Eu sempre fui o tipo de criança quieta. Educadíssima, respeitava professores como se fossem meus pais. Mais até. Com os meus pais eu me dava o direito de fazer umas birras vez ou outra. Quando cresci, conheci a cidade de Vancouver, no Canadá. Fiz uma promessa a mim mesma: voltaria a morar naquela cidade nem que fosse a última coisa que eu fizesse na minha vida. E, contrariando até mesmo o meu cachorro, assim que me formei na faculdade, peguei minhas roupas e me mandei para... lá. Sim. Não estou mais no Canadá, apesar de ter uma casa confortável em um bairro chique de North Vancouver. Meu refúgio de férias. Geralmente é lá que eu me escondo com o meu marido, meus filhos e nossos melhores amigos. Somente lá, na minha casa, conseguimos ser livres, brincar, rir e ficar até tarde sem fazer absolutamente nada. E, vou te contar, eles são as melhores pessoas do mundo para se fazer isso.
Meu nome? Ah sim, sou . Tenho 29 anos, moro na cidade de Los Angeles, com meus dois filhos, meu marido e nossos três cachorros. Nossa casa é grande, mas ao mesmo tempo aconchegante. Tem tudo o que eu sempre sonhei, a começar pela biblioteca. Presente de um ano de casamento que eu ganhei do homem da minha vida.
Eu sei que parece um conto de fadas, mas não é bem assim. Tivemos momentos complicados, de tensão, dores, perdas. Mas deixamos em evidência nossos momentos felizes, para que os obstáculos nunca, em hipótese alguma, os afastem de nossas memórias. Eu sei, eu sei. Falando assim, até parece que eu tenho 150 anos e que estou nas últimas. Que já sou viúva, que meus filhos me abandonaram num asilo e que eu não tenho nada além de um gato velho. Mas, na verdade, tenho mesmo 29 anos. As coisas começaram cedo, sabe? Estamos completando 5 anos de casados. E eu resolvi contar para o mundo todo, através desse livro, como o amor acontece sem que a gente perceba. E com as pessoas mais improváveis do mundo, mesmo que tenhamos desejado tanto aquilo. E também é para você, amor. Para você guardar com carinho quando eu morrer e você ficar velhinho, num asilo e só tiver um gato velho ao seu lado. Te amo.
Capítulo 1
- Você tem direito a cinco perguntas com cada um – dizia a assessora apressada, em um inglês confuso e me levando para uma salinha. – Eles tem o direito de não responder e, se você insistir, sua entrevista está cancelada. Fui clara?
Respondi com um aceno de cabeça. Eu estava apavorada. Tinha sido contratada para esse trabalho maluco por um jornal grande do Brasil, mas apenas como freelancer. O repórter escalado para o desafio teve uma reação alérgica depois de comer um patê esquisito em um coquetel. Nenhum outro jornalista na redação inteira tinha inglês bom o suficiente para entrevistar os três maiores astros de Hollywood. Lançaram então um anúncio no Twitter. Coisa rápida, para ontem. Não disseram qual era o trabalho, mas exigia visto americano e inglês fluente, além de um diploma em Jornalismo. E eu tinha – tenho! – os três. Me inscrevi. No mesmo dia, me entrevistaram. Consegui o trabalho. Era uma boa grana, fora que eu passaria um final de semana em Los Angeles por conta deles. Hospedagem, comida. Tudo pago pelo jornal. Eu lá ia recusar?
A pequena e enjoada assessora apontou uma cadeira. Era dessas clássicas de diretores de cinema, um pouco alta demais para o meu gosto. Atrás de mim, um cartaz com o nome do filme: Breaking Dawn – part 1. Gelei totalmente. O que eu estava pensando, afinal? Eu mal tinha me formado, nunca tinha participado de uma grande cobertura e, para completar, era apaixonada pela série toda. E adorava os atores. Uma pequena onda de pânico percorreu meu corpo enquanto eu observava a cadeira vazia à minha frente. Informaram-me a ordem das entrevistas e eu consegui relaxar pelo menos um pouquinho. Começaríamos com Kristen Stewart. Em seguida, Robert Pattinson. Fechando minha grande oportunidade, Taylor Lautner. E era dele que eu tinha mais medo. Ah, qual é? Eu era fã do cara. Tinha o direito de me sentir acanhada, afinal, eu jamais imaginei entrevista-lo. Então estava tudo certo até aquele momento. Respirei fundo, me lembrando da cena em que Bella se prepara para entrar em seu casamento. Eu tinha visto o filme antes, junto com toda a imprensa. Eu estava quase sufocando. Precisava de ar!
- Muito bem, - disse a assessora – você é a última do circuito de jornalistas. Seja breve, ok? Eles estão cansados.
E ela entrou. Kristen era menor do que eu, mas não muito. Coisa de poucos centímetros. Vestia uma regata branca, coberta por uma blusa meia manga vinho. Calça jeans e seus tradicionais tênis surrados. O cabelo preso em um grande rabo de cavalo, quase nada de maquiagem e um sorriso tímido. O único adereço incomum era uma tala na mão direita, resultado de uma cena muito bem feita no filme Snow White and The Huntsman. Levantei-me e estendi a mão. Kristen rapidamente a pegou e a apertou com delicadeza.
- Muito prazer – disse ela em tom baixo.
- O prazer é todo meu – respondi tentando controlar minha respiração. Algumas meninas da minha idade dariam um rim para estarem onde eu estava.
Olhei o papel em minhas mãos. As duas câmeras ao nosso lado começaram a gravar. Deus, aquelas perguntas já tinham sido feitas tantas vezes. Eu sei por que, antes de vir para a entrevista, vi inúmeros vídeos de matérias recentes. Ela não merecia ser incomodada mais uma vez com aquilo. Stewart me encarava com olhos ansiosos. Retribuí o olhar. Ela sorriu, me incentivando.
- Eu tinha algumas perguntas que meu editor me mandou, mas quer saber? – joguei o papel no chão – Tenho certeza que você está cansada de falar sobre como vai sentir saudades dos atores, ou como foi filmar as cenas de sexo. Então vou fazer as minhas perguntas.
Ela me pareceu bastante surpresa.
- Uau – disse rindo. – Se todos os jornalistas fossem como você, acredite, eu seria muito mais feliz!
Sorri em agradecimento. Respirei fundo.
- Bom, então, para começar essa entrevista especial para os fãs do Brasil, quero que você me conte qual a pior parte de ser Bella Swan.
- Pior?
- Sim – respondi confiante. – Já sabemos o quanto você se identifica com ela, o quanto você a adora. Mas o que a Bella faz que te irrita? Que você teria feito diferente?
Kristen parou para pensar. Mordeu o lábio inferior. Balançou um pouco a perna esquerda. Se ajeitou na cadeira e, encarando suas mãos, desatou a falar.
- Eu não sei se consigo encontrar alguma coisa na Bella que eu não goste. Ela é tão parecida comigo em todos os aspectos. Às vezes eu acho que não teria caído nas mesmas armadilhas que ela, mas depois eu vejo que sim, eu teria feito tudo igual. Talvez esse amor obsessivo dela pelo Edward seja algo que me incomode um pouco. Ou não. É, não.
- E por Jacob? – perguntei enquanto ela pensava. – Você conseguiria se dividir desse jeito entre dois caras, como ela fez? Porque, convenhamos, ela sente algo pelo Jacob!
- Eu acho que não. Ela vê o Jake mais como um irmão, sabe? Ele sente coisas fortes por ela, apesar de não ser um imprinting. Mas ele é apaixonado por ela. Mas o que ela sente por ele é... hum... algo como... Deus, não sei como te explicar isso.
Rimos.
- Olha, eu sou tão fã da série quanto você – falei tentando manter o clima descontraído. Kristen era muito melhor entrevistada quando não se sentia sob pressão. – Li todos os livros, vi os filmes. E tenho um amigo que é como se fosse um irmão. O que a Bella sente pelo Jacob é completamente diferente do que eu sinto pelo meu amigo, te garanto!
Kristen riu mais um pouco.
- Talvez você esteja certa. Mas o amor que ela sente pelo Edward é ainda maior.
- Ah sim, isso nós percebemos. Mas você acha isso certo? É uma coisa natural ou te incomoda?
- Não chega a me incomodar – disse ela. – Não é algo que eu veja como errado, é até possível, eu acho. Mas não é o tipo de coisa que eu levaria numa boa. Acho que eu enlouqueceria se tivesse que escolher entre eles.
- Você, alguma vez, chegou a duvidar dos sentimentos da Bella pelo Edward? Com esse envolvimento do Jacob na história deles e tudo mais.
Kristen sorriu de uma forma carinhosa.
- Nunca – respondeu confiante. – Tem certas coisas que você não precisa de provas, você sente. É tão óbvio que ela é louca por ele. Pelas atitudes, pela forma como ela nunca teve medo dele. É, é isso.
Por um momento, quase perguntei se ela sentia o tal amor por alguém. Mas eu sabia que essa era a minha chave da porta da rua. Me botariam para fora sem nem pestanejar.
- Se essa história fosse real e o seu melhor amigo, na condição de lobisomem, se apaixonasse pela sua filha recém-nascida, como você reagiria? Tem alguma ideia?
A atriz esboçou uma careta, seguida de uma risada.
- Oh Deus, nem brinque com isso. Acho que eu ficaria irritada a principio. Quero dizer, cara, ela é apenas um bebê. Como você pode se apaixonar por um bebê? Claro que a gente gosta, acha bonitinho, mas daí a dedicar sua vida? Só se você for a mãe mesmo! Mas o problema não é nem esse – Kristen parou e me encarou. – Desculpa, qual seu nome mesmo?
- .
- Ah sim, . Então... posso te chamar de ?
- Claro – respondi tentando entender o que ela estava planejando.
- Então , mas a história do Jake com a Renesmee tem um problema. E não tem como controlar isso. Você sabe qual seria?
Ah, então ela ia me entrevistar agora?
- O fato de pertencerem um ao outro?
- Exato! – Kristen exclamou ainda mais animada. – Percebe? Não tem como a Bella e o Edward tentarem impedir isso. A menina pede pelo Jake o tempo todo, ela confia nele e não gosta quando seus pais o ameaçam. Ela o tem como... como...
- Como uma criança que adota um cachorro? – perguntei tentando não rir.
Kristen caiu na gargalhada.
- Melhor definição que eu já ouvi. Vou usa-la daqui pra frente, se você não se importar.
Eu estava me preparando para minha grande pergunta quando a assessora invadiu a salinha.
- Seu tempo acabou – disse, já se posicionando ao lado de Kristen para tira-la dali.
Minha cara provavelmente denunciou que eu não tinha terminado. Mais do que depressa, a atriz se virou e interviu por mim
- Eu acabei tomando muito o tempo dela – disse de forma simples. – Conversando sobre coisas banais. Quero que ela tenha direito a mais uma pergunta.
Meu queixo foi no chão. Kristen Stewart pedindo por uma jornalista? Como assim, gente? Alguém falou com a assessora pelo fone que ela tinha no ouvido. Ela apenas fez um sinal para que continuássemos a entrevista e saiu da sala. Kristen olhou a porta, parecendo ansiosa.
- Bom, vou fazer minha ultima grande pergunta – falei tentando retomar a leveza da nossa entrevista. – Já li e ouvi muitas vezes você dizer que não teria conseguido sem Robert e Taylor. Quero então que, com apenas uma palavra, você defina os dois em sua vida.
Vamos lá, pensei, libera essa língua e me fala que o Pattinson é seu namorado. Isso vai me render muita audiência!
- O Taylor é meu irmão. Nos divertimos muito quando viajamos juntos e eu me sinto um pouco responsável por ele. Já o Rob – um brilho involuntário surgiu em seus olhos. – é um grande companheiro. Me ajudou em diversos momentos, brigou comigo quando quebrei a mão. É. Irmão e companheiro. É assim que eu posso definir os dois na minha vida.
Sorri. Ela era realmente muito fofa.
- Kristen Stewart, muito obrigada por sua atenção e por ter me recebido aqui – falei, ficando em pé e estendendo a mão.
- Eu que agradeço, .
Para minha surpresa, Kristen me abraçou. As câmeras foram desligadas e ela relaxou ainda mais. Se alongou, conferiu o celular, olhou a tala em sua mão.
- Você faria um grande favor aos seus fãs se parasse de se machucar – brinquei. – Eles quase enfartam cada vez que você aparece com um hematoma novo.
- Eu sei, dude. Mas não consigo me controlar. Quando gritam “ação”, eu meio que saiu do meu corpo, sabe? Esqueço que aquilo tudo é de mentira! – ela respondeu divertida. Depois olhou para seu segurança, que permaneceu o tempo todo dentro da sala. – Ele já chegou?
Ele? Será que ela estava falando do...
- Há alguns minutos. Teve um problema no carro na saída do estúdio de TV.
- Você o viu? – Kristen parecia ansiosa.
- Sim – ele respondeu e sorriu. – Está tudo bem. Ele está inteiro, não se preocupe.
E ela soltou um suspiro de alívio. Tentei parecer ocupada, fingindo que mexia no meu celular.
- Então você é brasileira? – Kristen puxou a conversa, voltando a se sentar na cadeira que ocupara antes.
- Sim. Mas estou morando no Canadá há alguns meses já.
- Ah bom, isso explica o seu inglês perfeito. Mas você é nova, não é? Se formou a quanto tempo?
Travei. A entrevista tinha sido ruim? Eu tinha dado alguma mancada?
- Tenho 22 anos. Sou um ano mais velha que você, eu acho – respondi com um meio sorriso. – Como sabe que me formei há pouco tempo?
- Deduzi – ela respondeu sorrindo. – Quero dizer, você tem cara de ser nova. E é ousada. Um jornalista experiente não jogaria as perguntas do editor no chão, como você fez. Não que você não tenha experiência, mas, quero dizer, sabe? Um jornalista que se formou há muito tempo, eu digo.
- Ufa. Achei que tinha ido muito mal na entrevista!
Ela me olhou incrédula.
- Tá brincando? Essa foi uma das melhores entrevistas que eu já fiz. Você ter fugido das perguntas óbvias me fez tão feliz. É um saco responder as mesmas coisas o tempo todo. Quero dizer, o filme não gira em torno do vestido de noiva, da cena de sexo e do nascimento da filha do Edward e da Bella. Tem muito mais por trás disso!
O segurança de Kristen soltou um muxoxo de aprovação. Ele já devia ter decorado todas as respostas dela. Olhamos em sua direção no exato momento em que a assessora entrou na sala.
- Desculpe, , mas tivemos um problema com o Robert Pattinson – senti Kristen congelar ao meu lado. – Ele teve um contratempo enquanto saía de um estúdio de TV e só chegou agora. Vai demorar um pouco para terminar as entrevistas anteriores.
Encarei Kristen. Ela foi pega no flagra por uma jornalista.
- Entendo.
- Podemos trocar a ordem? Ao invés de ser o Robert, vem o Taylor Lautner. Assim você não espera tanto e ele não tem que ficar esperando.
Foi a minha vez de congelar. E a vez de Kristen me olhar com curiosidade.
- N-não. Pode ser o Taylor – respondi com a voz fraca.
- Tudo bem. Ele está terminando uma entrevista, você é a próxima. Stewart, pode ir para casa se quiser. Você está liberada.
A atriz me observava com um sorrisinho brotando nos cantos dos lábios.
- Tudo bem, Meredith. Vou ficar mais um pouco aqui. Gostei de conversar com a . Acho que ainda temos algumas boas coisas para discutir.
Mas que diabos? Como assim, temos algumas coisas para discutir? A assessora saiu. O segurança, percebendo que eu não atacaria sua protegida, pediu licença e foi tomar um café. Éramos só nós duas. Kristen cruzou os braços e cerrou os olhos.
- Você fez a ligação e entendeu de quem eu falava? – respondi com um aceno de cabeça. – Bom, só me resta contar com a sua bondade em manter isso em segredo.
- Não é novidade que vocês namoram, Kristen – falei lendo as perguntas que tinha para Taylor. – Quero dizer, é só dar Google em Pattinson e Stewart e várias fotos vão aparecer. Inclusive fotos de uma festa, dos dois se beijando e tudo mais.
Ela se encolheu.
- Eu sei, eu sei. Mas me conta, que reação foi essa com a mudança de entrevistados? Você ficou pálida!
Revirei os olhos.
- Nada, oras. Estou apenas ansiosa. Quero ver como vai ficar a edição das entrevistas.
- Sei – ela disse e se aproximou. Olhou em meus olhos. – Você gosta dele. Do Taylor!
Prendi a respiração.
- Sou fã dele. É diferente.
- Não! Você gosta dele. De verdade. Dá para ver, – Kristen ficou séria. – Já vi a reação de muitas mulheres à mínima menção do nome dele. Algumas gritaram, outras choraram. Mas nenhuma pareceu tão assustada quanto você!
- Assustada com o quê? – a deliciosa voz de Taylor Lautner invadiu a sala. Meus joelhos tremeram.
- Com a quantidade de fãs parados na porta do hotel – Kristen respondeu e o abraçou. – Ei dude. Como você está? Não te vi hoje de manhã.
- Tudo certo. Acordei atrasado. Fui para a academia ontem à noite, voltei tarde. Perdi o café da manhã do hotel e tive que correr numa padaria aqui perto. Sorte que não me reconheceram, ou eu teria virado a refeição do dia.
Riram juntos. Eu ainda estava paralisada, olhando seu rosto perfeito.
- Tay, essa é a – disse Kristen. Ele estendeu a mão e sorriu. Eu a peguei e me encantei com a firmeza que ele me segurou. – Você vai gostar de ser entrevistado por ela. Me diverti bastante. E ela não faz perguntas óbvias, o que é ótimo!
- Não brinca – disse ele ainda sorrindo. – Vai ser fantástico não responder sobre imprinting, sobre como vou sentir saudades de você e do Robert, sobre como será daqui pra frente.
Droga. Era tudo isso que tinha no meu papel. E eu estava tão extasiada por tê-lo ali que tinha me esquecido de qualquer outra pergunta. Merda, merda, merda!
- Pois é. Bom, vou indo nessa. Tomar um banho e descansar. Onde vamos jantar hoje, Taylor? – disse Kristen seguindo para a porta.
- Não faço a menor ideia – ele respondeu sincero. – Pergunte ao Rob. Ele é o responsável pelo restaurante dessa noite!
Ela sorriu. Acenou para nós e piscou para mim. Não consegui responder. Estávamos sozinhos, frente a frente. Taylor Lautner x . E, considerando a forma que meu coração acelerou violentamente, isso não poderia ser nada bom. Gentil, como sempre, ele indicou a cadeira e esperou que eu sentasse. Um verdadeiro cavalheiro. As câmeras foram ligadas pela segunda vez e eu respirei fundo.
- Taylor, nesse filme eu notei algo diferente no Jacob. Ele passa a maior parte do tempo vestido – ele riu. – O que aconteceu? A temperatura corpórea dele diminuiu?
- Olha, não sei te dizer como ficou o corpo dele com essa situação, mas te garanto que eu fiquei bem mais aquecido do que nos outros filmes. Não foi fácil filmar em Vancouver, no inverno, e sair numa boa, sem bater os dentes. Foi um grande desafio, na verdade.
- Mas foi você quem pediu para tirar essas cenas?
- Não, de forma alguma – Taylor respondeu. – Isso não era um obstáculo para mim. Claro que eu não gostava muito, mas era parte do personagem. E eu me dedico totalmente quando estou atuando. Mudei meu corpo pelo Jacob e se a história exigisse que eu ficasse sem camisa, que assim fosse. Mas acho que foi uma opção do diretor mesmo. Acabaram explorando demais a minha nova forma física e o personagem ficou meio descaracterizado. Ele deixou de ser o lobisomem apaixonado pela Bella e passou a ser o cara gostoso de Crepúsculo. Isso não era legal e não era o que nós queríamos mostrar.
- Bom, isso é verdade. Falando honestamente, meu pai te chama de “o bonitinho de Crepúsculo”.
Ele corou.
- Agradeça o seu pai por mim – respondeu rindo. – E de fato, as pessoas que não leram os livros passaram a ver o Jacob como objeto sexual. E ele é muito mais do que isso. É um cara leal, protetor, que dá a vida pelos amigos e pela garota que ele ama.
Não contive um sorriso. Era exatamente essa a visão que eu tinha dele. Jacob Black era meu personagem favorito. Taylor Lautner era meu ator favorito. E eu estava ali, conversando sobre um com o outro, tentando não pular em cima dele e dizer o quanto eu o admirava!
- Nós percebemos ao longo da série – continuei – que o Jacob foi bastante persistente. Ele só desistiu da Bella porque sofreu o imprinting. Fora isso, ele provavelmente continuaria a correr atrás dela, mesmo depois de ela ter virado vampira. Você, Taylor Lautner, é persistente a esse ponto? Teria ido ao casamento da sua amada, como ele foi?
- Não. Eu sou meio egoísta. Não sou como o Jacob, que se contentou com um beijo ou em apenas proteger a Bella. Claro que eu também protegeria você se te amasse, mesmo que você tivesse namorado – engoli em seco. Por que logo eu tinha que ser o exemplo? – Mas o que o Jacob faz é um pouco de sadomasoquismo. Ele sofre, ele vê a Bella morrendo e aceita aquilo, porque a faz feliz. Eu jamais conseguiria passar por isso. É esse o motivo que me leva a achar o Jacob o cara mais incrível do mundo. Ele se mutila completamente para ver o sorriso dela. Ele fecha os olhos para as coisas erradas, finge que a vida está perfeita, porque sabe que é o que ela quer. É o que ela precisa. Eu nunca aceitaria ver a mulher que eu amo morrendo e deixar aquilo acontecer.
Concordei com um aceno de cabeça e continuei com minhas perguntas.
- A última cena que vocês filmaram foi a do Jacob e a Bella dançando no casamento, certo?
- Sim.
- Aquela foi uma cena realmente emocionante, com uma pontinha de despedida. Quando o diretor gritou “corta”, qual foi a primeira coisa que veio na sua cabeça?
Taylor ficou pensativo por longos segundos.
- Não sei. Eu ainda estava no personagem, ainda me sentia como ele. E, para ajudar, a Kristen veio correndo atrás de mim, gritando “Jacob, não me deixe”. Então, fisicamente, a primeira coisa que eu senti foi ela pulando em cima de mim – ele disse rindo. – Isso me deixou feliz, provavelmente por causa dos sentimentos que eu ainda tinha, naquele momento ele ainda fazia parte de mim, ele ainda comandava os meus pensamentos. Quando eu a abracei, foi como se o meu lado personagem tivesse pensado “ufa, ela veio, ela gosta de mim”. Parece meio idiota, mas foi bem isso o que aconteceu. Quando saímos da floresta, o Bill disse que era a última cena do Jacob e aí sim eu me senti estranho. Aliviado, mas ainda assim como se alguma parte de mim estivesse indo embora. Foi uma coisa engraçada.
Ele sorria o tempo todo. Isso fazia com que correntes de eletricidade percorressem todo o meu corpo. Será que eu era maluca? Eu estava completamente encantada por ele, mesmo sabendo que essa seria a primeira e única vez que nos veríamos. Meu nível de “babação” era do tipo se ele pedir em casamento agora, eu aceito, sabe? Patético. E somente tanta admiração para me colocar nos eixos e me fazer levar aquela entrevista com naturalidade. Ah se ele soubesse como eu estava, de fato, me sentindo.
- Para finalizar Taylor, eu li em algumas reportagens que você tem sido considerado o Tom Cruise dessa nova geração. Isso, por um lado, eu acredito que seja muito bom pra você e pra sua carreira. Mas você não tem medo de acabar como o Tom Cruise? Fazendo filmes bobos de comédia romântica apenas por ser bonito e saber lutar?
- É claro que ser rotulado para um único tipo de papel é o que nenhum ator quer – disse ele com seriedade. – Mas o Tom Cruise fez filmes incríveis no passado e agora se dá ao luxo de escolher de forma bem crítica o que quer fazer. A carreira dele está consolidada, ele tem o respeito do público. Os filmes podem não fazer um imenso sucesso, mas o fato de ter Tom Cruise no elenco, já dá uma certa confiança aos espectadores de que aquilo foi feito por gente que entende do assunto. Se eu tiver metade dessa credibilidade, já me considero um grande ator. Aliás, só o fato de ter o meu nome comparado ao dele já me faz feliz. O segredo é não se limitar a escolher apenas um tipo de papel. Desafios são bons e se aventurar em áreas desconhecidas também. E é o que eu pretendo fazer.
Sério, ele era a melhor pessoa do mundo para se entrevistar. Taylor falava com firmeza, não gaguejava e estava seguro do que queria para sua vida. Como fã, senti orgulho. Como pessoa, passei a admira-lo ainda mais. Fiz um sinal para o operador das câmeras, indicando que eu tinha terminado. Ele desligou os equipamentos e saiu, deixando-nos a sós mais uma vez.
- Bem que a Kris disse que você é uma ótima jornalista – comentou ele, com seu habitual sorriso nos lábios. – Nunca ninguém pensou no Jacob dessa forma ou me fez perguntas como essa do Tom Cruise. Espero te ver em muitas outras entrevistas por aí.
Encarei seus olhos castanhos. Profundos. Lindos. Retribuí o sorriso.
- Não foi fácil, confesso. Estou tremendo desde a hora que a Kristen entrou nessa sala e ainda não consegui parar. Acho que só quando a entrevista com o Robert acabar é que eu vou conseguir me acalmar.
Taylor ficou surpreso.
- Como assim você está tremendo? – para meu imenso desespero, ele pegou minha mão direita e a colocou entre as suas. – Impossível. Você fala com tanta segurança que eu afirmo com toda a certeza que você nasceu entrevistando as pessoas.
Soltei uma risadinha nervosa.
- Quem me dera. Tive a sorte de ser escalada para entrevistar pessoas tão legais, como a Kristen e você. Só isso.
Fomos interrompidos pela tal da Meredith, que entrou afobada, pedindo desculpas ao ator por ter demorado a interromper nossa conversa. Ele disse que não aceitava as desculpas, já que estava se divertindo muito comigo e que não sentiu o tempo passar.
- Você terminou suas entrevistas. Pode ir para casa – disse ela conferindo a lista que estava em uma prancheta. Depois mudou o foco para minha pessoa. – O Robert tem quatro jornalistas ainda e depois vem falar com você.
- Sem problemas – falei, me sentindo cansada. Eu não estava com muita vontade de esperar. Já tinha conseguido o que eu queria, que era entrevistar meu ator favorito. Mas ordens eram ordens e eu estava sendo paga para falar com os três.
O rosto de Lautner se iluminou.
- Bom, acho que dá tempo de tomarmos um café. Que tal? – levantei as sobrancelhas. Era comigo? – Eu estou morrendo de fome e aqui nesse hotel tem um buffet maravilhoso. Me acompanha?
Meredith me encarava estupefata. Certamente Taylor nunca tinha convidado uma jornalista para tomar um cafezinho. Mordi meu lábio, tentando conter minha felicidade.
- Claro, por que não? – respondi. – Um intervalinho não faz mal a ninguém, não é?
E me sentindo a pessoa mais feliz e sortuda do mundo, saí daquela pequena sala e acompanhei um dos caras mais desejados do mundo no que foi o café da tarde mais divertido da minha vida.
Capítulo 2
Eu podia me considerar uma pessoa de sorte. Vamos lá, quem, aos 22 anos, consegue um trabalho como esse que eu consegui? Entrevistar três grandes astros não é tarefa fácil. Exige muito preparo psicológico, principalmente pelo fato de que você só tem aquela chance. Se a matéria não ficar boa, já era. É, literalmente, um “se vira nos 30”. Foi engraçado como eu consegui ser eu mesma perante aqueles seres tão amados. Talvez por termos praticamente a mesma idade, sendo Taylor, com 19 anos, o mais novo de nós quatro. Ah sim, consegui entrevistar Robert Pattinson. Mas eu ainda estava com aquela pequena ida à cafeteria do hotel brincando em minha cabeça, então a conversa com o vampiro mais famoso da atualidade não fez tanto estrago assim em meu cérebro. Claro que fiquei feliz. Mais uma vez, algumas meninas dariam um rim para estar no meu lugar. Lembro que perguntei sobre o fato de Edward ter se tornado pai, o que ele sentiu nesse momento. Kristen provavelmente ficou sensível, com essa coisa de “instinto materno”. Ele disse que não surtiu tanto efeito quanto vê-la com a barriga postiça. Eu entendi. E vi também. Robert Pattinson nutria um amor imensurável por aquela garota. Chegava a ser até ridículo o tanto que seus olhos azuis brilhavam quando o assunto era Stewart. Aliás, ao ser perguntado sobre uma de suas maiores preocupações quando estava no set, ele disse com firmeza e sem gaguejar que não deixar que ela se machucasse era uma coisa importante. Depois, ao perceber que tinha falado demais, acrescentou que temia pela vida dos outros atores, uma vez que ela era completamente maluca e não conseguia se controlar.
Já o tempo que passei com Lautner... Não sei o que aconteceu com ele, muito menos comigo, mas conversamos como se fizéssemos isso desde sempre. Oras, não é como se ele fosse o Thiago, meu melhor amigo desde que eu tinha 12 anos. Ele era meu ator favorito, o ícone de uma geração, o amor platônico de milhares de adolescentes, um dos jovens mais bem pagos de Hollywood. E, no entanto, uma pessoa extremamente simples, sociável e divertida. Conversamos sobre ele, sobre mim. Sobre a carreira dele, sobre a minha. O que eu estava fazendo em Vancouver, o que ele faria dali pra frente. Conversas rápidas, afinal Pattinson estava terminando suas entrevistas e eu não podia perder minha hora. Mas foi o suficiente para que eu respeitasse Taylor ainda mais. Tanto como ator, quanto como pessoa. Mas não o bastante para que eu pedisse uma foto e um autógrafo. Dá para entender?
As entrevistas foram feitas numa sexta-feira à tarde. Como cortesia, o jornal me deu o final de semana em Los Angeles. Aproveitei para ir à famosa “tent city”, cidade das tendas em português. Não, não era nenhum templo ou centro de desabrigados. Era o acampamento dos fãs que acompanhariam a première de Breaking Dawn na segunda-feira. Barracas para todos os lados, fotos dos atores nos mais diversos tamanhos, bandeiras e muitos idiomas diferentes. Uma loucura só. Parei a certa distância e fiquei pensando se eu seria capaz de fazer algo como aquilo. Lembrei-me das vezes que dormi na fila para ver minha banda favorita, McFLY. Passei muito frio, muita raiva. Tive muitas alegrias, chorei. Mas ali era diferente. Os fãs não estavam dormindo ao ar livre, tinham banheiros, água, seguranças. Era um hotel de fãs da saga. Senti vontade de me juntar a eles e anotei em minha mente para participar dessa brincadeira no ano seguinte.
Andei mais um pouco pelos arredores do hotel. Já estava atravessando o saguão para pegar o elevador quando ouvi meu celular tocar. Depois de muito lutar, encontrei-o em minha bolsa. Número desconhecido, com prefixo dos Estados Unidos?
- Alô? – atendi receosa. Se tinha algo que eu odiava era falar ao telefone em inglês.
- Oi! Eu queria falar com a , por favor? – disse a voz do outro lado. Ela me era familiar.
- Sou eu mesma. Quem está falando?
- Ah, oi . Aqui é o Taylor! – disse ele. – Taylor Lautner. Conversamos ontem e você até aceitou tomar um café comigo.
Tá. Eu sei. Como eu poderia esquecer quem ele era? O que eu não encontrava em meus pensamentos era o mínimo motivo para a voz dele sair pelo meu celular naquele exato momento!
- Uau. Que surpresa! Aconteceu alguma coisa?
A risada dele ecoou e me fez sorrir. Como aquele infeliz tinha conseguido meu celular? Ah sim, Meredith tinha uma ficha minha que só faltava dizer a cor da calcinha que eu estava usando. Não entendi para que tantas perguntas, mas era fato que o número do meu celular, descoberto por este excelentíssimo rapaz, estava lá.
- Não – respondeu ele. Seu tom de voz me pareceu um pouco estranho. Talvez tivesse se arrependido de ter ligado. – Eu liguei para... erm... ai, espera! Eu vou falar.
Ele estava com mais alguém. Escutei uma voz ao fundo, mas não consegui deduzir de quem era.
- Taylor? Tá tudo bem?
- Está! – ele se apressou em dizer. – Liguei para saber se você quer sair para jantar com a gente hoje. Digo, eu, Rob e Kris.
Meus olhos ficaram tão arregalados naquele momento que eu podia jurar que eles pulariam do meu rosto. Porque, não bastasse o cara me chamar para tomar um cafezinho, agora ele me ligava para me convidar para jantar. Ah sim, vejamos, era um jantar onde metade do grupo formava um casal enjoativamente apaixonado. E a outra metade, vulgo Taylor Lautner e , iriam segurar vela e 1) entrar no clima ou 2) fingir que não tinha ninguém se agarrando enquanto tentavam encontrar um assunto.
- ? – a voz dele me acordou.
- Oi. Desculpa, vi uma coisa meio estranha aqui e me distraí – mentira. A única coisa estranha estava do outro lado daquela ligação. – Jantar com vocês? Parece bacana. Aceito sim. Onde nos encontramos?
Agora eu podia ouvir duas vozes comemorando ao fundo. Mas que raios era aquilo?
- Perfeito! Posso passar para te pegar às oito? Você está em qual hotel?
Ele ia me buscar. Quase pedi licença para me afogar na privada. Lembrando, é claro, que eu ainda estava parada no meio do saguão luxuoso do Hyatt.
- Estou no mesmo hotel onde foram as entrevistas hoje – respondi tentando botar um pouco de ar nos meus pulmões. – Oito horas? Tá ótimo!
Olhei no relógio. Quase duas da tarde. Primeiro pensamento assustador: o que fazer com o meu cabelo?
- Então combinado. Te pego às oito em ponto. Até mais tarde!
E desligou. Demorei bons segundos para tirar o celular da orelha. Ainda estava em estado de choque. E aí veio o segundo pensamento assustador: com que roupa eu iria? Que tipo de roupa se usa para sair com Taylor Lautner, Robert Pattinson e Kristen Stewart? Fora que eu não queria nem pensar se o meu cartão de crédito teria fundos o suficiente para pagar minha parte da conta. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei o convite para jantar com pessoas que ganham milhões de dólares? Ah é, no maldito café da tarde. Te odeio, Lautner!
A recepcionista do hotel notou que algo estava errado em minha já não tão pacata vida. Com um ar gentil, me perguntou se eu precisava de alguma coisa. “Um milagre”, pensei em responder. Mas apenas pedi conselhos sobre as lojas de roupas ao redor.
- Existe uma muito boa, a duas quadras do hotel – disse ela. – Eles vendem diversas marcas lá e a variedade de roupas é ótima. Se a senhora precisar de sapatos e bolsas, eles também vendem lá.
Ah é! Tinha a parte dos sapatos também. Recusei o táxi que ela se ofereceu para chamar e saí quase correndo. Parei bruscamente em frente ao local indicado. Ela só podia estar brincando. Como eu iria pagar por um vestido Channel? Dior? Qualquer uma dessas marcas extravagantes e caras? Nem me atrevi a entrar. Era óbvio que eu não podia pagar nem ao menos uma linha daquela loja. E eu ainda tinha um agravante: aonde iríamos naquela noite? Se minha memória fotográfica não estivesse me traindo, eu tinha total certeza que Kristen não se vestiria como se fosse para um baile. Olhei para o céu. Azul. Limpo. Cadê aquele aviãozinho que sempre passa nos filmes, com uma faixa onde a pessoa pode ler a resposta dos seus problemas?
Respirei fundo. Era isso. Eu iria me vestir de uma forma simples, confortável e casual. Olhei ao redor. Meus olhos se iluminaram ao localizar o imenso letreiro amarelo: The Bay. Atravessei a rua entre os carros, quase fui atropelada, mas me senti no céu quando atravessei as portas da loja. A salvação da minha vida! Andei em todo o setor de roupas femininas. Leggings com estampa de oncinhas, outras tão coladas que deviam marcar o útero. E foi aí que meus olhos caíram sobre ela. As calças mais lindas que eu já tinha visto na minha vida! Parecia jeans, mas não era jeans. Era uma calça simples, elegante. O tal modelo Slim, que não é largo demais e nem colado demais, como a Skinny. Ela se ajustava às pernas da manequim de tal forma que eu queria que ficassem da mesma forma em mim. Olhei a primeira etiqueta. Ralph Lauren. Soltei um muxoxo de reprovação. Já sem muitas esperanças, olhei o segundo pedaço de papel. Uma peça de roupa daquela marca não custaria... $68? Olhei a manequim novamente.
- Que tipo de piada é essa, amiga? – perguntei idiotamente.
Agarrei as calças com todas as minhas forças. Vai que alguma louca aparece e tenta tirar de mim a minha mais nova grande conquista? Continuei andando pela loja. Parte do meu problema estava resolvido. Eu não sairia para jantar com a bunda de fora. Agora eu precisava de uma blusa. Rodei por todas as araras, de todas as marcas. Das mais despojadas às mais vulgares. Como eu odiava escolher roupas! Ainda mais numa loja tão grande, como a The Bay! Respirei fundo. Não adiantaria nada entrar em pânico. Consultei o relógio e constatei que já havia perdido uma hora e alguns minutos. Eram 15h12! Eu estava em dúvida entre batas e camisas quando notei um capuz cinza pendurado um pouco mais adiante. Claro que eu não estava à procura de algo daquele tipo, só queria ver o que era. Eu adorava roupas confortáveis e com capuzes e não resistia. Tinha que dar uma olhadinha. Meu coração acelerou e eu perdi o fôlego. Era perfeita! Uma blusa com mangas até metade dos braços, ideal para o comecinho de inverno de Los Angeles. A frente dela era toda cheia de lantejoulas transparentes, dando um toque perfeito para um jantar entre amigos. E ela tinha capuz! Só para ficar ainda mais charmosa! Mordi meu dedo mindinho para não gritar no meio da loja. Ela custava $29. VINTE E NOVE DÓLARES! Estava tudo indo tão bem. Alguma desgraça ia acontecer. Eu não encontraria sapatos legais. Fato.
Apertei ainda mais as roupas em meus braços e continuei minha saga. Corri para o lado dos sapatos. Botas até o joelho, saltos imensos. Não. Taylor era cerca de 10 centímetros mais alto do que eu. Nada de ficar grande demais! De longe, avistei o que me pareceu um par de All Star cinza. Também brilhava. Aproximei-me lentamente, tentando captar qualquer sinal de que era uma pegadinha. Caminho livre. Peguei um dos sapatos e o olhei de perto. Não era a marca que eu tinha achado.
- UGG Laela Sparkles – li a descrição da etiqueta.
Olhei o calçado com carinho. Era realmente lindo. E combinava com a minha roupa. Respirei fundo e encarei a etiqueta. Claro que tudo estava perfeito demais. Aquela belezura custava $155! Fechei os olhos. “Vamos lá, . Você já economizou o suficiente nas roupas. Pode abusar nos sapatos”, pensei, tentando me convencer de que era um bom negócio.
- Oi, com licença – escutei uma voz fina e olhei a menina ao meu lado. – Esse é o último par. Você vai levar? Se não for, eu vou. É o meu número, sabe? Rodei a cidade toda atrás dele.
Os olhos dela brilhavam mais do que as lantejoulas prateadas que cobriam toda a lateral dos tênis. Em outros tempos, eu entregaria os sapatos e forçaria um sorriso. Mas não dessa vez. Não quando vou sair com Taylor Lautner.
- Desculpa, mas vou ficar com eles.
E antes que ela me atacasse, peguei o outro pé e marchei decidida para o caixa. No meio do caminho, puxei uma dessas pequenas bolsas pretas que podemos usar com a alça transversal. Eu não tinha muita coisa para levar, não precisaria de uma bolsa grande. Paguei minhas compras e corri de volta para o hotel. Eu ainda tinha que lidar com outra parte extremamente complicada: meu cabelo!
Quando faltavam 10 minutos para as oito da noite, desci para o hall do hotel. Se eu bem conhecia esse povo do primeiro mundo, eles não atrasavam. Olhei-me no imenso espelho ao lado da porta de entrada. A roupa tinha ficado perfeita. Eu estava pronta para um jantar e um passeio no parque. Totalmente confortável. Meu cabelo foi uma tacada de mestre. Encontrei um desses baby-liss no banheiro da minha suíte. Esses hotéis caros são uma beleza. Pensam em tudo! Sendo assim, dei uma escovada no bichinho, fiz uns cachos nas pontas e pronto. Quase nada de maquiagem, já que minha coordenação para fazer uma obra de arte era nula, perfume e muita coragem.
Eu andava freneticamente pela recepção. Aqueles poucos minutos pareceram muitas horas no meu relógio. Quando ouvi um pequeno bip vindo do meu pulso, me arrepiei. Era a hora de passar por aquelas portas e encarar a realidade. E foi o que eu fiz. Assim que me viu, Taylor saiu de dentro de sua BMW e veio ao meu encontro. Seu sorriso era capaz de iluminar a rua inteira.
- Uau – disse ele me cumprimentando. – Eu devia ter me arrumado melhor para acompanhar uma gata dessas.
Olhei-o da cabeça aos pés. Camisa preta, calça jeans, sapatos pretos. Ah, qual é? Ele estava mais do que gostoso!
- Estou é com medo de não ter me arrumado direito. Você não me disse aonde vamos – respondi envergonhada.
- Não disse por que não sou eu quem vai escolher – Taylor abriu a porta do passageiro e esperou que eu me acomodasse no banco. Depois, olhou em meus olhos e piscou – É você.
Há. Essa era boa. Ele estava brincando, né?
- Não tem como eu escolher – respondi sinceramente. – Não conheço Los Angeles como vocês!
- Isso não é problema. Você prefere restaurante italiano ou japonês? Foram as opções que a Kristen me permitiu dar!
Taylor dirigia sua BMW sem pressa. Era um carro realmente confortável. Sempre que via um veículo dessa marca, meu pai fazia aquela cara de cachorro de comercial, que fica olhando o frango no forno da padaria. Para mim nunca fez diferença. Eu era mais do que feliz com o carro que dividia com minha mãe. Mas homem é homem, né? Agora, sentada no banco do passageiro daquele carro caro, eu entendia o motivo de tanta admiração. Era realmente incrível o silêncio do motor e o conforto do assento. Desviei meus pensamentos para o jantar. Taylor ainda esperava por uma resposta.
- Eu gosto muito de comida italiana – respondi. – Sou descendente de italianos e conheço bem essa culinária. Mas, sendo sincera, estou há semanas sem comer sushi. Então, se você não se importar, eu prefiro comida japonesa.
O rosto dele se iluminou em um de seus sorrisos perfeitos.
- Sem problemas – disse e me entregou seu celular. – Procure o número dela na agenda e avise que estamos indo para o restaurante japonês.
Eu só conseguia pensar no quão maluco ele era. Dar-me seu telefone assim, sem nem saber direito quem eu sou, era um tanto quanto arriscado. Eu poderia ter uma memória fotográfica fenomenal e roubar os números de todos os seus amigos famosos. Pior: podia, discretamente, fuçar em todas as mensagens e sair contando os segredos dele para o mundo. Talvez, de uma forma inexplicável, ele soubesse que eu não teria coragem de decepciona-lo dessa forma. Então apenas fui direto para a letra K e fiz o que ele me pediu, olhando pela janela enquanto a BMW ganhava velocidade.
O carro estacionou em frente a um restaurante afastado da cidade. O manobrista ameaçou abrir minha porta, mas foi parado por Taylor, que fez um simples sinal. Ele mesmo queria fazer isso. Estendeu a mão de uma forma gentil enquanto eu deixava o veículo. Entramos direto, sem ficar de conversinha na calçada. Entendi que aquela devia ser uma maneira usada por ele para não chamar a atenção. Depois de conversar de forma rápida com a recepcionista, fomos levados ao andar superior, onde as mesas eram escondidas por cortinas vermelhas, que formavam pequenas salas. Na mais afastada de todas, Robert e Kristen nos aguardavam.
Os olhos dela brilharam ao encontrarem os meus. Cumprimentamo-nos de forma casual, como se fizéssemos aquilo todos os finais de semana. Como eu havia imaginado, Kristen trajava calça jeans, blusa branca e seus habituais tênis surrados. Notei que não havia cadeiras. Eram almofadas que contornavam a mesa baixa. Sentei de frente para a atriz, com Taylor ao meu lado esquerdo. Em frente a ele, Robert bebia sua cerveja despreocupadamente. Eu me senti deslocada por alguns minutos, enquanto eles brincavam e riam. Comentavam sobre as entrevistas do dia e de como estavam cansados das mesmas perguntas sempre. E foi ai que eu virei o centro das atenções.
- Dude, você tinha que ter visto – dizia Kristen com uma animação fora do comum. – A jogou as perguntas do editor dela no chão.
Robert arqueou as sobrancelhas e me encarou estupefato.
- Com a câmera ligada?
- Sim!
- Meu Deus – disse ele. – Sua doida, vai ser demitida.
Encolhi os ombros.
- Tanto faz. Era um trabalho só, eu não sou funcionária do jornal.
Taylor me olhou surpreso.
- Você não tem sei lá quantos anos de experiência nem nada do tipo?
- Não – respondi de forma simples. – O repórter que iria entrevistar vocês não pode ir. Perguntaram no Twitter se algum jornalista fluente em inglês poderia embarcar em dois dias e eu me candidatei. Conversei com eles via webcam e eles me escolheram.
Ela já sabia da história, mas os outros dois continuaram a me olhar.
- Estou me sentindo mal agora – brinquei. – Tenho cara de velha para ter anos e anos de experiência? Acho que eu devia começar a usar aqueles cremes antirrugas para pessoas com 25 anos.
Kristen riu.
- Vocês dois estão com as caras mais idiotas do mundo.
- Talvez por que a mulher, garota, menina, sei lá – respondeu Taylor – que está ao meu lado acabou de dizer que não tem nem 25 anos? Não que ela pareça, porque, honestamente, eu diria que você tem 18 anos, . Mas a entrevista foi incrível.
- Tá certo – falei me ajeitando na almofada. – Primeiro, vamos acabar com essa formalidade toda. Me chamem de , por favor. Segundo, eu me formei no final do ano passado. Meu tempo de experiência corresponde aos anos da Universidade. Eu só tive sorte de me matricular em uma escola que força os alunos a fazer projetos laboratoriais desde os primeiros anos, então eu escrevo matérias e faço entrevistas desde que minhas aulas começaram. Nem todas as Universidades do Brasil fazem isso. Depois de passar por várias situações difíceis e assustadoras, eu aprendi um pouco como se entrevista uma pessoa.
A atriz não escondeu a alegria ao perceber que teria novas histórias para ouvir. Ficamos em silêncio enquanto a garçonete colocava nossa barca de sushis no centro da mesa e, assim que ela saiu, Kristen quase pulou em meu colo.
- Conte tudo sobre essas experiências!
Pensei por alguns segundos. Eu tinha realmente vivido coisas interessantes na Universidade, mas nenhuma se comparava a duas situações.
- Eu estudei em uma Universidade católica, muito tradicional na cidade que eu morava. A freira mais importante da região, irmã Dolores, morreu justamente no sábado que a minha parte da classe fazia o jornal – eles me ouviam atentamente, sem nem darem atenção à comida. – Fomos avisados logo cedo do que tinha acontecido e o meu professor simplesmente falou “, o principal jornal da cidade ainda não chegou lá. Vá e traga a melhor matéria do mundo. A reitora da Universidade já está lá, assim como a enfermeira que cuidou da freira nos últimos anos. Pode ir agora”.
E de fato, isso aconteceu. Lembro como se fosse ontem e como senti meu sangue gelar ao correr por minhas veias.
- Meu pai tinha acabado de me deixar na Universidade – continuei. – Liguei para ele e pedi que voltasse e me levasse ao hospital onde o corpo da freira estava. Quando entrei na recepção, as atendentes fingiram que não sabiam de nada e que não podiam me ajudar. Mas o porteiro do hospital, não sei por qual razão, simplesmente me levou até um elevador. Apertou um botão e me falou para chamar a enfermeira chefe, pois ela poderia me ajudar. Quando as portas se fecharam, eu olhei para trás. O elevador era comprido o suficiente para caber uma maca e alguns médicos. E aí eu finalmente entendi o que estava acontecendo. Quando o andar que o homem tinha escolhido chegou, eu dei de cara com uma porta. Na placa, três letras: UTI. Apertei o botão do interfone e pedi para chamarem a enfermeira chefe, como fui orientada. Ela veio e me disse que a freira tinha falecido por problemas respiratórios, mas que o corpo não estava mais lá. Tinha sido levado para o necrotério, que ficava no térreo.
Bebi um gole do meu refrigerante e parei para respirar. As cenas daquele dia ainda brincavam em minha mente, me dando arrepios.
- E aí? – Taylor me apressou, parecendo muito interessado. Robert não piscava e Kristen balançava a perna freneticamente.
- E aí eu tive que voltar para aquele elevador aterrorizante, rezando para que nenhum acidentado entrasse de maca, todo machucado. Mas minha pressão deu uma caída e eu me senti tonta enquanto ficava naquela caixa comprida. Depois fui atrás do tal necrotério. Liguei para o meu professor na redação da Universidade, passei as informações e ele me mandou continuar. O problema é que eu era uma jornalista, andando por um hospital e sem autorização. Rodei um pouco até achar o necrotério e, de fato, a reitora estava lá. Quando me apresentei como aluna da Universidade, ela ficou um pouco espantada que eu tivesse chegado lá tão cedo.
- Você conseguiu a matéria? – perguntou Kristen ansiosa.
- Sim – respondi satisfeita. – Mas foi uma manhã bastante incomum e assustadora. Não gosto de hospitais e tenho tendência a desmaiar com coisas muito chocantes, como gente machucada demais.
O silêncio reinou em nossa mesa e eu comecei a me sentir incomodada. Mexi-me um pouco, esperando algum tipo de reação. Nada.
- Tá bom gente, vocês já podem respirar – falei em tom de brincadeira.
- Eu sempre achei as pessoas que fazem Jornalismo de uma inteligência grande – disse Robert. – Mas não imaginava que os alunos desse curso fossem tão corajosos.
- Talvez não seja questão de coragem – respondi me servindo de um pouco de sushi. – Os professores sabem quem está ali por amor ou porque não sabia o que fazer da vida. Eu sempre amei o que eu fazia e continuo amando. Acho que foi essa a razão para me darem aquela chance. Sabiam que eu ia fazer direito, confiaram em mim e eu fiz.
Kristen trocou um olhar cúmplice com o namorado e sorriu.
- Tem mais histórias? – perguntou Taylor.
- Entrevistei uma das mais antigas atrizes do Brasil – respondi. Engoli o sushi que mastigava e me virei para ele. – Vida Alves. Ela foi a atriz que deu o primeiro beijo na TV. Não é grande coisa, mas foi diferente. Pelo menos para o meu segundo ano na Universidade.
- Não fale assim – ele disse de forma carinhosa. – Todo trabalho sempre é uma grande coisa. E ela deve ser importante. Deve não, ela é. Tem uma história toda por trás do nome dela e você foi a escolhida para essa missão. Um simples sinal de que é competente desde sempre.
Senti minhas bochechas queimarem e cutuquei seu braço de leve com meu cotovelo. Concentrei-me em minha comida, tentando fugir de qualquer outro momento embaraçoso. Mas eu era a pessoa nova do grupo, então era meio óbvio que se concentrariam em mim.
- O que você gosta de fazer, ? – perguntou Robert.
- Depende – respondi rindo. – Tem tantas coisas que eu gosto de fazer. Seja mais específico.
Kristen resmungou.
- Deixa que eu pergunto – disse ela. – O que você gosta de ler?
Tentei encontrar algum autor favorito no meio da minha coleção de mais de 50 livros. Para uma pessoa da minha idade, eu tinha lido uma quantidade considerável. Mais do que o dobro da minha idade.
- Gosto muito de comédia romântica. Sou fã de carteirinha da Meg Cabot. Mas foi a ficção que me levou a esse mundo fantástico da literatura. Comecei a ler mesmo aos 11 anos, quando peguei um dos livros de Harry Potter na biblioteca da escola.
Robert se endireitou na almofada.
- É mesmo? – perguntou interessado. – Viu os filmes também?
Acabei rindo com o interesse dele.
- Vi sim. Vou te deixar feliz, ok? Chorei quando o Cedric Diggory morreu. Mas finja que você nunca me ouviu dizer isso.
Robert soltou uma exclamação de alegria e olhou para Kristen. Ela, por sua vez, o beliscou pelo barulho que ele fizera.
- Ela é incrível – disse ele apontando para mim.
Revirei os olhos.
- Robert, isso não faz de mim Team Edward, só para constar.
Taylor abafou uma risada e continuou concentrado em sua comida.
- O que você gosta de ouvir? – Kristen continuou com seu interrogatório estranho.
- Tudo! – respondi sincera – Não sou do tipo de pessoa que ouve uma coisa só. Tenho escutado muito country music.
A simples menção ao estilo musical fez com que o ator ao meu lado parasse qualquer movimento. Depois, com um olhar desconfiado, me encarou.
- Como quem?
Eu sabia qual era o maior medo dele. E eu não iria criar um clima chato à toa.
- Lady Antebellum – encolhi os ombros e continuei a comer. – Também gosto muito de Maroon 5, Colbie Caillat, que é uma cantora independente. Adoro uma banda que talvez você conheça Robert. McFLY. Eles são da Inglaterra.
- Já ouvi falar – ele respondeu enquanto mastigava. – Devo até ter escutado uma música deles no rádio, mas nunca parei de fato para prestar atenção.
- Você pratica algum esporte? – perguntou Taylor. Claro, era o tipo de coisa que ele gostaria de saber.
- Neste momento não. Mas eu jogava vôlei antes de me mudar para o Canadá.
Os três me olharam surpresos. Tudo bem, eu não era tão alta assim para ser profissional, mas eu mandava bem nesse esporte. Fora que eu sempre amei jogar vôlei.
- Não gosto de academia – continuei. – Fico entediada rápido e desisto no primeiro mês. Eu comecei a jogar vôlei ainda pequena, quando meu pai me treinava no quintal de casa. Um dos irmãos dele é jogador profissional, então acho que está no sangue. Eu também acompanhava o meu pai ao clube quando ele ia jogar, então sempre tive esse esporte na minha vida.
- E o seu país tem a melhor seleção masculina do mundo – disse Taylor.
- Exato. É um orgulho imenso ter aqueles meninos no time. Meu tio treinava com eles, a propósito. Pena que nunca tive a chance de conhecê-los.
Kristen ficou pensativa enquanto eu contava sobre minha vida de atleta.
- O que você faz no Canadá? – perguntou intrigada.
- Trabalho como babá.
Eu me perguntei se eles parariam de ficar surpresos comigo em algum momento daquela noite.
- Calma – Taylor estava quase sentado de frente para mim. – Uma ex- jogadora de vôlei, formada em Jornalismo, trabalha no Canadá como babá? Explique isso melhor.
- Eu fui para o Canadá quando estava no primeiro ano da Universidade. Me apaixonei e jurei que voltaria. E foi o que eu fiz. Assim que terminei meu curso, arrumei um emprego e me mudei. Era a única forma de ir para Vancouver. Trabalhando como babá. E eu aceitei.
Robert assoviou.
- Você é realmente uma garota de coragem, . Largar tudo por um sonho.
Sorri.
- Minha cantora favorita do Brasil, Sandy, tem uma música que fala sobre isso. “Eu lutei contra tudo, eu fugi do que era seguro”. A gente tem que arriscar. Você arriscou quando foi ao teste de Crepúsculo. O Taylor arriscou quando mudou seu corpo todo por uma personagem. São riscos que valem a pena. Não me arrependo do que fiz. Faria de novo, sem sombra de dúvidas.
“Até porque”, pensei, “como eu teria ido parar nesse restaurante, com os três atores mais queridos do mundo, se não tivesse arriscado?”.
Eles finalmente pararam de me interrogar. Kristen se deu por satisfeita com minhas respostas. A comida acabou sem que percebêssemos. A noite, no entanto, ainda tinha muito chão pela frente.
- Vamos para onde agora? – perguntou Taylor assinando o canhoto do cartão de crédito. Ele e Robert não deixaram que eu e Kristen pagássemos nossa parte da conta, o que eu achei fofo da parte dos dois.
- Como assim? Vocês me prometeram que íamos ao boliche – resmungou ela, cruzando os braços como uma menina mimada.
Taylor pegou seu iPhone e consultou algo na internet.
- Já sabem que saímos – disse olhando para os amigos. – Os paparazzi te viram deixando sua casa, Kris.
- Filhos da puta!
Robert suspirou.
- Cadê a jarra dos xingamentos mesmo?
- Podemos tentar ir ao boliche, mas não sei se vai ser uma boa ideia – disse Lautner se levantando e estendendo a mão para me ajudar. – Ouvi dizer que descobriram que sempre vamos lá.
Kristen continuou xingando ao meu lado enquanto saíamos do restaurante. Os carros já estavam na porta e entramos rápido. O combinado foi que passaríamos em frente ao tal boliche para ver como estava a situação. Robert e Kristen foram na frente, Taylor seguindo-os de perto.
- Gostou do jantar? – perguntou ele guiando sua BMW de forma tranquila. – Espero que tenha ficado irritada com tantas perguntas. É sempre estranho ter alguém que faz algo diferente de nós por perto.
Sorri.
- De forma alguma. Foi muito bom passar esse tempo com vocês. Espero que não tenham achado minha vida entediante demais e que não tenham se arrependido de me convidar para sair.
Taylor acariciou meu joelho, fazendo com que correntes elétricas percorressem cada centímetro de pele existente em mim.
- Não podíamos ter pensado em companhia melhor para essa noite.
Robert ameaçou virar em uma rua, mas mudou de ideia rápido. Taylor freou de forma brusca, fazendo nossos corpos serem lançados para frente. E viva o sinto de segurança! O ator fez um sinal para que olhássemos à direita e continuou a dirigir. Quando passamos pela tal rua, olhamos. Um mundo de gente esperava na porta do boliche. Quase que instantaneamente, o celular de Taylor tocou. Ele atendeu e colocou no viva-voz.
- Eles realmente descobriram sobre nós – Kristen esbravejou. – Nosso boliche não existe mais. Isso é uma desgraça, dude!
Robert tentava acalmá-la de forma inútil.
- Confia em mim, Kris? – perguntou Taylor enchendo o peito de ar. Ela confirmou. – Então deixa comigo. Vou te levar para jogar boliche hoje de qualquer jeito. Sigam-nos!
Ao dizer isso, ele desligou o celular. Ultrapassou os amigos e começou a guiar nossa mini-excursão.
- Você realmente tem um segundo plano? – perguntei.
- Tenho. Não vai ser tão divertido como no lugar que sempre vamos, mas é a nossa única opção. Só espero que ela não xingue muito, ou seremos expulsos.
E quando chegamos, eu realmente entendi o que ele quis dizer. E passei a desejar o mesmo que Taylor.
Capítulo 3
- Você só pode estar brincando, Taylor – disse Kristen parando ao meu lado. Estávamos os quatro encarando o letreiro do boliche da terceira idade.
Ele encolheu os ombros.
- Minha avó sempre vem aqui. A acompanhei algumas vezes e ninguém me reconheceu. É isso ou nada.
Ainda resmungando, Stewart entrou no enorme barracão. Os outros dois trocaram olhares apreensivos e a seguiram. Eu fiz o mesmo, achando aquilo extremamente engraçado. A única opção encontrada por Taylor para jogarmos boliche era indo em um clube de velhinhos. Não que ele não tivesse tido a melhor das ideias, mas era hilário ver quatro jovens naquele lugar. Assim que entramos, algumas senhoras nos olharam desconfiadas. Escolhemos uma pista e os meninos foram até o caixa abrir a nossa conta.
- Relaxa, Kristen – falei me posicionando ao seu lado. – Vai ser divertido. Pelo menos vamos jogar boliche ao invés de ir para casa num sábado à noite.
Ela não parecia tão convencida assim. A música que saía dos alto falantes me fez ter uma crise de riso. Eu amava Elvis Presley, mas não imaginava que fosse acabar num boliche da terceira idade, ouvindo-o cantar nas caixas de som.
Robert e Taylor se juntaram a nós, cada um com dois pares de sapatos nas mãos.
- , não sei se é esse o seu número – disse Lautner. – Se não for, eu corro lá e troco. Tentei adivinhar.
Peguei os sapatos próprios para boliche de suas mãos. O tamanho exato. Sorri e agradeci, me sentando no banco para fazer a troca.
- Vamos jogar como? – perguntou Rob ao lado do computador. – Casais ou meninos contra meninas?
- Casais – disseram Kristen e Taylor ao mesmo tempo. Robert me olhou confuso.
- Depois dessa, só me resta concordar – respondi rindo.
- Certo – disse o ator. – Lautner contra Pattinson.
Eu e Kristen levantamos na mesma hora.
- Que machismo!
- Por que não contra Stewart? – perguntei cruzando os braços.
Os dois se olharam assustados. Taylor revirou os olhos.
- Porque, no caso de isso dar casamento, vocês adotarão os nossos nomes!
Enquanto Kristen discutia com eles, eu tentava processar a frase que tinha acabado de ouvir. Casamento? Usar o nome dele? Repassei nosso jantar em minha mente. Eu não tinha bebido nada com álcool, logo não estava ouvindo coisas. Ou então estava maluca. Isso. Sonhando acordada, talvez.
- O nosso time vai chamar Stewart, Robert! E não discuta comigo! – ouvi Kristen resmungar. Ela era totalmente competitiva.
- Mas isso não é certo! O nome do homem que fica, não o da mulher – ele tentava argumentar.
Respirei fundo e botei meus pensamentos de volta no lugar. Fui até o computador e digitei e Stewart. Robert e Taylor me olhavam estupefatos, enquanto a atriz tinha um sorriso vitorioso em seus lábios.
- Existe uma lei que permite ao homem adotar o sobrenome da esposa com o casamento – respondi simplesmente. – A gente começa, Taylor!
Ele não contestou, apenas me acompanhou até as bolas e me ajudou a escolher uma. Eu não era grande expert em boliche. Na verdade, não jogava desde os meus 13 anos. Não tinha a menor noção do que estava fazendo. Elvis continuava sua cantoria, entoando Devil in Disguise a todo vapor, fazendo alguns senhores cantarem para suas esposas. Não evitei um sorriso. Posicionei-me exatamente no meio da pista e mordi meu lábio inferior. Troquei um olhar cúmplice com Taylor e lancei minha bola. Ela deslizou certeira, atingiria o pino central. Prendi a respiração. Não usei força o suficiente, o que deixou apenas um pino em pé. Para piorar, no canto esquerdo.
- Droga – resmunguei. Taylor colocou a mão em minhas costas, me confortando.
- Vamos ver o que consigo fazer – disse se posicionando onde eu estava anteriormente.
Ele franziu a testa de uma forma totalmente sedutora. Se eu fosse aquele pino, por Deus, teria me jogado dali antes mesmo que aquela bola tivesse sido lançada. Segundos depois, ele deu dois passos largos e lançou-a de tal forma que ela corria cada vez mais para a lateral. Meu queixo foi ao chão ao vê-la acertar o pino, lançando-o para o fundo da pista. Levantei os braços em comemoração e o abracei.
- Você é ótimo! – falei beijando seu rosto.
- Foi sorte, . Pura sorte – ele respondeu rindo.
Kristen pegou a bola mais pesada. Por mais que Robert tenha dito a ela que tivesse cuidado, já que sua mão direita estava machucada, a atriz lançou o objeto sem dó nem piedade. Strike. Derrubou todos os pinos de uma vez. Troquei um olhar desapontado com Taylor e ele sorriu divertido. Robert derrubou metade dos pinos, sendo repreendido pela namorada, que foi calada com um beijo. Era a nossa vez. Encarei todas as bolas.
- Se ela quer competir, – falei em português para o pesado objeto – então nós vamos competir!
Tomei o tempo que precisei para calcular a força e a distância. Taylor permanecia ao meu lado, sem emitir uma palavra. Dei alguns passos para trás, sem piscar.
- Manda ver – o ator sussurrou ao meu lado e eu sorri.
Peguei impulso e lancei a bola com toda minha força. O objeto de borracha deslizou pela pista e acertou o grupo de pinos em cheio. Não sobrou nem a sombra de um deles em pé. Taylor gargalhou ao ver a cara de Kristen. Envolveu-me em um abraço e me tirou do chão. Eu sei o que você esperava. Que, em algum momento daquela noite, acabássemos aos beijos, assim como o casal que nos acompanhava. Mas isso não aconteceu.
Taylor e eu vencemos o jogo por conta de um six pack, que significa seis strikes seguidos. Não sei como conseguimos. Acho que foi um tremendo golpe de sorte. Isso não deixou Kristen completamente feliz, mas depois de muitos beijos e mordidas de Robert, ela esqueceu do jogo e foi sentar-se no sofá com ele. Formavam um casal adorável e eu não me cansava de admira-los. Acompanhei Taylor até o bar e ele ficou feliz ao saber que eu não gosto de nada que tenha álcool.
Elvis Presley tratou de mudar nossa conversa quando resolveu cantar You Were Always On My Mind. Entre um gole e outro de meu refrigerante, eu cantava alguns versos. De longe podíamos ver Robert e Kristen aos beijos e sorrisos. Eu me recusava a encarar Taylor. Estávamos próximos demais, com uma música fofa demais e num ambiente familiar demais. Por mais que eu tenha brincado e feito todos eles rirem durante a noite, eu ainda tinha um pouco de timidez habitando meu ser.
- Gosta de dançar? – perguntou Taylor. Olhei-o confusa e ele indicou uma pequena pista com a cabeça. Alguns casais de idosos dançavam, provavelmente relembrando quando se conheceram e pensando em tudo o que passaram até então.
Sorri e aceitei o convite. Peguei a mão do ator, que me levou até o espaço. Taylor me envolveu em seus braços com carinho e dançamos lentamente. Vez ou outra, ele me girava, sempre puxando meu corpo de volta para perto do seu. Ele era um grande dançarino. Sabia conduzir uma mulher com destreza. Eu sempre adorei dançar, então estava me sentindo mais do que confortável com aquilo. Claro que era desconcertante abrir os olhos e topar com aqueles bíceps imensos bem diante do meu nariz, mas eu conseguia controlar meus pensamentos perversos.
- Give me – cantou ele em meu ouvido – Give me one more chance to keep you satisfied.
Abri os olhos e notei que um casal de velhinhos nos olhava admirado. Sorri de forma educada e voltei a me concentrar em nossa dança. Eu sei, parecia cena de filme. Mas Taylor sempre foi assim, um verdadeiro herói de comédia romântica. Elvis cantou suas últimas notas e o salão ficou silencioso. A senhora se aproximou assim que nos separamos.
- Meu jovem – disse ela a Taylor – por que você não leva sua namorada até a jukebox e deixa que ela escolha o próximo disco?
Ele me olhou com os olhos brilhando e me conduziu à antiga caixa de som. Claro, em clube da terceira idade, que outro tipo de rádio se poderia encontrar? Taylor me entregou uma moeda de um dólar e sorriu. Passei todos os discos disponíveis. Eu já tinha ouvido falar da maioria, mas gostava de poucos. Não contive um gritinho de excitação ao ver uma coletânea dos Beatles. Depois de Elvis, as músicas antigas que eu mais gostava eram da banda inglesa. Voltamos para a pista de dança e a senhora me cumprimentou pela minha escolha.
- Você joga vôlei, boliche, é jornalista, corajosa, não bebe nada com álcool, gosta de comida italiana, dança bem e gosta de Beatles – disse Taylor. – Tem alguma coisa em você que não seja legal?
Ri e o encarei.
- Eu canto mal – respondi e fiz uma careta. Lautner sorriu. – Tem muita coisa em mim que não é legal, garanto.
Ele beijou minha bochecha de forma doce e começamos a cantar juntos, totalmente por acaso.
- If I trust in you oh, please, don’t run and hide...
- If I love you too oh, please, don’t hurt my pride like her – ele finalizou.
Por um momento um tanto quanto estranho, pensei que aquilo pudesse ter sido um sinal. Cheguei a cogitar a possibilidade de entrar nesse assunto, mas eu não tinha intimidade o suficiente com Taylor para cutucar sobre sua vida pessoal. Mas, de certa forma, ele ainda me parecia bastante machucado com algum amor do passado. Hey Jude começou a tocar e voltamos para o bar. Kristen e Robert continuavam sua sessão de fofuras no sofá.
- Eles se amam muito, né? – perguntei despreocupada.
- Você não tem ideia do quanto. O Rob mataria por ela, sem dúvidas.
- She’s got these big green eyes, and they're as wide as the moon. They can take you to bed without you leavin' the room – cantei pensativa. – I would kill just to be her man, but she's too cool to give a damn.
Taylor engasgou com seu refrigerante e tossiu algumas vezes.
- Como você sabe dessa música? – perguntou assustado.
- Ele que escreveu, né?
- Sim, mas...
- E foi pensando nela, acertei?
- Acertou, mas como você sabe?
Encolhi os ombros.
- Sou jornalista – respondi. – Meu trabalho é saber das coisas. Além do mais, eu sei que o Lee é amigo do Robert. Acho que todo mundo sabe, na verdade. Assim como ela entrou no clipe de I Was Broken, do Marcus Foster, porque ele também é amigo do Pattinson. Quero dizer, ela não pararia um dia inteiro de gravações de Breaking Dawn por qualquer um.
Taylor parecia bastante apreensivo.
- Quantas pessoas você acha que sabem disso? – perguntou.
- Ei, calma. Todos supõem, assim como eu fiz agora. São boatos que correm entre os fãs, mas que nunca foram confirmados. E não serei eu quem vai confirmar, pode ter certeza!
Ele respirou aliviado. Depois de alguns minutos de silêncio, Taylor se pronunciou.
- Ela chorou quando ouviu pela primeira vez – disse. – Estávamos na Austrália, promovendo Eclipse. Ele não estava junto, mas mandou um CD para o hotel. Quando o segurança entregou, estávamos no quarto dela jogando dominó. Kristen colocou o CD no rádio e era ele cantando.
- Oun.
- Não diga a ela que te contei. Isso vai me custar um rim.
Rimos juntos. Eu tinha certa noção do quanto ela gostava de parecer durona, mas já tinha percebido que Robert a tinha nas mãos. Demorava um pouco para acalma-la, isso era verdade. Mas ela também o amava muito e sempre se rendia aos carinhos.
Conversamos mais um pouco sobre coisas bobas. O casal ternura apareceu logo em seguida, prontos para irem embora.
- Quais os planos para amanhã? – perguntou Kristen.
- Temos a Twilight Conference na parte da tarde – disse Robert.
- Embarco logo cedo para o Canadá – respondi desanimada. Não queria voltar. Estava me divertindo tanto com eles.
Os três me encararam e eu senti meu estômago afundar. Aquilo não poderia ser um adeus. Eu não queria que fosse e esperava que eles também não quisessem. Foi um momento estranho, ninguém sabia o que dizer. Taylor trocou olhares sérios com Kristen, Robert tentando entender o que eles conversavam em silêncio.
- Quem foi que escolheu essas músicas afinal? – perguntou a atriz tentando mudar de assunto.
Bati levemente em seu braço.
- Fui eu! – respondi séria e ela riu.
- Bom, vamos embora? – sugeriu Lautner. – Vou te levar para o hotel, .
Concordei com um aceno de cabeça.
- Eu sei que isso vai parecer meio embaraçoso, ainda mais depois de termos passado a noite juntos – falei completamente sem graça. – Mas eu não sei quando vou ver vocês novamente, então posso tirar uma foto com cada? E eu também quero um autógrafo para a minha coleção.
Os três riram das minhas bochechas vermelhas. Robert foi o primeiro a se prontificar. Abraçou-me e Taylor tirou a foto com o meu celular. Entreguei meu caderninho, que estava em minha bolsa por costumes jornalísticos, e ele assinou. Kristen pulou ao meu lado e sorriu. Assinou o caderno e passou para Taylor. Ele me olhou e o fechou, recusando-se a assinar.
- Faço isso depois – disse e me entregou o amontoadinho de folhas. Achei aquele gesto, a princípio, um pouco rude.
Escondi minha cara de desapontamento da melhor forma que pude e me despedi do casal de atores. Eles se despediram de Taylor e eu o ouvi sussurrar um “obrigado” para sua grande amiga. Sem entender nada, acompanhei-o até o carro.
Estávamos quase chegando ao hotel. Não trocamos uma só palavra durante todo o caminho de volta. Parecia que tínhamos tido nossa primeira briga de casal, o que não era verdade. Até porque, nem éramos um casal. Quando Taylor virou o carro na rua do Hyatt, foi tomada por um impulso.
- Quer subir? – perguntei apreensiva e o olhei.
Ele me devolveu o olhar e sorriu. Não parou em frente ao hotel, para que eu pudesse descer. Pegou o caminho da garagem e entregou o carro para o manobrista. Enquanto esperávamos o elevador, o ator entrelaçou os dedos nos meus e ficamos de mãos dadas. Eu sei que isso parece coisa de groupie ou puta, no mínimo. Não me julgue dessa forma. Aquela noite tinha sido realmente especial e eu não sabia se iria vê-lo novamente. No dia seguinte, Taylor teria mais entrevistas. E se ele conhecesse outra jornalista, a levasse para jantar? E se eu fosse só mais uma? Eu me arrependeria imensamente de não ter aproveitado tudo o que podia se descobrisse que não passava de um nome riscado em sua lista. Já que era para fazer, que fizéssemos direito então.
O elevador parou no 15º andar. Era ridículo como eu tinha começado a tremer. Pior ainda foi ele ter notado. Taylor apertou minha mão e me puxou para o corredor. O levei para a última porta e a abri. Minha grande sorte foi ter arrumado todas as minhas coisas antes de sairmos, o que deixou meu quarto na mais perfeita ordem. Seria constrangedor se ele encontrasse meu sutiã velho, que não segurava nem vento, mas que eu adorava usar para dormir. Entrei primeiro e não ousei me virar. Escutei o barulho mínimo da porta se fechando. Continuei de costas para Taylor, sem a menor noção do que ele fazia atrás de mim. Coloquei minha bolsa em cima do criado mudo e esperei. Meus lábios tremiam de forma idiota e minha respiração não estava mais sob meu controle. O que era ridículo. Eu não era nenhuma mestra do sexo, mas já tinha feito o suficiente com alguns ex-namorados para saber como funcionava. Agora estava me comportando como uma garotinha virgem, que vai ter sua primeira noite com o namorado da escola.
Pude ouvir passos. Em seguida, as mãos dele tocaram meus braços num carinho gostoso e delicado. Senti seu corpo encostar-se ao meu e deitei minha cabeça em seu peito. Taylor pegou minha mão direita e a beijou. Sorri. Os lábios dele eram macios. Tomei coragem e me virei de frente para ele. A expressão em seu rosto me acalmou. Ele não achava errado e não me julgava pelo que eu estava fazendo. De certa forma, concordava com minhas atitudes. Éramos cúmplices, como tínhamos sido durante toda a noite, entre danças e trocas de segredos. Acariciei sua nuca e ele me beijou.
Não ousamos, em momento algum, pronunciar uma só palavra. Nossas mãos diziam e faziam por nós. Confesso que, quando Taylor tirou minha blusa, me senti constrangida. Eu não era nenhuma top model e nem de longe me encaixava nos padrões de beleza da sociedade. Eu era normal. Não era esquelética, não tinha cabelo extremamente sedoso e nem lábios carnudos como mostravam nos comerciais. E, ainda assim, quando me deitou na cama, ele me olhou e sorriu. Não demorou muito para que todas as nossas roupas estivessem no chão. Taylor não tinha pena. Pegava, mordia, puxava e beijava com voracidade. Não fiz por menos. Sua nuca tinha as marcas de todos os meus dedos, assim como suas costas estavam arranhadas. Rolávamos na cama, hora ficando ele por cima, hora eu.
Quando tudo estava pronto, espalmei minhas mãos em seu peito e o encarei. Taylor sorriu em resposta e correu atrás de sua carteira. Demorou cerca de cinco segundos para voltar, tempo suficiente para que eu olhasse o teto e sorrisse em agradecimento a sei lá o que. Quando voltou para a cama, o ator me entregou o pequeno pacote do preservativo. Mas que diabos acontece com esses homens que adoram ver uma mulher fazendo essa parte do trabalho? Não era nada sexy e eu nem gostava muito. Quero dizer, não que eu tivesse nojo, só não achava nada sedutor.
Eu mal tinha acabado de colocar a camisinha em Taylor e ele veio para mim, delicado, carinhoso e firme. Gemi de satisfação. Esse homem era todo perfeito. Sim, não era um garoto, um menino, um jovem. Taylor Lautner era um homem e sabia muito bem o que estava fazendo. Movimentava-se com precisão, em ritmo lento, que foi se alterando aos poucos até transformar-se em uma dança rápida e fazer com que todo o meu corpo fosse inundado por uma onda de prazer e alegria. Segundos depois, pude sentir pequenos espasmos percorrerem seu corpo e Taylor desabou sobre mim, arfando, suado e cansado, mas muito saciado, assim como eu.
Enquanto nos recompúnhamos, com ele ainda deitado sobre mim, observei o contraste de nossas peles. Minhas mãos passeavam por seus ombros e por sua nuca, cobertos por aquele bronzeado perfeito e natural. Brinquei com seus cabelos escuros, fingindo enrola-los em meus dedos.
- Você joga vôlei, boliche, é jornalista, corajosa, não bebe nada com álcool, gosta de comida italiana, dança, gosta de Beatles e faz sexo como ninguém – disse ele em meu ouvido. – Ah é, e canta bem. Sério, qual o seu defeito?
Não contive uma risada.
- Tudo bem, eu confesso – respondi mordendo seu pescoço. – Não sei cozinhar.
- Só isso?
Fingi pensar enquanto ele me encarava.
- Sou teimosa, perfeccionista, manhosa, persistente demais. E um pouco ciumenta.
Taylor sorriu.
- Você é perfeita – e me beijou. Derrubei-o na cama.
- Não quero ser perfeita – respondi rindo. Ele me olhou confuso. – Tudo o que é perfeito não serve mais, Taylor. Não tem como evoluir, não faz as pessoas mais felizes. É perfeito. Está ali. Não tem como ser mais do que isso, entende? E eu quero ser sempre mais, quero aprender mais. Quando eu chegar à perfeição, é sinal de que não tenho mais utilidade. Posso dar o meu lugar para outra pessoa.
- Isso é interessante. Nunca pensei no perfeito por esse lado.
- E tem mais – falei sentando sobre sua barriga – o que é perfeito para você, nem sempre é perfeito para mim! É tudo ponto de vista, logo, é pessoal.
- Então eu posso te achar perfeita. É o meu ponto de vista!
Mordi seu lábio inferior e ele sorriu. Olhei em seus olhos.
- Então isso significa que eu não sirvo mais para você – e com uma piscadinha marota, levantei rápido e fui para o banheiro. Estava toda suada e precisava de um banho.
Obviamente, ele me seguiu. Mas apenas tomamos banho, conversamos e rimos. Eu o observava disfarçadamente e sabia que ele fazia o mesmo. Cada vez que Taylor ficava de costas, eu descia meus olhos por todo seu corpo, memorizando cada centímetro. Aquele homem tinha sido meu por um dia inteiro. Eu era mesmo uma pessoa de sorte!
- Eu não estava esperando ninguém essa noite – falei rindo e puxando meu pijama de dentro da mala. – Então não espere que eu vista nada sexy!
Ele estava apenas de cueca, deitado em minha cama. Suas mãos formavam um pequeno apoio para sua cabeça enquanto ele tinha seu corpo encostado à cabeceira da cama. Coloquei a calça vermelha com desenhos de flocos de neve. Na cintura, uma fita de cetim ajustava a peça de roupa ao corpo de sua dona. Como se não bastasse o desenho todo natalino, o pijama era feito de um tecido que parecia pelúcia. Ele nunca mais iria querer me ver na vida!
- Bem, o sexy também é questão de opinião – disse Taylor sorrindo. – Estou te achando gostosa com essa calça, só para constar.
Gargalhei. Ele era um palhaço mesmo. Olhei meu sutiã velho, que eu tanto temi que ele visse. Que se danasse. Eu teria uma longa viagem pela frente, tudo o que eu menos queria era ficar desconfortável enquanto dormia. O vesti, colocando minha regata branca e surrada por cima o mais rápido possível. Para finalizar, a camisa do pijama, que combinava com a calça. Olhei-me no espelho e sorri. Pude vê-lo através do reflexo e ele sorria satisfeito.
- Você pode até achar que eu estou mentindo, mas você está realmente linda com essa roupa.
- Shiu – falei bebendo um gole de água. – Está falando isso porque não esperava que eu, depois dessa noite que tivemos, dormisse como se fosse uma criança.
Taylor riu.
- Deixa de besteira. Acho muito excitantes todas aquelas peças mínimas, mas não são minhas favoritas. Mulheres de verdade não precisam daquilo para serem sensuais. Aliás, se quer saber, mulher que é mulher, é sensual de qualquer jeito. Até mesmo de pijama vermelho, com flocos de neve.
Minhas bochechas provavelmente ficaram da cor do meu pijama, já que ele riu mais ainda. Revirei os olhos e voltei para a cama. Taylor me puxou para cima dele e nos beijamos. Era engraçado como nossos lábios se encaixaram perfeitamente desde o primeiro momento. Eu podia passar um dia inteiro beijando Taylor Lautner. E isso não era exagero.
- Não vai me perguntar por que eu não assinei seu caderninho?
- Você não é obrigado – respondi. Ele riu.
- Sua carinha de contrariada foi tão linda. Eu devia fazer isso mais vezes, só para te ver daquele jeito – bati em seu braço e ele soltou uma sonora risada. – Pega o caderno. Agora eu posso assinar!
O olhei confusa.
- Qual a diferença do horário?
Taylor beijou meus lábios de forma carinhosa.
- Agora eu posso escrever o que eu queria!
Foi maldade. Ele atiçou meu instinto mais precioso como jornalista: a curiosidade. Enquanto eu pegava o pequeno caderno, Taylor ligou a TV e colocou em um canal de músicas. Taylor Swift cantava Sparks Fly, uma música que eu sempre gostei. Ele, por sua vez, desligou o aparelho na mesma hora, sem me olhar. Mordi minha língua e sentei ao seu lado, entregando-lhe o caderno e uma caneta. Seu semblante sério me deixou preocupada. Beijei sua bochecha e mordi seu pescoço.
- Sei que te conheço há menos de 24h, mas se quiser conversar sobre qualquer coisa, fique a vontade.
Taylor apenas negou com a cabeça, escreveu seu recado e fechou o caderno. Colocou ao lado de minha bolsa e me proibiu de ler enquanto estivesse com ele. Muita maldade.
- Que horas você embarca? – perguntou despreocupado.
- Oito e meia – respondi deitando a cabeça em seu peito. Seus braços me envolveram na mesma hora. – Vou sair daqui do hotel umas sete horas, mais ou menos. Mas você pode ficar dormindo. Eu fecho a conta e aviso que tem gente aqui.
Taylor beijou minha cabeça.
- Não vai me esquecer, né?
Eu sei que essa é a pergunta que você esperava que saísse da minha boca, mas não foi. Ele estava preocupado que eu pudesse levar minha vida adiante e deixa-lo para trás. Isso era, no mínimo, insano. Olhei seu rosto perfeito sem esconder minha surpresa.
- Não vou – respondi e beijei seu queixo. – Prometo!
Taylor sorriu e fechou os olhos. Observei-o por alguns minutos e acabei pegando no sono, protegida por ele e seus braços fortes.
Capítulo 4
É claro que eu perdi hora. Você também teria perdido se Taylor Lautner te envolvesse de uma forma tão protetora enquanto você dorme. Acordei com o telefone tocando. Atendi o mais rápido possível e quase caí da cama ao ver que faltavam 20 minutos para as oito horas. Levantei da forma mais delicada que pude e corri para o banheiro. Fiz minha higiene matinal enquanto tirava meu pijama e jogava dentro de minha mala. Usei a mesma roupa da noite anterior. Não teria tempo para guarda-la, muito menos para escolher outra. Antes de fechar a mala, joguei o pequeno caderno em meio ao amontoado de roupas. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e olhei-o pela última vez. Taylor dormia feito uma criança. Olhei o quarto. Um bloquinho de pedidos e uma caneta, ambos com a logo do Hyatt, foram minha salvação.
“Obrigada pela noite maravilhosa. Se cuida. M”.
Deixei o recado junto com o celular dele e saí. O motorista contratado pelo jornal estava me esperando há 40 minutos. Fechei a conta, avisei sobre meu hóspede que ainda dormia e corri para o carro. Fechei os olhos assim que encostei a cabeça no apoio do banco, repassando em minha mente tudo o que tinha acontecido naquele quarto na noite anterior. Eu sentiria saudades dele.
Cheguei ao aeroporto a tempo de fazer o check-in e embarcar, o que era terrível, já que eu não tinha tomado café da manhã. A aeromoça avisou que decolaríamos e pediu para desligarmos os aparelhos eletrônicos. Peguei meu celular no bolso de minha calça e vi que tinha uma mensagem nova.
“Obrigado pela companhia... quase perfeita, rs. Me avise quando chegar. Boa viagem. T”.
Conti a vontade de gritar. Desliguei o telefone e coloquei-o de volta em meu bolso. Devorei freneticamente o lanchinho servido pela companhia aérea e relaxei em minha poltrona. Ainda estava cansada. Também pudera. Além do esforço físico, a carga de emoções que se abateu sobre mim nas ultimas 48 horas não foi brincadeira. “Esforço físico”, pensei rindo sozinha. Aquilo não tinha sido esforço nenhum. Mordi meu lábio, tentando conter minha alegria. Nada do que qualquer fã dele dissesse me deixaria para baixo. Eu não tinha transado com o meu ídolo. Esse continuava lá, perfeito para todas. Eu tinha tido uma noite maravilhosa com o cara, o ser humano Taylor Lautner. Sei que falei isso muitas vezes, mas vou falar de novo: eu era uma pessoa de sorte! Nada mais explica a grande chance que tive de dormir com um homem tão incrível como ele.
Acabei cochilando e acordei com o piloto avisando que estávamos chegando a Vancouver. Olhei pela janela do avião. O dia estava lindo na cidade canadense, o que não significava que estava quente. O inverno estava se aproximando e nevaria em breve. Soltei um muxoxo de desaprovação. Eu ainda tinha que comprar todos aqueles casacos impermeáveis, botas forradas, luvas, gorros, cachecóis. E era melhor fazer isso rápido, pois estávamos na primeira semana de novembro e eu não teria muito mais tempo.
Desembarquei e o segundo motorista, também contratado pelo jornal, já me esperava. Ele me levaria até a casa que eu morava, em North Vancouver. Engraçado pensar que meu pai foi contra essa loucura toda de deixar a vida para trás e ir cuidar de criança. Ele ainda não sabia que eu tinha ido até Los Angeles, muito menos que eu tinha sido escolhida para aquela entrevista. Bem, a parte de dormir com o meu entrevistado, ele não saberia mesmo!
Cerca de 40 minutos depois, o motorista deixou minha mala na porta de minha casa. Agradeci e respirei fundo. Com certeza a família estaria me esperando, loucos por informações, fofocas e tudo mais que eu pudesse contar. Tirei meus sapatos e entrei. Não deu outra. A menina mais nova veio correndo para o meu colo. Mas não por curiosidade. Acho que uma menina de um ano e meio não entende muito bem a diferença de uma pessoa famosa e uma não famosa. Ela apenas queria ficar comigo, como fazia durante toda a semana. Não era a toa que, aos sábados e domingos, ela batia na porta do meu quarto assim que acordava e queria ficar por perto o tempo todo.
- E aí, como foi? – perguntou a mãe dela, Annie. Ela era minha chefe também, vale lembrar. – Entrevistou todos eles?
Sorri.
- Sim. Correu tudo certo. Foi estranho, mas consegui.
- Você viu o vampiro? – perguntou a menina mais velha. Ela tinha quatro anos e adorava ver os trailers dos filmes da Saga. Tinha se apaixonado pelo Edward, apesar de declarar amor eterno pelo Homem Aranha.
- Vi – respondi e coloquei a pequena no chão. – Ele te mandou um beijo.
Tá, ele nem sabia que ela existia. Mas não custa nada alegrar uma criança num domingo. Pedi licença e corri para o meu quarto. Não que eu não gostasse deles, m pelo contrário. Tive uma sorte danada com a família que me recebeu. Mas eu só queria ficar quieta, como em todos os domingos. Sossegada, escondida no meu canto.
Comecei a desfazer minha mala e dei de cara com o caderninho. Olhei o autógrafo da Kristen, seguido pelo do Robert. Que casal incrível. Desejei que a imprensa parasse de segui-los tão de perto, assim eles poderiam curtir ainda mais o namoro. Quando virei a página, o recado misterioso de Taylor Lautner:
“I’m falling in love with a girl that ain’t mine… s2”.
Sorri. Ele teve a cara de pau de usar uma parte da música que o Robert fez para a Kristen, mas foi fofo do mesmo jeito. Peguei meu celular e o liguei, sem desviar meus olhos da folha. Ele estava se apaixonando por uma garota que não era dele. Ele estava se apaixonando. Céus, isso era loucura. Abri a mensagem que ele havia me mandado mais cedo e cliquei em responder.
“I’m falling in love for the last time! <3”.
Joguei-me na cama. Ele devia estar se preparando para a Twilight Conference. Trocentas mil fãs estariam lá para fazer perguntas, dizer o quão lindo e incrível ele era. E eu estava em casa, encarando o teto branco e sonhando acordada. Mundo injusto. Eu devia estar lá, na coxia do palco, esperando ele sair para abraça-lo. Revirei os olhos. Pensamento idiota. Quem disse que ele queria que eu estivesse lá. Aliás, quem eu era para pensar isso? Taylor podia ter escrito vários recados para as mais diversas garotas. Mulheres nunca lhe faltariam. Era o ator estalar os dedos e pronto, apareceria uma quase implorando para transar com ele.
Decidi botar aquela noite de lado. Os pensamentos ficariam junto com aqueles que eu adoro, mas que não preciso ter em minha vida sempre. No fundo da memória, bem guardado, só para mim. Comecei a me arrepender por ter mandado aquela parte da música. Devia ter apenas escrito que havia chegado bem e que tinha sido um prazer conhece-lo. Ou melhor, nem devia ter respondido. Pelo menos teria sido a única menos trouxa de todas as mulheres que devem ter passado pelos braços de Taylor Lautner.
Mais tarde, ainda naquele domingo, eu saía do banho quando ouvi meu celular tocar. Mas não era o toque normal, de ligação. Era o aviso de mensagem. Enrolei meus cabelos na toalha e peguei o aparelho. O remetente era dos Estados Unidos.
“Deixaram a Kristen na maior saia justa. Usaram uma fala dela de uma entrevista (“meu namorado é inglês”) e ela não sabia onde enfiar a cara. Senti pena dela! Como você está? T”.
Dela. Tinha que sentir pena de mim, que não conseguia nem pensar.
“Estou bem e você? Como foi a TwiCon? Outch, fiquei sabendo dessa frase. Como foi isso? M”.
Eu me lembrava dessa fala de Kristen. Foi para uma revista e ela alegou não saber que a entrevista já estava rolando. Quando perguntada se queria conhecer Londres, disse que sim, já que seu namorado era inglês. Foi um alvoroço enorme na imprensa e entre os fãs do casal. Meu celular apitou novamente.
“Uma fã gritou a frase durante um desses momentos de silêncio. Ela ficou meio brava, mas foi engraçado. A TwiCon foi divertida. Estou bem, só um pouco cansado. Me preparando para mais uma viagem. Embarco em breve para Berlim, junto com o Robert. T”.
Não respondi. Não tinha mais do que dizer. Deveria comentar sobre a noite anterior? Fingir que nada aconteceu? Uma situação um tanto quanto estranha e que eu não tinha a menor noção de como encarar. Quando dormimos com um cara famoso que tem a intenção de manter contato no dia seguinte, devíamos ganhar um manual sobre como se comportar. No fundo eu queria dizer que a noite tinha sido maravilhosa, que eu queria vê-lo novamente, mas isso me parecia algo tão desesperado e sem sentido. Então simplesmente deixei como estava.
A partir daquele domingo, Taylor esteve em vários programas de TV, eventos, deu entrevistas para mais de 30 veículos. Além da conferência de fãs, ele, Kristen e Robert também deixaram suas marcas no Chinese Theatre, numa cerimônia emocionante e muito importante para as carreiras. Gravaram os pés, as mãos e os autógrafos em uma enorme placa de cimento, em exposição no museu do cinema. Para saber mais sobre a produção de Breaking Dawn, passei a seguir todo e qualquer perfil de fansite, fã-clube, fã-qualquer-coisa dos três. Com a correria e a euforia da minha entrevista, somado ao dia da entrega do material ao jornal brasileiro, acabei demorando para me conectar ao Twitter. Quando o fiz, me arrependi no mesmo momento. Inúmeros posts no microblog inundavam minha timeline com o cronograma completo da vida de Taylor.
Exatos 20 dias haviam se passado e nenhum de nós se pronunciou. Silêncio total de ambos os lados. A vida não podia parar e eu deixei isso tudo para trás. Taylor Launter fora uma grande recompensa de uma matéria bem fita. E era assim que eu estava disposta a descreve-lo para minhas filhas e netas quando chegasse a hora de contar-lhes sobre meu passado. Tudo tinha se encaixado perfeitamente e eu conseguia passar mais tempo pensando em qualquer coisa do que nele. Já tinha visto o filme, então a ansiedade pela estreia já não me corroía mais. Eu estava decidida a nem ir ao cinema.
Vi algumas entrevistas, como a do Jimmy Kimmel no dia sete de novembro. Ele era um dos meus apresentadores favoritos, então aproveitei a desculpa para ver Taylor pela TV. Em seu habitual traje formal largado, com camiseta branca, terno preto, calça jeans e sapatos pretos, ele relatou uma das experiências mais engraçadas de sua carreira: o primeiro contato com uma TwiMom. Também no mesmo dia, o site Parade.com publicou uma matéria onde Taylor citava o Brasil como um dos encontros com fãs que ele nunca esqueceria.
“Kristen e eu estávamos fazendo entrevistas em um hotel no Brasil e, do nada, nossos seguranças entraram e começaram a trancar a sala. Nós ficamos tipo ‘o que está havendo? ’. Eles disseram ‘mantenham a calma, mas cerca de duas mil garotas quebraram a porta do lobby do hotel e estão a caminho pelas escadas para chegar a esta sala’. E eles continuaram, ‘mas tudo bem, porque nós já chamamos a guarda nacional e eles estão a caminho’. E a guarda nacional realmente apareceu e tudo ficou bem”.
Na época que esse fato inusitado ocorreu, eu trabalhava no maior jornal da cidade que morava e o jornalista escolhido para a conferência de New Moon esfregou em minha cara que veria o Taylor. Eu já não gostava dele, depois de vê-lo rindo porque eu era uma mera estagiária e não veria meu ator favorito, passei a detesta-lo. Mas a vingança veio sem esforço. No dia seguinte, já sabendo do ocorrido, perguntei a ele como tinha sido a entrevista. Emburrado, meu colega respondeu que não conseguiu entrar por conta da bagunça das fãs. E eu sorri satisfeita em minha mera posição de estagiária. Aprendam com isso. Ter se formado não te torna melhor do que um aprendiz. Respeito não depende de diploma.
O começo do meu regresso se deu no dia 13 de novembro, um domingo qualquer na vida de uma pessoa normal. Mas foi quando eu quebrei ao ver o trio mais querido de Hollywood no programa da Ellen DeGeneres. Porque não foi só isso que eu fiz. Eu não apenas assisti à incrível entrevista de uma das melhores apresentadoras dos Estados Unidos. Não. Eu senti ciúmes de Taylor Lautner pela primeira vez.
- Ele é bom dançarino? – perguntou ela.
- Não – Taylor respondeu.
- Eu acho que sim. Não sei, ele tem um pouco de medo disso – Kristen disse ao mesmo tempo que seu colega.
- Ela sempre diz que eu sou um bom dançarino porque...
- Porque isso irrompe dele às vezes – ela terminou a frase.
- Às vezes eu não consigo controlar, mas tem que ser um daqueles momentos.
Me peguei pensando se nossa dança no boliche tinha sido um deles. Era engraçado ver como eles se conheciam. Quanto mais um sabia do outro? Essa pergunta brincava de forma maldosa em minha cabeça.
- Como quando você ouve uma boa música, você começa a dançar? – perguntou Ellen. O DJ entendeu o recado.
Vitória de Kristen. Taylor, sem ter para onde correr, apenas se levantou junto com a apresentadora e começaram uma dancinha bizarra no palco do programa. Achei aquele momento um tanto quanto divertido, mas meu sorriso sumiu ao ver os olhos da atriz caindo sobre a bunda dele. A bunda que eu peguei, eu apertei. E ela estava olhando.
- Você viu o quadril? – perguntou Kristen assim que a música acabou.
- É isso que ele faz, mexe o quadril daquele jeito? – disse Ellen.
- Sempre o quadril, era disso que eu falava – respondeu a atriz.
- Tudo começa pelo quadril, Ellen – Taylor encerrou a primeira brincadeira.
Não, aquilo não tinha sido o suficiente. Mais tarde, a apresentadora pediu para ver o “talento escondido” de Taylor. Tratava-se de uma brincadeira dele com Kristen. Ela lançava uvas e ele as pegava com a boca, como se fosse, de fato, um cachorro. A atriz jogou uma. Taylor pegou. Deu alguns passos para trás. Ela lançou outra diretamente na boca dele. Kristen fez uma dancinha em comemoração e o ator se afastou ainda mais.
- Eu vou jogar essa por cima, mas acho que vou errar – disse Stweart.
- Você pode fazer isso – ele a encorajou.
Kristen limpou a garganta, arrancando risos da plateia.
- Você consegue, você consegue – disse Taylor.
Ela lançou a uva e, como previsto, ele não pegou. Jogou-se no chão, mas a fruta bateu em seu lábio inferior e foi parar em algum lugar do palco.
- Mais para o alto – ele sugeriu.
Aceitando o conselho, Kristen jogou a uva mais alto. Taylor deu um ligeiro passo para o lado e a pequena fruta caiu certeira em sua boca. A plateia foi ao delírio enquanto Ellen comemorava.
- Isso foi ótimo – disse Taylor colocando a mão nas costas de sua amiga.
- Foi incrível. Bom trabalho, cara – respondeu ela dando um leve soco na coxa do ator.
Já eu, do outro lado da tela, trinquei os dentes. Ela pegava nele demais, o elogiava demais e sorria demais. E isso, para o meu coração, era muito mais que apenas “demais”.
A première oficial, como sempre, foi em Los Angeles, quatro dias antes do lançamento do filme, um dia após o programa da Ellen DeGeneres. Lidei bem com tudo o que aconteceu entre nós até aqueles dois últimos dias. Minha curiosidade foi maior e eu tive que acompanhar a chegada dos atores. Robert foi o primeiro, para o delírio das fãs histéricas e da imprensa sedenta por uma boa foto. Kristen surgiu em seguida, num magnífico longo azul, com uma fenda lateral que deixava quase toda sua perna esquerda a mostra. Mas nem sinal dele. Os minutos se arrastavam como horas. Taylor não era de demorar a aparecer em première. Na verdade, era sempre um dos primeiros a chegar. Um imenso carro preto parou em frente ao tapete onde as celebridades desfilavam e eu respirei aliviada. Durou pouco. Uma menina desceu, fechou a porta e só. Nenhum movimento a mais. A câmera voltou a filma Kristen, que se dividia entre fotos, abraços e autógrafos e eu fiquei ainda mais nervosa. Olhei o celular em cima da mesa e cogitei mandar uma mensagem. Claro. A fã obcecada, que está assistindo a transmissão via internet porque ele não a convidou para o evento, mesmo depois da fantástica noite que tiveram. A ideia sumiu de minha mente como fumaça ao vento assim que novos gritos ecoaram em meus fones de ouvido. Fitei a tela esperançosa e lá estava ele. Sorrindo, brincando, parecendo um pouco cansado, mas feliz. Meu coração acelerou e eu sorri para a tela de cristal líquido. Ele estava bem e era só isso que realmente me importava.
Tudo bem, eu menti. Passei dois dias procurando por fotos da famosa after party. Só encontrei algumas de Robert e Kristen chegando, outras de Taylor com a autora da saga. Soube que eles ficaram em uma área reservada da festa, com camarotes para suas famílias e acesso restrito. Também li que saíram do lugar por volta de três da manhã, já que os três embarcariam para Londres no dia 15 de novembro e compareceriam à première inglesa no dia 16. Dito e feito. Lá estavam eles novamente, desfilando, sorrindo, acenando. Desse dia, no entanto, só me liguei em fotos do vestido preto de Kristen. Meu coração estava um pouco perturbado demais para suportar mais imagens do sorriso perfeito de Taylor Lautner. No dia seguinte, ele e Robert embarcaram para Barcelona, deixando a atriz na cidade natal de Pattinson. Ela estava gravando seu novo filme, por isso não os acompanharia no evento. No dia 17, foram até Berlim. Não procurei fotos da première alemã, que aconteceu no dia 19 de novembro, um dia após o lançamento mundial de Breaking Dawn. Mas, dias depois, elas simplesmente pularam em minha tela e eu soltei um suspiro de reprovação antes de desligar o laptop.
Os dias que se passaram foram de total mistério. Eu sabia que Robert estava em Londres com Kristen, mas Taylor desapareceu do mapa. Encerrou sua turnê de promoção do filme e ninguém mais sabia de seu paradeiro. Fotos e matérias continuavam a pipocar pela internet, mas todas do mesmo dia que eu o entrevistei. Para minha alegria, eu estava praticamente de férias. A mãe das meninas que eu cuidava estava passando mais tempo em casa do que no trabalho, me dando os dias livres. Dei-me o direito de fazer algumas compras e, claro, novos pijamas estavam incluídos no pacote. Encontrei um com vários cachorrinhos brincando com luzes de Natal. Na calça cinza, eles corriam, rolavam no chão. E vou te contar, era mais confortável do que o vermelho com flocos de neve.
Acordei mais cedo naquele sábado, dia 26 de novembro. Um belo dia de céu azul, sol brilhando e um clima mais quente, se comparado aos graus negativos daquela semana. Aproveitei o ânimo para fazer uma faxina no meu quarto. Botei todas as roupas na máquina de lavar, troquei os lençóis da cama, coloquei meus bichinhos de pelúcia para tomar sol na varanda. Sara Bareilles cantava alegre, me fazendo dançar e soltar a voz. Minha família hospedeira já estava acostumada com minha forma alegre de viver, mesmo que por dentro eu estivesse massacrada, então acharam aquilo normal. No entanto, pensei que tinha exagerado no volume da música quando a menina mais velha bateu em minha porta.
- , tem um amigo seu lá embaixo – disse ela.
- Amigo meu? – perguntei confusa.
Não consegui pensar em ninguém. Grande parte dos brasileiros que eu tinha conhecido já tinha ido embora. Sobrara um, que estava trabalhando naquele horário. O mexicano que nos acompanhava às vezes também devia estar ocupado e nenhum dos dois sabia onde eu morava. Aliás, ninguém que eu conheci naqueles meses em Vancouver sabia onde eu morava. A menina ficou esperando na porta, enquanto eu maquinava tudo isso em minha cabeça. Resolvi descer e ver quem era. Se fosse um dos meninos, eu não me importaria que me vissem de pijamas de cachorrinhos natalinos, então nem me dei ao trabalho de trocar de roupa.
A movimentação no primeiro andar da casa me causou uma péssima impressão. A menina mais nova veio correndo para o meu colo. Sua mãe estava para ao pé da escada, com cara de quem tinha acabado de ganhar na loteria. O pai delas procurava alguma coisa na bolsa de sua câmera fotográfica. Franzi a testa, achando aquilo tudo muito suspeito e quase desmaiei ao me deparar com Taylor Lautner parado na porta da minha casa, com um sorriso imenso em seu rosto.
- Ei – disse ele parecendo feliz em me ver. Desceu os olhos por meu pijama e riu. – Espero não ter chegado em má hora.
Merda. Por que eu não troquei de roupa assim que acordei? Mas, espera. Por que ele estava na minha casa? E como ele havia chegado ali? Coloquei a menina no chão e fui até ele. Empurrei-o para fora da casa e fechei a porta atrás de mim, sentindo o ar gelado se apoderar de meu corpo.
- Como você chegou até aqui? – perguntei olhando em volta para ver se algum vizinho curioso nos espiava.
- Oi . Que bom te ver. Eu também senti sua falta.
Fechei os olhos e respirei fundo. Ele não devia dizer isso.
- Oi Taylor – respondi voltando a encara-lo. – Bom te ver também. Agora responde minha pergunta.
- Você não disse que sentiu minha falta.
- Taylor!
Sua sonora risada invadiu meus ouvidos me fazendo sorrir.
- Podemos dar uma volta? – ele pediu de uma forma fofa. – Ou pelo menos entrar? Está frio aqui fora, sabe? Deixei meu casaco no carro porque contava com uma recepção bem mais calorosa da sua parte. Sem contar que esses pijamas não são tão quentes assim, você deve estar com frio.
Resmunguei. Peguei sua mão e me virei para abrir a porta. Ele me segurou e aproximou os lábios de minha orelha direita.
- A propósito – disse em voz baixa – adorei esses cachorrinhos.
Pisei de leve em seu pé e ele riu mais um pouco. Abri a porta e a família toda nos olhou com curiosidade.
- Erm, nós vamos subir – tentei dizer sem deixar claro meu constrangimento. – Vocês se importam?
O pai e a mãe das meninas apenas fizeram que não com um movimento de cabeça e eu arrastei Lautner escada acima. Praticamente corri para o meu quarto, que estava bem mais organizado, e o empurrei para dentro, fechando a porta logo em seguida. Claro, o silêncio entrou com a gente. Os olhos curiosos de Taylor pararam em uma parte da parede, onde eu tinha colado todas as fotos polaroide que eu tinha tirado com minha câmera instantânea. Imagens dos metrôs, das meninas, de flores, da minha família do Brasil, do meu cachorro, da rua em que eu morava no Canadá. Todas naquele espaço tão branco e tão sem graça, deixando o quarto um pouco mais com a minha cara. Depois, parecendo ainda mais interessado, Taylor observou minha boneca Blythe.
- Isso faz alguma coisa? – perguntou ele apontando.
- Isso se chama Alice. E sim, ela troca a cor dos olhos, além de ser uma ótima modelo fotográfica.
As sobrancelhas dele subiram consideravelmente.
- A sua boneca tem nome? – perguntou segurando o riso.
Revirei os olhos e ri com ele.
- Não é uma boneca qualquer – falei pegando a Alice e brincando com seus olhos. – É mais para coleção. Até porque, ela é cara.
- Cara quanto?
- Algumas chegam a valer mais de mil dólares.
O queixo dele foi ao chão. Tentei entregar-lhe a boneca, para que ele pudesse vê-la mais de perto, mas Taylor recusou. Disse que não queria quebrar a cabeça da coitada. Coloquei-a de volta no lugar, deixando-a como única testemunha de nossa conversa. Lautner continuou a observar meu quarto. Sentei em minha cama enquanto ele lia os títulos dos livros que estavam em cima da minha mesa.
- O que você veio fazer aqui? – perguntei tentando não soar arrogante.
- Você não respondeu mais minhas mensagens – disse Taylor sem me olhar. – Aproveitei que entrei de férias e vim ver como você estava.
- Como descobriu meu endereço?
- Meredith.
Claro. A tal ficha que pedia tudo sobre mim. Encarei minhas mãos em dúvida. O que fazer com aquele homem no meu quarto?
- Você também não me mandou mais mensagens – soltei sem pensar. Taylor me olhou.
- Eu fui o último a mandar. Esperei uma resposta, mas ela não chegou. Achei que você tivesse dormido, podia estar cansada. Torci para que respondesse no dia seguinte. E no outro. E no outro. Mas você não fez. Pensei que estivesse brava comigo.
Neguei com a cabeça e continuei a olha-lo.
- Você prometeu que não me esqueceria.
- Eu não te esqueci – falei com a voz falha.
- Então porque não me mandou mais mensagens? Nem me ligou? Eu esperei por um contato até mesmo antes da première em Los Angeles. Queria ter te chamado para ir comigo, mas não sabia como fazer isso. Por pouco não desisti de sair do carro e vir atrás de você na mesma hora.
Lembrei-me da vontade de mandar uma mensagem quando vi que ele estava demorando a aparecer. Senti-me a pessoa mais idiota do mundo.
- Não sei – respondi sincera. – Acho que também fiquei esperando por um contato.
Encarei meus pés. Meu celular apitou em cima do meu criado mudo e eu o peguei. Um envelopinho piscava no visor e eu abri a SMS.
“Oi”
Olhei Taylor, que brincava com o celular entre seus dedos e me encarava com uma expressão divertida no rosto. Entreguei-me ao riso e coloquei o celular de volta.
- Está vendo? – reclamou ele – Você me ignora!
- Não vou responder a mensagem de uma pessoa que está bem na minha frente!
Taylor digitou rapidamente em seu celular, fazendo o meu apitar novamente. Revirei os olhos.
“Chata!”
O olhei fingindo estar ofendida. Taylor estendeu a mão e eu a peguei. Sem muito esforço, ele me fez levantar e me puxou para um abraço. Sorri de uma forma idiota enquanto acariciava seus cabelos macios. Senti sua barba por fazer roçar em meu pescoço, onde ele depositava pequenos beijos. Me dei conta, naquele momento, de que era ali o meu lugar. Nos braços dele, sentindo o cheiro delicioso de perfume, enquanto seus braços fortes envolviam minha cintura num abraço protetor. Sara Bareilles continuava cantando, dessa vez de uma forma mais delicada. Send Me The Moon nunca me pareceu tão apropriada. - Never you mind whether evening should find us together – cantei baixinho, fechando os olhos. Taylor me conduzia numa dança quase imperceptível. – Distance can’t take what is hidden here safe in my chest.
Senti suas mãos acariciarem minhas costas de uma forma deliciosa.
- Senti muito a sua falta – falei sincera e ele me olhou.
- De verdade? – perguntou sorrindo.
- De verdade!
Taylor beijou minha testa, minha bochecha, meu queixo e, finalmente, minha boca. Um misto de alegria, satisfação, emoção e calor me preencheu da ponta do dedo do pé até a raiz do último fio de cabelo. Eu era a felicidade em pessoa. Poderia até morrer naquele momento. Minha vida estava perfeita. Ou pelo menos era o que eu achava.
Capítulo 5
- Vai fazer o que nesse final de semana? – perguntou Taylor. Estávamos deitados em minha cama. Não que tivéssemos feito alguma coisa, apesar da vontade. Apenas nos enroscamos um no outro, cobertos pelo grosso edredom, e ficamos conversando por algumas horas. Ele me contou de toda a maratona, que eu confessei ter acompanhado.
- Não tenho nada programado para hoje ou amanhã – respondi encaixando meu rosto na curva de seu pescoço. – Mas se quiser ficar deitado aqui, juro que fico com você sem reclamar.
Mordi meu lábio com força. O que diabos eu estava pensando? Declarar essas coisas em alto e bom tom não era uma grande ideia. Aliás, era o primeiro passo para o homem desaparecer. Sem contar que eu nunca fui cheia de momentinhos fofos. Na verdade, em meus relacionamentos eu era sempre o macho insensível e que não ligava no dia seguinte. Agora eu estava aninhada com Taylor em minha cama, deixando que ele soubesse da falta que senti de ter seu corpo junto ao meu. Foco, , foco!
- Essa ideia me parece muito tentadora – ele disse. – Posso fazer uma parecida, só que melhor?
Sorri e olhei seu rosto perfeito.
- Manda!
- A cama do Four Seasons é bem maior do que essa. E eles tem serviço de quarto e uma lasanha fantástica. E, sabe, não estou afim de desfrutar disso tudo sozinho. Então pensei que você poderia vir comigo e eu te devolvo na segunda feira para a sua família.
Exato. Taylor Daniel Lautner, 19 anos, aquariano, 1.79cm, sarado, gostoso, campeão mundial de artes marciais, multimilionário e famoso estava me chamando para passar o final de semana em seu luxuoso quarto de hotel. E eu teria direito a um pedaço de lasanha. Oh Senhor, o que fiz para merecer tamanha recompensa? Se isso foi ideia Sua e do Papai Noel, saiba que serei uma boa menina nos próximos 10 anos. De verdade, aquela mistura de francês com alemão que estava na minha cama era mais do que um presente divino. Era um milagre!
- Acho que vai ser divertido – respondi sem conter o entusiasmo.
Taylor riu.
- Vai arrumar suas coisas – disse e me deu um rápido beijo nos lábios.
Sem pensar duas vezes, pulei da cama e comecei a me arrumar.
O Four Seasons hotel ficava na West Georgia Street, no centro de Vancouver. É um dos hotéis mais chiques da cidade, seguido pelo Hyatt, na Burrard Street. Quando soube que passaria o final de semana lá com Taylor, quase recuei. Eu já tinha ido a muitas festas da alta sociedade com os meus pais, mas nada se comparava àquele lugar. Se me falassem que os lustres eram feitos de ouro, eu teria acreditado.
Lautner entrou na garagem com seu carro alugado. Por ser uma celebridade, o manobrista esperava por ele já nas dependências do hotel, para que ele não fosse incomodado por ninguém. Quando desci do veículo, um funcionário do hotel esperava ao lado do carro para segurar minha bolsa. Em seguida, o manobrista abriu o porta-malas e o outro rapaz logo pegou minha pequena mala. Se dávamos dois passos, ele dava três, para se certificar de que estaria próximo o suficiente para nos atender. Taylor segurou minha mão e fomos direto para a luxuosa recepção. Ele me registrou como hóspede e me deu uma cópia da chave do quarto. Ao chegarmos ao 18º andar, o funcionário nos esperava na porta, com minhas coisas seguras em suas mãos. Achei aquilo um tanto bizarro.
- Estava no pacote da suíte – disse Taylor guardando sua carteira em sua mala e respondendo ao meu comentário perplexo. – Ele é como um copeiro e só serve a nós dois enquanto estivermos aqui.
Observei bem o ambiente. Uma sala decorada em tons de bege, marrom claro e marrom escuro. Dois sofás, uma mesa de centro, uma TV imensa. Uma escrivaninha preta, uma pequena mesa de jantar. E duas portas brancas, fechadas. Seguindo meu olhar, Taylor as abriu. O ambiente ao lado era ainda mais luxuoso. Um quarto branco, com tons de laranja e verde decorando a poltrona, a cama e o móvel acolchoado ao pé da mesma. Aliás, só para constar, pelo menos 15 pessoas poderiam dormir ali. Era a maior cama que eu já tinha visto na minha vida. E a cabeceira branca era um charme a parte.
- E aqui tem o banheiro – disse ele abrindo uma terceira porta, dentro do quarto, e revelando paredes azuis, pias duplas e uma TV. Sério? TV no banheiro?
- Você pretendia ficar nesse quarto imenso o final de semana todo? – perguntei sentando-me na cama.
Taylor parou na minha frente.
- Na verdade – disse ele parecendo inseguro – eu ia voltar para Los Angeles se você tivesse se recusado a vir comigo. Quero dizer, se não quisesse sair comigo e tudo mais, sabe?
Ele massageou a própria nuca e evitou me olhar. Fingiu estar interessado na cortina. Levantei-me e acariciei seu rosto.
- Depois de esperar semanas por isso, eu não teria recusado – respondi sincera.
Um sorriso lindo tomou conta de todo o rosto do ator e seus olhos encontraram os meus. Nos beijamos com voracidade e carinho ao mesmo tempo, se é que isso era possível. Eu não sabia exatamente o que eu queria naquele momento. Tinha vontade de conversar com ele, saber detalhes sobre os eventos, contar o que eu tinha feito. Por outro lado, eu não via a hora de cair naquela cama enorme, com aquele homem enorme todo para mim. Se desse para fazer tudo ao mesmo tempo, eu certamente teria escolhido essa opção.
Taylor parecia estar travando a mesma batalha interna. Me apertava e se continha, me puxava e recuava. Até que eu não aguentei e me entreguei a uma crise de risos, sendo encarada por um Lautner confuso.
- Certo, o que vamos fazer primeiro? – perguntei rindo ainda mais. – Sexo ou aproveitar a companhia um do outro?
Foi a vez dele de rir.
- Pensei que só eu estivesse nessa dúvida – disse e pensou por alguns segundos. – Podemos fazer sexo, depois conversar, fazer mais sexo, conversar mais, fazer mais se...
- Podemos comer, dormir e ir ao banheiro também, né?
Taylor revirou os olhos.
- Só se for muito rápido, porque quero o final de semana de conversas e sexo com você!
Ah gente, esse menino era tão pervertido. Mal sabiam as fãs dele, que sempre o viam todo educado, cavalheiro e fofo, como ele era agressivo e grosso. Nos dois sentidos. Oh meu Deus, o que estou falando?
Depois da nossa terceira rodada de sexo, meu estômago resolveu ser chato e nos atrapalhar. Eram quase 15h e ele tinha me tirado de casa às 11h da manhã. Estávamos, tecnicamente, há quatro horas naquela maratona toda. A lasanha teria que esperar. Do cardápio incrível do Four Seasons, acabei optando por algo que eu não comia há muito tempo: carne vermelha. Minha família canadense era dessa turma natureba, o que me matava profundamente. Eu mal via a hora de devorar aquele bifão de picanha que eu tinha pedido para o atendente do serviço de quarto.
Eu estava toda suada, com o cabelo parecendo um ninho de pássaro. Apesar dos protestos de Taylor, fui para o banheiro e me joguei debaixo do chuveiro. Lavei-me sem pressa, aproveitando o momento de folga que ele estava me dando. Ao esfregar minha barriga, notei uma coisa meio estranha.
- Taylor Lautner, apareça nesse banheiro agora! – gritei.
Ele entrou apressado e com um olhar preocupado.
- O que houve?
Apontei para a enorme marca vermelha na lateral da minha barriga.
- Explique-se – falei séria e ele riu.
- Desculpa – disse fazendo bico. – Não resisti e acabei de mordendo. Muito me espanta você não ter sentido, porque, bem, eu mordi com força.
Olhei novamente a marca. Ficaria ali por dias. Pior, semanas!
- Eu devia te bater – falei lavando a parte que ele tinha me atacado.
- Não é culpa minha você ser gostosa!
Antes que eu pudesse manda-lo à merda, Taylor correu para o quarto em meio a gargalhadas, me deixando no banheiro com meus resmungos de reprovação. Ouvi baterem na porta e meu estômago se agitou novamente. Era minha comida! Terminei meu banho, peguei a toalha branca que estava pendurada e me enxuguei. Vesti o roupão, que devia ser mais caro que todas as minhas roupas juntas, e fui para a sala, onde Taylor arrumava a mesinha de centro para comermos.
Sentamos no chão e eu liguei a TV. Encontrei o canal internacional que mostrava notícias sobre o Brasil e deixei ali mesmo. Há tempos que eu não acompanhava o que acontecia no meu país. Não que eu estivesse prestando atenção. Além de estar concentrada em minha comida, eu ainda tinha aquele projeto de criança tentando roubar minhas batatas-fritas. Mas algo na TV me chamou de volta para a realidade do Brasil. Conforme o repórter falava, minha boca se abria mais e mais. Aquilo era um absurdo. Parei de comer e aumentei o volume. Eu devia estar ficando louca, com certeza. - Um homem de 31 anos foi detido na tarde deste sábado em Fátima do Sul, a 237 quilômetros de Campo Grande, após maltratar um cachorro no meio da rua – disse meu colega de profissão. – Segundo informações de populares, ele arrastava o animal pelo pescoço no asfalto e batia nele. O cão sangrava muito e apresentava lesões pelo corpo.
Imagens do pobre animal, com ferimentos pelo corpo todo, foram mostradas pela câmera.
- Filho da puta – falei para a tela. Taylor provavelmente não entendeu, mas minha expressão de ódio e nojo deixou claro que eu não estava gostando nada do que estava vendo.
- , o que houve? – perguntou ele preocupado. Fiz apenas um sinal com a mão e ele se calou. - Indignados, moradores cercaram o autor e acionaram a polícia – continuou o jornalista. – Ele foi levado até a delegacia e liberado em seguida.
- Liberado em seguida? – gritei em português, sem me importar se Taylor entenderia ou não. – Devia ter sido arrastado e espancado. Desgraçado! Arrasta a sua mãe, seu idiota!
- ! – o ator praticamente gritou e eu o olhei. – O que aconteceu? Por que ficou tão nervosa assim?
Demorei a perceber que minha respiração estava acelerada. Aceitei o copo de refrigerante que ele me ofereceu e bebi um gole. Desliguei a TV. Mais uma notícia daquelas e eu provavelmente tentaria atravessar a tela e bater no infeliz responsável pelo ato.
- Um cara no Brasil foi detido por ter maltratado um cachorro – expliquei. – Ele estava arrastando o bicho pela rua, batendo nele.
As sobrancelhas de Taylor arquearam significativamente.
- Por qual motivo?
Encolhi os ombros.
- As pessoas parecem não precisar de motivos para isso no meu país. Elas simplesmente se cansam de seus animais e os abandonam, maltratam. Simples assim.
Um clima pesado se instalou na sala. Tanto eu quanto ele sentíamos muito por esses pequenos seres indefesos.
- Eu fiz uma pesquisa sobre isso para a Universidade – continuei depois de alguns minutos de reflexão. – No último ano, temos que apresentar um Trabalho de Conclusão de Curso. Eu não tenho problemas em trabalhar com grupos, mas certas coisas me deixam mais segura se eu fizer sozinha. E esses projetos eram uma dessas coisas. Acabei fazendo um ensaio fotográfico de cães e gatos abandonados na cidade de Santos, que era onde eu morava. Mas em paralelo a isso, eu também tinha que defender o tema escolhido, então fiz uma monografia. E, depois de tudo o que eu vi, não consigo mais pensar nessas situações de abandono e maus tratos como não sendo nada.
Pronto. Eu tinha explicado o motivo da minha reação exagerada. Só esperava que ele entendesse e que não me achasse muito louca. Mas eu não conseguia evitar, era mais forte do que qualquer tipo de autocontrole.
- Me conta mais desse trabalho? – pediu ele parecendo bastante interessado.
- Eu conversei com muita gente, conheci muitos animais. Vi muitas coisas também. É horrível você entrar em um espaço, ver 68 cachorros te pedindo nada além de carinho, mais de 100 gatos querendo brincar e não poder tira-los dali, sabe? Eles são bem tratados, mas não é a mesma coisa de ter uma casa e uma família para amar e proteger.
Foram realmente dias difíceis aqueles do meu TCC. A apresentação tinha sido há um ano, no dia 24 de novembro de 2010, mas eu me lembrava claramente da minha última visita ao canil. E de como eu chorei ao sair de lá.
- Tinha uma cachorra da raça Pit Bull, que no Brasil é uma raça muito mal interpretada – continuei – Ela chamava Beth. A criatura mais dócil que eu já vi na vida. Quando nos vimos pela primeira vez, o tratador dela me pediu apenas para observar. Ele entrou na baia que ela ficava e a ignorou. Taylor, você não tem ideia de como ela chorava, arranhava a perna dele, deitava no chão e virava de barriga para cima. E ele continuou a ignora-la. E ela começou a chorar mais alto.
- Essa raça é forte – disse ele. – Meu primo tem um desses. Ele estoura todas as bolas que compramos pra ele!
Sorri. Esse era o problema do Pit Bull. O único, talvez. Era forte demais e, quando se empolgava, podia machucar, mesmo sem querer.
- Mas por que ela estava no canil, se era tão mansa?
Respirei fundo.
- Você mesmo respondeu – falei tentando esconder a amargura que eu sentia. – Ela era boazinha demais. Não era a máquina de matar que seu dono queria. Era um anjo, uma criança que queria brincar, ao invés de atacar os outros. E esse era o motivo para mais da metade dos Pit Bulls estarem naquele canil. Tinham apenas duas cachorras dessa raça, que estavam isoladas por serem agressivas. Tirei fotos delas na minha primeira visita. Três semanas depois, elas tinham sumido.
- Elas não foram sacrificadas, né? – perguntou ele receoso.
- Não. Foram entregues para a Guarda Municipal da cidade, treinadas e agora acompanham os policiais nas patrulhas – respondi orgulhosa daquelas duas mocinhas. – Elas eram perigosas. O tratador me disse que a guia que eles usavam para leva-las para andar eram feitas com canos. Numa ponta ia o cara responsável pelos passeios. Na outra, a metros de distância, ia a cachorra. Era a única forma segura de sair com elas, já que elas não tinham como se virar e atacar quem estivesse atrás.
- E agora elas cuidam da segurança da população?
O sorriso em meu rosto se alargou.
- Sim. Receberam amor, treinamento e agora cuidam das pessoas ao invés de mata-las.
- E a Beth? – ele perguntou.
- A Beth tentou me comprar até o último momento. Mas eu morava em apartamento, não ia fazê-la ficar num espaço pequeno. Não era justo com ela, sabe? Sofri muito quando me despedi. Como já nos conhecíamos, o tratador nos trancou num corredor e foi ajudar com outros animais. Quando falei que estava indo embora, ela deitou na minha frente, ocupando todo o espaço que eu podia usar para sair. Eu poderia ter pulado por cima dela, mas não era uma cachorra com quem eu tinha muito convívio. Ela podia ter algum trauma desse tipo de atitude, se assustar e me morder. Veja, eu não estava com medo de ser mordida por ela ser uma Pit Bull. Quando se sente ameaçado, até um Chihuahua ataca uma pessoa e machuca. Tentei chama-la, mas ela apenas me olhava, abanava o rabo e voltava a deitar a cabeça no chão. Tive que pedir ajuda ao tratador, que a fez levantar para que eu pudesse sair.
Encostei-me ao sofá e Taylor me abraçou. Eu me lembrava com carinho daqueles dias. Tanto que meus olhos ficavam marejados sempre que esse assunto surgia.
- Eu não sabia se a veria novamente – falei secando meu rosto. – Me despedi de todos os funcionários que me ajudaram naqueles meses de visitas, entrei no carro e fui para casa. Chorei o caminho todo de raiva por não poder leva-la comigo, raiva por terem-na abandonado, raiva de todo mundo que tem coragem de deixar um animal em qualquer canto. E à medida que os minutos passavam, eu ficava mais e mais brava, porque eu sabia que, se o antigo dono da Beth reaparecesse e quisesse leva-la para casa, ela iria, toda feliz. Ela o perdoaria por ter feito aquela maldade e cuidaria dele até seus últimos dias.
O silêncio na sala me intrigou e eu olhei para Taylor bem a tempo de vê-lo secar os olhos. Ele estava... Chorando?
- Eu acho que nunca vou me cansar das suas histórias – disse sem jeito. – E nunca vou me cansar de aprender com cada uma delas.
Rimos juntos e nos beijamos. Taylor mordeu meu queixo, beijou minha testa e continuou.
- Você pode não mudar o mundo, mas ouça bem o que vou te falar, . Você tem uma arma poderosa em suas mãos e foi treinada para usa-la. Na qualidade de jornalista, você sabe como lidar com as palavras melhor do que qualquer outro profissional – ele olhava fixamente em meus olhos e falava sério. Não consegui piscar. – Se isso te incomoda tanto, além de ser extremamente errado, use a sua arma e ajude a combater essas barbaridades. Você pode achar que não vai fazer efeito, mas vai. As pessoas vão ler o que você tem a dizer. Algumas vão concordar e até mesmo passar seus ensinamentos adiante. Outras vão apenas ler e seguir em frente. Mas as suas palavras farão efeito de alguma forma. Então as use. Faça os seus anos de Universidade valer a pena. Mais dia ou menos dia, eles vão salvar uma vida.
Eu tinha que tomar um cuidado imenso com esse tipo de discurso. Todo jornalista é orgulhoso. Não adianta discordar, é sim. Nós sempre achamos que podemos salvar o mundo com uma matéria, nos metemos nas maiores enrascadas e corremos perigo por uma droga de uma informação. Um dos exemplos é o Caco Barcellos, jornalista famosíssimo, autor do livro Rota 66. Nessa obra, Caco fez diversas denúncias contra a polícia. Teve que passar um tempo fora do Brasil, pois estava sendo ameaçado de morte. Um professor da Universidade sempre dizia que jornalista, quando quer se matar, se atira de cima do próprio ego. E ouvir aquelas palavras vindas de Taylor Lautner, um cara que eu era fã assumida, me fazia sentir que eu realmente podia salvar o mundo. Mas eu não podia. Como cidadã, eu podia tentar ajudar. Mas salvar o mundo era uma história muito mais complicada.
Terminamos nosso almoço e ficamos conversando na sala. Depois de um tempo, Taylor resolveu tomar um banho e eu fui para o quarto. Deitei na cama gigante e fiquei olhando o céu azul pela janela. Era muita maldade, mas eu queria saber o que as fãs dele pensariam se soubessem que estávamos ali, no centro de Vancouver, aproveitando a companhia um do outro. Quantas e quantas meninas queriam estar no meu lugar? Impossível saber. O número crescia cada vez que ele aparecia sem camisa no cinema. Agora, me encontrando com ele pela segunda vez, eu me sentia satisfeita por Bill ter cortado as cenas dele em Breaking Dawn. Deixei meu ego brincar um pouquinho e assumi para mim mesma: aquele tanquinho agora era exclusivamente meu.
Não sei quanto tempo dormi. Nem sequer percebi que tinha apagado. Só sei que abri os olhos e já estava anoitecendo. Taylor dormia tranquilo ao meu lado. Sua respiração era calma e seu peito mal se mexia cada vez que ele puxava o ar. Eu já estava ficando entediada naquele quarto. Eu sei, isso parece impossível. Mas eu tinha ficado a semana toda em casa, cuidando das meninas. Precisava sair, ver gente. Levantei e me troquei. Ri sozinha ao me lembrar do dia em que saí correndo para voltar ao Canadá, deixando Taylor na cama, como estava fazendo naquele exato momento. Olhei-o mais uma vez e beijei sua testa com carinho. Deixei um bilhete grudado no espelho do quarto, peguei minha bolsa e saí. O tal funcionário do hotel não estava de plantão na porta, o que me deixou mais aliviada. Eu não era do tipo que gostava de uma sombra extra me seguindo.
Atravessei o luxuoso hall do Four Seasons e fui direto para o Pacific Center, um shopping que ficava embaixo do prédio onde estávamos hospedados. Olhei as vitrines sem pressa e sem a mínima intenção de comprar alguma coisa. O Natal estava se aproximando e eu estava juntando minhas economias para comprar um e-Reader. Não que eu fosse muito a favor dessa tecnologia, mas a minha lista de livros para ler crescia diariamente. Eu não tinha mais espaço físico para guardar tantas obras. O jeito era apelar por um leitor eletrônico e comprar somente os livros que eu realmente gostasse.
Passei pela Starbucks e me rendi a uma das bebidas de Natal. Chocolate quente com menta. Deus, aquilo era uma pequena amostra do paraíso. Só não era melhor do que fazer sexo com Taylor Lautner. Mas isso era só um detalhe. Eu tinha era que começar a tomar cuidado. O que tinha acontecido entre nós em Los Angeles tinha sido tão maravilhoso que eu me peguei comparando as situações e coisas a “fazer sexo com Taylor” por quase uma semana. Essa pizza é boa, mas não é melhor do que fazer sexo com Taylor. Grouse Mountain é um lugar lindo, mas não é melhor do que fazer sexo com Taylor. Uh, essa massagem é relaxante, mas não é melhor do que fazer sexo com Taylor. Por sorte esses pensamentos não saíam de minha mente. Mas eu tinha certeza que era questão de tempo até que minha língua grande pulasse para fora de minha boca, ainda mais agora que estávamos passando um final de semana todo juntos.
Eu estava em frente à loja da Apple, que era o meu limite territorial no Pacific Center, quando ouvi duas meninas conversando. Digo que não passo daquela loja porque a próxima é a Holt Renfrew e, bem, eu não posso pagar nem uma linha de qualquer roupa de lá.
- A Maggie tem certeza que o viu por aqui – disse uma das meninas.
- Mas o que ele estaria fazendo em Vancouver? – perguntou a amiga.
- Não sei. Mas ela jura que o viu. Ele deve estar hospedado no Hyatt. Ou aqui mesmo, no Four Seasons.
Um sinalzinho de alerta soou em minha mente e eu parei. Fingi estar interessada no cartaz do novo iPhone 4S.
- Isso não faz sentido, Sarah. A não ser que ele esteja gravando algum filme, coisa que eu sei que ele não está fazendo.
- Eu sei, eu sei. Mas a Maggie disse que viu Taylor Lautner saindo de uma casa em North Vancouver. E disse que ele não estava sozinho.
A primeira menina parou bruscamente e eu prendi a respiração.
- Estava com o Robert? A Kristen?
- Não amiga – respondeu a outra pesarosa. – Sinto muito, mas a Maggie disse que ele estava acompanhado de uma garota. E pareciam felizes.
Olhei as duas. Uma delas aparentava realmente lamentar, o que me fez acreditar que ela fosse a Sarah. Já a outra, demonstrava estar bastante irritada. Meu celular tocou e elas me olharam. Virei o rosto na mesma hora e atendi, sem ver quem era.
- Não posso pegar no sono que a senhora foge, né? – brincou Taylor do outro lado da linha. – Onde você está? Vou descer para te encontrar.
- Não – falei rápido demais. – Não precisa. Estou subindo.
Desliguei. As duas ainda me encaravam curiosas. Ao perceberem que eu as olhava, apenas continuaram a andar pelo shopping. Atravessei o corredor e entrei apressada pela porta do hotel. Peguei o elevador e subi, batucando no copo em minhas mãos. Quando cheguei no 18º andar, dei de cara com o tal copeiro.
- A senhora precisa de alguma coisa? – perguntou educado.
- Não. Obrigada – respondi com um sorriso rápido e quase corri para o quarto.
Entrei e, assim que a porta fechou, me apoiei na parede. Meu coração estava acelerado e eu me sentia como uma foragida da justiça. Pior, do FBI! A cabeça de Taylor apareceu na porta do quarto.
- Ei, tá tudo bem? – perguntou vindo em minha direção.
- Uma fã sua viu a gente saindo da minha casa – respondi apressada. – E comentou com uma amiga, que estava comentando com a outra, que parecia apaixonada por você. Ela fez uma cara de ódio mortal quando a amiga comentou sobre uma tal garota que estava te acompanhando. Ela deve ser perigosa. A fã eu digo. Não eu.
Taylor me olhou por alguns segundos e gargalhou. Isso mesmo. Ele riu e muito do meu desespero. Eu estava prestes a ser assassinada por uma adolescente feroz e ele ria.
- Sinto lhe informar, – disse pegando minha mão e a beijando – mas você vai ter que aprender a lidar com essas garotas perigosas. Porque, no que depender de mim, elas não vão se ver livres de você tão cedo.
Então, agora você faz aquele “oooun” por mim, porque minha boca foi ocupada pela de Taylor. Fomos andando até a sala, onde ele jogou minha bolsa no sofá. Pegou meu copo e colocou sobre a mesinha de centro. Depois da expressão encantadora, agora você pensa que fomos parar no quarto, para mais uma rodada de sexo selvagem. Mas não. Ele tirou alguma coisa de seu bolso, que eu jurava ser seu iPhone, e, sem desgrudar nossos lábios, colocou uma música para tocar. Oh, que surpresa. Send Me The Moon de novo. Será que esse seria nosso tema?
Taylor me girou de uma forma delicada e me puxou para perto. Acompanhamos a melodia lenta e doce, embalados pela voz da Sara. Ele distribuía beijos carinhosos por meu ombro e meu pescoço, enquanto eu tinha minha cabeça deitada em seu peito. Lautner não sabia disso, mas, naquele momento, ele acabava de descobrir uma das minhas coisas favoritas: dançar. Não importava como, acompanhada ou não. Eu me esquecia do mundo enquanto me mexia ao som de alguma música. Mas é claro que era muito melhor com ele do que sozinha.
- Seu iPod tem músicas interessantes – disse ele e eu travei. Olhei a mesa de centro e vi meu pequeno aparelho ali. – Você esqueceu quando saiu. Espero que não se importe de eu ter mexido. Juro que só olhei as músicas.
Ah, só. Eu tinha todos os CDs da ex-namorada dele, mas ele só tinha visto isso. Quem se importava, não é mesmo?
- Você não me disse que gostava da Swift – ele completou, praticamente lendo meus pensamentos.
Voltei a deitar minha cabeça em seu peito, continuando nossa dança.
- Você nunca me perguntou se eu gostava ou não.
Ele deu uma risadinha irônica e eu o encarei.
- Você sabe de nós, não sabe?
- Sim – respondi. Eu sabia, oras. Aliás, o mundo todo sabia que Taylor Swift escreveu Back To December para Taylor Lautner. Isso não era novidade. – Se isso te importa, também fui ao show dela em setembro.
Ele me soltou e eu fiquei bem confusa. Qual o problema, gente? Eu nem o conhecia naquela época! Além do que, eu não tinha culpa do que ela tinha aprontado com ele. Eu já tinha sido responsabilizada pelo fim do namoro de uma falsa amiga, não seria novamente. Não quando 1) eu não conhecia a menina em questão e 2) eu não conhecia o cara que sofreu por causa dela. Peguei meu iPod e parei a música. Eu não deixaria o que viesse a seguir manchar a lembrança que eu tinha daquela letra tão linda.
- Você foi ao show da Taylor Swift? – ele perguntou num tom ainda mais irônico. – Vai me dizer também que cantou aquela música, Back to December?
- Cantei. Na verdade, é uma das minhas favoritas. A letra é bonita, a melodia é gostosa e...
- Você só pode estar brincando.
Taylor andava irritado pela sala. Ele estava bravo comigo por gostar das músicas da ex-namorada dele. Ah sim, ele estava furioso por eu gostar da música que ela fez para ele. Talvez isso significasse que...
- Você não a esqueceu – eu praticamente sussurrei, mas foi o suficiente para ele ouvir. Lautner parou de andar e me olhou. – É isso. Quando estávamos em Los Angeles, você a viu na TV e desligou. Porque você não a esqueceu. Ainda te incomoda falar sobre ela, ouvir as músicas dela. Por isso seu namoro com a Lily Collins não foi pra frente.
Tudo fazia sentido. Não fazia? Ele me encarava perplexo.
- Você é maluca.
Oi?
- Como? – achei que tivesse entendido errado.
- Desculpa, eu não quis dizer isso.
Foi a minha vez de rir de forma irônica. Se tinha uma coisa que eu era boa, era brincar com ironias. Ele me cutucou no meu lado mais cruel.
- Pelo visto a Taylor Swift não é a única que “go back to December all the time”, não é? – falei dando ênfase na frase tirada da música. E foi aí que eu percebi que estava sentindo ciúmes dele pela segunda vez.
Fui para o quarto, deixando-o sozinho na sala. O bilhete ainda estava grudado no espelho e eu encarei meu próprio reflexo. Se a Lily não o tinha feito esquecer a Swift, é porque ele ainda sentia algo forte por ela. E, por mais que eu gostasse de Taylor, eu não tinha tanta certeza de que estava disposta a lutar contra esse tal sentimento. Não me animava em nada correr o risco de ter o mesmo fim que a filha de Phill Collins.
Milhões de pensamentos inundaram minha mente ao mesmo tempo, me fazendo sentir várias coisas. Medo, insegurança, raiva, ciúmes, vontade de cuidar dele, de abraça-lo, de fazê-lo esquecer do que quer que tenha acontecido entre eles. Depois veio aquela pontinha de orgulho. Eu não seria um consolo para Taylor Lautner. Se ele ainda tivesse algo pendente com a cantora, que se resolvesse com ela. Isso não era exatamente problema meu. Eu não seria a terceira pessoa a ficar preza em dezembro. E também não queria ser a que ia escrever “I go back to november all the time”. O arrependimento não partiria do meu lado.
Era isso! Por que eu estava me torturando? Eu não fui atrás dele. Taylor me procurou, para minha imensa felicidade. E ele que tinha começado essa discussão boba. Ele que se arrependesse se eu decidisse que era melhor ir embora. Tudo bem que eu torcia para que isso acabasse antes que eu tivesse a oportunidade de passar pelo saguão do hotel, mas eu me recusava a ser a responsável por isso. Olhei as portas brancas que separavam a sala do quarto. Meu chocolate quente, que devia estar frio, estava lá. E eu queria aquele monte de açúcar correndo em minhas veias. Precisava desse consolo, já que os braços de Taylor não estavam ao meu redor para me confortar. Respirei fundo e fui busca-lo.
Ele estava sentado no sofá, com os braços apoiados nas pernas e a cabeça baixa. Tive que me lembrar do por que eu ter ido até a sala, para evitar que meu coração mole me levasse para perto dele. Peguei meu copo e fiquei parada a poucos passos de Taylor. Merda, eu queria que ele olhasse para mim. Que falasse algo, que se levantasse e viesse me abraçar. Mas ele não se mexeu. Olhei o copo vermelho em minhas mãos. Alguns flocos de neve estavam desenhados e eu me lembrei do meu pijama. Que me lembrou da nossa noite em Los Angeles e de como ele disse que eu estava linda com aquela roupa.
- Quer que eu vá embora? – ouvi minha própria voz pronunciando a pergunta, mas sem perceber que tinha saído de minha boca. Foi involuntário, eu juro.
Taylor me olhou rápido.
- Não. Por favor, fique.
O que quer que a Taylor Swift tenha feito com ele, fez bem feito. A expressão de dor em seu olhar me fez fraquejar e eu me sentei na mesa de centro, ficando a poucos centímetros dele. Taylor se ajeitou, colocando minhas pernas entre as suas, e passou a desenhar coisas indecifráveis em minha calça com a ponta do dedo.
- Me desculpa por ter te chamado de maluca? – ele falou em voz baixa.
Encolhi os ombros.
- Não que você tenha dito alguma mentira, mas eu desculpo.
Ele deu uma risadinha.
- Eu a esqueci, – disse e olhou em meus olhos. – Não penso mais nela desde... Bem, desde que fui entrevistado por uma jornalista meio doida no dia três de novembro.
- É mesmo? – me fiz de desentendida, só para tentar disfarçar minha timidez. – Justamente no dia que você foi entrevistado por mais ou menos 30 jornalistas?
Taylor sorriu.
- Exato. Mas meio doida, só tinha uma.
Apertei seu nariz de forma carinhosa. Seu sorriso sumiu segundos depois.
- Mas eu ainda não consegui perdoa-la – confessou. – Minha irmã gosta muito dela, vai a shows e tudo mais. Eu a respeito, claro. Ela não tem nada a ver com o que aconteceu. Mas ainda é difícil fingir que passou. Talvez agora, depois de tanto tempo, eu até consiga ouvir alguma música. Mas não me sinto confortável com isso.
- Isso é normal – respondi. – Você está encerrando um ciclo. O fim de um relacionamento é como a morte, tecnicamente. A gente perde, sofre, supera e pronto. Mas temos ritmos diferentes e cada um lida com isso em seu devido tempo. Sei disso porque eu perdi alguém que amava muito há cinco anos e ainda não superei.
Ele me olhou confuso.
- Algum... Namorado?
Neguei com a cabeça.
- Minha avó. Mas não quero falar sobre isso, tá? Não agora.
- Tudo bem – Taylor disse e beijou minha bochecha.
- Eu tenho mais uma confissão a fazer.
Ele fechou os olhos e eu mordi seu lábio inferior, tentando não rir.
- Fala, .
- Eu sei a coreografia de Speak Now – falei e corri para o quarto.
- Eu vou te pegar! – ele gritou, em meio a risadas, e pude sentir seus braços me envolvendo.
Taylor me jogou na cama e me olhou de forma maligna. Encolhi-me e ele pulou em cima de mim, fazendo cócegas em minha cintura e me enchendo de beijos. Eu ria de forma descontrolada, tentando me livrar de suas mãos. Ele só parou mesmo quando nossas bocas se encontraram. E aí, de cócegas, seus dedos fortes passaram a me apertar e a se ocupar com minhas roupas, que foram parar no chão em questão de minutos.
- Acho que acabamos de ter nossa primeira briga – disse ele. Estávamos estirados na cama, o braço dele me servindo de travesseiro, enquanto sua outra mão fazia um carinho gostoso em minha barriga.
- Se todas as nossas reconciliações forem assim, vou passar o final de semana brigando com você.
Ele riu. Eu brincava com as pontas dos meus cabelos quando ele pegou minha mão direita e beijou cada um dos meus dedos. Olhei-o e sorri ao sentir seus lábios tocarem minha testa. Taylor acabara de descobrir mais uma coisa da qual eu gostava. Quando ele me beijava daquela forma carinhosa e protetora.
- Casa comigo? – ele perguntou e eu ri.
- Um dia, quem sabe? – respondi me virando de lado e colocando minha perna sobre a dele. – Se você for um bom menino, eu penso no assunto.
Taylor sorriu e beijou meu nariz.
- Estou falando sério, bobinha. Casa comigo?
- Caso, Taylor – beijei seu peito e o abracei. – Eu caso com você.
- Que bom! – ele respondeu e bocejou.
- Mas podemos dormir primeiro? – perguntei sentindo meu corpo amolecer.
Rimos juntos.
- Só um pouquinho.
Concordei com a cabeça e peguei no sono. Quem precisava de academia quando se tinha Taylor Tarado Lautner por perto? Esse exercício todo cansava, viu? Mas era uma série que eu adorava repetir, só para constar.
Capítulo 6
Acordei no domingo com o sol batendo em meu rosto. Nos esquecemos de fechar as cortinas do quarto antes de dormir. Olhei o relógio no pulso de Taylor. Eram 9h30. Meu estômago roncou de uma forma violenta e eu resmunguei. Sentei na cama e fiquei olhando pela janela. O dia estava lindo, perfeito para um passeio no parque. Apesar do céu limpo, devia estar frio. No entanto, estávamos em pleno inverno canadense e eu me sentia muito mais do que aquecida. Olhei o chão do quarto. Nossas roupas estavam espalhadas. Minha mala ao lado da mala dele. Tudo tão estranho. Senti os lábios de Taylor percorrer minhas costas nuas e me arrepiei. Ele distribuía beijos, enquanto acariciava minha perna. Sentou-se atrás de mim, me fazendo ficar entre suas pernas, e me abraçou.
- Bom dia – sussurrou em meu ouvido e eu deitei a cabeça para trás, apoiando em seu ombro. Taylor aproveitou meu pescoço livre e começou a mordê-lo.
- Bom dia – respondi acariciando sua nuca. – Dormiu bem?
Ele apenas concordou com a cabeça e continuou seu caminho de carícias por meu ombro. Entrelaçamos nossas mãos e ficamos ali, quietos, olhando os topos dos prédios de Vancouver. Tínhamos apenas mais um dia juntos e eu não sabia se queria voltar para casa. Apesar de tudo o que tínhamos feito e conversado, eu ainda tinha medo que esse conto de fadas acabasse.
- Falta menos de um mês para o Natal – ele comentou.
- Eu sei – respondi de forma simples. Essa jamais seria minha data favorita do ano.
Nem tinha motivos para ser. Vejamos, meus pais haviam se separado há um ano, minha família não era tradicional. Ah sim, vale mencionar também que meu pai agora namorava aquela vadia que foi o motivo do divórcio? Pois é. Eu não suportava nem ao menos pensar em ficar na mesma cidade que ela. Não sem completar minhas ideias com uma forma bem grosseira de mata-la. Nossos Natais sempre foram os mais entediantes possíveis. Fora aquela parte da sua ex-melhor amiga, que te chamou de “coisa ruim da vida dela” quando deu na telha que ela queria voltar com o namorado, vir falar com você, te desejando tudo de bom, felicidades e sucesso. Chuta que é macumba, para dizer o mínimo. Então com o tempo eu passei a não incluir a tal data na minha lista de “dias felizes durante o ano”.
- Essa é minha última semana de trabalho – falei tentando mudar o rumo da conversa. – Depois tenho três semanas de folga. Nem acredito!
- É mesmo? – perguntou ele me olhando – Isso muito me interessa.
Rimos juntos e nos beijamos. Se ele tinha planos de ficar uma semana num quarto de hotel, eu aceitava. Qualquer coisa com esse homem era tudo o que eu mais precisava na vida. Acabando com nosso clima, o estômago de Taylor roncou alto o suficiente para ouvirmos e me fazer gargalhar. Pelo menos dessa vez não seria eu a parar nossos amassos.
- O que acha de irmos ao restaurante tomar café-da-manhã?
O encarei desconfiada.
- Nós dois? Sair do quarto? Tem certeza?
O sorriso de Taylor foi a resposta. Não sei se isso era uma boa ideia, mas aceitei. Tomamos banho juntos, conversando, rindo e brincando. Saímos do nosso território seguro por volta de 10h e eu caminhei tranquila ao lado dele. Mas quando senti a mão de Taylor pegando a minha, um misto de alegria e medo me invadiu. Medo que nos vissem, medo que tudo acabasse. Besteira, talvez, mas ainda assim, medo. O restaurante ficava no segundo piso do hotel, consequentemente o mesmo andar no Pacific Center. Enquanto passávamos pela grande porta de vidro que dava acesso ao shopping, Taylor me puxou em direção a uma joalheria que ele tinha acabado de ver.
- Prometi à minha irmã que levaria um presente – disse ele olhando a vitrine. Estávamos em um pequeno corredor que ligava o hotel ao shopping. Isso era público demais para o meu gosto, mesmo que o shopping tivesse acabado de abrir, o que fazia com que nós fossemos praticamente as únicas pessoas ali.
Ele estava concentrado, analisando as peças em exposição, enquanto eu olhava ao redor tentando encontrar qualquer sinal de perigo. Meus olhos encontraram os da fã raivosa do dia anterior e eu congelei. Ela me encarava com uma expressão confusa, provavelmente me reconhecendo e como se tentasse decifrar meu pavor. Olhou para baixo e viu minha mão entrelaçada na de Taylor, mas não se comoveu. Seu olhar, no entanto, mudou de indiferente para extremo choque quando ele levantou o rosto e me perguntou o que eu achava de um anel de diamantes canadenses que ele tinha visto.
- É lindo – respondi sem desviar o olhar da menina. Eu queria ter certeza de que sairia correndo no momento certo.
- ! – Taylor me repreendeu. – Você nem prestou atenção no que eu falei. Tá olhando o que ali atrás?
Antes que eu pudesse impedi-lo, ele se virou e encarou a menina. Apertei sua mão.
- Ela é a garota que eu te falei. A que tinha um ódio mortal por mim – respondi rezando para que ele captasse meus pensamentos e entrasse no hotel o quanto antes.
Mas é claro que a vida não é tão simples quanto parece. Ao invés de me arrastar de volta e me deixar em um lugar seguro, ele acenou para a menina e sorriu. Ela começou a se aproximar e eu trinquei meu maxilar, pensando em todas as coisas eu poderia fazer na minha vida se não morresse nos próximos cinco minutos. Um arrepio percorreu minha coluna assim que ela parou diante de nós.
- Me disseram que você estava por aqui e eu não acreditei – disse ela com voz séria e emocionada ao mesmo tempo. – Está gravando algum filme?
Taylor soltou minha mão e a abraçou. Ele fazia a mesma coisa com todas as fãs. Abraçava-as, olhava nos olhos e sorria.
- Vim visitar uma amiga – disse me indicando com a cabeça. Droga. Eu estava quase passando despercebida. – A arrastei até aqui para me ajudar a escolher um presente para a minha irmã.
- É mesmo? – perguntou a menina me analisando de cima a baixo. Fechei a cara. – Talvez eu possa te ajudar também.
- Seria um prazer! Eu gostei daquele anel de diamantes canadenses. Acho que é delicado e significativo.
Eu e a menina olhamos a peça que ele tinha indicado. Significativo? O anel custava mais de três mil dólares. Significativo era o meu salário de babá, aquilo era um tesouro. Contive uma risada nervosa e ele me olhou, esperando minha opinião sobre o anel.
- Ela vai adorar, Taylor – respondi e tentei sorrir.
- Com certeza – disse a menina. – Os diamantes são os melhores amigos das mulheres.
Vaca. Ela estava tentando parecer mais entendedora do assunto do que eu. Pensei em dizer algo, mas, honestamente, eu não sabia muito de jóias. Só que diamantes eram incrivelmente caros e que eu não gostava de nada dourado. Tanto que um grande amigo de colégio, que vivia afirmando que iríamos casar um dia, dizia que nossas alianças seriam de platina. Eu me contentava com outro branco. Mas também me contentava com ele e, vejam só, estava com Taylor Lautner. Então talvez devesse aceitar a platina. E um diamante.
- Obrigado pela ajuda – a voz doce dele ecoou em minha mente e eu larguei meus pensamentos fúteis de lado. – E foi um prazer te encontrar.
A menina pareceu um pouco acanhada e perdida. Ah, filha, eu sei como é isso, viu? Você encontrar seu ídolo e não saber como pedir uma foto e um autógrafo. Mas eu já estava me acostumando com essa situação desde que tinha ido parar na cama do meu ator favorito, então vou te dar um empurrãozinho, mesmo você me odiando.
- Talvez ela queira tirar uma foto, Taylor – falei e ela me encarou espantada. – E pegar um autógrafo.
Ele sorriu de forma encantadora. A fã pegou seu celular e eu me ofereci para registrar o momento. Apesar de desconfiada, ela aceitou. Eu era sua única opção de qualquer forma. Ele assinou a capinha de silicone do iPhone dela e me puxou para dentro da joalheria. Àquela altura do campeonato, meu estômago já tinha se contorcido tanto de medo que eu nem liguei para o café da manhã.
Estávamos no restaurante do hotel. Taylor pagou o anel rapidamente e saímos em menos de cinco minutos. O prato de comida que o mesmo tinha feito como café-da-manhã me deixou assustada. Eu estava ali, toda quieta com o meu pão com manteiga, minha caneca de leite, e ele chegou com aquela pirâmide de colesterol. Permaneci quieta praticamente toda a nossa refeição. Ainda estava tentando digerir o que tinha acontecido mais cedo.
- Não precisa ter medo de nenhuma delas – disse ele pegando minha mão por cima da mesa. – Nada de ruim vai te acontecer. Eu prometo.
- Eu sei – falei olhando para o lado. – Só acho estranho isso tudo.
Ele beijou minha mão e eu sorri. Encarei seus lindos olhos castanhos e algo mudou dentro de mim. Eu queria dizer coisas que não podia, fazer o que não devia. Enquanto nos olhávamos, tive a ligeira impressão de que ele também pensava como eu. Um momento constrangedor, interrompido por um homem que entrou apressado pela porta do restaurante e parou em nossa mesa.
- Eu devia te amarrar em casa, Lautner – dizia ele. Taylor apenas se encolheu e não respondeu. – Que ideia maluca foi essa de vim parar em Vancouver e não me avisar? Você ficou louco? Eu descobri seu paradeiro por um site de fofocas. Isso pode custar meu emprego e você sabe disso! Ah, oi , tudo bem?
Minhas sobrancelhas subiram automaticamente. Como ele sabia quem eu era? Lancei um olhar questionador para Taylor e ele logo tratou de nos apresentar.
-, esse é o John, meu segurança. John, essa é a .
- Como se eu não soubesse – ele revirou os olhos e riu. – Aguentei o garoto falando de você durante toda a turnê de Breaking Dawn.
Lautner não sabia onde enfiar a cara. Suas bochechas coraram violentamente e eu ri achando aquilo extremamente fofo. Apertei sua mão, que ainda segurava a minha, e sorri. Taylor retribuiu com uma careta.
- Terminem o café da manhã e quero os dois indo direto para o quarto – disse John em tom sério. – Temos que conversar.
- Cara, vamos deixar a fora disso. Ela não precisa passar pelas mesmas coisas que eu, se esconder no mercado nem nada do tipo.
O segurança levantou as sobrancelhas.
- Taylor, você sabe que só tem um jeito da não fazer parte dessa maluquice que é a sua vida. Mas pelo que eu entendi na viagem, e pelo que eu estou vendo agora, acho que não é a maneira que você quer usar de protegê-la. Sem contar que os paparazzi já estão de plantão na porta do hotel. Só não pegaram vocês ainda porque não podem fotografar de dentro do shopping sem autorização.
Eu tinha trabalhado com Assessoria de Imprensa e sabia qual era a opção de Taylor. Também rezava para que John estivesse certo e que ele não a quisesse usar. Porque se o ator optasse por essa saída, nosso relacionamento acabaria naquele minuto. Bem, talvez depois de terminamos nossa refeição. E eu nem sabia se podia me referir àquilo como um relacionamento, de qualquer forma. Estávamos juntos pela segunda vez, numa situação que envolvia sexo, risadas e nós dois escondidos do resto do mundo. Mas enfim, nosso caso, rolo, namorico acabaria e eu não queria aquilo. Por mais que as pessoas pudessem pensar “claro que não, ela está com o cara mais famoso e bem pago de Hollywood”, eu só queria ele. Que se danasse o dinheiro e a fama de Taylor. Aliás, essa última estava mais me atrapalhando do que qualquer outra coisa. Claro, sem ser hipócrita, porque se ele não fosse famoso, eu não o teria entrevistado e nós não nos conheceríamos. E nem teríamos passado por tudo aquilo junto. Então eu reconhecia que tinha me ajudado e mantive meu respeito pelo sucesso merecido dele. Mas ter seu segurança parado ao nosso lado me fez ver que as coisas não seriam assim tão simples.
John se retirou, deixando nós dois a sós. Eu olhava meu prato, fingindo estar concentrada nos farelos de pão que deixei cair. Taylor desistiu de comer, o que eu agradeci mentalmente. Aquele monte de comida estava me enjoando.
- Isso é normal – disse ele acariciando minha mão. – Você vai ver que é simples.
Olhei em seus olhos. Ele estava tão assustado quanto eu.
- Eu já trabalhei com isso, Taylor. Sei bem como é. E nem sempre as coisas acontecem da maneira mais simples. Claro, não estou falando que com a gente vai ser difícil, mas eu tenho noção do que me espera se...
- Se?
Respirei fundo.
- Se levarmos isso adiante. Nosso caso, eu digo.
Taylor pareceu ofendido à medida que entendia do que eu falava.
- , eu não estou tendo um caso com você – respondeu de maneira firme. – Eu gosto de você e considero isso algo sério.
Meu coração deu pulinhos de alegria em meu peito. Eu estava tentando prender tudo e qualquer sentimento que tivesse por ele, na tentativa de não me iludir. Mas Taylor não se abalava e deixava cada vez mais claro seu interesse por mim.
- Vamos para o quarto. Precisamos conversar.
Ele se levantou e eu o acompanhei com o olhar. Lautner estendeu a mão e eu a peguei, me levantando em seguida e indo com ele. Cortamos caminho por dentro do restaurante e usando o elevador escondido do bar, evitando assim ficarmos expostos em qualquer janela. Benvindos à minha nova vida, aquela em que um buraco na parede é seu inimigo mortal e qualquer coisa que você diga não só pode como será usada contra você.
- Eu não sei de onde você tirou essa ideia de que estamos tendo um caso – disse ele se ajeitando na mesa de centro. Eu estava sentada no sofá, com Taylor bem diante de mim. – , seja sincera. Você gosta mesmo de mim?
Deus, aquela pergunta me parecia tão idiota. Ao mesmo tempo, eu sentia medo de confessar e ser passada para trás. Fiquei quieta, o que ele não aceitou tão bem quanto eu esperava. Com um suspiro, ele se levantou e começou a andar de um lado a outro da sala.
- Talvez seja por isso que você enxergue tudo como sendo um caso. Eu entendo se você não sente a mesma coisa que eu, , mas eu gostaria que você me falasse. Que fosse honesta e me dissesse se...
- Eu te amo – ouvi alguém dizer. Somente ao encontrar o olhar espantado de Taylor que eu entendi de onde tinha vindo aquela voz. Foi de mim mesma, da minha boca. E eu nem sequer tinha percebido que, bem, eu tinha falado. Mexido os lábios, sabe?
- Co-como?
Ao notar que Taylor havia gaguejado, fechei os olhos me arrependendo amargamente de ter dito uma palavra sequer. Mas já que eu tinha jogado – involuntariamente – a merda no ventilador, que diferença fazia liga-lo, certo?
- Eu te amo – repeti com firmeza. Era verdade, de qualquer forma. – Eu não te mandei mensagens, eu fiquei quieta, eu tenho levado nosso tempo junto com a maior leveza que eu posso, mas o fato é que... Durante o tempo que ficamos separados, eu pensei em você. Pior, quando eu soube que te entrevistaria, eu tremi, considerei recusar a proposta. Eu escrevi o seu nome no vidro do box quando ele foi tomado pelo vapor do banheiro, eu chorei ao ver o Jacob triste. Mesmo sabendo que aquilo era só uma encenação, sua cara de dor me fez sofrer. E pensar que um dia eu podia fazer aquilo com você me fez ficar pior e chorar mais ainda. Mas só para rir em seguida, porque era patético. Porque eu tinha certeza que nunca mais nos veríamos, que você tinha me esquecido, tinha encontrado outra para se divertir.
A cada palavra, o queixo dele descia mais e mais. Mas Taylor não se pronunciou. Acho que esperava por esse momento, vai saber? E eu tinha pegado o embalo, então não conseguia parar de falar.
- Eu tive medo durante todo esse tempo. Medo de ter sido só mais uma, medo de você me esquecer. Medo de você pensar que eu fosse uma qualquer por ter transado com você logo na primeira vez que saímos. Mas o fato é que eu me sentia segura, confiante e me permiti aquela loucura por achar que seria a única oportunidade que eu teria de estar com você. Quando você apareceu na minha porta, eu queria descer aquela escada correndo, pular em seu colo, te abraçar, te beijar. Mas fiquei tão em choque que tive aquela reação patética – parei para respirar. Será que eu tinha esquecido de mencionar alguma coisa? Ah sim! – Quando você entrou na sala para ser entrevistado e a Kristen disse que eu parecia assustada, era sobre você que falávamos. Porque eu ainda não tinha me preparado para te ver. E quando eu ouvi sua voz, o ar sumiu dos meus pulmões. Eu tive que me lembrar de como respirar, piscar, falar, pensar. Eu sou sua fã. Sempre fui. Essa é a verdade. E não foi a toa que eu te fiz ouvir aquela música da Sara Bareilles no meu quarto. Porque ela tem razão quando diz “eu poderia viver com o seu fantasma se você me dissesse que era o máximo que eu teria”. Porque é assim que eu me sinto. E era assim que eu estava vivendo.
Ele voltou a se sentar na minha frente e pegou minhas mãos. Deu um beijo delicado em cada uma e me olhou.
- Você pretendia guardar isso até quando?
Encolhi os ombros. Eu não tinha pensado nesse detalhe, na verdade. Para mim, o que estava acontecendo entre nós era passageiro e eu o perderia em breve.
- , você teria que esconder isso de mim para sempre, no que dependesse da minha vontade – disse Taylor e minhas sobrancelhas subiram drasticamente. – Eu confesso que fiquei confuso no começo, mas quando você se calou e não entrou mais em contato, eu só queria terminar logo aquela droga de turnê, voltar para casa e ir atrás de você.
Isso era ridículo. Vejamos, o ex-namorado da Selena Gomez, da Taylor Swift e da Lily Collins estava esperando uma folga para me procurar. Logo eu, que não atuo, não canto e não sou filha de um cara ultrafamoso.
- Taylor, isso não faz o menor sentido – respondi soltando o ar de uma vez. – Eu não sou ninguém em especial para...
- Você é alguém especial. O meu alguém especial, . E é isso que eu preciso. A Kristen tinha razão quando disse que você era incrível e me obrigou a te ligar.
- Ela o quê? – perguntei confusa e ele riu.
- A Stewart é muito perspicaz e observa cada pessoa que fala com ela. Quando saí daquela cantina, depois da nossa entrevista e do nosso café, ela me esperava no hall do hotel. Me arrastou para a casa dela e falou que tinha encontrado a garota ideal para mim. Eu confesso que achei engraçado quando ela disse que era você. Logo a menina que conhecia tão bem o Jacob, que tinha tanto entusiasmo na voz quando falava dele. Quando Robert chegou com a ideia de onde jantaríamos, ela me passou seu telefone e me fez te ligar. Me senti meio idiota, quase desliguei quando você atendeu. Mas assim que te vi sair do Hyatt, eu sabia que ela tinha razão. Você tinha um brilho diferente.
- Devia ser minha blusa – falei com a voz falha e ele riu.
- É disso que eu falo, bobona. Da sua alegria, das suas piadas. Eu me diverti como não fazia há tempos. Eu me senti bem, me senti confortável com você – Taylor sorria de uma forma encantadora. Com delicadeza, colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. – Eu não teria te procurado novamente se não achasse que valia a pena. E cada segundo que passamos juntos, eu tenho mais certeza. Você é linda, . Tem um coração enorme, uma bondade e uma vontade de viver que me contagia. É uma pessoa doce, simples, uma amante inacreditável. Eu quero sair do quarto e gritar para o mundo o quão incrível você é, mas ao mesmo tempo quero ficar trancado aqui com você, para que ninguém te descubra, ninguém te veja e você seja só minha.
De duas uma: ou ele falava muito rápido ou eu estava em choque, porque eu não estava entendendo muita coisa. Até onde meu cérebro conseguia processar, ele gostava de mim. Tínhamos nos encontrado poucas vezes, mas ele estava ali, sentado na mesa de centro da suíte Deluxe do Four Seasons Hotel, se declarando para mim. Uma jornalista, que trabalha como babá e faz entrevistas por uma grana extra. Eu continuava a olhar seu rosto perfeito – e seu maxilar delicioso, só para constar – com extremo choque. Taylor riu nervoso e beijou minha bochecha.
- – disse ele e eu pisquei. – Eu acho que eu te amo.
- Acha? – perguntei meio desconcertada. Eu tinha afirmado com certeza, oras.
- Acho. Porque se você não confirmar o que me disse há pouco, eu vou dar um jeito de transformar esse acho em nada. Porque eu sofri o suficiente nos últimos tempos e não quero passar por aquilo tudo novamente – ele respondeu com certo pesar. – Mas se você disser que realmente me ama, então eu vou afirmar com toda certeza do mundo. Você me ama?
É, eu sei. Uma cena patética de uma comédia romântica americana. Mas espera aí, porque os créditos não vão subir tão cedo.
- Eu te amo, Taylor – falei sincera e o rosto dele foi tomado pelo maior sorriso que eu já tinha visto. – De verdade.
- Eu te amo, . Minha .
Ele me abraçou com força e me beijou.
Taylor acariciava minha barriga com as pontas dos dedos. Minha cabeça ainda estava confusa, não por termos acabado de fazer sexo, mas por todas as declarações feitas. Não tinha como ele me amar tão rápido. Tinha? Eu o via pela internet, na TV. Mas ele nunca tinha me visto até aquela entrevista. E depois no jantar. E no sábado, quando ele apareceu na minha casa. E naquele domingo, deitados na cama, que nem tinha sido arrumada ainda, relaxando depois de toda aquela euforia. Isso tudo era tão errado que parecia certo. Era errado ele me querer tanto em tão pouco tempo. Mas o que eu tinha a oferecer? Por que ele mentiria? E eram essas as perguntas que flutuavam em minha mente quando ouvimos batidas na porta.
- Deve ser o John – disse ele beijando minha testa e se levantando. – Pode ficar na cama, se quiser. Eu fecho a porta e converso com ele na sala.
Taylor se vestiu rapidamente e me deixou sozinha. Sua camiseta tinha ficado pelo chão. Ouvi as vozes dos dois homens no cômodo ao lado e desisti de ficar deitada. Fui até o banheiro, tomei um banho ultrarrápido, me vesti e estava com a mão na maçaneta das portas brancas quando hesitei.
- Você precisa ter muita certeza do que está fazendo – dizia John. – Eu sei que ela parece ser uma boa pessoa, mas vocês mal se conhecem, Taylor.
- A gente se ama.
Uma risada irônica ecoou e eu sabia que não era dele.
- Me poupe. Ela diz que te ama porque você é famoso, tem bastante dinheiro. Pode dar presentes caros.
Não falei? Em breve esse seria o pensamento que correria o mundo. E se eu fosse ficar com Taylor, começaria cortando o mal pela raiz. Abri a porta e encarei os dois homens assustados.
- Já que meu nome vai estar tão envolvido nessa conversa, vou participar dela – falei me sentando no sofá. Taylor puxou minhas pernas para o seu colo. – E só para constar, eu adoraria que ele não fosse famoso. Me ajudaria muito e me daria bons anos de vida, já que, aparentemente, existem fãs malucas lá fora, esperando a primeira chance para arrancar minha cabeça. Quanto ao dinheiro, não se preocupe, John. Minha mãe me ensinou a não depender de homem nenhum. E vendo a situação dela com o divórcio, fiz a lição de casa direitinho e não quero nem um centavo de Taylor. Trabalho desde os 15 anos de idade e continuarei trabalhando até não conseguir mais.
- , eu não quis te ofender – disse John. – De verdade, não foi minha intenção. Eu também mal te conheço e não devia ter me precipitado. Mas você tem que entender que não é fácil confiar nas pessoas que se envolvem com o Taylor.
- Eu sei que não. Como disse a ele, trabalhei com Assessoria de Imprensa e sei como isso tudo funciona. Sei que muita gente se aproxima por interesse. Mas nunca se esqueça de que eu não fui atrás dele em nenhuma das vezes. Ele me convidou para sair em Los Angeles, ele me mandou mensagem quando eu estava no aeroporto, ele apareceu na porta da minha casa. E te garanto que eu não estava me fazendo de difícil, porque não tenho muita paciência pra isso.
O segurança sentou na poltrona do lado oposto ao sofá onde estávamos. Respirou fundo e pensou por alguns minutos. Taylor fazia uma massagem gostosa em meus pés e eu sorri em agradecimento.
- E se você tiver que assinar um acordo que te proíbe de usar o dinheiro dele? – John perguntou.
- O QUÊ? – Lautner levantou e quase me derrubou. – Você está maluco?
- Eu assino – respondi encolhendo os ombros. – Se isso for o suficiente para você acreditar em mim, eu assino sem o menor problema. Não quero nada do Taylor, John. O que ele ganhar, é dele.
- Por que esse discurso? – ele perguntou, ignorando o ator que bufava no meio da sala.
- Não é um discurso – respondi me levantando. – É uma troca, um acordo que vai ser feito entre nós de qualquer forma. Eu não me meto no que é dele, ele não se mete no que é meu. Eu não dou palpite no trabalho dele, ele não reclama do meu. Simples assim. Não quero ninguém me controlando, dizendo o que eu posso e não posso fazer.
- Por que estamos falando disso? – Taylor ficava cada vez mais irritado. – Não estamos casando nem nada do tipo. Não precisamos de um acordo pré-namoro ou algo assim!
Namoro. Que bonitinho.
- Tem coisas que devem ser esclarecidas logo no começo – falei segurando sua mão. – Se vamos ficar juntos, quero que todo mundo saiba que eu não dou a mínima para o seu dinheiro. Se você quiser doar tudo e viver numa cabana, eu topo. Contanto que você aprenda a caçar, é claro. E que tenhamos internet rápida.
John tentou, mas não conseguiu segurar a risada. Sorri junto. Já Taylor continuava irritado. Mal segurava minha mão. Beijei seu braço e ele me olhou.
- Isso não é engraçado. Não quero que você seja tratada como uma interesseira qualquer.
- Eu sei. Mas nós dois sabemos também que isso vai acontecer e precisamos lidar com essas situações.
- Não aconteceu antes, porque aconteceria agora?
- Taylor – falei ficando de frente para ele – suas outras namoradas eram famosas e milionárias. Eu não. Eu sou uma pessoa comum, não canto, não atuo. É normal que pensem que eu estou interessada no seu dinheiro. Mas o normal nem sempre é a verdade!
Ele pareceu convencido. Não muito, como sempre, mas o suficiente para que pudéssemos seguir com o assunto.
- Vou ligar amanhã no escritório e pedir que enviem um segurança para você, – John anotava tudo em seu iPhone. – Toda vez que você sair, terá que avisar com uma hora de antecedência, assim ele chega a tempo de te acompanhar.
- Não quero um segurança particular – falei em tom rabugento. – Não preciso disso.
Os dois homens me olharam.
- Precisa sim – Lautner cruzou os braços.
- Não preciso não.
John revirou os olhos.
- Talvez a gente devesse esperar e ver como as coisas funcionam. Se você for incomodada por fotógrafos ou fãs, nos avise e eu mando alguém para te ajudar.
Concordei de bom grado. Eu realmente não tinha a menor vontade de ficar com alguém colado em mim o dia todo. Já era estranho saber que John nos acompanharia dali por diante. Quero dizer, como vou atacar Taylor sem arrancar risadinhas do cara ao nosso lado? Constrangedor, para dizer o mínimo.
O segurança nos deixou a sós e ficamos em silêncio por longos minutos. Já se passavam das 14h e nenhum de nós tinha pique para almoçar. Primeiro porque nosso café-da-manhã saiu bem tarde, segundo porque aquele assunto era meio chato demais. Fui até a janela da sala e olhei a rua. Resmunguei ao ver alguns paparazzi e Taylor fechou a cortina. Olhei-o espantada.
- Tá bravo?
- Não – ele respondeu se jogando no sofá. – Só não quero que eles te vejam e comecem a te cercar pela rua enquanto eu não estiver por perto.
Sentei ao seu lado e Taylor me abraçou. Liguei a TV e deixei em um canal qualquer de culinária enquanto nos beijávamos e trocávamos carinhos gostosos. Cochichávamos coisas bobas no ouvido um do outro e ríamos. Lautner colocou os pés na mesa de centro e eu, mais do que depressa, joguei minha perna por cima das dele.
- Me empresta seu celular? – pedi e ele me olhou desconfiado. – Não vou fazer nada demais, só mandar uma mensagenzinha.
Taylor riu e tirou o aparelho do bolso de sua calça. Abri a agenda telefônica e fui direto para a letra K. Karin, Katherine Kevin, Kiki, Klaus. Franzi a testa. Revi a lista. Karin, Katherine, Kevin, Kiki, Klaus. Fui para a letra S. Devia estar com o sobrenome dela. Samuels, Sandefurd, Sandler, Simon, Stevens, Stones. Resmunguei.
- O que tanto procura no meu celular? – Taylor me olhava curioso.
- O número da Kristen!
Ele riu.
- Tá na letra K, – ele tirou o celular da minha mão e abriu os dados da atriz. Encarei-o confusa.
- Kiki? – ele encolheu os ombros e me devolveu o aparelho. Continuei a fuçar. – Ah! Então ela é Kiki e eu sou ? Muito bom saber disso, Lautner. Muito bom!
Ele gargalhou e mordeu minha orelha.
- Pode colocar seu número na letra L então. Love of my life.
- Há há – falei escrevendo a mensagem. – Não vai me comprar com essa cantada barata, mocinho.
Ele riu e começou a passar os canais da TV. Quando devolvi o aparelho, ele nem ao menos conferiu a mensagem. Apenas beijou minha cabeça e me ajeitou em seu peito.
- Não ficou curioso?
Taylor sorriu.
- Confio em você. Sei que não mandou nada me sacaneando – ri de uma forma engraçada e ele me olhou. – , o que você mandou?
- Só agradeci por ela ter insistido em te empurrar pra mim – respondi beijando-lhe os lábios.
Já deviam ter se passado cinco minutos e ainda estávamos nos amassando no sofá, sem parar para respirar. Somente quando meu maxilar começou a doer que eu o afastei.
- Estou entediada.
- Então deixa que eu resolvo seu problema – Taylor me deitou no sofá e já estava vindo por cima quando eu o segurei.
- Quero ver um filme.
- Não sei se o canal adulto está liberado aqui.
- Lautner! – eu praticamente gritei e ele me olhou confuso. – Estou falando sério. E sem malícia. Que nojo, canal adulto. E eu lá quero ficar vendo pessoas fazendo sexo? Muito me espanta você ficar assistindo isso.
- Eu? – foi a vez dele de me olhar indignado. – Eu não assisto canal adulto. Eu nem assisto TV direito.
- Mas a sugestão veio da sua parte! Então imagina-se que você assista sim aos filmes pornográficos que passam no canal adulto.
- E como você sabe que é filme pornográfico? – ele perguntou voltando a sentar no sofá.
- Não é isso que passa?
- Também!
- AHÁ! – levantei do sofá segurando minha risada. – Você sabe o que passa no canal adulto, então isso significa que você assiste. Que vergonha, Taylor!
Ele resmungou algo que eu não entendi e emburrou.
- Eu sou homem, oras.
- Que pensamento machista! Eu sou mulher e poderia muito bem ver o canal adulto.
- Não agora – disse ele sorrindo.
- Não agora o quê?
- Você não pode assistir o canal adulto agora que é minha garota! – Taylor pegou minha mão e me puxou, fazendo com que eu caísse em seu colo.
Nós dois rimos.
- E por que não? – perguntei mordendo seu rosto.
- Porque eu não quero você vendo os outros caras sem roupa.
- E você pode ver as mulheres sem roupa?
Ele me olhou nos olhos e sorriu.
- Só quero ver uma sem roupa!
Eu sabia que era mentira. Se a Megan Fox oferecesse alguns segundos de exibição, eu duvidava que Taylor fosse dizer “não, obrigado. Quero ver a sem roupa, não você”. Mas eu não queria prolongar ainda mais aquela conversa e comecei a ler se sinopses dos filmes disponíveis. E não era no canal adulto.
- Que filme vamos ver? – perguntou ele sentando ao meu lado com um balde de pipocas. Olhei espantada. – O que? O pessoal do serviço de quarto também achou estranho meu pedido. Muita pipoca?
- Não – respondi rindo. – Só não esperava por isso.
Empurramos a mesa de centro e jogamos no chão o edredom que estava na cama. Ou em metade dela, já que, bem, nós somos espaçosos e... Enfim. Taylor encostou-se no sofá e eu nele. Cada um pegou uma lata de refrigerante, o balde de pipocas entre nós e estávamos prontos.
- Escolhi uma comédia romântica – falei acariciando sua perna. – Amor, Felicidade ou Casamento, com a Mandy Moore e o Kellan Lutz.
- É mesmo? – disse Taylor com a boca já cheia de pipocas. – Ele comentou que fez um filme com ela, mas não sabia o nome. Disse que ela é uma graça de pessoa e uma ótima atriz.
- Uma das minhas favoritas. Shiu, vai começar.
O filme era realmente uma graça. Taylor bufava a cada “oun” ou “que fofo” que eu soltava para o Kellan. E suas tentativas de me deixar enciumada falharam. Ele disse várias vezes que a Mandy era linda e eu apenas concordei. Ela era mesmo e continua sendo. Sem contar que canta bem. Desisti da pipoca. Não era meu lanche favorito de qualquer forma, o que deixou Taylor muito feliz. Ele comeu mais da metade do balde, que não era pequeno. Quando o filme acabou, eu estava encantada, boquiaberta e sorrindo ao mesmo tempo.
- Oh meu Deus! – o ator exclamou ao meu lado e eu percebi que ele me encarava. – Você sempre faz essa cara quando uma comédia romântica termina?
Fechei a boca.
- Que cara?
- De apaixonada, de menina, sei lá. Essa cara fofa!
- Acho que sim – respondi confusa. – Não sei, Taylor. Eu normalmente me apaixono pelos personagens, mas não sei se faço exatamente a mesma cara! Por quê?
- Porque se fizer, quero assistir comédia romântica com você todos os dias!
Tive vontade de gritar “oun, seu lindo!” e pular em cima dele, mas apenas ri e o beijei. Eu ainda tentava parecer 50% normal quando estava perto de Taylor e essa atitude certamente arruinaria tudo. O celular dele tocou e ele atendeu rindo.
- Um minuto – disse e colocou o celular no viva-voz. – Fala Kristen. Mas cuidado com o que vai dizer, porque a está ouvindo. - Hey! – gritou ela e nós rimos. – Onde vocês estão, casal?
- Estamos no Four Seasons, em Vancouver – disse ele. - Mas que diabos você está fazendo no Canadá, Lautner? Eu achei que a estivesse em Los Angeles. Estava até pensando em propor uma partida de boliche. Ainda preciso ganhar de vocês, sabe?
- Engraçado, ela me perguntou basicamente a mesma coisa. O que eu estava fazendo aqui.
- E não é para menos, né? – me pronunciei em legítima defesa. – A pessoa aparece na minha casa, do nada, num sábado de manhã. A minha pergunta foi a mais natural do mundo! - Vocês vem para os Estados Unidos quando?
Nos olhamos e eu encolhi os ombros.
- Ainda trabalho nessa semana. Mas o Taylor deve voltar amanhã. Aí vocês podem sair para jogar.
- Não quero sair com ele – ela respondeu e nós ouvimos uma voz ao fundo. – Já vou, já vou.
Taylor tentou conter a risada.
- Vai, Kiki, volta para a cama. Robert está esperando.
Mas eu não consegui. Gargalhei lindo e ela resmungou. - Vou mesmo, tá? Pelo menos eu faço alguma coisa com o meu namorado.
Lautner me olhou esperando defesa.
- Eu faço muitas coisas com o meu, tá? – respondi meio sem saber se deveria ter me referido a ele como meu namorado. Mas enfim. Ele sorriu. - Tarados! Venham logo, estou com saudades.
Nos despedimos e ela desligou.
Não fizemos absolutamente nada no resto do domingo. Fomos dormir cedo, já que eu teria que estar em casa antes das oito da manhã.
- Vai voltar no final de semana? – perguntei enquanto ele dirigia. John estava no banco de trás e eu tentava, a todo custo, ignorar sua presença.
- Não sei - Taylor respondeu desanimado. – Acho que tenho entrevistas no sábado e um programa de TV ao vivo no domingo. Mas vamos dar um jeito.
Sorri. Eu estava tranquila, porque dessa vez algo me dizia que nós não ficaríamos mais sem tanto contato. E eu me sentia confortável para mandar mensagens e ligar. Ele estacionou o carro em frente a minha casa e John desceu, ficando parado ao meu lado, mas de costas para nós. Soltamos os cintos de segurança e nos beijamos por longos minutos.
- Vou sentir sua falta – ele praticamente sussurrou, os lábios ainda encostados nos meus.
- Saudades, Taylor. Você vai sentir saudades – falei e ele sorriu.
- Sodades – repetiu de forma desajeitada e eu ri. – E isso significa o que?
Abracei-o com toda minha força.
- Que você vai sentir minha falta. Saudades é uma maneira de resumir tudo em uma só palavra.
Taylor me abraçou e beijou meu ombro.
- Nem resumindo dá para medir o quanto eu vou pensar em você.
Nos olhamos.
- Volta logo, tá? – pedi de uma maneira quase infantil.
Ele concordou com um aceno de cabeça. Um beijo rápido e eu saí. Peguei minha mala no bagageiro do carro e John me acompanhou até o portão. Nos despedimos e eu entrei correndo, seguindo ordens do segurança, que queria evitar que eu fosse vista a todo custo.
Se algum dia o tempo tivesse planejado me sacanear, nada se comparava àquela semana. Taylor e eu nos falávamos o tempo todo via SMS, e-mail e mensagens no Facebook. Sim, ele tinha Facebook, e não era sua página de fãs. Era uma conta superprotegida, com todos os requisitos de segurança ativados. Instruída por ele, bloqueei meu perfil. Mas isso não era nada. O susto veio mesmo quando abri o meu Twitter. De 590 seguidores – o que eu achava incrível, levando em conta que eu não era famosa nem nada – pulei para 35.897. Recebi as mais diversas mensagens, desde meninas tentando ser amigas, outras se mostrando indiferentes, até algumas ameaças de morte. Mas todas elas concordavam em uma coisa: eu não era boa o suficiente para Taylor Lautner.
Passei a tomar um cuidado imenso com tudo o que eu postava. Primeiro porque não queria confirmar que eu era, de fato, a garota que estava saindo com ele. Segundo porque eu não queria criar problemas para Taylor. Mas é claro que meu Twitter virou fonte de informação. Qualquer mísera frase que eu escrevesse, os sites de fofoca publicavam como se isso fosse a manchete do dia. Fiz uma brincadeira e postei a frase “I know it’s time to leave but you’ll be in my dreams tonight”, da música Just a Kiss, de Lady Antebellum. Não consegui acompanhar todas as respostas, já que eram muitas e vinham de uma vez, mas as mais engraçadas diziam que “ele também estará nos meus sonhos”, “espero que ele esteja te matando no seu sonho, sua vaca” e “oun, vocês são lindos”. E eu nem mesmo citei o nome de alguém.
Ele me ligava todas as noites. Apesar da distância, estávamos no mesmo fuso-horário. Meu celular tocava pontualmente às 22h e Taylor passava mal de rir cada vez que eu contava de um evento novo em meu Twitter. Tudo estava correndo numa boa até as pessoas descobrirem quem eram meus pais, minha irmã, meus amigos. Os perfis deles foram invadidos por uma onda de fãs ávidos por qualquer contato e eu tive que ligar para as pessoas mais próximas e implorar para não aceitarem estranhos. Pior, tive que pedir que bloqueassem suas contas. Mas eles acharam aquilo divertido e mal podiam esperar para conhecer meu namorado. Aham, povo, senta lá.
Quinta feira chegou e eu estava roendo as unhas. Queria saber que horas Taylor chegaria no final de semana e o que faríamos, já que minhas férias começavam às 16h daquela sexta feira. Nosso horário de conversar chegou e meu celular tocou.
- Hey – respondi animada.
- Oi – a voz dele do outro lado era minha música favorita. – Preparada para ficar sem fazer nada até o ano que vem?
Ri idiotamente. Nem sei se podemos conjugar idiota dessa forma, mas deu para entender, né?
- Mal posso esperar. Você chega quando?
Ouvi um suspiro. Oh-oh, isso não era boa coisa.
- Não vou poder ir – disse Taylor e meu ânimo foi parar no dedão do pé. – Tenho uma sessão de fotos no sábado e uma entrevista no domingo. Sinto muito.
- Ah, que triste. Vou ter que começar minhas férias sem você então.
Tentei fazer uma piadinha marota, mas não rolou. Eu tinha planejado tudo. Até horário na manicure eu tinha reservado. Droga.
- Mas logo vamos estar juntos – ele disse e eu pude perceber que estava sorrindo. – Agora preciso de um favorzinho seu.
- Manda – respondi e ele riu.
- Comprei o presente de Natal da minha mãe pela internet. Na hora de pagar, escolhi para retirar na loja. Ia pedir ao John para buscar, assim eu não apareceria por lá. Mas deu um probleminha.
- Desembucha Lautner – brinquei e ele voltou a rir.
- Acabei escolhendo para retirar na loja em Richmond.
- Mas hein? – quase engasguei com a água que bebia. Eu tinha essa mania de colocar uma garrafa de água ao meu lado antes de dormir. - Eu sei, eu sei – ele resmungou. – Acabou ficando mais perto para você do que para mim. Mesmo que Richmond não seja tão próximo assim de North Vancouver. Então será que tem como você ir até lá e retirar o pacote? Está no Aberdeen Center Mall.
Eu sabia onde era. Frequentava aquele shopping por causa da Daiso, uma loja que vendia tudo por dois dólares. Apesar de ter a Dollorama, no centro de Vancouver, que vendia tudo a um dólar. Que seja. O Aberdeen Center ficava perto da estação Aberdeen do metrô de Vancouver. Era só pegar o trem na Canada Line e eu estaria lá em 20 minutos. Já que ele não estaria na cidade, eu poderia ir no sábado, retirar o que quer que fosse o pacote dele e aproveitar para andar um pouco e fotografar. A ideia não era tão ruim assim.
- Me manda por mensagem o número do seu pedido e eu passo lá.
- Mesmo?
- Sim senhor – respondi sorrindo. – Mas vai ter que me compensar muito por isso. Não vai sair de graça.
Ele soltou uma risada deliciosa e eu ri junto.
- Pode deixar. Vou te pagar com juros e tudo mais que você quiser.
Capítulo 7
E, bem, lá estava eu, sentada no metrô da Canada Line. Eram exatamente 10h30 e eu chegaria por volta de 11h ao shopping. O plano era passar na Daiso, depois na loja – que eu descobri ser a Swarovski – e voltar ao centro de Vancouver. Apesar do frio e do tempo fechado, eu estava animada de que a Alice sairia bem em todas as fotos. A coitada da boneca estava dentro da minha mochila e só sairia quando estivéssemos em segurança no Stanley Park.
Lady Antebellum cantava de uma forma gostosa no meu iPod. Era engraçado como eu podia ouvir repetidamente um CD até encontrar outro para substitui-lo. O que mais me animava era o fato de ter um show deles marcado para Vancouver. Eu mal podia esperar. Enquanto meus pensamentos brincavam soltos em minha mente, o trem parou na estação Aberdeen. Pulei fora, sentindo o vento gelado queimar minhas bochechas. Ajeitei meu casaco verde musgo, joguei a mochila nas costas e rumei feliz até o shopping. Logo de cara, me encantei com a decoração de Natal. Um coral tratava de colocar todo mundo no clima e eu apenas ri. Não funcionaria comigo. Caminhei até a loja de dois dólares e comprei tudo o que tinha direito.
Uma das coisas mais interessantes do Canadá é que eles incentivam as pessoas a não usarem sacolas plásticas. Aliás, geralmente elas eram cobradas, cerca de quatro centavos cada. Sendo assim, eu vivia com essas sacolas de pano na bolsa. Coloquei todas as minhas compras dentro da minha e saí atrás do raio da loja que o Taylor queria que eu passasse. Andei aqui e ali, subi, desci e lá estava ela. Respirei fundo e entrei.
- Bom dia, vim retirar esse pedido – entreguei um papel com o número para a vendedora. Ela pediu um documento com foto e apresentei meu passaporte.
E aí danou-se. Se o pacote estivesse no nome dele, ela não me deixaria levar. E mesmo que Taylor tivesse colocado no nome do John, eles não me entregariam.
- A senhora pode assinar aqui, por favor? – pediu a simpática moça colocando uma folha na minha frente. Em seguida, estendeu uma caneta coberta de cristais. Pelo canto dos olhos, notei que ela colocou um embrulho em tons de branco e dourado no balcão ao meu lado. – Tenho certeza que a senhora vai adorar o presente. É uma peça encantadora.
- Ah, não é para mim – respondi sorridente.
- Não? – ela indagou e eu neguei com a cabeça. – Acho que a senhora está enganada. Tem o seu nome no embrulho.
E eu parei de assinar. Encarei o pacote. Não era papel, não era plástico. Era um material estranho, que formava uma bolsinha fechada por um laço dourado. Na frente, uma bola de Natal feita de papel trazia as palavras “Moments to give”, com um pequenino cristal formando o pingo do i. Quando virei a tag, dei de cara com um em letras garrafais, seguido por um T. Encarei a vendedora, que sorria. Terminei minha assinatura e entreguei o papel, pegando meu passaporte em seguida.
- Obrigada – falei. Guardei o embrulho em minha sacola e saí o mais depressa que pude.
Aquilo podia ser um engano, no entanto. Ou Taylor podia ter colocado meu nome para que eu pudesse retirar. Mas se ele errou na hora de escolher a loja, devia ter o nome do John, que seria o responsável por buscar o presente. Peguei meu celular e liguei para o infeliz.
- Oi – ele atendeu animado.
- Oi – respondi ainda maquinando tudo em minha cabeça. – Peguei o pacote e tenho uma pergunta.
- Diga.
- Por que tem meu nome no cartãozinho?
Ele cochichou alguma coisa com alguém e eu franzi a testa.
- Onde você está? – Taylor perguntou.
- Acabei de sair do Aberdeen Center. E você?
- Me encontre no Four Seasons. Chegou lá em 10 minutos.
Parei bruscamente.
- Você está em Vancouver? – perguntei estupefata.
- Cheguei agora a pouco. Te espero lá, tá? – e desligou.
Fiquei parada na entrada da estação do metrô. O aeroporto ficava extremamente perto. Se ele chegaria ao hotel em 10 minutos, significava que tinha chegado a Vancouver há 10 minutos e estava na metade do caminho. Por que ele mesmo não foi buscar o pacote? E por que não me avisou antes? Podia ter me dado uma carona e me explicado tudo direito.
Subi correndo e peguei o trem quase partindo. Para variar, não tinha um assento livre e tive que ir em pé o trajeto todo. Algumas meninas me olhavam com curiosidade, o que me fez botar o capuz do casaco e tentar me esconder o máximo possível. Vinte minutos depois, desci na estação Vancouver City Center. Era atravessar a rua e eu estaria no hotel.
- Boa tarde senhorita – disse a recepcionista ao me ver passar pelas portas do Four Seasons. – O senhor Lautner já fez o check-in. Está no mesmo quarto, no 18º andar.
Ela estendeu meu cartão magnético e eu o peguei. Agradeci um pouco desconcertada e segui para o elevador. Dei de cara com o tal mordomo assim que as portas se abriram. Apesar das minhas tentativas de libera-lo da tarefa, ele me acompanhou até o quarto, carregando minha sacola e minha mochila. Abri a porta da suíte. Nem sinal do ator. Peguei minhas coisas com o funcionário e entrei.
- Taylor? – chamei enquanto colocava minha mochila no sofá. Peguei o pacote da Swarovski e coloquei sobre a mesa de centro.
Ele apareceu segundos depois pelas portas brancas do quarto. Abraçou-me com força, fazendo com que meus pés saíssem do chão. Nos beijamos de forma apaixonada e ele mordeu meu lábio inferior com carinho.
- Saudade – ele disse em português e eu sorri.
- Só vou dizer o mesmo depois que o senhor me explicar tudo direitinho! – falei em tom autoritário e ele riu. Apontei para o embrulho e ele me olhou confuso.
- Você não abriu?
- Não!
Taylor me soltou e pegou o pacote. Analisou, espiou dentro, coisa que eu nem tinha feito. Depois, com um sorriso encantador, me entregou.
- Eu sei que você não quer que eu gaste dinheiro com você e tudo mais – ele disse em tom entediado, repetindo uma de nossas conversas daquela semana. – Cheguei a pesquisar alguns diamantes, mas eu tinha certeza que você me mataria, então optei por cristais. Não são caros e são bonitos de qualquer forma.
Encarei seus olhos perfeitos e me sentei no sofá. Taylor sentou-se na mesa diante de mim. Tentei esconder a ansiedade e a tremedeira que se apoderou de forma esquisita dos meus dedos. Abri o embrulho e me deparei com uma caixinha azul. O famoso cisne branco me olhava de forma intimidadora, como se me desafiasse a seguir em frente. Ou talvez fosse coisa da minha cabeça.
- Abre logo! – resmungou Taylor. – Não é nada demais. A caixinha nem é azul claro, como da Tiffany & Co e não tem o laço branco. Quando eu te der uma daquelas, aí sim você tem que se preocupar.
Dei uma risadinha nervosa. Tirei a caixa de dentro do pacote, que ele rapidamente pegou, e a abri. Ali, no centro da almofada de veludo preto, o brilho de um cristal grande, cercado por outros menores, me fez ficar de boca aberta. Busquei os olhos castanhos que eu mais adorava e os encontrei com facilidade, ansiosos por uma resposta.
- É... lindo! – eu estava sem palavras e ele estufou o peito, orgulhoso de sua escolha.
- Eu tenho alguns colegas brasileiros e eles me contaram que, no seu país, é comum vocês usarem anel de compromisso na mão direita – ele acariciava meus joelhos de uma forma gostosa. – Então pensei em fazer uma surpresa misturando as duas tradições.
Olhei-o confusa e ele pegou o anel da caixinha. Em seguida, segurou minha mão direita e a beijou.
- – disse em tom sério. – Não vou te pedir em casamento, então relaxa um pouco.
Só então eu percebi que estava prendendo a respiração. Soltei o ar de uma vez e ri.
- Bem melhor – Taylor sorriu e continuou. – Vou perguntar logo antes que você morra: quer ser minha namorada? Oficialmente, eu digo. Porque você já é minha garota.
Se eu já achava que o sorriso dele estava grande, nada se comparava ao que surgiu em seu rosto quando eu reagi àquelas palavras. Acho que fiz aquela cara de “final-de-comédia-romântica” que ele tinha comentado na semana anterior. Vai saber. Eu só sei que estava sem voz e apenas concordei com a cabeça. Ridículo, eu sei. Devia ter gritado um super sim, mas não consegui. Fiquei tímida. Taylor colocou o anel em meu dedo e beijou a peça com delicadeza. Depois ficou em pé e abriu os braços. Lancei-me contra ele, que me segurou no ar. Eu ria de uma forma boba e ele passou a distribuir beijos carinhosos em meu ombro.
Aquilo daria certo. Se eu usasse o anel na mão esquerda, certamente pensariam que ele tinha me pedido em casamento. Mas da forma que estava, parecia apenas que era uma jóia minha e que eu a estava usando. Mal sabia o mundo do significado que aqueles 46 mini cristais (sim, eu contei!) guardavam.
- Espero que você goste de ouro branco – disse ele me colocando no chão. – Não tive muita opção e a Makena disse que esse era lindo. Da coleção Dazzle, seja lá o que isso signifique.
- Ouro branco é meu metal favorito – respondi. E de fato era. – Praticamente todos os meus acessórios são em ouro branco. Os outros são em prata. Mas o que eu não entendi foi o motivo de você ter me mandado ir até Richmond.
Ele fingiu pensar e me olhou sorrindo.
- Eu queria fazer uma surpresa e te tirar de casa ao mesmo tempo. Se eu falasse que estava vindo para Vancouver hoje de manhã, você chegaria ao hotel antes de mim. Então eu precisava ganhar tempo. Mas nada do que eu tinha pensado daria certo. Você desconfiaria, fora que, se eu falasse para você vir para o centro da cidade, você poderia vir só no final da tarde. Tinha que ser algo que levasse tempo e te obrigasse a sair logo cedo!
- Meu deus! Depois a maluca sou eu.
- Agora precisamos escolher apelidos bobos – Taylor brincou beijando meu pescoço.
- Nem vem – respondi rindo. – Você pode me chamar de amor, no máximo.
Ele me olhou intrigado.
- Amor? – repetiu em português e eu expliquei o significado.
- É comum os casais se chamarem de “amor” no Brasil. E é mais legal do que love!
- Tudo bem, amor – ele disse e meu sorriso cresceu ainda mais. – E se a senhorita não quiser que eu te chame de , pode parar de me chamar de Taylor!
- Ah é? E vou te chamar do que?
Ele encolheu os ombros.
- Tay.
- Mesmo?
- Sim.
- Ah – dei um gritinho de satisfação e ele pareceu espantado. – Eu estava me segurando para não te chamar de Tay. Sei lá, vai que você pensasse que era intimo demais e...
E ele me calou com um beijo. E se você está esperando que eu diga que Taylor – cof cof, Tay – me arrastou para o quarto, desista. Estávamos com saudades demais para andar dez passos. Ele apenas colocou minha mochila no chão e me deitou no sofá. Ah, o amor...
- Quais os planos para o Natal? – perguntou ele.
- Nada programado ainda – respondi jogando mais uma balinha Skittles em minha boca.
Estávamos deitados no sofá. Bom, ele estava, na verdade. Eu me encontrava entre suas pernas, com o resto do meu corpo encostado no abdômen definido de Taylor. Ele massageava meus ombros enquanto eu me concentrava em comer sempre as mesmas cores das balas por vez. Depois de toda a agarração, estávamos descansado. A TV estava em um canal de música, mas o som quase nem saía. Eu vestia apenas minha calcinha e a camiseta dele, enquanto Lautner estava somente de cueca.
- Aceitaria passar suas férias comigo? – perguntou ele apreensivo e eu ri.
- Que pergunta boba – olhei-o por cima do ombro e ele beijou meus lábios. – Claro que aceito. Qual a programação?
Olhei as balas em minha mão. Todas azuis. Que sorte. Joguei-as em minha boca.
- Pensei em irmos para Los Angeles – ele me abraçou. – Passar o Natal e o Ano Novo por lá. Você pode ver a Kristen e o Robert e eu aproveito para te apresentar para a minha família toda.
Os docinhos foram pelo buraco errado, me fazendo engasgar e tossir. Taylor estendeu a garrafa de água que estava no chão enquanto dava tapinhas em minhas costas.
- Conhecer sua família toda? – perguntei secando as lágrimas que surgiram em meus olhos.
- Acha muito cedo? – perguntou ele preocupado.
- Não – menti. – Mas e se eles não gostarem de mim?
Ele ficou em silêncio pelo que me pareceu uma eternidade. Em seguida, soltou uma de suas típicas risadas.
- E alguém no mundo não gosta de você, ?
- Você nem imagina!
- Se não quiser ir, tudo bem. Posso ficar por aqui, volto para casa, passo o Natal e venho para o Canadá novamente.
- Não – respondi. Um dia isso teria que acontecer, certo? – Eu vou com você. Com certeza vai ser mais divertido do que ficar por aqui. E eu quero conhecer sua família.
- Mesmo? – perguntou ele ansioso.
- Mesmo. Preciso agradecer aos seus pais por terem te feito e à sua irmã, por ter escolhido um anel tão lindo. Só me fala o dia, preciso comprar minhas passagens.
- Bem – Taylor disse sem jeito. – Já cuidei de tudo. Embarcamos amanhã à tarde.
Revirei os olhos.
- Gastando dinheiro comigo de novo – resmunguei.
- Te amo – ele sussurrou em meu ouvido e eu ri. Joguei o pacote de Skittles em cima da mesinha de centro e me virei de frente para ele.
- Te amo – respondi beijando seu queixo. – Muito!
E, bem, você sabe o que fizemos depois disso.
O combinado era que eu passaria um mês e dois dias com a família Lautner. Sendo assim, precisava de uma quantia considerável de roupas, coisa que eu não tinha. Sem contar que, nesse tempo estavam incluídos Natal e Ano Novo e eu necessitaria de algo mais festivo. Taylor estava sentado na cama. Secava seus cabelos enquanto eu andava de um lado ao outro. Tínhamos acabado de tomar banho. Eu vestia as mesmas roupas, já que não tinha levado nada para o hotel, enquanto ele estava apenas de calça jeans.
- Estou começando a me arrepender de ter aceitado seu convite.
- Por causa de roupas? – ele resmungou e eu parei de andar.
- Tay, isso é coisa séria! Eu trouxe as minhas roupas mais simples do Brasil porque tinha planejado comprar mais aqui. No fim, nem me preocupei com isso.
E era verdade. O que eu tinha de mais arrumado era a blusa e a calça que tinha comprado para jantar com ele, Kristen e Robert.
- Bom – disse Taylor jogando a toalha em cima da poltrona – estamos exatamente em cima de um shopping. É só descer e comprar algumas. Se eu não me engano, do outro lado da rua tem a Holt Renfrew.
- Tá brincando, né? A Holt Renfrew é tão ridiculamente cara que me faz ter crise de riso.
Quem acabou rindo foi ele. Taylor se levantou e veio até mim, me abraçando e mordendo meu pescoço. Resmunguei em protesto. Aquele carinho gostoso estava tirando minha concentração.
- Confia em mim? – ele perguntou e eu respondi com um gemido baixo enquanto ele mordia minha orelha. – Então deixa que eu resolvo sua questão fashion, ok?
Olhei-o intrigada e ele apenas sorriu. Me beijou e, sem desgrudar nossos lábios, mandou uma mensagem para John. Minutos depois, ouvimos duas batidas na porta. Taylor foi até lá e deu passagem para seu segurança.
- Vamos? – perguntou John ao me ver aparecer na sala. Procurei por respostas nos olhos do meu namorado.
- Ele vai te levar para casa. Arrume suas malas e esteja pronta amanhã, às 9h – Taylor me abraçou.
- Não vamos dormir juntos? – sussurrei em seu ouvido e ele sorriu.
- Você terá um mês para dormir agarrada comigo.
Trocamos alguns beijos e saí com o segurança. Não estava nada feliz, mas tinha mesmo que arrumar minhas coisas. Então o jeito era aceitar a programação feita por Taylor e tentar dormir naquela noite. O que seria impossível.
Sempre ouvi dizer que os primeiros meses de um namoro são os melhores. É tudo lindo, maravilhoso. Mas ninguém fala da pressão que um sofre ao conhecer a família do outro. Naquela manhã de domingo, enquanto eu olhava minha mala e minha mochila, eu preferia encarar um mundo de fãs a olhar nos olhos da mãe de Taylor Lautner. Não que ela fosse uma megera. Eu nem a conhecia pessoalmente e pelo que ele me falava, ela era um amor. Mas ela não deixava de ser a mãe do cara com quem eu estava namorando. Em outras palavras, minha sogra!
Segundo informações clandestinas passadas por John, a família toda de Taylor estaria em Los Angeles para aquele Natal. Isso incluía todos os parentes que ainda moravam em Grand Rapids, no estado de Michigan, cidade Natal do ator. Sendo assim, ele me apresentaria para os avós, tios, primos, namoradas e namorados dos primos, papagaios, cachorros, periquitos, peixes e quem mais estivesse no pacote. Considerando que ele é o membro famoso da família, uma namorada para Taylor era o que eles chamavam de “big deal”, um grande negócio. Olhei no relógio. John estaria na porta da minha casa em meia hora. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo e joguei a mochila nas costas. Desci para passar um tempo com minha hostfamily, que estava encantada com o fato de sua babá ir passar o Natal com uma celebridade. Até me deram um presente bastante considerável: um cartão com $200 para eu gastar na livraria comprando um E-Reader.
Pouco tempo depois, meu celular vibrou no bolso do meu casaco. A mensagem que recebi não foi, nem de longe, uma coisa normal.
“Boa sorte com a família toda. Seja você mesma e eu tenho certeza que vão te adorar! R&K”.
R&K. Robert & Kristen. Uau! Era engraçado como aqueles dois não se largavam nem em mensagens de texto. Era muito amor para um casal só. Ouvi a buzina e me despedi das minhas meninas. Desejei Feliz Natal para toda a família e saí arrastando minha mala. John veio ao meu encontro.
- Bom dia – disse ele num tom animado.
- Bom dia! – tentei responder da mesma forma, mas minha voz falhou. Ele riu.
- Eles vão te adorar, . Não se preocupe. Os pais do Taylor são pessoas ótimas, assim como você.
Ah tá. Falou o mocinho que achava que eu queria o dinheiro do protegido dele. Quando chegamos ao hotel, eu nem tirei as malas do carro. Apenas subi para encontrar meu namorado, que ainda não estava pronto. Tive que desviar de inúmeras sacolas espalhadas pela sala.
- Oi amor – disse Taylor me abraçando. Eu nunca me acostumaria com ele falando em português, gente. Era fofo demais.
- Resolveu fazer compras de Natal ontem? – perguntei brincando e fui ajuda-lo a arrumar suas coisas.
- Eu disse que resolveria seu problema, não disse?
Parei o que estava fazendo. Meu anel brilhou em meu dedo e eu olhei Taylor. Ele sorria.
- Você está dizendo que...
- Vai lá ver. Confesso que não fui eu quem escolheu, e sim o John e o mordomo. Eles foram às compras assim que meu segurança voltou. Imagina se eu saio daqui e sou visto comprando roupas femininas.
Como eu não reagi, Taylor me puxou para a pequena sala. Comecei a olhar as sacolas de perto e meu queixo quase bateu em meu dedão do pé.
- O que significa esse monte de sacolas da Holt Renfrew, Taylor Daniel Lautner? – perguntei estupefata.
Deixa eu explicar: essa loja era onde todas as madames faziam compras. As marcas mais comuns lá eram Dior, Channel, Lancôme, Clinique, Michael Kors. Para citar algumas. Tudo era extremamente caro. Um guarda-chuva saía por $250, e eu não estou exagerando. Nunca entro na Holt Renfrew, mesmo que seja uma ótima forma de cortar caminho para ir ao Pacific Center, porque me sinto mal lá.
- Desapega das sacolas, – respondeu ele entediado e se jogou no sofá. – Meu pai diz que mulher é investimento. Então estou investindo na minha namorada.
Eu tive vontade de rir e de soca-lo ao mesmo tempo. O tal mordomo era especialista em vestir grandes celebridades para eventos de última hora, como Taylor me informou depois. Logo, só de me olhar, ele sabia exatamente o meu tamanho e o que eu podia ou não vestir. Nos primeiros minutos eu pensei em não encostar um dedinho nas sacolas. Ele percebeu e sentou-se no braço do sofá.
- É o seguinte – disse Taylor pegando minha mão e me puxando para perto – eu sei que você não quer o meu dinheiro, mas eu tenho uma quantia por mês para gastar com o que eu quiser. Dos meus contratos, 90% eu guardo numa poupança. Os outros 10% ficam na conta e eu gasto com o que me der vontade.
Segundo meus cálculos rápidos, que podiam ser totalmente errados, ele tinha cerca de um milhão e setecentos mil dólares para gastar com qualquer coisa. Era muito dinheiro. Muito mesmo!
- Então use com você, Tay – respondi sentando em seu colo. – Não comigo. Eu posso comprar minhas roupas. Não nessas lojas, claro, mas me sinto satisfeita com o que tenho.
Ele sorriu e me beijou.
- Prometo que não vou te mimar muito, tá? – brincou. – Mas esse dinheiro já foi . Já descontaram do meu cartão de crédito e não vão me devolver. Então aceite e pronto.
Nisso ele tinha razão. Respirei fundo e fiz uma careta, arrancando risadas de meu namorado. Fui até as infinitas sacolas e comecei a olhar as roupas.
- Me ajude a desembrulhar isso tudo. Não vou terminar a tempo de irmos para o aeroporto!
Taylor sentou comigo no chão e olhamos peça por peça. Vestidos, calças, shorts, blusas, casacos. Tudo lindo, tudo chique, tudo caro. Mordi meu lábio inferior e olhei o cara ao meu lado. Ele estava concentrado, tentando desatar o nó que se formou na fita de uma das sacolas. Tirei o pacote de suas mãos e o derrubei no chão.
- Obrigada pelos presentes – falei me deitando por cima e beijando seus lábios com carinho.
- Fico feliz que tenha gostado – Taylor respondeu sorridente e acariciando minha cintura. – Mal posso esperar para te ver usando todas essas roupas. E para tira-las depois também!
Revirei os olhos e dei um tapa em seu braço, voltando a desempacotar todas as roupas. Mas só para joga-las na mala dele, já que estávamos atrasados para pegar o avião.
Quando chegamos ao aeroporto, fizemos o check-in o mais depressa possível e corremos para a sala VIP. Nós pegaríamos um avião no aeroporto de Vancouver e desceríamos direto na Califórnia, sem conexão. Algumas fãs distraídas não o viram na banca, escolhendo revistas, mas me reconheceram, fofocaram e tiraram fotos com o celular, achando que eu não tinha percebido. Elas faziam isso o tempo todo! Aproveitei que tinha uma Chapters no aeroporto e corri trocar meu presente de Natal. Comprei um Kobo Touch, leitor digital e que me faria economizar bons dólares/reais com livros. Nosso voo foi anunciado e tivemos que esperar todo mundo entrar. Era a ordem. Primeiro a classe econômica, depois a primeira classe. Considerando quem comprou as passagens, adivinha só onde eu viajei?
Ao descer em Los Angeles, senti um nervoso repentino. Minha respiração ficou descompassada, meu coração batia rápido demais. Se eu não me acalmasse, teria um enfarto assim que pisasse na casa dos Lautner. Eu só esperava que minha querida cunhada gostasse de mim. Eu tinha certeza que teríamos que dividir um quarto. Quero dizer, a casa, pelo que Taylor havia me falado, era imensa, mas a família dele também era. Então, pela lógica, irmã, namorada e primas teriam que se virar num mesmo cômodo.
Atravessamos todo o saguão de desembarque de mãos dadas e fomos em direção a mais uma sala VIP. Por ser da primeira classe, deixamos o avião antes que os outros passageiros e tínha direito a esse espaço do aeroporto. Claro que os paparazzi estão acostumados com isso e eu já comecei a me sentir vigiada desde aquele momento. Olhei para meu lado esquerdo e lá estava um deles. Acenei. O cara só estava fazendo o trabalho dele afinal.
Não paramos para pegar nossas malas. John ficaria responsável por isso. Fomos direto para o carro que nos esperava, entrando ligeiros pela porta de trás. Cumprimentei o motorista e o outro cara no banco do carona, que logo descobri que era Brandon, o meu segurança enquanto estivéssemos nos Estados Unidos. Ótimo. Fui o caminho todo em silêncio, respondendo apenas uma ou outra pergunta que ele me fazia. Queria saber como estavam as coisas, agora que todo mundo me conhecia. Se eu tinha sido incomodada, se eu queria que ele se mudasse para o Canadá. Essa hipótese me fez rir. Não, obrigada. Eu não queria um segurança só para mim. Taylor digitava distraidamente em seu celular. Seu braço direito me abraçava pelos ombros, enquanto sua mão acariciava meu braço.
- Esse é o condomínio onde a família Lautner mora – disse Brandon. Meu namorado olhou pela janela e sorriu. Atravessamos um portal luxuoso, com duas guaritas e muitos seguranças. – A casa deles fica mais para o fundo por questões óbvias.
Concordei com a cabeça enquanto tentava manter meu queixo no lugar. Eram mansões de todos os tipos e cores. Carros caríssimos estacionados, crianças bem vestidas e lindas. Minhas mãos começaram a suar à medida que eu notava o fim do condomínio se aproximando. Brandon apontou para uma imensa casa branca e eu congelei. O motorista parou bem em frente à entrada.
- O que meu carro está fazendo na rua? – perguntou Taylor ao ver sua BMW. – Espero que não tenham deixado a Makena dirigir. Ela é louca!
Isso não fez sentido. A diferença de idade entre ambos era de seis anos. Se ele tinha 19, ela tinha 13. Como deixariam a menina dirigir? Precisava me lembrar de perguntar isso a ele mais tarde. John chegou logo em seguida e os dois seguranças ficaram responsáveis por tirar nossas coisas do carro e levar para o hall da casa.
- Eu só quero que vocês me prometam que, se forem sair, vão nos avisar – disse Brandon. – Nada de ficarem passeando por aí sem segurança!
Prometemos juntos, apesar de não ter tanta certeza assim de que cumpriríamos o pequeno acordo. Taylor piscou para mim e eu segurei o riso. Atravessamos a porta de madeira clara e eu abafei uma exclamação de surpresa. A casa era linda! Eu já tinha achado incrível por fora, mas por dentro era coisa de outro mundo. Além de grande, era muito bem decorada. Nada daquela coisa de novela, que é tudo exuberante, mas cada móvel passava a sensação de conforto e aconchego. Eu poderia viver naquele hall para sempre.
A mão de Taylor segurando a minha era uma das coisas que eu mais gostava em nós. Era estranho andar na rua sem sentir a pele dele tocando a minha. E, apesar da situação, eu conseguia respirar normalmente só com os dedos dele envolvendo os meus.
- Mãe? – chamou ele. Nada. Ele arriscou aumentar o tom de voz – Deborah Lautner!
Ouvimos passos vindos da cozinha. Uma simpática mulher surgiu sorrindo ao ouvir a voz do filho. Minhas sobrancelhas automaticamente se arquearam. Eles eram parecidíssimos. Digamos que o Taylor era a versão mais nova e masculina de sua mãe. Bom, talvez com os olhos do pai, mas o queixo e o formato do rosto eram dela, sem tirar nem por.
- Oi meu querido – disse ela abraçando-o. – Espero que tenham feito uma boa viagem.
Ele sorriu e colocou o braço ao redor da minha cintura.
- Mãe, essa é a , minha namorada brasileira, que mora no Canadá. , essa é minha mãe, Deborah.
Ela me deu um longo abraço e um beijo carinhoso na bochecha.
- Seja benvinda, minha querida. Taylor fala muito de você.
Mordi meu lábio, tentando conter o nervosismo.
- Espero que fale bem – brinquei.
- Muito bem! Ele só mentiu em uma coisa – Deborah encarou o filho. – Você disse que ela era linda. Mas eu a achei maravilhosa.
Taylor sorria satisfeito enquanto eu sentia minhas bochechas pegarem fogo. A senhora Lautner mandou o filho arrumar a bagunça que sua cachorrinha tinha feito e foi me mostrar o resto da casa. Também entendi de onde vinha toda aquela educação e simplicidade de meu namorado. A mãe dele era a pessoa mais doce do mundo.
- Meu marido foi com a irmã de Taylor até o mercado – ela explicou. – Makena cismou que queria uma árvore maior e atormentou o pai até ele ceder. Logo eles aparecem.
Conheci a empregada deles, que limpava a casa dos Lautners apenas duas vezes por semana, a pequena e agitada cachorrinha Maltês, Roxy, que logo se jogou em meu colo. Deborah queria saber de tudo. O que eu fazia no Canadá, como era minha vida no Brasil. Quais os meus planos para o futuro. Eu a entendia. Não devia ser nada fácil encontrar uma boa namorada para seu filho, sem que ela se encantasse com a fama e a fortuna dele.
- Dividimos os quartos de forma que coubesse toda a família aqui em casa – ela disse enquanto me mostrava o andar superior da casa. – Espero que não se importe de ficar com o Taylor no quarto dele. Vocês já se conhecem e eu não quero que você se sinta incomodada na sua primeira visita à nossa casa.
Pensei que tinha ouvido errado até ela abrir a porta do quarto azul e eu ver minhas coisas em cima da cama dele. Como assim nós dormiríamos juntos na casa dos meus sogros?
- Não, de forma alguma – respondi ainda em choque. – Mas, de verdade, posso ficar com a Makena e as outras meninas. Não me incomodo.
Deborah deu um tapinha carinhoso em minhas costas e me empurrou para dentro do cômodo. As paredes eram cobertas por pôsteres de filmes e lutadores de artes marciais. Mas Taylor não estava ali. No quarto eu digo, não nas paredes. Duh!
- Aqui temos o banheiro – ela abriu uma porta escondida atrás do armário. – Depois ele te mostra como tudo funciona.
Concordei com um aceno de cabeça. Devo dizer que, se eles queriam me deixar sem graça com tanta bondade, tinham conseguido em menos de uma hora. Eu queria ver como seria dali para frente. Acompanhei Deborah até o jardim, onde encontramos Taylor, que voltava da garagem.
- Alguém andou no meu carro? – perguntou sério.
- Eu – ela respondeu. – Fui à padaria.
Ele sorriu.
- Ufa. Pensei que a Makena tivesse saído com ele pelo condomínio. Já viraram amigas e começaram a falar de mim?
Eu e Deborah nos olhamos.
- Eu já gosto da sua mãe – respondi sincera. – Mas ainda não tivemos tempo de falar de você. Quem sabe daqui a pouco?
Ela piscou para mim e nós duas rimos. Taylor beijou meus lábios e foi brincar com Roxy. A convite da dona da casa, sentei-me em uma das espreguiçadeiras no jardim.
- Tenho uma coisa pra você – disse ele antes de correr de volta para a garagem. Retornou minutos depois com algo em mãos. – Encontrei outro dia enquanto limpava meu quarto.
Taylor lançou a bola de vôlei para mim e eu ri. Apertei, joguei pra cima.
- Precisa encher um pouquinho, mas dá para jogar.
- Então vem! Quero ver se você é boa nisso mesmo!
Ele estendeu a mão e me ajudou a levantar. Brincamos um pouquinho e eu até ensinei-o a sacar. Mas a coisa ficou séria quando ele passou a me fazer correr e só jogava bolas baixas, me obrigando a rebater de manchete.
- Tay, assim não vale – resmunguei enquanto corria. Ele riu. – Ah é? Então segura essa.
Levantei minha mão direita e devolvi a bola com uma bela cortada que quase atingiu seu pé. Lautner pulou e sua mãe riu. Ele me encarou sério e veio correndo em minha direção. Pegou-me pelas pernas e me jogou em seu ombro.
- É assim? Vai trapacear? Quero ver fugir de mim agora!
Eu batia em suas costas e ria, tentando sem sucesso pedir para ser colocada no chão. Pouco tempo depois, ele se rendeu e me soltou. Nos abraçamos e eu pude sentir Roxy pular em minhas costas, tentando morder os braços de Taylor
- Ih, ela é ciumenta?
- Muito! – disse ele, me deixando de lado para dar atenção à bichinha.
Voltei a me sentar ao lado de Deborah, que parecia muito satisfeita com a cena que tinha visto. Conversamos mais um pouco e ela me explicou a programação para as semanas que antecediam o Natal. Por ter muitos jovens, a família se organizava para ir a festas, fazer acampamentos no jardim e tudo que fosse possível para manter a todos entretidos. Eu tinha sido a primeira a chegar. A mãe de Deborah, Lucy, chegaria no dia seguinte, pouco antes do almoço. Ofereci-me para ajudar com a comida e o que mais eles precisassem e ela agradeceu, me passando em seguida a responsabilidade por uma das sobremesas da noite de Natal.
Algumas horas mais tarde, Daniel e Makena voltaram para casa. Taylor, sua mãe e eu estávamos tomando chocolate quente na cozinha quando ouvimos a caçula da família gritar o nome do irmão. Fomos até a sala e nos deparamos com um homem alto e rechonchudo lutando contra os galhos de um pinheiro de verdade. E grande. O cheiro do pinheiro deixou a casa totalmente no clima de Natal.
Taylor correu para ajudar o pai a colocar a planta no vaso que Deborah tinha separado. Makena me olhou e deu um sorrisinho divertido. Ela tinha um pote bem menor em suas mãos, com um mini pinheiro. Assim que o irmão terminou o que fazia, ela entregou-lhe a planta e ganhou um beijo carinhoso na bochecha. Se eu já tinha achado Deborah simpática, era porque ainda não havia conhecido o pai dele. O sorriso alegre de Daniel era contagiante e vi em seu rosto os olhos de Taylor Lautner.
- Espero que meu filho esteja sendo um verdadeiro cavalheiro com você – disse apertando minha mão. – Se ele não for, me avisa que eu dou uns cascudos nessa cabeça chata dele.
Rimos.
- Ele é um amor. Parabéns ao senhor e à sua esposa pela educação que deram a ele.
- Tiramos o senhor e fica tudo certo – Daniel brincou.
- Tá. Mas só se vocês me chamarem de , ao invés de !
Ele e Deborah se olharam e sorriram.
- Feito! – responderam juntos.
Makena, que tinha saído da sala, voltou com várias caixas e sacolas. Colocou tudo sobre o sofá, parecendo imensamente feliz e satisfeita. Ela era ainda mais parecida com Deborah, incluindo os olhos e o sorriso. Aliás, parecia que sorrir era regra naquela casa. Todo mundo era extremamente feliz. Ou estavam fingindo, só para me fazerem ficar bem.
- Finalmente meu irmão trouxe alguém legal para cá – disse abrindo uma das caixas e revelando inúmeros enfeites brilhantes. – Nunca vi ninguém tão ruim para escolher namorada como ele.
O silêncio reinou e todos os olhares se voltaram para Makena.
- Como assim? – perguntou Taylor. – Pensei que você adorasse a Sarah.
A menina revirou os olhos.
- Convenhamos Tay, ela é chatinha. Vive para aquele cabelo, que nem bonito é. A Lily mal falava com a gente, quem dirá passar o Natal aqui em casa? A Selena era legal, mas estava só fazendo a parte dela. Nem me responde mais no Facebook.
Ficou faltando uma. Mas eu não seria doida de perguntar. Era a que tinha machucado Taylor o suficiente para que ninguém na casa falasse dela.
- Bom, isso não importa – disse Deborah, na tentativa de quebrar a tensão que surgiu com as palavras de sua caçula. – A já me encantou e eu já gosto dela.
Sorri sincera.
- Eu já gostei quando Taylor disse que a Kristen a adora. Quero dizer, ela não é do tipo que socializa com qualquer um. Se a conquistou a Stewart, então eu estou mais do que tranquila.
Sim, minha cunhada tinha a língua maior do que a boca. Meus olhos encontraram os de Taylor e nós rimos. Se por um lado era exagero, por outro Makena tinha razão. Kristen Stewart não era do tipo que fazia amizade com todo mundo e, bem, ela tinha me mandado uma mensagem logo cedo. Acho que isso só podia significar uma coisa: eu era mesmo muito legal!
Capítulo 8
Ajudei Taylor e Makena a arrumar a arvore de Natal. Entre luzes e enfeites, conversei um pouco mais com a caçula dos Lautner. A menina se revelou apaixonada por moda, louca por cinema e com um sonho mínimo de atuar. Era incentivada pelo irmão, mas ainda não conseguia decidir entre desenhar roupas ou representar um personagem.
- Eu acho que você tem que fazer aquilo que te dá mais prazer – falei enquanto pendurava uma estrela dourada no galho do pinheiro. – E você não devia ficar dando palpites, Tay.
Ele resmungou ao meu lado.
- Seria muito mais legal ter uma irmã atriz. Poderíamos atuar juntos.
Makena revirou os olhos.
- Já não basta morarmos juntos? – perguntou em tom rabugento.
-Não – respondeu ele rindo.
Ouvimos a voz de seu pai chamando-o e Taylor nos deixou a sós pela primeira vez.
- Não deixe que nada te influencie além do seu coração – falei ajudando-a a desenrolar as luzes de Natal que seriam colocadas ao redor da lareira. – Mesmo que você erre, que mude de ideia. Vá pelo seu coração, nunca pela opinião dos outros.
- Eu sei. Fiz uma participação num filme, mas não sei se realmente gosto disso. Eu estava aprendendo a tocar e cantar com a... – Makena me lançou um olhar constrangido e preocupado. – Com uma amiga minha.
- Com a Taylor Swift? – perguntei abaixando a voz.
A menina olhou nervosamente para a porta e concordou com um aceno de cabeça.
- Ela estava me ensinando – ela respondeu aos sussurros. – Mas depois do que aconteceu entre eles, nem o nome dela a gente pronuncia mais. Quem dirá eu ter aulas particulares de violão e canto?
- Ela machucou mesmo seu irmão, né?
Ouvimos a voz de Taylor se aproximar da sala e paramos com o assunto. Começamos a contornar a lareira com as pequenas luzes e ele entrou no cômodo segundos depois.
- , preciso ir até a produtora com o meu pai – disse ele pesaroso. – Parece que surgiu uma proposta importante por lá e precisam de nós para aprovar.
- Tudo bem, Tay. Eu e a sua irmã temos muito trabalho ainda com essas lâmpadas!
Ele sorriu satisfeito ao perceber que ficaríamos numa boa juntas. Despedimo-nos com um beijo e Taylor saiu correndo. Daniel já o esperava no carro. Makena e eu trocamos um olhar cúmplice e ela riu. Terminamos o que estávamos fazendo, guardamos os enfeites que não foram usados e ela me arrastou para o seu quarto. As paredes levemente amarelas, cobertas até a metade com um papel de parede com listras brancas e azuis, eram tão alegres quanto o resto da casa. Makena sentou em sua cama, enquanto eu ocupei a cadeira de acrílico roxo que ficava em frente a sua bancada.
- Você tem que me prometer que nunca vai dizer ao meu irmão que eu te contei.
- Eu só tenho curiosidade – respondi sincera. – Mas não pretendo entrar nesse assunto com ele. Quando o Taylor quiser, ele mesmo pode me falar sobre o que quer que tenha acontecido entre eles.
Ela pensou por alguns segundos e desatou a falar.
- Eles se conheceram naquele evento que o cara humilhou a Taylor Swift e tudo mais. Trocaram telefones e se falavam todo santo dia. Por mais que ele dissesse que eram namorados, ela não concordava e nem discordava. Deixou a coisa rolar. Moramos em estados diferentes, como você sabe. Ela mora em Nashville, no Tenessee, e a gente aqui em Santa Clarita, na Califórnia. Então eles não se encontravam o tempo todo.
Devo confessar: eu nem pisquei enquanto Makena me contou sobre o namorico deles.
- Sempre que ela podia, vinha para cá. E quando meu irmão não estava ocupado, ia encontrar com a Swift onde quer que ela estivesse. Taylor estava cada vez mais apaixonado por ela, se declarava o tempo todo e resolveu pedi-la em namoro três meses depois de se conhecerem.
- Em dezembro? – perguntei lembrando do nome da música.
- Exato. Você já deve ter percebido que o meu irmão é todo metido a romântico, né? Ela estava em Los Angeles e combinaram de jantar num restaurante. O Taylor levou um buquê de rosas vermelhas, lindas por sinal, decidido a oficializar o relacionamento deles. Quando se encontraram, ele entregou as flores, mas não disse nada. Eles jantaram, conversaram sobre o que tinham feito no tempo que não se viram, como estavam, essas coisas. E, antes da sobremesa, ele conversou com ela, se declarou e a pediu em namoro.
Makena fez uma pausa dramática, me deixando inquieta.
- E...?
- E ela negou. Disse que não estava pronta para assumir um relacionamento desse nível, pediu desculpas e foi embora.
- Ela largou o Taylor no restaurante? – perguntei estupefata. Makena concordou com a cabeça. – You gave me roses and I left them there to die. Meu Deus!
- Meu irmão voltou para casa em um estado indescritível – ela continuou, agora parecendo irritada. – Não falou com ninguém e foi para o quarto. Não sabíamos o que tinha acontecido, mas tínhamos a certeza de que alguma coisa tinha dado errado. No dia seguinte, o Taylor tentou falar com ela. Ligou, mandou mensagens no celular, mandou e-mails. Nada. Ela não respondeu. Ele passou o mês inteiro quieto. Às vezes podíamos ouvi-lo chorando no quarto, mas ele não conversou com ninguém. Até o dia que ela voltou e quis encontrar com ele. Taylor achou que ela talvez tivesse se arrependido e, por mais idiota que nós tivéssemos pensado que ele era, estávamos dispostos a aceitar a Swift de volta na nossa família. Mas a mãe dele ligou para a minha mãe e disse que a filha só encontraria com o Taylor se as duas estivessem presentes. Não seria um encontro romântico e sim uma conversa entre amigos.
- E elas foram – afirmei. Eu tinha visto uma matéria na época, dizendo que as mães tinham ido jantar com eles.
- Não ficaram na mesma mesa, mas estavam por perto.
- E por que a Swift quis encontrar o Taylor? – perguntei tentando tirar Back To December da cabeça.
- Para conversar sobre o que ela tinha feito, pedir desculpas e saber sobre ele – Makena suspirou com pesar. – E para dizer que estava saindo com um novo cara.
Meu queixo foi ao chão.
- John Mayer?
A menina riu irônica. Provavelmente esse não era um nome que a agradava muito. Eu estava bem chocada. O romance deles teve fim um pouco antes do Natal, o que significava que Taylor Swift já tinha gravado Half Of My Heart com John Mayer.
- Você acha que ela traiu seu irmão? – perguntei organizando meus pensamentos. – Quero dizer, ela já conhecia o cantor, não?
- Tenho quase certeza que sim.
E então algo surgiu em minha mente.
- O Taylor disse que você é fã da Swift.
- E sou. Adoro as músicas dela. Mas gosto da artista Taylor Swift. Não da pessoa. Porque, honestamente, eu não acho que ela valha muito. Pelo menos não como namorada. Sei que ela tem amigas de longa data e que é super fiel a todas elas. Mas para o meu irmão, ela não serve mais.
Fiz uma careta. Claro que não. Eu servia e muito.
- Ela disse ao Taylor que lamentava muito como tudo tinha terminado. Disse que ficou um pouco assustada com o carinho dele por ela e que por isso fugiu.
- Bom, pelo que eu interpretei da música, a Swift se arrependeu muito.
Makena concordou.
- Mas só porque o John Mayer é um nojento, grosseiro e que deu um pé no traseiro magro dela. Meses depois ela conheceu o Jake Gyllenhaal e pronto. Tudo ficou lindo.
- Até ele terminar com ela antes do Natal – completei.
- É isso aí – ela respondeu rindo. – Podíamos escrever uma biografia sobre os relacionamentos da Taylor Swift, . Estamos muito bem informadas!
Respondi com uma careta de desaprovação.
- Acho que já falaram o suficiente da Swift por aí. Não seria uma novidade esse nosso livro.
- Meu irmão disse que você também gosta dela.
Engoli em seco. Ele comentara sobre meu iPod então?
- Gosto – respondi sincera. – Bastante, na verdade. Quero dizer, eu não a conheço pessoalmente, então, assim como você, gosto da artista Taylor Swift. E sei que o que vemos diante das câmeras é completamente diferente da realidade. E isso não é só com ela, mas com todos os artistas. A Swift tem uma imagem que eu não sei até que ponto é real ou não.
- Ela realmente ama os fãs – disse Makena. – De certa forma, eu entendo. Se não fosse por eles, a música dela jamais faria sucesso. E ela tem consciência disso e tenta retribuir toda a atenção deles, o que eu acho legal.
Concordei com um movimento de cabeça. Se tinha algo que eu sempre imaginava era como eu seria se fosse famosa. Ou namorada de um cara famoso, como era o caso. Vamos lá, é algo a se pensar. Você tem que fazer escolhas, como Taylor Swift ironicamente havia me ensinado. Logo ela, que parecia ter optado por todos os caminhos errados em seus relacionamentos. As pessoas fogem de seus fãs, se escondem, brigam com fotógrafos. Fazem gestos obscenos, usam seguranças para tirar de perto seus admiradores. A troco de que afinal? Não eram justamente essas as pessoas que reconheciam seus trabalhos? Que pagavam seus grandes luxos? Lembrei-me do dia em que uma amiga me contou sobre Danny Jones, do McFLY. O músico, conhecido por seu bom humor, em sua ida mais recente ao Brasil aceitou tirar foto com uma fã que o encontrou no hotel. A garota se posicionou ao lado dele, o abraçou. Quando a amiga se preparou para registrar aquele momento, Danny fez um gesto perceptível apenas por seu segurança que, no mesmo instante, tirou a menina de perto. Por quê? Para quê? É isso que eu não entendo. Se não tinha a real intenção de tirar a foto, que não saísse do quarto. Ou ao menos dissesse à menina que não estava bem, agradecesse pelo carinho e pronto. Mas, convenhamos, aquilo não era nada perto do preço que ela estava pagando por uma diária naquele hotel e pelo ingresso do show da banda.
Como famosa, minha postura seria a mesma de Taylor Swift. Parar para tirar fotos, conversar numa boa. Ninguém morre por causa de 20 segundos. Já sendo namorada de algum artista, eu praticamente empurraria meu amado para suas fãs. “Amor, ali, tira foto com ela” ou “não se esquece de dar autógrafos para as meninas do fundo” seriam as frases que eu repetiria incansavelmente, até me certificar de que todas fossem atendidas. Qual o motivo? Eu sabia e tinha sentido na pele o que é dormir no chão, passar frio e ser tratada com uma certa indiferença por seus ídolos. Dói. Revolta. Irrita.
Makena e eu mudamos de assunto. Ela ainda queria saber muito sobre mim, das coisas que eu gostava ou o que eu fazia nas horas vagas. E, devo acrescentar que, apesar de nova, a menina era bastante madura. Ouvia tudo atentamente, dava opiniões e não hesitava em perguntar quando alguma duvida surgia. Contou-me sobre seus dias, suas aulas na Valencia High School, suas amigas e sua paixão adolescente.
- Meu irmão não gosta muito dele – disse envergonhada. – Mas não é como se a gente tivesse alguma coisa, sabe? Ele é mais meu melhor amigo do que qualquer outra coisa.
- Mas ele sabe dos seus sentimentos? – perguntei tentando não rir. Não que eu achasse engraçado, mas era fofo ver minha linda cunhada passando pelas mesmas coisas que eu passei. Sentindo que era para sempre, que ele seria o amor de sua vida, que casariam e teriam três filhos. Coisa de adolescente mesmo.
- Não – respondeu. – Não sei se vale a pena. Não quero perder a amizade dele.
- E se ele pensar a mesma coisa? Vamos lá, Makena. Coragem. Conversa com ele.
Ela hesitou.
- E se ele disser que não quer nada comigo? O que eu faço?
Encolhi os ombros.
- Fala que tudo bem, que você ainda quer ser amiga dele e pronto. Ele não vai ser bobo de perder uma pessoa incrível como você.
Makena ficou em silencio, processando meu conselho.
- Quem foi o primeiro cara que você gostou? – a pergunta saiu no exato momento que alguém batia na porta. Com a autorização de Makena, Taylor entrou.
- Também quero saber! – disse mordendo minha bochecha.
Abafei uma risada.
- Não sei se devo te contar – respondi cruzando os braços.
- Ah deve sim! Vamos, abre o bico. Quem foi o cara que roubou seu coração antes de mim?
Taylor se jogou na cama ao lado da irmã. Ambos me fitavam curiosos. Revirei os olhos.
- Eu tinha doze anos. Tinha acabado de me mudar para a cidade onde meus pais moram atualmente e era o meu primeiro dia de aula na escola nova. E foi quando eu o vi pela primeira vez – um filme passava em minha mente, me fazendo lembrar com carinho daquele tempo bom. – O nome dele é Caio. Nunca tivemos nada, mas fui apaixonada por ele durante uns dois ou três anos. Hoje em dia ele é meu melhor amigo, praticamente meu irmão. Conversamos sempre, trocamos conselhos. Nos vemos quando dá e sentimos muita falta um do outro.
- Ele é bonito? – perguntou Makena. Taylor a cutucou. – Ai! O que foi? Não perguntei nada de mais!
- É sim – respondi sincera. Oras, ele era mesmo! – Acho que não tem uma amiga minha que não queira uma chance com ele. O Caio é realmente lindo.
Meu namorado emburrou.
- Nunca tiveram nada?
- Não, Tay – não contive uma risada. – Nunca tivemos nada. Sempre fomos amigos e assim seremos para sempre, se Deus quiser.
- Acho ótimo – disse ele. – Agora vem, vamos para o meu quarto. Temos algumas coisas para fazer por lá.
Taylor me puxava pela mão para fora do quarto de Makena.
- Não se esqueçam que eu estou no cômodo ao lado – paramos bruscamente e a olhamos. – Não façam muito barulho. Não quero imaginar meu irmão se agarrando com a namorada enquanto escuto música.
Estupefato, Lautner abriu a boca lentamente. Gaguejou, corou de uma forma violenta e me encarou. Eu apenas ri e saí do quarto, indo em direção à porta ao lado.
- O que ela quis dizer com isso? Acha que vamos fazer o que? Esses adolescentes de hoje em dia falam demais. Imagina, minha irmã de 13 anos me pedindo para não me agarrar com a minha namorada.
- Taylor – falei sentando em sua cama. Ele fechou a porta. – Ela não quis dizer literalmente se agarrar.
- Não? – perguntou ele confuso.
- Em tradução livre, o pedido da sua irmã seria para não transarmos enquanto ela estivesse no quarto ao lado, já que ela pode ouvir tudo.
E, bom, ai ele passou de 19 para 190 anos, resmungando feito um velho. É a vida. Apenas ignorei-o e comecei a organizar minhas coisas. Deborah tinha afastado as roupas do filho no armário para que eu pudesse pendurar algumas peças que trazia na mala. Notei que ele olhava com certo carinho para o pequeno pinheiro que Makena havia lhe dado quando retornou com Daniel. Nossos olhares se encontraram e ele sorriu.
- Eu tenho um costume meio egoísta – disse. Foi até sua cômoda e tirou uma caixa da última gaveta. – Mesmo que a casa esteja toda decorada, gosto de ter minha própria árvore de Natal.
Eu estava encantada. Não apenas por olhar o cara que eu estava amando mais e mais a cada minuto, ou pela forma fofa que ele colocava os mini enfeites na mini planta. Mas porque eu também tinha esse mesmo costume. Peguei uma bolinha azul e olhei meu reflexo nela.
- Que bom saber que não sou a única.
Taylor me olhou espantado.
- Você também tem uma árvore só para você?
- Sempre – respondi sentando-me em seu colo. Pendurei a bolinha em um galho do pinheiro. – Geralmente tenho uma no trabalho e uma no meu quarto. São pequenas, simples, mas são minhas. E são decoradas do meu jeito.
Meu namorado beijou meu ombro com carinho e sorriu.
- Divide sua árvore comigo esse ano? – pedi encarando seus olhos.
- Com o maior prazer – Taylor respondeu e entregou-me uma pequena estrela dourada, que eu logo tratei de colocar no topo do pinheiro. Sorrimos satisfeitos e fomos arrumar nossas coisas, que agora estavam espalhadas em cima da cama de casal. Da nossa cama.
N/a (13/02/2012): Não tenho muito o que falar, só mostrar uma coisa: Cliquem aqui e vejam.
Sem mais.