepcionista começou a ser mais gentil quando percebeu que aquela era e os rapazes atrás dela eram o McFly.
- Você terá que comparecer às sessões com psicólogos sozinha, e também às terapias de grupo todos os dias. E também tem que concordar com a abstinência ao álcool, certo?
assentia com a cabeça enquanto ele lhe explicava as regras.
- Os horários de visita são bem flexíveis, qualquer pessoa pode vir te visitar até as oito da noite. Desde que ela se comprometa a não trazer nada que vá prejudicar o seu tratamento.
- E... - Mark pensou algum tempo, para não se esquecer de nada. - Ah, claro! As visitas são feitas na parte de fora da clínica, um jardim que temos aqui atrás... Para evitar contatos íntimos, se é que me entendem - Mark disse olhando descaradamente para os quatro rapazes.
- É, gente, vocês ouviram o cara, não vai rolar enquanto eu estiver aqui - olhou para trás e falou em um tom sério, porém brincalhão, fazendo todos rirem.
- Eu estou falando sério - Mark falou assim que todos pararam de rir, despertando outra crise de risos.
- Bem, se você já acabou com as regrinhas aí, podemos nos despedir da ? - perguntou, encarando Mark com uma cara entediada.
- Claro, claro. Vou pedir à Margareth que os leve até o quarto, para que possam se despedir ou sei lá o quê.
Os cinco foram acompanhados da tal Margareth até o novo quarto de , que era simples, branco e sem graça, mas parecia ser confortável e, com um tempinho e um jeitinho, poderia até se tornar aconchegante.
- Bem, vou deixá-los a sós por um momento, mas já estão sabendo das nossas regras, sim? - Margareth perguntou e todos assentiram silenciosamente, segurando outro acesso de risos.
- Enfim, , você já tá sabendo que pode sempre contar conosco, e nós já fizemos nosso papel aqui te informando isso... - se apressou em falar por todos. - Mas nós temos que ir correndo porque deixamos comida no fogo.
- Deixamos? - perguntou , desorientado.
- Deixamos - afirmou num tom ameaçador, fuzilando e com os olhos para que eles não o contrariassem. - Vejo você mais tarde, . E você qualquer dia desses, .
- Tudo bem. - sorriu sincera. - Obrigada pela força, gente. Vocês são os melhores!
- Que nada! - abanou as mãos fingindo humildade e logo em seguida fechou a porta.
Ele tinha sido o único a perceber o clima estranho entre os dois e resolvera ajudar deixando-os sozinhos para conversar antes que fosse tarde demais.
- É, acho que temos que conversar seriamente aqui, hein - se sentou na cama 'de pernas de índio'.
a encarou com as mãos no bolso por um tempo, soltando um longo suspiro.
- É, pelo visto sim. Quer começar?
- Na verdade, não... Essa situação já está um pouco estranha demais pra mim, então acho que se você disser alguma coisa vai ser bom. Pra mim.
- Eu não quero acreditar que estou fazendo isso com você, simplesmente isso. - Ele contraiu os ombros, olhando para a janela ao seu lado.
- Como assim? Você não está fazendo nada demais comigo, eu que me internei aqui, esqueceu?
- É, eu sei... É só que, sei lá, eu que comecei com essa coisa toda de clínica e tudo mais... E agora só estou me perguntando se isso tudo foi realmente necessário.
- Eu acho que sim - disse despreocupada. - Nós sabemos que eu não ia conseguir parar sozinha.
- Mas a questão é essa. Você não está sozinha! - Finalmente desviou o olhar da janela para . - Você tem a mim, tem a nós!
- Pois é, eu sempre tive vocês. E sempre consegui afastar vocês também! - deu uma pausa para acalmar a voz. - Não iria adiantar vocês se esforçarem, eu não ia conseguir, nem ficando perto de vocês.
suspirou e andou lentamente até a cama, sentando-se de lado para ficar de frente para .
- Eu estou com medo - soltou antes que ele pudesse continuar a discussão anterior.
- Você sabe que não precisa... No fim vai dar tudo certo, deve passar rápido. - tentou dar um sorriso encorajador, mas a verdade era que ele também estava com medo. Por vários motivos.
- , encaremos a realidade, vai ser complicado, doloroso e lento. Pra todos nós... E eu... só não queria que fosse assim, entende? Sei lá, se eu pudesse só me prejudicar, mas tem tanta gente! - A voz de saía desesperada, porém não aos berros.
abriu os braços para ela, que logo se aninhou em um abraço apertado, com a cabeça apoiada no peito do rapaz.
Ele afagava seus cabelos carinhosamente.
- , meus pais... Você consegue imaginar a decepção que eles não vão ter quando descobrirem da pior maneira que eu estou nessas condições? Porque eu tenho certeza de que a imprensa já foi avisada de uma coisa, ou brevemente será, e então todos vão ficar sabendo, e as pessoas que eu amo também! Elas vão me odiar!
- , ninguém vai te odiar por estar passando por problemas, e ainda mais por estar tentando melhorar de uma doença! As pessoas vão entender - disse convicto. Pelo menos disso ele tinha certeza.
- Mas meus fãs, a imprensa, meus colegas de trabalho... Vai ser duro demais de agüentar!
queria chorar, mas não era capaz no momento. O nervosismo era demais e impedia as lágrimas acumuladas nos olhos de descerem. Porém sua voz estava esganiçada, como se ela estivesse em meio a uma crise de soluços.
- Aqueles que te amam vão sempre te ajudar, nós não vamos te abandonar, ok? - levantou a cabeça da menina para que pudesse olhar em seus olhos. Limpou aquelas lágrimas, que nem chegaram a descer, com o polegar. - Você é mais forte do que imagina, . Eu tenho orgulho de ser seu... amigo.
sorriu fracamente. Ela queria mais do que tudo no momento acreditar naquelas palavras que saíam da boca de soando tão verdadeiras e confiantes. Mas ela já tinha tomado sua decisão para evitar sofrimento durante o tratamento e depois dele também.
- Posso te pedir um favor então? - ela perguntou também o encarando nos olhos.
- O que você quiser, .
- Não espere por mim - ela disse calmamente depois de reunir uma certa força de vontade.
A feição de se contorceu em confusão.
- Como assim? Fiz alguma coisa errada?
- Não, pelo contrário... Você tem sido maravilhoso, . De verdade. - Em nenhum momento ela quebrou o contato entre os olhares, por mais que se sentisse tentada a isso. Mas ela precisava passar certeza no que estava fazendo, para o bem de todos. - Mas é que eu pensei e... Resolvi que não vou te forçar a esperar por mim, sabe? Só Deus sabe quanto tempo eu vou demorar pra me curar desse vício e eu não vou te prender comigo. Nem a você e nem aos outros.
- E desde quando você se acha responsável por essa decisão? Eu posso pensar em você e te esperar o tempo que eu quiser, e você não pode fazer nada.
- Mas é exatamente por isso que eu estou te pedindo pra não me esperar, não me mandar cartas, não me visitar e nem nada. Vai ser melhor pra mim e pra todos vocês.
- Ok, me explica uma coisa... Você bebeu?
o encarou cética.
- Desculpe, é força do hábito. - se martirizou mentalmente de novo por não saber medir as palavras nas horas necessárias. - Não sei mais o que estou falando, mas só sei que isso não é o melhor pra ninguém! Eu te amo, os meninos te amam, você sabe disso...
- Se eu ficar sozinha, acho que posso me encontrar mais rápido - suspirou e segurou a mão de . - Posso me concentrar apenas em ficar boa logo pra poder ver vocês novamente, entende?
- Eu não te entendo, - demonstrou sua indignação. - Definitivamente não entendo.
- Olha... - respirou fundo antes de falar. - Você não precisa me entender, é só fazer o que eu tô pedindo, na verdade, mandando. Se você mandar cartas, eu não vou ler. E se você ligar, não vou atender. Nem você, nem os meninos e nem ninguém.
- Mas - tentou cortá-la, mas ela estava decidida a acabar de uma vez por todas com aquilo, antes que mudasse de idéia.
- Se quando eu sair, a vida de vocês ainda for a mesma, pode deixar que eu vou procurá-los. Mas caso você tenha seguido sua vida em frente, eu vou totalmente entender e tentar seguir com a minha também. Esse tempo que eu vou ter sozinha é minha chance de me reencontrar, colocar a cabeça no lugar e decidir de uma vez por todas o que eu quero. E sugiro que você faça o mesmo. Assim poderemos começar do zero quando nos encontrarmos lá fora, ou então simplesmente não começar. - contraiu os ombros e sentiu seu estômago embrulhar só em cogitar essa possibilidade, mas ela sabia que definitivamente aquela era a melhor opção, principalmente para .
- Eu não acredito que vamos voltar a essa estaca de novo - , não conformado, ainda tentava argumentar. - Já não passamos por isso?
- , tenta entender que é para que não precisemos passar por nenhum constrangimento desse tipo de novo que eu estou tomando essa decisão, ok? - alterou seu tom de voz, ficando um pouco mais autoritária. Ela já sabia desde o começo que teria que usar desses artifícios para convencê-lo, mas achou melhor deixar para última instância mesmo. Se brigar falhasse, não existia um plano C. - Que saco, cara! - completou só para parecer mais real.
- Cara... - se levantou e virou-se para a porta, pretendendo não encarar por um tempo. Um tempo curto, mas que desse para ele inventar uma solução. Afinal de contas, ele também não queria perdê-la, e estava se convencendo de que ela estava fazendo isso mais como uma desculpa para não ter que agüentá-lo quando tivesse sua vida normal de volta.
- Você pode me deixar sozinha por um tempo? - aproveitou que não estava olhando, e limpou o vestígio de lágrimas que começavam a aparecer em seus olhos. Ela se recompôs e conseguiu dizer uma última frase antes que ele a deixasse.
- Pode me deixar sozinha, por favor?
Epílogo
O tempo pode ser teimoso, os ponteiros do relógio e os dias do calendário podem passar lenta e dolorosamente, mas ele sempre passa. E por mais que tenha parecido uma eternidade, quando o pesadelo de esperar passa, você sempre vai ter aquela sensação de que passou até rápido.
Ou não.
No caso de , cinco meses e três dias pareceram realmente a eternidade. O que, sinceramente, não ajudou muito na recuperação. Nem em nada. Absolutamente nada. Mas ela ainda tentava se convencer de que dar o fora em tinha sido a coisa mais sensata a se fazer. Assim como não ter a menor notícia dele e de nenhum de seus amigos também fora a escolha certa. Realmente.
Como não conseguia se enganar repetindo que tinha feito a escolha certa, se agarrava a esperança de que pelo menos para e os meninos tinha sido o melhor a se fazer. E era nisso que ela pensava naquela manhã de domingo, enquanto se despedia dos profissionais e colegas da Clínica. Nesse tempo todo, a garota só pôde contar com os telefonemas de seus pais, visitas e presentinhos de , e com Mitchell.
Mitchell Roswell estava na Clínica há quase um ano, tentando se recuperar do vício por pílulas ou qualquer remédio. Os dois fizeram muito bem um para o outro assim que viraram amigos. A companhia deles gerou força de vontade para sair logo daquela situação desagradável. Mitch já estava há quase oito meses internado, era considerado um caso perdido pelos médicos, devido às suas recaídas posteriores.
E agora os dois estavam indo embora, juntos. na verdade já estava 'curada' há mais tempo - não muito, mas ela já poderia ter saído antes. Porém a vontade de ajudar seu novo amigo para que eles saíssem daquela juntos falou mais alto, e ela esperou até que Mitch recebesse alta também.
- Qual vai ser a primeira coisa que vamos fazer juntos fora do purgatório? - Mitch perguntou com um sorriso iluminado que nunca havia visto no garoto. Eles estavam descendo as escadas da Clínica, cada um segurando suas malas. Não havia ninguém esperando por eles do lado de fora, fator que certamente contribuiu para a união deles.
- Não sei. – A garota deu de ombros, encarando o chão. - O que você sugere?
- Qualquer coisa que te levante, hein, Applebee! - Era assim que Mitchell se referia à . Applebee. Longa história... - Qual é, nós saímos dessa vida, merecemos pelo menos um pouquinho de empolgação, não?
- Eu sei, não sei por que não estou pulando de mãos dadas com você por aí, é só que... - Ela deixou a frase morrer.
- Não estamos fazendo isso porque eu ainda tenho algum juízo, e se não queremos ser internados de novo... - Mitchell piscou, tentando descontrair, mas ambos sabiam que nenhuma piadinha iria animar o momento. Passar por dificuldades sem apoio dos parentes e amigos não é moleza, mesmo quando se pediu por isso.
não sabia de onde Mitchell tirava forças para fingir que estava tudo bem, quando na verdade ele não tinha mais amigos e não fazia idéia de onde seus pais estavam.
- Vamos, , você consegue. - Ele pegou a mão dela e a apertou, dando seu melhor sorriso encorajador. - É só não pensar em como poderia ter sido se ele ainda estivesse aqui.
É, Mitch sabia detalhadamente toda a história de vida de . Afinal de contas, cinco meses são cinco meses!
- Tudo bem, tudo bem... Eu sei que eu mereço passar por isso, mas é só que... Uma parte de mim ainda acreditava que ele estaria aqui. Não sei por que também, já que ninguém sabe além da , mas era só... Aquela esperança idiota que é sempre a última a morrer. - suspirou.
- Applebee... - Mitch olhou para os lados quando eles finalmente passaram pelos portões. - Você se lembrou de chamar um táxi?
olhou para o rapaz com feições preocupadas no rosto, os dois trocaram olhares cúmplices, e, rindo da própria desgraça, soltaram juntos:
- Fudeu.
NA: