Oh Boy!
Por Paula

Capítulo 1

- Tudo bem, eu ligo mãe, pode deixar, assim que eu chegar lá eu ligo. Claro, claro, eu to com tudo sim, a viagem foi ótima mãe. Não, eu não fiquei enjoada e a minha bagagem não foi perdida... MÃE! Quando chegar lá eu ligo ok? Também te amo, beijo.

desligou o celular e se sentou em um banco do aeroporto. Ela, na verdade, não conhecia a pessoa que estava esperando, mas sabia que seu nome era Adam e ele tinha 43 anos. ficou sentada segurando suas malas com toda a força. Estar em um país desconhecido e, ainda por cima, sozinha, não lhe deixava segura e, infelizmente, a deixava com fome. Ela só queria que o tal do Adam aparecesse logo.

- Mãe? Oi! Sou eu de novo. Vem cá, esse Adam disse que eu tinha que esperar aqui mesmo?
- Ele não apareceu ainda? Ai meu Deus, eu sabia que eu não devia ter deixado você viajar sozinha, ainda mais pra casa de uma família desconhecida! E se eles te tratarem mal? E se te seqüestrarem?
- Pára de drama, mãe. – riu – Eu vou esperar mais um pouco, se ele não aparecer o que eu faço?
- Pega um avião e voa pra casa.
- Claro mãe, claro... – sabia que esta seria sua última opção – Vou desligar pra ficar mais atenta às pessoas aqui, a gente se vê, tchau.

se inscreveu em um programa de intercâmbio com idéia inicial de ir para os Estados Unidos, mas seu pai cismou que a Europa era bem mais interessante para ela e que todo mundo sempre vai pro Estados Unidos. Ela até aceitou ir pra Europa, mas teria que ir pra qualquer lugar que falasse inglês. Espanhol, nem pensar. Com a ajuda de sua melhor amiga, ela decidiu Inglaterra, por livre e espontânea pressão.
Apesar da influência da família, não queria ir para Londres, simplesmente não via graça em ir para o lugar que todos sempre vão, então, olhando alguns guias de viagem, ela decidiu por Winchester, uma cidade bem mais tranqüila e interessante, segundo ela. Os pais já estavam felizes pelo fato de ela não ir mais para a América, então aceitaram na boa. quase foi para o Canadá, mas seu pai cismou que Canadá e Estados Unidos era a mesma coisa e lá ela só ia para sentir frio e ficar parada o dia todo.
Então, lá estava ela, sentada em um banco frio de um aeroporto londrino esperando por um cara chamado Adam que ela só sabia a idade. Adam era o pai da família em cuja casa iria se hospedar. Ele viria buscá-la para levá-la até a estação de trem para irem para Winchester até sua nova casa, onde ela conheceria sua mais nova família pelos próximos quatro meses. Por incrível que pareça, ela estava mais nervosa do que empolgada.
viu um homem suspeito, usava um terno social preto bem bonito e parecia estar procurando alguém. Só podia ser ele.

- Com licença. – cutucou o homem – Você é o Adam? Adam Poynter?
- Não sou eu não, mas ele está te procurando há horas. – o homem se virou pra – Eu trabalho com ele, prazer. – estendeu a mão para ele. Como assim, trabalha com ele?
- A sua nova filha já chegou. – o homem inclinou a cabeça pra dentro de um carro – Tá aqui fora já... Seu nome é , não é?
- Isso. – observava o carro e o homem que saía pela outra porta. Putz, que carro era aquele?
- Olá, . – o outro homem estendeu a mão – Prazer, Adam Poynter. Pode entrar no carro. foi até o carro e Adam abriu a porta de trás, dando-lhe espaço para entrar.

- Então... Fez boa viagem? – Adam perguntou. observava o homem. Era bonito, para um coroa era até bonito, mas não o tipo de homem que chama a atenção. O amigo dele que estava no banco do carona era mais bonito, mas sua cara de retardado e o sorriso besta que ele tinha no rosto já o deixavam mais feio.
- Foi ótima, muito tranqüila. Eu normalmente fico enjoada nessas viagens, sabe, mas eu nem reparei que tinha chegado... – começou a falar mas percebeu que os homens não estavam muito interessados em escutá-la, já que nenhum dos dois comentou nada depois. Por que diabos as pessoas nunca davam atenção ao que ela falava?
Depois a mãe dela dizia que ela era anti-social e falava pouco demais, mas a única pessoa que dava o mínimo de atenção para ela era , e claro, seus pais, mas obviamente ela não gostava de conversar sobre certas coisas com os pais. Pelo menos nesse aspecto ela era igual aos outros.

- A é do Brasil, sabe, James... – Adam disse depois de um tempo de silêncio.
- Brasil? – James olhou pra trás – Deve sentir calor lá, hein? – ‘Eu sabia que ele era retardado’, pensou.
- Um pouco. – fingiu um sorriso e James riu como se estivesse sendo muito engraçado. Depois de mais algumas conversas sem noção como aquela, o carro finalmente parou na estação. Adam e James saíram do carro. ficou esperando achando que algum deles ia abrir a porta, mas desta vez eles não abriram.
‘Tá, eles são estranhos’, pensou. ‘Aonde eu fui me meter... E pra que diabos a gente tem que pegar um trem se temos um carro aqui?’. resolveu sair do carro, percebendo que se ficasse parada ali seria esquecida pelos dois que já estavam indo na direção de um trem parado esperando por passageiros. andou rápido até os dois segurando sua bagagem, que não era pouca. Que cavalheiros.
- Vem comigo, . – Adam a chamou e pegou uma de suas malas até os dois entrarem no trem – E obrigado James, a gente se vê por aí! – Adam sorriu para James que acenou para ele e acenou e se sentou ao lado de Adam. Fechou os olhos e em questão de segundos adormeceu.

Capítulo 2

observou a casa, era bonita. Um pouco grande se comparada a sua, mas comparada às outras do bairro era normal. Adam pegou, dessa vez, duas de suas malas e foi entrando na casa. foi atrás de novo para não ficar pra trás.
- Gente, cheguei! – Adam parecia chamar algumas pessoas na cozinha. não sabia porque, mas não tinha um bom pressentimento em relação aquela família.
- Essa é , a garota do Brasil. – Adam exibia para uma garota e um garotinho que entravam na sala. Logo em seguida veio uma mulher com alguns pratos na mão.

- Hola! – a mulher acenou – Como estas?
- Querida, eles não falam espanhol no Brasil – Adam disse baixo pra esposa e os dois filhos que começaram a rir.
- Ah, me desculpe, o que você fala então, querida? – a mulher perguntou, atenciosa.
- Português.
- E de que lugar você é do Brasil mesmo? – a menina de cabelo preto com mechas louras perguntou. estava morrendo de vergonha de estar sendo o centro das atenções naquela casa. Pelo menos eles eram simpáticos.
- respondeu – Vocês provavelmente não conhecem...
- Eu não conheço! – o garotinho disse com uma expressão de dúvida. apertaria as bochechas dele se não estivesse com vergonha.
- Bem , muito prazer, eu sou Eve. – a mulher se apresentou. - Esta é a Rachel e este é o Mike. Rachel, mostra o quarto pra e ajuda ela a desfazer as malas.
- Mas aonde ela vai ficar? – Rachel olhou pra com uma expressão um pouco enojada. não sabia exatamente se de nojo, mas não tinha gostado nem um pouco.
- No seu quarto, oras! – a mulher disse, voltando pra cozinha. – Fique a vontade . – ela gritou da cozinha. A expressão no rosto de Rachel não era das melhores.
- É só você ficar longe das minhas coisas, beleza? E, por favor, não bagunça o meu quarto, eu tenho muito trabalho pra deixá-lo perfeito. – ela dizia enquanto subia as escadas. foi atrás mesmo sem saber se devia. Parou no meio da escada porque achou que não devia ter seguido a garota.
- Não vai vir não? – Rachel olhou pra trás e continuou andando. Agora, definitivamente, ela sabia que a garota não tinha ido com a cara dela.
- Pode colocar as suas coisas nesse armário e a sua cama é aquela ali. – Rachel apontou pra uma cama no fundo do quarto. nunca tinha visto um quarto tão lindo antes, era o tipo de quarto que ela sempre havia sonhado em ter, todo lilás, vários murais com fotos com amigos e com a família, almofadas e bichinhos extremamente fofos na cama, pôsteres de caras lindos nas paredes, um computador rosa. Computador ROSA, cara! Era bom demais pra ser verdade.
- Tá legal, obrigada... – disse, mas Rachel já havia saído do quarto a deixando sozinha.

- Eu tô te falando, , eles são legais demais pro meu gosto!
- Tá... Mas e isso é ruim?
- É claro! Eu odeio gente legal demais. Eu não sei ser legal assim como eles e, se eles estão sendo tão legais assim, alguma eles estão aprontando...
- , deixa de ser paranóica. Eles não podem simplesmente estar querendo ser gentis com a nova moradora da casa deles?
- Não deveriam. Quem foi o mentiroso que disse que os ingleses são frios? – falava baixo – Eu vou matar esse sujeito.
- Aproveita que eles são legais e tenta fazer amigos, principalmente na escola...
- Ah, nem todos são tão legais. Eu acho que a garota não foi muito com a minha cara...
- Que garota?
- A mais velha. Eu acho que é a mais velha, né? Ela deve ter a nossa idade, o nome dela é Rachel...
- Nome de puta.
- Concordo. Mas acho que ela não foi com a minha cara mesmo e eu to no quarto dela agora, que por sinal é a perfeição em forma de quarto, e é aqui que eu vou ficar.
- Olha amiga, tira proveito do quarto e de tudo aí. Eu tenho que ir agora antes que a minha comida esfrie, beijos.
- Beijos. – desligou o celular e foi até a porta. Começou a espiar o lado de fora. Eve estava na cozinha, provavelmente fazendo o jantar. Rachel devia ter saído e o filho mais novo assistia televisão com o pai. ficou ali parada um tempo, analisando a casa, quando de repente ouviu uma voz atrás de si.

- Perdeu alguma coisa por aqui? – deu um pulo de susto e se virou pra trás. Viu um garoto mais ou menos da idade dela, um pouco mais velho, talvez. Ele tinha os cabelos claros e um piercing na boca. (N/A: * baba *)
- Oi... Quem é você? – disse, meio sem graça, entrando no quarto.
- Er... Eu faço as perguntas por aqui, mocinha. – o garoto disse, de forma engraçada. – Quem é você? Amiga da Rachel?
- Eu vim morar aqui, é... Do Brasil... – falava atrapalhada. Sempre ficava nervosa perto de garotos, ainda mais bonitos como aquele – Eu...
- Ahh, do Brasil!! Já sei quem és tu! Eu não sabia que você chegava hoje... Dougie Poynter. – o garoto estendeu a mão pra .
- Prazer... – apertou a mão dele sem graça, sentindo um calafrio percorrer seu corpo ao tocar nele – ... Pode me chamar só de mesmo... – foi interrompida por um grito vindo do andar de baixo.
- Crianças, venham jantar! – Dougie arqueou a sobrancelha.
- Hora das crianças comerem, – Dougie bufou e saiu do quarto. foi atrás.

- Já conheceu a , Dougie? – Eve disse, sorrindo para , que sorriu sem graça.
- Acabamos de nos conhecer. – Dougie disse sorrindo e pegando batatas.
- Nós nos esquecemos de falar que tem mais um integrante nessa casa. – Adam disse.
- Viu? – Dougie olhou pra – Pra você ver como me respeitam aqui.
- Por um lado isso é bom Dougie. Sabe, lá em casa sou só eu, meus pais se preocupam até demais comigo. – disse, dando algumas garfadas na comida.
- Viu, meu bem? Você queria pais grudentos? – a mãe de Dougie disse.
- Mas, então, meu filho... – Adam encerrou a conversa – Nos fale, como o time anda?
- A gente tem jogo semana que vem, contra aquela escola lá... Esqueci o nome...
- Aquela que vocês perdem todos os anos?
- Essa. – Dougie bateu na mesa assustando – Mas dessa vez agente tá se preparando muito bem, o time nunca esteve tão forte. – Dougie falava de boca cheia, mas, por incrível que pareça, continuava bonito.
- O Dougie joga baseball, . – Adam disse – A Eve tá falando de um campeonato que tem na escola dele, no caso, na sua escola também a partir de amanhã, que o time deles sempre perde.
- Não por minha culpa, que fique bem claro. – Dougie deu um gole em seu suco.
- Claro, claro. – Eve disse – Você é o melhor de todos, meu bebê.
- Não me julgue pelo baseball. – Dougie limpou a boca no guardanapo e olhou para – Aquela escola dá um valor que não existe pra esse jogo estúpido. - riu ao se lembrar que no Brasil eles valorizavam o futebol. Dougie começou a cutucar o prato de Mike, que comia quietinho e não tinha feito nenhum barulho até agora.
- Mãaaae!!! Olha ele!
- Dougie, deixa o seu irmão comer em paz! Mas que coisa!
- Cadê a Rachel? – Adam perguntou.
- Saiu. – Eve disse, indo até a cozinha.
- Foi aonde?
- Aposto que foi encontrar com aquele playboy. – Dougie disse - Como é que é o nome dele mesmo?
- Wilson. – Eve disse – Já disse que ele e a sua irmã não têm nada Dougie, e, mesmo se tivessem, ele é um amor de pessoa...
‘Wilson com certeza NÃO é nome de playboy’ pensou.
- Pooo mãe, só vocês velhotes mesmo pra não perceberem o que tá bem embaixo do nariz de vocês...
- Não tem problema, ela sabe que eu exijo que jantemos todos juntos, ainda mais agora com uma convidada, não sei porque ela não está em casa. – Adam disse.
- Tá ocupada dando pro playboy. – Dougie disse e soltou uma risada em seguida.
- Dougie, pára com isso! Olha o seu irmão aí! – Eve disse e ficou sem graça de ter rido, mas não conseguiu mesmo se segurar.

Capítulo 3

Depois do jantar, todos foram cada um para seus quartos. achou estranho o fato deles não ficarem na sala vendo televisão como o resto do povo comum. Na verdade, eles só se falavam mesmo na hora do jantar. foi para o quarto de Rachel mesmo sem a presença dela lá. Tomou banho, trocou de roupa, deitou em sua suposta cama e arrumou suas coisas para o dia seguinte. Ficou imaginando mil coisas, o tipo de gente que encontraria naquela escola, a vida dela poderia mudar radicalmente dependendo das pessoas que ela fosse encontrar por lá. De qualquer jeito, com certeza sua vida estava mudando para a melhor.

- Toc toc. – ouviu Dougie na porta entrando devagar.
- Oiii – se levantou rapidamente e foi ao encontro do garoto. Ele com certeza estava lindo, mais lindo do que nunca, talvez porque tivesse acabado de sair do banho e usasse apenas uma calça que estava aberta e uma camiseta um pouco velha.
- A minha irmã já chegou? – Dougie perguntou, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
- Não, ainda não, por quê?
- Hey, que baderna é essa no meu quarto? – Rachel entrou pela porta, assustando e Dougie.
- Ahhh, sua tratante! Aonde você tava, hein? – Dougie foi até Rachel, deixando parada no canto do quarto. Os dois ficaram sussurrando por alguns minutos até que se afastaram. Dougie foi até a porta e Rachel abriu seu armário.
- Se arruma, . – Rachel disse.
- Hein?
- A gente vai sair, você tem quer ir com a gente. – Dougie disse da porta – Me esperem aqui, ouviram?
- Vai logo, palerma. – Rachel pegou um vestido preto bem curto no armário e colocou em cima da cama.
- Mas aonde vocês vão?
- Festa na casa do Wilson. – Rachel se dirigiu ao banheiro do seu quarto.
- Mas... – foi atrás dela e ficou parada na porta – Por que eu tenho que ir?
- Prefere ficar em casa? A gente tá te fazendo um favor, vai. – Rachel jogou uma blusa em cima de .
‘Que garota abusada’, pensou.
- Acho que eu prefiro mesmo ficar em casa, não to a fim de confusão. – jogou a blusa de Rachel em cima da cama dela e foi até a sua.
- Você não pode ficar. – Rachel colocou a cara na porta.
- Por quê? Eu dou cobertura pra vocês, ué.
- Quem disse que os nossos pais não sabem? – Rachel saiu do banheiro com o vestido preto. Estava realmente bonito nela. Rachel era muito bonita, na verdade, as bonitas são sempre nojentas mesmo.
- Bem, deu pra deduzir pelo segredo e mistério que você e o seu irmão estão fazendo em volta disso.
- Ele é idiota. Mas tá, nossos pais não sabem, por isso você tem que ir com a gente.
- Você acha que eu vou dedurar vocês? – fez uma expressão de que não podia acreditar no que ouvia.
- Eu sei lá, eu não te conheço, garota. – Rachel começou a se maquiar em sua mesinha de cabeceira.
- Pois pode ficar tranqüila minha querida, eu não sou esse tipo de pessoa que acaba com a alegria dos outros. Vai lá pegar o seu playboy.
- Você é muito abusada, sabia? – Rachel se virou pra que estava deitada com as pernas pra cima.
- Abusada? Ah, que é isso? Você está enganada, querida, eu apenas trato as pessoas da mesma forma que sou tratada por elas.
- Ah, tanto faz. Vai ficar em casa mesmo? Sabe, tem tipo, vários gatinhos por lá... Você arranja alguém pra essa noite facinho...
- Pra essa noite? AHAHAUHA. eu acho que nós somos mesmo muito diferentes, querida...
Rachel era uma garota estranha. Quando começou a tratá-la com ignorância, ela pareceu começar a gostar mais dela.
- Só tira o olho do Wilson, ok? Ele é meu. – Rachel foi até a porta ajudar Dougie a entrar com uma caixa de som.
- Mas que festa é essa que nem som tem? – perguntou, olhando a caixa.
- Cara, é culpa dessa ai. – Dougie apontou pra Rachel – Tem que ficar fazendo de tudo pra agradar o Sr. Wilson playboy.
- Ah, vai pastar, moleque. – Rachel pegou sua bolsa – Acho que a não vai com a gente.
- Por que não? – Dougie virou pra .
repensou sua idéia em relação à festa. Ver Dougie perguntando por que ela não ia a deixou com uma imensa vontade de ir nem que fosse pra dar uma olhada.
- Eu acho que posso tentar, só pra deixar vocês felizes... – disse com um sorriso malígno no rosto. Rachel bufou e Dougie abriu a porta.

Capítulo 4

- Cara, eu to falando, eu tenho uma amiga no Brasil que vive fugindo de casa. Aqueles bonecos que vocês colocaram nas nossas camas não vão colar... – falava durante todo o caminho até a festa. Rachel e Dougie estavam começando a ficar impacientes.
- ! Tenta relaxar um pouco, ok? – Rachel via a hora que ia perder a estribeiras – A gente faz isso sempre, somos profissionais.
- A gente entende do assunto, . – Dougie fez um aperto de mãos estranho com a irmã e em seguida encarou .
- Até os melhores podem errar... – disse, um pouco baixo. Rachel ia respondê-la, mas foi surpreendida por Wilson na sua frente.
- Tá perdida, broto? – Wilson encurralou Rachel, impedindo-a de andar.
- Tava procurando um garoto lindo e forte como você pra me carregar pra festa. – Rachel sorria e aproximava os lábios da boca de Wilson.
- Seu dia de sorte. – Wilson se abaixou, pegou Rachel no colo e foi correndo em direção à um grupinho de pessoas perto de uma casa. Rachel berrava escandalosamente, mas ria que nem uma louca.
- E eu tenho que aturar isso. – Dougie foi pra mais perto de e começou a acompanhar o passo da garota – Pode deixar que se pegarem a gente eu limpo a sua barra pro velho, ok? Não deve ser mole estar numa casa de loucos desconhecidos e ter que causar boa impressão...
- Na verdade, vocês não são loucos. São desconhecidos, mas não loucos. – sorriu pra Dougie – É aqui a festa?
- Na verdade aqui ficam os... Como eu posso dizer...?
- Populares?
- Não... Eu prefiro não os chamar assim... Eu diria os cabeça-de-vento mesmo. riu. Não esperava aquela atitude de Dougie.
- Mas calma aí, não que eu não concorde com você, mas a sua irmã é uma delas... – direcionou o olhar para Rachel, que agora ria e bebia descontroladamente com algumas garotas.
- HÁ! Ela não tem cérebro. Quer dizer, eu também não tenho, mas ela é a perfeita imitação do ridículo.
- Eu acho que ela não gostou de mim...
- A Rachel não gosta de ninguém que não esteja no ‘nível’ dela. – Dougie disse, fazendo aspas com as mãos – Mas é claro que você não está, você é muito melhor que ela...
- Obrigada. – sorriu, tentando não encarar Dougie diretamente. Putz, por que ele tinha que ser tão lindo? – Mas você não é um deles? Você joga no time da escola! É um atleta!
- Olha, eu nem sei, eu acho que me classificam igual a eles. – Dougie chutava algumas pedras enquanto os dois iam pra dentro da casa – Mas eu não me deixo levar pela popularidade como a Rachel deixa, eu só faço bom uso dela as vezes...
- Sei... As vezes... – pensava nos populares de sua antiga escola. Ela sempre os detestou mais do que tudo na vida, sempre foi atormentada por eles desde a segunda série, apesar de nas escolas brasileiras isso não ser de forma muito direta, eles sempre a massacraram de alguma forma, seja na forma de se vestirem ou de a desprezarem.
- Fala, cara... – Dougie acenava para algumas pessoas – E aí, beleza? – sorria um pouco sem graça acompanhando Dougie. Será que eles estavam juntos na festa? Se não estivessem, Dougie já teria saído de perto dela, certo?
- Meu garoto!! – um rapaz um pouco mais alto que Dougie pulou em cima dele, assustando – Quem é? – o rapaz levantava as sobrancelhas indicando , que ficou sem graça.
- Tá morando lá em casa, é intercambista. – Dougie piscou para o rapaz que lançou um olhar maligno para Dougie. A quantidade de pessoas na casa aumentava a cada segundo e estava desorientada. Olhava para os lados e via pessoas se agarrando, por pouco não faziam filhos ali mesmo. Algumas pessoas faziam jogos estúpidos de bebedeira e algumas simplesmente conversavam. Era pra lá que ela iria, não estava a fim de fazer baderna; não queria chegar no primeiro dia de aula de ressaca.
- Dougie... – chamou-o e ele inclinou o ouvido para escutá-la – Eu vou até lá, ficar por ali, ok?
- Ok, ok... Tudo bem eu te deixar sozinha? – Dougie se mostrava preocupado, mas sentiu-se mal. Sabia que, no fundo, Dougie não estava a fim de ficar perto dela, mas fingia estar para não ser mal-educado.
- Tudo bem, Dougie... – gritou no ouvido do rapaz já que era praticamente impossível de falar alguma coisa ali – Quando vocês forem embora me chamem, ok?
- Não, a gente vai te deixar aí... – Dougie riu.
- Ouse, Senhor Poynter. – sorriu pra Dougie, se afastando. Ele sorriu de volta e em seguida um bando de garotos e garotas se aproximou dele.

Capitulo 5

ainda andava desorientada pela festa. Decidiu que não conseguia mais ficar ali dentro. Vários garotos a puxavam quando passavam perto dela, alguns bem bonitos na verdade, mas ela se controlava. Esta era uma das qualidades de , ela sabia a hora certa e a errada de fazer as coisas. Seu autocontrole era incrível, por isso sua mãe nunca teve grandes preocupações com ela.
decidiu ir para o jardim. Olhou ao redor e viu alguns casais por ali. Algumas pessoas conversavam bem próximas e se agrupavam com seus amigos. Perfeito! Ela ia ficar ali até o fim da festa. A garota sentou em um balanço velho que estava ali perto de um escorregador mais velho ainda e ficou se balançando levemente, sentindo a brisa bater em seu rosto.
começou a observar as pessoas atentamente,. Uma pessoa em especial chamou sua atenção, um garoto que estava parado perto à piscina. Ele estava sentado apoiado em seus joelhos, vestia um casaco preto, uma calça preta estupidamente larga e fumava alguma coisa que não conseguia identificar. O garoto olhava fixamente para a piscina entre uma tragada e outra, não conseguia parar de olhar pra ele.
- AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! – caiu no chão, sentindo alguns brutamontes pularem em cima dela. Eles estavam correndo de alguém e de tão bêbados, não estavam nem aí pra quem aparecesse na frente.
- AI! CUIDADO, PORRA! – berrou inutilmente para os brutamontes que agora corriam de volta para a casa. Pelo menos Dougie não estava no meio deles. virou seu braço tentando ver seu cotovelo que doía devido a pancada.
- Que ótimo. – o cotovelo de sangrava e ela xingava todos os palavrões que conhecia em português e em inglês.

- Daqui a alguns dias eles te penduram no mastro da bandeira. Isso foi só o começo. – se virou e viu que o garoto de preto estava em pé ao seu lado.
- Eu te conheço? – olhava de lado para o garoto com dificuldade. Agora de perto ela reparava como ele era bonito.
- Não... – Harry se sentou ao lado dela (N/A: Sim era o Harry *_*) – Mas a vida é muito mais interessante quando você não conhece as pessoas.
- Isso não faz sentido... – se virou para o garoto, o encarando.
- Faz total sentido. – Harry deu uma tragada em seu cigarro – Pra que conhecer as pessoas e firmar amizade com elas? No fim elas sempre acabam te decepcionando mesmo...
- É... Por esse ponto você tem razão...
- Eu sempre tenho razão. – Harry piscou pra – Machucou aí?
- Não muito... – olhou para seu cotovelo. A quantidade de garotos bonitos que ela estava conhecendo estava começando a ficar assustadora, ela nunca conheceu tantos assim.
- Deixa eu ver... – Harry puxou o braço da garota e ficou analisando o machucado. estava petrificada olhando nos olhos dele. Aquele jeito bad boy dele chamava a atenção dela.
- Tá tranqüilo, mas se eu fosse você metia processo nesses imbecis. – Harry soltou o braço de e se virou pra frente, acendendo seu isqueiro.
- Ah, deixa pra lá. Eu não posso nem pensar nisso agora... – dobrou os joelhos e abraçou as pernas.
- Por quê? – Harry se virou pra ela, parecendo interessado.
- Desculpa, – olhou pra ele – mas eu te conheço?
- Tem razão. – Harry apagou seu cigarro no chão – Melhor não nos falarmos.
- Eu não quis dizer isso... – tentou falar, mas foi interrompida pelo dedo de Harry na sua cara.
- Shhhhh! – Harry disse calmamente. sempre ficava irritada quando faziam isso – Se você prefere não falar, não vamos falar.
- Mas... – começou a falar e Harry colocou o dedo na cara dela de novo. ‘Garoto irritante’, pensou , se virando pra frente e ficando em silêncio.
- Sabe de uma coisa? Você é muito estranho! – cortou o silêncio e Harry a encarou. Em seguida, arqueou a sobrancelha. resolveu entrar no jogo dele. Se ele não queria falar nada azar o dele. Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. encarou Harry novamente. A garota riu sem sorrir e depois sacudiu a cabeça. Harry fez sinal de ‘Quê?’
Ele também ria pra .
pegou um dos cigarros de Harry e colocou no nariz. Harry a olhou sério como quem diz: ‘É melhor você parar com isso ou eu te mato’.
Ela colocou um cigarro em cada narina e ficou dando língua pra ele. O garoto ameaçou rir e falar alguma coisa, mas se controlou. tirou os cigarros do nariz e fez uma expressão de cansada com aquilo tudo. Harry pegou outro cigarro e o acendeu, deu uma tragada e jogou a fumaça na cara dela, que fechou os olhos e prendeu uma risada. ‘Idiota’, pensou ela. Ele segurava o riso desesperadamente enquanto tirava o cigarro da boca.
- CHEGAAAAAAAAAAA! – gritou, assustando algumas pessoas em volta, inclusive Harry – VOCÊ – Ela apontou pra Harry – É UMA MALA, GAROTO!
Harry fez cara de surpreso, mas não respondeu nada, virando pra frente.
- TÁ, VOCÊ VENCEU! VAMOS FALAR!
- Venci o que, menina? – Harry virou pra com um sorriso no canto da boca.
- Você não tá vendo que eu desisti? – estava irritada – Esquece! Você venceu!
- Eu pensei que eu fosse um estranho... – Harry tinha aquele sorriso sarcástico que estava irritando profundamente.
- E você é! Um estranho que está conseguindo me irritar nessa festa completamente irritante! – abraçou os joelhos novamente olhando em volta. Harry se levantou.
- Vem comigo. – Harry começou a andar sem encarar .
- Pra onde? – a garota achava Harry mais estranho a cada minuto que passava.
- Olha, eu te garanto que eu não vou ser mais chato que essa festa... – Harry se virou e encarou . Ela pensou que ele podia ter razão, não tinha como aquilo ficar pior. deu uma olhada á sua volta para as pessoas perto à piscina. Quando viu um casal de lésbicas prestes a dar uns amassos, não pensou duas vezes em aceitar a proposta de Harry.
- Só porque esta festa tá um saco mesmo. – se levantou e passou por Harry, indo um pouco mais á sua frente. Ele foi logo atrás e em alguns minutos os dois estavam na rua.
- Antes de mais nada, eu sou o Harry. – o garoto começou a falar depois de alguns minutos de silêncio entre os dois – Agora, me fala, você é aluna nova da WSH ou conhece alguém da festa?
- Prazer, Harry, meu nome é Paula. E digamos que eu seja aluna nova. – encarou o garoto que olhava pra frente sem encará-la – Mas não diz que você não percebeu pelo meu sotaque, vai.
- Sotaque? – Harry virou para a garota, levantando a sobrancelha. odiava quando ele fazia isso. Ficava charmoso demais – Eu não reparei mesmo. Quer dizer, só que você é meio esquisitinha... – Harry deu uma longa tragada em mais um cigarro.
- Eu sou esquisitinha? – perguntou, um pouco indignada, vendo o garoto se livrar de uma nuvem de fumaça – Olha, com todo o respeito: eu sou mais normal que a sua pessoa.
- Não, quer dizer, eu não te achei esquisita. Eu te achei esquisita de um jeito legal, na verdade. – Harry virou em uma rua e foi atrás. Por aquele comentário ela não esperava, vindo de um garoto que se achava o fodão desde as primeiras palavras que trocaram.
- Hm... De um jeito legal como?
- Você parecia meio... Perdida. – Harry agora falava mais sério. conseguiu perceber, aquele era um dos poucos momentos que aquele garoto sarcástico falava sério. Mas como ele podia chamá-la de perdida? Há quanto tempo eles se conheciam, alguns minutos?
- Como assim, perdida? – seguiu Harry até uma cafeteria. Harry não respondeu até os dois puxarem suas cadeiras e se sentarem um de frente para o outro. estava parada de braços cruzados esperando Harry acabar de se acomodar na cadeira a sua frente.
- Estou esperando. – disse. Harry olhou para ela e a encarou por dois segundos.
- Quando eu te vi ali fora, você parecia perdida ali, sozinha. – Harry reencostou na cadeira.
- É, normalmente é assim que alunos novos se sentem na primeira festa, ainda mais se são obrigados a vir por dois malucos com quem ela vai ter que se acostumar a viver embaixo do mesmo teto. Ainda mais com um deles sendo um poço de gostosura. – Harry olhava para com o olhar fixo. Sentiu vontade de rir, mas ignorou. Um garoto como ele não podia rir, não mesmo.
- Quem seriam os seus poços de gostosura? – Harry fez um sinal para um garçom.
- O POÇO, ok? Aquela garota é uma vaca ambulante. – uma onda de arrependimento passou pelo corpo de . Ela estava falando na maior intimidade com um cara que acabara de conhecer e chamando de vaca a garota que a recebeu em seu quarto. Harry riu.
- Essa vaca ambulante por acaso se chama Rachel Poynter?
- Pois é.
- E o poço de gostosura seria o rebatedor Dougie Poynter? – Harry encarou com seus olhos azuis profundos. Por um segundo achou que poderia mergulhar neles. Eram tão escuros e misteriosos.
- Pois é, eu sou fútil, eu sei. – deu um risinho desviando o olhar do garoto que a encarava.
- Não... Apenas segue o bando. – Harry se virou para o garçom que chegara perto dos dois e pediu dois copos de café.
- Eu não sigo a maioria. Quando eu conheci o Dougie eu nem sabia que ele era popular. – disse após o garçom sair.
- Pois é, mas não deixou de seguir. Sabe, e você não parecia esse tipo de garota. – Harry colocou a mão no bolso.
- Você fala como se me conhecesse. Você não sabe nada sobre mim, Harry. – se apoiou na mesa com um sorriso irônico.
- Eu garanto que sei mais sobre você do que você mesma.
- Ah, mas você é muito ousado mesmo! – Harry riu – Você se acha o espertinho, com essa cara de malandro aí... Me fala então, o que você sabe sobre mim?
- Antes me diz o que você sabe sobre mim.
- Eu não sei nada sobre você, Harry. – se afastou quando percebeu o garçom tentando colocar as duas xícaras na mesa.
- Tenta deduzir. – Harry deu de ombros e agradeceu pelo café em seguida.
- Hm... – colocou o indicador na bochecha e fez cara de pensativa, analisando Harry – Você é um garoto obscuro, acha que sabe tudo, me dá medo e vai morrer aos trinta se não parar de fumar um baseado a cada cinco minutos. – apontou para o cigarro na mão de Harry.
- Você não é tão ruim nesse lance de adivinhar sobre mim, – Harry sorriu sarcasticamente apagando seu cigarro na mesa em seguida – mas isso é só o que você viu até agora.
- Até agora? – que levantou a sobrancelha dessa vez – Isso não quer dizer que vamos virar amigos, quer?
- Eu não sei se gostaria de ser amigo de uma garota que liga tanto para o que os outros pensam. – Harry bebeu um gole de seu café.
- Eu não ligo pro que os outros pensam. – disse, indignada.
- Tem certeza? – Harry inclinou o corpo sobre a mesa.
- Absoluta.
- Pois a minha definição a seu respeito diria que você é uma garota incrível, cheia de capacidades, mas que não reconhece do que é capaz e está sempre preocupada com os outros. - gelou por dentro. Tudo que ele disse era verdade. E ele tinha acabado de chamá-la de incrível e Maria-vai-com-as-outras ao mesmo tempo.
- Como você pode dizer isso sobre mim, Harry? – a expressão no rosto de era um pouco triste. Harry olhou nos olhos da garota que desviavam dos dele.
- Porque eu posso ver.
O silêncio reinou por alguns segundos. encarava Harry nos olhos. Ambos pareciam hipnotizados. Ela sentiu uma onda de tristeza passar por seu corpo. Mas, ao mesmo tempo se sentia alegre; ela não conseguia definir o que sentia naquele momento. O momento foi interrompido por um garçom deixando uma conta na mesa e perguntando:
- Mais alguma coisa senhores?
Harry apenas fez um sinal negativo com a mão ainda sem deixar de encarar . desviou o olhar e se levantou da mesa.
- Eu acho melhor a gente voltar pra festa... – pegou sua bolsa pendurada na cadeira. Harry ficou apenas a encarando ainda sem dizer nada.
- O que foi, ? Está com medo? – Harry ainda estava com aquele olhar misterioso olhando nos olhos da garota que se recusava a olhar nos dele.
- Harry, essa conversa já deu o que tinha que dar. Me desculpa, mas eu quero voltar pra festa...
- Tudo bem, tudo bem. – Harry se levantou, ajeitando seu casacão preto – Fugir é a melhor forma de encarar a vida.
Aquela foi a gota d’água.
- Olha, qual é o seu problema? – se virou para ele, enfurecida – Tudo bem, eu sei que você agora vai dizer que o problema sou eu e você é o perfeito que sabe de tudo, mas eu não quero ouvir, ok? Eu tô cansada!
- Você não quer ouvir. – Harry foi para perto da garota – Vamos, então. – dessa vez, foi na frente e Harry atrás. Os dois não trocaram uma palavra durante todo o caminho até a festa. O número de pessoas na festa, por incrível que pareça, estava maior e o lugar que eles estavam estava mais lotado do que nunca.
- ? – Dougie avistou a garota de longe. Saiu de um grupo de garotos altos e foi até ela e Harry. - Aonde você se meteu, menina? Eu tô te procurando há horas. – Dougie disse, pegando no braço de . percebeu os amigos de Dougie olhando para ela. Ela só conseguiu olhar nos olhos de Dougie e esqueceu de Harry atrás de si.
- Eu estava dando uma volta. – começou a falar quando Dougie se virou, encarando Harry.
- Com ele? – Dougie apontou para Harry parado de braços cruzados atrás dos dois.
- É...
- Tava fazendo o que com esse drogado? – Dougie perguntou baixo para , mas Harry ouviu. Harry apenas sorriu.
- Eu... A gente estava conversando... – olhou para Harry e em seguida para Dougie.
- Vai pra casa, . – Harry disse sorrindo – Eu posso cair em cima de você e fuder seu cotovelo. Ou, melhor ainda, eu posso te largar numa festa sozinha que você não conhece ninguém... – Harry passou a língua nos lábios – Isso porque eu sou um drogadão que curte a vida matando criancinhas e seqüestrando meninas indefesas. - um amigo de Dougie soltou um riso. Dougie o encarou e ele parou. olhou para Harry com tristeza. Apesar de tudo, ele tinha sido legal com ela.
- Foda-se. – Dougie virou as costas pra Harry e puxou . A gartota foi andando sendo puxada por Dougie e seus amigos logo na frente. Ela parou por um segundo virou-se e encarou Harry. se sentia a pessoa mais detestável do mundo e não sabia nem porquê. Sua expressão era de dar dó. Harry a encarou com aquele olhar sombrio e depois pegou dois cigarros e colocou no nariz, abrindo bastante as narinas e fazendo uma cara de pateta pra ela em seguida. sorriu e voltou a seguir Dougie, deixando para trás um Harry com cigarros no nariz.

Capítulo 6

O sol entrava por uma fresta na janela do quarto de Rachel. abriu vagarosamente os olhos e fechou-os em seguida. Por um segundo pensou estar em casa, em mais um dia de aula normal, onde logo sua mãe a chamaria pela milésima vez. Até um demônio chamado Rachel chamar seu nome.
- ...
- Hum? – gemeu sem se mexer e abrir os olhos.
- Qual dos dois você prefere?
- Qual dos dois o quê? – gemeu com a voz abafada pelo travesseiro.
- Olha pra mim, né?! – levantou a cabeça com dificuldade coçando os olhos. Olhou para Rachel e a viu segurando dois pompons espalhafatosos. Um era azul e branco e o outro vermelho e branco, mas ambos eram bem extravagantes.
- O azul, eu acho... – pegou seu relógio que estava em cima de uma bancada ao seu lado – Por que vocês levantam tão cedo?
- Eu levanto cedo porque a minha vida não pára. – Rachel analisava o pompom azul para ver se era realmente melhor que o vermelho. – Mas pode dormir se quiser...
deitou a cabeça no travesseiro novamente e ficou assim por alguns segundos. Rachel saiu do quarto deixando a porta entreaberta. Logo decidiu que o melhor que ela podia fazer era se levantar, já que também tinha muitas coisas a resolver. Se levantou e foi até a janela reparando que a luz do sol deixava aquela cidade ainda mais bonita. Ela prestava atenção na rua e nas pessoas, até se dar conta de que tinha coisas a resolver, afinal, ela levantou para isso.

Enquanto estendia sua saia pregada xadrez do uniforme na cama, ela se lembrou da noite anterior. Lembrou-se de Harry e de como tudo tinha terminado. Ela não sabia se sentia vergonha, pena, raiva ou tristeza. Uma onda de sentimentos tomava conta de seu coração. Harry, de alguma forma, havia despertado alguma coisa nela que a comoveu. Ela não o odiava, de maneira alguma, disso ela tinha certeza, mas ela sentia que Harry a odiava no momento. Ela sorriu ao se lembrar do jeito que Harry falava e olhava pra ela. Ele era tão seguro de si e tão engraçado ao mesmo tempo... Os pensamentos de foram interrompidos pelo barulho da porta levemente se abrindo.
- Com licença, meu bem. – Eve entrou pela porta segurando uma blusa branca social, um terno azul e uma gravata acompanhando. – Trouxe o resto do seu uniforme. Desculpe, mas ontem só tive tempo de passar sua saia... Ficou boa?
- Sim, sim, está ótima. Muito obrigada. – sorriu amigavelmente para Eve, que estendeu a roupa na cama.
- De nada. , está tudo bem? Os seus irmãos estão te dando trabalho?
"Seus irmãos... Seus irmãos..." ficou um tempo pensando sobre que irmãos ela estava falando.
- Rachel e Dougie.
- Ah sim! Os dois... – achou engraçado ela chamá-los de irmãos dela. – Sim, me tratam super bem, está tudo ótimo mesmo! – ela sorriu e Eve saiu do quarto após dar algumas instruções de como ela deveria amarrar sua gravata.
achou melhor não mencionar o fato de que Dougie e Rachel a arrastaram para uma festa, Rachel a humilhava de toda forma possível e Dougie a arrepiava em cada palavra que dizia ou em cada movimento que fazia. Eve ia ficar assustada com isto.

Capítulo 7

O sol forte batia na cabeça de todos. Aqueles pareciam ser dias raros em Winchester, então provavelmente todos estavam tirando o maior proveito que podiam, já que estavam quase todos do lado de fora. não quis saber, estava doida para conhecer a escola por dentro. Era um de seus sonhos há muito tempo, conhecer uma típica escola inglesa. Ela andava pelos corredores com sua máquina fotográfica a postos sem medo de parecer idiota. Ela não conhecia ninguém ali mesmo, apenas Rachel e Dougie, que agora estavam do lado de fora com os outros.
- Pensa rápido! – Rachel surgiu de trás de e tacou alguns cadernos no colo da garota que os segurou assustada. Algumas garotas com uniformes de animadoras de torcida vieram logo atrás. Nossa, que surpresa, Rachel era uma animadora de torcida. Quem adivinharia?
- Qual é o problema com a novata? – uma garota afro descendente de cabelos cacheados bem volumosos parou na frente de sorrindo.
- Nada... – Rachel apoiou seu cotovelo no ombro da amiga. – Eu gosto de implicar com ela...
- Rach, você é nojenta! – Uma garota morena de olhos claros se aproximou das duas outras e encarou com um belo sorriso. – Muito prazer, sou Vicky! – a garota estendeu a mão.
- Não liga pra Rach... – a afro descente falou, lançando um olhar crítico para Rachel. – Nem todas nós somos que nem ela.
- Assim, tipo, lindas? Que nem eu? – Rachel balançou os cabelos louros e as outras garotas riram. sentiu que poderia lhe enfiar uma faca pela boca até chegar ao seu útero, mas achou melhor se conter e apenas sorrir. No meio dos risinhos e cabelos esvoaçantes ela viu no fundo do corredor um garoto sombrio entrando em uma sala. Ela reconheceu Harry e esticou o pescoço para vê-lo melhor.
- Se vocês me dão licença – saiu do meio da rodinha abrindo espaço entre as meninas – Eu preciso resolver algumas coisas.
- Vai lá, poderosa! – uma delas gritou e as outras começaram a bravejar algum tipo de grito de estímulo. Rachel bufou.

desviou de algumas pessoas que se aglomeravam em frente aos armários e tentou não perder Harry de vista. Cambaleante, entrou na sala que Harry estava e procurou por ele. Havia algumas pessoas ali em duplas estudando, checando material ou coisa parecida. Harry estava sentado na última cadeira. Ele usava o uniforme, mas sua calça era extremamente mais larga que a dos outros, sua gravata parecia ter sido picotada e reparou que ele tinha um piercing na sobrancelha e um transversal na orelha. Harry estava com os dois pés apoiados na cadeira da frente com um livro nas mãos. Que interessante, o ‘Senhor fodão’ é chegado em leitura...
- Harry? – se aproximou da cadeira do garoto um pouco sem graça. Algumas pessoas olharam pra ela.
- Oi? – Harry olhou para surpreso, desviando o olhar de seu livro – Oooi! Tá fazendo o que aqui?
- Pois é, eu te vi entrando aqui, sabe? Então eu queria, bem... – a garota se aproximou de Harry que a encarava nos olhos, sentando na cadeira à frente dele. – Desculpa por ontem. Aquele ataque, sabe? Eu não sei o que deu em mim... – ela riu sem graça.
- Ah, não tem problema. – Harry piscou. – Eu às vezes irrito as pessoas, é a minha função. Se eu não fizer isso, ninguém faz. – ele tirou seu material de uma cadeira ao seu lado. – Quer sentar?
- Não, obrigada, na verdade eu não sou dessa turma, eu estou no segundo ano...
- Ah, sei... Se não tiver com quem sentar na hora do almoço então, junte-se a mim.
- Claro, eu não conheço ninguém por aqui mesmo. – abriu um sorriso e murchou em seguida vendo a sobrancelha de Harry erguida. – NÃO! Eu não quis dizer isso, você entendeu, né?
- Eu entendo que eu não sou sua primeira opção. – Harry olhou para o professor que entrava na porta da sala. – Nem sua nem de ninguém na verdade, mas eu sei o que você quis dizer... – ele observou que ficou calada.
- O que foi?
- To esperando o sermão. – disse.
- Ah não, não dessa vez. – Harry piscou e se ajeitou em sua cadeira – Não quero perder minha primeira companhia pra almoço há anos...
- Espertinho, você... – se levantou e saiu sob o olhar repreensivo do professor. Harry a observou sair e abriu seu caderno em seguida.

- To passando, to passando!! – caminhava quase correndo pelos corredores a fim de chegar em sua sala. Tinha se atrasado para a primeira aula devido ao tempo que ficou papeando com Harry. Ainda desviando de algumas pessoas, deu um esbarrão em alguém que acabara de trancar seu armário.
- Ai, me desculpa! – disse atrapalhada, pegando seus livros que haviam caído no chão.
- Que nada, não esquenta... – o garoto começou a catar os livros também.
- Desculpa mesmo! Eu to muito, muito, muito atrasada, ok? Depois eu faço alguma coisa pelos seus livros que devem ter ficado com as pontas amassadas ou algo do tipo... – falava sem parar, atrapalhada, pegando o resto de seus livros.
- Calma, calma! Eu posso... – o garoto loiro tentava falar, se segurando para não rir da garota que estava desesperada a sua frente.
- Tchau e desculpa mais uma vez! – saiu tropeçando em seus próprios pés sem ao menos encarar o garoto que ficou olhando confuso para ela.

Capítulo 8

Ao chegar na nova sala, que supostamente era a sua, entrou sob os olhares de todos que já haviam entrado. Ela se sentou em uma cadeira vazia na frente de uma menina de óculos. Sua vontade imediata era sair correndo dali e desaparecer, ainda mais depois de encarar aquele professor careca e mau-humorado, mas só o que conseguia era mexer em sua saia apreensiva.
- Bom dia! Eu sou o professor Scott Darnell e vou lecionar Inglês pra vocês pestes... – o professor falava pausadamente e com autoridade na voz. Todos os alunos se mostravam assustados, inclusive um na frente de que não parava de tremer. – Neste curso, vocês irão aprender a apreciar a beleza da língua inglesa e como se comunicar efetivamente com ela. Eu exijo compromisso total, freqüência às minhas aulas – o professor virou-se e encarou um garoto sentado na última cadeira fazendo todos rirem. – E nas raras ocasiões em que eu faço uma piada, eu espero que vocês riam.
- HAHAHAHA! – uma animadora de torcida soltou uma risada assustadora, na opinião de , fazendo o professor voltar-se pra ela.
- Gostaria de começar a se apresentar, Srta. Parker? – o olhar ameaçador do professor Darnell encontrou o de Katie Parker que enrolava seus longos cabelos castanhos.
- Na verdade, todos já me conhecem. – Katie virou-se e encarou a turma – Eu acho que os alunos novos devem ser apresentados, tipo ela. – Katie apontou pra , que gelou. Sabia. Alguém tinha que estragar tudo.
- Deixe que eu decido como vai ser o decorrer da minha aula, Srta. Parker. – Darnell disse, encarando Katie. Logo ele encarou .
- Você! – ficou paralisada por alguns segundos. Depois pensou melhor. Não tinha o que temer, aquela seria sua escola nova e ela não conhecia ninguém ali, era sua chance de recomeçar de forma mais segura e independente. Um professor que fala difícil não a intimidaria dessa vez.
- Pois não, senhor? – se levantou, ajeitando a curta saia pregada.
- Diga seu nome e de onde veio, de preferência em tom mais audível do que a senhorita acabou de dizer.
engoliu em seco a ofensa, mas prosseguiu.
- Bem, meu nome é , eu moro no Brasil e estou aqui em Winchester como intercambista... – gaguejava um pouco devido aos cochichos que ouvia atrás de si sobre ela.
- Ouvi dizer que ela transou com aquele garoto do último ano... Como é o nome dele? Harry?
- O drogado? Ué? Com ele também? Eu soube que foi com o irmão da Rachel, o rebatedor gostosão...
- Vocês acham que ela transa comigo?
não podia acreditar nas fofocas que ouvia a seu respeito em menos de um dia de aula.
- ! A senhorita está muito distraída. E não pense que pelo fato de ser de outro país eu pegarei mais leve com você! – o professor deu uma volta e dirigiu-se à sua mesa. – Você deverá usar a pronúncia e entonação corretas, como qualquer outro aluno daqui. Não quero ouvir mais este sotaque em minhas próximas aulas.
- Como? – deixou escapar e depois se arrependeu. Percebeu que aquele casca-grossa não era um bom professor para se arrumar encrenca.
- Que parte a senhorita não entendeu? – o professor arqueou a sobrancelha.
- Entendi tudo, me desculpe. – se sentou e calou-se. Pode-se ouvir um "ahhh" vindo de alguns alunos que esperavam confusão entre e o professor.

Capítulo 9

- Um, dois, três, quatro! Nosso Time é um barato! UHUUUUUUL! - atravessava algumas animadoras pelo refeitório procurando uma mesa vaga. O falatório junto com os gritinhos das animadoras estavam deixando-a confusa. Felizmente ela viu Harry ao longe, sentado em uma mesa segurando um copão de plástico e foi até ele.

- Você gosta de se isolar, hein, Harry? – se sentou, assustando Harry.
- Experimenta sentar nas primeiras mesas e repara em quanta comida vai voar em cima de você. – Harry se ajeitou na cadeira, ficando de frente pra – E você sabe que eu não confio nas pessoas...
- Pelo visto em mim você confia. – apoiou seus dois cotovelos na mesa sorrindo.
- Vamos dizer que sim... – o garoto bebeu um longo gole do que estava em seu copão, exibindo uma tatuagem em seu pulso. Ela reparou que estava escrito: A Tatoo. 'Fala sério! Só um doido mesmo pra fazer uma tatuagem dessas.' - pensou.
– Como eu já disse, você é diferente, eu tenho boa percepção pra pessoas indignas de confiança.
riu tentando caçar alguma coisa comível em seu prato.
– Harry, aquele professor é um carrasco, de toda a minha experiência com professores, eu nunca tive um tão...
- Professor Darnell? – Harry arqueou a sobrancelha.
- Ele mesmo. – fixou os olhos no piercing de Harry.
- Ele é um dos professores mais sensatos desta escola, é o único que trata esses animais como merecem ser tratados... – Harry observava a mesa de alguns populares que destroçavam algumas alfaces.
- Você é muito malvado, Harry! – riu – Por que esse ódio das pessoas? Você não acha que algumas delas merecem uma chance?
- Não acho. – Harry largou seu copo na mesa e se inclinou pra frente – Na verdade, o ser humano não devia se socializar, nós não aprendemos a viver dignamente como irmãos...
- Harry. – segurou o rosto do rapaz – Pelo amor de Deus, deixa de ser dramático.
- . – Harry segurou nas mãos da garota que estavam em seu rosto. – Deixa de ser tão pacífica! Você deixa todo mundo passar por cima de você que eu sei...
- Olha, não vamos discutir isso novamente, ok? Acabamos brigando ontem por causa disso...
- Tudo bem... Mas vem cá... Eu preciso de um favor seu...
- Que favor?
- Hoje alguns parentes meus vão lá pra minha casa...
- Você tem casa? Achei que vivesse em uma caverna longe da civilização! – disse rindo.
- Eu posso falar? Posso?
- Fala de uma vez.
- Então... Como eu dizia antes da senhorita me interromper, minha família por parte de pai vem até a minha casa hoje e meus pais querem que eu seja tipo... Legal com eles. – Harry abriu aspas no ‘legal’ – E o meu primo Jimmy vem junto...
- Hum... – demonstrava que estava ouvindo enquanto mastigava sua comida.
- Eu preciso de ajuda com ele, porque a família toda vai para uma reunião hoje à noite e eu vou ter que ficar com o Jimmy...
- Quantos anos ele tem?
- Um ano e alguns meses... – Harry pigarreou.
- Ahh, que gracinha! É claro que eu te ajudo! Eu imagino o sacrifício que está sendo pra você me pedir ajuda... – pegou o copão na mão de Harry. - Me dá um pouco disso aí, eu to com sede. É o quê? Café?
- Na verdade... – Harry esticou a mão, mas já havia dado um gole.
- Harry! – quase cuspiu o conteúdo do copo. – Nós estamos na escola!
- Eu sei. – Harry pegou o copo de volta. – Eu preciso disso, ok?
- Você precisa de uns cascudos isso sim! O que é isso? Vodca? Tequila?
- Rum. - Harry jogou o copo em um cesto de lixo próximo – Eu preciso ir, tenho aula de biologia agora. Me encontra então depois da aula?
- Sim, te encontro no seu armário então. – se levantou – Ah! Só pra informação, o povo pensa que nós estamos transando por aí.
- Eu odeio essa escola. – Harry disse após pensar um pouco.
- Eu sei. – ficou olhando Harry se afastar. Ela sabia que podia contar com Harry e as pessoas não sabiam o que estavam perdendo não falando com ele.

Capítulo 10

- Geografia... Biologia... História... – estava parada em frente ao seu armário procurando por seu livro de inglês. Professor Darnell além de muito casca-grossa, gosta muito de passar deveres de casa.
- Química... Química... UÉ? – analisou os dois livros iguais. – Não acredito que eu comprei dois livros de química! – Logo ela analisou os dois livros e percebeu que um estava escrito ‘Tom Fletcher’ no interior.
- Tom Fletcher... – ela não conseguia se lembrar de ninguém de sua turma com esse nome. Mas quem era ela pra lembrar? Aquele era seu primeiro dia de aula. Ela ficou pensando por mais um tempo até se lembrar do pequeno incidente que ocorreu antes de entrar em sua sala. Ela na verdade nem lembrava se a pessoa que ela tinha esbarrado era homem ou mulher, quanto mais o nome dele.
- Com licença. – se aproximou do inspetor que vagava por ali em seu uniforme branco da cabeça aos pés. – Eu peguei este livro com uma pessoa por engano, o que eu devo fazer exatamente?
- Você sabe quem é esta pessoa? – ele perguntou duvidoso.
- Não faço idéia, por isso estou perguntando. É o meu primeiro dia aqui.
- Não tem nome no livro? – o inspetor pegou o livro da mão da garota e começou a folheá-lo.
- Tem, diz aí que é de um tal de Tom Fletcher. – olhava o livro junto com o inspetor. – Mas não sei quem pode ser...
- Eu sei quem é. – ele sorriu meio irônico. – O garoto é um gênio, nunca vi mãos como as dele.
- Como assim? – perguntou assustada com estranheza na voz. Se aquele inspetor era um belo dum veado e queria falar das mãos do tal do Tom Fletcher, que fizesse aquilo bem longe dela.
- Haha. – ele riu. – O garoto é um gênio no piano. Aquele lá com certeza vai muito longe...
- Ah sim. – ela respirou aliviada. – Então o senhor pode entregar o livro a ele?
- Infelizmente não vou poder, essa escola tem de ser vigiada a cada minuto. Estes pestes aprontam a cada segundo e se eu os perco de vista, como estou fazendo agora falando com você... – ele se virou bruscamente para um casal se agarrando na frente de um armário. – Eles aprontam uma dessas!
- Eu nem ao menos sei como ele é... – a garota bufou enquanto o inspetor ia até o casal.
- Vá até as salas de música quando puder, ele está sempre por lá no piano. QUE POUCA VERGONHA É ESSA AQUI? ISTO É UM AMBIENTE DE EDUCAÇÃO! E-D-U-C-A-Ç-Ã-O OUVIRAM BEM?... – deixou o inspetor gritando com o casal e saiu. Dougie e a irmã capeta já deviam estar esperando há algum tempo.

- Vamos? – Dougie perguntou de dentro do carro para que estava parada do lado de fora. Ele usava óculos escuros e sua gravata do uniforme já estava desamarrada.
- Eu não vou pra casa, tenho algumas coisas pra fazer. – a garota estava encostada em uma parede do portão da escola segurando seus livros que não couberam na mochila. Rachel entrou no carro como um furacão.
- Mas já, ? – Dougie tirou o cabelo do rosto. – No primeiro dia já está cheia dos compromissos?
- O que ela vai fazer? – Rachel perguntou se virando para . ‘Não é da sua conta’, foi o que teve vontade de dizer. Mas tudo bem, ela era Rachel, quanto mais provocada, mais espevitada fica.
- Não sei... Mas então, agente se vê em casa? – Dougie ligou o carro.
- Claro, daqui a pouco eu estou em casa... – deu um tchauzinho para Dougie e em seguida sorriu sarcasticamente para Rachel. Os dois sumiram na rua.
- Achei que a gente fosse se encontrar no meu armário. – Harry apareceu por trás de a assustando.
- É mesmo! Eu esqueci, desculpa...
- Que isso não se repita. – Harry sorriu ligando o alarme do seu carro e foi andando até ele em seguida.
- Ok, chefe, você quem manda. – foi atrás dele e abriu a porta do carona.

- Harold, querido! – uma mulher ruiva sardenta aproximou-se de Harry o abraçando. – Como você está lindo!
- Valeu, tia. – Harry abraçou a tia e percebeu sua expressão de ‘Quero sair daqui o mais rápido possível’.
- E quem é esta mocinha adorável? – a ruiva analisou , sorrindo. – Sua amiguinha, Harold?
- Digamos que sim. – disse sendo abraçada pela mulher em seguida.
- É uma amiga da escola dele. – a mãe de Harry disse do outro lado da sala. Ali estavam os pais de Harry e o casal de tios com Jimmy no colo da ruiva. Todos olhavam para ela como se fosse uma princesa alienígena tendo primeiro contato com a raça humana. Pra variar, se sentia constrangida.
- Eu acho ótimo que a tenha vindo te ajudar, Harry... – a mãe de Harry se aproximou após guardar as malas dos tios. – Eu não ia conseguir te deixar sozinho com o Jimmy.
- Não fale assim com o menino! Ele vai ficar traumatizado. – a tia ruiva fez um carinho na cabeça de Harry, que sorriu falsamente.
- O Harry, traumatizado? – o pai de Harry soltou uma risada enquanto destrancava a porta.
- Mas, então... – Jimmy já estava no colo de . - Harry e , no quarto tem a quantidade de fraldas que vocês precisarem. Se ele tiver fome você podem fazer uma mamadeira ou dar uma das papinhas que estão na geladeira. – um carro começou a buzinar, interrompendo a tia de Harry. Todos começaram a deixar a sala – O leite dele tem que ser morno! Ok? – a ruiva falava enquanto deixava a casa. A mãe de Harry apareceu na porta.
- Voltamos à noite, tudo bem? Juízo vocês dois. – e fechou a porta. Houve silêncio por alguns segundos até Harry se pronunciar.
- É, vai ser legal. – em seguida dirigiu-se até a cozinha, deixando parada segurando Jimmy. O menino moreno dos olhos azuis babava e ria. limpou sua boca com uma toalhinha e foi atrás de Harry.
- Ah... Seu primo é tão lindinho Harry...
- Pois é. – Harry se virou encarando e Jimmy. – Obrigado por vir aqui me ajudar, eu não ia me virar sozinho.
- Eu acho que você se daria bem. – se aproximou de Harry, tentando colocar Jimmy em seu colo.
- Não, , não... – Harry evitava segurar Jimmy. - Segura ele, Harry, ele é seu primo! – os braços de envolviam Jimmy tentando não deixá-lo cair.
- Eu não sei... Eu não... – quando Harry percebeu já estava segurando Jimmy. Ele o segurava pelas pernas deixando o menino em uma posição um pouco desconfortável.
- Viu? Doeu? – olhava para os dois. Harry olhava para Jimmy com medo de deixá-lo cair.
- Ele vai chorar. – Harry não podia deixar de sorrir olhando para Jimmy com aqueles olhões abertos.
- Até agora não derramou uma lágrima. – brincava com Jimmy no colo de Harry. – Ele é a sua cara, Harry.
O garoto arqueou a sobrancelha para .
- Deixa de ser insana, . Não tem nada a ver.
- Repara nos olhos, o tom azul escuro, os cabelos, a boca, ele até tem seu olhar sarcástico. – riu.
- Segura ele, ! Ele vai cair. – Harry colocou Jimmy no colo de . – Eu não sou sarcástico.
- É sim.
- Não sou.
- É sim.
- Chega disso! Vamos fazer alguma coisa que preste. – Harry interrompeu a discussão indo pra dentro.
- Vamos falar mal dos outros, é seu passatempo preferido, Harry. – foi atrás dele rindo.

Capítulo 11

estava deitada na cama de Harry com Jimmy ao seu lado. Harry tinha ido tomar banho aproveitando que Jimmy tinha dormido. Já eram 20:30 e a família de Harry ainda não tinha chegado. estava com os olhos fechados ouvindo o barulho da chuva fina que começava a cair e bater na janela de Harry.
- Será que eles tão presos na chuva? – Harry apareceu na porta com uma toalha em volta da cintura com seus cabelos pingando. mandou-o ficar quieto e apontou para Jimmy que dormia.
- Desculpa. – Harry disse baixo percebendo a burrada. não conseguia deixar de olhar para ele. Quer dizer, ele podia ser um delinqüente juvenil que bebia e fumava incessantemente e queria destruir a raça humana, mas isso não o impedia de ser lindo e gostoso. Harry se aproximou e sentou na beira da cama onde estava deitada.
- Que sono pesado é esse? – Harry fez carinho na perna esticada de Jimmy. sorria e torcia para ele se vestir logo. O que ele queria? Que ela o agarrasse ali mesmo?
- Que bom que ele está dormindo, eu estou cansada... Se você não tivesse voltado eu tinha dormido.
- , você quer ir pra casa? Eu posso te levar.
- De jeito nenhum. – sussurrava. – Você sozinho com o Jimmy? Sabe-se lá o que vai acontecer.
- Eu não posso te prender aqui... – Harry se levantou e abriu uma gaveta. Ele não ia trocar de roupa na frente dela, ia?
- Eu aposto que seus pais já já chegam... – se inclinou tentando ver Harry, que entrara em seu banheiro de novo. Safada.
- Mas os Poynters vão ficar preocupados contigo. – o garoto voltou apenas com uma calça secando seus cabelos com a toalha. – Vamos, eu te levo pra casa.
- Harry, eu falo sério quando eu digo que estou preocupada com você aqui sozinho com o Jimmy. Você é meio doido. – Harry se sentou na cama ao lado de , abriu uma gaveta ao seu lado e pegou um maço de cigarros e um isqueiro.
- NÃO DISSE? – falou alto, dando um chute em Harry. – Presta atenção, Harry, tem uma criança dormindo aqui!
- Tá legal, tá. – Harry jogou o maço na estante e encarou novamente. Ele começou a reparar em como ela era bonita. Seus cabelos estavam soltos e um pouco desarrumados, seu uniforme já estava todo amassado devido ao tempo que ela estava deitada ali.
- Vamos esperar. – fazia carinho na cabeça de Jimmy e encarava Harry.
- Vamos.

- ?
- Oi?
- Amiga, que saudades! – a voz de ecoava do outro lado da linha. Harry estava na cozinha com Jimmy e ainda estava deitada na cama.
- ? Sua safada! Há quanto tempo você não me liga?
- Eu te liguei ontem, ...
- Não interessa! Eu estou sozinha aqui, preciso de companhia o tempo todo.
- Infelizmente eu tenho coisas importantes pra fazer aqui além de me preocupar com a senhorita. Mas então, como vai tudo aí?
- Tá tudo bem... Eu estou na casa de um amigo agora...
- Amigo? Já conseguiu um amigo? Do sexo oposto?
- Eu não diria amigo se fosse uma amiga, besta.
- Ahhh, garota! To gostando de ver! E tá fazendo o que ai?
- Bem, aqui são 22:15, na verdade eu estou ajudando a tomar conta do primo dele...
- É gato?
- O primo dele?
- Ele, caramba!
- Digamos que sim...
- E o que tá esperando pra pegar?
- Relaxa, , ele é um garoto legal, maaas não faz meu tipo. Na verdade, eu estou em outra.
- Não precisa gostar pra dar uns amassos, querida, você sabe disso. Mas quem seria esse 'outro'?
- Não sei bem se gosto dele, mas ele é muuuito gato, tipo Kevin Stuart, sabe? E é muito gente boa também.
- Não existe mais gato que Kevin Stuart, amiga. Encare o fato.
- , eu vou desligar, o Jimmy começou a gritar da cozinha, acho que o Harry fez besteira.
- Quem é Jimmy? O garoto? Por que ele começaria a gritar?
- Jimmy é o primo dele. Beijos.
- Beijos, sua chata.

ouviu Harry dar um grito desta vez. Ela correu até a cozinha e viu Jimmy com a colher de papinha na mão ameaçando Harry que já estava imundo.
- Vou ter que tomar outro banho, pelo visto. – Harry olhava seu próprio corpo e suas calças sujas. bufou e riu em seguida.
- Como você deixa uma criança de um ano te controlar, Harry? – foi até Jimmy e o pegou.
- Criança? Ele é uma mini máquina mortífera do mal programada pra me destruir! – balançava Jimmy e limpava sua boca sem deixar de rir da cara de Harry.
- Meus pais ligaram, eles estão presos na chuva mesmo. – Harry se limpava com uma toalha.
- Não creio... E agora?
- Agora eu vou te levar pra casa. – Harry andou até uma mesinha e pegou um molho de chaves.
- Eu já disse, eu fico aqui com você até seus pais chegarem, eu não ligo de dormir aqui Harry... – ele pensou por alguns minutos.
- Tudo bem, mas então liga pra casa pra avisar.
- Tá. – pegou seu celular e discou o número da casa dos Poynters.

- ?
- Hm?
- Tá acordada?
- Uhum... – gemeu. Ela estava deitada na cama de Harry e ele estava deitado em um colchão ao seu lado. Depois de muita insistência, aceitou dormir em cima.
- Eu não consigo dormir. – Harry encarava o teto com as duas mãos atrás da cabeça.
- Fecha os olhos e relaxa, Harry.
- Eu não consigo relaxar, eu sou tenso, olha só. – Harry sentou e tocou o braço de . Ela sentiu seu corpo enfraquecer com o toque dele e em seguida virou-se pra ele, despertando de seu sono.
- Você nunca dorme?
- Hoje eu não consigo. Não com você aqui e com o Jimmy ali, é muito diferente...
- Hmm... – se virou completamente para Harry e o encarou por alguns segundos. Pela sua posição ela o encarava diretamente nos olhos, aqueles olhos penetrantes que a davam medo. Ela analisou a boca dele, ele tinha uma boca perfeita. Ela sentiu vontade de beijá-lo, de se inclinar para frente e beijá-lo com toda a força que tinha. Mas não foi isso que ela fez.
- Deita aí, eu vou cantar pra você. – disse séria.
- Cantar? – Harry deitou de barriga pra cima sorrindo. – E como isso vai me ajudar a dormir?
- Eu posso cantar?
- Vai em frente.
- Ok, essa música é do Brasil. Eu não gosto muito das músicas brasileiras, mas essa eu acho bonitinha...
- Vai lá. – Harry sorria olhando para o teto.
- A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega... – a voz de estava fraca e ela cantava baixo. Além da voz dela só se ouvia o barulho da chuva.
- No momento em que eu queria ver. O segundo que antecede o beijo, a palavra que destrói o amor... – Harry ouvia cantando e apesar de achar a música meio brega, se sentia bem, mesmo sem entender a letra da música.
- Quando tudo ainda estava inteiro... No instante em que desmoronou... – pigarreou. Harry fechava lentamente os olhos.
- Palavras duras em voz de veludo... E tudo muda, adeus velho mundo... Há um segundo tudo estava em paz... – virou e encarou Harry que já estava de olhos fechados. Ela respirou fundo e continuou.
- Cuide bem do seu amor... Seja quem for...

Capitulo 12

- , tá mesmo tudo bem?
- Eu já disse que estou bem.
- Sério, ele não chupou seu sangue nem nada do tipo? – Dougie analisou o pescoço de que ficou pasma.
- DOUGIE! – foi sentar no sofá comprido da sala. – Eu não sei o que vocês dessa escola pensam do Harry, mas com certeza estão errados.
- Eu só to preocupado, só isso... – Dougie se sentou ao lado de com um copo de refrigerante – Quer?
- Não, obrigada... Não tem com o que se preocupar, Dougie. E o que os seus pais acharam da minha noite fora?
- Eles não ligaram. – Dougie se ajeitou no sofá. Sua camiseta deixava um pedaço da sua tatuagem a mostra, o que fazia olhar insistentemente para ela. – Eu disse que você tava na casa de uma amiga.
- Uau, amiga no primeiro dia de aula. – respirou aliviada. – Seus pais acreditam em tudo mesmo.
- Graças a Deus. – Dougie piscou pra garota. – Mas olha, não fica mais perto desse garoto. Harysson, Haroldo, sei lá...
- Harry. – o corrigiu.
- Isso! Eu sabia! – Dougie virou-se pra e respirou fundo. – Ele é meio maluco, você não conhece aquele tipo o tempo que eu conheço...
- E pelo visto, pelo tempo que eu conheço ele, eu conheço mais do que todos vocês...
- Não, , ele tem problemas com a família dele.
- Problemas com a família? – o coração de apertou.
- É... E ele meio que desconta isso nos outros, por isso que ele é assim.
- Mas ele não desconta nada em ninguém, só fica na dele. – estava com a voz fraca devido ao choque. A família de Harry parecia ser tão normal.
- O pai dele bate na mãe dele. – Dougie bebeu um longo gole de seu refrigerante. – Por isso ele é todo revoltado assim. Eu fiquei com medo quando você disse que tava na casa dele.
- Eu... – ajeitava a gravata de seu uniforme. Ela havia passado em casa na manhã seguinte antes de ir pra escola, Harry já tinha ido na frente. – Eu não sei, Dougie. Ele precisa de amigos, você não acha?
- RELAXA AÍ, EU JÁ TO INDO! – Dougie gritou para o pai que o chamava insistentemente. – Depois agente conversa sobre isso, ok? Vamos pra aula. – Dougie levantou e puxou , ajudando-a a se levantar.

pegava seus livros para a próxima aula e tinha esquecido de procurar Tom quando chegara na escola. Sua cabeça estava a mil. Era tudo novo, escola nova, matérias novas, língua nova, amigos novos. Ela não conseguia processar todas as informações com tanta eficiência. Tentando lembrar como se fechava o cadeado, sentiu uma mão atrás de si.

- Oi, posso falar com a senhorita? – se virou e viu Sr. Darnell olhando-a por cima dos óculos redondos. Que ótimo. Era só o que faltava.
- Claro. – se virou, esquecendo de seu armário e o deixando aberto.
- Bem, , eu acho que sei como vamos resolver o seu problema.
- Que problema? – não entendeu.
- Seus problemas de dicção nas minhas aulas, devido ao seu sotaque.
- Ah... Sim... – não tinha encarado aquilo como um problema. Até parece que ela era a única intercambista naquela escola. – O que o Senhor pretende fazer?
- Atividade extra curricular pra você. – o professor apontou um dedo pra garota.
- Como? – não conseguia acreditar. Qualquer atividade extra que fizesse a faria ser rotulada, e se tinha uma coisa que ela não queria era ser rotulada.
- Mas professor, eu acabei de chegar, não sei o que posso fazer...
- Pense no que você é boa, ... – o professor sorria. Como ele podia estar sorrindo? Ele NUNCA tinha sorrido antes. Era fato, ele a odiava e agora ria da desgraça dela.
- Eu não sou boa em n... – dizia até ser interrompida.
- Senhor McGuire! Tire essas meias daí! – o professor saiu deixando-a falando sozinha. HAHA. Ela não ia encarar essa mesmo.

Capítulo 13

- Eu não acredito que aquele professor babaca me convenceu a fazer uma atividade extra. – murmurava sozinha enquanto caminhava pelos longos corredores da escola dando breves olhadas para as salas. Parou em frente a um laboratório de Química, se virou e observou o de Biologia bem em frente.
- De jeito nenhum... – disse sozinha indo para uma sala mais à frente. Em seguida, passou pela porta do ginásio, viu as serelepes animadoras, inclusive Rachel, dando alguns saltos um tanto quanto extravagantes. Será?
- Você não vai querer fazer isso. – ela ouviu uma voz atrás de si. Aquilo estava ficando comum naquele dia.
- Dougie... – se virou aliviada – Não vou querer o quê?
- Virar animadora... O professor Darnell me disse sobre a sua atividade extra...
- Ele te disse? - arqueou a sobrancelha – Ele pensa que você é meu pai ou o quê? – Dougie riu.
- Ele sabe que você tá lá em casa... Acho que ele só tá preocupado com você e quer te ver numa boa faculdade... – Dougie cumprimentava todos que passavam por ele com um aceno.
- Ele me odeia, já percebi isso. – sorria falsamente para as pessoas que sorriam para ela apenas pelo fato delas estar com Dougie Poynter.
- Se você se interessar, tem um time feminino de baseball também... – fez uma expressão de ‘Como você pôde pensar numa coisa dessas?’ e Dougie riu.
- Tem time de hóquei, futebol, basquete, tem de tudo se você quiser...
- Times não são pra mim, Dougie... Eu quero alguma coisa prática. – ela olhou dentro de uma sala e viu algumas pessoas com tinta branca na cara fazendo diversas expressões exageradas.
- O clube de teatro sempre precisa de alguém, acho que o Sr Darnell ia gostar.
- Não sei... – observava as pessoas dentro da sala com um olhar de dúvida. Já tinha feito teatro há muitos anos, mas nunca levara jeito pra coisa. Ficava sempre como atriz substituta ou era a árvore.
- Você é muito indecisa, . – Dougie apoiou-se na parede e cruzou os braços a encarando – Eu não sei se pode te interessar, mas eu e mais dois garotos damos assistência vocacional para alguns alunos do primeiro ano que não sabem o que querem fazer ainda.
- Fazer de profissão?
- Isso, mas talvez se você vier a uma reunião pode se interessar por alguma coisa. – Dougie desviou o olhar para uma garota que vinha na direção dos dois com uma expressão nada agradável no rosto.
- Poynter, eu te procurei o dia todo! Aonde você se meteu? – observou a garota baixinha demais para sua idade com longos cabelos pretos e lisos. Sua pele era morena e seus olhos levemente puxados. Dougie bufou e encarou .
- Pensa sobre isso e a gente se vê em casa, ok? Te espero na saída. – o garoto saiu acompanhado da baixinha que falava sem parar algo sobre como ela não recebia atenção ultimamente. Por um momento sentiu muita, mais muita pena mesmo de Dougie.

- E você tá preocupada assim por quê? – Harry sentou-se com uma bandeja cheia de batatas e molhos em saquinhos. Os dois estavam nas mesas do refeitório ao ar livre onde estavam todos amontoados. O dia estava quente e ninguém queria ficar do lado de dentro sem ventilação.
- Porque eu não tenho idéia do que vou fazer, oras. – pegou algumas batatas da bandeja de Harry e apoiou os pés na cadeira da frente.
- É tão simples! Não precisa fazer nada demais. Freqüenta as aulas e ele vai achar que você tá fazendo grande coisa.
- É o que você faz? – perguntou, já sabendo a resposta.
- Na verdade, não, porque eu sei o que quero fazer, mas no seu caso eu faria.
- É tão injusto! – cruzou os braços e fez cara de brava. Harry a encarou e disparou a rir.
- Que foi, hein? – ela disse irritada.
- Depois eu que sou dramático. – ele bebeu um gole de seu café sorrindo para a garota. - Faz qualquer coisa, cara!
- Seu liberalismo me estressa, Harry, mas tudo bem... O Poynter vai me ajudar.
- Quem? – Harry começou a rir. – Até parece que ele é qualificado pra isso.
- Bem, pelo visto é mais que você. – ela cruzou os braços e Harry ficou sério de repente.
- Você tá levando isso a sério mesmo, né? – ele se inclinou pra frente. – Olha, se você quiser eu posso te ajudar, de verdade.
- Isso só porque eu disse que o Poynter era melhor pra me ajudar? – sorriu.
- Ah, não me enche! – riu e apertou as bochechas de Harry, que fez cara de bravo.

Capítulo 14

- Com licença. – cutucou no ombro uma menina de cabelos castanhos curtos parada perto à porta do banheiro.
- Sim?
- Pode me dizer onde fica a sala de música? – após o almoço ela se lembrou do livro que tinha que devolver e que estava adiando há horas.
- É um pouco longe, quer que eu te leve lá? – a menina perguntou docemente.
- Se você puder...
- Espere um minuto, então. – a garota entrou no banheiro. ouviu sua voz falando com outras garotas e ela saiu em seguida.
- Vai entrar pra alguma banda? – a garota perguntou interessada enquanto as duas andavam.
- Não, na verdade eu preciso devolver este livro. – levantou o livro mostrando-o – Peguei por engano de outro garoto.
- Você é nova aqui, não é?
- É, eu sou de outro país... – a menina parou de andar e encarou firmemente.
- Caramba! Você é aquela garota que o professor Darnell esculhambou esses dias na aula, não é? Aquela do sotaque?
- Sou eu sim. – confirmou.
- Nossa, eu sei quem é você. – a menina estendeu a mão. – Muito prazer, meu nome é Sam, muito legal conhecer você.
- Obrigada, eu acho... – sorriu confusa.
- Eu nunca tive a oportunidade de conversar com uma pessoa de outro país assim tão diretamente. Você é do Brasil, não é mesmo? E você tá na casa do DOUGIE POYNTER? – Sam estava tão empolgada que achou que ela fosse surtar ali mesmo.
- É sim, mas acredite, as coisas não estão fáceis.
- Por quê? – antes que pudesse responder, as duas chegaram a enorme sala de música.
- É aqui? – as duas foram entrando e observando os longos instrumentos de cauda. A sala tinha vários compartimentos com paredes transparentes e isolamento de som. Ela podia ouvir a sinfonia de flautas doces que ensaiavam na sala mais próxima.
- Quem você está procurando, especificamente? – Sam perguntou.
- Thomas, Thomas... – pegou novamente o livro e olhou a etiqueta. – Thomas Fletcher o nome dele, parece que ele toca piano.
- Hum... Ele deve estar mais ali atrás, o único piano fica lá. – Sam começou a puxar que a seguiu. – Mas você sabe se ele está ensaiando aqui agora?
- Não sei, é a única coisa que sei sobre ele... – as duas finalmente chegaram a porta do compartimento que tinha um piano dentro. Sam abriu a porta e as duas ficaram observando o garoto tocando de costas. Ele parecia estar tocando O Lago dos Cisnes ou coisa do tipo.
- Vai lá! Tem coragem de interromper? – Sam disse dando um leve empurrão em .
- Não é melhor a gente esperar ele acabar? – sussurrou. – Ele tá tão empolgado...
- Mas agente não sabe quanto tempo ele vai ficar tocando , e se ele demorar? Daqui a pouco eu tenho aula...
- Então o que... – parou de falar ao perceber que o garoto parara de tocar e estava olhando para as duas.
- Oi? – Tom encarou as duas confuso.
- Desculpe. – falou sem graça, encarando o garoto loiro que usava um All-Star amarelo, o que entrava em total contraste com o azul marinho do uniforme da escola, mas era muito fofo. – Você é Thomas Fletcher?
- Sim, sou eu. – o garoto se levantou e empurrou seu banquinho pra frente. – Querem falar comigo?
- Na verdade... Desculpem interromper assim. – Sam levantou um dedo e começou a falar. – Mas eu tenho aula de redação AGORA mesmo e tenho que correr, o sinal já tocou, sabe? A que tem que resolver algumas coisas com você mesmo.
- Vai lá então, a gente se vê mais tarde. – disse.
- Tá bem, eu te procuro depois então. – Sam deu um tchauzinho gracioso para Tom que sorriu sem mostrar os dentes e saiu logo em seguida.
- Então, o que houve? – Tom perguntou.
- Eu ia te explicar, é que parece que eu peguei o seu livro de Química por engano.
- Ahh, sim! – Tom pegou o livro que a garota exibira. – Poxa, nem precisa devolver. – ele riu.
- Ninguém gosta dessas porcarias, mas eu não ia ficar com dois, né? Deus me livre!
- Mas sério mesmo. – Tom sorriu e voltou-se para o piano. – Eu nem precisava mais desse livro, comprei por engano.
- Sério? – aproximou-se do piano enquanto Tom guardava algumas partituras. – Que merda, hein?
- Nem me fale. Qual é o seu nome mesmo?
- . – a garota sorriu meio sem graça.
- Acho que já ouvi falar de você... – o garoto colocou a mão no queixo tentando se lembrar.
- Deixa eu adivinhar. A garota que foi massacrada pelo professor de inglês.
- Não, não é isso não.
- NÃO?? – arregalou os olhos.
- To brincando, é sim. – Tom sorriu, dessa vez mostrando os dentes. – Mas nem esquenta, ele faz isso com todo mundo.
- Eu não quero nem mais lembrar desse cara. – a garota foi até a porta da saleta. – Prazer então, Thomas, a gente se vê por aí. – ela sorriu abrindo a porta.
- Por favor, me chame de Tom, ninguém me chama de Thomas.
- Tá ok. Tom. Até alguma outra hora.
- Até, . – o garoto se voltou para o piano, desta vez tocando a introdução de She Falls Asleep, uma composição sua.

Capítulo 15

Desde que saíra da sala de música o dia passou voando para , que não queria pensar em mais nada além de dormir um pouco e relaxar. Barulho não era uma coisa freqüente na casa dos Poynters, então ela aproveitava o silêncio para tentar fazer seu dever de casa. Lá estava ela, sentada na cama de Rachel com as pernas cruzadas, tentando se organizar no meio de tanto material. Provavelmente Rachel a mataria se a visse ali, mas, segundo Dougie, a irmã tinha reunião com a comissão do baile e só daria sinal de vida bem mais tarde.
Acabando seu último dever, se jogou de costas na cama e ficou encarando o teto por alguns minutos. Sentia falta de casa, falta de sua mãe a protegendo e a livrando de qualquer situação, falta de que a entretia com suas conversas malucas e seus conselhos. Naquele momento ela só queria que a amiga estivesse ali com ela.
E por que não?
A garota se levantou rapidamente derrubando alguns cadernos no chão, foi até sua cama onde estava sua mala e começou a procurar seu celular. Logo começou a digitar uma mensagem para .

‘Queria que você estivesse aqui... Não quer vir me visitar não?’

- ? – Dougie apareceu na porta quarto, abrindo-a levemente. deu um pulo de susto.
- Oi Dougie, já chegou?
- É, o treino foi suspenso porque a mulher do treinador foi parir. – o garoto entrou exibindo o uniforme do time da escola.
- Parir?? Que jeito horrível de falar isso, Dougie!
- Foi dar a luz. – ele se voltou para a porta novamente, sorrindo. – Só vim avisar que uma tal de Sam estava te procurando hoje, ela veio me perguntar se você já tinha saído.
- Ah, sim, claro. – tinha se esquecido de Sam. – Eu falo com ela amanhã.
- Tá tudo bem? Conseguiu descobrir sua vocação?
- Na verdade ainda não, mas estou trabalhando nisso.
- Ainda vai querer a minha ajuda e dos garotos?
- Claro, vou precisar mesmo. – remexeu em sua bolsa procurando algumas roupas. Desde que chegara da escola ainda não tinha trocado de roupa.
- Se quiser vir comigo agora, eu e os caras vamos no cinema. – o garoto apoiou o cotovelo na porta. – Não só a gente, nossas garotas vão também, se quiser vir...
- Ah, sim. – HÁ! Até parece que ela ia ficar de vela vendo os bonitões agarrarem as menininhas. – Acho melhor eu ficar em casa, tenho alguns deveres pra terminar ainda.
- Ora, vamos! Se você se enturmar com os caras depois vai ser mais fácil. Olha, eu posso ligar pra um amigo nosso que não tem namorada, ele pode acompanhar você.
- Hum... – pensou. Sair um pouco e se divertir não seria uma má idéia. Ela estava mesmo precisando esfriar a cabeça. – Tudo bem então, vou me arrumar e a gente vai.
- Ok, vou ligar pra ele. – Dougie deixou o quarto cantarolando uma música pelo corredor. foi até sua mala e percebeu que seu celular estava vibrando por algum tempo.

‘Também queria que você estivesse aqui, sinto sua falta amiga. Será que tem lugar aí pra mim?’

Capítulo 16

- Er... Dougie!
- Oi? – Dougie desviou sua atenção de sua vitamina no liquidificador e voltou-se para parada na porta da cozinha – Tá pronta?
- Sim, mas eu preciso falar uma coisa antes... – A garota se aproximou e sentou-se em uma das cadeiras da mesa.
- Pode falar, quer vitamina? – Dougie sentou-se e esticou a vitamina para a menina.
- Não, obrigada. – torceu o nariz. Detestava essas vitaminas. – Eu queria saber se seus pais se importariam, de uma amiga minha passar uns dias aqui.
- Amiga... –Dougie gemeu bebendo um gole.
- Sim... Mas se for incomodar não tem problema...
- Olha, não tem problema por mim não, , você só tem que ver com meus pais e a minha irmã mesmo.
- Por que com a sua irmã?
- Porque você fica no quarto dela, né. – Dougie se levantou – Você tá linda. – Ele disse indo até a pia. corou.
- Obrigada. – Ela realmente estava linda. Seus cabelos estavam soltos e suas pernas à mostra em um vestido preto curto. Usava uma maquiagem leve e uma sandália de salto alto. – Eu acho que vou conversar com ela, então.
- Vocês são muito apegadas, hein...
- Eu e a Rachel? – bufou.
- Não, você e essa sua amiga.
- Ah, sim. Nós somos amigas desde tipo... Sempre! – Ela sorriu vendo que Dougie a observava de perto. Ele também estava perfeito.
- Você está aqui há tão pouco tempo, e vocês já morrendo de saudades. – Ele desviou seu olhar de e se levantou. – Vamos, então, tenho que passar no posto ainda.
- Vamos. – se levantou e os dois deixaram a casa.

Quando e Dougie chegaram ao cinema, todos já estavam lá esperando. Havia duas garotas e dois garotos, mas ela não viu sua suposta companhia. Se Dougie fosse deixá-la de vela, ela ia andando para casa em uma fração de segundo.
- Fala, cara. – Os dois garotos deram um ligeiro tapinha no ombro de Dougie. Ele os cumprimentou e piscou para as duas meninas que falaram um breve ‘oi’, em seguida os olhares se voltaram para .
- Essa é a , , esses são Peter e John.
- Oi, prazer. – cumprimentou os dois garotos que sorriram e apertaram sua mão. Peter tinha os cabelos castanhos e um enorme sorriso contagiante. John tinha os cabelos pretos e um rosto perfeito, com olhos verdes escuros brilhantes. Os dois fariam uma garota normal se arrepiar, se não achasse Dougie mais bonito que os dois.
- Prazer. – Peter murmurou – O Cal e a Sally ligaram, disseram pra comprarmos os ingressos deles que eles já chegam.
- Vamos entrar, então, preciso de um refrigerante. – Dougie disse isso e saiu puxando em seguida. As duas garotas não disseram nada, por incrível que pareça, elas pareciam tímidas.

- O que vamos assistir, Dougie? – perguntou enquanto ele pegava a pipoca e a enorme sacola cheia de doces. Ela não conseguia entender como o Poynter fominha daquele jeito conseguia manter aquele corpo saradão, enquanto ela não podia comer um mísero biscoito recheado que já sentia diferença. Mas é claro, ela não perguntou a Dougie qual era seu segredo.
- Um filme aí, tem que olhar no cartaz que eu esqueci o nome, acho que é ‘Conduta de Risco’. – Ele se aproximou e ‘jogou’ um balde de pipoca em cima de que cambaleou tentando se equilibrar.
- Isso tá com cara de filme chato. – Ela não se interessava muito por filmes que não fossem de comédia ou romance, e aquele não estava com cara de nenhum dos dois – Por que não vemos PS: Eu te amo?
- Porque senão eu vou começar a chorar na frente de todo mundo e pagar o maior micão.- O garoto riu e entrou na frente de que cruzou os braços.
- HAHA! Não vem me zoar não, meu caro, porque eu vi ‘Titanic’ e ‘De volta a lagoa azul’ na estante do seu quarto, ok?
- Como você viu isso? – Dougie perguntou incrédulo ficando vermelho e se atropelando um pouco com as palavras. OPA! tinha feito uma breve visita ao quarto de Dougie quando ele ainda estava na escola, para dar uma espionada básica e foi aí que viu os filmes. Se contasse estaria ferrada.
- Eu tava indo no banheiro e passei pela sua porta, aí acidentalmente vi os filmes lá dentro, Sr. sensível. – A garota se virou e começou a andar na direção de uma lata de lixo deixando Dougie para trás. Logo ele foi atrás dela.
- Sei, andou me espionando e agora fica inventando história aí... Mentir é feio, ok, dona ? – Ele parou ao lado dela novamente que agora cuspia um chiclete na lixeira.
- Você acha que é o centro do universo, não é? – Ela se virou para ele. – Aquela gente daquela escola te deixa muito mal acostumado.
- Relaxa, , eu tava brincando. – Dougie disse parecendo ofendido.
- Eu tô brincando Poynter! – riu e colocou sua mão no ombro do garoto. Logo os dois foram interrompidos por Pete e uma das garotas baixinhas que se aproximaram dos dois de repente.
- Sua garota chegou. – Pete apontou com a cabeça para a garota que vinha correndo com os cabelos amarrados parecendo exausta. pensou em fugir dali o mais rápido que podia, porque, pelo visto, não ia ter companhia.
- Desculpa a demora. – Sally, uma garota bem branca de olhos cor de mel e cabelo loiro escuro, levemente liso, deu um selinho em Dougie. Era o que chamaria de ‘bonitinha’, mas não uma princesa.- Minha mãe deu um ataque antes de eu sair, é uma longa história.
- Bem, então acho que você pode me contar tudo lá dentro, porque o filme já vai começar. – Dougie sussurrou bem perto da garota, a puxando em seguida. Olhou para e parou bruscamente.
- Cadê o Cal, gente? – Ele perguntou para os garotos que estavam mais atrás com as outras meninas, que não tinham pronunciado uma palavra até agora.
- Oi gente, o filme já começou? – Um garoto moreno, com o cabelo batendo nos olhos e um skate na mão se aproximou de todos. Ele estava ofegante e parecia ter corrido em uma maratona antes de chegar ali. – Eu demorei, né?
- Demorou, mas o filme não começou, não. – Dougie se aproximou de Cal e , que por coincidência estavam meio próximos. – Cal, esta é a , este é o Cal.
- Oi, beleza? – O garoto deu um sorriso simpático. Era difícil dizer qual dos garotos era mais bonito, já que cada hora ela se surpreendia mais. Só tinha certeza que Dougie superava todos. – O Poynter me falou de você.
- Ah, legal. – A garota sorriu. Percebeu-se que rolou um clima entre os dois, já que ficaram se encarando sorrindo por alguns segundos, até uma das meninas se aproximar.
- Vocês não vêm? – A Ruivinha perguntou.
ALELUIA! Uma delas abriu a boca!

Capítulo 17

Já haviam se passado vinte minutos de filme e estava viajando na maionese. Nunca vira um filme tão chato, e sentiu vontade de xingar toda a geração de produtores do filme. Para completar, todos pareciam extremamente interessados na chatice do filme, que, para ela, o roteiro não fazia sentido algum.
- Me passa a pipoca? – Ela pediu baixinho para Cal que estava com os olhos pregados na tela. Desde que entraram, conversaram bastante e pareciam estar se dando super bem, mas infelizmente ele se sentiu mais atraído pelo filme do que por ela.
- Claro. – Ele pegou o balde de pipoca que estava na cadeira ao lado no colo de uma das baixinhas. O balde estava sendo completamente ignorado, já que a menina não parara de se agarrar com Pete desde que entrou. – Aqui.
- Obrigada. – agradeceu pegando o pote e ainda olhando para o garoto. Ai, ai, ele era uma gracinha mesmo. Como ela sentia vontade de dar pelo menos um beijinho nele.
- Tá gostando do filme? – Ela perguntou debruçada na cadeira virada para ele. Ele desgrudou os olhos da tela e a encarou.
- Tá interessante, até, você tá gostando? – Ele disse voltando sua atenção para o filme novamente.
- Sim, muuuuito interessante. – afirmou com a cabeça, agora reparando na boca de Cal. Era perfeita, perfeita, perfeita. Se ela não o beijasse rapidamente, ficaria louca. – Mas sabe, tem coisas mais interessantes para se fazer em um cinema... – Ela mordeu a boca, mas ainda sem ser encarada. Normalmente ela não faria uma coisa dessas, mas a vontade de beijar o garoto e a escuridão afetaram seu cérebro.
- O quê? – Ele perguntou olhando rapidamente para ela, mas ainda mantendo sua atenção na tela. esperava que ele fosse mais inteligente e ágil.
- Comprar chocolate. – Ela disse buscando uma saída. – Quer um pouco? Eu vou lá comprar e já volto.
- Não quero, obrigado, mas você vai perder o filme.
- Acho que posso sobreviver. – Ela disse saindo em seguida discretamente.
chegou na lanchonete do cinema que revelava uma claridade entorpecedora. Seu vestido estava amassado e sujo de restos de pipoca misturados com o açúcar das jujubas. Se aproximou do balcão e pediu um chocolate, em seguida pegou seu celular para ver as horas. Percebeu que havia duas chamadas de Harry não atendidas.
- Que foi, Harry? – disse após ele atender.
- Ah, oi, eu te liguei mais cedo, onde você tava?
- Não é da sua conta, oras. – A garota riu. Ela e Harry, mesmo com o pouco tempo que se conheciam, já tinham essa relação de ‘fale tudo na cara’.
- Então acho que também não é da minha conta o fato de eu ter achado a atividade extra perfeita pra você, minha cara simpatia.
- O que você achou? – Ela se apoiou no balcão.
- Eu pensei que não fosse da minha conta. – Ele disse e já podia imaginar sua cara sarcástica do outro lado da linha.
- Desculpe, Harry querido, eu não queria magoar seu coraçãozinho.
- Uma vez destruído, um coração nunca se recupera, sabia?
- Não, não sabia. Harry! Fala logo o que você achou.
- Amanhã na aula eu te falo.
- INJUSTOOOO!!! – praticamente berrou, chamando a atenção de alguns vendedores.
- É o preço a pagar por ferir meu coraçãozinho.
- Os garotos estão tão sensíveis hoje. – disse pegando seu chocolate. – Você ainda me paga, seu cara de sapo.
- Até amanhã, meu amorzinho. – Harry desligou e fez o mesmo, entrando novamente na sala com seu chocolatinho. Deu de cara novamente com o filme insuportável e com Cal vidrado na tela. Sentou-se desejando morrer.
- Demorou, hein? – Cal recostou-se na cadeira e virou-se para ela, que não evitou o sorriso. Ele era tão bonitinho, e ainda com os olhos assim tão perto dos dela.
- Tive que atender o celular. – Ela disse baixo percebendo que Cal não tirara sua atenção do filme.
- Alguma coisa urgente? – Ele se virou para ela rapidamente.
- Não, nada demais não. – ‘Só o mala de um amigo meu não querendo me falar a atividade extra que ele julga perfeita pra mim’. Mas é claro que não disse isso, já que Cal não parava de prestar atenção no filme por nada.
- Sabia que eu sou BV? – perguntou resolvendo apelar, para ver se ele se mancava e pelo menos sentia pena dela e a tiraria da seca. O garoto pareceu ter ficado meio confuso e franziu as sobrancelhas olhando para ela. Claro que ela não era BV.
- Sério? – Ele sorriu amarelo. – Isso é legal, você se sente mal por isso? – Agora ele parecia meio sem graça.
- Não, só as vezes, porque eu sinto que estou perdendo alguma coisa muito boa, sabe? – Ele não piscou. Apenas afirmou com a cabeça. Não era possível! Como um garoto podia ser tão jumento? Ele devia ser gay, só podia!
- Deve ser meio ruim mesmo. – Foi só o que ele disse. suspirou e praticamente se deitou em sua cadeira entediada. Comia seu chocolate desejando com todas as suas forças que a hora passasse. No filme um casal começou a se beijar, e pensou ser a oportunidade perfeita para ele sentir vontade de fazer o mesmo, mas nada.

- ... ... ! – A garota abriu os olhos e deu um pulo na cadeira. Todos estavam saindo e a luz estava acesa. Cal a estava cutucando e aparentemente o filme tinha acabado.
- O que foi? Acabou? – A garota perguntou meio desorientada, se levantando. Cal riu.
- Já, e pelo visto você não gostou muito do filme. – Ele sorriu de novo enquanto os dois iam até a porta. ‘Não diga? Será que foi por isso que eu te dei indiretas o filme todo pra você me dar pelo menos um beijinho, seu jumentinho?’
- Começou a ficar chato depois. – Ela disse assim que eles encontraram com os outros na saída. Dougie abraçava Sally, e um casal já havia ido embora.
- O John e a Candy já foram, estavam com pressa, que demora vocês, hein? – Sally disse observando a cara amassada de .
- Eu tive que acordar ela. – Cal disse fazendo Dougie e Sally rirem.
- Ah gente, que filme chato, pelo amor de Deus! – resolveu ser sincera. Não agüentava mais esconder o desgosto pelo filme.
- Sinceramente, eu também achei. – Sally disse fazendo Dougie lançar um olhar incrédulo para ela.
- Não é? – se sentiu feliz ao ver que não era a única. – Aquela cena estranha do começo... Não entendi nada!
- Nem me fala! – Sally puxou a calça para cima dos quadris. – E aquele cara? Qual era a dele? Eu nem entendi qual era a profissão dele!
- Por favor, vai dizer que vocês não entenderam? – Cal disse acompanhando enquanto eles andavam rua a fora. – O filme é uma obra de arte.
- E o cara era um advogado. – Dougie completou agora abraçando Sally por trás.
- Não sei o que ele era, mas era feio que dava dó. – Sally comentou e riu confirmando com a cabeça. Os quatro ficaram conversando por mais algumas horas, e o outro casal se afastou para se pegarem em outro lugar. Após algumas horas, Dougie chamou que conversava com Sally na fila da barraca de sorvetes.
- Vamos, ? A gente tem aula amanhã.
- Que horas são?
- Dez e meia. – Cal bocejou olhando em seu relógio. Todos estavam com lindas caras de sono.
- Vamos, então. – se dirigiu para perto de Dougie.
- Espera um segundo, ok? Deixa eu me despedir da Sally. – Foi o que ouviu Dougie dizer e logo arrastar Sally para outro canto. Fazer o que né.

- Então, outro dia eu te levo pra ver um filme que você vai gostar. – Cal disse quebrando o silêncio entre os dois. não queria mesmo que ele a acompanhasse novamente, mas claro, não disse nada.
- Claro, seria ótimo. – Ela disse apenas.
- Acho que a gente se vê amanhã na aula, então, se quiser, pode passar na minha sala no intervalo.
- Se eu tiver tempo, eu passo sim. – Mais uma vez ela mentiu. Cal se aproximou dela e encostou uma das mãos em seu ombro. Ela percebeu que ele ia beijá-la, mas sua vontade de beijá-lo não era tão grande como mais cedo. Ele se inclinou e a deu um leve selinho nos lábios. sorriu e em seguida ele se aproximou novamente, dessa vez, envolvendo os dois braços em sua cintura e tentando aprofundar mais o beijo, mas o interrompeu.
- Nos vemos amanhã. Ela disse se livrando dos braços do garoto. Ele podia ser um Deus grego, mas sua patetice a fez perder o encanto.
- Acho que você não é mais BV, né. – Ele disse quando ela virou as costas. bufou e foi na direção de Dougie que acabara de dar seus amassos em Sally.

Capítulo 18

O dia seguinte na escola estava indo muito bem. ainda não havia encontrado Harry, mas infelizmente tinha esbarrado com Cal nos corredores. Ele a cumprimentou e ficou atrás dela por um tempo, até o sinal de sua aula tocar. Durante a aula de História, ela só pensava em encontrar logo com Harry para saber a bendita atividade extra que ele tinha achado. O sinal tocou e ela saiu da sala em disparada, em direção ao refeitório para ver se encontrava Harry.
- Oi . – se deparou com Sam novamente, a garota extremamente branca e baixinha que agora usava uma boina e conversava com algum professor. – Vai almoçar? Quer companhia?
- Seria ótimo. – dessa vez estava sendo realmente sincera. Desde que chegara ali, não se envolveu com nenhuma menina, o que é extremamente necessário para qualquer garota. Seria bom andar com uma garota pra variar, e Sam era super legal. No refeitório, enquanto Sam pegava sua comida, foi atrás de Harry. Estranhamente, ele não estava na mesa que costuma estar.
- Procurando alguém? – Sam apareceu atrás de já com sua bandeja cheia de pacotes de salgadinhos. – Eu vi você conversando com o Cal Spencer hoje, ele é uma gracinha...
- Uma gracinha que precisa deixar de ser um pouquinho bocó. – disse, sentando-se em uma das mesas. Sam sentou-se em sua frente dando uma risada.
- Nossa, o que aconteceu? – ela ainda ria. Sam tinha um sorriso realmente bonito, daqueles que sempre fazem a pessoa sair bem nas fotos apenas mostrando os dentes.
- Longa história, menina...
- Pode ir contando. – ela se ajeitou na frente de e colocou os cotovelos na mesa. deu mais uma olhada em volta, mas nenhum sinal de Harry.
- Foi o seguinte...

- HARRY! – berrou ao ver o garoto na porta do ginásio. Este não é um lugar que ele costuma ficar, e ela estava doida para vê-lo desde que chegou.
- Aonde você se meteu no almoço? Eu te procurei por toda parte! – ela se aproximou dele o puxando pro canto. Estava com a roupa de ginástica da escola, que era horrendamente ridícula, mas era agradável para os garotos que queriam ver as meninas com roupas coladas e transparentes. Harry, como sempre, arranjava um jeito de usar preto, mesmo com o uniforme.
- Eu tava na sala da diretora. Aparentemente minha professora de Inglês se sentiu ofendida com a minha última redação. – ele observou da cabeça aos pés depois fixou seu olhar no rosto dela.
- Ai meu Deus! O que você fez Harry?
- Nada demais! É essa ditadura dessa escola, que não deixa os alunos se expressarem. Ela só não gostou de ouvir umas verdades.
- Eu não vou nem perguntar. Mas me diz, o que você tem pra mim? Que atividade eu vou fazer?
- Relaxa, ok? É só uma sugestão que eu ACHEI que você ia gostar. – Harry sentou no banco e puxou agressivamente. Ela já estava se acostumando com a agressividade de Harry.
- Fala logo, Harry!
- Você já pensou em trabalhar no jornal da escola?
- No jornal? – refletiu por alguns segundos, mas a expressão em seu rosto não era das melhores, e Harry percebeu isso.
- É, você sabe, aqueles repórteres, redatores, etc, que ficam por aí enchendo o saco e invadindo a privacidade dos outros. Não sei se você vai gostar, mas é uma opção.
- Não sei não... – começou a roer a unha do polegar. Velho hábito em momentos de indecisão. – Mas a idéia não é ruim não Harry, nem tinha pensado nisso.
- Quer ir lá agora? Tem alguma coisa pra fazer?
- Na verdade não, a aula acabou agora. – começou a tirar seus tênis de Educação Física. – Mas você não tem aula agora não?
- Fala sério, você acha que EU tenho cara de quem faz Educação Física? – Harry arqueou a sobrancelha.
- Me espera trocar de roupa então, já vou lá com você. – a garota se levantou e Harry se retirou dando breves olhadas para as garotas que passavam por ali suadas após o término das aulas. riu e foi trocar sua roupa.

As horas parecem passar realmente devagar quando se anda de uma ponta a outra daquela escola. Agora entendia porque todos os alunos eram magros e bonitos. Ela e Harry estavam caminhando há alguns minutos pelos longos corredores daquela enorme escola. Ela é realmente grande, e alguns lugares nunca foram explorados pelos alunos. Possui vários prédios com diferentes departamentos, aparentando uma universidade. Em um dos corredores, reconheceu Tom passando por ela.

- Oi! – ela acenou reconhecendo o garoto.
- Olá! – ele acenou após se tocar e lembrar da garota que devolveu seu precioso livro de Química. Tom estava um pouco enrolado com algumas pastas com partituras nas duas mãos. Harry encarou Tom e depois se voltou para .
- Tá ficando pop, hein? – ele disse enquanto os dois entravam em uma saleta.
- Que nada, trocamos de livro por engano. – disse, observando em seguida a enorme sala cheia de computadores e pessoas andando por todos os lados. – É aqui?
- Uhum. – Harry apalpou seus bolsos da calça procurando por um cigarro. – Vai lá e procura o editor chefe, eu espero você aqui na porta.
- Vai fumar aqui, sua chaminé?
- Já viu o tamanho dessa escola? Você acha MESMO que algum inspetor ou o diretor vai perder tempo vindo aqui na redação do jornal?
- Tudo bem, mas depois não vem me encher o ouvido falando que o mundo é injusto com a sua pessoa. – deu de ombros. – Me espera aí, hein? Não sai porque eu não sei voltar isso tudo sozinha.
- Vai logo. – Harry encostou-se na parede acendendo seu cigarro. adentrou a sala.

Capítulo 19

- Depoimentos dos matletas... Depoimentos dos matletas... ONDE ESTÃO OS DEPOIMENTOS DOS MATLETAS?
- Deixaram na sua mesa. Quem foi que escreveu?
- Alana Semler. Ela era a encarregada dos matletas. ELA TEVE A IDÉIA DA REPORTAGEM E ME ENCHEU O SACO PRA EU VIR AQUI HOJE EDITAR ESSA PORCARIA! E AGORA A REPORTAGEM SUMIU!
- Gente, ninguém sai do lugar, vamos revistar todas as mesas procurando pelos depoimentos perdidos. Não façam algazarra e não piorem as coisas, por favor!

observava a enorme desordem naquela sala não tão grande e bagunçada do jornal. Já estava ali há algum tempo e ninguém havia ao menos notado sua presença. Ou ela chegara em uma hora crítica, ou aquelas pessoas não eram nada simpáticas.
- Com licença menina, você por acaso viu os depoimentos dos matletas? – a garota loira de óculos que vira pedindo para revistar as mesas de todos agora estava na sua frente observando o que carregava.
- Não vi não. – foi só o que disse, fazendo a garota se virar e continuar a fazer o que fazia antes. Se Harry pensou que ela ia gostar daquele lugar, pensou totalmente errado. Só o que queria agora era sair dali. Foi o que fez esgueirando-se até a porta, até a mesma loira descabelada interceptá-la novamente.
- Eu já te vi por aqui antes?
- Não, mas eu já estou de saída, ok? Acho que errei de sala... – o sorriso falso no rosto de fez a loira perceber que havia algo de errado.
- Espere. – ela disse. – Que sala você está procurando?
- A sala do... Do... Orientador. Aquele cara que... Orienta sabe? – bela merda. Pra variar tinha falado merda, e agora não se livraria daquela garota chata e daquele jornal estúpido tão fácil.
- Orientador? – a loira arqueou a sobrancelha preta. Ela loira falsa. Sabia! – Não tem nenhum orientador aqui na escola, muito menos por aqui. Vai dizer que você não sabia disso?
- Na verdade não, mas agora já aprendi, viu? Muito obrigada e foi um prazer aparecer no seu jornalzinho. – saiu atropelando as palavras indo em direção a porta, até ser interrompida por um grito atrás de si.
- SEGUREM ESSA MENINA! NÃO DEIXEM ELA SAIR! – olhou em sua volta tentando entender de quem estavam falando, até ver todos os olhares em sua direção. Continuou andando até ser barrada por dois garotos com o dobro do seu tamanho.
- O que está acontecendo aqui? – ela olhou em volta confusa. A loira foi em sua direção com os braços cruzados e a sobrancelha não-pintada arqueada.
- Acho que o nosso editor chefe vai querer ter uma conversinha com você. Por que não vem comigo, hein?
- Com quem? – antes que pudesse dizer mais alguma coisa, estava sendo guiada para onde estivera antes. – Isso é alguma brincadeira do Harry? Ele combinou isso com vocês, é? Porque se for, ele vai me pagar, ôô se vai!
- Danny, acho que encontrei a autora do crime. – a loira cutucou um garoto que digitava um artigo em um computador.
- Crime? – agora estava boquiaberta. – Que história é essa?
- Ah, por favor! Não vem dizer que não sabe de nada qu...
- Lily! – o garoto se virou e interrompeu-a. – Deixa que eu resolvo isso.
- Tá, né? – A garota bufou e cruzou os braços.
- Quem é você? – o garoto encarou com dúvida nos olhos.
- Ela estava perambulando aqui pela sala, nunca a vi por aqui antes, ninguém nunca viu...
- Lily, por favor. – foi só o que Danny disse para a garota se calar. Seja lá quem fosse, ele impunha respeito. – O que você estava fazendo aqui?
- Sei lá. – deu de ombros.
- Como "sei lá"? – Danny arqueou a sobrancelha. – Estava procurando alguém, queria alguma informação?
- Danny, é óbvio que foi ela que pegou os depoimentos, senão, por que ela não diria nada? Ia ficar aí parada com essa cara de pateta?
- Lily, você pode calar a boca? – após esta frase sair da boca de Danny, o silêncio se estabeleceu no lugar mais barulhento que já vira. Todos ficaram quietos, inclusive Lily, que agora parecia extremamente sem graça.
- Quer saber? Eu vim conhecer o jornal, ok? Eu estou procurando uma atividade extra por causa do meu professor imbecil de inglês que não foi com a minha cara. Depois de muito tempo de procura eu vim parar aqui através de um amigo, mas não se preocupe, eu não vou ficar aqui. E se querem saber, eu não peguei essa bostinha de depoimento que vocês tão falando, podem revistar a minha bolsa. – jogou a bolsa em cima da mesa de Danny, derrubando um porta-caneta e fazendo várias canetas e lápis se espalharem no chão.
- E como a gente vai saber que ela tá falando a verdade? – Lily disse baixo para Danny, mas não baixo o suficiente para não ouvir.
- Ela está falando a verdade. – Danny disse. – Os depoimentos estão comigo.
- Com você? – Lily arregalou os olhos.
- Com você? – foi a vez de .
- É, eu coloquei na minha pasta sem querer junto com outros papéis. Me desculpem pela confusão, podem todos voltar ao que estavam fazendo. – Incrivelmente, foi o que todos fizeram. Voltaram para o que faziam antes como se nada tivesse acontecido. não conseguia acreditar em como todos respeitavam o chefe do jornal, que era simplesmente um aluno normal como todos eles.
- , você fica. – Danny disse quando viu que a garota ia sair. – Vem aqui, vamos conversar.
- Ok. – foi só o que ela disse. Ok. Ela tinha medo de discordar daquele garoto. Tinha medo do que ele poderia fazer com ela caso se sentisse ameaçado ou alguém o desobedecesse. É claro que ele não poderia fazer nada, já que eles estavam em uma escola, mas mesmo assim.
- Pode sentar aqui. – ele puxou uma cadeira ao lado da sua na mesinha do computador. Ela se sentou sem hesitar puxando suas meias três quartos desconfortavelmente. – Desculpa por isso, tá uma bagunça aqui hoje, a gente tá tendo que fazer tudo de improviso.
- Tudo bem, eu não estou chateada com você.
- Mas você não quer mais trabalhar aqui. – ele a encarou. – Certo?
- Digamos que eu não tive uma boa primeira impressão de tudo isso aqui.
- E o que eu posso fazer... – ele estendeu o braço pegando uma pasta com algumas folhas dentro. – ..pra que você melhore a sua impressão e trabalhe aqui?
- Eu não sei. – realmente não sabia. Não sabia como Harry podia ter a metido nesta. Não sabia se ele sabia a loucura que aquele lugar era e apenas quis pregar uma peça nela. Não sabia principalmente porque disse o que disse em seguida. – Mas se você me mostrar alguma coisa que eu possa gostar... Talvez eu mude de idéia.
- Tenho certeza que podemos achar alguma coisa. – ele disse e sorriu em seguida vasculhando os papéis da pasta. O sorriso de Danny era... Como a união das coisas mais belas do mundo, com um toque do brilho das estrelas mais o brilho do sol, acrescentados de uma pitada de malícia e inocência. – Nós precisamos de repórteres, já pensou nisso?
- Na verdade não. Não sei se é muito a minha cara, sabe? O que eu teria que fazer?
- Basicamente entrevistar e escrever algumas matérias se você quiser. – enquanto estavam sentados ali, Lily gritava com algum pobre ser do outro lado da sala por conta de uma saída repentina sem aviso prévio. Danny percebeu que observava. – Pode deixar, você não vai ficar igual a ela.
- Eu não disse nada.
- Mas eu sei o que você está pensando. A Lily vive estressada, eu não a julgo, mas acho que ela devia maneirar. Mas voltando ao assunto, toma essa folha. – O garoto entregou-a uma folha impressa.
- O que é isso?
- Como o sinal já vai tocar você pode ler aí, escolher o que quer fazer em casa e me falar amanhã.
- Tanto faz, eu só preciso decidir rápido. – se levantou. – Obrigada por... Pela consideração.
- Que nada, te vejo amanhã, então? – o garoto sorriu se levantando também.
- Sim, até amanhã Danny. – deixou a sala e Danny ficou pensativo por um tempo. Logo chamou um dos garotos que estava ali perto fazendo alguma pesquisa.
- Me diz, acha