The Secret
Por: Dani P.

PRÓLOGO.
Nada mudou sempre a mesma coisa, como se cada dia que ia e vinha não fizesse diferença, e eu nem percebia o tempo passar.
Jack e Julie eram meus pais. Eu amo deles, de verdade, na maioria do tempo são meus companheiros, principalmente Julie minha mãe.
Havia algumas coisas que eu não gostava naquela pacata cidade de Brighton, Inglaterra.
Me mudei para cá a muito tempo,para falar a verdade desde que nasci. Gosto daqui tenho poucos amigos, mas posso dizer que sou feliz. O clima aqui é bem variável no calor é quente ao extremo, no frio é congelante, insuportável. Isso é uma das coisas que me faz odiar aqui. E agora um novo ano está chegando, exatamente dia 31 de Dezembro e estávamos no inverno. Um frio insuportável, ninguém agüentava tirar a jaqueta para ir tomar banho, era horrível.

Capítulo 1 – Feliz ano novo .
Era ano novo, estava em casa como se não soubesse ou nem tinha reparado que todos estavam comemorando o novo ano e nós não. Para mim não fazia diferença alguma, estava em casa com quem gostaria de estar. Era o tipo de menininha linda e educada que os pais pediram a Deus. Aparências enganam.
- , Por que não foi com para a praia? – Perguntou meu pai, sem nenhum assunto.
- Pai, olhe a minha cara de vontade de sair daqui nesse frio... – Respondi intrigada com a pergunta mais idiota que alguém teria feito para mim.
- Ah sim... – disse ele, levantando-se calmamente até o quarto.
- Jack para onde vai? – perguntou minha mãe.
- Me deitar, já é quase meia noite. – respondeu ele, soltando um leve bocejo.
- você ainda tem certeza que não vai sair? Eu já estou indo me deitar com seu pai e não quero que saia sem avisar... – ordenou minha mãe, com sua voz doce.
- Não se preocupe mãe, ficarei aqui assistindo televisão. – respondi, calma assim como ela disse anteriormente.
- Então boa noite querida, e feliz ano novo. – disse ela.
- Boa noite mãe, boa noite pai. – desejei a eles.
As horas e minutos pareciam que nunca passavam aquela com certeza era a noite mais entediante e chata que uma menina de 17 anos teria. Mas eu não tinha o que fazer, todos estavam numa festa perto da praia curtindo e bebendo, inclusive .
era meu melhor amigo, amigo que eu confiava muito apesar de a minha bff ser a namorada dele.
Enquanto eu tentava me distrair na televisão ouço um pequeno ruído perto da porta, me assusto, mas logo o medo passa, já estava acostumada com todos esses perigos da vida.
- ? – perguntou a voz suave.
- Olá – respondi amedrontada.
- Não vai abrir a porta? – a voz do outro lado perguntava.
- É...er... Espere um minuto... - Tentei me lembrar de quem seria aquela voz tão doce, tão suave e logo me veio na memória. Abri a porta com cuidado para que meus pais não acordassem:
- ! – disse eu abraçando-o.
- ! – respondeu ele, retribuindo o abraço.
- Entre... – ordenei.
- O que faz aqui uma hora destas? Não estaria com a ? – perguntei soltando um leve sorriso irônico.
- Sim na verdade eu estava, mas a festa ficou um tanto que chata. – disse ele.
- Por quê? – perguntei.
- Ah deixa pra lá, então... - tentou ele numa fracassada tentativa de mudar de assunto.
- ? Você fala como se ela estando lá ou não, tanto faz. – insinuei.
- E quem disse que isso não é verdade? – respondeu ele, já num tom doce novamente.
- . A é minha melhor amiga,e eu sei que ela te ama,por favor,não a magoe.
- O problema não é esse. – disse ele, com nojo em seu rosto.
Olhei para seu rosto sem mudar minha expressão e disse:
- Não entendo.
Olhei para baixo balançando a cabeça negativamente.
- Quem não entende sou eu... – disse ele, numa expressão triste, eu percebia o desgosto em sua face e queria fazer de tudo para não magoá-lo ali, se eu o perdesse com certeza eu perderia meu chão, seria como se perdesse uma parte de mim, como se perdesse algo muito valioso e nunca mais encontrasse.
- , eu não entendo o que você está querendo dizer. – disse eu numa voz calma, tudo para não ser grossa.
- Você não entende . E nunca vai entender, quer dizer, um dia irá entender. –disse ele, levantando se.
- Para onde vai? Você tem que voltar para a festa,todos estão lá, e você se esqueceu que o McFly vai tocar na festa? – perguntei.
- Isso não importa mais. Vou para casa, ou para festa, na verdade não sei para onde vou, não tenho um lugar certo, vou seguir meu caminho e ir embora. – ele me respondeu, olhando fixamente em meus olhos.
- Mas.. ma ma mas..... Por que agora? – eu disse, olhando com uma cara triste para ele.
- Não sei, tchau . – disse ele, sem olhar para traz.
Eu olhava na vidraça da janela e via seus cabelos escorrendo sobre as gotas d’água que caiam em seu rosto, ele parecia não se preocupar se estaria se molhando ou não ,parecia que ele estava... Fugindo de mim.
Sentei-me no canto da escada de madeira enquanto a chuva caia pelo lado de fora com muitos trovões e raios. Eu me perguntava por que essas coisas só acontecem comigo, não entendo, não consigo, não posso entender. Senti uma lágrima caindo no canto do meu olho.
- Por que eu estou chorando por ? – perguntei a mim mesma.
Eu não sabia a resposta, na verdade, eu achava que sabia a resposta, estou totalmente confusa.
- é só meu amigo, só meu amigo... – disse eu gritando na ultima repetição.
- Mas como? Por que só meu amigo? – perguntei novamente a mim mesma.
Levantei-me da escada, subi os degraus e fui para meu quarto. Meus pais não acordaram, ainda bem. Deitei-me e esperei uma resposta concreta para o que teria acontecido. E essa resposta não veio.

Capítulo 2 – A melhor amiga.
Acordei com a luz do sol brilhando em meu rosto. Havia esquecido completamente de fechar a cortina quando me deitei na noite anterior, talvez estivesse muito preocupada com assuntos mais importantes, do que ‘fechar a cortina’.
Espreguicei-me e logo fui para a cozinha.
- Bom dia mãe. – disse eu, tentando abrir um sorriso.
- Bom dia filha. – respondeu ela, delicada.
- Onde está meu pai? – perguntei, como se isso tivesse importância.
- Ele já foi trabalhar. – respondeu ela.
- Mas como? Estamos em plenas férias ... – disse eu tentando criar assunto.
- As férias do seu pai acabaram hoje. – disse ela soltando um riso no final da frase.
- Ah sim... – respondi subindo as escadas.
- Filha, você não vai comer? – perguntou minha mãe perdendo o tom doce de sua voz.
- Vou... Mas espere. – respondi já no topo das escadas.
Cheguei ao meu quarto, procurei alguma roupa que me fizesse me sentir melhor, quando estiquei meu braço para tocar em um vestido azul celeste, o telefone tocou.
- Alô? – atendi com curiosidade.
- ! – uma voz terrivelmente animada gritava meu nome.
- Ah, oi . – disse eu tentando ter a mesma animação que ela.
- Nossa, que animação... – ela disse percebendo o meu entusiasmo.
- Está tão na cara assim é? Ah me desculpe... – respondi.
- Sem problemas, mas o que houve? – perguntou ela.
Neste exato momento senti meu rosto congelar assim como meu corpo, era minha melhor amiga e eu queria muito contar-lhe o que se passou na noite anterior, com o... Namorado dela. Por incrível que pareça, ela não sabia que o abandonou na noite anterior para vir me ver. Sentia-me muito mal por ter de esconder isso dela.
- Nada... Só acordei com meu humor lá em baixo. – respondi tentando fazê-la acreditar.
- Ah ok então... Não vejo à hora de começar as aulas, só falta UMA SEMANA! – disse ela fazendo me lembrar que a droga de aula estava chegando.
- É verdade... – dei uma risada falsa. – Mas e aí? Como foi a festa ontem?
- Fora o fato de o ter me deixado sozinha na festa porque segundo ele, teria ‘esquecido o celular em casa, e não poderia ir a festa sem o celular’,a festa foi ÓTIMA.
Como? Celular? Esquecido? Sozinha? Essas palavras me confundiram ainda mais.
- Wow... - foi apenas o que consegui dizer.
- Mas e o ? Ele apareceu na festa sozinho, sem você. Até estranhei... – disse ela.
nada mais era que um amigo nosso.
- O ? Não sei,desde o inicio das férias só o vi uma vez. - eu disse.
- Sei... Ok ,preciso ir ,vou para as comprar com a . – disse ela apressada.
- Ok,tcha... – quando ia terminar de falar, ela já havia desligado.
Tudo estava muito confuso no meu mundo. Primeiro , meu melhor amigo, chega em casa quando deveria estar curtindo a festa com minha BFF que por acaso é a namorada dele,briga comigo por um motivo que eu ainda não havia entendido e vai embora. No outro dia a me liga falando que o a deixou sozinha na festa,deixou de tocar na festa, para buscar algo que ele havia esquecido, quando na verdade ELE ESTAVA EM MINHA CASA. Minhas duas melhores amigas foram às compras e não me convidaram para ir junto mesmo sabendo que meu dia estava péssimo.
Com tudo isso, fiquei péssima, mais do que já estava.
Voltei para o meu armário e logo peguei o vestido azul celeste, entrei no banheiro e fiquei paralisada por alguns minutos, olhando para mim mesma no espelho, eu não piscava, não sorria. Minha expressão era a mesma. Logo fui interrompida por minha mãe na porta:
- ,tem visitas, saia daí.
Que visitas? Eu não estava esperando por ninguém, todos estavam passeando e curtindo e eu em casa, sozinha.
- Quem é? – perguntei sem o menor animo.
- Surpresa. – disse minha mãe, rindo.
Vesti o vestido com pressa e logo abri a porta. Desci a escadaria de madeira com calma, e me deparei com , , , e .
- Gente ? – falei surpresa.
- Eu disse que ela ia ficar surpresa. – disse .
- Já está pronta? – perguntou.
- Ãn? Pronta para o que? – perguntei confusa.
- Você acha mesmo que iríamos ao boliche sem você? – disse .
- Não vou mentir, eu achava. – disse eu rindo.
- Então você não nos conhece quanto imaginávamos. – disse .
- Ok, eu vou subir para vestir algo melhor e já volto. – eu disse.
- Vestir algo melhor? Mas... – desistiu de formar a frase.
- ! – chamou atenção dele.
Subi as escadas novamente, vesti algo mais apropriado para ir ao boliche. Uma calça jeans,uma ‘T-shirt’ do Mickey e uma jaqueta. Ao contrario dos outros dias, o sol voltou a raiar e já não estava tão frio quanto antes. Fiz um rabo de cavalo no meu cabelo, calcei um all star e pronto. Estava perfeito.
Voltei para baixo e todos estavam rindo de alguma coisa que tinha dito, mas isso não me interessava.
- Pronto, vamos? – disse eu.
Todos fomos para o carro de e ao som de ‘Good girl go bad’ fomos até o shopping,aonde se encontrava o boliche.
estava dirigindo e estava sentada ao seu lado. Como sempre.
Eu estava ao lado de ,mesmo sem me importar com ele. Estava na janela, tomando um ar.
- Até que hoje não está tão frio quanto antes. – disse .
- Concordo plenamente. – disse .
- Trânsito. Que droga. – disse .
Eu não ouvia muito do que eles falavam, só prestava atenção na rua, nas pessoas que passavam, nos carros e até mesmo na música.
- Chegamos. – disse .
- , por que você não chamou a ? – perguntei.
- Eu não chamei? É claro que chamei, ela que não quis vir, pois tinha deveres a fazer, mas vamos curtir muito mesmo assim. – disse ela animada.
Entramos no boliche, eu curtia jogar mesmo sendo um tanto péssima.
- Amanhã à noite temos um show, aqui em Brighton mesmo, e vocês duas vão vir também não é? Conseguimos um lugar especial para vocês! – disse .
- Claro. – disse .
- Por mim tudo bem. – disse eu sorrindo.
, e estavam mais a frente jogando, eu estava sentada na mini-lanchonete que lá havia.
- Por que não está jogando? – perguntou .
- Pergunto o mesmo pra você. – disse eu sorrindo ironicamente.
- Para de ser chata um pouco! – exclamou ele.
- Chata? você me fez chorar ontem ok? E hoje você age como estivesse tudo normal. – disse eu com um tom nervoso na voz.
- , eu queria muito te explicar tudo mas ainda é muito cedo, eu juro que você vai saber de tudo ,um dia, ok? – disse ele suspirando.
- Isso foi um pedido de desculpas? – perguntei.
- Claro que foi sua boba. – disse ele.
- , eu só estou aceitando suas ‘desculpas’ porque você é um amigo muito especial ok? – disse eu num tom superior ao dele.
- Ok – ele me abraçou.
- Amanhã à noite, será ‘A NOITE’ – cochichou ele no meu ouvido.
Mesmo sem ter entendido direito o que ele havia dito, eu disse:
- Chega de segredos, por favor. – pedi.
- Não se preocupe. – cochichou ele, ainda no mesmo abraço.
- Agora acho que é melhor a gente parar com esse abraço. – ordenei.
O nosso abraço foi duradouro, ficamos minutos ali, abraçados. Era incrível como eu sentia-me super acolhida com seu abraço, o melhor do mundo.
- , vem aqui agora. – o chamou.
E ele foi. Não sei o que ela pensará sobre o que talvez houvesse visto, não sei quem viu o nosso abraço e os nossos cochichos, não sei o que pensarão sobre tal fato. Só sei que EU me senti bem aos seus braços.
Continuei ali, parada, bebendo uma coca-cola, sozinha.
- Sozinha novamente? – disse fazendo eu me assustar.
- QUE SUSTO ! – disse eu ainda assustada.
- Nossa, desculpa... Mas por que você está sozinha? Viemos aqui para todos ficarmos juntos, curtindo e você nunca segue nossos planos. – disse ele numa voz doce e ao mesmo tempo dizendo palavras duras de ouvir.
- Me desculpe ... Mas não sei o que está havendo comigo, sinceramente. – disse eu.
- Eu não sei o que posso fazer por você, mas se precisar de alguma coisa você pode falar comigo porque eu estarei sempre aqui, de braços abertos para te ouvir, seja lá o que você quer dizer. – disse sincero.
- Ok ... Eu tenho medo de falar... Entende?
- , se você guardar seus sentimentos para si mesma, pode ser pior. – ele disse.
- Eu vou falar tudo o que eu puder, no tempo certo, mas sinto que este tempo ainda não chegou. – disse eu.
- Você é quem sabe. – disse ele sorrindo.
- Você não quer nada para beber? – perguntei a ele.
- Hum... Acho que aceito uma coca – aceitou ele soltando alguns risos ao final.
Continuei ali batendo um papo de amigos com . Ele definitivamente é o meu segundo Guy preferido, o primeiro todos sabem quem é.
Algum tempo depois de ficar ali com na lanchonete,percebi que só estavam e jogando,senti falta de e , e como uma boa amiga fui atrás deles.
Andei um bom tempo pelo boliche, pois era um local grande e vi-os em um canto afastado de todos. Um lugar escondido. Fiquei paralisada por um tempo observando-os e ao contrario do que eu pensava, eles não estavam trocando caricias nem beijos. Eles estavam brigando.
Eu não ouvia muito bem o que eles estavam dizendo um ao outro, mas era perceptível que não estava de brincadeira com .
Continuei ali,paralisada e eles nem ao menos repararam na minha presença,esperei até que eles saíssem dali quando ouvi algo do tipo:
- Esquece , se você quer isso, VOCÊ VAI TER. – disse com um tom de voz nervoso e muito alto. Logo ela saiu deixando-o sozinho.
Ela não pode me ver, pois estava escondida atrás de alguma cortina preta que teria ali. Mas quando ia passando, puxei-o:
- Seu idiota, idiota, idiota, idiota, ridículo... – eu xingava-o desesperadamente.
- Calma , o que você quer também? Já não basta a me enchendo, agora você também? – disse ele nervoso.
- eu não estou te enchendo, não importa o que você fez, mas você magoou minha melhor amiga e eu te disse para não fazer isso porque a única pessoa que mais sabe o quanto a te ama,sou eu e parece que não fui clara quando disse para não magoá-la.
- quando eu disse que você ainda não entendia nada e que um dia irá entender, parece que eu também não fui claro. – respondeu ele.
- Eu não agüento mais esse tipo de segredo , chega de segredos eu não agüento mais você escondendo coisas de mim. Seja o que for você pode me falar agora, eu não vou ligar,só quero que isso pare a partir de agora. – ordenei.
abaixou a cabeça.
- Anda , seja o que for. – falei.
- ... Eu juro que não queria esconder isso de você, do fundo do meu coração. – respondeu ele.
- quando eu disse para você falar seja o que for não foi uma pergunta. Foi uma ordem. – falei novamente.
Agachei-me e logo senti uma lágrima escorrendo novamente, pela mesma pessoa, pelo mesmo motivo. Segredos. Eu já não conseguia suportar aquela confusão e todos aqueles segredos em minha mente,quando tudo aquilo seria revelado e de uma vez por todas ficar livre de toda a confusão,de todas as brigas.
Enxuguei as lágrimas e saí rapidamente daquele local.
- Cadê a ? – perguntei.
- Ela foi embora, está tudo muito confuso. – disse lançando uma bola.
- Como assim ‘ela foi embora’? Como vocês, seus idiotas, a deixaram ir à uma hora dessas sozinha para casa? – falei não acreditando em tal fato ocorrido.
- Eu disse que poderia a levar, mas ela não quis... – disse .
- Seus irresponsáveis – gritei correndo para fora do local.
Já estava de noite,e ao contrario de quando nós chegamos,estava muito frio. A minha jaqueta já não podia proteger-me daquela geada que fazia. Fui fraca, e desisti de ir sozinha atrás de , então voltei para dentro e disse.
- Está muito frio lá fora, que tal alguém aqui dentro ser um pouco mais cavalheiro e me oferecer uma carona? – perguntei.
- Tudo bem,já estamos indo embora mesmo. – disse encarando-me.
Encarei com um ódio no olhar, eu não podia acreditar no que ele havia feito, foi um ato covarde, deixar uma moça ir embora sozinha, a pé ou de ônibus neste frio e ainda à noite.
Fomos em direção ao estacionamento, entramos no carro. O silencio e a tensão invadiram o local.
- Er... – tentava puxar assunto.
Continuamos assim até chegar a minha casa.
- Tchau, e eu espero que a esteja salva em casa, porque caso ao contrario eu juro que eu te mato . – eu disse com raiva na voz e no olhar.
- Me desculpe . – pediu ele.
- Desta vez não . – falei me virando para a porta.
Logo o carro saiu.
Abri a porta e encontrei minha mãe já com seu pijama sentada ao sofá assistindo algum programa inútil.
Subi as escadas sem ao menos falar ‘oi’ para ela, só sentia ela me observar esperando que eu falasse pelo menos um ‘boa noite’. Cheguei ao meu quarto e bati a porta.
Corri para meu celular e havia 15 chamas perdidas de , logo fiquei preocupada e retornei a ligação:
- Alô? – disse eu esperando que respondesse ao outro lado da linha.
- ? – ouvi a voz delicada de .
- ! Graças a Deus, eu fiquei tão preocupada, você saiu de repente e... – me interrompeu.
- Calma , está tudo bem,estou em casa e fim. Agora eu preciso dormir, tchau beijos.
- Tchau...
Desliguei o telefone.
Fui para o banheiro, liguei a água da banheira enquanto desamarrava meu cabelo e tirava minha roupa. Logo entrei na banheira que já estava coberta de espumas e fiquei ali por um bom tempo, tentando relaxar.
Quando saí da banheira percebi que já eram meia-noite e que eu deveria ir dormir,pois amanhã terá o show do McFly e o disse que será ‘A NOITE’,eu não agüentava a ansiedade.
Logo fui para minha cama e rapidamente peguei no sono ao ouvir o barulho intrigante da chuva.


Capítulo 3 – O maior segredo.
- , levante-se já é aproximadamente meio-dia. – ouvi minha mãe falar enquanto abria as janelas do meu quarto.
- Já? Meu Deus. – eu disse esfregando os olhos.
- Só espero que a senhorita não tenha planos de sair hoje à noite, porque não vai conseguir. – dizia minha mãe brava já cedo.
- Planos? Que eu me lembre não tenho... – eu disse já levantando.
- Tem certeza? – minha mãe dizia como se não soubesse que eu iria a um show hoje.
- Não, espere... Eu tenho um show do McFly para ir. – eu disse desesperada.
- Tinha. – minha mãe corrigiu-me.
- Mãe, eu preciso ir a este show, é muito importante para o , para a e para todos os meninos! – eu disse quando já havia me levantado.
- Filha, você não acha que está bom? Você saiu ontem, antes de ontem, chegou batendo as portas, nervosa, tendo atitudes horríveis. E ainda quer ir a um show onde há drogas, violência e... – eu a interrompi.
- Você não acha que chega? Eu já tenho 17 anos e logo irei fazer 18, e eu não tenho culpa que você não aceita que eu cresci. – falei grossa.
Minha mãe sentou-se na cama e abaixou a cabeça.
- Olhe mãe... Você tem de confiar em mim, eu não faço nada além de sair com meus amigos. – falei tentando ser mais delicada para não magoá-la. – Por favor, você não precisa agir assim, olhe em volta. Estamos brigando por quais motivos? Nenhum. Você me deu a educação que eu precisava para saber tudo o que é certo e errado na vida, e agradeço-te muito por tudo isso. – desabafei com ela.
- Me desculpe filha – minha mãe abriu os braços para um abraço, e eu retribuí.
- Não precisa se desculpar. – continuamos abraçadas – agora se a senhora me permite, preciso trocar de roupa. – eu ri.
Logo minha mãe saiu do quarto e logo o telefone tocou:
- Alô? – eu disse.
- ? – uma voz masculina falava.
- Vou fingir que não é você, . – falei seca.
- Logo cedo já está assim? – ele disse ironicamente.
- Para que está me ligando? – perguntei a ele.
- Só estou te ligando para conferir se a chegou salva em casa e para checar se eu morrerei tão cedo. – ele disse rindo.
- Sua sorte é que ela está em casa salva, porque se não estivesse eu iria cumprir minha promessa. – falei num tom mais alto que o normal.
- Está certo... Então tchau. – ele disse.
- Tchau. – eu disse.
Logo desliguei o telefone e fui para o espelho me arrumar, eu não podia conter ansiedade ao me lembrar que hoje teria um show do McFly e que revelaria algo tão importante, e que seria a chave para o fim dos meus problemas.
Fiquei a tarde toda lendo e quando reparei já eram 19:00. O combinado era de que os meninos viriam me buscar as 20:00,então só tinha uma hora para me arrumar.
Abri meu guarda-roupa e peguei algo simples, porém bonito. Uma blusa branca com alguns detalhes em preto, uma calça jeans escura, uma jaqueta preta com alguns detalhes em rosa. Fiquei em duvida se usaria algo mais luxuoso nos pés, ou algo mais simples. Optei por um all star.
Logo fui para o banheiro arrumar meu cabelo. Fiz uma escova e deixei o repicado dele bem a mostra com as pontas curvadas para fora. Peguei uma ‘presilhinha tic-tac rosa’ e prendi minha franja. E enfim estava pronta.
- Filha, você está perfeita. – disse minha mãe.
- Obrigado mãe – disse eu sorrindo.
Uma buzina alta invadiu o local, olhei pela sacada que ficava logo ao lado de minha cama e percebi que eles haviam chegado. Desci as escadas com pressa e quando estava abrindo a porta dei tchau e mandei um beijo para minha mãe.
Assim que saí de casa me deparei com um carro preto que estava a minha espera e logo entrei.
- ? – perguntei.
- ? – ela segurou o riso.
- Cadê os meninos? – perguntei quando o carro já estava em movimento.
- Está quase em cima da hora do show, portanto eles ficaram lá para se arrumarem. – respondeu , a animação e ansiedade eram visíveis em seu rosto e em sua voz.
- Ok então. Adorei o seu vestido. – elogiei-a. – Só não sei como você agüenta neste frio usar um vestido. – eu ri.
- Pois é não resisti aos encantos de um Dior. – nós rimos.
A família de tinha condições financeiras podemos dizer que, maiores que de todos nossos amigos. Ela aparentava ser a típica patricinha do ensino médio, mas não era. Ela só apreciava o luxo e tudo aquilo que há de mais caro no mundo, e tinha hábitos de ‘star quality’ como o de torrar muito dinheiro em compras. Mas é uma pessoa muito divertida e apesar de tudo, não é tão ‘paty’ como muitos pensam.
- Só acho exagerado um Dior para ir a um show de uma banda que ainda não atingiu o topo da fama. – falei sem mudar minha expressão.
- Para de reclamar! – ela ria animada. – O McFly já tem muitas fãs, tanto que, ficaremos afastadas delas num lugarzinho especial. – ela dizia.
- E a ? – perguntei deixando escapar um leve sorriso.
- Ela já está a nossa espera. – respondeu ela.
Rapidamente chegamos ao local, havia muita gritaria e tivemos que entrar no camarim escoltadas por seguranças apesar de o McFly não ser tão famoso, realmente as poucas fãs que havia ali era o suficiente para gerar um grande tumulto em cima de nós e deles.
- Pronto, chegamos – disse indo em direção a e dando nele um selinho.
- Até que fim – disse .
Sentei-me num sofá que havia ali, e fiquei olhando para a televisão desligada.
- Vocês vão assistir ao show por um camarote que fica ali no alto. – disse.
- Por mim tudo bem, apesar de adorar ser esmagada junto às fãs. – eu disse soltando um sorriso irônico.
- Muito engraçadinha – disse .
Apenas encarei-o com uma expressão séria esperando que ele soubesse o que eu estaria pensando.
Alguns minutos depois o McFly estava pronto para entrar no palco. Observei toda aquela agitação, principalmente a confusão que fez ao rasgar sua blusa. Mas eles não podiam mais atrasar e logo entraram no palco.
Eu, , e outras pessoas desconhecidas acompanhamos o show do alto. Foi tudo muito perfeito.
Eles tocaram algumas músicas e a gritaria era muito grande, todos se divertindo. Era muito satisfatório ver que todos no local estavam curtindo as músicas.
Horas depois o show acabou. E era a hora que eu mais esperei, porque toda aquela confusão que se passava por minha cabeça iria terminar, todos os problemas iriam acabar.
Então nós saímos rapidamente do local, eu estava andando mais a frente de e ,só ouvi-as rindo e conversando,mas não me importava. Eu só queria chegar logo no camarim e ouvir tudo aquilo que tinha para dizer.
- Pronto voltamos. – disse. – correu para abraçá-la. – Saí daqui você está todo suado e nojento,arg. – reclamava.
- Esses dois ainda se casam. – disse.
- Assim como eu e o . – disse correndo para abraçá-lo.
- Não , eu também estou suado... – tentava não abraçá-la.
- Não importa meu amor. – Ela disse colocando as mãos em seu rosto.
Apenas observei com expressão fria e séria.
Continuei ali sentada esperando que se tocasse, mas isso demorou um tempo.
- . – a voz de gritava. – Vem aqui agora me ajudar. – e não pensou duas vezes em sair correndo ver o que houve com a amiga.
, e entraram em algumas ‘cabines de troca’ improvisadas, para se trocarem, e então ficou somente eu e .
Fiquei encarando-o por um bom tempo, até que ele saiu do camarim e fez um gesto que era para eu ir junto.
Corri atrás dele e comecei a falar:
- , você me prometeu. – eu disse olhando em seus olhos.
- Não se preocupe , eu prometi e vou cumprir. – ele olhava fundo em meus olhos. – Mas vamos sair daqui.
Fomos para a rua, a alguns quarteirões do local do show. Já era bem tarde, por isso a rua estava vazia e não havia barulho algum, exceto a nossa respiração e nossas vozes.
- , para onde você está me levando? Já é tarde e é perigoso... – falei amedrontada.
- Não se preocupe - disse ele andando.
Alguns minutos depois andando, chegamos a um lugar maravilhoso. Não era escuro, pois havia postes de luzes. Havia coqueiros e uma grama perfeita com algumas pétalas roxas caídas sobre ela. Era um parque, mas não havia ninguém no local.
- Que lugar perfeito . – eu disse encantada com a beleza do local.
- Eu sei... Costumava vir aqui quando queria ficar sozinho. – ele disse olhando para o chão.
- Mas então... – tentei fazê-lo falar algo.
Ele suspirou.
- ... Ok, eu vou falar de uma vez por todas. – ele começou a falar.
Apenas fiquei parada olhando no fundo de seus olhos, o que fazia meu estomago ter uma sensação estranha.
- Eu acho que seria difícil explicar tudo isso com palavras... – ele disse com uma expressão séria.
- Então me diga de outro modo. – sorri de leve.
Ele aproximou-se de mim, segurou em minhas mãos e continuou a me encarar.
Senti uma sensação estranha quando ele me tocou, assim como senti quando ele continuou a olhar tão profundamente em meus olhos.
Ele se aproximou mais, colocou suas mãos em minha nuca e eu pude sentir sua respiração sobre meu rosto, naquele momento eu não conseguia pensar em conseqüências, só queria curtir aquela sensação tão boa que ele me fazia.
Logo senti seus lábios frios tocarem nos meus e a sensação que eu sentia no estômago passou a ser maior e muito mais forte. Meu coração batia forte, cada toque era um arrepio, e o frio que fazia já não importava mais.
Continuamos a nos beijar por algum tempo,quando terminamos eu só conseguia olhá-lo e respirar fundo,as palavras ali já não tinham tanta importância.
- ... – ele me interrompeu com outro beijo, um pouco mais curto, mas foi o suficiente para me fazer calar.
- Não diga nada. – ele falou baixo.
- O-o-o-o... – gaguejava.
- Eu disse para você não dizer nada. – falou ele mais baixo e me beijou novamente.
Olhei para baixo e ainda não tinha percebido no que acabará de acontecer.
- Isso explicou tudo o que você queria saber? – perguntou ele sorrindo.
Olhei em seus olhos. – Isso explicou mais do que eu queria saber. – sorri.
- Que ótimo, agora não temos mais segredos. – disse ele ainda sorrindo.
Parei por um momento e mudei minha expressão. Fiquei mais fria, mais séria.
- Não . – balancei a cabeça negativamente. – Nós só criamos outro segredo. - eu disse sentindo uma lágrima no canto do olho.
parou por um momento e olhou para seus pés. – Só se você quiser. – ele disse.
- Não , você está errado. – eu disse numa voz triste.
- Eu não estou . – ele insistiu. – Se você quiser, isso não precisa ser segredo. – ele voltou a me encarar.
- Você é louco? – perguntei-o.
- Sou. – ele respondeu.
Não consegui conter o riso. – ... Só você para me fazer rir agora. – eu disse.
- Vamos pensar nas conseqüências depois ok? – ele disse num tom de voz alegre.
- Por mim, tudo bem. Já estou acostumada com todos esses segredos. – eu disse. – Mas para onde vamos agora? – perguntei-o.
- Se você tiver coragem de voltar para lá. Quer dizer, creio que eles não estejam mais lá. – ele disse.
- Alguma sugestão? – arqueei a sobrancelha.
- Que tal irmos para a praia? – sugeriu ele.
- você é louco? Está muito tarde e frio. Minha mãe me mataria se eu não dormisse em casa.
- O que se lembra sobre “vamos pensar nas conseqüências depois” ? – ele riu.
- Está bem. – ri junto com ele.


Capítulo 4. – Guardado em... Sete chaves?
Estava de manhã quando acordei e me deparei abraçada com . Nós estávamos em uma barraca azul escura, espaçosa.
Retirei rapidamente os braços deles de cima de mim e recolhi meus braços que estavam em cima dele.
- , ... – Eu tentava acordá-lo.
Logo ele abriu os olhos.
- Oi... – ele bocejou. – ... – disse ele se espreguiçando.
- Oi . – disse eu ajoelhada a seu lado.
- Que horas são hein? – ele perguntou ainda deitado.
- Não faço a menor idéia. – disse eu abrindo a barraca e me deparando com o mar. O tempo estava nublado e fazia frio, não tão forte como de costume.
- Deve estar bem frio. – ele disse.
- Nem tanto, mas anda logo, nós precisamos sair daqui antes que... – ele não me permitiu terminar.
- Antes que nada aconteça. Não precisamos esconder nada de ninguém , eu te amo e é isso que importa. – ele disse já sentado.
- eu sei que é difícil, mas... É estranho dormir com o namorado da melhor amiga e no dia seguinte agir como se nada tivesse acontecido. – eu disse olhando para o chão.
- Você não entendeu. Não vamos agir deste modo, não vamos esconder isso de ninguém. Eu quero que o mundo saiba o quanto eu te amo. – ele disse me encarando.
- Isso foi... Muito lindo. – encarei-o. – Mas não posso chatear minha melhor amiga, ela se sentiria ridícula... O problema é que eu a amo. Assim como eu te amo. E eu não posso chateá-la assim como você também não pode e não vai. – eu disse olhando no fundo de seus olhos.
- Ok . Eu não vou chatear a e o que aconteceu ontem e o que está acontecendo agora, ninguém vai ficar sabendo. Se for isso o que quer. – ele disse sorrindo.
- Obrigada . – sorri. – eu preciso ir embora... Então tchau. – disse eu insegura.
- Tchau. – disse ele fazendo uma expressão diferente.
- O que foi? – perguntei.
- Nada... Mas tipo, tchau? – ele soltou um leve sorriso.
Suspirei. Ajoelhei-me um pouco mais a sua frente, ele segurou em minha cintura e logo me beijou. Foi um beijo rápido, porém caloroso.
- Então tchau senhor . – eu disse saindo da barraca.
Andei pela areia da praia encolhida e com os braços cruzados. Fazia muito frio e ventava muito. Eu não sabia a reação da minha mãe quando chegasse em casa,estava com medo.
Logo saí da areia da praia e fui para a rua. Alguns minutos depois andando quando já estava próxima a minha casa avistei .
- ? – gritou assustada.
- ! – eu tentava fingir que nada havia acontecido.
- Menina, olha seu cabelo... Porque você está assim? Meu deus... – me olhava assustada.
Por um momento senti vontade de dizê-la tudo, mas logo me veio à imagem de e de tudo o que havia acontecido, no entanto respondi:
- Pois é... Estou aderindo a este novo visual, é uma moda popular em lugares como Estados unidos. E você está por fora de tudo. – soltei uma risada sínica.
- Ual,não me diga. Desculpe-me então, senhorita ‘fashionista’. – Ela me olhou rindo de uma forma irônica.
- Bom então eu vou entrar, nos vemos depois. – eu disse já abrindo a porta e antes que ela me respondesse eu já estava dentro da casa.
Ao fechar a porta logo dei de cara com minha mãe.
- Espero que tenha uma boa explicação. – disse ela com uma expressão seca.
- Bom mãe, eu gostaria muito, mas estou muito cansada. – eu disse bocejando.
- Você não vai subir essa escada até que me de explicações. – ela disse me puxando pelo braço.
- Ei,espere você está me machucando. – reclamei.
- Então são assim que as coisas vão funcionar. – ela disse brava e com um tom de voz superior ao meu.
- Mãe... Nós já conversamos, e eu... – ela me interrompeu.
- E você nada. Você vai subir para o seu quarto e ficar lá até que eu suba para conversarmos. – ela ordenou.
- Ok. - obedeci-a.
Subi rapidamente as escadas sentindo minha consciência pesar. Eu pensava que quando me falasse todos os segredos, minha vida ficaria menos confusa e eu poderia deitar minha cabeça sobre o travesseiro tranqüila. Mas descobri que um segredo revelado pode ser a chave para novos segredos, ou o maior de todos eles.
Sentei-me em minha cama e comecei a pensar em tudo o que havia acontecido, e o que ainda poderia acontecer. Pensava em todas as coisas e principalmente a chance de perder minha amizade, que pra mim era tão importante.
Ouvi um barulho na porta, logo a voz:
- Posso entrar ou não? – dizia minha mãe sem mudar seu tom de voz desde que a encontrei lá em baixo.
- Claro. – tentava eu mudar o clima tenso que invadiu o local.
- Bom... – ela disse entrando e sentando-se ao meu lado.
Apenas a olhei esperando que ela falasse algo.
Eu não sabia o que falar. Não sabia se lhe contava tudo, revelaria o ‘maior’ segredo de todos, se ficaria calada ou... Eu mentiria.
- Ok mãe. Estou me sentindo péssima com isso, mas acredite em mim, eu dormi fora e tudo... Você disse que acreditava em mim, e que confiava. – eu disse numa expressão triste.
- E eu acredito em você. Não estou aqui para te julgar porque afinal você está prestes a fazer 18 anos. Só estou querendo te proteger o quanto posso, mas você é quem sabe de suas atitudes. Eu ainda confio em você. – ela disse me olhando.
Por um momento ficamos em silencio e logo me veio as palavras:
- Tudo bem mãe. Eu entendo e eu prometo que quando eu puder falo tudo. – eu disse fazendo o máximo o possível para não chateá-la mais do que já havia chateado.
- Eu não vou debater com você, então por mim está tudo bem. – ela disse levantando-se.
Continuei ali sentada sozinha em meu quarto esperando algum consolo, algum abraço. E não recebi.
Permaneci assim por um longo tempo,até que percebi alguns barulhos vindos de lá de baixo mas não me importei,apenas tentei fazer uma cara melhor.
- ! – abriu a porta de meu quarto.
- Oi ! – eu sorria. - O que está havendo? – ela perguntou me olhando com os braços cruzados.
- Nada... Por quê? – fiz uma cara de confusa.
- Não minta ela. Eu te conheço melhor que ninguém. – ela disse.
- Olha ... – suspirei – eu vou te falar assim que o possível ok? Não quero tomar atitudes precipitadas. – repeti as mesmas palavras que disse para minha mãe anteriormente.
- Ok então. Na verdade estou aqui só pra avisar que nós vamos à sorveteria mais tarde, aí eu vim aqui para te chamar. – ela sorriu.
- Ótimo! Mas nós quem? – perguntei incrédula.
- Nós, eu, você, , , , e . Falando nela, sabe o que houve entre ela e ? Eles não estão mais juntos, é o que aparenta.
Neste momento senti meu corpo congelar e uma sensação estranha que eu jamais havia sentido tomou conta de meu corpo. Não sabia se deveria ficar feliz ou triste, estava perdida.
- O que? De onde você tirou isso ? – perguntei fazendo uma cara de assustada.
- A me contou que o sumiu ontem a noite e hoje de manhã, agora a pouco, ele a chamou e eles tiveram uma conversa muito séria. – ela me disse numa expressão tranqüila.
- Nossa... O que será que aconteceu? Muito estranho. – eu tentava fingir que não sabia de nada.
- Eis a questão. Talvez a sorveteria hoje seja uma boa. – ela riu.
- Também acho. Mas e você e o... – ela me interrompeu.
- Não me fale em , por favor. Ele é um mentiroso ridículo e eu odeio ele. – ela disse fazendo uma cara de nojo.
- Percebo que os casais estão em crise... – eu ri.
- Casais? Bom eu e o nunca fomos um casal. – ela disse fazendo uma cara engraçada, o que me fez rir. – O papo está ótimo, mas eu preciso ir. Até mais tarde. – disse já saindo do quarto.
Levantei-me de minha cama e comecei a rir de todos os fatos já que eu não podia fazer nada.
Saí do meu quarto, desci as escadas e fui para a sala. Percebi que minha mãe já não estava mais presente no local.
De repente ouvi algumas batidas na porta, logo fui abrir:
- ? Ual,o que faz aqui? – perguntei encarando que acabará de entrar.
- , eu preciso conversar sério com você. – ele disse numa expressão fria e com a voz séria.
- Tudo bem, entre. –convidei-o para entrar e logo nos sentamos.
- Eu posso ser bem direto? – ele perguntou.
- Claro, claro, fale logo, pois está me deixando preocupada. – eu o olhei preocupada.
- Bom você acha realmente que o ama a ? – ele me perguntou.
- ... Porque você está perguntando isso? – olhei para ele sentindo meu corpo ferver.
- Só me responda. – ele implorou.
- Eu acho que... Sim é claro! Eles se amam, e vão ser felizes juntos. – menti desesperadamente.
- Não foi isso que eu vi ontem, não só ontem, mas em todos esses dias atrás. – ele me encarou.
- O que você está falando? – aumentei meu tom de voz.
- Por favor, eu não sou nenhum tipo de idiota. Primeiro você e ele se abraçam e ficam trocando cochichos enquanto ninguém está prestando atenção. Depois vocês dois somem, e na mesma hora. Muita coincidência, não acha? – ele disse com um sorriso irônico.
Senti meu corpo ferver cada vez mais e minha expressão era fria.
- Escuta aqui senhor , quem você pensa que é pra ficar insinuando que eu o temos alguma coisa? – eu falei quase gritando.
- Você mesma provou isso agora. Em nenhum momento eu disse que vocês tinham algo, mas se pensou isso. – ele disse sem mudar sua expressão.
Olhei para baixo e senti uma lagrima escorrer.
- ? ? Por favor, me desculpe eu não quis magoá-la e se vocês dois tem algo, não se preocupe porque ninguém vai ficar sabendo de nada. – ele disse tentando me acalmar.
- , eu escondi isso da minha mãe, da ,da e de todo mundo. Lutei muito para que esse segredo ficasse guardado em Sete chaves, mas vejo que isso não foi possível. – continuava a chorar.
- Esse segredo não estava guardado, ele está. Não se preocupe porque na verdade eu não estou preocupado com isso. Estou preocupado com outras coisas.
- Que coisas? – olhei para ele ainda mais confusa.
- É... Sobre a... Nada esquece. – ele disse tentando fazer-me esquecer.
- ,me fale logo. Você sabe do meu maior segredo que pode mudar tudo, agora me fale o seu. – eu pedi-o.
- Acredite, o meu é muito maior. – ele disse sorrindo.
- Ma... – fui interrompida por um barulho na porta.
- Hey , vem logo abrir isso. – uma voz totalmente animada dizia.
Rapidamente me levantei e fui abrir a porta.
Logo todos foram entrando dando risadas e falando alto. A turma toda, , , , e .
- Ei, o combinado não era na sorveteria? – perguntei assustada.
- Mudanças de planos. – respondeu sorrindo.
- Ótimo,então qual filme? – perguntava .
- Ei,ei,ei... filme? – eu tentava por ordem.
- , quer se calar e vir sentar conosco? – ordenou .
- Tudo bem então. – pulei em cima deles.
Logo ficamos ali por um bom tempo comendo pipoca e assistindo ‘As Branquelas’ não por minha vontade, mas pela vontade da maioria.
Acabamos pegando no sono e dormimos uns em cima dos outros e quando acordei olhei assustada para todos.
- Meu deus... Que bagunça. – eu disse bocejando.


Capítulo 5 – A madrugada.
- O que? – disse levantando-se assustado.
- Shhhhhhhhhh . Eles ainda estão dormindo, e ainda é de noite. – eu falei baixinho.
- Ok. – ele disse praticamente cochichando e indo para a cozinha na ponta dos pés.
Fui atrás dele do mesmo modo com o máximo de cuidado para não acordar os outros que ainda estavam num sono pesado.
- Ainda está de noite, dormimos praticamente a tarde inteira. – ele riu baixinho.
- É verdade... Que horas são será? – perguntei encostando-me em uma bancada.
Ele olhou para a parede que estava atrás de mim e logo respondeu. – 22:35.
- Ual,ainda ? Pensei que fosse de madrugada ou algo assim. – eu falei espantada.
- Pois é... – ele abaixou a cabeça.
- . O que é hein? Você está muito estranho para o meu gosto. – perguntei-o sem mudar minha expressão.
- Nada. – ele disse ainda olhando para baixo.
Logo ele se locomoveu até a bancada onde eu estava encostada e permaneceu ao meu lado.
- ... – eu disse olhando em seus olhos.
Ele se virou e ficou de frente para mim, e novamente segurou em minhas mãos assim como havia feito na noite anterior.
- Você é muito louco. – soltei um sorriso.
- Eu sei. – ele disse baixinho se aproximando cada vez mais de mim.
- Ei, eles podem... – cada palavra eu ia diminuindo meu tom de voz, até que de repente as palavras sumiram.
- Shhh... Eles estão dormindo, não vamos acordá-los ok? – ele disse olhando em meus olhos e encostando seu corpo ao meu.
- Ok. – eu disse colocando minhas mãos em seu rosto o que me fazia ter uma sensação muito boa, logo ele me beijou fazendo-me sentir a mesma sensação no estômago.
Era incrível como eu me sentia confortável com ali comigo, e era incrível também como eu não tinha medo de nada e de ninguém quando eu o tinha. Seu beijo era caloroso o que me fazia não querer sair dali jamais.
- Eu sei que já disse isso, mas... Eu te amo cada vez mais intensamente e esse risco que corremos diariamente é o que me faz ter mais vontade de ter você por perto. – disse segurando em minha nuca e olhando fixamente em meus olhos com um sorriso no rosto.
- , eu também sinto exatamente isso. Mas é difícil ter que correr esse risco todo dia, ter que esconder coisas da minha melhor amiga. – eu disse olhando para ele sem mudar minha expressão.
- Então fale logo de uma vez por todas. Eu não estou mais com ela, e acho que não há nada de errado em ficarmos juntos. – ele disse tentando me convencer.
- Você é muito idiota mesmo hein. Como não há nada de errado? Ah por favor, . – eu disse com um tom de voz irônico.
- Você é quem sabe, por mim acabávamos com isso agora mesmo, acabávamos de ter que esconder isso dela. – ele disse soltando um leve suspiro.
- Ainda não é a hora certa, ok? – eu disse.
- Eu não vou mais agüentar ter que esconder isso por causa da , é sério. – disse ele quase gritando.
- Ei, diminua se tom de voz, por favor. – eu pedi.
- Ai ai,nem acredito que dormimos até agora... – disse chegando à cozinha e se deparando comigo e com um de frente para outro, muito próximos.
Olhei para assustada, mas sem me mover.
- Opa, acho que estou interrompendo alguma coisa. – disse ele rindo.
- Não, você não está interrompendo nada eu e estávamos só... – eu disse indo para outra bancada.
- Ok,não precisa terminar a frase. Só vim tomar um copo d’gua mesmo, aí vocês podem continuar. – disse aparentando não se importar.
- Não, não há nada para continuar, não é mesmo ? – eu disse já saindo da cozinha.
Subi as escadas da sala com muito cuidado para que os outros que ainda estavam dormindo não acordassem. A cada momento que passava com eu me sentia muito bem, mas quando acabava todo aquele momento eu sentia minha consciência pesar cada vez mais.
Logo entrei em meu quarto, abri as cortinas, deitei-me em minha cama e fiquei observando as estrelas.
Permaneci assim por algumas horas e sem perceber o tempo passar. Até que comecei a ouvir ruídos e vozes vindas de lá de baixo e logo saí de meu “transe”. Fui até a porta e fiquei estática ali por alguns segundos, até que a abri e lentamente desci as escadas.
- Mentira... – ouvi do canto da escada algumas palavras e risadas de com alguma voz masculina que eu não sabia identificar pela distancia que estava deles.
- É sério... – continuei a ouvir a voz masculina que falava num tom baixo, mas que pude ouvir de onde estava.
Fui andando lentamente com cuidado para não derrubar nada e não fazer barulho com os pés, não que eu quisesse assustá-los ou algo do tipo, mas alguma coisa me dizia que eu deveria ser mais cuidadosa ao chegar.
Quando cheguei próximo ao sofá, onde eles estavam deitados me deparei com e sentados um a frente do outro, no chão e seus rostos estavam ficando cada vez mais próximos.
Continuei ali um pouco atrás, só observando-os até que toquei em uma jarra de vidro que se partiu ao chão fazendo todos moverem seus olhares para mim.
- ? Você não estava lá em cima dormindo? O que foi isso? – dizia me olhando.
Olhei para meus pés e logo uma expressão assustada veio à tona e percebi o sangue em meus pés.
- Ai caramba, o que foi agora? – disse ainda sonolento.
- Eu acho que estou machucada. – eu disse tentando aparentar estar calma.
Rapidamente e vieram me ajudar enquanto os outros voltavam a dormir. Eles olharam para meu ferimento e logo foram para a cozinha ver se tinha algo que podia parar o sangramento.
- O que foi isso? – disse minha mãe descendo as escadas rapidamente com um roupão que sempre vestia ao se levantar a noite.
- Nada mãe, eu derrubei uma jarra de vidro que estava em cima da mesinha de canto,e ela caiu bem em meu pé. – eu disse com o pé direito levantado, o pé onde estava o sangramento.
- Que horror. , eu acho que esse pano não vai parar o sangramento,precisamos ir ao médico. – minha mãe disse assustada, mas sempre tentando manter sua voz num tom doce, o de sempre.
- Mãe, não é para tanto... – eu tentava convencê-la.
- Se acalme, vamos ao médico já. – ela disse.
- Mas é uma da madrugada, fora o fato de todos estarem dormindo. – eu disse.
- É isso é verdade... Aqui não é tão fácil achar algum hospital que atenda emergências a está hora. – minha mãe disse tentando achar alguma solução.
- Então por enquanto vamos fazer um pequeno curativo já que temos alguns “kits de emergência” em casa,e pela manhã iremos ao médico. Pode ser? – ela perguntou mais calma.
- Claro... – eu disse feliz pelo fato de não ter que sair as três da matina.
- Ótimo,agora eu posso dormir? – disse quase caindo de sono.
- Vai logo. – disse. – E acho que eu também vou. – ela terminou de falar.
Logo minha mãe pegou os kits e fez um pequeno curativo em meu pé, o que fez melhorar muito.
- Prontinho, agora acho que vou indo. – minha mãe disse.
- Ok mãe, obrigada. – eu disse.
- De nada,agora se me permite preciso dormir. – minha mãe disse subindo as escadas.
- Ei , não quer dormir lá em cima? Aqui está muito apertado pra vocês, não é? – eu convidei-a.
- Por mim tudo bem. – ela sorriu.
Subimos para meu quarto e logo puxei a cama de baixo para ela dormir.
Enquanto pegava alguns lençóis e cobertor, ela ficou sentada em minha cama até que ouvimos alguém batendo na porta.
- Ei , podemos conversar agora? – dizia a voz masculina mais perfeita que eu já ouvi. – Agora que estão todos dormindo eu acho que... – Ele abriu a porta e se deparou com .
- Ah, oi . – ele sorriu sem graça.
- ? O que está fazendo aqui? – eu olhei-o assustada.
- Podem conversar, não me interessa nada da conversa de vocês. – disse.
- É que... – tentava dizer quando foi interrompido por .
- Quer saber? Podem conversar a sós, eu estou de saída. – ela disse saindo do quarto.
Continuei olhando para a porta onde continuava parado e aparentemente confuso, como eu.
- O que... Houve com ela? – ele perguntou dando um passo a frente.
- Não faço a mínima idéia. Ou talvez... Ciúmes. – eu disse.
- Pode ser... – ele disse ainda um tanto que confuso.
- Mas o que você queria me falar mesmo? – eu perguntei-o.
- Acho melhor deixar isso para outro dia. – ele disse me olhando.
- Então ok... É, você vai dormir a onde? – eu perguntei olhando-o.
- Não sei se terei coragem o suficiente para descer essa escada. – ele disse sorrindo.
- Então... – ele me interrompeu.
- Então eu vou dormir aqui. – ele fechou a porta.
- Agora eu tirei minhas conclusões. Você é realmente, definitivamente o cara mais louco e mais lindo que eu já vi. – eu pulei em cima dele.
- E você é a menina mais chata e mais... – ele disse me segurando no colo.
- E mais...? – eu disse.
- Acho que perfeita não seria a palavra certa. – nós rimos juntos.
- Seu chato. – eu disse ainda em seus braços.
- Será que agora podemos ter uma noite de sono tranqüila? Depois dessa noite que foi tão longa. – ele perguntou sem tirar o sorriso do rosto.
- Eu espero que sim. – eu disse bocejando.

Capítulo 6 – “As pessoas tem a habilidade de mudar”.

Sonho da ON#
- Eu posso. – dizia para .
- Pode o que? Ei? ? ? Alguém me ouve? – eu gritava desesperadamente.
- Eu sei que pode. – respondeu abrindo o maior sorriso.
- Gente? O que está acontecendo? ? ? O que é isso? AAAA... – gritei tentando fazer com que me ouvissem,o que parecia ser impossível.
- Então pare minha amada, não vá sem mim. – dizia insistindo para que não partisse.
- Não meu querido, Nova York me espera. Preciso ir, adeus. – dizia já andando sobre uma passarela que ligava o chão até o navio.
- ? Volte! Meu deus! – eu gritava desesperada mesmo percebendo que eles não me ouviam.
ficou estático observando , que usava um vestido vermelho na altura dos joelhos, muitas jóias e um salto alto preto que por sinal era muito grande.
- ? Por que a deixou ir? Você a ama, não é verdade? Me diz que sim. – eu falava desesperadamente com , ele parecia me ignorar ou... Não me via ali.

Sonho da #OFF

- Ei ! O que houve? – abri os olhos e me deparei com me olhando assustado.
- Eu... Estava sonhando. – eu disse calmamente.
- Pra você gritar assim, não foi um sonho. – ele riu.
- Ah, não foi tão ruim assim. – me espreguicei. – Mas que horas são? – perguntei-o.
- São onze e meia. – ele sorriu.
- Agora saia daqui e desça disfarçadamente lá para baixo, com o máximo de cuidado para que ninguém desconfie que você esteve dormindo aqui,ok? – eu ordenei.
- Ok, senhorita. – ele disse ironicamente e já se retirando.
Levantei-me de minha cama e olhei no calendário que ficava ali próximo, e era meu ultimo dia sem a escola, meu ultimo dia de férias. Mas isso não me importava tanto, o que estava me deixando mais intrigada era o sonho que tive. Parecia que estávamos em uma época mais antiga, era o típico cenário de ‘TITANIC’ quando Rose sai do carro, mas a Rose era e ela estava partindo por um motivo que eu não sabia. Ninguém podia me ouvir então eu falava sozinha, mas me lembro que aparentava a amar, ele deixava bem claro com suas palavras de que não gostaria que o deixasse.
Não sei o motivo que tive este sonho, mas logo me veio à cabeça algumas cenas que não foram sonhos, e que eu realmente vivi na noite anterior um pouco antes de eu me machucar.
Lembro-me muito bem que e estavam muito próximos um do outro, rindo e quando talvez fosse acontecer algo, eu derrubei a maldita jarra. Ou talvez fosse só... Impressão minha? .
Tentei esquecer este assunto, o que talvez fosse um pouco impossível mesmo assim fui até meu guarda roupas pegar alguma roupa para que pudesse descer.
Estávamos no fim do inverno, portanto já poderíamos usar camisetas e etc durante o dia, pois à noite o frio volta com toda a força. E hoje estava um sol um pouco fraco, mas o suficiente para que possamos usar alguma T-shirt. Peguei uma camiseta preta qualquer e uma calça jeans, algo bem básico.
Logo fui ao banheiro na intenção de pentear meus cabelos, o que foi um pouco difícil pois não achava a escova. Então comecei a procurar dentro do pequeno armário que havia ali,mas não achei. Depois de minutos procurando, desisti e fiz apenas um coque.
Saí do banheiro e fui em direção a porta do meu quarto, logo desci as escadas que ficavam de frente para meu quarto e percebi que não havia mais ninguém na sala.
Comecei a ouvir vozes vindas da cozinha, e alguns gritos vindos de lá de fora. Primeiro fui a cozinha e encontrei e minha mãe conversando e comendo algumas bolachas. me olhou somente uma vez e com um olhar bravo,um olhar raivoso.
- Bom dia para vocês. – desejei a elas já indo em direção as outras vozes e o barulho de água que vinham da piscina.
, e estavam nadando, e estavam sentados um ao lado do outro em algumas cadeiras. O sol estava brilhando em pleno fim de inverno, o que era uma raridade.
- ! Vem pra água. – disse indo até a lateral da piscina.
- Deus me livre,deve estar gelo puro isso daí. – eu falei fazendo um cara de assustada.
- Ah,deixa de ser chata e vem pra cá. – disse mais ao fundo e jogando água para cima,o que fez cair algumas gotas sobre mim.
- ,você me molhou. – eu disse numa voz brava.
Quando eu menos esperava que estava muito próximo de mim na lateral da piscina me puxou, e sem poder me segurar caí na piscina. Para assustá-los, fiquei mais tempo em baixo d’água o que fez rapidamente mergulhar para ver o que estava havendo. Abri meus olhos e sorri para ele que logo voltou à superfície.
- Ei sua idiota – ele disse dando um tapinha em minha cabeça.
- Idiota? Você vai ver quem é a idiota. – pulei nas costas dele, o que o fez afundar.
- Ah, agora você vai ver. – Ele disse ameaçando vir atrás de mim.
Eu e começamos a brincar feito crianças dentro da piscina, a água estava realmente fria e eu nem me lembrei que estava de roupas o que não me importava muito naquele momento.
- Ai . Chega, eu me rendo. – eu disse suspirando.
- Eu também. – ele dizia cansado.
- Que tal comermos agora? – sugeri.
- Finalmente sua primeira idéia descente. – ele disse dando um sorriso irônico.
- Cala boca . – eu disse rindo.
Logo minha mãe apareceu na janela gritando:
- Ei gente, venham comer! Acho que os pais de vocês não ficariam felizes em saber que além de dormirem em colchões e sofás, vocês não comeram. – ela riu.
Todos estavam saindo e pegando suas toalhas, enquanto todos já estavam lá dentro ainda estava pegando sua toalha e eu saindo da piscina.
Ele parecia ignorar minha presença, ou não dar importância para ela. Então não pude me conter e disse:
- , o que está havendo? – eu perguntei enrolada em minha toalha.
- Nada. – ele continuava a se secar.
- Como nada? Você mal falou comigo hoje, e até a alguns minutos atrás estava tudo bem, tudo normal. – eu disse olhando para ele que tentava fazer o contrario comigo.
- Ok. – ele suspirou – eu tive uma conversa muito... – minha mãe apareceu e o interrompeu:
- Venham logo, a comida já vai esfriar. – ela disse nos guiando para dentro.
- Ok. – respondemos em coro e nos direcionando para dentro.
Sentei-me em uma cadeira ao lado de que comia e conversava junto aos outros. Eu continuava a comer sem olhar para ou para os outros, sentia um clima muito estranho ao redor daquela mesa. parecia não querer falar comigo, ou talvez nem mesmo olhar para mim, mudou seu comportamento em relação a mim em questão de minutos e por um motivo que eu não sabia.
Perder era uma coisa que já atormentava minha cabeça desde que o tal segredo foi revelado, agora perder foi uma possibilidade que eu ainda não tive tempo de pensar.
Alguns minutos depois e foram os primeiros a se levantarem, e rapidamente foram para o sofá. Logo após , e minha mãe. Por ultimo foi e eu, pegamos nossos pratos e levamos em direção a pia.
Ele não me olhava e não falava comigo, era como se eu não estivesse ali, assim como em meu sonho.
Fomos para a sala, onde estavam os outros e logo disse:
- , acho que eu preciso ir.
- Agora? Mas ainda é cedo, se quiser pode dormir aqui novamente. – eu disse tentando acolhe - lá.
- Não, hoje não posso. Me desculpe. – ela fez uma expressão triste – ,você pode me levar? – ela perguntou.
- Tudo bem. Alguém mais quer ir comigo? – perguntou.
- Eu. – disse – , você não gostaria de me acompanhar? – ela perguntou sorrindo.
Neste exato momento senti um sentimento que eu jamais queria sentir: Ciúmes. Eu odiava pensar na possibilidade de ver meu com a minha ex-melhor amiga.
Mas eu tinha certeza que ele diria não, depois de tudo o que vivemos juntos... Ele não seria capaz de dizer...
- Sim. – ele sorriu para ela.
E percebi que estava enganada, que sim ele seria capaz.
- Então, vamos? – perguntou.
- Vamos. – respondeu se direcionando para .
- E , eu também vou. – disse indo atrás de que já estava saindo.
Quando olhei para , ele estava com os braços entrelaçados ao de ,o que me fez sentir uma lágrima caindo sobre meu rosto. Não fui capaz de acompanhá-los até lá fora, apenas disse:
- Tchau. – e corri para meu quarto.

Capítulo 7 – Primeiro dia de aula.
Abri os olhos e me deparei deitada em cima de um monte de roupas no chão, rapidamente levantei-me assustada e sem entender nada.
Olhei no espelho e percebi que eu estava manchada e com os olhos inchados, até que me veio à memória a cena que presenciei no dia anterior e as lágrimas voltaram a cair.
Logo me sentei ao chão novamente e continuei a chorar, até que minha mãe me interrompesse batendo na porta.
- Ei, você não vai à escola hoje? – ela dizia do outro lado da porta.
Rapidamente tratei de enxugar as lágrimas e limpar meus olhos que estava pretos por conta da maquiagem borrada.
- Acho que... Não mãe, o meu pé voltou a doer novamente. – eu menti. Não sei capaz de ir a escola hoje, não seria capaz de ver novamente, não conseguiria ficar em pé ao lembrar de todas aquelas palavras que me dizia e que tão de repente,elas já não tinham valor algum.
Eu queria muito conseguir odiá-lo, mas era praticamente impossível. Havia algo dentro de mim que era mais forte que o ódio e, portanto, não me permitia sentir este sentimento que eu tanto desejava.
- Tem certeza? Pois ontem estava tudo bem, você até entrou na piscina com os outros... – ela desconfiava de minha resposta.
- Mãe, eu não sei ok? Eu vou ver aqui e já desço. – falei quase perdendo a paciência com ela.
Ouvi seus passos se afastando do local e então voltei a chorar. Eu já não me conformava que em todo esse tempo ele me enganava, que em todo este tempo eu fui capaz de acreditar que seus sentimentos por mim eram reais, que ele realmente não banalizava o “eu te amo”. Mas só agora fui capaz de enxergar a verdade, que estava o tempo todo na minha cara.
De repente parei de chorar e logo me veio em mente que eu não deveria sofrer por um cara que não deve estar se importando comigo, eu não deveria sofrer e deixar de ir à escola por isso... Então decidi que eu iria, só para olhar em seu rosto e demonstrar que eu estava bem, e que ele não me fez sofrer. Mesmo isso sendo uma mentira.
Rapidamente me levantei, e liguei a água da banheira. Enquanto ela enchia eu ia apressadamente pegando meu uniforme. Ele era ridículo e eu o odiava, mas tinha que usá-lo, infelizmente.
Coloquei primeiro a perna esquerda dentro da banheira e verifiquei a temperatura que por sinal estava perfeita, morna. Coloquei a outra perna e me sentei. Tomei meu banho o mais rápido o possível, o que demorou por volta de 10 minutos, enrolei-me em minha toalha e corri para meu quarto.
Em poucos minutos, eu já estava vestida e com os sapatos calçados. Olhei para o relógio que marcava 12:40 e eu deveria estar na escola as 13:00.
Soltei o meu cabelo que estava preso com um coque, penteei-o o mais rápido o possível e joguei minha franja para o lado. Estava perfeito.
Peguei alguns utensílios de maquiagem básica e passei, logo eu estava pronta. Antes de sair do quarto fui até minha cama, peguei minha mochila e desci as escadas correndo.
- Tchau mãe, beijos. – dei rapidamente um beijo no rosto de minha mãe e logo me virei para a porta.
Assim que saí de casa me deparei com o carro preto de , que estava com os vidros dianteiros abaixados, o que me permitia vê-lo.
- Vamos? – ele abaixou os óculos escuros me chamando para entrar.
- , o que você está fazendo aqui? – perguntei do outro lado da rua.
- Não importa, atravessa logo a rua e entra aqui. – ele falou numa voz autoritária e eu o obedeci.
Entrei no carro e logo deu partida.
- Não acha mesmo que eu te deixaria ir sozinha para a escola sabendo sua situação? – ele perguntou.
- Que situação ? Estou ótima. – eu mentia.
- Você ainda tenta fingir que não gosta dele? Eu já sei de tudo e você sabe. – ele disse.
- Ok – suspirei – você sabe de tudo. – concordei.
- Então pronto – ele riu – mas então... Eu gosto muito de você ok ? E o que o idiota do fez com você ontem, não foi nem um pouco válido. – ele dizia numa voz acolhedora.
- , obrigado. – abaixei a cabeça – obrigado pelo apoio, talvez seja o que eu mais preciso agora. – eu disse.
- Sua boba – nós rimos.
- Acho que já chegamos. – ele disse avistando a escola.
- É também acho. – eu disse olhando os alunos rindo e conversando no grande jardim que se localizava em frente à entrada.
- Bom, vou só estacionar e já saímos ok? – ele disse já locomovendo o automóvel.
Em questão de segundos estacionou o carro, ele pegou seu wayfarer preto e colocou nos olhos,abri a porta do carro e ele abriu a dele. Descemos do automóvel sentindo olhares e cochichos pelos cantos, aquelas pessoas eram realmente fofoqueiras e chatas.
Continuamos andando em silêncio até a entrada, foi quando senti alguém pular em minhas costas. - ! Pensei que você não ia vir hoje depois de... – desistiu de terminar a frase. - Não ,está tudo bem. – tentei fingir que estava totalmente bem.
- E aí dude,eu te procurei por todas as partes... – dizia se aproximando de até perceber minha presença – E... – ele não terminou a frase.
- , nos vemos depois ok? Tchau. – eu disse me virando para outra direção com .
Era incrível como meu coração batia forte quando eu o via, e era incrível a capacidade dele de me fazer sofrer ao mesmo tempo.
Ouvimos o sinal bater, o que fez todos os alunos se direcionarem para a entrada, preferi não encarar o tumulto e vim para traz.
- Melhor os deixar ir... – eu disse para .
- É... – ela dizia sem vontade de responder.
A minha vontade era de ter uma conversa clara com naquele momento e perguntar o que estava havendo com ela e com que estava em um canto qualquer com seus outros “amigos” ricos. Mas não fiz isso, preferi me calar. Talvez o silêncio fosse a chave para as respostas virem.
Quando o lugar estava esvaziando comecei a andar para a porta da entrada,até avistar gritando:
- ,vem aqui. – ela gritava chamando que estava ao meu lado.
Ela rapidamente correu até me deixando sozinha, o que não me importava muito. Continuei o meu caminho passando pelos corredores e pelos armários da escola até chegar à sala de Literatura, as nossas primeiras aulas.
Cheguei avistando algumas pessoas do ano passado que não deram tanta importância para minha presença, a Srta. Cameron (nossa professora) ainda não havia entrado. Sentei-me na terceira carteira da segunda fileira ao lado de Morgan, uma colega de classe.
- ! Que bom ver você novamente, pensei que não estaria mais neste colégio... – disse Morgan totalmente animada, ao contrário de mim.
- Pois é Morg,eu desisti da companhia de teatro,apesar de eles ainda quererem que eu vá para Londres. – eu disse numa voz calma o que não me deixava demonstrar o que sentia por dentro.
Há alguns anos atrás descobri por um amigo de meu pai (Scott) que eu tinha talento para teatro. Ele me convidou para alguns testes e eu acabei passando em dois, um era para a peça “Dear Cinderella” uma comédia romântica que fazia muito sucesso na época.
A “Brighter theater” (o nome da escola) se localizava em nossa cidade,Brighton. Até que foi crescendo e o número de atores e atrizes já era grande, e chegou a um estado que não era mais possível manter naquele pequeno estabelecimento em Brighton. Foi aí então que eles se mudaram para Londres e como meus pais são muito chatos em questão a isso, não pude acompanhá-los e o contato entre nós fica muito difícil, então fui obrigada a abandonar a carreira. Mas até hoje Scott sempre manda alguns e-mails perguntando se não quero voltar ou ir até eles,mas infelizmente não posso.
- Que chato! Mas ano que vem terminamos o colégio, aí quem sabe você possa ir. – ela disse tentando me animar.
- É quem sabe... – eu disse desanimada.
- Com licença – disse o moço entrando com alguns cadernos na mão e por ventura, era .
Ele entrou e sentou-se na quarta carteira da terceira fileira que ficava ao meu lado. Parecia que ele fazia isso por birra, parecia que ele gostava de me provocar. E eu estava gostando disso, por mais estranho que pareça. Ele continuou parado em silêncio esperando que a Srta. Cameron entrasse na sala de aula, e assim como eu, ele tentava ignorar os outros.
Logo a Srta. Cameron entrou na sala desejando-nos boa tarde.
Rapidamente o silêncio invadiu o local, ela solicitou que déssemos algumas recapituladas em clássicos como “Romeu e Julieta” e fez algumas perguntas a sala. Eu simplesmente amava a aula de literatura, era a única aula que passava voando e que eu sentia prazer em estar participando. Fora o fato de “alguém em especial” estar ao meu lado tentando me ignorar.
- Então pessoal,eu sei que é bem chato começar o ano assim mas... Vou pedir a vocês que se juntem as carteiras para que possam analisar juntos alguns livros que eu trouxe.
Ao contrário dos outros, não fiquei animada em ter que fazer em dupla. Logo me juntei a Megan, mas a voz de Srta. Cameron invadiu o local que já estava barulhento.
- Meninas com meninas? Meninos com meninos? Sempre a mesma coisa, todos os anos? Vamos mudar, não é pessoal? .
Fiz um estalo com a boca, o que transmitia insatisfação e mesmo o estalo sendo bem baixo, foi possível a Srta. Cameron escutar e logo dizer:
- O que foi ? – ela me perguntou num tom nem um pouco calmo.
- Eu não conheço e nem falo com nenhum menino aqui, Srta. Cameron. – eu disse sincera.
- Como não? E o que o está fazendo ali? Sem querer me intrometer na vida pessoal de vocês, mas pelo o que eu sei de vocês dois, são grandes amigos. – ela disse fazendo-me paralisar – portanto, podem fazer os dois. – ela ordenou.
Olhei para a frente estática sem sentir meu corpo,até que ouvi um barulho de algo sendo arrastado pelo chão se aproximando cada vez mais e quando olhei para o lado dei de cara com .
- Então... – ele disse aparentando não se importar com o que houve.
- , eu vou ser bem direta e reta... – ele me interrompeu.
- Ei, você não vai falar sobre isso agora ok? Eu também vou ser bem direto e reto com você, mas não agora, pode ser? – ele deu um pequeno sorriso no canto da boca.
Eu tentava não cair na dele, mas um sentimento estranho que havia dentro de mim não me permitia negar.
- Ok . – sorri forçado.
Ficamos ali falando somente sobre o tal trabalho até que o sinal tocou.
- Até que fim. – deixei meus pensamentos escaparem, e eles saíram em forma de palavras.
Levantei-me de minha cadeira rapidamente colocando meus materiais em baixo dela e esperei por que estava um pouco mais lento nisso.
Logo ele guardou suas coisas e saímos juntos para o intervalo, em silêncio até ele falar:
- É... er... Você quer comer algo na cantina? – ele perguntou fazendo uma cara um tanto que, duvidosa.
- Eu acho que não. Se quiser conversar algo comigo, prefiro que vamos até o jardim que está um pouco mais vazio que aqui. – eu tentei convencê-lo sem mudar minha expressão.
Não sei se realmente estava fazendo a coisa certa em ouvir o que ele tinha a dizer, ele me magoou muito e age como se nada houvesse acontecido.
Fomos até o jardim e nos sentamos em baixo de uma árvore que nos dava sombra.
- Antes que você me fale algo, eu sei que não foi certo o que eu fiz ontem. – ele disse olhando em meus olhos, o que me transmitia sinceridade.
Preferi não falar nada, apenas ouvi-lo e então ele continuou:
- Eu também não queria estar te falando isso, mas algo dentro de mim me forçou a falar isso e então... – ele disse numa expressão séria.
- Fale de uma vez por todas. – eu disse num tom de voz sério.
- Ok. Eu tive uma conversa muito séria com a e sinto dizer isso, mas sua amiga ou a minha ex-namorada, como preferir... Não passa de uma covarde. – ele disse virando seus olhos para frente, onde se localizava a escola.
Por um momento eu não pude sentir nada em relação as suas palavras e suas acusações contra . Era difícil para eu escolher se acreditaria em suas palavras, ou se acreditaria em tudo que vivi em relação a ,se todos esses anos de amizade foram o suficiente para saber quem realmente era ela.
- Como assim ? Me explique essa historia direito, por favor. – eu pedi já o encarando assustada.
- Ela é mais uma menininha fútil atrás de fama. – ele disse me olhando sério.
- Como assim? Fala logo o que ela te fez para eu poder entender melhor isso. – eu falei aumentando meu tom, o que talvez tenha me feito parecer arrogante.
- Ela... Me ameaçou. – ele disse abaixando a cabeça.
- O que? Como assim ‘ela te ameaçou’? Que motivos você deu para ela te ameaçar? – eu perguntei ainda num tom alto, o que aparentava nervosismo.
- A falar tudo o que sabe sobre mim. – ele disse ainda com a cabeça baixa.
- E o que ela sabe sobre você? Anda logo , fala. – eu disse.
- ... A minha mãe... – ele disse já voltando a olhar em meus olhos.
- Sua mãe... O que houve com sua mãe? – eu perguntei ainda nervosa com toda aquela situação.
- Você sabe que ela... Ela... Faleceu. – ele disse já mudando sua expressão, não era o alegre que eu conhecia... Era um com mágoas visíveis em sua face.
- Eu sei ... Isso foi há dois anos, não é? – eu perguntei tentando me acalmar, talvez pudesse fazer ficar um pouco mais alegre.
- Sim . Até onde eu lhe contei, foi em um acidente de trânsito, não foi? – ele disse me encarando, sem mudar sua expressão.
- Foi sim , por favor fale logo. – eu disse.
- É que não foi bem isso. – ele disse me olhando cada vez mais triste – ontem me parou e ameaçou-me a contar lhe tudo o que sabe sobre eu. Sobre o “acidente” de minha mãe.
- Então fale logo. – eu disse tentando convencê-lo.

Flashback #ON. 2 anos atrás.
’s POV.
Há alguns tempos atrás, eu era dependente de meus pais pra tudo. Tudo eu precisava deles, mesmo já estando com 15 anos.
Até que um dia eu estava em uma apresentação qualquer junto com os outros guys,e como nós ainda éramos uma banda desconhecida,era muito importante que minha mãe estivesse lá para me ver tocando,para que me desse forças pois eu ainda não tinha muito costume de tocar em público.
Só que ela se focava muito em seu trabalho, o que me deixava muito chateado. E justo no dia da apresentação mais importante de minha vida, ela tinha uma reunião importante e inadiável...
Alguns minutos antes de nós entrarmos no palco, eu telefonei para ela brigando e gritando para que chegasse logo e me visse tocando. Ela disse que estava saindo, para eu manter a calma que ela viria correndo.
Os minutos se passaram e eu entrei no palco sem avistar minha mãe ali. Fiquei muito triste e ao mesmo tempo nervoso com ela, tentei dar meu melhor naquela apresentação e acho que fui bem.
Mas logo quando saímos para o camarim, eu recebi um telefonema que marcava como “MÃE” em meu celular. Rapidamente atendi já com as palavras na ponta da língua, até ser interrompido por uma voz masculina:
- Olá... Aqui é da polícia. Encontramos este telefone no carro de uma mulher, você a caso conhece este número?
- Sim, sim conheço. É minha mãe. – eu disse desesperado.
- É... Eu não sei se esta é a forma mais agradável de dizer isso, mas sua mãe se acidentou.
- O que? Como assim? Aonde? Quando? Expliquem-me isso direito, por favor. – eu disse já sentindo uma sensação que eu nunca havia sentido invadir meu corpo.
- Acalme-se, por favor. Ela foi encontrada na pista sentido Royal Avenue, o carro se chocou contra um ônibus que vinha na direção contrária, ela tentou fazer ultrapassagem e se chocou.
- Mas ela está bem? Me diz que sim por favor. – eu dizia já em desespero.
- Infelizmente, foi muito grave. O ônibus e ela estavam em alta velocidade... E ela acabou em orbito.
Flashback #OFF.
’s POV OFF.

Por um momento senti pena de , por outro eu sentia mágoa por ele não ter me contado isto antes. Mas eu sabia que mágoas eram as últimas coisas que eu deveria sentir naquele exato momento, porque era perceptível que ele estava muito triste ao falar tudo aquilo.
- ... Eu não entendi o porquê de ter te ameaçado. – eu disse tentando fazê-lo ficar melhor.
- Como não? Ela disse que você nunca iria me perdoar ao saber que eu era o culpado pela morte de minha mãe, porque segundo ela, você odeia pessoas que cometem atos desse tipo.
- Eu não acredito que você caiu na dela. – balancei a cabeça negativamente.
- Você... Não está chateada? – ele perguntou olhando em meus olhos.
- Por sua mãe, não. Estou chateada por você cair na da ao invés de vir falar comigo antes. – eu disse tentando manter meu tom normal.
- Desculpa... Me desculpa por favor. – ele pediu numa voz e numa expressão que era praticamente impossível dizer não.
- Tudo bem . Eu te perdôo. Mas me promete uma coisa... Você nunca mais vai agir do jeito que você agiu ontem ok? Porque me chateou MUITO mesmo.
- Eu prometo . – ele me abraçou.
Logo o sinal tocou o que nos fez rapidamente levantar-nos e nos dirigir a escola.
Durante o caminho permanecemos em silêncio, mesmo sabendo que tudo estava bem e tudo estava perdoado. Era mais um segredo revelado, quando eu achava que não havia mais nenhum.
Quando estávamos cada vez mais distante do local no qual conversamos, nos deparamos com um tumulto, uma rodinha cheia de gente.
Olhei para a cara de e ele olhou na minha sem entender nada. Foi quando saiu de dentro daquela rodinha, fazendo todos direcionarem seus olhares para ela que gritava:
- Aí está você, meu amor. – ela disse vindo em direção a , que continuava a me olhar sem saber o que fazer.
- Saí daqui , por favor. – disse com uma voz brava, tirando as mãos de que estavam em seus braços.
- O que? – ela olhou para ele diminuindo seu tom de voz.
- É isso aí , às vezes pensamos que um segredo revelado vai nos trazer mal, mas descobri que nem sempre é assim. – eu disse me aproximando de , sorrindo irônico para ela.
Todos continuavam a nos olhar, até que percebeu isso e disse:
- Você vai ver , e você também . Se pensa que me conhece o suficiente, vou lhe provar o contrário. – ela saiu fazendo todos irem atrás dela.
Olhei para e ele olhou para mim. Começamos a rir sem parar, mesmo talvez não tendo a menor graça.

Capítulo 8 – Conselhos.
Após mais algumas horas na escola, o sinal da saída tocou.
Rapidamente peguei meus materiais e desci as escadas que se localizavam no pátio, até me encontrar com parado no portão de saída.
- 06:15,hora de ir pra casa Mrs.. – eu disse sorrindo e passando reto.
- Ei, ei senhorita. Eu te esperei, e você passa reto? – ele disse aparentando estar indignado.
- Sorry,mas eu vou com . – eu disse sem mudar minha expressão.
- Então quer dizer que... Não é mais segredo? – ele perguntou.
- Ainda é... Ou não... Ah , eu não sei. – eu respondi confusa.
- Bom isso não importa. Mas então, vamos sair daqui. – ele disse até alguém me empurrar propositalmente, fazendo-me ir para frente.
- Ei olha por onde anda. – eu disse com uma voz brava, mesmo não sabendo quem foi.
- Digo o mesmo pra você, lindinha. – olhei para trás e dei de cara com ,que me encarava sorrindo ironicamente.
- Você não tem mais o que fazer não? – eu perguntei a ela, séria.
- Não fui eu quem roubei o namorado da melhor amiga. – ela disse olhando para suas unhas.
- , se você quiser continuar com essas atitudes totalmente infantis,pode continuar, mas continue sozinha porque pra mim chega. – eu a encarei sem mudar minha expressão.
Ela suspirou. – tudo bem ... Precisamos conversar. Me liga mais tarde. – ela disse saindo.
Continuei parada e olhei para que observou tudo ao meu lado.
- Vamos. – eu disse a ele já saindo em passos largos e apressados.
Continuei assim em silêncio até o carro de , onde entramos e eu liguei o som.
- Nada folgada eu. Vir e ir embora com você. – eu ri baixinho.
- Ah, eu não ligo. – ele sorriu.
- ... Eu preciso conversar... Com algum amigo,talvez. – eu disse numa voz calma.
- Quem? – ele perguntou fingindo não saber a resposta.
- Vou fingir que não é alguém chamado , hmmm. – eu disse colocando um dedo no queixo, fingindo que estava pensando.
- Ok ok... Você prefere Starbucks ou Mcdonalds? – ele perguntou parando em um farol.
- Bom... Eu adoraria um Mc agora, mas já está anoitecendo e nada melhor que um Caramel macchiato com Brownie. – eu disse já com água na boca.
- Adeus dinheiro. – nós rimos e logo o farol abriu.
- Você vai ir no baile de primavera lá na escola? – ele disse prestando atenção nos carros.
- Baile de primavera? Ai, todo ano tem isso. Que coisa chata nossa escola tentando aderir às manias americanas, estamos na INGLATERRA é tão difícil pra eles entenderem? – critiquei.
- Realmente... Mas este ano o tema é fantasia. Grande coisa. – ele riu.
- Ah já entendi. Agora eles vão querer fazer o concurso da melhor fantasia... Acertei? – eu disse já com a certeza da vitória.
- Acertou. – ele respondeu estacionando o carro.
Eu não achava a mínima graça em “bailes” que haviam na escola. Era como uma “porta” para as menininhas se tornarem populares, como se houvesse graça subir em uma porcaria de palco e sair no jornal da escola.
- Pronto. Está bem vazia hoje,ual. – disse abrindo sua porta.
- Realmente... – concordei.
Andamos até lá dentro, onde o ambiente estava mais quente já que a noite estava muito fria.
Haviam poucas pessoas lá dentro,as mesas estavam a maioria vazias. Fui em direção a uma mesa que ficava próxima a parede, apenas me perguntou o que eu gostaria,e eu lhe disse um “Caramel macchiato” com um Brownie de chocolate e continuei sentada ali enquanto ele ia até o balcão fazer os pedidos.
Continuei ali parada sem prestar muito atenção nas pessoas, até que puxou uma cadeira logo a minha frente e sentou-se com dois “macchiato’s” nas mãos.
- Então... – ele tentava quebrar o silêncio que invadira o local.
- Eu... Chamei você aqui porque precisa muito conversar com alguém, e acho que é a pessoa mais apropriada. – soltei um leve riso.
- Continue... – ele disse já bebendo seu café.
- Você e a única pessoa que sabe da verdade sobre eu e o... . Só você sabe que realmente, existe algo... Muitas pessoas desconfiam, é uma delas. O problema, é que ela não tem certeza. Eu amo muito o , de verdade só que eu também... Amo a e não gostaria de perder a amizade dela. – bebi um pouco do meu café.
- É difícil ter de escolher entre a amizade ou o amor... Mas você terá que escolher . – disse ele.
- Eu sei. Mas não era bem isso o que eu queria ouvir. , me mandou ligar para ela hoje, e eu não vou fazer isso. Irei pessoalmente à sua casa, só que eu não sei se falo toda a verdade logo, ou... Eu mantenho o segredo. – eu disse.
- Você sabe que ninguém consegue manter por muito tempo um segredo,e que um dia ele será revelado,não é? – ele me perguntou sério.
- Sim. – respondi seca.
- Então vá em frente, faça o que achar melhor,eu confio em você. – ele sorriu.
- Ah, obrigada . – afastei minha cadeira mais para seu lado e o abracei.
Apesar do conselho de , ainda estava um pouco indecisa sobre as decisões que eu iria tomar. E ainda precisaria falar com .
Solicitei que fossemos embora,pois olhei no relógio e já marcava 20:15. Ele concordou e rapidamente fomos até o carro, onde eu terminei de tomar o meu macchiato.
Fui observando a noite em Brighton,os carros e até mesmo o mar. A cidade era muito bonita,e ainda estava lotada de turistas,a maioria vinham de Londres e o resto vinham de outros países da Europa.
continuou calado, e eu também.
Logo ele estacionou o automóvel em frente a minha casa, dei tchau a ele e logo desci do carro.
Rapidamente o vi indo e entrei para dentro.
A casa estava aparentemente vazia e silenciosa, subi as escadas até ouvir minha mãe me chamar o que me fez ir até seu quarto.
- Oi mãe. – observei ela sentada em sua cama lendo algum livro com a televisão ligada.
- Finalmente você chegou, já estava me sentindo sozinha. – ela riu.
- Ah mãe, podia ter me ligado... E onde está meu pai? – perguntei já me sentando na cama.
- Ele teve uma viagem de última hora,pra Paris. – ela disse fechando o livro.
- Ual Paris que chique. – eu ri.
- Pois é – ela riu comigo.
- Mas por quanto tempo ele ficará lá? – perguntei.
- Ainda não sabemos, mas qualquer coisa nos mudaremos para lá. – ela disse calmamente.
- O QUE? Mudar pra Paris? COMO ASSIM? – eu disse já desesperada.
- Calma, não é nada certo ainda, mas se for necessário nos mudaremos sim. – ela disse sem mudar seu tom de voz.
- Não. Eu não vou, faço 18 anos ainda este ano e, portanto, serei de maior. – eu disse num tom autoritário.
- Ok ,depois falamos sobre isso. – ela disse normalmente.
- Vou me deitar – eu disse já me levantando de sua cama e indo até meu quarto.
Tirei meu tênis e fui para o banho,apesar de a água estar extremamente quente eu saí tremula pois o frio que fazia era horrível. Vesti um pijama quente e coloquei uma blusa de moletom, peguei meu notebook e sentei em minha cama.
Entrei no MSN e rapidamente “!” veio falar comigo.

[: diz:
Nossa,mal cheguei hahaha.

! diz:
Blé,chata.

[: diz:
Você... KK. ,preciso falar com você.

! diz:
Você já está falando DER.

[: diz:
É SÉRIO CARAMBA !!!.

! diz:
Fala...

[: diz:
Olha... A ainda não tem certeza de nada sobre nós, por enquanto ela só desconfia. Eu conversei com algumas pessoas que me aconselharam a manter o nosso “segredinho”. E aí,o que você acha?

! diz:
AAAAAAAAAAAH odeio essa coisa de segredo,arg.

[: diz:
Eu também ,mas isso não vai durar pra sempre mas é que... Eu não quero perder a minha amizade com a e muito menos... Te perder.

! diz:
Tudo bem vai... Então você vamos continuar com o segredo?

[: diz:
Sim :D

! diz:
E se... Você sabe que ela ainda... Gosta de mim.

[: diz:
Sei haha.

! diz:
E se ela quiser reatar nosso namoro?

[: diz:
Você realmente gosta dela.

! diz:
CLARO QUE NÃO.

[: diz:
... Você teria mesmo a coragem de namorar uma pessoa que não ama? Depois de JÁ ter passado por essa experiência.

! diz:
Realmente... Não. Olha ... EU NÃO QUERO MENTIR. Pronto.

[: diz:
NEM EU . MAS OU É ISSO,OU EU PERCO UMA DAS MINHAS MELHORES AMIGAS. E Eu prometo que não vai ser por muito tempo ok?

! diz:
Ook...

[: diz:
Ótimo. Agora eu... vou indo ok? Está cedo ainda, mas eu estou muito cansada.

! diz:
Ok ! Xxx,Love u.

[: diz:
Xoxo Love u too haha.

E saí do MSN. Desliguei meu notebook e coloquei-o dentro de meu guarda roupas, corri para minha cama e me deitei.
Eu estava EXTREMAMENTE cansada, havia sido um dia longo e... Cansativo. Mesmo sem ainda não ter feito nada, eu já sentia o peso em minha consciência.
Continuei pensando no que poderia acontecer e no que não poderia... E assim peguei no sono.

Capítulo 9 – Reconciliações.
- Bom dia mãe. – eu disse já na cozinha,onde minha mãe estava preparando o café da manhã.
- Bom dia. – ela riu.
- Qual a graça? – perguntei sorrindo.
- Você está diferente hoje – ela responde ainda fazendo o café da manhã.
- Diferente? Hmm... – fiz uma cara de confusa.
- Ok esquece – ela riu. – Aí está, tem biscoito, suco, leite, pão de forma... O que quiser. – ela sorriu sentando-se em uma cadeira na lateral.
Não demorei muito para terminar de comer, pois não comi muita coisa. Só algumas torradas com suco de laranja.
Levantei-me de minha cadeira e fui levar os pratos na pia, minha mãe já havia terminado de comer e também já tinha saído do local. Fui para a fachada da casa e observei o céu, que estava azul e o dia estava ensolarado. Não um sol forte, mas já era perceptível que a primavera havia chegado.
Entrei novamente na casa e subi para meu quarto, vesti um short jeans com uma blusa preta e alguns colares. Dei tchau para minha mãe e saí em direção à casa de que não ficava tão longe de minha casa.
Mínimas pessoas na rua, só alguns vizinhos passeando com seus cachorros, outros fazendo a caminhada matinal... Era uma vizinhança muito calma.
Após curtos 10 minutos, cheguei à casa de . Era uma casa muito bonita, branca com algumas partes em vidro e também havia um grande jardim logo à frente.
Suspirei, criei coragem e caminhei no grande jardim em direção a porta. Ao me aproximar da casa,pude ouvir alguns gritos mas não me importei muito e logo apertei o botão de campainha e uma moça,provavelmente a empregada,veio me atender.
- Oi... A está? – perguntei olhando tímida para a moça.
Continuei ouvindo alguns gritos e choros, mesmo assim ignorei e a moça logo respondeu:
- Er... – ela olhou para trás rapidamente – não. – respondeu sem mudar sua expressão.
- Ok,tudo be... – alguém me interrompeu no fundo.
- ? – disse com os olhos cheios d’gua e com sua maquiagem completamente borrada.
A empregada que mentiu, por um motivo desconhecido, entrou para dentro mas manteve a porta aberta.
- Oi ... O que... Houve? – eu disse a olhando sem me mover.
- Entra. – ela ordenou, e eu obedeci sem êxito.
subiu a grande escadaria de mármore que havia logo na sala, e eu a segui. No andar de cima haviam muitas portas,provavelmente quartos, entrou em uma dessas e continuei a segui-la. Logo chegamos a seu quarto, onde ela sentou-se em sua cama e começou a chorar descontroladamente.
Por um momento fiquei sem reação, mas sem pensar duas vezes fui abraçá-la.
- O que houve, por que você está assim? – eu disse abraçando-a.
- ... – ela me olhou e continuou a chorar.
- Ei, fale o que houve talvez eu possa ajudar... – eu tentava acalmá-la mesmo parecendo impossível.
- Os meus pais... Eles se separaram. – ela chorava cada vez mais.
- Meu deus. – disse boquiaberta. – mas calma,pensa pelo lado positivo...
- QUE LADO POSITIVO? HÁ LADO POSITIVO? Não consigo enxergar lado positivo em saber que meu pai, a pessoa quem eu sempre preferi e sempre amei mais que tudo, está a UM OCEANO de distância. – ela praticamente gritava.
- Mas você ainda tem sua mãe, acalme-se ,por favor. – pedi.
- A minha mãe? Uma mulher arrogante e egoísta? Não obrigado prefiro morar sozinha ou MORRER. – ela disse já secando as lágrimas.
- É uma situação... Muito difícil. Meu pai está em Paris por trabalho, mas ele quase não falava comigo direito, só pensava em trabalho e trabalho. Mesmo assim, sou feliz. E amo minha mãe acima de tudo, acho que se eu não tivesse ela... Não sei o que seria de mim. – desabafei com ela.
- Tudo bem, eu vou superar... Mas por que você veio aqui me ver? Você não me odeia? – ela perguntou ainda tirando algumas lágrimas do rosto.
- Na verdade... É que você pediu pra te ligar ontem, mas preferi vir até aqui. E não, eu não te odeio. – eu sorri.
- Ok... Me desculpa pelas atitudes que eu tive e pelo meu ciúme possessivo. Não sei como pude desconfiar de... Você. – ela abaixou a cabeça.
Nesse momento me senti muito mal, por ter mentido e as palavras que ela me disse me tocaram muito. Ela confiava em mim, mesmo eu não merecendo.
- Não... Tudo bem, eu é quem devo me desculpar. – entortei a boca.
- Ok, vamos esquecer isso. Afinal de contas,melhores amigas também sabem perdoar. – ela sorriu de lado.
- Mas... Por que você não foi pra... – ela me interrompeu.
- Nova York? Eu não fui com meu pai morar lá, por que... Sou muito presa a Brighton,sou muito presa à Inglaterra e a meu “mundinho”. – ela disse ainda sorrindo.
- Ah sim... wow – soltei um leve riso – e... acho melhor eu ir. Já está quase no horário de aula. – eu disse já me levantando.
- Tudo bem, nos vemos na escola. – ela me abraçou e eu retribuí.
Saí do quarto dela e desci as escadas, até sair da casa. Apesar de ela ter me perdoado, eu me senti pior do que já estava antes... Ela confiva em mim, de verdade e eu não dava motivos para isso. Eu devia contar logo a verdade e... Acabar com tudo isso de uma vez por todas. – passei a mão no meu olho, que já estava soltando algumas lágrimas – mas... Eu amo muito o , estava realmente certo eu vou ter que escolher entre o amor e amizade, porque infelizmente... Não posso ter os dois.
Rapidamente cheguei em casa e as pressas,troquei de roupa. Peguei meus materiais e fui andando até a escola. Cheguei lá muito cansada,meu coração batia forte e minha respiração era rápida,eu realmente precisava de um copo d’gua. Olhei no relógio que marcava 12:55,havia chegado a tempo. Fui em direção a uma árvore que ficava ali no jardim frontal do colégio, e me sentei em um dos bancos que havia ali, esperando até que algum dos guys ou das meninas chegassem. Senti algo tremer em um dos bolsos de minha calça,peguei meu blackberry e estava escrito: Nova Mensagem. Logo abri-la e li: E aí? Fez a melhor escolha? XX . Respondi: Ah... Não sei... E, Cadê você, idiota? Haha. E fui surpreendida por um com cabelos bagunçados,que aparecera atrás de mim:
- Aqui estou eu. – ele gritou.
- AAA que susto. – olhei-o assustada.
Ele não respondeu nada,apenas sentou-se ao meu lado.
- E então? Se resolveu? – ele olhava em meus olhos.
- É... sim. Mas não sei,acho que não foi uma boa escolha porque,me sinto pior que antes mesmo que... – e me interrompeu.
- E AÍ GENTE. – e eu movemos nossos olhares para ele,que estava todo animado.
- E aí . – sorri.
Ele me encarou dando um sorriso de lado,o que fez meu coração bater forte novamente,mas dessa vez não foi pelo cansaço e sim por um sentimento estranho que talvez,eu pudesse chamar de AMOR.
- E aí , ele puxou minha mão fazendo-me levantar e logo me abraçou. Cochichei em seu ouvido: - É melhor não demorar muito com isso - e ele respondeu: - Não me diga que você está preocupada com ela... – e antes mesmo que eu pudesse responder o sinal bateu e levantou-se.
- Err... Vamos... – disse meio sem graça, já havia me soltado e eu balancei a cabeça positivamente.
- Cadê a ? – Perguntei indiferente,foi só para criar assunto.
- Hm,são 13:01,ela está atrasada. – que estava ao meu lado só que poucos centímetros a frente,respondeu.
Ficamos em silêncio até entrarmos na escola,quando perguntou:
- Qual a primeira aula de vocês? – senti um tom involuntário em sua voz.
- Matemática. – respondi sem muita euforia.
Logo nos separamos, foi para uma sala no fim do corredor e eu entrei na de matemática que ficava logo ali na entrada. Não havia ninguém que eu conversasse então me sentei em qualquer carteira da fileira do meio.
Permaneci naquela sala por exatamente longas e cansativas duas horas,até a diretora entrar e dar-nos um breve recado: - Boa tarde a todos. Vim avisar vocês que,sairão mais cedo hoje porque precisamos fazer uma reunião com os professores. Desculpe não ter avisado antes,mas isso foi decido hoje... E queria avisar também sobre o baile,será organizado nessa sexta e provavelmente será no sábado,ou domingo. Obrigado pela atenção. – ela saiu da sala.
Pude ver alguns sorrisos de felicidade,e antes mesmo que a professora pudesse continuar sua aula,o sinal tocou. Todos,inclusive eu,pegamos nossos materiais e saímos .

Capítulo 10 – A mysterious trip.
Já estava em casa,sentada em minha cama esperando no notebook ligar quando ouço um barulho de salto batendo no piso de madeira,o barulho ia se aproximando cada vez mais até alguém com o intuito de me assustar,abrir a porta.
- Cheguei! – Virei para trás e vi sorrindo animada.
- Ah era você? – ri de leve já desligando no notebook.
- Yeah! – o ânimo era perceptível em sua voz – Er... O que você vai fazer hoje? Nesta quinta-feira tediosa? –
- Hm... Nada, por quê? – perguntei.
- É que eu estava com saudades dos nossos “bff days” – ela olhou pra mim sorrindo.
- Eu também – fingi uma cara triste – E o que estamos esperando?
Ela não respondeu nada,mas só de olhar em seu rosto que já saberia a resposta. Rapidamente calcei um all star branco,e corri atrás dela que já estava lá fora.
- Entre. – ela mandou eu entrar no carro preto que aguardava-nos.
- Você vai dirigir? – perguntei assustada.
- Sim – ela respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- Desde quando você sabe dirigir? – continuei minha “série de perguntas”.
- Ah, desde que eu aprendi. Agora entra logo e cala a boca – ela riu e eu apenas obedeci com um certo receio.
Eu realmente não sabia para onde iria com aquele carro, mesmo assim,ainda confiava nela então não estava com medo... Mentira, eu estava sim. Não que eu não confiasse nela...
De repente meus pensamentos foram interrompidos por uma música alta e uma dançante ao meu lado,dirigindo.
- ABAIXA ISSO – gritei.
Ela ignorou,talvez não estivesse ouvindo por tamanho barulho,então,levei minha mão até o botão ‘ - ‘ e abaixei o volume.
- EI! – ela disse erguendo seus óculos.
- ,eu estou falando sério. PRA ONDE ESTAMOS INDO? – Aumentei meu tom de voz para transmitir autoridade, o que talvez fosse impossível quando se tem ao lado uma pessoa chamada .
- Hm... Era surpresa,sua chata. Mas como você tem sérios problemas de ansiedade excessiva, eu falo: LONDRES! – ela disse soltando um “uhul” no final.
- O.Q.U.E? - Falei pausadamente não acreditando no que acabara de ouvir – Londres fica a DUAS HORAS de Brighton. É praticamente uma viagem,você mal sabe dirigir,eu não trouxe roupas e... – ela me interrompeu.
- Calma,está tudo sob controle. – ela ainda mantinha a animação.
- QUE CONTROLE? O SEU CONTROLE? Eu não imaginei que fosse ESSE TIPO de “bff days” que você falava. – eu estava nervosa e com medo também.
- EI . Calma. Aventure-se um pouco,você só fica na vida de “escola-casa” “casa-escola”. É bom se aventurar de vez em quando. – ela tentava me acalmar,de uma certa maneira.
- OK. Vou me acalmar. Só espero que não sejamos presas. – sorri ironicamente.
A partir daí permaneci em silêncio, a estrada estava vazia,só alguns carros. Havia muito verde,mas era quase impossível de observar já que ela estava quase 120 por hora. Olhei no painel, onde havia um relógio que marcava: 16:30. Já estava ficando tarde e eu mal sabia quando voltaríamos.
E sem perceber,adormeci ali mesmo.

Capítulo 11 – London Day.
- EI! ACORDA SUA DORMINHOCA. – ouvi uma voz absolutamente alta me chamando, abri os olhos e vi . Pude perceber que ainda estávamos em tal carro,mas estava tudo mais escuro... Havia anoitecido.
Me espreguicei e subi o banco que estava deitado,provavelmente ela havia o abaixado para eu me sentir mais confortável,o que funcionou muito bem.
- Chegamos? – eu disse ainda um pouco sonolenta.
- SIM! ESTAMOS EM LONDRES! – ela disse totalmente animada.
- Sim... Vamos pra onde agora? – soltei um leve bocejo.
- Já são 19:00,melhor irmos para um hotel e depois vamos curtir a noite de Londres. – ela disse dando o maior sorriso que podia.
- Está bem. – concordei.
Ela deu partida no carro que estava parado em algum canteiro que eu não tinha reparado muito.
Eu ainda não sabia como aquela menor de idade,sem carteira de motorista,com um óculos escuro na cabeça,cabelos castanhos e longos totalmente repicados o que dava um volume a mais,ainda não tinha sido parada em nenhuma blitz policial. A segurança na Inglaterra está cada vez mais horrenda. Ok, ela ainda é minha melhor amiga,o problema é que eu estava em Londres sem ter dado nenhuma satisfação para ninguém e muito menos para meus pais,provavelmente perdida e com uma bff louca ao lado. Apesar de que estava sendo divertido...
- Você tem noção de onde fica esse hotel? – perguntei olhando para frente.
- GPS existe para isso... – ela olhou para mim rapidamente.
Não respondi,apenas sorri e balancei a cabeça negativamente. Aquilo estava passando de apavorante e medonho para engraçado.
- Pega meu celular aí no porta-luvas e entra no Google maps pra ver se você consegue achar algum hotel cinco estrelas. – ela disse ainda dando atenção ao trânsito.
Abri o porta-luvas e peguei o iphone preto dela,logo entrei no Google maps e procurei algum hotel cinco estrelas como ela havia pedido.
- Hm... Baglioni Hotel,vi algumas fotos e ele parece ser bem grande. – eu disse ainda mexendo no celular.
- Ótimo,qual é o endereço? – perguntou animada.
- 60 Hyde Park Gate, SW7 5BB. – respondi tentando pegar mais informações.
- E onde fica isso,pelo amor de Deus? – disse ela mantendo sua concentração no volante.
- Em Londres,der. – eu disse sarcástica.
- Muito engraçadinha você,mas eu estou falando sério. Vê aí como faço pra chegar daqui pra lá.
- E onde é “aqui”? – olhei para ela.
- MAS QUE PORR... – ela não terminou a frase. – QUE SACO,VOU PARAR ESSA DROGA E PERGUNTAR PRA ALGUÉM. – já estava nervosa.
Agora sim eu estava com a absoluta certeza que estávamos perdidas,o que me dava mais frio na barriga.
Ela parou o carro e foi perguntar em alguma lojinha que havia ali,e eu continuei onde estava.
De repente,o meu celular vibra,quando pego vejo no visor: NOVA CHAMADA,. Fico indecisa se atenderia ou não,se eu atendesse ele iria me mandar voltar pra casa naquele exato momento,o problema é que mal acabamos de chegar... E se eu ignorasse sentiria aquele peso terrível na consciência, mesmo assim, optei pela segunda opção e clique no botão ‘IGNORAR’ e apareceu no visor: ,chamada ignorada. Mas não parou por aí porque ele continuou a ligar mais umas cinco vezes e eu continuei a ignorar suas ligações,até que na sexta eu atendi e antes mesmo que eu pudesse colocar o celular no ouvido, entrou no carro e eu rapidamente tratei de desligar aquilo.

Capítulo 12 – Hotel.
- Então, esse é o quarto de vocês. Qualquer coisa só solicitar na recepção, estaremos à disposição. – uma moça vestida toda de preto com os seus cabelos ruivos amarrados em um coque redondo, apresentou-nos o nosso quarto onde passaríamos a noite ou alguns dias.
Entrei naquele ambiente aconchegante e deixei que cuidasse de pegar as chaves e agradecer a moça, o que não durou muito tempo até ela fechar a porta e sair correndo em direção à cama dando um grande pulo.
Fui até a grande janela que era coberta por uma cortina branca, abri-a e parei um tempo para observar a bela vista que era possível se ver dali,com toda a certeza aquele hotel devia ser um dos melhores,ou até mesmo o melhor da região. Dali eu conseguia ver alguns prédios, alguns típicos ônibus londrinos e logo no fundo a grande torre do big ben. Permaneci ali observando aquela vista por alguns minutos,até que meu “transe” foi interrompido por uma música irritante de um celular,provavelmente o de . Sai dali e sentei-me na cama,quando menos percebi já estava deitada.
Ela não atendeu o celular e saiu reclamando, a minha curiosidade foi mais alta e eu perguntei:
- Quem era?
- Ninguém. – ela respondeu séria, sentando-se na poltrona roxa.
- Er,ok então. – falei seca.
Ela estava agindo estranha, que eu me lembre não havia feito nada de errado pra ela... Talvez essa ligação tenha a deixado de mau humor.
- Mas e aí? Vamos ficar aqui sem fazer absolutamente nada? – disse olhando-se em um espelho que havia na parede ao meu lado.
- Hm... Não sei, eu não conheço nenhum lugar bom para irmos aqui... – disse pensativa.
- Ah, vamos pegar o carro e sair. – ela riu.
Levantei-me e fui até o banheiro,onde havia outro espelho.
- Não trouxe maquiagens? – falei num tom alto para que ela me ouvisse.
- Só um lápis, um rimel e um blush. – quando vi ela já estava na porta do banheiro me entregando aqueles três utensílios.
Rapidamente tratei de me arrumar, pelo menos ficaria bonita de rosto já que não trouxemos nenhuma roupa,sapato e nada.
Guardei as coisas em um armário que havia ali e fui até a outra parte do quarto onde me aguardava,já pronta.
- Ual,você está linda. – sorri.
- Aw,obrigado amiga. – ela levantou-se abrindo seus braços para um abraço.
A abracei e ouvi ela dizendo:
- Eu te amo,muito ok?
Sem pensar duas vezes respondi sincera:
- Eu também amiga... Tantas aventuras. – senti uma lágrima cair em meu rosto.
Quando terminamos aquele abraço percebi que ela estava chorando.
- Ei... ? Pare de chorar! Vai estragar a pouca maquiagem que trouxemos. – ela riu comigo. – Ai... Vamos logo, estou ansiosa para conhecer LONDRES! – eu disse dando ênfase na última palavra.
vestia as mesmas roupas: um vestido preto com um sapato de salto alto,que provavelmente estava no carro pois mais cedo ela não usava este. Ela também estava com o cabelo diferente, desta vez estava preso a um rabo de cavalo alto.
E eu estava como antes: com meu all star já-não-muito-branco,uma camiseta branca com alguns pequenos detalhinhos,um jeans escuro e como estávamos em uma típica primavera londrina,coloquei um sobretudo preto e deixei os botões abertos.
abriu a porta do quarto e saiu calmamente à minha frente e eu apaguei a luz sem virar-me para trás.

Capítulo 13 – Fala como um anjo, se veste como um anjo... Mas é o diabo disfarçado.
- Uma vodka bem gelada com um pouco de limão pra mim, por favor. – estávamos em um pub, que por um milagre duas menores de idade, vulgo eu e , conseguimos entrar. Ela já começou pedindo algo forte, ao contrário de mim.
- Pra mim só uma água gaseificada. – pedi indiferente.
- Ela quis dizer que quer um Martini de morango – sorriu para o barman.
Olhei para ela séria e disse: - Eu não quero beber. Algo contra? – sorri ironicamente.
- Na verdade, sim. – ela virou o rosto para frente do balcão, onde o logo o moço nos entregou nossos pedidos. Agradeci sem muita euforia e dei um gole naquele Martini, estava realmente muito bom, mas eu não queria demonstrar que ela tinha “vencido”.
Estava tocando uma música da Lady gaga acho que Just Dance,quando de repente um garoto loiro,olhos aparentemente claros se aproximou de e a convidou para dançar. Ela olhou rapidamente pra mim com um sorriso gigante e aceitou. E quando eu estava bebendo o meu segundo Martini, um garoto alto, cabelos escuros,olhos cor de mel sentou-se no banco ao me lado. Ele aparentava estar triste e ao contrário de todos ali, ainda estava sóbrio.
- Oi. – ele disse com uma voz um pouco baixa, o que dificultou para minha audição. Ele realmente estava tentando puxar assunto e eu já sabia o final daquela conversa, mas comigo não iria ter tal fim... Eu era... Comprometida? Foi aí que mais uma dúvida foi lançada. Eu e nunca assumimos um namoro, sempre ficamos nas escondidas... Mas nunca passou disso. Mesmo assim eu sempre o tratei como o meu namorado, e achava que ele também me tratava assim.
- Oi. – respondi seca, dando mais um gole no meu Martini agora de laranja.
Não olhei para ele, olhava para a pista de dança onde já estava aos beijos com aquele tal garoto.
- Você não quer ir pra lá? – ele perguntou esperançoso numa voz suave.
Suspirei e pensei por mínimos segundos antes de responder.
- Hm... Acho que sim. – sim, nem eu acreditava no que fiz. Aceitei sem pensar duas vezes... Quer dizer, não pensei nem uma vez.
Ele veio até ao meu lado e eu levantei-me dali. Fomos até a pista de dança que ficava ali atrás, o mesmo tentou me acompanhar segurando em minhas mãos,mas eu não permiti.
- É só uma dança. – o lembrei.
Tocava Evacuate The Dance Floor e então ele se posicionou à minha frente,eu comecei a mexer meu corpo um pouco e quando percebi tinha me deixado levar pela música. Continuei me deixando levar pelo embalo da música e ele também parecia mais alegre, curtindo o som.
Alguns minutos depois quando acabou Evacuate the dance floor começou a tocar uma música um tanto que chata, então eu o chamei para voltarmos ao bar. Ele assentiu e assim fomos.
Sentei no mesmo lugar que antes, ele também sentou-se ao meu lado. Eu mal sabia seu nome, sua idade... Só dançamos e rimos, nada mais que isso. Fui surpreendida por que já não parecia a mesma,ela sentou-se num banco ao lado do meu também.
- Tequila,tequila,tequila uhul. – ela já estava bastante alterada.
Balancei a cabeça negativamente rindo,e o barman como sempre a obedeceu dando tequila.
- E você,não vai querer nada? – o barman me perguntou.
- Hm,prepare pra mim o melhor drink que você já preparou na sua carreira. – sorri.
- Ual,está poderosa. – o garoto disse sorrindo pra mim,e eu não pude deixar de reparar em seus olhos. Eles eram muito atraentes,mas eu não podia me deixar entregar.
- Obrigado. – eu disse sem mudar muito a minha expressão.
- Você está com medo de mim? – ele riu.
- Nem um pouco. Por que a pergunta? – perguntei como se não soubesse que era tão visível assim.
- Ah... Por nada. Mas então, qual é teu nome? – eu havia o deixado constrangido. Isso estava ficando divertido.
- . ,se preferir. – bebi um gole do drink que o barmen preparou,era forte... tinha um leve sabor de uva o que o deixava mais saboroso.
- Me chame de Nathan. –
- Ah,então tudo bem Nathan... Você é de Londres? – perguntei tentando evitar um silêncio.
- Sim. E você? – ele perguntou animado também,parecia ser simpático.
- Sou de Brighton. Estou aqui só de passagem,mas na verdade nem sei quando vou voltar. – fui sincera.
Meu celular tocou e sem olhar no visor atendi um tanto que tonta: - Alô?
- ! Finalmente você atendeu,onde você está? – aquela voz era muito familiar,mas a minha tontura não me permitia lembrar tão rapidamente... era ele,era .
- Quê? – eu estava falando coisa com coisa,devia ser o efeito do álcool.
- Nada. Já te localizei há algum tempo quando você atendeu o telefone,estou a caminho não se preocupe. – ele disse calmamente,mas eu só conseguir ouvir uma ou duas palavras...
- Oi? Quem? Ãn? – não ouve resposta,apenas o barulhinho irritante do telefone.
Coloquei com muita dificuldade meu celular em cima daquele balcão. Estava com a respiração ofegante e com muita tontura.
- Hey,você está bem? – Nathan parecia preocupado.
Me levantei quase caindo,Nathan foi me auxiliar mas eu não aceitei sua ajuda. Quando finalmente conseguir ficar em pé,eu cai mas ele me segurou.
- ? ? – eu gritava por ela,mas ela havia sumido.
- Calma... Vamos sair daqui. – ele me levou para fora daquele local,me segurando para não cair.

Capítulo 14 – Reecontros.
Estava escuro. Eu não conseguia enxergar nada. Ouvia vozes, mas eu não entendia o que elas falavam... Só os sons de muitas pessoas falando todas juntas. Até que eu comecei a ver um clarão,estava ficando cada vez mais claro,porém embaçado, minha visão estava voltando e...
- Ei,você está melhor? – abri totalmente meus olhos e consegui ver normalmente novamente. Nathan estava na minha frente.
Eu não reconheci o lugar... Era estranho não havia ninguém ali exceto nós. Tinha paredes brancas e altas. Aparentava ser uma casa,e eu estava ali,praticamente jogada em um sofá azul.
- Te trouxe para um lugar mais calmo,mas não estamos tão longe do pub. – ele disse calmamente,como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Levantei-me dali às pressas e rapidamente fiquei em pé.
- O que? Você não tinha o direito! Me leve de volta para o pub,eu deixei a sozinha e o ... - não terminei de falar a frase pois estava confusa,eu mal consegui entender o que tinha dito na última ligação.
- E o ...? – ele disse para que eu continuasse minha frase,talvez com uma certa curiosidade.
- E o vai vir me buscar,eu preciso sair daqui ele não pode me ver nesse estado. E a minha mãe,oh meu Deus. A-MINHA-MÃE. – eu disse pausadamente.
Nathan não respondeu,apenas fez uma cara de confuso.
- NÃO RESPONDA NADA,apenas me tire daqui. – já havia alteração na minha voz,eu estava nervosa.
- Mas são quatro da manhã. – ele disse ainda calmo.
- Então me leve de volta para o hotel. Não sei,Nathan,por favor vamos embora. Eu nem sei onde estou,é a sua casa? Por que se for... O que seus pais devem estar pensando de mim? Uma vagabunda bêbada! – eu andava de um lado para o outro,estava muito nervosa.
Ele riu e disse: - Primeiro: eu não moro com meus pais. Segundo: sim é a minha casa. Terceiro: você não é uma vagabunda bêbada e quarto: me chame de Nate. – ele soltou um risinho.
Nate? Então era esse o apelido de um carinha que eu conheci em um pub e que me viu na pior situação o possível.
- Hm,tudo bem Nate, agora vamos. – fui andando em direção a porta,na verdade,tentando achá-la.
Era um apartamento que por sinal, muito elegante e grande para uma pessoa que morava sozinho. Era uma cobertura em um prédio, mas não tive muito tempo de olhar a arquitetura local, o que eu mais queria e precisava era sair logo dali. Descemos pelo elevador em silêncio,afinal,eram quatro horas da madrugada ele podia levar uma multa se eu fizesse algum barulho,esses prédios são sempre cheios de coisinhas. Fomos até o estacionamento e entrei em seu carro,ele mesmo foi dirigindo. Pedi pra que me levasse até o hotel Baglioni onde eu estava hospedada e não demorou muito para que chegasse,era bem próximo ali do prédio dele.
Chegando lá ele parou o carro na entrada principal do hotel,eu abri a porta rapidamente e desci com pressa. Quando eu ia passando daquela porta automática que havia ali,ele me parou:
- ,espera!
Parei ali naquele instante e me virei para trás.
- Er... é que você vai embora sem nem me dar tchau. – ele fez uma cara triste.
- Ooow me desculpa,como sou mal-educada. Obrigada por tudo Nate,principalmente por ter salvo a vagabunda bêbada aqui - nós rimos – Brincadeira... então... Eu já tenho seu telefone e você o meu. Prometo te ligar assim que recuperar minhas energias. – ele sorriu.
- Não se preocupe com isso. – ele disse e logo após um silêncio constrangedor invadiu o local.
Olhei para baixo e balançava meu pé esquerdo com certa ansiedade. Ele também fazia o mesmo.
- Er... então tá né... Tchau. – continuei estática com certo receio de como dar-lhe “tchau”.
- Tchau. – ele sorriu sem graça.
Fui beijar o seu rosto,mas ele não correspondeu o que fez me fez ficar sem jeito e envergonhada. Olhei pra ele confusa e ainda envergonhada.
Então Nate se aproximou de mim e eu continuei estática. De repente ele aproximou seu rosto do meu e eu senti sua respiração. Ele encostou seus lábios aos meus,e logo eu me afastei.
- Não Nate... Eu não posso. – olhei séria para ele.
Ele suspirou. – Está bem. Me desculpe por isso. – ele se virou e entrou no carro. Logo saiu arrancando e eu mal consegui vê-lo ir embora.
Permaneci ali no hall do hotel em pé,parada,apenas pensando.
- ! – ainda estava no hall do hotel quando vi correr em minha direção.
Meu coração acelerou e eu fiquei instantaneamente arrepiada, tinha um poder muito grande sobre mim e eu acho que ele sabia disso.
Não houve tempo para resposta,ele correu até mim me abraçando e depois daquele abraço ele segurou meu rosto e me beijou.
Um beijo apressado,furioso,selvagem como se nós dois necessitássemos daquilo e nem ao menos nos importamos com os outros,até porque,não havia ninguém ali. Ele tirou meu fôlego.
- ... – eu disse ofegante,mas ele não me permitiu responder.
- Por que você sumiu? Queria me matar? – ele disse baixinho,nossos rostos estavam colados um no outro.
- Não há tempo para isso. – o puxei para dentro do hotel, entramos no elevador e eu coloquei no décimo quinto andar, onde ficava o quarto. Continuamos a nos beijar até que o elevador parou,eu disse praticamente cochichando:
- Shhh preciso ver se ela não está aqui,calminha aí. – eu entrei na ponta dos pés para dentro do quarto,que estava totalmente silencioso e vazio. Falei para que entrasse e ele logo adentrou.
Continuamos de onde tínhamos parado, aquele beijo se intensificava a cada segundo, cada célula de meu corpo implorava pelo gosto dele. Eu beijava-o como se sua língua fosse a coisa mais saborosa da terra - e quem sabe era - e ele me tocava selvagem, porém calmamente. Eu tirei meu sobretudo e o joguei em qualquer lugar que eu não havia reparado,continuamos até a cama onde as coisas começaram a esquentar,em todos os sentidos. Continuamos naquele beijo quente e saboroso. Ele desabotoou meu sutiã,eu adorava aquela sensação que estava sentindo,que ele me fazia sentir. Parei por um segundo e reparei o quanto ele ficava lindo com os cabelos bagunçados. Ele também pausou o beijo e me olhou, como quem pede permissão, eu o encarei e me perdi em seus olhos. Ele interpretou aquilo como um sim, e seguiu adiante. Deslizou suas mãos até as minhas calças e tirou-a, me deixando apenas com uma peça íntima. Eu então percebi que ele ainda estava vestido, desabotoei sua camisa, enquanto ele mordiscava meus braços. Ele me deitou e então as últimas peças que restaram foram arrancadas.

Capítulo 15 – Perdas.
Acordei e soltei um leve bocejo, virei para o lado e me assustei ao perceber que ainda estava lá, ele dormia tranquilamente que me deu pena de acordá-lo. Sentei na cama me espreguiçando, mas logo tratei de levantar e vestir alguma roupa. Quando acabei de vestir minha calça jeans percebi alguém se aproximando de mim no caso,. Ele me abraçou por trás e eu apenas sorri.
- Bom dia né. – eu disse me virando de frente para ele, que ainda estava um pouco sonolento.
- Bom dia. – ele sorriu.
ainda não havia chegado e eu não tinha a visto desde ontem à noite no pub. Talvez a culpa seria daquele garoto loiro. Ou não.
também se vestiu,escovamos os dentes,penteados os cabelos e fomos tomar café da manhã. Não era uma mesa farta como em casa,mas dava pra se virar. Torradas e suco,era o que tínhamos.
- Temos mesmo que voltar pra Brighton? – falei pegando uma torrada.
- Sim. Esqueceu da escola? – ele me lembrou que eu tinha faltado dois dias e que eu havia perdido o baile.
- Ah,não foi tão ruim faltar esses dois dias – dei uma mordida na torrada – Pelo menos não compareci naquele baile idiota.
- É,eu também não fui. Não tinha muita graça sem certas pessoas lá. – ele fez uma cara de pensativo,o que me fez rir.
- Quem são “certas pessoas” ? Sua namorada, ? – arqueei uma sobrancelha fingindo não saber quem é a namorada dele. E realmente,tinha certa dúvida nisso.
- Hm,acho que é uma garota chamada... ... . – ele disse de uma forma engraçada, mas eu não conseguia saber se estava sendo irônico ou não.
- Ah é? Então por que você nunca a pediu em namoro? – tentei não dizer isso,mas o impulso foi maior. Só espero que ele não me dê uma resposta que faça-me quebrar o coração. Mas “fala o que quer,ouve o que não quer”.
Ele parou um tempo parar mastigar sua torrada, mas como sempre ele me surpreendeu. Levantou-se de sua cadeira,deu a volta até mim,ajoelhou-se no chão e tocou em minhas mãos que nesse momento,estavam tremulas.
- , você aceita... – uma voz feminina o interrompe.
- ! QUE BOM QUE VOCÊ JÁ ESTÁ AQUI... – Sim, havia chegado. Ela mal chegou e estava falando e falando... logo tratou de sentar-se em sua cadeira novamente e eu continuei onde estava. Ela foi até a cozinha e nos viu. Olhou-nos com uma cara estranha e logo disse:
- Oi,. – era perceptível o ódio em seu olhar,parecia que eu conseguia ler seus pensamentos toda vez que ela olhava pra mim.
- Eu vim buscar a... Vim buscar vocês. Seus pais estavam preocupados,e ,sua mãe queria vir comigo mas eu não deixei,falei para que ela esperasse que hoje mesmo estaríamos de volta. – disse tentando disfarçar, acho que ele também percebeu o olhar dela.
- Por que veio “nos buscar” ? Viemos com o carro e é assim que vamos. – ela disse encostando-se a parede. – Er... sobre o carro que eu queria falar com você, . – estava me confundindo.
- Diga. – disse involuntariamente.
- Ontem,você foi embora com aquele Nat... enfim,depois que você foi embora,aquele garoto loiro quis me trazer para cá mas eu disse que tinha carro e podia voltar. Fomos juntos até o estacionamento e chegando lá,o carro havia sumido. – ela deu uma pausa curta – e essa não é a parte pior... a parte pior é que TODOS meus cartões de crédito,documentos,carteira,dinheiro estavam lá dentro. Ou seja,estamos em Londres em um hotel cinco estrelas mas não temos dinheiro para pagar. – finalizou ela, cansada por fim.
Fiquei boquiaberta, mas não disse palavra alguma. Talvez não houvesse nenhuma explicação para tal fato.
- Quando eu posso te matar? – eu disse com a cabeça abaixada.
- Bom gente,não há motiv... – o toque do meu celular interrompeu . Olhei no visor e marcava: “Nate”.
- É, licença. – me levantei dali e fui até a janela do quarto atender.
“E ai,está melhor?” - disse Nate calmamente.
“É... estou sim, só um pouco cansada.” – menti,mas era por justa causa.
“Hum,então quando a gente vai se ver de novo?” – essa era a frase que eu mais temia,e que ele fez questão de fazer.
“Não sei,estou voltando para Brighton ainda hoje.” – eu disse olhando para trás pra checar se realmente ninguém estava ouvindo minha conversa.
“Ah que pena. Mas agora?” – Nate insistia.
“Sim” – disse sem êxito.
“Promete que me liga?” – ele perguntou.
“Prometo. Agora preciso realmente ir Nate,tchau.” – desliguei o telefone antes mesmo que ele pudesse responder.
Quando ia voltando para a cozinha, estava sentada em um puff e no sofá,ambos em silêncio.
- Bom,vamos então? – disse parecendo não ter se importado com a minha chamada recebida.
Descemos até o térreo e foi à recepção dar um jeito de pagar a nossa estadia. Aquele homem só podia ser um anjo. Ele me salvava de todas as coisas e sempre chegava no momento certo. E era exatamente isso que fazia minha consciência pesar. Querendo ou não,Nate era sim atraente e eu encostei meus lábios nos deles. Não passou disso, mas não merece isso,não MESMO.
Eu fiquei esperando ele com , que parecia nervosa. Poucos minutos ele voltou.
- Pronto, tudo certo. – fomos andando até o estacionamento, foi dirigindo. Fiquei um tanto confusa se ia no banco da frente ou atrás com . Mas optei por ir na frente.
Logo ele deu partida no carro e pela janela fui vendo o hotel se distanciar cada vez mais,até atingir meu limite de visão e eu não conseguir mais vê-lo.
Já estávamos na estrada que ligava Londres à Brighton. Ver Londres, aquela cidade maravilhosa, se distanciar cada vez mais me bateu uma tristeza indescritível. Fiquei ali,com minha cabeça encostada no banco da frente daquele carro,esperando até que chegássemos em Brighton foi quanto o celular de tocou.
- É o , fala que eu não posso atender agora. – ele disse sem despertar sua atenção à estrada,apenas me dando o telefone.
Assenti e atendi.
“Fala ” – eu disse sem muita euforia.
... eu preciso falar algo pra você.” – ele disse com um tom triste em sua voz.
“Fala ,você está me assustando.” – eu disse sincera.
“Não... acho que é melhor ainda não,quando vocês chegarem eu falo tudo.” – ele disse ainda triste.
“Ok,tchau então.” – eu disse.
“Tchau.” – ele respondeu.
Estava curiosa para saber o que iria dizer,mas sentia que não era coisa boa. De repente me bateu uma tristeza,e todos os meus erros que já cometi começaram a rodear minha cabeça me fazendo sentir culpada. Mentir para minha melhor amiga,destruir o namoro dela e se já não bastasse ainda... Eu de um certo modo,havia traído . Traição não significa, pra mim,só fisicamente. A partir do momento que eu começo a sentir atração e um sentimento diferente por outro homem, já é praticamente uma traição.
Continuei pensando e observando a estrada. havia adormecido, prestava atenção na estrada e eu só em meus pensamentos idiotas.
Algumas horas depois, quebrou o silêncio.
- Finalmente estamos em Brighton. – ele disse alegre, como se isso fosse algum motivo para tal reação.
O carro continuou em movimento,estávamos já próximos à minha casa. Logo ele parou o carro em frente e todos nós descemos para entrar. A casa estava estranha. Pelo menos por fora... Algo havia acontecido,não tinha mais o branco alegre e a grama verde de antes. Entramos calmamente e chegando lá, e estavam sentados no sofá,com a cabeça abaixada.
- O que foi,gente? – perguntei,essa foi a minha grande recepção. Todos com cabeças abaixadas.
levantou-se do sofá e veio em minha direção,logo o mesmo me abraçou.
- ... Que bom que você está de volta. – o tom de voz dele estava meio choroso.
- ,o que houve? Eu sei que não está tudo normal. – disse séria.
foi com para a cozinha,provavelmente para conversarem algo. E eu fui me sentar no sofá,para aguardar até que respondesse a minha pergunta.
Liguei a televisão,coloquei em qualquer canal de notícias. Quando ia prestar atenção, entrou na frente do televisor empatando minha visão.
- Deixa eu ver por gentileza,. – pedi encarecidamente.
- Não... Ah, quer saber,é melhor você ver logo,vai saber de qualquer jeito. – ele saiu da minha frente e sentou-se ao meu lado, me abraçando pela lateral de meu corpo.
“Boa tarde Brighton,estamos no quilometro 20 da estrada que liga Brighton à Londres e aqui atrás um terrível acidente automobilístico. O carro da senhora Julie que estava indo em direção à Londres,tombou nesta curva aqui atrás. Não há notícias boas,neste exato momento o corpo está sendo levado para ver o que exatamente aconteceu e a vítima faleceu.”
Fiquei paralisada olhando para a televisão e logo as lágrimas vieram.
- Eu não acredito. E-e-e-u... Matei minha mãe. – eu chorava cada vez mais e quase não conseguia falar.
veio me abraçar.
- Claro que não. Eu já passei por isso e me senti exatamente como você, . Mas a culpa não é sua. – ele tentava me consolar,mas não funcionava muito bem. De qualquer jeito,minha mãe estava quase morta por minha culpa. O que ela estava indo ver em Londres? Com certeza estava indo me procurar. Eu sai daqui,sem avisar,sem dar notícias.
- ,na verdade... A culpa é minha. – apareceu na porta da cozinha vindo em minha direção.
- Gente! – gritou – Não é hora pra falar de quem é a culpa.
Eu continuava a chorar. Eu estava sozinha naquela casa e eu ainda sou de menor até o próximo mês. O que significa que vou ter que morar com alguém, ou o meu pai volta para casa,o que provavelmente não vai acontecer.
De repente meus pensamentos foram interrompidos pela campainha, tratou de ir abri-la e um policial pediu licença para entrar na casa.
- Por favor a senhorita ? – ele pediu já entrando na casa.
- Eu. – eu disse secando as lágrimas.
- Sua mãe,Julie ,correto? – ele perguntou.
- Sim. – respondi.
- Ela acabou... Enfim, falecendo num acidente de carro, como você já deve ter tomado conhecimento.
- Correto. – afirmei.
- Preciso que você assine aqui neste atestado de orbito, e como a senhorita é menor de idade, conforme a justiça inglesa opõe,terá de morar com o seu pai. – ele disse me entregando um papel.
- Mas... O meu pai mora em Paris. – eu disse deixando escapar algumas lágrimas.
- Exatamente. Terá de ir pra lá até completar seus dezoito anos. – ele disse sem mudar sua expressão séria.
Definitivamente eu não estava acreditando. Eu teria de ir pra Paris, morar com meu pai.
- E não tem como eu recorrer? Porque sabe, eu e meu pai não nos damos muito bem. – menti seca, entregando-lhe o papel assinado.
- A senhorita vai ter que ir até o fórum procurar saber disso porque eu não posso informa-lhe. Bem,agora preciso me retirar,obrigado pela atenção . – ele saiu pelo mesmo local onde entrou.

Capítulo 16 – O último segredo revelado.
Um mês havia se passado. Era o fim da primavera, quase verão. Mas já era possível sentir o calor.
Eu estava naquele mesmo jardim que me levara no começo do ano, eu e ele, sozinhos sentados em baixo de uma árvore sobre a grama verde e baixa.
Os dias após a morte da minha mãe demoraram muito a passar. Foi muito difícil superar,na verdade,creio que ainda nem superei. O que mais me deixava encabulada era o fato de que os pais de morreram da mesma maneira que minha mãe; em um acidente automobilístico. E na época ele se sentiu tão culpado quanto eu estava me sentindo. Por isso,ele estava me ajudando a superar a dor da perda,que pra mim,era a dor mais forte que um ser humano pode sentir.
Eu sempre fui um tanto que mimada e egocêntrica. Agora teria de fazer as coisas sozinhas,batalhar pelo que quero.
Como o policial havia me dito, eu fui até o tal fórum e consegui não ir pra Paris até completar meus dezoito anos, no caso, hoje. E durante esse um mês que se passou,eu fiquei morando com . Sabe,aquilo talvez não era mais segredo pra ninguém. já havia superado,mesmo assim,nós tentamos não nos expor muito para prevenir qualquer tipo de briga. A minha casa estava sozinha,de vez em quando eu ia tentar dormir lá mas ainda havia o cheiro de minha mãe,então eu estava evitando ir até lá. Na verdade,eu estava esperando até hoje para ver se colocava a casa à venda ou qualquer coisa do tipo,mas ainda não tinha certeza do que iria fazer.
O que me importava naquele momento era que eu estava ali,eu e ele e mais ninguém para nos atrapalhar.
- ... – ele interrompeu meus pensamentos de uma forma suave.
- Sim? – disse.
Ele fez uma pausa e me beijou. Um beijo tão quente e caloroso que me fez relembrar daquela noite. O mesmo local,as mesmas árvores,a mesma grama e a mesma pessoa. Aquela mesma cena,que para quem olhasse de fora iria parecer repetitivo mas para mim não. Cada beijo era uma sensação diferente e mais prazerosa. Cada vez mais surpreendente,isso era divertido.
Quando paramos eu olhei para frente e lá estava ela estática nos olhando com um olhar enfurecido. nos observava,provavelmente logo iria começar seu discurso dramático agora.
- Parabéns para os dois pombinhos... Ou os dois mentirosos? – ela bateu palmas de um modo irônico.
Bufei e respondi:
- ,chega disso. Se você quiser continuar com essas infantilidades, continue sozinha. Todo mundo já sabe do que eu e o sentimos um pelo outro e não vamos deixar que você entre no nosso caminho. – essas palavras saíram da minha boca como um alívio porque tudo o que eu mais queria há muito tempo era falar de uma vez por todas tudo o que estava sentindo.
Ela abaixou a cabeça,por alguns segundos ficamos em silêncio,até quebrar.
- Já passou da hora de terminarmos essa “confusão” de uma vez por todas. ,me desculpe se eu te iludi ou algo do tipo. – senti sinceridade em sua voz,tão doce dizendo palavras tão duras para ela. Querendo ou não,ela ainda era minha melhor amiga. Ou talvez não.
- Tudo bem,. O que eu não entendo,é a minha melhor amiga mentir pra mim esse tempo todo. Não só ela,vocês dois. Não havia motivo. - ela fez questão de dar ênfase na palavra melhor amiga,tentando fazer eu me sentir culpada.
- Claro que havia motivo. Você iria ficar totalmente enfurecida e iria começar a nos agredir. Foi pela suas atitudes que nada disso foi revelado antes. Mas eu acho que agora não é hora pra falar de quem é a culpa,porque isso nem importa. – continuei falando o que estava preso.
- Concordo. – disse – Agora que você já sabe,não há mais nada o que fazer. Nós nos amamos,aprenda a lhe dar com isso. – Eu jamais ouvi ser tão seco assim,mesmo assim,era necessário naquela ocasião.
Ela levantou a cabeça e eu pude ver lágrimas caindo sobre seu rosto,e com aquela voz de choro ela disse:
- Eu nunca imaginei que a minha... Que uma amiga tão próxima como você, fosse capaz de tirar de mim o cara que eu mais amei. Dezessete anos de vida e eu nunca senti algo tão forte por alguém como por você, . E você, ,mesmo sabendo de tudo que eu sentia,foi capaz de tirar isso de mim tão brutalmente. – ela estava chorando, sua voz era de choro e seu rosto estava completamente vermelho.
Aquela situação estava me deixando completamente chateada,mas era necessário. continuava sentado ao meu lado,logo me aproximei mais dele e ele me abraçou,o que me fez acalmar imediatamente.
- Gente? – chegou confuso ao ver eu e abraçados e logo a nossa frente, chorando – Já entendi tudo.
foi ajudar porque eu, não tinha forças o suficiente para isso. Talvez ela não quisesse mais me ver, então preferi não arriscar. Ele por sua vez abraçou , que retribuiu. Logo ele a acompanhou para longe dali, sem virar as costas.
- É... Depois eu converso com ela. – disse encarando o chão.
- Acho que isso não para por aqui. Conheço ela tão bem quanto você. – ele disse olhando pra mim.
- Tem razão. Mas eu cansei,eu não quero esconder de mais ninguém. – sorri.
- Nem eu. – ele retribuiu o sorriso. – Pode parecer ridículo, mas... Eu estive pensando em umas coisas. – ele disse pensativo.
- O que? – perguntei curiosa.
- Daqui a alguns dias você será maior de idade e poderá sair do país sem ter necessariamente a autorização dos seus pais. – assenti e ele continuou – O que você acha de nós... Morarmos juntos? – ele finalmente terminou.
- Nossa... Wow. É claro que eu quero,mas a gente nem ao menos namora,não oficialmente. – disse sincera.
- Então esse é o problema? Agora desta vez, ninguém vai aparecer pra me interromper. – então ele pegou em minha mão olhou no fundo de meus olhos e disse – ,quer ser finalmente,oficialmente,minha namorada? – ele sorriu e eu respondi:
- É claro que sim – retribui aquele sorriso hipnotizador e assim nos beijamos.
Passamos o resto da tarde ali,apenas conversando sobre o nosso futuro como se tudo fosse pra sempre... Mas eu sabia que nada era pra sempre. Talvez o nosso amor fosse,ou talvez não. O que importava é que eu tinha consciência de que tudo um dia poderia acabar. A morte da minha mãe me fez amadurecer muito,e isso é bom.
Mesmo assim,preferia não pensar muito nas partes ruins que poderia acontecer. Só sabia que dali pra frente era uma nova vida.

Continua...



N/A: E aí gente? O que acharam desse capítulo? Eu achei muito romântico haha... Mas é necessário pra ~comover~ vocês mais pra frente.
Aw,agora o segredo não é mais segredo! Isso é sinal que está acabando The Secret,finalmente. Aguardem,o final está próximo.