Capítulo 1

São Paulo – Brasil, 2008.

- Garota, eu vou pra Califórnia cantava empolgada enquanto amarrava o cadarço de seu All Star roxo.
- Viver a vida sobre as ondas. – gesticulou com os braços o movimento das ondas.
- Vou ser artista de cinema, o meu destino é ser star. – gritou na última palavra.

Levantou-se da cama e foi até o banheiro, olhou-se no espelho, analisou o visual: Baby look preta com os dizeres “It’s my life”, sua música preferida do Bon Jovi, que pra ela “Era o cara”, calça jeans escura, e All Star roxo. Complementava com alguns anéis e pulseira. Ajeitou um pouco o cabelo que ficava na altura do ombro, voltou ao quarto e recomeçou a música de onde tinha parado.

- O vento beija meu cabelo. – fechou os olhos e começou a dançar conforme o ritmo da canção.
- As ondas All the single ladies, all the single ladies. – foi interrompida pelo toque estridente de seu celular.

tinha um gosto peculiar para músicas, na verdade gostava de tudo que a fazia dançar e relaxar.
- Merda! – bufou. – Cadê? – procurava desesperadamente pelo aparelho.
- If you liked it then you should have put a ring on it.
- Calma, Beyonce, vou te achar. – pediu.
Após alguns ursos jogados ao chão, roupas e edredom com o mesmo destino, ela achou o celular em sua cama, a pressa era tanta para atender que nem olhou no visor.
- Vai demorar muito? – uma voz masculina indagou.
- Hein? – ela não reconheceu a voz imediatamente.
- , é seu pai. – esclareceu.
- Pai. – riu. – Ainda estou em casa, mas em vinte minutos eu chego aí.
- Ok, em quarenta minutos você chega aqui. – brincou.
- Eu.... – ia resmungar alguma coisa.
- Conheço a filha que tenho, não demore.
- Beleza. – riu sozinha e desligou o aparelho.
Pegou sua bolsa de pano com estampas coloridas, guardou o celular nela e pegou seu ipod que estava na mesa do computador. Saiu do quarto com os fones nos ouvidos.

- Should I Could I…
Ela cantava junto com a música.
- Have Said the wrong things right a thousand times…

Desceu as escadas dançando a música, sorriu ao ver sua querida “babá” no fim da escada.
- Gertie. – aumentou a velocidade da descida e tirou os fones do ouvido.
- Minha menina. – sorriu ao ver a felicidade da garota.
a abraçou com cuidado, pois sabia que ela já era de idade.
- Eu vou pra Califórnia. – falou empolgada e soltou o abraço.
- É certeza mesmo? – indagou curiosa.
- Sim. – bateu palmas e deu um grito histérico. – Estou indo buscar as passagens e a matrícula da faculdade na agência do papai. – explicou com um sorriso enorme no rosto.
O pai de era um homem de negócios, tinha uma agência de publicidade reconhecida na cidade de São Paulo, onde eles moravam.
- Vá, antes que ele mude de idéia. – piscou para ela.
- Já fui. – deu um beijo na bochecha de sua governanta e saiu dali.

Conforme seu pai tinha previsto, chegou quarenta minutos depois. Sentou na sala de espera aguardando para falar com ele, pois um cliente apareceu sem avisar. Folheava uma revista qualquer que estava ali, na verdade não lia nada, queria era que o tempo voasse, estava ansiosa pelo que viria a seguir. Quer dizer... pelo que ela achava que aconteceria.
Alguns minutos depois o cliente foi embora e ela entrou na sala de seu pai.
- Cadê? Cadê? – o questionou empolgada.
- Ali. – apontou para um envelope que estava em cima da mesa.
sentou em um dos sofás que tinha na sala e começou a abrir o envelope. Seus olhos brilharam no momento em que viu as passagens, fez como se estivesse as abraçando, seu pai ria da sua animação. Quando foi olhar o dia e o horário do vôo levou um susto e arregalou os olhos.
- O que é isso? – perguntou ao pai, que estava em pé próximo a ela.
- Seu sonho. – afirmou.
Ela não acreditava naquilo, só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto. Pegou a matrícula da faculdade, que também estava no envelope, e percebeu que não era uma brincadeira, era real. Olhou para o pai e franziu o cenho quando viu um sorriso no rosto dele, com certeza ele estava adorando aquilo.
- Meu sonho é Califórnia nos Estados Unidos, e não Londres na Inglaterra. – afirmou
- Minha Dear. – sorriu.
- Já sei. – bufou e levantou-se. – Seu amor obsessivo por Londres. – balançou a cabeça negativamente.
- Você vai amar Londres... – foi interrompido por ela.
- Quem ama Londres é você! – apontou o dedo para ele e recebeu um olhar de reprovação. – Quem colocou o nome da filha em homenagem a rainha foi você!
- Elizabeth é um nome bonito. – agora ele a interrompeu.
- QUE SE DANE! – ela gritou.
- Olha a boca. – alterou o tom de voz.
cerrou os olhos e o encarou por longos minutos. Estava tão possessa de raiva que nem sabia direito o que dizer.
- Você decide. – ele começou. – Vai para Londres ou continua em São Paulo e faz faculdade aqui mesmo.
- Nunca. – garantiu.
- Nunca o quê? – arqueou as sobrancelhas.
- Que eu fico em São Paulo. – respirou fundo.
- Então é Londres. – sorriu.
- Pai. – se acalmou um pouco. – Qual o problema com a Califórnia?
- Nenhum, mas acho que em Londres você terá uma formação acadêmica melhor.
- Então isso não tem nada haver com o fato de você amar Londres? – ironizou.
- Claro que tem. – afirmou.
- Que ódio. – ela resmungou. – Eu não quero ir.
- Você não é obrigada.
- Mas eu não quero ficar em São Paulo. – sentou-se novamente no sofá com uma cara de quem estava prestes a chorar.
- . – juntou-se a filha no sofá. – Muitos matariam por essa oportunidade.
- Eu não. – desdenhou.
- Você até pode ir para Califórnia. – disse e viu o rosto da filha se iluminar. – Mas vai ter que bancar tudo.
- Que legal. – o rosto nem se iluminou e já murchou.
- Vou pagar a sua faculdade, acho que tenho o direito de escolher onde você vai estudar, não é?
- Claro. – virou o rosto e lhe deu um sorriso sarcástico.
- A gente não pode ter tudo o que quer na vida. – explicou.
- Você pode. – respondeu de uma forma grosseira.
- Cansei. – irritou-se e levantou a assustando. – Deixe de ser ingrata e mimada.
observou o pai indo para o outro lado da sala, sentando-se em sua cadeira, e ele voltou sua atenção para o computador.
- Então é isso? – ela indagou com a voz embargada.
- Sim. – disse ríspido. – Quem sabe indo para Londres você aprenda dar valor ao que tem.
- Talvez. – levantou-se e guardou o envelope dentro de sua bolsa. – Já que você não foi capaz de fazer isso. – o acusou, mas não ficou na sala para ouvir o que ele tinha a dizer, saiu dali batendo a porta com força.

No caminho de volta para casa, ficou o tempo todo resmungando, o motorista do táxi de vez em quando olhava no retrovisor para ver as feições que a menina fazia, uma vez ou outra ela notava que ele a observava e fechava a cara mostrando que estava nervosa, com certeza ele achava que ela tinha escapado de algum manicômio.
- Londres my ass. – bufou. – Nunca vou amar aquele lugar, quem pode gostar de uma cidade que na maior parte do tempo é cinza? – dizia o que achava que era verdade. – O que tem de bom naquele lugar? Big Ben e só. – continuava suas reclamações - Um país que ainda vive na monarquia. – levantou os braços em sinal de indignação. – E o sotaque britânico? – soltou uma gargalhada. – Aquilo é horrível, parece que eles estão com um pato entalado na garganta. – riu de novo.
- Chegamos. – estava tão irritada que nem percebeu quando o táxi parou.
- Ah, obrigada. – disse sem graça e pagou para o rapaz.
Saiu do automóvel e entrou em casa, procurou por Gertie, mas a cozinheira lhe informou que a governanta havia ido ao mercado comprar algumas coisas que estavam faltando. Foi até seu quarto e jogou-se na cama. Olhava para o teto quando ouviu o toque de mensagem de seu celular, pegou o aparelho em sua bolsa e viu que era sua irmã:
“Papai me contou tudo, estou online e quero falar com você”.
- Você também, Lizzie? – resmungou e levantou-se indo em direção ao notebook.
Elizabeth era irmã mais velha de , as duas eram carne e unha, e o falecimento da mãe delas há dez anos fez com que a união das duas se fortalecesse. E a diferença de cinco anos entre elas era quase imperceptível.
foi até a mesa onde ficava seu notebook, sentou-se na cadeira e conectou-se para falar com a irmã, após algumas dificuldades de comunicação, quer dizer... Esquecimento por parte de Elizabeth em ativar o som do seu computador, as duas iniciaram uma longa conversa por vídeo.
- Por que você não quer ir para Londres? – Elizabeth indagou.
- Meu sonho sempre foi Califórnia, você sabe. – respondeu com uma cara desanimada.
- Você não conhece o papai? – riu de leve.
- Conheço. – balançou a cabeça positivamente. – Mas eu pensei que talvez....
- . – interrompeu a irmã. – Desde pequenas sabemos dessa obsessão maluca dele pela Inglaterra. – fez uma careta e riu. – Sou a prova disso. – apontou para si mesma.
- Quem em sã consciência coloca o nome da filha em homenagem a uma rainha? - perguntou indignada.
- Papai. – Elizabeth respondeu.
- Lizzie, o que eu faço? – fez um bico.
- Siga meu exemplo. – se gabou.
- Estudar em Londres e depois fugir para Austrália com o namorado? – riu.
- Eu não fugi... – ia responder quando se assustou com o grito de e viu a irmã tampar os olhos com as mãos. – O que foi? – perguntou.
- O seu marido moreno-alto-bonito-e-sensual está atrás de você e e e – deu alguns gritinhos não concluindo a frase, Elizabeth olhou para trás e viu o motivo da reação da irmã.
- KEVIN!– gritou com o namorado que usava apenas uma cueca boxer.
Ele a olhou sem entender nada, mas quando ela apontou para o computador ele viu o estado da irmã dela do outro lado da tela, ficou sem graça e saiu dali o mais rápido que pôde.
- Traumatizei. – brincou. – Já é seguro?
- Sim. – Elizabeth gargalhou. – Ele sempre anda assim pela casa, eu já o avisei.
- Ok. – ela tirou as mãos do rosto e abriu os olhos lentamente.
- Desculpa por isso. – pediu.
- Não. – fez uma cara de sapeca. – Eu agradeço. – se abanou e fingiu suspirar pelo namorado da irmã.
- . – cerrou os olhos.
- Parei. – riu de leve. – Onde estávamos?
- Nem lembro mais. – fez uma cara pensativa.
- Sobre você ter fugido de Londres com o gatão. – zombou.
- Já disse que não fugi, fiz dois anos da faculdade de turismo, conheci o meu australiano quando ele visitava Londres, foi amor à primeira vista. – parou de falar e desenhou um coração no ar.
- Você inventou de ir atrás dele e o papai quase enfartou. – continuou de onde Elizabeth havia parado. – E se mudou com ele para Sidney, onde mora até hoje. – terminou e bateu palmas.
- Idiota. – xingou. – Mas eu terminei a faculdade aqui, não se esqueça.
- Ok, Lizzie, que tal o assunto principal?
- Londres. – afirmou. – Vamos pensar pelo lado positivo, o que você conhece de lá?
- Deixe-me pensar. – passou a mão no queixo. – Big Ben. – respondeu.
- E?
- Ah, tem aquele ator gostoso. – pensou alto e a irmã riu do outro lado. – Como é o nome dele? – indagou. – Fez 300, o Gerard Butler. – sorriu animada.
- Não.... – Elizabeth discordava sem certeza. – Ele é escocês.
- Sério? – o rosto de murchou. – Droga.
- Outra coisa, vai. – a irmã riu.
- Aquela banda que você ama, U2. – e o sorriso voltou.
- Eles são da Irlanda. – afirmou e segurou para não rir dos erros da irmã.
- Que merda. – bufou. – Espera. – pediu. – Aquela atriz Keira alguma coisa, é da Inglaterra, não é?
- Bingo. – Elizabeth comemorou. – Finalmente. – riu.
- Knightley. – lembrou do sobrenome. – Pelo menos alguém eu acertei. – riu de si própria.
- Usar o Google de vez em quando é bom. – tirou sarro.
não disse nada, mostrou a língua para irmã e fez uma cara de nojo.
- E a faculdade? – a questionou interessada.
- Não vou mentir. – fez um bico. – É excelente. – garantiu.
- Então, irmã. – sorriu. – Você sempre quis estudar teatro e tudo que envolve isso, aproveite a oportunidade. – a incentivava.
- No curso tem teatro, dança, música e um monte de coisas. – sem perceber disse com animação.
- Você deveria arriscar. – aconselhou.
- Não sei. – respirou fundo.
- . – a chamou. – Aqui está tarde, tenho que ir.
- Esqueci completamente do fuso-horário. – deu um tapa na própria testa.
- Se precisar de algo, é só gritar.
- E eu vou. – sorriu. – Obrigada. – agradeceu.
Elizabeth acenou para a irmã, se despedindo dela.

continuou ali, resolveu procurar mais sobre Londres, quem sabe assim se animaria para morar lá. Após abrir o Google e digitar o nome da cidade, ficou lendo por um bom tempo sobre o que havia lá. Na pesquisa descobriu que a cidade não era só Big Ben, também existia o London Eye, Tower Bridge, entre outros. Viu algumas fotos da cidade e se encantou completamente com o campus da faculdade, chegou até a se imaginar andando por ali ou estudando na biblioteca, estava tão entretida com tudo que nem percebeu quando uma das empregadas a chamou para almoçar, como ela não desceu, seu pai foi até o quarto dela ver o que estava acontecendo.
- Não vai almoçar? – indagou ao entrar no cômodo.
- Hã? – se assustou com a presença dele.
- Almoçar. – explicou.
- Já vou. – falou sem se mover ou olhar para ele.
Ficou curioso e foi ver o que chamava tanto a atenção dela, abriu um sorriso vitorioso quando viu o que era.
- Então... – dizia quando ela o interrompeu.
- Com uma condição. – o avisou.
- Qual?
- Ter meu próprio apartamento.
- E se você dividir com alguém? – arqueou as sobrancelhas.
- Quarto separado e banheiro individual. – rodou a cadeira e olhou para ele.
- Feito. – esticou a mão para ela que a apertou e sorriu.

Capítulo 2

Fazer malas: para alguns, uma diversão, para outros, uma chatice, e para , uma indecisão sem fim. O seu quarto agora se resumia a várias malas enormes espalhadas pelo chão e uma na cama, peças de roupas jogadas pelo local, outras penduradas em lugares inimagináveis e algumas por milagre estavam intocáveis dentro do guarda-roupa. Os sapatos, tênis, botas, sandálias, chinelos e a infinidade de calçados que ela possuía se juntavam com as roupas na bagunça. O seu olhar estava perdido no meio de tanta confusão, coçou a cabeça em sinal de que não sabia o que fazer e bufou.
- Socorro. – falou para si própria.
- O que aconteceu aqui? – seu pai, que passava pelo corredor, parou na porta quando viu o estado que o quarto da filha estava.
- Me ajuda? – fez uma cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança.
- Katrina passou por aqui, foi? – entrou no quarto, desviando das peças de roupas e dos calçados.
- Eu não sei o que levar. – confessou quando seu pai finalmente conseguiu chegar até ela, mas não sem antes tropeçar em uma bota.
- Faltam. – olhou para o relógio de pulso. – Doze horas para sua viagem e você não arrumou as malas? – arqueou as sobrancelhas.
- Eu tentei. – fez bico.
- Vamos dar um jeito nisso. – falou convicto e deu uma olhada rápida por todo o quarto.
- Boa sorte. – ela riu de leve.
- Em janeiro é frio em Londres. – afirmou. – Leve só roupas de frio e lá você compra o que faltar. – sugeriu.
- Quais roupas de frio? – indagou.
- Céus. – exclamou. – Você é complicada.
- O que está acontecendo? – agora era Gertie que passava pelo corredor.
- Minha Salvadora. – abriu um sorriso enorme e foi até a governanta, o único problema é que ela correu e enroscou um dos pés em uma calça jeans, caindo quase em câmera lenta. – Droga! – gritou.
- Você está bem? – seu pai foi até ela e a ajudou a se levantar.
- Vou ficar. – pegou a calça jeans traiçoeira e a jogou longe. – Desgraçada. - bufou.
- Moças não falam esse tipo de palavra. – Gertie a advertiu enquanto entrava no quarto, pegando as peças que atrapalhavam seu caminho.
- Desculpa. – deu um sorriso amarelo. – Gertie querida e amada do meu coração, me ajuda a arrumar as malas? – implorou indo até a senhora, mas agora com cuidado para não cair novamente.
- Tudo bem, eu te ajudo. – sorriu e abraçou a menina.
- Mãos à obra. – o pai dela brincou.

As lágrimas desciam lentamente pelo seu rosto enquanto ela observava a foto que segurava em suas mãos, era ela e sua mãe poucas semanas antes de sua morte. Sempre fora muito apegada à mãe, mas agora ela não chorava por sofrer, e sim por saudades. Enxugou as lágrimas quando seu pai entrou no quarto, mas ele percebeu.
- Ela teria muito orgulho de você. – sorriu e parou em frente a garota.
- É. – respirou fundo e levantou-se guardando a foto em sua bolsa.
- Está pronta? – indagou.
- Sim. – abriu um sorriso imenso no rosto.
- Pra quem não queria saber de Londres você está empolgada demais, não acha? – implicou com ela.
- Dá um tempo. – mostrou a língua pra ele e saiu do quarto.

Já no aeroporto e com as malas grandes despachadas, só esperava as pessoas entrarem na sala de embarque, Gertie e seu pai estavam com ela. A governanta chorava copiosamente, tentando ao máximo esconder isso, fungou baixinho.
- Não chore. – foi até ela com os braços abertos e lhe abraçou.
- Primeiro a Lizzie e agora você. – resmungava.
- Eu volto pra te visitar, prometo. – sorriu soltando o abraço e dando um beijo estalado no rosto da senhora.
- Vou cobrar. – deu um sorrisinho.
foi até seu pai e lhe deu um abraço forte.
- Comporte-se. – começou com os avisos. – Tenha juízo, você vai pra lá com o objetivo de estudar e não pra namorar um roqueiro desajustado.
Ela franziu o cenho com aquele último recado.
- Deixa comigo. – piscou pra ele. – Não vou engravidar de ninguém lá. – riu.
- Estou falando sério. – afirmou.
- Eu também. – afastou dos dois e acenou enquanto a funcionária da companhia aérea verificava sua passagem.
Uma lágrima caiu dos seus olhos quando a moça devolveu a passagem pra ela e desejou boa viagem. Era agora, a ficha caiu, ela estava indo morar em outro país, com pessoas estranhas que não falavam seu idioma nativo, uma cidade onde tudo era diferente do que ela conhecia, uma cultura totalmente oposta a qual ela estava acostumada. Pronto, o medo do desconhecido finalmente chegou para .

Horas depois ela acordou assustada com uma turbulência, mas no fundo tinha certeza de que não era só isso, o fato de ter sonhado com Jack O Estripador não ajudava muito. É, em suas pesquisas sobre Londres ela também descobriu o lado obscuro da cidade. Soltou-se do cinto e levantou indo em direção ao banheiro, que por sorte estava desocupado, entrou rapidamente naquele cubículo e se olhou no espelho, estava pálida, chacoalhou a cabeça um pouco e jogou água fria no rosto. Respirou fundo, esticou o corpo dando alguns pulinhos para tentar relaxá-lo.
- Porra! – assustou-se quando outra turbulência sacudiu tudo, apoiou as mãos na parede para não cair. – Por que um dia eu inventei de assistir Lost? – resmungou.
- Agora eu fico imaginando esse avião caindo no meio do oceano. – saiu do banheiro. – E com certeza não será em uma ilha deserta repleta de homens gostosos, e sim no mar cheio de tubarões prontos para me devorar. – fez o sinal da cruz rapidamente, não que ela fosse religiosa, mas nessas horas tudo valia à pena.
Ouviu o comandante avisando algo sobre as turbulências, mas não prestou muita atenção, só queria voltar ao seu lugar e tentar dormir novamente.
- Vamos aterrissar em vinte minutos. – a comissária de bordo que passava por ela a avisou.
- Hã? – indagou sem entender nada.
- Em vinte minutos. – sorriu.
- Que horas são? – perguntou confusa.
- Oito horas da manhã. – sorriu novamente, claro que ela era treinada para lidar com pessoas lerdas.
Será que tinha dormido tanto assim? Ainda bem, concluiu, pelo menos o pior já tinha passado. Sentou-se novamente e colocou o cinto, fechou os olhos quando o avião iniciou o processo de aterrissagem e suspirou aliviada quando o mesmo tocou o solo.
Minutos depois estava na esteira de malas, pegando as três malas grandes que havia levado.
- A última. – comemorou falando em português pegando a única que faltava e notou algumas pessoas olhando para si, franziu o cenho e foi em direção a saída do aeroporto.
Chegou à parte onde ficavam os táxis, andava lentamente já que o peso das malas no carrinho dificultava sua locomoção, um rapaz simpático foi até ela oferecendo seus serviços, ele apontou para o seu táxi e sorriu indicando que aceitaria. Após as malas serem guardadas ela lhe entregou um papel que mostrava o endereço do local que iria.
Quase meia hora depois o taxista estacionava o carro em frente ao prédio que ela iria ficar, era de esquina, aparência antiga e de tijolos a vista, possuía aquelas escadas externas que provavelmente eram de emergência e não parecia ser muito sofisticado. sorriu em pensamento analisando tudo, afinal era ali que moraria por no mínimo quatro anos.

Recebeu a ajuda de uma moradora do prédio quando uma de suas malas subiu o elevador “sozinha”, indo parar no sexto e último andar. Sorriu sem graça com aquela cena, aquelas coisas só aconteciam com ela, é claro. Estava no terceiro andar em frente ao apartamento trinta e sete, que seria o dela a partir de agora, ou não tanto dela, já que dividiria com alguém. Ouviu ao fundo alguma música tocando, mas não reconheceu, deveria ser de alguma banda britânica.
“I think I’m gonna lose it, lose it, lose it…”
Jurou que ouviu também uma voz feminina cantando junto, ponto positivo para sua futura companheira de apartamento: ela gostava de música. Deu algumas batidas na porta e percebeu que o volume da música diminuiu algum tempo depois uma garota sorridente que aparentava ter no máximo vinte anos abriu a porta.
- ? – a garota perguntou e ela sorriu.
- Eu mesma. – falou e viu a garota franzir a testa, então percebeu que havia falado em português, riu de si própria. – Desculpa, sou . – esticou a mão para cumprimentar a menina.
- – se apresentou. – Muito prazer, entre. – deixou espaço para que entrasse no apartamento.
- Obrigada. – agradeceu quando a garota a ajudou com as malas.
apresentou o apartamento para , que tinha dois quartos suítes, cozinha com sala acoplada, uma pequena lavanderia e um banheiro social. O quarto de era bem espaçoso e já possuía todos os móveis, com o mesmo estilo que predominava em todo o local, estilo vitoriano, que dava um charme a mais.

tomou um banho demorado para relaxar o corpo, colocou uma roupa leve e confortável, e foi até a sala para saber mais de sua nova colega, mas assim que saiu do quarto, a garota que estava na sala desatou a falar.
- Você é de São Paulo? – indagou e sorriu em resposta.
- Sempre quis conhecer. – fez uma cara de pensativa. – Quando seu pai me ligou pra saber sobre o apartamento achei muito estranho e me perguntei “Como uma pessoa de outro país sabe que estou procurando alguém pra dividir o apartamento?”
sentou-se no sofá e observou falando.
- Mas eu me lembrei que anunciei na faculdade. – olhou para o teto. – Então seu pai me explicou que ele ligou na faculdade querendo saber se existia alguma pessoa de boa conduta para a filha morar junto. – riu e a interrompeu.
- E indicaram você. – riu de leve.
- Não faço ideia do por que. – gargalhou.
- Você por acaso não é uma assassina, é? – fingiu medo.
- Não. – afirmou. – Quer dizer, pagando bem que mal tem, certo? – riu.
- Se precisar de dicas, só me avisar. – piscou pra ela, que riu de novo.
- É que sou bem sossegada, não saio muito, então todos dizem que sou uma boa garota, sabe como é. – sorriu.
- Na verdade, não. – riu.
- Me conte mais sobre você. – pediu.
- Prepare-se. – sorriu animada.
Começou a lhe contar como era sua vida no Brasil, que desde pequena ela sonhava em ser atriz e que seus planos eram estudar na Califórnia, mas que seu pai pensava o oposto dela, contou sobre a confusão que foi até ela chegar a Londres, que no começo não aceitava de forma alguma ir para a Inglaterra, mas depois pensou melhor sua decisão e resolveu dar uma chance para o país e que até agora não tinha se arrependido, estava gostando do que conhecia e isso incluía a nova colega de apartamento.
fez o mesmo e contou um pouco de sua vida para ; morava no interior da Inglaterra e seus pais a criaram para o mundo. Há dois anos, ao conseguir entrar na faculdade, ela se mudou para Londres, e morava no mesmo apartamento desde então. Já no primeiro ano de faculdade conseguiu emprego em um estúdio que produzia comerciais, vídeos-clipe e até pequenos curtas. E essa era sua vida até agora, mas, quem sabe dividindo apartamento com alguém sua vida mudasse?
É, as duas não faziam idEia do que a vida preparava para elas.

Mudança de país, cidade, idioma e cultura, se acostumava com a vida nova, não achou que seria tão difícil, a cultura inglesa era totalmente diferente da brasileira, e na maioria das vezes ela se passava como uma garota oferecida ou simpática demais, não que se importasse com isso, o problema era que esses estereótipos a atrapalhavam em fazer amizade. Principalmente na faculdade, que já tinha apelidado de “bicho de sete cabeças”, e isso foi no primeiro dia de aula.
- Desisto! – jogou-se no sofá.
- Já? – riu.
- Povo antipático. – resmungou. – NINGUÉM falou comigo. – exagerou e fez bico.
- Mas é normal no começo. – explicou-se e sentou ao seu lado.
- Você diz isso porque já está no segundo ano.
- Mais uma razão para você acreditar em mim. – piscou.
- Vou tomar um banho pra ver se relaxo. – se levantou.
- E eu vou fazer o jantar, espaguete é o que tem pra hoje. – avisou.
- É o que tem para todos os dias. – saiu rindo dali e a amiga lhe mostrou o dedo.

Algumas semanas depois, ela já estava completamente instalada no apartamento, com tudo ao seu gosto e estilo próprio de ser. Às vezes sentia falta de casa, de seu pai, de Gertie e até mesmo de seu quarto, mas, com as aulas na faculdade, conseguia afastar esses pensamentos de sua mente, não queria ficar triste, estava tendo uma oportunidade única em sua vida.

e estudavam na mesma faculdade, a única diferença era que estava no segundo ano e no primeiro. Iam juntas no carro de , e na volta ela deixava no apartamento e depois partia para o estúdio onde trabalhava. Mas naquele dia foi tudo diferente, ou tudo errado, depende do ponto de vista. amanheceu com cólicas e não foi para faculdade e nem para o trabalho, deixando o carro para ir sozinha. Isso não seria um problema, se não fosse o fato de que ela não estava acostumada com a forma de dirigir dos britânicos, era tudo do avesso, como ela mesma dizia.
- Merda! – batia no volante do carro enquanto o parava no estacionamento de seu prédio. – Maldito lado avesso! – bufou. – Te odeio. – saiu batendo a porta com força.
Foi até o elevador batendo os pés, a raiva era tanta que deixou alguns cadernos caírem. Pegou-os de volta rapidamente e saiu correndo tropeçando nos próprios pés quando viu o elevador fechando as portas, entrou toda ofegante e apertou o botão de seu andar. Ao entrar no apartamento, viu andando de um lado para o outro falando com alguém no telefone. Passou reto, estava furiosa.
- Espera. – ouviu a colega dizer, mas não deu bola e continuou indo em direção ao seu quarto.
- ! – a chamou novamente.
- Que é? – virou o corpo bruscamente e encarou a outra, que ainda estava ao telefone. – Achei que você estava morrendo de cólica. – ironizou.
- E estou. – desligou o aparelho. – Mas tenho ótimas notícias.
- O quê? – indagou sem muita curiosidade.
- O estúdio onde trabalho vai gravar o clipe de uma banda famosa.
- E eu com isso? – a interrompeu e agora foi até seu quarto.
- Calma, criatura. – seguiu . – Eles precisam de atrizes para participar do clipe. – dizia empolgada ao entrar no quarto.
- E? – jogou-se na cama.
- Eu coloquei os nossos nomes na lista. – deu alguns pulos.
- Hã? – apoiou o corpo sobre os cotovelos. – Clipe? Nós? Como? – estava confusa.
- NÓS VAMOS PARTICIPAR DO CLIPE DO MCFLY. – gritou e saiu correndo pelo apartamento gesticulando com as mãos para cima.
- Quem? – ela indagou, mas não obteve resposta.
levantou-se rapidamente e foi atrás da colega; a encontrou na sala pulando no sofá igual uma fã histérica. Demorou um pouco para assimilar as coisas, McFLY era aquela banda britânica que tanto falava e escutava os CD’s.
- ‘Cause I’ve got you. – berrou e foi até lhe abraçando.
- Céus. – riu e abraçou a garota de volta, rodopiando junto com ela.
- Porra, é McFLY. – disse animada. – Não acredito. – soltou e fez uma dança engraçada.
- Me explique melhor. – pediu.
- Então. – disse ofegante. – Amanhã viajamos para a cidade onde o clipe será gravado. – explicava.
- Amanhã? – indagou assustada. – E a faculdade? Não posso perder aulas.
- Cala a boca. – riu. – Esses dias fora vão contar como pontos extras, já que vamos trabalhar.
- Vamos receber por isso? – arregalou os olhos.
- Claro, . – afirmou.
- Meu primeiro salário. – colocou as mãos na boca e deu um grito de felicidade.
- Mas prepare-se. – a avisou. – Será uma semana de muito trabalho e pouco descanso.
- Uma semana? – animou-se.
- Sim, uma semana junto com Tom, Danny, Dougie e Harry. – disse com um sorriso bobo no rosto.
- Eles são o McFLY? – a questionou e levou um pedala da colega.
- Venha. – a puxou em direção a cozinha. – Vou te apresentar a eles. - sentou-se à mesa e ligou o notebook.
- Devo ser a única pessoa na Inglaterra que não sabe quem são eles. – zombou e sentou ao lado de .
- No mundo, você quis dizer. – riu.

Capítulo 3

e esperavam pacientemente no estúdio a organização dos últimos detalhes e a chegada do ônibus, eles viajariam em poucos minutos para onde seria a gravação do clipe. Enquanto isso não acontecia, testava o conhecimento de sobre McFLY.
- Esse? – mostrava a foto de uma revista.
- Eu sei. – disse empolgada e bateu palmas. – Danny?
- Não. – a colega bufou. – É o Harry!
- Droga. – a mais nova deu um soco no ar.
- Você tem que acertar o próximo. – ameaçou e virou a página da revista, mostrando outra foto.
- Tom Fletcher. – sorriu animada. – Impossível não reconhecer essa covinha.
- Aleluia. – ergueu a revista em sinal de comemoração. – Faltam dois. – avisou.
- Mande. – mordeu o lábio inferior.
- Quem é esse? – arqueou as sobrancelhas e sorriu maliciosa, como dica.
- Hum. – ela colocou o dedo indicador sobre os lábios. – Harry?
- Porra, ! – gritou com a menina e bateu a revista na cabeça da garota. – O Harry já foi.
- AI. – reclamou em protesto. – Quem é? – perguntou passando a mão onde a colega havia batido com a revista.
- Danny Jones. – suspirou. – O amor da minha vida. – piscou várias vezes.
- Verdade. – mostrou a língua. – Próximo.
- Pensa antes de responder. – fez uma careta.
- Abusada. – cruzou os braços.
- E aí? – indagou.
- Acho que é... – a outra lhe interrompeu.
- Não ache, tenha certeza. – ordenou.
- Sem pressão. – riu de leve. – Dougie Poynter? – assim que chutou o nome do rapaz colocou as mãos sobre a cabeça com medo de levar outra revistada.
- Milagres acontecem. – deu um pulo na cadeira.
- Acertei? – perguntou receosa e tirando as mãos da cabeça lentamente.
- Sim. – afirmou sorrindo.
- YAY! – a menina comemorou levantando e rodopiando o corpo.
balançou a cabeça rindo.
- Vamos? – uma voz masculina se aproximou delas.
- Sr. Franco. – puxou de volta para a cadeira.
- Que isso? – a mais nova disse sem entender nada, até que percebeu a presença de um homem ali.
- Ah, desculpa. – pediu visivelmente envergonhada.
- Não tem problema. – riu de leve. – Já estou acostumada com essa aí. – apontou para , que fez uma cara de indignada.
- Essa é , minha colega de quarto que também irá participar do clipe. – os apresentou.
- Muito prazer, sou Alec Franco, o chefe da . – esticou a mão e a garota o cumprimentou.
- O prazer é meu. – sorriu nervosa.
- Esses rapazes do McFLY são sortudos, terão garotas lindas em seu clipe. – sorriu maroto e as duas coraram. – Agora vamos, o ônibus nos espera. – apontou em direção à saída e foi na frente, logo sendo seguido pelas duas.

Horas depois chegaram até cidade onde o clipe seria gravado, que não ficava muito distante de Londres. e desceram do ônibus, que parou em frente ao hotel em que todos do estúdio ficariam hospedados, o que elas não faziam ideia era que quatros rapazes um tanto especiais também estavam hospedados ali.
- Qual o nosso andar? – perguntou para enquanto aguardavam o elevador.
- Sexto andar e quarto 6F. – lhe informou.
A porta do elevador se abriu e elas entraram, mas logo em seguida veio um batalhão de pessoas para usar o mesmo. Conforme ele subia ficava mais vazio, chegando ao quinto andar saíram três pessoas, permanecendo só as duas ali.
- Eles trabalham com você, não é? – indagou curiosa.
- Sim. – afirmou.
- Então por que só nós duas ficaremos no sexto andar? – franziu o cenho.
- Talvez porque os outros estejam lotados.
- Pode ser. – disse pensativa.
Ouviram um bip e a porta se abriu, foi à frente com sua mala de rodinhas, a mais nova veio logo atrás com sua mala pendurada no ombro esquerdo.
- 6T? – a mais velha franziu o cenho ao olhar para o número de um quarto.
- O nosso deve ser lá na frente. – apontou com o dedo para o enorme corredor que não parecia ter fim.
Andavam lentamente, afinal, suas malas estavam pesadas. olhava para frente e mantinha o olhar no zíper da mala, brincando com ele.
- Reto ou... – parou de andar quando chegou à parte em que o corredor se dividia em três.
- Direita. – opinou.
seguiu o conselho da colega e virou à direita, mas parou no instante em que fez a curva, estava estática, sem ação, só se movimentou quando a distraída não viu que a colega tinha parado e trombou nela, fazendo com que ela fosse para frente e tropeçasse nos próprios pés.
- AI. – a distraída gritou e se apoiou na parede para não cair, já a outra não teve a mesma sorte.
- Você é cega? – resmungou caída de lado no chão.
- Quem parou do nada foi você! – afirmou e foi até a colega para ajudá-la a levantar.
- Que merda. – resmungou segurando a mão da outra e se levantando.
- Qual a graça? – perguntou irritada para dois rapazes que riam das duas, que na verdade foi o motivo de tudo.
- Desculpa... – se contorciam de tanto rir.
- Foi engraçado. – um deles afirmou.
olhou para buscando por ajuda para dizer algo aos dois, mas percebeu que a colega olhava para os dois meio abobada. Olhou para eles novamente sem entender muita coisa, mas de repente um deles lhe chamou a atenção.
- São eles? – cutucou a abobada, que apenas balançou a cabeça positivamente.
- Vocês estão bem? – o rapaz indagou.
- Sim/Não. – responderam ao mesmo tempo.
- Erm... – a mais nova disse sem graça e coçou o queixo. – A gente não acha o nosso quarto.
- Qual o número? – o garoto de olhos azuis arqueou a sobrancelha.
- 6F. – disse educadamente.
- Nós estamos no 6J. – o outro falou e colocou as mãos nos lábios como se estivesse pensando. – Então o de vocês deve ser pra lá. – apontou para a esquerda das meninas.
- Obrigada. – sorriu serenamente e puxou , que ainda estava sem ação, meio perdida em seus pensamentos, ou nos olhos azuis que o garoto tinha. – Não acredito nisso. – comentou quando se afastaram deles.
- Nem eu. – a outra piscou várias vezes.

Chegaram até o outro lado do corredor, e não é que o rapaz simpático estava certo? Entraram no quarto e se jogou na cama encarando o teto. Já pulava em cima da outra cama, como se quisesse liberar toda a adrenalina e emoção presa em seu corpo devido ao encontro inesperado no corredor.
- Quem era quem? – a mais nova riu da empolgação da colega.
- Tom e Harry. – saltou para fora da cama. – E pelo jeito nossa aula não adiantou muito coisa. – resmungou e foi até sua mala pegando algumas peças de roupa.
- As fotos que você me mostrou eram pré-históricas. – se defendeu.
- Não. – retrucou. – É que ao vivo eles são mais gostosos. – mordeu o lábio inferior balançou as roupas no ar.
- Tenho que concordar com você. – riu de leve.
- Vou tomar banho. – a mais velha avisou.
- Para apagar o fogo? – brincou com ela, que parou na porta do banheiro e virou-se para a que estava na cama.
- O único que pode fazer isso se chama Danny Jones. – suspirou e saiu fechando a porta do banheiro.
gargalhou com aquilo e fechou os olhos, pensando na vida, quer dizer, em nada. Ainda não entendia como praticamente trombaram com dois integrantes do McFLY há alguns minutos. Não que isso causasse muito efeito sobre ela, mal sabia diferenciar um do outro, já em o efeito era perceptível, suspeitava que até os rapazes tinham notado, qualquer um notaria.

- Eu vou te matar. – se debatia pendurada nas costas do sardento que corria com ela pela praia.
- Se controle. – ele agarrou as pernas dela com mais força.
- SOCORRO! – berrou quando viu o dono da covinha passando por eles.
- Vocês que são doidos que se entendam. – falou calmamente e deu de ombros.
- DEIXE A MENINA EM PAZ. – o dono da arqueada de sobrancelhas mais charmosa gritou para o amigo, que o ignorou.
- Por favor. – ela praticamente implorou.
- Falta pouco. – ele diminuiu a velocidade indo em direção ao mar.
- EU NÃO SEI NADAR. – esperneou desesperada.
- Mas eu sei. – gabou-se e quase caiu quando a onda bateu em seus joelhos.
- Não faça isso. – alertou quando ele a tirou dos ombros e a jogou na água, a ameaça foi tarde demais. Tentou se levantar, mas estava com os cabelos no rosto tampando sua visão e o fato de que o garoto jogava água nela não a ajudava muito. Uma onda mais forte veio e a fez rolar na areia.
- PEGUEI. – alguém gritou e ela sentiu uma mão em seu braço e outra em sua cintura a levantando.
- Nu-nunca mais faça isso. – ela disse, depois de se recompor, para o sardento, que a fitava assustado.
- Ele é maluco – o mais novo disse a fazendo virar para encará-lo.
- Obrigada. – sorriu ofegante.
- Me desculpe. – o sardento desastrado pediu enquanto os três saíam do mar.
- Você vai ter o que merece. - o fuzilou com olhar.
- M-E-E-E-E-DOOOO! – gritou e saiu correndo feito uma gazela.
e o seu herói iam se aproximando dos outros dois, que pareciam ter uma discussão interessante sobre o nome da cidade em que estavam. Ela riu sozinha ao ouvir os dois tentando falar o nome do lugar.
- Gá – rru – iá. – o loiro dizia vagarosamente.
- Não. – o outro negou. – É Cá – u – rá.
- . – o dono da covinha gritou quando viu a menina perto deles. – Diga a essa anta que o nome da cidade é Gárruia.
- Mas não é. – riu e fez o da sobrancelha charmosa gargalhar.
- Como é então? – indagou.
Ela sentou-se ao seu lado, acompanhada pelo mais novo.
- GUA-RU-JÁ. – explicou lentamente e todos a olharam confusos.
- Como? – um deles indagou.
- GUA-RU-JÁ – repetiu. – G-U-A-R-U-J-A. – soletrou as letras.
- Garuja? – o mais novo arriscou.
- Quase isso. – ela o olhou surpresa.
- Qual o papo interessante? – o sardento chegou até eles e sentou com tudo, jogando areia neles, que protestaram.
- Seja mais cuidadoso. – ela o recriminou e roubou a água de coco que estava com ele.
- Devolve. – puxou o coco de volta.


- ? – ouviu alguém a chamando, mas a pessoa parecia estar longe. – ? – agora sentiu seu corpo sendo chacoalhado. – – certo, agora ela abriu os olhos.
- Que foi? – indagou sonolenta.
- Acorda. – disse. – Temos ensaio em uma hora. – avisou.
- Tive. – falou sentando-se na cama. – Um sonho estranho. – esfregou os olhos.
- Que tipo de sonho? – a mais velha indagou enquanto penteava os cabelos molhados.
- Com McFLY. – explicou.
- O QUÊ? Conte-me tudo. – a outra gritou histérica e pulou na cama de .
- Estávamos na praia. – começou e logo foi interrompida.
- Eles vestiam o quê? – questionou animada.
- Bermuda. – franziu o cenho. – Aquele sardento... – foi interrompida novamente.
- Danny. – se remexeu toda.
- Isso. – concordou. – Me carregou nos ombros pela praia e depois me jogou no mar. – e, para não perder o costume, foi interrompida.
- SAFADA. – fingiu indignação. – Ele é MEU. – brincou.
- Continuando. – respirou fundo. – Eu não consegui me levantar e aquele pequenino me salvou. – Não sei quem é.
- Dougie. – respondeu com animação total.
- Depois encontramos com os outros, que discutiam algo sobre Guarujá. – falou se lembrando. – É nós estávamos no Guarujá. – disse como se afirmasse para si própria.
- Como assim você que nem é fã sonha com McFLY e ainda por cima com eles sem camisa e na praia? – bufou balançando a cabeça.
- Não tenho controle sobre isso. – riu.
- O que mais? – bateu palmas de felicidade.
- Você me acordou. – fez bico e as duas gargalharam logo em seguida.
- Desculpe por isso. – mostrou a língua – Vá tomar banho antes que a gente se atrase – empurrou para fora da cama.
- Tudo bem. – levantou-se rindo.

Antes do início das gravações, os figurantes do clipe precisavam ensaiar as danças, cenas e tudo o que iriam fazer durante o vídeo. Estavam reunidos em um salão que havia no hotel, a mulher que os ensinava devia ter no máximo quarenta anos e tinha cabelos ruivos, ela passava instruções e ensinava os passos e movimentos a serem executados. tinha dificuldade de entender o que a mulher falava, ela possuía um sotaque do interior.
- Hein? – a garota franziu o cenho.
- Ela disse que não podemos cantar a música durante a gravação. – explicou para a colega, que mantinha a expressão um tanto confusa.
- E agora? – indagou.
- Você não está entendendo? – olhou para a mais nova.
- Um pouco. – mordeu o lábio inferior.
- Qualquer coisa eu te ajudo. – piscou para ela, que assentiu.
De repente uma música começou a tocar num volume extremamente alto, fazendo com que várias pessoas que estavam ali se assustassem, inclusive .
- Quem está cantando? – sussurrou para , que se movimentava de acordo com o ritmo.
- Acorda, . – puxou a menina pela mão para dançar com ela. – McFLY. – informou.
- Ah... – notou sua lerdeza. – É a música do clipe. – observou enquanto rodopiava segurando a mão da outra.
- Lies. – completou e fingiu que estava dançando tango.
- Ritmo idêntico. – riu.
As duas só perceberam que eram o centro das atenções quando uma roda se formou em volta das delas. Pararam de dançar imediatamente e viram a mulher com o pior sotaque dali se aproximar.
- Desculpa. – a mais nova olhou para os próprios pés.
- Nos empolgamos. – a outra explicou.
desejava que um buraco abrisse sob seus pés para sumir, sabia que todos a encaravam mesmo sem olhar de volta, ela sentia, por isso fitava o chão esperando que seu desejo se realizasse. De repente uma salva de palmas a acordou de seus pensamentos, ela olhou assustada para e depois para a mulher a sua frente, que exibia um sorriso enorme. As palmas eram pra ela? Quer dizer, para ela e sua colega? Fitou a garota ao seu lado, que estava mais vermelha que um pimentão, e riu da falta de jeito dela.
- Obrigada. – agradeceu interrompendo os próprios pensamentos e fez uma pequena reverência.
- O que foi isso? – virou o rosto para a colega enquanto todos desfaziam a roda e sentavam-se no chão.
- Você e suas impulsividades – respondeu rindo.
- Essa palavra existe? – coçou o queixo e sentou-se ao lado da mais nova.
- Talvez. – pensou naquilo.
Após todos se acomodarem no chão e voltarem à atenção para a mulher que os ensinava, perceberam quem também estava ali olhando para elas.
- Não acredito! – colocou a mão na boca.
- Eles nos viram dançando... – parou de respirar por um instante.
- Que vergonha. – a mais velha colocou as mãos no rosto e deu um gritinho histérico achando que seria abafado pelas mãos, só percebeu que não fora quando recebeu um beliscão na perna.
- Cala a boca. – a mais nova sussurrou e fuzilou a colega com o olhar. ia protestar, mas uma voz a interrompeu.
- Algum problema? – a mulher de sotaque complicado pôs as mãos na cintura e indagou alto olhando para as duas.
Ouviram risadas, fitou na direção de onde vinham e pôde ver os quatro rapazes gargalhando. Cerrou os olhos para eles, um deles percebeu e acenou para ela enquanto tentava se acalmar. Ela o reconheceu, era aquele com quem tinha esbarrado no corredor, mas qual deles? Focou seu olhar nele, tentando reconhecer suas feições, até que ele parou de rir e lhe lançou um sorriso, o qual revelou sua marca registrada.
- Tom! – ela disse mais alto do que desejava e sentiu a colega estremecer ao seu lado.
- QUÊ? – ouviu a mulher perguntar.
- Ai, merda. – disse em português e todos a olharam.

Os garotos que antes quase morreram de tanto rir agora prestavam atenção na garota sem jeito no meio das pessoas. Agora era a vez de Harry se lembrar dela.
- Aquela não é a menina perdida? – questionou a Tom, que estava ao seu lado.
- Sim. – respondeu sem tirar os olhos dela.
- A desastrada. – Harry desviou o olhar e fitou a menina ao lado da outra.
- Vocês a conhecem? – Dougie perguntou curioso.
- Esbarramos com elas no corredor hoje de manhã. – o dono da covinha explicou.
- São bonitas. – Danny opinou olhando para , que estava sem ação, apenas encarando a colega.
- Aquela é diferente. – o mais novo afirmou analisando .

“Cadê o maldito buraco no chão?”, ela pensava. Não sabia o que responder, todos a encaravam e ela sentia o rosto queimar de vergonha, na verdade o corpo inteiro queimava. Abaixou a cabeça procurando por palavras.
- EU. – Tom gritou, assustando a mulher que não tirava os olhos de .
- Você o quê? – virou-se pra ele.
– Ela estava me chamando. – explicou sorrindo enquanto passava pela mulher, que permanecia sem entender nada.
Tom continuou andando na direção de , mas teve dificuldades em chegar nela, que estava sentada praticamente no meio da quase multidão.
- Opa. – riu quando se desequilibrou e segurou na cabeça de uma menina. – Desculpa. – pediu e foi até seu destino.
- O que ele está fazendo? – cutucou , que estava com os olhos arregalados enquanto via Tom se aproximar cada vez mais dela.
- Eu que sei? – fitou rapidamente a colega e voltou seu olhar para ele.
- Ela é minha amiga de infância. – falou quando viu a cara que a garota fazia. – Quem adivinharia isso? – fingiu uma cara de surpresa.
A mulher ruiva olhou para os outros três rapazes, que também permaneciam sem entender nada, e voltou a fitar Tom, o qual finalmente tinha chegado até a menina, que continuava sentada com os joelhos junto ao corpo os segurando.
- Venha me dê um abraço. – ele disse alto percebendo que ela não se movia – Não tenha vergonha. – se abaixou e pegou suas mãos, lançando-lha um olhar significativo.
apenas se levantou sendo guiada por ele, que logo em seguida a puxou para um abraço esmagador. Notou que ele se movimentou a levando consigo, até que saíram do salão com Tom a envolvendo nos braços.
- O que é isso? – soltou-se dele em um movimento brusco assim que chegaram do lado de fora.
- Eu te salvo e assim que você agradece? – franziu o cenho não entendendo nada.
- Salvar? – colocou as mãos na cintura. – Você queria é se aproveitar de mim, conheço bem o seu tipo. – o fitou com desdém.
- Meu tipo? – a questionou indignado elevando o tom de voz. – Além de ser desastrada e escandalosa ainda é louca?
- Sim, você é um roqueiro que só quer saber de ficar com suas fãs... – ela parou um segundo. – Ei, eu não sou desastrada e muito menos ESCANDALOSA. – gritou a última palavra.
Tom apenas riu daquilo e olhou para os próprios pés.
- Me desculpa. – a fitou novamente. – Mas quem vive capotando por aí e pagando mico por falar alto demais não sou eu. – arqueou as sobrancelhas.
- Você não me conhece. – apontou o dedo pra ele, mas recuou assim que o viu fazer uma cara feia. – Pare de me julgar.
- Hipócrita. – a ofendeu sem medo. – Você só me julgou desde que saímos do salão.
- SEU IDIOTA! – berrou e virou as costas para ele começando a andar, mas parou assim que ouviu uma voz conhecida.
- O que está acontecendo aqui? – apareceu na porta com Dougie logo atrás.
- Que gritaria é essa? – o mais novo perguntou.
- Essa louca aí. – Tom apontou para .
- E você é um aproveitador. – virou-se para ele.
- Alguém me explica o que está acontecendo? – se aproximou ficando no meio deles.
- Eu tentei a ajudar e ela diz que estou me aproveitando dela. – bufou.
- ? – a mais velha olhou para a garota, que se sentia intimidada.
- Mas o que... – Dougie disse quando a menina saiu correndo e esbarrou nele.
- Droga! – bateu na própria testa.
- Qual o problema com ela? – Tom olhou para a menina que ainda observava o caminho que tinha tomado.
- Vocês me desculpem. – virou para os dois meio sem graça e com o coração saltitando por estar perto deles. – é nova no país, ainda está se adaptando.
- Ela é de onde? – o mais novo perguntou interessado.
- Brasil. – sorriu. – Tenho que ir atrás dela. – avisou e os dois assentiram.
- Garota estranha. – Tom franziu o cenho.
- Mas bonita. – Dougie deu sorriso tímido.

andava apressada pelo hotel a procura de sua colega, perguntou na recepção e o rapaz simpático avisou que viu uma garota com as feições de correr para o elevador. Agora ela imaginava que a outra poderia estar no quarto, ao chegar escancarou a porta assustando a menina que estava sentada na cama.
- O que foi aquilo? – perguntou levemente irritada – Você quer que eu seja demitida? – bateu a porta com força. – Diferente de você eu não tenho um pai que me sustente, eu PRECISO desse emprego. – berrou e estava sem reação. – E o que você faz? Vai e discute sem motivo com um dos clientes mais importantes de onde eu trabalho, ficou louca? – lhe lançou um olhar fulminante, mas que para a menina que ainda não reagia pareceu mais um olhar de psicopata. – Diga alguma coisa. – praticamente ordenou.
- Eu-eu. – gaguejava. – Não sabia o que estava fazendo. – tentou se explicar. – Não esperava aquela atitude dele. – fitou o chão. – A primeira coisa que me veio à cabeça era que ele queria usar a fama para se aproveitar de mim. – mordeu o lábio inferior.
- Você definitivamente não conhece McFLY. – a mais velha diminuiu o tom de voz. – Eles não são desse tipo.
- Como você pode ter certeza? – ousou perguntar.
- O que o Tom fez por você não prova isso? – arqueou as sobrancelhas. – Ele só queria te ajudar a não pagar mais mico.
- Mas eu não preciso da ajuda dele. – cruzou os braços.
- . – respirou fundo. – Você é uma garota madura, mas quando tem suas crises de infantilidade fica impossível. – se virou indo em direção a porta. – Vê se cresce. – a aconselhou antes de sair dali batendo a porta.
- Saco! – bufou e jogou o corpo na cama.
Era só o que faltava, lhe dando sermão. Ela não acreditava ter agido errado, afinal, a reputação de roqueiros nunca foi muito boa mesmo, e eles provavam isso com as coisas que faziam. Mas se ela tinha tanta certeza de que sua atitude foi correta, por que aquele sentimento de culpa dominava seu peito?

- AI! – gritou quando sentiu um tapa em sua perna.
- Você só sabe dormir? – andava de um lado para o outro no quarto.
- Hã? – não tinha certeza se estava acordada ou se aquilo era um sonho.
- Levanta, temos prova de figurino em vinte minutos. – avisou-a e entrou no banheiro.
- Não tenho um minuto de descanso nesse lugar. – a mais nova resmungou e levantou ainda sonolenta, cambaleando pelo quarto.
- Vamos, vamos. – saiu do banheiro e apressou a outra. – E você dormiu mais de duas horas, não reclame.
- Já vou. – foi até o banheiro, lavou seu rosto, escovou os dentes lentamente e saiu, encontrando a colega impaciente no quarto.
- Vai demorar? – arqueou as sobrancelhas e a mais nova rolou os olhos.
- Não. – bufou. – Vamos logo então. – abriu a porta do quarto, deixando para trás.
O local da prova de figurinos era no mesmo andar que elas estavam hospedadas, mas o caminho até lá foi um silêncio mortal, desde o acontecimento mais cedo, não falava direito com , estava brava com ela pela atitude que teve. Como podia reagir daquela forma? Está certo que o que Tom fez foi um pouco estranho, mas ele apenas queria ajudar, por que era tão difícil para reconhecer isso? Sem falar do risco que ela correu de perder o emprego, Tom tinha todos os motivos para ir até o chefe dela e contar tudo, sua sorte foi que ele não o fez.
- Só tem mulheres aqui. – cochichou assim que entraram em um quarto que era bem espaçoso.
- Muitas por sinal. – a mais velha disse um tanto ríspida.
Era verdade, devia ter aproximadamente vinte mulheres ali dentro, algumas já estavam vestidas e as costureiras faziam os ajustes, outras estavam sendo medidas dos pés a cabeça.
- Nomes. – uma senhora simpática aproximou-se das duas. – De quais partes do clipe participarão? – indagou após anotar o nome delas.
- Todas. – respondeu e uma mulher um pouco mais jovem que a senhora a sua frente lhe puxou.
- Agora é sua vez. – outra puxou .
Algum tempo depois, as duas já estavam com seus figurinos. Analisavam-se por completo, ambas usavam um short preto que julgavam ser extremamente curto, o de tinha um tecido mais claro por cima, dando quase a impressão de ser uma saia. Na parte de cima ela usava algo que não soube definir, parecia um top e ao mesmo tempo poderia ser considerada uma blusa, se não fosse o fato de que sua barriga estava totalmente à mostra. Para completar, ainda tinha o coturno escuro, e os acessórios estranhos. não estava muito diferente, seu short tinha algumas correntes penduradas dando um toque especial, na parte de cima usava um sutiã preto de couro que cobria os seios por inteiro, mas que não deixava de ser sensual, e por cima dele uma regata preta de um tecido fino e transparente. Nos pés, a menina calçava um coturno do mesmo modelo de , e, é claro, os acessórios estranhos nos joelhos e braços.
- Perfeitas. – a mesma senhora que havia perguntado o nome delas anteriormente dizia. – Aprovados. – afirmou.
Tiraram as roupas, as quais foram guardadas em bolsas com o nome delas, para identificarem quando fossem usar no clipe.
- O que a gente faz agora? – perguntou quando saíram do quarto.
- Dormir.
- Por quê? – franziu a testa. – Ainda é cedo.
- Amanhã vamos passar o dia gravando, é bom descansar. – avisou.
- Ah. – disse pensativa. – Eu preciso fazer uma coisa. – virou-se e começou a andar na direção oposta de .
- O quê? – a mais velha parou de andar e virou somente o rosto.
- Erm... – ela não sabia exatamente o que dizer. – Consertar algo que estraguei.
- . – disse desconfiada.
- Deixa comigo. – saiu dali quase que em disparada.
apenas balançou a cabeça e foi para o quarto esperando que a colega não fizesse besteira.

- 6J 6J 6J. – andava apressada pelo corredor. – 6H... 6I... e 6J. – falou alto.
Encarou a porta por alguns segundos, sabia que era o certo a fazer. Deu pequenos passos na direção da porta e bateu levemente, em seguida ouviu algum barulho dentro do quarto e se afastou um pouco.
- O que ela quer aqui? – Tom falou baixo quando viu quem batia na porta.
- Quem é? – Dougie, que estava sentado na cama, indagou.
- Aquela louca. – o dono da covinha respondeu um tanto mal humorado.
- ? – Harry, que estava zapeando os canais, arqueou as sobrancelhas.
- Acho que é. – o mais novo coçou o queixo.
Ouviram batidas na porta novamente.
- Abre logo. – o baterista disse impaciente.
Tom respirou fundo e abriu a porta, o fitava envergonhada, ele não estava com cara de bons amigos.
- Erm... – começou sem jeito. – Posso entrar? – perguntou com receio.
- Tem certeza de que quer entrar no quarto de um roqueiro aproveitador? – certo, ela merecia isso, mas não precisava ser tão rude.
- FLETCHER! – ouviram um grito de dentro do quarto. – Deixe a garota entrar.
- Tanto faz. – deu espaço para que ela entrasse.
- Oi. – cumprimentou Dougie, que estava na cama, e Harry no sofá, todas as atenções estavam voltadas para ela.
- A que devemos a honra de sua presença? – Tom ironizou e passou ao seu lado sentando-se ao lado de Dougie.
- Cadê o...? – ela indagou e essa não era uma boa hora de esquecer o nome deles.
Eles se entreolharam.
- Maldito piso, eu quase caí. – Danny murmurava enquanto saía do banheiro enrolado em uma toalha branca, atraindo a atenção de todos.
- JONES! – Tom gritou. – Vá se vestir. – ordenou.
- Desculpa. – ele pediu sem jeito vendo que a menina arregalava os olhos e voltou correndo para dentro do banheiro.
- Nos desculpe por isso. – Harry voltou o olhar para , que agora estava parecendo um pimentão. – Nós não esperávamos por visita. – concluiu e ela o fitou.
- Tu-tudo bem. – gaguejou. – Vou esperar ele voltar. – sorriu amarelo.
- Quer alguma coisa? – Dougie tentou ser simpático. – Temos de tudo um pouco. – foi até o frigobar. - Chocolate? – sorriu como se soubesse a resposta, a viu assentir.
- Obrigada. – agradeceu quando ele lhe entregou um tablete de chocolate e sentou-se novamente.
- Estou bem assim? – Jones saiu do banheiro usando uma camiseta branca e bermuda.
- Apresentável. – Judd riu de leve.
- Então? – Tom indagou e todos olharam pra ela.
- Reunião? – o guitarrista sardento olhou para os garotos e se espremeu no meio de Dougie e Tom.
- Eu... – ela começou após uma mordida em seu chocolate. – É que... – coçou a cabeça. - Tom Fletcher? – o fitou e ele afirmou com a cabeça. – Me desculpa pelas coisas que eu disse sobre você, foi errado, eu nem te conheço pra julgar você daquela forma, é claro que existem roqueiros que só querem se aproveitar de suas fãs, mas eu não posso generalizar, pois as pessoas não são iguais. – fez uma pausa apenas para respirar. – Estou muito arrependida do que fiz, sou nova ainda, tenho muito que aprender com a vida, e o que aconteceu hoje me ensinou a não julgar os outros pela aparência ou profissão, eu espero que você... – fitou Tom e depois os outros. – que vocês possam me desculpar pela minha atitude preconceituosa e infantil. – terminou seu discurso e respirou fundo para recuperar o fôlego.
- Nossa. – o baterista disse espantado com o que ela acabara de dizer.
- Isso foi... – Danny procurava por palavras.
- Longo. – o baixista concluiu.
- Eu não esperava por isso. – Tom foi sincero e estava admirado com a coragem da garota.
- Era isso que eu queria dizer. – falou e levantou-se. – Vou indo, até mais. – foi em direção a porta.
- Espere. – Fletcher pediu e levantou-se.
- O quê? – ela virou-se bruscamente.
- Vamos recomeçar? – indagou sorrindo e ela sentiu um peso saindo de suas costas.
- Meu nome é Thomas, toco no McFLY, e você? – esticou a mão pra ela. – Mas você pode me chamar de Tom. – disse quando ela se aproximou apertando sua mão.
Todos se aproximaram fazendo a mesma apresentação que Tom havia feito, agora o clima estava descontraído.
- Brasil? – Danny indagou quando ela terminou de se apresentar.
- Sim. – assentiu sorrindo.
- Então é verdade. – ele colocou a mão na boca e olhou para o teto.
- O quê? – indagou curiosa.
- Que elas são gostosas. – comentou sem pensar, obviamente esquecendo que estava incluída em seu elogio. – As brasileiras. – completou.
- Danny. – o baterista lhe tacou uma almofada.
- Respeite a garota. – o baixista beliscou seu braço.
- Ela é brasileira. – o dono da covinha o avisou.
- Mas o que... – ia perguntar quando se tocou. – Desculpa. – pediu para a garota, a qual estava completamente sem graça. – E aquela sua amiga? – mudou o rumo da conversa.
- A desastrada. – Harry riu.
- . – sorriu para Danny e como em um passe de mágica pensou em algo que talvez fizesse com que a colega a perdoasse. – Tive uma idéia. – sorriu de um jeito divertido.

Capítulo 4

- Que ideia? – Dougie perguntou reparando nos olhos da garota, que agora brilhavam.
- Eu preciso da ajuda de vocês. – o fitou e depois os outros.
- Se não envolver assassinato ou sequestro, pode contar conosco. – Danny piscou para ela.
- Por que sequestro não? – ela arqueou as sobrancelhas.
- É muito arriscado. – o baterista respondeu fingindo seriedade.
- Mas se for a sua amiga, eu corro o risco. – o sardento lhe lançou um olhar malicioso.
- Vai se acostumando. – Tom rolou os olhos e riu de leve.
- Depois do que aconteceu a ficou brava comigo e vocês poderiam me ajudar a resolver essa situação. – explicou com um sorriso no rosto.
- Como? – o baixista perguntou interessado.
- Ela é fanática por vocês, tem todos os CDs, DVDs e etc. – afirmou.
- E o que você tem em mente? – o dono da covinha indagou.
- Me acompanham? – arqueou as sobrancelhas e foi em direção à porta.
- E se ela quiser se aproveitar da nossa fama? – Danny cochichou para os amigos, mas ela ouviu.
- Ouch! Jones. – mostrou a língua pra ele.
- Vamos logo. – Harry empurrou os amigos para fora do quarto e seguiram , que ia em direção ao quarto que dividia com .

Dougie e Tom estavam ao lado de , Harry e Danny logo atrás. Ao chegarem no quarto, ela pediu para ficarem em silêncio e esperarem; entrou primeiro para verificar se a colega estava em trajes adequados, e até que estava considerando o pijama de joaninhas.
- . – sacudiu a menina na cama. – , acorda. – pediu novamente.
- O que é? – a mais velha resmungou.
- Aconteceu algo. – mentiu, mas não era cem por cento mentira, algo realmente havia acontecido.
- O que você fez? – sentou-se bruscamente na cama.
- Calma. – riu de leve. – É uma surpresa. – sorriu maliciosa. – Arruma esse cabelo. – falou e se afastou, indo até a porta para abri-la enquanto a colega passava as mãos no cabelo tentando abaixar o volume. – Entrem. – os avisou e Tom foi o primeiro a entrar, sendo seguido por Dougie, Danny e Harry.
- Mas o quê? – abria e fechava a boca várias vezes sem saber o que dizer.
- Então, o que vamos fazer? – Danny perguntou sentando na cama de .
- Quieto. – quase ordenou e estalou os dedos para que a colega voltasse a si.
- Oi? – a mais velha saiu do transe.
- Quero pedir desculpas pelo que fiz hoje. – agora os cinco fitavam . – Fui imatura e burra colocando o seu emprego em risco, prometo nunca mais fazer aquilo. – sorriu esperançosa. – Eles. – apontou para os rapazes. – Me desculparam e espero que você possa também, por isso os trouxe aqui, para provar, me desculpa? – pediu com receio.
fitou e depois os quatro, que faziam sinal de positivo com o polegar e balançavam a cabeça positivamente.
- . – sorriu. – É claro que eu te desculpo. – levantou e abraçou a colega fortemente.
Os quatro bateram palmas para aquela cena e as duas gargalharam.
- Mas você poderia ter me avisado disso. – soltou o abraço. – Estou de pijama.
- Está linda. – Danny se intrometeu na conversa.
- Obrigada. – agradeceu sentindo o rosto queimar de vergonha.
- Acho que agora... – Tom olhou para Harry, que trocou olhares com Dougie, e os três sorriram maliciosamente.
- O quê? – fitou confusa aquela cena.
- ABRAÇO DE URSO! – Harry gritou.
não teve muito tempo para reagir, viu os três pulando sobre si e caiu em cima de Danny, e , que estavam logo atrás dela, por sorte caiu em cima da cama.
- Socorro. – gritava sentindo o peso de todos.
- Vamos morrer. – Danny exagerava e estava de frente para .
- Ar. Ar. Ar. – suplicava com Dougie sob ela e cutucava o garoto fazendo-lhe cócegas na esperança que ele saísse dali.
- Esmaga. – Tom e Harry falaram ao mesmo tempo e saíram de cima deles, voltando a pular em seguida.
- Gente. – dizia quase sem ar.
- A MENINA VAI MORRER. – o sardento gritou desesperado e deu um tranco com corpo para trás fazendo , que estava com as costas na dele, cair no chão com Dougie.
- AI. – o mais novo gritou ao sentir o corpo de caindo todo desajeitado sobre si.
- Descul... – ela pedia tentando se levantar, mas foi impedida quando Tom sentou-se em suas costas, e, com isso, seu corpo caiu sobre Dougie novamente.
- Você está bem? – Danny indagava preocupado para abanando uma almofada com a intenção de fazer vento e ajudar a menina a respirar direito.
- Sim. – respondeu ofegante.
- Não foi nossa intenção te machucar. – Harry sentou ao seu lado.
- Eu sei. – o fitou e sorriu gentilmente.
- Está confortável aí, Fletcher? – a garota ironizou enquanto tentava se levantar – inutilmente – mais uma vez.
- Muito. – se remexeu todo.
- Eu disse que ele queria se aproveitar de mim. – ela sussurrou para Dougie, que apenas riu da situação.
Os olhares dos dois se cruzavam diversas vezes devido à aproximação, quer dizer, os dois estavam muito mais que próximos, estavam praticamente colados um ao outro.
- Alguém pode nos ajudar? – Dougie resolveu se pronunciar ao ver que a garota fazia uma cara de dor, certamente o peso de Tom sobre ela estava a incomodando.
- Tom, sai de cima deles. – Harry riu de leve.
- Ela merece. – ele se mexeu novamente e soltou um gemido fechando os olhos.
- Você está a machucando! – Poynter aumentou o tom de voz. – SAIA! – berrou.
- O quê? – Fletcher levantou-se rapidamente e a menina rolou para o lado, saindo de cima de Dougie.
- Você está bem? – o mais novo curvou o corpo sobre ela.
- Sim. – ela colocou a mão para trás sentindo as costas. – Tem algo no seu bolso. – olhou para Tom, que a fitava preocupado.
Ele pôs a mão no bolso de trás da sua calça e tirou um molho de chaves dali.
- Isso que me machucou. – apontou para ele e sentou-se, ainda tentando massagear as costas.
- Posso ver? – Dougie indagou e ela assentiu.
Levantou a blusa dela com cuidado e pôde ver uma marca levemente avermelhada nas costas dela, logo abaixo do fecho de seu sutiã. Passou a mão no local e massageou devagar.
- Vocês queriam nos matar. - brincou ao ver a situação da colega.
- Tom e Harry que queriam. – olhou para os dois e respirou aliviada ao sentir a dor nas costas diminuir devido à massagem que Poynter lhe fazia.
- Eu? – o baterista apontou para si próprio com uma cara de indignado.
- Sim. – Danny afirmou.
- Você também é culpado. – a mais nova o acusou.
- Por quê? – arregalou os olhos.
- Quem me derrubou no chão fazendo esmagar o pequenino aqui foi você. – ela apontou para Dougie, que sorriu ao ouvir ela o chamando de pequenino.
- Mas foi porque você e ele estavam esmagando a . – tentou justificar e fitou a mais velha, que sorriu timidamente ao ouvi-lo a chamando pelo apelido.
- Parem de se acusar. – Poynter chamou a atenção dois. – Tom e Harry são os maiores culpados.
- Não pense que me esqueci da troca de olhares entre vocês, viu? – olhou para o lado vendo o garoto rir de um jeito tímido.
- Sou inocente até que provem o contrário. – Tom se pronunciou.
- A prova de sua culpa está mim. – a mais nova o avisou.
- Pessoas. – falou e todos a olharam. – Vou ser chata agora, mas nós temos que acordar cedo amanhã para trabalhar.
- Verdade. – o dono da covinha concordou e todos lamentaram.
- Melhorou? – Dougie parou de massagear as costas de .
- Sim, você tem mãos de anjo. – sorriu quando ele levantou-se e estendeu a mão para que ela levantasse também. – Obrigada. – beijou a bochecha dele.
- Sempre que precisar. – sorriu e a viu aproximar-se de Tom e lhe dar uma pedalada e depois um cutucão.
- Pelo esmagamento e suas chaves. – avisou o guitarrista, que estava com a mão na barriga devido à dor que aquilo causou.
- Vamos antes que eles realmente se matem. – Harry passou pelos dois e abriu a porta.
- Nos vemos amanhã. – Danny olhou para , que assentiu.
- Me desculpa? – Fletcher pediu ao abraçar .
- Claro. – ela sorriu ao separar-se dele.
- Até amanhã. – Dougie se despediu de com um beijo no rosto e foi até , que sorriu ao vê-lo se aproximar.
- Você é o mais normal de todos. – ela brincou e lhe abraçou. – Obrigada pela massagem.
- Ele tem dono. – Harry, que estava na porta, avisou.
- Você nunca foi ciumento. – Poynter falou e riu.
- Até amanhã, lindas. – Judd acenou da porta e Dougie o seguiu.
- Até. – as duas disseram ao mesmo tempo e acenaram de volta.

deu um grito histérico assustando e logo em seguida saiu correndo pelo quarto.
- McFLY. – a mais velha berrou e voltou a gritar histericamente indo na direção da colega e lhe dando um abraço forte. – EU TE AMO. – beijou o rosto da garota.
- Sai pra lá. – a mais nova se desvencilhou dos braços da outra. – Eu não sou Danny Jones. – brincou e se jogou na cama.
- Você viu? – correu até a colega e sentou ao lado dela. – Ele ficou deitado sobre mim e me salvou de um esmagamento – abanou-se freneticamente e suspirou.
- Sim. – afirmou. – E eu também vi você virar um pimentão. – gargalhou.
- Será que ele percebeu? – fez uma cara de preocupada.
- Homens não reparam nessas coisas. – opinou.
- Mas eu também vi você grudada com o Poynter no chão. – a mais velha lhe lançou um olhar malicioso.
- E eu tinha outra escolha? – arqueou as sobrancelhas.
- Claro que não - afirmou - Tom Fletcher sentado sobre você. – pontuou. – E deitada sobre Dougie Poynter.
- Não começa. – interrompeu a outra.
- Você é tão inocente. – balançou a cabeça.
- E você é tão pervertida. – a mais nova mostrou a língua.

Sete horas da manhã, diretores, produtores, dançarinos, figurantes e todos envolvidos no clipe andavam de um lado para o outro organizando os últimos detalhes para começar a gravação, mas antes disso aconteceria um ensaio geral para checagem de coreografia, cenário, som, câmera e etc.
e estavam dentro do trailer se arrumando, a mais nova já estava devidamente uniformizada e com a maquiagem finalizada, que era bem pesada marcando os olhos e a boca, e no corpo usava um pó que dava a impressão de sujeira. Ela estava à espera da mais velha, que ainda estava sendo maquiada.
- Estou linda. – a caçula olhou para si própria no espelho.
- Maravilhosa. – a mais velha caçoou.
A garota foi até a janela do automóvel observar a movimentação do lado de fora, e percebeu que sua roupa não era tão estranha comparando com as das outras pessoas.
- Alguém conhecido? – indagou.
- O Tom. – respondeu com naturalidade. – Quase não o reconheci. – fitava o garoto que conversava com alguém.
- Jones? – a mais velha mordeu lábio inferior.
- Nada. – riu ao ver Harry se aproximando do dono da covinha e pulando em suas costas.
- Terminei. – a outra anunciou assim que a maquiadora finalizou. – Vamos lá fora? – saltou da cadeira e foi até a colega.
- Claro. – ironizou. – Assustar as pessoas. – seguiu a mais velha, que a puxou, e saíram do trailer.
- Meninas. – alguém as chamou. – Estão lindas. – Alec elogiou. – Nervosas?
- Um pouco. – respondeu com um sorriso.
- Não se preocupem, vocês vão se sair bem. – piscou para as duas e se afastou delas.
- Vamos socializar. – enganchou o braço na colega.

O set de filmagens era na praia, o que deixava o ambiente mais gostoso. Ambas passeavam pelo local sorrindo e cumprimentando a todos, estavam amando aquela experiência que era nova e divertida para elas. Estavam tão extasiadas com tudo aquilo que andavam totalmente distraídas, o que não era tão incomum, já que sempre se distraíam com facilidade.
- Caramba. – a caçula resmungou quando alguém esbarrou em seu braço.
- Desculpa. – uma voz masculina pediu e ela se virou para ver quem era.
- Do-Dougie? – cerrou os olhos para ter certeza, ele estava maquiado e quase irreconhecível.
- ? – indagou de volta.
- Estamos tão diferentes assim? – se intrometeu.
- Muito. – ele deu um sorriso tímido.
- Você também não fica atrás. – a mais nova afirmou olhando para o visual completamente diferente dele.
- Desastrada. – ouviram a voz de Harry e a mais velha o fitou. – Como estão? – cumprimentou ambas com um beijo no rosto.
- Bem, e vocês? – a caçula sorriu.
- Com saudades. – agora foi Danny que chegou por trás esmagando ambas.
- Vocês não se separam. – comentou.
- Somos quase gêmeos univitelinos. – Judd brincou.
- O que é uvivileinos? – Jones fez uma careta confusa.
- Univitelinos – explicou. – São gêmeos idênticos. – concluiu e viu o sardento sorrir em agradecimento.
- O nerd chegou. – Poynter os avisou e todos olharam na mesma direção, Tom estava se aproximando.
- . – cumprimentou a garota com abraço e um beijo no rosto e foi até a mais nova. – Você. – fez menção de bagunçar o cabelo dela, mas rapidamente a menina se escondeu atrás de Dougie.
- Hoje não. – pediu quando viu que ele tentava desviar do mais novo.
- Tom, isso deu trabalho. – o avisou.
- Deixe-a em paz. - o baixista fulminou o amigo.
- Tudo bem então. – o dono da covinha finalmente cedeu.

Horas depois e a gravação do clipe estava a todo vapor, apesar de ser interrompida por diversas vezes devido ao erro de alguém, e não aguentavam mais gravar a cena de luta que tinham com Dougie, a caçula quase surrou a mais velha quando a mesma errou o passo de dança pela terceira vez, e quando ela finalmente acertou foi vez do baixista desajeitado errar, sem contar quando uma figurante chutou sua bunda “sem querer” e ela quase voou no pescoço da garota, mas foi segurada pela colega. Agora eles estavam no intervalo, ajeitava o sutiã de na parte de trás, que havia se enroscado na blusa que usava por cima.
- Cuidado. – a mais velha pediu ao sentir algo rasgando.
- O que você fez? – a caçula indagou tentando desenroscar o nó que estava no local.
- Não faço idéia. – riu de leve. – O que ele quer? – sussurrou para a colega.
- Quem? – a questionou sem entender.
- Aquele cara que não para de olhar pra gente. – indicou com a cabeça um figurante que estava à frente delas, não muito distante.
olhou para onde indicou e franziu o cenho, o cara deu um sorrisinho e mandou um beijo, seu estômago embrulhou, sentiu nojo.
- Perdeu algo aqui? – parou de tentar arrumar a roupa da amiga e encarou o rapaz.
- Ainda não. – ele riu de leve. – Mas adoraria. – se aproximou das duas.
- O quê? – a caçula sentiu o sangue ferver e passou por indo na direção do cara.
- . – a amiga pediu com medo do que pudesse acontecer.
- Não. – a mais nova bufou. – Quem ele pensa que é? – fitou a amiga e quando virou percebeu que o rapaz estava perto demais dela. Empurrou-o com força, fazendo-o dar alguns passos para trás.
- Quanta agressividade, gata. – foi de novo até ela.
- Gata é a... – ia xingá-lo quando sentiu alguém puxando seu braço com cuidado, se virou pronta para atacar a pessoa.
- Algum problema? – Fletcher perguntou calmamente.
- SIM. – gritou e tentou se desvencilhar do braço dele.
- Tudo bom, camarada? – ouviu alguém dizer e virou-se na direção do cara e viu Harry passar o braço envolta do pescoço dele, mas sem violência.
- Cla-aro. – o canalha gaguejou um pouco.
- Eu acho melhor você voltar de onde veio. – Danny aproximou-se deles e ficou ao lado de , que ainda estava em estado de choque com a cena.
Eles observaram o rapaz se distanciar lentamente, Tom ainda segurava , que tentava se soltar dele.
- Vocês estão bem? – Judd foi até as duas.
- Estaria melhor se tivesse surrado aquele canalha. – a caçula reclamou e soltou-se de Tom.
- Você precisa aprender a se controlar. – o dono da covinha afirmou.
- Eu não tenho sangue de barata. – bufou e cruzou os braços.
- Estamos bem. – interrompeu uma possível discussão. – Obrigada. – agradeceu.
- Não tem de quê. – Jones, que permanecia ao seu lado, passou a mão no braço dela.
- Que ódio. – a mais nova bateu os pés.
- . – o baterista a chamou carinhosamente pelo apelido. – Você não pode enfrentar os outros dessa forma, é perigoso. – alertou.
Ela o fitou e sentiu certa preocupação da parte dele com aquilo.
- Desculpa. – pediu sinceramente. – É mais forte do que eu. – fez bico.
- Problema resolvido. – Dougie chegou todo sorridente.
- Quê? – o questionou.
- Aquele pervertido já foi expulso. – explicou e aproximou-se de . – Você está bem? – indagou e ela assentiu.
- Mas como você ficou sabendo? – a mais velha ainda tinha suas dúvidas.
- Ele já tinha assediado outras garotas hoje. – Tom explicou.
- O diretor está chamando vocês. – a caçula avisou quando viu o senhor acenando com a mão na direção deles.
- Temos que ir. – Judd saiu andando e os três o seguiram.
- Rapazes. – falou alto e os quatros olharam pra ela. – Obrigada. – agradeceu com um sorriso tímido.
Eles a encaram surpresos, não esperavam por isso, sorriram em forma de retribuição.

Algum tempo depois as gravações foram encerradas, todos começaram a ir embora dali, permaneceram no local apenas os responsáveis por tudo, a banda e alguns figurantes que aproveitaram para brincar um pouco no mar que estava calmo.
- Ui ui ui. – corria da água gelada.
- Que gelo. – gritou quando as duas chegaram até a parte onde o mar não alcançava.
- De novo. – a mais velha berrou e puxou a outra correndo na direção do mar, as duas gargalhavam.
- AI. – a caçula gritou quando a água gelada bateu em sua coxa.
- Frio, frio, frio. – a outra correu de volta na direção da areia.
Elas ficaram nessa brincadeira de “pega-pega” com o mar por um bom tempo, curtindo aquele momento gostoso.
- Ué? – fitou a areia e viu o coturno de ali, mas o dela não estava ao lado, como havia deixado. – Cadê meu sapato?
- Não estava aqui? – indagou apontando para o lugar.
- Sim. – franziu a testa. – Sumiu.
- Roubaram? – a caçula indagou e olhou ao redor. – É, roubaram. – afirmou com um sorriso no rosto.
- Não acredito nisso. – a outra bufou.
- Olha o ladrão ali. – a mais nova apontou para onde Danny estava sentado na areia com os amigos, ele balançava o coturno no ar.
- JONES! – ela gritou e colocou as mãos na cintura. – ME DEVOLVE. – andou rapidamente até eles, um pouco desajeitada por causa da areia fofa, e isso só piorou quando o garoto levantou e saiu correndo com os sapatos da garota em mãos e ela foi atrás dele.
não conteve o riso ao ver essa cena e o três rapazes também não, ela acenou para eles e resolveu continuar sua brincadeira com o mar. Deu um gritinho quando a água voltou a encostar na sua pele, andou calmamente até onde a água ficava na altura de seu joelho. Respirou fundo sentindo a brisa gostosa que batia em sua pele, ficou assim por alguns segundos, se virou para voltar à areia quando viu Dougie entrando na água e indo na sua direção.
- A já matou o Danny? – brincou.
- Está tentando. – riu de leve e olhou na direção da praia e viu a colega finalmente alcançar o sardento pulando em suas costas, o fazendo cair, e agora os dois rolavam na areia.
- Tudo isso por um coturno que nem é dela. – riu e soltou um grito ao sentir a água batendo na parte de trás de suas coxas.
- Que água gelada. – Poynter reclamou quando chegou ao seu lado e ela assentiu.
- Você molhou sua bermuda. – olhou para baixo vendo a peça de roupa dele molhada.
- Não me importo. – afirmou sorrindo.
Ela virou o corpo de volta na posição que estava esbarrando de leve o braço no dele.
- Não é só a água que está gelada. – ele comentou e colocou a mão no braço da garota, sentindo que a pele dela estava gelada. – Está com frio? – a questionou.
- Só um pouco. – foi com o olhar até onde a mão dele estava.
- Melhor sair dessa água, pode fazer mal. – sugeriu com um tom preocupado.
- Não. – sorriu e olhou em seus olhos, mas desviou rapidamente o olhar quando sentiu algo tocar em sua perna embaixo da água. – O que é isso? – fitava as pernas e, quando Dougie foi olhar o que era, ela deu um grito histérico o assustando. – É UM BICHO. – berrou pulando freneticamente e espalhando água para todo o lado na esperança de se livrar daquilo.
- Calma. – tentou tranquilizá-la.
- SOCORRO. – gritou novamente e agarrou o braço dele. – TIRA DAQUI, TIRA! – o fitou e ele sentiu o medo na voz dela.
- Vamos sair da água. – falou alto e ela assentiu aflita.
- SAI DE MIM. – berrou quase o deixando surdo e no momento de desespero pulou no pescoço dele para tentar ficar com as pernas no ar, ele não esperava por isso e se desequilibrou, quase caindo com ela na água.
- Vamos. – disse quando se recuperou e passou uma das mãos nas costas da garota e com a outra a levantou pegando em seu colo.
- O QUE É ISSO? – ela gritou quando suas pernas saíram do mar e ela viu algo enroscado nelas.
- É... – observou aquilo. – Uma planta. – riu de leve.
- Tira, tira. – pediu balançando as pernas.
Com dificuldade ele atendeu ao pedido dela, retirando aquilo de sua perna, e a ouviu suspirar de alívio. Fez menção de tirá-la do seu colo, mas ela agarrou seu pescoço desesperada.
- NÃO! – gritou. – E se tiver mais? – indagou com medo e olhou para baixo.
- É só uma planta. – disse calmamente enquanto saía do mar com ela em seu colo.
- Mas não foi na sua perna que ela foi. – resmungou.
Dougie riu de novo e foram em silêncio até a areia, e, ao chegarem lá, ele a colocou com cuidado no chão.
- Obrigada. – o abraçou e deu um beijo em sua bochecha.
- Sempre à disposição para salvar donzelas de plantas assassinas. – zombou e ela fez uma careta.
- O que foi aquilo? – chegou até os dois e abraçava seus sapatos com força, como se precisasse daquilo para sobreviver.
- Tubarão? – Danny ,que estava em seu encalço, indagou.
- Vocês viram? – sentiu o rosto corar. - O que aconteceu com você? – só agora a caçula percebeu o estado que a colega estava, tinha areia até em seu cabelo.
- Esse ladrão de coturnos. – fuzilou Jones, que estava ao seu lado. – SOME. – gritou quando ele tentou arrancar os sapatos de suas mãos.
Ouviram um assovio e olharam na direção dele, Tom acenava para os amigos, avisando que tinham que ir.
- Vamos indo. – Dougie olhou para as duas e puxou Danny, que ainda tentava roubar os sapatos de .
- Até mais. – o sardento avisou as duas, que assentiram mesmo sem certeza se aquilo realmente aconteceria.
- Ele já foi. – a caçula riu ao ver que a colega ainda abraçava os sapatos.
- Qual a graça de roubar? – rolou os olhos.
- Acho que nós precisamos de um banho e descanso. – a mais nova comentou.
- Concordo. – a outra sorriu.

- Everybody wants to know her name. cantava enquanto fazia a escova de cabelo como microfone. – I threw a house party and she came. – subiu na cama pulando na mesma.
E continuou assim por toda a música, cantando e dançando loucamente. saiu do banheiro secando seu cabelo e levou um pequeno susto ao ver aquela cena, então percebeu que a colega estava com fones de ouvidos, riu sozinha balançando a cabeça.
- Vou sair. – gesticulou para a mais velha, que estava entretida no seu solo de guitarra.
Ignorou a animação da amiga e foi andando até a porta, e, quando estava prestes a sair, a colega se manifestou.
- AONDE VOCÊ VAI? – berrou saltando da cama e seguindo a caçula.
- Sair. – explicou sorrindo.
- Sair pra onde? – colocou a mão na cintura e não deu tempo da outra responder. – Você não conhece a cidade e já é de noite. – falou e a mais nova rolou os olhos com a pose autoritária da colega.
- Por isso mesmo, quero conhecer e não aguento mais ficar nesse quarto. – fez uma careta.
- Eu vou com você então. – resmungou algo e foi colocar uma sapatilha.
- Vamos aproveitar nosso último dia aqui. – disse empolgada.
Andavam pelos arredores do hotel, não queriam correr o risco de se perder, além de não conheceram nada, era noite. Estavam há mais de meia hora caminhando e estava empolgada observando tudo, não que tivesse muita coisa para ser observada, mas era melhor do ficar presa dentro do quarto.
- SORVETE! – gritou animada apontando para uma sorveteria do outro lado da rua.
- Até parece que no Brasil não existe isso. – a mais velha riu.
Entraram no local que tinha a decoração antiga, estilo anos sessenta, e os funcionários se vestiam da mesma forma, a caçula sorriu maravilhada com aquilo tudo. Foram até o balcão, escolheu sorvete de chocolate e pegou um de flocos.
- Não. – a mais velha falou quando a garota ia se sentar em um dos bancos almofadados que tinha em frente ao balcão. – Está tarde, vamos tomando o sorvete no caminho de volta para o hotel. – afirmou e viu a caçula bufar.
- Já que você insiste. – saiu na frente saltitando.
A outra riu da atitude infantil e a seguiu, andava se equilibrando pelo meio fio e estava ao seu lado e gargalhava quando a caçula se desequilibrava.
- Para. – mostrou a língua.
- Você vai derrubar o sorvete. – avisava e um pedaço da casquinha do seu sorvete se partiu. – Droga. – resmungou lambendo que tinha sujado.
- Há-há, bem feito. – a mais nova riu.
- Adoro sorvete. – ouviram uma voz masculina dizer e imediatamente olharam para trás vendo um cara que aparentava ter quarenta anos trançando as pernas, completamente bêbado. Elas não perceberam que ele seguia as duas desde que saíram da sorveteria.
- Então vai comprar o seu. – o fuzilou e como sempre não se controlando.
- Vamos embora. – puxou a garota pelo braço e apressaram os passos.
- Não vão. – ele gritou e mesmo com dificuldade continuou a seguir as duas.
fitou desesperadamente ao seu redor e ali não tinha uma alma viva para ajudá-las, percebeu a aflição da colega e sentiu medo quando notou o mesmo que ela, a rua estava vazia e um tanto escura.
- LINDAS. – a voz dele estava mais próxima, só então deram conta de que estavam paradas e se entreolharam com os olhos arregalados.
- CORRE. – a mais velha berrou fitando a caçula, que assentiu.

Capítulo - 5

- SOCORRO! – gritava enquanto elas corriam o mais rápido que conseguiam.
- Deus nos ajude! – choramingava correndo e olhou para trás rapidamente vendo o homem capotar no chão.
- Preciso descansar. – a caçula parou bruscamente colocando as mãos no joelho.
- NÃO. – a mais velha a puxou pela mão, fazendo com que ela tropeçasse.
- MERDA. – berrou e soltou um gemido de dor. – Meu pé.
- Vamos. – ignorou o que a amiga disse, voltando a puxá-la.
- Não consigo. – os olhos de lacrimejaram assim que ela tentou colocar o pé no chão.
- Caramba – desesperou-se e fitou novamente na direção do homem, que tentava se levantar, mas caía no chão e ria de si próprio.
- Beco. – a mais nova disse chamando a atenção da amiga que a olhou sem entender. – É um bom esconderijo. – afirmou e a outra finalmente percebeu que do outro lado da rua havia um beco.
- É a nossa única opção. – ajudou a amiga.
Andaram com dificuldades até lá, se apoiava na amiga, que a todo o momento olhava para trás querendo ter certeza de que o bêbado não prestava atenção nelas, o que era impossível, pois ele ainda tentava levantar. Se não estivesse com o pé machucado poderiam fugir com facilidade, mas para onde iriam? Na fuga acabaram mudando o caminho que as levaria até o hotel e agora estavam completamente perdidas.
- Ali tem uma caçamba, vamos nos esconder atrás dela. – sugeriu e as duas andaram até lá.
O beco era estreito, mal iluminado e sujo, se perguntou como conseguiram colocar aquela caçamba de lixo ali, ela praticamente ocupava toda a largura do local, deixando apenas um espaço pequeno ao lado. Elas se espremeram para passar ali, achou um pedaço de papelão e colocou no chão e as duas se sentaram nele, se encostando na caçamba.
- O que a gente faz agora? – se acomodava enquanto tentava movimentar o pé.
- Celular. – lembrou do seu aparelho que estava no bolso da frente de sua calça.
- Você está com o seu? – a caçula indagou surpresa arqueando as sobrancelhas.
- Pra quem eu ligo? – ignorou a pergunta e se auto-respondeu. – Alec. – falou alto.
- Fica quieta ou o bêbado vai nos achar. – deu um cutucão na amiga.
- Atende, atende. – praticamente suplicava enquanto discava o número do celular de seu chefe.

Longe dali, Alec estava no hotel conversando com Dougie, Tom e Danny sobre o clipe e outros assuntos de negócios que eles tinham que resolver, Harry já estava no décimo sexto sono no quarto ao lado.
- Quando estreia? – Fletcher o questionou.
- Provavelmente no mês de... – foi interrompido pelo toque estridente do seu celular, que estava em cima da mesa, o pegou e quando viu que era um número desconhecido apertou o botão vermelho ignorando a ligação. – Julho ou Agosto. – concluiu seu pensamento.
- E quando ele fica pronto? – Poynter indagou.
- Em algumas semanas.... – e o toque estridente de seu celular voltou a tocar.
- Deve ser importante, acho melhor atender. – olhou para os rapazes, que assentiram. – Alô?

De volta ao beco escuro, as duas esperavam ansiosamente para que o patrão de atendesse ao telefone, e quando isso aconteceu, elas se controlaram para não gritar de felicidade.
- Sr. Franco? – a menina indagou.
- Quem está falando? – franziu o cenho.
- É a . – informou.
- ? – a questionou e os rapazes pararam de conversar. – Aconteceu alguma coisa?
- Sim, sim. – respondeu meio desesperada. – Eu e a fomos atacadas por um bêbado e na fuga nos perdemos, preciso da sua ajuda porque não sei onde estamos e a gente está escondida. – explicou tudo de uma vez com a voz chorosa.
- Atacadas? – a questionou preocupado e se levantou, os garotos agora o fitavam assustados. – Bêbado? – indagou e a menina afirmou. - Vocês estão bem? – ela afirmou novamente. – nisso os três rapazes já rodeavam o empresário querendo entender o que estava acontecendo, ele então colocou o telefone na viva-voz. – Onde vocês estão?
- Não sei. – ela respondeu segurando o choro que estava por vir.
- Nenhum ponto de referência?
- Nada – negou. – , você lembra algo que possa servir como ponto de referência? – a ouviram perguntando para a amiga.
- Espera. – fez uma cara de pensativa. – Depois da sorveteria a gente virou a direita que era a rua do hotel e foi onde o maluco apareceu, e nós corremos e... , você está chorando? – a questionou preocupada. – Não fique assim. – consolava a amiga.
- Alô? – Alec percebeu que as duas ficaram em silêncio.
- O que aconteceu? – Danny se pronunciou.
- ? – o dono do celular a chamou.
- Droga. – ouviu resmungar ao fundo. – O telefone, a não está bem. – ela avisou com a voz embargada. – Nos ajude, por favor. – choramingou.
- Vocês estão escondidas?
- Isso, em um beco atrás de uma caçamba de lixo. – informou.
- Estamos a caminho – desligou o telefone.
- O que foi? – Poynter o questionou.
- Elas estão bem? – agora foi Fletcher.
- Estão feridas? – Jones completou a avalanche de perguntas.
- Não sei. – bufou passando as mãos nos cabelos freneticamente. – Vou até elas. – seguiu em direção à porta do quarto.
- Vamos com você. – os três disseram ao mesmo tempo.

Enquanto isso no beco a mais velha já tinha se acalmado um pouco, mas a caçula ainda estava preocupada com a amiga. apoiava a cabeça no ombro de e respirava fundo.
- O que você tem? – indagou.
- Acho que minha pressão caiu. – explicou. – Estou com tonturas. – fechou os olhos. – Será que eles vão nos achar? – perguntou tão baixo que a caçula quase não a ouviu.
- Sim, eles vão. – garantiu. – Daqui a pouco eles... I think I’m gonna lose it, lose it, lose it. – foi interrompida pelo celular de . – Alô?
- Onde vocês estão? – Alec perguntou.
- Já disse que eu não sei. – falou um pouco irritada.
- Façam algum barulho ou venham até a rua. – pediu.
- Não. – respondeu com receio. – O maluco pode estar por perto. – justificou.
- Certo, então nós vamos fazer barulho, diga se nos ouve. – avisou e ela afirmou.
Logo em seguida quase ficou surda, tirou o telefone do ouvido, realmente ela ouvia algo, mas parecia distante.
- E aí? – ouviu alguém indagar.
- Ouvi sim. – afirmou.
- Com qual intensidade? – ela reconheceu aquela voz.
- Quem está aí? – questionou percebendo que estava no viva-voz e que havia mais de uma pessoa ali.
- Danny, Tom e Dougie estão comigo. – Alec explicou. – Estamos longe ou perto?
- Longe, ouvi vocês e parecem estar longe. – disse com a voz desanimada.
- Aguenta firme. – alguém disse. – Estamos refazendo os passos de vocês.
- Merda. – Danny resmungou ao fundo. – Maldito sorvete no chão.
- É de chocolate? – a menina indagou e se lembrou de algo.
- Sim, por quê?
- Deixei o meu cair no caminho pra cá. - um pequeno sorriso brotou em seus lábios.
E novamente ela quase ficou surda ao ouvi-los berrando loucamente.
- Agora foi mais perto. – se animou e fitou a amiga, que sorriu fraco.
- Ali tem um beco. – ouviu.
- Será que é o delas?
- Eu vou me levantar. – os avisou, mas por um instante ela esqueceu que seu pé estava machucado e, assim que o colocou no chão, sentiu uma dor e perdeu o equilíbrio, caindo lentamente batendo as costas na caçamba de lixo.
- Eu ouvi isso e foi perto. – uma voz masculina se pronunciou.
- Você está bem? – um deles perguntou.
- Estou. – respondeu passando a mão nas costas.
- Beco. – alguém gritou animado.
novamente tentou se levantar, só que agora sem apoiar o pé machucado no chão, usou a caçamba como suporte, assim que se pôs de pé olhou na direção da rua e viu sombras de quatros pessoas.
- Dois becos, e agora? – Danny coçou a cabeça.
- O que é isso? – Fletcher virou-se ao ouvir som de lataria sendo batida vindo na direção contrária a que eles olhavam.
- São elas? – Poynter estreitou os olhos para tentar enxergar melhor.
- ? ? – começaram a gritar e correr à direção do barulho.
- Eles estão aqui. – a caçula comemorou animada e aumentou a força com que batia na tampa da caçamba. – Ai. – resmungou colocando a mão direita na frente dos olhos quando uma luz forte apareceu.
- Chegamos. – Alec, que estava com a lanterna na mão, avisou.
Danny pulou a caçamba todo desajeitado quase esbarrando em enquanto Tom e Dougie passavam pelo pequeno espaço que as garotas passaram mais cedo seguidos por Alec, que iluminava o local com sua lanterna.
- Danny. – disse um pouco alterada ao ver o menino se aproximar dela e se levantou rapidamente sentindo a tontura piorar, e só não caiu no chão porque ele a segurou.
- Pressão baixa. – sorriu fraco ao ver a expressão assustada do garoto.
- . – Poynter chegou até a garota e a abraçou com força.
- Estou bem. – garantiu surpresa com a atitude dele.
- Ficamos tão preocupados. – soltou-a um pouco para analisar seu rosto, segurando-o com as duas mãos.
- Você tem certeza de que está bem? – Tom a fitou.
- Sim, só torci meu pé. – sorriu tentando tranquilizá-lo.
- Vamos sair daqui. – Alec se aproximou de Jones, que ajudava a se manter em pé.

Dougie finalmente soltou e a menina usou ele e Tom como apoio para conseguir andar, e Danny pegou no colo quando percebeu que ela não conseguia caminhar normalmente por causa da tontura que sentia. Algum tempo depois estavam no quarto delas no hotel, Jones colocou a mais velha com cuidado na cama e pegou um copo de água para ela beber, enquanto isso resolveu tomar banho.
- Mas como tudo isso aconteceu? – Alec, que estava sentado ao lado de Tom e Dougie no pequeno sofá que tinha ali, indagou.
- Ah. – a mais velha respirou fundo e terminou de tomar sua água. – Um bêbado nos assediou e do nada começou a correr atrás da gente. – contou por alto omitindo algumas coisas.
- Muito estranho. – o chefe dela analisou.
- Não precisa mentir por mim. – abriu a porta do banheiro fitando a amiga e pulou em um pé só igual ao Saci Pererê até chegar a sua cama.
- Aqui. – Poynter levantou-se rapidamente e foi até a menina.
- O que é isso? – questionou quando viu que ele segurava algo nas mãos.
- Gelo. – sorriu timidamente e mostrou os gelos enrolados em uma toalha de rosto. - Posso? – sentou na beira da cama e indicou seu pé, a garota assentiu.
- Nos conte o que realmente aconteceu. – Tom pediu.
- Esse bêbado apareceu e falou bobeiras... – parou respirando fundo criando coragem. – E, como sempre, não deixei quieto. – mordeu o lábio inferior.
- O que você fez? – Jones perguntou enquanto se acomodava lado de na apertada cama de solteiro.
- O provoquei. – fitou as próprias mãos.
- Você não fez por mal. – a mais velha afirmou.
- Mas eu não deveria ter feito. – a olhou com tristeza. – Talvez tudo isso não tivesse acontecido.
- Não tinha como você saber. – Dougie opinou e acariciou a perna dela.
- E o cara estava bêbado. – Fletcher se levantou ficando em pé ao lado de Poynter.
- Não se culpe. – Alec se manifestou.
- O que importa é que vocês estão bem. – Danny afirmou e segurou a mão da mais velha lhe fazendo carinho.

rolava de um lado para o outro na cama, não conseguiu dormir direito, o ocorrido da noite passada dominava seus pensamentos, mas não exatamente o fato do bêbado–maluco-perseguidor-de-garotas-indefesas que a perturbava, e sim o que aconteceu depois, a preocupação e o carinho dos garotos com elas e principalmente o cuidado que Danny teve com ela, nunca sequer imaginou que um dia ele a protegeria daquela forma, a não ser em seus sonhos em que ele a defendia até de aranhas gigantes, mas tudo o que viveu desde que fora para aquela cidade gravar o clipe definitivamente não era um sonho.
- Síndrome de peixe? – riu ao ver a amiga rolando na cama parecendo um peixe quando está fora da água.
- Quem me dera. – riu de leve e ouviram alguém bater na porta. – Atende? – pediu.
- Não. – resmungou. – Estou debilitada. – fez um drama básico se abraçando ao edredom.
- Fresca. – levantou e jogou o travesseiro na caçula.
Ao abrir a porta, quase se engasgou com a própria saliva. Ver aquele lindo rosto logo de manhã era um crime contra seus hormônios, sorriu timidamente e ele a abraçou sem hesitar.
- . – afagou os cabelos dela. – Como você está? – Harry indagou.
- Melhor agora. – sentiu o rosto queimar de vergonha por ter dito aquilo.
- Harry? – percebeu a presença do rapaz ali e se sentou na cama.
- . – soltou e foi até a mais nova sentando-se ao seu lado. – Está bem? – acariciou o rosto dela delicadamente.
- Vou sobreviver. – fez um bico e uma voz manhosa. – Meu pé ainda dói.
- Tadinha. – imitou o bico dela.
- Drama Queen. – se juntou a eles na cama e mostrou a língua, Harry se divertiu com aquilo.
- Me desculpem por não estar aqui ontem. – pediu e fitou as duas.
- Você está aqui agora. – a britânica sorriu compreensiva.
- Fiquei encarregado de saber sobre vocês e.... – o celular dele começou a tocar, olhou no visor, era Danny.
- Fala, Jones. – as duas não escondiam a curiosidade e o encaravam. – Sim, elas estão bem. – respondeu ao amigo. – É, a também. – a menina corou ao ouvir seu nome. – Sai, Poynter – escutou Danny reclamar e Dougie começou a falar com ele, provavelmente tomou o celular de Jones. – está bem sim, estou na cama dela, sabe, é bem confortável. – provocou e recebeu alguns palavrões de volta, e a brasileira procurou algum buraco pra se esconder devido à vergonha que sentiu. – Beleza, estamos descendo. – as duas se entreolharam sem entender e ele desligou o aparelho.
- Esqueci de avisar, vocês vão embora com a gente. – disse sorrindo ao perceber que elas o encaravam.
- Hã? – arregalou os olhos.
- É o mínimo que podemos fazer por vocês. – afirmou.
- Não precisamos da pena de vocês. – a caçula disse visivelmente emburrada.
- Não é isso, nós realmente gostamos de vocês, depois do que aconteceu ontem nos sentimos culpados e enquanto estivermos por perto vocês não andam sozinhas nessa cidade. – cruzou os braços.
- Mas... – a mais velha tentou argumentar.
- Mas nada, vocês vão e ponto final.
- Tá pior que meu pai. – a brasileira resmungou.

ajudava , que andava mancando, enquanto Harry carregava as malas delas. Ao chegarem ao hall do hotel, encontraram com Fletcher e Jones.
- Meninas. – Danny correu até as duas e as abraçou.
- Sempre tão carinhoso. – comentou.
Tom foi até elas e cumprimentou com beijo. Após fazerem o check out do hotel, foram até a saída, onde o ônibus já estava estacionado. Harry guardou as malas no bagageiro e entrou no automóvel, em seguida Danny com . , após subir o primeiro degrau, parou e fitou Tom, que vinha logo atrás dela.
- Não consigo. – choramingou. – Meu pé dói.
- Eu resolvo isso. – passou por ela. – Sobe aí. – ficou de costas para a menina.
- Tem certeza?
- Sobe. – ordenou, a garota riu e subiu nas costas de Fletcher.
- Precisa de uma dieta. – brincou e levou uma pedalada na cabeça.
- Cadê o Dougie? – indagou curiosa enquanto ele andava pelo corredor.
- Serve esse? – apontou para frente e ela viu o garoto sentado em uma poltrona. – Está entregue. – parou ao lado de onde o baixista estava.
Dougie sorriu ao ver a menina, levantou-se rapidamente e indicou com a mão para que ela se sentasse ao seu lado, ela assentiu e com a ajuda dele sentou-se. Tom e Harry estavam sentados na poltrona à frente dos dois e Danny com na do lado.
- Ai que sono. – a britânica bocejou.
- Ai que fome. – a brasileira imitou a amiga, somente mudando o objeto de desejo.
- Verdade. – agora a mais velha concordou. – Não tomamos café da manhã.
- Tenho sanduíches aqui, querem? – Tom se virou para elas, ele estava sentado na poltrona do corredor.
- Claro. – respondeu sorridente e ele lhe entregou um sanduíche.
- Eu quero também. – afirmou e Danny pegou pra ela e depois lhe deu.
- Tem suco? – a caçula indagou com a boca cheia, mas colocou a mão na frente para perguntar.
- Eu tenho. – Dougie levantou-se e pegou uma bolsa térmica que estava na poltrona atrás deles. – Manga ou uva?
- Manga.
- Me dá o de uva? – a britânica pediu.
- Claro. – ele sorriu gentilmente e entregou pra ela.

Algumas horas depois, e Danny haviam pegado no sono, ela dormia com a cabeça apoiada no ombro dele e ele com a cabeça apoiada na dela, uma cena “ultra mega fofa”, como a caçula definiu. Os quatro que estavam acordados conversavam sobre suas vidas, se conhecendo melhor, eles contaram tudo para a garota, desde quando começaram com a banda até os dias de hoje. Tom e Harry estavam com os corpos apoiados no encosto de suas poltronas e ajoelhados nas mesmas, ficando de frente para Dougie e .
- Nos conte sobre você. – Harry sorriu.
- Vamos lá. – ela ajeitou cruzando as pernas, quase fazendo a posição de lótus da yoga.
Explicou os fatos de sua vida, desde o sonho de ir para Califórnia até o dia que descobriu que iria participar do clipe deles, não excluiu detalhe algum, se sentia a vontade com eles e acima de tudo confiava naqueles quatro rapazes.
- Ainda bem que seu pai te obrigou a vir para cá. – Poynter falou sem pensar muito.
- Por quê? – o garoto ficou vermelho.
- Nunca teríamos conhecido você. – Judd tentou ajudar o amigo.
- Sim, você é maluquinha, impulsiva e nervosa, mas é legal. – Fletcher piscou para ela.
- Para. – colocou as mãos no rosto, mostrando que estava envergonhada.
- Você tem uma irmã? – Harry mudou um pouco o assunto.
- Tenho. – tirou as mãos do rosto. – Elizabeth, eu devo ter uma foto dela no meu celular. – abaixou um pouco o corpo para pegar o aparelho dentro da bolsa que estava no chão.
- Elizabeth, igual à Rainha. – Fletcher comparou.
- Na verdade o nome dela é por causa da Rainha. – a garota riu de leve enquanto procurava a foto no celular.
- Então você seria uma princesa? – o baixista indagou os amigos riram, então ele percebeu seu erro.
- Teria que ser filha dela, Dougie. – sorriu compreensiva.
- Mas ela pode ser a nossa princesa. – Judd sugeriu e piscou para o amigo que estava envergonhado. fitou Harry sem entender muita coisa e balançou a cabeça rindo de leve.
- Achei. – disse animada e passou o celular para que os três pudessem ver a foto de sua irmã.
Elizabeth tinha os cabelos ondulados, longos e naturalmente da cor castanho claro, seus olhos eram da cor âmbar, mesma cor dos olhos de sua mãe.
- Ela é linda. – o baterista elogiou.
- Concordo cem por cento. – o dono da covinha sorriu ao ver a foto.
- Lizzie é egoísta, roubou toda a beleza da família. – brincou e viu Poynter pegar o celular para analisar a foto de Elizabeth, e depois ele lhe encarou parecendo estudar cada detalhe do seu rosto, ela corou levemente.
- Ela não é a única egoísta. – a elogiou quase que indiretamente e devolveu o celular.
- O-brigada. – agradeceu sem graça.

Ouviram Danny bocejar e se espreguiçar - já que ele fez barulhos estranhos com a boca -, e em seguida ele esfregou os olhos e observou a garota dormindo ao seu lado. Ele sorriu admirando a beleza dela e depois voltou sua atenção para os amigos que conversavam.
- Bom dia, pessoas lindas. – falou e todos o fitaram.
- O que deu nele? – a brasileira riu de leve.
- Não começa, nervosinha. – Jones brincou com ela.
- Respeite os mais novos. – fez uma careta pra ele.
- Esse ditado está errado. – se levantou e foi até eles cambaleando um pouco por causa do movimento do ônibus, resmungou algo e despertou ao notar que ele tinha saído de perto dela.
- Falando nisso. – Fletcher olhou para a garota. – Por que você é tão estressada?
- Hã? – o fitou um pouco atônita com aquela pergunta.
- Você se altera fácil. – Harry explicou.
- Concordo. – Danny afirmou e se apoiou na poltrona para não cair quando o ônibus fez uma curva.
- Ah... – ela coçou o queixo. – Devo ter puxado isso do meu pai, sempre disseram que eu era uma versão feminina dele. – concluiu e todos assentiram.
- Gente. – chegou ali esfregando os olhos. – Falta muito pra chegarmos?
- Não sei. – Fletcher olhou para o relógio de pulso.
- Acho que... – Poynter ia dizer quando o ônibus deu uma freada brusca, fazendo Harry e Tom caírem pra trás. Danny e , que estavam em pé, desabaram no chão, a garota caiu em cima dele. e Dougie foram os menos afetados, já que estavam sentados, só bateram o corpo na poltrona da frente.
- Ai meu chifre. – ela reclamou passando a mão na testa.
- Droga. – Poynter passou a mão no braço que doía, ele usou o mesmo para proteger seu rosto. – Você está bem? – indagou ao vê-la fazer uma careta.
- Estou.
- Minha coluna. – Tom se levantou todo desajeitado e ajudou Harry a se levantar também.
- O que foi isso? – Judd indagou e pôs a mão na parte de trás da cabeça, onde havia batido.
- Vocês estão bem? – Dougie levantou e perguntou aos amigos, que assentiram.
- Danny? – indagou ao ver que ele estava de olhos fechados. – Danny? – ficou preocupada.
- Oi. - abriu os olhos lentamente.
- Você está vivo. – um sorriso enorme nasceu no rosto da garota.
- É, mas vejo um anjo – brincou e ela corou enquanto se levantava, ele fez uma careta e passou a mão na barriga na parte que estava dolorida, pois ela caiu em cima.
- Foi a minha vez de te esmagar. – sorriu lembrando-se do dia em que ele e os amigos fizeram montinho nela e na amiga, e ele pelo visto também se lembrou, já que sorriu de volta. Ela estendeu a mão para ele levantar.
- Vocês estão bem? – Fletcher e Judd chegaram afobados até os dois, que fizeram sinal de positivo.
- Vamos ver o que aconteceu. – Harry se pronunciou e foi com Tom até o motorista.
- Sobrevivemos. – Dougie brincou quando e Danny se aproximaram e sentaram em suas poltronas.
- Foi um milagre. - Jones exagerou e eles riram.
- Ficar perto de vocês é perigoso. – brincou e ele mostrou a língua pra ela.
- Cervo, foi um Cervo. – Tom voltou reclamando e levantou as mãos em sinal de indignação.
- Ele entrou na frente do ônibus. – Judd completou.
- Como ele está? – a britânica indagou.
- Bem, saiu todo saltitante e rindo da nossa cara. – Fletcher zombou.
Algum tempo depois chegaram em seu destino final, cada um foi para a sua casa. As duas não esconderam a tristeza em ter que se despedir deles, que em tão pouco tempo já tinham se tornado pessoas especiais para elas, mas garantiram que se encontrariam em breve, mas no fundo tinham medo que isso não acontecesse.

Capítulo - 6

Semanas depois...
estava na biblioteca da faculdade pesquisando algumas coisas para um trabalho que precisava fazer, andava pelos corredores da ampla biblioteca na sessão de “Dança Moderna” quando seu celular fez um barulho avisando que uma mensagem havia chegado. Caçou o aparelho em sua bolsa, e assim que o achou e leu a mensagem, um sorriso imenso brotou em seus lábios.
“Chegamos ao estúdio, cadê vocês?”
Mas logo em seguida deu um tapa na própria testa em sinal de esquecimento, como ela tinha esquecido aquilo? Respondeu rapidamente a mensagem.
“Estamos a caminho, beijos”
Guardou o celular de volta na bolsa e saiu dali com pressa, nem se lembrou de pegar o livro que precisava, correu pelos corredores da faculdade a procura de . Mandou uma mensagem para a amiga e a resposta foi “Aula de Música”, então se encaminhou para o Salão de Músicas. Ao entrar no local - milagrosamente em silêncio e sem esbarrar em nada – avistou a amiga, que tentava tocar os primeiros acordes de uma música no baixo.
- , . – aproximou-se dela. – Precisamos ir embora.
- Por quê? – a caçula indagou sem tirar os olhos das cordas do baixo.
- Danny me mandou uma mensagem, eles estão no estúdio. – conteve a vontade imensa de dar vários pulinhos de felicidade e bater palmas.
e Danny estavam sempre se falando, fosse por telefone ou via internet, e ela também manteve contato com os outros três. fazia o que podia, já que não sobrava tempo para ficar na rede mundial de computadores e quando conseguia era pra fazer algum trabalho da faculdade, até seus familiares a cobravam pela falta de contato.
- Sério? – finalmente olhou a amiga.
- Eu vim te buscar.
- Não posso. – fez um bico.
- O quê? Por quê? – arregalou os olhos.
- Tenho prova prática de música na semana que vem. – fitou o baixo em seus braços. – E estou ferrada, não sei tocar isso. – lamentou.
- Então porque escolheu baixo? – a britânica franziu o cenho.
- Não tive opção, foi sorteio. – fez careta. – Mas pelo menos não peguei harpa. – apontou para um rapaz que estava prestes a surrar o instrumento. – Pobre Anthony. – riu do colega de classe.
- Quem é ele? – perguntou desconfiada enquanto o analisava.
- Estudamos juntos. – explicou.
- Você nunca comentou dele. – encarou a mais nova.
- Esqueci. – sorriu.
- Sei.... – estreitou os olhos pra ela. – , o Dougie é baixista, quem sabe ele possa te ajudar.
- Verdade. - sorriu empolgada. - , eu te amo. – deixou o instrumento de lado e abraçou a amiga. – Vamos ao encontro deles. – sorriu sapeca.
- Interesseira. – a britânica caçoou.
- Isso é uma calúnia. – a brasileira se defendeu.

Enquanto isso, no estúdio em que trabalha...
- Notícias? – Dougie indagou sem esconder a ansiedade.
- Estão chegando. – Danny riu do desespero do amigo.
- Silêncio. – Tom chamou a atenção deles.
- Foi mal. – Jones pediu.
Todos estavam na sala de Alec reunidos para assistir o clipe que tinha sido finalizado naquele dia.

Não muito longe dali...
- Maldito. – chutava o pneu de seu carro. – Tinha que furar?
- Isso é praga. – riu de leve e saiu do automóvel. – O jeito é ir a pé.
- Não, vou trocar o pneu, espera. – falou convicta.
- Você? – arqueou as sobrancelhas.
- Eu... acho que sim. – coçou o queixo, sua convicção não era assim tão forte.
- Já fez isso antes? – a caçula indagou.
- Nunca. – a britânica afirmou.
- Então é melhor chamar um mecânico.
- Liam me abandonou pela primeira vez. – a mais velha choramingou e alisou o teto do carro.
- Quem?
- Meu carro, Liam. – pegou a bolsa dentro do “Liam”.
- Acho melhor eu ir embora antes que pegue sua loucura. – brincou e saiu andando.

De volta ao estúdio...
- Eu adorei. – Harry afirmou.
- Estou lindo no clipe. – Tom fez um bico sensual, ou tentou.
- Cala a boca. – Danny deu uma pedalada no dono da covinha.
- Realmente ficou muito bom. – Dougie opinou.
Os quatros haviam assistido o clipe finalizado pela primeira vez.
- Fico satisfeito que tenham gostado. – Alec disse orgulhoso pelo trabalho bem sucedido.
Na recepção do estúdio, falava ao telefone com um mecânico informando onde seu carro estava estacionado, estava apoiada na bancada olhando para as próprias unhas, até que um som de risadas vindas de dentro do local chamou sua atenção.
- Meninas. – Fletcher foi o primeiro a aparecer.
- Tom. – a caçula andou apressada até ele e o abraçou.
- Sumida. – deu um beijo no rosto dela.
- Desculpa... – pediu um pouco sem graça. – É a faculdade. – sorriu.
- Você nos abandonou, isso sim. – Danny dramatizou e a puxou para um abraço.
- Ela nos odeia. – Harry fingiu enxugar uma lágrima e a tirou dos braços de Jones.
- Calma, garotos, tem para todos. – riu se divertindo com eles enquanto era esmagada por Judd.
- Até pra mim? – Dougie cruzou os braços e fez bico.
- Claro, pequenino. – se livrou de Judd, que lhe dava vários beijos pelo rosto. – Sempre. – o abraçou pela cintura e ele fez o mesmo.
- Saudades – sussurrou no ouvido dela.
- Eu também. – respondeu no mesmo tom.
Ouviram gargalhar, ela tentava se livrar dos outros três que lhe davam um abraço de urso.
- Vocês e essa mania de agarrar. – a britânica resmungou se soltando deles.
- Bem que você gosta. – Jones piscou pra ela, que imediatamente corou.
- O que vocês estão fazendo aqui? E a faculdade? – Alec chegou até eles e indagou à .
- É tudo culpa da . – acusou a amiga, que a fuzilou com o olhar.
- Saímos mais cedo. – explicou.
- Tudo bem, vocês sabem o que fazem. – ele balançou a cabeça negativamente e se retirou.
- Intrometido. – a brasileira resmungou.
- É. – a mais velha concordou.
- Meninas. – Tom chamou e ambas o fitaram. – Amanhã vamos fazer uma festa na minha casa pra comemorar a estreia do clipe e eu exijo a presença de vocês. – sorriu amorosamente.
- Não tenho nada de importante amanhã, posso ir. – a caçula desdenhou brincando.
- Nós vamos. – garantiu. – Mas antes eu preciso que meu carro esteja bom.
- O que ele tem? – Danny, que estava ao lado dela, perguntou.
- Pneu furado. – explicou e fez um bico.
- Falando nisso... – começou a dizer. – Tenho que ir. – olhou para o relógio de pulso. – O metrô passa daqui a pouco.
- Não, o Dougie te dá uma carona. – Harry sugeriu e o baixista o fitou constrangido.
- Isso mesmo. – Jones afirmou. – E eu vou ajudar a com o carro dela.
- E nós vamos resolver algumas coisas para a festa. – Tom puxou Harry pelo braço e se despediram dos amigos.
- Não vou te atrapalhar? – a brasileira olhou para Poynter, que negou com a cabeça.
- Vamos então. – Danny chamou todos e eles saíram do estúdio, ele e foram na direção contrária de Dougie e .

O caminho até o apartamento foi um tanto silencioso, os dois pareciam estar envergonhados com a proximidade, o máximo que conversaram foi sobre a estreia do clipe e o encontro deles no estúdio.
- Dougie... – ela o chamou assim que ele estacionou o carro em frente ao prédio dela.
- Hum. – virou o corpo pra ela.
- Não quer almoçar comigo? – pediu sem jeito. – Pra agradecer pela carona, sabe. – mordeu o lábio inferior.
- Quem vai cozinhar? – ele arqueou as sobrancelhas.
- Eu.
- Não sei. – fez uma cara pensativa.
- Poynter. – o recriminou e deu um soco em seu braço. – Eu cozinho bem. – bufou.
- Tudo bem. – ergueu os braços como se estivesse rendido. – Vou arriscar.
Nesse clima de brincadeira os dois subiram até o apartamento, quando entraram Dougie colocou as chaves e carteira na mesinha de centro, enquanto foi até seu quarto trocar de roupa. Poynter analisava cada canto da sala, como se quisesse conhecer um pouco mais das moradoras, pelo menos uma delas ele queria conhecer melhor.

Do outro lado da cidade...
- Danny, você é meu herói. - saltitava abraçando o rapaz.
- Não foi nada. - ele dizia sorrindo sem graça.
- Foi tudo. - ela bateu palmas de felicidade. - O mecânico me deu o cano e você me salvou trocando o pneu. - sorriu toda abobada.
- Sempre à disposição. - fez sinal de continência fazendo a garota rir.
- Agora vou te recompensar com uma carona, topa? - arqueou as sobrancelhas pra ele.
- Será que dá pra confiar nele? - Jones indicou o automóvel com a cabeça.
- Claro que sim. - a garota afirmou. - Não fale assim com o Liam, vai magoá-lo. - fez bico.
- Desculpa, Liam. - ele riu do bico dela e alisou o capô do carro.

De volta ao apartamento...
- Você gosta de batata frita? – a brasileira saiu do quarto e viu o garoto analisando a coleção de filmes delas na estante.
- Gosto. – se virou e estudou o visual dela: uma camiseta preta com o rosto do Bon Jovi estampado, um shorts jeans surrado que ia até a metade de sua coxa e chinelos, o cabelo estava preso em um coque frouxo. – Capitão Kidd? – brincou se referindo ao apelido do cantor.
- É. – sorriu toda boba por ele saber disso. – Ele arrasa. – passou por ele e foi até a cozinha, que por ser acoplada com a sala deixava que os dois ficassem no mesmo cômodo. – Coloca uma música. – pediu e apontou para o porta CDs que ficava na estante.
- Quais são os seus? – ele ficou confuso ao ver a quantidade de CDs que havia ali.
- Os da esquerda são meus e os da direita da . – avisou enquanto abria a geladeira.
Ele analisou as coleções, na de continha Avril Lavigne, AC/DC, Beyonce, Blink 182, Bon Jovi, Cold Play, Muse, Nickelback, Pink e alguns CDs que ele não soube identificar, provavelmente seriam de bandas brasileiras. Na coleção de havia Oasis, Arctic Monkeys, Christina Aguilera, Beatles, Alanis Morissette, Kasabian, Aerosmith, U2 e McFLY.
- Você não tem nossos CDs? – franziu o cenho.
- Não. – respondeu um pouco sem graça. – Mas ouço os que a tem. – respondeu e começou a lavar as batatas na pia.
- Sem problemas. – sorriu sozinho e pegou um CD da coleção dela e colocou pra tocar, o mais óbvio seria ele pegar o CD de sua banda preferida, mas não, decidiu agradá-la e colocou a banda do cara que estava estampado na camisa dela.

Em frente à casa de Danny Jones...
- Então, vocês veem à festa? - ele indagou quando ela parou o carro.
- Sim, e você? - perguntou sem pensar direito, talvez a aproximação deles causasse isso.
- Claro que sim. - sorriu e abriu a porta do automóvel. - Já vou indo.
- Até amanhã. - ela mordeu o lábio inferior e ele observou essa cena.
- Até. - se aproximou e lhe deu um beijo na bochecha. - Dirija com cuidado.
- Eu vou. - garantiu e acenou quando ele saiu do carro.

Na cozinha do apartamento...
- Não sou profissional, mas espero que você goste. - sorriu para Dougie sentado a sua frente na mesa quando o garoto deu a primeira garfada em sua comida, que era arroz, bife e batata frita com salada de alface.
- Tá gostoso. - disse de boca cheia e ela fez uma careta.
- Dougie - o reprendeu. - Não se fala com a boca cheia. - balançou a cabeça negativamente.
- Desculpa. - ele riu de leve e tomou um gole do suco de uva. - E a faculdade? - perguntou interessado.
- Então. - suspirou. - Puxada, mas estou me saindo bem. - sorriu e recebeu um sorriso de volta. - Aproveitando que você tocou no assunto, tenho prova prática de música semana que vem e o instrumento que preciso tocar é o baixo. - fitou o próprio prato.
- E você quer que eu te ensine. - a interrompeu adivinhando o que ela iria dizer em seguida.
- É. - mordeu o lábio inferior em sinal de vergonha. - Se não for te incomodar, é claro. - o olhou e não soube identificar a expressão no rosto dele, uma mistura de alegria e surpresa.
- Sem problemas, eu te ajudo. - afirmou e seus olhares se cruzaram por alguns segundos.
- Obrigada. - agradeceu e percebeu que ele a fitava sustentado o olhar, o que a fez corar de leve, então seu prato voltou a ser algo interessante de se admirar.

No dia seguinte as amigas se arrumavam para a festa que Tom iria dar na sua casa, estava em seu quarto finalizando a maquiagem, que era leve e só ressaltava sua beleza. Assim que terminou, se olhou no espelho: usava um vestido florido justo na parte de cima e conforme descia pelo corpo ficava mais solto, por baixo uma calça legging preta e nós pés sapatos de boneca com salto baixo, os cabelos estavam presos em uma trança lateral frouxa deixando alguns fios de seu cabelo soltos. Sorriu com o resultado final de sua produção, mas no fundo ela sabia que não era só por causa disso, desde que se mudara para Londres tinha começado a se cuidar melhor, a ser mais vaidosa e feminina, mas nunca deixaria de lado o seu jeito moleca de ser.
- ? - ouviu a amiga chamar e parou com seus devaneios, saiu do quarto e encontrou a britânica na sala a esperando.
- Você está linda. - elogiou ao ver a roupa de , ela usava uma blusa listrada em preto e cinza, short jeans com meia-calça preta e scarpin da mesma cor, os cabelos estavam soltos e um pouco encaracolados nas pontas.
- Obrigada. - agradeceu um pouco envergonhada. - E seu visual está a coisa mais fofa. - elogiou de volta e a mais nova sorriu.
Cada uma pegou sua bolsa e saíram do apartamento, o caminho até a casa de Tom foi tranquilo, não havia muito trânsito e em poucos minutos chegaram lá. mandou uma mensagem no celular de Danny avisando que estavam em frente à casa, e antes mesmo de baterem na porta o sardento a abriu todo sorridente.
- UAU. - ele não escondeu a surpresa ao ver as duas tão lindas, imediatamente elas se entreolharam com um sorriso tímido.
- Oi. - o cumprimentaram envergonhadas.
- Perfeitas. - afirmou balançando a cabeça, logo em seguida abraçou cada uma, demorando mais com . - Entrem. - deu espaço para elas passarem.

Ao adentrarem na casa avistaram Harry conversando com algumas pessoas, com um aceno de Jones ele veio na direção das garotas sorrindo do mesmo jeito que Danny fazia, provavelmente era algo contagioso.
- Queridas. - abraçou as ambas e depois deu um beijo na bochecha de cada uma. - Sintam-se em casa. - disse assim que soltou o abraço.
- Obrigada. - agradeceu sorrindo.
- CINCO MINUTOS. - alguém gritou e todos olharam na direção do grito, era Fletcher.
- Pra quê? - Danny arqueou as sobrancelhas.
- Estreia nacional do nosso clipe. - o dono da covinha cumprimentou as garotas da mesma forma calorosa e animada dos amigos. – Sentem-se. - apontou o sofá para todos.
Ligou a televisão e o som ambiente diminuiu, algumas pessoas ficaram em pé e outras sentaram-se como ele pediu. ficou entre Danny e , Judd se sentou meio desajeitado no braço do sofá ao lado da brasileira, que sentiu alguém acariciando seus ombros, como se fizesse massagem. Ela virou um pouco a cabeça para trás e viu Dougie com um sorriso enorme no rosto, sorriu de volta observando ele se inclinar na sua direção.
- Está linda. - sussurrou em seu ouvido, pegando-a de surpresa.
- O-obrigada. - riu sentindo até os inexistentes pelos de seu pescoço se arrepiarem.
- Vai fazer isso na minha frente? - Harry perguntou fingindo indignação, a brincadeira quebrou o clima e respirou aliviada. Tom se aproximou deles tentando sentar no meio dela e Danny, quando não conseguiu foi para o chão, se encostando na perna do sardento e da brasileira.
A atenção de todos se voltou para a televisão, os rapazes estavam orgulhosos com o trabalho e o sorriso bobo não saía de seus rostos, as garotas deram uns gritinhos histéricos quando se viram na tela pela primeira vez.
- Sou eu. - se remexeu toda no sofá.
- Aquela sou eu? - franziu a testa e apontou para uma garota. - Sim, sou eu. - ela própria respondeu a pergunta e bateu palmas de felicidade.
Poucos minutos depois o clipe terminou e todos que estavam ali ovacionaram os garotos pelo excelente trabalho, eles agradeceram a presença dos amigos nesse momento especial da carreira deles e depois parabenizaram a todos que participaram do clipe.
- Não tenho palavras pra descrever a felicidade que sinto agora. - levantou e alguns a observaram. - Foi um sonho participar desse clipe. - não conseguiu controlar sua emoção e iniciou um choro.
- Ah, minha linda. - Danny não hesitou em abraçar a garota.
- Palavras não são necessárias nesse momento, . - Fletcher se juntou ao abraço.
- Ai, parem. - segurou as lágrimas acumuladas em seus olhos.
- Hoje é dia de comemorar. - Harry se aproximou dos três que permaneciam abraçados e os separou. - Vamos comer, beber, dançar e fazer qualquer outra coisa, menos chorar.
- Tô com o Harry. - levantou o braço.
- Eu também. - Dougie chegou ao seu lado e repetiu o mesmo movimento dela.
- Eles tem razão. - a britânica enxugou uma lágrima que caiu.
- Então vamos comer. - Tom foi o primeiro a se pronunciar.
- Apoiado. - Judd saiu indo em direção à cozinha e todos o seguiram.

A festa seguiu animada, algumas pessoas dançavam, outras bebiam e várias conversavam sobre os assuntos mais diversos. e se enturmaram com os amigos dos rapazes e estreitaram mais a amizade que já tinham com eles. Quando começou a tocar Macarena, a brasileira foi obrigada a ensinar pra eles como se dançava, Harry soltou o dançarino que existia em si e tentava acompanhar o ritmo da garota, mas o momento dele foi mais cômico do que exatamente artístico.
Horas depois, as pessoas já começavam a ir embora. Danny e haviam sumido há algum tempo, mas estava tão empolgada conversando com Tom na cozinha que nem percebeu a ausência da amiga por ali.
- Palavra de escoteiro. - brincou.
- , você está brincando comigo.
- Não estou, é verdade. - ela riu e deu um tapa no ombro dele.
- Me recuso a acreditar nisso, impossível uma garota linda como você nunca ter namorado antes. - a menina corou imediatamente.
- Na verdade...
- A-há, eu sabia. - ele a interrompeu levantando os braços para cima em sinal de vitória.
- Calma, deixa eu terminar. - pediu rindo. - Uma vez eu fiquei com o mesmo garoto por quase quatro meses, mas aquilo não foi um namoro. - colocou a mão no queixo.
- Então foi o quê? - arqueou as sobrancelhas.
- Acho que não existe nome pra isso. - afirmou. - E pra eu namorar alguém tem que haver o pedido, e ele nunca pediu nada.
- Bem, ele foi um idiota.
- Não acho que eu seja do tipo namorável. - ela comentou casualmente.
- Por quê? - franziu o cenho.
- Quem me aguentaria? - apontou para si mesma.
- Você é mais suportável do que pensa. – Dougie, que ouviu a última frase, parou ao lado de Fletcher.
- Isso foi um elogio? - riu de leve e deu um gole em sua bebida.
- Claro. - sorriu. - Você é bacana.
- Tem uma personalidade diferente das outras. - Tom opinou.
- Meu pai costuma dizer que eu sou sua rebelde favorita. - riu sozinha lembrando do comentário de seu pai.
- Como assim? - Fletcher sorriu de lado, acentuando sua marca pessoal.
- Ah. - colocou o copo em cima da bancada e sentou na mesma. - Se eu não concordo com alguma coisa não tenho medo de dizer a verdade, isso sempre causou discussões entre a gente.
- Mas isso é ser verdadeiro. - Poynter afirmou.
- Eu sei, mas vá fazer meu pai entender isso. - sorriu pra ele. - Como vocês já perceberam, sou um pouco explosiva. - rolou os olhos quando os dois assentiram. - E nós somos parecidos nesse ponto, então imaginem o que acontecia nas nossas brigas. - os dois riram de leve.
- Você esqueceu de dizer que é engraçada, gentil e está sempre sorrindo. - Dougie a encarou olhando diretamente em seus olhos.
- Sou? - mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para Tom.
- Há dúvidas? - arqueou as sobrancelhas e ela sorriu timidamente. - E sua irmã? - Fletcher indagou.
- É o oposto da minha personalidade, é meiga, carinhosa, educada, calma. - seus olhos brilhavam quando falava da irmã. - Gertie, a senhora que nos criou, dizia que a gente é igual e diferente ao mesmo tempo, por isso nos damos tão bem.
- Você gosta muito dela, né? - Dougie a questionou.
- Muito. - afirmou e sentiu um aperto no peito, Elizabeth fazia muita falta. - Ela é meu porto seguro. - abaixou um pouco a cabeça em sinal de vergonha e ouviu os dois falando “Oun, que linda”. - Preciso ir ao banheiro. - disfarçou e saltou da bancada.
- Eu te levo. - Poynter esticou o braço pra ela.
- Obrigada. - agradeceu e enganchou o braço no dele.

No andar de cima, e Danny conversavam em um dos quartos da casa, a britânica se divertia com as palhaças que ele fazia, os dois estavam sentados lado a lado na cama.
- , posso confessar uma coisa? - Jones pegou a mão dela e acariciou.
- Sim.
- Desde a primeira vez que te vi naquele salão onde você e a faziam trapalhadas eu soube que você era especial. - sorriu e entrelaçou sua mão com a dela.
- E por que você acha que sou especial?
- Você é encantadora, companheira, engraçada, bonita e eu me sinto muito bem quando estou com você. - soltou a mão dela e passou o polegar por seu rosto, se aproximou e fechou os olhos esperando que ela tomasse o resto da atitude.
- Por que eu deveria fazer isso? - não, ela não iria facilitar, pois conhecia a fama de pegador dele.
- Por que você quer? - ele abriu os olhos.
- Quem disse que eu quero? - arqueou as sobrancelhas com um sorriso sapeca no rosto.
- Não quer? - cerrou os olhos.
- Não vou ser mais uma da sua lista, querido. - piscou pra ele.
- Nem tudo o que dizem por aí é verdade. - fechou os olhos novamente.
- Eu devo acreditar em você? - praticamente sussurrou.
- Deve. - não esperou ela dizer mais nada e grudou os lábios nos dela, segurando com firmeza o rosto da garota em suas mãos.
sentiu o corpo inteiro estremecer com o toque de Danny , colocou as mãos na nuca dele o puxando mais para si e aprofundando o beijo, suas línguas pareciam amigas de infância de tão perfeita que era a sintonia entre elas.

andava com Dougie pelos corredores da casa.
- Vai no banheiro do quarto de hóspedes, terá mais privacidade. - indicou a porta que estava ao lado dela.
- Obrigada. - sorriu em agradecimento.
Ela abriu a porta com cuidado e não acreditou no que viu, colocou as mãos na boca com a intenção de abafar qualquer som que pudesse fazer - ou era de surpresa mesmo -, não queria interromper o momento de sua amiga, fechou a porta lentamente e assim que o fez sentiu alguém puxando seu braço delicadamente.
- O que foi? - Dougie sorriu.
- Nada. - o olhou aflita sem saber o que responder.
- O que tem ali dentro? - a afastou com cuidado e fez menção de abrir a porta.
- Não. - o puxou e ele a encarou confuso. - Erm... tem um casal aí dentro.
- O Tom vai surtar se souber disso. - riu de leve. - Vamos no banheiro lá de baixo.

Algum tempo depois, todos os convidados já tinham ido embora. estava sentada no sofá com Dougie deitado em seu colo, Harry e Tom esparramados pelo chão quando Danny e desceram as escadas, a brasileira lançou um olhar malicioso como quem diz “Eu sei de tudo e quero os detalhes mais tarde” e a amiga sorriu mordendo o lábio inferior e fitou os próprios pés.
- Melhor festa de todos os tempos. - Jones comentou enquanto se sentava no sofá vago. se sentou ao seu lado.
- Estou morto. - Poynter resmungou e a caçula fez cafuné na sua cabeça. - Não para. - ele pediu fechando os olhos.
- Vou dormir por aqui mesmo. - Judd alisou o tapete felpudo e Fletcher estava tão cansado que apenas levantou o dedo fazendo o sinal de joia concordando com o amigo.
- Quero minha cama, meu colchão, meu edredom. - a brasileira jogou o corpo pra trás se encostando por completo no sofá.
- Eu também. - a britânica afirmou se levantando. - Vamos? - fitou a amiga.
- Vamos, porque amanhã eu tenho aula com o dorminhoco aqui. - apontou Dougie sonolento em seu colo, se levantou com cuidado e beijou a testa do garoto.
- Até amanhã. - sorriu quando Danny se levantou.
- Até. - beijou o canto do lábio dela.
- Vamos? - se aproximou dos dois com as sobrancelhas arqueadas.
- É, vamos. - respondeu um pouco sem graça e as duas foram embora.

Capítulo 7

- Ele disse que queria confessar algo. - respirava fundo enquanto contava para a amiga os fatos da noite.
- Aí ele te agarrou? - a outra pulava no sofá feito uma macaca de tanta ansiedade.
- Não! - bufou. - Sossega o fogo. - segurou os braços da brasileira para que ela ficasse parada.
- Desculpa. - pediu. - É que são muitas emoções. - fingiu se abanar. - Conta.
- Ele falou que eu era especial e mais um monte de coisas lindas e não resisti....
- E o beijou. - concluiu.
- Como você sabe? - a britânica arregalou os olhos.
- Eu vi. - confessou e a amiga lhe lançou um olhar recriminador. - Calma, não foi bem assim, eu estava procurando pelo banheiro e abri a porta do quarto. - explicou.
- Ai que vergonha. - cobriu o rosto com as mãos.
- Não tenha vergonha, é uma coisa natural da vida e acontece com a maioria da população. - afirmou como se estivesse filosofando. - E foi bom?
- Bom? - ergueu as sobrancelhas. - Foi sensacional, ele beija muito bem e....
- Não preciso de detalhes. - fez um sinal de pare com a mão.
- Nem acredito que isso aconteceu. - a mais velha riu.
- Estou aqui para comprovar. - a caçula levantou a mão. - Mas eu preciso ir dormir, amanhã tenho aula com o Senhor Poynter dos Baixos. - riu sozinha, já que só ela entenderia o trocadilho.
- E eu vou sonhar com o meu Jones. - os olhos da britânica brilhavam igual às estrelas do céu tamanha era a felicidade que sentia.

Na manhã seguinte, , ainda meio sonolenta, ouviu um grito, mas não tinha certeza se era real ou fazia parte de seu sonho – no qual duas garotas fogem de um maníaco que invadiu a escola delas se passando por estudante – e quando o grito não se repetiu ela concluiu que era coisa da sua imaginação fértil. Rolou na cama com a intenção de voltar ao sono dos justos e sonhar com crianças felizes correndo no campo, ou quem sabe com algum ator gostoso como Ryan Gosling... Ashton Kutcher ou até Orlando Bloom seriam melhores do que o "maníaco da escola", mas obviamente não foi o que aconteceu. Algum tempo depois ela escutou a dona Beyonce cantando, o que anunciava alguém ligando.
Tateou o criado mudo – derrubando algum objeto não identificado no chão – e pegou seu celular.
- A... - a voz lhe falou por alguns instantes, era sempre assim quando acordava, tossiu um pouco. - Alô?
- Você não vem hoje? - uma voz masculina rouca perguntou, ela estranhou.
- Hein? - a garota esfregou os olhos se apoiando nos cotovelos. - Quem tá falando?
- O seu pequenino favorito. - brincou.
- Quê? - falou alto.
- ? - a voz indagou.
- Eu, mas quem é você? - se ajeitou na cama.
- Dougie, o cara que vai te ensinar a tocar baixo, se você vier para o ensaio. - explicou calmamente.
“Merda” - ela pensou.
- A porcaria desse celular não despertou, mil desculpas, Poynter. - resmungou se levantando.
- Sem problemas. - riu de leve. - Mas você vem?
- Vou, vou. - foi até a janela afastando a cortina da mesma e viu que o tempo, como sempre, estava nublado.
- Te espero então. - e assim ele desligou.
A brasileira jogou o celular na cama e foi na direção do guarda-roupa pegando uma calça jeans preta, uma camiseta verde clara com uma estampa estranha, um suéter cinza escuro e completou o visual com bota sem salto da mesma cor de sua calça, mas pra aguentar o clima londrino só isso não bastaria, vestiu um casaco preto por cima e agora sim estava pronta. Pegou sua bolsa colocando lá dentro o seu fiel escudeiro - vulgo celular - que fora jogado em sua cama alguns minutos antes. Ao sair de seu quarto avistou na cozinha, a qual usava seu tradicional pijama de joaninhas.
- Bom dia. - a britânica desejou toda alegre e sorridente quando viu a amiga, já a brasileira, que corria contra o tempo, só acenou com a cabeça. - Não vai tomar... - não teve tempo de perguntar nada, pois a caçula já tinha saído do apartamento. - Qual o problema com as pessoas? Não sabem ser educadas de manhã? Que coisa chata. - encerrou o monólogo quando percebeu que não obteria respostas.

O dia estava frio e chuvoso em Londres. Uma chuva de média proporção caía na cidade, dificultando o caminho de até a estação de metrô, que ficava a uma quadra de seu apartamento. Colocou as mãos nos bolsos do casaco o apertando contra si quando uma fina rajada de vento bateu em seu rosto. Detestava esse clima que a fazia passar frio e chegar ensopada em qualquer compromisso que fosse. Ao descer as escadas que levavam à estação escutou alguns passou atrás de si, o que seria completamente normal se não fosse domingo e a pessoa não estivesse tão perto. Apertou o passo, rezando para encontrar algum policial que poderia lhe salvar de ser brutalmente assassinada, mas não teve sorte. O seu desespero aumentou quando o desconhecido se aproximou ainda mais.
“Ignore, Ignore” - pensou, comprimindo os lábios. Mas a pessoa segurou seu braço.
- Não me mate, por favor. - fechou os olhos por instinto e jurou ter visto a “luz branca”.
- Ei, calma. - espera, aquela voz era familiar. - Não vou te matar. - ela ouviu uma risada.
- Anthony? - abriu os olhos arqueando as sobrancelhas. - Nossa. - suspirou aliviada. - Que susto você me deu, garoto. - deu um tapa no ombro dele.
- Não foi minha intenção, eu juro. - ergueu a mão direita igual uma testemunha no tribunal. - Eu vi você e resolvi falar um oi.
- Você estava me seguindo? - colocou a mão no peito, fingindo espanto. - Safado. - brincou e escutou o barulho do metrô nos trilhos.
- Sua paranóica. - zombou dela. - Não, pelo jeito usamos o mesmo meio de transporte. - apontou na direção do barulho.
- Vai pra onde? - indagou observando o metrô parando.
- Casa da minha vó. - fez uma careta e a garota não entendeu. - Sabe como os idosos são, carentes. - brincou.
- É. - sorriu fraco com o comentário sem noção dele.
- E você?
- Casa de um amigo. - respondeu sem ânimo, nunca gostou de dar satisfações, ainda mais para pessoas que não tinha intimidade.
- Hummm. - ele gemeu. - Amigo... conheço? - ok, agora ele estava curioso em excesso.
- Não - retrucou enquanto entrava no metrô.
- Dá uma dica. - sorriu e piscou para a garota.
- Por que eu faria isso? - sentou-se e ele também, ao seu lado.
- Ouch. - fingiu uma dor na barriga. - Desculpa, não queria ser intrometido. - pediu.
- Pois é. - afirmou.
Eram apenas três estações até a casa de Dougie e o percurso todo foi silencioso. percebia que Anthony se controlava para lhe perguntar alguma coisa, mas evitava encará-lo, pois sabia que se o fizesse ele a interrogaria com algo.
Alguns minutos se passaram e a estação que ela desceria foi anunciada. Respirou aliviada, queria sair daquele clima tenso que havia se formado entre ela e seu colega de faculdade. A porta se abriu, levantou-se sem nem se despedir e saiu rapidamente, reparando que era única que fazia isso, e também notou que o local estava vazio. Aumentou a velocidade dos passos para chegar logo na rua, mas, ao subir as escadas, alguém puxou seu braço pra trás e ela se soltou em um movimento brusco.
- . - era Anthony.
- O que você está fazendo? - se alterou. - Me deixe em paz.
- Desculpa, eu só queria te acompanhar e ter certeza de que você ficaria bem. - a fitou com o olhar triste. Aquilo não a amoleceria.
- Eu sei me cuidar. - respondeu com as narinas inflamadas de raiva.
- É... é que eu não sei direito como agir perto de você e às vezes pareço um louco. - ela notou uma sinceridade em sua voz.
- Tá. - respondeu de uma forma rude. - Preciso ir agora. - voltou a andar e ele a segurou, mas a soltou de imediato quando recebeu um olhar “Me solte ou morra”.
- Vai nessa chuva? - sorriu.
- Não, na próxima. - mas que pergunta idiota. E, assim, ela correu subindo as escadas.

Quando chegou na rua, seu celular, que estava dentro da bolsa, deu sinal de vida. Parou de andar e o pegou olhando no visor, era Poynter.
- Oi, pequenino. - sorriu sozinha.
- Fala aí, gigante. - zombou, os dois riram. - Onde você está?
- Acabei de sair do metrô, por quê?
- É o fim dos tempos. - exagerou. - Está um temporal lá fora.
- Sério? - mordeu o lábio inferior olhando pra cima e viu alguns relâmpagos cortando o céu, que estava cinzento.
- Quer que eu te busque? - se ofereceu.
- Não precisa, tenho guarda-chuva. - justificou.
- É de aço?
- Hein? - franziu o cenho.
- Pra aguen... - e o celular ficou mudo.
- Dougie? - estranhou. - Dougie? - olhou para o aparelho e percebeu que estava desligado, a bateria havia acabado. - Droga. - resmungou colocando o celular na bolsa.
Bem que o garoto tinha lhe avisado, nos minutos seguintes o céu desabou sobre sua cabeça. Agora não tinha jeito, ele não poderia a ajudar mesmo. pegou a sombrinha dentro da bolsa e foi enfrentar a cachoeira que caía do céu. Corria no meio da tempestade, tomando cuidado para não escorregar. A armação de sua sombrinha já tinha voado para trás duas vezes e ela arrumou do jeito que deu. Ao chegar na esquina parou para atravessar, se distanciou um pouco da guia, pois no local tinha uma poça de água e certamente ficaria encharcada se um carro passasse ali.
- FILHO DE UMA QUENGA. - berrou em seu idioma nativo enquanto dava alguns passos para trás, é, um carro passou na poça antes que ela pudesse se afastar totalmente. - Ah se eu te pego, seu DESGRAÇADO. - olhou para o próprio corpo analisando seu estado. – Merda, merda, merda. - atravessou a rua resmungando. - Ai, eu mato dois hoje, mato mesmo.
Continuou seu caminho possuída pela raiva e xingando até a décima oitava geração do motorista que tinha lhe dado um banho. Estava tão brava que quase esbarrou em uma cabine telefônica, ao desviar bateu com a sombrinha na mesma. Não acreditava naquilo, agora sua única proteção contra a chuva virou metal retorcido.
- ARGH. - bateu os pés no chão dando um grito esganiçado.
Tirou o seu casaco cobrindo a cabeça com o mesmo, na tentativa de não se molhar.

Foram tantos acontecimentos e contratempos que quando se deu conta já estava na frente da casa de Dougie, respirou aliviada ao chegar na pequena varanda que tinha ali. Tocou a campainha duas vezes, Poynter abriu a porta e olhou espantado para a garota na sua frente.
- O que aconteceu? - indagou e foi até ela pegando seu casaco.
- Primeiro. - enumerou com o indicador. - Anthony ficou me perturbando no metrô. - Segundo. - continuou a enumerar. - Um motorista que merece morrer me deu um banho. - apontou para si própria. - E terceiro. - mostrou três dedos pra ele. - Minha sombrinha cometeu suicídio. - finalizou bufando.
- Hm. - ele não sabia direito qual da opções comentar. - Você está bem?
- Aquaman está melhor que eu. - ironizou.
- Não fica assim. - fez menção de abraçá-la, mas ela se afastou. - Que foi? - indagou confuso.
- Você vai se molhar. - explicou.
- Nem ligo. - e antes que pudesse fazer alguma coisa, já estava sendo esmagada por ele. - Venha. – puxou-a para dentro, ela não se moveu.
- Vou molhar sua casa.
- , por favor. - a segurou pelos ombros. - Para de frescura.
- Não é frescura. - deu um passo pra trás. - Pensa no estrago que vou fazer no carpete, no sofá, em tudo que eu tocar... - parou de falar quando o viu dar as costas para ela. - Dougie, onde você vai?
- Se não quer entrar... - virou se pra ela. - Fique aí fora. - e assim a deixou lá, sozinha.
- Ma-a-as... - olhou para o chão e coçou a cabeça, visivelmente sem graça. - Não faz isso. - pediu.
- O que eu estou fazendo? - parou perto da escada.
- Me ignorando. - choramingou. - Depois de tudo que aconteceu comigo. - respirou fundo.
- , você deveria acreditar nas pessoas. - cruzou os braços em cima do peito.
- Como assim? - franziu a testa. - Eu acredito em você.
- E o que você fez quando eu disse que você poderia entrar na minha casa, mesmo encharcada, hein? - arqueou as sobrancelhas e um sorriso sapeca brotava em seus lábios.
- Dougie. - ela balançou a cabeça. - Isso não tem sentido.
- Céus. - bufou e deu alguns passos na direção dela e a puxou pra dentro de casa.
- Ai droga, olha só. - ela apontou para o chão.
- EU NÃO ME IMPORTO. - gritou com as mãos pra cima e o olhou assustada.
- Grosso. - resmungou. - Vou embora.
- Por quê? - indagou confuso.
- Não estou a fim de passar o dia com alguém de mau humor. - o fitou. - Você foi um cavalo comigo, Dougie. - cruzou os braços feito criança birrenta.
- Me desculpe. - pediu. - Mas você me tira do sério. - explicou se aproximando dela.
- É que... - ia dizer algo, mas ele a interrompeu.
- Não me importo se você está molhada ou suja, não ligo para essas coisas. - disse com uma voz tranquila. - Desculpa por ter sido rude com você. - a fitou.
- É.. - entortou os lábios. - Tudo bem. - sorriu de verdade.
- Estamos de bem? - esticou para ela o dedo mindinho, a garota riu.
- Sim, companheiro. – imitou-o no gesto com o dedo.

tremia de frio, a roupa que ela usava estava encharcada. Poynter a levou para seu quarto que ficava no andar superior da casa, com a intenção de lhe emprestar alguma peça de roupa. Ao entrar no cômodo foi impossível a brasileira não reparar na decoração dos móveis escuros contrastando com as paredes brancas. O local tinha o toque especial de Dougie, um baixo pendurado na parede e do lado oposto um quadro com um desenho abstrato.
- De minha autoria. - estufou o peito se gabando quando viu que a garota analisava a “obra de arte”.
- Ah. - abriu a boca pra falar algo e o fitou, ele estava ao seu lado com um sorriso no rosto enquanto olhava para o quadro. - É... erm. - pensou bem no que dizer, não queria que aquele sorriso saísse do rosto dele. - Interessante...
- De acordo com o Tom, toda obra mostra a identidade do artista. - ele afirmou.
- Bem, acho que você expressou os seus sentimentos na mistura das cores, a maneira como tudo foi colocado. - entortou os lábios. - Diria que é bem original. - virou-se pra ele, que tinha uma expressão confusa no rosto, e que depois foi substituída com um sorriso maior que o anterior.
- Você foi a primeira a perceber isso. - a fitou admirado. - Obrigado.
- Tudo bem. - deu de ombros e abaixou o olhar.
Após a análise do quadro e opinião sobre o talento de Dougie como pintor, ele se lembrou do motivo principal de terem ido para o quarto dele. Emprestou um conjunto de moletom preto para a garota, e devido à diferença de tamanho entre eles, a roupa ficou grande.
- Cabem duas de mim aqui dentro. - ela riu esticando a peça de roupa e mostrando para ele.
- E você me chama de pequenino. - zombou dela.
- Mas você tem músculo e eu não. - se abaixou para dobrar as barras da perna da calça.
- Você precisa ir ao oftalmologista. - brincou e a puxou pelo braço em direção as escadas.
- Talvez você tenha razão. - enganchou a mão em seu braço. - Olha isso. - beliscou a pele dele. - Só tem gordura. - zombou.
- AI! - ele gritou se soltando dela. - Você me paga, sua magrela que não cabe nas roupas de um anão. - desceu as escadas rapidamente.
- Eu não sou magrela. – seguiu-o. - Tenho carne. - enquanto dizia ergueu um pouco da blusa e mostrou sua barriga. - Analisa. - apertou a própria pele com a intenção de afirmar que tinha carne ali.
- Tanta carne que dá pra fazer um churrasco. - foi andando até o pequeno estúdio que tinha em sua casa.
- Seu caluniador. - chegou até ele e lhe deu um pedala.
- . - se virou pra ela e a segurou pelos pulsos. - Pare de me agredir. – fitou-a.
- Não estou te agredindo. - fingiu indignação e cerrou os olhos.
- E tem a coragem de mentir. - balançou a cabeça negativamente. - Quando eu me vingar não reclame. - piscou pra ela.
- Você não é vingativo. - sorriu. - E se lembre que dá cadeia bater em menores. - riu de leve.
- Quem disse que vou te bater? - franziu a testa. - Desde quando você é menor?
- Eu sou, menor que você. - explicou e ele gargalhou.
- Você consegue ser pior que o Jones ao fazer piadas. – soltou-a.
- Mas você riu. - ela ficou vermelha e coçou o queixo.
- De pena. - a garota abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas estava sem palavras, apenas deu um tapa no peito dele. - , terceira vez só hoje, é melhor você parar.
- Fez por merecer. - passou por ele e entrou no quarto que Poynter havia transformado em estúdio.
Depois de uma batalha mental pra decidir qual música tocar, escolheu "Livin' on a prayer", do Bon Jovi, que tem um bom solo de baixo em seu início. Dougie praticou um pouco em seu baixo antes de ensinar para a brasileira, após isso lhe entregou o baixo juntamente com as cifras e partituras musicais. Ela demorou um pouco para entender a música cifrada; pois só sabia ler partituras, e de acordo com a mesma a cifra parecia um polvo com dezesseis braços.
- Morri. - ela resmungou colocando o baixo no suporte. - Meus dedos estão esfolados. - exagerou e olhou para as mãos fazendo uma cara dramática.
- Analisa os meus. - Dougie esticou a mão e a garota fez uma careta ao ver os dedos gastos dele.
- Não quero ficar assim. - zombou. - Como estou? - torceu os lábios, mostrando sua insegurança.
- Você está bem pra quem nunca tocou baixo. - afirmou.
- Eu tenho um bom professor. - piscou pra ele.
- Eu sei. - sorriu.
- Convencido. - deu um soquinho no ombro dele.
E de repente o dia não estava tão cinzento e insuportável, talvez fosse o efeito que um certo baixista de uma banda inglesa causava nas pessoas, principalmente naquela brasileira em especial.

Os dias que antecederam a prova prática de foram razoavelmente tranquilos, a não ser quando ela e Dougie discutiam por causa de algo relacionado à maneira da garota tocar ou porque ela estragava as cordas do instrumento, fora isso tudo transcorreu como esperado. No dia da prova, Poynter estava tão nervoso quanto , ou até mais. Ele ficou do lado de fora da sala esperando enquanto ela tocava a música, podia ouvir perfeitamente como ela estava se saindo e sentia muito orgulho, a brasileira arrasava no baixo, ele tinha que admitir. Alguns minutos depois saiu completamente cabisbaixa da sala de aula, fez um bico e sorriu fraco.
- ? - se aproximou dela. - O que foi?
- Ah... - fungou baixinho. - Eu-e-e-eu...
- Não diga que.....
- PASSEI. - gritou e assustou o garoto, logo em seguida pulou nele o abraçando. Dougie não disse nada, retribuiu o abraço se divertindo com o jeito dela.
- E foi por sua causa. - se pendurou no pescoço dele que a rodopiou. - Meu baixista preferido. - deu um beijo estalado em sua bochecha. - Preciso comemorar.
- Na minha casa? - arqueou as sobrancelhas e parou de rodar.
- É. - concordou. - A gente chama a galera e vamos... - foi interrompida.
- Só nós dois. - ele afirmou.
- Por quê? - o encarou e mordeu o lábio inferior.
- Não foi por minha causa que você passou na prova? - ela confirmou. - Então acho justo uma comemoração só comigo.
- O que você tem em mente? - o soltou.
- Nada. - sorriu de lado.
- Poynter. - olhou desconfiada pra ele. - Não pense que irá se aproveitar da minha pureza e inocência. – apontou-lhe o dedo.
- . - balançou a cabeça negativamente. - Sua mente é poluída. - apertou a bochecha dela. - Qual o problema de querer ficar um tempo sozinha com a minha amiga? - fez beicinho.
- Sua amiga... sei – cerrou os olhos. - Mas eu vou. - um sorriso vitorioso nasceu nos lábios dele. - Todos vão saber que estarei na sua casa, só por precaução. - deu as costas para ele e saiu andando.
- Não confia em mim? - ele a seguiu.
- Você sabia que Jack O Estripador nunca foi pego? – olhou-o rapidamente enquanto caminhavam em direção ao estacionamento.
- Sim. - ele estranhou essa pergunta.
- Pois é, não conheço seus ancestrais, nunca se sabe. - afirmou e ele soltou uma gargalhada.
- , você não existe. - a abraçou de lado. - De onde você tirou a ideia que eu posso ser parente do Jack?
- Você sabe quem é o seu ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-taravô? - perguntou gesticulando com as mãos.
- Não... mas..
- Mas nada, assunto encerrado. - fez joinha para ele.
- Você é doida. - riu de leve.
- É, e eu não existo, certo? – fitou-o com um sorrisinho no rosto.
- Claro que existe. - piscou pra ela. - Olha. - e dito isso, beliscou o braço da garota.
- DOUGIE! - berrou e passou freneticamente a mão pelo local do beliscão. - Você me paga. - o rapaz começou a correr e ela foi atrás dele.

Mais tarde naquele dia estava de volta em seu apartamento tentando organizar a bagunça em seu quarto, era a terceira vez que fazia aquilo naquela semana, mas nunca ficava totalmente arrumado por mais de um dia. O ápice de sua desordem foi quando ela encontrou um par de sandálias no maleiro de seu guarda-roupa. Como uma sandália entra no maleiro? Sim, ela preferia acreditar que o calçado criou vida e asas e foi voando para lá, do que pensar que seu nível de desorganização era tão preocupante a ponto dela ter colocado - por acidente, é claro - a sandália lá dentro. E esse foi o motivo que fez a brasileira dar um jeito em sua bagunça de uma vez por todas. Estava arrumando sua caixa de tranqueiras quando alguém bateu na porta de seu quarto e ela murmurou um “entra”.
- Dougie está na sala. - a britânica avisou adentrando no cômodo.
- Nossa. - a mais nova deu um tapa na própria testa. - Quase me esqueci dele.
- O trocou pela guerra. - percorreu o quarto da garota com os olhos. - Vou sair daqui antes que uma granada caia em mim. - riu de leve e fechou a porta.
- Idiota. - a caçula fez uma careta enquanto ia para o banheiro.

O banho foi mais demorado do que ela desejava, passou boa parte dele pensando na vida, como era de costume. Saiu com uma toalha enrolada no corpo e a outra no cabelo. Deu uma olhada no seu guarda-roupa à procura de algo para vestir, não precisava ser nada sofisticado, afinal, era só uma comemoração na casa de seu amigo. Decidiu por uma camisa xadrez vermelha e preta, calça jeans skinny e, pra completar, uma sapatilha preta.
- É. - se olhou no espelho e deu uma voltinha. - Dá pro gasto. - sorriu.
Os cabelos ficaram soltos e no rosto fez uma maquiagem leve, apenas ressaltando sua beleza.
Ao sair do quarto encontrou e Danny abraçados no sofá conversando entre si, os dois estavam juntos. Dougie estava sentado no sofá de três lugares e parecia estar perdido em pensamentos. A garota fez um barulho com a boca para chamar a atenção dos três.
- Princesa. - Jones se manifestou todo sorridente.
- Oi, Danny. - sorriu.
- Finalmente. - Poynter acordou de seus devaneios. - Você está linda. - levantou-se.
- Ah. - ela fitou o chão. - Obrigada. - virava um pimentão quando recebia elogios.
- Tudo isso pra você. - brincou e queria um lugar para se esconder.
- Então. - Dougie coçou a cabeça, a brasileira não era a única envergonhada ali. - Vamos?
- Uhum. - acenou para o casal.
- Até mais. - o baixista se despediu.
- Se protejam. - o sardento riu de leve enquanto os dois iram até a porta. - Ouch, , eu só tava brincando. - resmungou quando sua companheira lhe deu um tapa.

O caminho até a casa do baixista foi tranquilo e sem momentos constrangedores, quando os dois estavam sozinhos tudo era natural.
- Mi casa, su casa. - ele brincou quando abriu a porta pra ela. - Entre. - fez uma reverência quando a garota passou por ele.
- Dougie, pare com isso. - observou o garoto trancando a porta.
- Não. - sorriu de leve. - Minha mãe sempre disse que devo tratar os convidados como se fossem de casa.
- Mas eu achei que já fosse de casa. - fez bico.
- E você é. - apertou a bochecha dela enquanto ria de sua feição. - Mas hoje é uma noite especial.
- Por quê? - franziu a testa.
- Você verá. - um sorriso sapeca nasceu nos lábios do garoto.

Capítulo 8

- Não comece. - estreitou os olhos. - Já disse que...
- Pare de ser pervertida, menina. - riu da cara de espanto que ela fez.
- Nunca mais de chame disso, seu... seu....coiso. - não sabia direito do que xingá-lo.
- Oh. - franziu o cenho. - Coiso é uma ótima ofensa. - fez um sinal de joia.
- Então tá, vamos às comemorações. - foi empurrando o garoto na direção da cozinha.
- Nada disso. - parou de andar e virou-se pra ela. - A senhorita fique aqui. - indicou com a cabeça o sofá preto em formato de L.
- Você vai cozinhar sozinho? - ergueu as sobrancelhas e sentou-se.
- Sim. - se afastou dela indo até a o rack preto onde ficava a TV LED de 50 polegadas. - E você ficará por aqui. - pegou o controle da televisão e jogou pra ela.
- Mas você sabe que eu posso te ver daqui, né? - olhou para o lado e mostrou a cozinha que era quase acoplada com a sala.
- Ver é diferente de ajudar. - piscou e se retirou dali.
- Fazer o quê. - a garota deu de ombros e deixou seu corpo relaxar no sofá.
Quinze minutos. Foi esse o tempo em a casa ficou em silêncio. Ou quase isso.
Era possível ouvir alguns barulhos suspeitos na cozinha, como algo caindo no chão, outra coisa sendo cortada e o som de algum líquido sendo esparramado.
Na sala, a brasileira não encontrava nada de interessante para assistir, na verdade até achou, mas a sua curiosidade em saber o que acontecia no cômodo vizinho era maior. Levantou-se com cuidado e deu alguns passos na direção da cozinha, a cena que viu era no mínimo engraçada:
Dougie usava um avental florido, uma faixa preta na cabeça que deixava o seu cabelo preso e enrolava alguma coisa na mão.
Se aproximou um pouco mais e viu algo na pia, parecia ser macarrão. Deu um passo pra frente tentando ver melhor o que era e...
- SOME. - Poynter notou a presença da garota ali, que deu um pulo com o grito dele. - Área proibida pra você. - girou nos próprios pés e a encarou.
- Mas o que eu vou fazer? - fez bico.
- Qualquer coisa. - foi indo na direção dela.
- Ai, tá bom, fui. - saiu dali quando ele se aproximou.
Voltou para sala depois da expulsão e se esparramou no sofá. Continuou a zapear os canais procurando por algo pra se distrair enquanto o jantar não ficava pronto, bufou várias vezes até achar um canal de clipes que passava um especial do Muse, bateu palminhas de felicidade, era uma de suas bandas preferidas.
Sorriu e começou a balançar o corpo de um lado para o outro, deixando que o mesmo absorvesse o ritmo da música.
- I want to reconcile the violence in your heart – cantarolava junto com Matthew, o cantor da banda.
Dougie ouviu a cantoria na sala e foi até lá dar uma espiada, ao chegar no cômodo viu dançando e cantando com os olhos fechados. Aquela cena fez com que um sorriso brotasse em seus lábios, amava aquele jeito descontraído da garota. Poderia ficar ali por um bom tempo só apreciando aquela beleza brasileira, mas o apito de algo na cozinha o fez acordar e retornar aos seus afazeres.

Algum tempo depois o especial chegou ao seu fim, a garota desligou a televisão e sentou no sofá. Suspirou quando ouviu o toque de seu celular. Pegou o aparelho, que estava na mesinha de centro, e viu que era seu pai.
- Alô?
- Oi, filha. - sua voz parecia ríspida.
- Oi, pai, tudo bem? - perguntou com receio.
- Indo... - a garota podia ouvir a respiração falha dele.
- Aconteceu alguma coisa?
- Eu vi o clipe. - respondeu de imediato.
- Ah. - respirou aliviada. - O que achou?
- Não foi pra isso que te mandei para a Inglaterra. - soltou de uma vez. - Que tipo de garota faz um clipe daqueles? Você quer me envergonhar? Eu achei que você morando sozinha tomaria um jeito, talvez a vida te consertasse...
- Pai. - tentou interrompê-lo.
- Você continua sendo aquela garota abusada, infantil e estúpida que morava comigo, não acredito que falhei tanto na sua educação. - respirou fundo. - Minha filha em um clipe musical, você sabe o quanto isso pode me prejudicar?
- Achei que você ficaria orgulhoso. - a garota estava chocada com todas as coisas que seu pai estava dizendo.
- Orgulhoso? - ele gargalhou. - Daquela indecência? Nunca. Eu tenho vergonha do que você fez! - esbravejou.
- Mas... - e foi cortada por ele novamente.
- Não há justificativas. - falou indignado. - , eu te proíbo de fazer qualquer coisa parecida com aquilo de novo e exijo que você se afaste desses rapazes, é uma ordem!
- Hã? - ela franziu a testa.
Espera, desde quando ele sabia que ela tinha contato com os garotos?
Só tinha uma explicação, mas era absurda.
Ele não investigaria a vida da própria filha, investigaria?
Mas é claro que sim, e isso foi o suficiente pra ela sair do estado de choque.
- Desde quando você acha que pode mandar na minha vida e decidir com quem eu tenho amizade? - perguntou sentindo a ira dominar seu corpo.
- Você esqueceu quem paga a sua faculdade e banca sua vida em Londres? - indagou sarcástico.
- Você não tem esse direito! - protestou.
- Eu tenho, mas pra sua sorte o dinheiro que gasto com você não me faz falta... - falou em tom de deboche.
não precisou de motivos para desligar o telefone depois disso, e o fez sem pestanejar.
Era difícil acreditar no que ele tinha dito, mesmo sabendo como seu pai era: autoritário, insensível, preconceituoso e sempre colocava sua empresa em primeiro lugar.
Foi assim durante os dezoito anos que viveu com ele. Tinha certeza de que ao sair de casa isso mudaria, o que, obviamente, não aconteceu.
Sentia raiva de si mesma por se achar tão parecida com ele, preferia ser parecida com qualquer um do que com aquele homem.
Seu celular voltou a tocar, era seu pai novamente. Pressionou o botão vermelho ignorando a ligação e desligando o aparelho em seguida.
- Nojento. - resmungou com ódio.
Uma lágrima solitária desceu pela bochecha direita da garota, que a secou com as costas da mão. Não se permitiria chorar por um ser tão repugnante. Respirou fundo com a intenção de controlar seus sentimentos e contou até dez, o que sinceramente não ajudou em nada. Seu corpo estava trêmulo, era sempre assim quando ficava nervosa e não extravasava. Estava tão atordoada que nem percebeu Dougie a fitando com preocupação.
- ... - se ajoelhou na frente dela. - O que aconteceu?
- Meu pai, como sempre. - sorriu fraco.
- Mas o que ele fez? - fitou a brasileira e mordeu o lábio inferior, um pouco apreensivo com o que ela iria lhe contar.
- Não vale a pena estragar a nossa noite por causa disso. - finalmente o olhou.
- Por favor, quero te ajudar. - sorriu de leve.
- Tudo bem. - suspirou. - É sobre o clipe. - Dougie franziu a testa e ela explicou quase tudo, omitindo a parte em que ele difamou os garotos.
- O clipe é normal, ele não tem motivo pra se envergonhar. - afirmou.
- Dougie. - segurou o garoto pelos ombros. - Ele só teria orgulho de mim se eu fosse uma Neurocirurgiã especializada em coluna vertebral. - piscou para o baixista que continuava confuso. - Mas quem sabe se eu tivesse metade da criatividade do Washington Olivetto... - disse pensativa.
- Quem? - Poynter ergueu as sobrancelhas. Eles ainda estavam falando sobre o pai dela?
- Ah, é um publicitário brasileiro super badalado. - explicou gesticulando com as mãos de uma forma exagerada.
- Pequenina. - riu de leve e ficou de pé, ela fez o mesmo. - Você é feliz aqui?
- Sim, mas o que...
- Você gosta da faculdade? - segurou as mãos dela.
- Sim.
Onde ele queria chegar com aquilo?
- Você já fez algo ilegal?
- Não.
Certo, ele estava a deixando confusa.
- Gosta de Londres?
- Essa cidade me conquistou. - confessou.
- E o que acha dos amigos que fez aqui?
- Dougie. - soltou a mão dele e mexeu no cabelo, estava acanhada. - Ah, eu gosto deles.
- Tem certeza? - colocou a mão no queixo dela, evitando que a garota abaixasse o rosto.
- Eles... - o fitou. - Vocês são minha família. - mordeu o lábio inferior.
- Quê? - ele arqueou as sobrancelhas, não esperava por essa resposta.
- É. - dizer aquilo em voz alta era bem melhor. - Minha família britânica.
Um sorriso encantador brotou nos lábios dele, que refletiu nela.
- Como porta-voz da sua família britânica. - estufou o peito. - Eu digo pra você não se importar com a opinião do seu pai. - a puxou para um abraço.
retribuiu com a mesma intensidade, precisava daquilo.
- Você não fez nada de errado. - afagou os cabelos dela.
- Obrigada. - se separou dele e percebeu que não tremia mais. Se o objetivo de Poynter era acalmá-la, ele conseguiu.
- Estarei sempre aqui. - sorriu acariciando o rosto da garota. - Vamos esquecer esse assunto? - ela assentiu e só então reparou que ele não usava mais o avental. - Que tal um jantar? - deu o braço para a menina, que o aceitou.
Incrível como algumas pessoas tem o poder de levantar o seu astral em 100%. Se fosse no passado, a brasileira explodiria de raiva, brigaria com todos e sumiria de casa por alguns dias. Mas agora era diferente, ela tinha amigos para apoiá-la e confortá-la em momentos assim, o que nunca teve antes. Sabia que poderia contar com cada um deles no que fosse preciso, e o sentimento era recíproco.
nunca fez diferença entre eles, pelo menos tentou não fazer, mas Dougie conquistou seu coração um pouco mais que os outros, nem ela saberia explicar o porquê. Apenas sentia aquilo, uma necessidade de estar perto dele, rir de suas piadas e brigar por qualquer besteira que fosse.
- Comi por doze pessoas. - brincou enquanto guardava a louça do jantar.
- Estava bom mesmo? - entregou um copo pra ela.
- Já disse que estava, você pode dizer que faz o melhor espaguete com almôndegas do país.
- Exagerada. - riu do jeito dela.
- Até parece. - se recostou na pia e observou Poynter secando a mesma. - Aprendeu com quem?
- Mamãe. - fez uma careta por chamá-la assim.
- Seu fofo. - apertou o nariz dele.
- UAU. - pendurou o pano na torneira. - De Coiso para Fofo, estamos evoluindo. - zombou.
- Idiota. - mostrou a língua e foi para a sala, e ele a seguiu. - O que vamos fazer? - falou ligando a televisão no mesmo canal de clipe de antes.
Quando ele ia responder seu celular começou a tocar, olhou no visor, era .
- A tá aí? - foi a primeira coisa que ouviu.
- Sim, por quê? - estranhou a pergunta.
- Que bom. - respirou aliviada. - O pai dela me ligou, avisei que ela tinha saído e ele se irritou.
- Não acredito. - bateu a mão na testa e viu que a brasileira estava entretida com algum clipe e não prestava atenção na conversa.
- Ele disse que a era uma vergonha pra ele e outras asneiras que fiz questão de ignorar.
- Então você já o conhece?
- Opa, é um ditador maluco. - riu de leve. - Como ela está?
- Ah, acho que vai ficar bem. - falou incerto.
- Team . - Dougie ouviu Danny gritar ao fundo.
- Isso, estamos com ela. - a britânica concordo com o ficante-quase-namorado.
- Ela sabe disso. - sorriu ao ver a menina tentando fazer algum passo de dança.
- Dougie, cuida dela. - pediu antes de desligar o telefone.
- Deixa comigo. - garantiu.
parecia ser tão alegre, intensa e doidinha. Quem não a conhecia muito bem nem imaginava as coisas que ela passava por causa de seu pai. Isso a afetava mais do que deixava transparecer, certamente escondia aquilo como uma forma de autodefesa e proteção, mas Dougie queria deixar claro que ela não precisava mais disso, podia desabafar. Agora ela tinha alguém pra lhe proteger e ajudar no que fosse necessário.
- Venha. - ele acordou de seus devaneios quando a ouviu lhe chamando.
- Ah não. - resmungou quando viu que ela queria dançar com ele.
- Ah sim. - se aproximou o puxando. - Deixa de ser chato. - segurou suas mãos.
- Não sirvo pra isso. - olhava para os pés dela, com medo de esmagá-los.
- Faz assim. - começou a rebolar devagar. - Vai. – incentivou-o. - Se solta, Dougie.
- Eu tô me soltando. - realmente, ele se mexia o máximo que podia.
- Já sei. - saiu correndo na direção da cozinha.
Poynter ficou sem entender muita coisa e apenas a seguiu. Quando adentrou na cozinha viu porta da geladeira aberta e a menina estava com metade do corpo dentro da mesma e parecia procurar por algo.
- O que você quer? - parou atrás dela.
- Álcool.
- Pra quê? - ergueu as sobrancelhas.
- Achei. - ignorou sua pergunta e colocou na pia três garrafas.
- . - ele a fitou com reprovação. - Você já bebeu vinho no jantar e ficou “alegre”.
- Hoje é dia de comemorar, vamos aproveitar. - sorriu. - E assim você se solta e aprende a dançar. - piscou.
- Mas a gente...
- E é impossível ficar bêbada com isso. - mostrou a garrafa de Smirnoff Ice pra ele.
- Falou a garota que já está alterada por causa de duas taças de vinho. - ironizou.
- Dougie. - apontou para a pia, impaciente. - Pega sua cerveja e vamos curtir. – deixou-o sozinho.
O rapaz revirou os olhos, mas fez o que ela disse e voltou para sala.

De acordo com as pessoas mais experientes no assunto, Ice é uma bebida fraca e pra te deixar bêbado é necessário tomar muitas garrafas do mesmo. Mas misturar essa bebida “doce” de limão com vinho tinto pode ser algo que altere o seu estado de sobriedade.
Pois é, não chegava a cair de bêbada, mas estava visivelmente alterada. Já seu companheiro – que se encaixa no termo “experientes no assunto” - estava bem melhor que a brasileira, ou talvez não tão alterado como ela.
- It's my liiiiiiife – ela cantava com a voz embolada, erguendo os braços.
É, até o inocente Bon Jovi estava envolvido na comemoração dos dois.
- It's now or never. - o garoto a acompanhava, usando uma garrafa de cerveja como microfone.
- I ain't gonna live forever. - os dois cantaram juntos.
Dougie a abraçou pela cintura e rodopiou, o que, claramente, não foi uma boa ideia. Cambalearam de um lado para o outro por um tempo até que perderam o pouco equilíbrio que lhes restava. Os dois desataram a rir quando caíram no chão, ela por cima dele.
- Isso doeu. - ele resmungou passando a mão na cabeça. - Eu acho melhor...
Foi interrompido quando a garota lhe roubou um selinho e saiu de cima dele. A sua cara de espanto era idêntica a de Marlin quando conhece o tubarão Bruce em Procurando Nemo. Piscou várias vezes, como que quisesse ter certeza de que aquilo realmente tinha acontecido ou fora obra de sua imaginação.
Levantou-se um pouco atordoado e olhou a garota, que mantinha um sorriso divertido no rosto. Teria feito aquilo só pra brincar e confundir sua cabeça?
Deu alguns passos em sua direção e o sorriso dela aumentava a cada passo que ele dava.
- O que foi isso? - estreitou os olhos.
- Não gostou? - indagou, fingindo estar magoada.
Ele ficou quieto, foi tão rápido que não saberia dizer se gostou ou não.
- Olha. - se aproximou, colocando as duas mãos no peitoral dele. - Me desculpa.
- Pelo quê? - franziu a testa.
Ela o beijou novamente, agora foi mais demorado.
- Por isso. - disse, assim que separou os lábios.
E, mais uma vez, ele não sabia o que dizer.
Apenas seguiu seu instinto, que pedia por mais. Segurou o rosto dela com as duas mãos e a trouxe para si, beijando-a com vontade. A princípio, suas línguas se estranharam, como em todo primeiro beijo. Mas em questão de segundos já se entendiam como melhores amigos. o beijava com apetite, sentindo uma sensação gostosa invadir seu corpo. O beijo dele era intenso, caloroso e envolvente.
A mão direita de Dougie desceu para a cintura da garota, a esquerda ia para sua nuca, aprofundando o contato entre eles. A brasileira o abraçava pelo pescoço, bagunçando o cabelo dele de vez em quando. Poynter sentia que seu desejo aumentava em uma velocidade inexplicável, cada movimento que a garota fazia o deixava mais aceso.
- . - partiu o beijo, mesmo contra sua vontade.
- Que é? – fitou-o impaciente.
- Você é gostosa. - falou, a bebida revelando o que ele pensava, com certeza.
A garota desatou a rir e jogou a cabeça pra trás.
- Você também. - disse após se recuperar da crise de riso e mordeu o lábio inferior dele.
Isso foi o suficiente para voltarem a se agarrar com mais desejo e – se possível – intensidade. Dougie ergueu a brasileira, que envolveu as pernas em sua cintura, e o rapaz foi caminhando às cegas em direção ao sofá, onde sentou-se com a garota em seu colo. Partiram o beijo para que ele pudesse tirar sua blusa, que voou longe. Antes de voltarem às atividades, ela atacou o pescoço dele, distribuindo beijos e chupões por ali. Dougie estremeceu ao sentir isso e puxou-a de volta, sedento por sua boca. Suas mãos ágeis apertavam a cintura dela por debaixo da camisa xadrez, fazendo-a gemer contra sua boca. A garota começou a desabotoar a própria camisa, ele percebeu o que ela fazia e a ajudou, a peça de roupa dela também foi passear pelos ares. Se separaram só por alguns instantes, apenas para ele observar o sutiã preto que sustentava os seios dela, que corou com o olhar dele. Poynter deu um sorrisinho malicioso quando notou a vergonha dela, mas a garota não deixou barato e aproveitou para apreciar o peitoral dele, inclinou-se dando um beijo na enorme tatuagem que ficava do lado direito de seu peito, foi subindo os beijos por toda a extensão do pescoço – muito apetitoso – de Dougie, até chegar em seu objetivo final, a boca.
Enquanto estavam na curtição, sentiu algo estranho, muito estranho. Uma queimação no estômago que foi crescendo gradativamente. Partiu o beijo e fechou os olhos, colocando a mão na barriga, e Dougie a olhou confuso.
- O que foi?
- Não sei. - sentiu tudo revirar dentro de si. - Ai. - em um pulo saiu do colo dele e correu para o banheiro.
- . - ele disse quando a alcançou, ela estava ajoelhada em frente ao vaso sanitário.
Se ajoelhou ao lado dela, segurando seus cabelos.
- Você vai ficar bem. - acariciou seu braço.
A brasileira se levantou e seu corpo vacilou para os lados, então foi amparada pelo baixista. Caminhou um pouco e se apoiou na pia, lavando as mãos, rosto e boca. Respirou fundo e fitou o garoto.
- Tem coisa mais broxante que isso? - indagou, divertida.
Ele riu de leve e foi até ela.
- Até tem, mas prefiro não comentar. - ela sorriu fraco.
- Acho melhor ir embora. - disse, quando saíram do banheiro.
- Quê? – encarou-a, ela não entendeu. - , já é madrugada e você não está bem. - explicou.
- Ah. - passou a mão nos cabelos.
- Você dorme no meu quarto. - declarou e riu ao ver a cara confusa dela. - Eu durmo no quarto de hóspedes, fique tranquila. - sorriu.
- Tudo bem. - assentiu. - Mas eu preciso de um banho. - mordeu o lábio inferior.

Na manhã seguinte, pensou que sua cabeça estava se deteriorando de tanto que doía.
Custou para abrir os olhos, e quando o fez a vista estava turva e confusa. Sentou com dificuldade na cama confortável e olhou ao seu redor, estava sozinha. Franziu a testa e vagarosamente se levantou, teve uma leve tontura e chacoalhou a cabeça com a intenção de que aquilo fosse embora. Péssima ideia. Isso piorou a dor de cabeça, agora não doía, latejava.
Foi até o banheiro fazer sua higiene matinal, escovou os dentes com o dedo e depois usou o enxaguante bucal.
Ainda estava meio tonta quando desceu as escadas em direção à cozinha.
- Bom dia. - Dougie foi até ela quando viu a garota adentrando no cômodo. - Toma isso. - lhe entregou dois comprimidos e um copo de água. - É bom pra ressaca. - sorriu gentilmente.
- Obrigada. - agradeceu, tomando os remédios e bebendo a água.
- O que você quer comer? - perguntou, voltando para o fogão.
- Qualquer coisa que preencha o buraco no meu estômago. - alisou a própria barriga e colocou o copo vazio na pia. - Você não sente nada?
- Não muito. - virou a panqueca na frigideira. - E sou mais acostumado que você.
- É. - ela fechou os olhos e respirou fundo. - Nunca mais faço isso. - massageou as têmporas.
Então, se lembrou de algo da noite passada.
- Meu pai certamente não ficaria orgulhoso. - deu um sorriso falso, abrindo os olhos.
- Esquece isso. - falou, colocando a última panqueca feita juntamente com as outras. - Vamos?
Ela assentiu, mesmo sem saber para onde.
Dougie a guiou para o lado externo da casa, onde ficava a piscina. Havia uma mesa de vidro redonda com quatros cadeiras ao seu redor e sob o móvel tinha uma quantidade razoável de alimentos.
- UAU. - a garota salivou.
- Só fiz as panquecas. - ele riu, apontando para os muffins, bolo e suco.
- Não tem problema. - afirmou e sentou.
- Atacar. - ele brincou, sentando de frente para ela, e pegou um muffin de morango.
Os dois ficaram em silêncio por um bom tempo, a fome falava mais alto, não deixando tempo para conversas. Até que um assunto começou a martelar na cabeça da garota. Sim, ela lembrava. Não estava tão bêbada para esquecer uma coisas daquelas.
Mas e ele? Esqueceu? Impossível, já que ele mesmo dizia ser mais acostumado que ela.
- Sobre ontem... - e a coragem se afogou na piscina.
- Pois é... - ele disse, desconcertado.
- Aquilo foi... - procurou por palavras.
- Errado? - perguntou, incerto.
- Não. - respondeu de imediato.
É, não foi errado.
- Coisa de momento. - mordeu o lábio inferior.
Ele fez que não com o dedo indicador, ela o encarou.
- Coisa de bêbado. - fez joinha e ela gargalhou.
Respirou fundo, se recuperando, e se sentiu aliviada por ele pensar da mesma maneira que ela.
- Então... - ela o olhou. - Está tudo bem entre a gente?
- Claro. - sorriu. - Amigos? - esticou a mão para ela, que suspirou.
- Sempre. - sorriu de volta e apertou a mão dele.

Capítulo 9

Dois anos depois.
É inacreditável como a vida muda com o passar dos anos, ela pode dar uma volta de 360 graus como em um passe de mágica, e quando você se dá conta está tudo diferente. Algumas pessoas vão embora e nunca mais voltam, outras se afastam sem motivo aparente, mas você sabe que quando for necessário eles estarão ali por você e vice-versa. E tem aqueles que mudam e preservam sua essência, continuando a ser a pessoa por quem você se encantou e tem um carinho especial.
Será que isso é amadurecer? Mudar os seus conceitos, as atitudes, mas preservar sua natureza?
É. Talvez. Mas isso não quer dizer que a pessoa perca o seu lado alegre e infantil que há dentro de si.

- Egoísta de uma figa. - a brasileira protestava apontando para a televisão enquanto fungava se recuperando de uma crise de choro. - Tinha espaço para o Jack. - assou o nariz em um lenço.
- , calma. - Danny alisava as costas da garota carinhosamente.
- Nem adianta, essa daí chora toda vez que assiste Titanic. - a britânica riu de leve balançando a cabeça.
- De-es-li-liga. - indicou a televisão, que agora só passava os créditos, mas a trilha sonora do filme chegava ao seu refrão.
- É só um filme. - o rapaz pegou o controle apertando “stop”.
- Jones, seu insensível. – o repreendeu. - É baseado em fatos reais. - explicou com a voz chorosa.
- O naufrágio, mas o romance não. - a outra defendeu o namorado.
- Vocês se merecem. - fez bico e se encolheu no sofá, abraçando as próprias pernas.
- Não fica assim, meu Brigadeiro. - Danny fez uma voz infantil e bagunçou o cabelo da garota.
- , manda seu namorado parar com esse apelido ridículo.
- Quem fez ele se apaixonar por brigadeiro foi você, e não eu. - riu da cena dos dois.
- Falando nisso.... - ele olhou sugestivamente pra ela.
- Nem vem. - soltou as pernas. - Manda o seu Strogonoff fazer.
- Não me chama de Strogonoff. - a britânica protestou.
- Ué, não tenho culpa se o senhor Danny Jones aqui. - apontou pra ele. - Tem a mania de apelidar as pessoas com nome de comida.
- Não é bem assim. - argumentou. - Apelidei vocês com o que sabem fazer de melhor na cozinha. - fitou as duas, sentadas ao seu lado no sofá.
- Quer dizer que você não gosta da minha lasanha? - ergueu as sobrancelhas.
- Claro que gosto, meu amor. - sorriu. - Mas é que você já era meu Strogonoff. - apertou o nariz da garota que fez uma careta.
- Crianças – interrompeu o momento fofo dos dois. – Vamos dormir que amanhã temos que acordar cedo. – apontou para o amigo.
- Viagem. – fez jóia com as duas mãos.
- Então vamos. – a britânica se levantou e puxou o namorado consigo. – Você acorda cedo porque eu te acordo, se não ficaria o dia inteiro na cama.
- Não exagera, amor. – riu de leve e seguiu a namorada. - Boa noite, . – mandou um beijo no ar.
- Noite, casal.
Riu do jeito “amoroso” dos dois e foi até a cozinha, abriu a geladeira pegando uma garrafa de água. Ao sair do cômodo apagou a luz, tirou a chave do trinco da porta do apartamento, foi até seu quarto e acendeu a luz, não era doida de ir até o seu cantinho no escuro, sempre tinha a sensação de que algum ser a seguia, coisas de .

Na manhã seguinte, estava abraçada com o namorado na cama. Era sempre assim quando ele precisava viajar, pois detestava ficar muito tempo longe dele.
Os dois estavam juntos há quase dois anos, eram inseparáveis. Ela fora a primeira mulher por quem ele realmente se apaixonou e por quem lutou para ficar junto, no começo do namoro ele ainda tinha suas noitadas malucas regadas a muito álcool, até que um dia a britânica decretou “A bebida ou Eu”, foi então que o sardento percebeu o que estava em jogo e caiu a ficha; ele não poderia ficar sem sua Strogonoff. Agora as noitadas não existiam mais e bebidas alcoólicas só em comemorações ou nos finais de semana, com isso ele pode notar como a relação dos dois mudou pra melhor, muito melhor.
- Me leva na mala? – indagou toda manhosa.
- Só depende de você. – sorriu lhe dando um beijo de esquimó.
- Você fala como se eu não tivesse nada pra fazer. – resmungou.
- Eu posso falar com o Alec e....
- De novo não. – o interrompeu. – A gente já conversou sobre isso.
- Então vou ter que me contentar em te ver pela tela do computador? – fez bico.
- São duas semanas, acho que a gente aguenta. – enlaçou as pernas na cintura dele.
- Será? – sorriu malicioso e beijou o pescoço da namorada.
- CASAL. – a brasileira, sempre tão delicada, gritou e praticamente esmurrou a porta, acabando com qualquer clima. – ? Danny? – indagou quando ninguém respondeu. – Estão vivos? – aproximou o ouvido da porta. – Me respondam. – ela parecia uma criança impaciente.
- Oi? – Jones abriu a porta bocejando.
- Bom dia, flor do dia.
Tinha algo de errado com a garota, ela raramente era tão enérgica logo cedo.
- Vamos aos fatos, Harry me ligou avisando que o Tom errou o horário da passagem, é às sete e não oito. O que significa que acordar duas horas mais cedo não adiantou nada, e agora nós temos menos de uma hora pra chegar ao aeroporto, ou seja, vocês estão atrasados. Então eles vão passar aqui para nos pegar, ao invés de irmos até lá. – soltou de uma vez e respirou fundo, buscando ar.
- Não acredito. – reclamou de dentro do quarto. – Ferrou tudo. – a caçula espiou por cima do ombro de Danny e viu a amiga caçando roupa para se vestir.
- Siga o exemplo da sua namorada e vá se arrumar. – dito isso ela saiu em retirada para o próprio quarto.
Quinze minutos depois, o restante do McFLY já estava na sala do apartamento das meninas esperando pelo guitarrista, que terminava de se arrumar.
- Muffin é vida. – ergueu seu bolinho no ar.
- Agradeça ao Harry, que passou na Starbucks antes de vir pra cá. – Dougie a avisou enquanto assoprava o seu café.
- Valeu, Urso. – piscou para o amigo, que fez jóia com a mão direita.
- De nada, Danna Jones. – brincou, por causa da mania dos apelidos que seu amigo tinha.
- Falando nele. – Tom se pronunciou quando Danny apareceu na sala, carregando suas malas, e vinha logo atrás.
- Estou pronto, meus amores. – sorriu.
O caminho até o aeroporto foi tranquilo, ainda era bem cedo então não tinha muito trânsito. levou Danny, Dougie, Tom, Harry e o empresário deles. foi com o carro de Poynter e levou os instrumentos e malas. A brasileira ficaria com o carro do baixista, pois estava encarregada de cuidar do Flea, o cachorro do rapaz, durante as duas semanas em que o dono ficaria fora.
- Cuide bem do meu filho. – ele pediu quando a soltou do abraço.
- Vou cuidar como se fosse meu. – apertou a bochecha dele, que fez careta.
- Ele já pensa isso, certo? – riu de leve.
Flea adorava a brasileira, os dois se davam muito bem e isso causava ciúmes no músico.
- Prometo que não vou dar motivos pra você sentir inveja da nossa relação. – beijou dois dedos, em sinal de promessa.
- Brigadeiro. – não preciso dizer quem se intrometeu no meio dos dois. – Cuide bem da minha .
- Eita.- riu quando o rapaz a abraçou. – Vou cobrar por ser babá de todo mundo.
- Você é a mais responsável aqui. – ele afirmou. – Por mais estranho que seja dizer isso.
- Foi a convivência com o Fletcher. – Harry zombou.
- Vocês vão viajar ou não? – o empresário deles indagou e todos assentiram.
- Vão, antes que se atrasem. – pediu chorosa e abraçou a amiga de lado.
- Vai passar rápido. – a caçula consolou a britânica enquanto viam seus amigos se afastarem cada vez mais.
- É o que eu espero. – falou conformada.

Uma hora depois e estava na casa de Dougie, cuidando do cachorro do rapaz. Ao chegar foi uma festa, Flea pulou, arranhou e quase derrubou a garota, não era qualquer uma que conseguia lidar com um labrador da forma que ela fazia. Colocou ração no seu pote azul, trocou a água da vasilha branca e agora os dois permaneciam perto da piscina, que ficava na parte de trás da casa. A garota estava sentada em uma poltrona com as pernas esticadas e apoiadas na mesinha de centro que tinha ali, enquanto o cachorro cochilava embaixo de suas pernas.
A brasileira quase seguia o mesmo rumo de Flea quando ouviu barulho vindo de dentro da casa, mas até onde ela sabia os dois estavam sozinhos. Seu corpo estremeceu quando o som se repetiu e agora Flea estava em alerta: ficou de pé e ergueu as orelhas. se levantou e foi até a sala, sendo seguida pelo animal, que farejava tudo. Parou aos pés da escada e pensou que aquilo poderia ser perigoso, e se fosse um invasor? Enquanto refletia sobre o que fazer, escutou uma voz.
Espera, ela conhecia aquele tom extremamente irritante, não era possível.
Com sua confiança restaurada, ela subiu rapidamente as escadas, chegando ao corredor, e viu a luz do quarto de Poynter acesa. Flea, ingênuo, como sempre, correu até o cômodo se enroscando nas pernas da mulher que estava lá dentro, que obviamente gritou desesperada.
- Oh meu Deus. – ela esperneava tentando se livrar do animal.
- Flea, vem cá. – a brasileira entrou correndo no quarto e puxou o cachorro pelo tronco.
- O que você está fazendo aqui? – a ruiva (leia-se: cabelo vermelho desbotado) indagou com as mãos no peito.
- Te faço a mesma pergunta. – respondeu após conseguir acalmar Flea, que saiu andando pelo quarto, como se procurasse por algo. – O Dougie disse que você ia para a casa dos seus pais.
- Eu vou, daqui a pouco. – apontou para sua mala em cima da cama.
- Entendi. – coçou o queixo. – Por que não foi ao aeroporto?
- Até parece que eu ia madrugar. – debochou. – E tinha que arrumar minhas coisas. – falou indo até o closet e trombando com o cachorro que saía do mesmo. – Ai, seu maldito. – reclamou.
franziu a testa e agora entendeu por que Dougie não confiava em deixar seu cão com a namorada.
- O cão vai ficar na sua casa? – gritou de dentro do armário.
- Nem se eu quisesse, porque da última vez que o Flea me visitou o seu rabo destruidor acabou com um vaso da .
- Esqueci que você mora em um ovo. – zombou e voltou para o quarto. – Ele vai ficar em um hotel?
- Não. – a brasileira fitou a mulher, que se virou pra ela.
- Não entendi. – franziu a testa.
- Aqui, na casa dele. – a caçula só falou perguntar “Quer que eu desenhe?”.
- Sozinho? – encarou a outra.
- Não, comigo. – respondeu.
- Como assim? – arregalou os olhos. – Você vai ficar na minha casa com ele?
- É sempre assim quando o Dougie viaja. – explicou e observou Flea tentando entrar embaixo da cama, o que era uma missão impossível.
- Preciso falar com o bebê. – dito isso a ruiva saiu à procura de seu celular.
- O que eu fiz pra merecer esse tipo de coisa? – a garota perguntou em português e se levantou.
Flea achou o que procurava, era uma bolinha verde fluorescente que fazia um barulho, era sua paixão. Ele pegava a bola e a “jogava” para o ar, depois a pegava de novo e fazia o mesmo movimento. apreciava essa cena com um sorriso no rosto, aquele filhote era muito especial pra ela e Dougie, ainda se lembrava claramente do dia em que o acharam na rua e lhe deram um lar.

FLASHBACK ON

- Tenho certeza de que foi por aqui. – o baixista olhava para o chão.
- Se você nem percebeu que perdeu as chaves, como sabe que foi aqui? – a garota colocou as mãos na cintura.
- Que tal você me ajudar ao invés de reclamar? – imitou a posição dela, o que gerou gargalhada dos dois.
- Depois eu que sou a distraída. – resmungou e voltou à caça.
Os dois tinham ido à pizzaria e, na volta, Dougie tentou abrir portão de casa e deu por falta das chaves da mesma, e após várias reclamações da brasileira, os dois retornaram no mesmo caminho, sempre olhando para o chão.
- O que foi isso? – o rapaz franziu a testa e levantou a cabeça. – Você ouviu?
- O quê? – , que estava um pouco à frente, se virou pra ele.
Um choro baixo foi escutado.
- Ouvi. – se aproximou dele. – Foi dali. – apontou para o outro lado da rua.
E o choro se fez ouvir novamente.
- Venha. – o baixista puxou a amiga pela mão e atravessaram a rua. – Aquilo é uma caixa? – indicou com a cabeça um objeto embaixo de uma árvore.
- Parece. – a brasileira estava atrás do amigo, como estivesse com medo. – Ela se mexeu. - se desesperou quando o objeto balançou um pouco.
- , tem algo lá dentro. – o rapaz se aproximou mais e agachou.
- Cuidado. – pediu e fez a volta, ficando de frente para a caixa e o baixista.
Dougie cutucou o cubo de papelão, que se mexeu e resmungou algo.
- É um bicho. – a menina sussurrou se inclinando.
O rapaz ergueu a tampa da caixa com cuidado e os dois espiaram lá dentro pra ver o que era.
- Não é possível. – a brasileira disse atônita.
- É um cachorro. – o britânico pegou o animal com cuidado.
- É lindo. – os olhos da menina ficaram marejados. – Como alguém tem coragem de abandonar um ser tão fofo? – afagou a cabeça do bicho, que lambeu suas mãos.
- São monstros. – o rapaz balançou a cabeça negativamente.
- Ele gosta de você. – um sorriso se abriu no rosto da garota quando viu o filhote se aninhar ao peito de Dougie.
- Acho que isso é o destino. – ele riu de leve e acariciou o bicho. – Lembra quando eu comentei que queria um cachorro? – fitou a amiga, que sorriu feito criança que ganha seu brinquedo preferido no natal.
- Não acredito que você vai ficar com ele. – os olhos brilhavam.
- Eu não, nós. – e agora o seu sorriso era estilo coringa.

FLASHBACK OFF

Ela ainda se lembrava da bronca que deu nos dois por ficarem com o cachorro sem um planejamento e análise das possibilidades, mas o amor que os dois sentiram pelo canino foi maior do que qualquer coisa, e no fim os três estavam se dando muito bem.
- Seguinte. – entrou no quarto interrompendo as lembranças da brasileira. – Bebê me explicou esse negócio de você ficar aqui quando ele viaja e eu aceito sem problemas. – se dirigiu à sua mala. – Mas durma no quarto de hóspedes.
- Melhor, lá eu não me contamino com os restos de você e do Dougie. – piscou e viu a ruiva bufar.
- Qualquer dúvida liga pro meu Bebê. – e ela saiu do quarto arrastando a mala.
Bebê nunca foi uma palavra tão enjoativa de se ouvir, ainda mais naquela voz estridente. respirou fundo e se jogou na cama, deixando seu corpo afundar no colchão. Sentiu Flea pular na cama e deitar ao seu lado, sua bolinha provavelmente estaria perdida em algum canto do quarto, era sempre assim, ele brincava e “perdia” o seu brinquedo.

estava sem nada pra fazer e entrou na internet pra matar o tempo, após checar seu e-mail e no site da faculdade, foi fuçar no Twitter, não fazia muito tempo que tinha criado sua conta na rede social e se nomeava como “littleprincess”, que era uma mistura dos apelidos que seus amigos tinham lhe dado. Tinha por volta de dois mil seguidores, conseguiu essa proeza após a divulgação em massa que Fletcher fez. No começo ficava perdida e nunca sabia quem responder, mas com o tempo se acostumou e já socializava com os seguidores, era uma distração incrível.

“Acho que tem alguém sentindo falta do Papai.”
Escreveu na página e postou uma foto de Flea dormindo na cama de Dougie, não demorou muito para que algumas pessoas se manifestassem.

@licajudd @littleprincess você é a babá oficial?

Ela sorriu com aquilo e respondeu:

@littleprincess @licajudd não, a mãe.

Alguns minutos depois, o Dougie apareceu por ali.

@dougiemcfly @littleprincess não quero imaginar o que vocês estão aprontando. Ps. Também estou com saudades do Muffin.

Foi impossível não rir, ela tinha colocado aquele apelido no cachorro após o mesmo ter roubado um muffin que ela tinha deixado em cima da mesa.

@jenfloynter @littleprincess você é a mãe e o Dougie o pai, isso significa que estão juntos?

Ela explodiu em gargalhadas, não era a primeira vez que isso acontecia. Os dois às vezes esqueciam que estavam no Twitter e conversam por ali mesmo, o que causava rumores de um relacionamento entre eles. Respondeu à garota.

@littleprincess @jenfloynter haha sua pergunta tem lógica, mas não.

E agora respondeu Dougie.

@littleprincess @dougiemcfly ele está com síndrome de Marley, uiva a noite inteira se não dormir comigo.

Outra fã lhe perguntou algo.

@gilmcfly @littleprincess como você conheceu os rapazes?

@littleprincess @gilmcfly no clipe Lies, sou um daqueles seres estranhos.

Dougie se pronunciou, agora com uma brincadeira, como já era de se esperar.

@dougiemcfly @littleprincess bom garoto, não há dúvidas que é meu filho.

Ela não acreditava que ele tinha dito aquilo, outro motivo para as pessoas acreditarem que os dois tinham algo, respondeu completamente indignada.

@littleprincess @dougiemcfly quieto e vá dormir porque já passou da hora.

Dito isso ela se desconectou e fechou o notebook, ria sozinha da piada do amigo. E isso serviu pra lembrar-se da falta que ele fazia, estava há três dias fora e parecia uma eternidade, pelo menos pra ela era; já que ele estava sempre por perto.
A porta do recinto se abriu e ela olhou para a mesma, acabava de chegar do trabalho. Sorriu para a amiga, trancou a porta e foi até a brasileira.
- O porteiro me entregou isso, é pra você. – deu dois envelopes para a garota. – Vou tomar um banho. – saiu dali, indo para o seu quarto.
A caçula franziu o cenho e analisou os envelopes, um era branco e o outro pardo, um tinha o nome de sua faculdade e o outro do governo inglês, aquilo era estranho. Abriu primeiro o da faculdade e seu coração quicou diversas vezes dentro do seu corpo, era uma cobrança de mensalidade que constava três meses de atraso, coçou a testa, pois sempre achou que sua faculdade estava quitada. Respirou fundo e colocou o envelope ao seu lado, pegou o que tinha símbolo do governo e o abriu.
Aquilo era uma piada, de muito mau gosto por sinal, ela tinha que acreditar nisso. Não era possível.
Terminou de ler a carta e sentiu que o mundo acabaria ali mesmo, seu coração não quicava mais, ele queria sair de seu peito e lhe faltava o ar. Expirou e inspirou oxigênio várias vezes, agora seu corpo tremia e se não estivesse sentada desmaiaria com facilidade. Não soube ao certo quanto tempo ficou nesse estado, parecia estar fora de órbita.
- , o que foi? – , que já tinha tomado seu banho, fitava a amiga. – Você está bem? – indagou preocupada e sentou-se ao seu lado.
não respondeu, apontou para os envelopes à sua frente na mesa de centro. A britânica pegou os dois e leu, releu e quase o fez pela terceira vez. Colocou-os de volta na mesinha e fitou a amiga, que mantinha uma expressão de angústia e descrença. A abraçou de lado e recostaram no sofá, as duas só viam uma coisa na sua frente, o papel com letras escritas em negrito: Imigração.

Continua...


Nota da Autora: Mil anos depois....voltei.
Vejamos o que aconteceu desde a última atualização, Dougie arranjou namorada, foi pra selva, comeu pênis e virou o Rei da Selva....ufa.
Não vamos esquecer do Urso favorito que ganhou o programa de dança lá que eu esqueci o nome, mas minha nossa senhora dos ovários, Harry está gostoso, todo saboroso e vou parar porque o Dougie chegou.
Que mais? Ah claro, acho que devo explicar o motivo do sumiço...comecei a fazer faculdade e ela funciona por trismestre, ou seja, muito corrida o que me leva a estudar feito louca para as provas, mas no fim fechei o boletim com chave de ouro, mereço uma semana no spa, ok parei.
Ah agora estamos em 2012, olha que gracinha hahaha
Gente já falei demais, vou deixar vocês em paz e bem, o que acham que vem por aí? Sou má e deixei um suspense no final haha.
A próxima atualização não deve demorar, pois estou de férias e ela já está no forno.
Mais uma vez MUITO obrigada pelos comentários.
Stay in piece.