You're my Band Aid
Por Karolyne e Bruna Fernandes
Betada por Kakau





Prólogo

“Linda, jovem e talentosa... com apenas 24 anos de idade. Já podemos consagrar mais um dos monstros da música pop britânica” Por que diabos esse povo da televisão insiste tanto em encher a minha bola? E também não entendi... “Linda, jovem e talentosa”, pra depois me chamarem de monstra? Acho que prefiro os elogios ainda. Mas mesmo assim, deixe-me apresentar, meu nome, como eu acho que todo o mundo já conhece, é , eu tenho 24 anos e canto desde... hm... 5 anos de idade, eu acredito. Tenho 3 cds e estou em processo de gravação, sou inglesa, natural de Doncaster, mas moro atualmente em Los Angeles com, bem... meu marido. Eu não posso dizer que a minha vida é um desastre, porque, bom, eu tenho dinheiro o suficiente para me manter até a minha velhice, tenho pessoas ao meu redor que realmente gostam de mim, tenho fãs maravilhosos, mas o único ponto em que eu sempre tento fugir nas entrevistas é quando o assunto se depara em Adam. Ele, além de meu marido, é meu produtor musical, tem 30 anos e, digamos, que um gênio muito difícil de lidar e um temperamento que eu fico assustada às vezes. Somos casados há 2 anos, e a mídia sempre enfatiza que somos felizes, quase um casal perfeito. Quase. Brigamos toda a semana, os ciúmes da parte dele, os quais eu não entendo muito bem. Eu não tenho vida! Então não tem o que ele se preocupar. E eu o amo, sim eu o amo! Ele foi meu primeiro homem, namoramos minha adolescência inteira praticamente, até ele me arrastar para a América, longe de meus amigos e minha família, e assim, nos casando. Adam é 6 anos mais velho do que eu, ele me ensinou praticamente tudo (inclusive isso do que vocês estão pensando).


Capítulo 1

(Coloquem para carregar esta música e dêem play quando eu disser :D)

Terça-feira. 07:10am

“2am wide awake lying, on my bed tunning on the radio, trynna make the emptiness go…”
Por que eu ainda insistia em colocar minha música como meu toque de despertador? Ok, mais um dia de trabalho e hoje até que a minha agenda não estava cheia. Olhei para o lado, Adam continuava a dormir, tateei meus chinelos de quarto e me levantei, olhando para o relógio mais uma vez para garantir que eu precisava somente de um banho e um café da manhã rápido para estar a tempo na gravadora. Hoje eu iria fazer alguns demos pela manhã e à tarde iria para a MTV dar alguma entrevista falando do meu novo álbum.
O meu trabalho pela manhã já estava feito, almocei um sanduíche natural e corri para a MTV. Chegando lá, fui muito bem recebida e paparicada por todos, como sempre. Fiquei horas conversando com Alexa Chung no camarim, era a única coisa que eu pedia, a única exigência: Poder conversar tranquilamente com a pessoa que iria me entrevistar, não consigo manter um diálogo muito proveitoso quando não conheço a pessoa, e esse era o caso de Alexa, se tinha a visto uma ou duas vezes em premiações era muito. Alexa era uma menina muito bonita, pelo que eu percebi, ela deveria ter mais ou menos a minha idade, era mais alta do que eu (óbvio, qualquer um pode ser... Mas eu sou 1,54cm de puro charme, tá bom?) e eu já estava me sentindo à vontade ao seu lado.
Beep. Primeira chamada para começar o programa e em instantes eu estaria lá, no palco, mais uma vez.
Já estávamos todas preparadas. Eu vestia um belo tubinho preto e sapatos peep toe na cor vermelha (que sem dúvidas era a minha favorita). Juntamente com a minha banda, eu tinha minhas inseparáveis backing vocals: Catherine e Lindsay. Elas tinham que me dar suporte nos refrões e em algumas músicas até cantavam aleatoriamente. E eu adorava isso, não que eu não gostasse de holofotes, mas era bom dividi-los com pessoas tão talentosas quanto as duas.
Ocorreu tudo como eu havia esperado na entrevista, Alexa me perguntou sobre meus novos projetos, que incluíam meu cd, idéias para videoclipes e singles e então, a pergunta que eu mais odiava e evitava responder chegou:
- E então , agora que já sabemos de seus novos projetos, nos fale um pouco sobre seu casamento! – E aqui estava a maldita pergunta... Tchanam!
- Ah... Está bem, obrigada! – Tentei responder da melhor e mais simpática forma o possível e pude notar um ar de decepção por parte de Alexa e dos espectadores.
- Bom – Alexa tomou a palavra com certo constragimento –, agora que sabemos de sua vida amorosa, por que você não nos presenteia com uma palhinha de seu novo single? Creio que assim como eu, todos da platéia gostaríamos de ouvir! – Santa Chung.
Sendo assim, fui até o pequeno palco, certifiquei-me que a banda estava pronta e minhas adoráveis backing vocals também e logo pude ouvir as primeiras batidas de Mama Do. Como eu adorava essa música! Eu tinha feito nos meus 15 anos, auge da adolescência e das descobertas e só agora pude gravá-la. Simplesmente era uma das minhas favoritas.
(Coloquem a música!)
- Esta é Mama Do. – Eu disse com o meu brilho no olhar, o que eu sempre tinha quando eu ia cantar.

Everynight I go
Everynight I go
Sneaking out the door
I lie a little more
Baby I'm helpless
(Toda a noite em que eu
Toda a noite em que eu saio devagarzinho pela porta eu minto um pouco mais. Baby, eu não tenho salvação)

Theres something ‘bout the night
And the way it hides all the things I like
Little black butterflies
Deep inside me
(Há algo sobre a noite e como ela esconde todas as coisas que eu gosto. Pequenas borboletas pretas no fundo de mim)

What would my mama do
If she knew ‘bout me and you?
What would my daddy say
If he saw me hurt this way?
(O que será que minha mãe faria se soubesse sobre eu e você? O que será que meu pai iria dizer se ele me visse magoada assim?)

Why should I feel ashamed?
Feeling guilty at the mention of your name
Here we are again
It's nearly perfect
(Por que eu deveria sentir vergonha? Sentir-me culpada, à menção do seu nome. Aqui estamos nós outra vez, é quase perfeito)

What would my mama do…

All the things a girl should know
Are the things she can't control
All the things a girl should know
Are the things she can't control
(O que será que minha mãe faria?
Todas as coisas que uma garota deveria saber são as coisas que ela não pode controlar. Todas as coisas que uma garota deveria saber são as coisas que ela não pode controlar)

Capítulo 2
Terça-feira, 07:02pm

Eu estava realmente atrasada para chegar em casa. Eu havia passado o resto da tarde conversando com várias pessoas da MTV e esqueci completamente de que Adam tinha planos de me levar para jantar hoje. Cheguei em casa em 10 minutos – realmente o estúdio era próximo à minha casa – busquei por minhas chaves na minha bolsa gigante da Louis Vuitton e ao abrir a porta, deparei-me com algumas garrafas de cerveja, vodka e derivados espalhados no chão. Estranhei.

- Adam? – Entrei no hall um pouco assustada, procurei por ele na sala de estar, de jantar, cozinha, até perceber que ele poderia estar no nosso quarto. Dito e feito.
- Olá, amorzinho – Adam tinha olhos de mágoa e um aspecto nojento de bebida.
- Meu Deus! O que houve com você? Nós não iríamos jantar hoje?
- Iríamos. Se a minha mulher não tivesse me abandonado mais uma vez – Adam foi chegando perto de mim e antes que ele o fizesse, eu já podia sentir o seu hálito horroroso.
- Desculpe querido, eu realmente perdi o horário... – Tentei me justificar, dando alguns pequenos passos para trás.
- Querido? Faz-me rir, ! Olhe para você e olhe para mim – Ele me olhou e deu um sorriso irônico – MAS QUE DROGA! Por que você não falou sobre nós dois mais... hm... especificamente naquela droga de programa?
- Não quero começar a discutir com você – Disse simplesmente, virando de costas para ele, em direção ao banheiro.
- Agora você vai ter que me ouvir. – Adam disse, pegando no meu braço e me fazendo olhar pra ele. Eu estava começando a ficar assustada e ele nem sequer tinha aumentado o tom de voz, mas o olhar dele estava demonstrando o quão chateado, não sei se posso usar essa palavra, estava.
- Adam, por favor, você está completamente bêbado e eu estou muito cansada – disse, encarando-o, porém com receio da reação dele.
- Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito? – Realmente ele estava muito alterado pela bebida, normalmente ele não agira dessa forma, ou ao menos eu penso que não. – E eu não ligo para o seu cansaço, você terá que me ouvir AGORA! - E a cada palavra que saia de sua boca, eu podia sentir sua mão apertando com mais intensidade meu pequeno braço.
- Você está me machucando... – Murmurei e, no entanto, não pude finalizar minha frase, uma vez que ela foi interrompida pela gargalhada que ele deu, e me deixando mais confusa do que já estava.
- Tá doendo é, amorzinho?! – E outra gargalhada. – Então você deveria ter pensado nisso antes de me deixar aqui plantado, esperando a sua boa vontade de aparecer. – Falando isso, ele puxou com mais força o meu braço que antes. Ele apenas apertava e em um movimento muito brusco - e posso dizer, com toda certeza, rápido - ele me jogou contra nossa enorme e devidamente desarrumada cama. Encolhi-me sentada a espera do que viria a seguir.
- Agora me responda, por que diabos você não falou mais sobre nosso casamento? Não está feliz com nossa vida? RESPONDA! – Percebi que ele já estava até vermelho, parecia que seus olhos iriam saltar tamanha era a sua raiva.
- Eu simplesmente detesto falar da minha vida pessoal, você sabe muito bem disso. - Eu respondi.
- Não me venha com conversinhas, você poderia ter dado uma resposta melhor, e agora eles irão pensar o que? Que você não ama o seu marido, certamente. Como eu irei trabalhar amanhã? Todos ficarão me encarando, e tudo pela bela resposta que minha esposa deu, muito obrigado, . – E como sempre, ele duvidava do meu amor por ele, não acreditava em meus sentimentos, o que ele havia falado era mentira e mal sabia ele o quanto eu sofria ao ouvi-lo dizer aquilo
- Você deveria pensar mais nas coisas que fala, ao invés de ficar falando idiotices, francamente, você a cada dia esta se saindo pior. - Eu não compreendia o porquê daquela discussão, não sabia onde Adam queria chegar com tudo aquilo, afinal, eu havia respondido que tudo estava muito bem, será que não era o suficiente? O que realmente ele queria que eu respondesse? Resolvi manter-me calada, talvez assim a briga encerrasse ali. Me enganei.
- Porque você tocou aquela música? Você sabe o quanto eu ODEIO aquela música – ele perguntou. Nunca perguntei a ele o motivo dele não gostar daquela música, penso que seja o significado dela, ou talvez a melodia. Adam era muito perfeccionista, quando eu dizia a ele que era uma das minhas músicas favoritas, só faltava me chamar de burra por isso. – , eu realmente não entendendo o porquê daquela MALDITA música, você nunca soube o que é uma boa canção, melodia, tudo perfeitamente sincronizado, você... você nunca soube nada, EU sempre fiz tudo, TUDO! – Ele estava de pé na minha frente olhando-me fixamente com um olhar furioso, só faltava cuspir em meu rosto pelo curto espaço que restava entre nós. Eu apenas o olhava sem dizer nada, não sabia nem o que pensar naquele momento, tentava absorver as suas palavras, porém elas eram duras demais. Senti as lágrimas chegarem aos meus olhos e tentei ao máximo segurá-las, mas era mais forte que eu, eram muitos sentimentos envolvidos naquela ocasião. Então senti rolar sobre o meu rosto a primeira lágrima de muitas que viriam.
- QUE MERDA! – Adam fechou seu punho se afastando de mim. – Você nunca faz nada direito, não se prontifica a querer melhorar nosso relacionamento. Confesse, se não fosse eu, você seria um nada misturado com coisa nenhuma. – Uma olhada de canto e pude perceber seu riso irônico aparecer. – Se não fosse por mim, sua carreira teria ido por água abaixo – ele finalizou encarando-me.
Por um momento eu havia achado que iria ouvi-lo durante a noite inteira aos prantos, enquanto Adam, alterado pelo álcool, ficaria falando tudo o que desejava, porém, ele tocou em um assunto muito delicado e sério na minha vida: minha carreira. Realmente devo muito a ele por tudo que ele fez, mas aquelas palavras que saíram de sua boca sem dó nem piedade sobre mim foi demais, ele estava duvidando de minha capacidade, e isso eu não iria permitir, jamais.
- Não ouse se referir de minha carreira desta forma, muito menos de minha capacidade. - Nesse momento eu havia tirado coragem Deus sabe de onde, e levantei-me secando minhas lágrimas e assim poder enfrentá-lo melhor - Para mim já chega, Adam Stout! Não agüento mais essa discussão. – Eu disse com toda firmeza que ainda me restava.
- Eu digo quando acaba. – Ele falou entre dentes e caminhado até mim. – Eu mando nessa porcaria aqui, você apenas tem que me obedecer. – Agarrou–me pelo braço fortemente, e logo pensei que deixaria marcas horríveis ali.
- Adam, por favor, me larga, está doendo – choraminguei.
- Cala a boca sua imprestável! – O tom de voz dele aumentou significativamente. – Você é minha e eu faço o que eu quero e bem entendo – dizendo isso, eu apenas senti um dor em meu braço direito pela forte batida que dei ao encontrar com o chão. Sim, ele havia me jogado lá.
- Olhe pra você, nem parece aquela mulher toda poderosa da TV – gargalhou. – Agora aprende a falar o que EU quero, você está me ouvido? – Pegou-me pelos meus dois braços e em somente um movimento, ergueu-me novamente, e apertando meus frágeis braços. Eu acreditava seriamente que ele estava usando toda sua força, a dor que eu sentia estava se tornando cada vez mais insuportável, não agüentaria por muito tempo.
- PÁRA, ADAM! – Gritei, com a pouca força que ainda me restava.
- Não fale comigo assim! Cala a boca, sua imbecil. – O que nunca havia passado nem em meus pensamentos, aconteceu, a ardência no local logo veio, como reflexo minha mão foi ao encontro do local em uma tentativa frustrante de fazer com que a dor parasse, foi em vão. Nós sempre tínhamos brigas como todo casal tem, mas aquilo nunca tinha ocorrido, aquele tapa me machucou muito, não pela dor em si, mas pela audácia de Adam em fazer isso comigo, logo eu que nunca havia feito nada que o fizesse agir dessa forma.
Fiquei estática, atônita, parecendo uma criança com medo e que só necessitava de um colo para poder chorar. Ainda não tinha caído a minha ficha do que acabara de acontecer, mas quando dei por mim, Adam já havia deixado o apartamento e pude ouvir o ronco do seu carro deixando nossa garagem. Tentei levantar com o maior cuidado o possível, tudo doía no meu corpo e principalmente meu coração. Apesar de toda machucada e com raiva de quem eu chamava de marido, eu fiquei preocupada com ele. O estado de Adam não era dos melhores, ele estava completamente bêbado e com raiva, dirigir assim poderia ser uma péssima idéia. Meus olhos pesavam e, ao chegar ao banheiro, eu pude notar o estado que eu me encontrava. Na área da minha bochecha ainda estava um pouco vermelho... Joguei um pouco de água no meu rosto, coloquei minha camisola e deitei. Não podia fazer nada mesmo, me aconcheguei, abraçando meu corpo como se fosse me proteger de alguma coisa e fiquei chorando até conseguir pegar no sono.

Capítulo 3
1 mês depois...


Eu já não aguentava mais! Tinha medo de chegar em casa depois de algum compromisso, tinha medo de apanhar. Tinha quase virado rotina, todos os dias nós brigávamos por alguma coisa e todas às vezes Adam acabava me machucando. Teve um dia, em uma de nossas discussões, ele estava com uma garrafa de cerveja na mão e se eu não tivesse um reflexo bom isso poderia ter me causado alguns pontos na testa. Adam ficava me vigiando o tempo todo, eu já não tinha mais ânimo pra nada. Morria de medo de dar entrevistas e até de cantar determinadas músicas. E vocês sabem o porquê?
- SE VOCÊ QUISER O DIVÓRCIO, PODE IR EM FRENTE, MAS SAIBA DE UMA VEZ POR TODAS QUE EU VOU ARRUINAR A SUA CARREIRA! – Isso foi uma das frases que marcou a minha semana. Eu não queria estar passando por isso, mas eu realmente tinha medo, não que eu não fosse talentosa, mas Adam era um dos maiores e melhores produtores musicais no mercado e eu posso dizer que ele me apoiava bastante e sempre trabalhou duro na minha carreira. Depois de ouvir isso, fechei a porta de casa com raiva, contendo minhas lágrimas que agora já entraram na rotina de cair todo santo dia. Peguei meu carro e dirigi até um dos meus lugares favoritos, rezando que ninguém me visse, nenhum paparazzi, nenhum amigo. Eu estava realmente evitando sair de casa, só pelo fato de poder tocar no assunto o qual eu mais queria fugir no momento. Eu andava sumida, minha agenda estava sempre vazia e minha desculpa sempre era o meu novo cd. Parei meu carro na frente do posto número 2 da praia e fiquei sentada pensando em tudo o que estava acontecendo. Meu celular tocou e meio que contra vontade eu olhei no visor rezando para que não fosse Adam. Às vezes é bom ser pega de surpresa, e eu tinha certeza que aquele telefonema iria alegrar meu dia.

- Eu não acredito que você ainda está viva, ! – . Minha melhor amiga, meu braço direito, esquerdo e minhas pernas. Ela foi uma das pessoas mais importantes que eu deixei na Inglaterra e a que eu mais sinto falta, sem dúvida nenhuma.
- Eu não estou agüentando de saudades!! Você está louca? Virou famosa e esqueceu dos amigos? – Senti um nó se formando na minha garganta... Quanto tempo fazia que eu não escutava a voz dela. Mais um pouco eu tinha certeza que começaria a chorar de novo.
- Nunca mais fale isso de novo! Você não tem noção do tamanho da minha saudade... E eu realmente estou precisando de você do meu lado – Óbvio que eu não iria contar nada por telefone.
- Eu sei que você não vai querer me contar por telefone se for muito grave – Era impressionante como ela me conhecia – Mas então, eu acho que é um momento apropriado para eu te fazer um convite.
- E qual seria? – Curiosa.
- Você já ouviu falar daquele projeto social... Children in Need?
- Claro, ele era pequeno quando eu saí da Inglaterra, mas estou ouvindo que ele está crescendo e fico muito feliz com isso.
- Você não tem noção do tamanho que ele está agora! Ganhou muitas expansões e eu sou a produtora! – Isso realmente me pegou de surpresa. Quando eu fui morar em Los Angeles ainda estava na faculdade.
- Isso é ótimo! Mas, onde eu me encaixo nisso?
- Essa é a melhor parte. Como os organizadores sabem da minha ligação com você, me pediram gentilmente para te fazer o convite para ser anfitriã do projeto esse ano. Seria uma ótima oportunidade de ajudar o próximo e a mim também, porque estou morrendo de saudades e de voltar e ver como estão as coisas na sua terrinha! – Era isso que eu precisava. Como não tinha pensado nisso antes? Voltar pra Inglaterra nem que seja por 1 semana seria perfeito. Seria 1 semana sem brigas, com a cabeça livre e junto da minha melhor amiga. Seria um ótimo momento pra compartilhar com ela tudo o que está acontecendo comigo agora.
- Quando eu posso ir?
Sabe quando você toma uma injeção de ânimo? Como eu havia previsto, foi o que aconteceu com aquele telefonema da . Cheguei em casa e por milagre divino Adam não estava lá. Fiz um mantra, rezando pra que ele demorasse o tempo suficiente pra eu fazer minhas malas e sair. E quando ele chegasse? Bem, eu poderia já estar dentro do avião. E acho que meus pensamentos estavam surtindo efeito. Demorei mais ou menos meia hora pra colocar algumas roupas na mala e ele não tinha chego ainda.
Parei na sala com a minha mala na mão. Olhei para minha casa, ela era tão linda e eu amava estar nela... Amava. Peguei um papel e deixei um trecho de uma música que eu havia escrito essa semana para Adam:

“Through with you and I know that deep down I’m calling time on you. Every time I’m ready to leave, always seem to be, pulling in the wrong direction, diving in with no protection. Man, you can’t keep steering me wrong. Oh gravity, pulling me back, pulling me in. Why you pulling me back, pulling me in… Just like gravity” (Cansei de você e eu sei que no fundo quero dar um tempo de você. Toda vez que eu estou pronta para ir, parece estar sempre puxando na direção errada, mergulhando sem proteção. Cara, você não pode continuar me desviando para a direção errada, oh gravidade, me puxando, me puxando para dentro. Por que você fica me puxando de volta, me puxando? Exatamente como a gravidade)
Vou ficar um tempo fora, preciso esfriar a minha cabeça e pelo visto você, deveria fazer o mesmo. Não tente descobrir onde eu estou e muito menos venha atrás de mim.


Como eu faria para não chamar a atenção? Eu não estou em condições de ficar atendendo aos fãs – não que eu não gostasse deles, muito pelo contrário, os amava demais, apenas não era oportuno – e muito menos aturar as milhões de perguntas dos paparazzi, espero que a essa hora não tenha muitas pessoas lá.
À caminho do aeroporto, esses pensamentos vieram à tona, era incrível como os repórteres sempre estavam lá quando eu viajava e vinham com as mesmas perguntas de sempre, realmente era cansativo, compreendo que esse seja o trabalho deles, mas... eu também preciso de um pouco de privacidade. E está aí algo que eu não lembrava mais como era ter: privacidade. Talvez este seja o preço que eu tenha que pagar por querer ter meu trabalho reconhecido e, por esse motivo, ter me tornado uma celebridade conhecida internacionalmente e isso às vezes ainda me assusta.
Sentada no banco de trás do táxi, fiquei observado através da janela a linda cidade que me acolheu - e muito, por sinal - durante todo esse tempo em que morei aqui, refleti sobre tudo que estava acontecendo em minha vida, me perguntando qual foi o meu erro para que ela desse essa virada repentina.
Senti meu celular vibrar na minha enorme bolsa vinho da Channel, peguei e li que tinha uma mensagem de que dizia: “Já está à caminho do aeroporto? É bom mesmo a senhora já esteja indo, ou eu terei que ir até aí e te buscar, nem que seja arrastando você pelos seus lindos e sedosos cabelos! Estou falando sério. xoxo.”
O motorista me espiou rapidamente pelo retrovisor ao ouvir minha risada. sempre foi dramática, e posso dizer com toda certeza que um pouco estressadinha, tudo tinha que sair como ela queria e havia programado, mas ela era uma boa pessoa, sempre me ajudou, me apoiou em todas as minhas decisões e se manteve ao meu lado nas horas boas e principalmente nas ruins. Me conhecia melhor que eu mesma, ela era como uma irmã pra mim, precisava dela ao meu lado naquele momento, necessitava de um pouco de colo, ombro amigo, atenção, tudo que eu tinha direito, era o que eu mais queria, somente poder abraçá-la novamente e ver ela abrir aquele sorriso e ouvi-la dizer que tudo ia ficar bem, e só assim meu ânimo pudesse melhorar.
Então, deixe-me apresentá-la decentemente, é inglesa natural de Essex, se mudou para Doncaster aos 9 anos e, para minha sorte, entrou para o mesmo colégio que eu, logo nos tornamos amigas inseparáveis e contagiamos até nossas mães com nossa amizade, fazendo com elas também se aproximassem.

Fazíamos tudo juntas, trocávamos confidências, compras, traquinagens, paqueras, tudo o que foi preciso para nos tornarmos melhores amigas. E o melhor de tudo é que nossa amizade esta firme até hoje, enfrentando a distância, trabalhos, marido, falta de tempo e mesmo assim ela continuou sendo a mesma de sempre, nunca me abandonou e é por isso que eu deposito total confiança nela.
Assim que completei meus quinze anos conheci um garoto por quem me apaixonei e comecei a namorar, que posteriormente acabou se tornando meu marido, e mesmo com um namorado nunca deixei minha amizade com ela de lado, mas é que não era muito adepta ao namoro sério, queria mesmo era “curtir o que há de bom na vida” como ela sempre dizia, não me admiro dela não ter casado ainda.
Diferente de mim ela estudou muito e logo entrou para a London Metropolitan University e obviamente ela quase explodiu de tanta felicidade, era nosso sonho morar em Londres e estudar lá, no entanto Adam reconheceu meu potencial e resolveu investir em minha carreira musical, portanto, não tive a oportunidade de freqüentar uma faculdade (às vezes penso que foi melhor assim), fez cinema e quando fui embora para Los Angeles, ela ainda estava na universidade.
Hoje em dia, pelo pouco que andei sabendo, ela é uma produtora renomada e bem sucedida, seu nome está relacionado a grandes projetos e por esta razão, segundo ela, foi praticamente intimada a produzir o evento do projeto social Children in Need, do qual participarei. Atualmente, ela mora em um condomínio em um dos melhores bairros de Londres, onde me hospedarei. em seu jeito autoritário de ser, me obrigou ir para seu apartamento, caso contrario, ela mandaria alguns capangas fortões me seqüestrarem, me amarrarem dos pés a cabeça, me jogariam em uma van preta e me largariam em qualquer beco nas frias ruas de Londres apenas com um blusão escrito: “I’m retarded” e eu não duvidaria. Mas falando seriamente, seria melhor mesmo eu ficar lá, afinal, teria ela mais perto de mim e assim eu mataria toda minha saudade e todo o apoio dela.

Para a minha alegria, o aeroporto não estava cheio e, aparentemente, nenhum paparazzi, assim pude ficar mais tranqüila. Fui até o check-in e realizei toda a burocracia com a atendente, que para minha decepção, me reconheceu e, em seguida, a mocinha que estava ao meu lado e quando percebi, já se formava um pequeno aglomerado a minha volta.
Atendi pacientemente a todos os meus fãs, distribuí autógrafos, posei para algumas fotos e logo pude finalmente me sentar e esperar o meu vôo que sairia... Oh, nem havia prestado atenção ao horário e faltavam apenas quinze minutos. Para me distrair um pouco, peguei meu Ipod em minha bolsa, porém, Mama Do era a primeira música da lista, adorava ela, mas me trazia lembranças não tão boas e logo fui tomada por uma onda de pensamentos alarmantes. Adam foi o nome que veio em minha mente, como ele reagiria ao meu bilhete? Com minha viagem? Meu Deus, o que ele iria fazer? O que EU iria fazer? Tantas perguntas, tantos pensamentos me assombravam.

“Ultima chamada para o vôo 521 com destino para Londres, embarque no portão 4”

Fui interrompida de meus pensamentos com o chamado do meu vôo, corri com meu carrinho de bagagens para o portão 4.
Sentei-me na poltrona que a bela aeromoça indicou e olhando pela pequena janela do avião, fiquei ansiosa somente em imaginar que eu iria voltar para a minha adorada Inglaterra. Depois disso não vi mais nada e dormi feito uma pedra, tudo tinha acontecido muito rápido, minha decisão de ir a Londres foi tomada às pressas, mas eu necessitava daquilo ou eu iria enlouquecer a qualquer momento.

Capítulo 4

- Já chega! – Eu pedi.
- Eu digo quando acaba. – Ele gritou.
- PÁRA ADAM! – Gritei com a pouca força que ainda me restava.
- Não fale comigo assim! Cala a boca, sua imbecil. – Senti-o mais próximo de mim e então...


Dei um pulo ao sentir a mão da aeromoça sobre o meu ombro.
- Desculpe se a assustei, é que, bem... nós já chegamos. – Ela disse com um sorriso em seu rosto.
- Hãm?! Oh... Claro, claro, muito obrigada. – Sorri em agradecimento.
“Até quando eu iria ter esses sonhos? Melhor eu me recompor, afinal, eu estou em Londres”, pensei ao descer do avião.
Não estava muito frio, então estava apropriado, com um shorts não muito curto, uma meia calça e um scarpin, tudo na cor preta, uma blusa despojada branca, toda detalhada e um casaquinho curto por cima, um chapéu fedora (aquele estilo Justin) e adivinhem só! Também na cor preta. continuava a mesma, não havia mudado quase nada, a não ser pelo fato dela ter se tornado mais... hum... mulher, agora ela tinha deixado para trás assim como eu aquela nossa vida de adolescentes desvairadas e virou um mulherão. Seus olhos e cabelos eram castanhos, suas belas madeixas ficavam um pouco abaixo de seus ombros, com alguns fios mais claros, ela era apenas alguns centímetros mais alta que eu, vivia sorrindo, e adorava causar por onde passava e devo confessar que eu também.
Não acreditei no que vi, olhei para os lados para ver se ninguém estava olhando, sim, ela estava correndo no meio do aeroporto em minha direção, quando a olhei novamente ela estava mais próxima e havia largado sua grande bolsa Gucci vermelho sangue no chão, e me abraçou o mais forte possível, eu fiz o mesmo. Era tão bom estar em Londres, abraçar minha melhor amiga.
- Baby, quase tive um infarto nesse aeroporto, esse vôo nunca chegava. – Ela disse ainda abraçada comigo.
- Não é para tanto, . – Não podia ralhar com ela – Aii, que saudades, amiga. Verdade, eu também quase tive um ataque lá dentro. – Me afastei um pouco do abraço para olhá-la.
- Oh my God! Você está linda. - Ela me disse, me olhando de cima a baixo. – Parece que Los Angeles deu um trato em você. – Ela riu, não sei o porquê do elogio que ela me fez, eu estava simples, uma calça jeans escura skinny, um sapato estilo boneca de salto alto, com uma blusa preta e meu casaco quadriculado colorido, é, talvez eu não estive tão simples assim.
- Olhe só para você! – Peguei sua mão e a fiz dar uma volta. – Está deslumbrante! – Talvez Londres tenha feito muito bem a ela.
- Bom, agora chega de conversa, vamos pegar suas coisas e ir para a minha casa. – Ela disse. – Mas antes... mais um abraço! – E me agarrou. - Ok, parei – disse já andando.
- Ei, não esqueça sua bolsa. - Apontei para a bolsa jogada no chão.
- Oh, minha cabeça, paguei uma nota por ela. – Se agachou e a juntou.
- É a emoção em me ver, querida! – Me gabei.
- Hmpf, - bufou – ok, só porque eu estava morrendo de saudades de você, porque se não você ia levar uma, hein!? – Disse me olhando séria.
- Vamos logo pegar minhas coisas, que eu estou muito cansada. – Dizendo isso fomos logo pegar minhas bagagens e seguimos para o estacionamento.

Conversamos e rimos o caminho todo, rapidamente chegamos a seu prédio. Olhei admirada, era um ótimo lugar para morar. Descemos de seu New Beetle vermelho, um charme.

Quando abriu a porta do hall de entrada, aí sim eu fiquei admirada. Quando eu saí da Inglaterra, ela morava com seus pais e tinha um fusca caindo aos pedaços e ele era verde. Agora, alguns anos depois, ela deu um salto e eu pude notar o gracioso apartamento que ela possuía, do jeito que ela sempre quisera. Do hall eu consegui enxergar a sala de televisão... Dois sofás brancos que me pareciam ser muito confortáveis e uma parede vermelha. Uma televisão realmente grande na parede. Tudo muito arrumado, livros, dvds por ordem alfabética. Isso sempre foi uma das coisas que eu mais admirava em : sua organização. Eu tentava ser assim na adolescência e depois de muito treinar, conseguia ser pelo menos 10% organizada que nem ela.
mostrou-me onde seria o meu quarto e então fui organizar minhas coisas, enquanto ela preparava nosso jantar.
- Isso até que tá cheirando bem, amiga. – Eu disse, com um banho devidamente tomado, vestindo uma camisola de oncinha e meu chinelo.
- Por incrível que pareça, as aulas da minha mãe de “como sobreviver em Londres morando sozinha” funcionaram. – Nós duas rimos, era visível o quão feliz estávamos em poder estar juntas novamente. – Você vai querer conversar depois do jantar? - Isso era realmente incrível, ela ainda notara que eu estava triste com alguma coisa e não esqueceu disso por nenhum minuto.
- Pode ser depois... É até melhor, nós jantamos e deitamos no meu quarto pra conversar. - Sorri caminhando em direção do armário pra arrumar a mesa de jantar.

O jantar saiu como eu havia esperado, me contou tudo o que aconteceu na vida dela esses últimos anos e eu fiquei aliviada. Eu sabia que quando eu contasse o que tinha acontecido comigo nesse último mês, ela não teria ânimo para me contar quaisquer coisa a respeito de sua vida e iria ficar me consolando o resto da noite.

- Okay, babes... pode começar a contar. – Haha, eu adorava a carinha que a minha amiga fazia quando ela quer saber de algo.
- Acho melhor sentarmos... – E assim contei pra ela tudo o que estava me afetando e, como era a primeira vez que eu comentava sobre esse assunto com outra pessoa que não fosse minha mente, comecei a chorar.
- O que você pretende fazer? Você devia processá-lo e pedir o divórcio! - estava com muita raiva e queria que eu tomasse alguma providência o mais rápido o possível.
- , me escuta. – Eu tentava ficar calma e controlar minhas lágrimas que insistiam em cair. – Eu não posso fazer nada por enquanto, pode afetar a minha carreira... Imagina um escândalo desse? Eu não quero ser tachada de a nova Rihanna que apanha do marido. E, além do mais, eu amo ele...
- Você tem certeza? Pelo o que você me contou, quando ele tentava alguma coisa, você sempre fugia ou quando fazia não sentia nada... Bem, eu já te dei a minha opinião e você sabe o que faz da sua vida, eu só não admito que você sofra por causa desse canalha. – Eu franzi minha testa. – E não adianta me olhar assim, só por causa que ele é seu marido não vai livrá-lo da culpa do que aconteceu, francamente....
- É, você tá certa... Mas, agora eu não sei o que fazer, a única coisa que eu tenho certeza é que foi uma ótima idéia ter vindo pra cá, quem sabe eu não ocupe minha cabeça e escreva coisas que prestem, porque ultimamente só tem saído sad songs. - me olhou e riu. – Mas me conta, , me conta mais sobre o Children in Need desse ano.
- Ah, então, você não vai ser a única anfitriã desse ano... Você conhece o McFLY, não é?
- Claro que sim. – Eu sempre ouvia algumas músicas dessa banda.
- Então, eles vão ser anfitriões também!
- Isso é ótimo, mas o que teremos que fazer?
- Ah, alguns shows juntos e uma música pro projeto.
- E quando eu vou conhecer a banda?
- Amanhã mesmo. – disse e eu pude sentir certa animação entrando em mim, eu iria ocupar a minha cabeça de alguma maneira, ah se eu ia!

Capítulo 5

And now you wanna pretend that you a superstar, and now you wanna us to end what's takin you this far. Don't tell me that your done as far as we go, you need to have a sit down with your Ego. - Meu Deus de onde estava vindo isso? Dormi feito um anjo, não havia sonhado com nada, estranho, porém era muito bom, fazia muito tempo que não dormia tão bem, pude ouvir uma batida na porta.
- Yay! Hora de acordar, mocinha! – disse, colocando apenas sua cabeça dentro do quarto.
- Que horas tem? – Perguntei ainda meio grogue.
- Ah, oito e alguma coisa, agora tira essa bunda gorda da cama, corre pro banho, que eu vou fazer o nosso café da manhã. – Me respondeu.
- Por quê? E desde quando a senhorita acorda animada desse jeito? – questionei já me sentando na cama.
- Hum... deixe-me lembrar... Ah deve ser porque você vai conhecer seus novos colegas de trabalho hoje, teremos uma reunião, tipo assim, muito importante e eu simplesmente tenho um super evento para produzir, bobagem, né!? Mais alguma coisa? – Havia me esquecido de como às vezes podia ser sarcástica. – Não? Então anda logo, criatura. – E voltou cantando para a cozinha.
Fiz o que “mandou”, tomei meu banho, sequei meu cabelo e o arrumei devidamente, afinal, hoje eu teria um dia cheio de compromissos e conheceria a banda Mcfly... Será que nos daríamos bem? Bom, já os conhecia e adorou a idéia deles também serem os anfitriões do evento e ela havia me dito que eles eram adoráveis, muito simpáticos e eu iria amá-los, então não tinha com que me preocupar. Eu estava faminta, então resolvi escolher minha roupa e literalmente corri para a cozinha, encontrando dançando e colocando a mesa.
- Hum, que sexy que você está com esse seu baby doll, dançando essa música. - Falei rindo dela.
- Ei, sua tarada! – Ela fingiu indignação. – Sente-se logo que temos muito o que fazer hoje. – Sentei-me na cadeira em sua frente.
- Ah, ?
- Eu?
- É, eles, os meninos do Mcfly, eles vão estar lá hoje mesmo? – Perguntei tentando disfarçar a minha vergonha.
- Sim, algum problema? – Perguntou, mordendo uma torrada.
- Não, apenas curiosidade. – Curiosidade? Acho que não a convenci muito bem.
- , meu anjo, – começou - eles são incríveis, uns amores, você vai ver, vai adorá-los! – Parou um pouco, largou sua torrada, cruzou seus braços e me olhou franzindo sua testa. – Você está com medo? – Perguntou por fim.
- Medo? Eu? Por que teria? – Verdade, por que eu teria?
- Tá, acho que me expressei mal, não medo... hum... insegura, acho que assim ficou melhor. – Melhor? Eu sou , não fico insegura. Ok, eu estava insegura e me conhecia muito bem, não dava para mentir para ela.
- Apenas não os conheço, e você sabe que eu não trabalho muito bem com pessoas que não conheço. – me justifiquei. - E é por esta razão que você vai comigo para o estúdio conhecê-los, cabeção! – terminou acertando minha cabeça, ela sempre fazia isso. - Verdade. – eu disse rindo – Peraí, você disse estúdio? – como assim estúdio? - Bom, na gravadora deles tem mais espaço, sala de reuniões que possa suportar toda a equipe, que é grande, o estúdio que servirá tanto para eles e para você, e ainda uma enorme sala só para mim enquanto eu produzo o evento. – como essa minha amiga ficou metida? Pensei rindo comigo mesma. Pelo que me contou eu terei mesmo que trabalhar em estúdio com a banda dos rapazes, afinal ela falou “estúdio que servirá tanto para eles e para você”, teria que me acostumar com essa idéia. - Você ainda não está pronta? – disse entrou em “meu quarto”.
- E você também não – retruquei.
- Mas eu sou mais rápida que você, meu bem. – Ela caminhou até o guarda-roupa, o abriu e começou a procurar algo.
- O que está procurando? Posso saber? – Perguntei com as mãos na cintura.
- Uma roupa decente para você. – Ela nem me olhou ao responder.
- Eu já sou bem grandinha e sei escolher minhas próprias roupas. – disse a puxando pelo braço.
- Acontece que você vai a uma reunião muito importante e precisa mostrar seriedade. - Falou-me olhando firme, parece que esse trabalho era muito sério para ela.
- Não confia no meu bom gosto? – Perguntei. – Não responda. – Disse, vendo a cara que ela fez. – Saia logo daqui e vá se arrumar, anda, anda. – Eu dizia empurrando ela para fora do quarto. Posso com isso? Querendo mandar até no meu vestuário.

- Pronta? – Eu perguntei ao chegar ao quarto dela, sentando em sua cama box.
- Só um minuto. – Ela berrou de seu banheiro.
- Depois eu que demoro. – Falei mais para mim mesmo.
- Eu ouvi, hein? – Ela berrou. Quando ela queria, ouvia qualquer coisa.
- E aí? Como estou? – Me perguntou, dando uma voltinha. Ela usava uma saia alta, lisa e preta (ela adora preto, nunca vi), com pequenos detalhes no cós, uma blusa branca com alguns babados de manga regata, seu sapato de salto embutido, bordô envernizado, dava aquele up ao seu look e sua maquiagem estava simples, mas com estilo.
- Amiga, arrasou! – Não tinha como defini-la, estava vestida para matar!
- Ei, você não fica muito atrás não, onde pensa que vai? À uma festa é? – Disse me analisando, eu vestia um vestido tubinho tomara-que-caia, na cor champanhe, usava meu sapato nude de salto rosa pink e para completar um batom também na cor rosa, afinal eu tinha que estar bem apresentável nessa reunião, por isso meu look requer um pouco mais de requinte.
- Chega de elogios e vamos logo, não quero chegar atrasada. – Peguei minha pequena bolsa e fui saindo do quarto.
- Isso, vamos. – Ela disse, também se dirigindo à porta.
- Ah, espera. – E saiu correndo.
- O que foi dessa vez, ? – Já estava impaciente.
- Minha bolsa, honey. – E veio caminhando em minha direção com sua enorme bolsa preta. – Prontinho, vamos nessa. – Disse, rodando as chaves de seu carro e por fim fechando atrás de si a porta.

O caminho até a gravadora que virou agência - ainda não havia entendido isso direito - foi tranqüilo. A música que estava tocando não me chamava atenção, estava perdida em meus devaneios, a ansiedade estava me corroendo, queria saber como tudo seria, qual seria meu papel ao certo no projeto e claro, meu envolvimento com o Mcfly e talvez uma pequena porcentagem de minha ansiedade fosse justamente o meu encontro com a banda. Eu não poderia negar que estava muito contente em conhecê-los, afinal, já havia escutado alguns de seus singles e lembro-me de ter ficado impressionada com o talento dos meninos.
teve que estacionar na área reservada da gravadora para evitar aglomerações na frente do estúdio, por causa de minha presença em Londres. Fazendo isso, saltamos do carro e caminhamos até o local. mostrou seu crachá à recepcionista, que, atenciosamente, permitiu a nossa entrada. O elevador estava vazio e logo chegamos no nosso andar.
parecia conhecer a todos, cada ser que passava por nós a cumprimentava, alguns a paravam e conversava rapidamente com ela, já outros ela apenas sorria simpática e pude perceber que o largo sorriso dela já estava se cansando.
- Caramba, você conhece todos que trabalham aqui? - Perguntei, sussurrando no ouvido dela, não podia evitar essa pergunta.
- Fica quieta, não conheço nem a metade deles. – Sussurrou e logo abanou a cabeça para uma moça que passou e sorriu para ela. - Agora finge que você nem me perguntou isso, ok?! – Com seu ar de assassina me encarou com aquela cara de “se você me perguntar isso ou algo parecido de novo, eu faço questão de torturar você bem lentamente até que você não possa mais agüentar e assim eu a elimino da face da terra”. Apenas concordei com a cabeça.
Uma secretária muito novinha, devia ter no máximo 18 anos, tímida chamou .
- Srtª ? – Sua voz era calma e em um tom bem baixo.
- Sim. – se virou para ver quem era – Ah, oi, Clear, como vai? – Ela disse sorrindo.
- Bem, obrigada, – Clear respondeu timidamente – o senhor Fletch pediu para avisá-la quando chegasse que ele já está a esperando na sala de reuniões.
- Ok, obrigada, – disse sorrindo – lindos sapatos. – Disse por fim apontando-os e a menina ficou estática a olhando como se não acreditasse no que ela acabara de dizer. apenas piscou para ela e se virou, me empurrando até a um corredor em sua frente.
Ela bateu na porta a sua direita e já foi entrando sem esperar por resposta, esperou que eu entrasse e fechou-a. A sala era bem ampla, como havia mencionado, paredes brancas com vários quadros coloridos espalhados, uma mesa oval, enorme, diga-se de passagem, em mogno e suas cadeiras eram pretas e pareciam bem confortáveis, estantes com detalhes espelhados por todo lado no mesmo estilo que a mesa.
Quatro rapazes vestidos casualmente conversavam, brincavam e riam a toda hora sentados à mesa. Um deles deu uma risada estridente, pelo que o amigo lhe fez, e o ouvi assim que entrei. Um homem estava falando seriamente ao telefone. “Este deve ser o tal do Fletch”, pensei. - Olá, pessoas! – disse animada aproximando-se da mesa.
- ! – Todos em um uníssono responderam e pararam o que estavam fazendo, seja lá o poderia ser, inclusive o tal homem que estava ao celular. Ela foi até eles e cumprimentou com um beijo no rosto de cada um. Feito isso, se aproximou novamente de mim.
- Bom, quero lhes apresentar minha amiga. – Me abraçou de lado. – , agora sejam bonzinhos com ela e a cumprimentem, meninos – disse brincando, porém nem tanto, com as mãos na cintura.
- Oi! – E novamente responderam em coro.
- Ah... acho que você não os conhece por nomes, não é? – E concordei com a cabeça, não saía uma palavra sequer da minha boca, um dia minha vergonha ainda me mata. Para ela era fácil, já os conhecia, não que eu não estivesse acostumada com pessoas famosas, não era isso, eu só não estava em uma de minhas melhores fases, então era melhor mesmo deixar todo o trabalho com ela, acho que ela não se incomodaria.
- Bom esse é Dougie Poynter, baixista da banda – ela apontou para um menino que sorriu para mim, sentado na ponta do grupo deles. Ele era... pequeno, não que eu tivesse moral para falar da altura das pessoas, uma vez que eu também sou desprovida dela, mas em relação aos outros era o mais baixo, suas roupas também não ajudavam muito, parecia ser uns dois números maior que ele. Ele era bem loiro, tinha olhos azuis, e tinha carinha de bebê, eu achei-o fofo, haha.
- Esse é Harry Judd, o baterista – ele estava sentado ao lado de Dougie e acenou para mim. Ele, ao que tudo indicava, era o mais alto, usava uma camiseta preta que lhe caia muito bem, seus cabelos eram bem escuros e contrastava muito bem com seus olhos azuis, tinha um ar mais sério, mas era brincalhão assim como todos os outros. Ele era... hm... sexy, não havia outra maneira de classificá-lo.
- Ah, , depois preciso falar com você. – Ele disse quando ela já estava passando para o outro rapaz.
- Oh... claro, só um minuto. – Ela respondeu, o que será que ele tinha para falar com ela?
- Ah, esse é... – e foi interrompida.
- Daniel Jones, mas pode me chamar de Danny, sou guitarrista e vocalista, querida. – Ele mesmo apresentou-se, e mostrou um largo sorriso a mim, ele tinha cabelos castanhos e cacheados e olhos azuis, usava uma camisa quadriculada aberta e uma regata branca por baixo. “Me pareceu ser meio... intrometido, engraçado, mas intrometido e tem mais, quem ele pensa que é para me chamar de querida logo de primeira?”, pensei.
- Obrigada, Jones, por me interromper – irônica como sempre.
- Sem problemas , quando precisar é só pedir com seu jeitinho doce que eu repito. – E deu uma piscadela para , essa, por sua vez, mandou um beijinho para ele. Olha o atrevimento desse rapaz? E que intimidade é essa de ? Não começou bem, meu jovem, nem um pouco.
- Tom Fletcher, também guitarrista e vocalista – ela apontou para um menino que sorriu timidamente e mostrou algo que achei... fofo, uma covinha, sim, apenas uma na sua bochecha rosada. Ele era loiro, cabelo liso e repicado, exatamente ao estilo Edward Cullen de ser e diferente dos outros, seus olhos eram castanhos. Ele me pareceu ser muito calmo, brincava que nem os outros, e era muito simpático, mas os outros não ficavam muito atrás, a não ser pelo tal do... como era mesmo o nome dele? Dy... não, Da... Danny, Danny, acho que era isso, ele me pareceu um pouco metido, mas talvez fosse somente à primeira impressão, espero que aquele velho ditado “a primeira impressão é a que fica” não caia como um luva.
- Oh, esse é Fletch, empresário dos meninos – era um homem que aparentava ter seus 30 anos, vestia uma camisa social azul, nada demais e me pareceu bem preocupado com alguma coisa séria.
- Bom deixe-me ver o que o Harry quer comigo – disse, apontando uma cadeira para que eu pudesse me sentar, enquanto ela cutucava Harry pelo ombro e saía com ele porta fora.
- Tá, Harry, o que você quer? Temos que começar essa reunião logo – Eles estavam no meio do corredor, quase em frente á sala de reuniões.
- Sabe o que é ... Você lembra daquela sua amiga que você me apresentou naquele dia no pub? - Harry fez uma cara de cachorro pidão e eu tinha certeza absoluta que iria ralhar com ele aquele exato momento.
- Como é que é, Harry-pegador-que-me-faz-sair-da-sala-pra-falar-de-mulher-Judd? Você me tirou da sala pra falar sobre o que eu coloquei no seu sobrenome? Ah, pára né, meu filho, eu tenho coisas mais importantes pra me preocupar do que arranjar mulher pra você se esfregar. – Dito e feito.
- Ah, , qual é! Só porque você namora o todo gostosão-sensação-do-momento-Jensen-Ackles tu vai me deixar na mão? - É, esqueci de comentar isso...
estava namorando esse ator. Ele e mais um... Pada-não-sei-das-quantas eram as sensações do momento e eu posso dizer que eles eram bem, hm, apresentáveis.
- Ok, Judd! Se você se comportar direitinho na reunião agora, eu prometo pensar no seu caso e lhe dar o número de telefone da Barbara. Agora vamos, eu não posso perder tempo.

Enquanto isso na sala de reuniões...

- E então, , se é que eu posso te chamar assim. – Já disse pra vocês que eu fui com a cara do Tom? Não? Eu fui com a cara do Tom! - Eu ouço muito as suas músicas e elas são ótimas, parabéns! - Tom sorriu e exibiu a covinha, vontade de apertar mode on!
- Claro que pode, Tom... e, muito obrigada! Eu também posso me considerar uma fã da sua banda, vocês são muito talentosos.
- Acho que vai ser legal trabalhar com você, – Dougie se pronunciou pela primeira vez agora.
- Eu tenho certeza, cara... - Danny, né? É, acho que sim... Danny falou olhando pra mim e sorriu malicioso... Mas olha só que ousadia. Eu poderia ser sua mãe! Tá não é pra tanto, sou só 1 ano mais velha do que ele, mas ugh... não gostei desse garoto.
- Pelo visto vocês estão se dando bem! - Quando eu IA abrir a minha boca pra dar uma resposta pra aquele serzinho, chegou na hora e me calou.
- É, eu espero – Foi o que eu consegui dizer.

A reunião durou mais ou menos 1 hora, tratamos de assuntos bem legais, incluindo as músicas que iriam ser tocadas na noite do show, a música que eu teria que escrever com os garotos e as propagandas para a TV. Eu estava me sentindo mais leve, eu sempre me sentia dessa forma quando estava trabalhando, talvez seja por isso que eu sou boa no que eu faço – e isso não foi meu ego quem disse –, mas eu ainda estava preocupada... Havia deixado L.A. e não tinha avisado a ninguém, nem mesmo minha empresária. Sentindo-me culpada, me retirei da sala e fui telefonar pra Jess, eu precisava pedir desculpas pela minha falta de profissionalismo.

- Jess?
- , meu amor! Que bom que você ligou, estava ficando apreensiva com o seu sumiço. Por onde você anda?
- Er... Estou em Londres – Senti que aí vinha bomba.
- COMO É QUE É? COMO VOCÊ VAI PRA LONDRES SEM ME AVISAR? - Tive que afastar o aparelho do meu ouvido pelo berro que Jess havia acabado de dar.
- Desculpa, eu sei que fiz mal. Eu estou passando por alguns problemas e uma amiga me ligou falando que tinha alguns projetos pra mim aqui. Você não vai acreditar! Vou ser anfitriã do Children In Need com o Mcfly...
- Ah... Isso é bom! Mas eu preciso estar aí contigo, mocinha.
- Eu sei, baby, mas agora não é preciso, estamos em processo de criação, mas acredito que em pouco tempo vou ter que ter você aqui.
- Tudo bem, pode deixar que seguro as pontas por aqui.
Bip bip bip. - Oh, Jess, tem outra ligação na linha, mais tarde falo contigo! Beijos. – Apertei o botão verde sem nem olhar quem era.
- Alô?
- Por onde você anda? - Ai meu Deus. Adam. Eu havia esquecido completamente do meu “problema”. - Como você sai de casa sem ao menos conversarmos? Escuta, , eu estou completamente arrependido do que tenho feito nesses últimos tempos. Só queria que você estivesse comigo agora... - Posso dizer que minhas pernas tremeram e meu olho ficou cheio de lágrimas? Péé... Posso.
- Você tem certeza disso? Eu estou com medo de voltar, Adam, mas posso garantir que eu estou bem. Fui convidada pra um trabalho, eu vou voltar e então vamos poder conversar – em paz, eu espero –, ok?
- Tudo bem... - Ele estava muito calmo pro meu gosto. - Eu te amo, princesa.
- Também. - Eu juro que tentei, mas não consegui repetir a frase.
Quando desliguei o telefone, virei pra trás e dei um pulo.
- Falando com o maridinho, é? - Danny Jones, o ser insuportável, estava ouvindo a minha conversa?
- Não é da sua conta. - Eu não costumava ser grossa, mas ele tava pedindo.
- Desculpe então Sra. Stout, não quero ser alvo de suas grosserias. – Como uma pessoa pode ser tão debochada?
- Escute aqui, Daniel, eu não sei o que você estava querendo ao ouvir a minha conversa com o meu marido, mas eu não te dei e nem vou te dar intimidade suficiente pra falar sobre minha vida pessoal.
- Não está mais aqui quem falou... - Danny virou-se de costas pra mim e andou em direção à sala de reuniões. Ainda bem que eu era uma pessoa controlada e que não lutava boxe.
Ficamos mais uns 20 minutos conversando com o pessoal e toda vez que eu olhava ao redor, meu olhar se encontrava com o de Danny e ele nem ao menos disfarçava e isso não estava me deixando confortável. Na primeira vez, eu desviei o olhar e pude notar que ele riu quando eu fiz isso, na segunda vez, eu cerrei meus olhos e dei a entender que não estava gostando daquilo. Mas, parece que não adiantou... ô garoto!

Capítulo 6

Quando eu e chegamos no apartamento, me sentei no seu confortável sofá e liguei a televisão, estava passando Supernatural e em menos de 2 segundos pulou do meu lado, ficando simplesmente hipnotizada em frente ao aparelho.
- Amiga? Hello! - Passei minha mão em frente de seu rosto, enquanto ela olhava com uma cara de oi-estou-apaixonada – !
- Ai, , credo... Não posso nem assistir o trabalho do meu namorado em paz? - Ah, estava explicado... O namorado da fazia parte dessa série e nem vou mencionar que nunca tive interesse de assistir porque posso ficar sem pescoço.
Quando – finalmente – o Supernatural terminou, eu estava na cozinha preparando sanduíches pra mim e pra , voltei à sala e sentei-me ao seu lado e não pude me controlar:
- Você vai me bater se eu disser que eu não fui nem um pouco com a cara daquele Daniel Jones?
- Ah, , deixa de ser boba... Por que isso? - Ela me olhou sem entender nada.
- Sei lá, só achei que ele é meio... intrometido demais.
- Isso é só implicância, você anda com problemas ultimamente e qualquer um que tente fazer gracinhas pra você, pode se tornar seu inimigo, ou você tenta deixar isso de boa e se acostumar ou... ah, não tem segunda opção, o Danny é assim mesmo e você vai ter que se acostumar.
- Você sabe o quão difícil é pra mim que as pessoas invadam minha privacidade, ! Ao invés deles que pedem 32 garrafinhas de cerveja e um vinho australiano no camarim, eu peço pra conversar com quem vai me entrevistar pra poder me sentir mais à vontade! Olha a diferença...
- Como você sabe que eles pedem isso? - Oi? - Não sei, acho que li por aí... Mas essa não é a questão, você acredita que hoje quando eu saí da sala pra ligar pra Jess, recebi um telefonema do Adam e quando me virei, quem estava lá atrás de mim? Danny-super-metido-Jones.
- Você? O Adam o quê? - Ai santo Deus... - Não acredito que ele te ligou!
- Tá, não vem ao caso de novo. Achei feio isso da parte do Daniel.
- Er...na verdade, fui eu quem pediu pro Danny ir atrás de você. - corou – Mas, vai... Me explica essa história direito do Adam... canalha.
E então eu a contei sobre o telefonema de mais cedo, comemos nossos sanduíches e fomos dormir. O dia havia sido proveitoso, tirando o fato do meu amado e novo companheiro de trabalho, ai tá, parei, posso até estar exagerando na implicância... Prometo que vou tentar me controlar e tentar também, conviver socialmente com ele.

Eu nunca vi alguém tão lindo em toda a minha vida. Ele estava lá e ele era somente meu. Eu dava passos lentos e podia ver o sorriso brotando no rosto das pessoas que eu mais amava na minha vida, eu estava linda. Eu sentia que estava. chorava de emoção ao lado de seu namorado.
- Daniel Alan David Jones, aceita como sua legítima esposa? Prometendo amá-la e respeita-la na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
- Aceito – Eu estava completamente hipnotizada por aquele sorriso torto.
- , aceita Daniel Alan David Jones como seu legítimo esposo? Prometendo amá-lo e respeita-lo na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?

- NÃO! – Ai que coisa horrorooooooooooosa.
- Você está louca, ? – havia dormido comigo, conversávamos tanto a noite que pegamos no sono ali no meu quarto mesmo.
- , eu acabei de ter o sonho mais nojento que eu poderia ter em toda a minha vida! – Eu dizia me levantando e dando pequenos pulinhos até o banheiro. – Argh, preciso de um banho.
- Vou à farmácia comprar seu remédio depois que eu acordar de novo, sua retardada.
- Shush. Eu ouvi isso!
Tomei meu banho e fui me certificar do horário. Droga. Eram quase 6 da manhã e não valeria a pena tentar dormir de novo, sendo que teríamos que estar no estúdio às 8:30 e pra isso eu teria que acordar umas 7.
Fui pra sala, liguei a TV e não passava nada de interessante. Resolvi tentar compor alguma coisa, eu teria que fazer isso mais cedo ou mais tarde e seria bom escrever ali, sozinha, sem olhos em cima de mim e nenhuma tensão no ar.
- Me and my heart we got issues... – Comecei a cantalorar baixinho… Isso poderia se tornar uma bela música.
Fiquei pensando em várias coisas ao mesmo tempo e nem notei quando chegou na sala.
- Obrigada por não me acordar de novo – sorriu e eu sorri de volta – Mas levanta daí e vai se arrumar, estou com vontade de tomar café na Starbucks hoje e também não tenho nada em casa... Vamos ter que sair mais cedo.
Me levantei em direção ao meu quarto, abri o armário e peguei a primeira roupa que eu vi e então, vestindo uma jeans boyfriend, uma sapatilha vermelha, uma blusa simples de manga comprida branca, um casaco de listras preto e branco e um Ray Ban Way preto, me dirigi ao encontro de , que também vestia algo bem simples, vestidinho preto, um all star roxo, com enormes óculos de sol. Então seguimos até a Starbucks mais próxima de casa e do estúdio.
E... Deus abençoe Starbucks. Com esse pensamento e uma súbita animação matutina chegamos ao prédio da Super Records.
- Bom dia, Clear. – e eu dissemos em uníssono.
- Bom dia, meninas! – Wow, somos jovens, lindas e sem rugas. Te amamos, Clear!
- Bom dia, guys! – , que entrou primeiro na sala, disse.
- Olá senhorita-estou-de-bom-humor. – Tom disse e todos riram.
- Oi, guys! – Eu entrei logo em seguida.
- Olha, Dougie, acho que alguém desceu do salto hoje – Danny começou cedo com suas piadinhas. Tudo bem que ontem eu estava com meu salto 15 e hoje estou de básicas sapatilhas vermelhas.
- Bom dia pra você também, Jones... – Sorri e fui caminhando em sua direção. – Nem você e suas piadinhas super engraçadas vão me aborrecer. – Sussurrei no seu ouvido ao passar por ele, e pude notar que ele se arrepiou... Opa! Ele se arrepiou? Okay, , pare com isso... Você não gosta dele não, se lembra? Ele pode até ser bonitinho e rir engraçado, mas SÓ isso.
- Então, vamos ao que interessa – disse por fim - , você tem disponibilidade de ficar por aqui mais alguns meses? – Fletch dirigiu a palavra pra mim pela primeira vez desde que eu cheguei em Londres.
- Alguns meses? – Olhei pra , a querendo fuzilar.
- Pois é, zinha... Vocês têm muito trabalho pela frente e algumas semanas, nem 1 mês são o suficiente. – A safada da minha amiga disse com a maior calma que ela poderia colocar nas palavras, só pra me amansar.
- Ai meu Deus, tudo bem... O meu cd vai sair meses atrasados por causa de vocês, hein! – Disse sorrindo para todos, menos para Danny, óbvio.
- Não por nossa causa, querida, lembre-se das crianças, é por uma BOA causa. – Harry disse e assim concordei.

Algum tempo longe de todos os meus problemas e da rotina do meu dia-a-dia não vão ser tão ruins, assim eu espero. Começamos mais uma reunião, todos falavam de seus projetos, o que tinham em mente, as músicas. falava super animada sobre o que havia pensado na parte cinematográfica do negócio. Eu e os meninos teríamos que fazer alguns comerciais pra TV, clipes cada um com a sua música e finalmente o show, eu cantando com Tom e Danny e ajudando milhares de crianças. É, poderia ser uma grande idéia.

Capítulo 7

Uma semana passa muito rápido, não imaginava o quanto, principalmente quando se está trabalhando com pessoas tão talentosas, mas é claro que tem sempre aquele que adora perturbar tudo e esse papel se encaixava perfeitamente em Danny Jones. Ai, esse garoto simplesmente não sabe ter o bom senso de se manter calado, isso já estava me tirando do sério.
Acordei cedo demais, ainda deveria estar no sétimo sono, o que eu iria fazer agora? Para começar, um banho bem demorado, preciso urgentemente disso. De banho tomado, coloquei um blusão, peguei meu caderno de anotações que sempre levo comigo, meu Ipod e fui sentar no sofá da sala, puxei uma almofada e fiquei lá por um tempo. Anotei algumas idéias para, quem sabe, algumas músicas. Logo fui interrompida por uma gargalhada. ?
- Ok! Já entendi, sim, eu vou estar lá, pode deixar. – Ela estava caminhando até o sofá em que eu me encontrava. - Ai, finalmente, né!? Meu amor, vou esperar ansiosa. – Um largo sorriso apareceu em seu rosto. - Também te amo, outro, tchau... tchaau. – Fechou o celular.
- Posso saber quem foi o responsável por esse sorriso bobo aí? – Perguntei.
- Jensen Ackles. – Suspirou. – Preciso dizer mais alguma coisa?
- Nope, o que ele queria? - Curiosa, eu? Imagina.
- Curiosa, assunto meu e do meu namorado. – E virou o rosto. – Aiii, ele chega amanhã e vou buscá-lo no aeroporto! – Seus olhos brilhavam. – Faz quase duas semanas que não o vejo. – Fez bico.
- Me explica isso direito, por favor. – Eu não havia entendido ainda esse relacionamento de .
- Bom, ele grava em Vancouver, mas ele é americano e nos conhecemos em uma produção que fiz no Canadá, ele sempre vem me ver, mas dessa vez as gravações atrapalharam muito. – Disse meio tristonha.
- E como você suporta a distância, as fãs? - Perguntei meio receosa.
- Ah, ele é um fofo comigo, sempre liga, manda presentes e quando vem para Londres, fica um bom tempo aqui. – Respondeu sorrindo. – Agora chega de falar dele e vamos trabalhar, move! – Dizendo isso, correu para seu quarto e se arrumou. Eu não estava muito a fim de ir até a gravadora hoje, acordei indisposta, mas como eu iria dizer isso a ela?

Ocorreu tudo bem na gravadora, nada de mais, acertamos alguns pontos que faltavam para a nossa primeira gravação. Já mencionei sobre a gravação? Não, então, nós decidimos que o Mcfly juntamente com , minha pessoa aqui, iríamos gravar algumas músicas, um vídeo clipe, e tinha que ser o mais rápido possível, para poder promover a campanha do projeto, ficou decido a data o local e tudo que precisava.
Fomos direto para a casa, era sexta-feira e tivemos uma semana cheia e muito agitada, estávamos exaustas. Pedimos uma pizza, vimos um filme e logo fomos dormir.
Antes de pegar no sono, fiquei um tempo acordada no escuro refletindo em minha ultima semana. Adam havia me ligado algumas vezes e mandado varias mensagens amorosas, confesso que fiquei balançada ao ler uma delas que dizia o seguinte: , sinto tanto sua falta, você não sabe como esta sendo difícil para mim. Acordo pensando em você, durmo com sua imagem em minha mente, eu não sou mais o mesmo, acredite, eu mudei por você, meu amor, e só por você! Volta logo, estou te esperando, não vivo sem você, preciso de você para poder respirar. Nunca se esqueça que eu te amo muito. Beijo, minha linda.” Preciso dizer o quanto ficou irritada com isso? Não, ela não acredita mais nele; eu... bem, eu não sei mais o que pensar, estou perdida, esse tempo que estou passando em Londres irá me ajudar resolver minha vida, pelo menos eu espero.

Those flashing lights come from everywhere, the way they hit her I just stop and stare. She's got me love stoned / Man I swear she's bad and she knows. I think that she knooows, oh!
De onde será que ela tira tanta música, dude, cada dia é uma diferente, um cantor diferente. – Pensei ao acordar com a barulheira que fazia, já não bastava o som alto, ela ainda cantava junto, ela não era tão ruim assim, mas isso às oito e meia da manhã de um sábado, ninguém merece.
- Aonde vai vestida desse jeito? É sábado, babes, volte a dormi, por Deus. – Falei sonolenta, encostada no vão da porta. Vestido tomara-que-caia branco, cinto vermelho combinado com sua bolsa Victor Hugo vinho e sapatilha nude. Ei, hoje não é sábado? Eu não estou ficando louca, aonde ela iria?
- Babes, babes, vou buscar o Jensen no aeroporto. – Simplesmente me respondeu.
- Que horas ele chega? - Eu ainda não estava raciocinando direito, tinha me esquecido completamente desse “pequeno” detalhe.
- Às dez, mas eu tenho que passar no escritório de um dos patrocinadores do projeto, para acertar os últimos detalhes. - Ela sorriu para mim. – Quer que a deixe em algum lugar? - Perguntou.
- Não, não, vou ficar aqui em casa mesmo. – Sorri.
- Tem certeza? Quer vir comigo então? – ela fez cara de cachorro que está na chuva, eu neguei com a cabeça. – Tudo bem, eu vou almoçar com ele, preciso matar as saudades, amiga. Não tem problema de ficar sozinha em casa?
- Eu já sou mocinha, tia , não tenho mais medo do bicho papão. – Imitei voz de criança e ela começou a rir.
- Tá bom, poia da minha vida, beijo, tchau, qualquer coisa tô no celular. – E abanou o aparelho em suas mãos, já saindo.
- Vai lá, pegadora, não faça nada que eu não faria, hein?! – Gritei e pude ver ela mandar o dedo para mim, que feio, senhorita , sua mãe não deu educação não, é?

Bom, não tinha nada para eu fazer, voltei a dormir, era o melhor que eu poderia fazer.

Enquanto isso no aeroporto

- Ai, espero que o vôo não tenha chegado ainda, aquele empresário era um pé no saco, não calava a boca, mas é para as crianças, é para as a crianças. – pensava, estacionando seu carro no aeroporto.
Ela correu até o portão de desembarque e constatou que chegou a tempo, os passageiros estavam descendo agora mesmo.
não se agüentava de ansiedade, ela realmente gostava dele, será que dessa vez ela ia se amarrar? A ? Vai ser um pouco difícil.
- Ai, meu amor, que saudades. – Jensen disse, abraçando ela bem forte, sentindo o seu perfume.
- Eu também, quase que não cheguei a tempo. – Disse, sorrindo para ele.
- Bom, eu ia simplesmente sentar e esperar até você chegar. – E sorriu pra ela e essa, se não fosse ele estar segurando-a pela cintura, iria cair apenas com aquele sorriso.
- Não é pra tanto. – E deu um tapa de leve em seu ombro. – Vem, vamos que eu... – foi interrompida, quando ele a puxou para mais perto e olhou bem nos olhos e deu um beijo apaixonado – tenho coisas a fazer. – Ela completou quase sem fôlego.
- Eu senti falta disso. – Jensen disse isso e deu um selinho em e seguiram para o restaurante.

Eu estava em uma linda praia, a brisa batia de leve meu rosto, caminhava descalça com minhas sandálias nas mãos, estava caminhando sem rumo nem direção, até que Adam aparece em minha frente, simplesmente lindo, radiante, sorrindo para mim com um pequeno buquê de rosas, sorri feito uma boba, vendo aquela cena, o meu marido, todo carinhoso comigo novamente, mas quando fiz menção de que ia pegá-lo, eu ouço uma voz grave gritando meu nome, olho para trás...

- CHEGA! Não aguento mais esse tal de Danny invadindo os meus sonhos, que droga. – Disse, mesmo que ninguém pudesse me ouvir. Nossa, tava mesmo cansada, até sonhar eu sonhei nesse meu cochilo, vou ver alguma coisa na TV, tenho que me distrair. Levantei-me e caminhei até a sala, peguei o controle da televisão. – Para quê tantos botões? TV cheia de funções, credo. – Falei baixinho. Liguei e nada que prestasse passava, até que o telefone tocou.
- Não se tem sossego nem no sábado, onde já se viu. – Alcancei o telefone, sem se quer me levantar do sofá.
- Alô. – Disse seca.
- Te acordei?
- ? Não. Estava vendo TV. O que houve? Jensen está com você? – O que será de tão importante para ela interromper seu programa a dois?
- Esta sim. – Respondeu feliz. - Bom, eu estava começando a almoçar quando meu celular tocou, era o Fletch.
- E eu com isso? O que ele queria? – Não estava entendendo nada.
- Houve algum problema, não sei direito, e também disse que nós precisávamos ir até lá e resolver a questão das músicas, já que vocês não fizeram isso ontem. - Pelo tom dela ela não gostou muito do que aconteceu, e muito menos eu.
- Mas ontem não deu tempo, tivemos que resolver as coisas da gravação, lembra? E por que tem que ser justo hoje? - Perguntei.
- Não faço idéia, parece que o Danny não vai poder ir na segunda, ou ele teve alguma idéia com o Tom, não entendi direito, e tem mais, apareceu o pepino pra eu resolver, assim, tipo pra ontem, e você tem que ver esse negócio com os rapazes - pausa para respirar, muita informação, tinha que ser o Danny, tinha que ser ele - Fletch tem que estar com isso pronto na segunda-feira, de manhã, bem cedo.
- , é sábado, você está aí com o seu amado... – Choraminguei.
- E você acha que o Jensen gostou? Se desse ele arrancava a cabeça da pobre coitada da secretária. – Suspirou. – Mas temos que ir e ele está cansado da viagem, enquanto ele descansa, eu dou uma passada lá, mas eu nem almocei, nem curti meu namorado. - Aposto minha fortuna que ela estava fazendo bico e cara de cachorro pidão, tinha certeza. – Você poderia ir na frente, enquanto eu me despeço dele, pleaaaase! - Eu podia imaginar a cara que ela estava fazendo, safada.
- OK! É só o tempo de eu tomar um banho rápido e passar na Starbucks, e não demora, deixa para namorar depois. – Ralhei com ela. – Ah... eu vou pedir um aumento, isso é exploração.
- Ai, , meu anjo obrigada, e pense: é pelas crianças, não se esqueça! – Falou . - Está parecendo o Harry falando, você está andando demais com ele.
- Ok! Vai se arrumar logo, e muito obrigada, fico te devendo essa, beijo! – E desligou o telefone. Bom, agora eu tenho algo para fazer, em pleno sábado, ir trabalhar é demais pra mim.

Capítulo 8

Me arrumei rápido, sem muita produção, calça jeans skinny, sapatilha preta, uma blusa branca cheia de detalhes em cores fortes e chamativas, óculos escuro e pronto, estava ótimo para quem nem iria sair de casa no sábado.
- Filha da mãe, a esqueceu só de um detalhe EU ESTOU SEM CARRO, vou ter que chamar um táxi, ótimo, meu sábado está saindo perfeito. Argh. – Quem passasse e me visse naquele estado falando sozinha acharia que eu tinha surtado de vez, mas tudo bem, não é porque meu dia começou um pouquinho desajeitado que vai ser assim o dia todo, não é? Ou vai? Era só o que me faltava.
Chamei o bendito do táxi, que me fez esperar impacientemente, passei na Starbuks, que para meu desespero estava lotada, e segui para a Records.
Passei reto, mal cumprimentei as pessoas, a não ser por Clear, ela era muito gentil, tadinha, entrei logo na sala de reuniões e quem eu encontro? Ninguém, não havia ninguém lá, e quando eu já estava quase enlouquecendo quem me aparece? O implacável, o imbatível, o incrível Danny-metido-que-se-acha-pra-caramba-Jones. “Sim, , se conforme, seu dia irá ser longo”, pensei.
- Olá, minha querida companheira de trabalho. – Já disse o quanto odeio quando ele sorri malicioso daquele jeito? Não? Então está dito. Ou não. Pensando bem até que ele fica bem bonitinho sorrindo assim... Pára, por favor, , por favor, contenha-se.
- Oi. – Disse simplesmente.
- Nossa, que animação, parece que alguém aqui acordou de mau humor hoje. – Ai, ele estava rindo e pior, de mim.
- Por que você não faz o favor e some da minha frente? – Sorri falsamente.
- Por quê? Aqui está ótimo. – E deu um largo sorriso.
- Hoje eu não estou para brincadeiras, Jones. – Falei.
- Quem aqui está brincando? Eu falei a verdade, aqui está ótimo. – Ele só pode ser estar brincando comigo, não pode ser outra coisa, creio que tirar uma com a minha cara deve ser o passa-tempo preferido dele, não há outra explicação. E quando eu ia dar uma bela de uma resposta Tom chegou, bom, pelo menos alguém decente aqui, e comecei a falar com Tom animadamente e uma vez ou outra podia sentir o par de olhos de Danny fixados em mim, não era nem um pouco confortável essa situação, devo mencionar.
Logo chegou Harry e Dougie juntos, depois Fletch.
- Danny, quer parar de olhar a assim, parece que vai secar ela desse jeito. – Harry se pronunciou. E eu continuei quieta, fazendo o meu trabalho, simplesmente fingi que não era comigo, minha amiga me ensinou isso direitinho.
- Eu? Não estou fazendo nada. – Danny defendeu-se.
- Ah é? Então trate de arranjar algo pra fazer. - Dessa vez foi a vez de Tom.
- Fazer o quê? Tem nada pra fazer, dude. – Danny falou. – Aii, doeu.
- Que bom, era pra doer mesmo. - Harry disse ao dar uma pedalada em Danny. - Como não tem nada pra fazer? Danny, nós temos que resolver tudo isso agora, vê se colabora, né?! – Harry completou.
E foi o que fizemos continuamos trabalhando rápido, mas com competência, feito loucos, inclusive o mala do Jones, quando ele quer, sabe ser profissional. Então Flecth recebeu uma ligação e saiu da sala, Tom teve que atender ao chamado da natureza, enquanto Harry e Danny ainda discutiam o arranjo daquela música, eu e Dougie estávamos batendo papo, trocando figurinhas.
- Ah... eu tenho que ir verificar alguns papéis que a disse que era para a gente ir pegar. – Harry disse levantando da cadeira. – Lembra? – Realmente disse algo assim, mas por que ele se lembrou disso agora?
- Ok! – Eu disse.
- Vem comigo, Dougie? – Harry ia puxando o menino – Anda dude, te pago um chocolate daquela máquina que tem no corredor do elevador, vamos? – Meu Deus, Dougie parecia uma criança com o que Harry havia dito e saíram da sala, sobrando apenas eu e o... Danny Jones, maravilha! Agora meu dia ia se tornar perfeito.
- Me passa essa caneta? – Ele pediu, olha, resta em Danny uma esperança. Ele sendo educado, quase uma raridade.
- Essa? – Apontei uma caneta.
- Tem outra por um acaso? – Pronto, voltamos à realidade nua e crua.
- A educação mandou um abraço. – Sorri irônica.
- Tá me chamando de mal educado? – Olha, ele pensa!
- Hm... sim. – Sorri.
- Garota, você se acha melhor que eu, não é mesmo? Aliás, você se acha melhor que qualquer um. – E me olhou bem nos olhos parecendo querer ver minha alma através deles, ou tentar ler o que se passava em minha mente naquele momento. - O que foi? Papai não te abraçou o suficiente e você se tornou isso, é? – Que garoto irritante!
- Quem você pensa que é para falar comigo dessa maneira? - O sangue já estava subindo para a minha cabeça, estava começando a ferver.
- Alguém que você nunca poderá ser. – E gargalhou, ele gargalhou, isso não ia ficar assim a não ia.
- Depois sou eu quem fica se achando, olha pra você. – Meu dia já não havia começado muito bem e agora eu tinha que aturar isso?
- Pra quê? Já me olho todos os dias no espelho e me acho lindo! – E sorriu debochado.
- Ha-ha-ha, faz-me rir Danny, você não tem coisa melhor para fazer do que ficar me perturbando? – Perguntei, erguendo as sobrancelhas.
- Hm... Não. Gosto de te ver irritada. – Ô garoto atrevido.
- Argh. Deixe-me em paz. – Virei meu rosto. – Tenho muitas coisas para fazer.
- Querida, não fuja da melhor parte da briga, vamos! – E me cutucou no ombro e eu me virei pra encará-lo.
- Primeiro, eu não estou fugindo... apenas... te ignorando. Segundo, desde quando te dei liberdade de me chamar de “querida”? – Respirei fundo e continuei. – E por último, mas não menos importante, NÃO ME CUTUCA! – Ah, nesse momento eu já havia perdido todo o meu autocontrole, não dava pra evitar, ele era muito intrometido, fazia perguntas demais.
- Ei, não grite, não sou surdo. – E colocou uma de suas mãos em uma de suas orelhas – Por que está tão irritada hoje? Acordou de mau humor, foi? O que aconteceu? Teve muitos sonhos que atrapalharam sua noite? – Terminou, se ajeitando na cadeira e cruzando os braços.
“Mas onde estava a ética das pessoas? De onde ele tirando aquelas coisas?”, pensei.
Ele já tinha passado do estágio de pedir e avançou para a fase de implorar para eu me descontrolar, e ainda fazia isso com a maior cara de pau que alguém possa ter, o seu sorriso não saia de seu rosto nem por um segundo sequer, aquele deboche dele já estava me levando à loucura. Eu juro, juro que tentei conviver amigavelmente com ele, tentei ser o mais profissional possível, mas era inevitável.
já havia me alertando sobre o assunto Danny Jones e me disse que ele era daquele jeito e dificilmente iria mudar, mas eu pensei que seria razoável a convivência com ele, mas não, ele fazia questão de acabar com o que eu chamava de estratégia profissional, para que nós conseguíssemos fazer o evento da melhor maneira possível, ele simplesmente não colaborava. Eu sabia que a qualquer momento ele iria me tirar do sério, mas não imaginava que iria ser tão cedo assim.
- Você não sabe o que eu estou passando, não sabe nada sobre mim, então fique quieto. – Ralhei com ele. – Você faz muitas perguntas. – Finalmente falei o que estava engasgado em minha garganta há muito tempo.
- Apenas faço perguntas, justamente porque não sei nada sobre você. – E fez um barulho com a boca incompreensivo.
- E o que depender de mim ficará sem saber. – Curta e grossa.
- Você ainda me chama de mal educado? Eu aqui tentando estabelecer um bom relacionamento profissional, com a melhor das intenções e você me vem com cinco pedras na mão. – Aii, Como ele era cínico. – Assim você magoa meus sentimentos, dude. – E fingiu estar triste fazendo uma cara de cachorro sem dono que caiu do caminhão de mudança.
- Oh, essa é a hora em que eu me renderia a seus encantos e me arrependeria pelo que eu disse? – O vi concordar com a cabeça. – Vai sonhando.
- Garota, você é muito metida sabia? Não sei como seu marido te agüenta. – Ele disse rindo.
- Eu? Metida? Olha quem fala, o garoto mais metido que eu tive a infelicidade de conhecer. – Eu disse isso, mostrando minha indignação ao ouvir aquilo anteriormente. – E não ouse falar do meu casamento, você ouviu bem?
- Ui, acho que pisei em seu calo, “querida”. – E ele fez questão de enfatizar a última palavra.
- Já disse para parar de me chamar assim. – Praticamente eu estava gritando. – Você não sabe do está falando. Eu... eu... Ah, você é um pé no saco! – Falei já me levantando.
- Estressadinha! - Ele sussurrou, mas eu pude ouvir muito bem, apenas queria me certificar, afinal, a estressada era a , eu sou muito calma, só estava daquele jeito puramente por conseqüência das atitudes dele, caso contrário, eu estaria numa boa.
- Do que você me chamou? – Virei-me para ele com as mãos na cintura. – Ops... Me esqueci que você é um covarde e não tem coragem de falar na minha frente. – Eu disse e em seguida dei meu melhor sorriso maroto.
- ESTRESSADINHA! Foi isso que eu disse, satisfeita? – E também se levantou. – E você não tem o direito de me chamar de “covarde” – disse, colocando certo nojo na palavra covarde.
- Ah, não? Mas eu falo mesmo assim. – Retruquei.
- Não fala não. – E chegou mais perto de mim.
- Ah é? E quem vai me impedir? Você? – Gargalhei.
- Se for preciso. – Me respondeu. – Até porque você não é párea para Danny Jones. – Deus, eu só posso ter colado chiclete na cruz. Não tem outra explicação para eu ter que aturar esse ser que está bem na minha frente... E bem perto... Perto até demais, para o meu gosto.
- Ok! Você pediu – Eu não agüentava mais. – Você é um metido, se acha o último gasinho da Coca-Cola, e não é bem isso que você é, coloque-se em seu lugar e não me dirija mais a palavra se você não quiser levar uma. – Falei, apontando meu dedo em sua cara e me virei furiosa, mas ele me puxou pelo braço e me olhou nos olhos, me deixando um pouco desnorteada. “Meus Deus, o que está acontecendo comigo? E porque quando ele me olha desse jeito eu não consigo me desviar dele?”, pensei por um momento.
- Você não teria coragem. – Ele me falou com a voz rouca.
- Não duvide de mim. – foi apenas o que eu consegui falar.
- DU-VI-DO. – falou mais próximo de mim e começou a rir.
Eu ouvi bem ou aquele garoto disse que duvidava de mim? Sim, ele duvidou, isso não é nem um pouco bom para nosso relacionamento, ninguém duvida de mim, e não ia ser aquela pessoinha que iria fazer isso comigo, ele estava abusando da minha paciência que já não era muita naquele sábado.
Não fazia idéia do que eu iria fazer e muito menos de como fazer, mas eu sabia que daquele jeito não ia ficar, Danny tinha que pagar pelo que me disse. Desde quando eu cheguei, ele não faz outra coisa a não ser me irritar e chegou a hora dele, minha vez de me tornar uma pedra em seu sapato e deixar uma muito, mas muito má brotar não sei de onde e fazer da vida dele um pequeno inferno.
- Resposta errada, meu bem. – Eu disse por fim. Livrei-me de seu aperto, tirei a cadeira que havia atrás de mim, larguei os papéis que eu ainda segurava em minhas mãos, o fuzilei com os olhos e notei um pequeno sorriso torno forma-se em seu rosto. “Caramba esse sorriso era igualzinho o do meu sonho.”, pensei, mas balancei de leve minha cabeça espantando esses pensamentos. “Foco, , mantenha o foco”. E com esse pensamento, levantei a mão tentando acertar um soco nele. Sim, eu , às vezes desço do salto, mas é claro, somente em situações desesperadoras, essa, com toda a certeza, era uma delas. Porém ele me segurou, impedindo-me de acertá-lo, mas nada impedia que eu acertasse com as minhas pernas. Dei-lhe um chute digno de um belo prêmio e sorte a dele de minhas pernas não serem compridas, porque se fossem, eu iria acertá-lo em sua intimidade sem dó nem piedade. Posso ser má quando eu quero.
- Ai, isso doeu! – Ele disse, me largando e esfregando o lugar atingido.
- Ótimo, sinal que deu certo. – E notei-o erguendo sua mão livre e mostrando um sinal positivo, e confesso que tive que rir vendo aquela cena. Eu estava me deliciando com tudo aquilo.
- Está adorando, não é mesmo? – Nossa ele notou isso sozinho, ele a cada dia está progredindo mais, é isso aí, Danny.
- Yeah. - Pronunciei.
E quando ele finalmente se recompôs, olhou-me, querendo me matar. Provavelmente, estávamos novamente discutindo, ele era incansável, não queria trégua de jeito nenhum e muito menos eu, queria ir até o fim, eu estava firme quanto a minha decisão.
Até que a porta se abre.
- Mas o que diabos está acontecendo aqui? – . Pude perceber que ela ficou perplexa ao ver aquela cena. Danny com toda sua “digníssima” altura estava levando vantagem, eu tentava alcançá-lo para poder enchê-lo de socos, pontapés, tapas, empurrões tamanha era a minha raiva, porém ele me impedia de chegar perto dele apenas esticando o seu braço e segurando a minha cabeça, eu tentava de qualquer maneira me livrar dele, meus braços tentavam alcançá-lo, mas era impossível eu era pequena demais.
- Harry, venha me ajudar, rápido. – A ouvi berrar fora da sala. E logo ele estava com a mesma cara de espanto ao lado dela parado na porta.
- Meu Deus, o que é isso? – Ele perguntou.
- Sei lá, fecha a porta e venha me ajudar. – Ela pediu a ele, que atendeu rapidamente ao pedido e se locou ao lado dela mais uma vez.
- Harry, pegue o Danny, por favor. - Ele foi ao lado de Danny e ela para o meu lado tentar nos afastar um do outro, mas estávamos mais interessados em terminar nossa briguinha. Então se cansou e desistiu e Harry fez o mesmo.
- E DANIEL! PAREM COM ISSO AGORA! – Ela berrou e deve ter arranhado sua garganta, pois ela quase estourou nossos tímpanos.
Eu parei de me remexer e Danny a olhou estático e assustado, não movemos um músculo se quer e ficamos a olhando parados naquela linda posição. Só imagino como deveria ter ficado aquela cena, no mínimo hilária, não é todo dia que se vê uma histérica sendo segurada pela cabeça por um Danny furioso.
- Vocês são piores que crianças, cresçam! – Não acredito. Eu levando bronca do Harry? deu um pigarro e completou.
- Primeiramente, soltem-se. – Mandou com a voz bem firme. – Agora! – “Putz, minha amiga deveria estar furiosa comigo, que merda que eu fiz? Tudo é culpa do Danny.”, pensei.
- Não a ouviram? – Harry também estava com cara de poucos amigos. – Façam o que ela mandou. – E ele completou.
- Sentem-se e não ousem reclamar. – Jogou sua bolsa na cadeira e encostando-se à mesa, nos encarou cerrando seus grandes olhos.
Quando fui tentar me explicar para a minha amiga, fui interrompida.
- CALADOS! – Harry perdeu a paciência. – Francamente, foi lamentável a cena que nós presenciamos. – E olhou para . – Nós não podemos deixar vocês sozinhos por um minuto que vocês querem se matar? Cadê o profissionalismo? Esqueceram em casa antes de vir pra cá? – Harry terminou e chegou mais perto de pegou em sua mão e sussurrou algo em seu ouvido e ela o olhou por um instante e sorriu amarelo.
- O que vocês têm na cabeça? Titica? Não vejo outra resposta. – se eu bem a conheço ia descer os cacetes em nós, ah, ela ia. Um sorriso brotou em seu rosto e quase, quase tive esperanças que ela não iria mais falar nada, porém ao notar melhor era um sorriso maléfico, uma risada sarcástica. Tenho que me conformar lá vinha bomba, e das grandes.
- Ridículo, simplesmente ridículo, tudo isso. - Se levantou e começou a caminhar. – Sabe, eu achava que vocês eram meio infantis por não se darem bem. Mas agora eu tenho certeza. – Disse isso num tom de voz mais baixo, se estava querendo nos assustar, ela estava se saindo muito bem.
- Mas, , foi ele quem começou... – tentei me justificar.
- Eu não quero saber. – Me olhou nos olhos e eu engoli a seco. – Olhe para vocês, são umas crianças, mimadas e sem educação alguma. – Impressão minha ou a está nos xingando? E pior, eu ouviria mais, afinal, eu estou hospedada na casa dela.
- ... sua amiga é uma louca. – Danny começou e eu olhei sem acreditar no que ele tinha acabado de falar.
- Eu? Louca? Danny você... – Eu comecei.
- Eu o que? Vai falar o que... – Danny tentou falar. - CALEM A BOCA! – gritou. – Eu mandei vocês ficarem quietos não mandei? – Eu posso jurar que Danny quase se borrou quando viu gritando e andando em sua direção.
- Eiii, - Danny alterou-se - você não... – e mais uma vez Danny foi interrompido, dessa vez por Harry.
- Ela o quê, Danny? Vai insultá-la? Então terá que passar por mim primeiro e eu te garanto eu não vou deixar. – Olhei para , que se espantou também pelo o que o rapaz disse, mas se manteve indiferente e foi engraçado ver Danny se encolher na cadeira, feito um criança que levou uma bronca do pai. “Ei eles estão nos tratando como crianças mesmo, parecem pais furiosos com os filhos porque quebraram a janela da vizinha velhinha que mora em frente”, pensei, e é engraçado porque é um ano mais nova do que eu e é ela que está me dando bronca agora.
- Obrigada, Harry. – Olhou para o menino. – E, Danny, eu digo quando vocês falam, ok? – Danny concordou com a cabeça. – Ótimo.
- Dude! O que deu em vocês? Danny, ela é uma garota, você tem noção do que estava fazendo? Você estava brigando com uma mulher, não tem justificativa. – Harry falou olhando decepcionado para o amigo, esse, por sua vez, não teve coragem de olhar para Harry, apenas balançou a cabeça.
- , Meu Deus, o que te deu? Nunca esperaria uma coisa dessa vinda de você, não imagina o quanto eu estou decepcionada. – Me olhou nos olhos. - Cadê aquela menina calma e dedicada que era minha amiga? Hã? Por quê? Porque você fez isso, sabia o quanto era importante pra mim, e veja o que você fez, apenas pensou em si mesma. – Terminou e fechando os olhos e abaixando a cabeça.

Naquele momento eu me senti um nada, falou calmamente, mas a decepção em sua voz era cortante, me fez pensar no porquê de tudo aquilo. Minha amiga estava brava comigo e tudo por um desentendimento com aquela coisa chamada Danny, agora por causa disso, pela primeira vez senti medo por nossa amizade, não sei, talvez aquilo abalasse e muito a nossa cumplicidade e era o que eu menos queria.
Ela estava pensando que eu não me importava com o trabalho dela e mais ainda com ela, não era justo, era mentira, eu não queria que ela pensasse daquele jeito, mas o que eu poderia fazer? Ela estava certa, eu havia pensado somente em mim. Era uma sensação horrível olhar para ela e ver a sua expressão de indignação, dor e desapontamento. Eu preferia que ela estivesse histérica, berrando e me xingando ao invés daquele olhar, era torturante, e eu não poderia falar nada, ela não deixaria e o que eu iria dizer? Que o Danny me irritou e eu resolvi partir pra cima dele? Que ele duvidou de mim e eu queria honrar a minha dignidade? Não havia explicação plausível e aceitável para dar a ela.

- Eu não esperava isso de nenhum de vocês dois, quando a me chamou, pensei qualquer coisa sem sentido, mas isso? Não. Eu não esperava. – “Pô, Harry.”, pensei. Até ele me fez sentir pior que eu já estava. Eu olhava para Danny e não conseguia decifrar o que se passa na cabeça dele.
- Se vocês não pensaram no papel ridículo que fizeram ou em nós, seus amigos. – disse apontando para ela e Harry e que foi para seu lado. – Que tal ter pensado nas milhares de crianças que o projeto que VOCÊS participam irá ajudar? – tinha toda a razão.
- Não. Vocês não se importam com elas, não é mesmo? Apenas com seus belos umbigos. – Ela colocou suas mãos na mesa e nos encarou firme. – Desculpe por dar essa triste notícia... O mundo não gira em torno de vocês, tentem sobreviver com essa idéia, meus queridos. – Ela falou e como um ser daquele tamanho conseguia colocar tanto medo assim? - Mas... – Danny, por incrível que seja, tinha se mantido calado até agora.
- Sem mais nem menos, Danny, ela está falando a verdade, tenho certeza de que não passou um segundo sequer pela cabeça de vocês essa idéia, não adianta querer se justificar agora. – Harry novamente não deixou Danny se explicar.
- Não precisavam virar melhores amigos, apenas aprender a conviver com as diferenças. – começou. – É tão difícil assim? Caramba, isso não era importante pra mim apenas por questão de trabalho, eu sou humana e penso no bem estar do próximo e simplesmente adorei a idéia de trabalhar em um projeto tão bonito como esse. Vocês querem ajudar essas crianças? – E esperou por uma resposta. – RESPONDAM! - Gritou.
- Sim. – Eu de Danny respondemos baixinho.
- Pois parece que não. – Harry falou rápido.
- É deprimente a atitude de vocês, se não queriam trabalhar, pegar no batente, por que aceitaram o convite? Não queriam manchar a reputação? Não adiantou. Agora eu olho para vocês e vejo que cometi um erro acreditando que vocês seriam capazes de ser profissionais. – Ela não ia descansar até falar tudo o que queria, eu conhecia a , ela estava muito brava, a voz dela era como a de um juiz dando a sentença de morte para o réu.
- , por favor... me entenda. – Choraminguei.
- Entender? Você quer que eu a entenda? Ok! , deixe-me ver... hm... Temos um projeto de extrema importância, não só para mim, mas para todos, para milhares de criancinhas, a ser montado, várias coisas pendentes, eu tenho um bolo de documentos esperando-me ansiosos em minha mesa para serem revisados, assinados e despachados na segunda-feira. Patrocinadores, equipe de gravação, empresários o dia inteiro na minha cola, a gravadora TODA trabalhando em cima desse evento e TODOS atolados de trabalhos. – Ela estava contando nos dedos e de repente aponta em minha direção. - E eu peço para que minha amiga resolva um pequeno problema que apareceu, pois estou um pouco atrasada, e assim que eu entro na sala, esperançosa de que tudo tinha dado certo, me deparo com uma cena... um tanto quanto... lamentável, hilária, mas lamentável, dela com meu amigo, porque, Danny, eu o considero um amigo, brigando feito duas crianças birrentas e mimadas e imagino que deva ser um motivo qualquer, se bem conheço a história de vocês. VOCÊ AINDA QUER QUE EU A ENTENDA? – Ela estava alterada.
- Também considero uma amiga, . – Danny disse baixinho. – E peço desculpas por tudo isso, de verdade. – Ele concluiu.
- Finalmente você falou algo que prestasse. – Harry ironizou.
- ... me perdoa. – Eu tentei dizer mas minha voz saiu embargada.
- Não é para nós que vocês devem pedir desculpas. – olhava com pena. – Eu só, não sei mais o que dizer. – Sua voz saiu baixa, e pareceu que logo ia começar a chorar e eu senti lágrimas encherem meus olhos. – Eu... só quero que tudo ocorra bem, por favor, é só o que eu peço. – E uma lágrima escorreu em rosto e Harry vendo aquilo a abraçou de lado e passou as costas de sua mão no rosto de .

Não agüentei ver minha amiga daquele jeito, eu não podia mais segurar minhas lágrimas, eu queria poder abraçá-la, mas eu não tinha nem coragem de olhar em seus olhos com medo de ver neles desprezo por mim. Eu não conseguia pensar em nada, queria sair dali o mais rápido possível, então sai correndo porta a fora, sem nem olhar para o rosto de quem eu havia deixado para trás, que gritavam meu nome. Minhas lágrimas rolavam sem parar e agora tudo que eu havia passado nos últimos tempos veio à tona. Tom e Dougie passaram por mim sem entender absolutamente nada, tentaram me chamar, mas já era tarde demais. O elevador tinha algumas pessoas, e eles me olhavam confusos, mas eu não estava nem aí para o que eles estavam pensando, precisava sair dali.

Na sala de reuniões - Alguém vai atrás dela, por favor – pediu.
- Eu não vou te deixar sozinha aqui – Harry disse olhando .
- Ok, Danny, vai atrás dela e não deixa ela sozinha, por favor, vai logo. – pediu e logo o rapaz saiu correndo, mas o elevador estava demorando demais e foi pela a escada.
- Está tudo bem, ela vai ficar bem, , não se preocupe. – Harry tentava acalmá-la.
- Não! Ela saiu assim porque eu fui muito grossa com ela, não deveria ter falado aquelas coisas... Harry, se acontecer alguma coisa com ela eu nunca vou me perdoar. – disse isso e colocou as mãos em seu rosto escondendo-se.
- , me escuta. – Harry chamou a atenção dela e tirando as mãos dela do rosto e as segurando. – Você fez o que devia, estava certa em dar uma bela de uma bronca naqueles dois, eles pareciam crianças e precisavam de um sermão feito esse. - E beijou as mãos da garota.
- Você acha mesmo? – Ela perguntou insegura.
- Claro que eu acho. – Ele sorriu para ela. – E ainda bem que não era comigo, você é assustadora quando está brava. – ele falou e levou um leve tapa em seu braço.
- Então não me irrite, ok?! – Ela disse rindo. O garoto ficou feliz ao ver que conseguiu fazê-la sorrir, não queria vê-la triste, ela era sua amiga e não gostava quando ela se sentia daquela maneira, então a abraçou fortemente. Tom e Dougie chegaram bem na hora.

Enquanto isso na calçada em frente ao prédio.

Eu podia sentir algumas gotas caírem sobre mim, olhei para a céu, estava começando a chover mais forte, mas eu não me importava com isso. Precisa de um tempo sozinha, absorver tudo o que havia dito naquela sala, e até mesmo o sermão que Harry tinha me dado, eu sei que eles estavam com razão, eu não podia tirar isso deles. Não acreditava que por um motivo bobo havia resultado em uma grande decepção para minha melhor amiga, aquela que me acolheu e me apoiou nos momentos mais difíceis de minha vida, havia se aborrecido comigo, eu não tinha o direito de fazer aquilo com ela, agora ela deveria estar pensando no quão mal agradecida e egoísta eu sou. Nada importava agora, apenas eu queria ficar sozinha.
- ! ESPERA! - Um Danny quase sem fôlego gritou.
- Não. – Eu disse seca.
- Por favor, não saia nesse estado. – Ele chegou mais perto de mim. - Por que está chorando desse jeito? – Ele perguntou. Agora ele quer saber o que mais? Meu número de lingerie? Não bastava ele ter armado todo aquele circo fazendo com que pensasse coisas ruins a meu respeito?
- Não interessa. – Respondi me virando de costas.
- É claro que interessa. – Ele parou em minha frente. – Me fala o que aconteceu? Porque saiu da sala daquele jeito? – Danny se atropelava em tantas perguntas.
- Não acha que está querendo saber de mais? – Respondi com outra pergunta.
- Pára de ser turrona, garota, eu estou tentando te ajudar. – Me segurou pelos ombros, me fazendo encará-lo e notei que ele estava realmente preocupado comigo. Mas por quê? As gotas da chuva caíam em seu rosto.
- Por quê? – Apenas perguntei.
- Porque... porque não interessa, só me escuta, está chovendo muito, você pode ficar doente assim, vamos entrar, por favor. – Ele me encarava com cara de cachorro pidão.
- Não. – Tirei seus braços de cima de meus ombros. – Não quero... Não posso... – E cai novamente em choro. Ele hesitou um pouco e, desajeitado, me abraçou. Minhas lágrimas rolavam sem parar e se confundiam com as gotas de chuva.
- Shhhh. – E passou as mãos em meus cabelos totalmente molhados. – Calma, está tudo bem. – Ele disse. Não está tudo bem porcaria nenhuma! Tudo estava errado e ele vem me dizer que está tudo bem?
- NÃO ESTÁ TUDO BEM! - Gritei e me afastei dele. – Você não sabe o que eu estou passando, não sabe o que aconteceu, a minha vida deu uma reviravolta imensa e para piorar tudo aquela asneira que nós fizemos lá em cima – apontei para o prédio atrás de mim – pode ter acabado com minha amizade com a , você sabe o que isso significa? Sabe? Ela não vai me perdoar, deve estar morrendo de raiva pelo o que eu fiz e você vem me dizer que vai ficar tudo bem? Danny, sai dessa! – E o empurrei.
- , por favor, quer me escutar? E não adianta vir com patadas que eu não arredo o pé daqui. – Me puxou novamente. - O que você tem a me dizer? – Perguntei secando inutilmente as lágrimas.
- Pra você parar com essa bobeira, a estava muito preocupada com você, pediu que alguém fosse atrás de você, Harry não ia sair de perto dela, então ela pediu que eu viesse, estava aflita por você. – Danny falou seriamente. Então não estava com raiva de mim? Estava preocupada comigo? Realmente não fazia sentido algum, ela deveria estar querendo dar um belo chute em meu traseiro e me mandar para Deus-sabe-onde.
- O que... vo-você... disse? – Gaguejei.
- Isso que você ouviu, não tem com o que se preocupar, a não te odeia coisa nenhuma, só... ficou um pouco chateada com... bem, nossa briga. – Ele ficou constrangido nessa parte. - Agora pára com essa choradeira e vamos entrar. – Disse me puxando, porém eu o impedi.
- Já disse que não. – Soltei meu braço. – Eu preciso ficar sozinha. – Comecei a caminhar.
- Não senhora. pediu que eu não deixasse você sozinha. – Danny me puxou mais uma vez pelo braço.
- Eu não preciso de babá, Danny. – Eu disse. - Meu Deus, que garota mais complicada. – Ele olhou para o céu e depois voltou a me fitar com aqueles enormes e incrivelmente lindos olhos azuis. – Pára de besteira e de ser mimada, menina. – Completou.
- Você realmente não sabe o que diz. – Eu estava completamente fora de controle. – Não é VOCÊ que não tem vida por causa de um marido super ciumento e agressivo. Não é você quem passa noites e noites tendo pesadelos – ele me olhou incrédulo com o que eu acabara de dizer – você não sabe o tamanho do meu sofrimento – minha voz estava falhando pelo choro excessivo – não sabe o que eu tenho passado dentro da minha própria casa, com medo do que possa encontrar ao chegar nela, de fazer ou simplesmente falar algo que não agrade e pagar por isso. Não... não dormir com medo do que possa me acontecer e aquele que você escolheu como marido passar o resto de seus dias ao seu lado, não ser quem você pensa que é, te tratar feito um lixo, uma qualquer. Você não sabe como é, Danny, não sabe. – Terminei e não acreditava que havia contado algo tão importante que somente sabia para ele, para Daniel, o que eu tinha na cabeça?
- Eu... não sei o que dizer. – Foi o que ele conseguiu me falar.
- Nada. Não diga nada, não há o que dizer. – O olhei e notei que ele me olhava com pena e posso estar enganada, mas um pouco de remorso.
- , eu... – Ele tentou, mas eu o impedi de continuar.
- Não acredita? Não imaginava? É isso que você ia dizer? - Ele concordou com a cabeça. – Danny... Isso que você ouviu é verdade, ninguém sabe além da e... agora você. Se você tiver um pouco de consideração por mim, o mínimo que seja, não importa, por favor, não comente isso com ninguém. Não quero que fiquem pensando que eu sou uma coitada e fiquem me olhando com pena, é só o que eu te peço. – Terminei olhando profundamente em seus olhos.
- Mas você tem que fazer alguma coisa, , ele não pode te tratar assim... – Ele começou.
- Eu sei, Danny, eu sei. Mas não agora, ok?! Agora apenas faça o que eu te pedi. - Eu respondi, me afastando dele e me virando para atravessar a rua. A chuva atrapalhava a minha visão, então só atravessei quando tive certeza que não tinha sinal de carro algum vindo. - AONDE VOCÊ VAI? ! ? – Danny berrava do outro lado da calçada. Eu apenas me virei e fiquei alguns segundos olhando aquele garoto completamente encharcado, gritando o meu nome. Sorri de lado e voltei a caminhar, sem rumo, na chuva e com frio.

Na sala de reuniões

- O que deu na ? Ela passou pela gente correndo feito uma doida. – Tom perguntou, entrando na sala, fazendo com que e Harry se afastassem do abraço, Tom achou estranha aquela aproximação, mas não tocou no assunto, afinal tinha namorado e Harry... é o Harry.
- Um pequeno desentendimento. – Harry tentou explicar.
- Pela cara dela, de pequeno isso não tinha nada. – Vez de Dougie falar.
- Fui eu. Eu que disse coisas horríveis pra ela e agora... – estava a ponto de chorar, mas Harry foi rápido.
- Não liguem para o que ela fala, na verdade e Danny tiveram uma pequena discussão, e eu chegamos bem na hora, os separamos e dissemos algumas coisas que deveriam ser ditas. – Harry explicou.
- ? Dan? O quê? Mas... – Dougie não estava entendendo.
- Pequeno Dougie, não é hora de tentar entender. – Disse Tom sabiamente e apontando uma cabisbaixa e um Harry perdido sem saber o que fazer observando-a.

estava muito preocupada com sua amiga, era como uma irmã para ela e sabia que tinha a magoado. Muitas coisas passavam por sua cabeça, seu namorado havia acabado de chegar e não pode dar atenção a ele, brigou feio com sua melhor amiga e Harry estava tentando acalmá-la, não saía de perto dela e aquela aproximação toda a deixava ainda mais confusa, sentir Harry assim tão perto, era uma sensação estranha, não ruim, mas estranha.
“Por que eu fui falar todas aquelas coisa? Eu sou uma burra mesmo. Não deveria ter descontado todo o meu estresse nela, meu Deus o que eu vou fazer?” pensava.
Harry já não sabia mais como fazer com que parasse de pensar que estava errada, não ia sair de perto dela, a garota estava nervosa demais e, por incrível que pareça, ele queria estar ali com ela. Não ligava para o que os seus amigos pensassem ao vê-lo com , queria vê-la bem, era isso que realmente importava agora para ele.
“Não gosto de ver ela assim, não foi culpa dela, mas o que eu posso fazer? Já fiz tudo o que estava ao meu alcance. Só espero que Danny traga de volta, caso contrário, vai desabar em choro e eu não posso mais vê-la assim.”
Harry pensava, enquanto puxava uma cadeira para sentar e outra para ele.
Na cabeça de Tom tudo se passava, não podia esconder a curiosidade, mas sabia que o momento não era oportuno, então resolveu ficar na sua.
Dougie ainda tentava entender o que havia acontecido ali, mas sabia que ninguém iria dar a atenção. Foi para o lado de Tom e começou a conversar baixinho com o rapaz.

A sala estava praticamente em silêncio, apenas ouviam-se cochichos, até que a porta é aberta e Danny entra passando as mãos pelo corpo, em uma tentativa inútil de secar-se.
- E então Danny? Achou a ? – Harry perguntou se levantando.
- Sim – todos pareciam aliviados –, mas ela queria ficar sozinha e eu a deixei ir. – Terminou sorrindo amarelo.
em um movimento súbito levantou-se de sua cadeira e deu passos firmes na direção de Danny.
- Você o quê? – o agarrava pelo colarinho. – Qual foi a parte do “não a deixe sozinha” você não entendeu? – o fuzilava com os olhos.
- Ela me pediu, ... – Danny não sabia o que dizer e notou que a menina estava furiosa.
- Eu não acredito, Danny. – largou sua gola em um empurrão. – Era simples o que eu te pedi, agora Deus sabe onde ela está e tudo é culpa minha, é... minha cul... pa. – No final da frase, já não agüenta segurar as malditas lágrimas, estava soluçando.
- Danny! – Harry disse. – Olha o que você fez! Satisfeito? – Harry voltou a sua atenção para , que não parava de soluçar e a abraçou.
- Desculpe, dude, mas ela... ela não queria vir. – Danny não podia contar exatamente o que havia acontecido – ... Ela estava mais calma, não vai fazer nada de errado, só precisava de um tempo sozinha. – Completou, passando as mãos nos cabelos de .
concordou com a cabeça e Danny não podia fazer mais nada, então Tom o chamou por um instante, ele queria saber o que havia acontecido e então saíram da sala juntamente com Dougie, para que ele pudesse contar melhor toda a história, deixando Harry e sozinhos na sala novamente.
- Onde eles foram? - perguntou analisando a sala quase vazia.
- Não sei, babes. - Ele respondeu.
- Não vai lá com eles? Por favor, não se prenda a mim, eu estou bem. – Ela falou e sorriu.
- Eu disse que ia ficar aqui, não disse? – Perguntou e concordou. – Então não tem porque eu sair daqui. – Sorriu para a menina.
- Obrigada, Harry. – Ela viu o menino sorrir e pegar suas mãos, segurando-as. Ficaram em silêncio, não precisavam dizer nada, não era um silêncio constrangedor. Passaram algum tempo assim e resolveram que ir para suas casas era o melhor que poderiam fazer, não havia mais clima algum para voltar a trabalhar. Os meninos deixaram em casa, contra a vontade dela, mas ela não teve alternativa, eram quatro contra um.

Em alguma rua fria e desconhecida de Londres...

Sentir a chuva cair forte sobre o meu corpo fazia com eu me sentisse mais limpa, pura e aliviada. E como sempre eu estava sendo invadida por inúmeros sentimentos, pensamentos e minha cabeça não parava de girar. Meu choro estava quase incontrolado, eu me encolhia contra meu próprio corpo tamanho era o frio, não havia imaginado que o tempo mudasse assim tão de repente, mas eu precisava daquilo.
Londres, para a minha sorte, não era como Los Angeles, que tinha um paparazzi a cada esquina, onde uma mordida era um click; um suspiro, um click; uma ajeitada no cabelo, outro click. Então eu estava tranqüila quanto a isso, não tinha perigo de ser fotografada naquele estado, até porque estava chovendo muito, provavelmente ninguém iria imaginar que estaria andando nas gélidas ruas de Londres vestida apenas com uma blusinha, a pé e sem guarda-chuva ou algo parecido para se proteger da chuva.
Eu andava sem rumo, sem saber o que fazer e aonde ir ao certo, não sabia que horas tinham, somente que meus pés doíam de tanto que eu caminhava e a noite estava caindo, as luzes da cidade já estavam começando a acender. Quando me dei conta de onde estava, meu choro cessou, estava em um dos lugares mais bonitos e um dos meus prediletos, me trazia muitas lembranças boas de minha vida na Inglaterra. London Eye. Sim, eu adorava aquilo, era lindo, mas apenas fiquei com as minhas memórias e observando as pessoas lá. Sentei-me em um banco em uma praça, abracei minhas pernas, e imagens daquela tarde voltaram com força total em minha mente. e seu olhar intimidador em minha direção, a decepção em sua voz, suas palavras, a indignação de Harry com tudo aquilo e Danny, ele não saia da minha cabeça.
Quando o vi na chuva tentando me acalmar, confesso que fiquei confusa, não sabia o porquê, mas as palavras dele repetiam constantemente no meu consciente, a preocupação em seus olhos, o desejo dele de me manter bem, era incompreensivo, afinal, nós havíamos nos desentendido antes e desde minha chegada, ele não fazia outra coisa a não ser me irritar e agora essa mudança repentina. Por quê? Não fazia muito o estilo dele. Era muito tarde e estava escuro, meu queixo não parava de bater, mas eu estava com medo de voltar ao apartamento da , com medo da reação dela. Se ela me expulsar de lá? Se não quiser mais ser minha amiga? Eu não suportaria isso não. Esses eram meus pensamentos naquele momento e não estava muito confiante no que Danny disse ao me encontrar em frente ao prédio, eu sei que ela poderia estar preocupada, mas... eu não tinha certeza.
O frio era cortante e eu não agüentava mais, olhei em minha bolsa e vi que meu celular havia acabado a bateria e minha carteira havia algumas notas, então resolvi pegar um táxi e encarar a minha triste realidade, eu iria para a casa de , se ela não me quisesse lá, eu ao menos teria que pegar minhas coisas que estavam em sua casa e depois resolveria o que fazer.

Paguei o táxi, chamei o elevador e assim que este parou e eu sai de dentro dele, respirei bem fundo e procurei as cópias da chave que tinha tirado para mim. Hesitei um pouco antes de colocá-las e girá-las e assim cuidadosamente poder entrar.
Ao entrar no hall noto que a sala estava de pernas para o ar, toda bagunçada e parecia que alguém dormia no sofá. “Meu Deus, o que passou por aqui?”, pensei atordoada com o que via. , em um movimento rápido ao ouvir os barulhos, levantou-se de seu sofá e correu em minha direção. Ela estava de pijamas, sua pantufa enorme vermelha e toda descabelada e para meu espanto maior, me abraçou e chorava feito uma criança.
- Desculpa, desculpa eu não deveria ter falado aquilo tudo, desculpa. – Ela disse ainda me abraçando. Não era para EU estar pedindo desculpas? - ... eu ... – Tentei começar a me explicar, mas fui impedida ao notar que ela se afastava do abraço.
- , por onde você andava? Eu quase tive um ataque cardíaco de tanto te esperar. – Ela falava fazendo gesto com as mãos. – Cê não tem celular não? Eu já estava quase fazendo um furo nos botões do telefone de tanto que eu tentei te ligar, você quer me matar do coração, é? – Ela falava rápido.
- Eu... precisava ficar sozinha... – Falei.
- Ok! Mas me avisar não precisa mais? – Ela falava com as mãos na cintura. Baixinha invocada ela, não?
- Bom... – comecei - achei que você estivesse com raiva de mim... Atchim... Ai... Que não queria mais ser minha amiga. Então eu... – E fui interrompida por um abraço forte dela.
- Nunca, me ouviu? Nunca mais fale ou faça uma loucura dessas, ok?! – Ela me falava olhando pra mim séria. – Meu Deus, babe, você está toda encharcada! Venha, vamos, você vai tomar um banho bem quente e colocar uma roupa seca. Você quer pegar uma pneumonia, é? – Era bom saber que ela não estava brava e ainda estava preocupada comigo, sinal de que nossa amizade estava intacta.
- Não. – Eu disse. – Antes eu quero me desculpar pode ter sido uma idiota e egoísta e feito você passar por isso, desculpa, amiga, eu não queria que você tivesse se estressado por uma coisa tão tola quanto aquela. – Me aliviei ao dizer aquilo, precisava ouví-la dizer que me perdoava.
- Não seja boba. Tudo bem, todos nós erramos, você e o Danny por terem feito aquilo e eu e o Harry por querer nos meter em suas vidas, vocês já são bem grandinhos, não precisam de babás. – Ela me disse olhando com cara de choro.
- Não, , vocês estavam certos... Atchim... Ai... Nós precisávamos daquele sermão... Atchim... Ô, que coisa – eu disse fungando – diz que me perdoa? – Pedi.
- Olha pra mim. – Ela apontou para si mesma. – Acha que eu estaria nesse estado se eu estivesse com raiva de você? – E me olhou esperando uma resposta e eu neguei com a cabeça quase chorando. – Que bom que você sabe. E se te faz sentir melhor, você está perdoada. – Ela sorriu pra mim e aí eu cai no choro e abracei.
- O... obrigada. – Foi o consegui dizer.
- Chega de melação, você sabe que eu não sou muito sentimental. – Se livrou do abraço. – E agora faça o que eu disse, vá para o banho enquanto eu faço um chocolate quente pra nós, ok?! – Me empurrou para o meu quarto e correu para a cozinha.

Peguei minha toalha, minhas roupas e, Atchim, outro espirro, que coisa. Fui tomar meu banho, demorei um pouco nele, precisava de um tempo para processar tudo o que havia acontecido na sala. , calma, sem brigar comigo, eu chorando de novo e agora parece que eu peguei uma bela de uma gripe.
Terminado o meu banho, vesti meu pijama e coloquei um casaco por cima, eu estava com muito frio, mas estar em casa de banho tomado era extremamente ótimo.
Fui para a cozinha e encontrei uma animada, dançando em plena madrugada de um sábado para domingo. Sim, eram quase duas da manhã, eu tinha ficado um bom tempo fora de casa.
- Oh... você está aí? – Ela disse, se virando e me olhando.
- O que está fazendo de bom aí? – Perguntei, sentindo o cheiro.
- Nada demais, apenas um chocolate bem quente e alguns biscoitos, tô precisando ir ao supermercado. – Disse rindo. – Como está se sentindo? Está melhor?
- Bom... “tirado” o fato de eu tá “tota” “emtupita”, tá “ótipo”! – A gripe me pegou de jeito.
- Tenho alguns remédios ali, depois você vai tomar antes de dormir mocinha. – Me entregou uma xícara com o chocolate e sentou-se e eu fiz o mesmo.
- Hm... Está ótimo. – Elogiei.
- Obrigada, mas, ... – Lá vem. – É... Você vai me contar o que realmente aconteceu hoje lá na gravadora ou não? – Eu não queria falar sobre aquilo, mas era um direito dela.
- Sobre o quê? – Brinquei, mas a cara dela dizia tudo. – Ok?! Mas você disse “Eu não quero saber” na hora da bronca. – Indaguei a imitando. – Aii, doeu! - Ela me deu uma pedala.
- Ótimo, era para doer mesmo. Eu tô esperando, desembucha logo. – Ela estava ansiosa e eu contei o que havia acontecido, tudo nos mínimos detalhes e preciso mencionar que ela queria me dar na cara? Ela estava indignada pelo motivo, mas ficou espantada quando eu falei que Danny agora sabia do meu “problema” chamado Adam.
E assim a noite seguiu, contei tudo a ela, rimos um pouco de tudo isso e ficamos na boa, sem ressentimentos, eu gostava disso em : apesar de tudo, não ligou muito para o que aconteceu, continuou a mesma.
Fomos dormir, afinal, o dia tinha sido muito agitado, demoramos um pouco para pegar no sono, estávamos conversando no quarto dela e acabamos dormindo por lá mesmo.

Capítulo 9

Dizem que a semana para uns passa super rápida e pra outros, nem tanto. Foi o meu caso e de ... Enquanto eu fiquei a maior parte em casa, trancafiada e gripada e isso demorou horrores pra passar, ela estava atolada de trabalho, mas sempre conectada ao Jensen não-sei-seu-sobrenome, que ainda estava em Londres.
Estava ocorrendo tudo bem na gravadora, trabalhamos algumas vezes nessa semana e o clima ruim parecia ter cessado. Danny não havia mais implicado comigo, aliás, quase não olhava pra mim, talvez seja vergonha... É, eu acredito que seja isso. Mas eu também estava, pois havia compartilhado um segredo meu de extrema importância.
E então... santa sexta chegou! Estava exausta. Minha gripe havia passado e eu, por incrível que pareça, estava disposta pra sair no final de semana. E foi o que eu propus à , que levou o seu namorado-gostosão-sensação-do-momento-Jensen à tira colo.

Uma bela jaqueta de couro preta com detalhes em tachinhas, uma blusa básica branca, um shorts com meia calça fio 80 preta e um belo salto alto, joguei minha franjona pro lado e estava pronta. Ah! Só mais um detalhe: meu inseparável batom vermelho. E assim eu estava pronta para os embalos de sábado à noite. vestia um vestido tubinho com mangas compridas, de listras pretas e brancas (largas) e uma meia calça igual a minha e um salto tão grande quanto o meu.
Iríamos encontrar Jensen no pub Ten Bells. Era um pub famoso e antigo de Londres e muito, mas muito freqüentado pelas mais diversas tribos. e eu fomos em seu lindinho New Beetle vermelho até o pub e a viagem foi até um pouco agitada, estávamos precisando realmente de uma noite de pura diversão.

- Babessssss!! Estava com saudades do meu nenis! – disse em direção ao gos... ao namorado dela. Ugh. Melação. Mil vezes ugh.
- Como você está linda, amor! – Ughhhhhhhhhhhhh.
- Bom, essa é a minha amiga , aquela de quem eu te falei.
- Oi, ! Prazer em te conhecer, fala muito de você. – Falando isso, me deu dois beijinhos. Simpático.
- Olá, Jensen. A recíproca é verdadeira! – Sorri. Simpática. Ponto final. Se eu fosse mais simpática do que isso poderia ficar sem cabelos no meio da noite por motivos misteriosos ().
- Eu vou ali no bar pegar uma bebida. – Jensen foi se levantando. – Vocês querem alguma coisa, meninas? – Obrigada pelo meninas.
- Me traga um sex on fire, babes. – sorriu maliciosa pra ele e eu a olhei incrédula.
- Pra mim pode ser um Martini pra começar. – Sorri e quase vomitei com a piscadela mil vezes mais maliciosa que Jensen lançou pra e então, dando um selinho nela.
- Ele é tudo, né, amiga? – Brilho nos olhos, posso confirmar.
- Se eu disser que sim tu me bate? – Soltei uma risadinha.
- Sim.
- Não.
- Fala sério! – riu – Você o acha pelo menos... bonitinho?
- É, pra feio ele não serve. – me deu um chute na canela. Odeio ela. – Você que perguntou! Louca!
- Aqui estão os drinks, garotas. – Jensen se juntou a nós novamente. Bebidas. Bebidas... Mmm, não me traziam boas recordações. Beberiquei meu Martini e logo anunciei minha primeira ida ao banheiro. Chegando lá, fiquei pensando que diabos eu estava fazendo nesse lugar, segurando vela... Eu juro que nunca passei em concursos pra tal cargo. Eu seria uma péssima vela. Decidi encarar minha realidade e fui cantando um pequeno mantra pra acalmar meus ânimos.
Quando cheguei perto da mesa que eu me encontrava com até então comportados amigos, me deparo com uma cena: e Jensen quase se engolindo. Eu não precisava ver isso, né? E nem cortar uma cena dessas. Decidi ir ao bar, ver o movimento e as pessoas bêbadas se jogando na pista e tentar apagar essa imagem da minha mente pura e inocente.
- Você está sozinha? – Um homem de mais ou menos 1,80 de altura, olhos verdes e cabelos negros que aparentava ter 30 anos, me perguntou.
- Na verdade, eu estou acompanhada por uns amigos. – Sorri amarelo.
- Mas o que você está fazendo aqui sozinha e não está com eles?! – Bip bip, alerta curioso ligado. – Não é justo deixarem alguém como você sozinha aqui.
- Argh... Obrigada pela preocupação, mas eu estou bem aqui. – Antes só do que mal acompanhada, mané. – Mais um desse, por favor. – Olhei suplicante pro barman que atendeu meu pedido com um sorriso e na velocidade da luz.
- Deixa que eu pago, gata. – Esse tal cara que eu não sei e nem quero saber o nome disse.
- Eu não preciso que paguem as coisas pra mim, eu posso pagar. – Não fiz a mínima questão de parecer simpática dessa vez.
- Hmm... difícil – Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto. – Assim é mais divertido. – Olhei bem pra cara dele como: “Como é?!” Nojento, nojento e nojento. – Onde estão seus amigos?
Ai Deus, pra que ele quer saber?
– Lá... – Fiz questão de apontar pra qualquer lugar.
- Ah, mas bem que eu podia te fazer companhia... – Não acredito que esse nojento tá se aproximando de mim! É, ele tá.
- Algum problema aqui, amor? – Senti uma mão encostando de leve em meu ombro e logo reconheci a voz... Mas será que era de quem eu estava pensando? Ou eu estava ficando louca? Virei para encarar quem estava do meu lado e adivinhem... - Oi, cara, meu nome é Danny Jones. – Danny disse sorrindo irônico.
- Eu sei quem você é. – O cara disse e pude sentir uma pontinha de raiva da parte dele. – Mas agora será que eu posso continuar a minha conversa com ela? – Olhei suplicante pra Danny e parece que ele entendeu o recado.
- Que bom que você estava cuidando dela enquanto eu estava no banheiro, mas agora não precisa mais se preocupar. Ela está comigo. – E Danny fez questão de mostrar seu melhor sorriso. Apenas olhei pra cara do cara e abanei minha mão em sinal de “Tchau, vaza daqui”, mas de uma forma simpática, claro.
- Pode deixar, dude, quando precisar... eu terei o maior prazer em cuidar dessa belezinha. – Ele disse tentando encostar sua mão no meu rosto, mas quanto mais perto ele chegava, mais em me inclinava pra trás e Danny simplesmente me puxou e me abraçou de lado.
- Tenho certeza que não vai ser necessário. – Sério. Ele disse isso sério, beijando o topo da minha cabeça. Apenas vi o cara acenando e sumindo através das pessoas que estavam na pista. Wow, Dan, mandou bem!
- Obrigada... – Senti minha bochecha corar.
- De nada... mas o quê essa belezinha tá fazendo sozinha aqui? – Danny fez sua melhor cara de cafajeste e eu, obviamente, gargalhei.
- e Jensen estavam se agarrando na mesa e eu não queria ficar de vela, então... vim pra cá.- Respondi.
- Mas até que ele era bonitinho... Por que você não deu uma chance pra ele? – O olhei incrédula.
- Daniel! Eu sou casada. – Indignada, falei.
- Tinha até me esquecido desse pequeno detalhe. – Ele sorriu de lado. Já mencionei que ele fica um charme sorrindo assim? Meu Deus, o que eu estava pensando?
- Danny... – falei constrangida – falando em marido, casamento... então você... – E fui interrompida.
- , não falei nada a ninguém, e nunca vou falar. – Fiquei aliviada em ouví-lo dizer aquilo. - Obrigada por guardar esse segredo. – Sorri.
- Bom, já que você tocou no assunto... - ih, lá vem – você não vai fazer nada a respeito?
- Ainda não pensei em nada. acha eu devo pedir o divorcio, mas acho que isso seria um grande escândalo. - Respondi.
- E você está pensando na mídia e não em si própria? – Me retrucou meio aflito, não sabendo ao certo minha reação.
- Não é só isso, Danny, há muita coisa envolvida, são apenas dois anos de casamento, mas muitos de história. – Eu expliquei cabisbaixa.
- Está na hora de pensar mais em você. – E assim levantou-se me beijando o topo da cabeça e saiu.
Fiquei mais uns cinco minutos parada, atônita, refletindo no que ele acabara de me falar.
Terminei de tomar meu drink, resolvi retornar para a mesa. Quando chego lá, me deparo com uma com cara de cu, um Jensen com cara de dois cus e olhando para o lado, um Harry com cara de mais um, para completar o trio da família cu.
Cheguei mais perto e notei a cara de de “ainda bem que você chegou”, aquela situação estava muito, mas muito constrangedora. Quando me sentei, vi chegar mais perto com sua cadeira.
- Amiga, me explica o que o Harry está fazendo aqui. – Ela sussurrou em meu ouvido. – E porque ele não pára de nos olhar com essa cara. - Apenas a olhei e balancei minha cabeça em sinal negativo.
- Parece até que tem ciúmes, eu hein. – Ela continuou.
- Talvez ele tenha. – Sussurrei e abri um sorrisinho.
- Cê tá doida? – Me olhou incrédula.
- Ah, vai saber. – Falei e ela bufou.
- Amor, vem aqui. – Jensen a chamou para mais perto, passou seus braços fortes pelo ombro de e a beijou demoradamente no rosto. Se no rosto já é desse jeito, nem quero imaginar quando eram outras coisas. Eu havia virado o rosto pra não ter que ver aquela cena, mas paro meus olhos em Harry. Ele não estava com cara de muito feliz, estava de cara... amarrada, mexendo impacientemente os dedos, ele olhava fixamente para algo, resolvi seguir o seu olhar e o que vejo? Sim, Harry estava olhando para e seu namorado, que estavam trocando caricias. Ele nem notou que eu o olhava, estava concentrado.
- ? – me chamou.
- Eu?
- Por que demorou tanto? – Ela perguntou.
- Nada não. – Sorri. me olhou com aquela cara de “quando chegarmos em casa, teremos uma conversinha”, mas eu não iria contar o que aconteceu ali, na frente de todos.
- Harry está tão calado. – Eu disse olhando o menino ao meu lado. – O que houve? – Esperei por uma resposta e nada.
- Harry! - , com toda a sua calma, gritou, estalando os dedos na frente do garoto.
- Hã? O quê? Quem? – Harry pareceu acordar de seu transe.
- A , dude, ela te fez uma pergunta. – Jensen respondeu. Harry o encarou por um segundo com cara de “não te perguntei nada” e virou a cara, me olhando.
- Sim, o que foi? – Ele perguntou.
- Comentei que você estava quieto demais. – Respondi.
- É porque eu não estou em um ambiente muito agradável...
- Nossa, Hazz, obrigada pela parte que me toca. – Falei ofendida.
- Isso não foi pra você, . – E então, olhei pra e essa me olhou com cara de espanto.
- Ei, aquele ali dançando esquisito não é o Danny? – Ela perguntou, tentando desviar do assunto e todos olharam. Sim, era ele, inconfundível como sempre.
- Quem é Danny? – Jensen perguntou tentando se socializar.
- Ele é nosso amigo. – Deu MUITA ênfase no nosso.
- Harry! – o olhou querendo fuzilar. – Chama ele lá, ... para vir se sentar conosco - Acho que não preciso me levantar...
- WAAAAAAAAY GALERA! – Danny chegou chegando e olhou diretamente para Jensen tentando processar sua imagem em seu pequeno cérebro. – Hey, man, não te conheço!
- Jensen Ackles, prazer. – Pude notar Harry fazendo uma careta.
- Prazer é meu, dude, Daniel Jones... mas me chama de Danny! – Era impressionante o quão simpático Danny era. Dizendo isso, puxou uma cadeira e sentou do lado de Harry, que estava em meu lado, ficando exatamente no meio de Hazz e Jensen.
Danny engatou uma conversa bastante animada com Jensen, descobriu que além de ator, ele sabia cantar e tocar, então Danny ficou bastante empolgado, enquanto eu fiquei conversando sobre o que as pessoas estavam usando naquele pub, observando detalhes com e Harry possuía um bico maior que o meu quando estou fazendo manha.

Depois de algumas bebidas, trocas de salivas da parte do casal e muita conversa jogada fora, comecei a conversar apenas com Harry e Danny, enquanto os outros dois se pegavam freneticamente.
- Pô, cara legal esse Jensen, né? – Danny puxou o assunto.
- Pois é, também achei! – Concordei.
- Não achei. – Harry disse seco.
- Ué, por que não, mate? – Danny perguntou.
- Não sei, só não fui com a cara dele.
- Ah, isso daí pra mim é dor de cotovelo, dude – Danny disse debochado e eu só ria.
- Tá doido, Danny? Ela é só minha amiga. – Ih, ficou esquentadinho. – Tô indo nessa fellas, to cansado.
- Vai lá, vai, chorar as mágoas em casa. – Danny soltou isso e uma gargalhada, e eu o acompanhei.
- Shush... idiota – Harry resmungou.
- Ué, onde você tá indo, Harry? – finalmente havia largado de Jensen e perguntou.
- Pra casa. – Disse simplesmente.
- Por quê? Fica mais um pouco, tá tão bom... – perguntou sorrindo.
- Só se for pra você. – Harry respondeu não dando a mínima.
- Okay... desculpa por existir! – soltou e foi impossível não rir.
- Tchau, pessoal – Harry se despediu e quando notou que Jensen acenava em sua direção, olhou incrédulo, fez careta e virou a cara.
- Qual o problema do seu amigo comigo? - Ackles pergunta pra .
- É porque você é bonito, cara, e ele não aceita alguém mais bonito que ele. – Danny disse brincando e eu gargalhei.
- É, babes, não liga pro Judd. – disse alisando o rosto do namorado.
O garoto recebeu um selinho de e logo abriu um sorriso enorme e esqueceu do assunto, os dois pareciam se dar bem, ele era muito bom pra ela e era notável que ele queria fazê-la feliz, já , continuava a de sempre, era toda carinhosa com ele, porém quando necessário sabia ser curta e grossa, com ela não tem essa de “mas ele é meu namorado”, não importava, se fosse preciso iria levar patadas também, mas creio que com ele não eram tantas patadas assim.
Eu havia gostado dele, era bonito, bem apessoado, vida financeira estável, parecia gostar dela e ela dele, mas... tinha algo que me incomodava e eu não sabia o que era. Talvez os dois não combinassem? Hm... não sei. Não foram feitos um para o outro? Talvez. Por que será que eu não botava tanta fé nesse relacionamento?
não era uma pessoa que se amarrava facilmente, quem sabe era isso! Eu não sentia que ele fosse capaz de fazer com que ela sossegue o facho.

E Harry? Porque será que ele não gostou de Jensen? Será que ele pensa que nem eu? OMG! Será que o que o Danny disse era verdade, era ciúmes? Não viaja, , o garoto era apenas amigo de , o que não seria empecilho algum, pronto, parei.
- É... ... – começou – Sabe... assim, o Jensen quer ir lá fora tomar um arzinho. – Sorriu maliciosa apenas em minha direção, fazendo com que Danny não tivesse percebido nada, afinal, pra ele entender algo era meio raro, sem ofensas, longe de mim.
- Arzinho? Entendo. – Falei dando um piscadela – Cuida bem dela, hein, Jensen!? – Fingi seriedade.
- Onde o casal-arrasa-quarteirões vai? – Danny deu o ar da graça.
- Por aí... Você pode cuidar da por uns instantes? – fez cara de cachorro pidão.
- Ei! Eu não preciso de babá. – Falei.
- Quietinha, eu estou no comando agora, babe. – Me olhou convencido.
- Bom... vocês que se acertem aí, eu e a vamos dar uma voltinha. – Jensen cortou o começo da briga.
- Isso aê! – disse já indo atrás de seu namorado, mandando beijinhos pra nós.
- Mas essa agora, ô noite! - Resmunguei para mim mesma.
- Mocinha, comporte-se. – Danny falou.
- Danny, nem vem, corta essa de eu estou no comando, porque você não manda em nada, nem em você mesmo. – Ah, eu não me contive.
- O que você quis dizer com isso? – Depois quando falo que é lerdo ninguém acredita.
- Nada, eu não quis dizer nada. – Falei e bebi meu drink.

Ficamos um tempo em silêncio, não havia nada a ser dito. Bebemos nossas bebidas e aquele silêncio todo estava ficando insuportável e constrangedor. Eu, algumas vezes, me peguei olhando na direção de Danny, e em algumas dessas vezes fui surpreendida com aquele par de olhos azuis olhando para mim, não preciso falar que isso já estava se tornado irritante.
Foi quando eu olhei em sua direção que notei um sorriso meio de lado se formando em seu rosto e fiquei curiosa do por quê dele.
- Do que está rindo? – Resolvi perguntar, a curiosidade estava me correndo.
- De nós. – Foi apenas o que ele disse.
- De nós? Posso saber o por quê? – E levantei as sobrancelhas.
- Bom... não sei se você notou, sua amiga nos deixou sozinhos. – Acho que eu estava muito perto de Danny, porque eu não havia entendido onde ele queria chegar com aquilo.
- E daí?
- E daí? Você sabe muito bem o que acontece quando nos deixam sozinhos. – Ok! Agora era minha vez de perguntar.
- O que você quis dizer com isso? – Falei e o ouvi dar uma risadinha.
- ! O que aconteceu da última vez? – Verdade. Desde aquela nossa briga na gravadora, ninguém nos deixava sozinhos um segundo que fosse.
- Ah... sim. – Corei.
- Acho que eu não terei outra chance. – Ele falou se aproximando.
- Como assim? – Eu disse baixinho, estava assustada com o pouco espaço que restava entre nós.
- estava distraída demais com o seu namorado e nem notou com quem ela deixou você. – Ele disse isso com uma voz rouca e... sexy. OMG! Eu não pensei isso. Pensei.
- Não vejo problema. – Eu não sabia o que dizer, estava tonta, mas não podia ser da bebida, não havia bebido tanto assim.
- ... – Ele colocou sua mão sobre a minha, que estava apoiada na cadeira. – Eu só queria me desculpar por aquele dia. – Ele disse com um sorriso amarelo no rosto. Eu não sabia como reagir, muito menos o que falar, me faltava ar. Danny Jones pedindo desculpas? Era demais pra mim. E apenas fiquei o olhando sem reação. - Fui um idiota, não deveria ter levado aquela discussão adiante. – Eu o ouvi xingar a si próprio? – E feito você brigar com sua amiga, eu sei que foi uma besteira tudo aquilo, depois fazer ficar irritada e me contar o que estava acontecendo em sua vida, sei que foi difícil. – Ele beijou minha mão.
- Danny... – Comecei a falar, mas ele me interrompeu.
- Shhh... deixe-me terminar, sabe... você não faz idéia de como é difícil estar aqui falando isso tudo. – Ele sorriu constrangido. – Só queria te falar que eu não fiz por mal, juro, não queria que você ficasse mal e dizer que eu quero uma trégua, sabe... não quero mais implicar com você. Pensei no que nos disse aquele dia e ela está certa, nós temos um evento muito importante e devemos trabalhar muito nele, então quero lhe pedir desculpas e poder trabalhar da melhor forma possível com você e os garotos, o que você me diz? – E me olhou esperando por uma resposta. Mas eu precisava de um tempo pra poder organizar todas aquelas informações na minha cabeça.
- Danny... Estou surpresa com isso, nunca imaginei você pedindo desculpas. – Falei perplexa.
- Pô, assim você acaba com a cena, , eu aqui me redimindo, lhe pedindo desculpas. Estava tudo tão lindo e você me vem com essa? Sacaneasse, hein?! – Ele disse quase não segurando o riso, e eu gargalhei.
- Desculpa por estragar sua cena. – E continuei rindo. – Ok! Desculpas aceitas, mas eu também tenho que me desculpar, afinal eu também colaborei e muito com aquilo tudo. Desculpa? – Eu disse com cara de criança quando sabe que fez coisa errada e tem que pedir desculpas e usa toda sua fofura para poder se livrar da bronca.
- Está desculpada – ele mostrou um sorriso largo –, vou ao bar, quer alguma coisa? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça. – Então se comporte e não saia daqui, não esqueça, me deixou no comando menina! – Ele disse apontando o dedo indicador pra mim, mas quando abri a boca para poder dar a resposta que ele merecia, ele já havia ido em direção ao balcão.
Fiquei sentada pensando no que ele havia me falado, nunca o imaginei dizendo algo do gênero. Estava confusa com o que ocorreu na mesa, não sabia se o que ele falou era verdadeiro, mas ele havia passado sinceridade e era melhor mesmo pararmos com essa nossa rixa, pois temos que trabalhar juntos e por muito tempo como me falou. Eu gosto de me envolver na criação toda, então eu teria que conviver muito com ele.
Não agüentava mais ficar sentada e olhando para as pessoas bêbedas se acabando na pista e Danny estava demorando muito para ir apenas ao bar, porém quando eu olho para o balcão, acho a causa do atraso. Silicone. Só podia ser, o silicone era enorme, se estivesse sem sutiã quando corresse, votaria com dois olhos roxos de tão grande que era seus seios, e estava os jogando em cima dele. Loiro oxigenado, de farmácia mesmo, porque de platinado aquele cabelo não tinha nada. O estilista deveria estar com desfalque no estoque, porque estava faltando muito pano em sua roupa. O sapato só não era mais alto porque faltou material para fazer. Maquiagem. Se é que aquilo podia ser chamado de maquiagem, era algo indecifrável. Ela já devia estar mais pra lá do que cá, ia precisar de um guincho pra tirá-la de lá. Como Danny tinha coragem de dar bola pra esse tipo de mulher? Ela alisava seu braço e ria sem parar, ele bebia seu drink e ria. Aquilo me deu nojo, resolvi ir ao banheiro.
Passei de cabeça baixa entre as pessoas e assim fazendo com que ele não me visse, me olhei no espelho vi que eu estava péssima, precisava retocar minha maquiagem. Fiz minhas necessidades, lavei minhas mãos e pensei em ligar para pra saber onde ela estava, entretanto pensei melhor, vai que eu ligo e interrompo no auge do negócio? Não. Isso eu não quero fazer, deixei meu celular na bolsa novamente, me ajeitei, olhei mais uma vez no espelho, estava ótima, joguei meu cabelo feito uma diva e voltei cantarolando.
Ele ainda estava com a tal loira peituda, passei por eles como se nem os visse e pude sentir alguém me olhando, mas não quis saber se era verdade. Sentei de volta a mesa. Ele não está cuidando de mim, aliás, nem preciso. Olhei para a pista, ela me chamava, eu precisava de um pouco de diversão, afinal, foi por isso que eu tinha ido até lá, não é? Sorri maliciosa e segui para a pista. “A música é ótima, bem agitada, eu vou me acabar em dançar”, pensei.

Eu estava dançando de olhos fechados, braços para o ar, e requebrando o quadril. Abro meus olhos e encontro com os lindos azuis de Danny na pista, não desviamos o olhar, ficando assim por alguns instantes, mas logo a talzinha lá o puxa pelo braço pra a dança e coloca as mãos dele em seu bumbum. Sim. Ela fez isso, olhei atordoada, que garota atrevida! Voltei para a minha dança, mais animada do que nunca e senti uma mão em minha cintura, me virei rápido e me deparo com um rapaz alto, de olhos meio esverdeados ou castanhos puxado pra um mel, não sei ao certo, cabelo em tom dourado perfeitamente jogado de lado, que apresentava um sorriso no rosto, e que sorriso... Ele era lindo e dançava comigo, adorei a idéia, sinal que eu ainda dava pro gasto. Brincadeira, eu ainda estava muito bem, disso eu não podia reclamar.
“É você mesmo, querido, é com você que eu vou me acabar em dançar”, pensei. Ele tinha pegada e me conduzia impecavelmente, ele mantinha suas mãos em minha cintura e eu coloquei de leve meus braços em seu pescoço.
- Estava te olhando de longe há algum tempo. – Ele disse em meu ouvido, sua voz quase quebrou minhas pernas.
- E não veio falar comigo antes por quê? – Perguntei após uma risadinha.
- Não tive coragem – ele disse.
- Coragem? Por quê? – Perguntei interessada.
- Você é muito linda – ele disse meio envergonhado. – Achei que você estivesse com alguém. – Ai Deus, pelo menos esse tem semancol e atitude. Adorei.
- Obrigada – disse corando.
- Pelo o quê? – Ele me encarou. – Por eu dizer que você é linda? Desculpe-me, sou sincero. – e aquele sorriso lindo apareceu de novo.
- É eu estou vendo.
- Ah lá, ela fica envergonhada quando recebe um elogio – e deu uma risada gostosa. – E fica mais bonita.
Ele me encarou nos olhos, me deixando zonza. Era atraente demais e intenso, mas ele não avançou o sinal em momento algum e isso me deixou feliz. Encostei minha cabeça em seu ombro e olhei pra frente e vejo Danny me olhando e ele não fez questão nenhuma de disfarçar, sua acompanhante o puxava para mais perto, porém parecia estar mais interessado em mim e meu “amigo” e a garota já estava se cansando.
Voltei a olhar o garoto que dançava abraçado a mim, ele estava sorrindo e eu retribui, era incrível a forma que ele olhava em meus olhos e eu não sabia o que fazer. Senti alguém nos interromper.
- Posso falar com ela um instante? - Danny, sério, pediu ao rapaz, que, aliás, eu havia me esquecido de perguntar o nome. Um homem daquele dando mole e eu me esqueço de perguntar o nome? Mas eu precisava do telefone dele, vai que meu carro quebre, ou eu não sei onde eu estou?
- Danny? O que houve com sua garota? – Perguntei normal.
- Não sei. – Ele disse. – Posso falar com você agora?
- Mas eu estou dançando... Seria uma indelicadeza – tentei fugir.
- Pode ir, linda, eu entendo – o garoto disse depositando um beijo em minha bochecha.
- Foi um prazer conhecê-lo – eu sorri.
- Foi todo meu, nos vemos por ai – terminando de dizer, deu AQUELE sorriso de matar qualquer uma. Ele era simpático, lindo e sabia conversar, totalmente diferente daquele que conheci no bar.
- Espero que seja importante Jones. – Voltei minha atenção pra Danny.
- O que você estava fazendo com ele?
- Dançando. Algum problema? – retruquei.
- Todos. – Ele disse sério – Você é casada, e você está sobre a minha responsabilidade. – Não acreditei no que eu estava ouvindo, quer dizer que Daniel Alan David Jones era mais responsável que eu? E que estava cuidando da minha pessoa? Ah tá, sonha, baby.
- Eu não estava fazendo nada de errado – “ainda”, completei em pensamento – E você não precisa cuidar de mim, já sou bem grandinha, pode ir lá com aquela... não sei o nome, vai se divertir, vai! – Falei, mas no fundo não sabia porque, eu queria que ele dissesse que não iria, eu hein!?
- Eu não sei o nome dela, mandei ela ir pastar, não agüentava mais, não vou voltar. – NOSSA! Fiquei com medo agora, igualzinho como pensei, hm... Preciso pensar assim mais vezes.
- Bom... ,as até que ela era bonitinha... Por que você não deu uma chance pra ela? – Ironizei.
- Fala sério! – Incrédulo, me olhou.
- Ok! O que a gente faz agora? – Perguntei.
- Não faço idéia. – Ele riu. – E a ? Cadê ela? Não vai vir? – Ele perguntou e olhei com cara de “você não quer que eu te responda, né?!”, mas não entendeu.
- Ela deve estar com o Jensen, Danny, e provavelmente não vai voltar tão cedo. – E depois de um bom tempo ele pareceu finalmente entender.
- Ah... sim – ô, finalmente.
- Eu estou cansada, quero ir pra casa. – Falei e fiz bico.
- Tá... mas a disse que depois ia voltar, e se ela chegar aqui e você não estiver ela vai surtar. – Danny me lembrou.
- É... Mas eu tô com sono. – Fiz manha.
- Então liga pra ela, oras! – Sim, simples assim Jones!
- Ai, não sei...
- Liga de uma vez, vai. – Opa! Que isso? Já tá querendo mandar, é?! Assim cortaremos relações, babes.
- Ok.
Peguei o meu celular da minha bolsa, enquanto Danny me observava, antes de discar o número, o olhei mais uma vez e esse me incentivou com a cabeça e então disquei. Uma voz rouca atende.
- Alô. – Eu escutei.
- Ah... É o Jensen? – Perguntei sem muita segurança se havia ligado em uma boa hora.
- Sim. ?
- É. A tá aí? – Ele soltou sua respiração e falou.
- Está sim, só um instante. – Ouvi um “amooooor” e um “já tô indo”.
- Heey! Fala. - falou animada.
- É a ... Sabe o que é? Assim... Eu tô cansada e queria saber se você vai demorar muito aí. – Enrolei pra falar. - Oh... me desculpa, babes, o Danny está aí com você? – Por que ela quer saber dele?
- Está sim. Do meu lado escutando a conversa, pra falar a verdade.
- Hm... – e ouvi risadinhas ao fundo – passa pra ele então.
- Por quê? – Eu não existo mais.
- Quer, por favor, passar logo? – E ouvi um “pára, Jensen” e risadas – !
- Ok! Ok! Já vai. – Passei o aparelho pra Danny, mas fiz que nem ele, fiquei ouvindo tudo.
- Oi, – Danny simpático disse. – Ó cuidei de sua amiga direitinho, como você pediu.
- ON... Obrigada. – Eu estava com a orelha colada no celular, abraçada a Danny, apenas para ouvir a conversa, que fique bem claro. Ou não.
- Babes... – Ih, já começou mal. – Eu tô meio ocupada aqui sabe? – É, sei, “ocupada”... - E eu acho que vou demorar mais um pouquinho. - Aquela voz dela não me engana, daqui a pouco vinha bomba.
- Entendo. Mas como vai ser então? – Nossa, ele entendeu rápido, andar comigo o faz ficar mais inteligente, hehe.
- Bom... Cê tá de carro?
­- Tô sim. – Danny falou, mas olhou pra mim, torcendo a boca em sinal que não entendia o que ela queria.
- está grudada no celular que eu sei, pergunta se ela levou a chave dela, por favor. – Olhei pra ele e fiz que sim com as mãos.
- Trouxe, agora fala logo.
- Oxee, também te amo. - Danny fez um barulho com a boca incompreensível. – Então como eu vou demorar... e a está com sono... – Ai, senti uma pequena fisgada. – Você se importaria em levá-la pra casa, claro, se não for te atrapalhar.– Vaca. Ela sabia ser persuasiva quando queria.
- Não. Claro que não, sem problemas, – Danny disse rápido.
- Ei, mas eu me importo, valeu!? – Eu gritei para que ela pudesse me ouvir.
- Qual o problema? Não vai com a minha cara? Está desprezando a minha carona e a minha pessoa, é? – Danny disse isso pra mim.
- Não é isso... – Tentei me justificar.
- OW! - berrou e eu colei meu ouvido novamente – Deixa de ser boba, o Danny não vai te estuprar, roubar, ou encanar um serial killer - eu não colocaria minha mão no fogo, vai saber – é só uma carona, desculpa honey, eu me atrasei, sei disso, mas eu queria curtir meu namorado me entenda, pleeeeeeease. - Odeio ela.
- Tudo bem, eu te entendo, mas eu posso muito bem pegar um táxi e ir pra casa, assim Danny não teria todo esse trabalho. – Acho que me saí convincente. Será?
- Eu não me importo. – Danny disse. Ó, Danny, ajudou muito.
- Viu só? Danny é um amor e eu fico mais tranqüila se ele te levar em casa. – Ah, qual é, todo mundo me trata feito criança. Urgh.
- Pode deixar, , eu a levo em casa, nem que seja preciso levar nas costa, mas eu levo sim, pode ficar tranqüila e “curtir” seu namorado. – Eu o olhei sem acreditar no que ele disse.
- Já disse que você é um amor?
- Hm... acho que sim. – Ele brincou.
- E que eu te amo?
- Hm... não, mas eu não estou nem um pouco a fim de levar uma surra do seu namorado, não que eu não me garanta, mas você já viu o tamanho dele? – É, Danny você não tá tão mal assim, mas Jensen é muito gos... ops... forte.
- Ele não precisa saber – ouvi um “ai” da parte dela ao fundo, acho que ele ouviu – Ok! Então leva ela direitinho, hein?! Beijo.
- Beijo, ! – Falamos juntos. Danny desligou o celular e me entregou.
- Parece que eu vou ser seu chofer, madame. – Danny sorriu pra mim balançado as chaves nos dedos.
- Ok! Mas tem algumas condições. – Falei lhe apontando o dedo indicador.
- E quais são?
- Primeiro: nada de piadinhas; segundo: não quero que você tire uma com a minha cara; e terceiro, mas não menos importante: comporte-se como um cavalheiro. – Falei enumerando nos dedos.
- Ok! Mais alguma coisa? - Neguei. – So... Let’s go, girl!

Seguimos para onde seu carro estava estacionado e olho aquela maravilha, eu disse pra ele não comprar aquele, porque ele é muito simples pra ele, mas ele insistiu, disse que achou bonitinho. Tá, parei. Era um lindo Aston Martin.
Danny abriu a porta do carona pra mim, como um cavalheiro, e seguimos rumo ao apartamento de , ele já sabia o caminho foi até algumas vezes, não sei fazer o quê.
A viagem, para meu espanto foi tranqüila, ouvimos uma boa música, comentamos o estilo dela, arranjo, melodia, letra, nada demais, e logo chegamos ao meu destino. Agradeci a sua gentileza e já ia descendo do carro quando sinto sua mão segurar a minha.
- O que houve? – Perguntei.
- Só... queria conversar um pouco. – Ele disse baixinho quase sem me olhar.
- Conversar? Danny, é tarde – respondi.
- Ok! – Ele deu uma risadinha. – Na verdade eu queria saber se aquilo que nós conversamos antes ainda está valendo. – E sua voz rouca apareceu, só pra me deixar distraia.
- Sobre a trégua e tudo mais? – Ele concordou. – Claro que está, cumpro que digo.
- Que bom, não agüentava mais você me olhando sem falar comigo, nem que fosse uma besteira ou uma ironia. – Epa! Ele disse isso mesmo?
- Você que não falava comigo, até parou com as piadinhas, não olhava mais pra minha cara, nada. – Ah, eu falei mesmo.
- Pensei que você não quisesse mais me ver e que estivesse com raiva de mim. – Ele explicou com uma carinha de coitado que eu não resisti. Que isso, ? Olha o que está dizendo.
- Não é bem assim, tudo bem que eu me alterei um pouco com você, mas naquele dia nada tinha dado certo e acabou juntando tudo e descontei em você, desculpa. – Eu não podia o deixar pensando daquela maneira.
- Não. Eu que devo me desculpar – ele me disse ainda segurando a minha mão –, não quero que você guarde rancor de nada, por favor, quero ser... seu... seu... – ele não completava nunca – seu... amigo? – “Amigo? Será? Amigo. Pensei que ele iria dizer qualquer coisa, mas amigo? , melhor assim, você queria o quê?”. pensei, mas não sabia a resposta.
- Tu-tudo bem, – droga, gaguejei – sem ressentimentos. – Finalizei com um sorriso.
- É... então tá. – Soltou uma gargalhada. Já disse que gosto dela? Não? Eu gosto.
- Bom... Boa noite, de novo, e obrigada por essa noite, por tudo mesmo. – Me despedi com sinceridade em cada palavra e desci do carro.
- ? – Ele me chamou, eu ainda estava com a porta aberta e me apoiei no banco pra olhá-lo.
- Sim. – Respondi.
- Ah... é... – Eu ainda o olhava esperando. - Nada, nada, só não me despedi – sorriu – boa noite, linda, eu que agradeço pela noite. – Linda? Ele me chamou de linda, o que fizerem com o Danny que eu conhecia? Não, aquele definitivamente era outro que eu nunca tinha visto. Ele me deu um beijinho no rosto. Trave? Quase.

Capítulo 10

A noite passada tinha sido muito agitada, muitas coisas aconteceram. Acordei tarde no domingo, era quase onze horas e eu não costumo dormir tanto, isso é papel da , e em falando nela, onde ela estava?
Me levantei fui até meu banheiro, fiz o que tinha que fazer, mas continuei de pijamas, fui até o quarto de e com cuidado abri a porta, porém encontrei sua cama vazia e arrumada. “Danada, não chegou ainda., pensei. Fui até a cozinha preparar alguma coisa pra comer e abri a geladeira quase vazia, eu iria chamar e criar vergonha na cara e fazer compras no supermercado.
Preparei um chocolate quente mesmo, com torradas, sentei na bancada e comecei meu de desjejum quando a porta é aberta.
- Oh, quem é vivo sempre aparece! – Falei quando a vi entrando na cozinha. Ela estava ainda com a roupa de ontem à noite, carregava seus sapatos em uma das mãos e na outra sua bolsa, seu cabelo não estava tão arrumado, sua maquiagem já era! Acho que teve uma ótima noite pelo visto.
- Já está acordada. – Ela falou com a voz rouca.
- Uhum. Hm... pelo visto a noite foi boa. – Brinquei.
- Você não sabe o quanto. – Abriu um sorrisinho malicioso. – Ele acabou comigo, não sinto minhas pernas. – E rimos muito disso, ela sentou na minha frente.
- Onde Jensen está?
- No apartamento que ele sempre fica quando vem pra Londres. – Falando isso, se levantou para preparar um chocolate também. - E então? Danny te trouxe direitinho como pedi? – Perguntou sentando-se novamente.
- Sim, até que ele foi bem legal, acredita que ele me pediu desculpas por aquele dia? - Falei e ela quase se engasgou com o líquido.
- Não. Tá de zoação? Danny pedindo desculpas, essa é nova pra mim.
- É, ele disse um monte de coisas, se desculpou e pediu uma trégua. – Ela me olhou perplexa. – Isso mesmo, fiquei com a mesma cara, amiga.
- Eu te disse que ele era um amor, não disse? Aliás, todos eles são, adoro muito aqueles garotos. – Ela disse sorrindo. Eu não queria falar muito no assunto Danny, então mudei um pouco o foco da conversa.
- Bom, falando neles, – comecei – não entendi porque Harry saiu daquele jeito, ele não é assim, e deixou Danny lá.
- Também não sei de nada, – deu de ombros – ele estava estranho a noite inteira, com aquela cara emburrada, nem falou comigo direito.
- É, eu notei isso quando eu tinha voltado pra mesa. – E me lembrei da cena um pouco engraçada de se ver, Harry, e Jensen com caras de bunda.
- E você viu como ele foi grosso com Jensen, ele notou isso, fui com a cara no chão, né!? Imagina um amigo meu agindo com ele daquele jeito.
- Vai ver que eram ciúmes! – Falei baixinho. – Ai, você sempre me bate.
- Eu ouvi. Ciúmes? Por quê? Somos apenas amigos. – Ela se defendeu.
- Sim, claro. E ele sabe disso? – Retruquei e a vi pensar por um momento.
- Cla-claro que sabe. E tem mais, eu tenho namorado e estou muito bem, obrigada. – Ela gaguejou? Hm... Sei não, nesse mato tem cachorro, gato, urso e tudo o que vier pela frente. Ah, tem.
- Ele não gostou de Jensen. – Eu tive que falar, não sou fofoqueira, apenas repasso informações. – E não me pergunte o porquê, não sei de nada.
- É, eu percebi, mas eu não vou deixar Jensen por causa do Harry e nem deixar Harry por causa de Jensen, gosto dos dois. – Ela disse meio triste.
- Mas não pode ficar com os dois, amiga.
- Claro que posso! – Ela se alterou. – Uma coisa não tem nada a ver com a outra, . Ah não quero nem saber, vou continuar na mesma.
- Ok, você quem sabe, só acho que você deveria pensar melhor nas suas escolhas. – Eu queria vê-la feliz, ela não podia levar as coisas assim, ela sempre fazia isso, tava na hora dela pensar um pouco mais quanto o assunto é vida amorosa. A vi olhar pra mim fazendo careta de quem não entende.
- O que você quis dizer com isso? – Nossa! Quantas vezes eu ouvi essa frase?
- Só que você pense melhor nas coisas, sabe? Mas agora me conta TUDO de sua noitada, babes.
Ela me contou animada sobre sua noite e nós nos arrumamos para finalmente ir até o supermercado e fazer AQUELA compra pra nossa geladeira, coitada. O dia foi tranqüilo, Jensen passou por lá e ficou um pouco com a gente e depois foi embora. Eu e vimos um filme, ficamos recordando histórias de quando éramos mais jovens e rimos durante quase a noite toda e acabamos caindo no sono.

Assim, passou-se 1 mês que eu estava em Londres e tudo ocorria da mais calma forma o possível, parecia até que Adam tinha me esquecido. Ele havia me ligado raras vezes nesse período e não havia enchido meu saco em nenhuma delas. Jess estava louca para se juntar a nós e começar a trabalhar. Eu era a única cantora que ela era empresária e eu já dava trabalho o suficiente e não admitiria dividi-la com mais ninguém! Eu sentia falta da minha banda e das minhas amigas e backing vocals Catherine e Lindsay... Nesse tempo que estou fora, apenas nos falávamos por e-mail. Pouquíssimas vezes por telefone.

(Coloquem esta música pra carregar.)

O frio caía com mais brutalidade e no céu de Londres já não era possível ver sol, nessa época do ano não era possível mesmo. Cheguei ao estúdio sozinha, já sabia o caminho de cor e salteado e teve que ficar em casa terminando alguns detalhes para as filmagens. Nesse meio tempo, eu havia escrito uma música pensando em Adam, nossa distância era muito grande e eu achava muito difícil continuar com ele depois de tanto pensar. Eu e Danny estávamos começando a nos dar bem, pelo menos, não nos bicávamos mais como há 1 mês. Às vezes ele me provocava e também levava a sua merecida resposta no final das contas.
Abri a porta da sala de reuniões e vi que apenas estava Tom, sentado escrevendo ou desenhando alguma coisa em seu caderno.
- Olá, Tommy! – Sim, eu já tinha intimidade o suficiente com ele, parecia que éramos amigos de infância.
- Hey, ! Não sabia que ia chegar cedo.
- Pois é, não estava nos meus planos mesmo. Mas, que bom que eu te encontrei aqui. Eu andei escrevendo uma letra e quero que você dê uma olhada. – Eu não sabia o certo se Tom iria entender o sentido daquela música, eu não havia comentado com ninguém sobre o que só sabia e aquela era uma letra, que eu poderia, sem dúvidas nenhuma, acrescentar para o meu bloquinho de letras tristes e melancólicas. – Eu pensei nela somente com piano e como eu sei que você sabe tocar... quem sabe você não me dá uma mãozinha?
- Mas é claro, deixe-me a ver. – Tom pegou o papel de minhas mãos e começou a ler atentamente. – Isso é simplesmente... genial. Eu não sei o porquê e em quem você pensou ao escrever, mas ela é linda. – Isso me fez estufar meu peito e dar um largo sorriso.
Eu e Tom ficamos o resto da manhã trabalhando na minha música, sabíamos que o resto do povo iria chegar depois do almoço e seria nessa hora que eu pretendia mostrar minha nova criação.
O povo foi chegando aos poucos, a última a chegar foi a e eu já devo imaginar o porquê.
- Oi, gente, desculpa o atraso. – chegou completamente “esbaforida”.
- Hello, Babes! Por que o atraso? – Eu perguntei já sabendo a resposta.
- Ai, fiquei na dúvida de que roupa colocar, você não estava em casa pra me ajudar, né, santa! – Ela me abraçou de lado e arrancou um risinho geral.
- Ok, fellas, eu quero mostrar uma música que eu fiz nesse tempo que eu estou aqui... – Eu me pronunciei e vi Tom abrindo um sorriso me dando coragem pra continuar. – Hoje de manhã eu vim aqui e o Tom me ajudou com os arranjos e tal... Eu espero que vocês gostem e que possamos aproveitá-la pra alguma coisa.
Tom levantou-se e sentou no piano, peguei um banquinho, regulei o suporte do microfone na altura ideal e pude ouvir as primeiras notas de Fall sendo tocadas. (Play na música)

I gave you all you desired, all that you needed
Boy I provided
I let you into My head, Into My Bed
And that’s a privilege
I had your back in the answers
You took the dollars, I took the chances,
Defended battles and fought
Cus I really thought you loved me.
(Eu lhe dei tudo o que você desejou, tudo que você precisou. Garoto, eu providenciava, deixei você entrar em minha cabeça, na minha cama e isto é um privilégio. Eu era seu apoio e tinha as respostas, você pegou os dólares e eu, as oportunidades. Eu defendi, ou melhor, eu lutei porque eu achava mesmo que você me amava)

I don't know where to start or where to stop no
But i know i am done, I've had enough.
(Não sei por onde começar ou onde parar, mas sei que estou cansada, já tive o bastante)

So Fall
Out of my hands, Out of my heart
And when you hit the ground
You'll be sorry that I’m not around.
I will watch you while you
Fall out of your mind
Out of your fantasy, when you hit the wall
Think of me
I'll be on the top just watching you fall.
(Então... Saia fora das minhas mãos, fora do meu coração e quando você chegar ao chão você se arrependerá por eu não estar ao seu lado. Eu o observarei enquanto você cai fora de sua mente, fora de sua fantasia. Quando você bater na parede, você pensará em mim, estarei no topo, apenas observando você cair)

You said that you were the strong one
I was the girl and i was the young one
I kept your feet on the ground, your head in the rounds
I had You.
You told me you were so grateful
I was with you and i was so faithful.
I stood by you in all that you said
All that you did. I loved you
(Você disse que era o forte, eu era a garota, eu era a jovem, eu mantive seus pés no chão, minha cabeça nos seus braços, eu tinha você. Você disse que seria muito grato, eu estaria com você e seria tão fiel. Eu me apoiei em tudo o que você disse, em tudo o que se atreveu, eu te amava)

I don't know how to act or what to say.
But I know I’m good, I’ll be ok.
(Não sei como agir, ou o que dizer, mas sei que estou boa, eu ficarei bem)

Segui cantando até o final com os meus olhos fechados. Quando a música terminou, eu os abri e a sala estava em um silêncio mortal. Todos me olhavam admirados e um olhar me chamou atenção: Danny me olhava confuso, mais do que os outros e eu fiquei o encarando até que Harry quebrou o gelo e se pronunciou:
- Eu simplesmente estou sem palavras. – Ok, Harry, você me ajudou com isso... Está sem palavras? Foi ruim demais?
- Amiga, o que foi isso? – , um ponto pra você! Estou me sentindo um ET.
- Você foi perfeita... Digo, a música, ela é perfeita. – Até que enfim alguém disse alguma coisa construtiva. Espera. Daniel falou isso. Foi impressão minha ou ele ME chamou de perfeita?

’s P.O.V

Depois da música que a cantou, eu pude notar que ela ainda estava machucada e depois do comentário do Danny, uma idéia surgiu em minha cabeça. Eu tinha que ajudá-la de alguma forma. Eu nunca gostei do Adam e isso era certo! Minha amiga estava sofrendo e a única coisa que eu acho que ele a trouxe de bom foi um up em sua carreira, tirando isso não resta mais nada. Eu estava sentindo os olhares entre e Danny há alguns dias, ela havia parado de implicar com ele e isso era um passo bem grande. Eu tinha que fazer alguma coisa, mas o quê? Colocar na cabeça dela que ela tinha que pedir o divórcio e tentar alguma coisa com o Danny? Assim, de uma hora pra outra? Seria loucura, ela iria certamente me dar um Gardenal e querer me internar. Olhei para toda a extensão da sala e meus olhos pararam em Harry. Sim! Ele poderia me ajudar de alguma forma, nós éramos muito amigos, mas eu não podia contar sobre o péssimo casamento que estava levando... Isso seria desleal da minha parte e ela não confiaria mais em mim. Papel de melhor amiga às vezes não é tão fácil quanto se imagina.

- Harry, vem aqui fora comigo um instante... – Falei, me levantando da cadeira e vi Harry concordar com a cabeça. Saímos da sala de reuniões onde todos se encontravam e pedi que ele me acompanhasse para a famosa sala do café expresso.
- ? O que houve? – Tá, eu acho que posso ter assustado o menino.
- Quero uma ajuda sua. – Sorri.
- Com o quê, babes?
- O Danny tá saindo com alguém ultimamente?
- Não acredito que você tá de olho no Dan! – Ele gargalhou e logo sua risada cessou ao ver minha cara de “Aham, Cláudia, senta lá” – Não, pelo que eu saiba não... Mas você sabe né, o Daniel é meio misterioso em relação a garotas, mas eu acredito que não esteja saindo com ninguém.
- Hm... interessante.
- ... se você estiver afim dele, me fala, pô! Sou seu amigo.
- Ai, Harry do céu! Cala a boca! Eu estou muito bem com o Jensen... Você tem cada idéia. Eu não estou pensando em mim, estou pensando na .
- Na ? Você tá doida? Ela é casada!
- Eu sei que é e é por isso mesmo que eu estou pensando nela! – E dei o meu melhor sorriso.
- Pode me explicar? Não tô entendendo bulhufas do que você tá dizendo.
- Eu não vou contar o santo, mas o milagre é que a não está feliz no casamento dela.
- Que santo? Que milagre? – Tem certeza que não mudaram de corpos? Aí dentro é o Harry mesmo ou é o Danny?
- Eu não vou te contar o porquê de a estar infeliz no seu casamento, entendeu? Ou quer que eu desenhe?
- Eu quero que tu... Ai! – Não deixei ele concluir essa asneira e sentei um pedala na careca.
- Baby, é o seguinte: Tudo bem que a é casada e tudo mais, mas você tá notando que ela e o Danny, enfim, estão se entendendo? Você já notou há quantas semanas eles não se bicam mais? E você notou também o jeito que ele olha pra ela? – Fui enumerando os motivos e Harry me olhava apreensivo.
- Mas você acha que isso pode dar certo, ? E se a realmente amar o marido dela?
- Você acha que se ela realmente amasse já não teria dado um jeito de ele estar aqui conosco? Perto dela? Nós não precisamos fazer correio do amor, e sim somente “armar” situações que deixem os dois literalmente sozinhos.
- Estou entendendo. E acho que já tive uma idéia. – Harry coçou o queixo e sorriu malicioso (já disse pra vocês o quão sexy ele fica quando sorri desse jeito? Foco, . Ele é seu amigo, gostoso, mas seu amigo).
- E qual seria? – Tentei me recompor dos meus pensamentos impuros.
- Eu pensei em tipo... – Harry foi me falando do que havia pensado e isso envolveria Tom e Dougie também, mas não podíamos sair espalhando pra todo mundo do nosso plano. Então iríamos dizer pra eles que seria um jeito de aproximar e Danny para que eles pudessem se conhecer melhor e trabalhar dois talentos juntos. Confabulamos mais um pouco, entramos na sala onde todos se encontravam e chamamos por Tom e Dougie, isso era bem coisa de panelinha, sim.
- O que vocês querem? – Tom disse.
- Vocês estão notando que e Danny não estão mais se pegando, não é? – Comecei.
- Sim. – Responderam em uníssono.
- Tivemos uma idéia pra deixá-los mais amigos ainda e assim não precisarmos mais passar por aquela situação tipo a da briga, vocês lembram? – Harry se pronunciou.
- Claro, na hora foi meio tenso, mas depois até dá pra dar umas risadas... – Dougie disse.
- É mesmo! Aquela cena do Danny segurando a cabeça da como vocês disseram foi no mínimo hilária! – Tom começou a rir, lembrando-se da cena.
- Então... Do jeito que as coisas estão indo, tá ótimo, mas eu quero que eles fiquem mais próximos, assim, quando a voltar pra casa vai poder lembrar de vocês todos como grandes parceiros de trabalho, entendem? – Eu disse tentando esclarecer as coisas para os meninos.
- Tá e... O que vocês pensaram? – Dougie perguntou olhando pra mim e para Harry.
- Pensamos em deixar vocês dois “ocupados demais” e propor para Danny e escreverem uma música juntos. – Harry botou a idéia na mesa. Tom e Dougie se olharam e sorrisos foram brotando.
- Ótima idéia. Quando pretendem fazer isso? – Tom disse.
- Ao decorrer dessa semana, se falarmos hoje, eles poderão pensar que foi armado, já que estamos os quatro aqui nessa reuniãozinha. – Eu disse.
- Fechado!
Voltamos para sala e quando entramos na mesma, pegamos rindo de alguma coisa que Danny havia dito. A cena poderia ter acontecido antes, se não fosse pela implicância de no começo e sim, foi uma cena muito fofa de se ver.
Por incrível que pareça, eles não notaram que nós quatro estávamos conversando separadamente e assim, voltamos a trabalhar.
Saímos da gravadora umas 9 da noite e eu e fomos direto pra casa.
- Ai, lar doce lar – Eu disse me jogando no sofá.
- Será que eu posso dizer isso também? – riu e me perguntou.
- Você ainda pergunta, amiga? Claro que pode... Já estou até me acostumando com você aqui comigo – Sorri pra ela e a vi correndo e se jogando no sofá ao meu lado.
- Ai, lar doce lar! – Ela disse e nós duas gargalhamos.
- Não sei o que vai ser da gente quando você for embora. – Disse pegando em suas mãos e fazendo um bico típico meu.
- A gente quem, cara pálida? – me perguntou.
- Eu, Harry, Tom, Dougie e Danny. – Disse, contando nos dedos.
- Eu não tenho muita certeza que o Danny vai sentir minha falta quanto vocês – Ela disse e isso parece que a abalou...
- Mas é claro que vai! Agora que vocês estão se dando bem... Depois que você parou de implicar com o pobre menino...
- Ah, ele também implicava comigo! Lembro de como ele era metido... – fez careta.
- É o jeito dele, babes. Agora você pode ver isso e já se acostumou. E pelo o que você me contou, ele te pediu desculpas por qualquer coisa e isso foi muito digno.
- É, isso eu tenho que concordar... Vou tomar um banho e ir pro meu quarto. Você pretende fazer alguma coisa pra comer? – me perguntou, se levantando.
- Por quê? Você está com fome? – Perguntei de volta.
- Não...
- Então não, vou pro meu quarto tomar banho, pretendo dormir cedo hoje. – Disse, me levantando do sofá também. E assim seguimos cada uma pro seu aposento e dormimos. Eu pelo menos dormi.

Capítulo 11
’s POV

Entrei no meu quarto, abri o armário e tirei minha camisola... Fui até o banheiro, liguei a ducha e fui tirando minhas roupas calmamente, ouvindo o som que a água fazia ao entrar em contato com o chão. Eu não sei o que estava acontecendo comigo, eu me sentia leve como há tempos não estava acostumada a me sentir. Entrei debaixo da água morna e a deixei cair sobre mim uns 5 minutos, até começar realmente o meu banho... Fiquei pensando em várias coisas ao mesmo tempo. Desde a minha infância com , quando eu conheci Adam, meu casamento e minha mudança para os Estados Unidos, o começo da minha carreira e das brigas... A briga. Pensei também como as coisas podem mudar de um dia pro outro. No começo eu simplesmente odiava o Danny... Agora eu até rio das coisas que ele diz. É, estava certa. Eu estava começando a me acostumar com Danny.
Terminei meu banho, que por sinal estava delicioso, me vesti e fui pra debaixo das cobertas... Pensamentos invadiram minha cabeça novamente e apenas um rosto eu via nela. E era o de Daniel. Mas que diabos estava acontecendo comigo?

Hola mi amor, tienes un nuevo mensaje


Sim, o meu toque de mensagem era a voz super sedutora da Fergie falando em espanhol. Peguei meu celular que estava do meu lado e abri.
“Sinto a sua falta perto de mim, espero que esteja tudo bem. Com amor, do seu amor, Adam xxx”
Senti um súbito nojo ao ler essa mensagem. Como ele poderia me tratar assim? Com esse carinho todo depois de tudo o que ele já me fez? Eu realmente não fazia idéia do porquê que eu ainda estava casada com ele. Como eu fui burra ao me casar cedo. Mas, o que teria sido de mim se isso não tivesse acontecido? Eu estaria onde eu estou? Seria famosa? E será que ficar com ele só por causa da minha carreira e o medo de perdê-la vale à pena? Minha cabeça doía de tanto que eu pensava nisso. Eu poderia ter uma vida melhor ou pior.

Acordei cedo, fui ao banheiro, e segui para o meu armário escolher minha roupa. Coloquei um jeans, uma sapatilha, uma blusa vermelha e meu casaquinho branco, óculos escuros e pronto. Segui até a cozinha, e não via em lugar nenhum, procurei na sala, no banheiro social, e quando cheguei perto de seu quarto, notei a porta ainda fechada. “Dorme como uma pedra, nunca vi!”, pensei. Abri a porta e encontrei uma dormindo em uma posição estranha, estava jogada e ferrada no sono, suas cobertas estavam todas enroladas e caiam um pouco no chão e seu despertador praticamente berrava no seu criado mudo, e nem assim ela acordava. Ri sozinha vendo aquela cena. Cheguei mais perto, sentei na ponta de sua cama, já que ela estava toda esticada nela, e resolvi acordá-la com cuidado, coloquei as minhas mãos em seu ombro e a chamei baixinho.
- Hum... Não, não. – Ela resmungou e eu não agüentei e ri.
- ... tá na hora, levanta. – Falei, mas não conseguia segurar o riso.
- Manhê... deixa, deixa... – E ela tentava me acertar com as mãos e cobria seu rosto.
- ! Você está atrasada levanta logo, criatura.
- Hum... – foi o que eu ouvi e não podia deixar ela se atrasar, então tomei uma atitude.
- ! Levanta logo daí! – Balancei seu corpo e puxei suas cobertas.
- HÃ? O que foi? – Ela levantou em um pulo.
- Você está atrasada e não queria levantar, eu tive que te acordar na marra.
- Meu Deus! Dormi demais.
- É isso que dá namorar até tarde. – Eu falei e ela foi correndo para seu banheiro.
Ela tomou seu banho rapidamente, secou seu cabelo e colocou uma calça, um scarpin preto, uma blusa branca e um terninho preto também. - Vamos! Passamos na Starbucks no caminho. – Ela disse se arrumando e pegando suas pastas ao mesmo tempo.
- Aonde você vai vestida assim?
- Tenho uma reunião com outros patrocinadores daqui a pouco, eu preciso estar apresentável né?! Agora vamos logo, você vai pra gravadora comigo.

Fiquei com um pouco de medo no caminho, corria muito, passou um pouco da velocidade algumas vezes, e ainda xingava sem parar os outros motoristas. Era uma boa motorista, mas eu achava que ela era meio louca no volante, e quando ela estacionou perto da Starbucks, aí sim eu tive certeza disso, ela fez uma manobra indescritível e me mandou ir rápido comprar nosso café.
Chegamos em apenas alguns minutos na gravadora, subimos rápido com nossos copos de café e entramos com tudo na sala.
- Hey, meninas. – Todos disseram. Todos já estavam lá só faltava nós duas mesmo.
- Oi. Oi. O que vocês têm ai pra mim? – , como sempre, em sua simpatia matinal.
- Hello, guys. – Alguém tinha que ser simpática aqui, não é?
- Por que vocês estão atrasadas? – Danny, você não deveria ter feito essa pergunta.
- Não interessa. – o olhava furiosa. – Não tenho tempo pra essas perguntas, Daniel.
- Ok! Só perguntei por perguntar.

- ... Aqui estão os papéis que você precisa. – Fletch, que eu ainda não tinha visto, falou entregando algumas pastas. – Você assina e leva até eles, está aí tudo que nós resolvemos essa semana, faça seu trabalho!
- Uma caneta. – Harry entregou uma a ela que com toda sua elegância tirou a tampa com a boca.
- Senta pelo menos. – Eu disse.
- Pior que eu não sei nem onde é esse lugar - E tomou um gole enorme de seu copo.
- Que horas que é lá? – Tom perguntou.
- Hum... – olhou em seu relógio – daqui a quinze minutos. – E voltou a assinar seus papéis.
- Onde é?
- Aqui. – E entregou um papel ao garoto, esse fez cara de quem não sabia e foi passando o papelzinho e até parar em Harry.
- Eu sei. – Ele disse.
- Hã? – ela o olhou sem entender nada.
- Esse lugar. Eu sei onde é.
- Então você vai com ela. – Fletch não disse, ordenou.
- Não. Eu me viro, ele tem que ficar e ajudar os meninos. – disse.
- Não. Ele vai com você. Você tem que chegar a tempo, esse patrocínio é importante e sabe o quanto o presidente de lá é chato, não discuta. – Fletch falou firme.
- Você se importa? – Harry perguntou pra ela e essa apenas ficou um pouco o olhando.
- Não, não. – Ela juntou os papéis na mesa e colocou em sua pasta da Victor Hugo preta. – Se você vai mesmo anda logo. – O menino deu um pulo de sua cadeira.
- Vai com calma, se não você assusta o pobre menino. – Alertei.
- Por quê?
- Você vai ver, babes. – Eu disse. Eles acenaram e mandou beijinhos, girando suas chaves na mão e saíram da sala.
- Por que você falou aquilo? – Dougie curioso!
- Aquela lá no volante é assustadora, principalmente quando está com pressa. – Expliquei. - Ui – todos disseram e caímos no riso.

Já era hora do almoço e não tinha chegado ainda, pelo visto a reunião seria cansativa e o coitado do Harry deve ter ficado por lá mesmo. Tínhamos ensaiado algumas músicas, Fletch fez uma pequena reunião conosco explicando o que ele e haviam pensado pra a gravação que seria dali uma semana e alguns dias.
Os garotos me convidaram para almoçar com eles e eu aceitei, não queria ir sozinha. Foi muito divertido, rimos muito, conversamos durante um bom tempo que até esquecemos da hora, quando nos demos conta passava das duas da tarde e voltamos para Super Records.

Harry e estavam sentados rindo de alguma coisa, com alguns papéis espalhados na mesa e nem notaram nossa presença na sala.
- Oh, vocês chegaram! – Ela disse se virando e nos olhando.
- Bom fui almoçar com eles, você estava demorando e minha fome estava me matando. – Tentei me justificar.
- Não tem problema a reunião demorou um pouco e depois eu e Harry fomos almoçar.
- Dude, sua amiga é doida. – Harry me chamou a atenção.
- O que ela fez? – Vez de Dougie perguntar.
- O que ela fez? A pergunta é: O que ela não fez. – E todos olharam pra , que deu de ombros. – Porque ela fez de um tudo, não respeitou a sinalização, e vocês tinham que ter visto as manobras que ela fazia, até EU fiquei assustado. E pra estacionar? Ela enfiou o carro em um espaço que ninguém diria que caberia.
- Ah, qual é? Eu estava atrasada e foi por uma boa causa, você que é um frouxo! – Ela se defendeu.
- Frouxo eu? Você que é uma louca!
- Crianças, parem – eu disse brincando – e eu bem que tentei te avisar, Judd.
- Como foi a reunião, ? – Tom se pronunciou.
- Uma chatice.
- Concordo. – Harry falou. – E aquele cara dava em cima dela na maior cara dura, e vocês sabem o que ela fez? Aproveitou-se disso e o fez concordar com tudo que ela dizia.
- Ui... Não gostou Mr. Judd? Só porque o cara achou ela bonita e não você. – Danny perguntou e levou um tapa de Harry.
- É. Às vezes ser mulher tem suas vantagens – disse se gabando.
- Falando sério conta como foi lá, porque temos ensaiar mais, já que Harry está aqui agora. – Tom pediu.
E depois deles contar tudo, que por sinal foi interessante saber que usou suas artimanhas e Harry não gostou nem um pouco, mas isso não vem ao caso agora, nós ensaiamos um pouco, ajustamos algumas coisas soltas em certas músicas, voltamos àquela sala tão conhecida por todos, já que nós passávamos a maior parte do dia nela.
“Come on boy, I've been waiting for somebody, to pick up my stroll, well don't waste time...” - Estão ouvindo essa música? – Danny e seu ouvido aguçado.
- Não é o meu.
- Nem meu.
- Não.
- , acho que é o seu. – Eu disse.
- Que? Onde? – Ela estava muito concentrada.
- O seu celular. Acho que é o seu. – E apontei sua bolsa.
- Meu celular... Ah sim. – e correu atendê-lo.
- Quem é? – Perguntei ao vê-la sorrir ao olhar o visor.
- Jensen. – Disse sorrindo e ouvi uma bufada de longe. Harry. Ele estava fazendo careta e repetindo o nome Jensen para si mesmo.
- Babes! – Ela disse animada. – Sim, só um minuto... Pessoal já volto, ok! – Ela disse com a mão tampando o aparelho.
- Ele é o namorado dela, não é? – Danny, você descobriu isso sozinho?!
- É. – Harry respondeu seco. – E ele não sabe que ela está trabalhando não?
- Deixa os dois, deixa de ser metido – Dougie, ponto pra você.
- Mas... – ele tentou prosseguir.
- Não tem mais e nem menos, volta a trabalhar e deixa a menina. – Tom botando moral. – E... eu tenho que ir mais cedo hoje, tenho algumas coisas pra fazer em casa e Dougie vem comigo, não é?
- Vou?
- Vai – Tom o olhou sério – Anda.
- Hm... O casalzinho vai aonde? Programa a dois? Também quero. – Danny e suas piadinhas.
- Cala a boca. – Dougie disse e deu uma pedalada nele.
- Vocês sempre me batem.
- Deve ser porque você só fala asneira. – Eu não me segurei.
- Até você? Ah qual é?
- Bom... Estamos indo, bom trabalho pra vocês. – Tom disse sorrindo e falou algo com Harry que não pude ouvir e saíram.
- AI. – Voltei ao que estava fazendo – Sabe... acho que nós poderíamos usar o estúdio como cenário para o clipe, seria bem legal mostrar como é, o que vocês acham?
- Adorei, fala com a . E você Harry?
- Hã?... Ah, pode ser, pode ser. – Harry estava com a cabeça muito longe.
- Harry, pode vir aqui fora um instante? – falou, colocando apenas a cabeça dentro da sala.
- Por quê?
- Porque eu quero. – Ela disse.
- Ih... Intimou, Harry, vai lá garanhão. – Danny disse e recebeu uma careta do garoto.
- Danny você não pára de implicar com o menino né? – Eu perguntei.
- Ah, é engraçado ele todo irritadinho.

Enquanto isso fora da sala de reunião...

- Cê pirou foi?
- O que eu fiz de errado dessa vez? – Harry perguntou coçando sua nuca.
- O que você estava fazendo lá dentro? – perguntou com as mãos na cintura.
- Trabalhando?
- Você está muito lerdo, está passando muito tempo com o Jones. – Ela colocou a mão no ombro do rapaz. – Tom e Dougie passaram aqui e me disseram que estavam indo pra casa e mentiram pra vocês, pra deixá-los sozinhos. Captou agora, babes?
- Ah... Sim. – E sorriu constrangido.
- Bom... agora que eles estão lá, vamos dar uma voltinha.
- E vamos aonde? – Ele perguntou encostando-se no vão da porta.
- Qualquer lugar que não seja aquela sala. – E se aproximou do menino – Porque você não me leva pra tomar um cafezinho?
- Seu namorado não vai gostar disso. – Ele disse cínico.
- Ele não precisa saber e eu quero sair com você e pronto. – Ela disse e apertou a bochecha dele.
- Ok! Você quem sabe, e vamos dizer o quê a eles? “Estamos indo dar uma voltinha, porque deu na telha e vocês ficam aí sozinhos, ok?!” não vai colar, .
- Já sei...

Na sala de reunião...

- Notou que estamos sozinhos de novo? – Danny me despertou.
- É... Isso está se tornando cada vez mais freqüente. – Respondi.
- Acho que nossos amigos estão voltando a confiar em nós.
- Isso é bom não é? – Mas não fui respondida.
- Oi, gente. – Harry entrou na sala.
- O que está fazendo?
- , sua amiga acha que eu sou escravo dela, pediu que eu pegasse sua bolsa e levar até ela e a ajudasse a carregar algumas coisas até seu carro, posso com isso? – Ele me explicou.
- E você, cavalheiro como sempre, vai ajudá-la. – Brinquei.
- É... ela sabe ser manhosa quando quer. Bom me deixa ir, juízo crianças. – Disse e foi embora.
- Tá vendo? Como eu disse. – Danny falou assim que viu Harry fechar a porta.
- Coitado do Harry. faz dele gato e sapato.
- Ah, vê se ele reclama? Tô dizendo ele gosta dela. – Danny falou isso mesmo?
- E ela dele, os dois são amigos, po.
- Sei não... vamos continuar isso aqui? Afinal, parece que só a gente trabalha nesse negócio aqui! – E Danny disse.

Eu e Danny ficamos lá até tarde, ele me fazia rir o tempo inteiro e então demoramos para terminar aquilo. e Harry demoraram muito, e quando finalmente chegaram, estava exausta e queria ir logo pra casa, e foi o que fizemos, fomos pra casa e não levou muito tempo para dormirmos.

Capítulo 12

Era uma quinta-feira e não trabalhamos de manhã, estávamos de “folga”, porém após o almoço teríamos que ir até a gravadora que tinha tido uma idéia brilhante e queria falar com seus assistentes o mais rápido possível.
Chegando lá me acompanhou até a sala de reunião.
- Olá, pesso... – Ela não terminou. – Cadê todo mundo? Ninguém trabalha aqui, não?
- Oi pra você também. – Danny falou – Bom... Fletch foi resolver um assunto do Mcfly e carregou Tom com ele, Dougie disse que tinha que fazer... Não sei o que ele tinha que fazer, só que estava ocupado, e sobrou eu e o Harry. – E deu um largo sorriso.
- Ultimamente eu não tenho visto muito Tom e nem Dougie. – Eu falei e acabei me lembrando dos últimos dias, eles estavam meio distantes da gravadora, sempre tinham algo pra fazer, e até agora não tinha percebido esse estranho desaparecimento.
- É. Parece que andam sempre “ocupados” demais. – Danny me disse.
- Bom... quem não tem cão caça com gato, não é assim que dizem? – soltou.
- Obrigado pela gentileza. – Harry disse e deu um sinal positivo pra ela.
- Ah, é verdade, se não temos a banda completa, trabalhamos com vocês mesmos.
- Sim... O que vamos fazer hoje? – Perguntei empolgada.
- Bom... Não sei vocês, mas eu tô atolada em trabalho. – falou mostrando o montante de pastas e documentos em seus braços.
- E eu vou ter que resolver um problema que apareceu com a minha bateria com os engenheiros. – Harry disse.
- Legal. E a gente faz o que? – Perguntei. Pô, todo mundo tem coisa pra fazer. E eu? Fico sentada esperando?
- Olha eu não sei, só sei que vocês tem que fazer a bendita da música juntos e quero, assim, tipo, pra ontem, entendem? – falou.
- Tá, e o resto da banda? – Vez de Danny protestar. Até estava parecendo que nós não queríamos trabalhar.
- Ué, vocês estão aqui pra quê? Escreve os dois. – Ó, Harry, você está ajudando muito.
- Nós dois? Tá brincando? - Qual é, Danny, também não fiquei muito feliz, mas precisava expor assim?
- Qual é? Tá duvidando da minha capacidade?
- Não é isso... – ele tentou se justificar.
- Boa idéia, Harry. – “Boa idéia”, ? Pô, tu é ou não é minha amiga? – Vocês que se virem, não gosto de escrever, Harry tem coisas a fazer e restaram vocês dois, bom trabalho, babes.
Ela disse e caminhou até a porta e Harry a acompanhou, antes de saírem, eu pude notar que eles fizeram um “high Five” no ar. Não entendi e resolvi voltar a minha atenção no trabalho.

- Alguma idéia? – Perguntei, encarando Danny, se era pra fazer essa música então que fosse logo.
- Não e você?
- Nada, não acredito que nos deixaram sozinhos pra escrever essa música. – Falei mais pra mim, mas ele me ouviu.
- Não podemos fazer nada, e eu sei que você compõe várias músicas boas, como aquela que você nos mostrou com Tom ao piano. me contou. – Ah contou é? Mato ela.
- Eu gosto de escrever, e eu também sei que você compõe muito, talvez não seja tão ruim assim trabalhar com você. – Fui sincera.
- É... Mas eu não faço a mínima idéia de como começar e não sei como vai ser o arranjo. – Menino apressado.
- Hum... Primeiro a letra Jones, depois vemos os arranjos.
- Mas às vezes ajuda ter a batida da música, sabia?
- Eu sei, mas nesse caso, como não temos nada em mente, acho melhor preparar a letra, e depois achar algo que combine com ela.
- Como achar melhor, madame.
- E assim que tivemos ela pronta poderemos pedir ajuda a Tom com os arranjos, ele é maravilhoso com isso. – Falei me lembrando de como ele me ajudou na música que eu havia escrito.
- Ei, eu também sou bom com isso, ok?! – Ui, se ofendeu.
- E eu disse que não? – E ele pensou um pouco, quer dizer muito.
- Não.
- Ô demora. Eu só disse que Tom pode ajudar, não duvidei de você.
- Ah... Assim você fere meus sentimentos. – Como alguém pode ser tão dramático?
- Ai, desculpa por afetar o seu ego.
- Tá, idéias?
- Ô, garoto, qual foi à parte do “não tenho a mínima idéia” você não entendeu? – E levantei minhas sobrancelhas.
- Ui, desculpa por existir. – Abanou a mão, estilo gay.
- Você ouviu a , ela quer isso o mais rápido possível, temos que pensar em algo.
- Calma, não é assim. – Eu sei, Danny, você pensando é meio raro, eu sou uma mulher compreensiva, eu espero você decidir a começar a querer pensar.
- Então vai pensando aí. – Ele abaixou a cabeça e parecia concentrado em alguma coisa, mas não demorou muito pra ele começar a falar, já estava me conformando com essa idéia, ele não consegue ficar muito tempo quieto, é mais forte que ele.
- É... – Odeio quando começam assim. – Sabe... Aquela música, do piano e tal?
- Sim, o que tem ela? – Perguntei indiferente.
- Eu achei ela linda – Danny, você já disse isso, aonde quer chegar?
- Obrigada.
- Pois é... Eu queria saber uma coisa. – Coçou a nuca, ele fazia isso quando está nervoso. Peraí como que eu sei disso?
- Que coisa?
- Adam. Foi pra ele àquela música não foi? – Danny sempre bisbilhoteiro, mas ele sabia de minha história com meu marido, e por incrível que pareça ele percebeu o sentido da música.
- Demorou pra perceber, hein?! – Eu disse sorrindo.
- Não foi isso... É que eu não tinha como te perguntar isso, e achei que essa fosse a melhor ocasião.
- Hm... – Foi só o que saiu de minha boca.
- Então... é verdade? – Ô, não entendeu ainda?
- É, Danny. Foi pra ele sim. – falei soltando o ar.
- Você ainda está muito magoada não é? – Danny, Danny, sempre nessa vidinha de querer se intrometer onde não é chamado. Mas eu tinha falado pra mim mesma que não iria mais implicar com o menino. Agora agüenta.
- Um pouco, não é fácil, mas eu não quero falar disso, podemos mudar de assunto?
- Ah...Sim... Cla... Claro. – Problemas com gagueira, amor?
- Bom... Eu tenho algumas coisas escritas no meu caderno de anotações e acho que já tenho um refrão, você poderia fazer a introdução, o que acha?
- Você é rápida. – Não imagina o quanto.
- E então? – O olhei com cara de ”pensa logo, ô, pamonha.”
- Tá, mas como você sabe se vai dar certo, digo se vai combinar? – Sou profissional, pô.
- Deixa comigo, babes, eu sei o que eu estou fazendo. – Disse puxando meu colarinho.
- AI, eu sou toda poderosa, posso tudo, baby. – Ele disse com a mão no peito, piscando os olhos e imitando voz de pirua.
- Eu posso. – Caímos na gargalhada.
Decidimos por cima como seria a música, ele iria fazer a introdução como eu havia pedido. Nós conversamos um pouco e rimos muito, era inacreditável que toda aquela implicância do começo por parte de ambos era completamente uma bobagem, acho que foi apenas falta de compreensão e tolerância.
disse que eu estava me acostumando com o jeitão de Danny, e eu estava mesmo e acho que ele estava aprendendo a lidar com o meu gênio, assim nos acertando um pouco, mas era obvio que uma vez ou outra algumas farpas eram trocadas, nada demais.
Fui pra casa de táxi, , como ela havia dito, estava “atolada” em trabalho, e eu já tinha conversado com Danny e estava tudo certo.

There's something ‘bout you… That's like the sun, you warm up my heart when I come undone. “Gostei disso, não sei porquê, mas gostei”, pensei. Estava sentada na sala com meu caderno de anotações de um lado e um copo de coca do outro. Eu estava de banho tomado e estava sem fome, sentei em frente à televisão, mas nada de bom passava, então decidi dar algumas olhadas no que eu já havia escrito e achei essa estrofe, e quem sabe não combinaria com a música que eu e Danny estávamos começando a escrever? Passei um tempo tentando achar mais coisas que pudessem fazer parte da canção. Eu fazia assim, quando vinha alguma frase, estrofe, qualquer coisa, anotava, poderia servir pra alguma coisa posteriormente. demorou a chegar, deveria estar trabalhando muito por causa da gravação, então não demoramos para cada uma ir até seu quarto e descansar um pouco.

Passou sexta-feira tranqüila e chegou o tão esperado final de semana, eu não tinha muitos planos pra ele, mas de uma coisa eu sabia: eu ia descansar muito. Esse mês e alguns dias que passei em Londres me serviram muito bem, estava precisando de algo pra me distrair e nada melhor que um pouco de trabalho. Só não imaginava que ia pegar pesado comigo, ela fazia eu me envolver em cada detalhe e ela não fazia isso só comigo não, com os meninos do Mcfly também, não que eu estivesse reclamando, nada disso, eu até gostava de estar ciente de tudo que iria acontecer, e havia pedido isso a ela, mas foram dias e mais dias de puro trabalho.
Acordamos tarde no sábado, estávamos ainda sonolentas até que recebe uma ligação de seu digníssimo namorado, convidando-a para passar o final de semana com ele em alguma cidade aos redores de Londres, e lógico que ela aceitou na hora sem nem pensar direito no que ele acabara de pedir. E então após uma conversa de como seria o “programa a dois” deles e discutir tudo, ela lembrou que alguém ainda morava com ela. Ela ainda tinha uma amiga que veio a Inglaterra a pedido dela, que não fazia a menor idéia do que fazer quando estava sozinha. Eu. Mas como eu sou uma pessoa muito amável, compreensiva, disse a ela que não tinha problema algum dela ir, afinal, ela precisava curtir seu namorado enquanto ele estava lá, e eu sabia me virar muito bem sozinha, obrigada. Ela relutou um pouco, disse que não era justo ela ir e eu ficar sem fazer nada, disse que não iria mais, e eu tentei de todas as formas convencê-la de que estava tudo bem e então ela me vem com a “brilhante” idéia de me levar junto. Eu? Segurando vela? Pra eles? Corta essa. Eu não iria de jeito nenhum. Imagina melar com o programinha romântico deles? Eu não faria isso nem amarrada.
E finalmente eu convenci de que ela deveria ir, que eu iria passar os dois dias dormindo, não que essa idéia realmente não tivesse passado pela minha cabeça, mas eu precisava tranqüilizá-la. Ela arrumou suas coisas em uma pequena mala e esperou Jensen chegar para pegá-la. O pior foi quando ele chegou, parecia uma despedida de verdade, sabe aquela que uma pessoa vai e não sabe se volta? Igual. Tirando a choradeira, ela só estava apreensiva em me deixar lá e parecia minha mãe, me dando instruções e mandando eu me comportar. Às vezes parecia como uma irmã mais velha pra mim, mesmo ela sendo um ano mais nova. Ela sempre se preocupou comigo, e apesar dela ser meio pirada, era muito responsável e cuidava de mim e eu era muito grata a ela por isso.
Fiquei imaginando como seria quando eu fosse voltar a Los Angeles, de como seria a despedida, a choradeira no aeroporto, e no que me disse dias atrás: “Não sei o que vai ser da gente quando você for embora” e lembrei que ela se referia a ela e aos garotos, e Danny. Ele ultimamente tem se mostrado uma boa pessoa totalmente avesso ao que eu pensava no inicio. Livrei-me desse pensamento se não ia começar a chorar antes da hora e isso era o que eu mesmo queria. Quando foi rumo à sua pequena viagem, eu não sabia o que fazer, o apartamento estava todo em ordem, não poderia fazer uma faxina. Sim, eu estava tão entediada a ponto de querer fazer uma limpeza geral, mas quando entro em meu quarto, vejo que essa era uma peça do apê que estava toda desarrumada. Por que será? Como eu não tinha coisa melhor a fazer fui arrumar meu guarda–roupa, que estava um rebuliço só. Ele arrumado, segui para meu banheiro que tinha todos os meus produtos de maquiagem, cremes, jóias, roupa, toalhas espalhados por todo lado. Demorei um pouco até meu quarto ficar mais organizado e apresentável, quando me dei conta, já tinha passado da hora do almoço.
Aquele sábado não teve nada demais, escrevi um pouco, vi alguns filmes. E eu estava com preguiça de preparar algo pra comer, então fui pro lado mais prático da coisa, pedi uma pizza. E cochilei no sofá mesmo, só depois no meio da madrugada fui pro meu aposento.

Capítulo 13

Acordei no domingo e... surpresa! Era um dia lindo, ensolarado, claro que o friozinho ainda permanecia, mas estava magnífico. Estava disposta, queria sair de casa, então me arrumei logo, algo simples. Jeans claro, uma blusa básica, e um casaco quente.
Fui para um restaurante perto do shopping, diziam que a comida lá era fantástica, me sentei e logo um garçom, muito novinho por sinal, apareceu com o cardápio. Fiz meu pedido e fiquei observando lugar, seus detalhes, as pessoas, era um ambiente muito agradável. Senti meu celular vibrar e estranhei o nome que vi no visor.
- Fala dude.
- ? É o Harry. - Disse com sua voz rouca.
- Eu sei que é, aconteceu alguma coisa? – Não era todo dia que Harry Judd me liga a essa hora do dia, principalmente em pleno domingo.
- Não, nada. Só queria saber se a está com você. Eu tentei a casa dela e o celular dela ninguém atende. - Que diabos ele quer com ela agora?
- Não. Ela foi viajar.
- Viajar? Pra onde? – Ih acho que falei demais.
- Não sei muito bem, aliás, nem ela. – Soltei uma risadinha.
- Ela foi a trabalho? - Ô, menino, cê ta achando que eu tenho cara de que?
- Não, Hazz, ela... foi... é... Jensenconvidouelaprairviajarcomele. – Eu sabia que ele não ia gostar.
- O que? Fala devagar.
­- Jensen. – Ouvi um ele bufar no outro lado da linha. – Ele a levou pra viajar, é isso.
- Ele? E ela aceitou? Ok! – Ui, senti que não gostou nem um pouco disso.
- Por quê? Não pode ser comigo? – É verdade, eu não sirvo, não?
- Não deixa, , não era importante.
- Quer deixar recado? Acho que depois ela vai ligar pra mim. – Tentei contornar a história.
- Esquece, tá!?
- Tem certeza?
- Tenho sim, obrigado, ! Beijo. - E desligou, acho que Harry não vai muito com a cara do namorado de e agora essa?
Terminei meu almoço, vale lembrar que estava ótimo, paguei e fui esperar a boa vontade de um taxista parar pra mim. Fui para o shopping olhar as vitrines, pessoas, tomar um milkshake, fazer algumas comprinhas.
diva, fui pra casa.

Passava das nove da noite quando chegou em casa, com um sorriso de orelha a orelha e com mais uma pequena mala. Não entendi.
- Olá! – Ela me cumprimentou animada.
- Oi, por que essa mala?
- Fiz compras. – E sorriu que nem uma criança que fez arte.
- Ah, claro. Como foi?
- Ma-ra-vi-lho-so!
- Ah é? Então quero saber de tudo. – Pelo visto tinha mesmo, ela estava radiante e eu curiosa como sempre.
- Ah... Ele foi um fofo, me encheu de presentes... Babes, você tinha que ter visto o hotel que ele fez as reservas, você não faz idéia de como era lindo, nós jantamos em um lugar extremamente belíssimo, com uma vista incrível.
- Hm... que romântico. – Eu disse e ela se sentou no sofá e bateu ao seu lado pra mim sentar. - Algo que eu precise saber? – Na verdade, eu queria saber o porquê dele ter feito esse convite a ela, vai que era um pedido?
- Não. Eu acho.
- Ele não te pediu nada? – Olhei, esperando uma resposta e o que eu recebi foi uma careta de quem não estar entendo absolutamente nada.
- Ah... sim. – ô, finalmente. – Ele pediu que eu desligasse o celular, era sua única exigência. – E sorriu, às vezes eu acho que ela faz isso de propósito só pra me irritar.
- ! – A olhei com cara feia.
- !
- Ele não te pediu em... casamento, noivado, ou algo do gênero? – Acho que teria que desenhar pra ela.
- Ah... Isso? Por que acha que ele faria isso?
- , meu amor, viagem romântica, jantar, tudo indica que ele deveria, não é? – Eu sabia que eles namoravam há algum tempo e pareciam se dar bem, então...
- Ah... Ele falou alguma coisa assim, se eu não me engano. – Como ela podia ser tão desligada?
- E você?
- Eu o quê, criatura?
- O que você falou quando ele falou isso? – Por que parece que só eu estou me importando com esse assunto?
- Nada.
-NADA? Você não falou nada? Como assim, ? – Eu não ouvi aquilo.
- Você queria que eu dissesse o que? – Ela me olhou assustada.
- Não sei. Sim, talvez?
- , ele não me pediu em casamento, só falou que pensava nisso, e que talvez eu seja a garota, sabe? – Meu Deus, ela nunca levava a sério esse assunto, nunca aprendeu. O garoto todo atencioso, em um momento romântico fala isso e ela? Nada. Não fala nada.
- Tá, então me responda o que você falou exatamente a ele?
- Nada, já te respondi. – Eu a olhei incrédula.
- , como você pode?
- O quê ?
- É de sua vida amorosa, de um futuro marido, que estamos falando e você não dá à mínima, você não acha que está na hora de começar a pensar nisso? – Alguém tinha que colocar isso na cabecinha dela, nem que seja na marra.
- Vida amorosa? Marido? Tá de brincadeira? – Ela falou e eu a olhei com raiva nos olhos e ela percebeu e logo se explicou. – Ok! Eu disse que gostava dele também. Satisfeita?
- Não. Só isso?
- É. Só isso, queria o que? Sabe que eu não sou assim, toda romântica, e eu acho cedo pra casar. – E disse a última palavra com nojo.
- Mas tem que pensar nisso, quer ficar solteirona?
- Qual o problema? Sou uma mulher moderna. – Eu sei que ela era.
- E vai ficar sozinha, gostou? Não, então passe a pensar nessa possibilidade, babe. – Ela me olhou pensativa.
- Urgh. Ok! Agora chega disso, me conte o que você fez. – Fugiu do assunto é, amor?
- Nada demais, arrumei meu quarto. Que foi? Não me olha com essa cara. Almocei naquele restaurante que abriu agora, era divino, fui ao shopping, fiz compras, essas coisas.
- Hm... Então está tudo bem. – Abriu um sorriso.
- Está... Ah, Harry ligou.
- Ligou? – Notei que ela ficou surpresa.
- É quando eu estava no restaurante. - Hm... E o que ele queria com você? – Ciúmes, baby?
- Nada, ele queria falar com você.
- Comigo? – Ela arqueou uma sobrancelha.
- É ele disse que não conseguia falar com você e queria saber se você estava comigo. – Ela pensou um pouco e arregalou os olhos.
- O QUE VOCÊ DISSE?
- Que estava viajando, fiz mal? – Ela me olhava de um jeito.
- Não. Cê disse com quem eu estava? – Ih acho que não devia ter falado né?
- Falei, disse que Jensen havia te convidado pra uma pequena viagem. Por quê?
- Puta merda. – Ela colocou a mão a testa, pegou seu celular na bolsa, o ligou e me olhou novamente.
- O que houve?
- Me lasquei, ferrou. – Fechou os olhos com força.
- Quer fazer o favor de me explicar, caramba? – Ah, eu me irritei.
- Eu havia combinado de almoçar com ele no domingo, nós tínhamos que falar sobre... sobre alguns assuntos. – Ela não quer me falar o que era ou é impressão minha?
- E daí?
- E daí que eu esqueci. – É uma tonta, né?!
- Você não avisou ao menino que ia viajar? – Ela me olhou pedindo socorro.
- Não. – Disse baixinho.
- É, amiga... Cê tá ralada.
- Obrigada, , ajudou bastante. – Ela disse, levantando o polegar em sinal de positivo.
- , eu não acredito que você fez isso com o Harry. Poxa, ele é seu amigo, faz tudo que você pede, sempre está lá, e olha o que fez! – Verdade, eles eram muito próximos, próximos até demais, viviam juntos, ela se deu bem com ele desde o começo, como ela me disse uma vez.
- Eu sei. Mas quando o Jensen me convidou, eu esqueci de tudo, eu só não quero que Harry fique bravo comigo.
- Então faz alguma coisa.
- CLARO! Ligo pra ele, digo que me esqueci completamente dele, porque o meu lindo namorado queria fazer uma viagem a dois, e ainda me pediu pra desligar o celular pra podermos ficar em paz. Ele vai querer me bater, .
- É uma idéia! Essa é a verdade, não é? Liga pra ele. Anda. – Entreguei o telefone a ela.
- Ok!
Ela discou o número rapidamente, pelo visto já havia decorado, esperou um pouco e começou a chamar, e ela fez sinal para que eu chegasse mais perto.
- Aqui é o Harry, você já sabe o que fazer. Bip.
- Harry? É a , me atende, por favor, nós precisamos conversar... Por favor, beijo.
- Viu, ? Ele não quer me atender, deve estar furioso pelo bolo que eu dei. – Ela estava muito abatida.
- Vai ver ele está no banho! – Notei ela me olhar séria. – Ou não.
- Vou ficar tentando, uma hora ele vai ter que me atender.
E discou de novo. Eu fui a cozinha pegar um copo de água, mas ainda dava pra ouvir as tentativas dela de fazê-lo atender.
- Harry, me escuta, eu não fiz por mal, deixa de bobeira e me atenda. Eu não vou te deixar em paz até você resolver me ouvir, nós somos amigos, não é? Beijo. – Ela desligou de novo.
- E aí? Algum progresso? – Perguntei me sentando ao seu lado. - Nenhum, amiga, ele não vai me ouvir – ela disse chorona – já é o terceiro recado que eu deixo.
- Por que você está desse jeito? – Era estranho vê-la naquele estado.
- Por quê?! Não é obvio? Ele é meu amigo e eu o deixei na mão.
- Tem certeza que é só isso? – Ela não tinha me convencido.
- Claro! O que mais seria? – Se irritou, foi?
- Não sei.
- Ah... vê se não me amola, eu vou tentar de novo.
- Tá.
- HARRY, me atende! Caramba, por favor.
- Amiga desse jeito não funciona. – Ela nem me olhou. – Você vai tentar de novo?
- Vou.
- HARRY! ATENDE ESSA PORRA DE UMA VEZ! – Ela se alterou.
- Desiste, amiga, não vai dar certo, vem. – A puxei pelas as mãos e notei-a com os seus olhos cheios de lágrimas. – Vamos dormir, amanhã teremos um dia cheio e não fica assim. – Eu a abracei e a levei até seu quarto, conversamos mais um pouco, esperei ela pegar no sono e acabei dormindo em seu quarto.

Capítulo 14

não se conformava com o pequeno afastamento de Harry. Sim, eles não conversaram um minuto sequer sobre aquela ocasião. Ela estava muito triste com isso e Harry não falava direito com ela, apenas quando era extremamente necessário. Bem que ela tentou falar com ele, mas ele não quis e é muito orgulhosa, então deixou assim mesmo.
Passou alguns dias e eu não tinha muito trabalho, a minha parte estava quase toda pronta, os meninos a mesma coisa, apenas ensaiávamos um pouco e tivemos que dar algumas entrevistas a alguns jornais, nada demais, somente para divulgar o evento que estava perto de acontecer, mas antes disso outras coisas tinham que ser feitas. estava trabalhando feito uma “cavala”, era essa a expressão que ela utilizava pra definir como estava sua vida ultimamente, a gravação estava chegando e ela estava muito nervosa e ansiosa. Jensen, seu namorado, havia voltado para o Canadá após sua viajem no final de semana e prometeu a ela que voltaria em breve, era coisa de alguns dias. Ela ficou um pouco aliviada com isso, assim teria mais tempo pra se dedicar ao projeto e a gravação do clipe que eu e os meninos faríamos.

O grande dia chegou, era uma quinta-feira, a gravação iria durar no máximo dois dias, afinal, seria uma música minha e outra com o Mcfly, algumas imagens nossas juntos e queria que aquilo saísse perfeito, então só sairíamos de lá quando estivesse do jeito que ela queria, caso contrário, ela iria dar um pequeno surto psicótico, arrancaria a cabeça de cada um com suas próprias mãos e jogaria nossos restos mortais em algum rio congelante de Londres, e assim ela ficaria mais calma. Exagerei? É da que estamos falando? É? Então está tudo certo.
Acordamos bem cedo, praticamente caímos da cama, e estava com a cara de quem não havia dormido a noite inteira.
- Bom dia! – Falei ao vê-la na cozinha ainda de camisola.
- Oi.
- A sua animação é o que me incentiva. – Falei cínica.
- ! Não começa.
- Não dormiu? – Não precisava de respostas, a conhecia o suficiente pra saber que não, mas eu adorava irritá-la.
- Não. Fiquei revisando cada detalhe.
- Bom... Então vamos nos arrumar? Não temos muito tempo pra isso e eu sei o quanto você demora.
- Ei! Falou a expert em se arrumar rápido, né?! – O humor dela pela manhã era um dos melhores. Tenho pena de quem se casar com ela e acordar ao seu lado todos os dias, o cara tem que amá-la muito, se não vai dar no pé rapidinho.
Nos arrumamos sem muita produção, eu teria que trocar de roupa mesmo, e ela trabalharia o dia inteiro tinha que estar confortável. Calça jeans escura, blusa básica, casaquinho de linho e sapatilha, estávamos quase iguais, só mudava o jogo de cores.
Seguimos rápido para a gravadora, passamos na tão abençoada Starbucks, pegamos nossos cafés de sempre, com muito creme e fomos rumo ao nosso trabalho que não seria nada fácil.

- Bom dia! – Eles disseram em coro quando chegamos à sala, todos estavam lá e até mesmo alguns que eu nunca tinha visto.
- Ah... Oi. – Como ela era simpática. não estava muito boa da cara hoje.
- Olá. – Eu fiz minha parte e tentar apagar a imagem ruim que ele tinha acabado de deixar naquela sala.
- Prontas para trabalhar muito hoje, meninas? – Obrigada pelo meninas, Fletch. Mas acho que você não notou a cara de ”se alguém fizer alguma gracinha pra cima de mim, apanha” da .
- Muito incentivador, Fletch. – Opa! Acho que mais alguém nessa sala não dormiu muito bem. Ah... Harry.
- Se virem. Vão até no andar de baixo que separamos uma sala pra virar um camarim improvisado pra vocês. – começou cedo com a sua autoridade. – Lá vocês encontrarão os maquiadores, cabeleireiros e tudo que precisarem. Ah, mais uma coisa, se vocês quiserem algo, ou falar comigo, peçam a ela. – E apontou para uma garota desajeitada na ponta da sala.
- Quem é ela? – Perguntei curiosa.
- Seu nome é Megan, tudo que precisarem ela os ajudará, vou descer até o nosso estúdio, que fizemos no andar térreo, verificar como está e assim que estiverem prontos, nós começaremos. Alguma pergunta? – Nem parecia a que era minha amiga, quando ela trabalhava se tornava o mais profissional possível.
- Não.
- Nada.
- Não.
- Nada, amorzinho – Danny gostava de correr riscos, mas recebeu um sorriso dela, bom sinal, não estava tão estressada assim. O único que não respondeu foi Harry, ele apenas negou com a cabeça e ela o olhou por um instante com uma feição indecifrável e foi embora.
- Ela gosta de mandar né?!
- Ela adora isso, Danny – Respondi.
- Bom... vamos nos arrumar então? Quero ver como vai ser. – Tom disse animado.
- E eu quero ver meus figurinos, babes. – Dougie disse piscando os seus lindos olhos azuis.
E fomos até onde disse que eram nossos “camarins”. Chegando lá dou de cara com uma sala enorme toda equipada. está brincando em serviço não”, pensei. Era divida em duas partes, provavelmente a minha e a deles. Nossos figurinos estavam devidamente separados nas araras, havia um grande espelho logo acima de uma bancada que ficava toda a parafernália que um salão tinha. Mas só tinha um banheiro, como ela disse, aquilo tudo tinha sido improvisado, mas estava tudo ótimo. Sentei em uma cadeira e logo um cabeleireiro veio ao meu encontro e começou a arrumar meu cabelo.
Do outro lado ouviam-se risadas, e claro que a mais alta era a de Danny, eles deveria estar se divertindo com tudo aquilo, de certo estavam fazendo piadinhas uns com os outros, afinal, todos lá fariam barba, cabelo e bigode, tudo que tinham direito.
Eu usava uma roupa de couro apertada preta, um espartilho com detalhes em tachinhas vinha por cima de minha roupa, meus cabelos estavam soltos, mas de uma forma muito volumosa, minha maquiagem era forte, marcava muito meus olhos, me olhei no espelho e gostei do via, eles eram divinamente perfeitos.
Fui até o outro lado do camarim e encontrei Danny sentado ainda na cadeira se arrumando, Harry e Dougie estavam comendo alguns dos quitutes que tinha providenciado pra nós, passei meus olhos pela sala novamente e encontrei Tom conversando com o estilista sobre qual seria sua roupa.
Voltei para meu “espaço” e pedi a Megan que fosse chamar pra mim. Essa menina era muito tímida, mas era ágil, me ajudou com a roupa e os meninos, na outra parte, a se arrumarem.

- Tá, eu já to indo, te acalma, eu disse que já vou, criatura! – discutia com alguém na porta.
- Problemas?
- Muitos. Isso aqui tá uma loucura. – Ela disse sentando em uma cadeira, encostando sua cabeça nela e fechando os olhos.
- Eu já estou pronta, você nem notou. – Fiz manha e ela me olhou dos pés à cabeça.
- Oh, babes... desculpa. Você está linda! Se fosse homem, te pegava, mas ainda bem que Deus me deu a graça de nascer mulher. – Caímos na gargalhada.
- Posso saber por que as moças estão rindo? – Tom apareceu na nossa frente.
- Oh My God! Você está... está um deus grego – se empolgou ao vê-lo, também pudera, ele vestia calça social preta, uma blusa branca, gravata de cor pérola e terno preto fechado. Ah, e um óculos escuros que dava todo um charme.
- Isso é bom? – , sua malvada, assustou o menino.
- É claro que é, você está lindo, Tom. – Eu disse, realmente ele está uma coisa!
- Ei! E nós? – Os outros três apareceram. Todos estavam parecidos. Dougie estava praticamente idêntico ao Tom, mudava a cor da gravata para preta de cetim, que combinava com a aba de seu terno que era do mesmo material. Harry estava um pouco diferente, ao invés da camisa branca, a sua era toda preta de risca de giz, sem gravata e terno totalmente aberto. Danny por sua vez estava todo de preto, calça, blusa, gravata e terno fechado tudo na cor preta. Estavam... magníficos, posso dizer que nunca havia visto aqueles quatro tão bem arrumados e bonitos como naquele dia.
- Me abana! Jesus, dai-me juízo, porque se me der força, agarro eles. – falava enquanto se abanava. – Vocês estão LINDOS!
- Ui, eu não me importo. – Danny soltou. Engraçadinho ele, né!?
- Nem eu. – Dougie, você não perde uma, não é?
- Chega de troca desses olhares pecaminosos de vocês e vamos trabalhar.
- Que foi? Se você quiser me agarrar eu deixo. – Ah tá, Danny tem cada idéia.
- Aliás, você está um arraso. – Dougie falou, me olhando de cima a baixo.
- Obrigada e não, Danny, estou bem aqui. Vamos?
- Isso, temos muito a fazer hoje. E algumas instruções. – disse voltando ao seu estado de seriedade total.
- Instruções? Quais? – Alguém perguntou. Harry? Ele falou com ela? OMG!
- Lá... lá embaixo... eu explico. – Ela falou insegura e olhando o menino sem entender nada. Fazia muito tempo que eles não se falavam direito e quase nunca dirigiam a palavra um ao outro.
Fomos até o estúdio, que de improvisado pra mim não tinha nada, era um lugar que eu nunca tinha ido antes, e eu to começando a achar que eu ia quase todos os dias lá, mas não conhecia absolutamente nada daquele lugar. Era enorme, muito grande, em uma parede havia um grande painel branco e alguns equipamentos voltados a ele. Em outra havia um do mesmo tamanho, só que era preto e também tinha muitos equipamentos daquele lado. Pude ver as guitarras e um baixo em um canto cuidadosamente encostados e a bateria de Harry quase montada, pelo visto teriam algumas mudanças no meio do clipe.
- Bom... Aqui não vai ser o único lugar que gravaremos, terão outras locações, em uma casa, pra falar a verdade. – começou. – Começaremos com as damas, se não se importam.
- De jeito nenhum. – Tom falou prontamente.
- Ok! Mas eu vou fazer o que exatamente? – Olhei pra que mexia em alguns papéis.
- Hm? Ah... você? Sei lá.
- Como assim sei lá? Você que é a produtora aqui mocinha – Ralhei com ela.
- E você a diva, meu amor. – Cínica! – Você vai pra frente daquele telão branco, e vai mexer seu lindo corpinho para aquelas câmeras ali – e apontou-as pra mim – dublando a Work, como havíamos decidido antes. Eu vou estar logo ali atrás, vendo como vai ficar a fotografia do vídeo.
- E nós? Ficamos olhando? – Danny a cutucou no ombro dizendo isso. Já disse que ela odeia isso? Não. Ela odeia.
- Sei que não é uma imagem ruim de olhar, Danny, e não me cutucar, garoto. – E em um movimento rápido tirou a mão dele de seu ombro.
- Vamos começar? – Um homem de meia idade e cabelos grisalhos falou puxando com ele.
- ! Você se posiciona, por favor? – Ela disse de longe, pois estava sentada em uma daquelas cadeiras de diretor de cinema. Chique minha amiga, hein?!
Fui até lá e confesso que estava nervosa, todos estavam me olhando e eu não fazia idéia do que fazer quando a música começasse.
- , pode vir até aqui? – Eu pedi e ela se levantou e veio em minha direção.
- Tá com dor de barriga? – Ela me perguntou sussurrando.
- Não. Eu só não sei o que fazer.
- Ah, ! Você já fez isso milhões de vezes e já trabalhamos juntas antes, qual o problema dessa vez?
- Não tinha tantas pessoas no recinto. – Na verdade, nunca teve um Danny Jones me olhando sem desviar ou disfarçar um instante.
- Ok! Faz assim, quando eu dizer pra música começar, você vai estar sentada e fica olhando apenas para a câmera e eu sei como fazê-la pegar seu rosto da maneira que eu quero, pisca lentamente algumas vezes, sei lá, quando der aquela primeira batida você levanta a perna e faz alguns movimentos com os braços juntamente com as pernas, dá o seu show amiga, você que é a estrela aqui.
- Ah... Pra você é fácil falar.
- Ei! Meu trabalho não é simples, babes. – E me segurou nos ombros. – Te controla, quando o playback começar você dubla, e aí eu digo o que fazer.
- Tá. Eu acho – Eu fiz uma careta pra ela e ela deu um beijo em minha testa, abriu um sorriso e eu pude ler em seus lábios ela dizer Vai ficar tudo bem, e assim eu me senti melhor. Não sei por que, mas tirei coragem e me coloquei no local designado pra mim.
- Ok! Luzes, câmeras e playback. – Pô, , tinha que estragar? Cadê o ação?
O local ficou praticamente escuro e um jogo de luzes se voltou a minha pessoa, no começo a música era lenta e fiz como me pediu, e quando a primeira batida apareceu eu fiz uma cara... sexy. Sim, eu sabia ser quando eu queria, não costumava usar aquela cara normalmente, isso era com a , desde que a conheço ela faz isso sem nem perceber, já eu, era mais... meiga, se é que assim posso dizer, essas caras e bocas só no palco mesmo.
Dublei minha própria voz e de repente...
- Corta!
- Fiz alguma coisa de errado? – Eu perguntei a ela.
- Não. Você está perfeita. Mas acho que precisamos de um macho por aqui. – Porque eu não gostei da cara que ela fez?
- ?
- Fica quieta. – Se virou e caminhou até onde os meninos estavam. Vi eles conversarem alguma coisa, ela apontar o dedo indicador pra cada um. E depois de alguns minutos ela veio até mim. Parecia cena de filme, ela na frente, cabelos esvoaçantes, a cara de safada de sempre, no bom sentido, claro, e quatro rapazes vestidos pra matar qualquer uma, logo atrás dela e para melhorar, cada um estava usando óculos escuros, eu tive que fechar a minha boca antes que eu começasse a babar.
- , meu anjo. – Lá vem ela com essa carinha. – Trouxe quatro rapazes que achei por aí dando sopa e decidi que eles vão dar uma aparecida rápida com você.
- Somos do seu tipo, madame? – Dougie, querido, vestidos assim não da pra dizer que não.
- Mas é claro que é – Entrei na brincadeira.
- Ok! Deixem essas caras para o vídeo. – disse e mais uma vez foi surpreendida.
- E você quer que a gente faça que exatamente? – Harry perguntou.
- Que dêem em cima dela. – Ela disse o olhando nos olhos. – E vocês só vão me ouvir dizer isso só uma vez, então ao trabalho. Ah... mais uma coisa. , não dê bola pra eles, e vocês – ela apontou pra eles – insistam e façam a melhor cara de cafajestes que vocês souberem.
- Música! – Ela berrou. E novamente tudo se apagou e as luzes se voltaram agora pra nós. Eu estava muito bem, quatro homens correndo atrás de mim, eu estava sim. Mas estava muito engraçado. Eu tentava fazer algumas caras sérias e sexys, mas ter ao seu lado Danny, Tom, Dougie e Harry tentando chamar a sua atenção não dava pra ser tão sério assim. Caí na risada algumas vezes e teve que parar para eu me acalmar dos meus ataques de risos.
- Dá pra parar? Nós já estamos há 2 horas nisso e vocês não param de fazer a coitada parar de rir! – já estava perdendo a paciência com eles.
- Okay, nós vamos tentar fazer direitinho dessa vez. – Tom se pronunciou.
- Tentar não! Vocês VÃO fazer. – o olhou, querendo-o fuzilar.
Fizemos pela 80ª vez no dia... E por incrível que pareça, saiu tudo como queria. Não precisamos parar nenhuma vez e o resultado ficou incrível. Eu consegui fazer minhas caras super sexys (uhul). Os meninos estavam brilhantes, até pareciam atores de verdade. Se bem que eles têm experiência com cinema e eu não. Ainda.
Era hora dos meninos entrarem em cena e gravarem seu clipe pro projeto.
Foi impressionante a rapidez na troca de cenário. Agora eu podia ver um palco, com todos os instrumentos dos guys, uma mesa típica de bar e sim, eu exigi que eu participasse do clipe deles também, já que os queridos participaram do meu. Seria como se eu fosse a única pessoa no bar os ouvindo. A música a ser tocada foi decidida em poucos minutos em uma pequena reunião que eles fizeram e eu tentei me infiltrar, mas eles me expulsaram do camarim, alegando que seria uma surpresa.
Já estavam todos posicionados, os meninos estavam “na rua”, enquanto eu me posicionava em uma das mesas que ficava em frente ao palco. Eu troquei de roupa, vesti um vestido branco, era simples, mas muito delicado e bonito. Fizeram em 5 minutos uma maquiagem leve, quase natural, completamente o oposto do que eu usava no meu clipe. Eu estava lá, sentada, quando ouvi que começariam a gravar.
- Luz, câmeras, playback? – perguntou.
- Está no ponto! – Ouvi alguém da equipe dizer.
- Ação! – Eu aposto como ela adorava falar isso.
A porta do “bar” se abriu e pude notar Danny, Tom, Harry e Dougie entrando, todos vestidos de um jeito diferente. Danny usava um smoking preto, uma camisa branca e uma gravata fina preta. (Do jeito que ele usou no photoshoot do Celebrity Master Classes, sabe?) Harry estava com uma camisa preta, com as mangas pra cima e um jeans escuro, já Tom estava vestindo uma camisa azul clara e um jeans também escuro. Dougie, por sua vez, estava perfeito com uma básica branca e um jeans mais largo que os outros, porém da mesma tonalidade. Subiram no palco e eu não sei se estava ou não no script, Danny me olhou tão profundamente e eu soltei um suspiro. Pude ouvir as primeiras notas começando e logo reconheci a música: The Way You Make Me Feel. Danny começou a cantar aquela música e ficou olhando pra mim o tempo todo. Eu sentia que não estava respirando. Mas o que será que está acontecendo comigo? Ele antes não passava de um zero à esquerda pra mim e agora está provocando esse tipo de sentimentos? “Logo o Tom começa a cantar e vai ficar melhor aqui dentro”, pensei. Pude ouvir Tom puxando o ar e soltar suas primeiras palavras na música e eu estava redondamente enganada. Danny não tirava os olhos de mim e eu não conseguia tirar os meus dele também. Parecia que estávamos em constante ligação e que nada e nem ninguém nesse mundo poderia quebrar essa conexão. Eu prestava atenção em qualquer e mínimo movimento que Daniel fazia, e isso me deixava divinamente bem. Eu notara desde as suas soltadas de ar depois de qualquer verso cantado até seu dedo indicador, que persistia em ficar apontado pra mim.
- FICOU PERFEITO! – Despertei do meu transe com pulando em meu pescoço feliz da vida.
- Ahn? O quê? – Eu disse.
- Acorda, ! Esse foi um dos melhores clipes que eu já dirigi! Eu não precisei parar vez alguma e vocês botaram muito sentimento. Eu podia ver o que vocês estavam sentindo, somente em olhar pra vocês! Ai, isso alegrou meu dia 100%. - Boa, , você alegrou sua amiga sem fazer esforços.
- Que bom que você gostou, . – Espera aí. Harry dirigindo a palavra à segunda vez no dia? Wow.
- Er... gostei não, amei! Ficou perfeito, lindo e maravilhoso – corou.
- Precisamos fazer alguma coisa pra comemorar! - Dougie disse radiante.
- É... ou bebemorar! - Danny cachaceiro sugeriu.
- Que tal se nós fossemos aquele pub novo que abriu? - Eu, muito esperta, sugeri.
- Boa, ! - falou me dando um high five.
- Então estamos combinados? - Tom perguntou.
- Combinadíssimos! - Dougie disse esfregando as mãos umas nas outras. Acho que quando ele fica empolgado, faz isso involuntariamente.
Cada um dirigiu-se para suas respectivas casas e obviamente, eu e fizemos o mesmo.

Capítulo 15

Como havíamos combinado durante as gravações, nós iríamos reservar a área vip de um pub muito conhecido e badalado de Londres para comemorarmos o sucesso que foi o termino do vídeo clipe que eu e os meninos do Mcfly fizemos supervisionados por .
Foram dois dias cansativos, afinal, gravávamos durante o dia todo, só parando pra podermos comer algo e logo voltar ao trabalho. Harry e pareciam estar se entendo de novo, o garoto estava falando com ela normalmente e ela estava visivelmente contente com isso. Não estava a mesma amizade de antes, mas já era um avanço e eu fico muito feliz, sei que aqueles dois tinham uma amizade incrível, e era bobagem se afastarem assim.
O engraçado era que eu e Danny, que vivíamos nos atracando no começo e não suportávamos um ao outro, agora estávamos nos dando super bem, e todos estavam notando essa nossa aproximação, era estranho, mas eu até que estava me acostumando. Lidar com o Jones não é uma tarefa fácil, mas eu estava aprendendo direitinho e ele a lidar com o meu jeito. Já Harry e , que eram amigos antes mesmo desse projeto - sim, ela os conhecia bem antes de tudo isso - e não se desgrudavam, agora mal olhavam para a cara um do outro. E por quê? Pela falta de atenção da parte dela e ele ser orgulhoso a ponto de não querer ouvi-la. Pelo menos essa gravação serviu para eles meio que se aproximarem na marra.

Sábado chegou e com ele o namorado de . Ele estava de volta a nossa querida Londres, não preciso dizer que ela ficou toda boba, não é? Pois então, acordamos muito tarde, estávamos tão cansadas das benditas gravações, que não queríamos nem nos levantar de nossas camas, então decidimos ficar por lá mesmo.
Pedimos o nosso almoço, pois nem eu e nem ela estávamos com vontade de cozinhar, comer, lavar a louça, e fomos ver alguma coisa que passava na televisão. Eu estava adorando passar aquele período na Inglaterra, junto a pessoas que eu já gostava e outras que eu fui apreendendo com o tempo. Ficar na casa de foi a melhor decisão, lá eu não me sentia sozinha, ela sempre estava lá, nem que seja pra me perturbar, e eu sei o quanto ela adorava fazer isso, mesmo quando ela saía, eu me sentia bem naquele lugar. Eu esquecia todos os meus problemas e ela me fazia sentir que tudo ia ficar bem, me passava a segurança de que eu precisava, que tudo aquilo era apenas uma bobagem e logo passaria.

A noite caía fria e nós décimos que já era hora de nos arrumarmos para a tal comemoração. Eu estava animada pra ela, queria mesmo era me divertir.
Comecei a procurar uma roupa para a ocasião, decidi por uma saia alta azul bic tubinho, uma blusa de mangas compridas branca, meia calça cor-de-pele e um lindo salto alto preto. Minha maquiagem realçava meus olhos e meus cabelos estavam presos na parte de cima em um topete com estilo e alguns fios caídos. Eu estava pronta.
Fui até o quarto de , esta vestia um lindo vestido tomara-que-caia balonê na cor magenta, uma meia calça também na cor-de-pele, afinal, Londres nessa época ainda é meio fria, um sapato boneca enorme preto. Sua maquiagem estava leve, e seu cabelo todo solto caindo em seus ombros.

- Você está linda. – Ela me disse.
- Obrigada... você também não está nada mal.
- Já está na hora? – Ela me perguntou, passando o seu perfume.
- Não. Você conseguiu falar com o Jensen? – Ele havia chegado, mas nós dormimos tanto que ela não foi buscá-lo no aeroporto.
- Sim. Ele disse que está cansado da viagem e vai ficar em casa mesmo. Parece que um amigo vai passar lá, ou alguma coisa nesse sentido. – Voltou ao banheiro.
- E ele não liga de você ir sozinha? – Bom... quando é comigo, Adam não gostava nem um pouco. Chega de pensar nele< .
- Não. E mesmo que ligasse, problema era dele. – Ela berrou do banheiro. Às vezes eu queria ter essa coragem dela e fazer a mesma coisa.
- Você não muda, não é?
- Meu amor, eu quero só curtir o que há de bom na vida, não vou ficar me prendendo em nada. – Deu uma piscadela.
- Cê que sabe! Vai demorar aí? – Ela às vezes consegue demorar mais que eu.
- Já tô pronta, que coisa, detesto que me apressem. – Disse, pegando sua pequena bolsa, suas chaves e me empurrou porta a fora.

Era um lugar grande, cheio de luzes por fora, muitas pessoas estavam na fila tentando entrar e, ao que tudo indicava, aquele pub, que mais parecia uma boate de Los Angeles, era muito requisitado.
deixou seu New Beetle com o manobrista – sim, lá tinha um - e seguimos para a portaria. Ela não ligou para as outras pessoas que estavam na fila, apenas pedia licença e chegou perto de um enorme segurança, um armário, isso sim, e lhe entregou os tickets, ele os verificou e abriu a porta para que pudéssemos entrar.
Ao entrar no lugar, fiquei observando tudo aquilo. Definitivamente, aquilo de pub não tinha nada, tinha uma pista de dança no centro e um jogo de luzes voltada a ela, logo atrás havia um bar, e vários homens fazendo drinks, com manobras incríveis; ao seu lado, um pequeno corredor que se encontrava os banheiros. me despertou de meus devaneios me puxando para o andar de cima, onde eu pensei ser a nossa área vip. Outro segurança enorme nos parou e ela disse seu nome como se fosse um Abra de Sésamo e ele nos deixou entrar.
Era um ambiente agradável, a música não estava ensurdecedora como lá embaixo, estava mais abafada, havia um grande sofá de couro preto que fazia a volta no recinto, uma mesa de centro e um pequeno bar e apenas um barman nele. Um tipo de sacada ali dava para ver toda a extensão do pub. Os garotos já estavam lá, bebendo, conversando animados, e dançando esquisito, tive que conter o riso, mas não conseguiu.
- Ei! Vocês chegaram! – Danny falou se aproximando e dando um beijinho em cada uma de nós duas. Simpático ele.
- Não. Ainda estamos em casa. – disse irônica.
- Mas... eu tô vendo... – Ela acertou uma pedalada nele e deu uma risada.
- Esquece, Danny, nos atrasamos muito? – Eu disse, sentindo pena do coitado.
- Não. Que isso, agora que chegamos. – Tom chegou mais perto.
- Hello pra todos. – Eu disse, me juntei a no bar e pedi uma bebida qualquer.
- Não vou levar nenhuma garota bêbeda pra casa, hein?! – Eu acho que seremos nós que teremos que levar você, Danny.
- Não será preciso, babes. – respondeu, se sentou no sofá e engatou uma conversa animada com Tom e Dougie, eles estavam rindo de algo que o pequeno Poynter fez.
- Ela não fala mais com o Judd?
- Hã? Ah... Danny. – Ele tinha se juntado a mim no bar.
- A ... Ela não está mais falando com ele direito, até eu notei isso. – É, então o negócio era sério, até ele percebeu.
- ELE, não fala com ela. Foi por uma besteira, mas até que já está passando, pelo menos já se falaram algumas vezes, e isso é bom. – Expliquei meio por cima, não queria falar sobre aquilo.
- Hm... Jensen não ia vir com ela, gosto dele, é gente boa. Cadê ele? – Perguntou olhando o local.
- Ah... Chegou de viagem e está cansado.
- não parece está chateada com isso. – Ele disse e apontou na direção que ela estava e notei que estava quase se mijando de tanto ria.
- Ela nunca ligou muito pra isso. E é por esta razão que não se casou ainda.
- Não é porque você se casou cedo, que ela também tenha que fazer o mesmo. – Começou cedo, hein, Jones?
- Engraçadinho. – O olhei fuzilando. – Sem tocar nesse assunto hoje, ok?!
- Como quiser. – Sorriu pra mim. Assim ele me quebra as pernas.
- Vamos nos juntar a eles, pelo visto o Judd está sozinho lá, vem! – O peguei na mão e pude sentir o calor que sua mão tinha. Por um momento eu o olhei, como se o que eu fiz fosse errado, acho que ele não esperava que eu fizesse algo do tipo. Eram só nossas mãos encostadas, nada demais. Eu acho.

Depois daquele momento que eu não entendi bem o que aconteceu, nós nos sentamos no grande sofá e conversamos muito. Estávamos nos lembrando de coisas que aconteceram nas gravações como, por exemplo, Danny batendo com a cabeça na porta, o lindo tombo de Dougie ao sentar errado na cadeira, irritada jogando seu copo de café longe, eu dormindo sentada na cadeira enquanto era maquiada e muitas outras coisas.
Estávamos nos divertindo de verdade, e nem sentíamos o tempo passar, bebíamos, cantávamos, riamos.
Danny estava ao meu lado e vez ou outra eu me pegava o olhando e o mais constrangedor era quando ele também estava me observando, e Harry não se falavam diretamente, mas pude notar seus olhares algumas vezes. Tom e Dougie estavam bebendo muito, uma hora iriam cair tortos em qualquer canto.

- Bom... Eu vou lá embaixo. – disse se levantado.
- Vai aonde? – Eu ouvi bem ou a bebida está começando a afetar meu cérebro? Harry preocupado com ela?
- Ah... Sei lá, quero dançar um pouco. – Ela falava olhando pra ele.
- Sozinha? – Tom perguntou.
- É. Algum problema? – Pô, , ele só estava preocupado.
- Não. Só toma cuidado, .
- Pode deixar, Tom. – Se virou e desceu as escadas correndo.
- Ela está começando a sentir o efeito da bebida. – Eu disse baixo, mas eles ouviram.
- Por quê? – Danny me perguntou, com sua voz rouca bem perto do meu ouvido. Isso não se faz, dude.
- Ela vai se acabar em dançar, daqui a pouco vocês notarão. – E voltei a bebericar minha bebida.
- Olha ela lá. – Dougie apontou pra sacada.
- Bom... Acho que ela começou cedo. – Eu disse quando fui lá ver o que era.
- Ninguém vai fazer nada? – Harry perguntou.
- Fazer o quê? Deixa a menina. – Danny respondeu e o abraçou de lado, mas este se livrou do abraço e ficou olhando pela sacada.

’s POV

“Onde é que tem um banheiro nessa joça?”, falei comigo mesma. Estava apertada, não dava pra segurar. Andei mais um pouco e achei um “Graças a Deus!”. Fiz minhas necessidades e voltei para a pista, eu queria me divertir, me livrar de certos pensamentos, e esses tinham nome... Harry Judd. Não era em Jensen Ackles que eu estava pensando e sim no meu amigo ou ex, não faço idéia do que é agora. Ele não me saía da cabeça, nosso afastamento me deixou muito abalada, eu tenho que confessar.
Estava tocando uma música muito interessante, ela era agitada e tocava muito alto, resolvi dançar um pouco, mesmo que fosse sozinha. Mas isso não durou por muito tempo, logo vieram alguns garotos querendo um “algo a mais”, mas eu dei um chega pra lá em todos eles. No entanto, um rapaz alto, olhos azuis intensos, cabelos castanho claro, bem apessoado, vale ressaltar, me pegou pela cintura e em um movimento muito rápido me girou e me fez ficar de frente pra ele e assim, pude notar um lindo sorriso em seu rosto se formando. “Respira, , respira”, pensei.
Eu não estava fazendo nada de errado – ainda –, apenas dançava com o garoto.
- Hm... Eu posso saber seu nome? – Ele me perguntou, envolvendo suas mãos em minha cintura.
- . E o seu? – Eu disse envergonhada.
- Chris. Posso saber o que a senhorita estava fazendo sozinha nesse lugar? – Hm, atencioso.
- Ah... – Dei uma risadinha. – Meus amigos ficaram lá em cima e eu queria dançar um pouco.
- É. Eu estava te olhando dançar. – Sorriu de lado. – Te achei muito linda, então criei coragem e vim falar com você.
- Fez bem. – Não fez não, ! Você é comprometida. Mas não está morta. Fato.
- Fiz, é?
- Uhum. – Ele me abraçou e colocou sua cabeça no meu pescoço e começou a dançar comigo assim, mesmo que a música fosse agitada.
Estava de olhos fechados sentindo seu perfume, que era maravilhoso, mas quando os abro e viro minha cabeça em direção à sacada do andar de cima, encontro Harry me olhando sem expressão alguma em seu rosto, o que me deixava com receio, não gostava quando ele fazia isso. Não desviou um segundo sequer sua atenção, e eu? Fiquei olhando sem fazer nada.

- Vou pegar uma bebida, quer alguma coisa? – Chris me chamou a atenção.
- Hã? Ah, não, obrigada. – Sorri agradecida.
- Ok! Não foge, já volto. – E depositou um beijo em minha bochecha. Lógico que eu não ia sair dali, com um homem daquele dando mole. Nem sonhando.
Voltei a dançar animada, Chris poderia demorar um pouco, eu sabia que o bar estava lotado, então dançar era minha melhor opção. Alguns homens tentaram novamente dançar comigo, mas eu não deixei.
De repente eu olho pra minha esquerda a fim de checar como estava a movimentação do local e penso ter visto de costas alguém que eu conhecia, mas fui despertada de meus pensamentos com a chegada de Chris.
- Que bom que você não sumiu. – Ele falou, mas eu não estava mais prestando atenção, estava intrigada com aquela imagem.
- Hã? É. É.
- O que aconteceu? – Ele me chamou de novo.
- O que aconteceu? É... é... eu acho que vi alguém que eu conhecia. – Sorri simpática.
Ele me beijou no rosto e voltou a dançar de novo, mas eu estava era concentrada em outra coisa, em um lugar pra falar a verdade. Eu queria poder ver melhor, mas Chris era alto e seus ombros eram largos e tampavam meu campo de visão, tentei de todas as formas, de lado, ponta do pé, virava a cabeça, mas para melhorar ainda mais um casal não parava de se engolir bem na minha frente. Tentei imaginar quem poderia ser, eu sabia que era familiar, mas quem? Tentar voltar a dançar? Nem pensar, eu não sabia mais nem dar dois passinhos pra lá e dois pra cá, estava curiosa demais pra isso, e uma hora aquilo ia começar a corroer por dentro.
- Sabe, Chris... eu realmente acho que vi alguém conhecido. – Eu comecei.
- Aham, isso é papo pra você se livrar de mim. – Ele fez um bico irresistível.
- Não. – Eu comecei a rir. – Não é isso, imagina, adorei te conhecer. – Mal sabia ele o quanto. – Mas eu estou um pouco curiosa pra saber quem é.
- Tem certeza?
- Tenho sim, se importa? – Ai, como estava sendo difícil deixar ele ali.
- Não. Mas se depois você quiser continuar dançando é só me procurar que eu venho com o maior prazer.
- Pode deixar. - Eu disse e ele me deu um beijo... Na trave, ai, começo de ataque cardíaco.

ta vendo no que dá se amarrar? Um gato daquele todinho pra você e você não pode, apesar de que seu namorado não é nada mal.” Com esses pensamentos me “livrei” de Chris e caminhei devagar até um canto do pub. Ainda não tinha certeza se era algum conhecido ou não, mas do jeito que eu sou enquanto não verificar quem era eu não iria descansar. Meus passos eram leves, com receio, e ainda não dava de ver quem era direito. Cheguei mais perto, esbarrei em algumas pessoas e finamente consegui enxergar. Eu não entendia porquê não tinha reconhecido antes, talvez não estivesse perto o bastante, só sei que aquelas costas eram inesquecíveis e inconfundíveis.
Fiquei observando atônita, boquiaberta, não me mexia nem que um guindaste me tirasse dali, então essa pessoa foi virada por uma garota e encostada na parede. Ela era alta, cabelos ruivos, estava toda de preto, e seus olhos, eu pude ver de relance, e eu estava tão concentrada, que não me confundi, eram verdes. Ela o colocou contra a parede e assim que começou a beijá-lo, não tive mais dúvidas era Jensen.
Uma onda de sentimentos estranhos me invadiu sem pedir licença, eu não sabia organizar as informações em meu cérebro, pisquei algumas vezes, apenas pra me certificar de que não era uma miragem, mas para meu desespero não era, aquilo era bem real e estava acontecendo na minha frente. Ela estava beijando e se esfregando nele, e dava para notar que ela puxava os cabelos dele, do jeito que eu fazia, ela estava com o meu namorado. E ele não parecia evitar aquilo, havia um copo com algum drink em sua mão, mas não justificava seu ato. De repente, eu senti nojo, não só dele, mas de mim, por ter sido ingênua e ter me entregado a ele de tal forma que eu nunca tinha feito. Eu sinceramente tinha pensado em algo mais sério com ele, mas em troca eu recebo o quê? Uma bela de uma galhada. Bem feito pra mim, sempre tão cuidadosa quando o assunto era homem e olha no que resultou. E o pior de tudo era que eu gostava dele de verdade e doía muito vê-lo se atracando com outra, o ódio e a raiva passeavam lentamente em minhas veias e queriam transbordar, meu coração estava sendo esmagado cada vez mais de acordo com os movimentos dos dois. Minha respiração estava falha, tudo parecia estar girando, não sentia mais o chão, nunca nada parecido tinha ocorrido comigo, e essa sensação era extremamente dolorida, meu coração estava em milhões de pedacinhos e nem que eu quisesse juntá-los eu conseguiria.
Aquele momento parecia interminável, então procurei e juntei algum resquício de forças em mim e caminhei em direção a eles, nada me importava agora, eu não sabia o que dizer, e eu já tinha visto mesmo, não faria muita diferença chegar mais perto e ver aquela cena deplorável.

- Quer dizer que você estava cansado, amorzinho? – Não sei como consegui dizer tantas palavras, mas de uma coisa eu sei: não iria o deixar tripudiar em cima de mim e muito menos transparecer que eu estava com raiva e triste por aquilo.
- ... ! – Ele empurrou a garota que estava com ele e ficou me encarando. – Na... não é o que você está pensando.
- Oh, não claro que não. – Eu sabia ser cínica. – Adivinhe o que estou pensando então.
- ... Eu posso explicar. – Ah, sim, ele podia explicar, que estava engolindo a garota que eu não sabia o nome e fazia questão de continuar sem saber, e que não sabia que eu estava ali? Não vai colar.
- Primeiramente – soltei uma risada –, não me chama de e eu não quero suas explicações, Jensen, o que eu vi já foi o suficiente.
- Mas... eu estava em casa descansando, como havia te falado, e aquele meu amigo passou lá e insistiu muito para que eu viesse. – Ele achava mesmo que ia ter perdão? Coitado, não me conhece.
- E resolveu dar uns peguetes nessa daí? – E apontei a mulher ruiva que estava logo atrás dele.
- Ei! Olha como fala comigo! – A garota se pronunciou. Notei que ela tinha uma voz muito enjoada, francamente, não é querer me gabar, mas me trocar por essa daí? Tá, ela era bonita. Droga.
- Fica quieta. – Nós falamos juntos e ela se calou.
- , me escuta, por favor, eu não queria.
- O quê? Que eu visse essa cena? Ou que pegasse você no mesmo pub que eu? Tarde demais, babes. – Falei com as mãos na cintura.
- Eu não sabia que era esse lugar que você viria.
- Por quê? Se soubesse seria em outro lugar? Acho que foi no lugar perfeito, assim eu vi o canalha que você é, e ter o prazer de te dizer algumas coisinhas. – Ele me olhava com cara de cachorro sem dono e se fosse em outra ocasião eu teria cedido, mas traição eu não admito, ele pode ser o homem mais lindo e carinhoso que eu já conheci, mas aquilo era demais até mesmo pra mim.
- , não é isso, eu bebi um pouco além do limite, não sabia o que estava fazendo.
- Pra mim pareceu que você sabia e muito bem o que estava fazendo com ela.
- É verdade, querido, você é muito... bom no que faz. – Garota metida.
- Quer fazer o favor de calar essa boca e sumir da minha frente? – Ele disse alterado e ela fez uma careta e saiu dali rápido.
- Porque você a tratou assim? Talvez precise dela pra esquentar a sua cama, já que eu não vou estar mais lá. – As lágrimas vieram em meus olhos, mas eu não sei como, elas não caíram.
- Ela não é nada, nada. Vamos conversar, por favor. – Ele disse aproximando-se de mim e colocou uma de suas mãos em meu braço.
- Não encosta em mim. – Eu disse entre dentes e ele não tirou. – Tira essas mãos imundas de cima de mim agora. – Ordenei e ele tirou.
- , não me olha desse jeito, eu juro que não ia fazer mais nada com ela, acredita em mim. – Ele disse fazendo gestos rápidos com as mãos e pude notar as lágrimas que chegaram a seus lindos olhos verdes.
- Vai se acostumando, porque eu só vou te olhar com desprezo, Jensen, pode apostar.
- Tudo bem, eu sei que fui um idiota, um imbecil, eu sei de tudo isso, e você está com toda a razão de querer me xingar, de me bater, eu sei, mas me ouça.
- Não. Não tenho nada a ouvir de você, e ainda bem que você me poupou de te xingar, só acho que faltou, canalha, cafajeste, safado, acho que é só isso, e olha que eu fui gentil com você, hein?!
- Não me trata assim. – Ele queria o que? Que o agarrasse e desse um daqueles beijos de cinema americano? Corta essa. E não ia adiantar fazer aquela cara linda por sinal - , pára de pensar nisso -, porque eu não ia perdoá-lo.
- Queria o quê? Que eu agradecesse por essa galhada? Por esse lindo chifre que você me deu de presente?
- , eu te amo. – Tô vendo imagina se não me amasse.
- Hm... problema é seu.
- Não faz isso, tudo que eu te falei naquela nossa viagem era verdade, não estou mentindo quando digo que amo você. – Era um safado, né?! É. Mas ele não sabia que apelar pro lado sentimental da coisa não funcionava comigo?
- Eu sou uma burra mesmo, esse não deve ser o primeiro, não é? Em pensar que eu acreditei em você, fiz tudo por você, é desse jeito que você me retribui?
- Você foi a melhor coisa que me aconteceu, e me dói ver você assim. – Ele deixou uma lágrima escorregar em seu rosto. – Eu errei, mas isso não muda o fato de que eu te amo. – E dizendo isso, começou a chorar na minha frente. Já disse que eu não resisto quando um homem, principalmente bonito, chorar? Não. Eu não resisto.
- Você não pensou em mim um segundo sequer, e não me diga que estava bêbado, isso não justifica. – Então minhas lágrimas em conjunto com as dele rolaram sem vergonha alguma em meu rosto.
- Não chora, por favor, não faz isso, não me deixa, .
- Tarde demais, não sabe o quanto você me magoou. – Aí o meu choro já estava incontrolável, minha dor estava imensa, e olhar pra ele chorando não estava ajudando muito. Ele de alguma forma tentava se aproximar de mim era visível que ele queria me abraçar, mas sabia que eu era arisca e que não deixaria ele dar nem um passo em minha direção. Parecia que um buraco tinha se aberto no chão e que a qualquer hora eu iria cair.
Foi então que senti um par de braços me envolvendo por trás, não podia ver quem era, mas senti seu perfume e logo percebi. Harry. Ele estava me abraçando com força e me virou pra ele e encostou minha cabeça em seu ombro, eu desabei em choro.
- O QUE VOCÊ FEZ COM ELA? – Ouvi Harry gritar pra Jensen.
- Cara, não se intrometa onde não é chamado. – Jensen respondeu.
- CARA! Você tem muita sorte dela estar aqui. – Ele afagou meus cabelos. – Some desse lugar, faz o favor de desaparecer daqui e nunca mais voltar, tá ouvindo? Nunca mais chegue perto dela.
Não ouvi nenhuma resposta, Jensen se calou e finalmente olhei para Harry, ele estava com uma cara de poucos amigos, sua voz mostrava sua raiva, e fuzilava Jensen com os olhos. E este por sua vez passou por nós, colocou uma mão em meu ombro e cochichou em meu ouvido: “Não esquece que eu te amo muito, não vou desistir”. E saiu.
Meu choro era incessante, Harry ainda estava abraçado a mim e fazia cafuné nos meus cabelos, eu não entendia o que ele fazia ali, e porque estava me consolando, nós não tínhamos brigado ou coisa assim? Mas eu precisava dele, sabia que ao seu lado eu me sentiria mais segura, seu perfume me intoxicava de uma maneira que me fazia me livrar de meus pensamentos horríveis.
Ele eliminou o espaço que havia entre nós, se que isso ainda era possível, em um abraço mais forte e me tirou dali, não sei como nem por onde, e quando me dei conta estava fora do local, no estacionamento que era fechado, perto do meu carro.

- Como sabia o que estava acontecendo? – Eu perguntei enxugando minhas lágrimas bobas que ainda caiam.
- Não sabia. Eu estava te olhando lá de cima e vi você discutindo com alguém. – Ele me olhava não com pena, mas com ternura. Acalmei-me um pouco e continuei.
- E porque foi me ajudar? Você nem queria mais me olhar na cara. – Isso era verdade.
- , meu anjo. – e ele encostou as costas de sua mão em meu rosto, limpando uma lágrima –, eu não podia te deixar sozinha enquanto aquele ser desprezível tentava te enrolar.
- Ele... ele... me traiu. Na cara dura, Hazz. – Mais lágrimas caiam e ele me olhou bem nos olhos e disse:
- Shhh, não precisa me contar. – Me abraçou novamente. – Não chora por ele, por favor, corta o meu coração, , te ver assim e ainda mais por causa dele. - Eu não parava de chorar e tinha certeza que estava molhando toda a camisa dele.
- Estou encharcando você.
- Você acaba de presenciar uma cena daquelas e está preocupada com a minha camisa? Você não existe . - Eu soltei uma risadinha.
- E pior. Ela era “bem” mais bonita que eu. – Choraminguei.
- Ei! Não ouse falar uma coisa dessas, ouviu? Cê ficou maluca? Você dá de dez a zero nela, você é linda, . – Opa! Ele me chamou de quê? Linda? Ok! Meu cérebro não está raciocinando direito, menino, não dá pra falar essas coisas.
- Como ele pode fazer uma coisa dessas comigo? - Perguntei com minha voz de choro.
- Porque ele é um idiota, imbecil. – Ei, já ouvi isso antes.
- Ele disse... q-que me amava. – Mal conseguia falar por causa dos soluços.
- Se amasse, não faria o que fez, ele não te merece, você precisa de alguém que te ame de verdade. – Claro, simples assim, amanhã mesmo vou começar a procurar um.
- Pra você é fácil falar.
- Não é não, ou você acha que eu gosto de te ver assim? , eu... – eu, Harry? – eu não quero te ver triste.
- Obrigada, mas você não estava bravo comigo? – Perguntei manhosa.
- É, tava, mas não consigo te ver assim. – Ele me olhou de um jeito e então eu percebi que eu tinha um amigo muito, mas muito lindo. E colocou uma mecha do meu cabelo pra trás da orelha. Mas eu tinha que estar triste, não é? É. Então volta ao estado de deprê.
- Bom... – eu disse limpando minhas lágrimas e sorrindo pra ele – eu vou pra casa, acho que essa noite já acabou pra mim.
- No way! Você não vai sozinha pra casa nesse estado. – Ai, me ofendeu, estava tão feia assim?
- Eu estou bem, é sério, pode voltar lá pra festinha, eu vou ficar bem.
- Não. Eu vou com você, e não adianta dizer que não. – Ele disse pegando o celular e discando um número muito rápido.
- Pra quem está ligando? – Sempre curiosa.
- Tom.
- Por quê? – E fez sinal pra que eu ficasse quieta.
- Tom? Oi. É o Harry sim. Você está bêbado? Não. Ok! Vou levar a em casa... Não interessa... Só avisa à se ela perguntar, tá? Ela tá bem, Tom... Tá, já disse, não aconteceu nada, Tom, só avisa, tá bom? Bye, Tom!
- Não precisa se incomodar.
- Não é incomodo nenhum, e aquela coisa lá não tava com nada, mó chatice. – Ele disse e eu dei uma risada.
- Que bom que te fiz sorrir, adoro quando está sorrindo. – Ele não fazia idéia de como ele era importante pra mim e se não fosse por ele ainda estaria chorando feito uma bezerra desmamada.
- Se vai comigo então vamos logo, quero sair daqui o mais rápido possível.
- Claro, mas antes... eu dirijo. – Arrancou as chaves da minha mão e eu não me importei, queria apenas chegar em casa e desabar, literalmente.

Dentro do carro antes dele ser ligado.

- Harry? – Eu o chamei e ele me olhou com uma cara estranha, então percebi o porquê, eu estava segurando sua mão em um firme aperto, estávamos bem próximos e eu o olhava sem desviar.
- Sim. – Sua voz saiu rouca.
- Só queria te agradecer e me desculpar por te sido uma idiota com você.
- Não por isso, e não se xingue, xingue a ele.
- Quero que saiba... que sem você eu não... conseguiria e que você é... muito importante pra mim. – Meu Deus como foi difícil dizer isso, credo.
- Você é que é muito importante pra mim, por isso estou aqui e sempre estarei. – Ele me disse e eu apenas fiquei o olhando bem nos lindos olhos azuis dele e não disse nada. Uma lágrima fujona escapou e percorreu meu rosto. Ele retribuiu o gesto e ligou o carro.

Capítulo 16
Dentro do pub (Coloquem pra carregar!)
's POV

Eu estava sentada no bar da área vip ainda e pude notar com meus olhos de tandera que não estava mais dançando e que Harry não se encontrava mais conosco. Estranhei. Levantei-me e fui em direção aos bêbados (Lê-se: Tom e Dougie):
- Tom, Doug... Vocês viram a ? - Eles riam de sei lá o que e nem prestaram atenção em mim. – THOMAS! DOUGIE! Dá pra vocês pararem de rir como duas hienas e me responder onde diabos a está?
- Ahn, oi, ... Pelo que eu me lembre... pf... hahaha pelo que eu me lembre? Não lembro de merda nenhuma! - Tom disse quase babando. – AH! O Harry me ligou... algo assim... e disse que a estava com ele e que estava levando ela pra casa. Wow. Lembrei, Dougie... você viu isso, mate? – E empurrou o garoto ao seu lado.
- Af, vocês dois... eu não quero levar ninguém no colo hoje. – Bufei e senti meu celular vibrar. Era uma mensagem de :
“Babes, eu sei que saí sem te avisar, mas eu estou bem. Só estou avisando porque eu sei que o Tom deve estar bêbado o suficiente para não lembrar. Estou com Harry, não se preocupe, amanhã conversamos. Divirta-se! xxx”
Tá bom, eu vou dar uma de amiga desnaturada... Se ela disse que está tudo bem, é porque deve estar mesmo... E, bem, ela está com Harry e isso não é uma coisa que se diga que seja ruim. Hmmmm.
Eu percebi que eu não poderia ficar com Tom e Doug, eles estavam completamente bêbados e já deviam estar vendo milhares de fadinhas verdes. Olhei para o bar, onde eu estava sentada e lá estava Danny bebericando algum drink.
- Acho que somos os únicos que ainda estamos sóbrios aqui, Mr. Jones. – Eu disse me aproximando e me sentando no lugar que tinha vago ao seu lado.
- Ainda, né? – Ele sorriu e eu sorri involuntariamente.
- Isso é estranho. – Eu comecei, mas Danny me interrompeu.
- O que é estranho?
- Nós dois. Haha, você pode me achar louca de começar essa conversa do nada, mas é estranho... Há 1 mês nós não podíamos ficar 5 minutos na mesma sala que já saíam farpas e agora, olhe para nós! Estamos bebendo e conversando... e rindo! Haha, estamos rindo... Civilizadamente. – Eu disse.
- Isso merece um brinde! – Danny levantou seu copo e eu prontamente pedi um igual ao dele ao barman que foi mais rápido do que eu pude imaginar.
- E vamos brindar a quê? – Perguntei, levantando meu copo também.
- Nós dois. – Ele disse isso sério, olhando dentro de meus olhos e minha respiração ficou falha... – Eu faço um brinde a nós dois! – Ele sorriu e eu fiquei sem palavras... – ?
- Ah, claro... A nós dois! – Sorri juntando meu copo ao dele.
Eu estava me sentindo muito bem ao lado de Danny e isso eu não poderia esconder mais, nem pra mim mesma. Era uma sensação boa, que corria pelas minhas veias e eu sentia vontade de sorrir quando eu estava ao seu lado. Eu fiquei observando-o alguns minutos, sem falar nada. Cada movimento, cada respiração e cada vez que ele dirigia seus belos olhos azuis para mim. Eu nunca havia notado quão bonito os olhos dele são. Talvez a implicância que eu tinha com ele não me deixasse notar, mas eu realmente poderia mergulhar na imensidão que eles me proporcionavam. Nesses últimos tempos, quando eu estava perto de Danny, eu esquecia dos meus problemas, eu nem havia pensado em Adam. Eu posso estar ficando louca, paranóica, mas meus sonhos com Daniel continuam constantes e meus olhos o enxergavam de uma outra maneira agora.
- O que você tanto me olha, lady? – Danny despertou-me do meu transe.
- Ahn? Ah, desculpa, é que... eu acho que eu nunca tinha notado o quão bonito você é – Tá, eu não falei isso. A bebida tava fazendo efeito? Mas que diabos...
- O quê? – Danny engasgou-se com o próprio drink. – Você está com febre? Você nunca me elogiou. – Ele começou a rir e eu suspirei.
- Eu sei disso e eu devo te pedir desculpas. – Olhei cabisbaixa. – Que idiotice a minha, eu implicava muito com você.
- Então você admite que era só implicância? – Ele me olhou incrédulo. Claro, eu nunca falaria isso.
- Sim... Você nunca tinha me feito nada, desculpa...
- Só te desculpo se me der um sorriso e topar dançar comigo. – Ele disse da forma mais meiga que pode e eu abri um sorriso, não forçado, e sim, verdadeiro.
- Eu topo, mas já vou dizendo que se eu pisar no seu pé, não foi culpa minha... – Eu disse me levantando. – Vamos? – Estendi minha mão para Danny.
- Claro, mademoiselle. – Ele fez uma reverência exageradíssima e pegou na minha mão e nessa hora eu poderia jurar que senti uma onda de corrente elétrica passando por toda a extensão do meu lindo corpinho. Hehe.
Resolvemos ir para a pista de dança da área vip... Sim, o lugar era muito grande, como se fossem duas boates, uma pro “povão” e a outra pro pessoal vip e esse era nosso caso. Como nossa área não estava muito cheia, provavelmente a pista de dança também não estaria. Batata. Chegamos e fomos bem pro meio, estava tocando uma música que eu adoro... e provavelmente Danny também gosta, porque ele estava dançando bem empolgado. Fazia movimentos estranhos que me fazia gargalhar. Acho que o DJ me reconheceu de sua cabine e começou a tocar uma música minha, e eu achei aquilo um máximo! A música era Work, a mesma que eu fiz o clipe pro projeto. A letra era um pouco sugestiva para o momento.
(dêem play!)

Baby the harder you work the further you get with me,
With me.
I think you can.
I think you can.
(Querido, quanto mais duro você trabalha, mais você
ganha comigo,
Comigo.
Eu acho que você consegue,
Eu acho que você consegue)

Turn up prepared and make sure you can keep up with me,
With me.
I think you can,
I think you can.
(Apareça preparado e tenha certeza de que consegue se manter comigo,
Comigo.
Eu acho que você consegue,
Eu acho que você consegue.)

But be aware I always get what I deserve.
Keep your focus keep you nerve.
Ready.
Set.
Go.
(Mas fique atento, eu sempre consigo o que mereço.
Mantenha o foco, fique frio.
Preparar,
aprontar,
Fogo.)

Não sei o que estava acontecendo comigo, eu e Danny dançávamos praticamente colados. Eu sentia sua respiração e cada movimento que eu fazia, eu podia sentir sua mão apertando minha cintura. Eu não sei o que eu estava pensando, não sei onde eu estava com a cabeça, não sei se poderia me arrepender depois... Eu cantava a minha própria música em seu ouvido e fazia questão de dançar provocante.

Pick up the pace and step on it!
Rip up the place if you want it!
Work!
Work!
You know you gotta work!
Work!
I got the goods and I want you.
Put your boots on baby get to work!
Work!
You know you gotta work!
Work!
(Entre no ritmo e acelere!
Acabe com esse lugar se você quiser!
Trabalhe!
Trabalhe!
Você sabe que tem que trabalhar!
Trabalhar!
Eu tenho o material e eu quero você
Ponha as suas botas, baby você tem que trabalhar!
Trabalhar!
Você sabe que tem que trabalhar!
Trabalhar!)

I tend to get what I want so are you starting to see?
I think you do.
I think you do.
It's time for you to step up if you wanna be with me,
With me.
I think you do.
I think you do.
(Eu geralmente consigo o que quero, você está
começando a ver?
Eu acho que sim.
Eu acho que sim.
É hora de você tomar uma atitude se quiser ficar comigo,
Comigo.
Eu acho que você quer,
Eu acho que você quer.)

A parte seguinte era a minha preferida da música e eu fiz questão de por uma das mãos ao redor de seu pescoço e com a outra, virar o rosto de Danny de leve, entrelaçar meus dedos em seus cabelos e cantar sussurrando em seu ouvido.

But don't go slow.
That is not the way we play.
Slowly ain’t my kind of game.
Ready.
Set.
Go.
(Mas não seja lento,
Não é desse jeito que nós jogamos
Devagar não é o meu tipo de jogo
Preparar,
aprontar,
Fogo.)

Depois dessa parte que eu cantei em seu ouvido, eu não pude ter certeza de mais nada. Somente vi Danny me puxando pela mão e me tirando daquela pista, ele estava me levando para um lugar mais reservado, e pude notar o quão apressado ele estava. Parecia que ia explodir a qualquer momento.
Em um movimento muito rápido Danny me encostou na parede e se alguém me perguntasse, eu não saberia responder nem meu próprio nome. Era eu e ele. Mais nada.
Daniel olhava em meus olhos suplicando alguma atitude minha, ele havia apoiado as duas mãos, uma de cada lado do meu rosto. O olhei profundamente e disse:
- Ready. Set. G... – Não pude terminar a frase, nossas bocas estavam coladas e meu coração estava pulsando a mais de mil. Era um mix de sensações: Medo, prazer, aflição, desejo. Mas ao contrário do que eu pensei que iria ser, nosso beijo foi calmo e delicado. Danny passou um de seus braços em volta da minha cintura e isso fez com que nossos corpos ficassem completamente colados, e com a outra mão, ele entrelaçou em meus cabelos, tendo assim, a certeza que eu não escaparia. Minhas mãos estavam paradas, espalmadas em seu peito, não que eu quisesse tirá-lo de perto de mim, muito pelo contrário...
Quando partimos o beijo, eu ainda estava de olhos fechados, sorri involuntariamente e quando os abri, Danny olhava pra mim e posso imaginar que eu estava assim, que nem ele. Olhos brilhando e sorriso aberto sem nenhuma vergonha.
- O que nós acabamos de fazer? – Perguntei. Naquele momento eu não pensava se eu era famosa, se alguém podia ter visto e se alguém tivesse visto se poderia estar estampado em todas as revistas... E nem pensava também, se eu era casada.
- Eu realmente não sei... Olha, me desculpa, eu sei que você não pode. – Danny tentava se explicar, nervoso, balançando as mãos que antes estavam entrelaçadas em um abraço gostoso.
- Cala a boca, Danny, você sempre estraga tudo... – Fiz biquinho.
- Desculpa... – E ele fez outro maior ainda.
- Vem cá... – Sorri de lado e nos beijamos novamente.
Eu estava me sentindo uma adolescente, quando fica escondido dos pais, com aquele menino que sempre sonhara fazer aquilo. Não que eu sempre sonhei fazer isso com Danny, mas eu não posso reclamar. Eu estava leve. Eu estou leve perto dele.
Ficamos no pub mais uma hora, não parávamos de rir, conversar e trocar olhares arrepiantes e então, resolvemos ir pra casa. Como havia deixado o local há algum tempo e me deixou a pé, Danny fez a gentileza de me deixar no apartamento.

- Obrigado – Danny quebrou nosso silêncio. - Pelo quê? – Eu perguntei, confusa. Não havia feito nada de anormal naquela noite, tirando o fato do beijo, mas beijar alguém não é uma coisa anormal pra ninguém. Tá, quando essa pessoa é solteira e você casada é, mas não vamos entrar no mérito da questão.
- Pelo melhor beijo que eu poderia ter ganhado na minha vida – Ele disse. Simplesmente.
- Não seja por isso... – O que estava acontecendo comigo? Mais uma vez eu estava lá, aos beijos com Daniel, e cada beijo que nós dávamos, mais borboletas insistiam em ficar rodando, dando pulinhos e saltos mortais no meu estômago. – Bem, eu tenho que subir agora... Não sei o que aconteceu com ainda, tenho que ver se está tudo ok... – Eu disse e isso soou triste. O clima estava bom, e eu não queria ter de acabar com aquilo.
- Tudo bem... Eu vou pra casa, qualquer coisa, você pode me ligar – Ele sorriu, acariciando meu rosto.
- Okay, não se preocupe – Disse e não sabia como me despedir dele, e acho que ele notou e me puxou para um selinho demorado e assim, saí do carro.
Capítulo 17

Quando abri a porta do apartamento, me deparei com uma cena um tanto quanto fofa, eu não fazia idéia do porquê aquilo estava acontecendo. Harry estava no sofá, meio que deitado, mas suas costas escoradas no encosto do mesmo. E olhando melhor, pude ver que estava com a cabeça apoiada em seu peito, ela estava completamente deitada entre Harry e o sofá. O silêncio era cortante, eles estavam abraçados há algum bom tempo, pensei, e ela já estava com um blusão com a estampa do Elvis Presley em preto e branco e um shorts qualquer, e havia uma coberta por cima dos dois. Harry fazia cafuné nela o tempo todo, mexia em seus cabelos, nos braços dela, e ela... estava dormindo? É, ela já havia pegado no sono, também, com alguém acariciando assim, até eu.
Cheguei mais perto e coloquei minha mão no ombro dele, e fiquei olhando , que respirava fundo, estava serena, calma, não aparentava estar incomodada com aquilo. Notei que ela deveria estar chorando muito, pois a camisa de Harry estava molhada, então fiquei preocupada. Não sabia o que tinha acontecido, aliás, nem sabia o que ele fazia ali, e muito menos porque saíram cedo e juntos. O rosto de não estava inchado pelo choro, de certo ela já havia se acalmado há algum tempo e dormiu ali mesmo com Harry ao seu lado.

- Ela pegou no sono. – Eu sussurrei a ele, e esse se moveu lentamente para não acordá-la e constatou que permanecia em um sono profundo.
- Que bom, assim ela pode descansar.
- Bom... ela parece estar bem confortável, mas você não vai acordar muito bem se continuar assim. – Eu sorri pra ele.
- Que isso, até que eu estava me acostumando.
- Não é melhor acordá-la e a fazer dormir no quarto?
- Tem certeza? Tá bom aqui. Tá quentinho. – E soltou uma risadinha baixa. Harry? O... o que foi que você disse? Ele queria ficar ali?
- É sério acorda ela.
- Não. Eu a boto na cama.
- Harry, ela não é uma criança! – Nossa, que tipo de amiga eu sou?
- Já disse que a levo, você não sabe como foi difícil acalmá-la e fazê-la dormir. – Ele ralhou comigo. Eu apenas dei de ombros e concordei com a cabeça.
Harry se levantou com cuidado, já que era que estava na ponta do sofá, tirou a coberta de cima dela e sussurrou pra mim:
- Arruma a cama dela.
E fui correndo para o quarto dela e fiz o que Harry pediu, voltei à sala e o vi levantá-la do sofá sem esforço algum. Pra ele parecia que ela nem estava em seus braços, nem careta ele fez. Ela deveria estar ferrada no sono, nem acordou, só se remexeu um pouco, se aconchegou no peito dele. Harry caminhou de devagar até o quarto dela e a colocou na cama, pude ouvir que ela resmungou algo incompreensível, mas não acordou. Harry, após se certificar de que ela estava bem, ficou a olhando por um tempo. Eu não sabia dizer o porquê, mas ele não saiu de perto dela.
Eu estava escorada no vão da porta de braços cruzados vendo aquela cena, minha cabeça estava atordoada, muitas coisas passavam nela, meu... humm... momento com... Danny... Meu Deus isso não saía da minha mente. E agora isso? Sem contar o nível de álcool que está circulando em mim, isso não está ajudando em nada. Harry ainda a olhava, e depois de certo tempo ele se inclinou e beijou sem pressa sua testa, a cobriu, veio em minha direção, a olhou mais uma vez e fechou a porta.

- O que aconteceu? – Perguntei ainda sussurrando.
- Vem pra sala, não quero que ela acorde. – Ele disse me puxando delicadamente pelo braço.
Na sala, ele pediu para que eu sentasse, e pela sua cara coisa boa não ia sair, então fiz o que ele me pediu, me sentei e Harry sentou ao meu lado.
- Bom... agora dá pra fazer o favor de me explicar o que aconteceu aqui?
- Bem... não foi bem aqui que aconteceu. – O quê? Isso estava ficando confuso, o que ele queria dizer com aquilo?
- Harry, fala logo, já estou até me coçando de tanta curiosidade.
- Não sei se eu devo... Mas eu sei que ela é sua amiga e que ela não vai estar em condições pra contar mesmo.
- Anda.
- Só acho que ela não vai gostar de saber que fui EU que te contei e não ela.
- HARRY!
-Shhh – ele fez sinal com o dedo indicador – Não acorde ela. Bom... No pub ela encontrou com o Jensen. – Disse o nome do garoto com nojo.
- E daí? Namorado dela, não é? – Ele estava me deixando mais confusa do que eu já estava. O que Jensen tinha haver com... isso? Não? Isso não.
- Ai... eu podia ter dado a surra que ele merecia. – Ele disse isso pra si, mas pra mim foi audível.
- Jensen? Surra? Ele... Não. – Eu não podia acreditar, só podia ser uma piada.
- É. Isso mesmo que você está pensando, ele é um canalha de primeira. – Ele disse e parecia estar com muita raiva ainda.
- Ma... mas... não faz sentido nenhum. Como? – Ele vivia dizendo que a amava, que queria se casar.
- . Nunca gostei dele, isso é claro pra todo mundo. Agora é a vez de vocês verem quem ele é.
- Ele a traiu, não é? – Ele me olhou por um tempo e depois concordou com a cabeça.
- A viu? Viu ele... com a... a outra? – Minha amiga passando por uma dessa e eu estava aonde? Divertindo-me. Que espécie de amiga eu sou?
- Viu.
- Meu Deus! – E tampei minha boca. – Como... ela fez o quê? – Eu não acreditava no que ouvia, Jensen parecia ser o namorado perfeito. Parecia. E Harry não gostou dele desde o começo, e agora ele teve sua confirmação.
- Foi falar com ele. – Não! Ela o quê? A só pode ser masoquista. Desde quando se vê seu namorado com outra e vai lá falar com ele?
- Tá de zoação?
- Não. Ela foi lá falar com ele.
- Tá. E onde você entra nessa história? – Afinal, eles mal estavam se falando, e quando eu entro em casa o que eu vejo? Eles abraçados, uma cena linda, se não fosse a grave situação.
- Ah... bom... eu estava olhando ela lá de cima. Que foi? Não me olha assim, estava mesmo. Daí a vi dançando com um cara – hum, ela também não perde –, só que depois, quando olhei de novo ela já tinha saído de lá, olhei todo o lugar e a vi discutindo com alguém, bem, não discutindo, mas ela estava de dedo na cara dele. – Se eu bem conhecia a , no mínimo ela estava se fazendo de forte e dando uma linchada nele.
- E...?
- E... Que eu desci pra ver o que era.
- Desembucha criatura.
- Calma. Cheguei lá, uma garota saía resmungando alguma coisa e falava brava, mas não estava falando alto, e quando cheguei mais perto ainda...
- Harry, você está me deixando nervosa, conta logo.
- Se você parar de me interromper... Então, cheguei mais perto e ela estava prestes a chorar e olhei pra ele... Ele parecia uma criança de tanto que chorava. – Jensen chorando? Não entendi.
- E o que foi que você fez? - Ah... Eu a abracei e mandei ele sair de lá.
- E a trouxe em casa?
- Não ia deixá-la dirigir naquele estado, se normalmente ela já é uma desvairada no volante, imagina daquele jeito? – Verdade, não seria uma boa idéia mesmo. Boa, Harry.
- E você ficou com ela todo esse tempo? – Não, , imagina. Que pergunta.
- É. Ela estava muito abalada, tomou um banho, e, cara, eu que escolhi a roupa dela – e deu uma risada – ela estava cansada e eu estava preocupado, então sentamos aqui e... ela chorou muito por causa daquele imbecil, e acabamos daquele jeito.
- Harry... Nem sei como te agradecer.
- Desculpa, , eu fiz por ela – idiota, eu sei que é. – Sem querer parecer ser metido, mas já sendo, onde você estava?
- Ah... dançando, não vi nada. – Não iria contar a ele o que realmente aconteceu, e também não era hora de ficar me lembrando do quanto me dei bem esta noite, enquanto minha melhor amiga levava uma chifrada.
- Ah... Agora que ela está dormindo, eu acho que já vou indo pra casa. – Ele disse se levantando do sofá.
- Claro, claro. – E o acompanhei abrindo a porta pra ele.
- Ligo amanhã pra saber como ela está, ok?!
- Isso, ela vai estar melhor, tenho certeza. – Abri um sorriso.
- Espero, ela não merecia. Bom... cuide dela por mim, e boa noite. – Ele me deu um beijo na bochecha.
- Pode deixar. Boa noite. – Ele chamou o elevador e se foi.

Agora mesmo que minha cabeça girava feito doida, muitas coisas aconteceram juntas, meu... beijo com Danny, Jensen traiu , Harry cuidando dela, muita informação para um dia só. Fui para meu quarto e tomei um belo de um banho para me livrar desses pensamentos e poder dormir melhor, se é que isso era possível.
De pijamas e banho tomado, arrumei minha cama e fui até o quarto de , abri a porta com cautela e a vi dormindo feito um anjo, nem parecia que tinha passado por toda aquela situação.
Deitei minha cabeça no travesseiro e rolei um pouco até achar uma posição que fosse confortável, várias imagens vinham em minha mente e a última de que me lembro foi de Danny.

Acordei com o meu celular vibrando no criado mudo, o peguei e vi que tinha mensagem. Era de um número desconhecido, e confesso que fiquei ansiosa para saber quem era. Mas para a minha decepção, era uma mensagem da minha operadora dizendo que eu devo aceitar a super oferta de um novo plano. Tenha a santa paciência.
Era tarde, quase meio-dia, então resolvi me levantar logo, calcei meus chinelos de pelúcia, e fui até meu banheiro, fiz o que tinha que tinha que ser feito, e fui para a cozinha.
Preparei um café bem forte, caso acordasse, sim, eu passei por lá e ela ainda dormia feito uma pedra, seria bom para ela, e peguei o pote de biscoitos em cima do balcão e comecei a comer.
Passado alguns minutos, aparece na porta, meio descabelada e a cara inchada, mostrando que havia dormido demais.
- Bom dia. – Falei, tentando parecer o mais simpática possível.
- Bom dia por quê? – É. A noite não foi boa, e se o humor dela de manhã já não era uns dos melhores, agora então...
- Desculpa. – Que mané desculpa, isso é coisa que se diga?
- Hm. – Foi o que saiu da boca dela. Ela nem me olhou direito e foi se sentar na sala, ligando a TV.
- Er... ... vou pedir o almoço, tá? Vai querer, não é? – Gritei.
- Não.
Então fui até o sofá e sentei ao seu lado.
- ... Você tem que comer.
- Não quero, estou sem fome.
- Não fica assim. – Eu disse chegando mais perto dela, mas o seu olhar não estava nem um pouco amigável.
- E queres que eu fique como? – Um sorriso? Meio sorriso? Algo assim? Não deu.
- ... quer conversar?
- Não.
- Mas...
- Harry provavelmente já te contou o necessário. – , diferente de mim, não gosta de falar muito sobre sua vida sentimental, sempre preferiu ouvir as pessoas.
- , eu sou sua amiga, pode me contar, se quiser, é claro. – Tentei convencê-la.
- Contar o que, ? Que eu levei uma galhada? De como foi difícil receber um chifre? Oh... de como foi legal ver meu namorado, agora ex, com outra? Faça-me o favor. – Ela não deixava seu cinismo de lado.
- Só queria ajudar.
- Ah... – e soltou o ar -... Desculpa... não deveria estar descontando em você, não é culpa sua.
- Que isso, está no seu direito de se sentir assim. – Eu disse fazendo carinho em seus cabelos.
- Não me olha desse jeito, sabe que detesto que me olhem com pena.
- , quer parar de se fazer de forte? Pô, sou eu, a , qual é? Não confia mais em mim? Não sirvo mais como sua amiga? – Apesar de que ontem eu estava “ocupada” e não dei todo o apoio eu ainda era amiga dela.
- Só não quero mais chorar por ele.
- Não precisa.
- Porque não foi com você.
- É, mas eu só quero te ver bem.
- Tá meio difícil. – Sorriu irônica.
- Tá, Harry me contou sim, não acreditei quando ouvi. , eu sinto muito. – E abracei bem forte.
- Tá me esmagando. – A soltei. – Obrigada. Eu sabia que ele ia te contar, não ligo. Evitou eu ter que passar por aquilo novamente.
- É. Ele ficou com você o tempo todo, não é?
- É. Ele... ele simplesmente foi tudo, sabe... Ele não me... dei... deixou so... zinha. – Ela desabou no choro e eu a abracei, acariciando seus cabelos e ela ficou ali, chorando no meu colo.
Era minha vez de ficar ao lado dela, de dar o meu apoio, e ser que ela sempre foi comigo: amiga.
Ficamos um bom tempo assim, abraçadas, até ela parar de chorar e resolver ir tomar um banho, e eu fiz o mesmo. Roupa básica, nós duas, calça jeans, blusa com alguns detalhes e só.
Pedi o almoço e praticamente enfiei goela abaixo na , e mesmo assim ela mal tocou na comida. Eu lavei a louça e sequei, sabe... eu sou uma boa amiga. Ela dormiu mais, o que eu achei estranho, sabia o quanto ela era preguiçosa, mas já estava sendo demais.
Nesse meio tempo, Danny me mandou uma mensagem dizendo que adorou a noite, eu tentei ser agradável mandando outra dizendo que eu também tinha gostado muito, mas sem chances de muita melação, já havia largado em uma situação nada boa, não ia fazer de novo. Danny que me desculpe. Quando ela acordou, nós vimos algum filme bobo, ela não tinha me contado direito toda a história, e eu não a obrigaria a contar, sei o quanto deve ser complicado relembrar, preferi deixar como estava. Ela já havia chorado muito, e de vez em quando eu a pegava cabisbaixa e alguma lágrima corria em seu rosto, ela não falava muito, somente o necessário mesmo. Sorrisos? Nem pensar.
Ouvimos a campainha tocar, olhamos uma pra cara da outra sem ninguém entender nada, eu então me levantei e fui atender.

- Ah... Oi, Harry.
- ! É... – Ele parecia está constrangido. Estava sendo muito fofo vendo ele assim. Pára, !
- Tá, ela está aqui sim, entra. – E dei espaço para que ele entrasse.
- Vim em má hora?
- Imagina, ela está sentada ali.
- Hm...
- ! – Eu a chamei.
- Oi? Ah... Harry! – Balancei minha cabeça, não podia ser verdade. Alucinação? Ela sorriu? Ela sorriu para ele? Judd, venha mais vezes aqui, baby.
- ... vim ver como... você está.
- Bem melhor. – E, caraca, uma risada. Que progresso.
- Bom... Vou para o meu quarto, meu guarda roupa está um caos. – Eu disse já indo rumo a minha porta, queria deixá-los sozinhos, tinham muitas coisas para conversar.
Então peguei meu inseparável iPod e meu caderninho de música e fiquei por lá mesmo.

Na sala de TV.

- Mentira dela, ela o arrumou esses dias – disse quando saiu. - Ela queria nos deixar sozinhos. – E riu.- Como você está?
- Bem.
- ? – Harry a segurou nas mãos e a olhou fixamente.
- Eu...
- Quero a verdade.
- Argh... Tô um bagaço, satisfeito?
- Não. Mas precisava ver como você estava. – E ele sorriu de lado.
- Tirando o fato de ter sido traída na maior cara de pau, estou ÓTIMA.
- Não gosto de te ver assim.
- Assim como? – Ela se fez de desentendida.
- É... Assim...
- Bela explicação. E não se preocupe, estou bem melhor e graças a você, não tive como te agradecer ontem, obrigada por tudo, se não fosse por você...
- Não me agradeça, só... fica bem, ok!?
- Não queria que você me visse daquele jeito, horrorosa, cara toda inchada, credo, visão do inferno, ui. – Ela disse olhando a televisão.
- Deixa de bobagem, continuava linda como sempre. – Ele disse sorrindo e ela o olhou incrédula.
- Ah tá. Você me colocou na cama ontem? Porque só me lembro de está no sofá, mas acordei em meu quarto.
- Foi você dormiu comigo aqui e eu não quis acordá-la, então a levei pra lá.
- Você é um anjo, sabia?
- Não. – E então começaram a rir. – E é muito bom te ver sorrindo. – E ele passou a mão no rosto da garota.
- Você. Você me faz assim. – Ela corou. – E já está na hora de parar com essa choradeira, não combina comigo.
- Concordo.
- Sem contar que amanhã tenho que ir trabalhar, vocês estão meio que de folga, mas eu não, babes, e não quero estar nesse estado, tenho que honrar minha reputação.
- Você vai trabalhar amanhã?
- Tudo bem, foi um choque aquilo. Mas eu levei um chifre, ainda não estou morta.
- É que eu achei que você fosse...
- Ficar na fossa? Entrar em depressão? Não. Não sou assim. – Ela disse o olhando séria.
- Admiro isso em você. – Ele beijou uma mão dela e ela sorriu pra ele.
- Ui, chega desse momento de "eu levei um corno".
- É assim que se fala, pequena.
- Fica aqui em casa? Sabe, caso eu caia em depressão, assim você me ajuda, cê leva jeito com isso. – E ela fez cara de cachorro pidão, piscando os olhinhos.
- Humm... Deixe-me ver. – Coçou o queixo.
- Anda logo, Judd.
- Ok! Ah, já sou de casa mesmo, e não tenho coisa melhor pra fazer.
- Isso ajuda muito na minha auto-estima, valeu. – E levantou o polegar em sinal de positivo.
Os dois caíram na risada.

Passou-se a tarde assim, Harry ficou lá na casa de mesmo e eu fiquei lá com eles, vimos filme, comemos muitas besteiras, como ela mesma diz, "eu estou no meu direito de corna de encher a cara de doces", eu e Harry fizemos um esforço e acompanhamos ela, afinal, amigos são para isso que servem, não é? Para meu espanto, ela não estava tão mal, ria de tudo que fazíamos, e ainda tirava uma com a própria cara, apenas não tocava no nome do indivíduo, aí já era demais pra ela. Acho que ela ainda sofria muito, mas preferiu guardar para si mesma.
Harry saiu de lá muito tarde, e assim que ele foi embora, fomos dormir, estávamos cansadas de não fazer nada o dia todo.

Capítulo 18

Na segunda-feira não fui trabalhar, nem os meninos, mas tinha algumas coisas pra fazer e foi mesmo assim. Era incrível como ela adorava o seu trabalho, nem a traição da parte de Jensen a abalou a ponto dela não ir trabalhar.
O dia foi um tédio, minha amiga não estava lá pra me fazer companhia, eu não tinha nada que me interessasse. Danny. Ele me interessava. Ai, meu Deus, o que eu estou fazendo? Sou uma mulher casada! Mas o pior de tudo foi que eu... eu... gostei, e para piorar um pouquinho, não estou nada arrependida. O que está acontecendo comigo? Que porcaria está havendo com o meu juízo? Danny estava mexendo com a minha cabeça de uma maneira que eu não tinha como evitar, e nem queria. E por um momento, apenas um instante, a imagem da Adam veio à minha mente, mas logo foi substituída pela de Danny.
Até que meu celular começou a tocar.

- Alô? - ? É o Danny. - Ele deu uma risadinha.
- Ah... Oi, Danny. Como está? – Tive que me lembrar de como falar ou ele iria achar que eu era uma louca.
- Bem, e você?
- Também.
- Bom... Você não me ligou, então ligo eu, não é?
- Desculpa. – Mal sabia ele o que aconteceu. – Fiquei meio ocupada.
- A , o que aconteceu com ela? – Ele não sabia? Harry não contou a ele?
- Você não sabe?
- Não.
- Bom... Todo mundo uma hora vai saber mesmo. Ela e Jensen terminaram no sábado.
- Hã? Por quê?
­- Ah... é... Bom... Ah, cê sabe, né?! – Como que ia contar? Se é que eu podia contar.
- Sei não.
­- Ele fez... Ele tava com outra. – E fechei os olhos, esperando por uma resposta, mas ele demorou um pouco.
- Ele o quê? Tais dizendo que ele a traiu? – Danny pareceu surpreso.
- Isso não pode sair daqui, eu não te contei nada, mas, sim, ele fez isso mesmo.
- Mas... Ele parecia... Ah, dude, eu não tô acreditando.
- Pois é. Eu não também não acreditei, mas é verdade.
- Eu gostava dele, que idiota! Por que ele fez isso com a ? Cara, ela não merecia.
- Eu sei, mas ela está bem melhor, cara, Harry a ajudou muito. – Expliquei a ele.
- Harry?
- É. Ele que a tirou de lá. E tem sido muito bom pra ela, voltaram a ser amigos novamente.
- Depois quero falar com ela então, tadinha. – Acho que ele não a conhecia.
- Danny, pelo amor do meu bom Deus, não fala isso perto dela.
- O que e por quê?
- Ela simplesmente DETESTA que tenham pena dela. – Ela vira um cão com isso.
- Ah... Sim... Bom, aparece que temos uma reuniãozinha na quarta, não é? - Ele puxou assunto. Impressão minha ou ele está sem graça?
- Parece que sim, você vai? – É claro que ele vai, , é o trabalho dele. Urgh!
- É, tem que resolver agora as coisas do show não é? Já tá chegando! – Danny disse animado.
- É, passou rápido. Apenas alguns dias.
- Uhum, Bom liguei pra saber de você, agora que já sei. - Deu uma risada gostosa. – Já vou indo.
- Ok! É... foi bom falar com você. – Falei nervosa. Foi bom falar com você? Tinha uma coisa melhor pra falar não?
- Foi “ótimo” falar com você... Ham... Beijo, tchau.
- Beijo. – E desligamos.
"Mas que raios tá acontecendo comigo? Tô parecendo uma adolescente, que ainda por cima suava frio só com um telefonema, que horror.", pensei. Então quer dizer que Danny Jones, o metido, que eu já não acho mais metido, fica ligando pra mim, é? Bom sinal. Ou não.
Depois de me recuperar e voltar ao normal, fui até o quarto e liguei meu laptop, indo me atualizar com o mundo. Todos os famosos aderiram ao Twitter, e eu que adoro internet e ficar mais perto de meus fãs, obviamente tinha um. Então fui Twittar um pouquinho para passar o tempo.

chegou em casa e eu ainda estava “navegando” e nem notei o tempo passar. Sua feição estava... estava normal? Não sei. Fui até ela para saber mais detalhes de seu dia e verificar como estava seu estado mental, vai que ela tinha surtado?

- Oi, como foi no trabalho? – Perguntei e tive que esperar ela largar sua enorme bolsa verde no sofá, tirar seu salto e se esparramar no mesmo.
- Cansativo.
- Só isso?
- É queria, o quê? – Minha amiga anda com um humor...
- Nada. Alguma novidade? – É. Eu sei. É uma tentativa frustrante de se manter um dialogo. Mas no momento não tinha outra opção.
- Confirmada a reunião de quarta-feira, e Jensen ligou. – Opa. Ela disse tão tranqüila que mal pude perceber o que ela tinha dito.
- O QUÊ? Como assim? Ligou? E você? E por que essa naturalidade? Que droga, responde alguma coisa. – Me alterei.
- Você não deixou, e sim, ele ligou.
- Tá de brincadeira! Depois de tudo o que ele fez, tem a coragem, a audácia de te ligar? – Ele estava parecendo com o... Adam... não pude acreditar.
- É. E não foi só uma vez.
- E você?
- Eu o quê? – Lhe lancei um olhar mortal – Ah... sim, hehe, não atendi.
- Bem que você fez.
- É, mas confesso que fiquei balançada.
- ?
- O que é? Fiquei mesmo, sou sincera, não adianta, não vou esquecê-lo do dia pra noite ou da noite pro dia, tanto faz, e você sabe como é, e sim, estou falando de Adam.
- É, eu sei, precisava tocar no assunto?
- Desculpa.
- Jensen. Argh! Aquele idiota, não sabe a raiva que eu tô sentindo dele, Harry estava certo em não gostar dele, eu devia ter visto desde o começo.
- E eu? Eu realmente gostava dele, ou ainda gosto... Ah, tá vendo por que não quero me amarrar? Isso é muito complicado.
- Ok! Chega de falar nisso, vem, vamos preparar algo pra comer. – Fomos para a cozinha.

Terça-feira. O mesmo tédio de segunda.

E chegou quarta-feira, dia da reunião, então eu tinha que acordar cedo. Não que isso fosse um problema, mas eu já estava me acostumando a não fazer nada. Tomei meu banho, vesti uma calça jeans escura, uma camisa de babados grafite e um salto bem alto. Cabelo em um rabo de cavalo alto, e maquiagem para o dia-a-dia.
Encontrei com sentada na cozinha engolindo o seu café da manhã, e com o seu inseparável laptop ao seu lado. Vestia uma calça justa de cetim preta, uma blusa traspassada com um laço do lado, branca, um coque mal feito, mas até que tinha estilo e por algum motivo que eu não sei qual, não colocou suas lentes de contado e estava com o seu óculos Prada, vermelho.

- Bom dia. – Ela me disse. E me espantei.
- Bo-bom dia. – Gaguejei.
- Por que está me olhando assim? Algo de errado?
- Não. Só... Nada. Por que está de óculos? Fazia tempo que não a via assim.
- Preguiça. – E riu. – E é bom variar um pouco. Não acha que eu fico com cara de inteligente assim? – Ela perguntou, colocando a mão nos óculos.
- Fica. Acordou cedo.
- Muito trabalho, não só lá na gravadora, tenho outras coisas também.
- É mesmo. – Havia me esquecido, ela trabalhava com algumas pequenas propagandas de publicidade, fora seus investimentos e sei lá mais o que.
- Bom... vamos logo, pegue qualquer coisa aí e coma no carro mesmo, só não suje o meu bebê. – Ela me ama. Sei disso.

A reunião foi... A mesma coisa de sempre, decidimos músicas, entrevistas, publicidade, essas coisas. Danny já estava lá quando eu cheguei e, assim que entrei e dei de cara com o par de olhos azuis voltados para mim, quase enfartei, e a vergonha era tanta que se tivesse um vaso ali, enfiava a minha cabeça e dava descarga. Certeza. Durante toda a reunião, eu fiquei de cabeça baixa, já que o único lugar que sobrou foi bem na frente dele. Não sabia onde enfiar a minha cara. notou isso rapidinho, já que ela me olhava com cara de quem está louca pra saber o que se passa. Sim, eu não tive coragem pra contar pra ela que eu estava aos beijos com Danny, enquanto ela levava o par de chifres. Sei que uma hora ou outra eu teria que contar, só que não era cabível ser agora.

- Com licença, Ah... Srta. ? – Clear entrou na sala assim que a reunião acabou, mas todos ainda estavam lá.
- Sim. – Ela respondeu.
- Tem uma entrega pra você.
- Entrega? – Ela olhou pra mim, fazendo careta, e eu dei de ombros.
- Sim.
- Pode mandar entrar.
E um cara baixo, que aparentava ter uns 45 anos, no mínimo, vestia um uniforme verde com cinza e um boné, estendia a sua prancheta para .
- ?
- Eu.
- Assine aqui, por favor.
- Sim. – Ela começou a assinar. – Mas onde está o meu pacote? – Disse sorrindo e entregando a prancheta assinada ao homem.
- Aqui. – Ele saiu da sala, mas voltou rapidamente. Eu quase caí pra trás.
- OMG! Quem mandou? – Ela olhava assustada.
- Eu não sei, senhora, mas há um cartão.
- Oh... Sim, obrigada.
E ele saiu de lá, todos a olhavam sem entender nada e curiosos certamente. Era um buque de rosas vermelhas, enorme e lindo, e havia um cartão nele.
- , quer fazer o favor de ler logo esse troço aí? – Eu não me continha de tanta ansiedade.
- Calma. – Ela olhou a sala toda. – É pra mim ou pra você?
- Estou curiosa.
- Clear, espere! – Ela berrou ao abrir o cartão.
- Sim.
- Leve isso daqui. – E entregou o buque a ela.
- Mas... mas o que eu devo fazer?
- ! Por quê? – Tom perguntou.
- ? O que houve? – Vez de Dougie.
- Sei lá, é bonito, não é? Então arranje um vaso e coloque em algum lugar para decorar, que eu não veja, é claro. – disse nos ignorando.
- ! – Eu quase berrei.
- O que é?
- Por quê?
- Porque sim, ué.
- Tem certeza? – Clear perguntou.
- Sim. Agora vá, obrigada.
- , quer me falar o que houve? – Eu perguntei impaciente.
- Deixa ela, . – Harry pediu.
- "Por favor, eu não vivo sem você. Sei que fui um idiota," Ainda bem que ele sabe. "mas eu te amo muito, e não quero perdê-la", já perdeu. "Quero você ao meu lado pra sempre, isso são só algumas flores pra você lembrar de mim." Querido, o chifre já foi o bastante. "Sei que gosta de rosas vermelhas. Eu te amo pra sempre. Com amor, Jensen." Oh, que lindo, idiota. – leu assim, na maior naturalidade do mundo, pra todos ouvirem.
- Hã? – Dougie soltou sem entender nada.
- Dude, não pergunta. – Harry falou para o garoto.
- Pode deixar, Harry. – falou. – Dougie, a verdade é que eu levei uma bela galhada e então terminei tudo com Jensen. – Todos a olharam chocados. - Que foi, gente? Todos uma hora iriam saber. Parem de me olhar assim, que coisa! – Ela disse.
- O quê? Mas... mas ele... Não? – Tom parecia estar muito confuso.
- Sim, Tom, é verdade. – Ela disse meio triste.
- Oh, , não fica assim. – Ele foi até ela e a abraçou. – Ele não te merece, babes.
- Obrigada. – E sorriu amarelo.
- Você viu? – Dougie curioso.
- Uhum. – Ela disse ainda abraçada a Tom.
- Ele merecia uma surra. – Danny falou chegando perto dela.
- Parem com isso, já passou. – Ela tentou parar com aquele momento deprê.
- Se eu estivesse lá, não teria o sangue frio do Harry. – Ui, Danny, pra que falar isso? Agora ela vai perguntar onde você estava e onde eu estava e... Isso vai ser trágico.
- É, Harry a ajudou na hora. – Eu disse depois de um pigarro, e tentar mudar o rumo da conversa.
- É, ele é um anjo. – disse sorrindo pra Harry. – Agora, por favor, se não se importam, sabe não ajuda em nada na minha auto-estima ficar falando disso, mudamos de assunto?
- Claro. – Todos disseram.

Ficamos por lá mais algum tempo, esperei falar com todos, e Danny foi quase o último e demorou um pouco, o último mesmo foi Harry, que não desgrudava mais dela.
Era visível que Danny queria falar comigo, ele tentou várias e várias vezes, mas sempre tinha um que atrapalhava. Urgh! Nossos olhares se encontravam a toda hora e nem sequer disfarçavam. Ele mandou uma mensagem pra mim: “Tá meio difícil falar aqui, acho que não vai dar :( “ e olhei em sua direção e esse fazia uma carinha, linda, vale ressaltar, de criança que perdeu o seu doce, com um biquinho que deu vontade de... deixa pra lá. E fui obrigada a rir com aquilo, com toda a certeza ele deveria estar adorando aquela situação, principalmente quando ele via que eu começar a corar.

jogou sua bolsa no sofá e eu fiz o mesmo, já me sentia de casa. Ela olhou para o telefone e viu que havia mensagens na secretaria eletrônica, então ela começou a ouvir.
- me atende, por favor, já tô ficando louco.
- Eu que tô surtando. – Ela me disse.
- Não vou desistir de você tão fácil assim, não posso. Eu te amo.
- Você recebeu minhas flores? Espero que goste.

- Receber eu recebi, só não fiquei com elas.
- Caramba, você não me atende, não fala comigo. Não me deixa assim, , por favor, eu preciso de você ao meu lado, eu te amo e não posso te esquecer e eu sei que você também não se esqueceu de mim.
- Porque ele faz isso comigo? – Ela me perguntou com a voz embargada.
- Shhh, não fique assim, você estava tão bem.
- Mas não é nada fácil e agora tenho que aturar ele tentando voltar? É demais pra mim.
- Eu sei, babes, eu sei. – E depois de certo tempo em silêncio, ela finalmente o quebrou.
- Tem algo que queria me contar? - Me perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Não.
- , você mente muito mal e desse assunto eu entendo muito bem. – Verdade, ela entedia melhor que eu.
- Na-não tem nada.
- Eu te conheço melhor que você mesma, desembucha.
- , não sei onde quer chegar.
- Argh! Acha que não percebi suas trocas de olhares com o Jones? – Ai, sabia que ela estava só de butuca na gente, ô menina...
- Troca de olhares? Da onde tirou uma coisa dessas?
- Não me enrola.
- AIII. Tá. Que coisa. O que quer saber? – Ok, respira fundo e vai que é tua...
- Tudo.
- Jura que não me bate? - Ela pensou e negou a cabeça. – Ok! Desculpa, mas enquanto você estava passando por aquilo... eu... eueDannynosbeijamosnafrentedetodomundo. Pronto falei. – Soltei de uma vez só.
- Peraí, acho que o chifre tá machucando. Você o que com quem? – Ela me olhou pasma.
- Eu. E. Danny. Nos. Beijamos. Na. Frente. De. Todo. Mundo. – Falei bem pausadamente só pra irritá-la.
- Não? Jura? – Ela estava de boca aberta de tanto espanto.
- É, está brava?
- Não, claro que não, estou radiante! – E me abraçou. Posso dizer que eu não entendi absolutamente nada? Eu não entendi absolutamente nada. – Yess! – Eu a ouvi falar pra si.
- ? Cê tá bem?
- Melhor do que nunca.
- Eu acabo de dizer que eu FIQUEI com o Danny, sabe? Aquele seu amigo? Então, e que por um acaso eu fiquei com ele enquanto VOCÊ estava passando por maus bocados, e que assim, só mais um detalhe, nada demais, eu sou casada, e você me diz que está radiante? Bebeu? Tá doente? Se drogou?
- Deixa de bobagem, e você está casada, não está morta.
- Você bebeu. Definitivamente você bebeu.
- Acho que quem bebeu demais aqui foi você. – Começou a rir. – Ai... doeu.
- Era pra doer mesmo. Não entendo porque ficou feliz.
- Ah... porque sim. Agora me conta tudo amiga. Ele beija bem? Porque se não beijar, daí danou-se. Conta. Conta. – Batia palmas feito uma criança.
- Hm... Ele é ótimo... – E contei tudo pra ela, exatamente como aconteceu naquela noite. E algumas vezes me perdia em meus devaneios, até que ela me acordava deles. Ela aceitou numa boa, o que me deixou intrigada, mas era melhor assim. Eu acho.
Até que ela me interrompe e diz que precisa fazer uma ligação urgente.

No quarto de

procurava freneticamente o seu celular, e quando o acho, discou o número rápido e se deitou na cama.
- Alô. – Ela ouviu uma voz de sono.
- Oi... É a . Te acordei?
- ! Não, claro que não.
- Então, Hazz, tenho novidades importantíssimas. – Ela disse animada.
- Sobre?
­- Daniel Jones e se pegaram naquela noite. Pelo menos algo de bom aconteceu naquele dia.
- Hã?
- Acorda, Judd. e Danny ficaram finalmente.
- Não! Sério? Tá, ela é casada. – De repente ele ficou pensativo.
- E daí? Isso não é importante.
- Não, não é. Imagina, trair seu marido é completamente normal. – Ele ironizou.
- Bom... Acho que tá virando moda.
- Desculpe.
- Que nada, o importante foi que deu certo! Judd, nós somos incríveis. – E ele gargalhou.
- Ok! E daqui pra frente?
- Não sei, mas agora que eles se acertaram de vez, nós não podemos parar de... dar... um empurrãozinho... um incentivo a eles. E aí? Me ajuda?
- Claro, tô nessa até o fim.
- Ótimo. Te adoro, sabia? A gente se fala depois, beijo.
- Eu te adoro muito, pequena. – Ele sussurrou, mas ela mal pode ouvir e desligaram.

Capítulo 19

Passamos um final de semana em Doncaster. Como boas filhas que somos, fomos visitar nossos pais que ainda moravam lá. Só Deus sabe o quanto eu sentia saudades deles, da comida da minha mãe, do colo de meu pai, da casa, daquele lugar. Fui com , mas ela ficou na casa dos pais dela, obviamente, e só nos vimos em um grande almoço que nossas famílias resolveram fazer juntas no domingo. Eles ainda continuaram muito amigos, mesmo com nossa saída da cidade. Nos divertimos muito, contamos como estavam nossas vidas, mas... mas nem eu e nem contamos nossas frustrações com nossos relacionamentos, não tivemos coragem ao ver a felicidade de todos com nossa visita, então decidimos deixar pra lá e aproveitar ao máximo nossa estadia em Doncaster. O mais difícil foi à despedida, ela tinha que trabalhar no outro dia à tarde, já que pediu folga de manhã, e eu também tinha algumas coisas pra resolver. Eu, se ficasse por lá por mais tempo, não iria querer mais sair.
Foi muito bom rever nossos familiares, mas de volta a realidade de nossas vidas de puro trabalho, voltamos para Londres logo.

Notei que nos últimos dias anda meio estranha, não por causa do ocorrido naquela noite, mas anda esquisita, principalmente comigo. Ela anda trabalhando muito, já eu nem tanto, Jess não parava de me atormentar, também pudera, ela era minha empresária e não estava comigo em um evento importante em minha carreira feito esse, então liguei pra ela algumas vezes apenas para informá-la de que está tudo em ordem.
Já que estava com certa folga da gravadora, resolvi andar por Londres, fazia muito tempo desde a última vez que estive na Inglaterra, e nesse meio tempo em que eu me encontrava lá, estava tomada por trabalho que não tive a oportunidade de passear um pouco e matar minhas saudades.
Na quinta-feira resolvi dar as caras na gravadora, só pra avisar que ainda estava viva, fui depois de ... É que a cama estava muito atrativa naquela manhã.

- Bom dia – eu disse entrando na sala dela. Entrei lá poucas vezes, já que sempre usávamos a sala de reunião, que era mais ampla. Sua sala era grande, branca, com alguns quadros. Uma enorme janela atrás de sua mesa que continha um computador, mas sempre estava junto com seu laptop, uma estante logo ao seu lado. Duas cadeiras confortáveis vermelhas na frente de sua escrivaninha a e um sofá branco no canto.
- Olá. O que faz por aqui?
- Bom... Vim ver como andam as coisas por aqui. – Pra falar a verdade, nem eu sabia o que estava fazendo ali. – Os meninos não vieram trabalhar?
- Os meninos? Ou o menino? – Ela me perguntou cruzando os braços em cima de sua mesa.
- O que quer dizer com isso?
- Não se faça de tonta, você quer saber é do Danny, não nasci ontem, . – Merda. Ficou tão explícito assim?
- Pare de tirar suas próprias conclusões. – Tentei disfarçar, mas acho que não deu muito certo.
- Então admita que estou certa e paramos por aqui. – E estampou um largo sorriso.
- Você não vai parar por aqui.
- Então é verdade. – E começou a rir vitoriosa. – Oh... Que bonitinho! Ó a lágrima. – E fingiu estar limpando o rosto. – Hmm... Como vocês estão?
- Não estamos. – Pelo menos é o que eu acho.
- Mas, olhando de certos ângulos, vocês até que formam um casalzinho bonito. – E ela fez cara de pensativa.
- Engraçadinha, vamos parar por aqui. – Eu disse colocando firmeza em minha voz.
- Oh... Por quê? Agora que está ficando interessante.
- Argh! – Soltei.
- Pô, , pelo menos alguma coisa de bom aconteceu naquela noite. – Ela disse colocando a mão sobre a minha.
- Sei lá.
- Ah... não me venha com essa. – R tirou a mão de lá. – Eu que levo a galhada e você que fica com essa cara de cu? Tenha a santa paciência.
- Não é b... – e fui interrompida com o toque de seu celular.
- Desculpe, tenho que atender. – Ela disse sorrindo.
- Quem é?
- Não é da sua conta. – E mostrou a língua pra mim saindo da sala.
- "Não é da sua conta." Urgh! Detesto quando fazem isso. – Sussurrei.
Ela não demorou muito no telefone e logo entrou na sala.

- Ok, babes. Onde paramos? – Ela perguntou entrando na sala.
- Na parte que eu digo que você é uma metida e que não sabe o que fala.
- Oh... Lembrei! Na parte que você estava falando no quanto acha o Jones lindo, sexy, gost... – Ela começou a dizer com os olhos piscando, mas eu interrompi lhe enchendo de tapas no braço. – Ai, ai, tá, já entendi, já entendi.
- Idiota.
- Cretina.
- O que está fazendo? - Perguntei.
- Nada, já terminei tudo, só estou esperando a boa vontade do Sr. Kaplan em me mandar os documentos dele.
- Hm... então dep... – Interrompida de novo, só que dessa vez era seu telefone do escritório.
- Só um minuto. – E fez sinal com o indicador.
- Sim. – Ela atendeu e fiquei quieta.
- O quê? Mas ele... Ok! Então eu já vou indo. Não, não precisa, obrigada.
- E aí?
- Quer ir ao shopping comigo? – Me perguntou, colocando o telefone no gancho novamente.
- Shopping? – O que deu na cabeça dessa criatura?
- É não tenho mais nada pra fazer aqui, e não vou ficar mofando nessa sala, preciso de compras! – Disse pegando sua bolsa. – Cê vem?
- Claro!

E seguimos para o shopping. Entramos em quase todas as lojas, já não podíamos mais com tantas sacolas, descemos ao estacionamento, deixamos elas lá e voltamos às lojas.
Até que entramos em uma sapataria e maravilhadas com o que víamos, disse:
- Leva esse! – Apontava para o calçado que eu vestia, era um peep toe coral.
- Não. Acho que não, comprei demais. – Não que eu não pudesse gastar, mas tudo tem seu limite.
- Gostou?
- Sim.
- Moça, coloca junto com o meu, por favor. – Ela nem esperou eu dizer nada.
- ! Não precisa.
- Claro que precisa, e o dinheiro é meu.
- Sim, mas você já comprou muita coisa pra mim hoje. – Eu disse, me lembrando do vestido que ela quis que eu levasse e comprou pra mim, blusas, acessórios...
- Bom... Teve uns que foi porque eles não aceitavam o seu cartão. – E sorriu. – E eu aproveitei, seu aniversário está chegando, e você sabe que eu não sou boa com presentes, então...
- Mas... você disse que eu pagava depois. – Algumas lojas não aceitavam aquele tipo de cartão e eu não tinha levado dinheiro. E pra falar a verdade, com tantas coisas acontecendo, esqueci completamente do meu próprio aniversário.
- Eu menti. – Abriu um sorriso enorme. – Aposto como se esqueceu de seu aniversário, mas eu estou aqui para lembrá-la, esqueceu que tenho uma ótima memória? Essas coisas ficam como presentes de aniversário. Ah... não aceito não como resposta.
- ... eu não...
- Não sabe o que dizer? Não diga nada, só aceita.
- Obrigada, babes, – e a abracei forte – nem sei como te agradecer.
- Que isso, agora vamos logo que eu vi uma blusa divina ali na loja da frente.

Passamos a tarde toda no shopping, compras e mais compras, fazia muito tempo que não saíamos pra esse tipo de programa. Ela queria me encher de presentes, mais do que ela já havia me dado. Nem sei como pude me esquecer de meu aniversário, era tanta coisa em minha cabeça, tantos acontecimentos, que mal pude perceber que ele já estava chegando. Seria na segunda-feira, faria 25 anos, uma idade ótima, nem tão nova, mas também nem tão velha, sempre dizia que quando chegasse essa idade, eu iria fazer A festa, mas com tudo isso não me lembrei. Mas fez questão de me presentear. Bom, comemos alguma coisa por lá mesmo e fomos pra casa.

Acordei cedo para uma manhã de sábado, talvez seja pela música nas alturas que fez questão de colocar.
I’m bringing sexy back... Them other boys don't know how to act! I think it's special what's behind your back. So turn around and I'll pick up the slack!
"Ela não respeita os que dormem não?", pensei. Olhei no relógio, tudo bem, não era tão cedo, 10h, mas era sábado! Decidi por me levantar, já que não conseguiria mais voltar a dormir. Lavei meu rosto, escovei os dentes, coloquei qualquer roupa e fui até a cozinha.

- Bom dia, flor do dia. – Ok! Ela surtou de vez.
- Bom dia. – Eu disse ainda grogue.
- Animação, honey! Temos um dia cheio pela frente. – Disse, me entregando o que parecia ser um sanduíche. Meus olhos não estavam ajudando muito.
- É? O que nós faremos?
- Hmmm... surprise!
- ?
- Eu?
- Fala logo.
- Eita! O mau humor matinal é meu papel, ok?! Marquei salão de beleza pra nós duas hoje à tarde. – Ela disse com um largo sorriso em seu rosto.
- Pra quê? – O que ela deveria estar tramando dessa vez?
- Porque nós somos lindas, jovens, sem nenhuma ruga e devemos continuar assim.
- Tá. Eu acho.
- Ok! Tome seu café que nós almoçaremos em um restaurante mesmo, e de lá seguimos pro salão.

Almoçamos, muito bem, aliás, e como ela disse, fomos direto para o salão.

- Hey, Mike! – Ela disse ao moço de estatura mediana, cabelos devidamente arrumados e pintados, de olhos azuis e pele clara.
- Oi, amada! Quanto tempo... Esqueceu de mim, foi? – Ele respondeu a ela.
- No way. Quero que conheça minha amiga Ka...
- , babes, eu a conheço. – Ele disse olhando pra ela e se voltando a mim. – Adoro suas músicas, você é ma-ra-vi-lho-sa!
- Oh... Obrigada. – Sorri tímida.
- Bom... O que minhas lindas mulheres vão querer?
- Hm... Tudo que tivermos direito. – respondeu.
- Então... vamos logo meninas. – Ele disse simpático. Eu gostei do lugar, era agitado, animado, tocava músicas de diversos estilos, e todos conversavam, muitos nem se conheciam, mas mesmo assim engatavam uma conversa animada e não paravam.
Como o previsto, praticamente passamos a tarde inteira lá. Cabelos lavados, escovados, arrumados. Unhas dos pés e das mãos feitas. Maquiagem magnífica. estava recebendo muitas ligações, e como estávamos meio que afastadas uma da outra, não pude ouvir quase nada. Algumas eram de... Jensen. Acho que ele não vai desistir tão fácil assim dela, parece estar realmente muito arrependido do que fez, mas se bem conheço ela, será difícil ele conseguir uma reconciliação. Claro que ela não atendia, e Mike viu isso e foi logo perguntando o que aconteceu com o bofe gostosão, tudo de bom dela. Ela não resistiu e contou tudo. Mike ficou chocado, ou chocada, não decidi ainda, com o que ela acabara de lhe contar.

Capítulo 20

Chegamos em casa por volta de oito horas da noite, não sei ao certo, ela correu para seu quarto, não sei fazer o que, e voltou para o meu no mesmo pique.

- Babes, por que você não coloca aquele vestido que te dei ou, sei lá, o que quiser e vamos cair na night? – Ela disse se requebrando toda.
- Tá doida? Tô exausta.
- Ah... Corta essa, se arrumou toda pra que então? Pra eu ficar te olhando?
- Idéia sua. – Eu disse e fiz uma careta pra ela.
- Ah... Vamos, vai ser divertido, pleeeeeease. – E fez cara de cachorro pidão.
- Onde é? – Disse. Quase, quase me rendendo.
- Ah, em alguma casa aí, sei lá. Vai que eu arranjo um ombro para eu afogar minhas mágoas?
- Ai, tá. Mas já vou avisando que não quero demorar muito.
- Nossa, você está muito chata. – Ela me disse, fazendo bico.
- Argh! Vamos nos arrumar logo antes que eu mude de idéia.

Preciso aprender a dizer não à essa menina. Ela berrou alguma coisa com 9 horas, então me arrumei rápido. Aceitei a idéia dela, vesti o vestido que ela me deu, ela sabia que eu estava louca atrás de um desses, tubinho, azul bic, curto, bem curto. Calcei meu sapato nude, e a maquiagem já estava feita, apenas coloquei um batom vermelho. Nada muito extravagante, afinal, nem sabia aonde ia.
apareceu em meu quarto pronta, para meu espanto. Um vestido de cetim vermelho, que demarcava muito bem seu corpo, cabelo e maquiagem prontos que nem o meu, e um salto alto preto.
Perguntei o caminho todo onde era a tal festa, na casa de quem, mas ela só me respondia com meias palavras, frases mal feitas, e isso estava começando a me aborrecer.
Ela estacionou atrás de um belo Audi-não-sei-das-quantas, e fiquei observando a enorme casa à nossa frente. Nenhuma movimentação na frente da mesma, eu estranhei a calmaria, e segui-a rumo à porta.
Foi mais estranho ainda quando entramos e a porta já estava aberta, as luzes apagadas. Vai ver era para dar “aquele” feito. E de repente:
Happy birthday to you, happy birthday to you…
Todos naquela casa cantavam e eu ouvia as palmas. Olhei para parada atrás de mim, ela estava mordendo o lábio inferior e batia palmas junto, meus olhos encheram-se de lágrimas e mal pude reconhecer as pessoas. Vi os meninos do Mcfly, todos eles, sim, Danny me olhava com um sorriso enorme. Fletch estava lá também. Nem podia acreditar, tinha até mesmo alguns amigos nossos do colegial, que eu não fazia idéia nem se estavam vivos. Alguns eu não conhecia, deviam ser amigos deles, mas quem realmente importava estava ali, todos eles. Meu sorriso foi à orelha de tanta felicidade, me abraçou e sussurrou:
- Gostou da festinha? – E eu a olhei novamente incrédula.
- Você planejou tudo isso? – Minha voz saiu falha.
- Bom... sim, mas tive uma ajudinha aí. – E deu de ombros.
- Você é inacreditável. – Eu não sabia o que dizer, ela planejou tudo aquilo pra mim? Não tinha como agradecê-la.
- Eu sei. – Sorriu vitoriosa. – Mas agora você tem que fazer o papel de aniversariante e ir cumprimentar as pessoas, ô do mato.
E foi o que eu fiz, comecei a andar pela casa, (que eu ainda não sabia de quem era) e fui cumprimentar a todos. Comecei pelas pessoas que eu não via há muito tempo, que das quais eu mal podia reconhecer após tantos anos.
Engatei uma conversa muito animada com alguns colegas de colegial, que eu não faço a mínima de como a conseguiu reuni-los. Conversamos sobre muitas coisas, eu não pude saber muito sobre a vida deles, já que eles queriam saber mesmo era de minha vida e de como era ser uma estrela da música pop. Argh! Às vezes isso irrita. Até que sinto uma mão em meu ombro e outra em minha cintura. - Podemos roubar a aniversariante por um minutinho? – Tom perguntou para as pessoas com quem eu conversava.
- Sabe, ela ainda não quis falar com quatro pessoas insignificantes, mas que gostam muito dela. – Dougie falou fazendo um biquinho... Fofo.
- Claro. – Uma delas os respondeu. E eles me levaram até o que eu acho que era a cozinha, porque pela bagunça que esse cômodo da casa tinha, era praticamente impossível ter certeza de algo.
Danny e Harry estavam sentados bebendo na bancada, já estava conversando com um rapaz em um canto.
- Olha quem resolveu aparecer. – Harry chamou a atenção de todos.
- Se não fosse pela gente, ela nem viria falar conosco. – Tom falou.
- Ah, não é bem assim, é que tem pessoas que eu nunca mais tinha visto. - Me defendi.
- E então se esqueceu de nós? – Danny pela primeira vez nessa noite dirigiu a palavra a mim.
- Ai, Danny, não seja tão dramático.
- E aí, está gostando? – Dougie me perguntou, pegando um copo de cerveja.
- Claro que estou! – Falei, dando um largo sorriso. – Vocês ajudaram com tudo isso?
- É, né! Ela sempre me explora. – Harry fingiu indignação.
- É, verdade. Mas vê se você reclama? O que ela não te pede chorando que você não faz sorrindo? – Danny adora tirar uma com a cara do menino.
- Danny? Cala a boca. – Ui, Harry irritadinho.
- Ah, gente, de quem é a casa? – Eu me lembrei que não sabia ainda quem era o proprietário.
- Minha. – Tom respondeu. – Ofereci, porque... ah, não sei porquê.
- Obrigada, Tom. – E fui em direção a ele e o abracei.
- Ei, eu também ajudei, então mereço um abraço. – Danny falou e foi seguido por Dougie e Harry. Uma cena muito linda, se eu não estivesse sendo esmagada por quatro rapazes bem maiores que eu, apesar de que eu acho que Dougie tenha se esquecido de crescer.
- Ok! Estou começando a sentir falta de ar. – Eu disse com a voz sufocada. Eles riram da minha cara e me soltaram.
- Onde está? – Perguntei.
- Com um cara ali. – Danny me respondeu. – É, Harry, perdeu, mermão, perdeu. – E abraçou o menino de lado.
- Danny, quer parar? Que merda. Ela faz o que ela quer. – Harry se irritou... de novo.
- Vou chamá-la. – Eu disse e comecei berrar seu nome, ela fez sinal para que eu parasse, mas eu nem liguei, chamei até ela resolver vir falar comigo.
- O que foi, criatura? – Ela falou com sua delicadeza inigualável. Até parece.
- Pô, eu sou a aniversariante, quero atenção.
- , eu não acredito que você me chamou pra isso! – Acho que atrapalhei algo.
- Por quê? Atrapalhei alguma coisa?
- Cê não se lembra dele? – Ela me olhou pasma. Não lembro nem o que eu comi ontem, vou me lembrar desse ser?
- Não.
- Cabecinha fraca, é o Ryan! – OMG!
- Não! Ele veio falar com você? – Eu pude ouvir um pigarro.
- Ah... Só por curiosidade, quem é ele? – Harry perguntou, e “tentou” parecer natural.
- O ex da , eles tinha um caso na escola, coisa de doido. – Respondi a ele no mesmo.
- Sério? – Ele ainda não entendeu? Quer que eu desenhe?
- Sim. Fazia muito tempo que não nos falávamos. – Ela disse simplesmente.
- Hm... – Ele se dignou a soltar esse som.
- E sabe quem veio também? – Ela perguntou com animação.
- Quem?
- David! Ele está por ai! – OMG! De novo.
- Não!
- Sim! Vieram juntos, assim que souberam de nossa festinha. - E ouvi outro pigarro.
- Ah... Só por curiosidade, quem é ele? – Danny perguntou igualzinho a Harry.
- O ex da . Sabe né, eles eram amigos, nós éramos amigas, só que ela terminou antes e eu... ainda dava minhas saidinhas com o Ryan. – me poupou de dar explicações.
- Haha, nossa, nem me lembrava disso, amiga. – Eu disse, bebericando meu Martini que acabara de pegar. Pedi licença para os meninos e fui cumprimentar o resto do pessoal. David – meu ex caso da adolescência - estava mais lindo e gostoso do que nunca e quando eu passei por ele, fui obrigada a parar e conversar com ele.
(Coloquem pra carregar)
Danny ficava me olhando de longe e eu podia notar o quanto ele estava bufando (e isso me fez rir muito). Comi, bebi demais, conversei com velhos amigos e gargalhei muito.
Já era perto da 1 da manhã e o povo começou a sair e só restaram os 6 mosqueteiros. Até Fletch saiu de fininho, alegando que tinha alguma coisa que eu não me lembro o quê para fazer domingo de manhã.
Eu já estava muito mais pra lá do que pra cá. Havia tirado meu salto 15 e estava esparramada no sofá, conversando com os meninos, quando de repente, aparece na sala com um marabu rosa choque e dois microfones na mão.
- Amiga! Uhuuuuuuuul! – Ela disse, pulando em cima de mim.
- Sai daqui, sua louuuuuuuca!! – Nós ríamos demais, sem nem saber o real motivo da graça>
- Sabe... Acho que a gente tem que alegrar um pouco essa coisa... – olhou para os meninos com um olhar maléfico. Em 20 minutos, fizemos os guys dançarem macarena e imitarem a Shakira. Tom se saiu o melhor de todos.
- Vocês sabiam que a fez aulas de canto comigo quando éramos menores? – Eu perguntei e geral olhou pra mim incrédulo. – É verdade, gente...
- Cala a boca, ! Imagina, eu tenho uma voz de taquara rachada! – disse me dando um beliscão.
- Haha, que isso amiga! Você era ótima... Vamos tentar cantar alguma coisa? Por favor... – Olhei pra ela com uma cara muito preparada, piscando os olhinhos e com as mãos juntas em sinal de prece.
- Tá bom... O que podemos cantar? – me perguntou, se conformando.
- O que você acha de Denial? Meu Deus, quanto tempo não canto essa música! – Eu sugeri.
- Ótima, babes! Eu tenho o instrumental dessa música no carro, pera aí, vou lá buscar! – levantou-se e foi pro New Beetle pegar o cd, voltando logo em seguida e colocando o mesmo no aparelho de som, na sala de Tom.
(Dêem play!)

Logo começamos a ouvir as primeiras batidas de Denial... Por Deus! Como eu amava aquela música, e querendo ou não, a letra significava muito no momento em que eu e estávamos vivendo. Principalmente em nossa vida amorosa.
começou a cantar e, caramba, como a voz dela estava incrível!

Letting you go is pretty damn difficult
Coz there was a time I would be for you
What you need for me (I would do what)
Whatever to be rolling wit' u
And you know I took it as far as I can go
So I'm gonna lay it out right for you
You're not good to me (I know I've been)
Blind but I can open my eyes

:
Coz then I see just what you are
Not for me, I don't why
I wanted you. I don't want you.
I deny. Ohh.

Ambas:
All that you did and all that you didn't
All that you said and all that you wouldn't
Deny, I deny it
Defy, everything. Ohh.
All that we were and all that we called up
All that you were and all that you made up
Defy, I defy it
I deny everything you are

And everything we were
And everything you are
And everything we were, and

:
You took your time
Well baby you should take up all of mine
So when I said you should be you don't question me
When I'm telling you (I don't want you)
Hiding up my mind anymore

:
I don't want you, you can go
Leave my keys and close the door
I don't need somebody like you
I deny. Ohh. I deny!

E então, seguimos cantando, repetindo o refrão até a música acabar. Essa letra falava de alguma decepção amorosa, e isso querendo ou não afetava eu e ao mesmo tempo. Todos sabiam de Jensen, mas apenas e Danny sabiam de Adam, e Danny parece que entendeu o recado e que eu cantava, lembrando dos meus maus momentos com meu querido marido.

- Wow, essa música é muito legal! – Dougie se pronunciou.
- Pois é... Nós também achamos, apesar da letra ser um pouco “triste”, eu e gostamos bastante dela. – Eu disse.
- Gente, vou lá em cima pegar uma coisa que eu esqueci... – Danny disse, levantando-se do sofá onde se encontrava. Todos concordaram e Danny subiu as escadas.
- Babes, acho que você deveria dar uma incerta e ir lá em cima... Depois do que aconteceu, vocês nem tiveram a oportunidade de conversar. – disse, sussurrando em meu ouvido e eu assenti com a cabeça e logo inventei alguma desculpa pra subir também. Parece que Danny notou certa movimentação no andar de cima e como uma premonição, sabia que era eu. Ficou escorado na porta do quarto de Tom, olhando em direção à escada.
- Sabia que você iria subir. – Ele disse sorrindo de lado pra mim
- Você é muito convencido, sabia? – Eu disse andando em sua direção e assim, adentramos no quarto do Tom.
- E você continua sendo uma metidinha. – Ele disse me abraçando.
- Acho que a gente deveria conversar... Você sabe muito bem o que sou, como sou, e o meu estado civil.
- Eu não me importo. – Ele disse encostando a cabeça no meu ombro e me deixando cada vez mais com a perna bamba. Deus, dai-me força e tenha piedade da minha pobre pessoa.
- Mas eu me importo, meus fãs se importam, minha família se importa. – Eu disse olhando-o séria. Aquele era um assunto sério.
- Deixa disso, , por favor. – Seu olhar era suplicante...
- Danny, você não entende? Olha pra mim, olha meu nome! Isso é errado... Eu não posso, eu nunca poderia ter feito isso. – Eu tava querendo enfiar isso na cabeça dele de uma vez por todas, mas antes eu devia tentar enfiar na minha.
- Olha pra mim. Você se arrepende? – Ele fixou seus grandes olhos azuis nos meus e me intimidou com a sua pergunta.
- Não.
- Então... Deixa de ser boba.
- Pára! Eu não estou sendo boba, eu estou sendo realista. – Num movimento muito rápido, me desvencilhei de seus braços e me encontrava do outro lado do quarto. – Você é um mala mesmo, né?! Você só entende o que você quer. É difícil entender que eu sou casada? Eu tenho um nome a zelar? – Meu Deus, eu não sei o que estava acontecendo comigo. O efeito da bebida estava batendo.
- Você é uma convencida, isso sim! Acha que pode falar tudo o que pensa? Meu Deus, você só pensa em você mesma... Como eu nunca vi isso antes, bom, na verdade eu sempre soube disso... Mas o que um beijo pode fazer, né? Me deixou cego... – Danny falava e se aproximava de mim.
- Você é um idiota isso sim! Meu Deus, como eu pude? Trair meu marido com você? Um protótipo de vocalista... breguíssimo com essa camisa xadrez. – Eu fui de dedo na cara dele, sem dó nem piedade e foi aí que ele pegou meus pulsos e disse:
- Quer saber de uma coisa? Cala a boca. – E isso me beijou com tamanha voracidade, totalmente diferente do nosso primeiro beijo. Dei um impulso e cruzei minhas pernas ao redor de sua cintura e agarrei seus cabelos com força, enquanto ele não se decidia entre minhas costas e meu pescoço.
- A coisa que eu mais odeio em você, é o jeito que você me deixa... – Eu disse ofegante, ainda em seu colo, olhando-o dentro de seus lindos olhos.
- E como eu deixo você? – Falando isso, ele encostou minhas costas na parede gelada do quarto do Tom e me pressionando contra seu corpo.
- Desse jeito, odiando o jeito de como eu quero estar perto de você. – Eu disse, colando nossas bocas mais uma vez. Desse jeito, sem partir o beijo, ele foi me dirigindo até a cama de Tom. Nos beijamos por vários minutos e quando eu vi que o clima estava esquentando, resolvi parar. – Não, Danny, por favor...
- Tudo bem, não tem problema.
- Obrigada – Sorri agradecida
- Você é linda.
- Hmmm, sério?
- Sim. - Ele me disse distribuindo beijinhos no meu rosto e em meu pescoço. Eu já não sabia mais o que pensar, ele me deixa de um jeito que não sei explicar, apenas sei que é disso que eu preciso, é isso que eu quero, mesmo sabendo que é... Errado.
- Sabe, você é até... bonitinho. – Eu disse provocante.
- Bonitinho? Só isso? Eu tô aqui me declarando e você me vem com bonitinho? – Ele disse em um tom de indignação e eu dei uma risada nasalada.
- Você é... lindo. – Eu disse tímida. E assim ele sorriu pra mim do jeito que tanto gosto e me beijou novamente. Um beijo doce, mas apaixonado, como fazia muito tempo que eu não sentia.
- Obrigado... Você até que dá pro gasto.
- Danny!
- Ouch...
- Horas? – Perguntei, parecia que estávamos a poucos minutos ali naquele quarto.
- 03:12.
- Meu Deus!!! E deixamos todo mundo lá embaixo... Vem, vamos descer, Dan. – Eu disse, tentando tirar o peso pesado Jones de cima de mim. – Argh... Dá pra sair?
- Ah, sério? Aqui tá bom... – Ele fez biquinho, ele fez biquinho e ele fez biquinho!
- Sério, vamos. – Acho que fiz a minha melhor cara e ele topou.
Chegamos na sala e acreditem: Todos estavam babando em cima do sofá, bêbados, dormindo de qualquer jeito. estava com a cabeça apoiada no peito de Harry e isso foi extremamente fofo.
- Vamos acordar, galera!! – Danny gritou isso, pulando em cima de Tom e Doug que estavam dormindo no mesmo sofá.
- Ahn? Oi? O quê? Fogo? – acordou assustada com o barulho que o tombo de Doug causou.
- Vamos, babes... Eu tô cansada, quero ir pra casa dormir. – Eu disse oferecendo minha mão para levantar do sofá.
- Calma, deixa eu me recompor... Deu, vamos. – Ela deu um intervalo de 5 segundos na frase.
- Acho que eu também vou indo... – Danny se pronunciou, pegando seu casaco e verificando se as chaves do carro estavam no mesmo.
- É, vou também. – Dougie se levantou.
- Hazz? – Tom perguntou.
- Er... Posso dormir aqui, mate? – Cara de bebê.
- Pode né, fazer o que. Vou te inscrever no movimento dos sem-casa... – Tom disse, recolhendo alguns copos que estavam em cima da mesa no centro.
Todos nós nos despedimos e seguimos cada um para seu carro. É, eu já considerava o Baby Carocha como meu carro (Sim, esse é o nome do New Beetle da ). Podíamos ver Tom e Harry na porta de casa, acenando alegremente para nós, como um casal feliz depois de receber os amigos. Ai, gay.

Capítulo 21

A noite anterior tinha sido simplesmente perfeita, tudo como tinha planejado. Adorei a surpresa, os presentes e mais presentes que ela fez questão de me dar na festa. Saímos de lá muito tarde e muito bêbadas, diga-se de passagem. Ao voltar para casa, não fizemos muitos rodeios, fomos direto para cama e capotamos.
Eu já devia estar no meu sétimo sono quando o telefone toca. Aquele barulho irritante tocava sem parar, mas nem eu e nem tivemos coragem de ir atender. Mas deveria ser muito importante, pois ninguém em sã consciência ligaria àquela hora da madrugada e novamente ele começou a tocar... E tocar e tocar incessantemente. Levantei-me e encontrei indo em direção ao mesmo.
- Que é? – atendeu assim, nessa simpatia.
- , quem é? – Cochichei pra ela, mas parece que não tinha nem me ouvido e de repente ela parece acordar de vez.
- Harry! Fala devagar. Calma. - Ela não parava de andar pela sala. – Como assim? Ai, Meu Deus! Tô ouvindo sim... E como vocês sabem? – Ela esperou pela resposta do que parece ser o Harry. – Isso não pode está acontecendo, não pode... – Ela se sentou no sofá e colocou a sua mão livre no rosto e abaixou a cabeça. – Não me manda ficar calma numa hora dessas! – Ela começou a alterar a voz. – Onde você está?... À que horas que vocês souberam?... – Eu já não tinha mais unhas para poder roer, estava ficando nervosa só de olhar para as caras que ela fazia.
- , me diz o que está acontecendo, porra!
- , espera, merda!
- Mas... – E ela fez sinal para que eu me calasse.
- Você fez muito bem em avisar sim, Harry, já estamos indo para aí... Não discuta comigo, nós chegamos aí em poucos minutos, te encontro aí, beijo. – E desligou o telefone.
- Nós vamos aonde? – Perguntei, mas com medo da resposta que receberia.
- , senta.
- Não. Me fala de uma vez.
- Ok! Danny foi seqüestrado.
- Hã? – E cai sentada no sofá, minha cabeça estava girando, ela falou na lata, e me pegou de muita, mas muita surpresa.
- É. Eu sei, não sei nem o que pensar.
- Mas... – Eu não conseguia nem mesmo falar, estava estática, apenas sons saíam de minha boca, parecia estar atordoada, mexia sem parar em seus cabelos e me olhava esperando eu dar algum sinal de vida.
- ? Respira, pelo amor de Deus. – Ela me chacoalhava e eu finalmente a olhei e a ficha caiu bruscamente, Danny... Ele tinha sido seqüestrado! E eu estava ali parada feito um dois de paus. Acorda, !
- Ok! O que a gente faz?
- Não faço a mínima idéia. Harry disse que todos estão na casa de Tom e nós vamos pra lá agora.
- A-go... gora? – Gaguejei.
- Sim, levanta daí, lava o rosto, enfia uma roupa decente e vamos rápido! – Ela disse me ajudando a levantar. Lembrei-me de como andar e fui para meu quarto fazer o que ela disse.
Mais rápido do que nunca, ela me apareceu em meu quarto, vestindo uma calça jeans escura, uma bota de cano alto preta, uma blusa branca e seu sobretudo preto, já que como era de madrugada deveria fazer muito frio. Eu nem roupa tinha colocado, ela que escolheu. Uma calça jeans, um sapato chocolate, blusa preta e meu casaco de lá meio comprido vinho.
Ela dirigiu mais rápido que o normal, as ruas estavam praticamente vazias, o que facilitava mais ainda. Não falamos nada durante todo o percurso, estávamos cada uma viajando em pensamentos. Logo chegamos em frente a mesma casa, que algumas horas atrás tinha sido cenário de um dos momentos mais felizes de minha vida e que agora era o local de aflição e ansiedade.
Havia vários carros de policiais estacionados, polícia local e o FBI também se encontravam lá. Carros de uso civil, alguns eu pude reconhecer, mas havia outros que me eram estranhos. A porta estava destrancada, e policiais fortemente armados estavam parados em diversos locais em volta da casa. Alguns homens falavam ao telefone e logo pensei que poderiam ser os detetives, já que não estavam fardados assim como os outros.
- Olá, gente. – disse ao entrar na casa. E logo foi abraçada por um Harry quase desesperado.
- Que bom que você veio. – Eu pude o ouvir dizer no ouvido dela.
- Eu disse que viria. – Ela respondeu.
- Ah, ! – Ele me beijou no rosto.
- Ela ainda está meio abalada com a notícia. - Ela disse e eu acho que foi porque eu não respondi nada a ele.
- Todos nós estamos. – Tom chegou e abraçou nós duas.
- Alguma novidade? – Ela perguntou, se referindo à alguma notícia de Danny.
- Nada. Como passaram pela policia? – Tom perguntou.
- Eu disse que se viesse, que a deixassem entrar. – Harry explicou. Ele colocou uma mão na cintura de e Tom fez o mesmo comigo e nos levaram para a sala. Dougie falava com um homem alto, pele morena, aparentava ter uns 40 anos, ele segurava um caderninho e anotava o que o garoto falava.
Nos sentamos no enorme sofá marrom e logo aquele homem caminhou em nossa direção com Dougie atrás dele.
- Olá. Eu sou o investigador Paul Burns. - Ele disse com seu tom de voz como um ator de Hollywood faria em um filme de ação.
- Essas são e . – Tom nos apresentou e nós acenamos respectivamente.
- Prazer. Bom, eu sei que não é uma boa hora, mas eu preciso fazer algumas perguntas se não se importarem. – Como se nós tivéssemos escolha. Urgh! Mas até que ele foi gentil.
- Em que podemos ajudar? – que parecia estar mais tranqüila que eu, respondeu prontamente cooperando com a investigação.
- , não é? – Ele perguntou e ela confirmou com a cabeça – Quando viu o Sr. Jones pela última vez?
- Bom... Ao final da festa que estávamos dando, não faz muitas horas. – Ela parecia tão segura ao dizer aquilo, que eu me assustei. Como ela conseguia em um momento como esse, se manter calma e responder tudo com frases bem feitas e dicção sem falhas?
- Festa da qual todos participavam?
- Sim. Fizemos para comemorar o aniversário de , ele ficou até o final. – Ela respondeu da mesma forma.
- Tem certeza que não viu nada além do normal? Algo suspeito ao sair da festa?
- Tenho sim, mas não sei aonde o senhor quer chegar com essas perguntas. – Ok, agora ela surtou de vez. Isso é pergunta que se faça a um oficial?
- Srta , são perguntas rotineiras, só estou tentando entender o que houve aqui. estava com você o tempo todo? – Ele respondeu calmamente a ela. Acho que ele entendeu que não era uma boa hora para aquilo e respeitou a pergunta que ela fez.
- Sim, ela está em minha casa e eu a trouxe até aqui.
- , – ele disse olhando para mim. Ai meu Deus me ajuda a respirar, eu tenho que ao menos lembrar de como é que se fala – diga o que viu, por favor.
- Ah... a falou tudo. – Nossa, falei tudo isso? Falei. Bom sinal. – Ele ficou até o final mesmo, nós saímos poucos minutos antes dele.
- Ok. Então vocês todos estavam se preparando para ir embora e vocês duas foram as primeiras? – Ele já estava me irritando com aquele caderninho.
- Não. Dougie foi o primeiro, nos despedimos de todos, inclusive de Danny, e seguimos para meu carro. Ainda deu de ver Danny acenar para Tom e Harry, já que ele – e ela apontou para Harry – dormiu aqui e ele seguiu para seu carro. - respondeu por mim assim que notou que eu não iria agüentar por muito tempo.
- Então vocês o viram entrar no carro? – Ele voltou sua atenção a ela. Graças a Deus. Parece que ela sabe lidar melhor com isso que eu.
- Não exatamente. Somente caminhando em direção ao carro dele, apenas isso.
- Você concorda com o que ela diz? – Ele me perguntou. Mas é claro, tá achando ela com cara de mentirosa? Se bem que ela sabe fazer isso muito bem, mas isso não vem ao caso, senhor!
- Claro, foi justamente assim. – Nem sei como consegui responder. Eu estava aflita com tudo aquilo, a casa sendo revistada por dezenas de policias, o sumiço do Danny e agora essas perguntas.
- Acho que só disso de que preciso, obrigado pela atenção e desculpa, tenho que fazer o meu trabalho, com licença. – Ele disse e todos apenas acenaram com a cabeça. Ele se virou e foi falar com algum policial.
- Como vocês souberam do seqüestro assim tão cedo? – perguntou se virando para Harry.
- Tom foi até lá fora colocar o lixo pra fora e viu um bilhete em cima de seu carro. – Ele respondeu a ela.
- Bilhete? – Ao ouvir isso me despertei e perguntei.
- É, estava no vidro do meu carro. – Tom me respondeu.
- O que ele diz? – voltou a perguntar.
- Espere. – Tom saiu, foi até a um policial, falou alguma coisa e voltou rapidamente. - Aqui. – E entregou um envelope de plástico com uma fita escrito "Department missing" com o que deveria ser o tal bilhete, nas mãos de .
- "Estamos com o Jones. Se querem vê-lo vivo novamente, não hesitem em fazer o que pedimos." Meu Deus, quem poderia fazer isso com o Danny? – Ela falou após ler aquele bilhete que estava escrito com recortes de revista, letra por letra.
- Sinceramente não sei, pequena. – Harry disse quando ela o abraçou forte.
- Oi, meninas. – Dougie disse se juntando a nós.
- Oi. - Eles disseram, eu não consegui dizer nada, tentava processar todas aquelas informações em minha mente, mas estava ficando insuportável, como eles conseguiam? Era o Danny. O Danny.
Após o pequeno Dougie se juntar a nós a conversa cessou, não havia nada a ser dito, ele se sentou ao lado de Tom, que estava ao meu lado com seu braço por cima de meus ombros, ele olhava sua casa sendo revistada milimetricamente por policiais e cães farejadores. , sentada ao meu lado com a mão sob a minha, estava apoiada no ombro de Harry, e esse a abraçava pela cintura.
Era uma sensação horrível, um vazio, eu me sentia uma inútil sentada ali, parada, de mãos atadas sem poder fazer nada para poder ajudar. Como ele deveria estar se sentindo agora? Será que ele está machucado? Será que está vivo? Meu Deus eu não podia pensar assim, ele estava bem, tinha que estar bem, pra eu... ficar bem.
De repente uma angustia fortíssima me atingiu em cheio, as lágrimas vieram, parecia que eu tinha levado um golpe de alguma arte marcial, eu queria sair dali, precisava de um momento sozinha. Saí correndo sem dizer nada a ninguém, segui em frente, mas ainda pude ouvir uma parte da conversa que viria a seguir.
- Aonde ela vai? – Reconheci a voz de Dougie.
- Vou atrás dela. – Tom com um tom de preocupação.
- Não. Ela precisa disso. – Ainda bem que me conhece.
Eu não conhecia a casa, não havia sido apresentada a ela direito, mas de um lugar eu sabia bem, e era pra lá que eu iria.
Ali eu passei bons momentos e os últimos com ele, parecia indecente, pois era o quarto de Tom, mas por incrível que pareça, ele me respeitou. Nada “a mais” ocorreu ali. Parecia que o cheiro dele ainda estava em toda a parte, olhei para a cama e lembrei-me de uma coisa:

“- Out of our minds and out of time. Wishin' I could be with you. - Danny me disse cantarolando e me puxando mais para perto dele.
- O que é isso?
- Sei lá, veio na minha cabeça. – Soltou uma risada.
- Você não existe...”

Aquilo pra mim na hora parecia bobagem, mas agora era tudo o que mais queria. Olhar para aquela cama me fazia bem, mas também fazia com as lágrimas caíssem mais ainda. Então fui para a janela para ver se me acalmava, mas era em vão, eu não deveria me sentir assim, não era certo. Tudo bem, o caso é sério, mas aquilo que eu sentia era... inexplicável.
Meu choro tomou o quarto, não conseguia mais agüentar, soluçava feito criança, perdi-me em pensamentos, só queria ficar ali, sentir o perfume dele novamente, saber que ele esteve comigo, bem perto, eu tive ele pra mim.
Passei meus braços em minha volta, e fiquei assim por um bom tempo, até que ouço uma batida na porta.
- Desculpe, mas eu precisava ver você. – disse entrando no quarto com uma voz doce e calma.
- Uhum. – O choro não deixava eu dizer mais que isso.
- Te procurei pela casa toda... – me abraçou forte – não pensei que te encontraria aqui.
- O... o... Dan... – O soluço me impedia de dizer algo coerente.
- Shhh, não precisa dizer nada, eu sei. – Me levou até a cama, passou as mãos em meu cabelo, limpou minhas lágrimas e me deitou em seu colo, começando a fazer cafuné.
- ... o... q-que disse... a eles?
- Que a deixassem em paz, mas você estava demorando muito e queriam vir atrás de você, e então eu disse que eu faria isso.
- Obri... gada. – E funguei um pouco.
- Não precisa agradecer, eu te entendo perfeitamente, não precisa esconder nada de mim, lembra? Quer eu fique aqui com você?
- Uhum.
- Sei que é difícil pra todos, eu nem estou acreditando, já chorei horrores no ombro de Harry, mas pra você é mais que isso, não é? – Eu não podia ver seu rosto, eu estava deitada em suas pernas, enquanto ela mexia em meus cabelos, mas eu sabia que ela estava fazendo a mesma cara de sempre quando me pergunta algo e já sabe qual é a resposta. Ela não muda.
- Ah... – e o choro começou de novo, mas eu precisava desabafar –, não consigo mais negar... ele... ele mexe muito comigo, não posso mais evitar...
- Não evite.
- Na-não é tão simples assim, eu sou ca... casada. – Quando eu disse essa palavra a minha voz saiu embargada, e desabei.
- Mas, . – Eu senti as suas lágrimas caírem em mim. – Eu sei o quanto é difícil, mas...
Ela sabia o tamanho da minha dor, mas não sabia como era senti-la. Ela também passou por situações horríveis, mas o Danny estava seqüestrado, ele podia... morrer. Essa palavra martelava em minha mente, meu coração estava sendo esmagado, era uma dor que eu nunca tinha passado nem perto, nem mesmo em minhas brigas com... Adam. Um buraco tinha se aberto na minha frente, completamente sem saber para onde ir, sem saber o que fazer, e a única coisa que eu mais queria e precisava era ter Danny ao meu lado, olhar para aquele par de olhos azuis que me deixavam tonta e escutar a sua risada gostosa. Só isso, era disso que eu necessitava, e não podia ter. Só agora percebi o quanto aquele menino que me tirava do sério no início, fez minha vida mudar, o quanto ele era importante pra mim, foi preciso algo apavorante acontecer para eu notar isso.
- ... ele me disse coisas tão lindas hoje. E eu? O tratei com patadas... Se algo de ruim acontecer com ele, eu nunca vou me perdoar. – Coloquei minhas mãos escondendo eu rosto.
- Ei! Não fale assim, nada, nada de ruim vai acontecer com ele, e ele sabe o quanto você gosta dele, não fale bobagens. – Ela disse e percebi ela enxugando suas lágrimas.
- Como você sabe? – Perguntei manhosa.
- Ele parece ser bobo, mas não é. – Deu uma risadinha. – Amiga, você mente muito mal, tá na cara, cês dois...
- , não é hora para brincadeiras, é sério...
- Mas eu estou falando sério, não fica assim.
- Como não, ? O Danny tá Deus-sabe-onde e eu aqui, sem poder fazer nada, droga! Eu o quero aqui comigo de novo... Será que é pedir demais? Caramba.
- Calma... Calma nada, isso não é hora para ter calma, . – Ela falou pra si mesma. – O que eu quero dizer é que os policiais vão fazer o possível e o impossível para encontrá-lo, eu prometo que eu vou verificar de perto as investigações, não se preocupe, eu vou te manter informada de tudo, agora o que a gente pode fazer é... esperar e pedir a Deus que olhe por ele. É triste, eu sei, mas é só isso que está ao nosso alcance agora.
- Quem? Quem poderia fazer isso com ele? – Eu estava inconformada com tudo aquilo.
- Não sei, babes. – E nós duas caímos no choro novamente.
Ela ficou ali, sentada encostada da cabeceira da cama comigo ao seu colo. O choro dela não se comparava ao meu, eu estava inteiramente sem chão, ele já estava tão presente na minha vida e agora com toda a certeza em meu coração, que eu já não tinha mais fé de que eu conseguiria agüentar por muito tempo.

O sol já estava raiando, passamos o que nos restava da noite daquele jeito, abraçadas com o som de meu choro, ela já estava mais calma, eu não. Não preguei o olho um segundo se quer, ela estava cansada, mas se manteve firme, depois daquela nossa conversa um tanto quanto reveladora, o silêncio reinou naquele quarto, a não ser pelo meu choro como já mencionei. Ouvimos batidas na porta.
- Er... Desculpa, não sabia que estavam aqui.
- Tom, o quarto é seu, entre. – falou normalmente.
- Vim trocar de roupa. Harry está feito doido sem você lá embaixo. – Ele disse pra ela.
- Droga! Passei muito tempo aqui. – Ela olhou no relógio.
- Que horas são? – Perguntei com a voz rouca.
- Oh, babes, pensei que você tinha dormido... Meu Deus, são quase nove da manhã.
Era de se esperar espanto de qualquer um, afinal, quando ligaram para a deveria ser umas cinco e alguma coisa, e ficamos ali até aquela hora.
- Já vou saindo, desculpe. – Tom disse se virando para a porta.
- Não, Tom, fica aqui. Eu e a vamos descer. – Eu disse, e minha voz parecia estar melhorando.
- Você está... bem? – me perguntou e eu apenas fiz que sim com a cabeça. – Ok, vamos descer que eu vou lá comprar algo pra você comer.
- Que isso, , pode ficar a vontade aqui em casa, vai lá na cozinha.
- Tom... – Ela tentou relutar.
- , por favor, vai lá, acho que tenho tudo que você precisa. – Ele disse com um meio sorriso no rosto.
- Ok! Vamos, ?
- Vamos. Obrigada, Tom. – Eu consegui falar pra ele.
- Não por isso.
E descemos as escadas, tinha um espelho em uma das paredes no andar de baixo e ao passar por ele, notei minha cara inchada pelo choro. Fomos direto para a cozinha e encontramos Dougie e Harry conversando sentados na mesa.
- Oi. – Eles disseram. Acho que ninguém se atreveria a dizer um “bom dia” dado às circunstâncias.
- Oi. – Dissemos juntas.
- Er... Onde estavam? – Dougie perguntou e pareceu não ter dormido nada.
- No quarto do Tom. – sabia que eu não estava pra papo, então iria responder a tudo por mim. – Alguma notícia?
- Nada. Os policiais começaram a grampear os telefones daqui, já que os seqüestradores sabem da casa do Tom, e montaram um forte esquema de segurança lá fora. – Harry explicou, mas ele parecia muito abalado, havia olheiras e cara de cansado, então resolvi levantar a cabeça e olhar todos sentados ali.
Rostos abatidos, olheiras fundas e muito cansados. Na noite passada ninguém havia pregado o olho.
- Vocês dormiram um pouco? – A voz de Dougie, que sempre era alegre, estava quase inaudível, tamanha era a sua seriedade.
- Nada. – respondeu o menino.
- Então por que vocês não vão para a casa e descansam um pouquinho? Nós ficamos aqui. – Ele disse a ela.
- De jeito nenhum. – Eu disse com firmeza. Ao ouvir aquilo, parecia que eu tinha sido insultada, sei que ele não falou por mal, só queria nosso bem, mas eu não ia arredar o pé dali, não enquanto eu não tivesse Danny perto de mim de novo.
- Ok! Então tomem café pelo menos, vocês têm que se alimentar. – Harry protetor falou.
- Estou sem fome. – Falei ao ver que ele me servia.
- Pode colocar, Hazz, ela vai comer sim, senhora, ouviu?
- Mas ...
- !
- Urgh!

“Exatamente, recebemos essa notícia em primeira mão de fontes seguras e próximas à vítima. O vocalista e guitarrista da banda britânica Mcfly, Danny Jones, foi seqüestrado na noite de ontem após festejar o aniversário de sua colega de trabalho, , na casa de seu companheiro de palco Tom Fletcher. Ao que tudo indica, nenhuma novidade sobre o caso. Será que...”

Corri e desliguei aquela porcaria.
- Quem ligou a TV? – Perguntei irritada.
- Eu. Temos que ver como anda a mídia, . – Não faço idéia de quem era aquele homem, mas pela cara deveria ser algo do tipo que tratava da fama dos meninos.
- Se ligar essa porcaria novamente, considere-se um homem ferrado. – disse ao entrar na sala de televisão.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo? – Ele retrucou e quando ela ia dar a resposta que ele merecia...
- Alguém que pode fazer o que te falou, agora faça o que ela mandou e aproveita e saia daqui. – Harry a defendeu.
- Harry, mas eu tenho...
- Tem nada, sai, sai, sai. – Dougie o empurrou porta a fora e voltou a nós.
- Quem é ele? – Perguntei.
- Não sei. – Harry respondeu. – Só sei que não deveria estar aqui.
- Boa, Harry. – deu um tapinha em seu ombro. – Agora quem foi o ser, que está prestes a morrer se aparecer na minha frente, que foi a “fonte segura e próxima a vitima” que falou com a imprensa?
- Até parece que você não conhece, . – Dougie disse.
- Pode ter sido qualquer um, : um policial, alguém da gravadora, vizinho... Não importa, mais cedo ou mais tarde eles iriam saber. – Harry tentou acalmá-la, o que estava bem difícil. Eu já estava bufando de tanta raiva. Já não bastava tudo isso, agora a imprensa vai ficar rondando?
Ela não falou mais nada, e nem ninguém. Fomos para a cozinha e Tom logo chegou. Comemos - eu mal toquei na comida, mas eles me obrigaram - e voltamos para a sala, eles se sentaram, mas eu não, fui andando em direção à uma estante enorme que tinha na sala.
Ao chegar lá, olhei para alguns porta-retratos que mostrava o quanto aqueles garotos são doidos e felizes. Em todos eles ele aparecia rindo, como sempre, Danny. Como eu o queria... aqui. Sorri algumas vezes ao vê-lo nas fotos com seus amigos, mas uma onda de angústia misturado com dor me invadiu que não pude me conter. As lágrimas chegaram de mansinho e foram caindo lentamente nas minhas bochechas. Droga! Merda! Sou tão burra e inútil que não percebi, demorei tanto para me render aos encantos dele e agora acontece isso? Por quê?
Limpei minhas lágrimas rapidamente antes que alguém me visse naquele estado, me recompus e voltei ao sofá.
- Er... ?
- Sim, . - Eu sei que você quer ficar aqui, eu também quero, mas... – E eu mesma a interrompi.
- Não vou sair daqui, a menos que o Tom me expulse.
- Já disse vocês são de casa, pô. – Ele me respondeu.
- Não é isso babes, mas temos que tomar um banho, trocar de roupa, e se você não quiser passar na gravadora, eu só ligo e digo que não vou lá, que tal? - E me olhou suplicante. – Voltaremos o mais rápido, quero ficar ciente de tudo que está acontecendo.
- Coisa rápida então. – Eu realmente precisava de um banho e de uma roupa. Ela assentiu com a cabeça e deu um beijo em cada um dos meninos, trocou algumas palavras com o Judd, enquanto eu apenas olhava.
Tom nos acompanhou até a porta e assim que ele abriu, ficamos quase cegas de tantos flashes em nossa direção.
Dezenas e mais dezenas de repórteres estavam praticamente acampados no grande jardim da casa dele, vans com suas pequenas torres de transmissão estavam estacionadas pela rua inteira, fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas estavam em massa lá.
Tom não saiu de casa, o olhou sem nenhuma expressão, já ele, retribuiu o olhar e perguntou se queríamos voltar. Ela negou com a cabeça e vimos ele então fechar a porta.
- , por favor, fale com a gente. – Eu ouvi isso de algum lugar, mas abaixei minha cabeça e continuei caminhando.
- Por favor, falem conosco. É verdade que o Jones estava envolvido com drogas e por isso foi seqüestrado? – Meu Deus, como poderiam pensar e inventar uma coisa dessas?
- Você é ? É você? Não é? – Eles conseguiram descobrir até mesmo o nome dela? – Fale um pouco de como o Danny é no trabalho.
- ? O que você irá fazer no show agora com o sumiço dele? – Eram tantas perguntas ao mesmo tempo. Eles descobriram o nome dela, a profissão dela. Cadê o respeito? Ela fez a mesma coisa que eu d abaixou a cabeça. Segui rumo ao seu carro.
- , é verdade que você e o Jones se aproximaram muito nos últimos tempos? – Mas que diabos de pergunta era aquela? Fiquei um pouco intrigada e olhei bem na cara daquele repórter, ele estava bem ao meu lado, lhe lancei um olhar de ódio e ele percebeu e se calou.
- Então é verdade que vocês têm um caso? Quem mais namora quem? Sua amiga... - Esse era outro que estava ao lado daquele que fez a pergunta anterior, mas ele foi interrompido porque ficou trancado, pois eu estava entrando no carro pelo lado do passageiro, que estava muito perto da parede, apenas cabia a pessoa que entraria. Pior foi que estava com seu lado livre e teve que encarar aquela legião de fotógrafos.
- Com licença. – Ela disse firme quando notou que sua porta estava sendo segurada por um deles.
- Por favor, nos conte como ele está. Ele ainda está vivo? – Ao ouvir aquilo, parecia que eu tinha recebido um soco na boca do estomago. Olhei para e ela parecia que ia arrancar a cabeça dele só com o olhar e sua mão fechou em punho que mostrava bem suas articulações.
- Por favor, sem mais perguntas, ok?! - E ela fez menção de iria entrar no carro quando começaram com um alvoroço e perguntas atropeladas e ela voltou.
- Pessoal, não temos nenhuma novidade, agora se vocês permitirem, nos deixem ir, assim que soubermos de alguma coisa tentaremos comunicá-los, ok! – E ela finalmente conseguiu entrar no carro, ainda deu de ouvir alguns “obrigado” e mais perguntas, ela ligou o carro e me encarou.
- Está tudo bem?
- Sim, como consegue? – Respondi.
- Não sei, mas nós tínhamos que sair daqui, e eu sei que você... você não está em condições...
- Obrigada, agora nos tire daqui. – Ela assentiu com a cabeça, acelerou com o pé ainda na embreagem, fazendo com que o motor rugisse e desse a entender que deveriam sair da frente. Feito isso, ela manobrou e arrancou com o carro, dirigindo rápido.
Chegamos em casa e eu estava me sentindo um pouco tonta. Eram tantas informações pra minha cabeça. Decidi fazer o que havia me sugerido mais cedo: tomar um banho e relaxar. Ela tinha razão, nós não poderíamos fazer nada sobre aquilo, por mais que a minha vontade fosse ir procurar alguma pista de Danny e encher os bandidos de porrada.

Capítulo 22
(Botem para carregar!)

Tomei um banho, vesti uma camisola, e quando saí do banheiro e me dirigi ao quarto de , notei que ela estava dormindo. Eu sabia que eu não iria conseguir pregar meu olho de jeito nenhum. Eu tinha que fazer alguma coisa, tinha que ficar sozinha nos meus pensamentos, em um lugar que eu tivesse total convicção de que ninguém iria me perturbar, e assim, veio em mente o único lugar disponível: Super Records.
Deixei um bilhete para falando onde eu estava, caso ela acordasse e eu não estivesse em casa ainda, também pedindo desculpas por ter “roubado” seu carro.
Como se já soubesse o caminho de cor, me dirigi sem pensar até o estúdio. Chegando lá tive certeza de que o lugar estava calmo e sem nenhuma alma. Entrei na sala de reuniões, e isso me remitiu algumas lembranças boas. A briga com Danny agora fazia parte das coisas mais engraçadas que havia feito em toda a minha vida, foi realmente patética. Lembrei do seu olhar sob mim, quando eu abri meus olhos depois de cantar Fall. De quando ele estava agoniado para ter algum contato comigo depois do nosso primeiro beijo. Isso me fez lembrar que eu tinha gravado uma base de uma música e que eu tinha falado pra mim mesma que essa seria especial. Eu estava com os nervos à flor da pele e minhas emoções pareciam saltar de dentro de mim. Pensei em fazer algo que nunca tinha feito. Será que eu conseguiria fazer uma música de improviso? Deixar a emoção rolar conforme as batidas e dizer tudo o que o meu coração quer dizer nesse momento tão... triste? Com esses pensamentos, segui o caminho até o estúdio, liguei o computador e todos os aparelhos que eu necessitava e procurei em uma pasta onde guardamos todas as bases, aquela que eu havia feito há alguns dias.
Me posicionei em um banco, ajustei meu suporte, coloquei meus fones de ouvido e me espichei até conseguir apertar o botão de play.
(Dêem Play!)

Sometimes
I feel like I'm going out of
My mind,
Boy the way you do me is a
Damn crime,
But then you smile at me
And it's allright,
With you there ain't no in between...

(Algumas vezes,
Eu me sinto como se eu estivesse saindo da
minha mente,
Menino, o jeito que você me deixa é um
Crime maldito,
Mas então você sorri para mim,
E está tudo bem,
Com você lá, não existe nada no meio.)


Everytime That I walk out the door
I tell myself I can't take it no more
There's a part of me won't let you go
I keep sayin' yes when my minds sayin' no...

(Toda vez que eu saio pela porta,
Digo a mim mesma, eu não aguento mais isso.
Tem uma parte de mim que não vai deixar você ir
Eu continuo dizendo sim quando minha mente diz não.)


Me and my heart we got issues
Don't know if I should hate you or miss you
Damn I wish that I could resist you
Can't decide if I should leave you or kiss you,
Me and my heart we got issues, issues, issues
We got issues issues issues.

(Eu e meu coração temos problemas
Eu não sei se devo te odiar ou sentir sua falta,
Porra, eu desejo que eu poderia resistir a você,
Não consigo decidir se eu devo te deixar ou te beijar,
Eu e meu coração, nós temos problemas,
problemas,problemas
Nós temos problemas, problemas, problemas)


It's Awful, boy you leave me hangin for so long
You empty out my love until it's all gone
You change the words but still it's the same song
I'm tired of the melody

Change my number and throw out your clothes
But my feelings for you, they still show
I keep building the walls round my heart
But then I see you it all falls apart...

(Isso é horrivel, menino você me deixou pendente por
tanto tempo,
Você esvaziou meu amor, até que tudo isso
desapareceu,
Você mudou as palavras, mas isso continua a mesma
canção,
Eu estou cansada da melodia.

Mudar meu número e jogar fora suas roupas,
Mas meus sentimentos por você, eles ainda aparecem,
Eu continuo construindo paredes em volta do meu
coração,
Mas então eu te vejo, tudo isso cai em pedaços.)


Wanna fight it, can't hide it
Truth is I think I like it
confusion, illusion
Still I don't know which way to go...

(Quero lutar contra isso, isso não pode se esconder.
A verdade é que eu acho que gosto disso,
Mas, no futuro, ilusão,
Eu ainda não sei qual caminho seguir.)


Lágrimas brotavam em meus olhos e não pude controlá-las. Eu sentia uma dor invadindo meu peito, o medo de nunca mais o ver e de alguma coisa muito ruim estar acontecendo com ele. Sentei-me no chão e abracei minhas pernas, desejando que eu pudesse ter Danny em meus braços e dizer que tudo estava bem e que o pesadelo tinha terminado. Eu sei que eu não posso protegê-lo, sou pequena e frágil, mal posso proteger a mim mesma, mas eu me sentia poderosa perto dele e estar com ele perto de mim é o que eu mais quero no momento.
Criei coragem e me levantei, olhando pras paredes que já foram testemunhas de tantas coisas... Coisas que nem eu sei. Olhei para o lado e me deparei com várias folhas de papel em cima da mesa e minha curiosidade falou mais alto. Me deparei com uma folha rabiscada e uma nota: “Queria ter criatividade o suficiente pra dar continuidade nisso aqui... mas não me vem nada a cabeça. Espero que a não me mate por isso, muito menos a e reconheci sendo a letra de Danny. Sentei-me, peguei o papel cuidadosamente e comecei a ler o que estava escrito:

“When I met you I didn’t really like you
First impression was you were somebody who
Walked about right by when I waved at you and say hi
But they say
Bad beginnings make happy endings
And I never knew I begin to understand things
Turn around a hundred and eighty degree…”
(Quando eu te encontrei
Eu realmente não gostei de você
Minha primeira impressão foi que você era alguém que
Passava direto quando eu te acenava e dizia 'Oi'
Mas dizem
Começos ruins fazem finais felizes
E agora que eu te conheço começo a entender as coisas
Uma mudança de 180 graus)

"Tá, isso é um protótipo de começo de música. Eu realmente não sei como continuar isso, eu tô sem idéia, minha cabeça tá estourando e eu vou rezar pra que minha inspiração venha logo, antes que eu morra com uma faca na jugular.”

Isso me fez rir. Então Danny havia começado mesmo a fazer a música que havia nos pedido? Eu menti pra ele quando disse que era pra ele começar com alguma coisa que eu já tinha um refrão em mente e que com certeza iria dar certo. Era óbvio que nunca daria certo. Mas fiquei feliz por ver que ele havia seguido uma “ordem” minha e tinha começado nossa música. Nossa música.
Olhei mais uma vez os rabiscos de Daniel e pensei em como eu poderia terminar aquele trecho...
Turn around a hundred and eighty degree... I found my missing piece. – Era isso. Eu tinha que ocupar a minha cabeça com alguma coisa e já havia achado o que fazer. Eu ia terminar aquela música e mostrar pro Danny quando ele voltasse. – E se ele não voltar? – Perguntei pra mim mesma, sacudindo a cabeça dos pensamentos ruins que ainda me assombravam.
Coloquei o papel de Daniel em minha bolsa e segui para casa.

- Onde você estava, amiga? – me parecia preocupada comigo.
- Estava no estúdio... – Eu disse, colocando minha bolsa sob a mesa. – Alguma notícia?
- O Tom me ligou dizendo que os seqüestradores entraram em contato.
- E o que eles disseram? – Eu dei um pulo do sofá, onde eu acabara de sentar.
- Calma, eles pediram dinheiro em troca da libertação do Jones. – Ela disse, colocando as mãos sobre meus ombros
- Canalhas... – Meus olhos se encheram de lágrimas novamente e me abraçou.
- Calma, babes, vai ficar tudo bem. – Ela disse acariciando meus cabelos.
- É só isso que eu quero agora... – Eu disse, chorando baixinho.
- Amiga, me diga, com toda a sinceridade do mundo: O que você está sentindo em relação ao Dan? – me perguntou, olhando dentro dos meus olhos.
- É tudo tão confuso, mas eu realmente acho que estou apaixonada por ele... – Dizendo isso meu choro se tornou mais forte e incontrolável. – Eu tenho medo, eu sou casada, ele não está aqui comigo, tenho medo do que pode acontecer... Você entende? Eu não posso fazer nada! Estou de mãos atadas.
- Calma, calma... Vem, vou fazer um leite quente pra você, tenta ficar calma, toda a polícia inglesa está cuidando do caso. – Ela me pegou pela mão e me levou até a cozinha. Bebi um leite quente e como se fosse mágica, o sono que eu havia perdido parecia ter achado o caminho de volta. Andei até meu quarto e não consegui trocar de roupa, deitei e dormi.

Danny’s POV

Eu estava em um lugar escuro e estranho. Acho que pela primeira vez em toda a minha vida eu estava com medo. O medo de morrer a qualquer momento pode ser a pior coisa que alguém pode sentir, e eu estava sentindo nesse momento. A porta se abriu e eu pude ver dois homens encapuzados se aproximando de mim...
- E aí, manézão! Parece que seus amiguinhos gostam mesmo de você, hein?
- O QUE VOCÊS FIZERAM COM MEUS AMIGOS? – Não pude me controlar e gritei isso. Não pensei nas conseqüências, mas ninguém poderia fazer nada com MEUS amigos.
- Ei! Cala a boca aí, seu dentuço sardento. – Ouch. Um deles me acertou bem em cheio na barriga e eu jurei ver estrelinhas.
- O-oq... que vocês fizeram com... meus amigos? – Fiquei sem ar, era uma dor que nunca havia sentido.
- Pedimos um valor bem gordo de resgate e adivinhe só? Eles pagaram tudo direitinho! – Dizendo isso ele deu uma risada maléfica. – Devemos seqüestrar mais pessoas famosas, não é, Bob? – Ele disse esfregando as mãos e dando uma cotovelada básica no ombro do comparsa.
- Hey, Jones... Aquela cantora bem famosa, que é sua amiga também... A , sabe? Meu Deus, que mulher é aquela? Apareceu hoje no jornal local, ela saindo da casa daquele seu companheiro de banda, aquele lá, loirinho com um buraco no rosto... Gostosa pra caramba. Ah, eu com uma mulher daquelas... – Ele disse com um olhar nojento e tarado.
- Não fale assim dela! – Eu disse entre dentes, olhando em direção aquele canalha.
- Aw, que bonitinho. Olha, Bob, ele defendendo a gostosinha... Me deu até vontade de chorar.
- He he he, é um viadinho mesmo, né, chefe? – Finalmente ouvi a voz do tal de Bob.
- Vem cá, sardento. Vamos levar você pra dar uma voltinha, não agüento mais olhar pra essa sua cara de bom moço. – Sendo assim, os dois me pegaram e me arrastaram para um carro preto, com películas e me enfiaram um capuz.
- Pra onde vocês estão me levando? – Eu perguntei e qualquer um poderia ver o medo em minha voz. Eu poderia estar sendo levado pra, sei lá, qualquer rio que estivesse frio o suficiente para eu morrer de hipotermia.
- Você logo vai saber. – Bob me disse, dando tapinhas nas minhas costas.
Passados o que eu acredito de 15 minutos, senti o carro frear e logo dois pares de mãos me pegando e me jogando pra fora do carro.
- Divirta-se, mané! E tome cuidado da próxima vez. – Pude ouvir o “chefe” gritando pra mim de dentro do carro. Sim, eu não morri e nem muito menos estava morrendo. Eu estava livre! Minhas mãos não estavam mais atadas e assim pude retirar o capuz da minha cabeça rapidamente. Constatei que já era tarde da noite, imagino que umas onze da noite. Me levantei, tirei a poeira de minhas roupas e olhei para os lados, tentando identificar onde eu estava. Olhei para uma Starbucks do outro lado da rua e tive a impressão de que já estive lá. Minha cabeça estava atordoada, eu não conseguia raciocinar direito, mas de uma coisa eu tinha certeza: Eu estava em Bloomsbury. Esse é um dos bairros mais caros de Londres, vizinho do meu, aliás, e o mais importante de tudo: morava nesse bairro e, consequentemente, também.


’s POV

Acordei num susto. Havia sonhado com Danny e não fazia idéia de quantas horas eu tinha dormido. Me levantei rapidamente e fui procurar por em todo o apartamento e logo achei um bilhete em cima da mesinha do telefone:

“Babes, você estava dormindo tão tranqüila e não quis te acordar. Estou na casa do Tom, mas não se preocupe, nada aconteceu. Te amo!”

Ok, acho que eu estava precisando de mais um tempo extra sozinha. Tentar colocar meus pensamentos em ordem e ter tempo pra isso pode ser bom.
Sentei-me no confortável sofá e peguei o controle, tentei zapiar algo na televisão, mas nada me chamava atenção o suficiente. - Ding Dong. – Quem poderia ser essa hora? não tinha levado as chaves? Ai, que saco... Meu plano de ficar sozinha já era.
- Já vai! – Berrei sem vontade nenhuma de atender aquela maldita porta. Calcei meus chinelinhos e fui em direção a mesma.
- Pois nã... – Parei. Não. Podia. Ser. Meu Deus! – DANNY! Oh meu Deus, como você está? Está bem? Machucado? Onde você estava? O que eles fizeram com você? Como conseguiu fugir? – Eu bombardeei Danny de perguntas, coloquei minhas mãos e segurei seu rosto com força, perto do meu. – Meu Deus! Eu quase morri com a sua ausência, por favor, fala que isso nunca mais vai acontecer, por favor... – Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não consegui contê-las.
- Sh... Calma princesa, eu estou bem, estou aqui. – Ele disse secando minhas lágrimas. – Nada de ruim vai acontecer agora.
- Você não sabe como eu fiquei. Pensei em coisas horríveis, ah... Fiquei com medo de nunca mais poder te ver, poder ter você perto de mim. – Não agüentei e abracei-o com vontade.
- Ouch...
- O que houve? – O olhei assustada, me afastando.
- Minha barriga dói. Levei alguns socos aqui... – Ele disse apontando para sua barriga.
- Oh, meu Deus, você precisa relaxar, tomar um banho, comer alguma coisa. Eu preciso avisar os outros que você está são e salvo.
- Calma.
- O que foi, Dan?
- Deixe-me olhar mais uma vez pra você. Eu também pensei que nunca mais poderia ver seu rosto. - Beijei-o. Sem titubear. Era isso que eu queria fazer desde sempre e eu não poderia esperar mais.
- Eu não quero ficar longe de você. – Disse encostando nossas testas umas nas outras.
- Isso não vai acontecer, nunca. – Ele disse e começou um beijo calmo, apaixonado, porém com vontade parecia que ele precisava daquilo tanto quanto eu. Mal podia acreditar que o meu Danny estava de volta e comigo, era algo indescritível o que eu sentia. Eu não sei quantos minutos passamos assim, até que me lembrei que ele havia sido machucado e precisava de cuidados e com certeza de um banho e tudo que tinha direito.
- Danny.
- Hm.
- Vem, eu vou cuidar de você, vamos até o banheiro, acho que guarda um kit de primeiros socorros lá. – Eu disse tentando levá-lo, mas ele me impediu puxando-me pelo braço.
- Ah não, , eu quero ficar mais um pouquinho com você. – Ele fez bico. Daí é golpe baixo.
- Não faz assim. – Eu disse com um sorriso. – Estou preocupada com você, tenho que ver se isso é sério.
- Você vai ser minha enfermeira, é? Hm... tô começando a gostar dessa idéia. – Ele disse com um sorriso malicioso.
- Você está machucado, acabou de ser liberto e vem com essas gracinhas? Só você mesmo. Anda, vem logo. – Ele me acompanhou e nem preciso dizer o quanto ele gostou de me ver cuidando dele.
Ao levantar a sua camiseta, quase tive um troço, e não foi por causa do machucado. Ele estava apenas com alguns locais vermelhos que eu sabia que virariam grandes hematomas. Então disse a ele que deveria tomar um banho, que eu iria arranjar uma toalha e alguma coisa para ele vestir, o que seria bem difícil. Só tínhamos roupas de mulher e fez questão de enviar tudo o que era de seu ex-namorado via moto-boy a ele, e então nenhum vestígio de roupa masculina havia naquele apartamento. Vasculhei cada centímetro de nossos armários atrás de algo para ele, até que achei um roupão de felpa branca, nas coisas de , ele era meio grande para ela, mas com certeza serviria para Danny.
Após o banho e ele vestir o roupão, que caiu muito bem pra ele, eu cuidei de seus machucados, passei uma pomada e que evitaria que os roxos que se formariam se tornassem enormes, limpei com um antisséptico em alguns pequenos cortes no braço e pronto.
Fui para a cozinha com ele e fiz alguma coisa pra ele se alimentar. Panquecas. Fácil e rápido de preparar, e ele estava com tanta fome que se eu servisse pedra, ele comeria.
Durante o preparo e a hora de comer ele me contou algumas coisas que aconteceu, sem muitos detalhes, até porque ele não estava a vontade para se lembrar e contar, e ele sabia o quanto aquilo me fazia mal.

- , babes, cheguei! Desculpa não te... – Ela parou. Jogou sua bolsa no chão. Piscou algumas vezes. Colocou as mãos na boca e ficou paralisada.
- Oi. – Eu e Danny dissemos.
- Não acredito... DANNY! – E ela saiu e disparada na direção dele. Ele se levantou do sofá assim que viu ela, e o abraçou forte. – Danny! Você está bem? Te machucaram muito? Como que você saiu de lá? – Ok, agora eu vi como eu tinha sido afobada que nem ela mais cedo.
- Eu estou bem, , calma. – Ele disse beijando a testa dela, enquanto eu percebi algumas lágrimas chegarem aos olhos dela.
- Ah, Danny. – O abraçou forte.
- Calma, amiga, ele se machucou um pouco. – Alertei ela.
- O quê? Desgraçados. – Ela disse entredentes.
- Calma, amor. – Ele disse pra mim e, opa, "amor"? Gostei. – Já estou bem melhor, sabe, – e se virou para olhá-la – eu tive altas enfermeira.
- Ah é? Oh, desculpa, atrapalhei, né?!
- Nada, nós estávamos só assistindo TV. – A tranqüilizei. – Vem, senta aqui com a gente.
- Danny? Tudo bem, o resgate foi pago, mas... eles te deixaram ir numa boa? – Como minha amiga é curiosa. Isso é coisa que se pergunte? Mas devo confessar que ela foi bem direta e eu estava doida pra saber disso.
- É o que parece, eu ouvi uma conversa, a polícia estava em massa atrás deles, e já tinham o dinheiro do resgate em mãos, então para evitar de serem pegos, me soltaram. – A calma dele me assustou um pouco, ele falou numa naturalidade.
- Onde te soltaram? – Minha vez de ser curiosa.
- Aqui perto, lembrei que a morava aqui e resolvi que seria melhor vir pra cá.
- Fez muito bem, Dan. Agora me responda: De quem é esse roupão? – Ela apontou para as vestimentas dele.
- A quem me deu.
- Ah, , ele não tinha o que usar depois do banho, e eu procurei por tudo alguma coisa pra ele, então achei isso no fundo do seu armário do banheiro, espero que não se importe. – Eu disse com receio.
- Não, não, de jeito nenhum, só estou tentando me lembrar de onde isso veio. – Ela parou, mordendo o lábio inferior, pensando um pouco e como se um lâmpada se acendesse, ela mudou sua expressão. – Como pude me esquecer?
- O quê? – Ele perguntou.
- Jensen. Era dele.
- Mas... Você não mandou tudo pra ele? – Eu disse e tinha certeza que havia feito aquilo.
- E mandei, mas isso aí ele usava só de vez quando, eu guardava lá e acabei me esquecendo de mandar pra ele... Mas não importa, ainda bem que estava aqui.
- Quer que eu tire? – Ele perguntou inocente.
- E vai ficar como? Não quero ver como você veio ao mundo, baby. – Ah, , mas eu quero. Para, . Ok?! – Agora tenho que ligar para o Judd.
- Pra quê? Já viu que horas são? – Ele disse, olhando em direção ao relógio. Era muito tarde, passava das duas da manhã.
- Preciso avisar que você está aqui.
- Mas se você avisar eles vão vir correndo pra cá, ou vão pedir pra você me levar pra lá e... eu quero ficar aqui... Se você deixar, é claro. – Ele fez cara de cachorro que caiu da mudança.
- Ai, Danny, é claro que você pode ficar aqui, imagina.
- Ele pode dormir no meu quarto e eu durmo com você. – Sugeri e ela concordou com a cabeça. Eu queria mesmo era ficar agarrada com ele o tempo inteiro, mas ainda restava um pouco de juízo em mim, e achei melhor ser assim.
- É, mas não serão vocês que vão levar uma bronca por não ter avisado.
- Deixa comigo, , eles não vão brigar com você, eu falo com a polícia, explico e com os meninos a mesma coisa. – Deu um largo sorriso.
- Ah, não sei... Ok! Aw, Danny, senti sua falta. É muito bom ter você aqui. – Ela disse abraçando ele e ele retribuiu o gesto prontamente. Muito agarramento pro meu gosto... Que isso, , ciúmes? Da ? Pirou de vez, né?! O menino tava sumido, dá um desconto. Só por hoje.

Conversamos mais um pouco, e rimos de algumas coisas também, afinal, era o Danny que estava lá, sempre tem piadinhas, até mesmo quando o assunto é sério, ele vive alegre, e isso me encanta nele, essa alegria que contagia qualquer um.
Logo disse que ia dormir, e eu conheço bem ela e sei quando ela está com sono. E podia ser tarde, mas sono era algo que ela não estava. Ela queria era nos deixar sozinhos. Amo ela.
Mas ele me respeitou como sempre fez, tudo bem que os beijos passaram de calmos para mais quentes e de tirar o fôlego, porém nada aconteceu. Ainda. E foi quase que dolorido deixá-lo e ir para o quarto de .
Porém, eu estava muito aliviada, calma e feliz, Danny tinha voltado, voltado pra mim e, principalmente, estava bem. Aquela sensação de estar sem chão, do buraco dentro de mim tinha ido embora no momento que o vi parado na porta, olhando pra mim com aqueles olhos azuis penetrantes, que dos quais eu já não sei se sobreviria sem. Não importava mais nada, nenhum problema, nenhum medo me atormentava mais com ele perto de mim de novo.


Capítulo 23

O reencontro dos meninos com Danny foi muito fofo, eles realmente gostam muito um do outro, melhores amigos de verdade, todos eles preocupados com ele e aliviados por ver o amigo de volta e vivo. Mas aí Danny solta um “A cuidou muito bem de mim ontem”, e todos imediatamente olharam pra mim. Eu não fiz mais nada e apontei pra . Desculpa, amiga, era você que estava com o telefone nas mãos. Ela me olhou incrédula e todos a olhavam fuzilando com os olhos e começaram a “brigar” com ela, e ela não sabia se explicar, ninguém a deixava falar, foi aí que Danny fez o que prometeu a ela, a defendeu e explicou tudo e eles se tranqüilizaram.

teve que adiar um pouco o grande show. Com o sumiço de Danny ela não trabalhou e muito menos eu e os meninos, mas assim que ele voltou, ela voltou com força total e mais ágil que nunca. Ela disse que não precisávamos trabalhar muito, no entanto Danny estava mais disposto e com vontade de trabalhar com que ele mais gosta e que resumia sua vida: música.
Nós apenas o acompanhamos, idéias surgiam e ele estava muito criativo, e ainda contagiava a todos com sua empolgação.
O adiamento não foi muito grande, dentro de alguns dias entraríamos no palco e faríamos o que, modéstia a parte, fazíamos de melhor: cantar e dar um verdadeiro show para aquela cidade em prol das crianças.
Os dias iam passando voando. Trabalho. Trabalho. Trabalho. E, ah... trabalho. Eram assim nossas vidas, queríamos tudo pronto o quanto antes, nada de deixar para a última hora. Eu e Danny estávamos... bem. Muito bem. Não ficávamos em público, nem os meninos sabiam de nada. Eu acho. Apenas sabia, era ela quem dava uma forcinha, às vezes até era tudo muito bem armado. Desconfiei, mas estava tudo muito bom. Me sentia como uma adolescente tendo que namorar escondida, mas como diz: escondido é bem melhor e perigoso é divertido.
ainda tinha que lutar para não ter que se render aos encantos de seu ex. Sim, ele não tinha desistido, mandava presentes e flores, mas se manteve firme e forte com sua decisão.
Os meninos e o Fletch decidiam como fariam com a agenda. Eu informava tudo para a Jess e tinha que agüentar ela berrar dizendo que eu não presto por não tê-la levado comigo, e ainda ouvindo suas reclamações, pois Adam, aquele lá, que é meu marido, sabe, não parava de perturbar ela para saber de meu paradeiro. Mas eu não me abalei muito, não, estava tão feliz, tudo estava tudo tão perfeito que não queria estragar por causa dele.

- ! ACORDA! Levanta... – entrou no meu quarto sem pedir licença e ainda me sacudia me fazendo quase cair da cama, e por um momento pensei que era essa a intenção dela.
- Hã? O que foi? – Eu perguntei grogue.
- "O que foi?" Cê ta me perguntando isso? Tá doida, é? Criatura, são 8:30 da manhã, levanta!
- E daí que são 8:30?
- ! – Ela disse entredentes e me olhou furiosa. – Se você tem amor à vida, levanta agora.
- Caramba, qual foi?
- Dormimos demais, acordei com uma mensagem do Tom, anda, . – Ela começou a suplicar, olhei em meu criado mudo e vi meu celular, o peguei e olhei. Merda! Ela estava certa, que caralho.
- Corre pro banho que também já tô indo.
- Já começamos bem o dia, então anda, .

Ela saiu do meu quarto e segui para o dela, calcei meus chinelinhos que estavam ao lado da minha cama, segui para o banheiro e fiz minhas necessidades fisiológicas. Peguei minha toalha e abri o Box. E pode não parecer, mas tudo isso em questão de pouquíssimos minutos, logo apareci no quarto de ainda enrolada na toalha.

- Amiga, que roupa eu boto?
- Cê ainda tá de toalha?
- Não sei o que colocar, pô.
- Coloca qualquer coisa, nós vamos voltar depois do almoço.
- Sim, senhora. – Fiz sinal de positivo e fui para eu quarto. Ela estava usando um shorts branco, é que aquele dia estava parecendo um dia de verão, sol forte, temperatura quente; uma camiseta gola pólo lilás, sapatilha preta e óculos de sol. Resolvi seguir ela, optei por um vestido vermelho de manga curta e um capuz de detalhe, bolsos largos no lado e uma rasteira branca, óculos de sol que não poderia faltar e pronto.

Como já era de se esperar, pisou fundo no acelerador, paramos na Starbucks e continuamos rápido para a Super Records.
Chegamos lá e aquilo parecia uma loucura, , a cada corredor que passávamos, era parada para receber algum recado ou pedidos de socorro, pois não sabiam o que fazer. Eu a deixei falando com alguém lá e fui para a sala de reunião. Chegando lá, vejo aquela sala lotada, os meninos do McFLY, a equipe de Fletch, mais um pessoal da gravadora e alguns que trabalhavam para , e em falando nela...

- Oi, pessoal! Desculpa o atraso. – Ela disse quase sem fôlego.
- Já estamos acostumados com o atraso de vocês. – Espera aí, Dougie, eu cheguei antes dela, pô.
- Rárá, muito engraçado, Doug. – Ela mostrou a língua pra ele.
- Chega. Temos muito o que fazer hoje. – Fletch disse.
- Não podemos perder o foco, afinal, é hoje o grande show, gente. – Eu disse isso, mas não esperava que a palavra show fosse me dar aquele frio na barriga.
- Isso. Provavelmente eu não veja muito vocês hoje, então... Meninos e , vocês vão estar sempre juntos, ok?! Vão ajeitar os últimos detalhes com o Fletch. – disse com o dedo indicador em nossa direção. – Agora de manhã vocês farão isso, pois à tarde vocês farão marcação de palco e figurino, maquiagem e essas coisas, está bem?
- Mas ainda é cedo, , calma. – Tom falou pra ela.
- Calma nada, o show é à tarde, babes, como é um espetáculo beneficente, precisa ser nesse horário, afinal, terão muitas crianças lá, mas não se preocupem, vocês entrarão no finalzinho, terão algumas apresentações de início.
- Apresentações? – Danny perguntou.
- Sim, algumas crianças e um DJ, fora os estandes, né?! A criançada precisa de diversão, mal posso esperar para vê-las lá. – parecia uma delas, uma criança batendo palminhas.
- Ok! Mas e você? – Harry deu o ar da graça.
- Eu? Boa pergunta. Nem sei por onde começar... Bom, vocês serão meus assistentes. – Apontou para um grupo ao fundo. – Preciso de pessoas ágeis e preparadas, ok? – Eles afirmaram com a cabeça. – Ótimo. Comecem confirmando com grupos e pessoas dessa lista. – Puxou uma folha de sua pasta Victor Hugo. – Você... – olhou o crachá do moço – Peter. Fará isso, quero pronto daqui no máximo uma hora. – E entregou a folha ao moço.
- Vou para minha mesa então. - Peter disse.
- Certo. Você... Anna, muita responsabilidade com isso, ouviu? Essa é a lista dos patrocinadores, quero que avise que a equipe de logística já se encarregou de levar os banners, e o resto das coisas ao local estão sendo montados agora. Qualquer coisa, se comuniquem comigo. Certo?
- Sim. – A moça tímida disse e saiu da sala.
- Você... Mandy, fale com os engenheiros, veja o que eles já fizeram e avise que eu já estou indo lá para ver como está indo tudo, entre em contado com a equipe de sonoplastia e iluminação, verifique se está tudo em ordem e quero eles lá a hora que eu estiver indo para a arena. Você... Josh, é isso? Ajude-a e assim que terminarem, façam juntos a confirmação da presença de autoridades da cidade. Algumas celebridades virão, então confirme com os seus agentes. Aqui está a lista. – Meu Deus, quantas lista essa criatura tem? – Mais uma coisa: quero isso pra ontem, então vão logo. Obrigada.
- Vocês. – Apontou para a equipe da gravadora. – Se mexam, falem com os engenheiros de música e vão ver como estão os instrumentos e localização da fiação e essas coisas aí, façam alguma coisa. Não querem que eu faça tudo, não é? Pois bem, aqui está o número do meu celular, caso não tenham, e me liguem se ocorrer algum imprevisto ou se estiver tudo certo. Tchau. – Eles saíram da sala. Minha amiga tá mandando demais, cruzes.

- Bom... Kimberly, venha comigo, tenho algumas coisas pra resolver ainda aqui... E... O que vocês ainda estão fazendo aqui? – Ela perguntou olhando pra mim e os meninos. Fodeu.
- Nós? Ah, é... – Comecei mal.
- Vou levá-los até o estúdio, vou falar com o produtor e veremos como vamos fazer, depois que eles já estiverem encaminhados, os deixarei com o produtor e vou até lá ver como estão as coisas, tenho que verificar os camarins dos meninos e se você quiser vejo o da também. – Prestativo ele, né?!
- Tudo bem, Fletch. Vou mandar alguém para ajudar você, assim não precisa se preocupar tanto.
- Ok. – Ele se dignou a dizer.
- Bom... Boa sorte pra nós, não é? – Ela disse com um sorriso no rosto. Ainda bem minha amiga voltou. Ela é assustadora trabalhando. – E como eu disse não terão que fazer muita coisa, aliás, vocês se saíram muito bem nesse projeto, tenho certeza que seria muito difícil achar outros artistas que se envolvessem tanto quanto vocês, obrigada mesmo.
- Vai dar tudo certo. – Eu disse a abraçando. – Todos nós nos esforçamos muito pra isso aqui, você vai ver, vai ser maravilhoso.
- É bom mesmo, senão como que eu vou pagar as minhas contas? – Soltou uma risadinha nervosa.
- Calma, ok?! – Tom disse a beijando e abraçando e em seguida Dougie e Danny fizeram o mesmo.
- Fica calma, pequena, vai dar tudo certo, eu sei que vai. – Harry sussurrou no ouvido dela quando a abraçou, mas como eu estava do lado dela ouvi sem querer. Qual foi? Eu tava bem do lado dela, e foi fofo de ouvir. Hehe.

A deixamos lá com a pilha de folhas e lista e sei lá mais o que e fomos ao estúdio. Os meninos iam à frente brincando e rindo, é sempre assim, por mais sério que o assunto seja, eles nunca deixam que afete a sua diversão. E foi com esse pensamento que fui surpreendida por uma mão em minhas costas, me puxando para mais perto de... Danny? Ele surtou, foi? Olhei para trás rapidamente. Ufa! Não tinha ninguém, mas os garotos estavam logo na frente, o olhei suplicante e como se dissesse "aqui não" e apenas me encarou um pouco ainda caminhando e adivinhem só! Ao invés de me soltar e deixar os agarramentos e troca de afeto para mais tarde em um lugar apropriado, ele me abre aquele sorriso que me deixa zonza e deposita um beijo em minha testa e desce um para a bochecha e... sim, ele me deu um selinho. Ele gosta de viver perigosamente, já notei isso.

No estúdio foi como sempre, já estava tudo decidido, as músicas que eles cantariam, as que eu cantaria, as músicas que cantaríamos juntos, algumas deles e outras minhas. Algumas capelas e pronto. Claro que haveria aquele momento entre cantores e espectadores, e obviamente o apelo para o projeto, nós encerraríamos o show e ficou decido que eu cantaria junto com Danny e o Tom ficaria no piano, já os outros dariam o suporte.
Chegou à hora do almoço, foi ao meu encontro e Tom nos convidou para almoçar com eles. Seria legal se não fosse o fato de Danny ficar me atormentando o tempo todo com os pés de baixo da mesa, e ainda ficar jogando o seu charme pra mim, só não notava quem era cego ou não queria ver. engatou uma conversa animada com o resto e me deixou sozinha para lidar com o Jones.

- Bom, eu estou muito satisfeita e abastecida, preciso ir pra casa e me arrumar. – disse.
- Se arrumar? – Dougie curioso.
- Sim, meu trabalho na gravadora acabou e já está quase tudo certo, alguns ajustes e pronto. Só colocar tudo na hora certa. – Ela disse sorrindo.
- E nós? – Danny me perguntou.
- Nós quem? – Sussurrei pra ele.
- O que a gente vai fazer?
- Sei não, pergunta pra ela. – Foi o que ele fez e ela nos respondeu calma.
- Tomar conhecimento do palco, descansar e se arrumar.
- Vou com você pra casa. – Eu disse me levantando, mas Danny me impediu.
- Não vai, não. Fica mais um pouco. – Ele disse num sussurro no meu ouvido, arrepiando todos os cabelos de meu corpo.
- Mas eu preciso ir, depois a gente vai se vê.
- Mas daí todo mundo vai estar lá. – Ah... ele queria... Ah... ele queria um a sós comigo. Espertinho.
- Depois do show, ok?! Não vai terminar tarde, então... – Meu Deus, o que eu estou dizendo?
- Eu vou cobrar, hein?! – Eu sorri em sinal positivo. – Não vai me dar um bolo, garota.
- Bolo, onde? – Dougie deu uma de Danny agora.
- Nada, dude, vou indo, beijos depois nos vemos. – Deu um tchau coletivo.
- Não, vou ver vocês depois, só uns minutinhos antes do show, então, beijinhos lindinhos. – jogou beijo no ar e fomos para casa.
No apartamento foi rápido, tomamos banho e escolhemos nossos trajes. Eu coloquei uma calça jeans básica, uma camiseta baby look e um AllStar branco. Eu teria que mudar de roupa para o show mesmo, então estava bom. Já estava mais arrumada, calça jeans skinny preta, um sapatinho aberto na frente cor de gelo, não muito alto, um tomara-que-caia bem colado com detalhes em cetim grafite.
Seguimos para a arena onde seria o tão esperado show, e para a minha surpresa, já estava quase tudo pronto, o local era enorme, se é que essa palavra pode explicar isso. As arquibancadas eram ao redor do lugar, e estavam devidamente arrumadas, com espaços certos e etc. Área vip, logo à frente e no meio a pista, e alguns estantes por lá, e tendas para suportar as comidas e bebidas que seriam vendidas, várias pessoas trabalhando, montando, desmontando, limpando, sujando... E então olhei pra frente. Era lindo e grande, o palco já estava montando e com os instrumentos posicionados, ele tinha várias escadas, rampas, corrimãos e passarelas, deveriam ser para as coreografias que teriam antes do show e durante, sim eu tinha sempre muitos bailarinos em minhas apresentações e nessa não seria diferente. O chão era brilhoso, e acima dele havia várias barras de ferros suspensas para segurar os refletores. Ele era coberto em forma de meia lua, fundo todo preto. A bateria de Harry estava colocada em um lugar mais alto logo trás e caixas e mais caixas de som estavam espalhadas. Telões de todos os tipos e formas eram redondos, quadrados, giratórios, que passeavam pelo palco estavam colocados estrategicamente.
Não tinha como explicar, estava tudo digno de um verdadeiro espetáculo, incrível. Fiquei pasma olhando aquilo tudo se concretizando, mas me despertou com um belo puxão me carregando até o que imaginei ser o camarim.
(Coloquem para carregar!)
- Olá, pessoas, trouxe um coisinha para vocês tomarem conta. – disse ao entrar no camarim. Ele ficava logo atrás do palco, em um corredor branco. Ele era cheio de apetrechos de salão de beleza, um grande sofá preto, uma mesa farta de guloseimas, frutas, etc. Um grande espelho, bem amplo e, ao contraio daquele que foi improvisado para a gravação, era só meu, mas não sei até onde isso era bom, afinal, com eles lá seria tudo bem mais divertido.
- Oi, , deixe com a gente, daremos um jeitinho nela. – Uma moça loira disse, me pegando pelo braço. Eu já estava me sentindo uma criança sendo deixada na creche pela madrasta malvada.
- Confio em você, agora se comporte, mocinha venho depois ver todos vocês. – Agora mesmo que confirmei minhas especulações. Valeu, .
Passei a tarde assim, um pouco com os garotos no palco dando os últimos ajustes, vendo os lugares. Eu fui falar com o sonoplasta e depois com algum ajudante para arrumar os microfones e pontos. Danny estava arrumando os pedais que ele controla durante o show inteiro, Tom e Dougie ajustavam guitarras e baixos nas caixas e Harry montava do jeito dele sua bateria.
Logo eu já estava em meu camarim comendo alguma coisa, quando eu pude ouvir "Agora com vocês, o DJ Paul Oakenfold", já haviam começado as apresentações e pude ouvir alguém comentando nos corredores algo como: "Isso está uma loucura, tem muita gente." Então estava tudo dando certo, só imaginava o desespero de , ela deveria estar enlouquecendo.
- Vai dar tudo certo, amiga. – Murmurei pra mim mesma.
Passou-se algum tempo e chegou a hora de me aprontar. O cabeleireiro deixou meu cabelo solto mesmo, apenas escovou o deixou com volume e minha franja de lado. O figurinista estava tendo um treco, eu não gostava do que ele propusera e ele não concordava comigo. Foi uma guerra. Até que chegamos a um acordo. Uma meia calça cor da pele, quase imperceptível, apenas para espantar o friozinho de fim de tarde, o que parecia ser um macacão de shorts curto, e manga regata que prendia no pescoço com uma pequena gola alta, todo de paetê preto que moldava o meu corpo; uma bota de cano bem curto de couro preto. Maquiagem foi fácil, eu e a maquiadora nos acertamos rápido, olhos marcados e ponto final.
Estava chegando a hora e apareceu no camarim.
- OMG! Você está divina! Maravilhosa. Minha amiga, gente, minha amiga. – Ela fala pra aqueles me arrumaram a tarde toda.
- E aí? Tudo nos conformes?
- Por incrível que pareça, sim. Alguns pequenos problemas surgiram, mas eu já dei um jeitinho.
- Já falou com os meninos? – Perguntei e recebi uma risada debochada. Odeio ela.
- Já sim, e eles estão lindíssimos, e caso queria saber, até eu achei o Jones um gato, pegava... AI, sua bruta, doeu.
- Ótimo, era para doer mesmo, tira os bago dele, tá me entendo? – Eu disse para ela.
- Ui, estressadinha, tá com ciúmes, é? – Como um ser daquele tamanho podia ser tão irritante? Ah, sim, é porque se chama , deve ser isso. Urgh!
- Eu? Com ciúmes? Sai fora. – Imagina eu com ciúmes? Onde já se viu? Até parece. Ela que se engrace pra cima dele, vai levar um tabefe tão bem dado.
- Ok! Ciumenta... Ô, caramba para de me bater, porra. Vim avisar que daqui a pouco um cara aí que não sei o nome vem chamar vocês para subir no palco, se você quiser ir lá com os garotos, tudo bem, pode ir, só não some senhora-estou-apaixonada-Jones... Se me bater, vai levar também. – Ela foi rápida dessa vez.
- Idiota.
- Cretina.
- Se vai lá com eles, vai logo... E... manda um beijo daqueles de desentupidor de pia no Jones pra mim... AI, AI, já fui, haha. – É debochada, né? Vai ter troco, ah vai.
E fiz o que ela disse fui até o camarim deles e WOW! O paraíso era a porta à esquerda e eu não sabia? Desde quando eu tenho amigos tão bonitos?
Eles estavam vestidos casualmente, calça jeans, camiseta, all star, mas mesmo assim estavam lindíssimos como havia dito. Danny e sua inseparável blusa xadrez, cabelo meio de lado, meio espetado, meio liso, ah, sei explicar não. Tom, uma camiseta colada, ele está adorando mostrar suas novas formas. Harry, uma camisa social branca e uma gravata mal colocada. Dougie, uma regata e uma blusa aberta por cima. Divos.
Elogios e mais elogios de ambas as partes, até que o garoto que não sabia o nome e muito menos eu, entrou indicando que o show ia começar. Todos se entreolharam e o frio na barriga de certeza passou por todos. Tinha que dar tudo certo, ia dar tudo certo.
Nos encaminhamos rumo à entrada do placo e lá estava conversando com a... Anna, isso. Elas estavam conversando, quando nós todos chamamos a atenção das duas.
- Aw, vocês estão tão lindos. – Ela nos disse sorrindo e cobrindo a boca logo depois.
- Você não fica muito atrás. Por que essa produção toda? – Harry sempre nessa vidinha de vigiar minha amiga. Fofo.
- Tenho que me manter no mesmo nível de vocês. – Ela deu uma piscadela safada. – Agora chega de conversa mole e arrasem no palco, milhares de pessoas estão à espera de vocês. Confio em vocês e por isso foram escolhidos para o projeto, façam o que fazem de melhor. Amo todos vocês. – Ela disse se virando, mas foi impedida. Ninguém notou, mas eu sim, Harry a puxou num canto e falou alguma coisa que a fez corar. Isso não é bom sinal não. Ou é? Não desgrudei os olhos e nem ou ouvidos de lá, mas não consegui entender nada. Então voltei ao meu estado de concentração total.
Sempre antes do show eu não falava com ninguém, ficava em silêncio, pensando com os meus botões, e eles me respeitaram, e olha que eu nem tinha mencionado isso a eles, acho que pelo nervosismo ninguém queria falar muito. Foi então que...
“Sem mais demoras, a tão esperada apresentação da noite. Com vocês, McFLY e !” e a galera foi à loucura. Berros e mais berros era audíveis de lá mesmo onde estávamos. Meu coração estava disparado, respiração falha. "Caramba, é sempre esse tormento antes de entrar no palco", pensei. Vi correndo em nossa direção, fazendo sinal para que entrássemos, olhei para os garotos que estavam na mesma situação que eu: nervos à flor da pele. Olhei para Danny e este retribuiu o gesto.
Tom e Dougie foram os primeiros, e a platéia gritava sem parar, logo foi Harry, lógico que depois de receber um beijinho no ar por , que ainda estava meio longe. Danny os esperou para fazer o que eu já tinha previsto. Selou nossos lábios rapidamente e sussurrou no meu ouvido "Vai dar tudo certo, minha princesa", pernas bambas? Ok! Respiração falha? Ok! Danny me deixando doida? Ok! Ok! Ok!
Respiramos fundo e ele entrou antes de mim, fui logo em seguida. Todo o local estava lotado, não sei de onde veio tanta gente, celulares ligados pra cima, já estava escurecendo e a iluminação do lugar era magnífica. Uma cortina de fumaça foi feita, e luzes formando diversos desenhos estavam em cima de nós, gritos histéricos, segurança contendo a multidão, aquilo estava completamente uma loucura, sorri sozinha vendo aquilo tudo, uma onda de satisfação me invadiu e creio que era o mesmo sentimento de todos e, principalmente, de . A primeira música iria ser cantada todos juntos, Harry fez as contagens com as baquetas e as batidas foram aparecendo. Junto com elas, os esquemas de cores e luzes acima de nós. (Play no vídeo!)
Eu fiquei ao lado de Danny e de Tom o tempo todo e Danny começou a cantar. Toda a platéia estava histérica, gritando os nossos nomes todo o tempo. O estilo da música era diferente pra mim, porque, bom, sou uma cantora pop e esse definitivamente não era nada ao estilo Britney Spears. Enquanto Dan cantava, Dougie corria pelo palco toda a hora, de um lado para o outro, Tom fazia passos de dança que eram realmente estranhos e Harry, bom, Harry não poderia fazer nada além de tocar e cantar a música apenas mexendo os lábios. Eu tentava fazer uns passinhos com Tom, mas não eram tão bem sucedidos e Danny sorria para mim e eu sentia pequenas borboletas no meu estômago.
Sensação de bem estar essa, eu amo meu trabalho! E as oportunidades que ele me dá.

Capítulo 24

Enquanto isso, nos bastidores

- Anna, ligue para Josh e Mandy, peça que arrumem os camarins e fiquem lá caso precisem de algo, o intervalo já vai começar, por favor. – disse e a menina logo fez o que lhe foi pedido.
- Já avisei, . – A moça lhe respondeu.
- Obrigada, agora me ajude com esse fone que está me incomodando. – E soltou uma risada. A garota a ajudou e ficaram conversando um pouco.
- Sim, isso, agora temos...
- ? – O garoto baixo, de pele clara a interrompeu. – Tem uma pessoa da equipe de filmagem querendo falar com você.
- Comigo? Espero que não seja problema. Onde está essa pessoa?
- Ali, no final do corredor. – O menino apontou a direção.
- Ai, mais essa agora. Venham comigo, se for problema vocês vão me ajudar, hein?!
E os três foram caminhando sem pressa e em silêncio absoluto. Porém, quando chegaram e o tal rapaz indicou quem era a pessoa, essa caminhada para mais perto e ficar no mesmo corredor que eles, quase teve um enfarte, seu coração acelerou incontrolavelmente, respiração ficou falha e trincou os dentes contendo a raiva. Cerrou os olhos e viu a pessoa sorrir de lado ao vê-la.
- Quem deixou ele entrar? – Ela perguntou entredentes.
- , ele é da equipe. – O garoto se atreveu a respondê-la.
- Eu perguntei: Quem deixou ele entrar? – Ela começou a ficar vermelha tamanha era a sua raiva.
- , ele disse que era da equipe de filmagens, disse que precisava falar com você urgente, que tinha um problema.
- Anna, o problema aqui é ele.
- Hã? – Os dois assistentes não entenderam nada.
- Bom... Por que não vão ver se está tudo certo lá dentro? Acredito que só ela pode resolver isso. – O homem parado em frente à se pronunciou.
- Fiquem aqui, é ele quem vai sair. – Ela disse firme olhando bem nos olhos dele.
- ... Temos que conversar
- Não, não temos.
- Por favor, nos deixem a sós. – Ele voltou a pedir. se calou e não desviou o olhar dele, já os assistentes viram que a coisa era séria e foram embora dali.
- Equipe de filmagem? Boa, Jensen. Como conseguiu me achar e entrar aqui?
- Foi a primeira coisa que veio à minha cabeça e os seguranças acreditaram em mim, tô começando a achar que eu acertei na carreira de ator. – Ele riu. – E já que você não quer falar comigo, foi a única maneira de te encontrar.
- E quem disse que eu queria ser encontrada?
- ... me escuta... – Ele disse, pegando no braço da garota.
- Escutar? O que? Que você não queria ter feito aquilo e blábláblá? Corta essa.
- Você não fala comigo, não me atende, não responde às minhas mensagens, você está me deixando louco.
- Hm, estou me lembrando de uma coisa. – Ela fingiu estar coçando o queixo. - Da causa de eu não ter falado com você... Ah... Sim, você me traiu. – E ela sorriu debochada.
- Não fala assim, não sabe como eu estou arrependido, devemos conversar, . – Ele a olhava suplicante.
- Não, o chifre já foi o bastante. – Ela se virou, mas ele a impediu.
- Como pode me tratar assim? Você sempre dizia que me amava...
- E queria o que? Me diz. Que eu agradecesse? Lhe desse um prêmio? Deixa de ser ridículo.
Ela falava assim, dura e firme, mas por dentro ela estava despedaçada, todas as feridas cicatrizadas pareciam estar sendo abertas lentamente. O homem que ela tanto amava, que pensava ser O cara, lindo, carinhoso, mas que cometeu um erro, um grande erro, estava na sua frente lhe pedindo desculpa... De novo. Era torturante pra ela.
- Eu sei que errei, mas estou te pedindo desculpas... Não consegui gravar nada, então me dispensaram um pouco e eu voltei pra cá, eu preciso de você...
- Pensasse nisso antes de fazer o que fez.
- E acha que eu não estou com raiva de mim mesmo? Você. Você era a mulher que eu queria e quero pra minha vida toda, não posso te perder assim, eu te amo... Mu... muito. – Ele começou a chorar. "Daí é golpe baixo, baixíssimo", pensou ela.
- E eu? Não pensou em mim? Chorei até secar tudo que tinha, você não imagina o quanto eu sofri, não sabe como foi ver aquela cena, o homem que eu amava com outra. – Ela estava segurando as lágrimas.
- Na verdade eu sei sim, não foi exatamente igual, mas é nesse sentido.
- Cê bebeu, foi? Cê não ta falando coisa com coisa não.
- Eu vi você e aquele seu amiguinho que não gosta de mim, juntos esses dias.
- Você me seguiu?
- Não. Exatamente. Mas eu te vi com ele, e vi o jeito que ele te olha, o jeito que toca em você, minha vontade era ir até lá e te arrastar comigo.
- Me deixa em paz, ok?! – Ela disse a ele.
- Não posso, eu te amo, e não consigo mais ficar longe de você, vou ficar em Londres até você voltar comigo. – Ele disse confiante.
- Toma. – Ela entregou um cartão a ele. – Ele é um bom produtor, está por aí, se você tiver sorte...
- Pra que isso?
- Cê não disse que ia ficar aqui até eu voltar com você? Então, acho melhor começar a arranjar emprego, sei lá, em alguma televisão, acho que ele pode te ajudar.
- , eu estou falando sério.
- Eu também! Não é porque você me chifrou que eu vou deixar você morrer de fome.
- Por favor, não faz isso comigo.
- Acha que é fácil? Não é não. Agora eu tenho que trabalhar, foi um desprazer te encontrar, passar bem. – Ela disse se virando novamente, mas Jensen foi ágil e a trancou contra a parede, e chegou bem perto do rosto dela.
- Me solta. – Ela disse baixo e voz falhada.
- Não consigo. – Ele disse com a voz rouca – Não posso. E não quero. Você é muito linda, atraente. – Ele disse colocando o rosto perto do pescoço dela e sentindo o seu perfume. – Eu quero ter você de novo em meus braços, ouvindo você dizer meu nome, me deixando louco...
- Por favor... nã... não faz assim. – Ela disse quase que em um sussurro. Ela já estava perdendo a cabeça e o juízo com ele tão próximo, falando em seu ouvido, podendo sentir o perfume dele novamente. Mas para a sorte dela, ou não, ela ouviu risadas e conversas vindas de longe e se lembrou de que logo viria o intervalo do show, assim se afastou rápido de Jensen, já que ele estava tão perturbado com seus pensamentos que se esqueceu de segurá-la. E mesmo assim, os garotos viram ela se afastando dele, a olhou incrédula e pior Harry viu tudo, ele ficou parado a olhando e fez o mesmo, mas ele fechou a cara e entrou no camarim fechando a porta com força.
- Aonde você vai? – Jensen perguntou, vendo ir embora.
- Não interessa, some da minha frente, você só me traz problemas, garoto.
- ... eu te a... – Ele não terminou, já que ela entrou na sala e fechou a porta o deixando sozinho.

No camarim do McFLY...

- o que foi aquilo? – Eu perguntei a ela e notei que estava branca que nem uma vela.
- Ah, , a mesma ladainha de sempre. Ai. – Ela disse colocando a mão na testa. – Harry deve estar furioso comigo.
- Tá sim, amiga.
- Obrigada, , você como consoladora é uma ÓTIMA cantora. – E ela me deu tapinhas nas costas, se virou, encarando o sofá longe e seguiu até ele. Olhei melhor e vi que Harry estava lá.
Eu sei que é errado, falta de educação, mas... ela ia me contar mesmo, porque não assistir de camarote? Cheguei perto o bastante, onde dava de ouvir a conversa, os outros não notaram a tensão, estavam muito cansados e se jogaram no sofá que tinha perto da porta. Já eu, sentei em uma cadeira e fingi estar folheando uma revista.

- Harry? – Oba, peguei o início da conversa. Isso é melhor que novela.
- Hm.
- Ah... é... você...
- Não estou bravo com você, se é isso que quer saber. Não sou nada seu, não tenho que me meter em sua vida, muito menos na amorosa.
- Como você não é nada meu? Surtou? Poxa, você é meu amigo, caramba.
- Amigo? – E ele bufou. Opa. Acho que ele não gostou da idéia do amigo.
- É. Hazz, não aconteceu nada, juro. – Ela parecia estar falando com as paredes, pois ele nem a olhava.
- E se nós não tivéssemos atrapalhado teria acontecido.
- Não, não teria. Não sou idiota, é difícil pra mim, mas eu já não sinto a mesma coisa por ele...
- Por que está me contando isso? – Ele finalmente a olhou. Ai, é agora. Isso tá ficando bom.
- Não quero que fique pensando coisa errada a meu respeito. Jensen é passado pra mim, tudo bem, ainda estou machucada e com um pouco de raiva, mas acabou.
- E por que eu? Você poderia escolher qualquer um aqui. – Eu não tinha pensado nisso. Ela abriu várias vezes a boca pra falar, mas nada saia. - Por quê? – É, sua anta, responde ao menino.
– Porque você é muito importante pra mim, porque eu quero me explicar pra você, é você que importa. – Se o momento não fosse crítico, eu teria me sentido ofendida. Pô, EU sou a melhor amiga da história, era pra EU estar sabendo dos babados em primeira mão. Não gostei disso.
- Foi só isso? Só uma conversa?
- Eu não minto pra você, foi só isso, é sério. – Era verdade, eu conhecia bem ela, Jensen era bonito, o ex dela, mas o que ele fez a deixou com muita raiva, então claro que foi só uma conversa, e se conheço bem a história, foi forçada por ele.
- Por que eu não consigo ficar bravo com você? Que merda. – Ele segurou a cabeça entre os joelhos.
- Hm... Porque você me ama e eu sou irresistível. – Ela se acha.
- Metida... É, deve ser por isso. – E ela colocou as mãos no rosto dele e o puxou para mais perto dela. Caramba, vai ser agora. Ai, não quero nem ver. Mentira, quero sim... Mas para meu desgosto, a desgraça o beija na bochecha bem demoradamente, e depois sorri para o garoto encostando sua testa na dele.
Tô garrando um ódio dessa menina, me deixou na vontade, pensei que ia ser... "a" hora e não foi, perdi meu precioso tempo pra isso.
se levantou e foi em minha direção.
- É boa essa revista de peças de automóveis? – Ela sussurrou no meu ouvido. – Deve ser ainda melhor, já que você está lendo de cabeça para baixo. – Merda.
(Coloquem pra carregar!)
Depois da cena que presenciei e de tanto trabalho que passei, para acabar sendo descoberta, troquei de roupa, retoquei minha maquiagem, comi alguma coisa, afinal ninguém é de ferro e voltamos para o palco.
Algumas músicas foram cantadas e Danny ficava ao meu lado durante todo o show, foi então que chegou a uma parte inesperada. EU iria encerrar o show. Sim. E o pior eu fui avisada no palco sobre essa façanha. Idéia de quem? Isso mesmo. Danny Jones. Mato ele. Eles tinham acabado de tocar uma música, sozinhos no palco, enquanto eu ia correndo fazer um xixizinho básico, eles me informaram sobre isso e eu fiquei mais perdida que cego em tiroteio.
Se era isso que queriam, então era o que teriam. Eles meio que despediram, ao som de uns “AHHHHHHHHHHHH”, mas prometeram que voltariam. Feito isso, as luzes se apagaram, apenas um jogo de cores no palco. "Tempo suficiente", pensei. Corri em direção ao cara que cuidava do som e essas coisas, e lhe entreguei um papel bem dobrado. Não sei por que o guardei em meu sutiã. Eita, que coisa estranha, mas agora ele iria servir e muito. A idéia me ocorreu rapidamente, era o lugar perfeito, a hora exata, e os meninos estavam na coxia me observando. Era isso, era agora.
Os primeiros sons vindos do violão encheram aquele lugar, a platéia já não berrava mais, não sabiam que música era aquela. Tirei o microfone do pedestal, e esperei minha deixa e a luz focar em mim...
(Por favor, acompanhem a letra da música. Ela se encaixa direitinho na história)

When I met you
I didn't really like you
First impression was you were somebody who
Walked about right by when I waved at you and say hi
But they say
Bad beginnings make happy endings
And I never knew I begin to understand things
Turn around a hundred and eighty degree
I found my missing piece...

(Quando eu te encontrei
Eu realmente não gostei de você
Minha primeira impressão foi que você era alguém que
Passava direto quando eu te acenava e dizia 'Oi'
Mas dizem
Começos ruins fazem finais felizes
E agora que eu te conheço começo a entender as coisas
Uma mudança de 180 graus
Eu encontrei meu pedaço perdido)

Sorri ao terminar essa estrofe, tentando imaginar o que se passava na cabeça de todos e de... Danny. Mordi o lábio e caminhei mais a frente, mas antes não pude deixar de olhar na direção da entrada do palco. A cara dele foi impagável.

There's something ‘bout you
That's like the sun
You warm up my heart when I come undone
You're like my soul mate
And all those days
When I hurt
When I brake
Mhm
You are my band aid You are, you are
When I hurt
When I brake
You are You are, you are
When I hurt
When I brake
You are…

(Há alguma coisa em você
Que é como o sol
Você aquece meu coração, quando eu fico sem jeito
Você é como minha alma gêmea
E tudo mais
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Mhm
Você é o meu curativo, você é, você é
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Você é, você é, você é
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Você é).


When I get caught in the rain
And it feels like
There is no one in the world who understands my
Complications that I faces everyday
I talk it throw with you
No matter how I try to hide
Just see straight from my disguise
You know how to fix me
You are my therapy
Baby oh

(Quando eu sou pego pela chuva
Me sinto como
Não há ninguém no mundo que entenda as
Complicações que eu encaro todo dia
Quando eu falo com você
Não importa o quanto eu tente me esconder
Veja direto do meu disfarce
Você sabe como me consertar
Você é a minha terapia
Baby oh)


There's something ‘bout you
That's like the sun
You warm up my heart when I come undone
You're like my soul mate
And all those days
When I hurt
When I brake
Mhm
You are my band aid You are, you are
When I hurt
When I brake
You are You are, you are
When I hurt
When I brake
You are…

(Há alguma coisa em você
Que é como o sol
Você aquece meu coração, quando eu fico sem jeito
Você é como minha alma gêmea
E tudo mais
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Mhm
Você é o meu curativo, você é, você é
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Você é, você é, você é
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Você é).


Isn't it funny how these things can turn around?
Just when I thought I knew you
You prove me wrong
I use to hate the things you love
And love the things you hate
(Não é engraçado como as coisas mudam?
Quando eu achei que te conhecia
Você provou que eu estava errada
Eu costumava odiar as coisas que você ama
E amar as coisas que você odeia)


Nesse momento abri meus olhos e vi a multidão tentando me acompanhar, eu andava pelo palco e cantava sem pensar direito, apenas sentindo, cantando com o coração, olhos fechados e pensando que aquela arena estava vazia, sem uma alma, nada, nada além daquele que eu precisava que me ouvisse, daquele que me fez cantar assim, escrever nossa história, e sem vergonha nenhuma, eu queria que ele percebesse que eu estava revelando meus sentimentos e que ele não tinha que ter dúvidas.

And now I like it
I like it
I like it
Now I la la la like it
I like it
I like it
Now I la la la like it
I like it
I like it
(E agora eu gosto
Eu gosto
Eu gosto
E agora eu go-go-go-gosto
Eu gosto
Eu gosto
E agora eu go-go-go-gosto
Eu gosto
Eu gosto)


There's something ‘bout you
That's like the sun
You warm up my heart when I come undone
You're like my soul mate
And all those days
When I hurt
When I brake
Mhm
You are my band aid You are, you are
When I hurt
When I brake
You are You are, you are
When I hurt
When I brake
You are

(Há alguma coisa em você
Que é como o sol
Você aquece meu coração, quando eu fico sem jeito
Você é como minha alma gêmea
E tudo mais
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Mhm
Você é o meu curativo, você é, você é
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Você é, você é, você é
Quando eu me machuco
Quando eu me parto
Você é).


Olhei de novo para a entrada e o vi estático, completamente paralisado, então sorri pra ele e cantei somente pra Danny.

3, 4
And now I like it
I like it
I like it
Now I la la la like it
I like it
I like it
Now I la la la like it
I like it
Lalalalalala I like it
I lalala like it

(3,4
E agora eu gosto
Eu gosto
Eu gosto
E agora eu go-go-go-gosto
Eu gosto
Eu gosto
E agora eu go-go-go-gosto
Eu gosto, eu gosto
Eu go-go-go-gosto)


As luzes baixaram e ouvi aplausos, assovios e berros. Não pensei que agradaria tanto.
As luzes ficaram mais claras e os meninos no palco ao meu lado. Tom de um lado e Harry do outro. Danny não sabia onde enfiava a cara, muito menos eu, mas por mais incrível e estranho que possa parecer, eu estava bem. Estava ótima. Satisfação era o que eu sentia, tudo tinha dado certo, perfeito, e aquele improviso deles veio a calhar, mostrei a Danny o que eu sentia, o que ele não estava convicto de ser verdade e nada melhor que mostrar a ele através de música.
Nos despedimos – o que foi bem difícil – e fomos aos nossos camarins, mas apareceu Deus-sabe-de-onde e chamou todos ao MEU camarim.

- Obrigada. – Ela nos disse. – Sério, foi lindo, tudo saiu perfeito, não podia ter feito escolha melhor além de vocês.
- Foi lindo mesmo, cara, a galera tava muito boa. – Tom disse animado.
- Er... ! Foi lindo, você fez bem na escolha. – Ela me disse e parecia já saber todo o sentido daquilo. Não. Eu não contei sobre a música que Danny tinha começado e eu sem querer tinha achado. Guardei a sete chaves, e a terminei do meu jeito. Mas ela pegou no ar o sentido dela, o que significava.
- O que vamos fazer agora? Precisamos comemorar, gente! – Dougie falou animado, esfregando as mãos.
- Bom... Não sei vocês, mas eu já tenho compromisso. – nos disse.
- Qual? – Harry perguntou curioso.
- Com a cama. – Deu uma risada. – Tô exausta, não me agüento em pé.
- E eu e a vamos sair. – Danny disse.
- Vamos?
- Claro que vamos. Combinamos, lembra? – Ele me perguntou e eu o olhei sem entender nada.
- Combinamos?
- É... Combinamos
- Ah, sim... Combinamos! – Que diabos ele estava falando? – Pois então, gente... hehe... Tenho compromisso. – Falei meio tímida, afinal todos nos olhavam com cara de “sei”.
- Ok! Então vamos eu, Tom e Harry, seus estragas prazeres. – Dougie disse, mostrando a língua.
- Tô dentro, dude, tô doido pra azarar a noite toda. – Tom disse com brilho nos olhos.
- Vai nada, tu é mó donzela, vai arranjar um canto e dormir. – Danny tirou sarro do amigo e recebeu um pedala de Tom.
- Vão vocês, tô cansado e tenho umas coisas pra resolver. – Harry disse coçando a cabeça.
- Ah, dude, sem essa, vamos, ô mala. – Dougie insistiu.
- Não, não, deixa pra próxima. – E Harry sorriu de lado.
- Ó, discutam aí, que eu to indo, minha cama me espera, beijos. – disse se despedindo de todos e quando chegou a minha vez...
- Não faça nada que eu não faria. – Ela sussurrou em meu ouvido e eu tive que rir sozinha. Minha amiga acha que eu sou pervertida que nem ela. Se bem que... Onde e o que vamos fazer? O que eu e Jones pretendemos...? Eu nem sei o que pretendemos.
E assim todos nos despedimos rapidamente e fomos embora. Danny, para meu espanto, levou seu carro, então tínhamos privacidade. Não sei que iríamos fazer, só sei que estava muito boa aquela sensação, do escondido e de tê-lo comigo bem perto.



Capítulo 25

’s P.O.V.

Mas que droga de trânsito – pensei. Ainda vou chegar em casa, têm a louça do café para lavar, roupa pra dobrar, e a ? Saiu com o Jones. Querida ela, né?! Também acho. E ainda me vem com é só uma saidinha, ela acha que eu sou tonta. Mas a bichinha se deu bem, não posso negar e afinal, EU queria que isso desse certo, então chega de reclamar, tenho que me conformar com a minha vida de nova solteira e curtir meu programa de dona de casa. Era só o que me faltava.
Pronto, minhas ruas, elas são mais tranquilas e mais fáceis de dirigir, dá até para ir mais rápido. Já mencionei que gosto de velocidade? Não? Eu gosto. E todo mundo fala que eu sou uma doida, mas eu dirijo com cuidado, só esqueço as sinalizações. Mas eu não podia estar tão irritada assim, afinal o show que eu trabalhei duro para produzir saiu perfeitamente como tinha que ser. Tenho que agradecer e muito aos meninos e a – apesar dela ter me deixado a louça – eles foram incríveis, ajudaram com tudo, se antes já gostava deles, agora eu não tinha palavras para explicar o meu amor por eles.

Cheguei ao meu prédio, pronta para apertar o botão do portão, quando avisto um carro conhecido, mas resolvi entrar na garagem mesmo assim. Droga! Tinha esquecido de colocar o lixo para fora, deixei lá em baixo e não coloquei na lixeira do prédio. Estacionei o carro e fui colocá-lo na rua.

- Nunca aprende a dirigir devagar, não? – Ouvi de longe, senti meu coração ir até a boca três vezes e dando um pulo tamanho era o susto que tomei. – Não tenha medo, não reconhece mais minha voz?

Merda! É claro que eu reconheceria, onde quer que seja eu saberia de quem era, levaria comigo sempre. Só não entendia o que ele fazia ali.
- O que faz aqui, Jensen? – Perguntei sem nem olhar na cara dele.
- Te seguindo – Ótimo. Era o que estava faltando. Bem legal. Urgh!
- Está perdendo seu tempo. – Eu ainda não o olhava, era difícil demais e eu não podia me render, eu prometi...
- Não vou desistir de você assim tão fácil.
- Deveria.
- ... Eu sei que você não me esqueceu, eu errei, mas estou tentando consertar, vamos esquecer isso tudo. Vamos... Começar do zero. Eu te juro que eu não vou mais te magoar, não sabe o quanto eu preciso de você. – Ele me falou isso e eu finalmente resolvi encará-lo. Como ele podia ser tão cara de pau? Depois do que fez, vem me pedir desculpas? E ainda fica insistindo? Minha vez de zoar com a cara dele.
- Tenho uma idéia melhor. Que tal você sumir da minha frente, dar o fora da minha vida de vez e me deixar em PAZ! – Falei rude com ele, mas ele me segurou forte no braço. Doeu, pô.
- Não. – Ele falou entre dentes; – Eu te amo, não vou desistir.
- Tá me machucando.
- Só me escuta, por favor. , não faça isso comigo. – Ele me olhou bem nos olhos.
- E o que VOCÊ fez comigo não conta? – Eu não me aguentei e berrei com ele.
- Eu já te pedi desculpas...
- Ok! Eu já te perdoei, não adianta ficar guardando rancor mesmo, mas não significa que nós vamos voltar a ficar juntos, coloca isso na sua cabeça. – Eu falei isso mesmo? Caramba. Falei. E ainda estou bem. Eita, coisa estranha.
- Por que não? Eu sei que você ainda me ama, que sente algo por mim.
- Quem disse isso? Agora se não for muito incomodo, quer fazer o favor de me soltar? – Acho que ele não me ouviu, pois foi aí que ele segurou com mais força meu braço.
- Não ouviu o que ela disse? Solte-a. – Uma terceira voz apareceu do nada e eu to começando a não gostar dessa coisa de vozes aparecendo do nada.
- Quem é você? – Jensen perguntou.
- A pessoa que vai quebrar a sua cara se não soltá-la – Harry. Outra voz inconfundível. E ele logo apareceu na nossa frente.
- Ha... Hazz. – Eu disse meio que pra mim mesma.
- Ah... Você? – Jensen bufou. – Isso não é da sua conta, saia daqui.
- É da minha conta quando se trata dela – Harry disse se aproximando e me puxando.
- Mas isso é papo de namorado, com licença? – Jensen falou me puxando também.
- Gente...
- Pelo que eu andei sabendo o idiota aí fez com que o namoro acabasse. – Harry retrucou me puxando para ele.
- Gente...
- E você já está zanzando no meu território, não é? – Jensen ainda me segurava com força.
- GENTE! Isso não é cabo de guerra não... – Eles me soltaram e eu ajeitei minha blusa. – Obrigada. Agora parem com isso.
- , você está bem? – Harry me perguntou preocupado e eu acenei com a cabeça positivamente.
- Saia de perto dela, otário. – Jensen se irritou com nossa aproximação. Não vai dar certo.
- Tá falando comigo, idiota? – Harry perguntou cínico. Fodeu.
- Não me xinga não.
- Falo do jeito que eu quero com pessoas como você.
- Parem com isso, por favor. – Eu pedi, mas parecia que eu nem estava ali, a briga estava mais interessante para eles.
- Rapaz, to começando a me irritar com você.– Jensen disse, eu vi que a merda tava começando a feder.
- Ótimo. Digo-lhe o mesmo.
- , venha comigo – Jensen me puxou rápido e forte que não nem tempo de pensar.
- Solta ela, seu canalha. – Harry gritou e... Ai. Lascou de vez. Ele pulou em cima de Jensen o tirando de perto de mim.
- Tira as mãos de mim, imbecil! – Jensen empurrou Harry longe.
- Por favor, parem! – Eu gritava e ninguém me ouvia. – Socorro! – Tentei chamar alguém, mas não havia uma pessoa na rua.
- Te prepara, to doido pra te dar uma lição. – Harry o olhava com um olhar de maníaco.
- Não Harry, não faça is... - Caralho, ferrou de vez.
- OUTCH... – Harry deu um soco na barriga dele. - Você me paga... – Ui, doeu até em mim. Jensen acertou em cheio na boca de Harry, senti uma pontada no estomago ao ver aquilo: Harry levantando a cabeça e o sangue escorrendo de sua boca. Era por minha causa que eles estavam brigando, eu comecei a ficar desesperada, sem saber o que fazer...
- Parem! – Tentei impedir, mas eles eram dois homens... Enormes, eu perto deles era um nada. Eles estavam se atracando e só podia ouvir os urros, os gemidos de dor e o barulho de socos em contado com corpo.

Separá-los? Impossível. Pedir ajuda? Já tentei. Ficaram brigando por alguns bons minutos, minutos esses que pareciam intermináveis. Notei que eu tinha começado a chorar quando senti o gosto de água salgada em minha boca. Aquilo não podia estar acontecendo, eu me sentia mal por ter sido o pivô disso.
Foi então que três caras que moravam no mesmo prédio que eu perceberam o meu desespero e olharam melhor, viram que tinha dois caras grudados, embolados, atracados em uma briga sem fim. Então decidiram ir ajudar e eu dei graças a Deus. Tudo bem, foi um pouco difícil, eles ficavam se remexendo enquanto eram segurados e afastados. Um dos homens levou Harry para a porta do prédio, enquanto Jensen ainda era segurado bem na minha frente.

- Nossa conversa ainda não acabou, . Eu realmente te quero de volta. – Ele disse parecendo mais calmo e pude notar seu rosto perfeito, machucado, não era muita coisa, mas não queria vê-lo daquele jeito. Mas aquela calmaria foi embora assim que ele colocou os olhos em Harry novamente e gritou.
- Eu ainda não terminei com você.
- Vou estar te esperando, babaca. – Harry gritou de volta e Jensen bufou olhando diretamente para ele, porém voltou sua atenção em mim e sussurrou um eu te amo e foi para seu carro se livrando das mãos dos dois outros rapazes. Ele arrancou com o carro e foi embora e fiquei parada por um tempo, tentando me recuperar e me recompor.

Resolvi olhar na direção do prédio e percebi porque Jensen ficou olhando também, ele estava admirando a obra prima que fez. Ele acabou com a cara de Harry. Agradeci os meninos, e subi com Harry escorado em mim e... Dude, ele é pesado. Abri a porta e sentei com ele no sofá.

- Deixe–me ver isso. – Eu disse me aproximando dele.
- Ai, vai com calma.
- Cês dois ficaram malucos, sabia? Onde já se viu, sair no tapa sem mais e nem menos. – Eu ralhei com ele, pouco me importando com o estado dele.
- Sem mais e nem menos? Ele estava te forçando.
- Ah... Não importa. Vem, vamos cuidar disso aí. – Eu disse puxando-o.
- Onde?
- No banheiro, tenho um kit de primeiros socorros lá, não amola, vem logo. – E puxei-o comigo e o sentei no vaso.
- O que está fazendo?... Ai... O que é isso? – Ele é um molenga mesmo. Tava linda aquela cena, ele sentadinho que nem criança de castigo e eu brigando com ele.
- Remédio e pare de reclamar. – Eu levantei seu rosto e aproximei do meu a fim de olhar melhor os ferimentos, nada de muito grave, mas ao olhar em seus lindos olhos azuis me perdi completamente, sendo acordada somente com sua voz rouca.
- Você fica tão linda preocupada assim. – Ele disse sorrindo.
- Para com isso, Judd.
- E fica ainda mais quando fica com vergonha... Ai doeu.
- Fica quieto e não fala besteira que não dói. – Eu disse limpando os machucados.

Jensen havia feito um bom trabalho no rosto dele, era uma pena, pois olhando assim, ele é tão... Tão lindo. Ai, o que eu to pensando, ele é meu amigo, lindo, mas meu amigo. Respira.

- Ele te seguiu, não foi? – Ele me perguntou e eu parei o encarando de perto.
- Foi. Ele disse que não vai desistir, e eu to começando a acreditar. – E soltei o ar.
- Desculpa ter batido nele na sua frente...
- Não ligo, às vezes acho que ele merecia mesmo, só... Ao que tudo indica, o estrago maior foi aqui. – Eu disse e voltei a cuidar dele.

Ficamos em silêncio, terminei meu trabalho, fiz um pequeno curativo em sua sobrancelha esquerda, limpei os ferimentos e pronto.
Ele ficou me encarando enquanto eu guardava tudo de volta.

- Que foi? – Perguntei e ele entortou a boca.
- Nada.
- Vai me contar por que estava aqui ou eu vou ter que esperar por muito tempo? – Perguntei, mas não o olhei; continuava a fazer o que estava fazendo.
- Er... Bom... Um obrigado já basta.
- Oh... Sim Obrigada. Desembucha.
- Delicada.
- Judd!
- Eu vim... Porque... Porque queria falar com você – Aí sim eu olhei para ele, e esse fazia cara de inocente. Fofo.
- Então fale.
- Não é tão simples.
- Então simplifique, oras – Percebi que ele não ia conseguir, então mudei de assunto. – Por que brigou com ele?
- Por quê? – Ele me encarou descrente. – Não é obvio? Desde sempre nunca fui com a cara dele, ele nunca foi bom o suficiente pra você, sempre soube que ele não te merecia. – Ops. Realmente ele não gosta dele.
- Ta já entendi, chega de falar dele então. Jensen Ackles é passado.
- Tem certeza?
- Sim senhor.
- Então eu posso começar a falar o que eu vim fazer aqui? – Oi? Como é? Olhei para ele ainda sentado, o que não fazia muita diferença, eu estava em pé e assim parecia que éramos da mesma altura.
- Deve. Eu acho.
- . – Ih, não gostei do começo. – Nós somos amigos há bastante tempo, não é? – Eu concordei com a cabeça. – Então... Sempre fomos muito próximos e temos muita intimidade. – Shh, Harry ninguém precisa ficar sabendo, pô.
- Vai direto ao ponto.
- Fica quieta. Como eu ia dizendo... Temos liberdade para falar o que queremos um pro outro não é?
- Ha... – Ele me interrompeu colocando o dedo em meus lábios.
- Shhhhh.
- Não faz Shhh pra mim – Falei manhosa.
- , colabora – Ele ralhou comigo e eu fiquei quieta, ele pigarreou e voltou a falar. – Preciso que você saiba umas coisas sobre mim. – Por que eu não gostei desse papo?
- Harry, o que você fez? – Perguntei apavorada.
- Nada. Ainda. O que eu quero dizer é... É que... Que eu gosto muito de você. – Ele disse receoso e eu não entendi nada.
- Eu sei. Você já me disse, eu também gosto muito de você.
- É. Mas eu gosto diferente... – Hein?! O olhei com expressão de nada. – Olho pra você não como amiga... Mas como mulher. – Pisquei algumas vezes, às vezes minha audição falha, sabe? Como é?
- Bom... Seria pior se fosse como homem. – E sorri irônica, mas logo deixei o sorriso de lado vendo a cara dele. – Explique-se.
- Já faz algum tempo... No começo achei que fosse bobagem minha. Você era minha amiga, achei que estivesse só confundindo as coisas e deixei pra lá, mas a cada dia eu pensava mais em você, queria saber mais sobre você. – Eu ouvia atentamente e engolia a seco tudo aquilo. – Mas você tinha namorado, e eu era só seu amigo, então fui deixando de lado, só que quando eu estava ao seu lado, perto de você, me sentia diferente, me sentia bem, precisava daquilo, parecia ser um bobo... – Ele deu uma risada nasalada.
- Hazz, eu...
- Não , me deixa falar, não me impeça, por favor? – Confirmei com a cabeça que já estava latejando de tantas informações. – O pior foi quando eu finalmente vi você e o Jensen, aquilo foi demais pra mim, me senti estranho, até com um pouco de raiva e inveja, porque era ele que estava ao seu lado. E quando ele fez aquilo com você e eu te trouxe pra casa... Que você ficou em meus braços e tão perto... Ali eu tive a minha confirmação, eu gostava mesmo de você e não era como amiga, você estava tão frágil e eu queria cuidar de você, queria matá-lo por ter feito aquela burrada, ele não tinha noção do quanto foi um idiota em ter deixado você fugir assim... – E ele terminou de falar assim, na maior cara dura. E colocou o rosto em suas mãos. Fiquei estática. Como que se respira mesmo? Meu amigo, um dos meus melhores amigos, me faz uma confissão dessa e eu digo o quê? Obrigada?
- Ah... Eu... – Eu não conseguia dizer nada que fizesse sentido, mordi os lábios e disse. – Harry, não estou entendendo direito, como?
- Não sei, só não posso mais evitar. – Então olhei para ele e vi que ele estava tão perturbado quanto eu. Ele sempre esteve comigo nas horas boas e nas ruins, ele me salvou de várias situações, sempre me ajudou e... Talvez agora certas coisas fizessem sentido. Eu deveria olhar pra ele e dizer: Não posso corresponder aos seus sentimentos, mas ao invés disso eu queria ele. Sim. Eu o queria pra mim.
- Harry... Você pode ter qualquer uma, por que eu?
- É ai que está. Eu não quero qualquer uma, não quero outra a não ser você, isso já está me tirando do sério, sabe quanto tempo não saio com uma garota? – Ele falava fazendo gestos com as mãos. Verdade. Ele nunca mais pediu telefone de amigas, não o vi falando de ninguém. Caramba. Tudo bem nas minhas fuças e eu não percebi nada, sou uma anta mesmo, né?!
- Hum...- Tinha um sonzinho melhor para fazer não, ?
- , me escuta. Eu não posso mais evitar, não consigo ficar perto de você e não ter uma vontade imensa de te agarrar. – Opa. Ah é? Hum... Interessante. - Só não nota quem não quer.
- Tá me chamando de cega?
- É sério, não estou brincando. Como já não tenho mais controle disso, achei melhor te falar... O quanto... Eu te amo , é isso. Eu te amo de verdade. – Ok. Posso desmaiar agora? Eu não sabia o que dizer, o que falar e nem o que sentir. Estava um tormento dentro de mim, vários sentimentos misturados, mas... Não sei explicar.
- Eu não sei o que dizer...
- Nada, não diz nada, não estou te obrigando a nada, eu sei que você ainda ama aquele lá e sei que uma hora ou outra vai voltar pra ele...
- Quem disse? Você lê pensamentos agora? Qual foi a parte do Jensen Ackles é passado você não entendeu?
- E de que adianta? Pra você eu sou só seu amigo, e... Acho que isso eu não posso ser mais. – Quando ele terminou, eu me segurei na bancada do banheiro e respirei fundo, ele só podia estar brincando, eu não vivo sem ele. Não vivo sem ele? Não. Não. Ele não pode fazer isso comigo, não pode me deixar.
- Não Harry, você não pode...
- Não consigo mais, ... – E os olhos dele encheram-se de lágrimas, mas elas não caíram. – Já disse o que eu tinha a dizer, não posso mais voltar atrás...
- Harry. – Ele tentou se levantar, mas eu o impedi segurando nos ombros dele. Fiquei o encarando e ele fez o mesmo, notei um ar de decepção em seu rosto e eu comecei a esclarecer algumas coisas em minha mente.
- . Me solta, isso já é demais pra mim, não sei se foi bom ou ruim ter contado, só sei que estava entalado em minha garganta. – Ele me olhava sério ainda sentado no vaso, porém segurava minhas mãos que estavam em seus ombros. – Não te culpo de nada pequena, eu é que sou um idiota... Imagina se apaixonar pela amiga...
- Vo... Você... Está apaixonado por mim? – Não imagina, o menino ali falando tudo isso porque deu vontade.
- Não ficou claro ainda? Tudo o que eu mais quero é te ver feliz, te ter comigo, nem que seja igual aquela noite... Quer saber? Esquece tudo o que eu te falei... Me desculpa, não vou mais te incom... – Ele não terminou a frase. Eu não deixei. Fiz o que há muito tempo eu estava com vontade de fazer, o beijei. Tinha o puxado com minhas mãos em seu rosto, a última coisa que me lembro foram seus olhos. Olhos que me deixavam de pernas bambas, zonza, e sem fôlego.

Rapidamente ele entendeu o recado e sem hesitação me acompanhou. Era um beijo apaixonado, calmo, mas era impactante, ele queria aquilo e eu precisava daquilo. Ele se levantou sem quebrar o beijo, colocou com cuidado uma mão em minha nuca e a outra em minha cintura, ele me apertou e me puxou para mais perto. E devo confessar: Ele tem pegada. Eu não sentia mais o chão sob meus pés, nunca tinha tido uma sensação como aquela. Naquele momento já não vi Harry como um amigo e sim como um homem, e que homem! Nossas respirações estavam falhas, nada passava em minha cabeça a não ser a vontade de ter mais de Harry só para mim, eu queria mais, não conseguia parar.

Foi aí que o beijo foi tomando um ritmo mais lento e mais lento e ele selou nossos lábios sem pressa. Olhei para ele e esse ainda estava de olhos fechados com um sorriso de lado. Sua boca estava vermelha e inchada. Bom trabalho – pensei.

- Por que fez isso comigo? – Ele perguntou encostando a testa na minha. – Não quero que você fique brincando comigo...
- Cala a boca, você fala demais. – E o puxei pela gola da camiseta, o olhei mordendo o lábio inferior, ele entendeu o que eu queria, esperto.

Só que dessa vez quem tomou conta da situação foi ele, ele quem me guiou, me beijou com intensidade e desejo. Era estranho aquilo, mas ao mesmo tempo era bom, eu deveria estar impedindo-o, afinal ele era meu amigo, mas eu não queria e muito menos conseguiria, eu também queria aquilo, e pior... Estava gostando. E muito.
- ... Eu não consigo mais parar. – Ele disse ofegante.
- Não pare. – Eu disse no mesmo tom de voz.
- Eu não posso. – Ele disse agora parando para me olhar sério. – Não quero que você fique brincando comigo, não quero que você se confunda, é melhor eu ir embora... – Ele disse triste e seguiu rumo à sala. Eu? Fiquei parada. Mas foi aí que eu percebi uma coisa... Quem foi que disse que eu estava brincando com ele? Eu era livre, desimpedida e independente, podia fazer o que desse na telha, não podia deixá-lo ir embora assim... Sem dizer o que eu sentia. Corri para a sala.
- Harry!
- Oi. – Ele estava parado na porta, pronto para sair.
- Eu... Eu tenho que... Que falar com você – Tenho? Mas que diabos eu vou dizer? - . Se for pra dizer que é melhor apenas sermos amigos, que não é para misturar as coisas... Eu já entendi.
- Quer parar de tirar conclusões precipitadas? Que saco. Vem, senta aqui... Anda Hazz.- Eu disse me sentando em meu sofá. Ele demorou a decidir o que ia fazer, mas resolveu sentar ao meu lado, porém com certa distância.
- Eu não mordo não.
- Mas eu sim. – Ele falou rindo e finalmente relaxou.
- Harry. Não vou mentir pra você, estou meio confusa...
- Vou embora.
- Senta aí. – Eu disse o puxando. – Caramba, cê sabe o quanto eu detesto falar de sentimentos e ainda fica interrompendo? Fica quieto... Ótimo. Você me pegou de surpresa, e se você pensa que Jensen é um empecilho, está enganado, ele não mexe mais comigo... Não como... Você. – Ai, como isso é difícil. Parece que um peso de uma tonelada tinha saído de minhas costas.
- Hã?
- Não se faz de bobo... Eu acho que o que eu sinto por você, mudou de uns tempos pra cá. Eu só não entendia o que era. Você sempre esteve do meu lado, sempre foi muito importante pra mim, eu só não tinha percebido o quanto. E hoje com você me falando aquelas coisas lindas, eu esclareci minhas dúvidas... E quando você disse que não podia mais ficar perto de mim, parecia que eu não sobreviveria, e olha bem o que eu estou dizendo. Eu nunca falo desse jeito! – Eu disse chegando mais perto dele e passando minhas mãos em seus cabelos – Não quero que você fique longe de mim... - ... – Ele disse me acariciando no rosto e me olhando de um jeito que... Jesus! – Eu te amo muito, muito... – Ele disse me puxando e encostando nossas testas.
- Hazz... Eu... Ai Deus como isso é difícil... Eu acho que é meio cedo, mas... Eu acho... – E dei uma risada nervosa. –... Que também... Te amo. – Finalizei mordendo o lábio inferior, esperando por uma resposta, mas o que eu recebi foi uma expressão de espanto.
- ... Não precisa falar nada.
- Mas é a verdade...
- Não brinca comigo, garota. – Ele começou a rir. – Não sabe como é bom ouvir isso... É bem melhor assim, não preciso me afastar de você... Sou o cara mais feliz do mundo agora... – E ele deu uma gargalhada gostosa.
- Mas sabe? Eu ainda preciso esclarecer algumas coisas... Talvez um beijo me ajude, ou dois ou três... – Sorri pra ele e esse me beijou sem demoras me deitando com cuidado no sofá e ficando por cima de mim.

Ficamos trocando caricias o tempo inteiro, deitados em meu sofá. Era muito boa aquela sensação de estar sendo protegida e amada por um cara tão carinhoso e gentil feito ele, eu realmente não me importaria em ficar com ele o tempo que fosse preciso, de jeito nenhum. Eu não sabia explicar o que estava acontecendo, apenas que eu estava me acostumando com a idéia de que meu melhor amigo tinha se declarado para a minha pessoa e eu ter descoberto que não era tão ruim assim. Até que estava gostando, até demais para o meu gosto.
Ele me respeitou e nada demais aconteceu, apenas estávamos “curtindo” um ao outro, sem malícias, ele estava sendo muito doce e mostrava sem ter vergonha alguma o quanto me amava, fazia questão de me lembrar disso em todo o momento, ele parecia um anjo, o meu anjo. Já eu, achava muito cedo para dizer com toda a certeza um eu te amo, muitas coisas estavam confusas, mas de vez em quando eu soltava algumas frases melosas a ele, e Harry ficava radiante, me fazendo me sentir a melhor pessoa do mundo por isso.
Não me lembro de quando pegamos no sono, só sei que foi uma das noites mais mágicas e lindas que eu já passei, e não precisou ter nada “de mais” para isso, somente a presença dele perto de mim e ter ele abraçado comigo já era o suficiente.

Capítulo 26

’s P.O.V.

Seguimos o caminho inteiro em silêncio. Eu não sabia o que falar, nem ao menos sabia se ele havia notado que eu cantei a música que ele tinha começado a escrever. Talvez ele estivesse com medo de me perguntar alguma coisa também.
- Pra onde estamos indo, senhor mistério? – Eu quebrei o silêncio.
- Jone’s house. – Ele deu uma piscadela e sorriu de lado.

Eu me posicionei melhor no banco do carona e respirei fundo. Eu poderia estar fazendo a maior merda da minha vida, mas esta seria sem dúvida a melhor. Danny estacionou seu charmoso Aston Martin em frente a um luxuoso condomínio e entregou as chaves para que o manobrista fizesse o resto do serviço, o acompanhei até o seu apartamento. Era um lugar lindo, muito bem decorado, não parecia um apartamento de um solteiro, mas tudo bem... Fiquei de costas e ouvi a porta sendo fechada e ouvi o barulho das chaves sendo giradas na mesma, me virei e fiquei de frente para Danny, ficamos nos olhando uns dez segundos. Parados, sem falar absolutamente nada, respirações pesadas e olhares fixos e como num passe de mágica, nossos lábios estavam colados. Danny pegava em meus cabelos, enquanto eu não me decidia entre sua nuca e seu peitoral. Começou a beijar e mordiscar meu pescoço de leve, fazendo com que eu soltasse alguns gemidos involuntariamente.

- Eu não consigo mais ficar longe de você... – Ele disse olhando em meus olhos, me segurando pelo rosto, como se quisesse me fazer ter certeza daquilo. – Estou completamente apaixonado...
- A recíproca é verdadeira. – Disse e logo o beijei novamente.

Como em um impulso, Danny me colocou em seu colo e começou a andar pela casa na direção que eu acho que era de seu quarto sem desgrudar-se de mim. Abriu a porta, encostou-me na parede, eu ainda estava em seu colo. Nunca havia me sentido desse jeito antes. Nem no começo do namoro com Adam. Era um mix de excitação, paixão, desejo, os mais sinceros sentimentos incumbidos naquele momento que era só meu e dele.

Em um movimento rápido, pulei para fora do colo de Danny e fui o guiando para sua cama e o fiz o deitar na mesma.

- Acho que você está perdida, não tem mais volta agora... – Ele disse com um olhar cheio de desejo e eu dei uma risada nasalada.
- Você não está pronto?
- Eu nasci pronto.
- Então... Ready, set, go! – Repetindo a frase do nosso primeiro beijo, eu me posicionei em cima dele, uma perna de cada lado e fui o beijando de leve e pude sentir o quão “animado” ele estava se tornando.

Danny sentou-se e acabou com o espaço entre nossos troncos, olhando como se quisesse pedir permissão para o que pretendia fazer. Sorri de lado, ele entendeu perfeitamente e foi retirando minha blusa e se deparou com o sutiã de rendas preto que eu usava. Me achei no direito de fazer o mesmo e retirei sua blusa. Ficamos nesse joguinho, cada um retirava a peça de roupa do outro e quando só restavam as peças íntimas, em um súbito movimento, me vi embaixo de Dan. Duas peças. Era o que restava para eu ter a melhor noite da minha vida. Em ritmos diferentes, alternando o rápido e o lento, Danny me fez sentir como se eu estivesse no céu, sem nenhuma preocupação com o dia seguinte. Fizemos isso com o maior carinho do mundo e naquele momento só existia ele e eu.
Logo senti seu peso em cima de mim, relaxando após tanto “trabalho”, nossas respirações estavam falhadas e um sorriso foi brotando em meu rosto. Danny Jones, você é perfeito! – Pensei. Nunca tinha me sentido daquela forma, completa, satisfeita e principalmente, feliz.
Ele rolou de cima de mim e deitou ao meu lado na cama. E logo o meu medo veio: Será que ele é que nem aqueles homens que depois do ‘rala e rola’ viram para o lado e começam a roncar, acabando com todo o encanto?

- Você acabou comigo. – Ele disse rindo e soltando o ar. – E é a mulher mais linda que eu já vi.
- Você que foi maravilhoso. – Eu disse fazendo carinho no rosto dele e todas as minhas suspeitas foram por água a baixo. Graças a Deus.
- Não consigo mais me ver longe de você. – Ele disse baixinho e colocando a cabeça na curva de meu pescoço e me deixando zonza, sentindo sua respiração entrando em contado com minha pele.
- Não é diferente comigo, Dan. – Confessei.
- Então me promete uma coisa? – Hum... Depois dessa noite, qualquer coisa baby.
- Depende.
- Não esquece de mim? Não esquece que você deixou um cara muito apaixonado? – Mas que papo era aquele?
- Impossível te esquecer... Eu te peço o mesmo, apesar de não saber por quê está me pedindo isso. – Falei e ele levantou a cabeça para me olhar e... Me deixar tonta, só para variar.
- Não posso mais tirar você da minha cabeça... E depois disso... Não quero saber de outra coisa garota, quero você todinha só pra mim. – Ele disse distribuindo beijos por toda a extensão do meu pescoço, então eu comecei a gargalhar. Com ele as coisas pareciam ser tão fáceis, tão simples.
- Todinha? Tem certeza? – Comecei um joguinho.
- Uhum. – Ele mal me respondia, estava entretido demais com meu pescoço. – Preciso de você, nesse instante.
- Ah... Agora? - Fiz charme.
- Já! – E em um movimento rápido ele me segurou contra o seu corpo, me puxando e me deixando em cima dele.
- Vamos ver até onde você vai. – Eu disse e já não respondia mais pelos meus atos. A insanidade tomou conta de mim e eu comecei a beijá-lo de cima a baixo.
- Vou aonde você quiser, minha linda. – Ele falou com a voz rouca e soltou um pequeno gemido no final, ao sentir eu o tocar perto do seu “amiguinho”.

No novo início eu tomei as rédeas da situação, queria poder senti-lo melhor, do meu jeito. Eu já não podia controlar meus movimentos, minhas ações, apenas o queria. Antes de terminar, ele deu o ar da graça e tomou conta da situação e foi nesse momento que eu não queria mais saber de nada, não sabia nem onde eu estava direito, somente ele e eu. Ele me pegou de um jeito que não tinha como me desvencilhar dele e não podia. Meu corpo já não respondia aos meus comandos. Ele me tirava do sério, acabava com o pouco juízo que me restava.

A noite foi... Turbulenta. Dormir era perda de tempo, então tínhamos que nos ocupar de alguma maneira e nada melhor que... Que... Ser da melhor forma possível. E bota melhor nisso!
Mas o cansaço falou mais alto e pegamos no sono tarde. Não preciso dizer que foi a besteira mais bem feita na minha vida. Eu ainda era casada, mas nada, nada naquele momento iria me impedir de fazer o que eu mais queria e precisava. Nada iria atrapalhar a minha felicidade, eu não permitiria.
Fui acordada da melhor forma possível, com muitos beijos. O sol já invadia o quarto e assim pude ver como ele era, já que na noite passada não deu tempo. Ele era amplo e claro, bonita decoração, um banheiro que me parecia ser enorme de onde, eu podia enxergar. Mas o melhor daquele quarto estava deitado bem ao meu lado. Lindo, com o peitoral descoberto e me olhando com cara de bobo.

- Bom dia, minha princesa! Dormiu bem? – Ele perguntou e logo deixou o seu lindo sorriso aparecer somente para mim.
- Melhor impossível e acordei melhor ainda. – Eu disse o beijando na bochecha.
- Você fica linda dormindo, sabia?
- Ah, Danny. Não acredito que você ficou me observando enquanto eu dormia, odeio isso. – Eu disse me escondendo em minhas mãos, morrendo de vergonha.
- Para de ser boba, foi a melhor noite da minha vida, eu tinha que ficar olhando para a mulher mais linda para ter certeza que eu não estava sonhando. – Ele disse tirando minhas mãos que cobriam meu rosto delicadamente.
- Jura? Melhor noite? To sonhando? – Perguntei.
- Não, você não está sonhando, eu já me certifiquei disso. – Ele disse e me deu um selinho.
- Você foi a melhor coisa que me aconteceu... Não quero que isso acabe de jeito nenhum.
- Eu não vou deixar, não se preocupe. – Ele disse e me beijou lentamente. - Está com fome? To faminto. – Ele disse massageando a sua barriga.
- Caramba! Que horas são? – Eu me lembrei que não tinha avisado a ninguém.
- Nove e alguma coisa, por quê?
- Não avisei a .
- Ela é esperta, sabe o que você fez e o que vai fazer... – E ele voltou a brincar com o meu pescoço e bochechas. Garoto insaciável. Gostei.
- Você não disse que estava com fome?
- Esquece, prefiro outra coisa...
Depois de... Bem... Ele me levou de volta para casa, não tomamos café, eu faria isso em casa. Logo chegamos ao prédio de .

- Nos vemos depois? – Ele me perguntou.
- Claro. Você passa aqui?
- Sim, linda, agora vem cá. – E ele me puxou para um beijo de tirar o fôlego.
- Preciso subir. – Eu disse sem vontade alguma.
- Sério? – Ele mal sabia o que eu estava falando.
- Vamos nos ver mais tarde, então? – Eu perguntei depois de um longo beijo.
- Está combinado, amor. – Ainda tenho que me acostumar com ele me chamando assim.

Nos despedimos, e dude, como é difícil deixá-lo. Mas a noite foi maravilhosa, ele foi magnífico e perfeito, não tinha de que reclamar.

Capítulo 27

When I met you I didn't really like you, first impression was you were somebody who. Walked about right by when I waved at you and say hi, but they say....
Ai como a vida é bela... Dá até vontade de cantar e cantar para todo mundo ouvir. E principalmente fazê-los entender o quanto eu sou feliz e estou radiante. Acho que acordei meio boba hoje... Hum... Se bem que eu mal dormi essa noite, hehe. E acordei da melhor forma possível. E, a vida é bela. Danny me deixou na portaria e como foi difícil deixá-lo ir embora, mas ele me prometeu que nos veríamos logo.

- Bom dia, babes! – Eu disse sem nem ao menos saber onde ela estava. Ouvi risadas na cozinha e segui para lá.
- Bom dia, ... Bom dia Harry! – Parei. Olhei. Pisquei algumas vezes. – Bom dia Harry?
- Bom dia. – Disseram juntos. – Senta aqui, o café da manhã está quase pronto. – disse na maior naturalidade do mundo. E eu notei alguns arranhões e avermelhados no rosto dele. Pelo visto a noite foi selvagem.
- Nada pessoal Hazz... Mas o que ele faz aqui? E desde quando você faz café da manhã? – Perguntei olhando enquanto os dois montavam a mesa calmamente e trocavam olhares cúmplices.
- Ele dormiu aqui. – Claro , simples assim. – E eu sempre faço o café quando eu tenho tempo, é obvio.
- Dormiu? – Pigarreei. – Aqui?
- Uhum. – E ela se pôs na ponta dos pés e o beijou na bochecha e Harry a segurou no queixo e deu um selinho nela. Ok! Acho que não fui só eu que se deu bem essa noite.
- Amor? Onde vocês guardam as tigelas grandes que você me pediu? – Amor? O Harry surtou? Mas que diabos estava acontecendo lá?
- No armário de cima, baby. – Ela respondeu e eu não fiz mais nada, a puxei para fora da cozinha.
- , me explica isso agora! E que história é essa de amor?
- Explicar o quê, criatura? – Ela se livrou do meu aperto. – Ah... O... O Harry? – Ela começou a gargalhar. – Achou que só você podia se divertir com um dos Mcguys? Também tenho meus direitos, mocinha...
- Vo... Você... Não! – Eu não podia acreditar. Tá... Ela não gostava do Jensen? Que caralho, não posso ficar fora uma noite que isso vira uma zona?
- Não pense besteira, mente pervertida. – Ela disse me dando tapinhas na cabeça. – Só estamos nos acertando...
- Café tá na mesa, meninas. – Harry gritou da cozinha.
- Quero detalhes. – Eu disse entre dentes.
- Só você, Senhora Jones? – Ela disse e saiu correndo. Mato ela. Curiosidade para mim é corrosivo e ela não me conta nada? Urgh!

Durante o café da manhã tudo foi tranquilo, em partes, é claro. Eles fizeram panquecas, sucos, torradas, tinham pães, bolos e etc. Eles tinham caprichado, então me fartei, comi de tudo, estava faminta afinal, a noite de ontem exigiu muito de mim. Conversamos enquanto comíamos, tiramos sarro um da cara do outro, e e Harry não se desgrudavam. Eu ia vomitar. Ele sentou ao lado dela, e ficava a olhando quase babando, ela ficava vermelha, roxa de tanta vergonha e lhe fazia carinho no rosto. Parecia que eram aqueles adolescentes que namoram a menos de um mês, trocando caricias, frases, mas da parte dele é claro, ela nunca foi muito desse tipo. E eu? Ficava lá com cara de: Uhul! Eu ainda estou aqui. Eles nem ligavam. Mas devo confessar, até que era fofo vê-los assim, tão pertinho e eu sabia o quanto aquele garoto fazia feliz, e era bom saber que ela estava tão bem novamente. Só tinha uma coisa que me incomodava... Eles formavam um casal tão bonitinho e eu estava ali, sem o meu Jones. Me bateu uma saudade imensa de estar nos braços dele de novo, de sentir seu perfume, sua voz no meu ouvido me dizendo todas aquelas coisas que me deixavam tonta só de pensar. Mas ele disse que viria me buscar depois, não é? Então larga de ser boba, !
Assim que o café terminou, e lógico que Harry ficou pra lavar a louça, mesmo não querendo, ele disse que tinha que ir para casa, mas que depois passaria ali para ver . Ela o levou até a porta e depois de alguns longos minutos se despedindo, fechou a porta e encostou-se à ela, suspirando.

- Ai... Meu Mr. Judd foi embora. – Eu disse numa tentativa de imitar a voz dela. veio correndo e se sentou no sofá ao meu lado.
- Ai como a vida é bela. – Ela me disse e isso me pareceu familiar – Agora me conta TUDO!
- Tudo o quê? – Me fiz de desentendida.
- Você e o Dan.
- Não. Você primeiro. – A minha noite tinha sido muito, muito longa, deixei a vez para ela.
- Simples. Ele se declarou pra mim. Agora conta. – Ela disse naturalmente.
- Co... Como assim? Explique isso direito! – Ordenei.
- Argh! Se eu explicar, cê me conta tudo? – Ela me pediu manhosa.
- Conto. Anda, desembucha. – Eu já estava aflita.
- Bom... Vou resumir. Jensen me seguiu e pediu pra voltar, mas eu não quero mais. Harry chegou bem na hora que ele estava forçando a conversa e você viu no que resultou... – Nada de noite selvagem? Que droga. –... Então, eu trouxe Harry pra casa pra cuidar dele.
- Ai , fala logo...
- Daí ele começou com um papo lá e disse que me amava. – Ela sorriu. OMG! Inacreditável!
- Na lata? E o que você fez?
- Bom... Demorou um pouco, mas no final foi isso que ele disse. E eu o beijei, e... Disse...
- Não me enrola, .
- Queachavaqueamavaeletambém. – E ela mordeu os lábios.
- O QUÊ?
- Isso mesmo, eu realmente gosto dele, é isso. Talvez ele seja O cara, sei lá. Agora não amola e me conta de uma vez. – Menina insistente.
- Ok! Mas depois eu vou querer mais detalhes. – E ela assentiu com a cabeça. – Ai amiga, o Jones é perfeito... Em tudo. – E gargalhamos.
- Hum... É bom assim, é?
- Ei, não se engraça não.
- Prefiro o Judd.
- Hum... Prefiro o Judd, vai te catar, tá toda boba... Ok! Deixe-me terminar... Meu Deus que homem é aquele? Ele foi todo carinhoso e atencioso comigo, não sei nem explicar direito. Sempre me respeitando, e ainda por cima ele cantava pra mim, da pra resistir? Não, não dá. – Eu nem deixava fazer comentários, precisava desabafar, dizer o quanto eu estava bem outra vez. – Ele me faz sentir bem, é engraçado, afetuoso, e menina... Como pode ser tão bom? Nunca vi nada igual.
- Então enquanto eu fazia programinha de adolescente, minha amiga fazia loucuras selvagens com o Jones? – Ela terminou e eu acertei uma almofada nela. – Que foi? Eu sou uma santa, não posso mais andar com você, vai me levar para o mau caminho.
- Ai. Até parece, sai daí, ô! Não aproveitou porque não quis. Eu me diverti mesmo e daí? – Ela me olhou fuzilando. E nós seguimos a conversa assim, tirando uma com a cara da outra, eu soube de mais alguns detalhes e o Harry é um fofo. Eu contei mais sobre minha noitada e ela parecia uma louca de tanto que gritava e ria.

Passaram-se uns três dias desde aquele dia cheio de revelações e acontecimentos. e Harry, como ela mesma dizia, estavam se acertando, e Danny e eu... Bom... Ah, estávamos bem. Muito bem.
Eu estava voltando do mercado quando passei por uma loja de animais e tinham várias gaiolinhas com as mais diversas raças de cães na vitrine. Um me chamou a atenção, enquanto as pessoas passavam, os outros cães latiam como doidos, mas ele não, ele pulava e parecia querer sair dali. Ele só queria brincar, e era muito lindo. Era bem pequeno, orelhas baixas, olhos brilhantes e todo malhado, branco, preto e marrom. Lindo. Uma idéia me veio na cabeça na hora.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para : “Babes! Não vou agora pra casa, então não se preocupe. Te amo, beijos”
Não era muito longe dali, mas eu ia pegar um táxi, ou então o friozinho da tarde me ganharia.
O porteiro já me conhecia e então me deixou logo entrar. Apertei o botão do andar, chegando lá apertei a campainha e ouvi alguns barulhos. “Já to indo”, eu pude ouvir.

- Olá. – Eu disse animada, mas ao olhar para ele não pude segurar o riso.
- Er... ... Me desculpe, tava meio ocupado. – Ele estava muito engraçado, sem camisa, o que me deixou louca, bermuda, avental, luvas, um lenço no cabelo, horroroso e o rosto todo sujo de espuma.
- Cadê sua empregada? – Eu disse ainda rindo.
- De folga. E quer parar de rir de mim?
- Desculpe, é inevitável. – Ai mesmo que caí na gargalhada.
- Muito engraçado. Anda, entra que tá frio. – Fiz o que ele me pediu e fui surpreendida com um beijo, quente e delicado. – O que veio fazer aqui, não combinamos de nos ver mais tarde?
- É, mas o Judd foi para lá e eu fui ao mercado, daí fiquei com vontade de te ver, fiz mal?
- Claro que não, minha linda – Ele selou nossos lábios de novo. – Só me pegou meio desprevenido. – E apontou para si mesmo.
- Hum... Sabe? Até que você ficou sexy... – Falei mordendo o lábio inferior.
- Ah é?... Não me atenta, menina... – E me beijou de novo, só que dessa vez, foi mais veloz e intenso... Até que um latido pode ser ouvido.
- O que você disse? – Ele me perguntou. Ele me chamou de cachorra por tabela, né?!
- Ops. Por que não vai se trocar? – E levantei as sobrancelhas.
- Ok! Volto logo. – E saiu em disparada para seu quarto.
Sentei em seu enorme sofá e peguei a pequena caixa que tinha deixado no chão. Abri e pude ver aquela criaturinha olhar para mim com a maior cara de inocente.
- Você podia ter latido depois, mocinho.
- Tá falando sozinha, linda? – Danny apareceu vestido decentemente.
- Hum... Na verdade não.
- Com que estava falando então? – Ele me pareceu curioso.
- Com o Bruce! – Falei alegre.
- Bruce? Quem é Bru... Oh meu Deus! – Ele viu aquele cachorrinho pequeno tentando pular em mim de dentro da caixa. – Vem cá, garotão... Como você é pequeno! – Ele disse fazendo bico, levantando e sacudindo Bruce acima de sua cabeça.
- Gostou? – Perguntei insegura.
- Fala sério? Ele é demais. – Ele mal olhava para mim e já não gostei muito. Mas ele parecia estar tão contente...
- É seu.
- Hã? – Ele me olhou colocando Bruce em entre seu corpo e seu braço.
- Bruce é seu, achei sua cara, sem ofensas, mas é um fofo e assim você pode lembrar de mim e tem que cuidar dele direitinho... – Eu disse me levantando e indo apertar o cão.
- Sério? Ouviu isso campeão? Você é meu mascote agora! – Ele disse para o cachorro e olhou novamente para mim. – Obrigado amor. Sério, não sabe como estou feliz, ele é o máximo...
- É. Mas não quero ser trocada por um cachorro, ele pode ser bonitinho e fofo, mas eu exijo meu lugar...
- Bom... Bruce, por que não vai conhecer a casa, moleque? – Ele disse largando o pequeno filhote no chão. – Preciso agradecer melhor minha princesa, vai logo, vai.
- O que está fazendo? – Eu perguntei quando o vi me pegando no colo.
- Tenho que te agradecer... – Ele me beijou e foi me guiando até sua cama.
- Haha, good boy! - Eu o olhei marota e selei nossos lábios.

Passamos o tempo inteiro daquele dia assim, nos amando e admirando o novo membro da família Jones, o pequeno Bruce. Danny parecia uma criança quando ganha uma bicicleta nova, seus olhos brilhavam toda vez que o cãozinho abanava seu rabo e eu me sentia satisfeita por ter dado este presente a ele.
Alguns dias foram passando e a minha vontade de ficar em Londres só aumentava. Eu e o pessoal saímos algumas vezes, para alguns pubs não tão badalados, algo mais aconchegante, teve uma vez que até pediram para que eu cantasse You're my band aid, sim, esse era o nome da música que eu tinha cantado na noite do show do Children in Need e que obviamente, foi feita para Daniel. Para a minha surpresa, quando recebi o convite e fui me levantar, Danny levantou-se junto e me acompanhou até o palco. Fizemos um dueto, ele cantando o começo e tocando violão e eu segui com a letra.
Um mês. Eu não acreditava quão rápido o tempo pode passar quando ele quer. Nesse um mês, Adam me ligava freneticamente e eu tive que inventar algumas desculpas, falando que tinha entrevistas para fazer e ajudar com alguns outros projetos. Ele parecia calmo, não se alterou nenhuma vez no telefone, talvez ele deveria estar saindo com alguém, ficando por fora, mas sinceramente? Eu não me importava.

Em um belo dia, que eu não me lembro bem quando, acordo e não encontro . Ótimo. Café da manhã sozinha. De novo. Argh! Ela tinha ido sei lá onde, com sei lá quem. Ultimamente, nós temos nos ocupado com outras coisas.
Bom... Contentei-me com um copo de suco e torradas mesmo, não tinha coisa melhor. Precisamos de compras. Urgente. Então, depois de me abastecer, fui até a sala a fim de procurar algo para espantar o tédio. O que estava bem difícil. Até que ouço o baque na porta batendo.
- Hello Babes! – entrou na sala agitando.
- Bom dia... Er... Onde estava? – Perguntei.
- Eu te disse que ia dar uma saidinha, não disse? – Ela disse colocando sua enorme bolsa no sofá e se sentando nele ao meu lado.
- De dois dias?
- Ops... – Ela sorriu marota. – Ok! O que está fazendo? – Ela desconversou.
- Nada, mas a questão aqui é o que você fez, mocinha. – Eu falei arqueando as sobrancelhas.
- Eu? – Ela me olhou fingindo indignação, colocando as mãos no peito. – De onde tirou isso?
- ! Anda me conta, sei que você está doidinha pra me contar da sua noite! – Eu realmente queria saber. Queria saber de tudo, detalhes, tudo. Minha amiga se ajeitando de novo? Eu não podia perder nenhum momento.
- Hum... Ok! Você me pegou. – Ela sorriu largamente. – Eu... Passei a noite... Com Harry. – Não! OMG!
- Jura? Conte-me tudo, pelo amor de Deus, fala de uma vez. – Fiquei animada e cheguei até a me ajeitar melhor no sofá para ouvir tudinho.
- O quê? Que foi a MELHOR noite da minha vida? Ou que eu tinha um cara maravilhoso bem nas minhas fuças e não sabia? Cê que escolhe.
- TUDO.
- Ah ... Ele é simplesmente um amor, foi todo carinhoso, calmo, delicado... No começo. – Ela me olhou pervertida.
- Hã?
- Pois é... Ele é... Que homem é aquele? Ele me deixou completamente doida! – Ela me olhava de olhos arregalados. – Menina! Nunca vi coisa igual, ele é muito... Versátil, se é que você entende. – Oh se entendo, tenho um da mesma fábrica.
- Sim, mas...
- . Amiga. Ele é o máximo. – Ela me contou com uma mão sobre a minha piscando lentamente – Ele me fez sentir a mulher mais linda e desejada desse mundo! Não, não perde... Ainda por cima, sempre achava um jeito de dizer que me amava. Me respeitou, sempre bem carinhoso, mas... Dude, ele sabe ser um homem de verdade... Jesus! Ai... Apaixonei. – Nossa! Quanta empolgação. E ela olhava para o nada enquanto suspirava. Mas espera...
- Ta e... O Jensen? – Pô, não era ele o bonzão?
- Quem? – Ela voltou à atenção para mim.
- O seu ex.
- Ah... – Ela pensou por um instante. – Ah... Ele também era muito bom, mas com Harry é diferente. – Tenho a leve impressão de que ela está tirando uma com a minha cara.
- Não é disso que estou falando. Você não sente mais nada por ele? – Eu sei. Eu sei. Péssima hora pra perguntar, mas era necessário.
- Ele voltou a me procurar e insistiu, mesmo estando longe. – Ela ficou num tom sério. – E se eu estivesse “sozinha” seria muito difícil, mas eu tenho certeza que não o quero mais, não sinto a mesma coisa. Mas com Harry por perto... Não sei. Ele me completa, me faz bem, e eu quero que isso dê certo. Babes, será mesmo que eu me apaixonei? Assim tão rápido? – Ta me achando com cara de quê? Psicóloga? Ok! Ela nunca soube lidar com esse assunto, é compreensível.
- E se você já estivesse apaixonada? E não sabia? – Acho que a peguei de surpresa, pela cara que ela fez.
- Tá de brincadeira... Não? – E ela nervosa começou a coçar a nuca. - Será?...
(...)
Eu estava sozinha em casa, saiu antes mesmo que eu acordasse. Devia estar passando o dia com Harry, os dois não se desgrudavam mais e ver minha amiga feliz, me fazia feliz, sem dúvida alguma. Estava sentada no sofá e então meu telefone tocou...
- Alô?
- Oi meu amor! Como estão as coisas? - Ah não. Adam insistia em me ligar todos os dias agora? Passou tanto tempo sem torrar meu saco e agora aparece?
- Oi Adam, eu estou bem e você? - Perguntei sem nenhuma animação na voz.
- Estou péssimo. A saudades da minha mulher está me corroendo. Saudades de ter você comigo, de te ter comigo fazendo aquelas coisas que só você sabe fazer e que me deixam louco. – Ai não. Poupe-me dos detalhes sórdidos.
Ding dong – Ótimo! Obrigada campainha por ter me salvo desse papo medíocre que eu estou levando com meu “maridinho”.
- Er, amor, – Tive que disfarçar. – estão tocando aqui no apartamento, tenho que atender. Beijos. - Nem esperei pela resposta e desliguei na cara dele.
- Já vai! - Levantei-me rapidamente do sofá e fui atender a porta.
- Hey amor! - Danny sorria para mim e quando desci meu olhar, pude perceber o pequeno Bruce preso por uma coleira, abanando o rabinho, feliz ao me ver.
- Amor! Bruce... Hey campeão. – Dei um selinho em Danny e me abaixei para fazer carinho em Bruce.
- Ei! Vou começar a ter ciúmes desse cachorro!
- Aw! Deixa de ser bobo... Mas, o que fazem aqui?
- Bruce reclamou que estava sentindo falta da mamãe e tive que fazer o esforço para trazê-lo aqui.
- Aw! - Peguei Bruce no colo e o afofei.
- Você tem planos para hoje, donzela? - Danny perguntando, fechou a porta e me acompanhou até o sofá.
- Sem planos, Dan... E você?
- Nada... Vamos dar uma volta?
- Por onde?
- Algum parque. Bruce precisa de ar fresco...
- Claro! Me dê 5 minutos para me arrumar! - Eu disse animada, levantando-me.
- Cinco minutos? Mais 55 né? Ouch! - O olhei incrédula e dei um tapinha em seu ombro.
- Hehe, engraçado. Sou mais rápida que você! - Disse dando língua.
- Só eu sei o quão rápida você é... - Me olhou safado e soltou uma gargalhada.
- 5 minutos!
Entrei no quarto e seria uma questão de honra! Abri meu armário, coloquei um jeans boyfriend, uma sapatilha vermelha e um blusão preto. Peguei meu Ray Ban wayfarer preto e fiz um coque desleixado. Passei um batom coral e me dirigi à sala.
- Não disse que seriam 5 minutos? - Sorri vitoriosa.
- Rápida e impecável. - Danny disse levantando-se e me abraçando de lado.
Au au!

Ouvimos o latido do nosso pequeno campeão, olhamos para baixo e Bruce estava segurando sua coleira vermelha, indicando que queria sair dali o mais rápido o possível.
Ficamos passeando durante toda a tarde e tentamos nos controlar também, afinal, somos duas pessoas mundialmente conhecidas e eu sou uma mulher casada. Por que eu não posso simplesmente esquecer desse pequeno e irrelevante detalhe?
Se alguma foto saísse no dia seguinte em alguma revista de fofoca, o que eles poderiam dizer? Que somos amigos, passeando com seu novo cachorrinho. Existe alguma coisa mais normal do que essa? Pelo que eu sei Angelina Jolie e Brad Pitt não saíam com cachorrinhos pelo parque à tarde.
- O que pretende fazer agora? - Olhei e perguntei para Danny. Essa hora eu estava segurando Bruce pela coleira.
- Convidar a mulher mais linda do mundo para relaxar no meu humilde apartamento. – Danny tem que parar de me elogiar desse jeito...
- Aw... Acho que você não precisa convidar e saber se ela quer ou não. Tenho certeza que é o que ela quer. - Dei uma piscadela e vi Danny corar. Ai vontade de agarrar. Controle-se. Foco. Foco.
Chegando ao seu apartamento, subimos e Danny disse que iria tomar um banho e que ia aproveitar e dar um em Bruce também. Pedi gentilmente para que pudesse checar mais emails e meu twitter em seu maravilhoso Macbook e ele sem exitar concordou.
Ao abrir meu home no twitter, quase tive um infarte. Todos os meus fãs me perguntando o que estava acontecendo e pude notar um link que dava para uma foto. Eu não precisaria esperar até amanhã. Algum paparazzi medíocre já havia feito o serviço e disponibilizado na rede. Quem não gostaria de ver uma foto de um dos membros das mais influentes bandas do momento e de uma cantora também influente?
“O que está acontecendo?”
“Você e Danny Jones do McFLY estão tendo um caso?”
“Estou decepcionado com , ela é uma mulher casada!”
“Não seria uma má ideia ter os dois juntos. Amo a e o Jones. Isso seria cute!”

O meu “search” recebia mais tweets em questão de segundos e eu estava ficando apavorada. Pude ouvir o chuveiro desligar e logo berrei por Danny.
- O que houve, babes? – Ele chegou no escritório onde eu estava, de toalha, cabelos pingando e Bruce ao seu lado, no mesmo estado, só não estando de toalha.
- Olha aqui! Estão me bombardeando no twitter. Já está até disponível uma foto nossa de hoje à tarde! – Falei, apontando para a tela do computador. – O que eu devo falar aqui?
- Amor, defenda você mesma. Fale que tudo não passa de uma bobagem e uma grande mentira.
- Mas não é! – Eu estava atordoada.
- Mas você quer sair dizendo pra todo mundo que você trai o seu marido comigo? – Ele me olhou compreensivo e pude notar que ele estava completamente correto.
- Está bem... Mas, você não vai ficar chateado com o que eu vou escrever aqui? – Perguntei.
- Claro que não. Ninguém precisa saber o que está se passando conosco. Somente eu, você – au, au – E o Bruce, claro... – Danny disse olhando carinhosamente para o cãozinho e depois para mim, dando-me coragem.
- Está certo. – Posicionei-me na cadeira e comecei a escrever no meu twitter.
“Oi queridos! Estou aqui só pra dar uma olhada e avisar a todos: Não estou namorando ninguém. Continuo muito bem casada! Amo vocês! Xxx”
Depois disso, enquanto Danny fazia sei lá o que, sei lá aonde, eu me deitei no sofá e fiquei curtindo Bruce e posso dizer que ele quase dormiu com meus cafunés em sua cabeça.
Danny chegou na sala com um creme nas mãos:
- Levanta as pernas, mademoiselle...
- Seu desejo é uma ordem. – E assim, levantei minhas pernas para que ele pudesse sentar e colocá-las em cima de seu colo. – Pretende fazer o que? Massagem nos meus pés?
- Por que você não acerta os números da loteria?
- Não preciso ganhar na loteria...
- Porque sou seu prêmio maior? Oh não, ! Essa é péssima. – Ele disse e me fez gargalhar.
- Depois não reclame que eu não sou romântica.
- Nunca disse isso...
- Acho bom mesmo...
Levantei-me e me dirigi até uma mesinha que ficava de frente à uma janela. Eu poderia ter uma bela vista de Londres. Senti Danny chegando vagarosamente e se posicionando atrás de mim.
Respiração ofegante. Mãos. Abraço. Pele com pele. Sussurro ao pé do ouvido com palavras indecifráveis. Beijos no pescoço. Meus olhos fechados. Boca entreaberta. Giro de 180º. Face com face. Desejo...
Danny me olhava como se fosse a primeira vez em que pretendia fazer aquilo e eu não conseguia nem piscar. Não queria perder nenhum momento, nenhuma respiração ou suspiro. Não quero perdê-lo. Em menos de dez segundos eu me encontrava sentada naquela mesma mesa que eu tinha uma vista linda. Danny ficara entre minhas pernas e como se já não fosse impossível, tentava encostar mais seu corpo contra o meu.
Olhares. Pernas. Mão. A blusa que eu vestia foi parar no chão e logo depois dela, meu sutiã. Danny olhava meus seios como se fossem a oitava maravilha do mundo. Lábios sendo mordidos levemente. Arranquei a camisa de Daniel com a força que ainda me restava. Ele era meu e isso não tinha mais como voltar atrás. Fiquei na mesma posição cerca de dez minutos e Jones sabia muito bem fazer seu trabalho. Não conseguia aguentar e gemia baixinho em seu ouvido e isso o tornara mais animado a continuar. Segurava seus cabelos com força entre meus dedos e não pensava em mais nada. Nem a presença de Bruce nos incomodava, aliás, o mesmo estava no décimo segundo sono e com certeza não estava ligando para o que seus “pais” estavam fazendo ali, naquela sala. Tenho certeza que Bruce era um dos mais importantes cúmplices que nós tínhamos.

Capítulo 28

Após terminarmos mais uma de nossas pequenas aventuras, eu quis ir para casa, estava... Cansada, e queria tomar um belo de um banho, comer alguma coisa e ficar de pernas para o ar o que me restava da noite.
Danny, atencioso como sempre, fez questão de me levar em casa. “Eu fui te buscar, eu vou te levar” ele disse.
Bruce, logicamente foi junto, e durante todo o percurso nós cantávamos, riamos e conversávamos. Era incrível que ao lado de Danny as coisas pareciam tão mais fáceis.
Em alguns sinais, Danny que não era bobo nem nada, só se faz, aproveitava para tirar uma casquinha de mim e eu não reclamava não.
Mas para minha tristeza, logo chegamos ao apartamento de . Ele manobrou e eu pude descer, com Danny ao meu encalço e indo abrir a porta para Bruce. Enquanto ele fazia isso e eu o observava, uma voz conhecida nos interrompeu.
- Oi, meu amor. – Adam? OMFG! Não podia ser... Não. Ele estava me esperando provavelmente. Não havia ninguém em casa e ele não se atreveria a ficar esperando por mim na casa da . Ele parecia estar calmo e sorridente. Ele começou a vir na minha direção de braços abertos. A cena seria linda. Reencontro. Mas no fim era aterrorizante. Minha respiração falhou algumas vezes e meu coração não se decidia se acelerava ao máximo ou parava de vez.
- Er... Ad... – Mal pude falar com ele me apertando daquele jeito. Ele me abraçava forte e distribuía beijos em minha bochecha.
- Senti tanto sua falta. – Ele sussurrou. E logo me soltou me analisando de cima a baixo. Depois seu olhar seguiu o meu, Danny estava parado sem expressão alguma nos olhando e até mesmo o pequeno Bruce sentiu a tensão de seus “pais” e ficou na mesma situação.
- Olá... Danny, não é isso? – Adam continuou e como eu o conheço muito bem, ele estava sendo irônico e louco para ter que parar de fazer ceninhas. – Como vai? E aí, cachorrinho? – Ele disse a Bruce, mas esse não foi muito com a cara dele e se encolheu nas pernas de Danny.
- Er... Oi... Adam? – Danny tentou parecer simpático, mas meio desajeitado aceitando o aperto de mão proposto pelo meu... Marido.
- O que está fazendo aqui? – Ele ia me responder, mas fomos interrompidos. e Harry tinham chegado. E eu acho que veio a calhar.
- Oi gente... Adam? – Ela parecia tão surpresa quanto eu. – Er... Oi. – Ela não estava confortável. Enquanto eles “tentavam” se cumprimentar civilizadamente. Sim, eles não gostavam muito um do outro, nem sempre foi assim, foi logo após nosso casamento. Ela não admitia o fato dele me trancar e mandar em minha vida, ele não queria me ver perto dela já que ela era solteira e independente demais no ponto de vista dele. Mas com tudo o que aconteceu, eles deveriam se odiar. Ela por ele me maltratar. Ele por ela ter me levado para longe. Eu ficava tentando maquinar um jeito de sair dessa afinal, ele ainda era meu marido e eu estava o traindo com o Jones, e não queria que ele, o Danny, tivesse que passar por aquilo, eu sabia que ele gostava de mim, mas eu precisava arrumar a minha vida de algum modo e tinha que ser agora.
- Ow... Bruce. Vem com a tia , lindinho, vem. – Ela disse o chamando e logo ele foi na direção dela abanando o rabinho. – Danny, ajude o Harry com as sacolas, só até ali no hall. – E ele rapidamente concordou. Ótimo.
- Agora pode me responder o que faz aqui? – Eu perguntei entre dentes.
- Ver minha mulher me parece um bom motivo. – Ele me respondeu. Argh!
- Por que não me avisou antes?
- Queria fazer uma surpresa. – Ah, ele conseguiu. – E além do mais, você nem me respondeu direito, vim te buscar e fazer meu papel de marido. – Buscar? Papel de marido? Mas que papo é esse? Eu não quero. Eu não posso. Danny...
- Estava ocupada...
- É sempre esse papo, eu sou seu marido, tenho meus direitos, eu quero você, sinto sua falta, amor. – Como essa palavra amor vinda da boca dele me dava nojo.
- Adam... Eu te... Tenho coisas a fazer, a ... – gaguejei.
- . Urgh! Com ela eu me entendo. Você vem comigo. – Como assim? Com ela ele se entende? Ele não teria coragem.
- Ahm. Então... Casal. O que vai ser? – chegou perguntando com Bruce no seu colo.
- Vão ficar aqui? – Harry perguntou indiferente.
- Você eu não conheço... – Adam falou a ele.
- Harry Judd... – E estendeu a mão. – Eu sou...
- Meu namorado, Adam. – disse sorrindo. Primeiramente para Harry feliz, depois de forma debochada a Adam.
- Finalmente, já não era sem tempo. – Ele disse. E logo eu vi que definitivamente isso não vai prestar.
- Pois é, querido. Não sou tão boa nesse assunto quanto você. – Ela disse, sorrindo sarcástica como sempre, e o fuzilando com os olhos e ele retribuía da mesma forma. Então foi quando olhei por cima do ombro de Harry. Ou do lado. Ele era bem alto. Ah, tanto faz. Vi Danny encostado em seu carro cabisbaixo, brincando com os pés chutando algumas pedrinhas que havia ali. Me deu um aperto no coração, um nó em minha garganta se formou, ele estava mal, eu tinha certeza. O conhecia há pouco tempo, mas foi suficiente para eu estudar cada emoção e expressão vinda dele e eu sabia que ele estava desconfortável com aquela situação, assim como todos nós, mas ele estava pior, eu sabia o quanto ele temia por isso: A volta de Adam.
- Vamos entrar? - Adam disse como se fosse da casa.
- Eu preciso falar com Danny... - E quando eu ia me dirigir a ele, Adam me pegou pelo braço com força.
- Acho que você tem que curtir seu maridinho agora. – Ele disse olhando para mim, ainda com suas mãos nojentas em meu braço, apertando-o.

Quando Adam fez aquilo, vi Danny dar um impulso para tentar me defender, mas para evitar qualquer discussão ou suspeita, sussurrei um “desculpa” para ele e o vi abaixando a cabeça, entrando em seu carro.
Entrei como um furacão no apartamento e fui em direção ao meu quarto. Fiquei estática, olhando para a janela, pensando em tudo o que estava acontecendo. Seria cruel demais comigo ter o pesadelo começando de novo.
- Amiga... - entrou cautelosa no meu quarto.
- O que ele está fazendo aqui, ? - Meus olhos se encheram de lágrimas e ela me abraçou.
- Isso, eu não posso te responder, querida... Ele está lá na sala e o coitado do Harry está o aturando.
- Meu Deus, eu tinha me esquecido de tudo, minha cabeça estava vazia de preocupações e eu me sentia leve.
- Calma, baby...
- ... Posso ficar um pouco com a minha esposa? - Adam adentrou o quarto e me olhou como se esperasse alguma resposta.
- Pode ir, ... - Disse baixo e pude ver virando-se de costas e saindo do quarto. - O que diabos você está fazendo aqui? Eu disse que eu não queria que você me procurasse. Você parece que esquece das coisas! - Eu disse em tom de fúria.
- Ei, shiu... Calma, meu amor. – Cada palavra que saía da boca desse idiota me dava vontade de vomitar. – Esse tempo em que fiquei longe de você me fez perceber o quanto eu te amo e o quanto eu fui um idiota em ter feito aquelas coisas com você. – Eu fiquei estática, ouvindo tudo o que ele falava. – Eu estou completamente arrependido e do fundo do meu coração, eu desejo que você me perdoe. - Ele parecia ter total convicção do que estava falando, mas eu não ia cair nos braços dele. - Me escuta. – Disse aproximando-se de mim e colocando sua mão em meu ombro, meu olhar desceu até a mesma. – Você lembra de nossos momentos felizes? De quando você lançou seu primeiro CD, o sucesso que foi? - Assenti com a cabeça. – Eu estava do seu lado nesse e em todos os momentos bons de sua vida. Uma pessoa pode errar algumas vezes na vida, não pode? Eu errei em ter brigado com você tantas vezes e ter... Bem... Te batido. Mas eu atravessei o oceano atrás de você só para te pedir desculpas e dizer o quanto eu te amo.

Não conseguia falar nada. Minha respiração estava falha e minha cabeça em constante turbulência. O que pensar? O homem que você está casada há dois anos, mas que vive há alguns mais está à sua frente te pedindo as mais sinceras – o que parece – desculpas. Por outro lado, eu estou vivendo uma aventura com um homem que eu conheci há dois meses atrás. Preciso de um tempo. Pelo amor do bom Deus.

- Adam, eu... Não tenho certeza de nada ainda. Suas palavras realmente são tocantes, mas elas não apagam a dor que eu senti. - Uma lágrima insistiu em cair em meu rosto.
- Eu tenho noção disso. Eu sei que te machuquei, que te humilhei. Por dentro também estava machucado e humilhado. Sim, humilhado por ter chego ao ponto de bater na pessoa que eu mais amo na minha vida inteira!
- Adam, não é assim tão simples...
- Tudo bem. Eu vou te respeitar. – Deus seja louvado, ele resolveu me respeitar. – Eu estou nesse hotel aqui. – Me entregou um cartão e pude perceber que o hotel era perto daqui. – Eu estarei lá esperando por você. Eu te amo, minha princesa. - Dizendo isso, ele beijou o topo da minha cabeça e saiu do quarto.

Não o olhei enquanto se retirava do meu quarto, estava tão atordoada que mal conseguia mover meus músculos.
Passei as mãos por meus cabelos e fiquei os segurando no alto. Precisava de ar, precisava de sossêgo.
- ... – entrou no quarto. –... Você...
- Preciso ficar sozinha. – Eu não a olhei também. – Por favor.
- Tudo bem. – E senti uma pontada de pena em sua voz.
Aquilo não poderia estar acontecendo. Não deveria ser assim, mas o que eu podia fazer? Meu choro era, pode parecer estranho, mas era calmo, sem muito escândalo. Precisava colocar as idéias e as novas informações em seus devidos lugares, precisava achar um jeito de, ao menos, amenizar essa situação. E ficar naquele quarto não ia adiantar.

- ? – Saí de meu quarto a procura dela.
- Oi. Como se sente? – Como eu me sinto? Nem eu sabia direito.
- Acho que precisamos conversar. – Eu disse sem emoção alguma em minha voz.
- Bom... Já vou indo então... Me liga, amor? – Harry era esperto e sabia que não era hora de ficar ali.
- Claro, eu te levo até a porta. – Ela disse e ele se despediu de mim com um abraço e um beijo e sussurrou um “fique bem” e a seguiu. Despediram-se também e logo ela voltou até mim.
- , eu não sei o que fazer. – E a fitei esperando uma solução. Ainda havia um pequeno resquício de esperança em mim.
- Não sabe o que fazer? ! Você está cogitando a possibilidade de, quem sabe, voltar pra ele? Está de brincadeira?
- , ele é meu marido, não é tão simples.
- Foi simples quando ele te espancou, foi simples quando ele te humilhou, e foi mais simples ainda quando ele te fez sofrer. – Ela falava com raiva e saltava fogo de seus olhos.
- Pra você é fácil falar. Nunca se casou. Nunca teve alguém ao seu lado, e se depender de você, não saberá como é, então não me venha com seus sermões. – Eu me irritei e falei tudo aquilo. Na hora não senti nada, mas sabia o quanto aquelas palavras a atingiram.
- Agora vai ficar jogando na minha cara? Tudo bem, você está certa, nunca me casei e se for para ter um marido como o seu, prefiro morrer seca a ter que passar por isso. – Ela falava e apontava o dedo pra mim, mas eu estava descontrolada e não ia permitir que ela falasse assim.
- , não tem o direito de falar assim, quem pensa que é?
- Até então sua amiga, uma pessoa que te ama muito e que não quer te ver sofrer, por Deus, ! Pense no que está dizendo. – Ela me olhava suplicante, mas no estado em me encontrava não me comoveria.
- Não quer me ver sofrer? Então por que fala assim? Por que fala desse jeito do homem que escolhi pra ser meu marido, você deveria fazer melhor o seu papel de amiga e apoiar minhas decisões CALADA! – As palavras trasbordavam de mim, não dava nem tempo de pensar e elas já tinham sido ditas.
- Então é assim que você me vê? E o que foi que eu fiz todos esses anos? Hã? Te apoiei, te consolei e ouvi tudo o que tinha pra desabafar. Sempre estive do seu lado nos momentos bons e mais ainda nos momentos ruins, não é assim? Quando está tudo bem raramente se lembra que eu existo, mas quando uma bomba cai em cima de você, quem te ajuda a segurar? Eu. E é assim que você me retribui? – Ela me olhava profundamente e pude ver variações de sentimentos em seus olhos. Angústia. Raiva. Desespero. Tristeza.
- Não é o que eu quis dizer – Falei firme.
- Não é o que parece. Me diz. Quando eu precisava, você estava lá? Poucas vezes. Reclamei? Em nenhum momento e sabe por quê? Porque não ligo, nunca liguei, mas me tratar assim? É demais.
- Então não fale o que não sabe e não me julgue, . – As duas estavam na sala, paradas de frente uma para a outra e olhos grudados, sem desvios, haja o que houvesse, a terceira guerra mundial poderia estourar, mas nossos olhares estão fixos demais para serem interrompidos.
- Não posso acreditar. – E soltou uma risada irônica. – Depois de tudo, você defende esse canalha? Não fala. Não terminei. , ele. Te. Bateu. Motivo suficiente pra deixá-lo, ele não presta, sempre a usou pra interesse próprio, você não tinha vida em Los Angeles, ele te maltrata, te humilha, ele não te merece, não merece sua misericórdia, coloca isso na sua cabeça. Caralho, não quer mais me ouvir? Ótimo. Mas não quero que se iluda, apenas estou tentando te alertar. Isso também é papel de amiga. – E a última frase ela falou entre dentes. Pior de tudo é que de certa maneira ela tinha razão, mas eu estava irritada demais, o sangue subiu e ferveu, já não tinha mais controle.
- Mas ele ainda é meu marido. Não posso deixar você falar assim dele. Eu tomo minhas próprias decisões.
- Maravilha. Parabéns. – E ela bateu palmas poucas vezes. - É isso que você quer? Beleza. Mas é você é quem vai dar a notícia ao Jones. Pois eu não vou fazer isso, de jeito nenhum. Se é que você pensou nele. Não, porque foi Adam chegar que você ficou toda cheia de si. Cresça, . E dude... Se você magoar o Danny... – Ao ouvir o nome dele, um nó foi feito em minha garganta, minha cabeça girou, mas eu estava concentrada na discussão.
- O que vai fazer? Me bater? ! Acha que só você é a dona da verdade? Eu pensei nele sim, mas tem muita coisa em jogo.
- Não, não acho que sou dona da verdade, mas tenho certeza do que estou dizendo. E se pensou mesmo nele porque age assim? - Eu não disse nada, apenas a olhava.
- Foi o que pensei. – Ela continuou. – Você não sabe o que fazer, não é? Ta perdida. Eu te conheço, e a pessoa pra quem você correria agora, é com quem você está discutindo.
- Acha que eu não seria capaz de seguir com isso sozinha?
- Acho. , por favor, me escuta. Só quero o seu bem, quero vê-la feliz, não me interprete mal. Estou tentando abrir seus olhos, só isso, não precisamos brigar.
- Tarde demais. – Eu disse fria, partia meu coração falar assim com ela, vê-la naquele estado, mas era preciso. – Não preciso de seus conselhos, e nem de suas lamentações, guarde-as para si, sei me virar sozinha.
- Tudo bem. – Ela disse e lágrimas rolavam de seu rosto e eu tive que segurar com todas as minhas forças para não deixar cair as minhas. – Quer quebrar a cara? Vai em frente. Só não me diga que não te avisei... Eu realmente sinto muito, não precisava ser assim. Eu ainda sou sua amiga e quero só o me... Melhor pra você. – Ela soluçava e começaram a cair as minhas lágrimas impossíveis de ser seguradas por mais tempo. – Desculpe ter me metido em sua vida, tem razão, não deveria dar palpites, é que eu não consigo ficar calada e vendo você cometer o mesmo erro e passar por tudo aquilo de novo. Eu não sou casada, nunca tive alguém... Como você mencionou. – E sorriu amarelo. – Não sei como é, faça o que quiser, a vida é sua.
- Também não é assim, , tente me entender. Se ponha no meu lugar – Não podia acreditar, aquilo estava mesmo acontecendo? Eu estava brigando com minha amiga? E pelo Adam? O que deu em minha cabeça? Uma dor posou em meu peito e eu não sabia o que fazer.
- Tá. – Ela se dignou a dizer sem me olhar.
- Não queria que isso estivesse acontecendo, juro! Mas você não me deu escolhas...
- Já disse. – E ela secou as lágrimas. – Faça o que quiser, não me meto mais.
- ÓTIMO. – Me irritei. – Cansei de sua arrogância... De sua... – Ela me interrompeu.
- Cansou? E eu? Acha que não canso? De suas indecisões? De suas complicações? Não ta satisfeita? A vida é sua.
- Não aguento mais sua ironia, seu sarcasmo, e seu descaso com os homens, não duvido que morra seca e sozinha como você mesma disse, não se esqueça de me mandar o convite de seu casamento, caso arranje algum trouxa pra isso, tenho pena de Harry.
- Não ouse falar dele.
- Quer saber? Pra mim já chega, não tenho que ficar ouvindo você, achando que sempre tem a razão. Tchau. – Dizendo isso eu saí porta a fora sem me dar o trabalho de saber se ela iria bater ou não. Apenas me lembro do olhar de , olhar de decepção e sofrimento.
Doía vê-la assim e doía mais saber que nossa amizade se... Foi. E por minha causa, eu estava alterada, mas não tinha que ter falado aquilo tudo, e ela estava tentando me alertar, mas eu não queria ouvir e ela também disse muitas coisas que, das quais, não gostei. Ela podia pensar que ainda era minha amiga, mas para mim acabou. Não iria admitir ela falar comigo daquele jeito, sei me virar sozinha, e tomar decisões sem ela.

Eu estava transtornada, peguei o elevador e fui para frente do prédio esperar por algum táxi. Por sorte minha, logo apareceu um e eu pude sair dali.
Indiquei o endereço que eu sabia de cor e salteado e segui o caminho todo olhando para a janela, com meus pensamentos em outro planeta.

Entrei no prédio com a cabeça abaixada e subi com o elevador. Três batidinhas na porta foram o suficiente.

- Pensei que você já estivesse voltado para Los Angeles.
- Não fala besteira, Danny...
- Por que? Vai dizer que você não pensou nisso?
- Você não sabe de nada...
- É, eu nunca soube de nada mesmo... - Danny disse, passando suas mãos nos cabelos e sentando-se no sofá.
- Danny, você não entende? Será que não dá de se colocar um instante no meu lugar? Ou você fez um treinamento em como não me entender com a ? - Eu disse irritada.
- O quê? Vai dizer que você brigou com a ?
- Isso não vem ao caso no momento.
- Mas é CLARO que vem ao caso! Onde já se viu? Esse homem aparece e tudo sai da linha?
- Ele é meu marido...
- Ah! Agora ele resolveu ser seu marido e agora você resolveu achar isso também? Qual é , você nem pensava nele... O que está acontecendo?
- Eu... Ah, Danny. – Meus olhos encheram de lágrimas, mas eu já estava cansada de tanto chorar. Ninguém me entendia, NINGUÉM.
- Ah, quem tem que reclamar de alguma coisa aqui sou eu! Estávamos bem, foi só esse cara aparecer que sua vida fica de ponta cabeça?
- Não é isso... Ele é meu marido...
- MAS QUE DIABOS! VOCÊ NÃO CONSEGUE MUDAR O DISCO, NÃO? Ele é meu marido... Ele é meu marido... Eu já estou cansado disso! Pelo amor de Deus... - Tá, eu me assustei. Danny nunca pareceu tão alterado assim antes. Por favor, eu quero morrer e acordar em outra vida. Quem sabe eu vire lésbica? Boa idéia.
- Danny... Calma...
- Como você me pede pra ter calma? Você mudou repentinamente só por causa daquele desgraçado.
- Okay, eu estou cansada! Ninguém me entende, só levo broncas por tentar pensar em como seria a minha vida aqui ou lá.
- Espera. – Danny me interrompeu. – Você PENSA em voltar pra Los Angeles?
- Não vou mentir.
- Eu não acredito nisso. – Pude ver em seu olhar, um mix de sensações, Ódio, indignação, tristeza e o mais dolorido de todos: Decepção.
- Por favor... tente se colocar em meu lugar. Eu era jovem quando o conheci e ele me deu tudo! Ele esteva ao meu lado em todos os momentos, os mais importantes, da minha vida. Ele errou e muito, mas todo mundo erra. - Tudo bem, eu estava repetindo o discurso de Adam, mas era verdade.
- Você o ama?
- O quê?
- Estou perguntando se você o ama.
- Eu entendi
- E então? Você o ama?
- Eu...
- É isso... Você nem ao menos o ama! - Danny aproximou-se de mim e colocou suas mãos em meu rosto, fazendo-me encarar seus olhos.
- Eu não consigo res...
- Você me ama? - Danny novamente me interrompeu e me olhou como se necessitasse de uma resposta. O que fazer? Eu nem sei ao menos meu nome em uma situação dessa. Eu não se devo ficar ou se devo ir. Não posso dizer que o amo e deixá-lo. Mas sim, eu o amo e eu gostaria muito que ele soubesse disso.
- Não posso amar uma pessoa em dois meses. - Disse, seca. Danny foi largando meu rosto lentamente e me olhando incrédulo. Pude notar lágrimas se formando e logo ele veio a chorar.
- E...Então, o q-que você está fazendo aqui ainda?
- Você está me mandando embora?
- É o que parece. – Ele disse, firme, me olhando sério.

Concordei com a cabeça e logo saí do apartamento.
Chegando à rua, fui certificar que tinha dinheiro para pegar outro táxi, mas eu não tinha rumo ainda. Teria que pensar mais um pouco.
Quando coloquei a mão no bolso, puxei junto com o dinheiro um cartão e pude notar que era onde Adam estava hospedado. Sem pensar no que estava fazendo, peguei o primeiro táxi que apareceu.
- Where? - O taxista perguntou com seu forte sotaque inglês.
- Carlos Place, Mayfair, W1K 2AL, The Connaught Hotel, please. – Eu respondi.
Segui o caminho inteiro pensando no que eu havia falado para Danny e vice-versa. Eu estava machucada, meu coração estava realmente em pedaços e acredito que o dele não esteja diferente. A viagem foi tranquila, é, a viagem em si foi, minha cabeça não. Chegamos ao luxuoso Connaught Hotel e isso eu posso dizer que é luxo. Era um hotel grande, sua faixada era coberta por tijolos à mostra e haviam duas bandeiras que indicavam o nome do mesmo. Cheguei na recepção e uma moça muito bem vestida, sorriu para mim e disse:
- Seja bem-vinda ao Connaught Hotel, senhora ! É um grande prazer recebê-la aqui.
- Muito obrigada...
- Em que podemos ajudá-la?
- Gostaria de ver meu marido, Adam Stout. Mas, por favor, não o avise que estou aqui. Quero fazer uma surpresa. - Disse tentando disfarçar e sorri para a recepcionista.
- Não costumamos fazer isso, senhora , mas como é a senhora...
- Obrigada. – Sorri sincera e logo fui pelo caminho indicado.
15º andar. Chegou rápido.
Desci do elevador e fui em direção ao quarto de Adam, dei uma batida, logo ele abriu e sorridente me recebeu.
- Amor! Sabia que você não iria me decepcionar. Está mais calma?
- Estou sim. – Mentira. – Adam, você está realmente disposto a mudar?
- Claro. Me arrependo muito do que eu fiz e me envergonho também. Prometo ser o melhor marido do mundo.
- Quando podemos ir embora? - Eu não aguentaria ficar mais um dia em Londres, sendo que, não tenho mais motivos para isso. Se Adam voltasse a me agredir, seria fácil, eu o denunciaria e tudo ficaria bem... Não é?
- Quando você for buscar suas coisas na casa da sua querida amiga. – Ver Adam falar daquele jeito de doía, mas não me restava mais nada. Ela não me entendia.
- Eu não posso voltar lá... Nós brigamos e simplesmente não dá. - Disse com a cabeça baixa. – Você poderia ir lá e buscar minhas coisas? - Perguntei.
- Você e eu sabemos que a nunca gostou de mim, não é? - Concordei. – Mas, por você, eu faço. Só por você. - Ele me disse, beijando-me de leve os lábios e pegando seu casaco.
- Você vai agora? - Perguntei o fitando.
- Sim, não vejo a hora de ter você em casa novamente... - Sorriu e deixou-me lá, sozinha no quarto do hotel.

Capítulo 29

P.O.V. (terceira pessoa)

Adam estava muito contente com a atitude de , então resolveu ir logo buscar as coisas dela e tirá-la de Londres o quanto antes. Deu o endereço ao taxista e logo chegou ao prédio de .
Ele bateu com força na porta.
- Que é? Vai derrubar a porta? To indo. – berrou. Ela estava muito abalada com a briga que teve com sua amiga, e havia saído alterada e não tinha dito aonde ia. estava muito preocupada e se sentindo culpada por aquilo tudo.
- Pois nã... Adam? – Ela se espantou ao vê-lo. – O que faz aqui?
- pediu para que eu viesse buscar as coisas dela. – Ele disse confiante e com ar vitorioso.
- ? Buscar coisas? Cê tá doido?
- Com licença? – Ele disse e não esperou por respostas e foi entrando. fechou a porta indignada e o seguiu.
- O que pensa que está fazendo? – Ela perguntou. E não se referia ao que acontecia ali.
- O melhor pra , ela vai comigo. E isso nem você pode impedir. – E ela logo entendeu.
- Sejamos sinceros, Adam – E se aproximou dele para melhor encará-lo. –, nunca fui com a sua cara mesmo...
- Digo o mesmo, querida.
- Ótimo. Sem rodeios então. O que você quer? Acabar com a vida dela? Tirar a felicidade dela?
- O lugar dela é ao meu lado e você sabe disso.
- Você a obrigou, não foi? Você sempre a humilhou, a maltratou, a fez sofrer. Você nunca a fará feliz. – Ela disse praticamente cuspindo as palavras.
- Sabe o que é melhor nessa história toda? Eu não precisei mover um dedo se quer para acabar com a amizade de vocês. E assim eu vou me ver livre de você de uma vez por todas. Garota enjoada. – Ele disse isso e saiu da sala e seguiu para o “quarto” de , com em seu encalço.
- Por que não a deixa em paz? – Ela perguntou o vendo colocar a mala em cima da cama e começar a juntar todas as coisas que levaria.
- Ela é minha mulher... Você não pode fazer nada, querida.
- Você não a ama, não presta... Apenas a usa para interesse próprio. SAFADO, ORDINÁRIO! – Ela gritava.
- Cala a boca, e saia daqui, antes que eu... – Ele a segurava no braço e mantinha o olhar fixo.
- Ou o que? Vai me bater? Vai em frente. Vou adorar te visitar aos domingos na cadeia. E a casa é minha, fico onde eu quero.
- Ah... Tanto faz. – Ele a largou. – Ela fez a escolha dela. Escolheu seu maridinho... Ela percebeu que vocês não passam de um bando de moleques, e que ela precisa de mim. – Ele disse lhe mostrando um sorriso.
- Pra que? Pra ganhar mais alguns hematomas? Mais noites sem dormir? Não, porque você é especialista nesse assunto, Q-U-E-R-I-D-O.
- . Larga de ser chata. Respeite a decisão dela. – Ele soltou uma risada nasalada. – acreditou em tudo o que eu disse, ela é minha.
- Você vai fazer tudo de novo, não é? Vai voltar a ser o que era. O covarde de sempre, eu não acredito que ela vai fazer essa burrada novamente. – E os olhos dela se encheram de lágrimas.
- Eu mudei, , acredite em mim. Mudei pela minha mulherzinha que tanto amo. – E qualquer um podia notar o tom irônico de Adam.
- Você é desprezível. – Ela falou entre dentes. - Você é a cruz que ninguém merecia carregar, nojento, to doidinha pra ver você se dar mal.
- Vai sonhando. – Ele disse fechando a mala. – Finalmente tirei você do meu caminho.
- Não vou deixar você levá-la, ela não merece isso...
- Que vai o quê. – E a tirou sem nenhuma gentileza de sua frente. – Tarde demais, já se decidiu e não há nada que você possa fazer. – E saiu do quarto.
- Seu canalha, vai destruí-la, imbecil, não vê que você só faz mal a ela, idiota? Por que não some daqui infeliz? – Ela gritava o seguindo até a porta.
- IH, pode xingar o quanto quiser. – Ele disse colocando a mão no queixo dela, fazendo com que a cabeça dela balançasse de um lado para o outro e chegou bem perto do rosto dela. – Ela vai comigo e ponto final... Nem ela mais te agüentava como amiga.
- ADAM! ADAM! – Ela berrava vendo o enquanto este se retirava de sua casa e viu a imagem dele desaparecer no corredor. Ela fechou a porta e escorregou até o chão e a sala silenciosa foi invadida pelo som do seu choro incontrolável.
Adam seguiu o mais feliz impossível para seu hotel, ele finalmente tinha conseguido tudo o queria: iria com ele para Los Angeles e a amizade dela com tinha finalmente se diluído.
Passou um tempo assim, ainda continuava naquela posição, até que levantou seus olhos e avistou seu telefone. Não tinha forças nem para levantar a cabeça, quanto mais ir até lá, mas ela sabia que era naquilo de que precisava tanto, ou então não conseguiria mais agüentar.

- Harry? – Ela falou após discar os números já tão conhecidos.
- Amor? O que houve? – Ele percebeu a voz embargada da garota.
- Você pode vir aqui? Por favor, eu preciso muito de você. – Ela perguntou fungando.
- Claro, minha pequena. – Ele prontamente respondeu. – Fica calma, eu já to chegando.
E ela o esperou. Sabia que ele podia ajudá-la a se sentir melhor, só ele. E ele não a deixaria passar por tudo aquilo sozinha.

’s P.O.V

Eu já estava ansiosa com a demora de Adam, tudo bem que era um pouco longe do hotel, mas era pra ele ter chego já. Estava preocupada com o que poderia ter acontecido entre ele e , os dois nunca se deram bem mesmo e se eu bem conheço minha amiga, se é que ainda posso a chamar assim, com o sangue fervendo como ela deveria estar, podia botar Adam pra correr em 2 minutos.
Pude ouvir a porta do quarto se abrindo e Adam entrando com as minhas malas - Cheguei, amor. – Ele disse, colocando-as no chão e vindo em minha direção para um selinho, mas eu fui mais rápida e o fiz desviar para a minha bochecha.
- Já estava ficando preocupada. – Sorri sem jeito.
- Era para se preocupar mesmo. Aquela é uma maluca... Quase me colocou pra fora a tapas!
Eu não consegui dizer nada, não podia concordar com Adam e começar a falar mal de apenas por causa de nossa briga.
- Então... Quando nós voltamos?
- Hm, está tão ansiosa para voltar assim? – Ele me perguntou, abrindo uma garrafa de champagne que se encontrava no frigobar do quarto.
- Sim, não tenho mais nada o que fazer aqui e sinto falta das minhas coisas. – Sorri tentando não dar esperanças, mas parece que não funcionou. – Pra quê champagne agora?
- Para fazer um brinde a nós! – Adam disse me entregando uma taça. – À nossa felicidade! Que sejamos mais felizes do que éramos – Éramos? – com essa sua volta ao lar.
Brindei sem a mínima vontade. Tudo o que eu pensava agora era em voltar para Los Angeles e ficar longe de tudo o que pudesse me fazer lembrar de Danny.

O dia logo amanheceu e enquanto Adam dormia na cama king size, eu fiquei acordada a noite inteira, sentada em uma poltrona. Eu não tinha nada a perder voltando pra casa. É, eu estava realmente decidida. Logo Adam acordou, tomamos um café da manhã reforçado e em várias vezes ele tentou algum tipo de conversa comigo, mas eu não conseguia formar frases muito longas.
Chegamos ao aeroporto Heathrow e por incrível que pareça, o mesmo não estava tão cheio como era de costume. Logo nosso vôo foi anunciado, comprei algumas revistas, chequei se meu iPod estava com bateria, sentei, coloquei meus fones de ouvido, minha máscara e dormi a viagem toda. Quanto mais rápida ela passasse, o quanto eu não poderia pensar em desistir, melhor pra mim.

Welcome to LAX Airport
Quando desci do aeroporto, fui direto pegar minhas malas e me deparei com uma legião de fãs me esperando no saguão. Vários cartazes dizendo coisas como “Estávamos com saudades”, “Seja Bem-Vinda!”, “ Cotton é nossa!” e “Nós te amamos”. Meus olhos automaticamente se encheram de lágrimas e pude notar Adam me abraçando pela cintura, sorrindo vitorioso. Meus fãs. Minhas maiores razões para querer sempre continuar. Dei alguns autógrafos, tirei fotos e tentei ser mais simpática o quanto meu cansaço permitiu.
Pegamos um táxi, que parecia já estar esperando por nós, e partimos para o caminho que eu sabia de cabeça.
Cumprimentei todos, desde o manobrista, porteiro, guarda, até a faxineira do prédio. Todos realmente pareciam ter sentido minha falta.
Adam girou as chaves e me deparei com a minha casa. Ela estava do jeito que eu havia deixado, tudo no lugar, milimetricamente organizada. Respirei fundo olhando cada parte do meu hall de entrada como se fosse a primeira vez que o fazia.
- Não vai entrar, amor? – Adam me acordou de devaneios e concordei lentamente com a cabeça.
Entrei no meu quarto e tudo o que eu mais queria na vida era tomar um banho. Deixei as malas para depois, vesti uma camisola confortável e me deitei, nem pensei em comer nada. Dormi tão profundamente que nem pude lembrar se tive sonhos esta noite.

Dois meses se passaram e estava tudo calmo. Adam continuava a tentar me mimar de qualquer jeito e nenhuma briga havia acontecido. Eu havia encontrado meus amigos, minhas backing vocals que eu tanto senti falta e minha empresária, que deveria estar me achando a pessoa mais irresponsável da face da terra.
Adam havia tentado de todas as maneiras possíveis ter uma noite comigo, como nos velhos tempos, mas minhas desculpas foram mais convincentes. Dores de cabeça, dores no corpo, cansaço... Mas por mais engraçado que isso possa ser, eu estava me sentindo meio esquisita nesses últimos tempos.

- Amor, comprei esse vestido para você. – Adam entrou sorridente no quarto, onde eu estava concentrada lendo um livro. – Acho que ainda sei seu tamanho!
- Meu Deus! Ele é... Maravilhoso, Adam! Mas por qual razão você comprou esse vestido? – O mesmo era longo, coberto de pedras douradas, de um ombro só e parecia ficar muito justo no corpo.
- Temos uma festa para ir hoje à noite!
- Festa? – Perguntei, admirando o vestido.
- Sim, lançamento de uma revista... Aquelas coisas fúteis de sempre que você está bem acostumada a ir.
- Ah... Não sei se estou em clima para festas...
- Não vá fazer essa desfeita pra mim! E eu prometo que ficamos só para fazer uma social. Depois do jantar podemos ir embora.
- Ah claro, cla... Oh segure aqui! – Eu senti um enjôo de repente e não consegui segurar por muito tempo, entreguei meu vestido para Adam e corri para o banheiro.
- Meu Deus! O que houve aqui? Você está branca feito vela!
- Eu não sei... Deve ter sido aquele camarão que comemos ontem...
- É, me senti meio enjoado hoje pela manhã... Mas, você está bem pra sair hoje de noite? – Adam me perguntou e eu realmente senti o quão animado ele estava por essa festa.
- Claro. Vou tomar esse remédio para enjôo. – Disse balançando o remédio no ar. - E logo passa. Estarei melhor para mais tarde. – Sorri.

As horas voaram e tive que começar a me arrumar. O vestido coube perfeitamente e eu até estranhei pelo fato de eu estar comendo feito um boi esses últimos dias. Fiz um coque meio desarrumado e uma maquiagem simples. Passei meu perfume Dolce&Gabbana e logo desci até a sala de estar e Adam já estava me esperando, muito bonito por sinal, em um smoking.
- Está linda. – Ele me disse, dando o braço para que eu pudesse o acompanhar.
- Muito obrigada. Posso dizer o mesmo de você. – Sorri simpática e seguimos para a festa.

Ao chegarmos lá, haviam vários fotógrafos na entrada e eu tive que sorrir e posar para vários deles. Depois de ultrapassá-los, podemos entrar na festa que já estava lotada de celebridades, as mais fúteis o possível.
Havia uma mesa reservada para nós e logo fomos nos sentar. Muitas pessoas vieram me cumprimentar e tentar descobrir o porquê eu fiquei fora 2 meses. Eu tentava ser o mais dócil o possível, mas existiam algumas que mereciam respostas curtas e grossas.
Um casal de conhecidos se aproximou, e junto deles seu adorável casal de gêmeos.

- , Adam! Quanto tempo... – Liza disse.
- Meu Deus! Como você está? – Me levantei e pude abraçá-la. Ela e seu marido, Richard, foram as primeiras pessoas em que eu e Adam conhecemos quando chegamos em Los Angeles e fazia alguns anos que estávamos sem vê-los.
Tempo o suficiente para nossos amigos terem bebês. – E esses lindos bebês? Aw, eles são adoráveis!
- Muito obrigado, . – Richard se pronunciou e logo me cumprimentou com um beijo e um abraço. – Será que podemos nos sentar aqui com vocês por um instante?
- Mas é claro que podem. – Eu respondi. – Temos muitas coisas para conversar Enquanto Richard conversava algo com Adam que provavelmente seriam assuntos masculinos, eu fiquei conversando com Liza, enquanto ela estava se equilibrando com os gêmeos no seu colo.
- E quais são os nomes desses fofos? – Perguntei.
- Julia e Benjamin.
- Eles são lindos... Posso pegar um deles?
- Ah... Eles não vão com estranhos, . – E quando Liza disse isso, eu involuntariamente estendi meus braços e Benjamin se jogou para meu colo. – Isso é realmente incrível! Eles nunca vão no colo de ninguém. Acho que seu extinto maternal está falando mais alto, amiga...
- Ah que isso! Ele deve ter gostado da titia aqui... – Eu disse pegando na pequena mãozinha de Benjamin e logo Julia fez menção de querer estar em meu colo também.
- Dizem que quando gêmeos gostam de uma mulher assim, é porque ela vai tê-los! – Liza me disse eu gargalhei, fazendo os bebês sorrirem junto comigo.
- Que bobagem, amiga! – Balancei minha cabeça, fazendo algumas caretas para os dois que riam todo o tempo.
Passei mais 20 minutos conversando com minha amiga e logo ela e seu marido seguiram para sua mesa.
Uma banda estava tocando algumas músicas interessantes e logo o cantor anunciou a próxima música
“Esta vai para os casais apaixonados. Da famosa banda Inglesa McFLY: The way you make me feel!”
Não. Não. Quanto mais eu queria tirar Danny da minha cabeça, mais elas me atormentavam.
Enquanto a música rolava, pensamentos vinham à tona e eu não conseguia me desvencilhar deles. Em um movimento súbito, me levantei, tentando fugir a qualquer preço daquele lugar, daquelas lembranças. Senti um braço me envolvendo a cintura e uma respiração em meu pescoço. Como eu queria que fosse Danny, mas logo notei que era Adam quem o fazia.
- Não saia de perto de mim. – Ele sussurrou em meu ouvido e tentava dançar comigo, mesmo quando eu não queria fazer aquilo. Vários casais se encontravam no meio da pista de dança e eu só queria fugir, fugir e fugir. Era inevitável não pensar em Daniel, era inevitável não pensar em nossas noites.
Adam pousou sua mão em minha barriga e me apertou com força. Uma cena veio em minha mente:
“Respiração ofegante. Mãos. Abraço. Pele com pele. Sussurro ao pé do ouvido com palavras indecifráveis. Beijos no pescoço. Meus olhos fechados. Boca entreaberta. Giro de 180º. Face com face. Desejo... (...) Olhares. Pernas. Mão. A blusa que eu vestia foi parar no chão e logo depois dela meu sutiã. Danny olhava meus seios como se fossem a oitava maravilha do mundo. Lábios sendo mordidos levemente... Camisinha...” Camisinha? Não! Como um balde de água fria eu acordei e me lembrei do que estava faltando naquela noite. Desci o olhar sob a mão de Adam em minha barriga e logo minha respiração tomou força total. Não. Não poderia estar acontecendo. Não agora. Não comigo.
Me virei para olhar Adam e ele notou uma certa angustia em meu olhar e como se voltássemos aos velhos tempos, ele me pegou forte pelo braço e disse:

- Vamos embora, agora.
- Mas...
- Vamos, .
Ele não largou do meu braço nenhum minuto e me puxava para a porta de saída. Muitas pessoas com certeza olharam para a cena sem entender nada.

Ao sairmos da festa, Adam estava transtornado, eu estava ficando assustada com a atitude dele. Assim que ele percebeu algo de errado enquanto estávamos na festa, ele rapidamente me arrancou de lá, sem nem ao menos se despedir das pessoas, pegou as chaves do manobrista de forma bruta que até mesmo o rapaz ficou confuso. E pisou fundo no acelerador, sem respeitar sinalizações e muito menos os outros motoristas. Suas mãos estavam firmes ao volante, suas articulações a vista, olhos cheios de raiva, ódio e a respiração pesada e descompassada.
Ele dirigia rápido demais, ultrapassava qualquer um, e eu apenas me agarrei no banco, por mais que isso parece ridículo era o que me restava, esperar.
- É dele não é? – ele finalmente quebrou o silêncio. Sua voz era cortante, praticamente cuspia a raiva de dentro de si. – Responde a merda da pergunta, .
- Ad... Adam, eu... Não sei do que você está falando. – Eu falei baixinho, não queria piorar a situação se é que era possível.
- Não se faça de tonta, essa... Essa coisa. Que está ai dentro de você, definitivamente não é minha. – Ele falava sem desviar a atenção da estrada. Menos mal.
- Acha... Acha que eu... Que eu estou... Grá... Grávida? – Gaguejei muito nessa última parte.
- É o que parece! – E quase batemos no carro na frente. A freada foi tão brusca que cheguei a me machucar com o cinto perto do meu pescoço.
- Adam, por favor, vai com calma. – Pedi baixinho, mas com a voz doce, assim ele não notaria meu espanto e minha... Dúvida.
- CALMA? VOCÊ ESTÁ ME PEDINDO CALMA? – Ele berrou. E o sinal abriu. Ele buzinou algumas vezes impaciente e arrancou novamente e ultrapassando o carro a frente o xingando.
- Você está um pouco alterado... Não acha melhor ir um pouco mais devagar? – Perguntei. Eu era muito jovem pra morrer.
- NÃO ME FALE O QUE TENHO QUE FAZER! – Ele dirigia com uma mão e a outra fazia gestos com o indicador em minha direção. Aquilo estava se tornando um pesadelo, eu era jogada de um lado pra o outro, o nosso carro, um Land Rover preto (http://blog.niot.net/blog-images/3_mar/geneva-08-preview-land-rover-lrx-puts-on-a-tux-looks-sharp.jpg).
Era muito grande, e então Adam usava isso a seu favor, o colocava para cima dos outros carros para que saíssem de seu caminho, e pior, na maioria das vezes, ele era atendido. Perdi a conta de quantas vezes trancava a respiração e fechava com força os meus olhos, quando parecia que íamos bater. Ele estava adorando me ver daquele jeito, tomar conta da situação.
- Está com medo, amorzinho? – Ele me perguntou quando me ouviu soltar o ar após uma “quase” colisão.
- Adam, por que está fazendo isso? – Perguntei e notei que minha voz estava embargada.
- CALA A BOCA, ! SUA VAGABUNDA! – Ao falar aquilo eu o olhei pasma e me encolhi no banco, antes que eu me irritasse verdadeiramente e começássemos uma briga daquelas. Pois até então estava sendo um monólogo, ele brigava, ele gritava, e ele insultava. Qualquer coisa que eu dissesse seria motivo suficiente para que ele enlouquecesse de vez.
- Acha que eu sou um idiota? – Ele continuou e rindo debochadamente. – Você nunca me enganou, sempre soube que você não valia nada... Só me serviu como fonte de renda. Pois como mulher... Você nunca souber ser, EU tive quer levar sempre tudo sozinho.
- Adam. – Eu senti uma lágrima surgir em meu rosto. – Por favor, você está nervoso, não fale assim, estávamos bem, não estávamos?
- ATÉ VOCÊ ME APARECER COM ESSA NOVIDADE, QUE DROGA! SAI DA FRENTE, PORRA! – E ele novamente gritava e fazia gestos obscenos aos motoristas. Ele realmente tinha a certeza que de que eu estava esperando um filho? Mas de onde ele tirou uma bobagem dessas? Isso era loucura e era impossível. Tá. Não era tão impossível assim, mas não podia ser. E minha cabeça estava ocupada demais com quem sabe meus últimos minutos de vida? Sim, porque ele dirigindo daquela maneira eu já não tinha mais esperanças que sairíamos ilesos dessa.
- Meu Deus Adam, você está indo rápido demais. – Olhei no painel, e pode soar surpreendente, ou não, mas para mim era, ele estava chegando a 200 Km/h. As imagens do lado de fora, estavam virando apenas borrões, o som do motor rugindo, das rodas em atrito com o asfalto era absurdamente apavorante, e o homem que se diz seu marido ser o motorista e estar completamente fora de si, piorava muito tudo aquilo.
- JÁ DISSE PARA FICAR QUIETA! – Me olhou por um instante me repreendendo. – Quando chegarmos em casa, você vai ter que me dar muitas respostas, ah vai!
- Tu... Tudo bem, mas eu não estou entendendo nada, Adam! – Eu me atrevi a falar o que pensava.
- MAS QUE MERDA! VOCÊ SEMPRE SE FAZ DE VÍTIMA, ESTOU CANSADO DISSO. – Ele socou o volante e voltou a berrar comigo. - VOCÊ VAI TER O QUE MERECE, PODE APOSTAR!
Senti como se fosse sido atingida na boca do estômago, tudo iria se repetir. Ele nunca mudaria. Não importasse qual fosse à época, o momento, ele não mudaria. Agora eu teria que arcar com as conseqüências, todos tentaram me alertar, me proteger, e o que eu fiz? Os ignorei. Fechei meus olhos, e mais lágrimas rolaram de meus olhos. E fiquei em silêncio, cabisbaixa, esperando por minha sina. Meu marido e toda sua fúria e brutalidade de sempre.
Apesar de estar perdida em pensamentos, eu ainda podia ouvir os palavrões que saiam da boca de Adam, ele batendo com uma força considerável no volante, e o ronco do motor sobrecarregado pedindo outra marcha. Até que eu resolvo levantar minha cabeça e olhar a estrada a nossa frente. Apoiei a mão encostada à porta, havia um semáforo logo a nossa frente, ele estava amarelo, sinal que pararíamos quando estivesse vermelho e eu teria que ouvir mais algumas ofensas. Ele não reduziu a velocidade, pelo contrário acelerou mais. A rua estava muito movimentada do outro lado, ele ultrapassou pelo lado errado, e estava avançando em direção a estrada completamente lotada. Eu o encarei rápido e notei que ele pouco se importava pela violação, eu também não me importava, o que eu estava mesmo preocupada era com a nossa segurança.
- ADAM! Reduz pelo amor de Deus! – Eu berrei.
- CALA ESSA BOCA! EU SEI O QUE ESTOU FAZENDO. – Eu vi que estávamos chegando ao cruzamento.
- ADAM! POR FAVOR! Não iremos conseguir. – Eu implorei.
- Está com medo? Não gosta de ter suas aventuras? Eu também gosto. – Ele mal olhava para a via em nossa frente.
- Não é hora de discutir isso! – Eu olhei pra frente e vi que não daria mais tempo.
- VOCÊ NÃO VAI ME FAZER DE BOBO! VOCÊ TEM QUE... – E eu o interrompi. Com um som indecifrável e olhando atordoada. Um caminhão vinha em alta velocidade em nossa direção, somente eu percebi, afinal ele vinha do lado em que Adam estava, e ele estava prestando virado pra mim.
- ADAM! – um clarão me cegou. E eu apaguei.

Capítulo 30

Parecia que tinham jogado uma pedra de 50 quilos em minha cabeça. Meus olhos não queriam abrir. Meu corpo mal conseguia responder aos meus comandos. Esforcei-me ao máximo e forcei meus olhos a abrir. Mas logo eles fecharam em reflexo. Eles arderam com a forte luz que estava sob mim. Olhei de novo tentando me acostumar com a claridade. Era um quarto de hospital? Mas o que eu fazia ali? Que diabos estava acontecendo?
Logo fui tomada por uma forte dor, não física, mas... Aquilo não tinha sido um sonho? Aconteceu? Analisei-me rapidamente, estava ligada a monitores, uma agulha injetada no braço, roupa de paciente, coberta, e... Aparentemente nada grave. Tudo se mexia perfeitamente. Graças a Deus. Alguns arranhões no braço direito, nada demais.
E aquelas imagens me invadiram novamente, estrada. Semáforo. Caminhão. Carro. Clarão. Adam. Adam? Onde ele estava? Por que não estava comigo? Olhei em volta e vi muitos arranjos de flores, cartões, presentes, quem os deixou ali?

- Senhora Cotton? Vejo que a senhora acordou! – Uma simpática enfermeira, que aparentava ter pouco mais que a minha idade, ela era loira e baixinha, me acordou de meus devaneios.
- On... Onde estou? – Perguntei quase em um sussurro.
- No Califórnia Hospital Medical Center, a senhora sofreu um grave acidente. – Ela sorriu pra mim, mas eu fui incapaz de lhe retribuir o gesto.
- Onde está meu marido? Ele estava comigo. – Minha voz estava melhorando aos poucos.
- Er... Ele está em outro quarto, e logo o médico virá ver a senhora. – Ela desconversou. - Ele está atendendo um paciente de fase terminal. – E ela pareceu um pouco triste. Confesso que eu também, mas logo aquelas imagens me invadiram, fazendo minha cabeça doer e eu soltar um gemido. - Senhora...
- Estou bem. – Eu falei rápido. – Só me diga o que aconteceu?
- Bom, – E ela soltou o ar. – a senhora e seu marido sofreram um grave acidente na sexta-feira...
- Que dia é hoje? – Sobressaltada, a interrompi.
- Domingo. – Ela falou baixinho. OMG! Todo esse tempo? – Tivemos que mantê-la dormindo, para melhor repousar, a senhora sabe...
- Repousar? Do que está falando? – Fui meio grossa com ela.
- Ow... Er... – Ela não sabia como me responder, mordeu os lábios e colocou a mão na boca, mas depois puxou outro assunto me pegando de surpresa. – A senhora não se lembra de nada?
É claro que me lembrava, aquilo estava estourando minha mente, apesar de eu ter apagado, eu lembrava de certas coisas após o clarão. Deveria estar guardada em algum lugar no meu subconsciente, pois eu ainda podia ouvir claramente o som da lataria sendo totalmente esmagada e arranhada. Buzinas. Gritos. Coisas batendo, caindo, vidro se espatifando no chão.
Eu não apaguei tão de repente. Agora fazia sentido. Eu só estava meio confusa, mas agora estava tudo no seu lugar.
Assim que vi o clarão dos faróis do caminhão, me lembro da colisão, o carro sedo arrastado por muito tempo, meu corpo sendo prensado contra a porta, pneus catando na pista. Mas como reflexo, eu estava de olhos fechados, apenas esperando que aquilo tudo acabasse de uma vez. Dizem que quando você está prestes a morrer sua vida passa como um filme diante de seus olhos, que tudo o que você fez, você lembra, e eu constatei que isso pode sim acontecer, pois foi exatamente que aconteceu comigo, minhas brigas, coisas ruins, meus desesperos, meus anseios. . Ela me apareceu em uma imagem feliz ao meu lado, meus pais, minha família, meus amigos, meus fãs, meus shows, meu casamento... Danny. Ele não podia faltar. Seu sorriso me deu uma sensação tão boa de lembrar e pareceu que o que estava acontecendo era pura bobagem. Um aperto em meu coração começou a aparecer e não era por causa da colisão, era porque, eu... Eu podia morrer, e nunca Danny saberia que eu o amava, que eu cumpri com a promessa. Nunca o esqueci. Nem mesmo na hora de minha morte.
Então fechei os olhos, me lembrando do perfume dele, de sua voz rouca em meu ouvido, de seus lábios brincando com os meus e de seu sorriso. Assim eu morreria tranqüila.
Mas senti o carro parando e cambaleando, respirei fundo e abri meus olhos com dificuldade. Adam estava todo ensangüentado, olhei meus braços, estavam no mesmo estado, porém não era nada comparado com ele, ele estava desacordado, e eu não tinha forças para nem ao menos me mexer direito, me sentia presa. Fechei os olhos. Então apaguei.

A porta se abriu, um homem de meia idade, cabelos meio grisalho, entrou sorridente. Olhei a enfermeira parar ao meu lado, ela ainda me olhava, confusa, esperando por uma resposta.

Cerrei meus olhos para poder enxergar melhor seu nome no jaleco: Dr. Stevens.
- E então senhora Cotton, como se sente? - O médico posicionou-se em meu lado.
- Tirando o fato de estar em um hospital, estou bem. – Sorri amarelo.
- Como a enfermeira lhe disse, tivemos que a manter desacordada para fazer uma série de exames e constatar que estava tudo bem. Você chegou um pouco agitada aqui no hospital. – Ele ia me explicando e eu ouvia calada. – Mas fico feliz por estar se sentindo bem.
- E quanto ao Adam? Como ele está?
- O caso dele, não vou mentir para a senhora, é muito grave. Ele perdeu muito sangue, está na UTI e certamente precisa de uma transfusão.
- Eu posso doar o sangue! O senhor disse que está tudo bem comigo e eu tenho o mesmo tipo sanguíneo que o dele... Eu posso doar, por favor. - Apesar de tudo o que havia acontecido na noite de sexta-feira, eu não poderia deixar Adam morrer, existia uma chance e eu poderia ajudá-lo.
- Infelizmente a senhora não pode ajudá-lo. Uma mulher grávida não pode doar sangue.
- O que? - O olhei estática, parecia que eu tinha me esquecido de como se respira.
- A senhora está grávida.
Sabe aquela frase “parem o mundo que eu quero descer”? É como eu me sentia agora. Adam estava certo. Eu estava completamente perdida agora. Como eu iria fazer quando ele saísse da UTI? “Olá querido, eu estou grávida e o filho não é seu, legal né? Pode me bater agora”. Minha cabeça girava e eu fui perdendo os sentidos aos poucos.
- Senhora? Senhora? - Ouvia a voz do médico me chamando, mas não conseguia responder por seus chamados.

Enquanto isso em Londres...

Danny's P.O.V

Estava completando dois meses desde que voltou para Los Angeles com seu marido. Eu pensava honestamente que tudo passava de um pesadelo, que ela estava mentindo quando disse que não me amava. Pode ser bobagem pensar em amor verdadeiro em 2 meses, mas tudo o que vivemos foi de uma intensidade que é difícil de descrever.
Ela preferiu seguir a vida que ela escolheu e eu segui a minha. Não tinha mais ânimo para nada, saía com várias mulheres por semana e tentava escrever algo que prestasse com os caras.

Era domingo e um ventinho gelado batia em Londres e o pessoal havia combinado de se reunir na casa do Judd, eles não deram muitas explicações, disseram que não era nada demais, apenas beber um pouco com os amigos. Mas a quem eles queriam enganar? Eles resolveram “juntar” as escovas de dente, claro, que depois de muita insistência da parte dele. É. Acho que merece uma baita de uma comemoração, não é nada fácil.
Enquanto algumas coisas tomam rumos errados e trabalham vagarosamente, outras vão muito rápido e esse foi o caso desses dois, mas sinceramente? Eu acho que eles foram feitos um para o outro e que foi a melhor decisão a ser tomada. Tom e Dougie finalmente souberam do que aconteceu entre eu e e não ficaram tão surpresos, porque segundo eles, não dávamos muito na cara.
Vesti uma roupa confortável e segui para o apartamento de Harry.
A porta estava aberta e então, como já sou de casa, fui entrando:

- Way galera! - Ao invés de ser recebido com abraços ou algo do gênero, estavam todos sentados no sofá e chorava muito. – Mas que diabos aconteceu aqui? - Perguntei curioso.
- Sente-se e veja o noticiário. – Tom veio em minha direção e disse, me fazendo sentar no sofá ao lado de Dougie.

“Na noite da última sexta-feira, aconteceu em Los Angeles, por volta da 1 hora da manhã um trágico acidente de carro, envolvendo a cantora Cotton e seu marido, o produtor musical Adam Stout. Fontes revelam que ficou desacordada até o dia de hoje e somente há poucas horas acordou e teve contato com médicos e enfermeira. O caso de seu marido, Adam, é muito grave, o mesmo se encontra na UTI e corre risco de vida. esteve há dois meses em Londres, onde trabalhou junto com os garotos do McFLY para o Children in Need e sua amiga de infância, a produtora . Estamos em uma corrente rezando para as melhoras de e seu marido...”

- NÃO! Isso não pode acontecer, não pode... - Meus olhos se encheram de lágrimas e veio me abraçar.
- Danny, eu sei que eu não sou a melhor pessoa pra dizer isso mas, calma... Eu estou tentando ficar calma e você viu o que eles disseram? Ela já está bem, quem tá muito mal é o Adam. – Ela disse passando as mãos pelo meu rosto em uma tentativa de me acalmar.
- , isso é a minha culpa! Se eu não tivesse implicado com ela desde o início, nós poderíamos ter nos dado bem e ter acontecido mais cedo... Ter tempo pra fazer ela se apaixonar por mim. Nós podíamos ter nos apaixonado! Eu a mandei embora quando ela disse que não me amava, ao invés de dizer que poderíamos tentar mais uma vez. Se eu não tivesse dito aquilo ela poderia estar aqui agora e não em UMA CAMA DE HOSPITAL. – Eu gritei. Não podia estar acontecendo isso, não com a minha . Todos me olhavam com pena e eu estava de mãos atadas. Respirei fundo, pedi desculpas e segui para o meu carro. Precisava da minha casa.

Ao chegar no meu apartamento, Bruce veio me receber como sempre fazia. Ele era o melhor presente que eu tinha na vida e foi a mulher que eu amo quem me deu. Fiquei com ele em meu colo até o mesmo dormir e fiquei deitado no sofá com meus pensamentos a mil. E se Adam morresse? É óbvio que eu não desejo a morte de ninguém, mas, o que poderia acontecer?

’s POV

Ok! Esse negócio de apagar de repente e acordar do nada, sem lembrar muita coisa, tá começando a me tirar do sério. E mais uma vez lá estava eu, deitada na cama de um hospital, ligada a monitores, agulha injetada em meu braço.
Minha cabeça doía um pouco, meus olhos estavam pesados e não era por sono, pelo contrário, acho que dormi demais.
Aos poucos fui tomando consciência do ocorrido. Retomando algumas partes: estrada. Semáforo. Caminhão. Carro. Clarão. Adam. Lembro-me agora, ele estava em estado grave, o médico me falara antes, ele perdeu muito sangue, ele era do mesmo tipo sanguíneo que eu. Por que então o médico me proibiu de doar...? Lembrei. Foi nessa parte que eu perdi os sentidos, foi aí que eu me dei conta da gravidade da situação, eu... Eu estava grávida. Então era verdade? Havia um ser se formando dentro de mim? Uma criança cujo pai estava do outro lado do oceano? Aquilo não podia estar acontecendo. Não. Eu... Eu já tinha me decido, não tinha? Por que?

- Vejo que está melhor. – o Dr. Stevens entrou no quarto acompanhado da enfermeira Scarlett. Como eles sabiam quando eu acordava? Que agonia.
- Quanto tempo a mais eu apaguei? – Eu sabia que não era pouco, estava me acostumando.
- Uma noite. Como está se sentindo? – o Dr. voltou a me questionar. Então... Pelas as minhas contas, e visto que já amanhecera, era segunda de manhã? Maravilha. Gravidez dá sono?
- Bem melhor, como está Adam? – Eu realmente estava preocupada com ele.
- Você terá que ser forte, ainda mais no estado em que está... – Ele apontou pra minha barriga. Ah sim, estou grávida né?! –... O quadro dele piorou um pouco, fizemos o que estava ao nosso alcance, mas ele não responde aos procedimentos, e os ferimentos e fraturas foram em diversos locais.
- Fale a verdade. – Eu pedi baixinho.
- Tivemos algumas complicações. Uma hemorragia interna foi o ponto crucial. Não sabemos se ele irá resistir. Ele é forte e está lutando, mas esperar é o que nos resta. – Ele me olhava como se me pedisse desculpas por não ter me trazido boas notícias. Então era isso? Adam ia morrer? Ele me fez muito mal, mas a morte foi algo que eu jamais desejei a ninguém, muito menos a ele. Ele é meu marido, me ensinou tudo, e confesso que o amei muito. Amei.
- Quero vê-lo.
- Ele está consciente, mas está descansando. – A enfermeira se intrometeu.
- Preciso ver Adam. Por favor. – No final tentei ser mais suave do que tinha sido.
- Tudo bem. – o Dr. Stevens soltou o ar. – Scarlett, a acompanhe, por favor. Você acha que consegue?
- Sim. – Respondi.

Desci com cuidado da cama, e cambaleei um pouco, forcei as pernas e comecei a caminhar lentamente. Alguma coisa doía, deveria ser pela batida. Mas pouco me importava, ver Adam era o que eu queria e era o meu dever.
A enfermeira me ajudava pacientemente e me levou até, o que parecia ser a UTI.
Fui vestida com uma roupa especial para poder entrar, Scarlett foi comigo até a porta, e então a olhei e lhe disse baixo que não se preocupasse, eu ficaria bem, mas precisava ficar a sós com ele.
Ela se foi, e eu respirei fundo com os olhos fechados, ele precisava de mim, eu era a única pessoa em Los Angeles que ele mantinha um vínculo forte, sua família, como a minha, era da Inglaterra. Encarei o quarto e uma dor me invadiu, coloquei uma mão na altura do coração e a outra eu fui obrigada a tampar minha boca para evitar que meu choro vencesse os sons que vinham das várias máquinas que mantinha Adam respirando e com vida. Era muito doloroso vê-lo daquele jeito, todo machucado, arranhado, algumas partes enfaixadas.
Pude notar vários pontos distribuídos na cabeça, na parte interna de seu braço. Ele respirava com ajuda de aparelhos que tinha os tubos em seu nariz, remédios estavam pendurados em uma espécie de cabide e gotejavam lentamente e iam em direção ao braço de Adam, que estava todo perfurado por agulhas.
Solucei algumas vezes baixinho, e ainda estava parada perto da porta, parecia que minhas pernas não respondiam aos meus comandos, minha vontade era de sair correndo dali e não ver nunca mais ele assim, ver ele sofrendo, pois eu também sofria com ele. Porém eu sabia que deveria ser forte e ficar ali, por ele. Um som saiu de minha boca e ele se virou e piscou algumas vezes acordando e antes que ele me visse chorando, limpei minhas lágrimas ligeiramente, funguei um pouco e abri um sorriso sincero quando os olhos dele para em mim.

- ... – Ele sussurrou, e era notável a dificuldade dele.
- Shhhh. – Eu finalmente consegui me mover e ir até ele. – Não fala nada.
- Ma... Mas eu pre... Preciso. – E ele segurou em minha mão de leve, ele estava muito fraco. Ele estava completamente avesso ao que sempre fora, um homem ativo, forte, irreverente, alegre, falante, era incrível como naquele momento apenas imagens felizes com ele passavam em minha mente, nenhuma de nossas desavenças me interrompeu.
- Você precisa ficar bom, tente não fazer muito esforço. – Eu tentava ao máximo lhe passar confiança.
- . – Ele pareceu realmente seguir em frente, me ignorando. – Eu sei que não... Não vou melhorar. – Ele falava melhor agora. E o que ele me falou me fez derramar algumas lágrimas.
- Adam, não fale assim. – Pedi em um murmúrio.
- Quero... Que você me fale a ver... Verdade. – Por que? E para quê?
- Eu... – Ele me apertou minha mão e eu vi a expressão de suplica dele, soltei o ar, não tinha mais nada a fazer. – Ok! Isso não vai te fazer bem, e você tem uma leve noção da verdade.
- Eu sei. Mas... Eu quero...
- Eu fiquei muito magoada com você. – eu disse fungando e me sentando com cautela em sua cama ao seu lado e pegando sua mão e colocando em meu colo. – Você me machucou, e eu estava querendo esquecer certas coisas. – E nesse momento meu choro já estava alto demais.
- Continue. – Ele me incentivou. Os papéis estavam invertidos, mas também era difícil para mim.
- Então, passou-se um tempo e eu já estava mais calma, me ajudou muito. – Ele me ouvia atentamente. – Eu não sei bem como e nem quando mas eu me envolvi...
- Danny... Eu... Já sei, . – Sua expressão mudou para dor e eu sabia que não era por causa de nenhum ferimento e sim pelo o que eu dizia. Eu queria lhe perguntar como ele tinha tanta certeza, mas não o forçaria.
- Me perdoe Adam, por favor. – E com muita dificuldade ele ergueu minha mão e a beijou. – Não devia ter feito isso com você...
- Eu também na... Não fui um santo, , você estava fora... Eu... – E eu o interrompi com o dedo e balancei minha cabeça.
- Não precisa se explicar, ambos erramos, mas... – E eu coloquei minha mão livre sobre o meu ventre.
- Espero... Que Você... Seja muito feliz com esse bebezinho. – E tentou um sorriso. – Queria que fo... Fosse meu, eu sei que você será uma boa mãe.
- Adam. – E eu chorava cada vez mais, ele não parecia aquele homem furioso de antes do acidente, ele era... Era o Adam que eu conheci na adolescência. O meu Adam. – Poderia ter sido diferente, não podia? – Ele balançou a cabeça.
- Eu errei muito, errei com vo...Você. – E uma lágrima escorreu em seu rosto. – Eu briguei com a... , disse coi... Coisas horríveis a ela, mas... Ela só queria o seu bem, e tentava me alertar... Peça perdão a ela por... Mim? Por favor. – E eu segurei os soluços tampando a boca e afirmei com a cabeça.
- O que quiser. – Ele estava se despedindo, era evidente que ele não agüentaria lutar por muito tempo. Ele sabia que ia morrer, sabia que sua hora havia chegado, não tinha escapatória, e ele estava se redimindo, se arrependendo. Um gesto muito nobre, algo memorável, poucos tinham essa chance e ele a teve e estava se agarrando a ela. – Sei que ela irá fazer isso, pode ter certeza, ela é uma boa pessoa. – Continuei e tentei abrir um sorriso.
- Eu sei. – Ele também já estava chorando. – Quero que saiba... Que eu... Sinto muito, por tudo, e que... Quero que essa criança e você sejam muito.... Muito felizes e que Danny... Me perdoe também e espe... Espero que ele cuide bem de vocês. – E ele pela primeira vez tocou minha barriga mostrando que se referia à criança, sorrindo sinceramente.
- Uhum. – Eu soltei. – Agora descanse, por favor.
- Na...Não terminei...
- Adam, não faça assim, você está muito fraco.
- Eu... Estou bem.
- Me perdoe, por favor, me perdoe. – Eu disse e já estava me sufocando com minhas próprias lágrimas e beijei sua mão em sinal de respeito.
- Se a faz... Se sentir melhor, sim. A perdoo, mas o err... Errado fui eu. Você sempre foi à mulher ma... Maravilhosa que é, e que me apaixonei, desculpe.
- Claro, Adam. – Eu disse com a voz atrapalhada. Ele estava indo embora pra sempre, e minhas magoas, minha raiva e minhas lembranças ruins, já tinham ido a muito tempo. Não guardava nenhum sentimento ruim dele, tudo se fora, agora o que me restava, era esse instante ao lado dele.
- Lembra... De quando a pedi em casamento? – Ele falou após um pequeno silêncio. – Lembra o que te disse?
- Er... Que me amava?
- É, mas... Eu disse que você era a única... Por quem me apaixonei, e que... Amei, lembra? – Como podia me esquecer? Foram as coisas mais lindas e sinceras que alguém já tinha me falado.
- Cla... Claro.
- Você duvidava. – Ele me disse. – Mas... Por ter sido a... Única, Eu te falei uma coisa importante... – Ele viu minha cara confusa e sorrindo me disse. – Que eu a amaria pra sempre.

Abri e fechei várias vezes minha boca, me lembrei perfeitamente daquele dia. Ele tinha me pego de surpresa, quando apareceu com a caixinha aveludada na minha frente, era um fim de tarde, friozinho e tínhamos saído para jantar, mas antes ele me levou a um lugar lindo e me fez o pedido, e com o meu “sim” ele me levou para um dos meus restaurantes prediletos e me mimou a noite inteira. Inesquecível. Mas eu não sabia o que dizer, já não sentia a mesma coisa.

- Eu não estava mentindo. Eu... Sei que você na... Não sente mais... O... Mesmo por mim, e... Eu compreendo. Não a culpo. – Sua voz estava piorando novamente, mas ele continuou. – Nu... Nunca quis o... Seu mal. Ja... Mais.
- Eu sei, eu sei. – Eu tinha que tranqüilizá-lo.
- . Eu amo você. – ele disse em um sussurro e mais lágrimas caíram de ambos os rostos. Ele viu que eu não conseguia dizer nada. – Não que... Quero que diga nada... Eu sei... Que você já me... Amou um dia. E se na... Não me ama mais... O cul... Culpado sou eu. Só quero que seja feliz.

Eu estava em uma guerra dentro de mim; razão e emoção. Mente e coração. Eles estavam em discussão, e eu não sei quem ganhou, mas um impulso me empurrou para frente e eu fechei meus olhos, selei meus lábios docemente nos dele. Era um beijo calmo, e cheio de significados, uma forma de mostrar meu carinho por ele, minha compaixão. E que sim o dia eu o amei muito, e que eu acreditava nele. Uma despedida. Um adeus. Para sempre.

- Adam. – Sussurrei encostando de leve minha testa na dele.
- Não sabe... Como isso me fez bem. – A eu fui me afastando – Agora... , me deixe descansar?
- Adam? Não. Eu... – Eu sabia o que ele queria e eu não ia permitir, iria ficar ali com ele.
- Es... Está tudo bem, vá. Cuide-se e cuide... – Ele acariciou minha barriga. –... Também. – Ele sorriu. Eu retribui o gesto e fui me levantando lentamente ainda o encarando. Ele fez sinal com a cabeça me encorajando a sair dali e eu fui caminhando de costas até a porta segurando minhas lágrimas, o que era impossível, pois elas estavam acompanhando as dele, e então quando cheguei à saída o olhei novamente. Ele sorriu para mim abertamente e eu tentei fazer o mesmo. Por ele. E com o coração despedaçado saí da sala.

Capítulo 31

Eu tinha sido levada para o meu quarto aos prantos, parecia que tinha sido rápida minha conversa com ele, mas não fora.
Eu estava encolhida virada na direção da janela. Agradeci mentalmente por ninguém ter ido me visitar, e mesmo que o tivessem feito, eu não saberia, disse que não queria saber de pessoas em meu quarto.
Ver Adam daquele jeito me doeu fortemente, ouvir a respiração falhada dele, a voz fraca, o corpo coberto por machucados... Era apavorante. E ele me pedindo desculpas, reconhecendo o erro, e dizendo que me... Amava. Mais lágrimas molharam meu rosto. Eu não sabia o que pensar, o que dizer, mas pelo menos ele parecia estar “feliz”, bem, por ter desabafado e ver que eu já não guardava rancor. E isso me faria bem também.
Não passei muito tempo assim, alguns poucos minutos no máximo, então me virei de barriga para cima e observei o teto. Minha mão esquerda estava apoiando minha cabeça, e minha mão direita foi ao encontro de meu abdômen. Nunca tinha notado, mas eu tinha engordado? Não, porque pelo que eu me lembre, eu não tinha essa voltinha antes.
Com um pouco de receio levantei a blusa que vestia e notei o que eu mais temia. Minha barriga estava começando a tomar uma forma mais arredondada. Eu não sou muito fã desse assunto, mas não estava meio cedo para isso? Sim, eu comi muito, mas mesmo assim eu não podia já estar com formas. Podia?
Ia levar certo tempo para eu me acostumar com a idéia de ser... Mãe. Mordi meus lábios e comecei a afagar minha pequeníssima protuberância. Sorri instantaneamente ao tocá-la, havia um bebê ali. Meu bebê. Era uma sensação estranha, nada igual ou comparada, mas era bom, era bom saber que ia ser mãe, que dali alguns longos meses eu teria um bebêzinho em meus braços. Será que era essa a sensação das mães? Teria que me aprofundar no assunto.
Algo me veio de repente em minha mente, em meio a toda aquela confusão, toda aquela dor, havia um ser dentro de mim que precisava do meu carinho, do meu afeto, do meu amor. Fechei meus olhos e continuei a acariciar meu ventre, assim como Adam o tinha feito. Apesar de tudo, ele seria um bom pai, só precisava de um pouco de paz em si mesmo.
Uma onda de ansiedade me invadiu. Como seria o rostinho do meu bebê? Menina ou menino? Hum... Difícil saber qual. Tanto faz, com tanto que seja saudável eu fico feliz. Teria que arrumar um médico especialista, quero tudo correndo bem com minha criança. Ela seria feliz, eu faria de tudo para que isso acontecesse, será que eu estava sendo boba pensando assim? Afinal era cedo... Mas já fazia parte de mim, eu queria. Queria ser mãe.
Danny... E um medo me assombrou. O que eu faria? Essa criança também era dele, eu teria que falar com ele? E se ele me mandasse pastar? Se não quisesse o bebê? E se... Se ele quisesse que eu tirasse? Não! Não. De jeito nenhum, eu não permitiria.
- Eu vou cuidar de você, bebê. – Eu sussurrei para minha barriga.

Então eu fui interrompida de meu momento mãe, por um alvoroço, eu estava tonta, passavam tantas pessoas de jaleco branco por minha janela e tão depressa. Sentei-me meio grogue e vi eles com expressões de espanto, todos indo na mesma direção.
Adam. Eu podia sentir. Ele se fora. Eu sabia. Ele não aguentaria por muito tempo, e era naquela direção a UTI, ele me poupou de vê-lo morrer, não queria que o visse daquela maneira. Por esta razão, no instante em que o olhei antes de sair de seu quarto, ele sorriu para mim, eu sabia o que ele queria. Ele queria que eu o visse bem, que a última imagem dele em minha em mente fosse a dele feliz. Ele queria morrer sozinho, em paz, sem ver a agonia nos olhos de ninguém, muito menos nos meus, ele mostrara que tinha se arrependido, que tinha voltado a ser o Adam de antigamente, que me amava, e que se preocupava. Ele precisava de um momento consigo mesmo.
Não tinha se passado muitos minutos após nossa conversa, e eu sabia que ela tinha sido de extrema importância para ele, reveladora. Ele conseguiu seu perdão, o meu perdão. A pessoa que ele por quem ele mais se sentia culpado, eu o conhecia e sabia que era esse o pensamento de Adam.
Comecei a chorar antes mesmo de ter a certeza, escondi meu rosto com as mãos e comecei a repassar toda a conversa em minha cabeça, tudo fora dito, tudo estava bem agora, ele estava em paz.
Então ouvi a porta se abrir e eu levantei a cabeça na direção da mesma. Era a enfermeira que me levou até a UTI, assim que nossos olhares se cruzaram, ela balançou a cabeça negativamente, e fez uma expressão triste.
- Ad... Adam se... Foi. – Não era uma pergunta, eu estava afirmando.
- Ele lutou até o fim... Fizemos o possível, eu sinto muito. – Ela disse com a voz rouca e baixa.
Não a olhei de novo, apenas desabei no choro, e ela fechou a porta.
Chorei tudo o que eu podia e o que não podia, mas nada iria trazê-lo de volta. O homem com quem eu vivi uma boa parte da minha vida se foi. Ele pode ter errado comigo e ter me machucado muito, mas agora já era. Ele não estava mais presente no nosso meio e eu estava sozinha naquela imensa cidade e com uma criança pra criar. Eu tinha alguns verdadeiros amigos e era a maior e mais verdadeira, mas o que eu poderia fazer? Depois de tudo o que falamos uma para outra, ela com certeza não iria me perdoar tão fácil por todas as coisas que eu joguei na sua cara.
Recostei-me na cama e comecei a chorar baixinho até que peguei no sono.


Danny’s P.O.V (Em Londres)

Acordei com Bruce me lambendo, fiz um carinho nele e decidi o que iria fazer, precisava conversar com alguém sobre tudo o que estava acontecendo e era com que eu poderia ter essa conversa. Segui o caminho do apartamento dela tentando colocar em ordem os meus pensamentos.

- Danny! Está melhor? Você saiu muito alterado da casa do Harry mais cedo...
- É, eu sei, e peço desculpas por aquilo. – Disse envergonhado.
- Que isso, amigo! Vem, entra... Vou fazer um chá para nós. Mas, o que devo a honra de sua visita Jones? – Ela me perguntou indo em direção à cozinha e eu fui em seu encalço.
- Preciso de alguém pra conversar. – Disse sem rodeios.
- Pode começar.
- Eu não sei o que eu faço da minha vida. Eu gostaria de estar ao lado da agora, nesse momento, sabe? Protegendo-a de qualquer mal que puder acontecer a ela. Eu me sinto um inútil aqui parado, sabendo que nesse momento ela ta lá, numa cama de hospital, sem pai nem mãe e muito menos amigos perto dela.
- Danny, escuta... – disse se aproximando de mim e me entregando uma xícara de chá. – É muito ruim e triste eu falar isso, mas a escolheu o caminho dela, e nós tentamos a avisar. É claro que eu estou preocupada com ela, mas não há nada mais o que podemos fazer.
- Eu sei, mas isso é difícil de entrar na minha cabeça.
- Relaxa, tudo tem o seu tempo, meu amigo... Você soube de mais alguma notícia?
- Não. Não liguei mais a TV depois que saí do Harry.
- Então vamos lá pra sala, ver o jornal e ficar ciente de qualquer coisa que acontecer. – disse levantando-se da bancada e me oferecendo sua mão para que eu pudesse a acompanhar até sua sala.
Como se fosse um passe de mágica, ao ligarmos a televisão, logo veio uma notícia de .

“Nessa noite de segunda, por volta das oito horas da noite, o Hospital de Los Angeles, onde a cantora está internada devido a um acidente de carro, informou o óbito de seu marido, o produtor Adam Stout de 30 anos...”
Fiquei estático, sem reação. E instintivamente encarei , ela fez o mesmo, a expressão em seu rosto me pareceu um espelho. Ela estava no mesmo estado de choque que eu, a xícara de chá que estava na mão dela caiu no chão se espatifando e derramando todo o líquido contido nela, mas nem eu e nem ela pareceu se importar com aquilo, pois ainda continuávamos paralisados com as bocas entreabertas. Então era isso? Adam se foi? E agora, o que viria a seguir? Não pude conter perguntas em minha mente, olhei melhor para a garota à minha frente e, ela parecia querer começar a chorar, seus olhos brilhavam com as lágrimas, então ela desabou. Eu também estava atordoado, queria notícias de , saber como ela estava, se estava bem. Poder consolá-la.
Sem saber o que estava fazendo direito, abracei forte, e deixei escorregar algumas lágrimas também, ela estava apoiada em meu peito, chorava muito e, eu compreendia muito bem o que ela sentia, mas me mantive firme, ou tentei, meu choro também acompanhou o dela. Eu estava acariciando os cabelos de , enquanto ela tentava se acalmar, eu queria dizer a ela que estava tudo bem, que tudo ia passar, detesto ver mulheres chorando, amoleço junto e o momento era propício. não saía da minha cabeça, tudo poderia ter sido diferente, se eu ao menos... Se eu tivesse feito as coisas certas, isso não estaria acontecendo, a culpa me atormentava a todo instante, mas ali, sentando no sofá com daquele jeito, eu me sentia pior, EU tinha causado aquele alvoroço todo, fui eu quem causou todo aquele sofrimento.

- Danny? – me olhou ainda com o rosto vermelho e molhado pelo choro.
- Shhh... – E limpei as lágrimas dela, mas ela me pegou de surpresa fazendo o mesmo comigo.
- O que a gente faz agora? – Ela me perguntou com a voz embargada e baixa.
- Não sei. – E minha voz falhou. – Mas fica calma. – Era minha vez, ela havia feito o mesmo por mim mais cedo.
- Adam errou... Eu sei, mas... Morrer? Não... Nunca desejei isso, nem mesmo a ele.
- Sei como é, sinto o mesmo. – Então nos ajeitamos no sofá.
- Ele não merecia isso... E nós brigamos... – E ela voltou a chorar incontrolavelmente. Suspirei e encostei minha cabeça em seu ombro e me deixei desabar junto, a senti me arrumando em seu colo e afagou meus cabelos.
Naquele momento, eu não sabia o que sentir, estava tudo tão confuso e estranho.


's P.O.V

Acordei sentindo-me melhor, as dores no corpo pareciam ter passado, mas o meu emocional ainda estava muito abalado. Estava começando a cair a minha ficha de tudo o que aconteceu comigo nesses últimos quatro meses. Como se fosse um gráfico de segmentos, minha vida era como a linha, que ficou para baixo e para o alto várias vezes. Isso pode afetar uma pessoa, e muito.

document.write(Cotton)? Como está? - O simpático Dr. Stevens adentrou meu quarto, perguntando-me.
- Estou me sentindo melhor, obrigada... - Sorri fraco.
- Acredito que amanhã a senhora já tenha alta, não tem mais o porquê de ficar aqui.
- Finalmente uma boa notícia...
- Tudo irá ficar bem... Por experiência própria. – Com um ar fraternal ele me disse isso, saindo da sala. Era tudo o que eu precisava pensar agora, pelo meu bem e do meu bebê. Tudo vai ficar bem.

Um mês se passou do terrível acidente que eu sofri, da morte de Adam e da descoberta da minha gravidez. Nesse um mês a única coisa “anormal” que aconteceu foi eu ter me mudado para um apartamento menor. Não havia razão alguma para eu continuar naquele apartamento gigante, cheio de más lembranças. Se era para começar uma nova vida, eu precisava sair daquele lugar também. Não havia contado para ninguém sobre o meu bebê, somente eu e os médicos estávamos sabendo. Eu havia pedido sigilo total ao hospital e eles assim o fizeram. Com certeza estava saindo nas revistas de fofoca o quanto eu estava mais “gordinha”, mas eu realmente não estava com tempo e paciência para esse tipo de coisa.

O sol invadiu as janelas do meu quarto novo e me fez despertar, olhei no relógio ao lado da minha cabeceira e vi que eram quase 9 horas da manhã. Levantei-me num pulo, eu tinha médico às 9:45. Eu ia fazer minha primeira ultra-sonografia, tudo bem, é meio estranho isso, eu fazer a ultra só agora, mas eu não tive coragem antes.
Estava começando a gostar e me animar com a idéia. Tomei um café rápido, um banho, coloquei uma roupa um tanto pouco larga e peguei meu carro.
Ao chegar no hospital, todos me cumprimentaram sorridentes e posso imaginar que vários deles não sabiam o quê eu fazia ali.

- Bom dia, Sra. ! - Sr. Stevens me cumprimentou alegremente. – Fico feliz em ver que a senhora está bem. Vamos ver agora, como anda sua criança? - Ele me perguntou e eu concordei sem exitar.
Levantei minha blusa um pouco e havia um espelho na minha frente. Fiquei me olhando por alguns segundos. Nunca tinha me visto daquele jeito, eu ficava bonitinha um pouco barrigudinha.
Deitei-me sob a maca e logo o Dr. Stevens ligou os aparelhos e passou um gel em minha barriga. Passava o equipamento lentamente e eu acompanhava tudo em uma gigante TV de LCD.
Fechei meus olhos, desejando que tudo estivesse bem com meu bebê e nesse instante de devaneio, Dr. Stevens me chama à realidade dizendo:

- Parabéns mamãe, seus bebês estão ótimos.
Como em um movimento súbito, eu abri meus olhos e sentei-me na maca. O que foi que ele tinha falado?
- Be...Bebês? No plural? - O olhei incrédula.
- Sim. Isso não é tão normal de acontecer de forma natural, o que eu acho que foi o seu caso. A senhora tem histórico de gêmeos na família?
- Na...Não, não tenho.
- Estranho... Bom, uma criança já é uma dádiva de Deus... Duas então! - Ele sorriu sincero, mas eu estava tão assustada com a novidade que não consegui retribuir.
Então era isso? Eu e Danny seríamos pais de dois bebês, de uma vez só. Eu tinha que tomar algum rumo na minha vida e isso precisava ser rápido.
Agradeci o doutor pelo exame e saí do hospital. Passei em uma Starbucks próxima de lá e comprei um delicioso Mochaccino com alguns Doughnuts. Era impressionante o tamanho da minha fome, e agora como eu sei que estou me alimentando por três, resolvi não me preocupar.
Cheguei em casa, tirei a roupa que eu usava e coloquei um abrigo de moletom. Amarrei meus cabelos em um coque desajeitado e fui comer meu lanchinho em cima da cama, muito bem acomodada e aquecida, por sinal. Liguei a televisão e fui ver qual era o guia da programação e me certifiquei que iria começar o programa do Paul O'Grady em alguns minutos. Eu adorava assisti-lo quando eu morava na Inglaterra, e devo agradecer por eu ter televisão por assinatura e que eu posso assistir quando quiser esses programas típicos britânicos.
Cinco minutos se passaram e pude ver a vinheta inicial indicando que Paul O'Grady estava começando. Me ajeitei na cama e fiquei prestando atenção na televisão.
Boa noite Inglaterra e o resto do mundo que nos assiste hoje. Sou Paul O'Grady como eu acho que vocês já sabem – Ele não perde uma piadinha. – e está começando mais um Paul O'Grady show. Sem mais delongas, o programa de hoje vai começar com uma banda que todas as meninas adoram, e eles vem aqui para falar sobre tudo, inclusive corações apaixonados. – Tenho pena de quem vai nesses programas de auditório para entrevistas logo na semana do dia dos namorados. Sempre bombardeiam com perguntas relacionadas ao coração. Um saco. - Estamos na semana do dia dos namorados, pessoal! E eles prometeram lançar seu mais novo single aqui, nesse palco... Agora! Com vocês, McFLY!
McFLY? Novo single? Danny? Semana do dia dos namorados? Ai minha cabeça! Tá, respire fundo e vamos nessa. Ele tá lá do outro lado do oceano e essa pode ser uma maneira de ver como ele está. Olhei para a televisão depois do meu pequeno mantra e avistei Danny. Ele estava lindo, com o cabelo cortado e bem arrumado. Só Deus sabia o quanto eu sentia falta dele...
- Hold me in your arms... Cause I'm falling... - Cantei pra mim mesma, baixinho, olhando para ele e desejando que ele estivesse comigo agora.
Gritos histéricos vinham da platéia e eu achava isso bizarro. Várias meninas eram apaixonadas por eles e eu tive isso em minhas mãos e joguei fora. Tá, vou parar de viajar em pensamentos e prestar atenção no programa.
(Coloquem para carregar!)

- E então garotos? Como vocês estão? - Paul perguntou.
- Estamos bem, nesse último mês ficamos trabalhando na música que o Mr. Jones escreveu. – Tom disse, batendo no ombro de Danny.
- E é sobre o que a música, Danny? - Paul fez questão de perguntar imediatamente.
- Relacionamento mal sucedido. – Quando ouvi essa frase sair da boca de Danny, me faltou o ar, não... Não podia ser.
- Um tema um tanto quanto intrigante na semana do dia dos namorados, não? - Temas intrigantes são interessantes, Paul... – Harry respondeu.
- Concordo com você, Judd! Mas então, vamos começar com você... Como anda seu coração? - Paul perguntou, com a sua voz engraçada.
- Ocupado. – Pude notar alguns sons de reprovação vindos da platéia. – E muito bem ocupado. – Harry sorriu. Fiquei feliz ao ver que ele falava de em rede nacional. Ela merecia isso depois do que passou com Jensen. Senti meu coração dar um pequeno aperto ao me lembrar dela...
- E quem seria a sortuda? - Parecia que Harry tinha deixado Paul muito curioso, afinal, ele era um dos mais garanhões da banda.
- Ih, Hazz... Vai ter que falar agora! - Tom falou, rindo do amigo.
- . Ela é produtora e trabalhou conosco no Children In Need. Te amo, amor! - Aw. Ele deu uma piscadinha e mandou um beijo? Certo que iria infartar agora.
- Falando em Children in Need... Como foi trabalhar com ? - Ai não, Paul. Tocar no meu nome? Bad times.
- Ela é incrível, adoramos trabalhar com ela. - Dougie, já disse que eu te amo?
- Sentimos muito pelo o que aconteceu com ela nesse último mês. – Tom disse. Senti meus olhos encherem de lágrimas ao perceber o estado que Danny havia ficado ao tocarem no meu nome.
- Todos nós sentimos. – Paul concordou. – Er... Danny, e você meu caro? Como anda?
- Estou bem na medida do possível, Paul... Tudo tem seu tempo. – Ao ouvir isso, coloquei minha mão sob minha barriga e acariciei meus bebês. É... Tudo tem seu tempo.
- É verdade, falando em tempo... Pretende se casar algum dia? - Paul perguntou e todos riram, Danny ficou envergonhado e aposto que ele iria desconversar.
- Claro que sim! E pretendo ter filhos também. – Oi? Ele respondeu? Eu ouvi bem?
- Filhos são adoráveis.... Às vezes. – Paul disse rindo.
- Garanto que vou ser um bom pai. – Danny abriu um sorriso ao dizer isso e eu suspirei pesadamente.
- Parece que estamos planejando uma gravidez Dan, e que eu vou ser a mãe. – Paul disse e todos gargalharam. Tom parecia que iria explodir de tanto que ria e isso, honestamente, me fez rir também.
- Posso escolher os nomes então? - Parece que Danny havia se empolgado com a brincadeira.
- Pode, amor. – Paul disse colocando sua mão em cima da de Danny e eu gargalhei com isso.
- Hmmm... Bom, se for menino eu escolho e se for menina você escolhe. Se for menino, eu quero Dylan! - E abriu um enorme sorriso.
- Você está falando sério, Dan? - Paul perguntou.
- Claro que sim... Eu adoro esse nome! - Anotado.
Eles ficaram algum tempo conversando sobre coisas aleatórias e Paul os convidou para mostrar ao público o tão esperado single.
Os meninos se posicionaram em um palco ao lado onde estavam antes e cada um pegou seu instrumento. (Deem play!)
“... E com seu novo single chamado Falling In Love... McFLY!”
Paul os apresentou e pude ouvir Harry contando em sua bateria para logo começarem a música. Será que Danny tinha noção que eu poderia estar vendo?

Everyday feels like a Monday, there is
No escaping from the heartache, now I
Wanna put it back together, cause it's
Always better late than never.

Danny e sua voz hipnotizante. Eu poderia morrer, mas não antes de ouvi-lo cantar desse jeito. Eu tentava prestar atenção no que a letra dizia. Nada o que se refira a mim diretamente ainda.

Wishin' I could be in California,
I wanna tell you when I call you,
I could've fallen in love,
I wish I'd fallen in love.

Okay. Ele disse Califórnia? Tudo o que se refira a mim diretamente.

Out of our minds and out of time
Wishin' I could be with you,
and to share the view,
we could've fallen in love,
Woah-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh
Woah-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh

Ele já havia cantado essa parte para mim… Em algum momento nosso junto e eu havia achado lindo! Se a perfeição existe, ela tem nome e sobrenome.

Waking up to people talking
and it's, getting later every morning
Now I, realize it's nearly midday
And I've, wasted half my life, to throw it away,
Saying,every day should be a new day,
To make you smile and find a new way,
of falling in love,I could've fallen in love

Eu deveria ter acordado para o que todas as pessoas ao meu redor tentavam me dizer, mas eu fui burra o suficiente para jogar tudo para trás e tentar viver a vida medíocre que eu vivia, e que eu tinha certeza que não poderia ser diferente! Eu com certeza perdi metade do meu tempo tentando achar uma razão para que eu pudesse continuar aqui, mas eu realmente deveria ter escutado mais meu coração e as pessoas que eu sabia que me amavam de verdade.

Out of our minds, and out of time,
Wishin' I could be with you,
To share the view, oh
We could've fallen in love
Woah-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh
Woah-oh-oh-oh-oh
We could've fallen in love
Woah-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh
Woah-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh

Sick of waiting, I can't take it gotta tell you…

I can't take another night on my own, so 
I take a breath and then I pick up the phone she said
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
She said
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
She Said
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
Oh Oh Oh
(sick of waiting, I can't take it.. gotta tell you)
Fallen in love
Oh, we could've fallen in love, oh yeah
fallen in love, we could've fallen in love
Oooh
Fallen in love

Capítulo 32

(Coloquem para carregar)

Eu fiquei atônita em frente à televisão. Essa foi a maior e melhor declaração de amor que alguém poderia ter feito para mim. Vocês devem estar perguntando como eu sei que foi feita para mim. Tem certas coisas no mundo que mesmo quando não queremos acreditar, em algum lugar dentro de você, isso apita e brilha com luzes fluorescentes.
Ver Danny e os meninos bem daquele jeito que eu vi, e ter certeza que estava bem ao lado de Harry, me fez sentir uma felicidade imensa e inspiradora. Pensei em fazer algo que eu pudesse dar um sinal de vida para as pessoas que me amam e dar um recado para poucos entenderem. Peguei meu violão que estava ao lado de minha cama. Abri meu Twitter e chamei meus fãs para um Twitcam e disse a eles que seria dedicado a todos e especialmente para meus “amigos” que deixei em Londres. Era claro para mim que era um recado apenas para e especialmente para Danny. A música que eu queria cantar não era meu sentimento por eles, e sim o que eu receava que eles estivessem sentindo por mim.
Certifiquei-me que estava tudo conectado e logo minha sala de vídeo ficou cheia. Ótimo. Dei um breve oi e disse que estava tudo bem e que iria fazer um pequeno show acústico para aqueles que me apoiaram. (Deem Play)

Eu cantava e tentava mostrar a todos que eu só queria ser desculpada. Ninguém sabia o porquê, mas eu sabia e isso era o suficiente. Eu esperava que eles fossem entender. Isso logo apareceria no twitter deles. Ao terminar de cantar a música, eu notei que um dos meus “alvos” estava online e ainda por cima, me assistindo.
escreveu em seu twitter “Não sei o que dizer.” E isso me deixou confusa. O que falar agora? O que pensar? Será que nessa altura do campeonato ela iria me perdoar? Como eu iria me aproximar? Dizer toda a verdade? Eu tenho que pensar.

De repente eu senti como se eu tivesse que desabafar, falar com alguém, eu não fazia isso há muito tempo, sempre trancada, fazendo tudo em casa, sem ver praticamente ninguém. Não havia com quem eu pudesse conversar abertamente, eu era nova no condomínio, não conhecia ninguém.
Mas tinha alguém com quem eu poderia fazer isso, mas ela talvez estivesse querendo minha cabeça em uma bandeja de prata por ter falado com ela de maneira inadequada. era com quem eu queria e precisava falar, ela era minha amiga desde... Desde sempre, não podíamos acabar com nossa amizade assim, e ao ver os meninos na TV, e ouvir Harry falar dela, me deu um aperto forte no coração. Ao sair de Londres, eu tinha brigado feio com ela e desde então eu nunca mais tinha entrado em contato com , nem mesmo quando... Adam morreu. Eu não podia mais esperar, eu tinha que resolver isso de uma vez, não aguentava mais. E eu tinha que falar o que Adam me pediu, então peguei o telefone ao lado da minha cama e o encarei apreensiva.
E se ela não quisesse me atender? Se me insultasse ou algo parecido? Eu não estava em condições. Ela não faria isso. Faria?
Disquei rápido antes que me arrependesse e desistisse.
- Alô. – A voz fina e alegre me assustou um pouco, eu fiquei sem saber o que falar. – Alô? Tem alguém ai? Não tenha medo não, eu não mordo. – Ela falou com a voz arrastada.
Definitivamente a mesma de sempre.
- A... Alô. – Eu gaguejei. Ai é agora! E soltei o ar.
- Oi! Tudo bom? Quem é você mesmo?
- Não me reconhece mais? – Eu perguntei sem jeito.
- Deveria?
- Uhum. – E soltei uma risadinha, eu adoraria ver a cara dela de confusa.
- ? É você? – Opa, é nessa hora que eu digo que sim, não é? E que estava morrendo de saudades e todas aquelas coisas? Não é tão fácil quanto parece.
- Sim, incomodo?
- OH meu Deus! ! Você quase me matou de tanta preocupação, criatura! Esqueceu de como se usa o telefone, é? Tava com tantas saudades, babes... – Espera aí. Nós não tínhamos brigado? Não era eu que deveria estar falando esse tipo de coisa? Ela não queria me esganar?
- ... ? Você está bem? Er... Não está brava comigo?
- Estou ótima! Brava? Por que? – Ela adora tirar uma com a minha cara.
- Er... É... Nós brigamos, lembra? Eu ainda estava em Londres quando... – Falei com receio.
- AH! É mesmo. Até irmãos se brigam ué, bobagem, mas pra falar a verdade pensei que você é quem não queria mais falar comigo. – Ela me disse essa última parte baixinho.
- Não sabe como me senti mal por ter brigado com você, e não poder nem te ligar por vergonha, me desculpe. – Eu soltei tudo de uma vez o que estava engasgado em minha garganta.
- Eu também não fiquei nada bem, e... Bom, eu queria ter falado com você após o... O ocorrido lá. – E notei que ela parecia ter medo de tocar no assunto comigo.
- Eu sei. Não sabe como foi difícil, apesar de tudo ele era o Adam, ... – Minha voz falhou.
- Ele não merecia isso, sinto muito, de verdade. Aliás, todos nós sentimos. – Quando ela falou o nós um nó se formou em mim.
- Foi muito triste vê-lo daquele jeito e, ele me disse coisas muito bonitas antes de morrer, e por mais estranho que possa ser ele tinha voltado a ser o Adam eu havia conhecido ainda jovem.
- Então você falou com ele antes dele... Partir? – E eu apenas soltei um som em afirmação. – Acho que vocês então esclareceram tudo, e por isso tenho certeza que ele está em paz agora.
- Tenho certeza que sim... Ele me disse uma coisa... Ele confessou que brigou com você, que te disse coisas horríveis...
- Isso não vem ao caso, ...
- Claro vem, ele me pediu que falasse com você. – Ouvi-a dar um pigarro.
- Comigo? – Ela perguntou insegura.
- É. Ele pediu que eu levasse até você o pedido de desculpas dele, ele queria o seu perdão, . – Ela parou por um momento, notei que várias vezes ela tentava dizer algo.
- Não sei o que dizer. Er... É cla... Claro que eu o perdoou, só... Que eu também errei e não esperava uma atitude dessas, vinda dele, um gesto muito belo da parte dele. – Eu sabia que ela diria isso, a conheço muito bem.
- Que bom, sei que ele queria ouvir isso de você.
- Eu sei que foi trágico o que aconteceu com ele, mas... E você? Como está? Aconteceu alguma coisa? – Minha respiração falhou, eu não podia contar de meus bebês, (tenho que me acostumar com a idéia de dois), não agora, não por telefone.
- Está tudo bem, apenas alguns arranhões, nada de mais. – Menti até aonde dava.
- Ótimo! Mas, cê me conhece, por que me ligou? E por que agora? – Curiosa como sempre. Eu já esperava por isso, era bom falar com ela e a ouvir falar comigo como se nada tivesse acontecido.
- Bom... - Soltei uma risadinha. – Eu vi os me... Meninos na TV. – Quase engasguei com essa palavra. – E vi Harry falar de você, daí me bateu uma saudade...
- Você viu?! Ow... Ele não é um fofo? – Perguntou toda melosa, não pude segurar o riso.
- Parece que você fez o rapaz se apaixonar, heim?! Olhinhos brilhando e todo bobo quando fala de você.
- Ai, eu sou o máximo e irresistível! Ele me ama. – E ela soltou o ar, suspirando. Metida ela né?! A de sempre.
- Sai daí! – Ralhei brincando com ela. – Até parece que você não sente o mesmo. – E ouvi a risada dela cessar. Opa, falei o que não devia?
- Pois é, . Acho que é isso, to amando. – E voltou a rir. Ela está bem, era óbvio, e isso me fez bem também.
- Como anda as coisas aí em Londres? – Perguntei indiferente.
- Na mesma de sempre, eu continuo trabalhando feito uma cavala, os meninos fazendo o sucesso de sempre, e menina! Elas, as fãs, groupies, e sei lá mais o quê, elas parecem querer me matar por tirar a chance delas de ter alguma coisa com o MEU Harry, algumas até que gostam de mim, mas tem outras...
- Vai te acostumando amiga, daí pra frente só piora. – E ri da cara dela.
- Não tenho culpa dele ter ME escolhido, e eu nem fiz esforço. – Aposto minha fortuna que ela estava fazendo cara de vitoriosa. – Bom... Como eu ia dizendo, eles estão estourando como sempre e fazem várias entrevistas como você viu. E então, viu o Danny? - Ela mesma se atropelou toda, meio assustada com a própria fala e me pegou de surpresa.
- Vi.
- E...
- E o quê, ? – Perguntei.
- Viu como ele está?
- Vi... Tá! Ele não estava em um dos seus melhores momentos. – E me lembrei da imagem de tristeza de seu rosto quando começaram as perguntas sobre amor. E talvez parte disso tenha sido minha culpa.
- Deve ser porque ele não te esqueceu. Ele sofreu muito, ... E principalmente quando a bomba do acidente estourou, eu vi todo o sofrimento dele e, foi pra mim que ele correu. Eu sei o quanto ele realmente gosta de você e não é nada difícil se perceber isso, você mesma viu. – Ok, isso não é coisa que se diga no momento da reconciliação de nossa amizade, ! E ainda mais a uma mulher grávida, ta, essa parte ela não sabe. O que ela falou me deixou tonta e minha sorte é que já estava sentada em minha cama, falar de Danny daquela maneira me fez recordar de muita coisa, eu me senti mal por ele, por saber que ele está sofrendo e por minha causa.
Eu ainda amava Danny, era inegável, mas... Está muito confuso ainda. Eu não sabia o que fazer.
- ? – Ela me despertou.
- Oi! Er... Eu sinto muito. – Sente muito? Isso é lá coisa que se diga? - Mas pra mim também não é nada fácil, eu queria que tudo tivesse sido diferente.
- Eu entendo, não quero te forçar a nada, a dizer nada, mas eu sei como deve estar sendo pra você.
- Obrigada. – E como sempre ela me compreendia perfeitamente, meias palavras, ou a falta delas, já era o suficiente.
- Me desculpe também por não ter ligado, eu queria, mas eu fiquei com o medo...
- Que isso! Que tal esquecermos tudo isso, huh? Deixar pra trás, foi tudo uma grande bobagem, não é? – Perguntei roendo a unha esperando pela resposta dela.
- Esquecer de quê? Não aconteceu nada, . - Ela se fez de desentendida. E eu tive que acompanhar a risada dela, melhor assim, tudo voltando ao normal, ou “quase” tudo. – Hm, que tal agora, você me contar o que anda acontecendo ai? Acho que preciso me atualizar um pouco sobre o assunto “sua vida”, babes! Começa logo, não me enrola, não. – Ela não muda.
E assim eu menti descaradamente. Eu não gostava de contar nenhuma mentira à até porque, ela sempre soube quando eu contava uma, mas por telefone era mais fácil. Contei-lhe sobre minha mudança de apartamento, o que a deixou embasbacada, contei que eu quase não saia de casa, que minha vida se resumia a filmes e comida, ela queria saber o porquê, porém eu mentia cada vez mais, nem consigo me lembrar quais eram minhas próprias mentiras.
Eu não contei de minha gravidez, pois ela iria surtar, iria querer que eu fosse direto para sua casa, para poder cuidar de mim e dos bebês, não me deixaria ficar sozinha e ia contar a novidade para Deus e o mundo, inclusive... Ele.
Então resolvi deixar quieto, eu soube de mais detalhes de como estava a vida de Londres e nossa conversa seguiu noite adentro animada e cheia de novidades, nem parecia que tínhamos passado tanto tempo sem nos falar, parecia até que realmente não tinha havido nenhuma briga, nenhum desentendimento ou coisa do gênero.
Assim, quando achamos que nossas contas iriam estourar, desligamos o telefone prometendo que iríamos voltar a sempre nos falar e manter contato.
Dormi bem melhor, feito uma pedra, mas antes de pegar no sono, algo veio rápido em minha mente, tudo o que me contara sobre Danny, aquilo fazia sentindo eu notei o estado dele na TV, mas fechei meus olhos com minhas mãos fazendo carinhos em meus bebêzinhos.

Capítulo 33

’s POV

A vida anda passando muito rápido, não dá nem tempo para respirar e os últimos acontecimentos me deixaram meio aerea, às vezes preciso parar um pouco e tentar colocar tudo no seu lugar, dar uma organizada nas coisas, pois se não, daqui a pouco eu piro de vez. – Pensei.
Mas, nesses três meses que se passaram, poucas coisas mudaram. Eu finalmente tinha voltado a falar normalmente com , não fazia sentido ficarmos brigadas. Os meninos tiveram que fazer algumas viagens, o que me deixou com um pouco de raiva, eu queria que eles fizessem o sucesso tão merecido deles, mas como eu tenho muito trabalho eu não pude acompanhá-los, Harry não gostou muito da idéia, e nem preciso mencionar que eu odiei isso. Imagina deixar o MEU homem, assim, sem vigilância, porque bom, adoro os meninos, mas eu não confio muito nesse aspecto neles. Mas foi Harry quem me deu confiança, ele tentava colocar de alguma forma em minha cabeça que jamais faria algo para me magoar ele estava mesmo preocupado em ME deixar sozinha. Não sei por que.
Depois de... Er... Bom, depois de tudo o que aconteceu com , Danny passou a se aproximar mais de mim, ele desabafava comigo e passamos a criar uma forte amizade. Eu sabia de tudo dele, de suas saídas, de seus sentimentos e lógico de seu sofrimento por não ter mais consigo. Acho que eu tenho cara de psicóloga, só pode, todo mundo vem desabafar comigo. Então... Danny estava um pouco diferente, ele já não era aquele cara que vivia alegre e fazia os outros se contorcerem de tanto rir por suas palhaçadas, ele estava mais quieto, claro que ele de vez em quando dava um de “Danny Jones” de sempre, mas mesmo assim, mesmo ele tentando não transparecer eu sabia que ele ainda estava muito abalado com tudo o que ocorreu, ele não soube lidar e superar muito bem, ele nunca tinha passado por nada parecido como uma vez ele me falara. Já o conhecia o suficiente para ter certeza disso. Tom e Dougie ainda não tinham decidido o queriam da vida, algumas namoradas, outras só por diversão, eles queriam saber de música, era essa a vida que escolheram.
A verdade é que, após eu começar um namoro sério com Harry, eu passei a conviver muito com os rapazes, eu já os conhecia e era amiga, mas agora era sempre. Saíamos juntos, não fazíamos nada e ficávamos de perna para o ar juntos. Eles não pareciam se incomodar com minha presença, sabiam que Harry sempre estava comigo e que não me deixaria sozinha, eu não ligava muito, mas ele dizia que eu tinha que ir para tomar conta dele. Posso com isso?
A vida tava boa, Harry me fazia muito bem, após Jensen ter me traído eu fiquei meio amedrontada com relacionamentos mais sérios, mas Harry me convenceu de que ele era diferente que me amava de verdade e pode parecer cedo e maluco, eu também acho isso, mas eu acredito. E também o amo, como nunca tinha amado, era estranho e ao mesmo tempo bom. Nunca me dei bem com esse assunto, sempre dava o jeito de fugir, só que Harry realmente mexe comigo e eu me sinto meio culpada de não saber demonstrar meus sentimentos a ele, mas ele é paciente e carinhoso, me respeita e me entende e é isso que eu tanto admiro nele, apesar de tudo ele ainda está comigo do jeito que eu sou, ele não deu no pé como eu cheguei a pensar um dia, pelo contrário, a cada dia ele me surpreende, me faz mais feliz. Não sei até que ponto isso é bom, só sei que não posso mais evitar.

Dia de folga, finalmente a tão esperada sexta-feira chegou, não tinha nada para fazer na agência, então eu tinha o dia todo só para mim. Me espreguicei ao sentir a luz do sol invadir meu quarto, ainda de olhos fechados tentei me mover, mas algo me prendia e era pesado. Logo meu pescoço foi rendido e atacado por beijos em sua extensão. Me arrepiei como sempre ao senti-lo tão perto, acordar com Harry ao meu lado era mágico.

- Bom dia minha pequena. –Ele disse com a voz rouca ao pé do meu ouvido.
- Bom dia amor. – Eu disse e ele me virou para ele e eu pude me deliciar com o seu largo sorriso, então me deu o beijo de bom dia. Eu sorri e me levantei indo até o banheiro, fiz o que tinha que fazer e voltei correndo para cama, notei que ele não estava mais lá, mas nem deu tempo de pensar em chamar seu nome e ele apareceu no meu quarto. Ele provavelmente deve ter ido ao outro banheiro e logo ele me olhou com um olhar sapeca e correu em minha direção nos jogando em cima da cama de vez.
- Tem algo para fazer hoje? – Ele me perguntou rolando para o lado após um longo beijo.
- Hum... Não que eu me lembre.
- Então agora tem. – Me colocou deitada em seu peito.
- Tenho? Posso saber com quem?
- Comigo! Com quem mais seria? Hoje a noite, passo para te pegar. – Ah sim claro, saber se eu quero não precisa?
- Alguma coisa importante? – Perguntei.
- Vai depender de você. – E ele apertou minha bochecha. Depender? De mim? Não gostei não.
- Vestido ou jeans? – Eu precisava de uma pista para saber como me preparar.
- Você fica linda de qualquer jeito, amor. – E ele percebeu meu olhar de repreensão. – Não quero vestido curto e nem decotado heim?!
- Por que? Gosto de ganhar cantadas. – Brinquei.
- As minhas não bastam? Eu tenho que cuidar do que é meu ok?! Porque só EU posso ver você em trajes mínimos, ouviu mocinha?
- Que possessivo!
- Você é minha, já disse. Só minha, de mais ninguém.
- Ah é e você é meu? Assim, todo meu? – Eu perguntei subindo um pouco em cima do corpo dele o encarando melhor mordendo meus lábios e brincando com o dedo no seu peitoral.
- Não provoca... – Ele acertou o que exatamente eu queria, beijei seu queixo e voltei a olhá-lo, notei que seus olhos brilhavam. – Você ainda tem dúvida? – E me apertou contra seu corpo e girou me deixando embaixo dele. – Eu amo você. – E me beijou. – Só você não nota isso.
- Eu... – E o beijei. –... Amo... – E o beijei de novo. – Você. – E olhei meu lindo namorado olhar para mim radiante. Então sem mais demoras ele me agarrou e me beijou com desejo, a temperatura foi aumentando e logo nossas poucas roupas foram parar sei lá eu onde, apenas sei que precisava de Harry só para mim.

Depois de... Bem, depois de nos ter recuperado do nosso momento de amor matinal, tomamos café da manhã, tomamos banho e Harry me deixou no shopping ao ir para a gravadora.
Passei a manhã inteira batendo perna, entrei em várias lojas, comprei algumas coisinhas para alegrar mais o meu dia e fui reconhecida por algumas fãs fanáticas do McFLY, e isso não me deixou muito confortável, elas ficavam me encarando, ui. Nós mantínhamos um relacionamento público, mas mesmo assim tentávamos ao máximo não deixar isso fora do controle.
Deixei elas para lá e continuei fazendo minhas compras, dia de folga, programa a dois à noite, hm... Eu precisava de um sapato novo. Entrei em algumas sapatarias, dei umas olhadas e logo avistei o meu delírio, lindo, maravilhoso, me esperando, do jeito que eu sempre gosto, na posição exata... Um peep toe coral. Fiquei maravilhada com aquela visão, brilhoso, salto altíssimo e muito fino, não fiz mais nada, corri em direção a loja e logo pedi um e incrivelmente ele se encaixou em meu pé como se fosse feito sob medida somente para mim, sem hesitação, entreguei o meu cartão de crédito a vendedora e imediatamente ele estava em minhas mãos. Suspirei ao pegá-lo e feliz da vida voltei a passear.
Harry me ligou avisando que não poderia almoçar comigo, mas me recompensaria à noite, então almocei na praça de alimentação do shopping mesmo e mais algumas voltinhas, logo fui para casa.
A empregada que vez ou outra ia lá, já havia feito aquela faxina, tudo em seu lugar, não tinha mais nada a fazer, então me ajeitei em meu sofá, peguei o livro que comprei mais cedo e fui começar a ler para passar o tempo e a ansiedade.
O problema de sempre aconteceu, quando não tenho nada a fazer e começo a ler, eu não paro mais, porém chega uma hora que meus olhos se cansam e se tornam pesados, então peguei no sono.
Acordei em um pulo ao ouvir meu celular tocando incessantemente, corri para ver quem era. Queria matar o infeliz, mas até que tinha sido em boa hora, era um rapaz da agência perguntando o que era para fazer com o novo anúncio, nem em dia de folga me deixam em paz! Expliquei pacientemente e meio que agradeci quando olhei no relógio, já era de me arrumar.
Tomei um demorado banho, com tudo o que eu tinha direito. Sequei meu cabelo e fui escolher minha roupa, não havia decidido ainda, então só de lingerie comecei a fazer meu penteado. Meu cabelo não é muito fácil, tem vontade própria, mas ele resolveu colaborar, ficou bonito em um coque desajeitado com alguns fios soltos e a franja caída.
Sem roupa escolhida, fui para maquiagem, sem muito escândalo, só o necessário, um estilo simples e pronto. Olhei o relógio faltavam alguns minutos, sempre me atraso urgh! Corri para o armário, revirei tudo, tirei do lugar e achei meu lindo vestido preto de cetim, com alças largas, novo que eu havia me esquecido que tinha comprado. Era esse e ficaria perfeito com o meu mais novo xodó que comprei hoje pela manhã. Me vesti, escolhi uma carteira preta com alguns detalhes Prada. Perfume, brincos delicados, tudo finalizado.
Última olhada no espelho, eu estava bem e do jeito que Harry me pediu, nada de decote, meus seios estavam bem comportados e não muito curto, apenas um palmo acima do joelho. Mas ele não falou nada de ser muito justo e ter uma enorme abertura nas costas, né?! Recebi uma mensagem de Harry dizendo que ele já estava lá embaixo me esperando. Certifiquei-me de que não havia me esquecido de nada, fechei o apartamento e peguei o elevador. Ao chegar à portaria me dei conta do quanto eu sou uma garota sortuda, tinha um emprego que adorava, vida independente e um namorado maravilhoso. Harry estava parado encostado em frente ao seu Porsche 911 vestido socialmente, uma camisa preta dobrada até a altura do cotovelo e com as mãos no bolso olhando o chão.
Assim que ele me viu sua expressão foi indecifrável, de olhos arregalados ele mal conseguiu se mexer ir até onde eu estava. Me senti uma estranha com aquilo, e assim ele pegou minha mão e sem desviar o olhar de mim a beijou.
- Você está linda, amor. – Ele me disse e selou os nossos lábios.
- Digo o mesmo de você, aonde iremos? – Curiosa perguntei.
- Surpresa. – E me beijou de novo. – Vamos?
- Claro. – E ele me guiou até o carro abrindo a porta para mim.
- Todos os homens irão babar por você, mas você é só minha, ok?! – Ele disse antes de ligar o carro.
- Ciumento! Só tenho olhos para você babes, já te disse. – E com um sorriso se formando em seu rosto ele arrancou com o carro.

Durante o percurso, tudo parecia calmo, ele me contou de seu dia, eu contei do meu, e nem me dei conta quando chegamos a um luxuoso restaurante no centro de Londres, meio rústico e delicado em cada detalhe, ele parou o carro e antes de eu pensar em querer colocar a mão para abrir a porta ele se posicionou diante dela e abriu para mim, um verdadeiro gentleman. O manobrista pegou as chaves e Harry me guiou até a recepção, ele deu o seu nome confirmando as reservas e um simpático homem nos levou até nossa mesa, ela era mais ao fundo totalmente isolada, Harry deveria querer privacidade dessa vez, na última vez que saímos juntos ele não gostou de ter sido importunado com alguns flashes.
A mesa era meio pequena, arredondada, somente dois lugares, um de frente para o outro, castiçais, não sei para quê em cima dela, pratos e talheres de vários tipos e tamanhos, arranjos de flores muito bem posicionados e um ambiente agradável e aconchegante. Harry me ajudou a sentar e logo fomos fazer nossos pedidos.
Estava tudo perfeito, música lenta ao fundo, sem muitas pessoas nos observando, uma vista linda do lugar e lógico, Harry sentado bem à minha frente me fazendo o que sabe fazer de melhor, me deixar tímida e louca por ele. Terminamos nosso jantar e ficamos saboreando nosso vinho tinto.
- Quer parar de me olhar assim? – Eu perguntei envergonhada.
- Não... Não vai me perguntar por que eu te trouxe para jantar? Você sempre faz isso. - Ele perguntou bebendo um pouco de seu vinho.
- Hm... Não. – Respondi simplesmente.
- Então posso falar o que me fez vir até aqui? – Acho que já ouvi algo parecido.
- Vai em frente. – Retruquei. E a curiosidade estava judiando de minha pobre pessoa.
- Ok! – E ele soltou uma risada nasalada. – Eu não sei por onde começar...
- Pelo começo me parece ser uma boa idéia. – Beberiquei meu vinho e voltei a falar. – Hazz... Sou apenas eu, pode falar...
- É aí que está, não sei como fazer isso. – Ele tá me deixando nervosa agora.
- Fala de uma vez, criatura. – Incentivei!
- Bom... Lá vai. Faz algum tempo que estamos juntos, não é? E faz muito tempo que nos conhecemos... Então, você é uma pessoa maravilhosa, mais até que eu pensei, gostei de você desde a primeira que eu te vi. – Esse começo não tá bom. – Você é toda linda, e me faz sentir muito bem, esses meses que passamos juntos foram os melhores, você sabe que eu a amo muito... Mas... Mas eu não consigo.... Eu quero mais que isso. – Ele tá terminando comigo? Eu ouvi bem? Ele me ama, mas não consegue, precisa de mais? Então ele que vá pastar, e não me faz perder tempo. Isso sempre acontece comigo, nunca nada dá certo, quando parece que tudo vai bem, uma bomba cai em meus braços. Maravilha. Ótimo. Argh!
- Se vai me dar um pé na bunda fala logo, não fica me martirizando. – Fui curta e grossa.
- Pé na bunda? Do que está falando? Na... Não acha que eu... Que eu to...
- É o que parece, foi um prazer te conhecer. – Eu disse quase me levantando, mas a mão dele segurou a minha e me fez revirar os olhos e voltar a sentar.
- Eu amo você, não vou fazer nada disso. – Ele me olhava com um sorriso no rosto. Ele queria o quê? Se ele sabe que eu já sou toda desconfiada, para que ficar falando assim então? Eu não respondi a ele, apenas o olhava com cara de nada e revirava os olhos em sinal de tédio.
- ... – Ele me chamou e eu vi ele se levantando e indo em minha direção. Ele pegou minhas pernas e me virou para fora da mesa ainda sentada, assim ele se ajoelhou diante de mim, beijou minhas mãos que ele segurava e eu fiquei tonta. Mas que diabos era aquela merda? Primeiro quase da no pé e depois vem cheio de amor para dar? Muita informação, pô.
- Harry! Levanta daí. – Eu disse entre dentes.
- Não consigo mais imaginar minha vida sem você. – Ele me ignorou. – Não quero saber de outra pessoa, é você quem eu escolhi. Sei que você é meio difícil... – Nessa parte ele foi gentil, meio difícil? Tá bom!. -... Mas eu não me importo, tenho plena certeza do que eu quero há muito tempo, mas era meio cedo. Eu a amo e não quero ficar longe de você e espero que você sinta o mesmo por mim, até porque se não sentir eu falar do mesmo jeito. – E riu.
- Hazz... – Meus olhos se encheram de lágrimas e ele acariciou minhas mãos. Ele não vai fazer o que eu to pensando. Vai? Nah, ele não seria louco.
- , – E ele fez uma pequena pausa tirando algo de seu bolso. Uma caixinha preta aveludada. Ai. – quer casar comigo? – OMG! Casar? Tipo assim casar... De papel passado e tudo? Com direito a “até que a morte os separe”? Não posso desmaiar agora e responder mais tarde?
Em uma fração de segundos muitas coisas se passaram em minha mente. A traição de Jensen e como aquilo me fez mal, a declaração de Harry e como aquilo me fez bem. Meus meses de namoro e todas as vezes que ele tentava me convencer de que me amava. Tudo. Ninguém nunca tinha sido tão direto comigo, falar sobre isso é uma coisa, mas casa... Casamento? Só de pensar minha respiração falha. E era muito, mas muito cedo para isso. Não era?
Mas então percebi que nada disso importava, apenas que, muito estranhamente, eu também queria aquilo, pode parecer loucura. E é uma loucura. Mas se é para ficar juntos, então que seja como manda a tradição, não é? Eu o amo muito e é claro que o que ele falou para mim também cabe a ele saber que eu sinto o mesmo. De repente, me veio pessoas sempre falando que eu nunca ia casar, que eu não queria nada disso, só que até aquele momento elas estavam certas em algum aspecto, mas agora, com o pedido e vindo do homem que eu amo, tudo caiu. Casar com ele era o que eu mais queria.

- ? – Ele me despertou. – E então? Responde, tá me deixando nervoso, aceita casar comigo?
- Si... Sim. – Eu disse emocionada tampando a boca com uma das mãos. Então era isso, dependia de mim, da minha resposta a importância dessa noite.
- O QUÊ? – Ele se exaltou. – Você aceitou?
- É. Não era para aceitar? – Perguntei confusa.
- ! – E ele pulou em cima de mim me beijando feliz. Tive que acompanhar agora o MEU noivo. AI, isso é engraçado. – Eu sou o homem mais feliz, amo você minha pequena, amo você. – Ele sussurrou em meu ouvido eu tive que rir da reação dele. Eu era tão assustadora assim? Sou um anjinho!
- Meu anel. – Eu pedi o beijando.
- Ah sim, interesseira. – Ele riu e abriu a caixinha e eu quase que caio para trás. Era lindo, um solitário, maravilhoso. E grande. Ele colocou no meu dedo e me mostrou que usava um anel no mesmo material, que eu sei lá qual era, mas sem a pedra e com o meu nome gravado. – Alianças só depois.
- Hm... Até que é bonitinho, dá pro gasto. – Falei olhando meu anel.
- Er... Você pode escolher outro se quiser. – Ele falou meio decepcionado.
- É perfeito. Só estava zoando com a sua cara. Ele é MARAVILHOSO! - E abri um largo sorriso.
- Num momento sério como esse. Eu quase enfartando pensando que você ia me dar um murro e você fica zoando da minha cara? Você não presta!
- Mas fui eu quem você pediu em casamento. – E fiz cara de exibida. – AH! Eu sinto o mesmo por você sim, seu bobo. Eu te amo. – E o que eu odeio aconteceu. Comecei a chorar, não era um choro apavorado, o que deveria ser, afinal eu ia casar, mas um choro de felicidade.

Demorou um pouco para cair a ficha que agora eu era uma mulher que era noiva. Saímos do restaurante e segundo ele tínhamos que comemorar nosso noivado. O resto é fácil de imaginar.
Não posso negar que fui pega se surpresa, mas estava tudo ótimo, era isso que eu queria.

Os dias foram passando, e lógico que teve uma comemoraçãozinha com os amigos, eles já esperavam por isso, mas ficaram assustados com a urgência do casório. Harry queria o quanto antes, o mais rápido possível, eu não contrariei. Que fosse logo então.
Senti muito por não ter comigo em um momento como aquele e principalmente quando comemoramos, ela deveria estar ali comigo, mas eu sabia que ela não viria. Danny ficou muito feliz com o casamento que já estava de data marcada e tudo, ele virara meu amigo de verdade e queria meu bem e, obviamente perguntou de , se ela sabia, mas eu tive que desapontá-lo, eu sabia que ela não viria então só avisaria ela em cima da hora, quando estivesse bem próximo, assim ela não teria como me enrolar e não vir.

Harry me assustou um pouco, ele disse que por ser muito em cima da hora ele havia contratado alguns profissionais da área para me ajudar. Eu só não imaginava que eram tantos.
Mas até que foi bom assim, eram tantas coisas, credo!
Flores, lugar, mesas, buffet, decoração, fotógrafos, igreja, daminhas, ensaios, orquestra, garçons, DJ, madrinhas, padrinhos, transporte para família, roupa para isso, roupa para aquilo, maquiadores, jóias, convites, cabeleireiros, festa... Ufa! Deve ter faltado algumas coisas, mas eles sempre viam isso para mim, eles eram maravilhosos, adorei todos que estavam me ajudando, tínhamos que manter contato sempre e eles resolviam muita coisa por mim, porem eu é que tinha que escolher, não é fácil casar.
Ah! Meu vestido, esse sim eu fazia questão de acompanhar milimetricamente, se é para casar, tem que casar com estilo.
Tudo estava saindo muito rápido, muitas coisas já estavam prontas, e faltavam ainda alguns dias para o casamento, então estava folgado.
Mas faltava uma coisa a ser feita, e isso somente eu faria. Naquele dia me levantei cedo, fiz tudo que tinha que fazer e após um almoço um tanto quanto agitado com os meninos, me certifiquei que estava sozinha e corri para sala. Isso vai ser engraçado.
Disquei os números rapidamente e esperei (im)pacientemente.

- Alô? – Eu pude ouvir a voz no outro lado da linha.
- Hello, babes!
- ? Isso é hora de ligar?
- Ops, esqueci... Tá, mas eu preciso falar com você. – Eu estava muito ansiosa.
- Fala de uma vez, então. – Ela falou em uma vontade de dar gosto. Esse humor dela...
- Muito incentivador, querida.... Mas vou deixar passar essa, tenho uma novidade que vai te deixar de boca aberta amiga! – Adoro tirar uma com a cara dela.
- O quê? Fala não me deixa curiosa, anda... – Não disse.
- Hm... Você tem um casamento para ir.
- Tenho? De quem? – O meu, oras!
- É. E você vai ser madrinha, não é o máximo?
- É. Mas seria melhor eu saber de quem era né?! Fica mais fácil de saber o presente... Fala logo, .
- O meu.
- Quem? – Ela não ouviu muito bem, eu acho.
- Meu casamento. – Falei simplesmente.
- Se... Seu casa... Casamento? – Ela pareceu assustada. Nossa! Eu causo isso nas pessoas?
- Sim... É eu sei, é cedo, mas fazer o que, né?!
- , VOCÊ VAI CASAR? OH MEU DEUS!- Eu tive que tirar o aparelho do ouvido com a gritaria dela.
- Calma, não é o fim do mundo, só vou casar... E bom, lembra quando nós brigamos? Então, você disse para eu não se esquecer de te convidar pro meu casamento, caso achasse um trouxa, então sinta-se convidada. – Eu disse em tom de brincadeira.
- Harry? Ele é seu trouxa? Aw... Que bonitinho.
- Não não é o Harry, um cara aí que passou no meio da rua me pediu e eu aceitei, vai te catar, criatura.
- Ah tá desculpe, mas AMIGA! Estou tão feliz por você, desejo tudo de bom pro casal...
- Pois é! Estranho isso, casar, ai. – E comecei a rir.
- Quando é?
- Daqui a uma semana. – Falei animada, mas notei ela dar um gritinho abafado.
- COMO ASSIM? E você só me avisa agora? Você surtou? Tá, quando ele te pediu?
- Mês passado. – Lá vem mais gritinhos... Falei.
- Assim tão rápido? Preparativos, convidados...
- Bom... Ele queria o quanto antes, ele tinha medo de que eu resolvesse desistir e fugir de vez, então marcou a data assim que possível. É essa a imagem que eu passo para as pessoas?
- É. Eu vou ser madrinha? – Ela perguntou feliz.
- Claro! Quem mais seria?
- Com quem? – Opa, por telefone não babes.
- Surprise! Um cara aí.
- ! Que cara aí? Não pode ser qualquer um, e ainda mais ME acompanhando.
- Oh de quem é o casamento mesmo? Oh é meu! Então eu decido e você só tem que estar linda e maravilhosa no dia.
- Er... , eu, bem... Ando meio ocupada. – Ih, não gostei, ai dela se não vier. ­– Posso aparecer aí um dia antes de seu casamento? – Notei insegurança em sua voz.
- Claro, com tanto que venha, mas por quê? – O que ela deveria estar aprontando.
- Por quê? Ah! Porque tenho que resolver umas coisas... – Ela não me convenceu. – Posso te pedir uma coisinha, babes? – Hm, lá vem.
- Manda.
- Tem como eu pousar em seu terraço? Por favor. – Ah sim, claro! Simples. Mas é uma metida mesmo, vai vir de jatinho, eu não posso com isso.
- Obviamente, , ele estará ao seu dispor.
- Obrigada, agora me conte como foi, quero todos os detalhes, você chorou? E ele? Anda me fala... – E então como sempre ficamos horas penduradas ao telefone, eu contei como foi o pedido, como estavam todos os preparativos, os convidados. Tudo. Eu parecia realmente estar gostando dessa coisa de casamento, isso pode ser até divertido olhando por outro ângulo, só espero que ocorra tudo bem, nada de escândalos, chega disso na minha vida, pelo menos uma vez eu tenho que me dar bem, pô é meu casamento né?!

Capítulo 34

’s POV

Minha vida se resumia em cuidar de meus bebês, eles eram a coisa mais importante agora. Nada importava, apenas o bem estar deles, minha música, meus fãs continuaram a ser essenciais para mim, meus amigos, minha família, também. Mas quando se é mãe, seus filhos se tornam sua vida, você vive para eles, é um sentimento inexplicável, eu era tão ingênua nesse ponto que eu não fazia idéia disso, mas quando você recebe a notícia de que vai ser a mais nova mamãe, pode parecer estranho no começo, mas depois você é invadida pelo seu instinto, você se torna protetora, sentimental, presa aquilo.

Há algumas semanas quando eu ainda não estava imensa, eu fui até o shopping dar uma voltinha para arejar um pouco a cabeça, me livrar de alguns pensamentos e lembranças. Dei um “graças a Deus” com muita vontade, pois para minha alegria eu não fui abordada por nenhum paparazzi, ou um fã ressentido por eu supostamente não dar mais atenção. Também não era para menos, eu estava irreconhecível, óculos estilo pára-brisa, um chapéu bem pirua e roupas largas, nada chamativo! Certamente passei em uma lanchonete e comprei alguns doces maravilhosos para me acompanharem enquanto passeava.
Raramente eu entrava em alguma loja, não queria ser notada, então caminhava lentamente olhando as vitrines e sempre verificando se eu não estava sendo seguida ou sendo pega no flagra.
Passei em frente a uma loja de bebês, eu não pude resistir, foi mais forte que eu e em um impulso entrei rapidamente com medo de ser reconhecida. Disse que queria ver roupas de bebê, pois eu tinha que dar de presente aos meus sobrinhos que estavam de aniversário, foi a primeira coisa que me veio em mente na hora, foi a desculpa mais esfarrapada que já tinha dado, mas não estava inspirada naquele dia. Quando a vendedora me trouxe as roupinhas eu quase chorei, elas eram tão lindas, todas tão delicadas, muito pequenas. Algumas já eram para crianças maiores eu fiquei perdida em devaneios imaginando meus pequenos vestidos daquele jeito, então comecei uma compra absurda e compulsiva, aquela loja era um colírio aos meus olhos, tinha tudo que uma futura mãe precisava, então me deliciei quando ela veio com um cesto enorme e eu comecei a escolher e jogar dentro do mesmo, os conjuntinhos, os macacõezinhos, as meias, os sapatinhos. Oh, os sapatinhos! Eles eram tão fofos, cabiam na palma de minha pequena mão, então peguei uma coleção deles, escolhi mais roupas de crianças recém nascidas, mas deixei meu lado meio fútil falar mais alto e comprar roupas de crianças maiores ou eu não dormiria em paz à noite, então para o bem do meu sono e consequentemente de minhas crianças, comprei o que me deu vontade. Aquele cheirinho de perfume de bebê que havia naquela loja me ajudava a comprar mais e me fazer sentir maravilhada com aquele novo mundo que agora eu fazia parte, assim que me dei por satisfeita, atolada de sacolas da loja de bebês e feliz da vida, voltei para casa.

Eu não aguentava mais aqueles dois, eles estavam ficando pesados, e eu enorme de gorda. Eu comia por três e não saía de casa com medo de ser flagrada por alguns paparazzis malucos que vivem a caça de pessoas famosas em momentos espontâneos, como eu já estou acostumada com isso, não quis dar ibope e preferi ficar em casa mesmo.
Somente a equipe médica e alguns empregados de extrema confiança mantinham contato comigo e, obviamente, sabiam de minha gravidez. Queria sigilo absoluto, e então o Dr. Stevens vinha a minha casa e realizava todos os procedimentos lá mesmo, ele levava todos seus equipamentos, seus utensílios médicos, tudo de que precisava. Ele era um excelente profissional e não se importava em fazer consulta em domicílio, pelo menos no meu caso, mas mesmo assim, eu praticamente lhe recompensava em dobro por seus serviços.
Esses meses tem sido um tédio, eu nunca fui muito sair ou baladeira, mas ficar em casa por “obrigação” é terrível, eu não podia sair, eu não podia fazer compras, sim, agora eram elas que vinham até mim, a loja mandava uma vendedora que já sabe mais ou menos o meu gosto, e eu pedia para mandarem coisas mais “folgadas” sem muito alarde e, ela deixava na portaria, minha empregada ia até lá, as pegava e trazia para eu escolher. Era um tormento, quase nada cabia em mim, meu estado estava “avantajado” demais.
Meus fãs do mundo inteiro estavam quase apavorados com o meu sumiço repentino, queriam saber onde eu estava, como eu estava, se havia acontecido algo grave – mal sabiam eles que eram apenas dois bebês a caminho – ou se eu tinha desistido de vez de ser cantora e de minha carreira na mídia e os abandonado. Então por meio de aliviá-los, eu sempre estava conectada ao Twitter, sempre postando, falando como eu estava, às vezes como me sentia, desabafando, respondendo algumas pessoas, algumas perguntas insistentes, e até mesmo algumas fotos no meu Twitpic, nada demais é claro, sem deixar vestígios.
Havia um pequeno jardim, com alguns brinquedos para as crianças do prédio brincarem e era para lá que eu ia quando não tinha mais nada mesmo a fazer em casa, eu ia mofar lá dentro. Era incrível como ver as crianças brincarem agora fazia bem a mim, vê-las felizes, me fazia querer meus filhos logo, até porque eles estão começando a me deixar pesada demais, e cansada por isso.

Acordei cedo, tomei meu banho, demorado, é meio difícil fazer certas coisas grávida de gêmeos, corri para cozinha para forrar meu estômago, minhas crianças já estavam chutando querendo comida. Não puxaram a mim, com toda a certeza, lembro de como Danny era bom de garfo, era ele que eles tinham puxado. Em pensar que logo eu iria vê-lo...
Bom, me ajeitei no sofá e esperei o Dr. Stevens calmamente, hoje eu teria uma consulta com ele de extrema importância. Ele pontual como sempre chegou às dez da manhã em meu apartamento e eu mesma fui atendê-lo.

- Bom dia Dr. Stevens! Entre, por favor. – Eu dei espaço para que ele pudesse entrar.
- Como vai senhora ? Seus bebês estão dando muito trabalho? – Ele me perguntou a frente de sua pequena equipe que vinha com ele para ajudá-lo com a aparelhagem.
- Bem, tirando o fato de que não consigo nem ver meus pés, está tudo uma maravilha – Brinquei.
- Vamos logo ao exame? Sei que está ansiosa. – Ele me perguntou e eu o acompanhei.
Eles instalaram tudo e eu fiquei observando. Meu Deus, eles devem pensar que eu sou uma dessas celebridades frescas e fúteis, mas é que não era tão simples. Ah, dane-se.
Essas mudanças de humor acabam comigo.
- E então Dr. como vão meus bebezinhos? – Perguntei após ele começar a fazer a ultra.
- Muito bem, ! Eles estão muito fortes, tem certeza que não quer saber o sexo deles? – Ele vivia me perguntando isso, ele queria me contar, mas eu queria que fosse de surpresa, só iria saber na hora do parto, apesar de que essa curiosidade está me matando... Não! Mantenha o objetivo, .
- Não. E não comece com sua conversa de novo, assim eu não consigo aguentar a ansiedade. – Eu disse em tom de brincadeira.
- Você é quem sabe. Mas ouvir o batimento deles você quer? – Ele perguntou e eu abri meus olhos com a novidade.
- Aw... É claro que eu quero!

Ele posicionou o aparelho e o instalou, assim eu poderia ouvir. E então eu pude ouvir aquele “bum, bum, bum” ritmado e acelerado multiplicado por dois. Qualquer um que entrasse ali diria que era uma coisa muito estranha, até mesmo eu diria isso meses atrás, mas era a coisa mais linda que eu já tinha ouvido, apenas Danny cantando para mim poderia ser comparado com aquele som, mas mesmo assim os batimentos de meus filhos continuavam a ser a coisa mais linda e adorável de ser ouvida. Não pude me conter e logo as lágrimas vieram ao meu rosto, queria tanto que meus amigos estivessem comigo, queria tanto que Danny estivesse ali e pudesse ouvir o som dos coraçãozinhos de seus filhos batendo forte.
Após secar as lágrimas me ajeitei no sofá, limpei o gel de minha enorme barriga, arrumei minhas roupas e esperei o Dr. Stevens começar.

- Bom... Por que mesmo a senhora quer saber se está apta a viajar?
- Eu tenho um casamento muito importante para ir e eu queria saber se meu estado permite isso. – Eu falei passando a mão pela extensão de meu ventre.
- A viagem é muito longa? Quando pretende ir?
- O casamento é em Londres e eu não posso faltar. – E sorri. – Eu sou a madrinha. O casamento é no sábado.
- Esse sábado? – Ele perguntou meio surpreso, afinal hoje era uma terça-feira.
- Sim, eu sei que é meio em cima da hora, mas ela me mata se eu não for. – E lembrei de como é aterrorizante quando está furiosa e eu não podia faltar ao seu CASAMENTO! Nem posso acreditar nisso, minha amiga se ajeitando de vez.
- Ela sabe que a senhora está grávida? – Problemas?
- Não. Vou fazer uma surpresa. – E que surpresa!
- Bom... Eu não recomendaria uma viagem tão longa e você está de sete meses então... Bom, pela sua cara eu não vou convencê-la, não é? – E eu respondi com a cabeça. – Então o que eu tenho a dizer é o de sempre, evite aborrecimentos e estresses, nada de bebidas alcoólicas, sempre repousando, sono em dia, nada de comidas pesadas, fale a sua amiga para que a mantenha bem confortável e bem... Seria bom já tomar conhecimento de algum médico por lá e ficar sempre com o meu número caso ocorra algum imprevisto. Certo?
- Sim, senhor.
- Então, já fiz tudo e por hoje é só. Tome conta deles e não extrapole, ouviu? Divirta-se e mande meus cumprimentos aos noivos.
- Pode deixar. – E o acompanhei até a porta. – Obrigada Doutor. - Sorri com ele e fechei a porta.

Com a permissão de meu médico e a certeza de que está tudo bem com os gêmeos, comecei arrumar minhas malas, eu tinha que estar prevenida, então levei de tudo. Meu voo sairia na quinta de noite, assim chegaria um dia antes do casamento, mas resolvi deixar tudo ajeitado para não ter problemas com atrasos afinal, eu sou a madrinha.
Logo chegou quinta-feira e acordei bem cedo para começar a me preparar para viagem, tomei um café da manhã reforçado, dei algumas recomendações aos empregados e nisso se resumiu minha manhã.
Após o almoço eu comecei a juntar tudo o que levaria na porta e fui tomar meu banho.
De banho tomado, fui escolher minha roupa, optei por uma meia calça preta, um vestido largo preso no pescoço e sem mangas, branco, um blazer preto por cima e sapatilhas pretas, cabelos soltos e óculos escuros, não podia ser reconhecida.
Meu interfone tocou e meu gentil porteiro me avisou que o piloto já havia chego. Qualquer um poderia dizer que isso é uma coisa muito diva/fútil/esnobe, mas eu precisava fazer aquilo, precisava poupar a minha imagem. Se fosse para a bomba explodir, que ela explodisse quando eu dissesse que era a hora, quando eu apertasse o botão. Eram 8 da noite, peguei minhas malas, subi até o terraço do meu prédio e coloquei tudo o que devia dentro do jatinho. O piloto me avisou que estávamos prontos, só dependia de mim. Não hesitei, me joguei, escolhi um lugar confortável que eu pudesse esticar minhas pernas, elas estavam começando a inchar, como toda a extensão do meu corpo, eu estava virando uma baleia de duas pernas. Posicionei um travesseiro em minhas costas e liguei meu iPod. Antes de decolarmos, mandei uma mensagem à avisando-a que estava saindo de Los Angeles no momento e que deveria chegar em Londres pela manhã. Certificando que ela estaria em casa toda a manhã, desliguei meu iPhone e tentei relaxar. Eu tinha certeza que não conseguiria dormir durante a viagem, então decidi relaxar e escutar alguma música.
Pensamentos que estão constantes em minha cabeça me invadiram mais uma vez. Com certeza eu o veria, com certeza tinha o convidado para o casamento. E como seria a reação de todos quando me vissem com essa pequena grande barriga? O que eles vão pensar? O que Danny vai pensar? Que obviamente eu sou uma vadia e que não é dele e sim de Adam. E quando eu lhe contar toda a verdade? E quando todos, inclusive mídia e fãs souberem da verdade? É um risco enorme. É, definitivamente, eu estava lascada, mas eu não tenho mais medo. Acho que agora tenho coragem o suficiente de encarar tudo e todos! Acho...

Capítulo 35

Os moradores que me desculpem, mas é por um bom motivo – pensei ao aterrissar no terraço do prédio onde morava, aquele jatinho que contratei fazia um pouco de barulho quando pousava, não posso fazer nada. E além do mais, já havia comunicado ao sindico sobre minha ilustre chegada, então sem problemas.
Já havia amanhecido e o sol estava forte, o piloto muito gentil ajudou-me a descer e pegou minha bagagem, eu atolada de roupas pensando que encontraria uma Londres fria fui pega de surpresa, fazia um belo dia ensolarado e agradável.
Ergui meus óculos os colocando como se prendesse meus cabelos e observei a linda vista que eu tinha da cidade a minha frente, mas fui interrompida de meu momento reflexivo por um grito desesperado vindo atrás de mim, me virei assustada e pude ver quem era a autora de tal ato: .
Ela me olhou com expressão de espanto com a mão na boca e veio em minha direção em disparada, ai meus bebês, essa louca vai esmagá-los. Ela me abraçou forte me fazendo cambalear um pouco e fala coisas indecifráveis em meu ouvido ainda me apertando, não posso negar que eu também sentia falta daquela figura e abraçá-la me fazia bem, tinha tanto o que falar...
- Amiga! Você está ótima! – Eu disse assim que nos largamos.
- Ow. Obrigada – E deu uma voltinha. – Você está tão... Gorda? – E sorriu amarelo, engraçada ela...
- Longa história. Agora mexe essa bunda ai e me ajuda. – Eu disse apontando minhas malas.
- Trouxe a mudança?
- Só o necessário. – Ok! Extrapolei um pouco, mas eu sou uma mulher prevenida.
- Cê que sabe. Por aqui, moço. – E ela foi indicando o caminho ao piloto. Como sou uma mulher para lá de grávida, não carreguei nada, só mandava, adoro isso! Assim que as malas estavam todas ao meu antigo quarto e, entrar nele imagens e borrões veio em minha mente, me despedi do gentil piloto e ele foi embora, me deixando a sós com meu martírio, ela me encarava com uma feição de curiosidade e reprovação, ela notou minha “barriguinha”.

- Começa. – Ela disse sem aumentar o tom de voz nem nada, estava fria.
- Também senti sua falta, você é importante para mim, que bom que voltamos a nos falar... – Tentei amenizar a situação.
- Não me enrola.
- Senta. – E soltei o ar, teria que ser agora. – Não é o que está pensando.
- Por que as pessoas sempre falam isso para mim? Me conte desse bebê. – Ela me disse calma, o que me deixava mais assustada, eu esperava berros histéricos, xingamentos, mas essa calmaria, essa normalidade está me deixando até meio desconfortável.
- Dois. – Falei baixinho.
- Como é?
- Dois. Estou grávida de gêmeos. – Eu disse receosa.
- Oh meu Deus. – Ela falou abismada e baixo como se não acreditasse. – Gêmeos? Ai, muita informação...
- ? – Chamei.
- Um minuto. – E ela fez sinal com o indicador e então apoiou a cabeça em sua mão, ela parecia estar processando e absorvendo tudo.
- Não me deixa nervosa. – Eu pedi após um pequeno silêncio.
- Você está grávida. De gêmeos. E não me contou nada? – Berros? Palavrões? Eu conto isso e ela se preocupa em eu contar ou não?
- Eu achei que você ia surtar ou me espancar, então...
- OMG! Eu vou ser titia! Isso é o máximo! – Desisto de tentar entender esse ser em minha frente.
- Como assim? Não vai me entupir de perguntas?
- Vou. – E se aproximou de minha barriga e a acariciou. – Olá bebezinhos! Eu vou ser a titia de vocês, tá?! Ow, mal posso ver eles me pentelhando igual à mãe. – “E o pai”, completei em pensamento.
- Pode apostar. – Eu falei.
- Estás de quanto tempo?
- Sete meses e alguns dias, eles estão pesando muito. – Choraminguei.
- Não é para menos. – Ela falou em um sorriso. – Mas... Quem é o pai? – Eu sabia que não demoraria muito.
- Por que a pergunta? – Tentei desviar.
- . – Ela me repreendeu.
- Danny – Falei de olhos fechados. – Não conta nada, por favor, eu te peço, por mim. – Eu logo me apressei a pedir sigilo absoluto.
- Eu sabia que era dele! – Ela parecia que tinha acertado os números da loteria. – Mas babes, um dia ele vai ter que saber, é um direito dele. E... Eu tenho certeza que ele adoraria saber dessa notícia.
- É eu sei, mas não precisa ser agora... Eu mesma vou contar. – Falei triste, ela falou algo sobre ser pai? Como é? – O que disse de Danny mesmo?
- Que ele iria amar ser pai – Ela disse feliz.
- Como sabe?
- Bom... Depois de você ter ido embora, Danny passou a ficar mais próximo de mim. – Ah é? – E nós ficamos muito amigos, então posso dizer com certeza que o conheço muito bem. – Ele então queria ser pai? Ele virou “best” da ? Passei muito tempo fora.
- Vou fazer isso ok?! Não me enche mais. – Falei meio alterada.
- Cruzes! Mulher grávida e suas mudanças repentinas de humor. – E ela revirou os olhos. – Anda, levanta daí e vamos arrumar suas coisas.
- Tá. Você não tem que arrumar as coisas pro seu casa... – E ela me interrompeu.
- Não! Não fala. – Ela tapou minha boca. – Eu estou apavorada com isso, só de lembrar começo a suar frio, então deixe isso para lá. – Que noiva mais fora do comum.
- Sim, mas quem vai cuidar do... Do... Cê sabe.
- Tem uma equipe trabalhando nisso, agora chega! Tenho que me manter sã e viva até amanhã.
- Ta... Louca.
- Gorda.
- Ei! Estou grávida queria o quê? Volta aqui... Você me paga, mexeu com a grávida errada mocinha. – Ela saiu correndo rindo e eu tentei fazer o mesmo, mas deu muito certo.

Bom, depois de desfazer as malas e arrumar tudo no meu “quarto”, nós colocamos o papo em dia, que estava bem atrasado. Conversamos horas a fio e eu fiz fazer lasanha para mim porque eu estava com desejo, ela relutou um pouco, mas no fim ela fez. Deus, como eu sentia falta daquela lasanha!
Passamos a tarde toda em casa, ela fez o que eu pedi, ficou de bico calado e até inventou uma desculpa para despachar seu futuro marido, ai que estranho. Ele foi até lá vê-la, mas ela foi ao térreo falar com ele, provavelmente curtiu um pouco o que restava de sua vida de apenas namorados, pela demora e depois subiu me dizendo que o havia despachado. Típico.
Logo a noite caiu e com ela me veio o sono, já disse que gravidez da sono? Não? Está dito.
Acho que não dormiu muito, todas as vezes que me levantei para esvaziar a bexiga, sim, mulher grávida vive apurada, com vontade de fazer xixi, em todas essas vezes eu a via em algum lugar ou com a TV ligada em seu quarto. Eu sabia que minha amiga não estava tão bem com essa idéia, então entrei em seu quarto, desliguei a TV, a cobri enquanto ela me encarava confusa e me deitei ao seu lado e meio que esperei ela pegar no sono de vez e dormi ali.

Acordamos tarde para um dia de casamento, principalmente a noiva, não queria levantar de jeito nenhum, ela tinha hora marcada para tudo e não ligava, virava para o lado e voltava a dormir. A bonita, só foi levantar assim que o Harry ligou pela segunda vez, a primeira ela ficou com medo, mas resolveu atender e ficou toda alegre. Vai entender.
Ela lentamente tomou o seu café da manhã, viu alguma coisa na televisão, tomou seu banho que durou uma eternidade e aquilo já estava me deixando irritada, eu parecia mais preocupada do que a noiva. Eu não queria deixar nenhum pensamento me distrair do tão importante dia, então decidi que EU ia fazer com que mexesse aquela bunda do sofá e fosse fazer seu papel de noiva desesperada para casar, mesmo que ela não fosse uma, mas ela ia fazer, ah, ela ia.
Mas eu não precisei fazer muito esforço, para a minha alegria e alivio os maquiadores, manicures e cabeleireiros chegaram e logo em seguida o estilista. Começaram os preparativos nela, a cara de nada dela contagiava qualquer um, até dei um chocolate para ela, para, quem sabe, melhorar as coisas, mas eu acho que ela estava em estado de choque, no entanto ela estava cooperando com tudo.
Também comecei a me produzir, afinal eu sou a madrinha e só tinha nós duas para se arrumar em seu apartamento, ela não queria a sua família ali, disse que eles iriam fazê-la enlouquecer antes mesmo de casar, já bastava eu. Ela me ama.
Foi uma tarde muito longa e com o tempo foi se animando, até chegar ao ponto de estar fazendo as piadinhas dela e brincar com todos, pelo menos isso, sinal que a loucura ainda não subiu a cabeça. Ela recebeu diversos presentes, flores e ligações, uma eu quase enfartei, era o Danny. Assim que ela disse o nome dele meu coração parou e acelerou três vezes, ela me olhou e soltou o ar, ela não disse nada, apenas ria de alguma coisa que ele dizia, mas mesmo assim eu não tirava o olho dela para me certificar que ela tinha ficado calada. Eles ficaram ao telefone um bom tempo e depois desligaram e se eu não estivesse fazendo as unhas levantava as mãos para o céu agradecendo.
Estávamos quase prontas, cabelos lindos e maravilhosos, unhas feitas e maquiagem impecável, só faltavam nossos belos vestidos que nos esperavam ansiosos. Mas foi surpreendida por uma ligação, só que essa era um pouco delicada...
- Jensen? Er... Oi. – Ela disse e eu voei e grudei meu ouvido no telefone, não perderia nada da conversa.
- Sei que é o dia de seu casamento, eu li nos jornais, mas eu precisava falar com você. – Se esse cara fizer ela sofrer justo hoje, ele que me aguarde, já ando boa da cara mesmo!
- Jensen, não tem problema, eu não te enviei convite, bom... Porque... – Ela fala normalmente.
- Mesmo que tivesse enviado – E ele soltou uma risada gos... Uma risada. – Eu não iria, não consigo, mas precisava falar com você, incomodo?
- Não, pode falar. – Que mané pode falar? Pode não, e o meu amigo Harry?
- Bom... Eu sei que errei e eu já te disse muitas vezes isso, mas eu queria que você não guardasse magoas por minha causa.
- Sem ressentimentos. – Ela falou sorrindo. – Está em Londres?- Para que saber, ? O Harry está em Londres, só isso você precisa saber.
- Não, voltei a gravar e foi bom assim, sabe ainda é meio difícil aceitar... Mas eu sinceramente espero que você seja feliz, com quem quer que seja o escolhido.
- Eu espero o mesmo de você, sério mesmo. – Que romântico... Larga esse telefone.
- Bom... Espero que tenha feito a escolha certa. – É claro que ela fez. – E bem, ele deve ser O cara, você vai casar!
- É eu sei, não me lembra, to com os nervos a flor da pele, Jensen. – E ela choramingou. Ai dela, ai dela se desistir agora, eu levo ela até o altar nem que seja arrastando pelos cabelos, mas é hoje que ela casa.
- Calma vai dar tudo certo. – Ouve ele, , ele sabe o que diz, vai dar certo, tem que dar. – Agora você vai voltar e se arrumar, eu já disse o que queria... Não é nada fácil para mim, eu não quero que você saia fugindo da igreja, eu não me importaria, mas... Eu ainda te amo e só quero te ver feliz, então meus cumprimentos aos noivos. – Aw que fofo.
- Obrigado Jensen e desculpe qualquer coisa. – Ela fez uma pausa. – Quero que saiba que você foi muito importante e eu sei que poderia ser difícil, mas queria você aqui, bom... Obrigada por ter ligado.
- É bom saber disso, então... Bom casamento, beijo. – E desligaram. Quase chorei, hormônios urgh!
- O que foi isso? – Eu perguntei chocada.
- Não sei, mas foi bom esclarecer as coisas. Eu acho.
- Você não está pensando em fugir, está? – Se ela responder que sim, eu mato!
- Não! Eu estou decidida, só não me acostumei com essa idéia. – E sorriu amarelo.
- Acho bom mesmo, vamos nos vestir antes que você comece a pensar demais. – E a puxei até seu quarto.

Ela parecia uma criança birrenta sentada na cama, enquanto eu me vestia com a ajuda do estilista dela, assim que eu consegui me vestir, me ajeitei e olhei no espelho gigante que tinha, mesmo barrigudinha eu estava bem, gostei do que via, meu longo tinha uma abertura até a altura o joelho, ele era um tom meio bordô fechado, tomara-que-caia valorizando meus novos seios fartos e no busto havia um grande detalhe em pedraria que se prolongava ao longo do vestido, ele era meio solto, de tecido leve, assim não marcava muito minha barriga, olhei na etiqueta e notei que era um Louis Vuitton. Maravilha! Meu cabelo em um coque estilizado cheio de pontas e franja jogada para o lado, minha maquiagem era bem acentuada nos olhos e batom cor de boca, brincos grandes, uma sandália nem muito alta e nem muito baixa, estou grávida, não é?! Adorei!
Olhei para e essa estava começando a se vestir, com certo medo, vale ressaltar. E quando acabou eu tive vontade de chorar, ela estava linda! Seu vestido da Dolce&Gabbana era perfeito, um tomara-que-caia, bem colado ao tronco, onde a valorizava bastante, e abaixo de sua cintura ele caia levemente, em um tecido meio brilhoso, parecido com cetim, eu não sei ao certo, ele não era justo, mas também não era armado demais, atrás, na muito pequena cauda o tecido parecia estar em algumas camadas leves. Ele tinha detalhes por toda a sua extensão e principalmente no tronco, cristais de swarovski, delicado e maravilhoso. Seu cabelo estava em um coque meio alto, com mechas formando desenhos, franja presa de lado meio alta junto ao coque, uma pequena tiara dos mesmos cristais segurava o curto véu, sua maquiagem suave combinava com o vestido, olhos pouco marcados, boca com um gloss, jóias delicadas, sua sandália alta como sempre e o buque vermelho. Linda!
- Aw babes, você está linda! – Eu disse atrás dela enquanto se olhava no espelho.
- Eu estou... Estou tão... Branca. – Ela disse isso mesmo?
- Deve ser porque dessa vez você é a noiva.
- Até que para uma noiva eu não estou nada mal. – Ela passava a mão em sua cintura.
- Bom, que tal a noiva ir pro casamento?
- Pega mal se a noiva fugir? – E eu apenas a olhei de rabo de olho. – Não sou louca de deixar Harry sozinho no altar, ainda mais hoje que ele deve estar mais lindo do que sempre.
- Ai mais lindo do que sempre. – Eu tentei imitá-la e levei um tapa, nem quando estou grávida escapo disso.– Ok! Agora você vai casar, ouviu?
- Ai, e se não der certo, digo se acontecer algo de errado? – Eu a segurei pelos braços. – To até vendo a cena, eu caindo e dando de boca no chão na frente de todo mundo.
- Se segura mulher! Você ama esse rapaz e ele te ama, fim de papo, hoje você se tornará a senhora Judd, conviva com isso.
- Senhora Judd? – E fez careta. – Ta né! Que idéia a minha casar assim, de repente, agora aguenta !
- Cala a boca, você é uma noiva MUITO atrasa, Harry deve estar tento um troço, vamos. – Eu disse e comecei a caminhar na frente, mas ouvi um assovio alto.
- Que mamãe mais gostosa! Arrasou amiga! – Ela me disse rindo e eu a puxei com tudo para fora do apartamento.
Havia um Rolls-Royce nos esperando lindíssimo, e por dentro era melhor ainda. Assim que entramos, abriu um champanhe com cara de poucos amigos.
- , o que está fazendo? – Perguntei curiosa.
- , eu vou casar. – Ela falou baixinho.
- E...
- Eu preciso estar bem para poder dizer o “sim”.
- Garrafa para quê então?
- Eu disse que preciso estar bem. – E encheu a taça. – Você não pode, mas eu sim. – E bebeu em gole só. – Bem melhor.
- Ok! – Eu tirei a garrafa das mãos dela. – Mas você precisa ficar sóbria para poder aceitar.
- Estraga prazeres. – E emburrou a cara.
- Ow, quem é o meu par mesmo? Acho me esqueci desse pequeno detalhe.
- Ah, você vai gostar e só tem ele, então espere até chegarmos, mamãe. – Ela disse vitoriosa.

Capítulo 36

Fiquei ansiosa pra saber quem era o tal indivíduo que iria me acompanhar no altar, mas eu sabia que não iria me dizer, então me calei e fiquei olhando pela janela a paisagem daquela linda cidade. Em uma curva, eu virei e olhei minha amiga com a cabeça apoiada na mão, brincando com seu buquê e o olhar vago, ela deveria estar muito nervosa, assim como eu, apenas motivos diferentes, coloquei minha mão por cima da dela e sorri a encorajando.
A igreja não era muito longe, logo chegamos e vimos muitos convidados conversando do lado de fora e o resto já acomodados em seus lugares, alguns fotógrafos, pois os paparazzis tiveram que ficar fora de certo perímetro e eles respeitaram a privacidade dos noivos. O carro estacionou e a família dela veio em massa atrás dela. Pedi para alguém avisar pra todos entrarem que logo começaria.

- Minha filha, você está maravilhosa. – A senhora falou.
- Ai mãe não começa... Por favor. – Ela disse quando viu a mãe e irmã a abraçando e a beijando.
- Oh ! Você está linda, poucas mulheres ficam bem grávidas. – Ela me disse sorrindo e passando a mão em minha barriga. Acho que vou ter que me acostumar com isso hoje.
- Oh, obrigada! Me sinto imensa. – Falei rindo. – Bom, mas agora a noiva tem que fazer sua entrada triunfal.
- Nãããão. – choramingou.
- , calma. Vou lá chamar os padrinhos pra entrarmos, ok?! – E a vi mudar sua expressão amedrontada para uma travessa.
Então dei uma corridinha até a igreja, antes me certificando se não havia nem um convidado perdido do lado de fora, feito isso respirei fundo e pisei na igreja. Pude sentir muitos, mas muitos mesmo, olhares sobre mim, ninguém além de havia me visto e bom, eu mudei um pouquinho, então levantei meu olhar e o primeiro que encontro é quem eu tinha mais medo de ver, Danny. Ele conversava com Harry e Dougie, estava lindo e isso é golpe baixo, ainda mais para uma mulher grávida, ele usava um terno preto, camisa branca e gravata rosa, cabelo cortado e arrumado, tão lindo que chegava a me dar vontade de sair correndo e ir abraçá-lo, mas ao ver que eles tinham parado de conversar por minha causa, voltei a caminhar na direção deles.
- Olá Harry! Parabéns, espero que faça minha amiga muito feliz. – Falei ignorando o fato de eles terem se esquecido de me olhar e apenas encarar minha barriga. – E aliás, você está muito bonito! – Isso era verdade, ele usava um terno preto com a gola de cetim, camisa branca com gravata diferente prata e aquele negócio que envolvia a barriga, cabelo bem arrumado e um sorriso enorme.
- Obrigado, você está maravilhosa. – Ele se perdeu ao dizer essa palavra e eu sabia o porquê, eu estava grávida e não tinha contado a ninguém.
- Ok! Bom a noiva já chegou... Calma Hazz. – Ao ouvir isso, ele começou a ficar mais nervoso do que já estava. – Ela não vai fugir, bom pelo menos eu acho e está linda!
- Linda eu sei que ela é, mas não fugir? Ainda estou na dúvida. – E ouvi a risada dos outros dois atrás dele e então olhei na direção deles, foi muito estranho, não tinha nada que eu pudesse dizer, não agora, o máximo que consegui foi sorrir para eles.
- Bom, ela tem que entrar, mas antes os padrinhos, onde eles estão? – Perguntei olhando para os lados.
- Aqui! Tom com Marie, Dougie com Melody, amigas de você as conhece e bom, você com... – Não, ela não fez isso. – Danny! – Eu e ele nos olhamos imediatamente ele deveria saber tanto quanto eu.
- Dude! Você não me avisou. – Ouvi Danny cochichar. Eu vou matar a .
- Oi? Eu e o Danny? – E Harry fez que sim com a cabeça, louco pra rir. – Ótimo. Então vamos de uma vez. – E deixei que todos fossem à frente e voltei a atenção a Harry.
- Vocês me pagam! – Falei entre dentes e ele me beijou na testa rindo.
Saí da igreja pela entrada dos fundos como os outros, bufando de raiva, ao chegar onde estava vi que ela estava sentada no carro de qualquer jeito sozinha, seus familiares haviam entrado, seu pai conversava com o motorista.
- ! Você está maravilhosa. – E vi Danny a tirar de dentro do carro e a pegar no colo.
- Danny! Ponha-me no chão, agora. – E ele fez isso rindo dela. – Você não está nada mal. – Nada mal? Ele está magnífico... , calma, ok?!
Os outros fizeram o mesmo, a cumprimentaram e engataram uma conversa animada, mas os interrompi os lembrando que havia um casamento a ser realizado, será que só eu se preocupava com essa porra?
Nos posicionamos a frente da igreja, dei o braço a Danny e ele sussurrou um “Está linda” e eu tive que lembrar de como se respirava, nos olhamos e era indecifrável a expressão dele, Danny parecia estar muito feliz, mas às vezes o via perdido em pensamentos. Bom, os padrinhos e madrinhas começaram a entrar e sorrir para todos, nos colocamos em nossos lugares ao altar, Danny me ajudou com os degraus e me surpreendi com um sorriso dele, olhei a igreja toda decorada em branco e vermelho, com flores brancas, ela era uma igreja muito antiga, rústica, detalhes em dourado e enorme afinal, haviam muitos convidados, logo a marcha nupcial começou anunciando a entrada da noiva, olhei para Danny e esse sorriu olhando na direção de Harry, coitado estava quase enfartando.
entrou com o braço dado ao seu pai, ela hesitou na porta ao ver aquela multidão a encarando e não deu um passo se quer, seu olhar estava passando por todo o lugar. Se ela fugir agora, eu mesma a busco – Pensei, mas ela sorriu ao ver a cara que Harry fazia, mordeu o lábio e começou a caminhar e eu suspirei de alívio. Ela estava radiante, sorria a todos e eu já estava chorando, hormônios malditos, minha amiga estava se ajeitando, ela estava casando e eu cheguei até a perdoá-la por ter me colocado junto com Danny. Seu pai a entregou a Harry e esse a beijou de leve, daí eu já estava até soluçando. Eu ia sair uma maravilha nas fotos, com tanto fotógrafos, impossível eu não sair em uma chorando feito uma descontrolada.
Enquanto o casamento seguia, eu perdia completamente a conta de quantas vezes eu e Danny nos olhamos, aquilo estava se tornando desconfortável. Acariciei minha barriga e voltei à atenção a cerimônia. Ela foi rápida e logo a tal pergunta que tanto odeia foi feita.
- Harry Mark Christopher Judd, aceita como sua legítima esposa? Prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe? – Sequei minhas lágrimas e vi-o olhar sorrindo, e ela deixou escorrer uma lágrima.
- Sim!
- , aceita Harry Mark Christopher Judd como seu legítimo esposo? Prometendo amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
- Hmmm... – E ela fingiu estar pensando com a mão no queixo, eu ri com a expressão de espanto de Harry. – Sim! – E Harry voou na direção dela e a beijou.
- Bom, eu ia dizer que podia beijar a noiva depois... – E o padre abanou a mão. – Eu vos declaro marido e mulher, se quiser beijar a noiva de novo, à vontade. – E foi isso que ele fez.
Os padrinhos fizeram um estardalhaço e correram até os noivos os sufocando em um grande abraço.
Ao sair da igreja, teve a tradicional chuva de arroz, cada um seguiu até seu carro para ir até o clube onde seria o jantar e a festa, como eu tinha vindo com , os pais dela ofereceram carona para mim e eu fui com eles, rindo da cara apavorada de durante todo o percurso.

Era um lugar mais moderno, grande e todo decorado do mesmo estilo da igreja, com vários jogos de luzes, e fotos espalhadas pelo clube, as mesas perfeitamente posicionadas, a mesa dos noivos em um canto reservado, garçons andando frenéticamente, uma música não muito lenta ao fundo, um espaço para a aparelhagem do DJ ao lado do grande palco e o bolo de sei lá quantos andares e bem apetitoso era lindo, com os bonequinhos que eram a cara deles se olhando fazendo careta em cima.
Entramos e os noivos já estavam recebendo os cumprimentos dos convidados, olhei o local e avistei Danny sentado na mesa que seria a nossa ao lado da de e Harry, respirei fundo e desviei o olhar e fui falar com .
- Amiga, me tira daqui. – Ela falou sorrindo para alguém.
- Agora! – Harry pediu.
- Um minuto. – E saí pra falar com os pais dos noivos, pedi a eles que fizessem à recepção, pois eles estavam cansados e eles prontamente e felizes foram fazer o que pedi.
- Obrigado! – Os dois falaram juntos.
- Que isso... Parabéns! Desejo toda a felicidade do mundo a vocês, sério mesmo. – Eu disse abraçando cada um.
- Vamos nos sentar? – Harry perguntou e nós duas o seguimos. E, incrivelmente, o único lugar que sobrou na mesa dos padrinhos era justamente de frente para Danny. Eu teria que encará-lo a noite toda, maravilha!

(http://www.youtube.com/watch?v=n-hn2EQ9QUc Coloquem para carregar!)

Sentei-me na mesa dos padrinhos, Danny me olhou e eu fiquei desconfortável com isso. Eu não sabia se eu olhava, se eu falava alguma coisa, como sentar. Parece que eu havia esquecido como agir. Meus pensamentos foram interrompidos por uma animada, indicando que agora ocorreria a valsa dos noivos. Todos no mesmo instante se levantaram, eu fiquei com meus braços apoiados na minha barriga e Danny se posicionou do meu lado e assim como todos os convidados, ficamos observando com um largo sorriso, o casal mais fofo do universo dançando uma valsa. Era impressionante como Harry olhava para , eu podia sentir o sentimento mais puro vindo deles. Era uma cena muito bonita de se ver.
Quando eles se afastaram, eu me sentei rapidamente, estava ficando cansada... E eu pensei que estava tudo bem, que não iria ter mais nada que atrapalhasse meus pensamentos, me interrompe de novo, dizendo em cima do palco:

- Gente, juro que vai ser a última vez que faço isso... Mas, agora é a hora da típica valsa dos padrinhos. – Eu juro que a mato. – Vamos! Quero todos meus padrinhos dançando bem bonitos. Tom e Marie, Dougie e Melody, e Danny! Vamos, vamos...
Senti uma mão encostar em meu ombro e quando olhei, era Danny, parado ao meu lado, estendendo sua mão.
- Você ouviu o que a noiva falou... – Ele disse tímido.
Concordei com a cabeça e me levantei, pegando em sua mão e me dirigindo ao centro do salão. Uma valsa que eu não identifiquei começou a tocar e Danny logo me puxou e tentou encostar nossos corpos. Se não fosse a barriga, com certeza ele teria conseguido. Nossos olhares permaneceram fixos, eu mal piscava. Minha respiração começou a ficar pesada, eu estava nervosa, depois de tantos meses, eu não imaginava que nossa aproximação seria tão rápida e desse jeito.
Com a onda de emoção que estavam tomando conta do meu corpo no momento, mal pude perceber que havia pedido a mais longa valsa que existia. Uns 5 minutos deviam ter passado e eu não notei. Queria poder ficar assim pra sempre, nos braços dele, olhando os belos olhos azuis que ele possuía.
- Obrigada meus padrinhos lindos! – Notei que estava no palco de novo, agarrada no pedestal do microfone. Devia ter bebido algumas já. – Bem, quero pedir mais uma coisinha, bem pequenina. – Ela fazia um sinal de muito pequeno com a mão e todos riram. – Parem de rir de mim, hein! Ou eu chamo meu marido para me defender, não é Hazz? – Ela disse fazendo seu biquinho típico.
- É verdade hein! Ninguém ri da minha esposa! – Notei Harry na beirada do palco, gritando isso para os convidados e todos novamente caíram na risada.
- Quero pedir para a minha adorável amiga, irmã, madrinha, braço esquerdo e direito, . – Ai, sobrou para mim. – Vem aqui amiga... E canta uma musiquinha pra nós? – Fiz uma cara de reprovação. – Anda amiga! Por favor...
Olhei para o lado e Danny mantinha os olhos em mim, fixamente. Acenou a cabeça em sinal que eu fosse, me dando coragem. Rolei meus olhos e fui andando em direção ao palco. Com a ajuda de Harry subi até lá, olhei cerrando meus olhos para e ela deu uma risadinha sapeca. Tomei o microfone de suas mãos e falei que não seria necessário o DJ agora, combinei com a banda qual música seria. Sim, ela seria perfeita. Eu havia gravado no início da minha carreira, mas não tinha a usado tantas vezes assim, quem sabe ninguém a conhecesse. Certifiquei-me que a banda sabia de qual música eu me referia e me posicionei de frente ao microfone e de todos os convidados ali presentes. Danny estava no meio da pista, olhando para mim. Respirei fundo e fiz sinal para que o homem que estava com o violão começasse a música.
(Dêem play!)

Walking down Brick Lane, feel the blue.
Wind`s blowing lightly and I picture you.
Sweet Sunday morning, with nothing to do.
Love is like a dream, when it's just me and you.
(Caminhando pela Brick Lane, me sinto deprimida
O vento está soprando suavemente e eu imagino você
Doce manhã de domingo, sem nada para fazer
O amor é como um sonho, quando somos apenas eu e você)

Eu cantava e tentava mostrar à Danny que eu estava fazendo isso por ele. Nada mais importava naquele momento, eu queria fazê-lo ficar ciente de toda a verdade.

Open my window, sing me a song.
Baby can't you see that this is where I belong
With your hand in my hand, still feel the love
Really wish that we could go back to the way that it was.
(Abra minha janela, cante uma canção para mim.
Baby, você não vê que meu lugar é aqui
Com a sua mão na minha, ainda sinto o amor
Queria muito que pudéssemos voltar a ser do jeito que era.)

They say if it doesn't kill you it'll make you
stronger.
Oh, but I can't be without you any longer.
Everytime I let it go, baby it's you.
Nothing compares to you.
Nothing compares to you.
(Dizem que o que não mata, fortalece.
Oh, mas eu não consigo mais ficar sem você.
Sempre que tiro isso da mente, baby, é você.
Nada se compara a você.
Nada se compara a você.)

Queria poder dizer a ele que nunca amei ninguém com essa voracidade que eu o amo. Que nem eu, nem os nossos bebês, iríamos saber ficar sem a presença dele. Os poucos minutos em que fiquei nos seus braços na valsa, não foram o suficiente.

Sweet sunday morning, all by myself.
Hard love what we've done, when with anyone else.
Watch my mascara dripping down.
Baby how did we end up like this? Where are you now?
(Doce manhã de domingo, completamente sozinha.
Amor difícil o que fizemos, quando com qualquer outra pessoa.
Veja o meu rímel escorrer.
Baby, como foi que chegamos a esse ponto? Onde você está agora?)


Queria que ele soubesse que não fiquei feliz ao voltar para Los Angeles, como ele deve ter pensado que eu fiquei. Chorei e quase me descabelei ao ver que eu estava sozinha no mundo naquele momento e que ele não estava ao meu lado. Eu estava arrependida de todas as burradas e estava disposta a fazer o que eu queria que acontecesse.

They say if it doesn't kill you it'll make you
stronger.
Oh, but I can't be without you any longer.
Everytime I let it go, baby it's you.
Nothing compares to you.
Nothing compares to you.

I'm running fast, as fast as I can, 
to get you back, just to get you back again.
I can not wait, I can not wait, 
if we can be, we can be us again.
I cry at night, cry at night, 
I'll cry for all the words, all the words I didn't say.
Sweet Sundays, sweet Sundays.
(Estou correndo rápido, o mais rápido que posso, 
para te recuperar, só para te recuperar novamente.
Mal posso esperar, mal posso esperar,
se pudermos ser, pudermos ser nós novamente.
Eu choro à noite, choro à noite, 
vou chorar por todas as palavras, todas as palavras que eu não disse.
Doces domingos, doces domingos.)

A hora havia chegado. Ele não era burro para perceber as palavras que eu tentava dizer à ele através dessa música.

They say if it doesn't kill you it'll make you
stronger.
Oh, but I can't be without you any longer.
Everytime I let it go, baby it's you.
Nothing compares to you.
Nothing compares to you...

Cantei o último refrão da música, sentindo tudo o que ela transmitia, com os olhos cheios de lágrimas, eu agradeci simplesmente, estavam todos de pé me aplaudindo e Danny estava ainda atônito no meio do salão. e Harry me abraçaram e pude notar que a minha amiga não se continha em lágrimas. Ambos me ajudaram a descer. Eram tantas emoções que eu tive um pico de pressão eu acredito, faltou-me o ar e eu tive que sair correndo do salão.

- Vai que a hora é agora, Dan. – Harry aproximou-se do amigo e lhe disse essas palavras, dando-lhe leves tapinhas nas costas.

Capítulo 37

Cheguei até a enorme varanda que existia no local e pude respirar um ar limpo e fresco. Limpei as lágrimas que teimavam em cair. Céus, eu não podia me expor desse jeito, eu quase tive um treco ali, tenho que pensar nos bebês.
Em meio desses pensamentos, algo me despertou. Um abrir de portas muito drástico e um olhar com medo.

- Danny? – Disse assustada, limpando minha bochecha que estava molhada pelo meu choro.
- Vim ver como você está. – Ele disse tentando recuperar o fôlego e eu dei uma risadinha.
- Eu estou bem agora.
- Que bom então... – Danny foi virando-se de costas pra mim, com a intenção de voltar ao salão, mas eu o interrompi dizendo:
- Estou bem agora, quem eu queria que estivesse comigo agora, está.
- Como é? – Ele foi se virando lentamente e me olhando incrédulo.
- Foi o que eu disse. Quem é e o motivo por eu estar assim. – Disse apontando para minha barriga. – Queríamos sempre que o papai estivesse presente.
- Pa...papai?
- É, isso mesmo que você ouviu. Oi, você é papai, papai, sabe? Aquele que é junto com a mamãe e tem filhinhos. – Eu disse me aproximando de Danny, falando de uma forma engraçada, mas cheia de lágrimas em meus olhos. – Parabéns papai. – Enfim, era isso. De um jeito anormal, eu o contei toda a verdade. Ao dizer isso, fiz um carinho em seu rosto com minha mão e isso fez com que Danny fechasse seus olhos e uma lágrima solitária caísse sob sua bochecha.
- Então quer dizer que eu sou o pai desse bebê? – Ele não sabia se ria ou chorava, tamanha era sua emoção.
- Er, dois.
- Como?
- Dois... São dois bebês. – Ah, se ele quisesse saber de toda a verdade, tinha que comprar o pacote inteiro. Imagina, na hora do parto, opa, veio um a mais. Nada disso.
- Danny? – E ele me olhava estático, sem proferir uma palavra se quer.
- E...
- Danny! Fala alguma coisa, pelo amor de Deus! – Eu já estava preocupada que ele estivesse tendo, sei lá, um ataque, talvez eu tivesse dado a notícia muito rápida, sem amaciar um pouco a coisa. Ele não sabia se me olhava ou olhava minha barriga.
- DOIS?!!!! Oh meu Deus, . – Ele gritou rindo me puxando para mais perto me deixando totalmente confusa, me surpreendendo mais ainda quando “tentou” me beijar, a barriga impediu, mas Danny que não é bobo nem nada, deu um jeito nisso rapidinho, assim podendo me fazer dar suspiros ao sentir sua respiração tão próxima e seu cheiro que tanto senti falta e me beijou como se ele sentisse a mesma coisa que eu.
- Então... – eu perguntei meio ofegante após um longo beijo, eu queria saber o que ele achava da notícia.
- EU VOU SER PAPAI! Eu sou o cara mais feliz, . – ele disse acariciando minha barriga, e eu não pude evitar deixar que uma lágrima escorresse.
- Não sabe o alivio que é ouvir isso.
- Meninas ou meninos? – Ops.
- Hm. Não sei ainda. – E sorri amarelo.
- Não importa, nada mais importa, só você e agora os bebês, mas... – E ele foi interrompido por alguém gritando que os noivos iriam cortar o bolo, Danny me olhou meio sem graça e beijou minha barriga e em seguida minha testa, colocou delicadamente as mãos em minha cintura e foi comigo até o centro do salão.

e Harry estavam parados abraçados atrás do bolo o admirando enquanto eram bombardeados de flashes, ela me olhou, olhou Danny e sorriu marota cutucando seu marido indicando com a cabeça a nossa direção, ele fez uma cara muito engraçada de espanto e eu tive que rir com ele.
- Ô gente, que dó de cortar esse bolo. – falou fingindo tristeza. Até que começaram a pedir que eles cortassem logo, Harry passou a mão por cima da dela e cortaram, juntos o primeiro pedaço.
- Pra não ter briga, o primeiro pedaço vai... Pra mim e pra minha linda esposa. – Harry disse a abraçando.
- O resto vocês que se virem, eu não vou ficar servindo marmanjo. – disse com toda a sua delicadeza.
Eles pousaram pra algumas fotos, cumprimentaram mais convidados e depois vieram em nossa direção.
- Ai amiga, to doidinha pra me livrar disso aqui.
- Ih Harry mal casou e já está querendo se livrar de você. – Danny disse dando tapinhas nas costas do rapaz.
- Cala a boca papai, eu não quero largá-lo coisa nenhuma. – Ela disse e eu me espantei com o que ela falou, e se eu não tivesse contado?
- Papai? – Harry perguntou assustado.
- É meu caro, você se amarrou e eu virei papai, que doideira! Hein?! - Danny falava normalmente.
- Ta... então... Danny você... Oh meu Deus! – Harry abraçou o amigo feliz com a notícia.
- E por falta de um, veio dois! Danny você não perde tempo, meu amigo! – disse animada enquanto eu via a cena que por tantas vezes eu tentei imaginar e sempre acontecia da pior forma possível, mas eu estava completamente enganada.
- DOIS! Ei espere ai. Você sabia e não me contou nada? – Opa, vou ficar quietinha.
- Ah amor, ela pediu segredo. – Ela falou com cara de criança inocente piscando os olhos.
- Não começamos bem nosso casamento mocinha, não quero saber de segredos, ouviu bem?
- Ui, que homem é esse?! Uhul, olha o macho com quem me casei! – disse brincando e rindo da cara dele. – Bom... Agora eu preciso urgentemente tirar esse vestido de mim.
- Vai lá que eu seguro as pontas aqui pra você. – Eu disse e ela sorriu puxando Harry com ela e sumindo.
Foi meio estranho, Danny não sabia o que fazer ou o que falar, apenas sorria abobalhado. Para minha sorte, ninguém notou nossa pequena aproximação, ele estava comigo o tempo todo indo falar com os convidados, não tirava a mão de minha cintura, pelo menos era na cintura, pois se fosse na barriga mesmo, seria meio obvio a felicidade que ele irradiava e chamaria muita atenção.
Não tivemos mais como conversar, mas mesmo assim eu podia ler a feição dele, e troca de olhares e sorrisos já era o suficiente, eu entendia o que ele sentia, porque era o mesmo para mim, eu finalmente estava com quem eu mais queria e precisava.
A música estava animada, algumas pessoas ainda comiam, conversavam e a pista ainda estava meio vazia, até que uma música alta começou e as luzes se apagam indicando que a festa estava para ter início, um jogo de luzes iluminou a entrada e vimos e Harry entrarem já com outras roupas, ele apenas havia tirado a gravata e o terno, ficando apenas com a camisa social dobrada no braço, ela trocou o vestido por um da mesma marca, branco, bem curto, tomara-que-caia, com os mesmos cristais, tirou o coque e ficou com a tiara de um jeito diferente. Eles foram chamando as pessoas pra o meio da pista, e logo ela estava lotada, todos dançavam animados, até mesmo eu estava me juntando a eles, porém com Danny ao meu encalço, não que isso fosse ruim, não mesmo, mas ele estava me sufocando com tanta preocupação.
Música altíssima, pessoas dançando freneticamente, jogo de luzes, a festa estava realmente muito boa, mas como eu sou uma mulher grávida, de 7 meses, e ainda de gêmeos me cansei rápido e fui me sentar e fiquei observando a todos. Tom e Dougie se arranjaram com umas garotas e faziam passos hilários no meio da pista de dança, pessoas de todos os tipos e idades também se encontravam dançando, mais afastados, e Harry não se desgrudavam, como já era de se esperar, até que sinto uma mão em meu ombro e sentando ao meu lado, me virei e dei de cara com um Danny sorridente olhando em meus olhos.
- Por que não está se divertindo? – Perguntei.
- Porque a mãe dos meus filhos está sentada aqui. – Ele me respondeu com a mão na minha barriga.
- Deve ser porque ela está muito cansada, sabe seus filhos pesam um pouquinho.
- Então eu vou fazer companhia à mulher mais linda da festa e mãe dos meus filhos. – E ele chegou mais perto e passou a mão livre por minha cadeira, me deixando confusa com toda aquela nossa reaproximação repentina.
- Quer fazer o favor de parar de dizer seus filhos, eles são nossos filhos.
- Sabe... Eu ainda não me adaptei muito bem com essa idéia de ser pai, e dude... Pai de dois!
- Você... Não gostou? – E meu medo me assombrou novamente.
- ! – Ele parecia ter sido insultado. – Foi a melhor notícia que alguém podia me dar. – E eu suspirei de alívio.
- Danny... Eu e... – E acariciei minha barriga por cima da mão dele. –... E os bebês, não podemos mais viver sem ter você por perto.
- Er... , bom, nós não conversamos muito sobre isso. – E o sorriso dele foi embora. – É tudo muito novo pra mim, bom não é todo dia que se recebe a notícia que se é pai de gêmeos...
- Danny, vamos ter todo o tempo do mundo pra conversar, agora devemos apenas curtir a festa. – Eu disse sorrindo e com medo dele querer prolongar mais aquela conversa.
- E será que essa bela dama já está descansada o suficiente para poder dançar com esse humilde rapaz? – E ele fazia uma reverência a mim.
- Vai ser um pouco difícil dançar com esse barrigão.
- Que nada, assim eles aprenderão a dançar feito o papai aqui.
- Por favor, isso não! – Eu disse já pegando em sua mão para acompanhá-lo.

Primeiramente eu e ele dançamos juntos, um olhando no olho do outro, depois Tom e Dougie com suas respectivas companheiras se juntaram a nós e eu tive que me segurar muito, eu ria tanto a ponto de lágrimas caírem com os passos que eles faziam, formamos um pequeno círculo no meio da pista chamando um pouco a atenção, até que os noivos também não resistiram e se juntaram. Fazíamos rodízios, cada um tinha sua vez de ir até o meio e tendo a luz voltada pra si e poder desfrutar de seus curtos minutos de fama, eu fui um pouco desajeitada, afinal minha pequena grande barriga não colaborava muito. Estava tão animada que nem senti o tempo passar, até que sinto alguém me puxando para longe.
- O que foi criatura? – Perguntei.
- Eu já vou embora – me respondeu.
- Como assim? A festa mal começou. – Eu tentei segurá-la um pouco mais.
- Mas nós estamos cansados, . – Harry apareceu com Danny ao seu lado.
- Preciso curtir meu maridinho. – disse indo abraçá-lo.
- Cara vocês terão a vida toda, lembram? – Danny falou.
- Mas é a nossa noite de núpcias, dude... Dava pra vocês nos acobertarem? – Harry suplicou e eu tive que rir da pressa daqueles dois.
- , nós não queremos que ninguém nos veja, queremos sair de fininho sabe?! Dá uma forcinha, vai... – me pediu com seu típico bico e eu não pude dizer que não.
- E eu vou embora como? Eu sou uma mulher grávida sabe... – Eu perguntei.
- Um motorista ficará ao seu dispor assim que quiser ir. – Harry me respondeu.
- De jeito nenhum, eu vou levá-la. – Danny falou rapidamente.
- Ow... Danny! – E pulou no pescoço dele. – Então... Vai ajudar? – Ela perguntou juntando as mãos em sinal de prece.
- Vai lá, vai – E ela sorriu me abraçando. – Não faça nada que eu não faria. – Eu cochichei em no ouvido dela.
- Pode apostar. – Ela falou num tom malicioso.
- Juízo! – Eu gritei os vendo sair correndo de mãos dadas escondidos.
- Bom, o que faremos agora? – Danny me perguntou e eu me virei pra ele.
- Sinceramente? Eu não faço a mínima idéia.
- Hm... Vamos fingir que não vimos nada e que não sabemos de nada, se nos perguntar... Fingimos que não é com a gente.
- Certo gênio, mas e quando eles notarem que os noivos foram embora mesmo? – Eu perguntei e o vi passar as mãos pelos cabelos.
- Daremos um jeito da festa continuar, só não me pergunte como. – E então nós voltamos para onde os meninos estavam e como Danny disse, fingimos que nós não sabíamos de nada.
Quando começaram a notar a ausência dos noivos, veio geral pra cima de mim e Danny, demos algumas desculpas, mas logo perceberam que eles já tinham seguido para sua noite. Não tivemos problemas, a festa continuou numa boa, eu fiquei durante um bom tempo lá, mas fui vencida pelo cansaço eram quase 5 da manhã e eu já tinha abusado muito, então pedi para as famílias dos noivos que tomassem conta da festa e decidi ir embora.
Danny, todo atencioso, me levou até o apartamento de como havia dito mais cedo, durante a viagem falamos assuntos aleatórios, sobre músicas e como a festa e a cerimônia tinha acontecido. Logo chegamos e fui me despedir dele, só não sabia como.
- Er... Bom, está, ops, estão entregues. – Ele disse sorrindo amarelo.
- Obrigada Danny, foi muito gentil de sua parte, poderia ter ficado mais na festa, não quero que se sinta obrigado a fazer nada. – Eu respondi, mas mentindo, eu queria sim que ele estivesse comigo ali.
- Não fui obrigado a nada, fiz porque eu quis, e além do mais, nós precisamos conversar.
- Danny... – E ele me interrompeu selando nossos lábios.
- Shhhh. – Ele falou encostando nossas testas. – Não precisa ser agora. Só não quero que você suma, nunca mais.
- Não. Isso não. Não posso ficar longe de você, nunca mais, Danny eu te...
- Bom... – Ele me interrompeu, acho que eu tinha falado muito baixo, queria que ele soubesse que o amava mais que tudo, talvez fosse melhor assim, outro dia ele iria saber disso. – Você deve estar cansada, quer que eu fique com você por um tempo?
- Não precisa, eu estou bem, nos falamos mais tarde? – Não precisa? Ele É o que você mais precisa .
- Claro, eu te ligo, ok?! – Eu fiz que sim com a cabeça e por um impulso o beijei, ele o aprofundou mais, aquele beijo era cheio de significados, era doce e delicado, cheio de desejo e saudades, mas como ele mesmo disse, eu estava muito cansada e então sorri para ele e desci do carro.

Eu não conseguiria dormir, não com tantas coisas acontecendo, eu havia finalmente contado a Danny que ele era papai, e ele para meu espanto simplesmente adorou a notícia, demorou um pouco para absorver a idéia, mas no fim, ocorreu tudo bem. Agora eu estava sozinha naquele enorme apartamento, pois minha amiga que conheço desde criança foi consumar seu casamento. Eu estava de volta à cidade que tanto amo e reencontrei todos que eu sentia falta.
Me enganei ao fato de não dormir, mas minha cabeça girava tentando colocar em ordem os últimos acontecimentos. Peguei no sono logo em seguida. Capítulo 38

Acordei com o som do meu celular “gritando” em meu ouvido, o peguei com o intuito de jogá-lo na parede, mas me espantei ao ver o nome “ ” no visor. Ela não estava com seu maridão? Nem assim ela me deixa em paz?
- Desembucha.
- Amiga! Acorda, porque eu estou passando aí pra pegar minhas malas. - Ela me disse.
- Que horas são? – Eu perguntei tentando me levantar e sentar na cama.
- Quase uma da tarde, eu nem almocei, acordei agora, levanta que eu to passando aí, babes. – E simplesmente desligou o telefone na minha cara.
Fechei os olhos, querendo voltar ao meu tão amado soninho, mas me lembrei que eu tinha que levantar. Tomei um banho rápido, achei qualquer coisa para vestir e fui até a cozinha e olha! Tem comida. Milagre! Comi alguma coisa e logo ouvi as chaves girando na porta.
- Bom dia amiga! – Ela me disse entrando na cozinha tirando os óculos.
- Babes, você está um horror. – Eu falei vendo as olheiras dela.
- Obrigado por me lembrar. – E sorriu cínica.
- Ei! Não fale assim da minha esposa. – Harry a defendeu e ela sorriu pra ele. É assim nos primeiros dias de casamento.
- Vou lá pegar minhas malas, , me ajude. – Ela disse.
- Eu?
- Papo de mulher, eu mereço. – Harry disse indo sentar no sofá.
- Amiga! Quero saber de tudo. - Eu disse entrando no quarto dela.
- O quê? Que ele é o homem da minha vida? E que ele é verdadeiramente ÓTIMO em tudo? Não tenho tempo pra isso, eu te chamei pra me ajudar mesmo. – Ela dizia e ia pegando as suas coisas.
- Ah tá de brincadeira? Vai me deixar curiosa? Isso é maldade, eu sou uma mulher grávida. – Eu tentei contornar.
- Não adianta apelar pros pirralhinhos, é sério nosso voo já vai sair, anda me passa essa nécessaire. – Ela disse apontando e eu passei a ela.
- Mas... Ai, aquele hotel maravilhoso, sua lingerie, champanhe, Harry, ah me conta... – Eu pedia e ela me ignorava.
- dá pra se controlar? - Ela me falou segurando meus ombros. – Depois eu conto e eu também quero saber sobre você e Danny, ou pensa que eu não notei vocês dois? Mas eu estou mais que atrasada e... haha meu marido está me esperando!
- Hm meu marido... Ok! Vou chamar Harry pra levar as malas e pedir ao porteiro que o ajude.
E foi o que eu fiz e assim que as malas já estavam lá embaixo e Harry voltou pra buscar sua esposa, eu os fiz esperar mais um pouco, era exagero dela, eles não estavam tão atrasados.
- Toma. – E eu entreguei um molho de chaves a eles.
- O que é isso? – me perguntou.
- O presente de vocês ou acharam que eu tinha me esquecido? – Perguntei feliz com a cara que eles fizeram.
- É um carro? – Harry perguntou.
- Não... Bom... Vocês terão que pegar na marina. – Eu falei rindo.
- Marina? – Eles falaram juntos.
- É. Vocês não queriam que eu pedisse para que estacionassem um iate na portaria do prédio.
- Um iate? – Harry embasbacado mal conseguiu falar.
- Mas a... Mas amiga... Eu não... Mas...
- Um obrigado é o suficiente, . – Eu tentei ajudá-la com as palavras.
- AHHH! – E ela pulou em cima de mim. – Te amo amiga! Você é a melhor!
- Deu, ... Meus bebês.
- Opa, é mesmo.
- ! – E foi a vez de Harry me abraçar. – Obrigado, sério!
- Agora já chega de melação, se não eu começo a chorar. – Eu disse arrancando risadas dos dois. – Quando pretendem voltar da Austrália? – Sim, minha amiga é chique e vai passar a lua-de-mel lá, triste né?!
- Bom não sabemos... tem algumas coisas na agência e eu, as coisas da banda, vamos ficar o tempo que der. – Harry me respondeu abraçando .
- Talvez duas semanas, não sei. – Ela completou.
- Mas depois nós vamos viajar mais, muito mais. – Harry disse animado.
- Ok! Eu quero ver meu presente. – Ela choramingou.
- Depois. Vocês têm que pegar o voo, eu tenho uma foto, mando depois.
- AHH, me deixa ver agora...
- Eu não sei onde eu coloquei, anda, anda vão logo. – Eu disse os empurrando.
- Ih, já ta me colocando pra fora do meu apartamento? – Ela perguntou.
- !
- Ta você vai ficar bem mesmo? Você está grávida...
- Eu estou ótima, e tenho quem me ajude, anda, vai, vai.
- Vamos amor, ela tem razão vamos perder o voo. – Harry disse e eu fiz com a cabeça a encorajando.
- Ai, amiga! Fica bem, ok?! – Ela me abraçou. – Cuide bem de meus sobrinhos... Beijinhos bebês. – Ela disse pra minha barriga acariciando-a e Harry fez o mesmo.

Assim que e Harry saíram, eu me sentei em frente à televisão, mas não a liguei, fiquei vagando em pensamentos aleatórios, nem vi o tempo passar até que ouço o telefone da casa dela tocar, achei estranho, afinal todos sabiam que ela havia se casado, até mesmo aqueles que mal a conheciam, então meio acanhada resolvi atender.
- Alô.
- Oi , é o Danny, te acordei? – Ouvir a voz dele era tão bom...
- Não, não. passou aqui agora a pouco para pegar as coisas dela.
- Você está sozinha? ­– Começou o excesso de preocupação.
- Sim, qual o problema? – Eu disse, eu tinha passado toda a minha gravidez sozinha, não tinha nenhum mal.
- Por que não me avisou? Não quero que fique sozinha, e se acontecer alguma coisa? Nada disso, estou indo pra aí agora. - Ele falou firme.
- Não tem necessidade Danny, estou bem, e você deve ter suas coisas, não quero atrapalhar. – Era uma mentira atrás da outra, só não notava quem não queria, era óbvio que eu precisava dele perto de mim.
- Atrapalhar? Nem pensar, você já almoçou?
- Danny...
- Não discuta , responde, por favor.
- Não e pra falar a verdade, estou faminta. – E soltei uma risada nasalada.
- Ótimo, vou levar então, almoçaremos juntos, alguma restrição? Sabe, eu nunca fui pai, bom, não que eu saiba. – E riu de sua própria piada, não gostei, mas foi inevitável não rir junto.
- Nada de coisas muito picantes ou com muito tempero, comida simples. – Me dei por vencida.
- Anotado mademoiselle! Chego aí rapidinho, beijo. – E desligou.

Tô vendo que eu vou ter que aguentar um pai de primeira viagem muito preocupado e dedicado... Nada mal!
O esperei enquanto arrumava a mesa, obviamente me arrumei um pouco mais, afinal era o pai de meus filhos e o homem que eu amo que estava chegando, eu tinha que estar apresentável.
Não demorou muito e logo a campainha tocou.
- Olá, entre. – Eu disse dando espaço para que ele pudesse entrar.
- Com fome? – Ele me perguntou levantando as sacolas que carregava.
- Muita! Eu como por três. – E ele me deu um selinho.
- Então, já foi pra a lua-de-mel com o Harry? – Ele perguntou me seguindo até a cozinha.
- Sim, ela passou aqui pra pegar as malas.
- Ela nem se despediu de mim. – E ele fez um bico enorme. É um fofo né?!
- Ela está querendo um a sós com o maridão... Vocês ficaram muito amigos nesses últimos meses, não foi? – Perguntei curiosa.
- Nós já éramos amigos, mas como você disse, esses últimos meses foram muito difíceis, ela foi quem me deu muita força, tenho muito a agradecê-la. – Ele falou de cabeça baixa e quando terminou, eu senti um aperto no peito, eu sabia que ele tinha sofrido por minha ausência.
- Bom... Estou com fome. – Falei sorrindo querendo desconversar. – Podemos almoçar?
- Oh claro! Espero que goste. – E ele foi se sentando e abrindo as sacolas, o cheiro estava fabuloso.
Durante nosso almoço improvisado mal conversamos, eu estava com tanta fome que não tirei minha atenção da comida, apenas nos encaramos algumas vezes. Assim que terminamos, ele me ajudou com a louça e fomos até sala.
- Er... ?
- Sim. – Eu disse me sentando e observando ele fazer o mesmo.
- Por que não sabe o sexo dos bebês? – Mais um com essa conversa? Já não bastava meu médico, me azucrinando e agora ele?
- Queria surpresa, mas, se você quiser, eu posso...
- Não. – Ele me interrompeu. – Gostei da idéia...
- Danny, pode começar. – Eu disse sem rodeios.
- Começar o quê?
- Eu te conheço, sei que está doido pra me encher de perguntas e lembra você queria uma conversa, uma explicação, então e a hora é essa. – E soltei o ar.
- Pois é... Minha cabeça ficou girando a noite toda, eu cheguei a pensar que eles não eram meus. – Então eu estava certa, ele achava que era de Adam.
- Eu sei que você foi pego de surpresa, aliás, nem eu estava preparada, foi muito sacana em me avisar em cima da hora sobre o casamento.
- Você iria me contar quando? Você não... Você não estava pensando em me esconder uma coisa dessas, não é ?
- Não! Eu ia te contar... Só não sabia quando. – E mordi os lábios com medo da reação dele.
- Você deveria ter me contado desde o início, o que te deu na cabeça? Você estava com... Com medo? – Bingo.
- Danny tente entender, eu não sabia como você iria reagir, e bom... A última vez que tínhamos nos visto não tinha sido uma conversa muito amigável. – E lembrei brevemente daquele dia.
- Não justifica... Eu sempre quis ser pai.
- Eu sei, me disse. – Falei baixinho.
- Ela sabia? – Ele falou pasmo. No mínimo se ela soubesse e não contasse, ele iria ficar extremamente bravo com ela.
- Não! Ela só foi saber que eu estava grávida quando cheguei aqui, eu quis sigilo total.
- Por que? Você estava sozinha lá, e ainda mais depois de tudo que aconteceu, nós quase morremos de preocupação.
- É sobre isso mesmo que temos que conversar. – Se ele estava disposto a querer saber de tudo, então vai ser tudo mesmo que ele vai saber. - A pior burrada que eu fiz foi ter ido embora, eu era tão feliz aqui e troquei por minha vida antiga – E ele me ouvia atentamente, – Eu não sabia que estava grávida, até que eu comecei a ter enjôos, passar mal, comer muito... Mas mesmo assim não desconfiei de nada. Adam quis me levar a uma festa, nós fomos e teve um momento dela que ele colocou a mão em minha barriga e surtou, me tirou de lá a força. – notei os punhos de Danny se fechar. – Dentro do carro ele falou sobre a suspeita de gravidez, e ele sabia que não era dele, afinal... Bom, nós não tivemos “nada” depois que eu tinha voltado, e então começamos a discutir enquanto ele dirigia feito um doido, até chegarmos a um cruzamento, ele não parou e batemos.
- Foi ele quem descobriu? E quem provocou o acidente? – Ele falava entre dentes transbordando de raiva.
- Sim, mas não o culpo, assim que acordei eu tive a confirmação de que estava grávida, como você, demorei a absorver a idéia e soube que Adam estava em estado grave, eu quis vê-lo. – E deixei uma lágrima escorrer e Danny a limpou com as costas da mão.
- Não precisa...
- Sim, Danny. Ele sabia que ia morrer, ele tinha voltado a ser o Adam que eu conhecia, estava arrependido, e disse que ainda me amava. – E deixei um soluço me interromper. – Danny, ele pediu perdão, perdão a todos, até mesmo a você.
- A mim?
- Sim, ele já sabia que você era o pai, e queria saber de toda a verdade e eu contei. Ele não ficou bravo nem nada, só pediu que você o perdoasse... E então ele não me deixou vê-lo morrer, pediu que eu fosse embora, poucos minutos depois... Ele... Ele faleceu. – E então Danny me abraçou forte, eu me deixei chorar em seu ombro. Me ajeitei em seu peito e ele ficou comigo ali abraçado, afagando meus cabelos.

- Está mais calma? – Ele me perguntou após alguns minutos.
- Acho que sim, me desculpe por isso. – Falei tímida.
- Não foi nada, ele realmente não merecia isso, mas você foi muito forte aguentando essa barra sozinha. – Ele falou segurando meu rosto com as duas mãos, com os olhos fixos em mim.
- Vou levar como um elogio. - E forcei um sorriso.
- Mas agora eu não quero mais você longe de mim, quero estar sempre com você e com nossos filhos.
- É claro que sim! – E eu selei nossos lábios.
- Só tem uma coisa que eu não gostei muito... – Ih, lá vem.
- O foi dessa vez?
- Eu não pude acompanhar toda a gestação. – E ele deu uma risada gostosa. – Isso é frustrante, queria ver cada fase sua mais gordinha.
- Danny! – E dei um tapinha em seu braço.
- Ta parei... Mas você é a mamãe gordinha mais linda... OUCH!
- Porque não é com você, então cala a boca.
- Calar a boca? Tem certeza? Só tem um jeito. – E ele me deu um beijo, me deitando lentamente no sofá.

Ficamos assim a tarde toda, abraçados no sofá matando as saudades, que não era poucas.
Mandei uma mensagem à junto com a foto de seu presentinho de casamento, e em seguida ela me manda uma: “AHHHHH! Te amo, te amo, é lindo! Nós adoramos, to doida pra vê-lo. Xxx”. Fiquei feliz por ela, mas quis deixá-la em paz com seu mais novo marido e fui curtir o resto de minha tarde com Danny.
No dia seguinte acordei com alguns chutes em mim, eu sabia que aquele dia iria ser assim todo o tempo, meus bebês estavam agitados. Acordei meio abobalhada, era quase inacreditável que tudo tinha se ajeitado de vez, Danny havia aceitado numa boa a idéia de ser pai e estávamos bem outra vez, eu estava em Londres, perto das pessoas que eu mais gostava e o medo da notícia estourar tinha ido embora, Danny disse que me apoiaria que eu não precisava me preocupar e isso de certa forma me tranquilizou.
Perto da hora do almoço, a campainha tocou, não podia ser outra pessoa além de Danny, ninguém sabia que eu estava ali. Fui “correndo” o que é bem difícil de se fazer, para atender a porta.
- Danny! – Eu disse o abraçando.
- Sabe... Tinha alguém com muitas saudades da mamãe. – Ele disse isso puxando uma coleira e assim, Bruce pulou em minhas pernas praticamente pedindo colo. Como o tempo tinha passado rápido, lembro-me muito bem quando o dei de presente a Danny, ele era apenas um filhotinho e quando saí de Londres ele não havia mudado muito, mas agora ele estava enorme e pesado, porém continuava sendo o mesmo cãozinho dócil e brincalhão de sempre, como senti falta de meu outro filhinho!
- Aw Bruce! Como você cresceu, garotão. – Eu disse me abaixando com muito cuidado e lhe apertando as orelhas – Aww... A mamãe também sentiu sua falta, pequeno. – Eu disse isso quando ele começou a lamber meu rosto, não é muito agradável, mas é uma forma de carinho da parte dele. Mas continua sendo nojento.
- Eu também senti sua falta. – Danny choramingou.
- É, e eu também, eu também – E sentei no chão ali mesmo, limpei meu rosto com a manga da blusa e peguei Bruce no colo. – O papai cuidou bem de você? Hein?! Aw coisa mais fofa! Hm tá cheiroso, meu lindinho.
- Ei! Não gostei disso não. – E Danny tirou Bruce de meu colo, me ajudou a levantar e fechou a porta com o pé. – Que papo é esse? E eu? Eu sabia... Esse cachorro sempre tirou sua atenção de mim, eu sabia, não mudou nada... – Ele falava e eu só ria da cara que ele fazia.
- Você... Você. – Eu não conseguia parar de rir. – Está com ciúmes? Háhá.
- Eu? Com ciúmes? Sai dessa. – E abanava as mãos.
- Ih a lá! Ta com ciúmes! Ta com ciúmes! – E eu ria dele sem ter dó nenhuma.
- Nem vem , imagina...
- Aw, Danny! – E sentei em seu colo no sofá. – Não precisa ficar assim, eu amo os dois igual. – Eu disse fazendo carinho em seu rosto, mas ele tirou.
- O que? Eu tenho que dividir você com esse cachorro? Ta de brincadeira. – Ele estava tão bonitinho todo emburrado.
- Só tenho olhos pra você, amor. É você quem eu amo. – Eu falei num tom mais sério.
- É, mas você estava toda... O que foi que você disse? – E então ele percebeu o que eu havia falado, sempre tive certeza que era ele quem eu amava, mas nunca tinha dito, nem mesmo quando ele me perguntou no momento que ele mais precisava ouvir.
- Que eu só tenho olhos pra você? - Brinquei.
- Não, não depois disso...
- Ah, sim, claro! A parte que eu amo você? Quer que repita?
- Por favor. – Ele falou baixinho e então eu me aproximei mais de seu rosto o segurando com as duas mãos.
- Eu amo você. – E depositei um beijo em seus lábios e fui seguindo o trajeto até seu ouvido assim. – Eu sempre amei você. – Eu sussurrei a ele.
- Mas...
- Shhhh... – Eu disse colocando o dedo em seus lábios e olhando fixo em seus lindos olhos azuis que tanto senti falta, me aproximei e o beijei com delicadeza. Pude senti-lo passando a mão em minhas costas e nuca, mexendo em meus cabelos me dando arrepios.
Ele foi dando fim ao beijo lentamente e ficou me encarando.
- Eu amo muito você. – E afagou meu rosto. – Não posso mais viver sem você e aprendi da pior forma.
- Me desculpe, Danny. – E eu fechei os olhos.
- Você disse tudo o que eu queria ouvir e ainda me deu a notícia mais maravilhosa. – E ele acariciou minha barriga e eu coloquei minha mão sobre a dele. – WOOOAH! – Ele disse sorrindo abertamente colocando a cabeça onde suas mãos se encontravam.
- Você sentiu? – Eu perguntei.
- Filhos? É o papai! – Ele disse maravilhado. – Eles chutaram, eles chutaram!
- Então você tem que ouvir os batimentos...
- Você já ouviu? – Eu concordei com a cabeça. – Não é justo... Também quero!
- É a coisa mais linda!
- É claro que é, são meus filhos. – Disse se vangloriando.
- Danny.
- Opa. Nossos filhos. – ele disse sorrindo.
- Ótimo.
- Quando posso ouvir?
- Quando quiser, Dan. – E ele sorriu indo em direção ao meu rosto novamente, começando a me beijar, me deitando no sofá.
Au, Au, Au... Ouvimos no meio do beijo.
- Sai Bruce. – Danny disse ainda com os lábios nos meus, voltando a me beijar, mas eu senti Danny ficar se mexendo.
- Não chuta o Bruce. – Eu ralhei com ele cortando o beijo.
- Que saco! Cachorro... – Ele falou emburrado.
- Não gosta dele? – Eu perguntei erguendo as sobrancelhas.
- Gosto. Droga. – Ele falou fazendo bico.
- Então não reclama... E levanta daí, estou com fome.
- Ta queres que eu faça o que? – Ele vai apanhar.
- Vai comprar, ué.
- O que queres?
- Estou com desejo de comer ravióli e torta irlandesa. – Falei sorrindo.
- Onde eu vou arranjar isso? – Ele falou abismado.
- Te vira! Não quer que um de seus filhos nasça com cara de ravióli e o outro de torta, quer? – Falei alterada.
- Não, mas...
- Danny... Eu quero. – E fiz bico.
- Mas, onde eu vou arranjar isso? Pelo amor de Deus. – Ele levantava as mãos pra cima.
- Ai... Vai Danny, eu quero, você vai me negar esse pedido simples?
- Não...
- Então vai logo e não volte aqui sem isso, ouviu? Ah, traga uns biscoitinhos também.
- ? – E eu fui empurrando ele até a porta.
- Tchau Danny. – Selei nossos lábios e fechei a porta antes que ele arranjasse algum bom argumento.

Quase uma hora se passou e nada de Danny aparecer. Será que ele mandou alguém fazer a torta? Não importa, só quero minha comida aqui e agora!
Mais meia hora, e nada. Já estava ficando preocupada, será que aconteceu alguma coisa com o meu ravióli? Será que o chefe errou e teve que refazer? Sentei-me de qualquer jeito no sofá e esperei mais um pouco.
Finalmente! Nunca gostei tanto de ouvir o som da campainha, num pulo me levantei e fui até a porta.
- Por que demorou tanto? – Perguntei o vendo entrar.
- Você sabe como foi difícil achar esse troço? Corri a cidade inteira pra achar do jeito que você pediu. – Ele disse indo pra cozinha.
- Sim, mas eu estou morrendo de fome e seus filhos são impacientes. – Eu disse já pegando a comida.
- Não mereço nem um beijinho? – Ele pediu com cara de cão sem dono.
- Merece. – E ele veio em minha direção. – Mas primeiro tenho que alimentar as crianças.
- Hã?
- Que foi? Agora, meu bem, nossos bebês vêm antes de qualquer coisa. – Eu disse feito uma mãe super-protetora tem que ser.
- Vocês estão me dando trabalho, antes mesmo de nascer. – Ele disse pra minha barriga.
- Ah, não amola! Tô faminta. – Eu disse.

Após almoçarmos e eu agradecer muito ao meu lindo... Epa o que ele é meu? Preciso falar com Danny sobre isso... Enfim, ele passou a tarde lá comigo, vimos alguns filmes, lhe contei como estava sendo minha vida de mãe, e logo a noite caiu. Nos despedimos e ele foi embora prometendo que iria me ver novamente no dia seguinte.

Capítulo 39

Meus dias estavam passando assim, sem ter nenhuma preocupação, nenhuma obrigação. Danny, todos os dias, estava indo me visitar, dormiu algumas vezes lá e não nos desgrudávamos mais, ele estava sendo um pai muito atencioso, fazia todas as minhas vontades e atendia a todos os meus desejos inusitados.
Saímos algumas vezes para ir até o parque, levando Bruce para dar uma voltinha, fomos fotografados algumas vezes e mais rumores apareceram, só que dessa vez não demos importância, deixamos assim, a vida é nossa, não é porque escolhemos viver de música e ter nosso trabalho reconhecido que devemos pagar um preço por isso, também temos nossas vidas e entendemos que nossos fãs querem saber um pouco além de apenas nossa vida profissional, porém somos pessoas normais, feito qualquer outra, temos problemas, altos e baixos, assim como todos tem, privacidade é algo que já não sabemos como é, mas essas especulações, não iriam tirar meu lindo sono dessa vez.
Certo dia, Danny estava lá e eu estava assistindo alguma coisa na MTV até que o telefone toca.

- Alô? – Eu disse distraída.
- AMIGA! Como você está? - A voz de inconfundível como sempre.
- ! Estou ótima, mas e você?
- Babes, isso é o paraíso! É tudo lindo, até peguei um bronzeado leve, hehe. – Ela me disse.
- Como está sendo com o Harry? Tudo numa boa? – Eu tinha que perguntar, nunca se sabe, ela é louca.
- Que homem é esse? Meu Deus, ainda bem que me casei rápido, vai que alguém viesse antes?
- Pra quem nem queria saber de ouvir em casamento está se dando bem com a idéia. – Comentei.
- Pois é. É estranho estar casada, mas acho que fiz a coisa certa e eu estou adorando... – Ah ela acha! E ela parou de falar, acho que ela ouviu a voz de Danny gritando um “quem é?” – Quem está com você?
­- Danny, ele estava no banho. – Falei meio constrangida, afinal o apartamento era dela.
- DANNY?! Passa pra ele.
- Ei! Você tem que me contar como está, eu que sou a sua amiga esqueceu? – Que papo é esse? Onde já se viu.
- Não amola, passa logo esse troço, anda.
- Danny? – Gritei.
- Oi. – Ele apareceu de toalha enrolada na cintura e outra secando o cabelo, pensei besteira.
- quer falar... – Ele veio correndo e tirou o telefone de minha mão.
- ! Como está? Sua desnaturada, nem se despediu de mim, você me paga. – Ele falou sentando ao meu lado e colocando o telefone perto de mim também para eu pudesse escutar, pelo menos isso.
- Ow, me desculpe babes, você está cuidando da mamãe, é? – Ela falou em seu lindo tom irônico.
- Você não se importa né? To quase morando aqui, ela não pode ficar sozinha...
- Imagina, fez muito bem, assim eu fico mais tranquila.
- Fala pro Harry que tinha umas roupas dele aqui e eu peguei uma blusa dele emprestada. – Danny falou aquilo, como se a situação fosse a mais normal do mundo.
- O QUE? SEU FOLGADO! – Deu de ouvir Harry gritando, no mínimo eles deveriam estar igual a nós ao telefone.
- Hazz! Deixa de ser mesquinha... E ai já enjoou dessa coisa aí?
- Ei, cadê o respeito nessa porra? Me chama de coisa de novo e eu arranco teu fígado e como com chantili, seu bobo. disse irritada.
- Isso ai ta no viva-voz? Vou colocar aqui... Pronto! E eu também te amo, benzinho. – Danny disse.
- Ei! – Ouvi o protesto do Harry - HÁHÁ, palhaço. , como vão meus sobrinhos? perguntou com sua voz voltando ao normal.
- Ah pesados como sempre, esses dias ouvimos os batimentos deles, quando fui consultar com aquele médico que nós vimos, lembra?
- Oh sim, eu queria estar aí... – Ela falou com a voz chorosa.
- Pra que? Deve ser muito esquisito. – Harry continuou.
- Não fale assim de meus filhos, ouviu? – Danny os defendeu, ele simplesmente adorou ouvir e, assim como eu, ficou todo emocionado, nunca pensei que ele pudesse ser desse jeito.
- Seu insensível, só fala asneira. ralhou com ele.
- Já estão brigando? Vocês estão em lua-de-mel... – Eu disse.
- Espera ele ser pai, amor, daí vai ser nossa vez de tirar com a cara dele. – Danny falou me abraçando.
- Ah tá. Até parece dude, isso vai demorar... OUTCH, amor..., de certeza, deu um belo tapa nele.
- Não fala besteira, não era você que dizia que queria ter uma família comigo e blábláblá? A porta é a serventia da... Do quarto.
- Ok! Vocês ligaram pra nos fazer ouvir a briga do casal? – Danny perguntou.
- Fica quieto. – Nos três falamos e ele se encolheu em meu colo.
- Não é isso amor, é claro que eu quero, mas... - Harry estava tentado se desculpar.
- AH Harry nem vem. Bom, agora me contem, os pombinhos resolveram se entender? nos perguntou e eu e Danny nos olhamos por um segundo.
- De certa forma. – Eu disse.
- Sabe ... Ela me ama, não vive sem mim. – Ele falou se gabando.
- Convencido, ele é quem me ama e ainda por cima me enche o saco com tanta preocupação. – Retruquei.
- Não gosta? Joga fora. – Danny falou emburrando a cara.
- Ô ... O menino é pai de primeira viagem, dá um desconto. – Harry defendeu o amigo.
- Valeu Hazz, essas mulheres de nossas vidas, só nos dão trabalho e nos tratam mal. – Danny falou olhando o telefone.
- É Dan, apoiado. – Harry falou rapidamente.
- Ei! – Nós duas protestamos juntas.
- Quem mandou se casar comigo? perguntou, provavelmente arqueando uma sobrancelha, se bem a conheço.
- E quem mandou você me engravidar? – Perguntei cruzando os braços.
- Agora aguenta! – Nós duas dissemos mais uma vez juntas.
- Mas... Amor. – Harry começou.
- Psiu! Calado! falou.
- Amor... – Danny também tentou falar.
- Nem começa. - Eu disse firme.
- E então , que bom saber que você está bem. Logo nós vamos voltar, daí eu posso acompanhar o final da sua gestação. me disse.
- Nós vamos? ­– Harry perguntou a ela.
- Vai reclamar disso também?
- Então , que bom saber que você está bem também. E eu vou adorar ter você aqui...
- E eu? – Danny perguntou.
- Você o quê?
- Bom... Gente, eu vou desligar antes que isso piore, tenho que começar logo a minha família, sabe! - Harry falou malicioso.
- E eu cuidar da minha. - Danny concordou.
- AH, agora ele quer, tá vendo ? Então... Beijos pra vocês, depois eu ligo pra saber como estão.
­- É sempre assim amiga, mas liga mesmo hein?! Beijos a vocês. – E desligamos.
- Animadinhos eles, não? – Danny comentou.
- Quer dizer que eu dou trabalho? – Perguntei segurando suas bochechas com somente uma de minhas mãos e olhando fixo.
- , eu não consigo falar. – Ele disse com a voz engraçada e eu soltei seu rosto com força. – Obrigado... Ai. – Ele disse mexendo o maxilar. – Não foi isso que eu quis dizer, amor.
- Sei, sei. – E virei o rosto.
- Ai, mas que grávida mais linda toda bravinha. – E ele foi chegando perto de mim engatinhando. Me deu um beijo no rosto, na trave e então me deu um selinho.
- Eu não dava trabalho? – Falei fazendo bico ainda de rosto virado.
- Nunca... Meu amor, minha vida, não fica assim, vai...
- Hum... Não pode falar assim com uma mulher grávida, Danny.
- Eu te amo. – Ele sussurrou no meu ouvido e isso é golpe baixo.
- Jura? – Eu perguntei sem saber se tinha saído ao menos coerente, tamanha era a minha distração com Danny brincando com o lóbulo de minha orelha.
- Uhum. – Ele soltou. Daí eu já não respondia mais pelos meus atos, ele me beijou com fervor e me deitou na cama delicadamente ficando deitado ao meu lado. Grávida desse jeito, enorme, obviamente não podia acontecer nada, mas eu não podia evitar os efeitos que ele causava em mim quando estávamos tão perto, para meu espanto, Danny era muito compreensivo com esse assunto, e além do mais ele era muito preocupado, mas ele estava me deixando louca desse jeito.

Os dias foram passando rapidamente, eu estava cada vez mais enorme, e já faziam duas semanas no mínimo que e Harry estavam em lua-de-mel, ela nos ligou algumas vezes e parecia estar adorando a viagem, eu e Danny estávamos indo muito bem, obrigada, ele praticamente morava comigo no apartamento de .
Ele estava presente em todas as ocasiões e era o pai mais coruja que eu já conheci, sempre atencioso, me acompanhou em todas as consultas que eu tive com o meu novo médico, Dr. Lewis, que também é um ótimo profissional assim como Dr. Stevens, que falou com ele e lhe passou todo o meu histórico clínico para que ele pudesse dar continuidade, pois eu já estava mais do que decidida que meus bebês iriam ser londrinos!
Passados mais alguns dias eu acordei um pouco mais cedo do que de costume, isso devido às fortes dores que eu sentia. Preocupada, me mexi um pouco e me sentei na cama com as mãos abaixo de minha barriga, notei minha respiração mais pesada e estava suando, foi quando Danny se mexeu ao me lado e eu não tive como evitar.
- Danny? Danny? – Eu sussurrava.
- Hã?... Ah, oi. – Ele falou meio grogue coçando os olhos.
- Eu estou sentindo umas dores aqui. – E apontei meu ventre, ele pareceu acordar de vez e passou a me olhar assustado.
- Eles vão nascer? – Ele perguntou mais alto.
- Não sei amor, mas tá ficando forte. – Choraminguei.
- AI MEU DEUS! O que a gente faz agora? – Ele perguntou com as mãos na cabeça. – Não, espera, já sei! Vou ligar para o médico, não, não. Vamos para o hospital. – Ele se levantou da cama em um pulo e se virou novamente pra mim. - Tá, espera, tem que avisar a ! Por que ela não está aqui numa hora dessas? Caramba, , amor, eu vou fazer a dor parar tá bom, fica calma, por favor, fica calma.
- Mas, eu estou calma. – Falei segurando a dor. – Você que está uma pilha de nervos.
- Ok! Ok! Não se mexe, volto em um minuto. – E saiu correndo.
- O pai de vocês está enlouquecendo. – Eu falei baixinho.
- Voltei! – Ele voltou vestindo qualquer coisa básica e com as chaves nas mãos.
- Danny! Me solta. – Eu disse ao vê-lo tentar me pegar no colo. – Eu tenho que me vestir.
- É mesmo, eu ajudo!
E assim ele fez, ele estava me deixando mais nervosa, me levou até a garagem com muito cuidado, me colocou no banco do passageiro e eu já estava sentido mais dores. Ele ligou o carro, colocou o celular no suporte e discou o número do médico, que por sua vez, disse que já estava a caminho do hospital também. Mas Danny discou outro número me deixando curiosa.
- Seja quem for que seja muito importante, ou eu mato. disse sonolenta.
- ! A ... Ela... Os bebês, o que você ainda está fazendo aí? – Ele perguntou dirigindo rápido, mas com cuidado.
- Erm... Em minha lua-de-mel? – Ela falou com uma voz um pouco melhor.
- , as crianças vão nascer! – Ele falou irritado.
- O QUÊ? COMO ASSIM? JÁ? OMG! – Ela gritou.
- Calma amiga, não é pra tanto. – Eu falei me contorcendo de dor.
- Babes! Você está bem? Fica calma, não se preocupe, Danny, ligou pra o Dr. Lewis? É você que está dirigindo? Se for, PISA FUNDO NESSA MERDA! – Por que todo mundo me manda ficar calma? Eu estou calma, com dor, mas estou calma. Eles que estão surtando.
- Eu estou pisando, porra! E você? Por que não está aqui pra me ajudar? – Ele falava olhando a estrada a sua frente.
- Não fale assim com ela. – Eu ralhei com ele.
- HARRY! HARRY! Amor... Pegue seu celular, ligue pra companhia aérea e compre nossas passagens pro primeiro vôo que tiver pra Londres... Sim, os bebês... Isso, obrigada. – Dava de ouvir o que ela falava com ele.
- O que está fazendo ? Não! O Harry, ele deve...
- Nada, ele já está telefonando e arrumando as malas ao mesmo tempo, não vamos ficar aqui sabendo que nossos sobrinhos estão vindo ao mundo sem nós por perto.
- Vem rápido! – Danny exclamou.
- Eu vou voando esqueceu? Calma Danny, não deixe mais nervosa, por favor. – Obrigada amiga, pelo menos alguém teria que falar isso a ele, já que a mim ele não ouve mais.
- Vou tentar... – Ele resmungou.
- Pronto! Falei que era uma situação de extrema urgência e eles nos colocaram no próximo avião... Vamos fazer o possível e até o impossível se for preciso pra chegar a tempo, ok?! – Harry falou e notei uma expressão de alivio em Danny. Eu que estava com uma puta de uma dor e ele que se sente aliviado? Ah, tá bom.
- Beleza, vou desligar então, tchau. – E desligaram juntos.
To vendo que essa noite vai ser longa – pensei ao olhar a cara de Danny dirigindo.
Logo chegamos ao hospital, uma gentil enfermeira me ajeitou em uma cadeira de rodas, para que assim eu não precisasse fazer esforços. Danny não desgrudava de minha mão por nada e não parava de passar as mãos pelos cabelos, os desajeitando e a cada movimento que eu faia era motivo pra que ele ficasse mais nervoso do que já estava.
A enfermeira me levou até onde meu médico estaria, mas antes de entrar na sala, apertei a mão que eu segurava de Danny o fazendo olhar pra mim, sorri pra ele trocando os papéis, eu queria passar segurança a ele, queria que soubesse que eu estava bem. Ele retribuiu o gesto e se inclinou em minha direção beijando o topo de minha cabeça.


Capítulo 40

- ! Amiga... – falou me abraçando sentando-se ao meu lado em minha cama.
- , que bom que você veio. – Eu disse com um sorriso assim que nos soltamos.
- O que faz em casa? – Ela me perguntou me olhando de cima a baixo. Eu estava em casa de repouso no apartamento dela, completamente jogada na cama sem poder fazer quase nada.
- Alarme falso. – Falei esboçando um pequeno sorriso.
- Ow Babes... Desculpe-me por não estar aqui, não podia deixá-la sozinha nesse estado, como está? – Ela me perguntou colocando uma mecha de meu cabelo para trás.
- Estou bem, como eu disse, foi um alarme falso, mas estou me sentindo culpada por ter te tirado de sua viagem, Harry não deve ter gostado nada, não é? – Perguntei constrangida.
- É essa a imagem que você tem de mim? Que coisa feia dona ! Ficar falando de mim dessa maneira e ainda por cima às escondidas com minha mulher. – Harry falou caminhando até nós com Danny ao seu encalço. Não notamos os dois parados no vão da porta nos observando.
- Er... Ops, não te vi. – Sorri marota.
- ... Nós não íamos ficar lá sabendo que você estava desse jeito, mesmo que não quisesse vir, nós viriamos assim mesmo, me preocupo com meus sobrinhos tanto quanto ela. – Ele me disse pegando minha mão a afagando e logo se sentou ao lado de .
- Obrigada Hazz. – eu disse baixo.
- Vocês deveriam estar aqui! – Danny falou levemente irritado.
- Eu sei Danny, não precisa ficar me lembrando de que sou uma amiga desnaturada. – falou olhando para as mãos.
- Danny! Não fale assim e eu já estou bem. – Falei com os olhos semi cerrados.
- Desculpe. – Ele sussurrou. – Mas você não está bem, ouviu o que o médico disse.
- Epa! Relatório. – falou levantando uma sobrancelha.
- Danny. – Falei entre dentes e ele deu de ombros.
– Bom... Ele falou que é normal, gêmeos geralmente são prematuros, então pra o meu bem estar e dos bebês, eu tenho que ficar de repouso absoluto até o parto, tenho que seguir uma série de recomendações, mas Danny não me deixa fazer nada e quando eu digo nada é nada mesmo, urgh! – Terminei de falar olhando pra ele.
- Mas ele está certo, você é meio teimosa, ele só quer você e as crianças fiquem bem.
- Vai ficar do lado dele Harry? – Falei mostrando indignação. Mas que porra é essa? Não posso fazer mais nada então?
- ! Mas é claro! E se você achava que só com Danny estava ruim... Agora vai ser pior. – Ela falou mostrando um largo sorriso. – Eu e Harry vamos cuidar de você também, nem adianta me olhar assim, você está em minoria querida.
- Ah tá de brincadeira? – Reclamei. – Quantas vezes vou ter que dizer pra vocês que estou bem?
- Quantas você quiser, não vamos te ouvir mesmo. – Harry falou se levantando. – Amor, vou levar as malas para o seu quarto, Danny venha me ajudar.
- Por que eu? – Danny protestou.
- Porque estou com saudades de você, querido. – Harry respondeu com voz de gay.
- Ok! Mas só porque você pediu com jeitinho. - Danny entrou na brincadeira enquanto riamos.
- Anda logo! – Harry falou o empurrando porta a fora.
- Vocês vão ficar aqui? – Perguntei a .
- Oi? – Ela me olhou confusa parando de rir.
- Er... Vocês não iriam morar no apartamento dele, porque era maior ou coisa assim?
- Ei, mas o que é isso? Está me expulsando de meu próprio apartamento? Tomou posse dele, foi? – Ela perguntou com as mãos na cintura.
- Não é...
- Não ouviu o que eu disse antes? Não vamos deixá-la sozinha de novo, sei que Danny é cuidadoso e tudo mais, mas eu quero ficar perto, e antes que você fale alguma coisa, Harry concordou numa boa, aliás, eu nem precisei falar muito, foi ele quem disse que viríamos pra cá quando Tom ligou pra ele. – Ela me respondeu se ajeitando e deitando ao meu lado.
- Tenho alternativa?
- Nenhuma.
- Ok! Fazer o que?! Que tal me livrar um pouquinho do tédio e me contar da sua lua-de-mel? – Perguntei com cara sugestiva.
- Hm, acho melhor não, vai que você fique na vontade? Você está grávida!
- Idiota.
- Cretina.
- ... - Choraminguei.
- Ai, to cansada de dizer sempre a mesma coisa , parece um disco furado, foi lindo, maravilhoso... – Ela falou revirando os olhos. –... Ok! Foi tudo LINDO, ele é MARAVILHOSO, ai, apaixonei. – Ela falou suspirando.
Eu ria das histórias que ela me contava, cada coisa que eles passaram, como quando ela e ele foram pegos nos amasso no elevador por um casal de velhinhos, ou quando tiveram que fugir de um bando de fãs do McFLY, quando quase deu um sacode em uma garota que estava dando em cima de Harry, ou quando ele ficou furioso com um cara que olhou para o traseiro dela, fora as outras muitas coisas que eles tiveram que passar.
Logo os meninos chegaram e a bagunça começou, lógico que eu era tratada como uma boneca de porcelana que a qualquer momento poderia cair, mas mesmo assim estava divertido. Pedimos algumas pizzas e continuamos com as trocas de experiências durante horas a fio.

Agora que estava de volta ao seu apartamento, eu me sentia meio constrangida de ter Danny sempre comigo, apesar de não se importar, aliás, ela adorava quando ele ia pra lá, mas mesmo assim. Ela e Harry estavam morando lá, e como Danny já havia mencionado, ele também estava praticamente morando comigo, eu não sei até que ponto isso é bom, pois os três me tratavam como uma criança indefesa e faziam tudo por mim, parecia um complô contra a minha humilde pessoa, sempre estavam de comum acordo quando o assunto era o meu bem estar e o dos bebês.
Os meninos, Tom e Dougie eram outros super protetores, eles estavam sempre enfurnados naquele apartamento. Os meninos se reuniam lá pra fazer o de sempre: nada. Ficavam jogando conversa fora, bebendo, brincando e simplesmente adoraram a idéia de ter novos mascotes, sim, foi esse o apelido que os gêmeos ganharam. Como eu disse, eles estavam sempre lá, e cuidavam de mim também.
pra não ficar muito tempo longe, trazia o trabalho pra casa, o terceiro quarto que tinha no apartamento servia como um pequeno escritório, cheio de papéis e computadores, raras vezes ela ia até a agência, para ver como estavam se saindo sem ela por perto, já que sempre ligavam, mas quando ela realmente tinha que dar sinal de vida por lá, alguém tinha que ficar comigo para cuidar de mim. Os meninos tinham que resolver as coisas da banda, CD, mídia, entre outros, mas sempre revezavam quem iria ficar com a baleia mor aqui, oito meses de gravidez podem mudar uma pessoa completamente! Bom, isso já estava me tirando do sério, eu tinha que ficar entrevada em cima de uma cama o dia inteiro, é claro que eu sabia que eram recomendações médicas, mas eu não aguentava mais!

Quanto mais eu rezava para que os dias passassem o mais rápido o possível, mais lento pareciam ser, urgh! Se fosse apenas Danny ou me paparicando e mimando, talvez fosse mais suportável, mas TODOS resolveram cuidar de mim. Até tentei inutilmente, convencer e Harry a terminarem a viagem que estavam fazendo pela Europa antes do alarme falso, como eu disse, foi inútil.
Era uma sexta-feira como todas as outras, sem muitos acontecimentos, eu estava esperando Danny voltar do mercado com meus chocolates, sim, eu ainda tinha alguns desejos, estava em seu escritório improvisado enquanto Harry assistia TV na sala e eu, como sempre no quarto.
Comecei a sentir umas dores fortes, mais fortes que as que eu tive, há cerca de uma semana e meia, coloquei a mão sobre minha barriga e respirei fundo, deveria passar logo, como eu estava enganada...
As dores foram ficando mais fortes me fazendo me contorcer de dor, soltei um gritinho abafado e outro em seguida, aquilo nunca tinha acontecido.

- ? Ouvi você da sala... – Harry apareceu em meu quarto rapidamente.
- Nada... Ai! Não é... Nada. – E a dor estava se tornando insuportável.
- Como não é nada? O que está sentindo? – Ele se aproximou de mim.
- Aqui... AHH! – E meio que segurei minha barriga.
- ! Amor, corre aqui! – Harry gritou.
- Harry... – E segurei forte a mão dele como se com isso a dor se fosse.
- Oi! O que está acontecendo? – chegou ao quarto com uma caneta atrás da orelha, uma na boca e o telefone na mão.
- Não sei, está sentindo dor. – Harry falou atrapalhado.
- Dor? – E ela jogou o telefone na poltrona ao seu lado. – , o que você está sentindo mesmo? – O médico tinha a encarregado de verificar as minhas dores, para que não voltasse a ocorrer nenhum outro alarme falso.
- Ai! Está doendo muito, é diferente... E eu estou molhada. – Falei com dificuldade.
- Hã? – Ela falou e tirou o lençol de cima de mim. – Criatura! Sua bolsa rompeu!
- E...? – Harry perguntou.
- Se você me perguntar que bolsa é essa, eu te arranco a cabeça! – falou irritada sem desviar os olhos de mim.
- Ai. – Eu gemi.
- Amor... Eles vão nascer? – Harry não sabia onde colocar as mãos.
- É o que parece! – Ela se sentou ao meu lado. – Liga pro Danny agora e diz que ele tem vir voando. – Ela mal terminou a frase e ele já estava discando.
- . – Eu sussurrei segurando com força agora a mão dela.
- , você tem que se manter calma, eu sei que é difícil, mas tem que manter a respiração normal, eles são prematuros, tem que ter cuidado, babes. – Ela falava tirando as mechas de minha testa que estavam grudando pelo suor.
- AHH! ...
- Tudo bem, tudo bem, respira assim, comigo. – E ela fazia a famosa respiração “cachorrinho” e tentei acompanhá-la. – Isso, assim, agora aguenta firme que eu vou buscar algo pra você vestir. - Eu tentei respirar como ela me ensinou, mas estava muito difícil, e Danny que não chegava?
- Pronto, vem babes que eu vou te ajudar, calma. – E ela me vestiu com um casaco preto meio comprido e colocou uma sapatilha vermelha.
- ... Onde... Danny? – Eu não conseguia formular uma frase inteira.
- HARRY! HARRY! – Ela o chamou ainda colocando minhas sapatilhas.
- Já liguei amor, o que eu faço agora? – Ele perguntou.
- Pegue a bolsa dela ali. – E apontou. – Leve-a até a porta e fique um instante com enquanto eu coloco algo pra vestir. - Harry fez o que ela pediu e veio ficar comigo.
- Calma , Danny já está vindo. – Ele me falou e eu apenas concordei com a cabeça.
- AHHHH! – Urrei de dor.
- Amor! Ela está me apertando! – Ele gritou junto comigo.
- Deixa de ser molenga, moleque! – Ela ralhou com ele o tirando de minha frente. Ela só colocou um casaco colorido e sapatilhas e veio se sentar comigo.
- AHHH! Socorro! AHHHHHH! – Minha respiração estava mais do que pesada, estava totalmente descompassada, e eles que não me tiravam dali. Eu sabia que tinham se passado míseros minutos, mas parecia uma eternidade.
- AHH! Não me aperta. – Ela disse e ouvimos a porta ser escancarada.
- Danny. – Eu sussurrei.
- O que está acontecendo? – Ele perguntou ofegante quando chegou ao quarto.
- A bolsa estourou, dude. – Harry respondeu já que ninguém o tinha feito.
- Que bolsa?
- Não faço idéia, mas é melhor não perguntar.
- Peguem o carro rápido! – ordenou os ignorando.
- Hã? – Danny disse sem ao menos se aproximar de mim e ficou olhando estático pra cama onde eu estava. Olhamos pra ele, mas ele parecia estar perdido em pensamentos, foi quando me soltou e foi até ele.
- Acorda pra vida homem! – E ela deu um pedala nele. – Tua mulher vai dar a luz, te mexe!
- Danny! – Harry o cutucou.
- Argh! Esquece... Amor pega minha bolsa e a bolsa dela, por favor, e ajude este ser a se mexer, enquanto eu vou levar pra sala.
- AHHHHHHH!- Gritei.
- Oh meu Deus, meus filhos... Amor. – Danny veio em minha direção.
- Danny. – E soltei um suspiro de alivio e sorri.
- Chega de cena, Danny pega as bolsas que eu vou ajuda . – Harry falou me pegando de um lado e do outro, ele assentiu e saiu do quarto.
Eles me colocaram no sofá e se entre olharam e olharam pra mim sorrindo.
- O que foi? – Perguntei gemendo.
- Nossos sobrinhos vão nascer! – falou batendo palminhas. Sim eles se consideravam tios dos bebês.
- AHHHH!
- DANNY, ANDA LOGO! – Harry gritou.
- Aqui. – Ele disse com as bolsas nas mãos entregando a de a Harry. – Amor, nós já vamos, fica calma, o que a gente faz? Tem que ligar pro médico? Espera tem o hospital também... Ah os caras, tem que avisar, não, mas tem o médico primeiro. ?
- Danny não me atormenta. – Ela falou fazendo “stop” com a mão.
- AHHHHHH!
- , não está ajudando. – Ela disse rapidamente. – Tudo bem , parece que só você pensa aqui, então prioridades, concentra. – Ela falava pra si mesma.
- ! A está com dor, anda rápido, pensa de uma vez. – Danny falava alterado.
- Por que você não pensa também? Você é o pai. – Harry falou no mesmo tempo.
- GENTE! Eles não vão esperar... AHHHHH! – Eu disse levemente irritada.
- Certo. Amiga fica calma, meninos tem que levar até o carro com cuidado, não esqueçam a bolsa dela e dos bebês, o médico e o hospital eu aviso no caminho, estão esperando o que? Mexam-se! – Ela falou ríspida e eles se olharam assustados com ela e acenaram positivamente com a cabeça. Eles pegaram as bolsas totalmente atrapalhados, as chaves, os celulares e saíram porta a fora correndo feito doidos.
- Mas... Eu! – Eu falei abismada com aquilo.
- Eles vão voltar. – Ela falou com a voz normal de braços cruzados.
- AHHHHH! OMG!

Na garagem...

- Dude... Você pegou a bolsa dos bebês? – Harry perguntou a Danny assim que eles diminuíram o ritmo da corrida.
- Peguei e peguei a dela também, você pegou os cartões e celulares? – Danny perguntou chegando perto do carro.
- Sim, estava tudo no mesmo lugar.
- Cara meus filhos vão nascer... – Danny disse com um sorriso largo no rosto. – Harry coloca aí dentro mesmo. – ele disse abrindo o porta-malas de seu carro.
- Que doideira! Vamos rápido, entra ai e pisa fundo! – Harry falou entrando no banco do passageiro e Danny no motorista.
- Eu fico totalmente perdido quando isso acontece. – Danny comentou já ligando o carro.
- Espera aí! Está faltando alguma coisa... Danny, acho que nos esquecemos de alguma coisa. – Harry falou coçando o queixo.
- Cartões e celulares? – Danny perguntou pra conferir.
- Aqui.
- Bolsas?
- Aqui.
- Chaves?
- Aqui...
- Grávida?
- Aqui... Não! – E eles se olharam pasmos por meio segundo e saíram correndo, deixando tudo aberto e o carro ainda ligado.

No apartamento.

- AHHHHH! – Eu gritava de dor e podia sentir morrendo de raiva.
- Cadê aqueles patetas? Calma, shhhh, calma. – Ela falava nervosa.
- AMOR? – Danny entrou sem fôlego com Harry ao seu lado.
- Vocês são uns incompetentes! Anda, mexam-se! E dessa vez é pra pegar a grávida – ela falou entre dentes.
- Desculpe – ouvi Harry falar pra ela que somente lhe lançou um olhar mortal.
- AHHHHHHH, me tirem daqui, não posso mais segurar – eu falava com certa súplica na voz.
- Já vai amor, só mais um pouquinho – Danny me tranquilizou.
Ele e Harry me ajudavam a sair de casa, ia a frente dando passagem, na garagem ela abriu a porta e me ajudou também e se sentou ao meu lado pegando minha mão.
- Danny – eu pedi assim que o vi sair de perto de mim.
- Eu dirijo – Harry disse pegando as chaves da mão dele.
- Mas não temos tempo – Danny relutou.
- Pode deixar, aprendi algumas coisinhas com minha esposa – Harry falou com um sorrisinho e entrou pelo lado do motorista, Danny veio sentar ao meu lado também me deixando no meio deles.
Harry deu a partida e eu pude entender o que ele quis dizer com aprender com , ele estava dirigindo feito um maluco que nem ela, sem respeitar nada, mas eu não estava em condições de me preocupar com esse mero detalhe, o que eu queria mesmo era chegar ao hospital e não importava como, só tinha que chegar lá.
No caminho estava fazendo todas as ligações necessárias.
- É Tom... Caramba já disse que sim! – ela falava alterada no telefone.
- AHHHHHHHHH! – ela e Danny gritaram junto comigo assustados.
- Ufa! Não, não foi nada Tom, ela só quase quebrou minha mão de novo... Isso mesmo, liga pro Dougie... Obrigada, tchau.
- Ai! Ai! Calminhos aí bebês... AHHHHHHHHHHH! – eu gritava e ofegava.
- Já estamos chegando , só mais um pouquinho – Harry falava me olhando pelo retrovisor.
- Vamos , como eu ensinei, respira, expira isso, bom... – respirava comigo enquanto eu a olhava de olhos arregalados, tamanha era a dor.
- Eu não posso com isso – Danny sussurrou.
- Moleque! – passou por cima de mim e o agarrou pelo colarinho – Não me faz vexame agora, pelo amor do meu bom Deus, não desmaia! – e ela dava tapinhas no rosto dele o alertando.
- AHHHHHH! Ai, eles querem sair logo! – eu disse me contorcendo no banco.
- Amor, dá de ir mais rápido? – perguntou.
- Olha esse trânsito! – ele respondeu.
- Amor, vai ficar tudo bem, eu prometo, já vai passar, shhhh – Danny disse beijando minha bochecha – Eu te amo – ele sussurrou em meu ouvido.
- Uhum eu também... AHHH!
- Segura isso ai mulher, não to a fim de fazer parto de ninguém hoje não... De novo, respira... – e ela fazia movimentos levantando as mãos.
De vez em quando ela e Danny gritavam comigo, ou era por eu ter dado um susto neles, ou por estar apertando a mão dos dois o mais forte que eu conseguia.
Danny me olhava com expressão de dor, medo, eu não sabia o porquê, mas eu imaginei que deveria ser difícil pra ele me ver naquele estado e não poder fazer muita coisa.
Harry dirigiu tão rápido que logo estávamos na portaria do hospital, ele desceu falou com a recepcionista e em seguida ele e uma enfermeira vieram com uma cadeira de rodas até o carro.
desceu pra que eu pudesse fazer o mesmo, me colocaram na cadeira e eu soltei o maior grito até aquele momento. A enfermeira ia fazendo perguntas no meio do caminho, eu já não ouvia mais com precisão a conversa, a dor me consumia, ouvi algo como dilatação, contrações, tempo e era quem respondia a tudo. Danny estava ao meu lado com a mão segurando firme na minha. Harry era quem levava a cadeira ajudando para ir mais rápido.

- Vocês terão que esperar aqui – a enfermeira disse.
- Não! Eu quero ficar com ela – ouvi a voz de subir.
- Senhora Judd não podemos – senhora Judd? Mesmo com a dor eu pude ouvir muito bem essa parte, de certo ela os conhecia... Ops ela os conhecia, se é a senhora Judd, quem sobra? Me lasquei de vez.
- Senhora Judd?... Ainda bem que estamos em um momento de desespero – falou grosseira – Ela não pode ficar sozinha...
- Erm... Quem é o pai? – ela fez essa pergunta mesmo, ai contrações...
- AHHHHHHHH!
- Eu, eu, aqui – Danny falou rápido afagando meus cabelos.
- Sr. Jones? – notei a enfermeira curiosa – Bom, que seja, só o Sr. Pode entrar.
- Ta de brincadeira? Esse ai? – Harry perguntou alarmado.
- Vai dar não moça... Danny? – perguntou.
- Eu vou sim, só não garanto sair de lá bem, mas eu vou – ele falou esboçando um sorriso.
- Não precisa... Ai – eu falei, seria egoísmo da minha parte fazer isso com ele, eu o queria perto de mim, pra me dar força e me ajudar a me manter calma, mas não o obrigaria.
- Eu vou sim, amor – e ele se inclinou e me deu um beijo rápido.
- Então vamos logo, vocês podem ficar na sala de espera, logo ali, vamos – e Harry beijaram minha testa.
- Vai ficar tudo bem – me disse olhando-me fixo nos olhos como sempre fazia.
- Vamos ficar esperando aqui, ok?! – Harry também me deu forças. Assim eu fui sendo guiada, olhei pra trás e vi Harry abraçando por trás e os dois acenando, sorri e me virei encarando a porta a minha frente.

Capítulo 41

Me vestiram com uma roupa própria do hospital e me colocaram em uma maca, me empurrando pelos corredores as pressas, em meio aos meus gritos ensurdecedores notei que Danny também vestira uma roupa verde parecida com as das enfermeiras. Ele iria assistir ao parto? Meu Deus, nós não tínhamos decidido isso ainda, aliás, muitas coisas nós havíamos deixado pra resolver depois, mas por um lado eu fiquei contente por ele estar ao meu lado naquele momento, porém ele sempre fica uma pilha de nervos diante de assuntos como esses. Era muito provável que ele me deixasse mais nervosa e amedrontada do que já estava, eu temia pela saúde de meus bebês, eu já havia tido algumas pequenas complicações, então era assustador saber que eles viriam assim tão de repente.
Entramos no que eu achava ser a sala de cirurgia, era toda clara e cheia de aparelhagem, as enfermeiras faziam movimentos rápidos e precisos, me colocaram com muito cuidado na mesa que estava ali, tamparam minha visão de minha barriga pra baixo com um lençol, eu acho, que era igual a minha roupa.
- ? Sou eu o Dr. Lewis, bom, tente manter a calma – ele me falava com a voz serena.
- Dr... AHHHHH, meus filhos... – eu não falava coisa com coisa.
- Danny estará aqui o tempo todo com você, não é meu rapaz? – Danny murmurou algo indecifrável – Então, nós vamos fazer uma cesariana, sei que a senhora não queria, mas não há dilatação suficiente, os bebês poderão sofrer sérias complicações no processo, por esta razão optamos pela cesárea, tudo bem?
- Claro, Ai! Sim – eu sussurrei. Eu não iria discutir com ele, não numa situação como aquela.
- Não se preocupe com dores, faremos com que elas parem, já tenho todas as anotações de seu antigo médico, não teremos problemas com anestesia – e ele colocou a mão sobre a minha – Não se preocupe.
- Dr. é normal ela sentir tanta dor? – Danny perguntou.
- Bom, como ela queria parto normal, esperamos, porém gêmeos são um pouco complicados, poderia ser feito como ela queria, mas como eu disse não há dilatação. Agora fique com sua esposa e a tranquilize, logo, logo, seus filhos virão ao mundo – e ouvi tapinhas nas costas. Fiquei meio absorta quando ele disse esposa, não era algo que eu não queria, mas era estranho ouvir, mas de volta a dor...
- AHHH, Danny – minha respiração estava descontrolada – Eu... Ai...
- Shhhhh – ele beijou minha mão – Vou ficar aqui, meu amor. Sempre. Agora fique calma, já vai acabar.
- Sim.... AHHH – e tentei um sorriso, mas os gritos vinham sem avisar.
Senti-os injetando algo em minhas costas, olhei Danny e me perdi em seus lindos olhos azuis, nem naquela situação eu conseguia evitar os efeitos dele sobre mim.

Enquanto isso na sala de espera...

e Harry estavam sentados nos sofá, ele estava a abraçando pela cintura e ela com a cabeça apoiada no peito dele, ela estava completamente perdida em pensamentos, e ele com a mão livre brincava com a mão dela.
- Oi pessoal – Dougie falou entrando na sala com Tom logo atrás.
- Oi – eles disseram juntos.
- Faz muito tempo que ela esta lá? – Tom perguntou se sentando, parecia tão concentrada que mal ouviu a pergunta do garoto.
- Não muito, Danny está com ela – Harry respondeu.
- Danny? – Tom e Dougie perguntaram assustados.
- Ele que quis ir – Harry deu de ombros.
- Como ela está? Ela está sentindo muita dor? Será que eles já nasceram? – Dougie perguntou animado. pareceu acordar pra vida e o encarou por alguns segundos.
- Oh, deixe-me ver em minha bola de cristal – e ela fingia estar olhando uma – Ops, está com interferência, tente mais tarde – e sorriu cínica.
- Oh, mau humor – ele resmungou.
- Eles devem saber tanto quanto nós, cabeção – Tom respondeu dando um leve soco no ombro do amigo.
- Ela está meio nervosa pela amiga – Harry a defendeu.
- Desculpe Dougie, eu ando meio assim – ela falou constrangida e voltou a se aninhar no colo de seu marido.
- Tudo bem, . – ele falou compreensivo.
- O médico não deu nenhuma notícia? – Tom quebrou o silêncio que tinha se instalado, apoiando os braços nas pernas.
- Nada, não nos deixaram entrar, então nos mandaram pra cá – Harry falou.
- Vou pegar café, alguém mais quer? – Dougie disse se levantando.
- Eu – Tom e Harry disseram juntos.
- ? – ele voltou a perguntar, mas não recebeu resposta.
- Amor? Dougie está perguntando se quer café – Harry perguntou levantando o queixo da menina.
- Hã? O que? Ah... Não, mas se puder pegar um copo d’água – e ela sorriu.
- Claro, volto já guys! – e ele saiu os deixando em silêncio de novo.

Na sala de cirurgia...

Danny segurava fortemente minha mão, ele não desgrudava os olhos de meu rosto, acho que ele não iria gostar muito de vê-los nascendo, mas eu não podia reclamar, ele estava sendo muito forte ficando comigo até o fim. Não sei descrever como foi o processo, o som dos batimentos cardíacos no aparelho me deixava ansiosa, minha visão estava atrapalhada e já não podia mais sentir muitas dores, apenas tentava me concentrar na conversa do médico com as enfermeiras, assim eu podia saber o que se passava naquela sala.
O suor escorria por minha testa e olhar para o teto não era muito recomendável, me deixava mais nervosa e a luz branca ardia meus olhos, preferi encarar Danny, e esse mantinha uma expressão de inquieto, preocupado, sorri ao vê-lo passar as mãos freneticamente pelos cabelos, ou pela touca, tanto faz.
Não sei quanto tempo havia se passado, minha cabeça girava, mas algo me chamou a atenção, um choro, o som mais lindo que já tinha escutado, um de meus filhos tinha nascido, uma das pessoas que eu mais amava sem nem ao menos conhecer seu rosto tinha vindo ao mundo, senti uma lágrima escorrer em meu rosto de emoção, estendi meus braços em sinal de queria vê-lo, já que eu não conseguiria proferir nenhuma palavra com coerência.

- Parabéns mamãe, é um belo rapaz – a enfermeira me entregou. Um menino? Oh meu Deus! Ao segurá-lo em meus braços e afagar seu rostinho o choro cessou, mesmo todo sujo e vermelhinho ele era o bebê mais lindo que eu já tinha visto, todo pequeno... Beijei-lhe a testa não podendo mais segurar as lágrimas. Danny se inclinou e fez o mesmo, o encarei por um segundo e sorri abertamente, ele retribuiu o gesto e segurou a mãozinha do nosso bebê, eu não podia estar mais feliz ao ver aquela cena, o homem que eu amava e meu filho comigo.
- Ele é perfeito! Lindo... – e ele selou nossos lábios de leve. Ficamos admirando a criança em meus braços feito dois bobos, então uma enfermeira tirou o meu filho de mim, hesitei, mas ela me tirou assim mesmo, olhei Danny confusa e ele apenas beijou minha bochecha.
Mal se passou um minuto e pude ouvir o som de um choro novamente, meu outro bebê tinha chegado, sorri abobalhada com os olhos embaçados, eu já amava aquelas crianças com tanta vontade que chegava a ser difícil decifrar esse sentimento, é algo inimaginável, ser mãe era uma dádiva, eu mal me continha de curiosidade e ansiedade de ver meu filho...
- Mamãe, é uma linda menininha – a mesma enfermeira a me entregou. Menina? OMG! Eu tinha um casalzinho! A analisei assim que pude tê-la em meus braços, ela era linda e quietinha, menor que seu irmão, eu chorava muito a vendo, ela era toda perfeitinha, a beijei no topo da cabeça deixando escorrer as lágrimas. Danny fez o mesmo que antes a beijou na testa e a pegou pela minúscula mão.
- É linda! Eu sou o homem mais feliz, meu amor – ele falou a olhando e eu o encarei, ele estava chorando, tão lindo emocionado como eu com o nascimento de nossos filhos – Eu te amo – ele sussurrou no meu ouvido e beijou meus lábios e senti a lágrima dele cair sobre mim. Sorri com aquilo e finalmente senti minha voz voltar.
- Eu te amo muito meu amor, você me deu o melhor presente de minha vida – eu disse baixinho. Ele deu seu lindo e largo sorriso pra mim e voltamos a olhá-la aninhada em meu colo.
- Bom, papais eu tenho que levá-la – a enfermeira disse a pegando.
- Não! Deixe-a... – eu tentei.
- Calma querida, logo poderá vê-los novamente, mas agora tenho que cuidar deles, e a senhora tem que repousar. E assim a levaram de mim, Danny ainda estava ao meu lado com um belo sorriso estampado no rosto, segurei forte a mão dele, enquanto e médico terminava o seu trabalho.

De volta à sala de espera...

Tom e Dougie estavam conversando de pé perto da janela, e Harry continuavam sentados como antes sem falar nada, no sofá a frente deles estavam Kathy mãe de Danny e Vicky irmã do mesmo, conversavam aflitas por notícias.
- Por que esse médico não diz nada? Quero ver meus netos logo, tudo bem que ainda não me acostumei com essa idéia, mas quero vê-los e meu filho que não deu sinal de vida – Kathy estava impaciente.
- Se é que ele ainda está de pé – Dougie soltou.
- Espero que meu irmão não me faça passar vergonha – Vicky falou encolhida no sofá roendo as unhas.
- Eu falei que ele não deveria ir – Harry falou entrando na conversa.
- Mas pior é que está demorando mesmo – Tom falou olhando a porta – Quero ver os pirralhinhos logo.
- Garoto olha como fala de meus netos – Kathy falou fingindo estar brava.
- Você vai ver se chamar meus sobrinhos de novo assim – Vicky apoiou a mãe.
- Que gente brava, cruzes, só quero saber como é que estão – Tom falou mostrando língua a elas.
- Vocês estão me deixando nervosa! – que até agora não tinha falado nada se pronunciou.
- , fique calma, sei que está preocupada com , mas é sempre assim minha filha, eles só deveriam dar notícias... – Kathy a tranquilizou.
- É, notícia ruim sempre chega rápido – Dougie falou.
- Valeu Dougie, muito reconfortante – falou olhando para o rapaz.
- Fica quieto moleque – Tom deu um pedala nele.
- Mas só fala asneira mesmo, né?! – Harry falou.
- Seus chatos! É só o Danny sair que vocês me colocam no posto dele – Dougie falou fazendo bico.
- Aw coitadinho... – Vicky falou rindo do garoto.
- Olá pessoal – o médico cumprimentou, os interrompendo e fazendo dar um salto.
- Dr. Como eles estão? – ela perguntou ansiosa.
- Calma – ele já a conhecia, pois era no apartamento dela que ele tinha que visitar – Ocorreu tudo perfeitamente bem.
- Ah, graças as Deus – suspirou de alivio.
- Dr. quando podemos vê-los? – vez de Kathy perguntar.
- Bom, está no quarto repousando e Danny está com ela, mas os bebês estão na maternidade, se quiserem podem vê-los.
- É claro que queremos! – Harry se pôs de pé.
- Então vou chamar uma enfermeira para acompanhá-los.
Assim que a enfermeira chegou, ela os levou até a ala da maternidade, o pequeno grupo se colocou a frente do grande vidro que dava para o berçário. Eles estavam admirados com tantos bebês, foi então que a tal enfermeira entrou e apontou os pequenos dormindo do lado direito do berçário.
Estavam enrolados em cobertores rosa e azul, ela pegou o menino no colo e outra assistente pegou a menina os levando para mais perto do vidro para que eles pudessem vê-los melhor.
- É um casal? – Dougie perguntou.
- Não me diga, Mané! – Tom falou sem desviar os olhos das crianças – Não está vendo?
- Ai, só perguntei por perguntar – ele falou cabisbaixo.
- Meus netos são tão lindos! São umas gracinhas – Kathy falou emocionada.
- É mesmo mãe – Vicky se pôs ao lado da mãe.
- Amor? Está chorando? – Harry perguntou ao ouvir fungar baixinho olhando fixo pra eles.
- Eles são tão lindos, perfeitos... – ela falou com a voz embargada sem desviar o olhar e com uma das mãos do vidro.
- São sim... – Harry concordou sorridente.
- Nossos mascotes – Tom falou abobalhado.

No quarto...

- Amor, onde estão os meninos e ? – eu perguntei meio sonolenta ainda.
- O médico disse que eles foram ver as crianças no berçário – ele me respondeu se sentando ao meu lado na cama.
- Quero meus bebês aqui – choraminguei.
- Logo eles virão meu amor – ele me beijou na testa – Você me fez o homem mais feliz e completo sabia?
- Nunca pensei que você seria assim...
- Nem eu – e ele soltou uma risadinha - Mas não é tão ruim.
- Danny! Seu bobo – e bati de leve no ombro dele e ele me beijou com um sorriso.

Alguns minutos se passaram quando uma enfermeira entrou no quarto, empurrando uma espécie de carrinho duplo. Ela “estacionou” ao lado de minha cama, eles estavam dormindo tranquilamente, não pude evitar um sorriso que apareceu em meu rosto.
A gentil enfermeira me entregou meus filhos com cautela, eu teria que me acostumar a segurar dois de uma vez só, assim que eles estavam em meu colo a minha linda menininha abriu seus olhinhos me encarando quieta como sempre. Não demorou muito pra que o meu pequeno fizesse o mesmo, eu podia ver Danny nos olhos deles, o azul profundo era exatamente igual.
- Olá, meus filhos – eu sussurrei os beijando.
- Vou deixá-los a sós, qualquer coisa é só apertar este botão – e ela mostrou sorrindo e saiu do quarto.
- Eles são lindos, meu amor! – Danny se colocou ao meu lado.
- Quer segurar? – perguntei mordendo os lábios.
- Eu?... Mas ... Er... Eu – ele falava atrapalhado.
- Vamos Danny, você é papai agora – eu disse.
- Ok! Chega pra lá então – ele me ajudou – Acho que eu não levo jeito pra isso.
- Deixa de ser bobo, ó. – e fui entregando nosso menino a ele, com muito trabalho ele conseguiu pegá-lo – É fácil, cuidado com a cabeça, e o corpinho é mole então fique firme, assim – e mostrei como eu segurava a menina, então com dificuldade e com tempo ele conseguiu.
- Ele é tão pequeno – ele disse com os olhos brilhando – Qual vai ser o nome, mamãe?
- Dylan – falei sorrindo e ele me olhou pasmo – Eu sei que você gosta desse nome.
- Certo pequeno Dylan, alguma idéia para o nome se sua irmãzinha?
- Esse eu ainda não pensei, que tal Mollie? – perguntei franzindo o cenho.
- É bonito.
- Não, você não gostou... Hmmm... Joanna?
- Esse! Gostei, Joanna, da oi pro papai – ele disse segurando firme Dylan em um braço e com o outro pegando na mãozinha dela. Então eu me dei conta de quanto minha vida mudou, agora eu tinha uma família, uma linda família que da qual eu já não sobreviveria sem.
Danny me passou Dylan novamente e ficou nos observando com um sorriso divertido no rosto.
- Eu amo vocês – ele disse.
- Eu amo mais ainda...
- Mas nós queremos entrar também – ouvi a voz de Dougie nos interrompendo.
- Mas é muita gente – a enfermeira dizia.
- Eu não quero nem saber, quero ver meus netos – Kathy? Oh...
- Não aguento mais esperar, sai da frente nanico – falou rápida.
- AI, a grande falando... – ele retrucou.
- Fica quieto ai ô, nanico.
- Tom, olha ele falando comigo assim – Dougie choramingou.
- Harry não fale assim do Little Poynter – Tom falou.
- Não posso deixá-los entrar – a confusão estava armada na porta, a enfermeira estava os trancando e eles insistiam em querer entrar.
- Amor, peça a ela que os deixem entrar, vai – pedi a Danny.
- Pode deixar moça, eles vão se comportar, pode deixar, eu cuido – ele disse e ela pensou por um instante olhando pra ele, pra mim com os bebês, e pra a gentalha que estava na porta.
- Ok! Mas façam silêncio, volto depois – ela disse e se ela não fosse rápida seria atropelada por eles que invadiram o quarto.
- Oh Babes, fiquei tão nervosa... Parabéns, meus sobrinhos são lindos – foi a primeira a disparar em minha direção e acariciando com cuidado as mãozinhas deles.
- Epa! Sobrinhos? E eu? – Vicky falou chegando perto da cama.
- Calma, tem bebês pra todo mundo – eu disse rindo.
- Eles são a coisa mais fofa, e olha só a cara do meu filho, mocinha acho que fez um bem danado a ele – Kathy me disse beijando minha testa e depois admirando os bebês.
- Ai, finalmente isso acabou – Harry soltou um suspiro aliviado – Parabéns papais!
- Obrigada Hazz... – Danny falou o abraçando e olhando o quarto – E aí caras? Vieram ver minha obra da arte?
- Danny! Não fale assim – a mãe dele ralhou e eu soltei um risinho abafado.
- Tenho que admitir dude, eles são muito fofos – Dougie disse nos olhando.
- É Dan, eles são muito lindos, parabéns – e Tom o abraçou. Estavam todos em minha volta falando coisas bonitinhas e com cara de bobos olhando as crianças em meu colo.
e Vicky saíram de meu lado e ficaram de pé para que Danny e Kathy pudesse se sentar junto a mim.
- Posso pegar? – minha er... Sogra? Pediu.
- Claro, você pode, os outros só depois – eu falei.
- Que injustiça – falou cruzando os braços.
- Concordo – Vicky fez o mesmo.
- Ela é a coisa mais linda! – Kathy pegou a menininha – Quais são os nomes querida?
- Joanna e Dylan – falei sorrindo.
- Bonitos nomes. Pegue-a, sei que mãe não gosta de ficar longe de seus filhos... – ela tinha razão, sou meio possessiva.
- Até que enfim esses pequenos nasceram – Dougie disse – Estava curioso...
- Nossos dois novos, mas...
- Três – o interrompeu falando baixo, porém chamou a atenção dos outros.
-... Cotes... Hã? – Tom terminou a palavra e só se deu conta do que ela disse depois. – Dois né ?
- Três...
- ! Er... Não está vendo, são dois – Harry falou confuso a soltando.
- Amor? Você teve gêmeos, não é? – Danny me perguntou e eu apenas fiz que sim com a cabeça. OMG! Não posso acreditar! Será que só eu estava percebendo o que estava acontecendo? mordeu o lábio inferior e olhou nos olhos de Harry.
- Três – ela falou baixinho com a mão na barriga.
- O... O... Que? Vo... Você está... – Harry passava as mãos pelos cabelos confuso, fazendo uma cara de assustado hilária, a cena estava interessante...
- Me desculpe, desculpe, sei que você não queria agora, mas eu não tive co... – Harry a interrompeu com um beijo a levantando no colo, enquanto nós sorriamos vendo aquilo – Não está bravo? – ela perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Bravo? Minha pequena, eu vou ser pai! – ele disse a beijando novamente, os meninos se olhavam incrédulos.
- Ufa! Pensei que você não iria querer...
- Como assim? Eu sempre te disse que queria ser o pai de seus filhos, lembra? Tudo bem que foi meio cedo... – ele a olhava admirado e beijou a barriga dela, enquanto ela sorria afagando os cabelos dele.
- Você quis casar cedo, vai ser papai cedo também, agora aguenta – eu não pude deixar de falar em uma cena como aquela.
- AH! Tudo de novo... – Tom falava com as mãos na testa.
- Cara, é a , estamos ferrados... – Dougie lamentou e eu só ria.
- Ei! Não fale assim de minha esposa, agora mãe de meu filho – Harry se levantou e abraçou a beijando na bochecha.
- Me desculpe, não deveria ser tão cedo – ela falou olhando pra as mãos.
- Não tem que se desculpar meu amor, você me deu a melhor notícia, sou oa cara mais feliz! – ele disse com a mão na barriga dela.
- Ei! EU sou o cara mais feliz, olha só, meus filhos são lindos! – Danny disse se gabando.
- Ok! Chega, amiga! Que emoção, você grávida! Por que não me contou? – eu perguntei.
- Eu nem queria falar... Daí todo mundo tava tão feliz... Ah então resolvi contar, assim ninguém fica muito bravo – ela falou constrangida.
- Cabeção! Ninguém ia ficar bravo, quando descobriu? – perguntei curiosa.
- Pouquinho, um mês – e sorri marota.
- Ah lua-de-mel – Danny disse sacando tudo.
- Parabéns ! – Vicky a abraçou.
- É mesmo querida, parabéns, assim quem sabe Harry toma jeito na vida – Kathy falou dando uma piscadela a ele.
- Ei! Eu ouvi isso... – Harry em tom “indignado” protestou.
- Ta bom então... Nossos três mascotes – Tom falou olhando carinhosamente para os bebês e logo em seguida, para e Harry.

No silêncio que se formou, todas as pessoas presentes naquele quarto de hospital, ficaram com sorrisos bobos no rosto. e Harry por serem os novos pais. Kathy e Vicky por terem mais dois membros na família Jones. Tom e Dougie por estarem presentes nesse momento tão especial. Eu e Danny porque a partir daquele momento, estávamos dando início a nossa família. Todos foram acordados dos devaneios quando, que por incrível que pareça, Joanna e Dylan em perfeita sicronia, suspiraram, assim fazendo com que todos os presentes soltassem um “Aww” em uníssono.
Passou-se algumas horas e então todos tiveram que sair do meu quarto e apenas Danny pode me fazer companhia. O Dr. Lewis me garantiu que pela manhã do dia seguinte, eu e os bebês teríamos alta.

Continua...