Menina dos Olhos
escrita por: Luísa C. [Luisaaa] - betada por: Babi Lorentz


**Capítulo 1**

Em 2002, quando eu ainda cursava o 2º ano do Ensino Médio em Manchester e tinha apenas 15 anos, fiz uma visita com colegas a uma casa de apoio a pessoas com deficiência visual. Nunca algo me marcou tanto... Pensava muito em como seria viver sem poder ver o céu, ou o rosto das pessoas ao meu redor... Lembro-me de ter elaborado milhões de questionamentos em minha cabeça, enquanto meus amigos brincavam com algumas crianças e as faziam rir. Que tipo de justiça era aquela? Por que motivo algumas pessoas nasciam cegas? O que seria pior... Nascer sem visão ou perdê-la mais tarde? Algumas pessoas ali, a maioria adulta e adolescente havia perdido a visão em algum tipo de acidente ou com doenças... Mas, havia aquelas crianças que nunca tinham visto o mar; não tinham a menor noção do que era lilás ou azul, do que era um céu brilhando com um imenso Sol. Bom, sempre acreditei naquela frase "Deus só manda o fardo para aqueles que conseguem carregá-lo!". E ainda acredito!

Naquele mesmo ano comecei a trabalhar durante as tardes, depois da aula como voluntária naquela casa, naquele projeto que se chamava LUZ. Eu achava um tanto irônico, afinal todos ali só tinham diante dos olhos escuridão. Era intencional, pois aquele projeto dava luz a muitas daquelas pessoas. No meu primeiro ano de trabalho fui encarregada de tomar conta de uma criança cega, uma menina chamada Mandy. Não era tomar conta como uma babá, era um trabalho diferente. Todas as tardes eu ia à casa da Mandy ler para ela, contar histórias, realizar brincadeiras e ensinar coisas que pudessem ajudá-la a viver da maneira mais natural possível, a viver como as pessoas que possuem visão.

***Flashback***

- , como é o mar?
Aquela pergunta parecia fácil de se responder... Eu poderia dizer: Imenso, mas ela não tinha noção do imenso... Azul, mas ela nunca viu outra cor senão "preta"...
- Bom, Mandy... O mar tem a mesma cor do céu...
-Azul?
-Isso! E às vezes, durante o dia, o céu e o mar são tão parecidos que parecem um só... Não se sabe onde é mar ou onde é céu... Onde um termina, o outro começa...
-Hm... Como se eles estivessem colados um no outro? Do mesmo jeito que a mão da minha ursinha está costurada na mão do meu ursinho?
-Exato!- Disse eu sorrindo, pensando em como uma criança de 6 anos podia me ensinar tanta coisa sobre a vida, mesmo sem querer.


*** Fim do flashback***

Cerca de quase dois anos depois, Mandy precisou mudar de cidade, eu nunca mais a vi. Mas, nunca a esqueci. Eu estava então com 17 anos cursando o último ano no colégio. Recebi minha nova tarefa... A tarefa que mudou minha vida para sempre! Todas as tardes eu deveria visitar um garoto de 18 anos e ler para ele. Seu nome era , havia perdido a visão em um acidente de carro quando tinha 16 anos, mesmo acidente em que seus pais morreram. havia ficado órfão, cego e completamente sozinho. Morou em um orfanato até completar 18 anos, depois disso pegou sua herança nada pequena e foi morar sozinho. Era 5 de julho de 2004 e lá ia eu pela primeira vez a casa do tal garoto, caía uma tempestade que parecia mais o fim do mundo.


**Capítulo 2**

- Oi! Eu sou ! Eu vim aqui através da casa Luz, ler para !- eu falava com a governanta da casa.
-Oh! Claro! Entre! Está chovendo tanto!- Ela dizia sendo simpática. - Espere no escritório a esquerda, eu vou chamá-lo.

Eu sorri para a senhora que aparentava ter uns 70 anos, ela possuía o rosto mais doce e sereno que já vi em toda minha vida. Cora, era assim que se chamava, possuía baixa estatura e sempre usava o cabelo já todo embranquecido preso em um coque no alto da cabeça.

Me encaminhei ao escritório um tanto boquiaberta, era uma casa linda, enorme, com estilo meio antigo... Me lembrava um castelo... Algo meio "A Bela e a Fera". Eu nem podia imaginar que a minha história ia se tornar um pouco "A Bela e a Fera".

-Boa tarde!- entrou no escritório onde eu estava sentada e eu demorei cerca de 20 segundos para murmurar um "boa tarde!" de volta. Ele era simplesmente perfeito... E eu que até então achava que caras lindos daquele jeito só existiam no cinema.

-Oi! Eu sou !
-E eu o ! Bom, isso você deve ter deduzido... Afinal, quantos caras cegos teriam aqui!? - Ele dizia rude e irônico, não comigo, mas consigo mesmo. O que me fez perceber desde o 1º momento que o não aceitava ser do jeito que era.

-Bom, você quer que eu leia algum livro em específico pra você? - eu disse olhando em volta... Havia muitas estantes, cheias de livros...
- Não pensei em nenhum! Por quê? Você trouxe algum com você?
-Trouxe sim! Um que eu amo... Se chama "Twilight" (Crepúsculo). Ele tem continuação... Eu já li esse 1º... e mais 2... Aguardo ansiosamente o 4º.
-Você já leu... Não vai se importar de ter que ler de novo?- perguntou sentando em uma confortável poltrona, igual a que eu estava, bem na minha frente.
-Não mesmo! Acredite! Eu amo esse livro! Leria mil vezes tão empolgada quanto da 1ª vez que o li.
-Então, já vi que esses livros devem ser mesmo bons... Leia-os para mim!

E foi assim que tudo começou... Eu ia todas as tardes ler para , ele sempre rude consigo, e às vezes com o mundo... Era como se ele culpasse tudo e todos por ter perdido os pais e por estar cego. Às vezes ele fazia perguntas sobre mim... Nada demais... Coisas como, qual era minha cor favorita, que tipo de música eu curtia... Os filmes e livros que amei... Com o passar de alguns meses fomos descobrindo muita coisa em comum... Houve tardes em que eu nem li para ele, apenas ficávamos conversando, brigando sobre qual era a música mais idiota... Ou discutindo outras bobagens que faziam o tempo passar rápido. Eu amava as minhas tardes, o tempo com voava... Ele era uma ótima pessoa, apesar de ficar bastante irritada com aquela mania de ser grosso consigo apenas por ser cego.

- Bom, eu já vou indo... - eu disse sem a menor vontade de ir embora, há 6 meses eu freqüentava a casa do . Há 4 tinha começado a perceber que me partia o coração ir embora todos os dias, e não era por pena.... Era algo que eu não sabia definir...

-Ah, certo!- disse meio cabisbaixo... Ele tinha passado toda a semana assim... Com um ar triste.
- Tem algo de errado acontecendo, ? Você tem estado triste!
-Não! Está tudo bem!
-Certeza?
-Certeza... , você vai sair hoje à noite? Bom, hoje é sexta... e...
-Eu tenho o aniversário de uma amiga. Não estou muito pra festa hoje! Mas, não posso faltar! Por quê?
-Aaah... Nada!
-Você quer vir comigo?
-Ãh? Com você? Pro aniversário!?
-Éé! Há 6 meses venho aqui e nunca vi você sair pra nenhum lugar... Ninguém pode viver enclausurado... Você não sai?
-Não! Eu sou cego! Lembra?
-Ueh! E o que é que tem?
- Tem... Que eu não gosto de saber que todos estão me olhando, pensando: "Tadinhoo! Lá vai o pobre cego!"
-Isso é ridículo! De onde você tirou essa idéia?
-, é assim que as pessoas pensam...
-Então, isso quer dizer que você vai me deixar ir só pro aniversário da minha amiga? Que eu vou ter que passar a noite toda escutando tocar Marilyn Manson na festa sem ter ninguém pra concordar comigo que aquele homem é o capeta em forma de gente?- Ele riu. Ele achava engraçado o fato de eu odiar Marylin Manson pelo simples fato dele parecer um demônio.

- Você é boba!
-Certo... Agora me conta uma novidade!- eu disse sorrindo só porque ele estava sorrindo. Eu sentia medo de sentir aquilo toda vez que ele sorria. Era uma sensação estranha.

-Ok! Eu vou à festa com você!
- Aewwww!- Eu disse abraçando ele e dando um beijo no rosto. Isso era pra ser bem simples, mas todo meu corpo estremeceu como se eu estivesse tomando um choque. E a menos que eu estivesse louca... Ele também estremeceu!




**Capítulo 3**

Parei com meu carro na porta da casa do e buzinei. Eu nem podia acreditar que ele havia aceitado ir à festa comigo. Apesar de não enxergar nada ele sabia perfeitamente como se locomover. Sem bengala, sem cão guia ele vinha andando perfeitamente pelo jardim na direção do carro. Era como se ele sentisse os objetos em volta dele. Se eu não o conhecesse... Nem saberia que ele era cego! Abriu a porta do carona e entrou tranquilamente. Eu não me esquivei em nenhum momento para ajudá-lo... Primeiro, porque ele realmente não precisava de ajuda... Eu com olhos perfeitos teria tropeçado umas 5 vezes até chegar ao carro, ele não. E segundo, porque se eu fizesse qualquer movimento que indicasse "ajuda" deixaria ele furioso. E eu não queria isso.

*** Flashback- 1 mês antes***

" "Você me salvou". Ele disse baixinho.
"Eu não posso ser Lois Lane", eu insisti. "Eu quero ser o Superman também".
"Você não sabe o que está pedindo". A voz dele era suave; ele olhava intencionalmente para a pontinha do travesseiro.
"Eu acho que sei." "

-Tô com sede! Vou beber água e já volto!- disse fazendo uma pausa na minha leitura.
-Ah! Deixa que eu pego pra você!- disse me levantando
-NÃO!- Ele disse de forma grosseira me fazendo sobressaltar e olhar espantada para ele.
-Eu só ia... - Tentei me explicar, mas fui interrompida.
-....Só ia pegar água para o pobre ceguinho. Não faça isso! Não tente fazer as coisas por mim! Ser cego já é ruim o suficiente, não preciso de piedade!
-Não é piedade! - sussurrei, mas ele não estava mais lá para ouvir... Já tinha saído, pisando forte e soltando fogo pelas ventas de raiva de mim.

Quando ele voltou tinha uma expressão diferente. Parecia sofrer, eu até poderia jurar que ele havia chorado. Continuei a leitura.

*** Fim do Flashback***

-Que roupa você está vestindo?- Ele sempre me perguntava esse tipo de coisa... O que eu estava vestindo; a cor da roupa que a Cora estava vestindo... Uma vez ele quis saber até a cor da blusa do apresentador de um programa, enquanto assistíamos TV. Acho que era uma forma dele se martirizar ainda mais, pensando naquilo que não estava vendo.

- Um vestido roxo e botas pretas.
-Me parece legal! Eu gosto de roxo!
-É! É minha cor favorita! Qual a sua?
- Azul... eu acho!
-Acha?
-É... Tem tanto tempo... Eu não me lembro tão bem como é o azul... Às vezes eu esqueço! Mas, era minha cor favorita!

Não me deixava triste o fato dele ser cego, me deixava triste saber que ele sofria com isso.

-Dirija direito! Não seja lesma!- Ele me zoava
-Olha só... Eu sou uma garota prudente! Não sou lesma!
-É lesma sim!
-Idiota!- eu disse séria, porém brincando
-Bocó!- ele devolveu rindo
-Otário!
-Eu desisto!
-Ganhei! Sempre a vencedora!

Momentos idiotas como aquele me faziam feliz. E isso me assustava... Eu tinha o terrível medo de perder o .

**Capítulo 4**

Depois de 1 hora na festa já estávamos querendo nos matar por causa do tantão de música ruim que tava tocando.

-Ah! Jardim! Eu amo jardins! São sempre a minha fuga de festas chatas!
-Você é doida! A festa ta tão legal!
-Tá me zoando, né?
-Estou!- Ele disse rindo.
-Desculpa, por te convidar pra uma festa ruim, mas se não fosse você eu estaria congelando sozinha nesse jardim agora.
-Relaxe... Apesar de ter sido obrigado a escutar Marilyn Manson, Snoop Dog e Girls aloud, eu até que estou gostando!

Ficamos em silêncio... Eu estava sentada em um muro baixo de pedra e ele estava encostado ao meu lado no muro, virado de frente pra mim.

-, fecha os olhos!
-Isso é uma ordem?
-É!

Eu fechei meus olhos. Não gostava de receber ordens, mas sei lá o que me dava quando eu tava perto do .

- Presta atenção só no vento! Escuta só o vento! Se você se concentrar bastante... Vai ouvir e até mesmo ver coisas muito distantes.

O estava certo... Com concentração eu notava coisas distantes... Imaginei que esse devia ser o segredo dele pra andar com tanta habilidade, saber sempre pra onde olhar... Ele devia ter desenvolvido grandes técnicas de audição e tato. Era bom perceber isso! Permaneci em silêncio e de olhos fechados, sentindo o vento gelado cortar minha pele... Quando senti o se aproximar e me beijar... Eu correspondi ao beijo!

Ele me abraçou e sorriu... Um riso sincero, verdadeiro... Diferente de todos que já o tinha o visto esboçar! Eu o abracei bem forte... Era estranho, mas um único beijo foi capaz de me fazer entender muitas coisas... Um único beijo explicou o que significava todas aquelas tremedeiras que me davam quando eu estava perto do , o leve ciúmes que eu sentia quando o ouvia contar sobre ex namoradas, a vontade que eu tinha de não ir embora da casa dele... Eu não sabia por que ou desde quando, mas eu estava apaixonada...

- Eu gosto de você!- Ele disse abraçado a mim, meio sufocado pelo meu abraço apertado.
-Eu também gosto de mim! -Eu disse caindo na gargalhada.
-Sua bocó! Eu falo sério!
-, eu acho que estou apaixonada...
-Então temos um problema, porque eu também estou...- Ele disse sorrindo- apaixonado por mim mesmo!

Dei um tapinha de leve no ombro dele.

-Oh, me enganei... Por você! Apaixonado por você... - disse dramatizando como um pseudo-ator.
- Bocó!
-Nós não somos nada românticos, né?
-Não mesmo! - respondi beijando-o
-Eu não sei se isso é muito certo, !- disse sério
-Isso o quê? Nós dois?
-É... Acontece que...
-Não comece, ! Você vai me magoar e me chatear se disser o que acho que você está tentando dizer...

Ele ficou em silêncio... Apenas pensando!

-Eu sou cego!
-Sabia! Sabia que você viria com essa história!- eu disse descendo do muro aborrecida.

me puxou pela mão com uma precisão incrível. Uma força, misturada com proteção que até me fez lembrar o Edward, personagem dos livros que eu lia para o todas as tardes.

-? Você já parou pra pensar que uma pessoa cega pode te atrapalhar?
-De que forma, ?
-Você é uma garota perfeita! As pessoas a sua volta diriam... "O que ela viu naquele cara cego?"... Teria um monte de coisas que eu nunca poderia fazer com você... Lugares que não poderia ir... Eu não seria como um namorado normal...

- , não há nenhum lugar que proíba a entrada de pessoas cegas que eu queira ir... Durante 6 meses não houve nada que eu tenha visto que você não pudesse fazer... E, eu sei que há algum tempo você não vê sua imagem no espelho... Mas, você é bonito o suficiente pra ninguém ousar dizer... "O que ela viu naquele cara cego?"...

Ele sorriu e depois me beijou...

-, você quer namorar comigo?


**Capítulo 5**

- Depende... Você vai parar com essa idiotice de achar que me importo com o fato de você não enxergar?
-Vou!- Ele disse sério
-Eu quero sim, ! E também quero que entenda que realmente não me importa! Na verdade, é até melhor... Se você visse que sou banguela, zarolha, e sofro de ausência de nariz igual ao Michael Jackson você ia se assustar - Eu disse rindo muito.

-Palhaça! -Ele exclamou, sorrindo enquanto passava um braço em volta da minha cintura caminhando ao meu lado.



***

4 meses depois eu ainda estava namorando o e cada vez mais apaixonada... Parece algo tolo a se dizer, mas não é... Era como se de repente todos os clichês do mundo tivessem passado a fazer sentido pra mim... Eu não me sentia idiota em pensar nele como uma espécie de principie encantado; não me importava de lembrar dele cada vez que ouvia uma música romântica e melosa... Cada vez que o dizia o quanto eu era importante pra ele, eu me derretia toda... Passei a entender o que seriam as borboletas no estômago... Me tornei uma admiradora fiel de clichês... Passei a entender que a vida sem eles não teria a menor graça! Minhas amigas às vezes comentavam que achavam horrível e super clichê um cara chamar a garota de “pequena”... Eu ri com essa lembrança certa vez... Elas não imaginavam que quando se é com a gente, aquilo que parece “patético”, podia virar uma perfeição. Por isso, sim eu amava quando me chamava de “pequena” ou “minha vida” ou “meu anjo” ou qualquer outro nome que para quem não sentia aquilo que sentíamos iria parecer “patético demais” ou “clichê demais”.

- , pega o controle pra mim, por favor!- Ele dizia fazendo tipo.
-Folgado! Pega você! Eu tô estudando!- Respondi da mesinha onde estava lendo enquanto continuava deitado na cama implorando pra que eu pegasse o controle.

-Preguiçosa!
-Preguiçoso você!- Disse levantando e pegando o controle, ele não estava mesmo com vontade de me deixar estudar.

Quando entreguei o controle pro fui puxada por ele, caí do modo mais desastrado possível batendo meu queixo na cabeceira da cama. Bom, a partir daí nem preciso dizer que não voltei a estudar... Ele ficou beijando mil vezes meu queixo e pedindo milhões de desculpas... E se tinha uma coisa que eu amava... Era o todo carinhoso comigo!

“Houve uma leve brisa sobrenatural. Meus olhos se abriram. As folhas das árvores menores tremiam com o vento gentil da sua passagem. Ele havia ido embora.”

- Eu não consigo ler isso e não me sentir triste mesmo já conhecendo a história toda!- Eu disse abraçando o livro. Eu estava lendo naquela tarde para o , havia muito que não lia pra ele... Estávamos ainda no livro 2 da série Twlight, o New Moon.

- Bom, você se sente triste porque você é apaixonada pelo Edward. Mas, bem... você lembra que ele só existe no livro, né? Que ele é ficção! - disse me zoando.

-Infelizmente, sei! - Eu retruquei. não sentia ciúmes da minha paixão pelo Edward Cullen... Acho que é porque... Bom, é como ele mesmo disse... O Edward só existia em um livro.

-Eu entendo o Edward!- disse pensativo.
-Ah... , é triste o que o Edward faz... pra quê ele se afasta da Bella? Ele a ama, e ela o ama também! Ela precisa dele!

-Bom... Ele vai embora justamente porque ama Bella! , ele é um vampiro... Ele sabe que isso poderia machucar a Bella! Ele teve provas de que a Bella convivendo com vampiros colocaria a vida dela em risco! Ele não quer prejudicar a garota que ama!

-Mas... Ela precisa dele! - Eu susurrei triste e pensativa. Eu sabia que aquela conversa já não era mais sobre Bella e Edward... E sim sobre e ... Ele tentava disfarçar, mas eu ainda percebia durantes todos os dias do nosso namoro que ainda pensava que o fato de eu namorar um cego poderia me fazer infeliz, poderia prejudicar minha felicidade. Eu não queria que o partisse como o Edward! Não queria sofrer como a Bella! Tremi com esse pensamento!

-Edward é como a Fera, de A Bella e a Fera...
-É?- Perguntei sobressaltada... Não com a comparação, mas porque percebi que me perdi nos pensamentos e nem escutei as últimas coisas que havia dito.

-É! A Fera recusava o amor da Bella porque sofria por ser do jeito que era... Sabia, que a Bella era perfeita demais para viver condenada a amar uma Fera.... Ou seja, tanto Edward quanto a Fera se afastam para proteger a pessoa que amam... Nesse caso, as duas se chamam Bella - Ele riu da coincidência.

O que o estava tentando me dizer? Que achava justo me deixar? Que seria pro meu bem? Ele estava querendo me deixar? Parece um pouco paranóico... Na verdade, é paranóico... Mas, foi isso que pensei!

**Capítulo 6**

Outono havia chegado e eu estava na janela do meu quarto lendo... Eu nunca gostei muito do outono, é uma estação triste. No verão o Sol brilha um pouco mais forte, as pessoas procuram regiões calorosas para diversão... No inverno o frio é de matar, mas a estação não deixa de ser boa... Chocolate quente, cobertores e mais cobertores, ventinho gelado tomando conta das ruas... Na primavera, a estação mais bela, tudo são “literalmente” flores... Mas, o outono... O outono tem uma sensação de fim... As árvores perdem as folhas, o Sol brilha fraco, as poucas flores não parecem tão belas... Até mesmo o frio é estranho no Outono... Eu não sabia se era culpa da estação ou algum tipo de pressentimento, mas naquela amanhã acordei com uma sensação de perda em mim.

À tardinha resolvi passar na casa do , eu não via ele desde o dia anterior... O que para uma garota apaixonada é muito tempo. No jardim de casa fui surpreendida por Mike Banes, o cara mais chato da face da terra.

-Mike? O que você está fazendo aqui?- Eu perguntei surpresa tentando disfarçar a minha cara de “Ai! Que saco!”.

-Oi, ! Eu vim... erm... Eu preciso falar com você! Eu tô vendo que você está de saída, então vou ser rápido... , eu preciso que você me dê uma chance... Eu sei que...

-Essa história de novo, Mike? Quantas vezes você já me pediu em namoro e quantas vezes eu já disse que não? Mike, eu tenho namorado! E mesmo antes dele eu já te dizia “não!”...

-, eu sou apaixonado por você! Há muito tempo! Por favor, tenta pelo menos...

-MIKE! PARA! Eu tenho namorado! - Eu me estressei com a insistência dele e mais ainda com o fato de Mike estar se aproximando muito de mim. Como uma cobra pronta para dar o bote!

Nesse momento, ia chegando com o motorista para me ver... Eu não avisei que estava indo a casa dele, então ele veio me ver... Mas, nem eu e nem Mike vimos que ele estava ali! Estávamos em uma chata batalha pra conseguir reparar em algo mais!

-Eu não aceito que você prefira aquele cego... O que você viu naquele cara? Ele é um idota! Ele não enxerga, só atrapalha sua vida... O que vocês dois fazem juntos? Ficam trancados o dia todo enquanto você lê para ele? Há quanto tempo você não vai a uma festa? Há quanto tempo você não sai com seus amigos? Ele está te prendendo, roubando sua vida e você nem nota isso!

Eu senti todo o sangue do meu corpo esquentar... E eu nunca senti tanto ódio de alguém como senti do Mike aquele dia. De repente achei uma força que eu nem sabia que existia em mim... E bati no Mike... Foi o maior e mais forte tapa na cara que alguém já levou na vida. Eu deixei cinco dedos marcados na cara do Mike, e eu suspeito que foi para sempre... Acho que, hoje, se encontrar com ele na rua, meus dedos ainda estarão lá!

Estava correndo pra dentro de casa de novo quando vi o descer do carro. Meu coração deu um forte solavanco e eu podia jurar que estava enfartando. Tive medo de que ele tivesse escutado tudo. Porque sei que ele ficaria muito magoado e triste. Tive medo porque senti que ele me deixaria.

Fiquei parada na escada, paralisada, assistindo caminhar na direção do Mike. Eu sei que deveria ter feito algo, mas não consegui. Não era por querer, mas eu não conseguia mexer nem um músculo do meu corpo. Eu conseguia ouvir meu coração bater alto... Nunca pensei que por causa do Mike eu poderia ter tanto medo em minha vida como senti naqueles poucos minutos.

-, eu sei que é cruel as coisas que você acabou de me ouvir falar para , mas...

-Cala a boca, Mike!- disse rude. - Em nenhum momento eu quis roubar a vida da , eu nunca a impedi de ver os amigos... Eu estou com ela porque a amo.

-Ama mesmo, ? Se a ama tanto assim, deveria deixá-la! Você sabe muito bem os preconceitos que ela vai ter que enfrentar por sua causa... O carma é seu, não dela... Isso é injusto! Você sabe que ela deixará de fazer um monte de coisas por você...

Eu quis gritar, mas não conseguia... Eu estava vendo a maior idiotice do mundo acontecer diante dos meus olhos e não conseguia fazer nada... Vi o começar a chorar, queria matar Mike. O que era aquilo? Uma novela mexicana? Assim como nas novelas mais idiotas da face da Terra se deixaria levar por um idiotapanacasacana como Mike Banes? Meu coração não cabia mais no meu peito... Queria explodir! não respondeu a Mike, virou as costas e foi andando em direção ao carro. Como assim? Ele deveria vir em minha direção! Deveria me abraçar e mandar Mike “se pocar na casa do cão”. Mas, não! Ele estava indo embora! E isso me fez sair do meu estado estátua e correr atrás do .

-!!!- Eu o abracei forte... Por que eu estava com tanto medo?

-, podemos conversar mais tarde?

-Não! Quero conversar agora! - Eu disse caindo no choro feito uma criança bobona

-, por favor! À noite nós conversamos! Você pode ir lá em casa à noite?- Ele disse chorando também, não de uma maneira infantil como eu... Chorando magoado, triste. E isso me fez querer morrer.

-Eu amo você, ! - disse deixando ele entrar no carro...

E sabe o que mais doeu? Eu não escutei resposta alguma... ele não disse que me amava de volta... E eu sabia que não era porque não me amava e sim porque sentia que não poderia mais me dizer aquilo. Era como se o chão tivesse abrindo em baixo de meus pés... Logo eu que achava exagero de qualquer garota dizer que sentia coisas daquele tipo...
Fiquei ali parada no meio da rua vendo o carro dele se afastar, virar a esquina... E eu ainda continuava lá... parada! Até que Mike se aproximou para falar comigo... Eu pensei que fosse gritar com ele, bater, mas não... Eu olhei com desprezo, fazendo-o entender que queria que ele morresse. E fui para minha casa... Esperar com muito medo a noite chegar para ir à casa do .

**Capítulo 7**

Ao chegar a casa de encontrei ele na sala de tv, o som estava ligado e eu sabia que nem estava prestando atenção na música... Tocava If I let you go do Westlife... E eu sabia que o que me esperava não era bom, e ainda vinha com uma música triste pra fazer parte da minha trilha sonora. Sentei ao lado dele em silêncio... Permanecemos assim durante um tempo...


The courage to show to letting you know
[A coragem para mostrar para te deixar saber]
I've never felt so much love before
[Eu nunca senti tanto amor antes]
And once again I'm thinking about
[E mais uma vez estou pensando nisto]
Taking the easy way out
[Deixando pra lá o caminho mais fácil]
But if I let you go I will never know
[Mas se eu te deixar partir, nunca saberei]
What my life would be holding you close to me
[O que seria da minha vida tendo você perto de mim]


Aquela música tinha mesmo que estar tocando? Eu preferia entrar ali e ouvir uma banda que eu odiasse com alguma letra ridícula... Eu preferia ouvir Marilyn Manson a escutar uma letra que me dizia tanto.

-, nós temos que acabar com isso!
-Isso?
-É... nosso namoro!
-Nosso namoro agora virou “isso”!?- Eu não sei se era proposital, mas o sabia como me irritar
-O Mike está certo...
-Não! O Mike não está certo! Não me importa o que o idiota do Mike pensa ou diz... Importa o que eu penso, o que eu sinto... E eu amo você, !

-, você não sai mais com seus amigos, comigo você teria que enfrentar situações como essas com Mike hoje...

-, para de bancar o idiota! Você está tentando terminar comigo por uma idiotice! Eu não me importo com preconceitos tolos... Eu não vejo mais meus amigos com tanta freqüência, mas não é por sua causa... Eu mudei muito, ! Eu amadureci! Meus amigos, não! Eles ainda acham que é legal entrar em grupinhos de patricinhas e mauricinhos... Minhas amigas ainda sonham em ser populares mesmo que pra isso tenham que pintar o cabelo de uma cor que não gostam; usar roupas ridículas só porque estão na moda, idolatrar a beleza de Brad Pitt só porque todos idolatram, usar salto alto porque é chic ... Meus amigos ainda se importam com o que as pessoas pensam deles... E eu cansei disso tudo, eu quero poder usar meu all star, vestir calça jeans, achar o Ben Affleck mais bonito que Brad Pitt, pintar meu cabelo de roxo se me der na telha... Eu quero ser eu mesma... Eu quero que as pessoas gostem de mim independente da minha aparência e dos meus gostos... Assim como você gosta, ... Assim como sou eu mesma quando estou com você!

Ele ficou em silêncio e eu sabia que ele não estava pensando em tudo que eu disse. Ele estava pensando no que Mike Banes disse mais cedo para mim e para ele... Eu sei que aquilo tudo feriu o ... Ele nunca se aceitou... E o Mike despertou o monstro do preconceito e do medo dentro do .

-, eu amo você, mas... Eu não posso mais! Nós dois acaba aqui... A partir desse momento!

Ele disse de um jeito que deixou bem claro que não adiantava insistir... A voz dele denunciava que aquilo foi a coisa mais difícil que ele já disse em toda a vida. levantou e me deixou só na sala... Me senti a cega da história... De repente era como se tivessem arrancado meus olhos e eu não pudesse enxergar mais nada... O mundo estava girando enquanto eu gostaria que ele parasse.

**Capítulo 8**

Naquela noite fui para minha casa feito um fantasma... Não me lembro como consegui dirigir, como encontrei minha casa, nem se falei ou não com meus pais... Eu não cabia em mim... Fui pra casa e dormi! Acordei no dia seguinte às 18 horas... Dormi quase 24 horas. Acordei sentindo a realidade... Fiquei cerca de uma hora acordada na cama, pensando... Eu tinha certeza de que não mudaria de idéia! E como seria a partir daquele momento? Eu não suportaria ficar longe dele, eu não conseguiria... Me senti como a Bella do Edward e como a Bella da Fera... Senti que tínhamos coisas em comum... O que elas fariam no meu lugar? A Bella nº1 se entregou a dor e sofreu pelo Edward... É, definitivamente eu me encaixava nesse perfil... A Bella nº 2 lutou pela Fera, mas eu não tinha forças pra lutar... Mesmo assim resolvi tentar... Tomei o banho mais rápido da história dos banhos e fui correndo à casa do . Quando bati a porta atrás de mim ouvi minha mãe resmungar algo sobre eu precisar me alimentar, mas eu não tinha estômago para comida.

Cheguei à casa do e não encontrei ninguém. Bati, gritei, eu parecia uma louca e não me importava com isso. Eu queria descarregar meu ódio, meu amor, minhas mágoas... Queria gritar na cara do , fazer ele saber que eu estava muito furiosa. Queria xingar alto, bater nele... Qualquer coisa que fizesse entender como eu estava me sentindo... Qualquer coisa que fizesse ele voltar pra mim. Quando estava saindo vi um homem de meia idade caminhando pelo jardim.

-Quem é você? - perguntei grosseira... Aquela altura EU era a Fera, e nem me importava.
-Oi... Eu sou Mark, sou corretor... - ele dissse meio assustado... Não sei se com minha presença ou com minhas olheiras e cabelo despenteado ou com meus modos rudes.

O mundo desabou ao ouvir a palavra “corretor”...

-Corretor?
-É... - ele se esquivava como se eu fosse bater nele.
-, se mudou?

O Sr. Mark pensou bem antes de responder, mas acho que minha cara devia estar digna de pena. Eu estava perdida, e não sabia o que fazer.

-Sim! Ele me ligou, hoje pela manhã querendo vender a casa. Ele já viajou e me deixou tomando conta da venda. Estou aqui esperando um casal interessado em olhar a casa.
-Viajou? Pela manhã?- eu perguntava com os olhos pairando no ar, tentava digerir o que tinha acabado de escutar... Eu sabia que parecia retardada.
- Você está bem? Posso fazer algo para ajudá-la?
- Para onde ele viajou?
-Eu não sei lhe informar! Ele é quem me liga para manter contato! Me ligou há 20 minutos perguntando se já haviam interessados na casa...

Eu acreditei no que o corretor dizia, sai andando pelo jardim, mas eu nem sentia direito as minhas pernas... Era como caminhar na lua. Era injusto, o corretor tinha escutado a voz de há 20 minutos, enquanto eu... Continuei caminhando, ignorando a voz do corretor perguntado se eu estava mesmo bem... Não! Eu não estava bem! A pessoa que eu amava partiu e talvez eu nunca mais a visse... A pessoa que eu amava fugiu, sumiu como em um passe de mágica... Agora estávamos sós... Eu e a minha dor.


“Afinal, de quantas outras formas um coração podia ser maltratado e ainda esperar continuar batendo?” [Bella... de Edward]




**Capítulo 9**


Cinco longos anos se passaram e minha vida não era mais a mesma. Tinha me formado em Jornalismo, e seguido a área de Fotografia, estava morando em Londres há um ano e feito amigos maravilhosos... O emprego perfeito, a cidade perfeita, os amigos perfeitos e uma vida horrível. Sim, eu não era feliz... Eu estava ali viva, sorrindo, conhecendo pessoas, vivendo todos os dias, mas por dentro eu não era muito parecida com aquela pessoa que eu aparentava. Amar uma pessoa, viver uma história com essa pessoa, perde-la por uma tremenda idiotice e passar 5 anos sem quem se ama... Era o pior sentimento do mundo.


“Eu era uma concha vazia. Como uma casa abandonada - condenada - por meses eu estive completamente inabitável. Agora eu estava um pouco melhorada. A sala da frente havia sido um pouco concertada. Mas isso era tudo - só um pequeno pedaço.”[Bella]


Estava em casa numa tarde fria de Outono relendo trechos de New Moon... Era um pouco de tortura trazer algumas lembranças ao presente, mas eu não podia resistir. Eu me sentia como a Bella esperando seu Edward. Os outonos eram sempre os mais tristes, eu andava na rua observando as folhas caindo das árvores, as flores morrendo... Continuava para mim, sendo a estação mais triste, mas também passou a ser a que mais combinava comigo... Porque no Outono tudo morria! Passei eu de Primavera a ser Outono...

Everybody's talking how I, can't, can't be your love
(Todos estão falando como eu , não posso, não posso ser seu amor.)

But I want, want, want to be your love
(Mas eu quero , quero ser seu amor.)

Want to be your love, for real
(Quero ser seu amor, de verdade.)

Everybody's talking how I, can't, can't be your love
(Todos estão falando como eu , não posso, não posso ser seu amor.)

But I want, want, want to be your love
(Mas eu quero , quero ser seu amor.)

Want to be your love for real
( Quero ser seu amor de verdade.)

Want to be your everything
( Quero ser seu tudo.)

Everything...
(Tudo...)


Estava escutando música quando Kim, amiga com a qual eu dividia apartamento entrou. Conheci a Kim no curso de Jornalismo, nos tornamos inseparáveis, ela sabia tudo sobre minha vida e eu tudo sobre a dela. Kim era sempre animada, engraçada, um tanto louca o que me divertia muito... E tudo que eu precisava era me divertir.

-, você tem certeza que não vai a casa do Joey? Cara você ta escutando Rachel Yamagata de novo? Tudo bem se você escutasse pelo menos o cd todo, mas faz uma semana que você escuta a mesma música... Você tá surtando... - Kim disparou elétrica na minha frente, falando sem parar de um jeito engraçado enquanto balançava os longos cabelos vermelhos e os prendia em um rabo de cavalo.
- Posso responder agora?
-Pode!- ela riu
- Eu gosto dessa música! E não, não vou mesma à casa do Joey!
-Okay, não insistirei! Mas, lembre-se que você não pode passar a vida inteira assim por causa de um cara que se mandou, que você nem tem notícias e nem sabe se está vivo!

Eu estremeci com a última frase. Eu nem sabia se o estava vivo, tudo bem que ele ainda era jovem, mas acidentes acontecem todos os dias... Tive medo! Muito medo! Preferi afastar aquele pensamento!

-Aahh! E o Chad estará lá! Uuuu! Afinzão de você!
-Vai pra casa do seu namorado, Kim! - Eu disse rindo e atirando uma almofada na direção dela!
-Okay, tô indo! Bye Bye!


Everything's falling, and I am included in that
(Tudo está caindo, e eu estou inclusa nisso.)
Oh, how I try to be just okay
(Oh, como eu tento estar bem.)
Yeah, but all I ever really wanted
(Yeah, mas tudo que eu sempre quis)
Was a little piece of you
(Era um pedacinho de você.)

A Rach Yamagata continou cantando pela milionésima vez. Resolvi sair, andar... Andar por Londres em um tarde de outono era um ótimo programa para pessoas na fossa. Decidi passear em Westminster.

Lá estava eu caminhando distraída pelo parque quando um menino de uns 4 anos agarrou minhas pernas, ele estava perdido.

- Ohh! Não chora, não eu vou te ajudar a procurar sua mãe! Calma!- Eu nem bem fechei a boca a mãe dele apareceu desesperada.
-Meu Deus! Que susto! Obrigada por ajudar meu filho! Obrigada mesmo!- a mãe falava ainda aflita.
- De nada! Eii, qual seu nome?- perguntei ao menino
-Mike!- Ok, esse era um nome que não me trazia boas lembranças, mas a criança não tinha culpa de existir um Mike miserável no mundo.
-Hey, Mike! Viu só? Sua mamãe já está aqui! Não precisa mais chorar!- disse sendo simpática, o menino era uma graça.

A mãe dele disse mais uns 89866 “obrigada” e se foi com o pequeno Mike. Quando me virei para continuar o meu caminho achei que fosse cair no meio do Westminster, achei que estivesse vendo um fantasma. Parado a 2 metros de distância, como se fosse uma estátua estava o cara por quem sofri durante 5 anos, o cara que amava desde os meus 17 anos... ! E ao que me parecia ele estava ali algum tempo. Tempo suficiente para me ouvir conversar com o menino, e de uma coisa eu tinha certeza... Uma pessoa cega jamais esquece a voz de outra pessoa. Estávamos cara a cara, de frente um para o outro.
O mais estranho de tudo não era ter , 5 anos depois, parado na minha frente... Estranho era o modo como ele me olhava, me olhava como se realmente estivesse ME ENXERGANDO.


**Capítulo 10**


Ficamos parados durante uns 2 minutos inteiros. Aquilo foi muito mais do que surpreendente ou arrebatador... Foi assustador! Era como se em 2 minutos milhares de lembranças viessem correndo me atormentar, era como se a dor até então suportável tivesse de repente decidido se elevar e se espalhar por todo meu corpo. Mágoa, raiva, amor, dor, saudade... Todos os sentimentos do mundo estavam ali, totalmente concentrados em mim.

-?- ele disse mais afirmando do que perguntando. Parecia assustado. E minhas pernas tremeram de um modo que achei que fosse cair ali mesmo... Malditas pernas traidoras! Maldito sistema nervoso! Eu me lembrei de uma antiga aula de Biologia e desejei ser um “porífero”, benditas esponjas que nem possuíam sistema nervoso.

-Oi, !- eu disse meio intimidada... Na verdade, nem sei se minhas palavras saíram claras o suficiente... Eu me sentia sufocar!

-Meu Deus, quanto tempo!- Ele disse caminhando em minha direção. - Nossa... Olha só você... - Ele disse OLHANDO para mim. - Você não é banguela, nem zarolha, e nem sofre de ausência de nariz igual ao Michael Jackson como tinha me dito. - ele disse brincalhão.

-Você tá me vendo? -perguntei apenas confirmando o que já estava óbvio.
-Passei por duas cirurgias há 4 anos e bom... É como você está vendo... Agora eu enxergo!- ele disse animado.
-Que bom! Fico feliz por você! Muito!- Eu realmente estava feliz por ele, mas a tristeza que senti tanto tempo estava mais forte naquele momento. Eu podia sentir a vontade de chorar estrangulando minha garganta.

- Eu escutei você conversando com aquele menino perdido e mãe dele! Nossa! Meio estranho escutar sua voz depois de tanto tempo, mas eu tive certeza que era você!- Eu apenas sorria enquanto ele falava, ou melhor, eu apenas fingia sorrir.- Eu... Bom... erm... Estive em Manchester, procurei por você há algum tempo, mas você não estava mais lá, nem seus pais. Os seus vizinhos me disseram que a única coisa que sabiam era que vocês haviam se mudado para a Irlanda.- ele dizia um tanto triste

-Meus pais foram para lá! Eu tenho uma tia que mora lá há bastante tempo, e meus pais se mudaram há uns quatro anos... Eu não! Eu estava aqui em Londres, estudando!

-Veio estudar aqui? Você ainda estuda? O que você ta cursando?- Disparou perguntas, e eu compreendia o interrogatório... Também queria perguntar muitas coisas sobre ele. Fiquei imaginando se teria namorada, se tinha me esquecido.

O celular de tocou antes que eu pudesse responder... Ele pediu desculpa dizendo que era importante. E eu esperei perdida em pensamentos que ele terminasse a ligação. Eu estava diante do cara que amava tanto, de um modo que nem achei que fosse possível. Eu queria abraçar como antigamente, dizer que sentia saudades... E fingir que nada aconteceu, fingir que ele nunca partiu meu coração.

-Desculpa, é que tenho que voar pra uma reunião...
-Ah tudo bem! Foi bom ver você!- Eu disse fingindo um sorriso, morrendo por dentro. “Tudo bem?”... Não tava tudo bem! Nada estava bem!

-? Eu....erm... Eu posso te ligar?

-Claro! Por que não? Pode sim!

Trocamos números de telefone, e ele teve que ir. Não parecia querer, mas foi preciso. Foi só ele sair dali pra eu cair no choro... Dessa vez não era um choro infantil! Era um choro de desespero! Me sentia perdida ali naquele parque... Na verdade, pior... Me sentia perdida dentro de mim mesma.

**** [Naquele mesmo dia mais tarde]

-Amiga, a sua história é tão louca! Eu sinto tanto por você estar assim!

-Kim, foi tão difícil... Ter ele ali tão perto! Eu quis dizer tanta coisa, abraçar ele forte... Pedir pra não me deixar de novo... - eu disse aos soluços... Já devia ter desidratado de tanto chorar... Ainda bem que eu tinha a Kim... Amiga pra todas as horas, boa de ouvir e de dar conselhos...

O telefone tocou e Kim foi atender enquanto eu enterrava a cara no travesseiro querendo sumir...

-? Telefone pra você!- Kim disse séria e bateu a boca no ar sem emitir nenhum som, apenas fazendo uma espécie de mímica com a boca... Eu era um tanto lesa, mas entendi certinho que ela dizia “É ele!”.

Era o no telefone. Eu não achei que ele fosse mesmo ligar. Mas, ele estava ali do outro lado da linha me esperando atender... Lá se foi meu coração fazer um loopin em uma montanha russa. -Alô!

**Capítulo 11**


- Oi, ! Desculpa o horário!
- Não! Sem problema! - Eu estava tremendo.
- É... que... erm... Foi muito bom encontrar você hoje! Eu queria te ver! Conversar! - ele falava totalmente constrangido, parecia estar com medo de mim. Não era pra menos, se eu deixasse a raiva falar mais alto que o amor, com certeza ele ouviria um monte.
- Por mim, tudo bem... - Era a resposta mais simples e mais idiota do mundo, mas foi a única coisa que consegui dizer.

Depois disso ele pediu meu endereço e marcamos que ele viria me buscar às 9 horas da manhã do dia seguinte... Para que pudéssemos passar o dia juntos, passear... Toda essa pseudo-normalidade me deixava nervosa.

****

Naquela noite eu demorei muito a pegar no sono, e na verdade nem sei bem como consegui essa proeza. Às 8h eu já estava no banho, rezando para que uma hora passasse logo.

- ? - Kim batia de leve na porta do banheiro
-Oi, Kim!
- O tá subindo!
- SUBINDO? MAS, SÃO 8 horas! Eu marquei às 9! Nem me arrumei ainda... Nem me preparei psicologicamente...
- É... Mas, ele tocou o interfone! E eu disse pra ele subir! Finalmente vou conhecê-lo! Uuuu! - Kim dizia animada.
-Kim, pelo amor de Jesus Cristinho, vai lá e o distrai!

Às 8:30 eu já estava pronta... Ao chegar na sala o levantou pra vir falar comigo, ficando de costas pra Kim que começou a fazer sinais pra mim. Ela se abanava exageradamente, o que significava que tinha achado ele um gato, ou, como ela mesma bateu os lábios: “So Hot”. Aquilo foi super constrangedor porque apesar de 5 anos distantes, eu conhecia bem o , e sabia de sua grande habilidade para sentir a presença de objetos, gestos e movimentos... O que significa que mesmo de costas ele estava “vendo” aquele “auê” da Kim. Dei um jeito de me despedir dela antes que aquilo ficasse mais constrangedor.
Saímos e voltei correndo pra pegar minha bolsa. O que deu tempo suficiente pra Kim sussurrar “Pega ele, amiga!” Eu saí rindo e mostrando o dedo do meio pra ela, que riu alto. Eu raramente mostrava o dedo do meio para alguém.

- Desculpa eu ter vindo tão cedo! - Ele disse já no carro. Tínhamos ficado num silêncio assustador até então.
- Ora! E eu que já estava achando que tinha entendido o horário errado!
- Não! Eu é que não agüentei esperar até às 9 pra ver você...

Sorri nervosa para ele.

****

- Então, você trabalha mesmo com Fotografia!?
-Aham!
- Eu gosto de fotos! Gostaria de ver as fotos que você já tirou...
- Claro! Qualquer dia desses eu te mostro! - Esse era meu jeito discreto de implorar para que nos víssemos mais vezes. Estávamos sentados no St James há cerca de três horas. O tempo passou voando. Contei pra sobre a faculdade que fiz de Jornalismo, sobre trabalhar como fotógrafa para revistas famosas, sobre meus amigos... E mais um monte de coisas! Ele me contou como foi fazer a cirurgia, voltar a enxergar... Contou sobre a faculdade de Cinema que fez, sobre o curso de Literatura... Ele tinha se tornado um importante escritor. Eu fiquei pensando em como as coisas só acontecessem no momento em que se é pra acontecer... Eu lia muito, o tinha se tornado um importante escritor e eu não ouvi falar nele em nem uma vez durante 5 anos.

- A Cora ainda trabalha com você?
- Trabalha! Ela sempre fala em você!
- Sério?
- Sério!
- É... Eu gosto muito da Cora!
Ou seja, muitas vezes a Cora falava sobre mim e ele escutava... Ele suportava aquilo numa boa? Ele não sentia a minha falta?

- Você gostaria de ver a Cora? Eu poderia te levar lá em casa! Você a veria e conheceria minha casa! - Ele parecia empolgado com a idéia e eu aceitei. Quanto mais tempo eu pudesse ficar perto dele seria melhor. Então, aceitei!

****

- Coraaa!
- ! Oh, que saudades de você, menina! - Cora tinha um ar tão maternal... Eu sentia falta dela também.
- Como você está, Cora?
- Estou bem! Meu Deus, você cresceu muito! É uma mulher! Fiquei tão feliz quando o disse que encontrou você!

Fiquei conversando com Cora e durante uma hora ou mais. Até que ela foi à cozinha preparar seus famosos lanchinhos, aquilo fazia eu me sentir uma criança. Mas, tinha algo mais... Tudo aquilo fazia eu me sentir em casa, ou melhor, de volta pra casa.
A casa do era toda feita em madeira branca, super clara... Passava uma paz, uma calma.

- Vem cá, eu quero te mostrar algo! - me puxou pela mão até a biblioteca. Aquela visão me machucou um pouco, lembrei da antiga casa. Era um novo ambiente, mas todos aqueles livros continuavam lá... E isso me fez lembrar das tardes em que eu lia pro , da 1ª vez que o vi... Por que tudo tinha que ser tão difícil?

- Esses aqui são os livros que já escrevi... São poucos, mas...
- Poucos? Você escreveu em um período de 4 anos, sendo que durante esse tempo você ainda fazia faculdade e cursos. Três livros é muita coisa se você parar pra pensar!

Ele sorriu e depois me mostrou os livros... O 1º falava sobre cegueira, nada técnico ou médico ou algo assim... Era algo como o relato de alguém que perdeu a visão e voltou a enxergar, a luta, os problemas. O 2º era sobre Cinema, o curso que ele fez na faculdade.

- E esse 3º livro?
- Este é seu! Toma! - Ele disse me entregando o livro.
- Ah! Obrigada! “Menina dos Olhos” - Eu disse lendo alto o título. - Sobre o que é?
- Sobre você! - Ele disse receoso.

Tudo bem! Eu até tinha sido forte até ali! Não tinha chorado na frente do , passamos o dia conversando numa boa... Mas, aquilo estrangulou a minha garganta.

- Sobre mim? - Perguntei deixando uma lágrima cair.
- , eu sei que você deve achar que eu não amo você, e deve ter raiva porque te deixei... Sei que te fiz sofrer muito... Eu me arrependi de tanta coisa... É importante para mim que você entenda que eu nunca deixei de pensar em você em nenhum dia da minha vida... - Ele disse com os olhos lacrimosos e eu já estava chorando... - , leia, por favor! Leia pra que você possa entender tudo o que estou tentando te dizer, tudo o que eu quero te dizer...

Eu afirmei com a cabeça, enxuguei minhas lágrimas e não disse mais nenhuma palavra. Cora entrou trazendo o lanche; fingiu que não percebeu o clima estranho no ar e seguimos conversando normalmente. Mas, minha cabeça ia a mil. No fim da tarde o me levou de volta pra casa e o caminho todo nem eu e nem ele trocamos nenhuma palavra sequer. Ele ligou o som do carro, talvez para o silêncio ficar menos desconfortável. E, no rádio, é claro, tinha que tocar alguma música que combinasse com nós dois. Eu tinha a impressão de que radialistas me odiavam... Era algo como: “ está triste? Vamos tocar a música que vai fazê-la querer se matar!”.

But tonight I'm gonna fly
[Mas hoje à noite eu vou voar]
Yeah tonight I'm gonna fly
[É, hoje a noite eu vou voar]
'Cause I could go across the world see everything and never be satisfied
[Porque eu poderia dar a volta ao mundo e nunca ficar satisfeito]
if I couldn't see those eyes
[se eu não pudesse ver seus olhos]

(…)

It's been a long time
[Já faz muito tempo]
Since my phones rung
[Desde que meu telefone tocou]
and you've been on that line
[E que você estava na linha]
I've been missing you
[Eu estou sentindo sua falta]
It's true
[É verdade]


Antes que a música do Jonas Brothers acabasse, o desligou o rádio. Depois daquela tarde eu sabia que ele também sofria com tudo aquilo.

No meu prédio, ele fez questão de subir e me deixar na porta do apartamento.

- Bom, eu já vou indo! - Ele disse sem graça.
- Certo... Obrigada... Tchau. - Eu disse de cabeça baixa.

Quando ele já estava na porta do elevador.

-! - gritei

Corri até ele e o abracei bem forte! Como há muito desejava fazer... Ele me abraçou de volta bem apertado. O elevador chegou, foi embora e nós continuamos ali sem dizer uma palavra. O elevador abriu de novo porque o meu vizinho de andar chegou. Nós nos separamos respondendo ao "boa noite" do meu vizinho feioso. Eu coloquei a mão para segurar o elevador. beijou minha testa, entrou no elevador e enquanto a porta fechava eu levantei o livro que ele me entregou dizendo:
- Prometo que vou ler! - Ele sorriu, com um olhar meio de choro, uma carinha de quem não queria partir... E nem eu queria que ele fosse.

**Capítulo 12**

Eu passei toda a madrugada lendo o livro do e me desfazendo em lágrimas. O livro era realmente sobre mim. Contava a história de nós dois, mas principalmente tudo o que ele sentia por mim. Era lindo! Era perfeito! No início de cada capítulo tinha um trechinho dos livros da série Twilight! Ele havia terminado a leitura mesmo sem mim...

O último capítulo do livro “Menina dos olhos”, e principalmente o finalzinho dele dizia tudo que eu precisava saber... Tudo o que queria saber...

Capítulo final.

“...Eu estou aqui, e eu te amo. Eu sempre amei você. E eu sempre estava pensando em você, vendo o seu rosto em minha mente, durante cada segundo em que estive longe...”
[Edward Cullen - New Moon]

(...)

Eu tenho estado cego durante um longo período da minha vida. Eu estou cego desde que a deixei. Porque antes não importava se eu tinha visão ou não. O que importava era que eu tinha ao meu lado a garota que eu amava, e isso era meu “sentido” mais poderoso. Muito mais do que audição, visão, olfato, tato e paladar juntos... Porque o amor supera qualquer obstáculo; ele é a maior visão que se pode ter. Mas eu fui tolo demais pra perceber isso no momento certo. Eu precisei voltar a “enxergar” para entender que deixá-la foi um erro, para entender que eu fiquei cego no dia em que a deixei... Ela era mais importante do que tudo aquilo... Ela era (e ainda é) a menina dos meus olhos.


Eram quase 4 horas da manhã quando terminei de ler. E eu não podia simplesmente esperar amanhecer para ir atrás do ... Esperar 2 horas podia parecer pouco tempo, mas eu já havia esperado 5 anos... Eu tinha que vê-lo! Saí e deixei um bilhete pra Kim, para que ela não se preocupasse comigo.
Sempre tive medo de velocidade, mas naquele dia eu dirigi muito rápido, corri ultrapassando todos os limites possíveis... Eu tinha pressa, meu coração tinha pressa.

- ? O que houve? - Cora abriu a porta assustada.
- Tá tudo bem, Cora! Não se preocupe! O tá aí?
- Tá! Ta no quarto! São mais de 4 horas... - Eu deixei a Cora falando sozinha e subi as escadas correndo.

****

Abri a porta do quarto do sem bater e sem um pingo de educação. Ele não estava dormindo. Estava sentado na cama, lendo. Parecia cansado, apreensivo. Olhou assustado para mim quando abri a porta do quarto. Fiquei parada na porta algum tempo olhando para ele.

- Você não veio pedir autógrafo, né? - ele disse tentando amenizar o clima estranho no local. Só então percebi que ainda estava com o livro dele nas mãos.
- Não! - Eu disse me aproximando.
Ele puxou minha mão de um jeito doce, me fazendo sentar ao lado dele na cama. me abraçou e beijou minha testa esperando que eu falasse algo. Ele me conhecia o suficiente pra perceber que eu tinha muito a dizer.

- , eu devia odiar você! Durante 5 anos da minha vida eu senti muita raiva, mas não era ódio... Era mágoa... Você foi um idiota com as suas atitudes! Eu nunca me importei por você ser cego, nunca te discriminei, nunca precisei abrir mão de nada por causa da sua condição e nunca dei ouvidos ao idiota do Mike... Eu sempre amei você, ! Sempre! Mesmo quando eu estava com raiva, mesmo quando eu tentava te esquecer... Esses foram os piores anos de minha vida, mas hoje... Hoje, as coisas mudaram... O seu livro me fez entender tudo o que você sentia; tudo o que você viveu; que você aprendeu com seus erros estúpidos... E o mais importante! Me fez ver que você me ama... E tudo o que eu preciso, , é ser amada por você! - Eu permanecia com a nuca apoiada no ombro dele. Dizer tudo aquilo fez com que eu me sentisse mais leve.

Depois disso nós nos beijamos e não conseguimos mais parar... Eu nunca vou saber bem explicar como eu me senti naquele dia... Era como se eu estivesse 10 anos em uma guerra, passando fome, sede, frio, dor e tivesse, de repente, voltado pra casa. Bom, era mais que isso, mas eu realmente não saberia explicar...

- Você quer casar comigo? - Ele disse beijando carinhosamente o alto da minha cabeça e passando de leve a mão no meu braço.

- Mas, nós começamos a namorar agora! - Eu realmente gostava de tirar ele do sério.

- Nós namoramos por cerca de quase 1 ano e passamos 6 anos apaixonados... E eu sei que quero ficar ao seu lado toda minha vida. Quero ter você para me dizer que vai ficar tudo bem quando tudo der errado, quero brigar com você por causa do controle remoto da TV, quero ter sempre seu amor pra me inspirar a escrever muitos outros livros, quem sabe filmes... Eu quero ter que levantar pra matar uma lagartixa só porque você tem pavor... Rir dos seus medos bobos, de quando você dispara a falar sem parar nem pra respirar, das suas crises de riso... Eu quero ter filhos com você, eu quero acordar todos os dias ao seu lado. Eu tenho toda a certeza de que eu preciso ter você ao meu lado para sempre... Bom, agora você aceita casar comigo?

Eu fiquei cerca de 30 segundos calada. Não com dúvidas, eu não tinha dúvidas em relação ao que sentia pelo ... Mas, precisei ficar um tempo saboreando toda a declaração que tinha acabado de escutar.

- Você pode mudar um trecho de tudo o que você disse?
- Ãh? - Ele fez cara de confuso.
- “Quero brigar com você por causa do controle remoto da TV”... Se você mudar essa frase eu aceito! Eu caso com você se você deixar o controle da TV comigo!
- Ta bom, vai... Eu abro mão do controle remoto!
- Eu amo você! Eu aceito... E eu também quero muito viver todos esses momentos com você!

me abraçou forte e eu soube que seria para sempre...


“... Apertei os dedos dele com mais força entre os meus, desejando ser forte o suficiente pra fechar as nossas mãos juntas permanentemente...”. [Bella]


**The end**

N/A finaL:

*Meninas, desculpem a demora! Tive problemas no envio dos dois últimos capítulos que já estavam pronto há mais de um ano! Pois é! E depois perdi o contato com minha beta!

*Poxa!!! Fim de fic! Huahauaua!!! Estou tão sem tempo para escrever outra, mass... Assim que eu puder e minha imaginação colaborar virão mais fics! =)

*Escrevi uma fic junto com minhas amigas Bel e Mafa (Thainá), mas ainda falta o último capítulo! E o título! Mas logo enviaremos para cá!

*Quero agradecer a Luddie que betou minha fic e a todo mundo que leu e comentou! Os coments são ótimos incentivos!

*Obrigada a Babi Lorentz que terminou de betar essa fic! Valeu mesmo!

*Quero dizer que a personagem Kim foi inspirada em minha amiga Claraaa! :P! That weirdo with 5 colours in her hair!

* Fic dedicada ao McFly (5 anos) e ao Edward Cullen (2 ano e 2 meses) que fazem minha vida mais feliz desde esse tempo já citado! =)

*Obrigada, Dougie por existir e ser tão lindo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Tinha que ter isso!

Leiam minhas fics: Losing memories (Finalizada); Leaving on a jet plane (Finalizada) e Pra dançar com você (Finalizada)... Todas do McFly!

Meninas, valeuu e até a próxima fic!
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