Capítulo 1 - So proud to see you lying naked next to me

Uma luz insuportável invadia o quarto, antes escuro. Onde ela estava mesmo? Qual era seu sobrenome mesmo? Que dia era hoje mesmo? QUEM ERA AQUELE SUJEITO DORMINDO DO LADO DELA MESMO? Ela tentou levantar a cabeça para ver melhor quem era o ser deitado nu ao seu lado, mas sua cabeça estava imóvel. Tentou mexer as mãos para levá-las a cabeça, mas não obteve sucesso. Só conseguiu movimentar seus pés, e aos poucos puxou sua perna, encolhendo-se. Fechou seus olhos em uma tentativa de fazer sua cabeça parar de latejar.
- ? - Ouviu alguém chamar seu nome com uma voz meio rouca.
Ela não respondeu. Na verdade estava com medo. Sim, medo porque achava que sabia quem estava ali ao lado dela. Se não estava ficando tão doida assim, achava que quem estava deitado nu ao seu lado no momento, era ninguém mais, ninguém menos do que .
Sentiu uma mão grande e macia sobre seu ombro. Apertou seus olhos já fechados. Era ele. O garoto que era supostamente loucamente apaixonado por ela. Mas ele não era seu Ethan. Quer dizer, seu ex Ethan.
- Bom dia! - disse com a voz um pouco mais suave, beijando o ombro da garota no lugar que antes estava sua mão.
puxou o lençol que cobria a cama para si, numa tentativa de cobrir-se. Não que ela tivesse com vergonha de , porque aparentemente ele já tinha visto o que tinha para ver, mas ela estava com vergonha de si mesma, por ter feito isso com um cara legal, sabendo que era apenas para esquecer de outro. Aliás, atualmente, tudo que ela fazia era para esquecer Ethan.
- Acorda, Bela Adormecida... - sorriu chegando ainda mais perto de . Por que ele tinha de ser tão fofo? Ele não poderia simplesmente acordar, vestir-se e ir embora sem dizer uma palavra? Isso deixaria as coisas mais fáceis para ela...
- Oi, - disse, virando-se para ele após ter reunido toda coragem e força dentro de si para não começar a chorar. - Você sabe que dia é hoje, onde eu estou e... Que horas são?
- Hum... - esfregou seus olhos, tentando acordar e se lembrar de tudo. - Não me faça perguntas difíceis, ... Eu sei que estamos na minha casa e sei o que fizemos ontem à noite.
Uma pontada no peito da garota.
- , só não me diz que hoje é domingo, por favor! - sentou-se na cama ainda enrolada com o lençol, mexendo em seus cabelos.
- Não posso te garantir muita coisa... - inclinou-se para o lado esticando os braços para pegar o celular que estava na mesinha de cabeceira, dando uma bela visão de seu corpo à , que não pôde evitar de ficar olhando. – Ih, ... Sinto muito, mas hoje é domingo sim. Que você tinha que fazer hoje?
se desfez do lençol que a cobria e se levantou, pegando suas roupas no chão e tentando se localizar no quarto de , já que ela nunca estivera lá antes.
- Que horas são? - parou de olhar para os lados a procura de um banheiro e encarou . Ele fazia o mesmo com ela, mas com pensamentos um pouco diferentes dos dela...
- Meio dia e... Meio dia e quinze - ele disse depois de gaguejar um pouco. teve vontade de rir, mas se controlou. Era engraçado perceber o efeito que ainda exercia sobre ele, pois ela achou que o encanto já tivesse acabado, principalmente agora que eles já tinham até dormido juntos.
- Droga, 'tô atrasadérrima! - começou a se vestir num canto do quarto, visto que não achara nenhuma porta para um banheiro.
ainda encarava a garota, que estava se enrolando ao botar a calça jeans apertada. Ele balançou sua cabeça tentando afastar alguns flashes da noite anterior que vieram a sua cabeça. Ele conhecia bem o bastante para perceber que ela não estava muito contente em ter acordado com ele hoje. Sabia perfeitamente que ela ainda era meio obcecada pelo seu ex, Ethan. Mas isso não o impedia de ter vontade de tê-la para ele, certo? Até porque ele não a amava e tinha plena consciência disso. Era atração física, pura.
- Aonde você vai? - se levantou só de boxers e tentou ajeitar seu cabelo, mas só conseguiu deixá-lo mais bagunçado do que antes. - Acaba de sair das fraldas e já está cheia de compromissos assim?
riu e o olhou com um olhar fuzilante. Não tinha coisa pior para ela do que a chamarem de criança.
- Muito engraçadinho, , mas caso você não se lembre, ontem você estava na minha festa de 18 anos, e de penetra, a propósito.
- Ah, quer dizer então que você se lembra de ontem à noite? - Um sorriso safado se formou na cara do garoto que já tinha se sentado na ponta da cama novamente.
- Lembro... - ficou um pouco encabulada. Só tinha dormido antes com Ethan. Mas que porra, será que tudo tinha que fazê-la lembrar-se dele? - Quer dizer, até uma parte... Na verdade não sei como vim parar aqui.
- Você exagerou um pouco na bebida ontem, já que foi a primeira vez que você pôde fazer isso em público, mas devo dizer que seu agente não ficou muito feliz com isso, você sabe que ainda tem que manter sua fama de menina boa. Depois me disse que precisava esquecer o Ethan, e então eu... - ia contando resumidamente a história do dia anterior, mas o interrompeu com uma bolsada no braço. Na verdade, ela já tinha se lembrado de ontem à noite e não precisava ouvir alguém contanto seus atos impuros. Saindo da boca dele eles iriam parecer dez vezes pior.
- Tô indo, . - abriu a porta do quarto e virou-se para - A gente se vê qualquer dia.
- Não mereço nem um beijinho de despedida, ? - Ela ouviu berrar assim que fechou a porta. Não pode deixar de sorrir. era mesmo um cara legal, apesar de tudo.

Capítulo 2 - Memory Lane

saiu da casa de , pegou um táxi e foi direto para seu apartamento. Não queria nem saber se ontem fora seu aniversário e ela não via seus pais há dias e muito menos queria saber de ir almoçar na casa deles, como tinha combinado dias atrás. Eles iriam entender se mais tarde ela inventasse uma desculpa qualquer como um compromisso inesperado e inadiável em cima da hora, levando em conta que isso estava acontecendo com muita freqüência ultimamente.
Assim, abriu a porta e contemplou seu apartamento novo mais uma vez. Ficou sem ar. Já fazia uma semana que ela morava ali, mas toda vez que olhava aquela sala cheia de equipamentos tecnológicos de última geração, aquela mobília que antes ela só tinha visto na tevê e principalmente: aquela vista estonteante da 'sua Londres' que ela tinha da janela, ela prendia a respiração e forçava a se lembrar que aquilo não era um sonho.
Deixou sua bolsa no chão e foi tomar um banho de banheira. tinha duas válvulas de escape desde criança. Uma era ficar sozinha no banho por horas e outra era sua amiga , que ultimamente nem olhava na cara dela.
Os últimos oito meses rodavam na cabeça da garota. Era realmente muita informação para uma pessoa que até o ano passado tinha o futuro planejado como atendente da loja de seu pai, em Bolton. Quem imaginaria que os sonhos e pesadelos dessa mesma garota pacífica virariam verdade em menos de um ano?
Em 26 de Março, e foram a uma festa de gente famosa em Londres, porque o vizinho do pai de era amigo do empresário de uma tal banda que iria lançar seu CD, e como ele sabia que as duas meninas sonhavam em ser famosas um dia, deu os dois convites a elas. E foi lá que conheceu a pessoa que, mais tarde, seria a mais importante de toda sua vida.

Flashback

- , não é por nada não, mas acho que a gente tá meio perdida... - disse enquanto lia pela milésima vez o convite da tal festa. Elas já estavam andando há mais ou menos meia hora atrás do salão da festa e nada até agora. Sem contar que estavam 'vestidas para matar', como dizia . Ambas de saltos agulhas e vestidos de festa curtos, acima do joelho. Mas o de era preto e frente única, já estava com um roxo escuro.
- , quantas vezes eu vou ter que te dizer para não ser tão pessimista? Nós chegamos a Londres, não chegamos? - segurava a amiga pelos ombros e a encarava séria nos olhos. - E quem foi que disse que nem aqui a gente chegava?
- Eu sei que disse isso, , mas agora... - tentou dizer que agora elas estavam perdidas e nunca achariam a porcaria da festa, quando foi interrompida por um gritinho de .
- AI MEU DEUS! - A menina disse boquiaberta. - CHEGAMOS!
virou-se vagarosamente para trás, não acreditando que elas tinham mesmo conseguido chegar ao salão. Ela levou um tempo para analisar a situação e demorou também para parar de pular e soltar gritinhos escandalosos, mas depois as duas se recompuseram, retocaram a maquiagem ali no meio da rua mesmo e entraram na festa, como se fossem famosas e conhecessem todo mundo no local, dando sorrisinhos simpáticos e flertes a cada inglês gato que passava por elas.
Depois de umas três horas de festa, vááários flertes dados e recebidos, e depois de terem se acabado, literalmente, na pista de dança, foi ao banheiro e ficou sentada perto do bar improvisado.
Ela estava com um martini na mão, mas não queria beber, simplesmente porque precisava se lembrar de cada detalhe daquele salão, das roupas das pessoas e, principalmente, da feição e do tanquinho de cada homem da festa.
- Será que posso te oferecer uma bebida? - Um cara - lindo, diga-se de passagem - sentou na frente de , segurando uma taça com um líquido esverdeado super estranho.
- Obrigada, mas... - levantou a taça com seu martini intocado, sinalizando que já tinha o que beber.
- Hum... Pelo que posso perceber a senhorita não gostou nem um pouco do seu martini... - Ele estendeu a mão, fazendo menção de pegar a taça da mão dela. - Me permite?
assentiu com a cabeça e ele pegou a taça, colocando no balcão e pedindo uma bebida desconhecida por ela.
- Mas então, - ele disse estendendo outra taça com o mesmo líquido esverdeado que continha a dele – não vai me dizer o que está fazendo nessa festa entediante, sozinha?
'Entediante?' pensou , 'desde quando?'
- Ah, tentando me divertir... Mas a minha companhia sumiu. - passou os olhos rapidamente pelo salão, procurando por , que aparentemente tinha mesmo evaporado.
- Somos dois, então... - O rapaz virou o líquido estranho de uma vez só e depois encarou a taça ainda cheia na mão da garota. - Que foi? Você não bebe?
- Bem, eu até bebo... Quer dizer, eu sou menor de idade, mas bebo às vezes, só não... - parou de falar assim que percebeu a burrada que tinha dito. Ela realmente acabara de admitir que era menor de idade? Para um cara absurdamente gato e supostamente famoso? (Não era porque ela não o conhecia nem sabia seu nome que ele não era famoso, certo?)
O cara deu uma risadinha, pegando a taça da mão de assim que ela percebeu o que tinha dito e se calou.
- Já que temos uma menor de idade aqui, acho melhor você não beber isso... - Ele colocou a taça de volta no balcão. - É meio forte demais para principiantes.
não estava vendo seu rosto no momento, mas tinha certeza de que estava mais vermelha do que nunca. Só queria sair correndo dali e encontrar , para que elas pudessem fofocar sobre a burrice de e pesquisar sobre o tal cara no Google.
- Tudo bem, vamos começar de novo... - Aparentemente percebendo o constrangimento de , o rapaz mudou o assunto. - Me chamo Ethan McGuire, 25 anos, empresário e organizador da festa.
- Meu nome é , todo mundo me chama de - ela se arrependeu de ter dito isso também, mas estava tão nervosa que acabou escapulindo - eu tenho 17 anos e acabei de me formar.
- E você já sabe o que quer fazer da vida agora, ? - Ethan disse de uma forma fofa. gostou que ele tivesse a chamado de . Isso meio que fez ela se sentir melhor pelas besteiras que já tinha soltado.
- Ainda não... Eu até queria ser... - ela ia dizer que queria ser atriz, mas ficou com medo dele achar que ela era uma idiota lunática querendo tirar proveito numa festa de famosos que não tinham nada haver com ela - Eu até tinha um sonho, mas todo mundo sempre me disse que eu não conseguiria, então acho que vou me conformar em um trabalho medíocre em Bolton mesmo.
pegou novamente a taça com o 'treco verde' em cima do balcão e deu um gole, não controlando uma careta depois. Ethan deu uma risadinha.
- Eu avisei que era forte... Mas quer dizer que a senhorita menor de idade também é do interior?
assentiu com a cabeça, novamente envergonhada.
- Sem querer te ofender mesmo, não leve isso pro lado pessoal nem nada, é só uma curiosidade mesmo, mas... O que uma menina como você está fazendo numa festa como essa?
- Ah, tentando conhecer gente nova e socializar, sabe como é... Eu não desisti totalmente do meu sonho assim, só desanimei um pouco.
- Ah sim, é verdade... Você me disse que tinha um sonho, mas ainda não me disse qual seria.
- Hum, acho melhor não contar... Pra não dar azar nem nada, sabe como é? - disse dando mais um gole na bebida.
Onde estaria numa hora dessas? Ela mal podia esperar para contar tudo sobre Ethan para ela.
- Você tá dizendo que eu poderia azarar seu sonho? - Ethan fez uma cara de ofendido. Ele até que era divertido pra um cara de 25 anos!
- Nãão... - riu. - Só quis dizer que contar os sonhos pra alguém pode dar azar, não é um caso específico com a sua pessoa... Nunca ouviu falar disso, não?
- Na verdade, não, deve ser uma superstição do interior.
deu um tapa no braço de Ethan, mal acreditando que tinha feito isso logo após fazê-lo. Mas ele não ligou. Não ligou mesmo.
- Anda, me conta logo isso... Pára de ser fresca!
- Ok, se eu te contar você promete que não vai rir nem nada? - A essa altura a taça dos dois já estavam vazias e o barman já tinha aparecido com mais duas.
- Prometo, anda logo.
- Desde que eu tinha, sei lá, uns cinco anos, eu era viciada em televisão e todo esse glamour do 'mundo dos famosos', e tudo que eu mais queria era ser famosa... - ia se soltando cada vez mais. Falar de seu sonho, mesmo que fosse para um desconhecido qualquer que provavelmente ela nunca mais veria, era emocionante. Principalmente se a pessoa te ouvisse, não apenas escutasse. - Mas depois eu fui amadurecendo a idéia, fiz uns cursos de teatro em Bolton e decidi que viraria uma atriz, tipo a Audrey Hepburn.
Ethan estava encantado com a garota falando sem parar na sua frente. Sem brincadeira, deve ter falado por uns dez minutos sem parar sobre seu sonho de infância e como ele estava sendo frustrado por sua família. Mesmo que ele não tivesse entendendo nem metade do que ela estava dizendo, era engraçado ver a empolgação daquela garota linda e sonhadora.
Naquela noite, ficou realmente bêbada, não muito diferente de Ethan. Eles conversaram até às cinco da manhã sobre tudo, até que apareceu, eles trocaram celular, e-mail e essas coisas, e foi embora para sua cidade natal, babando no trem.

End Flashback

Uma semana se passara desde a festa e não parava de falar um segundo no tal Ethan, que, aliás, não tinha nem dado um sinal de vida. Mas um mês depois recebeu um e-mail dele, pedindo desculpas por não ter entrado em contato antes, pois estivera ocupado trabalhando na Alemanha. Eles continuaram conversando, viraram amigos e um mês depois, tinha conseguido um teste para uma nova série adolescente (com ajuda de Ethan, é claro). Mas ele prometera que não iria interferir no teste dela, deixaria que ela ganhasse o papel por merecimento, pois já era demais só o fato dele ter conseguido inscrevê-la no teste. Mas não foi isso que apareceu na revista Seventeen uma semana depois que ela passou no teste. A matéria dizia que ela e Ethan tinham um caso às escondidas e por isso ela teria conseguido a participação especial como a rival da série. Quando ela leu aquilo, ficou muito puta com tudo e pensou até em desistir da sua carreira que nem tinha começado ainda, mas Ethan conseguiu convencê-la a ficar e ensinou-a a lidar com tudo isso, afinal, ela teria que aprender mais cedo ou mais tarde, se quisesse continuar no ramo.
Em Junho do mesmo ano, ela e Ethan estavam namorando e morando juntos em Londres. era sucesso total, e de uma participação especial, tinha conseguido um papel fixo na série, Secrets. já estava brigada com , porque, segundo ela, a fama tinha lhe subido a cabeça e ela não era mais a mesma pessoa. Realmente, sobre os holofote, aprendera que não poderia ser ela mesma, teria que sorrir quando estivesse de TPM e conversar animadamente com pessoas que ela detestava e estavam sendo tão falsas quanto ela. Mas por isso ela gostava de Ethan. Com ele, e só com ele, ela podia ser ela mesma, a mulher mais madura e a adolescente mais criança ao mesmo tempo. Só que simplesmente não entendia isso e suas outras amigas de Bolton só falavam com ela para ter uma chance de aparecer em uma revista. Sua família continuava não gostando da idéia de ter uma filha famosa e, principalmente, namorando um homem mais velho, por isso o contato entre eles tinha diminuído bastante. Basicamente eles se falavam em aniversários e quando queriam pedir dinheiro a filha. Mas não se importava muito com isso, estava, na medida do possível, feliz vivendo todas essas novas experiências.
Mas em Setembro a vida da garota simplesmente acabou.

Flashback

e Ethan tinham acabado de sair de um jantar insuportável na casa de um amigo de Ethan, mas até que eles tinham se divertido bastante, tirando sarro escondido do dono sistemático da casa. Agora estavam no carro ouvindo The Red Jumpsuit, tentanto competir com a voz do vocalista.
- Do you feel like a man, when you push her around? - Eles cantaram, lê-se: berraram, juntos, até que desligou o som.
- Ethaaaan, seu celular tá tocandooo! - falou com a voz arrastada, balançando o celular do rapaz de um lado para o outro enquanto um toque irritante tocava.
Não que ela estivesse bêbada, pois eles não haviam ingerido uma gota de álcool, mas música e adrenalina deixavam a garota assim: retardada como se estivesse bebido todas.
- Me dá aqui! - Ethan estendeu o braço tentando pegar o celular da mão de e prestar atenção à pista ao mesmo tempo. – Anda, , pode ser importante!
- Nananinanãão! Você tá dirigindo, quer ser multado? - A garota olhou no visor do aparelho. - Ooopa, é o Joseph de novoo! Acho que tem alguém bem preocupado com você, Ethan... - deu língua para ele, que rapidamente pegou o celular da mão dela.
- Fala, Joe... Não, desculpe a demora... Foi culpa da lesada da que tá com aquele probleminha de agitação dela... Sim, nós fomos na casa dele, não te avisei que estaria lá hoje? - Ethan falava ao telefone e prestava atenção à pista. não estava prestando atenção à conversa, até que o tom de voz dele ficou mais alto e parecia que Ethan estava brigando.
- Não fui culpa minha, você sabe disso, porra! E você acha que eu não falei com o Diretor de propósito? Quantas vezes eu já te deixei na mão, Joseph?
já estava ficando preocupada, Ethan e Joe nunca brigavam.
- Merda! - Ethan gritou assim que seu celular caiu no chão do carro. - Pega pra mim aí, . A bicha do Joseph vai ter outro ataque!
se abaixou tentando achar o celular que tinha caído embaixo do banco.
- Não tô achando, merda! - se levantou rápido e bateu a cabeça com a de Ethan, que estava bisbilhotando por cima dela.
- Aaaai! - Ele levou as mãos aos olhos, gritando de dor.
- ETHAAAN! - berrou assim que percebeu que eles tinham ultrapassado o sinal vermelho. - O sinal!!!
Imediatamente Ethan pisou no freio e ambos bateram com a cabeça no banco, nada grave.
Um carro passou buzinando na frente deles, causando mais um susto.
- Caraca, precisamos tomar mais cuidado no trânsito... - Ethan suspirou assim que tudo se acalmou.
não respondeu, estava imóvel com os olhos arregalados e boca aberta olhando para Ethan, mais precisamente para o que estava vindo com toda força atrás de Ethan.
Ela simplesmente não conseguiu dizer nenhuma palavra antes deles ouvirem uma buzina estridente e verem uma luz branca cegante saindo de um caminhão.

End Flashback

Depois disso, acordou no hospital e foi recebida por Joseph, anunciando que Ethan havia falecido. Ela chorou por semanas em sua cama, de onde não saiu por nada, foi notícia em todos os jornais e revistas existentes, se culpou e se xingou mentalmente pela morte da pessoa que ela mais amava, mas um dia percebeu que não podia deixar de viver também. Por mais que ela estivesse sozinha no mundo naquele momento e achasse que ninguém a amava, ela tinha amor próprio e precisava reconstituir sua vida. E era isso que ela estava tentando fazer até agora, quase três meses depois do acidente de Ethan, esquecê-lo de todas as maneiras possíveis. Ela se esqueceu da fama de menina boazinha e intocável que carregava para começar a dar e freqüentar festas toda semana, se vestir despojadamente e não se importar tanto com o que os outros - mídia - estavam comentando sobre ela. Apenas tentava seguir a vida mantendo-se sempre ocupada com trabalho, bebida, homens, amigas (mesmo que falsas), festas... E foi numa dessas que ela conheceu o McFly, quatro garotos lindos, simpáticos, talentosos e muito gostosos também. Eles ficaram bastante 'amiguinhos', principalmente ela e , depois que descobrira que ele nutria um certo desejo sobre ela... Mas como ele era uma pessoa realmente legal, ela nunca o usou para esquecer suas frustrações como usava os outros. Quer dizer, até ontem, pelo visto.
Depois dessa retrospectiva geral, já estava quase dormindo na banheira, completamente enrugada. Ela se secou, vestiu um pijama confortável e deitou em sua cama, onde dormiu a tarde toda.

Capítulo 3 - It's killing me and taking control

Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
? Você tá bem? Não acha que tá na hora de mudar essa mensagem de caixa postal, não? Mas enfim, hoje já é segunda e eu não te vejo desde sábado, na sua festa... Ainda se lembra dela, não? Enfim, caso você não se lembre, temos aquele compromisso de sempre na segunda, você sabe, pra descansar após o final de semana agitado, mas acho que você já fez isso ontem, já que não deu sinal de vida pra ninguém. Estou esperando você me ligar, beijos, .
(Clique)

ouviu o recado de e depois apagou os outros que tinham na caixa de mensagem. Não estava com saco para ouvir a chamada dizendo que era a casa dela e do Ethan de novo e muito menos queria ouvir pessoas reclamando por ela ter dormido o domingo inteiro. Será que ela não tinha direito nem a um dia sozinha em casa?
A garota vestiu qualquer coisa que encontrou no seu armário. Como já disse, ela não estava se preocupando mais com a roupa que deveria usar, já que era Ethan quem a obrigava a se vestir sempre impecável e exageradamente linda. E foi a caminho do set de gravação com uma cara de sono inexplicável, já que ela só tinha feito dormir no dia anterior.
- Bom dia menina má! - Matt, protagonista da série, sempre 'bem humorado', veio cumprimentar assim que ela botou os pés no set. - Pronta para um dia cheio hoje? Fiquei sabendo que a pós-festa foi bom, hein? Me arrependi de ter saído mais cedo...
sorriu fraco para ele, pegando seu copo de café rotineiro em cima da mesa, junto com a correspondência.
- Não estou zoando, a Lizzie me contou sobre como você caiu bêbada no meio da sala e o teve que te carregar pra casa dele... - Matt continuou provocando - mas a sua sorte é que você está aprendendo a ser mais resistente ao álcool e agüentou até o fim da festa, porque você sabe, se tivesse desmaiado no começo, a essa hora já estaria em todos as revistas do país! - e continuou ignorando-o. - A não ser que fosse exatamente isso que você estava planejando... Pra voltar a ser o centro das atenções depois do acidente com o Ethan, você sabe, né...
- Matt, me faz um favor? - virou-se para ele. - Vá te foder e se puder leve a Lizzie junto com você pra coisa ficar mais divertida.
bateu a porta de seu camarim na cara do rapaz, mas não sem antes dar um de seus famosos sorrisinhos cínicos para ele.
Fora esse pequeno incidente com Matt do qual já estava completamente adaptada, pois tivera o melhor professor do ramo para ensiná-la, Ethan, o dia no trabalho correu normalmente, e lá pras seis horas ela já estava esgotada, mas ao invés de ir para casa mofar sozinha de novo, ligou para .
- ? És tu, cavalheiro?
- ! Finalmente você resolveu dar sinal de vida! - sorriu ao ouvir a voz de . Era bom falar com alguém amigável depois de um dia ouvindo gente reclamando no seu ouvido por não estar 100% compenetrada. - O já estava começando a dar aqueles ataques gays dele de stress.
- Er... Eu tava precisando dormir ontem um pouco, esfriar a cabeça depois de sábado... - disse com a voz fraca, entrando no carro.
- Ah sim, o me contou sobre vocês dois, depois de chegar aqui no domingo com um sorriso enorme de perversão. Mas pode ficar tranqüila que como eu achei que você não ia querer que ninguém soubesse disso, eu mandei ele calar a boca e também não vou contar a ninguém.
Ao ouvir isso, ela respirou aliviada. realmente sempre pensava em tudo. Era por isso que ela o amava!
- Hum, obrigada. Sabe como é, acho que fiz burrada de novo, né.
- , acho que não seria bom se você dissesse que foi uma burrada a , ele meio que está todo feliz por finalmente ter conseguido depois de tantos meses tentando alguma coisa.
riu. realmente estava tentando uma aproximação desde o dia que eles se conheceram.
- Pode deixar que eu vou tomar cuidado, mas não posso assumir um compromisso nem nada agora, né !
- Ah sim, claro... Você está muito ocupada tentando pegar todo e qualquer homem solteiro gato de Londres, tinha me esquecido...
Tá, tudo bem, talvez ela não o amasse tanto assim, já que ele era muito sincero e não aprovava nem um pouco o fato dela estar se rebelando e fazendo de tudo para superar a morte.
- Hum... A saída de hoje ainda está de pé? - disse, mudando de assunto rapidamente, antes que eles começassem aquela mesma discussão de sempre.
- Estava esperando você tocar no assunto! - riu. - Pode me encontrar na mesma pizzaria de sempre daqui a... Uma meia hora?
- Não dá pra ser daqui a dez minutos, não? É que eu já estou praticamente no estacionamento... - Os dois riram. sempre chegava atrasada ou adiantada demais.
- Pode ser, ... Tô saindo daqui, 'guenta ae!

- Olá! - ouviu a voz de atrás dela e sorriu. Era confortante tê-lo por perto, eles sempre se encontravam ás segundas feiras para 'organizar as idéias depois do fim de semana e aliviar o stress da segunda-feira', como explicavam toda vez que alguém perguntavam o que eles iriam fazer.
- Espero que você não se importe nem me mate, mas o veio comigo - disse enquanto sentava-se à mesa, em frente a .
- E cadê ele? - Ela disse forçando um sorrisinho.
- Eu pedi pra ele ir comprar um maço de cigarros, exatamente pra poder te preparar psicologicamente para um encontro pós-burrice.
Imediatamente o sorriso falso de deu lugar a uma expressão de 'eu vou te matar'.
- O que ele veio fazer aqui, afinal de contas? Ele sabe que nós temos esse costume às segundas e sempre fazemos isso SOZINHOS! - estava quase berrando.
- Calma, é que ele chegou lá em casa assim que eu estava saindo, e quando eu expliquei que vinha te encontrar, ele praticamente me bateu pra deixá-lo vir também.
bufou.
- E agora, o que a gente faz?
- Agüenta ele por hoje, ué! Até parece que vai ser um grande problema, vocês sempre foram bem amiguinhos que eu sei, ok? Não faz essa cara de quem tá indo pra forca que ela não cola comigo, eu te conheço, ...
bufou novamente e chegou, se juntando aos dois na mesa com um sorrisão aberto.
- Tudo bem, ? - Ele disse, entregando o maço para .
- Tudo certo, e com você? - Ela respondeu também forçando um sorriso fraco. Não que ela estivesse chateada com , afinal de contas, ele era um de seus melhores amigos - um dos únicos, pra falar a verdade -, mas ela achava que não estava preparada para ver e conversar com ele tão cedo.
- Belezinha... Mas então, o que vocês tanto fazem aqui nas segundas? Só comem e conversam mesmo? Porque quando o me disse que era só isso, eu confesso que achei que tivesse algo a mais... - Não, normalmente é só isso que fazemos mesmo. O não me deixa beber. - olhou para o garoto com um olhar entediado.
- Bem, então para comemorar minha ilustre presença aqui hoje, acho que podemos tomar um drink, né? - olhou para com um sorriso safado e depois para , como se implorasse com os olhos.
- , será que eu posso falar com você um instante? - disse olhando sério para o garoto.
- Sim, claro. - apenas observava os dois se encarando.
- A SÓS! - praticamente berrou e fez um sinal para que não se incomodassem com ela, e foi ao banheiro.
- , me diz uma coisa, sinceramente... Você tem algum tipo de esperança, ou intenção com a agora?
- No momento não, por quê, você tem?
- Claro que não! - deu um pedala no garoto. - Só perguntei pra saber mesmo, porque parece que você continua dando em cima dela depois de ter conseguido o que, aparentemente, queria.
- Eu só acho divertido ficar bancando o obcecado pela , mas acho que ela sabe que é só brincadeira mesmo, qualé, essa fase já passou faz meses. - estava rindo, provavelmente pensando que estava interessado em . - Mas e se eu tivesse, teria algum problema, ?
- Sim, teria, porque você sabe que ela não está querendo nada sério agora e tudo que ela menos precisa é de mais problemas.
, sempre o protetor. Ai, que fofo!
- Acho bom que você saiba disso. - sussurrou, mas, infelizmente, ouviu. Só não falou nada porque nesse momento, chegou com seu sorriso encantador.
- Será que vocês dois poderiam continuar a conversinha mais tarde? Eu estou definitivamente morrendo de fome! - Ela sentou-se à mesa e chamou o garçom. O resto da noite correu bem, e não tocaram mais no assunto e estava tão animadinha que nem parecia aquela mesma pessoa que tinha estado ali anteriormente. Alguém entende essa garota?

Capítulo 4 - 'Cause all she wants is go out with the boys

A semana passou voando. ia do trabalho pra casa e de casa pro trabalho. O estranho era que ela não tinha se metido em nenhum escândalo esse tempo todo. Mas, enfim, era sábado de novo, paraíso dos paparazzis e similares, ia sair de casa e aprontar alguma, como de costume nos últimos tempos. Ou pelo menos era o que eles queriam...
- zinho, amore mio! - A voz empolgada e estridente de invadiu o ouvido de no momento em que ele atendeu ao telefone.
- Já tá nesse fogo todo às sete horas, ? - Ele riu.
estava de toalha andando que nem uma barata tonta de um lado pro outro em seu apartamento, tentando achar uma bota que combinasse com a roupa já escolhida.
- Hoje é sábado, , dá um desconto e pára de andar tanto com o ! - Mais uma risada de . não se agüentava com as risadas dele. Ao telefone elas já eram encantadoras, ao vivo então... Nossa, sem comentários!
- Tudo bem, mas está me ligando pra quê? Não arranjou nenhum solteiro disponível hoje e resolveu recorrer ao bom e velho ?
- Não... Na verdade hoje vamos fazer a noite das garotas, só a gente em um restaurante chique por aí, alguma coisa com alto teor alcoólico e os garçons gatinhos pra gente se divertir paquerando, claro! Eu só queria saber se você se lembra de ter visto minha identidade jogada por aí na sua casa...
- Não me lembro não, ... Vou procurar aqui pra você. Mas deixa eu te perguntar uma coisa, você vai sair com que amigas? Até onde eu saiba você não é de ter amizades femininas...
- Não é só porque eu não tenho amigas que eu não posso ter colegas, ok? E muito obrigada por procurar minha identidade, vou precisar dela hoje, as meninas querem me levar a um lugar proibido, olha que emocionante? Primeira vez que eu não vou precisar usar a identidade falsificada! - soltou uma risadinha excitada. riu de imaginar a cara que ela estaria fazendo no momento. Parecia mesmo uma criança às vezes... Definitivamente isso só a deixava mais sexy.
- Se eu a achar, te ligo pra você vir aqui buscar ou levo aí, beleza?
- Combinado, . - Eles desligaram o telefone, mas antes ainda pôde ouvir comemorando animadamente por ter achado alguma coisa que estava procurando.
A verdade era que a carteira de identidade da garota estava na mesa de cabeceira dele o tempo todo, ele havia pegado no sábado da bolsa dela exatamente pra ela ir procurar depois por ela.

Meia hora depois já estava quase pronta, só faltava terminar a maquiagem e achar a bendita identidade. E foi ai que a campainha tocou e milagrosamente quando ela abriu a porta viu encostado no batente da porta sorrindo com sua identidade na mão.
- Você é um anjo! - sorriu e estendeu a mão para pegar a identidade que estava sendo abanada de um lado para o outro, mas a guardou no bolso de trás da calça antes que ela pudesse a pegar.
- Não vou te dar isso tão fácil assim, sem uma recompensa. - Ele disse deixando com uma cara confusa enquanto entrava no apartamento da garota e sem convite se sentou no sofá da sala.
- , eu não tenho tempo agora, daqui a pouco tenho que encontrar as meninas... - disse se sentando ao lado de . - O que você quer? Sem enrolações.
sorriu maliciosamente e pulou em cima da garota, a beijando fortemente enquanto se apoiava com uma mão no sofá ao lado dela. Eles ficaram se beijando e trocando carinhos maliciosos e doces durante um bom tempo, até que separou suas bocas, empurrando para o lado. Suas roupas já estavam amassadas e todo o esforço de com o cabelo já tinha ido por água abaixo.
- , eu já disse que não vou te usar como ando fazendo com os outros... - Ela disse recuperando o fôlego. - Sábado passado você sabe o que aconteceu, até melhor do que eu...
- Você não precisa se explicar, - ele passou uma mão pelo rosto de . - Eu sei que você não quer compromisso no momento, muito menos eu quero. E não me importo que você diga que está me usando, já pensou se eu posso querer ser usado por você?
- Hum... Não tinha pensado por esse lado - se levantou -, mas será que dá pra gente conversar sobre isso mais tarde? Eu preciso me arrumar de novo agora.
- Tá, tá... Já entendi, você está me expulsando! - se levantou fazendo uma cara de indignado, com as mãos pra cima.
- Não fica assim, meu bebê frágil... - riu e o abraçou, colocando a mão no bolso da calça do garoto.
- Ui , não faz isso que eu não saio daqui hoje, hein...
- Tudo bem, então não faço nada, vai logo, ! - colocou as mãos em seu bolso e foi andando até a porta. - Anda, anda! E passa pra cá essa identidade.
- Não vou te dar identidade nenhuma hoje, você não me convidou pra sair - foi andando em direção a porta dando língua para a garota.
- Tudo bem, eu uso a falsificada mesmo. - bateu a porta na cara do garoto.
Cinco minutos depois bateu na porta de de novo.
- , sua ridícula, devolve essa identidade! - Ele berrou, batendo na porta.
apenas soltou uma risada escandalosamente deliciosa enquanto se abanava com a identidade.
[na: pra quem não se lembra, ela colocou a mão no bolso onde a identidade se encontrava ;)]

Capítulo 5 - Sunday morning rain is falling

Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
Nossa , quando você vai mudar essa caixa de mensagem? (risadas) Bem, eu só tô ligando pra te chamar pra um almoço aqui em casa, quer dizer, na casa do , - caso você ainda não tenha percebido que sou eu quem está falando. Os garotos estão todos aqui e estão implorando pra você aparecer! Ai , não me chuta, porra! (risos e um grito). A propósito, se divertiu bastante ontem à noite, hein? Um garçom dessa vez, ? Pode admitir, foram as suas coleguinhas que mandaram, não foi? Já tô indo, , que saco! Bem, vem logo, menor de idade. Estamos te esperando, bei...
(Clique)

O domingo amanheceu da pior maneira possível. Ressaca terrível, sem suco de tomate em casa pra curar isso, sensação de ter feito merda noite passada, recado do na secretária confirmando que ela havia feito merda com um garçom - foque bem o fato de ter sido um garçom -, e ainda por cima estava chovendo.
bateu a cabeça no travesseiro algumas vezes pra ver se adiantava de alguma coisa, mas só serviu pra piorar a dor de cabeça. Idiota. Ficou mais uma meia hora na cama tentando esquecer de tudo.

Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
Você não vai aparecer não? O tá comendo o macarrão que eu tinha feito todo!!! Sem contar que o tá babando no sofá e o ... Bem, o tá quieto na dele, sendo . Vê se aparece logo que estamos ficando com fome. Quer dizer, menos o . (risos) Ah, é o , só pra constar...
(Clique)

se levantou e resolveu encarar os problemas. Não ia adiantar ela ficar deitada o dia todo, sua cabeça não ia parar de latejar, seu telefone não ia parar de tocar e as revistas sobre ela não parariam de circular com isso.
Agasalhou-se da melhor maneira possível e foi pra casa de salvar a pátria antes que eles morressem de fome, sabia que a essa altura o macarrão de já tinha acabado mesmo - graças a Deus!

- Bom diiiiia, gazelas da minha vida! - entrou animadamente na sala, assim que abriu a porta para ela.
Os outros três estavam espalhados pela sala assistindo alguma coisa chata na tevê.
- É boa tarde, . - resmungou desanimado.
- Que seja, mudem logo essas carinhas desanimadas porque a titia chegou pra fazer comida e salvar a pátria! - bateu as mãos como se estivesse diante de quatro criancinhas.
- Ih , valeu, mas eu já tô cheio... - sorriu passando a mão pela barriga que ele fazia questão de estufar, parecendo que ele estava umas dez vezes mais gordo, não que ele fosse gordo antes.
- Ótimo, , porque eu não ia fazer comida pra você mesmo, já fiquei sabendo que você foi uma criança má e comeu o macarrão do todo!
- Graças a Deus, eu não ia comer aquele treco grudento e insonso de jeito nenhum! - se pronunciou pela primeira vez, caminhando até e lhe abraçando por trás. - Você vai fazer aquele sanduíche de atum maravilhoso que só você sabe fazer pra mim? - Essa última parte ele sussurrou no ouvido de , fazendo todos os pêlos da nuca da garota se arrepiar.
- Só se você se comportar e me ajudar - virou o rosto de lado, tentando ver que ainda estava agarrado à ela. Perigosamente perto demais. Por um momento tinha se esquecido que o único que sabia da situação ali era , e ela não queria que os outros soubessem, era melhor assim. Sorte dela que estava passando mal de tanto que comera e era meio lerdinho demais, além do mais, como ele vivia agarrando e qualquer outra pessoa do sexo oposto, nem ligou muito pros dois.
- , me solta! Eu não vou fazer sanduíche pra você! - Ela se soltou do garoto e foi andando para cozinha. Ele foi atrás.
- Que houve? - se apoiou no batente da porta. Ele amava fazer isso, e ela amava quando ele o fazia. - Achei que tivéssemos conversado sobre manter um relacionamento não sério, sem compromisso... Você sabe...
- Tá tudo bem - o cortou, encarando-o -, eu só não quero que os outros saibam. Pelo menos não por enquanto... Você não se importa, né?
se aproximou da menina que estava virada de frente para a mesa, cortando pão.
- Não me importo mesmo, acho que isso só deixa a coisa mais excitante... - Ele segurou forte nos dois braços da garota e apoiou seu queixo no ombro dela. - Mas acho que o já sabe de alguma coisa...
- O não tem problema... Ele já implica com todos os meus relacionamentos mesmo, mais um não vai fazer diferença.
não disse nada, mas não tinha tanta certeza assim disso. De uns tempos pra cá ele vinha reparando que prestava atenção demais no que fazia, e se importava demais também.
Seria apenas ciúme ou poderia estar certo?

- Sanduíches de atum saindo, cambada! - chegou a sala uns quinze minutos mais tarde, trazendo uma bandeja cheia de seus famosos sanduíches, a única coisa que ela sabia fazer na cozinha.
- Nossa, demorou hein? - reclamou levantando instantaneamente e pegando logo dois sanduíches.
Ninguém respondeu nada. lançou um olhar malicioso para , que não retribuiu, apenas olhou para baixo. Obviamente, viu. Ele estava mesmo reparando demais ultimamente, não?
- Opa, tem pra mim ae? - perguntou assim que desceu as escadas, enrolado numa toalha na cintura. nem reparara que a criatura não estava presente anteriormente.
- Achei que você tivesse passando mal, - riu enquanto comia. Estava faminta!
- Que nada, já tomei um banho, tô pronto pra outra panelada de macarrão do . - Todos o encararam, atônitos. - Ou alguns sanduíches da , tanto faz...
- Cara, como ele consegue ser tão magro assim? - perguntou ainda olhando estática para . - Me dá sua receita, colega!
Os garotos riram.
- Não precisa humilhar, ! Eu tenho preguiça de freqüentar uma academia...
- Alguém bate nele por mim? - olhou com uma cara de tédio para que estava ao lado de . Ele apenas ignorou o comentário, estava ocupado demais saboreando seu sanduíche para parar. Mesmo que fosse para bater em .
- Tudo bem, eu mesma vou ter que bater! - se levantou e foi andando até , que estava sentado no chão.
Assim que ela deu um pedala na cabeça do garoto, ele deixou seu sanduíche cair no chão e a puxou pela perna, fazendo-a cair sobre ele.
- Hã, agora eu entendi porque ele tava sentado aí comendo sem protestar... - riu. Ele também reparou que encarava seu sanduíche, sem falar nada.
- Porra! Da próxima vez vou chantagear o pra dar o pedala no mesmo... - disse indignada enquanto se levantava do chão e arrumava seu cabelo que estava pra cima num rabo-de-cavalo bem mal feito.
não disse nada, apenas deu um sorrisinho de satisfação, pegou seu sanduíche no chão e continuou comendo.
E foi assim que o domingo passou. Com os cinco comendo, falando merda, brincando, se xingando... e trocando uns olhares, desviando esses olhares pra ninguém perceber nada... Típico. De noite, os garotos não queriam deixar ir para casa de jeito nenhum, mas ela começou a dar uma de chata dramática e a reclamar de tudo, começando pelo lugar onde ela ia dormir, passando pela pasta de dente e terminando em quem a levaria no dia seguinte às seis da manhã pra casa. Esse plano era infalível. Mas a verdade era que ela não queria ir pra casa, domingo à noite era sempre deprimente, especialmente se ela ficasse sozinha, porque aí mesmo que ela se lembrava de Ethan e de como eles costumavam passar os domingos isolados em casa, comendo pizza e jogando pôquer. Não que ela não gostasse de passar os domingos com McFly, mas era sempre bom ter Ethan ali com ela, pra fazer um chocolate quente à meia noite quando ela não conseguisse dormir. Droga, por que ele tinha que fazer tanta falta? Lá estava ela: dirigindo e chorando ao som de uma música deprimente qualquer que estava tocando na rádio, lembrando-se do homem que ela mais amou, preparando-se para chegar em casa, onde ela se enfiaria embaixo de todas as cobertas que tivesse no armário e choraria até dormir. Não importava o quanto ela se esforçasse, quantas vezes ela saísse de casa, com quantos homens ela se envolvesse, Ethan nunca a deixaria em paz para seguir seu caminho. Sua vida estaria fodida pra sempre. Pelo menos era assim que ela se sentia naquele momento.

Capítulo 6 - I'm Miss American Dream since I was seventeen

Hum, segunda-feira, não? Normalmente um dia tedioso, mas depois de chorar praticamente a madrugada inteira, resolvera que aquela segunda seria divertida... Ou pelo menos, diferente. Ela estava tomando banho, tinha escolhido uma roupa antiga, e usaria a primeira sandália que Ethan tinha lhe dado, alegando que elas tinham sido feitas especialmente para ela.

Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
, eu acho bom mesmo você dar as caras no trabalho hoje um pouco mais cedo, ou considere-se uma mulher morta. E nem venha reclamar comigo mais tarde pelo modo como estou falando agora, você já tem 18 anos e é uma mulher, acredite ou não, com mais responsabilidades sobre os ombros do que muitas mulheres com 30! Encare essa e venha à minha sala assim que pisar naquele set de gravação. Você sabe quem está falando, é o Joseph! Sim, voltei de Miami e não estou feliz com o que vejo por aqui... E mais uma coisa: mude essa mensagem da sua caixa de perdidas, ok? Até mais.
(Clique)

- Meeeu Deus! - acabara de ouvir o recado de Joseph, editor-chefe da Everything I'm not. - Acho que a bicha louca voltou de Miami mais estressadinho do que quando partiu!
Ela se vestiu calmamente e se maquiou cuidadosamente, como não fazia há alguns meses para ir ao trabalho, só para festas e ocasiões especiais. Já estava até esquecendo como era bom se sentir bonita pela manhã e ser cantada pelo porteiro.

Desde que colocara seus sapatos especiais Jimmy Choo, até a hora que ela entrou na sala de Joseph, não teve um olho que não caiu sobre ela, e a impressão que ela tinha era de que isso não estava acontecendo só porque ela estava radiante de novo. Tinha alguma coisa rolando que ela não sabia?
- Com licença... - bateu na porta de seu chefe educadamente antes de entrar. O único barulho que se ouvia eram os do salto da garota. - Que bom ter você de volta, Joe!
- Não me chame de Joe em local de trabalho, . - Com essas palavras, o sorriso de murchou na hora. - Será que eu não posso nem me retirar por uns meses e você se transforma num caos?
- Joe, quer dizer, Joseph, eu não me transformei num caos! Só estava passando por uma crise, o que é normal depois de perder alguém tão querido! Não é todo mundo que pode ir pra Miami quando quiser pra esquecer os problemas, ok? - fez questão de pronunciar a última frase com uma entonação diferente.
- Ah não? - Joseph jogou com força sobre a mesa um exemplar da People e um da Top 10. - E como você me explica isso?
A foto das capas das revistas era a mesma, vestindo a roupa que ela estava sábado passado, segurando uma garrafa de Vodka enquanto abraçava um cara vestido como um garçom. "Mais um na mira de !" Dizia uma das revistas.
Ela não conseguiu ler o que a outra dizia sobre ela, seus olhos se encheram de lágrimas, por um momento. Ela tinha realmente se esquecido que havia lhe dito sobre as revistas!
- Você sabe como eles exageram... - disse assim que conseguiu controlar suas lágrimas. - Só querem vender...
- , eu sei que estava isolado em Miami esses últimos meses e que não fui um cara muito camarada com você depois que perdemos o Ethan, mas eu sei que essa não foi a primeira vez que manchetes como essa saem por aí e também sei que essas não são as únicas revistas pelas quais elas circulam! - Joseph estava tentando controlar sua voz para não sair berrando com . Ele não queria mesmo que ela chorasse, afinal, ela ainda teria um dia pela frente de gravação.
O choro estava entalado na garganta da garota. Ela era realmente uma pessoa frágil, Ethan vivia lhe dizendo isso, embora ela nunca tenha acreditado.
- Isso não foi muito profissional da sua parte - Joseph disse após dar um longo suspiro. - Eu espero que as coisas mudem daqui pra frente, ok? Sinceramente, eu espero...
- Pode deixar, Joe... Prometo me esforçar mais pra manter meus problemas pessoais fora da mídia... - Uma lágrima teimosa desceu sobre a bochecha de .
Ela foi andando até a porta, e, antes que pudesse fechá-la, Joseph se pronunciou uma última vez.
- Já disse, me chame de Joseph, .

- Dá pra acreditar que ele disse isso? - disse indignada assim que terminou de contar a história do que tinha acontecido mais cedo, com Joseph.
- , esse cara é definitivamente um idiota. Ele só está te julgando assim porque não é famoso o suficiente pra sair nas revistas se fizer alguma merda. Aí fica com inveja de quem é e sai fazendo isso, não esquenta a cabeça com ele...
- Ah, obrigada por dizer que meu seriado não é famoso, ! - riu, dando um gole em sua garrafa de coca-cola.
Os dois estavam sentados no tapete fofo do quarto de , já que decidiram fazer a reunião de segunda num lugar mais reservado. estava mesmo decidida a evitar os holofotes.
- Não foi isso que eu quis dizer, você me entendeu. E você é a prova viva de que seu seriado é famoso, Srta. Sonho Americano de 18 anos! - deu um tapa de leve no braço da amiga.
- É, cara, às vezes eu fico pensando que não deveria ter ido àquela festa com a pra começo de conversa...
- , a única coisa que você faz bem além de atuar é ser famosa! - disse com desdém.
- Ah, olha só quem fala, Senhor Eu-sou-da-banda-que-ficou-em-primeiro-lugar-com-menos-idade-do-que-todos! Vá fazer uma música com esse nome, ! - deu língua pro garoto.
- Com esse nome mínimo?
- É, tá na moda agora, não sabe? Seu desatualizado!
Eles caíram na gargalhada.
- , amore da minha vida, meu celular tá vibrando ali em cima da mesa... - fez uma cara de anjinha.
- Nem vem, eu não vou pegar pra você. - falou mostrando pedaços de pizza dentro de sua boca.
- Por favoooor - ela piscou os olhos e sorriu - por favorziiinho!
- Meu Deus, eu não sei como agüento conviver com uma criança como você! - Dado por vencido, ele se levantou e pegou o celular da garota. - Ih, é o . Quer que eu desligue? Ou prefere que eu atenda e fique gemendo pra ele se tocar de que ligou num momento inoportuno?
soltou uma gargalhada gostosa.
- , tá maluco? Se você ficar gemendo que nem uma bicha ele só vai ficar rindo do outro lado, afinal, ele sabe que eu tô com você, e alôôu! O que a gente faz de errado nesses encontros de segunda? - Ela disse ainda rindo.
- Ai, essa doeu. - fingiu estar se assassinando com uma faca no coração e depois entregou o celular à .
ficou observando a conversa de com sem falar nada. Ela ria bastante de algumas coisas que ele falava, pareciam um casal de verdade. Quer dizer, se não ficasse xingando de cinco em cinco segundos, eles até pareceriam um par romântico.
- Então... - quebrou o silêncio assim que desligou o celular. - A coisa entre vocês está ficando séria?
- Hã-ã... - engasgou com sua coca. - Não séria... A gente só... Tá ficando mesmo, sabe?
- E você acha isso certo? Quer dizer, você tá bem com isso? Vocês conversaram e chegaram a essa conclusão?
riu, achando divertido o nervosismo de .
- Calma, , nós conversamos e tá tudo bem... Pode não parecer sempre, mas eu não sou mais uma criancinha, sei me cuidar bem sozinha, apesar de gostar de depender dos outros às vezes.
- É, eu sei... Mas é que depois da morte do Ethan, às vezes... - estava falando devagar, não queria soltar nada sem querer. - Eu me sinto meio que na obrigação de cuidar de você, pra que você não sofra tanto de novo...
- Ahh! Isso é bem fofinho da sua parte, . Mas, falando sério, não precisa se preocupar tanto assim comigo, eu tô aprendendo cada vez mais a cuidar de mim mesma, já que não tenho mais pai, mãe, amigas, namorado... - começou a enumerar e sentiu sua garganta novamente ficando entalada com choro. - Mas tá tudo bem, quando eu precisar de ajuda, sei que vou poder contar com você e os meninos...
abraçou a garota antes que ela pudesse chorar. Ele era mesmo um bom amigo, ela sabia disso. Mas não queria que ele ficasse a protegendo tanto assim.

Capítulo 7 - All the alcohol in the world would never help me to forget

Um mês havia se passado. Um mês desde que dormira com pela primeira vez, um mês desde que ela prometera não se meter mais em confusão com a imprensa e um mês que ela não tinha mais paz em nenhum segundo.
tinha parado com o ataque de galinha, a palavra 'homem' pra ela só poderia vir acompanhada de ou gargalhadas. Não que ela e estivessem num relacionamento sério, quer dizer, pela parte dela até poderia ser, mas ele continuava com sua vida normal, em que ele ficava às vezes com a musa de seus sonhos, , mas quando ela estava ocupada demais se divertindo com ou com uma garrafa de bebida, ele ia procurar outras pra satisfazer sua vontade.
No momento, seu grande problema com as revistas era a quantidade de bebida alcoólica que ela andava digerindo. Segundo as fofocas, acordava e dormia com uma garrafa prata contendo sei lá o que, sabia-se apenas que era algo forte.
O que não era uma mentira deslavada, mas também não era completamente verdade, a bebida era intercalada por uns cigarros de vez em quando. Nem ela própria acreditava que andava fumando.

- Meu Deus, ! - gritou assim que entrou no quarto da garota. Já eram duas horas da tarde de sábado e ainda estava enfiada embaixo das cobertas. - Qual é o problema com você? - Ele abriu as cortinas, deixando a luz do dia invadir o quarto escuro e fedorento.
- , slipe cho ne exxkiiina - A garota murmurou alguma coisa assim que enfiou a cabeça embaixo da coberta, tentando tapar os olhos.
se sentou no pé da cama dela. Ele observou umas latinhas de cerveja no chão e abanou o ar, tentando se livrar do cheiro insuportável de cigarro, mas não adiantou, o cheiro já estava impregnado nas cobertas.
- Desde quando você fuma e bebe tanto, ? - Ele puxou a coberta e jogou no chão, revelando uma encolhida, abraçando seus joelhos, vestindo uma calça preta de moletom e uma camiseta branca tão velha que estava quase transparente.
- Você veio aqui pra me julgar, ? - disse bem baixinho, ainda com o rosto enfiado entre os joelhos. - Porque se veio, perdeu seu tempo, já estou cansada de ouvir isso.
- Não, na verdade eu vim aqui porque o me deu a chave da sua casa e pediu pra te fazer sair daqui.
- Por que ele mesmo não veio?
- No momento ele se encontra no mesmo estado que você... - passava as mãos pelo cabelo da garota carinhosamente. - Não sei porquê vocês não ficam logo juntos, são idênticos, fazem farra a noite toda, dormem a tarde toda e depois ficam sentimentais.
não entendia como que depois de um mês convivendo com ela e saindo juntos misteriosamente de um lugar e depois aparecendo todo amassados, e ainda não entendiam que eles estavam 'juntos'.
- Se eu levantar da cama, você promete que não vai contar pro do estado do meu quarto? - desconversou.
- Prometo, ... Agora vamos te levar pro chuveiro, você tá precisando tirar essa nhaca de bebum.
riu e pegou no colo, completamente sem jeito. Ele seguiu pro banheiro com dificuldade, já que estava em seu ombro rindo e lhe dando pancadas nas costas, mas assim que chegou lá, ligou o chuveiro e enfiou a menina de roupa e tudo.
- Anda rápido com isso que eu tô te esperando na sala! - disse assim que garantiu que a garota ia mesmo tomar um banho.

- Queridos, cheguei! - berrou numa tentativa de imitar os Flinstones. Só conseguiu um pedala de .
- Trouxe a ? - desceu as escadas correndo.
- Serve essa? - disse sorrindo, dando um beijo na bochecha do 'amigo' e entrelaçando os braços no pescoço dele.
- Não tem melhor que essa... - estava prestes a dar um beijo em , quando interrompeu.
- Credo, arrumem um quarto! - disse ele fazendo cara de nojo.
Ele tinha dito isso pra quebrar o clima ou só mesmo pra avisar que os outros estavam por perto?
Imediatamente os dois se separaram.
- Preciso falar com você depois - sussurrou no ouvido de , que fez um sinal pra eles se encontrarem mais tarde no quarto dele e depois foi andando até a sala.
- O que você ficou fazendo ontem, menor? - perguntou assim que sentou-se no braço do sofá que ele estava sentado.
- Quando você e vão parar de me chamar de 'menor'? Eu fiz ou não fiz 18 anos, afinal? - a garota disse, indignada.
- Não vamos parar com isso, é legal ver sua cara de fuinha quando ouve... - riu da garota que não entendeu nada, na verdade.
- Mas enfim, ontem eu me diverti sozinha.
- Meus parabéns! - disse batendo palmas sarcasticamente.
- Ah, pra que exatamente vocês me chamaram aqui, cavalheiros?
- Na verdade a intenção inicial era que você fizesse uns sanduíches pra gente, mas como você chegou tarde demais, acho que podemos só ver uns filmes... - deu de ombros.
- Ótimo, vocês têm algo pra beber? - perguntou esfregando as mãos, como se quisesse 'esquentar as coisas' com a bebida, no caso.
- Acho que tem resto de coca sem gás de ontem na geladeira, - disse sem tirar os olhos da tevê. Piratas do Caribe Dois estava começando.
- Hellôu! Eu estava falando de bebida de verdade! - franziu a testa. Imediatamente todos olharam pra ela.
- Nossa, achei que você fugisse de bebidas... Depois daquele incidente na casa do... - começou a falar, mas foi interrompido por abanando as mãos na cara dele.
- Não, não... Aquilo foi antes de... Vocês sabem... - Sim, ela estava falando de Ethan. E sim, ela ainda tinha uma certa fraqueza pra comentar sobre o assunto.
Silêncio reinou por uns segundos.
- Vem, , vamos pegar alguma coisa pra beber. - pegou a mão da garota e os dois subiram as escadas, em direção ao quarto dele.
- Você anda guardando bebida no quarto, é? - perguntou assim que a puxou pra cama. Estavam os dois sentados, um de frente pro outro, se encarando.
- Não, não quero beber a essa hora, ! - Ele riu. - Só te trouxe aqui porque nós precisamos conversar mesmo...
entendeu o recado, ou pelo menos achou que tinha entendido, estampou um sorrisinho safado, pulou pra cima de e selou seus lábios aos dele. Obviamente que ele não recuou, mesmo que esse não fosse o motivo por ele tê-la chamado ali.
Algum tempo depois, e já tinha empurrado contra a cama e estava em cima dele, fazendo loucuras com aquela língua enfiada na boca dele.
- ... - tentou parar o beijo que já durava um tempo, mas parecia querer ignorar qualquer coisa que ele fosse dizer, então continuou dando selinhos nele, de olhos fechados. - Não quero parecer broxa nem nada do tipo, você sabe que eu não sou, mas...
bufou e sentou ao lado de . Murmurou algo como 'fala' e ele prosseguiu, receoso depois desse 'fora'.
- É que... Eu queria saber porquê a gente ainda esconde o nosso... Como podemos chamar? - pensou um pouco. Não queria que nada fosse interpretado de maneira errada. - Relacionamento?
- Hmm... Sei lá, achei que a gente já tivesse conversado sobre isso. Acho que é pra gente não iludir os outros com nossa história, sei lá... Você sabe que o ia começar a planejar nosso casamento só se soubesse que nós nos beijamos uma vez, né? - riu. também, mas um risinho nervoso.
- ? - Eles ouviram uma voz berrando da escada. - ?
- Vamos lá, depois a gente conversa... - deu um tapinha na perna de e se levantou. - Não fique pensando que isso acaba aqui, você me deixou com expectativas, garoto! - Ela piscou pra ele, sorrindo maliciosamente.

Capítulo 8 - You know that I won't stop until I've got you

- Oi, ! - abriu a porta de casa surpresa. Ela estava com seu 'pijama', segurando um pote de sorvete de morango e esperando ninguém mais do que o porteiro. - O que você tá fazendo aqui? Hoje é segunda e eu esqueci?
- Haha, muito engraçadinha. - foi entrando e tirando seu tênis surrado. - Por acaso você só pode me receber às segundas, é?
- É, normalmente sim, né? - fechou a porta com o pé. - Quer dizer, olha pra mim! - Ela apontou pra ela mesma. - Estou de pijamas tentando curar a ressaca de ontem!
- É, pode crê... Acho que você exagerou um pouquinho demais ontem na bebida, não?
- Claro! Você tem noção que ontem foi uma noite histórica? - A garota se jogou no sofá, colocando os pés em cima de , que estava sentado. - Você nunca me deixa beber às segundas-feiras! Vem sempre com aquele discursinho de 'você sabe que tem trabalho amanhã, uma semana toda pela frente' e blá blá blá...
- Isso não me parecia um grande problema pra você quando começamos a nos reunir... - tirou as meias de e começou a massagear seus pés.
- - ela o encarou com um olhar de desprezo -, quando nós nos conhecemos, eu não tinha problemas como hoje, ok?
- Ah sim... - O garoto continuou massageando os pés dela. Ele sabia que era tudo que precisava fazer para acalmar a 'fera'. - Esqueci que estou conversando com a rainha do drama!
- Experimenta trocar de lugar comigo pra você ver o que é ter uma vida ferrada.
deitou sua cabeça para trás, relaxando e tentando aproveitar a massagem de enquanto esfregava as duas mãos pelos olhos, tentando espantar o sono.
- Por acaso nós não vivemos na mesma merda de mundo com os mesmos problemas por estarmos sendo vigiados o tempo todo?
- É, mas você ainda fala com seus pais, tem amigos verdadeiros do mesmo sexo pra fofocar sobre os homens gostosões, não mora sozinha num apartamento gigante e deprimente e não perdeu seu namorado e melhor amigo há uns meses. E, ah, como eu pude me esquecer, NÃO TEM TODO MUNDO PEGANDO NO SEU PÉ POR ESTAR BEBENDO UM POUCO A MAIS DO QUE ANTES! - elevou o tom de voz, mostrando seu nervosismo.
Um momento de silêncio constrangedor.
- , eu e meus amigos não costumamos conversar sobre os 'homens gostosões'.
Como resposta, obteve um dedo do meio na cara.
continuou deitada por alguns minutos apreciando a massagem de seu amigo, que só a observava de canto de olho. Até que ela sentiu um corpo pesado caindo sobre o dela e esmagando sua barriga. Abriu os olhos subitamente.
- Que foi, amore? - Perguntou, brincando com o nariz de .
- Já te disse que você é a minha amiga mais linda de todas?
- Hum... - fingiu pensar um pouco - que eu saiba eu sou sua única amiga, ! - Eles riram.
- Ah, eu tenho muitas amigas pelo mundo a fora, não vem com essa não. Mais que você, eu tenho, pelo menos. - Ele deu língua e quando ela ia mostrar seu dedo do meio de novo, pegou a mão dela com força e colocou no sofá.
se aproximou mais da menina, encostando seus narizes. O coração de estava começando a bater forte demais pro gosto dela, mas não parava de roçar seus narizes e ficar a encarando com aquele olhar... Bem, o olhar do . Aquela coisa doce e gostosa de ficar se encarando.
- Er... - tentou falar alguma coisa, mas não conseguiu. Antes que pudesse, lhe deu um selinho.
- ? Hum... - A garota estava mesmo desconfortável. Ela podia esperar isso de e até mesmo de . Quer dizer, talvez não de , devido a nova namoradinha dele. Mas de ? O único que sabia da 'história' dela com ? - O que exatamente foi isso?
- Uma coisa que eu venho tentando fazer há tempos... - Ao dizer isso, ele selou seus lábios novamente nos dela, mas dessa vez com mais sentimento. Passou sua língua pela boca de , mas ela hesitou em permitir que o beijo fosse aprofundado.
- Você sabe que eu ainda estou com o , certo? - Ela o afastou um pouco com as mãos para poder dizer isso lhe encarando.
- Claro que sei, você me disse isso ontem. Na mesma hora que me disse que o negócio entre vocês não era sério, e que vocês continuavam saindo com outras pessoas.
- Eu sei disso... Mas vocês são amigos, não vai ser uma situação meio desconfortável?
não respondeu, ao invés disso grudou seus lábios no pescoço da menina e ficou fazendo loucuras por ali, até que ela esqueceu completamente de quem era .

Existem algumas maneiras de ter certeza do que você acha que fez, na noite passada.
Uma delas é ver onde você acordou. Se for em um lugar desconhecido, ponto para sua mente pervertida. Se for no seu quarto, passe para a segunda etapa e confira suas vestimentas. Se estiver nua ou semi-nua, mais um ponto para sua mente pervertida. Terceira parte, só pra confirmar, é ver se sente cheiro de perfume masculino ou gel no travesseiro ao lado. Quarto e último passo é mexer os pés e ver se eles se esbarram acidentalmente em um outro pé (ou cabeça, depende de cada caso). Se pelo menos dois desses passos forem positivos, há uma grande chance de você ter feito mesmo o que pensa que fez noite passada.
No caso de , apenas dois desses fatos foram comprovados. Ela estava semi-nua e sentindo cheiro de perfume masculino, mais precisamente perfume de . Mas ele mesmo não estava ao seu lado.
Ela se levantou, vestindo só sua calcinha e sutiã mesmo, já que suspeitava estar sozinha em casa, e entrou no banheiro, dando de cara com no boxe. Porcaria de chuveiro silencioso! tapou os olhos e ficou tateando a porta, procurando pela maçaneta.
- , pode abrir os olhos, nós fizemos mesmo o que você está se perguntando se fizemos - ele disse rindo da cara de assustada da garota.
abriu os olhos e deu um sorrisinho sem graça para . Ela se encarou no espelho embaçado e pegou sua escova de dentes.
- Eu sabia que você era esquecida, mas nem tanto...
- ... - olhou para o garoto abanando a cabeça negativamente e ele piscou pra ela. - Acaba logo com esse banho porque eu não posso chegar atrasada hoje.

Capítulo 9 - Honest, let's make this night last forever!

Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
Eu não vou mais comentar sobre essa sua mensagem. Sei que ela ainda está aí só pra provocar, principalmente a mim. Mas olha, reservei uma mesa pra gente hoje naquele restaurante novo perto da nossa gravadora, sabe qual? Aquele com comida Japonesa, que eu sei que você gosta [na: desculpa as pessoas que não gostam, mas não tô com criatividade pra pensar em outro tipo de comida]. Te pego às sete? Te amo. .
(Clique)

foi pro trabalho ansiosa para chegar sete horas logo. Ela tinha resolvido esquecer de por um tempo e voltar a viver sua vida normal só com , que pegava outras garotinhas às vezes achando que ela fazia o mesmo, quando não fazia. Até o dia anterior.
Nada de anormal aconteceu durante o dia. Quer dizer, se você acha normal dar uma entrevista fingindo ser super íntima de seus colegas de trabalho, que na verdade são pessoas metidas e repugnantes que você odeia. Mas achava isso extremamente normal.

Sete horas. estava esperando no carro do lado de fora do prédio de desde seis e quarenta, ele estava mesmo nervoso.
estava quase pronta, como sempre, só faltava achar suas sandálias. Como ela sempre conseguia perder os sapatos? Ah, é! Esqueci que isso é comum quando se chega em casa e a primeira coisa que se faz é isolar os calçados em qualquer lugar.

tentava relaxar no carro, cantarolando uma música chata e irritante qualquer, daquelas que gruda e não sai por nada da cabeça, enquanto batia os dedos no ritmo no volante do carro. Ele não queria bater na porta de agora para não parecer que estava ansioso demais com isso.
- Alô? - Atendeu o telefone decepcionado, depois de ver na tela que não era ela. - Fala, mãe... Não, eu não tô no trabalho, por quê? Como assim? - Sua voz ia ficando cada vez mais entediada. - É, mas eu tô ocupado... Não, mãe, eu não posso sair no meio de um encontro pra ir pegar o bolo de aniversário da vovó! Eu sei que ela é minha avó, mas eu tô com a minha namorada aqui! - Ele revirou os olhos. Sua mãe era mesmo um saco quando queria. Ela insistiu mais uns cinco minutos, até que houve uma negociação. - Ok, se eu levar o bolo até a casa dela, você me libera do jantar de domingo na casa da Lucy? Jura? Beleza, chego lá em vinte minutos! - E desligou.

correu para atender o telefone que estava tocando insistentemente, mas no meio do caminho deu uma topada na ponta da mesinha e ficou se contorcendo de dor, tentando inutilmente fazer a dor passar enquanto urrava. Típico dela.

Olá, você ligou para casa do Ethan e da , da qual eu me apoderei legal, mas enfim, não estamos muito a fim de te atender no momento, ou não podemos mesmo, mas deixe seu recado e nós seremos bonzinhos retornando mais tarde. Beijocas. Ps: não me mate por mudar sua mensagem, Ethan!
(Sinal)
, eu sei que você deve estar ocupada procurando algum sapato, mas eu só queria te avisar que não vou poder te pegar aqui... Quer dizer, na sua casa às sete. Ouve um imprevisto com a minha avó e coisa e tal... Será que a gente pode se encontrar no restaurante sete e meia, mais ou menos? A mesa está no meu nome. Desculpe por isso, gata. Até mais.
(Clique)

- Alô? ? ???? - Ela atendeu, mas ele já havia desligado. Droga, ela não queria mesmo ir dirigindo. O trânsito devia estar um inferno!

Dez minutos passados das oito. Três garrafas de Ice vazias. Quarenta minutos de chá de cadeira. Mãos apoiadas no queixo. Tédio. Sensação de bolo chegando. Perturbação mental por achar que era a única ansiosa pro 'encontro'. Essa era a situação em que se encontrava.
- A senhorita tem certeza que seu acompanhante está chegando? - Um garçom educado e engomadinho chegou perto de .
Sem sair da posição que se encontrava, ela rolou os olhos para poder encará-lo. Seus olhos diziam 'você não sabe mesmo quem eu sou, seu pé-rapado?', mas, educadamente, ela só apontou para uma garrafa vazia, indicando que queria outra.
Ela olhou no relógio de novo. Oito e quinze. Se não chegasse em quatro minutos, ela iria embora correndo dali. Três minutos depois uma menininha loira de mais ou menos uns sete anos chegou perto de com um guardanapo e uma caneta e os estendeu para ela. Devido a quantidade de álcool já ingerida, demorou um pouco para entender o que a garotinha querida.
- Qual seu nome, querida? - Ela perguntou educadamente, sorrindo. Adorava quando crianças vinham pedir seu autógrafo. Era melhor do que dar pra uns homens mal-encarados colecionadores de autógrafos ou pros tarados de marca maior que só queriam ter uma visão privilegiada dos seus seios pra depois inventar uns boatos de que tinham pegado neles.
Mas a pequenina não respondeu nada. Ela estava com a ponta da manga enfiada na boca e parecia estar morrendo de vergonha. Diante desta situação, só escreveu: xx Para minha fã pequenina, com amor, xx . Assim que conseguiu o papel, ela voltou correndo para mesa onde se encontravam duas senhoras conversando, e pegou sua bolsa para pagar a conta. Mas se pensava que ia ficar por isso mesmo, estava muito enganado. Ele ia pagar e não ia ser barato não.
- ! - ouviu alguém chamando seu nome atrás dela, assim que já estava se levantando da mesa. - Me desculpe!
Ela se virou para trás e se deparou com um meio descabelado e respirando com dificuldade. Parecia ter acabado de sair de uma maratona. Só não estava fedendo, de jeito nenhum. Cheirar mal era algo que simplesmente não existia na mesma frase que o nome .
- Por que a demora? - ela perguntou, se sentando novamente.
- Tava na porra do trânsito! Tinha me esquecido que minha vó morava há milhas de... Onde eu estava...
Onde tinha ido parar a vontade de vingança de ?
- Ah, tudo bem, eu também fiquei presa. Devo ter chegado há uns vinte minutos, só. - sorriu falsamente. Qual é, ela não ia ficar mal na história, ia?
- Sim, realmente, essas milhões de garrafas na mesa indicam isso. - riu brincando com a garota.
amaldiçoou o garçom lerdo que esquecera de levar as garrafas vazias. Ela riu, nervosa.
- Ok, você me pegou...
Depois de cinco minutos, o garçom voltou à mesa e o recebeu com um sorrisinho triunfante. 'Eu não disse que ele vinha, idiota?' ela teve vontade de dizer, mas ao invés disso, só fez seu pedido.
- Reparou que esse é o nosso primeiro encontro de verdade? Tipo, sem nenhum dos garotos por perto e num restaurante legal? Com possibilidades de paparazzis e tudo!
- Estamos evoluindo, não? - riu. - Mas não fique achando que eu vou dar pra você no primeiro encontro, ! Eu não sou dessas...
Algum tempo depois, mais precisamente uma hora e vinte minutos, os dois já estavam bem 'comidos', como disse , e bem 'bebidos' também.
- Posso dizer que a noite foi perfeita? - perguntou sorrindo enquanto pagava a conta.
- Hum... Acho que pode. Eu diria o mesmo se não fosse o meu surto por ter quase levado um bolo no início. Mas acho que vou ser obrigada a te dar uma nota nove em primeiro encontro.
- Ah tá, então vamos ver pra onde minha nota vai subir com... - mexeu nos bolsos da calça, procurando alguma coisa. - Isso!
levou um susto. De verdade, só o que passou pela sua cabeça quando viu aquele anel lindo, perfeito e maravilhoso numa caixinha na mão de foi 'MEU DEUS, O QUE ISSO SIGNIFICA?'
- ... Eu... - A garota estava abrindo e fechando a boca, mas não conseguia proferir nenhum som. Simplesmente porque tinha medo de abrir a boca grande e falar alguma coisa inapropriada, tipo o que estava passando em sua cabeça no momento. - Não sei o que dizer! - ela soltou, por fim.
- Simples, diga que aceita. - estava com um sorrisão de orelha a orelha.
- Aceito? Mas aceito o quê? - ainda estava meio atônita.
- Ok, já vi que vou ter que pedir mesmo... - pigarreou. - , você aceita namorar comigo?
Ótimo, agora ele tinha pedido oficialmente. O que ela ia fazer? Contar que tinha dormido com o melhor amigo dele noite passada?
- ... O anel, tudo... - Ela sentia que lágrimas estavam por vir. Mas não eram de emoção como normalmente, e sim de decepção e culpa por ter feito o que fez. - É tudo tão perfeito...
esfregou seus olhos impedindo que uma lágrima descesse. segurou a mão dela, fofo como sempre.
- Será que você pode me dar um tempo pra pensar?

Capítulo 10 - Man, we’ve been messing with the same girl!

- Tutz, tanatã, tutz tá! - passou por , que estava tentando imitar uma batida qualquer com a boca.
- Eu vou fingir que não vi isso... - ele comentou passando direto pelo amigo e indo até o balcão da cozinha, pegar café.
o ignorou e continuou se divertindo tentando imitar sons com a boca e comendo desajeitadamente seu sanduíche.
- Cloooose your eyes, and I'll kiss you! - Assim que ouviram isso, parou de se servir café e parou com os barulhinhos e os dois prestaram atenção a um ser parado de pijamas, completamente descabelado. Quando perceberam que era , voltaram a fazer o que estavam fazendo antes.
- Papapa, tatis tutz!
- Remember I'll always be true!
- Hakuna Matata! - entrou na onda e começou a encher o saco também. - What a wonderful phrase!
- And I'll send all tátatarara my loving Hakuna Matata to yooou! - Eles aumentavam o volume cada vez mais e já não se entendia nada do que estava sendo cantado.
- QUE PORRA É ESSA AQUI? - berrou.
Todos olharam para ele assustados.
- Ih, alguém acordou de mau humor... - cochichou com , que estava ao seu lado.
A verdade era que já estava parado na porta perguntando educadamente o que estava acontecendo, mas ninguém o vira até então.
- Eu hein! Vocês sabem que horas são? - ele continuou berrando num tom de voz autoritário. - Vocês acham que é bom ouvir três bebês berrando de manhã antes de ir trabalhar?
- Foi mal, ... É que eu tô meio empolgado mesmo, só isso... - se desculpou com o amigo dando tapinhas no ombro dele.
Depois de meia hora de embolação pra terminar o café e se arrumarem, os quatro foram trabalhar. Eles estavam bem ocupados ultimamente gravando um novo single.

- I can't belive I've found, the girl... - deu um pedala em que estava olhando uns CDs em cima da mesa sem prestar atenção enquanto cantava, desafinado.
- Que deu em vocês hoje? - ele perguntou assustado.
- Eu estou muito feliz, meu caro amigo ! - sorriu abertamente, deixando os CDs de lado.
- Hmmm... - desconversou. Não estava afim de ouvir apaixonado contando horas de histórias com alguma mulher qualquer.
- Pedi a em namoro ontem. - Mas prosseguiu mesmo assim, causando um espanto e tanto em .
- A ? - ele perguntou arqueando a sobrancelha. – Nossa, cara, achei que você já tivesse desencanado com essa história da depois de tantos foras...
- Ah, mas é aí que você se engana, meu caro! Eu e a estamos tendo um caso há alguns meses...
- Sim, você e a torcida do Manchester. Sem querer ofender a nossa , mas você sabe que ela não é mais mulher de um homem só, desde de... Bem, desde o Ethan.
- Tem um mês que ela não fica com ninguém, ! - deu um pedala no garoto. - E eu também.
- O sabe disso? - esfregou a cabeça no lugar que fora atingido.
- Acho que sabe, por quê?
- Ah, nada... Só pra saber mesmo... - tentou disfarçar, mas sua cara de confuso não enganava. Ele ia ou não ia contar a que acabara de lhe confessar ter ficado com há dois dias atrás? - Pra conferir se eu fui o último a saber das coisas, como sempre...
- Na verdade, não, o ainda não sabe... E nem era pra você saber também, porque ela ainda não aceitou. Mas vai aceitar, eu sei que vai.
- Bom então... - se levantou e foi andando de volta pro estúdio. – Ah, , você por acaso sabe quem é a mulher misteriosa que anda deixando o nas nuvens? - perguntou como quem não quer nada.
- Nem sei, cara. O não anda me contando as coisas, nem sabia que ele tinha alguém no momento!
assentiu com a cabeça e voltou pra dentro do estúdio, deixando um bobo feliz cantarolando sozinho novamente.

- ! - recebeu seu amigo com dois beijinhos na bochecha e uma confusão em sua mente. Ela realmente não esperava ver tão cedo. - Que surpresa!
- Má hora? - o garoto perguntou entrando na sala enquanto ela fechava a porta e tentava se manter calma ao mesmo tempo.
- Não, é que o ... - ela frenou um pouco, gelando ao mencionar esse nome - me disse que vocês iam ficar o dia todo ocupados, ensaiando e tudo mais...
- É, eu acabei de sair do trabalho... - se sentou no sofá e jogou a cabeça pra trás, relaxando de todo o stress das gravações. - E você? Não foi trabalhar hoje não?
- Estou de férias, fim da segunda temporada. - levantou as mãos pro céu. - GRAÇAS A DEUS!
Eles riram. Um silêncio constrangedor se instalou. queria acabar com aquilo pulando em cima de e a puxando para um beijo, mas sentia que não podia. Já ela, queria era dizer que havia a pedido em namoro e que ela ia aceitar, mas também sentia que não seria muito apropriado.
- Ok, será que nós podemos fazer isso se tornar um pouco menos estranho? - falou por fim.
sorriu.
- Vou pegar uma garrafa de licor e o restinho de brigadeiro na cozinha. - se levantou em direção a cozinha e soltou uma gargalhada escandalosa e gostosa ao mesmo tempo.

- , tô indo pra casa... - gritou. - Tá com carro?
- Aham, eu vou com o mais tarde... - ele respondeu sem tirar os olhos de seja lá o que fosse o que ele estava fazendo.
- E o ?
- Saiu mais cedo... Disse que ai encontrar com 'a garota dele' - respondeu zoando o que havia lhe dito mais cedo. olhou para ele, mas não comentou nada, apenas balançou a cabeça em sinal de desaprovação e continuou seu trabalho. riu e seguiu seu caminho. Pra casa de , é claro. Ele esperava obter uma resposta ainda hoje.
estacionou o carro em frente ao prédio de . Como já era realmente tarde, a rua estava bem vazia. Ele pegou um embrulho que tinha comprado de manhã para ela e olhou para a janela da garota, que era uma das poucas acesas a essa hora. Ele respirou fundo e abriu a porta do carro, avistando sorridente saindo do prédio com as mãos no bolso. Instantaneamente pensou em chamar o amigo, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, as palavras de vieram à sua cabeça. “...disse que ia encontrar a garota dele”. Não podia ser, podia?
Olhou pra cima novamente, a luz em seu apartamento havia se apagado. bateu no volante com força e jogou o embrulho de presente no chão do carro. Mais rápido do que você possa dizer seu nome, deu partida no carro, rumo à sua casa.

Capítulo 11 - You could call me six times but still I won't pick up the phone

acordara bem agitada, considerando o fato de que eram seis da manhã, ela sabia que passaria mais um dia de férias tedioso fazendo nada, acompanhada apenas de uma bebida qualquer e um pacote de pipoca de microondas.
Ela passou a manhã raciocinando sobre o que faria da sua vida. Conclusões que ela chegou:
Ela não gostava de , ela o amava. Mas não era apaixonada por ele.
Ela gostava de , o amava e estava a caminho de uma paixão.
Ela poderia ser sincera com sobre tudo isso e com certeza eles não brigariam por isso, mas se ela abrisse o jogo com , as coisas não seriam tão fáceis assim, levando em conta as ceninhas de ciúme que ele andava tendo ultimamente.
Conclusão final: Ela explicaria a situação a , pedindo para que ele esquecesse e não comentasse a ninguém o acontecido. Logo depois, ela aceitaria namorar e tentaria viver um dia de cada vez, esquecendo de Ethan e as mágoas que ela ainda tinha, aos poucos.

Oi, eu sou o . Sim, o do McFly. HAHA, como você conseguiu meu celular? Se eu não te conheço, não perca seu tempo deixando um recado, mas caso contrário, vá em frente!
(Sinal)
, preciso mesmo falar com você... É sério, ok? (risos) Pode passar aqui à tarde? Mas tem que ser por volta das quatro, porque eu tenho, pelo menos pretendo ter, um compromisso às sete, beleza? Amo você, amigo. Ah, eu acho que você já sabe, mas é a . (risos)
(Clique)

Você ligou pro e ele não pode atender. Deixe um recado que ele retorna depois. (vozes e risos ao fundo) Não acredito que você me fez fazer isso, seu idiota! E sim, aqui é o , mas deixe o recado pro .
(Sinal)

O sinal anunciando que podia deixar seu recado tocou, mas ela desligou. Tinha que conseguir respirar primeiro, estava sem ar de tanto rir. O que era aquele recado na caixa postal de ? A julgar pelas vozes de e (era impossível entender o que ele havia falado, mas jurou ter ouvido sua voz) eles estavam completamente bêbados. E os outros companheiros de banda também estavam presentes, a risada de todos eles eram escandalosas e completamente reconhecíveis, principalmente por .
Assim que ela se recuperou, ligou de novo para e deixou um recado marcando um encontro - na casa dela - lá pelas sete horas, quando ela esperava já ter resolvido tudo com .

Cinco horas da tarde, a situação era a seguinte: Uma esparramada no sofá encarando o teto, bufando de cinco em cinco minutos pela falta de notícias.
Uns três recados na caixa postal de e cinco na de . Isso porque ela parou de deixar recados depois de um tempo, mas continuou ligando para ambos.

Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
? Até que enfim mudou esse recado, hein? Mas você tá aí? Porque se tiver... Atende ao telefone! As coisas tão meio doidas por aqui, acho que você não vai gostar de ficar sabendo, mas é um direito seu...

correu para atender ao telefone, escorregando algumas vezes por estar de meias.
- ? , você ainda tá aí? POR FAVOR, NÃO DESLIGA! - a garota berrou, estava desesperada por notícias.
- Calma, , eu tô aqui sim... - Ele riu. - Você pode vir aqui pra minha casa, por favor? O tá aqui e as coisas estão meio confusas... Ele e o ...
- Sem problemas, chego aí o mais rápido que puder. - cortou o garoto e desligou o telefone.
Não se importando em estar trajando uma calça de moletom e uma blusa de manga comprida velha com um coelhinho na frente, ela calçou uma bota sem salto e grande (o estilo que Ethan não a deixaria sair de casa nunca), pegou um casaco gigante pra cobrir a blusa e um pedaço da calça e saiu de casa prendendo o cabelo no melhor coque que a pressa lhe deixou fazer.

Capítulo 12 - Don't tell me you're sorry cause you're not!

- ! - berrou assim que entrou na casa de , ignorando-o completamente. - Que houve com você? - Ela foi até ele, que estava deitado no sofá sem camisa com um olho levemente arroxeado, e se ajoelhou.
, sem responder, lançou apenas um olhar fuzilante para .
- O que ela tá fazendo aqui?
- Ué, achei conveniente chamá-la, né? Você mesmo me disse que a pediu em namoro... - estava olhando a cena confuso, com os ombros contraídos. Não era só ele que não estava entendendo nada.
levou uma mão à cabeça de e encostou levemente num machucado recém-limpo na testa dele. Assim que ela o encostou, ele se sentou no sofá, deixando-a mais confusa do que antes.
- Que houve com você? - se levantou, encarando o garoto que mexia em seus cabelos, aparentando estar nervoso.
lançou outro olhar impaciente para , que ao invés de se defender ou falar qualquer coisa, exclamou um 'aaah!' lançando suas mãos pro alto e deixou os dois a sós na sala.
- , o que você tem com o ? - encarou a garota seriamente, ignorando a pergunta anterior.
- Co-como assim? - Ela gaguejou um pouco. De repente tudo se encaixava.
rolou os olhos, impaciente. Ótimo, ele sabia que isso era uma confirmação. Na verdade, ele nem precisava mais de uma depois da briga com . Sim, os dois haviam se socado, rolado no chão e tudo mais. Um escândalo digno de primeira página em todas as revistas de fofoca, mas que fora abafado por e , portanto ninguém tinha conhecimento do acontecido.
- Você ficou sabendo? - perguntou mordendo o lábio.
Ele apenas assentiu com a cabeça.
- E eu sei o que você vai me dizer... Que foi antes deu te pedir em namoro, antes de termos uma coisa séria, mas... - deixou a frase morrer. Estava sem forças. Tinha brigado com um de seus melhores amigos e estava prestes a fazer isso com sua quase namorada, com a mulher que ele amava. Sim, não que ele tivesse plena convicção de que a amava, mas amava.
- Eu sei que isso não é desculpa...
- Também não adianta dizer que vocês estavam bêbados, isso não cola comigo, nunca colou. Além do mais, você acorda bebendo ultimamente!
pressionou seus dentes com mais força ainda em seu lábio, mas dessa vez com a intenção de segurar o choro.
- Isso não é verdade... , você não sabe como tem sido difícil pra mim, acordar todas... - começou a se explicar, como vinha fazendo sempre que alguém a acusara de estar bebendo além da conta.
- Por favor, ! - balançou a cabeça negativamente. - Todos nós temos problemas na vida! E pode ser que você não esteja vivendo uma das melhores fases da sua, mas não justifica esse alcoolismo todo!
Estava difícil pra ela se manter de pé, em frente àquele homem que ela tanto gostava acusando-a. Pior, acusando-a de coisas que ela sabia ter feito.
- Daqui a pouco você vai arruinar com a sua carreira, vai afastar todos os seus amigos que restaram e principalmente acabar com a sua vida! - encarava , seus olhos demonstravam claramente sua frustração. - Você tem que parar de usar a morte de Ethan como uma desculpa pra todos os seus atos! Você sabe que sair com três caras por semana, beber até cair em todas as festas e ficar toda revoltadinha com a vida não é culpa do Ethan. Você acha que ele ia gostar de te ver nesse estado?
A essa altura, o discurso que havia preparado mentalmente para brigar com por ter ficado com seu amigo já tinha ido água abaixo. Isso já estava virando mesmo era um desabafo por todas as merdas que ela vinha fazendo e ele só assistira calado.
- Mas... Como a gente... - precisou se abraçar e respirar fundo pra continuar a frase - fica nessa história toda? Acabou? Eu ainda tenho chances de me redimir?
- Olha... - também juntou todas as suas forças - por enquanto eu não vou conseguir aceitar isso. Eu sei que não vou conseguir evitar você e o pra sempre... E também sei que você não é minha propriedade pra eu ficar tão puto assim, mas por enquanto não dá pra mim. Sinto muito, mas acho que não vai mais rolar nada entre a gente...
- Eu... Acho que entendo. - se virou pelo calcanhar e foi andando até a porta o mais rápido que pôde, o que no momento significava que até uma tartaruga era mais rápida que ela. Mas em nenhum momento olhou para trás. Não ia deixar que visse seu estado deplorável. Não depois dele ter acabado com ela.
, que estava com os olhos fechados para não se permitir derramar uma lágrima sequer, afundou-se no sofá assim que ouviu a porta da sala batendo com força.

chegou em casa aos prantos. Sua cabeça rodava e sua vista estava prejudicada e embaçada por causa das lágrimas que caiam sem piedade. Sua sorte foi ter conseguido dirigir até em casa.
Mudando de hábitos, a primeira coisa que ela fez não foi tirar seus sapatos, como normalmente. pegou uma almofada e afundou seu rosto nela, gritando com todas as suas forças. Quase nenhum som foi abafado pela almofada, o que a encorajou a continuar gritando por um tempo.
Quando estava sem força nenhuma, a garota deixou seu corpo pesado cair em cima do sofá de barriga para baixo. Assim que ela percebeu que ia adormecer em pouco tempo se continuasse naquela posição, se levantou, esfregando seus olhos inchados, e foi rumo à cozinha. Abriu o armário com uma certa dificuldade, pegou um copo, colocou duas pedrinhas de gelo e derramou uma dose de whisky generosa no copo. Ela ergueu o drink até seus olhos e observou seu reflexo no copo transparente. Estava literalmente acabada. Quem ligaria se ela se acabasse mais um pouquinho? Afinal, ela precisava de alguma forma para fazer com que seus problemas parassem de girar em sua cabeça, pensar estava fora de cogitação. Sem se importar com mais nada, levou o copo à boca e deu um gole 'digno de um homem', como Ethan costumava nomear. Assim que sentiu o líquido passando por sua garganta, mais uma lágrima caiu. Sem saber se a lágrima fora por causa dos últimos acontecimentos ou do álcool, continuou bebendo, bebendo, bebendo... Até que sua memória foi se apagando, sua cabeça latejando, sua visão ficando embaçada demais para distinguir objetos, seu corpo pesado demais para ela agüentar.

Capítulo 13 - I'll take a risk, take a chance, make a change, and break away...

Não preciso nem comentar o estado que estava quando acordou na manhã seguinte. Sua cabeça doía horrores e ela mal conseguia abrir os olhos. Até a garota conseguir se localizar e ir se arrastando até o sofá, foram precisos uma eternidade e vários esbarrões.
Um tempo e alguns comprimidos depois, conseguiu se estabilizar e até pensar sem a cabeça doer tanto. E foi aí que ela decidiu que precisava dar um tempo. Ela precisava se afastar dos holofotes, da bebida, de e principalmente de . E quando seria melhor para ela fazer isso do que nas férias que ela estava tendo?
Imediatamente a garota se levantou e foi tomar um banho, onde decidiu que iria para a casa de seus pais, já que não os via há meses e sabia que lá sempre seria bem recebida. Ou pelo menos recebida, se por acaso eles também estivessem magoados com ela por alguma merda.
Quando saiu do banheiro já vestida com uma roupa confortável e quente, começou a pegar todas as roupas que via pela frente e jogar dentro de uma mala gigante. E foi assim até a mala estar completamente entupida de roupas sorteadas.
Os pais dela não estavam atendendo ao telefone, mas não se importou com isso, já que eles não atendiam ninguém na hora do almoço, e, pelos cálculos da garota, eram mais ou menos duas horas da tarde. Sem pensar em voltar atrás sequer uma vez, ou sem se despedir de ninguém, pegou a estrada ao som de... Green Day? Não, isso lembrava . Beatles? Também não, lembrava . Three Days Grace? Uma das bandas favoritas de Ethan... McFly? Faz-me rir!
Por fim, a viagem foi toda ao som das músicas deprimentes de Simple Plan, só pra entrar no ritmo.

- Manhê??? - já tinha desistido de tocar a campainha e de bater na porta da casa de seus pais.
- Paaai??? - E agora tentava, inutilmente, chamar a atenção de seus pais batendo na janela e berrando por eles. O que o desespero das pessoas não faz?
- ? - Ela ouviu uma voz a chamando. Olhou para trás e deu de cara com a vizinha gordinha e simpática. Como era mesmo seu nome?
- Oi... Você sabe se meus pais estão aqui? - ela perguntou sorrindo simpaticamente.
- Na verdade, não... Você não ficou sabendo? - negou com a cabeça. Tudo que ela conseguia pensar no momento era sobre como sua ex-vizinha tinha cara de fofoqueira... Devia saber tudo sobre a vida dela. - Seus pais foram viajar... Já tem um mês que não voltam pra casa! Devem estar gostando mesmo de sei lá onde estão...
- Ah... - A garota não sabia mais o que pensar, nem o que falar e muito menos o que fazer. - Obrigada, acho...
A fofoqueira deu um sorrisinho e fechou a janela de onde estivera falando com .
se sentou no meio fio da calçada e colocou seus óculos. Ela estava decepcionada, cansada, desamparada, sem teto e sem ninguém. Tinha como a situação piorar?
[na: acharam que eu ia falar que começou a chover, né? HAHA -q]
Ela ficou lá sentada por um tempo, tentando decidir onde iria passar suas 'férias', enquanto algumas pessoas passavam por ela a olhando estranhamente. Provavelmente pensando 'de onde eu conheço essa maluca?'
podia bem ir para um Hotel qualquer ou pegar a estrada de novo para um lugar melhor e mais divertido, com mais coisas pra fazer... Mas o que ela menos queria fazer agora era se acabar em festas ou ficar em Hotéis caros comprando e comendo direto. Ela só precisava de um ombro amigo, de uma casa aconchegante e de alguém que lhe amparasse. Mas quem se ela não sabia onde seus pais estavam, e ninguém sabia onde ela estava? Tentou pensar em algum velho amigo da cidade, mas só vinha a sua cabeça. Ninguém mandou ela passar a infância inteira sendo anti-social com uma amiga só.

- ? - Uma de pijamas atendeu a porta com uma cara nada agradável. - O que você tá fazendo aqui?
- Oi... - Ela tentou sorrir e fingir que nada havia acontecido e elas ainda eram melhores amigas. Afinal, era a única pessoa que ela tinha no momento, então, de algum jeito, elas iam ter que se entender... - Como tem passado?
- Que malas são essas? - ignorou a 'amiga', encarando super discretamente a mala gigante parada em frente à sua porta.
- É que... - Ela tentou se explicar, mas não sabia nem como começar... - Será que eu posso entrar um instante?

Capítulo 14 - Os anos vão confirmar as três palavras que proferi: Amigo, estou aqui.

Oi, você ligou pra casa da , deixe seu recado porque eu não quero atender. Pronto, mudei a chamada, seus idiotas! Parem de reclamar agora, certo? (risos)
(Sinal)
? Atende ao telefone, eu sei que você tá mofando no sofá se entupindo de chocolate... (suspiro) Quando der, então, me liga, tá? Beijos do Tom.
(Clique)

- E então... O que... - começou a falar assim que as duas sentaram no sofá.
- Me perdoa? - soltou rápido antes que perdesse a coragem.
- Pelo quê, exatamente? - A garota cruzou as pernas encarando , esperando por um pedido de desculpas convencível. Ela estava realmente puta com sua ex-melhor-amiga.
- Você sabe, por tudo... - a olhava com um olhar cansativo por trás dos óculos escuros. A verdade é que ela não sabia por que estava pedindo desculpas. Também, ela deveria saber?
- Na verdade, eu não sei, ... Você poderia me dizer por que está pedindo desculpas?
- , eu não sei por que estou aqui pedindo desculpas, satisfeita? - explodiu sua raiva com um tom de voz meio alterado. - Não sei nem o que eu estou fazendo nessa bosta de cidade e muito menos na casa de alguém que parou de falar comigo simplesmente por inveja!
- Inveja? - O tom de era de total desdém. - Você se acha demais mesmo, né, ? Esse por acaso é um dos motivos do qual você me deve desculpas... Sempre se achou melhor que eu, melhor que todos só porque tem um rostinho e um corpinho bonito... E depois que ficou famosa começou a se achar mais ainda!
- , eu nunca disse nada que pudesse te rebaixar, ok? Sempre te tratei como uma irmã, que era o que você costumava ser pra mim... - estava calma, por incrível que pareça.
- Não precisava falar, seus atos diziam tudo... - revirou os olhos. - Mas eu nunca liguei, sabe? Sempre achei que você não fazia por querer, então eu ignorava e continuava sendo sua amiga, calada.
respirou fundo e tirou seus óculos escuros.
- Olha, me desculpe se eu me achei demais algumas vezes, tá certo? Não foi por mal, mesmo...
deu as costas para a garota. Ela estava com a mão na cabeça, nervosa por tudo que estava acontecendo.
- Você sabe que dia eu fiz aniversário? - ela perguntou por fim.
- Hum... - pensou um pouco. - Eu sei que é em Agosto... - falou incerta. O aniversário da garota era Agosto ou Setembro? - O que você estava fazendo dia quinze de Setembro?
- Eu fui a uma festa com Ethan e Joseph... Foi exatamente uma semana antes do acidente de carro... - receou um pouco logo após que falou. Ela estava começando a entender o ponto de .
- Por acaso esse dia não te lembra alguma coisa? - Uma lágrima nervosa percorreu o rosto de .
- , eu... - Uma pontada de culpa acertou o coração de . Como ela pôde esquecer o aniversário de 18 anos de sua melhor amiga? Ela havia se sentido péssima por não ter ligado para ela no dia de seu aniversário, mesmo elas já estando brigadas... Só de imaginar o que a amiga sentiu naquele dia, novamente uma vontade imensa de chorar invadiu seu ser. - Simplesmente não tenho palavras pra descrever o quanto estou mal por ter feito isso...
- Agora você sabe como eu me senti naquele dia... Eu passei o dia rodeada de amigos, mas imaginando quando uma certa pessoa que me considerava uma 'irmã' deixaria seu dia atordoado para mandar pelo menos uma mensagem...
ficou lá parada observando sua amiga desabafando. Ela teve a impressão que esse discurso queria sair da boca de há tempo, e por isso ela estava tão nervosa e... Tremendo?
- Também passei a semana seguinte esperando que você desse sinal de vida, inventando desculpas pra me enganar... E você pode pensar que esse é um motivo besta pra eu deixar de falar com você, afinal de contas, sua cabeça ficou cheia de coisas com a morte do Ethan logo depois, né?
ia assentir com a cabeça, mas pensou duas vezes antes de fazê-lo e optou por continuar calada ouvindo enquanto mordia a boca com toda força que podia para não chorar.
- Mas você me procurou quando isso aconteceu? - ainda falava freneticamente, sem saber quando ia conseguir parar com isso. - As revistas diziam que você estava passando pelo momento mais difícil da sua vida e você nem sequer me telefonou pra me dizer como se sentia sobre isso! E eu fiquei tipo 'como assim ela não precisa mais da melhor amiga num momento como esse?'
- E por que você não me ligou? Eu estava atordoada demais pra pensar em qualquer coisa... - tentou se defender, mas nem ela mesma se achou muito convincente.
- Por favor, ! - riu sarcasticamente. - Na semana seguinte você estava novamente nas revistas saindo com suas novas 'amiguinhas', enchendo a cara e dormindo com todos os homens!
sentia que se continuasse mordendo sua boca tão forte e com tanta freqüência assim, daqui a pouco a região ficaria em carne viva.
- Eu precisei tanto de você... - Pronto, foi só abrir a boca e as lágrimas finalmente rolaram. - Mas não sei, antes a gente se falava todo dia e de repente paramos de nos comunicar, quando o acidente aconteceu, eu achei que você estava puta comigo e eu nem sabia por que, dai simplesmente tive que ir buscar outras saídas pra amenizar os problemas...
Agora era que observava uma se debulhando em lágrimas com dificuldade em pronunciar as palavras. Com o peito dolorido, confesso.
- Mas eu estava aqui, o tempo todo esperando uma ligação sua... - se sentou ao lado da amiga.
O silêncio reinou por