
Capítulo 1
O frio na barriga tomou conta de no momento em que ela passou pelos portões da St James High School. Era um dia ensolarado e o vento estava forte, o que resultava em um frio reconfortante. Os cabelos castanhos estavam soltos e iam até o meio das costas da garota, que vestia uma calça jeans preta, uma blusa branca, um casaco vermelho, e um all star branco. Carregava nas mãos uma pasta com um caderno, e levava uma bolsa preta no ombro. Era o primeiro dia de aula em Londres e todos os alunos daquela escola pareciam estar animados, com sorrisos estampados no rosto. se sentia assustada por estar em uma nova escola, num país desconhecido, mas seguia em frente à procura da sala do diretor. Quando encontrou, ela foi recebida calorosamente, de acordo com o modo britânico, claro, e depois foi encaminhada ao seu armário. Lá ela guardou o que devia e depois seguiu pra sala de aula. Quando isso aconteceu, ela acabou se esbarrando em alguém que caiu no chão e levou os cadernos de consigo.
- Ai, meu Deus, me desculpa! – tentou ajudar a garota a levantar, mas essa se levantou sozinha com uma cara de bunda.
- Quem você pensa que é pra ficar derrubando os outros assim?! – a garota furiosa disse andando lentamente na direção de .
- Me desculpa, eu não fiz por querer, eu realmente não queria te machucar! – foi andando pra trás e acabou encostando-se à parede com medo da garota.
- Dessa vez passa, garota, mas não apareça na minha frente de novo senão eu quebro sua cara!
apenas concordou com a cabeça sentindo-se mais assustada ainda, observando a garota que andava pra longe dela. Ela tinha os cabelos também castanhos, mas com muitas mechas loiras e usava uma calça preta com uma blusa roxa e um vans de caveirinhas.
Só depois reparou que todos a olhavam, e saiu à procura de sua sala. O problema é que ela não tinha e mínima idéia de onde a sala se encontrava.
Depois de muito tempo procurando, finalmente encontrou a bendita sala e então reparou que ela já estava cheia e os corredores vazios. Entrou praticamente cavando um buraco no chão e se dirigiu a professora.
- Existe algum motivo especial para a senhorita ter chego atrasada na aula de hoje?! – a professora perguntou com um ar de superioridade.
- Existe sim, eu sou novata e não conseguia encontrar a sala.
- Ah sim, você é ?
- Sou eu, sim...
- Muito bem, espere aqui. – a professora se encaminhou para frente do quadro negro. – Gente, essa aqui é , ela veio do Brasil e eu gostaria muito que todos a tratassem com o devido respeito.
ouviu alguns murmúrios que ecoaram pela sala e acabou se sentindo mais envergonhada ainda, acabou sentando-se na única cadeira vaga, bem no canto e lá no fundo da sala.
Quando ela estava se sentando, reparou que estava atrás da garota que tinha a ameaçado há pouco tempo, em frente aos armários da escola. A garota se virou para e agora, ao invés de ter aquela cara medonha, estava com um sorriso amigável no rosto e pensou se ela estava sendo sarcástica ou não.
- Me desculpe! Eu juro que não sento mais atrás de você nas próximas aulas! – disse em um tom quase que desesperado olhando pra garota.
- Calma, eu que quero pedir desculpas, eu fui mal educada com você sem motivo. Me desculpe, é que eu tinha acabado de brigar com a Olívia, a patricinha nojenta do colégio.
- Ah, tudo bem. – estava um pouco mais relaxada.
- Então, prazer, meu nome é , mas pode me chamar de . – estendeu a mão pra .
- , pode me chamar de . – apertou a mão de .
- Então, você é do Brasil?!
- Sou sim, tô de intercambio aqui em Londres.
- Hm... Tá a fim de sentar comigo e algumas garotas no lanche?! – sorriu.
- Claro! – sorriu de volta.
- Legal. – se virou pra frente e elas tentaram prestar atenção na aula.
No lanche, apresentou para algumas pessoas que pareciam ser bem amigáveis. não sabia por que, mas tinha gostado de . Talvez por que ela era bem quietinha, não queria mexer com ninguém e a coitada quase morreu de susto quando derrubou no chão.
esperava por , que conversava com algumas pessoas, para irem embora. Descobriu que moravam na mesma rua e então combinaram de voltar juntas para casa.
- Vamos? – perguntou, mas sua nova amiga não parecia prestar atenção. – !
- O quê? – respondeu sem olhar para .
- Hey! O que te chama tanta atenção pra me ignorar assim? – olhou com uma expressão de arrependimento e certo tom vermelho no rosto. - Não se preocupe! Eu não vou te matar. O que você viu, hein? – procurava por alguma briga ou por algum ser do outro mundo e então viu com um sorriso estampado no rosto.
- Eu não vi nada! Vamos. – tentava disfarçar seu sorriso sem sucesso.
- Olhe bem nos meus olhos, . – olhou assustada. – Por acaso você olhava para o Mr. Sorriso Contagiante?
- Quem?
- Ali. Você vê? – girou o corpo de na direção de um grupo de garotos que riam desesperadamente, e essa novamente abriu um sorriso. – Ah, não! Até você!
- Eu o quê?
- Ele se chama Danny.
- Quem se chama Danny?
- O garoto pra quem você está rindo quem nem boba!
- Eu não estou rindo pra ninguém, ! Vamos embora! – puxou consigo.
Durante o caminho não conseguia parar de falar no Danny por nenhum segundo, e acabou conseguindo que se irritasse profundamente, fazendo com que a garota não conseguisse escutar a palavra Danny sem gritar com .
- ! Me desculpa, eu sei que eu to pegando muito no seu pé, mas eu falei tanto no Danny assim pra você passar a não suportá-lo! – disse, não estava mais respondendo.
- Tudo bem, . Bom, cheguei! – abriu um sorriso parando em frente de uma casa com um enorme jardim e de estilo totalmente diferente daquelas ao entorno.
- Essa é a sua casa? – perguntou de queixo caído. A casa era simplesmente enorme, branca, com pilastras no estilo grego e uma porta e janelas enormes de vidro.
- É sim, eu tive sorte. – respondeu com um sorriso de orelha a orelha fazendo uma pose em frente ao portão.
- Mentira! Você tem televisão?!
- Claro né, ?! Toda casa tem televisão. – rolou os olhos.
- Oh, será que a gente pode ver um filme?! Eu não quero te deixar sozinha na sua casa, você pode se perder – olhava de maneira sugestiva pra e levantava as sobrancelhas repetidamente.
- Claro que podemos, os Masen estão fora de casa, entra aí – abriu o portão rindo e a seguiu pelo jardim e entrando na casa logo em seguida.
- Aqui é a sala, sala de jantar, sala de TV, lavabo, cozinha – mostrava tudo de maneira bem rápida pra que não falava nada de tão impressionava que estava com a casa. Tudo era totalmente chique e moderno. Depois elas subiram as escadas. – Quarto do Luke, do casal e o meu – apontou pra dois quartos que tinham as portas fechadas e depois abriu a porta do seu quarto, deixando entrar primeiro.
Seu quarto variava nos tons de roxo escuro, lilás, branco e preto e os móveis eram de vidros e cromados. Ele era bem grande e tinha uma varandinha, que dava pra uma linda vista da cidade.
- É, você nasceu com aquela cavidade virada pra Lua – se jogou na cama da amiga que parecia ser de infância e ficou olhando pro teto branco.
se sentou ao seu lado e as duas ficaram sem assunto por alguns minutos.
- Fala alguma coisa, – pediu meio que desesperadamente.
- Você não vai gostar do assunto que eu tenho pra conversar – disse sem desviar os olhos do teto.
- Ah, não acredito que você ainda não se esqueceu do David – olhou pra amiga.
- É, Danny! E, , eu vi você rindo igual uma boba pra ele – também encarou .
- Eu não ri pra ele, eu ri de uma coisa que ele fez! – desviou os olhos para a colcha da cama.
- Ah, é?! E o que ele fez?! – arqueou a sobrancelha.
- Err... Ele... Ele foi engraçado! – tentou convencer a amiga de sua fala.
- Não me convenceu, , admite que você gostou dele – continuou encarando uma envergonhada sentada ao seu lado.
- Ta, , eu posso ter achado ele bonitinho, sim! Bonitinho, nada demais! – se jogou na cama fechando os olhos e se levantou pra continuar olhando nos olhos da amiga.
- , me escuta.
- Sim?! – abriu os olhos.
- Você não pode gostar dele – falou seria olhando bem no fundo dos olhos de , que se sentiu totalmente desconfortável.
- Claro que eu não vou gostar, , eu nem conheço o cara! Vamos ver o filme logo?! – se levantou e saiu do quarto. a seguiu e parou de andar quando viu um certo Deus grego – que combinava com a casa – vestindo boxers dando um beijo na bochecha de e seguindo pro primeiro andar atrás da amiga.
Chegando lá o Deus foi pra cozinha e seguiu pra sala de TV.
- Oh, meu Deus, quem é o homem, ?! – sussurrou enquanto se sentava no sofá.
- É o Luke, ele é filho dos Masen.
- Nossa, que filho – se abanou.
- , não tem nenhum filme bom, você quer assistir outra coisa?
- Ah, coloca em qualquer canal.
- O que vocês vão assistir? – Luke perguntou ao chegar à sala de TV.
- Uh, não sabemos ainda – respondeu.
- Posso assistir com vocês? – Luke perguntou ao assentar no meio de e no sofá.
- Tá bom – respondeu e riu ao ver a cara que fazia.
Capítulo 2
acordou estressada com o barulho irritante de seu despertador. Coitado! Esse não vai durar nem uma semana, já esta no chão. Colocou rapidamente uma calça jeans, uma blusa regata verde, seu vans de todo o dia e foi tomar café da manha.
- Saco de escola – resmungou.
- Eu escutei! – A mãe de respondeu do outro lado da bancada.
- Mãe, me deixa faltar à aula hoje?
- Não – a resposta monossilábica de sua mãe ficou ecoando em sua cabeça até escutar alguém gritando por ela.
- Alguém está gritando meu nome ou eu ainda estou dormindo? – perguntou para a mãe.
- Não estão gritando seu nome, estão gritando seu apelido.
- Meu apelido? Quem será? – andou até a sala descascando uma banana e viu gritando por ela no meio da rua.
- ! O que você está fazendo aqui? – perguntou ao ver a cara de feliz de sua amiga. – Você sabe que horas são? Eu nem acordei ainda e você já esta toda alegre na porta da minha casa. Você, por acaso, comeu seu café da manha? Não é possível que você acorde tão cedo.
- Bom dia, minha querida amiga ! – abraçou a amiga e sorriu.
- Por que você esta me olhando assim?
- ! – mexeu as sobrancelhas rapidamente.
- Bom dia – disse forçando um sorriso.
- Anime-se!
- Bom dia! – disse, depois de terminar de comer sua banana.
- Eu achei que você não ia terminar de comer nunca – disse ajeitando seu cabelo.
- Por que tenho a honra e o prazer de sua companhia?
- Vou para escola com você hoje!
- Ok. Me deixa pegar a minha bolsa e escovar meus dentes – entrou na casa, enquanto continuava do lado de fora. – Você não vai entrar, não?
- , essa é a minha mãe. Mãe, essa é a . Ela veio do Brasil.
- É verdade? Você veio do Brasil? – A mãe de começou uma conversa com .
- Será que da pra você ficar quieta um pouco?! - já não agüentava ver a amiga andando pela rua dançando e cantando uma musiquinha feliz. Como alguém pode ficar tão bem de manhã?
- ! Eu estou em Londres! Me deixa ser feliz! – começou a cantar a música em um tom mais alto.
- Pelo menos pára de cantar? – elevou o tom de voz.
- Não! – respondeu.
- Então eu vou ter que tomar sérias providências! – fez uma cara de má fazendo parar de cantar.
- Não será preciso.
- Graças a Deus você parou de cantar.
- Deixa de ser chata, ! Vamos! Nós chegamos.
- Ei! Você me conhece há apenas um dia! Você não tem essa liberdade de me chamar de chata! – resmungou.
- Para de resmungar, ! – gritou com e recebeu uma careta de volta.
As aulas não passaram rápidas, como já é de costume. Esse dia da semana era o dia e que e tinham menos aulas juntas. Ao bater o sinal do intervalo, as garotas se dirigiram para o refeitório e sentaram-se em uma mesa bem no canto e começaram a conversar sobre assuntos variados.
- Oi, ! – um garoto loiro chegou à mesa com um sorriso no rosto, mostrando uma única covinha.
- Olá, Tom! – respondeu. – Você já conhece a ?
- Não! – Tom se virou para . – Oi, , eu sou o Tom!
- Oi, Tom! – respondeu sorridente e com as bochechas vermelhas.
- O que vocês contam? – Tom se sentou ao lado de .
- Hm, nada demais, cadê o resto da sua trupe? – perguntou fazendo a clássica cara de bunda.
- Poxa, muito obrigado pelo carinho que você tem comigo, – Tom se fez de ofendido.
- Me desculpe, Tom, mas você sabe que eu não os suporto.
- Eles quem? – se mostrou realmente confusa.
- Os amigos dele, um bando de imbecis – encarou suas unhas. – Nossa, eu preciso muito de uma manicure!
Nesse momento os três foram surpreendidos por uns garotos que chegaram correndo e gritando, pulando em cima de Tom.
- Ai, meu Deus! Eu não mereço – rolou os olhos.
- Espere. Eles são eles? - apontou pro bando de macacos que não paravam quietos.
- São, sim. Fala aí, Harry! – Tom bateu nas costas de um dos garotos.
- E aí, Tom, não vai apresentar, não? – Harry apontou para com a cabeça.
- Ah, sim, gente, essa aqui é a , amiga da !
- Oi, ! Oi, !
- Oi, gente! – respondeu e novamente ela estava sorridente e vermelha.
- ! A gente não tinha que ir à biblioteca? – olhou desesperada para a amiga.
- O que? Que biblioteca?
- Anda logo, , senão o sinal vai bater e não vai dar tempo da gente pegar o livro! – puxou que saiu cambaleando atrás da amiga...
- Ai, , por que você quer ir à biblioteca?
- Que biblioteca, ! Eu só queria ficar livre daqueles imbecis – entrou no banheiro.
- Mas, , eles pareciam ser muito legais!
- Claro que você acha isso, , eles conquistam todas as garotas do colégio!
- Mas por que você não gosta deles? – nesse momento o sinal bateu.
- Vamos pra aula, .
- , me conta por que você não gosta deles! – insistiu sentando-se ao lado da amiga na sala.
- Ai, , eu quero prestar atenção na aula! – respondeu sem olhar para a amiga.
- , até parece que você quer aprender geografia!
- Será que as senhoritas poderiam prestar atenção na aula? – o professor chamou a atenção das duas.
- Viu? – sussurrou para a amiga antes de se virar de frente para o quadro.
Depois da aula, as duas foram para a casa de , contra vontade da própria, que queria muito ir pra casa de .
- Tá. Agora você vai me contar – se sentou na cama verde com estrelinhas brancas de .
- Contar o quê? – se fez de desentendida enquanto ligava o computador.
- Você sabe muito bem o quê, Dona !
- Ai, , para de encher o saco por causa desses garotos!
- O Tom me falou que você tem raiva só de um deles – analisou as unhas.
- Eu não acredito que ele te falou isso! Eu juro que amanhã ele morre! – bateu na mesa do computador.
- Há! Sabia! Ele não me falou nada, não mata o coitado. Mas quem é ele?
- , não enche!
- Fala, !
- Ai, o Dougie! – se virou pra amiga com o rosto vermelho de raiva.
- Qual deles é o Dougie?
- Ah, aquele loiro lá.
- , dois deles são loiros.
- O baixinho, ! O outro é o Tom! Mas que saco! Satisfeita?! – praticamente gritou com os olhos cheios d’água .
- Mas por quê? O que ele fez?
- Eu não quero falar sobre isso – olhou para a janela.
- Conta, ! Quem sabe você não se sente melhor depois de desabafar? – levantou a sobrancelha.
- , eu nunca contei isso pra ninguém, você não pode contar pra ninguém!
- Claro que eu não conto, , eu nem conheço ninguém pra poder contar!
- A gente estava ficando há umas duas semanas, – começou a falar após alguns segundos de silêncio – e fomos a uma festa. A gente estava juntos num quarto e, bem, er...
- Oh, meu Deus! Você ficou grávida? – interrompeu e levou a mão até a boca.
- Não, ! Credo! – respondeu imediatamente. – Mas ele, er, ele tentou dormir comigo, entende? – balançou a cabeça afirmando. – E eu não quis. A gente não estava nem namorando e, bem, eu ainda sou virgem. E aí ele apelou, e a gente começou a discutir. Eu acabei saindo do quarto pra tomar um ar. Depois eu quis ir embora da festa, mas tive que passar no quarto em que eu estava com ele pra pegar a minha bolsa e, quando eu cheguei lá, ele estava com outra garota.
- Ele estava te traindo? – perguntou incrédula.
- Bem, não tecnicamente, porque a gente não tinha nenhum compromisso. Mas eu realmente gostava dele, entende?
- Entendo. E você ainda gosta dele?
- O que? Não! Lógico que não! Mas eu fiquei muito decepcionada e não suporto mais olhar na cara dele.
- Tá, mas onde os outros garotos entram nessa história?
- Eles são amigos dele e agem como ele! Eles estão cada dia com uma garota diferente e isso me dá nojo - coçou a cabeça. – E é por isso que você não pode gostar do Danny!
- Ta maluca, ?! Eu nunca vou gostar do Danny! E o assunto dessa conversa não é o Danny, e sim, o Dougie!
- Nem me lembre daquele nanico!
- Desculpa. Ele realmente foi estúpido com você – respirou fundo. – Por que você é amiga do Tom, então?
- Ah, o Tom! Ele já era meu amigo antes de se tornar um deles.
- Ah, sim. Mas eles não precisam ser santos para serem seus amigos e...
- ! Que assunto mais chato! – interrompeu a fala da amiga.
- Vamos falar de outra coisa.
- Isso! – abriu um sorriso.
- Mas pensa no que eu te falei! – disse e fez um biquinho. – Você tem chocolate?
pegou o chocolate e as duas foram ver tevê. Enquanto ria de um programa de auditório, ficou pensando sobre o que lhe disse. Ela poderia ter sido injusta com os garotos, já que eles não fizeram mal a ela. Todos eles, na verdade, sempre eram muito simpáticos, mas, por terem certa fama que não a agradava, ela acabou tratando todos de uma maneira que somente Dougie merecia. Talvez ela pudesse ser menos dura com eles.
A semana passou arrastada, mas quando ela finalmente acabou, e se deram o luxo de uma tarde na piscina, até que Luke as chamou para uma festa. Depois de se arrumarem, as duas desceram até a sala e encontraram um Luke desmaiado no sofá.
- Luke! Acorda, Luke! – chacoalhava o garoto.
- O que? – Luke perguntou ainda dormindo.
- Nós já estamos prontas! – abriu um sorriso.
- Ah! A festa! – Luke andou até a porta. – Vamos logo!
Os três pararam em frente a uma casa enorme e já havia bêbados no jardim.
- Ai, meu Deus – saiu do carro. – Você sabia que a gente não conhece ninguém dessa festa?
- Oh, é verdade – respondeu a amiga com cara de choque.
- Ah, gente... Anda logo que eu apresento alguém pra vocês – Luke se adiantou até a porta. – Sigam-me!
As meninas seguiram Luke até o jardim da parte de trás da casa com muita dificuldade, já que a festa estava praticamente explodindo de tantas pessoas que tinham lá. O jardim, porém, estava mais calmo, então elas puderam respirar um pouco.
- Hey, Ratleg! Chega aqui! – Luke gritou pra um garoto que estava de costas pulando igual um canguru enquanto várias pessoas riam ao seu redor. – Eu preciso te apresentar umas pessoas! - o garoto se virou e foi em direção do Luke. – Essas são e – as duas, que até então estavam prestando atenção em um grupinho de gatos, se viraram para cumprimentar o amigo de Luke, e ficaram surpresas ao darem de cara com ninguém menos do que o Jones.
- Danny! – acabou exagerando um pouco ao cumprimentar o garoto, praticamente o estrangulando. – Graças a Deus alguém que a gente conhece está nessa festa!
- , bom te ver também! – Danny deu um daqueles seus sorrisos que tiram o fôlego de qualquer garota. – Você também, ! – pensou se deveria ser gentil com Danny e, depois daquela reflexão toda, ela acabou repetindo a cena de , pulando em cima do coitado, que acabou estranhando a atitude das duas.
- Vocês já se conhecem? – Luke perguntou visivelmente confuso com aquela situação.
- Bem, pode-se dizer que sim – respondeu.
- Então, vocês não se importam se eu for ali cumprimentar outras pessoas, certo?
- Certo.
Luke foi cumprimentar o grupinho de gatos que as meninas estavam reparando antes, deixando os três em uma situação desagradável.
- Er, hm, vocês... – Danny tentou puxar assunto, mas foi interrompido por Harry, que chegou pulando em cima dele, acabando com aquele clima.
- Olá, garotas, que surpresa ver vocês por aqui! – Harry deu um sorriso.
- Olá, Harry! – as duas responderam quase em coro e o abraçaram também.
Tom e Dougie se aproximaram e também cumprimentaram as garotas. os abraçou também e abraçou somente Tom, dando um “oi” curto e grosso para Dougie, que não teve reação.
- Então, , resolveu ser simpática agora? – Tom perguntou.
- Pois é, percebi que vocês não têm nada a ver com... Então, onde estão as bebidas? - tentou mudar de assunto.
- Esperem aí que eu vou pegar as cervejas.
- Eca, Harry! – disse com uma careta. – Só tem cerveja nessa festa?
- Se você quiser, eu posso te dar coisa melhor – Harry levantou uma sobrancelha e deu um sorrisinho safado.
- Só se for outra bebida, meu querido – todo mundo começou a rir. – Que foi?
- Isso não soou muito bem, – disse entre risadas e ficou vermelha.
Depois disso, se juntou a Harry e os dois foram pegar bebida, deixando sozinha com os outros.
- Por que você tá olhando o Harry andando desse jeito, Danny? – Dougie perguntou.
- Mas quem disse que ele está olhando pro Harry? – Tom indagou e os outros riram.
- Não sei do que vocês estão falando – Danny respondeu fazendo uma careta.
- Nossa, Jones, você é tão... Jones! – se sentou em um banquinho encarando Danny.
- Ele sabe do que a gente está falando, só está fingindo que não sabe... – Dougie sentou ao lado dela explicando a situação.
- Ai, sai pra lá, Poynter! – empurrou o coitado pra fora do banquinho.
- Credo, eu estou tentando ser simpático com você e você simplesmente me chuta?
- Claro! Você não precisa ser simpático depois de todas as merdas que você fez! – se levantou encarando Dougie. – Some daqui!
- Vai se foder, garota – Dougie se sentou no chão e foi bufando pro banquinho de novo.
Enquanto isso, na cozinha...
- Harry, não tem nada além de cerveja! – fez biquinho se sentando no balcão .
- Calma, a gente deve achar outra coisa no meio dessas garrafas – Harry estava vasculhando o freezer. – Achei!
- Achou o quê? – se levantou e foi se juntar a Harry.
- Bom, será que vocês duas gostam de – Harry mostrou uma garrafa – vodka?
- Ah! Te amo, Harry! – pegou a garrafa da mão do recente amigo (muito recente). – Agora eu vou pegar coca!
- Hm, você vai misturar a coca com a vodka?
- Não, bobinho, eu vou pegar a coca pra ter mais coisa pra carregar! – deu um pedala em Harry.
- Nossa, desculpa então – Harry fez biquinho.
- Não fica assim, Harryzudo! Você sabe que eu estava brincando.
- Ah é, como é que eu sei? – Harry levantou a sobrancelha. – E, Harryzudo?! O que é Harryzudo?
- Um apelido carinhoso, ora! E você sabe que eu estava brincando porque eu acabei de declarar o meu amor por você dois minutos atrás – disse pegando algumas latinhas de coca.
- Hm, você falou serio? – Harry fez cara de safado.
- Claro que foi, ora! Eu não te conheço há muito tempo, mas você me salvou da sede! – mostrou a garrafa.
- Yes! Nós fugiremos pra nos casar amanhã! E nós vamos ter um reino de vodka e coca!
- Credo, Harry, eu não sou uma alcoólatra! Mas eu aceito a sua idéia de fugir pra casar – colocou a mão no queixo fingindo pensar.
- Ok, então eu passo na sua casa amanha bem cedinho, tá?
- Oh, meu príncipe! – parou e olhou pra Harry. – Ai, meu Deus, olha o que a gente está planejando! Harry, eu já bebi? – ficou confusa.
- Não, por quê?! Você não quer casar?! – Harry fingiu desapontamento.
- Quem sabe daqui a alguns anos – piscou pra Harry rindo. – Agora vamos levar as bebidas.
Eles arranjaram umas sacolas, porque eles não iam conseguir carregar tudo sozinhos e foram andando em direção aos amigos.
- Oi. gatinha, quer dançar? – Um garoto loiro se aproximou de pegando em sua cintura.
- Er... Não! Eu não posso...
- Por quê?
- Er... – olhou em volta apavorada. – Porque eu tô com ele! Isso! Eu tô com ele! – pegou no braço de Harry.
- Você está com esse loser? – O cara pareceu um pouco confuso.
- Isso mesmo! Você pode dar licença? – Harry passou o braço pelo ombro de e os dois continuaram andando.
- Quem é o cara?! – perguntou olhando pra trás e vendo o cara com cara de tacho.
- Eu não sei, eu nunca o vi no colégio – os dois chegaram e viram Tom e sentados no banquinho e Dougie e Danny no chão, e Dougie com cara de bosta.
- Finalmente vocês chegaram! Tem gente que está precisando beber aqui, sabia?! – Danny puxou o braço de pra ela sair dos braços de Harry e olhou a sacola dela.
- Calma, Danny, a cerveja está com o Harry – disse puxando a sacola e indo pra .
- Mas, mas, eu não posso beber vodka?! – Danny fez biquinho.
- Claro que pode, Jones! – se virou pra . – Ai, eu te amo! Onde você achou isso?!
- O Harry achou escondida entre as cervejas!
Eles pegaram suas bebidas e começaram a beber. Não se sabe quanto tempo passou enquanto eles só bebiam e falavam merda, as garotas começaram a ficar muito mais amigas deles.
- , fico feliz que você não trata mais a gente igual um bando de ratos – Harry comentou deitando-se na grama.
- Ela nunca me tratou como um rato – Tom disse rindo e se achando o gostoso.
- É que eu percebi que vocês não tinham nada a ver com aquela... Coisa que aconteceu – disse olhando pra baixo.
- Graças a mim! – abriu um sorriso gigante e apontando pro próprio peito.
- É claro que eu ainda sou um rato nessa história – Dougie disse num tom de irritação.
- Isso porque você tem TUDO a ver com aquela coisa, Poynter! – gritou num tom irritado também.
- E você também! Ninguém mandou você ficar me provocando, pô!
- Você que quis subir pra aquele quarto e eu não ia dormir com você, porque eu sabia que depois você ia procurar qualquer outra garota! – levantou-se do banquinho.
- E você provavelmente procuraria qualquer outro cara também! – Dougie levantou-se também e a encarou bem no fundo dos olhos.
- Não ia, Poynter! Sabe por que não? – se aproximou dele. – PORQUE EU GOSTAVA DE VOCÊ! E ALÉM DE TUDO, EU SOU VIRGEM.
- Eu... Eu não sabia, – Dougie não tinha mais coragem de encarar a garota, que tinha os olhos cheios de lágrimas.
- Claro que você não sabia. Você não se importa com nada, de qualquer maneira... – também encarou o chão e depois saiu da casa correndo.
- Er... Tchau, gente! Até mais! – se despediu e correu atrás da amiga. Encontrou-a no jardim da frente da casa. Ela chamou um táxi e as duas foram pra casa de , onde ela tentou acalmar a amiga até que ela dormiu.
Capítulo 3
A semana seguinte passou arrastada. sempre fugia de Dougie e seus amigos, dizendo que uma noite com eles já tinha sido mais do que suficiente, e sempre levando consigo, mas esta sempre dava um jeito de escapar e conversar com os garotos. Ela tinha ficado muito amiga deles nesse tempo (até de Dougie, mesmo que ele estivesse sempre pra baixo e quase nunca abrisse a boca).
estava no meio da aula que ela tinha antes do recreio. A única pessoa que tinha essa mesma aula com ela era Dougie, mas ele estava esparramado na última carteira da fileira, ao seu lado, babando no próprio caderno. sabia que tinha que prestar atenção nas aulas e ter excelentes notas para que quando ela voltasse pro Brasil e... Ela não queria voltar, não queria sair mais daquela cidade, portanto não pensaria nisso, e não prestaria atenção nessa aula, quem sabe na próxima.
Então ela resolveu acordar Dougie. Primeiro, lançou uma bolinha de papel na cabeça do garoto, mas ele nem se mexeu. Em seguida, tacou sua borracha, mas não adiantou em nada. Ela então apelou e tacou o estojo inteiro na cara do garoto, que acordou assustado.
- PUTA QUE PARIU – Dougie gritou fazendo e todos a sua volta pularem de susto e o professor olhá-lo com cara feia. - Desculpa, professor. – Este se virou de novo pro quadro e Dougie se virou pra . - Você é louca? – Dougie perguntou com o cabelo atrapalhado e a cara marcada com o espiral do caderno. [n/a: ui, eu queria ver isso *-*]
- Quem manda dormir no meio da aula? Você tem que prestar atenção! – disse em um tom autoritário.
- Whatever – o garoto olhou pro quadro tentando entender alguma palavra escrita, mas a luz fazia seus olhos arderem e se fecharem, e ele estava com uma puta fome, não conseguia entender nada.
- Dougie... – sussurrou.
- Que foi? – Ele disse sem nem mesmo olhar pra garota, sentindo uma dor de cabeça surgir.
- Vamos conversar! – Ela disse animada, dando pulinhos na cadeira
- Você não queria prestar atenção, ? – O garoto virou-se pra ela com a cara fechada, não estava no melhor dos seus dias
- Nossa, não precisa ser tão grosso, né, Poynter? Eu só queria me socializar – encolheu-se na cadeira cruzando os braços e fazendo o maior que bico que conseguia
- Ô, desculpa, zinha, você sabe que eu tô meio estressado esses dias... – a expressão dele suavizou um pouco e sorriu. – Sobre o que você quer conversar?
- Er... Eu não sei – disse sem graça e deu aquele sorriso amarelo.
- Ótimo... – Dougie tentava pensar em um assunto. Não encontrou. Quer dizer, encontrou, mas era só a vontade enorme de saber sobre que ele sentiu. A pergunta saiu involuntária e automaticamente - Como está a... – Dougie ia terminar a frase, mas sentiu-se envergonhado.
- ? Igual você: tá um caco – respondeu e Dougie simplesmente olhou pro chão. – Sabe, você foi muito filho da puta com ela.
- Eu sei, , mas eu também não sabia de nada daquilo que ela me contou!
- É, eu sei que você não sabia, mas mesmo se ela fosse uma prostituta e não quisesse dormir com você, você não poderia ficar insistindo. Bem, nesse caso você até poderia, mas não é o caso dela.
- Tá, eu sei disso tudo, mas não sei como eu posso me desculpar pelo que eu fiz.
- Você ainda gosta dela, né?
- Por que a pergunta?
- Bom, se você não gostasse dela, não se preocuparia tanto com o fato de ter deixado ela mal, já que eu sei que você é um dos caras mais galinhas da escola.
- Ah, eu só fiquei preocupado com ela, mas eu não gosto dela nem nada do tipo – Dougie começou a brincar com o canto do caderno dele.
- Certo – não se convenceu, mas preferiu não contrariar o garoto, dava pra ver que ele tava uma pilha.
- O quê que você estava fazendo antes de me atacar com um estojo? Dá pra ver que você não prestou atenção nessa aula – Dougie perguntou tentando mudar o assunto.
- Ah, tava pensando no tanto que as coisas aconteceram rápido – olhou para a mesa de Dougie, mas sua cabeça parecia estar em outro lugar completamente diferente.
- Como assim?
- Ah, Dougie, há duas semanas e meia eu estava me despedindo de todos que eu amo no Brasil, morrendo de medo de dar tudo errado em Londres. Depois que eu cheguei, descobri que ia morar por um ano com um Deus grego, loiro, de olhos verdes, e agora eu já conheço pessoas que eu não conseguiria viver sem. Eu fiquei amiga de vocês e da muito rápido e... Bom, é isso – entortou a boca esboçando um sorriso.
- Hm, deve ter sido complicado pra você, e foi rápido mesmo. Em um minuto a gente nem sabia quem era você e no outro estava todo mundo brincando e agindo como se tivesse te conhecido na hora do parto.
- É... Mas digamos que a bebida ajudou um pouco essa relação, certo? – perguntou debochada.
- Opa, 100% certo. Mas mesmo se a gente não tivesse bebido, a gente acabaria sendo amigos. Você meio que infiltrou no nosso espaço, sabe?
- O QUÊ?! – se exaltou e o professor mandou os dois calarem a boca. Eles o fizeram viraram-se pra frente, esperando o sinal tocar, não sem antes atacar Dougie com sua caneta. Quando o sinal bateu, saiu da sala fingindo estar brava com Dougie, que inutilmente tentou se “desculpar” com a garota.
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esperava por sentada na mesa do refeitório. A menina parecia um pouco melhor, apesar de estar perdida olhando pra um ponto fixo no chão, parecendo estar em outro mundo.
- Oi, linda – Tom aproximou-se da garota dando-lhe um beijo no rosto.
- Oi, Tom! Que saudade de você! – abraçou o amigo.
- É, né? Você foge de mim! – Disse sentando-se ao lado dela.
- Você sabe que eu não fujo de você, propriamente dito, certo?! – encarou Tom nos olhos.
- É, eu sei... – eles passaram uns segundos em silêncio quando ele novamente se pronunciou. – Ele tá bem mal, você sabe... – o loiro tentou falar demonstrando indiferença na voz. sentiu os olhos marejados, mas tentou não chorar na frente do amigo.
- A insiste em falar isso na minha cabeça – ela disse, por fim.
- É... A só quer que vocês dois sejam felizes... Se vocês tentassem ficar juntos...
- Eu não preciso ficar com ele pra ser feliz, Thomas – uma lágrima finalmente escorreu pelo rosto de , que limpou o mais rapidamente possível.
- Tudo bem, tudo bem. Só... Só queria que você voltasse a andar com a gente... Eu não sou o único que sente sua falta, os garotos comentam isso desde a época que você e o Dougie terminaram...
- A gente nunca terminou, porque nunca tivemos nada. Seu querido amigo nunca quis ter nada comigo – olhava pro chão lutando contra o choro que insistia em vir.
- Certo – Tom encarou o chão também. – Desde quando vocês pararam de se pegar, serve?!
- Bem, eu... Eu também sinto falta deles – disse com dificuldade.
- Eu sei que sente – ele passou o braço nos ombros da amiga.
- Mas é difícil ficar perto do... Você sabe. – Tom apenas sorriu para , mostrando compreensão. Ela sabia que Tom sempre a entendia.
- Oi! – Eles foram interrompidos por alguém pulando em cima dos dois.
- ! Que porra é essa?! – gritou assustada.
- Por acaso é assim que as pessoas se cumprimentam no Brasil?! – Tom perguntou se ajeitando depois do ‘ataque’.
- Não, é assim! – disse, dando um beijinho em cada bochecha do garoto em seguida.
- Você tá falando serio? Até mesmo quando nunca se viram antes? – perguntou incrédula.
- Bom, praticamente, sim. – Como sempre, estava sorridente.
- Não acredito que você beija até mesmo quem acaba de conhecer na bochecha! - Como sempre, estava emburrada.
- Ai, , credo, não é nada demais.
- Não, bobagem...
- O Danny tá vindo – Tom disse mudando o rumo da conversa, estreitando os olhos e dando um sorriso apenas com a boca, ao perceber que , aparentemente, esqueceu de como se respira. Ela sentiu algo estranho na barriga, enquanto ele se aproximava com o sorriso mais contagiante que ela já tinha visto
- Oi. – Ele acenou enquanto se aproximava.
- Cumprimenta ele do modo brasileiro, – Tom disse de forma divertida.
- Isso! A bendita forma brasileira de cumprimentar os outros – apoiou enquanto sentia as bochechas quentes.
- Como é, ?! – Danny, a criatura inocente, perguntou, olhando a garota de forma curiosa.
- É de jeito nenhum, eles estão só brincando – disse olhando de forma ameaçadora pros amigos, que soltaram risadinhas.
- Anda, eu quero saber como é – Danny disse esperando a garota ter alguma reação.
- Ai, tá bom – a garota disse aproximando-se do garoto e dando um beijinho em cada uma das suas bochechas, deixando o próprio completamente vermelho e com uma expressão perdida no rosto, como se ele tivesse visto uma lagartixa flutuando ou coisa parecida.
- Acorda, Jones! – Tom estalou os dedos na frente dos olhos de Danny, que piscou várias vezes seguidas e “voltou à realidade”.
- Legal essa maneira de cumprimentar os outros! – Danny disse feliz.
- Que maneira?! – Harry perguntou aproximando-se dos quatro.
- Essa! – Jones disse repetindo o havia feito com Harry.
- Er.. Homens não se cumprimentam assim Danny, só os franceses – disse sem graça.
- Ah, é?! – Danny perguntou sem graça também, e apenas afirmou com a cabeça – Tá...
Passaram alguns minutos e todos já estavam comendo seus devidos lanches e conversando, quando perceberam que Dougie não estava no refeitório. [n/a coitadinho do Dougie, só fez falta agora u.u]
- Onde será que aquele nanico se meteu?! – Harry perguntou olhando para os lados com a boca cheia de sanduíche natural.
- Fecha a boca, Judd! – reclamou indignada.
- Ah, não enche, ! – Harry disse e em seguida ele, Tom e Danny estavam com as bocas abertas e cheias de comida.
- Seus nojentos! – disse olhando na direção oposta dos garotos, morrendo de nojo.
Nesse momento, o sinal bateu. Todos engoliram rapidamente seus lanches e foram se despedir, já que as garotas teriam a próxima aula separada dos garotos.
- Tchau, duas! – Harry acenou e Tom repetiu seu gesto, e eles começaram a andar em seguida.
- Tchau! – As duas viraram-se de costas pros três garotos.
- ESPERA, – Danny gritou e a garota virou-se novamente, enquanto , Harry e Tom continuaram andando fingindo desinteresse no quase-casal. – Como os brasileiros se despedem?!
- Er... Da mesma forma que se cumprimentam.
Dito isso, Danny aproximou-se de dando um beijo em cada bochecha da garota, olhando-a nos olhos novamente sem seguida.
- Tchau, então – o garoto sorriu.
- Tchau – sorriu também e os dois se viraram.
- , ... Eu te avisei sobre o Danny, você deveria ter me ouvido – censurou a amiga enquanto ela se sentia mais constrangida do que anteriormente.
- Ai, , não é nada demais – disse olhando pra trás e viu que o garoto andava com a cabeça pra trás, observando-a, enquanto seus amigos faziam brincadeiras com o mesmo, fingindo beijar o ar. Não adiantava negar, por mais que tentasse, ela sabia que no fundo ele era o único que a fazia ter aquelas sensações, com as mínimas e mais involuntárias atitudes.
Capítulo 4
Não estava conseguindo prestar atenção em nada. Não estava ligando pra nada. Não conseguia mais ficar feliz perto de seus amigos. Mesmo passando o intervalo inteiro pensando na vida, deitado no gramado do colégio, Dougie ainda não tinha paciência para olhar aqueles rostos sorridentes de novo, perguntando-se porque não conseguia mais sorrir. Ele sabia a resposta pra essa pergunta, mas não sabia decifrar porque aquela garota o torturava, porque ele sempre sentia cada parte de seu corpo pesando mais do que o normal e nunca tinha vontade de levantar da cama. Ele deveria estar na sua cama naquele momento, mas estava no gramado do colégio. Iria continuar lá, não queria voltar pra aula. Só de pensar em escutar seus amigos perguntarem aonde havia se metido e por que não apareceu no refeitório, e não querer responder a eles, era torturante. Estava com uma vontade imensa de enfiar a sua cabeça debaixo da terra, mas esta seria uma tentativa frustrante. Até porque a inspetora apareceu naquele momento o mandando ir imediatamente para aula. O que ele fez. Já que não tinha vontade nenhuma de ficar mais tarde na detenção. Dentro da sala de aula não foi muito diferente do que no gramado do colégio. Seus pensamentos o guiavam a um único lugar, uma única pessoa.
Tentava prestar atenção na aula, mas sua mente o enganava e lembranças de quando esteve com ela começavam a surgir em sua cabeça. Lembrou-se do dia em que a conheceu. A garota entrou no colégio vestindo um casaco verde e tentando, sem resultado, arrumar seus cabelos que estavam atrapalhados por causa do vento. Logo suas amigas vieram recebê-la com calorosos abraços e sorrisos contagiantes. Mas esses sorrisos não foram o suficiente para criar um parecido no rosto dela. Pelo contrário. A garota se desabou em lágrimas. Logo então ela conseguiu afastar-se de suas amigas, fazendo com que Dougie deixasse seus amigos e fosse ao encontro de . Não descobriu o porquê do seu choro. respondeu apenas que estava com vontade de chorar, e fez uma piadinha sem graça como “acordei um pouco emo hoje”. Desde então os dois não se desgrudavam. Dougie e pra cá, e Dougie pra lá. Chegava a ser cansativo, e todos na escola já pensavam na hipótese dos dois terem alguma coisa. Afinal, o que um garoto lindo e popular como o Dougie fazia com uma garota como... a ? Suas lembranças foram interrompidas quando um garoto passou correndo ao seu lado fazendo com que seu material caísse no chão. Então descobriu que a aula havia acabado.
- Dougie! - Escutou ser chamado e, dessa vez, procurou quem o chamava. Avistou Harry vindo ao seu encontro com uma expressão não definida no rosto. – Aonde você se meteu, Dougie? Nem apareceu hoje!
- Ah, er, eu tirei o dia pra pensar. – Dougie respondeu sem pensar muito na resposta e Harry o olhou como ele estivesse falando nada com nada.
- Pensar em que, cara?
- Na vida.
- E...?
- E eu decidi que vou colocar as coisas no rumo. Não vai ser uma garota como a que vai me tirar dele! – Ele disse começando a andar e fazendo com que Harry o acompanhasse.
- Como assim uma garota como a ?
- Ah, você sabe! – Ele respondeu sem paciência. Para Dougie não dava pra explicar uma garota como a . Impossível, fato.
- Não, eu não sei – Harry disse pensativo e Dougie se perguntou se seu amigo tinha trocado de mente com o Jones.
- Ah, cara, eu não sei explicar, depois você entende.
- Ah, sim. Claro. - Harry falou não entendendo aonde o amigo queria chegar. Mas lembrou-se do que ele foi encarregado de falar com Dougie. – Nós estamos indo lá pra casa, você quer ir?
- Nós? Nós quem, Harry? – Dougie fez uma cara como não estava entendendo, mas no fundo ele sabia do que se tratava.
- Eu, Tom e Danny. E agora, você! – Harry abriu os braços rindo para o amigo.
- Se eu falar que eu não quero ir, vai adiantar alguma coisa?
- Não.
- Então vamos logo! – Dougie fez uma careta enquanto Harry abria um sorriso no rosto.
As coisas realmente estavam parecendo voltar ao normal. Na casa de Harry, os garotos se divertiam como nunca contando piadinhas sem graças. Sim. As piadinhas eram sem graça, mas os quatros riam de todas a ponto de quase fazer xixi nas calças.
- PÁRA! – Tom gritou enquanto tentava segurar a risada. Os outros três o olharam com uma cara assustada, como se ele fosse doido ou algo parecido. – Sério! Não façam essas caras. Eu cansei de rir de piadinhas sem graça. Vamos fazer outra coisa!
- Fazer o quê? – Danny perguntou.
- Eu sei lá!
- Filme? – Harry propôs.
- Depende. Só se a gente alugar um! Porque eu cansei de assistir os filmes do Harry – Dougie falou e fez uma careta ao se lembrar dos filmes.
- Mas os filmes do Harry são legais! – Danny defendeu Harry.
- Ei! Eu sei que você tá com preguiça de ir alugar um filme! A gente já assistiu a esses filmes milhões de vezes! E eles não são bons. – Dougie falou.
- É. Eu estou com preguiça. E os filmes do Harry são ruins. – Danny respondeu pensativo.
- Então vamos logo alugar um filme. Mas eu ainda acho que meus filmes são ótimos! – Harry falou tentando se levantar do sofá.
- Não! Eu tenho uma idéia melhor! – Danny falou levantando-se do sofá num pulo.
- Deus! Não precisava me assustar pra falar sua idéia! – Tom disse levando sua mão ao coração e tentando controlar sua respiração.
- Cala a boca, sua bicha. – Danny disse cruzando os braços.
- Você não vai falar, não? – Harry perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Tava esperando alguém me perguntar! – Danny fez uma cara de impaciente, mas logo voltou a falar. – Vamos sair!
- Eu acho essa idéia bem melhor do que ficar em casa assistindo um filme. – Dougie disse se levantando. – Para onde vamos?
Assim que pisaram na pizzaria, os garotos chamaram a atenção de quase todas as pessoas do sexo feminino no local.
- A gente deveria ter escolhido um lugar que não fosse um dos points dos alunos do colégio – Dougie disse assim que avistou com , Zoe e Claire.
- Por quê? Aqui é ótimo – Danny retrucou.
- Só porque a tá aqui que você acha, Danny – Tom zombou com o amigo.
- Ela tá aqui? – Danny olhou em volta ansioso e encontrou a garota rindo de Zoe, que cuspia refrigerante por algum motivo desconhecido. – Er, quer dizer... Quem se importa?
- Você se importa – Harry debochou.
- Eu não posso me importar – Danny disse baixinho, pra si mesmo, enquanto os garotos cumprimentavam James, Charlie e Matt, três amigos deles.
- Caras, deixe-me apresentar-lhes Meg e Paige, minhas primas – James disse apontando pra uma garota loira de olhos azuis e outra ruiva de olhos verdes.
- É um prazer conhecê-las – Harry disse com seu sorriso “eu-sou-hot” para as duas, que cumprimentaram cada um dos garotos. Dougie não deixou de reparar que Paige, a ruiva, demorou seu olhar sobre o rapaz, dando um típico sorriso que mostrava o interesse nele. Enquanto se sentava, Dougie reparou que aparentemente não tinha percebido sua presença no local e ria despreocupadamente das gracinhas das outras três, que faziam uma dancinha ridícula e cantavam músicas de programas infantis.
Foi naquele momento que percebeu que, assim como ela, ele deveria seguir em frente e não remoer mais as coisas do passado dos dois, e lembrou-se de algo que a própria disse: Você sabe que é bonito, garoto. Você deve aproveitar enquanto não tem uma barriga de chopp e uma careca brilhante. Todos nós devemos aproveitar esse tempo. Ela disse um dia que Dougie estava enlouquecendo por ter levado toco de uma garota que, segundo ele, nem era tão bonita assim, mas dava pro gasto. Foi então que ele decidiu. Não iria mais se sentir culpado por ter causado sofrimento a quem antes era sua melhor amiga, e nem sentir essa tristeza por ela não lhe fazer mais companhia. Ele iria “aproveitar a vida”, assim como sempre fez antes de se envolver com . Aquela ruiva parecia uma ótima maneira de resgatar aquela época.
- Então, Priscila, como eu nunca te conheci antes? – Dougie sorriu pra garota enquanto sentava ao seu lado.
- É porque eu não moro aqui, estou só de passagem – a garota disse e em seguida olhou o garoto de cima abaixo mordendo o lábio. Os dois engataram uma conversa cheia de indiretas e provocações.
e suas amigas estavam pagando a conta, quando ela se deu conta de que Dougie estava na pizzaria com o braço passando nos ombros de uma ruiva. Aquele lugar começou a girar. Girar em torno do casal a sua frente, que ria escandalosamente de algo enquanto a ruiva abraçava a cintura de seu... de Dougie. Ela ficou lá encarando os dois por um tempo que não conseguiu calcular, sentindo sua cabeça cada vez mais pesada e o ar cada vez mais extinto em seus pulmões. Ele não parecia mais o garoto arrependido do que fez. sentiu alguém a puxando enquanto ouviu a voz abafada de . Vem, , vamos sair daqui, ela disse. A garota foi sendo puxada enquanto mantinha seus olhos fixados no casal. Quando estava quase passando pela porta de entrada da pizzaria, Dougie olhou pra ela, e seu olhar passou de descontraído pra preocupado. Seus olhos pareciam queimar sobre ela. Mas esse momento durou apenas alguns poucos segundos, e então o olhar de Dougie voltou à roda de seus amigos e à descontração.
e haviam sido deixadas na casa de por Claire e seu New Beatle azul bebê. Estavam no quarto de , sentadas na cama. lia uma Teen Vougue enquanto , estava deitada olhando pro teto, pensando o quanto era estúpida por gostar de um garoto mais estúpido do que ela. Era óbvia que ele iria arranjar a primeira garota em que colocasse o par de olhos, ela deveria ter se preparado emocionalmente pra isso antes.
- Chega! Não agüento mais te ver nesse estado – que fingia folhear a revista antes agora se encontrava de pé e olhando pra amiga, que simplesmente devolveu o olhar inexpressivamente. – A gente precisa de um plano.
- Quê? – perguntou levantando apenas a cabeça.
- Eu sei que o Poynter é um amigão meu, sei que eu não deveria fazer isso com ele. Mas você é minha irmã, é com você que eu conto quando tô com um problema. E você está com um problema enorme causado por aquele tampinha, então eu vou te ajudar.
- E como você pretende me ajudar, ? Vai matar todas as outras garotas do planeta?
- Não. A gente vai bolar um plano. Você vai machucá-lo da mesma maneira que ele te machucou. Ele vai perceber o quanto é ruim estar na sua situação e vai sofrer. Eu não sei se vou gostar de vê-lo sofrendo, mas não suporto mais te ver assim.
- , isso é cruel! – agora se sentava olhando pra amiga com os olhos arregalados. – Você tá me dando medo.
- Eu sei que é cruel, , mas ele foi cruel com você e essa é a única maneira de ele ver o que causou a você! E depois, quem sabe, vocês podem tentar se dar uma nova chance. – deu de ombros se sentindo culpada por bolar aquilo contra um amigo.
- Eu... eu não conseguiria fazer isso, ! - tentava se convencer de que aquilo não era certo.
- Conseguiria sim! Você é uma garota forte, independente, que não precisa de silicone e cabelo loiro pra chamar a atenção de todos por onde passa!
- Cabelo ruivo, no caso – se mostrou enojada e com raiva ao lembrar-se da ruiva.
- Ele precisa perceber o quanto te machucou, .
- É... Você tá certa. – finalmente se rendeu. – Mas a gente vai precisar de tempo. Eu preciso de tempo antes de... de me aproximar dele... de novo. – engoliu em seco demonstrando sua preocupação.
- Eu sei, eu vou te ajudar a conseguir isso.
- Ah é? Como?
- Não sei... Mas já tenho idéias de quem pode nos ajudar. – mostrou uma cara travessa e um sorrisinho pior ainda.
Capítulo 5
- Luke! – falou pulando da cama e dando um baita susto em .
- Pirou, ? Fica aí tendo pensamentos impuros com o Luke. É nisso que dá! – falou com uma cara não muito boa.
- ! O Luke é a nossa solução!
- SOCORRO! Você pirou mesmo! Por que o Luke seria nossa solução? Tem dez minutos que nós estamos aqui deitadas pensando em um plano e você de repente grita o Luke!
- Eu não gritei ele. Eu vou gritar agora!
- Deus! Como eu agüento um ser assim? – levou as mãos aos céus.
- LUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUKE! – saiu do quarto gritando por Luke pela casa.
- ! Volta aqui! – gritou tentando convencer a garota a voltar, mas a única coisa que escutou como resposta foi a garota gritando por Luke novamente. – Não se estresse, . Não se estresse. A quer apenas o seu bem. Conte. Isso! Contar é uma solução. – ela disse para si mesma e começou a contar mentalmente até o número mais alto que conseguisse.
- ! – apareceu na frente de como um fantasma – Vem comigo!
- ! Você me fez perder a conta!
- Não acredito que você estava contando!
- Estava.
- . Relaxa. – disse abrindo um sorriso contagiante no rosto – Vem!
- Pronto, Luke. – disse entrando na sala com ao seu lado.
- Tá. Agora me diz. Que agitação toda é essa? – Luke disse colocando a televisão no mute para escutar as garotas.
- Precisamos partir um coração. – disse séria fazendo Luke se engasgar com a coca que estava bebendo e expelir o liquido pelo nariz, quase arrancando uma risada das garotas. Só não arrancou porque a situação era séria.
- O que você disse? – Luke perguntou espantado, olhando pras garotas como se estivesse vendo o demônio.
- O que você ouviu. Precisamos partir um coração e queremos a sua ajuda pra isso – explicou olhando séria para o garoto.
- Eu não vou fazer isso – Luke se virou de frente e aumentou o volume da TV, tentando ignorar as garotas.
- Luke, por favor – fez cara de cachorro abandonado, mas Luke ainda a ignorava.
- Não! Eu nunca gostei dessas aulas cabulosas de Biologia, não gosto de órgãos partidos e vocês podem muito bem fazer isso sozinhas, joguem a faca da cozinha fora depois que terminarem.
- O QUE? – As duas perguntaram confusas.
- Isso que vocês ouviram também. Não parto coração porcaria nenhuma – Luke pareceu amedrontado.
- Luke, meu querido... Eu não to falando dessa partição de coração. Até porque, o professor não iria deixar a gente trazer um coração pra casa pra partir!
- Tá falando de que, então ? – Agora Luke estava confuso.
- Precisamos partir um coração no sentido figurativo. Tipo, precisamos deixar alguém triste. Não triste, arrasado.
- Que?! Pior ainda, prefiro cortar um coração... Ou não. Mas ainda assim não faço.
- Luke por favorziiiiiiiiiiiiiiiinho!
- Luke... Eu realmente preciso disso – disse olhando pra baixo, como se estivesse envergonhada de estar planejando algo como partir um coração, mas como se não tivesse mais escolhas também.
- O que aconteceu? – Luke se sentiu curioso e e explicaram toda a história sobre Dougie para o garoto, que ficou extremamente chocado.
- Bom, vocês não tem nenhuma outra ideia pra resolver essa situação toda? – Ele perguntou apreensivo.
- Não, a gente já tentou descobrir outra maneira, mas parece que não existe – respondeu.
- Bom... Então eu acho que posso sim ajudar vocês. – Luke conlcluiu, fazendo as meninas soltarem gritinhos de animação.
- Você é demais, Luke! – deu um beijo na bochecha do garoto e saiu pulando igual uma criancinha pela casa, seguida por uma sorridente...
- HEY! Vocês não me disseram ainda o que eu tenho que fazer! – Luke saiu correndo atrás das garotas.
Na segunda feira, as primeiras aulas passaram relativamente rápidas, uma vez que os garotos e as garotas passaram a maior parte delas dormindo ou fazendo gracinha uns com os outros.
- Oi, meninos. – disse aproximando-se da mesa dos quatro com nos calcanhares.
- Oi, meninas. – Eles responderam quase que em coro.
- A gente pode sentar? – perguntou manhosa.
- Claro que podem – Tom sorriu mostrando sua covinha.
- Então abram alas garotos – disse mandona para Dougie e Danny, que estavam lado a lado.
- Abusada você, hein! Viu como você infiltra no meu espaço? – Dougie perguntou debochado.
- Cala a boca, Poynter! Já que insiste, eu não sento ao seu lado, nem queria mesmo – disse sentando na cadeira que ela colocou ao lado de Danny, que instantaneamente abriu um sorriso tímido. A cadeira que sobrara pra sentar foi exatamente a que estava entre e Dougie. Ela, por uma fração de segundo, quase cedeu e se mostrou incomodada, mas rapidamente retomou a atitude de ‘não-sofro-mais-por-você’ e sentou-se sorridente para ele, que ficou confuso.
- A que nos deve a honra da companhia das senhoritas? – Harry perguntou de um jeito galã, sorrindo.
- A gente tava com saudade de problemas e resolvemos nos juntar a vocês novamente – respondeu debochada.
- Que bom que você ainda se importa comigo, – Tom fingiu-se de indignado, cruzando os braços e fazendo bico.
- TOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM, EU ME IMPORTO! – correu até Tom sentando-se no seu colo. – Você sabe que eu me importo!
- É, eu sei. - Tom sorriu e foi se sentar na sua cadeira de novo e, sorrindo, passou por um Dougie com um quase-bico.
- E agora vai saber sempre, porque a gente não vai sair da cola de vocês. Fique feliz com isso, Poynter. – apontou pro garoto, que deu um sorriso sincero.
- Vocês infiltram no nosso espaço, mas a gente ama, e vocês sabem. – Ele falou, fazendo se achar e se derreter.
- É, eu sei. – respondeu com seu sorriso colgate – Mas então, a gente não veio só pra isso.
- Ih, to vendo que elas só vieram aqui porque querem um favor – Danny falou bufando.
- NÃÃÃÃÃO, NÃO É VERDADE! – berrou.
- Não precisava berrar! Outch! – Harry tampou os ouvidos.
- CALA A BOCA JUDD! – apontou pro garoto.
- É, se vocês não querem ir a uma festa que o Luke vai dar, problema de vocês. Vamos ? – disse e as duas se levantaram da mesa.
- EPA, VOLTEM AQUI! Vocês disseram festa? – Harry sorriu.
- É, acho que dissemos. O que acha, ? – fingiu descaso.
- Eu acho que dissemos também – colocou a mão no queixo fingindo concentração – Nós dissemos? – perguntou a Harry.
- Disseram. Onde, quando e quem vai estar lá?
- Depois a gente é interesseira. Tsk, tsk – rolou os olhos – Lá na minha casa, final de semana que vem, as pessoas de sempre vão.
- Ótimo! Nós vamos. – Harry disse fazendo uma cara desafiadora para .
- Hey! Para de me olhar assim. Você só vai porque eu te convidei. – falou ressaltando a parte onde ela tinha convidado os garotos.
- Eu também vou! – Dougie disse levantado-se da mesa e aproximando das garotas.
- Quando eu disse que nós iríamos, você estava incluído no pacote, Dougie. – Harry fez uma cara de indignação.
- Que bom que você vai, Dougie. – ignorou o que Harry disse e abriu um sorrisinho para Dougie.
- Meninas! Eu me lembrei! – Danny também se levantou e pôs-se ao lado de Dougie – Vamos para minha casa, hoje?
- Fazer o que? – perguntou fazendo com que o sorriso que ela mantinha no rosto desaparecesse.
- Ver um filme!
- Ah, filme? – ela fez uma careta – Eu não... – deu um pisão no pé de fazendo-a lembrar do ‘plano’. – ...posso recusar! É claro que nós vamos! – tentou disfarçar colocando aquele sorrisinho novamente em seu rosto.
- Você não vai chamar a gente, não, Danny? – Harry apontou para os outros dois.
- Quando eu falei ‘meninas’, vocês também estavam incluídos no pacote. – Danny disse e saiu correndo, já prevendo que seus amigos corressem atrás dele gritando palavras inadequadas para crianças.
passou as aulas finais se sentindo nervosa. Ela sentia que não conseguiria manter-se firme. Não conseguiria fazer bem sua atuação. Não perto de Dougie, que era o único momento no qual tinha que ‘atuar’. A verdade é que aquele garoto mexia com ela desde que se conheceram, que essa ‘mexida’ aumentava a cada dia, e que parecia que continuaria aumentando até que ela estivesse sete palmos abaixo do chão. Assim ela pensava. Para alguns, era apenas uma paixonite adolescente, mas para ela era amor. Ela só não tinha se tocado desse sentimento até que eles se afastaram. E agora ela sentia falta dos momentos que passava com ele.
Mas ele a machucou. Ele fez ela se sentir como lixo, algo insignificante... Nada. Ele tinha todo o direito de fazer o que havia feito, ela sabia. Mas achava que o sentimento dele por ela era o mesmo que ela tinha sentido o tempo todo por ele. Quando descobriu que não, ele não sentia nada especial, ela ficou arrasada. Se aquele plano todo era uma forma de tentar fazer ele perceber a crueldade que havia feito, ela teria que tentar. Não, ela teria que conseguir praticá-lo na esperança de, quem sabe, ele perceba esse sentimento que ela nutria dentro de si e, então, que eles fiquem juntos novamente.
Já Dougie estava confuso. Ele não entendia porque logo no momento em que ele começou a tentar esquecer , ela passou a tratá-lo como se nada tivesse acontecido, como se os dois não tivessem se machucado. Os dois, pois ele se machucou também. Ele sabia que se a historia dos dois fosse um filme, ele seria o cara idiota que não se importa com nada e que não nutre nada pela mocinha, mas isso não era verdade. Ele sabia dentro de si que gostava de . Amava aquela garota emburrada apenas aparentemente, que escondia sua verdadeira personalidade das pessoas que, segundo ela, ‘não mereciam’ receber educação. Ele conhecia a verdadeira . Mas naquele momento que deveria ter sido perfeito pros dois e ela simplesmente o negou, ele pensou que ela não sentia o mesmo que ele. Ainda haviam os boatos de que ela estava ficando também com George, o drogado da escola. Ele sabia que eram apenas boatos, mas naquele momento que eles vieram a sua cabeça, ele se desesperou. Começou a achar que ela não o amava, que ela o traía. E tal pensamento o fez pegar Lorraine, a garota do primeiro ano que era louca por ele desde sempre. E agora, quando os dois deveriam tentar seguir em frente, ela voltou a falar com ele como se eles nunca tivessem ao menos namorado. Ele não entendia por que.
Os dois ficaram as aulas finais pensando nesses fatos, enquanto os outros conversavam, dormiam ou desenhavam na ultima folha do caderno, até que o sinal tocou, anunciando o final da aula. Os seis se encontraram na porta da escola, para decidirem como seria a tarde.
- E aeee Galerinha, o que faremos essa tarde? – Tom perguntou pulando igual uma criança que acabara de ganhar um doce.
- Já decidimos que vamos ver um filme, Tom – Danny rolou os olhos e sorriu.
- Ah é mesmo... Mas não tem nada na casa do Danny, ele já acabou com a comida da dispensa que os pais deixaram.
- É verdade, vamos ter que passar no supermercado também – Dougie concluiu colocando as mãos nos bolsos da bermuda três números maior do que o devido.
- Vamos fazer o seguinte: Eu, Dougie, e alugamos os filmes enquanto o Tom e o Harry vão no supermercado – Danny propôs com pose de pensador.
- Por que eu e o Tom não podemos alugar os filmes? – Harry levantou a sobrancelha com um olhar desafiador.
- Porque suas escolhas pra filme são péssimas e o Tom vai te fazer companhia – Danny respondeu como se aquilo fosse obvio.
- Minhas escolhas pra filmes são ótimas! – Harry disse ofendido.
- Harry, amor, você escolhe o gênero do filme e eu prometo que alugo um que vai te agradar – disse tentando contornar a situação.
- Tá... Eu quero de terror ! – O garoto respondeu animado.
- Terror será, então – sorriu.
- E SE EU NÃO GOSTAR DE FILMES DE TERROR? – perguntou demonstrando medo.
- Vai ter que ver mesmo assim, quero nem saber – Danny disse simplesmente – Vamos então, nos encontramos lá em casa. – Ele completou e cada um seguiu seu caminho.
Tensão. No sentido figurado, é o estado do que ameaça romper-se. Na casa de , o barulho da televisão ligada era o único som no lugar. As duas garotas esperavam ansiosamente a hora de irem para casa de Danny enquanto tiravam aquele uniforme estúpido e trocavam por uma roupa mais confortável. não sabia como agir, não achava que o plano de ia dar certo, e que talvez ele piorasse ainda mais as coisas. Seus pensamentos estavam a mil. Mesmo no carro com Dougie, Danny e enquanto eles iam na locadora de filmes, não conseguia desviar sua mente daquele assunto.
- Aí a começou a dançar em cima da minha escrivaninha... – contava enquanto Danny abria a porta de casa rindo junto com Dougie, e se encolhia de vergonha.
- Que vocês estão fazendo aqui? – Danny perguntou espantado vendo Harry e Tom jogando vídeo game na sala.
- Jogando vídeo game? – Tom respondeu.
- Mas como vocês entraram aqui? Não tinha ninguém em casa, tinha? – Danny perguntou preocupado, não queria que seus pais voltassem de viagem tão cedo.
- Não.
- Então como?
- A gente pegou a chave reserva – Harry explicou.
- Mas eu nunca contei pra vocês onde fica essa chave. Eu nem ao menos lembro onde ela fica – Danny disse pensativo.
- É Jones, mas você tem que admitir que o parapeito da janela não é bem um lugar secreto – Tom disse em tom de deboche, fazendo todos rirem.
- Você deixa – Dougie disse entre risos - ... Você deixa a janela... Você deixa a chave reserva na janela! – E todos continuavam gargalhando.
- É, muito engraçado! Agora vamos, eu quero ver esse filme. Alguém me ajuda com a comida.
- EU! – se adiantou, recebendo um ‘AAAAAAAN’ de zoação dos amigos – Que foi?
- Não precisava desesperar , a gente já ia te obrigar a ir pra cozinha sozinha com o Jones.
- Não é nada disso gente, é que eu vou fazer brigadeiro pra vocês! – disse com as bochechas rosadas, não muito diferentemente de Danny.
- Briga what? – Dougie perguntou, vendo que os amigos também pareciam confusos.
- Vocês vão ver – deu uma piscadela pra todos e puxou a mão de Danny – Anda Danny – Ela disse, seguido de mais zoações dos quatro que se encontravam esparramados no chão, sofá e poltrona da casa.
- Meu Deus, eles são tão imbecis! – entrou na cozinha seguida de Danny carregando sacolas e com as bochechas vermelhas.
- Nossa, , obrigado por rejeitar a idéia da minha companhia – Danny brincou.
- Não é isso Danny! Você sabe que eu adoro sua companhia, é só que eles não precisam ficar zoando a gente o tempo todo, né? – A garota disse se virando de frente pro garoto.
- É verdade. E eu também adoro sua companhia – Ele disse sorrindo pra , que retribuiu o sorriso e virou-se novamente de frente pra pia, procurando o leite condensado e o chocolate em pó – Até demais – Danny completou baixinho, dizendo pra si mesmo. Só que ouviu o que ele disse e no mesmo momento paralisou, sentindo seu coração bater em uma velocidade que ela julgava impossível. “, ele não quis dizer o que você pensou. Ele apenas gosta de você como amiga. Você não pode gostar dele” a garota ouviu falar em seus pensamentos, como se fosse sua consciência. “Eu não gosto dele. Não desse jeito” ela tentava dizer pra si mesma.
- Erm, manteiga? – Ela disse se virando novamente de frente pra Danny, que estava encolhido e com as mãos enfiadas nos bolsos.
- Pode pegar, ta na geladeira – Ele respondeu indo em direção a pia e tirando as comidas das sacolas.
- Preciso de uma panela também – disse indo em direção ao armário cheio de panelas em uma prateleira alta demais pra que ela conseguisse alcançar.
- Deixa que eu pego pra você – Danny se aproximou de por trás, se espichando pra pegar a bendita panela, fazendo com que seus corpos se aproximassem cada vez mais. Quando Danny pegou a panela, se virou de frente pra ele, o que acabou fazendo com que seus rostos ficassem muito próximos e com que a respiração de ambos pudesse ser sentida pelo outro.
- Obrigada – disse com a voz falha.
- De nada – O garoto sorriu novamente, mas não saiu daquela posição. Os dois sentiam uma ansiedade gigante, alem de não apenas borboletas, mas avestruzes ou pterodátilos nos estômagos. A vontade de se beijarem era incontrolável. Eles se queriam, desde o dia em que se conheceram e aquilo era irrevogável, mesmo que os dois tentassem negar. Danny, vendo que a garota não se mexia e olhava pra sua boca, foi se aproximando lentamente, quase eliminando a mínima distancia entre os dois, que queriam aproveitar também aquele momento anterior ao beijo, aquela sensação gostosa de ansiedade. As bocas estavam quase se encostando, os olhos se fechando, quando eles ouviram um barulho e se afastaram.
- Essa comida chega ou não chega? – Harry apareceu na cozinha arrumando o cabelo quando encontrou encostada no armário e Danny a menos de um metro de distancia, ambos se encarando, ofegantes e vermelhos – Opa, eu atrapalhei alguma coisa né? Desculpa, já to saindo, não se preocupem com nós quatro, mesmo que acabemos desnutridos igual as crianças da África – Harry disse já saindo da cozinha.
- Erm, eu vou... Vou levar essas Pringles pra sala – Danny disse desconcertado, pegando as batatas e saindo da cozinha desajeitadamente, enquanto concordava silenciosamente ainda apoiada no armário. Depois que ele desapareceu pela porta, ela ainda ficou alguns segundos encarando o lugar por onde ele havia passado, sentindo uma batalha ocorrendo em sua mente. Não sabia mais em que sentido gostava de Danny, o que antes parecia apenas atração ficara mais forte, mas ela não queria gostar dele... Não poderia.
Danny chegou na sala e viu seus amigos ainda esparramados e rindo baixinho. Ele suspeitava sobre o que seria, mas preferiu fingir que tinha visto nada.
- Cara, desculpa mesmo, do fundo do meu coração – Harry falou se sentindo quase tão constrangido quanto Danny.
- Eu poderia te bater cara, mas sem problemas – Danny sorriu sem graça e sentou-se no sofá, ao lado da cabeça de Tom.
- Do que vocês tão falando? – Dougie perguntou.
- Nada, não é mesmo Harry? – Danny disse mandando um olhar fuzilante ao amigo, que concordou silenciosamente.
- Eu vou lá ver se a morreu com a cabeça no forno – disse se levantando.
- Qual o problema de colocar a cabeça no forno? Deixa o cabelo lisinho – Dougie perguntou levando um pedala de Tom.
- ? Tá viva? – perguntou entrando na sala e encontrou de frente pro fogão.
- To, acho que to – respondeu e viu o tanto que a amiga estava confusa.
- O que aconteceu?
- Nada, por quê?
- Você ta estranha.
- Impressão sua, !
- Me conta logo, – disse já enjoada da cara inocente da amiga.
- É que eu e o Danny... quase nos beijamos cinco minut...
- O QUE?
- ... os atrás
- Por que quase se beijaram, por que não se beijaram de uma vez? – perguntou inconformada.
- O Harry chegou e atrapalhou tudo – respondeu sem graça.
- Aaaah agora eu entendi porque ele pediu desculpas pro Jonão então... – disse mais pra si mesma enquanto a amiga continuava mexendo o que quer que seja que estava na panela – O que é isso? Parece que alguém teve diarréia – Ela perguntou com cara de nojo.
- É um dos melhores doces que existem nesse planeta.
- É nojento.
- , faz o favor de voltar pra aquela sala e parar de reclamar de uma das poucas coisas que eu sei fazer na cozinha?
- Ih, ta bom.
- E sente-se do lado do Dougão.
- Ele ta deitado.
- Então DEITE-SE DO LADO DO DOUGÃO CRIATURA! Deus, nunca vi alguém tão lerdo!
- Mas...
- Anda.
- Iiiih to indo... Não precisa ficar estressada só porque o Harry estragou seu momento com o lerdinho do Danny – disse em tom de deboche e depois saiu correndo, quase sendo acertada por uma pêra voadora.
chegou na sala e timidamente sentou-se ao lado da cabeça de Dougie, que estava no chão. Ele, que antes ria de qualquer bobagem de um dos garotos, ficou tenso e um pouco sem graça. Eles ficaram assim até aparecer na sala com uma travessa cheia de brigadeiro e com várias colheres na mão. A reação de seus amigos não foi uma das melhores. Apesar do cheiro bom pairando no ar, a aparência era um tanto quanto nojenta.
- Alguém bebeu perfume e ficou de diarréia. – Harry disse aproximando o nariz da travessa e recebeu um tapa de .
- Eu disse isso pra , mas ela disse que é um dos melhores doces do planeta. – disse se encolhendo pra não ser estapeada pela amiga.
- Por que alguém bebeu perfume, Harry? – Danny perguntou.
- Porque a diarréia é cheirosa – Harry disse dando um sorrisinho safado enquanto o resto gargalhava.
- Eca! Eu não vou comer isso não! – Tom fez uma careta.
- Como você faz isso com a gente, ? A Pringles já acabou! – Dougie levantou-se e levou as mãos à cabeça – O que vamos comer?
- Danny? Você não vai falar nada não? – perguntou ao ver que ele era o único que não tinha falado mal de seu brigadeiro. Danny apenas encolheu os ombros. – Gente, é chocolate! – ela disse enchendo uma colher de brigadeiro e levando a boca.
- Chocolate mole! – Dougie disse assentando novamente – Que seja. Eu estou com fome! Me da um pouco disso aí! – imediatamente entregou uma colher cheia de brigadeiro para Dougie e perguntou:
- Alguém mais? – Foi nessa hora que Danny, Tom e Harry voaram pra cima da travessa de brigadeiro. ficou observando atentamente Dougie levar a colher até a boca, fazendo com que Dougie parasse no meio do caminho e olhasse para a garota, deixando-a totalmente sem graça.
- , você ta bem? – Ele perguntou com uma expressão não muito agradável.
- Erm... É, estou! Desculpa, mas é porque eu queria ver se você ia mesmo comer esse negócio.
- Ah, é só chocolate!
- É bom? – perguntou ignorando os comentários de seus amigos berrando que o doce era uma divindade.
- Não sei, eu ainda não comi. – Dougie respondeu a pergunta de , que parecia tentar melhorar o clima entre os dois, e abriu um sorrisinho. Aquele sorriso lindo que fazia querer congelar aquela imagem para sempre.
- É mesmo! – ficou ainda mais envergonhada. Se perguntava como podia agir de forma tão retardada!
- Você quer um pouco? – Dougie ofereceu brigadeiro para e foi como se ele tivesse levado um soco no estômago. Ele sofria por causa dela, por que diabos eles estavam se tratando como se nada tivesse acontecido? Mas ao ver a garota encolhida e com as bochechas rosadas simplesmente não resistiu. Lembrou-se de quando ele sempre consertava as burradas que a falava espontaneamente e ela sempre lhe retornava um sorriso. Ou então ela batia em sua própria testa. Novamente, não pôde evitar sorrir.
- Eu vou pedir pra um pouco! – disse como uma descarga elétrica e levantou-se como um flash, deixando Dougie com uma cara de bobo.
- Dougie, você ta bem, mano? – Harry riu alto tirando Dougie de seu devaneio. – Você precisava ver sua cara! Eu devia ter tirado uma foto! – Todos começaram a rir mais ainda quando Dougie cruzou os braços fazendo cara de emburrado.
- Sua cara normalmente é pior que isso, Judd – Dougie disse revoltado.
- Iiih, não precisa apelar cara! – Harry disse enquanto todos faziam uma cara meio espantada.
- Tá ta, desculpa. Então, qual filme vamos ver? – Dougie tentou mudar de assunto.
- Jogos mortais II, esqueceu? – Danny abriu seu melhor sorriso.
- Eu não quero ver esse filme – disse cruzando os braços e fazendo bico.
- Mas , você não gosta de filmes de terror? – Tom perguntou.
- Gosto, mas não quando o terror tem tanto sangue quanto Jogos Mortais!
- VIU? Não sou a única, seu bando de idiotas – se pôs ao lado da amiga.
- Ahh, a gente protege vocês do malvado – Harry zoou com as meninas.
- Vai-te catar, Harry! – retrucou tacando uma colher no garoto.
- Oba, mais brrigaderrôw!
- Own, é tão lindo vocês falando brigadeiro! – disse tendo um ataque epilético e os outros olharam confusos para a garota.
- Ta ta, anda logo que eu quero ver alguma pessoa que não aproveita a vida sendo dilacerada – Dougie apressou-se.
- Credo Dougster! – disse apressando-se pra sentar em um dos dois lugares vagos no sofá que não fosse o do lado de Dougie, para que sua amiga pudesse ocupá-lo. O que ela não percebeu foi que esse lugar era entre Danny e o braço direito do sofá. Ficou totalmente envergonhada quando se deu conta do fato, assim como o garoto.
- Esse filme vai ser interessante – Harry disse observando os dois e depois olhando pra Dougie e , sentados lado a lado, também envergonhados.
- Anda meu amor, vamos formar o ultimo casal e assistir esse filme – Tom disse imitando uma bicha enquanto puxava Harry pro tapete da sala.
- Ui, assim você me enlouquece – Harry zoou tentando tirar o clima tenso e evidente na sala, sem muito sucesso.
- ESPERA! – gritou de repente fazendo Dougie pular de susto.
- Que é que foi mulher? – Tom reclamou erguendo as sobrancelhas.
- O brigadeiro acabou! Eu quero mais!
- COMO ASSIM O BRRIGADÊRROW JÁ ACABOU? – Danny ficou indignado – EU SÓ COMI UMA COLHER!
- Bem feito, quem manda ser lerdo! – Dougie deu língua.
- Ai , vai La fazer mais! – implorou pra amiga.
- Nem vem, vocês ficaram tendo preconceito com meu brigadeiro, agora não vão ter mais também.
- Mas eu não tive preconceito, e eu não comi quase nada! – Danny fazia gestos exagerados e desesperados.
- Vai La , o Danny te ajuda – Harry disse debochado e todos os outros soltaram risadinhas safadas.
- Depois você come mais Danny, pega o chocolate que ainda tem e vamos assistir a bosta do filme – se virou pra frente convencida por ter feito todos se apaixonarem pelo doce.
Os outros bufaram frustrados e Harry deu o play, se ajeitando ao lado de Tom, que estava no chão e em seguida , Dougie, Danny e se ajeitaram no sofá.
O filme começou e as garotas ficavam cada vez mais assustadas, enquanto os garotos ficavam cada vez mais animados. Harry e Tom se divertiam com os gritinhos agudos e desesperados das amigas que se agarravam as almofadas e estavam visivelmente tensas. “Vocês são muito frescas” eles zombavam, mas elas nem ao menos os escutavam.
Em uma parte no filme, não agüentou olhar a TV e se virou para o lado, tentando tirar aquelas imagens horríveis da cabeça e acabou dando de cara com Danny, que estava totalmente concentrado no filme. Quando viu o desespero da garota, ele sorriu para ela e em seguida deitou sua cabeça em seu peito e tampou os olhos dela com uma das mãos, enquanto a outra acariciava-lhe os cabelos, em seguida voltando o olhar pra TV e tentando concentrar-se novamente, mas agora ele encontrava dificuldades. A respiração pesada da menor contra seu pescoço o deixava entorpecido e vulnerável. A respiração de não era mais pesada por causa das cenas de terror, ela nem ao menos lembrava delas agora. O perfume de Danny invadia seu cérebro e seu toque lhe fazia estremecer, de modo que a única coisa que conseguiria dizer naquele momento era ‘Danny’, ‘Daniel Jones’ ou algo parecido. Ela chegou a pensar que nem se estivesse no lugar de uma das personagens do filme ficaria tão desesperada, desde que Danny estivesse com ela, mas se arrependeu logo depois, não queria se imaginar (e muito menos imaginar o garoto) em uma situação como aquela.
Do outro lado do sofá, Dougie fingia-se concentrado no filme, mas prestava atenção na garota agoniada que estava ao seu lado, achando um pouco de graça em seu desespero, anda assim extremamente adorável. Mesmo sabendo que a situação tinha certo humor e até mesmo burrice da parte da garota de ficar tão tensa por conta de um filme, ele só pensava em como queria abraçá-la e confortá-la, dizer que aquilo era um ficção banal e que tudo estava bem. Porém, antes que pudesse tomar coragem para tal ato, ele viu a garota levantando-se rapidamente e saindo da sala. Extremamente confuso, Dougie olhou para os amigos e Danny, que tinha uma adormecida contra seu peito, fez gestos o mais exageradamente possível, indicando que Dougie deveria ir atrás de . Assim ele o fez e depois de procurar por alguns segundos, encontrou-a na varanda da casa, encolhida por causa do vento e parecendo um pouco mais calma.
- Você ta bem? – ele perguntou preocupado, aproximando-se da garota.
- Estou sim, só quis parar de assistir aquele filme idiota – respondeu olhando para o céu nublado, tipicamente londrino.
- Meu Deus, todo esse drama por causa de um filme? – Dougie riu e rolou os olhos.
- Desculpe por isso, na próxima reencarnação vou gostar de sangue, órgãos a mostra e violência. – a garota, irônica como sempre, virou-se para ele com a típica cara de bunda.
- Oh , me desculpe você, eu não deveria estar rindo de você – Dougie se aproximou de um jeito timidamente fofo – Mas é engraçado – ele completou e bufou, intencionando entrar na casa e deixar o garoto rindo sozinho – Tá, mil desculpas, de verdade. Você ta bem mesmo? – Dougie segurou a garota pelo braço – Nossa, você ta gelada!
- É, ta frio. Vamos entrar, Dougster – finalmente deu uma risadinha safada ao chamar o garoto pelo seu apelido.
- Vamos passar no quarto do Danny e pegar um casaco pra você, ster – Dougie entrou na brincadeira e entrou na casa.
- ster? – perguntou debochadamente.
- É, tinha que combinar com o meu apelido, oras – Dougie riu e os dois subiram as escadas, entraram no quarto e pegou um casaco preto do amigo.
- Bem melhor – sorriu aliviada e ambos desceram as escadas, se sentindo completamente estranhos e um tanto quanto tristes, por já estarem tão próximos, mesmo depois de tudo o que aconteceu. O que eles mais precisavam naquele momento era distancia um do outro, para que eles pudessem tentar esquecer tudo e um dia, quem sabe, voltarem a ser amigos. Mas, ao contrario, eles estavam cada vez mais próximos e tentavam inutilmente disfarçar o que já estava na cara desde o principio: eles sempre se gostariam e estavam arrasados com os acontecimentos que geraram a separação.
Quando chegaram à sala, o filme já tinha acabado e as luzes estavam acesas, mas ainda encontrava-se inconsciente no peito de Danny, que tentava não se mexer para não acordá-la. Harry e Tom riam de alguma piada idiota que provavelmente teriam feito sobre os dois.
- Meu Deus, como ela conseguiu dormir no meio de um filme tão horripilante? – parecia surpresa e confusa.
- Parece que o Jonão tem efeito calmante nela – Tom disse fazendo uma cara safada e Danny ficava vermelho de vergonha e irritação.
- Eu não to agüentando vocês falando essas idiotices na minha cabeça o tempo todo. Se eu pudesse me levantar, vocês já teriam apanhado.
- , acorda, eu quero ver o Tom apanhando – Dougie cutucou a garota, que se mexeu preguiçosamente.
- Não era pra ter acordado ela, estúpido! – Danny se mostrou irritado.
- Olha quem vai apanhar agora, idiota – Tom deu língua pra Dougie.
- É você mesmo, eu vou bater em você – Dougie e Tom começaram um pega-pega pela sala enquanto tentava assimilar os fatos, ainda deitada em Danny.
Com dor nos olhos por causa da luz acesa, tentava enxergar a TV desligada, Dougie e Tom correndo igual um bando de babacas, Harry e a encarando com carinhas safadas e então ela entendeu. Aquele cheiro extremamente agradável e intoxicante, aquele conforto em que ela se encontrava e aquela sensação gostosa vinham de Danny, em que ela estava deitada. Levantou-se rapidamente, envergonhada e constrangida.
- Me desculpe, Danny – Ela pediu olhando para as próprias mãos, depois de se sentar devidamente no sofá.
- Sem problemas, , eu não liguei – Danny sorriu daquele jeito mais fofo e lindo, o sorriso mais lindo que ela já tinha visto.
- Ele até gostou, , não queria que você fosse acordada – Harry zombou, arrependendo-se depois.
- Por que você está estragando tudo pela segunda vez mesmo? – Danny perguntou pro amigo e se sentiu mais constrangida ainda, lembrando-se da primeira vez em que Harry ‘estragou tudo’.
- Desculpa, não ta mais aqui quem falou – Harry disse saindo da sala antes que apanhasse.
- Eu não acho que ele estragou nada dessa vez, foi bom a saber disso – disse também saindo, antes que recebesse uma resposta mal-educada.
E eles estavam sozinhos na sala.
- Por que eles são tão chatos? – Danny perguntou olhando pra garota que estava envergonhada e sonolenta, com os cabelos um pouco atrapalhados. “Linda".
- Eles são nossos amigos, Danny. Esse é o papel deles – sorriu e depois levantou do sofá e se espreguiçou. “Não olhe para a barriga parcialmente descoberta dela, seu idiota” Jones pensava tentando inutilmente se controlar – Vou lavar o rosto – disse e saiu pela sala, deixando o garoto sozinho na sala, perdido em pensamentos.