Escrito por: Gabi Lima
Beta-Reader: Mayh Angeli | Gaby até cap. 11



Capítulo Um.


Em pleno dia chuvoso com trovoadas e muita neve, eu tentava de maneira em vão controlar o frio que percorria pelo meu corpo.
É dezembro, mais especificamente dia 24, véspera de natal.
Nada estava ao meu favor. Eu havia acabado de fugir do orfanato, não agüentava mais aquele lugar onde eu era tratada com uma escrava. Me colocavam para fazer trabalhos pesados, coisa que não era da minha responsabilidade, mas se não o fizesse, iria sofrer as consequências passando quatro dias sem comer e nem beber. Sabia muito bem que era muito difícil alguma família querer adotar uma adolescente de 15 anos, então fugi de lá, ninguém iria sentir a minha falta mesmo.
Fui puxando as minhas duas únicas grandes e pesadas malas, onde guardava as únicas coisas que eu tinha, ou melhor, que eu podia mexer.
A verdade toda é que herdei milhões, porém dinheiro que eu nunca vi na minha vida, nem pude sentir o cheiro, porque os meus pais decretaram em seus testamentos que eu só poderia tocar na minha herança quando eu tivesse meus 17 anos, idade que segundo eles eu teria responsabilidade e teria cabeça para administrar todo esse dinheiro – diria que foi mais pura sorte minha meus pais terem desistido de por “18 anos” no testamento, porque seria mais tempo sofrido pra mim, entendem?
E porque tive que ir para um orfanato já que nasci em berço de ouro? Simplesmente pelo fato de eu não ter outro parente vivo. Ah, e seus amigos? Uns hipócritas. Sua família é milionária, portanto você é famosa, mesmo assim ninguém te ajudou? Não, o mundo dos famosos é a mais pura falsidade, e bem... Nunca fui exposta a mídia, pois meus pais preferiam me deixar “invisível”.
Bom, agora que eu já dei o meu primeiro passo – que seria fugir do orfanato – estou em busca de algum lugar para passar a noite, e depois pensarei o que fazer da minha vida.
Apertei um pouco mais o meu agasalho contra o meu corpo devido ao vento que agora estava frequente, quando avistei uma casa que felizmente tinha uma casa na árvore no jardim dos fundos. Perfeita para uma adolescente em fuga passar uma noite.
Corri o máximo que eu pude para chegar rapidamente ao local que se encontrava mal iluminado.
Pulei o cercado da casa morrendo de medo de ser pega e não me deixarem ficar ali ou chamarem a polícia. Peguei as minhas malas, empurrei-as para dentro daquele pequeno local e fechei a portinha de acesso.
Peguei uma lanterna que eu havia ganhado de uma menininha do orfanato, e usei para iluminar o local em busca de uma tomada.
Fechei primeiro as duas janelas que haviam ali, em seguida liguei as duas únicas lâmpadas que tinham.
Fiquei admirando o local durante alguns minutos, e fui mexendo nas coisas para ver o que eu encontrava.
Haviam vários livros de aventura, fotos de belas crianças sorrindo, brincando... E entre essas fotos uma me chamou atenção. Nessa havia uma família feliz. Um pai, uma mãe e um filho que aparentava ter uns sete anos.
Deixei uma lágrima teimosa escorrer pelo meu rosto. Aquilo nunca mais eu iria ter. Uma família unida e alegre.
Droga! Porque aquele maldito acidente tinha que acontecer? Ótimo – sorri ironicamente – mais lágrimas...
Talvez eu devesse procurar outras coisas.
E assim foi que encontrei um caderno com várias coisas escritas. Espera... Não são quaisquer coisas, são músicas! Lindas por sinais.
-“But life’s a bitch and so are you”. Profundo, hein? – comentei comigo mesma.
Folheei as páginas até achar alguns desenhos belíssimos. Alguns de mulheres, outras de homens. Desenhos de pessoas fazendo suas coisas do dia a dia.
Legal o que o dono desse caderno faz. Fica observando pequenas coisas que qualquer um pode fazer e as transforma em belas artes!
Ok chega de vasculhar as coisas. Tenho que arrumar meu canto para dormir e alguma coisa para comer.
Tirei um edredom, uma manta e um pequeno travesseiro das malas e fiz uma cama (é nesses momentos que agradeço ter tido uma família muito bem financeiramente, o edredom, a manta e o travesseiro eram confortáveis bastante o suficiente para passar uma noite em um local sem cama).
Peguei algumas bolachas, pasta de amendoim e uma lata de Fanta Uva que eu havia comprado em um mercado que era perto do orfanato.
Pelo menos eu era inteligente desde pequenina e já juntava um dinheiro, não é? Tenho o suficiente para gastar durante uns meses.
Agradeço mentalmente por juntar míseras moedas desde uns quatro anos atrás. Seria melhor ter começado a juntar antes, mas enfim... (tenho dinheiro, mas tenho que economizar). Fiz o meu pequeno lanche e fui dormir. Era o que me restava a fazer depois de uma noite cansativa.

[...]

Acordei com um barulho estranho, tipo de alguém mastigando alguma coisa, só que eu ainda não tinha aberto os meus olhos. E quando o fiz...
-AAH!
-Calma! Calma! Não vou machucar você! – disse o garoto deixando um pacote de biscoito de lado, onde se encontrava o caderno que eu vi ontem à noite e um lápis.
-Quem é você? – perguntei ainda assustada.
-Eu é que te pergunto. Você que invadiu a minha casa... Digo, a minha casa na árvore – falou ele coçando a sua nuca.
-Ah me perdoe... Eu não deveria estar aqui, eu só queria um lugar para ficar por uma noite, já saio daqui, não se preocupe! – disse já “desmontando a minha cama”
-Não, tudo bem! Eu te entendo.
-Como? Você entende?
-Claro. Quem nunca fugiu de casa?
-Mas eu não fugi de casa.
-Puta merda... Você fugiu da cad...
-Claro que não! – doido – Eu fugi do orfanato.
-Ah, ainda bem – ele pareceu aliviado. Ri baixinho.
-Então, não se importa mesmo de eu ficar aqui?
-Aqui não, na minha casa. Uma moça linda como você não pode ficar em uma casa na árvore – fiquei corada e reparei que tinha um rapaz muito lindo na minha frente. Cabelos e olhos , que eu podia jurar que me perdia neles em míseros segundos.
-Mas eu vou incomodar os seus pais e...
-Eu moro só, então as regras são minhas – falou ele dando um belo sorriso.
-Sério? Ai muito obrigado – dei um beijo na sua bochecha esquerda – muito obrigado – outro na bochecha direita – muito obrigada – dei um beijo na testa dele – e desculpa por isso! – falei rindo sem graça.
-Não quê isso... – disse ele coçando a nuca novamente e ficando um pouquinho corado – Mas tem uma condição.
-Qual? – mordi meu beiço inferior.
-Você vai me contar como veio parar aqui... Você sabe... sua história.
-Ah, claro! Sem problemas. Mas vou logo avisando que é longa.
-Tenho todo tempo do mundo – falou ele sorrindo de lado e eu retribuo o sorriso.
Ele como um belo rapaz educado me ajudou com as malas e me deu a mão para me ajudar a sair da casa na árvore.
Depois ele me levou para dentro da sua casa, aonde um cachorrinho da raça Bulldog vinha em nossa direção.
-Awn qual o nome dele? – perguntei pegando o mesmo no colo e fazendo carinho.
-Ele se chama Bruce – disse ele deixando as minhas malas em um canto – Vem garotão! – ele chamou o seu cachorro.
-Bruce? - assovios – Bruce?!
Ri.
-Acho que ele gostou de você – comentou ele dando um sorriso – É a primeira vez que isso acontece.
-Isso o quê?
-O Bruce não é de se apegar as pessoas estranhas de primeira. Parabéns! Você é uma exceção – disse rindo – Ah, ta na hora de nos apresentarmos melhor, não acha? – deu uma risada de leve e eu o acompanhei – Prazer! , mas prefiro que me chamem de .
-Prazer! , mas pode me chamar de .
-Assim é melhor...
-Verdade – dei um sorriso de lado.
-E esse sotaque? Você não é daqui, não é? – ah claro, meu sotaque brasileiro.
-Brasil.
-Nossa! Amo o seu país. Já passei as minhas férias lá – falou todo animado.
-Ah que legal – sorri.
-Qual a sua idade? Assim, só pra saber – falou ele sem graça.
-15 e você? – ele deu um suspiro.
-16 – sorriu – Olha, não repara a bagunça eu... – o celular de vibrou – É o , um amigo meu. , será que você podia me esperar aqui? Eu vou sair, mas já volto. Prometi ao que ia dar uma passada na casa dele. Bem... Sinta-se em casa. A suíte das visitas onde você vai ficar é o segundo quarto do lado direito.
-Tudo bem! Relaxa, eu sobrevivo... O Bruce cuida de mim – falei dando um beijinho no Bruce.
-Ouviu Bruce? Cuida bem dela rapaz! – e o cachorro como estivesse entendendo o seu dono respondeu com um latido – se quiser pode ir comer alguma coisa e... Quando eu voltar quero saber da sua história viu? – ele me deu uma piscadela.
-Ah obrigada, e sem problemas! – dei o meu melhor sorriso e veio me dar um beijinho de despedida e assim ele se foi.
Não perdi meu tempo. Peguei as minhas coisas e fui me instalar no quarto dos hospedes. Troquei a minha roupa por um shortinho jeans e uma regata. Amarrei o meu cabelo em um rabo de cavalo. Depois fui comer algo na cozinha.
Logo, como forma de agradecimento, fui procurando onde estavam as coisas de limpeza e decidi fazer uma faxina geral naquela casa que estava precisando, e muito!

POV ON – Terceira pessoa

estava indo à casa de como prometido, jogar um pouco de Poker. Bem, só não se sabe se queria mesmo estar lá.
-Eai cara! – disse
-Fala Dude – respondeu .
-Entra aí – falou fechando a porta
-Hey guys! – foi comprimento os outros dois garotos presente na sala
-Fala ! – disse
-Olá .
-Obrigado pelo apelido fofo – revirou os olhos – Só porque eu gosto de não tem que me chamar de um, não é, ?
-Beleza, ! – respondeu novamente e mostrou o dedo do meio para que deu língua.
-Bora começar? – perguntou .
-Gente não to muito afim hoje...
-Qual é ? Você vai querer mesmo quebrar essa tradição do Poker Natalino?
-Foi mal , mas é que eu não to com cabeça pra isso.
-Pelo menos um pouquinho? – pediu de joelhos fazendo bico e cedeu rindo do amigo. Depois de terem jogado um “pouquinho”, resolveu descobrir o que estava acontecendo com o .
-Fala aí o que aconteceu cara.
-Bom, é que apareceu uma garota muito linda lá na minha antiga casa na árvore. E ela é brasileira!
-Como é que é? – perguntou um com os olhos arregalados.
-Safadinho – comentou .
-Eh, meu garoto, aprendeu com o papai aqui – disse .
-Cara não fala isso, é muito tosco! E outra seus tarados, ela fugiu do orfanato e se abrigou na minha casa na árvore.
- pedófilo – disse pondo a mão na boca e mandou dedo.
-Seus bestas, ela tem 15 e eu 16. Não vejo problema nisso. Nada de pedofilia – falou rolando os olhos.
-Hum melhorou – .
-E tipo, to com ela na cabeça porque ela fugiu do orfanato, mas ainda não contou a história dela, sabe? Estou disposto a ajudá-la...
-Dude, você ta esperando o quê? Porque você não ficou lá pra conhecer ela melhor?
-Porque meu querido , eu tinha prometido pra vocês que passaria aqui, e eu disse pra ela que iria sair, mas que já voltava.
-Vamos fazer um gesto natalino! Vamos lá caras. Temos uma gata pra ajudar – falou se levantando e indo pegar as chaves do seu carro.

POV OFF – Terceira pessoa


-Graças a Deus terminei de arrumar tudo! – guardei os materiais de limpeza e fui tomar um banho rápido, antes que chegue. Depois do banho, fiz um coque frouxo, coloquei uma blusa com mangas compridas, um short jeans e Havaianas.
Desci as escadas e encontrei uns três caras que eu não conhecia e sentados no sofá.
-Hey ! Vem cá – me chamou e logo todos olharam pra mim, como se estivessem surpresos – Pessoal essa aqui é a , mas podem chamá-la de . E bom, esses são , e .
-Prazer – o veio me dar um beijinho na bochecha assim como os outros em seguida.
-Érr... , foi você que fez essa limpeza? – perguntou olhando em volta do lugar que modéstia a parte, estava um brilho.
-Olha, eu resolvi fazer como forma de agradecimento...
-Não, tudo bem... Faz tempo que eu não sinto esse cheirinho de limpeza desde que a minha mãe não aparece aqui.
-Verdade, o é um menino muito bagunceiro mesmo – comentou e rimos.
-Bom, você pode nos contar a sua história? Nós queremos saber para te ajudar entende? – disse . Hum, falou de mim para eles... Querendo ou não eles são os únicos que posso confiar neste momento, espero que eu não esteja fazendo besteira. Afinal, a maioria das pessoas que eu conheço só falava comigo por causa do meu dinheiro. Mas preciso compartilhar isso com alguém. Tudo bem , não tem porque não falar... não é?
-Ah claro! – sorri – Bem, tudo começou quando os meus pais sofreram um acidente de carro – deixei algumas lágrimas caírem – aí, por mais que eu tenha herdado muito bem financeiramente dos meus pais, o bastante para sustentar os meus bisnetos...
-Pera aí, você é milionária? – perguntou e os outros arregalaram os olhos.
-Sou, mas não posso tocar nesse dinheiro até eu completar os meus 17 anos.
-O falou um pouco de vocês para nós, então... Você tem 15 anos, certo?
-Certo, !
-Quando é o seu aniversário?
-31 de dezembro.
-Hum... Pense positivo! Quando você menos perceber já estará com os seus 17 – disse ele tentando me animar.
-Obrigada por me tranquilizar! – sorri de lado – Enfim, continuando... Não tenho nenhum parente vivo. Amigos? Uns falsos que só falavam comigo pelo meu dinheiro, fui estúpida por perceber isso tarde demais. Aí na hora do aperreio, ninguém veio me acolher. Irônico não? – falei com um pouco de raiva – Então tive que ir pro orfanato e lá eles não ligam pra ninguém, me obrigavam a fazer o trabalho deles e se eu não o fizesse passaria fome por dias. Foi ontem a minha gota d’água e decidi fugir com a ajuda de uns colegas que fiz por lá. Depois de tanto tempo andando, avistei a casa na árvore do , e decidi passar a noite por lá e depois decidir o que fazer da minha vida.
-Quando seus pais...é...
-Foi há uns quatro meses e meio atrás – disse deixando algumas lágrimas caírem
-Desculpa , eu só...
-Queria ajudar, sei disso. Sem problemas – forcei um sorriso que não estava querendo se formar naquela hora e veio me abraçar.
-Tudo bem... E o que você pretende fazer agora? Já pensou?
-Não sei , eu acho que enquanto o me deixar ficar aqui, vou arranjar um emprego e dar um jeito pra pagar a minha escola... Antes eu estudava no orfanato, não posso parar logicamente.
-Você pode estudar na mesma escola que a gente, não é tão cara e é boa... – comentou que ainda estava me abraçando.
-E é claro que você pode morar aqui comigo quando quiser – falou sorrindo.
-, você pode contar com a gente pro que for, gostei de você – disse .
-Yeah, minha nova irmã – falou e eu ri.
-Olha, fiz você rir.
-Awn , vocês são uns amores sabiam? Muito obrigada mesmo meninos!
-ABRAÇO GRUPAL! – disse , e depois eu só vi um bando de macho vindo me abraçar. Sério, não tinha pessoas melhores para entrar na minha vida! Foi um presente e tanto de natal.
-Meninos?
-Oi – responderam em coro.
-Já almoçaram?
-Não – responderam em coro e eu ri.
-Se o Sr. me permitir, eu posso fazer uma macarronada que aprendi a fazer com a minha mãe – falei sem conseguir chorar. Boa, to conseguindo superar devagarzinho.
-Adorei ter uma cozinheira particular – disse , pervertido.
-! – joguei uma almofada nele.
-Hey, ela não pode ser só sua! Ela também é nossa – falou jogando uma almofada no .
-Claro que não, não é ... – mostrou língua e o mostrou dedo, e eu apenas ria da situação.
-! Tive uma ideia, você deixa a gente morar aqui com você por um tempo? – perguntou
-Ué, por quê? – perguntou .
-É, por quê? – .
-Seria bom pra ter várias pessoas por perto, pelo menos eu acho... Temos que fazê-la se sentir melhor, e além do mais, seria divertido, não é? Fora que ainda podemos chamar as meninas pra cá.
-Hum... Seria bom mesmo – comentou e logo todos olharam para um fazendo uma pose engraçada de pensador.
-Não sei...
-Qual é ! – falou
-Claro que podem não é... Tava brincando – disse e bom, os meninos comemoraram e eu também. Já vi que eles vão fazer de tudo para me ajudar, e isso só está me fazendo ficar mais feliz. Quem na minha situação estaria feliz sendo uma moradora de rua nessas horas? Morando em baixo das pontes ou sei lá por onde? Estou muito entusiasmada mesmo! Não vejo à hora de voltar a estudar e esquecer tudo.
, , e vão ser muito úteis na minha vida. Ta, pode até estar sendo muito cedo pra falar isso, mas... Sei que estou no caminho certo. Fugir do orfanato foi a melhor coisa que fiz. E bem... Tenho uma macarronada para fazer.

[...]


Quando as coisas vão fluindo muito bem, o tempo passa rápido. Pois é, depois do almoço com os meninos, passamos a tarde inteira conversando, tentando achar uma maneira de eu conseguir um emprego, assistindo uns filmes e me ensinando a jogar Poker. Tive que aproveitar o momento, não é?
Afinal, sempre tive vontade de jogar, mas sempre me enrolava pra entender como se jogava e deixava de lado.
Já são oito e meia da noite, e só restamos eu e o aqui. Os garotos foram para as suas devidas casas para se organizarem para amanhã. Eles disseram que iam convidar umas três meninas e que eu ia amar elas. Espero, porque tudo está indo tão bem que não quero que nada estrague essa nova fase da minha vida.
Como todos já havíamos jantado pizza com Coca-Cola, me despedi de e fui para o meu quarto pensar um pouco sobre o meu dia.
Peguei o meu celular e coloquei algumas músicas para tocar.
Minutos depois escuto alguém bater na porta.
-Pode entrar – disse me ajeitando na cama e ficando sentada.
-Hey – disse sorrindo em seguida.
-Oi .
-, queria dizer que... Sabe, você pode ficar aqui o quanto quiser, eu estou aqui disposto a te ajudar, viu? Quando precisar é só me ligar que estarei pronto para resolver qualquer problema seu – falou ele pegando o meu celular e anotando o seu número.
-Obrigada, sei que posso contar com você – sorri – Posso te fazer uma pergunta?
-Claro! – falou sentando na minha cama ao meu lado.
-Porque você ta fazendo isso? Digo, não que eu esteja reclamando, não é isso... É que... Como você pode de uma hora para outra, querer ajudar uma completa estranha que apareceu de manhã dormindo na sua casa na árvore? Tipo, não é qualquer um que estaria disposto a pelo menos escutar a razão de eu estar dormindo ali. Porque você não me mandou embora? Ou chamou a polícia?
-Porque quando te vi deitada ali naquele chão de madeira provavelmente morrendo de frio, percebi que você era apenas uma garota inocente que por seus próprios motivos teve que ir em busca de um abrigo e que aquela casa na árvore era o único lugar onde naquele momento você poderia se proteger desse inverno. Quando olhei para o seu rosto percebi que... Er... Você iria precisar de alguém ao seu lado para lhe orientar em certas coisas, lhe oferecer um abrigo e lhe oferecer um ombro para desabafar e pedir conselhos. E como é que eu iria chamar a polícia para prender uma bela garota que estava ali na minha frente, sem me fazer mal algum? – dei um sorriso largo de orelha a orelha ao ouvir cada palavra que saiu da boca dele.
-, você é um amor – falei dando um abraço nele e o mesmo retribuiu, em seguida me deu um beijo na minha bochecha.
-?
-Oi – disse me desfazendo do abraço
-Onde conseguiu essa pulseira? – perguntou ele fitando a mesma no meu pulso.
-Ah, ganhei da minha avó uns dois meses antes dela falecer a uns sete anos atrás. Desde esse dia não a tirei mais – falei olhando para ela e me lembrando daquele dia que ficou marcado em mim. Era uma pulseira simples, porém delicada. Tinha um pingente em forma de um lírio – Porque essa pergunta? – franzi a testa.
-Hum... Por nada não, só curiosidade – disse coçando a nuca.
-Ah ta... ?
-Hum?
-Se não se importa eu gostaria de ir dormir – dei um sorriso tímido.
-Ah claro, tudo bem! Boa noite – disse ele me dando um beijo na testa e depois saiu do meu quarto.
Desliguei as luzes e adormeci com a frase que tinha resumido o meu dia: “A minha vida é a prova de que quando tudo está dando errado, em breve virão coisas muito boas te recompensando por todo o sofrimento que você passou”.


Capítulo Dois.


Acordei bem cedo graças a tecnologia chamada celular. Fiz minha higiene matinal e desci para preparar o café da manhã.
-Wow! – entrei na cozinha e vi uma mesa toda preenchida com panquecas, pães fresquinhos, suco de laranja, café, leite, enfim, diversas coisas.
-Imaginei que você iria acorda cedo para fazer o café da manhã, então acordei mais cedo que você e preparei o café da manhã. Ah, bom dia! – falou com um avental e me dando um beijinho na bochecha.
-Bom dia ! Você cozinha bem hein!... – comentei comendo um pouco das panquecas que ele havia feito.
-Sou o tipo de homem que sabe agradar até o paladar de uma mulher – fez um olhar sexy.
-Uhh! Ok, chefe de cozinha – fiz uma reverência e ele riu – Ei, como você sabia que eu ia acordar às sete?
-Quando eu fui salvar o meu número no seu celular, por acaso eu vi o ícone do despertador ativado lá em cima do seu visor, e sem querer vi que você programou para acordar às sete horas.
-Por acaso sei... – cruzei os braços e franzi a testa – E como você sabe que era por causa do café da manhã?
-Bom, tava escrito lá: Acordar para fazer o café da manhã. Aí eu suspeitei – falou ele rindo.
-Ah explicado! – falei me lembrando que eu sou uma lesada e não tinha me tocado nisso, e em seguida ri da minha própria burrice.
-A senhorita aceita tomar café da manhã comigo? – puxou uma cadeira para me sentar.
-Claro Sr. , é uma honra – ri e sentei. Comemos, rimos, conversamos e arrumamos a bagunça que estava na cozinha. era um bom cozinheiro, só que não era organizado. Nos deitamos no sofá e ficamos assistindo televisão até ouvirmos alguém bater na porta.
-Eu atendo – avisou .
-Bom dia – disse entrando e vindo na minha direção me dar um beijo na minha bochecha.
-Bom dia maninha.
-Bom dia – sorri.
-Eai, vão entrando... – falou e entraram , e mais três garotas que eu não conhecia. Depois de fechar a porta veio para sala onde todos estavam.
- essas são , e Kimberly Hosley, e meninas essa é a .
-Prazer! Se quiser pode nos chamar de , Kim e – disse a .
-Sem problemas! Ah, e prefiro que me chamem de ok? só pra quando estiverem com raiva de mim – falei brincando e elas riram.
-Tudo bem – disse Kim.
-Espero que não tenha se importado dos meninos terem contado a sua história pra gente – comentou e eu os fuzilei com o olhar e cada um olhou para um canto diferente da casa. Tá, elas iam saber a qualquer hora, mas não era para eles contarem poxa... Mas deixa pra lá.
-Ah relaxa, eu ia contar para vocês mesmo. Obrigada por facilitarem o meu trabalho meninos – disse olhando para eles sem que as meninas percebam algo estranho no ar. -De nada – falou e eu agradeci mentalmente pelo tapa que o deu na cabeça do .
-Outch... – fez cara feia e ficou massageando a região afetada. Bem feito ... cof cof.
-O que vamos fazer agora? – perguntou Kim.
-Ah, a gente podia ir ao shopping? – sugeriu .
-Não amor, compras não... – disse fazendo cara de tédio.
-Ah, mas... – ela foi até ele e lhe deu um selinho. É, eles fazem um casal fofo mesmo.
-Que tal um cineminha? – falou um todo feliz.

[...]

Quando me dei conta estávamos todos nós no shopping. Uns comprando pipocas e refrigerantes, outros na bilheteria comprando os ingressos. Eu? Indo para uma loja de doces que me chamou atenção desde o momento que passei por ela. Ah qual é?
Faz um tempão que não como esses tipos de coisas que os adultos julgam ser porcarias. Pensei que estava só, mas eu tinha uma companhia que até o momento não tinha falado uma palavra se quer.
-Nem te vi aí – falei dando uma risada de leve.
-Pois é... – disse sem graça.
-, você ta bem?
-To, eu só queria te acompanhar. Se incomoda?
-Não, imagina! – falei rapidamente.
-Que bom. Gosto da sua companhia – falou depois de ter me dado um beijo na bochecha -Bom saber – sorri. Entramos na loja de doces e compramos muita besteira que tava me dando água na boca só de olhar. Ah, eu sou viciada nesses tipos de coisa ok? Só pra deixar claro, saímos de lá com três saquinhos cheios até o topo. Porque de gordices eu entendo haha.
Hum... Isso me lembra o meu pai. Ele dizia pra mim: Menina você vai virar uma bolotinha, vai sair rodando por aí de tanto ficar comendo besteira. E eu só fazia rir porque sempre tive a tendência de ficar magra, nunca fiquei gorda. Ainda bem que puxei isso por parte da família da minha mãe!
Nos encontramos com o resto do pessoal e entramos na sala de cinema.
Fomos assistir Amanhecer parte 2 já que quase ninguém havia assistido o final da saga Crepúsculo. Porém, alguns ali não estavam nem aí para o que estava passando no telão.
Enquanto eu me preocupava com o Carlisle e o Jasper, outros se preocupavam em se engolir. O e a estavam em um clima tão quente que até eu que não sou muito íntima deles tava quase mandando eles irem pra um motel. Certo, sou meio esquentadinha às vezes, mas quem gosta de ficar segurando a maior vela, ou melhor, tocha, não é? Ninguém.
E quando recuperei o susto da visão da Alice, reparei que o estava ficando com a . Legal, um casal do lado direito e outro do meu lado esquerdo. Nada melhor, portanto eu, , e Kim sobramos...
Awn que lindo o Jacob e a Renesmee.
Após o filme ter acabado e a minha “tortura” também, fiquei com um gostinho de quero mais da Saga Crepúsculo e com fome também.
Passamos na StarBucks, comemos lá mesmo e depois fomos para casa.
-Lar doce lar – disse abrindo a porta da casa.
-Yeah! – concordou se jogando no sofá espantando o Bruce que ainda pouco estava dormindo tranquilamente.
-HEY ! Cuidado com o Bruce, dude – disse pegando o Bruce no colo e fazendo carinho no bichinho.
-Foi mau cara. Força do hábito – disse se desculpando.
-, onde as suas queridas amigas vão dormir? – perguntou .
-Bom, tem cinco quartos aqui em casa. Então vamos dividir assim: e . Kim e .
, e , quem ganhar no poker fica com um quarto e os que perderem dividem um, beleza?
-Vamos lá seus losers – disse se referindo ao e ao .
-Olha quem fala companheiro do – disse .
-Hey! Sou eu que vou ganhar hunf! – disse .
-UUUH! Vai amor! – comentou se animando com a aposta.
-Hum... Vou torcer por você , já que me nomeou como sua irmã... – falei e ele me mandou um beijo pelo ar. Gay! Mas engraçado.
-Bom é o meu namorado então... se você não ganhar essa aposta eu vou entrar em greve de sexo.
-Não amor! Não vai ser preciso! – disse rápido. Coitado, tava todo agoniado.
Rimos do desespero da pobre criança.
-, vou torcer por você já que é o único que ninguém se importa– disse Kim rindo – GO ganhou e ficou se achando pela casa toda. É claro que houve comentários engraçadinhos do senhor do tipo “falou em greve de sexo e o já fica todo nervosinho”. Pedimos uma pizza para a janta e depois de tanto conversar fomos dormir.

[...]

Os dias passaram como num piscar de olhos e quando me dei conta já era dia 31 de dezembro (meu aniversário). Mesmo todo mundo querendo que eu participasse de uma festa de ano novo que ia ter na casa de um amigo deles, recusei.
Tive motivos para isso: Meu primeiro aniversário sem meus pais. Seria a troca de ano mais infeliz que tive.
As meninas foram uns amores comigo – me deram parabéns e feliz ano novo adiantado como os outros - e concordaram, só que com a condição de que elas pudessem me arrastar para um pub que elas costumam frequentar. Os meninos disseram que não iam mais insistir e que eles iriam com a gente para o pub no dia que elas decidissem, exceto que estava com uma aparência de preocupado.
Ele chegou até dizer que não ia mais pra festa porque queria ficar comigo para eu não romper ano sozinha, mas eu falei para que eu precisava de um momento só meu, precisava enfrentar aquilo sozinha sabe? Foi então que ele finalmente concordou e eu fiquei em casa de pijama, enquanto outros estavam na maior mistura de brilho, dourado e branco.
Quando todos foram embora e somente Bruce me fazia companhia, fui pegar uma garrafa de vodka que tinha escondido. Ninguém precisava saber que iria me afundar na tristeza junto com uma bela porcentagem de álcool.
Era minha primeira vez ingerindo aquele líquido que até então era desconhecido para o meu corpo.
Nem pensei em pegar um copo para despejar a vodka, apenas levei a garrafa e Bruce – que parecia querer ficar comigo – fui para o meu quarto e me tranquei ali.
No primeiro gole senti a minha garganta queimando e várias expressões (lê-se caretas) foram surgindo no meu rosto graças à vodka pura. Como já previsto, várias vezes tive que ir correndo para o banheiro vomitar. Arh, como eu odeio vomitar... Mas não me “desanimei”, continuei bebendo até ver a garrafa pela metade e simplesmente ter apagado.
-Querida?
-Hum... Mãe? – estreitei os meus olhos para ver se realmente eu estava a vendo – MÃE! A SENHORA ESTÁ BEM?
-Calma pequena , estamos sim – disse outra voz e logo a reconheci.
-PAI?!
-Não se preocupe conosco.
-Mas...
-Filha, porque está fazendo isso? Você acha mesmo que beber irá lhe fazer bem? Irá lhe ajudar?
-Não, me desculpe – fitei a garrafa na minha mão e depois voltei o meu olhar para eles – Vocês estão mesmo na minha frente? Eu não estou delirando?
-Não querida – falou meu pai sorrindo.
-Estou com tanta saudade! Vocês não sabem o quanto preciso de vocês aqui – fui em direção deles para abraçá-los, mas eles simplesmente iam desaparecendo a cada passo que eu dava – Por favor, não vão embora! Eu estou implorando – caí de joelhos começando a entrar em prantos, chorando demais ao ver ficando cada vez mais invisíveis. -NÃÃÃÃÃO! – acordei assustada e com uma bela dor de cabeça – Droga, não devia ter gritado... – levei a minha a mão a minha testa como se fizesse parar a dor, mas tinha um barulho insuportável vindo da porta. Alguém estava batendo, ou melhor, socando a porta.
-Já vou – falei baixinho, mesmo sabendo que a tal pessoa responsável pelo o aumento das minhas dores na minha cabeça não tinha me escutado. Destranquei a porta e dei com um e um desesperados na porta.
-Ainda bem! Está viva – comentou me abraçando – E que cheiro é esse? – disse cheirando a minha blusa na região dos meus ombros.
-Você bebeu? – perguntou procurando alguma coisa no quarto que me entregasse e infelizmente ele achou – Vou atrás de um comprimido pra você.
- você não pode usar a bebida para fugir dos seus problemas – falou calmamente quando nos deixou a sós.
-Eu vi os meus pais – comecei a chorar – Quando eu desmaiei, eu vi eles, parecia tão real... Minha mãe me falou a mesma coisa que você me disse – sorri ironicamente – Falei pra eles que tava com muitas saudades, mas eles foram desaparecendo quando eu ia chegando mais perto deles para abraçá-los. Entrei em desespero... – veio me abraçar e logo sentir a sua blusa ficando úmida.
-Minha linda não fica assim! – acariciou os meus cabelos – Não sou uma das melhores pessoas pra te dar um bom conselho porque não sou muito bom nisso, mas você não pode ficar assim e nem recorrer à bebida pra tentar fugir da realidade. Além de não ser algo bom a se fazer, no final muitas vezes você pode acabar fazendo coisas que não queria fazer, sendo que o álcool te dominou e você já não está agindo por própria e espontânea vontade – pegou no meu queixo e fez com que eu olhasse para ele – Vai tomar um banho que o já chega com um comprido pra melhorar a sua ressaca.
-Obrigada , por tudo mesmo – sorri e fui em direção ao banheiro. Tranquei a porta, antes de me despir, escovei meus dentes e em seguida entrei naquele chuveiro que propositalmente coloquei na água gelada. Pode ser que eu esteja doida querendo tomar um banho de água gelada sendo que lá fora ta pior ainda, porém acho que talvez me acorde e me faça melhorar.
Enrolei-me na toalha e fui pro meu quarto. Peguei uma regata branca, coloquei o meu moletom e uma calça da GAP, fiz um coque frouxo e me joguei para dentro daqueles edredons. Vi e entrarem no meu quarto e me sentei para conversar com eles.
-a me estendeu o tal comprimido e um copo d’água.
-Obrigada maninho – sorri e o mesmo retribuiu – Que horas são?
-Três e meia – olhou tirou os olhos do relógio e voltou à atenção para mim e no mesmo tempo quase me engasguei quando fui engolir o comprimido – Nossa, à hora voa... Só vocês estão acordados?
-Aham, na verdade foi que acordou primeiro. Ele ficou desesperado quando não achou você e nem o Bruce, aí ele me acordou. Só que o quarto estava trancado e a gente estava batendo uma meia hora e nada de você abrir – foi aí que me lembrei da minha companhia que agora dormia em cima da minha cama me fazendo escapar um sorriso.
-Desculpa meninos, foi um erro – baixei a cabeça.
-Ta tudo bem – disse e vindo me abraçar.
-Se quiserem ir dormir... Podem ir se quiserem – disse sem graça.
-Não, a gente fica aqui com você né ? – disse o maninho sorrindo.
-Awn que bom! Sei que vocês estão cansados ainda então vocês dois podem ver se aconchegar aqui perto de mim – falei já debaixo dos lençóis.
-Oh tentação – comentou do meu lado direito.
-Só nossa, – disse que estava do meu lado esquerdo e eu apenas dei uma risada de leve. Ah, minha cama era o bastante o suficiente para três pessoas, que mal faria?
-Vão dormir meus amores – ri e assim fomos dormir agarradinhos. Na mais absoluta inocência!

[...]


- Ow que bonitinhos! – senti um flash no meu rosto e fui abrindo os olhos lentamente -Tão lindos juntos -Concordo, – ouvi a voz da .
-Mais uma para o nosso álbum – vi dando pulinhos.
-Oi gente – acenei para elas.
-Suruba, foi?
-Não – ri – Mas é bom dormir com os meus meninos – dei uma piscadela e elas riram.
-Sei... – franziu a testa fazendo uma cara pervertida.
-O que é esse álbum, posso saber? – perguntei saindo da cama com cuidado para não acordar o e o .
-Ah porque eu amo fotografar – falou apontando para sua câmera profissional pendurada no seu pescoço – então uns tempos atrás eu tive a ideia de montar um álbum só dos nossos amigos e essa é a sua primeira foto de estréia no meu álbum baby – disse finalizando com uma piscadela.
-Gostei da ideia! Se quiser ajuda eu me ofereço.
-Então, segunda fotógrafa, fechado! – apertamos as mãos.
-E ele tem nome?
-Sabe a série Friends? Pois é, colocamos esse nome por causa da série e também porque... Ah, a palavra diz tudo, não é – disse .
-Hum legal – sorri e depois fitei os meninos dormindo - Estão pensando no que eu estou pensando?
- e dormindo agarradinhos em uma linda foto.
-Exato – eu e a falamos em coro.
-Vou ajeitar eles na posição – andei devagarzinho indo na direção deles e coloquei um dos braços de cada um em cima do outro – Perfeito – sorri pra elas.
-Pronto! – disse a nossa fotógrafa mostrando a foto.
-O que vocês estão fazendo meninas? – perguntou entrando no quarto e abraçando por trás.
-Digamos que é uma surpresinha – pisquei para eles.
-Especifique moça – falou ao entrar no quarto.
-Shhh!
-Que foi ? – perguntou o namorado.
-O casal vai acordar – respondeu-o segurando o riso. Hosley chegou por último e sem querer fez barulho, acordando os garotos. Só que eles ainda estavam abraçados.
-AHH!!!! – gritaram e o juntos e todos começaram a rir, inclusive eu que não estava aguentando rir mesmo ainda de ressaca.
-Ta me estranhando? – falou caindo da cama com o susto e depois se levantando -Eu é que te pergunto. , por favor, vem aqui salvar a minha reputação – veio na minha direção e me abraçou.
-Mas vocês estavam tão lindinhos juntos – comentou Kim – Ah, desculpa por ter acordado vocês da inesquecível noite de amor.
-Ha ha ha, muito engraçado Kim – disse mostrando língua.
-Ok – ela levantou as mãos como se dissesse “Tudo bem, foi mau cara!”.
-Pessoal não quero ser estraga prazeres, mas eu estou com fome – falou passando a mão na barriga.
-Seu gordo, só pensa em comer – comentou Hosley.
-Ei, eu estou em fase de crescimento! – protestou .
-Só se for para os lados, – disse fazendo todos rirem, exceto que mostrava língua.
-Guys cadê o Bruce? – perguntou – Ele tava aqui antes.
-Relaxa , ele tá lá em baixo – disse .
-Vamos descer gente que hoje eu cozinho – me ofereci para alimentar as minhas crianças famintas.
-Wow, cozinha? – perguntou já saindo do quarto.
-Yeah baby, tem muita coisa que vocês não sabem – respondi e todo mundo soltou uns “woooow! Olha lá”, “Tá ok, gata”, “Olha aí, se revelando”. E lá vou eu de novo dar uma de cozinheira.


Capítulo Três.


Eram altas horas da madrugada e eu estava no meu décimo quinto sono quando começo a escutar batidas na porta do quarto. Com muito esforço e tentando fugir da preguiça, me levantei da cama e abri a porta que antes se encontrava trancada – Só pra deixar claro: Sempre tive essa mania de “dormir trancada”. Esfreguei meu olho na tentativa de tirar um pouco do sono e ver quem estava na minha frente, ou melhor, estavam.
Ergui minha sobrancelha como se perguntasse o que aquelas criaturas estavam fazendo ali, mas não obtive resposta. Simplesmente entraram e se apossaram da cama onde eu quase hibernara. Fechei a porta, liguei as luzes e fui tomar satisfações.
-Posso saber o que as senhoritas fazem acordadas há essa hora e interrompendo o meu sono preciso? – recebi um travesseiro na cara. Nossa muito legal. Prazer, ! Sobrenome? Ironia.
-Que mau humor. Só é uma visitinha básica – disse analisando suas unhas em seguida.
-Surpresa? – ) deu um sorriso sapeca.
-Relaxa! Só ainda to com sono – comentei dando um sorriso de lado e fazendo um coque frouxo no cabelo.
-Talvez Os Vingadores tirem o teu sono – Kim mostrou o DVD em suas mãos.
-Fala sério! O Robert Downey Jr. que interpreta o Homem de Ferro, é o mais F-O-D-A! Tony Stark é o mais lindo, charmoso, gostoso, resumindo, é o melhor! – peguei o DVD da Kim e apontei pra figura do Homem de Ferro com os olhos brilhando.
-Nem porra! Sou mais o Capitão América – disse negando com a cabeça.
-De acordo – fez um Hi Five com a .
-Vocês estão é por fora... O Hulk e o Thor são os melhores, por favor, né? – Kim se pronunciou e eu e as meninas tacamos travesseiros nela – Hum Hum... Tenho direito de escolher pow!
-Já que vocês vieram atrapalhar o meu sono, vamos logo por esse filme antes que eu endoide – ri. ela) colocou o filme, Kimberly pegou as pipocas, eu as latas de refrigerantes, e a ficou com a bunda grudada na cama e comendo chocolate (ajudando muito).
O filme começou e começaram os comentários que não podiam ser dispensados: “TONY STARK SEU GOSTOSO! HOMEM DE FERRO MAIS LINDO IMPOSSÍVEL”; “VERDÃO, TE AMO HULK!”; “CAPITÃO AMÉRICA SEU GATO DA PORRA”; “THOR VEM AQUI AMOR PRA EU VER SE O TAMANHO DO SEU MARTELO É DESSE COMPRIMENTO MESMO”; “SAI DAIIIIII VIUVA NEGRA, NINGUÉM TE CURTE AQUI SUA DOIDA”; “GAVIÃO ARQUEIRO, SAI FORA”. Fora as risadas e gargalhadas que foram motivadas graças às piadinhas do Homem de Ferro e das palhaçadas dele e do Hulk. Não tem como dizer que esse filme da Marvel passa em branco!
O filme acabou e começamos a jogar conversa fora.
-Temos que fazer isso com mais frequência – falei comendo um pouco de pipoca.
-Concordo, a gente podia chamar esses tempos que passamos juntas de... Madrugando? – sugeriu.
-Eu gostei. Simples, porém legal – comentei.
-Também gostei... – Kim disse pondo mais um pouco de refrigerante em seu copo.
-O que a gente pode fazer agora? – perguntou.
-Podemos fazer uma coisa bem interessante – fez cara de maléfica como se já tivesse um plano.
-Seria mais interessante se você compartilhasse com a gente né pateta? – Kim deu uma pedalada em e rimos, menos a “vítima”.
-Ai porra! – fez massagem no local atingido – Enfim... A gente podia acordar os meninos que tal?
-Seria divertido... – falei
-Uhum, a gente podia pegar várias coisas e usar contra eles – disse.
-Tipo o que? – ergueu a sobrancelha.
-Comida de cachorro, chantilly, pasta de dente e... Kim a tua guitarra ta ai? – perguntou.
-Ta sim, vou lá buscar – Kimberly saiu do quarto abrindo a porta bem devagar e logo depois voltou com a guitarra e uma pequena caixa de som em mãos.
-Já ia pedir pra você trazer isso aí – sorriu.
-Isso vai ser muito bom – abafou o riso com um travesseiro.
-Então, o plano vai ser o seguinte...

\\o//

Seguimos tudo de acordo com o que a nos ordenou. Cada uma foi para um quarto enquanto a ficava no meio do corredor vendo como cada uma de nós estava nos saindo e também no caso de uma fuga de última hora ela iria nos guiar. A gente tirou no papelzinho quem iria ficar com quem.
Eu acabei tirando o e quando percebi já estava no quarto dele com chantili em uma mão e comida de cachorro na outra. Logo de início fiquei com pena de fazer isso com ele, mas vamos combinar que seria bem engraçado. Fitei por alguns segundos aquele belo rosto na minha frente e sorri sem perceber.
Desfiz logo o sorriso e tratei de seguir o que foi combinado, por mais que agora esteja um pouco difícil com esse transe que eu me encontro. Balancei a cabeça e voltei em ação. Coloquei chantili em todo o cabelo do e principalmente no ouvido com um toque especial de ração em cima de todo o lençol dele. Depois disso talvez eu nem tenha mais teto pra morar – ta, exagerei. Para finalizar, peguei o Bruce e coloquei em cima da cama do e bom... Agora o Bruce iria fazer o trabalho dele.
Saí de lá o mais rápido que pude antes que o dono da casa acordasse e fui ao encontro da que estava morrendo de rir com um açucarado – cheio de mel pelo corpo todo. Acho linda a maneira de como eles tem um sono muito pesado.
Tudo estava pronto e todas nós já estávamos no corredor com Kim segurando a sua guitarra de dando um solo de guitarra rápido e muito alto acordando todos eles e começamos a correr morrendo de rir. Um monte de “Puta que pariu”, “Que porra é essa”, “Caralho”, “WTF?”, “Puta merda”...
Já viu, e vários e vários outros palavreados saindo das bocas daqueles garotos que naquele momento estavam muito putos e nem sei o que eles fariam se encontrassem a gente, nos dando uma única saída para nos esconder: A casa na árvore.
Dizendo elas nunca mais ninguém havia ido lá desde o episódio em que eu invadi a casa do e ele apareceu por lá. Elas disseram que raramente entrava lá, porque dizendo elas, aquele lugar lembrava muito o avô dele, porque os dois viviam lá quando era menor e foram os dois que construíram aquela casinha. Nem precisei perguntar porque já saberia a resposta.
O avô de havia falecido, só não sabia há quanto tempo. E eu o entendo, e muito.
Minha avó morreu há uns sete anos, mas parece que não faz muito tempo pra mim. É, parece que a morte me rodeia. Enfim, acredito que o era muito apegado ao avô dele assim como eu era com a minha avó.
Eu contava tudo pra ela, literalmente. Naquela época nós éramos nossas confidentes e pedíamos conselhos uma pra outra, como se fossemos melhores amigas da mesma idade. Nunca entendi direito essa ligação forte que eu tinha com ela, mas também nem ligava já que eu a tinha. Mas, como nada é pra sempre, ela se foi.
Sacudi rapidamente minha cabeça querendo mudar de assunto com a minha própria mente e subi rapidamente para dentro da casa na árvore. Kim fechou em seguida a única portinha de acesso e ficamos lá tentando não ri muito alto para não nos entregarmos pelas nossas gargalhadas.
Ficamos muito tempo ali. Os meninos não nos acharam, mas para não corremos perigo passamos a noite ali mesmo. A nossa sorte é que nós pensamos completamente em tudo. A casa na árvore tinha colchonetes, edredons, travesseiros e até comida a nossa espera. Aproveitamos para conversar e comer besteiras para só depois cair no sono.
-Ei acorda sua gorda – escutei falando. Abri meu olho e me deparei com ela tentando acordar Kim que pelo visto estava em um sono profundo.
-Ah... Só mais um pouquinho.
-Acorda logo antes que os meninos quebrem a tua guitarra – disse de brincadeira é claro, talvez assim ela acorde logo.
-Nem porra! – ela se levantou de uma maneira engraçada e agoniada. Não disse? -Só assim pra ela acordar – riu.
-Ha-há! Muito engraçado – ela mandou dedo pra mim e eu ri dando de ombros.
-Então, vamos descer? – disse dobrando os edredons.
-Acho que não tem problema... – comentei.
-Tudo bem, então vamos só arrumar isso aqui e mais tarde pegamos essas coisas, porque não sei vocês, mas eu to com muita preguiça só de arrumar – fez careta e eu ri.
-Beleza – Kim falou se levantando e terminando de ajeitar as últimas coisas que tinham pra arrumar, e eu a acompanhei. Saímos de lá meio que na pontinha dos pés com medo dos meninos nos flagrarem. Estávamos entrando pela porta dos fundos que era a que dava direto na cozinha. Mal fechamos a porta e fomos pegas de surpresa. Nem preciso dizer o susto que eu peguei.
-Ora, ora... – fez uma cara que me deixou com medo, sério!
-Pois é... – sorriu sem graça.
-Guys! Olha quem veio nos fazer uma visitinha – chamou os outros e logo todos já se encontravam na cozinha.
-Então, amei o solo da guitarra Kim – fez ironia.
-Sou boa no que eu faço, fazer o quê... – ela disse fazendo charme.
-Acho melhor vocês correrem – se pronunciou.
-Ou o quê ? - o desafiei.
Pra quê fui abrir minha boca?! Mal terminei de falar e já vi todos eles nos perseguindo. Corri igual a uma pateta e rindo descontroladamente. Nunca fui normal, fato! E pra completar eles estavam armados com... Pistolas d’água? Filhos da mãe! Num frio desses e eles tacam água na gente. Pelo visto nós não éramos as únicas que planejávamos as coisas por aqui.
Minha barriga já estava doendo de tanto ri, e pra completar eu estava encharcada. Coloquei as mãos pro alto e me rendi. Virei de costas e vi quem estava me jorrando água até agora.
O nome da criatura era . Será que eu vou ter que escrever “me rendo?!”. Pus os meus braços na frente do meu rosto para ver se mantinha pelo menos aquela parte do meu corpo longe dos litros d’água sendo jorrados em mim.
Só podia ser brincadeira. O tava mirando só ali. Aff... Infeliz.
-Se queria me matar afogada era só falar ! – falei engolindo um pouco de água e escutei a risada de um ser irritante.
-Obrigado pela ração ontem . Estou agradecendo pelo Bruce – ele parou de usar a pistola. Finalmente!
-Tá ficando doido garoto? Não sei de nada – me fiz de desentendida, mas fiquei de boca aberta quando ele estendeu a minha pulseira na minha frente. Como pude esquecer a minha pulseira no quarto dele? Como pude não perceber a falta dela? Droga...
-Acho que isso aqui é seu – ele veio até mim e colocou a pulseira em mim – Não vai nem agradecer por ter guardado?
-Obrigada e... Foi mal pela ração – sorri sem graça. Tinha que ser gentil com o rapaz, afinal, ele cuidou da minha Preciosa. A minha avó disse pra mim que o nome que ela tinha batizado a flor que continha na minha pulseira era Preciosa.
No começo admito que achei meio tosco o nome, mas deixei pra lá porque acima de tudo, quem a nomeou foi a minha vó falecida
-Relaxa – ele jogou um pouco de água na minha cara e depois deu uma risada de leve.
-Ta... Ta! Não precisa mais jogar isso em mim – eu falei rindo tirando a água que estava atrapalhando a minha visão.
-Eu não ia parar, mas é que acabou a água – ele riu.
-Engraçadinho – dei um empurrãozinho de leve nele e rimos. Voltei a olhar para ele e percebi que já estava me encarando. Aquele belo par de olhos me encarando e me deixando sem jeito.
Admito que tenho certa queda por homens de olhos , porém ao mesmo tempo não consigo me concentrar direito. Não consigo manter o meu olhar firme, não me pergunte o porquê, só sei que desviei o meu olhar de se não eu ia ficar igual a uma pateta na frente dele.
-O que foi? – perguntei dando um sorriso de lado e em seguida ele me surpreendeu com um beijo. Logo de início fiquei surpresa e não correspondi, mas depois eu pressionei os meus lábios contra os seus. Quando finalmente iria pedir passagem para aprofundar o beijo, nós escutamos a voz de e procurando pela gente, o que fez partir o beijo.
-Estamos aqui! – ele gritou ainda me encarando.
-Atchim! – espirrei. Não sei se já disse, mas eu sou meio que fraca pra esse papo de gripe por isso tomo muito cuidado... Só que como a inteligente ta molhada em pleno ao frio de Londres, já viu né?
-É melhor você entrar e trocar de roupa – ele deu um peteleco no meu nariz. Sorri e confirmei com a cabeça. pegou na minha mão e me guiou até a frente da casa. Antes de eu subir as escadas ele disse que depois queria conversar comigo e eu disse que não tinha problema. Mordi meu beiço e fui para o meu quarto pegar uma roupa quentinha e uma toalha antes de ir ao banheiro.
Entrei no banheiro, me livrei da roupa molhada deixando o meu corpo completamente nu e entrei debaixo do chuveiro que estava com a água deliciosamente quentinha e enquanto eu ia fazendo a minha higiene, pensamentos iam e voltavam pela minha mente. Culpado disso? . É, ele mesmo. Antes eu só o achava lindo, ou pelo menos não admitia para mim mesma, porque aquele beijo despertou sentimentos estranhos relacionado a ele. Aquele garoto estava ocupando todo o espaço da minha mente... Eu tentava pensar em outra coisa, mas tudo relacionava a ele, me lembrando dele.
Fala sério, nem o conheço há muito tempo e já tenho uma quedinha por ele? Mas vamos afirmar que ele é um gato né – bati na minha própria cara – Tá, eu sou doida. Mas... Ah sei lá, eu estou confusa. Só sei que nada sei (algum cara famoso disse isso, só que eu não me recordo o nome. Enfim, resumiu toda a minha situação). Tenho que ir com mais calma. Talvez dar uma chance... Ou, simplesmente deixar acontecer. É, vai ser isso.
Não tenho que me preocupar tanto. Uma frase que eu vi em um filme e guardei pra mim - porque achei muito importante - diz isso: “Quando se é jovem, você acha que tudo é o fim do mundo, mas na verdade não é, é só o começo” –17 Outra Vez. E eu acredito que seja só o começo. O começo de algo muito bom.

[...]


Estava na minha cama com o meu pijama do Garfield, quando bateu na minha porta e perguntou se já podia entrar. Em vez de responder eu mesma abri pra ele e tranquei a porta. Sentei na cama e chamei ele para sentar ao meu lado na cama. Ele se sentou e suspirou.
estava um pouco tenso, pude perceber. Levei a minha mão ao seu queixo fazendo-o erguer o rosto dele na direção do meu. Lembra quando eu disse que olhos me desconcentram? Naquele momento foi diferente, porque eu senti que devia passar confiança pra ele. O mesmo sorriu e colocou a mão em cima da minha.
-Hey... – sorri pra ele.
- eu tenho que te contar uma coisa – ele disse pegando a minha mão e pondo em cima da cama, mas ainda segurando-a.
-Pode falar – eu o encorajei.
-Antes de tudo, você sentiu algo com aquele beijo? Ou foi só um beijo... – ele corou.
-Senti . Mas não posso te dizer o que foi porque eu ainda estou confusa, entende? – senti a minha bochecha ferver. Eu devia estar igual a um pimentão. acariciou a minha bochecha.
-Você fica linda assim – ele mordeu o lábio inferior – Eu te entendo. Não vou te apressar em nada, porque eu sei como você está. Eu também estou confuso, e aquele beijo foi meio que um impulso... Que não me arrependo de ter feito – sorrimos.
-Bom saber!
-Então moça – ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha – Vamos deixar rolar? Sem pressa? – ele ergueu as sobrancelhas e com uma expressão ansiosa. Sorri de lado e dei um selinho nele.
-Acho que isso foi um sim – riu me fazendo rir. ficou mais perto de mim e pude sentir a sua respiração batendo em cima do meu nariz, já que ele era um pouco mais alto que eu. Ficamos assim por míseros segundos, até que o resolveu me provocar passando os seus lábios perto dos meus, às vezes só encostando de leve, até que eu não resisti à provocação e iniciei o beijo.
O safado ainda riu com a minha pressa.
O beijo se aprofundou e as nossas línguas começaram a conhecer cada centímetro uma da outra. O hálito de menta dele estava refrescando aquele momento. É muito bom beijar ele, não posso negar.
Aquele garoto estava quebrando todas as minhas regras. Mas, como disse a Clarice Lispector: “Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso”. E assim, depois de romper o beijo e conversamos um pouco pra saber mais um do outro, acabamos dormindo juntos de conchinha. É, eu sou uma pessoa muito dorminhoca e pelo jeito ele também.
.
-? – estava na mesma posição que o vi da última vez antes de cair no sono. Não respondi, queria ficar mais tempo ali dormindo... E com ele cof cof. .
-? – ele me chamou novamente, só que dessa vez dando vários beijinhos no meu pescoço. Arh... Esse garoto já descobriu meu ponto fraco? .
-Oi... – Olhei pra ele já que o mesmo não iria desistir de me acordar.
-Todo mundo já almoçou, só falta você – ele deu uma piscadela e depois olhou para cabeceira indicando que tinha trago o almoço pra mim na cama. Ok, já disse que ele é um amor? Isso porque ainda não temos nada sério.
-, não precisava se preocupar... Você já almoçou, não é? – ele afirmou com a cabeça – Ótimo – sorri e depois fui comer um pouco. Na verdade eu não estava com um pingo de fome, mas tive que empurrar a comida porque o garoto tava sendo uma fofura e eu tive que colaborar e bom... .
O almoço estava muito gostoso. Peguei um bilhetinho pequeno que estava ao lado do copo de suco de laranja que dizia:

Fui eu que fiz o almoço hoje, já que a Bela Adormecida resolveu dormir DE NOVO. disse que você estava muito gripada e que levaria o almoço pra você. Enfim, tá muito bom viu? Digo isso porque todos aprovaram a minha comida *chora e rebola*.
Bon Appétit Flor!
Xx

-A cozinha bem mesmo! Eu vou pedi a receita dessa lasanha – eu falei após ter lido o bilhete dela. .
-Eu repeti três vezes, sabia? – rimos.
-Seu gordo! – ri dele e ele fingiu estar ofendido.
-Não sou gordo não! Sou apenas uma criança em fase de crescimento – Ele fez biquinho e eu ri. Ele realmente parecia uma criança, só que a mais linda e fofa que eu já vi.
-Ow, desculpa criança – eu ri e dei um gole em meu suco. Escutamos alguém, ou melhor, várias pessoas dando socos na porta. Isso mesmo, nada de batidas, socos.
-Deve ser as meninas – ele coçou a nuca – Elas querem dar o seu presente. Ah, é de nós todos – ele sorriu.
-Ah não precisava... – clichê eu sei, mas eu não iria dizer o que eu estava pensando “Manda logo elas entrarem, quero ver o que eu ganhei!”... Só que não seria nada legal e educado.
-Claro que sim. Você merece! Mas antes... – ele me deu um selinho rápido – Acho melhor a gente não er... Na frente deles. Não me entenda mal, mas é que se queremos ir devagar, acho que seria melhor isso ficar só entre nós.
-Sem problemas, eu também concordo – ele tava certo, só assim pra “deixamos rolar, sem pressa”. Mais socos.
-Ok, vou abrir essa porta antes que elas derrubem por conta própria – ele rolou os olhos -!!! – veio gritando e quase pulando em cima de mim. Kim veio com uma caixa – grande por sinal – atrás dela, e por fim que quase atropelou . No fim, todo mundo já estava no meu quarto, incluindo , e . .
-Oi – ri da animação dela.
-Esse é o nosso presente atrasado pra você. Foi atrasado, mas com carinho – disse vindo me abraçar e os meninos fizeram o mesmo, inclusive que disse no meu ouvido: Só não te dou um beijo porque agora não dá – Mordi meu lábio inferior e dei uma risada de leve. .
Todos se reuniram na minha frente à colocou aquela enorme caixa na minha frente. Fui desfazendo o nó do laço da caixa e fui tirando aqueles papéis que os vendedores colocam em cima dos presentes. Tirei de lá um vestido com uma manga só azul com renda preta e um scarpin preto. Preciso dizer que fiquei maravilhada? Estou sem palavras! Tenho muita sorte mesmo por tê-los por perto. Estou recebendo muito carinho deles e bom, quem daria um vestido e um sapato daqueles pra uma pessoa qualquer? Eu pelo menos não, né. Isso quer dizer que realmente eu significo alguma coisa para eles. E isso me deixou muito feliz, tanto por fora, quanto por dentro. .
-Nossa! Gente muito obrigada! Mesmo! – eu falei deixando os meus presentes de lado e deixando uma lágrima cair. Aquilo havia mexido mesmo comigo. .
-Awn , quê isso amiga. Não chora não – veio me abraçar.
-Ow gente, que lindo! – falou meio gay me fazendo rir.
-Isso merece... – começou incentivando alguém continuar.
-ABRAÇO EM GRUPO! – falou praticamente pulando em cima de mim e depois eu não vi mais nada. Vários seres estavam em cima de mim – não entenda mal, por favor – e eu já estava agoniada e me sentindo presa.
-Vocês são uns amores, mas eu ainda preciso respirar – eu falei e depois todos saíram de cima de mim rindo.

Capítulo Quatro.


No dia seguinte acordei com fome e depois de fazer a minha higiene matinal, fui direto pra cozinha ver alguma coisa pra comer porque meu estômago estava implorando por comida. Como eu já sabia que todo mundo naquela casa era um bando de esfomeados, eu fiz panquecas logo pra todo mundo.
Tinha acabado de fazer o café da manhã quando eu quase me mato de susto com certa pessoa que fez um “Buuuu!”.
-Outch . Me assustou pow – coloquei a minha mão direita em cima do meu coração e o desgraçado ainda riu.
-Bom dia – ele veio me dar um beijinho na bochecha. Detalhe: sem camisa.
Ta quente aqui ou é impressão minha?
-Bom dia pequeno – falei dando uma mordida nas minhas panquecas.
-Isso aqui thum muithiau bhunh – ele “disse” com a boca cheia.
-O quê?
-Isso aqui ta muito bom!
-Awn valeu – dei um soquinho de leve no ombro dele em forma de agradecimento -Hey, eu tava pensando... Você vai querer ajuda pra arranjar um emprego? Eu estou a sua disposição baby – ele piscou e eu ri.
-Seria ótimo.
-Beleza! Que tal hoje?
-Mais já?
-É ué.
-Ta pode ser... Que horas? – o fitei.
-Bom, quando a senhorita acabar de tomar o seu café da manhã, você pode se arrumar e depois a gente vai – ele disse já com o seu prato sem nem um farelo pra contar a história das minhas deliciosas panquecas.
-Uh, então já vou me arrumar – disse terminando de comer e lavando rapidamente o meu prato. Subi as escadas, peguei minha toalha e tomei um banho rápido. Deixei os meus cabelos soltos; Coloquei uma calça jeans, um all star branco e uma blusa vermelha escrito “Keep Calm and Carry On”. Muitos não sabem da verdadeira história do Keep Calm, mas enfim, foi um cartaz criado pelo governo britânico durante a Segunda Guerra Mundial para motivar a população e acalmá-la diante do cenário de medo*.
Só achei que seria legal comentar...
Desci as escadas e encontrei um muito concentrado em seu celular, respondendo uma mensagem talvez. Chamei a atenção dele e saímos andando pelas calçadas procurando algum local que esteja precisando de novos empregados. Porém, não achei que iríamos bater tanta perna. Eu já estava com os meus pés doendo de tanto andar e praticamente sendo arrastada pelo quando decidimos parar para comer alguma coisa.
Entramos em uma lanchonete que tinha uma aparência muito boa, principalmente para a minha barriga que já estava começando a roncar. Já era meio-dia e decidimos comer lá, porque tanto eu quanto ele estávamos morrendo de fome, e bom, depois iríamos continuar a procurar um trabalho pra mim.
-O que vocês vão querer? – uma garçonete veio nos atender.
-Um hambúrguer e uma coca-cola. E você ?
-Pode ser o mesmo – sorri pra garçonete que parecia ser simpática –? – chamei ele na tentativa de fazer ele parar de secar a garçonete.
-Ãhn? – eu ri da leseira dele.
-Se continuar assim você vai babar meu querido.
-Do que você ta falando? – ficou todo errado, que lindo!
-Nada não , esquece...
-Bom, o acabou de mandar uma mensagem perguntando sobre a gente e eu disse que a gente veio atrás de um trabalho pra você. E ele disse que tudo bem, e que eles iam sair pra ir a um boliche aí... – fiz cara de desentendida – É um aí que a gente costuma a frequentar. Se chama Rowans Ten Pin Bowling.
-Sei onde fica. Muito bom o local mesmo.
-Uhum.
-Com licença – a garçonete veio a nossa mesa, mas... Cadê o nosso pedido?
-Sim? – falei para que ela prosseguisse.
-Estamos com um pequeno probleminha. Como vocês podem ver, o local está cheio e a minha ex-colega de trabalho se demitiu porque teve que mudar de cidade por motivos pessoais, então eu estou sozinha cuidando dos pedidos. Só queria que vocês tivessem um pouquinho de paciência – ela fez uma cara do tipo “espero que me entendam”. Sabe quando tudo vem na hora certa? Um pensamento iluminou a minha mente.
Isso significava que eles iriam precisar de uma nova garçonete, e eu poderia ser essa pessoa. Ta que não era um dos melhores trabalhos a se ter, mas por enquanto seria ótimo! Abri um sorriso e olhei rapidamente para , que sorriu de volta como se pudesse ler minha mente. E a coitada da garçonete ficou sem entender.
-Não há problema algum, nós aguardamos! Prazer, me chamo e essa é apontou pra mim.
-Mas pode me chamar de – dei a mão a ela para lhe cumprimentar.
-Então, pelo jeito você vai precisar de uma ajudinha extra e nós temos uma solução. A poderia trabalhar aqui como garçonete, e além de favorecer o seu trabalho e o dono dessa lanchonete, a também iria conseguir o emprego que ela estava procurando junto comigo durante toda essa manhã – ele abriu um sorriso galanteador e ela sorriu de volta.
-Isso é ótimo! Vou só falar com o meu chefe depois de atender alguns clientes e é claro, não demoro com o lanche de vocês. A propósito, meu nome é Hayley Wenerck.
-Prazer! – eu e dissemos juntos. Hayley se despediu e foi atender os seus outros clientes. Ela era simpática, bem branquinha, meio baixa e ruiva de cabelos ondulados e médios. Tinha belos olhos verdes claros e um corpo bonito. tinha bom gosto.
Não demorou muito como eu imaginava e Hayley veio até nós com o nosso pedido.
Agradecemos a ela e fomos nos desfazer da nossa fome. Terminamos de comer, pagamos a nossa conta e ficamos aguardando a Wenerck ir falar com o seu chefe. Cruzei os dedos para ver se dava sorte. como um bom amigo e agora meu irmão que nunca tive, ficou me colocando pra cima e me fazendo pensar que o emprego já era meu. Um irmão postiço mais lindo e fofo não existe!
-Venham comigo – Hayley nos chamou nos levando a uma sala onde tinha uma cara que aparentava ter seus cinquenta anos de idade – Chefe, é essa a garota que acabei de lhe falar. Bom, vou indo – e assim ela se retirou de lá.
-Boa tarde senhores, me chamo Ben Smith. Sentem-se – bom, pelo menos uma cara muito agradável ele tinha.
-Boa tarde! Eu me chamo e esse é o meu amigo – estendi a minha mão a ele para cumprimentá-lo.
-Prazer em conhecê-los. Então, você gostaria de se candidatar ao cargo de garçonete, certo?
-Correto! Vou ter que fazer alguma entrevista ou um teste... – ele me interrompeu.
-O emprego é seu – ele disse sorrindo e me dando uma folha escrito “Contrato” em negrito.
-Mas...
-Estamos precisando urgentemente de uma nova garçonete e como Hayley disse que você está querendo um emprego, seria tanto satisfatório para minha lanchonete, quanto pra você. Simples assim! Só falta você assinar e o emprego é seu – ele me deu uma caneta e olhou pra mim sorrindo. Legal, o destino estava ao meu favor. Tudo está saindo bem melhor do que eu esperava. Assinei o meu nome e automaticamente o emprego já era meu.
-Sr. Smith, quando eu começo meu expediente?
-Amanhã as 8:30 – falou me entregando outro papel – Preencha os seus dados aqui, por favor, – escrevi tudo rapidamente e entreguei.
-Obrigado por ter me dado este emprego Sr. Smith! Até amanhã – disse me levantando e deu um aperto de mão em Ben.
-Não a de quê. Até querida - saí de lá com a imagem de Ben expondo seus dentes brancos em forma de um sorriso e acenando.
Antes de ir embora fui falar com Hayley e disse que iria trabalhar junto com ela amanhã. Ela ficou feliz por isso e é claro, por facilitar o trabalho dela.
Pedi o número de Hayley porque qualquer coisa ela poderia me ligar ou eu poderia tirar alguma dúvida com ela e também, eu sei que o meu querido irmão postiço vai querer o número de certa pessoa. Fomos direto pro boliche encontrar os outros que já estavam a nossa espera.

[...]

-Aiii que bom! Fico feliz por você – veio me abraçar quando contei a minha novidade -Obrigada – sorri.
-É ótimo você ter um emprego logo de primeira. Tipo, uma vez eu tentei, mas foi tão difícil achar que desisti – comentou.
-Se quiser eu posso te ajudar algum outro dia.
-Não , por enquanto to feliz sem emprego – riu.
-Começa quando ? – perguntou .
-Amanhã mesmo – bebi um pouco do meu refrigerante.
-Então vamos todos acompanhar a nossa amiga aqui no primeiro dia dela – disse me dando um beijo na bochecha.
-Acho que vocês não vão querer acordar 8:30 da manhã – disse fazendo uma careta assim como os outro. Ri.
-Ah, vocês podem ir mais tarde... Bando de preguiçosos – fale baixinho e todo mundo escutou. Era pra escutarem mesmo! Mas , e que estavam mais próximos de mim, me deram um tapa de leve na cabeça. Outch!
-Eai, vamos jogar? – perguntou para todos presentes na mesa.
-Eu não sou boa, falo logo – levantei a mão.
-Vem gata que eu te ensino! – disse me puxando da mesa.
-UUIIII – .
-Vai lá garanhão – disse.
-Ó lá – Kim disse rindo.
-Só porque eu ia chamar o pra me ensinar – fez bico fazendo todos rirem. -Ow amor, sinto muito mais o gato aqui agora é meu – pisquei pra que fingiu estar emburrado.
-Ela manda riu e me levou pra pegar uma bola de boliche. Ele de início fez uma cara pensativa e me perguntou antes de escolher uma.
-Qual a sua cor favorita?
-Verde – ele pegou uma bola toda verde com umas listras brancas. Me apaixonei por ela de primeira, pena que eu não poderia ficar com ela pra mim.
-Vem cá – me levou até aquela pequena pista onde lá no fundo tinha uns pinos formando um triangulo, prontos para serem derrubados. ficou atrás de mim e colocou suas mãos em cima das minhas que estavam segurando a bola – Você vai fazer esse movimento – ele fez o tal movimento e eu concordei com a cabeça.
-Espero que a minha mão tenha a noção do reto – falei e ele riu.
-É só relaxar linda. Olha, vou primeiro pra você ver – ele disse pegando uma bola toda azul e jogando ela em seguida. E ele derrubou todos os pinos?! Pelo que eu sei ele fez um Strike. A única coisa que sei no boliche.
-Strike!!! – ele gritou.
-Boa ! – Kim gritou lá da mesa.
-Ok, agora é a minha vez querido – empurrei-o de lado e me preparei para jogar a bola. Fiz uma prece mental para acertar pelo menos um pino e não passar tanta vergonha. Respirei fundo e joguei a bola. Fechei os olhos por segundos e depois os abri vendo um todo sorridente vindo me abraçar.
Foi então que eu dei uma olhada e adivinha? S-T-R-I-K-E!!!!! Não sei o que aconteceu, mas... Pera aí! Sei sim! Isso se chama milagre.
-Cara... Eu consegui !!– dei um sorriso Colgate assim que nos desfazermos do abraço.
-É conseguiu! Eu sou um bom professor, pode falar – ele disse se gabando.
-Convencido – mostrei língua e fui para a nossa mesa.
-Parabéns – Kim disse.
-É, você foi ótima – disse fazendo um Hi Five comigo.
-Aw obrigada meus amores – falei me sentando. A tarde foi toda assim, passando o tempo naquele local onde eu descobri que tinha um dom. Gostei de boliche! Haha. Nós fizemos grupos dividindo os meninos das meninas para disputar e é claro que nós ganhamos.
Eles ficaram reclamando o tempo todo que não valia, diziam que alguma de nós tinha trapaceado. Mas é óbvio que eles eram orgulhosos demais para pagar quatro pizzas para nós sendo a restrição deles não darem nenhuma mordidinha porque eles não poderiam jantar essa noite.
Adorei apostar com eles. Pra completar eles faziam cara de pidão, faziam chantagens, se fizeram de coitadinhos, mas ficamos fazendo inveja dando belas mordidas e cara de satisfação na frente das carinhas de fome. Há! Sabia que a comida era o ponto fraco desses gordos – gordos só no modo de esfomeados, porque se for ao tipo físico de cada um deles... É até pecado falar essa palavra.


Capítulo Cinco.


Desde o dia em que o ganhou a aposta e ficou com o quarto só pra ele, que não é nenhum pouco besta se juntou com ele, afinal, agora os dois tinham mais privacidade. Bom, eu acabei ficando sozinha, de novo... Quase isso. Admito. Ao invés de , quem me fazia companhia de madrugada era .
E como eu amava suas visitas noturnas! Pena que como no dia seguinte eu iria ter o meu primeiro dia como garçonete, ele só veio me dar um beijo, me desejar boa sorte no trabalho e dizer que iria à lanchonete com o pessoal - onde eu iria trabalhar - por volta das dez e meia. Me contentei com um único beijo e fui dormir para poder acordar disposta.
Amanheceu e já eram 7:00 horas da manhã. Me levantei, tomei um banho, fiz minha higiene, coloquei um jeans e uma camisa de mangas compridas azul escuro, coloquei uma sapatilha e por último meu sobre tudo branco.
Tomei meu café da manhã e depois deixei um bilhetinho na geladeira dizendo que eu já tinha ido pro trabalho. Peguei minha bolsa e fui rumo à lanchonete.
-Bom dia senhorita . Chegou bem na hora.
-Bom dia Sr. Smith – o cumprimentei.
-Tudo bem, agora vou explicar o que você tem que fazer – ele me chamou para a sua sala – Então , além de anotar os pedidos e entregar os pedidos nas mesas do cliente, quando a Hayley estiver muito atarefada e não tiver como fazer o café que todos gostam, você terá que revezar com ela, ok?
-Tudo bem.
-Bom, seu expediente será das 8:30 até 12:00. Como eu estou tendo alguns problemas pessoais, não estou mais deixando a lanchonete aberta durante a tarde e a noite. Sei que estou perdendo dinheiro com isso, mas não tenho como resolver as minhas coisas se eu fizer isso... Então, esse aqui é o avental que as garçonetes usam aqui. Pegue o bloquinho para fazer os pedidos e o cardápio com Hayley. Faça um bom trabalho! – agradeci-o mais uma vez pelo emprego e fui ao encontro de Hayley que tinha acabado de chegar.
-Bom dia!
-Bom dia!
-Onde é que eu posso deixar meu sobretudo?
-Me segue – tirei logo meu, sobretudo e fui atrás dela – É aqui que você tem que deixar as suas coisas. A senha do seu armário é 3462 e antes que você me chame de enxerida, aviso logo que todas as senhas de todos os armários dos empregados são as mesmas.
Mas ninguém liga que é a mesma senha, já que todos já se conhecem de tempos e tem uma câmera virada pra cá, para ver se tudo está correndo direitinho – ela apontou para a mesma.
-Ótimo – sorri – Só vou guardar as minhas coisas e já to indo – ela falou um “ok” e foi embora daquela pequena salinha onde continha os armários e uma câmera. Guardei meu sobre tudo, minha bolsa e peguei somente o meu celular e deixei no bolso da minha calça jeans. Coloquei meu avental e saí dali.
-Pronto, aqui está o seu bloquinho para anotar os pedidos, a caneta e o cardápio. Qualquer coisa é só chamar. Ah, esse aqui é o John. É pra ele que você tem que entregar os pedidos, ok? – fiz que sim com a cabeça e ela foi atender o primeiro cliente do dia.
-Prazer John! Meu nome é , mas prefiro que me chamem de .
-Prazer ! Como a Hayley disse, qualquer coisa é só chamar ela, ou também pode me chamar também.
-Obrigada John – dei um sorriso para ele e em seguida olhei para a porta de entrada. Duas clientes tinham acabado de chegar, e elas seriam as minhas primeiras. Peguei meu bloquinho e a minha caneta – que a partir daquele momento seriam os meus instrumentos de trabalho – e fui em direção a mesa em que uma mulher e uma criança – provavelmente sua filha – se acomodaram.
-Bom dia senhoras, o que vão querer pedir?
-Dois pães com queijo e ovo, e dois sucos de laranja, por favor.

[...]

A manhã estava sendo super tranquila - apesar da lanchonete viver cheia – quando os meus queridos e lindos amigos chegaram. A Kim estava com uma cara de sono que parece até que estava emburrada por ter saído da sua cama quentinha. Apenas ri da carinha dela, até porque era aquela cara de sonolenta misturada com zumbi que ela ficava quando acordava de “madrugada”. Peguei meu bloquinho e fui rumo à mesa onde eles estavam.
-Bom dia meus amores. O que vão querer?
-Bom dia tia! Eu quero waffles de chocolate e uma coca – disse se divertindo pelo fato de eu tá servindo eles.
-Eu vou querer panquecas e suco de abacaxi – disse terminando de olhar o cardápio.
-Credo! Odeio suco de abacaxi – fez cara de nojo.
-Como pode? É tão bom!
-É simplesmente ruim... Eu vou querer o mesmo que a .
-Eu também – deu um sorriso ao olhar pra mim.
-Eu quero pão com queijo e uma coca – disse .
-Ok! E o resto das crianças? – perguntei.
-Eu vou querer o mesmo que a , mas ao invés do suco de abacaxi eu vou querer suco de laranja - Kim.
-Eu vou querer o mesmo que a disse dando um selinho na namorada.
-Ok, daqui a pouco eu trago o pedido de vocês. Pena que não posso ficar aqui pra conversar, tenho outras pessoas pra atender. Beijos e já volto – saí de lá quase correndo pra deixar os pedidos com o John, mas ainda deu pra escutar uns “beijos!” ou “até” da mesa dos meus amigos. Segui para a outra mesa onde um senhor que aparentava ter uns 70 anos e lia jornal, pediu apenas um café. Depois fui para outra onde tinham quatro meninos que estavam discutindo sobre tal aposta de quem pega mais meninas – revirei os olhos – eu podia até estar sendo intrometida, mas não tinha como eu não escutar, já que eu estava em pé em frente a eles.
-Bom dia, o que vão querer?
-O seu número, pode ser gata? – revirei os olhos novamente.
-Não. Se não veio aqui pra comer nada, me avise. Tem pessoas que realmente querem comer, mas não tem lugar para se sentar já que você está aí.
-Uuuuh! – os outros três meninos começaram a caçoar dele enquanto o mesmo ficou todo errado.
-Desculpa pelo meu amigo... Sabe como é, ele não pode ver uma garota que já vai dando em cima. Carência o nome disso – um meio gordinho falou zoando com o menino que havia dado em cima de mim, e o mesmo deu um tapa na cabeça dele. Ri baixinho.
-Enfim... Não vão pedir nada? – ergui a sobrancelha.
-Panquecas e coca-cola pra todo mundo aqui – o loiro um pouco mais alto do que o meio gordinho resolveu falar por todos.
-Tudo bem, daqui a pouco trago o pedido de vocês – saí de lá e fui ao encontro de John pegar os pedidos dos meus amigos. Como era muita comida, tive que ir e voltar umas quatro vezes na mesa do pessoal. Quarenta minutos depois, e de vez em quando dando umas espiadinhas para a mesa deles e tendo um pouquinho de inveja por não estar sentada e batendo papo com eles, me chamou para pedir a conta. Pagaram e antes de sair cada um veio me dar um abraço.
-Vou indo gente. Tenho muito trabalho, muitos pedidos... A gente se vê em casa.
-Ok, quando você chegar a gente vai sair pra almoçar tá? Foi o que a gente combinou antes de sair de casa pra poder comemorar o seu primeiro dia de trabalho.
-Awn obrigada gente! Tudo bem, mais tarde a gente se ver. Até! – todos me deram tchau e foram embora. Mas antes que eu pudesse me virar veio correndo, entrou na lanchonete e me deu um selinho rápido.
-Disse pra eles que tinha esquecido meu celular em cima da mesa.
-Espertinho – ele me deu uma piscada.
-Tchau, te vejo mais tarde – ele me deu mais um selinho e saiu da lanchonete. Ai, esse menino podia ser mais fofo? Ainda bem que o meu chefe não estava por ali, se é que você me entende. .
A manhã passou tão rápido que quando eu vi já estava dando tchau para Hayley e indo para casa. Foi cansativo, mas foi bom. Para minha primeira experiência eu acho que fui muito bem. Bem, depois de alguns minutos filosofando e escutando música, cheguei em casa e vi todo mundo reunido na sala rindo de alguma coisa da série Friends.
Todos já estavam cheirosos e arrumados. Só eu que estava precisando de um banho. -Olha quem chegou – veio me dar um abraço.
-Oi grandão – dei um beijinho na bochecha dele – Gente, vou tomar um banho, trocar de roupa e já volto. Prometo que não demoro.
-Bom mesmo! Tô morrendo de fome – disse.
-Gordo – mostrei língua e fui para o meu quarto. Tomei um banho sem demorar – como sempre faço – coloquei um vestidinho branco florido, um sobre tudo preto e um salto. Fiz uma maquiagem leve, passei perfume e desci. Sério, acho que nunca me arrumei tão rápido. Do jeito que eu sou muito pateta, não duvido nada que terei que fazer isso mais vezes.
-Nossa que gata! Tô pensando em trocar de roupa – disse olhando para si mesma. Ri do comentário dela.
-Que nada, tá linda assim.
-É, ninguém tem que trocar de roupa. Tô com fome, poxa.
- seu gordo insensível – Kim jogou uma almofada nele.
-A tá sempre linda! Não precisa trocar de roupa não amor.
-Ow , obrigada meu lindo.
-Vamos gente? Se não eu acho que o vai ficar emburrado pelo resto da vida se não comer.
-Muito engraçado mostrou seu lindo dedo do meio.
-Vamos logo – riu da cena e se levantou indo em direção a porta.
Chegamos ao restaurante e fomos direto para uma mesa, que pelo visto os meninos já deviam ter reservado. Esse dia podia ser melhor? Fizemos os nossos pedidos e começamos a colocar o papo em dia. Falando em pedidos... Nossa, como é bom estar no lugar de cliente ao invés de funcionário. Ok, vamos esquecer um pouco do trabalho né? Não estou mais durante serviço. -Cara, daqui a quatro dias já começam as aulas.
-Verdade , nem parece... Já se foi minhas queridas férias – fez cara de choro.
-Ih, eu vou ter que voltar pra casa, se não a mamãe vai falar poucas e boas pra mim – disse Kim.
-Duas! – apoiou a cabeça por uns segundos no meu ombro.
-Ah poxa, vou sentir saudades de acordar e ver vocês assistindo Friends ou The Big BangTheory -Eu também disse – Eu também não vou poder ficar mais na casa do ...
-Poxa dude – comentou – Alguém mais não vai poder ficar em casa?
-Eu – .
-E eu – disse – Vou sentir saudades das panquecas da .
-Gordo! – falamos todos juntos e rimos.
-Sério, são muito boas.
-Sei disso meu bem! Sei disso – fiz charminho e ele riu.
-, não se esquece de falar com o Ben sobre isso. Quero dizer, você vai ter que dar um jeito de trocar de turno, já que vai ter que estudar.
-Verdade , já tinha até me esquecido disso.
-Quem é Ben? – perguntou Kim.
-É o chefe dela – respondeu pegando o celular e respondendo uma mensagem, aparentemente.
-Ah ta.
-Pô caras, fiquem pelo menos até amanhã – fez biquinho. Oh coisa mais linda!
-E a gente? Não nos quer na sua residência não ? – fez cara de ofendida.
-Sabe como é, eu quero intimidade com os meus meninos para fazer loucuras em quatro paredes.
-Ew fez cara de nojo e eu também.
-Claro né meu bebezão? Temos que ter mais privacidade – dizia apertando as bochechas de e todo mundo riu.
-Ok, vamos parar com esse momento gay de vocês – disse Kim rindo.
-Lá vem essa mocréia acabar com o nosso barato. Affs – disse revirando os olhos e todo mundo começou a rir.
-Dudes... Vamos parar por aqui se não o sai do armário de vez – comentou , e mais risadas.
-Com licença... – o garçom veio na nossa mesa com dois drinques, mas sem a nossa refeição. Será que eles também estão precisando de um funcionário? Se bem que dois empregos... Ê brincadeira! Só um já está de bom tamanho – Senhoritas? – ele apontou pra mim e pra .
-Eu?! – perguntamos juntas.
-Sim! Aqueles dois rapazes mandaram eu entregar pra vocês esses dois drinques e esse bilhete – ele apontou para os rapazes, que por sinal eram bonitos, e antes de se retirar falou “com licença”.
-Hum. Eles têm a cara de pau de mandar isso pra vocês mesmo vendo que as duas estão acompanhadas? Não gostei – fechou a cara... E pelo visto, também.
-Também não gostei – , e falaram juntos. Uns fofos com ciúmes das amigas. Bom, sabemos que é outro caso, certo?
-Relaxa gente, são só uns drinques – Fê disse tomando um gole.
-... E um bilhete. Vamos ver o que tem aqui – peguei o papel amarelo dobrado e desdobrei sentindo todos os olhares sobre mim. Principalmente os de e de , já que estavam do meu lado – “Olá senhoritas! Eu e o meu amigo gostaríamos das suas companhias no nosso almoço. Seus amigos não vão se importar, vão? Enfim, os drinques foram por nossa cortesia. Aceitam o nosso convite? Beijos!” -Claro que não – falaram todos os meninos juntos.
-E podem devolver essas bebidas – tirou a minha bebida e a da , e mandou o garçom devolver e dizer pros caras que a gente disse não.
-Credo , eram apenas drinques... E quem disse que a gente ia aceitar? – ergueu a as sobrancelhas – Fora que se a quiser aceitar, ela pode. Tá solteira ué – foi então que vi que ficou calado e fitando o guardanapo em sua frente.
-Deixa pra lá . Eu também não ia aceitar – sorriu de lado ao ouvir minha resposta. E O garçom voltou novamente... Sem a nossa refeição.
-Os cavalheiros ali insistem suas companhias.
-Pois diga pra ele que elas estão muito bem acompanhadas e que preferem ficar conosco do que com eles – disse sério.
-Tudo bem senhor – e saiu novamente.
-Se aquele garçom vier aqui mais uma vez sem a nossa refeição, eu juro que vou lá quebrar a cara deles e a gente vai embora daqui – falou depois de ter ficado um tempo calado.
-Eu vou junto – , e disseram juntos.
-Hey! Relaxem, a gente está aqui com vocês né? E não com eles. Então tratem de por um sorriso no rosto de vocês – falei dando um beijinho na bochecha de , que assim como os outros, ficava lindo emburrado.
-Verdade – Kim e falaram juntas.
-Tudo bem guys... Vamos deixar pra lá – disse abraçando a namorada de lado.
-Com licença – veio o garçom... Mas dessa vez com o nosso pedido. Foi colocando os prontos com a ajuda de outro garçom e a nossa comida na mesa.
-Ainda bem que era nossa comida, se não... – mordeu a bochecha de – Ai! Eu quis dizer que ia reclamar de fome.
-Hum sei, senhor ! – rimos. E o clima chato tinha saído...
Almoçamos com tranquilidade, sem interrupções do garçom - que mesmo sem culpa se nada os meninos pegaram raiva – e saímos de lá rumo a uma praça pra passar o tempo. O bom de ir pra praça em Londres, é ver aquele local coberto de neve sendo “colorido” pelas crianças que corriam de um lado para o outro, brincando de guerra de bola de neve ou de fazer um boneco de neve. Me lembro muito bem que amava fazer isso com os meus pais quando eu era criança. Meu pai ia montando a parte de baixo do boneco e a minha mãe a de cima, enquanto eu pegava uma cenoura, o cachecol escondido da minha avó, dez biscoitos de chocolate e uma cartola velha que era do meu avô.
Eu pegava três biscoitos e colocava na barriga do boneco como se fossem três botões; Pegava cinco para fazer a boca e dois para fazer os olhos; O cachecol eu colocava na região onde seria o pescoço, a cartola na cabeça e a cenoura para ser o nariz... E pronto. Perfeito! A partir daí passei a chamar o boneco de Freddy. Pena que no dia seguinte um menino chato do outro lado da vizinhança derrubou ele na minha frente e eu comecei a chorar. Tá que eu podia fazer outro, mas eu era criança, chorar naquela época por qualquer motivo era normal, ainda mais quando eu já tinha criado “sentimentos” por aquele boneco e o chamar de meu amigo da neve.
Lembranças e mais lembranças... Como eu sentia falta deles!
Sentei no balanço um pouco mais distante onde não havia nenhuma criança com interesse de brincar nele.
Talvez fosse porque ele era todo branco - se camuflando na neve – ao invés dos outros que eram vermelhos, amarelos, azuis... Talvez fosse apenas uma hipótese minha que nem chegassem perto do que era verdade.
Eu e os meus “talvezes”.
Empurrei devagar o balanço querendo apenas pensar no nada. Às vezes pensar me fazia cansar mentalmente. Eu só queria um colo de mãe e repousar tranquilamente ao seu lado. O frio estava tanto que eu podia sentir o meu nariz congelando e provavelmente estaria um pouco vermelho. Fechei os olhos por uns segundos até sentir o toque de alguém. Era .
-?
-Oi! – dei um sorriso de lado.
-Vamos! A gente tá indo pra casa – falou ela me puxando do balanço.
-Tudo bem – fiquei ao seu lado e passei o braço por cima dos ombros dela e ela o mesmo.
-Vi que você estava distante – fiquei calada - Se quiser conversar é só avisar, ok? – fiz que sim com a cabeça.
Chegamos em casa e rapidamente aumentamos logo o aquecedor. Tirei meu sobre tudo e me deitei no sofá de barriga pra cima. veio logo em seguida e me deu um selinho demorado. É, ele me fazia bem.
Escutamos alguém limpar a garganta e foi aí que nos tocamos que nossos amigos estavam lá... Quero dizer, é óbvio! Mas pelo visto acabamos nos esquecendo. Nos entreolhamos e depois tivemos coragem e encaramos nossos amigos.
Eu estava vermelha de vergonha de ter sido pega, e também. Todos nos encaravam, mas olharam pro lado onde a Kim tinha saído correndo. Minha cara de interrogação e confusão foi a maior possível, e as dos outros foram as mesmas, porém a preocupação presente era maior. O que estava acontecendo?
-Opa... – Foi a única coisa que disse antes de se sentar ao meu lado e olhar para baixo encarando o piso.




Capítulo Seis.


-Como assim “opa”? – fiz cara de quem não sabia de nada.
-Nosso pequeno aqui já namorou a Kim – respondeu. Ergui a sobrancelha e encarei que estava com uma feição de preocupado.
-Eu vou lá atrás dela – suspirou e depois fez o mesmo caminho de Kimberly.
-Poxa, ! Porque você não me contou? – aquilo me deixou irritada, pelo jeito que ela saiu daqui não devia fazer muito tempo... E eu me sentia meio que culpada.
-Mas é que a gente terminou faz um tempo.
-Vamos deixar eles conversarem gente – falou puxando por uma mão, por outra e deu um empurrãozinho na perna de com o pé.
-Faz quanto tempo?
-Quase sete meses – Tudo bem, não é nem um pouco recente...
-Mas porque ela saiu daqui tão irritada? Não era pra ela ficar assim... Digo, faz um tempo que vocês não estão mais juntos
-É que ela sempre foi bem ciumenta e possessiva, sabe? E bem, eu sou o melhor amigo dela. Digo, era. Depois que eu terminei com ela a nossa amizade nunca foi mais a mesma – ele deu um suspiro – Espero que isso não prejudique em nada em relação à gente – ele me deu um selinho rápido e se levantou – Acho que devo ir falar com ela...
-Não! Deixa que eu vou. Preciso falar com ela antes – segurei o braço dele – Tudo bem que vocês já terminaram faz um tempo, mas na cabeça dela é recente, pelo jeito.
-Tudo bem... Vai lá – me deu um abraço e um beijo na bochecha antes de se sentar no sofá e pegar Bruce fazendo um cafuné nele.
Dei um longo suspiro e fiz o mesmo caminho que Kim e . Bati na porta do quarto dela e assim que recebi a permissão, entrei. Vi Kim sentada na cama com a cabeça encosta nos joelhos e os braços agarrados às pernas, soluçando.
estava ao seu lado fazendo um carinho em seus cabelos. Olhei pra ela como se pedisse que ela me deixasse a sós com a Kim e a mesma me deu um beijo na bochecha antes de sair do quarto. Suspirei novamente e me sentei ao lado de Kim na cama, e mesmo sendo a “outra” da história, eu senti que mesmo não sendo, precisa me explicar a ela.
-Kim? – falei quase num sussurro.
-Vai embora... – Ela falou com uma voz chorosa. Então pela primeira vez eu via aquela menina durona, frágil.
-Não, eu não vou. Eu preciso falar com você sobre...
-Vocês não entendem! – ela levantou o rosto e pude ver a ira em seus olhos, que estavam vermelhos assim como seu rosto – O sempre será MEU, e demais NINGUÉM! Entendeu garota?! – me assustei com o tom de voz dela, me fazendo recuar um pouco. Aquela Kimberly eu ainda não conhecia.
-Mas... – tentei me explicar, mas a Kim me cortou.
-Você simplesmente apareceu do nada! Era pra você ter ficado enfurnada naquela porra de orfanato e nunca ter saído de lá – arregalei meus olhos e me senti pequena. Pela primeira vez me senti intrusa no meio daquelas pessoas – Você só fez foder com a minha vida! Eu ia reconquista o , eu ia! Mas não, você teve que aparecer e foder com tudo! – naquele momento eu já chorava igual a uma criança. Me sentia culpada por tudo, me senti intrusa. Aquele pensamento de que eu fazia parte da família tinha desaparecido. Apesar de ter certeza que eu não tinha feito nada de errado, ela falava com um ódio tão aparente e com tanta certeza de tudo, que eu acabava duvidando de mim mesma.
Cansei de escutar o que ela falava pra mim, enxuguei as minhas lágrimas em vão - já que outras já estavam a caminho - e saí do quarto dela correndo. que estava do lado de fora – provavelmente escutando nossa conversa – tinha os olhos arregalados como se não acreditasse no que havia escutado. Entrei no meu quarto, tranquei rapidamente e corri para minha cama, encharcando o meu travesseiro que estava colado ao meu rosto e de certa forma estava minimizando o barulho do meu choro.
Não sabia quanto tempo eu já estava ali. Só sabia que a luz do dia já tinha ido embora, e a escuridão da noite invadia o meu quarto sem dó e nem piedade, já que a cortina estava totalmente aberta e as lâmpadas apagadas. Me sentei na cama, trazendo as pernas para apoiar o meu braço, enquanto passava a mão no meu cabelo e deixando ela por lá. Minha cabeça latejava de tanto chorar, e eu sentia o meu rosto inchado. Fechei os olhos e repeti para mim mesma “não sou culpada de nada” e depois de um certo tempo me levantei e fui em busca do interruptor para ligar a lâmpada do quarto. Me arrependi assim que senti a luz incomodando os meus olhos, mas deixei do jeito que tava até me acostumar com a claridade.
Fiz um coque frouxo, passei uma água no rosto, escovei os dentes e abri a porta do quarto. Respirei fundo. Uma hora ou outra eu teria que sair dali. Desci as escadas e encontrei na sala com conversando e assistindo tv. Quando notaram a minha presença sorri amarelo e me juntei a eles.
-Você tá com o rosto inchado – disse. e ficaram me olhando preocupados.
-Er...
-Não precisa se explicar. disse o que aconteceu – que estava ao meu lado direito me puxou pra ficar abraçada de lado.
-Tudo bem... E cadê os outros? – perguntei.
-Foram embora – disse suspirando de leve. Fiz cara de interrogação para que estava ao meu lado esquerdo.
-Quando a Kim pegou a mala dela e foi embora sem se justificar ou olhar na cara de ninguém, eles viram que o clima ficou meio tenso e decidiram ir embora hoje mesmo.
-Culpa minha... – baixei a cabeça.
-Ei... – se aproximou mais de mim dando um beijo em meu ombro.
-A culpa não é sua – falou e me deu um beijo na cabeça – A Kim sempre foi possessiva demais como eu te disse, mas nunca pensei que ela falaria pra alguém o que ela falou pra você. Ela nunca chegou a esse ponto... Até hoje.
-Sei lá... Agora eu meio que me sinto uma estranha que está atrapalhando a vida de vocês – disse deixando uma lágrima cair.
-Você nunca vai atrapalhar a nossa vida – disse limpando a minha lágrima.
-Até porque você só trás felicidade pra gente... Você é minha irmã, é da família – disse fazendo carinho na minha cabeça.
-Aw já disse que vocês são uns amores? – eles balançaram a cabeça dando uma risada de leve – Então venham aqui – abracei os dois de uma vez só – ?
-Diga pequena.
-Vai passar a noite aqui?
-Vou sim. Amanhã eu vou embora por causa da minha mãe, mas prometi pra que passaria a noite aqui com vocês – a barriga dele roncou e nós rimos – acho que estou com fome... Né amigão? – ele acariciou a barriga.
-E o que vamos comer? – perguntei.
-Pizza? – sugeriu e pude ver os olhos de brilhar.
-Deixa que eu peço! Vou fazer o nosso pedido e depois tomar um banho – se levantou e antes de ir subir as escadas parou e olhou pra gente.
-Que sabor?
-Quatro queijos – eu e dissemos juntos.
-É pra já! – falou subindo as escadas. Olhei para e percebi aqueles olhos me encarando. Sorri.
-Que foi?
-Você é linda. Gosto de olhar pra você – fiquei corada e me senti toda boba.
-Para – escondi o meu rosto com as minhas mãos e riu tirando elas do meu rosto e me dando um selinho demorado em seguida.
-Você sabe que não tem culpa de nada né? E eu quero que você fique comigo. Gosto muito de você , e não quero que esse ataque de ciúmes idiota que a Kim teve atrapalhe a gente viu? – balancei a cabeça concordando. sorriu e mordeu a minha bochecha.
Em seguida, segurou o meu rosto com uma mão fazendo um pequeno carinho em meu rosto e me deu um beijo. Logo de início foi um beijo sem língua, só para curtir o momento. Mas depois ele pediu passagem para aprofundar mais o beijo, e assim, nossas línguas se encontraram um pouco em desespero procurando a outra. Eu já estava sem fôlego quando rompi o beijo rindo de leve.
-Preciso respirar ... – ele riu de leve. Não demorou muito e nós já estávamos nos beijando. Em todo momento era super cuidadoso comigo. Ele fazia carinho em minha cintura e de vez em quando eu dava leves mordidas em seu lábio inferior, que arrancava sorrisos dele durante o beijo. Até aquele momento tudo estava indo bem até que...
-Gente? – falou nos interrompendo.
-Fala aí disse rolando os olhos e eu ri.
-Foi mal cara. Não sabia que... Isso que é o foda de ficar segurando vela – ele disse se jogando no sofá da frente.
-Não atrapalhou nada , relaxa – Falei dando um beijo na bochecha rápido de e o mesmo riu irônico.
-Atrapalhar, atrapalhou... Mas fazer o quê né – dei um tapa em seu braço.
-Outch!
-Obrigada fez um “positivo” com o polegar – Então, já pedi a pizza e daqui a vinte minutos eles entregam.
-Beleza – falou se levantando. Fiz bico – Não faz isso , eu tenho que tomar um banho... E você também porquinha – continuei fazendo bico fazendo ele rir. Me roubou um selinho e subiu as escadas.
-Então... Você e ... – fiquei corada.
-É... Eu e ele – falei me levantando e indo sentar no mesmo sofá que – Vem cá Bruce – chamei ele que estava quase pulando em cima do sofá pra ficar no meu colo e eu facilitei o trabalho dele.
-Pode contar como rolou! Mas corta os detalhes que eu sou homem tá? – ele fez careta me fazendo rir.
-Ah, a gente tá ficando um tempinho... As escondidas – fez cara de espanto e colocou a mão na boca – Para ! – bati de leve em seu braço – Enfim, a gente não quis esconder de todo mundo só por esconder. A gente só queria ir devagar. Mas como vocês descobriram e deu na merda que deu, a gente vai continuar ficando... Acho – mordi a almofada do meu polegar. Depois que li O Teorema Katherine do John Green, acabei pegando essa mania.
-Vocês vão continuar ficando... Pelo que eu conheço o , ele tá gostando mesmo de você. Você sabe que eu sou o melhor amigo dele né? – afirmei com a cabeça – Digo, os outros são, mas ele me conhece a mais tempo... Quero dizer... Ah, você me entendeu né? – ri dele se enrolando – Então, já tinha percebido que o estava escondendo alguma coisa, só não sabia o quê. Ele é meio retardado, não sabe mentir direito.
-Não fala assim dele...
-Ih, já tá começando a defender ele? Já tá assim? – rimos – Enfim, acho que como irmão não posso autorizar vocês a ficarem – levantei a sobrancelha e ele riu – Brincadeeeeira!
-Idiota... – ri. Escutamos o barulho da campainha.
-PIZZAAAAAAAAA – pulou do sofá todo animadinho com a pizza, se é que era o entregador de pizza. Podia ser alguém né. Mas o esfomeado acertou. Era o carinha da pizza. Não demorou muito e desceu todo cheiroso com cheirinho de sabonete misturado com o hálito de menta dele e maravilhoso perfume dele. Me fez tomar banho antes de comer a pizza e eu disse pra me esperarem... Porém, quando voltei toda linda e cheirosa, só tinha três pedaços de pizza sobrando. Sendo que o pediu TRÊS PIZZAS GRANDES.
Vai saber pra onde vai aquele monte de comida. Um redemoinho preto dentro do estômago deles, talvez. Depois de todos devidamente alimentados e tomados banhos, fomos assistir Friends e depois fomos dormir feliz da vida com a barriga cheia, a boca doendo de tanto rir – exagerei só um pouquinho – e como eu disse, cheirosos, limpinhos, com hálito de menta.

[...]


Eram nove horas da manhã e corria tudo bem pela lanchonete. Hayley além de colega de trabalho, havia se tornado minha amiga. Já fazia exatamente três dias após o ocorrido da Kim, mas o pessoal vivia lá em casa mesmo não dormindo mais lá. A Kimberly não havia dado as caras desde então. e foram na casa dela já que o celular da Kim só dava na caixa postal, mas os pais da dela disseram que ela não queria falar com elas e que o celular dela tava na caixa postal porque ela tinha mudado de número. Pelo visto ela quer distância até dos seus próprios amigos. Sacudi a cabeça para afastar os pensamentos frustrantes.
Sorri para John que me olhava com uma cara de preocupação para mostrar que estava tudo bem, e o mesmo retribuiu o sorriso. Peguei o pedido que estava em cima do balcão e levei até os clientes.
As horas se passaram rapidamente, e quando vi, já era fim do meu expediente. Peguei as minhas coisas e saí da lanchonete dando tchau para o Sr. Smith e John. Hayley me acompanhou na minha caminhada já que iríamos para o shopping mais próximo dali, porque ela tinha pedido a minha ajuda para escolher um vestido para ir a um aniversário em um pub.
-Esse ficou bom? – ela saiu do provador com um vestido colado roxo. Ele tinha uns babadinhos meio estranhos na manga, o que me levou fazer uma careta – Nossa tá tão ruim assim?
-Não curti esses babadinhos.
-Também não... Mas eu gostei desse vestido porque me deixou com mais peito – ela empurrou de leve seus seios para cima.
-Pode até ser, mas odiei os babadinhos. Próximo – ela fez cara de choro e voltou pro provador. Cinco minutos depois ela saiu do provador com um vestido colado verde escuro.
-Nossa, esse tá lindo!
-Ai que bom! Porque esse me deixou com mais peito e mais bunda – rimos.
Senti meu celular vibrando e vi que tinha chegado uma mensagem de .

“Vamos ao pub, gata! Não adianta negar, você prometeu que iria. Lembra?”


Respondi-o.

“Posso levar uma amiga?”



“Pode, claro! Vou me ocupar agora, mais tarde a gente se fala . Beijos”



“Ok! Beijos”


-Hayley?
-Diga – ela disse assim que saiu com o vestido verde nas mãos do provador.
-Que tal um pub?
-Hoje?
-Uhum... vai tá lá – fiz uma cara maliciosa e ela riu nervosa mordendo o lábio.
-Preciso de uma roupa nova.
-Esse é o momento. Eu espero – ri do nervosismo dela e a mesma agradeceu por eu esperar ela. Saímos de lá vinte minutos depois. Hayley comprou o vestido verde e outro vestido preto. Decidimos passar a tarde num salão que havia dentro do shopping – por mais que eu não gostasse muito, mas no final valia a pena – e eu chamei e para nos fazer companhia. Foi uma tarde somente para as garotas, dentro de um salão, onde horas depois saímos belíssimas com unhas, cabelos e sobrancelhas feitas.
Marquei com as meninas de se arrumarem lá na casa de , porém só Hayley iria nos encontrar somente no pub. Nos despedimos dela e em seguida fomos pegar as roupas das meninas nas casas delas antes de ir para a minha atual casa.
-Nossa... Eai xuxus? Orkut? MSN? – falou assim que nos viu entrando pela porta da casa de . Ele e os meninos também iam se arrumar lá.
-Vish... Mais atrasado impossível né ? Olha, eu tenho twitter... – dei uma piscadinha pra ele e o mesmo riu.
-Vocês já são lindas com a beleza natural de vocês. Produzidas no salão ficam mais bonitas... Guys, acho que vamos ter problemas hoje a noite. Elas nem estão arrumadas por completo e já imagino quanto macho vai ficar olhando pra elas – fez careta.
-Ow seu lindo – deu um selinho no namorado – To me arrumando todinha pra você bebê – deu um sorriso bobo.
-Ai meu pai... Mel demais pra mim! Cuidado pra não ficarem diabéticos – comentou e o casal meloso mostrou o dedo do meio – Mal educados – rimos.
-Meu amor... Tá linda – disse dando um beijo nela.
-Obrigada xuxu, amo você sabia?
-Cuidado pra não ficarem diabéticos – imitou a voz de e a mesma mostrou dedo.
-Mal educada – imitou a amiga fazendo todos rirem.
-Cadê o ?
-... O menino foi pegar o Bruce no petshop, relaxa. Teu bofe chega daqui a pouco – fiquei vermelha.
-Para ...
-Linda vermelhinha! – veio me abraçar e deu mordeu minha bochecha.
-Eai guys... Uou! Só gata aqui – falou entrando em casa e deixando Bruce – que tinha uma roupinha fofa azul – no chão.
-Pena que todas tem dono... Vai arrumar a sua dude – falou e lhe deu um tapa na cabeça – Outch! O que foi?
-Não somos cadelas pra termos donos.
-De acordo – eu e falamos juntas e riu do tapa que deu em .
-Oooh! Desculpa amor... Tava só brincando – ele deu um beijo nela e ela deu um sorriso.
-É, arruma a sua , porque todas estão devidamente acompanhadas. A está comigo inclusive – disse me abraçando.
-Não mesmo. Sai pra lá cara – me puxou dos braços de me dando um beijo rápido e me abraçando por trás e seguida. Nossa ein ... Que pegada!
-É, sobrou disse rindo.
-É dude... – fez cara de cachorro abandonado.
-Ou não... – dei um sorriso cúmplice para as meninas.
-Como assim?
-Digamos que o nosso pequeno terá uma surpresinha hoje a noite – fez uma cara maliciosa.
-Isso! Nos agradeça , você já tem uma companhia para hoje – disse.
-E se não rolar nada? Eu posso não gostar dela... – disse nos desafiando.
-Não confia no seu taco cara? – zuou com o e o mesmo mandou o dedo do meio como resposta.
-Eu duvido muito, mas aí... Nós faremos companhia a você – disse ficando abraçando de lado e dando um beijo demorado em sua bochecha esquerda – Não é meninas?
-Claro – saí dos braços de e abracei de lado dando um beijo demorado em sua bochecha direita.
-É, nós faremos isso por você amorzinho – o abraçou por trás e deu um beijo em sua nuca fazendo o mesmo se arrepiar.
-Mas que porra... – disse fechando a cara pegando e tirando de perto de .
-, vem logo pra cá – disse puxando a menina.
-! – disse com ciúmes me puxando para si – Sai fora ! Arranja a sua garota – começou a rir dos ataques de ciúmes dos meninos.
-Tá vendo dudes? Esse é o poder desse gostosão aqui – falou se achando e somente eu e as meninas rimos, enquanto os meninos rolavam os olhos.




Capítulo Sete.


Essa era a oportunidade perfeita para eu usar o meu vestido azul com renda preta de uma manga só comprida, e o meu scarpin preto que ganhei do pessoal. Tomei meu banho e fui me arrumar. Coloquei o vestido que ficou simplesmente perfeito no meu corpo. Prendi meu cabelo em um coque frouxo para poder fazer a minha maquiagem. Depois do primer, da base, do pó e do corretivo, fiz um olho preto esfumado que tinha aprendido num curso de maquiagem que a minha mãe me fez fazer. Passei um batom nude, já que o meu olho já estava marcado.
Em seguida, após ter finalizado minha make, passei meu perfume favorito que é da 212 Sexy, coloquei a minha pulseira com um pingente de lírio, – incrível como ela combina com qualquer roupa – meus brincos e depois soltei meus cabelos, ficando um ondulado com cachos grandes que eu consegui graças ao coque. Coloquei meu scarpin e me fitei no espelho. Sorri pra mim mesma estando satisfeita com o resultado. Peguei uma bolsa pequena – estilo aquelas que as convidadas mulheres de um casamento usam – para combinar com o meu visual, pondo minha carteira, algumas coisas para retocar a maquiagem e o meu celular. Saí do meu quarto e fui em direção ao quarto que antigamente dormia e .
-Ai , que linda! – e me abraçaram.
-Obrigada meninas – sorri – Precisam de ajuda?
-Sim! A não sabe maquiar – fechou a cara pra que sorriu amarelo.
-Ah poxa, eu só sei fazer em mim... – rimos.
-Vem , eu te ajudo. Eu fiz um curso de maquiagem – me ofereci chamando ela para perto das maquiagens que estavam espalhadas pela cama.
-E pelo jeito vou ficar uma gata, porque eu amei esse olho preto esfumado! Tá lindo amiga.
-Obrigada . Bom, como o seu vestido é rosa... – fiz cara de pensativa – Eu vou fazer uma make preto com prata, ok? – ela concordou com a cabeça. Dez minutos depois eu tinha terminado minha obra de arte.
-Cara... – se fitou em frente ao espelho – Eu tô gata – ela piscou pra si mesma e eu e rimos.
-Nós três estamos – falou terminando de por seu salto alto.
-Prontas? – perguntei e as duas concordaram – Ok, vamos descer. Fomos em direção a escada, e durante todo percurso o barulho dos saltos avisavam a nossa chegada. Nos deparamos com quatro meninos na sala de estar batendo papo e inclusive reclamando por trás da gente sobre nossa demora.
-Vamos? – chamou a atenção deles. E quando eles nos encararam ficaram com caras de bobos. Eu e as meninas rimos de leve da cara deles, mas ficamos felizes, já que o nosso visual foi aprovado.
-Dude, vocês estão muito hot! – disse com um sorriso enorme e bobo no rosto.
-Cara, vamos ter muito trabalho hoje – disse indo em nossa direção dando um beijinho na minha bochecha, na da e um selinho demorado em – Você tá linda .
-Obrigado – ela corou. , e fizeram a mesma coisa que , porém deu um selinho em e em mim. – coitado – ficou só babando pelas amigas.
-Vamos caras... As meninas me animaram, quero ver se a minha companhia tá gata assim como elas – rimos e fomos em direção ao carro de e de . Nos dividimos e fomos rumo ao pub. Chegamos lá e arrumamos uma mesa para sentarmos.
-, quem é a garota ein? – perguntou curioso.
-Ela já deve estar chegando... Falando nela – acenei para Hayley que agora tinha me avistado. sorriu abertamente e sussurrou um “obrigado” para mim e para as meninas.
-Oi gente! – Hayley sorriu e se sentou perto de , onde por coincidência era o único lugar vago.
-Oi! – falamos todos juntos.
-Gente, essa é a Hayley. Hayley esses são , e . Bom, a , a e o você já conhece.
-Prazer – os meninos falaram juntos.
-Prazer! – ela sorriu para eles.
-Alguém vai querer alguma bebida? – perguntou se levantando. Todos levantaram as mãos e riu – Preciso de ajuda.
-Eu vou – eu e dissemos juntas.
-Ah não amor, fica aqui – fez biquinho.
-Como posso não resistir? – ela riu dando um selinho nele.
-Tá... A gente trás de pouco em pouco – falei puxando comigo.
-Então quer dizer que vocês podem beber e eu não é? – franzi o cenho.
-Isso mesmo – ele riu.
-O que vocês vão querer? – o barman perguntou assim que sentamos nos bancos em frente ao balcão de bebidas.
-Oito vodcas – falou pro barman que no mesmo momento foi preparar as bebidas – Vou mandar mensagem pro pra virem buscar as bebidas... Quero ficar um pouco a sós com você – deu uma piscadela e eu corei de leve. Não demorou muito e as bebidas já estavam prontas, e e Hayley chegaram.
-Eai dude.
-Qual a emergência ? – fez cara de preocupado e eu franzi o cenho.
-Sabe o que é... Leva a bebidas pra mim? Eu queria ficar com a um pouquinho – segurou a minha mão.
-Pensei que era algo sério – revirou os olhos e deu um tapa na cabeça de . Eu e Hayley rimos.
-Vamos , eu te ajudo – Hayley pegou três bebidas e pegou as outras três – Tchau casal – Hayley piscou pra mim.
-Tchau – eu e sorrimos.
-Então... – sorriu assim que deu um gole em sua bebida.
-Então... – dei um gole na minha bebida, mas fiz uma careta. Eu definitivamente não tava acostumada a beber. deu uma risada gostosa.
-Já resolveu o problema da escola?
-Ainda não, vou amanhã resolver isso – tinha esquecido de me matricular na escola. Que cabeça a minha... Dei mais um gole.
-Se quiser eu posso ir com você – ele falou acariciando a minha mão e eu fitei nossas mãos juntas.
-Gosto da sua companhia – sorrimos. Depois de conversar mais um pouco, terminamos nossas bebidas.
-Quer dançar? – ele perguntou após um selinho demorado.
-Quero – sorri. Saímos de mãos dadas de lá em direção à pista de dança. Na mesma hora que chegamos começou tocar Don’t Worry Child. sorriu, passou o seu braço pela minha cintura e começamos a dançar.

(N/a: Aconselho por a música Don’t Worry Child pra tocar)


There was a time
I used to look into my father’s eyes
In a happy home
I was king I had a gold throne
Those days are gone
Now the memories are on the wall
I hear the songs
From the places where I was born


Sorrimos um para o outro e me puxou para mais perto de si. Ele ficou distribuindo beijos pelo meu pescoço me deixando com cócegas, mas ele não precisava saber que aquele era meu ponto fraco, se é que ele já não sabia. Sorri e me mantive no lugar antes de rir que nem uma pateta e acabar com o clima.

Up on the hill across the blue lake
That’s where I had my first heart break
I still remember how it all changed
My father Said

-MY FATHER SAAAAID – cantamos juntos fitando nossos olhos. Ai como eu amava aqueles olhos sobre mim.

Don’t you worry, don’t you worry child
See heaven’s got a plan for you
Don’t you worry, don’t you worry now
Yeah

Don’t you worry, don’t you worry child
See heaven’s got a plan for you
Don’t you worry, don’t you worry now
Yeah


E quando acabou o refrão estávamos nos beijando. O nosso beijo era rápido e meio desesperado, como se precisássemos daquilo, como se dependêssemos daquilo, como se aquilo fosse uma droga que nos viciasse a cada beijo, e que a cada beijo, a nossa vontade de "tragar” não saciava, só aumentava.

There was a time
I met a girl of different kind
We ruled the world
I thought I’ll never lose her out of sight
We were so young
I think of her now and then
Still hear the song
Reminding me of a friend


Up on the hill across the blue lake
That’s where I had my first heart break
I still remember how it all changed
My father Said

apertava, mas não com muita força, minha cintura. Nesse momento nem nos importava mais com a música. Bom, ela estava sendo meio que uma trilha sonora para o momento do nosso beijo, que nem num filme. Mas quem disse que eu ligava? O que eu mais me importava naquele momento, era aquele deus grego que parar minha felicidade, correspondia todos os meus beijos. Segurei a sua nuca, indo acariciar os seus cabelos, enquanto ele me puxava mais para perto como se aquela fosse a única maneira de eu não escapar dele... Como se eu fosse! Eu estava adorando aquilo. Mas como alegria de pobre dura pouco... Brincadeira! Mas como nós tivemos que nos conter, fomos diminuindo o ritmo do nosso beijo até ficarmos dando selinhos, e finalizando com um selinho demorado. Sorrimos um para o outro e terminamos de dançar o resto que ainda sobrava da música.

Don’t you worry, don’t you worry child
See heaven’s got a plan for you
Don’t you worry, don’t you worry now
Yeah


See heaven’s got a plan for you
See heaven’s got a plan for you
See heaven’s got a plan for you

Don’t you worry, don’t you worry child
See heaven’s got a plan for you
Don’t you worry, don’t you worry now
Yeah
Oooooohhh…
Oooooohhh…

A música acabou e de agitada passou para uma música mais calma. Without You do Busted começou a tocar. me puxou com delicadeza pela cintura e começamos a dançar de acordo com o ritmo da dança. Dei uma espiada para o lado rapidamente e notei que havia vários casais na pista, assim também como Hayley e que estavam ficando. Olhei para e vi que ele também havia notado. Rimos de leve.
-Bom, que tal deixar eles pra lá e curtir esse momento? Só nosso... – ele falou sussurrando em meu ouvido.
-Acho uma ideia maravilhosa – mordi sua bochecha de leve.

(N/a: Aconselho por a música Without You do Busted para tocar )

The way you always made me look at you
With all the simple things you said
The way so many things surrounded you
And all the tears it seemed to make


And they were falling
There’s nothing left to say
And I can’t break free
Not from in me there

And I can’t breathe without you
I can’t breathe without you
I can’t breathe without you
Without you, without you, without you

Passei meus braços pelo pescoço de e apoiei meu queixo em seu ombro. Me sentia bem ali. minha fazia bem, e eu sabia muito bem disso. Sorri involuntariamente por causa dos meus pensamentos e voltei a olhar . Ele segurou o meu rosto com uma mão e a outro pegou firme, porém com todo cuidado em minha cintura.
começou um beijo lento, totalmente diferente do outro. Pedi passagem para aprofundar o beijo, e ele concedeu sem contestar. Ficamos explorando a boca um do outro como se cada parte ainda não fosse explorada. Como se fosse algo novo que estávamos gostando de descobrir.

The way I thought I’d never leave this place
The way you made it seem so real
Cause you have faith and you had empathy
And all needed was this

And now we’re falling
Got nothing left to say?
And I can’t break free
Not from in me there

And I can’t breathe without you
I can’t breathe without you
I can’t breathe without you
Without you, without you, without you
How can I let you leave this way?
Without you I’m not at all
And I see things now in these memories
Just to see you… again

A música acabou e junto a ela rompemos o nosso beijo. sussurrou em meu ouvido me fazendo arrepiar.
-“I can’t breathe without you”... “Without you I’m not all” – “Eu não consigo respirar sem você... Sem você, eu não sou nada” sorri ao ouvir aquelas palavra. O fitei.
-... Você não existe pequeno! – ele sorriu e eu dei um beijo rápido nele.
-Vem, vamos lá com o pessoal – ele falou me puxando e me levando até a mesa onde estava nossos amigos.
-Demoraram muito ein? Safadinhos! – fez uma cara maliciosa. Eu e rimos.
-Dona , estava fazendo o quê com o meu Dannyzito ein? – franziu o cenho.
-Nada que crianças possam saber – dei uma piscadinha pra ele e os outros riram.
-Olha aí... O outro casal que tavam se comendo – comentou assim que chegou com uma Hayley um pouco descabelada, se é que podemos dizer assim. Todo mundo, menos o mais novo casal, riram.
-Mas vocês ein? Estão atacadas hoje! Duvido muito que nenhuma das duas engoliram o ou o . Esses dois não são nenhum pouco santos... E nem vocês – falei rindo das caras delas que estavam vermelhas.
-Temos mais que aproveitar, né xuxu? – disse dando um beijo rápido nela.
-Claro né... Com licença – puxou pela gola de sua polo e começou a engolir... Ops... Beijar o ali mesmo.
-Ok... – ri.
-Dudes, precisamos demais bebidas – falou olhando para e .
-Yeah! – e se pronunciaram.
-Vão lá... Vamos no banheiro – falou puxando eu e a Hayley para o banheiro com ela. O banheiro estava lotado e ficou puta da vida, mas preferiu esperar um pouco.
-Ah, todo mundo resolveu cagar agora, foi? – disse toda revoltada. Hayley e eu caímos na gargalhada e até acabou rindo um pouco.
-Calma amiga... – falei me recuperando.
-É, daqui a pouco o banheiro desocupa... – Hayley disse passando as mãos nos cabelos.
-Aff eu queria retocar a minha maquiagem – disse fazendo bico.
-Percebemos que o tirou todo o seu batom – comentei fazendo ela e Hayley rirem.
-Safadinha – Hayley disse fazendo uma cara maliciosa.
-Ai gente... Para! Ele é meu namorado. Eu posso, tá? E fica na tua, que eu vi você quase comendo o falou brincando com a Hayley e a mesma ficou corada.
-Vocês... Meu Deus. Não sei quem é mais tarada – brinquei com elas.

Depois de dez minutos...

-Desisto! – bufou e nós a seguimos.
-Meninas... Eu vou buscar uma bebida – Hayley disse assim que nos distanciamos um pouco do banheiro feminino – Querem ir comigo?
-Não, eu vou pra mesa – falei.
-Eu também... Nos vemos lá – disse e Hayley concordou. Eu e continuamos andando juntas, mas como a nossa mesa estava distante de onde nós estávamos, pude ouvir reclamando várias vezes que andou tudo aquilo pra ir no banheiro e não ter retocado a maquiagem. Ri dos comentários dela e a fiz voltar no banheiro, dizendo que a esperaria.
Depois da se retocar e sair feliz e saltitante do banheiro com o seu batom vermelho, fomos dançar, já que insistiu porque era a sua música favorita. Estávamos dançando de boa quando chegam dois meninos altos, um moreno e outro loiro, e de olhos verdes.
-Oi gatas – o moreno se pronunciou. Eu e fomos par outro canto e continuamos a dançar. A gente tava acompanhada, e não queríamos problemas. Então, preferíamos deixar os dois no vácuo.
Mas parece que eles não desistiram... Revirei os olhos.
-Se escondendo da gente? – foi a vez do loiro se pronunciar.
-Não... Estamos acompanhadas, não queremos a companhia de vocês – disse olhando sério para eles.
-Mas nós queremos – ele segurou o braço dela firme.
-EI! Solta ela, agora! – falei pedindo pra que ele parasse de segurar o braço dela.
-Não mesmo... – o moreno segurou o meu pulso bruscamente.
-Para, você tá me machucando... – falei puta da vida. Como estávamos mais afastadas, nem tínhamos nos tocado nesse detalhe, ninguém havia notado que aqueles caras estavam fazendo com a gente.
-Eu vou gritar! – o ameacei.
-Não mesmo... – ele repetiu e em seguida me beijou a força.

Capítulo Oito.

Frágil. Eu estava completamente frágil e totalmente indefesa. Aquele cara estava me beijando a força, me imprensava contra a parede e apertava os meus pulsos bruscamente, onde eu não me surpreenderia se aparecessem belas marcas roxas na região. Se duvidar as marcas das digitais dele irão estar carimbadas em mim. Percebi que estava sendo arrastada dali para outro canto. Gritos abafados. era a dona deles. Provavelmente estava sendo beijada a força como eu. Em tentativa de fuga, mordi o lábio inferior daquele infeliz ferozmente sentindo o gosto de sangue. Virei o meu rosto me desviando do rosto dele e cuspi para me livrar daquele sangue e, nessa virada, dei uma olhada no local e me dei conta de que eu e estávamos em uma espécie de beco, onde havia a porta da saída do pub e o resto era uma rua escura e sinistramente vazia.
-Sua vadia! – e em um movimento rápido o meu rosto estava ardendo e as lágrimas começaram a jorrar. Sim, aquele filho da puta havia me dado um tapa.
-! – olhei para que tinha conseguido se soltar do outro cara e veio ver como eu estava depois do tapa. Olhei para ela com a vista embaçada graças as minhas lágrimas e sussurrei um “corre”. E no momento seguinte só restava eu e aqueles dois caras. Pelo menos tinha conseguido fugir para conseguir ajuda.
-Por que elas sempre fogem?
-Teimosia... Essas mulheres só nos cansam. Mas são o meu passatempo favorito – o cara que estava me beijando minutos atrás respondeu o outro.
-Pelo menos temos a princesinha aqui – o loiro passou a palma de sua mão em meu rosto acariciando.
-Me larga! – o moreno deu uma risada sarcástica.
-Não antes de fazermos o que bem entendermos com você – e nesse exato momento escutei um barulho ensurdecedor da porta do pub sendo aberta sem dó e nem piedade. Eu teria olhado para ver o que tinha acontecido se eu não tivesse sido empurrada com tudo no chão. Soltei um grito de dor. Nessa queda ralei feio meu joelho, que na mesma hora do impacto, começou a sangrar e inchar.
-SEU FILHO DA PUTA – escutei gritando com o cara que me empurrou no chão, e começou a socar ele. Em meio a vários chutes e socos, em um momento de descuido levou um soco um pouco acima da sobrancelha. Pude ver tamanha sua revolta que na mesma hora revidou com um chute nos países baixos de seu oponente, que reclamou de dor – Nunca. Mais. Toque. Nessas. Garotas. ENTENDEU PORRA?! – deu um chute na barriga do moreno. Desviei o meu olhar de e vi dando vários chutes no rapaz loiro que estava caído no chão com o olho roxo e o nariz sangrando.
-Dudes, já tá bom – disse fazendo parar de golpear o loiro.
-Esses putos não receberam nem a metade do que merecem!
-Calma, ! – disse tirando dali e veio me ajudar. Eu estava parada observando tudo sem dar um mísero suspiro. Estava petrificada, como eu não pudesse comandar o meu próprio corpo – Você está bem? – Ao invés de responder apenas fitei meu joelho. fez cara de preocupado e me pegou no colo – Tudo bem, agora você ficará bem – me deu um beijo na bochecha e começou a andar comigo no colo em direção a porta.
-Guys, cadê o ? – perguntou
-Eu falei pra ele levar as meninas pra sua casa – respondeu – Mas antes da gente ir... – ele correu rapidamente até o moreno e deu um chute forte nele – Tinha me esquecido desse aí... Agora podemos ir – sorriu vitorioso

entrou em seu carro em silêncio e se sentou no banco da carona. Eu estava no banco de atrás com me fazendo companhia. Todo aquele silêncio estava me irritando, porém ainda não conseguia dizer uma palavra se quer. colocou em uma rádio qualquer onde tocava uma música calma e baixou o volume. Eu estava de lado no colo de para poder manter minhas pernas eretas por causa de meu ferimento. Deitei minha cabeça no ombro do Judd e o mesmo suspirou fazendo um carinho em minha cabeça. me olhava preocupado a cada cinco minutos através do retrovisor. dizia que era pra ele se acalmar e prestar atenção na rua, que eu podia estar calada por estar em choque, mas quando eu conseguisse falar, eu iria falar. Fechei meus olhos tendo alguns flashes do ocorrido e por medo e frustração, abri-os logo em seguida. Levantei minha cabeça e fiquei olhando para durante alguns segundos e depois tornei a chorar. Não sei direito o que estava acontecendo comigo. Sei lá. Apenas me deu vontade de chorar depois de todo esse susto. virou para trás rapidamente para me olhar e fez o mesmo, mas como quase tinha batido em um carro que vinha na contra mão, tornou a prestar atenção na rua. me olhou preocupado e me abraçou forte. Ao som de Far Way do Nickelback meu choro foi se tornando em alguns soluços baixos e depois foi encerrando. Abracei de volta e sussurrei baixinho em seu ouvido.
-Obrigada – dei um beijinho em sua bochecha e o mesmo ficou aliviado por eu ter falado alguma coisa. Senti meu joelho arder e soltei um gemido baixinho por causa do mesmo. Não demorou muito e já estávamos em frente à casa do . me pegou no colo novamente e me levou até o sofá, onde havia um com uma aparência preocupada.
-, me ajuda por ela aí - tirou os travesseiros que tinham ali e deixou um somente para colocar em minhas costas. Agradeci e em seguida recebi um abraço de urso e um pouco agoniado de . Ele olhou para o meu joelho e ficou sério
-Vou pegar algumas coisas pra limpar isso – saiu da sala para pegar a farmacinha que ficava no banheiro perto da cozinha.
-Como está ? – perguntei preocupada.
-Ela está bem... só está um pouco com dor nos braços por causa daquele idiota que apertou ela – continuou sério – Ele...
-Não, não, não. Ele me beijou a força, apertou os meus pulsos, me deu um tapa e me empurrou no chão – fitei o chão - Mas, não chegou a fazer o que você está pensando.
-COMO ASSIM? FILHO DE UMA PUTA – aumentou seu tom de voz me assustando um pouco.
-, relaxa dude. Pelo menos tudo já está resolvido. Vou lá em cima ver minha namorada – me deu um beijo na bochecha e subiu as escadas
- meu amor, vim ver como você estava! Bom, toma esse papel pra ajudar a tirar a maquiagem. Esse produto aqui ajuda a remover – ela deu uma piscadinha, um beijo na minha bochecha e subiu. -Eu vou junto ver como estão às meninas – beijou minha testa e sumiu do meu campo de vista.
-Eu estou b... – me interroupeu.
-Claro que não! Olhe seu joelho, seus pulsos... Seu rosto ainda está vermelho – fechou os pulsos – AH se eu tivesse lá!
-Eu e o já cuidamos disso muito bem veio com a farmacinha em mãos – Vai à cozinha tomar um copo d’água enquanto eu cuido dela, dude – assentiu com a cabeça e fez o que pediu. Olhei para e fiquei analisando cada movimento que ele fazia. Limpou todo o meu ferimento, colocou um remédio e depois fez um curativo. Ele olhou meus pulsos e deu um longo suspiro.
-Foi ele, não foi? – apenas concordei com a cabeça – Antes de dormir eu vou passar essa pomada que é muito boa pra...
-, eu estou bem. Agora sim, com você aqui – ele deu um pequeno sorriso e me deu um beijo na bochecha onde eu tinha levado um tapa.
-Quero que você vá dormir comigo – ele ficou brincando com as nossas mãos – Quero te ter por perto... Assim você me deixa menos preocupado. Não era pra eu ter deixado você ficar longe de mim momento algum.
-Ei – levantei o queixo dele – Se assim você se sente melhor, eu durmo com você. Sem problemas! – sorri. Ele me deu um selinho, mas pude escutar um gemido baixo. Fitei o canto de sua boca e um pouco acima de sua sobrancelha – Acho que você também precisa de alguns cuidados.
-Deixa que eu mesmo cuide disso. Vou te levar lá pra cima, tá bom? – concordei e ele me pegou no colo. Não que seja um exagero carregar uma pessoa porque ralou o joelho, mas aquilo não tinha só ralado meu joelho, tinha machucado mesmo. Não estava conseguindo apoiar a perna em que eu havia me machucado, por isso deixei que me levasse no colo. Após chegar a frente aquela porta tão conhecida, eu girei a maçaneta para que entrasse comigo em seu quarto. Parecíamos como dois recém casados, porém o “marido” com a cara um pouco abatida e com uma feição preocupada, e uma “esposa” com a perna machucada, os pulsos com algumas marcas roxas e rosto vermelho por causa de uma agressão alheia. me deitou com todo cuidado possível no lado esquerdo de sua cama, me ajeitando ali com o edredom.
-Vou pegar uma roupa pra você dormir – falou me deixando sozinha em seu quarto. Pela primeira vez eu habitava aquele local. Nunca havia entrado no quarto de , apesar de estar morando com ele faz certo tempo, nunca tive a oportunidade de adentrar aquele espaço. Não que já não tivesse me chamado para falar alguma coisa ou algo do tipo, mas eu recusava. Não que eu tivesse medo de entrar ali, não, nada disso, é que eu apenas pensava que ali seria seu cantinho pessoal, onde uma estranha que passou a morar com ele pudesse frequentar qualquer lugar, menos aquele ali, onde ele passava suas belas noites de sono. Talvez fosse pura besteira minha ou fosse algo infantil de se pensar – que é bem provável – mas eu pensava assim, e para mim, eu tinha que respeitar. Bom, tirei esses pensamentos da minha mente e comecei a vasculhar o quarto, diga-se de passagem. Cada detalhe eu reparava e tentava guardar na minha mente. Pôsteres de algumas bandas, como por exemplo, Blink 182, The Beatles, The Killers e do cantor Bruce Springsteen. Uma estante repleta de CD. Uma guitarra vermelha e branca ao lado de um violão cor marrom claro. A sua cama era de casal e com os lenções, edredom e travesseiros misturados à cor de azul, verde e branco. Havia dois portas-retratos em seu criado mundo e o caderno que eu tinha visto na casa da árvore de . No primeiro porta-retrato tinha um casal e uma criança banguela sorridente. Não tinha como duvidar que fosse e seus pais. No outro era uma foto que a gente tinha batido semanas atrás enquanto Kim ainda estava falando com a gente e todo mundo estava morando aqui. Sorri ao lembrar esse dia. Na foto estava abraçando minha cintura de lado e fazendo uma careta engraçada que só ele sabia fazer. Eu saí rindo da palhaçada dele. estava com pendurado em seu ombro e pegando em sua bunda fazendo uma cara de tarada. estava fazendo pose de super-herói enquanto Kim fazia o sinal da paz ao seu lado. saiu toda torta e quase caindo no chão, já que ela que tinha colocado o temporizador na câmera. A foto estava divertida, o que me fez dar uma risada de leve. Fitei novamente o caderno de , mas decidi não mexer. Preferi deixar quieto e esperar por . Falando nessa coisa linda...
-Eu até iria trazer algo pra você, mas não sei quem se apossou do seu quarto e trancou. Então – ele foi até seu guarda roupa e pegou uma camisa sua e uma samba canção com a estampa do Star Wars – você vai ter que usar o uniforme do senhor – ele sorriu sapeca.
-Hmmmm... Star Wars hein? – ri – Vira pra lá que eu vou me trocar – ele fez biquinho – !
-Estraga prazeres... Ta bom, ta bom – rimos e eu tirei rapidamente o meu salto e depois o meu vestido. Coloquei rapidamente a blusa e com mais cuidado a samba canção por causa do meu joelho.
-Pronto!
-Nossa... Essa blusa ficou mais bonita em você do que em mim – ele fez biquinho.
-Oh menino! Você fica lindo de qualquer jeito – sorri ele se deitou ao meu lado me dando pequenos beijos.
-Obrigada pequena. Agora minha vez de trocar de roupa... Vira pra lá – ele sorriu sacana. Injusto! Ri com meu pensamento.
-Pronto – ele estava com uma samba canção toda vermelha escrito em branco “The Beatles” e seu peitoral estava totalmente nu. Mordi meu lábio inferior. Ele riu da minha cara que estava provavelmente corada, já que eu estava sentindo o rosto ferver – Vem cá – ele me puxou para mais perto de si e me deu vário beijos demorado. Se eu não tivesse deitada eu podia jurar que não ia sustentar mais minhas pernas. Tive a grande oportunidade de abraçar aquele corpo sem nenhuma vestimenta que pudesse cobrir aquele peitoral perfeito, e enfim dormimos de conchinha. Pode ter coisa melhor? Eu dormi embriagada com aquele delicioso perfume misturado com outro que eu conhecia mais do que ninguém. Qual era o nome mesmo? Ah é: .
Mesmo depois de todo aquele susto eu já estava melhor. tinha o poder de me fazer sentir segura. Só bastava ele estar por perto que eu já podia me tranquilizar, porque tudo estava bem. Sabe o que é mais engraçado? E ao mesmo tempo de certa forma estranho? Nunca senti uma conexão tão forte com alguém. Espero mesmo que não seja uma paixãozinha e eu quebre a cara no final de tudo, porque eu estou realmente gostando dele. Pode até não fazer muito tempo que a gente se conhece, mas por mais clichê que fosse, parece que nós nos conhecemos há séculos.
Horas depois de sono, acordei umas três da tarde segundo a hora do meu celular. Sério, parecia que o meu sono foi de apenas meia hora. Ah! Como eu queria voltar a dormir, mas já estava tarde e se eu não deixasse de preguiça, provavelmente iria passar a noite com insônia. Abri os meus olhos novamente contra a vontade de meus pensamentos preguiçosos e notei que estava sozinha. Bufei. Queria acordar ao lado de . Me sentei na ponta da cama e fiz um coque frouxo. Passei a mão no meu rosto cansado tentando amenizar o que eu sabia que só resolveria se fosse ao banheiro lavar o rosto. Foi o que fiz. Fiz minha higiene e depois desci. Fui para a cozinha comer alguma coisa e fazer a minha barriga parar de reclamar de fome. Peguei pão, queijo, requeijão, ovo, salame e carne de hambúrguer. É, eu odeio presunto. Podem me julgar, me bater, me judiar, mas eu não como presunto. Fim. Ponto final. Dramática só um pouco, não? Fiz meu lanche rápido e peguei o suco de laranja na geladeira. Peguei meu lanche e fui para sala de estar.
Sem sinal de .
Peguei meu celular e vi que tinha cinco mensagens. Uma era da Hayley perguntando se eu tava bem e que não era pra me preocupar que a gente não iria trabalhar hoje, John tinha ligado para ela, e era pra ela me avisar. A segunda mensagem era de , dizendo que já estava bem do susto e perguntou se eu também estava, e que assim que eu acordar, era pra avisar ela. A terceira mensagem era de , também perguntando se eu estava bem e que ele tava na casa do com e , e me convidou para eu ir quando acordasse. A quarta mensagem era de me chamando pra ir pra casa dele. E a última era... Bem, ao invés do número ou nome de alguém, estava escrito número privado e dizia o seguinte:

Pense muito bem antes de fazer qualquer coisa. Consequências existem. Não se esqueça disso.


Arregalei meus olhos.
Sério que tinha alguém de olho em... Mim? Que eu saiba não fiz nada de errado, não provoquei briga com ninguém. Após o susto – já que nunca tinham me mandado mensagens desse tipo pra mim – concluí que podia ser um trote de alguém que não tinha nada melhor pra fazer, ou mandaram a ameaça para a pessoa errada. Revirei os olhos. Como eu pude pensar que aquilo era pra mim? Uma brincadeira de uma pessoa alheia. Apaguei mensagem para evitar que os pensamentos iniciais quisessem voltar a se passar pela minha cabeça.
Fiquei pensando... Até um anônimo me mandou mensagem, mas nem isso fez. Sem sinal de . Aquilo estava me deixando preocupada. Respondi as mensagens dos meus amigos e liguei a televisão, onde passava em um canal o filme do Shrek. Terminei de comer e depois continuei assistindo o filme.

Outro filme começou passar e eu ainda estava sozinha em casa. Liguei para e ele veio me fazer companhia junto com . Conversamos bastante, e inclusive explique para eles sobre o tal sumiço de . Eles também ficaram preocupados, mas decidiram esperar mais um pouco antes de tomar alguma atitude. O celular dele podia estar sem bateria, ou algo do tipo. Dei um sorriso, mesmo ainda estando preocupada. disse que era pra fazermos um jogo que eles fazem entre si quando não tem nada para fazer. E como não tínhamos nada para fazer, topamos.
O jogo era assim: cada um colocava um cartão na testa sem saber o que é, e aí tentávamos adivinhar o que éramos. Bem prático, mas demorava um pouco. Até porque cismava que era algum tipo de animal - quando na verdade era um dedo - o que arrancava várias risadas minhas e de . No final das contas eu era uma esponja, mas chutei tão longe que perguntei se eu era o Potter. foi o primeiro a descobrir o que ele era. Um queijo. Esse menino só pensa em comida. Falando em comida, bateu uma fome... Já era de noite e ainda não tínhamos comido nada além de ter tomado vários copos cheios de coca-cola.
-Meninos? Amores da minha vida. Razões do meu viver. Lindos e gostosos.
-O que você quer, ? – perguntou arqueando a sobrancelha e eu ri.
-Vamos pedir alguma coisa pra comer? – fiz biquinho.
-Sushi?
-Ew! Odeio! Bom, admito que como aquela paradinha de camarão com arroz, e um doce que vem morango com nutella e creme de leite... Fora isso... Ew! – fiz cara de nojo.
-Pizza? – sugeriu.
-Vamos mudar hoje, dude – falou – Já que a princesa aqui não gosta de sushi – ele mandou língua pra mim e eu mandei beijo no ar em resposta.
-Hambúrguer? - falou de novo com os olhos brilhando – Quero um completo!
-Ai amo você. Leu meus pensamentos – abracei .
-Beleza, vou ligar... Mas da próxima você come peixe cru até vomitar – disse brincando.
-Há há engraçadinho – mostrei língua pra ele. foi pedir o nosso lanche lá na cozinha enquanto foi pegar água. e eu estávamos abraçados na sala e falando baixinho sobre o . Ele disse que acha muito estranho ele não ter aparecido até àquela hora e que seria bom a gente ir atrás dele. Confirmei com a cabeça e ele disse pra eu manter a calma. Uma hora ou outra íamos achar ele.
Meia hora depois a campainha toca.
-Eu atendo – falei me levantando do sofá e indo em direção à porta. Conversei com os meninos e combinamos de procurar o depois de comer. Não que nossa fome fosse mais importante, mas seria um tempo a mais para chegar em casa, e se ele não chegasse, íamos nos distribuir e ir atrás dele, e em último caso chamaríamos a polícia. Claro que eu não queria que chamássemos a polícia, afinal, se a polícia tivesse envolvida, seria porque não achamos o , o que me deixa mais preocupada ainda. As batidas na porta se tornaram frequente e eu me assustei – Já tô indo – e realmente, eu já estava perto da porta. Abri a porta com tudo e eu senti como se o ar tivesse fugido completamente de mim. A minha respiração ficou falha e eu não consegui dizer uma palavra se quer por alguns míseros segundos de choque. Gritei chamando os meninos e eles vieram ao meu encontro. estava diante de nós, porém não com uma aparência muito agradável. Ele tinha um olho roxo, a camisa suja e o canto da boca inchada com um pouco de sangue meio seco. e o pegaram e o colocaram deitado no sofá.
-Dude, que porra é essa? – e essas foram as únicas palavras de quando gemeu de dor.

Capítulo Nove.


-, você já pode dizer o que aconteceu com você – um nervoso começou a falar.
-Cara... Voc... – quando começou a falar eu o interrompi.
-Depois você fala. Nós vamos pro hospital – corri, mancando um pouco por causa do meu ferimento, em busca da chave do carro de . Subi rapidamente pra trocar de roupa e peguei minha bolsa. Desci as escadas ignorando a dor do meu joelho.
-Eu não vou pro hospital – reclamou e eu rolei os olhos.
-Você precisa ir... Olha o seu estado – eu já estava começando a ficar agoniada.
-Mas ...
-Ela tem razão . “Mas” nada! Você precisa de cuidados – falou pegando a chave da minha mão – Vem , me ajuda a pegar ele.
desde o caminho do sofá até o carro ficou gemendo de dor. Era absurdamente torturante ver ele naquele estado e não poder fazer nada. foi dirigindo e foi no banco da carona. Fiquei atrás com . Sua cabeça estava em cima da minha coxa e eu fazia carinho em seus cabelos. Ele fechou os olhos e suspirou. Dei um beijinho rápido em sua testa e depois virei meu rosto para a janela. Não demorou muito e me chamou a atenção.
-Mô? – sorri largamente ao ouvir me chamando daquela maneira. Era a primeira vez que ele me chamava assim, e confesso que senti meu coração bater mais forte e uma sensação estranha, porém gostosa na barriga.
-Oi meu amor – voltei a fazer um carinho em seus cabelos e ele retribuiu com um belo sorriso.
-Não se preocupa, ta bom? Depois eu conto o que aconteceu pra você... Eu já contei pros caras.
-Como eu posso não me preocupar? – tentei manter o meu tom de voz calmo – Olha só pra você. Coisa boa é que não foi... Desculpa... – Virei meu rosto para a janela novamente.
-Mô?
-Oi... – olhei pra ele com um sorriso amarelo. Não queria ter quase gritado com ele.
-Tá tudo bem, não precisa se desculpar. Vem cá – ele fez um gesto com a mão para que eu me abaixasse e então, ele me beijou. Finalizei o beijo quando escutei um gemido de dor vindo novamente dele e em seguida encarei aqueles olhos azuis que me passavam tranquilidade. Quando eu me toquei já estávamos em frente ao hospital. Suspirei aliviada. desceu e pediu para que uns enfermeiros ajudassem a tirar do carro. Depois foi procurar um lugar para estacionar enquanto eu e acompanhávamos – que para melhor se locomover, o colocaram em uma cadeira de rodas. Levaram para uma sala, que segundo os enfermeiros, iam realizar alguns exames para poderem medicar ele e também iam limpar os ferimentos dele. já estava com a gente e o médico apareceu depois de alguns minutos.
-Doutor? Eu sou e sou amigo do paciente e o – apontou para o – também. Ela é a namorada dele – corei de leve – Como ele está?
-Ah sim! O Sr. . Bom, ele está muito bem. Já foi medicado e esses são os remédios que ele terá que tomar pra dor e pra não ter febre – ele me entregou a receita médica – já fizeram os curativos nele e vai ficar mais vinte minutos em observação e depois vai ser liberado.
-Doutor Edgar, estão chamando o senhor no quarto 326. Parece que o paciente voltou a vomitar. O corpo dele está rejeitando os medicamentos – uma enfermeira que chegou do nada falou para o médico com uma cara nada boa.
-Se vocês me dão licença... – apenas afirmamos com a cabeça e ele saiu apressado ao lado da enfermeira.
-Já que o está bem... Vamos esperar lá na lanchonete do hospital? – sugeriu e eu e o seguimos.
-Estava precisando de um chá pra acalmar meus nervos – falei assim que o meu chá e o café dos meninos chegou na nossa mesa. Odeio chá, mesmo que eles realmente funcionem pra me acalmar – Então... O que vocês sabem? – arqueei a sobrancelha e tomei mais um pouco de chá.
- levou uma surra dos caras do pub – falou assim que terminou de dar um gole em seu café. Arregalei meus olhos e quase me engasguei com o chá. passou a mão na minha costa e perguntou se eu tava bem. Afirmei e depois ele foi dar um tapa na cabeça de .
-Porra , quase mata a menina engasgada! E nem era pra você falar isso. pediu pra gente não falar pra , porque ele queria falar – se irritou.
-Foi mau cara.
-Relaxem meninos. Não tem problema. Mas me contem mais – eu realmente estava assustada com a notícia – Como é que...
- tinha saído em direção à escola pra fazer sua matrícula quando...
-Meu Deus, esqueci completamente de fazer minha matrícula – bati na minha própria testa e eles riram de mim.
-Posso continuar? – pediu.
-Amanhã a gente vai na escola com você – falou.
-Valeu – mandei beijinhos no ar pra ele.
-Posso continuar? – bateu na cabeça de de novo.
-Outch dude!
-Enfim... Aí ele foi para num mercado pra comprar alguma coisa pra comer. Quando ele saiu, ele encontrou os dois caras do pub que fizeram aquela putaria toda com vocês, aí ficou só encarando eles antes de entrar no carro. Mas estava um pouco longe do carro e os dois abordaram . Eles tavam com mais um amigo idiota deles e ameaçaram pra ele poder entrar no carro. Depois levaram o para a beira da estrada e começaram a bater nele. E como se não bastasse levaram o carro dele. disse que o celular dele descarregou e ele teve que andar por muito tempo. Mas aí apareceu um casal que estavam indo pra Londres e ajudaram ele a ir lá pra casa dele – fiquei atenta a toda explicação do . Meu Deus, aqueles caras me davam nojo. Fiquei com muito mais preocupada com , mesmo sabendo que agora ele estava seguro. Me senti um pouco mal e tomei mais um gole de chá.
-Se eu encontrar aqueles filhos de uma puta na rua eu meto porrada nesses infelizes.
-Eu vou junto. E ainda ligo pro disse tomando mais um gole de café.
-Ai meninos... Não quero vocês metidos nisso. Vocês viram no que deu né? Quero vocês longe de encrenca – falei sério e com um pensamento materno.
-Credo, parece minha mãe – jogou uma bolinha que ele tinha feito de guardanapo em mim.
-Tô falando sério, poxa – ri de leve.
-Tá, tá. Vamos tentar... Mas não prometo nada – disse me dando um beijo na bochecha.
-Tudo bem lindão – ele fez cara de galã e eu ri – o que tanto você mexe nesse celular aí ein? Tá me deixando curiosa.
-Eu estou fazendo um favor a você Gabriela... Lembra da Kate ?
-A líder de torcida? Lembro sim.
-Quem é essa daí? – fiz cara de desdém.
-Ciúmes do pequeno , ? – mostrei língua pro .
-Ele é o irmão mais velho que eu nunca tive. Tenho que ficar de olho nessas putinhas – eles começaram a rir.
-Ô irmãzinha linda, ela não é putinha. Ela é muito gente boa. Você tem que agradecer a ela.
-E por que eu faria isso? – fiz cara de emburrada e ele riu.
-Porque ela conseguiu uma vaga pra líder de torcida pra você. Quem faz parte das líderes de torcida na escola ganha uma bolsa de estudos.
-Cara... Você esqueceu completamente da possibilidade dela nem saber dar um pulo – falou debochando da minha cara.
-Ei o bobão! Pra sua informação eu sei sim. Meus pais quase não viviam em casa, por isso me ocupavam com vários tipos de cursos.
-Ah tá bom senhora perfeitinha – dei um tapa na cabeça dele.
-Agradeça aos cursos de culinária que foi onde eu aprendi a fazer a maioria dos pratos que você já comeu na casa do – rimos – Enfim, eu topo ! Quando falaremos com ela?
-Amanhã quando a gente for na escola fazer a sua matrícula.
-Certo – terminei de tomar o meu chá – Será que o já pode ir pra casa?
-Fiquem aí que eu vou ver – disse deixando apenas eu e na mesa.
-Você gosta muito dele, né? – falou assim que não estava mais perto da gente.
-Muito – corei.
-Notei que você ficou toda vermelhinha quando o falou que você era a namorada do .
-Ah... Na verdade, nem sei o que a gente é... Ficantes? – disse com uma certa dúvida – Ou é só um casinho? Um rolo qualquer?
-Deixa de ser boba . Sei muito bem que gosta muito de você assim como você gosta muito dele. O sentimento de vocês é recíproco.
-É que às vezes acho que não sou o melhor pra ele, sabe? Nunca encontrei ninguém como o ... Mas, ah ! Ele me faz tão bem – mordi meu lábio inferior.
-Sério, você não pode pensar assim pequena. Vocês são perfeitos um para o outro... E merda! Você tá me deixando gay – rimos – E é só se olhar no espelho que você vai ver a gostosa que você é. Se não fosse minha irmã e não estivesse com o , eu te pegava gata – ele deu uma piscadinha me fazendo rir.
-Aw . Amo você sabia?
-Todos me amam. Isso é fato – dei um tapinha de leve nele e o mesmo riu – Também amo você baixinha.
-Hey! O já pode ir pra casa – disse chegando perto da nossa mesa. foi pagar a conta e depois fomos pegar . Ele já estava bem melhor. Graças ao medicamento ele já não sentia mais dor, mas o médico disse pra ele ficar em repouso, e segundo meus cálculos de dias, ele teria que faltar o primeiro dia de aula. foi no banco de trás, não deitado com a cabeça em meu colo, mas sentado e com a cabeça em meu ombro. Ele estava com sono – devido ao remédio – e descansava durante o caminho de casa. Como já conseguia ficar em pé, bastou ajudar ele a ficar na cama. Me despedi dos meninos e pedi pra comprar os remédios de , disse que pagaria para ele depois, e mesmo querendo pagar, acabou que eu paguei a metade e ele a outra. Após comprar e deixar os remédios comigo, subi para ver como o dono da casa estava. Bati na porta do quarto de , mas não obtive resposta. Entrei mesmo assim, já que a minha preocupação era maior. Aquele ser que aos meus olhos era perfeito, estava deitado dormindo tranquilamente, onde eu pode observar sua respiração, vendo seu peitoral e sua barriga subir e descer levemente. Decidi deixar o quarto dele e fui dormir um pouco até dar a hora de ter que dar o remédio dele. Quarenta minutos depois o despertador tocou. Me levantei e fui até a cozinha preparar algo para comer e um copo de água para ele tomar o comprimido. A bandeja estava pronta e eu terminava de limpar o que eu havia sujado. Quando me virei peguei um susto com um sonolento encostado na parede.
-Você me assustou – disse voltando a respirar novamente.
-Desculpe, não foi minha intenção.
-Tudo bem... – falei guardando a panela no armário. veio por trás e me abraçou pela cintura. Minha respiração ficou falha e o meu coração que estava acelerado antes pelo susto, agora estava dando pulos de alegria pela presença dele.
-Vem, vou te contar tudo – ele me puxou pra sala.
-Não precisa... e me contaram tudo – ele arqueou a sobrancelha.
-Belos amigos. Pedi pra que não contassem... Mas deixa pra lá – ele me puxou e ficamos abraçados no sofá.
-Como você está? Tá sentindo alguma dor? – ele fez um barulho com a boca dando a entender que não. Desvencilhei de seus braços e me levantei.
-O que foi?
-Eu preparei um negócio pra você comer quando acordasse e você precisa tomar o seu medicamento .
-, estou dando trabalho a você... – falou assim que eu cheguei na sala com a bandeja.
-Que nada. Toma logo o seu remédio e depois você come, ta bom? – ele concordou e depois fez o que eu pedi.
-Eu posso lavar isso aqui pelo menos? – neguei dando um sorriso sapeca e ele riu.
-Eu lavo. Está cansado? Quer ir dorm... – ele me puxou e me deu um beijo.
-Às vezes você fala demais – corei e ele riu me abraçando em seguida.
-Eu só me preocupo com você.
-Mô? – não pude deixar de olhar pra ele e dar o meu melhor sorriso.
-Desculpe, não escutei – me fiz de besta e ele deu uma risada gostosa.
-Mô? – ele mordeu o lábio inferior.
-Diga meu amor – dei um selinho demorado nele.
-Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
-E pra quantas você já disse isso?
-Nenhuma delas foi o suficiente para escutar essas palavras. Deixa de ser boba minha linda, você é especial. Não se compara com as outras, porque você é a única que faz meu coração bater mais forte – acho que não é preciso nem dizer o quanto eu estou feliz por dentro ao ouvir falando isso pra mim. Pude sentir o meu rosto ferver e riu dando uma mordida na minha bochecha em seguida – Amo quando você fica vermelhinha. Amo te deixar sem graça.
- ... Você realmente me tira do sério garoto – beijei ele de leve – Onde você aprende a falar assim hein?
-É você que me faz ser assim, só você.
-Ai garoto você não existe... Eu t... – me engasguei com as minhas palavras. Talvez fosse cedo demais para dizer aquela frase. Um “Eu te amo” não pode ser dito como um simples “Bom dia” como muitas pessoas dizem por aí – Eu gosto tanto de você – sorri sem graça.
-Eu também gosto muito de você. Eu sou louco por você – não aguentei mais e iniciei um beijo que logo de início foi calmo, mas no calor do momento tudo estava ficando mais quente. ficou por cima de mim e apertava a minha coxa enquanto eu bagunçava seus cabelos. Era como se quiséssemos terminar o que tínhamos começado no pub. Cada vez mais nossa respiração ficava pesada e precisávamos cada vez mais um do outro. começou a beijar o meu pescoço dando chupões por aquela região que deixariam marcas. Tratei de puxar para voltar ao beijo e aos amassos. Depois no auge do momento tirou a camisa deixando minha respiração falha. Não demorou muito e ele tirou a minha blusa e ficou me olhando de uma forma que me deixou sem graça.
-Você é linda – e depois voltou a me beijar. Se não fosse o gemido de dor dele, quem sabe fossemos fazer algo mais.
-Acho melhor pararmos por aqui – disse recuperando todo o oxigênio que parecia que me faltava e vestindo a minha blusa.
-Estou matando aqueles idiotas mentalmente nesse momento – ele disse dando um soco no sofá.
-Ei... Deixa isso pra lá. Acho melhor irmos dormir – ele me olhou com uma cara de decepcionado e eu ri.
-Você não vai escapar tão fácil de mim moça – ele me deu um beijo rápido – Boa noite mô.
-Mô? – chamei por quando ele estava subindo as escadas. O mesmo ficou todo sorridente e pude ver seus olhos azuis brilhando – Quer companhia pra dormir?

Capítulo Dez

O meu expediente já tinha acabado e eu aguardava e em uma StarBucks perto do meu trabalho, onde a gente havia marcado de se encontrar. Antes de sair de casa, pedi para ficar de olho em enquanto eu tivesse no trabalho e resolvendo o problema da minha matrícula na escola. acabou chamando e , e bom, quanto mais gente fazendo companhia pro , melhor. Fitei mais uma vez o relógio que estava pregado na parede perto do balcão e tomei mais um gole do meu café. Aquele papo de que os ingleses são extremamente pontuais é verdade, se você tirar e dessa lista. Não que eu me incomodasse com uns cinco minutos de atraso, mas quase quarenta minutos já era demais. Quando eu ia discar o número de , me assustei com duas pessoas sentando, ou melhor, se jogando com tudo nos assentos ao meu lado.
- Expliquem-se! – disse num tom autoritário
-Dormi demais... – foi interrompido por
-A minha carona dormiu demais – disse pegando o meu café e dando um gole. Intimidade é uma coisa hun?
-Dessa vez passa – fiz cara de brava, mas quem disse que eu conseguia ficar com raiva deles? – Podemos ir? Ou vocês ainda não comeram nada?
-Pode ir pro carro com o . Eu vou pedir dois cafés e dois brownies pra gente – disse se levantando e indo ao balcão onde uma garçonete estava anotando os pedidos dos clientes sentados nos banquinhos. Não demorou muito e o chegou deu umas batidinhas na janela do carona. Abaixei o vidro e sorri vitoriosa.
-Perdeu playboy, perdeu! – ele riu.
-Bonito, , muito bonito. Pode abrir a porta de trás pra mim?
-Ah claro playboy – ri e estiquei minha mão para abrir a porta. e ficaram comendo e jogando conversa fora enquanto eu cochilava um pouco. Estava exausta.
-Pronto, acorda dorminhoca. Chegamos! – colocou dedo no meu ouvido me assustando. Eu definitivamente não tinha amigos normais.
-Obrigado por me acordar com delicadeza – mostrei língua pra ele e ele retribuiu. só fez rir.
-Espera! – e me chamaram assim que comecei a andar.
Estranhei, mas voltei para perto deles
-O que foi meninos? Algum problema?
-Temos que conversar com você a respeito de um assunto – disse pegando uma pasta que estava no carro
-Nossa, pela cara de vocês é sério
-E é – disse dando um suspiro
-Deixa que eu falo . , você sabe que eu gosto muito de você assim como os guys certo? – concordei com a cabeça – Então, antes de começar a falar... Fizemos isso pro seu próprio bem
-Ok, . Chegue ao ponto principal que eu já estou começando a ficar nervosa – disse um pouco aflita
-Calma... Continuando. Você não poderia se matricular com os seus documentos, afinal, você fugiu do orfanato e tem todo um processo que tem que ser feito na justiça e essas outras coisas necessárias. Lembra que comentei com você sobre os meus pais quererem adotar uma criança?
E que eu considero você como fosse minha irmã mais nova? – era aquilo mesmo que eu estava ouvindo? Será que... – Então, meus pais sempre gostaram muito de você. Eles sabem a sua história desde o dia em que você contou pra eles quando precisava de um apoio de pais, mesmo não sendo os seus... Aí eu dei a ideia, eles concordaram, adotaram você e mais uma bebê de dois anos. Tudo bem, resumindo, agora você é oficialmente a minha irmã. Cadê o abraço do mano? – abriu os braços enquanto eu abria a minha boca surpresa. A minha primeira reação não foi muito boa.
-AI! Por que você me deu um tapa?
-Porra , é a minha vida! Você bem que poderia ter me avisado, né? Eu poderia ter me preparado ou... – suspirei fundo, contei até cinco e pensei melhor – Desculpa. Você fez bem pensando em tudo. Você é meu irmão mesmo – sorri e o abracei forte
-Você é doida. Às vezes não te entendo – ele riu da minha mudança repentina. É... Às vezes nem eu me entendia
-Ei família? Temos uma pessoa pra matricular – falou indo em direção à entrada da escola.
Quarenta minutos. Um diretor. Normas da escola. Três adolescentes entediados. Depois de toda aquela enrolação que o meu mais novo diretor fez questão de falar, finalmente saímos daquela sala com a matrícula feita. gritou “aleluia” e falou irritado “Esse devia ser o irmão do Hitler”. Ri dos comentários deles e corri para sentar no banco do carona antes o pegasse o lugar que antes era dele. Confuso hun?! Deixamos na casa dele e me deixou na casa de , ele disse que era melhor eu falar sobre o assunto sozinha com .
-Hey ! – disse assim que entrei em casa
-O não está aqui – falei depois que olhei para trás me certificando que não estava ali
-Não estava me referindo a ele – ela disse com um sorriso sapeca
-Sua vaca! Nem me falou nada né? – joguei uma almofada que estava em cima do sofá nela – Todos vocês sabiam?
-Todos. Menos disse desligando a televisão e se virando para mim – Ele tá lá em cima
-E vocês? Vão ficar por aqui?
-Tá expulsando ? – fez cara de ofendida
-Não! Só perguntei ué... ... Não vou me acostumar com isso – sorri sem graça – A propósito, meu nome nem mudou. Meus... Er... O tio e a tia deixaram eu ficar com o meu nome original. É, eles foram muito legais em fazer isso
-Ainda é difícil tudo isso né? – veio me abraçar de lado e eu sorri fraco
-É... Mas eu gosto muito deles e sou muito grata por isso. E sabe o que eu tenho e que me faz ser mais forte ainda? Vocês!
-Awwww – , e até mesmo fizeram voz meiga e vieram me abraçar
-E nunca vamos sair da sua vida – disse me dando um beijo na bochecha
-Jamais! – falou me deu um tapa na bunda. Rimos
-Estamos aqui pra ajudar você quando precisar! – falou todo fofo.
-Ai! Vocês são uns lindos! – derramei algumas lágrimas, mas as enxuguei logo – Gente.. Preciso falar com o – ri da minha situação – Se quiserem ficar aqui não tem problema – eles concordaram com a cabeça. Subi as escadas e parei em frente à porta daquela pessoa a qual eu mais queria compartilhar essa notícia. Bati devagar e ouvi uma voz rouca me permitindo entrar. Fechei a porta, tirei meus sapatos e os coloquei em um cantinho junto da minha bolsa. Olhei para aquele rosto com carinha de quem não estava acordado há muito tempo e fui ao seu encontro. Sentei ao seu lado na cama.
-Oi
-Oi – ele disse me dando um selinho em seguida – Como foi no trabalho?
-Foi bom. E você? Como está?
-Estou bem melhor – ele sorriu
-Que bom... Preciso falar com você – juntei nossos rostos fazendo com que nossas testas se encostassem e sentíssemos a respiração um do outro
-É coisa boa? – ele disse com receio e eu ri de leve
-É sim
-Então me dá um beijo antes. Só por segurança – rimos, e em seguida o beijei – Só?
-... Sério, tenho que falar com você
-Ta bom, ta bom. Diga – ele disse me roubando um selinho e me fazendo rir
-Você sabe que fui me matricular hoje né? – ele concordou em silêncio – Bom, tinha pensado nisso antes e resolveu tomar algumas providências – fitei brincando com as nossas mãos – Vou direto ao ponto. Agora eu sou oficialmente a irmã do
-Sério? – ele perguntou surpreso
-Não gostou da notícia? – mordi meu lábio inferior
-É claro que eu gostei! usou a cabeça pela primeira vez – rimos – Então agora você é uma ?
-Não, ainda continuo com o meu sobrenome. Mas ainda é tudo muito estranho pra mim. Ser uma ...
-Você não vai mais morar aqui comigo né? – me olhou com tristeza
-Não tinha pensado nisso. Vou passar depois na casa do e conversar com os meus... Os pais...
-Shiu! – me interrompeu – Não se obrigue a pensar sobre isso agora. Uma hora ou outra você se acostuma – sorri em agradecimento
-Obrigada
-Você vai fazer falta aqui – ele me abraçou e me deu um selinho demorado
-Não queria te deixar sozinho... Tenho pena do Bruce – me deu um peteleco no nariz
-Vou viver na casa do
-Por causa de mim?
-Que nada. Meu caso com o é muito mais excitante – dei uma gargalhada
-Ah! Além de um irmão, eu ganhei uma irmãzinha sabia? Eles também adotaram uma criança de dois anos
-Opa! Quero conhecer a minha cunhadinha – corei e senti mordendo de leve minha bochecha
-Será que ela fica tão linda quanto você quando fica com vergonha?
-Para – disse sem graça. sorriu divertido e pousou uma mão em minha bochecha e outra em minha cintura. Em questão de segundos o espaço que havia entre a gente, já não existia mais. O beijo era calmo, sem pressa. Podia sentir vários sentimentos explosivos tomando conta da minha felicidade. Cada toque dele me passava um carinho, segurança, e um sentimento forte.
-Seu celular tá tocando – disse entre o beijo
-Deixa tocar – o respondi e ele me deitou com todo cuidado em sua cama, e não rompendo o beijo. Mas a pessoa que estava me ligando era insistente, e eu estava quase que destruindo em mil pedacinhos aquele aparelho irritante só pelo poder da minha mente fértil. partiu o beijo deitando-se ao meu lado
-É melhor ir atender, pode ser importante – beijou meu pescoço e deixou seu rosto descansando por ali. Suspirei irritada e peguei meu celular que estava na minha bolsa.
-Alô? – falei seca.
-...
-Vê se dá próxima vez enfia esse celular no seu...
-Opa! Acho que já deu – tomou o meu celular rindo e finalizou a ligação – Quem era?
-Aí é que tá. Algum palhaço que veio me mandar trote e ainda não fala nada
-Hum... Acho que foi trote mesmo. Aqui diz que é número privado... - Esquece isso! Vamos descer? – bufei
-Tudo bem – deixei meu celular no criado mundo do quarto de e desci com ele
-Eai, guys – disse assim que chegou na sala e a porta da casa de foi fechada
-Eai dude – falou tomando um gole de sua coca-cola em seguida
-Quem é que saiu? - perguntou enquanto me puxava para sentar com ele no sofá
-Hayley – disse mudando de canal
-Poxa, ela nem falou comigo
-Querida , você estava muito ocupada com lá em cima – se pronunciou assim que terminou de amarrar seus cabelos em um rabo de cavalo. Corei de leve
-Relaxa, ela só veio deixar o seu gorro que você esqueceu no trabalho – disse pegando o mesmo e o elevando ao alto. Como eu pude me esquecer do meu gorro?
-Joga aqui - pediu e arremeçou o meu gorro na direção de que, assim que pegou, fez questão de por na minha cabeça e depois me deu um beijo estalado – Pronto, não quero ver você ficando doente
- – ri dele assim como os outros – Eu to em casa
-Leso – disse rindo
-Retardado – acompanhou a namorada
-Idiota – falou pegando a sua câmera e batendo uma foto nossa
-Calma gente, não é pra tanto
-Só quis proteger minha.. Err... A – momento constrangedor
-Ok, vou só pegar o meu celular lá em cima e vou pra casa do .
Tenho que falar com os meus pais adotivos – falei e todos deram um sorriso amarelo, exceto que suspirou de uma maneira agoniada.
Saí da sala agradecendo por ter coisa a fazer ao invés de me torturar com aquele constrangimento. Uma hora ou outra eu ou ele iríamos fazer isso. Já sabia. Mas não sabia que eu iria me sentir tão mal assim.
Estava no meio da escada quando escutei falando baixo
-Quando você vai tomar vergonha na cara e pedir ela em namoro? Porra , assim é foda. Você gosta muito dela, e tá esperando pelo o quê pra assumir pra todos que quer ela ao seu lado?
Baixei minha cabeça, mordi a almofada do meu dedo polegar e entrei no quarto de . Talvez não quisesse escutar a resposta dele. E também não quero que ou outra pessoa obrigue ele a me pedi em namoro.
Se ele quiser algo sério comigo, ele que tome essa atitude por livre e espontânea vontade. Gosto muito de , muito mesmo. Foi a partir do momento em que eu escutei falando aquilo que eu refleti sobre a minha relação com o e que realmente aquilo me fazia mal. Não ele, é claro, porém o que tínhamos. Algo sem definição. Não era só ficar... Tinha algo mais. E ficar nesse “nada” me deixava angustiada e confusa.
Peguei meu celular, me despedir do pessoal e fui a pé para casa de , já que não era tão longe dali e eu precisava pensar um pouco.
Coloquei meu fone de ouvido e a música Home do Phillip Phillips começou a invadir os meus ouvidos. Aquela voz rouquinha me lembrava . Sacudi de leve minha cabeça tentando evitar pensamentos alheios. Senti meu nariz congelando e os meus lábios ficando secos.
Parei em uma Starbucks que havia ali perto para tomar um chocolate quente para me aquecer um pouco. Talvez o meu vício pela Starbucks me vizesse largar o meu emprego e procurar um em alguma Starbucks.
Pensamento de Gordo número 1. Ri de leve, mas parando logo antes que alguém me achasse doida ou algo parecido. Terminei meu chocolate quente em silêncio e pedi um com chantili. Caminhei mais um quarteirão e cheguei em frente a casa de . Apertei a campanhia e definitivamente pensei em tomar o chocolate quente de , caso demorassem a abrir a porta.
-Hey!
-Oi irmão – sorri e o mesmo retribuiu
-Opa! É assim que eu gosto. Boa irmã! – olhei rindo dele por ser tão abusado
-E quem disse que era pra você? – o desafiei, entrando na casa logo depois
-Acho que “” – ele passou a mão como se grifasse o seu nome escrito no copo da Starbucks – diz tudo!
-Tapado! - rimos juntos
-Mãe? Pai? A tá aqui – disse se jogando no sofá e fazendo carinha de criança feliz com chocolate quente
-Tenha modos ! – ri da minha mais nova mãe dando um tapa na perna de para que ele se ajeitasse – Olá querida! Bem vinda a sua mais nova casa
-Oi tia... Opa... – sorri sem graça
-Não tem problema querida. Sabemos da sua situação e não vamos a obrigar a falar aquelas palavras – ela disse se referindo ao “pai” e “mãe”
-Isso, não se preocupe... Bom, reformamos o quarto que era vago pra você, e o que o outro fizemos para a sua mais nova irmãzinha Lucy – o Sr. disse assim que chegou na sala
-E cadê ela? – estava animada para conhecê-la
-Ela está dormindo , mas você terá muito tempo para passar o tempo com ela
-Bom saber tia – sorri – E em relação a me mudar pra cá...
-Hoje mesmo! – meu pai adotivo sorriu – Bom, vou indo pro trabalho. Tchau pra todos – e assim saiu apressado
-, espero que se acostume e se sinta em casa. Já se matriculou né?
-Já sim
-Ótimo! Bom, vou ficar um tempo lá no quarto da Lucy olhando meu anjinho dormir – ela falou com os olhos brilhando – Até depois meus amores – ela me deu um beijo na cabeça e um tapa de leve na cabeça do que resmungou
-Tá vendo? Sempre foi assim comigo. É tapa pra cá, pra lá. Se ela me chamava de anjo? Não! Era demônio mesmo - não aguentei e caí na gargalhada
-Ai , assim você me mata – inconsequentemente lembrei daquela música brasileira e quase que canto. O que me rendeu mais risadas.
-Isso, vai rindo das desgraças alheias dos outros
-Eu tava rindo de você, mas é que eu me lembrei de uma música muito famosa no Brasil – eu falei parando de rir – Quer que eu te ensine? Falando nisso, eu tenho ela aqui no meu celular. Tipo, não sou fã de Michel Teló, mas a maioria das pessoas que não são do meu país, só conhecem a música desse cantor, e de vez em quando eu ponho pra tocar. Me sinto mais... Brasileira – ri do meu “sou muito brasileira escultando Michel Teló”. Escuto Lergião Urbana, Detonautas, Nx Zero, Capital Inicial, não se preocupe...
-Põe ela pra tocar

Sábado na balada...


Depois da música acabar ficou a analisando como se entendesse cada palavra, mas já disse que acho o ritmo divertido, porém preferia tocar algo mais do rock em seu baixo.
-Ok, agora traduza – fiz toda a tradução e até cantei a música na versão em inglês. Ele se animou todo, safado do jeito que era, disse que ia ensinar todo mundo até a Lucy. Aquele menino realmente tinha curtido. Me lembro daquela vez em que ele me pediu para sambar. Não sou muito boa, mas sem o básico. Não curto muito o samba, mas me faz sentir as minhas origens por perto. Ele arriscou alguns passos, mas só arrancou gargalhadas minhas e do resto dos meninos e das meninas. Eles gostaram muito dança e pediu para que as meninas aprendessem, e aprenderam! Tive que as ensinar antes que e me matassem. Ê, brincadeira. Uma explicação? Homens! Poucos safados quando veem uma mulher sambando, principalmente uma brasileira. Sabe como é, coxas pra cá, bunda pra lá... que ficou se gabando por me ter. É, tudo me lembrava ele. Não tinha escapatória.


Capítulo Onze.


Pedi a que me ajudasse na minha mudança para a sua casa, e claro, o meu mais novo lar. Quando cheguei à casa de , as meninas e o já haviam ido embora e o dono da casa estava fazendo um pequeno lanche na cozinha com a companhia do pequeno Bruce. Ele me ofereceu ajuda, mas recusei. Eu tinha poucas coisas, não ia levar móveis e nem nada do tipo, então, não era necessário. Subia para o meu antigo quarto e comecei a fazer a minha mala. se deitou na minha antiga cama e começou a mexer no celular. Folgado só um pouco. Rolei os olhos e voltei a dobrar algumas blusas.
Pra falar a verdade, eu não sabia descrever ao certo o que eu estava sentindo no momento. A minha felicidade era grande só de saber que agora em diante eu teria pais novamente, mesmo não sendo os meus pais de sangue. E essa era parte meio tensa. Eu não queria que os meus pais fossem substituídos, quero dizer, eles não foram... Ou melhor, eles nunca vão ser. Sempre estarão no meu coração de uma forma ou de outra, só que essa notícia me pegou totalmente desprevenida. Tudo bem que foi maravilhoso saber que eu iria fazer parte da família , mas é que... Sei lá, essas mudanças todas mexem com o meu psicológico. Afinal, quem não iria se sentir meio perdido de vez em quando se estivessem no meu lugar? Mas, acho melhor deixar isso quieto. O importante é que agora eu tenho uma família novamente. Apesar dos meus altos e baixos... A vida segue!
Tudo já estava pronto e chamei pelo – que já estava tirando um cochilo – e pedi pegasse uma das minhas malas. Antes de sair daquele quarto, dei um longo suspiro, olhei para cada canto do meu antigo quarto, desliguei a luz e me retirei de lá fechando a porta em seguida.
Quando cheguei à sala, estava com os cabelos molhados e com outra roupa. Ele se dirigiu a me e a e disse que queria ir com a gente. Apenas balancei a cabeça confirmando e segui em frente. Pude perceber pela cara de que ele não tinha entendido o porquê daquele clima nada confortante que havia ali, mas depois ele deu de ombros e veio logo atrás de mim.
Não demorou muito e já estávamos... Em casa. Sim, agora eu podia dizer que aquela era a minha casa. Havia um recado em cima da mesinha que ficava na sala dizendo que a mãe de saiu com a minha irmãzinha Lucy para o supermercado. Soltei um “poxa” porque queria ver como ela era, mas tudo bem, mais tarde eu a veria. me levou até o meu quarto e me ajudou a me instalar ali. – mesmo calado – também foi ajudando a guardar as minhas roupas. Pude ver que seu olhar triste, o que me incomodou um pouco. Iria falar com ele, mas depois que tudo tivesse em seu lugar. Depois de alguns minutos tudo estava em seu lugar e foi aí que dei uma olhada geral no meu mais novo quarto. As paredes eram brancas, sendo a única lilás aquela em que a minha cama ficava encostada. Os móveis eram todos da cor branca e os lençóis, travesseiros e o edredom estavam misturados com as cores branca, rosa e lilás. Era bem parecido com o meu quarto da casa onde morei com os meus pais, porém era mais simples, menos luxuoso do que eu estava acostumada, mas isso era o menos. Nem me preocupava com isso, nunca fui de fazer questão de viver no luxo. E aquele quarto me lembrava do meu, o que me confortava bastante. Me senti realmente em casa.
Estava deitada entre e na minha cama enquanto descansava um pouquinho. Depois cochichei no ouvido do meu mais novo irmão para que ele me deixasse a sós com . Ele inventou uma desculpa esfarrapada dizendo que estava com dor de barriga e logo em seguida correu para o banheiro. Se eu não soubesse da verdade, eu até acreditaria. Dei um pequeno suspiro e virei minha cabeça para o lado com a intenção de olhar para o rosto daquele que me passava tranquilidade, mas este já estava me encarando antes, o que me fez corar levemente.
-Está tudo bem entre a gente? – após alguns segundos em silêncio, resolveu quebrar o silêncio.
-Me diga você – respondi me aproximando um pouco mais dele e ele fez o mesmo.
- Eu queria que estivesse, mas acho que não está.
-E por que você diz isso? – mordi meu lábio inferior me fazendo de desentendida.
-Eu gosto muito de você. Não pense que eu não esteja te levando a sério. Eu estou, estou mesmo – continuei em silêncio – Foi por isso que eu tomei uma decisão... Acho que já esperei demais por isso. Então... , você quer namo... – lhe dei um selinho demorado e depois fiquei acariciando sua bochecha.
-Não faça isso. Não faça algo que alguém esteja te colocando pressão – eu queria aquilo, mas é claro que queria. Mas talvez não fosse justo com nós dois.
-. . Eu jamais iria fazer algo que não fosse da minha vontade. Se eu estou aqui, prestes a dizer o que eu mais quero dizer e ter o que eu mais quero ter é porque o que eu sinto por você é verdadeiro. Você quer namorar comigo?
-Sim, eu quero! – dei o meu melhor sorriso e em seguida o beijei intensamente. Aquele garoto me surpreendia cada vez mais. Ele sempre falava o que era certo na hora certa. Podia ter coisa melhor? Minha situação com já estava resolvida e agora estávamos namorando. Encerrei o beijo dando vários selinhos demorados e depois encarei aquela imensidão azul que eu amava me perder. sorriu e enterrou o seu rosto em meu pescoço e me abraçou.
-? Eu gosto muito de você, mas acho que não é uma boa você ficar aí. Nem sei se os pais de vão gostar de ver isso.
-Eles gostam muito de mim – ele disse com a voz abafada.
-, to falando sério – soltei uma risada de leve.
-Ah , eu amo o seu cheirinho – senti ele cheirar o meu pescoço, me causando arrepios.
-, eu posso ficar encrencada.
-Os pais do nem estão aqui.
-...
-Eu sou seu namorado. Eu posso ficar assim – sua voz rouca abafada me causava arrepios. Eu não sou chata, queria ficar com ele daquele jeitinho, mas ficava com medo dos meus pais adotivos não gostarem. Suspirei e peguei meu celular mandando uma mensagem pro pra ele avisar quando nossos pais chegassem em casa.
-Satisfeito? Mandei mensagem pro pra avisar quando eles chegarem.
-Ótimo! Estou muito satisfeito – ele riu ainda com o rosto em meu pescoço. Ele entrelaçou nossas pernas e continuou abraçado comigo, me dando alguns beijinhos na bochecha, enquanto eu fazia um carinho em sua nuca. Amava ter por perto, e seria estranho não estar morando sob o mesmo teto que ele. .
-Vou ficar sozinho naquela casa enorme – ele disse me dando um selinho rápido e depois voltando para o meu pescoço
-Você tem o Bruce.
-Mas eu quero você – tinha como não se derreter toda por esse garoto? Existe namorado mais fofo que ele? Acho que não.
-Mô, você pode vir aqui. Pode me visitar quando você quiser.
-Vamos voltar a nos ver de madrugada? – ele deu uma risada gostosa e eu o acompanhei
-Não seu bobo... Visitas de dia mesmo.
-Vou viver aqui então. A senhora gosta muito de mim e aposto que vai aprovar nosso namoro.
-Ai ... Você não existe sabia?
-Sou um fantasma por acaso? Você namora o fantasminha camarada? – ri da piada tosca dele.
-Ai , você quando quer ser engraçado – voltei a rir – Não consegue.
-Oh mô, pelo menos faço você sorrir – ele disse rindo e me dando um beijo rápido.
-Obrigada – disse depois de um tempo em silêncio.
-Pelo o quê? – fez uma cara de confuso.
-Obrigada por me ajudar na hora que mais precisei, obrigada por ser o meu melhor conselheiro, obrigada por seu meu amigo, obrigada por me fazer feliz novamente, enfim, obrigada por tudo! – senti uma lágrima percorrendo pela minha bochecha e desfez seu caminho ao passar seu polegar pelo meu rosto pouco úmido.
-, eu que tenho que te dizer obrigado. Obrigado por tornar a minha vida muito melhor. Você trouxe um sentindo a ela. Foi você que tirou o ponto de interrogação que estava aqui – ele apontou para a região onde fica seu coração.
-... – sorri – Nem sei o que te dizer mais... Desculpa, não sou tão boa com palavras.
-E nem precisa. Apenas me beija! – e sem recursar o seu pedido, em questão de segundos eu já estava selando os lábios macios de e sentindo seu hálito refrescante de menta. Levei minha mão até sua nuca e fiquei fazendo carinho ali, enquanto pousava sua mão direita na minha cintura a pressionando levemente, e a sua mão desocupada estava em meu rosto, fazendo um carinho em minha bochecha. pediu passagem com a língua para aprofundar o beijo e assim concedi. Meu coração batia com mais frequência e eu jurava que podia sentir o dele batendo do mesmo jeito. O pedido de namoro do não foi em um restaurante num jantar a luz de velas, ou então um piquenique em uma praça, mas apesar de ter sido simples, foi mais perfeito do que poderia ter sido. Nasci em uma família que vivia no luxo, mas como disse antes, nunca fiz questão daquilo tudo. Não me importaria de viver em uma casa simples, portanto que eu tivesse com as pessoas que eu amo e que eu esteja feliz. E realmente era aquilo que estava faltando, pois agora eu me sentia completa em relação a . tinha razão, era só dar tempo ao tempo que as coisas iriam se resolver. rompeu o beijo dando uma mordidinha de leve em meu lábio inferior.
-Você é linda – ele falou olhando por todo o meu rosto com o seu belo par de olhos.
-Você sabe que eu fico toda sem graça porque não sei responder a elogios – cobri meu rosto com as minhas mãos, que logo foram retiradas por ele.
-Linda. Linda. Linda. Toda linda o meu amor é – corei ferozmente e ele riu de leve dando uma mordida em minha bochecha em seguida.
-? – disse rindo da bobagem do meu namorado.
-Diga – ele me abraçou de lado.
-Eu tava pensando aqui... Você nunca me falou direito dos seus pais.
-E o que você quer saber?
-Ah... Faz um resumo aí – rimos.
-Beleza! Bom, meu pai é administrador e a minha mãe é engenheira. Ele recebeu uma proposta de emprego em Nova York e por isso meus pais se mudaram pra lá. Eles queriam que eu fosse junto, é claro. Mas eu amo Londres e a minha vida está toda aqui. Pedi para os pais do para que conversassem com eles e graças a Deus deu tudo certo e agora to morando sozinho. Meus pais pediram para que os Poynters ficassem de olho em mim e que eu ligasse para eles pelo menos um dia na semana. Mas como eles são muito ocupados, só consigo conversar com eles uma vez no mês.
-Sinto muito... – o abracei mais forte.
-Ei, relaxa... Já estou acostumado – ele sorriu me passando confiança.
-Tudo bem... – recebi uma mensagem de assim acabei de falar. Ele estava avisando que só a nossa mãe tinha chegado. É, eu já considerava ela uma mãe, então acho que não seria tão difícil me acostumar com essa ideia – Sabe quem chegou? A mamãe e a Lucy.
-Mamãe? Ó tá vendo?! Você está progredindo. Está virando uma – ri dele.
-É – dei um selinho rápido nele – Mas enfim, quer conhecer a Lucy?
-A minha cunhadinha? Mas é claro que quero! – pelo visto gostou da ideia de ter uma cunhada.
-Ok, vamos lá que eu quero conhecer minha irmã – puxei pela mão e desci as escadas.
-, vem me ajudar a guardar as compras!
-Tô indo mãe! – que estava na sala brincando com a Lucy revirou os olhos – Que saco... – resmungou baixinho – Cuida dela aí, .
-Pode deixar! – voltei a minha atenção pra ela. Ela estava de costas, mas eu já podia reparar em seu cabelo lisinho e loiro. Soltei a mão de e a virei de frente para mim. Sua pele branquinha fazia um contraste com as suas bochechas e sua boca avermelhada. Seus olhos eram castanhos cor de mel e seu nariz bem delicado e afinado. Lucy era como uma princesinha. Sua franja caiu em seu olho e eu dei um leve sopro para tirar o cabelo que irritava seu olho, e ela deu uma risada gostosa ao sentir o ventinho que eu provocara. Sorri toda boba com a minha irmãzinha dando gargalhada denunciando sua covinha.
-Lucy meu amor? Sou , sua irmã! Mas pode me chamar de – como ela tinha dois anos, provavelmente não sabia falar muita coisa.
-? – ela me surpreendeu repetindo o meu nome.
-Isso Lucy! Mas que menina inteligente – dei um beijo em sua bochecha e a coloquei em meu colo.
-Olha, esse aqui é o tio . Meu namorado e também seu cunhado. Diz “oi” pra ele.
-Loi – soltei um “aw” ao vê-la tentando falar “oi” .
-Oi princesa! Você é a menina mais fofa que já conheci sabia? – ela colocou as suas pequenas mãos cobrindo o rosto – Olha ! Ela tá fazendo igualzinha a você! Oti que coisa mais linda do tio!
-Verdade – sorri.
-Posso pegar ela um pouco?
-Claro... – disse a entregando para ele.
-Lucy, vamos brincar com o tio? – ela concordou com a cabeça e ele ficou em pé com ela no braço – Já viu o avião? – ela fez que não – É assim ó – ele a pegou e começou a girá-la no ar. Lucy estava se divertindo, mas acho que não era uma boa ideia ficar fazendo aquilo com ela por muito tempo. Quando eu ia reclamar, fui interrompida pela senhora .
- Jones! Ponha no chão já! Assim a menina vai vomitar.
-Desculpa tia, foi mal – ele sorriu sem graça.
-Ãhhhh – Lucy fez cara de choro e esticou os bracinhos para que a pegasse de novo.
-Parabéns Jones! Agora se vira com ela no colo – disse rindo.
-Só não vá girá-la muito. Bem, vou fazer alguma coisa pra ela comer antes dela dormir.
-Mas já mãe?
- meu filho, ela é uma criança. Tem que dormir cedo.
-Ah ta.
-Daqui a pouco volto – e assim deixou eu, , e Lucy na sala.
-Ei dude.
-Fala disse se deitando no sofá.
-Temos uma novidade.
-Ah é! Verdade! – me pronunciei.
-Eu e a estamos namorando – se aproximou de mim com Lucy em seu colo e me deu um selinho.
-Já era sem tempo! Você é muito lerdo riu – Mas parabéns ao casal... Não pera! A agora é a minha irmã e você vai ter que seguir umas regras a partir de hoje.
-Para – bati de leve em seu braço.
-Brincadeira – rimos. Lucy na mesma hora bocejou.
-Ih... Acho que tem alguém com sono – fez um carinho na cabeça da minha irmã.
-Voltei! – minha mãe disse – , dá mamadeira pra ela? Preciso descansar um pouco e fico muito feliz por ter três babás ao meu dispor – rimos – Mas tarde vejo você linda da mamãe! – ela deu um beijinho na bochecha de Lucy e em seguida na de . Depois mandou beijo no ar para mim e para , indo em direção à escada.
-? Deixa que eu faço isso! – peguei a mamadeira que estava em uma das suas mãos e colocou Lucy delicadamente em meus braços. A ajeitei em uma posição para ela dormir e a dei a mamadeira. Fiquei andando com ela pela sala para ver se ela dormia. Pude perceber que ela abria e fechava os seus olhinhos várias vezes. Quando estava acabando o seu leite, ela dormiu de vez e eu tirei a mamadeira de sua boca.
-Ai meninos... Ela parece um anjinho dormindo – a olhei em meus braços e dei um pequeno beijo em sua testa.
-Ela parece mesmo – disse me abraçando por trás.
-Quem olha assim pensa que vocês são uma família – falou pegando seu celular e batendo uma foto – Vou mandar essa foto pra pra ela colocar no álbum.
-? Eu vou deixar a Lucy no quarto dela.
-Não se esquece de ligar aquela paradinha lá.
-Paradinha?
-É. Tipo uma babá eletrônica. Se ela chorar a mamãe vai saber.
-Ah ta certo. Já volto.
-Vou com você – se pronunciou, me seguindo em seguida. Assim que cheguei em frente a porta do quarto de Lucy, pedi para que abrisse a porta para me dar passagem. Coloquei Lucy sua cama – onde tinha uma espécie de cercadinho na lateral da cama para que ela não caísse – a cobri com sua manta branca com bolinhas vermelhas, liguei a babá eletrônica e saí do quarto com me abraçando por trás. Quando chegamos na sala, tinha acabado de desligar o celular e veio em nossa direção.
-O está chamando a gente pra ir pra casa dele jogar vídeo game. Noite só de homens – me encarou e eu revirei os olhos – Bora logo .
-Não queria ir mesmo – mostrei língua.
-Hey! Não me entenda mal, mas é que a gente leva muito a sério a noite só dos homens – me deu um beijo estalado na bochecha – Avisa pra Senhora que eu saí.
-Ta bom – suspirei de leve.
-Então, te vejo amanhã de manhã mô – me virou para que eu ficasse de frente pra ele.
-Vou esperar no carro – disse antes de sair pela porta da entrada principal.
-Eu vou pra escola, lembra? Você não pode ir pra escola. Tem que ficar de repouso – ele fez biquinho.
-Queria ir no seu primeiro dia. Mas tudo bem, vou no segundo – ele deu um sorriso sapeca e eu dei um peteleco no seu nariz, o fazendo rir de leve.
-Depois da aula passo na sua casa pra te ver. Agora vai antes que o venha te tirar daqui a força – ele riu e me beijou rapidamente.
-Tchau, pequena.
-Tchau, pequeno.
Suspirei de leve que nem uma boba apaixonada e depois fui avisar para a minha mãe que havia saído. Meia hora depois, meu pai adotivo chegou e fomos jantar todos juntos. Ah! Quanto tempo eu não tinha aquilo. Mesmo quando meus pais eram vivos eu não tinha o prazer de ter um jantar, café da manhã ou almoço em família, devido eles serem muito ocupados... Acho que não vou mais referir os meus pais adotivos como “adotivos”, porque acho que seria um passo a mais para seguir em frente, além de que eu realmente os considero como meus pais... É tão complicado... Mas vamos deixar isso pra lá, pois não estou nem um pouco afim de entrar em conflito com os meus pensamentos. Ajudei minha mãe a lavar a louça, dei boa noite para ela e para o meu pai, e fui tomar um banho antes de ir deitar. Minha mãe passou no meu quarto antes para me entregar minha mochila com um material básico para estudar, já que os livros eu pegaria na escola mesmo. A agradeci muito por ela ter comprado tudo, já que eu tinha esquecido desse pequeno e grande detalhe. Ela disse que não foi nada que uma obrigação de uma mãe. A abracei forte e lhe dei um beijo na bochecha de boa noite. Assim que fui para a minha cama e fechei os olhos, meu celular vibrou indicando que havia chegado uma mensagem.


Boa noite meu amor! Boa sorte amanhã no seu primeiro dia. Estarei te esperando
xx



Amanheceu mais rápido do que o previsto para uma pessoa que pensou que tinha dormido cedo, mas o sono ainda reinava em seu corpo, mente e alma. Mesmo achando que era um zumbi e querendo jogar o celular contra a parede, acordei contra a minha vontade. Peguei o que precisava e fui para o banheiro que tinha no meu quarto. Tomei um banho de água quentinha para despertar, fiz minha higiene e saí do banheiro. Para começar o ano, escolhi uma calça jeans, meu all star preto, uma blusa branca básica e um cardigã listrado com as cores azul marinho, rosa claro e bege. Deixei os meus cabelos soltos, passei perfume, fiz uma make básica para tirar a cara de sono, mas nada que fosse exagerado como aquelas meninas fúteis que vão para escola como se tivessem levado um tapa na cara, longe disso! Apenas base, pó, um pouco de rímel e brilho labial. Peguei minha mochila vermelha da JanSport e desci para comer algo antes de ir para a escola.
-Bom dia querida, está com fome? – minha mãe me deu um abraço e depois colocou os pratos na mesa, onde tinha frutas, panquecas quentinhas, pães, queijo... Enfim, a mesa estava cheia.
-Bom dia mãe! – ela sorriu – Nossa, necessito de suas panquecas.
-Aproveite antes que venha – rimos.
-Lucy ainda está dormindo? E o papai? – mordi o lábio tentando deixar o “papai” sair de forma natural. E saiu.
-Ele toma café só às oito e meia, antes de ir para o trabalho. E Lucy ainda está dormindo – e nesse momento um com cara de sono entrou na cozinha.
-Bom dia... – ele disse com a voz um pouco rouca.
-Que animação, hein?
-Se acostume minha filha. Esse é o todas as manhãs – nossa mãe falou se sentando na mesa conosco. Terminei de tomar meu café da manhã e apressei para não chegarmos atrasados na escola. E em menos de dez minutos já estava estacionando em uma das vagas na escola. Desci do carro e o esperei chegar do meu lado para poder entrar na escola. Bom, até agora nada além do diferente do que nos filmes. Mas é claro que não é nada de um High School Music da vida, afinal, é vida real e esses meus pensamentos bobos são frutos de uma mente de uma retardada que nunca frequentou uma escola.
-, vamos logo pegar os seus livros e o seu horário.
-Uhun – fui andando ao seu lado e fui percebendo olhares sobre mim. Franzi o cenho. Eu nunca frequentei uma escola, mas também não sou um bebê que não sabe das coisas. Mas aquilo estava me acomodando. Quero ver se tá escrito na minha cara “oi, tô cagada”.
-Qual é a dos olhares? – passou o braço pelos meus ombros e me puxou para mais perto de si.
-Coisa idiota de escola. Você é a novata, e bom, convenhamos também que você é uma garota que não passa despercebida – corei – Mas ignora, e bom, qualquer coisa o seu mano aqui te defende.
-Gracioso – rimos. Depois de pegarmos tudo, tive que me despedir de , já que a primeira aula dele era de matemática e a minha de geografia. Procurei a minha sala e a encontrei rapidamente, já que não era longe de onde eu estava. Entrei na sala e todos ficaram me encarando, mas ignorei. Foquei em um local e me sentei em uma cadeira encostada na parede. Não demorou muito e o professor chegou. Ele fez questão de que eu me levantasse e dissesse meu nome para todos. Tomara que isso não se repita pelo resto da semana. Já que eu não conhecia ninguém, e estava ficando puta com alguns olhares de um grupo de meninas que estavam com roupa de torcida e de um grupo de meninos que olhavam descaradamente, resolvi prestar atenção na aula. Afinal, esse é o objetivo: estudar. Quando a aula acabou fui procurar a sala onde eu teria aula de inglês. Eram dois horários de inglês, mas a minha sorte era que estava lá para alegrar meu dia constrangedor.
-Hey! – sentei ao seu lado.
-Hey! Como foi a primeira aula? – ela perguntou me oferecendo um chiclete em seguida.
-Tensa. Olhares indiscretos. Tive que me pra turma – rolei os olhos.
-Odeio isso. Quando eu entrei aqui a dois anos atrás, foi a mesma coisa. Com o tempo isso passa.
-Espero!
-Bom dia classe! Vejo que temos uma novata aqui, certo? – obrigado querida professora! Você acabou de chamar atenção do todos pra mim.
-Poupe ela disso. A semana inteira ela vai ter que ficar se apresentando é? – se irritou.
-Senhorita ! Olhe os modos!
-Só estou querendo poupá-la. E a senhora provavelmente já sabe o nome dela... Então, a senhora pode começar a aula? Estou com sede de conhecimento – a professora de inglês fez uma cara feia que até eu tive medo. Alguns risinhos de outros e depois ela começou a aula.
-Tá vendo? Posso te livrar de coisas. Tá comigo, tá com Deus – rimos.
-Obrigada .
E dois horários entediantes de inglês com direito a um dever em dupla logo no primeiro dia, graças a . Ela ficou resmungando e me pediu desculpa pelo dever. Ri e pedi para que ela deixasse pra lá. Quando chegou a hora do intervalo, só faltou pular da cadeira e me puxou pela mão.
-Vem, vamos encontrar os meninos e a – ela me arrastou até a mesa onde nossos amigos estavam.
-Olha quem chegou! ! – , e vieram me cumprimentar e depois fizeram o mesmo com .
-Ué, cadê o ? – perguntei.
-Ele deve tá se pegando com uma loira que tava dando em cima dele – rolou os olhos.
-, vem comigo! Vamos comprar alguma coisa pra comer que eu to morrendo de fome – compramos nossos lanches e voltamos para nossa mesa.
-? E o papo lá de líder de torcida? – perguntou.
-É só depois de amanhã que eu vou começar a ensaiar.
-Boa sorte certas líderes de torcida – me alertou tomando em seguida um gole de sua coca.
-Foram essas putinhas que tiraram eu e a da torcida – apontou com o dedo as meninas que passavam perto da gente.
-Amor? Acho que elas perceberam – riu quando elas fizeram cara de nojo para .
-E é pra essas vadias perceberem mesmo! To pouco me importando.
-Você fica sexy assim sabia? – ele deu um selinho nela e espirrou um pouco de água neles –Tá doido?! – mandou dedo pra ele.
-Não aguento tanto mel na minha frente. Só eu e a podemos – ele deu um selinho rápido nela. Rimos. É, eu tava sobrando.
-Ei, aquela não é a... – fui interrompida por .
-Kim?!
Ela passou pela nossa mesa como se não nos conhecesse. E bem, ela estava irreconhecível. Uma maquiagem pesada preta, roupa toda preta e piercing nos lábios. Ela realmente estava mudada e estava andando com um grupo de três meninas com a aparência semelhante à dela. Desde aquele episódio não tínhamos visto ela. E pelo visto, acho que não era a única que estava assustada, pelas caras dos meus amigos.
-Cara... Que porra é essa? – disse a acompanhando com o olhar. Percebi também que outras pessoas a olhavam e cochichavam alguma coisa.
-O que aconteceu com a Kim?! – disse com os olhos arregalados.
-Não faço a mínima ideia – falei e vi Kim me olhar por um instante, mas quando eu a encarei de volta, ela virou o rosto.
-Gente, acho que ta bom de encarar ela... – se pronunciou depois que terminou de comer seu lanche.
-Mas é que... – foi cortado.
-Eu sei , mas... – ela se apoio no ombro de .
-Cara, já tá na hora da próxima aula! Quem tem química agora? – perguntou e eu e levantamos a mão.
-Vão pra sala que eu vou guardar os meus outros livros – me despedi deles e fui procurar o meu armário. Coloquei a minha senha e pus os meus livros lá. Tranquei o meu armário e um papel branco caiu de lá. Estranhei, mas quando fui abrir, alguém me interrompeu.
-Oi.
-Oi – respondi para o cara moreno alto e de olhos verdes que se encostou no armário ao lado do meu. Ele vestia o casaco do time de futebol da escola e tinha uma cara convencida. Ele sorriu malicioso.
-Prazer! Charlie Benson.
-Ai meu Deus! Charlie Benson?!
-Já falaram de mim para você? – ele deu um sorriso convencido.
-Não – dei o meu melhor sorriso cínico e saí dali, antes que ele fosse atrás de mim. Antes de entrar na sala, aproveitei que não tinha quase ninguém no corredor e abri o papel.



Cuidado. Quem avisa inimigo é, porque amigo eu não sou nem de longe. Esse “cuidado” foi de alerta e não pra te ajudar, caso você pense que eu sou seu amiguinho anônimo. Não pense que isso é um trote como da última vez. Fique longe dele. Você sabe de quem eu estou falando. Porque se não, aquela surra que o seu Dannyzinho levou, será só o começo. É só falar que o jogo começa. Ah! E não se esqueça. Você está sendo vigiada.


Comecei a entrar em desespero e olhei em minha volta. Kim passou do meu lado e me deu um sorriso cínico. Será que é ela que está fazendo isso? Não acredito que ela seja capaz de ferir o pra me afastar dele... Ou será que sim?!


Capítulo Doze.



Assim que entrei na sala de aula avistei e me chamando para sentar perto deles. O nervosismo percorria pelo meu corpo e eu podia prever claramente a minha cara patética de quem está com medo de ver algum vulto. Mas isso não me importava já que precisava desesperadamente ver . Mesmo que aquele maldito bilhete tenha sido bem claro para eu manter distância dele, eu tinha que ver ele, ver se ele está bem. e me olhavam estranho talvez pelo fato de eu não parar quieta, mas quem ficaria? Uma vez ou outra me perguntava se eu estava bem, e em resposta, apenas concordava com a cabeça. Eles não tinham caído nessa de que "estava tudo bem", mas desistiram de ficar me enchendo de pergunta e voltaram a conversar. passou o braço por cima dos meus ombros e depositou um beijo em minha bochecha. Agradeci mentalmente por ele tentar me acalmar e dei um meio sorriso como se dissesse "obrigada". Meia hora depois - que mais pareciam horas - o sinal tocou avisando que as aulas daquele dia foram encerradas. Me despedi rapidamente dos meninos e pedi para que avisassem de que eu estava indo pra casa de . Saí da sala de aula apertando os passos e ignorando os olhares curiosos de alguns. Esbarrei em alguém, mas sem olhar pra trás gritei me desculpando. Assim que estava um quarteirão longe da escola, me permiti a correr. Como se a minha vida dependesse daquela corrida, eu ia cada vez mais rápido até alcançar meu limite. Quase fui atropelada, mas ignorei as buzinas dos carros e os palavreados que o motorista - que quase me atropelou - se dirigia à mim. Já podia ver a casa de e como se fosse um alvo, eu mirava aquela casa como um objetivo. Cheguei ofegante em frente à porta e a minha boca estava seca "gritando" por água. Apertei a campainha e tentava recuperar o fôlego enquanto ninguém abria a porta. Apoiei minhas mãos em meus joelhos e baixei a cabeça. Eu estava muito cansada e definitivamente não saberia explicar como tinha chegado tão rápido na casa de . O barulho de algo se abrindo e aquela voz rouca invadindo o espaço me fez levantar a cabeça e abraçar aquele ser presente na minha frente. O abracei tão forte com a intenção de mantê-lo seguro ali comigo, e o mesmo ficou assustado com a minha reação.
-Calma, calma amor. Aconteceu alguma coisa? - ele passou a mão em meus cabelos.
-Er... Nada amor. Foi só um pesadelo - disse ainda abraçando ele
-Tem certeza? Porque...
-Absoluta! - o interrompi. Ainda não sabia como ou se falava com ele sobre os avisos que eu venho recebendo. Por enquanto o que me basta é ter ele bem é seguro.
-Vem, vamos entrar. Está congelando aqui fora - ri de leve. Como era bom escutar a voz dele.

[...]


-Desde que você chegou você está tão grudada em mim - ele disse fazendo um carinho em minha mão direita enquanto estávamos deitados em sua cama.
-Quer que eu vá embora? Tudo bem eu... - fiz charme me levantando e ele puxou meu braço me fazendo ficar perto dele novamente.
-Nãaaao! Amo sua companhia - ele me deu um beijo estalado. Sorrimos - Mas é que você chegou tão assustada aqui...
-, meu amor... - encostei meu nariz no seu fazendo um carinho de leve.
-Repete - ele sorriu
-, meu amor - ele me deu selinho todo feliz - esquece aquilo está bem? Nada demais
-Se você diz... Tudo bem - ele sorriu e depois o peguei encarando minha pulseira
-Você sempre cismou com ela - ri e ele me encarou
-Preciso te mostrar uma coisa - se levantou e foi na direção do guarda-roupa, pegando uma caixa marrom. Ele suspirou e depois a abriu, retirando de lá uma foto - Meu avô deu essa caixa pra mim com alguns pertences dele antes de morrer. E bem, essa foto está no meio - ele a virou pra mim. Não podia ser verdade, ou podia? - Meu avô disse pra eu guardar com carinho a foto do único amor da vida dele e que foi proibido - na foto tinha um jovem rapaz e uma garota de mãos dadas. Na mão livre daquela garota, mais especificamente no pulso, a mesma pulseira que ela tinha, era exatamente como a minha. O mesmo pingente, tudo! Mas aquele rosto me era familiar... Literalmente.
-... O grande amor da vida do seu pai era a minha avó - eu sorri emocionada com a minha descoberta - Só não entendo porque foi um amor proibido
-Ele também não me disse. Aliás, ele também me deixou o diário dele, mas eu nunca tive coragem de ler - ele retirou de dentro da caixa um diário que com a capa azul escura e que já estava com uma aparência bem desgastada
-Por que você não me disse antes?
-Pensei que fosse coisa da minha cabeça... Sei lá - ele coçou a nuca
-Hum - fiz um barulho com a boca devolvendo a foto pra ele. Por que a minha avó nunca me disse que tinha um amor proibido? Pelo menos agora eu entendo perfeitamente o porquê dela nunca ter gostado de histórias de amor que são proibidas. Ele fechou a caixa e a guardou no mesmo canto.
-?
-Diga minha linda - ele falou me puxando pra um abraço
-Eu preciso ir - ele fez bico
-Mas já?!
-Já - ri
-Fica mais um pouco...
-E o que me faria ficar aqui? - ele fez uma cara maliciosa e se aproximou do meu rosto sussurrando em meu ouvido:
-Vamos matar a saudade? - percebeu o arrepio que ele causou em mim e sorriu vitorioso
-Você fala como se não nos víssemos a um tempo
-E não é verdade?! - ele me olhou incrédulo. Rimos. me encarou com aquele olhos que me deixavam ridiculamente boba e ao mesmo tempo envergonhada por senti-los me fitando. Ele aproximou mais o seu rosto do meu e eu já podia sentir sua respiração. Sorri ao perceber que ele estava encarando os meus lábios e o mesmo retribuiu o sorriso, e em seguida iniciou um beijo calmo. Ele pediu passagem para aprofundar o beijo e eu concedi. A língua de começou a entrar em contato com a minha, e eu podia sentir o seu hálito de menta. Seus beijos eram únicos. Cada beijo, uma nova sensação, como se fossem explosivos, fazendo com que os meus hormônios ficassem enlouquecidos e nada responsáveis pelos seus atos. segurou a barra da minha blusa e ficou brincando de levantá-la só um pouco e depois abaixá-la. Levei minha mão até a sua nuca fazendo um carinho, enquanto a outra estava em seu rosto. me deitou delicadamente em sua cama. Ele jogou o seu peso sobre mim e encaixou as suas pernas entre as minhas. O beijo começou a ficar mais intenso e mais rápido. Na mesma hora começou a dar leves apertões em minha coxa. Tomei a liberdade de pegar a barra de sua blusa e a tirei de uma vez. começou a fazer um caminho pelo meu pescoço - meu ponto fraco - dando leves chupões por ali. Segurei seus cabelos e reprimi os gemidos que ele provocava. Puxei e fiquei o provocando dando beijos demorados perto de sua boca. Vi ele fazendo cara de sofredor - o que me fez rir - e depois mordi seu lábio inferior antes de iniciar o beijo novamente. fez menção em tirar a minha blusa e me olhou como se pedisse permissão. Apenas concordei com a cabeça. Ele foi tirando bem devagar como se apreciasse cada detalhe. Quando finalmente tirou por completo a minha blusa deixando a mostra o meu sutiã preto, ele mordeu o lábio e ficou me encarando, o que fez com que eu sentisse minhas bochechas fervendo. Ele deu uma risada gostosa, voltando a me beijar em seguida. Sentir o seu peito nu em contato com a minha pele desprotegida me causava uma série de arrepios. Fiquei brincando com o cós de sua calça e ele com o bolso da frente da minha. parou o beijo do nada, me deixando confusa.
-Você tem certeza? - ele sabia que eu era virgem, e por isso era todo cuidadoso em relação a isso.
-Tenho - sorri e ele retribuiu com um selinho. começou a tirar a minha calça e ficou me fitando dos pés a cabeça, me deixando novamente envergonhada.
-Você é linda - mordi meu lábio inferior e puxei pela nuca voltando ao beijo. Me senti em desvantagem, por isso abri o zíper da sua calça e depois fui me livrando do último pedaço de roupa de , deixando-o apenas de boxer. começou a beijar o meu pescoço e indo em direção aos meus seios. Ele tentou tirar o meu sutiã, procurando a abertura, mas sem sucesso. Ri da tentativa em vão dele e abri o meu sutiã que tinha a abertura do lado.
Sim, esquisito. Mas eu adorava aquele sutiã.
se livrou do meu sutiã o jogando longe. Pus a minha mão em sua nuca segurando os seus cabelos, enquanto a outra mão livre estava enfiando as unhas nas costas de quando ele começou a beijar o meu seio. Gemi com os seus beijos e ele ao sentir as minhas unhas cravando em sua costa. Puxei sua boxer com tudo e a jogando em algum lugar do quarto. Não me pergunte como fiz isso com certa rapidez. Agora seu corpo nu estava pesando sobre o meu. O nosso beijo estava com mais desejo e mais rápido, fazendo com que nossos lábios latejassem. Senti a mão de fazendo um carinho em minha cintura enquanto a outra brincava com o elástico da minha calcinha. Não demorou muito e o mesmo se livrou dela. Borboletas, e tudo quanto é inseto começaram a fazer uma festa na minha barriga quando o meu corpo ficou diretamente em contato com o de . Ele pediu um segundo para por a camisinha e depois voltou sua atenção para mim. voltou com os seus beijos calmos e ao mesmo tempo senti a sua mão passeando pelo meu ombro, depois pelo meu braço, coxa e por último parando em minha parte íntima, por onde penetrou os seus dedos. Ele começou a me torturar fazendo com que os gemidos voltassem, porém dessa vez abafados com os seus beijos. Em seguida os retirou de lá e me penetrou, dando várias investidas. Chegamos ao ápice juntos, e definitivamente aquela era a melhor sensação de prazer que eu havia sentindo. se retirou de mim e deixou novamente o seu peso sobre o meu corpo, colocando o seu rosto em meu pescoço, dando um beijinho de leve naquele local. saiu de cima de mim e ficou do meu lado. Me aninhei em seu peito nu e puxei o lençol para nós. Lhe dei um selinho demorado antes de adormecer em seus braços.

[...]


Nada poderia ter sido melhor. fez eu ter a melhor noite da minha vida. Abri os meus olhos devagar procurando por , mas ele não estava mais lá. Fechei os meus olhos bruscamente quando percebi que estava ferrada se fosse tarde, pois meus pais iriam me pedir explicações. Mas era só dizer que estava na casa de jogando vídeo game... Ah sim, jogando vídeo game inocentemente. Ri de leve. Puxei o lençol me levantando com ele em busca das minhas roupas. Vesti a minha roupa íntima e coloquei a blusa de , que ficava igual a um vestido curto em mim. Fui ao banheiro e me encarei no espelho. A minha cara estava acabada, porém feliz. Lavei meu rosto e improvisei uma escova de dente com o meu dedo, por falta da minha. Usei mais o enxaguante bocal e fiz um coque no meu cabelo. Desci as escadas procurando a pessoa que eu mais queria ver no mundo, até que a achei na cozinha tentando cozinhar algo. Fiquei olhando de costas no fogão e resmungando que tinha queimado as torradas e que pelo menos o bacon estava ficando bom. Fui devagarinho até ele e o abracei por trás.
-Olha quem acordou... Oi pequena! - ele desligou o fogo e se virou pra mim. Dei um selinho demorado em seus lábios - Tava preparando algo pra você, mas as torradas não colaboraram - ele coçou a nuca me fazendo rir
-Deixa que eu termino as coisas por aqui . Vai pra sala e me espera lá
-Mas ...
-Amor da minha vida... - falei apertando suas bochechas
-To indo - ele saiu gargalhando. Comemos e depois ficamos abraçados no sofá assistindo um filme.
-Que horas são ?
-São sete da noite
-Caramba... Eu dormi demais - ele riu - Mas e os meus pais?
-Eu disse pro os avisar que você ia dormir aqui comigo. trouxe até uma bolsa com roupas suas, escova...
-Ele... - mordi meu lábio inferior
-Não, não sabe
-Ótimo - rimos.



Capítulo Treze.




O sorriso estampado em meu rosto denunciava o quanto a felicidade era visível. A manhã nunca pareceu tão... Tão linda como hoje. A brisa veio e brincou com os meus cabelos. Senti o meu nariz congelar por causa do frio. Tudo estava tão lindo que até aquele que por alguma razão eu poderia mandar ir se foder, eu mandaria beijos no ar e daria bombons de chocolate. Ok, não é pra tanto. Mas a noite anterior me deixou assim. Boba.
Entrei de mãos dadas com na escola e logo a atenção das pessoas de voltaram para nós. Escutei alguém dizendo "olha, a novata de mãos dadas com o gato do ", mas eu pouco me importava. Ele estava ali do meu lado, segurando firme a minha mão, como se tivesse orgulho de me mostrar ao mundo, e o seu sorriso e o seu olhar diziam isso. passou o braço por cima dos meus ombros e me deu um selinho assim que chegamos perto de nossos amigos.
-Bom dia - ele disse sorridente
-Credo, esse seu bom humor está me assustando. Quem fica de bom humor essa hora da manhã? - falou abrindo um chiclete e recebendo olhares de todos - Alguém quer? - ela perguntou com uma cara irônica
-Ninguém mandou ficar se exibindo - falou pegando um chiclete de suas mãos
-Verdade - disse pegando dois, me entregando um em seguida
-Sua sorte é que a gente não tá na sala de aula - fez uma bola de chiclete e depois a estourou
-Isso que dá ter muitos amigos pra pouco chiclete - ela resmungou nos fazendo rir
-Ei, vocês não vão dizer a novidade? É por isso que ela tá toda sorridente - apontou pra mim. Desfiz meu sorriso. Uma pensamento de que ele sabia da noite anterior passou pela minha cabeça.
-Que sorriso? - me fiz de sonsa
-Que vocês estão namorando e que agora eu sou oficialmente o segura tocha de três casais - ele rolou os olhos
-E você nem conta nada?! - e disseram juntas
-Desculpa, a gente ia contar hoje, né? - olhei pra . Ele fez que sim e me deu um selinho
-Felicidades ao casal - veio e nos abraçou. Bastou isso pra eu ver um bando de seres em cima de mim.
-Pessoal? Galera? A gente precisa respirar - me puxou pra longe deles
-Desculpa se a gente quer a felicidade de vocês - disse e mandou dedo
-Cheios de graça - dei língua e revidou.
-Preciso me vingar de vocês por terem escondido da gente... - fez cara de quem tava aprontando uma.
-Ih... Quando o fala isso, sempre dar merda - disse se apoiando no namorado.
-Credo - ele fez bico e ela apertou de leve suas bochechas - - olhou pra mim sem disfarça - Quando eu disser já.
-Já o quê... - quando eu ia falar algo, só tive tempo de ver empurrando pra longe de mim e a visão da bunda de . Não pense que eu sou tarada. me colocou em seus ombros e começou a correr comigo pela escola e essa era linda visão que eu tinha. Percebeu a ironia?
- , me põe no chão!
-, hoje não é o seu dia de sorte - bufei.
-Veremos meu caro - tive a brilhante ideia de cravar as minhas unhas em sua costa. deu um grito engraçado. Acabou que ele se esbarrou em alguém, o que fez ele cair e me levar junto. Poderia ficar com raiva, poderia. Mas o grito de dava eco em minha cabeça e me fazia rir. Ele olhou pra mim e começou a rir junto. Lindo. Dois idiotas no meio do corredor, estirados no chão, rindo.
-Tá louco, ? - chegou com a respiração falha depois de correr até nós. Eu e ele nós encaramos e voltamos a rir.
-Ótimo - riu de leve e puxou . Fiquei que nem uma idiota rindo, até que chegou e me puxou.
-Se machucou? - perguntou preocupado.
-Relaxa ... - parei de rir e lhe dei um beijo na bochecha
-Amo vocês, mas o meu lado nerd está louco pra estudar e já vai bater a campa - disse fazendo pose de menino estudioso - Alguém tem inglês agora? - levantou a mão
-Vem gatão - apertou a bunda de arrancando risadas da gente e de quem estava por perto
-O que você tem agora? - disse me puxando - A gente se fala depois - ele gritou pras meninas e pro que ficaram pra trás.
-História e você?
-Parece que vamos dormir juntos na aula de história - mesmo ele não tendo essa intenção, fez com que a frase tivesse duplo sentindo. Senti minhas bochechas pegando fogo.
-Não acredito que você pensou nisso... Sua safada - ele botou a mão na boca. Bati em seu ombro.
-Outch.
-Para ... - ri de leve e ele me acompanhou - Vem, vamos pra sala - puxei ele. A aula toda ficou mexendo em meus cabelos como se fosse a coisa mais interessante do mundo ao invés de prestar atenção na aula. Senti olhares de algumas meninas pra cima de nós, porém eu apenas ignorei e voltei a copiar o assunto que o professor estava passando no quadro.

[...]


-Amo o quarto horário!
-, é a hora do intervalo
-Por isso mesmo, linda! - ri de leve
-! - veio correndo em minha direção - Preciso te apresentar a Kate, se esqueceu?
-Ah é! , tenho que ir - dei um selinho nele e foi me puxando até uma mesa em que estavam umas três líderes de torcida
-Olá meninas! Kate, essa aqui é a
-! - o corrigi - Prazer!
-Prazer! Essas são Molly e Lauren - as outras duas loiras deram um sorriso - Bom, acho que podemos começar pelo uniforme - ela me olhou dos pés a cabeça - Ótimo, você está de tênis. Bem, aqui está o uniforme que eu tinha separado pra você. Os treinos é a gente mesmo que marca e nesse sábado vamos ter o primeiro. Ah, e é bom você colocar o uniforme logo para as pessoas de familiarizarem logo com você na equipe. O meu número você pode pegar com o pra gente manter contato. Alguma dúvida?
-Não, tudo certo! - sorri - Se me dão licença, eu vou trocar de roupa e depois comer. Tchau meninas! - acenei pra elas e fui até o banheiro me trocar. A blusa era feito um cropped branco com alguns detalhes vermelhos e o nome da escola. A saia era toda vermelha e um pouco mais curta do que aparentava ser. Sorte minha que tinha um short por dentro. As minhas pernas estavam a mostra e a minha barriga também, o que me incomodava um pouco, mas poderia me acostumar. Deixei meus cabelos soltos mesmo e fui guardar a roupa que vestia antes no meu armário. Voltei para onde os meus amigos estavam - já com o meu lanche em mãos - e me sentei.
-Que foi? - perguntei enquanto os meninos me encaravam.
-Você tá muito hot com essa roupa! - comentou. e concordaram
-Quietos! - apontou pro e depois pro . olhou de relance para
-Calma amor... Você sabe que eu te amo e que você não tem motivos pra ficar com raiva - se manifestou.
-Como eu posso ficar com raiva de um namorado assim? - ela deu um selinho nele.
-Vai sobrar pra mim - fechou a cara quando um garoto passou perto da nossa mesa e assobiou olhando pra mim. me abraçou pela cintura me puxando para mais perto de si. Sorri sem graça - Vaza daqui, porra! - ele gritou pro menino que saiu de perto na mesma hora.
-Ai... Gente, vocês sabem que eu to nessa por causa da minha vaga aqui na escola, então, por favor... Me apoiem - falei mais pro do que para os outros
-É claro que apoiamos! Nós somos os seus amigos e é isso e mais outras coisas que os amigos fazem - sorriu - Mas eu ainda tenho vontade de ser líder de torcida de novo... - disse brincando com um canudo.
-Tudo por causa daquela puta - fechou a cara - Mooooolly - ela fez uma voz enjoada nos fazendo rir.
-Vocês ainda nem me contaram dessa história - disse abraçando mais ainda .
-Você vai rir dessa! - arremessando sua lata de refrigerante no lixeiro.
-Molly colocou na cabeça que só porque quando a gente era criança e eu tinha colocado chiclete na cabeça dela, ela tinha que me infernizar pelo resto da vida e fez de tudo pra eu sair da torcida - fuzilou a menina com o olhar
-E o que a tem a ver com isso? - franzi o cenho.
-A coitada só riu na hora que eu coloquei o chiclete - falou rindo de leve - Amoooor, eu te apoio viu? Só não curto muito esses marmanjos pra cima de você
-Você sabe que eu só tenho olhos pra você - lhe dei um beijo de leve.

[...]


-, eu vou te beliscar se você não parar com isso - sentei no sofá junto com Lucy ao lado dele que estava deitado.
-Nossa. Grande ameaça xuxu! Mas eu não vou parar de trocar de canal
-Eu vou tacar esse controle na tua cabeça
-Ahhhh mas , não tá passando nada de bom nesses canais... Eu vou ficar procurando até achar um que preste - Lucy que estava no meu colo segurou o dedão do pé de
-Dá pla élia!
-Isso é um complô é?!
-Dexa aí! Quelo assisti babie! - Lucy apontou pra tv quando parou em um canal infantil, mas logo mudou.
-Babie! Babie! - Lucy olhou pra mim com os olhos cheios de lágrimas e fez biquinho
-Ei! Deixa a Lu assistir o que ela quiser
-Ta bom, ta bom - ele reclamou igual a uma criança, o que me fez rir - Não tava passando nada de bom mesmo
-Ebaaa! , ó! Babie!
-To vendo Lu - sorri pra ela
-Meninos?
-Oi pai - eu e falamos juntos
-Eu e a mãe de vocês vamos sair com a Lucy. Nós prometemos que íamos levar ela ao parque que chegou na cidade. Vocês querem ir?
-Não... - disse entregando Lucy a ele
-Também não. Pai, vou chamar o pessoal pra cá
-Que pessoal? - nossa mãe perguntou assim que chegou na sala
-Os de sempre
-Só não destruam a casa. , você toma conta da casa até voltarmos. Tchau
-Tchau - dissemos juntos assim que eles saíram pela porta
-Alô? ? Tá afim de dar uns pegas na minha irmã? - joguei uma almofada na direção de
-Palhaço!

[...]


-, para de roubar velho.
-Mas eu não tô - riu e lhe deu um empurrão
-Assume logo amor. Para de enganar os meninos - disse bebendo sua coca.
-Caralho ! Joga direito! Vamos começar tudo de novo - disse recolhendo as cartas.
-Nunca vou aprender a jogar Poker - falei encarando o pedaço de pizza que segurava.
-Idem - bufou.
-Pena que não posso concordar com vocês queridas. Sinto muito que são tão burras pra entender como é que tudo funciona.
-Af ... Eu só não tenho paciência pra aprender essas coisas complicadas - falei colocando mais coca no copo de que já estava vazio.
-Muito menos eu. Bate aqui - eu e fizemos "brindamos" os nossos pedaços de pizza. Dei uma mordida na minha saboreando o sabor dos quatro queijos.
-O blefa - disse rindo.
-Eu não blefo - ele deu um gole em sua coca.
-Blefa sim! - os outros meninos e a falaram juntos.
-Vão se ferrar... - revirou os olhos.
-Oti Que o bebê ficou puto - dei um beijo em sua bochecha.
-Sinto ciúmes de um certo - falou entregando o que ficou vermelho quando se deu conta de que foi pego.
-Ah mas ele sabe que isso é beijo de irmão - me aproximei de e lhe dei um beijo rápido - Isso é um beijo de verdade!
-Gostei, gostei! - ele sorriu bobo.
-Eu não. Tá atrapalhando o nosso jogo - ficou emburrado
-! Vem pra cá e deixa esse teu namorado mala pra lá - puxou para perto da gente
-Epa! Se contente com a ! Essa já é minha - puxou de volta
-Calma gente... Eu posso dividir o tempo com cada um - disse brincando
-Ah é?! - ficou puto - Também não quero mais jogar essa porra - e jogou as cartas no chão.
-Ooooh amor! To brincando - ela encheu o de beijos.
-Seu desgraçado! O fez um raise! - jogou as cartas também.
-Muito esperto, ! - disse se apoiando em .
-Dude, não acredito que tu ia acabar com os teus amigos... - fez bico
-Filho da mãe! E ainda faz a gente de besta - falou recolhendo as cartas novamente - Também cansei de jogar
-Eu também - disse rindo.
-Palhaçada... - colocou um pedaço inteiro de pizza na boca
-Entendendo tudo! - ri e me acompanhou.
Meu telefone começou a tocar.
-Já volto - subi as escadas e me tranquei no meu quarto.
-Alô?
Como foi a noite anterior? - uma voz modificada tornou a falar depois de uns segundos em silêncio.
-Quem é que tá falando? - a mão que segurava o telefone tremia e a minha voz não saiu tão firme como gostaria.
Você ainda tá com o né? Parece que não me deu ouvidos... Quer que ele tenha o mesmo fim que os seus pais? - não pode ser verdade! Só pode estar de brincadeira... Que merda era aquela?!
-QUE PORRA É ESSA?!
- Baixe esse tom de voz comigo! - uma risada maléfica ecoou no fundo - Que os jogos comecem!
Pude escutar um grito ensurdecedor vindo do lado de fora assim que a ligação caiu.



Capítulo Quatorze.




Ainda com o celular em mãos, corri o mais rápido que pude até a sala de estar. Meu coração estava acelerado e o meu corpo alarmado para tomar qualquer decisão ou até mesmo reagir contra algo inesperado. Quando cheguei na sala, não havia mais ninguém, somente a porta de entrada aberta. Fui em direção à porta mesmo com receio de ver algo que não gostaria. Pus as mãos na boca com o susto e corri até onde meus amigos estavam.
-Ai meu Deus, o que aconteceu?! - meu coração disparou e o meu medo fez com que eu olhasse para todos os cantos tentando achar algo de errado
-Já liguei pra emergência, a ambulância já está vindo! Não toquem nela! - disse se agachando, ficando ao lado de que estava estirada no chão e com um corte na cabeça - Você vai ficar bem meu amor, você vai ficar bem! Eu prometo! - fui para perto de e o abracei forte despejando minhas lágrimas e molhando a sua camisa. Não demorou muito e uma sirene já pode ser escutada ao longe. A ambulância parou perto onde nós e algumas pessoas estavam amontoadas perto de , e depois dois paramédicos trouxeram a maca para transportar até o hospital. Tudo ainda era uma tremenda incógnita, mas pelo menos ela já estava recebendo cuidados médicos. entrou junto na ambulância que saiu chutada do local. Um carro da polícia foi chegando, e os policiais vieram fazer a perícia.
-Eu vou lá falar com eles - se ofereceu - Me liguem quando tiverem notícias
-Tudo bem. Vamos no seu carro ! - disse abraçado junto de , que assim como eu, já estava com o rosto molhado de tanto chorar. entrou no carro e no carona. Eu e fomos atrás abraçadas, tentando nos reconfortar.
-Será que alguém pode me dizer o que está acontecendo?! - perguntei com a voz chorosa.
-... - tentou falar, mas voltou a chorar.
-Tudo bem, ... Eu conto! - disse se virando para trás para que me encarasse - ia atravessar a rua pra pegar o celular dela no carro do quando, segundo alguns vizinhos, um carro preto veio do nada e acertou em cheio nela. Filho da puta desgraçado! - engoli seco. Talvez a culpa de tudo isso ter acontecido seja minha. Não tenho dúvidas! Eu teria que tomar uma decisão rapidamente, mas primeiro teria que ver se está tudo bem com a Fonseca. Tenho que tomar alguma providência antes que mais alguém saia ferido. Nesse mesmo momento em que a minha cabeça entrava em conflito, recebi uma mensagem de Hayley, e que por sinal era bem grande. Lá ela tava explicando que o nosso chefe não iria mais continuar com a lanchonete por causa de alguns problemas financeiros e familiares. Bem, pelo menos agora eu tinha uma bolsa na escola e pais para me sustentar, apesar de achar que ganhar o meu próprio dinheiro era bem melhor. Depois eu iria resolver isso, arranjar outro emprego ou sei lá. Agora tenho que resolver coisas extremamente importantes!
-Precisamos de notícias da paciente Fonseca. Ela sofreu um acidente por imprudência de um... - respirei fundo - ela acabou de dar entrada no hospital.
-Não posso dar informação de pacientes.
-Senhora, nós somos muito próximos dela! - falou muito rápido.
-O quanto próximo?
-Er... Eu sou irmão - se pronunciou. -Ah sim, agora eu posso lhes informar! A paciente Fonseca está passando por uma cirurgia nesse exato momento.
-Cirurgia?! - meu coração apertou.
-Sim, senhorita. E o acompanhante dela é aquele rapaz sentado ali no canto de cabeça baixa
-... - falou olhando pra ele - Obrigado senhora! - fomos para perto do para sabermos de mais alguma notícia.
-Hey... - sentei na cadeira ao seu lado e o abracei. O mesmo retribuiu e afundou sua cabeça no meu pescoço, abafando seu choro.
-Vai ficar tudo bem, dude! - disse se sentando no outro banco vago ao lado do . Todos nós queríamos nos mostrar forte para , apesar de não ser o que nós deixávamos transparecer. Fiquei fazendo carinho nos cabelos de .
-Cara... Vamos ter fé que tudo vai dar certo - disse abraçando de lado.
-Vocês não querem tomar um café pelo menos? Só nos resta esperar, então acho que pelo menos temos que estar dispostos - de pronunciou e se manteve calado
-Tudo bem, vão lá. Eu fico com ele - falei ainda abraçada a ele. me deu um selinho antes de seguir e . Continuei fazendo carinho na nuca de que já estava parando com os soluços.
Algumas horas depois um médico veio até nós para dar notícias de . Ele disse que a cirurgia foi um sucesso, porém, ela tinha quebrado o braço e teria que fazer visitas frequentes ao hospital por conta disso. Ela ainda não podia receber visita e por isso fiquei mais algum tempinho com pensando seriamente em tomar alguma decisão sobre o que estava acontecendo.
-? - ele que tinha sua cabeça deitada em meu ombro fez um barulho com a boca - Eu não posso fazer isso com vocês... - minha voz saiu quase falha
-O que... Como assim?! - ele saiu de sua posição para ficar de frente pra mim
-Eu só não posso...
-Não, ! Me explica! O que está acontecendo? - me olhou assustado
-Tenho que ir. Vocês vão ficar bem sem mim. Não se preocupe...
-Mas...
-Shiu! Fique bem - dei um beijo na testa de e fui vagar pelos corredores do hospital até a saída. Se a tal pessoa estivesse mesmo me vigiando, ela já saberia que eu tinha deixado todos de lado e os deixariam em paz. Sem medo de mostrar ao mundo as minhas lágrimas que percorriam o meu rosto, eu andava pelas ruas de Londres em direção à... Destino nenhum. Eu precisava ficar longe de todos para pensar, porque não podia arriscar meu tempo pensando perto deles. Olha o que fizeram com a ! Outras coisas desse tipo poderiam acontecer com os outros e é o que eu não quero que aconteça. Meu celular fez um barulho avisando que tinha chegado uma mensagem.

Coitada da ... Você tinha mesmo que esperar que ela sofresse um acidente pra poder perceber o que é certo a fazer? Finalmente você decidiu se afastar deles! Você livrou o de levar uma surra... Sim, eu já estava planejando uma surpresinha.


-Quando isso vai parar?! - mais lágrimas encharcavam o meu rosto. Guardei o meu celular e fui até uma praça abandonada onde ainda tinha alguns brinquedos. O lugar estava vazio, sem nenhuma criança dando berros de felicidade, sem nenhum cachorro correndo livremente, sem nenhum pai ou mãe acompanhando os seus filhos com os olhos. Me encolhi no meu sobretudo e me sentei no balanço mais próximo. A minha tristeza se encaixava perfeitamente com aquele cenário abandonado e solitário. Eu estava tão perdida que nem vi quando começou a nevar. Tirei minhas luvas e a minha toca vermelha da minha bolsa. Pelo menos assim eu poderia me esquentar um pouco mais.
Eu já havia tomado a minha decisão a partir do momento em que - mesmo com o coração partido - deixei no hospital. Mas ele ficará bem, todos ficarão.
vinha na minha cabeça e o meu coração só apertava mais e mais. Era como se eu deixasse uma parte da minha vida morrer. Eu preciso de . E eu e sabemos que ele precisa de mim. Porém, por mais que sempre odiasse todas as personagens dos livros que decidem não fazer nada ao invés de enfrentar seus grandes problemas, eu não poderia arriscar a vida de cada um que eu amo. Não poderia.
A neve não parava de cair, só aumentava. Decidi voltar para casa antes que congelasse no frio de Londres. O tempo estava fechado. Se duvidar além de neve vai chover também. Cheguei acabada em casa e coberta por flocos de neve. Tirei meu sobretudo, minhas luvas e a minha toca. Decidi tomar um banho quentinho para depois vestir roupas quentinhas e tentar dormir. Assim que eu coloquei o meu pijama, entrou no quarto sem bater na porta e depois a trancou. Me assustei com a sua cara séria e permaneci calada.
-Pode me explicar o que tá acontecendo? - ele disse se sentando na cama de frente pra mim
-Mas não tá...
-O me contou. O está louco atrás de você - ele me interrompeu - , você pode me dizer o que está acontecendo?! - ele permaneceu firme.
-Mas...
-Mas nada! Você tem noção do que está fazendo?! Está preocupando todos por nada! Você deveria estar apoiando a !
-Você não sabe do que você está falando. Vai ser melhor assim . Vai ser melhor pra todo mundo - falei chorando e com a voz falha
-Isso não pode ser do nada, ! E eu não vou sair daqui enquanto você não falar nada! - ele disse tirando os seus sapatos e colocando seus pés na cama. Continuei chorando. Isso já estava fazendo parte do meu cotidiano.
-Tem certeza que você está disposto a...
-Absoluta - me cortou. Respirei fundo três vezes até ter coragem. Me levantei e peguei os bilhetes de ameaças que estavam na minha mochila. Antes de dar para ler, peguei o meu celular para mostrar todas as mensagens que recebi e as ligações.
-Espero que você não se arrependa - entreguei os papéis para ele. leu um por um e fazia uma cara pior que a outra mostrando o quanto estava surpreso e ao mesmo tempo aterrorizado - Ainda tem as mensagens e as ligações - dei meu celular para ele e o mesmo pegou com receio. Fiquei observando seus pequenos gestos desde pegar o meu celular e checar cada coisa que tinha nele.
-Meu Deus... Eu ia levar uma surra... A quanto tempo... - ele viu que eu tinha voltado a chorar e me abraçou.
-Já faz um tempo. Acredite, não foi fácil pra mim. E eu to com muito medo - o abracei mais forte.
-Oh minha linda... Não fica assim, a gente pode dar um jeito - ele falava passando a mão nos meus cabelos. Levantei o meu rosto para encarar os seus olhos - A gente pode ir na polícia e prestar uma...
-, você não ta entendendo a gravidade. Você pode estar em perigo! A gente não pode chamar a polícia, pode ser pior. E a culpa vai ser toda minha. E ainda tem o , ele não pode saber disso. E as meninas e os...
-Ei! Calma! A gente vai dar um jeito, . Mas por enquanto é bom você ficar longe do . Pelo o que eu to vendo, a razão de você estar sendo ameaçada é por causa dele e a gente tem que descobrir o porquê
-Ai ... Fico feliz por você ficar do meu lado - sorri e dei um beijo em sua bochecha - Espero que o entenda.
-Você sabe que vocês vão ter que dar um tempo, certo? - confirmei com a cabeça - Mas não se preocupe, a gente vai dar um jeito e logo vocês estarão juntos, viu pequena?
-Obrigada . De verdade!



Capítulo Quinze.




Um mês se passou desde o ocorrido com a e muita coisa mudou nesse período. Desde aquele dia eu evito o , , , e . Tudo pela segurança deles, apesar de ter certeza que todos me odeiam. Infelizmente tive que ser estúpida com todos eles, mas foi o certo a fazer. e Hayley sempre ficaram do meu lado me dando apoio, mas somente o sabia de tudo o que tinha acontecido. Como eu não tinha recebido mais ameaças, deixei que os dois permanecessem do meu lado.
é o mais persistente. Vive me mandando mensagens pra gente conversar, que precisa me ver e que não é justo terminar assim, sem mais e nem menos... É claro que não é justo. Até agora a vida não foi justa para nenhum de nós.
Outra novidade: tive que sair da torcida. Engraçado. Eu mal entrei e já tive que sair. Bem, não foi culpa da Molly ou algo do tipo, mas sim, minha. Aí você deve está pesando o que é que eu fiz de errado pra sair da torcida, certo? Então...
-Meninas, eu quero que vocês façam esse movimento. Lauren, por favor...
-Ok, Kate! - Lauren foi para o centro da quadra de esportes e fez aqueles movimentos clichês que líderes de torcida fazem e depois deu três saltos seguidos
-Viram? É assim que se deve fazer. Agora todos nas suas posições - Kate disse ficando de frente para nós para nos analisar. No exato momento que eu fui fazer o primeiro movimento, me veio aquela ânsia de vômito. Coloquei a mão na boca e saí correndo para o banheiro não me importando nenhum pouco se eu tinha atrapalhado o treino. Cheguei em frente a uma das cabines e me tranquei na primeira que vi. Levantei rapidamente a tampa do vaso e joguei - literalmente - tudo o que estava me fazendo mau para fora. Minha garganta já estava latejando depois de tantas vezes vomitando quando finalmente parei. Eu estava suando frio e sentia o meu corpo mole, fraco. Fechei a tampa do vaso e me sentei em cima. Quando me senti um pouco mais disposta, saí da cabine e fui lavar meu rosto. Era isso. Eu iria para casa e foda-se o treino. Mandei uma mensagem para Kate avisando que estava saindo da escola porque não estava me sentindo bem. Então peguei uma autorização na coordenação e logo quando eu estava saindo pela porta principal, Kim esbarrou em mim. Aquilo já estava se tornando algo que fazia parte do meu cotidiano. Só semana passada, dos cinco dias de aula, três Kim fazia questão de se esbarrar mim. Aquilo era irritante demais, porém eu tinha, ou melhor, tenho coisas mais importantes para eu me importar.
Fui andando pelas ruas londrinas e com aquele friozinho gostoso de todas as manhãs. Se eu não tivesse tão mal quanto estava, eu teria parado na StarBucks duas ruas atrás do colégio. Enfim, o dia estava incrivelmente bonito - como sempre - mas o meu enjôo voltou e logo tudo o que era bonito, agora passava despercebido por mim. Assim que cheguei em casa, corri e me tranquei no banheiro do meu quarto. E todo aquele troço horrível era despejado novamente no vaso. Depois de um tempo, melhorei. Lavei o meu rosto, escovei os dentes para tirar o gosto ruim e tomei um banho.

Eu estava absurdamente pálida. Ainda no mesmo dia a febre veio. Pobre de mim que pensava que era só uma coisa passageira. Avisei meus pais que eu não estava bem, disse tudo o que estava acontecendo comigo e eles resolveram me levar para o hospital. ficou em casa com a Lu que já estava dormindo. O caminho de casa até o hospital parecia que não tinha fim. Assim que chegamos meu pai teve que pedir para os enfermeiros para que me colocassem em uma cadeira de todas já que eu não estava conseguindo me mover. Me lembro quando eu fazia academia em casa e era a mesma sensação. Eu não tinha comido nada e acabei passando mal... Era como naquele dia, só que um pouco pior.
-Ai...
-O que foi querida?! - meu pai perguntou desesperado
-Minha garganta ta doendo... Acho que foi de tanto vomitar
-Ok, levem ela para fazer uma bateria de exames e depois para tomar soro. Ela está muito fraca - o médico de plantão falou e depois fui levada para tirar sangue.

Aquele quarto todo branco estava me frustrando. Pelo menos eu já estava bem melhor e doida para sair daquele local. Minha mãe teve que ir para casa porque Lucy acordou e não conseguiu acalmá-la. Então veio para o hospital ficar junto comigo e com o meu pai. Eu estava encarando o fio que transportava soro para o meu sangue quando o doutor entrou no quarto, fazendo com que meu pai e se levantassem.
-Tenho ótimas notícias!
-E quais são elas? - perguntei sei hesitar.
-Tudo está ótimo com vocês! Foi só uma febre que você teve. Você tem que se alimentar melhor.
-Graças a Deus! - falou dando um suspiro de alívio.
-Você... Você disse vocês? - perguntei engolindo seco.
-Sim, senhorita. Você e o seu bebê estão bem! Não se esqueça de fazer o pré natal. Se vocês me dão licença, tenho que atender outro paciente - e ele saiu sem mais e nem menos do quarto.
-Eu... Eu to grávida?! - coloquei a mão em minha barriga. Encarei os meus parentes ali presente e pude ver o meu pai sentado com as mãos no rosto e com uma expressão séria.
- - ele disse simplesmente. Então eu vi a minha vida sendo atormentada para todo o sempre. Se antes eu era ameaçada por causa do , agora eu seria ameaçada por carregar um pedacinho dele. Como uma pessoa madura... Comecei a chorar. Sim, isso foi irônico. Eu tinha vergonha de voltar a encarar os meus pais e assumir o meu erro. Acontece que como eu não posso voltar atrás, eu vou criar meu filho sim! E eu não vou deixar que nada de mau aconteça com ele. Ou ela.
-... ... O que nós podemos fazer agora é só dar o melhor para essa criança mesmo que o não assuma ela - meu pai falou se levantado e ficando do meu lado - Você tem que se tornar mais responsável . Agora você tem um filho para criar
-Mas que porra... Por que você não usou camisinha?
-Mas eu usei, ! Pare de me julgar! - falei mesmo estando morta de vergonha
-Ai droga! Mas... - ele fechou os olhos com uma agressividade e saiu do quarto
-Pai... Eu...
-Tudo bem querida... Vamos te dar todo o apoio possível! Mal sabe ele que ele nasceu nessa mesma situação - ele deu um sorriso de lado sem mostrar os dentes - Não se preocupe, ele vai voltar uma hora ou outra
-Obrigada pai - sorri e o abracei - Você não sabe o quanto eu estou feliz por você me apoiar... E bem, eu também ainda estou assustada e...
-Tudo vai se resolver, querida, tudo!

O teto do meu quarto parecia bem atrativo aos meus olhos. Já era tarde da noite e eu fazia questão de me lembrar do dia em que eu descobri que estava grávida. Depois daquele surto do , ele veio me pedir desculpas e tudo ficou bem. Ou melhor, quase tudo. Eu estou tentando esconder a minha gravidez ao máximo que posso. Inventei que por motivos de saúde não poderia mais ficar na torcida, e foi aí que eu saí.
Todas as noites, sem exceção, eu pegava o meu celular e o colocava em cima da minha barriga. Ao som de All About You, meu bebê estaria mais próximo do pai e eu também. Essa música foi o que fez para mim com o início da sua banda chamada McFLY. Ele, , e finalmente decidiram se juntar e montar uma banda. Sempre soube que eles tinham muito talento para isso. Mas, voltando para a música... Ela é realmente linda e me conforta de todas as maneiras possíveis. Ainda mais por saber que ele ainda espera por mim. A única coisa que eu tenho medo, é que um dia ele se canse.
Hayley também estava sendo um amor de pessoa desde tudo o que aconteceu, mas ela não sabia da minha gravidez. Pedi para a minha família que somente nós soubéssemos disso, e mais do que ninguém sabia o porquê.
Estou com um mês e meio. Meu filho ou filha é tudo de mais importante na minha vida agora. Nunca, em nenhum momento pensei em abortar. Até porque apesar de todo esse perigo, é fruto do meu amor com o que daqui em alguns meses estará presente em minha vida. Eu nem tinha visto o seu rostinho e já o amava tanto!
Pensei até em alguns nomes, mas gostaria que estivesse presente na escolha.
Droga...
Isso não seria tão fácil.
Depois da música repetir umas cinco vezes, eu desliguei meu celular e tentei dormir.

-Formem duplas para fazer o trabalho - mal tinha fechado a porta e o professor de química já estava passando trabalho. Ótimo.
Dei uma olhada em geral em todos os alunos e todos eles já tinham dupla. Menos... Ele.
Tentei com todas as minhas forças controlar o meu sentimental que está muito sensível ultimamente. Com a cabeça baixa, fui em direção à cadeira ao lado de que ficava na última fileira do lado esquerdo. Me sentei na cadeira com certo cuidado para evitar o contato visual. Respirei fundo. Peguei meu livro de química e o meu estojo na minha mochila, colocando-os em seguida em cima da mesa.
-Você não sabe o quanto isso está me machucando - escutei a voz rouca de que também parecia cansada.
Permaneci em silêncio.
-Por favor... Fale comigo - senti que ele tinha virado o seu rosto para me encarar. Cometi o erro de lhe encarar de volta.
-... - mordi meu lábio inferior. Senti que estava passando mal
-Como eu sentia saudade da sua voz! Ainda mais quando você diz meu nome - ele fechou os olhos, deu um longo suspiro e depois deixou a mostra seus belos olhos - Meu Deus! Você está pálida! Está tudo bem?! - só tive o tempo de por a mão na boca tentando em vão evitar a ânsia de vômito e saí correndo da sala em direção ao banheiro mais próximo.

's POV


-Você não sabe o quanto isso está me machucando - disse ainda sem encará-la
Depois de alguns segundos em silêncio, tive a necessidade de fazer ela falar.
-Por favor... Fale comigo - virei de frente para . Como eu amo essa garota! Não estendi o porquê disso tudo... Por que ela decidiu complicar quando as coisas iam bem?!
-... - finalmente olho em meus olhos. Eu já disse que amo essa garota? Porra! Que saudade!
-Como eu sentia saudade da sua voz! Ainda mais quando você diz meu nome - fechei os meus olhos para tentar guardar toda aquela cena com todo amor em minha mente. Sei que isso pareceu gay, mas o cara quando tá apaixonado, ou melhor, quando o cara está realmente amando alguém, as coisas mudam...
Abri os meus olhos me deparando com o seu rosto pálido.
-Meu Deus! Você está pálida? Está tudo bem?! - meu instinto protetor falou alto demais. colocou a mão na boca e saiu correndo da sala. Meu coração bateu forte. O que estava acontecendo?! Tentei ir atrás dela, mas o imbecil do professor de química não deixou eu sair. Minutos depois eu já tinha desistido da minha atividade. Pra falar a verdade, nem tinha começado. Meu caderno estava todo riscando com notas musicais porque elas me tranquilizavam, não me pergunte o porquê, eu só sei o efeito que elas tinham sobre mim. Me desconcentrei dos meus rabiscos quando alguém bateu na porta da sala. Logo depois vi com uma cara preocupada vindo em minha direção. Pensei que ele iria falar comigo, mas ele só guardou o material da e depois saiu do local.
Mas que... Será que preciso escrever na minha testa que preciso de explicações?! Porra, , porra!

's POV OFF


Pensei que não iria aguentar e que iria vomitar na frente de todos... Meu Deus, ainda bem que eu não tive que enfrentar essa situação. Sorte minha que o banheiro mais próximo da sala de química era bem pertinho mesmo. Mandei uma mensagem para avisando o que tinha acontecido e ele foi pegar o meu material na minha sala pra depois me deixar em casa. Como já era o último horário, eu não iria perder muita coisa mesmo. ainda me levou para dar uma volta por Londres para eu distrair minha cabeça e parar de chorar. Culpa de quem? Dessa vez não é das estrelas senhor John Green. A culpa é de . Não que ele tivesse algo para me fazer chorar, mas a saudade que ele me fazia... Sinto até o meu coração doer de ter que me afastar dele. Bem, e agora que eu me lembrei do livro A Culpa é das Estrelas, acho que no lugar de Hazel eu não saberia o que fazer em relação ao Gus. Se eu tivesse no lugar dela e Gus fosse , acho que eu não teria mais motivos para viver. Pode até ser um exagero, mas pelo menos eu acho que não. É assim que eu me sinto em relação ao , como se dependesse dele para ter uma razão para viver. Por mais clichê ou não que fosse, ele é a droga, ele é meu vício.

Alguns minutos depois eu cheguei em casa planejando ir direto para o meu quarto e descansar um pouco. Eu tinha muito medo que qualquer coisa prejudicasse o meu bebê, mesmo as "sessões" de enjôo e vômito serem partes da gestação. Antes eu fui na cozinha comer algo porque agora a minha fome tinha se multiplicado. Escutei falando baixo com alguém, mas devia ser com o meu pai ou com a minha mãe. Deixei de lado e tornei a me concentrar em meu serial com iogurte. Sim, odeio com leite. Fica muito sem graça.
Já satisfeita, fui subindo as escadas em direção ao meu quarto. Abri a porta e depois a fechei rapidamente. Tirei meu sobretudo, peguei uma calça de moletom e uma blusa branca com mangas compridas, minha roupa íntima e depois entrei no banheiro. Depois de devidamente limpa com direito a enrolar debaixo do chuveiro, voltei para o meu quarto. Assim que me virei para a minha cama, me assustei e acabei soltando um grito. Ninguém menos do que Jones estava sentado nela com a cabeça baixa e o rosto escondido pelas mãos, um livro de lado que me parecia familiar e um papel branco em mãos. Quando dei meu sinal de vida, ele se espantou e olhou em minha direção. Seus olhos estavam vermelho, seu rosto estava encharcado e os seus cabelos bagunçados.
entrou no quarto na mesma hora.
-Porra, ! Eu disse pra você não entrar aqui! - parecia revoltado, mas não dava a mínima.
-Você pode me explicar isso? - disse com a sua voz arrastada e insegura, me entregando o papel que estava em suas mãos.

Alguém aqui está sendo enganado, . Sua namoradinha carrega um ser fruto da foda de vocês. Ela realmente está querendo brincar, né? Então, que continuem os jogos! As coisas vão ficar mais interessantes.


Não acredito. Aquilo não podia estar acontecendo! NÃO PODIA! Tudo iria dar errado agora, minha vida, , nosso filho, nossos amigos, minha família...
Eu estava enojada com o modo com que a tal pessoa que escreveu o bilhete falava do meu filho. Essa pessoa realmente tem um coração de pedra. Por que todo esse ódio?! Pelo amor!
Comecei a passar mal e a chorar. Quando me dei conta, estava novamente no banheiro vomitando.



Capítulo Dezesseis.




- Não deixa ele entrar aqui!
- Eu já tranquei a porta, relaxa - disse se sentando no chão do banheiro assim que eu fechei a tampa do vaso e puxei descarga.
- Não queria que você tivesse visto isso... Eu...
- Ei! Eu sou o seu irmão e estou aqui para lhe ajudar em qualquer coisa! Não se esqueça disso - ele falou se levantando e ficando ao meu lado. Suspirei fundo. Apoiei as minhas duas mãos na pia e me encarei no espelho. Eu estava extremamente pálida e com o rosto cheio de manchinhas vermelhas devido a força que fiz para... Bem... Você sabe o quê.
Escovei os meus dentes três vezes para ter certeza de que o gosto amargo tivesse saído da minha boca. Depois encarei meu irmão como se implorasse para que me deixasse fugir dali, porém ele apenas segurou a minha mão forte. Fechei os meus olhos assim que escutei o barulho da chave destrancando a porta.
Assim como Hazel Grace de A Culpa é das Estrelas dizia, minha vida é como uma granada. E ela parecia que ia detonar a qualquer momento.
Abri os meus olhos com medo de encarar aquele que faz meu coração bater forte. Ele me encarou com o seu rosto inundado por lágrimas e com a aparência preocupada.
- Você está bem? - perguntou e eu somente fiz um gesto com a cabeça afirmando.
- Eu vou ficar lá fora. Isso precisa ser resolvido só entre vocês. Qualquer coisa... Me chamem - disse afrouxando seu aperto de mão e saindo do meu quarto. Ele fechou a porta bem devagar, porém o barulho parecia ter sido ensurdecedor.
- - me sentei na cama assim que senti as minhas pernas quererem vacilar e as minhas mãos tremerem. Comecei a chorar na frente dele. Aquilo realmente tinha que ser feito. Eu não tinha escolha.
- Calma... - ele suspirou pesadamente - Vem cá - disse se sentando do meu lado e me abraçando. Nem preciso dizer o quanto eu sentia falta de estar naqueles braços. Continuei chorando e molhando cada vez mais a sua blusa. Ele sussurrou algo, mas não consegui ouvir.
- Desculpa... O que você disse?
- Eu estou com medo - fazia um carinho nos meus cabelos - Eu estou pensando em várias coisas absurdas e... Eu estou com medo do que você tem pra falar pra mim - quando eu ia falar algo, me interrompeu.
- Mas saiba que independente do que seja, qualquer coisa, eu vou estar ao seu lado porque você é o amor da minha vida. E eu tenho que te dizer uma coisa que já está guardada aqui a muito tempo - ele apontou pra região onde fica o seu coração - Eu amo você! Eu amo você e não há ninguém nesse mundo que me faça desistir de você, de viver ao seu lado, de ser o cara pelo qual arranca suspiros e sorrisos seus. Eu amo você e é isso que me faz completo, que me faz feliz e é o que importa!
Definitivamente eu estava sendo a mulher mais sortuda do mundo por ter falando aquelas palavras para mim. Aquelas palavras. Sim, eu não iria esquecê-las tão facilmente. Meu sorriso surgiu da minha feição triste porque eu tinha que mostrar para ele o quanto eu estava feliz. Não resisti e lhe dei um selinho demorado.
Aquele pequeno contato me fez perceber o quanto eu estava sentindo a falta daquele garoto na minha vida. E o quanto eu estaria ferrada com ele ao meu lado. Me pergunto se estaria fazendo ou não a coisa certa.
- Meu amor
- Diga minha linda - ele sorriu
- Com toda certeza não vou superar as suas palavras, até porque não to conseguindo raciocinar direito no momento - ele riu levemente - Mas de uma coisa eu tenho certeza - encarei seus belos olhos - Eu amo você - sorriu e iniciou um beijo apaixonado. Meu coração estava batendo tão forte que tive a impressão que ele poderia pular e sair andando por aí. Porém, tive que cortar o beijo. Afinal, ele ainda não estava sabendo de tudo o que estava acontecendo.
- ... ... - falei em meios aos selinhos dele
- O que foi? - ele perguntou preocupado
- Ainda não te falei a razão de tudo isso - mordi os lábios
- Ah desculpa amor. Pode falar - ele sorriu e me deu um selinho
-Tudo bem... Ãhn... Não sei por onde começar e sou péssima em dar notícias, então - fui até o meu guarda roupa e peguei um par de sapatinhos verdes e levei até ele - Acho que isso esclarece - peguei sua mão carinhosamente e coloquei em minha barriga. Vi ele abrir a boca várias vezes, mas não saía nem um som. desistiu de falar e me puxou para mais um beijo.
- Por que você não me falou antes, ? Você ia criar ele sozinha? Você... - ele respirou - O que eu estou fazendo? - ele perguntou mais para si - Olha só, eu não vou abandonar vocês, viu? Nunca! Você é a mulher da minha vida e agora está carregando um filho nosso. Apesar de ser muito cedo, isso não impede de eu dizer o quanto eu estou feliz por você ser a mãe do meu filho - ele sorriu de lado - Amo você... Ou melhor, vocês dois - fez uma careta mostrando que estava confuso
- Que bom que você reagiu bem - ri de leve e lhe dei um beijo rápido em seguida - Mas não é só isso
- O quê? São trigêmeos? - ele fez uma cada de assustado
- Não bobo - ri um pouco nervosa - Acho que essa parte pode contar por mim - baixei a cabeça. Olhei para seu rosto que parecia bem confuso e depois abri a porta do quarto chamando que estava sentado no corredor mexendo no celular - Acho que não consigo falar mais uma vez, então... Você pode falar por mim?
- Ah... Dude, ela ta grávida - falou naturalmente assim que sentou do lado de e eu abri a boca assustada com a naturalidade dele
- Ele já sabe disso. A OUTRA coisa! E... Sério que você daria essa notícia assim? Leso! - ele mostrou língua
- Ok... A parte mais séria agora. , me dá o seu celular e os bilhetes
- Bilhetes? - perguntou curioso
- É dude. Papel, celulose e tal - bati no ombro dele. Nessa situação e ele ainda queria fazer piada - Foi mal, adoro bagunçar com ele - rolei os olhos e depois fui pegar as cartas e lhe dei o celular. Sentei ao lado de e apoiei minha cabeça em seu ombro.
Tudo parecia cena de filme antigo e mudo. Os gestos de pareciam lentos ao analisar todos os bilhetes e as mensagens do meu celular enquanto ia lhe explicando a história toda. Cada bilhete que ele lia, seu olhar se encontrava com o meu como se dissesse que estava frustrado por não ter ficado por dentro do que estava acontecendo e agoniado com o que se tratava. Era meio difícil de decifrar , já que a cada momento ele mudava o seu jeito de reagir. No final, ele ficou com uma expressão séria, que admito, até eu tinha ficado com medo.
- Quem é esse filho de uma puta que tá fazendo isso?! Quero saber se ele não tem mais o que fazer da vida! Vou chamar a polícia! - ia pegando o celular, mas fez isso antes
- Tá louco?! Dude, se você chamar a polícia pode ser pior! Nós mesmos temos que dar um jeito pra resolver isso - falou colocando o celular de longe do dono
- Acontece meu caro , que agora eu tenho uma família e não vou deixar que nenhum babaca toque um dedo se quer na ou no bebê - me abraçou de lado como se aquilo fosse me proteger de qualquer coisa
- Acontece meu caro , que justamente agora que você tem uma família que você tem que tomar mais cuidado com o que você vai fazer - falou dando um tapa na cabeça do - Entendeu ou tá difícil?!
- Mas... PORRA! - deu um grito. Me assustei - Desculpa amor - ele me deu um selinho rápido
- Tá tudo bem - coloquei meu rosto em seu pescoço
- Eu só não consigo entender o porquê de tudo isso
- Não é só você, ... - sussurrei
- E agora? - ele perguntou minutos depois
- Cara, não sabemos o que fazer - passou a mão em seus cabelos. Tirei meu rosto do pescoço de e fitei algo que estava no chão.
- ?
- Que foi linda?
- O que é... Isso é o diário do seu avô? - falei indo pegar, porém me interrompeu e o pegou primeiro
- Desculpa, não quero que você faça esforço - ele coçou a nuca - E sim, é o diário do meu avô
- Bobo - ri de leve
- vai ficar todo babão - riu
- Para cara...
- Aw você ficou coradinho
- Para de zoar
- , preciso morder suas bochechas - disse do jeito mais gay possível. Não aguentei e comecei a rir, assim como eles
- Só eu posso morder a bochecha dele. Pode tirar o seus olhinhos de piranha atirada pra cima do - falei mordendo a bochecha do pai do meu filho. Quem diria? Ele estava comigo e eu ainda não acreditava. Parece que uma hora ou outra eu vou acordar e ele vai estar longe de mim - Mas voltando ao diário - ri baixinho - Por que você trouxe ele? - fitei
- Porque eu tava me sentindo inseguro e peguei ele pra ler. Mas ainda não li
- Ô casal! Eu vou comer - saiu do quarto sem esperar o "vai lá" que eu dei assim que ele fechou a porta do meu quarto
- Mal educado! - escutei uma risadinha - O que você tá rindo ein?
- Nada - ele mordeu o lábio divertido - Só estou muito feliz por estar aqui com você meu amor
- As pessoas não podem ser fofas! Dá vontade de morder
- E de beijar, não dá? Passei muito tempo sem saber o que era beijar. Acho que desaprendi - bati de leve em seu ombro
- É sério? Você não ficou com ninguém nesse tempo?
-Só tenho olhos pra você. Eu... Eu necessito ter você. Algo aqui - ele pegou minha mão e colocou em seu peito - Diz isso. "I can't live without you". Lembra?
- Não tem como esquecer - sorrimos. Voltei meu olhar para o diário do avô de - Você ainda quer ler?
- Você é muito curiosa - ele riu - Não sei...
- Quer que eu leia pelo menos a primeira página? Caso tenha algo que eu ache que você não goste, eu te aviso e você não lê mais - ele fechou os olhos por alguns segundos e depois os abriu
- Tudo bem... Vá em frente - me passou o diário que estava ao seu lado e eu sorri para reconfortá-lo.
Abri a capa do diário um pouco tensa. Senti que tava invadindo a privacidade de alguém, e bem, literalmente eu estava. Porém eu estava fazendo isso pelo , que agora estava fitando os seus pés. Voltei novamente para o diário.
Na primeira página? Nada.
Na segunda? Também não.
Fui passando as páginas e parei na metade do diário. N-a-d-a estava escrito ali, então, porque o avô dele daria algo vazio para ele? Ainda mais um diário, onde o objetivo é preenche-lo todo com o dia a dia da pessoa que é dono dele. Estranho.
- ... Não tem nada aqui
- Ãhn? Como assim nada?! - ele desviou sua atenção dos seus pés e me fitou
- Nada, amor. Seu avô lhe deu um diário sem nada escrito
- Não é possível! Deixa eu ver... - quando eu ia entregar o diário para ele, entrou no quarto com tudo, me assustando e fazendo com que o diário caísse das minhas mãos.
- Porra, dude! Você quer mesmo matar ela do coração?
- Foi mal . Foi mal . Mas é que eu tava tentando fazer um miojo na cozinha e eu acabei fazendo merda. Vim pedir ajuda
- Tudo bem, tô indo lá...
- Calma! - me puxou devagar - O que é isso? - ele se agachou para pegar um papel vermelho que estava entre as folhas do diário.
- Quer que eu leia?
- Não amor, tudo bem... - ele falou abrindo o papel vermelho que estava dobrado - Vou ler em voz alta

"Querido diário"... Não, não tenho tempo para isso. Tudo está acontecendo de uma maneira tão rápida e assustadora que eu não tenho tempo para escrever em um diário como eu pensava.
Você, meu parente que ainda nem deu o primeiro suspiro da vida, deve estar se perguntando o porquê de um diário, certo? Então, eu comprei ele porque precisava de um lugar para desabafar todo o meu desespero e medo, mas como você viu, não consegui colocar nem um simples "oi".
Ok, vamos para o ponto principal.
Querido filho(a), neto(a) ou bisneto(a), espero que você tenha lido essa carta antes de que tudo aconteça ou piore. A cor vermelha foi justamente para lhe chamar a atenção. Continuando... Você está correndo perigo.
Mas antes tenho que lhe falar uma coisa: como tudo aconteceu.
Tive a grande felicidade de encontrar o amor da minha vida. Ela sempre foi a razão de tudo, até mesmo do meu respirar. Ah, você não sabe o quanto sinto falta dela!
Um tempo depois que a conheci, começamos a namorar, porém algo de estranho deixava ela toda esquisita comigo. Até que um dia fui mexer em seu celular e vi uma mensagem a ameaçando. Ameaçando de matá-la caso não se separasse de mim. Coisas horríveis aconteceram como um amigo dela sendo assassinado e uma mensagem ao lado do seu corpo com a seguinte frase: eu avisei.
Isso me deixou louco. Muito. Ainda estou, pra falar a verdade.
Tive que me distanciar da garota da pulseira com o pingente de lírio. Assim todos estariam seguros, mesmo eu me matando por dentro por estar longe dela.
E como eu sei que você está correndo perigo? Meu caro filho(a), neto(a) ou bisneto(a), descobri uma coisa muito importante e, de certa forma, assustadora.
Isso não é de agora.
Eu fui atrás de quem estava fazendo isso, pesquisei sobre tudo, até coisas banais... O que me fez olhar a história que carrega o meu sobrenome e a que carrega o sobrenome dela. E sabe o que tinha lá? Todas as coisas que estão acontecendo comigo. Exato. Todas as coisas, as mesmas, todos detalhes já aconteceram em toda minha geração anterior. Fiquei sabendo que o meu bisavô foi o último antes de mim que passou por isso. As ameaças, os assassinatos, um amor proibido separado por um anônimo filho da puta. Sim, tudo isso já está escrito na sua vida. O que ainda não descobri é o porquê disso, porém a triste notícia é que em todos esses casos, o casal é separado e acaba se casando com outra pessoa. Já sei que nunca mais vou tê-la ao meu lado.
Nunca!
Espero que você consiga mudar isso.
Desculpa se eu não te contei isso pessoalmente, mas acredite, essa é a forma menos arriscada de trazer algum problema a mais. A última mensagem que a minha garota recebeu foi a seguinte:
"Se você contar isso pra alguém... Ninguém irá acreditar em você, e claro, isso terá consequências. Não deixo nada passar, nem um sussurro seu"
Fique atento(a).


- Mas que porra é essa?! - gritou e eu já estava querendo chorar sangue, já que sentia que não tinha mais lágrimas para derramar
- Isso não pode estar acontecendo - falei com a minha voz arrastada. Meu irmão veio me abraçar
- Vamos dar um jeito minha pequena. Cuidado, você não pode ficar assim... Pense no bebê
- Eu preciso de algo pra me acalmar
- Amor? Escuta uma coisa. Ninguém vai separar, ninguém vai fazer nada pra gente porque eu não vou deixar, está bem? - segurou no meu rosto e me deu um selinho demorado
- Você leu alguma coisa sobre bebê, ?! Você percebeu que a nossa situação é pior?! Nós fomos os únicos que conseguimos ter um filho juntos! Meu Deus... Não posso perder meu filho! E nem você! - me desgrudei de e abracei
- Dude, pega água com açúcar pra ela se acalmar - escutei dizer enquanto eu enterrava meu rosto em seu pescoço
- , meu amor, isso não vai acontecer! Grave bem essas palavras: isso não vai acontecer! Dessa vez vai ser diferente
- Mas ...
- Mas nada! Não vou deixar você um segundo se quer. Vou falar com os seus pais pra eu poder morar aqui. Sou o pai do seu filho e eles me amam. Não vão recusar a minha proposta.

Passaram-se cinco dias desde o pesadelo do papel vermelho. Estou fazendo de tudo para que eu não fique nervosa ou algo do tipo, porque isso pode prejudicar o bebê. Minha vida está se resumindo em ir pra escola, casa, escola, casa... Ok, você entendeu. Enfim, as coisas estão ficando mais tensas e eu tenho medo disso. Daqui a pouco a minha barriga vai começar a aparecer e imagino que isso possa enfurecer esse maldito anônimo que vem me ameaçando, mas eu não posso fazer nada. Esse é o problema. O que eu ia fazer? O que seria de mim, de , do meu filho e de todos que são próximos de mim?
Hayley me chamou para ir a sua casa passar algumas horas batendo papo. Conversei sobre isso com e ele disse que era bom eu me distrair. Então aqui estou eu apertando a campainha pela terceira vez, já que ninguém me atendeu. O que me deixa aflita por estar sozinha do lado de fora em uma rua completamente deserta. Quando eu ia desistir e ligar para vir me buscar, ela abriu a porta. Suspirei aliviada.
- Nossa amiga, você está branca! Venha, entre - ela deu espaço para eu passar
- É que eu tava agoniada aqui fora nesse frio - menti - E você demorou pra abrir a porta pra mim - fiz bico
- Oh amiga, desculpa... Tava no banho
- Sua safada, seu cabelo nem tá molhado - falei indo em direção ao sofá
- Mas eu sequei o cabelo assim que eu terminei de tomar banho, . Deve ter sido por causa do secador que eu não te escutei - ela se sentou do meu lado
- Aceito seus argumentos. Quero chocolate quente. Vai logo minha criada - disse me deitando no sofá e colocando meus pés na sua coxa
- Abusada só um pouco - mostrei língua pra Hayley enquanto ela saía da sala. Virei minha cabeça para vê-la indo para a cozinha e acabei esbarrando o olhar em uma portinha. Estranho, nunca tinha reparado naquilo.
- Hayley?!
- Fala! - ela gritou da cozinha
- Que portinha é essa perto da sala? - ela demorou pra responder - Ta viva ainda?
- Desculpa! É que eu tava segurando o grito de dor. Encostei meu dedo na panela quente sem querer... Droga! Bom, é tipo um lugar que o meu pai guarda as tralhas dele
- Ah ta... Cadê o meu chocolate quente?!
- ABUSADA!



Capítulo Dezessete.



Hayley é uma pessoa maravilhosa e me sinto mal por ter que esconder grande parte do que está acontecendo comigo. Quando contei a ela que tinha voltado com e que agora eu esperava um filho dele, ela ficou extremamente irritada de início por eu não ter contado nada, porém ela deu um dos seus surtos de mudança de humor e começou a dizer que queria comprar umas roupinhas pro bebê. E em relação ao , eu não tive mais o porquê de não estar mais ao lado dele, até porque a pessoa que está me ameaçando já sabe que eu já estou bem com ele e que estou grávida, então acho que nos juntarmos, como ele mesmo disse, é o melhor a se fazer para tentarmos resolver esse problema juntos.
Depois que saí da casa de Hayley, liguei pra vir me buscar. Assim que entrei no carro, ele atendeu o telefone.
- Oi !
...
- Aham
...
- Aham
...
- Tudo bem
...
- Tem certeza?
Ele me fitou.
- Ta certo. Vou ver aqui - segurou minha mão - Beijo
- O que ela queria? - eu estava morrendo de saudades dela e da , mas ainda não sabia se era o certo me aproximar delas e do e do novamente. Meu coração apertava só de pensar neles e como eu falei com pela última vez. Sinto muita falta deles.
- A quer ver você
- Sério?! - sorri - Mas não é perigoso? - desfiz meu sorriso
- É isso que eu tava pensando... Mas podemos dar um jeitinho meu amor, pra tudo se dar um jeito
- O quê por exemplo?
- A gente podia chamar ela pra ir lá na sua casa. O anônimo idiota - falou fazendo com que a sua expressão facial ficasse dura - sabe que você não tá falando com nenhum deles, então ele vai pensar que a vai pra lá só para passar a tarde comigo e com o
- E como ele vai saber que eu não vou querer nada com ela?
- , pensa... O que aconteceu com a ?
- O acidente - disse num sussurro. Não gostava de lembrar porque sabia que a culpa era minha.
- E você vai querer isso pra um deles? Pro ? Pro ? Pra ? Pra de novo?
- Claro que não!
- Então...
- Ah! Entendi - dei um selinho nele - Você é um gênio, !
- Não meu amor, você que é lerda as vezes - ele riu
- Ha ha. Palhaço - ele me deu um selinho antes de dar a partida no carro.
- Bom dia mamãe! - estava sentada debaixo de uma árvore perto do pátio da escola quando Hayley me deu um susto.
- Shiu!
- Relaxa , ninguém está por perto. E outra, uma hora vai aparecer essa barriga linda
- É, mas por enquanto prefiro que ninguém saiba
- Credo, que mal humor - Hayley fez careta
- Desculpa, meu emocional está muito retardado esses tempos - ri fraco
- Mas você é retardada, amiga. É diferente. Não culpe o bebê
- Idiota - mostrei língua
- Ai, preciso entregar o trabalho de química pro Frank - ela bufou
- Ele que é a sua dupla? - ri
- É. Qual a graça? Não tenho cara de palhaça
- Olha... - comecei a rir e ela me deu um tapa na cabeça - Ai! Você está batendo em uma grávida indefesa
- Agora você diz que ta grávida né?! Se aproveitando da situação, muito bonito
- Eu?! Imagina! Vem, vamos atrás do Frank
- Só te perdôo porque você vai me ajudar a encontrar ele
- Hayley, você faz muito drama. Ele é um gato
- Meu amigo vai ficar muito feliz com esse comentário - ela fez cara de sapeca enquanto caminhávamos
- Foi só um elogio - rolei os olhos - E o Frank é um cara bacana, lindo e inteligente. Você deveria dar uma chance pra ele. Jogar o seu charme e rebolar esse popozão lindo que a sua mãe lhe deu
- Não, para amiga. Para que não ta legal.
- Não te entendo - ri
- Ele é gato...
- HÁ! VOCÊ ADMITIU - ela tampou a minha boca com a sua mão e eu a mordi
- AI SUA CORNA!
- Credo. Corna não. Deus me livre. Mato o se ele fizer isso
- Por que você me mordeu?
- Porque você tampou minha boca - fiz bico
- Mas você gritou que nem uma louca
- Me empolguei, foi mal
- Tá desculpada - rimos. Quando desviei meu olhar de Hayley, percebi que estava me encarando de longe, mas ficou envergonhada quando eu a peguei me olhando e se virou voltando a conversar com - O que foi amiga?
- Ela nunca vai voltar a falar comigo? - falei baixinho
- Não sei... - ela entortou a boca - Um dia vocês vão se resolver. Relaxa - falou me abraçando
- Ela me viu vomitando
- Como assim?!
- Ela tava no banheiro quando eu tive aquela vontade de grávida de vomitar
- Você acha que ela desconfia?
- Não sei, Hayley
- Tudo bem, vamos pensar nisso em outra hora. Agora vem que eu ainda tenho que achar o pateta
- Hayley?! Olha o bullying - ri
- Ele tá ali! - ela me puxou com tudo
- Calma, mulher!
- Hey! - ela chamou a atenção dele
- Oi, Hayley. Eae, ! - ele sorriu estilo galã
- Oi - sorri de volta
- Tá aqui o trabalho - ela falou tirando-o da sua mochila
- Legal. Quinta a gente se reúne pra terminar de treinar a nossa apresentação, beleza?
- Tudo bem. Vou indo, tchau
- Tchau meninas
- Tchau! - gritei assim que Hayley me puxou
- Bunda gostosa
- Não acredito que você falou isso, Hayley! - comecei a rir - Realmente, não entendo essa cabeça estranha
- Ele gostoso, mas...
- Mas?
- É muito pateta - ela começou a rir. Avistei correndo em minha direção.
- Desculpe, Hayley. Mas vou roubar minha namorada um pouquinho
- Não tem problema. Essa daí já estava torrando minha paciência
- Mas que... Metida! - mostrei língua
- Ótimo - me deu um selinho e me puxou - Tchau Hayley!

Já tinha acabado as aulas do dia e me puxou direto para o seu carro sem deixar eu me despedir direito de Hayley e de . Mandei só uma mensagem para o meu irmão o avisando de que tinha saído com . Ao som de alguma música qualquer, porém legal que estava tocando na rádio, mostrava todos os seus lindos e brancos dentes enquanto dirigia. Não tinha a mínima ideia pra onde ele estava me levando, e como eu sou curiosa, não aguentei nem mais um segundo e resolvi perguntar.
- O moço sorridente pode me dizer onde estamos indo?
- É surpresa
- Aaaaa - fiz bico
- Pode parar com o bico que eu não vou falar. Falta uns quatro quarteirões, relaxa aí meu amor
- Isso é maldade - quando paramos em um sinal vermelho, ele riu e me deu uma mordida na bochecha - Você vai gostar e vai ficar toda boba - bufei. Mais três quarteirões depois, que mais pareciam uma eternidade, finalmente parou o carro.
- Não acredito... - olhei para a loja ao meu lado direito
- Vamos comprar quatro roupinhas pro nosso filho - ele sorriu
- Ai amor - lhe dei um beijo rápido - Vamos!
Entramos na loja e eu realmente fiquei toda boba. Não sabia pra onde ou o quê olhar. Parei quando eu vi um conjunto verde claro, que servia tanto pra menina quanto pra menino. O que era bom, já que eu não sabia o sexo do meu filho.
- Ai... Consigo até imaginar ele vestindo isso - peguei a roupinha e mostrei pro
- Ela, amor. Vai ser uma menina - ri
- Você acha? - passei a mão na minha barriga - Só sei que, sendo menina ou não, vamos amar muito. Ta escutando meu filho? - fitei minha barriga
- Ou filha - riu - Vem, quero um conjunto branquinho pro bebê
Saímos de lá igual a dois pais de primeira viagem babões. Compramos o conjuntinho verde, um branco que escolheu, outro vermelho, mais um amarelinho, uma toca branca e um par de sapatinhos brancos. Admito que foi muito difícil escolher só aquilo, sendo que tinha várias outras opções na minha frente. Mas por enquanto, vamos comprando devagar. Depois me levou até uma sorveteria ali perto antes de irmos pra casa. Quando cheguei, Lucy veio correndo em minha direção me puxando pra ajudar ela em um desenho. Eu estava tão apegada com ela... Adoro a pequena Lu. E o bom é que já posso treinar de ser mãe com ela. Ponto pra mim.
- ? Você pode pegar o amalelo pra mim? - ri
- Amarelo, minha linda. Repete comigo. A-ma-re-lo
- A-ma-re-lo
- Agora fala rápido
- Amalelo - cai na gargalhada
- Vem cá meu amor - peguei ela e a enchi de beijinhos - Depois eu te ensino a falar essa palavra chata ta?
- Não é chata, eu gosto de amalelo - não me contive e ri novamente, em seguida, mordi de leve sua bochecha.
- Vejo que alguém aqui ta se divertindo muito - falou tomando um gole de sua coca - Estou com ciúmes - e na mesma hora, Lucy mandou língua
- Ah sua sapeca! Não estou mais - ele mostrou língua - Se divirtam...
- Nãaaao ! Vem cá! - peguei Lucy no colo e fui até ele dando um abraço, e até a Lu que deu língua pra ele, o abraçou.
- Agora sim - ele riu - Duas das mulheres da minha vida
- Quantas mulheres você tem na sua vida? - franzi o cenho
- Quatro. Mamãe, você, Lucy e Hayley
- Ah ta
- Eu sou a plimeira!
- Claro que sim, Lu. Sempre será você minha pequena

Ando muito aflita esses tempos. Um pouco paranóica, talvez. Quando olho pela janela do meu quarto pra ver como está o movimento na rua, sinto como se tivesse sendo vigiada, porém não vejo ninguém me encarando, o que é estranho. Todos estão passando por ali rapidamente dentro dos seus veículos, outros estão caminhando e tendo a companhia de seu cachorro, ou crianças estão brincando de alguma brincadeira boba em que eles tem que correr. E eu? Bom, eu fico imaginando a história de cada uma daquelas pessoas e se alguma tem alguma coisa contra mim.
disse que era pra eu relaxar mais, e que essa minha preocupação toda poderia fazer mal para o bebê. Concordo, mas eu não sei mais o que fazer. A única coisa que penso é que eu tenho que ficar em alerta pra no caso de qualquer coisa estranha acontecer. Fechei a cortina do meu quarto e voltei a me deitar.
- ? - escutei uma voz rouca
- Oi - me levantei e o encarei
- Está pronta? - balancei a cabeça confirmando - Tudo bem, então vamos - disse ajeitando a sua touca.

Desde aquele outro dia em que ligou para , se passaram várias semanas. Estávamos esperando dar um tempo e escolher um momento adequado para que não seja nada suspeito. E hoje eu estava completando três meses grávida. Minha barriga já estava saliente, mas nada que um casaco grosso do não possa esconder. Tem mulheres que conseguem esconder até o seu 5º mês de gestação, então por que eu não conseguiria esconder três?
Além de , os outros também estavam me aguardando na sala. Sim, todos também fizeram questão de me ver, e eu não consigo explicar o quanto estou envergonhada mesmo antes de ver eles. Depois de tudo o que aconteceu, eles ainda queriam me ver, queriam entender, e eu fico feliz por eles realmente não terem me abandonado de verdade. A única coisa que me incomoda é que fiquei horas conversando com o e com pra pensar no que é certo a fazer. Pensei em várias mentiras pra contar pra eles, mas não me conformava de ter que ser falsa com cada um. sugeriu que eu falasse que estava abalada demais com todo o sentimento de perca que tinha voltado em relação aos meus pais, e que preferia sofrer sozinha. Não achei a ideia muito convincente, mas como não tínhamos outra melhor, escolhi essa mesmo.
Cada passo que eu dava em direção à escada, parecia uma tortura. Eu queria acabar logo com aquilo. Queria viver em paz, com os meus amigos, com a minha família, com o amor da minha vida e com o meu filho. Mas eu estava sendo obrigada a passar por tudo aquilo e também estava extremamente irritada com tudo. Acredito que os meus emocionais como grávida estão me abalando mais ainda.
Primeiro degrau. Meu coração batia forte.
Terceiro degrau. Apertei a mão de .
Quinto degrau. Eu já estava com vontade de correr e me trancar no meu quarto como uma criança.
Sétimo degrau. Senti minha boca ficar seca.
Nono degrau. Não tinha mais jeito, teria que os encarar de frente.
Senti apertando minha mão, e como um gesto de reação ao sentir seu toque, o encarei. Seus lábios estavam abertos deixando seus belos dentes a mostra.
Nada mais, nada menos do que um sorriso de para me fazer sentir mais segura.
Quando virei o meu rosto em direção a sala, senti vários olhos sobre mim esperando que eu me manifestasse. Paralisei por alguns segundos, mas voltei a reagir logo e suspirei pesadamente. Assim que tomei o fôlego para iniciar um diálogo e quebrar o silêncio existente, outra pessoa resolveu adiantar meu serviço.
- As coisas podem ser mais fáceis, - que estava com uma expressão dura, se dirigiu a mim.
- Do que é que você está falando? - um arrepio percorreu pelo meu corpo. Será que ela sabia de algo do anônimo?
- Deixe desse teatro, . Nos faça esse favor. Você sabe muito bem do que nós estamos falando.
- Calma, . Não precisa ser assim também - chamou a atenção do .
- Calma?! Só quero entender o porquê disso tudo - ele falou passando as mãos pelos seus cabelos, os arrepiando.
e permaneceram calados ao meu lado. Talvez prefiram reagir se a situação ficar mais tensa. Não os culpo. Não quero criar nenhum clima ruim entre eles por minha causa.
- Eu posso explicar, . Se você me deixar me falar, é claro - minha voz saiu tão tranquila que até mesmo eu me assustei.
- Como você consegue ficar calma, garota?! Você tem noção do que fez?! - explodiu - Você sumiu da porra do hospital sem mais e nem menos, e todo mundo ficou preocupado. Eu que estava toda ferrada, tava tentando ignorar a porra da dor da minha perna, ou melhor, de todo o meu corpo, pra quê?! Pra você sumir e parar de falar com a gente por pura infantilidade. Sinceramente, não sei que caralho aconteceu pra você fazer isso tudo e depois dar uma de santa virgem, e querer voltar a falar com a gente - estava ofegante e como uma estátua ao seu lado.
- , age e toma conta da tua namorada - disse apontando pro . Meu coração estava acelerado, minhas mãos soadas, meu rosto encharcado de lágrimas e a minha visão turva. Em questão de segundos, não consegui me sustentar em pé e me apoiei em .
- Amor?! Vai ficar tudo bem! Respira devagar. Tente relaxar. Cuidado com o bebê! , vai pegar água pra ela! - eu estava prestes a vomitar, então nem dei a mínima por ele ter entregado a minha gravidez para todos que estavam ali presente.
- Bebê?! - todos, menos e , falaram em coro.
Quando pisquei, nem me toquei que já estava no banheiro com a tampa do vaso sanitário aberta.
tinha estava ao meu lado, e como eu não conseguia impedir dele estar ali comigo por estar fraca, tentei ignorar a sua presença.
Fechei a tampa e dei descarga. Escovei os meus dentes o mais rápido possível, fiz um coque no meu cabelo e me virei, encarando . Bastou eu encarar os seus olhos pra começar a chorar. Senti os seus braços me acolhendo e escutei a sua voz rouca dizendo que tudo ia ficar bem. Ele me tirou do banheiro e se deitou junto comigo na minha cama. Fiquei chorando baixinho, molhando a sua camiseta, sentindo o seu carinho nos meus cabelos e escutando uma música que ele cantava baixinho. Foi então que adormeci com a voz rouca de cantando All About You.

POV - 3ª pessoa

Aquela noite parecia mais fria que o normal, mais morta que o dia dos finados e mais escura, se é que era possível. A rua estava completamente vazia e com um toque sinistro. As nuvens ocuparam o espaço das estrelas e da lua, deixando tudo mais opaco, sem brilho e obscuro.
Um rapaz não deixou isso o abater. Mesmo tendo que ir andando ao invés de ir dirigindo - porque o seu carro estava com problemas no motor - ignorou todos esses fatores e colocou uma música do Muse para tocar no volume máximo, enquanto fazia sua trajetória. Seu destino estava um pouco longe, mas ele não ligava. Estava com o seu fone de ouvido e uma pasta com seu trabalho em mãos. O jovem estava se animando ao ritmo da música, cantando baixinho o refrão, quando percebeu algo suspeito.
Logo de primeira, ficou com uma estranha sensação de estar sendo observado, então parou de cantar e baixou o volume da música pra ficar mais atento. Meia hora depois, a sensação de estar sendo observado, passou a ser de estar sendo seguido. Ele olhou para trás, mas riu dele mesmo julgando seus pensamentos como algo estúpido e nada preocupante, porque ele era o único ser se movimentando naquela rua, então não tinha como estar sendo seguido.
Quando passou por uma casa, logo deu passos para trás e encarou a residência. Algo estava errado. Algo ali o estava incomodando. Ele resolveu olhar mais de perto. Não se contentando com o "mais perto", se aproximou ainda mais daquela casa. Ele sabia quem era o dono, mas também sabia que tinha um movimento estranho lá e que com toda certeza não era do proprietário. Mesmo sabendo que era errado, ele deu a volta no quarteirão correndo e deu um jeito de entrar pelos fundos da casa. O rapaz queria porque queria saber o que realmente estava acontecendo. Sua primeira visão foi uma casa na árvore caída no quintal e depois... Seus olhos arregalaram quando viram uma pessoa com a roupa toda preta e um machado em mãos.
- O que você está fazendo aqui?!
- Nada que você tenha que saber
- Não... Isso está errado! Vou ligar pra ele, quero que... - o garoto tinha levado um golpe no rosto sem ter ao menos a chance de sair dali com tudo resolvido e em seu devido lugar. Assim como aquela noite, agora ele estava morto, sem vida.



Capítulo Dezoito.




Alta madrugada e eu não parava de me mexer. Algo estava me incomodando, mas eu não sabia o que era de fato. Frustrada, passei a mão pela cama em busca do corpo de . Mas para minha surpresa, ele não se encontrava. Mesmo com os olhos implorando para não serem abertos, eu os abri e me deparei com a escuridão do meu quarto. Bufei. Onde estaria? Eu precisava dele perto de mim e ele simplesmente tinha evaporado sem nem ter avisado.
- ? Amor?
Sem resposta. Suspirei pesadamente.
Me sentei preguiçosamente na cama e fiz um coque para manter em ordem o meu cabelo que estava um pouco bagunçado. Me levantei e liguei a luz, recebendo instantaneamente a reprovação dos meus olhos que reclamavam da claridade a qual eles tinham sido expostos. Pisquei várias vezes até me acostumar com a claridade e saí do quarto.
Meus passos eram lentos e despreocupados. Eu só queria achar o e voltar para o nosso quarto, e assim, tentar dormir.
Um barulho estranho vindo da cozinha me alertou. Meu coração estava acelerado e as minhas mãos em cima da minha barriga, pois a minha principal preocupação era com o meu filho.
Mesmo com o medo quase sendo cuspido pela garganta, fui em direção à cozinha, onde provavelmente alguém estava fazendo algo para comer ou simplesmente tomando um copo de água. Bom, pelo menos era com esse pensamento que eu tentava afastar o nervosismo e me manter tranquila.
Quando eu estava bem perto, tive uma sensação super estranha e esquisita de que alguém tinha passado por trás de mim. Minhas pernas estavam vacilando. E o medo de olhar para trás e certificar que estava tudo bem, só aumentava.
Um barulho se ecoou.
Olhei para baixo e vi um líquido se espalhando pelo chão. Segui com os olhos o caminho por onde o tal líquido tinha saído e ele... Estava saindo de mim?!
Minha barriga estava toda ensanguentada, assim como o chão que tinha adquirido a cor vermelha. O meu desespero tava aumentando mais e mais ao ver o tanto de sangue que saía da minha barriga. Meu rosto começou a ficar encharcado com as minhas lágrimas.
Eu coloquei a mão em cima do ferimento tentando de maneira absurdamente nada útil estancar o sangue. A dor também era bem presente. Tanto a dor de ter levado um tiro, tanto a de ter perdido o meu filho.
De imediato, olhei para todos os cantos e não vi ninguém. Porém, uma arma estava jogada no chão perto de mim.
Gritei com todas as minhas forças pedindo ajuda, até que...
- Amor?! Amor?!
- ?! - o abracei mais forte que pude
- Está tudo bem? Você parecia bem agitada
- Ai meu Deus! Calma! - passei a mão pela minha barriga e... Nenhum ferimento. Comecei a chorar, porém eu estava muito aliviada.
- O que houve, ? Tive que lhe acordar. Você estava muito agitada na cama e ficava gritando "socorro" - ele beijou meu pescoço
- Ai ... Eu tive um pesadelo terrível
- Quer que eu vá pegar água pra...
- Não! Fica aqui comigo - o abracei apertado.
- Tudo bem - , sem protestar, não saiu do meu abraço.
- E o pessoal? - mordi a almofada do meu polegar
- Se sentiram culpados e surpresos de saberem que você está grávida. Eles disseram pra eu falar pra você que ele estão muito arrependidos e que querem conversar melhor com você outro dia... - falava enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha
- Hum...
- Se você não quiser conversar com eles... Eu vou entender
- Não, não é isso... Só estou um pouco pensativa e meio assustada da reação deles de ontem
- Ta bom, amor. Não se preocupe. Você tem o tempo que precisar para pensar a respeito - me deu um selinho. Sorri
- E... Que horas são?
- Nove e meia
- Meio tarde...
- Verdade. Acho melhor você... - o celular dele tocou - Um minuto, amor. Hey ! - apoiou sua cabeça na minha
- Sim, o que houve?
...
- Tá, tá tudo bem por aqui. Algum motivo pela preocupação?
...
- Dude, tem certeza?!
...
- Porra! Só pode ta de brincadeira. Ok, to indo aí! Me espera!
- Aconteceu alguma coisa? - encarei seu rosto aflito
- Minha casa é cena de um crime
- O QUÊ?!
- Fique calma. Eu vou lá e você fica aí - automaticamente me lembrei do meu sonho
- De jeito nenhum! Eu vou com você!
- Mas amor...
- , me escuta - segurei seu rosto e encarei seus olhos - Eu não vou sair de perto de você! Vai que o tal anônimo quer separar a gente pra aproveitar e fazer algo com você ou comigo longe um do outro? Não, não quero correr o risco
- Mas aqui você tá segura - ele falou retirando as minhas mãos de seu rosto e me olhando com aquele olhar preocupado
- Quem garante? - infelizmente, eu tava certa. Eu não estava segura em nenhum lugar e ele sabia disso.
suspirou e fez cara de quem estava pensando.
- Você não sai do carro - ele ordenou
- Mas...
- Eu já não queria que você fosse, então esse é o meu acordo. Se arrume, precisamos ir logo

O caminho todo eu fui apreensiva. Minhas mãos estavam inquietas e os meus pensamentos pensando mil coisas ao mesmo tempo. Entre os intervalos em que estava com a mão desocupada, a mesma era colocada em minha coxa e fazia carinho. Se ele estava tentando me fazer ficar calma? Estava. Mas não por muito tempo. Na medida em que nos aproximávamos da casa de , era possível ver as luzes dos carros dos policiais girando e destacando o local.
estacionou e me alertou novamente para não sair do carro. Com passos apressados, ele foi em direção a um policial e começou a conversar com ele.
Mordi meu lábio inferior. É claro que eu não ia ficar no carro. Peguei a chave, apertei no alarme e fui me aproximando da casa. não estava mais conversando com o policial, ele devia ter entrado na casa. Aproveitei a oportunidade e tentei passar despercebida. Tudo bem que me notaram, mas eu sussurrei que eu era namorada do dono da residência e que ia só chamar ele. Se eles me entenderam? Bom, acredito que eles sabem fazer leitura labial, caso contrário, somente me ignoraram.
Aquela manhã estava fria, com o tempo fechado e com alguns peritos investigando o local. Meus olhos procuravam por algo que estaria fora do seu lugar, mas fui interrompida por alguém.
- Senhorita, você não pode ficar aqui. Além de ter acontecido um crime aqui, nós estamos fazendo nosso trabalho e você pode atrapalhar tocando ou esbarrando em alguma evidência, ou algo do tipo. Então, por favor, se retire - o senhor com cabelos grisalhos me impediu de seguir em frente.
- Mas senhor... Eu vou só chamar meu namorado, que é o dono da casa - ele me olhou desconfiado
- Seja rápida - disse ríspido. Acenei com a cabeça e voltei a minha busca.
Pensei em ir até o jardim, e assim fiz. Porém não era o mesmo jardim harmônico de antes.
Um grande tronco estava no chão junto da casa na árvore de . Fiquei sem reação. Aquele lugar era muito importante tanto pra mim quanto pro . Muito mais pra ele, o que me preocupa. Precisava achar ele e tentar reconfortá-lo, mas algo me chamou atenção. Um corpo estava jogado no chão ao lado do tronco. Só dava para ver a mão da pessoa porque o corpo estava coberto por um lençol branco.
Meus hormônios de grávida entraram em ação e me deixaram mais nervosa que o normal. Corri os olhos pelo local e vi perto dali. Seu rosto estava vermelho e cabisbaixo, seus cabelos bagunçados e conversando novamente com o mesmo policial. Andei apressadamente até ele e o abracei forte. Seu choro era constante, porém baixinho e abafado devido seu rosto estar afundado em meus cabelos.
- Era pra você ter ficado no...
- Shiu... Você precisa de mim - passei as pelas suas costas, tentando reconfortá-lo. Depois de uns minutos, perguntei o que já estava engasgado na minha garganta - Quem é a pessoa que... Você sabe
- Frank


Era revoltante saber que Frank tinha sido assassinado. Quem faria isso com ele? Ele era uma pessoa muito legal, inteligente... E morreu cedo.
Mas quem eu to deixando enganar? Eu estou me iludindo com o fato de pensar que qualquer um matou ele. É claro que não. Eu sei muito bem que foi.
Ou melhor, não sei.
Estou com um ódio mortal e extremamente cansada disso tudo. O tal anônimo está agindo novamente, sei disso. Esse assassinato foi a prova, entretanto não entendo o que o Frank tem a ver comigo. Isso é um absurdo, é totalmente sem explicação porque ele nem é próximo de mim.
Eu estava no meu quarto encolhida nos braços de , chorando baixinho. teve que voltar para lá porque acima de tudo, a casa ainda era dele, então ele tinha que estar lá para participar da investigação e essas outras coisas.
Era feriado e por isso não tinha aula. Fiquei em casa descansando e sempre pertinho de mim. Ele fazia questão de não me deixar só nenhum segundo, e convenhamos que eu também fazia muita questão de ter ele ao meu lado.
Minha cabeça estava no colo de e o mesmo acariciava meus cabelos. Meus olhos estavam pesados, tanto de chorar, tanto quanto de sono. Assim que fechei os meus olhos e me rendi à minha vontade tremenda de dormir, senti algo vibrando. Havia chegado uma mensagem no meu celular.

Do bem eu queria ser, mas o destino disse que assim eu poderia sofrer. Uma pessoa apareceu do nada. Atrapalhou meus planos e então eu tive que matá-la. Para ficar mais divertido eu decidi escrever em rima. Gostou?!
Quem será a próxima vítima? (:


- Isso... É doentio!! - dei meu celular para meu irmão ler a mensagem.
Aquela porra toda ia continuar até quando?! Essa frase se tornou um clichê na minha vida.
Me sentei na cama ao lado de e fiquei encarando meus pés. Não tinha mais lágrimas para serem derramadas. Meu estoque de choro havia acabado, e o que me restava era ficar olhando para os meus dedos sem saber o que fazer. Meu rosto estava cansado. Eu estava cansada. estava cansado. Até quando vamos ficar nessa de não saber o que fazer?! Estou cheia de tudo! Estou cheia desse lugar! Estou cheia de acidentes provocados por uma pessoa que eu não faço a mínima ideia que seja! Estou cheia de tudo! Mas... O QUE EU PODERIA FAZER?!
- , acho que já está mais do que na hora de tomarmos uma decisão
- Sério? - falei com desdém. Era claro que tínhamos que tomar uma decisão, mas não sabíamos qual. Pelo menos eu, não.
- Você tem que se mudar. Você não pode mais ficar aqui - fez com que eu olhasse pra ele
- Tá louco, ?! Pra onde eu iria?! Eu estou grávida! Não posso simplesmente sair por aí vagando - surtei e ele ficou com os olhos arregalados
- Seu humor bipolar de grávida me assusta, sério
- Desculpa - dei um beijo em sua bochecha
- Mas você tem razão. Ok, irei pensar em como e quando fazer isso. Mas é bom você ir pra aula amanhã, até porque vamos ter uma noção de como vai estar o movimento e se tem alguém suspeito. Pode ser alguém da escola, algum vizinho, alguém do mercado que você vai, alguém que...
- Ok, já entendi. Não precisa ficar me lembrando que eu não posso confiar em ninguém - fiz careta - Sei que é verdade, mas isso me assusta
- Não só você pequena, mas todos nós estamos assim - ele me puxou para um cafuné.

Londres amanheceu esquisita. Os pássaros resolveram não cantar. As pessoas estavam sérias demais. Tudo estava tão silencioso, tão quieto, tão parado, tão... Absurdamente esquisito.
Decidi ir andando para escola junto de e , mas não estava agradável como eu pensei que iria ser. A escola estava de luto, assim como a cidade toda parecia estar. Os alunos pareciam esquecer o que é sorrir, o que é gargalhar. Faziam exatamente três dias desde que encontraram o corpo de Frank na casa de . Segundo os policiais, um casal de vizinhos escutaram primeiro um barulho alto - que era da árvore caindo - e minutos depois, alguém gritando, então resolveram ligar para a polícia para certificarem se tinha algo de errado na casa dos .
E tinha.

Dave Huss. Capitão do time de futebol da escola. O único que fazia cara de tédio no meio daquela multidão de rostos infelizes. Ele caminhava calmamente pelo corredor quando bufou quando uma garota ruiva citou que ainda não acreditava que Frank tinha sido assassinado. Eu e Hayley estávamos perto da tal garota. Nos assustamos com a reação de Huss junto com a ruiva. Tinha algo que estava me incomodando ali. Dave não parecia o filhinho de papai popular que todos - não me incluo nesse "todos", é claro. Sou uma das exceções - morrem por um "eaí" seu, mas sim, alguém que aparentava estar irritado com toda aquela situação. Gostaria de saber se ele queria que a atenção voltasse para ele ou se Huss tivesse algo contra Frank.
- Dave não parece o... Dave? - Hayley comentou após ter comido cinco jujubas de uma vez só.
- Te entendo. Realmente, ele está estranho. Não que eu repare nele, mas sei lá... Normal é que ele não está - peguei meu livro de biologia, fechei meu armário e puxei Hayley comigo.
- Ele é um gato. Mas é muito otário e pra completar hoje tá todo esquisitão - ela fez careta
- Ele estuda história com a gente né? - Hayley murmurou um sim - Vamos ver como ele vai ficar durante a aula - disse me sentando em uma cadeira próxima de onde Dave estava sentado.
- Quer ver uma coisa? - Hayley disse abrindo seu livro. Me virei para ela - Ai... Tadinho do Frank! Tão jovem, não merecia morrer! E ele tava fazendo um trabalho junto comigo antes de... Você sabe
- Hm, babaca - Dave bateu forte na mesa - Era pra ter morrido a muito tempo. Tinha passado da hora - todo mundo ficou calado e ele pouco se importou. Pegou sua mochila e se retirou da sala sem pressa.
- Meu Deus ! - Hayley pôs a mão na boca - Esse cara tem algum problema?!
- Você ta tão surpresa quanto eu - mordi a almofada do meu polegar em sinal de nervosismo.
A aula de história nunca pareceu tão desinteressante como naquele dia. Meus pensamentos estavam todos voltados para Dave. Ele parecia ter um ódio muito forte só de ouvir o nome de Frank. O que Frank teria feito para ele? O que me incomoda mais, é que se Dave realmente odeia ele, será que foi ele que o matou? E bom, se sim... Isso quer dizer que...
- Vocês acham que Huss tem alguma coisa a ver com a morte do Frank? - perguntei para e que andavam ao meu lado
- Por que essa pergunta? - tirou os fones de ouvido e os guardou em sua mochila
- Não é óbvio? - apontei com a cabeça para onde Dave estava. Eles olharam sem disfarçar - Vocês são tão discretos que eu tenho inveja - rolei os olhos
- Amor, ele tá sentado ali e bebendo uma coca. O que tem de mais? - passou o braço pelos meus ombros
- Não gente... Hoje cedo ele estava super revoltado quando comentavam sobre a morte de Frank. Achei suspeito - eles me ouviam atentamente
- Então, se formos juntar tudo...
- Ele é o tal anônimo? - terminou a frase de
- Não sei - suspirei - E se for?! Meu Deus... Precisamos fazer alguma coisa
- Vamos pra algum lugar e pensar sobre isso. Tem uma starbucks aqui perto - sugeriu
- Em público ? - lhe deu um tapa na nuca
- Dude... - o olhou feio - Isso doeu
- Era pra ser doloroso mesmo! Tapado, em público não
Ri de leve.
- Vamos comer lá e a gente pode conversar em casa
- Ótimo, ! - sorriu de lado e me deu um selinho. bufou.
- Ainda bem que já acabou as aulas do dia, então a gente pode ir agora. Mas queria que Hayley fosse com a gente - ele fez bico
- Ela não pode? - disse ajeitando minha mochila nos seus ombros. É, desde quando ele soube que eu estava grávida, ele falou que ia carregar a minha mochila por causa do peso.
- Ela disse que tinha um compromisso - dei de ombros
- É... - chutou o ar - Saindo da porta dos infernos - ele falou assim que passamos pelo portão da escola. Rimos.
- Meus dois homens! Amo muito vocês dois - os abracei ao mesmo tempo
- Talvez sejam três - apontou para a minha barriga
- Continuo achando que é menina - deu uma risada gostosa - Minha garotinha - ele passou a mão pela minha barriga. Ri.
- Calma... Não demora muito e já vamos saber - sorri imaginando como seria o meu bebê - Vamos atravessar logo - puxei eles, mas me puxou de volta
- ... Ainda não. Olha o movimento - ele apontou para os carros
- Dava pra ter passado - fiz bico
- Dava não. E não me mata de susto! - falou ajeitando nossas mochilas em seus ombros
- Agora dá - fui atravessar a rua assim que percebi que o carro do meu lado direito estava longe o suficiente pra dar tempo de eu passar.
- ! - escutei a voz de . Olhei para o lado e vi um carro em minha direção que estava em alta velocidade. Fiquei sem reação e fechei meus olhos esperando a pancada.
O barulho da batida foi forte. Barulho de pneus, várias vozes se misturando... Eu estava com medo de saber o que tinha acontecido. Senti braços ao meu redor e no mesmo momento, abri meus olhos e tive a visão de na minha frente. Seu rosto estava assustado e ele estava chamando meu nome várias vezes.
- ! ! FALA ALGUMA COISA!
- Ei... - forcei minha voz. Ela não queria sair. Olhei todo o meu corpo para ver o que estava sangrando, ou se eu tinha alguma fratura
Mas não tinha nada.
Olhei em minha volta e vi um carro azul com a frente toda batida. Algumas pessoas estavam em volta, inclusive .
- Amor, eu estou bem - falei para que ainda estava esperando uma resposta minha - Ainda não sei como, mas estou. O que houve?! Foi tudo tão rápido que...
- Eu fiquei tão preocupado! - ele me deu um selinho rápido - Você foi atravessar é do nada surgiu um carro preto e parecia que estava indo na sua direção de propósito. Foi quando eu gritei. Depois esse carro azul também apareceu do nada e bateu no preto. O motorista do carro preto saiu chutado - ele falou ofegante - Vem cá - ele me abraçou forte
- Está tudo bem comigo. Vamos ver se está com o motorista do carro azul - falei me soltando dele - Está tudo bem - lhe dei um beijo rápido - Relaxa. Vem...
Puxei comigo e fui em direção ao carro batido. Todo mundo estava ao redor e eu ainda não tinha entendido porque não abriram a porta pra ver se estava tudo bem com a pessoa.
- Está trancada - falou baixo como se tivesse lido meus pensamentos. Murmúrios das outras pessoas começaram a me incomodar.
- Já chamei a ambulância - um rapaz loiro falou guardando seu celular
- Não precisa
Foi então que eu ouvi a porta do carro sendo batida. Um rapaz que aparentava ser uns três ou quatro anos mais velho que eu, saiu do carro. Camiseta branca, jaqueta preta de couro, cabelos bem pretos e olhos verdes. Ele se encostou no carro super calmo e disse:
- Podem ir. Fiquem tranquilos que eu cuido do resto - e assim as pessoas foram de afastando. Quando todos tinham ido, resolvemos ir também, mas ele nos chamou.
- Vocês precisam de mim
- Como é que é? - franziu o cenho
- Eu sei o que está acontecendo, posso ajudar. Aliás, estou aqui pra isso - ele falou estendo a sua mão, mas os meninos recusaram seu cumprimento, então o tal motorista do carro azul deu de ombros e colocou sua mão no bolso.
- Nem sabemos o seu nome, dude - fechou a cara
- James. James Bourne.

"James. James Bourne" surgiu do nada. Deixou seu carro de lado, fez algumas ligações e logo um audi prata estava do outro lado da calçada lhe esperando. Um homem de terno preto saiu de lá e trocou algumas palavras com o ele. Bourne nos chamou para entrar no carro e ficamos sem entender nada.
- Cara, eu nem te conheço. Quem te garante que você não vai nos matar? - falou cruzando os braços. James bufou.
- , acredite, se eu quisesse te matar já teria feito isso a muito tempo. Estou aqui pra ajudar vocês, e digamos, vocês não tem outra pessoa pra pedir ajuda, hum? - ele ergueu a sobrancelha
- Como sabe meu nome?
- Eu sei quem vocês são. Eu sei tudo que está acontecendo. Podemos ir? Aqui não é seguro pra vocês - ele disse agoniado e abriu a porta - Primeiro você, - fez charme
- O que você quer? - disse com o tom de voz sério, segurando minha mão em seguida.
- Ajudar vo... - quando ele ia responder, escutamos o som de um tiro - Droga! Entrem no carro! - nos entreolhamos. Mais um tiro - AGORA!

sentou no banco da frente ao lado de James, e eu e fomos atrás. Eu não tinha falado muito desde o acidente, estava pensativa em relação ao garoto do carro azul, o carro preto... Meu Deus, que merda estava acontecendo?!
- Amor, estou com medo - sussurrei no ouvido de enquanto James ia em alta velocidade
- Não precisam ter medo de mim. Garanto que só estou aqui pra proteger vocês, esse é o meu papel - James falou ligando o som - Opa! Underdog do You Me At Six! Adoro essa música! - o olhou com desprezo
- É, a banda é boa - ele murmurou - Você pode ir mais devagar? Não podemos morrer. E tem uma grávida no recinto - apontou pra mim
- Se eu for devagar, aí se vamos morrer. Caro , sei o que eu estou fazendo
- Pra onde estamos indo? - disse fazendo um carinho na minha cintura e me puxando para si
- Estamos saindo de Londres
- Você tá louco?! Não podemos sair assim sem avisar ninguém, sem roupas, sem dinheiro, sem...
- - Bourne me cortou - Tenho tudo sob controle. Tudo o que precisamos está nesse carro, e se precisarmos de algo mais, é só eu fazer algumas ligações - ele mostrou seu celular - Relaxem galera, vai ficar tudo bem
- Você poderia nos dizer o que está acontecendo - o olhou pelo retrovisor
- , vamos deixar pra conversar quando chegamos ao nosso destino, ok?
- E que não demore, porque eu estou puto - falou fechando a cara e trocou de música, já que tinha acabado a música do You Me At Six. E então, o som de With Me do Sum 41 invadiu o carro.
- E qual o nosso destino? - perguntei com receio
- Oxford



Continua...





Nota da Autora: Demorei, eu sei... Desculpaaaaaaaaaa hauaha Enfim, não tenho muito o que falar dessa vez. Não se esqueçam de participar do grupo do facebook e comentar haha
Beijo pessoas lindas e até a próxima att!

Outra Fanfic: Scars In My Soul.

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