TALVEZ – Parte II
Autor: Lomah
Beta-Reader: Lomah

Depois de todos os roubos e trapaças...

    E eu que tentei me enganar quando disse que nunca mais iria sofrer por causa dele, pobre de mim, nunca pensei que só naquele encontro que tive com ele tudo iria voltar à tona. Claro que na hora a gente não se toca, pensa que é só saudade de uma antiga paixão, mas depois nos damos conta de que é saudade de uma eterna paixão. Ele sempre foi, e sempre será, mesmo que eu tente me enganar, o meu eterno amor, nossa, parece até piegas falar “eterno amor” já que muita gente diz que o eterno não existe, eu poderia então tentar chamar de outra coisa, mas acho que esse é o adjetivo ideal. Alguns chamam de alma gêmea, não gosto muito desse negócio de alma... Lembra-me espírito e espírito me lembra filme de terror, que me lembra... Ah! Deixa pra lá! Continuando, outros chamam apenas de amor, paixão, bebê, coração... E tudo isso é tão brega! Aliás, o amor é brega! Você gosta tanto duma pessoa que quase respira ela, a cada minuto que passa você está pensando nela, e quando a vê suas pernas ficam moles, suas mãos suam, você fica nervosa, as famosas borboletas fazem a festa dentro de você, e isso é tão idiota, mas mesmo assim, o que mais queremos na vida é se sentir assim! O amor não é algo passageiro, é um sentimento que precisa amadurecer, passar da fase afim para a amando, porque o amor tem que amadurecer, pois quando achamos que tudo esta bem as coisas podem dar errado, o amor tem que amadurecer, criar raízes, se tornar forte, imbatível, ser invencível, contra as forças contrárias, o amor precisa de paredes em que se firmar, de estrutura sem traumas. Por que o amor não é assim resumido em uma paixão qualquer, ele é complicado de lidar, difícil de compreender, mas quem esta disposto a esperar o tempo e pagar seu preço esta disposto a realmente amar!

    Ah como eu queria não te amar mais, mas parece que a cada tentativa, mais eu gosto de você! E agora me lembro de uma história muito pertinente que ouvi quando era ainda pequena:
    Em uma ilha moravam todos os sentimentos: Alegria, Tristeza, Vaidade, Sabedoria, Amor e outros. Um dia avisaram para os moradores dessa ilha, que ela ia ser inundada. Apavorado o Amor cuidou para que todos os sentimentos se salvassem. Ele disse:
    — Fujam, a ilha vai ser inundada!
Todos correram e pegaram seus barcos para irem até um morro bem alto. Só o amor não se preocupou em se apressar, ele queria ficar um pouco mais com a ilha. Quando já estava quase se afogando, correu para pedir ajuda.
    — Riqueza, me leva com você?
    E ela respondeu:
    — Não posso, meu barco está cheio de ouro e prata. Você não vai caber.
    Passou a Vaidade, então ele disse:
    — Vaidade, me leva com você?
    E ela respondeu:
    — Não posso. Você vai sujar meu barco novo.
    Daí passou a Tristeza...
    — Tristeza, posso ir com você?
    E ela respondeu:
    — Ai Amor, estou tão triste que prefiro ir sozinha.
    Passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem lhe ouviu chamar. O Amor já desesperado e achando que ia ficar sozinho, se pôs a chorar... Então passou então uma barquinha com um velhinho e ele falou:
    — Sobe Amor, que eu te levo.
    O Amor ficou tão feliz que até se esqueceu de perguntar o nome do velhinho. Chegando lá no alto do morro, ele perguntou a Sabedoria:
    — Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe até aqui?
    E ela respondeu:
    — O Tempo!
    — O Tempo? Mas porque só o tempo me trouxe aqui?
    ‘Porque só o Tempo é capaz de ajudar e a entender um grande Amor!’


    E parece que isso que aconteceu, depois do dia em que me encontrei com ele naquele pequeno café no subúrbio de Toronto, foi que eu percebi, eu não deixei de amá-lo como disse a ele, o sentimento só ficou guardado, esperando o dia em que pudesse florir mais uma vez. Mas bem que ele poderia ter vindo um pouquinho antes... Alguns cinco anos atrás, por exemplo, quando me casei com o melhor marido que alguém poderia pensar em ter. O nosso casamento era perfeito, o único problema que tinha era que, eu não o amava. Quando me casei com ele, tinha em mente, que iria aprender a amá-lo, com a convivência, o que não ia ser muito difícil já que ele era muito carinhoso e amável comigo, grande erro. Claro que eu não o amava, mas nutria um carinho muito especial com ele, e apesar de tudo eu gostava dele, não o amava, mas gostava muito dele.


Você deve achar que eu guardo ressentimentos de você...

    Mas e agora? O que eu poderia fazer? Não seria justo com deixá-lo sem saber de nada, ainda mais agora que estava esperando um filho dele. Ai Deus, eu estou esperando um filho dele! O que faria agora? Ele já conhecia minha história com , mas nem por isso iria mentir ou traí-lo.

“Cause it makes me that much stronger, makes me work a little bit harder, It makes me that much wiser, so thanks for making me a fig…”

    — Alô! – Atendi com a voz chorosa.
    — Heeeey!
    — Quanta alegria, !
    — Ah é, pois é – e deu sua risada histérica me fazendo afastar o celular do ouvido — Sabe o que ééééé? – Quando ela começava a alongar as palavras assim é porque queria alguma coisa, ou estava bêbada.
    — O que você quer?
    — Nossa amiga, que grosseria viu?! Nem sempre que eu te ligo eu quero alguma coisa!
    — Verdade, às vezes você não quer uma coisa – pude ouvir um “viu” do outro lado da linha – às vezes você quer mais de uma!
    — Ta! A quem eu to querendo enganar? – ela suspirou, olha o drama – É que... assim... Hoje abre a Lotus – pude imaginar os olhinhos dela brilhando.
    — Eeeeee o kiko?
    — Mal educada! – bufou – Wherever! O que importa é que, 4hs eu to na frente da sua casa pra gente ir ao shopping comprar umas roupas tipo assim, P-E-R-F-E-I-T-A-S pra hoje à noite!
    — Are you crazy, bitch? Você ainda não se tocou que eu sou casada? Eu não posso ficar assim saindo igual uma mulher solteira e desimpedida!
    — Ah e é por isso que a sua super amiga aqui ligou para o seu maridão mega gato pra pedir permissão pra vossa excelência ir comigo em uma noite das meninas! Não é emocionante?
    — Emocionante seria se ele aceitasse – ri.
    — Então pode começar a se emocionar, chuchu. Ele deu mais que uma permissão, ele intimou, falou que de uns dias pra cá você quase não sai de casa, só para o necessário e ele acha que você precisa se divertir! A desculpa da permissão não colou, como se você precisasse de uma.
    — Hm.
    — É só isso que você vai me falar? HM? Cadê a explicação que você me deve por estar ilhada na sua casa?
    — Ai amiga, eu te conto quando formos pro shopping, daqui a 15 MINUTOS! PQP!
    — Eita boca abençoada! – bufou – To passando aí, beijos mil. – e desligou.

    Ela sempre fazia isso, desligar depois de falar a ultima palavra.
    Arrumei-me em exatos 15 minutos, tomei um banho rápido e coloquei uma calça jeans básica, meu All Star e uma blusinha de alça, afinal, estava calor. Enquanto prendia meus cabelos o interfone tocou.
    – Sim?
    – A Senhorita está aqui em baixo, senhora .
    – Ok Rob. Obrigada já estou descendo!


Mas, não, você errou. Pois se não fosse por tudo que você fez eu não saberia o quanto sou capaz de agüentar...

    Peguei minha bolsa, tranquei a porta e desci em direção ao carro de .
    – Hey.
    – Que demora filha!
    – Mentira que eu nem demorei ta?! – mostrei a língua pra ela.     – Mas agora me conte, porque choras? – ela perguntou, dando partida no carro.
    – Palhaça! – ri – Sabe o ?
    – Ah, ele morreu? – ai meu Deus o que faço com ela?
    – Lógico que não né, filha. Que idéia – rolei os olhos - Não ele só... tipo assim, apareceu aqui...
    – Aqui?
    – Aqui!
    – Ah, aqui – ela sorriu como se tivesse descoberto a América.
    – É!
    – Hm – ela voltou-se para a rua – Mas, aqui onde?
    – Ai meus sais! – minha amiga é tão rápida quanto uma lesma perneta – Aqui, em Toronto.
    – Ah ta! Explica trouxa – ela disse, calma demais – Mas então, o que ele tava fazendo aqui em... – ela arregalou os olhos – WHAT THE FUCK ELE VEIO FAZER AQUI?
    – Eu não sei – ignorei o ataque dela – Mas ele veio falar comigo...
    – Onde? Como? Quando? O que ele disse? Fala logo, morsa! – Essa é a , sempre muito gentil.
    – Ontem, quando eu estava voltando do ped... médico – ainda não tinha contado a ninguém sobre o bebê – ele me parou, a princípio não o reconheci, mas depois que ele se apresentou, quase tive um infarto!
    – OMG continue!
    – Ele pediu pra conversar comigo, e nós fomos pra um café que tem lá perto, e...
    – NÃO ME DEIXA CURIOSA, BROACA! – como eu disse muito gentil.
    – Bom elefalouquemeamava e que tinha odiadomeperder...
    – NOSSA BEESCHA, o cara foi profundo! – é incrível como ela consegue me entender – E o que você falou?
    – Eu falei que não né, ?! – ingenuidade a mil – Eu sou casada nêga, você achou o quê? Que eu ia me jogar nos braços dele no maior estilo novela-mexicana-de-baixa-renda e o beijar loucamente, até perdermos o ar, pra recuperar todo o tempo perdido?
    – Basicamente...
    – Ai , eu invejo sua inocência, mas depois do que ele me fez eu não ia fazer isso.
    – Mas ele ta te pedindo desculpas... – Ela virou pra mim quando parou o carro no sinal vermelho – Eu acho, na minha opinião, que você devia dar uma chance pra ele, meu morango do nordeste.
    – Eu sei que ele ta, – eu ri do apelido –, ele realmente parecia arrependido. Mas tem o , meu caju do mato.
    – O ? – ela se virou para o trânsito – Ele te ama o suficiente pra deixar você ser feliz com outro.
    – Ei! Eu sou muito feliz com o ! – disse ofendida.
    – Eu sei amor – ela falou, procurando uma vaga no estacionamento do shopping – Eu sei que é, mas você não concorda comigo que você seria muito mais feliz ao lado de quem você ama de verdade?
    – Eu amo o – falei baixinho.
    – Ama, mas não é a mesma coisa – disse, desligando o carro e virando-se pra mim – São diferentes tipos de amor. Eu te amo, mas não é o mesmo amor que eu sinto pelo . Entendeu?
    – Nunca pensei que esse dia ia chegar – fiz cara de assustada.
    – Que dia? – ela disse preocupada.
    – O dia em que você ia me explicar alguma coisa – e sai do carro rápido antes que ela jogasse alguma coisa em mim.
    – Engraçadinha – ela fez o mesmo.


E por isso quero dizer, obrigada...

    – Amiga, o que te deu, você já comia bastante antes, mas você se superou hoje! – observou rindo.
    – É que agora estou comendo por dois – e dei meu melhor sorriso colgate-total-12-proteção-total-para-toda-a-família.
    – , eu sei que você é gorda, mas ainda não é duas! – não acredito que ela não tenha entendido. Realmente minha amiga era muito lerda, ela vai se tocar daqui a cinco... Quatro... Três... D... – COOOOOMO ASSIM DOIS?
    – Recorde! Três segundos – ela continuava me olhando com aquela cara de psicopata dela – Calma , não precisa me bater, eu fiquei sabendo ontem. E, você foi a primeira pessoa à saber do bebê – foi só falar que ela foi a primeira pessoa que os olhos dela de psicóticos foram pra brilhante em um segundo.
    – Own e o meu lindo sobrinho vai se chamar?
    – Ainda não pensei no nome, era nisso que eu estava pensando quando... – minha voz embargou, uma pontada no peito, lágrima rolando.
    – Calma amiga – ela falou me abraçando – Porque você ta chorando?
    – Porque – suspiro – agora que tudo ia dar certo pra mim, com toda a coisa do – suspiro – bebê e tudo mais – suspiro – o me aparece!
    – Ah amiga! – me abraçou mais forte – Dê tempo ao tempo. Vamos sair pra esquecer tudo hoje à noite e amanhã você pensa nisso.
    – Tá – suspiro.
    – Além do mais – olhos brilhantes – a gente vai arrasar, e eu vou ter que cuidar de você por causa dos urubus que vão ficar em cima de ti.
    – Você me chamou de carniça? – olhei pra ela.
    – HAHA, vamos minha carniçinha super sexy.
    – Ok, minha tripa pura sedução.

“Cause it makes me that much stronger, makes me work a little bit harder, It makes me that much wiser…”
    Olhei pro celular ‘’, 8 chamadas não atendidas.
    – Ô QUADÚPEDE DE TETAS, CADÊ VOCÊ? – preciso repetir? , a pessoa mais gentil e educada que eu conheço.
    – Calma , por que o desespero?
    – Era pra você estar aqui embaixo à exatamente 3 minutos! – Drama Queen!
    – , foram somente 3 minutos e eu já estou descendo, não se preocupe.
    – Esteja aqui embaixo em exatos 30 segundos...
    – To indo, mamãe...
    – VINTE E CINCO... – e desligou.


Pois isso me fez muito mais forte...

    24 segundos depois, lá estava eu dentro do carro da , em direção a um pub, com direito a uma noitada totalmente sem álcool, mas muito divertida. Será que um Sex on the beach faria muito mal pro bebê?
    – RIIIIIIIIIIIIISEEEE, KEEP ON RISING, RIIIIIIIIIIIIISEEEE – eu e cantávamos a plenos pulmões enquanto ela tentava achar uma vaga na rua lotada de carros de ambos os lados.
    – CARAI velho, isso aqui ta lotado! – observei.
    – Deve ta lotado de gatinhos, então – ela piscou pra mim.
    – Você é uma menina comprometida, tenha respeito pelo !
    – Eu falei que tem gatinhos – ela falou rindo – não que eu ia me atracar com eles.

    Conseguimos achar vaga só um quarteirão abaixo do pub, depois de andar muito, chegamos na porta do pub, onde tinha um cara grandalhão com uma lista na mão e uma fila se estendia até o fim da rua.
    – , nosso nome ta na lista? – perguntei, com medo da resposta.
    – Que lista? – como eu não tinha desconfiado?
    – , precisa ter o nome na lista pra entrar!
    – Ah é? – ela fez cara de confusa – Droga, sabia que tinha esquecido de alguma coisa!
    – Ai meus sais, vamos embora logo!
    – Que embora o quê? Viemos até aqui e vamos entrar! – falou indo em direção ao grandalhão na entrada. Fiquei com medo do que ela ia fazer.
    Quando ela chegou em frente ao segurança, o celular dela tocou.
    – Oi amor! Eu to na frente da Lotus e você? Hmm... Hmm... Onde? Hmm... Ta... Tá legal aí dentro? Hmm... Quem mais? ... ? – gelei – Não, não conheço! Pensei que já tinha ouvido falar, mas não – como minha amiga podia ter esse cérebro de ameba? – ah ta, não, não fiz barraco ainda! Ta to te esperando... Beijos! Te amo!
    – E aí?
    – O ta lá dentro com os amigos dele.
    Alguns minutos depois, , o namorado da aparece lá e nós entramos.
    – Os caras estão lá na área VIP, querem ir lá? – ele perguntou.
    – N... – eu comecei.
    – Lógico amor – nem espera eu responder, mal educada.


Me fez trabalhar mais arduamente...

    Lá dentro, era uma mistura de vários perfumes e cigarro, a música alta chegava a te impedir de pensar, as pessoas na pista de dança eram dos mais variados tipos, tinha daquelas meninas com roupas minúsculas, que eu costumava chamar de “íntima”, daqueles caras fortões e tarados e aquele gay dançando como a Lady Gaga. A pista era enorme, e ficava na maior parte do pub, ao canto tinha o bar, com aqueles carinhas fazendo malabarismo com a bebida e ao lado os banheiros, e do outro lado uma escada, que ia para a área VIP, que era pra onde estávamos indo, com mesas e pufes fofos.
    – Dudes, essa aqui é a , minha namorada – apresentou – e essa é a . Todos os meninos nos cumprimentaram com um sorriso, menos o que estava sentado no canto, que gelou e ficou olhando estático pra mim.
    – , , esses são James, Steve, e – foi nessa hora que vi ele.
    Meus joelhos cederam, uma ânsia subiu e as borboletas voltaram, ao mesmo tempo que corri, com as mãos na boca, para o banheiro feminino, indo direto pra uma das cabines e despejando todo meu jantar.
    – , você ta bem? – veio e segurou os cabelos da amiga pra trás.
    – Acho que é só um enjôo da gravidez, – me levantei, indo em direção à pia, lavar a boca.
    – Tem certeza? – ela me entregou o papel toalha– Você ficou branca quando o apresentou o amigo dele, o ... – ela arregalou os olhos – É ele não é?
    Eu só assenti.
    – OH MY GOSH! Me desculpa, , eu nem me toquei! Eu poderia ter evitado e...
    – Tá tudo bem, – eu abracei ela – Isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde!
    – Mas não precisava ser HOJE!
    – Quer saber? Não vai fazer diferença! – eu sorri – ele é como se fosse um ex meu, vai ser fácil, é só ignorar ele.


Me fez muito mais sábia...

    Grande engano! Quando sai do banheiro, lá estava ele, me olhando com a feição preocupada.
    – O que houve? – ele perguntou.
    – Foi só enjôo por causa da gravidez – respondeu, antes de colocar a mão na boca com cara de quem falou demais.
    – Gravidez? – ele olhou pra mim.
    – É... Gravidez – não adiantava mais negar.
    – Hm, parabéns! – ele falou, com cara de desapontado.
    – Obrigada! – dei um sorriso amarelo.
    – Er... vamos voltar pra mesa gente? – perguntou .
    Quando chegamos lá, chamou pra dançar e os dois desceram até a pista.
    – Então,
    – Me chame de – sorri.
    – Ok – Steve concordou rindo, e continuou – Tem namorado?
    – Na verdade não, – ele sorriu – sou casada! – vi o sorriso morrer.
    – Ih Steve, perdeu! – riu James e do lado dele.
    – Estar casada, não te impede de dançar não é? – perguntou, olhando pra mim.
    – Bem... não!
    – Então, a senhorita... Oops – ele riu – senhora, me concede essa dança?
    – Com todo prazer cavalheiro – sorri.
    Ele me levou até a pista, com a mão na parte baixa das minhas costas, o que provocou vários arrepios. DROGA! Por que ele ainda tinha esse poder sobre mim?
    – Então... – ele falou enquanto dançávamos – grávida? deve estar feliz!
    – Er... – comecei – ele ainda não sabe!
    – Hmm – ele suspirou.
Um minuto de silêncio.
    – Um dólar por seus pensamentos – eu sorri.
    – Eu tava pensando bem... na gente. – meu sorriso morreu – em como nós che...
    – Não existe a gente – cortei ele.
    –... gamos à esse ponto, – ele continuou como se eu não tivesse falado nada – como se não tivesse acontecido nada entre nós!
    – Mas não aconteceu! – eu disse exasperada me afastando dele, mas ainda com os braços em volta de seu pescoço.
    – Porque você não quis...
    – NÃO – eu gritei, e percebi alguns olhares sobre nós – porque você não quis! – mais baixo.
    – Eu? – já tínhamos parado de dançar, mas eu continuava com os braços ao redor do pescoço dele e ele com os braços em minha cintura.
    – Não seja cínico! – eu desafiei ele com os olhos – Eu sempre estava lá pra você! E você...
    Ele estava quieto, ouvindo, já eu, me encontrava em lágrimas e minha voz não passava de um sussurro.
    –... você nunca esteve lá pra mim. – dito isso, peguei minha bolsa e sai do pub em busca de um taxi.
    Mas parece que eu não estava sozinha.
    – Como assim? Eu te procurei – ele estava correndo atrás de mim.
    – Você me procurou CINCO ANOS DEPOIS! – eu ri falsamente, mas ainda olhando em volta por um taxi – Quando eu já estava casada e feliz! Mas não, você tinha que estragar minha vida... DE NOVO!
    – Eu estraguei sua felicidade? – ele pegou no meu braço, me virando pra ele – Como você pode estar feliz vivendo ao lado de quem você não ama? Aliás, como você se casou com quem não amava?
    – Não amava – lágrimas rolando – mas poderia aprender a amar! Amor vem do respeito, do carinho... e podemos aprender a amar as pessoas!
    – Não, não podemos! – ele apertou mais forte – Você me ama e sabe disso!
    – Como você pode ter tanta certeza?
    – Então fale que não me ama, e eu nunca mais chego perto de você!
    – Eu, – olhei pros meus pés – não te amo...
    – Fale isso olhando nos meus olhos – ele ergueu meu rosto com a outra mão.
    – E-Eu... – uma grossa lágrima brotou, fazendo o rosto dele ficar embaçado – eu não posso! – e me debulhei em lágrimas.
    Ele me abraçou, apertando-me contra seu peito e beijando o topo da minha cabeça.
    – ... – falei e minha voz saiu abafada – você me fez sofrer muito. Mas apesar de tudo, eu tenho que te agradecer, por sua causa, eu vivi os cinco anos mais felizes da minha vida ao lado de uma pessoa maravilhosa, por sua causa eu subi profissionalmente, pois não tinha mais uma vida social... Mas mesmo assim, por sua causa eu não posso amar outra pessoa que não seja você, e isso não é saudável! Eu devia poder amar outro alguém, eu queria amar o como amo você! Poxa, eu queria poder ser feliz... mas você estragou isso também!
    – Eu não te tirei o direito de ser feliz!
    – Como não?!
    – Você ainda pode ser, –
    – Há – riso cínico – como?
    – Me dá uma chance? – ele me olhou com uma cara de cachorrinho que caiu da mudança.
    – Não posso...
    – Pelo menos me deixa te levar pra casa?
    – Hmm – olhei pra rua, não parecia que ia passar um taxi tão cedo, e provavelmente estava se divertindo com – Ok! – disse, sem outra saída.
    Ele me levou até um Mercedes preto e abriu a porta do carona.
    – Obrigada – disse entrando no carro.
    assentiu, fechou a porta do carona e deu a volta no carro pra entrar no mesmo, demorando um pouco. Quando entrou viu cochilando, ficou algum tempo a admirando dormir, e após isso, reclinou o banco pra ela ficar mais confortável e deu partida no carro.


Então obrigada por fazer de mim uma lutadora...

    Que dor de cabeça! acordou na manhã seguinte sem conseguir abrir o olho de tanta dor, olhou para o lado e viu uma caixinha de aspirina e um copo d’água. Tomou e fechou os olhos, sentindo a dor lhe latejar a cabeça. Pelo menos era só a cabeça que estava doendo, pois o resto do corpo estava muito confortável, a cama onde estava deitada era muito fofa e quentinha. Virou-se de lado e pode sentir o cheiro gostoso que emanava do travesseiro, uma leve mistura de loção pós-barba com sabonete e perfume caro. Inalou o máximo que pôde, por incrível que pareça aquilo ajudava a dor. De repente se lembrou da noite passada, o pub, , ... A pontada no peito veio forte e ela automaticamente fechou os olhos e colocou a mão sobre o busto, com a velocidade quase arrancou o botão da camisa. Peraí, botão? Ela lembrava-se muito bem do tubinho preto que usou na noite passada e ele não tinha botões, desceu um pouco a mão e sentiu que usava uma boxer com uma camisa por cima, lembrou-se também do tanto que reclamava de sua cama, por ser muito dura e agora estava deitada em uma cama fofa e confortável. Abriu os olhos lentamente, vendo assim um quarto estranho, com paredes em tons claros e pastéis, uma porta ao canto que provavelmente dava pra um banheiro e outra que devia dar pra um corredor. Tirou os pés da cama, levantando-se bem devagar, olhou para seus trajes, boxer e camisa como tinha imaginado. Foi andando até a porta que imaginava dar em um corredor e a abriu. Corredor.
    Desceu as escadas, o apartamento estava claro, e com alguns raios solares que entravam pelas frestas. Olhou para o apartamento em que se encontrava, e naturalmente não era o seu. Então viu ele deitado todo torto, por estar no sofá, aparentemente desconfortável. Foi até lá e sentou-se na ponta do sofá, ele parecia tão sereno enquanto dormia, via através de suas pálpebras que estava tendo um sonho muito agitado, pois mexia os olhos rápidos e com frequência. Não conseguiu se segurar, e logo começou a passar a mão lentamente pelos cabelos dele, fazendo carinho em seu rosto. Um movimento brusco dele e ela caiu no chão, fazendo barulho, então ele levantou a cabeça, assustado com o estrondo.
    – Você – bocejo – está bem? – ele perguntou com a cara amassada.
    – Err – ela pensou em como estaria seu rosto, provavelmente não devia ser das melhores – Estou sim.
    – Hmm – ele levantou, meio cambaleando – Que bom...
    – Onde é o banheiro? – ela precisava dar um jeito em sua aparência.
    – Segunda porta à direita...
    Ela entrou no banheiro e trancou a porta, se assustou ao olhar-se no espelho, seu cabelo estava uma palha e ela parecia um panda, por causa da maquiagem borrada. Além de estar com a cara inchada por ter chorado. Jogou uma água no rosto, tirando a maquiagem, escovou os cabelos, prendendo-os em um rabo-de-cavalo frouxo e saiu do banheiro. Não estava linda, mas melhor que antes pelo menos.
    – Você pode tomar cappuccino? – ele perguntou da cozinha.
    – Por quê? – perguntou entrando na cozinha e dando de cara com de boxers, e um avental com margaridas. Riu.
    – Por causa do bebê – ele disse – E por que está rindo?
    – Você ta linda assim – e riu mais uma vez.
    – Obrigada amiga – riu, imitando um gay e dando voltinhas – Eu sempre achei aventais muito sexy não acha? – e piscou várias vezes, fazendo cara de sexy.
    – Sim, você ta muito gata! – ela gargalhou – Se eu fosse homem, eu te pegava...
    – Ah BEESCHA, se eu fosse homem eu te pegava – ele olhou ela de cima a baixo – Essa sua roupa ta MARA! – Ele riu, e ela acompanhou-o.

    Eles sentaram-se para tomar café, havia feito omelete e panquecas, e elas estavam realmente deliciosas.
    – Hmm – ela elogiou – Não é que você é prendado?!
    – Pois é – ele riu – Já posso casar!
    Ela riu, e ele continuou.
    – Me desculpe te trazer pra cá, mas você adormeceu antes de me falar seu endereço.
    – Tudo bem – ela sorriu – Obrigada!
    – Imagina! – ele correspondeu – Talvez você queira ligar pra ou pro seu marido, pra não deixá-los preocupados, o telefone está ali. Se você quiser, eu vou só tomar um banho e já te levo em casa.
    – Ah eu agradeço – sorriu.


Me fez aprender mais rápido...

    Enquanto estava no banho, liguei para . Cinco, seis toques depois caiu na secretária. “Oe, aqui é o – risos – e a ...” Desisti, e liguei pra .
    – ? – voz de homem.
    – Não, é a – risinhos maldosos – Chama a , !
    – Pode falar! Viva-voz – disse a voz de .
    – Ah – fiquei sem graça – Eu só liguei pra avisar, eu dormi na casa do e, – mais risinhos – parem de pensar besteira, tobós!
    – Ninguém aqui pensou, – disse .
    – A suspeita sempre persegue a consciência culpada – riu .
    – Não adianta ficar citando Shakespeare, – ri – não aconteceu nada, e nem vai!
    – Por quê? – perguntou os dois.
    – Por que não! – respondi – Credo , você é amigo do , e sabe que eu não faria uma coisa dessa com ele.
    – Er... – ele pareceu estar querendo dizer alguma coisa, suspeito.
    – disse séria, muito suspeito – O quer falar com você... Ele ligou pra mim querendo falar contigo, porque disse que seu celular não atendia.
    – Hmm – disse – Tem algo que eu deveria saber?
    – Bom, – disse – Ter, tem! Mas isso quem deve te falar é o . Eu já falei demais.
    – Tudo bem então – falei – Já vou, beijos.
    – TCHAAAAU BOMBOMZINHO – gritou e desligou. Típico, como sempre, ultima palavra.

    O que será que queria falar, de tão importante? Olhei para a mesinha de centro da sala e viu minhas roupas dobradas e minha bolsa, abri a mesma e tirei meu celular. 22 chamadas não atendidas, duas de , uma desconhecida e o resto de . Vesti minhas roupas e esperei , que saiu do banheiro vestindo uma bermuda bege e uma pólo azul escura, com seus tênis que pareciam pães com muito fermento. Seus cabelos estavam meio molhados, jogados e despenteados. Dando um visual despojado e sexy ao mesmo tempo.
    – Vamos? – ele perguntou.
    – Claro, claro – falei pegando minha bolsa e o seguindo até o elevador
    A descida foi em silêncio, e o mesmo aconteceu no caminho até minha casa.
    – Então – ele disse quando parou em frente ao meu prédio – Foi bom te ver.
    – Digo o mesmo – sorri – Tchau – despedi-me com um beijo em seu rosto.
    – Tchau. – ele abaixou o tom – Pena que acabou assim.
    – Eu vou seguir minha vida, – disse – siga a sua!


Fez minha pele um pouco mais espessa...

    Subi até meu apartamento e quando entrei dei de cara com com a cabeça entre as mãos. Fechei a porta, e o barulho o fez levantar a cabeça, me olhando agoniado.
    –... Oi – ele disse baixinho
    – Oi – respondi – me disse que você queria falar comigo.
    – Er – ele deu palmadas no espaço a seu lado, me convidando a sentar – Quero sim... Mas ela também me falou que você tem algo muito importante pra me contar.
    – Sim – me sentei a seu lado – bom, pode falar primeiro.
    – Não, me conte você.
    – Ok – respirei fundo – eu estou grávida.
    O que vi nos olhos dele, não foram alegria nem surpresa, e sim dor. Fiquei assustada com sua reação, e cheguei a me encolher, então ele me abraçou forte, e chorou. Nos cinco anos que estive com ele só o vi chorar duas vezes, uma quando nos casamos, e outra quando seu avô, de quem era muito próximo, faleceu. Por isso fiquei assustada, seja o que fosse devia ser muito doloroso.
    – ?
    – Me desculpe, – suspiro – Que droga!
    – Já entendi, você não quer o beb... –
    – Não amor, não é que eu não queira – ele se afastou, olhando-me nos olhos – Mas eu preciso te contar uma coisa.
    Eu assenti.
    – Eu estou contigo à cinco anos e sei que o que você mais preza é a sinceridade, – ele parou um segundo – então eu vim... pedir sua permissão, ou qualquer outra coisa – ele abaixou a cabeça – Eu conheci alguém...
    Eu gelei, e ele apertou minhas mãos entre as suas.
    – Eu não tive coragem de te trair nem nada – ele me olhava – Eu quis que você fosse a primeira a saber! Eu te amo demais pra mentir ou te enganar, e por isso eu to aqui. Pode me bater, jogar minhas roupas pela janela, ou me proibir de ver ela. Antes de ser minha esposa, você é minha amiga, a decisão é sua.
    – Eu... – ele esperava uma resposta – Os anos que passei ao seu lado foram os melhores da minha vida, você me fez muito feliz, me amou e acima de tudo me respeitou e cuidou de mim. Te agradeço por tudo de bom que aconteceu na minha vida. Você foi meu salvador, meu príncipe encantado, o melhor marido que eu já tive – rimos – Você aceitou que eu era apaixonada por outro quando me casei com você, e realizou outro dos meus sonhos, que é esse bebê – ele pôs a mão em meu ventre – e ele irá saber o homem perfeito que o pai dele é, mesmo que eu não esteja com você. Eu te amo muito, como um irmão, melhor amigo, você é meu porto seguro! Você é como meu sol particular pra dias chuvosos, e pra sempre vai ser. E eu sei que eu não fiz tudo o que deveria por você, e esta na hora de retribuir tudo o que você fez de bom por mim, que é te dar a chance de ser feliz. Eu quero que você seja muito feliz com esse alguém, eu quero que esse alguém te ame tanto quanto você me amava, pra você se sentir tão contente quanto eu me sentia com você! Eu quero que você seja feliz, , e se sua felicidade não é comigo... A única coisa que eu posso fazer é te deixar seguir seu caminho, que é perto do meu, mas não é mesmo.
    – Eu te amo tanto, – ele me abraçou e beijou minha testa.
    – Se esse filho for metade do homem que você é , eu já vou estar radiante.
    Ficamos abraçados por um tempo, só ouvindo a batida dos corações.
    – A me contou do – ele quebrou o silêncio.
    Eu assenti.
    – Sua felicidade esta com ele , vá em busca dela!
    – Você acha?
    – Eu tenho certeza! – ele sorriu, do jeito que fazia toda a minha tristeza sumir, por um segundo eu senti ciúmes da mulher que ia poder acordar e olhar pra ele.
    – Eu amo esse seu sorriso – disse – ele espanta toda a tristeza, é como se fosse o contrário dos dementadores – ele gargalhou, e eu acompanhei.
    – Vá atrás do , !
    – Amanhã, eu vou até o apartamento dele! – e ele sorriu, me encorajando.
    – Vamos, eu quero te apresentar à Marjorie... – ele me olhou, como se perguntasse se eu queria.
    – Lógico, quero ver se eu aprovo – ri.

    Naquela tarde, fomos almoçar com Marjorie, cabelos loiros platinados e curtinhos, no maior estilo francesa, olhos verdes azuis translúcidos, era muito simpática, falava com um sotaque francês engraçado e pelo jeito que olhava pra , eu percebi, lá estava a felicidade dele. Almoçamos em um bistrô delicioso, que ficava em uma colina, então tinham uma vista magnífica das montanhas canadenses. Após o almoço, passeamos pelo shopping e compramos algumas coisas para o bebê. Em tons neutros, pois não sabiam o sexo, apesar de ter quase certeza que era um menino.
    Depois dessa tarde maravilhosa, fomos pra casa e Marj, como pediu pra ser chamada, pra sua. Assistiram vários filmes e ficaram pensando no nome do bebê. Na hora de dormir, refletiu em como sua vida chegara a esse ponto, e pensando nisso, adormeceu.


Me fez muito mais esperta...

    No dia seguinte, acordou 10h30, tomou um banho e ligou pra Aly pra contar as novidades. No segundo toque a amiga atendeu:
    – FELINA!
    – Oi, !
    – E aí? Desceu o cacete no ? – ri.
    – Lógico que não!
    – Contou do bebê?
    – Aham! – respondi – Ontem, nós três, até compramos umas coisinhas.
    – Três? – ela perguntou – Amiga, o bebê ainda não pode ser contado como uma terceira pessoa!
    – Não, tonga, três! Eu, e a Marjorie.     – Ah sei! – ela riu – Já sabes que foi o que apresentou ela pro ?
    – Jura? – fiz voz de brava – Coloca ele na linha.
    – Viva voz – ela fez voz de má – Pode brigar! – ouvi um “Muito obrigada, amor” do outro lado da linha.
    – ! – eu gritei – Muito obrigada, amendoinzinho!
    – What? – ele assustou – Você ta me agradecendo pelo quê?
    – O ta feliz, e hoje eu vou falar com o .
    – Vai?
    – Vou!
    – Como?
    – Como assim como? – perguntei – com a boca ué!
    – Amorzinho – falou – O deve estar, nesse momento, embarcando pra Londres.
    – O quê?
    – É, ele veio só pra falar com você – respondeu – mas como você não quis o coitado, ele voltou pra Londres...
    – Tem certeza que ele já embarcou? – perguntei atônica.
    – Acho que ainda não – respondeu – o vôo está marcado pras 10h30...
    – Isso se não esta adiantado – .
    – Calado, ! – barulho de tapa, e um ‘Ai’ – Corre que você consegue amiga!
    Desliguei.

    Peguei meu sobretudo, os primeiros sapatos que encontrei, os scarpins da noite passada, minha bolsa e as chaves do carro e corri em direção ao aeroporto. Na pressa esqueci-me de perguntar a plataforma. Quando entrei no aeroporto, uns 15min depois, ouvi a chamada:
“Passageiros do vôo 2335, com destino à Londres, favor se apresentar no portão 6A pra embarque. Repetindo, passageiros do vôo 2335, com dest...”
    Nem esperei a mulher terminar, e já estava correndo, amaldiçoando os malditos saltos que usava, parei no meio do caminho, e peguei os sapatos na mão, e continuei correndo. As pessoas em volta olhavam pensando que eu era louca, ou imaginando que tipo de animal estava correndo atrás de mim, pra eu estar tão desesperada.
    Quando cheguei perto do portão 6A, vi de longe aqueles cabelos despenteados, nem me toquei que tinha gritado no meio do aeroporto, fazendo várias pessoas virarem em minha direção, inclusive o dono do nome. Que me olhou, com os olhos azuis confusos, de cima a baixo e riu. RIU! Eu continuei correndo e joguei meus braços em volta dele.
    – Não vá embora – eu disse, já com gordas lágrimas nos olhos – Não me deixa!
    Todos do aeroporto pararam o que estavam fazendo pra olhar a cena.
    – Eu não quero que você... – suspirei – que você vá embora de novo!
    Alguns riam, alguns olhavam com pena ou com olhares apaixonados, mas todos prestavam atenção.
    – Eu não sou nada sem você – o abracei mais forte – Por favor, diz alguma coisa!
    Eu senti ele tremendo em baixo de mim, ele continuava rindo.
    – Amor – ele começou, baixo – Você está de camisola.
    Foi como se eu tivesse levado um choque, me afastei dele, e olhei-me no vidro atrás dele. Eu estava com uma camisola que ia até, no máximo, um palmo acima do joelho, um sobretudo preto e segurava minha bolsa em uma mão e meus scarpins na outra. Meus cabelos estavam presos em uma trança com vários fios soltos, e alguns fios estavam pregados na minha testa por causa do suor da corrida. A vergonha me tomou.
    Ele deve ter sentido isso, por que me apertou em seu peito, como se pra me esconder das pessoas.
    – O que você veio fazer aqui? – perguntou, baixo, mas eu tinha certeza que as pessoas perto conseguiam ouvir.
    – Te impedir de voltar à Londres... – sussurrei.
    – Por quê? – ele me afastou, pra olhar em meus olhos.
    – Porque... – senti todo mundo em volta, prender a respiração – Porque eu te amo! E eu não consigo mais sem você! Eu preciso de você comigo.
    Ele ficou alguns segundos olhando nos meus olhos, como se estivesse me lendo, o que eu não duvido muito. E então ele me beijou, foi quando eu senti que nenhuma felicidade no mundo se comparava com aquele momento. Eu tinha reencontrado a minha felicidade.


PRÓLOGO

Então obrigada por fazer de mim uma lutadora!

    Aquele devia ser o dia mais importante da minha vida, era o começo de uma nova vida. Uma nova vida ao lado da minha felicidade. Aquele que me amava e eu correspondia, aquele por quem eu fui ao aeroporto de camisola e scarpin há 11 meses atrás, aquele que fazia toda a diferença na minha vida... Não, ele é a minha vida. Tudo o que eu disser aqui vai parecer piegas e bobo, mas assim é o amor, como diz Clarice Lispector “É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.” Eu sempre odiei literatura, na escola essa aula só servia pra dormir ou pra ficar a aula inteira rabiscando a ultima folha do caderno. Pois eu sempre achei essa poesia uma coisa brega e chata, por que não entendia a essência delas. Mas hoje elas fazem total sentido pra mim, é como se depois de muito tempo, uma lâmpada fosse ligada pra que eu pudesse ler de verdade esses poemas. Nesse momento eu estava parada ao lado do meu pai, esperando a musica, não uma música, “A” música. A música pela qual, toda mulher sonha em escutar. E era essa música que eu estava escutando agora.
    – Vamos meu anjo? – perguntou meu pai.
    Eu olhei pra ele, e lágrimas começaram a brotar dos meus olhos.
    – Não chore agora filha – ele limpou o canto dos meus olhos com um pequeno lenço.
    – Vou tentar – e dei um pequeno sorriso pra ele, que retribuiu.
    Eu olhei pra frente bem na hora que a tenda era aberta, e pude ver o caminho por onde eu tinha que andar, entre meus familiares e amigos que me olhavam com expectativa. Mais a frente se encontrava o padre, e do lado esquerdo, sorrindo encorajadores, e do outro lado Marj e segurando Jr. no colo, também sorrindo. E perto deles estava ele, o homem por quem eu colocava minha mão no fogo, por quem eu deitaria sobre pregos e andaria sobre brasas. O homem que, no momento, me olhava como um cego que vê o sol pela primeira vez. Estava lindo com a calça leve e camisa branca um pouco aberta, e descalço. Como a maioria das pessoas ali. Eu estava com um vestido clarinho, de tecido leve que ia mais ou menos até o joelho e descalça.
    Olhei pra todos aqueles que eu amava mais que tudo, todos sorrindo pra mim, e pra ajudar a deixar o momento mais magnífico, a vista dali era incrível, estávamos em um pedaço deserto de uma das muitas praias do Caribe, ao longe podíamos ver o pôr do sol, que deixava tudo com uma linda cor amarelada, acabando no início das águas límpidas e transparentes do mar azul turquesa.
    Meu pai me deu um pequeno puxão, pra me levar em direção ao altar, e eu me apoiei nele, pois não conseguia enxergar o caminho por causa das lágrimas que deixavam tudo embaçado. Quando chegamos lá, meu pai me deu um beijo na testa, pegou a mão de e pôs a minha em cima, sussurrando “Cuide bem do meu anjo”.
    me olhou com aqueles olhos azuis que me faziam derreter até numa nevasca.
    Viramo-nos para o padre, que começou a cerimônia. Nem percebi a hora em que eu tinha que dizer as palavras mais importantes, só fui perceber quando o padre repetiu a pergunta e eu olhei em volta percebendo que todos olhavam pra mim esperando uma resposta, e me olhava com a feição contraída, que me lembrava o desespero.
    – Aceito – eu respondi.
    Na mesma hora, o rosto dele se suavizou e ele sorriu, radiante, quando o padre lhe fez a mesma pergunta.
    – , você aceita como sua legítima esposa para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida até que a morte os separe?
    – Além da vida – ele riu.
    – Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.
    E com aquele beijo, simples e calmo, eu me senti a mulher mais feliz do mundo. Como se a terra pudesse se abrir e o inferno subir à terra que eu não iria ligar, se eu estivesse ali, em minha bolha feliz com ele, minha felicidade.



FIM.



N/A: Little Criatures :B obrigada por lerem até o final... ou não, rs. Agradecimento à todas as pessoas lindas que leram as duas fics.
Talvez, parte um foi escrita à uns dois anos (ou mais) e só fui escrever a parte dois ano passado, com Christina Aguilera ao fundo e regada à suco de groselha, qq, a música do início dos capítulos é Fighter.
Vejo vocês na próxima, rs.
MmWah,
Lomah R.
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