Photobucket
Bubble Wrap - Para sempre sua
Bubble WrapPara Sempre Sua



Beta-Reader:Tamy

CAPÍTULO I – OUT OF MY MIND



e estavam indo a pé para a escola nova, ficava apenas umas quadras de distância; tinham acabado de se mudar - os pais delas trabalham na mesma empresa e, por isso, foram transferidos juntos. Uma ótima para elas, pois são amigas desde a infância. Falavam sobre coisas sem nexo, como sempre.
- Tomara que existam pessoas interessantes nessa escola. - Comentava , enquanto chutava uma pedrinha.- Fala alguma coisa, , não aguento mais falar sozinha, desde o começo você só faz chutar essa pedra, não acha que ela já tá longe o suficiente da 'pedra-mãe' dela? - estava chateada.
- Você sabe o quanto é difícil pra mim. - Respondeu , ainda chutando a pedra, sem encarar a amiga.
- Não, não sei, você já devia ter se acostumado com essa situação. E olha pra mim quando eu tiver falando com você.
continuou a chutar a pedra. parou na frente dela, encarando a amiga e impedindo-a de passar.
- OLHA AQUI, EU SOU TUA AMIGA, MAS ATURAR CHARMINHO DE CRIANÇA NÃO É MINHA FUNÇÃO!
- VOCÊ SABE QUE NÃO É CHARMINHO DE CRIANÇA!
- ENTÃO QUAL É O NOME DISSO? - As garotas esbravejavam no meio da rua, as pessoas tinham feito uma semi-aglomeração ao redor delas, que não estavam nem aí.
- Você sabe muito bem o que aconteceu! Ninguém se sente bem longe das amigas!- disse, a voz baixa, quase um sussurro, cheio de raiva e ressentimento.- E olha o escândalo que você arranjou.
olhou em volta; pareceu envergonhada por um instante, depois tomou uma atitude digna da sua personalidade.
- É O QUÊ QUE VOCÊS TÃO OLHANDO? - disse ela, encarando a pequena aglomeração de curiosos. - MAS QUE POVINHO, VIU? NUNCA VIRAM DESENTENDIMENTO DE AMIGAS NÃO?
Eis que surge uma voz:
- Quando a gente andava juntas, isso enchia meu saco, mas barraco é sempre bom, né?
As garotas não podiam acreditar no que estavam vendo. encarava elas por cima das cabeças que tinham se virado para a mesma depois da declaração. parecia uma pateta; ainda não tinha caído a ficha de .
- O que foi, não gostaram de me ver? - Disse uma sorridente, tentando chegar nas meninas. - Vem me dar um abraço, isso é uma ordem!
e correram e abraçaram a amiga como nunca tiveram abraçado na vida.
- O que... você... está... fazendo... aqui? - Cada palavra de era interrompida por um soluço, proveniente do choro.
- O que foi, vaca do meu brejo, não gostou de me ver? - sorria, emocionada, pras duas.
- C-Claro que sim, mas é meio estranho... Quero dizer, - completou , depois de ver a cara de o-que-você-quer-dizer-com-isso que fez - é realmente muito bom e tudo o mais... Como você veio parar AQUI? - Elas tinham se separado de na mudança. As cidades ficavam a 345 km de distância, então as garotas imaginaram nunca mais ver a amiga, nem ninguém daquelas bandas.
- Vocês acharam que fossem se livrar de mim tão fácil? Não, queridinhas, eu vou perseguir vocês até o fim dos meus dias. - Disse , sorrindo como sempre. - As surpresas não param por aqui não, meu bem. - Piscou o olho. - Venham comigo.
tentava imaginar o que mais faltava enquanto abria caminho para elas na aglomeração que se dispersava. Não era muito fácil adivinhar o que se passava na cabeça da amiga; ela sempre tinha um 'ás' na manga.

Chegaram, finalmente, a uma lanchonete, onde, na mesa do fundo, como se não estivesse acreditando no que estava acontecendo, reconheceu...
- !
Ela estava simplesmente CHOCADA. Que a era impossível ela sabia, mas isso também já era incrível DEMAIS. Se dirigiram rápido para a mesa onde a última amiga se encontrava. sorria de orelha a orelha, e ainda não acreditava no que estava acontecendo.
- O que vão pedir? – Perguntou o garçom mais gato que já tinha visto.
- Uma porção média de salada verde e um Iced Tea. - Disse . Todo mundo virou pra ela. – Que é isso gente? Saúde não faz mal a ninguém. – E deu um sorrisão, estilo ‘cala-a-boca-cambada-de-idiotas’.
As meninas se fizeram de desentendidas – era clássico a amiga dar em cima de meninos desconhecidos.
- E vocês?
Elas se entreolharam com caras maléficas. Até naquela hora da manhã era possível elas pedirem o que sempre pediam quando estavam felizes.
- Um X-Burger triplo à moda da casa, uma porção extra gigante de batatas fritas e 500 mL de Cooooooooooooooca-cola! – Elas gritaram, ou melhor, berraram ao mesmo tempo, como num coral super bem ensaiado. O garçom riu.
- Certo, certo. – E saiu, anotando os pedidos num bloquinho.
Finalmente conseguiu associar o momento à coisa. Estava com suas amigas novamente. Ali, ao seu alcance, todas juntas, felizes, sorridentes, como antes. Ou ela tava pirando, ou tava sonhando.
- Alguém me belisca, por favor? – Disse, e olhou pra ela, sorrindo.
- Quer mesmo? Lembra da última vez que...
- NÃO, obrigada. – Disse , e as garotas caíram na gargalhada. O beliscão de era o pior da face da Terra.
- Isso é realmente incrível, a é demais. – era pura alegria.
- Que nada gente, não fiz nada, absolutamente nada. – disse de maneira pouco convincente.
- Ah, tá, e a mosdéstia fica onde? - resmungou,de cabeça baixa.
- Não em mim, vocês sabem disso. – E piscou o olho pras meninas. – Lá vem o garçom gatão, se fijam de mal-educadas, eu tenho que ser a única certinha daqui, por favor meninas. – Ela já estava cruzando as pernas e tirando os braços de cima da mesa quando o gatão... ops, garçom chegou. Ele trazia uma porção média de salada verde, um Iced Tea, um X-Burger triplo, uma porção extra gigante de batatas fritas, uma jarra de Coca-Cola e alguns copos plásticos.
- Nãao, moço, faltam 2 de cada um desses! – Disse , entre risos. – Não é um pra todas, é um pra cada uma!
gelou.
- Claro que é um para todas, palhaça. Não liga pra elas não, ainda é cedo, tão com a cabeça meio em fase de assimilação dos fatos. – Sorriu pro garçom, que retribuiu o sorriso. – Qual o teu nome?
- É .
- Uhn... Posso chamar de ? Sou ,mas pode chamar de , prazer.– Apertou a mão do garoto.
- Pode sim. Prazer . Mais alguma coisa pra vocês?
- Não não, acho que já é o suficiente. – falou, com olhar de repreensão para as garotas.
- Tudo bem então. Vou atender os outros clientes, fiquem à vontade. – E foi atender um casal de idosos que tinha acabado de chegar.
- Velhos filhos da mãe, atrapalharam tudo. – reclamava baixinho, beliscando a salada verde.
- Tudo o que, ? – estava prestes a ter um colapso de tanto rir.
- Ah, cala a boca e come, sua mal amada.
se engasgou.
- Ah, gente, não vamos brigar, afinal, ESTAMOS AQUI, juntas de novo! – tinha um sorriso de orelha a orelha.
- Agora, por favor, me explique como foi que isso aconteceu. – implorava pra .
A garota suspirou.
- Bom, vocês sabem que eu nunca conto meus truques, mas...
- Mas...? Mas o que? – estava mais ansiosa que nunca.
- Mas vou contar pra vocês, porque vocês mereceram.- estava parecendo política em palanque. Ninguém ousava respirar. - Depois que vocês, e , foram embora, eu ficava imaginando, ‘Meu Deus, o que será de mim agora?’; daí então, numa noite, tive um estalo: bom, se Maomé não vai até a montanha... a montanha vai até Maomé. Juntei minhas coisas, comuniquei aos meus pais : eles não tiveram chance pra reclamar. Fui pra casa da , pra dar adeus, mas essa louca aí quis vir comigo, e se eu não tivesse um estúpido poder de persuasão, os pais dela não teriam deixado ela vir. Chegamos ontem à tarde. Em fim, estamos numa república até que tenham dó e nos convidem pra morar com vocês por uns tempos. – As meninas riram; continuou como se nada tivesse acontecido. – Encontrá-las hoje foi uma surpresa muito boa, meninas. Achei que ia demorar dias até me bater com vocês. E me passa um pedaço desse X-Burger, essa salada não tem gosto de nada. – Encheu a mão de batatas fritas e levou a boca. viu o gatão, opa, garçom sorrir, observando de longe. Era tão mágico como tinham se encontrado... tudo porque a armou um barraco quando estavam indo para a...
- ESCOLA! – berrou, fazendo todos as presentes no estabelecimento se virarem para ela. encarava a amiga.
- E agora?
- E agora? CORRE! – e saíram desbandeiradas pela porta da lanchonete, quase derrubando a bandeja do garçom gatão, que se dirigia pra mesa das meninas. Ela tinha certeza que não iam chegar à tempo. Olhou o relógio : 7:15hrs ; era pra terem chegado 15 minutos mais cedo. Tropeçou, quase caiu, mas não podia parar. Chegaram na escola 7:23hrs. Foram tentar convencer o porteiro.

- Sabe o que é? É que minha mãe passou mal, e o coelho da teve um convulsão hoje de manhã, não nos leve a mal, é nosso primeiro dia e...
- Coordenação. – Foi a única coisa que o traste se dignou a falar. desanimou, caiu no choro. Estavam perdidas.


CAPÍTULO II – SMILE, AND TURN THE WORLD AROUND



- Grande lance, a não tinha outra hora pra achar a gente não? – estava realmente chateada. não respondia, tinha os olhos inchados e o nariz vermelho. De vez em quando soluçava.
– Atrasadas?
Um garoto mais lindo que o garçom gatão, se é que era possível, encarava elas. olhou pro garoto, suspendeu as sobrancelhas e lançou um olhar questionador para o mesmo.
–Ah, desculpe, - disse o garoto; não devia ter mais que 15 anos. - meu nome é , mas pode me chamar de . Vocês são...?
, - e vendo que a amiga estava muito depressiva pra responder ou ouvir alguém, – e essa é a . Quando mandam ela pra coordenação parece mais um nabo que uma pessoa normal.
fez cara de quem compreende.
– Normal, acontece nas melhores famílias. – Apontou para um menino que estava no sofá logo em frente, jogando bolinhas de papel na lixeira só pra vê-las entrar e ter a satisfação de fazer uma cesta. – Aquele é o , mas pode chamar de esponja.
–Esponja? - não entendeu.
–Um dia, talvez, você entenda, é meio complicado falar disso em público. - E sorriu de um jeito doce, que deixou hipnotizada; o que aquele menino tinha que fazia ela ficar assim? - São novatas?
–Somos.
Novamente aquele sorriso tomou conta dos seus lábios. olhou pro outro lado; aquele garoto sabia o que estava fazendo.
é um belo nome, sabia? - se sentou do seu lado, se espreguiçando.
– A coordenadora desse lugar existe? – A garota tentou levar a conversa para outro ponto.
– Existir existe, mas encontrar é difícil. Sai daí, vou te mostrar a escola.
se levantou de um pulo. sorriu.
– Vai deixar ela aí?
– Ela não ia querer vir mesmo, é capaz de derramar um rio no caminho. - Olhou para a amiga, que nem levantou a cabeça. - Vamos lá. - Olhou pra e sorriu, sem graça. O garoto saiu na frente, ela logo em seguida.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

– E finalmente, aqui é onde a escola nos proporciona o mínimo de cultura, e onde eu passo a maior parte do tempo.
Pelo que podia ver, estavam numa espécie de garagem de banda. Tinha uma bateria semi-nova no fundo, e pendurados na parede, 3 outros instrumentos, dentro de capas, que pareciam duas guitarras e um baixo; haviam ainda alguns armários atrás da bateria que, segundo , continham os outros instrumentos.
– Você canta? – surpreendeu-se.
– Às vezes. – Respondeu o garoto sorrindo, as mãos nos bolsos. – E você?
– Eu? De vez em quando. – A garota também sorria. – Esses instrumentos são todos da escola?
riu.
– Que nada, a bateria, as guitarras e o baixo são meus e de meus amigos; os outros instrumentos foram doação ou os alunos guardam eles aqui. A diferença de ‘de quem é o que’ tá na cor do armário. Os amarelos são dos alunos; os vermelhos, da escola.
Ela notou que existiam 4 armários amarelos; e apenas um vermelho, no meio de todos. Eram bem grandes.
– Não quer mostrar o que sabe fazer? – perguntou, depois de um tempo.
– Co-como assim? – olhou para ela, meio assustado.
– Com os instrumentos, quero ver você tocar! – A garota ria. pareceu um pouco aliviado.
– Claaaaro, com os instrumentos. – E deu um tapa na própria testa. – Hoje não, semana que vem vai ter show, aí você vê. – Piscou um olho pra garota.
– Show? Onde?
– Festival de Bandas Amadoras. Inscrevi a minha.
– Que... Que legal!
– É o máximo! E a banda que conquistar os jurados vai ganhar um prêmio surpresa, eles não contam nem sob tortura do que se trata. – O garoto estava animadíssimo. – Mas e aí, não quer me mostrar o que você sabe fazer?
– Ahn?
– Quero ver você cantar! – ria com gosto, tinha feito aquilo de propósito.
– Ahh, sim... Não, não, melhor não.
– Que é isso, por que não?
– Só se você tocar. – estava sorrindo, do mesmo jeito que o garoto fizera uns instantes antes.
– Tá bom. – Disse , vencido. – Vamos pegar um violão.
Abriram um armário amarelo, e ele pegou um violão. Sentaram em uns banquinhos que estavam ali por perto.
– Que música? – perguntou.
– Não sei, escolhe aí. – bocejou, mas estava vivamente interessado no que iria acontecer.
– Curte Os Beatles?
– Se eu curto? Eu adoro! – E começou a tocar ‘And your bird can sing’. acompanhou cantando, fazia solos incríveis com o violão, e a garota tinha a voz adocicada, ideal para a música.

‘Tell me that you've got ev'rything you want,
Você me diz que teve tudo que sempre quis,
And your bird can sing,
E seu pássaro pode cantar,
But you don't get me, You don't get me.
Mas você não me tem, voce não me tem.
You say you've seen seven wonders,
Voce diz que viu as sete maravilhas,
And your bird is green,
E seu pássaro é verde,
But you can't see me, You can't see me.
Mas você não pode me ver, você não pode me ver.
When your prized possessions start to wear you down,
Quando suas possessões começarem a te consumir,
Look in my direction I'll be round,
Olhe em minha direção estarei por perto,
I'll be round.
Estarei por perto.
When your bird is broken will it bring you down?
Quando seu pássaro estiver machucado isso o deixará triste?
You may be awoken I'll be round,
Você pode ficar acordado estarei perto,
I'll be round.
Estarei perto.
Tell me that you've heard ev'ry sound there is,
Me diz que você ouviu cada som que existe,
And your bird can sing,
E seu pássaro pode cantar,
But you can't hear me,
Mas você não pode me ouvir,
You can't hear me.
Você não pode me ouvir.

– Uau! Garota, você realmente tem talento pra coisa! – estava impressionado.
– Que nada, só me arrisco de vez em quando. Você é que tem talento, , aqueles solos, nossa!
estava vermelho.
– O George é melhor que eu. [n.a.: guitarrista dos Beatles, pros desavisados:*]
– Tenho sérias dúvidas quanto a isso. – disse com cara séria. Caíram na gargalhada.
– É, eu nem te conheço direito e você já tá como se fosse minha amiga de infância, como você conseguiu isso?
– Não sei, macumba? – Mais risos. – Eu nunca falo com estranhos, cara, como você conseguiu isso? – Ela sorria pra .
– Não sei, ahn... macumba? – Aquele sorriso doce perpassou pelos lábios do garoto novamente.
– Amm... – Disse sem graça; aquele sorriso deixava ela completamente sem jeito. – Vamos? Acho que a coordenadora já deve ter chegado.
– Eu aposto que não, mas se você quer, vamos.
Guardaram o violão no armário de origem e voltaram para a coordenação.

e não estavam mais ali.
- Onde a se meteu? – Perguntou , confusa.
- E o ? Mas o que é isso, conspiração?– coçava a cabeça, como se estivesse fazendo o cérebro funcionar.
- A coordenadora deve ter chegado. – estava confusa.
- Bom, vamos esperar, não podemos entrar na sala dela, é invasão de privacidade.
Eles sentaram e esperaram bastante, até ouvir a maçaneta da sala da coordenadora girar. e saíram sussurrando:
- Eles não chegaram ainda, você vai ver... – falava, quando o interrompeu.
- Não sei não, se eles descobrirem...
e correram pra fora da anti-sala, instantes antes de e entrarem na mesma; ia ser meio constrangedor encontrá-los naquela situação. Aguardaram uns 2 minutos, e entraram no local, como se nada tivesse acontecido e eles tivessem chegado naquela hora.
- Você realmente canta bem, nossa, tô realmente impressionado! – Disse , ao perceber que seria estranho entrarem sem assunto. captou a mensagem.
- Ah, só eu tenho talento aqui é? – Riram. – Oh, , você está aqui! Não sabe que talento eu acabei de descobrir.
- Ah... é? Que super, amiga... – Respondeu , sem graça. No fundo ela desconfiava que a amiga soubesse de alguma coisa.
- Aham, super mesmo. É porque você ainda não viu o tocando, quando você presenciar, você vai chocar.
corou.
- Amm, , cara, a garota aqui é quase uma Madonna! – olhou pra ele com uma cara de ‘de-onde-você-tirou-isso’. riu.
- Ela dança, cara? – Perguntou , rindo.
Foi a vez de e rirem.
- Dançar? Essa daí? Tá mais fácil um pato dançar mais bonito. – Disse , caindo na gargalhada.
- Pelo menos meu cabelo não encolhe quando eu molho ele.
- Ai, joga seu veneno em outra.
suspirou profundamente. Os garotos quase não respiravam olhando a cena.
- Tá, brigar não dá certo, você viu no que deu hoje. – falou, e se jogou no sofá, ao lado de .
- Relax, garotas, a vida é um morango. – fez todos olharem pra ele. – Ah, que foi, todo mundo fala isso um dia!
- Eu não. – Os outros falaram juntos, enquanto o sinal pro segundo tempo tocava.
- Vocês são de qual turma?
olhou um papelzinho que trazia dentro do caderno.
- Primeiro ano D, pelo que diz aqui.
- São da nossa turma. – deu um sorriso Colgate. – Vamos pra sala.
- Mas nem falamos com a coordena...
- Não precisa, eles te mandam pra cá só pra você esperar tocar o segundo tempo. – respondeu, levantando preguiçosamente. já estava na porta.
- Vamos logo, é aula de matemática, a professora não gosta de atrasos. – E sorriu do jeito que deixava hipnotizada. As garotas se entreolharam, riram e seguiram os garotos pelos corredores da escola até a sala de aula.
- Bem-vindas à selva. – fazia uma reverência enquanto ria e entrava, seguida por . Escolheu um lugar no meio, e se sentou, com a amiga atrás. sentou na sua frente e do outro lado da sala, com uns meninos bastante agitados.
- Fisgou o cara, ehn, ? – tinha se virado pra trás, e sussurrava pra amiga, que ficou vermelha.
- Eu? E você e esse aí? Pensa que eu não sei não?
- Sabe do quê?
- Amiga, se não rolou, ainda vai rolar. Ele tá caidinho por você.
A professora entrou na sala, então virou pra frente, mas ainda pensando no que a amiga tinha lhe dito. No meio dos seus devaneios, ouviu a professora de matemática falar:
- ...novas alunas, a Srta. e a Srta. . Dêem as boas-vindas, turma. Srtas., por favor, levantem-se para que vejamos um pouco mais de vocês.
Elas se levantaram completamente envergonhadas, enquanto umas meninas lançaram olhares bem esquisitos e uns companheiros de aplaudiam e assoviavam.
- Obrigada garotas. – Agradeceu a professora, sorrindo. – Agora, se vocês puderem abrir seus livros na página 43... – Continuou ela. Nesse momento, virou pra trás, sorriu e piscou um olho pra . A garota gelou. Aquilo deixou ela mais confusa ainda sobre o que tinha dito. Será?


CAPÍTULO III – TOGETHER ALWAYS


De noite, no msn :

(L) você me faz tão bem acabou de entrar.

(*) diz:
:D
(L) você me faz tão bem diz:
! como foi lá na escola amr?
(*) diz:
foi legal, muita gente boa lá
(L) você me faz tão bem diz:
Calma aí, vou botar as meninas na conversa *-*
gatinha está na conversa.
está na conversa.
gatinha diz:
Oi povão OO’
(L) você me faz tão bem diz:
oiq
diz:
oie meninas
(L) você me faz tão bem diz:
me contem suas experiências de hoje caats *o*
gatinha diz:
/a tá doida pra contar como foi o passeio com o garçom gatão \
(*) diz:
Ahhhhhn? O_O
diz:
isso ngm conta né ?
(L) você me faz tão bem diz:
G_G só falo na presença de um advogado
(*) diz:
aah, conta logo, vaquêeenha

(L) você me faz tão está digitando uma mensagem. (17 minutos depois...)

(L) você me faz tão bem diz:
foi perfeito caran *-*
diz:
não creio que vc me fez esperar 18 minutos pra falar só isso -.-
(*) diz:
‘raiva
gatinha diz:
affz, , ngm merece.
(*) diz:
mas como foi que isso aconteceu? :o
diz:
depois que vcs saíram, o garçom passou lá na mesa e entregou um guardanapo escrito ‘me encontre no jardim às 13:30 hrs.’. quando saiu, ele piscuo o olho pra ela!
diz:
pisocou*
diz:
aff
diz:
piscou*
gatinha diz:
EAHAUHASEUASEHUASEHEASUHSEUASEH , que romântico caran *----------------*
(*) diz:
aah, , vc vai ter que contar essa história aí pra gente ‘baba’
(L) você me faz tão bem diz:
conto sim
gatinha diz:
AEAEAEAEAE \O/
(*) diz:
:D comece
(L) você me faz tão bem diz:
pessoalmente :B
diz:
esse nick aí te incrimina amiga XD
(L) você me faz tão bem diz:
incrimina nada
(*) diz:
UASHASUIHASUISHA
(L) você me faz tão bem diz:
é só uma música u_ú
gatinha diz:
SEEI...
gatinha diz:
gente, vou sair aqui, dormir
gatinha diz:
QTAL A GENTE SE VER AMANHÃ DE TARDE? *-*
diz:
onde?
(L) você me faz tão bem diz:
NA LANCHONETE, fechado :B
(*) diz:
UASIHASUIHASUIA, por mim tudo bem
gatinha diz:
beijos, caats *;
(L) você me faz tão bem diz:
tchaau :*
diz:
adeus \o
(*) diz:
tée amanhã (:

gatinha saiu da conversa.

(*) diz:
também vou sair aqui, gente, tô morta de cansaço
diz:
adeus
(L) você me faz tão bem diz:
TCHAAAU AMR DA MÊNHA VIDA!
(*) diz:
ASUISHAUIASHSAUIASA
diz:
EHUAHEUHAUSHUASEH
diz:
deixa a saber que vc não deu tanta importância a ela (Y)
(L) você me faz tão bem diz:
VOCÊ QUE CONTE :@

(*) saiu da conversa.
(*) desligou-se.


CAPÍTULO IV – THE WAY YOU MAKE ME FEEL


e estavam na sala de aula – tinham conseguido chegar no horário, pra felicidade geral da nação. tinha se atrasado 3 minutos, e não conseguiu entrar, foi pra coordenação. também havia chegado no horário. Depois de dois cansativos tempos de história e um horário de filosofia, o professor de português dava seu discurso sobre análise sintática. odiava português, então estava desenhando coisas à toa no fundo do caderno. Quando estava terminando a orelha esquerda do Mickey, o sinal pro intervalo tocou. Ela arrumou as coisas e saiu com pra cantina. Não estavam nem 5 passos longe da sala de aula quando ouviu gritar:
- ! Ei, ! Espera! Nossa, vocês correm, ehn? – Ele riu e encostou a mão na parede, meio que prendendo . só assistia a cena, uns passos à frente. – Sim, você não tem msn não?
- Tenho sim, anota. – já tinha o caderno aberto e preparado na mão. – _firststage@hotmail.com. – Ela sorriu.
- Ok, vejo você por aí! – Disse ele, apressado, dando um beijo no rosto da garota, que saiu tão abobalhada que não notou um garoto que estava no seu caminho; acabou se esbarrando nele e derrubando todos os seus livros no chão.
- Oh, meu Deus! – começou a catar seus livros do chão quando o menino se abaixou pra ajudá-la. Seus olhos se encontraram por uns instantes; desviaram rápido, terminaram de pegar os livros do chão e se levantaram. Ele estava com a mão estendida.
- , mas me chama de , prazer. – E apertou a mão de amistosamente.
- . – Disse a garota, com um sorriso tímido. – Desculpa pelo esbarrão, eu estava meio distraída.
- Que nada, tudo bem. Você é nova por aqui? Nunca te vi antes.
- Sou sim. Primeiro ano D.
- Ah, que pena. Sou primeiro C. Por uma letra! – Eles riram.
- Desculpa interromper qualquer coisa, mas a gente tem que comer, ! – Falou , puxando a amiga.
- Ah, é... bom, a gente se vê, ! – Disse , sorrindo e deixando a amiga arrastar levá-la pelo braço. sorriu de volta e acenou.

5 minutos depois...
- O QUE VOCÊ ACHOU QUE TAVA FAZENDO, SUA LOUCA? – Gritou . Elas estavam no banheiro feminino; haviam fechado a porta por precaução.
- O que eu fiz de errado?
- Bom, não sei, sabe? Só acho que você vai magoar muito alguém nessa história.
- Como? – estava realmente confusa.
- , se toca, o tá a fim de você. – não respondeu; continuou. – Ele viu quando você se bateu com aquele garoto e seus livros caíram. Ele ficou observando vocês no MAIOR CLIMA de amor à primeira vista. A expressão dele não era de satisfação.
- Bom, eu nunca disse pra ele que eu gostava dele ou...
- Mas também não disse que não gostava! Isso realmente gera esperanças nas pessoas, sabe, o menino dos livros também tá com uma queda por você. – caiu na gargalhada, estava séria. – Eu não tô brincando. Você sabe que eu tenho razão em 99,99% das minhas suposições, cat. – Ficaram em um silêncio constrangedor por um bom tempo, até que o sinal do quinto tempo tocou, despertando elas pra realidade.
- Vamos pra sala sem comer, viva. – Disse , desanimada, enquanto saía com a amiga de volta para a sala de aula.

foi frio e distante nos dois últimos tempos.
- Me empresta a borracha? Errei no balanceamento... – Pediu pro garoto.
- Tô usando. – Ele disse, sem nem olhar pra garota. sentou, e ouviu sussurrar no seu ouvido:
- Eu te avisei. Ah, e me empresta sua sandália roxa pro encontro das meninas de hoje?
fez que sim com a cabeça, mas na verdade nem tinha ouvido o que a amiga falou.Talvez ela tivesse razão. Era melhor esclarecer aquela história antes que fosse tarde demais.


CAPÍTULO V - YOU MADE MY LIFE WORTHWHILE



- COMO É QUE EU FICO AGORA?
As meninas estavam na lanchonete, e riam sem parar. estava tendo um A.D.P. (Ataque De Pelanca) porque não levou a sandália roxa. Ela estava com um vestido roxo, uma bolsa roxa e tênis laranja.
- Calma, , ser diferente tá na moda! - Disse , sem conter o riso.
- Eu te pedi, , isso é sacanagem!
- Pediu? Quando? - não conseguia se lembrar.
- Ela devia estar com a cabeça em outro lugar. - tentou amenizar.
- Ou em outros lugares. - Falou, , cheia de raiva.
- Olha, desculpa mesmo, ... - Começou , mas a interrompeu.
- Ah, tudo bem então. - Respondeu , sentando e escondendo os tênis calçados embaixo da mesa. - Eu também estaria no mundo da lua.
- Tudo bem garotas? - O garçom gatão perguntou.
- Tudo sim, , e com você? - Respondeu .
- Tudo ótimo. E aí, deu tudo certo no encontro?
ficou mais vermelha que um tomate maduro.
- Amm, hoje vamos querer o de sempre, por favor. - Desconversou ela, e saiu anotando o pedido, sem entender a atitude da menina.
- Como assim, ? - Perguntou .
- Como assim o quê? - se fez de desentendida.
- O encontro! Explica isso direito! - Pediu .
- Ai meninas...
- Ai nada, desembuxa logo! - só faltava ter um treco de curiosidade.
- Tipo, eu fiquei super feliz quando recebi aquele guardanapo. Achei mesmo que era o , mas...
- Mas...? - Perguntou .
- Mas não era, gente, NÃO ERA! - estava desesperada e super sem graça. - Quando eu cheguei no parque, tinha um velhote num banco, nada mais. Bom, se foi o , me deu o toco. Se foi o velhote, se ferrou, porque um pombo fez cocô na cabeça dele enquanto ele estava dormindo.

- Cara, ela é demais! - comentava com o gerente, que era super gente boa.
- Como foi o encontro ontem?
- Não foi. Quero dizer, eu fui, mas fiquei com medo de aparecer.
O gerente estava com cara de ponto de interrogação.
- Você sabe o quanto eu sou inseguro, Mark. Ela foi, e estava linda, tão linda que eu não consegui chegar perto. Ela riu do pombo que fez cocô na cabeça de um velhote; quantas pessoas que você conhece fazem isso?
- Só uma , você.
- Pois é! Ela é demais, cara, demais! - Mark riu.- Vou entregar os pedidos. - E saiu, cantarolando alguma coisa.

- Lá vem o gatão. - Falou , babando, praticamente.
- Vai um babador aí, ? - Disse , e as meninas riram.
deixou o pedido delas na mesa.
- Mais alguma coisa?
- Não, só isso por enquanto, obrigada. - Disse , sorrindo de forma safada pra . foi atender outros clientes. - Eu falei com ele! - E deu língua.
- Tudo bem, de ilusão também se vive. - Falou , com cara de pena, enquanto as meninas começavam a devorar a comida. Ela se juntou ao grupo. estava com tanta fome que quase não sobrava nada pras outras.
- Isso é um sinal de depressão. - Constatou .
- O quê? - Perguntou .
- Comer demais.
Mas ela não estava depressiva, tinha certeza disso. Só... reflexiva, talvez.


CAPÍTULO VI - I'LL BE OK (maybe)



Algumas horas mais tarde, no msn, adicionou , que aceitou.

~ show semana que vem galera! acabou de entrar.

(*) diz:
Oi :D
~ show semana que vem galera! diz:
oi
(*) diz:
tudo bem?
~ show semana que vem galera! diz:
aham e aê?
(*) diz:
também :B
~ show semana que vem galera! diz:
que bom
(*) diz:
*o*
(30 minutos depois)
(*) diz:

(*) diz:
cê tá chateado cmg?
~ show semana que vem galera! diz:
pq eu estaria?
(*) diz:
não sei, vc tá tão frio
~ show semana que vem galera! diz:
bom, como vc espera que eu trate alguém que eu não conheço?
(*) diz:
nossa , claro que conhece, vc conseguiu me fazer falar com um estranho :B
~ show semana que vem galera! diz:
não conheço vc, que fica dando em cima do primeiro que aparece
(*) diz:
O_O não tô te entendendo
~ show semana que vem galera! diz:
NÃO? JURA? e o ?
(*) diz:
vc conhece ele?
~ show semana que vem galera! diz:
é da banda
(*) diz:
o que tem ele?
~ show semana que vem galera! diz:
pensa que eu não vi vc se jogando pra ele hoje no intervalo?
(*) diz:
eu não tava me jogando pra cima do
~ show semana que vem galera! diz:
¬¬ já tá íntima assim? chamando de ?
(*) diz:
e mesmo se tivesse, não seria da sua conta, afinal, não tenho nenhum compromisso com vc, nem com ngm
~ show semana que vem galera! diz:
tem razão
~ show semana que vem galera! diz:
vc não tem nada cmg
~ show semana que vem galera! diz:
vou sair aqui

~ show semana que vem galera! desligou-se.

foi se deitar. Pensou, e até chorou um pouco. Só conhecia ele há dois dias, o que estava acontecendo, afinal? Enxugou as lágrimas. Não ia se deixar abater tão fácil. Amanhã seria um novo dia.


CAPÍTULO VII - WHO DO YOU THINK YOU ARE TO CRY?



A aula de Ed. Física era a primeira das quintas-feiras. O primeiro ano D faz as aulas com o primeiro ano C, então não se surpreendeu ao encontrar sentado na arquibancada.
- E aí, ?
- Oi! - Respondeu a garota, animada, sentado do lado dele. - Tudo bem?
- Tudo certo, e você?
- Tô bem. Nem um pouco a fim de jogar futebol. - Comentou, observando os meninos gritarem 'PÊNAAALTI! FOI PÊEENALTI!', quando um menino deliberadamente se jogou na pequena área.
- Nem eu. A gente podia brincar de morto-vivo, pra aquecer. - Disse , sorrindo.
- Não tô muito a fim de subir e descer...
- Então dá uma idéia melhor aí.
- Já sei. Eu dou as ordens, e você, faz, ok? Tipo chefe mandou.
refletiu por uns instantes.
- Tá certo.- Se levantou e ficou de frente pra garota.
- Chefe mandou imitar uma galinha! - imitou uma galinha. - Chefe mandou fazer cocoricó! - Os dois riam demais. - Chefe mandou catar coquinho!

- Cara, que descaração, ele prestando papel de palhaço na frente dela! - Falou , cheio de raiva, observando e brincarem de 'chefe mandou'.
- Você tá com ciúmes, ? - Perguntou . não ouviu, estava com muita raiva pra ver ou ouvir alguém.
- Vamos ver se ele vai levantar depois dessa. - deu um chute beeem³³ forte na bola de futebol, mirando nas costas de .

- Chefe mandou imitar defunto! - Disse uma sorridente. se abaixou sorrindo, e a bola que tinha mirado no garoto acertou em cheio a cabeça de , que desmaiou.
- ! - o grito de ecoou na quadra silenciosa.

- Quem foi o culpado? - Perguntava a professora de Ed. Física, depois que tinham levado pro Serviço Médico da escola. A turma estava em silêncio; ninguém conseguia associar os fatos. estava chocado, não conseguia juntar as palavras. não acreditava no que aconteceu, não conseguia encarar ninguém. chorava demais.
- F-Fui eu, professora. - Disse , se embolando nas palavras. - Eu mirei a bola nas costas daquele otário, mas acertei a . - Admitiu, descaradamente.
- Mirou nas costas de quem?
- .
- Ok, vamos resolver essa questão na coordenação. , e , você é a melhor amiga dela, não? - fez que sim com a cabeça. - Me acompanhem por favor. Quanto aos outros, estão dispensados.

- COMO É QUE É?
dava um ataque histérico - tinham acabado de sair da sala da coordenadora; recebeu 3 dias de suspensão.
- VOCÊ MIROU NAS COSTAS DELE COM QUE OBJETIVO?
- De deixar ele com mais cara de mongol do que já tem. - Respondeu , friamente.
- Ooou, colega, o que foi que te fiz? - Perguntou .
- Nada.
- Nada não, , eu te conheço, tocamos juntos. Foi por causa da garota?
- Garota? GAROTA? ELA TEM NOME! - estava vermelho de raiva; como ele podia achar que ela era como as outras?
- Não deixa de ser uma garota.
- MAS NÃO É IGUAL ÀS OUTRAS!
- Não foi isso que você falou pra ela ontem. - Foi a vez de falar. - Ela me contou hoje, no caminho pra escola.
ficou em silêncio.
- Cara, eu nunca quis nada com ela, sério. Ela é legal demais, eu sou insuportável, não ia dar certo. É SÉRIO! - Gritou , quando deu uma risadinha incrédula.
- Você praticamente chamou ela de piranha, . - Disse .
- Quer saber? DANE-SE! - saiu correndo, escondendo as lágrimas. Ele provavelmente acabou com o que poderia ter sido o começo de algo novo, por idiotisse.
- Quem ele acha que é pra chorar? - Perguntou pra , que suspendeu os ombros e suspirou.
- Ele é ele, cara. Tá gamadão na , tá com medo de perdê-la, aí faz besteira. Mas ele é gente boa.

entrou no primeiro banheiro masculino que encontrou, com os olhos lacrimejando e o nariz vermelho. Ele tinha feito besteira, e não ia se perdoar se acontecesse alguma coisa com . Aquela menina mexeu de verdade com ele, não era como as outras, era diferente. Não precisava de mais gente culpando ele, sabia que tinha errado. Lavou o rosto, pensando no sorriso dela na garagem de música. Ele queria vê-la de novo. Ia visitá-la no hospital, e não importava por cima de quem fosse passar.


CAPÍTULO VIII - DO YA REALLY LOVE ME?



observava deitada na cama do hospital quando ouviu alguém bater na porta. Foi abrir, deu de cara com o garoto mais lindo que já tinha visto.
- Oi, boa tarde, eu posso falar com a ?
- Amm, ela tá dormindo agora.
- Meu nome é , mas pode chamar de .
- Meu nome é , mas pode me chamar de . Entra aí.
entrou, e , ao avistar deitada numa cama de hospital, se jogou no sofá.
- A culpa é minha.
- Não, não é. Se tem algum culpado nisso tudo, é o amor. - Disse , olhando pra ele.
- Então eu sou o segundo maior culpado. - sorriu. sentou do lado dele. - O achou que eu estava com a .
- Eu sei, já ouvi a história toda. - Ela também sorria. - Você também é da banda dele?
- Sou sim.
- Legal. Olha, não me culpa não, mas é que eu não consegui dormir hoje, tem problema se eu...
- Cochilar? Que nada, fique à vontade.
dormiu sentada mesmo. Estava exausta - tinha passado a noite procurando na lista telefônica um lugar novo pra ela e Kika ficarem. a observava dormindo. Ela tinha um rosto tão lindo... Ele também estava bastante cansado. Sem perceber, abraçou a garota e dormiu ali mesmo.

- Com licença, eu pod... - entrou no quarto sem bater na porta, falando baixinho, por educação. Mal acreditou no que estava vendo: uma garota e dormindo no sofá de visitas, e dormindo na cama. Se aproximou da menina; mesmo daquele jeito, com a testa enfaixada e parte do rosto inchado, ela continuava linda. Se abaixou um pouco, para vê-la mais perto. Podia ver cada pestana dela agora, cada curva da sua boca. Sem controlar o impulso, fechou os olhos e beijou-a. sentiu o coração acelerar; se afastou de e abriu os olhos. Aos poucos, ela estava despertando, como na história da Bela Adormecida. não teve tempo de escapar, já tinha aberto os olhos e identificado ele.
- ? O que você tá fazendo aqui? - Perguntou a garota, com a voz fraquinha.
- Vim te visitar, gatinha. - deu um sorriso sem graça. - Desculpa por tudo aí, tá?
- Não se preocupa, mais um dia e eu estou ok. Aquilo ali é o e a ? – Perguntou, vendo a amiga dormindo no sofá com o menino.
- Acho que sim. Me perdoa?
sorriu.
- É sério, não tem motivo pra você se preocupar.
- Não sobre isso, sobre o que eu te falei no msn.
A garota ficou séria.
- O que você falou foi muito sério, .
- Eu sei, eu estava muito nervoso, com medo...
- Medo de quê?
ficou sem graça.
- Olha, , eu realmente não sei o que está acontecendo, só sei que o que eu sinto por você não é nada parecido com nada que eu tivesse experimentado antes.
ficou em silêncio por uns instantes.
- Eu também sinto algo muito estranho por você, .
se aproximou para beijá-la. virou o rosto com uma careta de dor.
- Não, por favor. Eu tô muito confusa esses tempos.
- Eu te entendo. - Disse , e se dirigiu para a porta. Se virou para vê-la mais uma vez; ela tinha adormecido. Sorriu, saiu e fechou a porta sem fazer barulho.

10 minutos depois...
acordou e o que viu a agradou demais. Estava praticamente deitada no sofá, com dormindo por cima dela e a abraçando. Estava adorando aquela situação, mas resolveu acordar o garoto.
- ... , acorda... – Ele acordou e sorriu.
- Poxa, , tinha que me acordar? Tava tão bom...
- É, eu sei...
fez uma cara de ponto de interrogação pra ela.
- Er...
- Tudo bem, não precisa falar nada. – Disse ele, olhando no fundo dos olhos dela. Ficaram se encarando por um tempo, até que ela falou:
- , eu... – Ele pôs o dedo indicador levemente na boca de .
- Pxii. – Disse, sorrindo. – Não precisa falar nada. – E beijou-a. Ela mal pôde acreditar no que estava acontecendo. Abraçou o garoto e beijou-o como nunca tinha beijado ninguém. Ele retribuiu o beijo com a mesma vontade, abraçando-a pela cintura. Se afastaram alguns milímetros. sorria pra , que retribuiu o sorriso. Estavam verdadeiramente felizes.
- Eu acho que gosto de você. – Disse ela, rindo.
- Eu não acho. – sorriu. – Tenho certeza.
Se beijaram mais uma vez. abriu os olhos milimetricamente. Resolveu fingir que estava dormindo. Riu por dentro; ia perturbar a amiga o resto da vida dela por ter se agarrado com um menino recém-conhecido no quarto de hospital da amiga doente.


CAPÍTULO IX - DON'T STOP ME NOW (please)



Um dia depois, recebeu alta. , e estavam ali para levá-la pra casa, assim como sua mãe e um buquê de rosas vermelhas que seu pai tinha mandado.
- Vou tomar um cafézinho. - Disse a mãe de . - Quando estiver pronta me chame, ok?
- Ok. - Respondeu . A mãe dela saiu, e ela gritou, triunfante: - A pegou o aqui!
fez cara de besta. estava com a cara no chão, porém, com um sorrisinho no rosto. fez um escândalo.
- Como assim? , o menino dos livros?
- Exatamente. - Disse .
- AQUI?
- Pensaram que eu estivesse dormindo. - riu. - "Eu acho que gosto de você." - Imitou a voz de .
- Ah, pára, ! - Disse enquanto as outras riam. - Só não te bato porque você está doente.
- Nem se ela tivesse boa, você morre de medo dela, . - Disse quase fazendo xixi nas calças de tanto rir. - O é o causador do ciúmes do ?
- Esse mesmo. - Disse . Bateram na porta. - Ué, não era pra gente chamar sua mãe? - Ela abriu a porta, era , e estava com as mãos pra trás.
- Com licença, eu posso falar com a ?
- Claro. - Disse abrindo um sorrisão. - Você é o ? - Detalhe: ela sabia que era o .
- Não. - Disse ele com cara séria. - Sou o .
- Ah, sendo assim, pode conversar com ela sim.
As meninas saíram do quarto. Quando estava atrás de , apontou pras costas dele e precisou fazer leitura labial pra adivinhar que ela estava querendo dizer "buquêzinho de flores do campo colhidas por ele próprio". Elas sorriram, e deixou o quarto.
- Amm, , eu queria pedir desculpas mais uma vez, acho que nunca será suficiente.
- Relaxe.
- Eu trouxe isso. - Disse ele, entregando um buquêzinho de flores do campo, aparentemente colhidas por ele próprio, envolvidas num bonito laço de fita azul.
- Oh, , obrigada! - Os olhos de brilhavam; ela nunca ganhou flores de ninguém.
- Você gostou mesmo?
- Claro!
- Que bom. - Ele sorriu. - Bom, agora eu vou indo, as sextas-feiras são traiçoeiras. Amanhã é meu show, você vai?
- Amanhã? Não era semana que vem?
- Era, falou certo. Eles anteciparam por causa da previsão do tempo. Tchau, se cuida. Só passei mesmo pra te ver. - Deu um beijo demorado e carinhoso no canto da boca de . Quando ele se afastou, a garota ainda tinha os olhos fechados. sorriu e saiu, deixando a porta aberta para as amigas da garota entrarem.

Nem meio segundo depois, as três benditas invadiram o quarto.
- Con-ta-tu-do-a-go-ra. – Pediu , praticamente se jogando em cima de . e olhavam com cara de cachorro pidão. – Ou a gente te empurra de uma cadeira de rodas da ladeira que tem aqui perto. – lembrava daquela ladeira, era uma das piores que tinha visto.
- Meninas, vocês sabem que eu não tenho dom pra contar histórias... – Ela tentava fugir do assunto, levantou e se sentou na cama.
- A gente já pensou na solução. – Disse . – A faz as perguntas e você só responde sim ou não, olha que prático! – Elas riam. – Topa?
- Tá, vai. Comecem. – Cedeu a garota, arrependendo-se logo em seguida; as perguntas de eram as mais inconvenientes, e ela tinha certeza que as amigas tinham escolhido ela justamente por esse motivo.
- O buquê era pra você? – Começou .
- Sim. – Respondeu enquanto as meninas riam.
- Ele falou alguma coisa sobre perdão?
- Sim. – Percebeu que estava com sede, pegou um copo d’água que estava no criado mudo e começou a beber.
- Vocês se beijaram? – A pergunta despertou mais ainda a atenção de todos no quarto, se é que era possível. teve um sério acesso de tosse; tinha se engasgado com a água.
- AEAEAE, BEIJOOOOOOOOOU! – Gritava pulando pelo quarto.
- Eu não respondi nada! – tentava se defender, mas ninguém ouvia. – Ei, garotas, eu não disse nada!
- Não precisa dizer, tá estampado na sua cara, bobona! – sorria.
- Mas a gente não se beijou!
- Como assim, não? – perguntou com a mão direita segurando um travesseiro e a esquerda um dos fios dos aparelhos que estavam na cabeceira da cama.
- Onde você ia enfiar esse fio? – estava com cara de ‘aquepontonóschegamos!’.
ignorou o comentário infeliz de .
- Quero dizer, mais ou menos.
- Explica.
- Foi no canto da boca, não signi...
- Claro que significa alguma coisa. – Interrompeu . – Foi ele quem deu o beijo ou você?
- Ele. – estava começando a ficar vermelha; não gostava nem um pouco daquela situação.
- Eu disse pra você, ele tá gamadão. – falou desenhando um coração no ar, em cima da cabeça de , que fazia um olhar apaixonado para , supostamente imitando .
- Ah, calem a boca, suas poias. – riu e jogou uma almofada em .
- Vai dizer que você não gostou? – Perguntou com o sorriso mais safado do mundo.
- Eu, er...
- Safadiiiiiiiiiiiiinha! – falou rindo.
- , chama minha mãe? Acho que já passei tempo demais aqui. – Disse olhando pela janela. A amiga abriu a porta e o que as meninas viram deixou com a maior vergonha do mundo: estava ouvindo atrás da porta, e quando a abriu, ele saiu correndo, ainda na esperança de não ser visto.
- Oh, shit. – Lamentou . olhava para o chão; ainda tinha a imagem do garoto correndo pelo corredor na cabeça.

corria como nunca tinha feito antes pelos corredores do hospital. Ele não podia ter vacilado daquele jeito, pensava. não ia mais ter coragem de olhar na sua cara, e as outras meninas iam olhar ele atravessado, só porque quase ouviu o que queria ouvir – que realmente sentia alguma coisa por ele. Bom, não tinha ouvido isso, mas o silêncio dela quando perguntaram se tinha gostado do semi-beijo foi satisfatório. Ficou tão cheio de si que não ouviu a garota pedindo pra amiga chamar a mãe, e deu no que deu. Vinha tão distraído que se esbarrou em uma pessoa, quando foi ver quem era para pedir desculpas se deparou com ninguém mais ninguém menos que .
- Cara, ainda na obsessão de me matar? Eu já disse que não tenho nada com a ! – se levantou, assustado.
- Desculpa, eu tô com a cabeça em outro mundo...
- Fugindo da polícia?
- Pior.
- Pior? – guiava-os entre umas cadeiras na recepção, sentaram em umas do fundo.
- É, cara. Você não vai acreditar no que aconteceu.
Ele contou toda a história, desde o momento no qual tinha entrado no quarto sem bater, descrevendo com detalhes, às vezes inexistentes, como o fato que o outro estava dormindo no sofá com a mão na bunda de uma menina que também dormia com ele. Nesse momento, parecia mais um tomate maduro do que gente. Contou como beijou , o que conversaram, e o que tinha acabado de acontecer. Quando terminou a narrativa, sorria descaradamente.
- Por que tá sorrindo? Tem motivo pra sorrir?
- Tem, cara. Ela gosta de você. – fez uma cara de "¬¬" pro garoto. – É sério, ouve o que eu tô te falando! Depois disso tudo que você ouviu, se ainda não acredita nisso, não vai acreditar nem se vocês se pegarem.
- Acho que só vou acreditar quando tiver ela pra mim.
- Eu nunca te vi tão obsessivo. Cara, você tá amando?
- Não sei. É estranho. Ela é estranha.
- Depois da sua bolada, quem não ficaria? Mas ela tá se recup...
- Não estranha desse jeito, ela é linda! Estranha porque mesmo com o rosto inchado, ela ainda consegue ficar linda! Estranha porque consegue me fazer pensar nela toda hora! Estranha porque eu compus uma música pra ela! Cara, que doença é essa?
- Amor. – Respondeu se levantando. – Vou visitar sua amada. A propósito, qual o nome da música que você fez pra ela?
- Met this girl.
- Sugestivo.
- Não diga. – sorriu e se virou pra sair. – Ei, cara! – levantou, segurando o outro. – Desculpa por tudo? Tudo o que eu fiz, o que eu disse...
- Ah, sem problema. Afinal, ‘when she walks in the room your heart goes boom!’. - Cantou .
- Essa música foi a que eu escrevi pra ela!
- Exatamente.
- Você tava me espionando?
- Não, caiu do seu caderno um dia desses. Deduzi que fosse pra . Gostou do ritmo?
- Eu... – Disse indeciso. – Tá ótimo, cara. – Abriu um sorrisão e abraçou o outro, que se surpreendeu, mas retribuiu o abraço com o mesmo entusiasmo.
- Menino ou menina? – Uma mulher que passava por ali perguntou, olhando eles de cima a baixo, certamente pensando que os pais de hoje estão cada vez mais novos. Os garotos riram e se entreolharam; respondeu.
- Uma menina, e é linda!


CAPÍTULO X - CHANGE YOUR MINDS


No outro dia, o humor de ia de mal a pior. Graças a uma pomada milagrosa, seu rosto estava no estado natural, mas isso não apagava da mente o que tinha acontecido no dia anterior. Estava estudando quando o telefone tocou, e ela atendeu.
- Alô, quem fala?
- Alô, ? Aqui é a .
- Oi, . – Disse, sem o mínimo de empolgação.
- Que horas a gente pode passar aí?
- Pra quê?
- Pra te pegar, shubis.
- Pra ir aonde? – sabia exatamente onde elas iriam.
- O show dos garotos! Você não vai acreditar, o , ele também toca na banda! – estava muito emocionada.
- Que legal, .
- Ah, era pra você estar um pouco mais empolgada, parece coisa de filme! Quantas vezes você encontra um menino super lindo que toca em uma banda?
- Er...
- A gente te pega às 6, esteja pronta e linda, beijo.
- , eu... – Mas a amiga já tinha desligado. – Droga, e agora? Pronta e linda, como se fosse fácil. – Pôs o telefone no gancho; se olhou no espelho. – Ele não precisa me ver, precisa?

Já tinham se passado 15 minutos da hora combinada. estava ficando nervosa. Tinha feito o melhor look da sua vida e estava acabando com a sua produção das unhas de tanto que roía as pobres coitadas. Ouviu uma buzina.
- DESCE AÍ, CINDERELA! – Reconheceu a voz da . Pegou a bolsa e saiu correndo pela casa, pegando a chave da mãe embaixo do tapete da entrada. Fechou a porta e entrou no carro.
- Olá, meninas. – sentou no banco do carona; a mãe da dirigia e as outras três amigas estavam sentadas no banco de trás. – Olá, Sra. .
- , você está muito bonita. – Elogiou a mãe da amiga.
- É, até parece que vai encontrar o príncipe encantado. – Disse , sorrindo. sorriu de volta pra ela. Não falaram mais nada durante o resto do percurso. Chegaram em pouco tempo.
- Divirtam-se, meninas. – Despediu-se a Sra. , arrancando o carro a uma velocidade incrível.
- Ela está indo embora. – Falou enquanto olhava a mãe desaparecer rapidamente. – Não pode ir embora... MÃAAE, NÃO SE VÁAA...
- , aqui não, ok? – Disse agarrando ela pelo braço e sorrindo amarelo para as pessoas que olhavam. Arrastou a amiga pra dentro de um espaço de eventos que tinha perto da escola. nunca reparou naquela construção. Era uma casa de eventos que, segundo os comentários, estava em reformas e essa era a reinauguração. Ela se dirigiu a umas cadeiras no fundo, mas puxou ela de volta.
- Quê...?
- Você acha que com amigos quase famosos a gente vai sentar no fundo? Vem, cat.
- Não, a gente não vai pra frente, eu...
- A gente não vai sentar na frente.
- Não? – se aliviou temporariamente.
- Vamos pros bastidores.
- , não!
- Por quê?
- Como você acha que eu vou olhar pra ele?
- Vem logo, o não morde!
- Mas chuta!
- Você não pensou nisso quando beijou ele. – arrastava a outra pela escada; tinham chegado no palco.
- Eu não beijei ele, eu já dis... – O pensamento de foi bloqueado pela visão que acabara de ter: entraram nos bastidores e , que estava conversando com , e , ao ouvir a voz de , se virou e agora estava encarando-a, com o mesmo sorriso da primeira vez que se viram. O desespero dela aumentou, se é que era possível. Um silêncio repentino tomou conta do local. saiu correndo em direção à platéia.
- ! , ESPERA! – gritou, mas não adiantou: ela já tinha saído dos bastidores e descido do palco. Pegou um lugar que ele não viu onde ficava. No fundo sabia que ela agiria assim. Ela estava tão bonita, ele pensava, e ficou feliz por notar que seu rosto não estava mais inchado. Apesar de ter garantido que a iria, estava em dúvida sobre a presença da garota no evento, foi um alívio vê-la ali. O terceiro e último toque pro começo do evento soou; o desespero de não era nem um terço do que ele começava a sentir. Olhou pros amigos e percebeu que não era o que estava em pior estado: parecia uma torneira de suor e andava tanto de um lado para o outro que ele viu a hora dele abrir um buraco no chão. O único que estava aparentemente calmo era . Aparentemente. Na ânsia de ajudar com alguma coisa, tropeçou em uns fios vermelhos completamente visíveis, desligando a iluminação de todo o evento. não conseguia enxergar nada, entretanto, ouvia perfeitamente os berros que vinham da platéia.
- BATAM PALMAS PARA O PATETA! – Gritou , com raiva.
- Graaaaças a Deus, podemos ir agora? – A voz de parecia aliviada.
- Não, vocês não vão a lugar nenhum! – Disse , algum lugar à frente de .
- Alguém pode me ajudar aqui? – Pediu , e percebeu que ele tinha caído. – Obrigado, amm...
- Fui eu, . – Respondeu .
- ? Você não... – Começou . estava paralisado.
- A queda de energia não pode ter sido coisa técnica, com certeza foi um de vocês. – foi se aproximando da garota, guiado pela voz dela, os passos abafados pelos cochichos que vinham de todos os cantos. – Deixa eu ver se entendi: o tropeçou nos fios?
- Exatamente. – Respondeu , sussurrando no ouvido dela e tapando a boca da garota ao mesmo tempo; ela não teve tempo nem fôlego pra gritar: perdeu todo ele quando ouviu a voz do menino. – Se você prometer conversar comigo, eu te solto, ok? – concordou com a cabeça e o garoto a soltou. – Vem comigo. – Ele a levou a um canto isolado da escuridão, segurando-a leve porém firmemente pelo braço. – Por que você tá me evitando?
- Eeeeu? Te evitando? Claro que não. – Ela respondeu, recuando, sentindo o garoto avançar.
- Tá me evitando sim. – Afirmou e, ao sentir parar de recuar, deduziu que ela tinha chegado no limite e apoiou seu braço na parede, meio que prendendo ela, que não falou nada. – Olha, o que vocês conversaram no hospital, eu...
- Por favor, por favor, finge que aquilo não aconteceu, ok? – Ela tentou sair, mas ele a segurou com o braço livre. – Me solta! – Protestou, tentando se desvencilhar do garoto.
- Não solto, você não vai a lugar nenhum.
- Quem é você pra dizer isso?
- .
- OOOOOH, desculpa Sr. , aceita um cafezinho?
- Mas que menina irritante que você é! – riu.
- Isso é um problema meu!
- E meu também.
- Seu?
- É. Se quiser ser a mãe dos meu 35 filhos...
- 35? – fingiu que não ouviu.
- ... continua assim, você fica linda brava. – Ele sussurrou as últimas palavras no ouvido de , fazendo ela se arrepiar.
- Eu não quero se mãe dos seus 35 filhos.
- E por que se incomodou com a quantidade?
- Eu não me incomodei com a quantidade! Me deixa sair? – Pediu , impaciente. Não tinha percebido que eles estavam praticamente abraçados.
- Não, já falei.
- Se você não me deixar sair, eu grito, tô falando sé... – não falou mais nada: tinha dado um selinho demorado nela.
- Não vai gritar? – Perguntou ele, chegando mais perto da boca da garota de novo. fazia uma tentativa desesperada e sem sucesso de penetrar a parede com as costas. O pior é que ela se jogava pra trás apoiada no , o que fazia aquilo parecer mais uma luta de gladiadores. O garoto tomou coragem, fechou os olhos [como se precisasse, tava tudo escuro mesmo] e beijou-a. Ela resistiu mas, com o tempo, correspondeu. Ele abraçou-a pela cintura, beijando-a com intensidade, enquanto ela passava as mãos pela sua nuca, retribuindo o beijo com a mesma vontade. Eles sorriam de vez em quando, era impossível segurar o sorriso. a empurrava de levinho contra a parede, sentindo seu corpo no dela e só faltou carregá-la, tamanha era a felicidade que sentia. Soube ali que aquela era a menina da sua vida. Então, de repente, a luz voltou.


empurrou pra longe, mas não adiantou muito: todos nos bastidores tinham visto o que eles estavam fazendo.
Silêncio. E então...
- AEEEEEEEEEEEEE! Finalmente! – Gritou . Os outros gritavam coisas que eles não conseguiam entender, mas eram coisas felizes. abraçou de novo. Ele sorria pra ela, que retribuía o sorriso. Ouviram então o apresentador do concurso falando no microfone.
- Boa noite, pessoal. Estamos começando o primeiro Concurso de Bandas Amadoras. Depois de problemas técnicos causados por um imbec... quero dizer, por fatores adversos, vamos começar o show! – Gritos da platéia. – Lembrando que a banda ganhadora terá um prêmio surpresa, que só será revelado na premiação. Vamos chamar ao palco então a primeira banda a se apresentar hoje, StrangeWay! – Berros da platéia e cinco meninos subiram no palco cantando uma música boazinha.
- Vocês são a próxima banda, qual o nome da banda de vocês? – Perguntou um contra-regra pros garotos.
- EU SABIA que faltava alguma coisa. – deu um tapa na própria testa.
- Banda sem nome não apresenta, não é? – Perguntou , esperançoso.
- Não. – Respondeu o contra-regra.
- Como assim, vocês não têm um nome? – não acreditou no que ouviu.
- Consigam um nome logo! – Implorou .
- Diz um filme que você gosta. – Pediu pra .
- Ahn? Bom, a gente pode discutir isso depois, essa não é a hora ide...
- Diz um filme que você gosta! – Insistiu ela.
- Tá, sei lá... De volta para o futuro?
- O nome da banda é McFLY. – Anunciou . O contra-regra anotou e saiu.
- McFLY? Por que McFLY? – estava desesperado.
- Marty McFly, De volta para o futuro. – respondeu.
- Ficou legal. – Disse . Então eles ouviram a música da StrangeWay acabar e o apresentador anunciar a vez deles.
- Boa sorte, . – Desejou , e ele a beijou mais uma vez. Ela ouviu vários ‘ui’ e ‘vamos logo, ’, e então empurrou o garoto em direção ao palco, sorrindo. Ele parecia uma criança que tinha ganhado um pirulito quando subiu no palco. falou no microfone:
- Essa música é da autoria de , e foi feita pra menina que ele mais ama. – A platéia gritou, como sempre, e olhou pra , desesperado. fez leitura labial e entendeu ele dizer: “Não era Room on the third floor?”, mas apenas sorriu e começou a música. se soltou aos poucos. não tinha dificuldades em se relacionar com a platéia, e tinha um sorriso enorme durante toda a performance. estava derretida com a letra.

Well I met this girl, just the other day,
Bem eu conheci essa garota ainda outro dia
I hope I don't regret, the things that I said now
Eu espero que eu não meu arrependa das coisas que eu disse agora
And when we're laughing and joking with each other now
E quando nós estávamos rindo e brincando um com o outro,

I’m glad I met this girl
Estou feliz que eu conheço essa garota
She didn't walk away,
Ela não fugiu
I think she was impressed and was having a good time,
Eu acho que ela se impressionou e estava se divertindo
And when we're laughing joking with each other,
E quando nós estávamos rindo e brincando um com o outro
Spending all our time together...
Passando todo o nosso tempo juntos...

When she walks in the room my heart goes boom!
Quando ela entra na sala meu coração faz boom!
Ba ba ba ba da ba, [x2]
I tried to take her home but she said,
Eu tentei levar ela para casa mas ela disse
You're no good for me...
Você não é bom para mim...

She's got a pretty face, such a lovely name,
Ela tem um rosto bonito, um nome encantador
I don't want my friends to see, they might take her away from me,
Eu não quero que meus amigos vejam, eles podem tirar ela de mim
She's one I won't forget, in a long long long time,
Ela é a única que eu não vou esquecer, por um longo, longo, longo tempo

Now I really want the world to see,
Agora quero realmente que o mundo inteiro veja
That she is the one for me,
Que ela é única para mim

When she walks in the room my heart goes boom!
Quando ela entra na sala meu coração faz boom!
Ba ba ba ba ba da ba, [x2]
I tried to take her home but she said,
Eu tentei levar ela para casa mas ela disse
You're no good for me...
Você não é bom para mim...

The first time that I saw her she stole my heart,
A primeira vez que eu a vi ela roubou meu coração
And if we were together, nothing could tear us apart,
E se nós estivéssemos juntos, nada poderia nos separar [...]

A platéia aplaudiu de pé, berrou, enfim, fez a festa. Eles tinham arrasado. Voltaram com um sorriso de orelha a orelha no rosto.
- Música pra quem, ? – Perguntou , sorrindo.
- Bom, não sei... – Ela olhou séria pra ele. – Tô brincando, foi pra . – Disse, dando um sorriso lindo e abraçando , fazendo ela dar alguns passos atrás com ele. Ela estava achando tudo demais. – Você gostou? – Sussurrou ele, inseguro.
- Bom, não sei... – Ele pareceu desolado. Ela riu. – Claro que gostei. Uma música pra uma menina que você conheceu na terça, deu uma bolada na quinta, deu um buquê na sexta e ficou no sábado, acho que quebramos todos os recordes. – Eles riram. Mais uma banda entrava no palco. começava a ter ondas de pânico. – Calma, vai dar tudo certo. – tentava consolar. Mas quando a quarta e última banda saiu do palco, e o apresentador chamou as bandas, nem sentia as pernas.
- Queria parabenizar todos vocês pelo excelente show que nos proporcionaram hoje.- Disse o apresentador depois de todas as bandas chegarem. dava tremidinhas de vez em quando; sorria amarelo, apertando uma mão na outra; estava pálido, parecendo um morto-vivo; e tentava não roer as unhas. – Agora, as colocações! Em quarto lugar, a banda StrangeWay! – Aplausos. – Em terceiro lugar, a banda Killers! – Aplausos e alguns assobios. não conseguia acreditar que estavam na disputa pelo primeiro lugar. – Em segundo lugar, aplausos pra banda The Economy!
- Ah, legal, ganhamos. – Falou , desmaiando em seguida. As meninas invadiram o palco, todas gritavam muito. foi socorrer o ; e berravam e pulavam juntos; tinha ficado ainda mais pálido, se é que era possível, e gritava ao lado dele “Ganhaaaaaaaram, vocês conseguiram!”; correu pra , que a abraçou e beijou, com mais vontade do que tinha beijado nos bastidores, se é que era possível. Enquanto isso, uma chuva de papel picado caía no palco e o público gritava, berrava, comemorava junto com os meninos. O apresentador esperou todos se silenciarem, se aproximou de , que parecia normal, e entregou o troféu pra ele, dizendo algumas palavras que não entendeu muito bem,alguma coisa envolvendo uma viagem. continuava imóvel. Em seguida, do nada, agarrou ele pelo braço e o beijou. O garoto finalmente voltou à vida: olhou para a menina, para o troféu em sua mão e então pareceu se dar conta do que estava acontecendo. Começou a berrar , comemorando, sozinho no palco, todos observando e rindo, e então ele carregou , como se carrega uma noiva para entrar no quarto de núpcias, e rodou com ela no palco. Eles riam como abestalhados, e então o contra-regra mandou eles pararem porque o apresentador ia falar mais alguma coisa.
- Obrigado pessoal, boa noite! – Disse o apresentador, se retirando. Os garotos imitaram ele, saltitantes e felizes. Quando passavam pelos bastidores, puxou discretamente em direção a uma fenda escura. Abraçou-a e encostou-a na parede.
- Você me deu sorte. Acho que vou compor mais músicas pra você. – falou, dando um selinho em . – Obrigado.
- Por...?
- Por ter me ajudado.
- Eu te ajudei? O talento é todo seu! – sorria, mexendo no cabelo dele.
- Eu não tava bem, se eu não tivesse te beijado, não me sairia daquele jeito.
- Bom, então eu tenho beijos milagrosos?
- Tem sim... aaai! – Disse , segurando o lugar onde estaria o coração.
- Que foi?
- Dor... me ajuda? – fez cara de cachorro pidão.
- Ah, seu besta, quer me matar do coração? – fez cara de brava, o garoto sorriu de maneira doce e eles se beijaram.

- Alguém viu o e a ? – Perguntou , procurando eles em volta.
- Eles estão em algum canto, fazendo coisinhas. – deu um sorriso safado.
- Amm, , eu esqueci meu boné no camarim, vamos lá buscar? – pediu.
- Aaah, claro! Porque eu tenho 'idiota' escrito na minha testa.– ironizou. - Você nem veio de boné.
não respondeu, apenas sorriu sem graça.
- Quer saber um bom jeito deles virem correndo pra cá? - Perguntou aos outros, que fizeram que não com a cabeça. - O é louco por pizza, é só a gente gritar e ele vem, por exemplo... QUE TAL IRMOS NUMA PIZZARIA?

e fizeram silêncio ao ouvir o grito de .
- Você ouviu o que eu... ouvi? - Perguntou o garoto, inseguro.
- Acho que sim...
Ela saiu arrastando pela mão, a menina tentando acompanhar o ritmo dele, enquanto corriam em direção aos outros.

- Não disse? - estava cheio de si ao ver e saírem de uma fenda escura logo atrás, correndo como loucos.
- Não esqueçam de nós! - Gritava desesperado, puxando pela mão. Chegaram ofegantes.
- É... não... esqueçam de... nós. - estava completamente descabelada.
- Vamo logo. - incentivou os outros, que começaram a andar em direção à saída.
- Mas a gente não vai numa pizzaria! - sussurrou pra .
- Eu tô com fome, quem mandou o inventar essa história?
- Não fale de comida perto dele, ele se imagina comendo e fica com fome. - disse pra , enquanto dava um potente arroto.


Capítulo XI – AT THE PIZZA PLACE


- PIZZA, PIZZA, PIIIIIZZAAAA! - Cantavam e a plenos pulmões enquanto andavam em direção à pizzaria. Era em torno de nove horas da noite e eles não sentiam vergonha nenhuma do que estavam fazendo.
- Por que a gente não vai lá pra casa? - Sugeriu . - Sabe como é, pizza, filmes, e meus pais não estão lá.
- Claaaaaro! - Os meninos aceitaram na mesma hora.
- Não! - As garotas fizeram cara de 'quem-vocês-acham-que-nós-somos?'.
- Ah, qual é, não vai acontecer nada!
- Claro que vai, olha, já estamos na frente da pizzaria, que tal entrar, comer e sair? – falou, apontando pro estabelecimento.
- É exatamente isso que acontece nos motéis. – sussurrou. deu um olhar repreensivo. – Tá, eu paro.
- Vam... – começou, mas as meninas entraram decididas na pizzaria. – Mulheres. – Disse, e entrou atrás delas.

A Pizzaria estava lotada, custou a eles acharem um lugar. Os meninos puxaram a cadeira para as meninas, e só depois delas estarem acomodadas se sentaram.
- Rodízio? – Um garçom semi-bonito olhava para eles.
- RODÍZIOO! – Gritaram os meninos, parecendo leões esfomeados. O garçom pôs a plaquinha de rodízio em cima da mesa e se retirou.
- Não vai se oferecer pra esse garçom, ? – perguntou em voz alta, fazendo todos rirem; não sabia onde enfiar a cara.
- Ah, qual é? Me disseram que você se amarra em um garçom. – abraçou , que ficava cada vez mais vermelha.
- Por falar em garçom... Essa história tá muito confusa... – Começou , mas o garçom a interrompeu.
- Pizza de quatro queijos. – Os garotos deram urros de aprovação. Depois de servir todos, o garçom perguntou se eles queriam bebidas e a resposta foi unânime: “Coca-Cola.”
- Qua hirstrita, ? – falou de boca cheia.
- Calma, , você vai ficar bem. – olhava para a cara do garoto como se ele tivesse alguma doença altamente contagiosa e fatal.
- Acho que ele perguntou qual era a história. – falava enquanto o garçom servia a Coca.
- Bom, a de vocês! Pelo que eu saiba, só o e o estudam juntos, o é de outra sala e o é um garçom... – foi interrompida novamente, dessa vez por .
- O que tem demais em ser um garçom?
- Nada, só que é meio impossível vocês se ligarem dessa forma, não? Explica? – deu um sorriso cativante para os garotos.
- Há muuuito tempo atrás – Começou . – todos nós fomos da mesma rua. Tínhamos entre 5 e 7 anos, e éramos muito unidos. Eu e o já tocávamos, e acabamos influenciando os outros dois a fazerem o mesmo.
- Outros dois? É isso que somos pra você? – fazia voz de bicha. – Então você não lembra das nossas loucuras? – Olhava desejoso para , passando a ponta dos dedos levemente pelo seu, er, peitoral. Os outros riram quando afastou ele delicadamente para o outro lado.
- Continuando. – tomou um gole da Coca. – Quando eu tinha 11 anos, formamos a banda, e fazíamos apresentações para nossas famílias, que babavam, no caso do avô do , literalmente. – deu um pedala em e os outros riram. se engasgou com um pedaço de pizza e dava tapinhas nas suas costas. – Uns meses depois, cada um seguiu seu rumo na cidade.
- Meus pais morreram, então eu fui morar com minha avó em outro bairro, tive que trabalhar pra ajudar. Não pude continuar naquela escola, é cara demais. – falou, e beijou-o, ardentemente.
- Bom, eu perdi minha perna quando caí de um penhasco, e lá embaixo tinham tubarões super ferozes, sabe, uns 5 ou 6, não, espera, eram 50, e eles comeram minha perna e essa que eu uso é prótese. – Falou , e todos olhavam pra ele. Ele se virou para . – Você não sabe como eu sofro! Com o preconceito e com tudo o mais...
- Se você espera que eu beije você como a está fazendo com o , tire seu cavalinho da chuva, meu bem. Se essa perna aqui é prótese, então não tem problema eu apertar ela assim, tem? – apertou a perna esquerda de , que se contorceu de dor, e deixou escapar um grito.
- Bom, então é isso? – perguntou, suspendeu os ombros.– A história de vocês dá um livro.
- Mas enquanto não se interessam pela nossa história, eu tenho um jogo. – anunciou, sorrindo. – Eu o chamo de “Esse jogo foi inventando por Harold Judd e tem direitos autorais.” – Os outros olhavam para ele. – Você só tem que contar uma mentira. – Continuaram olhando para ele. piscou os olhos. – Tá, eu começo: eu odiei o prêmio do concurso.
- Qual prêmio? – estava de olhos arregalados.
- Você não ouviu? É uma viagem com acompanhante para o Alaska. – disse, e riu. – É sério, se não acredita, pergunta pra eles. O embarque é em três dias.
- É verdade, cara. – confirmou.
- Uau, eu... sempre quis ir pro Alaska! – sorriu amarelo.
- Essa foi a sua mentira? – Perguntou .
- Não, é verdade. Frio e... neve. Bem... legal.
- Minha vez. – Falou , com a boca cheia. – Eu odeio a .
- E eu não tenho nenhum tipo de queda por garçons. – disse, sorrindo.
- Odiei a música que o fez pra mim. – sorriu, e a abraçou.
- Odiei saber que você gostou. – respondeu, sorrindo docemente.
- Odiei saber que você odiou saber que eu gostei. – encarava , sorrindo como uma babaca.
- Eu odiei saber que você odiou saber que eu odiei saber que você gostou da música.
- Odiei saber que você odiou saber que eu odi... – interrompeu .
- CHEEEEEEEEEEEEEEEEEGA! – gritou e todos riram. – Nossa Senhora, que coisa mais horrível.
- Você é toda insensível. – dava Coca no canudo para .
- Blergh, que coisa mais melosa, que tipo de pessoa dá Coca no canudo para o namora... – olhou para e a viu afastando uma lata de Coca com canudos para longe. Os outros riram enquanto o menino dava um beijo na testa de , sem graça.
- E acabou a sessão mentiras. – falava como se fosse o chefe. O garçom servia pizza de calabresa e mais coca-cola.
O tempo passou depressa, eles nem notaram. Entre pedaços de pizza, idiotices e beijos, muita risada. Eles riam do menino que aparentava ter quatro anos e enfiava pedacinhos de pimenta pelo nariz na mesa ao lado quando se levantou, anunciando:
- Acabou o meu horário, tenho que ir pra casa.
- Se acabou o da , imagine o meu. – Disse .
- E eu tenho que acompanhar a , sabe como é, dormimos juntas. – completou.
- Por que vocês não vem dormir na minha casa? – pediu, os olhos brilhando. – Vai ser legal.
- Ótimo, vamos! – se levantou, sorridente. o puxou de volta.
- Eu me referia às meninas.
- Doce ilusão. – Fez cara de triste, e olhou pra com a mesma cara de .
- Posso ir também?
- Claaaro, sua boba. Aliás, vamos logo. – se levantou, deixando uma nota de vinte na mesa, que fez menção de pegar, mas deu um tapa na mão dele.
- Posso te levar em casa? Quero dizer, andando, se você não se importar. – perguntou.
- Me levar? – o encarou.
- É. – Ele respondeu, mantendo o olhar. pensou por um tempo.
- Claro que pode. – A menina sorriu.
- Eu posso te levar também, ? – sorriu.
- E eu, ? – segurou a mão da menina, ajoelhado.
- Er... eu posso te levar pra casa, amm, ? - estava lutando para dizer aquilo. Timidez, é.
- Ótimo, vamos pra casa da juntos! – comemorou. jurava ter visto os meninos fazendo um tipo estranho de comemoração.
- Vamos logo! – os apressou. Pagaram a conta, que não foi pequena, vale ressaltar, e sairam para a escuridão da noite.

- Tchau , você já pode ir! – tentava desagarrar o garoto das pernas dela, ajoelhado na entrada de casa.
- Ah não, eu não quero ir!
- Os outros estão te esperando ali, eles já foram! – Ela via os outros três olharem a cena, abafando risinhos.
- As meninas bateram neles pra eles irem.
- Quer que eu te bata também?
- Mas eu tenho medo de nunca mais te ver!
- Deixa de ser idiota, . É claro que você vai me ver, amanhã cedinho. Agora, TCHAU. – desenhou a palavra no ar. O garoto se deu por vencido e largou as pernas da menina, dando um beijo nela em seguida.
- Então até amanhã?
- Amm, é, até amanhã.
Ele seguiu os amigos, que riram dele assim que se juntou ao grupo. Seguiram pela rua escura, olhando para trás de vez em quando. Quando já não podia mais enxergá-los, entrou em casa. estava usando a melhor camisola de , escovava os dentes enquanto assistia um filme na tv e fazia pipoca.
- Bom, er, se sintam à vontade. Se é que preciso dar esse aviso.
- A gente sabe que pode se sentir em casa. – gritou da cozinha e sorriu, subindo as escadas para o banheiro depois que lhe deu um olhar duro. desligou a tv e ligou o som. Alguma música de Hip Hop tocava e ela começou a dançar.
- Cadê seus pais? – Ela continuava a fazer passos loucos enquanto falava.
- Voltam amanhã pela tarde. Negócios, como sempre. – explicou.- Agora, por favor, não façam muita bagunça. Eu vou dormir um pouco, tô meio zonza.
- Boa noite, ! – disse, sorrindo.
- Boa noite, ! – e gritaram, da cozinha e banheiro, respectivamente.
- Boa noite, meninas! – gritou em resposta, subindo as escadas. Entrou no quarto e se jogou na cama.

Ela tinha algumas coisas a pensar. Tudo estava acontecendo muito rápido. Tudo estava muito... perfeito. Ela não gostava disso, era muito desconfiada. Levantou-se e se olhou no espelho. Nunca teve uma maré de sorte tão boa. Estava tudo muito bom. Trocou sua roupa pensando nas amizades, as novas e as velhas. As meninas eram adoráveis e os meninos incríveis, parecia coisa do destino, feitos um para o outro. E ... bom, , sem dúvidas, era o amor da sua vida. Ela se assustou com a certeza com a qual pensou aquilo. Mas era uma certeza irrevogável. Uma que ela podia ter. Adormeceu imaginando se outro dia perfeito a esperava. Essa era uma certeza que não fazia parte do grupo da certeza anterior.


CAPÍTULO XII - You need a blue sky holiday

Toc
Toc Toc
Toc


acordou assustada. O barulho vinha da janela. Olhou o relógio: 6:45 da manhã. E o “Toc Toc” continuava. Resolveu olhar o que era. Abriu a janela e alguma coisa acertou sua testa.
- ? Você está bem? – gritava moderadamente lá embaixo, enquanto a garota tentava entender o que estava acontecendo.
- Tô bem sim, foi só um arranhão... O que é que você tá fazendo aqui?
- Desce pra você ver! – Ele sorria. Aquilo derretia , então ela escovou os dentes e desceu, nem notou que estava de camisola. Passou pela sala e viu as meninas dormindo nos sofás. Encontrou no jardim. Ele a olhou, sorrindo. – Uau, acho que devo aparecer aqui de manhã mais vezes.
- Pára, . – tentava cobrir a maior parte do corpo possível, usando os braços. – De manhã não, de madrugada! Você já viu que horas são?
- O sol já nasceu, é isso que importa.
- O que você tava jogando na minha janela?
- Pedrinhas. Eu te acertei?
- Bem na testa. Mas como você sabia que aquele era o meu quarto?
- Joguei pedras em todas as janelas. Uma hora você iria aparecer. – Ele a abraçou pela cintura. – Agora, bom dia.
- Bom dia. – Ele a beijou. não conteve o sorriso. Era tão bom!
- Você é linda quando acorda assustada. – afastou o cabelo do rosto dela e sorriu docemente. – Tenho uma coisa pra você. - Largou-a e pegou um violão.
- Uau, serenata, de manhã? – Eles riram.
- Por assim dizer.
Ele começou a tocar.

I think yesterday
Eu pensei sobre ontem
And all the times I spent being lonely
E todo tempo que eu passei estando sozinho
I watched the young be young
Eu assisti os jovens sendo jovens
While all the singers sung
Enquanto todos os cantores cantavam
About the way I felt
Sobre o jeito que me sentia

The days are here again
Os dias estão aqui de novo
When all the lights go down,
Quando todas as luzes se apagam,
What do they show me?
O que eles me mostram?
The rules are all the same
As regras são todas as mesmas
It's just a different game
É apenas um jogo diferente
To tell you how I feel
Para te dizer como eu me sinto

Although it seems so rare
Mesmo que pareça tão raro
I was always there
Eu sempre estive lá

Oooh, oooh
I can't stop digging the way you make me feel

Eu não consigo parar de gostar do jeito que você me faz sentir
Oooh, oooh
I can't stop digging the way

Eu não consigo parar de gostar do jeito
Oooh, oooh
I can't stop digging the way you make me feel

Eu não consigo parar de gostar do jeito que você me faz sentir


- Que... que lindo, ! – não tinha palavras.
- Outra composição para você. – Ele deixou o violão de lado e a abraçou novamente.
- Você é uma máquina de composições? – passava os dedos suavemente no rosto dele.
- Só quando tô inspirado. – Sorriu. – Mas a música ainda não tá pronta. Falta alguma coisa.
- Uau. Lhes apresento o Mr. Sensações, vulgo . – Ele riu, e a carregou no colo. – AAH, ME PÕE NO CHÃO, POR FAVOR!
- O que eu ganho em troca? – Ele estava se divertindo muito. Balançava ela de um lado para o outro.
- Qualquer coisa, é só me colocar no chão, por favor. – Ele a colocou no chão.
- Eu tenho uma proposta. – deu um olhar ‘arram, te peguei’.
- O quê? Que eu vá pro Alaska com vocês? Pode tirar o cavalinho da chuva.
- Pelo visto eu não fui o único que não ouviu o apresentador.
- Hã?
- Eles estavam mentindo ontem. Não é uma viagem para o Alaska.
- E é pra onde?
- Pro Pólo Norte. – Ele riu.
- Idiota. – Ela tentou parecer brava e segurar o riso mas a única coisa que conseguiu foi fazer uma careta.
- Não preciso impor condições pra você vir comigo para o Alaska, você vem e pronto. – Os olhos dele brilharam.
- HAHA. – Ela o abraçou.
- E a minha proposta ééééé....
- Qual?
- Você passar o dia inteirinho comigo. Como se fosse difícil pra você. – ajeitava o cabelo, pomposo. teve uma crise de riso.- O que foi? – O garoto olhava preocupado para ela, tendo um ataque, caída no chão, rindo. Se recuperou aos poucos e o encarou. – E então?
- Se é só isso, é claro que eu quero!
- Boba! – Ele a beijou. ainda sorria enquanto beijava . As mãos nas costas dele, contornando a musculatura quase perfeita de um adolescente em fase de crescimento. Era incrível como era tão bom beijá-lo.

Na casa ao lado, a vizinha tapava o olho do filhinho de 7 anos, na janela da sala.
- Pouca vergonha essa hora da manhã! Do lado de fora da casa! Não tem nem a decência de entrar. É por isso que as crianças estão assim. Pervertidos. – Ela reclamava, puxando as cortinas de todas as janelas que tinham visão para aquela cena de sem-vergonhice, ou que lembrassem a mesma.

Na casa de , do lado de dentro, alvoroço.
- Olha lá, eles tão se beijando! – tinha os olhos grudados na cena. A janela estava aberta.
- QUE-NO-VI-DA-DE. Acho que é isso que todos os namorados fazem. – disse e deu um pedala em , que deu um olhar cruel.
- Ele tocou alguma coisa pra ela, olha ali o violão. – falou de boca cheia, mandando um pedaço certeiro na bochecha de . – Desculpa! – Ela limpou a amiga.
- Bem feito! – comemorou, dançando. encarou a dança com os punhos fechados.
- Parem, vocês! Eles vão nos ouvir! – tentou conter , mas um passo de dança maluco da última levou as três de cabeça pro lado de fora da casa.

e viraram para ver o que tinha acontecido.
- Ah não, desculpa, ... – gemeu, mas o garoto parecia estar se divertindo.
- Tudo bem, sem problemas. – Ele tentou despreocupá-la. As meninas agora estavam tentando parecer limpas o máximo possível até que avançaram para falar com eles.
- Er, bom dia, gente bonita. – deu um sorriso amarelo.
- Estávamos nos perguntando se não seriam o e a aproveitando o sol da manhã. – disse, sorrindo amarelo também.
- Parabéns, você acertou. Quer um troféu? – ironizou. riu.
- Olha, desculpa, , e desculpa você também, . A gente não devia bisbilhotar a vida alheia, mas foi mais forte que a gente! – justificou. – Você mais do que ninguém sabe que é impossível não olhar a vida dos outros, quando esses ‘outros’ estão se agarrando do lado de fora da casa em plena luz do dia. E principalmente se a menina estiver de camisola. – fez menção de falar alguma coisa, mas falou antes, impedindo-a de dizer qualquer coisa que fosse. – Não querem entrar para tomar o café?
- Virou dona Florinda? – riu.
- Talvez. – sorriu, sussurrando para . – Você devia ver a cara que a vizinha do lado fez. Aquela barata nojenta. Não deve ver homem há dois séculos... – Ela ia entrando na casa, acompanhada pelos demais. correu para a cozinha e preparava o café da manhã. Eles se sentaram no sofá da sala, e ligou o som. Uma música leve tocava. passou o braço pelos ombros de . Ela se sentia confortável quando estava com ele, nos braços dele. Ficaram um bom tempo sem falar nada, até que um rock tipo Beatles começou a tocar, e começaram a dançar (desajeitadamente, diga-se de passagem) e o cheiro da comida chegou na sala. O estômago de roncou.
- Tá pronto, cambada! – Gritou da cozinha. Todos correram feito esfomeados e sentaram-se rápido na mesa, onde podiam ver bacon, ovos, sanduíches, frutas, sucos e... é, mousse de chocolate.
- Pra quê isso tudo? – sussurrou pra , enquanto a ajudava a distribuir pratos e copos.
- Tem que impressionar. – sussurrou em resposta, sentando-se na cabeceira da mesa. – Bom apetite. – Ela sorriu e então eles começaram a devorar. cozinhava muito bem, isso eles tinham que admitir. Quando terminaram, estavam satisfeitos. Deixaram os pratos lá mesmo, a empregada ia lavar quando chegasse. Largaram-se no sofá da sala novamente. ainda tinha resquícios de mousse no queixo quando se juntou a e para dançar uma música agitada. e assistiam e riam muito da cena. Então o locutor anunciou uma valsa bem lenta, e ela sentiu o garoto gelar antes de falar.
- Quer dançar?
- Eu não sei dançar. – respondeu, sorrindo.
- Eu posso te obrigar. – Ele a fez levantar-se. Colocou as mãos na cintura dela, que o abraçou pelo pescoço. Apoiou sua testa em um ombro dele e fechou os olhos, deixando-o guiá-la. As meninas dançavam valsa em trio, e quase caíram em cima do som. dançava muito bem, por sinal. Rodando lentamente no mesmo lugar, nem era tão difícil. E era impossível não saber dançar com ele.
- Onde aprendeu a dançar tão bem? – sussurrou enquanto dançavam, ainda de olhos fechados.
- Com você eu consigo dançar assim. – Ele sussurrou no ouvido dela em resposta, fazendo a menina se arrepiar. – Com você tudo é diferente.
Continuaram a dançar o resto da música sem falar nada, sempre de olhos fechados. Quando ouviu os últimos acordes da música, abriu os olhos. As meninas estavam paradas, em pé, abraçadas, olhando para e abraçados no meio da sala. Lágrimas caiam dos olhos de , e tentava consolar a amiga.
- É t-tão bo-bon-nito eles j-junt-tos! – Gaguejou a chorona, enquanto dava tapinhas nas suas costas. Ela sempre foi muito sentimental.
- Eu sei, . – Disse . – Foram feitos um pro outro.
olhou para , que retribuiu o olhar. Feitos um para o outro, essa era a expressão correta. E nada conseguiria separá-los.
Então a campainha tocou.
- Você tá esperando alguém? – perguntou para , que fez que não com a cabeça. A menina se desvencilhou do abraço e abriu a porta. parou atrás da menina, como seu protetor, e , e ficaram atrás dos dois, observando a cena.
- Bom dia. – Ela disse, vendo um homem estranho com malas nas mãos.
- Bom dia. Aqui é a casa dos ? – fez que sim com a cabeça. – Você deve ser , não? – A menina confirmou. – Seus pais acabaram de chegar no aeroporto, mas tiveram uma emergência na empresa e vão chegar mais tarde.
- Mas eles só chegariam pela tarde, não? – A garota protestou.
- Isso eu não sei informar. Onde eu ponho as malas? – indicou o caminho para o quarto dos pais e retornou para a sala. O homem voltou quase imediatamente, já sem nenhuma mala nas mãos e saiu, desejando um bom dia.
- QUE MAGNÍFICO! – exclamou, assim que fechou a porta. – Eles vêm, não avisam, e eu fico como? Tenho que arrumar essa bagunça. – Continuou ela, olhando para a sala. – E vocês vão dar uma mão aqui também.

Arrumaram a casa em poucos minutos. Não tinha muito o que fazer. Quando os pais de chegaram, e as meninas já tinham saído.
- Mãe, pai! Como foi a viagem? – A garota perguntou, animada.
- Cansativa, como sempre. – Respondeu Sr. . – Apesar de tudo, estamos aqui!
- E você, mãe? Foi tudo bem?
- Filha, precisamos conversar com você. – Sra. ignorou a pergunta. começou a se preocupar.
- O que houve? – O pai conduziu-as para a sala, onde sentaram-se no sofá. – Então, o que foi?
- Tem menos de uma semana que estamos aqui. Recebemos uma proposta melhor e...
- COMO É? – Agora estava realmente preocupada.
- ... pensamos que como só temos seis dias aqui, você ainda não tem laços tão fortes e...
- EU NÃO ACREDITO! – A garota se desesperou.
- ... vamos nos mudar para Stormville amanhã...
- NÃO PODE! – A garota começou a chorar.
- ... você já suportou uma vez, temos certeza que você consegue, ainda não fez muitas amizades...
- N-NÃO! EU NÃO VOU EMBORA! EU NÃO P-POSSO IR ASSIM! VOCÊS NÃO P-PODEM FAZER ISSO C-COMIGO DE NOVO! – A voz dela falhava entre os soluços do choro.
- Não aumente seu tom de voz conosco. Somos seus pais. – Sr. falou com firmeza. – Sabemos o que é melhor pra você e para nós. - chorava desesperadamente enquanto o pai dizia aquelas palavras duras e insensíveis. – Agora suba e faça suas malas. Embarcamos amanhã pela manhã. E não tente fugir.
A menina não respondeu nada. Subiu as escadas correndo e chorando. Trancou a porta do quarto, se jogou na cama, chorando demais, e pensou em tudo que tinha acontecido naquele tempo. Lembrou de tudo de todos os momentos com . Tinha que fazer alguma coisa. Aquilo não podia terminar assim. Pegou o celular e ligou para .

Em alguma praça, as meninas e estavam conversando animadamente, até que o celular da tocou.
- É a . – Informou ela, olhando o identificados de chamadas. Apertou o botão verde.
- E aí, ?
- Oi, . E-eu n-não tô b-bem...
- O que aconteceu?
- M-meus p-pais, eles...
- O que aconteceu? – perguntou mais desesperada. , e estavam bastante alarmados, então botou no viva-voz.
- Eu v-vou p-pra outra cid-dade, q-que eu n-nem sei ond-de fica! – desabou no choro. não acreditou no que ouvia. Não podia ser verdade.
- Calma, , a gente vai fazer alguma coisa. – tentou tranquilizar.
- É, a gente não vai deixar você ir embora assim! – apoiou.
- Eu te amo, e nunca vou deixar você ir embora. – disse, ainda sem acreditar que aquilo tava acontecendo.
- M-me ajudem, eu n-não sei o que f-fazer! – Ela chorava cada vez mais e mais.
- Tá, agora eu vou desligar, tenho que pensar em algo.
- T-tchau. – E desligou.
- E agora? O que a gente faz? – andava de um lado para o outro.
- Vou ligar para os meninos. Eles sempre sabem alguma coisa. – pegou o celular e ligou para .
- Alô? – atendeu. E pelo barulho, os outros estavam com ele.
- Oi, .
- Quem é?
- Seu celular não tem identificador de chamadas não, man?
- Ah, é o ? Não reconheci por causa da voz preocupada. Achei que tinham roubado seu celular.
- Não, cara. Uma coisa horrível aconteceu. E vocês precisam me ajudar.

CAPÍTULO XIII - Easy way out



arrumava suas coisas no quarto. Já tinha escurecido. Ninguém havia lhe telefonado. Claro que ela tentou ligar para eles, mas os celulares estavam desligados. Melhor assim, sem despedidas.
Desde 9 horas da manhã a menina não saia do quarto. Seus olhos pareciam rubis de tão vermelhos, chorou a maior parte do tempo. Agora estava conformada. Se era pra ser assim, que fosse então. Fechou a mala, ligou o computador e escreveu uma mensagem para .

,
Entendo que não queira mais me ver. É melhor assim.
Desejando votos de felicidade,


Sentou-se na cama e ouviu um barulho de carro na rua.
Então um som conhecido invadiu seus ouvidos, e vinha da janela. “Pedrinhas.” Ela pensou. Era sua imaginação, sua esperança de que ele viesse buscá-la. Mas ele não viria. Tapou os ouvidos com dois travesseiros e tentou fingir que não ouvia o som.
Mas ele insistia em penetrar a sua resistência.
Resolveu verificar a janela, pra ter certeza que não havia nada. Abriu-a e, novamente, alguma coisa acertou sua testa.
- Ah, não, de novo não... – Ouviu a voz de lamentar lá embaixo. “Meu Deus, eu sou esquisofrêmica!” Pensou ela. Mas o sangue na testa era real.
- ? – perguntou, indecisa.
- ? – Ele sussurrou, tentando se certificar.
- VOCÊ VEIO! – Ela gritou, emocionada.
- Sim, eu vim, mas não precisa contar pra todo mundo! – Ele disse, desesperado.
- , o que você veio fazer aqui? Você veio me levar com você, não é?
- É, vim te levar. – O coração de disparou quando ouviu aquilo. – Agora pega suas coisas e joga a mala pela janela. Consegue descer por ela?
- Eu acho melhor sair pela porta. – A garota falou, pensando em ossos quebrados e órgãos inutilizados.
- Não tem perigo?
- Mais perigo do que eu cair pela janela? Acho que não.
- Na verdade, eu estava pensando em uma escada...
- , QUE VOZES SÃO ESSAS? – O Sr. perguntou, da porta do quarto. Por sorte estava trancada. fechou a janela rapidamente.
- É a televisão, pai. – Ela respondeu, tentando parecer natural.
- TELEVISÃO? DESDE QUANDO NO SEU QUARTO TEM TELEVISÃO? – sentiu-se em um programa de perguntas e respostas. “PEEEEEN! Resposta errada!”
- É, pai, no computador! Tem um programa que conecta por meio de ondas ultra... – Ela começou a dar uma resposta super complicada e sem nexo.
- TÁ BOM, TÁ BOM. – Ele disse, e saiu. A garota voltou para a janela.
- Pensando melhor, prefiro a janela. – Ela sussurrou pra , que riu.
- Apalpa o lado direito de fora da sua janela. – Ela fez o que ele mandou. Não demorou a encontrar degraus. – Consegue descer?
- A-acho que sim.
- Pode jogar suas coisas.
pegou sua mala, estendeu suas mãos segurando ela para fora e soltou-a, praticamente nas mãos de , que deixou a mala de lado e esperou ela descer.
- Pode vir! – Ele encorajou-a.
A menina passou uma perna pela borda da janela e apoiou-a na escada. Passou a outra e quase se desequilibrou. Desceu e encarou . Apesar de estarem no escuro, ela conseguia ver os seus olhos. Ficou encarando-os, hipnotizada. O garoto fazia o mesmo. Até que se deu conta do que estava acontecendo.
- Vamos, , não podemos esperar! – Ele pegou a mala e a mão dela, correndo em direção à rua.
- Claro, claro. – Ela disse, se deixando levar pelo namorado. Tinha um carro escuro parado do lado oposto à casa da menina. abriu o porta-malas e encaixou a bagagem de em meio a outras. Antes que pudesse adivinhar de quem eram as bagagens, o garoto a arrastou para o banco do carona.
- GALERA! – Ela exclamou ao ver seis pessoas amontoadas no fundo, olhando para ela com caras felizes. , , , , e disseram coisas que a menina não conseguiu entender. Os meninos estavam sentados nos colos das meninas. deu a partida. jurava que tinha ouvido um grito de raiva do pai enquanto dobravam a esquina.
- O carro é da minha mãe, então pega leve, galera. – anunciou.
- Qual é, ? Você não vai ver sua mãe por um bom tempo... – resmungou, futucando alguma coisa no banco.
- Mas ela liberou o carro para a fuga, então acho bom ter o mínimo de respeito. – retrucou.
- Sua mãe o quê? – perguntou, de olhos arregalados.
- É, ela é louca. Apoia qualquer tipo de atitude rebelde. – disse, rindo.
- Não fala assim da minha mãe, sua vadia! – tentou bater em , mas como estavam nas extremidades, o braço passou bem longe da menina. – , bate nela pra mim!
- Eu não. E por favor, se controlem, o não pode se desconcentrar! – e dava pedalas coletivos em , sem nenhum motivo aparente.
- , achei que você fosse menor de idade. – falou para ele.
- E sou. – O garoto tentava não tirar os olhos da pista.
- Então você não pode dirigir! – A menina se desesperou.
- E você, por um acaso, pode estar aqui?
- Eu, er...
- Eu não estou reclamando, . Pelo contrário. – Ele sorriu.
Seguiram por uma estrada que não conhecia. 3 horas de viagem depois, o celular da garota tocou.
- É o meu pai. – Ela disse, olhando o identificador.
- E aí? – perguntou, roendo as unhas. – Vai atender?
- Não. – A garota respondeu, desligando o aparelho. – Ele pode ter um rastreador ou algo parecido. Vindo dos meus pais, nada é impossível.
- Vamos cantar pra passar o tempo! – sugeriu. puxou o coral.
- ONE LITTLE, TWO LITTLE, THREE LITTLE INDIANS...

FOUR LITTLE, FIVE LITTLE, SIX LITTLE INDIANS,
SEVEN LITTLE, EIGHT LITTLE, NINE LITTLE INDIANS,
TEN LITTLE INDIANS BOYS!
TEN LITTLE, NINE LITTLE, EIGHT LITTLE INDIANS,
SEVEN LITTLE, SIX LITTLE, FIVE LITTLE INDIANS,
FOUR LITTLE, THREE LITTLE TWO LITTLE INDIANS,
ONE LITTLE INDIAN BOY!


- Chegamos. – Anunciou .
Estavam numa espécie de...
- MATO? – Gritou , entrando em pânico.
- Espero que tenham trazido repelente. – disse.
- Quem teve essa idéia de jerico? – estava revoltada. estacionou o carro e foi um Deus nos acuda para saírem todos. , pra variar, tomou uma queda.
- A idéia foi minha. – disse, magoado.
- Só podia ser. – estava tentando tirar alguma coisa que estava grudada em seu sapato. – Tinha que ser do doidão.
- Menos confusão aí, mais trabalho aqui! – pediu, abrindo o manual de instruções de uma barraca. , que estava pingando lama, foi tentar ajudar, segurando a lanterna.
Pauzinho pra cá, pauzinho pra lá, quedas acolá, os meninos, e armaram as três barracas. e ficaram se entupindo de repelente.
- Tentem recolher gravetos pra fazer algum foguinho. – sussurrou para as maníacas do repelente, que começaram o trabalho na mesma hora. Com a ajuda de um pouco da gasolina do carro e um isqueiro providencial do , a “fogueira” estava pronta. Colocaram os tapetes do carro no chão e sentaram-se em volta da fogueira.
- Só faltam os marshmallows. – Comentou . distribuiu pacotinhos de batata-frita para todos.
- Legal. A gente pode pendurar elas em alguns gravetos e ficarão igualzinhas aos marshmallows daqueles acampamentos de filme! – tinha os olhos brilhando e tentava enfiar um graveto em uma batata-frita, mas só conseguiu despedaçá-la.
- Maluco. – falou, se aconchegando nos braços do garoto, que beijou o topo da sua cabeça.
- Ah, eu também quero! – reclamou, tentando abraçar , mas o que conseguiu foi mandar o pacote dele pelos ares.
- Minhas batatinhas! – Ele choramingou.
- A gente procura, tá tudo bem. – fez todos se levantarem para procurar as benditas batatas do .
- Não acho em lugar nenhum! - reclamou, procurando entre as moitas.
- Que barulho foi esse? – perguntou, avançando para a mata densa.
- Qual barulho? - perguntou, segurando a garota e impedindo-a de seguir.
Todos pararam para escutar. Um rugido muito sinistro veio de perto do lugar onde estava.
- Socorro! - A garota gritou, correndo para perto dos amigos.
- Calma, gente. Seja lá o que for, vamos morrer juntos! - falou.
- Grande consolo, morrer com você, um grande ba... - ironizou, mas foi interrompido por outro rugido feroz.
Então eles viram o lobo.
Capítulo XIV - Born To Run


- Isso não tá acontecendo, isso não tá acontecendo... – repetia.
- JACOOOB! – gritou, avançando para o lobo. – JACOB, VOCÊ TÁ AQUI! EU SABIA QUE IA TE ENCONTRAR E... Ei!- Ela parou, com um olhar amedrontado. - Se ele tá aqui... TEM VAMPIROS POR PERTO! JACOB, VOCÊ VEIO NOS SALVAR!
- Não surta, ! – disse, puxando a amiga. – Ele não é um lobo gigante. E isso é hora de pensar em Twilight? Estamos prestes a ser devorados por um lobo e você vem com historinha de Jacob?
- Mas... – começou, mas foi interrompida.
- Mas nada. Calada. – deu um olhar ameaçador e calou.
- Lobinho bonitinho, coisinha fofinha, não morde o papai não... – choramingava, puxando a barra da blusa de . O lobo abriu a boca e eles puderam ver suas enormes presas.
- A-acho q-que sei um jeito... se jo-jogarmos com-mida... - falou, ou melhor, tentou falar, pegando alguma coisa em uma bolsa. Um pacote de marshmallows foi tirado de lá e ela abriu, sob o olhar atento de todos.
- , a gente sabe que você tá nervosa e tudo, mas agora NÃO É HORA DE COMEEEER! – se descontrolou, tremendo freneticamente enquanto olhava pro lobo, que avançou dois passos. sussurrava baixinho alguma coisa como “mamãe”.
- Não é pra comer. Não a gente, o lo-lo-lo-lo-lobo. – falou.
- ESPERA UM POUCO! PRA GENTE NÃO TEM MARSHMALLOW, TEM AQUELAS BATATINHAS RUFFLES, QUE NÃO ENTOPEM NEM O BURACO DO DENTE, E PRO LOBO TEM? – gritou.
- É, APOIADO! – balançava a cabeça em apoio.
- Não gritem! – pediu, pálido de medo. – Melhor dar os marshmallows pro lobo do que comer eles e ser comido depois!
- Eu v-vou faz-zer o seguinte: jog-g-go e o saco aberto-to longe e ele v-vai pe-g-gar, ent-tão a gente corre pro carro. – propôs, sem tirar os olhos da fera sanguinária.
- Acha mesmo que ele vai querer os marshmallows? – perguntou, abraçando .
- É tudo o que temos. – disse. – Mas os marshmallows não vão cair quando você jogar?
- N-não. Tem um je-jeito que não cai. É só jo-jo-jo-gar com a abertu-tu-tu-ra virada pra cima, de-desse jeito... – Ela jogou o saco, que caiu a poucos metros de distância deles. O lobo olhou o saco voando e virou para a frente, sem tocar nenhum dos marshmallows.
- EU SABIA! LOBOS NÃO GOSTAM DE MARSHMALLOWS, GOSTAM DE CARNE! – berrou. – VAMOS TODOS SER DEVORADOS POR ESSE SER!
- , por favor... – falou.
- ...NÃO QUERO SER COMIDO POR UM LOBO, NÃO MESMO! PREFIRO SER ESTUPRADO DEZ VEZES SEGUIDAS DO QUE SER ESTRAÇALHADO E ESQUECIDO NO MEIO DE UMA FLORESTA...
- , menos, não tá ajudando... – continuou sua tentativa desesperada de fazer calar a boca.
- ...UM ANIMAL QUE DEPOIS VAI ME DEFECAR! ISSO NÃO É JUSTO, EU SOU TÃO JOVEM...
- , eu vou te espancar se você não parar...
- NOSSOS PAIS PENSARÃO QUE FOMOS SEQUESTRADOS, E ENTÃO ESQUECERÃO DA NOSSA EXISTÊNCIA ENQUANTO ESTAREMOS APODRECENDO NO MATO...
- CALA A BOCA! – tentou calar a boca de e derramou todas as batatas fritas que trazia na mão. O lobo se aproximou da menina e parou em cima do seu pé, abrindo a boca e mostrando, novamente, suas presas afiadíssimas. Então ele comeu uma batata frita. Ouviu-se um barulho de água caindo no chão: estava fazendo xixi nas calças.
- Ele gosta de batatas fritas? – se espantou.
- Abram todos os pacotes e joguem as batatinhas no chão! – ordenou. – Quando eu der o sinal, corram para o carro, organizadamente, por favor! - Jogaram as batatinhas no chão e o lobo começou a devorá-las. – AGORA!
Todos correram para o carro e se encaixaram sincronizadamente.
- Eu vou passar o carro perto das barracas e vocês tentam segurá-las por fora do carro, não tem tempo pra desarmá-las, ok? – perguntou, recebendo vários “oks” em resposta. , e seguraram as três barracas do lado de fora do carro, desajeitadamente, já que eram barracas médias. arrancou o carro de volta para a estrada. Puderam ver ao longe o lobo terminando de comer as batatinhas.

Meia hora de silêncio.
- E agora? – perguntou, ajudando a segurar a barraca pelo lado de fora da janela.
- Agora vamos rodar mais um pouco até termos certeza que estamos fora da área de lobos. – respondeu.
- Vamos cantar de novo. – falou, puxando ar pra começar a cantar.
- NÃO! – Todos gritaram. perdeu o controle por dois segundos, mas logo voltou ao normal.
- Tá, ué. – disse, resignado.
- Ah, não. – olhava para a frente. seguiu o olhar dele e avistou um módulo policial.
- FAZ A VOLTA, FAZ A VOLTA! – gritou, desesperado.
- Ah, meu Deus, essa é a noite! – lamentou, dando um suspiro.
- Não tem como! Se voltarmos é bem capaz de o lobo estar na estrada esperando a gente. – respondeu, diminuindo a velocidade.
- E creia, ele não vai perguntar “doces ou travessuras”. Vai perguntar “batatas ou carne” mesmo. – disse, sarcástica. Tanta coisa estava acontecendo que esqueceu que era Hallowen.
- Ajam com naturalidade, ainda temos a chance de não sermos abordados. – pediu.
- Claro, com três barracas gigantes penduradas do lado de fora e um mongol tremendo no volante, não vamos chamar nenhuma atenção. – disse, provavelmente para disfarçar o medo.
Foram chegando perto do módulo, e então eles perceberam que tinha algo errado. Não haviam policiais nem luzes acesas.
- Esse módulo tá... vazio? – se espantou.
- Graças a Deus. Imaginem, sermos presos. Nunca mais a minha vida seria a mesma. – falou, ajeitando os cabelos.
conduziu o carro tranqüilamente por onde seria a blits, acelerando depois da passagem. Puderam respirar aliviados. Menos , que ainda estava preocupada com o fato de os amigos estarem ali. Decidiu não falar nada naquele momento, não queria causar um ataque do ou da e, consequentemente, um acidente de carro.
conseguiu, enfim, puxar um coro de “little indians” de novo. Todos cantavam alegremente, enquanto conduzia o carro. A música foi seguida por “o sapo não lava o pé” e “atirei o pau no gato”. , sempre ecologicamente correta, fez questão de cantar, sozinha, o “não atire o pau na gato”.
- Que cheiro é esse? – perguntou. Um cheiro muito estranho vinha do fundo.
- Ah, não, alguém me dá uma flanela! – pediu, sendo prontamente atendida por . – A , ela fez xixi nas calças, e ninguém se lembrou de botar uma toalha pra ela sentar no carro! Minha mãe vai me matar... – Ela entregou a flanela pra , que corou e pôs a mesma sobre o lugar no banco que estava sentada. Disfarçadamente, uma bolha de isolamento foi criada ao redor de . Agora que tinham lembrado, ninguém queria chegar muito perto dela. O sofredor foi , que estava sentado em seu colo. O garoto praticamente não respirava, desesperado.
- Acho que... aqui... tá bom. – entrou na mata novamente, encontrando uma clareira minutos depois. Ele saiu primeiro e distribuiu as barracas que os amigos seguravam pelo espaço. abriu o porta-malas, pegou sua mochila e entrou na primeira barraca, para trocar a roupa. O céu começava a clarear. abriu uma barraca e sentou na beirada dela. Dali ela viu sair da barraca com roupas limpas, novamente se entupindo de repelente, ajudando com alguma coisa no motor do carro, e sentados em um tronco de árvore, rindo, e parado no meio da clareira, olhando para todos os lados. Seus olhares se encontraram e ele sorriu ao encaminhar-se para sentar ao lado da garota.
- Curtindo a emoção? – O garoto perguntou, olhando para .
- Não exatamente. – Ela respondeu, olhando jogar folhinhas no cabelo de .
- Sei como é. Olha, a gente tá aqui porque quer.
- Mas não preci...
- Claro que precisamos! – Ele interrompeu a garota. – O não obrigou a gente a vir pra cá, se é isso que você está pensando. Nós que insistimos. Não íamos deixar você sozinha com ele, podia ser... perigoso. – Ele finalizou, com um riso torto.
- Mais perigoso que um lobo doente por batatas fritas?
- Muito mais! – riu. – Tem um graveto nos seus cabelos, não se mexa. – Ele tirou o graveto delicadamente, atirando-o para o lado, logo em seguida.
- Então, er... obrigada?
- De nada, era só um graveto.
- Não por isso, por terem vindo. – Ela explicou.
- Não precisa agradecer, é um prazer. – O garoto respondeu, olhando para . Ela corou e olhou para o chão. – Bom, acho que tenho que ajudar alguém a fazer alguma coisa, ou posso ser acusado de omissão. Até mais. – Ele disse, e a garota se virou para dar um abraço de despedida. sentiu arrepios percorrerem seu corpo e percebeu. Ele riu baixo e afagou os cabelos dela, ainda abraçando-a. Desvencilhou-se do abraço e deu-lhe um beijo, no canto da boca, sorrindo ao ver o espanto da garota. Saiu, indo ver alguma coisa no porta-malas.

CAPÍTULO XV - LET THE RAIN FALL


precisou de alguns segundos para entender. Ou estava ficando louco ou ela teve um delírio. Era mais fácil ela ter um delírio.
Parecia que não havia percebido. A garota sentiu-se aliviada - menos uma briga por nada.
não se sentia cansada. Agora que estava ali, sentada, finalmente raciocinava direito. Ela tinha fugido de casa com um menino que conheceu alguns dias atrás. Na verdade, com QUATRO meninos recém-conhecidos. Que tipo de pessoa ela era? Estava se entregando rápido demais, e isso não era nada bom.
Não tinha deixado nem um bilhete em cima da cama, nada par identificar o seu desaparecimento. Esperava nunca mais encontrar Sr. , ou ia se dar muito mal.
Loucura. Mais cedo ou mais tarde ela reencontraria os pais, e então não saberia o que esperar do futuro. Uma morte bastante dolorosa, com requintes de crueldade, talvez. Resolveu ligar para casa. Pegou o celular e discou. Uma voz rouca e ansiosa atendeu.
- Alô?
- Alô, eu... erm... gostaria de falar com meus pais.
- ? - finalmente identificou a voz do seu pai.
- Pai! Eu... erm... amm... - Ela não sabia o que falar. "Fugi de casa com estranhos e pretendo não voltar mais" seria o ideal.
- VOLTE JÁ PRA CASA! - A garota estremeceu ao ouvir o grito do pai.
- Pai...
- QUEM VOCÊ ACHA QUE É PRA FAZER ISSO?
- Você só vai gritar comigo? Não vai me ouvir? - As lágrimas umedeceram os olhos dela.
- ...DESLIGOU O CELULAR... - ouviu um ruidoso suspiro. - Fale.
- Eu não quero me mudar.
Silêncio.
- VOCÊ VAI AONDE EU QUISER, STORMVILLE, BARILOCHE OU ATÉ PRO CAZAQUISTÃO, EU CONTINUO TENDO SUA GUARDA E MANDO EM VO...
- Ligo quando o senhor estiver mais controlado. - disse, apertando o botão para desligar.
Levantou-se e caminhou na direção de e que, aparentemenete, sentiam-se satisfeitos por terem consertado qualquer coisa no motor.
- Tá cansada? - perguntou assim que se aproximou.
- Por incrível que pareça, não. Quero mais... ação. - Depois dos gritos que havia recebido, a menina decidiu se divertir mais naquela jornada, erm, inesquecível.
- Também não estou com muito sono. A gente podia fazer uma caminhada, sei lá. - O garoto propôs. pediu licença e saiu.
- Eu topo. - Ela respondeu, correndo pra pegar um casaco na mochila. Voltou e continuava no mesmo lugar. - Vamos?
passou um braço pelos ombros de , e eles caminharam em direção a uma trilha desgastada pelo tempo. A garota olhou para trás antes de entrar pelo caminho e piscou o olho pra ela. Quem ele achava que era, o que ele pensava que estava fazendo?
Andaram em silêncio, até que resolveu falar alguma coisa.
- Aqui por perto tem um rio.
- Já conhece a região? - perguntou, espantada.
- Eu não ia te trazer pra um lugar que não conhecesse. Tinha opções e resolvi pesquisá-las.
- Quais eram as opções? - A garota desviou de uma pedra, quase caindo.
- Na verdade... - Ele corou. - Só essa. E o lugar que o lobo tava, que já está fora de cogitação.
Eles riram.
- E pra onde está me levando?
- Mais uns dez passos e você vai ver.
Poucos passos depois a garota teve a visão do paraíso. Um rio de águas transparentes e peixes que pulavam passava entre pedras grandes o suficiente para várias pessoas deitarem sem aperto. guiou até uma delas, onde deitaram e ficaram olhando para o céu. A pedra ainda estava fria, e o garoto afagava os cabelos da menina, que permaneceu em silêncio enquanto ele falava para passar o tempo.
- Tá preocupada? - Ele perguntou, percebendo que recebia muitos "aham's" para suas perguntas, incluindo "Por que será que o arco-íris é em forma de arco?".
- Pra falar a verdade... tô. Todos eles vieram e não podem fazer nada... nem conheço os meninos direito e eles estão aqui...
- Você também não me conhece direito. Nos conhecemos essa semana.
- Conheço o suficiente pra saber que é com você que quero ficar. - falou, deitando sua cabeça no tórax de .
- Nunca vi nada parecido. Nada tão... rápido, entende?
- É como se eu te conhecesse de outra vida. Como se... você sempre estivesse na minha memória, mas se só agora eu lembrasse. - A garota disse, inclinando a cabeça para olhar nos olhos de .
- Eu também sinto assim. É estranho, é diferente, e acho que não tem nenhum registro de coisa parecida em outra parte do mundo... Eu só sei que você é especial pra mim, . E sei disso desde a primeira vez que te vi.
- Há quantos dias atrás? - A menina riu.
- Não interessa. Podia ter te conhecido nesse instante, ou em quatro mil antes de Cristo, sei que sentiria o mesmo que estou sentindo agora. - beijou o topo da cabeça de , que se arrepiou. - E não quero te perder por nada nesse mundo.
refletiu sobre aquilo. Podia ser paixonite, fogo de palha. Coisa de uma semana. Coisa muito louca. Podia ser uma doença, dessas que tem que tomar remédio de tarja preta. Podia ser que o cupido trabalhou direitinho. Mas também podia ser que eles realmente se gostassem, a ponto de se declararem daquela forma poucos dias após se conhecerem. se sentia completamente atraída por , e o que sentia por ela era recíproco. Uma química inexplicável. Não como as outras meninas, que se apaixonavam pelo primeiro que dava atenção. Era... uma coisa completamente diferente. E estranha.
Pingos de água começaram a atingir a pedra na qual eles estavam. sentou-se.
- Vamos embora, vai chover. - Ele disse, enquanto mais gotas caíam no rosto deles. A garota concordou com a cabeça, mas quando se levantaram a chuva já caía com vontade. abraçou a menina para protegê-la da chuva e seus olhos se encontraram.
- , eu... - falou, com a água escorrendo pelo rosto e os braços entrelaçados no pescoço do garoto.
- Eu quero você pra sempre. - disse, as mãos na cintura da menina.
- Você me tem pra sempre. Sempre teve. - acariciava o rosto de , que puxou-a para um beijo calmo e carinhoso. A água lavava os rostos deles, que não se desgrudavam, querendo aproveitar ao máximo aquele momento.
estava tão envolvida nos braços do menino que demorou alguns segundos para perceber que a chuva havia parado de cair sobre eles, mas não ao redor. estava ali, segurando um guarda-chuva, dando um olhar maldoso ao vê-los ensopados e se beijando.
- Querem que eu continue segurando mais um pouco? - Ele perguntou, com desdém.
- Não, obrigada. Acho que já é hora de voltar mesmo. - respondeu. manteu-se abraçado à garota no caminho de volta, numa tentativa desesperada de aquecê-la, que agora tremia da cabeça aos pés.
- Sabe, se o não tivesse avisado aonde ia, vocês poderiam estar mortos agora. - comentava, enquanto caminhavam pela mata.
- Temos que falar para onde pretendemos ir, em caso de nos perdemos nos acharão. - sussurrou no ouvido de , que o olhou com cara de ponto de interrogação. - Regra de escoteiro. - Ele completou, e deu de ombros.
Chegaram no acampamento improvisado e correu pra uma barraca, para procurar roupas secas e poderem se acomodar melhor.
estava entrando na sua própria barraca quando puxou seu braço e fez ela voltar e olhar pra ele.
- Quando é que você vai me levar à sério? - Ele perguntou, puxando a menina para si.
- Eu vou fingir que você não falou isso. - A menina respondeu, entrando na sua barraca para trocar as roupas e deixando ele do lado de fora, na chuva, com um guarda-chuva na mão e a maior cara de babaca do mundo.

CONTINUA



N/A: Eu seeeeeei que essa atualização demorou, e quero pedir desculpas infinitas! A criatividade realmente não aparecia e então, PUFF!, ela apareceu. Espero que tenham gostado.
Muuuuuuuuito obrigada, meninas, as que votaram em BWPSS e que me deram os parabéns. Li os comentários e juro que arrepiei, vocês são mil!
Quem não gostou da fic, só lamento. Eu escrevo pra quem gosta e, tenha santa paciência, não se pode agradar gregos e troianos ao mesmo tempo.
Obrigada também às meninas que deram parabéns pra Tamy, é isso aê!
Quero avisar que a próxima att pode demorar um pouquinho, já que minhas aulas voltaram e eu estou com um projeto científico. Mas não se preocupem, se eu sentir uma necessidade imensa de escrever eu abandono os livros e os cadernos e pulo pro word. \o/
E pra quem ainda não sabe onde encontrar uma boa fic, Broccolice Fanfics pode ser a solução. Mas se você quer rir com os McGuys, visite o FunFLY.
É isso aí, continuem lendo e me contando o que acharam. *-*
Beijo&queijo!
Larii

n/b: Estou fazendo questão de fazer uma nota aqui pra deixar uma coisa MUITO bem clara:
QUEM NÃO GOSTOU DA FIC NÃO É OBRIGADO A COMENTAR. Como a própria Larii disse, ela escreve pra quem gosta.

Honestamente, cada vez mais os comentários das fics me decepcionam. Falar mal e xingar é sempre muito mais fácil q criticar construtivamente ou apenas se ausentar.
EU comecei ler TODOS os comentários [e não são poucos] feitos nessa e em outras fics e deletar os que só criticam e em que a pessoa não se deu nem ao trabalho de se identificar.
Tem gente bloqueada do guestbook e até do site por causa disso. Então prestem bastante atenção, pq eu não quero entrar em briga com leitoras de Bubble de novo. Sou uma pessoa impaciente e incrivelmente intolerante, se esse site fosse meu estavam banidos era pra sempre. Estão avisados.