Autora: Elza Emanuelly
Beta-Reader: Annie Brissow

Capítulo 1

É engraçado como as coisas acontecem na vida da gente, em um momento você é feliz, cercada de pessoas que te amam e às vezes basta um pequeno gesto ou uma palavra errada dita por alguém para acabar com tudo o que você conquistou, e o pior de tudo isso é que você é obrigado a ver seus sonhos e esperanças te abandonarem em alguns segundos, bem diante dos seus olhos.

Quando eu era criança, eu costumava ler contos de fadas, e me encantava com as lindas histórias de princesas indefesas, dragões e lindos príncipes em cavalos brancos com um belo sorriso e olhos amorosos, sempre que eu lia uma dessas histórias ficava me perguntando quando eu ia encontrar meu príncipe e viveria o meu conto de fadas, eu achava que quando eu o encontrasse nós nos apaixonaríamos, casaríamos e nada mais importaria, seriamos só eu e ele e o nosso felizes para sempre, não existiria a dor, o arrependimento e nenhum outro sentimento ruim, pois ele me protegeria de tudo e de todos que pudessem me fazer mal.
Como sempre, eu estava errada.
Não pense que eu não encontrei o meu príncipe ou que ele não era perfeito, porque ele era, mais até do que nas minhas histórias, mas eu estava enganada sobre uma coisa, ele não poderia me proteger de tudo ou de todos, eu descobri isso da pior forma possível e mesmo agora, cinco anos depois de tudo o que aconteceu, eu ainda posso sentir o medo, o desespero que senti deitada naquele chão sujo e escuro enquanto o sangue escorria do meu rosto e o som da minha voz chorando baixinho e chamava o nome do meu amado. – ! ! Por que você não está aqui agora quando eu mais preciso de você? Por que você não vem me salvar?
Mas eu sabia que ele não me ouviria e continuei ali, deitada naquele chão frio, perguntando a Deus por que ele não me matava e acabava logo com aquele sofrimento, eu não tinha forças para me levantar, e quando o fiz, muito tempo depois, só quis correr para bem longe daquele lugar. Andei por aí sem rumo, sabia que muitas pessoas me olhavam se perguntando o que uma garota estava fazendo andando sozinha às três e meia da manhã, naquele estado deplorável, mas eu mal prestava atenção nas pessoas, eu tentava me concentrar no rosto de , naquele sorriso que eu tanto amava, nos seus cabelos quase sempre bagunçados, na voz suave ao dizer que me amava e no jeito dele me olhar, como se eu fosse a coisa mais importante do seu mundo, eu conhecia bem aquele olhar porque era como eu olhava para ele também. Meus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez ao pensar que eu nunca mais o veria olhar para mim daquele jeito e apressei o passo, tentando esquecer as horríveis lembranças daquela noite, e só o que me mantinha forte era saber que, apesar de todo aquele sofrimento, o enfim realizaria o seu sonho.
Mal sabia eu que aquelas lembranças continuariam me perseguindo por muito tempo ainda, de dia e de noite sem descanso.

XXXXXXX

Tentei afastar essa linha de pensamentos, e me concentrar no que eu estava fazendo, tracei mais uma linha, tentando manter a minha mão firme no pincel e quando eu estava terminando o contorno, o telefone tocou, me assustando e fazendo com que eu perdesse todo um dia de trabalho, estragando o quadro com o enorme risco que tinha feito em cima do desenho devido ao susto.
- Merda. - Fui limpar a tinta que tinha caído no chão do meu pequeno estúdio, sujando todo o chão de tinta vermelha, fiquei olhando fixamente a enorme mancha no chão e lembrei que minha roupa tinha ficado exatamente dessa cor naquela noite a tanto tempo atrás, senti um arrepio e tive uma sensação ruim enquanto o telefone continuava tocando estridente na sala, exigindo a minha atenção.
Atendi ao telefone com certo receio, até que eu ouvi a voz do outro lado da linha.
- Alô?
- ? Sou eu, .
Eu fiquei tão feliz em ouvir a voz de que nem prestei atenção à tristeza em sua voz.
era a minha melhor amiga, a pessoa que me ajudou quando eu mais precisei a única que sabia o que realmente tinha me acontecido e que me apoiou quando todos me deram as costas, ela era mais que uma amiga para mim, era como se fosse a minha irmã, fomos criadas juntas, já que nossas mães tinham sido muito amigas, até completar sete anos de idade e o câncer levar a mãe dela embora das nossas vidas do mesmo jeito que um acidente de carro tinha tirado o meu pai de mim dois dias antes do meu nascimento.
Minha mãe sempre me falava dele com lágrimas nos olhos, de como ele conversava com a barriga dela dizendo que me amava e que ele faria uma casa na árvore do quintal no formato de um castelo pra sua princesinha e pintaria flores, borboletas e um sol com um sorriso enorme no rosto para que eu estivesse sempre feliz.
Meu pai era pintor e essa paixão eu tinha herdado dele, e era uma pena que a gente tivesse sido separado de uma forma tão brusca por um motorista bêbado irresponsável.
- Estava com saudades de ouvir a sua voz , quando você vem me visitar? - Sorri feito uma boba para o telefone, como se pudesse ver o meu sorriso.
- Não sei , eu tenho muitas coisas pra fazer aqui no momento.
- Mas você tem que vir logo, porque o verão já vai começar e eu sei o quanto você gosta de praia e a minha mãe também. - Eu falei animada e começou a chorar. – o que foi? Eu falei alguma coisa errada? - O silêncio continuou do outro lado da linha. - , você está me assustando, fala alguma coisa, por favor.
- aconteceu uma coisa horrível e... - começou a soluçar alto do outro lado da linha.
- Você brigou com o ? Vocês terminaram?
era o namorado de e melhor amigo de , foi ele quem apresentou a e aos outros meninos da banda. Eles formavam uma banda chamada McFly e já eram muito famosos em Londres, costumava ir aos ensaios e adorava ouvir as músicas que eles tocavam com tanto talento e dedicação, aquela banda era a vida de e ele sempre dizia pra ela: - Eu não sei o que fazer da minha vida se a banda não der certo, porque viver de música é tudo o que eu sei fazer, é como respirar sabe ? E você é a minha inspiração e minha força pra tornar o meu sonho realidade, sem o seu apoio e não seria nada.
Afastei esses pensamentos que só me fariam sofrer mais tarde, quando eu deitasse em minha cama vazia, e tentei me concentrar no que falava.
- Não , eu não terminei com o e eu preferia que fosse isso para não ter que te dizer o que eu vou dizer agora. , a sua mãe foi baleada hoje de manhã e eu lamento ter que te dizer isso, mas a sua mãe faleceu.
- Não, não, não pode ser , fala para mim que é brincadeira. - Eu falei com a voz embargada.
- Lamento , eu queria muito que fosse, mas não é.
- eu tenho que desligar agora.
- Espera ... - Eu coloquei o telefone no gancho, não queria ouvir mais nada, senti minhas pernas tremerem e senti um nó em minha garganta, eu não conseguia respirar. Subi as escadas correndo e arrumei minhas malas, eu tinha que ver a minha mãe pela última vez, eu tinha que voltar e encarar o meu passado, eu não podia mais fugir.

Capítulo 2

Só depois que eu aterrissei em Londres foi que eu percebi o quanto eu sentia falta daqui, apesar da situação desesperadora em que eu me encontrava, eu estava em paz por voltar ao lar.
Peguei um táxi e, enquanto as ruas iam passando por mim, as lembranças voltavam cada vez mais fortes, coisas boas e ruins de um tempo onde eu fui extremamente feliz e onde essa mesma felicidade foi arrancada tão cruelmente de mim.
Cheguei em casa e desci do táxi, quando fui pegar minhas malas senti uma mão encostar em meu ombro, me causando arrepios, e antes mesmo de me virar eu já sabia de quem era aquela mão, fiquei surpresa em perceber que o tempo não tinha conseguido acabar com os meus sentimentos por ele, muito pelo contrário, meu amor por ele só tinha aumentado, mesmo eu sabendo que aquilo era errado.
- Deixa que eu pego . - Ele olhou pra mim e todas aquelas emoções que eu tentava esconder bem lá no fundo do meu coração vieram à tona sem que eu pudesse controlar.
- Muito obrigada, . - Eu falei com os olhos cheios de lágrimas, ele soltou as malas e me abraçou com força, me fazendo lembrar de como era bom estar nos braços dele e por um momento eu me esqueci do motivo que me trouxe aqui hoje.

Flashback ON


- Ai , sinceramente, eu não estou muito afim de sair não.
- Vamos , vai ser divertido e quem sabe você não conhece uns gatinhos por lá?
- Por que você está tão interessada em ir nesse show, hein ? Você nunca insistiu tanto assim para sair. - Eu levantei a sobrancelha.
- Bom... É que tem um garoto, o , e eu acho que estou gostando dele. - Ela falou, ficando vermelha.
- Sua safada, e por que você não me contou isso antes? De onde ele é?
- Ele estuda com o meu primo Robbie lá na St. Michael, ele tem uma banda chamada McFLY e ele é incrível, divertido, inteligente e muito fofo, o Robbie falou que ele é muito talentoso também. - Ela sorria boba.
- Sei bem quais talentos você quer descobrir se ele tem...
- Ai , sua boba, e aí você vai ou não?
- Bom, não sei...
- Você tem que ir, eu não consigo sozinha, por favor.
- Ok, mas só estou indo porque tenho que ver se o futuro namorado da minha amiga não é nenhum tarado pervertido e porque o nome da banda é bem legal.
- Sua viciada em De Volta para o Futuro. - falou rindo.
- Só sou viciada no que é bom, , e o Marty é o melhor, agora vamos logo nos arrumar antes que eu desista, vai.
- Te amo, amiga. - Ela saiu jogando beijinho para mim.
- Eu sei disso, sua louca. - Eu falei rindo.

XXXXXXXX


Quando nós chegamos àquele pub lotado, eu me senti meio deslocada e só pensava na minha caminha quente, na minha TV e naquele balde enorme de sorvete na geladeira me esperando, estar ali era perda de tempo, mas como eu sou um ótima amiga, eu vou aturar essa pela .
Sentamos em uma mesa bem em frente ao palco e mal parava quieta na cadeira de tanto nevorsismo e ansiedade.
- Hey , você vai por um ovo? Acalme-se criatura.
- Ai , não tem como eu não ficar nervosa, você já reparou na quantidade de mulher bonita que tem aqui? Eu não tenho chances. - Ela baixou a cabeça.
- Eu não acredito que estou ouvindo isso de você , você está linda amiga, aliás, você é linda, e se o for tão inteligente quanto você falou ele com certeza vai perceber isso, agora levanta essa cabeça e sorri pra mim vai.
- Só você mesmo pra me animar , você é a melhor.
- Eu sei disso. - Eu comecei a rir.
- E você é bem modesta também, né? – Sorri de forma convencida.
- Wow , você está linda. - A coitada engasgou com a cerveja.
- O... Oi , muito obrigada, você também está lindo. - Ela falou corando, e ela tinha razão, ele era bem gatinho mesmo. - Essa é minha amiga .
- Oi , eu sou o .
- Muito prazer , eu sou a , mas pode me chamar de .
- Hey está quase na hora, você não vem tocar não?
Eu me virei ao ouvir aquela voz tão linda e o que vi me deixou paralisada, ele era lindo e muito sexy. Eu não sei se o que me encantou foi o fato do cabelo dele estar meio bagunçado, se foi o all star meio encardido, a camisa dos Beatles, de quem eu sou fã, ou talvez fosse tudo isso combinado com aqueles olhos eletrizantes que me encaravam, aqueles lábios perfeitos que convidavam para um beijo ou o corpo perfeito do menino. Eu percebi que estava “secando o garoto” e corei de leve, o fazendo sorrir de lado de uma maneira bem sexy.
- Eu já estou indo . - falou sorrindo feito um mongol enquanto olhava para .
- Oi , não vai me apresentar a sua amiga? - Ele falou sem desviar os olhos dos meus.
- Oi Litlle , essa é a , ela é muito gente boa viu. - falou piscando para .
- Muito boa mesmo! - Ele falou isso meio que sem querer e ao perceber isso ficou meio sem jeito.
- Oi , pode me chamar de . - Eu falei beijando a bochecha dele.
- Vamos , o está chamando a gente, te vejo mais tarde minha linda. - deu um selinho em que fez ela hiperventilar perto de mim e saiu correndo.
- A gente se vê mais tarde e eu quero dançar com você. - beijou a minha mão piscando para mim, eu sorri para ele e ele saiu correndo atrás de . Eu e sorrimos uma pra outra, feito duas bobas.
O show foi perfeito, eles realmente eram muito bons e eu não desviei o meu olhar de nem por um segundo, aquele olhar estava me hipnotizando e me chamando para ele e aquela voz me arrepiou dos pés a cabeça enquanto eu sentia que ele estava cantando para mim.
Quando o show acabou eles foram cercados por um monte de meninas pedindo autógrafo e tirando fotos com eles, eu levantei e falei a .
- Vou ali pegar uma cerveja.
Quando eu cheguei ao balcão do bar pedi minha cerveja e fiquei de costas para o palco até que eu senti um arrepio quando se aproximou e encostou seus lábios na minha orelha:
- Espero que você não esteja pensando em fugir de mim, porque você ainda me deve uma dança.
- Não se preocupe , eu nunca fugiria de você. - Eu sorri para ele e ele pegou a minha mão, me levando para o meio da pista de dança e me puxando para perto dele, eu passei os braços pelo seu pescoço, sentindo o seu perfume e encostei minha cabeça em seu peito.
- Me lembre de agradecer a por te apresentar para mim. - Ele falou enquanto acariciava as minhas costas de leve, fazendo com que me minhas pernas tremessem levemente.
- Claro, pode deixar. - Eu respondi meio sem graça.
- Você tem um cheiro tão bom. - Ele falou olhando em meus olhos aproximando seu rosto cada vez mais do meu e eu fechei meus olhos devagar quando ele encostou seus lábios de leve nos meus. Nós nos beijamos sem pressa, explorando a boca um do outro, seus lábios eram desconcertantemente macios e quando interrompemos o beijo, nos olhamos sorrindo um pra o outro, compartilhando aquele momento mágico sem trocar nenhuma palavra.
- Vejo que vocês se deram muito bem. - falou, fazendo rir bem alto.

Flashback OFF

- você está bem? - olhava para mim, visivelmente preocupado.
- Na medida do possível, eu estou sim. - Sorri amarelo para ele.
- Eu estou aqui se você precisar, ok?
- Obrigada , vamos acabar logo com isso. - Eu passei por ele empurrando a porta, sem saber como eu reagiria com o que eu encontraria do outro lado.

Capítulo 3

A primeira coisa que eu vi quando cruzei a porta da minha casa foi o caixão branco, que agora continha o corpo da minha mãe, me aproximei e por incrível que pareça eu não chorei, olhei para o seu rosto, tão bonito que nem a morte conseguiu modificar os seus traços, ali extremamente pálida e, incrivelmente, estava com uma expressão serena no rosto, consegui sorrir de leve quando eu me abaixei e beijei a testa da minha mãe com todo carinho.
Não me lembro de muita coisa depois disso, meus olhos estavam turvos pelas lágrimas que enfim chegaram e minha mente estava desligada do meu corpo eu não estava controlando as minhas ações a última coisa de que me lembro é de estar no cemitério olhando o caixão ser colocado no buraco e eu senti o cheiro inconfundível de terra molhada quando começou a chover de leve, lavando as lágrimas que desciam incontroláveis pelo meu rosto. veio me abraçar e só ai eu percebi que ela estava lá, como sempre, ela nunca pôde me proteger das coisas ruins, mas sempre estava lá me ajudando a colar os pedaços do que restava do meu coração.
Os meninos vieram me cumprimentar e eu abracei cada um deles, sentou ao meu lado e segurou a minha mão sem falar nada.
O enterro foi bem rápido e quando terminou , e me levaram para casa.
- Tchau , se cuida, mais tarde eu te ligo, ok?
- Ok , muito obrigada.
- Amiga você tem certeza de que não quer que eu fique com você?
- Tenho sim , não se preocupe, eu vou ficar bem.
- Eu não vou te deixar sozinha . - desceu do carro.
- Não precisa ficar , sério mesmo.
- Você nunca vai mudar né, teimosa como sempre. Bom , você pode ir cara, deixa que eu cuido da .
- Ok dude, tchau. - E ele arrancou com o carro.
- Enfim sós. - falou me fazendo sorrir de leve. - Vem vou preparar um chocolate quente pra gente. - Ele pegou em minha mão e me levou para dentro de casa.
Eu fiquei olhando enquanto se movimentava na cozinha como se fizesse parte daquele lugar. Ele trouxe o chocolate quente e sentou ao meu lado na mesa, pegando minha mão. Eu já tinha me esquecido da sensação daquele simples toque e de como era bom.
- Você está bem mesmo, linda?
- Eu acho que quando esse tipo de coisa acontece na nossa vida, nunca dá para “ficar bem”, mas eu espero que com o tempo fique mais fácil pensar que ela nunca mais vai voltar.
- Ela está bem onde quer que ela esteja e isso é o que importa. - Ele sorriu para mim me encarando e aproximando o rosto do meu e eu não pude resistir, quando ele estava quase encostando os lábios nos meus recuou, assustado.
- Me desculpa , não sei o que deu em mim. - Eu fiquei muda, sem esboçar nenhum tipo de reação e nessa hora o celular do tocou.
- Alô? Ah... Oi Susie, eu já estou indo para casa, ok? Beijos, tchau, também estou com saudades. - Ele estava vermelho quando olhou para mim. – Tenho que ir , amanhã a gente se vê.
- Quem é Susie ? - Senti uma pontada enorme de ciúmes e eu não sei de onde eu tirei essa pergunta idiota, mas quando dei por mim já tinha falado.
- É a minha namorada.
- Nossa, que bom que você já arrumou alguém, e parece que você a ama bastante. – Falei com ironia.
- Por que você está falando assim comigo ? Foi você que foi embora de Londres, levando o meu coração com você, eu não queria que tivesse acabado, eu te amava muito e você me traiu, por que você fez aquilo? Se não me queria mais você pelo menos deveria ter tido a dignidade de me falar antes de dormir com o primeiro que aparecesse. – Eu vi a magoa em seus olhos.
- Quem falou que eu te traí, ?
- O seu amante , o Peter! - falou com ódio, cuspindo as palavras.
Só de ouvir aquele nome eu gelei dos pés a cabeça, não acreditava que aquele desgraçado, depois de tudo, ainda teve coragem de mentir para o , eu tentei ficar calma e quando consegui me controlar perguntei:
- Como você pode ter certeza de que ele estava falando a verdade?
- Por que ele me mostrou a sua calcinha branca de coraçãozinho, aquela que você estava usando naquele dia que a gente foi pro parque e o vento levantou o seu vestido, lembra? Ele me falou que você tinha dado para ele de recordação pela noite maravilhosa que vocês tiveram e quando eu vim te pedir uma explicação você nem ao menos quis falar comigo e foi embora para o Brasil dois dias depois, me deixando para trás como seu eu não importasse e o amor da gente não valesse nada. - Quando terminou de desabafar, ele estava com os olhos cheios de lágrimas. – Você sabe quantas noites eu chorei pensando em você ? A cada vez que eu te ligava e você não me atendia eu morria por dentro, isso me corroeu como um veneno e logo agora, quando eu estou refazendo a minha vida, você volta e acaba com tudo o que eu conquistei, eu queria muito poder te odiar pelo que você me fez, mas eu não consigo. - Ele saiu batendo a porta sem nem me dar tempo de falar alguma coisa.
- Me desculpa por não ser a pessoa certa pra você , mas eu te amo mais do que você imagina. - Eu falei baixinho olhando para a porta fechada e as lágrimas que eu segurei durante tanto tempo finalmente começaram a cair livremente.

Capítulo 4

´s Pov On*

Mas que merda, será que eu não posso parar de pensar nela nem por um instante?, eu reclamava comigo mesmo enquanto imagens de passavam pela minha cabeça. Eu não achava que depois de cinco anos ela ainda mexesse comigo do mesmo jeito ou talvez até de forma mais intensa, eu ainda amava muito a e eu estava muito confuso com isso.
- Ei amor, onde você está com a cabeça? - Susie sorriu para mim.
- Só estou pensando em algumas coisas. - Eu falei suspirando.
- Você está pensando na , não é? – Abri a minha boca pra argumentar, mas ela impediu que eu falasse - Não precisa mentir , eu sei que você está pensando nela, você sempre está, e mesmo quando ela não está aqui, de certa forma ela ainda está entre a gente. - Ela me olhou triste.
- É sim Susie, me desculpa por isso, mas eu não posso mentir para mim mesmo e nem para você, eu ainda amo a , e muito, eu não posso ficar me enganando mais, eu queria muito te amar, mas não dá, eu sinto muito.
- Tudo bem , eu já sabia disso, e eu realmente espero que você seja feliz. - Ela sorriu para mim de forma compreensiva.
- Você é muito especial Susie, espero que encontre um cara que te ame de verdade.
Ela parou a caminho da porta e me olhou fixamente.
- Quando você precisar de alguém pra conversar , é só você me ligar. - Ela deu um beijo de leve nos meus lábios e saiu, me deixando sozinho com os meus pensamentos tumultuados.

Flashback ON

O Hyde Park estava lotado de gente naquele domingo à tarde e eu achei que seria bem difícil encontrar a ali, meu celular tocou e eu olhei pra o identificador de chamadas, sorrindo ao ver o nome dela.
- Oi linda, onde é que você está? Eu já cheguei aqui, mas não te encontrei ainda.
- Com que roupa você está, ? - Ela me perguntou sorrindo.
- Deixa de brincadeira e me fala logo onde você está .
- Estou bem aqui. - Ela me abraçou por trás, me envolvendo com seus braços tão delicados quando todo o resto de seu corpo perfeito.
- Nossa, que surpresa agradável moça, mas a minha namorada vai chegar a qualquer momento e eu acho que ela não vai gostar de ver outra garota me abraçando.
- Ela tem muita sorte de ter um namorado tão sexy como você.
Eu me virei e a beijei com doçura, quando nos separamos eu vi como ela estava linda com aquele vestido e os cabelos soltos, eu senti o meu amor por ela aumentar.
- Como você está, minha linda?
- Bem, apesar de estar cansada porque não dormi direito à noite.
- e ? - Olhei para ela de forma compreensiva.
- Como é que você sabe? - Ela me olhou surpresa.
- Você esqueceu que eu estou morando com o mala do ?
- É mesmo, senhor rock star. - Eu sorri. - Esqueci que agora a McFly tem um Q.G. - Ela deu uma gargalhada.
- Aqueles dois quando brigam ficam mais insuportáveis do que quando estão juntos com aquela melação deles.
- Ai amor, deixa eles, daqui a pouco estão se agarrando de novo por aí.
- Por falar em agarrar... - E eu saí correndo atrás dela, que corria na minha frente segurando o vestido enquanto fugia de mim, no meio da fuga o vento levantou o vestido dela, mostrando sua calcinha branca de coração e eu não me controlei e comecei a rir.
- Para de rir de mim. - Ela deu um soco em meu ombro e me encarou toda envergonhada, o que fez a minha vontade de rir aumentar.
- Desculpa amor, mas é que sua calcinha é tão fofa. - E eu recomecei a rir, fazendo com que ela risse junto comigo.
- Você é um idiota, sabia? - Ela me beijou, fazendo com que eu esquecesse o resto do mundo.
- Você sabe que eu morreria por você se fosse preciso, não sabe? – Ela afirmou com a cabeça e eu sorri pra ela.

Flashback OFF

Aquela tarde me pareceu tão distante agora e eu fiquei horas ali no sofá, tentando entender o que tinha acontecido entre a gente para acabar assim, por que a procurou outro homem? Eu achei que ela fosse feliz comigo. Meus olhos começaram a ficar pesados, e antes do sono me deixar inconsciente eu ainda tive tempo de me perguntar em que ela estaria pensando àquela hora.

´s Pov Off*

- , por que você não está aqui agora?
Aquelas mãos chegavam cada vez mais perto do meu corpo e eu só queria estar bem longe de mim mesma, comecei a gritar.
Acordei assustada com o mesmo pesadelo de sempre e me levantei para tentar esfriar minha cabeça, comecei a andar por dentro de casa e acabei no porão, mexendo nas coisas da minha mãe, tinha livros, roupas velhas, discos e algumas fotografias que chamaram a minha atenção. Momentos da minha infância, e é claro que estava em várias delas e em algumas mais recentes tinha os meninos. Fotos minha beijando o , e vestidos de mulher, vomitando de tão bêbado na minha festa de aniversário, e muitas outras coisas bizarras, me fazendo rir, até que uma das fotos fez com que eu começasse a tremer dos pés a cabeça, nela estávamos , abraçado com , , , eu e o Peter.
Fechei os olhos com força para controlar a náusea que senti ao olhar para o rosto dele, tão calmo e atencioso.
Naquele tempo eu não sabia do que ele seria capaz de fazer comigo, mas ele acabou com a minha vida.



Flashback ON


Eu estava com os meninos rindo de e , que estavam tentando dançar balé sem muito sucesso, estavam muito bêbados.
- Hey amor, eu quero te apresentar uma pessoa. - falou, me puxando para perto dele. – Este é o Peter, o nosso empresário, Peter essa é a , minha namorada.
- Muito prazer, Peter.
- O prazer é todo meu, o fala muito bem de você. - Ele sorriu para mim e apertou minha mão eu não sei por que, mas eu me senti muito desconfortável com o toque dele. Soltei a sua mão e enquanto continuou conversado com ele eu fui para perto de .
- Oi amiga, o que aconteceu? Você está estranha.
- Não foi nada não, .
- Tem certeza disso? - Ela começou a analisar a minha expressão.
- Tenho sim, mas me responde uma coisa, cadê o seu namorado gatinho? - Eu perguntei rindo da cara emburrada de .
- Está no banheiro vomitando.
- Vamos tirar uma foto! - Nós sorrimos marotas e corremos para o banheiro, tirando uma foto de vomitando.
- Muito bonito, não é Sr. . É isso o que dá beber tanto.
- minha vida, não faça isso comigo, você sabe que eu te amo, não sabe? - Ele olhou para nós com aquela cara idiota que só gente bêbada consegue fazer e nós começamos a rir.
- Vamos lá para fora vai, mas nem pense que o senhor vai beber mais, viu?
- Sim, senhora. - falou batendo continência e rindo feito um bobo.
- Amor, você tirou foto de tudo nessa festa, até desses toscos ai e eu como é que fico? – falou fazendo biquinho. – Vamos tirar uma foto juntos?
- Claro amor. tira um foto minha com o , por favor?
- Ah não, eu também quero aparecer na foto. - falou fazendo biquinho.
- Eu também quero. - Gritaram , e ao mesmo tempo.
- Tá bom, vamos tirar todos juntos. - Eu programei a câmera e coloquei em cima de estante.
- Vem você também Peter. - chamou e Peter veio para o meu lado, o que estranhamente fez com que eu ficasse meio alerta, na defensiva.
- Bom, eu agora tenho que ir gente, muito obrigado por tudo e a festa estava maravilhosa. - Peter pegou em minha mão me olhando profundamente. – Feliz aniversário .
- Muito obrigada. - Eu falei puxando a minha mão rapidamente.
- Tchau Pitt. - falou e me beijou enquanto Peter ficou olhando por alguns segundos antes de sair pela porta.

Flashback OFF


Se eu tivesse prestado mais atenção a minha volta, teria percebido as reais intenções dele, mas eu não conseguia reparar em mais ninguém quando estava por perto.

Capítulo 5

Acordei com a campainha tocando no que me pareceram minutos desde a hora em que eu tinha me deitado, acordei suada e ofegante, mas aquilo para mim já era normal, pois essa era a minha rotina, há cinco anos eu tinha o mesmo pesadelo.
- Bom dia , como você passou a noite? - Mal abri a porta e foram entrando em casa com um monte de sacolas.
- Eu acho que não preciso responder a essa pergunta. - Apontei para as minhas olheiras e os meus olhos que ainda estavam muito vermelhos e inchados.
- Você comeu alguma coisa ? - me encarava séria.
- Comi sim, . - Falei com uma convicção que não convenceu nem a mim mesma.
- Ah é, e quando foi que você comeu pela última vez? - me perguntou, me analisando como se quisesse enxergar através de mim.
- Talvez antes de ontem à noite, eu nem me lembro bem... - Falei dando de ombros.
- Que absurdo , você não pode simplesmente ficar sem se alimentar, o que é que você tem na cabeça? Ainda bem que você tem ótimos amigos que não vão te deixar passar fome. Anda, vem comigo. - Ela saiu me empurrando em direção à cozinha.
- , para com isso, eu não quero comer. - Falei emburrada.
- Assim você me magoa . - fez biquinho para mim. – Pensei que você ia querer experimentar as minhas famosas panquecas.
- Viu , você magoou o meu bebê. - foi dar um selinho no namorado.
- Tá gente, tudo bem vai, podem preparar o meu café da manhã, mas com uma condição.
- E qual seria essa condição, hein? - Perguntaram os dois ao mesmo tempo.
- Que tenha muita calda de chocolate por cima.
- Bem que o me falou que essa daí era louca por calda de chocolate. - falou piscando o olho para .
Isso me lembrou de uma outra manhã nesta mesma cozinha, onde panquecas também foram preparadas especialmente para mim.

Flashback ON


- O que diabos você quer a essa hora da manhã na minha casa ? Você sabia que ainda é muito cedo e que se você não tiver um bom motivo para me fazer levantar da cama a essa hora você pode se considerar um homem morto?
Eu estava zangada com ele porque ele tinha faltado ao jantar que preparei com tanto carinho para comemorar o nosso primeiro ano de namoro, ele me ligou falando que não poderia ir porque estava em reunião com alguns empresários de uma gravadora da qual não me recordo o nome.
Eu sabia que aquela era a grande chance deles, mas não poderia dar o braço a torcer assim tão fácil, já que não se pode comemorar um ano de namoro sempre que a gente quer e essa noite teria um significado especial para mim, já que eu tinha decidido perder a minha virgindade com ele.
- Eu vim aqui te implorar de joelhos o seu perdão linda donzela, e pedir humildemente que me deixe alimentá-la, já que ontem a noite eu perdi a chance de provar dos seus maravilhosos dotes culinários. - Ele falou de forma teatral, ajoelhado no chão e me olhando com uma carinha de cachorro abandonado.
- Eu não deveria te perdoar, mas eu estou disposta a te dar uma chance dependendo do que você pretende cozinhar. - Falei sorrindo para ele.
- É surpresa.
Ele sorriu misterioso, me deixando na sala e correndo para a cozinha, uns 5 minutos depois ouvi um barulho de panelas caindo na cozinha e quando cheguei lá o que eu vi me fez rir até não poder mais.
O chão da cozinha estava cheio de açúcar e farinha, panelas estavam caídas pelo chão e no meio de toda essa confusão estava com um pouco de farinha nas bochechas e um pouco de uma massa de consistência duvidosa grudada nos cabelos, ele sorriu amarelo para mim, o que me fez rir mais alto ainda.
- Um furação passou por aqui? - Eu perguntei pegando a vassoura e começando a varrer o chão enquanto ainda tentava controlar o riso.
- Desculpa pela bagunça , eu só queria fazer algo especial para você, mas não se preocupe que quando eu terminar eu limpo a bagunça, tá bom?
- O que você está fazendo afinal? - Perguntei curiosa.
- Panquecas, a minha especialidade, senta aí e fica quietinha enquanto eu termino de preparar o seu café da manhã. E se você for boazinha eu te ensino a girar panquecas com o chefe aqui.
- Vai lá chefe que meu estomago já está roncando. - Falei rolando os olhos.
Meia hora depois estávamos sentados a mesa com um enorme prato de panquecas a nossa frente, a cozinha estava quatro vezes mais bagunçada e eu estava extremamente feliz enquanto me olhava docemente.
- Ih, a campainha tocou, deixa que eu vou lá atender.
- Nada disso fica aí que eu vou. não quero ver você se esforçando tanto.
- Nossa quanto esforço. - Falei irônica.
Ouvi um barulho de passos e logo ouvi aquela voz tão conhecida.
- Hey, que cheiro bom é esse?
- , esconde a comida que o chegou. - falou assustado, fazendo com que eu e começássemos a rir.
- Bom dia , o que tem de bom aí pra gente comer?
- Panquecas, você quer um pouco? Pode pegar, tem em todo lugar até pelo teto - E apontei para os três círculos de massa pregados no teto e todos começaram a rir.
- Posso pegar um pouco de leite? - Perguntou já com a garrafa na boca.
- Pega um copo cara, isso é nojento. - deu uma tapa na cabeça de .
- Ouch, por que você sempre me bate? - fez voz de choro.
- Por que você é sem noção. - deu um abraço em , que fez cara de bobo.
- , seu celular está tocando.
- Atende ai amor que eu estou ocupado. - Ele falou enquanto trocava soquinhos com o .
Rolei os olhos para as “Crianças” quando olhei no identificador de chamadas do celular vi o nome “Peter” e fiz uma careta.
- É o explorador de namorados alheios, não é? - me perguntou.
- É ele mesmo. - Falei atendendo o celular. - Alô?
- , o está por ai?
- Está sim Peter, mas ele está um pouco ocupado.
- Fala para ele que assim que puder me ligue, tenho ótimas notícias sobre a reunião de ontem, ok?
- Espero que sejam ótimas mesmo, porque a reunião de ontem fez com que o perdesse o nosso jantar. - Falei antes que pudesse me controlar, saindo da sala para que não ouvisse.
- Ah, isso... Pois é , acho que você vai ter que se acostumar com o fato de que o é um músico e se ele quiser crescer na vida certas coisas tem que ser dispensáveis para ele a partir de agora.
- O que você quis dizer com isso? - Perguntei morrendo de raiva.
- Quero dizer que já que você diz amar tanto o , talvez tenha que começar a entender que talvez você esteja atrapalhando a carreira dele com essa sua mania de exigir atenção dele o tempo todo, agora eu vou desligar, por favor, dê o recado ao e pense bem no que eu lhe falei.
Ouvi o som do telefone sendo desligado e fiquei sem ação por alguns instantes e mesmo contra a minha vontade me peguei relembrando a quantidade de vezes em que eu discuti com por algum show que ele tivesse que fazer, ou por algum ensaio ao qual ele não poderia faltar, sabia que era egoísmo meu, mas isso não significava que eu não compartilhasse da paixão dele pela música ou que eu não quisesse o ver realizando o seu sonho. E quem o Peter achava que era pra se meter na minha vida desse jeito? Ainda mais quando ele estava errado? Ele estava errado, não estava? Senti-me mal com aquela dúvida e naquele momento decidi que me esforçaria cada vez mais para ajudar em sua carreira que eu acreditava que tinha tudo para dar certo.
- Amor, o Peter ligou e falou que tem ótimas notícias para vocês sobre a reunião de ontem.
Ele e entraram na cozinha correndo, pegando eu e a nos braços girando e sorrindo feito bobos fazendo com que todos nós esquecêssemos as panquecas.

Flashback OFF

- , você escutou o que eu falei? - me olhava como se eu fosse um ET.
- Desculpa eu estava distraída, você pode repetir, por favor?
- Só vou repetir porque eu te amo. - Ela fez uma careta engraçada. – Bom, o arrumou uma nova namorada e chamou a gente para jantar sábado a noite na casa dele pra gente ficar conhecendo a “Escolhida”.
- Antes que eu aceite ir para esse jantar, eu posso saber quem mais o convidou?
- Além de mim, de você e do , eu acho que ele só chamou o e o . - Ela falou com uma voz de suplica.
- Não sei se é uma boa ideia sair de casa agora , eu acho que ainda não estou preparada para isso.
- , eu acho que a não está perguntando se você quer ir, ela está te comunicando que você vai. - sorriu para mim compreensivo.
- Isso mesmo , você vai a esse jantar, chega de ficar trancada em casa amiga, já se passou uma semana e você tem que começar a seguir em frente.
Uma semana já havia se passado desde o dia em que minha mãe tinha sido enterrada, e me visitavam todos os dias, e vieram duas vezes tentar me arrastar para algum lugar com eles e como eu não quis sair ficamos em casa conversando e relembrando os velhos tempos, e não veio mais me visitar, apesar de me ligar todos os dias, às vezes até mais de uma vez, para saber como eu estava, mas sempre falava comigo em um tom de voz neutro, sem demonstrar emoções.
Uma semana tinha se passado, mas as coisas para mim continuavam do mesmo jeito, e a ausência de aumentava minha tristeza.
- Nós estamos indo nessa , mas nem pense que vai fugir sábado à noite, passo aqui para te buscar e eu não quero ouvir desculpas.
- Mas ... - Comecei a falar suplicante.
- Cala a boca , você vai e pronto.
- , você não me ajudar, não?
- Desculpa , mas se eu não concordar ela vai ficar um tempão sem falar comigo, sem contar com o , que com certeza me mataria. - Ele piscou pra mim.
- Vocês são uma droga como amigos. - Resmunguei.
- Nós também te amamos. - Eles saíram rindo abraçados.

Capítulo 6

- Alô.
- ? Sou eu, .
- Oi , bom dia.
- Bom dia linda, como você está se sentindo hoje?
- , você me fez essa pergunta ontem, antes de ontem e antes de antes de ontem e a resposta ainda é mesma: Eu estou bem.
- Que bom saber, na verdade eu te liguei para perguntar se você não quer ir ao cinema comigo.
- Claro, onde a gente se encontra? - Ouvi ele suspirar aliviado do outro lado da linha.
- Eu vou aí te buscar, esteja pronta em meia hora, ok?
- Ok, beijo.
- Outro.
Desliguei o telefone e sai correndo para o banheiro para tomar um banho bem rápido, escolhi uma T-shit branca com umas tachinhas formando o nome Star, uma calça skinny preta e um all star vermelho, coloquei perfume, uma maquiagem leve e para finalizar escovei os meus cabelos até eles ficarem bem macios e brilhantes, caindo por cima dos meus ombros.
Ouvi a campainha tocar e corri para abrir a porta.
- Oi , eu só vou pegar a minha bolsa e a gente já pode ir.
- Uau , você está linda.
- Obrigada , você também. - Na verdade ele estava bem mais do que lindo com aquela camisa vermelha que destacava o tom de sua pele, a calça Jeans escura e o all star branco encardido, como sempre, e os cabelos rebeldes que nunca estavam no lugar.
Ficamos calados durante todo o caminho até o cinema e a tensão entre nós dois era quase palpável, quando entramos na sala eu mal conseguia prestar atenção ao filme e percebi que também não, quando eu olhei para o lado ele estava me encarando e eu fiquei hipnotizada com aquele olhar, ele aproximou seu rosto do meu e quando ele me beijou suavemente, eu sai correndo sem olhar para trás.
Ouvi passos me seguindo e tive uma sensação de deja vú.
- , espera aonde você vai?
- Me solta , eu quero ficar sozinha.
- Vamos, eu vou te levar pra casa. - Ele falou pegando no meu braço, fazendo com que eu me assustasse e puxasse o meu braço rapidamente.
- Não precisa me levar, eu sei me virar.
- Eu não vou te machucar . - Ele falou e eu pude sentir a tensão em sua voz. – Deixa eu te levar pra casa , você está nervosa e eu quero ter certeza de que você vai estar segura.
- Tudo bem , vamos. - Eu entrei no carro e me sentei o mais longe possível dele, com medo de que nossos corpos se tocassem ao menos de leve, devido ao tamanho da atração que existia entre nós. Só voltei a falar quando estava na frente de casa. – Muito obrigada por me trazer , me desculpa por tudo.
- Eu que te peço desculpas, eu não deveria ter te beijado, mas é que me pareceu à coisa certa a fazer sabe.
- Tudo bem, mas por favor, não faça mais isso porque só dificulta as coisas pra nós dois.
- O que foi , você costumava gostar de me beijar. - Sua voz era triste.
- Isso foi antes de...
- Não precisa falar , eu já entendi tudo. - Ele estava com raiva. – É o Peter, não é? O que é que ele tem de tão especial que fez você desistir de nós?
- Ele não tem nada de especial , muito pelo contrário, mas você nunca entenderia. - Eu falei com a voz fraca.
- Bom, agora não importa mais não é mesmo, já que ele está morto.
- Como assim ele está morto? O que aconteceu? - Senti um tremor nas pernas e me sentei nos degraus da varanda.
- Ele morreu em um acidente de carro há três anos atrás, eu pensei que você soubesse.
- Eu nunca me interessei em saber nada do que fosse relacionado a esse sujeito e fiz a prometer que nunca mais falaria o nome dele perto de mim.
Ele me olhou confuso, depois balançou a cabeça e sentou ao meu lado na varanda.
- Sabe os últimos anos tem sido terríveis para mim, depois que você me deixou a minha vida perdeu todo o sentindo e mesmo quando a McFLY chegou ao sucesso ainda faltava alguma coisa, os meninos me apoiaram durante todo o tempo, mas nunca foi a mesma coisa, eu queria que você estivesse aqui comigo, sempre que a gente viajava para um lugar diferente e eu via algum lugar bonito eu desejava que você estivesse comigo, compartilhando a vista. - Ele olhou em meus olhos.
- Me desculpa por ter te deixado , mas eu achei que estava fazendo a coisa certa. - Senti meus olhos encherem de lágrimas.
- Certa para quem ? Essa sua decisão só fez nós dois sofrermos mais, eu acho que se nós tivéssemos conversado as coisas seriam diferentes hoje em dia, mas você não teve nem a coragem de olhar na minha cara.
- Eu sabia que você tentaria me convencer a não te deixar e, acredite, isso seria pior para nós dois.
- Mas eu ainda vou tentar te convencer a voltar para mim , porque o meu sentimento por você não mudou.
Eu sabia que teria que magoar o mais do que eu já tinha magoado, mas eu tinha medo que ele descobrisse o que realmente tinha acontecido entre mim e o Peter e me rejeitasse por isso.
- , me desculpa, mas não tem jeito das coisas voltarem a ser como eram antes e eu não posso mais ficar com você.
- A cada dia que se passava eu sentia mais a sua falta, principalmente no fim da tarde, sempre que eu via o pôr do sol queria que você estivesse ao meu lado compartilhando isso comigo. – Ele continuou falando como se não tivesse me escutado.
- O pôr do sol é lindo , mas como todas as outras coisas lindas sempre dá espaço pra noite sombria e assustadora cheia de erros e derrotas. - Senti uma lágrima descer pelo meu rosto e dei as costas para ele, porém, antes que eu entrasse em casa escutei a sua voz.
- Você está enganada , a noite serve pra representar certos momentos na vida da gente onde achamos que tudo se perdeu junto com a escuridão, mas lembre-se que a noite sempre cede ao nascer de mais um dia glorioso, cheio de novos acertos e vitórias. Isso mesmo que você ouviu , acertos porque essa história de que é errando que se aprende é uma mentira enorme, porque errando não se aprende nada, do que adianta você ficar persistindo em um erro? A gente só aprende acertando. - Eu entrei em casa e fechei a porta sem olhar para trás.

´s POV On*


Entrei em meu carro e fiquei pensando no que havia me dito, ela tinha medo de se entregar por algum motivo e eu não podia forçar a barra, teria que me afastar dela e tentar viver a minha vida, por mais que isso doesse em mim, eu teria que tentar esquecê-la.
Mas se essa é a coisa certa a fazer, por que dói tanto?

Flashback ON


- Eu tenho que ir atrás dela , não pode terminar assim cara. Eu não vou desistir de ficar lá na frente da porta do quarto dela, eu sei que um dia ela vai sair de lá e falar comigo.
- Quantos dias você passou lá na frente da porta do quarto dela, dude? – me olhou espantado.
- Três dias cara, a me chamou de doido, mais eu não quero abandonar a , alguma coisa muito grave deve ter acontecido para ela não querer falar comigo e eu exijo uma explicação. – Falei com toda a convicção.
- , eu vou falar pra ele. - falou apreensivo.
- Não se mete . - olhou furioso para ele.
- Ele vai saber logo, . – me olhou com pena. – , ela foi pro Brasil cara.
Senti falta de ar e meus olhos encheram de lágrimas.
– Por que você não me contou ?
- Desculpa mas ela me fez prometer que não te contaria nada, ela só me avisou depois que já tinha viajado porque ficou com medo de que você tentasse impedir, ela falou que precisava ir embora pro seu bem, eu não pude fazer nada, me desculpa.
- Tudo bem , eu estou indo nessa.

- Para onde você vai ? - me olhou estranho.
- Para o Brasil. - Respondi simplesmente.
- E a nossa banda ? - me perguntou.
- Que se dane a banda ! A mulher da minha vida acabou de me abandonar sem me dar uma explicação e você vem me falar em banda. - Eu não queria ter gritado com o , mas estava muito nervoso para me preocupar com isso agora.
- Eu sei que você está sofrendo cara, todos nós amamos a , mas você ficar gritando comigo não vai resolver nada.
- Desculpa cara. - Comecei a chorar e eles me abraçaram forte.
- Nós apoiamos qualquer decisão que você tomar . - sorriu me encorajando.
- E a banda não vai fugir, a gente vai ficar aqui no mesmo lugar esperando você voltar. - falou.
- Trás a de volta . - me empurrou para a porta.
Sorri para eles e sai correndo pelo corredor do nosso pequeno estúdio e quando eu já estava perto da porta ouvi alguém me chamando.
- Oi Peter, será que a gente pode conversar outra hora? Eu estou com um pouco de pressa agora.
- Wow! Vai pegar o trem, é? - Ele sorriu pra mim.
- Na verdade vou pegar um avião.
- Posso saber pra onde?
- Para o Brasil cara, vou fazer a cabeça dura da me escutar e só volto quando ela aceitar casar comigo.
- , você não pode simplesmente sair assim, quando você quiser. - Ele estava nervoso.
- Eu posso e eu vou, se você me der licença... - Tentei passar por ele, que bloqueou a minha passagem.
- Você não pode perder essa chance, o grande show é amanhã foi muito difícil conseguir essa chance para vocês. - Ele falou alto.
- Se a gravadora realmente estiver interessada eles marcam outra data.
- É o seu futuro , e eu não vou deixar você jogar isso fora. - Ele agora gritava.
- Eu não posso ter futuro sem ela do meu lado cara. - Tentei manter o meu tom de voz calmo.
- Se você sair por aquela porta a sua carreira está acabada!
- Eu não me importo.
- Aquela vadia não vale todo esse esforço . - Ele falou com frieza na voz e sorriu debochado para mim.
- Não fala assim dela. - Eu dei um soco no rosto dele que cortou o lábio superior.
- Eu só estou falando a verdade e você ficar me socando não vai mudar o fato de que sua namorada transou comigo. - Ele continuava me encarando, os olhos sem expressão, como se ele tivesse certeza do que estava falando.
- Mentira!
- Eu queria que fosse mentira , mas não é. - Ele me olhava com pena.
- Não, isso não pode ser verdade, a nunca faria isso comigo. - Comecei a chorar desesperado, sem saber o que fazer.
- Eu quero te mostrar uma coisa. - Ele falou entrando em sua sala e eu não tive alternativa a não ser seguir ele, parecia que eu estava anestesiado, eu mal sentia as minhas pernas.
- Você reconhece isso aqui ? - Olhei pra mão dele, mas não queria acreditar no que eu estava vendo, ele estava segurando a calcinha da , aquela mesma calcinha que ela estava usando no dia em que nós fomos juntos ao parque e o vento levantou o seu vestido, eu só conseguia me lembrar de como ela estava linda e no modo como ela sorriu feliz para mim. – Ela me deu isso depois que nós transamos e falou que era pra eu lembrar a noite que nós passamos juntos. - Ele continuava me olhando com pena, o que me fez ter vontade de vomitar.
- Isso não pode ser verdade. - Eu falei com voz fraca. – Quando foi que isso aconteceu?
- No sábado, você lembra que eu sai do pub para atender ao telefone? Era ela me ligando, falou que estava triste porque vocês tinham brigado e pediu para eu ir a casa dela e quando eu cheguei lá ela estava chorando e nós conversamos um pouco e fomos nos aproximando e como eu já tinha bebido muito acabou rolando, eu me senti péssimo depois e tentei conversar com ela sobre isso, porque eu não queria te chatear, mas ela simplesmente deu de ombros e falou que você nunca descobriria e quando eu ameacei contar tudo ela falou que pelo menos assim você não ficaria atrás dela quando ela fosse embora para o Brasil, já que ela tinha planos de te deixar, de qualquer forma.
- Eu preciso ficar sozinho Peter. - Falei num fio de voz.
- Claro. - Ele saiu fechando a porta.
Fechei os olhos para controlar as ondas de náuseas que me invadiam e disquei o número de e depois do telefone tocar muitas vezes eu já estava desistindo, quando ouvi a voz fraca do outro lado.
- Alô, ?
- , sou eu. - Fechei os olhos ao perceber o quanto à voz dela estava fraca.
- , eu achei que tinha deixado bem claro quando você foi a minha casa de que eu não queria mais nada com você. - Ouvi ela soluçar.
- , eu preciso te perguntar uma coisa. - A essa altura eu já não continha as lágrimas.
- Por favor , não me procure mais e nem ligue para mim, eu quero esquecer que você existe.

Flashback OFF


Ela desligou o telefone na minha cara e eu fiquei por um tempo sem saber o que fazer, depois disso passei semanas tentando falar com ela de novo, mas ela não me atendia, pensei em ir ao Brasil, mas me fez esquecer essa ideia e falou que um dia eu entenderia tudo, mas que ela não podia me contar, foi um tempo de muito sofrimento para mim, mas isso me ajudou na minha carreira.
Entreguei-me de cabeça ao trabalho, demitimos o Peter, já que eu não conseguia mais ficar no mesmo ambiente que ele e foi nessa época que nós conhecemos o Fletch que está conosco até hoje, foi ele quem conseguiu o primeiro contrato da banda e foi com ele que nós conseguimos o nosso primeiro “Number One”, aliás, primeiro de muitos que vieram em seguida, mas nem todas essas conquistas apagavam a falta que ela fazia em minha vida, eu a amava apesar dos seus erros e nem o tempo nem à distância conseguiram fazer com que eu a esquecesse.
Eu vivia dizendo a mim mesmo que não precisava mais dela e eu acreditava naquela famosa frase “Uma mentira dita muitas vezes se torna verdade” até que eu voltei a olhar dentro dos olhos dela e percebi que eu só deixaria de precisar dela quando eu morresse.
O destino tinha nos dado uma segunda chance, chance essa que eu não poderia desperdiçar.

´s POV Off*

Capítulo 7

- Eu já disse que não vou. - Falei emburrada.
- E eu já disse que isso não é um pedido , então nem adianta fazer essa cara feia.
- Por favor, eu quero ficar em casa.
- Você lembra o que aconteceu da última vez que eu insisti assim para você sair comigo. - Ela sorriu marota para mim.
- Dessa vez não vai acontecer a mesma coisa, eu já perdi a minha chance. -Baixei os olhos.
- Só não vai acontecer se você não quiser, o ainda é louco por você, sabia? Não acabou até que acabe, entende isso de uma vez por todas , ainda existe sentimento, então não acabou.
- Ele só gosta de mim ainda porque não sabe o que aconteceu. - Meus olhos encheram de lágrimas.
- Você só vai sabe se contar a ele. - Ela sorriu meigamente para mim. – Você não acha que ele merece uma chance de saber a verdade para poder decidir o que fazer ?
- Eu sei que você está certa , mas é que eu não tenho coragem de contar para ele.
- Ele te ama e vai entender, afinal, aquela brutalidade que aquele desgraçado fez com você não foi culpa sua e você está perdendo a chance de ser feliz com o homem que você ama por causa disso.
- Você tem razão , hoje eu vou contar tudo para o .
- Agora vai se arrumar e só ouse voltar aqui quando você estiver deslumbrante. - Ela sorriu para mim e eu sai correndo para o quarto para procurar uma roupa. Desci meia hora depois com um vestido preto tomara que caia bem preso até a cintura e mais solto até o meio das minhas coxas, calcei umas sandálias pretas de tirinhas delicadas, maquiagem leve e prendi uma parte do meu cabelo, deixando o resto cair em mechas finas pelo meu pescoço.
- Uau, por isso nós homens esperamos tanto tempo para vocês se arrumarem, espera só o ver isso. - me olhava com cara de bobo.
- , você está deixando a vermelha. - sorriu para mim. – Você está linda .
- Obrigada meninos pelos elogios e me desculpem por fazer você esperarem, vamos andando?
- Claro. - abriu a porta do carro para mim. – Primeiro as damas.
- Hey, eu também sou uma dama. - reclamou.
- É, mas você já tem o seu cavalheiro e para minha sorte a não tem ninguém para abrir a porta para ela. - Ele deu língua para e nós começamos a rir.

XXXXXXX


A namorada de chamava-se Alice e ela era muito simpática, ela era decoradora de interiores e estava conversando com ela sobre a decoração da casa que ela e haviam comprado quando casaram.
Quando a campainha tocou e entrou eu senti que tudo ao redor dele se iluminava e um sorriso enorme apareceu em meu rosto, logo sendo retribuído por ele.
Ele sentou ao meu lado e eu percebi que ele estava nervoso e o rubor em seu rosto me fez perceber que ele já tinha bebido um pouco também.
- Eu sei que eu te digo isso sempre e que você com certeza já deve estar cansada de escutar, mas você está linda. - Ele pegou em minha mão.
- Obrigada , você também está incrível.
- Me desculpem por interromper esse momento de admiração mútua, mas eu acho que a gente já pode jantar. - apareceu do nada entre a gente nos fazendo rir.
- , já que você chegou atrasado, você vai lavar a louça hoje, ok? - falou.
- Sem problemas se a me ajudar. - Ele piscou para mim, me fazendo corar.
A mesa estava linda, Alice tinha caprichado na decoração e estava muito feliz com ela, todos nós percebemos isso pelo brilho de felicidade em seu olhar.
- Vou tirar o pernil do forno e já volto gente.
- Deixa que eu te ajudo Alice. - levantou do sofá.
- Nossa, como ele está cavalheiro hoje. - sorriu para .
- Já que a não me deixa dedicar o meu carinho e atenção à ela eu vou distribuir com vocês. - piscou para , que não gostou nada da brincadeira virando a sua taça de vinho de uma vez e enchendo novamente.
- Ei , desculpa por não ter ido te visitar esse dias é que eu tava meio ocupado. – me olhava com uma cara de quem estava implorando o meu perdão, o que me fez rir.
- Eu só vou te perdoar se na próxima visita você levar a Alice com você.
- Então você gostou dela? – Ele estava radiante.
- Ela é adorável, você não poderia ter escolhido melhor.
- Quem é tão adorável assim? – Alice chegou sorrindo perto da gente.
- A cueca do Bob esponja que o estava vestindo no dia em que ficou bêbado na minha festa de aniversário. - Dei uma gargalhada.
- Que gosto . – Ela falou sorrindo, deixando envergonhado. – Bem gente, vamos jantar.
O clima do jantar estava bem leve e descontraído apesar de que eu mal conseguia me mexer na cadeira, já que estava sentado do meu lado e nossas pernas se encostaram algumas vezes, fazendo com que eu me arrepiasse. me olhava de lado sorrindo para mim, me deixando cada vez mais nervosa.
Terminamos de jantar e eu fui para o sofá junto com as meninas enquanto os rapazes ficaram na varanda bebendo.
- O não poderia ter escolhido melhor.
- Concordo com a Alice, você está fazendo um bem danado ao .
- Vocês acham mesmo, meninas? – Ela nos encarou com os olhos brilhantes.
- Claro Alice, é visível o quanto ele te ama. - Eu falei triste.
- , eu sei que a gente mal se conhece e me desculpa por me meter na sua vida assim, mas você gosta do , não é? – Ela me olhava compreensiva.
- Não Alice, eu não gosto dele, eu o amo, mas nós não podemos ficar juntos. - Baixei a cabeça e comecei a encarar o chão.
- Você não está com ele porque não quer. – estava furiosa.
- Não começa , por favor, eu não quero brigar com você, por mais que doa, eu preciso esquecer .
me fuzilou com um olhar tipo “Você não vai escapar tão fácil assim” e nós voltamos a falar da Alice e do .

’s POV ON

- Hey , você sabia que isso aí não é água? - me olhou assustado.
- Vai devagar cara. – tinha que interferir.
- O que é, vocês são minha mãe agora? - Falei virando mais uma dose de Martini.
- Não cara, a gente só não acha certo o que você está fazendo com você mesmo, vai falar com a de uma vez. – tentou amenizar a situação.
- Eu não estou bebendo por causa dela. – Eles me olharam cínicos. – Tá legal, eu admito que ela ainda mexe muito comigo, mas o que eu posso fazer? – Falei derrotado.
- Conversa com ela e fala como você se sente.
- Ela não me escutaria, além do mais, foi ela quem errou, ela que me abandonou. – Eu não queria dar o braço a torcer.
- Eu acho que a merece contar o lado dela da história. – me encarava sério.
- Vocês estão certos, eu vou lá falar com ela.
- Leva ela lá no meu quarto , para ter um pouco de privacidade, e pode deixar a louça comigo, hoje você se livrou. – piscou para mim.
- Não vai fazer nada que eu não faria viu. – sorriu maroto.
- Pode deixar, dude.
Tropecei nos meus próprios pés algumas vezes no curto trajeto da varanda até a sala, me amaldiçoei por ter bebido tanto e esperava de todo coração que ela me escutasse, cheguei perto dela estendendo a minha mão sorrindo.
Era agora ou nunca, essa era a nossa última chance.

´s POV Off*

Capítulo 8

Eu não sabia o que fazer e só fiquei sentada olhando para a mão que estendia para mim.
- Você pode, por favor, pegar a minha mão e me acompanhar pra gente poder conversar ou eu vou ter que ficar aqui em pé com cara de bobo enquanto suas amigas ficam rindo de mim? - Ele sorriu para mim, aquele sorriso de lado ia acabar me matando um dia.
- Não deixe o pobre rapaz esperando . – Alice sorriu para mim.
- Não seja tão cruel. – Essa é muito cachorra mesmo, me empurrou para que eu levantasse.
- Para onde a gente está indo ? - Perguntei enquanto subíamos as escadas e eu reparei que ele já estava bêbado.
- Para um lugar onde a gente pode conversar com calma. - Ele abriu a porta do quarto, fazendo com que eu entrasse na frente, eu sentei na cama com ele ao meu lado esperando ele começar a falar enquanto o meu coração batia a mil por hora.
- Antes de começar, eu queria que você soubesse que eu tentei me segurar para não te falar essa coisas.
- , eu...
- Por favor, não me interrompe antes que eu perca a coragem, ok? - Ele estava nervoso, torcendo a camisa com os dedos.
- Tudo bem . - Tentei relaxar enquanto olhava no fundo daqueles olhos que brilhavam mais do que nunca, o que eu posso dizer, foi uma missão quase impossível.
- Você lembra de como tudo isso começou? Espero que você lembre , porque eu não consigo esquecer nenhum detalhe daquela noite em que você entrou naquele pub mudando a minha vida para sempre, um mês depois nós já estávamos namorando e você me falou que sentia-se em um conto de fadas. – Senti meus olhos se encherem de lágrimas. – Muita coisa aconteceu de lá para cá, nos magoamos e erramos um com o outro.
- Você não errou comigo . - Falei soluçando.
- Você falou que não ia me interromper. – Ele enxugou as minhas lágrimas.
- Desculpa, pode continuar.
- Assim está melhor. – Ele deu um sorriso triste pra mim. – Eu também errei , eu sei dos meus erros, eu te deixei só algumas vezes e apesar de estar tentando fazer o que eu achava certo para nós dois eu não deveria ter colocado a minha carreira acima de você.
- Mas ...
- Pelo amor de Deus mulher! Você quer calar a boca e me escutar? – Quando tinha certeza de que eu ia ficar calada ele continuou. – Eu errei, mas gostaria de reparar o meu erro, eu sei que o nosso conto de fadas foi um pouco distorcido e eu gostaria de ter a chance de tentar te fazer feliz. – Ele respirou fundo e olhou no fundo dos meus olhos. - , você aceita voltar a namorar comigo?
- , eu não sei se consigo. – Baixei a cabeça.
- , você me ama?
- Que pergunta é essa agora, ? - Desviei o meu olhar.
- Só me responde , você me ama? - Ele segurou o meu queixo me encarando.
- Talvez eu..
- Você me ama ou não? E eu não quero ouvir você dizendo talvez, você vai dizer que me ama? Porque eu quero saber. - Eu fiquei muda e não esbocei nenhum tipo de reação. - O que foi ? Isso é demais para você? Porque isso é muito para mim e eu entendo que você precise de um pouco de tempo. – Ele se aproximou beijando os meus lábios de leve e a minha única reação foi chorar.
- Por que você está chorando ? – Ele parecia assustado.
- Desculpa , eu sou muito idiota mesmo.
- Não é não, você quer que eu te abrace enquanto você chora? - Eu assenti com a cabeça e me aninhei no peito dele.
- Eu te amo muito e se algum dia você duvidou disso, me desculpa, porque eu sei que eu dei motivos para isso.
- Você vai me dar outra chance, então? - Ele me olhou esperançoso e só pude assentir mais uma vez. Ele ficou radiante e me deu um beijo demorado cheio de paixão.
Ele colocou a mão na minha coxa fazendo com que eu sentisse uma vertigem e o empurrasse de cima de mim assustada.
- O que foi, amor? - Ele me olhava confuso.
- Desculpa , eu não estou pronta ainda, eu...
- Não precisa falar nada linda, me desculpa, eu que fui rápido demais, né?
- Não é isso , é que...
- Não fala nada, depois a gente conversa, eu só quero te sentir perto de mim. – Ele me beijou com todo o carinho fazendo com que eu me esquecesse do mundo.
Ficamos um tempão nos beijando até que alguém abriu a porta.
- O que é isso meu Deus? desgruda da menina, deixa ela respirar. – Tinha que ser o . – Então isso quer dizer que vocês voltaram?
- Não , quer dizer que a gente se odeia e estamos nos torturando lentamente. - Eu joguei uma almofada nele.
- A está te chamando para ir para casa.
- Tudo bem, fala para ela que eu desço em um minuto. – desceu as escadas pulando e nós ouvimos seus gritos na sala. – , a e o estão fazendo bebês lá na sua cama.
- Não estamos fazendo nada. – gritou e me encarou sorrindo. – E então princesa, vamos? Vou deixar você e a na sua casa, ela me falou que vai dormir na sua casa hoje, aquela bruxa, me fazendo inveja.
Eu comecei a rir e antes de sair do quarto me puxou de volta e me deu um selinho demorado. – Eu vou fazer de tudo , para te fazer feliz, eu vou dar o melhor de mim para mudar e ser o cara perfeito para você. – Ele me olhava sério.
- Eu não preciso do cara perfeito , eu só preciso de você.

XXXXXXX


- Amiga, por que você está com essa cara? – estava radiante com a notícia da minha reconciliação com o . – Eu achei que era isso o que você queria.
- Eu nem sei mais o que eu quero. – A confusão fazia a minha cabeça doer terrivelmente.
- Você só vai ter o que quer quando você soube o que quer. – Ela arqueou a sobrancelha de forma bizarra.
- , eu amo muito o e ele é o que eu mais quero no mundo, só que eu sinto que estou enganando ele.
- , por que você não aproveitou pra falar a verdade para ele? - parecia decepcionada comigo.
- Eu ia falar e eu tentei falar mais de uma vez até, mais ele não deixou.
- Tenta-se mais .
- Amanhã , ele vem me buscar para assistir uns filmes na casa dele e eu prometo que conto tudo.
- Espero que conte mesmo, agora vamos dormir porque você vai ter um dia cheio amanhã.
Não consegui dormir um minuto sequer aquela noite, dormia a sono solto na cama ao lado, mas eu estava confusa demais para pregar o olho por um segundo que fosse. Pensei em e em como eu sofri enquanto estava sem ele, eu tinha que tomar coragem e me abrir com ele, porque eu não agüentaria perder ele de novo.

Capítulo 9


- Ei , daqui a pouco o chega para te buscar e você ainda está assim? – me olhava incrédula.
- Eu não sei o que vestir. – Eu estava aflita.
- Calma, respira, vai pentear esse cabelo que eu pego uma roupa para você.
- Eu não sei o que eu faria da minha vida se não fosse você.
- Eu sei, entraria para o circo e casaria com um macaco. – Nós duas começamos a rir. – Pronto, olha a sua roupa aqui.
- Está perfeita . – Ela tinha escolhido um vestidinho bem soltinho verde água com detalhes brancos e uma rasteirinha branca com detalhes de flores, eu terminei de me vestir e fui para frente do espelho avaliar a minha aparência. – Você não acha que esse vestido está curto demais ?
- Deixa de besteira , você tem pernas lindas! Tem mais é que mostrar mesmo, e não ouse voltar para casa essa noite, eu vou estar te esperando amanhã e eu exijo que você volte toda descabelada depois de uma noite de sexo selvagem.
- , você não tem casa mais não, é? E além do mais, você sabe que eu não consigo... - Eu falei de cabeça baixa.
- Levanta essa cabeça e espanta essa tristeza que eu sei que o pequeno vai te fazer esquecer tudo hoje.
A campainha tocou uns dois minutos depois e quando eu abri a porta, lá estava com um sorriso enorme e um lindo buquê de girassóis.
- Espero que você goste, eu fiquei em dúvida sobre qual flor escolher, e como você é como o sol para mim eu achei que essas eram as flores certas para demonstrar o que eu sinto. – Ele se enrolava com as palavras.
- Está perfeito . – Meus olhos brilhavam.
- Vamos?
- Claroa deixa só eu me despedir da , TCHAU . – Gritei para a escada.
- Tchau crianças, juízo.
Depois de uma sessão de ‘De volta para o futuro’ e muita pipoca depois, me levou para conhecer o quarto dele e eu estava extremamente nervosa.
- Que papel é aquele na parede? – Perguntei curiosa quando eu vi um papel azul colado no meio de várias fotos minhas e de .
- Ah! Aquilo? Não é nada não. – Ele falou ficando vermelho.
- Eu posso ver?
- NÃO! – Ele correu e pegou o papel antes de mim.
- Se não é nada por que você não quer me deixar ler? – Arqueei a sobrancelha. – Tudo bem , se você não quer me deixar ler eu vou embora. – Eu falei dando as costas para ele.
- Espera . – Ele pegou o meu braço. – Não vai, por favor.
- Então me dá esse papel , antes que eu comece a pensar besteira. - Eu falei estendendo a mão.
- Ok, só promete que não vai rir de mim. – Ele me olhava sério.
- Prometo.
Ele me deu e baixou a cabeça envergonhado, quando olhei para o papel um sorriso apareceu em meus lábios.
– Você prometeu que não ia rir. – Ele falou, ficando mais vermelho, e você deve estar se perguntando o que tinha escrito no tal papel, então aí está:

Coisas de que eu sinto falta
1 – O seu jeito de falar.
2 – O seu jeito de sorrir.
3 – Sua mania irritante de me bater.
4 – Você me sujando de sorvete.
5 – Sua voz dizendo que me ama
6 – Sua mania de franzir a testa quando você diz alguma coisa inteligente .
7– O jeito que você beija.
8– O sabor dos seus lábios.
9– Você cantando desafinada as músicas dos Beatles.
10– Sua paciência ao lidar com meus amigos loucos.
, eu fiz essa lista com a esperança de que um dia você entendesse a falta que você faz na minha vida.
Te Amo Muito
Sempre SEU
!



- Gostei do desenho de coraçãozinho ! – Eu estava tão emocionada que essa foi a primeira coisa que eu pensei para falar.
- Para de me zoar, você prometeu.
- Que biquinho lindo. – Eu falei dando um selinho nele. – Eu também tenho uma listinha assim, sabia?
- Sério? – Ele me olhava desconfiado.
- Tenho sim, quem sabe um dia eu não leia para você.
- Vou esperar ansiosamente. – Ele me puxou pela cintura e começou a me beijar, passando a mão de leve pelas minhas costas me deitando na cama, o que me deixou tensa e quando seus carinhos começaram a ficar mais urgentes comecei a ficar angustiada e levantei de um salto, tentando recuperar o fôlego.
- Fugindo de mim, pequena? – Seus olhos expressavam o tamanho do desejo que ele estava sentindo.
- Eu ainda estou estranhando a falta de barulho, era tão diferente quando você morava com os meninos. – Mudei de assunto rapidamente, fugindo da provocação de .
- Tudo era diferente naquela época, . – olhava em meus olhos.
- Mas eu queria que não tivesse mudado nada, as coisas eram perfeitas. Por que o tempo que você perdeu é o tempo que você deseja ter de volta?
- Esquece tudo pequena, todo sofrimento, deixe o amanhã, viva está noite comigo, porque eu não posso aguentar outra noite sozinho. - Ele me beijou de novo com paixão apertando minha cintura de leve, beijou o meu pescoço e eu comecei a lembrar de uma outra noite, onde outra pessoa beijou o meu pescoço desse jeito. – Eu não posso ! – Falei afastando ele de cima de mim.
- O que aconteceu ? – Sua visão estava turva de desejo. – Conversa comigo, por que você está chorando? – Ele tocou no meu rosto com delicadeza.
- Não dá mais pra gente ficar junto , me desculpa. - Eu levantei e sai correndo, mas ele foi mais forte e pegou em meu braço antes que eu alcançasse a porta.
- Pelo amor de Deus , me fala o que é que está acontecendo, a gente estava bem até agora. – Ele estava desesperado.
- É complicado .
- Eu acho que sou inteligente o suficiente para entender se você me fizer o favor de explicar o que foi isso que acabou de acontecer.
- Eu gostaria, mas eu simplesmente não consigo.
- Você vai me deixar de novo ? Você não acha que já fez estrago o bastante da primeira vez não? Que droga, fala alguma coisa. - Ele deu um soco na parede fazendo com que eu me encolhesse, mas ele estava nervoso demais para notar.
- Agora corações estão sendo partidos, mas acho que é isso que chamam de crescer. – Reconheci aquela voz como sendo minha, mas parecia distânte, calma demais para o estado em que eu me encontrava agora.
- Então é assim, você vai sair por essa porta e fingir que não me ama mais?
- Eu não vou fingir nada , eu tentei, mas não dá mais, por mim a gente acaba aqui, eu não quero te fazer sofrer mais.
- Essa é a sua última decisão? – Ele me encarou com frieza.
- É sim, eu sinto muito . - Eu falei em um fio de voz.
- Então , a sua última decisão foi a última. - Seus olhos estavam cheios de lágrimas. – Por favor, vai embora.
- Me desculpa , eu...
- Eu não quero ouvir mais mentiras, por favor, vai embora, eu não posso dizer que estou melhor sem você porque eu não estou, mas eu queria entender porque diabos eu fui me apaixonar por você!
- Eu não queria te magoar , mas é melhor assim, adeus. – Ele não me respondeu e eu sai sem rumo, as lágrimas turvavam a minha visão e eu estava com a cabeça a mil por hora, pensando na burrada que eu tinha acabado de fazer por ser covarde demais, eu tinha perdido o amor da minha vida para sempre.

Capítulo 10

´s POV On*

Eu estava perdido, ela não podia me deixar de novo, não agora que o meu coração estava começando a se recuperar, eu achei que ela estava feliz comigo, eu dei o melhor de mim para não fazer com que ela se sentisse só, mas acho que eu não sou bom o bastante para ela. As lágrimas corriam soltas pelo meu rosto.
- Que merda você fez agora ? – Perguntei para mim mesmo sem encontrar resposta, a verdade eu que eu não me lembro de ter feito nada pra reagir daquele jeito, olhei para o relógio e percebi que eu estava a mais de duas horas deitado naquele sofá pensando nela e senti falta de ter alguém para conversar, pensei em ligar pra um dos meninos, mas já era 11 da noite e com certeza e estariam com suas namoradas, enquanto o estava em um pub qualquer enchendo a cara, peguei o celular e olhei a agenda até que encontrei um nome que me fez sorrir, disquei o número e fiquei esperando ela atender.
- Alô. - Ela falou com a voz arrastada.
- Oi Susie, te acordei?
- Oi ! Eu não estava dormindo ainda, o que aconteceu? Você parece estar péssimo. – Senti a preocupação em sua voz.
- Desculpa eu te ligar à essa hora mais você falou que eu podia ligar não foi? – Eu falei suplicante.
- Claro.
- Será que a gente pode conversar? – Eu praticamente implorei.
- Claro, eu passo aí em meia hora, ok?
- Tudo bem, tchau Susie.
- Tchau, até daqui a pouco.
Desliguei o telefone e fiquei deitado no sofá divagando entre muitos pensamentos, todos eles voltados à , por que ela aceitou me dar outra chance para depois me abandonar de novo? Ouvi a campainha e quando eu abri a porta abracei Susie e comecei a chorar, chorei livremente e nem tive tempo de tentar manter a minha postura de machão, a dor da perda de quem se ama é maior do que qualquer tipo de constrangimento que se possa ter.
- Pelo amor de Deus , o que aconteceu com você?
- Ela me abandonou Susie, e dessa vez não tem mais volta. – Eu comecei a soluçar.
- Ah meu Deus , eu sinto muito, mas o que foi que aconteceu?
- Eu não sei, ela não me explicou nada, só... Disse que não dava mais.
- Eu nem sei o que te dizer. – Ela me olhou com pena.
- Muito obrigado por você sair de casa à essa hora para perder seu tempo comigo.
- Não foi nada, e eu sei que você faria o mesmo por mim.
- Você quer um café? – Me acalmei um pouco.
- Café não, mas se você tiver alguma coisa de comer eu aceito, cheguei agora do trabalho e ainda não jantei, sabe como é, né? Vida de promotora de eventos não é fácil. - Ela rolou os olhos.
- Pior que nem tem Susie, mas fica quietinha aí que eu vou no Gianny’s e trago alguma coisa pra você comer, tá?
- Hum, adoro comida italiana! Mas você não quer que eu vá, não?
- Tudo bem, eu prefiro ir, preciso sair um pouco pra esfriar a cabeça, volto em meia hora. – Sorri fraco para ela e sai.

´s POV Off*

Por mais que eu me esforce, eu não consigo me lembrar como eu cheguei em casa, eu só lembro de entrar, ouvir música e gritando algum coisa como: - Eu não falei pra você não voltar hoje! – Quando ela desceu as escadas e se deparou comigo chorando copiosamente ela me abraçou e me sentou no sofá, me pediu para contar tudo o que tinha acontecido e ao contrário do que eu pensei que ela faria, ela não brigou comigo por ser tão covarde.
Ela me trouxe para a cozinha, colocou um prato na minha frente e começou a comer calada, o que estava me deixando muito mais nervosa do que eu já estava. Queria que ela gritasse, que ficasse brava comigo e me fizesse ver o tamanho do meu erro. Olhei para a blusa dela e vi o nome “DEUS” escrito em grandes letras douradas, soltei uma risada amarga e falei com toda a raiva que eu estava sentindo.
- Se Deus existe ele deveria ter cuidado de mim, ele não deveria permitir que o que aconteceu comigo se repetisse todos os dias com tantos filhos dele, as pessoas não deveriam sofrer, nem passar fome. Por que ele não me deixou morrer lá ? – Esperei ela gritar comigo, me dizendo que eu estava louca ou que eu estava errada, mas o que aconteceu em seguida me surpreendeu.
- A sua salada está gostosa, ?
- Quê?
- Eu perguntei se a sua salada está gostosa.
- Eu ainda não comi, por que essa pergunta? – Perguntei sem entender nada.
- É que eu achei a minha ruim, mas se você achar a sua gostosa quer dizer que ou eu ou você estamos erradas. – Ela respondeu calma.
- E o que isso tem a ver com a conversa? A questão aqui é que o “Seu Deus” não é justo. – Respondi furiosa.
- A vida não é justa para as pessoas que se importam , você ainda não percebeu? Mas eu não fico questionando, a vida é como essa salada e a mesma coisa acontece com “Nosso Deus”, às vezes penso que o mundo é duro, mas fico quieta porque eu não sei se sou eu ou se é mundo que está errado. Não devemos culpar a Deus por tudo de ruim que nos acontece, ele só nos dá o que podemos aguentar . – Ela pegou em minha mão.
- Minha vida acabou . – Puxei a minha mão.
- Você esta inteira! Apesar das cicatrizes, você está respirando e o que você fizer da sua vida a partir de agora é que vai definir quem você é.
- Muito obrigada , por tudo.
- Conte a verdade ao , , vocês ainda têm uma vida inteira para viverem felizes, não deixe que as mágoas do passado te impeçam de ser feliz com quem você ama.
sorriu para mim, me encorajando e nesse momento uma música começou a tocar no som que ainda estava ligado, chamando a minha atenção.

Brick by Boring Brick


She lives in a fairy tale
Somewhere too far for us to find
Forgotten the taste and smell
Of the world that she's left behind
It's all about the exposure the lens I told her
The angles were all wrong now
She's ripping wings off of butterflies


Ela vive num conto de fadas
Algum lugar muito longe para encontrarmos
Esqueceu o gosto e o cheiro
Do mundo que ela deixou pra trás
É tudo sobre a exposição das lentes, eu disse a ela
Os ângulos estavam todos errados agora
Ela está rasgando asas de borboletas


Keep your feet on the ground
When your head's in the clouds


Mantenha seus pés no chão
Quando sua cabeça está nas nuvens


Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle, bury the castle
Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle, bury the castle
Para pa para pa para

Vá pegar sua pá
E nós cavaremos um buraco profundo
Para enterrar o castelo, enterrar o castelo
Vá pegar sua pá
E nós cavaremos um buraco profundo
Para enterrar o castelo
Para pa para pa


So one day he found her crying
Coiled up on the dirty ground
Her prince finally came to save her
And the rest you can figure out
But it was a trick and the clock struck twelve
Well make sure to build your home brick by boring brick
Or the wolves gonna blow it down


Então um dia ele a encontrou chorando
Enroscada no chão sujo
Seu príncipe finalmente veio para salvá-la
E o resto você pode imaginar
Mas era uma armadilha e o relógio bateu meia-noite
Bem, garanta a construção da sua casa tijolo por tedioso tijolo
Ou o lobo vai botá-la abaixo com um sopro

Keep your feet on the ground
When your head's in the clouds

Mantenha seus pés no chão
Quando sua cabeça está nas nuvens


Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle, bury the castle
Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
I want bury the castle, bury the castle

Vá pegar sua pá
E nós cavaremos um buraco profundo
Para enterrar o castelo
Vá pegar sua pá
E nós cavaremos um buraco profundo
Para enterrar o castelo


Well, you built up a world of magic
Because your real life is tragic
Yeah you built up a world of magic
If it's not real
You can't hold it in your hands
You can't feel it with your heart
And I won't believe it
But if i's true
You can see it with your eyes
Oh, even in the dark
And that's where I want to be, yeah


Você construiu um mundo de mágica
Porque sua vida real é trágica
Sim, você construiu um mundo de mágica
Se não é real
Você não pode segurar em suas mãos
Não pode sentir com seu coração
E eu não vou acreditar
Mas se é verdade
Você pode ver com seus olhos
Até no escuro
E é lá que eu quero estar


Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle, bury the castle
Go get your shovel
And we'll dig a deep hole To bury the castle, bury the castle


Vá pegar sua pá
E nós cavaremos um buraco profundo
Para enterrar o castelo
Vá pegar sua pá
E nós cavaremos um buraco profundo
Para enterrar o castelo


Para pa para pa para
Para pa pa para pa pa
Para pa para pa para
Para pa pa para pa pa

Para pa para pa para
Para pa pa para pa pa
Para pa para pa para
Para pa pa pa pa pa pa


Para pa para pa para
Para pa pa para pa pa
Para pa para pa para
Para pa pa para pa pa

Para pa para pa para
Para pa pa para pa pa
Para pa para pa para
Para pa pa pa pa pa PA


Aquela música parecia ter sido escrita para mim e eu não queria ver os meus sonhos sendo enterrados desse jeito, eu tinha que fazer acontecer, eu não colocaria as minhas esperanças em um buraco, eu ainda teria o meu castelo, nem que eu tivesse que construir ele, tijolo por tijolo, bem devagar.
Não sei o que aconteceu comigo, mas em um momento eu estava na cozinha chorando, no outro eu estava correndo pela rua como uma louca em busca da minha felicidade.
A última coisa que vi ao sair de casa foi sorrindo apra mim e gritando: - BOA SORTE!
Cheguei a casa dele ofegante e senti os nove quarteirões que eu tinha corrido pesarem, senti os meus pulmões arderem, mas nada mais importava agora que eu estava aqui, tão perto da esperada redenção.

Capítulo 11

Toquei a campainha pela 5º vez e não obtive nenhum tipo de reação, eu sabia que ele estava em casa, mas com certeza não queria falar comigo.
– Você é muito idiota . – Reclamei comigo mesma. Mas eu não poderia desistir agora, cheguei perto da porta, encostei a minha cabeça naquela madeira fria, fechei os olhos e abri o meu coração.
- , eu sei que você está aí, como também sei que você deve estar me odiando, mas tem algumas coisas que eu preciso te falar. Não dá mais para ficar longe , o seu amor é como um farol e você emite uma luz me guiando para você e me trazendo esperança, eu não posso sentir o seu calor, mas pensar em você aquece o meu coração, porque eu sei que você sempre está lá por mim, e essa luz simboliza a vida que eu quero ter de volta, palavra de honra e senso de liberdade.
Eu queria me manter longe para não te magoar, mas eu não consigo me afastar , você não sabe o inferno que foi minha vida durante esses cinco anos, e eu preciso esquecer isso tudo, preciso de você e a cada dia que se passa eu percebo que o tempo está indo embora, está ficando mais tarde a cada manhã e eu tenho perdido metade da minha vida pensado em como teria sido se eu não tivesse te abandonado. Cada dia deveria ser um novo dia para fazer você sorrir e encontrar uma nova maneira de fazer você se apaixonar por mim e eu quero que você saiba que eu estou disposta a tentar, porque é sempre melhor tarde do que nunca. – O silêncio permaneceu dentro da casa, senti os meus olhos encherem de lágrimas. – Eu te falei que um dia talvez eu te mostrasse a minha lista, pois eu vou ler ela para você.
Peguei o pedaço de papel em meu bolso com mãos tremulas e comecei a ler.

Coisas de que eu sinto falta
1 – Sua respiração no meu ouvido.
2 – Seu all star sujando o chão que eu acabei de limpar
3 – As piadas bobas que você conta quando eu estou triste.
4 – Sua voz chamando o meu nome.
5 – A cara de bobo que você faz quando eu digo que te amo.
6 – Suas panquecas com muita calda de chocolate.
7 – Nossas brigas bobas quando você perde para mim no vídeo game.
8 – Sua mania de se fantasiar de Marty McFly (Eu não vou contar isso para ninguém, pode deixar).
9 – Sujar você de sorvete.
10 – Você cantando All My Loving dos Beatles para mim.
Minha vida não é mais a mesma sem você, preciso de você na minha vida para ser feliz, pena que eu percebi isso tarde demais, eu não vivo mais, eu simplesmente existo desde que eu te deixei, porque a minha vida é você “ ”.
Te amo , e você é tudo o que eu preciso para fazer a minha vida valer a pena.
Sempre sua, !


Quando cheguei a esse ponto da carta minha voz já estava falha e embargada pela emoção, não sabia o que fazer, encarei a porta fechada a minha frente.
- Por favor , abre a porta, não me deixa sozinha aqui no escuro. – Comecei a chorar descontroladamente.

Susie’s POV

Fiquei escutando falar e senti inveja por eles se amarem tanto, ela amava muito ele e eu não conseguia entender o porquê deles não estarem juntos, era uma pessoa maravilhosa, mas eu sabia desde o começo que ele não me amava, e há muito tempo eu já tinha desistido de tentar fazer com que ele me amasse.
Ouvi cada palavra que ela disse e senti os meus olhos se encherem de lágrimas, eu queria que alguém lutasse assim por mim, que me amasse desse jeito, e eu entendi que eles precisavam ficar juntos.
Estava em minhas mãos, eu só precisa abrir aquela porta. Mas por que estava sendo tão difícil girar aquela chave?
A verdade é que apesar dele não me amar e de saber que eles foram feitos um pra o outro eu ainda amava demais pra desistir dele.
Fiquei segurando a chave tentando decidir se abria a porta ou não.
Eu sabia que se abrisse a porta, perderia para sempre.

Susie’s POV Off

A porta se abriu suavemente, mas não era quem estava lá, era uma mulher que eu nunca tinha visto antes. Ela me abraçou e começou a chorar junto comigo.
- , eu sei que você não me conhece, mas eu já ouvi falar muito em você. – Ela sorriu fraco pra mim. – Eu sou a Susie.
- Oi Susie, eu nem sei porque estou aqui, eu... – Me senti perdida por alguns instantes.
- Não precisa falar nada , eu escutei tudo o que você falou e me parecia que você sabia muito bem o que fazia aqui.
- Eu não deveria estar aqui, isso foi um erro.
- Erro maior seria você desistir de alguém que te ama tanto, o te ama muito , prova disso é que ele me chamou hoje aqui para conversar porque ele não sabe mais o que fazer com você. Ele foi comprar algo para comer, espera ele chegar, conversem e se acertem de uma vez. – Ela me encarou compreensiva.
- Muito obrigada por me ouvir Susie, você é ótima. Talvez se eu não tivesse voltado você e o estivessem juntos agora, eu magoei ele demais sabe. – Baixei a cabeça para não ter que olhar para ela.
- Muito obrigada, mas o merece ficar com quem ele ama e nós sabemos muito bem que esse alguém é você, agora levante essa cabeça e faça o que for preciso para reconquistar a confiança dele.
- Eu estou disposta a lutar por esse amor Susie, eu já cometi muitos erros, mas eu não quero mais errar, eu cansei de tentar fugir disso, porque mesmo quando eu estou dormindo ele ainda está na minha cabeça, você sabia que eu sonho com ele todas as noites? – Sorri fraco para ela.
Ela sorriu para mim e antes que ela falasse alguma coisa à porta se abriu e me encarou sorrindo de lado para mim. – Então quer dizer que você sonha comigo todas as noites?

Capítulo 12

´s Pov On*

Antes mesmo que eu chegasse em casa eu reconheci a pessoa parada na minha porta, meu coração acelerou e eu parei o meu carro na esquina para não assustar ela.
Fui chegando perto de casa e ela nem notou que eu estava perto, percebi que ela estava chorando e senti um aperto no peito, fiquei lá, parado, enquanto ela falava coisas que eu sonhei ouvir por toda a minha vida, pensei em ir até lá, mas não tive reação a não ser ficar parado, encostei-me em uma árvore para que ela não me visse e fiquei escutando, ela tirou um pedaço de papel no bolso e começou a ler, quando ela falou da minha mania de me fantasiar de Marty eu comecei a sorrir inconscientemente e percebi que não poderia viver sem ela.
Senti o meu coração partindo em pedaços quando ela começou a chorar mais alto, ouvi a voz dela me chamando. - Por favor, abre a porta, não me deixa sozinha aqui no escuro. – Pensei em ir até lá, mas antes que eu me mexesse Susie abriu a porta.
Eu ouvi a porta se abrindo e resolvi esperar mais um tempo para poder me acalmar antes de entrar em casa. Eu não a deixaria sair da minha vida mais uma vez, o meu futuro estava ligado ao dela, nós tínhamos que ficar juntos para nos sentirmos bem.
Cheguei perto da porta e não pude conter o meu sorriso quando a ouvi falar que sonhava comigo todas as noites.
Abri a porta, ainda com aquele sorriso bobo no rosto.
– Então quer dizer que você sonha comigo todas as noites? – Ela sorriu para mim e eu não vi mais nada na minha frente.

´s Pov Off*

Meia hora depois foi levar Susie em casa eu fiquei sentada no sofá esperando ele voltar.
Quando a porta abriu senti o meu coração disparar como se eu estivesse vendo ele pela primeira vez.
Eu sabia que não podia mais fugir.
- antes de você diga alguma coisa, eu preciso te falar que eu nunca te trai, eu errei sim quando te abandonei, mas eu nunca deixei de te amar, o meu único erro foi ser covarde demais. Se tivesse outro jeito eu nunca teria te abandonado, eu sofri muito quando fui embora daqui, mas eu estava muito confusa.
- , você não precisa me falar nada se você não quiser, eu lidei de maneira errada com essa coisa toda e eu estou disposto a esperar o tempo que for preciso para que você se sinta a vontade comigo.
- Não , chega de segredos entre a gente, eu acho que você merece saber a verdade, se você não quiser mais nada comigo eu vou te entender.
- Nada no mundo me faria desistir de você, por mais terrível que fosse . – Ele sorriu pra mim. – Seja lá o que for a gente vai lidar com isso juntos, ok?
- Tudo bem . – respirei fundo, olhei para um ponto fixo na minha frente e as lembranças voltaram com todas as forças pra me assombrar, pela última vez.
Já se passaram cinco anos e a cada dia fica mais difícil acreditar e entender o que aconteceu, todos os momentos são difíceis desde o amanhecer até o anoitecer.
Senti o desejo de desforra, a sensação de impotência, o medo de passar por tudo mais uma vez, o turbilhão emocional de quem passa por esse tipo de violência, tudo de novo.

Flash Back On

- Amor, me desculpa, mas eu não estou me sentindo bem. – Senti mais uma pontada na minha cabeça, desde cedo que eu estava com uma dor de cabeça terrível que parecia só aumentar a cada segundo.
- , eu não acredito que você vai me deixar sozinho em um dia tão importante para mim. – Ele já estava irritado.
- Eu sei que vocês vão se sair bem, amor.
- Eu não acho que você se importe tanto assim. – Ele falou com raiva.
- Eu sei que você está nervoso , mas não precisa descontar em mim, eu sempre apoiei vocês e eu não tenho culpa se eu estou com dor de cabeça, e eu sinto muito por não ester aí com você hoje.
- Eu acho que você poderia se esforçar mais se você quisesse, mas uma bandinha de garagem não deve ser tão importante assim, afinal, volte para o seu descanso e me desculpe por te incomodar. – Ele desligou o telefone na minha cara e eu fiquei morrendo de raiva. Claro que eu me importava com a banda e sabia o quanto eles esperaram por esse show, hoje a noite uns representantes de uma grande gravadora iam ver o show deles e talvez eles conseguissem o tão esperado contrato, apesar da raiva eu me senti mal, lembrei do que Peter me disse um dia ao telefone e me senti culpada por não estar com em um momento tão importante da vida dele.
Liguei pra e ela já estava lá com o , ela me falou que ele e já tinham vomitado e que e estavam muito pálidos devido ao nevorsismo. Desliguei o celular, tomei dois comprimidos para dor de cabeça, tomei banho e meia hora depois eu já estava pronta para ir ver o show dos meninos.
Separei minha roupa e peguei a calcinha que tinha achado fofa, resolvi fazer uma surpresa para ele.
Peguei um táxi e o motorista me deixou na esquina porque não tinha mais lugar para estacionar, pela quantidade de carros na rua o lugar deveria estar lotado, fiquei muito feliz pelos meninos, senti um vento frio, apertei o meu casaco contra o meu corpo e continuei andando rápido, o show já tinha começado, dava para ouvir o som alto, apesar de ainda estar um pouco longe, a rua estava deserta e era muito escura, não tinha casas por ali, mas tinha uma quantidade enorme de fábricas abandonadas, o que tornava o lugar perigoso para se andar a noite, ouvi passos atrás de mim e quando eu pensei em correr ouvi uma voz conhecida me chamando.
- Oi , pensei que você não vinha para o show. – Não sei por que eu me senti tão nervosa ao ouvir a voz dele.
- Oi Peter, vou sim, e por que você não está lá? – Sorri nervosa para ele.
- Eu não agüentava mais ouvir o gritando com todo mundo porque você não estava lá e saí pra fumar um pouco. – Me senti muito culpada e acho que o Peter percebeu isso. – Não precisa ficar chateada , eu sei o quanto é difícil lidar com certas pressões às vezes.
- Eu fui muito estúpida com o , espero que ele não esteja com muita raiva de mim. - Comecei a andar, mas ele pegou no meu braço.
- Espera, antes de você ir eu preciso falar uma coisa contigo. – ele me encarou com os olhos escuros cheios de um sentimento que eu não reconheci.
- Peter, vamos andando, eu não quero perder o show. - Comecei a ficar nervosa.
- Para que a pressa ? – Ele apertou o meu braço e me empurrou para dentro de uma das fábricas abandonadas.
- Me larga Peter, você está me machucando. – Falei com a voz trêmula de medo.
- Me desculpa linda, eu não tinha a intenção de te machucar.
- Tudo bem, agora me solta porque eu preciso ir falar com o , não se preocupe eu não vou contar nada para ele. – Senti o meu estomago se contrair quando ele sorriu cínico para mim.
- Você não vai a lugar nenhum. – Ele segurou na minha cintura com força. – Eu te desejei desde a primeira vez que eu te vi.
- Peter me deixa ir, por favor. – Senti a minha garganta arder e meus olhos se encheram de lágrimas.

- Você fica patética chorando desse jeito. – Dei um tapa no rosto dele e vi a expressão dele mudar de cínica pra furiosa rapidamente.
- Você tem que aprender a respeitar um homem de verdade, eu acho que o não te ensinou isso. – Ele mal parou de falar e eu senti um soco em meu rosto que me deixou desorientada, tentei correr, mas ele me puxou com força pelos cabelos me fazendo cair no chão e bater as costas com força, eu comecei a gritar o que fez o sorriso cínico voltar para o rosto dele.
- Não adianta você gritar, se você ainda não percebeu não dá para ninguém te ouvir aqui. – Eu sabia que ele estava certo, mas eu não conseguia fazer outra coisa a não ser gritar o nome de e me debater, alguma coisa dentro de mim me dizia que ele não ia parar.
- O seu querido não está aqui agora, você pode chamar por ele o quando quiser. – Ele puxou minha blusa com violência arrancando alguns botões com força, apertando os meus seios com força. – Se bem que eu gostaria que ele estivesse aqui, isso aumentaria muito o meu prazer.
- Seu doente! Você vai se arrepender.
Arranhei o rosto dele com força e senti um prazer enorme ao ouvir ele gemer alto e eu vi os arranhões enormes no rosto dele.
– Sua vadia. – E ele começou a me bater e me bateu até eu ficar inconsciente, acordei alguns segundos depois com ele batendo no meu rosto. – Você acha mesmo que vai ser fácil assim, sua puta? Eu quero você bem acordada para que você veja tudo e nunca mais esqueça esse dia.
Ele levantou a minha saia e puxou a minha calcinha com força fazendo com que ela chegasse até o meio das minhas coxas, a adrenalina tomou conta de mim e eu fiz um esforço enorme pra dar um chute nele.
Senti uma dor enorme na minha costela, que mais tarde eu vim descobrir que estava quebrada, ele fez uma cara enorme de dor, o que me deu um prazer anormal, quase maníaco, fazendo com que ele partisse com tudo para cima de mim, terminou de tirar a minha calcinha e tentou beijar minha boca com força, cortando o meu lábio e eu sabia que não poderia fazer mais nada contra ele, minha voz se foi de gritar e o meu corpo todo doía por dar tudo de mim.
Antes que eu pudesse esboçar qualquer tipo de reação ele abriu as minhas pernas com violência e depois disso só o que eu me lembro é de uma queimação e de dores enormes no meu ventre, eu não tinha forças mais nem para chorar, ele suspirava em cima de mim, senti ânsias de vômito e tentei forçar a minha mente a pensar em coisas boas, pensei em , e pela primeira vez depois que todo esse pesadelo começou senti vontade de chorar.
Quando ele enfim se satisfez, levantou, subiu as calças e olhou para mim e falou com ironia.
– Pena que o seu namoradinho não foi o primeiro, mas com certeza você nunca vai esquecer a sua primeira vez, apesar de você parecer um peixe morto, foi uma decepção, acho que eu fiz um favor para o . – Ele deu as costas para mim, cuspindo no chão, mas antes de ir embora ele se virou e falou. – Ah, e antes que eu me esqueça, se você contar alguma coisa sobre isso para alguém, considere a carreira do seu namorado acabada, ele não vai tocar mais nem em baile de escola.

Chorei por muito tempo deitada naquele chão frio, mas não me importei, porque sabia que as minhas lágrimas um dia trariam sorrisos ao seu rosto e seu coração um dia se recuperaria, porque o meu estava em pedaços.
Estava mais frio a cada minutos e mais escuro também, mas eu sabia que você estava bem era só isso que importava.
Eu queria que você estivesse lá ouvindo as minhas preces.
As marcas que ficaram da minha primeira relação sexual foram: Três costelas quebradas, um corte no meu lábio, um monte de hematomas e sangue, muito sangue.
Mas de todas as feridas, a que mais me machucou e me machuca até hoje, é a que ficou na minha alma.
Essa eu sei que vai ficar para sempre.

Flash Back Off

Levantei o meu rosto e encarei , que ainda estava de boca aberta com tudo o que eu tinha contado para ele.
- Todas as vezes que eu durmo, os meus sonhos são assombrados. E todas as vezes que eu fecho os meus olhos não estou sozinha, você sempre está em meus pensamentos , mas quando eu acordo você nunca está lá quando eu me viro. – Ele ainda estava chocado. – , por favor, fala alguma coisa.
- Eu estou decepcionado com você . – Senti o peso daquelas palavras sobre mim.
- Me desculpa , por não se boa o bastante para você.
- Muito pelo contrário, você é tudo para mim e é por isso que eu estou triste com você, não acredito que você passou por tudo isso sozinha.
- A me ajudou. – Falei de cabeça baixa. – Em todos os momentos ela esteve comigo. – Sorri amarelo.
- Como você conseguiu esconder esses hematomas de todo mundo?
- A tia da , a mãe do Robbie, ela é enfermeira e ela cuidou de mim durante os três primeiros dias. Claro que ela nunca soube o que realmente aconteceu, e eu nem sei que história a inventou para ela, eu não conseguia prestar atenção em nada do que estava acontecendo a minha volta.
- Eu que deveria ter te ajudado, o que aquele desgraçado fez com você foi horrível e se ele não estivesse morto eu mataria ele com as minhas próprias mãos. – Pela primeira vez eu o vi com ódio nos olhos.
- A prisão acabaria com a sua carreira .
- Que se dane minha carreira! Não acredito que você achou mesmo que eu ia preferir a fama , eu sempre te falei que eu queria fazer sucesso, que era o meu sonho, mas que você era a minha força pra realizar esse sonho.
- Me desculpa , eu estava com medo e nervosa, fiquei sem saber como agir, eu fiz tudo sem pensar eu só queria te proteger e não te ver magoado, eu me sentia suja e indigna do seu amor. – Comecei a soluçar alto e ele me abraçou.
- Você não é suja, e ninguém no mundo merece mais o meu amor do que você , me desculpa por não estar lá quando você precisou de mim, eu disse que eu morreria por você e eu morreria.
- Eu te amo , mas eu não sei se consigo te fazer feliz, eu tenho muito medo de ser uma decepção para você. – Baixei a cabeça.
- Amor, você nunca me decepcionaria, começar é a parte mais difícil, nada é certo no início, a gente só precisa ir com calma, todas as vezes que levantarmos seremos destinados a cair, mas deixa acontecer, não tem como escapar da dor do coração, eu sei muito bem disso. Eu posso te prometer que vou tentar afastar os seus pesadelos, jogue fora o que realmente não importa. Você só tem que ser feliz, eu sei que às vezes isso é difícil. Só lembre-se de sorrir e isso é um começo bom o suficiente. – Ele sorriu para mim e eu dei um sorriso amarelo. - Eu sei que você pode fazer melhor, sorria amor, você está comigo. – Ele fez uma careta engraçada fazendo com que eu sorrisse. - Viu?
- Eu te amo tanto .
- Eu sei disso.
Nós ficamos conversando e as horas pareciam minutos, quando eu dei por mim estava bocejando ao meu lado.
- Amor, já é tarde, acho melhor você ir dormir.
- Eu não quero dormir. – Ele falou fazendo um biquinho fofo.
- Deixa de ser criança, vai, eu vou te colocar na cama. – Puxei o braço dele.
- Hmm, gostei dessa idéia. – Ele sorriu maroto.
- Seu safado. – Fiz cara de assustada.
- Desculpa , não é nada disso, eu só quero dormir com você, só isso. – Ele ficou na defensiva instantaneamente.
- Não se complique mais senhor
, vem, vamos deitar de uma vez. – Sorri para ele.
Deitamos juntos e começou a fazer carinho em meu rosto, cantando baixinho enquanto dizia que me amava. Começamos a nos beijar e eu me senti confortável nos braços de , eu finalmente tinha me libertado das coisas ruins, comecei a puxar a barra da camisa dele devagar e toquei sua barriga com timidez.
- Amor, você tem certeza?
- Como nunca.
Voltamos a nos beijar e a cada toque, a cada beijo, eu sentia as minhas feridas cicatrizando e essa era a melhor sensação do mundo. Suspirei de prazer e olhei para o sorriso bobo no rosto de .
- Você não está decepcionado?
- Claro que não , você é perfeita. – Ele me olhou de um jeito que me fez corar.
- Você não quer fugir, não? Ainda dá tempo. - Perguntei sorrindo.
- Não há lugar na terra que eu prefera mais estar do que aqui.

Epilogo

Mais cinco anos se passaram e os últimos anos tem sido os melhores da minha vida, eu e nos casamos e tivemos uma filha que se chama Hope.
Ela não poderia ter um nome melhor. Esperança!
Olhei para minha família sentada no gramado do nosso jardim, Hope segurava na mão do pequeno Adam, meu afilhado, filho dos nossos vizinhos e .
Um sorriso surgiu em meus lábios sem que eu percebesse, olhei para e vi o brilho de felicidade em seus olhos e eu sabia que ele estava vendo a mesma coisa ao olhar para mim.
Ele veio ao meu encontro e me abraçou.
As coisas acontecem de forma misteriosa, eu percebi que vivi em uma espécie de “luto” por muito tempo até que eu percebi que cultivar esse “luto” é sofrer mais. Me forcei a pensar em projetos futuros, em relações com pessoas novas, e em dar mais espaço para a vida do que para a tristeza. Enquanto se está de luto a vida deixa de ser interessante.
Eu lutei, e consegui a minha vida de volta.
Os pesadelos foram ficando cada vez mais raros, até desaparecerem por completo, pois quando a vida volta, a dor não some por completo, por um tempo ela pode até coexistir. A dor existia, mas foi substituída por momentos de muito amor, alegria e compreensão.
Beijei o meu marido e sorri para ele.
- Eu te amo .
Aquelas palavras afugentavam os meus pesadelos, me trazendo de volta a vida e eu enfim tinha o meu conto de fadas.
Eu me apaixonei, sofri, lutei, mas no final valeu a pena, porque eu tinha o meu castelo, com meu príncipe perfeito.

FIM!


Nota da autora: Gente, muito obrigada por perderem tempo lendo isso.
Quero agradecer a minha beta Annie Brissow, por aceitar participar disso comigo, a Mhaali (Caroline) por scriptar a fic e a Thais *(someone) por todas as conversas bobas sobre zoológicos, por vocês duas terem se empenhado tanto em me ajudar a chegar até essa beta maravilhosa.
Também quero agradecer a minha capista, Cá Marques, pelo trabalho maravilhoso (já virei fã).

1.40947538475 AGRADECIMENTOS DEPOIS...

A história da fic é real, minha melhor amiga foi estuprada pelo primo do ex-namorado dela e antes que ela pudesse denunciar ele morreu em um acidente de moto.
Isso fez com que ela ficasse pior ainda, então ela me pediu para escrever essa fanfiction como um desabafo.
Ela achou que se eu escrevesse essa fiction, fazendo com que ela tivesse um final feliz com o Danny (que é o fave dela) ela se sentiria melhor e teria esperanças para recomeçar.
Passamos várias noites juntas conversando, enquanto eu cuidava dos machucados dela e ela me contava em detalhes tudo o que tinha acontecido.
Vocês não imaginam o tamanho da responsabilidade que foi para mim escrever isso, mas enfim, espero que tenham gostado e se alguma coisa ficar meio sem explicação é que grande parte da narração é real.

Amiga, eu só quero que você saiba que eu te amo e que eu dei o melhor de mim para fazer do jeitinho que você me pediu.
Se eu te decepcionar em algum momento, saiba que eu vou sofrer mais do que você com isso, estarei sempre aqui para você. Faz parte da minha vida, e eu te amo absurdamente!

Nota da beta: Certo dia estava eu na tag, quando uma menina chamada Emanuelly diz que seu sonho era ter uma fic betada por mim e que adorava meu trabalho, aquilo foi uma coisa muito gratificante para mim e me deixou SUPER feliz, sabe, é sempre bom saber que tem gente que gosta do nosso "trabalho" e que a gente serve para alguma coisa (rs) -q. Claro que eu disse que quando ela tivesse alguma fic poderia mandar para mim, e foi o que ela fez, veio falar comigo no msn e pediu para betar essa fic, e disse também que a história da fiction era real e que tinha acontecido com a melhor amiga dela, aceitei na hora, claro. E dude, nunca chorei tanto betando uma fic :// Adorei a fic Manu, sério, parabéns, sua amiga vai ficar orgulhosa de você :) e ah, forças para ela, ok? :~ É isso, vou parar de escrever porque isso tá ficando maior que a N/A da Manu, rs. Love (L)
Deixei passar alguma coisa? Mande um e-mail para annieb.ffadd@hotmail.com
Beijos, AnnieB.