I'M FALLING FOR YOU
por Samy Freitas
beta-reader: Loma R

PRÓLOGO -

A vida muda muito, começa a ficar mais difícil, e você tem que aprender a conviver com tudo o que está a sua volta, e quando não consegue conviver com as coisas, muda tudo novamente, foi o que eu fiz. Não conseguia me acostumar com a idéia de ver ele todos os dias da minha vida, o cara que me fez sofrer, e foi por esse motivo que me mudei para Londres, porque eu não aguentaria olhar para o rosto dele sem chorar novamente.

CAPÍTULO 1 -
Don't worry, be happy

#yourPOVon
Merda de semana, eu não acredito que só tem professores chatos nessa escola, quer dizer tem um que se salva, mas o resto socorro, eu entrei a uma semana nessa merda de escola e já me deram trabalho para entregar daqui a três dias, que ódio. Esqueci de me apresentar, eu sou , tenho 17 anos e estou no meu último ano de escola, ainda bem, por mais que meus professores sejam um porre, eu estou feliz, não posso reclamar por estar morando em Londres com as minhas três melhores amigas, , e , é uma coisa maravilhosa, eu finalmente estou me sentindo livre, sem nenhum adulto para ditar regras, isso é o melhor de toda essa história, podemos fazer o que nos dá na cabeça, sem alguém para nos repreender.
- , desliga esse notebook e vai dormir garota, amanhã nós temos aula – disse deitada em sua cama, era com ela que eu dividia o quarto, ela pode não ser a melhor companhia que existe no mundo, mas ela é uma ótima pessoa, e acho que é isso que importa.
- Tudo bem, . Por mais que eu esteja sem sono, vou tentar – eu disse desligando o notebook e o colocando na escrivaninha.
Deitei-me e fiquei um bom tempo sem conseguir dormir, decidi ouvir música, pelo menos teria uma coisa para me distrair, peguei o meu celular e coloquei a música Untitled, do Simple Plan, respirei fundo tentando não prestar muita atenção na letra da música, me fazia lembrar o meu ex-namorado, porque raios eu coloquei justo a música que mais me faz lembrar aquele infeliz?

I open my eyes
(Eu abro meus olhos)
I try to see, but I’m blinded by the white light
(Eu tento enxergar, mas estou cego pela luz branca)
I can’t remember how
(Eu não consigo lembrar como)
I can’t remember why
(Eu não consigo lembrar por que)
I’m lying here tonight
(Eu estou deitado aqui hoje)
And I can’t stand the pain
(E eu não posso agüentar a dor)
And I can’t make it go away
(E eu não posso fazer isso ir embora)
No I can’t stand the pain
(Não eu não posso agüentar a dor)

Não consegui evitar que as lágrimas caíssem, ele havia me machucado muito, não fisicamente, mas emocionalmente. Simplesmente não conseguia pensar em uma maneira de esquecer tudo o que ele me fez passar, a única saída que encontrei foi viver longe dele, mas mesmo assim, eu estou péssima sozinha, preciso encontrar alguém que me faça feliz, não da forma como ele disse que me faria.

#FLASHBACKon
- , me promete uma coisa? – eu perguntei com a cabeça no colo dele.
- Claro , o que você quiser – ele disse olhando fundo nos meus olhos.
- Promete que nunca vai me deixar, ou me fazer sofrer – disse deixando escapar uma lágrima.
- Eu prometo, e prometo te amar para sempre! – ele disse me dando um selinho demorado.
- Eu também prometo de amar para sempre, ! – eu disse limpando as minhas lágrimas.

#FLASHBACKoff

I made my mistakes
(Eu cometi meus erros)
Go no where to run
(Não há para onde correr)
The night goes on
(As noites continuam)
As I’m fading away
(Enquanto eu desapareço aos poucos)
I’m sick of this life
(Eu estou cansado dessa vida)
I just wanna scream
(Eu só quero gritar)
How could this happen to me?
(Como isso pôde acontecer comigo?)

Só quando a música acabou que eu percebi que estava chorando mais do que deveria, ele foi só um idiota que me prometeu amor eterno e não cumpriu. Decidi dormir logo, antes que eu me arrependesse de tudo o que eu fiz depois do dia em que eu decidi vir morar em Londres. Menos de um minuto depois, eu estava dormindo.

Acordei sem ânimo nenhum, todas as meninas ainda estavam dormindo, levantei, tomei um banho rápido e fui para a cozinha, fiz um café da manhã caprichado, e finalmente olhei para o relógio; 06h10 da manhã e nenhuma das meninas havia acordado, decidi acordar elas para que não nos atrasássemos para a aula.
Subi e fui para o meu quarto primeiro, acordei a , avisei para ela se arrumar e fui para o quarto das meninas, acordei e e também avisei para elas se arrumarem.
Fui para o meu quarto onde estava, pois já havia saído do banho. Ia colocar a roupa que eu usaria para ir para a aula, uma calça jeans skinny de lavagem escura, uma camiseta roxa estampada com um coração vermelho, e o meu All Star preto, eu nunca deixo o All Star de fora para completar meu look. Passei uma maquiagem leve, peguei minha mochila e fui para sala, as garotas já estavam tomando café da manhã, me juntei a elas na mesa e começamos conversas sem importância.
- E você, ? Já fez o trabalho de Biologia? – perguntou dando um longo gole no seu suco de laranja.
- Ainda não, alguma de vocês já fez? – perguntei comendo um muffin.
- Acho que nenhuma de nós começou a fazer esse trabalho, é melhor a gente começar a fazer logo, senão vamos tirar um belo zero – disse se levantando da mesa.
- Vamos? – perguntou também de pé.
- Demorou – eu disse levantando e pegando a mochila, sendo imitada por .

Chamamos o táxi e fomos para lá, chegando à porta daquele lugar assustador, vi quatro garotos LINDOS, não me lembro de ter visto eles antes na escola, será que chegaram hoje? Enfim, preciso conhecer eles, principalmente aquele de camiseta listrada.
- Meninas, vocês estão vendo o mesmo que eu, ou sou eu que to ficando louca? – perguntou com um sorriso enorme no rosto.
- O que você ta vendo, ? – perguntou olhando na direção em que olhava – Ah meu Deus, quem são eles?
- Eles quem, cambada? – perguntou seguindo os olhares das duas, eu fiz o mesmo – Tem anjos na escola e a gente não ta sabendo?
- Dude, babei litros agora – eu disse sem piscar, nessa hora o cara de blusa listrada deu um sorriso que me deixou sem fôlego. Encarnando a mulherzinha da malhação, Jesus apaga a luz.
- Vamos falar com eles? – perguntou me deixando um pouco nervosa.
- Acho que sim, e vocês meninas? – eu disse rápido, sem pensar no nervosismo.
- Vamos sim – e disseram em uníssono.

Caminhamos na direção dos garotos, queria ver como conversaríamos com eles, eu não era tão cara de pau a esse ponto, quando estávamos chegando perto dos garotos, a vergonha gritou mais alto e eu saí em direção ao corredor da escola, indo em direção ao meu armário, mas sem ter a real intenção de ir para ele.
#yourPOVoff

Depois que foi para o corredor, as amigas dela ficaram se perguntando porque ela havia feito aquilo, mas deixaram de lado, precisavam conhecer aqueles quatro caras. Chegaram lá e receberam olhares maliciosos dos quatro garotos, respirou fundo e disse:
- Vocês são alunos novos? – perguntou na cara de pau, os garotos abriram mais os sorrisos e um deu um passo a frente.
- Na verdade não, o único novo aqui é o , eu, o e o estudamos aqui desde a primeira série – o garoto que deu o passo a frente respondeu.
- Nós somos novas aqui, na verdade, somos brasileiras, não sei por que quis perguntar isso pra vocês – disse coçando a nuca com vergonha.
- Tudo bem meninas, mas vem cá, o que garotas tão lindas como vocês estão fazendo perdidas aqui em Londres? – outro garoto disse se aproximando de .
- É que a nossa amiga queria morar aqui e nós viemos junto – ela respondeu corando.
- E quem é a ? – um garoto que estava mais atrás perguntou com certo brilho no olhar, havia gostado de como esse nome soara.
- Ela foi para dentro da escola, acho que ficou com medo – disse chegando perto do garoto que estava do lado do que perguntou sobre a amiga.
- Ixi , não é aquela garota de roxo que você tava de olho? – o garoto que estava perto da disse em tom de deboche.
- Nós não sabemos o nome de nenhum de vocês, só o dele, que eu já vi que é disse com um sorriso malicioso no rosto.
- Eu sou o , ele é o e esse idiota que ta perto do é o disse sinalizando cada garoto.
- Nomes legais, eu amo o nome , acho sexy – disse dando uma piscadinha para .
- E qual o nome de vocês? – perguntou olhando para .
- Meu nome é , mas vocês podem me chamar de – ela disse.
- Meu nome é , mas vocês podem me chamar de – disse dando uma piscadinha para .
- E você linda, como é seu nome? – perguntou para .
- Meu nome é , mas eu quero que vocês me chamem de disse dando um grande sorriso malicioso.
- Se vocês não se importam, eu vou entrar ok? – disse saindo da rodinha de conversa, entre seus amigos e as amigas da garota que lhe chamou a atenção.

#yourPOVon
Eu estava sozinha há mais de dez minutos, sendo que agora eu poderia estar com aqueles caras gatos, que ódio de mim mesma, porque eu não fui para lá, perdi a chance de conhecer alguém interessante. Enquanto eu caminhava em direção ao meu armário, trombei com um garoto que andava meio distraído pelos corredores.
- Outch! – eu disse quando caí no chão – Olha por onde...
- Me desculpe, estava distraído – disse o mesmo garoto que havia visto antes.
- Tudo... Bem – eu disse meio desconcentrada, o perfume que ele usava estava me deixando assim – Eu que tava andando sem olhar pra onde ia.
- , mas pode me chamar de – ele disse estendendo a mão para mim.
- , mas pode me chamar de – eu disse apertando a mão dele, ele me puxou, deixando-me de pé – Obrigada.
- Nada – ele disse sorrindo – Então você é a amiga das meninas?
- Que meninas? – perguntei sem graça, elas haviam falado de mim.
- A , e – ele respondeu com um sorriso maior ainda no rosto.
- Ah, sou sim, mas porque você quer saber? – perguntei corando.
- Elas falaram de você, contaram que vocês vieram pra cá porque você queria, ou alguma coisa desse tipo – disse andando na direção em que eu estava indo antes de nós trombarmos.
- Ah, é mesmo, eu que organizei tudo para nós morarmos aqui – eu disse seguindo ele.
- Isso é... Hum... Legal - ele disse.
- É mesmo - eu respondi, depois fiquei quieta.
- Erm, eu sei que você pode não saber, mas qual é o armário D57? – perguntou coçando a nuca.
- É do lado do meu – eu disse rindo um pouco – Se você quiser vir comigo, eu to indo pra lá agora.
- Obrigado, – ele disse, e certo orgulho correu pelo meu corpo quando ele me chamou pelo apelido – Então, por que uma garota linda como você veio para Londres? Quer dizer, precisa de um motivo, né?
- Meu ex-namorado – eu disse sentindo uma aperto no coração, no mesmo instante eu coloquei a mão sobre o peito, numa tentativa fracassada de não sentir a dor.
- Hum, ele te magoou, né? – ele perguntou passando o braço sobre meu ombro, nesse instante eu senti uma coisa diferente, mas que eu não sabia o que era.
- Sim – eu disse começando a chorar, ele parou no corredor e me abraçou.
- Eu quero que você saiba de duas coisas, primeira: sempre que você quiser chorar, você pode vim falar comigo, porque meu ombro sempre vai estar a sua disposição, segundo: homem é tudo igual, eu sou homem e sei do que to falando, fica calma, porque um dia você acha um que te mereça, e te ame de verdade – ele disse me apertando mais no abraço.
- Obrigada, – eu disse secando as lágrimas – Vamos logo pro seu armário, porque o sinal bate daqui a pouco.
Seguimos para os armários em silêncio, mas o braço de permaneceu na minha cintura, isso me ajudou a esquecer o que me magoava na hora em que chorei. Chegamos aos armários, ele colocou a combinação no dele, enquanto eu colocava a combinação no meu, guardamos as coisas que não precisaríamos nas três primeiras aulas, eu estava observando os livros que ele pegara para as primeiras aulas, e notei que eram os mesmos que eu peguei, fiquei um pouco confusa, será que o horário dele é igual o meu? Porque o das minhas amigas é igualzinho, é uma coisa meio estranha, mas é verdade.
- , eu posso ver o seu horário? – perguntei.
- Sim, eu ia te pedir ajuda para encontrar as minhas salas, já que eu não sei onde estão meus amigos – ele disse me entregando o papel onde estavam os horários dele.

Comecei a olhar, e o horário dele era parecido com o meu, nós tínhamos cinco aulas juntos, isso era meio estranho, mas eu deixei passar, contei para ele que as três primeiras aulas seriam comigo, e ele abriu um sorriso satisfeito, me fazendo babar muito. Fomos para a aula de Inglês (n/a: é como a aula de Português aqui no Brasil), eu nunca gostei dessa matéria, é entediante, sem contar que o professor é muito chato, ele é daqueles tipos que gritam por tudo, eu não ia aguentar ele por muito tempo, mas ta valendo.

CAPÍTULO 2 -
I don't know who you are but I, I'm with you

As aulas passaram rápido, e por incrível que pareça na primeira aula, minhas amigas e os amigos de estavam junto com a gente, foi muito estranho, todos pareciam velhos amigos.
Ao bater o sinal para o almoço, caminhei pelos corredores com , parecíamos namorados, não que eu não estivesse gostando daquilo, algumas garotas me olhavam com inveja no olhar, e isso era estranho para mim, já que o namoro mais sério que eu tive foi com o , e eu mal saía com ele.Passamos o almoço com os nossos novos amigos, e estavam se secando legal, aposto que se for para as pessoas dessa mesa ficar, os primeiros vão ser e .
O sinal para voltarmos para aula tocou, e nós entramos. O resto do dia correu normalmente, após as aulas eu fui para casa com as minhas amigas. Chegamos em casa, comemos alguma coisa rapidamente, e conversamos um pouco sobre os meninos, eu iria começar a trabalhar hoje em uma Starbucks que tem há uns dois quarteirões da minha casa, não era o que eu procurava, mas era melhor do que nada.
Fui para o trabalho e para começar bem o primeiro dia, cheguei cinco minutos atrasada, ótimo, logo no primeiro dia de trabalho eu me atraso. Quando entrei na Starbucks vi o meu gerente, ele era alto, tinha os cabelos castanhos levemente bagunçados, a pele branca como neve, e os olhos de um verde esmeralda que contrastavam muito bem com a cor da pele dele.
- Senhorita , você está atrasada – ele disse, ele era gay, mas nem por isso deixava de ser lindo, ou de ser pegável.
- Desculpe, senhor Willians – eu disse corando um pouco com o meu pensamento – eu prometo não ter mais atrasos.
- Por favor, me chame de Jack – ele pediu e eu assenti – E eu espero que não tenham mais atrasos mesmo.
Jack não era necessariamente meu chefe, ele era filho do dono, ele só iria me ajudar com os meus primeiros dias de trabalho, ele estava mais para outro funcionário, porque ele também fazia as mesmas coisas que eu. Na verdade, ele era bem novo, tinha 19 anos, e estava na faculdade. Me lembrei porque eu estava ali e olhei para Jack.
- Por onde eu começo? – perguntei animada.
- Atendendo aqueles quatro rapazes que acabaram de chegar – ele disse sinalizando os garotos que passavam pela porta – Você vai lá com essa caderneta, vai anotar os pedidos deles, trazer para a bancada, esperar o pedido sair e ir levar para eles, entendeu tudo, querida?
- Sim, Jack – eu disse pegando a caderneta que estava nas mãos dele.
Fui para a mesa onde os garotos haviam sentado, me surpreendendo ao ver quem eles eram, abri um sorriso envergonhado quando eles me reconheceram.
- Hey , o que você esta fazendo aqui? – perguntou sorrindo.
- Eu trabalho aqui agora, bobinho – eu disse retribuindo o seu sorriso.
- Então você que vai nos atender hoje? – perguntou sorrindo torto, o sorriso que eu havia me apaixonado em questão de segundos.
- Isso mesmo, vocês pegaram o espírito da coisa – eu disse animada – Então, o que desejam?
- Eu quero três cupcakes de chocolate, e um café extra-forte – disse e eu anotei.
- Eu vou querer o mesmo que o e disseram ao mesmo tempo, fiz mais uma anotação.
- E você, ? – perguntei desviando o olhar da caderneta.
- Eu vou querer dois muffins de baunilha e um chocolate quente – ele disse com os olhos brilhando.
- Certo, eu já trago os pedidos de vocês – eu disse caminhando em direção ao balcão, Jack me olhou como se dissesse “Você está indo bem”, entreguei o papel para que a atendente atrás do balcão preparasse o pedido.

Cinco minutos depois, o pedido dos garotos estava pronto, e eu já havia atendido algumas outras mesas, peguei o pedido dos garotos e levei para a mesa, continuei meu trabalho, eu sabia que meu turno seria até as 20h30, mas já estava ficando muito escuro, e eu estava com certo receio, nunca andei sozinha esse horário aqui em Londres. Quando terminaram de comer, os garotos me chamaram para pagar, eu fui até eles.
- São 25 libras – eu disse e me entregou o dinheiro.
- , você vai embora sozinha? – perguntou.
- Vou sim, – eu disse dando de ombros.
- A essa hora da noite? – ele rebateu preocupado.
- Acho que sim – eu disse o olhando confusa.
- Eu vou com você – ele disse sério.
- Não , não precisa, eu to pertinho da minha casa – eu disse mais confusa ainda.
- Eu to dizendo que eu vou – ele disse se acomodando na cadeira.
- vem aqui, por favor – Jack me chamou, eu fui até ele com certo receio – O que você pensa que está fazendo, mulher?
- Desculpa Jack, é que eles são meus amigos e... – não pude terminar, pois Jack colocou a mão na minha boca.
- , eu posso te chamar assim, né? – perguntou sério, e eu assenti – Não é sobre isso que eu to falando. Um garoto lindo ta se oferecendo para te levar para casa depois do trabalho e você recusou?
- Não é isso Jack, o problema é que eu conheci ele hoje, e depois quem vai embora sozinho é ele, eu não acho isso justo – eu disse olhando discretamente para mesa onde só restara .
- , eu sou seu chefe, então você tem que me obedecer, deixa ele te levar para casa, só hoje – ele disse em seu tom autoritário.
- Tudo bem Jack, só porque é uma ordem do meu chefinho lindo – eu disse rindo um pouco, e voltando a trabalhar.
- O que você pensa que ta fazendo? – Jack perguntou incrédulo.
- Trabalhando, oras – eu disse como se fosse óbvio.
- Não, seu turno já terminou, pode deixar que eu fecho a loja hoje, vai logo, e eu quero saber de tudo o que aconteceu amanhã – ele disse com os olhos brilhando.
- Eu não acredito que você ta me liberando mais cedo para eu ir embora com o logo – eu disse boquiaberta.
- Não estou liberando você mais cedo, já são oito e quarenta, seu turno acabou dez minutos atrás – ele disse me empurrando para a mesa do – Pronto rapaz, eu já acabei de usar ela, pode levá-la pra casa, porque amanhã vai ter mais.
- Oh, obrigado – ele disse segurando minha mão, olhei para trás e Jack estava fazendo uma jóinha para mim, dei uma risada baixa e segui para fora segurando a mão de .
- , você não precisa me levar – eu disse olhando para ele pelo canto do olho.
- Mas eu quero, prefiro ir de táxi para minha casa, do que deixar você andando sozinha a esse horário – ele disse virando o rosto para me olhar – , eu não sei se você lembra, mas eu não sei onde é a sua casa.
- Ah, é mesmo – eu disse prestando atenção no caminho.

Andamos em silêncio por um longo tempo, o silêncio estava me deixando meio desconfortável, soltava uns suspiros pesados de vez em quando, fazendo com que eu me sentisse mais desconfortável ainda.
– Hey, aqueles ali não são o , o e o ? - perguntei apontando para os garotos que eu via na rua da minha casa.
- São sim, por quê? – perguntou observando os três garotos.
- Porque eles estão na frente da minha casa, e parecem estar esperando alguém – eu disse chocada.
- Estranho... – ele disse surpreso – Vamos perguntar o que eles estão fazendo aqui?
- Não, eles devem estar esperando as meninas, só isso – eu disse dando de ombros.

Andamos em silêncio, quando eu estava entrando em casa, as três saíram todas arrumadas, elas iam sair com os três? parou no meio do caminho.
- , nós vamos a um pub com os meninos, você quer ir? – perguntou aparentemente muito feliz.
- Não obrigado, estou exausta e ainda tenho que fazer a porcaria do trabalho de Biologia – eu disse desanimada.
- Tudo bem então, não devemos chegar muito tarde – ela disse entrando no carro que estava parado em frente à casa.
- Não bebam, amanhã temos aula – eu disse abrindo a porta, olhou para mim com um olhar sugestivo – , você quer ficar aqui comigo até os garotos trazerem as meninas de volta pra casa?
- Claro, é bom fazer companhia para você – ele disse entrando em casa junto comigo.

Ficamos sozinhos, eu olhei para ele que parecia observar cada detalhe da minha casa, fiquei um tempo observando cada pedaço do corpo dele, o sorriso mais lindo do mundo, os olhos mais brilhantes que eu já vira, eu não sabia dizer porque, mas havia algo diferente nele, algo especial para mim.
- Já venho, vou buscar meu notebook – eu disse subindo as escadas e logo em seguida seguindo para o meu quarto.
Desci com o notebook nas mãos, estava sentado no sofá cantarolando alguma música que eu não conseguia reconhecer, sentei-me ao seu lado e ele parou.
- Quer ajuda? – ele perguntou olhando para a tela do notebook.
- O quê? – eu perguntei de olhos arregalados.
- Eu perguntei se você quer ajuda com o trabalho que você vai fazer – ele disse chegando mais perto de mim.
- O que você entende de Biologia? – perguntei abrindo a internet e acessando o meu querido e amado Google.
- Pouca coisa, mas mesmo assim posso te ajudar – ele disse prestando atenção no que eu estava digitando.
- Você também tem que fazer esse trabalho, sabia? – comentei desviando o olhar para .
- Eu já fiz o trabalho, você pode não ter percebido, mas eu estava na escola desde o primeiro dia de aula – ele disse indiferente.
- Só eu que deixei de fazer – eu disse fingindo estar triste.
- Não foi só você, as meninas também não fizeram – ele disse apertando a minha bochecha – Vamos fazer isso logo, assim podemos nos divertir sem preocupações.
- Tudo bem – eu disse me focando no trabalho.

Vinte minutos depois, eu terminei o trabalho, deu a idéia de assistirmos um filme, eu fui para cozinha preparar um brigadeiro, e ficou na sala escolhendo um filme, cinco minutos e apareceu na porta da cozinha passando a língua sobre os lábios.
- Que cheiro bom – ele disse chegando perto de mim no fogão.
- É um doce brasileiro, se chama brigadeiro – eu disse ainda mexendo o brigadeiro.
- Parece ser delicioso – ele disse ficando atrás de mim.
- Experimenta – eu disse tirando a colher de dentro do brigadeiro e o esfriando.
pegou a colher e colocou na boca, ficou degustando o doce e um brilho apareceu em seu olhar.
- Isso é delicioso! – ele disse lambendo a colher igual uma criança faria.
- Então espera esfriar, vamos para sala começar a assistir o filme e quando passar uns dez minutos podemos pegar o brigadeiro – eu disse colocando o brigadeiro na geladeira.

Fomos para sala, onde havia colocado umas almofadas no chão, eu olhei bem para aquilo e tive a sensação de que estava faltando alguma coisa, e realmente estava faltando, era um dia frio, assistindo filme com um cara gato, o filme era de terror; eu sabia pois havia visto o filme “Os mensageiros 2” em cima da mesa de centro, faltava um cobertor bem quentinho para eu poder agarrar o .
- , você não acha que precisa pegar um cobertor? – perguntei me fingindo de inocente.
- Era isso que eu ia pedir para você – ele disse rindo.
- Eu vou lá pegar – eu disse subindo as escadas, sendo seguida por .
Entrei no meu quarto e peguei o cobertor que estava em cima da minha cama, chegou perto demais de mim, parecia que ia me beijar, mas na verdade ele foi pegar o cobertor da minha mão.
- Vamos – ele disse me puxando para fora do quarto.
Fomos para sala novamente, larguei a coberta no chão e fui para cozinha pegar o brigadeiro, pois fui ameaçada por se não o pegasse, quando voltei para sala estava enrolado na coberta, com o filme pausado, sentei-me ao lado dele e coloquei o brigadeiro no chão na nossa frente, peguei o controle remoto e dei play no filme, quando o filme começou passou o braço pela minha cintura.
- Se você ficar com medo, pode me abraçar – disse pegando uma das colheres, enchendo-a de brigadeiro e colocando a mesma na boca.
- Tudo bem , mas eu já assisti a esse filme – eu disse dando de ombros.
- Ah, cortou o clima! – ele disse dando um soco no chão. Clima? – Você é do mal, .
- Clima? – perguntei confusa, ele assentiu – Que clima?
- O clima de terror, se você já assistiu não vai ter graça, tem algum filme que você não tenha assistido? – ele disse tirando a mão da minha cintura.
- Era brincadeira , eu ainda não assisti a esse filme, quem assistiu foram as meninas – eu disse encostando a cabeça no ombro dele.
- Assim é melhor – ele disse colocando novamente a mão na minha cintura.

Assistimos ao filme, e as meninas estavam certas, é assustador, e aquele espantalho então, medonho demais, estávamos em uma parte em que ele estava no meio da plantação e achava uma loira; O que uma loira ta fazendo no meio da plantação dele? Ela começou a tirar a roupa, ta aí mais um bom motivo para eu odiar as loiras, não é nada pessoal ok? estava babando nos peitos dela, eu estava me sentindo desconfortável com essa cena, desviou o olhar da televisão por um segundo e percebeu que a minha expressão não era das melhores, pois ele pulou a parte da loira seminua, e deixou rolar a partir da parte onde o cara abusa da própria esposa, era uma cena meio estranha de ver, eu me assustei tanto com essa parte que tampei os olhos, fazendo rir.
- , fazer sexo é uma coisa normal, não precisa sentir medo – ele disse tirando as minhas mãos dos meus olhos, agradeci por aquela parte já ter passado.
- Mas eu sinto – eu disse cruzando os braços, fazendo me dar um beijo estalado na bochecha.
O filme continuou, eu levei vários sustos, tantos que agarrei sem nenhum pudor, quando o filme acabou ouvimos a porta abrindo.
- Crianças, chegamos! – disse entrando na sala.
- Que bagunça é essa? – perguntou vendo nossa pequena sessão de cinema.
- Nós estávamos assistindo um filme – eu disse com voz de criança.
- , dá um desconto pra eles, nós estávamos na festa, enquanto eles estavam aqui em casa, eles precisavam fazer alguma coisa interessante – disse dando uma piscadinha para mim.
- Érm... Eu tenho que ir, eu acho que os dudes estão me esperando – disse juntando as almofadas do chão – Foi muito legal passar a noite com você, .
- Eu também achei divertido – eu disse abraçando ele – Tchau, .
- Tchau , tchau meninas – ele disse caminhando em direção à porta de casa.
fechou a porta, me deixando com três garotas sorridentes. Pronto o hospício acabou de abrir as portas, elas me lançaram um olhar sugestivo e eu neguei com a cabeça, peguei a panela e o cobertor, deixei a panela na pia, e subi para o meu quarto, me joguei na cama e adormeci.

CAPÍTULO 3 -
Tears from eyes worn cold and sad, pick me up now, I need you so bad

Acordei com o meu celular fazendo algum barulho, que eu não fazia a minima idéia de para que era. Abri os olhos com dificuldade e olhei a tela do celular, era uma mensagem de um número desconhecido.

Bom dia, linda. Não se assuste, peguei seu número
com os dudes, então... Posso passar na sua casa
antes da aula pra nós irmos juntos?
xx,

Abri um sorriso nada discreto, e olhei no relógio: 06h05, daria tempo de me arrumar bem. Mandei uma mensagem respondendo.

Bom dia , só me assustei um pouquinho
querendo saber como os meninos conseguiram meu número,
mas enfim, pode passar aqui sim, te vejo mais tarde.
xx,

Levantei e fui tomar banho, demorei poucos minutos ali - coisa que normalmente não acontecia - parei na frente do meu closet sem saber o que vestir, acabei optando por uma camiseta preta do Green Day, uma calça jeans meio surrada, um all star de cano baixo preto, e peguei a minha pulseira da sorte. Passei uma maquiagem leve como sempre, peguei minha mochila e fui para sala, as meninas já haviam acordado e estavam se arrumando, tomei um café rápido e esperei que chegasse, o que não demorou nem dez minutos.
- Érm, oi – eu disse assim que eu abri a porta e o vi.
- Bom dia, – ele disse encostando no batente da porta.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, só observando um ao outro, colocou as mãos nos bolsos dianteiros, e abriu um sorriso torto.
- Vamos? – perguntei abrindo um sorriso discreto.
- Vamos sim – ele disse se colocando ao meu lado.
- Meninas, eu já estou indo para o colégio, vejo vocês lá – eu gritei da porta, escutando um coro de “Tudo bem” delas.

Saímos um do lado do outro, fomos andando mesmo, conversando besteiras, ou coisas desse tipo. Quando estávamos quase chegando na escola, ele fez uma comparação idiota, e bota idiota nisso.
- Isso não faz sentido, – eu disse dando uma gargalhada.
- Claro que faz , quando você diz que não conhece o desconhecido é mentira, porque você sempre conhece essa coisa, mas não sabe – ele insistiu, me fazendo gargalhar mais alto.
- Okay , não vou discutir com você quanto a isso – eu disse puxando ele para dentro da escola.
- , eu não tô com vontade de entrar na escola hoje, e meus pais estão viajando, o que você acha de nós irmos pra minha casa? – ele perguntou corando um pouco, pensei no que eu teria na escola hoje. Nenhuma aula importante e nenhum trabalho para ser entregue, óbvio que eu iria aceitar.
- Claro , mas... O que nós vamos fazer lá? – perguntei corando muito por ter aceito o convite.
- Sei lá, existem muitas coisas interessantes para se fazer, concorda? – ele perguntou baixo no meu ouvido, fazendo eu me arrepiar levemente, mas ele percebeu e abriu um sorriso malicioso.
- Érm, concordo – eu disse me virando para voltar pelo portão da escola, me imitou e nós seguimos para fora.

segurou minha mão e me puxou para o lado da minha casa, achei estranho, mas o segui. Aproveitamos o dia agradável que se fazia e fomos conversando até sua casa. Chegando lá, não pude deixar de notar que ela era grande, bonita e aconchegante, a sala com móveis escuros contrastava com os tons claros que haviam na cozinha, me puxou para o andar superior, lá havia um longo corredor, com umas três ou quatro portas, em uma delas estava escrito milhões de sinais de “Mantenha distância”, com certeza deveria ser o quarto de . E eu estava certa, ele me puxou até a mesma porta e a abriu, dando espaço para que eu entrasse.
- Bem vinda ao meu mundo – ele disse entrando e fechando a porta atrás de si.
- Obrigada – disse abrindo um sorriso tímido, me chamou para sentar ao seu lado na cama, eu fui e me sentei bem na beira, tentando evitar alguma proximidade.
- Calma , eu não mordo, talvez faça outras coisas, mas morder te garanto que não – ele disse se aproximando de mim, senti um frio na minha barriga, mas se fosse para ter mais perto de mim, preferia que ele continuasse ali.
- Tudo bem então – eu disse me sentando mais confortavelmente, quando passei meus olhos pelo quarto de encontrei uma das coisas que eu mais amava, no canto mais escondido do quarto havia um violão, me levantei da cama e caminhei até ele – Posso pegar?
- Claro – respondeu abrindo um sorriso radiante, que chegou a me deixar sem ar, peguei o violão e voltei para cama, comecei a dedilhar algumas coisas, mas eu não sabia exatamente o que tocar.
- , fala alguma música – pedi sem graça, olhando para ele.
- Para tu amor – ele disse com um brilho diferente no olhar, fazendo com que eu me sentisse um pouco desconfortável.
Comecei a tocar sentindo os olhos de sobre mim, essa música era linda, dizia coisas incríveis e românticas, eu tinha um pouco de receio do que aconteceria quando ela terminasse. Alguns instantes depois que a música acabou, ele me olhou fixamente, me deixando meio sem graça.
- Sua voz é linda, disse ainda me olhando fixamente, corei levemente, torcendo para que ele não percebesse.
- Érm... Obrigada, – eu disse colocando o violão entre eu e , com medo de que acontecesse alguma coisa.
- Ta com medo de mim? – ele perguntou colocando o violão no chão e se aproximando de mim.
- Não , eu só tenho medo de sofrer de novo – eu disse abaixando a cabeça, sentindo as lágrimas ameaçarem cair dos meus olhos.
- Não tenha medo de sofrer, viva sem medos, porque quando o medo nos consome, nós paramos de viver. Deixe as coisas acontecerem e siga seu coração – ele disse me puxando para um abraço, deixei as lágrimas me consumirem e, em poucos minutos, estava chorando incontrolavelmente.
- , eu me sinto tão fraca... – comecei, mas ele sussurou um “Shiu...” e colocou o dedo indicador sobre meus lábios.
- Nunca revele seus segredos em voz alta, que é quando você faz isso que eles se realizam, guarde eles para você, e somente uma pessoa vai poder saber, e é essa a única pessoa que você vai precisar – disse calmo, fazendo carinho na minha cabeça.
Fiquei em silêncio, apenas soluçando e refletindo sobre o que havia me falado, eu não sabia que ele era tão bom com palavras, o que me fez sentir um frio estranho na barriga, e uma sensação de conforto.
- Okay, vamos parar de choro, e vamos falar de coisas felizes – ele disse levantando e me puxando para ficar de pé.
- Tudo bem – eu disse rolando os olhos.
Ele segurou minhas mãos e começou a girar pelo quarto, eu comecei a tropeçar nos meus próprios pés, enquanto a velocidade em que rodávamos aumentava bruscamente. De repente, senti algo se enrolar nos meus pés, e caí no chão, puxando junto comigo.
- Outch – eu disse assim que minhas costas se chocaram com o chão.
- Ai – murmurou assim que caiu em cima de mim.
Ficamos um tempo em silêncio um olhando para o outro, de repente começamos a rir incontrolavelmente, mais alguns minutos depois e nós paramos de rir e ficamos sérios, só olhando um para o outro. começou a se aproximar de mim, me deixei levar até que seus lábios encostassem brevemente nos meus, depois eu me afastei, levantando do chão.
- Desculpa , mas eu não posso – eu disse passando as mãos pelo rosto.
se colocou em pé em um movimento rápido, me apertando em um abraço carinhoso, nesse instante me dei conta de que eu estava chorando.
- Eu que tenho que pedir desculpas , eu não deveria ter tentado sem antes saber se você aprovava – ele disse se afastando de mim, e se jogando na cama, encarando o teto fixamente.
Me deitei ao seu lado, olhando para ele, esperando algum movimento, ficamos alguns minutos assim, até que ele soltou um suspiro pesado enquanto fechava os olhos, me movimentei lentamente para fora da cama, e peguei um papel dentro da minha mochila, sentei no chão e escrevi um bilhete:

, me desculpe por ser estúpida e não ter tomado
uma atitude coerente, mas eu prometo mudar, ou não.
xx,

Deixei o bilhete em cima do violão, juntei minhas coisas e desci as escadas lentamente, fechando a porta em seguida. Fui andando bem devagar para casa e, quando cheguei, fui direto para meu quarto, tentando achar uma solução para mim mesma. Se é que tinha.

No dia seguinte, acordei com meu celular fazendo o mesmo barulho que ontem. Acordei rapidamente e fui ler o que estava escrito na mensagem.

Bom dia, linda!
xx,

Fiquei esperando que outra mensagem aparecesse, dizendo que ele passaria aqui para nós irmos para a escola juntos e depois irmos para a casa dele, para que eu pudesse refazer esse dia. Mas não aconteceu nada. Tomei um banho rápido, coloquei uma roupa básica, uma maquiagem leve e tomei meu café esperando as meninas se arrumarem. Andamos devagar até o colégio, conversando, porém, eu não estava muito animada.
- O que aconteceu, ? Você ficou o dia inteiro trancada no quarto ontem, e hoje ta com essa cara de joelho ralado – perguntou e eu dei um sorriso forçado para ela.
- Não aconteceu nada. É só... Só saudades de casa – menti, não querendo tocar nesse assunto agora.
- Aham. Eu vou fingir que acredito e você finge estar animada, ok? – ela fez sinal positivo com a mão pra mim, que apenas desviei o olhar dela para a rua.

Minhas aulas de hoje, eram separados de todos, porém tinha uma aula que eu tinha com , no qual ele era meu parceiro. Mas ele não apareceu na sala. Na hora do intervalo, encontrei apenas , e . Nada de com seu sorriso lindo vindo me abraçar.
- , cadê o ? – Perguntei franzindo o cenho.
- Ele... Olha , vou ser bem sincero. Ele ta trancado no quarto desde ontem e não há Cristo que faça ele abrir a porta – os outros concordaram com a cabeça e minhas amigas olharam com um olhar pedindo explicação, mas eu forcei mais uma vez um sorriso e sai. Ótimo. Além de eu fazer mal pra mim mesma, faço mal para os outros também. Na mesma hora que acabou as aulas, fui correndo para casa, e me tranquei no quarto novamente.

No dia seguinte, foi a mesma coisa. Acordei com uma mensagem de dizendo "Bom dia, ", e fiz tudo igual ao dia anterior. Notei que, na escola, os guys e as minhas amigas estavam me tratando um pouco diferente. Não dei importância. Fui embora sozinha. , e foram para a casa de , e ele nem ao menos me convidou. Abri a porta de casa e percebi que ela não estava trancada. Subi lentamente os degraus ouvindo o som de um violão começar uma música. O som vinha do meu quarto. Abri a porta lentamente e dei de cara com sentado em minha cama com o violão no colo e um buquê de rosas ao seu lado na cama. Fiquei parada na porta, ouvindo ele tocar.

When everything is going wrong
(Quando tudo está dando errado)
And things are just a little strange
(E as coisas estão um pouco estranhas)
It's been so long now you've forgotten how to smile
(Agora faz tanto tempo que você até esqueceu como sorrir)
And overhead the skies are clear
(E acima de você o céu está limpo)
But it still seems to rain on you
(Mas ainda parece chover em você)
And your only friends all have better things to do
(E todos os seus únicos amigos têm coisas melhores para fazer)

When you're down and lost
(Quando você estiver pra baixo e perdido)
And you need a helping hand
(E precisar de uma mão pra ajudar)
When you're down and lost along the way
(Quando você estiver pra baixo e perdido no caminho)
Oh just tell yourself
(Oh, é só falar pra você mesmo)
I, I'll be ok
(Eu, eu vou ficar bem)

Now things are only getting worse
(Quando as coisas só estiverem piorando)
And you need someone to take the blame
(E você precisar de alguém para levar a culpa)
When your lover's gone there's no one to share the pain
(Quando seu amante se for e não tiver mais ninguém para compartilhar a dor)
You're sleeping with the TV on
(Quando você estiver dormindo com a TV ligada)
And you're lying in an empty bed
(E você estiver deitado em uma cama vazia)
All the alcohol in the world would never help me through it again
(Todo o álcool do mundo nunca me ajudaria a esquecer)

When you're down and lost
(Quando você estiver pra baixo e perdido)
And you need a helping hand
(E precisar de uma mão pra ajudar)
When you're down and lost along the way
(Quando você estiver pra baixo e perdido no caminho)
Just try a little harder
(Tente só um pouco mais)
Try your best to make it through the day
(Tente o seu melhor para terminar o dia)
Oh just tell yourself
(Oh, é só falar pra você mesmo)
I, I'll be ok
(Eu, eu vou ficar bem)

You're not alone (you're not alone)
(Você não está só (você não está só))
You're not alone (you're not alone)
(Você não está só (você não está só))
You're not alone
(Você não está só)

A essa altura, já estava mergulhada em lágrimas, ao ponto de soluçar, e nem ao menos saber o motivo disso.
- Você não precisa mudar , você só precisa de alguém que te faça aprender, que não são todos que vão fazer com você o que ele fez – me entregou o buquê de rosas vermelhas e me deu um abraço reconfortante, fazendo as lágrimas cederem, seu perfume inundou meus pulmões, fazendo eu ficar desnorteada por alguns instantes. se sentou na cama e me puxou para me sentar ao lado dele. Ficamos um tempo em silêncio, até que se levantou e tirou um papel do bolso.
- É a letra da música, eu escrevi ela pra você – ele me entregou o papel, o abri e encontrei uma letra caprichada, que saiu linda. havia feito uma música para mim, isso era surreal.
- Obrigada , você me ajudou muito, muito mesmo – eu disse levantando e o abraçando.
- Não foi nada, é isso que os amigos fazem, não é mesmo? – ele disse correspondendo o meu abraço.
O silêncio foi cortado pelo som do celular de , ele o atendeu prontamente, se sentando na cama novamente.
- O que você quer, Alison? – ele perguntou rude, mudando a expressão de feliz para brava – Não, eu não quero sair hoje... – deu uma pausa – Pára garota, eu não quero que você me procure mais, entendeu? – outra pausa – Menina, me esquece, tchau.
- Nossa, quem era? – perguntei me sentando ao seu lado.
- Uma garota que eu fiquei em um pub umas semanas atrás, ela vive me ligando, e não entende que eu não quero mais nada com ela – ele disse passando as mãos pelo rosto, deixando o local onde suas mãos passaram levemente avermelhado.
- Hm... Ela deve ter gostado, de... Éer, ter ficado com você – eu disse meio incerta.
- Mas eu não gostei dela, ela é muito fácil, garotas fáceis não fazem o meu tipo – ele disse calmamente, como se estivesse falando com um amigo – Que legal, você tem um skate – ele disse se levantando e pegando meu skate.
- É, tenho ele desde os meus 14 anos, foi o meu primeiro skate – eu disse me levantando e me aproximando dele.
- Por que não comprou um novo? – ele perguntou erguendo as sobrancelhas.
- Eu comprei um novo, vários na verdade, mas como esse foi o meu primeiro skate, tenho ele guardado, como um objeto de sorte – eu disse o pegando das mãos de .
- Que coisa mais linda... – ele disse apertando minhas bochechas – E você sabe andar?
- Sei sim, aprendi rápido, e me machuquei bastante – eu disse rindo, olhou para mim assustado e soltou uma gargalhada.
- Imagino, pelo quanto você diz que é desastrada, deve ter se machucado muito mesmo – ele disse cutucando minha barriga.
- Quer ver a minha maior cicatriz? – perguntei, ele assentiu com a cabeça, levantei a minha camiseta e abaixei um pouco a calça.
- Wow, aonde é essa cicatriz? – ele perguntou arregalando os olhos.
- É aqui, seu bobo – eu disse mostrando o corte que eu havia um pouco abaixo da cintura.
- Como você fez isso? – ele perguntou olhando a marca que havia na minha pele, ela já era quase imperceptível.
- Eu estava andando de skate, perdi o controle, ralei o lado esquerdo do corpo e ganhei essa cicatriz – eu disse abrindo um sorriso.
- Sabia que às vezes você me assusta? – ele perguntou, o olhei inconformada.
- Ah é, senhor ? – disse erguendo uma sobrancelha.
- É sim, você me assusta muito às vezes – ele disse ameaçando sair do quarto, pulei em suas costas.
- Você vai ver o que é ficar assustado agora – eu disse tentando controlar para onde ele ia.

Ficamos um bom tempo brincando, até que precisou ir embora, já que a mãe dele ligou umas quinhentas vezes, pedindo para ele ir logo, e quando viu que já estava tarde, ele decidiu ir. O levei até a porta e ganhei um abraço de despedida dele, logo depois as meninas chegaram em casa, e fomos todas dormir, pois amanhã teríamos aula, e como era sexta-feira, teríamos educação física depois das aulas, e eu ainda teria que justificar minha falta no trabalho. Me deitei e adormeci pensando em tudo o que havia acabado de acontecer.

CAPÍTULO 4 -
It’s now or never, I won’t live forever, I just wanna live when I’m alive

As semanas foram passando rápido, e logo se transformaram em meses, minha amizade com estava mais forte do que nunca, por mais que as pessoas insistissem em dizer que nós éramos namorados. Eu não me importava muito com isso, e parecia também não se importar. Era uma sexta-feira, dia de trabalhar até mais tarde, saí do trabalho às 21h, fui direto para casa me arrumar, hoje eu e as meninas iríamos a um pub novo com os guys, eu precisava estar impecável, precisava mudar a minha situação com o , agora eu sabia que eu queria ele como mais que amigo... O único problema é que eu tenho medo de estragar a nossa amizade, e não ser correspondida, como sempre, tenho medo de coisas idiotas.
Cheguei em casa e fui direto para o chuveiro, demorando vinte minutos lá, voltei para o meu quarto, caminhei direto para meu closet, escolhi um vestido preto tomara-que-caia, com uma meia arrastão preta, e um scarpin vinho, e passei um pouco do meu perfume favorito.
- Wow, aonde você vai tão linda? – ouvi a voz de na porta do quarto, senti minhas bochechas corando.
- Pro pub, oras – eu disse pegando minha bolsa de maquiagens e levando-a para frente do espelho.
- Assim você vai fazer todos os homens terem um ataque cardíaco – ele disse se sentando na minha cama.
- Pare de ser mentiroso , mentir é feio e faz o nariz crescer – eu disse passando uma maquiagem meio pesada, mas comportada, depois peguei minha bolsa preta, coloquei um retoque de maquiagem, meu celular e minhas chaves.
- Não to mentindo! Você está linda, ou melhor, mais linda do que o normal – ele disse se levantando para me abraçar.
- Obrigado, – eu disse enterrando o rosto no pescoço dele, enchendo meus pulmões com o seu perfume, eu queria carregar o cheiro dele comigo a noite inteira, se isso fosse possível.
- Vamos, ta todo mundo te esperando – ele disse me segurando pela cintura.
- Tudo bem , vamos – eu disse revirando os olhos.
Descemos as escadas e encontramos os nossos casais de amigos, a confirmou a minha dedução de que ela e o seriam os primeiros a ficar, e agora estão namorando, a me surpreendeu quando aceitou o pedido de namoro do , e a quase teve um ataque do coração quando o a pediu em namoro no meio da sala de aula. Por que eu tava solteira? Isso mesmo, porque eu sou uma idiota que faz tudo errado, mas vamos esquecer disso um minutinho, já que hoje seria o dia em que eu mudaria.
Seguimos para o pub em silêncio, estávamos indo quatro em cada carro, como sempre saíamos. Eu, , e em um carro, e a , , e no outro. O silêncio estava me deixando nervosa, então liguei o rádio, mas me arrependi amargamente quando ouvi o começo da música da Avril Lavigne, Why.

Why, do you always do this to me?
(Por que, você sempre faz isso comigo?)
Why, couldn't you just see through me?
(Por que, você não pode apenas ver através de mim?)
How come, you act like this
(Como você pode agir dessa maneira)
Like you just don't care at all
(Como se você não se importasse totalmente)
Do you expect me to believe
(Você espera que eu acredite)
I was the only one to fall?
(Que eu fui a única a me apaixonar?)

Desliguei o rádio meio desconfortável, me olhou preocupado, eu sussurrei um “eu estou bem, não se preocupe” e ele voltou a prestar atenção no caminho.
Chegando lá, enfrentamos a fila, que estava gigantesca. Por sorte, umas garotas reconheceram eles, pois os quatro tem uma banda pouco famosa aqui em Londres, nos deixaram passar na frente, demoramos dez minutos para entrar, mas valeu a pena, lá estava cheio, e todo mundo estava muito animado.
Os garotos acharam uma mesa e fomos para lá, , , e pediram cerveja, eu e pedimos uma smirnoff, e ficaram no refrigerante. Ficamos um bom tempo na mesa, até que a bebida subiu a minha cabeça e eu fiquei louca para dançar, mas tinha que ser com o , puxei ele para pista de dança e comecei a dançar, se movimentava no mesmo ritmo que eu, depois de algumas músicas bem agitadas, o DJ fez questão de colocar uma lenta, e pra piorar a situação, ligou os holofotes em cima de mim e , eu corei violentamente, por mais que estivesse meio bêbada, ainda tinha noção das coisas que estava fazendo, tudo bem, nem tanto.
- Você pode me dar a honra de uma última dança? – ele disse com um brilho diferente no olhar, um brilho que eu nunca havia visto antes.
- Claro – eu disse sorrindo timidamente, colocou as mãos na minha cintura, enquanto eu colocava as mãos em seu pescoço, era uma vez uma sóbria.
Conforme a música foi passando, a distância entre eu e parecia diminuir, ele me puxava cada vez para mais perto, e fomos assim até o ponto de eu poder sentir o hálito quente de na minha boca, nossos rostos também foram se aproximando, e quando percebi, meus lábios estavam grudados com os de , num beijo sincronizado. Eu estava amando isso, durante um mês e meio eu esperei para consertar minha burrada, agora eu estava fazendo isso, pediu permissão para aprofundar o beijo, e eu concedi, nos beijamos até que não tivéssemos mais fôlego, pois nem nos lembrar de respirar nós lembramos.
- eu... – comecei, mas fui interrompida pelos lábios de .
- , não fala nada, eu só quero que você saiba que eu me apaixonei, que eu to segurando isso há muito tempo para eu suportar por mais. , você me mudou, fez eu ver o mundo de um jeito diferente, me fez ter vontade de te proteger cada segundo da minha vida – ele disse segurando meu rosto entre as mãos, uma lágrima escorreu pelo meu rosto, eu não pude segurá-la, estava muito feliz, secou a lágrima, olhando fundo nos meus olhos.
- eu preciso te contar uma coisa... – eu comecei e sussurrou um “pode falar” perto dos meus lábios, fazendo com que a respiração dele colidisse com a minha – Eu também me apaixonei – disse tão baixo que pensei que ele não escutaria, mas ele pareceu entender, pois abriu um sorriso que mal cabia no rosto.
- , fica comigo? – ele perguntou me surpreendendo, por mais que não fosse isso que eu esperava ouvir.
- Claro, – eu disse abraçando ele.
A música acabou, eu e voltamos para mesa, onde parecia que todos haviam visto o nosso beijo. Eu não estava me importando, eles sempre me deixavam de vela, era minha vingança, eu não havia percebido, mas meu sorriso estava gigantesco. se sentou e eu me sentei ao lado dele, pegamos nossas bebidas e começamos a conversar, até que chegou uma loira perto da mesa, e chamou , ele a olhou e pareceu surpreso ao ver quem era. Eu não conhecia aquela garota, mas tinha a sensação de que não era bom ela estar ali.
- Oi , quanto tempo não nos vemos – ela disse colocando a mão sobre o ombro dele.
- O que você quer, Alison? – ele perguntou rude, então essa era a tal Alison.
- Nada, só te vi por um acaso aqui, então decidi vir falar com você – ela disse dando de ombros.
- É, mas eu não quero conversar com você, então por favor, dá licença – ele disse tentando ser educado.
- Nossa , é assim que você trata a garota que te deu a melhor noite da sua vida? – ela perguntou num tom que eu julgaria malicioso, o que me fez ter vontade de vomitar.
- Melhor? – ele perguntou com uma sobrancelha erguida.
- Sim, a melhor – ela sussurrou, tentando se aproximar dele.
- Não chegou nem perto da melhor noite da minha vida – ele disse afastando ela.
- Como não? Você mesmo disse isso quando eu fui embora – ela continuou insistindo, a olhou com repulsa.
- Alison, pensa, eu estava bêbado aquele dia, eu falei coisas sem sentido – ele disse segurando minha mão.
- , não precisa mentir, eu sei que você tava sóbrio, até lembra das coisas que aconteceram – ela disse mordendo o próprio lábio inferior, e passou a mão no seu corpo.
- Alison, já te disseram que você parece uma prostituta? – perguntou com uma expressão calma, como se isso fosse uma coisa comum de se dizer. Alison fez uma cara de inconformada, e saiu de perto sem dizer uma palavra.
- Nossa , você pegou pesado com ela – disse o repreendendo.
- Ah, que nada, só fui verdadeiro – respondeu dando de ombros.

Depois desse episódio, fomos para casa. Eu estava exausta, havia trabalhado demais hoje, sem contar que ficar horas com esse salto, que parece ser maior que minhas próprias pernas, não ajudou. Chegamos em casa e as meninas logo se despediram, subindo cada uma para seu respectivo quarto, com seu respectivo namorado. Fiquei pensando que eu teria que dormir com o , e corei com essa possibilidade, afinal, haviamos começado a “namorar” hoje, e ele continua sendo um dos meus amigos. Fui tirada de meus pensamentos dramáticos por , que se aproximou de mim e me deu um abraço.
- Aonde eu vou dormir? – ele perguntou com uma expressão tensa.
- Eu não sei , estava pensando nisso agora... – respondi incerta.
- Nós podemos dormir juntos, se isso não fosse ficar ruim pra você, mas se você não quiser, eu durmo aqui na sala – ele disse dando de ombros, pensei no que poderíamos fazer.
- Erm, se você achar mais confortável, podemos dormir juntos, porque não seria justo que você ficasse nesse sofá desconfortável – eu disse tímida, sentindo minhas bochechas corando.
- Então é isso? Vamos dormir juntos? – ele disse encarando os pés.
- Er, acho que sim – eu disse baixo, querendo acabar logo com isso.
- Vamos logo então, senão amanhã vamos passar o dia dormindo – ele disse me puxando para o andar superior.
Fomos para o quarto devagar, conversando sobre besteiras, o que fez eu esquecer que iríamos dormir juntos, pelo menos durante um momento. Peguei um pijama e fui para o banheiro me trocar, já tirou a camiseta e os tênis e dormiu de calça jeans. Quando voltei para o quarto, encontrei deitado na minha cama, me deitei ao seu lado, ficamos conversando por um tempo, até que o sono se instalou em mim e decidi dormir. Me virei de costas para , que me envolveu em seus braços, e dormi.

Acordei com uma dor de cabeça de outro mundo, eu achava impossível eu estar com ressaca, nem havia bebido muito, não é mesmo? Quando abri os olhos, estava me observando, senti meu rosto corando bruscamente. Ele abriu um sorriso torto, o sorriso que tirava meu fôlego, eu me sentia patética perto dele, era como se ele fosse aquela boneca que a menininha fica admirando durante horas, como se fosse a única da vitrine.
- Bom dia, fofa – ele disse me dando um beijo na testa.
- Er... Bom dia, – eu disse meio tímida, eu ainda não havia me acostumado com a idéia de que o , um dos meus melhores amigos, havia dormido comigo, era uma coisa muito difícil de se acostumar.
- Dormiu bem? – perguntou carinhoso, me envolvendo em seus braços novamente.
- Teria como eu não dormir bem? – respondi dando uma gargalhada.
- Acho que não teria como dormir mal, pelo menos, não pra mim – ele disse dando uma piscada pra mim.
- Você tava tentando me deixar envergonhada? – perguntei corando.
- Não, por quê? – ele disse com uma expressão confusa.
- Porque você conseguiu – respondi me levantando lentamente e caminhando para o banheiro.
- Desculpa, não queria fazer isso – ele disse antes de eu entrar no banheiro, me virei para ele de novo.
- Tudo bem, eu me acostumo – eu disse completando mentalmente com um “acho”.
Entrei no banheiro e fiz minha higiene matinal, tomando um banho logo em seguida. Quando saí do banheiro, encontrei sentado na cama com meu violão nas mãos, dedilhando a música que ele havia escrito para mim, mas ele logo mudou de musica, que para mim mais estava parecendo um improviso, fiquei só admirando ele, enquanto me encantava cada vez mais com sua voz.
- Ah, você já saiu do banheiro – ele disse me tirando dos meus pensamentos, concordei com a cabeça, sem saber o que ele havia dito exatamente.
- Aham – disse para completar o meu “diálogo” com .
- Então, vamos comer alguma coisa? – perguntou colocando o violão sobre a cama.
- Vamos sim, mas você não vai querer trocar de roupa, ou tomar banho antes? – comentei.
- Bom, se você não estiver com muita fome e concordar, eu podia passar lá em casa antes. Assim tomava banho e trocava de roupa – ele coçou a nuca, meio confuso.
- Ah, tudo bem! Não estou com tanta fome assim – dei um sorriso, afirmando que estava tudo bem mesmo e ele fez o mesmo.
levantou da cama e colocou a camiseta, em seguida os tênis. Descemos as escadas da casa, que estava totalmente em silêncio, nenhum dos casais, além de nós dois, havia acordado ainda.
- Que bom... Eles não vão se importar se eu pegar um dos carros – falou divertido.
- Vamos? Quem sabe a gente não traz café pra eles também – disse calma, ele afirmou com a cabeça e pegou a chave de um dos carros que estava no seu bolso traseiro. Passei o caminho inteiro conversando com e vendo s CDs que ele tinha no porta-luvas.
- John Mayer, The Who... Belo gosto musical, – disse risonha. Coloquei o CD e a voz cativante de John Mayer começou a preencher o carro. Me mexia no ritmo calmo de Your Body is a Wonderland, cantando junto de John. O carro parou no sinal vermelho e vi que me observava com um discreto sorriso nos lábios. Corei bruscamente.
- Damn baby, you frustrate me, I know you're mine all mine all mine, but you look so good it hurts sometimes – no momento em que ele cantarolou esse trecho da música olhando em meus olhos, eu podia levar um tiro que não ligaria. Ele juntou nossas testas, com certa dificuldade por causa do cinto, nós só nos separamos quando ouvimos as buzinas dos carros atrás no nosso. Eu passei o caminho inteiro com um sorriso que nem cabia em meu rosto.

Chegamos à casa de e ele foi que nem um jato para o banheiro. Os pais dele não estavam em casa. Escutei ele gritar lá de cima um “fique a vontade!”, enquanto eu ainda observava a sala. A parede era em um tom de bege claro e os móveis, rústicos e antigos, em tom de madeira queimada. O sofá de couro marrom contornava todo o canto da sala e de frente para ele, uma televisão bem grande estava sob um raque muito bonito. Devo confessar, a decoração é muito elegante. Da última vez que estive aqui, não deu para reparar nos detalhes. Comecei a subir as escadas. Logo avistei a porta cheia de placas. Parei na frente da mesma e fiquei lendo uma por uma. “Fique Longe”, “CUIDADO”, “Voltagem Máxima”, “Mantenha Distância”, eram algumas das placas. Abri a porta e me sentei na cama. Fiquei observando o quarto. Papel de parede xadrez, azul e branco, com algumas partes pichadas. Com certeza foi com a ajuda de , e . Percebi que tinha uns papéis muito rabiscados na escrivaninha. Me levantei e fui até lá. Eram letras de musica, porém não consegui ler... O papel estava muito bagunçado, a não ser por uma parte que julguei ser a que ele tocava em meu violão mais cedo. Ouvi a porta do banheiro abrindo e saiu de lá com uma toalha envolvendo a cintura e outra nas mãos, a qual secava os cabelos molhados.
- Demorei mais do que devia, né? – disse abrindo a porta do guarda-roupas.
- Não. Eu estava aqui tentando entender o que está escrito nesses papéis – falei simplesmente, sinalizando os papéis com o dedo.
- Acho que você não vai entender... Na verdade, nem eu entendo direito! – rimos – Essa é uma música que eu estou tentando finalizar há mais de três semanas e não consigo – ele se posicionou atrás de mim, olhando o papel por cima de meus ombros.
Na verdade, estávamos quase comprovando que dois corpos podem sim ocupar o mesmo lugar. Ok, estou exagerando! Mas eu sentia sua respiração batendo em minha orelha e o cheiro de sabonete masculino vindo de seu corpo.
- Quem sabe eu não possa ajudar – minha voz não passou de um sussurro. Acho que foi pelo fato de ter um garoto extremamente sexy atrás de mim, só de toalha.
- Pode sim , seria legal ter a opinião de uma garota – ele disse se sentando atrás de mim, senti um arrepio percorrer meu corpo.
Ele me disse o que estava escrito, eu passei a limpo em uma folha para que eu pudesse entender, e elaborar alguma coisa. Passaram-se algumas horas, e nós finalmente terminamos a música, eu havia achado ela linda, e disse que só precisaria de uma melodia, e ela estaria perfeita. De repente, um barulho ecoou de nossas barrigas, como se fosse uma coisa planejada, nos olhamos e começamos a rir.
- Nós esquecemos do porque de virmos para cá – disse apontando para nossas barrigas.
- Nem me fale – eu disse apontando para a toalha, que ele ainda não havia trocado.
- Nós somos muito dispersos, isso sim – disse dando uma gargalhada, se aproximando de mim logo em seguida.
Senti minha respiração ficar falha quando ele colou nossos lábios repentinamente, o beijo foi ganhando uma intensidade que chegava a ser palpável. O corpo de sendo discretamente colocado sobre o meu, as mãos dele subiam e desciam pelas laterais do meu corpo, e as minhas procuravam um lugar para permanecerem, não se decidindo entre suas costas, ou sua nuca. Aos poucos fui percebendo que meu limite estava se excedendo, e isso não seria boa coisa. Então coloquei minhas mãos no tórax de e o afastei lentamente.
- , isso não... Ainda não – disse com a voz baixa, e tive medo de que ele não escutasse.
- Eu... Erm... Desculpa, okay? Não vai acontecer de novo – disse saindo de cima de mim, se colocando rapidamente de pé.
- Tudo bem, é só que... Eu não tô pronta pra isso, e... – comecei, mas colocou o dedo indicador sobre meus lábios.
- Calma , nada vai acontecer se você não quiser, nada mesmo – disse convicto, o que me deixou um pouco mais calma, era incrível o poder que ele tinha sobre mim.
foi para o banheiro se vestir, alegando que não conseguiria ficar mais com aquela toalha. Eu fiquei no quarto refletindo sobre as coisas que eu sabia. Eu queria como mais do que um amigo, isso era um fato inegável, mas eu não tinha a certeza de que ele queria a mesma coisa, já que ele me pediu para “ficar” e não “namorar”, eu sei que é precipitado da minha parte querer logo um namoro, mas eu queria que fosse algo mais sério. saiu do banheiro, me tirando dos meus pensamentos.
- Bem, vamos comer alguma coisa? Pelo horário que é, já temos que almoçar – ele disse segurando minha mão.
- Vamos sim... Que tal eu preparar um almoço só pra nós dois? – sugeri, ele abriu um sorriso e concordou com a cabeça.
Fomos para a cozinha, e eu fiz o meu famoso espaguete, amava cozinhar, era um dos meus hobbies, depois de escrever. Comemos enquanto conversávamos bobeiras sem importância, logo depois fomos ao Hyde Park e passamos o resto da tarde lá.

CAPÍTULO 5 -
Without the mask where will you hide? Can't find yourself lost in your lie

Passamos a tarde no shopping do centro. Depois de comprar algumas coisas, fomos ao cinema assistir um filme de terror novo, o típico filme sobre zumbis. Quando estávamos saindo da sala do cinema, percebi que estava com fome, olhou para mim com um sorriso lindo estampado no rosto e eu retribui.
- , eu sei que eu já gastei muito dinheiro, mas eu estou com fome – eu disse abraçando ele.
- Que bom que você avisou, porque eu também estou – ele disse passando a mão pela minha cintura.
Caminhamos para a lanchonete mais próxima, fizemos o pedido e esperamos enquanto falávamos besteiras. Quando estava terminando de comer, passou ketchup na ponta do meu nariz.
- , você ta pedindo pra morrer – eu disse o ameaçando com a mostarda.
- Não to nada , foi só um pouquinho de ketchup, não é nada – ele disse. Espirrei mostarda dentro da boca dele, que logo em seguida fez uma careta – Eca, tira isso da minha boca, é ruim!
- Não é nada , é só um pouquinho de mostarda – o imitei, ele me beliscou – Ai, não precisa me beliscar!
- Isso é por você ter me feito comer uma coisa que eu não gosto – ele disse se levantando – Eu já venho, vou lavar a minha boca.
- Tudo bem – eu disse vendo ele se afastar para o banheiro.
Quando ele voltou, eu já tinha terminado meu lanche, ficamos mais um tempo conversando, até que decidimos voltar para casa. Chegamos em casa, eu não tinha percebido a hora passando, pois quando me dei conta, já era hora de dormir. logo foi embora, pois tinha umas coisas da banda para cuidar. Arrastei-me escadas acima, cheguei ao meu quarto e coloquei o primeiro pijama que encontrei. Estava tão exausta, que assim deitei-me adormeci.

O domingo foi um dia normal e tedioso, não veio para casa, pois teve ensaio da banda. A coisa mais interessante que fiz o dia inteiro foi ouvir Beatles enquanto comia brigadeiro, é isso que o tédio faz comigo. Ainda bem que eu tenho meus CDs dos Beatles, porque se não tivesse estaria perdida. Olhei no relógio: 18h33, eu estava com o notebook no colo, vendo algumas fotos minhas com os meus amigos, até que ouvi meu celular anunciando uma mensagem, coloquei o notebook na cama e peguei o celular, vendo o nome do piscando na tela do mesmo.

, eu estou indo para aí,
preciso te contar uma coisa...
Chego em alguns minutos.
xx

Abri um sorriso involuntário, olhei para a roupa que eu vestia - um shorts jeans meio curto, uma camiseta preta do Blink 182 e um All Star preto -, estava bom para receber alguém. Menos de cinco minutos depois, ouvi a campainha, desci as escadas correndo, abri a porta e encontrei cantarolando encostado no batente da porta.
- Eu to te atrapalhando? – ele perguntou depois de me dar um selinho.
- Não , eu não estava fazendo nada importante – eu disse dando passagem para que ele entrasse.
- Ainda bem... Mas me fala , você ta a fim de sair hoje à noite? – insinuou em tom sugestivo.
- Depende, para onde você pretende ir? – me sentei no sofá.
- Surpresa – respondeu sentando-se ao meu lado.
- Okay então... – eu abaixei a cabeça e fiquei encarando meus pés.
- Então... Você não vai se arrumar?
- É pra eu me trocar agora? – perguntei surpresa – Nós não vamos sair de noite? - Vamos, mas se arruma agora, é melhor – falou me puxando do sofá e me arrastando escadas acima.
Abri meu guarda roupas e me senti indecisa, afinal, não sabia aonde iria e tinha várias combinações de roupas que eu poderia usar.
- , eu não sei o que usar – comentei me jogando ao seu lado na cama.
- Deixa que eu escolho a roupa, vai tomar um banho – comentou dando uma piscadinha para mim.
- Tudo bem.
Caminhei para o banheiro, logo me desfazendo das minhas roupas. Deixei a água relaxar cada músculo do meu corpo, de uma forma que me deixou bem mais calma. Alguns minutos depois, saí do banheiro enrolada em uma toalha, encontrando segurando uma calça jeans, uma camiseta e uma blusa de frio.
- Erm... Essa foi a roupa que mais chamou minha atenção – ele disse me entregando as roupas.
- Então eu vou vesti-la – caminhei em direção do meu closet, pegando uma lingerie.
Voltei para o banheiro, coloquei as roupas no balcão, para poder colocar a lingerie sem dificuldades. Logo comecei a me vestir, peguei a calça jeans de lavagem clara e a vesti, tendo um pouco de dificuldade com os botões da minha camiseta xadrez. Caminhei para o quarto novamente, encontrando mexendo em algumas coisas da minha escrivaninha. Sentei na cama para colocar meu Vans branco, que era um dos muitos que eu tinha em minha coleção. Eu já estava quase pronta, só faltava um brinco para complementar meu look de hoje. Fui até a penteadeira, abrindo a caixa de jóias, optei por um brinco de corações com asas e "Love" escrito nos neles. Penteei meu cabelo e passei um pouco de perfume. Agora sim estava pronta.
- Estou pronta, – eu disse dando uma voltinha.
- Está linda, ... Agora podemos ir? Já devem estar nos esperando.
- Como assim? Que horas são? – perguntei pasma.
- São sete e meia – ele disse indiferente.
- Eu levei só uma hora para me arrumar?
- Só?! Foi uma hora, ! – disse chocado.
- Eu normalmente levo mais tempo ué – respondi dando de ombros.
- Okay, demora a parte, vamos logo.
Descemos as escadas, e caminhamos direto para fora de casa. abriu a porta do carro para mim, eu entrei e logo coloquei o cinto. Quando menos percebi, já estava dentro do carro e com o cinto colocado. Ele olhou para mim e se aproximou, me beijando. Ele tentou aprofundar o beijo, mas os cintos de segurança não deixaram. Seguimos para um lugar não muito longe de onde eu morava, um barzinho, muito aconchegante. O balcão era feito de uma madeira velha e as mesinhas de madeira bem escura, sendo redondas e pequenas, e as cadeiras do mesmo material. As paredes em um tom bege claro, davam contraste com os moveis, deixando tudo com um charminho especial. Quando chegamos, os meninos já estavam sentados e haviam juntado duas mesas. Ainda não haviam pedido nada e riam sem parar.
- Também quero rir! – falou parando na frente da mesa, ao meu lado.
- Nada demais dude, só a menina que tava cantando o passava a mão no cabelo, se acalmando. puxou uma cadeira e olhou pra mim.
Entendi que ele tava dando uma de cavalheiro e sentei-me à mesa, sorrindo em agradecimento. Ele se sentou ao meu lado e chamou o garçom.
- Fala, big Joe! – o garçom cumprimentou todos com um toque e acenou com a cabeça pra mim.
- O que vão querer? – o tal Joe pegou o bloquinho do bolso da calça e ficou pronto para anotar nossos pedidos.
- Cerveja – os meninos falaram ao mesmo tempo.
- E você, moça?
- Hm... Vou querer um coquetel de frutas vermelhas – ele anotou o pedido e saiu falando que voltava em um minuto.
- Coquetel? – perguntou fazendo uma cara engraçada pra mim.
- Claro! Eu tenho gosto refinado – falei rindo, sendo seguida por todos na mesa.
Outro garçom trouxe nossas bebidas e logo foi embora.
- Esse garçom tava te olhando - disse sério.
- Tava nada – falei tomando um gole de minha bebida.
- Tava sim. Eu sei do que eu to falando.
- Ta bom. Por qual motivo você me trouxe aqui mesmo?
- Então... Nós conseguimos um contrato aqui! – todos abriram largos sorrisos.
- UAU. Que ótimo - fiquei super feliz por eles.
- Um brinde então? – todos levantaram suas garrafas e eu minha taça quando foi proposto o brinde - Um brinde a nós!
- Um brinde a esse contrato e que depois dele venham mais! – eu me empolguei e propus um brinde também. Todos brindaram e começamos a conversar.

- Acho melhor irmos pra casa já, não é? – perguntou um pouco torto depois de cinco garrafas de cerveja.
- Sim. Amanhã tem aula e já é uma hora da manhã – eu concordei.
- Aí cambada, simbora pra casa. Já ta tarde e a gente já bebeu demais - todos reclamaram um pouco, mas se conformaram e se levantaram, deixando o dinheiro de sua bebida em cima da mesa. Tirei o dinheiro do meu coquetel também.
- O que você ta fazendo? – me olhou franzindo a testa.
- Pagando o que eu bebi – disse naturalmente.
- Não. Eu convidei, eu pago – ele disse sério.
- Não precisa, .
- ! – ele chamou minha atenção – Eu. Convidei. Eu. Pago – disse pausadamente.
- Ok – disse lhe dando um beijo demorado na bochecha, senti ele sorrindo - Te espero no carro – saí e me encostei no capo. Acenei paras os meninos que passaram um pouco longe de mim e foram embora. Falando sério? Fiquei com medo de negar mais uma vez a gentileza de .
- Vamos? – o mesmo disse, desativando o alarme do carro e abrindo a porta pra mim.
Entrei no carro e dessa vez não coloquei o cinto, se é que me entendem.
entrou no carro e colocou a chave na ignição, colocando o cinto e logo depois olhando pra mim. Abriu um sorriso e veio em minha direção, me dando um beijo que foi impedido de ser aprofundado por seu cinto. Mas eu estava sem, não estava? Me inclinei mais para seu lado aprofundando o beijo de vez. Foi calmo e sorríamos durante ele. Depois de terminar o beijo, colou nossas testas e abriu os olhos, sorrindo.
- Você me faz tão bem – olhei em seus olhos azuis um pouco escuros pela falta de luz, mas mesmo assim, brilhantes.
- Você também. E às vezes eu tenho medo disso.
- Por quê? – franziu a testa novamente.
- Porque você é muito pra mim – abri um sorriso sem jeito de estar falando isso na cara dele e ele descolou as nossas testas, pegando em meu queixo.
- Não. Não fala isso. Você me faz ser melhor, mas não melhor que você. Você me completa e sem você, eu sou um merda... – ai que lindo! Sorri involuntariamente.
Ele voltou a sua posição e começou a dirigir. Eu voltei ao meu lugar e coloquei o cinto. Não demorou nem dez minutos e já estávamos parados em frente a minha casa.
- Obrigada pela noite. Foi legal pra caramba – eu disse tirando o cinto. Ele fez o mesmo e veio pra cima de mim, iniciando um beijo praticamente urgente.
- Desculpa. Sua carinha de anjo é tentadora! – ele riu sem graça, voltando ao seu lugar. Eu abaixei minha cabeça e olhei pras minhas mãos. Que vergonha!
- Tudo bem – não sabia o que falar – Nos vemos amanhã?
- Claro. Quer carona pra escola? – ele perguntou olhando para frente.
- Não. Acho que vou andando. Mas obrigada mesmo assim – ele sorriu e me deu um selinho demorado.
- Tchau. Até amanhã.
- Tchau. Até – disse e saí do carro, correndo pra porta de casa e a abrindo rápido, já que estava friozinho lá fora.
Assim que fechei a porta, escutei o carro de se distanciando. Ele é perfeito!

Saí correndo de casa. Já estava atrasada e talvez nem pudesse mais assistir a primeira aula. Cheguei ao colégio e agora é certeza de que não vou poder assistir à primeira aula. Fui me sentar no gramado em frente a escola, onde haviam algumas pessoas também. Abri minha mochila e tirei meu caderno de lá, iria tentar estudar um pouco. Vi uma silhueta indo para a quadra, mas não era qualquer silhueta, era a silhueta de que estava sendo puxado por alguém.
Pensei ser um dos meninos e fui atrás, guardando minhas coisas rapidamente e saindo correndo. Quando cheguei lá, vi sendo prensado por uma menina na parede, mais especificamente, sendo prensado por Alison na parede. Ela sussurrou algo no ouvido dele, ele concordou e, logo depois, ela encostou os lábios nos dele.
Não existia mais nada. Meus olhos só conseguiam ver aquilo, meu cérebro só processava aquela imagem. A única coisa que meu corpo fez foi mandar uma grande quantidade de lágrimas para meus olhos que não evitaram em dispensá-las, molhando meu rosto.
"Eu não vou ficar aqui vendo isso, vendo ele me transformar na mais nova palhaça do colégio!". Eu pensava enquanto sentia meu rosto esquentar. Saí correndo, esbarrando em todos sem nem ao menos pedir desculpas. Não me importava mais...

CAPÍTULO 6 -
Tô aproveitando cada segundo, antes que isso aqui vire uma tragédia

Acabei não entrando na escola, a decepção tomou conta de todo meu corpo. As imagens de e Alison não saíam da minha cabeça, aquele maldito beijo não poderia ter acontecido. Ainda não conseguia acreditar que havia feito isso comigo, ele não havia dito que queria cuidar de mim? Então porque de repente ele fez isso? Eu não estava entendendo porque tudo mudou tão de repente. Deitei-me com o travesseiro tapando meu rosto, eu me sentia sufocando. Eu desejei mais do que nunca estar sonhando, ou quem sabe estar tendo um pesadelo. Mas quando tentei “acordar” percebi que realmente era real. Decidi ligar para Jack, ele se tornou meu refúgio de uns tempos pra cá. Peguei meu celular e não hesitei em digitar o número dele.
- Alô?! – escutei a voz de Jack, sentindo meus olhos enxerem de lágrimas.
- Jack, eu preciso de você!
- O que aconteceu, fofa? E onde você está? – ele perguntou preocupado.
- Aconteceu uma merda na minha vida... E eu estou em casa – eu disse começando a chorar.
- Você ta aí sozinha?
- Sim, acordei atrasada. As meninas já tinham ido pra escola. E foi pela porcaria do meu atraso que eu vi a pior coisa do mundo – eu disse numa mistura de raiva e dor.
- Okay , eu vou aí passar o dia com você, pode ser? – ele sugeriu num tom de voz meigo.
- Pode, Jack...
- Então, eu já chego aí. Estou aqui perto – ele disse – Se cuida, fofa.
- Vou tentar – eu disse e ele desligou.

Fiquei sentada encarando meu quarto, nele haviam várias fotos em que estava, pois a maioria eram fotos tiradas com todos os oito. Memórias voltaram a me sufocar, cenas passando rapidamente pela minha cabeça. A ultima coisa que eu queria pensar era no amasso que eles estavam dando perto da quadra aberta, mas foi inevitável deixar essa lembrança me afogar. Quando percebi, já estava chorando compulsivamente de novo. Alguns minutos depois a campainha tocou, desci as escadas lentamente e ao abrir a porta me deparei com Jack.
- Okay , você está começando a me deixar assustado. Afinal, o que aconteceu?
- Uma catástrofe Jack, uma catástrofe – eu não conseguia parar de chorar e, consequentemente, mal conseguia falar.
- , se acalma, senão eu não vou entender nada do que você disser – Jack pediu quase desesperado, respirei fundo algumas vezes, até me acalmar – pronto, agora podemos conversar direito, me conta o que foi essa catástrofe?
- Eu vi o beijando outra na escola – eu disse com dificuldade, meu coração morria um pouco mais, cada vez que eu me lembrava disso.
- Ain , não fica assim por causa dele, ele não merece.
- Mas eu gosto muito dele Jack, e ele sabia disso – eu me lamentava.
- Dá um tempo e, quando vocês se encontrarem, você comenta isso, mas sem perder a cabeça, senão perde a razão também – Jack disse calmamente.
- Ai Jack, eu sinto que eu vou desmoronar, como quando o me iludiu e depois me trocou – eu disse abaixando a cabeça, me lembrando do dia em que meu amor pelo chegou ao fim.

#FLASHBACKon
Eu estava procurando há horas e não o achava em lugar algum, será possível que esse garoto desapareceu?
- Hey, viu o por aí? – perguntei a uma menina que estava com outras três ou quatro, mas ela disse que não.
Continuei andando e cheguei perto da cantina, onde pude ver duas pessoas lá. Talvez elas tenham visto aquele infeliz! Quanto mais eu me aproximava, mais eu reconhecia aqueles rostos. Aqueles dois rostos que brincavam, juntando e logo se afastando, e um daqueles, era o que eu procurava.
- ! – falei um tanto surpresa, mas mesmo assim firme. Ele olhou pra mim e se afastou um pouco dela - Não adianta vir até aqui. Eu não quero atrapalhar...
- , eu... – ele tentou dizer.
- Você o quê? Vai me dizer que não é isso que eu to pensando?
- Er... Sim?! – fez cara de dúvida.
- Olha, eu posso ser um pouco lerda, mas otária eu não sou.
- Imagina, só descobriu do nosso affair agora, tempos depois – Sophie disse, a garota que ele estava beijando.
- Cala a boca, a conversa não chegou na esquina, vadia. Eu vou embora e você, não ouse olhar na minha cara – eu sentia as lágrimas invadindo meus olhos e um aperto tomar conta do meu coração.
- Mas , eu não fiz nada! – tentava consertar.
- Não , eu não vou ser sua otária pra sempre. Não espere que eu volte, eu cansei disso – eu disse saindo de lá, caminhando rapidamente para o portão da escola.

#FLASHBACKoff

- , para de comparar o com o , não tem nada a ver. Vocês estavam namorando, pelo menos? – Jack interrompeu minhas lembranças, puxando-me para fora de casa.
- Aonde você pensa que nós vamos? – perguntei erguendo uma sobrancelha.
- Vamos dar uma volta pelo quarteirão. Talvez até dar uma passada na Starbucks para comer alguma coisa.
- Okay – acabei cedendo e caminhando com Jack pela calçada.

Menos de vinte minutos depois, estávamos parados na frente da Starbucks, logo entramos e fizemos nossos pedidos, escolhendo uma mesa mais afastada de todos, por não querer chamar atenção por conta dos meus olhos constantemente marejados.
Alguns minutos depois, a porta da Starbucks foi aberta, mas eu nem dei muita atenção.
- Jack, obrigado por me animar depois do que aconteceu hoje – agradeci abraçando Jack, quando nos levantamos para sair da Starbucks.
- Não foi nada , pode contar comigo para o que quiser – ele disse dando um beijo na minha testa.
Quando me separei de Jack, vi que ele olhava para um ponto atrás de mim. A linha pouco curvilínea que eu chamava de sorriso se desmanchou quando me virei.
- O que é isso ? – estava de braços cruzados e a cara fechada.
Soltei uma risada debochada.
- E o que você tem a ver com isso? – cruzei os braços também e dei um passo à frente de Jack, chegando mais perto de .
- Eu pensei que... Que, sei lá, que nós estávamos juntos – meus olhos arderam na hora que o escutei dizer isso. Olhei pra Jack e ele tinha os olhos cerrados. Peguei o braço de agressivamente, guiando-o para fora da Starbucks e depois de abrir a porta, levei-o para uma ruazinha sem saída, com Jack em meu encalço.
- Repete o que você falou – aumentei o meu tom de voz.
- Nós não temos? – ele me olhava confuso.
- Eu que deveria te perguntar, afinal, eu só estava abraçando o meu amigo, já você estava se pegando com aquela qualquer, a gostosona mais cedo – as lágrimas já estavam escorrendo em meu rosto novamente – Eu não deveria ter acreditado em você quando disse que eu era especial! – comecei a socar o peito de e ele segurou meus pulsos com os olhos arregalados.
- O que você viu?
- O suficiente pra não querer mais olhar na sua cara – tirei meus pulsos de suas mãos rapidamente – VOCÊ ACHA QUE EU NÃO ME MACHUCO? QUE EU NÃO TENHO CORAÇÃO? VOCÊ SABE DE TUDO QUE EU PASSEI E QUE EU NÃO QUERIA TER ESSA DOR NOVAMENTE – gritei, com todas as forças, tentando expulsar a raiva e demonstrá-la a ele, apontando para meu peito – Eu não quero mais te ver, . Eu não posso mais com isso. Eu... Eu... – fechei os olhos colocando uma mão na testa e outra na cintura – Eu não te quero mais – falei firme, passando isso pela voz e pelo olhar.
- , não fala isso. Eu acho que... Eu acho que eu amo você! – tinha um sorriso forçado no rosto, como quem está em pânico forçando o sorriso.
- NÃO AMA NADA. Eu não quero mais ouvir a sua voz. Eu vou apagar você da minha vida e você nunca mais vai aparecer nela – dei as costas pegando na mão de Jack e indo para casa.

Chegamos à minha casa e meu coração se despedaçou novamente quando eu me lembrei do que eu havia acabado de fazer. Acabei desabando mais uma vez no colo de Jack, que ficou sem reação quando me viu chorando compulsivamente.
Fiquei alguns minutos chorando em seu colo, com ele fazendo carinho na minha cabeça. Segundos depois de eu me “recompor”, o celular de Jack tocou.
- Alô? – ele atendeu rapidamente, fazendo uma pequena pausa – Okay pai, eu já estou indo. Tchau.
- Você vai embora? – perguntei fazendo bico.
- Meu pai tirou minha folga de hoje, tenho que ir pra Starbucks – ele disse e eu fiz uma cara triste, tentando fazê-lo ficar aqui – Não faz essa cara, !
- Ah Jack, eu vou ter duas opções, ficar aqui sozinha o resto do dia, ou ir trabalhar e fingir que tudo está ok. Precisava de você comigo – eu baixei o olhar, sentindo vontade de chorar.
- Vamos fazer assim , você fica aqui até umas 18hrs e depois vai trabalhar. Eu invento qualquer história pro meu pai, e você nem vai levar bronca por se atrasar.
- Ok Jack – dei-me por vencida – Obrigado por tudo!
- De nada fofa, você sabe que eu estou aqui pra te ajudar – ele disse caminhando para fora de casa, fechando a porta atrás de si.

Subi para o quarto e me sentei na minha cama, que ficava encostada na parede perto da janela. Encostei minha testa no vidro, relembrando de vários momentos que passei com nesses últimos dois meses, coisas que eu tinha medo de sentir falta, pois eu realmente não queria mais ver a cara de , mas da forma que eu me conheço, tenho praticamente certeza de que vou sentir falta.

#FLASHBACKon
Era uma tarde comum de sábado, mas com muitas coisas diferentes. Eu havia combinado de passar a tarde em um Hyde Park com o , e foi isso que fizemos. Ficamos o dia conversando, fizemos um “piquenique” e tocamos violão, o que acabou chamando atenção de algumas pessoas. Logo que todos se afastaram, eu e deitamos na grama, encarando o céu que era um misto de azul claro e branco, por ser um dia ensolarado.
- Sabe... Eu poderia passar horas assim que eu nem iria me importar – ele disse, pousando sua mão sobre a minha, encarando-me de uma forma engraçada.
- Não conta pra ninguém, mas eu também – eu disse com um sorriso discreto.
Fez-se silêncio entre nós, não havia soltado minha mão e agora fazia carinho na mesma. De repente me encontrava de olhos fechados, sorrindo, com uma sensação boa de calma.
- Eu já sonhei com isso – eu disse automaticamente.
- Ahn? – perguntou.
- Eu já sonhei com uma cena assim, só que foi meio diferente, sei lá...
- Como foi o sonho, exatamente? – ele perguntou se virando para me encarar.
- Não sei explicar bem... Parecia que eu estava no céu, tudo era branco, nós dois estavam deitados do mesmo jeito que estamos agora. Estava tudo calmo, de um jeito impecável. Não sei, fico meio sem jeito de dizer isso, mas ninguém sabe disso.
- Sou o único? – perguntou com os olhos brilhando.
- Sempre vai ser o único! – eu respondi encostando minha cabeça em seu peito.

#FLASHBACKoff

Logo percebi que estava chorando, o que não deveria acontecer, afinal, o é só meu amigo, não é?! Acho que vou morrer antes de descobrir o que realmente foi o que tivemos. Droga, eu estou ficando muito emocional, eu não quero ter que voltar a tomar antidepressivos, isso me deixa muito mal, cansada e depois de um tempo eu vou me viciar de novo. Não quero isso de jeito nenhum! Meus pensamentos foram interrompidos por uma voz.
- , desculpa por tudo o que eu fiz – era parado na porta do meu quarto.
- Como você entrou aqui? – perguntei assustada, passando rapidamente as mãos sobre os olhos, tentando apagar o rastro do choro.
- A porta estava aberta... Eu, eu juro que eu não queria, mas...
- Mas o que, ? – o interrompi – Parecia ser legal me fazer de idiota? Tornar-me a nova piada da escola? Foi bom me iludir? E eu que pensei que você estava falando a verdade!
- Eu nunca menti para você , nunca mesmo... Eu só não posso explicar agora, você vai me odiar para sempre se eu te contar. Mas por favor, não fique brava com isso, eu tenho uma ótima explicação – ele disse tropeçando nas palavras.
- Qual explicação? Por que você não pode me explicar, eu já estou com muito ódio de você. Não vai fazer nenhuma diferença – eu disse irritada, sentindo meu rosto ferver.
- Ok, eu vou explicar – desistiu, sentando-se ao meu lado na cama – a história é a seguinte. A Alison sabe de um segredo meu e está usando isso pra me chantagear.
- Como assim? Eu não entendi nada.
- A Alison descobriu uma coisa sobre mim, e está usando isso contra mim. Além de ameaçar fazer mal a alguém que eu gosto muito. E se ela encostar as mãos nessa pessoa e fizer qualquer mal à ela, eu... Eu não sei o que eu faria – ele explicou, com a voz falhando na última frase.
- Quem é essa pessoa? – perguntei assustada, pois ele estava quase chorando. Eu odeio ver garotos chorando, parte meu coração.
- Você, . A Alison está dizendo que vai te fazer mal se eu não ficar com ela, e eu não poderia deixar que ela machucasse você. Eu não sou forte o suficiente para te ver sofrendo – ele baixou o olhar, encarando as mãos, que estavam cheias de machucados.
- Ela quer me machucar?
- Sim... Infelizmente.
- Mas, afinal, que segredo é esse? – perguntei outra vez, a fim de saber tudo sobre essaa história conturbada.
- Promete que não vai contar pra ninguém? – perguntou, eu somente assenti – Eu vou me mudar para os Estados Unidos, ...

CAPÍTULO 7 -
I’m looking at you through the glass […] No one never tells you that forever feels like home, sitting all alone inside your head.
(N/A: coloque essa música pra carregar)

- Você o quê? – perguntei desconfiada, vai saber se ele não está mentindo pra eu ficar com pena e esquecer o que ele fez.
- Eu vou pros Estados Unidos, meus pais estão indo, porque minha mãe conseguiu um emprego lá.
- Você. Vai. Embora? – perguntei pausadamente, tentando assimilar as coisas.
- Sim. E é por isso que eu não posso te perder, nem te magoar... – ele disse deixando a frase por terminar.
- Agora você se importa com o que eu sinto? – perguntei sendo irônica, é claro que eu não havia acreditado nessa conversa toda de que a Alison queria me machucar.
- Eu sempre me importei, ...
- Ah, sério? Porque não pareceu quando você disse que eu era especial e, de repente, mudou de idéia! – eu o fuzilava com o olhar, não sabendo bem como escapar da vontade imensa que eu estava de chorar.
- , entende... Eu só fiz isso pro seu bem. Eu nunca menti pra você! – ele dizia com os olhos cheios de lágrimas, enquanto eu me perguntava se eu devia acreditar ou não.
- Mas também nunca me falou a verdade.
- , acredita em mim.
- , eu... Eu não sei o que eu faço, falo ou acredito! Eu só quero descansar um pouco, dá pra você sair, por favor? – coloquei uma mão na testa e logo andei até a porta, saindo pela mesma, descendo as escadas e abrindo a porta de entrada, no caso, saída. vinha atrás de mim e, quando eu parei na porta, pude ver seus olhos um pouco avermelhados e seu rosto úmido.
- A gente se fala depois? – me perguntou, já fora de casa, com as mãos nos bolsos.
- Não sei – ia fechar a porta, mas ele colocou a mão e a segurou.
- Eu não vou ficar por muito tempo aqui, – ele tinha a voz mais rouca que o normal e falava baixo.
- Eu vou tentar olhar pra sua cara antes de você ir – vi que ele abaixou a cabeça e eu fechei a porta, correndo mais que rápido pro meu quarto, onde o maldito perfume que ele usa ainda estava lá. Aquele cheiro só me fazia ter mais vontade de chorar.

Voltei para a sala e me sentei no sofá. Ouvi uma batida forte na porta e fui até a janela, não me importando mais com as lágrimas que saiam. Abri a cortina, podendo ver que ainda estava lá, com a testa encostada na porta, e quando ele finalmente levantou a cabeça, seu rosto estava inchado, avermelhado e molhado, igual a como o meu deveria estar, ou seja, ele estava chorando. Caí sentada no chão, antes que ele me visse. Ele fez eu me sentir muito mal, mas pelo jeito, eu também estava o fazendo sofrer, mas... Eu simplesmente não sabia o que fazer... Ele está indo embora, talvez nunca mais o veria, o que seria bom porque eu nunca mais o veria e essa dor passaria, ou só aumentaria, por que ele está indo embora e talvez eu nunca mais o veja. Essa confusão dói! Muito.
Encolhi-me dobrando os joelhos e apoiando meu queixo nos mesmos, ficando por tanto tempo ali que nem sei ao exato quanto. Levantei, caminhando para o sofá. Joguei-me sobre o mesmo e acabei adormecendo.
Acordei com algo vibrando no bolso da minha calça, peguei meu celular e o atendi, sem olhar quem era.
- Fala – eu disse com a voz embargada, meus olhos ardiam e minha cabeça latejava.
- ? Por que você ainda não veio? E essa voz de quem acabou de acordar? Onde você está, ? – Jack disse rápido, deixando-me levemente atordoada.
- Calma Jack, fala devagar que eu to com uma dor de cabeça de outro mundo... – eu disse calmamente, soltando um suspiro pesado – Eu estou em casa e ainda não fui porque acabei dormindo no sofá. Mas agora vou tomar um banho, trocar de roupa, e ir para aí... Falando nisso, que horas são?
- São seis e vinte...
- PUTA! Eu dormi muito – eu exclamei assustada.
- Calma, flor... Eu disse ao meu pai que você não estava muito bem e que só viria se melhorasse – Jack disse me aliviando.
- Okay, eu vou tomar um analgésico e tomar um banho pra ver se eu melhoro. Se eu melhorar, vou trabalhar. Para todos os efeitos, eu te ligo pra avisar – eu disse me levantando lentamente.
- Tudo bem fofa, beijos e melhoras – Jack desligou.
Levantei pegando um analgésico na cozinha, que eu havia deixado na primeira gaveta da bancada. Peguei um copo d’água e tomei o medicamento, esperando dar certo. Caminhei até meu quarto, separei uma roupa e caminhei até o banheiro. Comecei a tomar um banho, na esperança de que eu esquecesse tudo o que havia me falado e me feito sentir. Meu peito doía e eu desejei mais do que nunca poder contar com algum medicamento para acabar com a dor dele, mas eu sabia que não havia remédio melhor para um coração partido do que tempo. Por mais que não gostasse de assumir, eu sabia que só o tempo curaria a dor que eu sentia no meu coração. A água batia no meu corpo, mas parecia ser algo banal, que só estava me deixando irritada, pois sempre consegui me acalmar quando sentia as gotas d’água caindo sobre meu corpo. Depois de sair mais do que rápido de meu suposto banho, vesti-me e fui para a sala, assistir algo na TV. e não viriam pra casa tão cedo, pois depois da escola, iriam para o trabalho, o que me deu um pouco de alivio, que logo acabou quando lembrei que hoje era a folga de . Enquanto pensava em como contar o motivo de minha cara inchada e triste, o programa de televisão servia de trilha sonora para meus pensamentos.
- ! – acordei de meus pensamentos com um pseudo-grito de , que me assustou, coloquei as mãos sobre o meu peito.
- Que susto, – minha voz era tão baixa que nem eu escutava direito.
- Você ta aí, sem se mexer faz não sei quanto tempo, olhando pro nada, sendo que eu to te chamando faz uns dez minutos.
- Desculpa – abaixei a cabeça, brincando com meus dedos das mãos.
- Desembucha, – olhei assustada pra ela, que se sentava ao meu lado – O que aconteceu? Essa voz baixa e rouca não me engana... Você chorou por muito tempo. Conta! – demorei um tempo de cabeça baixa pra achar palavras que não me machucassem ao pronunciá-las, mas quando me convenci que elas não existiam, soltei qualquer uma:
- O me traiu e vai embora para os Estados Unidos – segundo ele, a palavra traição não é certa neste caso, mas se ele ficou com outra estando comigo, é traição.
Pensei nisso, enquanto achei forças pra levantar a cabeça, estava de boca aberta. Meus olhos encheram de lágrimas.
- eu... Nossa! Mas... Como isso tudo foi acontecer? – ela tinha um semblante desconfortável e preocupado. Contei desde o que aconteceu no colégio até quando ele veio aqui – Então foi por isso que você não foi à aula! Todos ficaram preocupados com você, .
- Eu sei que não foi legal eu ter sumido o dia todo, mas depois do que eu vi... Bem, acho que eu não conseguiria passar o dia sem chorar – eu disse engolindo em seco, ao lembrar do que eu vi.
- se acalma, okay?! Vai passar – me apoiava, seus olhos estavam vermelhos, provavelmente estava com vontade de chorar ao ver meu estado deplorável, que chegava a me deixar com pena de mim mesma.
- , eu vou trabalhar, o Jack está me esperando, e eu preciso distrair um pouco a minha mente... Vai me acompanhar até a Starbucks? – pedi com os olhos cheios de lágrimas.
- Ain amiga, eu queria ir, mas eu tenho dois trabalhos para fazer para amanhã... Fico te devendo essa?
- Okay, ... Bom estudo pra você – eu disse dando um beijo nela, e saindo de casa.

Caminhei a passos lentos até a Starbucks, estava caindo algumas gotas finas de chuva, o que só me deixou mais triste do que já estava me sentindo. Não sei por que estava tão desapontada com ele, afinal, eu já sabia que isso ia acontecer, uma hora ou outra. Eu poderia ter evitado decepções, mas parecia que eu gostava de me iludir com tudo. Acabei chegando na Starbucks chorando e logo que entrei, sentei na mesa mais distante de todas, para poder chorar em paz.
- Oi, eu... Hm, posso me sentar aqui? – um garoto alto, com cabelos pretos bem penteados, olhos azuis escuros e um corpo definido, ele era um típico jogador do time da escola.
- Você... Er, pode sim – eu disse ao ver Jack fazendo um sinal com a cabeça de que era pra eu aceitar.
- Dave – ele disse assim que se sentou.
- Ahn? – perguntei sem entender, estava com a cabeça muito cheia e meus pensamentos passavam desgovernados, sem fazer sentido.
- Dave, meu nome é Dave.
- Ah, desculpa, estava distraída... Meu nome é , mas pode chamar só de se quiser – eu disse estendendo a mão para apertar a dele.
Dave deu um sorriso cativante e logo em seguida mordeu o lábio inferior, fazendo com que eu ficasse sem ar.
- Bem, agora eu tenho que ir Dave, mas foi bom te conhecer... – eu disse incerta.
- Quando vou te ver de novo? – ele perguntou com uma expressão que me parecia triste.
- Eu trabalho aqui, todo dia depois do colégio. Se quiser me ver, é só vir aqui que me encontra – eu disse forçando um sorriso, tentando ser simpática.
- Então te verei em breve.
Levantei-me e fui para perto de Jack, ainda estava zonza pela quantidade de lágrimas que eu havia derramado. Jack me abraçou de lado afagando levemente meu braço.
- Fofa, espero que você se recupere logo – ele disse como se estivesse pensando alto.
- Eu também Jack, eu também – complementei com uma expressão descrente.
- Afinal, o que você está fazendo aqui? – ouvi uma voz conhecida dizendo atrás de mim, virei para olhar quem havia falado aquilo.
- ?! – o jeito com que eu disse o nome dele mais pareceu uma pergunta do que qualquer coisa.
- Eu mesmo, sua tapada! Como você sumiu da escola? Todo mundo estava louco atrás de você, você não atendia o celular... E o cabulou as aulas para ver se você estava bem, já que as meninas disseram que quando saíram você já estava se trocando – soltou tudo de uma vez, deixando-me mais atordoada do que eu estava.
- Calma , respira... Vamos pra um lugar menos... Hm, cheio? – eu disse tentando parecer bem, mas acho que não consegui o efeito desejado.
- , eu acho melhor você ir para casa hoje... – Jack começou a dizer, eu tentei contrariar, mas ele logo me cortou – Eu converso com o meu pai, vai ser melhor para você.
- Obrigado Jack – disse aliviada, o abraçando apertado – Vamos para minha casa, ?
- Okay, – ele disse me acompanhando até a porta da Starbucks.

Eu e andamos lentamente até minha casa, no caminho eu ia explicando o motivo de eu não ter ido até a escola e estar “faltando” no trabalho. não acreditou quando eu disse, mas eu confirmei, dizendo que Alison sabia que se me fizesse mal teria nas mãos, e também comentei que não acreditava muito que isso era verdade.
- Mas , por que ele faria isso? – continuava questionando.
- Eu não sei , sinceramente não sei... Mas ele fez. E isso está me matando.
- O está pedindo para apanhar – disse em tom de brincadeira, arrancando uma pequena risada de mim – Viu, eu te fiz rir! Eu sou demais!
- Para com isso – eu disse o empurrando de leve com o ombro.
- Assume que eu sou f-o-d-a – ele soletrou para mim.
- Não, você é convencido, isso sim.
- Ah, para com isso sua mal humorada... Sabe, você é muito linda, não sei o que tava fazendo com o , sério – disse de uma forma assustadora.
- Eu ouvi isso, tá?! – disse da porta de casa, mal havíamos percebido que já tínhamos chegado em casa.
- Ai , desculpa... Eu to tentando animar a . Não que você não seja bonita , mas sabe como é né? Ai, to me enrolando – disse todo atrapalhado, e a só ria dele.
- Tudo bem , eu sei que você ta tentando animar a , já até sei o motivo, mas... O que é que a senhorita está fazendo em casa agora? Não ia trabalhar? – perguntou em um tom de voz materno.
- Sabe mamãe, o Jack me liberou hoje, porque eu to muito pra baixo – eu expliquei – enfim, eu vou dar uma andada por aí, depois eu volto. Beijos para os pombinhos.
(n/a: Pode dar play na música).

Fui andando até o Hyde Park mais próximo, estava quase vazio por ser um dia de semana, mas mesmo assim haviam alguns casais abraçados nos vários bancos que havia por ali. Escolhi um mais afastado dos outros, na esperança de não ver casais se “amando” perto de mim. Me sentei, esperando um pouco de paz e um canto com ar “puro” pra respirar. Pensei em tudo que aconteceu, com , com e em como eu sempre acabo me machucando. Eu que só queria recomeçar em um novo lugar, não me sentir daquele jeito, magoada e ferida, como me fez sentir. E olha onde estou! Magoada, chateada e com raiva. Raiva de mim por acreditar que com seria diferente. Já pensei em perdoar ele só por causa de sua viagem para os Estados Unidos, mas acho que perdão tem que vir do coração, e acho que não estou tão de bem com o meu pra perdoá-lo. Pelo menos não agora. Esparramei no banco, olhando para o céu e fechando um pouco os olhos por causa da claridade, continuei meus devaneios até que meu pescoço começou a doer, e endireitei a cabeça. Observei os pombos, que estavam um tanto distantes de mim, e alguma agitação os fez voarem imediatamente. O que me chocou foi ver quem causou essa agitação: . Este estava sentado em um dos distantes bancos do parque e, ao se levantar, assustou as criaturas que ciscavam o chão. começou a caminhar em minha direção e eu comecei a me encolher, dificultando o meu reconhecimento, o que pelo jeito foi falho, pois o mesmo parou na minha frente. Seus olhos avermelhados e seu rosto úmido um pouco inchado denunciavam seu choro.
- Posso me sentar? – ele apontou para o lugar vago ao meu lado e sua voz rouca e triste causou algo em meu coração que eu não sei definir. Talvez fosse algo como... Angústia.
- Pode – não era minha intenção fazer com que minha voz saísse tão séria como saiu, apesar de baixa. Seu olhar baixo era perfurante.
Ficamos minutos sem pronunciar uma palavra depois de ele sentar.
- Você ainda não consegue olhar pra mim sem ter vontade de me matar, não é? – olhei pra ele que me olhava, bateu uma saudade de ser vigiada por aquele par de olhos azuis.
- Eu to olhando pra você agora e não é bem isso que eu to a fim de fazer! – respondi sem vontade.
- E o que é? – consegui sentir um pouquinho de esperança em seu tom de voz.
- Voltar no tempo! Talvez ter ficado pelo Brasil mesmo... – assim não conheceria . E a dor não seria tão grande.
- , olha... Eu gosto muito de você, e eu não quero ir embora tendo em mente que a garota que eu mais quero bem está me odiando.
- Era só não ter feito merda! – eu me exaltei aumentando o meu tom de voz.
- MAS EU FIZ PRA PROTEGER VOCÊ, CARAMBA! – também se exaltou.
- Ta bom, . Só que eu não vou perdoar você se eu ainda estiver magoada. Dá um tempo pra eu pensar e clarear as minhas idéias? Por favor!
- Claro. Mas eu não tenho muito tempo aqui... E pode ter certeza que o mais magoado da história vai ser eu, por tentar te proteger e você me interpretar mal – os olhos de se encheram de lágrimas e ele saiu quase correndo do parque, deixando-me com um remorso imenso crescendo ainda mais dentro de mim.
Acabei me levantando e correndo atrás dele, encontrando-o debaixo da árvore em que nós ficamos da primeira vez que viemos a esse Hyde Park, a mesma árvore em que ele tocou violão para mim. Sua cabeça estava encostada em seus joelhos, que eram envolvidos por seus braços. Abaixei de frente pra ele, tocando seu braço com delicadeza, encostando minha testa no topo de sua cabeça.
- Eu te perdôo – falei sem pensar, com lágrimas escapando de meus olhos.
- Você não disse que precisava de tempo pra pensar e clarear suas idéias? – ele perguntou levantando a cabeça lentamente, os olhos avermelhados e as bochechas rosadas denunciavam o choro.
- Foda-se o tempo, eu não posso deixar você ir embora assim – abracei-o urgentemente, sentindo conforto por estar nos braços dele novamente.
- , eu...
- Shh, não fala nada. Só faz o que você acha que é certo fazer – eu sussurrei perto dos lábios dele, era inevitável eu estar tão próxima a ele e não querer beijá-lo.
encostou seus lábios lentamente nos meus, beijando-me de uma forma calma e saborosa. Eu não podia fingir que não adorava beijar aqueles lábios.
- Então... Como a gente fica? – ele me perguntou juntando nossas testas.
- Erm... A gente... Não fica, ! Eu não queria que a gente ficasse brigados, mas... É melhor pra todos que nós sejamos apenas amigos. A Alison vai parar de te chantagear e... Você vai poder contar do seu jeito pra todos sobre sua viagem – disse não tendo coragem de falar que não confiava mais nele como antes.
- Hm, bem... É isso? A gente não fica? – ele me perguntou, parecia decepcionado.
- Não é isso , não é permanente, vamos deixar a situação assim, pelo menos até a Alison esquecer isso tudo – tentei remendar para não vê-lo triste.
- Eu entendo... Pelo menos estamos bem agora né?
- Estamos bem sim, – eu disse dando um meio sorriso.
- Posso te levar para casa? – ele perguntou com um brilho no olhar.
- Sim, e até agradeceria por isso – falei piscando duas vezes, como se tivesse acabado de processar o que ele havia dito.
segurou minha mão e se levantou, caminhamos até a minha casa. Quando chegamos na porta ele beijou minha testa e eu acabei deixando escapar um sorriso, ele logo depois de acompanhar meu sorriso, aproximou seu rosto do meu, dando-me um beijo calmo. Senti-me em um filme, pois ao mesmo momento em que ele me beijou, começou uma leve chuva. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e eu entendi que aquilo era como um adeus. Ele me deu outro beijo na testa e um abraço apertado, logo me deu as costas e caminhou em direção a sua casa. Meu coração batia lentamente e eu tinha vontade de pedir para ele ficar, mas fiquei parada na chuva, vendo ele virar a esquina.

Continua...

nota da autora: Bom, primeiramente, espero que vocês tenham gostado da espera pela att dupla, eu tentei caprichar o máximo nesses dois capítulos, e bem... ficou bom?
Eu queria, mas não posso dar um spoiler, porque ainda estou desenvolvendo os próximos capítulos, mas posso dizer que o Dave vai te ajudar e muito com a (vaca) Alison, e bem, que viagem inesperada não é mesmo? Mas cá entre nós, essa viagem vai trazer coisas lindas pra você e seu guy. Vou comentar dessa att, acreditam que eu levei um mês para escrever? Isso se não foi mais... Precisei ouvir umas 46413541652163125 músicas diferentes para tentar ter alguma idéia, mas nada. E eu nunca pensei que precisaria ouvir tanto Hateen pra poder escrever o começo de um capítulo, e precisaria me decepcionar de verdade para poder escrever esse troço dramático... Enfim, vou parar de encher com bobagens.
Vou agradecer a Máa minha salvadora linda, obrigado por ser minha mãe, e sempre me salvar. Anny tu é muito linda, e sua fic é maravilhosa, sem palavras pra ela. Elza que vai me dar o menininho mais lindo como sobrinho. Tom por estar aqui quando eu preciso, quer dizer sempre né? Thats essa viada que some do nada, mas depois aparece e bom, faz tempo que não falo com ela. San, minha maridah que ta me odiando, eu sei. A Dani, que eu também não converso há um bom tempo. A todos que leram a minha fic, não sabem como isso é importante para mim. A minha beta, que é obrigada a ler essas idiotices que eu escrevo. E se eu esqueci alguém desculpa, mas eu to realmente com sono, são 2:35 da manhã do dia primeiro de Dezembro, legal né? Enfim, beijos para vocês coisas lindas, xx.