
Capítulo 1
- Pára, Harry! – eu falei com dificuldade em meio aos risos.
- Só se você admitir, que eu sou o rei do videogame. – Harry respondeu ainda fazendo cócegas em mim.
- Ok! – eu disse e ele parou de fazer cócegas. – Mas, Harry, eu sou pura de coração, dizer tal mentira iria corromper minha alma.
Harry me olhou meio assustado, meio querendo rir e fez bico.
- Nossa, .
- Ah, Harry, you know i love you. – eu disse com voz de criança, eu sei que ele não resiste.
Harry era meu melhor amigo desde que tínhamos, sei lá, saído das fraldas. Como eu digo, o que está bom pode sempre ficar melhor, e é aí que entram , , e James, os melhores amigos do Harry.
- Vamos parar com as demonstrações físicas, aí? Sou apenas uma criança. – falou fazendo cara de anjo e levanto uma almofada na cara de minha autoria.
Fiz uma dancinha ridícula pra comemorar ter acertado a cara de e bati um hi-five com Harry.
- Nossa, , vai aleijar o mais do que ele já é. – James falou rindo. Então me desculpa aí, Bozo. James era o ‘engraçado’, em aspas porque ele era o único que achava isso.
soltou só um sorriso de lado e deu uma de suas risadas escandalosas (n/a: só dá certo com o Joones essa q). sempre foi o mais centrado, tudo pra ele era sério e ele parecia ser sempre profissional, procurava não se envolver com nada. Já , oh, ! Ele era o mais bonito deles, já me envolvi com ele há algum tempo, mas não deu. era o galinha do sexteto.
- , sabe? Eu ‘to com fome. – James declarou depois de terminar de rir da sua piada super engraçada.
- Ah, não! Sempre eu! Isso é algum tipo de machismo? Só porque eu sou menina tenho que fazer comida? Isso aqui não ‘ta certo não...
- Calma, ! – Bozo, ops, James me olhou atravessado. – Não é isso, é que a sua comida é melhor.
- Pede pizza, então, Bourne!
- Ê TPM... – reclamou.
Não respondi, não dirigia muito a minha palavra ao já que ele me ofendia onze em cada oito vezes que falava comigo. Nossos santos não são compatíveis.
- Eu quero de queijo! – Harry saiu correndo até o telefone e começou a discar o conhecido número.
Nós éramos um sexteto, não, melhor, nos éramos O sexteto. Eu não tinha amigas garotas na minha escola, já que os únicos cérebros femininos lá andavam com pompons e não falavam palavras que tinham sentido. Harry, , e tinham uma banda, sem nome até o presente momento, e entraram todos juntos no nosso grupo há uns quatro anos...
- Porra! – eu disse em alto e bom som quando fui atingida por uma palheta. O que posso dizer? Tenho um temperamento difícil.
- Ei - um garoto veio falando com cara de culpado seguido por outros dois que riam descontroladamente –, me desculpe, foi sem querer, o aqui jogou a minha palheta pra longe.
- Ah, tudo bem. Sou . E me diz, você toca? Meu amigo Harry é o maior baterista depois de Travis Barker!
- Sou , esses são e . Sério? Estamos procurando um baterista há tempos! Onde ‘ta seu amigo?
- Hey, Harry! – gritei e ele veio batucando com suas baquetas por onde passava.
- Hey, – ele sorriu de lado.
- Harry, sobre montar sua própria banda, eu acho que já resolvi o problema.
James foi o último a se juntar a nós, era um tipo de empresário dos meninos.
Todos tínhamos dezesseis anos, e os mesmo objetivo que eram, basicamente, não ter objetivos.
Capítulo 2
Segunda-feira. Odeio começo de semana, odeio aulas e, mais do que tudo, eu odeio aula de literatura. E é por isso que as minhas segundas-feiras são sempre lindas.
Toquei a campainha da casa do Harry e me sentei no meio-fio pra esperar. Harry sempre foi comigo na escola, agora ele dirigia e tal, mas mesmo antes, íamos a pé. É como uma combinação que temos: finais de semana na minha casa e dias de semana na casa do Harry. Meus pais nunca estão em casa mesmo, e é por isso que a família do Harry meio que me adotou.
- ! Entre querida, Harry está no quarto.
Subi as escadas e dei de cara com um Harry saindo do banho.
- Típico Harry – eu resmunguei.
- Ah , paciência que meu cabelo não estava como eu queria.
Resmunguei outra vez.
- É, , porque você nunca passou horas na frente de um espelho arrumando o cabelo ou deixou de ir a uma festa por causa de um corte ruim.
- Poxa, Harry, não usa esses momentos contra mim não. – Eu falei rindo.
Harry sorriu e começou a procurar uma roupa pra vestir.
Escola. Vamos voltar ao papo de odiar literatura? É. Eu não sei, mas eu acho, só acho, que os dinossauros estão extintos. Eu tinha certeza, até o dia que eu comecei a ter aula com essa criatura chamada Madeleine Flinch, Sra. Flinch para os alunos e ‘a-dinossaura-maldita’ para a época que eu recebo minhas notas.
- Quantas vezes eu já te disse, Srta. , que esse sotaque precisa ser corrigido?
Sotaque: fruto das minhas origens e parte das férias de verão no Brasil.
Eu me limito a olhar pra ela - o que é um esforço, acreditem.
Harry não estava no mesmo time que eu, ele tinha aquele sotaque inglês perfeito que eu invejava. Dinossauro-fêmea me mandou ter aulas para desaparecer com o meu sotaque. Vamos ver se você adivinha meu carma.
- Hey, .
- Brazilian girl! – ele disse puxando os r’s exatamente como eu faço.
Deus, porque o Senhor faz isso comigo? Eu não fui uma garota boa? Eu joguei pedra na cruz?
- Vamos logo com isso, , não ‘to a fim de estender muito, não.
Foram horas, eu achei.
- , presta atenção! Pronuncia esse Y mais aberto!
- Porra, , é difícil! Experimenta falar cabeleireiro.
- Cabe-WHAT? – admito, foi engraçado, mas o momento não me permitiu rir.
- Viu, ?!
- Não tenho culpa que você nasceu num país inútil com uma língua estranha. – Ok, não foi engraçado.
- O que você falou? – Fiquei muito irritada. Parabéns, .
- Não, , é que...
- Olha aqui, , você pode mexer com quem você quiser mas não com o meu país! Eu acho que você é um menininho mimado que não tem chance no mundo de hoje e só consegue nota porque puxa o saco dos professores, mas eu não fico falando isso pra você, certo? – Me levantei irritada e saí batendo a porta da escola.
Pronto, , parabéns! Fala o que não deve e foge. Meu iPod tinha algum tipo de detector de culpa, porque quando eu coloquei no ouvido a voz do Mark Hoppus soou no meu ouvido.
Está tudo bem em me falar o que acha de mim
Eu não vou tentar discutir ou sustentar isso contra você
Eu sei que você está indo, você deve ter suas razões.
Caítulo 3
Fiquei pensando em todos os momentos que passei com , em como ele havia mudado. Do garoto feliz e saltitante para um inconsequente galinha. Me lembrei novamente de quando nos conhecemos e quando a banda começou a ensaiar; da primeira vez que fomos todos juntos tomar sorvete; dos momentos.
havia mudado muito de dois anos pra cá, ao entrarmos no colegial ele mudara, ele costumava ser meu melhor amigo na época em que Harry namorava Crystal e me esquecia. passava dias na minha casa, meus pais o adoravam. Foi tudo antes.
Eu costumo classificar minha vida como antes dos meus pais viajarem muito e depois dos meus pais começarem a viajar muito. Parecia que havia mudado com eles, quando meus pais começaram a viajar demais e eu comecei a ter a casa só pra mim, virou um completo estranho.
Fazíamos tudo juntos, nós seis, mas começou a se distanciar e agora nos encontrávamos basicamente na escola e em alguns finais de semana pra assistir filmes.
Todos nós havíamos crescido, mas havia mudado. Mudado pra ruim, ele não nos contava mais as coisas, passou a ser fechado e pegar todas as menininhas que encontrava pra se distrair.
Eu parecia estar andando há horas; meus pensamentos não acabavam nunca mais e minha casa parecia não chegar nunca, ou talvez o quase campus da Middle High School fosse grande demais.
Capítulo 4
Às vezes, eu sinto como se eu tivesse sendo perseguida e às vezes esse sentimento é real. Olhei pro lado e lá estava no seu carro andando do meu lado.
- Entra. – Ele disse.
- Não mesmo. – Eu respondi.
Continuei andando e encarando meu all star amarelo.
- lia), agora.
Ui, a mona estava irritada comigo. Quem se importa? Ele acabou com o meu país! Tudo bem que o Brasil tem um governo de nada e é conhecido pela violência. Mas a gente ainda têm o carnaval, a felicidade, a música, bossa nova, samba e a mulherada! Morra de inveja.
- Eu disse não, .
Ele acelerou o carro. Ótimo, eu pensei, vai embora mesmo capeta. Dois minutos depois um arfando por correr estava do meu lado.
- Você pode entrar no carro por bem ou por mal, make your choice. – Ele falou como naqueles jogos macabros que eu costumo jogar com o Harry. Foi engraçado e eu ri. - Vitória! – Ele disse.
- Mas o que você.. , me larga!
me carregava até o carro dele que estava, agora, a uns dois quarteirões atrás de nós. Pobre garoto, vai ter que enfaixar o braço quando chegar lá. Quê? Sou gorda, não posso fazer nada a respeito.
Entramos no carro que cheirava a, bem, . E o cheiro era bom. Me sentei ainda meio emburrada por ele ter me carregado.
- Me desculpa, – ele disse dando a partida –, mas se é assim que você me vê, tá na hora de conhecer o real.
Dude, eu senti medo naquela hora. E se ele me levasse pra um bairro onde os manos dele me capassem? Em Londres existem manos? Não interessa, ia me levar pros traficantes e ele iam me obrigar a ser uma puta de luxo, eu sabia.
- Vai, , desce.
Mas que raio de bairro era aquele, senhor? Eu sabia, cara, ele vai me prostituir!
- Eu parei ali, mas o hospital é um pouco mais pra frente.
Não, diga não a prostituição. Ele vai vender meus orgãos!
- Ok – eu respondi.
Ele me olhou e riu. Riu. Como ele pode rir diante do meu desespero.
- , não vou te fazer nada de mal, você significa demais pra mim pra isso.
fofinho; apertei as bochechas dele e ele ficou razoavelmente sem graça.
- Entra aí, .
Entrei em algo que era pra ser um hospital, isso era claro por conta da quantidade de pessoas de avental branco e de alguns pacientes. andou até a cama improvisada no fundo do hospital.
- Olá, mamãe. – Ele resmungou fracamente.
Olhei pra mulher ligada a vários aparelhos com os olhos fechados e uma expressão de paz.
- , porque você nunca...
- Vocês não precisavam ter dó de mim - ele respondeu cabisbaixo. – Ela é o motivo pelo meu mal humor repentino, ela é o motivo dos professores me olharem diferente. E, caso você queira saber, ela está assim há dois anos, coma induzido, é o que dizem.
Ele estava mal, eu podia ver.
- Ah, !
Me esquivei um pouco e o abracei chorando baixinho. começou a mexer nos meus cabelos e beijou o topo da minha cabeça.
Uma enfermeira com um rosto bom, parecia simpática, veio até nós.
- , meu garoto, quem é essa? Achei que isso era um segredo.
- Não, Mary, continua sendo um segredo, a apenas exigiu explicações sobre o meu comportamento estranho.
Mary resmungou algo que eu não pude ouvir e acrescentou:
- Não tem havido melhoras, estamos nas mesmas.
se virou pra sair.
- Me ligue se algo acontecer.
Mary foi ficando pra trás juntamente com a mãe de . Eu ainda chorava baixo. Dois anos, foi a época em que dizia estar conhecendo ‘um novo ’, foi a época em que mudou.
[Flashback - On]
- Vou embora, galera, até amanhã na escola!
- Qual é, ? Ainda são duas da tarde...
- Eu tenho um compromisso – ele imendou saindo depressa.
- Eu acho que estou começando a conhecer um diferente, um responsável.
Todos olhamos pra de soslaio, ninguém entendia as explicações cheias de significados dele.
[Flashback - Off]
Capítulo 5
parou o carro em frente a minha casa.
- , isso é um segredo nosso, ok?
- Se é assim que você quer , eu só acho que...
- Tchau, .
Ele me esperou sair do carro e acelerou; foi embora enquanto eu fiquei com uma cara de panaca olhando pra onde o carro tinha acabado de desaparecer.
’s POV - On
Me diz, por que porra ela chorou lá? Que saco, Mary vai achar que temos um caso ou coisa do tipo. Não que eu não gostaria, é gostosa, pô! Mas, sabe? Eu tive tanto trabalho pra esconder isso. Que porra também eu queria levando ela lá? Ela vai contar pro Harry, tenho certeza.
Mas, poxa, ela era a . Minha melhor amiga, ou diria EX-melhor amiga? Porque, sabe, eu tinha meio que deixado todos de lado quando minha mãe ficou, erm, doente. estava sempre reclamando disso, nem via, não o culpo, eu não sou bom com sentimentos, e o Harry, bom... eu sempre achei que o Harry soubesse. Ele começou a me olhar estranho depois que eu em distanciei um pouco deles. James entrou como que no meu lugar, eu sei disso. O ponto alto é que não gosta dele. Peraí, o que eu tô falando? Nada de , eu estou com a... Como era o nome dela mesmo?
‘Hello there, the angel from my nightmare...’
Tive que parar o carro no acostamento quando meu celular começou a tocar. Olhei na bina: ‘Tina’. Tina? Quem é... Ah, ok, Tina. Atendi.
- Oi, meu amor! – ela guinchou no telefone.
- Hey, Tina – eu respondi um pouco irritado.
Mas que porra essa garota tinha que me ligar? PORRA!
- Tá tudo bem com você? – ela murchou.
- Tudo ok, é que eu estou dirigindo, preciso ir pra casa.
- É! Te encontro lá, !
Essa não era a idéia, mas ok, podia ser uma noite no mínimo interessante.
’s POV - Off
Capítulo 6
Fiquei pensando no a noite toda. Fiquei preocupada com ele, qual é? Isso não é o tipo de coisa que um garoto de dezesseis anos deva agüentar.
Andei até a casa do Harry e sentei no meio-fio para esperá-lo, como sempre. Harry saiu cinco minutos depois e veio até mim, levantei e ele me deu um beijo na bochecha.
- Hey, Harry – eu respondi fraca.
- Pequena, o que está acontecendo?
- Não é nada mesmo, Harry, só não dormi direito.
Não me olhem assim! É verdade. Eu disse pro que não ia dizer nada sobre a mãe dele. Entramos no carro, assim que eu em sentei, John Lennon começou a cantarolar alguma música que eu não identifiquei. Harry era obcecado por Beatles. Fomos até a escola ao som deles e de Harry contando algumas piadas.
Ao chegarmos na Middle High School meu humor tinha melhorado e muito. Saí do carro rindo com Harry.
- Como assim o pintinho explodiu? – eu ainda ria histericamente.
Ele olhou pra minha cara e riu também. Fomos andando pelo pátio até chegarmos na parte coberta onde , e James nos esperavam. Calma, eu disse James? Ele nunca chegava ali antes. Medo.
Enfim, tudo que é bom acaba, né?
- , pegador – disse seguindo a frase de um assobio.
Olhei pra trás e lá estava com a menina nova, a intercâmbista latina, e ela estava, se eu não em engano, vestindo uma camisa dele. e a garota se juntaram a nós enquanto eu dizia secamente que ia comprar alguma coisa pra comer. Pude ouvir James perguntando qual era o meu problema ao fundo e senti o olhar de Harry queimar minhas costas.
Droga de , não podia começar a gostar dele. Eu não ia e ponto. Agradeço aos meus pais por sempre me obrigarem a ir pro Brasil nas férias de verão, apenas mais duas semanas.
’s POV - On
saiu. Sabia, ela não consegue me encarar porque contou pra Harry. Ele me olhou irritado. Porque o Judd me olhou assim? Oh my gosh! Ele só olha assim pro James quando ele encara demais a . Eu já falei que o James gosta da ? É, por isso ele fica cheio das piadas idiotas quando tá perto dela.
Harry fez sinal pra que eu fosse falar com ele pra lá, enquanto eu dava um beijo na bochecha da tal Tina me despedindo.
- Fala, Harry.
- O que você fez com a , ? Eu juro, se você fizer um arranhão que seja nela, eu... eu... eu nem sei o que vou fazer com você! – agora ele me olhou meio triste e não mais furioso. – Você sabe que a é como minha irmã, você sabe que ela é tudo pra mim, não sabe, ?
É, eu sabia, as lembranças disso ainda estavam marcadas nas minhas costas do dia em que eu, sem querer, fiz a cair na piscina em pleno inverno londrino.
- Eu sei, Harry, fica tranqüilo.
Ela não tinha contado pra ele? Eu sempre soube que a era confiável. Ok, mentira, eu acabei de duvidar dela, só alguns segundos atrás, mas enfim.
Falando no capeta, olha ela lá voltando.
’s POV - Off
Comprei um saquinho de chips e voltei comendo elas e pensando na vida. e Harry estavam meio isolados conversando. e conversavam sobre algo que sinceramente não me interessava e James me olhava. Tô com medo do Bourne hoje, é sério.
- , posso falar com você? – era o Bourne. Medo.
- Claro que pode. – sorri e ele corou. Ah não!
- É que... – sinal toca. – Ok, falo com você no intervalo, . – e ele saiu correndo.
Se o James fizer uma super declaração pra mim eu posso até vomitar. Mentira! James era lindo, assim como os meninos da banda, e eu podia tranquilamente ter algo com ele. Por que não, afinal?
- Atrasada outra vez, Srta. ? – a dinossaura maldita rosnou pra mim quando entrei na aula de literatura.
Capítulo 7
Depois de duas aulas com a cria do demônio e uma com um professor substituto já que Sr. Bohr, professor de ciências, tinha tido alguns probleminhas - que não fizeram questão de nos contar -, eu pude ouvir o meu amado sinal, vinte minutos de liberdade.
Como eu esperava, James estava do lado de fora da minha classe esperando por mim. Fomos andando até a cafeteria e conversando sobre coisas banais, até que eu tive que perguntar.
- Jimmy, o que você queria me falar?
Eu falei Jimmy? Gosh, realmente estou planejando pegar alguém.
- Ah, , é, então...
Pára! Ele gaguejou? Essa é a coisa mais fofa que eu já vi e, ele ficou vermelho. Jimmy é fofo. Como eu nunca tinha realmente reparado nele?
- Eurealemnetgostodevocêficacomigo?
Ele quase cuspiu as palavras e eu, na verdade, entendi perfeitamente o que ele disse. Mas foi necessário.
- Quê? Desculpa, Jimmy, não entendi nada.
- Eu, é, , eu realmente gosto de você sabe, fica comigo?
Ele fez cara de cachorro sem dono (n/a: SIRIUS BLACK! –Q). Eu me aproximei e o beijei.
- Acho que isso foi um sim – ele falou fraco enquanto entrelaçava suas mãos na minha.
’s POV - On
.
Saí da aula de química em direção a cafeteria, vasculhando pelos meus companheiros e nossa mesa de sempre. Vi Harry, e na fila em busca de um café da manhã decente. Olhei pra nossa mesa e vi James e , ele tinha decidido se declarar pra ela, aquilo ia ser demais. Riso gratuito pela manhã.
James estava claramente gaguejando e corando várias vezes enquanto a olhava pra ele com uma expressão que eu não consegui identificar. Dó talvez? Aquele ia ser o maior fora da história!
James corou de novo e sorriu de lado enquanto se aproximava e o beijava. O quê? Beijava? NÃO! O QUE FOI ISSO? Eles partiram o beijo e deram as mãos enquanto esperavam por mim e pelos garotos.
Eu me senti estranho. Vi sorrir em minha direção, mas não conseguia pensar, virei às costas e rumei pra fora da escola, agradeço por ser um campus aberto, matar três aulas nunca fez mal a ninguém.
’s POV - Off
Vi ao longe enquanto ainda esperava pelos meninos e sorri pra ele. Por que diabos ele ainda estava lá parado? Ok, ele não estava mais parado. Ele simplesmente se virou e andou até onde estava a entrada e saída do campus. Com certeza ele ia matar aula com aquela namoradinha nova dela. Coma ela, , eu tenho o Jimmy agora.
Harry, e chegaram dois minutos depois, interrompendo meus pensamentos sobre . Eu sorri mais ainda, estava feliz por estar com James. Harry me lançou um olhar de ‘você-vai-me-contar-tudo-depois’, mas também sorria, assim como e .
Capítulo 8
Depois de mais três aulas sufocantes das quais eu tinha com o e ele não apareceu, entrei no carro com Harry rumando para a casa dele para uma tarde cheia de pipoca, chocolate, filmes e a história da minha vida detalhadamente.
Mal entrei no carro e Harry começou:
- Mas o que foi aquilo? Achei que não gostasse do James.
- Ah, Harry, eu não AMO ele, mas, sinceramente, eu começo a gostar dele.
- Que bom, . Ele também gosta de você, só quero que você seja feliz, pequena.
- Eu vou ser – respondi a Harry, confiante.
A minha tarde foi aproveitada com a trilogia de ‘De Volta Para o Futuro’ e muita pipoca. Voltei pra casa à noite, estava abrindo a porta quando o telefone começou a tocar.
- Já vou, já vou – resmunguei.
Atendi ao telefone e uma voz conhecida disse:
- Filha?
- Pai? – podia sentir meus olhos brilhando com as lágrimas.
- Olá, meu amor, quanto tempo!
- Onde vocês estão?
- No Peru, querida, vamos pro Rio para suas férias de verão, estaremos lá para ver você pousar. Você vai para o Brasil nessas férias, certo?
Ele disse quase como se eu tivesse escolha.
- Claro – eu respondi.
- Mamãe mandou um grande beijo, estaremos novamente sem contato essa semana, vamos acampar em Machu Pichu. Mande lembranças ao Harry, te vejo no Brasil!
Há quanto tempo eu não escutava a voz do meu pai? Quatro meses talvez. Viagens idiotas. É por isso que eu nunca vou ter filhos, para que eu não tenha que deixá-los pra trás para aproveitar a vida, assim como meus pais fizeram. Não que eles tivessem culpa, talvez a culpada fosse eu, mas, não sei, é a vida.
Subi as escadarias para tomar um banho. Londres estava começando a esquentar pra valer, a prova viva de que as tão esperadas férias estavam chegando.
A semana passou extremamente rápido. estava estranho comigo, talvez ele se arrependesse de ter me contado sobre a mãe dele, mas não deixava de lado a tal Tina, ela parecia o chaveiro dele, levava pra todo lado. James era carinhoso, o namorado que toda menina sempre sonhou. Harry estava feliz por me ver feliz e e , bem, eles continuavam sendo eles.
Já havia começado a contagem regressiva para minhas férias no Brasil, eu gostava delas apesar de tudo, sentia falta da minha família e dos meus pais e aquela era uma oportunidade rara para vê-los.
A minha última semana em Londres foi também a semana que James me pediu em namoro e agora eu exibia uma grande aliança prateada na mão direita como sinal do compromisso. Eu amava o James.
Capítulo 9
No meu último dia em Londres, optei por passá-lo com os meninos em minha casa me ajudando a fazer as malas. não apareceu, desconfiava que ele estivesse com a Tina, mas não tive muito tempo para pensar nisso. Um mês no Brasil exigia muita roupa, precisei sair as pressas para comprar biquínis novos já que os meus eu não usava desde a última vez que estive lá.
Arrumar as malas com meninos te olhando era, no mínimo, divertido. experimentou meus biquínis velhos e ficou imitando gay um bom tempo enquanto eu chorava de tanto rir, até que Harry disse que duvidava da sexualidade dele. me deu um livro de presente, para o vôo e caso o tédio batesse na minha estadia no Brasil. Eu gostava de ler e fiquei feliz.
No outro dia, Harry e James foram se despedir de mim no aeroporto, alertei-os de que seria apenas um mês e que meu celular e o telefone que havia escrito na geladeira de Harry estariam ligados para quando precisassem de mim.
Uma voz de mulher anunciou que meu vôo ia partir e eu me dirigi ao portão de embarque.
Desci no Brasil algum tempo depois e me deparei com um tipo de coletiva me esperando. Quando foi que meus primos pirralhos ficaram tão, bem, grandes? Meus pais também estavam lá e não pude deixar de derramar algumas lágrimas.
Um mês de diversão num país diferente e extremamente quente, era difícil acreditar que fosse inverno, com as pessoas que eu mais sentia falta. Prometi a mim mesma ligar para Harry e James todos os dias.
Um mês passou rápido e logo lá estava eu no aeroporto de novo mais bronzeada e com um sorriso aguado no rosto.
- A gente se vê ano que vem, inglesinha – meu tio disse enquanto me abraçava.
Meus pais só haviam ficado uma semana. Aprendi, depois de muito tempo, a realmente não me importar com a presença deles, eles nunca estavam lá mesmo.
Descobri que meus primos, de pirralhos, se tornaram garotos lindos, simpáticos e surfistas. Durante aquele mês recebi muitos olhares tortos de menininhas que andavam na praia e me viam abraçada a eles.
Com esse pensamento desembarquei em Londres novamente e peguei um táxi pra casa.
Continua...