Check Yes
por Téh
Prólogo
Entre minha imensa lista de frustrações, coisas estúpidas brotavam. A mais idiota delas com certeza seria a frustração de ninguém cantar uma música com o meu nome.
Sabe, isso deveria significar muito menos para mim se meus amigos não tivessem uma banda e todas essas frescuras. E então você me questiona: qual a obrigação deles em fazer uma música para você? Você é só amiga deles! E então eu lhe respondo, com tamanha sinceridade que não me cabe no peito (claro que você deve ignorar isso, obrigada), que isso não afetou os Jonas Brothers na hora de fazerem uma canção para a Mandy, que era apenas amiga deles. Ah, qualé! Os meninos deveriam ter o mínimo de consideração comigo.
Eu sempre fui tão... tão atenciosa e eu sempre estive presente e, quer saber? Que queimem no mármore do inferno aqueles ingratos. Mentira.
Capítulo Um
Levantei, cambaleei e esbarrei (no maior estilo beber, cair, levantar) na mesa de centro da enorme sala de estar dos . Soltei um gritinho e uma risada. Sabe, se eu estivesse bêbada até tudo bem... Mas eu não estou. Não bebo, sou uma menina correta e frustrada porque meus amigos ainda não fizeram uma música para mim, como faz?
Não faz, simples! Olhei ao meu redor. Já estava escuro e a janela estava aberta, logo eu senti frio e logo eu não encontrei ninguém, porque estava escuro, sacou? É, pois é.
Ouvi uma risada. Vinda do além, oooh! Não, não é do além. Droga, é só o no andar de cima. Adoro! Eu juro que amo essa casa e juro que ela é grande demais, então eu demorei até chegar lá, onde eles estavam. Vou sugerir pro colocar um elevador na casa dele. Tem mais escadas que no meu prédio.
A porta do quarto dele estava fechada (só para você ter uma noção do quão potente é a risada do meu amigo) e eu, como sou muito educada, bati antes de abrir a porta e colocar a minha cabeça para dentro.
A cena que eu vi me deu uma pontinha de esperança. Eu sorri e entrei no quarto, vendo todos sorrirem da mesma forma para mim. Meus amigos são adoráveis, fora o fato de eles não terem feito uma música para mim... ainda.
É, talvez eu deva dar uma passadinha no psicólogo da , sei lá.
Sentei na frente deles e fiz uma expressão desentendida e, como quem não quer nada, fiz a pergunta que deveria ter feito quando coloquei a cabeça pra dentro do quarto:
- O que vocês estão fazendo?
- Compondo. – quer tornar isso mais óbvio, ?
- Sooooooobre?
- O . E como ele fica uma delícia dançando com uma bacia de frutas tropicais na cabeça. – não pude evitar uma risada. – É SÉRIO!
Eu sabia que meus amigos têm problemas, e agora vocês já sabem o nível. soltou uma risada contagiante e obrigou a se levantar e dançar. Acho que perdi alguma coisa enquanto estava dormindo lá em baixo. Mas cara, aquele sofá é tão confortável.
correu até a bacia de frutas tropicais, que eu não poderia imaginar o porquê de estar ali, e colocou sobre a cabeça, fazendo uma dança desengonçada e nada cativante. Ele é meu amigo, a gente releva. Sabe, ser meu amigo deve afetar as pessoas de alguma forma.
Risadas escandalosas invadiram aquele cômodo da casa e eu me levantei também, indo pro lado de e o fazendo dançar a macarena comigo. Ele me deu uma olhada estranha e eu ri, apenas continuando a dançar. As frutas começaram a despencar da bacia e então nós chegamos a brilhante conclusão que era hora de sossegar. Desperdiçar comida é feio, tio.
Me sentei confortavelmente na cama do . É bom ser folgada. E eu sou de açúcar, posso quebrar se ficar no chão. se sentou ao meu lado e nós ficamos só observando os outros comporem uma música que não era sobre o . Eu e não servimos para nada.
e tentavam ajudar, mas e eram egocêntricos demais. Eles gostavam de ter apenas seus nomes escritos na composição. Talvez seja apenas uma prevenção para quando eles forem famosos, eles possam falar ‘EU escrevi essa música, entendeu?’ ou ‘Somos a melhor dupla de compositores, depois de Lennon e McCartney!’. Ignore a minha filosofia do mesmo jeito que eu estou ignorando o me cutucando. Logo as duas desistiram e se juntaram a mim e na cama.
continuava no chão. Ela e não queriam nem saber da música. Às vezes eu acho que eles são irmãos, sei lá, separados na maternidade. ficaria feliz em ser irmã do . Ele é legal e a casa dele também e a mãe dele também. ADORO A MÃE DELE, prontofalei!
Algo como... Oi sogrinha. Nada demais. Não que ele seja a minha paixão platônica desde sempre ou algo assim. Ele é só meu amigo. Mas isso não impede a Sra. de ser uma boa sogra. Ok, FILTRA!
Eu gosto tanto de estar com meus amigos, assim... Eu poderia passar a vida inteira dessa maneira. E eu poderia congelar o tempo também. E eu gosto de mudar de assunto. Minhas meias são azuis.
Passei meus olhos por todo o quarto. Eu deveria ser a única pessoa que permanecia em silêncio ali. Os acordes do violão do eram melodicamente perfeitos aos meus ouvidos. Eu amava a música que eles faziam! Eu amava cada letra, cada nota musical, cada integrante daquela banda que um dia teria que sair da merda do porão da casa do .
Cheguei mais perto de , me encostando nela. Não que seja gorda ou algo assim, mas era uma boa almofadinha. E eu precisava tirar mais uma sonequinha. Se um travesseirinho não tivesse sido jogado no meu rostinho.
- AAAAAH, QUEBREI! – gritei e logo o serzinho fofinho e pesadinho que estava em cima de mim, me sufocando, saiu de lá e me deixou respirar em paz. – Tipo, sou de açúcar, tenham mais cuidado comigo.
Já comentei que meus amigos odeiam os meus gritos? É, fazer o que. Não entendo isso. É minha maneira de expressar tudo que eu sinto. Eles têm algo contra? Eles não podem. Eles têm que me aceitar como eu sou. Tipo, assim. Defeituosa, chata, ansiosa e quer saber? Eu não sou um brinquedo para eles me trocarem quando quiser.
- Oh, Drama Queen! – disse lá do chão e eu emburrei. Ah, eu sou fresca!
- Neném ficou tristinho? – foi chegando mais perto de mim, com uma expressão engraçada.
- Neném não tem motivos pra ficar tristinho... Own, acho que deveríamos dar motivos pra... – parou de súbito e me olhou estranho. Eu comecei a ficar com medo. Aham, aham, eu fiquei!
- Crianças, parem de brigar. – fez voz de mãe e aquilo ficou estranho nele. Algo como um traveco afetado.
- Babãaaae, quero colo! – Sai correndo daquela cama cheia de maníacos e pulei em cima de , que manteve uma expressão séria e completou:
- Agora chega de atormentar sua irmã. – olhou para e riu. GAYS! – Amoooor, to com fome. Vamos dar uma comidinha?
Desculpa, mas eu explodi. Adeus!
Capítulo Dois
Voltei para casa era meia noite passada. Essas reuniões na casa dos sempre duravam bastante. Algumas vezes a gente dormia por lá mesmo. Nós fomos criados juntos, então era costume.
Subi para o meu quarto, tomei um banho rápido e voei pra debaixo das minhas cobertas quentinhas. Eu só precisava de uma ótima noite de sono para tirar essas olheiras do meu rosto. Ah, eu amo essa vida de ócio! A chuva começou a cair e fez meu sono chegar mais rápido. Eu suspirei e não consigo me lembrar o exato momento em que caí num sono profundo...
O qual eu fui acordar minutos depois com o meu querido celular tocando ao meu lado. Tive vontade de ignorar, mas eu não sou ignorante para fazer isso. Pegou, pegou? AH, MERDA! Eu fiz de novo. Tenho que parar com isso, sabe? É humilhante quando as pessoas não dão risada do que você fala.
- Alô vose? – atendi numa voz arrastada e com uma pontada de irritação. Pra meter medo mesmo. COOOOF, COF!
- Alou gatinha, que saudades! – a voz de surgiu, como um passe de mágica no telefone. Soltei um resmungo. Eu queria matar ela.
- Vai encher o saco de outro.
- Você não tem saco, !
- Por isso mesmo. E ah, Graças a Deus.
- Sua insensível. – Eu ri. deveria ser protetora do mundo. Ela defende todo mundo. Eu acho isso bonito nela. – Enfim, eu liguei para avisar que, bom... não tenho nada para fazer amanhã e,...
- E eu com isso? Você me ligou para falar que não vai fazer nada amanhã?
- E para te convidar para fazer alguma coisa – Ui, sapeco! Eu não sou assim, juro. É o sono. Não brinque com o meu sono! Eu viro uma fera, grrrrr!
- Amorzinho, amanhã, quando eu estiver mais lúcida e com condições para conversar sem ser agressiva, ui, a gente decide o que vai fazer. Pode ser?
- Ta, ta... que seja! – ela murmurou e já ia desligando na minha cara.
- EU TE AMO, MEU MORANGO MOFADO! – peso na consciência da , olá.
- EU TAMBÉM, MINHA PÊRA PODRE! Ah, beijo me liga.
E então sim, eu dormi em paz.
Até minha mãe me acordar, mas isso foi só de manhã. Adoro férias e adoro mais ainda não ter que acordar cedo.
Eu tive, eu fui obrigada a ter um momento humano quando acordei. Porque eu sou uma alienígena, se você não sabe. E depois do meu momento humano, eu corri até a cozinha para comer alguma coisa. Ou para almoçar, se você prefere assim.
Só minha mãe estava em casa. Eu gosto de ficar em casa com a minha mãe. Ela é mais legal que a Sra. , sem ofensas tia! Me sentei à mesa e me servi com um pedaço de lasanha.
Minha sobrevivência poderia ser à base de lasanha. A minha e a do Garfield. Ele é a minha metade. Preguiçoso, ama lasanha e ainda por cima é gato! (OH, EU FIZ DE NOVO. ME INTERNEM!) É, talvez eu case com ele algum dia. GARFIELD, VOCÊ TÁ PRA SEMPRE NO MEU S2. AI, QUE GAY!
Eu estava preguiçosamente saboreando a minha lasanha e escutando minha mãe falar sobre um livro qualquer que ela leu e gostou muuuuuito, quando, por um acaso divino, mentira (mentira de novo), o meu celular toca. Gente, eu sou pop. Meu celular toca demais.
Obviamente seria uma das meninas e era a minha principal suspeita. Tenho que averiguar e analisar o local do crime. Preciso encontrar evidencias e eu sou idiota. HAHAHA, QUERIIIDA. Conte-me algo que eu não sei!
Minha consciência consegue ser mais patética que eu. Ah, me poupe!
- ALOU, GEORGEEE?! – atendi e soltou um ‘ui’ engraçado (é, eu descobri telepaticamente quem estava me ligando. Sabe, telepaticamente através do visor).
- O Ringo Starr?
- No, no, no. Foi pescar!
- Idiota, eu ia junto! Enfim, já que ele não está, serve você, George... tem um comunicado importante para fazer a você. Tão importante que ela me mandou dar o recado, e isso não importa. Duas horas, na casa da . Não falte, não se atrase e traga comida. Seria de grande importância. E ah, disse não é para você dormir.
- Não irei – soltei um risinho – e eu vou ir antes, porque eu sou chata.
- Bela bosta. – educadiiinha! – Tchaaau, amor.
- Beijo, te amo, tchau!
Voltei a minha lasanha e a minha mãe e seu discurso. Terminamos nosso almoço super agitado e eu a ajudei a lavar a louça, porque eu sou uma filha exemplar, ta ligado?
Voei para o meu quarto e demorei eras para escolher uma roupa. Eu tenho a impressão de vestir a mesma roupa sempre, minha mãe e amigas dizem que é implicância. Nota-se que ninguém nunca abriu meu guarda-roupa.
Optei por qualquer coisa. Peguei meus óculos de sol, meu celular (porque eu sou pop e ele toca demais!), dei um beijo na mamãe e saí. Livre, leve, solta, gorda e atrapalhada. Eu posso ser beeeem preguiçosa e beeeem sedentária, mas saiba você, que eu adoro caminhar. É, na época que eu morei no litoral, eu caminhava sempre na praia. É bom. Tipo, ver o mar. É... bom!
O sol apareceu, e até que enfim o cara da TV acertou! Tava uma temperatura agradável. Solzinho gostoso. Ai, ai. Cheguei à casa de depois de andar uns 20 minutos e toquei a campainha. Todos os meus amigos moram em casas, menos eu. Mais um item para minha lista de frustrações!
AH, minha música! Eu acho que a solução vai ser subornar o para escrever alguma coisa para mim. Mas eu não tenho dinheiro. E agora, Zé?!
A porta abriu e foi a mãe da quem me recebeu. Dei um abraço nela e fui até o jardim que tinha atrás da casa, onde ela disse que meus docinhos estavam. Quando eu me sentei no balanço que tinha lá, a campainha tocou novamente e , e apareceram. Como uma boyband. Mentira, eles era muito relaxados para fazerem parte de uma boyband.
Mas eu gosto de calças caídas. E de boxers aparecendo. E você não precisaria saber disso.
veio correndo até mim e empurrou o balanço. Eu imitei uma expressão apaixonada e ele um sorriso bobo. Pulei do balanço (sou praticamente uma Jackie Chan, hoho!) e corri atrás do , pulando em suas costas. Coitadinho, eu sou uma bola de açúcar pesada. Acredite se quiser.
De longe, nos olhou com uma expressão boba. Ela tem todo um jeitinho de menininha romântica e isso é... lindo! Oks, amo mel. E sua vozinha mole, derretida, soou aos nossos ouvidos:
- Vocês ficam LINDOS juntos. Own! – por seus olhos passaram um brilho estranho e eu tive a leve sensação de que ela iria armar algo, mas deixei pra lá. era quase inofensiva. Repito... QUASE!
Olhei para , ele olhou para mim. Nós nos olhamos e rimos. É, pois é. O que você quer que a gente faça numa hora dessas? Se beije apaixonadamente e a partir daí começa uma história proibida de amor e viramos Romeu e Julieta do século XXI. Hãm, oi?
- OOOOH, ROMEU! – abracei e ele riu, me abraçando de volta. Eu tenho necessidade de compartilhar meus momentos de reflexão.
- JULIETAAAA! – ele me colocou de novo nas costas e saiu correndo.
- ROMEEEEU!
- JULIETAAAA!
- ROMEEERDAODEGRAU! – o meu corpo voou longe e o de permaneceu no lugar. Odeio tropeçar, adoro quando os outros tropeçam, menos quando eu estou nas costas desse “outro”.
Eu caí na grama e não me machuquei porque eu ainda sou praticamente uma Jackie Chan. Por outro lado, coitadinho... Morreu! Ele tava todo contorcido no chão e eles rindo. E eu ali, olhando pra ele com cara de panaca. E ele gritando no chão. E eu fui tentar ajudar ele. Porém, lembre-se sempre de algo: eu e não servimos para nada.
Cheguei bem perto dele e disse:
- ... escreve uma música pra mim?
Capítulo Três
O tempo fechou do nada e meu querido sol foi embora. Meu ânimo murchou um pouco. Meu humor depende do clima. É, fazer o que.
- Eu to com fome. – informou.
- E, me responde, quando você não tem fome? – indagou, super delicado.
- Logo depois que eu como! – fez cara de esperto e foi inevitável não rir. Ele é um idiota. Como eu.
- Então você sempre come bem? – deu um risinho malicioso, cheio de segundas intenções.
- Sempre! – concordou.
- Ih, ... Se cuida que depois do casamento não vai ser a mesma coisa.
- Casamento? Onde? Hã, hã. Você disse alguma coisa, ?
- Claro que não é a mesma coisa. As pessoas ficam GORDAS depois que casam e alguns não sabem o porquê. Mas eu sei! Falta de exercício. Se é que me entendem... – soltou uma gargalhada e deu um tapa na cabeça de .
- Nem sempre. Às vezes as pessoas são de comer bem, como nosso amigo aqui. – Apontei para . Ouvi alguns resmungos de concordância.
- Por isso eu não vou me casar! – concluiu, com sucesso, a sua teoria.
- Não até você achar a sua Julieta, digo... Até não olhar para ela com outros olhos. – Pelo canto do olho vi me lançar um sorrisinho e eu fiz de conta que não ouvi o que ela falou. O ataque dela começou e eu me senti uma donzela indefesa, oh!
- EU TO FRUSTRADA! – gritei de repente, fazendo a atenção desviar daquele assunto.
- Novidaaaade! – fez uma cara de tédio e eu tive vontade de socá-la. Mentira, eu tive vontade de morder ela, porque ela nunca me deixa morder suas bochechas super... mordíveis! Eu sou uma alienígena canibal, ui pega eu!
- Não é bem assim, ta? Eu sou incompreendida. Nem meus amigos me dão atenção.
- Não, . Isso é falta de comer bem. – Lancei um olhar feio para que riu e levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. Se renda a mim, !
- O que você insinuou, ? Que a é mal comida ou que ela é um traveco? – Grande ajuda, !
- Traveco. Sempre desconfiei da voz. Parece... afetada!
Eu escondi minha cabeça em uma almofada que estava jogada por lá e abafei minha risada.
- Ui, Julieto! – me abraçou de lado. Bichinha!
- VIADIIINHO! – gritou e riu escandalosamente em seguida.
- Eu e o formamos um casal legal. – Eu ergui minha cabeça e continuei. – Talvez eu seja um gay preso num corpo de uma mulher, sei lá.
- É uma boa teoria. – concordou debilmente.
- Ou talvez o seja um viadiiiinho que goste do Julieto. Sabe, Romerda e Julieto! Soa legal. Eu gosto. – Ai, explodi de novo!
Resolvemos pedir comida chinesa e passamos a noite por lá mesmo. Estava chovendo demais para sair na rua, eu poderia desmanchar. As piadinhas ainda rodavam em torno de mim e do , nada que não levássemos na brincadeira. Tudo passou tão rápido e tão agradável que quando vimos já estava amanhecendo. Fomos até o telhado de e de lá dividimos a bela vista do sol nascente.
Nos deitamos lá e apreciamos a imagem. Deitei entre e e nós três nos abraçamos. Foi muito Friends. E eu gostei disso. Eu me sentia protegida ao lado deles. Eles eram meu porto seguro.
Eu juro que é a vista mais bonita do mundo. E aquele era o momento mais perfeito do mundo. Eu, meus amigos, o sol nascendo. Isso queria dizer que sempre haverá um outro dia e que nunca será igual ao outro, mas as pessoas que você ama e que te amam igualmente estarão sempre do seu lado. Dia após dia.
Ai, filosofei.
Capítulo Quatro
Levantei minha cabeça e olhei ao meu redor, com os olhos um pouco fechados ainda. A claridade que vinha da janela machucava meus olhos indefesos. O Sol é cruel demais com a gente. Ele queima nossa pele, machuca nossos olhos e nos faz suar feito porca no cio. Nojento, urgh!
Por isso eu gosto do outono. É tão... AH! Você não precisa parecer um pingüim cheio de roupas e casacos e não precisa congelar na neve. Você não precisa ficar derretendo no calor infernal do verão. Mesmo que aqui seja sempre frio, mas eu já morei em lugares quentes, então eu entendo dessas coisas. E por último e mais importante, você não precisa espirrar horrores quando as benditas florzinhas aparecem na primavera.
É, eu começo com isso logo cedo, se você não percebeu.
Olhei para o meu lado esquerdo e vi indo em direção à cozinha, falando no celular. Ele parecia animado e aquilo me deixou feliz. Fiquei em pé, devagar, e fui até o banheiro, ter mais um momento humano.
Depois do meu momento de fraqueza, eu fui obrigada a ir até a cozinha comer algo, já que eu tenho uma solitária na barriga, a qual minha mãe diz que é acompanhada. Agora vocês entendem a quem eu puxei o meu lado tosco. Sem querer ofender, mãezinha.
Cheguei à cozinha e me sentei, esperando alguém me notar. Eles me odeiam e me ignoram. Certo, só tinha o que ainda falava no telefone e o que estava de costas pra mim, preparando um café ou algo assim.
O cheiro estava bom e minha barriga roncou alto – vamos destacar que eu odeio isso e, além de tudo, é constrangedor. se virou para mim, prendendo o riso e ofereceu a xícara.
- Aceito. Por favor! – eu devo ter feito uma careta engraçada, porque a minha barriga roncou de novo e droga!
preparou um café igual ao dele para mim e a gente foi até a outra sala, onde a mesa estava cheia de comidas apetitosas. Meu olho deve ter brilhado e meu estômago deve estar bem feliz agora.
Pouco a pouco eles foram acordando e se juntando a nós no nosso super café da manhã. Descansei minha xícara na mesa e me virei para :
- O que o tanto fala no celular? E com quem?
- Com um cara de um pub. – Bêbado! – Acho que ele está tentando marcar um show, sei lá.
Eu e as meninas abrimos sorrisos imensos, mas eles pareciam tão abatidos, talvez pelo fato que nunca dê certo. Eles são tão bons, merecem uma chance! Que cu.
- Dessa vez vai dar certo! – Garanti, olhando para o rosto de cada um.
- , impressão minha ou você ta mais... normal hoje? – perguntou, divertida.
- Eu acordei de mal com o Sol. – Olhei pela janela e vi que o tempo estava nublado, ainda - Ou com a claridade, tanto faz.
- Por que? – todos aqueles olhares divertidos me deixavam envergonhada.
- Acho que vou fazer uma campanha... – Disse quando desligou o celular. – Tipo, Diz que Sim.
- Diz que sim, diz que sim, diz que sim, disque sim! Gostei. Seria algo relacionado à...?
- Dizer que sim. Por exeeemplo... Eu chego para o e pergunto ‘E aí, quer participar da campanha diz que sim?’ ‘Claro que quero! Como funciona?’ – imitei a voz de , mentira, eu só tentei imitar – ‘É só dizer que sim pra tudo que eu perguntar!’ ‘Ah, claro. Vamos lá.’ ‘Escreve uma música para mim?’ ‘SIM!’. – finalizei minha explicação sob olhares incrédulos.
- Ainda isso, ? – perguntou, numa voz cansada.
- Tanto faz. – me levantei e fui até – E aí?
- Conseguimos! – ele deu um pulo enquanto falava e eu gritei, pulando em seu pescoço. Nos abraçamos e ficamos pulando que nem dois macacos. gosta de macacos. E daí? – Todos os sábados, num pub perto da sua casa, . – dei mais um grito. Eles não poderiam ter encontrado lugar melhor para começar seus shows. Eu estava mais que feliz pelas minhas crianças!
Isso quer dizer que hoje seria um dia para comemorações.
Capítulo Cinco
Senti meu celular vibrar (ui, vibrou!), gritei um tchau e saí porta afora, esperando o elevador chegar! Desci e o carro de já estava estacionado na frente do meu prédio. Entrei e dei um oi geral. Estávamos indo para algum lugar comemorar os próximos sábados que os meninos iriam tocar no tal pub.
Descemos do carro e entramos. O lugar estava cheio e eu senti uma onda de calor. Calor humano, quero dizer. O cheiro de cigarro e bebida invadia o lugar e algum tipo de música que não agradava muito os meus ouvidos tocava. e correram para a pista de dança, levando e com elas.
deu uma olhada estranha para os amigos e a gente foi encontrar uma mesa. Pedimos bebidas e ficamos jogando qualquer tipo de conversa fora.
Do nada, sentou do meu lado com uma aparência acabada. Apontou discretamente para o bar e me deu as cordenadas:
- À direita do cara de camisa estranha. Bebendo uma cerveja. Com uma camisa branca, olhando pra cá...
- Bonito. – concordei. Ela me olhou, esperando que eu falasse mais alguma coisa – Vai fundo, amiga. Eu aprovo.
No mesmo instante que ela levantou, chegou na mesa e fez cara feia. Eu ri. era super protetor demais.
- Não estraga, ! – falou na cara dele, que logo deixou para lá.
O tempo passava e nossa mesa ficava cada vez mais cheia de garrafas vazias e de risadas escandalosas. A música tocava alto demais e abafava qualquer grito que provasse que estávamos realmente bêbados.
Eu estava um pouco tonta já, não bêbada, só um pouco mais alegre que o normal. Continuava falando normal e entendendo tudo que me diziam. É bom ser uma pessoa forte para bebidas. Porque olha por esse lado, a já está doidona e por uma ajuda não sei de onde, Britney Spears começou a tocar.
Logo identifiquei a música como Break the Ice e rezei para que nada de muito insano acontecesse. Sabe, a é meio empolgada e, com certeza, ela seguiria os passos de várias pessoas que estavam dançando em cima das mesas já.
Dito e feito. Segundos depois ela ficou em pé na cadeira, para após subir na mesa, com um pouco de dificuldade. Soltei uma risada e junto com , levantei batendo palmas e assoviando. Ela se abaixou na minha altura e me estendeu a mão. Demorei um tanto para sacar que queria que eu tivesse um acesso e subisse na mesa com ela.
Olhei para e , que estavam na minha frente, com uma expressão assustada. Eles me lançaram sorrisos safados e disseram para eu ir em frente. Balancei a cabeça, negando e sussurrou algo como ‘permita-se!’.
Dei a mão para e ela me puxou, cambaleando total e rindo sem motivo. Deixei me levar pela música e algum tempo depois eu parecia extremamente bêbada cantando com .
- Let me break the ice, allow me to get you right… - cantei e passei o microfone imaginário para ela.
- But you warm up to me. Baby, I can make you feel… - cantou.
- Hot, hot, hot! – cantamos juntas e logo caímos na risada mais uma vez, e finalmente descemos da mesa.
- , arrasamos! – ela me disse, molenga. Abracei-a de lado e a fiz sentar na cadeira, após mandar ir buscar uma água para nós. Acho que chega de bebida por hoje.
Passei os olhos pela boate e parei no bar, onde fazia uma cara entediada e tinha o rosto virado para o lado oposto onde o cara bonitinho estava sentado; ele falava sem parar. Ela percebeu que eu estava olhando e fez sinal para eu ir até lá. Balancei a cabeça negativamente e seu olhar de desespero me deu uma peninha, então chutei o por baixo da mesa e me aproximei dele para falar:
- precisa de ajuda, vai lá e finge que é namorado dela, sei lá.
se aproximou dos dois e logo o cara saiu correndo e pedindo mil desculpas. Eles voltaram para a mesa e fez sinal de jóinha para mim. Acenei com a cabeça e deixei minha cabeça pender para trás.
Combinamos de passar mais uma noite na casa da . Os pais dela foram viajar para uma cidadezinha ali por perto por três dias e não seria muito bom chegar no estado que estávamos em casa. No mínimo minha mãe iria me deixar de castigo, um bom tempo.
Aquela noite havia sido boa, mas eu não poderia imaginar a manhã seguinte.
- , amorzinho... Acorda. – Reconheci a voz como sendo a de . Era apenas um sussurro, mas para mim parecia muito mais alto. Uma forte pontada atingiu minha cabeça e meus olhos doíam até de abrir.
- , fala baixo. – Sussurrei para ele e me encolhi. Ele deitou do meu lado e passou a mão de leve pelos meus cabelos. Suspirei e consegui finamente abrir os olhos e implorar – Eu preciso de uma aspirina.
Ele sorriu e me estendeu um copo de água e um comprimido. Eu engoli aquilo de uma vez e ele me ajudou a levantar. Fui até a sala onde todo mundo estava reunido, com olheiras e caras amassadas – é uma boa arma para usar contra os amigos, ahá!
se sentou na poltrona e eu caí com tudo em cima dele. Ele me puxou mais para perto e aquela poltrona nunca pareceu tão confortável. Ele cheira bem, só pra constar.
- Pensou na minha proposta? – Ele concordou com a cabeça e a pontinha de esperança apareceu de novo em mim.
- Desculpa, , mas eu não sou o melhor compositor do mundo. Quem sabe um dia... – Tudo bem, eu já esperava aquilo. Deixei aquela conversa de lado e prestei atenção naquele programa fútil que passava sobre as celebridades na tv.
Katie Holmes me assusta. Ela tem um rosto de bolacha e me assusta muito, muito mesmo. Além que ela se veste mal e tudo mais. Enfim, não posso falar nada porque o Tomzinho é gamado nela. De dar dó, diz aí, mas gosto é gosto.
me deu uma cutucada e eu parei de olhar a Katie e suas roupas lindérrimas com cara de bunda, para olhar para ele e aqueles olhos azuis, ai que inveja.
- Casa comigo? – ele perguntou na mesma voz sussurrada de quando foi me acordar. Olhei engraçado pro rosto dele e sua expressão era séria. Me assustei com aquilo e desviei meu olhar para a televisão, fazendo sinal de discordância.
Não é legal brincar com os sentimentos de uma garota, por mais que o sentimento que ela nutra por você seja amizade. Garotas fantasiam muito fácil.
- Ah, amoooor. Casa comigo, vai? – neguei mais uma vez e me abraçou mais apertado – “Don't sell your heart, don't say we're not meant to be. Run, baby, run! Forever will be… you and me”.
Virei meu rosto e olhei em seus olhos. Que merda foi aquela?
- Que música é essa?
- Não sei. Inventei isso agora! – Ele riu. – Depois eu te explico tudo isso, ta?
Concordei e me encostei nele, voltando a criticar a roupa daquelas celebridades nojentas. deu um sorrisinho malicioso minha direção, mandei o dedo com toda minha educação e bom humor, em troca. Eu sabia que tinha dedo nela naquele papo de casamento.
Capítulo Seis
- Então foi isso. – Ele finalizou aquela explicação ridícula, naturalmente. – Ta tudo bem entre a gente, né? – Sorri falsamente e concordei.
O que mais você quer que eu faça? O cara me dá esperanças e depois joga na cara que tipo, foi coisa da . Que enfiem no cu o tal do desafio. Não que eu esteja com raiva deles, eu só to cheia dessas coisas idiotas. Cheia de ser sempre o alvo dessas coisas idiotas, principalmente.
Dei um beijo no rosto de e me levantei. Fui até a sala, peguei minha bolsa e joguei um beijo no ar pra todo mundo. Saí sem dar explicações e foi realmente satisfatório ver a cara de bunda deles, quando me virei e fechei a porta.
Certo, talvez eu esteja com um pouco de raiva.
Desci aqueles degraus bonitinhos da casa da e segui rua afora. Essa cidade anda com um ar muito poluído. Talvez eu deva continuar com a minha campanha ‘Diz que sim’ ou ‘Disque sim’ mas com fins lucrativos. Sabe, pra salvar o mundo, já que agora é moda - ‘Uhu, diga não ao aquecimento global. Diga sim ao mundo!’ ou, sei lá, ‘Ursos polares irão morrer se você não discar sim’. Eu posso fazer até camisetas sobre o assunto. E isso seria o suficiente para eu fugir para Dubai e viver a vida que eu mereço. Mentira, não mereço nada disso. Eu acho.
Balancei minha cabeça e continuei meu caminho tentando bolar uma explicação por eu ser tão retardada. Eu poderia ter o maior dos problemas na minha mão e com certeza eu pensaria por que melancia tem uma cor tão bonita.
Falando em problemas, minhas férias estão acabando. Não gostei.
Quando dei por mim, já estava abrindo a porta de casa e gritando por alguém. Não entendi como eu entrei no elevador e tudo mais sem perceber. Hã. Ninguém? Que bom, vou dormir então.
diz que meu esporte favorito é o sedentarismo, não que eu não concorde com ele, mas ele deve olhar pra própria bunda antes de falar da minha. Direitos iguais. Se é assim, eu posso olhar pra bunda dele também? Agradeço nessas horas por ter uma bunda gostosa.
Sem papo de bundas, obrigada. Eu estou falando muito essa palavra hoje, e eu sou uma moça de família. Não falo essas coisas. AAAAAAAAAH, jura!
Fui até meu quarto, larguei minha bolsa em cima da minha cadeira e coloquei um shorts e uma blusa enorme. E quando eu digo enorme, é enorme mesmo! Era do , mas eu roubei dele logo na primeira semana que ele comprou. Roubei não, ele que esqueceu ali em casa e eu só fiz o favor de não devolver. Ela fica bem melhor em mim do que nele, pronto falei.
Me arrastei até a sala e deitei no sofá, ligando a televisão em seguida. Se eu quiser fazer parte da modinha salve o mundo eu vou ter que ir morar na selva, longe de toda tecnologia que me cerca. Tchau TV, foi ótimo te conhecer.
Ahaaaaam, que eu vou abandonar minha televisão pra salvar o mundo. Que se foda. Tem tanta gente fazendo isso já. Passei os canais, entediada. Odeio não encontrar nada que preste. Me sentei no sofá e a minha única opção era comer. E ficar tão gorda quanto o cara que faz os comentários no noticiário. Seria tão broxa. Eu poderia chorar mais de três oceanos se isso acontecesse.
Porém, todavia, entretanto, como eu não gosto de oceanos – eu os acho uns malditos. É muita água num lugar só. Sem contar que quem deu o nome pro nosso planeta deveria odiar também porque, alô! Mais água que terra. Por que planeta Terra então? Faça-me o favor! – eu não vou chorar nada. Porque eu não vou ficar gorda, mesmo sendo uma sedentária que come mais que um americano obeso, bom... Eu faço sauna. É, para suar todas as calorias que eu absorvo por dia.
Tudo bem que não é nada legal soar como um animal fugindo do caçador, mas eu tenho culpa? Tenho, mas isso a gente abstrai.
O telefone começou a tocar alucinadamente e eu tive uma preguiça enorme de deixar meu sanduíche iche de lado para atendê-lo. Eu odeio atender telefone. Caiu na secretaria eletrônica e a voz das minhas amigas invadiu toda a sala.
‘, atende essa merda! Eu sei que você está aí’ – .
‘Virou vidente?’ – debochou dela e eu ri com aquilo.
‘! A gente precisa falar com você’ – .
‘Sobre algo muito importante que nos foi confessado agora’. – de novo, com aquela voz empolgada.
‘O que foi confessado?’ Ouvi uma voz masculina e não consegui reconhecer em meio a tantos murmúrios.
‘Antende logo, vai dar o bip!’ A confusão de vozes não me permitia definir mais quem falava o que.
‘É sobre o !’ falou bem perto e eu franzi a testa, arqueando as sobrancelhas.
- Ele se assumiu gay? – Peguei o telefone do gancho e as vozes aumentaram dez vezes mais. Como eles fazem isso?!
- De certa forma. Mas só se você for um homem. – filosofou e eu gargalhei. Eu não tinha motivos o suficiente para ficar brava com eles.
- O que eu tenho a ver com a história? E quem te garante que eu não sou um homem?
- Ninguém me garante nada. Eu sempre suspeitei dela! – gritou.
- É bom suspeitar! – Engrossei minha voz e logo ela voltou ao normal. – Mas que porra eu tenho a ver com o ter virado mais ou menos gay, ?
- Gay merda nenhuma! – disse do outro lado e eu concluí que ele não estava presente até o momento.
- , negócio é o seguinte... – foi falando e sua voz foi sumindo. Fiquei preocupada, de alguma forma. – PÁRA DE ME AMEAÇAR, VIADJINHO!
- Eu confiei em você, ! Em todos vocês. – Menos em mim. Isso machucou e foi frustrante. A voz do também parecia longe.
- E por que você não acaba logo com isso e conta logo pra ela? – se intrometeu.
- Porque eu quero contar, quando eu estiver preparado. – GAAAAY!
- Querem me explicar o que ta acontecendo? – Eu fui perdendo a paciência. Isso é raro de acontecer (exclua ataques de raiva quando me acordam cedo).
- Desculpa por isso, mas um dia eu vou te explicar tudo. Espero... – e a última coisa que eu ouvi foi o tututu irritante. Preciso ensinar meus amigos a darem tchau.
Será que era tão difícil assim me contar alguma coisa? Será que eu não tinha dado provas suficientes para cada um deles que eu era mais confiável que uma pedra? Mas que bela bosta!
Voltei ao meu sanduíche iche e o devorei em segundos. Eu estava ansiosa demais e não ia descontar isso nas minhas unhas. Prefiro morrer fazendo sauna depois do que minhas unhas roídas mais uma vez.
Inspirei lentamente e aquilo ficou martelando na minha cabeça. Odeio ser curiosa. Sério.
Capítulo Sete
- OI GATZ! – pulou nas minhas costas enquanto eu olhava a vitrine da loja de cds. Cambaleei um pouco, rindo que nem uma idiota.
- Passa seu telefone, pra eu te ligar mais tarde? Você cheira bem. – tentei uma técnica falida de sedução barata com a minha amiga. Decadente.
- Só porque você me cativou. – ela piscou e me deu um tapa na nuca.
Abracei de lado e fomos até onde , e estavam sentados. Eles chegaram cedo. Principalmente o . Ele é tipo, mais demorado que mulher. Tudo bicha.
Joguei minha bolsa no banco e sentei no braço do banco. – ter amigos preguiçosos e super gentis dá nisso. Você tem que sentar lá ou ficar de pé, já que a pança de cerveja deles não os permite levantar para dar lugar a você. – passou o braço por cima dos meus ombros e me deu um beijo na bochecha.
- Que filme a gente vai assistir? – Meus olhos brilharam a pergunta de . Eu amo filmes, amo cinema, amo pipoca. Enfim...
- Romance! – juntou suas mãos e fez uma expressão sonhadora. Aquela ali era uma romântica incurável. Sorri para ela e concordei, recebendo um olhar desaprovador dos dois idiotas.
- Vocês nunca estão satisfeitos com nada. Deveriam ser mais sensíveis e... Não quer dizer que vocês são viados só porque choram vendo um filme. Isso é coisa do século passado. Saibam que mulheres gostam de homens sensíveis e carinhosos e românticos... – começou seu discurso interminável.
Apoiei meu queixo no topo da cabeça de e fiquei vendo o movimento dali. Eu acho que já decorei todas as lojas daquele shopping. Era tão legal e tão sem graça, ao mesmo tempo, na minha visão.
Vi um borrão acenando para mim de longe. Sou míope, ae! É sério. Não é pra dar risada, que merda. Ninguém nunca me leva a sério quando eu falo isso. E ainda riem de mim, só porque eu não uso meu óculos de grau e blábláblá!
Cutuquei e apontei discretamente para o ponto que ainda acenava e vinha na nossa direção.
- Quem é?
- Adivinha! Você tem... cinco segundos. – eu ri e ele começou a contagem. – Um... Do-
- É o ! – ele me olhou descrente e eu sorri. – Eu conheço a risada dele de longe, me liga.
chegou com em seus calcanhares e ela era tão baixinha perto dele! Todas nós éramos baixinhas perto deles. Ingleses altos de merda.
- Vamos? – se levantou e foi seguindo em direção ao cinema. Olhei assustada para os lados, procurando algum sinal do .
- E o meio gay?
- Não vem. Ta fazendo cu doce, pra ser mais sincero. Inventou qualquer desculpa para não vir, mas não me pergunte o motivo. – Concordei e fomos até lá decidir um filme.
Aquela história do fugindo me aborreceu e me deixou mais encucada que o normal. Ou ele estava realmente ocupado, ou estava fugindo de alguma coisa. Ele não perde um filme por nada. Nada mesmo!
Exceto por uma garota. E tudo isso começou a fazer sentido. Posso ser detetive já.
Convencemos os garotos a assistirem um filme bonitinho. Era uma comédia romântica – mais comédia que qualquer outra coisa - com a Jessica Alba. Tenho certeza que foi por isso, mesmo a se gabando porque achava que tinha sido o seu discurso de mais cedo que havia mudado a mente deles. Coitadinha.
Meus olhos passeavam pela praça de alimentação, depois que todo mundo riu litros com aquele filme e salvem os pingüins! Eu estava entupida de pipoca. Se duvidasse, poderia sair até pelas minhas orelhas. Não, brincadeira.
Enquanto aqueles retardados os quais eu chamo de amigos devoravam seus lanches, eu tomava minha água com gás, porque eu sou saudável e porque eu não vou ter que fazer sauna essa semana se tomar mais água que comer. Certo, não é por isso. É só porque... eu estava sem fome?
Um ponto me chamou atenção. Uma loja, na verdade. Forcei minha visão e avistei uma bolsa linda. ADORO meu lado fútil aflorado. Dei um gritinho e apontei para a bolsa, com uma mão cobrindo a minha boca.
revirou os olhos e eu dei um tapa na cabeça dele. Puxei que havia terminado de comer e fui ver o meu chuchuzinho de perto. Resolvi não comprar, sabe? Meu tempo (dinheiro) é muito precioso para gastar com bobagens (totalmente úteis).
Suspirei derrotada e voltei para a mesa.
- Alguém participa da minha fossa comigo? – Eu ri da minha própria desgraça e me larguei na cadeira. Ainda bem que eu não uso muito saia, eu juro que não sei sentar direito.
- Tudo isso por uma bolsa? – me deu um olhar desaprovador.
Eu neguei e abaixei a cabeça. Ninguém entendeu nada, eu senti na atmosfera, saca? Sou ninja.
- Pára de se fazer! – chutou a minha canela e eu dei a língua pra ela.
Ficamos jogando conversa fora por um bom tempo. Aquela tarde ocupou minha cabeça, logo eu não roí minhas unhas, nem comi que nem uma porca.
É um avanço, não é?
Capítulo Oito
Eu devo ter passado uma semana sem ter um sinal de fumaça sequer do meio Gay. , que é vizinha dele, me disse que estava tudo bem e que ele estava ocupado com a mãe dele. Já comentei o quanto legal a Sra. é?
Tanto faz. Eu continuava preocupada, da mesma forma. É tipo aquilo ‘só creio, vendo’ e isso não pode ser considerado, sei lá... alguma coisa que com certeza você está pensando. É só que eu sinto que está me evitando. De todas as formas possíveis. E se ele queria me evitar, eu não ia correr atrás para resgatar a amizade de uma pessoa que não manda nem sinal de fumaça. Corrigindo, eu nadaria todos os oceanos para isso, mas é que eu estava, sei lá. Danificada mentalmente no momento e meu sexto sentido está falhando.
A bonitinha da Taylor Swift começou a cantar uma musiquinha mais bonitinha ainda no meu iPod e eu sorri com aquela música. É tão... doce? Não sei. Eu gosto disso. Taylor Swift canta para o Cory. Ela diz que os olhos dele são como a selva. Os meus também são, não são?
Acho que vou ter que pagar os meninos para fazer a minha música. Logo! Sabe, com o dinheiro que eu não comprei a bolsa. É, pois é. Estou começando a ficar paranóica, neurótica e tudo que se encaixa nisso.
Acceptance começou a cantar sua música, me xingando de mentirosa. Eu ri dos meus próprios pensamentos. Ainda não descobri o motivo, nem a cura para a minha deficiência, ou pro meu retardo mental.
Fui até a cozinha e minha mãe, que estava na sala, me chamou para ir até lá. Pausei a música e olhei para baixo, a fim de encontrar os olhos dela. Minha mãe disse que precisávamos conversar e me passou um grande sermão sobre ‘você não fica mais em casa!’.
Suspirei fundo e tomei coragem para falar aquilo:
- Oh, eu não sabia que a culpa é minha se vocês não podem aquietar o rabo no sofá um pouco. Tudo bem que vocês trabalham para sustentar essa casa, mas nem nos finais de semana vocês ficam em casa. Esperam o que? Que eu fiquei aqui sozinha ao invés de procurar conforto com os meus amigos? – Belos pensamentos.
Minha mãe me olhou atônita. Eu acho que falei demais para os meus pais. Eles não eram pais ruins, nem de longe. Porém era um tanto quanto ausentes e estressados.
- Desculpa por isso. – gesticulei enquanto sustentava o olhar da minha mãe. Virei as costas e voltei para o meu quarto. Eu me sentia mais leve, até ouvir algo que me fez murchar na hora.
- Está de castigo. Pode esquecer o showzinho dos seus amiguinhos. – Meu pai gritou, com um tom irônico e desprezível. Acho que aprendi a ser assim com ele. Enfiei a cabeça no travesseiro, para abafar meu grito. Cerrei os olhos quando o meu celular tocou. Ele anda com vida própria, ultimamente. Pra quem nunca tocava, ele está fazendo a festa.
- Disque 1: Se você ligou para me dar uma má notícia. Disque 2: se for um complemento da primeira alternativa e desligue na minha cara. Disque 3: se você for o e resolveu aparecer. Disque 4: se você quiser parar de me ouvir falar. Alô, na linha.
- A cada dia eu me convenço mais que você é uma alienígena! – Uma risada gostosa invadiu meus ouvidos – Eu vou discar um, três e quatro, pode?
- Não, . Só três e quatro. Ou melhor, não disca nada e fala logo.
- Educação disse um ‘alo gatinha’ pra você, . – eu bufei e pedi desculpas, baixinho. – Então, eu não sou o , mas ele está aqui e nós finalmente estamos fazendo algo que preste. Quer ver o ensaio?
- Nem rola. – porque eu sou quadrada, há! – Estou de castigo. – Ouvi ele repassar a informação e em seguida que assumiu o controle do navio. Hã.
- POR QUEEEEEE?
- Desrespeito. Eu acho. Isso que eu só falei que meus pais nunca estavam em casa e que, grande merda, eu vou procurar carinhos dos braços dos meus amiguinhos. Tipo, tchau show! – Minha voz demonstrava todo o meu tédio por aquela situação ridícula!
- Mas , você teeeem que ir, saca? Você é o tijolinho que faltava na minha construção. – Eu abri um sorriso imenso ao ouvir a voz do gritando isso ao fundo.
- MEIO GAAAAAY! – ele riu e logo retomou o assunto, mas eu ainda ouvi um ‘, CASA COMIGO!’ ao fundo.
- A gente vai dar um jeito nisso, amor. Não se preocupa. Você vai nesse show, nem que depois disso, nós tenhamos que fugir com você para a Argentina.
- Faça isso, por favor! – eu disse numa voz meio risonha, meio chorosa.
Ela, com certeza, percebeu e soltou:
- A gente te ama e não se mate até sábado, tchau meu docinho de maracujá!
- Pode deixar. – ri levemente - Beijo, amo vocês, tchau.
Aquilo parecia mais difícil do que era. Era o show mais importante da vida dos meus bebês que estavam começando a evoluir musicalmente – ainda sem terem escrito uma música para mim – e eu perderia. Eu sou tosca. E eu falo demais sempre nas horas mais erradas. Gol contra, sua tosca!
Capítulo Nove
Quinta-feira amanheceu ensolarada e meu humor, pela primeira vez no ano, estava bem ao contrário disso. Olhei no relógio e já se passava do meio dia. Ótimo, ninguém havia me chamado para o almoço. Se é que alguém estivesse em casa. Mas eu não tinha fome e graças a isso, fiquei na cama um bom tempo.
Virei de costas para a janela, com a intenção de bloquear um pouco da intensidade dos raios solares que afogavam meus olhos. E os faziam doer. Analisei a parede onde minha cama estava encostada e suspirei ao ver que aquela cor me enjoava mais que qualquer coisa. Aquele lilás das paredes era tão... normal. E eu o usava há uns dois anos já.
E sim, eu enjôo muito fácil das coisas. Olhei para o mural de fotos, naquela mesma parede e sorri a cada foto que eu mentalizava. Há muito tempo eu não olhava para ele com olhos atenciosos. Na verdade eu tinha dois murais na parede. Minha mãe ficou quase louca quando viu que eu tinha furado a parede mais de uma vez.
Passei os olhos pelo primeiro mural. O menor. Uma foto de nós oito juntos era a mais bonita dali, com certeza. Nós estávamos em uma praia. Foi uma foto espontaneamente forjada, se me entende. Eu ri, me lembrando daquele dia. Foi a primeira vez que e assumiram sua relação homossexual em público. Lindinhos!
A maioria das minhas fotos eram com amigos e familiares. Meu ego não é tão grande a ponto de entupir o meu próprio quarto com as minhas fotos. A foto mais bonita que eu tinha com as meninas foi, realmente, espontânea. Adoro fotos assim! Foi um dia, na piscina da casa do . Eu, totalmente molhada, abraçava , que ainda estava seca. Ela fazia uma cara de nojo e eu ria descaradamente dela, enquanto e tentavam se equilibrar no trampolim que tinha lá. Eu amo aquele trampolim, mas nunca pulei dele. Sabe... Minha coordenação motora não é a melhor e com certeza daria uma boa vídeo-cassetada!
Continuei no meu momento nostalgia até a minha porta ser praticamente arrancada de lá e mais claridade entrar no meu quarto. Minha mãe sorriu ao me ver acordada e disse que o almoço já seria servido.
Olhei para ela, enquanto me levantava e perguntei:
- Será que eu posso comprar uma tinta para pintar essas paredes? Elas estão me irritando! – Minha voz saiu esganiçada e rouca. Nessas horas o poderia desconfiar de mim.
- Que cor você quer?
- VERDÃO! – ela riu e concordou.
- Depois do almoço nós vamos até a loja comprar a tinta, mas você tem que se comprometer em acabar isso ainda hoje. Quero sua ajuda em algumas coisas amanhã. – Fiz sinal positivo para ela. Eu tinha certeza que acabaria aquilo cedo, já que não poderia sair de casa até sei lá quanto, em função do meu castigo. UHUL!
Levantei e fui para o banheiro. Minhas olheiras estavam terríveis, mas eu já havia me acostumado com elas. Joguei água no rosto, escovei meus dentes e apenas amarrei meus cabelos, nem me dando ao trabalho de procurar uma escova na bagunça que estava meu banheiro.
Fui até a cozinha, ainda de pijamas e meus pais sorriram para mim. Dei um bom dia murcho e com voz de sono ainda e fui me sentar à mesa. Me servi da comida que minha mãe fez e comecei a comer aquilo, lentamente. O almoço foi tranqüilo e o som dos talheres batendo no fundo dos pratos e da mulher da TV eram os únicos sons que existiam ali.
Terminei meu almoço e minha mãe me mandou trocar de roupa. Ela tinha uma hora ainda até ter que ir ao trabalho, e nesse meio tempo ela me levaria para comprar a tal da tinta.
Vesti uma calça jeans e uma blusinha mais soltinha, pois fazia calor. Calcei minhas sandálias rasteiras e me dirigi até a porta, esperando que ela aparecesse. Fomos até a loja, compramos uma tinta de um verde limão não muito berrante e eu estava feliz da vida. Tinha até esquecido que não poderia ir no show e tudo mais.
Meu quarto já estava forrado com jornais. Não existia mais nada nas paredes então eu comecei meu trabalho. Coloquei uma máscara, para aquele cheiro não me matar de dor de cabeça e comecei a passar o pincel pela parede.
Ao mesmo tempo em que o verde roubava o lugar do lilás enojante, o sol desaparecia e deixava o meu quarto com uma cor linda de pôr-do-sol. Dei um sorriso de satisfação ao ver minhas paredes completamente verdes. Dei uma última pincelada e deixei o pincel escorregar pelas minhas mãos cansadas. Abri a janela o máximo possível e deixei o ar do verão entrar por elas.
- Espero que vocês sequem até sábado! – falei, literalmente, com as paredes.
Acho que teria que dormir na sala aquela noite. E isso não faria bem para a minha coluna, já que eu sou uma velha presa em um corpo adolescente.
Capítulo Dez
Eu estava de castigo. Por algo que eu nem sei se fiz ou o que. Deu a louca na galera aqui de casa e o negócio é que eu não poderia sair de casa, logo, não poderia ver o show. Meus amigos me garantiram que eu iria assistir aquilo, custe o que custasse.
Esqueci-me da promessa deles conforme o dia ia passando e na minha mente eu ia me conformando que perderia o show mais importante da vida da minha banda preferida, que ainda não tinha escrito uma música para mim.
Bom, eu tinha esquecido de tudo isso até aquele momento.
Eu ouvi barulhos vindos da minha janela. Estava lendo um livro chato para a aula de Literatura. Achei que fosse chuva, mas eram bem menos constantes. Dã, chuva pode ser assim também. Não, não pode. Ignore.
Abri a cortina e vi as luzes de um carro conhecido na rua. Não entendi ainda como meus amigos, mais precisamente , conseguiram acertas pedrinhas na minha janela. Meu celular tocou nesse instante e eu vi segurando o dela também.
- Dá um jeito de descer, . Você não vai perder isso! – fez jóinha e meus olhos encheram de lágrimas. Eu tinha que estar lá com eles.
- Espera, eu vou colocar uma roupa e já desço. – Desliguei o telefone e corri pelo meu quarto. Eu iria dar um jeito de sair daquele lugar.
Eu estava pronta e quase saindo pela minha janela, quando escutei passos.
- Joga logo suas tranças, Rapunzel. – Ouvi gritar lá de baixo e logo após colocar as mãos na boca, como se tivesse feito algo errado. E fez, de fato!
A porta do meu quarto abriu e minha mãe apareceu por ela. Eu juro que tentei evitar que ela visse aquela cena, mas foi furado. Eu estava com uma perna para fora da janela, pronta para sair correndo ao encontro dos meus amigos, quando ela me pega no flagra. Droga, se ela não tivesse visto poderia haver uma chance.
Ouvi gritos e ela me tirou dali. E me sentou na cama. Nessa hora meus amigos já haviam entendido tudo, entraram no carro e foram embora. Não havia mais nada para fazerem ali.
Suspirei derrotada e ouvi minha mãe. Ela sempre foi de conversar ao invés de gritar. Mas ela parecia decepcionada. Logo o papo sobre ‘você quase traiu minha confiança’ me fez desistir daquilo. Deitei na cama ainda com a roupa que eu pretendia ir ao show e deixei as lágrimas escorrerem. Eu sempre conseguia estragar tudo com a minha idiotice extrema.
Enquanto eu quase soluçava e perdia todo o liquido do meu corpo, a chuva começou a cair agressivamente do lado de fora. Enquanto meu choro ia se acalmando, juntamente com o meu coração, a chuva passava e dava lugar a pequenos pingos que caiam e produziam um som consolador e nostálgico. Muito adequado para o momento, eu diria.
O mesmo som de antes, das pedrinhas atingindo a minha janela, me fez levantar e ver o que estava acontecendo. O meu celular apitou, sinal que alguma mensagem tinha sido recebida. O tirei do meu bolso e li “Seu Romeu veio te salvar. Desce logo, Julieta!”.
Meu sorriso aumentou ainda mais ao ver , molhado, me esperando lá em baixo. Balancei a cabeça em negação e fiz uma expressão triste.
- Eu vou até aí se você não descer agora! - Abri um sorriso maior que o anterior e antes de descer escrevi um bilhete pra minha mãe.
‘Desculpa por ter que trair a sua confiança. Eu sei que você vai me perdoar mais tarde, mas eu não me perdoaria se perdesse o show dos meus amigos. O show que eles sofreram tanto para conseguir. Desculpa, mais uma vez, mãe. Eu te amo! E vou dormir na casa de alguma das meninas por hoje, para não gerar conflitos’.
Joguei minhas pernas para fora da janela e as apoiei na marquise que tinha logo abaixo da janela. abriu os braços para mim, esperando que eu acabasse minha difícil e escorregadia jornada até a calçada. Não me peça como eu consegui.
Coloquei meus pés no chão e fui recebida com um abraço apertado. puxou minha mão e me levou em direção ao carro no exato momento que a luz da sacada se acendeu e a sombra da minha mãe se materializou lá.
- TEM UM BILHETE, EM CIMA DA MINHA CAMA!
Entrei no carro e saiu cantando pneus. Ri divertida, nem acreditando que tudo aquilo estava acontecendo. Virei minha cabeça para e ele sorria da mesma forma que eu.
- Obrigada. – sussurrei e dei um beijo em sua bochecha. – Eu nem sei como agradecer.
- Casa comigo logo, Julieta! – sorriu mais ainda e continuou dirigindo em direção ao pub. Eu pude notar as gotículas de água escorrendo do seu cabelo para seu rosto e aquilo era totalmente apaixonante. Ou sei lá. Nessas horas eu desejo ser uma gotinha.
Ele estacionou o carro e desceu, abrindo a porta para mim. Oh, que menino gentil.
segurou minha mão e entramos correndo no pub. Estava cheio e faltavam dez minutos para eles se apresentarem. me guiou até a mesa onde todos estavam. As meninas me abraçaram, os meninos tinham seus olhos brilhantes. Eu me senti a pessoa mais importante do mundo. Eu me senti amada.
trouxe toalhas para nos secarmos e todos nós ficamos por ali até o carinha engraçado anunciar a banda. Abracei cada um deles, desejando uma boa sorte. Eles subiram no palco e não poderiam ter feito mais bonito.
Meu orgulho inflou e toda vez que eu ouvia alguma menininha assanhada gritar algo como ‘LINDOOOS!’ eu fechava a cara, mas não por muito tempo. Meus meninos estavam arrasando em cima daquele palco e eu estava ali, presenciando tudo. Graças ao .
Talvez seja hora de se render aos encantos de Romeu e aceitar seu pedido de casamento.
Capítulo Onze
A apresentação não poderia ter sido melhor e nossa empolgação mostrava isso. Eu, e resolvemos nos agregar na casa de , pelo menos por essa noite. Já era tarde (mentira, era cedo mesmo!), porém o sono não conseguia passar perto da gente.
As meninas gritaram, enquanto eu permanecia sorrindo boba, sentada na cama de . Ela era bem confortável, por sinal. Elas se jogaram em cima de mim e eu sorri mais ainda! Como pode? Instantes atrás eu estava me derramando em lágrimas e agora, puff! Tudo estava como deveria estar.
- Então quer dizer que o dia da nossa Pequena Princesa foi salvo pelo seu Pequeno Príncipe Encantado?
- Yeeep. – Concordei, enquanto se jogava ao meu lado na cama. – Sua gorda, afundou a cama!
- Não desvia o assunto, sua tosca! – apontou para mim, rindo. – Ele gosta de você.
Engasguei com a minha própria saliva quando ouvi aquilo.
- Oi?
- É isso mesmo! é caidinho por você. – balançava a cabeça de forma frenética.
- Não, vocês estão inventando isso. É coisa da cabeça de vocês, e ambas sabem disso! – Isso era confuso.
- Você nunca percebeu o jeito como ele te olha? Como ele te trata bem? Nunca percebeu que é a única que recebe remédio para dor de cabeça, depois de uma festa daquelas? Nunca percebeu que ele continua te pedindo em casamento, mesmo depois que aquela história do desafio foi esclarecida? Nunca percebeu que ele é a pessoa mais carinhosa do mundo com você? – gesticulava muito enquanto falava. – Olha, eu sou vizinha dele desde que eu estava dentro do meu pai ainda, entende? Eu conheço cada reação e cada olhar que o dá.
- E ela afirma que ele gosta de você. E bom, ele também. – fez uma cara convencida e eu arqueei uma sobrancelha pra ela.
- Ele contou para a gente, . – eu arregalei meus olhos e deixei meu queixo cair quando me olhou com aqueles olhos sinceros. – Lembra aquele dia que você foi pra casa mais cedo e tudo mais? Que depois a gente te ligou?
- Lembro sim, - abaixei minha cabeça e pensei comigo o quão lerda eu sou a ponto de não conseguir juntar os fatos. não estava ocupado merda nenhuma, ele estava fugindo do sentimento dele e isso eu saquei só agora. – mas eu não... – minha voz falhou ao tentar continuar aquela frase.
- Eu só quero saber uma coisa, . – me olhou, séria. – Você sente alguma coisa por ele, fora atração e todas essas drogas?
Encarei o teto por um momento, enquanto o quarto se afundava em um silencio assustador. A imagem do rosto de me veio em mente. O sorriso dele era o mais bonito e sincero que eu já havia conhecido.
Senti um cutucão na perna e me deu uma foto, que eu nem sabia que existia. Na foto me abraçava pela cintura e eu ria, apertando de leve o nariz dele. Ele exibia um sorriso. Aquele sorriso que eu mais gostava no mundo. Um sorriso doce e angelical. Observei a foto por mais alguns instantes e senti meus olhos molhados.
Céus, meu estomago estava congelado e eu sentia meu coração pulsar forte. Tão clichê e tão... bom.
Olhei para cada uma delas que estava ali na minha frente e pousei meu olhar em . Ela sorriu para mim, me encorajando a falar. Assenti com a cabeça e algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto. Como eu não havia percebido antes?
me abraçou forte e secava minhas lágrimas, que continuavam caindo sem esforço. Eu estava com medo do que aquilo poderia virar.
- O que, exatamente? – tornou a perguntar e eu abaixei minha cabeça, a escorando no ombro de .
- Eu não faço idéia. O que exatamente é quando seu coração pulsa forte demais e seu estomago congela só de ver uma foto? – Falei, rápido, e minha voz embargada pelo choro era de difícil compreensão.
- Que você está apaixonada ou até algo a mais. – Afundei mais o meu rosto no ombro da minha amiga quando ouvi a resposta. Era o que eu mais temia.
- Eu não sou boa o suficiente pra ele. – Desabafei, abraçando minhas pernas e apoiando meu queixo nos joelhos.
- Se você não serve para ele, que outra garota serviria? – me perguntou, com os olhos arregalados.
- Não sei. Talvez uma garota mais bonita, não tão idiota e... uma garota totalmente diferente de mim! – O que o meio Gay viu em mim?
- Ele escolheu você, . Ele quer você e não uma mais bonita, nem mais nada. Ele quer você, do jeito que você é! – Não evitei um suspiro sonhador com aquelas palavras.
- E o que eu faço com isso, agora? – apontei para o meu coração e suspirou com aquilo.
- Trate-o como ele merece. Faça o melhor pra você e para o seu coração, . E, no momento, se encaixa nisso.
- Mas eu não posso simplesmente chegar e falar: ‘Então, cat... Bagulho é o seguinte, suas amigas traíras me contaram o que você não quis me contar por telefone, nem pessoalmente e sabe, descobri que sinto o mesmo. Que tal se você me pedir em namoro agora?’ AAAAAH, por favor, né?!
- Eu tenho uma idéia genial! – tinha uma expressão metida no rosto e me fez rir – Você vai esperar ele te pedir em casamento... De novo! – sua expressão mudou para o tédio e me fez rir de novo.
- E se ele não pedir? – Fiz minha melhor cara de deboche.
- Eu irei o obrigar. – disse, não cabendo em si de tanto orgulho. Ela e bateram as mãos e eu escondi meu rosto com uma almofada.
- Vamos treinar isso! – me deu um cutucão e eu neguei. Ela arrancou a almofada de mim e me fez levantar.
- Eu sou o ! – se jogou em cima de mim.
- Já comentei que seus dentes são iguais os do ? – observei aquilo por um instante e logo voltei a falar – Acho que sua mãe pulou a cerca, amiga! – Levei um tapa da cabeça e me recompus.
- Certo, a é o . , você é a . – problemática! – Eu sou a madrinha e a vai ser o padre! Todas de acordo? – Ouvi um som de concordância e abaixei a cabeça. Eu não podia acreditar que elas estavam fazendo isso comigo.
pigarreou e começou a falar:
- Estamos aqui reunidos para ver meio gay e quase traveco se aceitarem... Como Gay e Traveco para sempre. – Quase cuspi meu fígado de tanto rir.
- quase traveco Enderle e daqui a pouco , casa comigo? – disse com voz de afetado.
- OH, é claro meio gay ! – pisquei os olhos umas quatro vezes e sorri bobamente para , que me olhava da mesma forma. Parecíamos garotas normais só de longe, falô?
- Eu vos declaro... Um casal bonito, agora some da minha frente!
O quarto explodiu em risadas e me mostrou o que tinha em mãos. Meu queixo deve ter ido parar lá no magma, sabe? Que tem no meio do planeta. Aquilo já foi humilhante demais sem ninguém ver, agora tínhamos aquela bosta gravada. Tentei tirar a filmadora da mão de , mas ela não deixou.
Estou fodida, obrigada.
Capítulo Doze
- Agora o seu depoimento, . – Mandei o dedo para a câmera e para e me sentei de novo na cama.
- Você ta vermelhinha, ! – apertou minhas bochechas e eu continuei com minha expressão de tédio. Adoro.
- Desliga essa bosta. – Eu resmunguei, tentando me esquivar de .
- Um dia você e seus filhos e netos vão me agradecer por isso, agora cala a boca e me conte como se sente a respeito da reviravolta que está acontecendo na sua vida. – disse e concordou fervorosamente com ela.
- Reviravolta? Onde? – Fingi procurar algo e levei um tapa de . Elas gostam de exterminar meus neurônios. – Eu não vou falar nada, eu sei que vocês vão mostrar isso pra ele!
- Não iremos. Ok, talvez depois que tudo estiver resolvido, mas não agora.
- Eu não acredito, já que vocês me contaram tudo que ele pediu pra não contarem. OUVIU, MEIO GAY? ELAS TE TRAÍRAM!
- Fiquei ofendida. – fez cara de coitada. – Isso tudo foi para o seu bem. E para o seu também, ! E é assim que você me agradece?
- AHÃM!
- TE ODEIO! – Almofadada na cara. Delicadeza de outro mundo, gente.
- E eu te amo, docinho! – Devolvi a almofada.
- Adoro relação amor e ódio. É tão emocionante!
- Vocês são umas idiotas. Eu vou dormir. – Puxei as cobertas da cama de e me deitei.
- NÃO NA MINHA CAMA, ! – perdeu playboy!
- Boa noite, gatas. – e então o sono me venceu e eu dormi. Eu só não queria saber o que elas fariam comigo. Ou melhor, o que faria em vingança por eu ter roubado sua cama.
Senti uma coisa gelada pingando no meu rosto. Abri os olhos com dificuldade e estava do meu lado da cama, jogando gotículas de água em mim.
- Páraaaa, . – Disse com a voz molenga.
- Essa é minha vingança! – soltou uma risada maléfica e as luzes do quarto de acenderam. Fechei os meus olhos e puxou minhas cobertas.
- CARALHO, ME DEIXA DORMIR!
andou até mim com um espelho em mãos e me fez olhar para o meu rosto.
- Mas que porra é essa?
- Minha vingança. – mais uma risada.
Eu não sei o que não tinha e o que tinha ali. Era nojento. Deveria ter até comida. Na minha testa tinha escrito um ‘LOSER’ em esmalte vermelho. Tirei um pouco do chantilly que tinha na minha bochecha e taquei na boca de .
Ela riu, tentando me fazer parar. Joguei o espelho em qualquer lugar ali e a abracei, esfregando minhas bochechas nas dela.
- AI QUE NOJOO, .toUpperCase())!
- Pensasse o quanto nojento poderia ser antes de colocar essas coisas no meu rosto. – e só assistiam a cena, rindo mais de do que de mim, que estava naquele estado... urgh!
Continuamos um pouco mais naquela guerrinha ridícula, quando eu cansei e me larguei de novo na cama.
- Satisfeita? – perguntou, igualmente suja já. Neguei e fui pro banheiro, fechei a porta atrás de mim, mas ainda pude ouvir resmungar – Vou pensar 15228742993128877 vezes antes de fazer isso de novo com ela.
Saí de lá limpa. E as meninas me arrastaram para comer alguma coisa. Eu quase nunca como nada no café da manhã, por isso toda essa preocupação. Elas dizem que eu sou uma quase anoréxica, hã.
- ? – me chamou. – Vamos na casa da depois?
- Pode ser. – Disse. Qualquer coisa para adiar minha chegada em casa.
- Então sobe pra colocar uma roupa bem bonita. – Olhei pra e ri.
– Eu só tenho a de ontem, ô coisa fofa!
- Pode ser, você tava um broto legal. – Fiz uma careta e subi me trocar.
Enquanto eu descia, meu celular tocou e eu olhei no visor antes de atender. Desliguei e soltei um bufo irritado. Essa hora e minha mãe já estava atrás de mim?
Cheguei na sala e logo elas desligaram a televisão, me levando pra fora de casa. Os dias estavam agradáveis e ensolarados por essa última semana. Fomos caminhando até a casa da , que era um pouco longe dali, mas nada demais.
Apontamos na esquina e vi uma figura sentada na calçada. Não estranhei aquilo, porque geralmente eu dava uma de mendiga e ficava sentada nas escadarias do meu prédio, pensando na vida, oi?
- Olha lá! – fez uma cara surpresa e eu apertei os olhos para ver. Não entendi o motivo de tanto espanto. Era só o sentado. DROGA, É O !
- , uhuuu! – gritou, chamando a atenção dele. sorriu para nós, que estávamos mais perto agora. me deu um cutucão nas costelas e sussurrou para eu agir normal perto dele, ou ele desconfiaria de algo. Eu só queria saber como fazer isso.
- ! – foi saltitando até ele e lhe deu um abraço. Eu ri e logo as meninas fizeram o mesmo, me deixando por último.
- Romeuzinho! – por que diabos ele tem que cheirar tão bem? – Obrigada.
- Pooooor? – uma careta confusa invadiu seu rosto. Adorável, diz aí.
- Ontem e tudo mais. – Eu sorri, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Não precisa agradecer, amor. – ele bagunçou os cabelos e completou – era mais que a minha obrigação te fazer ir lá. Eu... digo, a gente precisava de você no show.
Eu sorri mais uma vez e o abracei.
- Ain, que lindos! – soltou e em seguida se fez de desentendida quando lhe lançou um olhar reprovador. – Vocês ficam lindos juntos, já disse.
Ela virou as costas pra entrar em casa. permaneceu abraçado comigo e me levou pra dentro da casa de .
- Não fui convidado nem nada, mas eu sei que sou sempre bem vindo aqui. – Ele disse em tom convencido. – E aí, tia?
A mãe da é praticamente a segunda mãe do , logo ela é apaixonada por ele. Eu acho isso legal e tudo mais. Ela deu um sorrisinho para nós e perguntou se queríamos alguma coisa para comer. negou, educadamente, e subimos para o quarto da .
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou.
- Fugindo da mãe da . – eu soltei uma gargalhada e deixei minha cabeça pender para trás. – Bom, na verdade a gente ta só adiando o sofrimento dela.
- Quer que eu vá lá com você? – Olhei para , com um ponto de interrogação estampado em mim. – Sabe, eu que fui lá te buscar e provavelmente, eu que gerei a discórdia.
- Não, não, não, não! – Balançava minha cabeça enquanto ia falando. Eu devo parecer um boneco, sei lá. – Eu não quero meter vocês nisso, não tem nada a ver. Pode deixar que eu me resolvo com ela.
- Você que sabe. – ele deu de ombros.
Quando as pessoas falam que o tempo passa mais rápido quando você está com seus amigos, pode acreditar que é verdade. Ainda mais quando você se diverte com eles. Esquecer um pouco do mundo é tão bom, às vezes.
Olhei no relógio lindo e enorme que tinha na parede da cozinha da casa da e me assustei ao perceber que já se passavam das dez da noite. Arregalei os olhos e me levantei, ajuntando tudo que era meu e que aparecia na minha frente.
Os presentes no recinto – cof, cof. Por favor, se levantem – me olharam estranho, sem entender o meu surto repentino. Expliquei para eles que se eu ficasse mais um segundo parada lá, eu corria risco de perder meu pescoço quando chegasse em casa.
- Quer que a gente te leve em casa? – me olhou preocupada e eu neguei, quase saindo porta afora.
- Ta tarde, . E Londres não é a cidade mais segura do mundo. – completou e eu neguei de novo.
- Não precisa se preocupar. Se isso ajuda, antes de eu ser esganada pela minha mãe, eu ligo pra avisar que cheguei sã e salva em casa.
Abracei cada um deles e gritei um tchau pra mãe de . Abri a porta e tremi com o ventinho desgraçado que me atingiu, segundo depois. Mandei um beijo e fechei a porta. Desci as escadas e corri para a calçada. Se eu pegasse o metrô, eu teria que andar mais, mas por outro lado seria mais rápido. Que seja, eu vou a pé mesmo.
Segui em direção a minha casa e quando coloquei os pés no hall de entrada, minha mãe falava com o porteiro. Quando ela percebeu que era eu, congelei ali mesmo onde estava.
Minha mãe agradeceu o porteiro e me pegou pelo braço, me levou até o elevador. Sua cara não era das melhores e, por via das dúvidas, eu não disse nada.
Nós fomos até nosso andar e enquanto ela abria a porta, eu ligava para o celular de , só para avisar que ainda estava viva. Ainda.
- Alôooo?
- Não morri, ainda. Tchau e me deseje boa sorte. – não esperei ela desligar e desliguei na cara dela. Minha mãe abriu a porta de casa e entramos. Quando eu avistei da cara do meu pai, sentado no sofá, eu sabia que estaria morta em dois segundos.