Cap. 1

Ela passou a mão pelos cabelos e roupas, buscando qualquer vestígio de imperfeição. Não encontrou nenhum. Suas mãos suavam sem parar e ela nem prestava mais atenção à voz de Hayley Williams, que ainda saía dos fones do iPod.

- ! – Ela ouviu uma voz feminina chamando-a. A senhora que aparentava uns 600 anos de idade sorria simpática e fez sinal para que a garota entrasse na sala. Ela o fez.
- Bom dia! – sorriu para a mulher, sentando-se de frente para ela, que escreveu algo no computador e empurrou o teclado, virando-se para a menina e voltando a exibir seus dentes.
- Então... . – Ela encarou a menina por sobre os óculos. – Por que essa escolha?
- Bom, eu realmente quero ir para Londres, mas preciso de um lugar para ficar e um emprego, pelo menos por enquanto. Então, eu pensei: eu gosto de crianças, tenho paciência... Seria uma oportunidade de juntar o útil ao agradável. – Ela sorriu perfeitamente, assim como já havia ensaiado várias vezes diante do espelho.
- Certo, certo... – A senhora voltou a digitar algo no computador. – Idade?
- 17.
- Profissão... Estudante. – Ela mesma respondeu por , antes que ela pudesse dizer algo.
- Você pretende fazer o que enquanto trabalha?
- Faculdade. Quero fazer psicologia.
- Hum... – A mulher – que até agora não havia se apresentado – coçou o queixo, interessada. – Curioso. Você não me parece uma... psicóloga.
- Isso é por que eu ainda não me formei. – A menina tentou fazer piada, mas parou de rir ao perceber o sorriso amarelo no rosto da entrevistadora que, aparentemente, não havia entendido o trocadilho. Esses velhos de hoje em dia!
- Ok, srta. ! – A mulher bateu de leve na mesa, levantando e encaminhando-a até a porta. – Você embarca amanhã de manhã.
sorriu, feliz e aliviada.
- Ok! A que horas é o vôo?
- Vôo?! – A senhora riu, batendo na própria barriga. – Ônibus! Esteja na rodoviária às 5:00, por favor.
- 5:00?! – A menina perguntou mais alto do que esperava, já que algumas pessoas que estavam na sala de espera a encararam assustadas. Ela sorriu, sem graça. – Ok, então. Obrigada.

A velha sorriu adorável e chamou qualquer outra menina sardenta que queria sair daquele fim de mundo que era Glastonbury. Londres sempre fora seu maior sonho e agora ela o realizaria.
Abriu as pesadas portas da agência de empregos e sentiu o vento frio cortar sua pele. Ela apertou o sobretudo ao corpo e caminhou em direção a sua casa, ouvindo seu iPod e deliciando seu último dia na cidade.

abriu os olhos e encarou o teto por um segundo. Virou-se e bateu no despertador mais forte do que esperava, já que o indefeso relógio voou longe. Ela se arrastou até o banheiro e tomou um banho. Vestiu a roupa que já estava separada, já que todo o resto estava na mala. Abriu a porta do quarto e desceu as escadas. Percebeu que ainda estava um pouco escuro e aquilo a animou de alguma maneira. Louca.

- Bom dia, querida! – Sua mãe a cumprimentou quando a menina chegou à cozinha, sentando-se e pegando seu pão.
- Bom dia, mamãe.

As duas comeram e conversaram. Ela percebia que, por mais feliz que estivesse, sua mãe sustentava um olhar triste e cheio de saudades da filha. Seu pai havia falecido há dois anos e desde então eram só elas duas. Eram amigas, eram companheiras. Eram mãe e filha de verdade.

- Vou sentir saudades, meu anjo. – A Sra. abraçou a filha, fechando os olhos.
- Mãe, você pode ir me visitar sempre que quiser! E eu também! Não fica assim, ok? – tentou animá-la, enxugando suas lágrimas, que insistiam em cair, mas que não manchavam seu sorriso orgulhoso.
- Eu amo você.
- Eu também, mãe! Muito. – respondeu, já caminhando pela rua. Sentiu os olhos de sua mãe sobre suas costas, mas não se virou para encará-los novamente. Só enfiou os fones no ouvido e passou a andar encarando o par de all stars surrados.

O ônibus não demorara a chegar. Ela guardou a mala e acomodou-se em uma poltrona com janela. As pessoas provavelmente acharam que tinha lepra, já que ninguém se atreveu a sentar-se ao lado dela. Aquilo não incomodou a menina, que aproveitou o espaço em dobro.
- Londres! – A voz cansada e entediada do motorista disse ao microfone. Vários passageiros se levantaram, incluindo ela. Desceu do ônibus e pegou sua mala.

Agora ela estava na capital do país, com um endereço na mão e 665 libras que havia juntado nos últimos três meses cortando grama de todos os vizinhos. Respirou fundo e fechou os olhos, preparando-se para o próximo passo.

- Táxi! – A garota estendeu o braço, fazendo sinal para que o carro parasse.
- Para onde? – O senhor do banco da frente perguntou.
- Quem sabe? – Ela riu, entregando-lhe o papel. O homem assentiu e sorriu, engatando a marcha e seguindo em frente.

O carro parou em frente a uma grande casa verde clara. As janelas eram de cedro e tinha um enorme jardim colorido. Não tinha muros e aquilo a lembrou dos filmes americanos.

- Obrigada. – Ela agradeceu, entregando-lhe o dinheiro, sem tirar os olhos do seu futuro local de trabalho.

Seguiu até a porta e encarou mais uma vez as paredes. Encostou o dedo na campainha, mas antes que pudesse apertá-la a porta se abriu.

- Me deixa em paz, que saco! – Um garoto que parecia ter a idade dela saiu da casa, passando direto, como se não estivesse ali. Ela franziu o cenho, virando-se para encarar o menino andando rápido pela rua. Estava com seus pensamentos perdidos em quando sua mãe disse ter medo de que ela fosse para a casa de um serial killer.
- Ahn... – Ela ouviu, virando-se novamente para a porta. – Boa tarde! – Uma mulher que aparentava a idade de sua mãe sorriu. Estava bem arrumada. – Você deve ser a , certo?
- Exato. – Ela sorriu.
- Bom, prazer. Eu sou Martha, a mãe do Bernard.
- Ahn, claro! Mas... – Ela apontou na direção que o garoto havia seguido. - ...aquele não é o Bern...
- Oh, não! – Martha riu, sacudindo as mãos. - Entre, vou te apresentar a ele.

a obedeceu. Sentiu o queixo mais pesado ao ver o quão linda era a casa por dentro. Bem decorada e arejada. Olhou para uma foto onde podia ver Martha, o garoto revolto com a vida, um menininho que devia ter uns seis anos e um homem que beirava a idade de Martha.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Viu o tal garotinho descer correndo as escadas, com Martha seguindo-o. Ele parou na frente de e a olhou de cima a baixo. A menina agachou, ficando da altura dele.
- Você é o Bernard, certo? – Ele assentiu. – Eu sou sua nova babá, .
- Você é feia. – O menino disse, cruzando os braços.
- Bernard! – A mãe o repreendeu.
- E você é mais. – respondeu, fazendo-o rir. Os dois deram língua um para o outro e riram mais.
Martha sorriu aliviada. – Fico feliz que vocês estejam se dando bem. Bom, , o Albert deve chegar daqui a uma hora. O Bernard pode te levar pra conhecer a casa até que ele chegue para o jantar.
- Claro! – A menina sorriu satisfeita, dando a mão ao pequeno Bern, que a arrastou escada acima mostrando os milhares de quartos da mansão.

- ! Bernard! – Os dois ouviram a voz aguda de Martha os gritarem. – O jantar tá pronto!

As duas crianças desceram correndo as escadas.

- Querido, - Martha passou a mão ao redor da cintura do homem um pouco mais alto que ela – essa é a . A nova babá do Bern.
- Bem vinda! – Albert sorriu grande, abrindo os braços em sinal de alegria. – Espero que você goste da família !
- Já gostei! – Ela disse e todos riram.
- Bom, eu to morreeendo de fome! – Albert anunciou. – Vamos comer?
- Apoio total. – disse e os quatro se sentaram. Logo uma empregada chegou e serviu o prato de todos eles. Era algo com carneiro e batatas que a menina não conseguia distinguir, mas sabia que era bom.
Os três ficaram batendo papo sobre a cidade, enquanto o pequeno comia os pedaços que a mais nova babá cortava, quando ouviram a porta bater.

Cap. 2

- De novo não... – Martha resmungou, levantando-se.
- Onde você tava? – Eles puderam ouvi-la da sala.
- Não interessa, mãe! – escutou uma voz nova. Um garoto. – Vocês são preocupados demais...
- PREOCUPADOS DEMAIS?! Você passou o dia fora de casa! Não disse aonde ia nem nada!
- Ai, mãe! Londres ainda não é o Cazaquistão, não! Calma! – O tal menino não parecia ligar. As vozes se aproximavam.
- Calma nada!
- Mãe, não enche!
- Não fala nesse tom comigo! Temos uma nova hóspede e é assim que você a recebe?! – Martha perguntou e pôde vê-los entrar na sala de jantar. Era o menino que havia voado por ela mais cedo.
Ele tinha o cabelo levemente bagunçado. Vestia uma bermuda bege e uma camisa pólo azul marinho.
- Oi. – Ela murmurou para ele, se levantando.
- E aí? – Ele sorriu. Era aquele sorriso e ela sentiu as pernas moles. Riu. Ela tinha a péssima mania de rir quando estava nervosa. Uma risada estranha, parecida com um latido.
- Eu sou o . – Ele parecia mais legal agora do que antes.
- . – Ela se apresentou, botando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Eu sou a babá nova do seu... Irmão?
- Exato. – Ele riu.
- Bom, - A voz de Albert os interrompeu. – , a Ashley ligou. Pediu pra você ligar de volta. – Ele se levantou e a mesma empregada veio tirar a mesa.
- Argh, o que ela quer dessa vez? – O garoto perguntou mais para si mesmo e subiu as escadas.
- Vou tomar um banho! – Martha disse, se espreguiçando. – , será que você pode dar um banho no Bern? Depois tá liberada pra sair se quiser.
- Ok. – A menina respondeu e se virou para o pequeno. – Vamos pro chuveiro, garotão! – Ela o pegou no colo, e ele gargalhou alto.

estava no quarto. Havia acabado de tomar um banho e não tinha planos para a noite, já que não conhecia ninguém. Resolvera assistir seu bom e velho DVD preferido, 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você. Martha havia dito que tudo bem se ela usasse o telão, então o plano era pipoca e filme.
A toalha ainda enrolada nos cabelos molhados. Ela vestiu a calça do moletom cinza e uma blusa rosa das Meninas Super Poderosas. Ouviu alguém bater na porta. Abriu.
- Erm... – a olhou de cima a baixo, se segurando para não rir e ela corou. – Será que a gente podia conversar um segundo?
- Claro. – respondeu, logo após quase morrer engasgada. Ele entrou e a menina fechou a porta atrás de si.
- Então...
- Então... – a imitou e os dois riram. – Olha, eu sei que você é nova aqui, então... Eu queria falar isso antes de a minha mãe começar a encher a sua cabeça de bobagem.
- Hum.
- Bom, você já deve ter percebido que ela e eu... nós não nos damos muito bem quando o assunto é a minha diversão. – Ele parou para confirmar se ela havia entendido e a garota assentiu em resposta. – Ela vai te pedir pra tomar conta de mim, como se eu tivesse a idade do Bern e não 18 anos.
- E é assim que você age? – Ela perguntou inocente, se arrependendo assim que percebeu o olhar dele sobre ela.
- Não cabe a você julgar, né.
- Claro que não! – Ela balançou as mãos, tímida. – Eu não quis dizer... Eu só...
- Nervosa? – riu, fazendo-a se calar.
- Não.
- Então... Bom, eu espero que nós tenhamos um trato.
- Que trato? – arqueou a sobrancelha. Ela amava tratos. Ela amava regras. Não havia diversão se não houvesse uma a quebrar, certo?
- Você não me enche como se fosse marionete da minha mãe e eu...
- Você... O que eu ganho em troca?
se aproximou dela, que gelou. Perto demais. Uma mão na cintura da garota e a outra em sua bochecha. – Eu não infernizo a sua vida. – Ele se afastou, sorrindo de lado.
pareceu assustada por um segundo, assim como ele havia planejado, mas no segundo seguinte ela sorriu assim como ele.
- Será que é você mesmo que vai fazer isso?
Ele pareceu sem ação. Como assim o plano estava falhando?! A menina abriu a porta do quarto, fazendo sinal para que ele saísse e ele o fez.

- Ah, cala a boca! – disse para o amigo no telefone.
- Cala a boca nada! Ficou doidinho com a babá nova! – Ele ouviu a gargalhada de .
- Você fala isso por que não viu ela, .
- Ela é assim, é?!
- Não, po. To falando que você não viu como ela fica bobinha perto de mim. Ta caidinha! – se metidava.
- Ah, claro! Você nem se acha, né, !
- Você vai ver!
- E aí? Festinha hoje?
- Nada... – Ele pareceu desanimado. – Minha mãe quase pariu mais um zinho aqui quando eu cheguei em casa. Acho melhor ficar aqui mesmo.
- Ahn, ok. Bom, a Ash me ligou hoje atrás de você.
- Ai, não agüento mais essa menina, ! Fica me ligando de dois em dois segundos.
- Ela é sua namorada.
- Não, não é. Ela é minha ficante, peguete... Brotinho. – riu alto do outro lado da linha. – Tanto faz. Ela não precisa ficar me ligando o tempo todo.
- Se ela não ligasse, você ia reclamar em dobro, acredite.
- Por quê? A não ta dando conta, não?
- Ah, vai procurar uma babá, vai! – disse, desligando na cara do menino que riu desesperadamente por mil anos.

- , eu e o Albert vamos dar um saída... Aproveitar a sexta à noite. Só pra você saber e ficar de olho no Bern. Ele já ta dormindo, é só pra avisar mesmo. – Martha disse, descendo as escadas e sendo seguida pelo marido. Os dois muito bem arrumados.
- Ok, Martha. Boa noite, então!
- Bom filme aí! – Albert apontou para o telão que exibia os trailers.
- Obrigada. – A menina sorriu e os viu deixar a casa.
Era só ela, a pipoca e o filme. Bernard estava dormindo, assim como os outros empregados da casa. provavelmente estava ensaiando, já que ela ouvia uma música alta vinda do quarto do menino. Deduziu que ele tinha uma banda. Ela pegou o controle e apertou play. O filme começou e ela se acomodou no sofá, enfiando um punhado de pipoca na boca.
- E aí? – Ela viu chegando e sentando-se ao seu lado no sofá. Levantou as sobrancelhas sem acreditar que aquele idiota estragaria sua noite.
- Não vou contar nada pra sua mãe, mas eu não me...
- Eu não vou sair. – Ele disse em meio a uma risada gostosa. – Vim ver o que você tava fazendo.
o encarou desconfiada. Era o primeiro dia de trabalho e aquilo já representava problemas.
- Vou ver um filme.
- Que filme? – Ele pegou a capa do DVD.
- 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você. – A garota respondeu e riu ao vê-lo fazer careta.
- Tive uma idéia muito melhor. – disse, levantando-se do sofá e subindo as escadas. Ela pensou em dar play novamente, mas parou ao vê-lo voltar com uma caixa de DVD na mão.
- Festival de The OC! Gosta?
- Tá de brincadeira?! AMO! – Ela saltou na direção dele, pegando o DVD. – Não acrediiiito! Ainda não vi esse!
- Sério?
- Eu sou APAIXONADA.
- Eu também! – pareceu realmente surpreso.
- Queria me casar com Seth Cohen! – A menina riu.
- Bom, então quer ver comigo?
- ÓBVIO! Vou pegar mais pipoca. – saiu andando em direção à cozinha.
- Ok. Vou te ajudar e trazer os refrigerantes. – a seguiu e os dois começaram uma animada conversa sobre a série.


acordou no sofá. Olhou o relógio e viu que ainda era muito cedo – ou tarde, interprete como quiser -, e todos deviam estar dormindo. Olhou para o tapete no chão e viu dormindo. O garoto dormia com a boca levemente aberta e ela se pegou rindo. Levantou e levou os copos e tigelas de pipoca para a cozinha.
- ! – Ela tentava acorda-lo numa mistura de sussurro e grito. – Acorda!
O garoto abriu os olhos perdido e olhou ao redor, perguntando-se que diabos estaria fazendo no chão da sala. Encarou-a de volta e se lembrou.
- Vai pro quarto, vem! – Ela o puxou pela mão e os dois subiram as escadas em silêncio. o guiava, já que ele estava mais dormindo que acordado. Abriu a porta do quarto dele.
- Entra.
- Não, calma aí. – segurou-a pelo braço. – Aqui. – Ele entrou no quarto, fazendo-a segui-lo.
- Que foi? – A menina perguntou, confusa, vendo-o se deitar na cama.
- Quero um beijo de boa noite. – Ele esticou a bochecha.
- Menino, vai dormir vai! – disse, rindo e se virando para sair do quarto. Pôde vê-lo piscar para ela, fechando os olhos logo depois.

Cap. 3

- Bom dia, flor do meu dia! – sorriu ao ver o pequeno Bernard entrar na cozinha com cara de sono.
Já fazia quase uma semana que ela havia chegado à Londres e os dois estavam se dando muito bem, assim como todos os outros. Ela e haviam se aproximado consideravelmente e a garota havia presenciado muitas das brigas dele com a mãe.
- Bom dia. – Ele respondeu com sua natural dificuldade de falar decentemente.
- Panquecas?
Ele assentiu sorrindo e sentou-se na mesa, deixando seus pezinhos pendurados na cadeira.
- . – A chamou de repente. – O que é vagabunda?
- Por que? – Ela pareceu assustada.
- Por que eu ouvi a Ash te chamando disso ontem de noite. Ela e o tavam brigando. – Explicou.
arregalou os olhos.
- E o que mais eles falaram?
- A Ash disse que não agüentava mais ouvir piadinhas do Danni sobre a sua vagabunda. Você tem uma?
- Não, um dia eu te explico, meu amor. Agora come. – Ela pôs o prato na mesa, com as panquecas já cortadas.
Algum tempo de silêncio se passou e os dois ouviram uma voz familiar e sonolenta.
- Oi, galera. – entrou de boxers e abriu a geladeira, pegando a caixa de suco de laranja e bebendo no gargalo.
- Oi, ! – Bern ficou animado. – Eu contei pra ela!
- O que? – O mais velho o encarou com uma expressão de interrogação.
se segurou para não desmaiar ao ver o menino coçar a nuca, os cabelos desarrumados.
- Que a Ash disse que a tem uma vagabunda.
cuspiu um pouco do suco que estava em sua boca, fazendo com que o irmão tivesse uma crise de riso, deixando sair um pouco de leite pelo nariz.
- Não, ela não... , a Ashley não... Quer dizer, ela quis, mas... – O garoto tropeçava nas próprias palavras.
- Tudo bem, . Não ligo pra ser motivo de piadas do seu amiguinho, nem pra o que sua namorada pensa de mim. Isso é problema seu. Eu só não quero que nada afete o meu trabalho, por que isso foi realmente difícil de conseguir.
- Eu entendo, mas...
- , se você gosta de sair de fazer babaquices com os seus amigos, tudo bem. Só não me meta no meio das suas burrices.
saiu da cozinha, subindo as escadas em direção ao quarto.
- Seu fedelho idiota! – deu um pedala na cabeça de Bern. – Vai cuidar dos seus carrinhos antes que eu arranque todas as rodas de novo!
Bernard se levantou da mesa, catando cada carrinho seu pela casa.

- Fala sério! Não acredito que ela ligou pra isso! – disse. Ele, , e conversavam mais do que ensaiavam. Estavam na casa do , montando novas músicas e se preparando para o próximo show do McFLY.
- Claro que ligou, né! – deu sua opinião. – Você não gostaria que te chamassem de vagabunda.
- Não se você continuasse comigo, docinho. – Ele respondeu com a voz afeminada e jogou um beijo para o garoto.
- Ah, chega da babá por hoje! – disse, levantando os braços. Festinha hoje na casa da Ash.
- Ué. Vocês não tinham brigado por causa da ? – estranhou.
- Você realmente acha que aquela garota consegue fazer uma festa sem o aqui?
- Ah, esqueci. – disse e os quatro riram.
- Mas, cara! – os interrompeu. – Você não tava de castigo?
- Fala sério, é só pular a janela pelo telhado e voltar antes da minha mãe acordar.
- E se alguém ver?
- Ninguém vê. Os empregados já sabem que têm que ficar de bico fechado e meus pais têm um sono mais pesado que o .
- E a ? – perguntou.
- Bom... Ela não fala nada não.
- Eu espero, por que se você for pego, seus pais vão ligar pros meus e aí quem me ferra sou eu. – advertiu. – Nem sei por que eu vou nessa droga.
- Eu sei. – disse. – Você sabe ?
- Sei. Você sabe ?
- Sei. Mas acho que esqueci... Por que mesmo? – fingiu coçar a cabeça e e gritaram juntos:
- !

- , chega! – disse, rindo. – Você não vai morrer só de assistir um ensaio.
Apertaram a campainha da casa de . Por um segundo ninguém apareceu, mas logo ouviram as risadas altas dos garotos e um descabelado e um pouco atrapalhado abriu a porta.
- Oi! – Ele e disseram ao mesmo tempo quando se viram, ficando sem graça logo depois.
- Oi também, . – falou, estalando os dedos entre os dois e rindo.
As duas meninas entraram na casa, seguindo o menino, que desceu uma escada até onde supostamente era o porão. Lá estavam os outros, com seus respectivos instrumentos.
- Hey! – sorriu, dando um estalinho na namorada.
- E aí? O que temos de novo? – perguntou, sorrindo largo.
- Eu escrevi uma música! – disse, entregando um papel às meninas. – A letra tá aí, então acompanha.
Os garotos começaram a tocar uns novos acordes.

Some people laugh
Some people cry
Some people live
Some people die

Some people run
Right into the fire
Some people hide
Their every desire

But we are the lovers
If you don't believe me
Then just look into my eyes
'cause the heart never lies

Some people fight
Some people fall
Others pretend
They don't care at all

If you want to fight
I'll stand right beside you
The day that you fall
I'll be right behind you

To pick up the pieces
If you don't believe me
Just look into my eyes
'cause the heart never lies

Whoa x2

Another year over
And we're still together
It's not always easy
But I'm here forever

Yeah we are the lovers
I know you believe me
When you look into my eyes
Because the heart never lies

'cause the heart never lies
Because the heart never lies


- E aí? – perguntou. Os olhos ansiosos sobre as meninas.
- LIN-DA. – disse, depois de um ou dois segundos em estado de choque. – Não sabia que meu namorado tinha esse poder!
- Esse e muitos outros. – disse, piscando e jogando um beijo para a garota, o que fez com que todos morressem de rir.
- Galera, alguém quer? – perguntou, tirando um maço de cigarros do bolso.
- Ninguém mais fuma aqui, . – disse e viu todos assentirem concordando.
- Vocês são um bando de patetas. – disse rindo, com o cigarro entre os lábios, enquanto o acendia.
- E aí? Festinha hoje na casa da Ash. Tão sabendo? – perguntou, não podendo evitar olhar diretamente para .
- Claro! – Ele respondeu, sorrindo. – Que horas vocês vão?
- A hora que o me buscar. – respondeu antes da amiga, lançando um olhar para .
- 22:00.
- Combinado então! – concordou, sorrindo como sempre.
- Então o aqui só chega às 23:00. – O garoto disse rindo. – Só quando a festa estiver bombando.
- Cala a boca, . A gente te busca na sua casa 22:15. E se você se atrasar, NÃO VAI. – deixou claro e viu o amigo mandar um dedo do meio, descendo as escadas rindo. Ouviram o barulho da porta batendo.

Cap. 4

- ! – Martha chamou a babá no quarto. – Eu e o Albert vamos a uma festa hoje à noite.
A garota não precisava ter escutado aquilo. Havia deduzido por si só ao ver o incrível longo verde esmeralda que a patroa usava.
- Ok. Eu boto o Bern na cama.
- Obrigada, querida. Não devemos voltar cedo, então é só ficar de olho no meu bebê. – Martha sorriu largo, fazendo-a rir – Ah! Quase esqueci! – Ela abaixou o tom de voz – Eu sei que vai parecer um abuso, mas, por favor, não deixa o sair. Ele anda me preocupando muito ultimamente...
- Tudo bem. – sorriu.
- Bom, então nós já vamos. O Albert já ta me esperando no carro. Boa noite, querida! – A mulher deu seu melhor sorriso, saindo do quarto e descendo as escadas.

Algum tempo depois de a patroa já ter saído, desceu as escadas. Sentou-se no sofá e fechou os olhos, imaginando que filme assistir, quando a porta da casa se abriu e a garota saltou num susto. Olhou para trás.
- Te assustei? – perguntou rindo.
- Quase me matou.
- Não morre assim tão cedo! Vai me deixar sozinho com o projeto de ? – O garoto riu, sentando-se ao lado dela.
- Claro. Se eu fizesse isso, você provavelmente transformaria a casa em um prostíbulo.
jogou a cabeça para trás, rindo e a menina percebeu o quão fofo ele era daquele jeito. Balançou a cabeça, afastando os pensamentos.
- Ia ser demais! Já sei até o nome!
- Qual?
- Mil e Uma Noites! – Ele disse, levantando as mãos em gesto de animação.
- Que clichê, ! – riu alto – Algo como Uma Noite Mais Que Mil ia ficar bem melhor.
- Noooossa! Ta entendo mais disso do que eu, hein! – O garoto apontou o dedo para ela, que se levantou, indo até a cozinha. Os dois gargalhavam.
- Divirta-se no seu lugar imaginário! – A menina gritou da cozinha e o ouviu rir mais.
- Que horas são? – Ele perguntou da sala, já subindo alguns degraus.
Ela olhou o relógio.
- 21:30!
assentiu, mesmo sabendo que ela não veria, e subiu correndo as escadas, indo logo se arrumar.

- Po, garoto lezado! – não parava de repetir. Ela, , , e estavam no carro de , estacionados em frente à casa de .
- Eu disse que isso ia dar problema... – disse pela qüinquagésima vez.
- Será que ele levou a sério o negócio de chegar 23:00?! – coçou a cabeça, mas parou ao sentir o olhar de cala-a-boca-claro-que-não de todos sobre ele.
- Só resta esperar... – disse, se jogando contra o banco, em um suspiro.

não parava de pensar em arranjar um jeito de sair sem que o visse. Ela já estava vendo o tal filme na sala há anos, mas parecia que nunca acabaria. Ouviu o celular tocar.
- Alô?
- ! Desce logo! A festa já deve ta bombando! – Ele ouviu a voz de do outro lado da linha.
- Não dá pra sair! A ta lá na sala.
- Ah, que droga! Po, sai logo daí! A babá não pode fazer nada. – O amigo disse. – Desce. – desligou.
enfiou o celular no bolso e abriu a porta do quarto. Ainda ouvia a voz de galã do ator do filme da garota. Desceu as escadas em silêncio, mas quando botou o pé no chão do primeiro andar.
- , aonde você pensa que vai? – perguntou ainda com os olhos no telão, que tinha a imagem pausada. – Sério, cara, sua mãe disse que você não pode sair.
- Mas você não tem nada com isso. Você é a babá do Bern, não minha.
- É, mas ela me pediu pra não te deixar sair. Se você for, vai acabar sobrando pra mim. – Ela respondeu, se levantando e se pondo na frente da porta. caminhou até ficar de frente para ela.
- Sai da minha frente, eu to falando sério. Você não vai me fazer perder essa festa.
- Você acha que eu to brincando?! Eu não vou te deixar ir, garoto. Se você quer acabar com seu fígado de tanto beber e se alimentar de nicotina o problema é seu, desde que eu não esteja envolvida na sua armaçãozinha idiota.
O garoto riu. Sarcasmo era de uso exclusivo dos . – A babá ta fazendo um ótimo trabalho, hein! – Ele bateu palmas. – Mas você tem que aplicar isso com o Bernard, não comigo. Eu sou um garoto grande. – Ele completou, se aproximando dela. A menina parou de respirar ao sentir as mãos dele em sua cintura.
De uma hora para outra as pernas dela perderam a força e ela se perguntou como mesmo se soletrava pernas. Sentiu os lábios dele pressionados contra os seus por algum tempo.
- Agora que você já me proporcionou um segundo de diversão, deixa eu acabar de curtir minha noite. – a puxou pela cintura, tirando-a da sua frente e saindo da casa.
ficou um segundo em choque, mas depois saiu correndo atrás dele. – VOLTA AQUI AGORA, GAROTO! AGORA! – Ela gritava, mas o menino a ignorava. Pôde vê-lo entrando no carro que ela sabia que era de , um dos garotos da banda. Parou um táxi.
- Segue aquele carro! Seeeegue! – Ela gritou para o motorista que a olhou horrorizado. – Anda logo! – Completou, ao sentir o carro acelerando.
Viu o carro de estacionar em frente à uma casa tão grande quanto a de , de onde vinha música alta, pessoas loucas que usavam roupas que ela costumava chamar de ‘de baixo’ e um forte cheiro de álcool que ela podia sentir desde a esquina.
- Pode parar, obrigada! – A garota pediu, descendo a alguns metros da casa. Foi caminhando até casa e o som de música eletrônica ficava cada vez mais alta. Parou em frente ao jardim, onde estavam vários adolescentes bêbados. Entrou na casa. A sala estava cheia e mal se podia andar. Olhou ao redor, procurando por algum rosto conhecido, mas não via ninguém.
- E aaaaaaaí, gatiiiiiinha! – Um garoto loiro surgiu na frente dela. Tinha tomates no lugar dos olhos. – É ce gooooosta di voooooodka? – Ele falou enrolado. o encarou por um segundo, perguntando-se por que pessoas como aquele ser insistiam em nascer, mas depois seguiu em frente. Saiu, indo em direção ao jardim de trás, onde viu um palco improvisado. Pulou ao ver que e montavam os instrumentos e caminhou – lê-se voou – em direção a eles.
- ! – Ela gritou. – Você vai voltar comigo pra casa AGORA.
olhou de para , depois para de novo, que parecia surpreso ao vê-la ali.
- Não, vão vou. Você não é minha mãe. Eu vou ficar e fazer o meu show. E, como eu já te disse, terminar o que você começou lá em casa. – Ele lhe lançou um olhar cheio de más intenções, mas se arrependeu ao ver a cara de raiva que a garota fez. assistia a tudo, assim como e , que haviam chegado.
- EU é que vou terminar o que eu comecei em casa, e é AGORA. – A garota pulou em , dando socos no braço e no peito do menino, que não sabia se ria ou se continuava com sua cara de babaca.
- Pára com isso, sua louca! Sai daqui! – Ele gritava, segurando os pulsos da menina. – Hey, Stuart! – Chamou o mesmo menino dos olhos de tomate. – A minha amiga aqui tá procurando o tipo de diversão que você pode dar. – Ele piscou para Stuart, que a olhou de cima a baixo com um olhar um tanto quanto tarado.
- Vaaaamox lá, gatiiiiiiinha! – Ele a puxou pelo braço, fazendo-a perder no meio da multidão. Os dois se afastavam cada vez mais do palco.
- Não, Stuart, me solta! – tentava falar mais alto que a música, mas isso parecia mais difícil que fazer a Terra girar ao contrário. Ele dançava no ritmo da música. Soltou a pulso dela, que olhou em volta – tentando dar uma volta – em busca de .
- Boa noite, galera! – Ela ouviu a voz de cumprimentar a todos. – Nós somos o McFLY! Quero ver muita animação! – Ele fazia as pessoas gritarem cada vez mais, principalmente umas garotas com saias modelo cintinho. Eles então começaram a tocar uma música que ela já havia escutado cantarolar algumas vezes.
- ! ! – tentava chamá-lo. Malditas sejam as caixas de som. O garoto revirou os olhos ao vê-la, mas logo voltou a concentração à musica.
Viu duas meninas se aproximarem – Você é a ? – uma delas perguntou. Ela assentiu e as duas sorriram.
- Eu sou a e essa é a . – A outra se apresentou. – Olha, o pediu pra gente te levar pra casa.
- Eu não vou embora sem ele.
- A gente promete que vai levá-lo pra casa assim que o show acabar.
- Nem pensar! – não aceitava. – Ele vai voltar agora! Ele é um abusado! Acha que pode sair agarrando as pessoas por aí?! TÁ LOUCO, NÉ!
As meninas se entreolharam, confusas, e riram depois. – Ele te agarrou?! – perguntou e viu corar.
- Ele é um idiota.
- Por isso que ele tava todo estranho no carro. – disse, rindo.
- Ele tava estranho no carro? – esqueceu o porquê de estar ali, sorrindo de lado com o pensamento de ter mexido com .
- Tava. Tava tipo você agora. – respondeu, fazendo a amiga rir.
- É isso aí! Essa aqui se chama That Girl! – Elas olharam para o palco, onde falava. olhou ao redor, procurando por algo para jogar nele. Não encontrando, optou pela sandália.
- DROGA! – Ela gritou, levando as mãos à boca, ao ver cair no chão.
- ! – gritou, repreedendo-a.
- Desculpa! Aimeudeus! Me leva lá atrás, me leva! – A babá berrou e foi puxada pelas duas meninas até atrás do palco, onde havia bem menos pessoas. Viu , , e . Os três amigos tentando reanimar o garoto, que estava mais inconsciente que acordado.
- AIMEUDEUS. – Ela se ajoelhou ao lado dele. – , desculpa! AIJESUS! Eu não quis fazer isso.
- ... – tentava falar, mas aquilo parecia difícil demais para ele.
- Você que jogou isso nele?! – levantou a sandália da menina, que tirou-a da mão dele. gargalhou alto.
- Garota, você sabe como domar um , hein!
- Não é pra fazer piadinha, ! – gritou.
- Desculpa, ! Gente, alguém trás um pano com água? – A menina pediu, recebendo-o logo depois.
- Vamos levar ele pra casa da piscina, que tá vazia. – disse. e levantaram o garoto, levando-o apoiado nos ombros.
Chegando lá, deitaram-no na cama.
- ! , fala comigo! – tentava chamá-lo, enquanto passava o pano pela testa do garoto, que havia cortado de leve, mas sangrava bastante.
- Babá, você... você quer me ma... matar? – Ele tentou falar e já parecia melhor.
- Não, foi sem querer!
- , você arremessou uma sandália de salto fino na cabeça dele no meio do show. Não foi sem querer. – disse, inocentemente, mas se arrependeu ao receber o olhar de cala-a-boca-idiota dos outros.
- , desculpa. Foi sem querer, eu juro. Só queria te levar pra casa.
- Sério? Por que parece que você queria me levar pro hospital! – Ele já conseguia falar bem melhor, mas optou por gritar.
- Você é um ingrato!
- Chega de confusão por hoje, gente! – disse. – , você leva eles em casa?
- Levo né. – O garoto se levantou, e os outros dois o seguiram, entrando no carro.

Após um longo tempo em silêncio, tomou a palavra.
- Eu disse pra você não sair.
- Comentário desnecessário da garota do interior. – disse, sem tirar os olhos da rua. Os dois o ignoraram.
- E eu disse que isso não era problema seu.
- Comentário desnecessário do garoto mimado. – Novamente, disse.
- Claro que era! Eu não quero ser demitida, se você não sabe.
- Comentário super necessário da menina estudiosa e responsável. – O amigo inconveniente que era falou, recebendo um olhar mortal de .
- Como se o que eu faço fosse culpa sua!
- Comentário super necessário do garoto que agüenta as conseqüências de suas ações. – recebeu um olhar mortal, desta vez vindo de .
- Ah, cala a boca!
- Vem calar!
- Comentário infantil dos dois bebês.
- Cala a boca, ! – e gritaram ao mesmo tempo. O carro parou e os dois desceram.
- Nem agradecem a carona... – comentou para si, dando partida.
e se olharam.
- É bom você torcer pros seus pais não estarem em casa, por que se estiverem...
- Se estiverem o que?! – O garoto disse, levantando o queixo como em um daqueles duelos de rappers americanos. – Você vai me beijar de novo?!
- Eu não te beijei! Você que é um louco tarado!
- Ah, é! Esqueci que eu beijo sozinho. Você não tem nada a ver com isso, né?!
- Se você falar isso pros seus pais eu juro que ACABO com você! – A menina ameaçou. Os dois caminhavam até a porta.
- Por que eu diria que beijei a babá jequinha do interior?!
- Se eu sou isso, então por que você ficou todo estranho no carro, hein? – Ela provocou e o garoto parou de andar.
- Quem te disse isso?
- Tenho minhas fontes, idiota! – sorriu vitoriosa.
- Você tem é falta de noção, isso sim! Eu posso ficar com a garota que eu quiser, e você ta longe de ser ela. – respondeu.
- Ah, me poupe, ok, ?! Minha dose de você por hoje acabou. – Ela se virou, abrindo a porta de casa e sendo seguida por ele.
- Uma explicação dos dois. JÁ. – Martha disse, sentada ao lado do marido no sofá.
olhou para , que revirou os olhos e passou direto pelos pais.
- Pede pra garota perfeitinha e responsável. Cansei disso. – Ele disse, já subindo as escadas e deixando uma assustada e sem ação na sala.
- Calma, eu posso explicar.

Cap. 5

girava na cama. Por mais frio que pudesse estar à noite, ele sentia calor e não havia ar condicionado que mudasse a situação. Os lençóis já haviam se tornado órgãos vitais dele. O garoto se sentou na cama e deixou que algumas lembranças daquela noite tomassem conta dele. Sua cabeça ainda doía e tinha um curativo. Lembrou-se do ensaio, do beijo, do carro. Da sandália e seu respectivo salto. Levou a mão até o machucado e franziu o cenho, se levantando e cambaleando até a porta. Abrindo-a, deu de cara com o corredor escuro e comprido. Ele procurou por qualquer indício de companhia, mas estava definitivamente deserto. O garoto seguiu em frente, se apoiando nas paredes, até tocar o corrimão e descer lentamente as escadas.
Ao chegar ao andar de baixo, viu a luz da cozinha acesa e uma de pijamas bebendo água.
- AH! – Ela gritou ao vê-lo – Quer me matar de susto, seu louco?!
- Quero é beber água. De preferência, sem lembrar que você ta morando na mesma casa que eu.
- Ótimo.
- Ótimo. – Ele disse, abrindo a geladeira e pegando a garrafa de água. Encheu seu copo e sentou-se de frente para ela. Após um ou dois goles quebrou o silêncio.
- O que você disse pra eles? – Ele perguntou, tentando fingir que encarava o fundo do copo.
- Disse a verdade, ué. – deu de ombros e riu ao ver a cara que ele fez, quase cuspindo o que havia engolido. Provavelmente, se perguntando por que na face da terra ela diria que ele a havia beijado. – Tirando a parte... bom, uma parte. – Ela finalizou e pôde ver o alívio tomar conta dele.
- E o que aconteceu?
- Comigo? Nada.
- Eu sei. – disse, tomando mais um gole. – Comigo.
- Ué, eu não sei. Os pais são seus, não meus. – A menina deu de ombros novamente. – Mas eu tentei aliviar um pouco a sua barra.
sorriu de lado.
- Sério? – Ela assentiu. – O que você fez?
- Bom, eu omiti a parte do álcool e cigarro... – A garota respondeu e ele balançou a cabeça, indicando que entendia tudo. – E eu espero que você omita a parte da sandália voando em meio a multidão. – Ela mordeu o lábio inferior, esperando por uma reação.
- Justo. – O garoto balançou o copo – Mas o que eu vou falar?! Eu to com um machucado na cabeça.
- Eu inventei que você tropeçou num fio e bateu a cabeça na quininha do palco.
- Ta, ta. Trato feito. – concordou, estendendo a mão para , que a apertou. De repente os dois deram um pulo, com o celular da menina, que começou a tocar.
- Eu já volto. – Ela se levantou, mas ele pôde ouvir uma parte do que ela disse. – Alan, eu já disse pra você PARAR de me ligar! Eu... – Ela sumiu na escuridão da varanda.
O menino olhou para o relógio. 3:56. Quem ligaria para ela às 3:56 da manhã?! Com certeza, ele não precisava saber. Bebeu o resto de água e botou o copo na pia.
Ele poderia não precisar saber.
Isso não indicaria que ele não quisesse descobrir.

Os raios de sol já entravam fortes pelas janelas e ela mal conseguia abrir os olhos pela claridade. Deduziu que já era tarde. se levantou, trocou de roupa – vestindo os jeans de sempre – e saiu do quarto.
Já podia ouvir a voz de Martha vinda da sala de jantar. estava sentado ao lado da mãe e o pai provavelmente já teria ido trabalhar.
- Não me interessa, ! O senhor NÃO vai mais a festa nenhuma até o fim das férias!
- Mas mãe! – O garoto tentava se defender.
- Não, não e NÃO! – A mãe disse, enfiando um pedaço de torrada na boca. Sorriu ao ver chegar e se sentar de frente para .
- Bom dia.
- Bom dia, querida! – Martha a cumprimentou, animada. – Eu queria mesmo falar com você.
A garota sorriu, pegando uma torrada e passando uma geléia vermelha qualquer, que ela deduziu ser de morango.
- Eu sei que você veio pra cá estudar e que é seu sonho ser psicóloga e blá. – A Sra. gesticulava rápido. – Por isso eu te fiz uma surpresa.
olhou a mãe de rabo de olho, arqueando a sobrancelha.
- Te matriculei na mesma escola que o ! Vocês vão poder fazer o último ano da escola juntos! – A mulher comemorou, mas estranhou ao ver o filho cuspir o suco de maçã no prato. – Tudo bem, filho?
- Aham, eu só... engasguei. – Ele lançou um olhar para a menina, que retribuiu.
- Como eu ia dizendo, as aulas começam daqui a uma semana. Se prepare, querida!
- Nossa, eu... – gaguejava. Os olhos cheios d’água. – Eu não sei como agradecer, Martha. Sério.
- Que isso, meu amor! Você se tornou muito especial nesse último mês. Com certeza vai fazer por merecer.
- Muuuuito obrigada! – Ela se levantou e abraçou a mulher.
- Não se preocupe! – Ela se afastou da garota. – Agora eu vou dar uma saída e só devo voltar mais pro final da tarde. Eu e a associação estamos organizando uma festa. Sabe, pelo final do verão e inicio de ano letivo.
- Mesmo? – , que havia ficado calado durante toda a conversa, se meteu. – Quando?
- No próximo fim de semana. O último antes das aulas.
- Eu vou poder ir? – O garoto perguntou, desenhando um Bob Esponja com a ponta da faca no resto de geléia do prato.
- SÓ nessa. – A mãe disse, levantando o dedo. – Agora eu vou indo, senão eu chego atrasada! Beijinhos!
Ela saiu pela porta da frente. e ficaram um tempo em silêncio. Ela comia e ele se concentrava em sua arte no prato, dessa vez desenhando a pequena sereia.
- Então... Como é a sua escola? – A garota tentou puxar assunto, mas ele só lançou-lhe um olhar e voltou ao prato. – Ela é grande? – insistiu.
- , eu realmente não quero falar com você agora. A gente já resolveu o que tinha pra resolver ontem à noite, quando você saiu e me deixou com cara de babaca pra falar no telefone com um inconveniente qualquer que te ligou 3:56 da manhã.
riu de lado. – Você não viu a hora mesmo, viu?
O garoto bufou, tentando disfarçar o quão sem graça ele estava. – Isso importa tanto assim?! – Ele parecia bravo e passou as mãos pelo cabelo, nervoso. A menina parou de sorrir.
- , presta atenção. – Ela pegou a mão dele por cima da mesa e o fez olhar-lhe nos olhos. – Eu e você moramos juntos. E isso vai continuar por muito tempo. E agora tem isso de estudarmos juntos. Não adianta, eu não vou embora por que você é um mimado que vive mentindo pros pais e acabando coma própria vida. Então, se é pra estar com você, eu quero que seja tudo numa boa. Não vai melhorar muito se a gente viver brigando.
Ele a encarou por mais um tempo e sorriu, se entregando. Ela fez o mesmo.
- Eu sabia que você ia se render. – se levantou, pegando seu prato e o dele, e indo na direção da cozinha. Parou na porta. – E pra saciar sua curiosidade, era o meu ex no telefone. – Ela entrou.
O garoto olhou para a direção que ela havia seguido e voltou a olhar para a mesa, agora sem seus desenhos. Então ela tinha um ex. Que vivia ligando.
Aquilo não era bom pros planos dele.

Cap. 6

- , cala a boca. – não cansava de repetir. Ela, o namorado, , e estavam esperando chegar. Estavam na casa de , que havia sugerido uma reuniãozinha já que os pais haviam viajado.
- Cala a boca nada! – replicou. – Não agüento mais esperar esse lezado. Daqui a pouco eu vou pra casa.
- Vai nada! – disse – Eu fiz o maior sacrifício pra conseguir sair de casa hoje. Minha mãe ta me enchendo o saco essa semana, mas pelo menos com a festa de sábado ela fica distraída com alguma coisa além de estragar a minha diversão.
- Ai, ! – falou sem tirar os olhos da mão de entrelaçada com a sua. Ela brincava com os dedos dele. – Sua mãe é um doce, você que é louco. Fica aí dando corda pra o que o Stuart diz, aí fuma, enche a cara...
O garoto bufou e se levantou do chão. – Vou ao banheiro.
- Não nos mate! – gritou e gargalhou ao ver a cara do amigo. O garoto caminhou até a porta e entrou, fechando-a atrás de si. Ele se olhou no espelho e pegou o celular do bolso novamente. Viu se tinha alguma chamada perdida dela. Nada. Era estranho, já que ele tinha certeza que ela o havia visto sair de casa. O plano era que ligasse, preocupada ou estressada, mas que ela ligasse.
- Você ta louco, ? – Ele apontou com o indicador para o espelho, mirando os próprios olhos. – Você é louco, né? Aquela babá é uma abusada, sem sal e nojentinha. Você só quis PRO VO CAR. Agora você vai – Ele abriu o celular – ligar para a Ash e chamar ela pra ir na festa sábado com você. – falava enquanto discava o celular da garota. Depois de um tempo chamando, ele ouviu a voz aguda dela.
- Alô?
- Alô, Ash?! – Ele pôde ouvir a própria voz desesperada. Ela riu.
- Oi, ! Quanto tempo! Ta tudo bem?
- Quer ir à festa de sábado comigo? – quase gritou, ignorando a pergunta falsa/simpática de Ashley.
- Claro! – A voz da menina pareceu animada. – Você me busca às 20:00?
- Não, não! – O garoto mais uma vez falou mais alto do que esperava. Ele girava dentro do banheiro. – Mais cedo! Posso te buscar 16:00?
- 16:00?! A festa só começa 19:00!
- Não tem problema! Eu quero te levar pra... pra... passear pela cidade!
- Eu moro aqui! Você não precisa me levar pra passear, !
- Que seja! 16:00, ok? Beijos!
Ele desligou antes mesmo de ouvir a resposta da garota. Encostou na pia e jogou água no rosto.
- Você ainda vai me agradecer por isso. – Novamente, encarava a própria imagem no espelho.

, , e brincavam de qualquer coisa idiota quando voltou para a sala.
- Po, ta tão mal assim? Tava berrando lá dentro. – comentou, fazendo todos rirem. nem mesmo se deu ao trabalho de levantar seu dedo preferido para o amigo, sentando-se no sofá.
- Cadê aquela bicha do ?
- Disse que tava chegando. – respondeu quando a porta da frente bateu e um suado e apressado entrou na casa.
- Foi mal o atraso, galera. Eu tava meio... – Ele tentava se explicar. puxou a gola branca da blusa pólo dele, rindo e apontando para uma pequena macha de batom.
- Já entendemos tudo.
O garoto riu, sem graça e convencido ao mesmo tempo.
- Então, vamos à festinha?! – se levantou, esfregando as mãos e indo até a cozinha.

Bernard parecia não se cansar daquele desenho estúpido no qual uma esponja homossexual com uma voz estranha se agarrava com uma estrela do mar – gigante, levando em consideração que as duas tinham a mesma altura. E ainda diziam que aquilo era infantil! Para aquilo era pornografia disfarçada!
- Bern, - ela o chamou, bocejando – já ta na hora, né? Vamos dormir. Se sua mãe sabe que você ainda não ta na cama ela me mata...
- Mas o ainda não chegou! – A criança tentou protestar.
- O seu irmão ta de castigo, ele ta em casa... – Ela mentiu, fingindo não saber de nada. O garoto cruzou os braços e emburrou a cara. – Nem adianta! Vem, vamos que eu vou te botar na cama!
Ele sorriu sapeca. – No colo!
estendeu os braços, revirando os olhos. – Você ainda vai me fazer andar igual a sua avó, seu ingrato! Eu te alimento, te dou banho, te entretenho e você ainda me faz isso! – A menina reclamou mais para si do que para ele e os dois subiram as escadas.

- Não, não! – Ela gritava e ria ao mesmo tempo em que tentava se desvencilhar de um par de braços desconhecidos. – Me laaarga!
A pessoa fazia cócegas na menina, que gargalhava alto. Ela não sabia onde estava, só podia ver a neve. Tudo era neve.
- Você acha isso divertido agora? – Uma voz que ela não identificava disse – Mas não vai ser assim pra sempre, você sabe.
De repente ela parou de achar graça na brincadeira. Reparou que a pessoa levava uma garrafa de vidro na mão. Ainda não via seu rosto.
- Mas eu não vou embora, você quer que eu fique. Você sente a minha falta, não é?

- NÃO, NÃO, NÃO! ALAN, VAI EMBORA! – ouviu a voz de assim que chegou em casa. Subiu correndo as escadas e entrou no quarto sem bater na porta.
- , ta tudo bem? – Ele perguntou, acendendo a luz. A menina tentava abrir os olhos com dificuldade, devido à luz, ao mesmo tempo em que olhava ao redor. se aproximou, sentando-se na cama. – Calma.
- Não, ! Eu vi, eu tenho certeza que era o Alan! Eu vi a garrafa na mão, e ele... ele sempre bebe... Se eu juntar tudo... ERA ELE! Era ele, ! – falava coisas sem sentido.
- Calma, ! Não tem ninguém aqui, foi só um pesadelo. – Ele a abraçou e a garota escondeu o rosto em seu peito. – Ta tudo bem... – O menino sussurrou no ouvido dela, que soluçava um pouco. – Eu to aqui, ok?
Ela assentiu com a cabeça, ainda sem mostrar o rosto. Ele o levantou pelo queixo.
- Ta comigo, ta com Deus. – O garoto disse, fazendo-a rir de leve. – Ta rindo de que, hein?! – Fingiu indignação.
- Você é incrível! – Ela exclamou, ainda rindo um pouco. Os dois ficaram um tempo se encarando em silêncio, com sorrisos tímidos em seus rostos. De repente, ela sentiu se aproximando. Ele fechou os olhos, pousando a mão na bochecha ainda úmida de lágrimas dela...
- ? – se afastou rapidamente. – Você bebeu? – Perguntou, ao sentir o hálito de álcool do menino. Seu sorriso se transformou em uma cara confusa.
- Um pouco, eu tava na casa do...
- Sai daqui. – Ela o interrompeu. O menino a encarou, mais confuso ainda. – Amanhã a gente conversa, mas, por favor, sai daqui. – A garota pediu, já se enfiando de baixo das cobertas.
Sem escolha, ele deu de ombros, apagou a luz e fechou a porta atrás de si, sustentando um olhar triste e cheio de duvidas.

Cap. 7

- Ai, eu não acredito nisso! – acordou com a voz da mãe. – Liga pro Buffet e arma um BARRACO! – Martha berrava ao telefone.
O garoto se levantou. Vestia sua boxer e tinha os cabelos totalmente desarrumados. Abriu a porta do quarto, dando de cara com a mulher e seu celular.
- Ah, querido, você acordou! – Ela sorriu docemente. – Desce e come, e vai arranjar o que fazer na casa de algum dos meninos da banda.
- Eu to sendo expulso da minha própria casa? No primeiro minuto do meu dia? – Ele pareceu estupefato. Ela sorriu.
- EXATAMENTE!
O garoto bufou, se arrastando até o andar de baixo. Foi em direção à sala de jantar, mas voltou ao reparar que no lugar das torradas com geléia havia painéis e bolas. – Nem comer...- Ele foi até a cozinha. Deserta, graças. Ele puxou uma das cadeiras e pegou um pacote de biscoitos do armário. Comia em silêncio quando viu uma garota descabelada e com cara de sono entrar.
- Bom dia. – fez questão de NÃO sorrir.
murmurou algo como resposta. Ela tirou uma de suas mãos de dentro do moletom, - de uma maneira que o menino não entendia, já que com aquele casaco enorme ela parecia mais uma aleijada – estendendo-a para ele. O garoto entendeu o recado. Pegou a mão dela e a apertou, sorrindo fofo.
- Tudo bem, . Mesmo. Eu não fiquei chateado.
A garota o encarou como se fosse retardado.
- Eu quero um biscoito.
revirou os olhos, entregando o pacote para ela. – Você não tem nada pra me dizer não?
abaixou seus olhos e ficou em silêncio, esperando que ele mudasse de assunto.
- , você acordou aos berros e prantos ontem. – O garoto a olhou nos olhos. – Eu não to te acusando de nada, só quero te ajudar, assim como você tem feito comigo. Se você quiser conversar com alguém, aqui estou eu! – Sorriu.
Ela resistiu por um tempo, mas acabou sorrindo também. – Obrigada, ... Eu... – Sentiu a primeira lágrima escorrer.
- Minha mãe me expulsou de casa e suponho que tenha feito o mesmo com você, né?
- É! – Ela riu.
- Então... Eu vou pra casa do . Se você quiser, pode vir comigo. Aí a gente conversa no caminho.
assentiu. – Eu vou trocar de roupa e te encontro ali fora, ok?
- Ok.

A menina estava sentada no segundo degrau da escadinha em frente a porta, quando chegou, sentando-se ao seu lado. Ele olhou para ela e os dois sorriram. Ficaram um tempo em silêncio.
- Seu cadarço é assim tão divertido? – Ele perguntou, desamarrando o tênis de , que riu.
- É. Meu passatempo favorito.
- Sério?
- É! Tipo, sabe aquela tarde de domingo tediosa que não tem nenhum filme bom na TV e que sua mãe não te deixa nem ir na esquina comer meio sanduíche? Então, a solução ta nos seus pés! – Ela deu um sorriso forçado e os dois riram.
Mais um silêncio super divertido tomou conta.
- Hey, babá. – chamou baixinho, fazendo-a olhar para ele – Vamos indo?
A menina assentiu, se levantando e tirando qualquer vestígio de terra dos jeans. Eles caminharam lado a lado em silêncio até o portão.
- Então... – Novamente, quebrou o silêncio – você quer me contar?
Ela assentiu. – Sim, né. – Encarou-o por um segundo e o garoto balançou a cabeça, encorajando-a. – Bom, o Alan...

- Ahn, , pára de palhaaaaçada! – gritou, jogada no sofá da casa do garoto, onde , e também estavam. Eles queriam que fosse fazer o almoço, mas o menino se recusava, afirmando não ‘saber cozinhar como a mãezinha de vocês, bando de babacas’.
- , você sabe o que aconteceu na ultima vez que o tentou, né? – lembrou.
o encarou. – O quê?
- Ele cuspiu na panela.
- Babaca, seu filho de uma égua prenha, fofoqueiro. – elogiou o amigo, enviando-lhe um sinal amável com o dedo do meio.
- Mas entããããããão, zinho, meu amor. – fez bico para o namorado.
- Droga, odeio vocês. Menos a . – Ele (in)felizmente se rendeu, indo até a cozinha.
- Garota, você tem que me ensinar esse truque do biquinho, por que ele sempre dá certo! – disse, levando um leve empurrão do namorado.
Ouviram a campainha tocar.
- Com sorte, é a Sam. – se levantou, indo alegre atender a porta. Seu sorriso se desfez. – Na pior onda de azar, é o .
entrou, sendo seguido por . Todos sorriram, simpáticos, para a menina.
- Hey, babá da sandália de salto! – falou, aparecendo rapidamente na porta da cozinha, para ver quem era.
- Por que você achou que a Tam viria aqui, ? – perguntou.
- Não sei. E não é a TamMY – ele deu ênfase na silaba que faltava -, é a Sam.
- Que seja, você quase reveza.
- Eu? Que isso! – disse, fingindo indignação, com um sorrisinho convencido no canto da boca.
- A gente vai comer agora. Querem? – perguntou, simpática.
- Hey! – O namorado gritou da cozinha – EU to cozinhando! E se eu não quiser cozinhar pra eles?!
- Aí eu faço o biquinho de novo!
- Ah, ta. – voltou ao fogão.
- Entãããããão... – puxou o assunto – Animados pra festa?
- Ah, claro! – disse, irônico – Um bando de mauricinho da escola, nossos pais controlando a bebida... Uh, uma beleza.
- Cala a boca, . Você que não sabe aproveitar uma festa. – rebateu.
- E como você aproveita? No final você nem lembra dos nomes das garotas que você pega.
- Não! Mas eu lembro dos números.
- Oi? – não entendeu e explicou:
- O , pra não esquecer das meninas que fica, dá um número pra cada uma, entendeu?
- Nossa. – A babá fez uma careta – Qual foi o maior número que você já fez?
O menino sorriu convencido, encheu o peito. – 57.
- Tem certeza que nenhuma era cega? – brincou, fazendo todos gargalharem, com exceção do .
- HAHA, BOZINHA.
- Ahn, mas sério agora, eu acho que essa festa vai ser o máximo. – disse.
Todos começaram uma discussão sobre o evento, menos , que parecia ter deixado suas cordas vocais em Glastonbury.
- Hey, garota do salto – chamou – Não ta animada não?
- Eu não vou.
- OI?! – O coro de vozes surpresas perguntou, incluindo , que ouvia a conversa toda da cozinha.
- Ah, não vai ter ninguém que eu conheça, além de vocês... Fora que, é meio abuso, né? Já tem a história das aulas... E eu não tenho nem um vestido nem nada.
- Nem vem, garota! – disse. – Só desculpa! O vestido eu e a damos um jeito. Você tem que ir!
A menina olhou para , que pareceu um pouco nervoso, coçando a nuca e desviando o olhar.
- Hum... Bom, ta. Se for eu...
- AAAAAAH! – As duas amigas gritaram juntas, animadas. – Vem, eu vou te mostrar os vestidos que tem lá em casa! – Elas a arrastaram porta a fora.
- Garotos, vocês buscam a gente na casa da , ok? – Uma delas gritou, já da escada.
- Não, eu... – tentou responder, mas elas já estavam longe, arrastando e mexendo em seus cabelos sem parar. – Droga.
- Que foi, dude? – chegou na sala, com seu prato na mão. se levantou, indo até a cozinha fazer o seu.
- Eu marquei de ir com a Ash...
- Que vacilo! E a babá? – perguntou.
- Eu posso ir com ela! – disse, chegando novamente à sala. sorriu falsamente, mostrando o dedo do meio.
- Ah, cara, tenta dar uma enrolada na Ash...
- Não dá... Eu fiquei de passar na casa dela 16h.
- Tipo... – olhou no relógio – Daqui a 40min?!
- É.
- Você ta ferrado. – riu e os outros dois esfomeados foram em direção à cozinha.

Cap. 8

- Não, esse não! – disse, tirando o 20º vestido de que vestia.
- Garota, você não gosta de nenhum! – riu e a amiga olhava para a babá coçando o queixo.
- Na verdade... – , que tinha uma cara pensativa e o olhar passando por , falou – Eu acho que tenho a coisa perfeita.
- Ah, e você só mostra mil anos depois! – riu.
- Larga de ser ingrata, sua capiau! – A amiga respondeu, rindo. – Já volto.
- Será que fica bom?
- Quando essa menina tem essas idéias, - respondeu – SEMPRE fica ótimo!
As duas sorriram animadas e viram a outra voltando com um cabide na mão. Ela abriu o zíper da capa, exibindo um longo azul marinho. – Veste.
Os olhos das três brilharam e a menina botou o vestido.
- PERFEITA. – falou, boquiaberta.
A garota se olhou no espelho e sorriu ao se ver usando aquilo. O vestido tinha um decote até o meio das costas e amarrava na nuca, tendo alguns detalhes de cristal Svairovisk.
- Você ta LINDA, menina! Ah! – pareceu se lembrar de alguma coisa. Se perdeu por um segundo no closet, voltando com um par de sandálias prateadas de salto fino. – Toma.
as calçou e se virou para as duas, sorrindo e esperando uma reação. As meninas se entreolharam.
- É esse. ESSE.

Ela sorria abertamente para o espelho e balançava os cabelos loiros de cinco em cinco segundos. Estava retocando o batom vermelho quando o celular tocou.
- Alô? – Ashley ouviu a voz de do outro lado da linha e sorriu.
- ! Eu to pronta!
- E eu... Eu... To aqui embaixo! – A garota olhou pela janela e acenou. – É.
- Vou descer, um segundo. – Ela desligou o celular, deu mais uma olhada no espelho e sorriu satisfeita.
Desceu as escadas tomando cuidado para que o salto da sandália não agarrasse na barra do vestido vermelho de seda. pareceu surpresa assim que a viu.
- Nossa! Você ta... – Ele buscou a palavra certa dentro de sua mente, mas só encontrou uma – VERMELHA!
Ash sorriu, tentando descobrir se aquilo era de fato um elogio. Ou se ao menos era sincero.
- Bom... Pra onde vamos?

sorriu pela qüinquagésima vez para as amigas, franzindo o cenho, como se perguntasse se realmente estava tudo perfeito. Ela estava mais nervosa que nunca. sorriu.
- Tudo perfeito! – fez joinha com a mão e abriu a porta. As três deram de cara com , e sorrindo.
- UAU. – olhou a namorada de cima a baixo.
- Menos, ok? – Ela ficou tímida.
- Bom, vamos? – perguntou.
franziu a testa, em dúvida. – E o ?
Os três garotos se entreolharam, procurando pela resposta certa. lançou um olhar ameaçador para o namorado, que deu de ombros.
- , ele... – começou.
- Teve que ir ao... – tentou terminar.
- Dentista? – concluiu o pensamento.
- Onde ele está? – A garota perguntou, parecendo realmente brava.
- Ele... – .
- ONDE ELE ESTÁ?
- Elefoicomaash.
- , se você não falar como uma pessoa NORMAL eu vou te socar por mais que a tente me impedir.
- Ele foi com a Ash.
O queixo dela caiu. A menina fez força pára levantá-lo, mas ele parecia mais pesado que uma bigorna. –ELE O QUE?!
- Desculpa, babá, a gente... – tentava se desculpar.
Ela forçou um sorriso vitorioso. Tinha raiva.
- Não, ! Ta tudo bem! Você vai ser um acompanhante perfeito! – Ela lhe estendeu o braço. – Vamos?

Cap. 9

Relato da Noite Mais Trágica da Minha Vida, por

Cara, quando eu cheguei lá, de braço dado com a Ash, a primeira coisa que eu pensei foi: eu espero que não tenha chegado, por que senão eu sou um garoto morto e minha mãe nem mesmo vai poder culpar o maço de cigarros que ela encontrou no meu quarto na semana passada por isso. Sério.
Ta, deixemos os meus sentimentos totalmente másculos de lado e voltemos nossa atenção à festa. Por mais que eu ache que Martha devesse focar o empenho dela em alguma coisa mais útil, eu tenho que admitir: a festa tava LINDA. Ta, esse ‘LINDA’ ficou meio gay. Vou riscar isso no final. Sério, nem sei por que eu to escrevendo esta droga. Acho que só por que quando eu ficar famoso as revistas vão pagar milhões por esse rabisco. É óbvio – ‘óbvio’. Ta aí outra palavra super gay. ‘Super’ também. – que eu vou ser trilionário e não vou precisar de nenhum centavo daqueles sanguessugas. Desculpa, eu fugi do assunto ‘festa’. Eu tenho DDA, sabe? Distúrbio de Déficit de Atenção. Sempre foi um problema isso. Eu lembro que na segunda série um pirralho chamado Diogo Não Sei O Quê me perguntou se eu tinha esquecido meu cérebro no banheiro. Aquilo me traumatizou. Por isso que eu bebo hoje em dia. Minha mãe devia culpar o tal fedelho, não a mim. Desculpa, fiz de novo. Agora, cada vez que eu fugir do assunto Noite dos Horrores vocês – sim, vocês editores de fofoca! – vão me pagar 15 mil libras a menos, ok? Mas enfim...
A festa tava DEMAIS. Quando você entrava, logo dava de cara com a palavra ‘Hollywood’ no gramado. Com as letras iguais ao original, sabe? Aquele no meio daquela montanha verde. Bem, o local tinha a parte do salão e uma parte aberta, o tal gramado, que era por onde as pessoas entravam. Havia também vários quadrados espalhados, formando uma Mini Calçada da Fama. Luzes coloridas, canapés de recheios que ninguém sabe o que são, taças de mais de um metro de altura. Aquela história toda, sabe? As mulheres de longo, os homens de smoking. Sim, eu estava de smoking.
Bom, foi bem nessa parte em que eu tava me xingando por ter me enfiado naquela fantasia de pingüim em dia de outono que eu ouvi a voz da Ash.
- Ah! Ali! Os garotos! – Ela largou o meu braço e foi correndo até onde , e estavam.
- Vocês chegaram. – Eu sorri, agradecendo a tudo e todos por não ver aquela babá assassina ali.
- E nós também. – Ouvi a voz de e me virei para ver e ao lado dela. Dude, nessa hora meu queixo cavou um buraco naquela graminha falsa. Ela tava LINDA. E dessa vez NINGUÉM pode dizer que ‘linda’ é uma palavra gay, por que não tem outra pra descrever. Linda. O vestido dela não era o mais caro e bonito da festa, era como todos os outros; os cabelos estavam presos num coque mal feito, um penteado legal, mas do mesmo estilo do de metade das outras garotas; a jóia não tinha nenhum diamante daquele azul igual ao do Titanic, era uma corrente de prata fina com um pingente de turquesa; falando a verdade, eu não vi nada como um monte de garotos olhando pra ela, como se ela fosse a Julia Roberts nem nada. Ela estava normal para muitos dos de sexo masculino que estavam lá, mas tinha uma coisa nela que não me deixava tirar os olhos daquela garota: o sorriso. Sinceramente, eu já tinha visto a mais feliz mil vezes mais. E ela nem estava sorrindo de lado, do jeito que eu gostava. Eu não sei o que era até hoje, só sei que eu nunca mais vi o sorriso dela como antes de novo. Dali em diante aquele era O sorriso.
- Oi. – Eu gaguejei para elas.
- Ah, você veio? – perguntou cínica, parando de sorrir logo em seguida. – Isso REALMENTE não vai estragar a minha noite. Sabe por quê?! – Ela botou o dedo no meu peito. – Por que eu vou dançar até cair e to acompanhada pelo melhor... – Ela olhou para onde estava e o viu agarrado na cintura de uma ruiva qualquer, com a boca perdida em algum lugar por ali – Eu... Eu não preciso de companhia masculina pra me divertir. – Ela voltou a sorrir e eu tentei agarrar seu braço, mas ela desviou. – E NÃO chega perto de mim. – A babá se virou e saiu andando com , e .
Eu vi o chegando perto de mim. Ele falou baixinho, de modo que Ash, que estava olhando àquilo tudo sem entender nada, não pudesse ouvir.
- Segue o meu conselho: NÃO chega perto dela. A babá hoje tem mais que uma sandália de salto como arma.
Ele apontou para mim com as duas mãos, como se estivesse atirando, e fez um ‘tsc’ com a boca. Uma onomatopéia banal.
- Me deseje boa sorte. – Eu ignorei aquela encenação de quinta do e dei a volta, pegando Ashley pela mão e a levando para dentro do salão.

É incrível o poder que uma tinta vermelha tem sobre um homem. Sério, o não desgrudava daquela ruivinha. Eu tava dançando com a Ash quando olhei pro lado e vi os dois quase se engolindo.
- To com sede. – A Ashley disse, olhando pra mim com cara de pidona. Eu sorri e fui buscar alguma coisa no bar.
- Uma tônica com vodca, por favor. Duas. – Eu pedi ao barman que assentiu, indo preparar a bebida. Olhei pro lado e vi , , , e a Sra. Babá Responsável Estressada.
- Hey, ! – O me cumprimentou quando eu me aproximei. Pude ver a revirando os olhos, mas achei melhor ignorar.
- Então... Aproveitando muito? – Eu perguntei.
Todos sorriram, assentindo, menos , que riu irônica. – Mais que nunca. Eu a encarei um tempo mas, mais uma vez, resolvi fingir que não a havia escutado.
- Cara, sua mãe deve ter se matado pra fazer essa festa, hein. – comentou. Eu olhei pra onde ela estava e sorri satisfeito. Ela merecia aquilo, de verdade.
- Com certeza. Eu e a babá até fomos expulsos de casa por isso hoje, né? – Dei uma leve cotovelada nela, rindo, mas ela me encarou séria e eu fiquei meio sem graça.
- To amando essa festa! – disse olhando ao redor – Que horas vocês tocam?
- Daqui a pouco. – O respondeu.
- Quero só ver a gente fazer o desgrudar da acompanhante dele, né. – Eu disse rindo.
- A acompanhante dele é, supostamente, a , . – falou, inocente. Nessa hora eu quis cavar um buraco e me enfiar dentro. Só não fiz isso por que se eu estragasse aquele gramadinho perfeito eu acho que a Dona Martha me matava.
- Sério? – Me fiz de bobo.
- Sério! – Ela respondeu cínica, descruzando os braços. – Por que, sabe, o garoto com quem eu viria não me disse que viria com a peguetezinha dele, então eu acabei sobrando pro que, bom, ali está.
- , desculpa, eu... – Parei de falar ao sentir meu rosto quente do tapa que eu tinha levado. Cheguei até a derramar um pouco da tônica da Ash.
- Não gasta seu tempo, . – A garota saiu andando que nem uma louca e eu perdi ela de vista no meio daquele bando de engravatado.
- Vem. – puxou a amiga pelo braço e as duas foram atrás da babá enfurecida. Cara, eu não entendo por que essas garotas se estressam tanto por causa de uma festa.
- Dude, ela ta realmente brava com você. Eu disse. – falou.
- Cara, tudo isso por que eu não vim com ela?!
- Sei lá, deve ser. – deu de ombros – A disse que ela ficou super decepcionada.
- Foi sacanagem mesmo, eu sei. – Eu disse, humilde que sou, assumindo minha culpa dos fatos.
- Vai atrás dela, né! – O disse.
- Se eu soubesse pra onde elas foram. – Eu dei de ombros e levei dois pedalas.
- Onde as meninas vão quando estão felizes ou tristes, sozinhas ou acompanhadas, enfurecidas ou amáveis?! – deu um sorriso que deveria iluminar minha mente e me fazer flutuar até a resposta. Ainda assim não entendi bulhufas.
- Não sei.
- BANHEIRO, LEZADO! – Os dois gritaram, fazendo um casal de idosos caquéticos nos olhar.
- Ah... – Eu sorri forçado e ‘atirei’ nele com o dedo, piscando um olho. Saí correndo até a porta do banheiro feminino.

- Ele é um idiota! Esquece isso e vai dançar, menina! – Ouvi a voz de vinda de lá. Encostei o ouvido na porta. Eu sei, não é certo ouvir a conversa atrás da porta, mas não é minha culpa! Eu não podia entrar lá – era o que dizia aquela plaquinha com uma bonequinha vestindo um triangulo -, se eu pudesse, entraria.
- Argh, eu ODEIO esse menino! – A babá enfurecida disse. – ODEIO.
- , calma. – a acalmou – Ele nem merece isso, você sabe.
- Eu sei... – Ouvi um soluço. Ah, ela tava chorando?! Pelo que tudo indicava, sim. – Ele é um idiota! De lua, sabe? Às vezes é um amor, assiste filme comigo... E depois nem olha na minha cara ou faz essas babaquices.
- Mas amiga, você tem que aprender a fazer o mesmo, sabe? – Alguém disse. Naquele momento eu tava focado em . – Se ele sabe te deixar inseguro, você também sabe.
- Eu concordo com a . Lembra, amiga, de como ele ficou no carro naquele dia da festa?! E depois a gente descobriu: foi só por que ele tinha te beijado. – Nota mental: ASSASSINAR da maneira mais fria e brutal possível, sem que o faça o mesmo comigo depois.
- É, e não é do feitio do ficar mexidinho quando beija uma garota. – Nota mental²: Afogar na privada por me acusar de estar ‘mexidinho’. Quem fica ‘mexidinho’ é gay dançando salsa.
- Ah, eu quero que ele MORRA. – meio que berrou. Pela voz eu percebia que ela tava chorando o suficiente pra matar as três afogadas trancadas naquele cubículo. Olhando pelo lado positivo, eu não teria que assassinar minhas duas melhores amigas depois. – Ele é um covarde.
Um silêncio dominou por um segundo. A babá fungou e voltou a falar:
- Ele é um covarde.
Mais um silêncio. Outra fungada.
- ARGH, ELE É O MAIOR COVARDE DO MUNDO. ELE NÃO TEM CORAGEM DE DIZER O QUE SENTE E AINDA FAZ ISSO COMIGO! COVARDE! – A voz se aproximou. – COVARDE! – Mais próxima – COVAR... ?!
Ela abriu a porta e eu fiquei com uma cara de taxo imensa. Me bateu um medo. Não de que ela brigasse comigo, mas de que ela pudesse ir embora. De Londres, não da festa.
- Diz que você chegou agora. – Ela disse, enxugando as lágrimas. Eu fiquei quieto, sem ação. Olhei pra e , que estavam tão surpresas e sem ação quanto eu.
- , eu... Eu...
- Eu odeio você. – Ela falou, me empurrando e passando direto por mim. Eu encarei os pés, envergonhado.
- Golpe baixo. – disse e passou direto também, provavelmente indo procurar a babá. Olhei pra .
- Ai, , você é um babaca, hein. – Ela sussurrou e me deu um abraço apertado. Talvez a tivesse que morrer sozinha.

- Não, , já disse, dude! – gritou pela milésima vez. Já estava na metade da festa, eu não tinha nem ligado Ash a ley desde o último acontecimento e ninguém sabia da babá. Nem , que tinha corrido a festa inteira atrás dela. Eu estava bem... nervoso.
- PO, CARA! COMO ASSIM?! NINGUÉM SOME! – Berrei, me jogando sentado no gramado. Abrindo um parêntese aqui: depois minha mãe me MATOU por ter sujado a calça cara que ela tinha alugado de terra.
- Levanta daí, garoto. – tentou me levantar, mas eu não deixei. – Levanta! Você não vai encontrar a se continuar sentado na grama!
Levantei.
- Vamos nos separar. – falou. – Cada um procura em um lugar, esse clube é imenso.
- Ta. – Eu saí correndo antes mesmo que alguém pudesse dizer ‘acheia’.
Rodei aquele salão inteiro e nada. Vi a Ash uma vez, mas fugi. Ela tava sentada no colo do Stuart, e os dois estavam cantando YMCA bem alto, então deduzi que estavam bêbados. Senti inveja, depois passou.
Bom, enquanto eu pensava se me juntava a eles e dançava com os bracinhos pro ar olhei pra frente e vi a resposta para todas as perguntas do mundo, a solução para os problemas da África, a paz da guerra no Afeganistão, a igualdade social, o fim da violência no Rio de Janeiro – seja lá onde isso fique -, a Amazônia sendo preservada, as pessoas dando as mãos, os EUA parando de egoísmo e Cuba e a China deixando as pessoas terem computadores em casa: uma porta pra uma varanda que resultava em uma piscina com um pequeno jardim. Desertos! Saí e senti o choque térmico. A devia estar sentindo frio lá. Ta, parei. Ela é a babá, não é bebê. Caaaaaara! Será que pensaram quando criaram as palavras BABÁ e BEBÊ?! Entendeu?! B + A/E + B + A/E. Legal, né? Acabei de perceber. Ta, voltando à história. Eu não me lembro muito bem de umas partes daí em diante, por que eu tive que beber algumas taças de champanhe pra tomar coragem de ir lá. Tenho uma confissão: medo de escuro. Não me julguem, eu sou um menino indefeso, sozinho. Chega dos meus comentários, preciso aprender a me focar num assunto. Eu apertei o smoking, tentando me proteger do frio, e dei alguns passos. Já não podia mais ouvir YMCA, que ainda tocava lá dentro.
- ! – Eu gritei. Ninguém me respondeu – não que eu tenha escutado. – ! Me respondiiiii!
Dei mais alguns passos, mas não percebi um mero detalhe, uma coisa indesejada e pequena: a piscina. Antes que eu pudesse soletrar YMCA, já tava lá dentro, cheio de cloro nos olhos, sem conseguir nadar direito. Eu lembro que tava muito frio e eu sentia MUITA falta de oxigênio. Senti um par de braços finos e – só aparentemente – fracos me envolver e me carregar até em cima.
apoiou meus braços na borda e fez o mesmo. Nós dois estávamos ofegantes, ainda dentro da piscina.
- , - um suspiro – eu vou te matar!
- , ! Dixculpa puuurrrrr ter vindo com a AAAAx.
- Você ta bêbado e me fez pular nessa piscina. E eu já disse que odeio você.
- Eu precisu txiiiii dizer uma coiiiiiiiisa! – Eu vi ela indo até a escada e fui atrás. – É muuuuuuuuinto importaaaaaante!
Ela saiu da piscina e eu fiz o mesmo. Os dois batendo queixo, tremendo de frio.
- , eu... – Eu me manti sóbrio por um momento, juntando muita coragem. – Eu amo você.
Ficamos um tempo em silêncio, sem ação, até que ela riu. RIU. RIU. Sim, riu. Eu quis me matar.
- , você nem sabe o que ta falando. Você ta bêbado.
- Não, eu... – Fui interrompido.
- Você nada! Você nem sabe o que é isso, sabe?! Parece que é louco, às vezes eu me sinto perto de uma pessoa incrível quando to com você, mas... mas às vezes é como se eu tivesse com um louco, bêbado, fumante aloprado... Egoísta, que age em função dos outros, que vive me decepcionando. Esse é esse você que ta dizendo que me ama agora. – Ela apontou pra mim com cara de desdém e eu me senti um cão. – Eu não me preocupo com o Carinhoso, ele sabe o que é amar. Mas, VOCÊ?! – Riu de novo – Você não sabe. Quando você aprender, vem falar comigo. Talvez eu te escute.
Ela me olhou de cima a baixo com um olhar de nojo e eu me senti a pior pessoa do mundo. Depois a babá passou por mim e se perdeu na multidão de pessoas dentro do salão.
Eu fiz uma coisa que eu nunca pensei que faria na minha vida: sentei na grama e comecei a chorar. MUITO. Novamente, minha mãe morreria pelas calças. Eu era aquilo? Eu fazia aquilo? Cara, que droga.
Senti mais um par de braços me puxar pra cima e dei de cara com um preocupado.
- Dude, que que você fez?! Você ta todo molhado.
- ... – Eu disse entre soluços. Deus, eu tava chorando MUITO! – Ela não acredita... Ela foi embora?
- Chega de festa por hoje, . Você não sabe nem beber. – Ele riu, mesmo sabendo que NÃO TINHA GRAÇA, e eu vi mais dois vultos que eu chamei de e .
Eu não sabia beber também. Essa não era a única coisa que eu, aparentemente, não sabia fazer. Vomitei – literalmente – com aquela idéia que me fazia sentir um monstro, ter nojo de mim: não sabia amar.

Fim do Relato da Noite Mais Trágica da Minha Vida, por

Cap. 10

ouviu o despertador e sentiu a cabeça doer. Ainda estava mal pelo sábado anterior. Desde os últimos acontecimentos, não olhava na cara do pobre garoto. Se recusou a abrir os olhos, mas acabou cedendo já que aquele relógio de pilha vagabundo e insistente não parava de apitar. O menino pegou o despertador e levantou o braço, mas parou ao lembrar que seria o milésimo despertador espatifado na parede e que ele levaria um sermão sobre vandalismo de seu pai. Se levantou, tomou um banho e antes de se dar conta, já estava descendo as escadas e indo em direção à sala de jantar. Quando eu digo ‘antes de se dar conta’, eu falo literalmente, já que o pobre garoto estava agindo vegetativamente desde a festa.
- Bom dia, querido! – Martha disse quando viu o filho mais velho sentar à mesa. Ele lançou um olhar à , mas ela ria, limpando a boca de Bern, como se ele nem estivesse lá.
- Bom dia. – respondeu, não tão empolgado.
- E então, querida. – Albert falou, se virando para e sorrindo. – Empolgada com o primeiro dia de aula?
Ela sorriu de volta.
- Demais! Eu realmente não sei como agr...
Martha chacoalhou as mãos no ar, fazendo sinal para que ela parasse de falar. – Não, querida! Eu já disse que não tem que agradecer nada! É quase uma obrigação nossa. É um prazer.
A garota sorriu sincera.
- Bom, vamos? O motorista já ta esperando vocês dois lá fora. – Albert disse. – E eu vou pro trabalho daqui a uns... – Olhou no relógio. – 10min.
se levantou da mesa e fez o mesmo. – Tchau!
- Tchau, queridos! Bom primeiro dia de aula! – Os pais do menino gritaram enquanto a porta da frente batia atrás deles.
- Bom dia! – Fredrico, o motorista, sorriu, cumprimentando-os. Os dois sorriram para ele e entraram no carro.
se sentou em uma janela e o garoto na outra. Durante cerca de 10min os dois ficaram em silêncio, vendo as casas enormes e lindas da rua de ficarem para trás enquanto as lojas e prédios se erguiam a frente deles.
- . – disse baixinho, mesmo sem esperar uma resposta. A menina não tirou os olhos do vidro, como se não tivesse escutado nada. Ele baixou os olhos para as mãos trêmulas e mordeu o lábio inferior. – Eu só queria te pedir desculpas. – Ele parou e encarou a menina, desta vez esperando uma reação. Nada. Continuou. – Se eu pudesse voltar atrás... Eu não teria ido pra festa com a Ash, não se eu soubesse que era tão importante assim pra vo...
Ela o interrompeu com uma gargalhada sarcástica e sentiu os olhos de Fredrico sobre ela pelo retrovisor. – , você realmente acha que o problema foi não ter um par pra ir à festa?! Não, NÃO FOI. O problema é você com essa sua mania estúpida de ignorar os sentimentos das pessoas. Você não pensou que... ARGH, que pudesse me magoar?! Que pudesse magoar a própria Ash?! E, e... E você ainda sai por aí beijando os outros ou... ou quase beijando e depois me deixa com cara de tacho, perdida?! Você acha isso certo. E depois ainda vem me falar de amor, ! Amor! Você não deve nem saber soletrar amor! – Ela começou a se sentir perdida com as palavras, mas elas insistiam em sair sem autorização. – Argh, você não sabe NADA SOBRE O AMOR! Se você fosse... sei lá, escrever um cartão! Que cor você usaria pra escrever essa palavra?
a encarou sem entender nada. Até um segundo atrás ela se recusava a olhar na cara dele e no seguinte queria um cartão?!
- Azul.
riu novamente. – Você é um idiota, ! IDIOTA!
Coincidente e surpreendentemente o carro parou e a garota saiu, batendo forte a porta atrás de si. Ele se jogou no estofado.
- Argh, ela me confunde. Qual o problema com azul? – Ele dizia a si mesmo quando ouviu a voz de Fredrico, que o observava pelo retrovisor.
- Vermelho, Sr. .
ergueu os olhos e os baixou novamente, perturbado.
- Obrigado, Fredrico. Até mais. – Ele saiu do carro, se arrastando até a porta da escola.

- Bom dia, amiga! – gritou sorridente ao ver se aproximar. Ela e estavam conversando no pátio da escola, onde todos os alunos costumavam ficar antes e depois das aulas.
- Bom?! BOM?! Ótimo dia! – Ela respondeu, irônica.
- Nossa, o que houve? – perguntou.
- Houve que o estúpido do veio me pedir desculpas.
- Isso não era pra ser bom?! – falou, confusa, acenando para duas meninas conhecidas que passaram.
- Pediu desculpas por ter ido à festa com a Ash! Ele acha que eu sou fútil o bastante pra ligar pra uma festa?! Me poupe.
- Não acredito nisso. – exclamou e as três foram caminhando até a porta de entrada da escola.
- Ele não entende, cara! Argh! Ele acha que pode confundir as pessoas, que pode agir de um jeito e depois de outro e tudo vai continuar bem!
- Não fica assim, babá. Sinceramente, vocês têm que conversar. – falou quando parou de repente.
- Concordo. Bom, minha primeira aula é aqui. Biologia. – Ela sorriu, entrando no laboratório logo atrás de duas meninas, um nerd e um grupo de líderes de torcida que pintavam com o pobre coitado.
- Cara! – parou de repente. – Eu não sei minhas aulas, e agora?!
- Calma, menina. Vai na secretaria que eles te dão um papel com a tabela de aulas. Eu vou indo. Minha primeira é Artes, no outro prédio. Beijinho! – saiu correndo, jogando beijinhos no ar.
A menina olhou ao redor e se viu perdida em meio a alguns alunos desconhecidos. A maioria das pessoas já estava nas salas, deixando os corredores praticamente desertos. caminhou devagar, observando algumas das aulas que já estavam começando, enquanto procurava a secretaria. Depois de alguns minutos ela estava mais absorta nas aulas alheias no que na própria busca pela secretaria.
- DROGA! – Uma voz masculina gritou e ela se viu no chão, rodeada por livros. – Você não olha por onde anda não, garota?!
Ela reconheceu aqueles cabelos loiros e o olhar meio perdido. Stuart.
- Erm, desculpe.
- Babaca. – O garoto murmurou enquanto arrumava a pilha de livros. Ela se levantou, agradecendo aos céus por estar bem em frente à secretaria. Abriu a porta e sentiu um leve frio devido ao forte ar condicionado. Viu uma mulher de cabelos grisalhos sentada mexendo em alguns papéis.
- Erm... – Ela leu o crachá. Sra. Mistund. – Sra. Mistund.
A mulher levantou o olhar e a observou de cima a baixo. – Bom dia. – Sorriu de maneira interrogativa.
- Eu sou nova aqui e queria pegar meus horários.
- Claro! Seu nome, por favor, querida.
- .
A mulher parou de mexer nos papéis e a encarou novamente, sorrindo, desta vez mais largo.
- Ah, a Sra. nos falou muito bem de você!
sorriu, sem graça. – Brigada.
Um silêncio dominou a sala por alguns segundos até que a secretária entregou o papel à menina.
- Aqui, a grade de horários e a senha com o número do seu armário. Sua primeira aula é... Geografia. Se o professor reclamar pelo atraso, entregue esse passe a ele, ok? Boa aula!
- Obrigada. – Ela puxou a pesada porta de madeira e se sentiu quente, novamente no corredor, que desta vez estava totalmente deserto. ‘Sala de Geografia – 339.’

chegou em frente a sala. Tentou esticar o corpo, afim de ver um pouco da turma pela janelinha de vidro, mas era alta demais. Respirou fundo e abriu a porta, dando de cara com um bando de rostos desconhecidos. A turma inteira parou para encará-la.
- Pois não? – O professor, que aparentava ter pouco mais de 30 anos, perguntou.
- Eu... É... Sou nova aqui. Tava pegando meus horários.
- Claro. A Sra. Mistund te entregou um passe?
A garota assentiu e entregou o pequeno papel ao professor. – Qual o seu nome?
- .
- Bom, pode se sentar. – Ele indicou a única cadeira vazia: no meio da sala.
Ela se arrastou até a cadeira, tirando a bolsa que atravessava o corpo dos ombros. sentiu algo espetar sua bunda ao se sentar e um grupo de garotos, que devia ser os populares, riu alto. Ela reconheceu a risada de Stuart. No impulso, ela pulo para frente e acabou batendo a boca na mesa.
- Droga! – A garota tentou gritar quando sentiu o dente bater na gengiva e uma possa de sangue se formar na língua. Ela levantou correndo e saiu da sala. Quando estava no meio do corredor se lembrou que não sabia onde era a enfermaria. Olhou para o lado e viu a porta do banheiro feminino, entrando. A menina abriu a torneira e cuspiu o sangue. Quando abaixou o rosto, viu a blusa toda manchada e pegou um pouco de papel para esfregar.
- Ai... – resmungou ao olhar a boca no espelho, esticando um pouco o lábio inferior. A droga do sangue não estancava e ela desconfiou estar com diabetes adolescente, se é que isso existia. Ouviu o sinal bater e pegou a grade da bolsa, ainda com a mão na boca. Biologia. Essa sala ela sabia onde era, já que havia levado até a porta. Pegou a bolsa com uma mão só e saiu do banheiro quando ouviu o celular tocar. ‘Alan.’
- Não, Alan. Não agora. – Ela disse para si, apertando a tecla end e indo em direção ao laboratório.

Cap. 11

chegou em casa e correu para o quarto. O trajeto de volta da escola havia sido em completo silêncio entre ela e e sua boca ainda doía muito. Depois de ela ter chegado na sala de Biologia, agradeceu aos céus que estava na mesma turma e a levou até a enfermaria.
- , o almoço ta pronto! – Ela ouviu a voz de . A primeira vez desde a discussão da manhã, já que eles não se falaram no intervalo. Ela largou a bolsa em cima da cama e desceu as escadas.
Os dois se sentaram em silêncio.
- Nancy, cadê a Martha e o Bern? – A menina perguntou à copeira.
- Ah, querida! Esqueci de dizer! – A mulher bateu com a mão na própria testa. – Eles saíram pra comprar uns brinquedos novos e por que o little Bern ia à casa de um amiguinho.
- Ahn.
Então seriam ela e naquela mesa. Bom, calma, . Só um almoço, um almoço. Ta, esquece a calma, ela estava morrendo por dentro. E ele mais ainda.
- Então... – Ele tentou puxar assunto.
- Não faz isso, .
Ele a encarou confuso por um momento, enquanto a garota mexia na comida sem a menor vontade de ingerir aquilo. Ignorou.
- Então... – Repitiu e ela revirou os olhos. – Machucou a boca?
Silêncio.
- Eu te fiz uma pergunta, .
- Você não ta vendo que sim?! – Ela perguntou, grossa e irritada. voltou sua atenção à comida. Dois segundos em silêncio.
- Você não vai melhorar nada assim. – Ele murmurou.
- , eu não tenho que melhorar nada! Quem fez a besteira aqui foi você, isso é um problema seu! Argh! – Ela empurrou o prato e se levantou, indo na direção da escada.
- Cara, que droga. – O menino largou o garfo e encarou o prato, como se soluções e respostas pudessem brotar das batatas.
De repente, ouviu uma música e levantou o olhar, dando de cara com o celular da babá. Pegou-o. ‘Alan.’ Pensou por um instante mas acabou agindo no impulso.
- Alô?
- Alô, quem é? – Uma voz masculina perguntou do outro lado da linha.
- .
- Quem?! É do celular da ?
- É, é o... um amigo dela.
- Hum, é o namorado dela. Avisa que...
- Ex. – o corrigiu.
- Quê?!
- Você é o EX namorado dela.
- Olha aqui, quem você pensa que é, garoto?! Da vida dela cuido EU.
- Não, da vida dela quem cuida é ELA e mais ninguém.
- Cala a boca, seu babaca. Deixa ela saber que voc... – O garoto não pôde terminar de ouvir, já que alguém havia pego o celular.
- Da minha vida, , cuido EU e não você, exatamente como você disse. – disse, saindo de casa, ainda com o telefone na mão.
Apertou o casaco contra si ao sentir o frio e deu alguns passos, discando um número.
- Não, não, não! – Ela falou para si, apertando end.
O poder de um termina onde começa a liberdade do outro, e a dela já estava esperando tempo demais para começar.

- Não acredito nisso, ! – gritou ao ver toda a pipoca que havia na casa espalhada pelo chão.
- Foi sem querer, eu fiquei tensa!
- Tensa com O QUÊ?!
- Ai, toda essa pipoca na minha mão... É muita responsabilidade, muita pressão. – A garota respondeu balançando as mãos sem parar.
- Vou fingir que não ouvi isso pro seu próprio bem.
A campainha da casa de tocou e a menina foi atender.
- OOOOOOOOOLÁ! – Ela sorriu ao ver . A amiga fez o mesmo.
- Oi, gente! Posso entrar?
abriu mais a porta, fazendo sinal para que a menina entrasse. Ela se jogou no sofá, suspirando.
- O que o fez? – perguntou.
- Dessa vez o problema não foi o .
As duas meninas a encararam confusas, até que captou a mensagem.
- Não. – Ela balbuciou. – Não é o que eu to...
- Ele saiu da reabilitação e desde então não pára de me ligar.
- E você só diz isso pra gente agora?! Qual é o seu problema?! – praticamente gritou.
- Eu to com medo de ele vir pra cá, gente. Todo mundo lá em Glastonbury sabe que eu vim pra Londres, ele vai acabar descobrindo. Fora que minha mãe acha que ele é um anjo, que ele não bebe nem nada, que foi maldade minha terminar com ele. Isso por que ela nunca foi a uma festa com ele.
- Você acha que...
- Eu não duvido nada. – respondeu rápido.
- Mas será que ele... Ele tentaria alguma coisa? – perguntou receosa e recebeu um olhar amedrontado de .
- Não, acho que não. O máximo que ele vai fazer é gritar comigo, dizer que me ama, aquele blábláblá todo. Esses meninos acham que amar é fácil assim.
olhou para a menina.
- Você não compra o com o Alan compara?
gelou por dentro.
Ela sabia que e Alan eram pessoas diferentes, e que não era um bêbado louco como o ex-namorado. O problema é que com o que ela viveu com Alan, acabou criando um sistema de autodefesa que ela não podia controlar. Não importa o que acontecesse, ela sempre estava de guarda alta. Ela tinha medo.
Mas tinha mais medo ainda de admitir isso.
- Claro que não! Eu só... me preocupo com me machucar, sabe?
- Sei... – disse baixinho e pegou a mão da amiga. – Você tem medo.
Medo. Ela odiava aquela palavra.
- Não tenho não!
riu, franzindo o cenho.
- Bom, vamos mudar de assunto, né? , vai pegar pipoca pra gente!
- Não sei que pipoca, né. Você jogou tudo no chão! Vou pegar Coca. – Ela se levantou do sofá e foi caminhando até a cozinha. pegou o controle da TV e a ligou.
- As pessoas corajosas só existem por que elas têm medo, . – disse sem tirar os olhos da televisão. A menina a encarou, duvidosa. – Se o medo não existisse, não teria coragem. O que ela venceria?! – Ela sorriu e voltou a prestar atenção na TV, deixando uma confusa absorta em pensamentos.
Talvez ela fosse realmente corajosa e não houvesse problema de admitir que tinha medo. Talvez ela pudesse provar sua coragem vencendo o medo. Ela correria o risco de se machucar mais, mas venceria o medo dos riscos também.
Talvez ela pudesse provar que não tinha medo de ter medo.
Alguém um dia disse que quem tem coragem não finge.

Cap. 12

As ruas estavam frias naquela sexta feira. Já fazia quase três semanas que e não se falavam direito. O máximo que ele conseguia arrancar dela era um ‘Bom dia, babaca.’
O garoto apertou forte o casaco contra o corpo e apertou a campainha da casa de . Provavelmente ele estaria sozinho.
Depois de alguns instantes a porta se abriu e ele deu de cara com um de boxers e todo descabelado.
- Que droga, cara. – disse, entrando e se jogando no sofá da casa do amigo. fechou a porta e se sentou ao lado dele, fazendo muito esforço para manter os olhos abertos. – Ela não fala comigo. Sério, to enlouquecendo.
respirou fundo e encarou o amigo.
- , já é a terceira vez essa semana que você vem aqui às 5:00h da manhã me falar da .
- Mas eu juro! Ela ta tão estranha, cara. Ela anda triste, eu quero ajudar! Mas ela nem me deixa tentar me aproximar, sabe? Eu sinto falta dela. Eu parei de fumar por causa dela, sabia? Nem penso mais nisso! Mas ela não me deixa fazer nada! O que eu faço, cara?!
- ... – balbuciou. – Dá tempo ao tempo, deixa ela absorver as coisas, deixa ela te perdoar.
- JÁ FAZ QUASE UM MÊS, CARA! NÃO VOU MAIS DAR TEMPO A NENHUM CHARÁ QUE ELE POSSA TER! CHEGA! EU VOU ENLOUQUECER!
O garoto se levantou e deu algumas voltas pela sala, inquieto, até que se sentou de novo. Fitava as mãos.
- Eu sinto muito a falta dela, .
Um silêncio dominou a sala. encarou os pés, magoado pelo amigo. Ele realmente estava mal.
- Diz isso a ela, .
- Mas ela não me escuta, cara! – O garoto disse, impaciente.
- Diz de um jeito que ela TENHA que entender isso. Você não pode deixar a fugir, cara.
- Mas como?
- Cara, você tem que procurar um jeito!
olhou pela janela e viu os raios de sol surgindo.
- Você tem que me ajudar, cara.
Silêncio.
A casa de era aconchegante de um jeito estranho. Qualquer um se sentia em casa no meio da bagunça que era aquele moquifo.
- Eu tive uma idéia. – falou, quebrando o silêncio e tomando a atenção do amigo.
Por favor, . Ele precisava de uma solução.

Era um sábado um pouco frio e estava sentada no sofá, mirando o telão onde passava 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você.
- Tchau, babá. – Ela ouviu a voz de e se virou para vê-lo sorrindo.
- Sua mãe sabe onde você vai?
Naqueles últimos dias esse era o único assunto que a fazia falar com ele: seu emprego.
- Na verdade eu... Ia sair com o Stuart.
Ela o encarou. sentiu uma pontada no estômago e não sustentou o olhar. Se tinha uma coisa que ele odiava sentir era que havia decepcionado alguém. Como ninguém confiava muito nele, isso raramente acontecia, mas – por algum motivo desconhecido, algo parecido com o que os suicidas sentem – apostava todas as fichas nele. Por pior que ele pudesse ser, sabia que aquela menina sempre esperava ser surpreendida com algo melhor.
Ela se virou para o telão novamente e ouviu a porta da frente bater.
Por que ela tinha que estar passando por aquilo de novo?! Alan não havia sido o suficiente? Gostar de alguém que não faz questão de valorizar a própria vida. Era isso que e Alan tinham em comum.
Enxugou uma lágrima que escorria por sua bochecha e fechou os olhos, respirando fundo.
Sentiu um peso no sofá, ao lado dela.
- Você não enjoa desse filme? – perguntou e ela abriu os olhos para encará-lo sorrindo. Não sorriu de volta.
O sorriso do garoto murchou.
- Desculpa, babá. – Ele respirou fundo ao ver que ela não havia reagido bem. – Posso assistir com você? O Stuart pode ficar pra depois.
Ela assentiu e os dois voltaram a assistir o filme em silêncio.
Talvez realmente pudesse surpreendê-la com algo bom.

- Boooom dia, gayzinho! – pulou nos ombros de ao chegar na escola.
- Babaca. – O garoto riu. – Qual a sua primeira aula hoje?
- Bi, bi, biologia! – Ele respondeu cantando e dançando.
e se aproximaram e o segundo arqueou a sobrancelha.
- , você acha que isso é sexy ou o que?! – perguntou e os quatro riram.
- OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOI, NENÉM! – chegou, pulando nos ombros do namorado,
- Cara, isso de pular nas costas das pessoas passa na saliva? – perguntou rindo.
- Não entendi. – e disseram juntos e os outros riram mais ainda.
- Oi, gatinhos! – falou, sorrindo, ao chegar junto com . – Alguém em Biologia no primeiro tempo?
- EEEEEU! – e gritaram levantando os braços.
- So follow me, boys! – Ela disse, piscando de um jeito-vou-fingir-que-sou-sexy-super-sedutora.
- Ela se aaaaaacha! – falou, gargalhando, ao ver os dois meninos seguindo a amiga.
- Alguém em Álgebra 1? – perguntou e o silêncio dominou a roda. – Obrigada, estou sozinha, beijos. – Ela saiu caminhando em direção à sala e em poucos segundos se perdeu na multidão.

- E aí? Gostando da salada de brócolis? – perguntou, sentando-se na mesa onde todos os amigos estavam.
- Melhor que aquele salmon cru. – disse, enfiando uma garfada na boca.
- O ‘salmon cru’ se chama sushi. – falou, fazendo aspas no ar. – E é muito bom.
- Nem acho. – descordou, abraçando a namorada, que sorriu.
- Olá, galerinha! – chegou, exibindo um enorme sorriso e sentou-se ao lado de . Ignorou o fato de a ter cumprimentado. – Brócolis, hein?
Todos se entreolharam.
- Qual o problema de vocês? Ficar comentando sobre brócolis, eu, hein! – disse olhando de para .
- Cala a boca, . – Todos disseram ao mesmo tempo, rindo em seguida.
Depois de uma longa conversa sobre sushi, todos já estavam distraídos. se levantou discretamente, lançando um olhar para , que entendeu o que ele iria fazer.
- Erm, então... – procurava as palavras certas. – Eu vou ali encontrar com a Susan, ok?
- Quem é Susan? – perguntou.
- Não era a Jenny? – falou.
- Ah, vocês não conseguem me acompanhar, hein! Lerdos demais! – disse, se levantando e rindo.

- E aí? Botou lá? – perguntou a enquanto os dois caminhavam até a sala, logo após ouvirem o sinal.
O garoto aquiesceu, nervoso.
- E se ela não gostar, dude? – cogitou, passando a mão pelos cabelos.
- Ela vai gostar, cara, relaxa! – O menino tentava, inutilmente, tranqüilizar o amigo. – Pelo menos você ta agindo, né?
- To com um medo fora do comum.
- Relaxa, cara, já falei! – Ele falou, abrindo a porta do laboratório de Química. De longe, avistaram , que estava entretida com um livro qualquer.
- Eu vou lá falar com ela.
- Falar o que, cara? – não entendeu.
- Sei lá, falar. – respondeu, caminhando até a mesa da babá. – Bom, babá, tudo bom? Eu...
- Bom dia, alunos! – O professor entrou na sala, conseguindo a atenção de todos. levantou a cabeça bruscamente, e o menino se sentou, sem graça. – Eu gostaria de apresentar a vocês o nosso mais novo aluno! – O velhinho sorriu em direção à porta e fez sinal para que o tal aluno entrasse. viu um garoto alto – provavelmente dois metros mais alto que ele -, moreno e de olhos verdes. Ele tinha um piercing no lábio inferior e mexia nos cabelos lisos e pretos. – Classe, esse é Alan Spiller.
arregalou os olhos ao ver o garoto ali. O QUE ELE ACHAVA QUE ESTAVA FAZENDO ALI?! O menino caminhou até a última carteira da fileira do canto. Todos os olhos grudados nele, como se ele fosse uma celebridade ou algo de tipo. olhou para a babá, que parecia estupefata. Ligou os fatos: Alan Spiller era o ex bêbado de .
A garota se levantou sentindo os olhos de Alan grudados nela. – Banheiro. – Ela balbuciou para o professor antes de sair andando pelo corredor e se trancar no banheiro. O coração ainda disparado.
Ela sentiu o medo tomar conta dela. E pela primeira vez desde a festa, sentiu falta de ali.

Cap. 13

- , abre a porta! – e não cansavam de gritar. Dois tempos de aula haviam se passado e a babá não saía do banheiro. – Sério, , deixa a gente te ajudar, ok?
As duas meninas ouviram um suspiro vindo de lá de dentro e o barulho da tranca da porta. Deram de cara com uma de olhos inchados e rosto vermelho.
- Que que houve, amiga? – perguntou, passando as mãos pelo cabelo da menina, que ainda soluçava.
- O Al... Alan... Veio pra cá.
As amigas se entreolharam. – Como você sabe?
- ELE TÁ ESTUDANDO AQUI! NA MINHA TURMA DE QUÍMICA! – A garota gritou, soluçando mais alto ainda.
e trocaram olhares, dessa vez, mais preocupados.
- Ele... Ele descobriu onde eu to! Ele é louco, sei lá! – gritava cada vez mais alto.
Um silêncio se instalou dentro do banheiro. ergueu a mão e passou pelos cabelos da amiga. – Vem, babá. Tem uma pessoa que quer te ajudar.
- Eu não vou falar com ele, . – disse, enxugando o rosto.
- , o ta que nem um louco por causa de você. Ele ta na porta desde que você entrou aqui. O que veio avisar pra gente, por que ele disse que não ia sair daqui. Vai lá falar com ele.
A garota se levantou e olhou-se no espelho. O rosto estava mais vermelho que o imaginável e inchado. MUITO inchado.
- Droga. – Ela murmurou, tentando aliviar o estrago com água gelada.
- Ta bom, amiga. Vem. – puxou-a pela mão.

estava sentado no banco ao lado da porta do banheiro feminino do 3º andar. Tinha os olhos fechados e ficava batendo a cabeça na parede de leve a cada 2 segundos, impaciente. Abriu os olhos em um salto ao ouvir passos e virou-se, dando de cara com as três meninas. Tentou sorrir, mas seu olhar denunciava toda a preocupação.
- Babá. – Ele disse, se levantando e pegando as mãos da garotas.
- Bom... – começou. – Eu a vamos ali.
- Ali aonde? – A menina perguntou, recebendo um olhar da amiga e sendo arrastada corredor adentro.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. não tirava os olhos do chão e não tirava os olhos dela.
- É ele? – O garoto quebrou o silêncio. Ela aquiesceu.
- Você sabia que ele vinha?
A menina ergueu os olhos, encarando-o novamente depois de um longo tempo. Ele se sentiu assustado por um segundo com o olhar, mas logo se recompôs.
- Não. – Ela se sentou e o viu fazer o mesmo. – Eu não fazia idéia! Ele não disse nada e de repente... ele SURGE na minha sala de Química. – fazia movimentos exagerados, sentindo os soluços se aproximarem. – Ain, ... – Desabou a chorar e deixou que os ombros caíssem.
As lágrimas invadiram totalmente seu campo de visão, deixando-a cega. Sem ver, ela sentiu um par de braços envolvendo-a em um abraço. Se sentiu segura e esqueceu o motivo daquele show por um segundo. Era um abraço sincero e quente; não tinha segundas, terceiras, quartas ou milésimas intenções. Era simples, amigo, aconchegante; o tipo de abraço do qual todo mundo precisa quando sente que tudo está fora do alcance e que o mundo vai cair na sua cabeça. Pensando assim, seria o abraço-teto. Aquele abraço que protege você quando tudo o que passa na sua mente é que o universo vai desabar sobre você. Era um abraço forte e tinha até cheiro. Era cheiro de sorvete de baunilha (aquele que você sente todo dia que passa em frente ao McDonald’s, voltando da escola, e desejando estar magra o bastante para tomar uns mil) e com cheiro de maresia (aquele que você sente quando viaja no verão para alguma cidade de praia e à noite vai até a areia e respira fundo; por mais frio que esteja, você estará quente, devido às horas passadas no sol).
Era o abraço dele.

Cap. 14

Relato de um Dia Tenso, por

Oi, gente. Primeira vez que eu venho aqui, né? Certamente, tem um motivo, até por que eu não posso ficar relatando coisas sempre. O Bern tem me dado um trabalho absurdo. Mas enfim... Vocês querem saber do meu dia tenso, né? Vocês se divertem tanto com a desgraça alheia, egoístas!
Ta, parei. Enfim...
Eu e havíamos acabado de voltar a nos falar. Foi uma reaproximação legal, na hora certa, sabe? Ele pode ter qualquer defeito, mas estava lá quando eu precisei (lê-se preciso, já que o tosco do meu ex continua em London City). Eu estava indo em direção ao meu armário pra deixar alguns livros quando eu vi que o cadarço do meu all star estava desamarrado. Eu, como uma cidadã normal, abaixei para amarrá-lo. Foi aí que eu vi alguém se abaixar ao meu lado. Não precisei ver o rosto para reconhecer aqueles cabelos negros e o piercing.
- Sentiu minha falta? – Alan me perguntou, ainda no chão. Virou o rosto, exibindo seu melhor sorriso.
- Spiller, o que você acha que ta fazendo aqui? Por que você não me esquece e vai viver a sua vida? – Eu disse, já caminhando. O idiota veio atrás, obviamente.
- Sentiu. – Ele respondeu à própria pergunta, ignorando a minha.
- Argh! – Eu rosnei – como descreveria mais tarde -, abrindo com força a porta do armário. – Alan, me deixa, ok? Você já fez estragos o bastante na minha vida.
- , pára. Você tem que entender que isso tudo já passou. É aquela história, águas passadas não movem moinhos.
- MAS SUJAM MUITA COISA! – Eu gritei.
Nós nos encaramos por um segundo, até que ele sorriu fraco.
- A gente se vê. – Disse, saindo, tristonho.
Ta. Apesar de tudo o que esse ser fez/faz, eu tenho que admitir que ele é uma pessoa boa. BEM NO FUNDO.
Eu voltei a encarar meu armário, tirando alguns livros de lá de dentro, até que vi um papel cair. Seria uma ficha de Geografia? A prova de Matemática? Um mapa do tesouro? O certificado de Independência da América? Hein, hein, hein?
Não.
Abri e logo reconheci a caligrafia atrapalhada. Enorme e em vermelho, estava escrito AMOR. E lá no final:

‘Acertei na cor dessa vez?
Desculpe.
.’


Cara.
Cara!
CAAAAAAARAAA!
Silêncio.
Meu Deus, quando foi que o aprendeu a me matar? Isso é alguma pegadinha ou tentativa de vingança? Sim, por que eu ainda acho que ele nunca esqueceu o episódio da sandália voadora. É algo que ele provavelmente nunca vai perdoar.
Mas, focando no que se deve focar, eu realmente não esperava aquilo. Quer dizer, a gente tinha acabado de fazer as pazes. Foi tão... Despretensioso da parte dele, sabe? Tipo, achar que não funcionaria sem a carta. Ah, é uma coisa complexa demais. A coisa é: minha reação, creio, foi o que ele esperava. Eu simplesmente larguei todos os livros (o que me renderia uma série de anotações por falta de dever mais tarde) e saí correndo até a porta da escola. Quando a abri e senti o vento frio – não tão frio – e olhei na direção em que Fredrico sempre estacionava. Ele ainda estava lá, encostado no carro, com sua cara divertida de motorista entediado. Deduzi que ainda não havia ido para lá e resolvi procurá-lo.
Vi Stuart.
- Hey, Stue! – Gritei, puxando-o pelo ombro. Bom, já era tarde demais quando eu reparei na dama de vermelho versão oxigenada que estava ao lado dele. Vaca. – Hey... Ash.
Ela sorriu. Bom, ela fez algo que esperava esboçar um sorriso, mas pra mim só pareceu que ela achou que eu era dentista ou qualquer coisa.
- Ah, olá, . E aí? Como anda sua vida repleta de narizes escorrendo e baba na gola da camisa?
- Com certeza não tão boa quanto a sua, cheia de doações de fio dental pra todos os que são filhos de empresários que têm salários com mais de seis dígitos.
Stuart não pôde evitar soltar um risinho. Eu desviei meu olhar pra ele, orgulhosa de mim mesma. Se tem algo que me torna a pior futura psicóloga do mundo é que eu gosto mesmo de humilhar quem merece. E, sinceramente? Não faço questão de esconder isso.
Bem, por mais que eu não tenha me arrependido, eu tinha motivos, já que no segundo seguinte eu senti um par de mãos gélidas e pontudas (pontudas?) puxando meus cabelos.
- Sua vaquinha, você acha que me engana com esse seu jeitinho de menininha do interior, né? Mas não engana não! – Aquele ser gritava, e puxava minhas madeixas lindíssimas.
Ridícula.
Eu, obviamente, não perdi tempo, né! Dei um impulso com o corpo e joguei a garota no chão. Aí foi aquela coisa, né, os macacos daquela escola começaram a gritar e fizeram uma roda.
Stuart?
Não faço a menor idéia de onde estava.
- Você realmente acha que eu ia perder meu tempo te enganando? Sim, por que SE EU QUISESSE, eu conseguia. Esse seu dourado capilar não disfarça seu QI, gata. – Eu falei. Falo meRmo.
Ashley pareceu extremamente abalada.
- Ah, perdão! Eu te ofendi falando dessa sua cor de cabelo super discreta e... original?
- Se tem uma coisa que você não faz é me ofender! – Ela respondeu.
- Bom, então me surpreende que nós tenhamos alguma coisa em comum, hein! – Eu ri.
- Que vergonha, eu não tenho NADA em comum com você, sua vaca! Você é... – Ela me olhou de cima a baixo simulando um olhar de desdém e eu ri, seca. Arraso. - ...gorda, pelamor!
- Jura?
- É! E, bom, se eu fosse você eu tentava comprar umas roupinhas melhores e parava de ir nessas lojinhas baratas de departamento agora que a família te sustenta, né? Alguma coisa você tem que tirar de roubar meu namorado. Ele deve saber, correto? Digo, que isso tudo tem um preço.
OI?! ELA ESTAVA ME CHAMANDO DE PROSTITUTA TEEN?
- Me poupe, Ashley! – Eu disse, abanando a mão no ar. – Olha, deixa eu te explicar uma coisa e você vê se entende, por mais difícil que pareça. Eu REALMENTE não me importo com o que você pensa – ou TENTA pensar – a meu respeito, ok? Então, combinemos uma coisa: quando eu passar a me importar, eu mesma te aviso, mas enquanto esse dia NÃO CHEGA, não gasta seu tempo nem sua saliva – que você usou pra ter metade do seu guarda-roupa – comigo, ok, fofuchinha? Agora, beijinhos, que a titia aqui tem muita coisa importante pra fazer, além de me torturar com o que Ashley, a Loira Peituda pensa de mim.
Daí eu dei as costas, ergui o queixo e saí rebolando. Rebolei mesmo, e a Raica que se exploda. Até que eu senti, novamente, um par de mãos no meu cabelo.
- Olha como você fala comigo, sua baranga! – Ela gritou, me jogando no chão e pulando em cima de mim. Nesse momento uma tempestade de folhas tomou conta do pátio e os gritos aumentaram.
- Ah, me poupe!
Nós duas tentávamos incansavelmente bater uma na outra, até que a inspetora se aproximou, tirando-a de cima de mim. Antes de me levantar eu ainda dei um tapa bem estalado no meio do rosto dela e não pude evitar um sorriso.
- O que vocês duas estão pensando?! Duas ladies brigando desse jeito, é um vexame!
- Lady? Ela? Não mesmo. – Ash disse, rindo falsamente.
Fervi por dentro.
- Esqueci que você tem todas aquelas aulas de etiqueta que os seus... bom, donos, pagaram, né. Com muita coisa em troca... – Eu tive que fazer uma cara beeeem sugestiva, o que rendeu uma onda de ‘UUUUH’. Eu ri.
- Agora, as duas, diretoria. – A inspetora pegou o braço de cada uma de nós e nos levou para dentro da escola.
De rabo de olho eu pude ver , e juntando minhas folhas.
Do outro lado do pátio, um garoto focava seus olhos verdes em mim enquanto bebericava um pouco de sua cerveja.

Fim do Relato de um Dia Tenso, por

Cap. 15

estava encostado no pára-choque do carro ao lado de Fredrico quando avistou se aproximando.
- E aí? – Ele perguntou, entrando no carro, assim como os outros.
- Nada, só um esporro. – A garota respondeu sorrindo.
estranhou a felicidade da menina.
- O que houve?
- Tem certeza que você não sabe?
Parou para pensar.
- Hum... O Alan foi embora?
O sorriso dela murchou por um segundo e ele compreendeu que não.
- Ah, sei lá! O que?
- Uma dica: é vermelho.
arregalou os olhos.
- ISSO NÃO PEGOU BEM.

Ela custou a entender até que fez o mesmo que ele.
- Não, lezo! A carta que você me deu!
Surgiu então um grande e tímido sorriso no rosto dele.
- Você gostou?
aquiesceu, jogando os braços ao redor do pescoço do menino.
- Obrigada, !
Ele a abraçou forte.
- Senti sua falta. – Ela murmurou depois de um pequeno silêncio.
O garoto afastou-se dela, observando seu rosto.
- Eu também.
O carro parou e ela desceu.
- Fredrico! – chamou o motorista discretamente antes de sair. Ao olhá-lo, Fredrico pôde ver o garoto piscar pelo retrovisor e sorriu.

Os dois estavam sentados no chão da sala. Os créditos do filme ainda passavam no telão, mas e estavam entretidos demais na conversa para levantarem-se.
Depois de um tempo em silêncio, curtindo a música dos créditos e seus acordes finais, resolveu falar.
- Gostou do filme? – Ele perguntou passando o dedo no fundo do pote de pipoca, procurando qualquer resquício de sal.
- Legalzinho. – A garota respondeu.
Silêncio.
- E o Alan? Tem te ligado?
- Ahn, cara, tudo na mesma... As coisas não vão melhorar de uma hora pra outra, ainda mais que ele acabou de chegar, né?
- Ahn...
Mais um longo silêncio se instalou, até a menina quebrá-lo.
- Sabe, , no fundo, ele é uma pessoa ótima. Acontece que ele não tem limites. Em qualquer coisa que ele faz, sempre foi assim. Por mais que ele tente se controlar, o problema dele é a falta de limites. Eu tento ajudar, mas...
- , não cabe a você impor os limites de alguém.
- Mas eu me sinto na obrigação de ajudar, . Assim como com...
Ela mesma se interrompeu.
- Como o que? – O garoto perguntou.
- Assim como com você. Eu me sinto na obrigação de te ajudar.
se virou de frente pra ela.
- Eu não quero que você faça nada por obrigação comigo, babá. Nada. – Ele disse, encarando-a.
Mais uma vez o silêncio encheu a sala, até que sorriu.
- Que tal música? – Ele se levantou e subiu as escadas.
Poucos segundos depois, viu o menino descer com o violão na mão.
- Vamos pra varanda, se não meus pais acordam.
Os dois caminharam até a varanda, onde se sentaram no chão. A luz da lua refletia na água da piscina e essa era toda a iluminação que eles tinham.
- Com o que vamos começar? – perguntou rindo e esfregando as mãos. – Qual é nosso setlist?
- Bom, hoje não teremos McFLY. – respondeu, sorrindo de lado e a menina fingiu tristeza. – Maaaaas a música é ótima!
- Qual é? – Ela perguntou com expectativa.
Ele tocou os primeiros acordes.
- Sum 41! – Ela gritou, rindo.
sorriu e continuou tocando a introdução da música. Logo os sorrisos em seus rostos haviam sumido.

I don't want this moment to ever end
(Não quero que esse momento acabe nunca)
Where everything's nothing without you
(Onde tudo é nada sem você)
I'll wait here forever just to, to see you smile
(Esperarei aqui para sempre só para, para ver você sorrir)
'Cause it's true: I am nothing without you
(Pois é verdade: Eu não sou nada sem você)

Through it all, I made my mistakes
(Através de tudo, eu cometi meus erros)
I stumble and fall, but I mean these words
(Eu tremo e caio, mas eu quero dizer essas palavras)

I want you to know: with everything, I won't let this go
(Eu quero que você saiba: com tudo, eu não vou deixar isso partir)
These words are my heart and soul
(Essas palavras são meu coração e alma)
I'll hold on to this moment, you know
(Eu agüentarei por esse momento, você sabe)
'Cause I'd bleed my heart out to show that I won't let go
(Pois eu sangraria meu coração para mostrar que eu não vou deixar isso partir)

Thoughts read are spoken, forever in doubt
(Pensamentos lidos são ditos, para sempre em dúvida)
And pieces of memories fall to the ground
(E pedaços de memórias caem no chão)
I know what I did, and so I won't let this go
(Eu sei o que eu diz, e então eu não deixarei isso partir)
'Cause it's true: I am nothing without you
(Pois eu não sou nada sem você)

All the streets, where I walked alone
(Todas as ruas, onde eu caminhei sozinho)
With nowhere to go have come to an end
(Sem lugar anode ir, fui a um final)

I want you to know: with everything, I won't let this go
(Eu quero que você saiba: com tudo, eu não vou deixar isso partir)
These words are my heart and soul
(Essas palavras são meu coração e alma)
I'll hold on to this moment, you know
(Eu agüentarei por esse momento, você sabe)
'Cause I'd bleed my heart out to show that I won't let go
(Pois eu sangraria meu coração para mostrar que eu não vou deixar isso partir)

In front of your eyes, it falls from the skies
(Na frente de seus olhos, isso cai do céu)
When you don't know what you're looking to find
(Quando você não sabe o que procura encontrar)
In front of your eyes, it falls from the skies
(Na frente de seus olhos, isso cai do céu)
When you just never know what you will find
(Quando você só não sabe o que vai encontrar)
What you will find
(O que você vai encontrar)

I want you to know: with everything, I won't let this go
(Eu quero que você saiba: com tudo, eu não vou deixar isso partir)
These words are my heart and soul
(Essas palavras são meu coração e alma)
I'll hold on to this moment, you know
(Eu agüentarei por esse momento, você sabe)
'Cause I'd bleed my heart out to show that I won't let go
(Pois eu sangraria meu coração para mostrar que eu não vou deixar isso partir)


- That I won’t let go... – Ele repitiu a última parte do verso num sussurro.
Os dois se encaravam em silêncio, sérios.
- Posso te beijar? – perguntou, ainda sussurrando.
- Não. – respondeu no mesmo tom.
- E se eu te beijasse?
- Eu te morderia.
Ele riu de leve.
- Você não teria coragem.
- Quer pagar pra ver? – Ela falou sorrindo de lado.
Ele se aproximou e os dois sorrisos sumiram. Ela sentiu seus lábios se encontrarem com os dele e sorriu. Aproveitou cada segundo daquela sensação, esquecendo os problemas, enquanto tudo o que ela escutava era a voz dele cantando, que ainda ecoava em sua mente.
- Eu sabia que você não ia me morder. – disse, num tom debochado e ainda sussurrando. Novamente, deixou que o sorriso sumisse. – E mesmo que mordesse, eu preferia arriscar por você.
Ela o abraçou em silêncio e o beijou novamente.
- Agora a gente deixa o futuro apagar os erros do passado. – falou, ainda abraçada ao garoto.
- Ou deixa os erros em evidência. Eles podem valer alguma coisa.

Cap. 16

Ainda estava um pouco frio quando ele abriu os olhos. Se espreguiçou e foi até o banheiro lavar o rosto. Os cabelos escuros estavam um pouco desgrenhados e os olhos verdes, muito vermelhos. Alan olhou para a foto de colada no espelho e sorriu. Aquele seria um novo dia.

- Bom dia, bebê! – disse, apertando a barriguinha de Bern e tentando acordá-lo. – Ta na hora de ir pra aula!
O garotinho abriu os olhos e sorriu fraco. – Preciso mesmo?
- Precisa mesmo. Se não você vai crescer sem estudo e virar um babá de um menininho preguiçoso que não gosta de ir à aula.
- Hey, eu gosto de ir à aula. Não gosto de acordar cedo.
- Sei... – A menina riu. – Vamos, levanta, se não quem se atrasa sou eu! – Ela puxou as cobertas da criança, fazendo-a se encolher. – Banho! – E os dois saíram correndo em direção ao banheiro.

desceu com Bernard no colo, encontrando , Martha e Albert sentado, tomando café da manhã.
- Bom dia. – O patriarca disse, exibindo seu melhor sorriso-acabei-de-comer-aveia.
- Bom dia, papai! – O menininho pulou no colo do pai, enfiando uma colher se aveia na boca.
- Bom dia, querida! – Martha cumprimentou, fazendo sinal para que ela se sentasse.
sorriu discretamente para , que abaixou o olhar, tímida, porém também sorrindo.
- Então, comam logo! Vocês já estão atrasados. – Albert falou, se levantando. – Bern, vem comigo. Vai comendo uma maçã no caminho, se não você não entra na escolinha, ok?
O menino aquiesceu, se despedindo rápido e saindo de casa.
- Querem carona? – Martha perguntou, sorrindo.

- Bom dia, garota da babinha! – escutou a voz de e logo sentiu um par de braços pendurado em seu pescoço.
- Bom dia, chata! Morreu não?
- Infeliz e obviamente, não. – respondeu, levando um tapa na cabeça.
- E então... Qual é a primeira aula?
As três fecharam os olhos, visualizando mentalmente a grade de aulas e gritaram ao mesmo tempo.
- BIOLOGIA! – Ela riram.
O sorriso no rosto da babá enfraqueceu de repente.
- O Alan é da minha turma de Biologia.
- E o também! – As duas amigas gritaram ao mesmo tempo, gargalhando. A outra ruborizou.
- Hum... Que cara. O que o fez dessa vez? – perguntou, enquanto as três caminhavam pelo corredor carregando seus livros.
- Ah, não! Mas ele só faz besteira! Me conta que eu v... – foi interrompida.
- Não! – falou. – Não... Ele não fez nada dessa vez. – As outras a observaram por um segundo, curiosas. – Nada ruim.
As duas meninas se encararam, arregalando os olhos em seguida.
- AIMEUDEUS! – gritou. – VOCÊS USARAM CAMISINHA? – Ela perguntou, num tom não muito mais baixo do que você usaria em um show, recebendo alguns olhares atravessados e ouvindo risadinhas dos garotos do time de futebol.
- Crianças. – Ela torceu o nariz. – Não sabem que isso é o certo... Eu conheci uma menina que passou o Carnaval no Brasil há uns dois anos. Ela me disse que lá eles dão de graça, no meio da rua! Achei o máximo!
e olharam-na, com seu melhor olhar de cala-a-boca.
- Continuando... – disse, rindo. – Ontem, eu e ele assistimos a um filme. No final, bateu um tédio e ele foi tocar violão... E acabou que a gente ficou.
- ATÉ QUE ENFIM! – berrou.
- Realmente, vocês esperaram demais!
- Não, tem mais... – Ela continuou, tímida. – Ele... Bom, me deu uma carta.
As amigas a encararam, perplexas.
- Você ta de sacanagem. – falou, com seu jeito sutil de ser.
- Cara.
Silêncio e perplexo.
- Que foi? – Elas ouviram a voz de , que surgiu ao lado de , e .
- QUE FOI? ELE NÃO DISSE... – começou, olhando para , mas parou ao receber um olhar atravessado das amigas.
- Não? – respondeu/perguntou, olhando para o amigo. Ele olhou para a babá, que tinha o olhar no chão e o rosto pegando fogo.
- É, que... Bom, eu e a...
- Bom dia. – foi interrompido por uma voz masculina. O grupo se virou para ver Alan exibindo seu mais lindo sorriso e passando direto.
- Ah, mas esse filho... – ameaçou correr atrás do menino, mas foi contido por , e .
- Gente, chega disso. – tentou quebrar o clima. – Biologia?
- EEEEEU! – e berraram.
- Cara, vai um e vem vinte de brinde? Todo mundo tem Biologia agora! – disse rindo, e abraçando o namorado.
- Eu não. – falou mostrando-se mais sentido do que realmente estava.
- Nem eu. – disse e os dois deram as costas, perdendo-se no corredor lotado.
- Biologia! – gritou, mais empolgado do que deveria, dando os braços para e . E assim, os cinco foram caminhando, em correntinha, até a sala.

De cinco em cinco minutos a menina fitava o relógio. Sentia que os olhos de Alan estavam grudados nela, como sanguessugas, e aquilo realmente era ruim.
- Bom, então até a próxima aula! – O professor disse, despedindo-se dos alunos, que corriam para fora da sala (uns pela pressa e responsabilidade de ir para a outra aula e outros pela mera vagabundagem de respirar um oxigênio não-educativo).
se levantou, enfiando o livro na bolsa, desajeitada.
- Hey, que pressa, hein. – falou, rindo. A babá sentiu alguém agarrá-la pelo braço, e virou rápido, mas suspirou aliviada ao ver , com montada em suas costas. De rabo de olho pôde ver Alan passar, com seu habitual sorriso debochado no rosto, soprando a franja escura para cima.
- E então? – chegou, ainda com os olhos no livro. – Qual a próxima aula?
- Química. – e disseram juntos, trocando risinhos satisfeitos.
- Álgebra. Alguém em Álgebra? – procurava por um dos amigos, com olhos de súplica, mas suspirou decepcionada.
- Desculpa, ... História. – falou.
- Geografia. – Por fim, disse.
- Bom... Boa aula. Minha sala é por lá. – A excluída da Álgebra disse, virando-se.
- PEEERA AÍ! – gritou, correndo, com a namorada nas costas. – A nossa também é por aí!
Um pequeno silêncio se instalou entre e , enquanto os dois observavam o trio retardado correr pelo corredor, esbarrando em alunos e recebendo olhares atravessados.
- A minha é lá em cima. – O garoto falou, apontando para a direção da escada dos fundos.
- A minha também. – Ela sorriu, caminhando ao lado dele. Os dois ainda não sabiam muito como agir devido à noite anterior.
- Tem certeza que essa escada fica aberta? – perguntou.
Ele abriu a porta, sorrindo.
- Absoluta.
A garota riu, passando. A escada era iluminada somente pela luz do sol que entrava por algumas pequenas janelas.
- , você conhece todos os labirintos dessa escola. Tenho até medo de te perguntar como.
- Se eu fosse você, eu também teria. – Ele respondeu, sorrindo, meio pervertido e levou um tapa no braço.
- Idiota. – Eles riram. – Ai, quero ir pra casa.
- Somos dois.
- Mas falta... – olhou no relógio. – Bastante.
- Não me lembre, cara. Eu ainda tenho aula de Física hoje.
- Física é legal. – Ela deu de ombros e tocou a maçaneta da porta, empurrando-a. Inútil. – , você disse que ficava aberta. – o repreendeu com o olhar.
- Mas fica! – Ele respondeu, tentando de alguma forma abrir a porta. – Eu sempre passo por aqui!
- Argh. Vamos descer, né. Aí a gente sobe pelo outro lado.
Os dois desceram as escadas, conversando sobre qualquer coisa aleatória. Ele botou a mão na porta, empurrando, mas novamente eles se decepcionaram.
- Ta de sacanagem. – A babá disse, tentando sair dali.
- QUE ISSO, CARA? QUAL FOI! – gritou, abismado. – Nunca me trancaram aqui dentro! AAH, MAS ESSA PORTA VAI ABRIR! – Ele a empurrava com força, até que se viu PULANDO na porta. A cena começou a ficar realmente ridícula, e não conseguiu evitar rir quando o viu bater a cabeça na porta.
- Não é engraçado. – tentava não rir e fazer cara de mau, mas estava realmente trabalhando muito mal. – Ta doendo.
- Bem feito. Ninguém mandou ficar se debatendo contra a porta. Louco.
- Hey, não reclama. Eu tava tentando tirar a gente daqui.
- Ai, . – De repente a menina se desesperou. – E SE A GENTE NÃO SAIR MAIS DAQUI? EU POSSO TER CLAUSTROFOBIA E NÃO SABER, CARA! EU JÁ LI SOBRE ISSO!
- , isso aqui deve ter uns 1000km², e você não é claustrofóbica! – Ele riu da menina. – Vou ligar pro . – tirou o celular do bolso, mas murchou ao ver a bateria. – Droga, sem bateria. Tenta do seu.
- Deixei no armário.
Os rostos dos dois mostravam um pouco de derrota.
- E agora?
- E agora que nós vamos ter que esperar alguém se lembrar da nossa medíocre existência e vir nos tirar daqui. – respondeu, sentando-se num degrau e vendo a menina fazer o mesmo.
- Tédio. – murmurou com o rosto enterrado nas mãos.
- Realmente.
- Se pelo menos tivesse música. Você podia estar com o violão.
- Tipo ontem... – olhou-a hesitante, esperando por sua reação. A garota abaixou os olhos, tímida e ele riu. – Ah, babá, não precisa ficar assim, toda envergonhada.
- Dá licença, posso ser tímida? – Ela riu.
- Pode, ué. – Ele deu de ombros. – Você fica fofa assim.
- Pára, ! – Ela deu um tapa no ombro do garoto, mais envergonhada que antes.
- Ih, fica sem graça, é? Só por que você fica LINDA quando ta assim, rosinha? LINDA, LINDA, LINDA. – dizia mais para deixá-la sem graça do que para elogiá-la.
- Quer parar? – Ela tentou se fingir de brava e virou de costas para ele.
- Ah, ! Pára, ok? To brincando com você. – Ele disse, abraçando a menina, que se virou, sem esperar que seus rostos ficassem tão perto. – Mas você é linda sim. – Ele sussurrou, fitando os lábios da garota à sua frente.
Lentamente os dois rostos se aproximaram e ela fechou os olhos. riu de leve, achando fofa a atitude dela. Cada vez mais ele se via surpreendido pelo jeito que ela o fazia sentir. Ele a beijou.

- Cadê o ? – perguntou a Stuart, que estava ao seu lado na aula de Geografia.
- Sei lá, po. – O garoto respondeu com seu habitual jeito de não dar a mínima para nada. Ele provavelmente estaria pensando em como conseguir fugir de casa naquela sexta à noite.
deu de ombros, voltando a atenção à música que estava escrevendo enquanto deveria estar prestando atenção à aula.

- Amém! – gritou quando o servente abriu a porta da escada para limpá-la. A menina saiu correndo lá de dentro, como se estivesse em busca de oxigênio, água ou vida. Drama comum de psicólogos. Ou não.
- Obrigada, moço! Mesmo! – Ela disse.
- Vem, vamos comer! Tchau, brigadão! – O garoto puxou em direção ao refeitório. Logo que abriram as portas, puderam ver seus amigos.
- Cara, onde vocês tavam? – perguntou quando os dois chegaram. A menina enrubesceu.
- Ficamos presos... Longa história. – respondeu, sorrindo e dando de ombros.
- Hm. Bom, sabem a Bekka? – perguntou casual, como se Bekka fosse a melhor amiga de todos eles.
- Não. – Todos responderam ao mesmo tempo.
- A Bekka, a moreninha que eu to ficando gente!
- Meu Deus! , até onde eu sei você ta ficando com a Liza! – falou.
- Liza? Dude, vocês são muito atrasados! – O menino pareceu realmente ofendido e os outros riram. – Bom, a Liza vai dar uma festa na casa dela hoje à noite. Quem topa?
- Claro, to dentro! – disse, esfregando as mãos. – Né? – Ele confirmou, olhando para a namorada, que sorriu.
- Óbvio! – falou.
- Onde vai ser? – perguntou, enfiando uma batata frita na boca.
- Ah, eu não sei explicar, cara... A gente se divide em dois carros, e eu vou guiando.
- Ok. – O menino deu de ombros.
- Bom... – A babá começou, hesitante. – Eu tenho que confirmar com a Martha, né. Se ela me liberar e ficar com o Bern...
- Ah, você ta brincando, né? É claro que minha mãe vai te deixar ir! Ou você acha que ela ia deixar o filho bêbado e irresponsável ir sem a guarda costas dele? – disse, piscando para a menina.
O sinal bateu e todos se levantaram, separando-se.
Ao lado deles, certo garoto tinha seus olhos verdes em sua mesa. Ele iria a essa festa, não importaria como.

Cap. 17

se olhava no espelho pela milésima vez, buscando qualquer vestígio de imperfeição. Usava um vestido preto de brilho, curto, e larguinho, com um cinto na cintura e uma sandália de salto vermelha. A menina ouviu uma batida na porta.
- Entra!
Ela ouviu o barulho da porta se abrindo. ia entrando, mas parou meio assustado.
- Ua... U. – Ele disse, meio sem palavras. A menina corou e sorriu. – Você ta linda...
- Brigada. – Ela murmurou, tentando esconder a timidez. riu.
- Sem graça de novo?
- ... Fala logo.
- Bom, o pessoal já ta lá embaixo. Vamos?
- Claro. – A garota sorriu, seguindo-o escada abaixo.
Quando eles saíram logo viram o carro de e o de logo atrás. e estavam no do , enquanto , e iriam no de .
- Até que enfim, hein! – disse ao ver a amiga entrar no carro. – Tava demorando!
- Eu preciso me arrumar, dá licença?
- IIIh, olha a marra! , ta na hora de você cortar isso aí, hein! – brinco, arrependendo-se em seguida, assim que viu a amiga corar.
- Ah, , não se preocupa. – falou enquanto mudava de marcha. – O já contou pra gente que vocês ficaram. Ele ta gamadão. – O garoto riu.
- , seu babaca! – gritou, dando um soco no braço do amigo que ameaçou largar o volante e matar a todos se ele não parasse.
Em poucos minutos o carro de parou, fazendo-os fazer o mesmo. A casa de Liza era grande, cor de pêssego com as janelas brancas. Bem no padrão de vida londrino no qual todos os amigos de viviam. Música alta vinha lá de dentro, assim como um cheiro de álcool insuportável e alguns adolescentes desacordados. No inicio, a menina do interior costumava se apavorar com esse tipo de imagem (adolescentes desacordados jorrando de uma casa), mas logo ela percebeu que aquilo era normal e que tudo era uma questão de costume. Alguns meses em Londres, e ela já pulava os corpos pelo jardim como se fossem poças d’água.
- ! – Uma menina morena – já meio alterada – gritou ao ver entrando na casa, abraçando-o. – Pensei que você não vinha mais, cara!
- E te deixar aqui, sozinha? Não mesmo! – O garoto respondeu, puxando-a pela cintura e se perdendo em meio à multidão.
- É o jeito de ser. – divagou, ainda olhando na direção que o menino havia seguido. Ouviu alguns murmúrios concordando.
- Alguém quer beber alguma coisa? – perguntou.
- Claro! – deu de ombros, sorrindo. – Leva alguns copos de qualquer coisa pra gente. Enquanto isso a gente pega uma mesinha lá fora, ok?
O amigo assentiu e , , e saíram da casa, indo para o jardim de fora, onde um DJ tocava e alguns bêbados drogados se jogavam na piscina (casualmente falando).
- E então. – começou assim que chegou, bebendo um gole de seu copo. – Quando teremos mais um show do McFLY?
- Em breve. – respondeu misterioso, lançando um olhar para e .
- Ih, sem essa! Eu preciso me programar. E se o meu primo gato estiver aqui, querendo companhia? – falou inocentemente, recebendo um pedala do namorado, que logo fechou a cara.
- Há! – Ela olhou para as duas amigas. – Ele mooooorre de ciúmes do Michael!
- Claro! Com aquele corpo, minha filha, eu também morreria! – riu alto.
- , você olha o que fala, ouviu? – falou, carrancudo. – Mais um comentário desses, e nosso relacionamento chegará ao fim!
- Olha, com a raivinha o fala bonito. – zoou o amigo, fazendo todos rir.
- Você fica quieto também!
- Ih, quer porrada? – perguntou, estufando o peito e se levantando, assim como .
- Ta, chega. – falou, entediado, bebendo um gole do conteúdo desconhecido porém delicioso que havia em seu copo.
- Ah... Eu tava gostando. – deu de ombros, rindo e se sentando, assim como o amigo.
- , pega mais? – falou, balançando o copo vazio.
- Não mesmo.
De repente a música agitada estilo droguem-se-e-sejam-felizes que estava tocando parou e um pequeno silêncio dominou as caixas de som, até que uma música conhecida começou a tocar.
- For You I Will! – As três meninas gritaram juntas.
- AMO. – riu.
puxou a namorada pela mão, assim como , e logo os dois casais estavam dançando, abraçados. e sobraram na mesa.
- Hm... – O garoto esfregou a nuca. – Quer dançar?
- Aham. – Ela aquiesceu timidamente e os dois se levantaram.
- Vou te pegar no colo e a gente pula na piscina, que nem no clipe, ok? – falou.
- Ah, a diferença é que eu te mato se você fizer isso. – A menina respondeu, rindo.
O garoto pôs as mãos na cintura dela, e ela, as dela, no pescoço dele. Eles começaram uma série de pequenos e tímidos passos, sem se encarar nos olhos.
- Vem cá. – Ele a puxou pela mão, levando-a para o outro lado da piscina, onde ficavam as espreguiçadeiras. Estava vazio, já que era mais afastado da confusão. – Aqui é bem melhor. – Ele falou, voltando a puxá-la para dançar. A menina fechou os olhos, sentindo o cheiro dele.
- Babá. – sussurrou.
- .
- Eu quero te falar uma coisa. – O menino afastou um pouco o rosto, para que pudesse encará-la. – Eu sei que tem pouco tempo que a gente voltou a se falar, mas... Eu to tomando coragem pra dizer isso tem um tempo, desculpa. – Ele disse, referindo-se ao seu mau jeito com as palavras. – Bom, eu... Desde que você chegou, eu tenho mudado, sabe? Tenho visto as coisas de um ângulo diferente. To percebendo que as coisas boas não se resumem a uma festa, ou sei lá... Que são dos detalhes que vem a perfeição. E eu me sinto muito melhor agora. Você me fez sentir melhor, . – Parou e a olhou, esperando por uma reação, mas a menina continuou a fitá-lo calada. – O que eu quero dizer é que eu gosto mesmo de...
Os dois foram interrompidos por duas mãos que batiam palmas sarcasticamente e se viraram para ver um Alan com os olhos especialmente vermelhos.
- Muito bom o seu teatro, babaca.
- Ah, vai embora, seu filho da mãe! – pensou duas vezes antes de dar um soco nele.
- , - Alan se virou para a menina que o encarava com pena, ignorando – volta pra mim. Olha, eu preciso de você. Eu sinto muito a sua falta. – O menino falava enrolado devido à grande quantidade de álcool que devia ter ingerido. – Por que a gente não volta pra Glastonbury e se casa? Era o nosso plano, lembra?
- Não, Spiller. Era o nosso plano ATÉ VOCÊ VIRAR ESSE BÊBADO ESTÚPIDO QUE VOCÊ É AGORA.
- Não fala assim comigo! – O garoto gritou, apertando o braço da ex-namorada.
- Tira a mão dela! – deu um empurrão no peito do outro, que caiu no chão. – Nunca mais encosta nela!
Alan o encarou com uma mistura de nojo e inveja por alguns segundos, até que começou a rir debochado.
- Você – ele apontou para , que já tinha os olhos cheios de lágrimas – não acredita que eu realmente te amo, né? Mas você vai acreditar em mim um dia.
- Alan, por favor, pára com isso. Olha pra você, cara! Você tava indo tão bem com o tratamento, lembra? – A menina tentava forçar um sorriso carinhoso que era desmanchado por lágrimas pesadas que escorriam por seu rosto.
- EU NÃO QUERO ME TRATAR! EU NÃO QUERO! EU QUERO VOLTAR PRA CASA COM VOCÊ! VOCÊ NÃO ENTENDE ISSO, NÉ?
- ALAN, PÁRA! – Ela gritou, chorando mais.
- Tudo bem. – Ele sorriu, parecendo realmente magoado. – Eu não vou mais te infernizar. Eu vou voltar pra casa. Vou voltar pra Glastonbury hoje, satisfeita? E você nunca mais vai me ver... – O menino disse, se levantando e cambaleando até a sala cheia de gente, que daria na parte da frente da casa.
- Espera! – tentou correr atrás do garoto, mas foi detida por , que segurou seu braço.
- Onde você vai?
- , se ele dirigir assim ele vai se matar!
- , não! É isso que ele quer, chamar atenção! Por favor, fica aqui, deixa eu te falar tudo o que eu tenho pra falar.
Os olhos dela se encheram mais ainda de lágrimas, manchando mais ainda as bochechas já manchadas de lápis de olho. Sim, uma cena realmente emo.
- Se eu beber assim você vai parar pra me escutar e acreditar em mim? – O garoto perguntou num tom inocente, parecendo uma criança decepcionada e perdida.
soltou o braço da mão do menino, correndo na direção que Alan havia seguido. se viu forçado a fazer o mesmo.
Quando chegaram à parte da frente, Alan estava abrindo a porta do carro, já entrando.
- Alan, sai desse carro! – A garota gritou, correndo até ele.
- Me deixa!
- Sai! – Ela repetiu, entrando no banco do carona. – Alan, pára! – disse desesperada quando o viu botar a chave no lugar e dar partida. – NÃO, NÃO! ALAN, PÁRA!

estava ao lado de quando o garoto viu o ex bêbado da babá sair com o carro.
- Me dá a chave! – Ele gritou para o amigo, que lhe entregou rapidamente.
- Calma, cara! Calma! Eu vou com você! – disse, entrando no banco do carona.
acelerou, tentando chegar o mais perto possível do carro desgovernado a sua frente. Os dois veículos emparelharam.
- Alan, pára esse carro! – , que estava mais perto do motorista, pediu aos berros.
- Não! – O garoto se virou, tirando os olhos da estrada. – Por que vocês não deixam a gente em paz?!
- Alan! – e ouviram a voz de . – Pára o carro, por favor! Só pára o carro e a gente conversa, ok?
- NÃO, EU NÃO QUERO CONVERSAR! – Ele falou agressivo, ao mesmo tempo em que virou violentamente o volante sem perceber o poste que estava bem à frente.

E foi só até aí que ela conseguiu ver.

Cap. 18

andava de um lado para o outro, ansioso. estava sentado na cadeira, cochilando muitas vezes, mas fazendo o maior esforço para se manter atento. e estavam na lanchonete, tentando acalmar e que simplesmente não paravam de chorar. Albert estava na recepção, cuidando de toda a papelada, enquanto Martha tentava fazer com que Bern não acordasse com seus soluços. O hospital estava relativamente vazio.
O médico deu um pigarreio para chamar atenção dos que estavam lá. deu um pulo, correndo até o homem.
- E aí, Dr.? Como a ta? Ela ta bem, né? A gente já pode ir pra casa? E aquele desgraçado? Vai pra cadeia, né? Como é que vai ser? Eu posso entrar lá pra vê-la? Eu preciso muito falar com ela! – O garoto o atacou com perguntas.
- Calma. Bom, o Sr. Spiller está bem e será mandado para a reabilitação assim que tiver alta. E, bom... a Srta. ... O carro estava em uma velocidade muito alta, e a pancada na cabeça foi realmente forte. Talvez não haja seqüelas, mas... – os olhos do garoto transbordavam tristeza – Eu lamento em dizer que a está em coma.
- O QUE? – deu um berro, largando o copo de água com açúcar. começou a chorar mais alto, abraçando forte o namorado.
- Como... Como assim? – estava alarmado demais para chorar. – Como assim coma? Quando isso vai... Quando ela vai voltar ao normal?
- Sr. , isso é uma coisa que só o tempo vai poder dizer.
Ele se largou na cadeira, sem forças para piscar os olhos. Sentiu um par de braços envolvendo-o e só identificou sua mãe pelo forte perfume.
- Calma, meu amor. Vai ficar tudo bem.
não conseguia nem retribuir o abraço. Ele estava em choque. o abraçou.
- Cara, ela vai ficar bem.
- ... – Ele finalmente conseguiu falar, ainda com os olhos perdidos e arregalados. – E... , ela ta em coma, cara. E agora?
- Ela vai acordar.
Um silêncio torturante dominou o corredor, quebrado apenas pelos barulhos das máquinas e passos dos médicos e enfermeiras.
- Vocês podem ver o Alan se quiserem, mas infelizmente a visita para a menina só será permitida amanhã, pela manhã, a partir das 8h.
- Você ta louco? – , discreta, gritou para o médico. – Ninguém aqui quer ver a cara daquele...
- Eu quero. – falou, deixando todos boquiabertos.
- , você não vai entrar lá, cara. – foi sucinto com o amigo. – Não sozinho.
- Não me importa com quem, eu quero ver a cara daquele cafajeste.
- Bom... – O médico se sentiu um pouco intimidado com as agressões feitas pelo garoto. – Venham.
e o acompanharam até a porta do quarto. Ele fez sinal para que os garotos entrassem e saiu, deixando-os sozinhos. Quando os meninos entraram, Alan voltou seu olhar para eles.
- Satisfeito? – Ele perguntou, fitando .
- Eu? EU?
- Sim, você! Se você não tivesse me seguido e me atiçado a aumentar a velocidade, NADA DISSO TERIA ACONTECIDO!
- Ah, você queria que eu deixasse a garota da minha vida ir embora num carro com um bêbado louco? – riu, irônico. – Nem nos seus melhores sonhos. Você e SÓ VOCÊ é o culpado! QUEM VOCÊ ACHA QUE É PRA DIZER QUE EU O SOU?
- Eu não disse nada. – Alan exibiu um sorriso maligno. – Os policiais disseram.
O garoto pareceu alarmado e olhou para o amigo.
- É verdade, ?
baixou o olhar, sentindo-se inexplicavelmente sem graça.
- Bom, ... Eu sinto muito, mas...
- QUE DROGA, CARA! – gritou abrindo a porta com um chute e saindo do quarto. Alan riu alto.
- Babaca. – O amigo, que ainda estava lá, disse logo antes de deixar o cômodo.

Cap. 19

Já devia ser a milésima vez que respondia à mesma pergunta ao tal policial. Ele certamente tinha algum distúrbio alimentar. Deus, o que era aquela barriga? Tudo bem que os filmes da Warner sempre deixaram bem claros os hábitos alimentares policiais, mas a questão é que nunca havia lavado a sério. Aquele tumor o estava dispersando, definitivamente.
- O senhor tem certeza de que não ingeriu álcool naquela noite?
- Bom, talvez um pouco... Mas nada demais. O bêbado da história é o Alan. Eu sou o mocinho, ok? Eu fui tentar salvar a mocinha.
- Grande tentativa. – Alan disse irônico da cadeira de onde estava afundado. – A única coisa que você conseguiu com ela foi deixar a mocinha em coma.
- Teu babaca, - ergueu o dedo até a altura do nariz de Alan – você tem o direito de calar a boca. Se você não tivesse dado uma de amante rejeitado nada disso estaria acontecendo e a estaria, provavelmente, limpando a baba do meu irmão.
- Senhores, isso aqui é um interrogatório. Já está bem claro que foi um acidente e que...
- ACIDENTE? Esse filho da mãe enche a cara e é ‘tudo um acidente’?! – fez sinal de aspas exageradamente e viu um sorriso sarcástico, vitorioso e pretensioso nos lábios de Alan. – Pra mim chega. – O garoto suspirou, empurrando a cadeira com força e saindo do escritório.
- E então? – Martha perguntou assim que viu o filho.
- Foi um acidente. Mas ‘é claro que nada teria acontecido se o Sr. tivesse deixado as coisas como estavam e não tentado dar uma de Batman’.
- Ele disse isso? – Albert questionou, abismado.
aquiesceu. Sua mãe abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas ele já sabia o que ela diria. Diria que aquilo era uma injustiça. Ele sabia disso mais do que qualquer um; ele era o injustiçado.
- Eu só quero ir pra casa.

- , nós vamos ao hospital. Quer ir? – Martha entrou no quarto. O garoto estava deitado na cama de barriga para cima com as mãos na nuca.
- Não. – Ele respondeu sem encará-la.
- Meu amor... – A mãe sentou-se na beirada da cama, pousando sua mão sobre a perna do filho. – Não importa o que eles digam, a sua família e amigos sabem que você não tem culpa.
O menino não respondeu.
- Bom, tem certeza de que não quer ir visitá-la? Os médicos dizem que faz bem ouvir música ou voz conhecida.
- Não quero.
Martha suspirou antes de dar um tapinha companheiro no filho e deixar o quarto.
Assim que ela saiu se levantou e ligou o rádio. Música sempre ajuda. Untitled do Simple Plan começou a sair do som.
Desligou.
Nem sempre.

- Ele não quis vir? – perguntou à mãe do amigo assim que a viu descendo as escadas.
- Não.
- Talvez se eu tentasse conversar...
- Não adianta, . – Martha o interrompeu, sorrindo triste. – Ele precisa de tempo. Bom... Onde estão os outros?
- e vão mais tarde. A e o estão no carro. E o tio Albert?
- Ele vai mais tarde também, ta trabalhando.
- Hm... Vamos?

O hospital estava bem mais cheio do que da ultima vez em que eles estiveram lá. Ao contrário do que sempre pensara, não havia enfermeiras com sutiãs vermelhos aparecendo, como no CD do Blink. E todas elas eram velhas.
- Bom dia. – Martha tentou dar seu melhor sorriso. – Nós viemos ver a paciente .
- Ahn. Bom, devem entrar de dois em dois no máximo, pra evitar barulho no quarto.
- Tudo bem. – Ela sorriu agradecida e a recepcionista voltou sua atenção para o computador. – Quem vai primeiro?
- Eu posso ir com a ? – perguntou.
- Claro. , eu e você vamos depois, ok?
O menino assentiu, sentando-se, enquanto o casal caminhava em direção ao quarto.

- Como ela ta? – Bern perguntou assim que viu a mãe entrar em casa.
- Ta bem, meu amor. Logo, logo ela vai estar aqui de novo, ok? Não se preocupa. – Martha disse, abraçando o menininho.
- Eu to com saudades, mãe.
- Eu sei, meu anjo... Todos nós estamos.
A mulher abraçou o filho mais novo, sentando-se no sofá com o menino no colo. Ouviu passos atrás de si.
- Aonde você vai, ?
- Ah, não enche. – O garoto respondeu, saindo de casa e vestindo seu casaco com o case do violão na mão.

O hospital estava relativamente vazio. Àquela hora da noite era o que ele esperava.
- Boa noite. Eu vim visitar a paciente .
A atendente o encarou.
- , não? Perdão, mas o senhor não está autorizado a visitá-la.
O garoto pareceu perplexo.
- Como assim?! Eu moro com ela.
- Desculpe, mas essa foi a ordem que eu recebi da diretoria. – A mulher deu de ombros, virando-se para arrumar alguns papéis enquanto caminhava até a porta. Parou do lado de fora. Haviam algumas pessoas por ali. Ele teve a idéia de tentar vê-la pela janela. De repente lhe veio a idéia: a escada da caixa d’água, a borda do parapeito, a janela. Era isso. Ele entraria, de qualquer jeito. olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava olhando e subiu rápido a escada, escondendo-se no parapeito. Segurando-se em qualquer cano enferrujado, ele foi dando passos lentos até chegar à primeira janela e entrou.
Dentro do quarto estava tudo silencioso, a não ser pelo som da TV baixinho. Ele deu passos silenciosos até tocar a maçaneta.
- Quem é você? – A voz feminina e infantil da paciente perguntou, encarando-o com grandes olhos azuis e bochechas redondas. A franjinha negra caída sobre os olhos.
- Erm... Um enfermeiro. Eu vou... Vou...
- Você não é um enfermeiro. Você deve ter o quê? 15 anos?!
- Hey, 18! – pareceu ofendido.
- Você ta invadindo o hospital?! Você quer matar alguém? Olha, eu não vou deixar! – A garotinha ergueu o dedo magro e branco, tentando parecer agressiva.
- Não, não! Eu... – Ele se aproximou da cama, fazendo-a se encolher.
- SAI! NÃO ENCOSTA EM MIM!
- Não, não, não! Não grita! – disse, afastando-se e botando o indicador na boca. – Olha, deixa eu te explicar... Erm, qual o seu nome?
- Não digo. – A menininha deu de ombros, fechando a cara.
bufou, pegando a ficha da menina, que estava presa na cama. – Ah, Edie. Oi, Edie. – Ele tentou sorrir.
- Qual o seu nome?
- Meu nome é . Eu... Bom, você consegue guardar segredo?
Edie arqueou a sobrancelha, como se ele duvidasse de sua capacidade. – Claro.
- Então eu vou te contar um. Mas você não vai poder contar pra ninguém, ok?
Ela assentiu. começou a contar-lhe a história dele e de até acidente.

- Então... Vê se eu entendi. – Edie, que como ele descobriu, tinha 12 anos, disse. – A ta doente aqui e acham que é sua culpa. Mas na verdade é do Alan.
- Exato.
- Que burros. E porque você não diz isso pra eles? – Ela sugeriu, inocente. Ele sorriu docemente.
- Não é fácil assim, Edie... Eu queria que fosse. Mas eu não me importo mais, já tenho problemas demais.
A menina franziu o cenho.
- Ah, e só por isso você parar de ligar pra sua vida?
Ele deu de ombros.
- Bom, então vai lá, antes que vejam você aqui!
- É. Beijo. – O garoto deu um beijo na testa da menina, que sorriu, enquanto ele saía do quarto.

Por sorte o corredor estava praticamente deserto e ele só precisava abaixar o rosto quando alguém passava. Chegou ao quarto certo e abriu a porta.
Não sentiu o ar nos pulmões, mas também não sentiu falta disso.
estava deitada, os olhos fechados. Pareceria estar dormindo a qualquer reles mortal. Estava mais pálida e magra do que ele se lembrava. Por um milésimo de segundo ele pensou tê-la visto mexer a mão, mas deve ter sido só ilusão. É como quando se tem esperança demais. Com tanta esperança, você acaba achando que aquilo é real. Algo parecido com sonhar acordado.
- Oi. – murmurou segurando na mão da menina. Um silêncio tomou conta do lugar enquanto ele percebia como as mãos dela pareciam consideravelmente menores de repente. – Senti sua falta.
Ele a encarava, fazendo força mentalmente, repetindo incansavelmente a mesma frase. ‘Acorda, por favor. Acorda.’ Ela não acordou. Ele se perguntou se quando ela acordasse se lembraria de como tudo aconteceu e se ela o culparia como a polícia estava fazendo. Torceu para que não e de alguma forma, se convenceu. Sempre soube que ela confiava nele. Não seria um acidente que mudaria aquilo.
Nada mudaria.

Cap. 20

Estava bem frio naquele dia e desejou que não fosse uma segunda-feira.
Bom, não adiantou.
Continuou sendo segunda.
A rua estava relativamente vazia. Não estava indo de carro para a escola, como fazia normalmente. Havia evitado a tudo e todos nos últimos dias e tudo o que ele menos queria era aquele clima que Fredrico deixava nos lugares. Era como se, com um simples silêncio, o motorista desse um sermão de valores, princípios e coragem.
Ele não queria um sermão.
Virou a esquina e apertou o casaco contra o corpo. Já podia ver a escola e ouvir as risadas de algumas líderes de torcida. Por um momento sentiu inveja de todos aqueles que ele um dia desprezou.
Eles estavam felizes.
não.
Se perguntou qual seria sua reação ao ver a cara de vítima que Alan certamente faria para as menininhas tolas e fúteis daquela escola e chegou a uma conclusão. Se ele fosse aula, isso seria perigoso para o Spiller. Daí veio a decisão.
O parque mais perto da escola ficava a umas três quadras e, se fosse visto lá, provavelmente seria por alguém que também estaria matando aula. Não, ele não havia deduzido isso.
Hábito é conhecimento.

Como havia previsto, o parque estava vazio e frio. Muito, muito frio. Ele se sentou num banco qualquer e cruzou os braços e as pernas, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. Tentava pôr em ordem os últimos acontecimentos. Já estava cansado de agüentar comentários e lamentos. Só queria que sua vida voltasse ao normal. Talvez ser o garoto irresponsável não fosse tão ruim assim.
Ouviu os passos e, por um breve momento, pensou que era .
Viu Stuart.
- Fala, cara! – forçou aquele clássico sorriso que todos (incluindo eu e você) dão quando encontram um colega, ou qualquer pessoa não íntima.
- E aí, ! Matando aula, hein!
- Ah, dá saudades de vez em quando.
- Com certeza... – Stue respondeu tirando do casaco uma garrafa de vodka. Tomou um gole no gargalo e virou-se para .
- Quer?
O menino encarou a garrafa. O líquido era tão claro que a qualquer um que não soubesse pareceria água. A única diferença são os resultados. sorriu de lado, maroto, e pegou a bebida da mão do amigo, que sorriu satisfeito.
Se era de irresponsável que o estavam chamando, era isso que ele iria ser.

A enfermeira entrou no quarto e sorriu educadamente para a garota deitada na cama. Ela retribuiu.
Edie havia acabado de voltar de um dos milhões de exames que fazia e estava realmente cansada.
- Como você ta, meu amor? – A mãe da garota surgiu sorridente.
- Bem.
Um silêncio confortável tomou conta do quarto enquanto a mulher acariciava a mãozinha frágil da filha.
- Edie... – Ela começou, encarando os olhos da menininha. – Você sabe que encontrar alguém com uma medula compatível é difícil, não sabe?
A garota assentiu.
- Mas vai ficar tudo bem. – A mãe falou, tentando sorriu, mas acabou se desmanchando em lágrimas e abraçou a filha.
- Mãe. – Edie afastou os dois rostos e sorriu. Ela parecia mais forte do que os pais, mesmo naquela situação. – Já está tudo bem.

Cap. 21

Relato de um Dia no Parque: a vodka, o não-copo e a orelha, por

Vocês provavelmente estão se perguntando o que o amigo coadjuvante ta fazendo aqui. Bom, eu já vou explicar, então... antes de perguntar pelo e chutar meu rabo, ME ESCUTE.
Ou leia.
O ta no hospital. Fazendo companhia à babá.
Ele estava bebendo com o Stue no parque, entrou em coma alcoólico e morreu.
Ta, mentira.
Até a parte do parque é verdade. Acontece que ele não entrou em coma. A tia Martha decidiu levar o Bern na escola bem na segunda em que o resolveu matar aula. E, nessa mesma segunda-feira, um Double Decker resolveu enguiçar no meio da rua e bloquear a passagem, o que fez com que a Sra. tivesse que engatar a marcha ré, virasse na segunda esquina e... CONTORNASSE O PARQUE!
Foi aí que ela viu o filho com um loiro de cara de acabei-de-puxar-uns-aí-tia bebendo vodka.
Na garrafa.
Pra você ter uma noção, a tia Martha já escreveu um artigo pro jornal da associação de moradores besta com a qual ela e a MINHA mamãe gastam metade das suas vidas sobre como é horrível não se usar um copo para beber água.
Agora, pára e pensa: parece bem mais sujo quando você está bebendo E matando aula. SEM um copo.
Bom, foi aí que a tia Martha desceu do carro com sua fúria insaciável e seu salto fino e pegou o pela orelha.
Silêncio. Choque.
Sim, pela orelha.
O resultado? Bom, o babaca do Stuart não sabia com quem estava lidando e começou a rir da cara do . Aí a tia Martha pegou-o pelo cabelo.
Por mais que o seja meu amigo... Eu daria de tudo pra estar lá ao invés de estar dissecando um sapo. Imaginem: Uma perua loira em cima do salto, arrastando dois marmanjos que têm o dobro do tamanho dela pelo cabelo e pela orelha.
Então... Agora o ta de castigo e não podia deixar um depoimento aqui. Ele sempre diz que a imprensa marrom vai pagar milhões por esses rabiscos assim que o McFLY assinar contrato. Agora eu vou exigir parte da grana.

Fim do Relato de um Dia no Parque: a vodka, o não-copo e a orelha, por

jogou a bolinha no chão pela milésima vez. Observou enquanto ela quicava, quicava, quicava, rolava, rolava... DROGA. Entrou de baixo da cama. Ele se deitou de barriga pra cima, entediado. O castigo estava realmente durando. Já era mais de uma semana! Ouviu alguém bater na porta.
- Entra. – Ele gritou sem olhar para a porta, que se abriu, revelando um Albert sério.
- Vem jantar, filho.
- To sem fome.
O pai o encarou, rígido e um pouco surpreso.
- Escuta, garoto. Você não vai poder se esconder nessa sua máscara de rebelde por muito tempo e vai ter que encarar as conseqüências dos seus atos. Se você acha que morrer de fome é uma boa maneira de encarar os fatos, boa sorte. – Albert disse, fechando a porta logo atrás de si.
- Argh, que saco! – gritou, pulando da cama e chutando os lençóis, onde se embolou e acabou com o queixo no chão. Ele esticou o braço, ainda do chão, e pegou o celular em cima do criado mudo. Procurou algum número interessante na agenda.
- Alô? – Ouvir a voz de um amigo foi mais reconfortante do que ele esperava.
- ? Sou eu.
- E aí, cara? A patroa já liberou o celular, é?
- Na verdade, não.
ficou em silêncio, deduzindo que o amigo havia roubado o próprio telefone. Deus, onde esse mundo vai parar?
- Então... Onde você ta, cara?
- Na casa da . O ta aqui também, a gente ta assistindo um filme. Quer vir?
- Como se eu pudesse.
- Ah, cara. Vai brincar com a Tinny.
- Era o que eu tava fazendo. Até que ela rolou pra de baixo da cama.
‘Tinny!’ Ele ouviu a voz de . ‘Que que tem ela?’
‘Rolou pra de baixo da cama.’ A voz de respondeu.
‘Tinny.’ disse, uma voz melancólica. ‘Descanse em paz.’
se viu obrigado a rir. De qualquer forma, Tinny sempre havia sido uma boa amiga nas horas de tédio.
- Bom, eu vou dar um toque pro . – O garoto disse.
- Ok. E... – A voz de ficou distante e ele ouviu algo que parecia . – A ta mandando forças pela Tinny.

- Alô?
- Faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaala, ! – A voz de gritava no telefone. Havia muito barulho.
- Cadê você, cara?
- Como ‘cadê’?! Eu to na casa da Ash. Ta tendo festa aqui! Você não vem?!
- Ah, se a Cel. Martha deixar.
riu. – Boa sorte, cara. Vem se der!
encarou o celular na mão, não acreditando que o amigo havia desligado na cara dele. Se perguntou quando havia sido a última vez que ele havia obedecido a um castigo. Não se lembrou.
Ele calçou os tênis e abriu a porta do quarto silenciosamente. Pôde ouvir vozes vindas da sala de jantar e se trancou no quarto. Foi até a janela e olhou para o lado de fora. Relativamente vazio e fora de perigo. pôs o pé direito onde já havia até a marca de tantas vezes que ele havia pisado ali e desceu até o jardim sem dificuldades.
Aquela festa prometia.

Cap. 22

A festa estava cheia.
Muito cheia.
soube de cara que Ashley estava exagerando naquela vez. Mais do que na vez em que ela havia pintado o cabelo, muito mais.
- OOOOOOOOOOOOOOOI, VIADINHO! – Um um tanto quanto fora de si chegou jogando os braços no ombro do garoto. – Veio, heeeein!
- Cara, cadê a pra te controlar? – riu.
- To bem aqui. – A menina chegou, segurando o namorado pela cintura.
- OIIIIIIII, MEU AMOR! Olha... Eu quero te dizer uma coisa. – levantava o dedo e tinha aquele ar sério que os bêbados têm quando tentam falar algo com sentido. – Eu te amo MUITO, MUUUUITO.
- Eu sei. Eu também, agora vamos pra casa, ok?
- Não, nããããão! Eu te aaaaaaaaaaaaamo do tamanho dessa casa.
se virou para olhar a casa. – A minha é maior. Agora vem! – Ela puxou o garoto. – Tchau, ! Desculpa não poder ficar, mas esse projeto de apaixonado ta me enlouquecendo! – A garota se perdeu em meio à multidão e ele se virou, entrando na casa.
Lá dentro estava mais abafado que o esperado. O sofá estava cheio de pessoas se pegando. Aquilo realmente parecia um quarto de motel coletivo. Muito cheiro de bebida e cigarro enchia os pulmões fortes e saudáveis de todos que estavam lá dentro. foi em direção à cozinha, onde sabia que encontraria o que queria. Abriu a geladeira e pegou uma garrafa de cerveja.
- Olha quem resolveu dar as caras. – Ele ouviu uma voz feminina e se virou, dando de cara com Ashley, que estava apoiada na porta. A garota vestia um tubinho preto com um pouco do sutiã vermelho aparecendo e scarpin vermelho. Os cabelos estavam mais loiros que o normal, o que indicava que ela havia retocado a cor. Ash lançou um olhar à garrafa na mão do menino e fez um ‘oh’ fingindo surpresa. – É bom ter o velho de volta.
deu um meio sorriso.
- É bom estar de volta. – Ele puxou a menina pela cintura, o que fez com que ela levantasse as duas sobrancelhas, realmente surpresa. E satisfeita. – Então, será que eu perdi muita coisa?
- Nada que você não consiga de volta. – Ash sorriu, dando um beijo na boca do menino.

- Viu quem ta aí? – encontrou chegando, enquanto saía da festa com .
- Quem? A Brit? – O garoto fez uma cara cheia de esperança e felicidade genuína.
- Não, idiota. O .
- O ? – , que se aproximou com a namorada, perguntou. – Ele me ligou.
- Mas ele não tava de castigo? – se meteu na conversa. O namorado deu de ombros.
- Ele fugiu, né. – , que parecia estar desacordado nos braços de , de repente, falou, arrancando gargalhadas dos quatro.
- É. Isso não seria novidade vindo do . – riu.
- Bom, fiquem de olho nesse louco antes que ele faça mais besteira, ok? Eu to levando o pra casa. Não agüento mais esse bêbado. – olhou com desdém para o namorado.
- Ok. Beijos, amiga! – falou e os três entraram na casa.

Ash desfilava pela casa com , como se ele fosse um troféu.
E ele fazia o mesmo.
- Cadê o Stue?
- Não sei. – Ashley deu de ombros e acenou para uma garota que acabara de chegar. – Deve estar por aí.
- Hm. Ele não tava de castigo?
A garota riu alto.
- Vamos dizer que ele tem um controle sob os pais maior do que o seu. – Ela ajeitou o sutiã. – Quer ir lá fora?
- Claro. – sorriu e os dois saíram da casa, entrando no enorme, lotado e asqueroso jardim.
- ! – Eles ouviram uma voz familiar.
- Hey, ! – O amigo sorriu. – Pensei que você tava na casa da .
- Bom, eu tava. Mas a gente encheu o saco e resolveu vir pra cá, dar uma olhada.
- Sentiu tanto assim a nossa falta? – perguntou sorrindo, abraçada ao namorado.
- Quase isso. – riu. – Ih, ! Acho melhor você ficar de olho nessa sua namorada, hein! Ela hoje ta linda!
- Pode deixar. – disse, ficando sério e botando as mãos para trás, imitando um segurança e fazendo todos rirem.
- Erm, oi, fofos. – Ashley, que até aquele momento estava esquecida, disse e sorriu falsamente.
- Oi. – Todos responderam e se entreolharam ao ver a mão de ao redor da cintura dela.
- Eu vou ao banheiro. – disse séria, sem disfarçar o olhar em .
Um clima ruim ficou no ar quando resolveu falar. – Bom, eu vou atrás dela.
forçou um sorriso para Ash, que fez o mesmo.
- Olha só! Tava sumido, hein. – Os três ouviram uma voz masculina.
sentiu o sangue ferver.
- Vai embora, Alan. – tentou tirá-lo dali antes que os dois causassem uma briga.
- Não se preocupa não, . O seu amiguinho não vai querer brigar comigo. Ele viu do que eu sou capaz.
Os dois garotos se entreolharam, sem entender, enquanto Ashley assistia a tudo de camarote.
- Do que você ta falando, Spiller? – perguntou.
- Como ‘do que’? Você já esqueceu quem ta em coma? E quem levou a culpa?
e ligaram as palavras do garoto, ainda sem acreditarem.
- Você... Você ta dizendo que bateu de propósito?! – Alan sorriu, arqueando a sobrancelha. – VOCÊ TÁ DIZENDO QUE BATEU O CARRO DE PROPÓSITO?
- Você planejou tudo?! – estava boquiaberto.
- Eu tentei, . Eu tentei te avisar pra não mexer comigo. Mas você me ouviu? – Alan falava de forma cínica, o que estava irritando cada vez mais a . O garoto fez menção de partir para cima do outro, mas foi segurado por .
- , não vale a pena.
- Ah, vale sim! – respondeu por entre os dentes, dando um soco no queixo de Alan, que caiu. Ele tentou se levantar, mas deu-lhe um chute no estômago. – COMO É QUE VOCÊ TEVE CORAGEM, SEU BABACA? A GAROTA DA MINHA VIDA TÁ NO HOSPITAL AGORA E É TUDO CULPA SUA! – Alan sorriu, exibindo a boca sangrenta no maior estilo Kill Bill.
- Você sabe que não adianta me bater, não sabe? Ela vai continuar lá.
- TEU FILHO DA MÃE! – começou a chutá-lo cada vez mais forte e sem parar. Muitas pessoas já estavam ali em volta.
- , pára! – gritou, tentando segurar o amigo.
O garoto batia cada vez mais em Alan, que não conseguia nem se levantar.
- VOCÊ DEVIA ESTAR LÁ, ALAN! NÃO ELA!
- O que ta acontecendo aqui?! – perguntou, depois de muito lutar para passar pela multidão de gente e alcançar .
- Meu Deus, alguém tem que fazer eles pararem! – falou, pegando o celular do bolso. – Eu vou ligar pra polícia!
- Não, não! O já ta encrencado, ele não precisa de polícia nessa história.
pegou o cabelo de Alan, emparelhando seus olhos com os dele. – Eu só não te mato agora por pena. – Ele jogou o garoto no chão de novo, saindo a passos largos da casa. , e foram atrás dele enquanto o resto da festa acudia a Alan.
- , você é louco?
- Não, ! Você não sabe o que ele fez!
e olharam para o garoto, que abaixava a cabeça e esfregava os cabelos, nervoso.
Ele não disse nada.
Eles olharam para .
- Ele planejou tudo. – disse.
- Planejou o quê? – A menina perguntou.
- TUDO, TUDO! – gritou. - PLANEJOU A BRIGA, A BATIDA! PLANEJOU JOGAR A CULPA EM MIM! TUDO!
Todos ficaram em silêncio enquanto e absorviam a informação.
- Quer dizer que a ...
- É, ! Quer dizer que a nossa babá ta em coma por culpa dele! – O garoto esfregou o cabelo de novo. Riu, irônico. – Meu Deus, aquilo nem foi um acidente!
se deixou cair sentada no gramado. A menina começou a chorar.
- Calma, meu amor. – abaixou, abraçando a namorada.
olhou para a garota, desacreditado.
- Quem você acha que é pra chorar, hein? Eles nem jogaram a culpa em você! Você não sabe o que é ter que agüentar o que eu to agüentando.
Ela levantou o rosto, mirando-o com raiva e ficou de pé. – O que foi que você disse?
- Foi isso mesmo.
- Pelo menos, , não sou eu que to agarrando a vadiazinha da Ash! Não fui eu que joguei tudo pro alto, que não fui visitar a NENHUMA VEZ nesses dois meses. Não sou eu que to enchendo a cara e me fazendo de coitada só pra não agüentar pressão! Eu sou AMIGA dela, mais do que qualquer coisa. Se alguém aqui tem direito de chorar, esses somos todos nós, MENOS VOCÊ. Se você quiser chorar, pelo menos tenha a dignidade de agüentar tudo.
- Você não sabe o que eu to passando, garota.
- AH, você e essa sua mania irritante de se fazer de sofrido! Você tinha todo o apoio de todo mundo... E, será que você deu valor a isso?! NÃO. Se você está como está, foi por escolha.
Silêncio.
- Eu amo aquela garota.
- Ah, será que ama mesmo, ? Será? Você não deve nem saber o que é amar alguém. Você nem mesmo vai visitar a !
- Mas eu a amo.
- Ok. Então se dê ao trabalho de sair dessa sua bolha de álcool, parar com esse teatrinho ridículo e ir lá dizer isso a ela. Eu cansei de escutar esse bando de palavras decoradas. – disse, saindo dali. foi atrás da menina.
- Que droga, cara. – falou, olhando para .
- Eu acho que você deve desculpas a alguém.
O garoto assentiu, correndo e entrando no carro.
Mais do que desculpas a alguém, ele devia dizer algo a alguém.

Cap. 23

Tudo estava silencioso e ela quase podia sentir o cheiro do bolo de banana com o qual estava sonhando. Sua mãe costumava fazer todo fim de semana. De repente, o barulho de algo caindo no chão fez com que Edie voltasse à realidade. Ela abriu os olhos.
- Ah, oi, .
- Edie. Volta a dormir. – O garoto respondeu.
- Que horas são?
- São 3 da manhã. Dorme.
- Não, . Vem cá, vem me contar o seu dia. – A menininha pediu, sorrindo docemente. Foi aí que ele percebeu aquilo. Edie não tinha mais sua franjinha negra caída na testa. Ela não tinha mais nada ali.
A garota percebeu a surpresa de e sorriu. – Ah, não ligue pra isso. Eu não ligo.
- Edie... Eu não sabia que você tinha...
- Leucemia? – Ela sorriu. – Eu também não, até um ano atrás, quando minha mãe descobriu. Hey, - o sorriso dela se desfez – você ta chorando?
- Erm, não. Não se preocupe, Edie, eu só...
- Me preocupar?! Eu não to preocupada. – A garotinha usava um tom de bronca. – , você não pode chorar. Eu não choro.
- Você não sabe o que eu...
- Não quero saber. Com certeza a notícia que você recebeu não foi que você tinha uma doença que poderia te matar, que você teria que parar de estudar e raspar a cabeça. , não é pior que isso, é?
Silêncio.
- Imaginei que não. – Edie falou. – , chega mais perto. – Ela pediu, segurando a mão do garoto, que parecia ser o triplo da sua. – Se você tem um problema, você tem que enfrentar.
- E se eu tiver medo?
- Medo?! MEDO? Medo de quê, ? De viver sua vida e concertar seus erros? Se você tiver medo de tudo, você nunca vai viver!
Ele assentiu, pensando em como ele era bobo.
- Uma vez alguém me disse que era bom ter medo, por que sem medo não existe coragem. Ser corajoso não é fazer coisas perigosas, é vencer os medos. – A menina apertou a mão do amigo, fazendo com que ele a encarasse. Por um momento ele pensou ter visto . Eram palavras dela, sorriso dela. – Você é corajoso. Eu sei que é.
sorriu. – Eu vou falar com ela.
Edie assentiu, fechando os olhos. O garoto foi até a porta, mas ainda pôde ouvi-la murmurar. – Boa sorte.
Ele saiu pensando em como havia pessoas que estavam em situações muito piores, mas que conseguiam enfrentar tudo, assim como Edie, assim como .
Descobriu que era fraco.

O quarto de estava claro e vazio, como sempre. Cada vez que ele ia lá ela parecia cada vez mais frágil e fraca.
- Oi. – Ele sorriu para ela. – Eu acho que fiz besteira. Fiquei com a Ash.
Silêncio. Ele pensou vê-la se mexer; pura ilusão.
- Eu briguei com a . – sentiu como se o silêncio fosse uma bronca.
Doía muito.
Aquele silêncio era muito pior que o sermão que havia dado, muito pior do que as palavras de Edie. Aquele silêncio dizia que, não importava o que ele dissesse, ela não iria responder. Tudo iria continuar como estava.
- E o Alan... Ele... Ele fez tudo de propósito, babá.
ergueu os olhos e se aproximou, segurando a mão dela e passando a outra pelos cabelos da menina.
- Nunca pensei que fosse sentir tanto a sua falta. Eu queria que você pudesse falar comigo.
Silêncio.
Ele sorriu fraco.
- I wonder what it's like to be loved by you/ I wonder what it's like to be home.
cantarolou baixinho, procurando as palavras certas para terminar aquela canção.
- And I don’t breathe... Não. And I dont...
- And I don’t walk when there’s a stone in my shoe. – Ele ouviu uma voz rouca completá-lo.
Não, não podia ser verdade.
-All I know that in time I’ll be fine.
Ele sorriu, começando a chorar.
- ! Eu não acredito...
Ela sorriu, ainda de olhos fechados.
- Você não achou mesmo que eu... eu ia morrer, achou? – brincou. Ainda parecia frágil e fraca, mas ela estava acordada!
- Não... É que...
- . – Chamou-o. – O que você ta esperando pra...
Ele a interrompeu com um beijo. Era incrível demais poder fazer aquilo de novo.
-... chamar o médico? – Ela terminou e riu fraco.
- Eu vou... – Ele riu e saiu correndo atrás do primeiro velho vestindo jaleco que ele encontrasse.

Cap. 24

As luzes ainda refletiam nos mesmos lugares, mas pareciam estar mais fortes. Óbvio, era quase verão. fechou a porta do quarto atrás de si, fazendo com que as vozes do andar de baixo – onde Martha preparava um almoço de ‘boas vindas’ para - parecessem vir do Brasil. Ela se sentou na cama e alisou os lençóis. Ainda parecia ter o mesmo cheiro, a mesma textura. Para ela, era como se durante os três meses em que estivera em coma, tudo tivesse congelado.
Ouviu alguém bater na porta.
- Entra. – Ela falou, ainda olhando cada canto do quarto.
- Hey. – Escutou a voz angelical de Bernard. O menino sorria genuinamente. - Olá, meu amor. – A babá se sentou na cama e ele sentou-se no colo dela. Os dois ficaram um tempo se olhando e sorrindo, até que ela fez uma careta, arrancando uma gargalhada do menino. - Eu tava com saudades de você, . A garota sorriu, passando a mão pelos cabelos lisos e loiros do pequeno. – Eu também. Você ainda tem que me contar como foram esses meses, hein! Quero saber de todas as gatinhas da escola! – Ela fez cócegas na barriga dele. - Tem a Vicky. - Vicky?! Quem é essa?! – fez uma cara indignada. – Preciso conhecer e aprovar, hein! Ninguém fica com o meu Bernzinho sem minha autorização.
- Você pode me levar na escola amanhã. Aí você conhecia!
- Levar? Acho que não. Amanhã eu recomeço as aulas, Bern. Mas eu posso ir te buscar. Combinados? Ele sorriu e aquiesceu, saindo do quarto.
A garota ouviu passos, mas pensou ser o menino.
Não era.
- Oi. – Ela escutou aquela voz que parecia estar sempre em sua mente e se virou. - Oi.
se aproximou, sentando-se ao lado dela. Os dois sorriam um pouco tímidos.
- Olha, sobre aquilo no hospital... Eu queria te pedir desculpas se te peguei meio... Desprevenida. – O garoto riu.
- Ahn, não. Não tem problema. – De repente o sorriso de murchou. – , eu... Eu ouvi algo além da música. Ele a olhou de relance e baixou os olhos.
- Você ouviu a parte da...
- Da . – Ela demorou um pouco. – Do Alan. – Franziu o cenho, ainda sem acreditar naquilo.
Silêncio. - Desculpa. Eu... - , eu acho que muita coisa deve ter acontecido nesse meio tempo em que eu tava... fora. – Ela mordeu o lábio inferior, procurando as palavras certas. – Olha, talvez eu até tenha motivos pra isso, mas eu não vou te culpar nem cobrar nada. Vamos só... dar tempo ao tempo.
levantou o rosto subitamente, aparentando um pouco assustado. – Não! Três meses já foi tempo demais.
- Não o suficiente pra você, . – Ela sorriu. Passou a mão pela bochecha do garoto.
Os dois ficaram um pouco em silêncio. - Às vezes eu acho que nunca vai ser o suficiente pra mim... Acho que nunca vou parar de fazer besteira. – Ele riu leve. Tinha o rosto inclinado, ainda com a mão de nele. - Ah, menos, ! – A garota gargalhou. – Olha, todo mundo cresce um dia. Você tem 18 anos. - E você 17, mas parece ter 30.
- Nossa, a intenção era que isso soasse bom?! – Ela pareceu indignada e os dois riram. – Não, sério, . Eu sou precoce. – A menina piscou e sorriu, fazendo-o rir, jogando a cabeça para trás.
suspirou e sorriu.
- Eu acho que as pessoas já devem estar chegando pra esse almoço.
- Talvez.
- , anda! Vai se arrumar. – A garota jogou uma almofada no menino, que se levantou e saiu do quarto, rindo e se protegendo.
estava em seu quarto quando ouviu a porta bater.
- Entra!
A porta se abriu, exibindo e , que sorriam abertamente.
- Ahn, babá, que booooooooom! – As três se abraçaram, rindo alto.
- Gente, menos. Fico tímida. – falou, sorrindo.
- Ok, chega de melancolia. Você ta aqui e ponto, mas... Vindo pro presente: você realmente acha que vai descer vestindo isso? – apontou para a regata, os jeans e o all star surrado da amiga. Ela e estavam usando vestidos.
- Gente, a Martha disse que era só um almoço, uma bobagem... - Amiga, aprende uma coisa: nenhum evento de Martha é uma ‘bobagem’. – disse, sentando a amiga no banquinho em frente ao espelho e arrumando seu cabelo. – , qual vestido?
- Hm, deixa eu ver. – A garota caminhou até o guarda roupa e abriu a porta, remexendo nos vestidos da amiga.
Não eram muitos.
- Que tal? – Ela tirou um tubinho tomara que caia verde claro que ia até um pouco acima dos joelhos. - Hm... Pode ser. – deu de ombros.
- Pera aí! Minha opinião não conta aqui não? – fingiu indignação.
- Não. – As outras duas responderam em coro, rindo.

Cinco minutos depois e ela estava pronta. Vestia o tubinho verde com sandálias de salto brancas. Os cabelos estavam presos em um coque frouxo, decorado com algumas presilhas de flor de strass. Uma maquiagem leve e, para finalizar, brincos de pérolas.
- Nós somos artistas, amiga. – disse, abraçando .
- Têm certeza?
- Claro! Você ta gata demais, garota! Quase parece londrina como nós. – riu e deu língua para a amiga.
A babá deu de ombros e as três desceram as escadas.
A casa já estava relativamente cheia. agradeceu mentalmente às amigas: todas as mulheres estavam de vestidos e os homens de terno. Uma música ambiente tocava. Tudo estava bem decorado com flores do campo e organizado.
- Vamos chamar os meninos, ok? Um segundo. – falou, puxando , e as duas sumiram no meio do salão.
Passando os olhos nas pessoas que estavam lá, o olhar de se demorou em um casal. Eles aparentavam uns 30 anos, mas estavam realmente bem. A mulher ria de algo que o homem havia dito. Os dois bebericavam de suas taças de champanhe. Sem exageros, sem escândalos, sem brigas. Eles pareciam perfeitos. se perguntou se um dia chegaria a ser como eles, e se estaria ao lado de .
- BABAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ! – gritou, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam ali envolta, e pulou em cima da amiga. – Que saudaaaaaaaades!
- Muita, muita, muita! – empurrou o garoto, levantando a menina no colo.
- Aaaaaahn, me bota no chão, ! – Ela ria e dava soquinhos no ombro do amigo, que ria.
- Solta ela, cabeça de batata. – disse, com toda sua autoridade.
- Cala a boca. – respondeu, fazendo todos rirem.
- Ohn, gente! É tão bom estar com vocês de novo!
- Já tava na hora da senhorita parar com essa frescurite de ‘coma’ e voltar à realidade, né?! – brincou.
De repente parou de sorrir.
- Hey, ! – Eles disseram, com exceção da menina. Um clima ruim ficou no ar.
- Eu acho que te devo desculpas, . – tentou sorrir.
- Eu concordo com você.
Ouch!
- Então... me desculpa? Eu... Eu não quis dizer aquilo.
A menina o encarou por um segundo e suspirou. – Eu sei que não. – Ela sorriu e o abraçou. – Eu sempre espero mais de você, . – A amiga sussurrou para ele e sorriu mais largo.
- Ta, gente! Chega de drama. Quero comer. – anunciou, indo até a mesa do Buffet e pegando um prato. – Alguém me acompanha?
- Ah, com certeza! – Todos gritaram, correndo para ficar na frente um do outro na fila.

virou na cama pela milésima vez. Por mais que quisesse, não conseguia dormir e a idéia de que teria que acordar às 7am no dia seguinte era realmente aterrorizante.
Realmente.
Por fim, ele se levantou e pegou o celular. Pensou em ligar para um dos garotos, mas eles provavelmente iriam desligar o telefone na cara dele logo depois de xingar a tia Martha.
Uma mensagem.
Sorriu ao ler o nome da tela.

Se estiver acordado, POR FAVOR, me tire do tédio. Eu já dormi 3 meses e não consigo pensar em nem mais um segundo fazendo isso. Bjs.

Clicou em ‘Responder’ quando teve uma idéia melhor.

- , você não precisa me ligar, considerando que a única coisa que nos separa é o quarto do Bern.
- To com preguiça de ir aí. – Ele riu.
- Então gaste seus créditos.
Silêncio.
- E aí? É legal gastar os créditos pra ouvir a respiração de alguém que ta na mesma casa que você? – perguntou irônica.
- Muito. – A voz de era séria.
Silêncio.
- , sério, isso ta me constrangendo.
O garoto riu baixo. – Você ainda tem vergonha dessas coisas?!
- É meu estilo. – Ela brincou e os dois riram.
Silêncio.
- .
- Ahn.
- Você acha que o nosso tempo vai ser muito longo?
- Não sei.
Silêncio.
- Olha, eu sei que pode parecer o contrário, mas esse tempo vai ser bom pra nós dois... A gente só precisa pensar, botar as coisas no lugar. – Ela falou.
- Mas eu tenho certeza.
- De quê?
- Que eu te amo.
Silêncio.
Mesmo sem dizer nada, ele pôde ouvi-la sorrir.
- Será que ama?
- Três meses foram tempo o bastante pra eu descobrir isso.
- Ai, eu acho que a gente devia parar com isso de ‘três meses’. Me deprime. – Os dois riram.
- Ok, parei. E aí? Animada pra voltar pra escola?
- Ah, nossa, demais! – Ela disse, sarcástica.
- Eu sabia que era frescura isso de ‘coma’! Concordo plenamente com o que o disse hoje.
- Ah, vocês descobriram meu segredo.
- Óbvio. Você realmente achou que ia conseguir esconder alguma coisa do aqui?! – Ele se gabou.
- Idiota.
Os dois riram e ficaram um instante sem falar nada, só retomando um fôlego.
- .
- Ahn.
- Eu acho que eu também.
- Você também o que?
- Te amo.
Novamente, eles ficaram em silêncio, sorrindo para seus respectivos celulares.
- É bom ter você de volta, babá.
- É bom estar de volta.
E de fato era.
Era muito bom estar de volta.


Cap. 25

acordou naquela segunda com um sentimento que há muito tempo ela não tinha: alguma coisa estava inacabada, pela metade. E ela sabia exatamente o que era.
- Bom dia! – Albert sorriu ao ver a garota descendo as escadas. – Animada pro primeiro dia de aula, querida?
- Com certeza! – Ela respondeu, sentando-se e passando sua geléia de morango preferida na torrada. – Cadê todo mundo?
- Bem aqui. – A voz de Martha veio da escada. – Tudo bem? Dormiu bem?
- Sim. – enfiou um resto de torrada na boca e pegou outra. – E os dois zinhos?
- Ah, o estava no banho e o Bern foi mais cedo pra aula hoje. Ele disse que você iria buscá-lo hoje. – Martha arqueou a sobrancelha, esperando que a menina assentisse. Ela o fez.
- Vou sim.
Eles ouviram um barulho de algo caindo e a voz de xingando.
- Droga de abajur! – Ele completou. Os três riram.
- Eu já volto. – falou e subiu as escadas para ver o que estava acontecendo. Deu de cara com uma cena um tanto quanto constrangedora: estava de toalha sentado no chão, com uma mão no olho e o abajur todo ferrado do lado.
- Ai, desculpa! – Ela tampou o rosto. – Eu... Ai, desculpa, !
Ele riu.
- Relaxa. Não to mostrando nada demais, ok? – Ele se levantou e tirou as mãos dela do rosto.
- Isso foi tudo armação pra me seduzir? – A garota perguntou, rindo.
- Você adivinhou! Consegui?
Ela negou com a cabeça.
- Ah, droga! Na próxima vez eu deixo a toalha de fora.
- ! – Ela gargalhou e deu um tapa no braço de , que riu alto e se protegeu. – Anda logo. O Fredrico já deve estar esperando a gente no carro, ok? E eu quero chegar mais cedo hoje.
- Pra quê, ?!
REALMENTE não gostava de passar seu tempo na escola; preferia dormir um pouco mais.
Não só ele, como eu e você.
- Eu quero falar com uma pessoa. – A menina pareceu séria por um segundo.
- , eu não acho legal você ir procurar o Alan agora. Espera mais. Até por que eu nem sei o que eu faço se encontrar com ele.
- Não, , eu quero resolver isso o quanto antes. E você não tem que vê-lo também. Isso não tem nada a ver com você, com ninguém. É uma coisa que eu quero resolver sozinha.
O garoto deu de ombros, ainda um pouco contrariado. Só a idéia de deixá-la falando com aquele assassino bêbado lhe dava náuseas.
- Ok. Bom, eu já desço!
Ela sorriu e saiu do quarto.

A escola estava do mesmo jeito que ela se lembrava. Os prédios, as árvores, o pátio, as pessoas. Nossa, as pessoas! Elas parecem não mudar. Logo que chegaram, pegou os livros no armário e mandou encontrá-la na sala.
Ela quase se perdeu pelos corredores, se perguntando se Alan realmente havia ido à aula. Foi aí que duas mãos taparam seu rosto. A menina sentiu um rosto bem próximo e quase pôde sentir o hálito dele.
- Hey, garota.
- Alan. – Ela se soltou, virando-se de frente para ele. Aquele sorriso com o piercing de repente já não parecia mais tão bonito, mas dissimulado e debochado.
- Tava com saudades. – Ele soprou a franja, encostando-se na parede e cruzando os braços.
Ela arqueou as sobrancelhas, fingindo surpresa. – Sério?
- Com certeza.
- Bom, você devia ter pensado nisso antes de quase ter ME MATADO!

Os dois ficaram um tempo em silêncio, se encarando, até que Alan jogou a cabeça para trás, soltando uma risada despreocupada.
Com certeza uma atitude um tanto quanto vilã serial killer de filme americano.
- Eu tenho nojo de você, Spiller. – A garota disse, se aproximando dele e dando-lhe uma tapa na cara.
Ela deu a volta e saiu andando, deixando-o sozinho.
- Eu também te amo, ! – pôde ouvi-lo gritar enquanto ainda ria.

O refeitório estava um tanto quanto vazio, já que o sinal do intervalo havia acabado de bater.
- Meu Deus, você nunca leu As Crônicas de Nárnia?! – praticamente gritou.
- Não. – deu de ombros. – É assim tão bom?
- É UM CLÁSSICO! – disse no mesmo tom de voz de .
- Gente, eu to me... e , parem com isso! – Ela se interrompeu, mandando os garotos pararem de tentar beber suco de maçã pelo nariz.
- Caras, vocês são nojentos. – fez careta, chegando à mesa de mãos dadas com uma loirinha baixinha. A menina tinha o cabelo muito liso, cortado em franjinha (o que fez se lembrar de Edie), sardinhas e um sorriso angelical. – Gente, essa é a Summer, minha namorada.
cuspiu sem querer um pouco do refrigerante em cima de , o que a deixou extremamente irritada.
- ! Sua boca é de alface?! Que saco! – A garota deu um tapa no namorado
- Desculpe... – sorriu gentilmente, como você faz quando há algum engano na conta da pizzaria. – Namorada?
- Aham. – Summer abriu mais ainda o sorriso. – Namorada.
piscou para e , que estavam boquiabertos.
- Bom, senta aí. – abriu espaço para que o mais novo casal 20 de Londres se sentasse com eles. – Enfim, Summer. A gente tava falando pra : ela nunca leu Nárnia!
- Ahn, sério?! É lindo! – A menina exclamou. Sua voz a deixava com uma aparência mais infantil ainda, o que fez os outros se perguntarem qual foi a de dar uma de pedófilo.
- Erm... Eu quero ler.
- Nossa, você sabe fazer isso? – Eles ouviram aquela voz fina de Disk Sex.
- Meu Deus, Ashley, você ainda não morreu?! – A babá disse, batendo na mesa e se levantando com um suspiro.
- Não. To esperando você fazer isso primeiro.
- Pra quê?! Isso ainda é pelo ? Bom, fique sabendo que eu vou ficar viva por muito tempo pra cuidar do que é meu.
O garoto não pôde deixar de sorrir ao ouvir aquilo e levar uma cotovelada de .
Ash riu.
- É bom mesmo, né! Por que enquanto você tava no hospital... – A loira azeda gargalhou, piscando para .
ficou estática. Olhou para os amigos, que abaixaram a cabeça. – Tem... – Ela gaguejou. – Aconteceu alguma coisa de que eu não to sabendo?
A garota olhou para ele.
- , o que houve?
só abaixou a cabeça.
- ... O QUE VOCÊ FEZ? – Ela gritou, chamando a atenção de todos ao redor. – ...
- Não, . Eu... Eu tava bêbado, eu não quis...
- Você ficou com ela? – A babá perguntou, tentando manter a calma.
- Ops. – Ash levou a mão à boca. Vadia cínica. – Acho que você não contou muita coisa a ela, hein, .
a ignorou. Não conseguia acreditar que depois de tantas coisas tivera coragem de ficar com Ashley. Bêbado ou não.
Quem não teria nojo daquela cabeleira amarela?!
- Eu... – A garota gaguejou. Não sabia o que falar. Era muita raiva e ela nunca havia sido realmente boa para expressar sua raiva. Fuzilava com os olhos.
- Não, babá! Você não ta entend... – Ele deu um passo, ameaçando pegar no braço da menina, mas ela se afastou.
- Não encosta em mim! – Ela gritou. – Não encosta em mim. Eu tenho nojo de você.
Silêncio no refeitório.
Era visível que Ashley estava se divertindo com tudo aquilo
- Eu te odeio. – falou, fitando-o. Pôde ver o garoto arregalar os olhos, numa atitude de surpresa.
- Não, não! – disse, mexendo as mãos, enquanto ela saía do salão a passos largos.

N/A.: Uh. Odiemos a Ashley. Óbvio que tava perfeito demais (: HAOIEHEAOI Comenteeem, galera.
Amovcs.
Just Keep Out There – McFLY/ Finalizadas
Virtual Friendship – McFLY/ Finalizadas
The One I Love – McFLY/ Andamento

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