You were always here
Por: Lu
Beta-Reader Dani P.

Prólogo
“Eu corri mais do que podia, não estava me importando se esbarrava em alguém ou não, a única coisa que eu queria naquele momento era fugir daquele homem que me fez tanto mal.”


Capitulo 1.
Não queria ir embora do país que eu morava; mesmo não sendo onde nasci não queria ir embora do Brasil. Mas tudo o que estava acontecendo era culpa minha. Se eu não tivesse sido uma insana e acreditado em alguém que eu não conhecia, não teria perdido meus pais, as pessoas que eu mais amava. Não teria virado uma órfã e não estaria agora indo morar com meus tios (Lê-se: amigos de infância dos meus pais) em Londres. Tudo o que estava acontecendo era culpa minha. Estava perdendo tudo que eu mais amava por consequência de uma coisa que eu fiz.
Fui acordada de meus pensamentos com a chamada para o vôo. Levantei-me, peguei minhas bagagens de mão e fui em direção ao portão de embarque. Entreguei minha passagem para a mulher com cara de merda que fica na porta e entrei no avião procurando meu acento. Seria uma longa viagem e eu sabia disso, por isso tomei um dramim para dormir. Logo depois que a aeronave decolou, eu dormi.
Acordei com a aeromoça me cutucando e falando que havíamos chegado a Londres.
Sério, não acreditei que dormi quase dez horas, o dramim faz milagres. Levantei-me, peguei a minha bolsa e fui caminhando para fora do avião.
No saguão de desembarque comecei a procurar os tais amigos do meu pai, que a partir de agora iriam cuidar de mim e logo avistei um casal que segurava uma plaquinha escrita meu nome. Comecei a caminhar em direção ao casal, que logo que me viram deram sorrisos simpáticos.
- , como você está grande querida – Tia Clair sorriu e me puxou para um abraço – desde que você se mudou daqui com sete anos eu nunca mais te vi.
Sorri amigavelmente, fazia quatro anos que eu havia me mudado da Inglaterra e não me lembrava de muita coisa de lá. Para não mentir, me lembrava muito bem da família , que eram nossos vizinhos em Londres e amigos da família há muito tempo. Mas logo depois que mudamos, não mantive contato com ninguém, apenas meus pais continuaram com a amizade a distância.
- – tio Paul me deu um aperto de mão – você está uma linda moça. – ele sorriu e eu retribui com um sorriso fraco. Eles sabiam que não estava sendo fácil agüentar a dor de ter perdido meus pais, e ainda por cima ir morar com pessoas que fazia alguns anos que eu não via e nem mantinha contato.
- Querida, sabemos que está sendo difícil – tia Clair me lançou um olhar de pena – mas eu estaremos aqui para tudo que você precisar.
Assenti com a cabeça e eles perceberam que aquele não era um assunto no qual deveria ser mencionado. Estava sendo difícil demais pra mim me lembrar que tudo que aconteceu era minha culpa. Eu sempre tentava me livrar desses pensamentos, mas era difícil.
- Bom... Vamos para casa – tio Paul falou pegando minhas malas que estavam no chão.
- , decoramos um quarto especialmente para você – ela sorriu meigamente e eu dei um sorriso de retribuição – espero que você goste.
- Claro que vou gostar tia – respirei fundo – obrigada por estarem fazendo isso por mim.
- Querida, você não tem que agradecer – ela passou os braços por meus ombros – estamos fazendo de coração.
Tio Paul colocou minhas malas no porta-malas e eu entrei no carro.
O caminho inteiro eu não falei nada, apenas concordava com a cabeça algumas coisas que eles perguntavam.
O carro parou, olhei para o lado e vi a casa da Tia Clair, pelo que me lembrava a casa era a mesma, só havia mudado a cor externa de amarela para verde.
Desci do carro e fui entrando na casa. Muita coisa tinha mudado lá dentro, também, depois de quatro anos ela estaria exatamente igual? Claro que não estaria.
Tia Clair me mostrou a casa inteira – que no caso eu me lembrava muito bem como era –, e me deixou no meu quarto para eu poder arrumar minhas coisas. Ele era em um tom amarelo pastel, tinha cortinas brancas, uma cama de casal estava posicionada no meio da parede, com duas mesinhas de cabeceira, uma em cada lado da cama, tinha uma escrivaninha que ficava de frente a cama e em cima dela, ficava a televisão, o armário ficava na parede ao contraria da janela. Tudo ali era de muito bom gosto. Coloquei minhas malas em cima da cama e fui desarrumá-las. Estava terminando de guardar as roupas no armário quando ouvi um som de violão vindo do quarto do lado.
No caso, o quarto do filho da tia Clair, o quarto do meu melhor amigo de infância, o quarto do .

Capitulo 2
Eu estava com algumas roupas nas mãos, terminei de guardá-las e fui rumo ao quarto ao lado, dando passos calmos e silenciosos.
A porta estava entreaberta, me permitindo ver um garoto sentado de costas para a porta com um violão no colo. Ele não cantava, apenas tocava uma melodia calma e serena. Encostei-me ao batente da porta e fiquei o vendo dedilhar a melodia nas cordas do violão. Logo, lembranças da minha infância fizeram-me perder em pensamentos.

# Flash Back – on #
Eu estava sentada no balanço enquanto me empurrava, fazendo-me ir para frente e para trás. Meus cabelos iam de acordo com meu movimento, e muitas vezes se chocavam contra meu rosto. Aquela sensação era boa, o vento batia em meu rosto trazendo uma agradável brisa. Era tão bom ter meu amigo por perto, como sempre cuidando de mim. Era bom ter para quem contar segredos, ter com quem brincar. O melhor de tudo, ter alguém para estar sempre comigo, independente da situação.
- , eu vou ali ao bebedouro – ele falou, parando de me empurrar – não vai dar nem tempo de parar a balança de tão rápido que vai ser pequena.
- , eu não quero ficar sozinha – fiz manha, mas ele já estava acostumado e não se deixava levar tanto por ela.
- É rapidinho , eu prometo.
Concordei e logo o vi se afastando. Mas eu não queria ficar sozinha ali, e não tinha como parar o balanço, meus pés mão alcançavam o chão. Então, decidi pular do balanço. Assim que dei impulso, cai no chão ralando meus joelhos. Logo, meus olhos já estavam marejados e o arranhão ardendo.
Vi voltar do bebedouro, e assim que me viu no chão, saiu correndo e se agachou ao meu lado.
- Será que você não podia esperar eu voltar, pequena? – ele falou serio, olhando para meu joelho que sangrava um pouco.
- Você sabe que eu não gosto de ficar sozinha, – fiz bico e ele mordeu minha bochecha.
- Você é muito manhosa, – ele riu fraco – vamos pra minha casa, isso deve estar doendo.
- Me promete que não vai me deixar sozinha nunca mais?
- Te prometo pequena – ele beijou minha testa e eu sorri – vou estar com você em todos os momentos, não importa onde você estiver e nem o que aconteça.
me ajudou a levantar e passou o braço pela minha cintura. Passei meu braço por seu pescoço e fomos andando até chegar à sua casa.
# flash back – off #



Continuei ali, parada, olhando para o garoto que continuava tocando. não era mais a criança de quatro anos atrás. Agora ele havia crescido seus braços não estavam mais finos como antes, agora eles eram grossos e fortes. Ele estava mais alto e bem mais bonito. Não que um dia foi feio, muito pelo contrario, sempre foi o mais bonito da classe e de todo bairro, mas agora, ele estava bem mais bonito do que quatro anos atrás.
Desencostei do batente da porta e quando fui me virar para sair do quarto fui surpreendida com uma voz masculina.
- O que você está fazendo aqui? – ele perguntou com uma voz rude, sua feição estava séria, minhas pernas vacilaram e eu me apoiei novamente no batente da porta para não cair. tinha raiva de mim por eu ter ido embora sem me despedir, e ele tinha razão em sentir isso.
Capítulo 3

Um dos motivos de não querer voltar para Londres era esse. sempre foi o meu melhor amigo, sempre foi o meu amigo-irmão, e eu o magoei indo embora sem ao menos deixar uma carta ou um recado. Agora a única coisa que eu conseguia sentir era dor, dor e um vazio em meu peito. Além de ter perdido meus pais, perdi meu melhor amigo. Mais o melhor amigo, perdi bem antes dos meus pais, meu melhor amigo perdi no dia em que fui embora, no dia em que fui covarde e não liguei para avisar que eu estava indo morar no Brasil.
Respirei fundo e me virei para sair do quarto, mais me segurou pelo braço me fazendo ficar de frente para ele, o encarando. Estávamos próximos demais, tão próximos que nossas respirações se misturavam. Meus pelos da nuca se eriçaram e minha respiração ficou descompensada.
- Me fala o que você ‘está fazendo aqui? – ele apertou mais meu braço – Por que você voltou?
- Você ‘está me machucando – soltei um gemido de dor – me solta, por favor.
Antes de me soltar ele me fez sentar na cama e foi em direção a parta para trancá-la.
- Eu não te machuquei mais do que você me machucou há quatro anos. – ele olhou para baixo e eu respirei funda – Agora me fala o porquê de você ter voltado – sua voz saiu em um sussurro, e eu pude sentir a sua tristeza em mim.
Mesmo tendo ido morar em outro país e agora não ser mais amiga dele, eu ainda o conhecia bem, e sabia que para ele estava sendo difícil estar ali, de frente comigo.
Respirei fundo e fiquei em pé. Não podia contar pra ele o verdadeiro porque de estar de volta a Londres, mas também eu não poderia mentir para ele. Mesmo tendo passado quatro anos e agora ele não me considerar mais sua melhor amiga, ele sempre foi meu melhor amigo, e sempre vai ser.
Fui andando em direção a porta e a destranquei. Dessa vez ele não me segurou, ele apenas sentou na cama e ficou me olhando sair do quarto. Fiquei um tempo o olhando e uma lagrima solitária caiu dos meus olhos, descendo por minha bochecha e parando no canto da minha boca.
- Me desculpa – fechei meus olhos, naquele momento eu não era capas de encará-lo – isso não é da sua conta. Mais pode ter certeza que sua mãe vai contar, e se ela não contar um dia você saberá pela minha boca.
Saí do quarto e fechei a porta, eu não agüentaria o ver chorar por mim, não novamente. Eu conhecia bem demais, e sabia que através das minhas palavras ele ficaria triste ao ponto de chorar.
Caminhei até meu quarto e me tranquei lá. Fui em direção a cama e me joguei nela, sentindo a quão macia ela era.
Eu tive a oportunidade de pedir perdão a ele e fui covarde demais, o tratei como qualquer um, cadê a confiança que eu sentia nele? Por que eu não contei para ele? A única resposta que veio na minha cabeça foi medo, tinha medo dele me julgar como outras pessoas haviam feito.
Ele era o , aquele que prometeu estar comigo em todos os momentos e no fundo eu sabia que ele não seria capaz de fazer isso comigo, mais o medo falava mais alto do que qualquer coisa. Naquele momento descobri o que eu era, era uma medrosa que tinha medo de ser julgada por um erro do passado, um erro que ficará para sempre comigo.
Levantei-me da cama e caminhei até o banheiro. Um bom banho me faria relaxar, e isso era a única coisa que eu precisava agora. Tirei minhas roupas e entrei no chuveiro deixando as gotas grossas baterem no meu ombro fazendo meu corpo ficar entorpecido. Logo desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha, saindo de dentro do banheiro e indo para o meu quarto. Abri o armário e peguei meu pijama que tinha porquinhos estampados e me deitei na cama me cobrindo. Eu não sairia da cama nem para comer, e isso era um fato. Estava sem coragem de encarar o , tinha medo de olhá-lo e ver sua expressão fria me encarando, vendo que agora realmente não queira saber de mim. Isso me fazia sentir medo. Perdi a pessoa que mais se importava comigo, com exceção dos meus pais.
Decidi parar de pensar sobre isso e peguei meu ipod e o liguei em uma musica qualquer para poder dormir. Uma meia hora depois eu já estava apagada na cama.

Capítulo 4
- , acorda querida – abri meus olhos e vi tia Clair com um sorriso dócil nos lábios – hoje é seu primeiro dia de aula, você precisa ir. - sorri de volta para ela e me sentei na cama. Ela se levantou e saiu andando para fora do quarto, para que eu pudesse me trocar (creio eu).
Continuei sentada na cama olhando para a parede branca na minha frente, não estava nem um pouco a fim de ir para o colégio, mas eu tinha que começar a minha vida novamente, não podia abandonar os estudos, não podia deixar de realizar os sonhos dos meus pais, que era me ver formada em Oxford e com um ótimo emprego. Mesmo sabendo que eles não estariam, mas aqui pessoalmente para ver, eu queria realizá-lo, pois onde quer que eles estejam eles me veriam com um diploma na mão e com um ótimo emprego. Eu estava disposta a honrar eles, mesmo depois de um erro que eu nunca irei me perdoar.
Coloquei meus pés para fora da cama e fui ao armário pegar o uniforme que tia Clair havia colocado ali antes de eu chegar, segurei com a mão direita e com a esquerda peguei minha toalha lilás com borboletas e rumei ao banheiro, deixando minhas roupas em cima da cama. Deixei a porta encostada e tirei minhas roupas, assim que me despi, liguei o chuveiro na temperatura morna e entrei em baixo dele. No momento em que as grossas gotas de água morna bateram nas minhas costas, uma onde de torpor tomou conta do meu corpo, fazendo com que pensamentos indesejados fossem embora. Não sei ao exato quanto tempo fiquei no banho, mas sei que foi um tempo que me fez relaxar e esquecer os meus problemas. Peguei a toalha que estava pendurada no Box e me enrolei nela e fui em direção ao quarto para poder me trocar. Coloquei aquela saia preta ridiculamente vulgar, a camisa branca, a gravata amarela e preta, a meia três quartos branca com o meu tênis Nick all court branco com lantejoulas prata e amarrei na cintura a jaqueta preta que tinha o brasão da escola no lado esquerdo, peguei minha mochila e sai do quarto em direção a cozinha para tomar meu café da manhã.
Sabe quando acorda com o pé esquerdo? Foi isso que aconteceu comigo. Assim que saí do meu quarto trombei com o e isso era a ultima coisa que deveria acontecer. Depois da conversa que tivemos, eu não queria encará-lo, eu tinha medo dele me parar e me perguntar novamente o porquê deu estar em Londres de novo. O porquê de eu ter voltado, e essa resposta não viria agora, porque além de medo eu tinha insegurança. Não gostaria de ser julgada por ninguém, mas principalmente por ele que era e sempre foi uma das pessoas que eu mais amei em toda minha vida, uma das pessoas que eu sempre confiei.
Respirei fundo e passei por ele trombando em no seu braço e assim que ia descer a escada ele chamou meu nome.
- – abaixei minha cabeça e dei uma fungada baixa. Ouvir ele me chamando pelo nome e não pelo meu apelido doía demais, mas eu não podia chorar, porque a causadora de tudo isso era eu.
Virei para ele e encarei seus olhos. Aqueles olhos azuis, antes calmos, agora revelavam raiva e rancor. Meu coração apertou e uma lagrima idiota escorreu por meu rosto. Minha vontade era ajoelhar e pedir perdão para ele, mas aconteceu de eu ficar encarando-o, sem coragem de dizer uma se quer palavra. Fechei meus olhos fortemente e assim que os abri uma coragem que não sei de onde veio se estalou no meu corpo, me fazendo o responder.
- Que? – continuei seria e encarando-o, tudo bem que a errada era eu, mas meu orgulho sempre foi mais forte.
- Eu só queria falar que minha mãe pediu pra eu te dar uma carona para o colégio hoje – ele bufou – mas isso não quer dizer que você vai ter o direito de puxar algum assunto comigo, assim como eu não vou puxar assunto nenhum com você.
- Ok – sorri sínica – só isso que você tinha para me falar?
Ele concordou com a cabeça e eu me virei para a escada, descendo-a apressadamente.

Entrei naquela cozinha toda branca e me sentei no banquinho, colocando minhas pernas para dentro da mesa onde tinha o café da manhã. Tio Paul já tinha ido trabalhar e a tia Clair havia ido ao mercado, deixando apenas eu e na casa.
Peguei uma torrada do saquinho e passei requeijão. Comecei a comê-la devagar acabei de comer a primeira torrada e entrou na cozinha, indo na direção da geladeira, abrindo a mesma e pegando um iorgute de morando lá de dentro. Parou ao meu lado e pegou a torrada que estava na minha mão, me deixando com a boca aberta e cara de taxo.
- Vai logo – ele saiu da cozinha e deu um berro – nós já estamos atrasados.
Levantei do baquinho e sai da cozinha com cara de poucos amigos, peguei minha bolsa em cima do sofá branco que tinha na sala de estar e caminhei para fora da casa. passou por mim e apertou o botão da chave do Eco Sport dele, destrancando-a e entrando logo em seguida. Fui em direção ao mesmo e entrei nele, assim que sentei, joguei minha mala no banco de trás e fechei a porta com certa força, fazendo olhar para mim com uma cara brava.
- Não desconta as suas frustrações no meu carro – ele parou de me encarar e olhou para frente, ligando o carro e saindo com o mesmo da garagem.

As casas passavam lentamente por mim, um silêncio assustador estava instalado no carro e eu sabia que ele permaneceria até chegarmos ao colégio, apenas ouvíamos uma música que eu não sei nem o nome, talvez por eu não conseguir prestar atenção nela.
Continuei vendo o movimento de fora do carro até ele parar. Assim que parou, me virei para trás para poder pegar minha mochila que estava no banco e assim que a peguei, sai do carro.
Era estranho ficar sem conversar com o , então quanto mais tempo longe dele, melhor para mim.
Fui entrando no colégio tão conhecido por mim. Nada ali havia mudado. Até as pessoas continuavam as mesmas. Continuei andando até chegar ao pátio e assim que pus meus pés nele, três meninas vieram na minha direção com um sorriso enorme no rosto.
- ? ? – a garota loira com olhos cor de mel olhava para mim admirada. Aquela garota loira era minha amiga desde que eu tinha uns cinco anos, eu nunca poderia me esquecer da .
- – sorri amigavelmente para ele e ela abriu os braços, me abraçando – quanto tempo .
- , que saudade – ela continuava com aquele sorriso encantador nos lábios – pensei que você não voltaria mais do Brasil. Pelo menos foi isso que você me disse quando nós nos despedimos no aeroporto há quatro anos atrás.
- , prefiro não falar nesse assunto – sorri amarelo e ela apenas concordou com a cabeça.
- Lembra da , não é? – sorriu para e se pendurou em meu pescoço, me fazendo cair na gargalhada. Continuava a mesma, com cabelos pretos longos e lisos, com um franjão e olhos verdes esmeralda. Ela só havia crescido um pouco, se antes ela tinha 1,60 m, agora ela tinha 1,67 m, por ai.
- , que saudade amiga! – ela deu uma fungada e logo percebi que estava chorando, me separei dela e limpei a lagrima que caiu do seu olho – Por que você ta chorando?
- Ah , eu achei que eu nunca mais teria minha melhor amiga de volta – ela fungou novamente – e te ver aqui me deixou muito feliz.
- Oh – exclamou, fazendo eu e rir – foi lindo, mas vamos parar com isso, eu ainda tenho que apresentar para a a nossa amiga Canadense – sorri amigavelmente para a garota de cabelos castanhos e encaracolados. Ela tinha uma estatura media e era muito bonita, seus olhos azuis eram realçados pela cor de seus cabelos, e sua pele era branca quase transparente. – , essa é a .
- Oi , você mora aqui a quanto tempo?
- Me chama de , por favor – ela sorriu – Faz dois anos que eu ‘to morando em Londres – ela mal terminou de falar o sinal bateu fazendo as meninas saírem desesperadas para a aula de biologia, na qual elas estariam juntas e teriam uma prova. Eu, ao contrario delas, não sabia qual era a aula que eu teria, então fui até a secretaria para pegar meu horário.
Caminhava lentamente pelos corredores que eu conhecia tão bem. Mesmo fazendo quatro anos que eu havia me mudado, eu me lembrava exatamente de como era o colégio St August, e ele continuava exatamente a mesma coisa.
Não estava muito a fim de assistir a primeira aula, então decidi relembrar mais um pouco do colégio. Fui andando distraidamente, olhando tudo ao meu redor. Parei na frente de uma vitrine de vidro, onde havia troféus grandes e muito bem polidos. Fiquei ali observando cada um deles e cada data que estava marcada, até que uma voz rouca falou nome meu ouvido, me fazendo arrepiar inteira.
- Bonitos, não? – me virei rapidamente e encarei um par de olhos verdes muito próximos de mim – desculpa se te assustei – o garoto era lindo, era moreno e alto, tinha um tipo físico maravilhoso e seu sorriso era totalmente atraente.
- Ma-magina – gaguejei e ele sorriu de lado.
- Você é a nova aluna?
- Sim... Na verdade nem tanto – sorri meigamente e coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha – eu já estudei aqui há quatro anos e agora voltei. - Hm. – ele continuou sorrindo e meus olhos se prenderam nos lábios dele – você é a que todos tão falando?
- Sou a , mas não sei se todos tão falando de mim – dei uma risada fraca e ele jogou a cabeça para trás rindo.
- Então saiba que todos falam de você – ele me olhou parecendo querer ver dentro da minha alma. Abaixei a cabeça e senti todo meu rosto queimar. Odiava quando me encaravam, ficava totalmente envergonhada.
- Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu – voltei a olhar para cima e dei um sorriso envergonhado.
- Meu nome é Matthew McLaine, mas ninguém me chama assim. Todos me chamam de Matt – ele piscou para mim e eu corei na hora. Respirei fundo e antes de poder arrumar uma desculpa para sair dali e poder parar de ficar envergonhada, o sinal da troca de aula bateu. Soltei todo ar que havia em meu pulmão de uma só vez.
- Bom Matt, eu ainda tenho que ir à secretaria pegar meu horário – deu meu melhor sorriso e ele retribuiu.
- A gente se vê por ai, então – concordei com a cabeça e comecei a seguir em direção a Secretaria. Lembrei-me que ele tinha me chamado de , então virei para trás rápido.
- Matt – gritei e ele se virou e sorriu – você pode me chamar de , se quiser – ele fez um jóia com a mão e eu sorri me virando e indo para a secretaria.

Capítulo 5 .
(n/a: aconselho vocês a colocar a musica Heavily Broken das The Verônicas para carregar)

Havia se passado um mês desde que voltei. Continuava sendo a mesma coisa em relação ao , ele me evitava sempre que podia e eu não fazia nada para mudar isso.
Estava sentada na ultima carteira da sala, assistindo a aula tediosa de filosofia, faltava apenas quinze minutos para dar o horário da saída. Fiquei fitando o relógio e quando deu meio dia e meio em ponto o sinal tocou anunciando que o horário de aula havia terminado. Guardei o caderno e o estojo dentro da bolsa e sai da sala. Fui em direção ao estacionamento para procurar e ir para casa. Apensar dele não falar comigo a gente sempre voltava juntos, não era justo andar cinco quarteirões a pé sendo que ele tinha um carro. Sentei em um banco e peguei os fones do ipod para esperar o tempo passar até o chegar. Encostei-me a arvore que tinha ao lado do banco e fechei meus olhos.

- ? – abri meus olhos de vagar e olhei para o lado, vendo Matt me balançar levemente.
- Oi Matt – sorri fraco – o que foi? - Você dormiu aqui, – levantei rápido e comecei a procurar o carro do no estacionamento, mas a única coisa que encontrei foi a BMW preta do Matthew parada na minha frente. - COMO AQUELE FILHO DE UMA ÉGUA TEVE A CORAGEM DE ME LARGAR AQUI? – comecei a gritar e gesticular com a mão. Não estava me conformando que tinha ido embora e não me levado. Ele sabia que eu sempre voltava com ele, custava ele me acordar? Claro que não custava!
- Calma , eu te levo para a sua casa – respirei fundo tentando me acalmar e concordei com a cabeça – entra ai e me fala onde você mora.
- Eu moro na Rua Gerry, travessa com a 21, sabe onde é?
- Sei sim – ele me olhou, sorriu e entrou no carro, fiz o mesmo. Ele ligou o carro e saiu com ele indo á em direção a casa dos ’s – , mas quem foi que te largou aqui?
- , conhece? – ele deu uma risada sínica.
- Tinha que ser aquele imbecil pra fazer isso.
Olhei para ele estreitando os olhos.
- Vocês não são amigos? Colegas? Ou alguma coisa parecida? – perguntei olhando para ele.
- Não! – ele respondeu alto e grosseiramente, me fazendo dar um pulo de susto – Me desculpa , é que eu e o tivemos uma briga sério no passado e hoje em dia nos odiamos. Pelo menos eu o odeio.
- E por que você o odeia? – ele bufou – me desculpa, se você não quiser falar não tem problema.
- Não é isso , é que são coisas do passado e lembrar o passado não é muito bom – engoli seco, eu mais do que ninguém sabia que relembrar o passado era terrível e totalmente assustador, ainda mais para alguém que tem um passado como o meu – Mas eu vou te contar. – sorri fraco. – Acho que umas duas semanas antes de você mudar para o Brasil, me mudei para o bairro e comecei a estudar no St. August, logo que entrei certa menina prendeu minha atenção e em menos de dois dias já estava caindo de amores por ela. – ele olhava atentamente para a rua, parecia que ele tinha medo de me olhar e tomava certo cuidado com o que falava – era meu colega, foi ele quem me apresentou a escola, e pensei que poderia confiar nele, então contei que eu estava afim dessa tal garota e ele me mandou manter distancia dela. – ele respirou fundo e continuou – Por causa disso tivemos uma briga feia e não falamos mais um com o outro.
- Hum. – foi à única coisa que eu consegui falar, estava tentando descobrir quem era essa tal garota.
- Esta entregue senhorita – soltei uma risadinha nasalada e ele deu um beijo na minha bochecha, e adivinhem? Sim, eu corei imediatamente – Quer que eu venha te buscar para ir pra escola amanhã?
- Não precisa Matt – abri o meu melhor sorriso – obrigado.
- Não a de que, – peguei minha bolsa que estava no chão do carro e fui andando em direção a porta da casa. Abri-a e acenei para Matt que deu uma buzinada e foi embora.
Entrei na casa e já fui direto para o meu quarto, joguei minha bolsa em cima da cadeira e coloquei o pijama que estava pendurado na maçaneta da porta do guarda roupa. Não estava nem um pouco a fim de sair de casa e ainda pretendia ir conversar com o para saber o porquê de ele ter me deixado no estacionamento do colégio. Deitei-me na cama e comecei a encarar o teto, naquele momento não tinha coisa mais bonita do que aquele teto branco, mas ele não conseguia me fazer pensar, e a única coisa que eu pensava era em como ter a amizade do novamente.
Ele foi meu melhor amigo por tanto tempo e agora nem olhava mais para mim. Isso machucava, doía demais, não conseguia entender como eu fui capaz de ir embora sem ao menos deixar uma carta me despedir. Sentia-me repugnante, estava com nojo de mim mesma.
Levantei da cama rapidamente, decida a ir ao quarto dele pedir perdão, mas tinha medo de ele rejeitar meu pedido de perdão. Fechei meus olhos e contei até dez, e o que veio na minha mente foi à cara que fez quando me viu pela primeira vez desde que havia chego em Londres, aquela fisionomia dele me machucou. Eu não iria conseguir suportar ele me evitando toda vez que olhasse para mim.
Marchei para fora do quarto, decidida a ir até seu quarto conversar com ele. Parei em frente à porta e ela se encontrava fechada, dei duas batidas mas ninguém respondeu, mas como ele iria me responder com o volume alto do som que vinha de lá de dentro? Abri a porta de vagar e entrei no quarto. Ele estava sentado na poltrona com a cabeça jogada para trás, dei dois passos em direção a cama, mas tropecei no seu tênis que estava jogado no meio do quarto e assim que me viu se levantou e se dirigiu a mim.
(n/a: coloquem para tocar)

Everyday I sit here waiting

Everyday just seems so long
Todos os dias parecem tão longos
And now I've had enough of all the hating
E agora eu já me cansei de todo o ódio
Do we even care,
Nós ao menos nos importamos?
it's so unfair
É tão injusto
Any day it'll all be over
Qualquer dia isso tudo acabará
Ever there's nothing new
Todo dia não há nada novo
And now I'm just trying to find some hope
E agora eu só estou tentando encontrar um pouco de esperança
To try and hold onto
Para tentar me segurar
And it starts again Mas começa de novo
It'll never end
Isso nunca vai terminar

- O que você quer? – sua face estava rígida, sua expressão era fria. Naquele momento uma vontade de chorar me invadiu por inteiro. Em todas as vezes que ele havia sido frio comigo não me machucou, mas dessa vez eu me senti vazia, senti que tinha que acertar as coisas e o momento era agora.
Respirei fundo e olhei nos seus olhos. Apesar da sua expressão fria e dura, seus olhos estavam marejados como o meu. Sua dor estava sendo entregue para mim. Tentei me aproximar, mas ele deu um passo para trás, não me permitindo tocá-lo.

I'm heavily broken
Estou extremamente arrasada
And I don't know what to do
E não sei o que fazer
It just seems like I'm choking
Você não vê que estou sufocando?
And I can't even move
E eu nem posso me mexer
When there's nothing left to say
Quando não há nada mais para dizer
What can you do?
O que se pode fazer?
I'm heavily broken
Estou extremamente arrasada
And there's nothing I can do E não há nada que eu possa fazer

- , o que você veio fazer aqui? – ele virou e foi em direção a janela, onde se escorou, ficando de costas para mim – já tenho que olhar para sua cara todos os dias em todos os lugares, o único lugar que me resta ficar sem te ver é aqui – ele fez uma pausa e abaixou a cabeça – e mesmo assim você aparece.
Uma lagrima caiu dos meus olhos, funguei alto. Parecia que meu coração estava sendo arrancado lentamente, a dor era forte e não dava para suportar ouvi-lo falar aquilo.
- Eu não agüento mais – falei mais pra mim do que para ele, mas ele ouviu e se virou para mim.
- Não agüenta mais o que? – ele falava alto e aquilo estava me assustando, nunca havia me tratado daquele jeito antes – Eu que não agüento mais conviver com você.

Almost giving up on trying
Quase desistindo de tentar
Almost heading for a fall
Quase caindo
And now my mind is screaming out
E agora minha mente está gritando
I've gotta keep on fighting
Tenho que continuar lutando
But then again
Mas de novo
It doesn't end Isso não acaba

Agora sim eu não tinha mais coração, ele havia acabado ser totalmente arrancado. Cai de joelhos no chão e coloquei a mão sobre o rosto, as lagrimas caiam sem dó, me molhando inteira.
- Não venha se fazer de vítima para o meu lado, ! – ele passou a mão no cabelo, mostrando o quão nervoso estava – se nessa historia tem uma vitima, ela é eu.
- Eu não estou me fazendo de vitima.
– olhei para ele e percebi que ele também chorava – tenho total noção que tenho culpa por você me desprezar, mas eu vim te pedir perdão – minhas palavras saiam baixas, mas tinha certeza que ele era capaz de escutá-las.

I'm heavily broken
Estou extremamente arrasada
And I don't know what to do
E não sei o que fazer
It just seems like I'm choking
Você não vê que estou sufocando?
And I can't even move
E eu nem posso me mexer
When there's nothing left to say
Quando não há nada mais para dizer
What can you do?
O que se pode fazer?
I'm heavily broken Estou extremamente arrasada
And there's nothing I can do E não há nada que eu possa fazer

- Perdão? – ele riu ironicamente – Você foi embora há quatro anos, sem me mandar uma mensagem, uma carta ou qualquer coisa do gênero e ainda quer meu perdão? – me apoiei em sua cama e levantei do chão, queria conversar com ele olhando em seus olhos, para ele ver a verdade escrita neles – Você não sabe como eu sofri com a sua partida, você não sabe quantos dias eu fiquei aqui, jogado nessa cama chorando por você ter ido embora. E agora sem mais nem menos você volta.
- , eu tive meus motivos para não me despedir – passei as costas da minha mão pelo rosto, violentamente – se você acha que só você sofreu você está errado.

Feels like I'm drowning
Parece que estou me afogando
I'm screaming for air (Screaming for air)
Estou gritando por ar (gritando por ar)
Louder I'm crying
Mais alto eu estou chorando
And you don't even care
E você nem se importa

- Me poupe – ele bufou e voltou para a janela – se você tivesse sofrendo por estar partindo, você teria me avisado, teria pedido ajuda e uma solução para poder ficar aqui, você sempre fazia isso. Mas não, você foi embora e me deixou aqui sem nem saber para onde você tinha ido morar, e quando nossas mães se falavam você nem perguntava de mim.
Já não tinha mais argumentos, não tinha mais como tentar me justificar e mesmo se tentasse, seria em vão.
- Agora me responde uma coisa – ele se virou para mim. Apenas concordei com a cabeça e limpei as lagrimas que ainda rolavam pelo meu rosto – por que você voltou?

I'm heavily broken
Estou extremamente arrasada
And I don't know what to do
E não sei o que fazer
It just seems like I'm choking
Você não vê que estou sufocando?
And I can't even move
E eu nem posso me mexer
When there's nothing left to say
Quando não há nada mais para dizer
What can you do?
O que se pode fazer?
I'm heavily broken Estou extremamente arrasada
And there's nothing I can do E não há nada que eu possa fazer

Respirei fundo e olhei para ele, não tinha coragem de contar, isso era uma coisa pessoal minha, eu responderia se quisesse. Ele não iria conseguir arrancar de mim o que eu escondia e temia.
- Isso não é da sua conta, – fechei meus olhos tentando mandar todas as lembranças que haviam voltado embora. Se ele soubesse que a dor que eu estava sentindo naquele momento era bem mais forte que a dele, acho que ele teria poupado essa briga. Mas ele não sabia, e não iria saber.
- Isso porque há quatro anos você confiava em mim – ele sentou na cama e fitou o chão.
- Eu ainda confio – suspirei e olhei para ele – mas é uma lembrança que machuca.
I'm heavily broken
Estou extremamente arrasada
And I don't know what to do
E não sei o que fazer
It just seems like I'm choking
Você não vê que estou sufocando?
And I can't even move
E eu nem posso me mexer
When there's nothing left to say
Quando não há nada mais para dizer
What can you do?
O que se pode fazer?
I'm heavily broken Estou extremamente arrasada
And there's nothing I can do E não há nada que eu possa fazer

- Sai do meu quarto agora! – seus olhos estavam fechados e uma lágrima rolava pela sua bochecha – e só para você saber, eu não te perdoei – me virei e sai do quarto, como ele havia mandado. As lagrimas caiam sem dó nem piedade.
Cheguei ao meu quarto e me joguei na cama, eu não iria desistir de conquistar novamente a amizade do . E foi com esse pensamento que eu adormeci.

Capítulo 6

- NÃÃÃÃO! – sentei na cama rapidamente, respirando descompensadamente. Tudo o que deveria ser esquecido ainda estava na minha memória, e agora só estava pior.
Desde que tudo havia acontecido no Brasil, pesadelos rondavam minhas noites de sono. Quando voltei para Londres nenhum pesadelo havia vindo comigo, mas depois da conversa nada agradável que eu tive com ontem os pesadelos estavam novamente me atormentando, e o que eu precisava era beber água para ver se me acalmava.
Coloquei meus pés para fora da cama e olhei para o radio relógio que marcava quatro e vinte da manhã, levantei e andei silênciosamente para fora do quarto, olhei para o lado que ficava o quarto dos meus tios e nem sinal deles terem acordado com meu grito. Fui andando calmamente para chegar ao final do corredor, mas quando estava passando pelo quarto do não resisti e parei na sua frente.
A porta estava totalmente aberta e dava para vê-lo dormir. Entrei no quarto devagar e parei na frente do garoto que dormia calmamente. Sua respiração silênciosa fazia sua barriga subir e descer. Ajoelhei-me ao seu lado e passei a mão devagar pela sua testa, tirando alguns fios de cabelo que caiam em seus olhos, sorri sozinha e beijei sua testa.
Meu medo era de acordar e me ver ali. Ele já tinha deixado bem claro que não me queria perto dele e se me visse ali, brigaria comigo. Levantei-me rapidamente do chão e fui andando para fora do quarto, tentando não fazer barulho. Assim que passei pela porta ouvi o celular dele tocar, respirei aliviada de ter saído antes que isso acontecesse. Acho que ele me trucidaria se me visse lá, ainda mais ajoelhada ao seu lado. Soltei uma risada baixa e saí andando em direção a cozinha.

Estava sentada em cima da bancada comendo torrada com requeijão quando ouvi a porta da entrada ser batida. Em um segundo eu já não estava mais em cima da bancada, e sim do lado de fora da casa olhando o sentado no meio fio da calçada abraçando os joelhos. Fiquei um tempo o olhando e decidi ir até lá e me sentar ao seu lado. Sabia que ele podia ficar bravo e me expulsar dali, mas era o que a minha intuição estava pedindo para eu fazer. Meu coração falava que ele não estava bem e que eu deveria ajudá-lo. Andei devagar até ele me sentei ao seu lado, o frio era forte e isso me fez abraçar minhas pernas também. Respirei fundo e fiquei fitando o chão, o medo não me deixava falar com ele, mas eu tinha que ter coragem. Contei até dez mentalmente e soltei um gemido baixo.
- Que? – ele perguntou me olhando.
- Que o que?
- Que você quer aqui? – fechou os olhos e respirou fundo – já não te disse que não queria falar com você ?
Apenas concordei com a cabeça e continuei olhando para o chão. Era bem mais divertido fitar ele do que a cara feia, na qual me olhava. Avistei uma pedrinha no lado do meu pé e não pensei duas vezes em pegá-la. Comecei a desenhar coisas sem nexo no asfalto e quando olhei de canto de olho para o , pude vê-lo sorrindo. Um sorriso de canto de lábios surgiu em meu rosto. Foi bom vê-lo sorrir, não havia o visto sorrir desde que voltei. Continuei desenhando no chão, até que ele quebrou o silêncio com um suspiro. Virei meu olhar para ele.
- O silêncio é um som assustador – dei uma risada nasalada e ele sorriu fraco.
- Você sempre me falava isso quando eu deixava o assunto morrer – engoli seco, talvez não fosse bom relembrar o passado justo agora.
- É. – ele parou de me olhar e voltou a fitar o nada. Esfreguei minhas mãos nos meus braços em uma tentativa frustrada de me aquecer e assim que ele percebeu tirou sua jaqueta e jogou nas minhas costas.
- , não precisa – comecei a tirar a jaqueta mas ele segurou ela, me impedindo de tirá-la.
- Pode ficar com ela – ele riu baixo – meu pijama é bem mais quente que o seu. Olhei para o meu corpo e percebi que ele tinha razão. Meu pijama era um short de malha e uma blusa de alcinha, já o dele era uma calça de moletom com uma camiseta branca escrita Hurley em azul marinho.
Ficamos em silêncio novamente, e aquilo estava mesmo ficando assustador. Sempre gostei de silêncio, mas quando estava sozinha. Com era diferente, estar em silêncio com ele era estranho.
- ... – ele fez um barulho com a boca querendo dizer para eu continuar – Eu sei que não é da minha conta, mas o que aconteceu pra você sair de casa batendo a porta? – ele fechou os olhos e o silêncio predominou entre nós novamente, e eu o quebrei de novo. – mesmo nós estando desse jeito, quero que você saiba que eu vou sempre estar aqui, como era antes.
- Tem uma diferença ... – ele levantou e parou na minha frente – nada mais vai ser como era antes.
Levantei meu olhar para poder ver seu rosto. Seus olhos revelavam sua tristeza e aquilo me machucou.
- Se ao menos você me deixasse explicar o porquê de não ter te dado tchau. – respirei fundo e olhei para baixou. Ele saiu de onde estava e se abaixou na minha frente, levantando meu rosto para que pudesse olhá-lo.
- Então me explica – ele passou sua mão pela minha bochecha, fazendo um carinho bom – aproveita pra me explicar agora, porque amanhã você não vai ter essa oportunidade.
Pisquei algumas vezes, não acreditando que ele estava me dando à oportunidade de me explicar. Talvez minha sorte estivesse mudando agora.
- Você sabe que eu sou covarde, você mais que ninguém sabe meus medos, e um dos meus medos era deixar você. – uma lágrima rolou pelos meus olhos seguida de várias outras, Dougie passou a mão pelo meu rosto, limpado-as e me abraçou em seguida, me fazendo ficar encostada em seu peito – Eu fiquei sabendo que ia morar no Brasil só uma semana antes da viajem, não tive tempo de pensar no que falar pra você. Minha cabeça estava uma confusão e eu não queria deixar Londres de jeito nenhum. – conforme ia falando, Dougie me apertava mais contra seu peito e aquilo me dava uma sensação de proteção. Pude perceber naquela hora de como sentia falta dele, falta da tranqüilidade e segurança que ele me passava. – Então um dia antes da viajem contei para Jully, que me deu força e falou que talvez fosse melhor eu ir sem me despedir. – fungue alto, me afastei dele e olhei nos seus olhos – E foi o que eu fiz. Fui embora sem me despedir de ninguém, apena da Julliet. – ele passou a mão calmamente por de baixo dos meus olhos, limpando minhas lágrimas – Sei que não foi certo, mas...
- Shh – ele colocou o dedo nos meus lábios, me calando. – agora eu sei o quão difícil foi para você, mas você já pensou tudo o que eu passei? – engoli seco. Eu só havia visto o meu sofrimento, o meu ponto de vista, não percebi que tinha sido injusta com ele.
- Me perdoa Dougie – me ajoelhei na sua frente e coloquei as mãos em seu rosto – Por favor.
- Eu... – ele olhou para baixo e se levantou – Preciso de um tempo. – e saiu caminhando em direção a casa.
Fiquei sentada na guia olhando para o horizonte, o sol nascia enquanto eu chorava. Levantei-me devagar, passei as costas da mão devagar por meu rosto, para secá-lo e entrei na casa, indo diretamente tomar banho para ir ao colégio, pois já se passava das seis e quinze da manhã.

Capítulo 7

Havia terminado o meu banho e estava me trocando quando meu celular começou a vibrar em cima da escrivaninha. Corri até ele e o coloquei no ouvido direito, atendendo a ligação.
- Alô? - perguntei em um tom doce.
- ? - sorri ao perceber quem era que havia me ligado.
Nem sabia que o Matt tinha meu telefone.
- Ela mesma. - segurei uma risada e fingi que não sabia quem era - Quem é?
- É o Matt,
. - Oi, Matt. - apoiei o celular entre o ombro e minha cabeça para poder amarrar meu all star branco.
- , Você já esta pronta para ir para o colégio? - arqueei minha sobrancelha.
- Estou sim, por que Matt?
- Estou parado na frente da sua casa para te levar para o colégio.
Segurei o aparelho com a mão e corri para a janela para ver se era verdade. Assim que vi sua BMW parada na frente da casa sorri.
- Falei que não era para você vir me buscar – dei uma risada nasalada.
- Mas eu quis vir. – ele saiu do carro e encostou-se ao mesmo e olhou para cima. Acenei para ele, que sorriu e piscou para mim – Desce logo que. Estou te esperando.
Sai de perto da janela e peguei minha mochila na cadeira e desci rapidamente as escadas. Entrei na cozinha rapidamente e peguei uma maçã que estava na fruteira, dei alguns passos apressados em direção a saída da cozinha e ouvi a voz da Tia Clair.
- O já está vindo, querida. – tia Clair sorriu pra mim.
- Não vou com ele hoje, tia. – sorri de volta e sai da cozinha.
Estava indo em direção a porta quando outra pessoa falou meu nome.
- , - olhei para trás e vi descendo as escadas com sua mochila nas costas. - vai com quem para a escola?
Engoli seco. Os dois não se gostavam e eu não sabia como ele reagiria se contasse que ia com o Matt para o colégio. Tudo bem que o não tem nada haver com a minha vida (ou tem), mas como eu queria conquistar a sua amizade novamente, não poderia desapontá-lo, e eu tinha certeza que ele ficaria muito bravo. Pisquei algumas vezes e decidi não mentir. Antes contar toda a verdade do que mentir e perder o pouco de confiança que eu havia ganhado madrugada passada.
- Eu vo-vou com o Matt - a última palavra saiu em um sussurro e o me olhou com uma cara de interrogação.
- Com quem você vai? - ele franziu a testa.
- Com o Matthew. - olhou pra mim e abaixou a cabeça. Naquele momento meu coração gelou. Tinha certeza que ele esperava ser qualquer pessoa menos o Matt - me desculpa - falei para ele, me virei, abri a porta e fui de encontro com o Matt.
Andei em passos largos até o ele e quando olhei para trás vi encarando-nos. Matt pegou minha mão me fazendo olhar para ele, veio com seu rosto na minha direção e beijou o canto dos meus lábios. Não sei se foi de propósito ou sem querer, só sei que minha respiração falhou e o medo inundou meu corpo. Ouvi a porta ser batida com tudo, tinha certeza que havia reparado naquilo, mas quando olhei para trás a única coisa que eu vi foi a porta já fechada.
- Tudo bem ? - encarei Matt novamente e sorri fraco.
- Tudo sim Matt - ele sorriu abertamente e abriu a porta do passageiro para eu poder sentar.
Entrei no carro e joguei a minha mala no banco traseiro, assim como eu fazia quando ia para o colégio com o . Matt deu a volta no carro e entrou nele, o ligando em seguida e saindo da frente da casa dos 's.

O carro estava silencioso, só dava para ouvir o Matt batucando no volante. Eu estava olhando para fora, admirando as casas que passavam por nós. O caminho que estávamos fazendo era totalmente diferente, não conseguia reconhecer o lugar para onde estávamos indo, apenas uma coisa eu sabia: nós não estávamos indo para o colégio. Virei minha cabeça na direção do Matt.
- Para onde você está me levando? – tinha certeza que meus olhos esbugalhados. Ele deu uma risada e eu continuei o encarando com medo. Coisas absurdas passavam na minha cabeça.
- Calma , eu não vou fazer nada com você, só queria te mostrar um lugar. – ele sorriu para mim - Mas se você não quiser ir, tudo bem. Te levo de volta.
Respirei fundo e voltei olhar para as casas que passavam por nós.
- Tudo bem, acho que posso confiar em você. – ele colocou sua mão na minha perna.
- Claro que pode. – ficamos em silêncio de novo.
- , você está tão quieta. - ele suspirou - Parece que você não está gostando de ir comigo.
- Não é isso Matt, – sorri fraco para ele – se ao menos eu soubesse para onde estamos indo.
- Isso é uma surpresa – ele riu – se eu contar perde totalmente a graça e o encanto. – ele deu uma piscada e estendeu sua mão para ligar o radio. Uma musica desconhecia por mim tomou conta do carro e pude ouvir a voz rouca do Matt cantando-a.
Meus pensamentos estavam estacionados na cena em que via Matt me dando um beijo no canto da boca, conseguia ver nitidamente a sua cara de decepção a me ver falar com quem estava indo para escola. Justo agora que poderia tudo se arrumar, eu, burra como sempre, estraguei tudo. Um suspiro saiu de minha boca e Matt pegou minha mão e começou a fazer carinho.
- Que foi? – ele se virou para mim e sorriu.
- Só estou um pouco entediada – tentei sorrir, mas acho que o que saiu foi uma careta.
- Já chegamos , - olhei para fora do carro e vi várias árvores – vamos descer.
Abri a porta do carro e coloquei minhas pernas para fora, levantando do carro. Matt fechou sua porta e veio ao meu encontro, fechando a minha também. Pegou minha mão e começou a me guiar para dentro do bosque em que estávamos.
- Pra onde você ta me levando Matt? – apertei sua mão e ele se virou para mim.
- Curiosa você mocinha – ele riu, me fazendo rir também – já estamos chegando. – terminando de falar isso, tapou meus olhos com as mãos.
Andamos mais alguns metros e Matt se colocou atrás de mim, fazendo meu corpo se arrepiar involuntariamente.
- Na hora que eu destapar seus olhos, você vai olhar isso e me falar o que achou ok?
Concordei com a cabeça, e no segundo seguinte ele destapou meus olhos. Minhas mãos foram instantaneamente para a minha boca, tinha certeza que meus olhos brilhavam. Aquele era um dos lugares mais lindo que eu já havia ido.
- Gostou? – ele me olhava com um pouco de receio. Deu uma risada baixa e o abracei, passando meus braços pelo seu pescoço e afundando meu rosto na curva do mesmo.
- Eu adorei Matt – sussurrei em seu ouvido – sério. – seu rosto estava entre meus cabelos e pude senti-lo abrir um sorriso.
Fui soltando Matt de vagar e ele fez o mesmo comigo. Ficamos nos olhando por um tempo e ele pegou minha mão.
- , eu... – ele foi aproximando seu rosto do meu. Já sentia sua respiração se misturando com a minha e seu hálito quente batendo em minha boca. Seus lábios roçaram nos meus e naquele momento a sanidade invadiu meu corpo me fazendo virar o rosto e encarar o chão.
Sei que não estava fazendo nada errado. Mas se eu ficasse com o Matt, alguém chamado não iria me perdoar nunca.
Respirei fundo e notei que Matt encarava o chão, assim como eu. Meu coração estava acelerado e a única coisa que eu queria fazer era sair correndo dali. Não tinha coragem de encará-lo.
Ele levou seu olhar em mim e pegou meu queixo delicadamente com a mão, virando meu rosto para si.
- Por que ? – ele me encarava e seu olhar demonstrava que estava chateado – Qual é o problema de você ficar comigo? – ele soltou meu queixo e abaixou o olhar, soltando uma risada irônica. – Já sei! O problema é o , não é?
- Não é esse o problema. – bufei alto – O problema é que você está indo muito rápido. Não faz muito tempo que a gente se conhece.
Tudo bem que tinha haver com o , mas não podia falar que esse era o problema, eles já não se falavam, ai eu chego e falo que não vou ficar com ele por causa do . Ele além de ficar decepcionado, iria ficar super irritado.
- Muito rápido? – ele olhou pra mim e pegou novamente minha mão – faz um mês que a gente se fala, e faz um mês que eu venho te dando indiretas que eu estou a fim de você. Que na verdade eu estou apaixonado por você. – ele falou mais forte a palavra apaixonado, fazendo meu coração quase sair pela boca. Como assim ele estava apaixonado por mim? – Lembra quando eu te falei que eu sou brigado com por causa de uma menina? – concordei com a cabeça – essa menina era você!
Pisquei algumas vezes tentando absorver a informação. Como assim Matthew McLaine brigou com o por minha causa? Isso não fazia sentido nenhum. Fechei meus olhos com força e os abri rapidamente.
- Não tem como isso acontecer Matt – ri incrédula – você nem me conhecia.
- Eu te conhecia sim!– ele colocou suas mãos em meu rosto – eu te conhecia de vista, te conhecia de tanto o falar de você. – ele sorriu – Sei que é estranho falar, mais eu era totalmente apaixonado por você, e a briga com o foi pro sua causa. – eu ia abrir minha boca para falar algo, mas ele logo colocou seus dedos delicadamente nos meus lábios – Pode parecer estranho, mas quando você foi embora eu chorei por não ter tido nenhuma chance com você. Na sua cabeça pode parecer infantilidade, coisa de criança, mas pra mim não é. E agora que você voltou achei que as minhas chances voltaram junto.
- Eu... – engoli em seco, como alguém podia se apaixonar assim? Pra mim aquilo era coisa de doido. – preciso ir embora Matt, pensar.
- Só queria uma chance . – seus olhos estavam lacrimejados, mas eu não podia fazer nada.
- Matt, eu preciso pensar. – passei minha mão pelo seu rosto, fazendo um carinho – Está sendo muito rápido pra mim. Tenho que absorver tudo isso ainda.
Ele balançou a cabeça em sinal positivo. Sorri fraco.
- Agora me leva pra casa?
- Levo – estendeu sua mão para mim e eu a peguei. Foi me guiando até chegar ao carro.

Alguns minutos depois já estávamos entrando em Londres novamente. Passávamos pelas casas rápido, os vidros abertos faziam com que o vento entrasse e bagunçando meus cabelos. O carro parou em um farol e Matt me olhou.
- Eu ainda posso ter uma chance com você? – um sorriso triste e esperançoso estava em seus lábios.
- Não sei. – sorri fraco – Quem sabe o tempo possa responder?
Ele me olhou e tocou meu rosto delicadamente.
- Eu sei esperar – sorriu e beijou minha testa.
O farol abriu e ele acelerou o carro. Alguns minutos depois ele parou o carro na frente da casa. Beijei seu rosto e sai caminhando para dentro dela.
Fui andando calmamente para a cozinha, e assim que entrei nela vi entre as pernas de uma garota que estava sentada em cima do balcão. Ele a beijava e passava a mão pelas partes mais impróprias de seu corpo, sem menor pudor.
Foi como se eu tivesse levado uma facada no meu coração e ele tivesse parado de bater. Pude sentir lágrimas se acumularem em meus olhos, mais não iria chorar por isso. Na verdade nem sabia por que estava daquele jeito. era apenas meu melhor amigo não era? É ele era. Pelo menos eu achava isso.

Capítulo 8

Não tinha reação nenhuma, a única coisa que conseguia fazer era ficar olhando aquela cena. Agora ele empurrava a saia dela para cima, fazendo com que a mesma ficasse em sua cintura. Aquilo estava sendo demais pra minha visão e pro meu coração, além de tudo nojento. Estavam dentro da cozinha, um lugar onde se come. Apesar dele estar quase comendo ela, não era a esse tipo de “comida” que eu me referia.
Dei alguns passos em direção ao , peguei uma colher e cutuquei seu ombro. Ele se afastou rapidamente dela e me olhou com uma cara assustada.
- Se quer comer vagabundas vai pro seu quarto . – olhei para ele com nojo – Tudo bem que cozinha é lugar de comer, mais não comer qualquer coisa. – dei um sorriso sínico e me virei de costas, saindo da cozinha da cozinha.
Tirei minha mala das minhas costas e a joguei no lado do sofá. Sentei nele e liguei a televisão. Enquanto zapeava os canais conseguia ouvir falando algumas coisas com a menina, para ser mais especifica, mandando ela embora.
O antigo nunca faria isso, eu o conhecia muito bem para afirmar. Aquele com toda certeza do mundo não era mais o menino que eu havia conhecido há quatro anos, ele era literalmente desconhecido para mim.
Parecia que meu coração estava quebrado em mais de mil pedaços. Talvez agora eu pudesse saber a dor que ele sentiu quando me viu com o Matt, ou talvez ele não tivesse sentido dor alguma. Mas se ele sentiu, talvez seja a mesma que eu estava sentindo naquele momento.
Achei o canal da MTV e deixei nele, coloquei o controle do meu lado no sofá e fiquei vendo um clipe qualquer.
Ouvi a porta ser batida e logo depois entrou na sala e se jogou no sofá ao lado do que eu estava sentada.
- Não conta para os meus pais o que aconteceu aqui hoje. – ele olhava a televisão invés de me encarar. Não respondi nada, meu silêncio respondeu por mim, falando que não contaria.
Levantei do sofá e peguei minha bolsa no chão, fiz o caminho até a escada até que a voz de preencheu o local.
- Vai ter uma festa amanhã na casa do , – me virei e encarei a face seria dele. – ele mandou avisar que é pra você ir, porque está com saudade.
- Por onde o andou? – franzi o cenho.
- Ele, e o aproveitaram que acabaram o colégio e foram para a Califórnia procurar uma gravadora para a banda. – ele deu um sorrisinho de lado ao falar da tão querida banda que ele integrava.
Sempre soube do sonho dele de ser músico, e não para puxar saco, mas ele tocava super bem.
Os meninos tinham a banda a um bom tempo, bem antes de eu me mudar para outro continente. As músicas deles eram divertidas e animadas, sempre adorei. E também sempre tive certeza que eu dia eles fariam sucesso, mesmo ainda não tendo chego.
- Fala pra ele que eu vou sim! – sorri para o e subi as escadas, indo para o meu quarto.
Joguei minha mochila em cima da cama, fui até o radio e liguei o mesmo em uma rádio qualquer. Estava tocando “Help” dos Beatles, sorri sozinha. Eu sempre amei Beatles. Abri o armário e peguei um short e uma camiseta qualquer, indo em direção ao banheiro. O que eu mais precisava era tomar um banho e relaxar.

A campainha tocava desesperadamente fazendo com o seu som estridente invadisse minha audição, me deixando extremamente nervosa. Será que o não presta nem pra atender a campainha. Shit!
Tirei o notebook do meu colo e coloquei em cima da cama, me levantei da mesma e sai com passos apressados do quarto, indo para a escada. Desci em uma velocidade de lesma, a preguiça era tanta que eu não conseguia me locomover com muita rapidez. Assim que cheguei à frente a porta tabaco da casa, girei a maçaneta e a abri, dando de cara com o um que respirava ofegante. Ele sorriu ao me ver e me deu um abraço sufocador, que nas minhas contas demorou uns quinze minutos. Tudo bem, eu sei que é exagero, mas o não sabe a força que o abraço dele tem.
- , que saudade! – ele me soltou e beijou minha testa. – Você vai morar do outro lado do continente e nem manda sinal de fogo menina.
Soltei uma risada e o abracei rapidamente. Ele passou seus braços pela minha cintura me prendendo ao seu corpo novamente e beijando o topo de minha cabeça.
- Senti tanto a sua falta meu monguinho. – olhei para seu rosto e vi a careta que ele fez e sorri.
- Você e sua mania de me chamar de mongo. – fez bico e eu ri. Levei minha mão direita até sua boca e apertei-a. – Hey isso doeu.
- Oun, que nenezinho mais lindo que a tem. – sorri e beijei sua bochecha.
- Chega né? – ele pediu fazendo uma careta e eu concordei com a cabeça.
- Mas o que aconteceu pra você vir aqui e ainda chegar ofegante? – ele abriu um sorriso gigante. Provavelmente tinha mulher envolvida.
- Um empresário lá da Califórnia veio para cá procurar pela banda. – soltei um gritinho animado. – Ele quer divulgar ela e já marcou um show para fazermos em um pub no centro.
- Que máximo , tenho certeza que vocês ainda farão sucesso. – beijei sua bochecha e ele sorriu.
- Você será nossa fã numero um.
- Disso eu tenho mais certeza ainda. – sorri abobada. Sem sombra de dúvidas eu seria a fã número um. Fui eu que vi a banda nascer, como eu não seria a principal fã dela? – Vocês já escolheram o nome da banda?
- Ainda não – ri um pouco alto, já fazia uns cinco anos que a banda existia e nem nome tinha ainda. – para de rir, a gente vai resolver isso essa semana, e você vai ajudar.
- Ok – ele riu e mordeu minha bochecha, deixando-a toda babada. – Que nojo Jones. – e depois deu sua gargalhada escandalosa.
- Agora eu tenho que contar isso pro , ele está por ai ?
- Não sei , vê lá no quarto dele. – ele fez positivo com a mão e logo depois saiu do meu campo de visão, subindo as escadas correndo.
Não tinha nada para fazer, seria uma sexta feira tediosa como quase todas as outras, então decidi caminhar pela rua. Peguei meu casaco que estava jogado no sofá, coloquei meu celular no bolso de trás da calça e abri a porta, saindo rapidamente de casa. Fui andando devagar, até chegar à calçada e olhei para a janela ao lado da minha. Pude ouvir a gritaria de comemoração que os dois faziam. Eles tinham todos os motivos do mundo para comemorar, o sonho dos quatro meninos da minha vida estava se realizando.
Comecei a andar calmamente pela rua, indo em direção ao parque que ficava no final dela. Passava calmamente pelas casas, até que cheguei à frente da qual eu morava antes de me mudar. Eram tantas lembranças boas, que meu coração até batia mais rápido. Fiquei ali parada, analisando-a. Ela estava totalmente diferente de quando eu morava ali. As coisas ao meu redor sumiram, deixando somente eu e a casa. Eu, a casa e minhas lembranças.

# Flash Back on #
Estavam sentados na guia em frente à casa da menina. Os quatro com mais o menos dez anos de idade. Conversavam sobre assuntos variados, desde besteiras até coisas que planejavam ser quando crescessem.
- Acho que eu vou querer ser astronauta, – falava sorrindo e olhando para o céu nublado da chuvosa Londres. – assim eu vou poder tocar no Sol e depois ir flutuando até Plutão. – todos começaram a rir e deu um pedala na cabeça do amigo.
- Inteligência rara, não tem como você relar no Sol, - ele bufou – e muito menos ir até o Plutão.
- E por que não tem como fazer isso? – a única garota que estava com ele se precipitou, já dizendo.
- Meu monguinho, não tem como porque o Sol é muito quente. Se você chegar perto dele morre tostado. – todos gargalharam da cara do amigo e ele fez bico – E se você for pra Plutão, vai morrer congelado. - Morrer congelado por quê? – rolou os olhos e riu alto.
- Porque ele é muito longe do Sol, . Não tem como ser aquecido. – respondeu com ignorância.
- Nossa! Como vocês estão ignorantes hoje. – levantou – Vou embora, não mereço ser tratado assim. Tenho que ser tratado feito príncipe. – e mais risadas foram ouvidas, tomando a rua.
- Nós não somos ignorante, você que é lento demais. – respondeu rindo. bufou e saiu andando, sendo seguido por e .
- Tchau ! Até amanhã. – a menina acenou e se virou para o garoto que havia ficado.
- O não tem jeito. – ela riu e ele permaneceu a observando. – Por que está me olhando assim ?
- Eu queria fazer um negócio . – ele sorriu marotamente e a menina se arrepiou. Para ela, o sorriso dele era o mais perfeito de todos.
- O que você quer fazer? – a insegurança tomou conta de seu corpo. Mas ela confiava plenamente no garoto a sua frente.
- Isso. – ele se aproximou calmamente dela. A respiração da menina estava descompensada e misturada com a do garoto. Assim que sentiu os lábios dele junto aos seus em um toque suave, seu coração acelerou. Era a melhor sensação que os dois já haviam sentido na vida. Foi apenas um toque de lábios, mas considerado o primeiro beijo para ambos.
# Flash Back off #

Pisquei algumas vezes e percebi que fazia uns vinte minutos que eu estava parada em frente aquela casa. Suspirei alto. Aquela rua poderia se chamar rua da lembrança. Tantas coisas boas da minha infância foram passadas nela. Coisas que nunca seria capaz de esquecer. E eu estava ali de novo, tinha certeza que sempre me lembraria dela e de tudo que passei com aqueles malucos que eu chamo de amigos. Tudo mudou, mas tudo muda com o passar do tempo.
Reparei que havia chego ao parque. Ele não era mais como antes. Não era mais bem cuidado, estava abandonado. Devia fazer uns dois anos que a grama não era aparada, os bancos que ficavam por ali não existiam mais. É... Agora pude ver que muitas coisas mudaram e eu não poderia fazer mais nada para que elas voltassem a ser o que era antes.
Sorri triste ao ver aquilo. Praticamente tudo que pertenceu a minha infância sumiu. Até meu melhor amigo evaporou nesse tempo que estive fora.
- Tudo mudou . – uma voz conhecida por mim ecoou por meus ouvidos, me fazendo virar a cabeça em sua direção.
- Percebi. – voltei minha atenção para o parque na minha frente – Mas também não teria como não mudar. Passaram-se tantos anos.
- Não exagera. – ele deu uma risada nasalada – Falando desse jeito parece que foram vinte anos e não quatro. – virei meu rosto para ele e sorri.
- Estava pensando, essa rua poderia se chamar rua da lembrança. – ele concordou com a cabeça. – Eu aqui novamente, mas tudo tão diferente. Apenas as lembranças ficam. – ele sorriu pra mim. O sorriso que eu mais gostava. O meu sorriso.
- Isso que você falou dá até uma música. – dei uma risadinha e ele me olhou sério – Verdade! Ela chamaria Memory Lane. Vou conversar com os meninos sobre isso. Tenho mais o menos a idéia da letra na minha cabeça.
- Ual – sorri para ele – fiquei feliz em saber que eu ajudei a formar uma musica para a banda. – ele riu.
- Você sempre ajudou . – Olhei com cara de interrogação e ele sorriu. – foi você quem sempre esteve do nosso lado, nos apoiando. Mesmo a distância eu sei que você torcia por nós.
- Sempre vou estar ao lado de vocês, não importa o que acontecer. – olhei para o céu e vi que ele estava meio escuro. – uma coisa supernormal vai acontecer – ri um pouco alto e olhou para cima.
- Vai chover.
- Sim – senti um pingo cair na minha testa e me preparei para correr. – Corre .
Sai correndo e logo ele me alcançou, me abraçando por trás e me levantando do chão, igual como fazíamos antigamente. Percebi o que fez e sorri. Nossa amizade poderia estar voltando ao normal? Não, porque quando ele percebeu o que tinha feito logo me colocou no chão.
- Desculpa. – ele me virou para ele – Me animei muito. – abaixei minha cabeça e ouvi seus passos se distanciarem de mim. – Vamos logo antes que invés de garoa isso se torne uma chuva.
Comecei a andar ao lado dele acompanhando seus passos apressados. Talvez a nossa amizade nunca mais voltasse a ser a mesma de antes, mas de uma coisa eu tinha certeza: nunca desistiria de tê-la novamente.

Capítulo 9

A semana passou correndo, e quando dei por mim, já estávamos na sexta feira, um dia antes da festa na casa do . Eu e as meninas estávamos sentadas em uma das mesas, que ficavam no pátio do colégio, tagarelando sobre o que faríamos no fim de semana.
tinha me ligado na quarta feira, pedindo para que eu levasse e as outras meninas na festa. E através disso não me restaram dúvidas de que ele tava a fim da .
Ele sempre fora a fim dela, mas ela nunca deu bola para ele. Nessa festa, estava prevendo que ele faria alguma coisa para conquistá-la, o problema maior era que, namorava fazia dois anos um engomadinho da marinha que tinha vinte e três anos, e obviamente ela não iria ficar com o .
As meninas não tinham idéia do que fazer no fim de semana, e nada seria mais legal que uma festa. Então abri um sorriso e me curvei a elas.
- Meninas, já sei o que podemos fazer amanhã. - elas pararam de conversar e me olharam na hora. – Acho que vocês sabem que amanhã vai ter uma festa na casa do . – fez careta junto com , sorriu.
- Eu já estou sabendo. – ela falou e seu sorriso aumentou ainda mais. BR> - E como você sabe? – perguntei curiosa. Pelo que sabia, nenhuma das meninas suportavam eles, com exceção da minha pessoa.
- Bom, tenho que contar uma coisa pra vocês. – todas olharam para ela, que sorria estupidamente – Eu estou ficando com o . – a única coisa que consegui fazer foi abrir minha boca e ficar encarando ela. Como assim ficando com ?
Eles sempre brigavam quando se encontravam e agora estavam ficando? Tudo isso teria que ter uma boa explicação. Mas antes que eu perguntasse já se adiantou.
- Como assim ? – ela olhou para ela fazendo uma careta. – Você vivia em guerra com ele e agora estão ficando?
- Meninas, vocês mais do que ninguém sabem que eu sempre gostei dele, mas nunca admiti. – ela piscou pra mim. Eu sabia de tudo da vida da , Até por que nós crescemos juntas. – Mas aconteceu na nossa última discussão. Já cansada de sempre brigar com ele, falei que não agüentava mais a gente com essas coisas bestas de discutirmos sempre que nos víamos, e que mesmo ele sendo metido, chato e prepotente, era por ele que meu coração batia mais forte. – E todas nos fizemos um coro de ‘’own’’ e ficou vermelha na hora. – E depois disso ele me puxou pelo braço e me beijou. – e seu sorriso abriu novamente.
- E quando isso aconteceu? – perguntou.
- Faz umas duas semanas.
- E por que você não contou pra gente, sua besta? – perguntei furiosa, mas não deu tempo de responder, porque o sinal bateu avisando que o intervalo havia acabado. – Você vai me contar isso depois. – ela concordou com a cabeça e saiu andando em direção contrária a nossa, porque o armário dela ficava do outro lado.
Eu, e fomos em direção aos nossos armários, que ficavam perto um do outro. Abri o armário e peguei o material das três aulas que eu teria, fechei o mesmo e me virei para as meninas.
- Qual é a próxima aula de vocês?
- Eu tenho química. – respondeu e fez sinal de que vomitaria – E você?
- Tenho geografia. – fiz careta e ela riu.
- Eu também tenho . – respondeu e se jogou em cima de mim. – mas acho que a gente se vê na aula.
- Por que sua louca? – minhas sobrancelhas se uniram em uma cara de interrogação, e e sorriram.
- , vamos? – ela sorriu maliciosa. – Tem gente querendo falar com a .
Virei-me para trás e vi Matt encostado em um armário, com a calça da escola na metade de sua bunda, uma rosa vermelha em sua mão e um sorriso lindo estampado no seu rosto. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas.
- Posso falar com você? – ele perguntou em um tom calmo, e o sorriso continuava em seu rosto.
- E-eu tenho aula agora. – gaguejei e senti meu rosto ferver mais ainda. Olhei para as meninas que me lançaram um olhar “ou vai ou a gente te mata”.
- Tudo bem então. – seu sorriso murchou. – Já te fiz perder aula essa semana.
- Ela vai com você Matt. – colocou as mãos na minha cintura e me empurrou até ele. Lancei um olhar reprovador para ela, que sorriu abertamente para mim. Cerrei meus olhos e ela virou na direção da . – Vamos? - Vamos Ms. – elas entrelaçaram os braços e saíram andando, deixado eu e Matt sozinhos no corredor vazio do colégio.
- , - olhei para ele, que me encarava serio. – se você não quiser conversar agora, não tem problema.
- Não Matt, a gente pode conversar. – sorri tímida.
- Então é melhor irmos para outro lugar. – gelei na hora que ele disse essas palavras. Lembranças desagradáveis de um passado não muito distante invadiram minha mente. Senti meus olhos encherem de lágrimas, mas me segurei. Não me permitia chorar na frente de ninguém por uma coisa que eu havia feito.
– Está tudo bem,? – ele me perguntou preocupado e apenas concordei com a cabeça. – Então vamos. – ele me estendeu a mão, e assim que a peguei ele entrelaçou seus dedos aos meus.
Guiou-me até a escada desativada da escola. Abriu a porta me dando passagem e entrou logo depois, fechando-a atrás de si. Sentei-me em um dos degraus. Ele parou na minha frente e entendeu a rosa na minha direção.
- Obrigada. – sorri gentilmente e ele retribuiu. – Então... O que você queria me falar? – ele agachou na minha frente e pegou minha mão.
- Sei que tô enchendo o saco insistindo nisso, - ele suspirou e eu abaixei meu olhar – mas não vou desistir de você . – comecei a perceber aonde ele queria chegar. Novamente ele me pediria uma chance. – Eu só queria te ter comigo . Queria que você fosse minha! Minha namorada, minha razão de tudo. – ele soltou minha mão e virou-se, encarando a parede. Passou a mão nos cabelos castanhos, mostrando o quão nervoso ele estava. Virou-se para mim novamente – Não consigo parar de pensar em você .
- Matt, - minha voz era cansada, demonstrando que não estava a fim de ter aquela conversa. – não posso fazer isso.
- Por quê? – o tom de sua voz aumentou me fazendo estremecer. – Só me dá um motivo convincente.
- Eu não gosto de você da mesma forma que você gosta de mim. – olhei para o all star branco e sujo que estava nos meus pés sem coragem de encará-lo. Pude ter sido dura com as palavras, mas aquilo não passava da verdade.
- Você gosta do , não é? – ele me perguntou com um tom furioso em sua voz. – Quero a verdade .
Essa era uma pergunta que nem eu saberia responder. Sentia o como algo muito além de amigo. Sabia que gostava dele além do que devia, mas não saberia dizer se era paixão.
O conhecia desde que me via por gente. Foi sempre ele que esteve ao meu lado quando precisei. Foi sempre ele que esteve aqui. Sempre acharam que nós éramos namorados, por estarmos abraçados e juntos quase todo dia. Mas depois que mudei, nossa relação esfriou muito, tudo bem que eu fiz por merecer esse afastamento.
Uma coisa eu tenho que confessar. Seus míseros toques me fazem estremecer, e ao vê-lo meu coração díspar. Ninguém tem o poder que ele tem sobre mim. Ninguém me faz sentir o que ele faz quando estou perto dele, e se isso é estar apaixonada, então sou apaixonada por ele desde que o conheci.
Nossas mães sempre falavam que éramos o encaixe perfeito. Talvez fôssemos mesmo, mas nunca percebemos. Éramos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Éramos como se fossemos apenas um.
Sorri sozinha ao pensar aquilo de . Agora o que eu mais desejava era tê-lo ali, perto de mim e falar tudo o que eu havia acabado de descobrir. Falar para ele que era perdidamente apaixonada por ele, desde sempre.
Fui acordada de meus pensamentos pela voz grave do Matt. Olhei assustada para ele.
- Hein ? – ele bufou impaciente. – Me responde.
Uma corrente de sanidade passou pela minha cabeça me fazendo cair na realidade e desmanchar todos os meus planos felizes que eu estava fazendo. Talvez não sentisse a mesma coisa por mim. Aquilo que eu estava sentindo poderia ser um sentimento que não seria respondido. O medo me tomou, me fazendo pensar melhor em minhas atitudes. Se eu aceitasse o pedido de namoro do Matt, eu poderia ter achado a chave para minha felicidade. Se eu fosse atrás do , ele poderia me dar um pé na bunda e me mandar ir à merda. Então tomei minha decisão.
- Eu aceito namorar você Matt. – ele abriu um sorriso imediato e pegou minha mão, puxando-me para cima. Tocou seus lábios no meu e pediu permissão, que foi cedida logo em seguida, para aprofundar o beijo.
Ficamos ali, na escada desativada, até tocar o sinal avisando que todas as aulas haviam acabado e que estávamos liberados.
Ele entrelaçou seus dedos no meu e saímos da escada em direção ao grande pátio central, onde todos estavam esperando ansiosamente os portões serem abertos.
Andamos até as meninas que nos olharam e sorriram.
- E qual é a novidade? – perguntou.
- Ela agora é só minha. – ele me deu um selinho demorado e assim que se afastou meus olhos se encontraram com o da pessoa que eu não queria que visse aquela cena. Meus olhos se encontraram com o do , que me olhou com desprezo. Segurei o choro e olhei para o Matt.
- Será que você pode me levar para qualquer lugar que não seja a minha casa?
- Claro amor. – e me deu mais um selinho, e depois me puxou até seu carro, no qual saímos para qualquer lugar que não me fizesse ver o .

Capítulo 10

Matt havia me levado para uma sorveteria que ficava perto do colégio, mas nosso passeio não durou muito tempo porque o pai dele ligou falando que ele precisava ir para empresa trabalhar.
Eram exatamente quatro e meia da tarde, eu estava deitada na minha cama fitando o teto branco quando ouvi baterem na porta. Apenas gritei um “entra”. Não estava nem com coragem de ir tomar banho.
Quatro meninos entraram no meu quarto, mas apenas três pularam em cima da minha cama. O outro ficou encostado na parede com os braços cruzados e um leve sorriso no canto dos lábios vendo a cena.
Eu sorria para aqueles três patetas que estavam ali me abraçando, mas sentia falta de um deles. O mais especial deles.
Meu sorriso murchou na hora, mais logo meus pensamentos de “eu sinto falta do “ sumiram, porque eu pude ouvir a voz dos dois meninos que eu ainda não havia visto desde que cheguei ecoar pelo local, me fazendo abrir o sorriso de novo.
- Estou muito chateado com você ! – tentou fazer cara de bravo, mas teve total fracasso.
- Por que ? – fiz voz de bebê e riu fraco.
- Porque você volta de viagem e nem se da o trabalho de ir nos visitar. – ele fez bico e fui engatinhando até ele e mordi sua bochecha. – EEEEW! Que nojo .
- , tem como parar de ser fresco? – levantei uma sobrancelha.
- Parei, parei. – ele sentou direito na cama e olhou bravo pra mim. – Mas me fala por que a senhorita não foi me ver...
- Isso ai , fala por que você não foi ver seus pobres amigos.
- Primeiro, porque quando eu cheguei vocês estavam na Califórnia. – sorri amarelo – e segundo por que... Ah! Eu não sei onde vocês moram.
- Aff, , era só você pedir pro te falar. – falou meio nervoso. Pelo visto ele ainda não sabia que desde que voltei, não falava mais que o necessário com o .
Olhei para o garoto encostado na parede e abaixei o olhar. Agora os dois que estavam ao meu lado me encaravam confusos.
- Eu acho que não tô por dentro das coisas que estão acontecendo. – falou em um tom fraco e o me olhou confuso.
- É , você não está sabendo de nada que anda acontecendo – disse. Depois se virou e saiu do quarto.
Senti um dedo passar por baixo dos meus olhos e levantei meu olhar. estava ao meu lado e me puxou, fazendo-me encostar em seu peito.
- Não fica assim . – ele acariciava meus cabelos. – o vai deixar de ser cabeça dura e te perdoar.
- To bem , – sorri fraco pra ele – meio que me acostumei com isso.
- Desculpa Chuchu – pegou minha mão e lambeu-a me fazendo gargalhar – eu não sabia que vocês não se falavam.
- Verdade , a gente não sabia – fez carinha de neném e eu apertei suas bochechas. Olhei para ele e mordi meu lábio inferior.
- Eu tava com saudade desse seu bochechão zinho. – todos gargalharam e ele rolou os olhos. – Mas mudando de assunto... Que historia é essa do estar ficando com a ? – corou imediatamente , e me olharam perplexos. – Ops, eu não sabia que você não tinha contado.
- Você e sua boca. – ele bufou. – To pegando a sim.
- Safado! – fez cara de ofendido e voz de gay. – Fica me traindo com qualquer uma. – Ri alto. Como eu sentia falta desses bocós falando besteiras e se fazendo de gay.
- Mas agora essa moça merece um castigo por ter falado demais. – fez cara de vilão e piscou para os outros dois.
- E qual será o castigo chefe? – sorriu diabolicamente.
- Já sei! – chegou perto de e cochichou alguma coisa que não consegui ouvir e depois passou para o que sorriu mais ainda. Quando menos esperei estava encolhida na cama com os três em cima de mim me enchendo de cócegas.
- Chega... – gargalhava alto e estava quase sem fôlego. – Pelo amor de Deus. – Eles se afastaram de mim e pude respirar.
Era tão bom ter eles ao meu lado novamente, foi disso que eu senti mais falta no Brasil, meus amigos. Agora me sentia completa, ou quase completa, por que para estar completa só faltava um deles perto de mim.

Estava nos quatro deitados na minha cama assistindo De Volta Para o Futuro. Com certeza aquele filme era o melhor de todos. Era que marcava minha vida com os meninos, era ele o filme que eu e aqueles garotos mais gostávamos, sem sombra de duvidas.
- Eu queria ser o Martin McFly. – resmungou fazendo bico, parecia uma criança de cinco anos que não ganhou bala.
- E porque isso ? – levantou a cabeça e olhou para ele franzindo a testa.
- Porque ele pode ir pro futuro e eu não. – ele bufou alto. Parecia inconformado. A única coisa que eu fiz foi rir alto.
- Sabe de uma coisa? – se sentou na cama e nos fizemos um barulho pra que ele dissesse. – A nossa banda podia chamar McFly. – gargalhou alto.
- Me dê um bom motivo pra ela ter esse nome. – olhou serio para ele. - Pô, a gente curte pra caramba De Volta Pro Futuro, o Martin McFly é o personagem principal e o cara mais foda de todos os tempos. E isso não é só eu que acho. – ele olhou para todos com uma cara de “estou mentindo?”. – Porque não colocar o nome da nossa banda de uma coisa que todos nós gostamos?
- Dude, não é que ele tem razão. – , olhou para o sorrindo.
- Boa moleque. – e fizeram um hi-five. – Só temos que contar pro . – Os três levantaram da minha cama e saíram correndo pela porta pra ir contar que já haviam escolhido o nome da banda.
Fiquei ali na cama mais uns cinco minutos e decidi levantar para ir tomar banho, mas antes que pudesse pegar minha roupa o celular tocou avisando que eu havia recebido uma nova mensagem.
Olhei no visor e não identifiquei o numero. Apertei o botão que permitia ler a mensagem.
Cada palavra que estava ali me fazia sentir um temor em meu corpo. Minhas mãos começaram a tremer e soltei o celular, fazendo com que ele caísse no chão. Um grito saiu de minha boca e logo escorrei para o chão abraçando minhas pernas. Grossas lágrimas começaram a cair pelo meu rosto, e eu dava soluços altos. Será que meu piro pesadelo estava voltando? A pessoa na qual eu mais tinha medo estava por perto de novo? Um calafrio passou por meu corpo ao pensar naquela possibilidade. Ele não podia ter descoberto onde eu estava. De jeito nenhum aquilo poderia acontecer.
Senti um braço passar por meus ombros e me puxar para o seu peito. Meus soluços eram altos.
- O que aconteceu ? – a voz que sempre me acalmava estava bem ao meu lado, me passando conforto.
Respirei fundo e o abracei com toda força. Tudo que eu precisava naquele momento era dele e da sua proteção. Funguei alto e pude ver com o meu celular em suas mãos.
- Isso aconteceu . – ele entregou o celular na mão do dele.
Na mensagem estava escrito “eu sei onde você está, não adianta se esconder docinho”.
- Quem é ele ? – respirou fundo. Mesmo ele não demonstrando que ainda gostava de mim da mesma forma, sabia que seus sentimentos por mim nunca haviam mudado, assim como os meus por ele continuavam os mesmos, ou mudados para uma coisa que ainda continuava afetiva. Podia sentir em seu tom de voz o quão difícil estava sendo para ele me ver daquele jeito. – Me fala o que ta acontecendo pequena. Se você não em falar eu não vou ter como te ajudar.
A voz dele era de preocupação, aquilo estava fazendo meu coração quebrar em vários pedaços. Mas eu não tinha forças pra falar, não tinha coragem de contar o quão burra e insana tinha sido. O julgamento dele me faria ficar pior.
Fiquei ali encolhida ao seu lado, o sentindoele passar seus dedos levemente por meus braços. , e estavam ajoelhados de frente para mim.
- Acho melhor vocês irem embora, dudes. – a voz do era tensa. – Eu cuido dela, pode deixar.
- Não briga com ela . – olhou pra mim com pena. – Por favor.
- Pode confiar. – um suspiro saiu da boca dele. Cada um dos três meninos me deu um beijo na testa e saíram do quarto, me deixando ali sozinha com ele.
levantou do chão me pegando no colo e colocando na cama em seguida. Sentou-se ao meu lado e começou a passar a mão em meus cabelos, fazendo um cafuné.
- Vou buscar um calmante pra você. – se levantou e saiu andando.
- , - ele voltou até a ponta da cama e colocou a mão na minha perna. – fica aqui, por favor. Não me deixa sozinha.
- Tudo bem. – ele sentou e depois deitou ao meu lado na cama, passando a mão em meus cabelos – Vai ficar tudo bem pequena, eu to aqui com você.
Não consegui responder nada, apenas fechei meus olhos e dormi sentindo seu cafuné que eu tanto havia sentindo falta.

Senti um corpo se mexer ao meu lado. Abri meus olhos e vi que estava ali. Seus braços passavam por minha cintura fazendo com que meu corpo ficasse colado ao dele. Seu dedão fazia movimentos circulares em meu braço, dando-me uma ótima sensação. Minha cabeça estava repousada em seu peito, permitindo com que sentisse subir e descer por causa da sua respiração. Virei minha cabeça para poder ver seu rosto perfeito, e assim que o encontrei, pude ver seus olhos abertos. Ele me olhou e sorriu fraco.
- Desculpa, - ele deu um beijo no topo de minha cabeça. – não queria te acordar.
- Que horas são? – dei de ombros a sua desculpa sem cabimento. Afinal, ele devia estar totalmente desconfortável.
- São... – ele virou a cabeça em direção ao rádio-relógio que ficava na mesinha de cabeceira – quatro e vinte e duas da manhã.
- Você não dormiu? – perguntei em um sussurro. O , meu melhor amigo, faria isso por mim, mas acho que esse que me adiava, não.
- Não se preocupa comigo ... – me ajeitei, sentando ao seu lado, e logo ele me puxou novamente para si. Encostei minha cabeça em seu ombro e seu cheiro inebriante entrou em minhas narinas me entorpecendo.
- ... – ele fez um barulho com a boca, querendo dizer para eu continuar. – Tenho que te contar tudo que aconteceu comigo no Brasil. – soltei um soluço involuntário. Percebi que estava chorando descontroladamente. Ele colocou suas mãos na lateral do meu rosto e passou levemente o dedão em baixo de meus olhos, para limpar as lagrimas que caiam. – Não posso mais esconder nada de você! – as palavras quase não saiam de minha boca. Mas tinha que contar para ele. Não agüentava mais estar naquela situação, sem sua amizade, sem seu carinho.
- Pequena, eu já sei de tudo. – ele segurou minha mão e a beijou. – Agora tem como a senhorita voltar a dormir? – soltei um suspiro.
- Canta pra mim? – fiz uma voz manhosa e ele sorriu abertamente.
- A sua musica?
- É... – fui escorregando devagar ao seu lado, até deitar-me novamente. – Canta a minha musica.
- Hey, I'm looking up for my star girl... – seus lábios estavam grudados em meu ouvido e sua voz tinha em tom suave, como se estivesse cantando uma cantiga de ninar para um bebê. Aos poucos o sono foi me invadido. Meus olhos se fecharam e não quiseram mais abrir, e então eu novamente dormir.

Capítulo 11

- , chuchuzinha, – meus olhos estavam fechados, mas conseguia ouvir os risos que ecoavam pelo quarto. – hora de acordar.
Virei-me na cama e tampei minha cabeça com o travesseiro.
- , - tirou o travesseiro de meu rosto e o jogou longe. A claridade bateu em meus olhos e gemi baixo. – acorda garota.
Pisquei algumas vezes e abri meus olhos definitivamente. Queria continuar dormindo, mas as três meninas que estavam em meu quarto, com certeza, não deixariam. Xinguei-as mentalmente e me levantei, indo direto para o banheiro.
Olhei-me no espelho e vi as olheiras roxas em baixo dos meus olhos. Estava literalmente acabada.
Mas não era para menos. Nem todas as pessoas têm um passado a se temer, eu sou uma das que tem. Sinceramente, eu não desejo isso a ninguém. É horrível ter culpa da morte das pessoas que mais te amaram em todo mundo, e que você mais ama. Não desejo a ninguém essa dor, insuportável, e também incurável. Eu viveria com ela para sempre, com a dor e a culpa.
Senti meus olhos molhados, então passe rapidamente a mão em baixo deles para que não houvesse nenhuma lágrima derramada. Só me permitiria chorar sozinha em meu quarto, mas isso ultimamente não acontecia, andava chorando em todos os lugares e a qualquer momento em que me lembrava de tudo, e isso era tão injusto para as pessoas que estavam ao meu redor. Tinha total noção disso.
Passei água em meu rosto e fiz minha higiene matinal, logo saindo do banheiro vestida com uma calça jeans e uma baby look simples na cor azul. Sentei na cama e comecei a vestir minhas meias coloridas, colocando logo em seguida meu Nike branco com o símbolo feito de lantejoulas prata.
- Já esá pronta madame? – me olhou e sorriu amigavelmente. Apenas balancei a cabeça, afirmando. – Meninas, vão descendo, - lançou um olhar que eu não soube descrever para elas. – vou falar um negocio rápido com a . – elas se viraram e saíram do quarto sem protestarem e nem dizerem uma só palavra.
- Que foi ? – estava fitando meus pés, vendo como meu tênis precisava ser lavado.
- , - ela suspirou e sentou ao meu lado, pegando minha mão esquerda. – o veio falar comigo hoje na hora que eu cheguei. – olhei para ela com temor. E se ele tivesse falado às coisas que aconteceram no Brasil? O que será que estaria pensando de mim agora?
Uma lágrima rolou por meus olhos, que logo foi limpa pelos dedos delicados de . – Ele não me contou o que aconteceu, nem nada disso, falou que é uma coisa pessoal sua. – ela suspirou – Você me conhece bem e sabe como estou curiosa para saber, mas não vou pressioná-la para me contar. Só pedi para conversar com você porque ele está muito preocupado, e como você conhece a figura, já pode até imaginar que ele jamais vai dar o braço a torcer e vir te perguntar como você está. Então essa missão ficou para mim.
- Eu... – na verdade não tinha o que falar. Sabia da preocupação dele e o porquê dela. Mesmo ele falando que não queria mais a minha amizade nem nada que viesse de mim, eu o conhecia muito bem para saber que era tudo mentira.
- Ele só me pediu pra cuidar de você. – sorri fraco. – Também me pediu para te distrair hoje, então resolvi que vamos fazer compras para ir á festa do .
- , pelo que eu sei você não iria a essa festa porquê o Paul não deixou. – franzi o cenho e ela deu de ombros.
- Ele vai ter que viajar com a marinha, então me liberou. – ela sorriu.
- Mas de verdade, não estou em pique para festas. – fiz bico e ela se levantou.
- Você vai se divertir e esquecer o que aconteceu. – ela saiu andando até a porta e parou com a mão na maçaneta. – Pega sua bolsa e encontra a gente lá em baixo.
Concordei com a cabeça e me levantei da cama. Fui até o cabideiro e peguei minha bolsa. Chequei se tudo estava dentro dela e sai do quarto.
Andei pelo corredor e assim que passei pela porta do quarto de meu celular tocou. Soltei um grito e larguei minha bolsa no chão, me encostando na parede oposta da porta dele e me sentando com os braços envolvendo as pernas. As lágrimas começaram a cair desesperadamente. Meus pensamentos vagaram para a noite anterior, quando esse mesmo toque avisava a mensagem de texto que eu havia recebido. E se ele estivesse me mandando outra mensagem?
O pânico tomou conta de mim e as lágrimas continuaram caindo, como uma cachoeira, molhando meu rosto.
Logo estava sentado ao meu lado com os braços ao meu redor, os meninos e as meninas parados na minha frente e com o celular em suas mãos.
- , é só uma mensagem do Matt avisando que ele teve que ir para a Irlanda ver a avó dele que esta doente, então desmarcando o passeio de vocês amanhã.
As meninas me encaravam tentando entender o porquê do meu estado de choque ao receber uma mensagem. Já os meninos me olhavam com pena, sabendo que eu estava com medo de receber uma mensagem que nem a da noite anterior.
começou a se levantar comigo e foi me guiando escada a baixo, indo em direção a cozinha. Ele puxou uma cadeira e me sentou na mesma, ficando ao meu lado. pegou um copo e entregou para , que colocou açúcar e água, me entregando logo em seguida.
- Bebe isso, você precisa se acalmar. – sua voz era doce e cheia de pena. estava abraçada com , ambos encostados no batente da porta. passou rápido por eles e parou na frente ao lado de , com seus olhos focados em mim.
- Acho melhor ela não sair com vocês. – ele se virou para , seu olhar era sério e cauteloso.
- Pelo contrário. – ela se virou para ele. – Ela tem que sair e tentar se distrair.
se virou para que me olhava piedosamente.
- Dude, e se aquilo de ontem for verdade. – ele falava rápido – E se esse homem da mensagem estiver seguindo ela? Não podemos deixar as quatro sair sem um homem junto.
- Você homem ? – deu uma gargalhada falsa. – Faça-me rir.
- Tem como vocês dois pararem? – falou pela primeira vez num tom sério. – O assunto é serio para vocês ficarem discutindo. – ele bufou.
- Eu concordo com o falou e apenas sacudiu a cabeça concordando também.
- Claro que a vai concordar com o revirou os olhos – ele é namorado dela.
- Nada a ver . Só concordo com o lado que tem razão.
- Você nem sabe o que aconteceu ontem. – argumentou brava.
- O me falou. – bufou contrariada e revoltada por não saber das coisas e logo após saiu da cozinha dando passos firmes que demonstravam sua raiva. Ela sempre fazia isso quando se revoltava.
- Tem como vocês pararem com a discussão? – falou pela primeira vez. Ele estava tentando parecer calmo, mas eu sabia o quão temeroso ele estava por dentro. – Isso não está ajudando a em nada. – todos ficaram quietos. Eu concordo com o , não é seguro a ela sair sem nenhum menino ou homem, como vocês quiserem, junto.
- Não , - me levantei e encarei todos. – não vou parar minha vida por isso.
Ele suspirou e não falou nada. Apenas deu de ombros e saiu da cozinha logo após murmurar um “então faça o que quiser”. Todos os seguiram, menos , que veio em minha direção e beijou minha testa.
- Você podia concordar pelo menos nisso com ele, . – ele sorriu fraco. – Você sabe que ele tem razão. E já deu pra perceber que ele está muito preocupado e machucado com toda essa situação.
- Eu sei. – abaixei meu olhar para os pés e senti dedos gentis erguer minha cabeça em direção ao seu rosto.
- Ele não está apenas machucado por você estar passando por isso. Também está machucado por você ter aceitado namorar o playboyzinho. – logo após falar do Matt, fez uma careta.
Não falei nada, apenas me virei e sai da cozinha, subindo rapidamente a escada e me trancando no quarto.

Eram sete horas da noite e eu estava fitando o teto branco do quarto. Havia ficado a tarde inteira trancada ali apenas pensando no que estava acontecendo na minha vida. Em toda reviravolta que ela tivera.
Ontem tive comigo quando eu precisei, mas e se eu continuasse namorando o Matt eu ainda o teria perto de mim? Acho que não, por que já estava mais do que esclarecido que Matthew McLaine jamais seria amigo do , querendo dizer que provavelmente ele não iria permitir mais que eu tivesse qualquer amizade com o . Mas uma pergunta rondava minha mente, será que eu conseguiria ficar longe do por causa do meu namorado?
E claro que essa pergunta tinha uma resposta, que estava na cara. Não iria conseguir ficar sem ele, porque apesar de namorar Matt, eu amava , e além de tudo, meu namoro com o Matt era recente demais para eu abrir mão de certas coisas.
Ouvi algumas batidas na porta que me fizeram acordar de meus pensamentos torturantes. Levantei e fui em direção a ela, destrancando-a e abrindo.
Ele estava parado ali, com sua bermuda na metade da bunda, camiseta verde da Hurley, seu tênis de skatista. Seus olhos focados em meu rosto e seus lábios retos, não demonstrando nada. Dei as costas para ele e fui em direção a cama, me jogando na mesma e cobrindo-me. Ele foi atrás de mim e se sentou na beira dela.
- Você não vai para a festa? – ele perguntou em um tom sereno e eu o olhei brevemente.
- Acho melhor eu não ir. – ele se levantou e logo se sentou novamente, mas dessa vez perto de mim.
- , sei que você pode estar com medo, mas o ficaria muito feliz com sua presença. – e naquele momento comecei a me perguntar onde estava o que falou que não queria nunca mais me ver. Conseguia sentir a felicidade transbordando dentro de mim com o provável perdão que tinha ganhado dele. Talvez eu tivesse imaginando errado que nunca mais teria meu amigo de volta, por que ele estava ali, parado na minha frente sendo exatamente o mesmo carinhoso que era há quatro anos.
- Antes de falar se vou ou não, quero conversar com você. – ele concordou com a cabeça e eu continuei. – sei que te machuquei aceitando namorar o garoto que você odeia, mas eu quero sua amizade de novo mais que tudo.
- ...
- Cala a boca e me escuta. – coloquei o indicador levemente em seus lábios. – , você sabe que sua amizade é muito mais importante do que qualquer coisa. – suspirei e olhei para minhas mãos – Você e seus pais são as únicas pessoas que eu tenho agora, e você, além de tudo que fez quando voltei, é a pessoa mais importante para mim. Sei que estou te deixando infeliz com esse namoro, mas...
- Não quero discutir isso agora. – ele se levantou e parou olhando para mim. – Mas se você quer mesmo saber, eu não gosto dele e não queria que você tivesse namorando ele. Como dizem, as pessoas fazem o que querem. – e logo após essas palavras saiu do quarto.
E como sempre soube, quem fala o que quer, ouve o que não quer.

Capítulo 12

Desci do carro assim que o parou na frente da casa dos meninos. Pelo visto a festa estava bombando. O som dava para ser ouvido a um quarteirão de distância, tinha pessoas no gramado da frente e carros estacionados na rua inteira.
Assim que entrei na casa, senti o cheiro de cigarro e bebida. Tinha várias pessoas dançando no meio da sala, que naquele momento tinha se tornado uma pista de dança. Fui passando espremida pelas pessoas até conseguir chegar a porta que dava para o fundo da casa.
Ali estava montado um pequeno palco, no qual eu tinha certeza que – agora – o McFly se apresentaria na noite. A piscina tinha cerca de umas dez pessoas bêbadas dentro.
Comecei a procurar as meninas com os olhos, e assim que vi o andei em direção a ele. Se as meninas tivessem vindo, com certeza estariam juntas, e uma coisa que seria mais certeza ainda, era que a estaria com o . Andei até onde ele estava e ri baixo assim que cheguei.
- Que foi doida? – me fitou com a testa franzida.
- Eu vi o e deduzi que se você tivesse vindo estria com ele. – olhei para o ele e sorri. – Pelo visto não me enganei. – fez uma careta e mandei um beijo pra ela.
- está espertinha – sorriu debilmente e que estava ao seu lado fez uma careta –, começando a dar uma de Sherlock Holmes e desvendando as coisas.
- Acho que já temos alguém bêbado aqui. – chegou por trás de nós e deu seu sorriso branco e lindo.
- Concordo. – levantou a mão e sorriu. Mais um que estava visivelmente bêbado entre nós.
- Bom, mas não é de bebum que quero saber. – fiquei entre a e o , ele não gostou nem um pouco diss, já ela adorou e pude ver que respirou aliviada.
- O que você gostaria de saber? – chegou entre nós e pegou minha mão, me puxando em sua direção na intenção de me dar um abraço, que logo foi correspondido.
- Quero saber que horas vai rolar o show do McFly. – sorri triunfante para ele e todos os meninos sorriram junto. Pude ver no rosto de cada um que era a coisa que eles mais queriam na noite. Queria ver a banda que eles tanto amavam e se dedicavam tocando para aquelas pessoas que estavam presentes ali.
Todo pensamento ruim que estava na minha cabeça passou no momento em que vi a felicidade daqueles garotos. De uma coisa agora eu tinha certeza: o McFly com certeza seria um fenômeno, e eles mereciam isso pela dedicação e o amor que tinham pela banda e tudo que ela envolvia.

Os meninos não estavam mais conosco, agora no grupo só tinha nós mulheres. Estávamos sentadas em uma mesa perto do palco improvisado que o havia montado ali, esperávamos – pelo menos eu esperava – ansiosas para que eles entrassem logo. havia me dito que teria uma surpresa nessa primeira apresentação deles e eu queria mais que tudo ver o que seria isso.
- Que foi ? – olhei para ela que encarava o celular com uma cara preocupada.
- O Greg não sabe que eu estou aqui. – ela continuou fitando o aparelho.
- Disso eu sei, mas ele não estava viajando com a marinha?
- Estava – ela me olhou e suspirou. –, mas pelo visto foi cancelado e agora ele estava voltando, e pior, indo direto para minha casa.
- E o que você vai fazer? – sempre dava um jeito de entrar de bico na conversa. Ela se colocou curvada entre nós duas e começou a encarar a com um olhar assassino.
- , você sabe que o Greg não gosta dos meninos, muito menos do – ela fechou os olhos e logo depois abriu, demonstrando o quão cansada estava desse assunto de briga entre o e o seu namorado.
- Mas agora só por que ele não gosta do você vai ter que ir embora? – bufou irritada. – Poupe-me . Você não pode ser capacho desse homem pra toda vida.
- , tem como você parar de se intrometer na MINHA vida? – levantou imediatamente da mesa e saiu andando para dentro da casa, e eu obviamente a segui.
Ela andou até a sala que estava mais vazia e se sentou no sofá. Sentei-me ao seu lado e peguei sua mão.
- A tem que aprender que meu namorado não é que nem o dela. – ela passou a mão bruscamente pelo rosto, tentando se livrar das lágrimas que caiam. – Ela tem que ver que o Greg não é amigo dos meninos, que nem o namorado dela.
- , eu sei o que isso é complicado.
- Não , você não sabe por que o Matt não te proibiu de andar com os meninos. – Suspirei.
Uma coisa eu sabia: ele ainda não havia tido a oportunidade de proibir, mas assim que fosse possível, tentaria me impedir de andar principalmente com o .
Teve um som de gritaria vindo fora da casa, então eu deduzi que os meninos estariam prestes a entrar no palco.
Olhei para e limpei a última lágrima que escorria por seu rosto.
- Não chora mais por causa disso . – sorri para ela tentado lhe passar confiança. – Se isso não se resolver, não vai ser nada bom você continuar com o Greg.
- Sei disso. – e logo após essas palavras ela se levantou junto comigo.
Fomos andando espremidas pelas pessoas até chegarmos ao lugar onde estávamos antes. Sorri ao ver os quatro meninos em cima do palco. Estavam lindos e tinham uma ótima presença.
Ao redor deviam ter pelo menos umas setenta pessoas, que com toda certeza iriam adorar o show, que nem eu e minhas amigas ali presentes.
olhou pra mim, me lançando uma piscadela e foi em frente ao microfone para anunciar a primeira música.
- Olá galera. – ele sorriu mostrando seus dentes lindos e tortos. – Esse é o McFly e as músicas tocadas hoje são de nossas autorias.
- E a primeira chama-se Obviously. – foi quem falou dessa vez e logo sorriu para a , que virou a cara fingindo não ser com ela.
Logo os primeiros acordes da música começaram a ser tocados, e todos os presentes batiam palma no ritmo.

Recently I've been
(Recentemente eu tenho)
Hopelessly reaching
(Esperançosamente procurado)
Out for this girl
(Por essa garota)
Who's out of this world
(Que está fora desse mundo)
Believe me
(Acredite)

estava tocando animadamente e não tirava seus olhos da direção em que eu estava. Aquele olhar, sem sombra de dúvidas era para , que estava parada ao meu lado com os olhos fixos nele.
Seu sorriso estava fraco, mas dava para ver que ela havia percebido que a música tinha um grande significado.

She's got a boyfriend
(Ela tem namorado)
He drives her round the bend (Ele dirige com ela pela curva)
'Cause he's 23
(Porque ele tem 23 anos)
He's in the marines
(Ele está na marinha)
He'd kill me
(Ele me mataria)

Meus olhos se viraram para a minha amiga, assim como da e da . Olhávamos para ver qual reação ela teria.
Sabíamos que não esperava que o fizesse aquilo, na verdade nem nós esperavamos uma música feita especialmente para ela.
Podíamos ver claramente que ela estava feliz com aquilo. Talvez ela também sentisse por ele a mesma coisa, mas não tinha coragem de demonstrar.

For so many nights now
(Por tantas noites )
I find myself thinking about her now
(Eu me pego pensando nela)

Meus olhos agora foram para , que sorriu tímido pra que corou e virou a cara imediatamente desviando de seu olhar. Soltei uma risada fraca e voltei a observar , que agora deixava escorrer uma lágrima dos seus olhos molhados.

'Cause obviously
(Porque obviamente)
She's out of my league
(Ela esta fora do meu alcance)
But how can I win
(Mas como eu posso ganhar)
She keeps dragging me in
(Ela fica me atrasando)
And I know
(E eu sei)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente par ela) No no
(Não, Não)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente para ela)

Ela colocou seus lábios em meu ouvido para que eu pudesse ouvir.
- , ele é bom o suficiente para mim. – peguei sua mão.
- Sei que é . – ela sorriu fraco. – Você que nunca admitiu para si mesma isso, não o deixando ver.
- Eu sou uma burra. – ela passou as mãos pelas maçãs do rosto, limpando as lágrimas emotivas que caiam.
- Você não precisa mais ser burra. – sorri encorajando-a. – Dá uma chance pra ele. Sei que ele vai te fazer muito feliz.

Gotta escape now
(Tenho que escapar agora)
Get on a plane now
(Entrar no avião agora)
Yeah
Off to L.A
(Fora de Los Angeles)
And that's where I'll stay (E é onde eu vou estar)
For two years (Por dois anos)

Os olhos de foram imediatamente para mim após ouvir a parte da música em que falava que ele iria para Los Angeles por dois anos. E foi ai que minha ficha caiu. A letra falava que ele iria para Los Angeles, mas não era só ele, eram todos eles. Isso não poderia acontecer de modo algum.
Pude ver o desespero nos olhos da também.

Put her behind me
(put her behind me)

(Deixar ela para trás)
Go to a place where she can't find me
(E ir para um lugar onde ela não possa me encontrar)

Logo ela estava ao meu lado, me olhando como se eu soubesse de alguma coisa.
- Isso é verdade ? – os olhos desesperados me fitavam.
- Na-não sei. – gaguejei nervosa. Realmente não sabia se isso era verdade ou não.

'Cause obviously
(Porque obviamente)
She's out of my league
(Ela esta fora do meu alcance)
But how can I win
(Mas como eu posso ganhar)
She keeps dragging me in
(Ela fica me atrasando)
And I know
(E eu sei)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente par ela)V No no
(Não, Não)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente para ela)

- Você que sabe de tudo sobre eles . – chegou ao meu lado, colocando sua mão em meu ombro.
- Conta o que você sabe. – falou nervosa, como se me acusasse de algo. Algo que nem culpa tinha.

She's out of my hands
(Ela está fora das minhas mãos)
And I never know where I stand
(E eu nunca sei onde me colocar)
'Cause I'm not good enough for her
(Porque eu não sou bom o suficiente para ela)
Good enough for her
(Bom suficiente para ela)
Good enough for her
(Bom suficiente para ela)
Good enough for her
(Bom suficiente para ela)

- Será que a gente não pode esperar o show acabar? – elas apenas concordaram com a cabeça e voltaram a olhar para o palco, onde eles se apresentavam.
me lançou um olhar confuso. Ele sabia muito bem que tinha acontecido algo para o olhar de desespero que e carregavam. Conhecia-me muito bem para ler através das minhas expressões.

'Cause obviously
(Porque obviamente)
She's out of my league
(Ela esta fora do meu alcance)
But how can I win
(Mas como eu posso ganhar)
She keeps dragging me in
(Ela fica me atrasando)
And I know
(E eu sei)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente par ela)V No no
(Não, Não)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente para ela)

e também me lançaram um olhar e eu apenas fiz um gesto com a mão, explicando que mais tarde teríamos que conversar. Os oito.
Eles assentiram e continuaram tocando, mas dessa vez o sorriso que eles estavam no rosto era murcho e suas expressões preocupadas.
'Cause obviously
(Porque obviamente)
She's out of my league
(Ela esta fora do meu alcance)
But how can I win
(Mas como eu posso ganhar)
She keeps dragging me in
(Ela fica me atrasando)
And I know
(E eu sei)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente par ela) No no
(Não, Não)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente para ela)

Olhei para as meninas e elas voltaram a sorrir. Acho que para pelo menos passarem para eles que nada havia acontecido.
Os olhos da continuavam cheios de lágrimas, mas dessa vez não era mais por emoção e sim por preocupação. A expressão vazia de revelava que ela também estava preocupada com essa possível partida dos meninos. E a agora olhava fixamente par , que devolvia o olhar preocupado.

'Cause obviously
(Porque obviamente)
She's out of my league
(Ela está fora do meu alcance)
But how can I win
(Mas como eu posso ganhar)
She keeps dragging me in
(Ela fica me atrasando)
And I know
(E eu sei)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente par ela) No no
(Não, Não)
I never will be good enough for her
(Eu nunca vou ser bom o suficiente para ela)

Os últimos acordes foram tocados e se aproximou do microfone tentando não demonstrar a preocupação que carregava.
- Obrigado pessoa! – ele tentou sorrir e pelo visto convenceu a todos, porque o pessoal começou a gritar “mais uma”. – Vocês foram ótimos.
- Daqui a pouco voltamos. – Dessa vez foi que falou.
Logo os quatro deixaram os instrumentos nos suportes e desceram rapidamente do palco, indo em nossa direção com expressões tão preocupadas quanto a nossa.

Capítulo 13

Subi correndo as escadas, sendo seguida pelos outros. Entrei no quarto do e me sentei imediatamente na cama. As meninas sentaram-se ao meu lado e os quatro meninos pararam em frente a nós.
- O que aconteceu? – olhou para que fungou baixo.
- , - se virou para mim – conte o que você sabe.
- E-eu não sei nada. – estava completamente nervosa.
- Do que vocês estão falando? – se escorou na parede e falou calmo. olhava com confuso. sentou-se no chão de pernas cruzadas. puxou pela mão, fazendo-a ficar colada em seu peito e logo passando os braços ao seu redor.
- É verdade que vocês vão para Los Angeles? – levantou-se rápido e começou a andar de um lado para o outro. – Vo-vocês não podem!
- Que historia é essa de ir para Los Angeles? – perguntou para ela confuso.
Foi ai que percebi o tamanho da confusão que tínhamos feito. Aquela era apenas uma letra de uma música. Nada daquilo de ir para outro país iria realmente acontecer.
apenas montou uma estrofe para a música, que fez com que eu e as meninas entendêssemos errado o real significado.
- …– andou até sua frente e se abaixou, segurado seu rosto entre as mãos. Ele sorriu para ela que retribuiu meigamente, com lágrimas nos olhos. – Você não precisa ir embora para se esquecer de mim, - ela fungou – você não precisa esquecer-se de mim, porque eu não irei esquecer-me de você. – ela grudou suas testas. Nós encarávamos aquela cena surpresos e ao mesmo tempo com sorrisos nos lábios. – Você é bom o suficiente para mim. – e logo após essas palavras, ela grudou seus lábios nos dele.
Começamos a gritar em comemoração. Assim que se separaram, os dois olharam corados.
- Eu te amo . – deu um selinho nela. – E ninguém vai para Los Angeles.
- Então por que na música falava isso? – questionou, olhando seriamente para .
- Acho que eles só precisavam de alguma coisa para completar a música. – falei e logo depois dei uma risada. – Nós interpretamos errado.
suspirou aliviada e grudou seus lábios no de .
- Era por isso aquela cara de vocês na hora da música? – me olhou com a testa franzida. Apenas concordei com a cabeça e ele começou a rir. – Como vocês são bestas.
- Verdade. – dava risada junto com .
- Chega de rir de nós. – falou carrancuda, se levantou e começou a caminhar para fora do quarto, mas foi impedida de sair pelo , que segurou em seu braço.
- Você ficou magoada com a nossa possível partida ? – ele a encarou com seus rostos separados a centímetros de distância.
- Não me importa. – ela revirou os olhos. – O que vocês fazem não me importa.
- Por trás dessa carranca toda, existe uma menina sensível e que gosta de nós, mas não tem coragem de admitir isso. – desafiava ela.
- Nos teus sonhos, . – ele apenas a soltou e se virou, indo em direção a janela e se apoiando nela.
- Você não me engana fofa. – ele riu sínico. – Não vou desistir de você .
Ela bufou e saiu do quarto com passos altos e apressados. Meus olhos se encontraram com o de cada um dali que presenciou a cena. Estávamos realmente surpresos com aquilo.
- Vamos descer? – perguntei em voz baixa.
- Vamos. – concordou e começou a puxar para fora do quarto. – Temos que terminar um show ainda.
Saímos todos. e abraçados e conversando baixinho. e de mãos dadas e cada um com um sorriso. Sai logo depois deles, sendo seguida pelos dois que ainda estavam no quarto. Troquei um olhar com , que sorriu fraco para mim. Apenas retribui.

Estava sentada em uma das cadeiras que se encontrava ali no gramado da casa. Meu celular estava em minhas mãos. Olhava o visor vendo as sete chamadas não atendidas do Matt. Não sabia se deveria ligar ou não.
Uma cadeira foi puxada para o meu lado, e a voz de invadiu o local.
- Acho que deveria ligar para ele. – ela olhava a festa, que estava bem animada. Várias pessoas bêbadas espalhadas por ali, latas de cerveja, entre outras coisas.
- Não sei se seria uma boa idéia. – olhei para ela e sorri fraco.
- O me irrita tanto. – pisquei algumas vezes tentando absorver o rumo da conversa. Em um segundo ela mudou completamente de assunto.
- Hm. – suspirei fraco. – Você deveria ignorar, não acha?
- Tento. – ela bufou impaciente.
- Você no fundo gosta dele e não quer admitir. – ergui a sobrancelha e ela me encarou perplexa. – Tipo a e o , ela nunca admitiu que gostava dele, e olha o que aconteceu hoje.
- Você só pode estar ficando louca. – ela balançou a cabeça e se levantou brava, saindo andando para dentro da casa.
Voltei a fitar meu celular e decidi ligar para o Matt. Por mais que eu não quisesse fazer aquilo, ele era meu namorado. Devia satisfações a ele.
O telefone tocou duas vezes e logo a voz desesperada atendeu.
- Alô? ?
- Oi Matt. – comecei a caminhar para dentro da casa e fui para o banheiro. Me tranquei lá porque era o lugar mais silencioso que havia.
- Onde você tá? – sua voz era preocupada. – Tentei te ligar várias vezes e você não atendeu.
- Eu tô em uma festa na casa do .
- QUE?- sua voz se alterou e eu estremeci com o celular no ouvido. – UMA FESTA NA CASA DO ?
- É. – suspirei. – Qual é o problema com isso?
- O está ai , ESSE é o problema. – fechei meus olhos tentando me controlar. Com toda certeza fui errada de ligar para ele. Querendo ou não, estaria na maioria dos lugares em que eu estivesse.
- Matt, não quero discutir agora. – tentei manter a voz firme. – Só liguei para avisar onde estou. Tchau. Beijos.
Pude ouvir ele chamar meu nome algumas vezes antes de eu desligar, mas eu não ia falar mas nada para ele. Sabia que amanhã teria muito que resolver, então ia aproveitar hoje.
Abri a porta do banheiro e sai, caminhando em direção a mesa na qual o pessoal estava sentado.
estava no colo do tentando tirar o copo da mão dele, e estavam dançando, havia sumido, não duvido nada que tenha ido embora, estava sentado olhando fixamente para o chão. Fui chegando mais perto da mesa e pude ver um casal de costas para mim. Ali era com uma garota que eu não reconheci. A garota olhou para trás e me viu, logo sorrindo cínica unindo sua boca com a dele.
Respirei fundo e pisquei algumas vezes tentando me recuperar daquilo. Pra mim era difícil vê-lo beijando outras. parou de tentar pegar o copo do , olhou os dois se beijando e depois me olhou. Cochichou alguma coisa no ouvido do e levantou-se do colo dele e caminhou até mim.
Tentei sorrir para ela que pegou minha mão e me puxou para dentro da casa, me levando escada a cima, para um dos quartos que tinha na casa. O quarto em que entramos era do , eu reconheceria aquele quarto em qualquer lugar, nele vivenciei tantas coisas.
sentou-se na cama e eu parei em frente ela.
- Que foi ? – olhei para ela, demonstrando que eu não queria estar ali tendo aquela conversa, que eu sabia muito bem qual seria.
- Até quando isso vai durar ? – ela suspirou. – Até quando você vai continuar namorando o Matthew?
- E-eu… - suspirei e me sentei na cama. A resposta que Julliet queria era uma só: Eu estava com Matthew para tentar esquecer a única pessoa pela qual eu sempre fui apaixonada, .
- Você só está com ele Luiza, para fazer ciúmes para o . – olhei para ele e neguei com a cabeça. – Então é porque você quer esquecer ele. Não é isso?
- É – coloquei meu rosto entre as mãos e a senti molhada pelas lágrimas que escorriam por meu rosto.
- Não fica assim , - ela, agora, estava sentada ao meu lado, afagando meu cabelo – a coisa mais errada que você está fazendo é isso. Tentando mentir para si mesma. – tirei meu rosto das mãos e a olhei. – Eu passei por isso , e você sabe muito bem.
- , você fez a coisa certa aceitando que ama o – ela sorriu pra mim.
- E eu espero que você também faça a coisa certa. – a olhei em dúvida. – Você tem que tentar conquistar o .
- Não acho que dará certo…
- Tenta, você não vai se arrepender. – concordei com a cabeça e ela levantou da cama. – Vou ir lá para baixo.
E assim, ouvi a porta ser batida e decidi que já havia tomado minha decisão: Eu amava o , e tentaria recuperar sua confiança e principalmente, tentaria ganhar seu amor, mas por enquanto as coisas continuariam como estavam.

Continua...



N/A (07/07/2010): AAAAAAAA, que coisa trsite, o Brasil saiu da copa D: tenho que confessar que eu chorei. Principalmente quando eu vi o Julia Cesar chorar. Bom, mas agora bola pra frente, a proxima copa, espero que ganhemos, afinal, vai ser cediada aqui *-* Agora, mudando de assunto, queria pedir desculpas por essa super demora minha, a culpa não foi minha nem da Dani. O caso foi que: estava escrito no site a atualização, mas ela não entrou. Fiquei um tempo pra ver se entrava, mas nada. Então peço desculpas por isso minhas lindas. Agora eu estou mandando a atualização que era para ter entrado, mas uma nova atualização. Então para vocês, capitulos 12 e 13. Meninas, eu fiquei tão feliz semana passada. A Angela, uma leitora da fic, me adicionou no msn e me falou que ama a fic e pans, eu fiquei muito emocionada. É tão bom saber que vocês gostam de YWAH *-*
Queria agradecer vocês lindas que lêem. Espero que vocês também estejam gostando dela, porque apesar de eu não gostar, ela é meu xodó *--* primeira fic minha que eu mando para algum site.
Como sempre, vem aquele mesmo pedido de sempre. Comentem, dêem sugestões, palpitem. Eu sempre leio TODOS os comentários, e fico muito feliz com eles, sem exceção de nenhum. Porque mesmo que venha uma critica, eu aprendo com ela ? .
Danizinha, obrigada mais uma vez *-*.
E não deixem de ler a The Secret pessoas lindas.
Amores meus, qualquer coisa entrem em contato comigo no lulizadias@gmail.com, no twitter @luizasantiago.
E não fiquem nervosas por causa da minha demora, vou tentar mandar a próxima att rapidinho. Ela já esta pronta ?
Beijos, queijos, chocolates, doces de leite, e varias outras guloseimas –qq

N/B: Capítulo 12 e 13 ai,desculpem pelo capítulo 12 não ter entrado. Foi um erro do site e eu só fui perceber isso agora.
Percebeu algum erro? Avise: ilove.dani@hotmail.com ou @danypeixoto.