
Autora e Beta-Reader: Bru Carmelli.
- ! - Chamei quando o vi passando. Sinto muito, mas não pude me conter. Eu queria muito falar com ele, estava morrendo de saudades.
Ele se virou e sorriu ao ver quem estava lhe chamando, e agora vinha em minha direção. Cumprimentou-me com um beijo na bochecha, como sempre, então olhou em volta.
- Está sozinha?
- É... - Torci a boca. - A Carla está doente.
- Ah. - Ele fez uma cara triste também. - Que pena.
- É. Mas, hei, você foi à reunião de pais dessa semana?
- Fui! Um absurdo, não é? Eles avisarem agora que estão fechando a escola?
- Eu sei. - Revirei os olhos. - E então, já sabe pra onde você vai ano que vem?
- Eu estava pensando naquela escola que fica no centro da cidade, sabe? O Pedro também vai pra lá, então fica mais fácil... E você?
- Eu... Não sei. Talvez eu vá pra essa do centro também.
- Mas não fica muito longe pra você? Você mora naquele bairro novo, não é? Fica lá no norte, e...
- Eu sei, fica sim. - Assenti com a cabeça.
Ele me olhou de um jeito um pouco diferente. Parecia estar tentando desvendar minha expressão. Mas não, não podia ser aquilo. Por que ele se importaria em desvendar minha expressão? Eu era apenas uma garota mais nova, afinal. Com aquele seu corpo lindo e seus olhos perfeitos, é óbvio que ele nunca ligaria para mim. Não que isso o tenha impedido de invadir meus sonhos na noite anterior. E na anterior também.
Sonhos no qual a escola não iria ser fechada, e nem teríamos que nos separar.
Quem dera se tornassem realidade.
- O que foi? - Ele perguntou, fazendo com que eu me lembrasse da realidade.
- Oi?
- No que você estava pensando tão concentrada?
Pude me sentir corar. Muito. O que, com minha pele clara como papel, não seria difícil de ser notado.
- Nada não. - Balancei a cabeça, fazendo minhas tranças negras baterem de leve em meus ombros.
Ele voltou a me olhar com aquele jeito diferente.
- O que é? - Franzi o cenho.
- Nada não. - Ele debochou, dando de ombros e repetindo minha resposta.
Ergui as sobrancelhas, como que esperando uma explicação melhor, mas ele só copiou minha expressão.
- Certo, não vai dizer mais nada? - Perguntei.
Ele deu de ombros.
- Você não vai me responder.
Estava com medo de começar a corar novamente.
- Você não quer saber. - Murmurei.
- Quero sim!
- Quer nada. - Balancei a cabeça e desviei o olhar para o chão.
Pude ver de canto de olho que ele tinha revirado os olhos antes de colocar uma mão em meu queixo e me fazer olhar para ele.
- Diga-me.
- Vai ser muito idiota se eu disser que... - respondi devagar, hesitante - ...eu não queria ficar longe de você? - De repente, percebi que eu tinha dito tudo. E sabia que estava ficando ruborizada novamente.
Pude ver surpresa passar por sua face antes de ele voltar a sorrir para mim.
- Não. - Ele tocou a ponta do meu nariz com seu indicador suavemente. - Na verdade, sim. - Ele reconsiderou, quase me matando do coração. - A não ser que você me diga uma coisa.
- O quê? - Perguntei, quando ele não terminou a frase.
- O motivo. - Ele disse, como se fosse óbvio.
Pisquei algumas vezes atônita. Oi? O motivo?
- Você já está ficando muito exigente pro meu gosto, . - Cruzei os braços.
- Deixa disso! - Ele exclamou. - É só uma coisinha simples.
- Por quê?
- Ahn?
- Por que você quer saber isso?
- Porque estou curioso.
- De verdade? - Arqueei uma sobrancelha, não aceitando sua resposta. - Você me faz admitir uma coisa daquelas, pra responder que está curioso?
- Hm... - Ele pensou um pouco. - Sim?
- Não. - Balancei a cabeça. - Pode ir falando.
Ele mordeu o lábio inferior, e percebi uma expressão nele que nunca tinha percebido antes. Ele parecia tímido. Não pude deixar de notar que ficava muito fofo com essa expressão tímida no rosto, e segurei minha vontade de pular e apertar suas bochechas.
- Porque... - Ele começou. - Ah, você não quer saber.
- ! - Reclamei.
- Certo, certo. - Respirou fundo. Então soltou tudo de uma vez, tão rápido que eu quase não entendi: - Porque eu me importo com a sua opinião.
Tentei não dar pulinhos de alegria ao ouvir aquilo. Ao invés disso, me esforcei para revirar os olhos.
- Que fofo, até finge que se importa com a minha opinião pra fazer eu me sentir melhor! - Brinquei. Estava tentando disfarçar o quanto aquilo tinha me deixado feliz, é claro, mas também queria ouvir aquilo de novo. Podia gravar aquela frase e ouvi-la várias vezes, de novo e de novo, e não me cansaria nunca.
- Hei! - Ele reclamou, para meu alívio e felicidade. - Não é nada demais, eu só queria saber o que você ia me dizer, conta logo. - Meu mundo desabou.
Era como se alguém tivesse me dado um tapa na cara. Na frente de todo mundo. E filmado aquilo, e colocado na internet. Sentia-me ridícula, acreditando que ele realmente se importaria. Era óbvio que era brincadeira. Não era como se eu não soubesse que sempre fora um bom ator. Ele estava no grupo de teatro, até. E eu só queria sumir. Queria nunca ter dito o que eu tinha dito antes. Senti inveja dos avestruzes, que numa situação como aquela enterraria sua cabeça no chão, e fiquei com vontade de fazer o mesmo. Exceto que o chão ali era de azulejos, e eu provavelmente só bateria minha cabeça neles com força e o máximo que ganharia seria uma dor de cabeça.
E acho que acabei deixando isso transparecer - não a parte do avestruz, mas de ficar desolada -, pois ele logo se corrigiu.
- Eu estava brincando! - Ele colocou as mãos nos meus ombros. - , era brincadeira!
De repente, era como se ele não tivesse dito aquilo antes, e eu nunca tivesse ficado triste. Algo naquele sorriso reconfortante que ele me lançava e naqueles lindos olhos que olhavam diretamente para os meus me dizia que ele estava mesmo brincando. E me deu uma pequena esperança de que talvez, só talvez, ele realmente se importasse com o que eu pensava.
E eu concluí que estava ficando bipolar. Com uma frase, eu fico com vontade de me encolher e chorar até a morte. Com outra, fico feliz e quero dar pulinhos de felicidade. Nota mental: procurar um psicólogo mais tarde.
- Vai me dizer o porquê?
- Oi?
- O motivo?
Oh, sim. O motivo de eu não querer ficar longe dele. Que era basicamente porque ele era o garoto mais fofo de todos os tempos e que eu queria muito vê-lo de novo, muitas vezes, todos os dias, para sempre. Porque eu sabia que sentiria falta dele caso não o visse todas as manhãs como o que aconteceu no ano anterior, porque logo quando nós estávamos ficando mais próximos e uma faísca de esperança de que ficaríamos realmente amigos nesse próximo ano começou a crescer, coisa que já queria há algum tempo, nós temos que nos separar assim, de repente.
E agora essa faísca foi tomada de mim e apagada com um grande balde de água fria.
Porque minha mãe nunca me deixaria estudar na escola para a qual ele estava indo.
E é óbvio que, sem isso, nada mais funcionaria. Ele conheceria outra garota, uma mais legal e mais bonita, em sua nova escola. Ela o conquistaria com apenas um olhar e ele facilmente esqueceria da minha completa existência e viveria feliz para sempre com sua nova namorada perfeita.
- ?
Balancei a cabeça, voltando à realidade mais uma vez.
- Sim?
- Vai me dizer o motivo?
- Não. - Respondi, sem mudar meu tom.
- Mas nós tínhamos um trato!
Respirei fundo. Pensando bem, aquilo tudo era verdade, não era? Eu nunca o veria novamente. Então qual era o problema de ele ouvir o que eu tinha a dizer? Até porque, mesmo se nós nos víssemos de novo - o que era pouco provável - seria dali a um longo tempo. E, depois de tanto tempo, ele teria esquecido tudo o que eu disse. Não é?
- Está bem, você quer saber? - Respirei fundo, um pouco frustrada. Aquela era a triste verdade. E aquele momento seria algum tipo de despedida, como nos filmes. Aquele drama de ‘eu sempre te amei, mas agora não vamos poder ficar juntos nunca mais!’ Exceto que, no filme, aquilo teria um final feliz, e não uma personagem principal bipolar que procuraria um psicólogo mais tarde e viveria o resto de sua vida solitária e provavelmente se tornaria uma daquelas velhas resmungonas que têm milhões de gatos. - Eu vou te contar, mas você vai rir de mim.
- Não vou não. - Ele pareceu duvidar.
- É aí que você se engana... - Respirei fundo, então comecei a falar: - Porque eu vou sentir sua falta? Porque qualquer uma admite que você é o cara mais fofo da sua sala, e da minha também, mesmo você nem estando nela. Porque logo agora, que nós começamos a ficar mais próximos, vamos ter que ir para escolas diferentes, em cantos opostos da cidade, e não nos veremos mais. E é claro que você não liga pra mim, porque eu sou mais nova, e feia, e você pode ter qualquer garota na escola inteira, mas eu queria mesmo é que...
Eu ia continuar falando. Se eu já tinha começado, eu deveria terminar, certo?
Mas eu não pude.
Porque os lábios de agora estavam sobre os meus, me impedindo de terminar minha gigante lista de motivos para eu não querer me afastar dele, que tinha acabado se transformando em um desabafo sobre eu não poder tê-lo para mim. Imaginei minha pequena faísca, que tinha se apagado, se transformar numa forte tocha.
Ele me abraçou pela cintura, e eu envolvi seu pescoço com meus braços.
- Isso te convence que eu ligo pra você? - Ele perguntou ao afastar minimamente nossos rostos, somente o suficiente para nos olharmos nos olhos. Então ele beijou minha bochecha. - E que eu gosto sim de você? - Beijou a outra bochecha. - E me importo com o que você pensa? - Agora a testa. - E não quero só qualquer outra garota na escola inteira? - A ponta do nariz... - Que você é mais bonita do que as outras? - Sorriu e finalizou com um selinho. - E que você é perfeita, bem do jeito que você é?
Quando nos separamos, eu sentia que estava sorrindo de orelha a orelha. Acho que nunca sorri um sorriso tão honesto quanto aquele. O que me deixava mais feliz era ver que também sorria, quase tanto quanto eu.
- E que eu não vou rir de você quando você for honesta comigo? - Ele perguntou, completando seu pequeno questionário.
- É, acho que isso convence sim. - Dei de ombros, fingindo não ligar.
- E sobre o ano que vem... - Ele disse. - Não se preocupe, nós daremos um jeito.
Ele sorriu mais uma vez antes de se inclinar e voltar a me beijar ternamente.
Eu só posso estar sonhando, pensei. Mas, se eu estiver, por favor não me acordem!
FIM!
N/A/B: Ah, finalmente consegui escrever uma short fic, depois de meses tentando, aeae! \õ/ Hahaha. Mais difícil ainda foi decidir um nome pra isso aqui... Brigadão pra Juuh Paixão (a autora de L'Amore, que eu betei *-*), que me deu a ideia de inspirar o nome da fic no de alguma música, haha. :D
Espero que tenham gostado! Não sou muito boa em pensar em histórias fofinhas, melosas e afins, mas isso foi uma tentativa de uma... Ou quase. Mesmo assim, essa fic foi um bom desabafo, fiquei mais de uma hora escrevendo e nem vi o tempo passar, e agora estou me sentindo bem melhor, haha. Bem que ela podia se tornar realidade, er.
E mucho mucho obrigada pra vocês leitoras lindas, que leram essa fic até o final, e também essa N/A que está ficando enorme, hehe.
E heeeei! Comentem, comentem! *--*
Minha outra fic no site (se quiserem ler também *-*): Os Novos Vizinhos (McFLY/Em Andamento)
Ahh, sim. Acharam algum erro, alguma coisa? Manda um email aqui, por favor? brucarmelli@gmail.com.
Beijões, e obrigadinha. (: