
"Imagina se eu dia eu não acordar, quem vai puxar assunto com você?"
- - eu o abraçava assim que saí do carro de meu irmão.
- Oi senhorita - ele me abraçou demoradamente, era tão bom sentir o perfume dele. Ele também parecia estar perdido em meu pescoço até que meu irmão, como sempre, tinha que atrapalhar.
- Já deu, já deu - Tom disse fazendo gestos com a mão para nos separarmos. se separou de mim pegando minha mão e dando um beijo nela, logo em seguida dando outro beijo em meu rosto.
- De menor - eu ouvi a voz de Clarie, namorada de . Ela me dera esse apelido há dois anos, no meu aniversário de quinze, quando nós fomos a uma boate e, pelo fato de eu ainda ser menor de idade, eu não pude entrar. Mas como a banda de meu irmão, que também participava, estava começando a ficar famosa na época, eles me colocaram dentro da boate com facilidade, mas desde esse dia Clarie só me chamava assim.
- Oi C - sempre teve o costume de chamar Clarie de C, e como eu a conheci através dele, a chamava assim também. Dei um abraço nela, mesmo tendo vinte e três anos ela aparentava ter dezesseis, seu corpo era tão pequeno e magro que quando você a abraçava parecia que iria quebrar.
- Ansiosa para o show ? - Lucy, a irmã de Clarie, me perguntou. Ela era tão pequena e magra quanto à irmã.
- Muito - eu disse animada quando alguém me abraçou por trás.
- que saudade! Não sei por que o Tom nunca mais te trouxe pra sair com a gente - eu escutei falar atrás de mim ainda me abraçando, ele e Lucy namoravam há tanto tempo quanto e Clarie. Eu não sabia quanto era porque nunca tive vontade de perguntar, mas eu tinha certeza que já fazia mais de dois anos.
- Pois é, eu acho foi porque ele arranjou uma namorada - respondi seriamente, fazendo bico e uma cara de sentida. ficou do meu lado ainda me abraçando.
- Sério?
- Não , eu to zoando sabe, pelo menos não que eu saiba, você que tem uma banda com ele que devia saber - eu tinha que me lembrar de usar menos meu sarcasmo com , às vezes ele achava que eu estava falando sério.
- , você veio - com seu lindo sorriso veio em minha direção. Tom tinha parado o carro do meu pai dentro de um estacionamento da arena, onde só eles podiam entrar. O muro era baixo, mas com alguma sorte nenhuma fã iria encontrá-lo lá.
- Claro, não podia deixar de prestigiar vocês - eu sorri para e dei um beijo em seu rosto. Ele, assim como Tom não tinha namorada, mas eu sabia que isso era por opção própria: os dois eram muito bonitos e conseguiriam a garota que quisessem, tirando o fato de serem ricos e famosos.
- Eu acho melhor a gente entrar - Tom disse sem interesse. Ele sempre era assim, duro e chato, pelo menos quando estava comigo junto com os outros garotos da banda. Eu não sabia por que isso acontecia, quando eu não estava ele parecia ser tão legal, ou então quando ele estava só comigo, ele era o melhor irmão do mundo. Eu acho que ele se sente responsável quando está comigo e não quer que nada de errado me aconteça. Eu estava torcendo para que ele bebesse, porque quando ele bebia ele ficava mais liberal e ligava menos pra mim - não que me esquecesse completamente, mas ao menos não ficava de cara feia e sério.
Nós fomos em direção a uma porta cheia de seguranças, Tom foi na frente como sempre. Logo depois, me arrependi de ficar para trás, eu sempre me dava mal nessa hora. Clarie e Lucy foram logo depois, as duas eram legais comigo, mas sempre me excluíam das conversas e coisas assim... não que eu quisesse saber sobre o que elas falavam, às vezes os assuntos bestas delas me irritavam. Logo depois e entraram, eu ainda estava para trás, maldito cadarço de tênis. Com muito esforço eu consegui amarrar meu cadarço e me levantar, mas quando eu fui passar o segurança me parou com a mão. Ok, , fica calma.
- Err... com licença.
- A senhorita não pode entrar aqui - ele disse grosso olhando pra mim com desdém. Esse não era meu dia, eu sei, devia ter colocado minha calça preta, ela sempre me dava mais sorte do que a saia que eu estava usando.
- Ham? Como assim eu não posso entrar? Se você não viu, há uns trinta segundos atrás eu estava com os meninos da banda parada aqui em frente, tirando que o Tom é meu irmão.
- Se retire por favor, antes que eu te ponha pra fora - por favor? Não sei nem por que ele ainda fingia ser educado comigo, o tom de sua voz me dizia outra coisa. Eu me virei de costas para ele e peguei meu celular, me afastando um pouco. Por que eu ainda estava tentando ligar para Tom? Eu sabia que a essas horas seu celular estava em um volume muito baixo e ele não ia atender ninguém, eu mesma o vi abaixar o volume.
- ? Você não vai entrar? - escutei uma voz me chamando. , sempre , por que ele tinha que ser tão perfeito e sempre me tirar das piores situações?
- Eu até entraria, mas ele disse que eu não posso - eu me virei de frente pra ele e apontei para o segurança. Eu sabia que estava sendo muito má. o olhou com os olhos cerrados, mas o que eu podia fazer? Eu também tinha sentimentos e ser barrada daquele jeito não fora legal.
- Vamos - olhou para mim e sorriu. Ele tinha falado alguma coisa bem baixo para o segurança, mas eu não pude escutar.
- Por que você voltou? - eu perguntei quando já estávamos no corredor.
- Ah sei lá, eu não te vi atrás da gente daí eu decidi voltar pra ver o que tinha acontecido - ele falou e depois ficou em silêncio. Caminhamos alguns minutos em silêncio, um silêncio que depois de um tempo começou a me incomodar, criando uma certa tenção entre nós.
- Como você sabe exatamente aonde vamos? Eu já vi tantas portas e corredores que se você me deixasse aqui eu iria demorar uns três dias pra sair - eu decidi quebrar o silêncio com qualquer assunto besta. Fazia tanto tempo que não nos víamos, tantas coisas que eu queria dizer pra ele mas simplesmente não podia. Parecia que uma parede havia se criado entre nós desde nosso último encontro e isso de certa forma me deixava feliz, será que para ele também tinha significado alguma coisa?
Flashback
Eu saí do box onde estava e levei um susto com na minha frente.
- Eu vi um garoto sair daqui de dentro, daí eu vim ver se estava tudo bem - ele disse meio envergonhado quando viu a minha cara.
- Ahh relaxa, eu acho que esse é o único banheiro que funciona daqui, eu vi uma mulher me falando isso quando eu entrei.
- Banheiro misto? Só em Amsterdã pra ter algo assim - ele deu um trago no cigarro em sua mão.
- A idéia de vir pra cá não foi minha - eu me aproximei dele que estava parado encostado na parede. - , eu não entendi uma coisa que você disse quando a gente ainda tava lá fora.
- O quê? - ele perguntou sem interesse, eu pude ver que ele já havia bebido um pouco. Não que eu estivesse sã, mas meu irmão não me dava espaço para ficar bêbada.
- Você disse que aqui em Amsterdã todos estamos solteiros. Err... você não tá mais namorando? - eu me aproximei mais um pouco dele, que estava com o olhar fixado em algum ponto do banheiro.
- Sei lá, a gente deu um tempo, se bem que pra mim não tem essa, ou você tá ou não tá - ele finalmente olhou pra mim, dando mais um trago em seu cigarro, levantando a garrafa de corona que estava em sua mão e bebendo um bom gole.
- Hum... - foi só o que eu consegui dizer. Não sei se era o cheiro do cigarro dele ou o simples fato de ele estar ali comigo, mas eu estava começando a ficar entorpecida, eu não conseguia prestar atenção em mais nada ao meu redor.
- Mas você sabe como é, o que acontece em Amsterdã, fica em Amsterdã - ele levantou as sobrancelhas.
- É Las Vegas - eu nem prestei atenção no que disse.
- Vegas o quê?
- A frase é: o que acontece em Vegas fica em Vegas - disse automaticamente. Eu diminuí ainda mais o espaço que não existia entre nós - eu acho que eu tô meio tonta - coloquei meus braços em volta de seu pescoço.
- Você é tão fraca assim?
- Não, é você que me deixa assim - torci pra que ele tivesse visto o sarcasmo que não existia na minha voz.
- Eu sei - ele deu um sorriso debochado e colocou a sua mão na minha cintura, assim eu podia me apoiar nele completamente, mas tinha certeza de que se ele me soltasse eu iria cair com tudo no chão.
- O seu cigarro é um pouco suspeito sabe - eu disse quando ele deu mais uma tragada no cigarro.
- Hey, nem pensa em nada viu , isso aqui sempre foi e sempre vai ser só cigarro, drogas não são legais - eu pude ver o tom irritado em sua voz e me arrependi de ter falado isso, eu também pude sentir ele se afastando um pouco de mim.
- Eu me pergunto onde está meu irmão, que ainda não apareceu aqui me procurando - eu descansei minha cabeça em seu peito, agora eu achava que com certeza aqueles goles de scarloff tinham feito algum efeito em mim.
- Ele disse que ia comprar cerveja não? A fila é grande - ele disse indiferente. Eu pude sentir sua respiração em minha nuca. Ele respirava irregularmente eu podia sentir, alguma coisa me dizia que ele estava meio nervoso, mesmo querendo passar toda aquela segurança.
Nós ficamos ali daquele jeito por alguns minutos que eu não pude contar, só em silêncio, um ouvindo a respiração do outro. Em alguma hora que eu não sei qual, eu comecei a mexer em seu cabelo, enquanto ele acariciava de leve minha cintura, apenas interrompendo para dar um trago no cigarro. Eu não queria que aquilo acabasse nunca, só poder senti-lo daquele jeito já era bom pra mim.
- ? - pude ouvir a voz de Tom. No mesmo instante, eu e estávamos mais afastados do que um dia pensamos em estar. Eu me perguntava como ele havia conseguido se movimentar tão rápido, a julgar pelo estado de dormência que estávamos segundos antes.
- Oi Tom - cambaleando, eu me apoiei na pia ao meu lado, sabia que se me soltasse eu podia cair. Eu me olhei no espelho molhando minhas mãos e passando no meu cabelo de leve, para dar um jeito no volume que havia se formado durante a noite.
- O que vocês estavam fazendo aqui sozinhos?
End Flashback
- Não é o primeiro show que fazemos aqui - ele deu um sorriso pelo canto dos lábios. Às vezes ele tinha um jeito muito galinha que me irritava, como se soubesse que pode conseguir qualquer mulher que quisesse. Às vezes parecia que ele sabia do efeito que causava em mim e usava isso a seu favor. Eu não era completamente apaixonada por ele, era só uma coisa que acontecia quando estávamos juntos.
Some things are better left unsaid
Eu quase havia me esquecido como era engraçado e legal ficar com eles. Estávamos todos no camarim deles, Tom e estavam passando maquiagem em enquanto ficava olhando apenas de longe - talvez ele estivesse meio receoso de que a brincadeira sobrasse pra ele. Meu telefone tocou fazendo um grande barulho no camarim, e com que todos olhassem pra mim. O toque nem estava tão alto, mas foi a música conhecida que os fez olhar.
- Oi - eu atendi fazendo Meet You There parar de tocar. Eu já sabia que era me ligando por causa do toque, essa música do Busted significava muito para mim e pra ela. Busted; era tão estranha a minha relação com a banda, mesmo conhecendo eles eu sempre fui uma fã assumida, e toda vez que eu encontrava com James eu dava um jeito de falar para o Busted voltar. Como se estivesse na mão dele, mas eu sei que ele gostava de mim sempre falando bem dele. Afinal, sempre é bom ter pessoas que gostam do nosso trabalho.
- Eu já tô aqui , quando você vem me encontrar? - me respondeu gritando um pouco, com certeza ela já estava dentro da arena. Ela era a minha única amiga, às vezes era difícil pra mim fazer amizades por ser irmã do Tom. Era difícil achar no meio de tantas pessoas sempre te bajulando para conseguir alguma coisa alguém que realmente seja verdadeiro.
- Acho que quando o Tom e o terminarem de maquiar o - eu respondi olhando para os três.
- Ham? - ela gritou no outro lado da linha.
- Esquece, olha me espera na entrada do camarote que eu vou te encontrar aí daqui a uns dez minutos - eu falei um pouco alto pra ver se ela escutava dessa vez.
- Eu não entendi nada do que você disse mas ta bom.
- ME ESPERA NA ENTRADA DO CAMAROTE - eu realmente gritei dessa vez.
- Ahh entedi, ok tô te esperando - ela desligou o telefone. Quando eu olhei a minha volta todos estavam olhando pra mim.
- Minha amiga, eu marquei de encontrar com ela no camarote.
- Por que você não a trouxe aqui? - me perguntou.
- Ah sei lá, ia dar mais trabalho. De qualquer forma ela ta lá no camarote me esperando, ela veio mais por minha causa sabe - eu falei meio encabulada, talvez eles pensassem que ela era uma grande fã deles, mas na verdade só curtia algumas músicas, se eu não a tivesse obrigado a ir, ela não iria.
***
- Ahh mas você viu, o Tom piscou pra mim, ele olhou pra cá acenou e depois piscou pra mim - uma garota loira dizia ao meu lado. Eu apenas olhei para e sorri balançando a cabeça.
- Aham, ele também pediu meu número no meio daquela música, Easy Way Out - disse sarcástica para a garota loira.
- Eles não tocaram Easy Way Out - a mesma menina loira disse olhando com uma cara estranha.
- E nem o Tom piscou pra você - ela sorriu triunfante.
- E pra quem foi? Pra você? - a menina disse desdenhosa.
- Não, foi para a ir...
- cala a boca - eu me aproximei dela e sussurrei no ouvido dela -, vamos logo para o backstage encontrar os meninos - eu disse mais baixo ainda.
- Foi pra quem? - a menina ainda perguntou antes de eu puxar para uma saída pela lateral. sorriu cínica para a menina enquanto eu tentava passar despercebida.
- Hey , mas eles não tocaram Easy Way Out? - me perguntou já nos corredores em direção ao camarim. Tom tinha mandado me levarem para o camarim dele depois do show, mas eu tinha sido um pouco mais esperta dessa vez e tinha pegado crachás com passe livre para todos os lugares com ele. Na verdade eu tinha pegado o crachá dele próprio. Um cara de trinta e poucos anos nos guiava aborrecido como se ele tivesse coisas melhores para fazer do que guiar duas adolescentes pela arena.
- Não , eles não tocaram Easy Way Out - eu revirei os olhos - eu nem sei se eles tocam essa música, ela é um b-side, sei lá - disse sem interesse.
- Ah poxa, eu gosto dessa música - ela disse pensativa.
- To vendo...
- Hey peraí... - ela parou de andar de repente - o que eu to fazendo indo para o camarim do Mcfly? Não mesmo.
- Ah , vamos vai - eu puxei sua mão, o cara que nos guiava olhava ainda mais aborrecido para nós duas, consultando o relógio a cada segundo. - Eu te dou carona pra casa, e te dou uma caixa de chocolate - eu supliquei.
- Ok, mas eu quero a minha caixa de chocolate viu?
Nós andamos mais alguns segundos antes de pararmos em frente ao camarim onde eu tinha estado mais cedo, o assessor de alguma coisa nos olhou e apontou para a porta indo embora logo depois.
- Oi meninos posso entrar? - eu abri a porta e vi os quatro sem camisa esparramados pelos sofás. O Fletch também estava lá, com mais dois caras que eu não conhecia.
- Você demorou, a gente combinou de você vir pra cá assim que o show acabasse - Tom se levantou e foi até a porta a abrindo.
- Você tinha que ver a zona que estava no camarote assim que o show acabou, era impossível sair - eu entrei no camarim, puxando pela mão. Tinha certeza que se não o fizesse ela ficaria do lado de fora - Oi Fletch.
- Srta. Fletcher, é um prazer revê-la - Fletch sorriu e piscou para mim - vocês têm cinco minutos - ele olhou para os meninos, continuando algo que estava falando anteriormente - Tom se você quiser eu mando um carro levar sua irmã em casa - ele olhou para Tom que olhava para mim e pra nos analisando.
- Err... - ele hesitou - não Fletch não precisa. Eu vou cuidar dessa baixinha por hoje - ele colocou a mão na minha cabeça a balançando.
- Baixinha... da onde você tirou que eu sou baixinha? - eu dei língua para Tom assim que Fletch e os dois caras que estavam com ele saíram - e a propósito, essa é a - eu apontei para .
- - ela corrigiu e sorriu timidamente.
- Oi - a mandou um tchau no ar enquanto tentava dizer alguma coisa, mas tinha a boca cheia de salgadinhos.
- Prazer - se levantou rapidamente e pegou sua mão a beijando.
- Tem algum problema de você sair com a gente depois daqui, ? - Tom perguntou aparentemente procurando alguma coisa atrás do sofá em que estava sentado - onde você colocou minha camisa ?
- Não, não tem não - ela sorriu e me olhou com os olhos cerrados, eu tinha impressão que eu ia gastar uma grande quantia de dinheiro com chocolate aquela semana.
- Vocês têm cinco minutos pra quê? - eu perguntei desinteressada sentando-me ao lado de .
- A gente vai encontrar com umas fãs na saída. Mas é coisa rápida a gente só vai tirar umas fotos e talz - Tom continuava procurando sua camisa por todo o camarim.
- Heey, esses salgados são meus - puxou a bandeja em que havia vários salgados.
- Mas eu quero um, oras - eu me joguei em cima dele tentando pegar algum salgadinho.
- Mas eu não vou te dar - ele se afastou mais ainda.
- Ahh , me dá só um, vai - eu me sentei novamente emburrada.
- Ta... mas só um - ele colocou a bandeja na minha frente e eu enchi minha mão com salgadinhos. - Também não me pede mais nada - ele disse voltando a comer enquanto eu mandava língua pra ele.
- Porra , cadê minha camisa? - Tom se estressou e sorriu satisfeito se levantando. Ele estava sentado em cima da camisa de Tom, pegou-a e passou para o mesmo - ah que merda é essa - Tom fez cara de nojo. Eu olhei para que ainda estava parada próxima a porta do camarim olhando curiosa para a cena.
- Cadê as meninas? - perguntei olhando pra .
- Acho que elas já foram antes do show acabar - ele respondeu automaticamente pegando sua camisa e colocando.
- Ué, mas por quê?
- Porque elas são bestas - pegou sua camisa que estava presa em sua bermuda e a colocou - vamos , chega de comer - ele pegou a bandeja de sob protestos do mesmo. Logo depois, este também se levantou enquanto colocava sua camisa.
- Por que você não vai sem? Acho que elas iriam adorar - disse para levantando uma das sobrancelhas.
- Será? - ele sorriu pelo canto dos lábios.
- , não liga para o que ela fala, coloca a camisa logo - eu puxei pelo braço.
Nós fomos andando pelo corredor e Tom ia na frente, falando algo baixinho com homem careca e de fone no ouvido. pegou a minha mão para se certificar que eu não ficaria para trás. Instantaneamente eu comecei a torcer para que ela não suasse, ela sempre suava quando alguém a pegava. Eu peguei a mão de que vinha logo atrás de mim para também não ter perigo de ela ficar para trás. e vinham logo atrás dela rindo descontraídos de alguma coisa.
Entramos em uma sala ampla e muito iluminada e eu soltei a mão de instantaneamente para cobrir meu rosto da quantidade de flashes que veio na minha cara. continuava segurando a minha mão esquerda fortemente, então nem se eu quisesse, e eu não queria, eu poderia solta-lá. Eu olhei ao meu redor e vi uma dúzia de garotas sorridentes com câmera na mão. Inclusive a tal loira com quem quase tinha discutido no camarote estava lá. No momento em que nos viu, ela lançou um olhar mortal para que estava entre e .
- Não sai daqui - sussurrou em meu ouvido finalmente soltando me mão, rapidamente eu puxei para um sofá que havia perto de nós.
Ficamos lá no mínimo uns dez minutos, mas era legal ver aquelas meninas tirando fotos com eles, algumas nervosas quase não conseguindo falar direito. E o melhor era ver o sorriso no rosto dos meninos orgulhosos de si mesmo.
Após muitos pedidos de só mais uma foto, só mais um autógrafo... Nós conseguimos sair de lá e nos dirigimos até o estacionamento. Por um segundo eu pensei que as fãs tinham invadido o local e seria um caos para conseguirmos sair, mas quando chegamos lá, era apenas os carregadores transportando os instrumentos e coisas assim.
- Então vamos fazer assim, vocês duas vão comigo no carro - Tom apontou para mim e - vocês dois vão querer pegar as meninas no hotel? - ele olhou para e .
- Não, nem pensar elas que quiseram ir embora, eu é que não vou buscar ninguém - disse carrancudo - eu acho que da para nós quatro irmos no carro.
- É, só se o for no teu colo - Tom respondeu sarcástico se aproximando do carro do meu pai - vamos logo - ele olhou tentando não rir para e que estavam parados um pouco longe de nós.
***
Quando Tom pegou o carro do meu pai com o propósito de dar uma volta com os meninos depois do show, eu sabia exatamente onde ele queria ir. Nós paramos em frente a um pub que Tom adorava, antes de ele fazer parte do McFly e se mudar para Londres, ele ia quase todo final de semana lá.
- Como eu tava com saudade daqui - Tom saiu do carro sorridente, com o olhar perdido.
- Ai Tomzinho, você quer um lenço? - fingia procurar o lenço nos bolsos. Tom apenas mandou o dedo do meio para ele se dirigindo para a entrada do pub. Eu me aproximei dele pulando em suas costas.
- Ah maninho, eu lembro que quando você sumia era só vir aqui que a gente te encontrava - eu dei um beijo em seu rosto enquanto ele me carregava de macaquinho - mamãe e papai ficavam putos, porque você não tinha nem dezoito anos e já estava aprontando - eu disse rindo saído das costas dele indo para perto de , que conversava com .
- O tava me contando de quando vocês foram para Amsterdã nas últimas férias - ela me disse quando eu me aproximei dos dois.
- Ah, foi divertida a viagem - eu tentei sorrir.
- Pois é, ele tava me contando de um banheiro misto que tinha lá em uma boate - ela disse animada. Eu pude sentir minhas mãos começando a suar e tentei a todo custo não olhar para .
- Ah é, foi - eu passei a mão em meu cabelo tentando parecer natural - foi bem... Diferente - eu ousei olhar para , ele estava sorrindo pelo canto dos lábios com o olhar meio perdido.
- Err... acho melhor a gente entrar, o Tom... - ele apontou para Tom que nos olhava impacientemente.
foi na frente enquanto eu me ocupava de tentar bater em sem ninguém perceber. Quando entramos no pub ela correu de mim se sentando antes que eu a alcançasse, enquanto eu me aproximava de onde eles estavam tive uma surpresa desagradável. Travis, meu ex-namorado, estava sentado na mesa ao lado da qual Tom sentou com os outros. Quando me viu, ele sorriu pelo canto dos lábios e se levantou vindo na minha direção.
- - ele me chamou pelo apelido. Eu fingi que não o vi e andei na direção oposta a dele. Já era ruim eu ter que vê-lo todos os dias no colégio, eu não queria aturá-lo por mais tempo. Ele segurou meu braço antes que eu pudesse me afastar.
- Dá pra você soltar meu braço, Travis? - eu disse rispidamente, mas tentando não chamar a atenção. Quatro caras se levantaram instantaneamente e vieram em nossa direção. Eu pude ver olhando incrédula de Travis para mim levantando logo depois.
- Só se você falar comigo.
- Eu não tenho nada pra falar com você - falei entre os dentes, mas ele me puxou para mais perto.
- Por favor, a gente precisa conversar, eu não queria que as coisas tivessem acontecido daquele jeito - ele falou no meu ouvido. Eu não entendia por que ele ainda tentava depois de tanto tempo.
- Solta ela - Tom disse sério.
- Ham? - Travis se virou deparando com Tom, , e , todos sérios olhando para ele. Dois caras que estavam sentados na mesa em que Travis estava se levantaram e se aproximaram de nós.
- Eu não quero brigas no meu bar - um senhor de bigode falou por trás do balcão.
- A conversa é entre eu e ela, você não tem nada a ver com isso, dá licença - ele deu as costas para Tom voltando a ficar de frente pra mim. Tom o puxou pela camisa e veio parar do meu lado me soltando de Travis e me levando para fora do bar.
- O Tom... - eu falei ofegante já fora do pub.
- Relaxa, ele não vai brigar com aquele idiota, só vai mandar ele sumir e nunca mais chegar perto de você. Você acha que se fosse ter briga eu estaria aqui fora? - levantou as sobrancelhas.
- Uma vez você me disse que não gostava de brigas.
- Eu não gosto, mas tenho um bom gancho de esquerda - ele gabou-se me fazendo rir enquanto Travis e seus dois amigos saíam do pub e passavam por nós mais rápido do que eu pude processar, entrando no carro de Travis e indo embora.
- Hey, você tá bem? - Tom se aproximou de mim com , e .
- Uhum - eu murmurei olhando para o outro lado.
- Você conhecia aquele cara.
- É... ele estuda comigo - disse timidamente - eu... a gente saía.
- Eu não te coloquei naquela escola pra você sair com os caras riquinhos - Tom disse rispidamente entrando no pub logo depois enquanto eu o olhava incrédula.
- Eu... eu já to bem gente, será que vocês podiam me deixar sozinha um pouco? - eu disse sem olhar para ninguém em especial.
- ... - tentou mas eu apenas levantei a mão pedindo espaço. Aos poucos e entraram de novo no pub, seguidos de .
- , eu pedi...
- Eu não to aqui por causa de você - ele sentou-se em um dos canteiros que ficava embaixo das janelas do bar tirando alguma coisa do bolso - é proibido fumar lá dentro sabe - ele disse acendendo um cigarro. De onde estava eu podia ver Tom pela janela, então me virei sentando na mureta dos canteiros também, mas um pouco afastada de .
- Não foi nada legal sabe, o que o Tom disse.
- Relaxa, eu supero.
- Na verdade foi horripilante - ele completou pausadamente, dando um trago no cigarro. - Por um segundo eu tive vontade de dar um soco nele - ele falou e parou mais uma vez, pensativo - ele te insultou de duas formas sabe; primeiro ele disse que você não estuda, porque ele paga seu colégio e você só quer saber de namorar, depois ele disse que você só saiu com aquele cara porque ele é rico.
- pára. Ficar falando disso não ajuda - eu disse enquanto uma lágrima escorria pelo meu rosto.
- Desculpa eu... - se aproximou de mim com uma cara culpada. Passou sua mão pela minha bochecha limpando a lágrima e a acariciando por alguns segundos.
- Eu... não to assim por causa do Tom. É... por causa dele.
- Ele... te fez algum mal? - perguntou receoso entendendo que eu estava falando de Travis.
- Não necessariamente desse tipo. Ele me traiu numa festa na frente do colégio inteiro. Ele é tipo o garoto mais popular do colégio. Daí teve uma festa que eu não quis ir porque eu não gostava do povo com quem ele andava e ele ficou puto comigo, bebeu demais e... - fiquei em silêncio por algum tempo. Senti passando um de seus braços pelo meu ombro e eu descansei minha cabeça nele - Pelo menos eu ainda sou conhecida como a irmã do Tom Fletcher do McFly e não a garota que levou chifre do Travis Stonem.
- Que merda - resmungou dando mais um trago em seu cigarro.
- O quê?
- A gente devia ter batido nele - ele concluiu pensativo - quando o Tom souber, ele...
- Não , você não é nem louco de contar. Eu juro que... - eu o olhei meio alarmada.
- Tá, calma, eu não conto. É só que...
- isso é Secondary School. Todos temos que passar por ela. Se bem que vocês a pularam, não? Sortudos...
- Entra em uma banda também pô. Eu só estava tentando achar um motivo pra largar a escola, e o mais fácil foi entrar em uma banda.
- É... eu to imaginando você com um livro de "Cem maneiras para você largar a escola" - eu disse pensativa enquanto ria do meu lado - de qualquer forma esse é meu último ano. Alguém da minha família tem que ter futuro sabe. Já que com o Tom não deu certo...
- , adoro você - disse do nada olhando pra mim e me analisando.
- Adoro você também - falei divertida me levantando e o abraçando demoradamente - só você pra me fazer rir - disse em seu ouvido. Eu escutei alguém se aproximando de nós, mas mesmo assim não soltei . Dane-se quem era.
- Tom - falou, e eu senti sua mão soltar minha cintura de leve, era a deixa para eu me afastar.
- Hey - Tom disse timidamente, eu me virei para ele ainda sem soltar e ele percebendo isso também não me soltou. Tom estava com duas garrafas de cerveja na mão, olhou de mim para por um instante e percebeu que não ia sair - err... desculpa pelo... pelo que eu falei agorinha, eu fui um babaca.
- Tudo bem Tom, sem ressentimentos, afinal hoje é uma noite feliz não? - eu sorri para ele que sorriu de volta.
- Eu trouxe pra você - ele estendeu uma garrafa de cerveja na minha direção, mas a pegou me soltando finalmente.
- Hey , ele trouxe pra mim - eu reclamei.
- Não, foi pra mim - disse rindo.
- É , foi pra ele - Tom me olhou estranhamente.
- Eu nem gosto de cerveja mesmo - dei com os ombros.
- É que a gente ta em um pub aberto e... alguém pode ver... imagina se o papai soubesse que você bebeu quando saiu comigo e...
- Ai Tom tá bom, será que eu pelo ao menos posso beber uma coca, ou é contra lei também?
- Na verdade é... A sua gastrite - Tom me olhou receoso.
- Ok - falei conformada - me manda logo para uma fábrica pra trabalhar dezesseis horas por dia e viver a pão com a água. Voltamos a época da industrialização. Até um refrigerante negam para a criança.... - eu entrei no pub resmungando enquanto e Tom me seguiam rindo pelo canto da boca.
I think the whole world's addicted to the drama.
Eu acordei na segunda-feira com grandes olheiras em meus olhos, na madrugada anterior tinha ido com meus pais levar Tom e o resto dos meninos no aeroporto. Parece que o fato de serem ricos e famosos não influenciava no fato de que ainda tinham que viajar de madrugada. Peguei o ônibus para o colégio, provavelmente eu era a única aluna que ia de ônibus, graças à alta classe social de meus colegas que iam de motorista ou com seus pais sem horário para chegarem ao trabalho. O colégio ficava um pouco afastado da cidade, por isso eu ainda tinha que andar algumas quadras depois de descer do ônibus, mas eu não me importava. Tom realmente cogitou a hipótese de contratar um motorista para me levar, sinal de que as coisas estavam boas para ele. De qualquer forma, eu sempre voltava de carona com , então não era problema andar algumas quadras pela manhã. Tirei meus óculos Coco Channel de dentro da minha bolsa os colocando na esperança de esconder minhas olheiras e ajeitei meus livros em baixo do braço. A medida em que entrava pelo terreno do colégio, várias cabeças se viraram pra mim. Eu já havia passado por isso algumas vezes, logo que me mudei para lá e também quando Travis me traiu. Mas eu me perguntava qual era o motivo dessa vez, será que eu estava tão horripilante assim?
- Eu tenho certeza que você ainda não sabe o motivo desses olhares - eu quase pulei de susto quando falou atrás de mim.
- Bom dia pra você também .
- Toma - ela me deu um embrulho que eu coloquei na mochila. Meu café da manhã. Eu o comeria escondido na minha primeira aula. Como eu saía um pouco cedo de casa eu quase nunca comia direito, e a mãe dela adorava fazer sanduíches naturais para a filha comer, eu me enchia deles. os odiava, mas eu sinceramente gostava, principalmente pelo fato de eu estar com fome aquele horário e minha mãe ser uma péssima cozinheira - eu preferia mil vezes os sanduíches naturais da Sra. .
- Então qual é o babado? O Tom me citou em alguma entrevista dizendo que eu estudava aqui e que ele me adora? Ou então saiu uma foto nossa de família na internet?
- Na verdade o negócio não foi com o Tom dessa vez - ela tirou uma revista de dentro da sua bolsa da Gucci. Eu olhei rapidamente a capa respirando aliviada pelo fato de eu não estar nela, talvez nos meus piores pesadelos isso aconteceria. Mas não havia motivos para isso, Tom não era famoso ao ponto de receber uma capa, pelo ao menos eu me apegava a essa idéia. Olhei para com cara de dúvida já que não havia entendido o que tinha na revista que explicava o comportamento de meus colegas. Então ela esfregou a revista na minha cara e só então eu pude ver um quadradinho no canto inferior da revista onde eu reconheci abraçando carinhosamente uma menina com botas Steven Madden que pareciam muito ser as que Tom me deu no natal passado. Fiquei sem respirar por uns segundos absorvendo a informação. A chamada dizia ' Jones e sua nova namorada Fletcher trocam carinhos em um pub de Harrow, o que seu amigo de banda acha dessa união?' Olhei horrorizada para a nossa foto em frente ao pub que fomos no sábado.
- Agüenta aí que piora - falou sarcasticamente abrindo a revista em uma página que ela havia marcado e me mostrando. Sim, ficava muito pior, havia duas páginas dedicada a nós dois, onde tinha muitas fotos nossas de vários ângulos do fatídico dia. e eu sentados lado a lado conversando, ele acariciando minha bochecha, nós dois abraçados e a pior de todas, uma em que realmente parecia que estávamos nos beijando, nossas cabeças estavam bem próximas e se eu não soubesse que nessa hora eu estava sussurrando algo em seu ouvido ficaria em dúvida sobre o que aconteceu. Não tive coragem de ler o que estava escrito nas duas páginas, me virei indo em direção aos portões do colégio.
- Aonde você vai? - me seguiu assim que eu comecei a andar em direção a saída.
- Sumir pra bem longe. Provavelmente meu pai vai me colocar de castigo depois disso - eu apontei para a revista - então eu quero ter feito no mínimo alguma coisa de errado pra isso - falei andando rápido com ela em meus calcanhares.
- Você vai matar aula?
- É, não vou agüentar esse povo todo me olhando durante a aula inteira. Na próxima vez que eu ver o Tom e ele não estiver mais com tanta raiva de mim eu tenho que me lembrar de xingar ele por ter ficado famoso e arruinado minha vida.
- Nossa que menina dramáticaaa - revirou os olhos quando meu celular tocou, olhei no visor e vi que era Tom. Desliguei e continuei caminhando - você pode ao menos andar mais devagar para eu poder te acompanhar?
- Não. Você não vai comigo de qualquer forma.
- Claro que vou. Você acha que eu vou te deixar matar aula sozinha?
- É, com certeza, por que você não liga para o seu motorista vir aqui pra levar a gente pra um lugar bem longe? - falei sarcástica.
- A gente pode pegar ônibus.
- Você nunca andou de ônibus .
- Ah, sempre tem uma primeira vez.
- Sua mãe te mataria e ainda por cima me mataria.
- Ela não precisa saber, e de qualquer forma, você não vive dizendo que ônibus não é um bicho de sete cabeças e blábláblá? Quando eu estiver na faculdade eu não vou ter motorista que me leve para todos os lugares.
- É... porque você vai ter um carro pra ir a todos os lugares.
No final foi comigo, é claro, ninguém tirava nada de sua cabeça. Fomos a um shopping que não ficava muito distante dali, de ônibus, obviamente, e comemos no Burger King, onde recebi mas uma dúzia de olhares. Qual é, o nem era tão famoso assim, ou era? Estávamos pagando a conta, ou melhor, estava pagando a conta quando um homem grandalhão com um terno preto parou atrás de nós e só revirou os olhos.
- Merda - ela o olhou emburrada - você fica de plantão no colégio e seguiu a gente foi?
- O seu celular tem um GPS onde eu posso encontrar você onde for. Ligaram na sua casa dizendo que você não apareceu na escola, então eu te achei.
- Ah, esqueci disso - ela pareceu desapontada.
- Vou levá-la de volta para a escola. As duas - ele me olhou.
- Eu não volto lá nem que me paguem.
É claro que eu voltei, George, o motorista da , tem dois metros de altura e uma boa quantidade de músculos. É claro que ele não iria me arrastar a força para o colégio, mas ele era bem intimidador. Acho que ele sentia como se também fosse pago para me proteger, e eu sempre estávamos juntas e coisas assim.
Quando chegamos na escola eu nem precisei me preocupar com o dia difícil que viria a seguir, minha mãe estava lá, parecia um pouco chateada por eu ter matado aula. Em colégios normais esse não seria um motivo para chamar os pais na escola, mas eu não estudava em um colégio normal. Eles se preocupavam muito se uns dos seus alunos sumissem, porque tinham uma grande chance de ele ter sido seqüestrado ou coisas assim. Minha mãe e a mãe de estavam nos esperando na diretoria. A mãe de parecia bem mais zangada, mas me garantiu que não era porque nós tinham matado aula, era porque tinham ligado pra ela no meio de uma seção de acupuntura. Nós duas levamos uma advertência e disseram que não podíamos ficar naquele dia, como punição.
Minha mãe quase não falou no caminho de casa, parecia bem chateada por eu ter matado aula, dizia coisas como que eu estudava em um bom colégio, mas não dava valor, que ela não teve uma chance assim, blábláblá.
Quando chegamos em casa ela disse que Tom tinha ligado e pedido para eu retornar. Ela saiu de volta para o trabalho antes que eu pudesse responder qualquer coisa. Minha mãe não tinha me colocado de castigo nem nada assim, mas ela me levou em casa por segurança. Sentei no sofá e peguei o telefone que estava embaixo de uma almofada, quanto mais cedo enfrentasse Tom melhor as coisas ficariam pra mim. Do jeito que conhecia meu irmão era capaz de ele voltar para Harrow só para brigar comigo.
- Alô - após alguns segundos, Tom atendeu.
- Err... Oi Tom - disse receosa.
- Laaah, nossa finalmente.
- Hey, era pra eu estar na escola esse horário, como você queria que eu ligasse?
- Era pra você estar?
- Ahh, é... Aconteceu uns imprevistos - bati em minha testa pela burrice, Tom não sabia que eu tinha matado aula, agora viria a bronca.
- De qualquer forma mana, eu queria pedir desculpas pra você - ele pareceu culpado. Não entendei, achei que ele iria perguntar que imprevistos foram para eu estar em casa às onze da manhã.
- Pelo quê? - perguntei receosa.
- Pela revista oras. Desculpa mesmo mana, eu não quis te expor desse jeito, eu sei como tem sido difícil desde o começo pra você. Eu realmente não queria ter tirado a sua privacidade, você sabe...
- Peraí Tom, você tá pedindo desculpas por ter saído em uma revista que eu sou a namorada do , ainda por cima com uma foto minha abraçando ele?
- É... Eu sei que não foi sua culpa, e se a gente for pensar você só tava lá fora porque eu tinha sido um idiota com você.
- Hum... Então ta, eu acho.
- O também tá se sentindo culpado. Mas ele não vai pedir desculpas, ele disse que você é a namorada mais bonita que já arranjaram pra ele - ele falou divertido, eu sabia que era para levantar meu astral, Tom nunca me falaria uma coisa dessas.
- Tom, de verdade, ta tudo bem. Ninguém nem comentou nada no colégio sobre isso sabe, e eu quero que você prometa que não vai deixar de sair comigo por causa disso.
- Ok eu prometo.
- Agora, o problema vai ser o papai.
- Relaxa eu já falei com ele.
- Já?
- Já. Agora eu tenho que desligar mana, a gente se fala em breve. Beijo.
E ele desligou, me deixando com cara de taxo com o telefone na mão. Quem era aquele e o que ele tinha feito com meu irmão? Tom devia estar se sentindo muito culpado por causa das fotos ou então... Peguei minha mochila, sabia que em algum momento tinha guardado a revista que me deu, tirei o sanduíche natural intocado achando a revista logo depois. Abri na página marcada e comecei a ler. Parei no segundo parágrafo. Eles simplesmente acabavam comigo na matéria, diziam que eu não tinha um padrão de beleza digno de um astro do rock, e que devia ficar comigo por eu ter alguma paixonite desde pequena pelo amigo do meu irmão. Ainda diziam que ele estava me pegando pra criar e daí pra pior. Entendi completamente o comportamento de Tom. Joguei a revista de lado e me contentei em comer o sanduíche que tinha me dado. Padrão de beleza, quem ligava para padrão de beleza?
Mas quando toca o telefone será você? O que estiver fazendo eu paro de fazer.
Tinha se passado uma semana desde que aquelas malditas fotos saíram, e eu estava tentando fazer minha vida voltar ao normal, mas era difícil. O fato de eu estudar em um colégio particular cheio de riquinhos britânicos não ajudava. Eu já não era a garota mais adorada e popular; na verdade, eu fazia o possível para passar despercebida. Só que depois que o boato de que eu era a nova namorada de do McFly saiu, minha vida estava no mínimo curiosa. Eu já era acostumada com garotas que nunca falaram comigo chegar se apresentando do nada só pelo fato de eu ser irmã de Tom, mas agora que eu supostamente era a namorada de , o número de pessoas que faziam isso simplesmente dobrou. Ah, e também tem aquelas que começaram a me odiar do nada, eu nem sabia que tinha tantos fãs da banda do meu irmão no meu colégio. Picharam meu armário, e, inclusive, me mandaram várias cartas me ameaçando de morte, dizendo que o era muito pra mim ou que eu fazia ele sofrer. Mas eu superaria, eu sempre superava, já tinha passado por coisas assim logo que o McFly começou a fazer sucesso.
Agora eu estava ali tentando me concentrar no que meu professor falava, mas era meio difícil com três garotas do outro lado da sala olhando para mim e dando risadinhas irritantes. Eu estava amaldiçoando até o último fio de cabelo loiro de Tom por ele ter me colocado naquele colégio que exigia tanto dos alunos, qual é, eu não sou uma garota que você pode exigir muito. Ok, aquele colégio tinha seu lado bom, se não fosse ele eu não conheceria , mas eu não tinha ali pra me ajudar em física quântica.
- , seu telefone ta tocando - Jane, uma garota ruiva com grandes olhos azuis que sentava ao meu lado, disse quase num sussurro. Jane sempre fora bem simpática, na medida do possível, eu tinha uma leve intuição que ela era fã da banda do meu irmão, mas era muito tímida pra falar sobre isso comigo. De qualquer forma, eu não ligaria, ela não era do tipo que parecia oportunista.
- Ah obrigada - eu respondi apenas mexendo meus lábios. Eu podia não ser a melhor aluna do mundo, mas eu tentava seguir as regras e não perder meu celular, por isso sempre colocava no silencioso no minuto em que entrava na sala. Ela devia ter visto ele piscando dentro da minha bolsa, que eu apoiava na minha cadeira. - Alô - eu atendi indo para debaixo da mesa, não era a primeira da fila, e sentava em uma carteira na parede, com sorte meu professor não me veria.
- Oi .
- ? - eu disse incrédula, eu nem sabia que ele tinha o número do meu celular.
- Então, a gente vai na premiere? - ele disse tão rápido que eu quase não entendi.
- Premiere?
- É, a premiere de Batman, lembra que a gente tinha combinado de ir junto? - eu vasculhei na minha mente algo parecido com eu ir na premiere de Batman com e, por sorte, lembrei de um dia a pelo menos um ano atrás em que combinávamos de ir juntos na tal premiere, ele disse que arranjaria convites fácil, fácil. Mas, peraí, ele estava bêbado naquele dia, eu não achei que ele realmente tivesse falando sério.
- Err... lembro sim , mas tipo assim... eu to em Harrow, você lembra?
- Claro que eu lembro, inclusive eu to fazendo interurbano sabe - eu revirei os olhos, ele podia ser um pouco menos ele mesmo, às vezes -, mas esse não é o ponto. O negócio é que eu falei com o Tom e ta tudo ok - por um momento eu pensei que ele estivesse falando de outra coisa - ele adorou a idéia de você vir aqui passar o final de semana, você pode vir na sexta, a premiere é no sábado e no domingo a gente ainda chama o povo e dá uma festinha. Diz alguma coisa, ...
- Err... Se você já tem até o roteiro, hum... Por mim tudo bem , vou adorar ver Batman com você... E todo mundo - aquilo estava estranho demais pra ser verdade, mas para que ficar duvidando demais? O melhor era aproveitar.
- Claro, como boa namorada você deve me acompanhar nas premieres da vida - ele deu uma risada gostosa. - Você tinha que ver como a Clarie ficou.
- Ah , desculpa realmente, eu não queria nada assim. Olha, eu mesma vou falar com ela quando eu for aí...
- Err... Eu acho que não, ela vai... Vai estar viajando no final de semana que vem.
- Ah, então ta... Eu acho. Mas eu ainda quero falar com ela, esclarecer tudo e...
- , a gente já falou sobre isso - ele disse com a voz mais séria.
- Ok...
- Senhorita Fletcher, a não ser que você tenha recebido uma ligação da Rainha Elizabeth, eu pediria que você nos desse a honra de desligar seu telefone - eu vi as pernas do meu professor pelo vão da minha mesa.
- você me deve um milk shake pra cada dia que eu passar em Londres, eu vou levar uma advertência por sua causa - eu disse rapidamente antes de desligar meu celular e sair de baixo da minha mesa. Todos me olhavam, alguns com sorriso nos lábios por eu ter sido pega, outros com pena, já sabendo o meu destino.
- Quem era no telefone, Fletcher? A Rainha, ou ? - Tacy Kutcher, uma das garotas que na última semana não desperdiçava uma chance de mencionar , disse quando eu estava chegando na porta da sala sendo guiada por meu professor - ele nem precisou dizer nada, apenas me guiava.
- Sabe, era o sim, pena que eu não posso dizer que ele mandou um beijo pra você - falei sarcástica antes de passar pela porta.
***
- Há! Não acredito que você levou uma advertência por falar ao celular embaixo da mesa - ria da minha cara. Estávamos no meu quarto, ela deitada na minha cama e eu sentada no chão, contando da repentina ligação de .
- O que você queria? Eu tive sorte que eles não chamaram meus pais - eu disse incrédula.
- Não , o problema não é a advertência, e sim a sua esperteza. Só você pra se enfiar debaixo da mesa pra atender o celular.
- O que você queria? Que eu me jogasse pela janela?
- Não né, mas era só inventar uma história para o professor e sair da sala né? Até parece que não sabe mentir.
- , eu não sei mentir - eu a olhei séria. - Ok, eu sei. Mas é que... Era o ! O que você queria que eu fizesse? Eu nunca achei que ele pudesse lembrar de mim fora a irmã mais nova do Tom.
- Ele ter te chamado pra uma premiere não quer dizer que ele pensou em você sem ser irmã do Tom. E tecnicamente, ele até mencionou o Tom dizendo que ele gostou da idéia de você ir pra lá.
- Obrigada pelo apoio.
- To brincando amor - ela me mandou um beijo com a mão. - Agora fala sério. Por que fica te ligando no meio da sua aula?
- Ah eu vou saber - eu fiz bico emburrada, como se essa pergunta não ficasse martelando na minha cabeça. O que queria com essa história de premiere? - Você podia ir comigo né? - olhei pra ela levantando uma das sobrancelhas.
- Eu? Em uma premiere em Londres e ainda por cima com o McFly? - ela disse com desdém.
- Por mim - eu juntei minhas mãos e fiz cara de pidona.
- Não sei não ...
- Olha, meu irmão arranja um convite pra você em dois segundos se eu pedir. E ele vai até gostar por eu não ficar sozinha com ele e com o no apartamento deles.
- Hum... o problema não é dinheiro, baby. Mas se eu for com certeza eu não vou ficar no apartamento do seu irmão. Meus pais vão querer que eu fique na minha tia, mas eu acho que posso passar o dia com vocês - ela disse pensativa.
- Vou ligar para o Tom. É ele quem paga os interurbanos mesmo - eu peguei o telefone no criado mudo ao lado da minha cama. Depois que eu torci meu tornozelo descendo a escada correndo para atender o telefone, minha mãe resolveu colocar um ponto no meu quarto também. - Oi - ele atendeu após alguns toques.
- Fala - ele já estava acostumado comigo ligando para Tom, sempre quando eu não estava fazendo nada eu ligava, era o tempo que eu passava com ele quando ele estava em casa. - Vou chamar o Tom, pera lá. Eu acho que ele ta tentando matar o com uma almofada aqui da sala.
- ? - eu ouvi após alguns segundos.
- Oi maninho... - eu era tão previsível quando queria pedir alguma coisa.
- Err... aconteceu alguma coisa?
- Ah não, não. Ta tudo ok; é que assim, eu queria te pedir um negócio.
- Diga...
- É que eu queria que você me arranjasse outro convite para a premiere, porque eu to querendo levar uma amiga minha pra eu não ficar sozinha no meio de um bando de macho, a , lembra? Ela foi no...
- Hey , peraí que eu não to entendendo nada. Que premiere você ta falando?
- A premiere de Batman oras, agora sábado... - eu olhei confusa para que não estava entendendo nada - o falou que... - eu não estava acreditando que o tinha mentido pra mim. - Tom, passa para o rapidão por favor?
- Ham? , que história é essa de premiere e...
- Só passa para o Tom, depois eu te explico - eu disse tentando permanecer calma, enquanto eu ouvia Tom chamar . - , que merda você fez?
- Ham? - o garoto disse perdido.
- Você disse que tinha falado com o Tom sobre a premiere de sábado, daí agora o Tom diz que não sabe de nada. O que você tem na cabeça, ?
- Heey calma aí - eu sabia que estava sendo histérica, mas eu não gostava de passar por idiota. - Ok eu menti, eu ainda vou falar com o Tom. É que sabe... Eu ainda ia chegar nessa parte. Mas relaxa, ele vai concordar. E eu tinha que falar primeiro com você, vai que você não quisesse vir... - ele dizia calmamente enquanto eu revirava os olhos.
- Hum... ok. Mas agora você ta ferrado porque eu é que não vou explicar nada da premiere para o Tom.
- Relaxa, eu disse que falava com ele não disse?
- Ta. Mas já que eu já to falando com você, err... você podia me fazer um favor graças a essa confusão que você me meteu.
- Pra você eu faço dois favores.
- Ta , falando sério. Você podia arranjar mais um convite da premiere pra uma amiga minha? É que ela é super fã de Batman, sabe como é... - eu tive que me desviar de um travesseiro mandado por .
- Ta bom , pode deixar, isso é fácil. E eu nem vou precisar arranjar. O Tom tem um ingresso sobrando... O que eu tinha é o que eu vou dar pra você.
- Hum... ok então, se vira aí com ele e não esquece de mandar as passagens.
- Você é uma namorada muito exigente, mas fica tranqüila que eu ajeito tudo.
- Agora só mais uma coisa.
- Diga...
- Você ta falando tudo isso com o Tom na sua frente?
- Na verdade não. Eu me tranquei no banheiro assim que eu peguei o telefone. Eu ainda tenho que falar com ele sobre você vir pra cá, e por mais que eu ache que ele vai adorar a idéia, ele não ia gostar de saber que eu disse pra você que ele já tinha concordado.
- , pede pra ele me ligar depois que você já tiver falado com ele ok?
- Ta. Tchau , até sexta.
- Inté - eu desliguei o telefone e suspirei profundamente.
- Hum... love, love, love, love, love, love - cantou no ritmo de Hate do Plain White T's, só porque ela sabia que eu gostava dessa música.
- Não enche, - eu me levantei indo abrir meu guarda roupa. - Acho que vou ter que comprar um vestido, o Tom me mataria se eu fosse com uma roupa qualquer na premiere. Ah, se você quiser a gente pode ir comprar alguma coisa amanhã depois da aula, daí você já compra seu vestido também.
- Ah eu vou? Eu tava achando que nem você ia mais - ela sorriu levantando uma das sobrancelhas antes de eu jogar na cara dela uma jaqueta que tinha acabado de pegar.
I don't care if you don't care
Eu olhava para no banco ao meu lado, ela estava entretida com seu Ipod, ela sempre esquecia que eu existia quando estava com seu Ipod. Mas o melhor era que ela estava no banco da janela. Então lá estava eu, na primeira classe de um avião indo para Londres com , no banco do corredor. Eu acho que a aeromoça percebeu que eu estava entediada e veio perguntar se eu gostaria de ver algum filme, eu respondi que não, então ela perguntou se eu queria comer, eu também respondi que não e quando ela ia me perguntar mais alguma coisa eu disse que estava bem e se precisasse de alguma coisa a chamaria.
Cutuquei e ela me olhou irritada por tirá-la de seus pensamentos. Revirei os olhos e tirei os fones de seus ouvidos.
- Aii, que chata você – ela disse emburrada.
- Dá pra você falar comigo, porque se não eu vou morrer de tanto tédio?
- , se eu não ficar distraída nesse avião eu vou começar a ficar paranóica, você me conhece.
- Ok, tchau – eu coloquei de volta seus fones e virei para o outro lado. Pelo menos estávamos na primeira classe, onde só tinham poltronas duplas. Eu estava pensando seriamente eu pedir alguma coisa bem cara pra comer, mas não sabia se eles iriam me cobrar depois. Estava acostumada somente a ir a Londres de carro com Tom ou então de trem. Nunca de avião na primeira classe, eu estava brincando quando disse a para me mandar as passagens, ele realmente mandou, uma pra mim outra pra . Não que ela não pudesse pagar pela dela. Sua tia estaria esperando por ela no aeroporto, já que devia ser umas dez da noite quando desembarcássemos. Na manhã seguinte ela pegaria um táxi para a casa de Tom.
Meia hora depois estávamos nós duas no saguão do aeroporto, é claro que eu não esperava que Tom fosse me buscar, eu já tinha ido algumas vezes visitá-lo e sabia o caminho para sua casa. Ele me ligou perguntando se eu queria ir na première, ele não parecia tão feliz quanto tinha dito que ele ficaria. Eu fingi pensar por um tempo como se não soubesse da première, depois aceitei. Como esperado, Tom não veio me buscar, a tia de estava a esperando com seu cachorrinho dentro de sua bolsa. me olhou e revirou os olhos, sussurrou um ‘nos vemos amanhã’ e foi embora com sua tia enquanto eu tentava me lembrar qual era a melhor saída para ir até a casa de Tom. Escutei alguns psiu’s vindo de algum lugar atrás de mim, mas decidi ignorar. Os psiu’s continuaram e eu andei mais rápido para a saída mais próxima.
- Nossa, mas que menina difícil – alguém segurou meu braço. Me virei pronta para jogar minha bolsa de viagem em sua car,a quando vejo um sorridente me olhando e um pouco atrás dele com uma expressão divertida. Abracei e logo em seguida.
- Vocês são loucos – eu bati no braço de – vir em um aeroporto assim a luz do dia, ou da noite... ah, vocês me entenderam.
- É mais seguro do que um shopping – considerou.
- Não , você não entendeu, ela disse que temos uma doença contagiosa e que não podemos nos misturar com os outros mortais.
- Muito engraçado – eu revirei os olhos para . Algumas meninas a nossa esquerda estavam nos olhando com curiosidade, acho que estavam decidindo se eram mesmo e do Mcfly ali.
– Isso mesmo – me olhou e depois na direção delas – acho melhor a gente ir.
- Eu carrego sua bolsa – se ofereceu tirando a alça de meus ombros e colocando nos seus.
- O quê? O Tom mandou vocês cuidarem bem de mim, foi? – perguntei enquanto caminhávamos em direção ao carro de .
- Na verdade não. Mas a gente sabe que ele pode estar por aí nos vigiando, nunca se sabe, depois ele bate na gente se tratarmos você mal.
- É... sei. – destravou o carro e colocou minha bolsa no porta-malas enquanto eu sentava no banco de trás. Logo depois deu a chave do carro para e eu não entendi o gesto. sentou no banco do motorista enquanto ia no do carona.
- O quê? Nem pensar. O dirigindo? Mas eu não vou mesmo – tentei abrir a porta ao meu lado, mas já estava trancada. e se acabavam de rir nos bancos da frente enquanto ligava o carro – você quase me matou da última vez, – havia batido o carro da última vez em que eu estive em Londres, o que me rendeu um curativo nada chamativo na testa e aprendi que você sempre deve usar o cinto de segurança, mesmo que você só esteja indo buscar uma pizza a duas quadras de distância. - É serio, e aquele negócio de me tratar bem no caso do Tom estar olhando? Se ele souber que você ta dirigindo comigo de novo ele te mata, isso se nós não morrermos no caminho.
- , nós precisamos estabelecer uma linha de confiança entre vocês, pra você não ficar mais traumatizada quando andar de carro com o – parou de rir e disse se virando pra mim.
- , não adianta, eu vou ser traumatizada para sempre.
- Ok, eu perdi uma aposta e tenho que deixar o dirigir meu carro por duas semanas – falou derrotado.
Ok, dirigiu relativamente bem. Parou quando o sinal ficou vermelho e não atropelou ninguém no caminho, mas eu decididamente ainda não me sentia segura com ele dirigindo.
- Você já sabe dirigir, ? – perguntou me olhando pelo espelho do carro.
- Não, e... olha pra frente – decididamente não me sentia segura com dirigindo. Não mais.
- Eu posso te ensinar – se virou sorridente pra mim. Eu sorri em resposta, senti o olhar de sobre mim pelo espelho e olhei para fora do carro tentando não ficar vermelha.
- Mas e o Tom, cadê ele? – perguntei me sentando um pouco mais no meio indo mais pra frente, me aproximando dos dois.
- Ele... – e trocaram olhares por um segundo, tempo suficiente para que eu desconfiasse de algo – ele tinha que dar uma entrevista por telefone, daí ficou em casa – falou rapidamente, eu resmunguei qualquer coisa para não deixar os dois em encrenca, mas sabia muito bem que estavam mentindo. olhava para fora do carro como se estivesse concentrando em algo. Provavelmente em não me contar o que Tom estava preparando.
Chegamos no prédio onde e Tom dividiam um apartamento, onde e também moravam, mas em um andar acima.
- Aposto que o Tom mandou vocês arrumarem a casa de vocês também só por que eu tava vindo – falei divertida enquanto entravamos no hall do prédio.
- Ah, ele sempre faz isso – disse entediado.
- E você guardou suas cuecas que estavam espalhadas pelo meio da sala? – zoei enquanto íamos em direção ao elevador.
- Não, mas daí o Tom apareceu hoje á tarde lá em casa e ameaçou jogar elas fora – disse pensativo – cara, teu irmão é chato, são as minhas cuecas, saca – pareceu triste.
- Eu vou te dar um conjunto de boxers de aniversário, ta ?
- Nossa, só minha mãe me da boxer de aniversário – ele me olhou com uma cara estranha.
- Broxante, não?
- Aham – ele confirmou com a cabeça e nós três rimos entrando no elevador. A porta já estava quase fechando quando uma mulher, que estava usando roupas um pouco fora da época - pois com certeza ela devia estar sentindo frio com uma saia daquele tamanho -, colocou a mão na porta a impedindo de fechar, entrando no elevador logo em seguida. e ficaram em silêncio rapidamente, cada um olhando para um lado. A mulher me olhava curiosa, não devia ter mais de vinte e cinco anos e parecia me olhar como se eu tivesse dez anos de idade. Alguns segundos depois o elevador parou onde devia ser o andar de seu apartamento e ela saiu rebolando sem olhar pra trás. Assim que a porta fechou, eu comecei a rir escandalosamente. e me olharam curiosos não entendendo minha reação.
- Ta, fala sério, qual de vocês dois pegou ela? – perguntei tentando parar de rir. Os dois me olharam mais confusos ainda – é serio, qual de vocês dormiu com ela? Vai dizer que vocês não viram como ela me olhava? Nossa, se olhar matasse eu já tava morta desde o primeiro andar. Mas sério mesmo, qual de vocês dois? – eu os olhei curiosa. fugiu do meu olhar o mais rápido que pôde, enquanto olhava para o teto cantarolando alguma música em sua cabeça. – O quê? Vocês dois pegaram ela? – perguntei perplexa, voltando a rir depois.
- Dá pra você parar? – disse chateado.
- Não. É muito engraçado – eu me apoiei na parede quando a porta voltou a se abrir, agora no andar que iríamos ficar. Saímos do elevador, carregando minha bolsa de viagem enquanto ia na frente tocando a campainha.
- Maninho – me joguei nos braços de Tom assim que ele abriu a porta.
- Nossa, que felicidade – ele sorriu – tenho que te trazer aqui mais vezes. Qual é o motivo dessas risadas todas? To escutando vocês desde que saíram do elevador, ou melhor, to escutando você desde que saiu do elevador – ele me olhou curioso enquanto me encostava no sofá.
- Ah nada demais, é só que a gente encontrou uma peguete dos meninos no elevador e foi muito engraçado, você precisava ver como ela me olhava, eu acho que ela pensou que eu era namorada do – falei empolgada me arrependendo depois, Tom fechou a cara e olhou para os meninos que tentavam esconder a cara.
- Vocês encontraram com quem no elevador?
- Ninguém Tom, ninguém.
- Se alguma das suas peguetes chegarem perto da minha irmã vocês já sabem, né?
- Heey cara, respeito, a gente tem namorada – tentou descontrair, e conseguiu, Tom sorriu de lado e pegou minha bolsa que estava na mão de .
- E a sua amiguinha, não vai mesmo ficar aqui?
- Amiguinha – revirei os olhos – não, a minha amiga vai ficar na casa da tia dela, os pais dela são meio preocupados, sabe.
- Sei, e eles estão certos.
- Ta Tom, então... O que você ta fazendo pra mim? E cadê o ? Ele também faz parte da surpresa? – perguntei animada, Tom fulminou e com o olhar – eles não me contaram nada, mas nem precisava né.
- O ... saiu com uma garota, e... eu fiz galinha assada... será que não dá pra esconder nada de você? – ele me olhou frustrado e eu comecei a rir.
- Não maninho não dá, lembra de quando você quis me esconder que ia se mudar pra Londres?
- Ás vezes eu só tento amenizar a situação, mas você é muito pentelha – ele fez uma careta pra mim.
- Tom, eu vou deixar a minha bolsa lá no seu quarto ok?
- Ah não, é... A gente comprou um sofá cama, e colocamos lá naquele quarto que antes não servia pra nada, a gente tentou fazer de lá um mini, ou micro estúdio só pra gente poder compor sabe.
- Hum sério? Legal.
- Eu tava pensando se você quisesse ficar lá, pra ter mais privacidade.
- Pra você ter mais privacidade, né? – falei rindo – ta de rolo com alguém, Tom? – eu levantei uma de minhas sobrancelhas enquanto e se entreolharam começando a rir logo depois.
- O que eu perdi? – perguntei para os dois.
- Nada – eles disseram rapidamente e Tom revirou os olhos.
- Ok, vou me retirar, com licença – peguei minha bolsa e saí piscando para e ao passar pelos dois.
Fui em direção ao quartinho que antigamente não era usado para nada em especial. Ele realmente estava todo reformado, com isolamento acústico, dois violões e um baixo ligados em caixas, uma bateria e um teclado. Não achava que naquele quartinho dos fundos cabia tanta coisa. Fiquei de boca aberta pensando se eles realmente ensaiavam ali, como estava parecendo. Qual é, eles moravam no décimo segundo andar de um prédio, o que eles tinham na cabeça?
Joguei minha bolsa em cima de um sofá-cama vermelho que ficava em um canto. Até que não era tão ruim, de certa perspectiva. Tirei meus tênis na intenção em ficar mais a vontade. Ok, eu podia não estar em casa, mas eu estava na do meu irmão; pensei que podia trocar de blusa, estava um pouco quente dentro do apartamento de Tom e eu estava com uma blusa grossa de manga. Mal tirei a blusa escutei o barulho de alguém tropeçando, olhei pra trás a ponto de ver xingando um cabo que plugava um dos violões na caixa. Não agüentei e comecei a rir da cara dele.
- Desculpa – ele olhou para o chão.
- Relaxa , até parece que você nunca viu uma garota de sutiã e que nenhum garoto nunca me viu de sutiã – disse colocando a blusa que eu tinha pegado na minha bolsa – pode olhar agora.
- Você é cruel falando assim – ele fez uma careta – eu realmente não quero saber de garotos que já te viram de sutiã, ou mais.
- Por que não? – perguntei com um sorriso de malícia no rosto.
- Ah.. Você é irmã do Tom, não é legal eu saber dessas coisas – meu sorriso murchou assim que ouvi a palavra irmã. Me sentei no sofá e peguei a blusa que havia tirado, a dobrando na intenção de guardá-la.
- Me diz que vocês não costumam ensaiar aqui - perguntei descontraída, apontando para o quarto em volta.
- Hum... A gente não ensaia, mas a gente toca sabe, pra descontrair.
- Coitado dos vizinhos.
- ... isso na parede – ele pegou na parede que tinha uma espuma verde – impede que o som saia, sabe...
- Jura ? Claro que eu sei... E só que... Tem uma bateria aqui, e a gente ta em um prédio, tem apartamentos em cima e embaixo.
- Já disse, a gente só toca de vez em quando, nada monstruoso, qualquer coisa a gente vai para os estúdios.
- Sei... – meu celular vibrou em meu bolso, era uma mensagem. me olhava curiosamente enquanto eu a lia.
Iai Lollypop, sobreviveu a essas horas acompanhada de popstars e ainda mais sendo a pseudo namorada de um deles?
.
- Posso saber o que é tão engraçado? – perguntou devido à crise de riso que eu tive.
- Pode sim, a minha amiga ta perguntando se eu consegui sobreviver a essas horas acompanhada de popstars e ainda mais sendo namorada de um deles.
- Poxa, fui reduzido a popstar? Nem um rosckstar ela me considera? – fingiu-se ressentido, sentando-se em cima de uma caixa de som – ah, e falando nisso... Eu não tive oportunidade de pedir desculpas por aquilo tudo das fotos. Err... não era minha intenção.
- Fica tranqüilo, até que foi legal ser namorada do Jones do Mcfly por um tempo, sabe, é melhor que ser a irmã do Tom Fletcher. Pelo menos eles estavam achando que eu tava te pegando – disse descontraída e levantou uma das sobrancelhas duvidosamente – ok, não foi tão legal assim, mas ah... Eu acostumo – dei com os ombros – a C e a Lucy conseguem, não? – ficou sério ao ouvir eu falar de Clarie. – Err... Ta tudo bem entre vocês?
- Uhum... Ela, e a irmã foram pra Berlim passar o fim de semana.
- Queria poder ir pra Berlim passar o fim de semana.
- Ta me dispensando assim? – ele levantou uma das sobrancelhas
- Aham – disse descontraída.
- Ta se achando demais agora que virou uma quase famosa, sabia? – ele veio em minha direção com um sorriso nos lábios.
- Se você der mais um passo eu grito – eu o ameacei me encolhendo.
- Lembra que o som não sai daqui? – o sorriso dele aumentou e eu suspirei derrotada.
estava em cima de mim fazendo tantas cócegas que eu tinha dificuldade pra respirar de tanto rir. Mas era uma sensação boa, a única coisa em que eu pensava era que eu não queria que aquilo se acabasse.
- Err... crianças, o Tom ta chamando pra comer – disse da porta, mas ainda assim não saiu de cima de mim.
- Olha , essa aqui ta se achando demais, dispensando a gente como se não fôssemos nada, me ajuda aqui a fazer ela ter um colapso respiratório – chamou .
- Eu prefiro não me envolver – ele sorriu de lado – e , a gente não é nada mesmo.
Continua...
n/a: Iai povo :D Desculpa o sumiço, mas fiquei sem computador por 2 meses então nem tinha como eu escrever. Espero que ainda tenha gente que goste dessa fic e valeu pelo e-mail, Ive *-*
beijo povo, e prometo não sumir mais.