Love, Tattoos
Por Mama
Beta: Táh



“Muitas pessoas passam pela sua vida e não fazem a mínima diferença, e então aparece uma e muda seu mundo, completamente”.


Capítulo 1

Quando se é jovem, se quer muitas coisas - se quer ser igual aos outros e ao mesmo tempo original. Formam-se tribos, grupos, panelinhas, e quando um deles ganha popularidade, morremos para fazer parte. Bom, eu sempre fui ao contrário. Podem culpar meu signo, meu ascendente, minha lua, minha personalidade, minha criação, o que for, mas eu sempre quis ser o oposto dos outros, e inconscientemente.
Eu não tenho o segundo furo da orelha, eu não tenho piercing no nariz, não tenho tatuagens, não faço dieta, nunca quis por silicone, não pintava a minha unha de uma cor só, quando todas estavam de cabelos castanhos e compridos, eu tinha o cabelo curto e as pontas rosa-choque, boybands faziam sucesso, mas eu estava muito ocupada ouvindo a um bom jazz. As meninas estavam querendo um namorado igual ao da TV, que é todo errado e elas conseguem concertá-los, eu estava namorando um todo certinho, fofo e educado que eu não precisava mudar nada. Depois, quando elas queriam o certinho, eu estava namorando um Mc todo torto. Eu sempre nadei contra a maré e adorava isso. Eu não precisava de muito, apenas um bom café, um bom livro e uma boa música e eu estava mais do que feliz.
Com dezenove anos eu entrei na faculdade de Jornalismo. Depois de um ano cansativo só estudando no cursinho eu tinha conseguido, e como promessa que fiz aos santos eu iria pintar o meu cabelo TODINHO de rosa. E bom... Eu tive que pintar. E eu ficaria o ano todo com o cabelo rosa. Promessinha boa, né? Pois é. Depois de saber, no dia do meu aniversário, que eu tinha passado, eu fui no dia seguinte ao salão. Fiquei horas e horas conversando com a minha cabeleireira, afinal, eu não sou branquinha, eu sou morena, meio Megan Fox. Essa é a minha cor. Ou seja, eu tenho uma cor quente, que combina com cabelos escuros. Mas, como eu tinha prometido, pintei de rosa, porém mantive um pouco da cor da minha raiz. Ficou mais bonito do que eu imaginava.
No mesmo mês, uma das minhas melhores amigas resolveu fazer uma nova tatuagem de aniversário, e eu fui junto.
Chegamos e nos sentamos na recepção.
- Eu não acredito que você tá mesmo com o cabelo rosa... – Ela falou, olhando pro meu cabelo e passando a mão.
- O que você queria que eu fizesse? Eu prometi. – Eu falei, rindo.
- Você é louca, de verdade. – Ela pegou uma revista e ficou olhando – Ainda não tenho certeza do que eu vou querer, deixei três opções pra ele aí...
- E não sabe qual quer? – Eu falei, rindo irônica - Depois eu que sou a louca! Cabelo cresce, no fim do ano eu volto à cor natural, agora tatuagem...
- É pra sempre. Eu sei, você já me falou isso um milhão de vezes. – falou rindo e fechando a revista - Já sei qual vou fazer...
- Que bom que eu ajudei! – Eu falei, rindo e olhando pro outro lado. Vi um homem vindo na nossa direção, devia ter uns trinta anos, no máximo, com uma regata preta bem larga na manga, com os dois braços inteiramente tatuados, uma calça jeans preta justa na perna, mas na metade da bunda, um gorro na cabeça e uma barba mal feita. Ele sorria cada vez mais enquanto se aproximava de nós duas. Eu sabia que o conhecia de algum lugar, só não sabia bem de onde.
- ! – Ele falou, abrindo um sorriso maior ainda, e abraçando minha amiga,
- Hey Jer! - Ela falou, se levantando para poder abraçá-lo melhor - , esse é o Jer, ele que me tatuou das últimas vezes.
- Oi. - Eu falei, meio tímida, me levantando para cumprimentá-lo.
- Tudo bom? – Ele falou, querendo ser simpático, mas a minha timidez não me permitiu muita coisa, além do olhar engraçado dele sobre meu cabelo. – Bom , já decidiu o que vai ser dessa vez?
- Quero fazer agora ‘Fifa’ com a letra dela. – Ela falou apontando para mim. Fifa era o nosso apelido carinhoso, apenas nós duas nos chamávamos assim. Eu a olhei espantada. Era muito legal da parte dela, era uma homenagem pra mim.
- Fifa! – Eu falei sorrindo e a abraçando.
- O que seria “Fifa”? – Ele perguntou, apoiando o braço no balcão e nos olhando.
- O nosso apelido! – Eu falei sem olhar pra ele, ainda rindo boba com .
- Qual é, a gente se conhece desde os três anos de idade, já passamos por mil coisas, nada melhor do que isso. – Ela falou como se não fosse nada.
- Eu também quero. - Eu falei, sorrindo - Quanto é?
- Pra você? – Ele falou, me olhando - De graça... A gente finge que foi só a quem fez. Sua primeira, certo?
- Aham. - Eu falei o olhando, provavelmente com os olhos brilhando.
- Então, na faixa. – Ele falou, e eu não me aguentei e o abracei.
- Muito obrigada! - Eu me soltei, percebendo o que tinha feito, e fiquei tímida.
- Sem problemas, rosinha... Vamos lá pra dentro então. - Dizendo isso, ele saiu andando, e eu e fomos atrás.
Ele se sentou em uma cadeirinha baixa com rodinhas e bateu na maca para que se sentasse. Ela foi até a maca e pulou se sentando.
- Então quer dizer que eu fiquei desenhando que nem um idiota, pra agora a sua amiga vir aqui e ganhar de mim? – Ele falou, enquanto me entregava um papel e caneta.
- É né, fazer o quê? O cabelo rosa dela é bem sensual... – falou rindo e ele riu junto. Eu revirei os olhos os, ignorando, e peguei o papel, escrevendo ‘Fifa’ em letra cursiva, o mais caprichado que eu consegui - Perfeito! – falou assim que eu terminei de escrever e sorriu, pegando o papel e entregando para Jer.
Ele então se levantou e saiu da sala, voltando meio hora depois com ‘Fifa’ escrito em outro papel e já colocando a luva.
- Então vocês se conhecem há muito tempo? – Ele falou, me olhando.
- Há muito... Desde os três. – Eu respondi e ficou nos olhando, desconfiada.
- Uau, meu parabéns, porque essa aqui é uma chata! – Ele falou apontando pra , que o chutou. Ela levantou a camiseta, a tirando e se deitando, apoiando as mãos na nuca. Eu fiquei com vergonha de vê-la se despir daquele jeito na frente dele, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- Cala a sua boca, Jer. – Ela riu, e ele então se aproximou, passando um paninho no seio esquerdo dela e colocando o papel com a escrita - , esse idiota que fez todas as minhas cinco tatuagens. - Ela falou, fazendo um carinho rápido na cabeça dele.
- Mas eu achei que você tinha sete. - Eu falei, cruzando os braços e me aproximando.
- Ele entrou depois que eu já tinha duas. – Ela falou, piscando. Ela tinha sete, mas muito bem escondidas. Uma no pé que dava pra esconder com o sapato, duas na nuca, duas na costela, uma na coxa bem na alça da calcinha, uma no dedo anelar que o anel ficava sempre em cima e agora aquela no seio, que ele teve que puxar bem o sutiã para pode colocar o papel.
- , vai ter que tirar. - Ele falou, se afastando, enquanto se levantava e abria o sutiã, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eles começaram então a fazer a tatuagem e a conversar sobre várias coisas. fazia caretas de dor e ele ria.
- Cacete Jer, tá doendo muito. – Ela falou, dando um gritinho.
- Meu filho ontem fez um desenho e cismou que eu tenho que tatuar, não para de encher. - Ele falou, fingindo não ouvir os gritos da . Parecia que ela estava sendo torturada, e aquilo estava ME torturando.
- Você tem um filho? – Eu me aproximei da maca, tentando não ficar nervosa. Puxei assunto pra ver se me distraía.
- Tenho dois, na realidade. Um de cinco anos e uma de seis meses. – Ele falou, sorrindo e piscando pra mim.
- Ah, então você é casado? – Eu falei.
- Não, sou divorciado... Minha ex-mulher descobriu que estava grávida no dia em que assinamos o papel do divórcio.
- Nossa, coisa de novela. - Eu falei, rindo.
- Parem de rir e ser felizes, eu tô morrendo aqui... AAAAAAAAAAAAH! – gritava sem parar, e Jer apenas sorria de lado.
- E você e esse cabelo rosa? Não é muito certinha pra isso? – Ele falou, rindo irônico.
- Promessa... Mas não sei o que ser certinha possa ter a ver com meus cabelos rosa. – Eu falei, o questionando.
- Pronto, sua chata. - Ele falou, se afastando um pouco enquanto limpava a área tatuada, me olhando malicioso - Nem dói tanto assim.
- Dói pra cacete. Peito nunca mais. - Ela falou, enxugando umas lágrimas do rosto e se levantando. – Mas ficou bonito, hein? – Ela falou, olhando e piscando pra mim.
- Lindo. - Eu falei, olhando.
- Sua vez. - Jer falou, me olhando e tirando as luvas - Só espera eu pegar uma agulha nova. - Dizendo isso, ele se levantou e passou a mão na minha cintura para passar por mim.
- Eu não vou fazer. – Eu segurei sua mão em minha cintur,a o fazendo parar de andar - Eu sou péssima pra sentir dor.
- Relaxa, eu faço no seu braço que dói menos, e faço rápido. - Dizendo isso ele se soltou de mim e saiu.
- ! – Eu falei, chorosa.
- Você tá afim do Jer? – Ela perguntou, me ignorando.
- Eu? Não! – Eu falei assustada e olhando pra porta - Por quê?
- Toda a conversinha e o abracinho agora... – Ela falou, me dando um empurrão com o ombro.
- Você acha? – Eu perguntei, olhando para a porta de novo.
- Eu acho... Mas ó, ele é mais velho, tem filhos, puta bagagem! – Ela falou, me olhando séria.
- Eu sei, eu sei... – Eu falei respirando fundo, mas sem tempo de falar mais nada. Ele entrou de novo com novas agulhas e um plástico transparente para por na tatuagem da .
- Pronto, agora vem, gatinha. - Ele falou, batendo na maca pra mim, depois que já tinha levantado. Ela pegou uma caneta, se aproximou de mim e escreveu no meu braço, na parte de dentro, perto da axila.
- Deixa eu ver. - Eu falei, e Jer pegou o espelhinho me mostrando, tinha ficado fofo - Ok, pode fazer. – Eu fechei os olhos, os apertando, e escutei ele rir. Quando escutei o barulho da maquininha me aterrorizei, mordi o lábio com força tentando sentir bastante dor ali para não sentir a do braço.
O primeiro traço doeu muito, e eu dei um grito baixo, novamente escutando ele rir.
- Conversa comigo, por favor, - Eu falei, sem abrir os olhos.
- É... – começou a falar, mas ela parecia mais nervosa do que eu.
- Meu nome é , não é Jer, nem nada relacionado a Jer. – Ele começou a falar, e eu continuei sentindo a dor.
- Por que te chamam de Jer entãaaaaaaaaao? – Eu falei, gritando junto, e ele riu nasalado.
- Porque quando eu comecei a tatuar aqui eu tinha acabado de separar da minha banda, que era famosa, e por algum motivo idiota um dos tatuadores, talvez pela minha nova aparência, achou que eu parecia o Jeremy do Paramore, e aí ficou... – Depois que ele terminou de falar eu o olhei melhor.
- Você é o do McFLY? – Eu o olhei com os olhos arregalados.
- Culpado! – Ele falou, rindo fraco.
- Eu sabia que seu rosto não era estranho... Eu sou sua fã! Quer dizer, era... – Eu falei, encostando a cabeça na maca - Foi o dia mais triste da minha vida.
- Quando? – Ele falou, parando de tatuar e me olhando.
- Quando vocês decidiram parar por causa do filho do Tom. – Eu falei, como se fosse óbvio - Acabou com a minha vida.
- Nossa, isso já faz seis anos, não superou ainda? – Ele falou, rindo.
- Se a sua banda favorita se separasse você superaria? – Eu falei séria, nessa hora já havia esquecido da dor.
- O Blink se separou! – Ele falou, rindo nasalado.
- Cala a boca que eles voltaram. – Eu falei rindo, e ele riu junto - Fiquei com tanta raiva que nem acompanhei mais nada de vocês.
- Percebi... Demorou demais para me reconhecer sendo fã.
- Hey, você não tinha esse monte de tatuagens, não tinha barba... Você tinha um rosto angelical.
- Claro... Claro... – Ele revirou os olhos, voltando a tatuar.
- Desde quando você tatua?
- Seis anos. – Ele falou.
- Jura? – falou, entrando no assunto.
- É. Depois que a banda acabou o Tom foi criar os gêmeos, Danny era DJ e ficou fazendo reality shows. Eu então me casei também, achando que me tornaria um segundo Tom, mas acabei é entrando em depressão... Fui para a Austrália com um amigo e comecei a me tatuar, e ele começou a me ensinar a tatuar. E cá estamos. – Ele falou, e minha dor foi ficando menos forte.
- Nossa, que legal, superou a depressão achando outra coisa que amava. – Eu falei, finalmente abrindo os olhos. Quando olhei vi que faltava só a última perninha do ‘A’ e sorri aliviada - Nunca mais vou fazer tatuagem nenhuma!
- Vai sim. A gente vicia na dor. - Ele falou piscando e então se afastando - Pronto, gatinha... Terminado! – Ele tirou as luvas e continuou passando a gaze no lugar.
- Muito obrigada. - Eu falei me levantando, e ele piscou.
- Que é isso. – Ele se esticou e depois colocou a mão na barriga - Que puta fome, não comi hoje ainda, acredita?
- Nossa, mas já são cinco horas. – Eu falei, olhando assustada para o relógio.
- Ah, mas hoje foi agitado. Desde as oito horas que eu cheguei tive quinze tatuagens, sendo que uma durou três horas. – Ele falou, se levantando e jogando as coisas fora - Sem contar os piercing e tudo mais...
- A gente vai tomar um café agora, quer ir? – falou, pegando a bolsa e saindo da sala.
- Olha, gostei da ideia. – Ele falou, dando a volta no balcão e olhando a agenda - Eu tenho duas horas até o próximo cliente... Topo sim.
- Ah, então vamos. - falou, entregando o cartão pra ele e pagando pela tatuagem.
Depois de pagar e dele avisar aos outros rapazes do estúdio que ia sair pra comer, nós fomos. Paramos no café que tinha logo ao lado e nos sentamos em uma mesa afastada.
Ficamos conversando e rindo sobre várias coisas. Ele acendeu um cigarro e pediu um café e dois pães de queijo, pediu uma coca gelada e eu um muffin.
- Fiquei sabendo que a não mora mais por aqui, é verdade? – perguntou.
- É... Depois do divórcio ela quis mudar, falou que não ia aguentar viver no mesmo bairro que eu. – Ele falou revirando os olhos, jogando o cigarro pela janela e se apoiando à mesa com os dois braços, vindo mais pra perto - Um conselho: nunca se casem, não dá certo.
- Anotado. - Eu falei rindo. De repente o celular da tocou e ela já atendeu gritando.
- TÁ! Não, eu vou aí... Tô com a , tá mãe... Tô indo. - Dizendo isso ela desligou e se levantou, colocando na mesa minhas chaves e o documento do carro.
- O que foi? – Eu perguntei, assustada.
- Minha mãe tá aí no banco e quer que eu vá lá. Se quiser ir embora pode ir, ela tá com meu pai de carro. – Dizendo isso ela foi para perto de Jer e o abraçou - Obrigadão pela tattoo.
- Magina. - ele retribuiu o abraço, rindo.
- Se quiser ir embora pode ir, mas eu não vou demorar. Enfim, qualquer coisa eu te ligo. - Ela disso, me abraçando.
- Ah, eu espero por mais um tempo. - Eu falei, retribuindo o abraço, e logo ela saiu, deixando eu e Jer sozinhos.
- Ela é sempre assim? – Ele perguntou, rindo e já pegando outro cigarro.
- Não, hoje ela tá até normal. – eu falei e nós dois rimos.
- Então... Você faz Jornalismo?
- Faço primeiro ano de faculdade. – Eu falei, brincando com os farelos de muffin que tinham na mesa.
- Nossa... Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Ele perguntou, apoiando o cigarro no cinzeiro e voltando a ficar meio debruçado na mesa.
- Dezenove. - Eu falei, meio tímida.
- Tá brincando. – ele falou, indo pra trás e se apoiando na cadeira com as mãos pra trás - Jurava que você tinha uns vinte e poucos.
- Sério? – Eu falei, rindo e fazendo pose - Meus amigos dizem que eu tenho cara de mais nova.
- Ah, então acho que é porque eu queria que você fosse mais velha! – Ele falou piscando pra mim, e eu ri.
- Por quê? – Eu falei o olhando, fingindo que estava desconfiada. Eu me sentia à vontade com ele, apesar de ficar tímida às vezes.
- Porque eu sou treze anos mais velho que você e te achei linda. - Ele falou segurando minha mão, que estava em cima da mesa.
- E o que tem? – Eu falei, fazendo carinho na mão dele.
- Não te incomoda eu ser treze anos mais velho que você, ter dois filhos, uma ex-mulher e uma fama meio acabada, mas ainda fama? – Ele perguntou, rindo.
- Você se acha velho ou se incomoda com essa “ainda fama”? – Eu perguntei, me debruçando na mesa e rindo.
- Longe de mim. - Ele fez uma careta.
- Então, por que isso tudo me incomodaria? – Eu falei, me afastando e levantando a mão chamando o garçom.
- Porque eu quero beijar você! – Ele falou me encarando, e eu parei de procurar o garçom e a olhei assustada.
- Você quer? – Eu falei, meio engasgada.
- Tá vendo? Isso te incomoda! – Ele falou, se afastando.
- Lógico que sim, você é o , ex-integrante da banda dos meus sonhos, com a vida feita. Como pode querer beijar uma menina de dezenove que mora com os pais, começou a faculdade agora e chora que nem criança quando assiste o último episodio de Friends? – Eu falei, me debruçando na mesa falando como se tudo aquilo tudo fosse um absurdo.
- Então não te incomoda quem eu sou, mas quem você é? – Ele falou, e eu o olhei como se fosse óbvio - Você é louca!
- Não, eu sou realista! – Eu falei, séria - Você não vai querer beijar uma menina que se envolve fácil, e isso me incomoda!
Ele ergueu o braço, fazendo o garçom vir (ok, o garçom me ignora e a ele não, mas tudo bem).
- Coloca tudo na minha conta. - Ele disse e se levantou - Pega suas coisas, eu ainda tenho uma hora, vem comigo! – Eu fiquei paralisada o olhando, então ele pegou minhas coisas e as colocou no bolso, pegando minha mão, me levantando e me puxando para fora.
- Aonde vamos? – Eu perguntei enquanto ele me puxava para fora do café praticamente correndo.
- Conversar em um lugar melhor.
Voltamos para o estúdio e entramos em um das salas do fundo, tinha duas macas separadas e um sofá grande ao fundo, uma TV e um computador. Ele se jogou no sofá, se deitando.
- Deita comigo. - Ele falou, batendo no pequeno espaço ao seu lado.
- Vou sentar. - Eu falei, levantando minha calça e me sentando ao seu lado, o ouvi bufar e então ele se sentou.
- Acho que sua chatice vai ganhar da sua infantilidade no quesito me incomodar! – Ele falou sério e eu o olhei, chateada. Por que ele tinha falado aquilo do nada?
- E acho que a sua grosseria vai ganhar da sua velha bagagem no quesito me incomodar. – Eu falei, séria também, e ele se levantou, ficando sentado bem perto de mim.
- Eu vou te beijar! – Ele falou bem perto e tentando se aproximar, mas eu virei o rosto.
- Não vai.
- Eu não vou me apegar a você! – Ele falou, dando um beijo no meu pescoço.
- Mas eu vou a você! – Eu falei, me virando e o olhando, passei a mão em seu rosto - Você é o meu sonho de consumo da adolescência.
- Que agora tem dois filhos e uma ex-mulher que é um inferno! Acha mesmo que você vai se apegar? – Ele falou, me puxando pra perto.
- Absoluta. Eu gosto do que não posso ter, eu gosto do que todo mundo é contra, eu gosto do que se torna um desafio... E você é um desafio! – Eu segurei sua mão, que agora estava em meu rosto, e a afastei.
- Então você vai ter um desafio maior ainda... – Ele falou e eu fiquei calada esperando ele concluir - Me beijar agora e aprender a não se apegar, porque eu não quero me apegar, mas eu quero muito beijar você! – Eu fiquei furiosa com que ele falou e me levantei, começando a andar de um lado pro outro.
- Como pode? O meu dia começou normal, eu acordei tarde como todos os sábados, lavei o cabelo, fui pra casa da , vim pra acompanhar ela na tatuagem e agora estou aqui, com uma tatuagem no braço, e tendo que ouvir na cara lavada de que ele não me quer! Ótimo! Perfeito! – Ele se jogou no sofá como se estivesse cansado.
- Você é amiga da mesmo, bem chatinha. – Ele falou, se levantando e vindo até mim - O não está falando que não te quer, ele não quer ninguém, eu já tenho a mulher da minha vida, e ela tem seis meses. – Ele falou, segurando minha mão - Eu adorei te conhecer, e quando te vi senti uma coisa diferente... Por isso quero te beijar. E pronto, a gente continua amigos! – Ele falou, me abraçando pela cintura.
- Ok... – Eu falei e ele foi se aproximando - Mas não somos amigos! – Eu falei, o puxando e o beijando. E que beijo perfeito. Parecia que nossas bocas eram feitas uma para a outra, como se todos os outros beijos não tivessem sido nada, como se antes daquele beijo eu não soubesse o que era um beijo bom.
Fomos parando e nos afastamos, ele me olhava no fundo do olho e eu me sentia diferente do que jamais me senti, mas não iria falar mais nada, ele tinha dito que não queria nada além de um beijo, então nada além do beijo ele teria.
- Eu vou embora! – Eu falei, me levantando e estendendo a mão - Minhas coisas, por favor.
- ? – Ele falou, se levantando e tentando me beijar de novo.
- Você falou um beijo, - Eu falei, me afastando e abrindo a porta da salinha. Ele não me seguiu e eu continuei a andar. Saí do estúdio, entrei no meu carro e fui embora. Fui o caminho inteiro pensando no beijo dele, mas eu agora tinha que esquecer e ponto.

“Que história é essa do Jer querendo o seu tel?” - Mensagem da umas quatro horas do domingo. Eu estava na casa da minha amiga ajudando a arrumar a mesa, ia ter um churrasco com nossos amigos.
- Quem tem mandou mensagem? – , uma das minhas amigas, perguntou, me dando um empurrão com a bunda.
- . Ele quer meu telefone. - Eu falei e ela arregalou os olhos.
- Será que no fim ele que vai se apegar?
- Ah não, eu estou bem fazendo o mantra do ‘ intocável ’, ele não vai vir me azucrinar depois de ter me dado um super fora, né?
- Quem te deu um super fora? - James falou abraçando a irmã, meu amigo de anos.
- Não interessa. - Eu falei, mostrando a língua, e ele riu.
- Você já foi menos chata! – Ele falou vindo até mim e me dando um tapa na cabeça.
- E você já foi menos insuportável! – Eu falei, e nós dois rimos.
- Meninas, o Travis quer saber se já pode trazer as carnes! – Kimberley colocou a cabeça para dentro da casa, sorrindo falsa.
- Pode. - Nós três respondemos. Detestamos a Kimberley. Ela só está em todos os lugares porque namora o Travis, que é MUITO nosso amigo. Mas nós a odiamos. Menina idiota.
- E você vai deixá-la passar? – falou, fingindo que a menina nunca interrompeu a conversa.
- Ela já deve ter passado, a não precisa da minha permissão.
- E agora? – perguntou, assustada.
- E agora que se ele mandar alguma coisa ela ignora, simples. – James respondeu, pegando um pedaço de bolo que estava na mesa e saiu.
- Verdade. – Eu concordei com ele.
Fomos para a parte de fora da casa e ficamos comendo, rindo e conversando. Os meninos tinham levado o violão, então ficamos cantando, depois fomos jogar truco. Tudo uma delicia.
- , seu celular tá tocando! – Ouvi a gritar de dentro da casa. Eu saí correndo, e quando peguei era um número desconhecido. Fui para a sala para poder ouvir melhor.
- Alô? – Eu falei, apertando o ouvido. A música estava realmente alta.
- Alô? ? – Eu reconheci a voz, idiota.
- Desculpa, número errado. – Eu disse, desligando.
Ele não queria que eu não me apegasse, pois então, não iria me apegar.

Capítulo 2

Dois meses depois eu estava voltando da faculdade e parei o carro no farol. Quando olho pro lado, parado em frente ao estúdio fumando estava o . Ele me viu e fez um tchauzinho com a mão, eu retribuí e logo o farol abriu, me fazendo sair. Dois meses e eu não tinha pensado nele nenhuma vez. Ok, eu tinha pensado, mas não com a frequência que eu imaginei que pensaria. Talvez fosse porque eu não tinha tempo pra pensar, eu estava fazendo faculdade e tinha conseguido um trabalho, mal tinha tempo pra mim, imagine para criar expectativas com outras pessoas.
Parei o carro no estacionamento do mercado e desci, precisava comprar umas coisas que faltavam em casa. Entrei no mercado e fui direto para parte de cima, precisava urgentemente de shampoo. Estava andando em direção ao corredor de higiene quando um menininho veio correndo numa velocidade absurda. O chão estava molhado, mas ele vinha na mesma direção sem ver, porque estava ocupado olhando para trás. Não sei explicar nem de onde eu tirei toda essa rapidez, mas eu peguei o menino no colo antes que ele chegasse à parte molhada.
- Cuidado! – Eu falei, o segurando perto do meu peito e o impedindo de cair. O menino se assustou e fez manha, quase começando a chorar, mas quando me olhou sorriu.
- Oi. - Ele falou, sorrindo e segurando meu rosto.
- Oi. - Eu falei, sorrindo e o colocando no chão.
- JACOB! – Ouvi uma voz conhecida gritar e quando me virei vi correndo na minha direção - ? – Ele perguntou, e logo o menininho correu até ele.
- Papai, ela me segurou. – Ele falou, apontando pra mim e segurando a mão do pai.
- Foi, é? – Ele falou, olhando rapidamente para o filho e depois pra mim de novo.
- O chão aqui está molhado e como ele veio correndo...
- Ia cair... – Ele falou, voltando a olhar pra Jacob e o repreendendo com o olhar. O menino apenas abraçou a perna do pai, tentando se esconder – Obrigado.
- Magina. - Eu falei, sorrindo e já segurando o carrinho de novo, saindo andando.
- . - Ele me chamou, e quando olhei para trás ele já segurava o menino no colo - Foi bom te ver.
- Digo o mesmo. - Eu falei, sorrindo de novo e me afastando.

Entrei no corredor de shampoo e fui procurar pelo o meu, quando o meu celular começou a tocar.
– Alô? – Eu falei, apoiando o celular no ombro enquanto estendia a mão para pegar o shampoo.
- Número errado, é? – falou, e com o susto eu derrubei o shampoo e o celular no chão. Ele então se aproximou e me ajudou a pegar as coisas.
- O quê? – Eu falei, fingindo não entender. Quando olhei ao fundo, Jacob estava sentado na cadeirinha pra crianças do carrinho.
- Quando eu liguei pra esse número...
- Ah é... Achei que você não queria se apegar. - Eu falei, colocando o shampoo no carrinho e saindo andando, mas ele veio atrás.
- Mas não posso falar com você... como amigo?
- Eu falei, não quero ser sua amiga! – Eu falei seca, virando no corredor - Vai cuidar do seu filho que não pode ficar sozinho. – Eu falei, me virando e apontando para o corredor de antes, mas ele não me deixou falar, me puxou e me deu um beijo. Eu tentei afastá-lo, mas ele segurou meu rosto com uma mão e com a outra me aproximou pela cintura. Depois me largou e saiu correndo na direção do carrinho que estava o filho.
- Eu posso ter mudado de ideia! – Ele gritou, rindo.
- Mas eu não! – Eu gritei de volta, me afastando.
Terminei de comprar tudo o que tinha pra comprar e fui embora. Cheguei em casa e descarreguei o carro. Entrei, guardei as coisas e meus pais já tinham deitado, estavam trabalhando que nem loucos, coitados. Fui pro meu quarto, certa de que colocaria meu pijama e dormiria.
“Carolina é uma menina bem difícil de esquecer, andar bonito e um brilho no olhar, tem um jeito adolescente que me faz enlouquecer e um molejo que eu não vou te engar, maravilha feminina”. Meu celular tocou.
Atendi rápido pelo barulho, podia acordar meus pais.
- Alô? – Eu falei baixinho, fechando a porta.
- Não adianta falar que esse número não existe, porque agora já sei que é você! – Ele falou e eu sorri instantaneamente.
- O que você quer? Achei que tivesse deixado claro, não quero ser sua amiga! – Eu falei séria.
- E eu não sabia que você era tão bravinha... – Ele falou e eu ouvi sua risada nasalada - Eu deixei o Jake na casa da agora, se quiser vir aqui...
- Qual a parte do moro com meus pais você não entendeu quando eu falei?
- Ah, por favor, você já é maior de idade, vem ser mais um pouquinho rebelde vem, rosinha! – Ele falou, e eu praticamente gargalhei, me jogando na cama.
- Você não presta... Não obrigada, mas hoje estou cansada.
- Ah, então curte a ideia outro dia?
- Não, com você não!
- Qual é, , quando você disse que se apegava eu achei que você ia ser chiclete e eu ia te abominar, mas não, você me largou, e agora eu quero você!
- Ah, que legal... Pra quê? Pra quando eu me apegar você me abominar?
- Esse é o plano! – Ele falou sério, mas logo riu – Qual é, pelo menos eu sou sincero!
- Tem certeza de que o mais velho aqui é você? – Eu falei, revirando os olhos.
- E com dois filhos e uma bruxa de ex-mulher, tenho! – Ele falou – Pelo menos da última vez que eu chequei eu era!
- , não, não tô a fim de me ocupar com você! Há dois meses, eu repensaria, mas agora não...
- Você não me conhece, eu vou até aí de algum jeito e vou te fazer vir aqui! Você quem sabe! – Ele falou rindo, mas por um momento eu senti medo.
- Faz isso e eu chamo a policia! – Eu falei, séria.
- Tá, tudo bem, eu não vou... Você quem sabe, perdeu! – Ele falou.
- Não sabia que eu tinha alguma coisa pra perder. - Não esperei ele falar mais nada e desliguei.
Tomei um banho, me troquei e me deitei.
“Fala sério que você não quer vir aqui! Estou bebendo um vinho delicioso!”
Ignorei, virei de lado tentando dormir.
“Enquanto você não responder pedindo meu endereço eu não vou te deixar em paz”
Decidi colocar no silencioso, ele ligou.
- Você não pode estar falando sério! – Eu falei brava, atendendo o celular.
- Se você quer provar que eu não tenho mais nenhum efeito sobre você, o que você pode fazer é vir aqui e passar a noite toda me ignorando. – Ele falou, e eu só ouvia, respirando fundo para não enlouquecer.
- , amanhã eu tenho que acordar cedo pra ir pra faculdade, não faz isso comigo! – Eu falei, chorosa.
- Quer coisa que deixa você mais acesa do que uma boa noite de sexo?
- Eu não quero uma noite de sexo, eu quero uma noite de sono. E se você continuar a ligar ou mandar mensagem eu vou desligar o celular!
- Ok, ganhou. Boa noite. – Dizendo isso ele desligou. Merda, quem disse que eu iria conseguir dormir. Virei na cama um milhão de vezes, eu estava a mil. LÓGICO que eu não ia conseguir dormir. DROGA.
“Ele me chamou pra ir a casa dele agora, o que eu faço?”. Mandei para a , ela provavelmente estava acordada.
“Coloca o seu vestido mais sexy, sua melhor lingerie e vai.” Terminei de ler a mensagem dela e me levantei. Droga, droga, droga.
“Ok, você venceu. Me passa seu endereço, estou aí em meia hora.” Eu mandei pra ele já me trocando e deixando um bilhete para os meus pais. Tirando a parte da lingerie eu ignorei a dica da , coloquei a mesma roupa que fui pra faculdade e pronto.
Ele respondeu simplesmente com o endereço e eu fui. Me xingando durante todo o caminho, mas fui. No fim ele não morava tão longe.
Cheguei e parei o carro na calçada, já vendo ele encostado à portaria do prédio com um cigarro na boca. Eu desci e fui até ele.
- Sempre com o cigarro. – Eu falei sem o cumprimentar e já subindo as escadinhas da portaria.
- Sempre uma educação. – Ele falou vindo até mim e, assim que abriram o portão, nós subimos.
- Bonito apartamento! – Eu falei, entrando e colocando minha bolsa no sofá. Apesar de tudo muito moderno, tinham brinquedos de crianças pelo chão, andador, chiqueirinho, e um colchão no meio da sala.
- Coisa dos meus filhos... – Ele falou sem graça, pegando o cobertorzinho do chão e o colocando na mesa.
- Tudo bem. – Eu falei, indo até o sofá e me sentando. Ele veio pra perto e já veio tentando me beijar – Eu aceitei a sua sugestão de vir aqui e passar a noite toda te ignorando. – Eu falei, me levantando e indo até a cozinha.
- Tá falando sério? – Ele perguntou, se jogando melhor no sofá, e eu apenas abri a geladeira sem cerimônias e me agachei para ver o que tinha ali. Quando fui me levantar, senti o corpo dele muito perto ao meu, e logo a mão dele me segurou pela cintura, fazendo nós dois ficarmos mais próximos ainda.
- Você tem certeza? – Ele perguntou com a voz rouca e passando a barba mal feita pelo meu pescoço, me fazendo arrepiar.
Eu me virei o puxando para perto pelo cós da calça e deixando nossas bocas bem próximas.
- Absoluta. – Dizendo isso, eu o empurrei e voltei para a sala. Olhei para o fundo do apartamento e vi uma cama gigantesca, e naquele segundo eu pensei: já que ele não quer se apegar e eu já vi que ele não tinha mais tanto efeito quanto eu imaginava, por que não aproveitar? – Mas sabe... – Eu falei, me virando pra ele e tirando minha camiseta, mostrando meu sutiã de renda preta – Vendo aquela cama eu posso ter mudado de ideia...
- Ah é? – Ele falou, se aproximando. Chegou mais perto e me abraçou, colocando a mão na minha bunda. Eu fiquei tão boba com os seus olhos azuis me encarando que não percebi quando ele pegou minhas chaves do carro - Então melhor guardar o carro. – Dizendo isso ele saiu de perto, abriu a porta e saiu, me deixando sozinha. Fiquei tão puta que sai atrás dele, com a minha camiseta e bolsa na mão. - Espera! – Eu falei quase gritando, me aproximando dele e pegando as chaves - Você é um otário. – Eu disse, pronta pra entrar no elevador, mas ele me puxou com muita força e grudou nossas bocas, rindo. Ele me beijava ferozmente e eu estava enlouquecendo, foi descendo a mão pelas minhas costas até chegar próximo a dobra do meu joelho e fez pressão ali, me fazendo dar impulso e subir no colo dele. Entramos na casa batendo em todas as paredes existentes e tirando nossas roupas com uma voracidade incrível.
Acordei no outro dia com o sol entrando pela janela. A cortina dançava com o vento e o friozinho que fazia me fez buscar o cobertor com pressa. Olhei para o lado e vi que estava sozinha na cama. Me levantei e procurei minha roupa em algum lugar, mas só encontrei uma regata preta do no criado mudo, a vesti e saí do quarto à procura dele.
Quando cheguei à sala e o vi na cozinha, me aproximei e vi que ele estava apenas de boxer. Encostei-me ao batente da porta e o fiquei olhando. Como era possível um cara de trinta e dois anos ter aquele corpo, aquelas costas, aquelas pernas e aquela bunda? Era muita covardia com os caras da minha idade e até comigo, já que eu não era magra com tudo em cima, eu sou uma mulher normal.
- Me admirando, é gatinha? – Ele falou, se virando e vindo até mim. Ele me abraçou pela cintura com força e me levantou um pouco, fazendo eu ficar da altura dele.
- Tentando entender como você pode ser tão gostoso! – Eu falei, rindo e fazendo carinho em seu rosto.
- Uau, cadê a timidez de antes, hein? – Ele perguntou, beijando meu pescoço - Tão bonitinha ontem quando tirei sua calça... – Ele falou, e eu senti meu rosto queimar.
- Sem comentários. – Eu falei, revirando os olhos, quando senti ele beijar perto do meu colo e vi que horas eram, o jogando para longe e correndo de volta pro quarto – Faculdade! – Eu gritei.
Eu procurava que nem louca minhas roupas, mas não conseguia as encontrar em lugar nenhum, entrei no banheiro e as vi dobradas em cima do cesto de roupa suja.
- Fica aqui hoje, você já está atrasada mesmo. – Ele falou, vindo pra perto e me prensando na parede do banheiro. – Eu tô super afim de tomar um banho... – Ele falou, estendendo um dos braços, mas sem parar de me prensar e abrindo o chuveiro.
- Nem pense... – Tarde demais, ele se virou rapidamente e me colocou dentro do box com a agua gelada batendo diretamente no meu cabelo.
- JER! – Eu gritei enquanto sentia a regata dele ficar mais pesada. Eu não estava realmente brava, e os beijos dele me faziam não pensar com total clareza, mas o pequeno pedaço de lucidez da minha mente me fez o empurrar com força - PARA!
Eu saí do box, peguei qualquer toalha e comecei a me enxugar, tirei a regata dele e a joguei nele.
- Você tem que aprender a respeitar o que eu quero! – Dizendo isso saí andando do banheiro nua e entrei no quarto, me troquei o mais rápido que consegui.
- Você ficou brava mesmo? – Ele perguntou, se apoiando no batente da porta e me olhando de braços cruzados.
- Fiquei. - Eu disse, colocando meu sapato e saindo do quarto. Ele me segurou pelo braço e me parou. Quando foi tentar falar alguma coisa, ouvimos um barulho vindo da sala.
- Hey, não me mate, mas eu preciso de você! – Era uma voz de mulher. Eu não conhecia, mas ele arregalou os olhos.
- Papai, papai... – Jake veio correndo até nós e parou quando me viu - Moça bonita! – Ele falou, abraçando minha perna. Eu olhei aterrorizada para , que o pegou no colo.
- E aí cara, não vai pra escola hoje? – Ele perguntou andando até a sala, e eu fui junto.
- , eu sei que eu tinha que ter avisado, mas... – Uma mulher linda de cabelos escuros e um corpo escultural com um neném na bolsa de canguru entrou, colocando mais duas bolsas no sofá. Eu me senti a pior pessoa do mundo, aquela mulher era maravilhosa – Ah, não sabia que você tinha visita...
- Ah , essa é a... – Ele começou a falar, mas ela ergueu a mão.
- Prefiro não conhecer, eu só vim deixar o Jake com você porque eu vou levar a Leah ao médico, ela acordou ruim hoje... – Ela falou, deixando as coisas do menino no sofá e entregando a neném para .
- Ei meu amor, você está dodói? – Ele falou, erguendo a menina e a olhando, ela era linda, branquinha com os cabelos escuros e os olhos cinza.
- Gatinho, a mamãe vai levar a Leah para o médico e você vai ficar com o papai, tudo bem? – Ela falou, se agachando e pegando na mãozinha do filho. - Tudo bem, mamãe. - Ele falou, concordando e ela, que riu, depois se levantou e, quando me olhou, ficou séria de novo.
- Então tá, eu vou indo que estacionei em lugar proibido. – Ela pegou a neném do colo de e voltou a colocá-la na bolsa canguru - Seis horas eu venho pegá-lo, não se esqueça dos remédios. – Dizendo isso ela deu um beijo no filho e saiu.
- Tchau ! – falou sozinho rindo e depois me olhou, eu apenas respirei fundo, dei um beijo no menininho, peguei minha bolsa e saí.
O caminho pra faculdade nunca tinha sido tão cansativo.
Eu ignorei todas as chamadas, todas as mensagens e todas as tentativas de comunicação com , eu realmente tinha visto que ele é muito mais do que só um desafio. Ele era algo fora de questão, apesar de lindo, apesar de sexy, de beijar muito bem e de ser maravilhoso na cama, eu tinha só dezenove anos, e ele era um pai de família.

Dois meses depois eu estava me mudando para uma casa só minha, quer dizer, minha e das minhas amigas. Eu finalmente iria morar ‘sozinha’, e eu estava muito mais do que só feliz. Decidimos então ir a uma festa para comemorar.
- , VOCÊ VIU O MEU SAPATO ROSA? – Eu gritei do quarto para , que estava na sala, ela e , eram as minhas roommates.
- NO BANHEIRO! – Ela gritou de volta e eu corri pra buscar, quando fui para sala para agradecer ouvi a campainha.
- Ué, quem será que eu não ouvi o interfone? – Eu falei, indo pra porta meio torta enquanto colocava o sapato, e vi as duas trocarem olhares. Quando abri quase caí para trás: com um buquê de rosas vermelhas na minha porta.
- Surpresa! – Ele falou, fazendo uma careta. Ele sabia que eu não gostei de vê-lo ali. Eu olhei para as duas com raiva,
- Jer! Nossa! O que você está fazendo aqui? – se levantou, tentando disfarçar e o puxando pra dentro de casa.
- Sem teatro vocês dois! – Eu falei séria, colocando a mão na cintura – O que você quer aqui? – Eu perguntei um tanto irritada.
- Você transa comigo e some! O que você acha que eu quero aqui? – Ele falou normalmente e as duas arregalaram os olhos. Eu fiquei realmente irritada. Peguei o buquê, joguei na mesa e levei Harry para o meu quarto. O empurrei pra dentro e fechei a porta.
- Você chega aqui sem ser chamado e fala aquilo no meio da sala? – Eu falei, gesticulando irritada, mas ele simplesmente se aproximou, segurando minhas duas mãos e as colocando pra trás, me deixando presa e me dando um beijo de leve.
- Eu tenho que ser o canalha que some depois do sexo, não você! – Ele falou, me dando outro beijo de leve.
- Me solta. - Eu falei, fingindo não ter sofrido nenhuma mudança com os beijos dele.
- , qual é o seu problema? – Ele falou, me soltando e sentando na cama. Ele passou as mãos pelo cabelo, nervoso, e depois parou na barba, a coçando. Ele parecia impaciente – Você some! Você não atende as minhas ligações! Você falou que VOCÊ seria um problema porque ia grudar em mim, e agora nem liga! Me fala qual é o seu problema REAL?
- Você! – Eu falei, quase que cuspindo a palavra - Você e seu filho com o nome que eu queria dar ao MEU filho, você e a sua filha com o nome que eu queria por na MINHA filha, você com a sua ex-mulher gostosa pra caralho, VOCÊ maravilhoso que não quer ficar comigo, mas não para de me ligar e de correr atrás! O certo seria eu perguntar qual o SEU problema! – Eu joguei tudo, engolindo a vergonha, engolindo o orgulho e dizendo tudo o que eu queria dizer!
- O meu problema é que era você que devia estar sentindo a minha falta, e não eu a sua! – Ele falou, se levantando e vindo até mim de novo - Eu não sei o que você fez, gatinha, mas eu quero você!
- Meio tarde... – Eu falei tentando sair do quarto, mas ele fechou a porta com raiva.
- NÃO, para de fugir de mim, conversa direito, como uma pessoa adulta e bem resolvida que você É. – Ele falou, segurando meus dois braços - Me fala de uma vez por todas, você me quer? Porque eu te quero! E muito, e eu não vou ser um canalha, porque agora eu não tenho dúvidas de que eu te quero!
- Você tem dois filhos, . - eu falei, cansada.
- Você tinha dito que não era isso que te importava, que o que importava era o fato de você morar com os pais, inexperiente de tudo, e eu tô aqui agora te dizendo que não me importo com nada disso! Até porque você nem mora com seus pais... – Ele tentava buscar os meus olhos, mas eu desviava.
- Mas agora as coisas mudaram, eu vi que é muito mais do que um desafio, é uma vida, uma responsabilidade...
- Eu não tô pedindo pra casar com você! Eu tô pedindo pra ficar com você, pra namorar se der certo... Eu já não sou mais criança, eu tenho filhos, eu tenho uma vida, eu tenho responsabilidades, não posso te prometer mais do que um suposto namoro.
- Mas eu tenho dezenove anos, e se for pra ter um relacionamento com alguém, eu quero que fique sério, que envolva a família, que me envolva por completo... Eu gosto de pensar num futuro, eu gosto de pensar que a gente pode casar, que a gente pode ter filhos... E você já passou por isso! Eu preciso de uma promessa de algo mais do que só um namoro. - Eu falei tudo aquilo com uma dor no coração. Porque no fim, todo aquele tempo eu tinha mentido pra mim mesma, eu o queria, eu gostava dele, e ele tinha O efeito sobre mim. Mas aquela era a mais pura verdade, eu não podia ficar com alguém que eu não pudesse ter um futuro. Ele me olhou como se estivesse cansado e se soltou de mim.
- Eu não posso te prometer isso. – Ele falou, se afastando mais ainda e passando a mão no cabelo de novo - Eu não posso te prometer que a gente vai evoluir mais do que isso, porque eu não posso mais do que isso, eu já tenho uma família.
- Então me deixa livre pra poder procurar por alguém que possa! – Eu falei, me afastando e abrindo a porta. Era isso, agora mais do que nunca eu tinha que tirá-lo da minha vida, e ele tinha que permitir.
não falou mais nada, saiu pela porta e eu o ouvi bater a porta de entrada com força. Assim que a porta bateu, eu fui para a sala para perto das minhas amigas e me joguei no sofá.
- Acabou mesmo. - eu falei com a voz um pouco abafada por estar com o rosto enfiado no sofá.
- De certa forma é uma coisa boa, ele é treze anos mais velho que você! – falou, fazendo carinho na minha cabeça.
- Eu acho que não tem nada a ver. Se você gosta dele, deve ficar com ele. – falou, e eu tirei a cara do sofá para olhá-la.
- Não dá, ele falou que não quer uma coisa séria, ele só me quer! – Eu falei, e ela revirou os olhos.
- E por que você quer ter uma coisa séria? Você mal tem tempo pra você! – Ela falou, me dando um tapa na testa - Ele é quem deveria querer uma coisa séria, porque é ele que tem filhos, se ele não quer, bom pra você! – Ela falou como se fosse óbvio, e eu senti um buraco no peito.
- Você acha? – Eu falei chorosa.
- Claro que sim... – Ela falou como se fosse óbvio.
- Não , eu sei que eu não tenho tempo nem pra mim, mas eu quero ter... Se for pra me envolver com alguém, eu quero ver algum futuro nisso, não só uma aventura adolescente. Eu estou construindo uma vida, quero alguém que a construa do meu lado. – Eu falei mais para mim do que para as meninas. Eu estava tentando mais me convencer do que convencer as meninas, e isso era trágico.

Capítulo 3

Estacionei meu carro e desci, não toquei a campainha nem nada do tipo, entrei e logo fui recepcionado por dois meninos correndo até mim.
- Tio ! – Um loirinho com duas covinhas e grandes bochechas correu pra pular no meu colo.
- Oi, Chuck... – Eu falei, o segurando e fazendo cócegas - Trip... – Eu falei, fazendo carinho na cabeça do outro, que me abraçava pela perna. Giovanna veio atrás dos filhos me recepcionar com um pano de prato na mão e avental.
- Hey . - Ela falou abraçando a mim e ao filho e me dando um beijo na bochecha - Ele está no quarto, vê se o distrai, pelo amor de Deus. – Giovanna pegou o filho do meu colo e saiu puxando o outro pela mão. Ela falava com eles sobre comerem cereal na sala ou alguma coisa que eu não ouvi, já que fui direto para a escada, subindo até o segundo andar e entrando no pequeno estúdio, que era provavelmente o quarto em que ele estaria.
- Mate? – Eu falei, entrando e vendo Tom sentado em frente aos computadores com o violão na mão.
- Grande . - Ele falou, abrindo os braços e sorrindo assim que me viu. Tom ainda era o mesmo cara com quem eu viajava em turnê, o mesmo cara que eu tinha conhecido no início da minha adolescência, ele era o mesmo de sempre, mas agora ele era tinha um cavanhaque estranho e seus cabelos loiros escuros estavam bem curtos, sem contar no suéter que ele cismava em sempre estar usando.
- Gio falou que você precisa se distrair... O que aconteceu? – Eu falei, me sentando ao lado dele e colocando a mão em seu ombro.
- A Gio não sabe o que fala. Ela está irritada porque o aniversário dos meninos está chegando e eu não quero contratar aqueles palhaços terríveis... – Ele revirou os olhos, virando para a mesa e anotando alguma coisa.
- E por que você não quer os palhaços? – Eu falei cruzando os braços, o olhando sério.
- Por que palhaços se eles podem ter a banda do pai tocando? – Ele falou sorrindo pra mim e esperando que eu pudesse concordar.
- Mate, o pai deles não tem mais uma banda. – Eu falei, ressentido.
- Claro que tem, . Nós quatro ainda somos inseparáveis... – Ele falou, batendo na minha perna, querendo me incentivar.
- Tom, nós acabamos a banda, e quando fizemos tínhamos prometido que não iríamos voltar mais... Nossas vidas tomaram outro rumo! – Eu falei, me levantando e passando a mão na cabeça. Só eu sabia tudo o que tinha sofrido com a separação da banda, e eu sabia que assim que Tom começasse a viajar e a ficar longe dos filhos ele iria querer voltar pra casa correndo e terminar a banda de novo.
- , tocar é minha vida! Eu não aguento mais ir pra gravadora, dia após dia, cuidando de bandas que não são nem comparadas ao que a gente era! McFLY era um sucesso, cara!
- Mas e seus filhos? E a Gio? Imagina ficar meses sem vir pra casa? Você quer perder a vida deles? – Eu falei sério, e isso fez Tom parar para pensar por um tempo, e depois bufou, encostando a cabeça na cadeira e colocando a mão no rosto.
- Ok, me conte alguma coisa sua pra que eu esqueça um pouco da minha merda de ideia!
- Se eu te falar que estou enrolado com uma pessoa... treze anos mais nova, você ainda acharia que a sua ideia que é uma merda? – Eu falei, rindo irônico, e na hora Tom tirou a mão do rosto com a boca aberta.
- Tá de brincadeira? – Ele falou sério.
- Não. E ela era nossa fã... – Eu falei, e de repente Tom começou a gargalhar.
- Cacete, ! – Ele não parava de rir - Não é pedofilia?
- Há Há, muito engraçado, Tom. - Eu falei, me levantando e passando a mão na cabeça - E o pior é que ela não tá nem aí pra mim. Quer dizer, ela quer uma coisa séria, mas eu já tenho o pacote completo, não posso ter outro relacionamento... Não agora! – Eu andava de um lado pro outro bem nervoso.
- É, o Jake nem se acostumou com o divórcio e a irmãzinha... Não dá pra você trazer outra pessoa pra vida dele, depois não dá certo, como faz? – Tom falou passando a mão na perna, mas ainda com um sorriso no rosto - Achei que a fase garotão pegador tivesse ficado pra trás.
- Eu também... Quer dizer... Ficou! – Eu falei rindo - Eu quero ficar com ela, mas não posso prometer nada...
- Não tô falando do fato de você se envolver com outra, estou falando do fato dela ser treze anos mais nova... Ela podia ser sua filha! – Tom falou baixo.
- Cala boca, Tom, lógico que não! São treze anos, com treze anos eu era virgem! – Eu falei, passando a mão na cabeça, nervoso.
- Mas espera... Ela sabe do Jake e da Leah? – Eu concordei com a cabeça - Da ? – Eu voltei a concordar - E mesmo assim quer ficar sério com você?
- Ela quer poder ver um futuro entre a gente... – Eu falei e ele riu.
- Acho que ela pode ser louca!
- Cala a boca. Vamos descer! – Eu falei abrindo a porta e saindo do quarto. Quando cheguei à escada, subia com Chuck nos ombros.
- FALA, MATE! – Ele gritou, me cumprimentando.
- Novo papa anjo! – Tom falou, apontando pra mim enquanto pegava o filho dos ombros de .
- O que é papa anjo? – Chuck perguntou enquanto olhava com os olhos arregalados pra mim.
- Nada, filho, nada... – Dizendo isso, Tom desceu e me puxou para o lado.
- Tá pegando uma novinha, é ? – Ele cruzou os braços, me olhando malicioso.
- Eu não tô pegando. Ela não me quer, porque ela quer um relacionamento!
- Ela é louca? – perguntou abismado, e eu apenas o ignorei, descendo.
Quando cheguei no andar de baixo, Chuck e Trip estavam sentados em frente à TV assistindo a um show do Queen enquanto Tom e Giovanna conversavam baixinho na cozinha.
Era tão estranho vê-los assim. Durante toda a vida que eu passei ao lado dos guys, não me lembro de um momento em que Tom e Gio não estivessem juntos e sempre bem um com o outro, sempre sendo carinhosos, e naquele momento eles estavam conversando sério. Gio tinha as sobrancelhas juntas enquanto falava alguma coisa que a cada palavra fazia Tom ficar mais e mais vermelho. Eles agora eram casados e pais de gêmeos. Era tão difícil vê-los como pais, mesmo tendo passado tanto tempo, mesmo eu tendo filhos também, era estranho ver o quanto tínhamos crescido.
- Gente, por que essas caras? – entrou na cozinha, abraçando o casal e acabando com a conversa, pelo menos entre eles, porque Gio veio furiosa até mim.
- A crise da meia idade já te pegou? Sério mesmo? – Ela colocou as mãos no quadril e eu me senti com a idade de Chuck e Trip.
- Desculpa, o que...? – Eu falei, olhando bravo para o Tom.
- Treze anos de diferença? – Ela segurou meu rosto para que eu olhasse para ela, e não para seu marido.
- Gio, relaxa. Ela não quer nada comigo! – Eu falei, me soltando e sentando à mesa.
- , sério... Quando você sumiu, teve depressão e largou a com o Jake pequeno eu entendi. Quando você começou a se tatuar que nem louco, eu entendi. Quando você começou a trabalhar de tatuador eu entendi, e quando você assinou os papéis do divórcio MESMO sabendo que a estava grávida eu também aceitei, agora... – Ela parou de falar e respirou fundo - Você correr atrás de uma criança porque entrou na crise da meia idade e provavelmente quer atingir a por ela estar com o Mark, isso eu não entendo!
Eu olhei com as sobrancelhas franzidas para os dois, que estavam apoiados na pia.
- com o Mark? – Eu falei sério, e Gio nem pareceu se atingir.
- Ok, você não sabia. Mas continuo achando que... – Não a deixei terminar de falar.
- Não, Gio! Você não tem o direito de achar nada. Vocês não têm o direito de achar nada. Eu gosto dela, e mesmo ela não me querendo eu vou dar um jeito nessa situação! Eu não estou tendo uma crise da meia idade, seu marido está! Então que tal, pela primeira vez nesses quase catorze anos que a gente se conhece, vocês pararem de cuidar da minha vida! – Eu falei tudo aquilo sem nem pensar. Gio ficou me olhando machucada, Tom e pareciam sem reação, e eu não pensei duas vezes antes de sair dali. Nem me despedi dos meninos.

Quando saí da casa de Tom, todo o peso das palavras caiu sobre meus ombros. Eu tinha sido péssimo, e eu sabia que eles só queriam ajudar, o problema é que às vezes a Gio, principalmente, esquecia que eu não sou mais um adolescente, que eu não sou mais o cara da banda, agora eu sou maduro, sou pai. Eu SEI das minhas responsabilidades. E que porra era essa da com o Mark? Eu não estava com ciúmes dela, eu estava com ciúmes dos meus filhos, não queria que eles tivessem outra figura de homem dentro de casa, eu queria apenas a minha figura. Por isso, pela segunda vez eu não pensei nas minhas atitudes e fui direto pra casa da , atrás dos meus filhos. Mas antes resolvi parar em um lugar.

Nós quatro sempre fomos melhores amigos, inseparáveis, uma família. Mas mesmo nas famílias, sempre tem alguém em quem você se apoia mais, em quem você se sente melhor e que sem esforço algum te conforta. E bem, o meu elo dessa família estava parado agora me olhando com uma sobrancelha levantada, sem camisa e só de samba canção de cetim.
- , eu quero a guarda dos meus filhos! – Eu falei no momento em que ele abriu a porta. Provavelmente estava dormindo, pois a cara de sono, os cabelos despenteados e os olhos inchados comprovavam isso.
- Ok... – Ele falou, dando espaço para eu entrar - E aí?
- E aí que eu quero a guarda deles! A está com o Mark! – Eu entrei e me joguei no sofá.
- Ok... E por que você não está no Tom? – Ele falou, fechando a porta e se sentando ao meu lado.
- Eu estava, briguei com a Gio e com eles...
- Eles? – Ele perguntou numa boa, nem prestou atenção na parte do ‘briguei’ – tava lá? Viado, ainda não me devolveu a jaqueta da Hollister...
- Legal, nem ligo! O fato é... – Eu comecei a falar e rolou os olhos, me dando um soco na perna em seguida.
- O fato é que você é um idiota. - Ele falou - Você acha mesmo que vão dar a guarda pra você? A Leah tem seis meses , ela ainda amamenta! Não vou deixar minha afilhada nas suas mãos!
- Cala a sua boca, você prefere que ela fique tendo como exemplo o Mark? Ele combina as cores! – Eu falei, e fez cara de quem não entendeu nada - Ele combina as cores, se está de blusa azul, usa sapato azul, camisa azul, calça azul... TUDO AZUL! – Eu gritei, e revirou os olhos de novo.
- E daí? Você não morreu, cara, você ainda vai ser o exemplo deles, até porque duvido que o Jake iria combinar cores, ele é um mini você!
- , sua bicha, eu quero meus filhos!
- Ok, seu corno, então arranja um advogado foda e se prepare para magoar e muito a ! – Ele falou e eu senti um aperto no coração. Eu não queria magoá-la, eu já a tinha magoado muito, ela não merecia mais.
- Escroto! – Eu falei, o socando quando vi que ele percebeu que tinha me atingido.
- Então... Qual o real problema? – Ele falou, me olhando.
- Nenhum. - Eu me levantei e fui para a cozinha, já abri a geladeira procurando por uma cerveja. Ouvi o celular do apitar e o vi olhar, depois abrindo um sorriso malicioso enorme e se sentando ao meu lado na bancada.
- Treze anos, han? – Ele falou rindo, e eu revirei os olhos, nervoso.
- Vocês são um bando de bichinhas fofoqueiros, sabia né?
- Sabia... Agora fala, ela tem amigas? – Ele falou rindo, e eu percebi que mesmo em tom de brincadeira ele falava sério.
- Claro que sim, acha que ela vive sozinha no mundo? – Eu falei e ele riu. Me sentei ao seu lado na bancada e o entreguei a cerveja depois de dar um gole.
- Como você a conheceu? – Ele falou, bebendo e me devolvendo a garrafa.
- A amiga dela faz tatuagem comigo direto. Ela foi junto, ai já viu... – Eu falei, e ele ficou me olhando me dando coragem para continuar a falar - Ela é doida, tem o cabelo rosa, mas nunca tinha feito nenhuma tatuagem, não tem piercings e faz jornalismo.
- Cabelo rosa? Sweet! – Ele falou, sorrindo para o nada maliciosamente.
- Ela me deu um beijo e caiu fora. Tinha dito que ia se apaixonar, se amarrar e me perseguir, mas ela nem ligou! Eu ligava e ela rejeitava, chegou até a dizer que era o número errado! E agora eu não consigo... Eu não...
- Não para de pensar nela! – Ele completou, me encorajando - Pode falar, , só estamos nós dois aqui.
- Aí que está, eu não posso, . Eu já tenho a minha vida, minha família, meus problemas... Ela quer poder olhar e ver um futuro, mas que futuro eu posso dar para uma menina de dezenove anos se eu tenho filhos, ex-mulher, ex-banda, ex-fama e mais vários ex pra coleção?
- Ela sabe? – Ele perguntou, e eu o olhei pensativo - Ela sabe de todos esses ‘ex’? De tudo isso?
- Sabe!
- E ela ainda quer poder ter um futuro com você?
- Quer!
- Ela é louca? – Ele perguntou sério, diferente de .
- Não! – Eu respondi, respirando fundo - Eu acho que não.
- Então não consigo ver o problema de ficar com ela! – Ele falou, rindo fraco.
- Os caras, eles...
- Fodam-se os caras, foda-se a , fodam-se os jornais, seus pais, seus filhos... Todos eles vão ter que aceitar e entender que é ela que você quer, tendo futuro ou não, é ela que você quer, tá escrito na sua testa! E quem não aceitar não merece ter você por perto! – Ele falou, me abraçando de lado.
- Gay! – Eu falei, e nós dois rimos.
- Cala a sua boca, vai atrás dela e me deixa aqui, que se eu não me engano tem uma loiraça bem gostosa na minha cama! – Ele tomou o último gole da minha cerveja e a jogou fora, saindo da cozinha logo em seguida. Ele estava certo, se era ela que eu queria, por que não tê-la? Os caras e todo o mundo que aceitassem...

Fui para a casa da logo em seguida, e depois de gritarmos sem parar por pelo menos quarenta minutos, decidimos que eu ficaria uma semana inteira com o Jake e todas as tarde deste período com a Leah, e ela duas semanas inteiras com os dois. Não iríamos envolver advogados nem nada, iríamos tentar fazer dar certo, e assim que a Leah parasse de amamentar, duas semanas inteiras comigo também.
Coloquei Jake sentando na cadeirinha, sentei no volante e liguei o som. A galinha pintadinha, ele adora. Fomos cantando, rindo e nos divertindo por todo o caminho de casa. Quando passei na rua da , primeiro hesitei, continuando a cantar, mas quando pensei no seu sorriso e nos seus cabelos rosas não aguentei, fiz o retorno e parei em frente ao seu prédio.
- Aonde vamos, papai? – Jake perguntou enquanto eu o tirava da cadeirinha e o pegava no colo.
- Papai precisa conversar com a moça bonita, lembra? – Eu falei e ele confirmou, sorrindo pra mim. Eu me encostei ao interfone e rezei para que não fosse ela que atendesse, e que eu tivesse uma chance de subir.
- Alô? – Ouvi a voz nasalada de e sorri.
- , é o Jer... Eu preciso muito falar com a !
- Jer, eu acho que não é uma boa hora!
- , não tem hora melhor, por favor! – Eu implorei e demorou um tempo para responder. Jake tentou dizer alguma coisa, mas eu fiz sinal para ele ficar quietinho.
- Ok, pode subir, mas se ela me matar eu te mato! – falou e eu não me aguentei, gargalhei. Mais por nervoso do que por realmente achar graça.
Subi com Jake no colo e fui pensando em mil coisas para dizer, mas nada me parecia bom o suficiente. Quando paramos no andar, coloquei Jake no chão e segurei sua mão.
Primeiro bati na porta, mas ninguém pareceu ouvir, depois toquei a campainha. Ouvi passos, risadas e até coisa caindo no chão. Ouvi a voz de e automaticamente tampei o olho mágico, me sentindo um adolescente estupido.
- MOÇA BONITA! – Jake gritou no momento em que abriu a porta e se agarrou nas pernas dela.
- O que...? – Ela estava com uma camiseta de banda, masculina. Os cabelos rosas bagunçados e a maquiagem borrada. Seus olhos arregalados olhavam pra mim assustados, mas ela automaticamente alisou a cabeça de Jake - Oi lindinho... – Ela falou, se abaixando e o olhando melhor.
- , eu preciso muito falar com você! – Eu falei, entrando na casa. estava jogada no sofá e deu pra ver da cozinha.
- Tá virando rotina agora você aparecer sem ser chamado e não ser anunciado? – Ela falou brava, olhando para , que se escondeu no sofá.
- Eu entendi o seu recado, e se não fosse tão sério o que eu tenho pra falar eu não teria vindo até aqui. – Eu me sentia com dezoito anos de novo, meu coração batia tão forte que eu cheguei a achar que estava passando mal. Eu não podia me sentir assim, como um adolescente sem controle, era ridículo.
ficou me olhando um tempo, parecia estar tentando decidir o que faria, e eu torcia internamente para que a decisão não fosse me jogar pra fora.
- , fica com o Jake, por favor? – Ela falou, levando meu filho até o sofá e o sentando no mesmo - Fica aqui, tá? Que eu e seu papai vamos conversar. – Dizendo isso, ela lhe deu um beijo na testa e entrou no corredor, eu apenas a segui.
Assim que entramos em seu quarto ela fechou a porta, cruzou os braços e ficou me encarando.
- Então... O que é tão importante que te fez vir aqui? – A camiseta cobria uma pequena parcela das pernas dela, e suas curvas ficavam perfeitamente delineadas na posição que ela estava. Seu cabelo rosa bagunçado e sua maquiagem borrada davam um ar despojado que me fez pensar se em algum momento eu já a tinha visto mais bonita. Eu não tinha o que responder, eu não queria ter que responder nada, por isso me aproximei dela, a puxei pela cintura e a beijei. Estranhei que ela não pareceu resistir, simplesmente colocou os braços no meu pescoço e no mesmo momento eu senti seu perfume embriagador misturado com vodka. Virei-a, procurando a cama às cegas, quando senti que era o limite lhe joguei na cama, mas no momento em que ela abriu os olhos voltou a se levantar, brava.
- AAARGH! – Ela gritou, puxando os cabelos e me assustando um pouco - Você não pode chegar aqui e me beijar desse jeito!
- Claro que posso, tanto que eu beijei! – Eu falei como se fosse óbvio, mas ela pareceu ficar mais irritada, me dando um tapa forte no braço.
- Não, você não pode! Você queria falar alguma coisa importante, FALE! – Ela fazia sinais com a mão na direção da garganta, que eu achei muito engraçado, mas quando ameacei rir recebi um olhar tão profundo dela que desfiz qualquer início de sorriso do meu rosto.
- Ok, eu vou... falar... – Eu fiz o mesmo gesto que ela e ri, recebendo um tapa mais forte, no mesmo braço – Eu pensei MUITO sobre o que a gente falou, e eu percebi que eu estava sendo criança por não querer nada com você, porque você é a criança da relação, você que não deveria querer se envolver, e no fim você quer... Você me esnoba, eu não sei viver sendo esnobado, talvez por isso agora eu quero você... Eu preciso de você! - eu terminei de falar achando que ela ficaria tocada, mas as sobrancelhas juntas e a boca franzida não mostravam a reação que eu esperava.
- Então eu sou a criança que te esnobou e por isso você me quer? – Ela falou, respirando fundo.
- É... não! Eu não quis te chamar de criança. Você entendeu o que eu quis dizer... – Eu comecei a ficar nervoso de novo.
- Não, eu não entendi.
- Eu não me sinto assim desde quando me casei! Desde antes! – Eu segurei a mão dela - Você me faz sentir como se tivesse dezoito anos de novo, e eu luto contra isso, porque eu não posso voltar a ser o adolescente que eu era!
- Eu tô começando a achar que você é louco, ou bipolar! – Ela falou rindo em seguida, e eu me senti um lixo – Primeiro você diz que eu vou ter que me acostumar a não me apegar a você, depois me persegue dizendo que me quer, DEPOIS diz que não quer nada sério, porque você já tem uma família, e agora aparece aqui para me dizer que eu te faço se sentir um adolescente de novo? O que você QUER?
- VOCÊ! – Eu gritei, ficando irritado. Não era tão difícil de entender.
- Ah, você me quer? – Ela gargalhou, se jogando na cama - Você fez alguma aposta ou alguma coisa do tipo? Porque só pode ter sido, pra você estar brincando comigo desse jeito!
- Eu não estou brincando, eu estou falando sério! – Eu me deitei em cima dela, segurando seus braços ao lado do rosto - Eu estou falando sério, eu quero você na minha vida, eu quero você comigo! Eu quero... Eu preciso de você! – Eu terminei de falar e ela ficou me olhando séria, vi seus olhos começarem a marejar e me aproximei para beijá-la, mas ela virou o rosto.
- Vai embora, . – Ela falou baixinho, e eu vi uma lágrima sair por seus olhos.
- ... – Eu tentei falar e tentei limpar a lágrima, mas ela empurrou a minha mão e depois me empurrou para fora da cama.
- Vai embora, ... Agora! – Ela foi até a porta e saiu. Fui atrás dela e a vi na sala.
- Moça bonita, você gosta do meu pai? – Ouvi Jake perguntar quando ela se sentou ao lado dele.
- Eu gosto, Jake. - Ela falou fraco, fazendo carinho na cabeça dele.
- Jacob, vamos embora! – Eu falei sério e o vi sorri pra ela, depois vindo até mim fazendo tchauzinho para as outras. Não olhei para trás, abri a porta e saí.
Paramos em uma lanchonete para Jake comer e depois fomos para casa. Eu estava furioso. Como ela podia ter me dado um fora? Ontem ela queria ficar comigo e agora me dava um fora? Isso era um absurdo!
- Papai? – Jake perguntou enquanto estávamos deitados no sofá assistindo Hi-Five. Eu o olhei, permitindo que continuasse a falar - Qual o nome da moça bonita?
- Por que você quer saber? – Eu perguntei bravo, olhando para a TV.
- Eu gosto dela... – Ele falou, brincando com o cobertorzinho sem me olhar.
- . – Eu falei e senti meu estômago apertar.
Ele não falou mais nada, apenas confirmou com a cabeça e voltou a prestar atenção na TV.

Acordei com o despertador, e quando olhei para o lado vi Jake dormindo abraçado ao cobertor e com a chupeta na boca. Fiz carinho na cabeça dele e me levantei, indo tomar um banho. Voltei do banheiro e Jake ainda estava na mesma posição; tirei sua chupeta e esperei ele despertar.
- Bom dia, campeão. - Eu falei, fazendo carinho em sua cabeça, e ele coçou os olhos, os abrindo devagar.
- Cadê a pepeta? – ele falou, fechando os olhinhos de novo e estendendo a mão.
- Sem pepeta, é hora de ir pra escolinha! – Eu falei guardando a chupeta na gaveta e o pegando no colo, o levando para o banheiro.
- Mas papai, eu não posso ir pra escolinha sem a pepeta, porque eu durmo na escolinha e eu não consigo dormir sem a pepeta! – Ele falava, sonolento.
- Tá, mas agora você vai tomar banho! – Eu falei, o colocando no tapete do banheiro e tirando a roupa dele.
- Mas eu vou poder levar a pepeta pra escola? – Ele falou, coçando os olhos e começando a ficar vermelho, ia chorar. Eu ignorei e coloquei a toquinha nele, o colocando dentro do box e ligando o chuveiro.
- Não sei, Jacob, vamos ver isso depois. – Eu falei, começando a lavá-lo. Depois que terminei, coloquei a toalha com touca nele e o levei pro quarto, o trocando. Deixei-o na sala vendo TV enquanto me trocava e depois fomos para a escolinha, parando na Starbucks para ele tomar café da manhã e depois o deixando na escola.
- Tchau, filho. - Eu falei, parando em frente à sua sala, ele me olhou choroso.
- Minha pepeta, papai. – Ele coçava o olho de novo, eu então me abaixei e o abracei.
- A pepeta vai estar em casa quando você chegar, ok? Mas agora você precisa ir pra aula sem ela... – Eu falei e ele fez bico.
- Mas eu nunca vim pra escola sem a pepeta! – Ele falou, batendo o pezinho no chão.
- Jake, o que a gente já tinha conversado com a mamãe? – Eu falei sério e ele engoliu o choro.
- Bom dia! Bom dia, Jacob! – A professora veio sorrindo até nós, quando viu o rosto choroso de Jake o pegou no colo - O que foi, fofinho? – Ela perguntou, mas ele não falou nada, apenas a abraçou.
- Pepeta! – Eu falei sem som e ela entendeu, pegou a mochila comigo e entrou na sala.
Isso era um saco, eu e tínhamos combinado que íamos fazê-lo esquecer a chupeta, mas estava sendo difícil.
Quando estava voltando para o carro vi de mãos dadas com uma menininha de capuz vermelho e casaco da mesma cor, ambas conversavam animadas. Eu fiquei olhando aquela cena e não conseguia acreditar. Parecia que todos os lugares que eu ia ela também estava, como se alguma força maior quisesse nos juntar.
- ? – Olhei para a direção que me chamaram e vi Kim, mãe de um dos amiguinhos de Jake, sorrindo maliciosa. Ela estava com uma roupa extremamente decotada.
- Oi Kim. - Eu falei a cumprimentando, e ela sorriu mais ainda.
- Como está ? – Ela perguntou, se encostando ao carro.
- Está bem. – Eu não queria conversar, estava ocupado vendo brincar com a menina e levá-la pra dentro da escola.
- Né? – Ela falou e eu a olhei sem nem ter ideia do que ela falava, a ignorei e entrei no carro, indo embora. Não estava a fim de ficar conversando com qualquer mulher que não fosse . Cheguei ao estúdio e tinha tantas tatuagens para aquele dia que nem pensei, muito, nela.

Na hora do almoço fui para o restaurante que tinha ao lado e pedi o de sempre. Acendi um cigarro, que eu já estava enlouquecendo de vontade, e fiquei prestando atenção na grande TV, passava esporte.
Não vi quando entrou, se sentando ao meu lado.
- Ou você está mesmo prestando atenção ou essa tal de te hipnotizou mesmo, porque eu acabei de dar um gole na sua cerveja e você não falou nada! – Ele falou, colocando o copo de volta no lugar, e eu continuei a ignorar - Qual é, não vai me socar mesmo?
- Cala a boca, ! – Eu falei e ele riu.
- Um xingamento já é melhor que nada... E aí? Falou com ela?
- Ela não me quer.
- Eu achei que você não a quisesse!
- Pois é.
- Mas...
- ‘Mas’ nada, ... – Eu me levantei, colocando o dinheiro em cima da mesa – Tenho que ir buscar o Jake, você vem?
- Claro. - se levantou, também bebendo o resto da minha cerveja, e veio atrás de mim, entrando no meu carro.
Liguei o rádio e liguei o carro. Quando viramos a esquina, mudou de estação.
“E agora, direto do baú, uma das bandas que faz muita falta para a população britânica, McFLY com One for the radio, aqui na BBC1 rádio”.
me olhou feliz e aumentou o som, ele cantava junto e batia na perna, depois fazia os acordes na sua ‘air guitar’.
- Nós éramos fodas! – Ele falou, apontando para o rádio.
- Éramos. - Eu concordei, virando na rua da escolinha e abaixando o som - Passado. – Parei o carro e desci. veio atrás, resmungando.
Estava tão distraído que nem vi quando trombei em alguém.
- Me desculpa... – Comecei a falar, mas parei quando via cara irritada de me olhando.
- Está me perseguindo? – Ela falou, cruzando os braços.
- Lógico que não, Jake estuda aqui! – Eu falei, cruzando os braços também e voltando a andar, parei quando vi que não estava junto - O que...? – Eu olhei e o vi cumprimentando , fui até ele raivoso e o puxei pela gola.
- , o que...? – Ele começou a falar, assustado.
- Ela é a ! – Eu falei e ele abriu a boca e logo fez sinal de ‘ok’ com a mão, sorrindo.
Chegamos à sala de Jake e vi a professora me esperar com ele no colo. Corri até ela o pegando no colo, ele chorava de soluçar.
- O que aconteceu, filho? – Eu falei, tentando fazer ele se soltar no meu pescoço, mas parecia impossível.
- Ele não parou de chorar, quando via alguém com chupeta chorava mais ainda. - Ela explicou, entregando a bolsa para .
- Por que não me ligou? – Eu falei.
- Ele disse que não queria, que ele tinha que ser forte, mas agora pouco uma das meninas foi oferecer a chupeta pra ele parar de chorar e ele ficou triste porque você disse que só podia pegar a chupeta quando chegasse em casa. – A professora falava e Jake soluçava.
- Eu quero minha pepeta. - Ele falava, choroso.
- Jake? - Uma menininha de cabelos castanhos, com metade do cabelo preso com um lacinho vermelho chegou perto de mim e eu me agachei, fazendo Jake se sentar na minha perna e a olhar - Não chora, se você quiser a minha chupeta...
- Não, eu não quero! – Ele falou bravo, e eu o olhei, o repreendendo.
- Minha dinda falou que todas as pepetas são amigas, e que se você emprestar a sua pra alguém que precisa mais do que você a pepeta fica feliz! – Ela falou sorrindo e ficando com as bochechas vermelhas.
- Audrey! – Ouvi uma voz conhecida falar e, quando olhei para trás, vinha até nós - Aconteceu alguma coisa?
- Dinda, eu queria emprestar a pepeta para o Jake, mas ele falou que o papai dele não deixa! – A menininha falou pra , que me olhou desconfiada.
- Sabe o que é? Eu e a mamãe do Jake já explicamos que uma hora a pepeta tem que ir embora! – Eu falei, e concordou, se abaixando também. Ela abraçou a afilhada e olhou sorrindo para Jake.
- Oi Jake. - Ela falou, e ele sorriu, ficando vermelho.
- Moça bonita, pede pro meu pai deixar eu ficar com a pepeta? – Ele falou choroso, e eu senti meu coração apertar. Me levantei e o apertei contra o peito.
- Vamos pra casa, vamos... – Eu peguei a mala que estava com e me despedi da professora, Audrey e saí andando.
Quando coloquei Jake na cadeirinha ele ainda chorava, mas agora baixinho.
- Que tenso, hein? – falou, se sentando na carona e me olhando - Isso é cruel!
- Calado, ! – Eu falei, esterçando o carro e saindo. Quando olhei vi sair de mãos dadas com Audrey, a menininha falava alguma coisa, animada, mas nossos olhares se cruzaram e ela sorriu de leve.

Capítulo 4

Deixei Audrey em casa e fui direto para o trabalho. Eu adorava passar o tempo com a minha afilhada, mas foi como uma facada no coração quando vi lá com Jake, e ainda por cima os dois eram amiguinhos. Só podia ser Deus querendo me testar.
Eu estava com raiva de . Ele queria brincar com os meus sentimentos e eu não sabia mais o que fazer, porque eu o queria muito, mas eu não podia simplesmente cair na tentação, eu não podia deixar que ele brincasse como se meus sentimentos não valessem nada. E tentar esquecê-lo parecia cada vez mais impossível, tudo parecia me fazer voltar pra ele, Audrey na mesma escola que Jake, ele na primeira página da BBC como notícia. Eu não queria ler, não mesmo, mas era praticamente impossível.

“Ex integrante da banda McFLY parece finalmente ter saído da sua fase rebelde. foi visto com , seu companheiro de banda, indo levar o filho para a escola. Há rumores de que a banda planejava voltar, o que deixou muitos fãs histéricos, mas será que isso vai fazer bem para o rapaz que entrou em depressão após o fim da banda?”.

Ótimo, como se eu realmente precisasse de mais alguma coisa para me fazer pensar nele, droga.
Trabalhei o máximo que consegui, tentando ficar o tempo inteiro ocupada, não queria abrir espaço para imaginação. Quando deu o horário de ir embora, fiquei enrolando para poder ir para a faculdade direito.
Quando cheguei em casa naquela noite, mesmo estando exausta, não consegui dormir. Eu só conseguia pensar em , , .

- NÃO, VOCÊ NÃO VAI ME LIGAR E ME DIZER QUE QUER CASAR! VOCÊ É LOUCO? – Acordei ouvindo gritar sem parar e me assustei, correndo para a sala e esbarrando em durante o caminho.
- O que está acontecendo? – Eu perguntei, vendo gritar sem parar no telefone.
- Ela conheceu um cara essa semana e pelo jeito ele quer casar! – falou e eu arregalei os olhos. Como casar?
- Ele é louco?
- Ah, deve ser, certeza! – falou, e no mesmo momento desligou o telefone, nos olhando.
- Era engano! – Ela falou rindo, e nós duas cruzamos o braço, não achando a mínima graça – Relaxem, está tudo resolvido!
- É, com você gritando e com essa cara de desesperada a gente super acredita! – Eu falei irônica, e ela revirou os olhos.
- Se ele voltar a ligar, ou aparecer aqui, eu chamo a polícia! – Ela falou rindo, e nós, de novo, não achamos a mínima graça - Ele é um nerd nada a ver que eu peguei esses dias, eu fui a primeira da vida dele, ele é nerd, não louco! – Ela falou, revirando os olhos e saindo da sala.
- Eu ainda enlouqueço morando com vocês! – Eu falei e riu. Ela já estava vestida e pegou sua maleta, saindo.
- Hoje eu tenho plantão, não me esperem. – Dizendo isso ela saiu. é enfermeira e quase nunca fica em casa.
Eu fui para a cozinha, liguei a cafeteira, fiz torradas e sentei para ler o jornal enquanto esperava tudo ficar pronto. Estava entretida lendo sobre a nova campanha política para o novo prefeito quando toca o interfone.
- Alô? – Eu perguntei, estranhando o interfone a essa hora da manhã.
‘Dona ? Tem uma encomenda aqui pra senhora, posso por no elevador?’
- Pode, claro. – Eu falei, desligando e já indo esperar o elevador chegar. Quando abri a porta, dei de cara com um enorme buquê de flores, rosas vermelhas no chão. Eu o peguei e sorri instantaneamente. Entrei no apartamento e me olhava com os olhos arregalados.
- É de quem eu penso que é? – Ela perguntou, cruzando os braços.
- É... – Eu comecei a falar, mas quando olhei para o cartão desfiz o sorriso, senti uma facada no peito – Não... Meu pior pesadelo!
- O que ele quer? – Ela se aproximou, pegando o cartão - “Preparada pra minha volta? B.” É brincadeira isso, certo?
- Eu acho que não. - Eu falei, já me sentando no sofá e ficando sem reação.
- Ele não pode voltar assim do nada... Ele é louco? - se sentou ao meu lado, ainda com o cartão na mão.
- Não, ele só é...
- Um verme que não pensou em você! – Dizendo isso ela se levantou, pegou o buquê, abriu o lixo e o jogou lá dentro – Você não se aproxime dele, não atenda ligação, não ouse cair na tentação.
- Vou tentar... – Eu falei baixinho, mas ela ouviu, vindo até mim, brava.
- Você não vai tentar, , você vai se manter afastada! – Quando ela falou alto eu simplesmente não aguentei, me desmanchei em lágrimas. me abraçou, mas aquilo só me fez chorar mais ainda. Ele não podia estar voltando, não podia.
Tomei um banho gelado, me troquei e fui para a faculdade. Passei na casa dos meus pais aquela tarde, eu precisava do aconchego do meu antigo quarto para ver o que eu faria. Quando deitei na minha cama, foi como se tudo tivesse ficado melhor, como se o mundo tivesse voltado a ser um lugar melhor.
Fiquei lá por horas, nem fui trabalhar, nem dei satisfação, simplesmente fiquei ali deitada, pensando. Ele não podia voltar, ele não podia.
Passei no mercado para comprar algumas coisas para a janta. Eu tinha tomado uma decisão, e para concordar, só a paparicando muito.
Estava distraída na fila dos frios quando vi entrar falando no celular e ir direto para a parte de bebidas.
Pensei por alguns segundos, mas deixei meu lado impulsivo falar mais alto e fui até ele. não me viu, estava ocupado olhando para as estantes e falava no celular, parecia nervoso.
- Não Tom, já falei que só tem a dourada!... Você quer que eu faça o quê? Não, eu não vou a outro, já é o terceiro supermercado que eu vou! – Ele pegou uma garrafa de tequila e se virou, a colocando no carrinho, e quando me viu ficou sem fala – Ok, te ligo daqui a pouco! – Dizendo isso ele desligou e ficou me olhando desconfiado.
- Oi? – Eu falei, tímida.
- Oi! – Ele falou, dando a volta do carrinho e se aproximando - Você está falando comigo?
- Por que não falaria? – Eu falei, me sentindo incomodada, e meu momento impulsivo foi embora rapidinho. Aqueles olhos não conseguiam me fazer manter nenhum pensamento.
- Porque você me mandou embora depois de...
- Eu sei quando eu te mandei embora! – Eu o interrompi - Péssima ideia... Tchau! – Eu falei, me virando. Na realidade, o que eu queria era me sentir segura. Depois das flores eu não me sentia segura, até mesmo em minha casa. Quando tudo parecia tão bom, calmo e normal eu o quis perto, eu quis que ele estivesse comigo, como se toda a paz, toda a felicidade e calmaria só se completasse se ele estivesse ao meu lado.
- Não... Espera! – Ele disse, puxando meu braço, e quando eu vi o quanto ele estava perto não tive outra reação se não abraçá-lo. E aí sim eu me senti completa e segura. Nos braços dele – ...?
- Não fala... – Eu puxei seu moletom, tentando aproximá-lo mais de mim, eu queria estar ali, eu sentia que ali era o lugar certo para estar, mas quando percebi que ia chorar, me afastei.
- Você está... – Ele me olhou quando eu senti uma lágrima cair, a limpei logo e me afastei – , volta aqui!
- Não! – Eu falei, me virando - Não, eu não posso! – Dizendo isso saí o mais rápido que consegui, paguei as coisas e fui embora.

Quando cheguei em casa, vi um FOX amarelo parado na portaria, meu coração parou. Será...? Olhei para a traseira e não vi o famoso selo de olho que tinha, e então relaxei. Entrei na garagem, coloquei as coisas no carrinho e subi. Quando abri a porta de casa achei que fosse desmaiar. O FOX realmente pertencia a quem eu mais temia.
- Eu tentei de tudo, , até ameaçar de chamar a polícia eu ameacei, mas nada o fez ir embora... – falou. Ela estava furiosa, dava pra ver nitidamente.
- Tudo bem... – Eu falei, sorrindo fraco - O que você está fazendo aqui? – Eu falei para o rapaz alto, magro e loiro à minha frente. Seus cabelos claros, seus olhos verdes e seu sorriso perfeito podiam fazê-lo passar por um príncipe, mas eu mal sabia quando me apaixonei que nem título de sapo ele poderia ter.
- Eu vim te ver. E acho que fiz bem... Rosa? – Bernardo falou, se levantando e vindo até mim. Tentou fazer graça, mas eu me afastei - , já faz quase um ano, você tem que me perdoar!
- Não, não tenho. – Eu falei, tentando ser o mais forte possível.
- Eu fiz aquilo porque... – Ele começou a falar, mas eu me virei, o ignorando e puxando o carrinho para dentro do apartamento.
Fui para a cozinha e comecei a tirar as coisas de dentro dos saquinhos. Ele ficou me olhando, parecia triste, mas eu não queria pensar nessa possibilidade.
- , você não pode me ignorar... A gente precisa conversar! Você sabe que eu não tive opção quando viajei, você sabe de tudo o que eu fiz pela gente! – Ele tentava se explicar, desesperado.
- O problema, verme, é o que você NÃO fez e como você viajou! – se intrometeu no assunto.
- , nós éramos amigos, vocês sabem que eu só fiz isso porque...
- Porque você é covarde, porque você é um filhinho de papai, um verme! – Eu desabei a falar - Você me amava tanto, mas não pôde pensar em mim pra ir embora, não pôde pensar no bebê, não pôde pensar em nada se não você!
- O que você queria que eu fizesse? Meus pais nunca iriam aceitar, a gente não ia ter como viver, seus pais me odiavam...
- E DAÍ? Alguma vez eles te trataram mal? NÃO! Em compensação, seus pais me tratavam que nem lixo, e mesmo assim eu não ligava, porque eu queria VOCÊ! – Eu gritei, jogando a primeira coisa que vi nele, e isso foi o rolo de papel toalha.
- ! – ele falou baixo - Você sabe que não é simples assim!
- Ah, não é, Bernardo? Então me explica o que tinha de tão complicado! – Eu agora não estava mais me sentindo frágil ou atingida, agora eu estava furiosa e sentia que estava prestes a colocar pra fora o que me perturbava há mais de um ano.
- Eu não trabalhava, eu não tinha como me bancar, quando fiquei sabendo do meu filho...
- NÃO FALE COMO SE ELE FOSSE SEU! – Eu perdi a paciência, ele já estava pedindo demais.
- Ele ERA meu! – Ele gritou de volta - VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE COMO? COMO EU IA TE SUSTENTAR? MEUS PAIS ME QUERIAM LONGE DE VOCÊ, EU ACHEI QUE FOSSE MELHOR, EU ACHEI QUE...
- NOS ABANDONAR ERA A RESPOSTA? – Eu falei, sentindo uma lágrima cair por meus olhos, e vi Bernardo ficar sem resposta - Nos abandonar foi a única forma que você achou que poderia manter seus pais longe, ou era a única forma de te manter longe do que você ACHAVA ser um problema?
- , eu nunca quis ficar longe de vocês! - Ele falou tentando se aproximar, e eu vi seus olhos cheios de lágrimas.
- Então por que você foi? Você já era maior de idade, Bernardo, nós não éramos mais crianças! – Eu me afastei, mas ele logo me puxou pra perto de novo, me fazendo olhar nos olhos dele.
- Eu te amo, eu sempre te amei, e Deus sabe o quanto eu queria poder ter tido essa criança com você! – Ele falou, me abraçando - Eu te amo, .
- Quem ama não abandona! – , que tinha ficado durante a discussão olhando de longe, resolveu se manifestar - Quem ama não vai embora pra outro país e deixa a namorada grávida sozinha aqui!
- , eu tentei... – Ele me soltou e começou a falar, mas interrompeu.
- Quem ama não pede pra abortar, nem diz que não sabe se o filho pode ser seu. – Ele foi tentar se defender, mas novamente ela não deu chance - Quem ama não fica sem dar notícias, não fica sem ligar, não fica sem mandas cartas, não fica sem tentar saber como está. E MUITO MENOS, quem ama não ignora quando a namorada perde o filho e simplesmente nem se incomoda pra saber como ela está!
- Tá, eu fui um idiota, um monstro... – Ele começou a se xingar.
- Um verme, um covarde, um baitola, um escroto... – continuou.
- Tá, chega! – Eu falei, me afastando dele - Eu sei que pode ter sido difícil pra você, e entendo que seus pais podem ser muito mais persuasivos do que a gente imagina, e eu te perdôo por isso... – Eu falei, e abriu a boca, pronta para discursar, mas eu a impedi de falar - Mas eu não posso te perdoar por ter me abandonado no momento que eu mais precisei, eu não posso perdoar você por ignorar o fato de eu ter perdido o neném e nem ligar... A está certa, quem ama não abandona. – Dizendo isso eu me afastei e abri a porta do apartamento - Agora vai embora porque eu não aguento mais olhar para a sua cara.
- , por favor...
- Vai embora! – Eu voltei a apontar para fora do apartamento, mas ele ficou me olhando.
- Eu não tenho para aonde ir. – Ele falou, e eu olhei assustada para - Eu voltei por você, eu voltei pra ficar com você, meu pai cortou tudo, provavelmente amanhã o guincho está aí pra pegar o meu carro...
- Eu... – Eu fiquei sem saber o que responder.
- Eu não quero nem saber, tira esse seu corpo covarde de dentro da minha casa e vai dormir embaixo da ponte se for preciso! – falou, o empurrando.
- ESPERA! – Eu gritei, fazendo os dois pararem e me olharem - Você pode ficar aqui essa noite... SÓ essa noite! Amanhã você liga para a sua avó e resolve isso.
- , você está louca? – me olhou como se eu fosse uma débil mental.
- Não... Mas eu acho que eu tenho que ser superior e mostrar um pouco de compaixão, coisa que ele não teve quando eu mais precisei. – Fechei a porta e voltei para a cozinha, terminando de guardar as coisas no armário.
- Obrigado. - Eu ouvi Bernardo falando com a .
- Não agradeça a mim, porque se eu pudesse escolher você estava MESMO embaixo da ponte!
- , eu achei que a gente fosse amigos!
- Nós éramos no cursinho, antes de você fazer essa cachorrada com a minha melhor amiga!

Rolei de um lado pro outro sem parar. Eu não conseguia pegar no sono de jeito nenhum, minhas mãos suavam frias e eu tinha vontade de chorar. Por que ele tinha voltado? Que direito ele tinha de voltar? E ainda falar que voltou por minha causa, isso era um absurdo. Percebi que não ia conseguir dormir mesmo, resolvi levantar e ir tomar um copo de água.
Passei pela sala, onde Bernardo estava dormindo no colchão no chão, na pontinha do pé, torcendo para que ele não acordasse.
- Sem sono? – Ouvi a voz rouca dele, de quem estava em silêncio há muito tempo, e meu coração deu um salto. Olhei-o, assustada - Você sempre vem abrir a geladeira ou beber água quando está sem sono...
- Por que será que estou sem sono, né? – Eu falei irônica, me sentando no canto do sofá. Vi-o olhar minha perna descoberta, mas nem liguei. Eu não me sentia constrangida perto dele, mesmo depois de tanto tempo ele ainda era Bernardo.
Namoramos durante o período do cursinho. Ele queria medicina, então estudávamos todos os dias, mais de oito horas. Éramos grudados e, apesar de nossos pais não gostarem muito do relacionamento, eu cheguei a pensar que fôssemos superar isso. Ele não era só meu namorado, ele era meu melhor amigo, meu porto seguro, minha fonte de felicidade. Tínhamos oito meses de namoro quando eu descobri que estava grávida. Quando contei, ele quis que eu abortasse, já que nós ainda estávamos lutando por um futuro, mas depois de um tempo aceitou a ideia e começamos a planejar tudo sobre o nosso filho, até que os pais dele descobriram e resolveram se mudar, o levando junto. Eu pensei que ele não iria, que iria lutar comigo, que iria ficar do meu lado, mas ele foi. Uma semana depois, eu chorava tanto descendo as escadas do cursinho que nem enxerguei direito, tropecei e caí três lances de escadas. Perdi o neném que não tinha nem dois meses de vida, e meus pais ainda nem sabiam. Quando descobriram, meu pai quis ir atrás de Bernardo, e eu fiquei arrasada. Graças a Deus consegui entrar na faculdade e amenizar a dor de ter perdido o meu grande amor e meu filho.
- Você não vai conseguir me perdoar nunca, né? – Ele perguntou, se sentando e ficando mais próximo de mim.
Ficamos em silêncio, um assustador silêncio. Eu não sabia o que dizer, porque eu não sabia se conseguiria mentir, eu não sabia se eu conseguiria olhar pra ele e dizer que eu não o amava mais, porque no fundo eu ainda o amava. Ele tinha sido o meu primeiro namorado, tinha sido o meu primeiro amor, e eu comecei a pensar se não era REALMENTE a hora de colocar os pratos na mesa, mas dessa vez sem gritos.
- A pergunta que eu não paro de me fazer é se... se eu vou conseguir um dia... não te amar. – Quando eu falei, ele ergueu a cabeça e me olhou com um sorriso pequeno no canto da boca - Mas é o que eu mais quero, Bernardo, porque você não foi quem eu achei que era, porque você não estava quando eu precisei e eu achei que o nosso relacionamento era mais do que estudar, passar o tempo juntos, sexo e mãozinha dada... Eu juro que eu achei! – Quando vi, já chorava.
- O nosso namoro foi muito mais do que isso. Eu te amo ainda, eu te amei durante todos os dias do ano, eu não parei de te amar um segundo! – Ele se aproximou, ficando de joelho na minha frente - Você não faz ideia de como eu sofri por estar longe... Acredita em mim, ! Eu te amo!
- Então por que você sumiu? – Eu perguntei, soluçando.
- Minha mãe, você sabe como ela é... Eu não podia, eu não...
- Então por que agora? Por que você esperou agora? Se fosse pra voltar, voltasse antes... Quando eu precisei, quando...
- Ela morreu! – Ele falou, deixando uma lágrima escapar - E eu não consigo ficar triste, eu não consigo lamentar, como eu posso ser tão... – Eu não aguentei, o abracei com força. Ele tinha passado por tantas coisas quanto eu, ele tinha um lado de sofrimento assim como eu. Não podia simplesmente crucificá-lo sem lhe dar uma chance, ele talvez merecesse uma chance.
Senti-o afrouxar o abraço e me olhar no fundo dos olhos, eu já não me sentia tão segura, eu já não me sentia tão à vontade como antes, mas eu sentia que eu merecia essa chance, eu merecia tentar ser feliz com alguém que realmente me amasse. De repente, os olhos de apareceram na minha mente, o conforto dos seus braços, os seus beijos, o seu cheiro, e instantaneamente meu coração começou a bater mais forte. Brequei os pensamentos quando senti os lábios de Bernardo nos meus. Ele havia me beijado, e eu inconscientemente retribuo, mas tudo o que eu conseguia ver eram os olhos azuis, a única coisa que eu conseguia pensar era nele. E esse ele não era quem me abraçava naquele momento.

Acordei com o som entrando na sala, me mexi e senti o braço de Bernardo na minha cintura. Me virei e me deparei com ele de bruços, um leve sorriso no rosto e o cabelo bagunçado. Senti uma pequena felicidade e logo em seguida culpa. MUITA culpa. Eu tinha passado a noite com ele, e o pior, eu tinha passado a noite com ele, pensando no .
Me levantei, tirando o braço dele com cuidado da minha barriga, peguei minhas roupas que estavam no chão e fui para meu quarto. Tomei uma ducha gelada e fiquei um tempo apenas pensando, com a cabeça embaixo do chuveiro.
- Dizem que muito tempo dentro do banho é porque a pessoa se sente suja... – Me assustei, saindo do transe quando entrou no banheiro e se encostou a pia para escovar os dentes.
- E por que eu me sentiria suja? - Eu falei, fechando o chuveiro e me enrolando na toalha.
- Não sei, talvez por ter transado com o verme do ex-namorado noite passada... – Ela falou, cuspindo e me olhando séria. Eu a questionei com o olhar e ela revirou os olhos - Por favor, em questão de gemidos você não é a pessoa mais discreta, mesmo quando quer... E nem a mais imprevisível!
- Eu não sei o que me deu, eu...
- Tudo bem, , eu sei o que te deu... Você ainda o ama, e é normal que os sentimentos tenham voltado, e que com certeza a noite foi incrível, mas...
- Eu pensei o tempo inteiro no . - Eu falei rápido, tampando a boca em seguida. ficou um tempo me olhando séria, depois começou a gargalhar - Não ri. - Eu tentei segurar a boca dela, mas quando vi já estávamos morrendo de rir juntas.
Eu me troquei ainda rindo e saímos, indo tomar café da manhã. Chegamos à cozinha e o café estava na mesa, com torradas, geleia e várias coisas deliciosas.
- Tô vendo que acordou feliz hoje... – Ele falou, me abraçando e me dando um beijo de leve. revirou os olhos, rindo.
- Já sabe pra onde vai? – Ela falou, bebendo um gole do café.
- Pra casa da minha avó, eu já liguei. – Ele falou, se sentando.
- Hum, então vai logo, quando eu voltar do trabalho não quero mais te ver aqui. – Ela falou séria, se levantou pegou a bolsa, me mandou um beijo de longe e saiu.
- Ela realmente me odeia.
- Não é que ela te odeia, é só que... – Eu tentei explicar, mas ele sorriu me olhando e me beijou.
- Não me importo, só me importo com você! – Voltou a me beijar, mas eu me afastei, levantando.
- Olha só... Não significa que a gente voltou, espero que você saiba. – Eu falei, pegando minha bolsa.
- Eu sei, mas isso não significa que a noite de ontem não tenha sido um início pra uma segunda chance... – Ele falou, se levantando também - Certo?
- Certo. - Eu falei, sem tanta certeza – Bom, eu tenho que ir... Deixa a chave na portaria quando sair, ok?
- Você também me quer fora daqui? – Ele falou sério, mas no momento em que viu minha cara de sem reação, começou a rir – Fica tranquila, eu estou indo pra casa da minha avó daqui a pouco.
- Ok então. – Eu peguei minha bolsa e fui para a porta.
- Almoçamos juntos? – Ele fez uma cara tão fofa, me lembro uma das carinhas que vi Jake fazer. ‘Ah merda, coisas relacionadas ao de novo... Foco na segunda chance, , foco na segunda chance’ .
- Claro, almoçamos juntos. – Me aproximei dele, lhe dei um beijo de leve e saí. Eu teria que ser forte se realmente queria fazer aquela segunda chance dar certo. Eu não podia desistir, eu já tinha passado a noite com ele, que é a pior coisa que eu poderia ter feito, agora tinha que fazer as coisas direito. Eu ainda o amava, eu sabia que amava. Quer dizer, eu achava que ainda o amava.

Capítulo 5

Eu tinha acabo de pegar o Jake e Leah, íamos almoçar juntos. Eu entrei no restaurante empurrando o carrinho da neném e Jake segurando do lado, conversávamos animados sobre como Jake estava começando a esquecer a pepeta e de como ela tinha ido para o mundo das fadas ( é bem criativa às vezes), quando vi sentada em uma mesa do fundo.
Seu cabelo rosa estava preso em um coque mal feito, deixando alguns fios soltos, sua maquiagem era fraca assim como seu sorriso. Estava com as duas mãos em cima da mesa apoiando o rosto enquanto falava com um rapaz loiro, que infelizmente estava de costas para mim. Ela apenas concordava com a cabeça e sorria fraco, sem demonstrar nenhum brilho nos olhos, nem uma vermelhidão nas bochechas e nem sua boca avermelhada, que era exatamente assim que ela ficava quando falava comigo.
Sentei-me com as crianças em um lugar em que eu pudesse a ficar admirando de longe e pedi o almoço para mim e Jake, e para esquentarem a mamadeira de Leah. Iríamos comer x-burguers e pronto.
- Papai, se eu comer tudo eu posso comer sorvete? – Jake perguntou, me fazendo tirar o olho da mesa da por um tempo,
- Depende, se você comer tudo, tomar seus remédios... – Eu falei e o vi fazer careta - Aí pode, mas uma bola só!
- Só uma? – Ele falou, fazendo cara triste - Poxa...
- É, só uma! – Eu falei rindo, e agora dando atenção a Leah, que parecia se divertir bastante enquanto mordia o pé. Leah tinha o nariz de , os meus olhos, mas era absurdamente parecida com a minha mãe, o mesmo olhar doce, a mesma boca delineada e fina. Já Jake era igualzinho a mim, minha miniatura perfeita.
Voltei a olhar a mesa de e vi que o rapaz segurava sua mão, mas ela parecia tão incomodada com a situação que seu sorriso soava mais falso ainda. Ela soltou a mão e baixou o olhar, no momento em que ergueu a cabeça, nossos olhares se encontraram, e aí sim eu vi seu sorriso verdadeiro, aquele que eu conhecia e amava. Sua bochecha ficou instantaneamente vermelha e sua boca ruborizada. Ela estava linda.
O rapaz olhou na minha direção e depois voltou a olhá-la, que desprendeu o olhar do meu e pareceu se explicar. “Apenas um conhecido”, eu consegui ler apenas essa frase de seus lábios. Aquilo chegou a doer, mas o olhar que ela me lançou em seguida me fez perceber que era apenas para despistar. Eu sabia que eu era mais do que isso.
Leah começou a chorar e eu a peguei no colo, a deixando deitada em minha perna de frente pra mim, Jake ignorou o choro. Já estava acostumado e, continuou a contar da aula de futebol.
Terminamos o nosso almoço, dei os remédios de Jake (ele estava com anemia, tinha que tomar remédios para complementar as vitaminas necessárias) e, depois de tomar um sorvete, nos levantamos para ir embora. Olhei em direção a e a vi fazer um tchau tímido com a mão, e quando eu retribuí, Jake a viu.
- ! – Ele gritou, saindo correndo pelo restaurante até a mesa dela. , quando o viu correndo em sua direção, se levantou da mesa e se agachou para pegá-lo no colo. Jake nunca se mostrava tão afetivo com pessoas que ele não conhecia muito. Mas ele parecia realmente adorá-la.
- Oi. - Eu falei, me aproximando enquanto ela ainda estava Jake no colo.
- Oi , - Ela falou tímida, me olhando e depois para o carrinho de Leah - Oi lindinha... – Ela se agachou com Jake ainda no colo e fez carinho no rosto de Leah, que gargalhou alto, enchendo o restaurante com o barulho gostoso de sua risada.
- Prazer, . – Eu falei, estendendo a mão para o rapaz sentado, que se levantou.
- Prazer, Bernardo Mirantes. – O loiro falou com um tom arrogante e retribuiu meu aperto de mão, apertando com força.
- Nossa, mas como você está lindo hoje! – Ela falou, mexendo na blusa de Jake, que riu, escondendo o rosto em seu pescoço.
- Meu filho é sempre lindo... Né, filhão? – Eu falei, fazendo carinho nas costas de Jake que riu mais ainda, ficando vermelho.
- São seus filhos? – O tal Bernardo perguntou.
- São. – Eu respondi, orgulhoso.
- Lindos... – Ele falou, abraçando pela cintura, mas ela se afastou um pouco, colocando Jake no chão.
- , meu aniversário vai ser mês que vem e eu vou fazer uma super festa, com pula-pula e escorregador... – Jake falou abrindo os bracinhos, nos fazendo rir.
- É mesmo, querido? – Ela falou arregalando os olhos, se entusiasmando com a conversa.
- É... Você vai, né? – Ele falou, e no mesmo momento ela me olhou, eu apenas concordei com a cabeça.
- Claro que sim, mas quero um convite bem lindo, hein? – Ela colocou a mão na cintura, fazendo Jake jogar a cabeça pra trás e rir.
- Tá bom, eu peço para o papai te entregar... É do Ben10! – Ele falou, passando a mãozinha uma na outra, mostrando que estava ansioso.
- Ain que lindo, não vejo a hora! – Ela falou, se agachando de novo e lhe dando um beijo na testa.
- Ah, e amanhã tem o aniversário do Chuck e do Trip, você podia ir também, né? – Ele falou, me olhando.
- Filho, o Chuck e o Trip que têm que convidar, não você!
- Mas... – Ele fez bico.
- Quem são Chuck e Trip? – Bernardo perguntou, sorrindo forçado, mas Jake não pareceu gostar dele, já que cruzou os braços e fez cara feia.
- Meus primos! – Ele respondeu, vindo pra perto e me abraçando pela perna.
- Ah, que legal... Posso ir também? – Bernardo falou, e o olhou com as sobrancelhas juntas e a boca franzida.
- Não! – Jake respondeu, escondendo o rosto.
- Desculpe... – Eu falei, e vi sorrir de lado.
- Não... Tudo bem. - Bernardo falou, voltando a abraçá-la pela cintura.
- Bom... Nós já vamos... – Eu falei, sorrindo fraco.
- Boa tarde! – Bernardo falou irritadinho e voltou a se sentar à mesa, revirou os olhos e voltou a nos olhar.
- Muito bom ver vocês! – Ela falou, fazendo carinho na bochecha de Jake - Tchau, lindão!
- Tchau... – ele falou tímido, eu apenas acenei com a mão e saí de lá com os dois.
Coloquei os dois em suas respectivas cadeirinhas de carro, e quando olhei para dentro do restaurante vi o rapaz falar e gesticular sem parar enquanto olhava em nossa direção.

- TIA GIO! – Jake entrou correndo na casa de Tom e correu para Giovanna, que estava no corredor. Ela se agachou e o pegou no colo, girando com ele.
- Oi Gio. - Eu falei, me aproximando com Leah no colo e lhe dando um beijo na bochecha.
- Oi ... Tom tá lá fora. – Ela falou brincando com Leah e depois levando Jake para a cozinha, e falando alguma coisa sobre doces.
Cheguei ao quintal e vi Tom, e sentados em cadeiras de praia bebendo cerveja enquanto uns caras montavam um brinquedo gigante e Chuck brincava de carrinho na frente deles. Me aproximei e me sentei em uma cadeira disponível, coloquei Leah na minha perna deitada e arrumei melhor seu chapeuzinho, impedindo que o sol a queimasse.
- E aí? – falou, sem tirar os olhos do brinquedo gigante.
- E aí! – Eu cumprimentei, e vi Tom erguer a garrafa de cerveja e mexer a cabeça.
- Eu tenho que encher mais de cinquenta bexigas e ir buscar meus pais no aeroporto hoje... – Tom falou, depois bebendo a cerveja.
- Eu terminei com a Britt. - falou, bebendo.
- Não consegui aguento mais de tédio, t-r-a-n-s-a com uma diferente todo dia não é mais tão divertido... – soletrou por causa de Chuck e depois bebeu, fazíamos isso quando as crianças estavam por perto se não queríamos que eles soubessem sobre o que falávamos.
- Eu vi a no restaurante que comi com as crianças... Com outro. – Eu falei, e no mesmo instante os quatro me olharam.
- Porra... – falou sem pensar, e então tampou a boca quando viu a cara feia de Tom por causa do palavrão e a presença de Chuck - Poxa, você ganhou! – falou bebendo e rindo.
- Eu achei que você já tivesse terminado com a Britt. - Eu falei, fingindo que não ouvi o comentário de .
- Não, aquela era Suzzie. – falou, pensando.
- E ela parecia feliz? – Tom perguntou, me olhando sério.
- Não, sorria falso. – Eu falei, e eles concordaram ficando em silêncio.
- Seus pais não iam vir pra cá só amanhã de manhã? – perguntou.
- Pois é, mas a Gio quis que eles viessem antes, disse que precisa da ajuda da minha mãe... – Tom falou, revirando os olhos e bebendo.
- Eu achei que ela ia ser pra valer. – falou, olhando para a embalagem da cerveja.
- Você também pensou isso das outras cinco. - revirou os olhos.
- Ela ficou tão feliz quando viu o Jake e ele correu pra abraçá-la.
- O JAKE? – perguntou assustado - Nossa, ele não conseguia nem olhar para a Emma, lembra?
- Porque a Emma era assustadora... – falou, rindo.
- Não, mas é verdade, o Jake não é de muita amizade com quem não é da família. - Tom falou, me olhando sério.
- Foi o que eu pensei... Convidou ela para o aniversário dele e dos meninos.
- Ele a convidou para o aniversário dos meus filhos?
- Convidou!
- Uow, ela deve ser realmente boa! – Tom falou, voltando a se encostar nas costas da cadeira.
- To pensando em arranjar uma novinha também... – falou - Mas tem que ser boa, e um pouco séria.
- Boa ideia. Uma novinha não faria mal... – falou rindo e bateu a garrafa de cerveja na de , como um brinde.
- A Gio quer tentar t-e-r uma m-e-n-i-n-a... – Tom falou baixo.
- Isso é ótimo, meninas são ótimas... Não é, meu amor? – Eu falei rindo e levantando Leah, para que pudesse olhá-la melhor.
- Eu já tenho dois que dão muito trabalho, diga-se de passagem... Não sei se aguento a fase fraldas de novo! – Ele falou baixinho para que Chuck não escutasse.
- Ah, larga a mão de ser g-a-y. – Eu falei rindo e me levantando, quando tive uma ideia: peguei meu celular no bolso e comecei a procurar um telefone. Quando o achei, joguei no colo de - Ó, ela se chama . Perfeita pra você.
Dizendo isso, saí e fui para dentro da casa, aquele sol estava começando a deixar Leah vermelhinha.
Coloquei-a no chiqueirinho e fui pegar água na cozinha, passei pela sala e vi Trip e Jake deitados no chão, tomando leite e assistindo TV.
Entrei e vi Gio mexendo no fogão, fui direto para a pia, peguei um copo e esperei encher de água do filtro.
- Então... A tal menina que é treze anos mais nova deve se chamar , né? – Ela falou, disfarçando.
- É. - Eu respondi, bebendo minha água e depois indo me sentar no balcão ao lado do fogão.
- Jake me falou dela, parece ser bem legal...
- Ela é.
- Ok, você não vai me falar mais nada?
- Ela está com outro, pelo menos estava hoje.
- E daí? Não pode ser amigo?
- Segurando ela e se importando como ele estava? Duvido! – Eu terminei de falar e Giovanna me lançou um olhar cansado.
- Toda vez que eu vejo você desistindo de alguma coisa eu me sinto tão mal... – Ela falou, soltando a colher e vindo ficar no meio das minhas pernas - Quando a banda terminou e você entrou em depressão meu coração se despedaçou, você sempre esteve comigo, me ajudou no nervosismo do casamento, me ajudou quando eu tive a gravidez de risco, poxa , você sempre me fez ser tão forte, e você sempre desiste tão fácil das coisas que você quer!
- Gio, o que eu posso fazer? Ela está com outro! – Eu falei, segurando sua mão - Você sempre teve quem você ama com você!
- , se ela queria ficar com você, qualquer coisa é que ela não sentia. E esse cara você não sabe, e se for só um amigo atrevido? Luta por ela! – Gio se aproximou e me abraçou com força - Não desiste de algo que parece ser o que você tanto quer...
- Então, você acha que... – Eu me soltei dela, mas não conseguia olhar nos olhos.
- Eu acho que você deve ir agora até ela, dizer que não vai desistir, insistir e trazê-la amanhã na festa como seu filho pediu! – Dizendo isso ela me puxou, fazendo eu sair da bancada - E vai logo, antes que eu estrague outro creme... – Dizendo isso ela jogou todo o conteúdo da panela no lixo e começou a fazê-lo de novo. Gio estava certa, eu queria a de verdade, eu gostava dela como não gostava de ninguém desde a , eu precisava lutar.
Peguei minhas chaves e saí correndo, parei apenas na sala para avisar Jake que já voltava e dar um beijo em Leah.

Parei em frente ao apartamento dela e pensei: se eu interfonasse ela poderia atender e talvez não me deixasse subir. Resolvi ligar para .
- Alô? – Ouvi a voz de .
- , é o Jer. - Eu falei, e logo ouvi a risada dela.
- Graças a Deus, se você não ligasse logo eu iria te ligar! – Ela falou e, apesar da risada, senti um tom tenso em sua voz.
- Por que, o que aconteceu?
- O idiota do ex-namorado da resolveu aparecer e ela acha que ele merece uma chance, mas a única chance que aquele verme merece é a de ir para o inferno sem escalas! – Quando ela confirmou que ele realmente não era SÓ um amigo atrevido senti meu coração afundar - , ela vai me matar se souber que eu te falei isso, mas... Ela transou com ele noite passada, mas falou que não parou de pensar em você nenhum minuto, isso significa que ela gosta de você, mais do que imaginávamos...
- , se ela resolveu dar uma chance pra ele... – Meu coração parecia estar em pedaços e eu senti meu estômago revirar com a ideia de ela na cama com outro.
- , ela não pode ficar com ele de novo, esse verme engravidou ela e fugiu, ela perdeu o neném e ele nem fez questão de saber como ela estava! Você não pode deixá-la ficar com uma pessoa assim!
parecia suplicante, e no momento que ela me contou o que ele havia feito com ela, me senti mais enjoado do que nunca. Eu senti uma raiva que não conseguia descrever, eu senti vontade de socar a primeira coisa que visse pela frente, eu queria matar aquele idiota de Bernardo Mirantes.
- Onde ela está? – Foi tudo o que eu falei, e quando vi já dirigia em direção ao endereço que tinha me passado, o endereço do trabalho dela.

Parei em frente à emissora e saí, passei pela portaria e pedi que não me anunciassem - nessas horas, ser ex-integrante de uma banda valia realmente a pena.
Subi até o andar do Jornal da noite e vi de longe, com uma prancheta na mão e na outra uma xícara de café. Estava com fones de ouvido com microfone embutido e vários papeis embaixo do braço.
- E CORTA! – Ouvi um dos caras gritar e ela correr para a apresentadora do Telejornal, lhe entregando o café e os papéis, a fazendo assinar alguma coisa. Quando ergueu o olhar, me viu e os arregalou.
- , o que você...? – Ela perguntou enquanto me arrastava para fora do estúdio - O que você está fazendo aqui?
- , eu preciso conversar com você! – Eu falei a segurando pelos ombros, - E dessa vez não adianta você me falar que não, eu não vou aceitar não como resposta!
- , de novo não, por favor! Eu estou trabalhando, você não pode aparecer aqui e...
- E dizer que quero você? Que hoje quando eu te vi com aquele idiota eu quis te roubar pra mim? Eu não quero você com mais ninguém, eu quero você comigo! , por favor...
- Não o chama de idiota! Você não o conhece! Ele é meu namorado! – Ela falou, e eu senti como se tivesse levado um soco na barriga.
- Ah, então te abandonar grávida não é ser um idiota? Ele não é seu namorado, é um verme que voltou pra tentar te roubar de mim! – Quando eu falei ela arregalou os olhos e abriu a boca nervosa.
- Quem te...? Ah, eu vou matar a ! – Ela bateu o pé, se virando e passando a mão no cabelo nervosa - O que ele fez ou deixou de fazer no passado eu superei! E nem tudo gira ao seu redor! Se eu estou falando que ele é o meu namorado, é por que ele é! – Ela falava sem me olhar, e isso me deixava ainda mais nervoso. Segurei-a pelo braço e a fiz me olhar.
- Me diz olhando nos meus olhos que você não pensa em mim, que você não quer ficar comigo tanto quanto eu quero ficar com você! Diz que você o prefere a mim! DIZ!
- Eu não prefiro! Você sabe que eu te quero! Mas não dá... – Ela falou ficando mole, e eu não consegui fazer outra coisa se não abraçá-la.
- Aqui é o seu lugar, gatinha... Comigo!
- Não é assim, . – Ela falou, se soltando e segurando meu rosto com as duas mãos - Eu passei a noite com ele, eu prometi a ele uma segunda chance, ele voltou por mim, ele está sem um puto no bolso por mim... Você teve a sua chance e não deu valor, agora...
- Eu mereço outra chance, a gente merece outra chance... Ele não é criança, ! – Eu falei nervoso, mas sem conseguir largá-la.
- , eu já me decidi. – Ela falou tentando se afastar, mas eu a segurei - Eu tenho que trabalhar, , eu não posso... Eu não... – Ela finalmente se soltou e reentrou no estúdio, me deixando parado e sem saber o que fazer.
Meu corpo começou a ferver, era como se correntes elétricas passassem por minhas veias, minhas mãos tremiam e eu queria socar alguma coisa, eu não poderia perdê-la. Empurrei a porta do estúdio com tanta força que bateu na parede, fazendo um barulho ensurdecedor e fazendo todos me olharem.
- NÃO! – Eu gritei a olhando, que agora estava vermelha e olhando assustada para o chefe – Olá, eu sou o ...
- . - O chefe dela veio até mim sorrindo e apertou minha mão com vontade - Como vai, Sr. ?
- Muito bem, obrigado... Eu gostaria de poder conversar com a Srta. , se isso não tiver problemas pra ela...
- Imagina, Sr. , a Srta. pode conversar a vontade com você! Sem problemas... – Ele falou, empurrando para perto de mim - Vá e só volte depois de uma hora. - Ele falou em seu ouvido, mas foi suficientemente alto para eu escutar.
- O seu superior, como se chama? – Eu falei, abraçando de leve e olhando para o chefe dela.
- O James Strike. – Ela falou com a voz tremendo.
- James? Bom saber... Somos grandes amigos, ele sempre me ajuda quando preciso! – Falei em um tom que deu para perceber que era uma ameaça, e ele pareceu captar, já que sorriu amarelo. - Volte quando terminarem de conversar. – Ele falou sorrindo fraco e se afastando. Levei-a para fora do estúdio de novo e, quando fechei a porta, ela começou a me estapear.
- Isso é a sua maneira de dizer que você é melhor que o Bernardo? Você foi tão verme quanto... – Ela me batia e eu só conseguia me defender, até que peguei a sua mão e a beijei.
- Essa é a minha maneira de dizer que eu faria qualquer coisa por você sem pensar duas vezes. – Eu beijei sua mão novamente, agora subindo para seu braço - Que eu jamais te abandonaria... – Beijei seu pescoço - E que, apesar de você não acreditar, quem está totalmente apegado a você sou eu! – Quando fui tentar beijar sua boca ela virou o rosto.
- Bernardo! – Ela falou e quando me virei, vi o rapaz com dois copos de café da Starbucks parado nos olhando.
- Então no fim você não é só um conhecido. – Ele tinha as bochechas vermelhas e uma cara cínica. parecia desconfortável, mas ainda mantinha sua mão com a minha.
- Não, ele é... – Ela tentou falar e me olhou, pedindo apoio.
- Alguém que está sempre por perto. – Eu falei sorrindo de lado, e ela retribuiu.
- Não sei se, como namorado, eu gosto disso... – Ele falou sério, se aproximando.
- Você não tem vergonha? – Eu falei, cruzando os braços.
- Vergonha do quê? – Bernardo a olhou como se quisesse entender o que eu tinha acabado de falar.
- , vai embora... – falou, se afastando de mim.
- Não, eu não vou... – Eu falei, voltando a ficar nervoso - Sério Bernardo, você não tem vergonha? Ela só está tentando lhe dar essa segunda chance por pena, e você mesmo assim insiste em ignorar isso... Ela não te perdoou, é só olhar nos olhos dela que você vai perceber.
- Você... – Bernardo deu um passo em minha direção.
- Você é tão egoísta que não consegue ver que ela não está feliz? – Eu falei me aproximando também, ficando a centímetros de distância.
- , chega, por favor. - Ela se colocou no meio de nós dois e me olhava no fundo dos olhos - Chega, por favor, vai embora! Eu escolhi dar uma segunda chance... Por favor, me deixa tentar!
- ... – Eu tentei lutar contra, mas eu percebia em seu olhar que ela estava machucada, e que não adiantava eu falar nada, naquele momento ela já tinha tomado a sua decisão - Ok, eu vou. Mas você sabe que está cometendo um erro. – Eu falei, a abraçando.
- Eu sei, mas me deixe errar para ter certeza que é com você o lugar certo. – Ela falou baixo em meu ouvido e me deu um beijo na bochecha.
Afastei-me, já indo para fora do estúdio quando ouvi Bernardo me chamar.
- Que feio, um velho, pai de família dando em cima de uma moça... Isso é pedofilia, sabia? – Ele falou e eu tomei aquilo como a oportunidade perfeita para colocar pra fora. Fui até ele sorrindo irônico e nem pensei antes de dar um soco com toda a minha força em seu rosto.
- ! – gritou, colocando a mão na boca e tentando segurar Bernardo, que caiu tamanha a força; chacoalhei a mão pela dor e lhe mandei um beijo saindo de lá. Ninguém me chama de velho!

- Socou mesmo a cara dele? – Tom me perguntou enquanto me entregava o gelo.
- Soquei... Ele é otário demais! Vai me chamar de velho na casa do caralho! – Eu gemi quando coloquei o gelo, minha mão tinha inchado bastante.
- Fala de novo o que ela falou? Foi muito lindo... – Gio falou rindo boba enquanto balançava com Leah no colo.
- Ela tinha que errar para ter certeza de que eu era o certo... Alguma coisa assim! – Eu falei e ela sorriu.
- Você nunca me falou coisas fofas assim! – Tom falou e todos nós rimos.
- Então agora é esperar, né cara? – falou, se sentando.
- Ou então a gente pode fazê-la perceber mais rápido o quão otário ele é... – passou a mão uma na outra, rindo com uma cara maliciosa.
- Não! Você não quer se igualar a ele. Deixe-a cair sozinha, você só precisa mostrar que vai estar lá para segurá-la... – Giovanna falou sorrindo fraco e entregando Leah pra mim - Agora, vá pra casa e cuide de seus filhos! Amanhã às três!
- Ok. - Eu respondi, levando Leah para a sala e a colocando no carrinho. Peguei Jake, que dormia, no colo e o coloquei no carro. Fui dirigindo para casa devagar e pensando em tudo. A Gio estava certa, eu iria deixar que ela visse sozinha no que estava se metendo, mas estaria junto para ajudá-la a qualquer momento.
Entrei em casa, coloquei Jake no quarto e levei Leah para meu quarto, comigo. Nos deitamos e eu liguei a TV.
parece apaixonado novamente, foi visto hoje a tarde na BBC se declarando para uma das estagiárias que ainda não foi identificada, chegou até a socar o suposto namorado da moça... Veja a as imagens,”.
“-Me diz, olhando nos meus olhos que você não pensa em mim, que você não quer ficar comigo tanto quanto eu quero ficar com você! Diz que você o prefere a mim! DIZ!
- Eu não prefiro! Você sabe que eu te quero! Mas não dá...
- Aqui é o seu lugar, gatinha... Comigo!”. – A imagem parecia vir de uma fresta pequena da porta e a imagem péssima deixava claro que eram imagens vindas de um celular. Logo em seguida me vi correndo até ele e lhe dando um soco com muita força.
“Será que ele vai voltar a ser novamente aquele ex-integrante rebelde de antigamente? E o que será que tem a dizer a suposta gigantesca diferença de idade entre ele e a moça? Só nos resta esperar para mais um dos escândalos e torcer para o melhor”

Assim que a repórter terminou de falar, passou para a noticia de que Lady Gaga estava grávida do segundo filho.
Então agora eu e éramos noticia? Ótimo!

Senti Leah escapar dos meus braços e abri os olhos assustado, estava com ela no colo, me olhando.
- Está tudo bem? – Ela falou baixinho, arrumando Leah no colo.
- Tudo... Já vai levá-la? – Eu perguntei, me erguendo na cama e coçando o olho.
- Já, está tarde... Jake vai ficar?
- Pode ser.
- Amanhã eu vou pra festa das crianças por volta das duas e meia pra ajudar a Gio, quer que eu deixe a Leah aqui ou posso levar comigo? – Ela se sentou ao meu lado.
- Deixa ela aqui, quero poder arrumar, dar banho...
- Ok. – ficou olhando para nossa filha e eu sabia que ela queria dizer alguma coisa - Então, você está namorando?
- Não! – Eu falei, entortando a boca.
- Porque ela não quer?
- É, por aí...
- Hm... Vou levar o Mark amanhã, você...
- Não, tudo bem, é bom pras crianças irem se acostumando.
- , não é como se eu fosse me casar com ele! – Ela falou, revirando os olhos.
- Mas é seu namorado! – Eu encerrei a conversa e ela voltou a se levantar.
- Ok então... Vou indo. - Ela inclinou para que eu pudesse ver o rostinho sonolento de Leah - Fala tchau para o papai, filha. – Ela balançou a pequena mão dela em sinal de tchau e então saiu.
Eu me joguei na cama cansado. Como eu queria poder passar o dia inteiro com meus filhos, sem ter que devolvê-los depois, sem ter tempo restrito para vê-los. Como eu queria poder fazer parte da vida deles integralmente.
Fiquei pensando em quando eles eram menores, do dia em que Leah nasceu, do dia em que Jake nasceu, e fiquei pensando em como seria se eu tivesse outro filho, e então minha mente foi diretamente para .
, ela não pode ficar com ele de novo, esse verme a engravidou e fugiu, ela perdeu o neném e ele nem fez questão de saber como ela estava! Você não pode deixá-la ficar com uma pessoa assim!”
As palavras de ecoaram na minha mente, e meu estômago voltou a revirar. Ela tinha engravidado daquele verme e ele tinha fugido, quem em sã consciência não iria querer ter um filho com ela? Ela era perfeita, e com certeza seria uma mãe maravilhosa. Comecei então a pensar se tivéssemos filhos, uma menina tão linda quanto Leah, mas agora com os olhos doces dela, com sua boca e suas bochechas rosadas. Sorri instantaneamente por pensar no sorriso da minha suposta filha e não pensei duas vezes antes de pegar o celular e ligar para .
- Alô? - Sua voz era calma, e ela parecia assistir a alguma séria de comédia da TV, já que as risadas eram aquelas forçadas e logo cessaram.
- ? – Eu falei sorrindo.
- ! – Ela falou, como que aliviada - Como você está?
- Estava pensando em como seriam nossos filhos se tivéssemos um! – Eu falei sem medo e a ouvi gargalhar.
- Com certeza com seus olhos e minha bochecha...
- A parte da bochecha eu concordo, mas os olhos, eu espero que sejam os seus.
- Não, eu gosto do seu olhar. - Ela falou baixinho e eu sorri instantaneamente, ficamos um tempo em silêncio apenas ouvindo a respiração um do outro.
- O que estamos fazendo, hein? – Eu perguntei e ela se calou.
- Eu não sei. – Ela respondeu depois de um tempo.
- Eu não quero te dar espaço porque eu não posso te perder...
- Se você me perder, significa que nunca fui sua.
- Eu não quero pagar pra ver!
- Por favor, ... Eu te imploro! Eu preciso dar essa chance para o Bernardo, por ele, por mim e pelo filho que nós quase tivemos...
- ... Não... – Eu tentei lutar, eu tentei buscar alguma coisa para falar, mas no fundo eu sabia que se eu não lhe desse espaço por bem, ela me faria dar espaço por mal. E talvez precisássemos mesmo disso para ver se não era apenas obsessão pelo que não podia ter – Tudo bem, eu prometo que vou tentar.
- Obrigada... – Ficamos de novo em silêncio, mas eu não queria desligar.
- Tudo bem sobre o que saiu na TV hoje? – Eu já havia me esquecido deste detalhe.
- Tudo... Daqui uma semana já pararam de falar disso!
- Ok então, mas me desculpa, eu não queria...
- , você não tem que se desculpar, está tudo bem!
- Ok. , eu tenho que desligar...
- ? Não... – Não deu tempo para falar mais nada, ela desligou. Minha vontade foi de ligar de novo, mas eu tinha prometido tentar.

Capítulo 6

Acordei no sofá com o pescoço doendo - eu tinha dormido assistindo TV com o telefone na mão. Sonhei com , a noite inteira. Fiquei deitada olhando para o teto sem parar, o que eu estava fazendo? Eu tinha pela primeira vez não me apegado a uma pessoa, eu tinha, pela primeira vez, visto quem ela era antes de ficar morrendo de amores, eu primeiro pensei em mim antes de pensar na outra pessoa, e quando ela retribui o afeto eu ignoro tudo e fico com quem me fez sofrer tanto.
Eu amei muito o Bernardo, afinal ele esteve comigo durante o ano do cursinho, que, querendo ou não, foi um ano penoso. Mas eu nunca vou me esquecer do olhar de decepção dos meus pais quando eu disse que estava grávida, eu nunca vou me esquecer da dor indescritível que senti quando o médico disse que eu havia perdido o meu filho e eu nunca, mas nunca vou esquecer a minha própria decepção de ouvir o meu então príncipe encantando me deixando de escanteio e indo embora.
Então agora eu estava ali, pendurada entre o novo sentimento e o velho. O bom e o receoso, o duvidoso e o mais duvidoso ainda. E eu não sabia o que decidir, eu não sabia o que pensar. Eu queria poder acordar e tudo aquilo ter sumido, que eu tivesse voltado a ser apenas a estudante de Jornalismo com os cabelos rosas e o coração cheio de sonhos.
- Está devaneando de novo? – abriu a porta, me assustando. Sentou no sofá, nas minhas pernas.
- Estou confusa, mas isso é normal... E você? – Eu falei, me sentando.
- Cansada. Exausta, na realidade! – Ela falou, encostando a cabeça ao encosto do sofá - Eu amo o que eu faço, de verdade... Mas cansa ficar de plantão. – Ela fechou os olhos, suspirando - Mas, por favor, me fala sobre qualquer coisa que não ‘suturas’, ‘sala de emergência’, ‘soro’ ou ‘transfusão’!
- Ok... Eu voltei mesmo com o Bernardo! – Eu falei e ela voltou a abrir os olhos, me olhando séria.
- Ok, eu fui pra Marte e ninguém me avisou ou você bateu a cabeça no muro e não foi socorrida a tempo?
- É sério, !
- E por que você fez isso, criatura linda?
- Porque ele chegou me pedindo uma segunda chance!
- Ah , me poupe, você por um acaso está treinando pra ser Santa? – Ela falou, me olhando séria – Esse babaca pode ter sido o seu primeiro namorado, pode ter sido o seu primeiro na cama, o seu primeiro amor, o caralho a quatro, mas ele te abandonou quando você mais precisou... E só eu e a vivenciamos a sua depressão pós aborto, então você me desculpe, mas eu não consigo entender como você pode dar uma segunda chance pra ele! Esse cara pegou o seu coração, o cortou em mil pedaços, o jogou no chão, pisou e ainda cuspiu e você, depois de o remendar com muito cuidado, vai querer deixá-lo vir e o quebrar de novo, de mão beijada? – Ela gesticulava e ficava cada vez mais vermelha.
- , ele disse que foi tudo culpa da mãe dele, e agora que ela morreu... Sim, morreu! Ele voltou pra perto de mim, sem um tostão, que o pai tirou tudo, e sem nem ter onde ficar direito! – Eu falei, mas ela ignorou, revirando os olhos.
- O seu problema é que você sempre quer ver o lado bom das pessoas e fica o tempo inteiro tentando apagar as coisas ruins que ele fez com as poucas coisas boas!
- Eu sei, eu sei... Mas eu sinto que é o que eu tenho que fazer, e ele está sendo bom pra mim agora.
- Melhor que o ? – Ela falou e eu não aguentei, levantei e saí do sofá, indo para o banheiro – não foge de mim! As poucas vezes em que eu fiquei em casa eu só te escutei falar dele, eu só vi você sorrindo com os olhos brilhando por causa dele, e agora você voltou a ter os olhos opacos... Os mesmo da época escura, Bernardo. – Eu revirei os olhos, cansada daquela conversa.
- Chega , você não tem que ir dormir? Então vai! – Eu a empurrei pra fora do banheiro e tomei meu banho.
Quando saí do banho vi deitada na sua cama dormindo profundamente, e na cozinha emburrada comendo enquanto Bernardo preparava alguma coisa no fogão.
- O que você está fazendo aqui? – Eu falei, o olhando desconfiada.
- Eu vim te ver antes da faculdade! – Ele falou, se virando e me abraçando.
- Ou veio vigiar, pra ter certeza de que o não vinha? – falou séria, tomando seu café e se levantando.
- ! – Eu a repreendi enquanto me abraçava a Bernardo e lhe dava um beijo - Que bom que você veio me ver!
- Ainda bem que você gostou, agora senta e come! – Ele falou me fazendo sentar, e riu nasalado antes de me dar um beijo na bochecha e sussurrar: “realmente vale a pena, hein?” e sair.
- Amor, eu acho que você esqueceu, mas eu não tomo café da manhã... Eu passo mal...
- Ai, é verdade... Eu me esqueci! Mas come amor, vai te fazer mal se não comer!
- É ao contrário! – Eu não queria comer e odiava quando insistiam nisso, Bernardo costumava saber disso. Fiquei brincando com as migalhas de pão da mesa enquanto o via colocar leite em uma xícara e trazer até mim.
- Toma pelo menos leite, vai...
- Bernardo! – Eu falei, me levantando e ficando nervosa, estava começando a pensar em como aquilo iria dar certo. – Eu não tomo nada, não como nada e odeio leite puro. Você sabia bem disso!
- , eu... – Ele se sentou, respirou fundo e depois voltou a me olhar - Me desculpa... Sempre com a mania de querer demais o seu bem.
- Não, sempre com a mania de querer me mudar! – Eu falei, rindo irônica e saindo. Peguei minha bolsa e abri a porta – Se importa de me acompanhar?
- Eu vou arrumar tudo aqui, depois eu faço como da última vez e deixo a chave na portaria! – Ele falou, rindo fraco.
- Não! – Eu me aproximei estressada, peguei a xícara e despejei o leite na pia, guardei as coisas de cima da mesa rapidamente na geladeira e o puxei pela mão - Você vai embora comigo. Não vai mais pegar chave nem deixar na portaria depois, você não mora aqui, você é um visitante, e também não vai mais vir tão cedo pra cá! – Eu falei, trancando a porta e apertando o botão do elevador.
- Ignorante de manhã também! – Ele falou, sério.
- Com você! – Eu respondi entrando no elevador, cruzei os braços e me apoiei ao fundo. Ele veio para perto me abraçando pela cintura tentando me beijar, mas eu virei o rosto.
- Eu estou tentando fazer dar certo, me ajuda aqui!
- Eu também estou, mas para de forçar uma situação o tempo todo! – Eu falei, virando o rosto de novo - Eu não quero te beijar agora!
Ficamos em silêncio absoluto até o elevador chegar ao térreo, e assim ele foi embora. Não iríamos almoçar juntos e naquele dia minha vontade de vê-lo era zero. Eu ficava o tempo inteiro me contradizendo, ao mesmo tempo eu dizia querer fazer dar certo, quando eu estava perto dele eu tinha uma repulsa, eu não aguentava ficar perto, eu não aguentava o toque dele.
Cheguei na faculdade. Aquele dia eu tinha quatro aulas e depois casa, passar o dia todo com meus pais.
“Jura mesmo que aquele babaca foi tentar fazer você tomar café da manhã? Onde ele passou esse tempo? Em uma câmara de amnesia?”
Mensagem da chegou, no meio da minha aula preferida, História Brasileira. Não respondi, apenas a li e depois voltei a guardar o celular.
Na hora do intervalo, como de costume, eu me sentei embaixo de um pequeno pedaço de sombra e fiquei ouvindo música, quando voltei a fazer o que sei fazer melhor. Devanear.
Meus devaneios foram diretamente para uma das melhores lembranças que eu tinha com o Bernardo. Nossa viagem à praia. Era o começo das nossas férias de verão e ele tinha praticamente me obrigado a viajar com ele e parar um pouco de estudar. Estava um calor absurdo, um tempo abafado insuportável. Nós voltamos da feirinha da cidade quando começaram a cair uns pingos de chuva. Bernardo, como sempre, ficara procurando um lugar para se esconder da chuva, mas eu não pensei duas vezes, me coloquei no meio da rua onde tinha menos movimento, abri os braços e fiquei sentindo cada pingo gelado e refrescante que tocava a minha pele.
“-, sua louca, sai da chuva, amor”! – Ele gritava de baixo de uma cobertura em frente à loja de sorvete.
- Para de ser bobo, amor... É só chuva! Faz bem! Purifica! Vem! – Eu falei, me virando com os olhos fechados e os braços abertos.
- Quê purifica! Saí da chuva, você vai ficar doente! – Ele falava e me olhava rindo.
- Não! Enquanto você não vier sentir a chuva comigo eu não vou sair daqui! – Eu falei, virando de novo e dando pulinhos. Bernardo revirou os olhos e se aproximou, me abraçando pela cintura.
- Pronto, minha linda, satisfeita? – Ele falou, me dando um beijo no pescoço.
- Muito! – Eu o abracei e o beijei. Era o nosso beijo. Ali, embaixo da chuva, era calmo, cheio de carinho.”
Era o nosso beijo. Eu não sabia mais o que era o nosso beijo. Nos dias em que eu o havia beijado após sua volta, nossos beijos não era calmos e muito menos cheios de carinho. Eu sentia amargura, eu sentia repulsa. Eu queria fugir, eu não queria continuar a beijá-lo. Mas, caso estivesse pensando em , aí sim eu podia me sentir bem. E isso, apesar de novamente ser contraditório, me fazia mal. Eu não queria beijar Bernardo pensando em outro, eu queria voltar a ter o nosso beijo.
“Eu não me importo, vou ter essa segunda chance.”. Respondi para a e então voltei para minha sala, o sinal tocou logo em seguida. Quando as aulas acabaram eu não pensei duas vezes antes de começar a dirigir em direção à casa da avó de Bernardo, lembrava o caminho de cor.
Parei em frente à casa e lhe mandei uma mensagem, pedindo que saísse. Bernardo veio em minha direção com as mãos no bolso e um sorriso fraco no rosto.
- Resolveu vir pedir desculpas? – Ele parou em frente ao meu carro, onde eu estava parada encostada à lataria.
- Não... – Eu falei séria, sentia minhas mãos soarem e minha garganta secar - Eu não te perdoei, não de verdade... Eu não consigo te tocar como antes, eu não consigo olhar pra você e não sentir repulsa, não lembrar tudo o que você me fez sofrer... Eu não consigo olhar pra você e não lembrar que você me deixou sozinha, que quando eu tive a maior dor da minha vida, quando eu perdi o meu filho, você foi embora! Eu não consigo, Bernardo, simplesmente não dá! – Eu cuspi tudo aquilo sentindo ao mesmo momento o peso sair dos meus ombros - Eu não consigo, mas eu quero conseguir... Porque no fundo eu sei que ainda te amo, que a nossa história não acabou e que eu tanto quanto você preciso dessa segunda chance!
- , eu... – Ele tentou se aproximar, mas eu me afastei.
- Não, eu não terminei... – Ele se calou, me olhando com tristeza no olhar - Eu não vou mais aceitar mentiras, eu não vou mais aceitar você querendo me mudar, eu não vou mais aceitar você querendo que eu seja o que não sou, eu não quero ser a personificação da sua mãe! Eu quero você como a gente se conheceu, eu quero você como meu príncipe encantado, meu grande amor e só. Vai ser difícil pra mim, mas eu não quero que você desista! – Eu falei já chorando, e ele sorriu fraco.
- Eu nunca desistiria de você!
- Você já desistiu uma vez.
- Uma vez, pra nunca mais. – Ele finalmente se aproximou e me abraçou.
- Outra coisa. - Eu me afastei, segurando seu rosto - Eu não vou fingir que não sinto nada pelo e não vou fingir que na maior parte do tempo é com ele que eu quero estar... Eu não vou fingir, porque isso seria mentir, mas eu prometo que eu vou me esforçar ao máximo pra tirar isso de mim!
- Isso me basta! – Bernardo sorriu abertamente e me beijou. E por alguns segundos, antes dos olhos azuis e lindos do invadirem a minha mente, eu achei sentir aquele mesmo sentimento de antes. Foi um quase nosso beijo.
Entramos e ficamos namorando na sala, conversamos bastante, e no fim eu já não me sentia tão mal por estar ao lado dele, mas mesmo assim, depois de duas horas eu já estava sufocada e precisava ir embora. Não fui para a casa dos meus pais como planejado, resolvi ir para outro lugar, e dessa vez finalizar de uma vez por todas o que nem tinha começado direito.

Cheguei no meu apartamento e vi um bilhete da em cima da mesa.
“Fui com um amigo do Jer a uma festinha de aniversário, volto às oito, mas qualquer coisa esse é o endereço (Summercourt Rd. 480), love ya”.
E foi quando eu pensei, exatamente por isso nós somos amigas a tanto tempo, ela consegue me salvar e me ajudar mesmo quando não tem essa ideia.
Fui para o banheiro, tomei banho, coloquei uma roupa bonita e confortável e saí. Durante todo o caminho até essa festinha, que provavelmente era dos filhos de Tom, minhas mãos suavam frio e eu tinha vontade de gritar. Meu coração batia tão forte que a qualquer momento eu poderia ter um ataque cardíaco. Tentei ligar o rádio para que isso começasse a me acalmar, mas quando sintonizei e vi que passava “Baú BBC”, e claro que Bubble Wrap tocava, resolvi mudar. Era demais para meu sistema nervoso.
Parei em frente ao número 480 e fiquei olhando para a fachada cheia de balões coloridos e gente chegando sem parar. De fora dava para ver o quintal e a entrada da casa. Uma grande mesa cheia de presentes ao lado uma moça bonita com cabelos compridos e castanhos sorria amigavelmente para todos que chegavam. Desci do carro querendo me matar por não ter comprado nada para os gêmeos, sempre esqueço das coisas mais simples e importantes.
- Mamãe, será que vai ter mesmo escorregador? – Um menininho que estava andando na minha frente com a mãe, e não me era estranho, falou.
- Não sei querida, eu só espero que o esteja aí! – Quando ouvi o que a moça disse os reconheci, era Kim, uma das mães da escolinha da Audrey. Ela sempre estava dando em cima de alguém, e com certeza o Jer seria uma presa muito boa. Assim que ela passou pela porta e cumprimentou a tal moça da porta que a reconheci, era Giovanna.
- Olá. - Ela falou, sorrindo pra mim.
- Olá... Nós não nos conhecemos, eu sou...
- . – Ela falou sorrindo docemente e me abraçando, - Se não te reconhecesse pelos cabelos rosa, te reconheceria pela perfeita descrição que fizeram sobre seu sorriso. – Assim que ela falou eu senti minhas bochechas corarem.
- Me desculpe aparecer assim, sem ser chamada, mas eu realmente preciso falar com o . – Eu falei enquanto Giovanna segurava minha mão.
- Mas é claro, entre, por favor... Se não me engano ele está com Tom na parte de trás. – Ela falou, me levando para dentro da casa e apontando para o fundo - Siga em frente e vire a direita que você já vai ver a varanda aberta, eles estão com as crianças, não vai ser difícil de encontrar...
- Ok então, muito obrigado! – Eu falei a soltando e começando a andar.
- ? – Ela me chamou, e quando virei ela tinha um olhar maternal que me olhava profundamente - Eu realmente adorei te conhecer.
- Digo o mesmo. - Eu disse sorrindo. Afinal, aquela era Giovanna, e não podemos esquecer o quanto eu era LOUCA por eles quando era mais nova.

Parei na varanda para poder olhar melhor para o quintal, estava lotado de crianças correndo de um lado para o outro, gritos, risadas, e sem contar no incrível pula-pula e escorregador. Alguns rostos, provavelmente famosos, me chamaram a atenção, mas a única coisa que eu queria encontrar era os meus tão adorados par de olhos azuis.
- ? – Olhei para trás e vi com um copo vermelho na mão. Ela sorriu abertamente e me abraçou - Resolveu aparecer, é?
- É, eu preciso conversar com o . – No momento em que falei, vi abrir um sorriso imenso, mas quando respirei fundo, ela percebeu que a conversa não seria tão positiva quanto ela queria.
- Eu não quero saber! Não vou ficar irritada. - Dizendo isso ela se virou e saiu. Quando me virei para tentar detê-la vi . Ele estava de pé ao lado de , com Leah no colo. Os dois olhavam para Jake, que estava sentado no alto do escorregador fazendo tchauzinho. Jake me viu de longe e gritou meu nome, chamando atenção de e , que no mesmo momento olharam na minha direção. Respirei fundo e caminhei até eles.
- ? – perguntou, me olhando desconfiado, mas com um sorriso lindo no rosto.
- Oi... – Eu falei, sorrindo fraco e cumprimentando com a cabeça, que pegou Leah irritada e se afastou.
- Não liga pra ela. Não conseguiu se acostumar com a ideia ainda... – Ele falou e se aproximou, tentando me abraçar pela cintura, mas eu me afastei com meu coração na mão.
- Se acostumou com que ideia? – Eu falei cruzando os braços e olhando para Jake, que fazia tchau sem parar para minha direção, eu retribui e o menino finalmente escorregou. me olhou, observando cada pequeno detalhe do meu rosto, e suspirou quando percebeu que eu não estava ali por alguma notícia boa.
- ! – Jake veio correndo na minha direção, e eu não hesitei em abaixar e pegá-lo no colo.
- Oi querido.
- , você viu que alto que era o meu escorregador? E eu desci sem medo! – Ele falava rápido e abrindo os bracinhos para mostrar o quão grande era o escorregador - A primeira vez que eu desci eu fiquei com medo, daí o papai teve que me ajudar, né pai? – Ele olhou para que continuava a me olhar sem reação.
- É filho. - ele falou depois de sair do transe e olhou para mim tristemente.
- Jake, pirralho! – Um rapaz muito lindo e que com certeza era ninguém mais ninguém menos que , chegou junto de perto da gente.
- Tio , você viu eu descendo no escorregador? – Jake perguntou, rindo.
- Claro que vi, você foi demais cara! – falou o pegando no colo, piscando pra mim, dando um tapa no ombro de e saindo com Jake dali. ficou ainda por um tempo me encarando com os braços cruzados, mas logo foi atrás de , balançando a cabeça como se não acreditasse.
- Você não veio aqui pra dizer que a gente finalmente vai ficar juntos, veio? – estava com as mãos no bolso e um dos olhares mais tristes que eu já tinha visto.
- Não. - Eu falei, abaixando o olhar.
- Vem comigo... – Ele pegou a minha mão e começou a me puxar para dentro da casa. Subimos as escadas e entramos em um quarto de criança, provavelmente o quarto dos gêmeos. Era lindo, tinha estrelas desenhadas por todo o teto, fotos de instrumentos musicais, uma mini bateria ao canto, um tecladinho. Era nitidamente um quarto de filhos de músicos.
foi para perto da janela que dava para ver o quintal e podia-se ouvir dali as músicas de criança e a gritaria.
- Me diz então, se você não veio para me dar boas notícias, o que você veio fazer? – Eu me aproximei e fiquei ao seu lado na janela. Fiquei um tempo olhando as crianças e pensando o que realmente eu estava fazendo ali. Eu sabia o que estava fazendo ali, mas eu não sabia se teria coragem de dizer isso a ele.
- Eu... Eu precisava... – Eu comecei a falar, mas o motivo não saía, eu não conseguia dizer.
- Você precisava vir até aqui para me dizer que escolheu ficar de vez com o Bernardo e que me quer longe, é isso, não é? – Ele falou sério me olhando, mas eu não tive coragem de olhá-lo.
- É.
- Bom, então você já disse... – Dizendo isso ele se virou, e eu senti uma raiva tão forte que senti todas as palavras fugirem da minha boca.
- Como assim? Você vai me dar as costas?
- O que você quer que eu faça? - Ele se virou, levantando os ombros e me questionando.
- Eu quero que você fique aqui e converse comigo, me escute! – Eu comecei a gesticular, perfeito sinal de nervosismo.
- Não, você quer que eu fiquei aqui e lute por você! Porque você é egoísta demais pra simplesmente parar de brincar de esconde e esconde! – As palavras de me atingiram com uma força que acho que nem se ele tivesse me dado um tapa na cara teria doído tanto.
- Eu não estou brincando de esconde e esconde, e eu não sou egoísta!
- Não, você é covarde! – Ele falou, se aproximando e apontando o dedo pra mim - É tão covarde que não consegue mandar o seu ex à merda e ficar com quem realmente gosta de você, porque você é covarde demais pra se jogar em alguma coisa que é nova! O problema são meus filhos, é isso?
- , pelo amor de Deus, não tem nada a ver, eu adoro os seus filhos, sinto algo tão forte que parece que são meus!
- É, mas não são! E você não quer isso agora, prefere ficar com alguém que mente, te engana, te faz sofrer!
- Olha quem fala, o traste aqui era você! – Eu falei tão alto que caso alguém passasse pelo corredor, com certeza escutaria.
- Eu sou o traste? Quem ficou desde o princípio querendo você?
- Você não me quis! Quando eu te quis você não me quis, então não vem querer bancar o bonzinho perfeitinho porque você está longe de ser!
- Ah, então eu não te quis uma vez, mas eu não fugi que nem um idiota quando você disse ter um filho meu!
- Para de colocar o Bernardo no meio de tudo o tempo todo, nós estamos falando de nós agora! Eu e você! – Nós gritávamos e estávamos bem perto um do outro, eu podia sentir o perfume de tão perto que isso fazia minhas pernas ficarem bambas.
- Eu e você? – Ele perguntou, se afastando um pouco e tentando ficar mais calmo - Quando existiu o termo ‘eu e você’? Nunca, , isso nunca existiu, porque você nunca deixou existir!
- Eu quis ficar com você!
- Quando eu não queria... Eu não podia! – Ele voltou a gritar - Você parece que gosta de sofrer, só quer o que não pode, e quando pode joga fora! Prefere ficar com um idiota como o Bernardo a ficar com alguém que de corpo e alma se entrega pra você! – Ele falou e eu ri irônica, me afastando e ficando de costas, para que ele não visse que as lágrimas se formavam em meus olhos – Eu sei que eu a princípio disse que não queria nada com você, que eu não me apegava, mas é porque eu tenho dois filhos, uma ex-mulher, eu vivo em crise comigo mesmo, eu não conseguia nem cuidar de mim e tinha que cuidar dos meus filhos, e ainda teria que cuidar da enorme diferença de idade entre a gente, sem contar que eu tinha medo de não ser tudo aquilo que você queria e precisava... Mas aí de repente você se tornou tudo o que eu precisava, tudo o que eu preciso, e você vem aqui, na melhor das caras de pau, pra me dizer que você prefere ficar com um mauricinho mimado que te faz de gato e sapato? – Cada palavra que ele falava era como uma faca entrando e saindo do meu peito, eu sabia que no fundo tudo aquilo era verdade - Então vai, fica com ele! Mas para de ser presente na minha vida se não é isso que você quer! O que você veio fazer aqui hoje? Você sabe o quanto o meu filho queria que você estivesse aqui, porque sabe lá Deus por que e como ele se apegou a você, mas isso é egoísmo, , porque você não veio aqui para começar a fazer parte da vida dele, você veio aqui para finalizar uma coisa que nem começou direito.
- , para... – Eu me virei, praticamente implorando pra que ele parasse de falar tudo aquilo, para que ele parasse de me ver daquela forma, porque aquela não era eu, não podia ser.
- Não, eu não paro! Eu achei que a diferença de idade entre a gente não fosse fazer diferença, mas faz... Eu não preciso de outra criança na minha vida, e talvez o certo seja mesmo você ficar com o Bernardo, então me desculpe, mas eu não vou ficar e conversar, eu não vou ficar e lutar por você de novo, eu vou sair por essa porta e quando VOCÊ sair, eu quero que saia de vez e não volte mais. – Dizendo isso ele se virou e saiu do quarto, me deixando ali sozinha. Eu não tive outra reação se não sentar no chão e chorar. Chorei muito, sentia como se meu coração pudesse parar de bater a qualquer momento, como se ele estivesse pesado e doendo de uma forma imensurável.
- O que... ! – Vi Giovanna entrar no quarto e correr até mim, me abraçando. Não pensei duas vezes para retribuir o abraço, eu me sentia sozinha e, mesmo não a conhecendo direito, eu sentia que podia contar com ela – , o que aconteceu? O desceu furioso...
- Acabou Gio... Giova... – Eu não conseguia falar, o ar não vinha, e eu me sentia cada vez mais destruída.
Fiquei um tempo caída no meio do quarto das crianças, abraçada à Giovanna, até conseguir voltar a respirar e a pensar direito.
- Agora me conta, o que foi que aconteceu? – Giovanna fazia carinho em meus cabelos e me balançava devagar, exatamente como minha mãe fazia quando eu estava mal.
- Acabou... Quer dizer, nunca existiu... Ele me falou coisas horríveis e me ofendeu e... – Eu não consegui terminar de falar, abracei-a e chorei mais um pouco, baixo. Quando bati os olhos no relógio de parede, vi que mais de uma hora já havia passado e eu estava ali manipulando a mãe dos aniversariantes. Levantei-me assustada e comecei a arrumar meus cabelos e a passar a mão nervosa pelo rosto - Me desculpa Giovanna, aniversário dos seus filhos e eu aqui... Me desculpa. – peguei minha bolsa da cama e saí, sem dar tempo de Gio falar mais nada. Eu precisava sair dali, eu precisava ir para bem longe.
Passei em frente à varanda e vi de longe com Leah no colo e abraçado à de um jeito diferente. Ele parecia jogar charme pra cima dela, aliás, pareciam um casal de namorados, e aquilo novamente destruiu meu coração. Mas em uma coisa ele estava certo, eu agora estava com Bernardo e estava firme nessa decisão, por isso precisava parar de ser egoísta e deixá-lo viver a própria vida.

Capítulo 7

Assim que eu saí do quarto, deixando chorando lá dentro, eu nem sabia como descrever o que eu sentia. Eu tinha dito coisas que nem eu mesmo acreditava como verdade, eu tinha imposto a ela coisas que eu mesmo não queria que se concretizassem, mas que eu tinha certeza de que eram necessárias.
Só há duas pessoas que eu amo mais do que tudo nesse mundo, meus filhos. E eu faria qualquer coisa por eles, e sempre os manteria como prioridade na vida. Errei muito quando era mais novo, errei muito quando Jake nasceu e não iria cometer esses erros de novo. Eu podia ter o sentimento mais forte do mundo por , mas ela já tinha deixado claro que não era recíproco, e Jake já estava se aproximando demais dela.
Saí do quarto tão bravo e irritado que quando esbarrei em Gio nem pedi desculpas, e nem vi quando esbarrei em , se não fosse pelo gênio forte dela.
- , onde você está... – me segurou pelo braço, mas parou de falar quando viu meu rosto, - Que cara é essa? O que aconteceu?
- Nada, , me deixa... – Eu tentei me soltar, mas ela parou na minha frente.
- , eu te conheço faz mais de dez anos... Pode me contar o que foi que aconteceu!
Puxei-a para a sala de TV e sentamos no sofá para conversar. Depois que contei toda a história, ficou me olhando séria.
- Como pode tudo o que aconteceu e você continuar sendo o mesmo crianção de sempre! – Ela se levantou pronta para sair, mas eu não ia deixar. A segunda mulher do dia que resolve me insultar e me machucar, isso não ia acontecer.
- , que porra é essa?
- Que porra é essa? Eu que te pergunto, ! – Ela me olhou nervosa. – Dois filhos, mais de dez anos de relacionamento pra você olhar na minha cara e dizer que você está apaixonadinho por uma menina que não tem responsabilidade nenhuma, que ainda não sabe nada da vida? – Ela terminou de falar, depois respirou fundo, se sentando ao meu lado.
- , eu... – Tentei começar a falar, mas ela me interrompeu.
- , pelo amor de Deus, você resolve começar a sofrer por uma criança e não vê que a mãe dos seus filhos a verdadeira mulher da sua vida está aqui praticamente implorando... Se rastejando por ajuda e carinho. Você diz que ela é uma criança, que você precisa pensar no Jake e na Leah, mas você é a criança... Se você realmente pensasse nos nossos filhos você veria que o certo é voltar pra mim, você veria como o meu relacionamento de fachada com o Mark é só pra te fazer ciúmes, você veria que o certo é você voltar pra casa e me ajudar a criar os nossos filhos. Se for pra ser adulto, se for pra ver as coisas certas e se for pra pensar nos nossos filhos, que seja decidindo voltar pra mim. – falou tudo aquilo e, ao mesmo tempo em que eu senti repulsa pela forma como ela parecia se jogar pra mim, eu me senti aliviado. Porque ela estava certa, e ela tinha achado a solução sem que eu precisasse ficar me martirizando. Eu sei, pode parecer horrível, mas naquele momento eu tinha tomado uma decisão que, no fundo no fundo, eu vinha formando há tempos. Se eu queria esquecer de vez a , se eu queria voltar a ser presente integralmente na vida dos meus filhos, ali na minha frente estava a solução. Eu juntaria o útil ao agradável e, por mais que isso parecesse errado com a , ela mesma tinha se colocado nessa situação, então eu iria aceitar. Não lhe dei nenhuma resposta concreta, apenas avancei pra cima dela a beijando e a puxando pra perto de mim, como não fazíamos há muito tempo. No fim foi uma coisa boa, afinal ela era realmente uma das pessoas que eu amava. Só não sabia mais se esse amor era carnal como antes.
Assim que fizemos o que tínhamos para fazer na sala, saímos e fomos novamente para o quintal. Eu me sentia sujo, me sentia mal e queria sumir, mas eu não podia. Da mesma forma que tinha tomado uma decisão, eu também tinha. Agora eu voltaria a ter a minha vida com a e ponto final.
Fiquei brincando com meus filhos e tentando com todas as forças retribuir o carinho e o mesmo esforço que estava fazendo.
Na hora do Parabéns eu entrei com os caras para ir pegar o bolo na cozinha, que era gigantesco.
- Será que você pode me explicar porque você e a estão no maior agarro sendo que eu tenho certeza que vi a aqui hoje? – falou enquanto Tom terminava de colocar as velinhas no bolo.
- Porque eu e a voltamos e a veio terminar tudo de vez... – Eu falei, como se fosse uma coisa normal que acontece sempre.
- Como é que é? – bateu na minha mão, jogando o pratinho plástico no chão.
- CARALHO! – Eu gritei, ficando irritado.
- Caralho digo eu, como assim você voltou com a ?
- Voltando, simples assim...
- Não é simples não, cara. - começou a falar, mas logo se calou quando eu lhe dei o meu olhar mais assustador.
- Você é um otário! Não falou que ia correr atrás dela? – Tom jogou o papel das velas em mim.
- Ela veio dizer que não quer mais nada, que se decidiu definitivamente pelo Bernardo, e a veio e, bom... Eu quero meus filhos de volta!
- Você só voltou pra poder tê-los sempre por perto? – perguntou e eu apenas concordei com a cabeça, ele me olhou por um tempo com a boca aberta, como se não acreditasse – Você é um idiota por ter deixado a escapar, mas é um cara foda por estar fazendo isso pelos seus filhos, e mais foda ainda por ter me apresentando a . – Quando ele disse isso, nós quatro caímos na risada.
- Eu não quero mais que citem o nome , ela é uma página virada da minha vida e eu não quero mais saber dela. Estamos entendidos? – Eu falei sério quando conseguimos parar de rir.
- Aham, agora me ajudem a levar esse bolo gigantesco lá pra fora. – Tom pegou uma ponta, eu e os caras as outras e fomos saindo devagar da cozinha com o gigantesco bolo com a foto de Trip e Chuck.
Cantamos parabéns, depois tiramos fotos com os dois. Várias fotos dos casais, das famílias e, no fim, eu agradeci por aquele momento. O dia pode ter sido péssimo e eu ainda podia estar com o meu coração destruído, mas naquela sala estavam as pessoas que eu mais amava e que sempre estiveram ao meu lado, e, por mais difícil que seria esquecer a , eu sabia que teria o apoio deles.
No dia seguinte, quando acordei, não conseguia acreditar todas as coisas que tinham acontecido em um único dia. Eu sentia uma raiva da que não conseguia descrever, e ao mesmo tempo um buraco no peito que me corroía. Fui para a cozinha cambaleando e nem ouvi quando entrou.
- Fala, seu bicha! – Ele disse, se sentando ao meu lado no sofá.
- Oi . - Eu respondi fechando os olhos e encostando a cabeça no encosto do sofá.
- Minha vontade é de te dar um soco, mas como você trouxe aquela preciosidade da pra minha vida eu não vou fazer isso!
- O quê? – Eu levantei a cabeça sem entender direito.
- A , cara, ela é foda! Sério... Gostosa e divertida... Enfim, minha versão feminina!
- Nossa cara, que bom que você gostou dela, de verdade! – Eu falei, sem muito ânimo.
- Nossa , todo esse ânimo me faz até ter uma eja...
- Cala a boca! – Eu o interrompi antes que falasse alguma merda - Desculpa , mas hoje a última coisa que eu vou ser é animado!
- Ué, por quê, o sexo com a é tão ruim assim? – Ele se levantou, indo pegar alguma coisa para beber na cozinha.
- Não, é claro que não... O sexo é ótimo, mas não quando você só consegue pensar em outra pessoa!
- Ah, bonitinha do cabelo rosa! – se sentou ao meu lado com uma garrafa de cerveja na mão.
- Exatamente! – Eu concordei, a pegando dele e dando um gole.
- Mas e aí, vai ou não voltar com a ? – Ele se virou, me olhando sério - Porque você sabe que se voltar a coisa vai ter que ser definitiva... Você tem duas crianças pequenas, imagina como vai ficar a cabeça do Jake se...
- Se eu voltar e depois ir embora de novo! Eu sei, , não preciso que você fique lembrando o tempo inteiro!
- Ô sua bicha, não precisa ser grossa, eu tô só tentando ajudar! – me deu um soco no braço, rindo - Pode levar na brincadeira e achar gay o que eu vou te falar, mas eu te amo cara, você é o irmão que eu nunca tive! Não quero que você faça merda de novo, nem se afaste dos seus filhos!
- Eu sei, . Eu sei. – Eu me levantei, indo em direção ao banheiro, e ele veio atrás - Eu também te amo, cara, e não vou fazer merda de novo.
- Que bom então, não quero que você perca o direito de ver as crianças, como vamos criar a Leah e o Jake assim? – Ele fez uma voz gay, se sentando no vaso enquanto eu me despia e entrava no chuveiro.
- Cai fora do meu banheiro, seu bicha! – Eu falei o socando e fechando a cortina do boxe. saiu rindo e eu tomei meu banho.
Quando saí, ele ainda estava em casa e foi comigo tomar um café antes de eu ir para o estúdio. Pelo menos isso, hoje o dia era lotado e eu não teria tempo pra pensar em nada além das tatuagens e piercings que tinha para fazer.

Era umas duas da tarde quando me ligou, eu estava com os caras do estúdio conversando sobre uma tatuagem ENORME que uma garota tinha pedido. Ela queria um tigre branco, nas costas inteiras, mais o ombro e as coxas, ia dar um super trabalho e muito dinheiro. Enfim, a queria saber se poderíamos conversar e, assim que eu terminei a ‘reunião’, a encontrei num restaurante próximo ao trabalho dela.
- Sr. , como vai? – Gerard, o metre, já me conhecia, quando casado com vivíamos indo ali, e até quando já estávamos divorciados comíamos ali direto.
- Vou bem, Gerard, e você? – Eu o cumprimentei rapidamente, já avistando na mesa de sempre.
- Oi gatão. - Ela falou, me dando um beijo na trave e se sentando - Pedi uma cesta de pães de calabresa para comermos enquanto não escolhemos, pode ser? – Ouvir ela me chamar pelo apelido de casado era estranho, mas eu tentei manter o foco e responder apenas o que ela perguntou.
- Pode sim. - Abri o cardápio e fiquei disfarçando, fingindo que não conhecia aquele cardápio de cabo a rabo.
- , você pode parar de fingir que essa situação não é estranha e conversar comigo! – sorriu irônica, segurando a minha mão.
- Sobre o que você quer conversar?
- Sobre nós! Sobre ontem, e os rumos que vamos tomar!
- Nós vamos voltar, eu quero minha família e meus filhos de volta! – Eu falei como se fosse óbvio, e os olhos de brilharam instantaneamente.
- Ok, mas não pode ser do nada! Nós estamos separados há mais de um ano, é difícil para o Jake você simplesmente voltar, principalmente agora que o Mark já estava começando a fazer parte da vida dele!
- Eu sou o pai dele, não tem nada que o confunda! Ele sempre quis que eu voltasse pra casa, e é isso que eu estou tentando fazer! – Eu fui direto.
- E aquela pivetinha de quinta que você tinha arranjado, o que fazemos com ela? Porque o Jake parece bem apegado... Não sei como, nem por que, mas ele gostou dela!
- , não fala assim que essa não é você! – Eu fiquei extremamente irritado com as ofensas que ela fez a , mas eu sabia que no fim ela tinha razão de ter toda essa raiva – A é um capítulo encerrado na minha vida, e o que importa agora é que eu quero voltar pra você! Para as crianças! Para a nossa família!
- Tudo bem, me desculpe... – Ela bebeu um gole de água respirando fundo, passando a mão nos cabelos e, depois quando mais calma, segurou minha mão e sorriu – Você pode voltar para casa, eu vou ficar mais do que feliz com isso... Mas espera eu conversar com o Jake primeiro, terminar de vez com o Mark, e aí você pode levar as suas coisas! – Ela finalizou, se debruçando na mesa e me dando um beijo de leve nos lábios.
- Ah, vejo que temos o que comemorar hoje! – Gerard apareceu todo animado com a cena e logo saiu, voltando com uma garrafa de vinho, o nosso favorito – Por conta da casa!
Terminamos o almoço e foi embora, claro que sem antes combinar que quem iria conversar com Jake seria eu, e que iria para nossa casa no fim do mês.
Era cinco horas da tarde quando fui buscar Jake na escolinha. Parei o carro em frente e pude ver de longe descer do carro e entrar. Eu não queria encontrá-la, por isso esperei no carro até que ela saísse. Foi inevitável que nos víssemos, já que ela voltou para buscar a bolsa da afilhada. Quando nos encontramos no corredor meu coração veio parar na boca, e eu agradeci imensamente por Jake ainda não estar comigo, isso tornaria mais difícil ainda a situação que já estava complicada.
- ... – Ela tentou se aproximar, mas eu fingi não escutar e saí andando - Você não pode me ignorar!
- Observe então! – Eu respondi cuspindo raiva, e não virei para ver a reação dela, mas como de automático a sua imagem triste e chorosa invadiu minha mente. Tentei ao máximo ignorá-la e fui para a sala de Jake.
Ele sorriu e correu em minha direção quando me viu, pulou em meu colo e me abraçou com força.
- Oi campeão. - Eu falei, o balançando e o abraçando com força - Tudo certo?
- Tudo! – Ele falou, se afastando e me olhando com os olhinhos arregalados – Papai, a veio buscar a Audrey de novo, sabia que eu acho que estou amando? – Ele falou, colocando a mão no lado direito do peito, e eu ri.
- Do outro lado, Jake... – Eu falei, enquanto o colocava no chão e pegava a mochila com a professora, a quem eu cumprimentei com um sorriso e piscada de olho - E amando quem, posso saber?
- Primeiro eu achei que a , mas a tia falou que ela é muito mais velha que eu, então eu só posso amá-la como amiga! – Ele começou a explicar e soltou a minha mão para gesticular - Mas aí, quando eu vi a Audrey hoje meu coração bateu rápido, e a tia contou uma historinha do coelhinho apaixonado, que o coração dele fazia tum-tum bem rápido quando via a coelhinha, igual o meu fez quando eu vi a Audrey! – Ele parou e suspirou – Eu amo, papai!
- Claro que sim, campeão! – Eu falei, o empurrando e o fazendo andar em direção ao carro, eu realmente não queria absorver o que ele falava.
- É verdade papai, eu vou contar essa historinha para o tio e ele vai acreditar! – Ele cruzou os braços, bravo, e fez bico enquanto eu o pegava no colo para irmos mais rápido.
- Mas o papai também acredita, Jake! – Eu falei, fazendo cara séria, e ele me olhou desconfiado.
- Eu até fiz uma cartinha pra ela, fiz um menininho, um coração e uma menininha, daí a tia escreveu Jacob e Audrey! Ela riu e me deu um beijo! – Ele colocou a mão na bochecha, fechando os olhinhos e suspirando.
Era só o que me faltava. Meu filho apaixonado pela afilhada da .

- Tio ! – Jake saiu correndo quando abri a porta de casa e ele viu sentado no sofá, e, para minha surpresa, com ao lado.
- Jake! – Ele o abraçou assim que Jake se jogou ao seu lado no sofá.
- Oi ! – Eu cumprimentei, estranhando.
- Oi Jer. - Ela cumprimentou, tímida.
- É a sua namorada, tio ? – Jake olhou sério para , que riu, passando o dedo em toda a extensão do nariz dele o fazendo fechar os olhos e sorrir - Legal!
- Você é lindo, sabia? – A falou, o fazendo sorrir sem graça.
- Como se diz? – cruzou os braços e levantou a sobrancelha.
- Muito obrigado, gata! – Jake respondeu, fazendo positivo com a mão, e gargalhou. Cada coisa que os caras inventavam de ensinar.
- Que galante! – Eu falei, o pegando no colo e o levando para o banheiro.
- Papai, eu quero ficar com a moça bonita na sala! – Ele falou, esticando os bracinhos no meu ombro em direção à sala, mas eu o ignorei.
- Não senhor, agora é banho! – Coloquei-o no chão apenas quando chegamos ao banheiro, comecei a despí-lo e ele logo pegou o naviozinho que tinha em cima da pia e correu para dentro da banheira.
- Papai, a mamãe falou ontem que vocês são namoradinhos! – Ele falou, enquanto se jogava na água, se divertindo.
- Que horas ela falou isso? – Eu perguntei, já despejando shampoo em sua cabeça e esfregando seus cabelos castanhos e pouco ondulados.
- Quando a gente chegou da festa do Trip e do Chuck! AH, PAI! Você viu o super helicóptero que eles ganharam do tio James? Eu quero, pai! A Emma disse que ela que escolheu, mas é mentira por que o Phil falou que... – E assim Jake desembestou a falar. Contou de tudo o que tinha acontecido no dia em uma velocidade espetacular. Quando fomos para o quarto, para que ele se trocasse, eu finalmente consegui conversar sobre o assunto principal.
- Jake, o que você acha do papai e a mamãe juntos de novo? – Eu falei, esperando alguma reação, mas ele estava muito ocupado brincando com o bonequinho dele enquanto eu enxugava seu pequenino pé - Jacob!
- O quê, papai? – Ele falou, começando a morder a orelha do boneco.
- O que você acha do papai e a mamãe juntos?
- Legal! – Ele respondeu, fazendo a mesma cara que eu faço quando não estou prestando atenção.
- E se eu for morar com vocês de novo? – Eu falei, e então ele me olhou sério.
- Ah não papai, eu gosto de ter duas casas! – Ele falou, sentando - E eu não gosto da mamãe gritando, e quando você morava com a gente ela gritava.
- Mas e se eu prometer que ela não vai mais gritar? – Eu falei, e ele colocou as mãos na cintura, fazendo cara de desconfiado.
- Você vai mentir, porque a mamãe adora gritar! – Ele falou, e logo caímos na gargalhada.
- É sério, campeão, papai vai voltar a morar com vocês, mas essa casa vai continuar aqui pra quando você quiser. – Eu falei e ele sorriu.
- Então tá, se eu ainda tiver duas casas eu topo! – Ele se levantou e me abraçou - Eu vou poder voltar a dormir no meio de você e da mamãe?
- Vai, filho... Claro que vai! – Eu falei o abraçando, e depois o pegando no colo e o levando para a sala. tinha ido embora e estava deitado no sofá. Não demorou muito para estarmos os três no sofá assistindo ao programa super divertido dos Backyardigans!

Um mês tinha se passado e eu não tinha notícias de . e estavam cada vez mais grudados, e todos os momentos em que estávamos entre amigos ela estava presente, era quase que oficialmente a namorada dele. Jake já estava se acostumando com a ideia da minha mudança, e eu já estava começando a voltar a ver como antes, mesmo que no fim eu sempre acabasse voltando para os olhos doces e cheios de saudades de .
Eu estava em meu apartamento guardando minhas coisas mais importantes que levaria para casa quando começou a passar um programa de fofoca na TV, e eu vi meu rosto depois de muito tempo. Corri pra achar o controle e colocar o som, para saber sobre o que se tratava.
“É, parece que nossas suspeitas desse novo relacionamento de com a estranha foram por água a baixo. O ex-integrante da banda McFLY foi visto aos beijos com a ex-mulher , com quem tem dois filhos. Pelo que parece, a família vai voltar a ser unida. A até então anônima moça, agora é , estagiária da BBC News. A moça mantém um relacionamento com o filho de empresários, Bernardo Mirantes. Isso significa que ou andaram pulando a cerca ou foi tudo um grande mal entendido! Esperamos que a segunda opção! Agora... Cristina Aguilera parece ter aderido à moda da amiga Britney e raspado a cabeça...”.
Bufei e não aguentei de raiva, tive que destruir o abajur que estava logo ao lado da TV. Quando acha que o pesadelo está terminando ele sempre volta para te assombrar.

No dia seguinte eu levei minhas coisas de volta para a casa da , que era a nossa casa. Jake estava tão feliz que ele não conseguia parar de rir de tudo. Claro que ele tinha perguntado bastante de , mas desde o principio ela era uma amiga minha, e agora era uma amiga que talvez ele ficasse muito tempo sem ver, mas que gostava muito dele e que deveríamos desejar sempre o melhor a ela.
Duas semanas passadas e eu ainda não tinha me acostumado com a ideia de estar com de novo. Ao mesmo tempo que era estranho, era uma coisa normal, o ano que tínhamos ficados separados parecia esquecido quando tínhamos momentos em família.
Estava no supermercado com as crianças e quando vi e Bernardo andando de mãos dadas pela sessão de eletrodomésticos. Eu tentei desviar, mas no momento em que Jake a viu, saiu correndo na direção dela.
Vi Jake abraçar as pernas da menina e ela sorrir abertamente quando o reconheceu, mas Bernardo fechou a cara na hora.
- Olá! – falou quando nos aproximamos com o carrinho.
- Oi. - falou sorrindo fraco, sem conseguir olhar em meus olhos. Minhas mãos estavam tão frias que podiam ser confundidas com a de um defunto.
- Mais parece perseguição! – Bernardo falou, rindo irônico.
- Não perderíamos nosso tempo perseguindo a pessoas insignificantes. - falou, sorrindo como se não tivesse dito nada demais, mas o rosto de ficou ruborizado e seus olhos encheram de lágrimas.
- O que é insig... Insig... – Jake tentou falar, mas não conseguiu, e riu.
- Nada, meu filho. - Ela o puxou para perto, o abraçando, e eu ainda não conseguia dizer nada.
- Não precisa ser rude, , o Bernardo estava apenas brincando... – falou calma, e voltou a sorrir da forma que eu mais odeio, um sorriso irônico, cínico.
- Acredito que sim.
- , você ainda vai ao meu aniversário, não vai? – Jake falou segurando a mão da mesma e balançando a fazendo sorrir fraco.
- Não vai dar, querido, eu vou estar ocupada. – Ela se abaixou, o abraçando, e falou alguma coisa em seu ouvido que o fez sorrir.
- Vamos embora, Jacob. - falou brava, puxando Jake de perto de e andando na frente, eu fiquei parado, a olhando.
- Oi . - Ela falou docemente, se aproximando e me dando um beijo no rosto. Eu, assustado, me afastei rudemente, indo para longe.
Olhei para trás rapidamente e pude ver quando deu as mãos para Bernardo e os dois saíram andando, mas não tirei os olhos até vê-los se beijando, e meu coração se despedaçar.
- Você podia pelo menos disfarçar, não podia, ? – falou brava, pegando Leah no colo e andando mais na frente, enquanto eu colocava Jake no carrinho e andava atrás das duas.
Como ela podia ter tanto efeito sobre mim? Eu me sentia um adolescente de novo toda vez que ela se aproximava, e eu sentia uma vontade absurda de correr até ela e abraçá-la e só soltá-la quando fosse minha por completo. Mas eu sabia que não poderia fazer isso.
Passamos as compras e fomos para casa. quieta o caminho inteiro, sem me tocar e nem me olhar. Quando entramos em casa, Jake saiu correndo pra ligar a TV e ela colocou Leah no chiqueirinho, que logo começou a gritar e a rir de si mesma.
- Hey, hey... – Eu chamei por , a pegando pelo braço enquanto ela começava a guardar as coisas no armário, e a abracei pela cintura.
- O que você quer, ? – Ela falou brava, mas retribuindo o abraço.
- Por que essa cara? – Eu falei, lhe dando um beijo no pescoço.
- Não sei, talvez porque o meu marido ficou se derretendo pela ex na minha frente? – Ela puxou meus cabelos da nuca, inclinando minha cabeça para trás e depois me deu um beijo de leve nos lábios.
- Eu não sou seu marido e ela não é minha ex, mas eu estou aqui porque quero, então para de ciúmes bobos, por favor! – Assim que eu terminei de falar, me empurrou, brava.
- Se não é meu marido está fazendo o que aqui? Achei que fôssemos recomeçar!
- E estamos recomeçando, mas...
- Mas o quê, ? Você voltou a morar aqui, você é pai dos meus filhos, acho que isso te faz meu marido! – Ela falava alto, mas o tempo todo abaixando o tom para não chamar a atenção de Jake nem Leah.
- Ok, ok... Se ter o título marido é tão importante...
- É, , é muito importante! – Ela falou, me dando um tapa no braço e depois voltando a me beijar. Sempre louca.
Depois que jantamos e as crianças foram pra cama, fiquei deitado no sofá assistindo a qualquer bobeira na TV, quando começou a tocar uma música que eu e havíamos dançado quando ainda éramos namorados. Eu me lembrava como se fosse hoje, mas no meu coração parecia tão frio e distante.

“Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

Estávamos deitados no gramado do grande festival que iríamos tocar pela primeira vez, após o casamento do Tom. Eu e abraçados enquanto tocava bem alto a música nas caixas de som. Eu sentia meu coração bater em uma velocidade tão rápida, minhas mãos frias, achei que fosse enfartar.
- , o que você tem? – Ela me perguntou, olhando no fundo dos meus olhos, aquele olhar que eu sempre amei.
You know I believe and how
- , você tem alguma dúvida de que a gente é pra sempre? – Eu falei sorrindo e, apesar de parecer tão convicto da minha própria pergunta, eu queria a resposta dela para me decidir da minha.
- Nenhuma, sempre foi muito claro que nós somos para sempre! – Suas palavras sim eram firmes, ela exalava certeza, ela me dava segurança. Ela me mostrava que era o certo, apesar do meu coração ficar o tempo todo querendo me dizer que tinha alguma coisa errada.
Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

- Você se casa comigo, então? – Eu falei, me sentando e pegando o anel no bolso. Ela sorriu de um jeito tão bonito e iluminado que quase instantaneamente meu coração transbordou de felicidade.
- Caso! – Ela me beijou, e foi aquele beijo que faz com que nossos corpos queiram flutuar.
I don't want to leave her now
You know I believe and how
You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me
I don't want to leave her now
You know I believe and how

- Pra sempre então?
- Só se for pra sempre! – Ela respondeu, deitando em cima de mim, rindo. Aquele foi sem dúvida um dos melhores momentos da minha vida. Era um sentimento único, como se tudo se resumisse àquilo, a nós dois ali, como se o mundo fossemos nós dois e mais ninguém.”

Aquele mesmo sentimento tinha desaparecido, a única coisa que eu conseguia sentir era a vontade de correr atrás da . Outra lembrança me veio, do dia em que fomos levar o Jake para minha mãe ver pela primeira vez, ele tinha dois meses.

“- Mas como esse neném é lindo! – Minha mãe falava enquanto eu colocava Jake em seu colo.
- Meu filho é lindo demais, não é? – Eu falei, colocando a fraldinha no colo dela para que ele não babasse em seu colo.
- Ele é maravilhoso e perfeito... Me lembra tanto você quando bebê! – Ela o balançava de leve, fazendo carinho em seus poucos cabelos.
- Mãe, eu decidi viajar por um tempo. – Eu falei, abaixando o olhar - Eu sei que agora, com o Jake, as coisas deveriam melhorar, mas eu não consigo... Eu sinto como se... – Eu não consegui terminar, a mesma dor que eu senti no momento em que Tom disse que acabaríamos a banda invadiu novamente o meu coração. Aquela depressão me invadia de uma forma que eu não conseguia pensar em mais nada, e mesmo aquela pequena criança, que enchia meu coração por completo, não conseguia deixar aquela depressão ir embora.
- , eu vou te falar uma coisa... – Minha mãe disse, colocando Jake deitado ao seu lado na cama e segurando minha mão – Quando você tinha dez anos, eu te mostrei o anel da família, e você lembra o que você me disse?
- Disse que seria da mulher da minha vida!
- E por que você não o deu para a então? – Ela se virou novamente para Jake, sorrindo - Depois de você e sua irmã, essa criança é o maior presente que já recebi na minha vida, e não tenho dúvidas de que ela foi gerada com muito amor, mas sabe, ? Você é meu filho e eu te conheço, como conheço o amor! Se você realmente amasse a , jamais passaria na sua cabeça viajar! Se você realmente a amasse, nenhuma dor seria capaz de superar o amor e a vontade de ficar junto!”

O olhar e as palavras da minha mãe ficavam o tempo inteiro remoendo dentro da minha mente, e eu, no fundo, sabia que eu tinha novamente voltado ao mesmo momento insatisfeito da minha vida, mas dessa vez era diferente, eu estava ali, sentado no sofá da mulher da minha vida, mas que eu não amava mais, por causa dos meus filhos e unicamente por causa deles.
- Sabe o que é pior do que ver você deitado no sofá triste? – Ouvi a voz de e voltei das nuvens, a olhei e ela estava com os braços cruzados, me olhando.
- O quê? – Eu falei, tentando disfarçar, mas ela me conhecia, como me conhecia.
- Você me ouviu... – Ela veio até mim, se sentando ao meu lado - Pior é saber que essa tristeza é porque você queria estar com outra pessoa, e não pode. – Ela respirou fundo e depois se aproximou, pegando minha mão.
- , eu não quero estar com mais ninguém! E eu estou feliz! – Eu tentei ao máximo tirar aquelas lágrimas que já se formavam em seu olhar.
- Eu te conheço antes de me conhecer! Eu sei quando você está aqui querendo estar em outro lugar! – Ela beijou minha mão e sorriu, deixando uma lágrima escapar de seus olhos - Eu te amo demais para ser egoísta a ponto de te querer pra mim se não é aqui que você quer estar!
- , não me manda embora! Não de novo! – Eu falei sentindo uma dor no peito, como se meu coração estivesse se afundando mais.
- Eu não vou... Porque eu sei o quanto você ama as crianças e o quanto isso é importante pra você! – Ela falou, sorrindo - Você pode ficar aqui, você pode voltar a ser o meu marido, mas não pode voltar a ser o meu , coisa que você não é desde o dia em que a banda terminou!
- , eu tentei, eu juro que tentei, e agora eu estou tentando de novo! Eu quero você, eu quero as crianças! – Eu falei, começando a chorar, agora a minha dor era maior do que tudo.
- Eu sei que você tentou, meu amor, mas eu também sei que você não ME quer, você quer poder ser o pai que sempre sonhamos que você seria... – Ela se levantou, chorando - Por isso eu vou deixar você ficar aqui, mas, por favor, para de fingir que você me quer de volta, porque eu já percebi que o seu coração não é mais meu!
- Você é a mulher da minha vida! – Eu gritei, me ajoelhando e chorando.
- Eu sei. – Ela respondeu, respirando fundo e sorrindo fraco - Você só não me ama mais! – Dizendo isso ela se virou, me deixando sozinho.
Ela estava certa, ela era mesmo a mulher da minha vida. Ela tinha sido o meu primeiro grande amor, minha primeira grande descoberta, minha primeira grande base, e a pessoa que me deu os melhores presentes do mundo, meus filhos. Mas eu não a amava mais, não como antes. Ainda tinha aquele carinho, gratidão e história, mas não o amor. O amor agora era diferente. Era amigo. Era tênue.
Eu chorei e chorei.
Lembro o quanto foi foda me erguer novamente.
Mas eu fui mais forte, acabei superando.
O meu corte virou cicatriz.
Eu fui mais forte, acabei superando.
Não odeio essa fase, afinal, cresci.

Capítulo 8

- Amor, levanta, é sério! A gente precisa ir! – Eu estava sentada em cima de Bernardo enquanto ele ainda dormia em minha cama. Era uma sexta-feira e eu tinha aula.
- Ah não, amor, eu quero ficar dormindo! – Ele se sentou, me abraçando e me dando um beijo de leve.
- Não vai, a não gosta que você fique aqui quando eu não estou, muito menos a .
- Mais escuta, você é dona da casa também...
- É, mas são duas contra uma, perdi na democracia do lar...
- Ok, ok... Já estou levantando. - Ele então, sem me soltar, levantou da cama comigo no colo e foi para o banheiro, me colocou sentada na pia e começou a me beijar. Tínhamos voltado a ser um casal de verdade.

- Bom dia! – Eu falei, indo para a cozinha de mãos dadas com Bernardo, enquanto e conversavam na mesa, ainda de pijama.
- Bom dia. - foi o único que respondeu, não falava comigo quando Bernardo estava por perto.
- Estava pensando, o que vocês acham de ir almoçar com a gente hoje? – Eu falei toda feliz e contente, colocando um suco no copo.
- Ter que acordar e ver esse babaca aqui já não é castigo o bastante? – falou nervosa, se levantando. tentou detê-la, mas é praticamente impossível. Ela avançou até mim, pegou o pouco de suco do copo e despejou na pia - Não seja ridícula, você não toma nem come nada de manhã. – Dizendo isso ela saiu, indo em direção ao quarto. Fiquei parada, meio que sem reação. Não pelo comportamento dela, mas por não ter percebido um ato tão automático meu. Eu estava quase mudando um hábito que tinha há anos.
- Não liga, ela só está um pouco... – foi tentar consertar, mas eu fiz uma cara de quem entendia e não ligava, afinal, era a , fosse o que fosse eu nunca conseguiria me importar com nada, muito menos quando eu sabia que ela tinha razão.
- Estou pensando em comprar um apartamento! – Bernardo falou assim que saiu da cozinha.
- Sério? Que legal! – Peguei a caixa de suco e voltei a guardá-la na geladeira.
- Sério, acho que ficar dormindo na minha avó já deu o que tinha que dar, e meu pai liberou um dinheirinho...
- Ah, que bom então, amor! – Eu me virei para a pia, colocando a louça, e Bernardo saiu, indo em direção ao banheiro. Ouvi seu celular tocar, mas demorei a identificar, quando cheguei a pegar o aparelho na mão, parou de tocar. Não deu tempo de ver quem era, Bernardo veio por trás, pegando o telefone e me beijando.
Ele me levou para a faculdade, mas nem entramos. Ficamos sentados nos bancos da frente, abraçados e nos beijando. Ríamos e conversávamos como se nunca nada tivesse mudado, como se nós nunca tivéssemos terminado.
- Bê! Vem logo! – Eu estava parada, segurando o elevador, enquanto Bernardo demorava em sair do apartamento – Bê? – Eu soltei a porta do elevador e reentrei em casa, procurando por ele.
“- Não, eu sei, pode deixar... Eu já falei pra ela que sim, não posso desmentir agora... Eu sei, eu sei... Eu te ligo depois, mãe. Ok, também te amo. Beijos- ”
Ouvi Bernardo falar baixinho no celular e fiquei de braços cruzados. Eu não estava louca, eu tinha ouvido a palavra ‘mãe’.
- Ain amor, que susto! – Ele falou assim que se virou e me viu ali.
- Com quem você estava no telefone? – Eu perguntei seca, e ele veio até mim, já beijando meu pescoço.
- Com a minha avó... – Ele respondeu sem me olhar.
- Você a chamou de mãe... – Eu falei, sentindo um nó na boca do estômago. Tinha coisa errada ali.
- Ela tá com isso agora, quer que eu a chame de mãe... Como se eu estivesse sentindo falta! – Ele falou olhando em meus olhos e me dando um beijo de leve. Sorri aliviada. Eu acreditava nele, eu tinha que acreditar.
- Ok então, vamos? – Eu falei, lhe beijando de novo e saindo do apartamento de mãos dadas com ele.

No fim de tarde estava saindo da faculdade, pronta pra ir para o trabalho, quando senti uma coisa estranha, como se o vento, ou o clima, ou não sei, alguma coisa no tempo estivesse me mostrando que tinha coisa errada em toda a minha história. E apesar de saber que Bernardo não mentiria pra mim, eu fiquei com aquela história na cabeça a manhã e a noite toda.
Assim que cheguei em casa de noite fui ligar para Bernardo, eu precisava ouvir de novo, eu precisa sentir de novo aquela sensação de alívio, eu precisava.
Liguei, liguei e nada dele atender.
Deitei no sofá e fiquei ligando para ele até dormir. E ele não me atendeu.

- BOM DIA! – se jogou em cima de mim e eu senti minhas costas doerem por ter dormido esmagada no sofá e agora por ter aquele peso morto em cima de mim.
- Bom dia! Madrugou aqui de novo? – Eu falei, o abraçando e lhe dando um beijo na bochecha.
- Lógico, não vi minha lindinha direito ontem! – Ele falou, citando . Quer casal mais fofo?
- Ok, vai para o quarto que ela está lá! – Eu falei e ele me deu um beijo estalado na bochecha antes de sair, mas parou apoiado na parede, me olhando.
- Seguinte, eu sei que não devia falar isso... – Ele começou, mas eu não queria ouvir, me levantei e fui para a cozinha.
- Então não fala!
- Eu vou falar mesmo assim! – Ele se virou, me apontando - Eu sei que você ama o Bernardo, mas eu sei também que o amor da sua vida está na casa da mulher errada sofrendo. E só! – Dizendo isso ele saiu correndo e eu tentei não pensar no que ele disse, mas claro que foi impossível.
Quando meus pensamentos correram para os mais lindos olhos, meu celular tocou e eu corri atendê-lo.
- Meu amor! – Eu já atendi gritando.
- Amor! – Eu ouvi a voz feliz de Bernardo do outro lado, mas dessa vez eu não me senti aliviada como de costume.
- Onde você estava? Eu te liguei umas vinte vezes...
- Eu tinha que ficar com a minha avó! – A voz dele ficou baixa - , eu não posso falar muito com você, mas eu comprei o apartamento e quero sua ajuda com a compra dos móveis! Você vai comigo?
- Claro que vou, meu amor! – Eu não conseguia me sentir nem um pouco aliviada, muito pelo contrário, parecia que a cada palavra dele meu coração batia mais forte e mais nervoso. Parecia que a cada palavra dele eu ficava mais e mais nervosa.
Desligamos o celular, combinando que ele passaria daqui a pouco para ir comigo na loja.
Saí do banho e fui direto fazer um chá enquanto esperava Bernardo chegar, quando meu porteiro interfonou avisando que estaria colocando uma carta para mim no elevador. Saí, a peguei e, no momento em que li meu nome com aquela caligrafia meu coração se pacificou. Abri e novamente, como se a cada palavra eu pudesse ouvir sua voz, meu coração ia se acalmando: “Jake ficará muito triste se você não aparecer”.
Eu não conseguia parar de olhar para aquela caligrafia, era como se de alguma forma eu ficasse perto dele, como se eu pudesse sentir seu perfume, sua pele e, se fizesse muito esforço, seus lábios, que há tanto tempo eu não sentia.
- AMOR? – Assim que ouvi a porta se fechar e o chamado de Bernardo, corri pra pegar a correspondência e guardá-la em qualquer lugar.
- Oi amor, estou aqui! – Eu falei, já saindo da varanda e indo para perto dele, o abracei e o beijei. Agora nosso beijo não tinha voltado a ser o beijo, nem tão bom quanto o de , mas eu não tinha mais repulsa não, eu agora gostava.
- Pronta para as compras?
- Pronta, só vou pegar a minha bolsa! – dei-lhe um beijo rápido e saí, indo para o quarto para pegar a bolsa. Na volta vi e deitados na cama assistindo a alguma coisa na TV. Os dois formavam o casal mais fofo que eu já tinha visto – Tchau pra vocês!
- Tchau! – respondeu sem nem tirar os olhos da tela, devia ser um programa e tanto; e nem respondeu.
Fomos então para a loja, estava mais divertido do que podia imaginar; eu e Bernardo corríamos de um lado pro outro da loja, olhando os móveis e pensando se fosse a nossa casa, se fossemos nós em nossa cozinha, ou nossa sala, ou nosso banheiro.
- Amor, sério! Eu fiquei louco com essa TV. – Ele abraçava uma TV de quase oitenta polegadas enquanto eu ria sentada no sofá.
- Pra que uma TV tão grande? Você vai ficar irritado depois de uma semana! – Eu bati no espaço ao meu lado do sofá para que ele se sentasse.
- Quem se irrita com uma TV dessas? – Ele sentou com tudo, me abraçando.
- Você! – Começamos a rir, ele me beijou, mas logo saiu correndo quando viu outra cama de casal maravilhosa. Olhei para o sofá e vi que ele tinha deixado cair do bolso o celular. Ele vibrava, e no visor: ‘Margareth’. A mãe.
Eu senti como se minha alma tivesse saído do corpo.

“- Então por que você sumiu? – Eu perguntei, soluçando.
- Minha mãe, você sabe como ela é... Eu não podia, eu não...
- Então por que agora? Por que você esperou até agora? Se fosse pra voltar, voltasse antes... Quando eu precisei, quando...
- Ela morreu! – Ele falou, deixando uma lágrima escapar - E eu não consigo ficar triste, eu não consigo lamentar, como eu posso ser tão...- ”

Não podia ser a mãe dele, não podia. Tinha que ser outra pessoa. Peguei o celular, apertei o botão de atender e, quando encostei o fone no ouvido, meu coração bateu tão rápido que achei que fosse enfartar.
- Seis horas sem me ligar, o que está acontecendo, bebê? – Aquela frase foi o suficiente para o celular deslizar pela minha mão e cair no chão, e eu fiquei completamente sem reação. Ela não tinha morrido. Para variar, ele mentiu.
- Amor, o que você acha de colocar um abajur do lado da cama? Eu sempre me incomodei em ter que... – Ele chegou falando, mas ficou petrificando quando me viu parada com o celular no chão – ...?
- Sua mãe... – Eu não conseguia pensar, eu não conseguia respirar. Bernardo demorou um tempo para pensar, reagir. Quando dei por mim ele estava de joelhos, segurando minha mão.
- , aceita ir morar comigo? – Ele estava com as mãos geladas e o rosto vermelho. Eu senti uma raiva tão grande subir pelo meu corpo que não aguentei, puxei a mão tão forte que acabei batendo no rosto de Bernardo.
- O que...? Você é louco? – Eu não conseguia ficar parada, eu não conseguia pensar, eu estava tão conturbada que nem vi quando saí da loja.
- , volta aqui! ! – Ele tentou pegar meu braço para me parar, mas a raiva foi tanta que, ao encostar-se a meu braço, senti repulsa.
- NÃO ME TOCA!
- , você não ouviu o que eu acabei de te propor? – Ele falou, tentando diminuir meu tom de voz, mas eu não me importava, eu estava cuspindo fogo.
- Eu falei com a sua mãe no telefone agora! SUA MÃE! ELA NÃO TINHA MORRIDO?
- Ela morreu, pra mim! – Ele tentava me segurar, tentava me parar, mas eu não conseguia, era mais forte que eu.
- Seis horas sem me ligar, bebê? Isso não parece coisa de quem morreu pra você!
- , fica calma, me escuta, por favor!
- EU NÃO VOU FICAR CALMA! – Eu não conseguia parar de tremer, eu estava prestes a ter um infarto – Nós voltamos há mais de um mês, você não podia... Eu fui à sua casa, eu falei que não queria mais mentiras, e o que você fez? MENTIU PRA MIM! EU TE PERGUNTEI ONTEM QUEM EU TINHA OUVIDO VOCÊ CHAMAR DE MÃE E VOCÊ MENTIU PRA MIM! – Eu fui com uma fúria pra cima dele tão forte que não aguentei, segurei sua camisa pelo colarinho e o puxei para perto. Meu momento machinho – Você olhou nos meus olhos e prometeu que não ia mais mentir!
- O que você quer? – Ele falou, me fazendo soltar sua camisa, agora exaltado - Com aquele na disputa, você queria que eu jogasse limpo? Como eu vou concorrer com o cara? Eu precisava de uma carta na manga!
- Como você tem coragem de me falar isso? – Eu fui para cima dele de novo para bater em seu rosto, mas ele segurou minha mão.
- Não se faça de sonsa, você sabe do que eu estou falando! Vai dizer que a historinha da mamãe morta não te comoveu?
- Seu... Seu escroto! Seu sujo, seu idiota! Seu...
- Xinga, pode xingar! Mas eu sei que no fundo você ainda me ama! Por isso ainda está aqui discutindo comigo! – Ele me puxou, segurando firme minha cintura, eu não pensei duas vezes antes de lhe dar um soco no rosto.
- Eu achei que eu amava você! Eu achei que podia fazer dar certo! Você não precisava de cartas nas mangas, eu tinha escolhido você, mesmo tudo me mostrando que devia ficar com o , eu escolhi você! Mas de novo você provou ser o que eu sempre soube que você era...
- O quê? Um idiota por querer de volta a mulher que eu amo?
- Não! Um covarde infantil que não sabe lutar sozinho! Se você me queria tanto, você só precisava ser você... Quer dizer, quem é o ‘você’ que eu sempre amei? Será que ele existiu um dia? – Eu me afastei já sentindo vontade de chorar.
- Existiu, o cara que você sempre amou e que era pai do seu filho existiu, só que cansou de ser feito de trouxa!
- Ser feito de trouxa? – Eu voltei para perto dele, cada vez mais inconformada com a situação – Eu te amei cada segundo, eu enfrentei sua mãe, seu pai, sua família inteira, a minha família, nossos amigos, eu enfrentei o que foi preciso por você! Me diz, quando te fiz de trouxa?
- Ficar com outro cara não é me fazer de trouxa? Falar que não ia fingir que não pensava nele não é me fazer de troxa?
- Isso foi agora, quando o Bernardo que eu amei não existiu mais... – Virei e fui embora, dessa vez ele não veio atrás. E eu só conseguia chorar, pensando na enorme burrada que eu tinha feito.

- , onde você está? Eu preciso de você! – Eu falei ao telefone, chorando sem saber pra onde andar.
- Amiga, o que aconteceu? – A voz da estava aflita e, por mais que eu não quisesse deixá-la nervosa, eu não conseguia controlar meu choro.
- Depois eu te conto, eu só preciso de você, onde você está?
-Allstreet com a Halfway, apartamento 13 bloco 4. - Ela falou rapidamente, e eu não hesitei em pegar o primeiro táxi e ir direto para o endereço.
Assim que cheguei o porteiro me deixou subir sem anunciar. Parei em frente ao apartamento 13 e não conseguia controlar meu choro. abriu a porta e me abraçou no mesmo momento em que eu senti meus joelhos fraquejarem e minha vista ficar mais turva.
- ! , me ajuda aqui! – Ela gritou, me segurando pela cintura, e logo em seguida senti dois braços envolverem minha cintura e eu sair do chão – , me fala, o que aconteceu?
- A mãe dele... A mãe dele não morreu... – Eu soluçava sem parar, e os olhos de e se arregalavam a cada palavra minha, - Eu deixei o ir por alguém... Por um monstro!
- , calma... Respira fundo...
me abraçou e eu voltei a chorar como criança. Eles tentaram me fazer beber água com açúcar, tentaram me animar, mas eu só conseguia chorar.

O sol já tinha ido embora há muito tempo quando consegui cessar o choro. Estávamos os três sentados na varanda do apartamento tomando chá. Eu conhecia aquele apartamento, era o antigo de , já que agora ele morava de novo com e os filhos.
- Deixa ver se eu entendi... – colocou a xícara de chá na mesa e respirou fundo, era nítido a sua raiva pela forma com que mordia os lábios - Aquele idiota mentiu por causa do Jer? Mas ele nem sabia da existência do Jer quando matou a mãe! Então ele é pior do que imaginava!
- Ele não tinha desculpas, por isso colocou o na história! É nítido que ele é um covarde mentiroso de quinta! – falou, irritado.
- Eu quis dar uma segunda chance a alguém que não era merecedor nem da primeira vez! Que absurdo, como eu pude ser tão cega?
- Você não foi cega, , você só foi você! Cheia de querer dar segundas chances, cheia de querer sempre acreditar que as pessoas podem mudar, que as coisas podem ser diferentes... – foi tentar completar seu pensamento, mas nossa conversa foi interrompida por barulhos na sala. Barulho de gente chegando.
- ? ? – Ouvi a voz que eu tanto sentia falta chamar pelos meus amigos, mas no momento em que ele parou na porta da varanda e me viu seu olhar, antes doce, agora era preocupado – , o que...? Você estava chorando? - Ele foi se aproximando, mas parou de súbito – Posso saber o que faz aqui?
- , por favor... – Eu comecei a falar, mas ele fechou os olhos como se minha voz trouxesse dor a ele.
- , ela está mal, por favor, tenta entender... – tentou me defender, mas não quis ouvir, virou as costas e saiu andando. Eu fui atrás.
- Espera! – Eu praticamente gritei, o fazendo parar, mas sem olhar em minha direção - Eu sei tudo o que você acha sobre mim, eu sei que eu sou uma criança egoísta que não te merece e eu sei que você está bem com a sua esposa e filhos, mas será que nem agora você pode tentar esquecer isso? – Falar aquilo em voz alta me deu raiva de mim mesma, como eu podia ser tão egoísta com alguém que eu amava tanto?
- Tentar esquecer isso? – Ele falou bravo, se virando.
- Eu vou ser egoísta, , porque tudo o que eu mais preciso agora é do seu abraço. – Eu dei um passo em sua direção, e ele recuou.
- Não me peça isso, ... – Eu senti meu coração desmoronar, olhei para as minhas mãos, que tremiam com um nervosismo sem tamanho - Porque eu não sei se vou conseguir te soltar! – Quando ele disse aquilo olhei para cima e encontrei o mesmo olhar que eu tanto amava, encontrei o olhar com que me fazia flutuar. O olhar que era o meu olhar.
- Então não me solte! – Foi tudo o que eu consegui dizer antes de correr para os braços dele.
Seu perfume ainda era o mesmo, seu calor, seus braços fortes ao redor da minha cintura, sua forma carinhosa e firme de segurar. Tudo era único, tudo era dele, e como eu sentia falta disso. Como eu me sentia completa ali.
- Ain, que coisa mais fofa! – ouvi a voz de trêmula, certeza que ela chorava, mas eu não quis olhar, eu não quis interromper o momento, eu não quis soltá-lo, por isso era a última coisa que naquele momento eu teria forças para fazer.
- Nunca mais me solta! – Eu falei baixinho em seu ouvido, lhe dando um beijo em seu pescoço.
- Nunca, gatinha. – Ele falou se afastando um pouco, o suficiente para olhar em meus olhos - E sabe o por quê? – Ele perguntou e eu apenas consegui balançar a cabeça, negando, com os olhos marejados - Porque nesse tempo sem você, eu percebi uma coisa!
- Não quero falar disso agora! – Eu falei, voltando a apertar o abraço.
- Eu percebi... Que eu te amo! – Ele sussurrou em meu ouvido, fazendo minhas pernas ficarem moles. Escondi o rosto em seu ombro e chorei baixinho. Aquilo era tudo o que eu precisava ouvir, aquilo era tudo o que eu precisava saber, e ele era tudo o que eu precisava ter.

Capítulo 9

- Eu também te amo, ! – Ouvir aquelas palavras nunca foi tão bom quanto naquele momento, mas ao invés do meu coração estar leve, ele mantinha o peso de antes. Eu tinha quem eu amava nos meus braços, mas eu sabia, mais do que queria, que eu não poderia deixá-la voltar tão cedo. Tinha alguém que eu amava mais do que ela, e esse alguém, eram os alguéns, muitos novos e pequenos para lutar, até porque seria uma luta inútil, esses dois alguéns sempre ganhariam de lavada. Meus filhos.
- Eu te amo tanto, mas tanto, que eu não posso te ter de volta! – Eu falei e no mesmo momento vi os olhos dela se escurecerem - Eu falei sério quando pedi para que você saísse da minha vida, naquele momento eu fiz uma escolha que agora eu não posso simplesmente voltar atrás.
- ? – falou baixinho e, apesar de não querer, eu precisava desviar um pouco do olhar escuro e profundo de .
- , ... Por favor, vocês podem sair um minuto? – Eu falei sorrindo fraco e os dois aceitaram, saindo logo em seguida. se sentou no sofá, ficando completamente petrificada, olhando para frente.
- Eu não vou te soltar, eu não vou te abandonar jamais! Mas no momento eu não posso voltar a ter alguma coisa você! Então... Amigos?
- Amigos? – Ela tentou falar, mas perdeu a voz, sorrindo fraco e deixando uma lágrima escapar.
- , eu amo você! Mas você é muito nova ainda pra entender que tem certas coisas que tem que ser maiores! – Eu tentei tocá-la, mas ela fechou os olhos, se afastando.
- Que coisas podem ser maiores do que nós? – Ela me olhou, mordendo o lábio.
- Meus filhos! – Eu falei e ela respirou fundo, novamente segurando o choro.
- Eu adoro os seus filhos, , eu nunca...
- Imagina o que vai acontecer com a cabeça do Jake se de novo eu me separar da ? Eu prometi que ia tentar fazer dar certo!
- Entendi... – Ela tombou a cabeça, puxando todo o ar, e depois me olhou - Você está certo, é melhor a gente dar a tudo tempo ao tempo. Eu acabei de terminar com o Bernardo, você acabou de voltar pra ... Vamos com calma! – Ela pegou minha mão e as juntou - Mas eu te amo, muito! Não esquece!
- Eu não vou! – Eu falei antes de puxá-la para um abraço novamente. Como eu queria poder me manter abraçado a ela pra sempre, como eu queria poder ter escrito a nossa história diferente, como eu queria poder ter mudado tudo! Ter dado valor quando ainda não existia Bernardo, quando ainda não existia nada além de nós.
- Eu... – Ela se soltou, limpando as lágrimas do rosto, - Preciso ir... Eu tenho que ir pra casa, tenho umas coisas... – Ela começou a falar, se levantando, mas depois se virou rindo - Eu não tenho nada pra fazer além de chorar a tarde inteira!
- ... – Eu ameacei ir até ela, mas ela se afastou.
- Tá tudo bem... Você está certo, eu posso ser criança demais para algumas coisas, mas eu já entendi que seus filhos são mais importantes, e apoio! Então vamos facilitar um para o outro! – Ela se virou e foi em direção à porta.
- ... – Eu a chamei - Eu te ligo.
- Não , eu preciso de um tempo pra aceitar sua amizade... Eu te ligo! – Dizendo isso ela foi embora.
Meu coração estava novamente destruído, mas eu sabia que isso era o certo a se fazer.
Isso não quer dizer que eu não iria chorar, MUITO, por muito tempo.

Cheguei em casa morto, joguei a chave em qualquer lugar e me joguei no sofá, nem vi na mesa da sala.
- Oi pra você também! – Ela falou, erguendo o olhar de algo que fazia e me olhando.
- Oi... – Eu falei baixinho.
- Ih, voz de choro... O que aconteceu? – Ela saiu da mesa e veio até mim, se deitando nos meus pés e me olhando docemente.
- Eu vi a hoje... Ela quis voltar! – Eu falei choroso e me olhava, sem expressar nada além de carinho, aquele olhar de mãe.
- E você não voltou porque...? – Ela perguntou, franzindo a testa.
- Porque eu estou com você! – Eu falei como se fosse óbvio, e ela revirou os olhos.
- ! – Ela me deu um tapa na perna - Não estamos juntos, apenas moramos juntos...
- , quando eu voltei eu prometi que ia fazer dar certo e estou tentando fazer dar!
- Ah claro, com essa cara de Jake que sente falta da pepeta? – Ela falou, finalmente ficando nervosa - , nós não somos mais um casal, somos duas pessoas adultas que tem filhos e dividem o mesmo apartamento, SÓ isso!
- Mas - - Sem mais nem menos, você vai levantar AGORA, vai até a casa dessa menina e vai voltar de vez com ela, porque se não você não vai ter nem ela, nem eu, porque aí eu te expulso de casa, e quero ver você ficar com essa graça de “somos um casal”. – Dizendo isso ela se levantou irritada e saiu.
Fiquei um tempo deitado no sofá, mas não demorei muito para correr, pegar minha chave e ir em direção ao apartamento da .
Subi sem pedir permissão ao porteiro e bati descontrolado na porta da garota, a minha garota.
- O quê? – Ela abriu a porta com a maquiagem toda borrada, a cara inchada e lágrimas escorrendo, sem vergonha.
- Ô minha linda. - Eu falei não conseguindo conter a risada, além do rosto ótimo dela, o cabelo descabelado, o pijama três números maior todo amassado e o pote de nutella na mão fizeram a cena ser particularmente engraçada.
- O que você quer aqui, ? – Ela cruzou os braços, me olhando séria, e eu não consegui fazer outra coisa se não rir e abraçá-la.
- Eu vim voltar com você, minha linda. - Eu falei, secando as lágrimas dela, que me olhava desentendida.
- Você tem algum problema? Eu acho que tem! – Ela falou tentando se afastar, mas eu a puxei de volta.
- Eu tenho um problema muito grande, você! – Eu falei rindo mais ainda com a cara dela - Você ainda vai me enlouquecer!
- Você já me enlouqueceu! – Ela falou, me batendo - Eu chorei tanto que podia desidratar pra você chegar aqui e tentar apagar tudo o que... – Ela desembestou a falar, mas eu a calei com um beijo.
- Meu nome é , mas me chamam de Jer. Eu tenho dois filhos pequenos, uma ex-mulher presente, melhores amigos praticamente grudados a mim, sou tatuador e tenho sérios problemas de humor, mas estou completamente e irrevogavelmente apaixonado por você! Muito prazer! – Eu falei, estendendo a mão para ela, que gargalhou tombando a cabeça.
- O prazer é todo meu, me chamo , estou MUITO puta com você por ter me feito chorar e comer chocolate que nem louca, e por me fazer chegar a pensar que minha vida perderia novamente o sentido, que novamente eu perderia você! – Ela falou, me abraçando e me dando um beijo de leve.
- Você nunca me perdeu, gatinha, mas eu realmente vou ter sempre meus filhos como prioridade! – Eu lhe dei outro beijo que a fez sorri mais ainda.
- E eu não quero nunca que isso mude, seus filhos SEMPRE em primeiro! – Dizendo isso ela finalmente me puxou para dentro do apartamento, aos beijos.

- , vamos logo! – Ouvi gritar e logo abrir a porta, eu e tínhamos ido buscá-las – Oi gatinho! – Ela falou antes de vir de braços abertos até mim e me abraçando.
- Oi gatinha! – Eu falei, lhe dando um beijo de lado, veio por trás e nos abraçou, nos fazendo rir.
- Ain, como vocês são fofos! – Ele apoiou o rosto em meu ombro e suspirou. chegou à sala e nos olhou com os olhos franzidos - Vem amor, vamos dar um abraço coletivo no segunda casal mais fofo!
- Tudo bem... – Ela falou, dando de ombro e nos abraçando junto de .
- E posso saber quem é o primeiro? – perguntou para , mas olhando no fundo dos meus olhos.
- Nós! – e responderam juntos.
- É claro. - completou; casal que combinasse mais, impossível.
Estávamos indo jantar com os guys, Tom e Gio tinham que nos contar uma coisa e queria apresentar a namorada nova. Ia ser um jantar de casais.
Ah, e você provavelmente está curioso sobre o que aconteceu comigo e , certo? Bom, depois que eu voltei com a , duas semanas atrás, eu conversei com Jake, que ficou mais feliz do que eu imaginei, e voltei para o meu apartamento. tinha voltado com Mark e estávamos voltando a conseguir nos ver, tínhamos voltado à estaca zero pós-separação, mas eu estava muito ocupado sendo feliz com a mulher que eu amava.
- O falou quem é essa tal namorada misteriosa? – me perguntou enquanto mexia no som.
- Não, ele só falou que ela era diferente e que queria nos apresentar! – Eu falei, pegando a mão dela e a fazendo parar de mudar de estação, já estava me incomodando.
- Desculpe. - Ela fez uma carinha de criança que está aprontando e eu ri - Estava pensando sobre o aniversário do Jake... – Ela falou vindo para perto de mim e me dando um beijo no pescoço.
- , eu preciso prestar atenção no trânsito! – Eu falei rindo enquanto ela beijava toda a extensão do meu pescoço e rosto.
- Você acha que não vai ficar chato eu ir? A vai estar lá... – Eu parei o carro e a olhei, ela me deu um beijo de leve e não se distanciou, mantendo os nossos lábios juntos.
- Você é a minha namorada! – Eu falei, a beijando de novo.
- Ah, como eu adoro essa palavra quando sai da sua boca! – Ela me beijou de novo, voltando a se sentar direito no banco - Só não é mais bonito do que você falando meu nome!
- Como você é linda. - Eu falei, colocando a mão em sua perna e voltando a dirigir.
Parei em frente ao restaurante e esperei o manobrista abrir a porta, outro rapaz abriu para . Eu entreguei as chaves e fui até ela, que me esperava com as mãos estendidas.
- Estou ansiosa para saber qual é a notícia do Tom e da Gio! – Ela falou, puxando minha mão para suas costas para que assim nos abraçássemos,
, aqui, por favor!” Ouvi me chamarem e quando vi era um rapaz com uma câmera na mão, olhei para que sorriu, nós paramos e posamos para a foto – Como é seu nome? – Ele perguntou, pegando uma caderneta e uma caneta.
- , minha namorada. – Eu falei dando um beijo no rosto da mesma, que sorriu, e novamente ele bateu uma foto. Entramos em seguida e ela estava vermelha – O que foi, gatinha?
- Ah, eu tenho vergonha, né? Antes, nem minha avó sabia quem eu era direito, agora as pessoas de Londres inteira vai saber! – Ela falou escondendo o rosto em meu ombro, que abracei apertado.
- Relaxa amor. - eu lhe dei um beijo na testa já vendo Tom, Gio e sentados em uma mesa ao fundo. – O mundo inteiro vai saber!
me olhou com a boca aberta, mas eu não a deixei falar, a puxei para perto da mesa.
- O e a ainda não chegaram? – Eu falei, cumprimentando a todos.
- Não, você conhece o , deve ter pegado um milhão de atalhos! – Giovanna se levantou e deu um abraço apertado em .
- E a sua namorada, ? Cadê? – Eu perguntei, me sentado ao lado da cadeira vazia.
- Ela já devia ter chegado, deve ser o trabalho dela... – Ele falou, olhando para o relógio.
- Olha eles ali! – Tom anunciou, apontando para e , que entravam sorridentes no restaurante.
- Deixa eu adivinhar? – Giovanna falou rindo e os cumprimentando.
- Ele foi até a Irlanda e voltou! – falou, revirando os olhos - Da próxima pego carona com vocês!
- Amor, não reclama de mim! – repreendeu a namorada, mas logo em seguida lhe deu um beijo de leve.
- Enquanto ela não chega então, falem vocês! – Eu falei para Tom.
- É verdade, qual a novidade? – perguntou, já chamando o garçom.
- Não senhores! A minha namorada vai fazer tanto parte do grupo quanto qualquer um de nós, vamos esperá-la! – falou, cruzando os braços e olhando novamente para o relógio.
- Ok, ok! – Eu levantei os braços me rendendo, e então se levantou com um sorriso enorme, derrubando copos e mais algumas coisas da mesa.
- Minha linda! – Ele falou abrindo os braços, e quando olhei na direção que ele olhava, tive a sensação que já conhecia aquela mulher.
- ? – e falaram juntas, e a mulher as olhou sem entender.
- Meninas? – Ela ficou olhando para as amigas enquanto beijava seu rosto.
- Você as conhece? – Ele perguntou, a abraçando pela cintura.
- Claro que sim, moro com elas! – Ela falou, gargalhando em seguida.
- Então esse é o bonitão que ficou com medo da injeção? – falou rindo e apontando para .
- E essa é a enfermeira hot? – falou, apontando para .
- É! – Os dois confirmaram, rindo.
- Mas que mundo pequeno! – Giovanna falou, sorrindo docemente - As três são melhores amigas, e vocês três melhores amigos! – Ela falou, abraçando Tom com os olhos lacrimejando.
- Você não vai chorar, né Gio? – falou, rindo e tacando o guardanapo nela.
- Não, não vou... – Ela passou a mão nos olhos e depois deu um beijo no rosto de Tom - É saudade dos meus filhotes, desde que eles nasceram que não saímos sem eles!
- Ah Gio, precisávamos dessa noite! – Tom a abraçou, sorrindo.
- Ok, agora eu quero saber a novidade! – falou, se debruçando na mesa.
- Achei que a novidade fosse eu! – falou rindo, dando um beijo de leve em e se sentando ao meu lado, todos rimos com o comentário.
- Não, apesar de você ser uma ótima novidade! – Gio se debruçou na mesa, segurando as mãos de - A nossa novidade é um pouco mais fofinha!
na hora colocou a mão na boca, e olhou com os olhos arregalados de Gio para .
- O que elas estão sabendo que nós não? – falou, abraçando a namorada.
- Eu estou grávida! – Giovanna falou com os olhos cheios de lágrimas, e todos nós gritamos de felicidade, chamando atenção do restaurante inteiro para a nossa mesa.
- E esperamos que seja uma menina! – Tom falou enquanto levantava para receber um abraço de , Gio veio direto na minha direção.
- Espero ter você por perto de novo! – Ela falou baixinho em meu ouvido, eu a abracei mais forte.
- Sempre! – Eu respondi, logo abraçou Gio também.
- Qualquer coisa que você precisar, por favor! – Ela falou e Gio a abraçou novamente, era claro que elas seriam boas amigas.

Nosso jantar foi maravilhoso, o assunto bebê foi o foco principal, brincadeiras sobre nomes, todos os mais estranhos possíveis, chegou até a ideia de homenagear Flea. Mas a que ganhou e que Gio e Tom realmente pegaram como ideia foi Joanna. , e Giovanna não paravam de falar em enxoval de criança, Tom e debatiam sobre quem seria o padrinho da menina, já que eu e já éramos dos gêmeos, e eu, e , comentávamos sobre o jogasso do Chealsea nesse fim de semana.
‘Pipi, pipi, pipi, pipi.’
- O que é isso? – perguntou olhando para os lados, e reviraram os olhos.
- O bipper da . - Elas responderam juntas.
- Ah gente, desculpa. - Ela falou, já se levantando e dando um beijo de leve em , que já fazia bico - Mas o hospital me chama.
- Amor! – Ele falou com voz de criança.
- Meu amor, não faz assim! – Ela o abraçou - Eu tenho mesmo que ir... Gente, foi um prazer. - Ela ergueu o braço para chamar o garçom, mas não deixou.
- Vá trabalhar, eu pago o jantar hoje! Promete que vai pra minha casa depois?
- , eu não sei que horas eu vou... – Ela foi tentar falar, mas ele não deixou e a beijou de leve.
- Não importa, quero você comigo! – Ele a abraçou novamente e então ela teve que ir. Lógico que todo esse love do foi zoado por nós, afinal, podia passar o tempo que for, nós continuávamos os mesmos moleques de sempre.

- Eu fiquei muito feliz em saber que a está namorando o , eles formam um casal lindo! – falava enquanto tirava as jóias e as colocava em cima do meu criado mudo.
- Como será que a gente não ficou sabendo disso, né? – Eu falei, puxando o lençol e me deitando.
- Pois é, moramos juntas e eu nem desconfiei! – Ela puxou o outro lado do lençol e se deitou ao meu lado, já vindo para perto e se deitando em meu peito.
- Acho que estávamos muito ocupados vivendo o nosso drama!
- Eu fiquei ocupada sendo uma idiota, né? Onde já se viu te jogar de escanteio e ficar com o Bernardo? – Ela falou, brincando com meus dedos.
- Ah, isso é verdade. - Eu falei rindo e senti um tapa fraco dela no peito.
- Agora... – Ela se virou e apoiou a cabeça em meu peito, me olhando - Amanhã eu vou buscar a Audrey, quer que eu pegue o Jake também?
- Ah eu adoraria, amanhã eu tenho uma tatuagem gigantesca pra fazer! Mas preciso que você pegue a Leah também! – Eu a abracei, lhe dando um beijo na testa.
- Ah, jura que eu vou poder ficar com essa anjinha? – Ela rolou na cama, abrindo os braços como vitória - Não faz ideia de como fico feliz.
Eu me virei, deitando sobre ela, e belisquei seu culote, o que a fez rir.
- Não sabia que ficar com meus filhos eram tão importante pra você! – Eu falei, dando um beijo de leve em seu pescoço.
- Qualquer coisa que diz respeito a você é importante para mim! – Ela falou baixo, me beijando com vontade em seguida.

Acordei com um som irritante de despertador bem ao fundo da minha mente, e logo senti o perfume doce dos cabelos de . Ela gemeu baixo e saiu dos meus braços, gesto suficiente para me fazer despertar.
- Aonde você vai? – Eu falei com a voz rouca, coçando meu nariz.
- Entrevista de emprego! – Ela falou tão rouca quanto indo em direção do banheiro, virei e voltei a cochilar, até que o meu despertador começou a tocar. Me levantei e senti cheiro de café, o que me fez ir em direção da cozinha. Quando entrei, vi de calça social e camisa branca, de salto alto e os cabelos presos em uma trança.
- Nossa! Que séria! – Eu falei, a abraçando por trás e beijando seu pescoço.
- Eu tenho uma entrevista hoje no The Times. – Ela se virou com uma cara de sapeca.
- Uau! Boa sorte! – Eu falei, me soltando e indo me sentar à mesa.
- Obrigada! – Ela respondeu, colocando um pouco de café em uma xícara e colocando na minha frente - Então na hora do almoço eu vou pegar o Jake e a Leah e venho com eles pra cá, não vou trabalhar hoje e nem ter aula...
- Tudo bem amor, só me liga pra avisar quando vocês chegarem aqui. – Eu falei a abraçando, mas ela logo se soltou, pegando a pasta, o casaco e a bolsa.
- Como estou? – Ela deu uma voltinha e piscando.
- Linda! – Eu falei, colocando a mão no peito como se estivesse enfartando.
- Estou indo então, nos vemos na janta? – Ela veio, me deu um beijo de leve e acariciou meus cabelos, saindo em seguida.
Depois de muito enrolar fui direto para o estúdio, eu realmente tinha A tatuagem para fazer.
Na hora do almoço eu ainda estava debruçado sobre as costas da menina, terminando de pintar a primeira parte do dragão e minhas costas já me matavam, quase pulei de alegria quando ouvi meu celular tocar, só não pulei porque poderia ficar aleijado.
- Alô? – Eu falei sorrindo por saber que era do outro lado.
- Oi meu amor, - A voz dela parecia feliz e eu podia ouvir o cd do Barney tocando no carro, enquanto Jake cantava e Leah gritava - A me ligou e eu vou almoçar com ela ao invés de levar as crianças direto para a sua casa...
- Almoçar com a ? Por quê? – Eu perguntei, estranhando profundamente aquela atitude de . Tudo bem que ela apoiava o meu relacionamento com a , mas não a ponto de querer ser amiga dela.
- Não sei, ela disse que queria conversar comigo!
- Ok então, me avisa quando terminar de almoçar então?
- Claro que sim, mas fica tranquilo, vai ser um almoço maravilhoso, tenho certeza! – Ela falou, eu ouvi Jake gargalhar “Tia , a Leah fez pum”.
- Manda um beijo pro Jake!
- Pode deixar. - falou entre risadas - Até depois, beijos.
- Beijos. – Desliguei o telefone, mas o mantive ainda por um tempo no ouvido, era tão estranho e reconfortante saber que eu tinha mesmo a comigo.

Depois de mais três horas trabalhando sem parar, finalmente o dragão estava todinho feito, contornado, e só teríamos mais uma sessão para o sombreado e finalização. Fui para casa direto, morrendo de saudades dos meus filhos e do meu amor.
Quando abri a porta do apartamento ouvi a TV baixinha em algum canal infantil. estava deitada no sofá com Jake deitado de um lado e Leah no outro, mas a sua cara era triste, e seu rosto não estava leve como sempre.
- Oi. - Eu falei baixinho para que os dois não acordassem.
- Hey. - Ela falou com a voz fraca.
- Está tudo bem? – Eu falei, e ela apenas balançou a cabeça confirmando, com o lábio inferior entre os dentes – Vem conversar comigo na cozinha, vem! – Eu falei, enquanto pegava Leah e a colocava no carrinho.
se levantou com cuidado e fomos para a cozinha conversar.
- Agora me conta, como foi o almoço com a ?
- Foi bom, ela disse que apesar de não gostar de mim sabia o quanto eu era importante para você, sabia o quanto você me amava, mas... – Ela parou de falar e ficou brincando com os farelos de pão da mesa, - Mas... – Eu a incentivei a continuar, - Pediu que eu não ficasse mais sozinha com as crianças, que ela acha que eu sou muito nova para tal responsabilidade, e que não quer que eu fique com elas quando você não estiver junto.
- Isso é... – Eu comecei a falar, mas ela segurou minha mão tentando me acalmar.
- A princípio eu fiquei chateada e pensei em falar um monte a ela, mas depois... , ela mal me conhece, e pelo pouco que sabe eu te fiz sofrer bastante, nada mais normal do que ela ser receosa... Eu aceitei a condição dela e pretendo conquistar a confiança dela com o tempo. São seus filhos, eu nem sei o que faria pelos meus. Se já faria isso por Jake e Leah imagina sendo meus por completo?
- Você...
- Meu amor, pensa bem... Não tem por que brigar, vamos dar tempo a ela se acostumar com a ideia de que as crianças vão ter outra mulher presente na vida delas que as ama tanto quanto a mãe.
- Está bem, se você acha que...
- Eu não acho, tenho certeza! – Ela terminou de falar, vindo se sentar no meu colo - Afinal, nós vamos ficar juntos pra sempre, ela vai ter que se acostumar!
- Com certeza.
E assim como ela parecia ter certeza, eu também tinha de que agora, nós éramos para sempre.

Capítulo 9

- Eu também te amo, ! – Ouvir aquelas palavras nunca foi tão bom quanto naquele momento, mas, ao invés do meu coração estar leve, ele mantinha o peso de antes. Eu tinha quem eu amava nos meus braços, mas eu sabia, mais do que queria, que eu não poderia deixá-la voltar tão cedo. Tinha alguém que eu amava mais do que ela, e esse alguém, eram os alguéns, muitos novos e pequenos para lutar, até porque seria uma luta inútil, esses dois alguéns sempre ganhariam de lavada. Meus filhos.
- Eu te amo tanto, mas tanto, que eu não posso te ter de volta! – Eu falei, e no mesmo momento vi os olhos dela se escurecerem - Eu falei sério quando pedi para que você saísse da minha vida, naquele momento eu fiz uma escolha que agora eu não posso simplesmente voltar atrás.
- ? – falou baixinho e, apesar de não querer, eu precisava desviar um pouco do olhar escuro e profundo de .
- , ... Por favor, vocês podem sair um minuto? – Eu falei sorrindo fraco, e os dois aceitaram, saindo logo em seguida. se sentou no sofá, ficando completamente petrificada, olhando para frente.
- Eu não vou te soltar, eu não vou te abandonar jamais! Mas no momento eu não posso voltar a ter alguma coisa você! Então... Amigos?
- Amigos? – Ela tentou falar, mas perdeu a voz, sorrindo fraco e deixando uma lágrima escapar.
- , eu amo você! Mas você é muito nova ainda pra entender que tem certas coisas que tem que ser maiores! – Eu tentei tocá-la, mas ela fechou os olhos, se afastando.
- Que coisas pode ser maior do que nós? – Ela me olhou, mordendo o lábio.
- Meus filhos! – Eu falei e ela respirou fundo, novamente segurando o choro.
- Eu adoro os seus filhos, , eu nunca...
- Imagina o que vai acontecer com a cabeça do Jake se de novo eu me separar da ? Eu prometi que ia tentar fazer dar certo!
- Entendi... – Ela tombou a cabeça, puxando todo o ar, e depois me olhou - Você está certo, é melhor a gente dar tudo tempo ao tempo, eu acabei de terminar com o Bernardo, você acabou de voltar pra ... Vamos com calma! – Ela pegou minha mão e as juntou - Mas eu te amo, muito! Não esquece!
- Eu não vou! – Eu falei antes de puxá-la para um abraço novamente. Como eu queria poder me manter abraçado a ela pra sempre, como eu queria poder ter escrito a nossa história diferente, como eu queria poder ter mudado tudo! Ter dado valor quando ainda não existia Bernardo, quando ainda não existia nada além de nós.
- Eu... – Ela se soltou, limpando as lágrimas do rosto - Preciso ir... Eu tenho que ir pra casa, tenho umas coisas... – Ela começou a falar, se levantando, mas depois se virou rindo - Eu não tenho nada pra fazer além de chorar a tarde inteira!
- ... – Eu ameacei ir até ela, mas ela se afastou.
- Tá tudo bem... Você está certo, eu posso ser criança demais para algumas coisas, mas eu já entendi que seus filhos são mais importantes, e apoio! Então vamos facilitar um para o outro! – Ela se virou e foi em direção à porta.
- ... – Eu a chamei - Eu te ligo.
- Não , eu preciso de um tempo pra aceitar sua amizade... Eu te ligo! – Dizendo isso ela foi embora.
- Só não desiste de ir ao aniversário do Jake, ele ficaria acabado! – Eu falei e ela se virou pra mim, sorrindo de leve.
- Isso me destruiria também. – Foi tudo o que ela disse antes de ir embora.
Meu coração estava novamente destruído, mas eu sabia que isso era o certo a se fazer.
Isso não quer dizer que eu não iria chorar, MUITO, por muito tempo.

Cheguei em casa morto, joguei a chave em qualquer lugar e me joguei no sofá, nem vi na mesa da sala.
- Oi pra você também! – Ela falou, erguendo o olhar de algo que fazia e me olhando.
- Oi... – Eu falei baixinho.
- Ih, voz de choro... O que aconteceu? – Ela saiu da mesa e veio até mim, se deitando nos meus pés e me olhando docemente.
- Eu vi a hoje... Ela quis voltar! – Eu falei choroso e me olhava sem expressar nada além de carinho, aquele olhar de mãe.
- E você não voltou porque...? – Ela perguntou, franzindo a testa.
- Porque eu estou com você! – Eu falei como se fosse óbvio, e ela revirou os olhos.
- ! – Ela me deu um tapa na perna - Não estamos juntos, apenas moramos juntos...
- , quando eu voltei eu prometi que ia fazer dar certo, e estou tentando fazer dar!
- Ah claro, com essa cara de Jake que sente falta da pepeta? – Ela falou finalmente, ficando nervosa - , nós não somos mais um casal, somos duas pessoas adultas que tem filhos e dividem o mesmo apartamento, SÓ isso!
- Mas ...
- Sem mas nem menos, você vai levantar AGORA, vai até a casa dessa menina e vai voltar de vez com ela, porque senão você não vai ter nem ela, nem eu, porque aí eu te expulso de casa e quero ver você ficar com essa graça de “somos um casal”. – Dizendo isso ela se levantou irritada e saiu.
Fiquei pensando no que aconteceria se eu fosse atrás de naquele momento, mas eu seria um egoísta bipolar, e por isso preferi me manter deitado. Fui para o quarto, mas antes parei na porta do quarto de Jake. Ele estava dormindo com o dedo na boca. Ele era lindo e o maior orgulho da minha vida; aproximei-me e me sentei ao seu lado. Jake coçou os olhos, os abrindo devagar.
- Papai...
- Xiu campeão... Volta a dormir! – Eu o abracei e fiquei ali, o olhando. Dormindo pesado e com um rosto sereno. Era com ele e com a minha princesinha deitada no outro quarto que eu deveria me preocupar dali para frente.

- PAAAAAAAAAAAAAAAI! CORRE! CORRE! – Jake corria até mim com os braços abertos - Tio Tom trouxe presentes! – Ele estava com o cabelo todo penteado, camiseta nova. Era seu aniversário e ele não conseguia se conter de tanta felicidade, todo mundo que chegava ele gritava e corria até mim para que eu fosse ver o presente.
- Calma Jake, calma... – Eu segurei sua mão e fui andando, quase correndo com ele em direção a Tom e Gio, que estavam com Trip e Chuck e um pacote grande na mão.
- Filho, cuidado! – estava mais distante, conversando com as amigas e exibindo Leah, mas como sempre estava de olho em Jake.
Abrimos o presente e vimos que era um trem elétrico, com os trilhos, um bonequinho maquinista, tudo. Jake já queria montar, mas não deixou. As três crianças saíram correndo, enquanto eu e o casal fomos para a parte de fora do salão de festas, eu precisava fumar.
- Eu vou ver se a precisa de ajuda. - Gio falou, largando a mão de Tom e fazendo cara a feia para a fumaça da minha primeira tragada, saindo e entrando novamente.
- Será que a vem mesmo? – Tom falou, colocando a mão nos bolsos.
- Não sei, espero que sim, o Jake está contando com isso!
- FALA, MEUS AMORES! – apareceu com os braços abertos, abraçando a mim e a Tom ao mesmo tempo.
- Animado, é? – Tom o olhou torto.
- Se eu contar que conheci a enfermeira mais gostosa e maravilhosa do mundo, vocês não vão acreditar!
- E como você conheceu uma enfermeira? – Eu perguntei desconfiado.
- Fui doar sangue, não sei por quê, dói pra cacete! Mas ela me tratou com muita atenção!
- Só o que faltava. - Tom revirou os olhos, mas quando ia dizer mais alguma coisa foi interrompido por e , que tinham acabado de chegar.
- Olá! – falou, animado.
- Oi, finalmente! – Eu falei, os abraçando.
- Jer, a está aí... – falou baixo em meu ouvido, enquanto eu a abraçava.
Meu coração bateu tão rápido e tão forte que achei que eu podia infartar, minhas mãos suaram frio e eu suava frio. Traguei com força o cigarro e o joguei no chão, entrando novamente no salão. Não foi difícil ver , ela sorria para Jake, que já corria de braços abertos em sua direção.
- PAPAI, OLHA! – Ele gritou quando me viu, abrindo os braços e me chamando, e não desmanchou o sorriso, muito pelo contrário, o abriu mais ainda.
- O que foi, filho? – Eu falei enquanto ele terminava de rasgar o pacote imenso que recebia de . Quando terminou de abrir, era um telescópio infantil – Uau!
- Pra ver estrelinhas! – Ele falou, abraçando a caixa e depois as pernas de - Tia , obrigado!
- Imagina, meu amor. - Ela falou, fazendo carinho em sua cabeça - Espero que você goste!
- Eu amei, tia! – ele soltou a caixa e correu para o irmão de , que tinha acabado de chegar com outro pacote imenso de presente.
- Jake! – Eu o reprendi por ele ter jogado a caixa, mas ele não pareceu se abalar, continuou correndo.
- Deixa, ele está eufórico! – Ela colocou a mão em meu braço, sorrindo. O contato me fez ficar mais nervoso ainda, e isso estava me irritando, afinal, eu não tinha mais dezessete anos.
- Muito obrigado, eu estava há meses pensando em dar um telescópio pra ele! – Eu falei, colocando a caixa na mesa de presentes.
- Imagina, eu ganhei um quando tinha a idade dele e foi o melhor presente de todos, achei que ele também gostaria...
- Pode ter certeza que ele amou! – Eu cruzei os braços, por não saber mais o que fazer com as mãos.
- Eu não vou ficar muito, eu imagino... – Ela começou a falar e vi suas bochechas ficarem vermelhas.
- Quero que fique até o fim, o Jake também!
- , eu...
- , por favor, eu insisto! – Eu a toquei e percebi que ela se arrepiou – Vem, vou te levar para perto dos caras, assim não fica tão...
- ! – Fui interrompido por , que sorria de uma maneira forçada.
- Oi. - respondeu, ficando mais vermelha ainda.
- Quando nos conhecemos eu não fui educada, mas agora sinto que preciso ser, afinal você é o novo amor da vida do meu marido, e aparentemente do meu filho! – deu um beijo no rosto de e, apesar do sorriso que ela mantinha no rosto, eu senti um grande tom de maldade.
- Claro que não, você foi educada sim... – parecia sem saber o que falar e me olhava como se pedisse socorro. Graças aos céus, Gio apareceu com Leah no colo que, quando viu , ergueu os bracinho e se impulsionou para frente para que ela pudesse pegá-la.
- Uau, vejo que o amor até da minha princesa! – falou enquanto pegava Leah no colo.
- Eles são uns amores. - balançou Leah, que riu abertamente.
- Eles ou você? – cruzou os braços, sorrindo mais falsamente ainda.
- Os dois. - Gio falou, abraçando e cortando qualquer coisa que parecia pronta para falar - Vamos , quero conversar com você! Licença, .
As duas saíram e se virou para mim, desmanchando o sorriso e me olhando séria.
- Você me disse que tinha decidido por nós dois, não me ouviu quando te mandei ir atrás dela e agora a convida para o aniversário do meu filho? Se está querendo me humilhar em frente aos nossos amigos, era mais fácil jogar poncho na minha cabeça, pelo menos isso tinha solução. - Terminando de falar ela se afastou, mas eu a puxei de volta pelo braço.
- Eu decidi por nós, mas sempre deixei bem claro porque eu estou apaixonado, não estou te humilhando e não vou permitir que você me distrate ou a ... Para com esse bipolarismo, que bancar a ex-mulher má não combina com você!
- Você não sabe o que combina comigo desde o momento em que você decidiu endoidar e se relacionar com uma criança! – Ela saiu, me deixando completamente sem palavras. Eu não a reconhecia mais, e isso era preocupante.
Na hora do parabéns, Jake fez questão que ficasse próxima da mesa, e isso só deixou mais irritada que o normal.

- Obrigada por não ter se importado de eu ficar até agora... – falava enquanto ela, e se despediam da gente.
- Magina, eu iria me importar se você tivesse ido embora antes. – Eu não aguentei e a abracei, por mais tempo do que pretendia.
- , me prometa que irá almoçar comigo algum dia desses? Nós mulheres precisamos conversar! – novamente se aproximou com o sorriso falso.
- Claro que sim, eu adoraria! – parecia sincera, totalmente diferente de .
- Que bom, então.
- Tchau. - finalizou, saindo e me deixando com uma de olhar severo e nem um pouco doce, como era de costume.

Após termos guardado todos os presentes em casa e ter tirado a decoração do Ben10 da parede do salão de festa, eu e subimos com as crianças. Leah já estava no décimo sono e Jake estava em meu colo, quase dormindo.
- Você pode me dizer por que você agiu como uma b-i-t-c-h hoje? – Eu perguntei balançando Jake, que desenhava com o dedo em meu ombro.
- Porque você está agindo como um! – ela falou enquanto entrava em casa. Eu esperei que ela colocasse Leah no berço e que Jake já estivesse dormindo na cama para que pudéssemos conversar.
- Ok, agora me diz, por que eu que agi como uma bitch? – Eu sentei cansado no sofá, onde ela estava lendo uma revista, no mesmo momento colocou as pernas sobre as minhas.
- Nós sempre fomos sinceros um com o outro, certo? – Ela começou - Massageie meus pés, por favor...
- ... Foco!
- Ok, ok... Incomoda-me o fato dela ser mais nova, mais bonita, e meus filhos serem apaixonados por ela! Incomoda-me o fato de, mesmo eu tendo aceitado, você não ter corrido atrás e agora ficar fazendo disso o meu pesadelo!
- , eu quero me focar unicamente nos meus filhos!
- , hoje, durante todo o aniversário, vocês dois conversaram duas vezes e todo o resto do tempo ficaram se olhando e desejando estar perto um do outro, pra que ficar com esse joguinho ridículo? Vocês se amam!
- Porque eu escolhi os meus filhos!
- E seus filhos a escolheram! – Ela se sentou, me fazendo parar de massagear seus pés bruscamente - Me doeu naquele momento ver que a Leah preferiu o colo dela ao meu, que o Jake preferiu o telescópio à tela mágica que eu dei, tudo isso me dói... Me corrói, mas nada me corrói mais do que ver você a olhando e sorrindo pra ela como você me olhava! Então, se você a ama e quer ser feliz, para de ser egoísta e pare de ME fazer infeliz, e pare de fazê-la infeliz. Tome uma decisão de homem pelo menos uma vez na vida! – Dizendo isso ela se levantou e saiu, me deixando ali sozinho.

Um mês depois eu ainda ficava remoendo tudo o que tinha me dito. Fui para o estúdio e combinei de passar para pegar as crianças na escola/creche e depois ir para casa, iria nos encontrar para almoçar. Quando cheguei, me assustei. Minhas malas encostadas no hall e mais dois sacos pretos. Jake correu para dentro e, enquanto eu colocava Leah no chiqueirinho, vi se aproximar com mais uma mala.
- Vai viajar? – Eu perguntei, já sabendo a resposta.
- Não, cansei. – Ela colocou a mala no sofá e cruzou os braços - Se você não me deixa em paz por bem, vai me deixar por mal... Por mal não, à força!
- ...
- Chega , eu posso ser boazinha, mas não sou idiota! Quer brincar de casinha, vá brincar com a criança que você escolheu amar! – Dizendo isso ela se virou, gritando por Jake - Jacob, vem se despedir do papai.
- Aonde você vai, papai? – Ele perguntou, vindo do quarto com sua malinha de escola ainda nas costas.
- Ele vai voltar pra casa dele! – falou, saindo e indo pra cozinha. Peguei minha mala no sofá e saí da casa. Jake não pareceu ficar triste, ele gostava da minha casa, e sabia que nada mudaria, ou pelo menos era isso que eu esperava.
Saí do prédio e comecei a dirigir sem rumo, meu coração me guiava para o lugar onde eu sabia que deveria ter ido há muito tempo, e apesar de chateado pelas palavras e ação de eu sabia que ela estava certa, eu sabia onde era o meu lugar, e agora eu estava parado exatamente em frente ao meu lugar, estava parado em frente ao prédio de .
Subi sem pedir permissão ao porteiro e bati descontrolado na porta da garota, a minha garota. Estava tão nervoso em pensar na possibilidade dela não me querer mais que nem reparei que quase derrubei a porta com a tamanha força das minhas batidas.
- Nossa, calma, quer quebrar a porta? – Ela abriu a porta sem entender nada, as sobrancelhas franzidas e a boca aberta - ?
- Desculpa vir assim sem avisar, mas... A me expulsou de casa e... – Eu falei sem conseguir me expressar direito, estava tão nervoso que não conseguia encontrar palavras.
- O que aconteceu pra ela te expulsar? E por que você veio pra cá? – Ela cruzou os braços, me olhando séria, e eu não consegui fazer outra coisa senão abraçá-la.
- Eu vim pra voltar com você, minha linda. - Eu falei, a assustando, pude perceber pela forma como ela recuou.
- Como voltar comigo? ! – Ela falou, tentando se afastar, mas eu a puxei de volta.
- Ela falou um monte de bobeiras que me deixaram enraivecido, mas uma coisa eu tenho que concordar, eu preciso de você de volta! – Eu disse, sorrindo sem graça - Eu preciso de você!
- ! – Ela falou, segurando meu rosto com as duas mãos e me beijando - Você só pode ser louco...
- Vamos começar de novo, ok? – Eu falei sorrindo abertamente, e ela concordou - Meu nome é , mas me chamam de Jer. Eu tenho dois filhos pequenos, uma ex-mulher presente, melhores amigos praticamente grudados a mim, sou tatuador e tenho sérios problemas de humor, mas estou completamente e irrevogavelmente apaixonado por você! Muito prazer! – Eu falei, estendendo a mão para ela, que gargalhou, tombando a cabeça.
- Prazer é todo meu, me chamo , estou MUITO puta com você por ter me feito chorar e comer chocolate que nem louca e de me fazer chegar a pensar que minha vida perderia novamente o sentido, que novamente eu perderia você! – Ela falou, me abraçando e me dando um beijo de leve.
- Você nunca me perdeu, gatinha! – Eu lhe dei outro beijo, o que a fez sorrir mais ainda.

- , vamos logo! – Ouvi gritar e logo abrir a porta, eu e tínhamos ido buscá-las – Oi gatinho! – Ela falou antes de vir de braços abertos até mim e me abraçando.
- Oi gatinha! – Eu falei, lhe dando um beijo de lado. veio por trás e nos abraçou, nos fazendo rir.
- Ain, como vocês são fofos! – Ele apoiou o rosto em meu ombro e suspirou. chegou à sala e nos olhou com os olhos franzidos - Vem amor, vamos dar um abraço coletivo no segundo casal mais fofo!
- Tudo bem... – Ela falou, dando de ombro e nos abraçando, junto de .
- E posso saber quem é o primeiro? – perguntou para , mas olhando no fundo dos meus olhos.
- Nós! – e responderam juntos.
- É claro. - completou; casal que combinasse mais, impossível.
Estávamos indo jantar com os guys, Tom e Gio tinham que nos contar uma coisa e queria apresentar a namorada nova. Ia ser um jantar de casais.

- O falou quem é essa tal namorada misteriosa? – me perguntou enquanto mexia no som.
- Não, ele só falou que ela era diferente e que queria nos apresentar! Mas eu imagino que seja a tal enfermeira sobre quem ele comentou no aniversário do Jake – Eu falei, pegando a mão dela e a fazendo parar de mudar de estação, o que já estava me incomodando.
- Desculpe. - Ela fez uma carinha de criança que está aprontando e eu ri - Se é a mesma do aniversário do Jake, então está durando, hein? – Ela falou, vindo para perto de mim e me dando um beijo no pescoço.
- , eu preciso prestar atenção no trânsito! – Eu falei rindo enquanto ela beijava toda a extensão do meu pescoço e rosto – Ele parece gostar mesmo dela. – Eu parei o carro e a olhei. Ela me deu um beijo de leve e não se distanciou, mantendo os nossos lábios juntos. Aprofundamos um pouco o beijo, mas por pouco tempo, já que logo ouvimos a buzina.
- Como você é linda. - Eu falei, colocando a mão em sua perna e voltando a dirigir.
Parei em frente ao restaurante e esperei o manobrista abrir a porta, outro rapaz abriu para , eu entreguei as chaves e fui até ela, que me esperava com as mãos estendidas.
- Estou ansiosa para saber qual é a notícia do Tom e da Gio! – Ela falou, puxando minha mão para suas costas, para que assim nos abraçássemos.
, aqui, por favor!” Ouvi me chamarem e quando vi era um rapaz com uma câmera na mão; olhei para , que sorriu, nós paramos e posamos para a foto – Como é seu nome? – Ele perguntou, pegando uma caderneta e uma caneta.
- , minha namorada. – Eu falei, dando um beijo no rosto da mesma, que sorriu, e novamente ele bateu uma foto. Entramos em seguida e ela estava vermelha – O que foi, gatinha?
- Ah, eu tenho vergonha, né? Antes, nem minha avó sabia quem eu era direito, agora as pessoas de Londres inteira vão saber! – Ela falou, escondendo o rosto em meu ombro, que abracei apertado.
- Relaxa, amor. - eu lhe dei um beijo na testa, já vendo Tom, Gio e , sentados em uma mesa ao fundo – O mundo inteiro vai saber!
me olhou com a boca aberta, mas eu não a deixei falar, a puxei para perto da mesa.
- O e a ainda não chegaram? – Eu falei, cumprimentando a todos.
- Não, você conhece o , deve ter pegado um milhão de atalhos! – Giovanna se levantou e deu um abraço apertado em .
- E a sua namorada, ? Cadê? – Eu perguntei, me sentado ao lado da cadeira vazia.
- Ela já devia ter chegado, deve ser o trabalho dela... – Ele falou, olhando para o relógio.
- Olha eles ali! – Tom anunciou, apontando para e , que entravam sorridentes no restaurante.
- Deixa eu adivinhar? – Giovanna falou rindo e lhes cumprimentando.
- Ele foi até a Irlanda e voltou! – falou, revirando os olhos - Da próxima pego carona com vocês!
- Amor, não reclama de mim! – repreendeu a namorada, mas logo em seguida lhe deu um beijo de leve.
- Enquanto ela não chega então, falem vocês! – Eu falei para Tom.
- É verdade, qual a novidade? – perguntou, já chamando o garçom.
- Não senhores! A minha namorada vai fazer tanto parte do grupo quanto qualquer um de nós, vamos esperá-la! – falou, cruzando os braços e olhando novamente para o relógio.
- Ok, ok! – Eu levantei os braços, me rendendo, e então se levantou com um sorriso enorme, derrubando copos e mais algumas coisas da mesa.
- Minha linda! – Ele falou, abrindo os braços, e quando olhei na direção em que ele olhava tive a sensação que já conhecia aquela mulher.
- ? – e falaram juntas, e a mulher as olhou sem entender.
- Meninas? – Ela ficou olhando para as amigas, enquanto beijava seu rosto.
- Você as conhece? – Ele perguntou, a abraçando pela cintura.
- Claro que sim, moro com elas! – Ela falou, gargalhando em seguida.
- Então esse é o bonitão que ficou com medo de tirar sangue? – falou rindo e apontando para .
- E essa é a enfermeira hot? – falou, apontando para .
- É! – Os dois confirmaram, rindo.
- Mas que mundo pequeno! – Giovanna falou, sorrindo docemente - As três são melhores amigas e vocês três, melhores amigos! – Ela falou, abraçando Tom com os olhos lacrimejando.
- Você não vai chorar, né Gio? – falou rindo e tacando o guardanapo nela.
- Não, não vou... – Ela passou a mão nos olhos e depois deu um beijo no rosto de Tom - É saudade dos meus filhotes, desde que eles nasceram que não saíamos sem eles!
- Ah Gio, precisávamos dessa noite! – Tom a abraçou, sorrindo.
- Ok, agora eu quero saber a novidade! – falou, se debruçando na mesa.
- Achei que a novidade fosse eu! – falou rindo, dando um beijo de leve em e se sentando ao meu lado, todos rimos com o comentário.
- Não, apesar de você ser uma ótima novidade! – Gio se debruçou na mesa, segurando as mãos de - A nossa novidade é um pouco mais fofinha!
na hora colocou a mão na boca, e olhou com os olhos arregalados de Gio para .
- O que elas estão sabendo que nós não? – falou, abraçando a namorada.
- Eu estou grávida! – Giovanna falou com os olhos cheios de lágrimas, e todos nós gritamos de felicidade, chamando atenção do restaurante inteiro para a nossa mesa.
- E esperamos que seja uma menina! – Tom falou enquanto levantava para receber um abraço de , Gio veio direto na minha direção.
- Espero ter você por perto de novo! – Ela falou baixinho em meu ouvido, eu a abracei mais forte.
- Sempre! – Eu respondi, e logo abraçou Gio também.
- Qualquer coisa que você precisar, por favor! – Ela falou e Gio a abraçou novamente, era claro que elas seriam boas amigas.

Nosso jantar foi maravilhoso, o assunto bebê foi o foco principal, brincadeiras sobre nomes, todos os mais estranhos possíveis, chegou até a ideia de homenagear Flea. Mas a que ganhou e que Gio e Tom realmente pegaram como ideia foi Joanna. , e Giovanna não paravam de falar em enxoval de criança, Tom e debatiam sobre quem seria o padrinho da menina, já que eu e já éramos dos gêmeos, e eu e comentávamos sobre o jogasso do Chelsea nesse fim de semana.
‘Pipi, pipi, pipi, pipi.’
- O que é isso? – perguntou olhando para os lados, e reviraram os olhos.
- O bipper da . - Elas responderam juntas.
- Ah gente, desculpa. - Ela falou, já se levantando e dando um beijo de leve em , que já fazia bico - Mas o hospital me chama.
- Amor! – Ele falou com voz de criança.
- Meu amor, não faz assim! – Ela o abraçou - Eu tenho mesmo que ir... Gente, foi um prazer. - Ela ergueu o braço para chamar o garçom, mas não deixou.
- Vá trabalhar, eu pago o jantar hoje! Promete que vai pra minha casa depois?
- , eu não sei que horas eu vou... – Ela foi tentar falar, mas ele não deixou, a beijando de leve.
- Não importa, quero você comigo! – Ele a abraçou novamente e então ela teve que ir. Lógico que todo esse love do foi zuado por nós, afinal, podia passar o tempo que for, nós continuávamos os mesmos moleques de sempre.

- Eu fiquei muito feliz em saber que a está namorando o , eles formam um casal lindo! – falava enquanto tirava as jóias e as colocava em cima do meu criado mudo.
- Como será que a gente não ficou sabendo disso, né? – Eu falei, puxando o lençol e me deitando.
- Pois é, moramos juntas e eu nem desconfiei! – Ela puxou o outro lado do lençol e se deitou ao meu lado, já vindo para perto e se deitando em meu peito.
- Acho que estávamos muito ocupados vivendo o nosso drama!
- Eu fiquei ocupada sendo uma idiota, né? Onde já se viu te jogar de escanteio e ficar com o Bernardo? – Ela falou, brincando com meus dedos.
- Ah, isso é verdade. - Eu falei rindo e senti um tapa fraco dela no peito.
- Agora... – Ela se virou e apoiou a cabeça em meu peito, me olhando - Amanhã eu vou buscar a Audrey, quer que eu pegue o Jake também?
- Ah, eu adoraria, amanhã eu tenho uma tatuagem gigantesca pra fazer! Mas preciso que você pegue a Leah também! – Eu a abracei, lhe dando um beijo na testa.
- Ah, jura que eu vou poder ficar com essa anjinha? – Ela rolou na cama, abrindo os braços como vitória - Não faz ideia de como fico feliz.
Eu me virei, deitando sobre ela e belisquei seu culote, o que a fez rir.
- Não sabia que ficar com meus filhos eram tão importante pra você! – Eu falei, dando um beijo de leve em seu pescoço.
- Qualquer coisa que diz respeito a você é importante para mim! – Ela falou baixo, me beijando com vontade em seguida.

Acordei com um som irritante de despertador bem ao fundo da minha mente, logo senti o perfume doce dos cabelos de . Ela gemeu baixo e saiu dos meus braços, gesto suficiente para me fazer despertar.
- Aonde você vai? – Eu falei com a voz rouca, coçando meu nariz.
- Entrevista de emprego! – Ela falou tão rouca quanto, indo em direção ao banheiro. Virei e voltei a cochilar, até que o meu despertador começou a tocar. Me levantei e senti cheiro de café, o que me fez ir na direção da cozinha. Quando entrei, vi de calça social e camisa branca, de salto alto e os cabelos presos em uma trança.
- Nossa! Que séria! – Eu falei, a abraçando por trás e beijando seu pescoço.
- Eu tenho uma entrevista hoje no The Times. – Ela se virou com uma cara de sapeca.
- Uau! Boa sorte! – Eu falei, me soltando e indo me sentar à mesa.
- Obrigada! – Ela respondeu, colocando um pouco de café em uma xícara e colocando na minha frente - Então na hora do almoço eu vou pegar o Jake e a Leah e venho com eles pra cá, não vou trabalhar hoje e nem ter aula...
- Tudo bem amor, só me liga pra avisar quando vocês chegarem aqui. – Eu falei a abraçando, mas ela logo se soltou, pegando a pasta, o casaco e a bolsa.
- Como estou? – Ela deu uma voltinha e piscou.
- Linda! – Eu falei, colocando a mão no peito, como se estivesse enfartando.
- Estou indo então, nos vemos no jantar? – Ela veio, me deu um beijo de leve e acariciou meus cabelos, saindo em seguida.
Depois de muito enrolar fui direto para o estúdio, eu realmente tinha A tatuagem para fazer.

Na hora do almoço eu ainda estava debruçado sobre as costas da menina, terminando de pintar a primeira parte do dragão, e minhas costas já me matavam. Quase pulei de alegria quando ouvi meu celular tocar, só não pulei porque poderia ficar aleijado.
- Alô? – Eu falei, sorrindo por saber que era do outro lado.
- Oi, meu amor. - A voz dela parecia feli,z e eu podia ouvir o cd do Barney tocando no carro enquanto Jake cantava e Leah gritava - A me ligou e eu vou almoçar com ela ao invés de levar as crianças direto para a sua casa...
- Almoçar com a ? Por quê? – Eu perguntei, estranhando profundamente aquela atitude de .
- Não sei, ela disse que queria conversar comigo!
- Ok então, me avisa quando terminar de almoçar então?
- Claro que sim, mas fica tranquilo, vai ser um almoço maravilhoso, tenho certeza! – Ela falou, eu ouvi Jake gargalhar. “Tia Má, a Leah fez pum”.
- Manda um beijo pro Jake!
- Pode deixar. - falou, entre risadas - Até depois, beijos.
- Beijos. – Desliguei o telefone, mas o mantive ainda por um tempo no ouvido. Era tão estranho e reconfortante saber que eu tinha mesmo a comigo.

Depois de mais três horas trabalhando sem parar, finalmente o dragão estava todinho feito, contornado, e só teríamos mais uma sessão para o sombreado e finalização. Fui para casa direto, morrendo de saudades dos meus filhos e do meu amor.
Quando abri a porta do apartamento, ouvi a TV baixinha em algum canal infantil. estava deitada no sofá com Jake deitado de um lado e Leah no outro, mas a sua cara era triste, e seu rosto não estava leve como sempre.
- Oi. - Eu falei baixinho para que os dois não acordassem.
- Hey. - Ela falou com a voz fraca.
- Está tudo bem? – Eu falei, e ela apenas balançou a cabeça, confirmando com o lábio inferior entre os dentes – Vem conversar comigo na cozinha, vem! – Eu falei enquanto pegava Leah e a colocava no carrinho.
se levantou com cuidado e fomos para a cozinha conversar.
- Agora me conta, como foi o almoço com a ?
- Foi bom, ela disse que, apesar de não gostar de mim, sabia o quanto eu era importante para você, sabia o quanto você me amava, mas... – Ela parou de falar e ficou brincando com os farelos de pão da mesa.
- Mas... – Eu a incentivei a continuar.
- Pediu que eu não ficasse mais sozinha com as crianças, que ela acha que eu sou muito nova para tal responsabilidade e que não quer que eu fique com elas quando você não estiver junto.
- Isso é... – Eu comecei a falar, mas ela segurou minha mão, tentando me acalmar.
- A princípio eu fiquei chateada e pensei em falar um monte a ela, mas depois... , ela mal me conhece, e pelo pouco que sabe, eu te fiz sofrer bastante, nada mais normal do que ela ser receosa... Eu aceitei a condição dela e pretendo conquistar a confiança dela com o tempo. São seus filhos, eu nem sei o que faria pelos meus. Se já faria isso por Jake e Leah, imagina sendo meus por completo?
- Você...
- Meu amor, pensa bem... Não tem por que brigar, vamos dar tempo a ela se acostumar com a ideia de que as crianças vão ter outra mulher presente na vida delas que as ama tanto quanto a mãe.
- Está bem, se você acha que...
- Eu não acho, tenho certeza! – Ela terminou de falar, vindo se sentar no meu colo - Afinal, nós vamos ficar juntos pra sempre, ela vai ter que se acostumar!
- Com certeza.
E assim como ela parecia ter certeza, eu também tinha de que agora nós éramos para sempre.

Capítulo 10

É incrível como a vida pode dar voltas, como coisas que nunca imaginamos podem acontecer. Eu nunca poderia imaginar que um dia como outro qualquer em que eu decidisse ir acompanhar a em uma tatuagem nova, eu fosse conhecer o homem da minha vida. Pode parecer forçado, pode parecer exagero, mas eu não consigo me imaginar com outra pessoa senão ele.
Uma vez li em algum lugar que todos nós temos elos. Cada um de nós está ligado a seis pessoas, que estão ligadas a seis pessoas, e assim sucessivamente, se tornando um grande círculo e nos fazendo proferir muitas vezes a famosa frase ‘que mundo pequeno’. Afinal, quando imaginaria que começaria a namorar com , ou que e fossem tão perfeitos um para o outro? Como podíamos imaginar todas as voltas que a vida poderia dar?
Como podíamos imaginar que, apesar de muitas coisas boas, muitas ruins também passaram a acontecer.
Tinha combinado com de almoçarmos juntos, mas, para a minha estranheza e ao mesmo tempo felicidade, havia me convidado para almoçar. Cheguei ao restaurante com as crianças, e a vi de longe, e Jake logo correu a seu encontro.
- Oi. - Eu falei sem graça, me sentando.
- Mamãe, sabia que eu fiz um desenho da nossa família hoje? – Jake falou, já pegando a bolsinha e a colocando em cima da mesa.
- Jura, querido? Deixa a mamãe ver! – Ela falou, o colocando melhor no colo. Jake pegou uma pasta de dentro da bolsa, a abriu e pegou o papel.
- Olha, aqui é você... Eu... – Ele falava e apontava - A Leah, o papai e a tia . – Quando ele falou, tanto eu quanto ficamos espantadas – Olha, tia . - Ele empurrou o desenho para mim e logo vi uma menina de palitinhos com cabelos rosa – Eu fiz seu cabelo rosa, viu?
- Ela não é da sua família, querido! – falou calma, mas era claro em sua voz que ela estava irritada.
- É sim, ela é namoradinha do papai.
- Jake, meu amor... – Eu falei, e ele logo veio para meu colo - Fico feliz que você me considere da sua família!
- Jacob! – parecia querer se controlar, mas não aguentava mais - Vai brincar lá no parquinho, vai? – Ela falou sem conseguir tirar os olhos de mim. Jake percebeu que ela estava brava, por isso pegou sua mala e saiu, indo para a parte própria para crianças ficarem, o que eu achei errado, afinal ele só tem seis anos.
- , você não acha melhor... – Eu comecei a falar, mas parei. Ela me olhava de tal forma que não tiver coragem de continuar.
- Você não acha nada, você não tem opinião sobre nada, e eu queria saber que palhaçada é essa?
- eu...
- Eu aceito que o fique com você, juro que aceito, agora meus filhos, não!
- Desculpa, eu não...
- É incrível como você consegue se fingir de boazinha e aos poucos tirar tudo o que me é de mais importante... – Ela respirou fundo, olhando para Leah, que se divertia tentando pegar o pé – Primeiro o , que apesar de me doer muito eu percebi que não tinha mais jeito, e eu realmente acho que sou melhor que tudo isso, por isso ajudei e apoiei a decisão dele de ficar com você! E se isso o faz feliz, eu continuarei a apoiar!
Ela parecia não estar confortável, já que não parava de se mexer, e eu tinha vontade de correr dali o mais rápido possível.
- Agora, meus filhos estarem dessa forma com você? Isso eu não aceito! Você não é da nossa família, você não é nada além da nova namorada do , assim como já tiveram outras depois do nosso divórcio! Você não é a nova esposa dele, você não faz parte da nossa família, e não sei o que você está fazendo com meus filhos, mas eu não quero que eles se apeguem a você dessa forma!
- Eu amo os seus filhos como se fossem meus! – Eu tentei falar, mas ela gargalhou tão maleficamente que cheguei a ficar com medo.
- Você saiu das fraldas agora! Jake pode ter pensamentos mais complexos que os seus! Você não tem como amá-los como se fossem seus, porque eles não são e nunca vão ser! São MEUS filhos e ponto final. Não quero uma criança cuidando deles e não quero que eles fiquem criando esperanças em cima de mais um dos casos do meu irresponsável ex-marido!
- , você está me ofendendo! – Eu já sentia o nó na garganta aumentar sem parar.
- TE ofendendo? Imagine como eu estou ofendida? Você é treze anos mais nova do que nós! Sabe o que é isso? Você É uma criança!
- Me desculpe, mas a criança aqui está sendo você! – Eu tinha começado a ficar imensamente irritada e não queria mais ficar sendo ofendida sem retrucar - Eu não quero o seu lugar, eu quero o MEU lugar. Eu amo o , ele me ama e eu quero fazer parte da vida dele. Posso ser mais nova, mas tenho responsabilidades... Amo seus filhos SIM, e vou sempre tratá-los muito bem, sendo mais um caso do ou não eu os quero na minha vida, porque eles são importantes para o homem que eu amo, então são importantes para mim! Você pode não gostar de mim, não vou te impedir disso, até porque nesse momento também não gosto de você, mas não te dou o direto de me distratar ou então querer me julgar sem me conhecer!
- Eu estou pouco me lixando para o que você acha, quer, ou sei lá, o que eu estou dizendo aqui e agora é o seguinte: ou você para de ficar sozinha com meus filhos e tentar se aproximar querendo ser como uma segunda mãe, ou eu vou colocar advogados na história, vou fazer o poder vê-los apenas uma vez ao ano e por uma janela! Estamos entendidas?
- Você não pode...
- Quer me ver tentar? – Ela se debruçou na mesa, com olhar ameaçador.
- Não, não quero!
- Pois muito bem, vá para a casa com elas agora para que não desconfie, mas deixe claro a ele que eu não quero mais você sozinha com eles, e da sua parte eu espero descrição... Eu posso ter sido boazinha a minha vida inteira, mas não vou medir esforços nem me importar com os bons costumes quando se tratar dos meus filhos!
- Mamãe! – Jake apareceu e nós nem tínhamos visto, eu estava tão chateada, tão humilhada, que minha vontade era de sair correndo, mas eu não iria fazer isso, eu iria encarar, iria enfrentar, pelo .
- Oi meu amor! – se virou para o filho, mudando completamente a fisionomia.
- Eu tô com fome!
- Ah, claro, meu amor, vamos pedir... – Dizendo isso ela o colocou na cadeira e então pedimos o almoço. O mais difícil de descer de toda a minha vida.
Quando voltei para casa com as crianças, não conseguia parar de me sentir um lixo, e eu não queria que as ameaças de mudassem alguma coisa no meu comportamento com elas, mas naquele momento estava sendo difícil suportar. Quando chegou e que sentamos na cozinha para conversar, eu contei apenas o que ele deveria saber, mas quando fomos deitar eu não me aguentei e acabei contando toda a verdade do almoço. Eu sempre disse que mentiras eram imperdoáveis, por isso não iria fazer com ele o que não queria que fizessem comigo.
- QUE ABSURDO! ELA SÓ PODE ESTAR LOUCA! – ele gritava, andando de um lado para o outro do quarto.
- , por favor... – Eu me segurava para não chorar – Eu sei que é terrível, mas eu não quero causar nada maior do que já está... Nós prometemos que passaríamos por tudo juntos, então vamos passar, mas sabendo agir direito!
- AGIR DIREITO? EU QUE VOU FALAR COM OS ADVOGADOS, AVISAR QUE ELA ESTÁ LOUCA! – Ele não conseguia se controlar, se sentou irritadíssimo, e eu percebi que se acalmou um pouco apenas quando eu o abracei por trás.
- Nós vamos superar e vamos arranjar um jeito de mudar essa situação!
- , ela não pode te impedir de se aproximar deles, eles não tem culpa de terem gostado de você!
- Eu sei que não meu amor; e ela não vai! Mas nós não podemos bater de frente, isso só vai piorar! – Eu o puxei, o fazendo ficar de frente pra mim, me sentei em seu colo segurando seu rosto, para que não houvesse chances dele virar o rosto – Vamos pensar com calma e achar uma solução, e por enquanto vamos fazer o que ela pediu, não vou mais ficar sozinha com as crianças...
- Isso é um absurdo!
- Absurdo ou não, eu não quero pagar para ver se ela tem coragem para te restringir de ver seus filhos!
- Me desculpa! – Ele falou baixinho antes de me abraçar. Fomos dormir logo em seguida, mas eu sentia que para aquela história não tinha acabado ali.
No dia seguinte recebi um telefonema do The times, e eu havia conseguido por unanimidade a vaga. teve que ir à casa da mãe de emergência, alguma coisa havia acontecido com seu pai, e eu fiquei com as crianças na casa, mesmo tendo insistido para que ele as deixasse com , ele realmente queria cutucar a fera com vara curta.
Estávamos na cozinha, Leah na cadeirinha, Jake comendo sucrilhos e eu fazendo brigadeiro, quando entrou sem bater na porta.
- ? ? – Ela não havia me visto na cozinha, mas quando viu me olhou séria, e parecia irritada - Achei que tivéssemos conversado e eu tivesse deixado bem claro que não a quero sozinha com meus filhos.
- E deixou, mas parece que alguma coisa aconteceu com o Sr. e teve que ir às pressas para lá... – Eu não queria parecer fraca, por isso respondi como se o tom de ameaça dela não tivesse me atingido em nada.
- Entendi... – Dizendo isso ela pegou Leah no colo, já se virando para Jake - Vá pegar suas coisas, vamos para casa.
- Mas eu quero ficar aqui, esperar o papai!
- Não Jake, vamos para casa.
- Tia , pede pra ela deixar eu ficar?
- JACOB! – gritou, o assustando.
- Vá Jake, depois eu e seu pai passamos para te ver... – Eu falei, sorrindo fraco, o que o fez levantar e ir pegar sua malinha no quarto. Ela foi embora sem nem deixar eu me despedir direito das crianças.
chegou àquela noite arrasado. Seu pai estava bem, mas o susto que ele havia levado o fez perceber que eles não eram eternos, o que nos causou horas e horas de conversa. Apesar de ele insistir, eu tive que voltar ao meu apartamento, já estava dormindo ali há quatro noites seguidas, eu precisava voltar para minha casa um pouco.
Quando cheguei ao apartamento, vi e deitados no sofá assistindo a algum filme - não precisaram insistir muito para que eu me deitasse ao lado deles para assistir. No dia seguinte fui para meu novo trabalho saltitante, almocei com e ainda fomos ao cinema à noite.
Um mês depois, parecia que a ameaça de nunca tinha sido feita, pelo menos era o que eu pensava.
Cheguei ao apartamento de exausta e cheia de saudades. Pela semana de moda a todo vapor eu não tinha conseguido vê-lo nenhuma vez naquela semana.
- Oi! – Eu cheguei, já jogando minha bolsa no sofá e indo pra perto dele.
- Oi. - Ele falou baixo, desanimado.
- Tá tudo bem? – Eu perguntei, estranhando o tom dele. não falou nada, apenas apontou para uma folha de papel em cima da mesinha de centro. Peguei-o, mas não consegui entender muito bem, estava cheio de dizeres técnicos, de advogados. Parecia outra língua.
- Amor, o que é?
- Meu advogado trouxe hoje... A está me acusando de não ter condições de cuidar dos meus filhos, pelo meu relacionamento inapropriado com uma mulher mais de dez anos mais nova que eu! – Ele falou como se cada palavra doesse pra sair.
- O QUÊ? – Eu não aguentei e acabei gritando, aquilo era um absurdo.
- Não adianta gritar, , agora já está feito... Eu tenho que ir à audiência amanhã pra ver o que vamos fazer...
- Como ela pode fazer isso? Eu não estou mais ficando sozinha com as crianças, nós estamos fazendo exatamente o que ela pediu! Como ela pôde?
- Simplesmente ela pôde! Agora eu vou ter que dar um jeito nisso! – Ele passou a mão no rosto cansado e passou direto por mim.
- Hei... Nós vamos dar um jeito nisso! Juntos! – Eu falei, o segurando pelo braço, sorriu fraco, tirando minha mão.
- Queria saber como, sendo que juntos nós causamos isso!
- , o que você tá dizendo?
- Eu não estou dizendo nada, ! Eu só... Preciso de um tempo... – Ele foi na direção do quarto, mas parou – Acho melhor você dormir na sua casa hoje!
Eu não conseguia ficar ali, eu me sentia péssima, aquilo em parte era culpa minha.

- E foi isso... Ela agora tá alegando que o não tem condições de cuidar das crianças! – Eu estava sentada em frente a , , e contando a gigantesca história enquanto eles, abraçadinhos no sofá, comiam pipoca.
- Ela é louca? – foi o primeiro a se manifestar – Não tem pessoa em mais condição de cuidar dos filhos do que o !
- Que mulher mais idiota! Ela acha que isso vai fazer vocês dois se separarem? – falou.
- Não, ela acha que isso pode fazer o voltar pra ela, o que ele já fez antes!
- E não só pode fazer como eu acho que já fez... – Eu falei, sentindo as lágrimas se formarem - Ele parecia outra pessoa... Estava frio, distante... E eu sei que os filhos são tudo pra ele.
- , não seja boba, é claro que ele não vai voltar pra ela! Eu o conheço como a palma da minha mão, se vocês estão mesmo neste relacionamento, ele não vai fazer nada sem você ou que o faça te perder! – se levantou e veio se sentar ao meu lado - De verdade, eu não dou três horas pra ele vir correndo atrás de você!
No mesmo momento que ele falou, meu celular começou a tocar, quando fui ver era . Sorri instantaneamente o que fez e baterem as mãos, tipo high five, e as meninas rirem.
Atendi com o coração na mão, tinham apenas duas opções para ele ter me ligado, ou ele ia me deixar ou ele ia fazer como fez, e eu rezava para que fosse a segunda opção.
- Amor? – A voz dele era chorosa, e no mesmo momento eu relaxei.
- Oi...
- Me desculpa por ter falado com você como eu falei...
- Tá tudo bem...
- Não, não está! Foi exatamente por isso que meu casamento acabou, e eu não quero fazer isso com você! Eu já falei, eu te amo!
- Eu também te amo. - Eu deitei na cama, sentindo todo peso e agonia indo embora com cada palavra que dizia.
- Nós vamos mesmo solucionar de algum jeito, juntos!
- Combinado então! Posso ir pra sua casa agora? – Eu falei já me levantando, pronta para pegar a bolsa.
- Não amor, melhor não... Nós vamos solucionar isso juntos, mas hoje eu preciso pensar... Sozinho.
- Ok então, se você acha que é melhor!
- Eu acho sim... Nós nos falamos amanhã, beijos...
- Beijos, te amo! – Eu falei, mas ele não respondeu, desligando direto.
Eu queria muito ir pra casa dele, mas se ele precisava daquele dia sozinho, eu iria respeitar.
No dia seguinte fomos juntos para a tal audiência, ele disse que queria deixar claro para que estávamos juntos, mas durante todo o caminho ele estava frio e distante.

- Mas é muita palhaçada, né? – chegou e ficou nos olhando com cara de raiva.
- O que é palhaçada? Eu estar com a mulher que eu amo ao meu lado? – falou, me puxando e me abraçando, e, apesar de parecer sincero, eu me sentia usada.
- Senhores, por favor! – O advogado de , que era um dos clientes do estúdio, tentou apartar a situação. Os dois entraram e eu fiquei do lado de fora esperando.
Demorou duas horas, as duas horas mais longas. Quando eles saíram, estava com um sorriso de orelha a orelha e saiu bufando, não precisou de muito para saber que ela não tinha conseguido o que queria. correu pra me abraçar, mas eu ainda me sentia com uma placa de gelo gigante entre nós.
- Ok, mas não cante total vitória! Você ainda vai ter que provar isso com várias visitas surpresa da assistente social!
- Vai ter que ter assistente social? – Eu falei indignada - Ele é o pai!
- É o pai que está namorando uma mulher treze anos mais jovem, isso conta bastante! Você é praticamente uma adolescente!
- Philip, por favor! – o repreendeu com o olhar, e eu me afastei, andando na frente, dando a desculpa que iria pegar o carro.
Não sei por que, mas eu comecei a me sentir esgotada, um mês com o e já tinha tido mais emoções do que um ano de namoro com Bernardo. Bernardo. O que ele estava fazendo de novo em meus pensamentos?

entrou no carro e não falamos nada, fomos direto para casa dele, eu o deixei, mas não quis entrar.
- , nós temos que comemorar! – Ele colocou a mão na minha perna, rindo malicioso.
- Não , eu quero ir pra casa!
- O que aconteceu? – Ele perguntou, se virando e me olhando desconfiado - Era pra você estar feliz que a não conseguiu o que queria.
- Será que não conseguiu?
- , eu consegui continuar com a guarda de fim de semana dos meus filhos, nós juntos! O que tem de errado?
- Nada , não tem nada... Agora me explica por que eu tô sentindo esse iceberg entre a gente?
- ... – Ele não tinha palavras e ficava olhando pra mim como se quisesse pedir socorro.
- Hoje quem precisa de um tempo sozinha sou eu! Por favor. - Eu virei para não ter que olhá-lo e assustei quando ele bateu a porta com muita força.
Meu coração estava despedaçado, mesmo sabendo que isso não era o fim do nosso namoro, eu detestava não estar às mil maravilhas com ele.

Capitulo 11

Tudo que a havia aprontado tinha dado errado, a assistente social não viu problema algum em me deixar cuidar dos meus filhos e muito menos um problema no meu relacionamento com , mas ela parecia estar encontrando.
Quando me ameaçou, quase me tirando meus filhos, eu comecei a repensar sobre meu relacionamento com ela, e mesmo não querendo demonstrar eu me sentia divido, e por alguns segundos havia me decidido em terminar, mas depois percebi que era exatamente isso que queria, mas era o oposto do que eu queria e precisava, afinal, não tinha dúvidas de que eu amava . Mas agora parecia que cada pequena coisa era motivo para iniciar uma discussão, parecia que qualquer coisa era o suficiente para nós nos desentendermos.
Ela não parecia entender que nossas vidas precisam mudar. Ela queria trabalhar, queria estudar, queria viajar, queria planejar e, mesmo sempre nos colocando nos planos, não agia como uma pessoa centrada. Estava sempre sendo inconstante, querendo coisas novas, querem fazer planos mirabolantes. Ela não estava sendo uma mulher, ela parecia uma adolescente.
estudava muito e isso não me incomodava, mas seu trabalho ocupava muito do seu tempo, ela buscava as crianças na escola todos os dias, mas não tinha tempo para mim. Ela ficava na minha casa e só queria saber de arrumar, de pensar, de planejar. Não tinha tempo para mim, então eu fico nessa inconstante dúvida, será que ela é a mulher que eu preciso? A resposta era sempre sim, mas eu a sentia diferente, como se estivesse sempre forçando as coisas, mas nunca suprindo as expectativas.
Estávamos juntos há três meses agora, mas se fôssemos contar, apenas um sem brigar. Era qualquer coisa. Tudo gerava um conflito. O último e pior de todos foi uma festa que ela queria ir com as amigas da faculdade.
- Eu vou nessa festa, ! Espero por isso desde o meu primeiro dia na faculdade! – Ela falava enquanto procurava uma roupa no armário.
- Eu achei que agora as suas prioridades fossem diferentes! – Eu cruzei os braços, parando em frente ao armário.
- Minhas prioridades são diferentes, mas não as suas... – Ela tentou me tirar da frente, mas continuei parado - Eu vou sair com as minhas amigas!
- , você não é solteira! Você tem um namorado!
- Eu tenho namorado, mas não estou morta! Licença que eu quero procurar uma roupa! – Ela cruzou os braços na minha frente, me imitando, e ficou séria. Eu não via no fundo aquele olhar brincalhão de quando brigávamos, dessa vez ela estava realmente irritada, e dessa vez ela não parecia aberta a um acordo. Tentei me aproximar para beijá-la, mas ela se afastou. Fiquei enraivecido mas não fiz mais nada, saí batendo o pé e a porta. Alguma coisa tinha que mudar.
Fiquei sentado na sala vendo TV com e quando apareceu, um vestido justo e curto, preto, uma bota de salto, os cabelos ondulados de lado e uma maquiagem forte. LINDA.
- Eu estou indo. - Ela falou, mas se direcionando para , mexia no celular e pegava a pequena bolsa rosa de mão que estava na mesa - Não sei que horas volto, mas estou levando as chaves.
- Tudo bem, só não faz barulho, tá? – falou, me olhando, e eu não desviava o olhar de . Qu sabia o quanto meu olhar podia ser ameaçador, mas ela nem parecia se importar. O interfone tocou e ela atendeu rapidamente, nem me olhou e já foi abrindo a porta.
- ? – Eu a chamei. Quando ela se virou, deu pra ver suas bochechas rosadas, e seu olhar doce, mas alguma coisa estava diferente ali.
- Tchau, . – Ela falou dando um tchauzinho de leve com a mão e saindo.
- Jer... – começou a falar, mas eu nem quis ouvir, fui direto para o quarto dela. Eu iria esperar ela chegar.

Peguei no sono em seu quarto enquanto assistia a um filme de polícia de quinta, acordei com o barulho da porta sendo forçada, olhei para meu relógio que estava na cabeceira. Quatro e meia da manhã. Corri para a sala, um pouco assustado, pela forma como a porta estava sendo forçada, olhei pelo olho mágico e vi tendo dificuldade para colocar a chave na maçaneta.
- ? – Eu falei, abrindo, e ela logo caindo no meu colo. O cheiro de bebida estava forte e seus cabelos estavam bagunçados.
- Jer... O que você...? – Ela não conseguia completar, eu a peguei e a levei direto para o banheiro. Começou a gargalhar, escandalosamente.
- Xiu amor. - Eu tentei calá-la, mas quanto mais tentava contê-la, mais irritada ela ficava e mais alto falava.
- PARA, É MINHA CASA, SE EU QUERO GRITAR EU GRITO! – Ela se soltou, abrindo os braços e girando no meio do corredor quando conseguiu se soltar a caminho do banheiro.
- , chega! – Eu a peguei pelo braço, a empurrei para dentro do banheiro e tranquei a porta - Vem, vamos tomar banho...
- Não quero! – Ela tentava se soltar e abrir a porta do banheiro.
- ! – Eu falei bravo a pegando pelo braço e sentando no vaso - Para de criancice!
- Eu não sou sua filha! – Ela falou, me fazendo soltar seus braços bruscamente.
- Exatamente! Se fosse não seria mal educada assim! – Eu falei, abrindo o zíper lateral de seu vestido, assim que caiu ela gritou.
- Para! – Ela tentou me bater, mas eu a contive. Segurei com força em seu braço, a levantando e a jogando para dentro do box. No momento eu estava tão nervoso que não conseguia me conter, eu não queria ser grosso, mas ela tinha conseguido me tirar do sério. Abri o chuveiro e fiquei a segurando embaixo da água gelada, acabei me molhando junto, mas a raiva era tanta que a água gelada não tinha muito efeito sobre mim.
- Por que você tá fazendo isso? Me solta! – Ela me dava socos até fortes que ardiam, mas não causavam tanta dor como ela pretendia.
- Boa pergunta! – Eu falei, a puxando novamente, já que ela deslizava sem força nas pernas, e a fiz olhar nos meus olhos - Para de bobeira e fica firme!
- Eu não consigo! – Ela falou, apoiando a cabeça no meu ombro. Não por muito tempo, já que logo se curvou e vomitou.

Depois que percebi que ela começou a melhorar, a tirei do chuveiro e a levei para o quarto. bateu na porta assustada, querendo saber o que tinha acontecido, mas eu consegui acalmá-la, a fazendo voltar pra cama.
Deitei e a troquei. Ela estava quieta, sabia que tinha feito coisa errada.
- ... – Ela começou.
- Não fala nada! Eu tô puto e vou falar merda! – Eu estava sentado de costas pra ela, secando seu pé para colocar a meia. Sabia como ela era friorenta e não conseguia dormir sem meias, e mesmo estando morrendo de raiva, eu ainda a paparicava.
- Eu não estou feliz! – Ela falou. Foi o suficiente para sentir meu coração se despedaçar.
- Você não... está? – Eu a olhei, e ela estava com os olhos cheios de lágrimas.
- Não. – Ela abaixou a cabeça, brincando com a barra da camiseta do pijama - Não estou.
Eu não sabia o que dizer, coloquei a meia em seu pé e levantei, pegando minha carteira, celular e chaves no criado mudo e indo para a porta.
- Eu não estou feliz, porque não sinto que te faço feliz! – Ela falou baixinho, me fazendo parar de súbito – Eu só estou te dando problemas e trabalho, eu não quero ser outro filho, eu quero ser sua namorada e companheira, mas às vezes não acho que você me vê assim...
- ... – Eu me virei.
- Eu quase fiz você perder a guarda deles, e eu sei que eles são tudo pra você! São tudo pra mim! – Ela abraçou as pernas sem me olhar - Eu senti o quanto você se afastou, e eu sei que você chegou a repensar sobre mim... Percebeu o quanto a gente briga?
- , não pensa assim...
- Eu sei que você quis terminar, eu sei que você tá cansado, eu sei que às vezes eu te decepciono, eu sei de tudo isso, mas... Hoje, quando você falou que achava que as minhas prioridades eram outras... Você não consegue ver quem eu sou, ! Você só vê o que você quer que eu seja!
- Claro que não! Eu vejo quem você é!
- Não! Não vê! – Ela se aproximou de mim, ainda sentada na cama - Você vê quem você quer! Você vê a madrasta que você quer que eu seja, você vê a companheira que você quer que eu seja, mas você principalmente vê uma menina treze anos mais nova! É isso que você sempre vê!
- , eu nunca te vi só como isso!
- Eu sei que não, mas isso sempre foi o principal, e eu sou mesmo! Eu sou mais nova que você, mas isso não muda em nada o quanto eu me comprometi e o quanto eu sou comprometida com você... Quando a gente se conheceu eu falei que me apegava fácil, e você disse que não queria, quando começamos a ficar antes mesmo do Bernardo nós conversávamos muito e eu sempre deixei claro o fato de eu ser do contra, de eu ser inconstante, de eu ser jovem e sempre querer estar à frente, e você disse que não se incomodava!
- E não me incomodo! – Eu falei, pegando sua mão.
- Se incomoda sim! – Ela puxou minha mão para me manter mais perto - Depois que a tentou tirar a guarda das crianças que eu vi o quanto isso ficou muito mais... forte! Eu amo as crianças, eu as amo, , muito! Como se fossem meus; aliás, às vezes eu chego a pensar que são! Mas ao mesmo tempo, eu tenho a minha vida! Eu tenho dezenove anos, eu estou na faculdade, eu tenho crises existenciais ainda, eu mal consigo decidir que sabão em pó comprar, porque eu estou morando fora da casa dos meus pais há menos de um ano, eu comecei a minha vida agora e eu me esforçando muito pra ser responsável e madura o suficiente para ser a mulher que você precisa, mas eu precisou ter dezenove anos de vez em quando! Eu preciso disso! E eu preciso parar de me sentir insuficiente pra você! – Ela abaixou a cabeça e eu pude ver as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
- , você não é insuficiente pra mim! Eu te amo! – Eu a puxei para sentar em meu colo e eu percebi a quão indefesa ela é.
- Talvez você não perceba as suas atitudes, mas elas são assim, eu as sinto assim! E hoje eu tentei ser quem eu achei que deveria, mas durante a festa inteira eu fiquei pensando em você e bebendo pra tentar te esquecer! – Ela se aninhou no meu peito, me puxando pra perto.
- Você quer ter...
- NÃO! – Ela falou, me olhando desesperada - Não, eu não quero terminar! Eu só preciso... Eu só preciso me sentir suficiente! Eu preciso sentir saudades, eu preciso ser conquistada e conquistar! Eu preciso...
- De nós dois! – Eu falei, entendendo onde ela queria chegar - Me desculpa, amor, eu fiquei esse tempo todo querendo te fazer ser o que eu achei que deveria pra assistente social, pra , pra todo mundo, e não o que você deve ser, que é você! Eu tava deixando o nosso relacionamento escapar porque eu queria te mudar, mas você não precisa mudar! – Por um segundo eu parei para pensar nesses três meses juntos, e em todas as nossas brigas, e realmente todas se iniciavam porque eu queria que a agisse de um jeito que eu sabia que não era o dela. Eu a havia feito se sentir desconfortável. Eu a havia feito sentir como se o problema do nosso relacionamento fosse ela, quando na verdade o problema era eu – Me desculpa amor, me desculpa! – Eu a beijei com vontade, tentando demonstrar o quanto eu sentia muito por tê-la feito passar por tudo aquilo. Eu tinha sido um péssimo namorado durante o período em que eu acreditava que ela estava sendo ruim.
- Vamos voltar a ser o que sempre devíamos ter sido! Companheiros, como no começo! Sem colocar nada em cima do outro, sem querer que o outro seja o que não é, ok? – Eu falei, a puxando para deitar ao meu lado – E se eu voltar a ser um babaca você me avisa, ok?
- Ok! – Ela concordou, me beijando. E agora eu a sentia como no nosso primeiro mês juntos. Como no nosso primeiro beijo, como no nosso primeiro momento. Eu a sentia como a minha .

No dia seguinte acordei cedo, iria até a casa do Tom, precisava conversar um pouco com Giovanna, e precisava descansar, por isso deixei um bilhete e saí.
- Hello? Alguém em casa? – Falei, entrando na casa dos Fletcher, o silêncio absoluto reinava. Giovanna apareceu sorrindo.
- Todos dormindo! – Ela falou, já vindo me abraçar, sua barriguinha já estava saliente - A quê devo a honra?
- Preciso conversar, vou ser chato demais? – Eu falei, indo abraçado a ela até a cozinha.
- Claro que não, adoro quando você vem aqui fofocar! – Ela falou, fazendo cara de sapeca e não aguentei, a apertei.
- Tinha esquecido como você fica linda grávida!
- Não fale isso perto do Tom, ele fica com ciúmes! – Ela disse, entrando na cozinha e já indo em direção à geladeira - Quer comer alguma coisa? Está com cara de fome!
- Ah, eu quero, por favor... Saí da casa da sem comer nada! – Eu falei, colocando a carteira e as chaves na mesa e me sentando.
- Ih, o que aconteceu? – Ela falou, pegando algumas coisas, colocando na mesa e se sentando.
- Tivemos uma conversa séria ontem à noite... Quer dizer, hoje de madrugada! Ela foi a uma balada da faculdade, chegou bêbada e desatou a falar coisas que eram puras verdades...
- Hum, aquelas difíceis de ouvir? – Gio falou, cortando um pedaço generoso de queijo e o comendo.
- Exatamente! Eu não tinha percebido, mas eram sim... Que eu... Meio que a pressionava a ser uma coisa que ela não é...
- Comentei ontem isso com o Tom... A coitadinha estava praticamente se contorcendo pra te agradar e nada parecia o suficiente!
- Estava tão evidente assim? – Eu falei, derrotado.
- Estava! O que me lembra exatamente como foi a fase do divórcio entre você e ! Você querendo que ela fosse uma coisa que ela não era! A diferença é que a te falou tudo isso e a só sabia guardar e jogar na cara depois! – ela falou, se apoiando na mesa.
- Eu não quero me separar dela! Não mesmo, e apesar de ter doido ouvir tudo aquilo, foi muito bom, sabe? Agora eu sei onde estávamos errando!
- Isso é uma coisa boa... Afinal, você já está muito apegado a ela, e as crianças também...
- As crianças principalmente! – Eu falei – Esses dias eu tenho certeza que a Leah falou ‘’, mas eu fingi não ouvir, porque foi justo quando os estava deixando na casa da ! – Quando falei, Gio tampou a boca e arregalou os olhos, que já lacrimejavam.
- Ain, odeio ficar tão sensível assim... – Ela falou rindo e limpando os olhos - , não a deixa escapar!
- Não vou, fica tranquila! Eu só queria poder consertar tudo isso de uma vez.
- Não a pressione tanto, não queira tanto uma coisa que você mesmo não consegue... – Gio falou, segurando minha mão – Pode doer o que eu vou falar, mas é verdade... Você quer cobrar dela uma responsabilidade que você mesmo não tem. Aliás, se for para ver quem é mais adolescente aqui, acho que você ganha! – Ela falou, rindo.
- Nossa, obrigado! – Eu falei, rindo junto, afinal, eu sabia que era verdade, não tinha como rebater.
- Olha quem está aqui! – Tom apareceu de pijamas na cozinha, abraçou Gio por trás, lhe dando um beijo na cabeça, e veio me cumprimentar.
- Oi Tom. - Eu o cumprimentei.
- , tão cedo aqui? Deve ter acontecido alguma coisa, certo?! – Ele falou, sentando à mesa e colocando suco no que antes era o meu copo.
- Certo! Não sei o que seria de mim sem vocês dois!
- Nada! – Tom falou simplesmente, nos fazendo rir.
- FALA CAMBADA! – apareceu todo sorridente, já se sentando na bancada - Minha noite foi fantástica! E a de vocês?
- Nossa, que felicidade matinal! – Giovanna falou, se levantando e indo pegar alguma coisa no armário.
- A enfermeirinha deu conta do recado, é? – Tom falou com a boca cheia, nos fazendo rir.
- Ô se deu! – tinha os olhos brilhantes e um sorriso de felicidade imenso no rosto - Sério, nada melhor do sexo de madrugada na salinha de remédio! É tão emocionante!
- Na salinha de remédios? – Gio falou, fazendo cara feia - Vocês são um tanto...
- Nojentos! – Eu completei e todos rimos.
- Calem a boca, isso é pura inveja! – falou, jogando um pano de prato em direção a Gio, que só ria. De repente ela parou e saiu correndo, eu e ficamos assustados, mas Tom continuou comendo numa boa.
- Relaxem, enjoos matinhas, normal! – Ele falou, colocando mais suco no copo.
Ficamos os quatro conversando até as crianças acordarem, depois eu recebi um telefonema de Mimi, a mãe de . Ela queria conversar. Me despedi dos meus sobrinhos, recebi mais alguns conselhos significativos de Gio e me fui. Já fazia ideia de que a conversa seria BEM longa.

Entrei no restaurante e não foi difícil encontrar Mimi, ela estava sentada na mesma mesa ao fundo de sempre, com as suas roupas espalhafatosas não foi difícil de encontrá-la na pequena multidão do local.
- , meu amor! – Ela veio de braços abertos me abraçar, como eu a adoro.
- Mimi! – Eu a abracei de volta. Mimi sempre me entendeu muito mais do que a própria filha.
- Querido, pode me dizer o que anda acontecendo entre você e minha filha? – Ela falou sem nem me dar tempo para respirar, sempre direta.
- Ficou sabendo da intervenção que ela tentou fazer na justiça?
- Fiquei... Como também fiquei sabendo que aquela gracinha de cabelos rosa do aniversário do Jake é a sua nova namoradinha!
- Por que eu senti uma certa ironia da sua parte, Mimi?
- Porque eu fui irônica, meu bem... – Ela me olhou sério, da mesma forma que sempre me olhava quando queria me repreender - Treze anos mais nova? Você sabe o que isso significa para uma mulher?
- Mimi, eu sou separado da há mais de um ano, eu não tenho que dar...
- , vocês tem filhos, vocês ainda fazem parte da vida um do outro, você tinha que arranjar uma namoradinha treze anos mais nova?
- Se fosse da minha idade o problema seria que ela é da minha idade, se ela fosse mais velha o problema seria que ela é mais velha, se fosse porque... TUDO vocês arranjariam um motivo para criticarem!
- , eu sempre adorei você, suas outras namoradas eu não critiquei. - Ela falava, mas eu já começava a me irritar.
- Claro que criticou, Mimi, ela não é a primeira, a diferença que ela é a primeira pela qual eu luto e pela qual eu estou mandando todo mundo à merda!
- ! – Ela pareceu se ofender, me olhou com as sobrancelhas juntas e a mão no peito.
- Me desculpe, Mimi, mas é a verdade! Eu achei que você fosse ser a única que me entenderia!
- Te entender por quê? Assim como as outras, essa vai sair rapidinho da sua vida quando ver a bagunça que ela é!
- Eu queria entender o que é que está acontecendo? – Eu sentia meu coração bater tão rápido que cheguei a me assustar - A se transformou nessa louca da noite para o dia, que tenta me destruir a qualquer custo, sendo que ela sempre me apoiou em tudo, mesmo porque ela que disse que eu deveria ir atrás da , ela apoiou e muito, e agora ela tenta destruir todo pequeno fragmento de felicidade que eu tenha! E você, Mimi, que sempre foi muito compreensiva! Eu já tive outras namoradas depois do divórcio e nunca as apresentei às crianças, porque eu sabia que não era nada, mas a eu apresentei porque eu amo, amo como acho que nunca amei ninguém, nem mesmo a sua filha! – Eu desatei a falar, e tão rápido que nem sabia se estava me expressando direito.
- ! Não lhe dou o direito de falar assim comigo, nem assim da minha filha! Se ela está tentando te frear de alguma forma é porque ela está vendo algo que você não está! Esse relacionamento é sem cabimento!
- Chega, Mimi, se você não tem nada além disso para me dizer eu dispenso! – Dizendo isso eu me levantei, mas ela me impediu.
- , vamos conversar civilizadamente, por favor? – Ela olhou para os lados e eu pude perceber que chamávamos bastante atenção.
- Eu não quero conversar mais sobre isso, já que você pareceu deixar bem claro que não apoia a minha decisão! – Eu falei, tentando me conter.
- Mas nós precisamos conversar! São meus netos, e Deus sabe o quanto essa menina está influenciando na vida deles... comentou que Jake fez um desenho da família e a incluiu! – Mimi parecia extremamente incomodada com a situação.
- E ela será incluída sempre! Ela É da família! – Eu voltei a me exaltar.
- , essa menina tem dezenove anos! Tem certeza que ela quer esse tipo de relacionamento?
- Se ela não quisesse não estaria comigo!
- Abaixe a guarda, pelo amor de Deus, pelo menos agora! Estou tentando conversar com você numa boa! – Mimi segurou minha mão, respirando fundo - Quem te garante que ela realmente quer fazer parte desse tipo tão avançado de relacionamento?
- Ela! Eu confio plenamente nela!
- E ela já demonstrou isso também? Sim, porque falar... Todos nós falamos, são palavras e planos de um futuro, muito lindo... Mas na prática!
- Mimi... Ela é diferente! Ela quer isso, já demonstrou! Nós brigamos sempre, mas nós nos amamos e isso sempre superou tudo! – Eu rebatia a qualquer ofensa que ela jogasse. Quando eu quero ser teimoso e defender minhas ideias eu consigo ser bem convincente.
- Tudo isso é muito lindo... – Ela falou, bebendo um gole de chá e depois voltando a me olhar profundamente – Sua mãe... sabe disso? Conhece a moça?
- Não, ainda não... Estou pensando em apresentá-las nesse fim de semana...
- Ok... E a quanto tempo vocês estão juntos?
- Três... – Eu parei, já havia percebido a onde ela queria chegar, deveria ter percebido isso antes na realidade. Mimi é uma excelente psicóloga, não sei como me esqueci disso – Eu entendi o que você está tentando fazer, assim como a sua filha está tentando me fazer enxergar sozinha, o que tem de errado na situação... E eu te digo, Mimi, me apoiou MUITO quando eu estivesse sofrendo por e quando nós tivemos aquela nossa pequena reconciliação, e acho mesmo que agora toda essa revolta foi dada pelo fato dos nossos filhos adorarem a companhia de , então se for para fazer analise em alguém, aconselho que faça nela... Afinal, é ela que está com problemas!
- Muito bem, já percebi que você não vai baixar guarda e não vai conversar direito comigo! Tudo bem! – Mimi falou, erguendo a mão e chamando o garçom - Só não venha correr até mim depois! – Dizendo isso ela se levantou e saiu. Meus conceitos sobre minha tão querida ex-sogra tinham acabado de mudar.

Voltei para o apartamento de logo em seguida, ela estava deitada na sala toda relaxada assistindo a alguma série policial. Quando entrei ela sorriu docemente e me chamou para sentar ao seu lado no sofá.
- Que cara, amor... Tá tudo bem? – Ela perguntou, colocando as pernas por cima das minhas e se aproximando o máximo possível.
- Tudo ótimo... – Eu falei, fazendo carinho em sua perna e olhando para a TV, até que tive uma ideia fantástica – O que você vai fazer esse fim de semana?
- Por enquanto nada... Por quê? – Ela falou me dando beijos por todo o rosto e fazendo carinho em meu pescoço.
- O que acha de ir conhecer meus pais? – Eu falei, e no mesmo momento ela abriu um sorriso imenso.
- Perfeito! E o que você acha de ir conhecer os meus pais? – Ela falou sorrindo, e eu senti meu estomago revirar, eu tinha me esquecido, ela tem pais também!


CONTINUA...


N/A: Ok, eu sei que estou uma atualização atrasada, mas por alguns acontecimentos particulares eu fiquei sem tempo de escrever, e aqui estão três capítulos novos para vocês! Eu sei também que vocês devem estar pensando, 'reescreveu o capítulo 9, porque?' bom, eu vi uma critica dizendo que o capítulo estava muito rápido e fiquei com isso por muito tempo na minha cabeça, por isso resolvi mudá-lo e acho que ficou muito bom, melhor bastante a história.
Eu disse que a iria dar problema certo? Bom, se acostumem porque é só o começo, a diferença é que posso dizer para vocês de todos coração que as brigas entre a personagem e seu guy acabaram, eles vão estar mais unidos do que nunca. Quero que você parem de ter tanta raiva dela, e lembrem-se, apesar do nosso guy ser O NOSSO GUY ela é jovem, e sabemos como os jovens podem ser! hihi.
Qualquer coisa, se gostarem, não gostarem... Continuem comentando para que eu possa saber! Essa história só é o que é por vocês! E, sei que é bem cedo para dizer isso, mas... Alguém tem ideia de como essa história vai terminar? Porque, não sei se já disse (se não estou dizendo agora), essa não é uma história convencional, nem total conto de fadas, eu tento mantê-la o mais realista possível, por isso façam as suas apostas e continuem sendo essas leitoras fofas que iluminam cada vez mais os meus dias a cada cometário, ok?
thats all, :*
s2

N/B: Fiquei nervosa ao betar esses capítulos, tudo porque essa mina principal é TÃO CHATA! Caramba, como ela é nojentinha. Fica se achando mãe dos filhos dos outros e super madura com seus 19 anos e cabelo rosa. Por favor, né colega, larga de ser tão tosca e acorda pra vida... e o Harry é um frouxo do caramba, diz que os filhos são as coisas mais importantes da vida dele mas na verdade fica que nem um idiota babando na namoradinha mimada e nem liga pra como isso pode estar afetando os filhos. AI, QUE RAIVA. Sou team Izzie all the way (considerando o que ela fez até agora, já que vai saber do futuro, né), já que pelo menos ela parece estar se preocupando com os filhos – e se uma criança mimada que nem essa principal viesse pra cima dos meus filhos, fingindo que é uma ótima mãe sendo que provavelmente só sabe trocar fralda, ih... nem sei o que eu faria. A situação tá punk, viu, HUSIAHUSIHIUSD