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Capítulo 1:

estava com o rosto apoiado na janela do carro enquanto olhava a paisagem. Estava entardecendo, fazia um friozinho gostoso e a chuva caia fina, o que tornava aquela imagem muito mais bonita. Desenhava no vidro embaçado enquanto ouvia alguma coisa no Ipod. Não estava prestando muita atenção na música, mas percebeu quando ela parou sem que ela tocasse no aparelho. ‘Droga!’; reclamou. A bateria do Ipod tinha acabado, e ainda lhe restavam algumas horas de viagem.
‘Mãe, eu sei que você nem está prestando atenção no que está tocando no rádio. Vou colocar em alguma coisa que preste.’ Sua mãe apenas sorriu, sabia que não adiantaria reclamar, ela mudaria a rádio da mesma maneira. apenas apertou o botão para a estação seguinte e ficou paralisada.

“She says she loves you, and you know that can’t be bad. She loves you, and you know you should be glad. She loves you, yeah, yeah, yeah…”

Desligou o botão instantaneamente. Sua mãe se assustou com aquela atitude e olhou para ela sem entender. Antes que perguntasse, respondeu:
‘Apenas me fez lembrar de uma pessoa’, sorriu, e voltou a olhar através da janela, perdida em seus pensamentos.

3 anos, 4 meses, 16 dias e alguns minutos antes...

‘Aaaaaah, meus pés estão me matando.’ disse jogando os pés para o colo de Tom, que riu:
‘Sempre folgada’. Ela fez careta e todos em volta começaram a rir. Era o aniversário de uma garota do colégio, filha de alguém importante da cidade. Parecia que TODOS estavam lá. O que não era difícil, já que a cidade era um ovo. Estavam em cinco: , que descansava os pés no colo do amigo, que reclamava da folga dela em tom de brincadeira. tomava um refrigerante porque realmente estava cansado de tanto dançar. Estava apoiado no ombro de , que simplesmente adorava aquela situação. Ele também. e estavam rindo de alguns nerds que tentavam dançar Backstreet Boys, umas cena... ‘Totalmente ridícula’, segundo elas mesmas.

Quando ouviu a introdução da música seguinte, quase deu um pulo da cadeira. Soltou um gritinho e Tom desatou a rir. Ela puxou pela mão e quase fez com que o garoto entornasse o refrigerante nas próprias calças.
‘Eu AMO essa música’, ela gritou olhando nos olhos dele. Ele sorriu, estava cansado mas o que não pedia sorrindo que ele não atendia... sorrindo mais ainda?
‘Dança comigo?’ ela disse com um enorme sorriso. Era tudo o que mais queria, ter o seu na música em que adorava. Ele a puxou pela mão e a levou pro meio da pista, já dançando. Ela sorriu. Tom olhou para os dois e gritou:
‘Eu sabia que você ia pirar nessa música’. fez careta e deu risada.
‘Você sabe mais de mim do que eu mesma, gordinho’. desatou a rir porque sabia que Tom não aceitava muito bem esse apelido dito na frente de estranhos.

“She says she loves you, and you know that can’t be bad. She loves you, and you know you should be glad…”

… ‘She loves you, yeah, yeah, yeah’ gritou com uma voz engraçada e riu do garoto enquanto dançava animadamente. observava atentamente todas as feições de e a maneira engraçada com que ele dançava. Ele era perfeito. Como podia ser tão lindo? Ela sorria pra si mesma quando lembrou que dali a quatro dias estaria partindo e o deixando para trás. O sorriso sumiu imediatamente e percebeu.
‘O que houve linda?’.
‘Nada não’ ela negou. Tentou esboçar um sorriso, mas ele sabia que havia algo de errado. Tocou no queixo da menina fazendo com que seus olhares de encontrassem e disse, preocupado:
‘Vamos lá fora para você me contar o que está acontecendo’. A menina apenas concordou com a cabeça e foi puxada lentamente para fora do salão.

Andaram um pouco de mãos dadas sem dizerem uma palavra. se virou de frente para a menina que ainda estava cabisbaixa, olhou em seus olhos e disse:
‘Pode confiar em mim, linda. O que quer que esteja acontecendo, eu estou aqui para ajudar’, ele disse com um sorriso.
Ele não sabia explicar o quanto ela o fazia feliz. Era mais do que linda, ela era seu primeiro pensamento ao acordar e o último antes de dormir. Era sua garota. E ela estava com problemas, isso não lhe fazia bem. desviou o olhar do garoto por alguns instantes e olhou para dentro do salão. Viu Tom, e dançando Village People extremamente empolgados. Tom imitava um travesti e estava quase engasgando de tanto rir. sorriu sozinha e olhou de volta para , que acompanhou seu olhar.
‘Eu não quero ir embora ’, ela disse abraçando o garoto com força. Já não conseguia mais conter as lágrimas, que escorriam pelo seu rosto e molhavam o pescoço de . Céus, ele simplesmente não suportava quando a via chorando. Sentiu os olhos marejarem imediatamente, mas tentou segurar o choro. Alguém ali tinha que ser forte, e esse alguém era ele. A abraçou com muita força enquanto passava as mãos lentamente pelos cabelos dela. Não sabia o que falar. Ele também não queria que ela fosse, mas isso parecia inevitável. Encostou o nariz no dela, ainda abraçado, e abriu os olhos. Com a outra mão, enxugava as lágrimas que escorriam pelo rosto de . Respirou fundo. Como era linda. Ele não agüentaria viver sem ela.

‘Ei...’ ele disse, olhando nos olhos dela. ‘Seu amigos nunca esquecerão de você. Você poderia até se mudar para o outro lado do mundo, e eles estariam sempre aqui te esperando... são seus amigos, vão morrer de saudades e vão contar os dias para que você volte’. olhou profundamente nos olhos do garoto percebendo o esforço que ele fazia para segurar as lágrimas. Seus olhos estavam vermelhos. Pensou em abrir a boca para dizer alguma coisa, quando ele a calou, e continuou falando.
‘E quanto a mim... eu nunca irei te esquecer, pequena. Você é a minha garota, a única que eu amo e vou amar pro resto da vida. Você pode voltar daqui a dois dias ou em dez anos, eu vou te esperar. Vou esperar porque você é a única garota que me importa nesse mundo. A única...’ . Já não conseguia mais conter as lágrimas. o abraçou com força e sentiu um calor por dentro com as palavras que ele dizia. De certa forma, estava aliviada. Olhou nos olhos do garoto, e simplesmente disse:
‘Eu te amo . Sempre vou te amar. E é bom que você me espere, porque eu vou voltar. Vou voltar por você e para você’. Ele sorriu sinceramente e enxugou as lágrimas. Era tudo o que precisava ouvir.
‘Ok, chega de choro. Você vem comigo agora’ disse puxando a garota pela mão e correndo escadaria a baixo.
, você pirou? São duas da manhãããã’ ela gritava enquanto ria da situação. Ele apenas riu da voz engraçada que a menina fazia enquanto tentava falar e correr ao mesmo tempo.
‘Linda, você já foi uma melhor corredora’ disse mostrando a língua. Ela olhou indignada para ele.
‘Eu estou de salto seu babaca’ e desatou a rir.

Alguns minutos depois ainda estavam correndo.
, estou cansada, para onde você pensa que está me levando?’ Ele começou a rir e parou de correr fazendo cara de tarado.
!’ Ela gritou. ‘Eu não te mereço, garoto. É bom que você saiba que nenhum motel vai aceitar que a gente entre’ e começou a rir. Ele fez cara de decepção, e ela deu um tapa nele, rindo.
‘Sério, eu estou cansada’ Ele olhou para a menina que estava ofegante e descabelada. Estava linda. Ele apenas parou e disse: ‘Sobe’, oferecendo suas próprias costas. não pensou duas vezes e pulou em cima dele.
‘Você está muito devagar amorzinho, não vou te pagar se você não for mais rápido’ ela debochava.
‘E você está pesada. ’, ele riu e foi mordido.
‘Aaaaai, isso dói’. Gritou, rindo.
‘Nunca diga a uma garota que ela está gorda’ ele começou a rir.
‘Mas eu não disse naaaaada’ A carinha de cão sem dono que ele fazia a matava. Amava tanto aquele garoto que chegava a doer. Mas a dor era boa.

‘Voilá, mademoseille... Chegamos!’. olhou em volta e percebeu que estava no topo de um monte. Realmente não tinha reparado que havia subido com ela nas costas até lá. Olhou em volta e percebeu o quanto aquele lugar era lindo.
, esse lugar é perfeito! Como você nunca me trouxe aqui antes?’ ela sorriu, e ele respondeu ‘Eu costumo ser meio egoísta quando descubro algum lugar bonito desses. Mas achei que você merecia conhecer.’ Ele disse, sorrindo com as mãos nos bolsos.
‘Céus, posso ver a cidade toda daqui de cima’ ela disse rodando, de braços abertos. Olhou para ele que fazia uma cara estranha, como se fosse muito óbvio que desse para ver a cidade toda, dado o tamanho dela. Ela pareceu concordar em pensamento e riu.
‘Eu venho aqui para pensar’ ele disse, sentando no chão, fazendo sinal para que ela fizesse o mesmo. A menina o acompanhou sorridente, e ele a abraçou com força. Sentiu que ela estava gelada e tirou o casaco, colocando nas costas dela, que sorriu em agradecimento.
‘Você vai ficar com frio’ disse. Ele a olhou bem nos olhos e retrucou. ‘Impossível sentir frio quando estou com você’ e fez novamente aquela cara de tarado, que só ele sabia fazer. Ela desatou a rir, enquanto estapeava o menino.

segurou pela cintura e se aproximou vagarosamente dela. Passava o nariz pela bochecha da menina, que sentia calafrios. Aquela proximidade com sempre lhe rendia esse tipo de sensação, e sabia que com ele acontecia o mesmo. parecia passear pelo rosto dela, distraído, aproveitando cada momento e cada toque. Aproximou seus lábios do da garota, num jogo de sedução um pouco perigoso. Fazia que ia beija-la, e se afastava. apenas ria da brincadeira. Sabia que ele não iria ceder muito fácil, e adorava aquilo. Fechou os olhos e puxou com força contra o próprio corpo, beijando de leve o pescoço dele, que se arrepiou. Podia sentir o perfume que ele usava enquanto brincava com o pescoço dele. Ele olhou profundamente nos olhos dela e a puxou de vez pra si, a beijando com toda sua alma. O beijo era doce, ele brincava com os lábios dela de uma maneira que só ele sabia fazer. Ela sentiu os joelhos amolecendo e nunca mais queria parar de beijá-lo. Passava as mãos pelos cabelos dele, e podia sentir a respiração ofegante do menino. A noite estava só começando.

A cidade toda dormia e eles estavam abraçados olhando. estava encostada no peito de , de uma maneira muito confortável para ambos. Ele adorava tê-la tão próxima e já havia se esquecido que ela iria embora em poucos dias. Olhou para baixo e viu que ela estava quase dormindo. Sorriu sozinho. A segurou pela mão, fazendo com que ela olhasse nos olhos dele, que desviou o olhar imediatamente. Ela não entendeu a reação do garoto, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ele disse.
‘Eu te amo ... muito!’ Estava muito envergonhado, mas dizia aquilo sinceramente. Ficou vermelho porque nunca havia dito aquilo para uma menina antes, nem mesmo para , e ela sabia disso. Mesmo nas vezes em que ela dizia, ele apenas sorria. Ela nunca se incomodou com isso, porque sabia que o garoto a amava de verdade e não precisava que palavras provassem isso. Mas estava realmente feliz em ouvi-lo dizer. Abriu um enorme sorriso, e respondeu, sinceramente.
‘Eu também te amo ’. Ele estava feliz em ter feito aquilo. Na verdade não foi tão difícil quanto parecia. A beijou docemente como quem agradecesse por aquele amor todo. Ficaram por ali mais alguns minutos e resolveram ir embora. Eram quase quatro e meia da madrugada e concluíram que deveriam voltar, mesmo que tivessem vontade de ficar ali por toda eternidade.

deixou na porta do hotel onde ela estava hospedada, porque a mudança já havia ido embora e seus pais já tinham alugado a casa. Por um momento sentiu um aperto enorme no coração ao se lembrar desse detalhe. pareceu não perceber, quando ficou na ponta dos pés e o beijou, segurando em seu pescoço. Aquilo o fez esquecer de tudo.
‘É linda, acho melhor você subir, antes que seus pais achem que eu te seqüestrei... ’ ele riu ‘Eu não quero que eles me odeiem, daqui a alguns anos a gente vai se casar e eu não quero ter problemas com os meus sogros’. Ela começou a rir, mas adorou lembrar que o menino pensava em se casar com ela. Eles haviam brincado com isso algumas vezes, dizendo que o Tom seria padrinho e que eles teriam um time de futebol de filhos. Certo, essa parte ela não concordava muito, mas teria alguns anos para fazê-lo mudar de idéia. Passou a mão pelo rosto do menino que a segurou e beijou na palma.
‘Eu te amo muito, . Muito, muito, muuuuuito...!’ ela riu. Ele respondeu.
‘Sério? Obrigada’ e riu irônico, recebendo um tapa. A pegou pela cintura e disse ‘Eu também te amo. Obrigada por existir, linda’. Ela sentiu um calor enorme por dentro e deu um beijo estalado nele, indo em direção a porta do hotel.
‘Boa noite gatinho, a gente se vê amanhã’, ela riu. Ele adorava quando ela o chamava assim. Gatinho. Antes gatinho que gordinho, pensou, e desatou a rir, caminhando imensamente feliz para casa.

Capítulo 2:

3 anos, 4 meses, 15 dias e alguns minutos antes...

ainda estava meio sonolento quando percebeu que era quase meio dia. Lavou o rosto e desceu as escadas, mas seus pais não estavam lá. Colocou uma roupa e resolveu comer alguma coisa na rua. Foi andando calmamente até a padaria. Estava muito feliz, não conseguia explicar. Só ela podia fazer isso com ele. Lembrava de cada momento da noite passada, perdido em pensamentos. Ele a amava, mais que tudo e que todos. Não poderia tirar aquele sorriso do rosto por nada.

Depois de fazer um lanche rápido, não estava a fim de voltar para casa, então resolveu passar na casa de Tom, desviando um pouco seu caminho. Quando estava no começo da rua, percebeu que o amigo estava sentado na calçada, abraçando os joelhos e de cabeça baixa. Não parecia estar bem. apertou o passo preocupado e chegou até ele.
‘Eai gordinho, faz o que na sarjeta uma hora dessas?’. Tom apenas levantou a cabeça sem responder uma palavra ao amigo. Normalmente ele xingaria alguma coisa ou faria algum gesto obsceno, dizendo que só poderia o chamar dessa forma. Estava com os olhos muito vermelhos e com o rosto molhado. Tinha chorado muito, definitivamente. nunca tinha visto Tom nesse estado, nem quando ele tomou um fora público de uma patricinha do colégio e ficou chorando escondido no banheiro. Nem naquele dia.
‘Cara, o que aconteceu?’ ele disse sentando ao lado do amigo, visivelmente preocupado.
‘Ela foi embora cara... ela foi embora’ Tom não parecia acreditar. As lágrimas escorriam pelo seu rosto novamente e entrou em desespero. Ela quem? Quem poderia ter ido embora? Lembrou de no mesmo instante e sentiu uma tontura, como quem estaria prestes a desmaiar. Estava tremendo. Não podia ser ela, isso não fazia o menor sentido. Ela só iria embora Terça-Feira, e ainda era Sábado.
‘O que você está falando cara? Quem foi embora?’ disse praticamente rezando para que a resposta não fosse a que ele esperava. Não, ela não iria embora sem se despedir dele, não mesmo. Tom apenas olhou com pena para o amigo, tudo o que ele menos precisava era dar aquela notícia pra ele. Mas não teria outro jeito. olhou para o lado e viu chegando correndo com o rosto vermelho e um pouco trêmula. Aquilo já era demais. Repetiu a pergunta aumentando o tom de voz dessa vez.
‘QUEM, Tom, QUEM foi embora?’ Tom olhou para que escondia o rosto atrás das mãos chorando muito ao ver aquela cena. Sentiu o coração apertar mas sabia que não podia esconder.
cara. A foi embora hoje cedo.’

viu tudo rodando quando Tom disse essas palavras. se abaixou e abraçou os amigos. Quem passava por eles acreditava em um velório ou alguma coisa do tipo. olhava para o nada como quem ainda não acreditava naquilo. Não derrubou nenhuma lágrima. Olhou com os olhos marejados para , e berrou.
‘Vocês não estão falando sério. Eu não estou gostando nada dessa brincadeira. , diz que é mentira, diz que eu juro que não vou socar o Tom até a morte por isso. Ela está no hotel , eu a deixei lá quase cinco da manhã. Ela NÃO foi embora. ELA NÃO FOI!’ ele disse chacoalhando a menina, que chorava ainda mais.
... é verdade. Ela foi embora.’ A menina disse, com os olhos vermelhos.
saiu correndo até o fim da rua, agora já chorando. Porque, porque ela tinha feito isso com ele? Porque ela mentiu pra ele, o fez acreditar que só iria embora dias depois? Porque tinha o deixado ter a melhor noite da vida dele sem dizer nada? Caiu no chão ajoelhado e chorando. estava correndo atrás dele e abraçou o amigo. Tom não tinha forças para levantar, sua melhor amiga tinha se mudado. Não queria saber de nada. Sabia que ela iria se mudar mas assim como os outros, não estava preparado para vê-la indo tão cedo. Jurava que estava pronto, mas na prática tudo ia pelos ares. Só queria te-la de volta, o mais rápido possível.

e passaram alguns minutos abraçados chorando. O que era estranho, visto que os dois nunca haviam se abraçado antes. Mas a situação pedia. podia sentir a dor que estava ao saber que tinha se mudado. Ela estava da mesma forma. olhou para ela derrepente e disse muito alto.
‘Por que ela não se preocupou nem em me dizer adeus ? Será que eu nunca signifiquei nada para ela?’ sentiu as lágrimas escorrerem e respondeu:
, quando ela passou na minha casa hoje mais cedo...’ ele interrompeu.
‘Ela passou na sua casa. Ela passou na casa do Tom, e aposto que passou na da também. Porque diabos não passou na minha?’ ele estava ficando nervoso com aquilo tudo. Aquela fusão de sentimentos estava o deixando enjoado.
...’ ela disse calmamente. ‘Ela chegou até a porta da sua casa mas não teve coragem de bater. Nunca a vi chorando daquela maneira. Ela não estava preparada para te dizer adeus.’ não pareceu estar satisfeito com aquela resposta. Amava tanto aquela garota. E ela tinha ido embora, e ninguém sabia quando iria voltar. tirou um envelope do bolso do casaco e entregou para , que franziu a testa sem entender. A menina explicou:
‘Ela escreveu isso para você. Não sei se você vai entender porque ela estava tremendo quando escreveu e não parava de chorar. Pediu pra que eu te entregasse. Leia com carinho , por favor. Essa garota te ama tanto quanto você a ama, eu sei disso.’
Ela se afastou ao ver que chegava na casa de Tom. Foi para junto deles. Sabia que esse momento era de , era de e ela não podia atrapalhar. Beijou a testa do amigo carinhosamente e se levantou, andando na direção contrária.

queria morrer. Estava deitada no banco de trás do carro chorando compulsivamente. Seus pais estavam visivelmente preocupados, mas nada do que eles diziam ou faziam parecia acalmar a garota, que estava chorando por horas seguidas. Doía muito deixar sua cidade, em que tinha crescido. Era pequena, ela vivia reclamando, mas agora estava com medo do que estava por vir. Chorava porque sabia que não veria seus amigos tão cedo. Mas o que mais doía era saber que não veria mais o seu . Saber que não tinha conseguido se despedir do menino, e pensava em mil coisas que ele poderia estar fazendo ou sentindo. A essas alturas ele já devia saber. ‘Ele deve me odiar’ pensava, chorando mais. Estava quase se sufocando com o rosto enfiado do banco. Só queria voltar para aquele monte, e passar a vida toda do lado dele. Só ele a fazia feliz. Mais ninguém. Seu coração quase saía pela boca quando pensava nele. Nunca tinha amado ninguém assim. E nunca mais iria amar.

caminhava desnorteado pela cidade. Andava sem rumo quando decidiu subir aquele monte novamente. Queria estar tendo um pesadelo e acordar com ao seu lado. Mas sabia que não era. Aquilo estava quase o matando. Não tinha forças nem para chorar, a essa altura. Sentou aonde tinha sentado na noite passada e ficou num transe por alguns minutos lembrando de todos os momentos que teve ao lado dela. Não estava com coragem de abrir aquele envelope. As mãos tremiam só de pensar no que ela poderia ter escrito. Ficou cerca de duas horas passando a carta entre os dedos, quando teve coragem de abri-la. Podia ouvir a voz da menina dizendo aquelas palavras, e os olhos começaram a ficar vermelhos de novo.

“Gatinho. Me desculpe por não ter me despedido de você antes de partir. Eu não sabia que iria viajar tão cedo, acreditava que teria mais alguns dias ao seu lado. Por favor me perdoe. Eu fiquei quase meia hora sentada em frente a sua casa chorando muito sem ter coragem de bater. Acabei decidindo que a lembrança que quero ter de você é de todos aqueles dias maravilhosos que tivemos juntos e da noite passada. Sinceramente eu não sei quando vou voltar, e isso tudo dói muito. Só quero que você NUNCA SE ESQUEÇA do quanto que EU TE AMO e o quanto que você é especial pra mim. Mais especial que tudo e que todos. Eu nunca pensei que partir pudesse ser tão difícil e não quero ir. Se pudesse eu juro que não iria. Eu quero lembrar do seu sorriso e das coisas engraçadas que você me dizia quando estávamos sozinhos. Eu quero me lembrar dos seus beijos e do abraço mais quente do planeta. Você sempre será tudo para mim , nada nem ninguém poderá mudar isso. Eu me odeio por ser tão covarde. Mas eu te amo acima de tudo, muito, e verdadeiramente. Espero que sua proposta esteja de pé e que você esteja por aí quando eu voltar. She loves you, yeah, yeah, yeah. Beijos da sua pequena, .”

estava chorando ao ler o final da carta. Estava com raiva, triste e tinha apenas a certeza de que amava muito aquela garota. Aquela mistura de sentimentos estava o deixando enjoado. Teve vontade de arremessar a carta lá de cima, contendo os próprios pulsos quando tentou fazer isso. Percebeu que dentro daquele envelope tinha mais alguma coisa. Enxugou rapidamente os olhos e pegou um anel que estava dentro. Lembrou de dizendo, algumas semanas antes, que aquele anel era da avó dela e que importava muito pra ela, não conseguia tirar nem pra tomar banho. Por alguns minutos se sentiu muito importante. Sabia que se ela tinha deixado o anel com ele, ela o amava de verdade. Ficou olhando pro anel durante um tempo e percebeu que estava escurecendo. Estava na hora de encarar a realidade. Ele precisava descer dali.

Chegou em casa e seus pais pareciam preocupados. Eles já sabiam, presumiu. Olhou para o fundo da sala e viu sentada em uma poltrona. Ela parecia mais preocupada que eles, até porque sabia o quanto devia estar doendo para ter sua pequena tão longe. Foi andando até o amigo calmamente, e o abraçou com força. se apoiou no pescoço dela querendo chorar, mas contendo as lágrimas porque estava na frente de seus pais. Ficaram apenas abraçados por alguns minutos e ele fez um sinal com a cabeça para ela como quem pedia para que ela o seguisse. Ela o acompanhou até o quarto e fechou a porta atrás de si. tirou os tênis sentando na cama. Abraçou os joelhos, de cabeça baixa. Jogou para o lado a carta, que abriu e leu. Se assustou ao ver aquele anel ali dentro, porque também sabia da importância que aquilo tinha para a amiga. Não sabia o que falar. Apenas segurou na mão do garoto que agora chorava novamente. Disse, tranqüila, segurando as lágrimas que já ameaçavam escorrer pelo seu rosto. Ela definitivamente não conseguia ver ninguém chorando sem chorar também.
... Eu sei o quanto isso deve estar doendo. De verdade. ’ Ele levantou o rosto e encarou a amiga nos olhos, que continuou. ‘Mas ela vai voltar , eu sinto isso. Ainda vou ver vocês dois juntos e felizes como sempre. Não tenha raiva dela, por favor. Ela te ama e vocês ainda vão casar um dia’ Viu o amigo abrir um quase sorriso e sorriu vitoriosa. Viu o celular do garoto vibrando em cima da mesinha, quase caindo. Correu para pega-lo. Olhou para ele e disse:
‘Não morre mais’, sorrindo. sentiu um gelo e uma vontade de gritar quando percebeu que ela estava falando de . Fez um barulho estranho com a boca e caiu de costas na cama. gritou.
, atende o telefone!’
Ele deu de ombros. Não estava preparado pra falar com ela. Olhou para amiga e pediu, sinceramente:
‘Atende você, por favor. Diga que eu não estou aqui’.
se sentiu mal com aquilo, sabia que iria estranhar o fato dela atender o celular do garoto sendo que ele não estava lá. Sacaria a mentira na hora. Olhou para a cara de piedade que o garoto fazia e resolveu atender.
...’ ela disse calmamente.
?’ a garota parecia não entender do outro lado. Estava com uma voz chorosa e sentiu um aperto enorme no peito. Assim como , que tentava não prestar atenção na conversa das duas.
‘Desculpe, eu achei que tinha ligado para o...’
‘Pro .’ A menina continuou. ‘Você não ligou errado. Ele está... está tomando banho. Eu estou na casa dele.’ detestava mentir. Olhou para que se escondia embaixo do cobertor.
‘Ah sim. Entendo...’ estava desapontada do outro lado da linha. Mas continuou. ‘E como ele está?’
‘Como ele está?’ repetia alto esperando que respondesse alguma coisa. Olhou para a frente vendo que o menino, ainda escondido, levantava a mão para fora do cobertor fazendo um sinal de “jóia” e franziu a testa, entendendo o recado.
‘Hm. Levando...’. Não era bem isso que queria que ela dissesse, mas ela não tava afim de mentir.

Durante as semanas que se passavam ligava todos os dias pra . Ele nunca atendia, ou não estava, ou o celular estava fora de área. Isso a deprimia cada vez mais, tinha certeza do quanto o garoto estava a odiando nesse momento. Escreveu uma série de cartas e enviava quase todos os dias, sem resposta nenhuma. Ela queria morrer, sim, viver sem era muito mais difícil do que ela pensava.

estava parado olhando pro teto. Não gostava de ficar sem fazer nada porque inevitavelmente lembrava de . Aliás, lembrava dela o tempo todo, e isso já estava dando nos nervos. Das cartas que ele recebia, lia algumas e as outras apenas guardava, dependendo do dia. Respondia todas mas não tinha coragem de enviá-las. Sua caixa de e-mail estava lotada de mensagens dela, mas ele não gostava de olhar. Estava com medo e com raiva daquilo tudo. Lembrava de cada toque, de cada sorriso e da maneira engraçada com que ela se indignava com as besteiras dele. Não tinha deixado de amá-la nem por meio segundo. Mas sabia que precisava seguir em frente, e aquilo tudo não estava adiantando. Escreveu uma carta e dessa vez, tremendo, colocou no correio. Depois disso ficou chorando por horas seguidas. Estava chorando previamente sem saber a reação que ela teria. Estava machucado. E de uma maneira humana e egoísta, queria que ela se sentisse da mesma forma. Mal sabia ele que a menina não sorria a dias, e chorava todas as noites.

já não acreditava mais que o garoto fosse responder alguma de suas cartas. Essa idéia era desesperadora, mas já fazia quase dois meses que ela tinha deixado a cidade e ele nem sequer havia falado com ela. Sentia uma dor insuportável no peito só de lembrar disso. Era uma sexta feira a tarde e seus pais haviam saído. Amarrou os cabelos desajeitada e foi alugar um DVD. Precisava tirá-lo da cabeça, nem que fosse por alguns minutos. Johnny Depp sempre ajudava nesses casos, sorriu. Estava voltando com uma latinha de coca em uma mão e o DVD na outra, quando resolveu olhar pela milésima vez a caixinha do correio. Quando viu que tinha uma carta de dentro dela, deu um pulo pra trás e derrubou toda a coca na blusa. Sentiu os joelhos amolecerem e o estômago revirar. Não estava esperando por aquilo. Entrou em casa correndo tirando a blusa molhada. Sentou no sofá e com uma pressa enorme rasgou o envelope. Sentia as lágrimas escorrerem pelo rosto ao ler a carta.

. Gostaria de poder embalar meu coração em plástico bolha, em caso de eu cair e ele partir. Eu não sou Deus, eu não posso mudar as estrelas. Eu não sei se existe vida em Marte”

Franziu a testa sem muito entender a primeira parte da carta. Mas sorriu. Aquilo era MUITO , ele sempre escrevia coisas estranhas, pensou.

“Mas eu sei que você magoou as pessoas que você ama e aqueles que se importam com você. Eu não quero ter nada a ver com as coisas pelas quais você está passando”

As lágrimas escorriam e aquelas palavras doíam muito. Pensou seriamente em parar de ler, mas já estava ali mesmo. Aquilo não podia piorar.

“Essa é a última vez, eu desisto desse meu coração. Estou te dizendo que eu sou um homem quebrado que finalmente percebeu. Você está em pé sob o luar, mas você é podre por dentro. Quem você acha que é pra chorar? Isso é um adeus. Estou um pouco tonto e confuso. Mas a vida é uma vadia, assim como você. Todos os meus dias viraram noites, porque eu estou vivendo sem você na minha vida. E você escreveu um livro, sobre como ser mentirosa e perder todos os seus amigos. Eu não signifiquei nada? Eu fui apenas outro fantasma que esteve em sua cama? Isso é um adeus.”

jogou o papel longe e começou a chorar compulsivamente. Aquela carta mais parecia uma facada que tinha atravessado seu peito. Nunca tinha sentido aquilo antes. Estava tonta, caída no chão da sala. Sabia que aquilo era real, que estava muito machucado e que a odiava. Mas ele havia pegado pesado. Muito pesado. Queria ligar pra ele e xinga-lo de todos os nomes possíveis mas sabia que não conseguiria. Chorou por várias horas e adormeceu deitada no tapete. Acordou um tempo depois, com o rosto vermelho e com o peito doendo. Olhou de novo para carta e reparou que ele tinha devolvido o anel que ela tinha lhe dado. As lágrimas surgiram nos olhos, mas ela segurou. Começou a gritar e tentar abafar o barulho com uma almofada no rosto. Aquilo era demais. Ele simplesmente não merecia mais que ela chorasse por ele. Aquele não era o amor de sua vida, era um cara egoísta que tinha a machucado como ninguém nunca tinha feito antes. Quebrou um vaso contra a parede e sentou decidida. Iria tirar da cabeça, custe o que custar.

Capítulo 3:

voltou a realidade quando sua amiga disse alguma coisa dentro do carro. Estava impressionada como três anos depois ela ainda conseguia lembrar exatamente as palavras que tinha usado naquela carta. Aquilo lhe fazia ficar meio tonta, inevitavelmente. Pulou para o banco de trás para ir fofocando com a amiga. estava se mudando com ela porque seus pais tinham mudado de país e como as mães das duas eram muito amigas ela acabou ficando.
‘Meninas, vou parar pra abastecer e ir ao banheiro’ a mãe de disse. As duas se entreolharam contentes com o fato de que poderiam esticar as pernas. ‘Toma meu cartão de débito filha... Comprem alguma coisa pra vocês comerem’ abriu um enorme sorriso. Ela simplesmente AMAVA lojas de conveniência. Tinha o costume de ir de madrugada em lojas assim com Tom, e as amigas. Compravam várias besteiras e ficavam rindo e comendo sentados na calçada. Aquilo sim era divertido, pensou.

Desceram do carro e foram andando em direção ao banheiro.
‘Céus, estou tão apertada’ dizia apertando o passo, fazendo a amiga rir. usou o banheiro mais rapidamente que ela e ficou olhando para seu reflexo no espelho. Como tinha mudado. Era estranho voltar para aquela cidade. Começou a encarar a mão direita onde tinha um enorme anel de compromisso. Sim, ela estava namorando a cerca de cinco meses com um cara chamado Nathan Miller. saiu do box do banheiro e olhou para amiga, que ainda encarava as mãos.
‘Já está sentindo falta do seu perfeitinho?’ ela riu.
‘Sabe que ainda não?’ as duas gargalharam enquanto fazia um olhar de indignação e lavava as mãos.
Tá aí. Perfeitinho. Apelido que caía muito bem para Nathan. Ele era herdeiro de uma pequena fortuna, além de ser lindo- tinha os cabelos quase loiros e os olhos esverdeados, era alto e parecia um modelo- era super simpático e inteligente. O genro que sua mãe havia pedido a Deus, ela riu. As duas saíram do banheiro e foram até a loja de conveniência. Pegaram várias Cocas, Red Bull, salgadinhos, bolachas, chocolates e chicletes. Estavam rindo muito porque tinha dito alguma besteira absurda. estava feliz com a companhia da amiga. foi a primeira amiga que ela tinha feito na outra cidade, e ela a ajudou muito. Era ótimo que ela viesse com ela para essa nova etapa de sua vida. olhou para a frente e viu que tinha algumas pessoas que passariam as compras primeiro. Olhou para e disse:
‘Gatíssima, preciso ligar pra alguém. Pague nossas compras e me encontre lá fora’ ela disse, entregando o cartão da mãe para a menina.
‘Mas eu não sei a seeeenha’ a menina riu, fazendo bico. pegou o celular da amiga e anotou a senha nele, piscando. sorriu e viu a amiga sair pela porta da loja. Caminhou lentamente com o celular nas mãos, animada. Discou o número que seus dedos já estavam viciados em discar e esperou.

estava ouvindo Artic Monkeys no último volume e jogando uma bolinha pra cima. Estava entediado e Tom estava no banho.
‘Sai logo daí seu maricas, eu quero acabar com a sua raça no videogame’ ele gritava em vão porque o som estava realmente ensurdecedor. Ouviu um barulho distante do que parecia ser o telefone. Saiu correndo tropeçando nos tapetes e atendeu, apoiando o telefone na frente da caixa de som enquanto tentava diminuir o volume.

pulou pra trás e deu um grito altíssimo quando ouviu um solo de guitarra no seu ouvido. , que já tinha conseguido diminuir o volume, desatou a rir do outro lado. A menina saiu correndo para o banheiro do posto envergonhada porque todos olhavam pra ela. Ele continuava rindo do outro lado e ela começou a rir muito porque achou a risada dele engraçadíssima.
‘Residência Fletcher’ ele falou, ainda sem fôlego.
‘Legal você tentar me deixar surda.’ Ela disse rindo. não reconheceu a voz mas achou engraçado a menina ter levado aquilo numa boa. ‘Er... quem fala?’ ele disse ainda sem saber.
, e quem é você criatura?’
começou a rir. ‘A famoooooosa ’ e continuou ‘É realmente um prazer conversar com você’.
‘Famosa?’ ela riu. Não sabia que Tom falava dela pros amigos. Achou divertido.
‘Sou o , ao seu dispor’ ele disse engraçadamente, e a menina começou a rir de novo.
‘Cara, sua risada é engraçada’ ela disse, tentando segurar o riso.

Tom gritou lá de cima perguntando com quem ele estava falando. deu de ombros, respondendo calmamente.
‘Uma gatinha aê, que me ligou...’ ele riu e ela também.
‘Nenhuma gatinha te liga na minha casa, . Aliás, nenhuma gatinha te liga’ Tom gritou e corou na sala, porque sabia que a menina tinha escutado por causa do viva voz que estava ligado.
‘Outch!’ começou a rir.
Tom repetiu. ‘Fala logo quem é seu merdaaaa’
‘Não me trate assim Tom, se não eu vou dormir na casa do meu amante hoje.’ E desatou a rir. ‘Corre, é a cara!’

Tom desceu as escadas correndo e tropeçando quando ouviu o nome dela. Estava com muitas saudades e fazia tempo que ela não ligava, apesar de terem se falado no Msn alguns dias antes. Pegou o telefone da mão do menino estabanado e quase caiu de novo. riu.
?’ ele perguntou, animado. tentou mudar a voz pra zoar com a cara do amigo, porque percebeu que ele estava muito empolgado em saber que era ela. Afinou a voz de uma maneira estranha e respondeu:
‘Quem é essa Tomzinho? Não lembra de mim não? Sou eu, Vanessa!’
segurou o riso porque sabia que não tinha Vanessa nenhuma do outro lado da linha. Tom arqueou a sobrancelha e tacou uma almofada no amigo, sem entender muito.
‘Quem?’ ele retrucou, e não conseguiu se segurar.
‘GORDIIIIIIIIIIIIIIIIIINHO’ ela gritou com toda a força dos pulmões sem se importar de estar em um ambiente público. Tom abriu um sorriso de orelha a orelha e suspirou.
‘Cara, eu não sou mais gordinho, por favor...’ disse envergonhado vendo que quase molhava as calças de tanto rir.
‘Ai, que viaaaaado’ disse e riu também.
‘Você não dorme aqui hoje então’ ele fechou a cara fingindo estar bravo. apenas deu de ombros. ria horrores do outro lado.
‘Tudo bem, eu tenho meu amante...’ e continuou, vendo Tom rolar de rir ‘ é muito mais sexy que você na cama’ Os dois começaram a rir e perceberam que a menina tinha ficado muda do outro lado da linha. Eles tinham tocado no nome de , sem querer. olhava pro espelho com uma cara desesperada porque só agora lhe caíra a ficha de que iria vê-lo em poucas horas. Estava muda.
?’ Tom perguntou, preocupado.
‘Er... desculpe gordinho, eu só me distraí com algumas pessoas passando. Eu estou em uma loja de conveniência.’ Ela riu, tentando disfarçar. Tom riu também.
‘Está meio cedo para lojas de conveniência, elas só tem graça depois da meia noite’
‘Eu sei. Mas eu precisava comprar besteiras, estou viajando.’ Ela disse.
‘Sério? Que legal, está indo pra onde?’ o menino perguntou interessado.
‘Para casa’ ela suspirou.
‘Ah, achei que você estava indo e não voltando de viagem’ Tom disse sem entender.
‘Mas eu estou indo...!’ riu.
‘Como é que é?’ Tom não estava entendendo nada. A tava bêbada? Pensou e riu.
‘... indo para a minha verdadeira casa.’ Ela continuou. ‘Eu estou indo praí Tom’
O menino ficou gelado e pálido e não sabia o que dizer. Uma felicidade imensa tomou conta dele e ele e sorriram. estava feliz porque sabia o quanto Tom se importava com aquela garota.
‘SÉRIO?’ ele gritou ‘YEEEEEY!’ ele começou a pular feliz e riu de novo. ‘vai passar quanto tempo aqui?’
arqueou a sobrancelha porque percebeu que o amigo ainda não tinha entendido que ela estava VOLTANDO, só que pra ficar. Riu sozinha e respondeu.
‘Pra sempre, que tal? Eu estou voltando pra morar aí Tom, estou no meio do caminho’ disse sorridente.
Tom quase engasgou e parecia não acreditar. Estava indescritivelmente feliz. Sua menina estava voltando, e como sentira falta dela. Das tardes jogando conversa fora, das noites nas lojas de conveniência. Estava ainda caindo na real que ela estava voltando.
‘Tom? Toooom?’ a menina riu do outro lado. ‘Meu Deus, eu te matei gordinho?’
pegou o telefone da mão do amigo sorridente e falou com ela ‘Que nada, esse aqui ainda ta longe de morrer. Ta parecendo um idiota rindo e...’ Tom pegou o telefone de volta e deu língua.
‘Cara, eu to MUITO feliz em ouvir isso , você não sabe o quanto’ Ele disse, sinceramente. sorriu. Morria de saudades de seu gordinho, e adorava saber que estaria com ele em poucas horas.
‘Eu sei o quanto. Eu também estou adorando essa idéia’ ela riu, e ficava imitando choro do outro lado pelas declarações que os dois faziam.
‘Tom, quando eu desligar aqui, ligue para a . Ela sabe que eu estou voltando e...’ Tom interrompeu.
‘E não me contou? Aquela VADI...’
‘TOM!’ e interromperam entre risadas.
‘Eu pedi pra ela não contar’ ela sorriu. ‘Mas enfim, minha mãe está buzinando e antes que ela me esqueça num posto de gasolina no meio do nada, eu preciso ir.’ Ela riu. ‘Ligue para , e corra pra casa dela. Estarei aí em poucas horas. Quero vocês TODOS me esperando na porta da minha casa. Ai de quem não estiver lá!’ ela disse, em tom de ameaça. deu de ombros porque sabia que o convite não chegava até ele. A menina continuou ‘Você também, . Eu te dou um peteleco se não estiver lá!’ O garoto riu orgulhoso porque realmente queria ir. Queria conhecer a “Famosa ”.
‘Ok, vou correndo pra lá!’ Tom disse, sorridente.
‘Te vejo daqui a pouco, gordinho. E você também, menino-da-risada-engraçada’ ela riu, e eles também. ‘Beijos na bunda’ ela disse, e desligou o telefone, correndo até o carro. Tom desligou o telefone com uma felicidade que não sentia a tempos. Saiu correndo em direção a porta de casa e gritou:
‘Bora , a gente liga pra do caminho’. começou a rir do que estava vendo.
‘Cara, se liga, você ta de toalha!’ Tom corou e subiu as escadas correndo pra colocar uma roupa.
‘Doooois minutos! Vai ligando pra aê’

Alguns minutos depois e Tom estava sentados no sofá da casa de conversando animadamente com a menina. Estavam todos empolgados com a volta de depois de tanto tempo.
‘Sério, na hora que ela me disse eu quase caí pra trás e...’ ia falando quando foi interrompida subitamente por .
‘Posso falar uma coisa?’ ele disse sério. Tom deu de ombros e concordou. ‘Fala, !’
‘Eu estou muito feliz com a volta da amiga de vocês e tal... mas eu também estou MORRENDO de fome’ os três começaram a rir do comentário e apertou as bochechas dele
‘Eu sou esperta, amorzinho. A ta vindo pra cá com pizzas pra gente passar o tempo e não morrer de fome’ ela piscou. corou porque ouviu o nome de e abriu um imenso sorriso ao ouvir falar das pizzas. Voltaram a conversar e ouviram a campainha tocando. A dona da casa saiu correndo pra receber que chegava super empolgada.
‘Gente, a vai voltaaaar!’ ela pulava com as pizzas nas mãos, enquanto Tom ria.
‘Pára TUDO! Tá fazendo o que aqui ?’ a menina riu sem entender. Ele não conhecia , não fazia sentido que estivesse lá.
‘Nossa, bom saber que você está feliz em me ver ’ ele riu. ‘Pra sua informação, a PRÓPRIA me convidou a recebê-la também. Ela achou que eu tenho a voz sexy.’ Disse, se gabando enquanto Tom desatava a rir.
‘Eu achei que ela tinha dito que achou sua risada engraçada’ o amigo zuou e deu língua. As meninas se entreolharam sorridentes.

Já tinha se passado uma hora e os quatro estavam se divertindo com o som no último volume e jogando conversa fora. O celular de tinha tocado três vezes mas ele não ouviu porque tinha deixado em cima da mesinha da sala. Na quarta vez, quando o celular estava prestes a cair no chão, viu e gritou, fazendo Tom quase cair da cadeira e quase engasgar com a Coca de tanto rir.
‘SEU CELULAR TÁ TOCAAAANDO SEU LOOOOSER!!’
O garoto deu um pulo pra trás e conseguiu pegar o aparelho antes que ele caísse no chão. Atendeu afobado sem olhar quem estava ligando, fazendo sinal para que Tom diminuísse o volume do som.
‘ALÔ ALÔ!’ Disse, quase gritando.
‘Nossa cara, sua mãe não te ensinou que quando o telefone toca é pra atender?’ riu do outro lado da linha. ‘Eu te liguei umas 200 vezes e nada’ riu.
‘Desculpa, o som tava alto e eu tava longe do celular... me ligou pra que dude?’
‘Pra nada. Ta fazendo o que aí?’
‘Comendo pizza e ouvindo música!’ ouviu os gritos histéricos de que estava rolando no tapete com Tom que tentava enfiar um pedaço de pizza na boca dela. riu alto e ficou sem entender.
‘Nossa cara, quem tá aí? perguntou rindo, porque sabia que estava na área, os gritos frescos dela eram inconfundíveis.
‘Eu, Tom, e . Estamos na casa da , aliás...’ disse quase sem fôlego porque ainda ria da cena que acontecia na frente dele. Sentiu o amigo murchando do outro lado da linha.
‘Na é? Ok, vai lá se divertir cara, eu tenho umas coisas pra fazer aqui’ disse desligando o telefone. não entendeu muito o que ele queria, mas deu de ombros e se jogou em cima de Tom fazendo um montinho com .

‘Que foi cara? Ele tá aonde?’ perguntou enquanto tomava o resto de sua cerveja.
‘Na ... estão todos lá’ disse, sentando em frente ao amigo na mesa do pub onde estavam.
‘Ah ta... entendi sua cara agora!’ riu e fez careta. ‘Bora pra lá? Esse pub não ta nada divertido hoje, parece que todo mundo resolveu ficar em casa...’ continuou.
‘Ah não cara. Sei lá, é estranho ir na casa da depois de tudo’ disse bebendo sua cerveja.
‘Eu achei que vocês tinham superado e que não estavam mais brigando’ o amigo disse preocupado.
‘Mas a gente não tá mais brigando. Eu odeio brigar com ela, aliás. Mas ainda acho estranho aparecer por lá’ riu.
‘Deixa de ser gay, vamos pra lá que eu tenho certeza que ela não vai ligar. Hoje você paga a conta!’ disse correndo do bar e deixando o amigo sozinho na mesa, rindo.

e estavam de carro então chegaram em menos de cinco minutos na casa de . não estava muito afim de entrar, mas foi convencido pela empolgação que estava. Na verdade era sempre muito divertido quando todos se reuniam, não importava aonde. Tocaram a campainha insistentemente, mas ninguém ouvia.
‘O negócio ta bom lá dentro’ gargalhou e apertou o dedo contra a campainha, novamente.
Tom tentava fazer os amigos adivinharem sua mímica quando ouviu um barulhinho muito distante – e irritante- e perdeu a concentração.
‘O rei leão!’ pulou, achando que tinha acertado. Tom fez um sinal negativo com a cabeça e a menina riu.
‘Cara, o que quer que isso seja, a sua interpretação ta péssima’ gritou, rindo.
‘Eu sou um ótimo ator ok?’ Tom gargalhou. ‘ , EU ACHO que ta tocando a campainha.’ Ele riu. abaixou o volume do som pra terem certeza e foi quando ouviram um barulho absurdo da campainha que estava quase sendo quebrada de tanto que tocavam. Os quatro gargalharam e foi correndo até a porta, andando de costas pra tentar ver o que Tom estava imitando. Abriu a porta e quando olhou pra trás, tomou um susto.
‘HULK!’ gritou e Tom pulou em cima dele porque ele tinha acertado. começou a rir porque aquilo não se parecia nada com o Hulk.

olhou para a cara sorridente de e para a cara de vergonha de , e instintivamente, bateu a porta na cara deles, com força. Os três que estavam na sala se assustaram com o barulho e olharam para a menina.
‘Assombração amiga?’ perguntou rindo.
‘PIOR!’ tentou falar baixo e percebeu que a menina estava pálida.
‘Que foi fofa?’ disse preocupado.
‘O ta aí fora e...’ foi interrompida por Tom.
‘Eu achei que essa merda de birra de vocês dois tinha acabado’ disse, parecendo nervoso.
‘E acabou, mas o problema não é esse’ ela virou os olhos. ‘Ele está com o
Os quatro se entreolharam desesperados.

caminhava até o carro nervoso e gritou:
‘Cara, deixa de ser idiota, ela não bateu a porta porque te viu’
‘E foi porque então?’ disse angustiado.
‘Não sei. Vamos descobrir, volta aqui’. começou a tocar a campainha novamente e gritar. ‘Tá rolando uma suruba aí dentro e vocês não nos convidaram? MANCADA!’ gargalhou. ‘Fala pro colocar as calças porque tá na minha vez’ desatou a rir com o comentário. Os quatro lá dentro ouviram e normalmente rolariam no chão de rir, mas ninguém disse nada.

‘Ele tem que ir embora!’ disse apertando o braço de nervosa, que por sua vez gostou daquilo, mas disfarçou.
‘Eu não posso mandá-lo embora, tá louca?’ sussurou.
! A vai chegar em menos de uma hora. O NÃO PODE estar com a gente quando ela chegar’ Tom disse angustiado. concordou.
‘Ela não me pareceu muito feliz quando eu toquei sem querer no nome dele hoje no telefone’
‘Céus, eu não posso deixa-lo lá fora! Vou ter que abrir a porta!’ disse tampando os ouvidos porque não tirava o dedo da campainha.
‘Mas aí vamos ter que explicar pra ele!’ gritou. Os dois lá fora ouviram e ficaram sem entender do que estavam falando. parecia realmente nervosa.
ouviu o berro da menina e arqueou a sobrancelha preocupado, enquanto do outro lado da porta, tampava a boca da menina pra que ela não continuasse gritando.
, abre a porta.’ Tom falou e olhou pra ele em sinal de reprovação- e preocupação. Tom continuou ‘Ele vai ter que saber alguma hora. Só digo que não vou ser eu quem vai contar, eu já contei que ela tinha ido embora, não to afim de ter aquela sensação de novo’. Ele terminou, sentando no sofá. abriu a porta.

e entraram fazendo piadinhas sobre a situação pra quebrar o gelo, mas apenas os dois estavam rindo. Sentaram no sofá e jogou uma lata de Coca pra cada um, sem dizer uma palavra.
‘Ok. Isso aqui ta estranho!’ disse abrindo a latinha. Tom olhou desesperado pra como quem se arrependera de dizer pra ela abrir a porta. Olhou pra e foi andando pra cozinha.
‘Vou beber... água!’ ele desculpou.
Os outros cinco ficaram em silêncio quando o amigo saiu. sentiu algo estranho no peito. Sabia que eles tinham alguma bomba pra contar e estava com medo do que pudesse ouvir. Mas aquele silêncio era ainda mais angustiante. Resolveu perguntar.
‘Quem vai ser corajoso de contar pra mim o que vocês tanto estão escondendo?’ Tom ouviu da cozinha e enfiou a cabeça dentro da geladeira como quem procurava algo, rezando pra alguém ter coragem de contar. Mais dois minutos se passaram e ficou nervoso.
‘Ok, não gosto dessa situação. Vou embora, quando deixarem de ser maricas e resolverem dizer, me chamem’ ele disse se levantando e indo em direção a porta. olhou para as meninas que estavam desesperadas e soltou:
‘A ta voltando, cara.’

cuspiu a coca que estava na boca como um reflexo. Olhou pra trás e viu que Tom estava encostado na porta da cozinha, sem reação. arregalou os olhos porque também não sabia de nada.
‘O QUE?’ Ele se virou pra com um olhar suplicante.
‘É sério, dude. Ela ta voltando de vez, e em menos de uma hora ela estará aqui’
sentiu os joelhos amolecerem e ficou tonto imediatamente. Começou a lembrar de tudo que ele e tinham passado. Da alegria e da dor que tinha sentido com aquela menina. Ela não podia fazer isso, não podia. Não era justo ela voltar. Estava com medo de vê-la novamente e descobrir que não tinha a esquecido. Estava com raiva de olhar pra cara da garota que foi embora sem se despedir três anos antes. Piscou os olhos com força como quem queria descobrir que estava sonhando. Não podia ser verdade.
, eu sei que isso é estranho mas...’ ia dizendo quando foi interrompida.
‘Estranho? ESTRANHO? Porra, porque ninguém nunca me avisa uma coisa dessas? Eu tenho que ser o último a saber de tudo?’ berrou. Tom percebeu o susto que tomara com a reação de e resolveu intervir.
‘Pára de gritar !’ ele disse, sério. ‘A culpa não é da que você está nervoso! Nem nossa, aliás! E se você quer saber, todos nós acabamos de descobrir que ela estava vindo... faz menos de duas horas que ela ligou... só a que soube ontem, mas a pediu segredo. Agora deixa de ser histérico porque eu odeio isso. Faz 3 anos, . TRÊS ANOS.’ Tom terminou de falar com um tom de voz um pouco alterado. se assustou porque era estranho ver o amigo se referir a por “ ”. agradeceu com o olhar tudo o que Tom havia dito. abaixou o olhar como quem concordava com o que Tom acabara de dizer. Apenas completou, com um tom de voz baixa, quase inaudível.
‘Desculpe , eu não quis gritar com você... E quanto tudo o que você disse Tom, eu entendo, mas acho que você ainda não parou pra pensar que foi a mim que ela deixou sem nem dizer um mero tchau, três anos atrás...’
’ Tom continuou mais calmo. ‘Cara, você sabe que eu te amo, que a gente te ama, e isso não é uma declaração gay nem nada...’ sorriu. ‘Todos nós sabemos o quanto você sofreu. Agora por favor, não tente nos fazer lembrar de tudo aquilo de novo. Ela vai voltar, cara. E não posso mentir pra você, eu estou radiante com a idéia.’ Tom sorriu. ‘E você vai ter que se acostumar com isso’.

apenas concordou com a cabeça e foi abraçado por . Estava um pouco mais calmo, mas ainda assim estava com vontade de gritar ou algo nesse nível. se levantou e foi em direção ao amigo.
, ei...’ ela disse, fazendo com que ele olhasse pra ela. ‘A chega aqui em minutos. Nós temos que ir pra porta da casa dela espera-la. Não sei se é uma boa idéia você estar lá também, pode ser estranho...’ ela disse, cabisbaixa. O garoto sorriu levemente.
‘Ok , eu entendo. Não precisa continuar, eu estou indo pra casa. Não tô afim de encontrar com ela, preciso me acostumar com a idéia ainda. Vou nessa, não quero mais atrapalhar vocês’, disse, sinceramente.
‘Você não está nos atrapalhando disse.
‘Eu sei que não. Mas vocês tem que ir, e eu também.’ Ele se levantou, andando em direção a porta. ‘Até depois’.
‘Hey, !’ gritou. ‘Espera cara, eu vou com você e...’
‘Não , não precisa. Vai com eles você vai... gostar de conhecê-la, não posso negar.’ Ele sorriu. ‘Eu preciso ficar sozinho’. fechou a porta atrás de si e todos se entreolharam em silêncio.
‘Ok, eu acho que devemos ir também não?’ disse, levantando. ‘Sabe , a ta louca pra me ver, ela disse que eu tenho a voz sexy e tudo mais’ Tom e desataram a rir com a mentira, e deu um tapa na cabeça dele, rindo. não entendeu muito, mas seguiu os outros três, que saltitavam felizes por reencontrarem .

Capítulo 4:

caminhava lentamente com as mãos nos bolsos pelas ruas da pequena cidade. Sua cabeça doía e estava a mil. Não sabia se ria, se chorava, se ficava bravo com a situação ou desesperado. Teve que admitir pra si mesmo uma coisa: apenas conseguia fazê-lo sentir aquele turbilhão de sensações simultâneas. Não sabia se isso era bom ou ruim, fato. Chegou em casa mas seus pais não estavam. Agradeceu mentalmente quando se lembrou que eles iam passar uns dias fora. Abriu a geladeira e pegou uma garrafa de cerveja. Mais que rapidamente, tomou quase toda, direto do gargalo, sem interrupções. Caiu no sofá e ficou olhando para o teto, sem saber o que fazer.

Tom, , , e estavam sentados na calçada em frente à casa de a pelo menos vinte minutos. contava piadas para tentar passar o tempo mas os amigos estavam ansiosos demais para dar risada. Até olhava no relógio de cinco em cinco minutos porque estava curioso para a chegada da menina. Tinha tentado ligar pra umas duas vezes mas o amigo não atendeu, então ele concluiu que se ligasse mais uma, ia sobrar pra ele e iria descontar toda sua raiva em um inocente, pensou, rindo sozinho.

estava cansado de olhar pro teto e já estava em sua segunda cerveja. Era a segunda para ele, mas a última da geladeira. Ficou puto e resolveu comprar mais uma no buteco da esquina. Assim que comprou a garrafa, resolveu andar um pouco. Ficar em casa definitivamente não ajudaria em nada, ele só ficaria pensando no que não queria pensar. Olhou de longe os cinco amigos que riam de alguma besteira que estava dizendo, sentados no chão. Sorriu sozinho. De alguma maneira, ele queria estar lá, e nem ele mesmo sabia explicar o porque. Viu ao longe um carro preto se aproximando da garagem da casa de . Tomou um grande gole de cerveja. Era isso. Era agora. estava chegando.

Ao ver o carro se aproximando todos se levantaram extremamente empolgados. olhou pela janela e viu que os amigos estavam mesmo lá. Sentiu um calor enorme por dentro e a adrenalina foi a mil. Como estava com saudade daqueles rostos, daquelas pessoas. Sua mãe estava demorando demais para manobrar o carro. Sem pensar duas vezes, a menina abriu a porta com o carro ainda em movimento e pulou pra fora, quase caindo. arregalou os olhos assustado e viu a menina correndo na direção deles.
‘GORDIIIIIIIINHOOOOOOOOOOOO’ ela correu e pulou em cima de Tom, quase derrubando o garoto na grama. Todos começaram a rir muito e ele a apertou com força, rodando e quase caindo.

não conseguiu segurar o riso de longe. Não sabia se estava rindo do grito da menina ou da quase morte de Tom, que cairia feio pra trás se não fosse o segurando. Começou a rir porque se lembrou que tinha visto aquela cena pelo menos umas 200 vezes na vida, e todas as vezes que pulava, Tom nunca conseguia segurá-la. Olhou para a menina com atenção. Céus, como estava linda! Os cabelos estavam mais compridos, estava mais alta e agora já era uma mulher. Sentiu o coração apertar de repente.

‘Cara, não me chama de gordinho, eu nem sou mais e...’ Tom ia falando com um sorriso enorme no rosto quando foi interrompido.
‘Não me estressa, Tom Fletcher. Eu te chamo de gordinho o quanto eu quiser, você sempre será o meu GORDINHO!’ Ela gritou alto e todos começaram a rir. Ainda estavam abraçados e agora e também abraçavam os dois.
‘Eu senti TANTO a falta de vocês’ ia dizendo rindo. Estava muito feliz, não se sentia assim a tempos.

desceu do carro e começou a rir porque e estavam se abraçando porque tinham ficado no vácuo. Achou os dois MUITO gatos, mas não podia comentar porque estava sendo sufocada pelos outros três. Sorriu para os meninos e foi falar com eles.
‘Prazer, ’ sorriu tímida, estendendo a mão para . ‘Sou amiga da . Vou morar aqui também’ ela continuou. Os dois estavam babando porque realmente tinham achado a menina linda. se desvencilhou dos amigos rindo e com lágrimas nos olhos, de tanta felicidade. Olhou para um um tanto quanto boquiaberto e para um meio bobo. Começou a rir.
‘Ei, fecha a boca, . É minha amiga, não um pedaço de carne’ e desatou a rir. corou imediatamente quando todos começaram a sacaneá-lo.
‘Prazer, menino da RISADA engraçada. Ouvi dizer que você andou falando que eu achei sua voz sexy? Não me lembro disso’ mostrou o dedo pra que gargalhava com tudo aquilo. Olhou para que agora babava olhando . Riu sozinho. A menina era realmente A MENINA. Linda demais, não estavam exagerando nas descrições. Sentiu que aquele ano ia ser no mínimo, divertido.

estava conversando com quando olhou para o fim da rua e viu um menino bebendo cerveja e olhando para eles. Cerrou os olhos porque estava meio escuro e queria enxergá-lo melhor. Voltou os olhos para quando percebeu quem era.

via os amigos animados conversando na porta e resolveu ir embora. Não sabia se estava paranóico ou bêbado, mas a menina desconhecida tinha olhado pra ele. Aquilo estava começando a ficar perigoso, então deu meia volta e foi para casa.

, sua mãe falou pra você chamar o povo, entrar em casa e pedir uma pizza’ disse.
‘Magina, que é isso, não precisa não...’ negou.
‘Claro que precisa, eu estou morta de fome’ riu.
‘É, eu também, quando eu cheguei na casa da já tinham comido tudo!’ fez bico e todo mundo riu.
‘Isso é um ABSURDO!’ fingia indignação, rindo. ‘Como vocês podem deixar o pobre menino passando fome? Vem , vamos pedir uma pizza’ ela disse, o puxando pra dentro. O menino riu e foi com ela.
‘Nós não temos mesa, mas temos várias caixas’ riu.
‘Caixas até demais’ concluiu, rindo.
‘Tipo, só tem um problema... Eu acabei de chegar e não sei o número da pizzaria, vamos ter que...’ ia dizendo quando , em questão de segundos, sacou o telefone do bolso e começou a discar rapidamente.
‘Que sabor queremos mesmo?’ ele disse, calmamente.
arregalou os olhos com a rapidez do menino e todos começaram a rir.

Era quase três e meia da manhã quando os cinco resolveram voltar pra casa. não queria deixar que fossem embora, mas foi obrigada a concordar que estava tarde. Se despediu dos amigos com um sorriso enorme no rosto, assim como . Fechou a porta atrás de si e ficou olhando pela janela eles irem embora. Se sentia indescritivelmente feliz ao lado deles.

Ao chegarem no fim da rua, os meninos se separaram para levarem e em casa. Tentaram combinar algo pra fazer quando acordassem, mas estava com sono e bocejando, pedindo pra que andassem logo. Resolveram decidir depois.
‘Ok, então vamos ? Temos que levar a mocinha aqui em casa ainda’ disse, apontando pra , que corou involuntariamente e se sentiu idiota por isso.
‘Eu vou dormir no Tom hoje cara. Leva ela lá, a gente leva a que é caminho...’ ficou muito sem graça com a situação, mas rapidamente olhou para ele e disse:
‘Vem logo , eu sou boazinha, não vou matar você no caminho’ Ela riu e piscou pra ele. Não sabia de onde tinha vindo a coragem para dizer isso, mas ficou feliz. piscou para amiga e puxou Tom pelo braço.
‘Vambora gordinho, o vai cuidar bem da , eu sei que vai.’
Todos riram e seguiram seus caminhos. puxou pelo braço e foi segurando nele o caminho todo, sem dizer uma palavra. estava sorrindo engraçadamente por aquela cena. Definitivamente, a volta de tinha feito bem a . Pensou, e sorriu sozinho.

observou os amigos até perdê-los de vista. Tirou as botas e caiu de costas no colchão, que estava no chão porque a cama não estava montada ainda. Estava feliz. Tão feliz que nem estava lembrando que teria que ver . Se cobriu com o edredon porque a amiga estava demorando e acabou adormecendo, de calça jeans e maquiagem.

Capítulo 5:

No dia seguinte acordou ainda meio perdida por causa da mudança. Não estava achando seu celular, então desceu as escadas ainda sonolenta,sem saber que horas eram. Encontrou sentada na cozinha, lendo uma revista.
‘Até que enfim, achei que fosse ter que bater panelas no seu quarto pra você acordar’ a amiga riu.
‘Se você achasse as panelas!’ deu de ombros, e as duas riram. estendeu a mão mostrando o café da manhã em cima de uma caixa. foi andando lentamente até lá e abriu um iogurte.
‘Ei, a ligou. Nós vamos sair com ela e a trupe pra almoçar no shopping, daqui a pouco. Acho melhor você se arrumar’
‘Trupe?’ riu. ‘Ok, vou tomar banho rapidinho. Se eles chegarem, pede para me esperarem.’ concordou com a cabeça vendo a amiga subindo as escadas.
... me diz uma coisa.’ A menina olhou pra cima, falando mais alto pra amiga ouvir. ‘O shopping daqui é grande?’
‘HÁ-HÁ-HÁ!’ riu alto e ironicamente da pergunta. ‘Tão grande quanto essa cidade, meu amor’. soltou um olhar desesperado e quase caiu da escada de tanto rir.
‘Tá, agora eu vou tomar banho mesmo. Depois quero saber o que você ta achando daqui, nem tivemos tempo de fofocar’, ela disse.
‘Lógico, eu cheguei toda feliz no teu quarto ontem e você dormia que nem uma pedra!’ riu, vendo a amiga sumir no fim da escada.

e se encontraram no meio do caminho para a casa de . Estava calor e ela estava com um vestido um pouco curto, coisa que não pode deixar de reparar. Estava linda, era linda. E ele não queria admitir, mas gostava dela.
cadê o Tom? Você não tinha dormido na casa dele?’ Ela perguntou, fazendo com que o garoto a encarasse nos olhos.
‘Deve estar vindo, se não estiver lá já’ Ele riu. ‘Eu tive que ir em casa porque tinha esquecido minha carteira’
‘Ah tá... e o ?’ ela indagou.
‘Que tem ele?’
‘Falou com ele depois de ontem?’
‘Não, nem sinal. O ia ligar pra ele, não sei se conseguiu...’

estava se trocando rapidamente porque sabia que em questão de minutos todos apareceriam na casa dela. Colocou um short, seu tão querido All Star branco e uma camiseta mais longa, que caía no ombro. Estava procurando seus óculos escuros, mas no meio daquelas caixas todas, era praticamente impossível encontrar. Olhou para uma pilha de caixas e viu que em uma delas estava escrito “Acessórios”. Ficou na ponta dos pés para pega-la, e quando conseguiu puxar derrubou uma outra caixa junto, fazendo com que tudo se esparramasse no chão. ‘Droga!’

Dentro de uma das caixas estava uma outra caixa menor onde guardava boa parte de suas fotos. Sentou no chão, com as fotos caídas, e começou a olhar, esquecendo do tempo. Pegou uma foto em que estava com Nathan, seu namorado, e sorriu levemente. Ele realmente era bonito, talvez areia demais pro caminhãozinho dela. Riu sozinha. Viu algumas fotos da época do colégio, com Tom e , uma foto com as amigas que tivera feito na outra cidade, entre elas, . Enquanto olhava essa foto, colocou as mãos no chão sem olhar e pegou a foto seguinte. . Não pode segurar o sorriso ao olhar a foto. Como os dois pareciam felizes! Ela estava dando um beijo estalado na bochecha do garoto, que estava levemente corado e com um sorriso imenso. Eles estavam bem novinhos, deviam ter uns 12 anos ou alguma coisa assim. Achou graça, até que a ficha caiu. Ficou olhando para a foto e lembrando que agora em qualquer esquina o menino dos olhos mais lindos que já tivera visto poderia aparecer. Sentiu o coração quase pular pela boca quando ouviu um grande barulho nas caixas atrás dela. estava lá.
‘Menina, você quer me MATAR do coração?’ riu, tentando esconder a foto. apenas sorriu.
‘Ele estava aqui ontem’ disse, simplesmente.
‘Ele quem?’ fingiu não entender.
.’
‘Não estava não’ disse sentindo o peito apertar. ‘Impossível’
‘Estava sentado naquela esquina quando a gente chegou, observando. Tinha uma cerveja nas mãos. Era ele sim, eu vi.’
‘Não faz sentido’. não estava gostando daquele papo porque falar de lhe causava umas sensações estranhas. Na verdade fazia sim, todo o sentido do mundo. Ele podia simplesmente estar passando, afinal a cidade é pequena. Ou estava lá propositalmente, querendo ver quem se tornou a menina que ele tanto odiava.
‘Se você diz...’ deu de ombros e desceu as escadas pra atender a campainha que estava tocando.

‘Desce logoooo , que saco!’ Tom gritava no andar debaixo. e estavam conversando algo sobre o sumiço repentino de , estava falando ao celular e e estavam falando sobre algo que passava na TV.
‘Que pressa é essa?’ Ela riu, abraçando o amigo. Tom sorriu verdadeiramente. Como tinha sentido falta daquela garota. Até do tempo absurdo que ela levava pra se arrumar, ele sentiu falta.
‘Nossa, porque demorou tanto?’ perguntou pulando no pescoço da amiga, já com o celular desligado.
‘Estava atrás dos meus óculos escuros.’
Todos olharam para a cara dela imediatamente vendo que ela não estava com óculos nenhum. Ela riu.
‘... como eu ia dizendo, eu não encontrei’.
‘Ah ta!’ riu. olhou pra que estava de óculos escuros e os tirou do rosto menino.
‘EI!’ ele reclamou, rindo.
‘Encontrei um aqui, vambora que eu to com fome’ Ela gargalhou, enquanto abria a porta para os outros saírem.
‘Ih, pegou intimidade, agora agüenta!’ Tom bateu nas costas do amigo, andando e sorrindo.

‘Cara, eu acho que quero mais um Big Mac’
‘Sério , você é uma draga, nunca vi comer tanto assim’ disse e todos da mesa riram.
Estavam comendo seus lanches e jogando conversa fora sobre o que tinha mudado naquela cidade desde que tinha ido embora. O shopping em que estavam, por exemplo, estava muito maior. não conseguia acreditar como eles achavam aquilo grande. Mas para o que era, definitivamente estava enorme. Tinha dois andares agora, um cinema grande e lojas da moda. era o único que não estava na mesa porque tinha ido telefonar pra , sem que percebessem sua saída. Quando Tom reparou que o amigo tinha voltado, fez um sinal com a cabeça como quem perguntava se ele tinha conseguido alguma coisa. falou baixo.
‘Ainda nada, cara’. ouviu o que tinha dito e perguntou alto:
‘Ainda nada o que ?’
e Tom olharam para a menina com olhares de reprovação e ela se assustou.
‘Nossa, que foi que eu fiz?’
‘Nada...’ falou calmamente. Agora todos já olhavam pra ele. ‘É que eu tô tentando falar com o...’ murmurou algo quase inaudível ‘Dhusadhanny’.
‘QUEM?’ pediu pra que ele aumentasse o tom de voz., rindo alto.
.’ respondeu, calma, e todos olharam pra ela. ‘Não tem problema nenhum falar dele, . Tenho que me acostumar com isso’
‘Engraçado, ele disse quase a mesma coisa ontem’ coçou a cabeça levando um tapa de .
‘Ele... sumiu?’ perguntou, tentando não transparecer interesse na pergunta.
‘É... desde ontem não consigo mais falar com ele. Mas deixa quieto, ele sempre faz isso’. mentiu, tentando não preocupar a menina.
fez algum gesto brusco com as mãos e Tom arregalou os olhos vendo um anel de compromisso no dedo dela.
‘Que é isso?’ Ele perguntou, quase berrando. ficou sem graça.
‘Um anel...’ disse simplesmente. prosseguiu.
‘De compromisso.’
‘Tá namorando e nem me contou sua vaca?’ fingia indignação.
‘Namorando um dos caras mais cobiçados da minha cidade!’ riu, e todos da mesa ficaram em silêncio.
‘Não exagera, . Tem cinco meses que estamos juntos. Ele se chama Nathan Miller, é gato e eu estou feliz. Sem mais perguntas sobre isso.’ riu, e não conseguiu conter a expressão insatisfeita no rosto. Não por ele, mas achou aquilo estranho. Tinha pensado que quando voltasse ela ficaria com . mudou de assunto rapidamente e em segundos eles estavam comentando sobre as bandas de Pop/Rock britânicas.

Alguns minutos depois os sete estavam andando pela rua da praia mostrando a cidade para , que fotografava tudo. Os outros, logicamente, aproveitavam a câmera para tirarem fotos juntos. Estavam se divertindo bastante. e corriam atrás de tentando sujá-la com sorvete, pela areia da praia. estava achando tudo aquilo muito engraçado porque eles pareciam se conhecer a muito mais tempo. Estavam íntimos demais para quem se conhecera de verdade nas últimas 24h. Tom e engataram uma conversa animadíssima sentados no banquinho da orla, enquanto tiravam várias fotos com o mar ao fundo. tinha encontrado com uma amiga e estava colocando as fofocas em dia, perto de um quiosque.
, me coloca no chão seu idiota!’ esperneava e batia no menino, rindo alto. Estava com o rosto sujo de sorvete e estava rolando na areia gargalhando do que tinham feito com ela.
‘Pronto!’ disse jogando a menina quase em cima de . ‘Está entregue, isso é pra você aprender que e são fortes, gostosos e podem acabar com você em dois segundos!’ ele piscou e as duas meninas gargalharam na areia.

‘Bom, então fica combinado assim. Cada um vai pra sua casa, toma banho, se arruma e a gente se encontra no Absolute Gravity, umas 10 da noite’. dava as instruções para os amigos.
‘Sim senhora!’ bateu continência e franziu a testa, rindo.
‘Eu e a vamos passar na sua casa antes Tom. Precisamos de carona e além do que não sabemos onde fica esse pub’ sorriu.
‘Certo, já vi que vou conseguir zerar o Resident Evil hoje, esperando por vocês duas...’ ele gargalhou, levando tapas de ambas.
‘Está cedo demais geeente!’ reclamava. ‘Ainda é cinco e meia, o que eu vou ficar fazendo em casa até as 10?’
‘Vem com a gente , nós temos que organizar as coisas dentro dos armários, devem estar montando as coisas por lá. Aposto que tem algum gostoso no meio dos montadores e...’ ia dizendo quando foi interrompida por .
‘Opa, montadores gatos suados? To lá já!’ Ela riu, puxando as duas em direção a casa de , enquanto franziu a testa visivelmente enciumado, mas apenas reparou, e riu.

‘Agora é a hora do papo de garotas!’ pulou, empolgada.
‘Opa, adoro isso!’ riu. ‘Aquele cara moreno que tá montando sua cozinha é meio gatinho... mas só um pouco’ Ela gargalhou.
‘Melhor do que aquele gordo peludo que está montado meu quarto!’ arregalou os olhos, e as três riram.
, me coloque por dentro dos assuntos daqui. Sabe, eu não pude deixar de reparar em uma coisa amiga... que pega entre você e o ?’ perguntou, comendo Pringles, e corou imediatamente.
‘Pega nada’ ela disse, sinceramente. ‘Não mais.’
‘Como não mais?’ pulou em sua cama, que já estava montada. ‘Ele é bem gaaato, amiga!’ ela riu.
‘Eu sei que é. O que aconteceu foi o seguinte... eu sempre achei o muito gostoso e isso não é de hoje. A gente sempre foi amigo, e em uma festa a gente ficou pela primeira vez. Ficamos enrolados por dois meses... quando ele me pediu em namoro’ ia contando mas começou a rir da cara de interesse absoluto que as outras duas estavam.
‘Como eu ia dizendo... ele me pediu em namoro e tudo ficou uma merda.’
‘Como assim?’ não entendeu.
‘Sei lá, eu me senti no direito de controlar o que ele fazia, ele achou que podia mandar em mim e a gente tava brigando demais. Achamos melhor ficarmos só amigos antes que nem amizade restasse dali.’ Ela disse, com um tom de voz meio triste. ‘No começo foi estranho, a gente não se falava direito. Mas agora já tá tudo normal, já faz uns dois meses isso eu acho’. Ela completou, comendo a batatinha que oferecia.
‘Hm, que pena. Não voltam mais? Nem pra ficar?’ perguntou.
‘Acho que não amiga’ disse, tentando sorrir. ‘Ok, outra coisa. A tá namorando né? Quem é esse cara?’ riu. ‘Ele é sobrinho do prefeito da cidade.’ suspirou e as outras ficaram boquiabertas. ‘Muito gato, muito educado, muito perfeito’ Ela riu.
‘Parece que você está descrevendo um certo alguém que eu conheço...’ cutucou , que desatou a rir.
‘As vezes eu acho que você é afim do Nathan’ riu, e fez cara feia.
‘QUE ABSURDO! Eu apenas acho que você não dá a atenção que um partidão daquele merece’ ela disse indignada, e as outras duas riram.
‘O ... Namora?’ perguntou vermelha, e as amigas sacaram na hora que rolava um certo interesse.
‘Não.’ disse, simplesmente. Iria completar dizendo que achava que ele gostava de , mas preferiu ficar calada. Sabia que se ele gostasse mesmo de sua amiga, devia estar sofrendo com o namoro dela e ela não queria isso para ele. era bonita e ele merecia uma garota como ela.
‘Certo...’ riu. ‘Mas me explica esse negócio da banda aí... o Tom me disse uma vez mas eu não me lembro... Como se chama mesmo?’
‘McFLY!’ disse, empolgada.
‘Tipo MCfritas, ou Mcdonalds?’ franziu a testa e as outras duas desataram a rir da pergunta.
‘Tipo o Marty McFLY, do filme, ...’ completou.
‘Muito bem menina culta!’ riu. ‘Enfim, eles estão começando a ficar conhecidos por aqui sabe? As menininhas do colégio suspiram quando vêem eles passando!’ revirou os olhos. ‘É estranho, mas acho que ainda serão famosos um dia’ A menina riu.
‘Tomara que sim!’ completou, empolgada. ‘Quero ver um show algum dia!’
‘Verá! Eles ainda fazem shows com muitas músicas covers, sabe? Só uma ou duas deles... mas até que são legais!’ deu de ombros. ‘ me disse uma vez que eles tem algumas composições e que vão começar a usá-las’.
As três ficaram conversando por mais um tempo e foi para casa se arrumar para o pub que rolaria mais tarde.

‘Ah Tom, eu acho chato pra caramba esse negócio do ter sumido e tudo mais. Acho injusto a gente sair pra se divertir enquanto ele tá na fossa...’ disse.
‘Eu sei. Mas o conseguiu falar com ele, fica tranqüila linda. Ele está bem. disse também que convidou ele pra sair hoje conosco, mas ele negou... a culpa não é nossa. Ok, talvez seja nossa.’ Tom dizia do outro lado da linha, um pouco desanimado.
‘Esses dois vão ter que se encarar alguma hora... quero só ver no que vai dar!’ dizia um pouco amedrontada. O telefone apitou indicando que tinha alguém em espera. ‘Um minuto Tom’
‘Ok’ Tom concordou enquanto subia as escadas, bebendo um suco.
‘Querido, o Vince tá na outra linha. A gente se fala mais tarde, ok?’ Ela disse, empolgada.
‘Opa, namorado chamando? Vai lá , Beijo!’ Tom desligou o telefone, sorrindo.

Tom estava fazendo hora para começar a se arrumar. Tinha certeza que as garotas se atrasariam e não estava afim de ficar todo arrumado esperando pelas duas. Sentou no sofá e começou a sapear a TV. Ouviu a campainha tocando e apenas gritou.
‘Entra aê !’
‘Quer dizer que eu não apareço por um dia e você já acha que é o batendo na porta? Que decepção Fletcher, que decepção!’ falou engraçadamente e os dois riram.
‘Se não é o senhor , vulgo: SUMIDO!’ Tom disse jogando uma lata de cerveja para o amigo.
‘Tava precisando pensar. Por mais incrível que isso pareça’ ele riu sozinho. Não parecia nervoso, ou algo do tipo. Tom respirou aliviado.
‘Não me diga que você queimou o único neurônio que ainda te restava?’ Tom gargalhou e mostrou o dedo, rindo mais ainda. ‘Como foi ontem cara? O disse que vocês ficaram até tarde por lá...’ tentava, em vão, não parecer interessado na conversa. Mas meu querido , se não quer parecer interessado, não pergunte, Tom pensava consigo.
‘Er... foi legal.’ Tentou não parecer animado. ‘Ok , foi foda!’ Ele pulou. ‘Eu mais do que ninguém esperava vê-la de novo... eu não posso mentir pra você’ sorriu, sinceramente. sorriu.
‘É, deve ter sido. Imagino sua felicidade.’
‘Cara, você não vai mesmo pro Absolute com a gente?’
‘Nem to afim...’ deu de ombros.
‘Que pena, ia ser muito mais divertido se você também fosse.’ Tom disse, sincero. Olhou no relógio. ‘Cara, preciso tomar banho!’ Ele riu.
‘Certo, to indo pra sua piscina’ gargalhou. ‘Meu pai fez o favor de esvaziar a minha’. Tom riu do amigo e subiu as escadas em direção ao banheiro. atravessou a casa, tirou a camiseta e os tênis, e se jogou na água.

estava pronta porque logo que saiu da casa dela, tinha começado a se arrumar. Tinha colocado um vestido de manga curta, daqueles que parecem uma camiseta em tamanho maior, preto. Calçou umas sandálias de salto alto também pretas e colocou alguns acessórios. Olhou no espelho e gostou do que viu. Estava indecisa com o cabelo. Tentou amarrá-lo mas não gostou, então o deixou solto. Olhou para seu celular e resolveu ligar para Nathan. Já estava mais do que na hora, tinha 3 ligações perdidas do garoto. Ligou no celular mas estava desligado. Resolveu ligar na casa do garoto em vão, porque a empregada atendeu e disse que a família toda havia saído para um coquetel de negócios do Sr. Miller e Nathan havia esquecido o celular em cima da mesa. Reclamou alguma coisa baixinho e sentou na cama. Estava entediada.

ainda estava longe de ficar pronta quando resolveu sair para uma volta. Passou no quarto da amiga e disse que qualquer coisa era para ligar no celular. Pegou a bolsa e foi até uma lanchonete. Todos pareciam olhar para ela quando ela entrou no lugar. Alguns garotos estavam comentando. Riu sozinha. Comprou alguns chicletes e saiu de lá. Desceu a rua da lanchonete até o fim e virou a esquerda. Bateu na porta insistentemente mas ninguém atendeu. Girou a maçaneta e viu que estava aberta.
‘Thomas Fletcher, cadê você? Deixou a porta aberta, gordinho... e se eu fosse um ladrão?’ Ela ria, mas ninguém estava respondendo. O som estava alto. Ela mexia os pés quase dançado ao som das Sugarbabes. Achou engraçadíssimo Tom estar ouvindo aquilo, mas percebeu que estava na rádio e aquela era apenas uma música aleatória. Jogou a bolsa no sofá e andou até a cozinha. Abriu a geladeira para pegar água.

entrou pela porta da frente quando reparou que ela estava aberta. Estava molhando a casa inteira e Tom com certeza o esganaria por isso. Olhou a bolsa jogada no sofá e foi andando até a cozinha. Alguém estava futricando a geladeira, e era uma garota.
‘Ei!’ disse rapidamente. ‘Agora temos assaltantes de geladeira nessa cidade?’ Ele gargalhou.

sentiu o estômago revirar quando ouviu aquela risada. Sentiu os joelhos amolecerem. Vozes mudam, mas as risadas, especialmente as mais escandalosas, como aquela, sempre são as mesmas. Podia estar errada. Queria estar errada. Levantou-se rapidamente e olhou diretamente nos olhos do rapaz.
!!!’ Ele deu um passo pra trás, assustado. Não estava esperando por aquilo.
!’ Ela arregalou os olhos.

Era isso. Não estava enganada, era ele. . Sentiu os joelhos amolecerem com o jeito que ele olhava pra ela. Ambos estavam mudos. Ele estava sem reação. A geladeira continuava aberta e ela estava segurando um copo, que quase estava escorregando pela sua mão. Ele estava ali. Lindo, como sempre. E agora, o que fazer? Ambos se perguntavam, mentalmente, enquanto piscavam os olhos com força tentando fazer com que aquela cena desaparecesse. Era ele. Era ela. E agora?




Capítulo 6:

O silêncio absoluto reinava na cozinha da casa de Tom. estava paralisada porque realmente não tinha a menor idéia de que pudesse encontrar assim, de uma maneira tão repentina. Não estava preparada. Ele menos ainda. Pela primeira vez na vida o garoto percebera que o silêncio pode ser muito mais assustador do que palavras. estava inquieta. Mexia as pernas e tentava falar alguma coisa, mas como naqueles pesadelos, a voz simplesmente não saía.
. Er... eu... eu... você! Oi?’ tentou dizer alguma coisa mas a frase saiu de uma maneira estranha. Tudo o que ela queria naquele momento era correr dali. tentou segurar o sorriso, mas não conseguiu.
‘Oi!’ ele respondeu, simplesmente. ‘Então...’ ele colocou as mãos nos bolsos da bermuda, em um sinal claro de ansiedade. ‘Você... você... tá aqui mesmo!’ riu. olhou para os pés imediatamente porque o riso dela era estonteante e ele estava com medo de se deixar levar.
‘Aham. Eu tô aqui...’
‘Hum...’ não sabia mais o que dizer. Ainda olhava para os pés porque não conseguia encará-la nos olhos, por mais ridículo que isso possa parecer. Tirou uma das mãos do bolso e começou a roer unhas. olhava pra ele, tentava disfarçar mas sabia muito bem que ela estava olhando. Tudo aquilo era muito estranho. estava reparando no corpo do menino e como ele estava mudado. Ele, olhava para os pés, os dela, no caso. Tentava subir o olhar mas tinha medo de descobrir que ela estava o encarando.
...’ suspirou fundo. Ele sentiu as pernas amolecerem e a encarou nos olhos. Ela olhava para o copo que estava em suas mãos, mas no meio do caminho os olhares acabaram se encontrando. sentiu que o coração ia sair pela boca. Achava que teria um infarto ou coisa do tipo. pensava a mesma coisa.
‘Eu...’ ele disse calmamente. ‘Você... você está mais alto!’
Pronto, era isso. Aquela era a hora em que o buraco deveria aparecer embaixo dela e levá-la pra longe. ficou vermelha e não tinha a menor idéia porque tinha feito um comentário tão idiota. percebeu a inquietação que a menina estava e sorriu sozinho. Ela não olhou. Pela primeira vez ela olhava para os pés e ele estava a encarando. Ela estava linda. Tinha crescido, tinha mudado, tinha virado uma mulher de verdade. Mas isso não mudava nada. Ou pelo menos ele estava se esforçando para se manter na linha diante das pernas a mostra e dos cabelos, lindos. Sentiu uma vontade imensa de abraçá-la, não conseguia explicar o porque, mas aquela vontade não cessava. ‘, é aquela garota, aquela garota que te fez sofrer!’ Ele pensava. Mas nada estava adiantando. Encarou novamente os pés como quem pedisse aos céus para tirá-lo dali o mais depressa possível.
‘Estranho seria se eu estivesse do mesmo tamanho, três anos depois’ Ele disse, simplesmente. A menina abaixou os olhos e ele percebeu que isso tinha soado um pouco rude demais. Não conseguia ser rude com ela, pelo menos não ao vivo. Antes que ela dissesse algo, ele completou. ‘Mas você também está bem mais alta!’
‘É, estou...’ ela concordou.
Certo, aquilo já tinha ido longe demais. nunca foi fã de conversas monossilábicas. Se ficasse mais dois segundos ali poderia falar ou fazer alguma coisa que pudesse se arrepender depois. Que coisa? Nem ela sabia, mas aquela sensação estava a corroendo por dentro. Olhou para os olhos do menino e disse, rapidamente:
‘Eu estou indo! Foi... foi legal te ver por aqui’ colocou o copo cheio d’água em cima da mesa e saiu em passos rápidos, quase correndo, em direção a porta. não olhou para trás. Estava tão mexido com aquilo tudo que não sabia nem mais o que fazer. Estava trêmulo. Sentou na mesa da cozinha e pegou a água que a menina havia deixado. Bebeu tudo de uma vez só, nervoso, e se jogou pra trás na mesa.

“Jealousy, turning saints into the sea, Swimming through sick lullabies, chocking on your alibis, But is just the price I pay, destiny is calling me, OPEN UP MY EAGEEEEER EYEEEEES, ‘Cause I’m Mr. Brightside”
‘Caaaara, essa música é muito louca, e eu canto muito bem’ Tom ia dizendo enquanto descia as escadas, mas percebeu que estava falando sozinho. Olhou para a porta aberta e para a casa que estava toda molhada. Os passos chegavam até a cozinha.
‘Viaaaaaado! Alagou minha casa , EU VOU TE MATAAAAR!’

não ouviu o grito do amigo, não pelo volume do rádio, mas sim porque não conseguia parar de pensar na cena que havia acontecido alguns minutos antes. Não conseguia entender porque estava tão abalado em ver . Obviamente seria difícil, mas ele não pensou que pudesse ser tanto. Estava com raiva de si mesmo por não conseguir mais odiá-la. Aliás, desconfiava que nunca tinha conseguido. O olhar dela e o jeito tímido com que a menina falava o fazia sorrir involuntariamente. Tom chegou à cozinha e percebeu que o amigo estava viajando. Sem pensar duas vezes, arremessou uma laranja direto na testa de , e caiu no chão de tanto rir.
‘Isso dói, seu loser.’ falou calmamente, segurando a testa. Tom estranhou de imediato porque achou que ele teria outro tipo de reação.
‘Cara, você alagou minha casa, eu tenho que me vingar de você’, ele riu.
‘Ah, eu vou secar tudo, foi mal aê...’ deitou de volta na mesa e Tom franziu a testa. Seu amigo estava estranho, muito estranho. Caminhou lentamente até a sala e abaixou o volume do rádio consideravelmente. Olhou de relance e viu uma bolsa no sofá.
, você tá estranho meu rapaz!’ Tom disse, tentando fazer o amigo rir. ‘Isso tem mulher no meio, tem sim que eu sei. Tenho provas disso. De quem é a bolsa na sala, dude? Ela ainda tá aqui?’
Tom falou baixo e mostrando interesse absoluto no que viria a dizer. puxou a toalha que estava no pescoço de tom e começou a se secar.
‘Eu não estou estranho!’ ele negou. ‘Bolsa? Que bolsa?’
‘Uma preta no sofá da sala... anda logo , fala de quem é!’ Tom pulava curioso. riu.
‘Hm. Ela esqueceu a bolsa, então. Não tinha visto.’ deu de ombros. Tom estava quase batendo no amigo de tanta curiosidade.
‘Er. Bem, eu não tô muito afim de falar sobre isso...Então tente não fazer escândalo! Eu não sou uma garota pra ficar te dando detalhes das coisas’ tentou rir.
‘Então você é gay, porque você detalha esse tipo de coisa até mais do que a e a ’ Tom riu, enquanto dava o dedo pra ele.
‘A tava aqui cara…’
‘O QUÊ? COMO ASSIM ELA TAVA AQUI?’ Tom arregalou os olhos de uma forma que teve quase certeza que eles iriam pular fora do rosto do menino. Começou a rir verdadeiramente do desespero em que Tom se encontrava.
‘Fala , como assim? Ela ia vir só mais tarde, eu não sabia que ia dar tempo de vocês dois se encontrarem e tudo mais... desculpa, eu não queria que...’ Tom falava rapidamente quando foi interrompido.
‘Está tudo bem, dude. Não foi nada demais.’
‘Sério? Vocês... vocês não brigaram, se mataram nem nada?’ Tom parecia preocupado.
‘Claro que não Tom!’ riu. ‘Eu estou aqui vivo na sua frente pra te provar que saí sem nenhum machucado do meu encontro com a ...’
‘E ela tá bem? Porque ela não está aqui?’
‘Tá bem sim. Agora porque ela não está aqui, eu não sei.’ deu de ombros.
‘Não quero mais falar disso. Vou secar sua casa’. se levantou com um rodo e foi em direção à sala. Tom o perseguiu por mais alguns minutos tentando arrancar dele algum detalhe do encontro, sem sucesso, então subiu para se trocar.

estava com as pernas tremendo enquanto andava pelas ruas em direção a sua casa. Tinha achado que esse reencontro com seria dez mil vezes pior, mas ainda assim estava inquieta com aquilo tudo. Seu coração batia muito mais forte quando ela lembrava de tudo o que acontecera minutos antes. Todos os momentos que ela teve com antes de se mudar passavam em sua cabeça como um filme, tão rapidamente que ela mal conseguia captar o que estava pensando. Não conseguia entender porque tinha tido uma reação tão estranha ao vê-lo. Tinha prometido a si mesma várias vezes que quando isso acontecesse, ela agiria normalmente, mas as coisas tinham fugido do seu controle e ela odiava quando isso acontecia. Entrou em casa como um furacão batendo as portas e subiu correndo até o quarto. ouviu o barulho e saiu correndo para ver o que estava acontecendo. Ao entrar no quarto de viu a menina deitada agarrada a um urso de pelúcia, com os olhos marejados e olhando para o nada.
‘Amiga, o que houve?’ estava com uma feição extremamente preocupada.
apertou o ursinho contra seu peito angustiada. Não estava entendendo sua própria reação. Sentou-se de frente para a amiga e olhou nos olhos dela:
‘Eu encontrei com ele . Com o ...’
arregalou os olhos imediatamente e tentou parecer calma. Pelo jeito que estava, o encontro não tinha sido dos melhores.
‘Imaginei. Mas... o que ele te fez? O que aconteceu pra você estar assim?’
‘Ele não me fez nada, imagine!’ continuou, agora mais calma ‘Eu sinceramente não sei porque estou assim... nosso encontro foi bem... normal! Não teve nada demais, sabe? Não brigamos, mas também não nos abraçamos nem nada.’
‘Deve ser por isso que você está assim então... porque não aconteceu nada. Acho que você idealizou tanto esse encontro, não importa de que maneira, que tê-lo de uma maneira normal acabou sendo frustrante’
franziu a testa. Concordou com em pensamento. Só podia ser aquilo, ela estava se preparando tanto para gritar com , que ter um encontro, digamos, educado, acabou a frustrando. Não que ela quisesse brigar com ele. Mas que ela esperava uma briga, isso esperava. Estava se sentindo uma completa idiota por isso, mas não comentou nada. As duas conversaram mais um pouco sobre o assunto e mudaram o rumo da conversa porque estava tentando se mostrar desinteressada no papo, enquanto escolhiam alguma coisa para vestir naquela noite.

já tinha limpado toda a sujeira que tinha feito na casa de Tom e estava jogado no sofá do garoto, usando as roupas dele, depois de tomar uma ducha rápida. Não era a primeira nem a última vez que ele faria isso, afinal a casa de Tom era quase comunitária. Como os pais dele viajavam muito, boa parte do ano Tom morava sozinho, o que é uma ótima desculpa para bebidas, festas, garotas e ensaios da banda. O dono da casa tinha subido para o quarto para falar ao telefone com a mãe que tinha acabado de ligar. sapeava os canais da televisão tentando achar alguma coisa que prestasse para assistir. De repente sentiu que o sofá estava vibrando e achou que estava ficando louco. Riu sozinho. Alguns minutos depois essa sensação se repetiu, mas ele não ligou. Na terceira vez, o garoto olhou para o lado e viu que a bolsa que tinha esquecido estava se movendo.
‘Droga!’
Ele não queria mexer na bolsa dela. Uma coisa ele tinha aprendido na vida: nunca olhe a bolsa de uma mulher. Todos os segredos dela estão lá dentro, e ele não estava nem um pouco interessado em saber os dela. Na verdade estava, mas aquilo não era certo. Viu a bolsa mexendo novamente e se sentiu na obrigação de abri-la porque aquilo já estava irritando. Pegou o celular da menina e viu que constavam algumas ligações perdidas de “Nathan Cel”. Pouco lhe importava quem era esse cara, mas estava bem claro que ele estava desesperado atrás dela. Ficou olhando para o visor durante vários minutos, admirando a foto do plano de fundo. estava linda, em um lugar bonito, sorridente e feliz. Não pode deixar de sorrir ao ver essa imagem. Lembrou-se de todas as vezes que ele mesmo tinha arrancado dela sorrisos como aquele, e a sensação que aquilo lhe proporcionava. Era incrível, o mundo parecia girar mais devagar naquelas horas. Mexeu o cursor do celular procurando outras fotos da garota. Naquela altura, pouco importava segredos ou coisas assim, afinal, ele já estava fuçando no que não devia. Olhou mais umas duas fotos e viu uma foto dela com um cara. Estavam abraçados e pareciam felizes. Podem ser amigos, ele pensou. Na foto adiante veio a confirmação. O mesmo garoto agora beijava fervorosamente a boca de . sentiu vontade de tacar o celular longe, estava com raiva e não queria admitir nem pra ele mesmo que aquilo tudo era ciúmes. Olhou a foto por mais alguns instantes quando sentiu o celular vibrando em sua mão. Mensagem de texto.

“Meu amor, está difícil falar contigo hem? Está se divertindo? Já estou morrendo de saudades, to quase me mudando pra essa cidade também, rs. Te amo, minha gata”

‘Minha gata?’ franziu a testa e repetiu a frase em voz alta. Estava com raiva. Aparentemente ela não tinha sofrido tanto assim, não tanto quanto ele. Tudo bem que já tinham se passado três anos e ele teve milhões de “gatas” depois dela, mas...
, não seja idiota! Você não achou que ela realmente estaria te esperando esse tempo todo, não?’ Ele pensou alto. Jogou o celular de volta na bolsa e saiu batendo as portas. Nem se lembrou de se despedir de Tom.

, pela última vez: EU NÃO VOU voltar na casa do Tom. Não enquanto o estiver lá! Agora pega esse bendito telefone, liga pro gordinho e pede pra ele nos buscar aqui, por favor?’
ia dizendo visivelmente irritada. também estava se estressando porque achava a atitude da amiga infantil.
, pelo-amor-de-deus, que folga! A gente já vai ganhar carona e ainda quer que ele passe aqui? Liga você então!’
‘Eu não posso ligar, o pode atender!’
‘Deixa se ser criança , que saco! Olha o tamanho dessa cidade! Vocês vão estudar no mesmo colégio, tá fugindo dele porque?’ batia os dedos contra a mesa em sinal de irritação.
‘Eu sei...’ abaixou os olhos. ‘Mas... eu não quero mais falar com ele hoje, entendeu? Tudo aquilo foi muito estranho, por favor , me ajuda!’
percebeu o quanto a amiga estava angustiada com a possibilidade de ver ou falar com novamente naquele dia. Não gostava de vê-la assim, e mesmo não apoiando aquela fuga sem sentido, ela resolveu ligar.
‘Alô, Tom? É a !’
‘Hey linda, tudo bem? Já estão atrasadas, vou logo avisando...’ Tom riu olhando no relógio, vendo que apenas dois minutos tinham se passado do horário combinado.
‘Ah, dá um desconto, só alguns minutos!’ Ela riu. ‘Além do mais, nós estamos prontas, só não estamos aí ainda porque a está fazendo doce aqui...’
olhou feio para amiga com esse comentário, mas não ligou e começou a rir.
‘Enfim, vamos logo ao ponto. Ela não quer ir porque o está aí, então ela quer que você nos busque e que traga a bolsa que ela esqueceu... Tipo, pouco folgada, que fique claro que eu só estou repassando o recado’ riu.
‘O não está mais aqui, pra falar a verdade.’ Tom franziu a testa. ‘Aliás, eu nem vi quando ele foi embora. Bem, mas a casa de vocês é caminho então eu estou indo já. Esperem do lado de fora, beijo!’

Capítulo 7:

O centro da cidade estava bombando. Todos estavam de férias e as ruas estavam quase intransitáveis. O Absolute Gravity, um dos points mais freqüentados pela galera da idade deles, era pequeno e estava completamente lotado. Uma banda de garagem tocava alguns covers de The Beatles e Queen, animando todos os que estavam lá.
‘Sério, cada hora que passa eu gosto mais desse lugar’ falava, enquanto via um grupo de amigos que ela tinha considerado muito bonitos passando. riu, concordando.
‘É amiga, nós temos alguns pedaços de mal caminho nesse fim de mundo, yey!’
As duas riram e Tom revirou os olhos com a conversa que elas estavam tendo. Não estava nem um pouco interessado em comentar sobre os bíceps dos playboys da cidade. Olhou para o outro lado e viu agarrando o namorado. estava em outra mesa conversando com alguns amigos. Avistou e no bar e respirou aliviado, caminhando até eles.

‘Sério, a e a só falam de homem, desisto!’ Tom disse, pedindo uma cerveja. e se entreolharam e começaram a rir.
‘Extremamente normal gordinho! Aliás, daqui a pouco eu vou me juntar a elas...’ piscou pra Tom, que fez um sinal de vômito, enquanto ainda dava risada.
‘Vocês dois não existem cara! São o casal de amigos mais engraçado que eu já vi na vida’
‘Você ainda não viu nada meu querido !’ deu um enorme sorriso e apertou a bunda de Tom, que pulou pra frente fazendo cara de quem estava gostando. abriu a boca chocado com a cena e os três desataram a rir.
‘Huuuum, sexy, quando nós vamos começar a ter esse tipo de amizade ?’ arqueou a sobrancelha e fez um olhar tarado. desatou a rir e a estapear o menino ao mesmo tempo.

Algum tempo e alguns drinques depois, estavam todos na mesma mesa conversando e rindo muito alto. As meninas, de vez em quando, começavam a cantar junto com a banda de uma maneira muito engraçada. Os garotos simplesmente estavam encantados com elas. estava se divertindo, apesar da presença inútil de Vince entre os amigos dele. Estava tentando não prestar muita atenção em , para não ficar morrendo de raiva.
‘Eu disse que queria uma COCA , não uma cerveja!’ riu.
‘Sério, você não bebe não? A noite toda eu só te vi com Coca Cola na mão...’ Tom questionou a menina, que ficou vermelha.
‘É que eu não posso beber sabe?’ Ela riu, olhando para que estava rindo também.
‘Porque não ?’ Vince perguntou interessado e revirou os olhos, sendo beliscado por embaixo da mesa.
‘É porque quando eu bebo eu... EU FICO MUITO LOUCA!’ Ela gritou e todos desataram a rir.
‘Então beba , BEBA!’ disse rindo e entregando novamente a cerveja para a menina, que foi convencida por ele a beber apenas aquela garrafa, entre risadas de todos os presentes. olhou para a porta do pub e de repente seu sorriso sumiu. Tom viu que a amiga tinha mudado bruscamente de expressão e olhou para trás.
‘Oh, SHIT!’ Ele xingou baixinho, mas ouviu e também virou para ver o que estava acontecendo.

estava entrando no pub. Estava lindo, sorridente e cumprimentava todos os que olhavam para ele. Vestia um casaco preto aberto na frente, uma calça jeans surrada e um Vans quadriculado. suspirou alto, assim como algumas meninas que estavam perto dele. Todas logo paravam de olhar quando reparavam que ele estava de mãos dadas com uma loira alta e muito bonita. Ele avistou os amigos de longe e respirou fundo. Foi caminhando lentamente até a mesa em que eles estavam. viu que ele estava se aproximando e tirou a cerveja que estava bebendo da mão dele, bebendo quase tudo de uma vez só.

! Você por aqui...’ Tom disse alto franzindo a testa. riu, meio sem graça.
‘Ué, você me convidou e eu vim... ’ Ele deu de ombros. Olhou para imediatamente depois da frase. A menina desviou do olhar dele fingindo procurar alguma coisa na bolsa. Ela não podia acreditar que ele estava ali.
‘Bem, essa daqui é a Allison.’ apresentou a garota aos amigos. Ninguém podia negar que ela era realmente linda. Os próprios garotos nunca tinham a visto circulando pela cidade, era uma completa desconhecida.
‘Prazer, !’ estendeu a mão tentando ser simpático, mas o clima estava pesado na mesa. Todos olhavam para os lados sem saber o que dizer. Tom de alguma forma sabia que ele tinha feito aquilo para provocar , e não estava gostando nada da idéia. prosseguiu as apresentações.
‘Allison, esse é o Tom, , Vince, o namorado dela, , , er... essa é a ... e essa daqui é a .’
estava nervoso. estava percebendo tudo. Não sabia porque ele estava fazendo aquilo, mas o conhecia bem o suficiente para saber que ele não estava confortável com a situação.
‘É um prazer conhecer vocês, o falou tanto dos amigos dele que eu fiquei muito curiosa para vê-los pessoalmente. Me chamem de Ally, por favor’

revirou os olhos e Tom fez cara feia para que ela parasse com aquilo, a garota não tinha nada a ver com as loucuras de . Além do mais, ela estava sendo simpática, o que para era uma facada. Preferia mil vezes que ela fosse uma vadia para que ela pudesse odiá-la sem se sentir culpada. não estava entendendo os próprios sentimentos. Não queria admitir que estava enciumada com a ficante, namorada, ou seja lá o que fosse aquela menina para . Tentou acreditar que aquela raiva repentina e a vontade de pular no pescoço da loira era simplesmente por causa da provocação clara que estava fazendo. Ela não sabia o motivo, mas também não queria saber. Levantou-se e foi em direção ao bar, quando ouviu que gritava seu nome, pedindo que ela esperasse para ele ir junto. Parou no meio da pista e ficou olhando Ally sorrindo para algo que dizia. Sentiu o estômago revirar.

e já tinham voltado para a mesa com algumas cervejas e Smirnoff Ice. evitava olhar diretamente para , mas já estava começando a acreditar que aquilo seria impossível. tentava rir com as palhaçadas de Tom e , enquanto não parava de beber sua cerveja. Não estava olhando para , o que o deixava mal, de alguma maneira. Nem ele sabia porque estava agindo daquela forma.
, você poderia pegar outra Smirnoff pra mim?’ Ally pediu sorridente.
olhou para a garrafa vazia da menina e deu de ombros, levantando em direção ao bar. levantou em seguida e foi atrás do amigo.

‘Um Smirnoff Ice e outra cerveja, por favor’ dizia para a garçonete que sorria para ele.
‘Duas cervejas!’ completou, e olhou para o amigo que estava logo atrás dele.
‘Você na mesma mesa que o Vince? Essa eu não esperava ver, riu, tentando puxar conversa enquanto a moça não voltava.
‘Eu quero mais é que aquele cara se exploda!’ riu, nervoso. ‘Mas e ai, quem é essa Ally?’
ficou corado e não sabia o que responder. Não iria dizer pra os reais motivos da menina estar lá. Queria provocar , mas não admitiria isso nem sob tortura. Olhou para a garçonete impaciente.
‘A Ally? A gente saiu umas semanas atrás... hoje ela me ligou e me convenceu a vir pra cá.’ disse dando de ombros.
‘Hum, sei... ela não é daqui, é?’
‘É sim. Mas ela quase não sai, e também não estuda no nosso colégio. Deve ser por isso que vocês nunca tenham se esbarrado por aí’
olhou para trás e viu que olhava para eles. Ela parecia triste, não estava mais toda animada como no momento em que chegaram lá. não estava achando aquilo justo, o que era engraçado, porque ele mal conhecia a menina. Resolveu perguntar.
, cara, eu sou seu amigo, não mente pra mim...’ franziu a testa e sentiu um certo desespero naquela frase. continuou. ‘Você está fazendo isso pra provocar a , não é?’
engoliu seco e começou a bater os dedos na mesa pedindo pra garçonete trazer logo o seu pedido. não tirava o olhar dele. Conhecia muito bem e só tinha perguntado para ver se ele teria coragem de negar. Na verdade, tinha certeza do que o amigo estava fazendo.
‘Claro que não ! Porque tudo agora gira em torno dessa garota? Eu trouxe a Ally porque eu quis! E além do mais, a está namorando, não está? Isso não será ofensa nenhuma pra ela.’ disse rapidamente e meio nervoso. arregalou os olhos.
‘Como você sabe que ela está namorando ?’
A garçonete interrompeu o dois colocando as cervejas e o Smirnoff na frente deles, pedindo desculpas pela demora. agradeceu mentalmente e saiu andando, fingindo não ter ouvido a pergunta que tinha feito.

estava bebendo demais. Toda vez que olhava para acompanhado por outra garota tornava a beber. e já tinham dito para que ela maneirasse, mas ela não dava ouvidos. Não era de beber tanto assim, mas o álcool fazia com que ela ficasse mais animada e esquecesse um pouco do que estava vendo. Sentiu o celular vibrando na bolsa e atendeu, quase gritando por causa do barulho, e sem olhar na bina.
‘ALÔ!’
‘Minha linda, até que enfim consegui falar com você!’
Nathan, ela pensou. Olhou para que olhava para ela, assim como todos da mesa. estava afim de provocar? Ela não era mais nenhuma criança bobinha, jogaria no mesmo nível que ele.
‘OI MEU AMOOOOOOR!’ Ela disse bem alto, com a desculpa do som que atrapalhava. olhou para os pés.
‘Nossa, está animada hem?’ Nathan sorriu. ‘Saudades de você! Como você tá?’
‘Eu estou ótima! Mas to MORRENDO de saudades suas’
Tom sorriu para ela quando ela disse que sentia saudades do namorado. Ela estava sendo bem convincente, a única que não estava engolindo a conversa era , que sabia que nunca tinha o tratado daquela forma.
‘Eu também estou, de verdade! Tá curtindo aí? A música ta aaaalta’ Nathan riu.
‘Eu estou num pub com alguns amigos, queria que você estivesse aqui, sabe?’ Ela disse olhando pra .
estava ficando irritado com a conversa, mas não queria deixar transparecer. Abraçou Ally e a beijou com força. balançou a cabeça.
‘Eu também queria estar aí linda! Meus pais mandaram beijos pra você, eles também estão sentindo sua falta’
‘Sério?’ riu. Os pais de Nathan sempre foram muito gente boa mesmo. Ela não estava olhando pra , por isso não viu o beijo.
‘Seus pais são o máximo, amor! Minha mãe só fala de você também! Você realmente é o GENRO QUE ELA PEDIU A DEUS’ disse rindo. Ally olhou para ela confusa.
‘Sou é?’ Nathan riu. ‘Nossa, o barulho aí tá muito grande! Faz assim, me liga quando você chegar em casa, eu não vou dormir cedo hoje. Vou esperar você ligar’
‘Ah, ok, te ligo sim Nate!’
‘Te amo minha gata! Divirta-se por aí! Manda um abraço pra todos!’
‘Pode deixar’ tirou o telefone do ouvido e falou olhando pra mesa. ‘O Nathan mandou um abraço pra todos vocês’.
Todos se entreolharam rindo e retribuiram, menos , que estava querendo mais é que aquele Nathan explodisse e que fosse junto.
‘Eles retribuiram... Enfim, te ligo mais tarde meu amor!’
‘Ok, te amo minha gata!’
‘Te amo mais ainda, MEU GATINHO!’
involuntariamente bateu a mão na mesa e saiu andando em direção ao bar. estava de costas pra ele mas sabia que ele tinha ficado nervoso. Sorriu vitoriosa. Ela nunca tinha chamado Nathan de gatinho antes. Aliás, nunca tinha se referido dessa forma para nenhum dos garotos com quem esteve depois de . Mas estava cansada do exibicionismo dele com a loira, assim como estava cansada de bancar a santinha. Desligou o telefone sorrindo e viu que Tom estava olhando pra ela com um olhar de decepção. sentiu um aperto enorme no peito e fechou o sorriso na hora. Tom não tinha gostado nada daquela última frase, e ela percebeu, pelo olhar dele, que tinha pegado pesado.

Alguns minutos depois voltou para a mesa com um olhar furioso. Como ela podia fazer isso com ele? Ele realmente não tinha significado nada para ela, e agora tinha certeza disso. Ela nunca o amou, e provavelmente nunca sentiu falta dele. Todas aquelas lágrimas que ela dizia derramar e todas aquelas palavras de amor que foram enviadas logo que ela foi embora tinham sido mentiras. Ele não suportava mentiras. Sentou-se do lado de Ally, olhou nos olhos da garota, e quando viu que estava olhando para eles, a beijou com paixão. abaixou o olhar com lágrimas nos olhos. Ela realmente merecia o que estava vendo. Pegou a garrafa de cerveja e tornou a beber, sem dizer uma palavra.

‘Eu vou... vou... pra onde mesmo que eu vou? riu alto e franziu a testa. Ela estava completamente bêbada.
‘Eu acho que você devia ir pra casa... Vem, eu te levo e...’ ia dizendo quando a menina gritou. ‘LEMBREEEEI! Banheiro, eu vou pro banheiro...’ Ela levantou cambaleando e foi atrás dela. estava em outra mesa com alguns amigos que Ally estava apresentando a ele. As duas demoraram a chegar ao banheiro porque estava saltitando e falando coisas sem nexo em vez de andar. estava impaciente porque sabia que tinha alertado a amiga sobre o excesso de bebida.
, sai logo daí, quantos anos você vai demorar aí dentro desse box?’
abriu a porta meio branca. arregalou os olhos.
‘Você tá bem? Você está pálida!’
‘Eu... eu não sei!’ olhava para o nada. ‘Eu acho que bebi demais!’ Ela disse caindo sentada no vaso sanitário atrás dela.
‘Você ACHA?’ olhou para ela, nervosa. ‘Vem, vou te deixar em casa antes que você desmaie aqui mesmo!’
puxou pelo braço e foi a levando em direção a porta. soltou a mão da amiga e voltou correndo pro box, colocando tudo para fora. fez cara de nojo e foi ajudar a menina que realmente passava mal.
‘Eu te avisei , eu te avisei...’
‘Cala a boca!’ tentou rir mas não conseguiu. Estava completamente tonta.
‘Sério, tudo isso por causa do ?’
‘Tudo isso o que? Que ? Eu quero mais é que ele se fo...’
, agora eu que digo, CALA A BOCA!’

Tom estava impaciente na mesa. e Ally já tinham voltado e nenhum dos dois perguntou por ou . Achavam que elas tinham ido dançar ou algo assim. olhava fixamente pra porta do banheiro porque sabia que as duas estavam demorando mais do que o normal.
...’ Ele falou, um pouco sem graça. tirou o copo da boca e sorriu pra ele.
‘Fala ...’
‘Vai lá no banheiro e vê se a e a estão vivas!’
sorriu e se levantou. Achou bonitinho estar preocupado com a amiga dela. Ela mesma tinha passado a noite toda rodando pelo lugar com porque não estava afim de ver e se alfinetando. Mal sabia que a amiga tinha bebido mais do que devia.

‘Graças a Deus que você chegou !’ arregalou os olhos.
‘Nossa, o que foi amiga? Cadê a ?’ perguntou extremamente preocupada, procurando com os olhos. Viu a amiga caída do lado da pia e foi correndo até ela.
‘Meu Deus, o que aconteceu com ela ?’
estava desacordada e caída no chão. estava pálida e com lágrimas nos olhos. Era chorona, quando não conseguia dominar uma situação as lágrimas logo vinham.
‘Ela tava passando mal, eu fiquei aqui com ela, aí quando ela disse que estava bem e que a gente podia sair, ela desmaiou!’
As lágrimas agora escorriam pelo rosto da garota. passava água no pescoço e nos pulsos de tentando acordá-la de qualquer forma. estava chorando e não estava ajudando em nada, só estava a deixando mais nervosa.
, sério, a gente vai ter que tirar ela daqui! Ela está abrindo os olhos, chama algum dos meninos rápido, a gente carrega ela até a porta do banheiro e ele a leva até o carro.’
concordou com a cabeça e foi correndo pelo salão que agora já estava mais vazio, em direção a mesa onde estavam. viu a menina chegar correndo com os olhos vermelhos e se assustou.
‘Nossa , o que houve?’
só olhou para ele com um olhar de desprezo e não respondeu.
, vem comigo AGORA!’ Ela olhou e o menino se levantou assustado. Tom não tinha tido tempo de perguntar o que tinha acontecido com e acabou seguindo os dois. ficou sem entender o que estava acontecendo, mas sentiu o peito apertar porque sabia que o que quer que fosse, coisa boa não era. Viu ir correndo pra porta do banheiro e segurou pelos pulsos antes que ele também fosse.
‘O que aconteceu, cara?’
olhou para o amigo e apenas falou:
‘Vamos para fora, eu tenho que ir ligando o carro... Acho que a está passando mal’
sentiu a dor no peito aumentar e foi puxado por para o lado de fora. Ally acompanhou os dois. sabia que aquilo era culpa dele, falou alguma coisa sobre isso mas não deu ouvidos e nem deixou que ele fosse até o banheiro ver o que acontecia.

estava olhando para o nada e não estava escutando direito o que e estavam dizendo a ela. As meninas estavam desesperadas. e Tom estavam com Vince e do outro lado da porta.
‘Sério, elas estão demorando muito, eu vou entrar lá!’ Tom disse invadindo o banheiro feminino. agradeceu mentalmente por isso.
‘Vem Tom, me ajuda, levanta ela comigo!’ Tom apenas concordou com a cabeça e agora também já estava dentro do banheiro.
‘Deixa dude, eu levo ela!’ pegou no colo, que estava suando.
... não precisa não eu to bem...’ Ela disse muito baixo, mas ele deu de ombros e continuou a carregando.
Todos estavam apreensivos e as poucas pessoas que ainda estavam no bar olhavam para a cena, vendo que a garota realmente não estava nada bem. estava gelada e com medo do que poderia acontecer com a amiga. Tom viu o olhar de desespero da menina e segurou a mão dela, que sorriu.

viu se aproximando com no colo e correu para ajudar. olhou para trás e sentiu o estômago revirar. Não conseguiu conter o impulso que o fez correr até onde os amigos também estavam. Estava se sentindo culpado e precisava saber o que estava acontecendo.
... olha pra mim, você tá bem?’ perguntava enquanto sentava a menina em uma cadeira da parte externa do pub, em frente ao carro de .
estava com o rosto apoiado na barriga de Tom, que estava em pé e estava visivelmente preocupado. A garota olhou com dificuldade para mas estava vendo dois dele.
‘Não!’ Ela respondeu simplesmente, se virando para o lado que não tinha ninguém com ânsia e bastante tonta.
‘Céus, isso está pior do que eu pensei! Vamos ter que levá-la pra um hospital!’ disse baixo para .
não tinha visto que e Ally estavam ali. Aliás, ela não estava vendo ninguém direito. Nunca tinha se sentido tão mal na vida. Achou que estava alucinando quando viu se abaixar na sua frente. Piscou os olhos com força.
, me... me desculpe.’ Ele disse, sincero, olhando nos olhos dela. ‘Você está bem? Eu posso ajudar em alguma coisa?’
Todos olhavam para os dois esperando alguma resposta de . Tom estava nervoso porque achava que não devia estar ali.
...’ disse com a voz quase inaudível.
‘Eu...’ ele respondeu, apreensivo.
‘Eu te odeio, sai daqui!’
sentiu os olhos marejarem com o que a menina tinha dito. olhou para assustado porque realmente não esperava que ela dissesse aquilo. estava imóvel ainda abaixado. Não sabia o que fazer. Ela estava bêbada, mas e se fosse verdade? Não queria que ela o odiasse, de maneira alguma.
, eu...’ ele ia dizendo quando ela o interrompeu, falando um pouco mais alto.
‘Você só estraga a minha vida, . Sai daqui, sai daqui...’ ela ia repetindo e chorando.
deixou as lágrimas escorrerem e foi se afastando dela. Aquelas palavras tinham doído muito, mas o que mais machucava era vê-la chorando daquela forma. viu de relance que ele estava indo embora e apoiou as mãos no rosto chorando mais. a abraçou e depois de alguns minutos sem ninguém dizer nenhuma palavra, pegou no colo e levou até a parte de trás de seu carro.

parou o carro na rua paralela a de . Apesar da insistência de em levá-la ao hospital, parecia estar um pouco melhor e estava achando aquilo tudo um exagero. Pararam os carros para discutir o que fazer com a menina.
‘Eu não posso levá-la pra casa nesse estado! A mãe dela mata a coitada e me mata junto ainda por cima...’ ia dizendo preocupada.
‘Então vamos levá-la pra minha casa! A gente cuida dela, lá tem lugar de sobra pra dormir... , deixa um recado na secretária eletrônica da casa de vocês avisando que vocês vão dormir na ’ Tom disse e prontamente obedeceu, pegando o celular e discando para casa.
‘Certo, casa do Tom então!’ ia dizendo enquanto voltava ao volante.

chegou em casa batendo a porta. Tinha deixado Ally em casa alguns minutos antes e ela tinha feito perguntas demais dentro daquele carro. Estava com raiva e com vontade de chorar pelas coisas que tinha dito. Ela estava de volta há dois dias e já tinha virado a vida dele do avesso novamente. Aquilo não fazia sentido, não era certo ele sofrer tudo de novo. De certa forma sentia-se culpado pelo que estava passando. Estava preocupado e queria saber dela, mas prometeu a si mesmo que não iria ligar atrás de notícias. Subiu as escadas rapidamente e entrou em seu quarto, pegando papel, caneta e o violão. Só a música podia distraí-lo nessas horas.
Ao chegarem à casa de Tom, as meninas logo pediram para que deixasse com elas no banheiro. Um banho frio sempre cura a bebedeira, e era isso que ia ter. Tom subiu as escadas correndo e pegou a camiseta e a samba canção que tinha lhe pedido antes de entrarem em casa. e foram até a cozinha procurar algo salgado para a menina comer, isso se ela tivesse condições. Vince foi embora da porta da casa de Tom, porque chegou à conclusão de que tinha pessoas demais para cuidar de uma única.

gritou e esperneou quando sentiu a água gelada caindo em seu corpo. e a seguravam embaixo do chuveiro e não puderam deixar de rir com os palavrões que a menina berrava em plena madrugada. Depois do banho, recusou o miojo que e tinham feito, mas mesmo assim comeu um pouco, porque foi obrigada pelos dois. e Tom subiram com ela para o quarto de hóspedes e a deixaram na cama. Ela murmurava coisas que os dois não estavam entendendo. Estava quase dormindo e delirando ao mesmo tempo.

Depois de alguns minutos observando dormir e de estarem certos de que ela estava bem, , e foram para suas casas. já estava desmaiada no sofá e não tiveram coragem de acordá-la. Tom e ficaram no quarto junto a , conversando baixinho para que ela não acordasse. Estavam preocupados e com medo de dormir e acontecer algo com ela.
, fique tranqüila, eu vou ficar aqui com ela. Vai lá pro meu quarto, dorme um pouco...’ Tom ia dizendo sonolento. riu baixinho.
‘Eu ainda acho que você vai capotar primeiro que eu Fletcher!’
‘Que nada, eu nem tô com sono’ Ele riu, bocejando.
‘Eu espero que ela nunca mais faça isso... não gosto de ver minha amiga nesse estado’ disse olhando nos olhos de Tom, que concordou.
‘Ela vai ficar bem. Eles vão ficar bem.’
Tom piscou para que entendeu o recado, enquanto se encostava no peito dele embaixo do cobertor em que estavam, fechando os olhos. Tom olhou para ela e sorriu sozinho.

Capítulo 8:

‘Hey, , posso falar com você?’
entrou no quarto de hóspedes da casa de Tom, com as mãos nos bolsos. Estava lindo, como sempre esteve, principalmente sob o olhar de . Ele tinha um sorriso sincero no rosto e um olhar piedoso. não pode deixar de sorrir. Sentou-se na cama e tentou arrumar os cabelos com uma das mãos. O garoto apenas sorria, tímido.
‘Pode sim ...’ Ela disse, calma, ainda tentando parecer mais bonita aquela hora da manhã.
‘Me desculpe por tudo o que eu te fiz. Eu nunca tive a intenção de te magoar, sério. Eu fui egoísta, mas eu estava machucado. Você está bem? Será que você pode me perdoar?
Ele olhava dentro dos olhos dela e dizia aquilo sinceramente. sentiu os joelhos ficarem moles porque ele já estava frente a frente com ela na cama. Ficaram alguns minutos apenas se olhando e ele estendeu uma das mãos vagarosamente até os cabelos dela, colocando uma mecha para trás da orelha. suspirou alto e fechou os olhos, fazendo apenas um sinal positivo com a cabeça, aceitando o pedido de desculpas que ele tivera feito. sorriu e se aproximou vagarosamente dos lábios dela.

‘TRUCO, TRUUUUCO LADRÃO!’

bateu a cabeça na cama com um grito vindo do andar debaixo. Abriu os olhos com dificuldade e olhou para os lados. Nada de , nada de desculpas. Estava apenas sonhando e não queria ter acordado.
‘Merda!’
Ela xingou baixo e foi tentando se levantar para ir em direção ao banheiro. Sua cabeça girava e doía, estava com sede e cambaleando. Não se lembrava de muita coisa da noite anterior. Aliás, lembrava apenas de algumas coisas do bar e de algumas vozes desesperadas numa cena dentro do banheiro. Não fazia idéia do porque tinha dormido na casa de Tom, e muito menos porque estava usando as roupas dele. Lavou o rosto com calma e ficou encostada na parede por alguns minutos, tentando colocar as idéias em ordem. Na verdade queria voltar para a cama e continuar aquele sonho. Mas sabia que isso era quase impossível, então resolveu encarar a realidade e descer as escadas.

‘Quem é vivo sempre... acorda alguma hora!’
olhou para , que descia as escadas vagarosamente, e começou a rir.
‘Vocês não tem o que fazer não? Jogar truco de madrugada?’ riu levemente, fazendo Tom e rirem da expressão da menina.
‘Madrugada? Meu amor, são quase duas da tarde!’ Tom disse, rindo.
‘O QUÊ? Impossível, eu não dormi tanto assim. Cara, a minha mãe vai me matar e...’
foi dizendo rapidamente quando e chegaram à sala.
‘Relaxa amiga, ela acha que a gente dormiu na , tá tudo certo. Você tá melhor?’
disse sorrindo e colocou a mão na cabeça, que ainda doía, pensando em algo para responder.
‘Na medida do possível! Minha cabeça vai explodir, juuuuro!’ Ela riu. ‘Todo mundo dormiu aqui?’
‘Dormimos nada, a gente fez uma suruba enquanto você dormia!’ riu e deu o dedo pra ele.
‘Só se for nos seus sonhos, !’ A menina desatou a rir da cara que ele fez com a resposta. ‘Bem, eu capotei no sofá... a e o Tom dormiram aqui e o ... sei lá, eu acordei com ele falando alto demais’ fez cara feia e riu.
‘Eu não falo alto , você que dorme demais. E eu não dormi aqui não! Você não se lembra da gente indo embora ?’
‘Pra falar a verdade... não lembro não. Aliás, eu não lembro de quase nada da noite anterior. Me digam, eu paguei muito mico?’ A menina gargalhou se jogando no sofá, ao lado de Tom, que deu um beijo estalado na bochecha dela. e se entreolharam sem saber o que responder.
‘Bom, pelos olhares, eu aprontei alguma...’ ela riu, e também.
‘Er... nada demais! Só falou um monte de coisas sem nexo para...’ ia dizendo quando Tom interrompeu.
‘Para todos nós! Sério , você fica estranha bêbada!’
‘MAIS estranha, você quer dizer Tom!’ disse rindo e foi atacada por uma almofada.

As meninas ficaram na casa de Tom até quase quatro da tarde, quando resolveram que precisariam voltar para suas respectivas casas antes que seus pais ficassem loucos de preocupação. não foi embora porque ele e Tom começaram a travar disputas animadíssimas no videogame. Algum tempo depois, o telefone tocou, mas nenhum dos dois estava afim de levantar para atender, então continuaram jogando. Na segunda vez, Tom achou que pudesse ser algo importante e deu pause no jogo, fazendo berrar alguns palavrões porque segundo ele estaria prestes de dar um fatality no amigo. Tom apenas riu.
‘Alô!’ ‘Fala dude, achei que não estivesse aí!’ disse de outro lado do telefone. Tom sorriu.
‘É que eu e o estamos jogando videogame e eu fiquei com preguiça de atender.’ Ele riu, enquanto ainda reclamava no sofá. ouviu e desatou a rir, pedindo para Tom colocar o telefone no viva voz.
, cala a boca e me escuta, você não ia dar fatality em ninguém que eu sei...’ riu. ‘Antes de mais nada, a ficou bem depois da ressaca?’
‘Dormiu que nem uma pedra, acordou com dor de cabeça mas para o que eu pensei que fosse ser, ela tava ótima!’ Tom riu. ‘Ela não se lembrava de quase nada do que aconteceu ontem’
‘Como assim? Nem daquilo que ela disse pro ?’ franziu a testa.
‘Nem daquilo...’ Tom deu de ombros.
‘Bem que eu disse pra ele que ela estava bêbada demais para falar aquilo sinceramente. Mas enfim... é dele mesmo que eu quero falar!’
‘O que o aprontou dessa vez?’ riu.
‘Bem, aparentemente nada, mas ele quer que a gente vá na casa dele. Acreditem se quiserem, mas ele diz que escreveu uma música essa noite...’ Tom e se entreolharam com os olhos meio arregalados.
‘Uma música? O ? Há, só acredito vendo. Ele nunca escreveu nada que prestasse...’ Tom riu. ‘Mas ok, a gente tá indo pra lá. Quero ver isso!’
Os três riram e desligaram o telefone. e Tom desligaram o videogame e foram andando para a casa de .

tinha acabado de sair do chuveiro e estava com uma toalha na cabeça e um roupão. Foi andando devagar para o quarto, porque ainda estava com a cabeça doendo muito. Estava pensando no sonho que tivera com e sorrindo abobalhada. Mesmo que aquilo não fosse real, tinha lhe feito bem. Entrou no quarto e viu deitada na cama dela, com a barriga para baixo e os pés para cima, sapeando os canais da televisão. Sorriu para amiga, que arqueou levemente a sobrancelha e se virou para ela.
, a gente precisa conversar. Conversar sério.’ disse com um olhar estranho, que poucas vezes tinha visto na vida.
‘Nossa, o que houve ?’
‘Você me deixou muito preocupada ontem. Aliás, todos nós... você não pode beber daquele jeito amiga, não te faz bem e...’ Ela ia dizendo quando interrompeu, impaciente.
‘Sermão agora não né ? Quantas vezes na sua vida você me viu de porre? Pouquíssimas, não? Pelo contrário, eu que sempre te salvei dos seus. Sério, não tem necessidade nenhuma de você falar alguma coisa desse assunto...’
‘Amiga, eu sei que você já me salvou de vários porres mas não é disso que estamos falando! E há necessidade de falar sim, e eu vou falar.’ olhou para amiga muito séria e revirou os olhos, sem comentar nada.
‘Pra que tudo aquilo ? Você não percebe que você está caindo no jogo dele? Estava muito óbvio que aquela tal de Ally era só uma desculpa do para te provocar! Você bebeu para agüentar, e depois acabou dizendo coisas que eu não acredito que você diria sóbria...’
‘Não é assim o ditado? A bebida entra, a verdade sai? Então...’
deu de ombros e abriu o armário procurando algo pra vestir. Não fazia idéia do que tinha dito e do porque estava daquela forma, mas estava com medo de descobrir.
‘Faça o que quiser, mas faça sóbria. Você não odeia ele , nem de longe. Se odiasse não se importaria com as provocações que ele te fez e...’
‘Odeio ele? Ele quem, ? O ? Eu nunca te disse que odiava ele e...’
foi dizendo quando teve um flashback bem distante onde ela dizia para que o odiava, na noite anterior. Sentiu o estômago revirar porque tinha sido muito dura com ele, e agora tudo aquilo fazia sentido, era verdade. Viu a imagem dele indo embora com lágrimas nos olhos e sentiu as lágrimas escorrerem involuntariamente com isso. Droga, porque tinha que ser tão idiota? Não queria ter feito aquilo. Mas agora já era tarde demais.

, isso é muito bom!’ parecia surpreso com a música que o amigo acabara de tirar do violão.
‘Valeu cara!’ sorriu meio envergonhado.
‘Nossa, faz muito tempo que você não escreve algo... realmente bom !’ Tom riu da cara que o amigo fez.
‘Não sei o que aconteceu. Eu sei que eu escrevi e achei legal... vocês acham que dá pra usar na banda?’ perguntou, com um sorriso enorme no rosto.
‘Claro que dá! Aliás nós vamos usar, certeza!’ sorriu e todos concordaram.
‘Mas me diz uma coisa cara... de onde você tirou inspiração para a letra?’ arqueou a sobrancelha, quase rindo da cara que fez para ele.
‘Da onde você acha?’ falou alto e fez cara feia, enquanto os outros três riam.
Quase todas as composições próprias do McFLY tinham sido escritas por Tom; algumas delas pela banda toda e poucas por . Na verdade, ele era um dos melhores compositores que os meninos já tinham visto, mas só tinha algumas músicas escritas porque há muito tempo não achava inspiração para escrever algo que o resto da banda considerasse bom. A volta de e todo aquele turbilhão de emoções que ele estava sentindo o fizeram escrever finalmente algo que tinha a cara do McFLY. Ele não queria admitir que ela era sua “musa inspiradora”, mas no fim das contas estava tudo muito claro.
‘Ok, que tal irmos pra minha casa ensaiar essa música?’ Tom perguntou empolgado, e todos concordaram, acompanhando-o.

andava angustiada pelas ruas sem saber o que fazer. Estava se lembrando aos poucos de tudo o que tinha feito e dito na noite passada e estava envergonhada por aquilo tudo. Como podia ser tão patética? A quem ela estava querendo enganar, fingindo não se importar com ? Já não sabia mais o que pensar e muito menos o que fazer. Resolveu passar na casa de Tom para conversar com o amigo. Viu que a porta estava entreaberta e que estava um barulho absurdo no andar de cima. Entrou devagar e foi subindo as escadas, tentando se concentrar para entender o que estava se passando ali.
, o que foi isso? Você tá atravessando a música! Toca direito!’ riu olhando para o amigo.
‘Eu não to atravessando nada, acho que o ritmo fica melhor assim e...’ tentava se explicar quando Tom começou a tocar novamente, sem se importar com o que o amigo dizia.
‘Do começo hem?’ ele disse, arrancando risadas de que olhava para um um tanto quanto insatisfeito.

estava quase abrindo a porta do quarto onde eles estavam ensaiando quando ouviu a risada de . Ficou gelada na mesma hora e virou de costas para ir embora.

I look into the sky (Eu olho para o céu)
And I have to ask why (E eu tenho que perguntar o porque)
She’d go and leave me (Ela foi embora e me deixou)
Oh, why do feelings have to die? (Oh, porque sentimentos tem que morrer?)
Was it all just a sign? (Isso tudo é um sinal)
Oh what it meant to be (Do que era para ser)

fechou os olhos e sentou no chão com as pernas bambas ao ouvir os versos daquela música. Sentiu um frio na espinha e encostada na parede, continuou escutando.

Well I’m just excited, (Eu estou apenas empolgado
) Everything has got me tiding (tudo foi com a correnteza
) She’s only doing it for a break out (ela só está fazendo isso para terminar)
Better go she blows my brains out ( melhor ir antes que de novo ela estoure meu cérebro
) Silence is a scary sound (Silêncio é um barulho assustador

) Funny feeling happen today, (sentimento engraçado eu tive hoje)
Somewhere buried in the past (alguma coisa enterrada no passado)
Didn’t mean much that much anyway (não significou tanto assim)
I know that love will never last (eu sei que nunca duraria)

I’m torn up inside, (eu estou todo destruído por dentro
) There’s a role in my mind (há um buraco na minha cabeça)
When you’re not next to me (quando você não está perto de mim)
So I hope you choke and die (eu espero que você se sufuque e morra) At every single lie and it’s what you’ve done to me (por cada mentira e é isso o que você fez comigo)

respirou fundo e segurou com as mãos na parede para se levantar. Sabia que aquelas palavras tinham sido pra ela. Por mais incrível que pareça, sentiu um calor por dentro. Apesar de alguns trechos daquela letra falarem coisas não tão agradáveis assim... ela sorriu. Sorriu verdadeiramente. Ele se importava com ela, estava claro. Apenas aquilo era suficiente. Desceu as escadas ouvindo a música que ficava mais distante e foi embora, sem que ninguém percebesse.

estava indo para casa quando decidiu ir ao monte para pensar na vida. Ele não tinha ido muitas vezes lá durante os três anos em que esteve fora. De certa forma aquele lugar trazia lembranças que ele não gostava muito de ter. Mas resolveu ir mesmo assim. Eram quase nove da noite e estava bem escuro. Quando finalmente chegou em cima, percebeu que não estava sozinho. Cerrou os olhos tentando enxergar melhor, enquanto se aproximava da pessoa, que estava sentada de costas. Quando se deu conta de quem era, sentiu os joelhos ficarem moles e deu meia volta imediatamente.
‘Não precisa ir embora disse sem olhar pra trás. Não sabia de onde tinha tirado forças pra dizer aquilo, mas teve vontade de fazê-lo. ‘Eu prometo que não vou estourar seu cérebro’
Ela disse sorrindo de leve e o garoto arregalou os olhos, ainda sem olhar pra ela.
‘O que você disse?’ Ele olhou para ela ainda sem acreditar que ela tinha dito um verso da música que ele tinha escrito. A menina continuava de costas.
‘Que eu não vou estourar seu cérebro’ Ela riu alto, involuntariamente. sentiu um calor imenso por dentro ao ouvir a risada dela. Ainda estava confuso com aquilo tudo, mas a sensação boa que tomava conta dele foi mais forte do que as dúvidas.
‘A cidade está bem diferente do que da última vez em que eu estive aqui’
ia dizendo com uma coragem que não sabia de onde vinha. Pela primeira vez estava se sentindo confortável com a presença de . Não sabia se era o lugar, ou o efeito que a voz dele tinha em sua mente, com os versos da música. Não estava se importando.
‘É porque faz realmente MUITO tempo que você não vem aqui’ Ele sorriu de leve, sentando-se ao lado dela. estremeceu imediatamente mas tentou disfarçar. Ele estava sorrindo. Bom sinal.
‘Continua linda. Esse lugar é lindo’ Ela disse olhando pra frente.
‘Concordo.’
Ele disse, simplesmente, ainda meio envergonhado com a situação. Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos apenas observando a paisagem, sem trocar nenhuma palavra.
‘Concordo com você . Silêncio realmente é um barulho assustador’ riu baixo e o menino arregalou os olhos para ela, que começara a rir de verdade.
‘Você... você ouviu minha música!’
‘Que música ? Pirou?’ Ela riu. ‘Ok, digamos que eu... é, eu ouvi a música. Aliás, parabéns, vocês tocam muito bem’
corou na hora e viu com o canto do olho, sorrindo sozinha.
‘Não era pra você ter escutado...’
‘Um dia isso iria acontecer.’ Ela apenas deu de ombros, e ele concordou com a cabeça.
...’ disse baixinho, quase sussurrando, e ele sentiu a nuca arrepiada só com a voz dela.
‘O que?’
‘Como a gente chegou a esse ponto?’ abaixou os olhos que estavam vermelhos.
sentiu um aperto no peito com aquilo. Novamente teve vontade de abraçá-la, e a vontade parecia cada vez mais forte. O que diabos era aquilo?
‘Em que ponto? Aqui em cima?’ Ele riu e ela sorriu. ‘Ou no ponto em que você me odeia?’ Ele disse, cabisbaixo.
‘Eu não te odeio , me desculpe por ontem.’ Ela disse, simplesmente, e ele concordou com o olhar.
‘Eu estava bêbada... não sei, foi estranho te ver com outra garota mesmo depois de tanto tempo e...’ ia dizendo quando se virou para ela, aumentando um pouco o tom de voz.
‘Você já tem o seu gatinho’ Ele disse, sarcástico, e ela sentiu que o coração ia pular pela boca. Não sabia o que dizer.
‘Me desculpe por aquilo também. Eu sou uma completa idiota’ Ela abaixou o olhar com uma lágrima escorrendo e sentiu os olhos marejarem.
‘Você não precisa se desculpar. Eu nunca esperei que você estivesse sem ninguém’ Ele disse, meio nervoso com a situação. Na verdade tinha esperado.
‘Eu esperei... eu sempre esperei por você . Mas uma hora eu reparei que você nunca ia chegar...’
‘Esperou por mim? Foi você quem foi embora, ! Eu nunca me conformei com isso... eu sabia que você ia, mas você não se preocupou nem em se despedir de mim e...’ falava alto e tentava não chorar mais com aquela situação.
‘Eu não vou explicar isso de novo pra você ! Isso é ridículo, você acha que eu não sofri com aquilo tudo? Eu quase morri com aquela carta que você me mandou! Você se acha muito santo, acha que é a vítima, mas nunca reparou o quanto você me fez sofrer!’ gritava e já deixava as lágrimas escorrerem com força.
‘Quer saber ? Eu não quero e eu NÃO VOU brigar com você. Não aqui...’
levantou deixando a menina para trás e andando em passos rápidos. correu atrás dele.
‘Porque não? Porque você sempre tem que fugir dessas coisas?’ Ela gritou, porque ele já estava mais distante.
‘Eu já disse . Não aqui.’ Ele disse sem olhar pra trás.
‘Porque?’ ela gritou.
virou de frente e encarou a menina nos olhos. Ela estava com o rosto vermelho e com uma expressão muito triste. Ele odiava vê-la daquela maneira. O local estava escuro e eles mal se enxergavam direito. respirou fundo e respondeu.
‘Porque eu não vou deixar você tirar de mim a única lembrança boa que eu tenho daquele dia.’ Ele disse, com uma lágrima escorrendo.
Virou-se de costas e saiu o mais rápido que podia dali. sentou no chão e começou a chorar compulsivamente. Ficou ali por mais alguns minutos antes de resolver ir embora.



Capítulo 9:

Tinham se passado exatos quatro dias desde que e tinham tido aquela discussão no monte. sentia que precisava fazer alguma coisa para arrumar aquela situação, mas agia como uma idiota toda vez que encontrava com . Nesses quatro dias, eles se encontraram apenas duas vezes: ambas na casa de Tom, por acaso. Depois da segunda vez decidiu que não iria mais na casa do amigo enquanto estivesse se sentindo tão mal com aquilo. Sabia que não poderia fugir eternamente, mas pretendia fugir enquanto desse.

“I wanna hold you, my skies are turning black. Feels like a heart attack…”
estava dedilhando o violão e compondo uma nova música. Era o que ele verdadeiramente sentia, mas não queria assumir para si mesmo. De repente a porta de seu quarto se abriu com força e ele, que estava concentrado, quase caiu da cama.
‘Você está ficando bom nisso dude’
pulou na cama e viu um um tanto quanto corado com a situação. Riu alto.
‘Pode continuar... parece legal!’ ia dizendo empolgado. Estava adorando essa nova versão de compositor do amigo.
‘Esquece, não é nada.’ deu de ombros e guardou o violão no case. ‘Tá fazendo o que aqui dude?’ ele perguntou.
‘Vim te buscar. Vamos pra casa do , o dia está entediante. Tom já está lá, vai rolar uma disputa no vídeo game, que tal?’
parecia uma criança falando de tão feliz que estava. riu do amigo.
‘Vai ter pizza?’ perguntou interessado.
‘Claro que vai!’ sorriu.
‘Então vambora!’ puxou e os dois foram quase correndo para a casa do amigo. Aquele dia seria divertido.

estava sozinha no supermercado com uma lista de compras feita por sua mãe em mãos. Geralmente essas compras eram feitas com a companhia de , mas a amiga teve que ir ao novo colégio resolver alguns problemas com a matrícula e teve que se conformar com isso. Estava parada na seção de enlatados procurando um molho de tomate, quando ouviu uma voz conhecida ao seu lado.
?’ a menina perguntou, franzindo a testa, surpresa.
olhou para a garota e começou a procurar em sua mente de onde a conhecia. Nunca tinha tido a memória muito boa e odiava isso.
‘Eu mesma!’ Ela sorriu, sem graça, ainda sem lembrar quem era a garota.
‘Não lembra de mim não é sua louca?’
A menina riu alto e , assim que ouviu a risada, lembrou quem era ela. Carrie Thompson! Ela pensou rapidamente, olhando a garota baixinha de cabelos encaracolados em sua frente. Carrie era uma menina estranha, definitivamente. Desde a época em que ela e estudaram juntas, Carrie sempre a perseguiu por não ter muitos amigos. Era meio nerd, tinha uns papos estranhos mas sempre simpatizou com a garota, sem saber muito o porque.
‘Claro que lembro Carrie!’ sorriu vendo que a menina estava super orgulhosa da “amiga” do passado ter se lembrado dela.
‘Eu ouvi dizer que você tinha voltado! Mas só acreditei agora! Como você tá? Voltou porque? Vai ficar por aqui dessa vez? Ainda vai estudar no nosso colégio?’
Carrie parecia afobada e metralhava perguntas sem nem respirar. teve uma vontade absurda de rir mas se conteve. Olhou calmamente para a menina e começou a conversar com ela entre as latas de ervilhas e molhos.

Já haviam se passado trinta minutos desde que encontrou com Carrie. A menina continuava falando sem parar e estava começando a ficar impaciente com aquilo. Estava pensando na melhor maneira de cortar o papo, mas estava com dó porque Carrie estava realmente empolgada. Será que ela não tinha arrumado amigos nesse tempo todo?
‘Então amiga, o meu pai vai abrir um pub no centro sábado que vem! Vai se chamar Storm Rock Bar! Não é demais? Só assim para eu ir num pub todos os finais de semana sem ninguém reclamar comigo!’ Carrie riu. ‘Vem cá, você conhece alguma banda?’
quase engasgou com a própria saliva ao ouvir a pergunta. Ela conhecia uma banda. Não sabia para que Carrie estava perguntando aquilo, mas respondeu prontamente:
‘Conheço, claro que conheço! Porque?’ ‘Meu pai e o sócio dele estão precisando de uma banda independente para tocar na abertura do pub, sabe? Mas eles não estão encontrando nada interessante e...’ Carrie ia falando quando interrompeu com um sorriso imenso no rosto.
‘Meus amigos tem uma banda. Já ouviu falar do McFLY? Eles são realmente bons, talvez seu pai goste deles, quem sabe? A gente podia agitar uma audição, não acha?’ Agora era quem parecia afobada demais.
‘McFLY! Claro, eles tocaram no aniversário da Cindy no fim do ano passado! Como pude esquecer?! Faz assim amiga, pega esse cartão, liga pro meu pai e agenda! Eu vou falar pra ele que eles são meus amigos porque aí fica mais fácil dele arranjar um tempinho...’ Carrie piscou e franziu a testa.
Eles não eram amigos dela, ela pensou. Mas isso pouco importava. Ela estava feliz demais para implicar com qualquer coisa.

saiu correndo pela rua com as sacolas pesadas do supermercado nas mãos. Tentava alcançar o celular no bolso da calça mas aquela operação seria impossível. Ou era o celular, ou as sacolas. Parou em uma pracinha e apoiou as sacolas em um banco. Estava ofegante. Pela primeira vez nos últimos dias ela sentiu que poderia consertar as coisas de vez com , e ainda por cima ajudar a banda dos amigos, que era realmente boa. Respirou fundo e tirou o celular e o cartão do bolso. Discou rapidamente e falou com uma moça, que era secretária do pai de Carrie. A ligação foi transferida imediatamente quando ela disse ser amiga da filha dele. Trocaram algumas palavras rápidas e desligou o telefone, sorrindo e pulando, sem se importar com as pessoas que olhavam para ela. Tinha conseguido.

‘Eu nunca comi tanta pizza na minha vida! Ainda por cima no meio da tarde!’ batia na barriga rindo, enquanto tomava sua coca do outro lado do sofá.
‘Senti falta disso, dude! Faz tempo que a gente não faz uma sessão dessas!’ riu, enquanto Tom e quase se estapeavam de verdade por causa do videogame.
‘O que foi dessa fez ?’ riu alto vendo que estava vermelho de raiva.
‘Ele me roubou, ele me roubou! Era para eu ter ganhado, eu ia fazer o gol e ele me empurrou pro lado...’ fez bico e todos rolaram de rir com isso. Era impressionante como ele parecia uma criança quando se tratava de vídeo game.
‘Deixa de ser maricas, dá esse controle porque agora meu time vai tirar essa invencibilidade do time do Tom!’ riu.
‘Só quero ver!’ Tom riu alto e os quatro se concentraram em mais uma partida.

tinha passado muito rapidamente em casa apenas para entregar as sacolas. Estava na porta da casa de Tom quase quebrando a campainha de tanto tocá-la. Forçou a maçaneta para baixo e percebeu que a porta estava trancada.
‘Droga!’
Se a porta estava trancada, ele realmente não estava lá. Andou de um lado pro outro sem saber o que fazer. Não podia esperar, tinha que dar a notícia rapidamente ao amigo. Desceu a rua rapidamente e foi parar em frente a casa de . Ficou olhando a fachada por alguns minutos apenas relembrando o dia em que esteve lá chorando para se despedir dele. As lembranças daquele dia começaram a consumir sua mente e antes que ela desistisse, avançou em direção a porta e tocou a campainha sem pensar. Ao ouvir o barulho que ela fez, teve vontade de sair correndo. Não estava preparada para aquilo. Quando pensou em dar meia volta, a porta se abriu em sua frente, e ela sentiu o coração bater tão forte que achou que fosse desmaiar.
!’
‘Sra. !’ arregalou os olhos ao ver a mãe de do outro lado. Não sabia o que era pior: ver ou ver a ex sogra. Na verdade a mãe dele sempre foi um amor, mas devia odiá-la por ela ter abandonado o filho dela anos antes. não sabia o que dizer.
‘Meu Deus, como você está linda! O me disse que você tinha voltado! Entre!’
concordou com a cabeça e entrou na casa de . Colocou as mãos nos bolsos porque estava nervosa, mas a Sra. estava sendo tão educada que ela ficou com vergonha de recusar. Olhou em volta e reparou o quanto a casa estava diferente. As cores, os móveis, tudo. Viu uma foto de em um porta retrato e sorriu sozinha.
‘O não está meu anjo! Mas ele deve estar chegando! Aceita um chá?’
‘Imagina, não precisa se incomodar. Eu já vou indo, falo com ele depois e...’
‘Que é isso, incômodo algum! Sente-se, volto em dois minutos! Fique a vontade!’

ouviu a risada de sua mãe quando se aproximou da porta. Devia ter alguma amiga lá fofocando, pensou sozinho, e sorriu. Abriu a porta que estava apenas encostada e quase pulou para trás quando viu sentada no sofá de sua casa.
! O que faz aqui?’ estava com os joelhos tremendo porque nunca, mas em nenhum de seus pensamentos, imaginou chegar em sua casa e ver rindo com sua mãe.
‘Oi !’
sorriu, sem graça. O coração começou a bater rapidamente porque por uns instantes tinha se esquecido que estava na casa dele e que ele iria chegar. A conversa tinha a distraído.
‘Eu precisava muito falar com você, então eu vim aqui. Desculpe...’ Ela disse. apenas sorriu, sem entender. O coração batia tão forte que ele mal conseguia pensar.
‘Claro er... vem aqui, vamos até o meu quarto!’
o acompanhou com as mãos nos bolsos. Ele ainda estava sem saber o que ela estava fazendo lá, e não sabia se estava sentindo felicidade ou desespero com aquilo. abriu passagem para a garota que olhava em volta vendo o quarto dele. Não tinha mudado muita coisa. Ainda tinha as fotos nas paredes e os pôsteres de bandas. Mas agora a cama era de casal.
‘Você tem uma cama de casal agora...’ sorriu sem graça.
‘Você ainda se lembrava do meu quarto?’ sorriu olhando para os pés.
Claro que ela se lembrava. Cada detalhe. Mas preferiu não responder isso.
‘Um pouco.’
‘Hmm. Enfim, o que você tinha para dizer?’ franziu a testa.
abriu um sorriso imenso e olhou dentro dos olhos dele. sentiu os joelhos amolecerem e sentou rapidamente na cama. Sorriu de volta.
, o McFLY vai tocar na abertura de um pub aqui no centro! Storm Rock Bar!’ pulou eufórica e arregalou os olhos sorrindo. Do que ela estava falando?
‘Storm Rock Bar? Vamos tocar? Como assim, me explica isso !’
‘Vocês tem uma audição amanhã! Eu marquei para vocês. Se eles gostarem, vocês tocam na abertura da casa. Não é o máximo? Tenho certeza que vocês vão ser contratados!’
estava sorrindo largamente e contagiando . Ele não podia acreditar que ela tinha feito isso pela banda. Sentiu um calor no peito ao perceber que as coisas estavam mudando.
‘Liga para os garotos, rápido! Eu vou ligar para as meninas, eu acho que vocês vão precisar de ajuda! A audição é amanhã e o show é no sábado, se tudo der certo!’
‘O que? A gente tem... menos de uma semana , sem chance! Nunca vai dar tempo!’
murchou e olhou para os pés. involuntariamente tocou o queixo dele, fazendo com que o rosto do garoto se levantasse e os olhares se encontrassem novamente. estremeceu.
‘Vai dar tempo sim. Confia em mim ! Agora liga pra eles, anda logo!’ Ela sorriu e ele obedeceu.

Estavam todos sentados na cama de pasmos com a notícia. estava eufórica porque sempre fora uma das maiores incentivadoras da banda. e estavam felizes, mas preocupadas com o pouco tempo que tinham. Os meninos estavam extasiados. Se tudo desse certo, tocariam em um pub pela primeira vez na história do McFLY.
‘Sério , obrigado mesmo, por tudo! Você é demais!’ Tom deu um beijo na testa da amiga e sorriu.
‘Pára com isso gordinho, chega de agradecimentos!’ ela sorriu. ‘Eu não fiz nada demais. Só acho que vocês merecem uma chance. A audição é amanhã as 10 da manhã. Vocês tem que começar a ensaiar, AGORA!’ ela falou alto, e os meninos concordaram.
‘Eles querem ouvir uma música cover e uma própria né?’ perguntou e concordou com a cabeça. ‘Ok, vamos tocar Silence is a Scary sound?’
‘Não! A música não é boa o suficiente e…’ ia tentando fazer os amigos mudarem de idéia.
‘Cala a boca ! A música é perfeita, a gente vai tocar e ponto final!’ riu.
‘Ok, então vamos pra minha casa que hoje a noite vai ser longa!’
Tom disse abrindo a porta do quarto. olhou em volta e viu que haviam quatro meninas e quatro meninos. Gargalhou. Todos sem entreolharam sem muito entender, e ele completou.
‘Desculpem, maliciei a frase!’ riu muito alto com a cara do amigo e estapeou , rindo.
‘Ok, as meninas vão no meu carro, os marmanjos vão a pé, já que eu não estou vendo seu carro por aqui !’ Tom riu, abrindo a porta para que as garotas entrassem.
‘Elas vão assistir ao ensaio?’ arregalou os olhos.
‘Claro que vamos, somos suas produtoras!’ riu e negou.
‘Não... não acho legal, acho melhor tocarmos sozinhos e...’ Ele ia dizendo quando interrompeu.
‘Cala a boca , vocês vão tocar para centenas no sábado! Somos apenas quatro, se acostume com o público, bicho do mato!’
Todos riram da cara que fez com o comentário, e seguiram até a casa de Tom.

‘Corre, corre a gente vai chegar atrasado!’
berrava no banco traseiro do carro. Tinham ensaiado até quase três da madrugada e mal conseguiram pregar os olhos de ansiedade. Tom sussurrava o refrão de Don’t Stop me Now, do Queen, que seria o cover que eles fariam em alguns minutos. sentiu o celular vibrar no bolso e atendeu afobado.
‘Alô!’ ‘Aonde vocês estão? Faltam cinco minutos!’ berrou do outro lado da linha. Ela e as garotas tinham assistido ao ensaio até o final mas fizeram questão de comparecer na audição, mesmo com todo o cansaço.
‘Quase chegando linda, fica calma. O está quase estacionando aí!’
‘Tá, anda logo!’ desligou o telefone impaciente. Não queria que os garotos perdessem aquela oportunidade. Eles eram ótimos, e não é porque eram seus amigos. Viu o carro de virando a esquina e respirou aliviada.
‘Graças a Deus vocês chegaram!’ disse andando em direção ao carro. ‘Se demorassem mais um pouco eu ia buscar vocês pelas orelhas!’ ela e riram.
‘Faltam dois minutos! Olha, chegamos adiantados!’ olhou no relógio e riu. Todos eles estavam tentando disfarçar o nervosismo.
‘Vem gente, vamos entrar logo!’ disse olhando para Tom. Todos a seguiram e esperaram enquanto ela conversava com a secretária.
‘Ela disse que o Sr. Thompson está a caminho! Em alguns minutos estará aqui...’
‘Pelo menos assim vocês vão parecer pontuais!’ riu, encostada no ombro de , que sorriu.

O relógio parecia estar muito mais lento que o normal. olhava mas não via a hora passar de jeito algum. Estava nervoso. Sabia que era um bom e tudo mais, e sabia que seus amigos eram talentosos, mas era inevitável. Sentou no chão isolado do resto do grupo e abraçou os joelhos. Sim, havia vários sofás no local, mas ele preferiu sentar no chão mesmo. o avistou ao longe e respirou fundo. Pegou dois cafés da máquina e se abaixou ao lado dele.
‘Ansioso?’ Ela perguntou com um tom de voz calmo. Estava tremendo por dentro.
‘Um pouco...’ ele sorriu, pegando o café da mão dela. ‘Você acha que vai dar certo? Sinceramente, você acha que somos capazes, ?’ ele perguntou com um olhar piedoso. quase pulou na direção dele para abraçá-lo, mas se conteve.
‘Claro que são. Se não fossem, eu nunca indicaria vocês!’ Ambos sorriram e ela continuou. ‘E você, acha que são capazes?’
‘Acho!’ Ele falou verdadeiramente. Os dois se olharam sorridentes.
‘Isso basta. Vai dar tudo certo, eu prometo.’ Ele sentiu um calor por dentro e sorriu. Confiava nela, acima de tudo. Ela piscou e levantou-se, vendo o Sr. Thompson chegar. Era a hora.

‘Mas que droga, porque demoram tanto? Eu queria estar lá dentro!’ resmungava andando de um lado para o outro. As meninas tiveram que ficar do lado de fora da audição e não tinham gostado nada da idéia.
‘Faz tempo que eu não ouço a bateria, acho que estão só conversando agora!’
tentava se concentrar para ouvir alguma coisa. estava sentada no sofá batendo os dedos na coxa, ansiosa. Não tinha dito quase nada desde que foram barradas da sala em que a banda se encontrava agora. caminhou até ela.
‘Vai dar tudo certo amiga, eles são ótimos!’ Ela sorriu. Era a única que parecia calma.
‘Eu sei que vai.’ sorriu de volta. ‘Mas detesto esperar! Céus, porque demoram tanto?’ as duas riram e tentaram passar o tempo.
Quando já estava quase ficando tonta de andar de um lado para o outro e já tinha tomado vários expressos, elas ouviram barulhos na escada. veio na frente e os quatro estavam inexpressivos. e pularam do sofá e correram até eles.
‘E aí? E aí? Tudo certo? Já temos que começar a produção?’ perguntou afobada. Os garotos se entreolharam sem muito dizer. Tom pareceu nervoso do nada. Falou rapidamente.
‘Não, não podemos! O idiota do estragou tudo!’
‘O QUE?’ arregalou os olhos.
‘É, ele estragou Silence. E estragou a nossa chance!’ falou nervoso. olhava para os pés. ficou nervosa subitamente e falou alto.
‘O que você fez dessa vez, ?’
‘Nada, eu só fui o melhor que eu pude ser... e não é que deu certo?’
Ele levantou o olhar e os quatro começaram a rir. gritou de felicidade e pulou para cima de , sem muito ligar para o que estava fazendo. O garoto sentiu as pernas bambearem e uma felicidade imensa tomou conta dele. sorriu largamente e viu que Tom estava abraçado com , assim como e . Olhou para sem graça. Ele a olhou nos olhos e impulsivamente, estalou um beijo em seu rosto.
‘Obrigada por tudo, linda!’
Ele sorriu sinceramente e ela sentiu que ia desmaiar. Ele tinha a chamado de linda, assim como fazia quando estavam juntos. Ela sorriu de volta e sentiu uma vontade imensa de pular e abraçá-lo, assim como tinha feito com . estava tão feliz que mal tinha se dado conta do que tinha acabado de fazer. É claro que queria ter feito mais, mas já era alguma coisa. Estava se virando de costas para abraçar quando o chamou.
!’
‘Eu...’ ele sorriu, olhando para ela.
‘Eu só queria dizer que vocês merecem isso, mais do que ninguém. Estou muito feliz de ter ajudado e...’ ia dizendo e se aproximando dele, para retribuir o beijo na bochecha quando tocou as costas de que virou o rosto bruscamente, fazendo com que sem querer desse um beijo “na trave” da boca dele. Os dois arregalaram os olhos e tomaram uma certa distância. ficou vermelha na hora e queria sumir dali.
‘Ai meu deus, me desculpe, você virou e...’ Ela ia gesticulando afobada e riu alto. Como ela amava aquela risada.
‘Tá rindo do que?’ Ela perguntou, olhando nos olhos dele com vontade de rir também.
‘Relaxa , não foi sua culpa. Não é como se a gente nunca tivesse feito coisa pior antes...’ ele gargalhou e ela estapeou ele, ainda vermelha.
! Que absurdo!’
Os dois começaram a rir alto e Tom olhou para trás. Ao ver os amigos rindo, e ainda por cima juntos, sentiu um calor por dentro e sorriu sozinho. Finalmente as coisas estavam voltando a se encaixar.

Capítulo 10:

‘Ok, nós temos exatos quatro dias para pegar os flyers, divulgar a banda, ensaiar, compor outra música e... cara, não vai dar tempo!’ ia dizendo enquanto andava de um lado para o outro da sala de Tom.
‘Porque compor outra música ?’ perguntou tomando sua coca.
‘Porque eles não querem que a gente toque muitos covers... querem algo nosso sabe? A gente até tem Star Girl e Silence is a Scary Sound prontas, e são as únicas boas mesmo, então eles pediram pra gente escrever pelo menos mais uma’
‘Ei, esses dias quando eu cheguei no quarto do ele tava cantando alguma coisa nova... pode ser nossa salvação!’ pulou no sofá fazendo quase cair para o lado.
corou imediatamente. Ele definitivamente não precisava que se lembrasse daquilo. Aquela música era muito pessoal, algo dele, algo que ele não estava afim de compartilhar. Mas por outro lado, poderia ser a salvação da banda, como o próprio amigo havia dito. podia sentir um certo desespero no olhar dele, mas não comentou nada.
‘Aquela música não está pronta, nem ta legal ! Esquece, a gente compõe uma nova e...’ ia tentando se defender quando Tom interrompeu.
‘Eu não acho que nós temos tempo pra isso dude! Vamos ter que ouvir a sua e adaptar, porque se não estamos literalmente ferrados!’
‘Mas Tom, eu acho que...’ ainda estava tentando fazer os amigos mudarem de idéia.
‘Não acha nada, . Vamos subir e você vai nos mostrar o que já tem pronto! Meninas, não querem logo começar a produção?’ Tom riu soltando um olhar piedoso na direção de .
‘Vamos começar agora mesmo! Bom ensaio meninos, a gente volta aqui mais tarde!’

, , e se comprometeram a cuidar de toda a parte burocrática do show para os meninos. O que incluía todo o trabalho, eles só teriam que tocar. Mas elas estavam felizes, satisfeitas com a idéia. McFLY era um sonho se realizando tanto para os garotos quanto para elas mesmas. Os quatro dias que elas tinham seriam muito corridos, mas estavam se organizando bem para não deixar passar nenhum detalhe.
‘Céus, eu estou sem pernas! Esse negócio de distribuir flyers por aí cansa minha beleza!’ reclamava, rindo um pouco da própria situação. ‘Tá fazendo o que aí amiga?’
‘Divulgando pela internet. Myspace, e-mail, MSN... fiz isso a tarde toda!’ respondeu.
‘Pelo menos você fez tudo isso com o ar condicionado ligado!’ riu e deu língua.
‘Amiga, se arruma rápido porque a gente tem que ir pra casa do gordinho! Temos muitos detalhes pra tratar, cheguei a conclusão que vamos ter que passar a noite lá. Falo sério!’
‘A noite? Tipo assim... dormir na casa do Tom?’ arregalou os olhos e riu.
‘Quem aqui falou em dormir? Vamos TRABALHAR meu amor, trabalhar. E é claro, comer umas pizzas, porque ninguém é de ferro!’
‘Opa, gostei da idéia! Vou colocar uma roupa bem bonita para...’
‘Pra quem ?’
‘Pra ninguém. Digo... aaaah, vou passar uma noite toda ao lado do gato do ! Sempre bom fazer novos contatos! Vou correr pro meu banho, essa noite promete!’ riu e saiu correndo em direção ao banheiro. sorriu e fez sinal de negativo com a cabeça. Algo dizia que aquilo não daria certo.

‘Sério dude, a música ficou foda!’ Tom pulava depois de ensaiar a nova música de pela sexta vez.
‘Nem é tudo isso... e vocês ajudaram bastante a arrumar o que era preciso! Mas vou logo avisando. Eu me RECUSO a tocar essa música nos ensaios na frente das meninas!’ falou olhando para os pés.
‘Quer fazer uma surpresa pra sua amada é ?’ brincou e deu o dedo, rindo.
‘Ela não é minha amada. Mas eu não vou tocar na frente delas e pronto!’
‘Se você diz!’ riu e eles ouviram a campainha, juntamente com algumas risadas conhecidas.
‘Morreu o assunto!’ sussurrou.
‘SOBRE A MÚSICA? A MÚSICA QUE VOCÊ NÃO QUER QUE ELAS OUÇAM? É isso ?’ gritou fazendo Tom e rolarem de rir, enquanto o socava.
‘Agora a gente quer ouvir!’ riu assim que Tom abriu a porta.
‘Esquece, o é um idiota!’ corou e sorriu para ele, que ficou ainda mais vermelho.
‘Mas enfim meninas, como anda a parte de vocês?’ perguntou, enquanto pegava o telefone para discar para a pizzaria.
‘Eu estou MORTA, não sabia que me daria tanto trabalho!’ riu, fazendo os meninos rirem junto.
‘Nós temos uma surpresa para vocês!’ pulou e puxou , que ria enquanto abria sua mochila.
‘Nós temos?’ franziu a testa sem entender.
‘Calma amiga, é surpresa pra você também! sorriu. ‘Tcharan!’
A menina retirou de dentro da bolsa oito camisetas com o logo da banda, sendo que quatro delas tinham escrito “produção” nas costas. Os meninos olhavam maravilhados para a eficiência delas.
‘Produção? Que chique!’ riu com sua camiseta na mão.
‘Lógico meu bem, acha mesmo que iríamos passar despercebidas por lá! Eu quero a fama também!’ disse e todos desataram a rir.

Eram duas e meia da madrugada e todos já estavam muito cansados, mas sabiam que não podia parar. Alguém chegou a propor um revezamento, onde metade dormiria enquanto o resto trabalhava, trocando depois, mas a idéia não foi aceita. A sala de Tom estava imunda, havia caixas de pizza e latas de refrigerante e cerveja espalhadas por todos os lados. estava deitada no sofá com os pés no colo de , enquanto anotava as coisas que ouvia em um caderno. estava sentado no chão e não parava de olhar pra ela, que não percebia muito, porque estava tentando se concentrar no que estava fazendo. estava quase dormindo em uma poltrona, abraçada a uma almofada. Chegou a cochilar algumas vezes, e sorria sozinho vendo a cena. Aquela era definitivamente a garota dos seus sonhos. Então porque não estavam juntos?
‘Eu vou fazer um café antes que eu durma. Sério, se a gente tivesse só jogando conversa fora ninguém tava com sono!’ riu, vendo que Tom bocejava.
‘Eu te ajudo !’ levantou rapidamente e seguiu o menino, que sorriu pra ela.
‘Isso não vai prestar.’ falou bem baixinho, mas ouviu o que ela dizia.
‘O que não vai prestar ?’
olhou para os lados sem saber o que responder. Viu que estava cochilando de novo e lembrou-se das inúmeras vezes que vira olhando para a amiga naquela noite.
‘Esquece , besteira minha! Vou ao banheiro!’

‘Onde será que ta o açúcar?’ coçava a cabeça tentando achar as coisas dentro do armário.
‘Achei que você praticamente morasse aqui lindo, devia saber!’ riu e sorriu para ela. Estranhou o “lindo”, mas preferiu não comentar.
‘Pois é, eu tô aqui sempre, mas o Tom que faz essas coisas!’ Ele riu.
‘Deixa eu te ajudar!’
abaixou na altura do armário e se encostou em , fingindo procurar o açúcar. Segurou a mão dele como se tivesse feito aquilo sem querer e , que ainda não estava entendendo muita coisa, deixou o momento passar sem maiores alardes.
‘Ah, lembrei! Fica no armário de cima, não no de baixo!’ riu, se levantando.
‘Deixa que eu pego!’ subiu o mais rápido que pode na cadeira e pegou o pote de açúcar, dando na mão de . Como ele era gato. Tudo o que ela mais queria era matar aquele tédio com ele. Escorregou para baixo e caiu com o rosto quase colado no dele, que agora finalmente entendera o que estava se passando. Mas não teve tempo de pensar. Em questão de segundos ela se aproximou e roubou um beijo do rapaz, que ficou completamente sem reação.

saiu do banheiro e foi em direção à sala, achando que e já teriam voltado com o café uma hora dessas. Quando chegou, se deparou com tomando seu lugar no sofá. Pensou em pedir licença, mas olhou a cena e sorriu sozinha. estava com a cabeça no colo de , que acariciava seus cabelos como todo bom casal costuma fazer. Os dois não estavam falando nada, ela estava lendo umas anotações e ele parecia viajar em pensamentos. Mas ainda assim a cena era bonita.
‘Esse chão está vago?’ riu, sentando-se ao lado de , que estava encostado na parede.
‘Pra você está!’ Ele sorriu marotamente e ela ficou vermelha na mesma hora.
‘A quer ficar com o ?’ Ele perguntou, simplesmente, e arregalou os olhos.
‘Como você sabe?’
‘Não precisa ser nenhum gênio pra notar!’ ele riu.
‘Mas está na cara que ele é afim da !’ Ela sorriu e ele concordou com a cabeça.
‘Ela sabe disso? A ?’ perguntou.
‘Ela nem tem idéia!’ negou. ‘Caramba, que chão gelado!’ ela riu e também, ao ver que a menina estava arrepiada.
‘Espera um pouco. Dois segundos.’
subiu as escadas correndo e franziu a testa sem entender. Respirou fundo e ficou olhando abobalhada para o nada. Como conseguira ficar tanto tempo longe dele? Não viu quando ele desceu as escadas. Estava perdida demais para prestar atenção nesse detalhe.
‘Eu não tinha uma blusa para oferecer, então... serve um cobertor?’ sorriu largamente e suspirou alto.
‘Claro que serve, obrigada!’ Ela sorriu, enquanto se cobria. ‘Pega uma ponta para você!’
‘Valeu, mas eu nem tô com frio não!’ Ele negou e riu alto, sem que ele entendesse.
‘O que foi?’ ele riu junto.
‘Um certo alguém me disse uma vez que é impossível sentir frio ao meu lado, sabe? Estou começando a achar que é verdade!’ Ela piscou e desatou a rir, enquanto corava e ria também.
‘Não acredito que você lembra disso! Você não tinha a memória tão boa assim !’ Ele disse, pegando uma ponta do cobertor para si.
respirou fundo e olhou nos olhos dele. Estavam perigosamente perto e ela já estava começando a sentir calafrios ao sentir o perfume dele. Respondeu, simplesmente:
‘Eu não tenho a memória boa mesmo, . Eu lembro apenas do que realmente importa.’
sentiu um calor por dentro com aquelas palavras. Não sabia o que dizer e ficou com medo de falar alguma coisa e estragar aquele momento. Ficaram assim, apenas se olhando por alguns segundos, quando chegou saltitando na sala com a garrafa de café em mãos, chamando a atenção de todos para ela mesma.

‘ELA TE BEIJOU?’ arregalou os olhos olhando para .
‘Isso, grita mesmo, tudo o que eu preciso é que a ouça!’ reclamou.
‘A não ta nem aí cara... e a é gata!’
‘Mas não é ela que eu quero!’ respondeu, cabisbaixo. ‘E agora, eu faço o que?’
‘Se você não quer nada com a , não enrola ela né dude? Conversa com a menina!’
‘Falar é fácil, quero ver eu fazer! Ela é gente boa cara, tenho medo de magoá-la...’
‘Ah, deixa disso. Ela deve ser louca, por querer algo com você!’ riu e mostrou o dedo pra ele.
‘Amanhã eu falo com ela... vamos voltar pra sala pra resolver as coisas antes que amanheça o dia...’

As meninas já tinham anotado tudo o que deviam e os meninos já tinham opinado em tudo que interessava. Ficaram decidindo as coisas até umas cinco da manhã, quando pegaram no sono de vez. dormiu encostada em , mas ambos só repararam nisso quando acordaram, por volta das oito da manhã, com o sol que invadia a sala da casa. Todos foram para suas respectivas casas dormirem um pouco antes de colocarem tudo o que fora conversado em prática. estava sonolento mas sentia o coração bater forte quando lembrava que tinha dormido ao lado de , ainda que em um chão nada confortável.

Os dias depois daquele passaram voando e já era madrugada de sábado. Durante a semana ninguém teve tempo para pensar em nada além do show do McFLY que aconteceria algumas depois. não teve tempo e nem coragem para conversar com . Na verdade tinham se encontrado pouco nesses dias, porque as meninas tinham muitas coisas para resolver e eles tinham que ensaiar. e também mal haviam se falado depois da reunião que tiveram na casa de Tom, mas ambos estavam felizes com a aproximação que tiveram.

estava finalmente pegando no sono. Estava ansiosa com tudo o que teria que fazer quando acordasse e o relógio já marcava 3:45 da madrugada. Ouviu um barulho insistente vindo de sua janela, mas achou que estava sonhando e virou para o outro lado, tentando dormir. O barulho não cessava. Não era algo alto, algo que acordaria todos da casa, mas era irritante o suficiente para fazê-la levantar e ver o que se passava. Cerrou os olhos por causa da luz do poste e viu o carro de estacionado do outro lado da rua. Sentiu o coração disparar e coçou os olhos com força para ter certeza. Viu algumas pedrinhas no parapeito da janela e abriu o vidro, olhando para baixo.
! O que você ta fazendo?’ ela sussurou, vendo que o garoto já olhava para ela.
‘Desculpe, você não atendeu o celular... eu preciso muito falar com você!’
‘Acabou a bateria, desculpa!’ começou a roer unhas em sinal de nervosismo. ficou sem entender mas sentiu os joelhos amolecerem quando pensou em andar para pegar seu casaco e descer. O que ele queria? Só de pensar sentia calafrios.
‘Espera aí, to descendo!’
Desceu as escadas pé ante pé para não acordar ninguém. Estava curiosa e ao mesmo tempo preocupada com o que teria para falar. Mas de certa forma estava feliz, porque o que quer que fosse, era importante o suficiente para ser dito quase quatro da manhã.
‘Você bebeu ? Olha a hora!’ ela sorriu, involuntariamente, e ele, que olhava para os pés, levantou o olhar e viu que a menina vestia uma camisola lilás com um casaco enorme por cima. Estava linda.
‘Me desculpe, sério. Eu não queria te acordar e...’
‘Eu estava acordada, relaxa. Mas o que faz aqui?’
sentou na pequena escadaria em frente à casa de e ela fez o mesmo. Ele olhava para os pés e ficou em silêncio durante alguns minutos. sentiu o coração apertar.
‘Você vai achar que eu sou idiota...mas eu precisava te ver.’
corou e sentiu que o coração ia sair pela boca em uma velocidade impressionante. Era isso, ele precisava dela e ela não sabia o que falar. Apenas olhava para o garoto com uma vontade imensa de abraçá-lo, ou talvez mais que isso.
‘Sério?’ ela sorriu. ‘Você parece nervoso...’ disse dando um tapa de leve na mão dele, que estava na boca, enquanto ele roia unhas. Ele sorriu.
‘Eu estou. Faltam poucas horas, . Eu acho que vou enlouquecer!’ levou a mão à boca novamente e sorriu sozinha.
‘Fique calmo, . Eu também estou ansiosa. Mas vai dar tudo certo, trabalhamos muito pra isso. Vocês são ótimos, não tem porque ter medo!’
abriu um sorriso largo e se sentiu confortado com as palavras que ela tinha dito. Agora tinha certeza que tinha feito a coisa certa ao dirigir de madrugada até a casa da garota. Olhou para que sorria e achou que poderia ficar o resto da vida só olhando aquele sorriso. Valia mais do que qualquer coisa que ela dissesse.
‘Mas ... posso te perguntar uma coisa?’ olhou para os pés ligeiramente envergonhada.
‘Claro!’
‘Porque eu? Porque você veio bater na minha porta... ou melhor, porque você veio tacar pedrinhas na minha janela?’ ela riu e ele também. ‘ Porque não foi na casa do Tom, sei lá? Porque veio parar aqui?’
ficou corado e não sabia o que responder. Ele não sabia explicar porque tinha ido até lá, agiu por impulso mas não havia se arrependido nem por um segundo. Olhou nos olhos dela e respondeu, sinceramente:
‘Na verdade eu não sei...’ ele disse baixo. ‘Só sei que você foi a primeira pessoa que me veio na cabeça quando eu pensei em conversar com alguém! Agora que eu estou aqui eu sei que fiz a coisa certa. Eu precisava ouvir o que você me disse. Eu precisava te ver.’
sorriu largamente com a resposta e olhando dentro dos olhos dele, apenas respondeu:
‘Eu fico feliz que você tenha vindo... me faz bem você estar aqui!’
sorriu e sentiu que não precisava dizer nada para completar. Viu pela fresta da porta que alguma luz tinha sido acesa dentro da casa e achou que estava na hora de ir. Se aproximou dela, sorrindo sinceramente, e a beijou carinhosamente na testa. fechou os olhos como quem precisasse muito daquilo. sorriu e levantou-se.
‘Obrigada linda! Te vejo em algumas horas!’
virou de costas e apertou a mão contra o peito sentindo uma felicidade que não cabia em si. Quando ele abriu a porta do carro, ela falou um pouco mais alto, sem gritar.
!’
Ele olhou para ela sem dizer nada.
‘Eu confio em você. Você vai arrasar naquele palco. Não esqueça disso!’
O garoto sorriu largamente e entrou no carro suspirando alto. Era a melhor coisa que tivera feito nos últimos tempos.

‘Pessoas, eu tenho uma notícia ótima e outra meio assustadora para dar!’ disse entrando no backstage do show.
‘Assustadora seria ruim?’ perguntou confuso.
‘Não, seria assutadora mesmo.’ Ela riu e ele também.
‘Ok, não enrola , fala logo!’ perguntou curiosa enquanto todos voltavam as atenções para .
‘A ótima é que a casa está lotada! Nossa divulgação foi um arraso, não cabe nem mais um mosquito aqui dentro!’
Todos comemoraram eufóricos e os meninos começaram a agradecer novamente todo o esforço que as amigas tiveram.
‘Ainda por cima estão lindas vestidas com essas camisetas de produtoras!’ Tom riu e agradeceu.
‘Agora fala a assustadora!’ perguntou, ainda sorrindo por causa da primeira notícia.
‘A assustadora é que... bem... vocês sobem no palco em quinze minutos!’
‘QUÊ?’ pulou da cadeira e começou a andar de um lado para o outro ansioso.
roia as unhas e Tom ficou batucando em uma mesa insistentemente fazendo um barulho irritante. Apenas parecia tranqüilo, rindo da situação em que os amigos se encontravam. já estava quase batendo em Tom para que ele se acalmasse enquanto ria. Vendo a confusão armada dentro do backstage e um calmo, resolveu perguntar.
‘É impressão minha ou você é o mais calmo desse lugar?’ Ela riu e ele também.
‘Eu não estou mais nervoso assim
‘Eu achei que você fosse surtar!’ ela riu, olhando para as unhas roídas do amigo.
‘E eu surtei! Mas eu já ouvi tudo o que precisei pra me acalmar!’ Ele piscou para e voltou o olhar para , sorrindo sozinho.
‘Garotas, acho melhor vocês liberarem o backstage se quiserem um lugar na frente!’ Uma garçonete disse, entrando com água para os meninos e elas obedeceram, com gritinhos de boa sorte e abraços. apenas olhou para e sussurou baixo:
‘Não esquece!’
O garoto sorriu e deixou o backstage seguida por .

‘E agora eu tenho a honra de apresentar a vocês... MCFLY!’
‘Ai meu deus, é agora!’
pulou ansiosa vendo os meninos subirem ao palco e um grande público aplaudindo fervorosamente. segurou a mão dela e as duas começaram a gritar para os amigos, que pareciam extasiados com aquilo tudo.

olhou para o público e por um instante teve vontade de sair correndo dali. Olhou para que estava na primeira fileira, junto com as amigas e lembrou da voz dela:

‘Eu confio em você. Você vai arrasar naquele palco. Não esqueça disso!’

De repente sentiu um calor por dentro e olhou para Tom sorridente. Era a hora deles, definitivamente. Pegou o microfone e disse: ‘Boa noite, nós somos o McFLY! Espero que essa noite seja a melhor noite de nossas vidas!’
sorriu e os amigos também, ouvindo os aplausos. Harry fez a contagem com as baquetas e eles começaram, para delírio das meninas, cantando Silence is a Scary Sound.

Depois de alguns covers como Don’t Stop Me Now, Help e de tocarem Star Girl, Tom fez um sinal com a cabeça para indicando que era a tão esperada hora do dia. A hora em que eles tocariam a tão misteriosa música, música essa que todas as meninas queriam ouvir, mas que por algum motivo bizarro eles tinham escondido a sete chaves nesses últimos dias. respirou fundo e achou que o coração ia sair pela boca. Tom pegou o microfone e começou a anunciar, vendo que o amigo não faria isso: ‘Vocês estão se divertindo essa noite?’ Ele gritou, e uma maré de aplausos e gritinhos histéricos responderam, fazendo uma felicidade imensa tomar conta dele.
‘Isso é ótimo! Bem, agora nós temos mais uma música nossa para vocês conhecerem... essa música foi nosso segredo essa semana, até para as nossas produtoras lindas aqui em frente, não é ?’
quis matar Tom com essa deixa ao microfone. Olhou feio para o amigo que gargalho da cara que ele fez.
‘Isso mesmo! Então nós vamos dedicar essa música a elas, que esperaram tanto para ouvir! Se chama I Wanna Hold You!’
gritou alto e Tom começou a rir em cima do palco. virou para as amigas rindo:
‘Nós também somos famosas! YEAAAH!’ As quatro desataram a rir e quando ouviram os primeiros acordes da música, se concentraram para ouvi-la. não sabia o porque, mas sentia que iria gostar do que estava por vir. segurou no braço de ainda na introdução e falou:
‘Com esse nome, acho que a música é mais para você do que pra qualquer uma de nós!’ riu alto ao ver que tinha a mesma sensação que ela.

Tell me that you want me baby, (diga que você me quer baby)
Tell me that is true, (me diga que é verdade)
Say the magic words and I’ll change the world for you (diga as palavras mágicas que eu mudarei o mundo para você)
An army for the broken hearted, (um exército de corações partidos)
Marching through the streets, (marchando pelas ruas),
And every city’s burning to the ground under your feet (e cada cidade está queimando embaixo de seus pés)

I wanna hold you (eu quero te abraçar)
My skies are turning black, (meus céus estão ficando negros),
Feels like a heart attack (parece um ataque cardíaco)
And I’d do anything you ask (e eu faria qualquer coisa que você pedisse)
I wanna hold you bad (eu quero muito te abraçar)

cantou a música o tempo todo sem conseguir tirar os olhos de . Ela também olhava para ele e prestava atenção a cada palavra e a cada acorde. Sentia um calor absurdo tomando conta com cada novo verso. Na segunda vez que tocaram o refrão, ela já cantava junto e sorria ao ver isso. Não estava mais envergonhado pois via claramente que a música tinha feito com que sorrisse. Ele faria qualquer coisa para ver aquele sorriso novamente.

O show acabou e as meninas mal conseguiram parabenizá-los porque eles estavam cercados de garotas que diziam o quanto eles eram bons. estava enciumada com aquilo, mas de certa forma orgulhosa. Eles realmente eram bons, tinham feito tudo da melhor forma possível. Eles estavam com cervejas nas mãos e com os olhos brilhando com aquela noite. sorria involuntariamente por isso. Ouviu o Sr. Thompson elogiando a banda para seu sócio e sorriu largamente. Sentiu que seu celular iria tocar nos próximos dias pedindo um novo show da banda e mal podia esperar para ver isso. ‘Ei, garotas!’ gritou olhando para , e as demais, enquanto dava cervejas nas mãos delas.
‘Nós não vamos brindar sem vocês! Nós não somos nada sem vocês!’ gritou e as meninas riram, orgulhosas, vendo as fãs se afastarem para que eles brindassem.
‘E viva a melhor noite das nossas vidas!’ gritou, fazendo o brinde.

‘Todos os instrumentos estão no carro gordinho?’ perguntou abraçando Tom, que a beijou na testa.
‘Sim senhora produtora!’ ele riu e ela fez careta, mordendo a bochecha dele.
‘Vocês foram o máximo, eu já disse isso hoje?’
‘Uma duzentas vezes! Mas eu gosto de ouvir!’ ele riu e ela também. ‘Não teríamos conseguido sem vocês, já disse que vocês são foda hoje?’ ele riu alto.
‘MILHÕES DE VEZES!’ os dois começaram a rir e buzinou para Tom entrar no carro.
‘Vou nessa meu anjo!’ Ele disse, beijando-a na testa. ‘Até amanhã no churrasco lá de casa! Temos muito o que comemorar, afinal segunda feira já tem aula!’ Ele gritou.
‘Não precisava me lembrar disso Tom!’ reclamou e riu.
‘Estaremos lá amanhã, certeza!’
acenou para do banco dianteiro do carro e ela fez o mesmo. Não estava satisfeito com o pós-show, porque não tinha conseguido falar com ela. Mas o dia seguinte estava chegando e eles passariam um dia inteiro juntos.

sorria abobalhada e andava pelos corredores de casa sem saber o que fazer. Lembrava da música, do sorriso de , da voz dele e sentia que ia cair porque suas pernas não obedeciam. O coração batia descompassado. Pegou as chaves do seu carro e saiu correndo batendo a porta. sorriu sozinha quando viu a menina partindo. Sabia o que ela iria fazer.

! Sou eu. Eu estou em frente a sua casa, desce.’ desligou o celular sentindo o coração bater tão forte que acabou se lembrando da música:
‘Feels like a heart attack!’ Ela sorriu sozinha, encostada no capô do carro.
viu que era verdade pela janela e saiu correndo para abrir a porta. Era madrugada e ele estava sentindo uma felicidade imensa tomar conta dele ao vê-la ali. Uma mistura de felicidade e ansiedade.
‘Hey, você bebeu? Viu que horas são?’ Ele riu alto, lembrando do que ela tinha dito na noite anterior.
ainda estava encostada no capô do carro e eles estavam relativamente longe, porque a casa de tinha um imenso jardim que separava a rua da residência em si. não respondeu nada, apenas sorriu largamente e saiu correndo em direção a ele, que estava na metade do gramado. Sem dizer uma só palavra, pulou no pescoço dele e o abraçou com toda a força que tinha. sentiu o coração disparar e a segurou no alto fazendo com que ela tirasse os pés do chão e apertando com força o corpo dela contra o seu. teve vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo ao sentir o perfume dele e a força com que ele a segurava. Passava as mãos no cabelo dele e a melhor de todas as sensações tomava conta dela. Ficaram vários minutos abraçados quando finalmente conseguiu tocar os pés no chão. não queria soltá-la de jeito algum, era o que ele mais queria e o que mais precisava fazer nos últimos três anos, ficar apenas de olhos fechados sentindo o peso do corpo dela contra ao dele. soltou-se contra sua própria vontade passou a mão no rosto dele e apenas disse:

‘I wanna hold you bad!’

Deu meia volta e andou em passos rápidos em direção ao carro, com um sorriso que não cabia no rosto. a viu virar a esquina sem dizer uma palavra e se jogou para trás na grama, sorrindo abobalhado sem ainda acreditar no que acabara de acontecer. Era sua pequena. Era tudo o que ele queria.

Capítulo 11:

‘ACOOOORDA BELA ADORMECIDA!’ gritou alto, abrindo as janelas do quarto de para o sol entrar.
‘Vai a merda, ! Fecha essa janela se não quiser morrer!’
‘Nossa, quanta violência amiga!’ ela riu. ‘Não, a gente tem churrasco daqui a pouco, temos que passar no mercado pra pegar algumas coisas, então LEVANTA DAÍ!’
abriu os olhos vagarosamente por causa da luz. Nem havia se lembrado do tal churrasco, tinha dormido tão bem aquela noite que nunca mais queria acordar. Coçou os olhos e sentou-se na cama.
‘Bom dia, vaca...’ Ela riu, e sorriu largamente.
‘Ótimo dia amiga, ótimo dia! Anda logo, eu vou fazer algo pra gente comer e...’
ia dizendo quando teve um estalo. Lembrou-se da noite anterior, de saindo com o carro e tudo mais. Pulou na cama da amiga rapidamente e franziu a testa sem muito entender.
‘Você não ia fazer o café, sua monga?’ riu.
‘Nossa, eu adoro esses seus apelidos carinhosos pela manhã, sabe?’ riu. ‘Não vou mais. Quer dizer, até vou, mas não antes de você me contar TUDO sobre ontem. Quero detalhes, muitos detalhes!’
‘Hã?’ coçou a cabeça ainda meio lerda aquela hora da manhã. ‘Você tava no show , bebeu?’ ela riu alto e revirou os olhos.
‘Não sua lesma, não do show. Do pós show, você saiu ontem de carro e eu sei muito bem pra onde você foi.’
olhou para ela interessada e suspirou alto, lembrando-se de cada momento. Aquela noite havia sido realmente uma das melhores da vida dela, não podia negar. Ficou pensando e sorrindo abobalhada. Não sabia muito bem de onde tinha tirado coragem para fazer o que tinha feito, mas isso pouco importava, afinal, tinha dado tudo certo e ela estava radiante com isso.
‘Alow, Terra chamando!’ deu um peteleco na amiga, que sorriu.
‘Se você sabe pra onde eu fui, o que eu preciso te contar?’ riu sarcástica e tacou uma almofada nela.
‘Fala logo cacete!’
‘Calma, calma!’ riu. ‘Ok, vamos lá. Ontem quando eu saí eu fui até a casa do ... sei lá, eu precisava ir até lá. Eu precisava vê-lo, precisava falar com ele antes que eu enlouquecesse. Fui até lá e estacionei do outro lado da rua, liguei pro celular dele e pedi pra ele descer...’


‘... Aí eu olhei pela janela, e ela tava lá mesmo cara! Quase tive um ataque, sei lá... Desci as escadas correndo e fui abri a porta, ela tava encostada no capô do carro dela. Linda, dude, linda...’
‘E aí dude, o que você fez? O que ela queria? Fala logo !’ perguntava visivelmente interessado, sentado no sofá da casa de .
‘Bom, eu fui andando até ela, mas ela veio correndo na minha direção e me abraçou cara. Ela simplesmente pulou no meu pescoço! Eu nem sei quanto tempo nós ficamos abraçados, sei lá, acho que foi uma eternidade! Eu queria tanto aquilo que nem conseguia largá-la e...’

‘Ele não queria te largar?’ perguntava sorrindo abobalhada. Adorava essas histórias.
‘Acho que não...’ suspirava alto abraçada ao seu ursinho de pelúcia. ‘Eu mal conseguia tocar os pés no chão, sabe? Mas eu também não queria sair dali de jeito nenhum. Eu não consigo descrever a sensação que aquele abraço me deu...’
‘Own, QUE LINDO MEU! E aí?’
‘Ah, eu tive que soltar né, se não eu acho que a gente passaria a noite inteira ali...’ riu.
‘O que não seria uma má idéia, né safada?’ ria enquanto a mostrava a língua pra ela.
‘Eu fiquei olhando nos olhos dele... muito, muito próxima sabe? Mas já era tão tarde que eu tive que voltar pra casa, então eu...’

‘Ela simplesmente saiu andando, assim, sem falar nada?’ perguntou.
‘Na verdade não... quando ela estava indo embora, ela virou pra mim e disse: I wanna hold you bad.’ suspirou abobalhado e começou a sacaneá-lo, mas realmente não estava se importando. Aquilo tinha sido tão perfeito para ele que nada que o amigo dissesse iria estragar.
‘Cara, isso foi muito bom! Finalmente você e a estão deixando de ser idiotas!’
riu alto e também.
‘Mas temos que ir pra casa do Tom, antes que comam tudo, e eu tô com fome! Nem acredito que é o nosso ultimo dia de férias, que porcaria!’
‘Nem me lembra disso dude! Vambora vai... hoje o dia promete!’


Estavam todos reunidos no quintal da casa de Tom, ainda esperando que e chegassem. estava indescritivelmente feliz porque Vince não estava lá. Ele tinha um compromisso e então ele teria a tarde toda só pra ele. estava arriscando uns temperos diferentes nas carnes, enquanto Tom ria e bebia sua cerveja. era a única que estava na água e ficava o tempo todo tentando convencer alguém a acompanhá-la. olhava para a porta sem parar. Ele precisava ver e ter certeza de que tudo aquilo era verdade. Mas quanto mais ele olhava, mais ela demorava.
‘O cheiro tá bom viu ?’ ouviu a voz conhecida atrás dele e sentiu a nuca arrepiar.
!’ abraçou a amiga que estava ao lado dele.
‘Nossa, você é sempre a última a chegar né amiga?’ riu enquanto ajudava com as sacolas do supermercado.
‘Porque eu sempre sou a estrela da festa!’ debochou e Tom riu alto.
‘Ei, EU sou a estrela da festa, ok baranga?’ gritou da piscina e todos desataram a rir.
‘Gordinho, você está sexy com esse calção, preciso dizer...’ falou fazendo o amigo corar enquanto sorria.
‘Er... obrigado!’ Tom sorriu enquanto abraçava a amiga com força.
‘Tom, me ajuda aqui com essa cadeira por favor!’ pediu e Tom foi até ela.
olhava para ainda sem jeito de dizer alguma coisa. Ela estava com um short jeans e uma regata branca, da onde ele podia notar as alças pretas do biquíni. Os cabelos estavam soltos e ela estava de óculos escuros. Ele não podia deixar de reparar nela por um segundo. Sua pequena parecia cada dia mais linda, se é que isso era possível.
‘Parece que o Tom não é o único sexy por aqui!’ abaixou os óculos e piscou de leve para , enquanto ria alto do menino que estava levemente corado.
‘Obrigado! Você está sempre sexy, por falar nisso!’ Ele sorriu largamente.
‘Eu sei!’ Ela riu alto. ‘Eu não estava falando de você , estava me referindo ao , que acabou de tirar a camisa ali atrás...’ ela riu sarcástica e o menino fez sinal de indignação.
‘Que absurdo! Acabou com o meu dia!’ Ele riu alto e ela também.
‘Você também dá pro gasto, ok? Não fique se achando!’ Ela disse e os dois desataram a rir do comentário.
olhou para a piscina que estava a poucos metros atrás de . Soltou um olhar malicioso para sem que ele percebesse, fazendo a amiga desatar a rir na borda da piscina.
‘Ei, !’ sorriu tirando os óculos escuros.
‘Diga!’
‘Sabe, eu queria parabenizar você novamente por ontem! Você arrasou! A música era perfeita, você estava lindo...’ ia dizendo e se aproximando de , que sorria largamente sem perceber que ela estava fazendo com que ele caminhasse em direção a piscina.
‘Sério? Não seria a metade daquilo sem a sua ajuda, linda!’
sentiu os joelhos ficarem moles e quase perdeu a ação. olhou feio pra ela tentando fazer com que a amiga acordasse pra vida. Ela sorriu largamente.
‘Sabe como você ficaria ainda mais gato?’ Ela riu alto e franziu a testa.
‘Como?’ Ele perguntou sem entender.
‘MOLHADO!’
o empurrou na água e caiu no chão de tanto rir. Todos pararam o que estavam fazendo para sacanear , que também ria alto dentro da piscina.
‘Eu vou te matar !!!’ ele gritava enquanto a menina ria.
‘Claro que não vai!’ Ela provocava.
‘Diz que duvida!’ Ele retrucou.
‘DU-VI-DO!’ Ela riu sarcástica e arqueou a sobrancelha com um olhar malicioso, saindo rapidamente da água.
, NEM VEM!’ Ela gritou e começou a rir, vendo o menino vindo em sua direção.
‘Você disse que duvidava, agora agüenta!’
gritou e começou a correr pelo gramado tentando fugir dele. Os dois pareciam crianças e todos se entreolhavam, comentando e rindo.
‘Sai daqui ! To falando sério!’ riu alto.
‘Não saio!’
, eu só tenho essa roupa pra voltar pra casa, sério mesmo, eu entro na piscina depois e...’ ia tentando se explicar enquanto os dois rodeavam uma cadeira de praia.
‘Não quero saber, você me provocou gatinha!’ ele desatou a rir.
‘GATINHA?’ Ela franziu a testa e os dois riram. ‘ , por favoooooor!’
correu novamente pela beirada da piscina tentando, em vão, entrar na casa de Tom. aumentou a velocidade e a agarrou por trás, caindo com ela dentro da água.
‘BABACA!’ começou a rir toda ensopada, enquanto e apostavam quanto tempo demoraria para que ela e ficassem juntos novamente, sem que os dois percebessem.
‘Nunca duvide de mim, ok?’ cacoalhou a cabeça, molhando mais a garota.
‘Você vai secar a minha roupa, não quero nem saber!’ Ela ria alto e fazia sinal de negação com a cabeça.
‘Claro que não! SE VIRA!’ Ele riu sarcástico.
‘Eu não te mereço, !’
riu alto e pulou em cima dele afogando o garoto. Os dois ficaram brincando, esquecendo completamente dos amigos que estavam ao redor deles. sentia que ao lado de não precisava de mais ninguém para ser feliz. Só o sorriso dele era suficiente. As brincadeirinhas idiotas que ela sentiu tanta falta eram o máximo. Estar perto dele, abraçá-lo, sentir o perfume de , era tudo o que ela mais quis nesses últimos anos, embora achasse que não. não sabia o que fazer. Tinha medo de estragar tudo, medo de acabar com aquele momento. Ele queria mais do que um abraço, mas sabia que ela estava namorando e não tinha muita certeza do que ela queria. Então deixou as encanações de lado porque apenas o fato de estar ali tão próximo de sua pequena já o fazia imensamente feliz.
‘Casal, vocês vão vir aqui provar da minha carne ou vão ficar aí nesse chove e não molha?’ gritou alto e corou quando percebeu que ele estava falando com ela e .
‘Provar da sua carne?’ lambeu a boca e fez cara de tarado, enquanto ria.
‘Opa, eu também quero !’ gritou e arqueou a sobrancelha, rindo.
‘Nem vem , o é nosso, ok?’ disparou e todos desataram a rir, saindo da piscina e indo até a mesa comer.


‘Droga de chuva!’ reclamava olhando a piscina de Tom pela janela, que estava quase transbordando.
‘Último dia de férias com chuva? Que merda!’ concordava com a amiga, enquanto abria mais uma latinha de cerveja.
‘Eu acho que reclamar não vai nos levar a lugar algum, pronto, falei!’ riu vendo os dois que faziam careta para ela.
‘Eu vou buscar o Banco Imobiliário pra gente jogar... Pelo menos dá pra passar o tempo!’ Tom disse, enquanto franzia a testa.
‘O que foi amiga?’ perguntou.
‘Eles só sabem roubar no Banco Imobiliário. Tem nem graça...’ disse, fazendo rir alto.
, qual a graça de jogar aquilo sem roubar? Encare a realidade: é sua única chance de roubar um banco e não ser presa!’
‘Que frase de delinqüente juvenil !’ disse e desatou a rir.
‘Ok, cheguei! Só tem um problema, são seis peões e estamos em oito pessoas!’ Tom disse, enquanto sorria malicioso.
‘DUPLAS!’ Ele gritou, puxando que estava ao seu lado, enquanto ria.
‘Certo, então fica o com a , e , Tom e e eu jogo com a ...’
‘Sugestiva essa sua escolha, não é ?’ cutucou e ele deu língua, rindo.
‘Porque eu não vou jogar com o ? Não gostei!’ reclamava baixo no ouvido de , mas ainda assim Tom escutou.
‘Fica quieta e joga, !’ disse simplesmente.

‘Esse jogo não termina, que saco!’ reclamava vendo roubar algumas notas de 100 do banco. ‘Deixa de ser ladrão !’
‘Enjoeei também! Eu acho que nunca vou terminar de jogar isso na vida...’ riu e concordou.
‘A gente podia fazer outra coisa!’
‘VERDADE OU DESAFIO!’ gritou rapidamente e riu dele.
‘Nossa ! Tá no desespero?’ disparou e ele deu o dedo.
‘Eu concordo, verdade ou desafio É O QUE HÁ!’ fez cara de tarado e foi atacado por algumas almofadas.
‘Eu adorei a idéia, mas não vou poder ficar aqui pra ver isso...’ disse, levantando e pegando a bolsa.
‘Porque, vai aonde ?’ Tom perguntou, enquanto arrumava as notas dentro da caixa do jogo.
‘Pra casa. O Vince já deve estar lá me esperando essa hora... Alguém me oferece uma carona? Tá chovendo muito!’ Ela sorriu sincera e sentiu o coração acelerar.
‘O leva você, né dude?’ disse dando um tapa nas costas do amigo, que deu de ombros e acompanhou a garota.
‘Já volto, vão começando ae, não se comam na minha ausência!’ Ele tentou rir, mas percebeu um certo desespero no olhar do amigo. Realmente não devia ser nada fácil a situação dele com .

‘Meu Deus, eu vou me molhar toda até chegar no teu carro !’ gritou alto e ele riu.
‘A culpa não é minha se o Tom não tem um guarda chuva!’
‘Estaciona mais perto, vaaaaai!’ Ela pediu toda manhosa e sorriu.
‘Só se eu entrar com o carro na casa pra você entrar, mas acho que os pais do Tom não ficariam muito felizes com isso...’ ele riu alto e ela o acompanhou.
‘Eu sou muito folgada, né?’
‘Aham!’ Ele gritou e ela fez cara de indignada. ‘Mas eu deixo você ser folgada’
Ele piscou e sentiu a nuca arrepiar, sem entender a própria reação. sempre soube dos reais interesses de com ela, mas nunca retribuiu. Sempre o considerou um grande amigo e não costumava se envolver com amigos, com medo de perdê-los. Ela sempre o achou lindo, um dos caras mais bonitos que já viu, mas isso não mudava em nada o sentimento forte de amizade que ela sentia pelo garoto. Ela amava Vince. Ele era o homem da vida dela e ela tinha certeza disso. Sorriu de volta para e correu até o carro, xingando todos os palavrões do mundo, enquanto o garoto quase rolava no chão de rir.

‘Nossa, a brincadeira começou a CINCO MINUTOS e já é o segundo selinho que vocês querem que eu dê?’ riu alto e também. ‘Nesse ritmo eu acabo no quarto com alguém do McFLY hoje!’
riu sarcástica e fechou a cara. Não havia gostado do comentário, a não ser que o alguém do McFLY fosse ele. engatinhou até e deu um selinho no amigo, que riu.
‘Beijo melhor que o Tom né, pode falar...’
‘Com um selinho não dá mesmo pra saber, ! Não seja pretencioso!’ ela respondeu e ele sorriu amarelo.
‘Tooooooma !’ sacaneou e riu alto.
‘Ok, eu vou girar a garrafa, chega, vocês estão todos contra mim!’
riu e começou a girar a garrafa vazia de Smirnoff Ice que estava no meio da roda.
pergunta, responde!’
‘Verdade ou desafio ?’ perguntou sorrindo maliciosa, porque já sabia o que queria dessa brincadeira.
‘Verdade!’
‘Que gay...’ Tom comentou e todos riram.
‘Pra começar, né dude...’
‘Ok. Até quando você vai fingir que não gosta da ?’
engoliu seco a pergunta. Melhor seria se tivesse pedido desafio, mas agora já era tarde para isso. soltou um olhar nervoso para a amiga, que não se importou. nunca conseguira entender muito bem o que acontecia entre e , e faria de tudo para que os dois se entendessem, se isso fosse o melhor para eles.
‘Eu não estou fingindo que não gosto dela...’ respondeu simplesmente, mas não se convenceu. Tom olhava apreensivo.
‘Imagine!’ Ela riu alto e a acompanhou. ‘Ok , sua resposta não me convenceu!’
‘Eu gosto da . Ela é minha amiga, quer mais o que?’
ouviu aquelas palavras e sentiu o coração apertar. Estava começando a achar que aquela brincadeira não daria muito certo. Antes que alguém dissesse mais alguma coisa, ela olhou rapidamente para e disse:
‘Eu estou satisfeita com a resposta, gira a garrafa !’
olhou para que desviou o olhar. Sentiu o coração apertar e rodou a garrafa novamente.
pergunta, responde!’ ele disse e abaixou o olhar.
‘Eu quero desafio!’ gritou rapidamente e riu.
‘Certo. Escolha uma das meninas da roda para beijar, DE LÍNGUA, por no mínimo trinta segundos!’
‘Porra!’ Ele gritou alto e riu. ‘Escolhe você a menina pra mim então!’ Ele disse sem graça.
‘Não, você escolhe. Anda logo.’
olhou para que estava com um quase sorriso no rosto e sorriu sozinha. tentava não parecer tão explícito e estava com medo de escolher . Mas sabia que se escolhesse , teria problemas. A única opção que lhe restava seria , mas com toda essa confusão com , preferiu não arriscar. Era aquela a hora. levantou e puxou pela mão, que estava gelada, fazendo com que o garoto sorrisse involuntariamente. Os outros apenas observavam sorridentes o que estava por vir.
‘Você não precisa fazer isso se não quiser...’ Ele sussurou no ouvido de , que sorriu sozinha.
‘Quem foi que disse que eu não quero?’
sorriu largamente e fechou os olhos, se aproximando do rosto de . Estava ofegante e com muita vontade de beijá-la, isso já não era de hoje, nem era novidade para ninguém. acariciou os cabelos do rapaz com uma leveza que achou que estivesse sonhando. Tinha sentido muita falta daquilo tudo. Em questão de segundos os lábios se encontraram com uma força e uma vontade que fez com que os dois quase não se largassem mais. a abraçava com força e todos estavam em completo silêncio, apenas pasmos com a situação. desviou o olhar dos amigos e olhou para o lado. Viu que sorria orgulhosa e sorriu também. Queria que aquilo acontecesse com ele. ouviu alguns barulhos e voltou à realidade. Separou o beijo com o rosto vermelho de vergonha e sorriu. Tom iria comentar algo mas preferiu ficar quieto. Não queria estragar o momento do casal.
‘De nada, !’ cochichou no ouvido do amigo, que riu baixo e piscou para ela, em sinal de agradecimento.


Já haviam se passado quarenta minutos desde o início da brincadeira. e haviam dado um selinho, mas aquilo era algo sem importância, visto que ela já havia dado selinho em todos os demais da roda. havia voltado minutos antes. Estava feliz, não sabia o porque. Nada havia acontecido, mas aquele momento a sós com realmente tinha sido legal para ele. Seria melhor se ele não tivesse visto o carro de Vince na porta da casa da garota e presumido que nunca teria chances.
pergunta, responde!’ falou sorridente.
‘Verdade ou Desafio?’
‘Verdade, chega de desafios por hoje, passar cantada no entregador de pizza não foi legal!’ riu verdadeiramente e sorriu para ele.
‘O entregador era sexy, eu passaria uma cantada nele!’ riu e deu o dedo para ele.
‘Ok ! Deixa eu pensar...’ disse com as mãos geladas. Havia algo que ela realmente queria perguntar, mas não sabia se aquele momento era propício. Olhou para que sorria para ela.
‘Sem medo , pergunte o que quiser!’ disse e ela tomou coragem.
‘Se você diz... Ok, existe algo que eu sempre quis perguntar, mas sei lá, nunca tive coragem ou chance...’
‘Fala logo , deixa de discurso!’ Tom falou e riu.
‘Certo. Porque você nunca respondeu nenhuma das minhas cartas, com exceção... daquela carta que eu não gosto de lembrar...?’
sentiu as mãos gelarem e ficou sem reação. Nunca imaginou que ela poderia perguntar aquilo em plena brincadeira de verdade ou desafio. Olhou para que estava apreensiva e para que estava assustada com a pergunta.
‘O que você fez?’ sussurrou no ouvido de , porque sabia que aquilo não daria certo. rapidamente olhou para e disse:
‘Esquece, não é hora... eu faço outra pergunta e...’
‘Eu respondo.’ Ele disse, sério.
sentiu o estômago revirar e mesmo dizendo que responderia, não estava com vontade. só queria voltar no tempo ou se jogar de uma janela, porque sempre estragava tudo. olhava para ela e sentiu uma certa raiva naquele momento, mesmo tentando se conter.
‘Porque você acha?’ Ele disse, sem olhar para .
, eu...’
‘Eu estava magoado . No meu lugar você também agiria da mesma maneira. Já era difícil demais ter que aceitar você ter ido embora, e ficar o tempo todo recebendo suas cartas, mensagens, emails, não facilitava as coisas. Eu estava com raiva e cada palavra que eu lia naquelas cartas soava como mentira para mim...’
falou rapidamente e relativamente alto, enquanto os amigos apenas escutavam assustados.
‘Me desculpe... nunca foi minha intenção.’
disse cabisbaixa e Tom percebeu que aquela conversa não daria muito certo. Abraçou a amiga de lado, enquanto tentava melhorar o clima da sala.
‘Certo, ótima resposta !’ ela disse girando a roleta. ‘Mas que merda!’ ela gritou, ao ver que a garrafa apontava para e novamente.
‘Verdade!’ disse, sem esperar que perguntasse.
‘Porque você finge se importar?’ Ele perguntou, rapidamente, e franziu a testa sem entender.
‘Como assim ?’
‘Não consigo entender porque a todo minuto você toca nesse assunto, ou finge se importar com isso. Você faz isso pra tirar um peso das costas ou para que não te coloquem no cargo de vilã da história?’ ele perguntou um pouco nervoso e arregalou os olhos, sentindo o coração disparar.
‘Eu não finjo me importar... eu me importo!’
riu sarcástico e olhou para baixo. olhou os dois amigos e interrompeu:
‘Certo, chega dessas perguntas, essa brincadeira deu por hoje, não?’
, eu falo sério. Se eu pergunto é porque eu quero saber. Você tem mania de ver as coisas só pelo seu lado... o mundo não gira em torno do seu umbigo, .’ disse um pouco alterada, ignorando e o resto dos amigos.
‘Você fez tudo porque quis , pare de bancar a santinha, por favor!’ disse muito alto, olhando nos olhos da menina a sua frente.
‘Eu não estou bancando a santinha ! Você não sabe o quanto eu sofri e...’
‘Você também não sabe o quanto eu sofri, então estamos quites!’
‘Você é ridículo, eu não sei como achei que pudesse me aproximar de você de novo!’
gritou com lágrimas nos olhos e foi andando em direção a porta. Chovia muito do lado de fora e todos se entreolhavam sem muito saber o que fazer. levantou rapidamente e foi atrás dela, em passos rápidos. andava pela chuva e suas lágrimas se misturavam com a água. Brigar com era tudo o que mais a machucava no mundo. Apertava as mãos contra os braços com frio quando ouviu o grito dele:
‘O que você está tentando fazer? Você quer me enlouquecer ?’ ‘Me deixa em paz ’ Ela gritou sem olhar para trás e andando mais rápido.
apertou o passo e a segurou pelo braço com uma certa força, fazendo com que ela parasse. Ambos estavam completamente molhados e a chuva não cessava. Tom, e foram até a varanda para tentar ver o que estava acontecendo. Não se perdoariam se os dois acabassem brigados novamente. Os dois já estavam relativamente longe e tudo o que eles podiam ouvir eram gritos.
‘Eu nunca vou entender você !’ gritou gesticulando bruscamente.
‘Então não tente!’ gritou alto virando-se para , que pôde ver as lágrimas que escorriam pelo rosto da garota.
‘Porque você não me disse adeus aquele dia? Era o mínimo que eu esperava, você nunca se importou!’ disse com os olhos vermelhos e encarando os pés.
‘Eu me importei até demais! Você nunca vai entender!’
‘Então porque você não tenta me explicar?’ gritou e fez menção de ir atrás dos dois, mas , que agora já estava na varanda, interrompeu o amigo.
‘Porque você nunca acredita em mim! Apenas olhe em meus olhos ...’ disse soluçando, fazendo o garoto a encarar. ‘Eu nunca serei capaz de mentir pra você!’
disse baixo e encarou os pés. ficou sem reação com aquela frase. Sabia que era verdade, que ela falava sério e que nunca mentiria para ele. Mas todos esses anos ele preferiu acreditar que aquele amor era uma mentira, para tentar esquecê-la. Achou que tivesse conseguido, mas estava enganado.
‘Eu sei que não...’ ele disse, simplesmente.
‘Então pare de agir como um idiota! Eu não suporto mais você me julgando o tempo todo, , eu acho que...’
ia dizendo, soluçando e gesticulando ao mesmo tempo, tudo em voz alta, de uma maneira que mal dava para entender aonde ela realmente queria chegar. Ele apenas olhava para os pés sem prestar atenção no que ela dizia.


“Eu nunca serei capaz de mentir pra você”


ouvia apenas aquela frase em sua mente ao invés de prestar atenção no que estava se passando a sua volta. falava sem parar e ele não sabia mais o que fazer. Sentiu que o coração iria pular pela boca e não sabia o porque. Olhou para frente e em um impulso, puxou pela mão e a trouxe direto para si. Os lábios se encontraram e sentiu que iria desmaiar com aquilo. a beijava com força, tanta força que mal conseguia respirar. A abraçava forte e percorria sua boca com voracidade, mas ao mesmo tempo com uma doçura que era inexplicável. o segurava pelo pescoço, não sabendo como reagir. acariciava o rosto dela e conseguia sentir a chuva misturando-se às lágrimas. A segurou pela cintura e a levantou no alto, sem parar o beijo por nenhum segundo. Estava tremendo mas por alguns minutos conseguiu esquecer do mundo. Era apenas ele e , e ela estava novamente em seus braços, como ele sonhara todas as noites. deslizava as mãos pelos cabelos de , ofegante, porque queria muito aquilo. Também não conseguia pensar em nada. Tinha vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo, algo que só conseguia fazer com ela. Como tinha sentido falta daquele beijo.
!’ separou o beijo, ofegante, porque caíra na real do que estava fazendo.
‘Me desculpe, eu...’ estava visivelmente envergonhado com a cena. Agira por impulso, não estava nem um pouco arrependido mas estava com medo de como podia reagir.
‘Não foi sua culpa...’ Ela disse, simplesmente. ‘Não faça mais isso. Eu... eu não posso fazer isso!’
rolava o anel de compromisso entre os dedos e chorava ao mesmo tempo. Tudo o que ela mais queria na vida era ficar ali pra sempre com , mesmo que isso lhe rendesse uma pneumunia. Mas aquilo não era certo com Nathan. Saiu correndo e virou a esquina muito rapidamente. gritou o nome dela e quase correu atrás, mas achou melhor deixar que ela fosse embora.

Capítulo 12:

voltou para a casa de Tom com as mãos nos bolsos e sentindo o que era uma espécie de satisfação, felicidade e medo do que poderia acontecer. Na varanda, todos estavam de olhos arregalados para o que tinham acabado de ver. Ninguém sabia ao certo se devia ou não comentar alguma coisa a respeito, por mais que a curiosidade fosse grande.
‘Eu acho que fiz merda.’ disse, simplesmente, com os olhos vermelhos. olhou para o amigo ensopado e apenas abaixou o olhar.
‘Cara, melhor você entrar, eu te empresto uma roupa e...’ Tom ia dizendo quando o interrompeu.
‘Não precisa, dude. Eu vou pra casa, vou tomar um banho e ficar por lá mesmo...’
‘Tem certeza? Você pode ficar por aqui e...’
‘Tenho certeza sim, valeu.’
ia virando as costas quando gritou por ele, que já estava na chuva novamente.
! Me dá uma carona? É caminho!’
‘Certo, então anda logo.’

chegou em casa correndo e abriu a porta com força. Não havia ninguém em por lá e ela ficou feliz com isso. Estava rindo e chorando ao mesmo tempo e quem a visse teria certeza que estava bêbada ou algo assim. Lembrava de cada toque, da boca de , da respiração forte dele em seu pescoço e seu coração parecia que ia sair pela boca. Estava com muita raiva de ter um namorado em uma hora daquelas. Pior. Estava com raiva de ser uma garota “certinha” que saiu correndo do cara que gosta por achar que não estava sendo correta com um namorado que ela mal se interessava. Sempre foi , inevitavelmente. Ele sempre foi melhor do que todos aqueles caras que ela ficou, do que aqueles que ela namorou. Ele era perfeito para ela, não importava o que fosse dito. Era estranho como duas pessoas que se gostam tanto conseguiam se machucar daquela maneira. Era lindo quando estavam juntos, mas parecia que sempre acontecia alguma coisa para que os dois voltassem a brigar. Ficou sentada no chão se sentindo idiota e suspirando alto ao mesmo tempo. Não tinha a menor idéia do que iria fazer daquele momento em diante.

O caminho entre a casa de Tom e era pequeno e o percorreu mudo, viajando em pensamentos. olhava para ele a todo momento, mas ele não parecia reparar. Quando parou o carro do outro lado da rua de , suspirou alto e apenas olhou para , esperando que ela saísse do carro.
...’ disse olhando nos olhos do amigo.
‘O que foi?’
‘Ela nunca odiou você. Nunca disse nada que te ofendesse. Nunca. Mesmo depois daquela carta horrível que você enviou, mesmo depois daquilo. Ela sempre se colocou como a vilã da história e sempre entendeu os seus sentimentos. Eu a vi chorando noites seguidas por causa disso. Por favor, pare de agir como um idiota, vocês precisam se entender. Tá na hora de você lutar pelo que você quer, ela não vai esperar por você eternamente. Eu não vou deixar que ela sofra tudo de novo.’
abriu a porta e correu até o outro lado da rua, deixando em uma situação nada confortável dentro do carro. Aquelas palavras tinham doído e ele nunca imaginava que fosse ouvir aquilo, não de . Bateu a cabeça no volante em sinal de raiva, disparando a buzina do carro e xingando alguns palavrões. ouviu o barulho ensurdecedor que o carro estava fazendo e voltou correndo.
, VOCÊ ESTÁ LOUCO?’ Ela gritou abrindo a porta do carro.
‘Eu sou um idiota! PORRA!’ Ele gritou alto e viu que ele estava chorando.
, por favor, não chore...’ Ela disse com os olhos marejados.
‘Você está certa . Eu sou um idiota, sempre fui. Eu não mereço a ...’
‘Cala a boca . Eu nunca disse que você não a merecia! Disse para você parar de agir errado, só isso!’
disse alto e um tanto séria. abaixou a cabeça e começou a esfregar os olhos pra tentar se acalmar. Ele estava tremendo e não sabia o que fazer.
. Vem cá...’
Ela disse simplesmente e abraçou o garoto, que agora chorava novamente, fazendo com que ela o acompanhasse. Ficaram em silêncio por alguns minutos até que resolveu dizer alguma coisa.
‘Me desculpe . Eu não queria que você ficasse assim com o que eu disse. Eu só queria ajudar e...’
‘Relaxa. Você só disse a verdade. Às vezes a verdade dói... Mas mesmo assim eu agradeço por você ter dito. Eu acho que precisava ouvir isso.’ Ele disse, enxugando as lágrimas.
‘Promete pra mim que você vai tentar ?’ disse baixo e ele sorriu.
‘Prometo.’
‘Certo...’ ela sorriu. ‘Eu vou entrar. Tem certeza que você está bem?’
Ela perguntou e fez sinal afirmativo com a cabeça.
‘Ok, então vou nessa. Você vai chegar lá , eu tenho certeza disso!’
disse sorrindo enquanto saía do carro. apenas concordou com a cabeça e esperou que ela entrasse em casa para ir embora. Tudo o que tinha lhe dito havia surtido efeito: Era agora ou nunca. Iria se acertar com , não importava o quanto isso iria lhe custar.

?’ perguntou entrando no quarto da amiga. ‘Meu Deus, você ainda está assim?’
estava sentada no chão do quarto com o anel de compromisso em mãos, os olhos vermelhos e um sorriso estranho no rosto. Ainda estava completamente molhada e olhando para o nada.
‘Era o aí fora, não era?’ perguntou sem mudar o olhar. respirou fundo.
‘Sim. Ele me deu uma carona até aqui. Você está bem amiga?’
‘Não.’
se assustou com a resposta curta. sempre fora de gritar, desabafar, chorar horrores quando algo acontecia. Ela simplesmente estava inexpressiva. Fazia o movimento com as mãos repetidamente e não olhava para a amiga.
‘Céus, você precisa levantar daí, tomar um banho, vai pegar uma pneumonia desse jeito! Vem comigo, eu vou fazer um café bem forte e...’
‘Eu não quero.’ respondeu secamente.
, eu estou tentando te ajudar aqui! Por favor colabore!’ disse aumentando um pouco o tom de voz. colocou a cabeça entre os joelhos e pediu com uma voz chorosa:
‘Chama o gordinho, por favor! Pede pra ele vir aqui...’
concordou com a cabeça e ligou pra Tom imediatamente. Em questão de minutos ele estava lá, na porta do quarto dela. Não precisou dizer nenhuma palavra. Apenas ajoelhou na frente de e a abraçou forte, de uma forma tão reconfortante que só ele conseguia.
‘Não me pergunte nada.’ pediu, ainda abraçada a Tom.
‘Eu não vou perguntar.’ Ele disse baixinho.
apenas observava os dois à distância e sorria levemente. Era realmente uma amizade linda a de Tom e .

‘Ela foi tomar banho...’ Tom disse entrando no quarto de , que sorriu.
‘Você a convenceu? Você é bom nisso Tom Fletcher!’ ela disse e ele riu.
‘Acho que ela já está melhor. Aquilo tudo foi muito estranho, não acha?’ Fletcher disse sentando na cama.
‘Foi. Mas algo me diz que isso vai melhorar... Em breve!’ Ela piscou e Tom ficou sem entender.
‘Aprontando alguma coisa?’ Ele riu.
‘Não. Mas acho que o finalmente se tocou do que está fazendo. Digamos que eu possa ter ajudado nisso...’ sorriu sincera e Tom piscou pra ela.
‘Vou torcer pra que isso funcione, então...’
‘Sabe Tom... Eu sempre quis ter uma amizade assim, que nem a sua com a . Eu acho lindo isso. Eu nunca acreditei muito em amizade homem e mulher, mas depois que eu vi vocês eu passei a acreditar!’ disse e Tom sorriu sincero.
‘Você pode ter isso se você quiser...’
‘Tá se oferecendo pra ser meu amigo-homem oficial?’ Ela riu alto e ele apenas sorriu.
‘Não. Eu acho que cuidar da já é demais pra mim!’ ele riu e ela tacou um travesseiro nele.
‘Nossa, me negando amizade, que coisa feia. Fiquei magoada...’ ela disse fazendo bico e Tom sentiu a nuca arrepiar.
‘Você gosta do ?’ ele perguntou do nada e arregalou os olhos.
‘Nossa, de onde veio a pergunta?’ ela riu e ele também. ‘Eu me interesso por ele. Ele é sexy, legal e tudo mais... Mas infelizmente parece que ele não me quer...’ disse meio cabisbaixa.
‘Você vai arrumar alguém que goste de você de verdade, .’ Tom sorriu e ela também.
‘Se você conhecer alguém que queira uma louca como eu, me avise!’ Ela gargalhou e Tom apenas olhou.
‘Avisarei...’

subiu as escadas rapidamente e se jogou em sua cama. Sabia que precisava mudar suas atitudes, mas não tinha a menor noção de por onde começar. Pensava no que devia estar pensando, no que devia estar sentindo, e aquilo estava o deixando louco. Ligou o som alto e ficou deitado ali até que a porta abriu bruscamente.
‘Eu não quero jantar mãe!’ Ele disse olhando para o teto.
‘Eu não sou sua mãe!’ riu alto e abaixou o volume do som.
‘Não mesmo, minha mãe é mais gostosa!’ tentou rir ao sentar-se na cama.
‘Eu sou obrigado a concordar...’ gargalhou e mostrou o dedo pra ele.
‘Tá fazendo o que aqui dude?’
‘Vim saber se você está bem... O que houve ali cara?’
‘Eu não sei o que deu em mim ...’ disse cabisbaixo.
‘Eu sei...’ fez cara de tarado e riu alto pela primeira vez.
‘Eu sou louco pela cara. Porque eu só estrago tudo?’ Ele abraçava os joelhos enquanto falava.
‘Ela também estraga tudo, vai... Não é só você !’ tentou animar o amigo.
‘Eu sei... Mas a me disse umas coisas hoje no carro que são verdade, tenho certeza que são. Merda, eu preciso saber como ela está!’
‘Liga pro Tom. A ligou pra ele assim que vocês saíram. Acho que ele foi ver como a estava...’

estava deitada na cama com o rosto no travesseiro. Tom e estavam travando uma conversa animadíssima no outro quarto e ela não quis interromper. Estava mais calma, mas seu coração ia a milhão toda vez que se lembrava do que tinha acontecido pouco antes. Não queria e nem podia pensar nisso. Ouviu The Beatles tocando longe e achou que estivesse pirando. Levantou a cabeça e olhou para a sua escrivaninha. O celular de Tom estava quase despencando da mesa por causa do vibra call.
‘Droga!’
correu para pegar o telefone antes que ele caísse. Sem olhar na bina, atendeu rapidamente.
‘Celular de Tom Fletcher!’
?’ perguntou um pouco assustado do outro lado da linha. olhou para o visor e viu que não estava errada. Sentiu as mãos gelarem no mesmo instante.
‘É...’ Ela disse simplesmente.
‘É o aqui.’ Ele disse, com a voz meio trêmula.
‘Eu sei.’
ficou em silêncio, sem saber o que falar. Não podia imaginar que iria atender o celular de Fletcher e não estava pronto para conversar com ela naquele momento. apenas suspirou alto do outro lado, tentando quebrar o silêncio que tinha ficado entre os dois. Seu coração batia tão forte que ela mal conseguia raciocinar. Apoiou-se na cadeira e falou:
‘Eu vou chamar o Tom, um minuto!’
‘Espera.’ disse rapidamente. batia as mãos contra a mesa porque estava muito ansiosa. Não devia ter atendido aquele telefone. Não disse nada, apenas esperou que continuasse.
‘Eu quero pedir desculpas por hoje. Eu sei que agi como um idiota... Eu não gosto de brigar com você . Desculpe por ter feito aquilo, eu sei que você tem namorado, mas sei lá, eu não sei porque agi daquela maneira...’
disse com uma voz baixa e quase chorosa. apertou os olhos e deixou uma lágrima escorrer.
‘Não precisa se desculpar .’ Ela disse, simplesmente.
‘Preciso, sim. Você deve achar que eu sou louco...’ disse olhando para o teto e sorriu de leve do outro lado.
‘Eu acho que você é louco...’ ela riu baixo e ele sorriu. ‘Mas não tem problema.’
‘Você está bem?’
‘Sim e você?’ Ela gargalhou sem entender a própria reação e franziu a testa, rindo.
‘Céus, você muda de humor rápido! Eu não vou mais tentar entender isso...’
‘Isso só acontece com você...’ disse e corou ao mesmo tempo. Ainda bem que aquilo havia sido por telefone.
‘Isso é bom?’ sorriu do outro lado.
‘Acho que sim...’
Os dois ficaram em silêncio e ambos puderam ouvir Tom gritando que a pizza havia chegado, o que para era estranho, já que não sabia que eles tinha pedido pizza. suspirou alto e completou:
‘Acho que vou desligar... Er... a gente se vê amanhã no colégio!’
‘Certo.’
‘Boa noite ...’
‘Boa noite.’
ia desligar o telefone quando resolveu falar mais uma coisa:
!’ Ela disse alto antes que ele desligasse.
‘Eu...’ Ele respondeu com o coração acelerado.
‘Algo me diz que hoje eu vou sonhar com você...’ disse e sorriu largamente.
‘Eu sonho com você o tempo todo...’ Ele disse e sentiu os joelhos ficarem moles, sem saber o que responder.
‘Você nunca me disse isso...’
‘Um dia eu te conto todos eles...’ Ele sorriu e ela também.
‘Boa noite ... sonhe comigo, então!’ falou fazendo com que sorrisse idiotamente.
‘Vou sonhar!’

Eram seis e meia da manhã e e estavam se arrastando pelos corredores de casa com muito sono. As aulas estavam voltando e acordar cedo era a pior parte. havia gostado do uniforme que a fazia sentir como se estivesse em Gossip Girl. estava mais interessada em não levantar do sofá do que qualquer outra coisa.
‘Será que a ainda demora muito?’ Ela disse entre um bocejo e outro.
‘Acho que não... Porque vamos com ela mesmo?’ perguntou.
‘Pra não entrarmos sozinhas naquele colégio... melhor entrar com alguém que já conhece as coisas por lá!’
‘Mas você conhece as coisas lá !’
‘Eu não piso naquele pátio tem mais de três anos!’ riu baixo.
‘Faz sentido!’

, e andavam pelos corredores do colégio e várias pessoas paravam para vê-las. Alguns tentavam se lembrar de onde conheciam a garota estilosa que estava com . O time de futebol estava ouriçado com duas novas gatas na área. apenas sorria admirada com toda aquela popularidade involuntária.
‘Nunca me tornei popular tão fácil!’ Ela dizia e ria.
‘Popularidade é uma merda! Eu detesto esse povo olhando pra minha cara!’ Ela disse.
‘Pra sua cara ou pras suas pernas?’ fez cara de tarada e as três riram.
veio correndo na direção das três com os cabelos voando e sorrindo.
‘Hey gatinhas, vocês vem sempre aqui?’ Ela gargalhou.
‘Não nos últimos três anos!’ riu.
‘Notícias quentes aqui. Caímos todos na mesma sala!’ disse e perguntou:
‘Até os meninos?’
‘Até os meninos, o que inclui o , amor!’ disparou e fez careta.
‘Acho que certas pessoas aqui vão ter que encarar a realidade de frente esse ano...’ disse olhando para .
‘Tá falando comigo?’ Ela se fez de desentendida, rindo.
‘Se a carapuça serviu...’
‘Carapuça? Que ditado mais vovó!’ Uma voz masculina surgiu atrás delas e sorriu.
! Adoro você com esse uniforme!’ Ela disparou e ficou vermelha ao mesmo tempo, enquanto as garotas sacaneavam.
‘Eu sei que fico sexy de qualquer jeito, !’ Ele disse e ela deu língua.
‘Cadê os garotos, ?’ perguntou.
‘Não sei onde o está!’ Ele riu alto e deu o dedo.
‘Não estava falando dele...’
‘Sei...’ Ele sacaneou. ‘Bem, não morre mais, olhe logo atrás de você!’
sentiu a nuca arrepiar e fez menção de virar pra ver, mas não teve tempo. Sentiu uma mão em seus cabelos e respirou fundo.
‘Bom dia linda!’ sorriu e corou.
‘Bom dia ...’ Ela disse, vendo que algumas garotas paravam para ver que estava incrível. Cabelos bagunçados, gravata mal amarrada, uniforme do colégio com seu all star. Estava lindo e perfumado, não parecia que tinha acordado cedo, nada. Estava perfeito.
‘Fiquei sabendo que vamos estudar todos na mesma classe!’ Ele sorriu largamente e sentiu os joelhos amolecendo.
‘A me disse... legal né?’
ia abrir a boca para dizer alguma coisa quando ouviu o som de seu celular tocando e vibrando.
‘Ai, segura isso pra mim ...’ Ela sorriu e jogou o caderno em cima dele, procurando o celular na bolsa. O barulho não cessava e ela estava entrando em desespero, fazendo com que risse alto da cena.
‘Pára de rir da minha cara !’ Ela gritou rindo.
‘Desculpa...’ Ele disse tentando se conter.
‘ACHEI! Alô?’ Ela disse rapidamente. ‘Oi meu amor!’ Nathan disse do outro lado da linha e gelou.
‘Er... Oi Nate.’ Ela disse e abaixou os olhos.
‘Liguei essa hora pra desejar boa sorte no novo colégio! Já está aí?’
‘Aham, estou sim.’ Ela disse simplesmente.
‘Você está bem linda?’ Nathan perguntou um tanto preocupado.
‘Estou ótima... Só estou com sono!’ Ela tentou rir para disfarçar.
‘Ah sim... Mas então, como foi seu último dia de férias? Tentei falar contigo ontem mas não consegui...’
Ao ouvir essas palavras sentiu as mãos tremerem. Lembrou-se do dia anterior, do beijo que dera em e de tudo o que a havia acontecido. Simplesmente não sabia o que falar. Olhava para que estava com o rosto abaixado em sua frente e sentia o coração apertar.
‘Eu não fiz nada de interessante ontem amor.’
Ela disse, sentindo os olhos marejarem. olhou para os olhos dela tentando não parecer decepcionado com aquela frase. Pegou o caderno que estava segurando e deu para , sumindo no corredor em questão de segundos. apenas o acompanhou com o olhar e sentiu uma lágrima descendo pelo rosto.
, você está me ouvindo?’ Nathan perguntou do outro lado da linha.
‘Estou sim Nate. Desculpe, eu tenho que entrar pra aula. Falo com você mais tarde...’
‘Ok, boa aula amor. Te amo!’ Ele disse.
‘Eu também...’ Ela disse segurando o choro e desligando o aparelho.
estava o tempo todo ao lado da amiga e não pode deixar de reparar no que estava acontecendo.
‘Amiga, você tá bem?’ Ela perguntou.
‘Sim, acho que estou. Tenho que estar. Vou ao banheiro!’
‘Eu vou com você!’ disse.

estava sentado em um banco perto do gramado do colégio abraçando os joelhos. Algumas pessoas conhecidas passavam e algumas garotas sorriam pra ele, que não sorria de volta. Não estava se sentindo bem. Parece que todas às vezes em que ele tomava coragem para tentar se entender com algo acontecia pra impedir e aquilo não era certo.
‘Hey dude, fazendo o que sozinho aqui?’ Tom disse se aproximando dele.
‘Pensando...’ Ele disse sem mais detalhes.
?’ Tom sorriu.
‘Como sempre...’
‘O que houve dessa vez?’ ele disse sentando-se ao lado de .
‘Eu achei que estivesse tudo bem... mas acho que não está. Eu prometi pra mim mesmo, eu prometi pra cara. Eu quero mudar, mas nada dá certo! Porque esse Nathan está no meio do caminho?’ Ele disse rapidamente e Tom apenas sorriu.
‘Acredite, o Nathan nunca esteve no caminho.’
‘Como assim?’
‘Dude, eu conheço a melhor do que ninguém aqui. Eu sei de quem ela gosta, e esse alguém não é o Nathan. Ela está com medo, cara. Você a machucou muito. Mas eu tenho certeza que você pode virar esse jogo!’ Fletcher disse e sorriu.
‘Ela disse alguma coisa pra você?’
‘Ela não precisa dizer.’ Tom piscou. ‘Eu não vou deixar você desistir !’
‘Eu não vou desistir!’ ele sorriu.
‘Acho bom mesmo! Agora anda, vamos pra sala antes que toque o sinal e a gente fique pra fora logo no primeiro dia... Nossa reputação aqui não é das melhores!’ Ele riu alto, puxando o amigo.

, o que eu tô fazendo?’ berrava dentro do banheiro enquanto a amiga tentava acalmá-la.
‘Não grita !’ Ela disse.
‘Desculpa...’ disse com lágrimas nos olhos. ‘Eu sou uma vadia, eu namoro um cara que eu não amo, beijo outro e depois minto pro primeiro!’
‘Amiga, você não é uma vadia...’ dizia com os olhos cheios de lágrima porque não aguentava ver a amiga daquele jeito.
‘Então eu sou o que?’
‘Não sei. Amor, você é apaixonada pelo . Você precisa encarar isso...’
‘Eu NÃO POSSO encarar isso !’
‘E porque não?’
‘Eu não quero sofrer tudo de novo. O Nathan não me faz sofrer...’
‘Mas ele te faz feliz?’
perguntou e deixou em uma situação desconfortável. Nunca havia parado para pensar em seu relacionamento daquele jeito. Certo, Nathan era seu porto seguro, um cara em que ela podia confiar de olhos fechados. Mas isso não era felicidade.
‘Responde!’ insistiu e o sinal tocou.
‘Não sei... Vamos pra aula, vai.’

e entraram na sala seguidas pela Mrs. Walsh, professora de língua inglesa. Sentaram-se nos lugares que e haviam guardado pra elas, perto dos meninos, e ficaram em silêncio ouvindo as apresentações da professora. não conseguia tirar os olhos de e ela estava percebendo isso. A aula passou tranquilamente, Walsh era gente boa e não tiveram maiores problemas. O sinal da segunda aula tocou e ela se retirou. levantou-se e sentou na mesa de .
‘Começamos com a melhor aula! A Mrs. Walsh é gostosa!’ Ele disse alto e as meninas riram.
‘Você é muito tarado !’ falou e ele sorriu.
‘Claro que não sou. Eu sou um menino correto...’
‘Nossa, MUITO CORRETO!’ gargalhou.
‘Eu só estou esperando que a menina certa olhe pra mim...’ Ele piscou. ‘Enquanto isso eu me divirto com as erradas!’
disse levantando e voltando para seu lugar, deixando as quatro amigas boquiabertas. fingiu não entender o recado, mas tinha sentido um tremor na espinha. As meninas cochichavam algo sobre o assunto quando e Tom se aproximaram.
‘Estão rindo de que?’ Tom perguntou dando um beijo na bochecha de .
‘Nada não...’ riu e se aproximou de .
‘Eai linda, gostou da aula?’ ele perguntou.
‘Gostei.’ Ela respondeu. ‘Er... eu vou ali beber água e já volto.’
andou rápido em direção a porta e foi até o bebedouro. Pronto, era isso. Agora ela estava sendo ridícula ao extremo e fugindo de . Cada vez odiava mais seus próprios impulsos. Mas enquanto não achasse uma solução para aquela loucura toda, era isso que ela faria: fugir.

Era a última aula e evitou em todas elas, o que o fez sentir muito mal, sem saber o porque. No intervalo, todos haviam sentado juntos, mas ela mal o olhou. Concentrou-se em sua conversa com e e o deixou completamente de lado. Agora, enquanto ela fazia guerra de papel com e Tom, sem novamente convida-lo, as meninas fofocavam e muita gente passeava de um lado para o outro, fazendo aquela classe se tornar uma baderna. Quando o Mr. Roth entrou na sala, todos ficaram em absoluto silêncio. Aquele professor era, de longe, o mais temido do colégio.
‘Vejo que pelo barulho, começamos o ano animados aqui, não é mesmo?’ Mr. Roth disse enquanto apontava para um garoto sentar-se corretamente. ‘Para quem não me conhece, eu sou o Mr. Roth, professor da disciplina de História.’
‘Foi por isso que eu passei a odiar essa matéria...’ cochichou e segurou o riso.
‘Vamos começar abrindo os livros na página 20... Revolução Francesa!’

A aula estava entediante e aquele professor era realmente um porre. olhou para trás e vendo que Tom quase dormia em cima do livro, teve vontade de rir, mas segurou-se. estava sentado logo na frente de Fletcher e tentou não olhar para ele. Não sabia o que fazer pra passar o tempo. Ainda faltavam mais de meia hora para aquela tortura ter fim. Rasgou um pedaço de uma folha do caderno e escreveu uma mensagem.
‘Ei, !’ Ela cochichou, com o coração acelerado só de olhar para ele.
‘O que?’ Ele respondeu no mesmo volume e ela estendeu a mão.
‘Passa pro Tom...’
passou o bilhete para Tom por baixo da mesa e voltou a olhar para a lousa. Na verdade tinha tido esperanças de que aquele bilhete fosse para ele, mas não quis demonstrar isso. Ainda arrumaria alguma maneira de descobrir porque estava o evitando.
“Nossa, esse professor é um saco, céus! Olha a cara de quem comeu e não gostou desse ser! Vai fazer o que depois da aula?”
Tom teve vontade de rir e respondeu o bilhete. Bateu novamente nas costas de e pediu para que ele devolvesse.
“Mr. Roth ta precisando é de uma gostosa! Acho que ele não vê uma há tempos! Haha. Ainda não sei, quer jogar vídeo game?”
abaixou o rosto e riu um pouco alto, levanto um pedala de para ficar quieta. Disfarçou assim que Roth olhou para trás e esperou um pouco para responder.
“Você não presta! Hahaha... Claro que quero, as 2 tá bom pra você?”
... ’ Ela chamou novamente. estava ficando meio puto com esse negócio de pombo-correio entre Tom e . Ele queria saber pelo menos o que tanto os dois conversavam. Entregou o bilhete na mão de Tom e não olhou para , causando um pouco de estranheza.
‘Hey dude! Passa aí o bilhete...’ Tom cochichou.
ainda estava com o bilhete em mãos quando Mrs. Roth virou repentinamente para trás:
, o que você pensa que está fazendo?’ Ele disse alto.
sentiu o estômago revirar e olhou para baixo, enquanto Tom se endireitava na cadeira.
‘Er. Nada não Mr. Roth.’ respondeu um pouco sério.
‘O que é isso na sua mão?’ O professor retrucou.
‘Na-nada professor.’ gaguejou.
‘Se não é nada, o senhor não vai se importar se eu ler, não é verdade?’
olhou para um tanto desesperado porque realmente não sabia do que os dois estavam falando. fez um sinal com a cabeça como quem pedia para ele não entregar o bilhete ao professor.
‘É coisa minha Mr. Roth. Já vou guardar...’ Ele disse e Tom começou a roer unhas de preocupação. A sala estava em completo silêncio e Roth caminhavam em direção à carteira onde estava sentado.
‘Prometo guardar seu segredo...’ Ele disse tirando o papel da mão de e abrindo. abaixou a cabeça na carteira com as mãos geladas. Era agora.
‘Sr. , você poderia me dizer quem estava conversando com você através desse papel?’
olhou para baixo assustado. Não sabia o que dizer, estava levando a culpa por algo que não havia feito. Pela feição de Roth coisa boa não era.
‘Er... eu...’ gaguejou.
‘Acho melhor você falar , ou terei que puni-lo duas vezes.’
‘Fui eu Mr. Roth!’ Tom levantou-se assumindo a culpa.
e Fletcher, como sempre! Os dois para a diretoria, AGORA!’ Roth gritou e levantou-se olhando para . sentiu um nó no peito e uma vontade de gritar absurda. Seus pais a matariam se ela fosse para a direção no primeiro dia, mas aquilo não era justo com . Ao ver que os dois amigos estavam quase saindo da sala, gritou:
‘Espere professor!’ Ela disse e olhou para trás.
‘O que foi senhorita... qual seu nome mesmo?’ Roth indagou.
. .’ Ela disse.
‘Certo Senhorita . O que você quer dizer?’
‘Ela não quer dizer nada, não ?’ disse alto e todos olharam para ele.
‘Eu quero sim. O não tem nada a ver com isso... Eu... Eu que estava conversando com o Tom!’
Quando disse isso o professor ficou boquiaberto e o burburinho começou na sala. bateu a testa contra a mesa porque não estava acreditando naquilo. A mãe de certamente não ia gostar de ficar sabendo que a filha dela aprontou no colégio.
‘SILÊNCIO!’ Roth gritou. ‘A senhorita?’
‘É. Eu mesma.’
‘Então porque o papel estava nas mãos de , pode explicar?’
‘Porque eu pedi para ele passar o papel para o Tom.’ Ela disse, olhando para os pés. olhava para ela com uma mistura de orgulho e medo. Não queria que ela fosse punida, ele já estava acostumado com aquilo, ela não.
‘Bem, de acordo com o conteúdo da conversa, eu devo afirmar que isso não é algo que eu esperava ler... vindo de uma senhorita como você, .’ Roth disse um pouco confuso. ‘Mas já que a senhorita insiste em afirmar que é culpada, você vai ter que acompanhar os garotos!’ Ele disse, sério.
‘Mas o não tem nada com isso, Roth!’ disse um pouco alterada.
‘SENHOR Roth, mocinha! E eu sei muito bem que onde tem esse tipo de coisa, está no meio! Não adianta defende-lo. Os três me acompanhem, AGORA!’

‘Vocês estão afirmando que o Mr. Roth precisa de... UMA GOSTOSA? Isso é um absurdo! Primeiro dia de aula e e Fletcher já estão aqui? Acompanhados de uma GAROTA?’ A diretora afirmava aos berros e franzia a testa sem entender nada.
‘Eu acho que eles merecem uma punição exemplar Mrs Green! Se começam o ano assim, imagine no final como não estarão!’ Roth andava de um lado para o outro revoltado, enquanto os três apenas observavam em silêncio.
‘Concordo plenamente Mr. Roth! Vocês estão na detenção!’ A diretora disse e saltou os olhos.
‘O QUE?’ Ela disse um pouco alto.
‘Baixe o tom de voz mocinha! Detenção esta tarde. Os três, e tenho dito!’
Roth soltou um sorrisinho maldoso e Tom quase o xingou, mas preferiu se conter. Os três saíram da sala com o sinal tocando e todos olhavam para eles, comentando. olhou para e suspirou fundo. Uma tarde inteira na detenção com ela. Era tudo o que ele precisava.

Capítulo 13:

‘Eles vão ligar na minha casa?’
andava de um lado para o outro visivelmente preocupada. Sabia muito bem que aquela detenção lhe renderia uma punição exemplar. Seus pais não eram necessariamente conservadores, mas quando o assunto era colégio, a coisa mudava bastante. apenas observava com um dos pés apoiado na parede a menina surtar a poucos metros de distância dele. Já tinha gente demais em volta dela e ele não resolveria nada.
‘Amiga, fica calma! A gente vai dar um jeito, prometo!’ dizia tentando fazer com que parasse de andar.
‘Meus pais vão me mataaaaar!’ repetia alto quando viu Tom se aproximando.
‘Eu tive uma idéia!’ Fletcher disse simplesmente, fazendo com que as garotas olhassem pra ele.
‘Fala logo gordinho!’
‘Então... eu mandei a correr pra tua casa e ficar com o telefone sempre por perto! Quando a Mrs. Green ligar, ela atende, finge que é a sua mãe e ta tudo certo! Eu fiz isso com o uma vez, a mãe dele nunca descobriu!’
‘SÉRIO?’ arregalou os olhos numa mistura de alívio e empolgação.
‘Sério, o deu uma carona pra ela, relaxa que acho que dessa vez passa!’ Tom disse e em questão de segundos estava pendurada no pescoço dele, agradecendo e rindo da situação. apenas sorria olhando a distancia. Ver que estava mais calma o deixou feliz.

‘Tom, a gente vai ter que copiar quase um livro INTEIRO?’ sussurrava enquanto a inspetora estava de costas para eles.
‘Infelizmente!’ Tom respondeu desanimado.
Estavam os três: , e Tom sentados lado a lado na pequena sala da detenção. Mais atrás havia um garoto dormindo sobre uma carteira. e Fletcher já estavam acostumados com aquela situação. A inspetora era uma senhora gorda e feia, que segundo Tom tinha cheiro de presunto e nunca devia ter beijado na boca na vida. Quando lembrava dessa descrição, tinha vontade de rir. Abaixou a cabeça na carteira para tentar disfarçar, mas reparou no que ele estava fazendo, mesmo sem saber o porque. tentava abafar o riso com as mãos no rosto para não piorar ainda mais aquela situação. Olhou para o lado e viu que estava olhando para ele sem muito entender, mas sorrindo. Os olhos do garoto começaram a brilhar imediatamente e ele não se conteve: abriu um enorme sorriso de volta, fazendo com que ela ficasse vermelha e tentasse olhar para os livros.

Já haviam se passado quase duas horas e Tom já estava dormindo sobre os livros, assim como a própria inspetora. estava com o rosto na carteira, mas não estava dormindo. Estava completamente entediada e sabia que só sairia dali em duas horas. Olhou para o lado e viu que estava acordado. só conseguia pensar no que faria para que falasse com ele de novo. Estava decidido a agir corretamente com ela dessa vez. Cutucou a garota com um lápis para que ela olhasse para ele. Não podia perder mais tempo.
‘Ei...’ ele sussurou em um tom de voz quase inaudível.
‘Fala...’ respondeu com as mãos geladas.
‘Sim ou não?’ disse sorrindo.
‘Sim ou não o que ?’ riu baixinho.
‘Responde SIM OU NÃO.’ Ele falou um pouco mais alto e a garota fez sinal pra que ele falasse mais baixo.
‘Sei lá. Sim! Porque?’
levantou-se devagar e fez sinal para :
‘Vem comigo!’ ele disse.
você pirou?’ ela sussurrava tentando não rir.
‘Você vai ficar aqui mais duas horas? Relaxa, eu já fiz isso outras vezes!’
...’ dizia desconfiada, mas com muita vontade de sair dali. Nem tanto para se livrar da detenção, mas pela maneira com que estava empolgado. Adorava vê-lo assim. Ele já estava ali por sua culpa, não era justo obrigá-lo a ficar.
... Você confia em mim?’ estendeu a mão com um olhar piedoso. sorriu largamente segurando na mão dele.
‘Claro...’ ela disse simplesmente e o garoto não pode conter o sorriso.
A puxou para dentro da sala ao lado andando em passos vagarosos. O colégio estava completamente vazio e qualquer barulho poderia ocasionar mais uma detenção para os dois e sabia bem disso. estava com a mão gelada e meio trêmula. Confiava em cegamente, embora estivesse com medo de algo dar errado. aproximou-se da enorme janela da sala e falou no ouvido de :
‘Temos duas horas de liberdade, contadas a partir de agora. Só pular!’ Ele disse marotamente.
‘O QUE?’ disse um tanto alto e tampou a boca dela rapidamente.
‘Menos , bem menos!’ Ele riu. ‘Eu vou primeiro, te pego lá embaixo. É baixinho!’
‘Você pirou , eu não vou fazer isso!’ disse quase dando as costas.
‘Por favor ! Eu juro que você não vai se arrepender!’ Ele disse com os olhos brilhando e sentiu um aperto no peito. Aquela carinha de bebê que ele fazia a matava. Não tinha como dizer não.
‘Não faz essa cara , isso é maldade!’ Ela riu baixo. ‘Se você me deixar cair eu juro que te espanco!’ Ela disse ainda rindo e a acompanhou feliz.
‘Certo, lá vou eu!’ Ele disse colocando uma perna pra fora.
‘Cuidado!’ dizia preocupada.
‘Fica calma linda, eu já fiz isso milhões de vezes!’ Ele riu e ela sentiu a nuca arrepiar.
Em questão de segundos ele estava em pé sorrindo no andar debaixo, fazendo sinal para que ela usasse a árvore como apoio e pulasse. estava morrendo de medo e dizia algo sobre andar logo pois poderia aparecer alguém. Apenas lembrava da voz dele pedindo que confiasse. Sentou-se na janela e falou:
‘Eu estou de saia, se você ficar me tarando você é um garoto morto! Não é pra olhar!’ Ela disse e gargalhou, vendo que ela estava pulando.
‘Tarde demais, eu vi tudo!’ Ele falou com cara de safado e corou, estapeando o garoto.
‘Ninguém merece você ! Ninguém!’ ela riu.
‘Certo, agora vamos sair daqui pelos fundos!’ Ele disse segurando a mão dela.
‘Pra onde a gente vai?’ perguntou curiosa.
‘Pra onde você quiser!’ Ele sorriu maroto e começou a correr.

‘Cara, eu não acredito que posso falar em um tom de voz normal, to cansada de sussurar!’
quase berrava no meio da rua enquanto saltitava. apenas ria. Ela estava muito linda e ele mal sabia o que fazer. Tinha menos de duas horas pra tentar mudar a situação chata que ficara entre os dois e tinha certeza que ela queria o mesmo. Só não sabia por onde começar.
‘Quantas vezes na sua vida você fugiu por aquela janela ?’ perguntava rindo.
‘Quer saber mesmo?’ gargalhou. ‘Algumas... poucas. Ok, várias!’ Ele riu alto e também.
‘Certo, e o que a gente faz agora?’
‘Já disse que a gente pode fazer o que você quiser!’ Ele sorriu de leve.
‘Qual o motel mais próximo?’ Ela disse e riu absurdamente alto da cara de susto de . ‘Eu to brincando, mané! Que tal um sorvete?’
‘Sou mais o motel!’ Ele riu alto e não se conteve.
‘Sempre pervertido. Sempre!’
‘Eu sou um anjo !’ dizia com um biquinho irresistível enquanto andava.
‘Sei... sei!’ apenas sorriu vendo a sorveteria se aproximando.
‘Deixe-me adivinhar! Flocos com cobertura de calda quente de chocolate!’ disse rapidamente e sorriu largamente.
‘A memória tá boa hem?’ Ela sorriu.
‘Só lembro do que realmente importa!’ Ele sorriu largamente e ela riu.
‘Anda copiando minhas frases agora ?’ ela riu alto e ele corou.
‘Só quando as frases são boas!’ ele sorriu.

Meia hora havia se passado e e riam alto dentro da sorveteria. Estavam se lembrando de momentos engraçados que passaram juntos naquele lugar antes dela ir embora, como verdadeiros amigos fazem quando se reencontram.
‘Nossa, mas foi engraçado demais aquele dia! Tipo, sorvete de creme nas calças foi no mínimo hilário!’ ria alto e mostrou a língua pra ela.
‘Não achei graça disso!’ Ele disse rindo também e observando cada movimento da garota em sua frente.
, mudando total de assunto... Eu queria me desculpar com você!’ disse um pouco mais séria enquanto o garoto jogava os potinhos coloridos no lixo.
‘Desculpar? Porque?’ Ele franziu a testa sem entender.
‘Por você estar aqui... Digo, por ter pegado detenção comigo e o Tom. Você não tinha nada com isso, sério, me desculpe...’ Ela dizia um tanto corada e sorriu.
‘Ei, relaxa. Eu gosto disso!’ Ele sorriu andando em direção a porta.
‘Como assim gosta disso?’ virou-se sem entender.
‘Gostando, ué!’ riu baixo.
‘Que tipo de pessoa gosta de detenção ?’ riu alto e suspirou:
‘Pessoas que nem EU, que precisam de um tempo a sós com pessoas como VOCÊ!’ Ele disparou e ficou sem reação, mas sentiu um arrepio na espinha.
‘Er... eu...’
‘Ei, não precisa dizer nada!’ Ele riu. ‘Agora é minha vez de escolher pra onde a gente vai.’ disse puxando pela mão.
‘Não esquece que eu tava BRINCANDO sobre o motel, certo ?’ Ela gargalhou.

‘Chegamos!’ disse sentando no gramado do jardim de sua própria casa.
‘Vamos ficar no jardim da sua casa?’ riu.
‘É mais perto do colégio. Dá pra voltar faltando cinco minutos!’ sorriu maroto.
‘Sempre tem uma tática, né?’ sorriu deitando a cabeça no colo de , que sentiu um calor por dentro e não pode conter o enorme sorriso.
‘Eu senti falta disso...’ A garota falou baixinho.
‘Do que linda?’
‘Do seu sorriso...’ Ela disse corada, fazendo-o sorrir ainda mais, enquanto fazia cafuné nos cabelos de .
, posso ter perguntar uma coisa?’ disse com as mãos geladas.
‘Claro!’ disse rapidamente, mas com um certo receio do que poderia vir.
‘Você acha que se você não tivesse se mudado, a gente ainda estaria junto?’ perguntou com uma carinha de bebê que fazia querer pular no pescoço dele no mesmo instante.
‘Nossa!’ riu baixo, sentando-se na frente dele. ‘Ótima pergunta!’
‘O que você acha?’ disse segurando uma das mãos da garota.
‘Sinceramente?’ perguntou e apenas fez sinal afirmativo com a cabeça. ‘Eu tenho quase certeza que sim!’ Ela disse com um sorriso sincero e sentiu que tinha ganhado aquele dia.
‘E você?’ Ela retrucou rapidamente.
‘Sabia que essa pergunta teria volta!’ Ele gargalhou.
‘Fala !’ disse enquanto olhava dentro dos olhos brilhantes do garoto em uma distância minúscula.
‘Eu não sei. É estranho pensar como teria sido, sabe? Nós éramos tão novos que podia ser que acabássemos fazendo alguma merda e nos separando...’ Ele disse olhando para as mãos de , que abaixou o olhar.
‘É, pode ser também...’ Ela disse, simplesmente.
‘Mas ei...’ acariciou o rosto de fazendo com que ela olhasse para ele novamente. ‘Eu ainda tenho uma certeza...’ Ele disse um tanto tímido. sorriu involuntariamente porque amava quando ele ficava sem graça.
‘Qual seria essa certeza?’ Ela perguntou.
‘Não importando aonde, como e quando... A gente já se separou, não deu certo da primeira vez. Mas eu nunca vou tirar isso da cabeça: eu tenho certeza que é você, . E pode ser que a gente não esteja junto agora, mas no futuro vamos estar. Eu tenho certeza que vou envelhecer do seu lado... O resto é uma questão de tempo...’
disse olhando nos olhos dela que sentiu o peito apertar e aquela vontade de chorar e rir que sempre tinha quando ele fazia algo do tipo.
‘Sério?’ Ela disse sorrindo abobalhada enquanto ele tirava uma mecha de cabelo do rosto dela e se aproximava.
‘Aham...’ Ele disse mordendo a boca e já fechando os olhos.
sentiu um arrepio na espinha e teve certeza, naquela hora, de que era tudo o que ela sempre quis. Não adiantava se enganar: Era ele, . Era com ele que ela queria envelhecer. As bocas estavam quase se tocando e então ambos puderam sentir uma “chuva” tremendamente gelada e repentina. sentiu um jato de água nas costas e deu um grito muito alto. O sistema de irrigação do jardim tinha sido acionado. saiu correndo até a calçada e teve um ataque de riso do menino que estava completamente encharcado e que chingava palavrões absurdamente alto enquanto tentava desligar o aparelho.
‘MAS QUE PORRA!’ gritou quando finalmente conseguiu desligar. Olhou para trás e viu que estava sentada na calçada chorando de rir. ‘Muito bonito hem? Eu aqui me matando e você RINDO DE MIM!’ Ele berrou e desatou a rir.
‘Você fica sexy molhado , eu já disse!’ Ela riu e ele também, enquanto se aproximava.
‘Eu acho melhor você trocar esse uniforme, vai pegar uma pneumunia assim...’ sorriu.
‘E você precisa secar esse cabelo... Se chegar assim no colégio nossa fuga vai ser descoberta!’ Ele riu baixo. Aquela porcaria de irrigação tinha estragado o momento. Mas nenhum momento é menos importante quando se trata de e , ele pensou, e sorriu sozinho.

‘Aqui o secador ... Não quer mesmo que eu seque essa blusa com o ferro pra você? Ta meio molhada aqui...’ apontou. ‘Eu te empresto uma camiseta!’ Ele disse sorrindo.
‘Relaxa , é só uma gota! Até chegar no colégio já estarei seca!’ sorriu.
‘Okay, vou me trocar então, rapidinho...’
entrou no banheiro e sentou-se na beirada da cama dele com o secador de cabelo ligado e com um sorriso absurdo no rosto. Finalmente as coisas estavam dando certo para os dois. Olhava cada detalhe daquele quarto e sentia-se bem. Estava fazendo a coisa certa, definitivamente. Enquanto viajava em pensamentos com o secador ligado e apontando para o nada, acabou fazendo alguns papéis voarem.
‘Ai caramba!’
Ela resmungou recolhendo as coisas do chão. Pegou um deles e percebeu que se tratava de uma letra de música. Não queria se intrometer, mas estava curiosa e olhou.

Baby’s coming back, (Baby está voltando)
Baby’s coming back, (Baby está voltando)
So I’m on my best behavior (Então eu estou me comportando da melhor forma)
I can’t take it anymore (Eu não aguento mais)
I just woke up on the floor today (Eu simplesmente acordei no chão hoje)
I've long run out of my last chances but she's on her way (Eu já gastei todas minhas últimas chances mas ela está a caminho)

‘Ei mocinha, o que você está fazendo?’ perguntou tirando o papel da mão dela fazendo uma voz estranha e engraçada.
‘Desculpa, os papéis voaram e eu acabei lendo... Deixa eu terminar?’ disse um tanto sem graça e outro tanto sorridente.
‘Claro que não!’ gargalhou guardando o papel em uma gaveta.
‘Porque não?’ fez bico e sentiu a nuca arrepiar.
‘Porque não está pronta... Aliás, você pegou o papel que está só com o refrão... Ou o que talvez seja o refrão, sei lá...’ sorriu.
‘Quem está voltando ?’ perguntou marota e ele riu, um pouco sem graça.
‘Ninguém. Ela já voltou...’
‘Quando você escreveu isso?’ perguntou curiosa.
‘Mas que menina mais curiosa!’ Ele riu alto. ‘PUTA MERDA!’ gritou e franziu a testa.
‘Certo, desculpa. Não pergunto mais...’
‘Não é isso linda...’ Ele riu. ‘A gente vai se atrasar, temos que correr!’ disse mostrando o relógio.
‘Meu Deus! Vamo logo!’ disse correndo escadaria abaixo. ‘Um dia você me canta essa música pra eu ouvir?’ Ela perguntou correndo.
‘Canto e explico ela todinha pra você! Agora pro nosso bem, CORRA!’

e entraram pela porta dos fundos do colégio tentando não fazer alarde. Tinham corrido no sol e estavam mortos de cansaço. apontou a porta de entrada e saída de carga da cantina para que entrasse. Ela apenas obedeceu, porque afinal usar a entrada principal seria suicídio. Subiram pé ante pé a escadaria e estava com o estômago revirando de medo. E se a inspetora tivesse notado alguma coisa? Entraram pela porta entreaberta da sala e viram que a mulher estava do mesmo jeito que antes. respirou aliviado e viu que Tom estava procurando algo pela janela.
‘Estamos aqui, dude!’ Ele sussurrou baixo e sentou.
‘Céus, por onde vocês andaram? Me largaram aqui com a presunto!’ Tom disse um pouco alto e sentiu uma vontade imensa de rir.
‘Foi mal, você tava roncando quase ali!’ disse sentando e rindo da cara que Fletcher fez.
‘Perae... Vocês dois sozinhos?’ Ele sussurou pra e não conseguiu entender.
‘O que?’ Ela perguntou.
fez um sinal de positivo com a cabeça e Tom abriu um sorriso largo. Não importava o que aconteceu, mas olhando para os seus amigos tinha certeza que tinha dado certo. Em poucos minutos o sinal disparou e a inspetora quase teve um ataque com o barulho. abaixou a cabeça pra rir e Tom fez o mesmo.
‘Podemos ir agora?’ perguntou fazendo cara de anjo.
‘Vão logo!’ A mulher disse áspera.
‘Tenha uma ótima noite Mrs. Mendez.’ A garota retrucou sorridente e os três riram do lado de fora da cara que a mulher havia feito.
‘Liberdade, FINALMENTE!’ Tom gritou no corredor e desatou a rir.
‘Uma coisa eu aprendi: Oferecer uma gostosa pro Mr. Roth NÃO ROLA né gordinho?’ Ela disse rindo alto.
‘NÃO MESMO!’ Ele gargalhou.
Os três foram caminhando até a casa de , onde a deixariam e iriam para suas casas. Quando chegaram na porta, abraçou Tom como de costume e ficou meio gelada porque queria despedir-se de outra forma de , mas aquilo seria estranho. Abraçou o garoto com força e estalou um beijo na bochecha dele:
‘Obrigada por tudo...Gatinho!’
disparou juntamente com um sorriso enorme no rosto. Naquela hora sentiu que suas as pernas nunca mais o obedeceriam. Nem conseguiu dizer nada. A porta fechou em sua frente e Tom estava com o queixo quase no chão com a frase.
‘GATINHO?’ Tom falou muito alto e riu encostada na parte de dentro da porta.
‘É... eu acho que foi isso mesmo que ela disse!’ falou sorrindo abobalhado.
‘Agora você vai ter que me explicar tudo o que vocês fizeram nessa fuga!’ Tom perguntou curioso enquanto andava e gargalhava. apenas observava os dois pela janela com a melhor sensação do mundo tomando conta dela.

Quando entrara em casa, subiu correndo até o quarto de para contar as novidades. Ela não estava lá e não havia ninguém em casa. Estava absurdamente feliz, e precisava contar aquilo pra alguém. Resolveu esperar um pouco, então ligou o rádio no último volume e foi tomar um banho. Assim que saiu, ainda de toalha, caminhou pelo corredor para ver se a amiga havia chegado. Nada. Colocou um jeans, uma camiseta e uma sapatilha e foi andando até a casa de . Lá descobriu que havia saído com e então despejou sua alegria em , que achou aquilo tudo muito lindo e, chorona como sempre, ficou com os olhos cheios de lágrimas. já estava voltando para casa e não conseguia parar de pensar em , em seu sorriso e nas coisas que ele havia dito.

‘Não importando aonde, como e quando... A gente já se separou, não deu certo da primeira vez. Mas eu nunca vou tirar isso da cabeça: eu tenho certeza que é você, . E pode ser que a gente não esteja junto agora, mas no futuro vamos estar. Eu tenho certeza que vou envelhecer do seu lado... O resto é uma questão de tempo...’

Ao lembrar dessa frase sentia que o coração ia pular pela boca. Lembrou-se de algo que ouviu os garotos comentaram na volta da detenção e imediatamente começou a andar para o lado inverso. Em questão de minutos chegou aonde queria. Não precisou respirar fundo ou parar para pensar. Era o que ela queria fazer. Tocou a campainha algumas vezes sem resposta, então se lembrou que dissera que quando seus pais ficavam fora de casa, ele só trancava as portas para dormir porque os garotos transitavam lá o tempo todo. Abriu a porta e subiu as escadas em direção ao quarto de . Ouviu ao longe aquela risada que fazia sua nuca arrepiar entre várias vozes e alguma música não identificada no violão. Abriu a porta de uma só vez os quatro amigos olharam assustados para ela:
?’ franziu a testa sem entender, ainda que mantivesse um sorriso absurdo no rosto.
‘Puta merda, que susto!’ pulou pra trás e desatou a rir.
‘O que faz aqui pentelha?’
Tom perguntou e a garota apenas sorriu, sem dizer uma palavra. Andou em direção a , que levantou-se da cama olhando nos olhos dela. Quando a garota estava muito próxima, ele acariciou o rosto dela e perguntou:
‘O que foi linda?’
‘Só vim aqui terminar o que o irrigador da sua casa não te deixou fazer...’ Ela sorriu marota e sentiu um arrepio na espinha. Já estavam tão próximos que não demorou nada para que os lábios se encontrassem delicadamente. O coração de batia tão forte que conseguia sentir. O beijo era doce e parecia que cada carinho nunca iria terminar, ambos queriam muito aquilo. a abraçava com força e mexia devagar nos cabelos de . Os dois tinham a respiração ofegante, mas o beijavam delicadamente. Era como se ninguém mais estivesse naquele quarto. E não estavam, mesmo. Ambos abriram os olhos e viram o quarto vazio. Soltaram uma risada conjunta e aproximou-se, olhando nos olhos de :
‘Minha pequena!’
Ele disse, antes de fechar os olhos e retomar o beijo que tanto esperou esses anos.


Capítulo 14:

‘Onde será que eles foram?’ disse interrompendo o beijo, acariciando o rosto de .
‘Não quero saber.’ Ele sorriu maroto e deu um selinho longo na garota, levantando-a um pouco mais para o alto.
‘Eu esperei tanto por isso...’ Ela suspirou olhando para os olhos incrivelmente brilhantes que tinha e sorriu. ‘Concordo com você...’
‘Em que?’ sorriu largamente mesmo sem saber do que se tratava.
‘Eu acho que meu futuro é você...’ Ela disse e corou levemente.
sentiu o coração acelerar como há muito tempo não sentia... Aquela era definitivamente a única garota capaz de fazer aquilo com ele. Bastava um olhar que lançasse para ele entender que ela era tudo o que importava. Não sabia muito bem como havia conseguido passar tanto tempo longe dela, mas agora que a tinha ali, novamente em seus braços, parecia que estava tudo certo. Era simplesmente onde ele sempre quis estar.

e passaram mais algum tempo no quarto de antes de descerem as escadas. Estavam rindo alto e abobalhadamente só por rir, porque estavam extremamente felizes. Tom, e estavam sentados no sofá da sala bebendo cerveja quando os dois apareceram. De repente um mar de perguntas começou a surgir fazendo com que o casal risse mais ainda. Seus amigos não estavam entendendo absolutamente nada.
‘Mas como?’ indagava sorrindo.
‘Eu achei super legal. Se uma garota fizesse isso comigo eu casava!’ riu.
‘Se ela fosse a , talvez...’ sacaneou.
‘Cala a boca!’ tacou uma almofada nele.
‘Eu devia ter apostado!’ Tom dizia. ‘Eu sempre soube, sempre, sempre...’
‘Já te disse que você sabe mais de mim do que eu mesma, gordinho!’ riu. ‘AAAAAAAAH, ME EXPLIQUEM ISSO PORRA!’ berrou e todos desataram a rir.
‘Tá, tá, mas não se irrite!’ soltou e e tiveram mais alguns ataques de riso.

‘Não quero que você vá embora...’ disse fazendo biquinho quando avistou a casa de se aproximando.
‘Ah não , é tão injusto esse biquinho...’ riu e se pendurou no pescoço dele, dando um longo selinho.
‘Linda...’ Ele disse em seu ouvido, ainda incrédulo com tudo o que estava acontecendo.
Ainda quando estava abraçada com , começou a olhar em sua volta. As casas, com janelas acesas, pessoas se movimentando dentro delas, próximo às janelas. Algumas crianças corriam de um lado para o outro rindo alto, carros cortavam a rua as vezes mais, outras menos rapidamente. Mas de alguma forma, todos pareciam olhar para os dois. Então teve um estalo e soltou do abraço.
‘Eu perdi a noção do perigo, tenho certeza.’ Ela disse olhando para baixo.
‘Como é que é?’ disse sem entender.
‘A gente precisa conversar .’
Não. Não. olhava sentiu as mãos gelarem e colocou-as nos bolsos. Ele não queria ter conversa alguma. Tinha uma certa noção do desfecho desse tipo de conversa, e não queria estragar o dia praticamente perfeito que tivera. Não era justo. Puxou a garota pelo braço rapidamente e num sorriso largo, pediu:
‘Ah, pra que conversar? Eu ainda quero matar a saudade de você...’
Ele ia dizendo enquanto beijava suavemente o pescoço dela, fazendo-a estremecer e chingar-se mentalmente por isso. Aquela era uma coisa que ela sempre quis saber: Como ele conseguia ter todo esse poder sobre ela? Era praticamente impossível resistir. Quando ia beijá-la, virou o rosto, mesmo contra sua própria vontade, e disse: ‘Não gatinho, eu realmente tenho que falar com você.’
Ok, menos mal. Gatinho. Ela o chamou de gatinho e até forçou um meio sorriso, então não podia ser tão ruim assim. a acompanhou até a pequena escada em frente a casa e sentou-se, mãos ainda nos bolsos e olhar baixo.
‘Ei... Fique calmo, . Eu não vou matar você.’ sorriu sem mostrar os dentes tentando esconder o próprio nervosismo. respirou fundo e colocou uma mecha atrás da orelha de .
‘Pode falar linda...’
‘Então...’ Ela pensava por onde começar e agora roía impacientemente uma unha. ‘Você sabe o quanto é importante pra mim, não sabe?’ Ela perguntou retoricamente, mas não esperou que ele respondesse. ‘Mas... eu sou uma garota “comprometida”’ Ela disse fazendo aspas com as mãos. A essa altura aquele compromisso já havia ido para o espaço, mesmo. ‘Eu já tentei fugir do que sinto, mas não deu certo, como você pode ver. É com você que eu quero ficar, ...’ Ela sorriu tímida e ele suspirou aliviado, sorrindo mais largamente.
‘Então qual o problema?’ Ele perguntou.
‘Eu preciso terminar com o Nathan para ficar com você.’
‘Hm...’ ponderou. ‘Como vai fazer isso?’ Ele continuou, segurando uma das mãos da garota.
‘Eu pensei em viajar nesse final de semana para falar com ele. Esse não é o tipo de coisa que se deve fazer pelo telefone, pelo menos eu não gostaria que fizessem comigo...’ disse sincera e sorriu.
‘Sabe, eu me importo muito com o Nathan. Ele é um cara legal, acho que vai ficar decepcionado comigo... Mas eu nunca seria capaz de fazê-lo feliz, ele mesmo, por mais que tentasse muito, nunca foi aquele cara por quem eu suspirei todos esses anos.’ Ela piscou. ‘O que você acha?’
‘Você tem razão, acho que deva falar com ele mesmo. Se quiser eu posso te acompanhar até a cidade...’
‘Não acho que será preciso, obrigada lindo. Meu pai está voltando para cá agora, eu virei com ele. Vou de ônibus pra lá no sábado e resolvo tudo!’ disse animada e riu.
‘Isso é maravilhoso!’ disse puxando a garota para si, mas foi interrompido.
‘Calma, calma...’ Ela riu. ‘Eu ainda não terminei.’
‘Não?’ Ele riu alto e ficou quieto para que continuasse.
‘Bom, eu não quero ser uma traidora sabe? Oficialmente, pelo menos até sábado, eu ainda sou namorada do Nate. Acho mais prudente que nós não fiquemos juntos durante essa semana...’ Ela disse meio desanimada.
‘O que? Ficar sem você até sábado?’ arregalou os olhos e riu baixo.
‘Não, ainda seremos AMIGOS, se é que me entende. Mas sem nenhuma espécie de agarramento.’ Ela riu.
‘Eu não vou conseguir...’ Ele disse levantando uma das sobrancelhas.
‘Você conseguiu por três anos amor.’
‘Mas agora você está aqui... Quem disse que eu posso te ver só como amiga? Eu não sou forte o suficiente pra isso não...’ Ele riu e fez biquinho.
‘Já disse que esse biquinho é maldade!’
‘Vou fazê-lo sempre!’ Ele gargalhou.
, sai pra lá...’ dizia enquanto ele passava a ponta do nariz pelo seu pescoço.
‘Não.’ Ele riu maroto.
‘Isso vai ser pior do que eu imaginei.’ Ela sorriu maliciosa mordendo o canto do lábio de .
‘Eu diria impossível!’ riu baixo muito perto do ouvido de , dando alguns beijinhos no pescoço dela.
‘Impossível parece justo para nós!’ Ela riu maliciosa e a beijou calorosamente.

‘Mal posso esperar para ver você encontrando com o !’ ria quase escandalosamente quando ela e avistaram o colégio se aproximando.
‘Isso, ria da desgraça alheia!’ riu. ‘Eu não sei se vou conseguir me segurar!’
‘Espero que não consiga, aí eu ganharei minha aposta!’ sorriu maliciosa.
‘Como é que é?’
‘Ah, eu não poderia ter perdido a oportunidade de apostar nisso, não é? Ontem eu estava no msn com o e a gente fez algumas apostas... Ao que tudo indica, o restante do grupo vai se envolver nisso. Juro que vai se tornar um bolão!’ Ela riu.
‘QUE ABSURDO!’ fingiu indignação, mas ainda ria. ‘Vocês não prestam!’
‘Mas o que diabos é aquilo?’ apontava para um aglomerado humano em frente a uma parede do refeitório.
‘Vamos lá conferir!’
‘Mas que fofoqueira!’
‘Ah, cala a boca! Você aposta meu relacionamento e a fofoqueira sou eu?’ disse e as duas riram.
‘Anda logo!’ Nátalia puxava a amiga pelo braço quando o celular de começou a tocar e ela se afastou para atender.
‘Alô!’
‘Olá , desculpe ligar tão cedo, mas eu imaginei que já estivesse acordada devido ao colégio...’
‘Er... Sim eu estava acordada. Quem fala?’
‘Oh, mil perdões. Aqui é o Sr. Thompson!’
‘Sr. Thompson! Me desculpe, meu celular não reconheceu seu número! Como vai?’
‘Vou muito bem minha querida, e você?’
‘Ótima!’
‘Pois bem. Liguei pessoalmente porque a Srta. Carlson, minha secretária, está de licença devido a uma caxumba...’
‘Céus, pobre Lizzie!’ interrompeu fazendo o senhor simpático rir levemente.
‘Ela já está quase recuperada meu bem. Mas deixe-me ir direto ao assunto... Eu quero que seus amigos do McFLY toquem nessa sexta no Storm Rock Bar.’
abriu um sorriso imenso e reprimiu um grito. Sabia que isso aconteceria, eles eram muito talentosos.
‘Sério? Isso é o máximo, eles vão adorar a idéia!’
‘Ótimo, peça para eles passarem no escritório logo depois do colégio, pode ser? Seus garotos realmente fizeram sucesso!’ Ele riu.
‘Certo, avisarei! Muito obrigada Sr. Thompson!’
‘Não há de que ! Até mais!’
‘AAAAAAAAAAAAH!’ berrou quando e se aproximaram.
‘O que foi mulher? Vai casar com o ?’ cutucou e riu.
‘Deixa de ser besta! Os meninos foram convidados para tocar de novo no Storm Rock!’ Ela pulava ao dizer.
‘SÉRIO?’ abriu um sorriso enorme. ‘Isso é o máximo, esse final de semana vai bombar!’
‘Como assim esse final de semana?’ perguntou sem entender.
‘De que mundo você veio, meu bem? Sábado é o baile de início de ano do colégio, só se fala disso! Vestidos longos, smokings, ponche e muita pegação!’ chegou falando e riu alto.
‘Muita pegação? Vai pegar quem?’
‘Eu não virei, o Vince está fora da cidade...’ Ela murchou.
‘Sempre há um bom amigo capaz de lhe fazer companhia...’ piscou e as outras riram.
‘Ah, não me enche!’ fez bico.
‘PUTZ!’ bateu a mão na testa. ‘Céus, eu viajo sábado para falar com o Nate, não vou poder vir!’ Ela disse completamente desanimada.
‘Ah, claro que você vai vir! Vai ter que dar um jeito, eu não vou deixar você faltar!’ disse meio autoritária.
‘NÃO PODE SER!’ disse um pouco alto demais e arregalou os olhos. virou para trás.
‘Definitivamente esse é o dia das notícias!’
‘O que essa PERUA ta fazendo aqui?’ resmungou.
‘QUEM?’ disse ainda sem se virar e ficou meio verde.
‘Calma . Respira. Mas eu acho que aquela vadia loira está estudando aqui!’
‘Que vadia loira?’ Ela virou para ver.
Allison Stummer cortava em passos longos e cabelos ao vento a extensão do refeitório. Alguns garotos a olhavam curiosos, outros pareciam conhecê-la de outros lugares. Ela estava acompanhada de duas garotas que já eram conhecidas do colégio, Alicia Harris, líder de torcida que muitos diziam ter dormido com a metade do time de futebol, e Sandy Newman, sua fiel – talvez até demais – amiga. demorou alguns segundos para lembrar de onde conhecia a garota que parecia sair de uma propaganda da Loreal.
‘Era só o que me faltava...’ Ela resmungou baixo e sorriu.
‘Relaxa amiga. Ela pode ser bonita, mas você é mais. E você é quem ele quer, não ela...’ Ela piscou e sorriu, assentindo.
‘Falando NELE, cadê aqueles mongóis?’ perguntou.
‘É mesmo, eles sumiram... Não vi ninguém hoje. E olha que eu cheguei cedo!’ disse.
‘Devem ter ido direto para o ginásio, hoje temos Ed. Física! Vamos pra lá!’ disse puxando pelo braço.

As garotas corriam ao redor da quadra sobre a supervisão atenta do treinador Morrison, considerado por o quase quarentão mais gato que ela já vira naquela cidade. Morrison era simpático, o que facilitava que as garotas babassem um pouco por ele. Enquanto elas corriam em círculos ao redor da quadra, reclamando absurdamente do exercício, ele ria mostrando os dentes brancos, que contrastavam perfeitamente com a pele morena clara e os olhos esverdeados.
‘Eu não quero mais correr, não, não e NÃO!’ reclamava e ria.
‘Só mais quatro voltas Srta. !’ Morrison disse com sua voz rouca.
‘Quatro é muito!’ Ela fez manha enquanto ele a olhava de cima a baixo.
‘Não acho que precise de quatro voltas, mas seria injusto com algumas de suas colegas de classe...’ Ele riu baixo e corou. ‘Quatro voltas, só o que eu peço!’
‘Quatro voltas!’ Ela repetiu meio hipnotizada e saiu correndo.
‘Qual é a desse cara?’ sussurou e riu.
‘Não sei, mas se ele quiser eu pego fácil e...’
!’
‘Ok, acho que me empolguei!’ Elas riram.
Faltavam exatos vinte minutos para o fim da aula quando , Tom, e entraram pela porta do ginásio, fazendo um pouco de barulho e atrapalhando a aula.
!’ O treinador exclamou para , que vinha na frente. ‘Onde vocês estavam? Por acaso estavam cabulando minha aula?’
‘Desculpe treinador, estávamos na diretoria...’ Ele disse.
‘TÍPICO!’ Ele disse num tom de voz mais alto e Tom lhe entregou um papel.
‘Na verdade estávamos lá não porque fizemos algo de errado, mas para resolver algumas coisas da festa...’ Ele tentou dizer o mais baixo possível mas meia dúzia de líderes de torcida estavam atentas demais à conversa.
‘Hum, se é assim, podem entrar. Não vão poder fazer nada em vinte minutos mesmo, então sentem na arquibancada e assistam. Vão fazer algumas lições teóricas de futebol para compensar!’ Morrison disse e estava prestes a reclamar, mas lembrou que pelo menos assim não teria que jogar.
‘Ei sumidinhos!’ veio correndo em direção a eles e sorriu para o treinador. ‘Já completei minhas voltas, ok?’ Ela disse e ele piscou.
‘Ele piscou pra você?’ reclamou de imediato e os outros desataram a rir.
‘Relaxa, aparentemente ele faz isso com todas.’ Ela riu. ‘AH, eu tenho uma notícia PERFEITA pra dar pra vocês!’ Ela pulou e Tom sorriu.
‘Não deve ser melhor que a nossa notícia!’
‘Ah, vocês tem uma notícia? Aposto que a minha é melhor!’ Ela rebateu.
‘Tenho certeza que não!’ Tom riu mostrando a covinha.
‘Covudinho!’ Ela apertou a bochecha dele, fazendo-o corar.
‘Pára , não foge do assunto...’
‘Tá com vergonha gordinho?’ Ela riu meio alto.
‘Não! Deixa a minha notícia primeiro, a minha é melhor!’ Ele desconversou e já estava ficando meio entediado com a conversa.
‘Sem chance!’
‘VOCÊS VÃO TOCAR DE NOVO NO STORM ROCK BAR SEXTA!’ gritou e pulou nas costas de Tom, que arregalou os olhos.
‘Sua vaca, era pra eu ter contado!’ bufou.
‘Você enrola demais!’ Ela riu.
‘SÉRIO?’ levantou pulando.
‘Aham!’ sorriu largamente.
‘A GENTE VAI TOCAR NA FESTA DO COLÉGIO!’ gritou e deu um pulo.
‘Não brinca!’
‘Ei, era pra eu ter contado!’ Fletcher fez bico.
‘Ah, cala a boca!’ levantou-se comemorando também.
‘Isso é incrível!’ não se conteve e pulou no pescoço de , que a levantou mais alto num abraço forte.
‘Vai, vai, vaaaaai...’ sussurrou e interrompeu.
‘Ei, vocês dois, comportem-se!’
‘Isso não vale, eles iam beijar! Eu quase ganhei, putz!’ deu um tapa de leve na cabeça de e ela ficou meio alterada.
‘Tira a mão de mim, idiota!’
‘Eita, calma...’ Ele se assustou. ‘TPM?’
vai pra...’
‘OPA!’ O treinador interrompeu. ‘Algo de errado aqui?’
‘Não senhor, está tudo certo!’ respondeu prontamente.
‘Está bem então. Vão para o vestiário meninas, e vocês, venham comigo buscar as tarefas!’
Todos se entreolharam meio assustados e começaram a andar para onde o treinador havia dito. e foram os últimos a deixar a arquibancada.
‘Ei...’ Ele a puxou pelo braço.
‘O que foi gatinho?’ Ela sorriu e ele estremeceu, puxando-a para um abraço longo e quente.
, eu estou toda suada, você está perfumadinho e...’
‘Esquece isso!’ Ele riu baixinho no ouvido dela.
‘Impressionante a vontade que eu tenho de abraçar você quando essas coisas acontecem...’ Ela sorriu largamente quase escorregando do degrau mais alto em que estava.
‘Eu sinto vontade de abraçar você o tempo todo...’ Ele disse ainda baixinho e ela sentiu a nuca arrepiar.
‘Você diz umas coisas que fazem meus joelhos amolecerem...’ Ela confessou, meio vermelha e ele riu de imediato.
‘Adoro quando você fica sem graça!’
Ele estalou um beijo em sua testa e seguiu os demais, deixando-a um pouco desnorteada por alguns minutos, suspirando.

‘Ei amiga, o que foi aquilo?’ perguntou chamando atenção de dentro do vestiário, assim que conseguira comandar as próprias pernas para chegar até lá.
‘Aquilo o que?’ Ela respondeu meio áspera.
‘Com o ...’ se intrometeu.
‘Ele me deu um tapa na cabeça!’ Ela disse como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo.
‘Ele faz isso o tempo todo!’ afirmou e segurou o riso, enquanto pegava os cremes no armário.
‘Mas não deixa de ser uma brincadeira idiota!’ bufou. ‘Aliás, ele não faz isso o tempo todo, pelo menos não comigo!’
‘Acho que ele fica tímido perto de você...’ disse.
‘O que está falando? Não era você que queria ele?’ perguntou.
‘ERA. Mas desencanei, por motivos talvez óbvios demais. E fora que esse colégio está cheio de ótimos partidos para me divertirem, não faria muito sentido se eu ficasse louca atrás de quem não me quer...’
‘Isso não muda nada!’ disse simplesmente e saiu do vestiário.

As aulas passaram rapidamente e sem maiores problemas, tudo o que se falava era sobre o baile que aconteceria no final de semana. O dia seguinte seria de muita expectativa para todas as garotas, era o dia oficial da escolha dos pares, onde talvez o garoto dos sonhos de cada uma aparecesse para levá-la ao baile.
, você decide!’ disse sentando-se ao lado do garoto com uma bandeja em mãos.
‘Decido o que?’ Ele franziu a testa.
‘Bem, você vai decidir se eu venho ao baile ou não. Porque você sabe né, eu tenho que viajar pra falar com o Nate. Eu posso fazer isso na sexta, volto no sábado a tarde a tempo de ir ao baile, mas assim eu perco a Storm... ou posso ir no sábado e perder o baile, qual das duas alternativas você prefere?’
‘Não quero ter que decidir isso...’ disse olhando para a mesa. ‘Eu quero você no show da Storm, pra me dar força...’ Ele sorriu e ponderou. ‘Mas seria definitivamente uma honra te levar ao baile...’ Ele sorriu.
‘Talvez eu deva viajar outro dia então...’ disse acariciando os cabelos de suavemente.
‘Não! Acho que você tem que resolver logo isso, eu não quero mais fingir que sou seu amigo!’ Ele disse rapidamente.
‘Okay, você não está ajudando muito!’ Ela riu baixo e ele a acompanhou.
‘Sabe...’ continuou meio pensativo. ‘Eu nunca tive interesse de vir a um baile como agora. Não porque nós vamos tocar, mas por ter você ao meu lado.’ Ele sorriu antes de beber um gole da sua coca. ‘Então eu prefiro que você venha no sábado. Comigo, é claro!’ Ele piscou. ‘Preciso de apoio pra tocar na frente dos conhecidos!’ Ele riu e ela também.
‘Está me convidando pra ir ao baile?’ sorriu.
‘Não, afinal devemos convidar amanhã...’ Ele fez pose de entendido e ela mordeu seu ombro de leve. ‘Outch! Só amanhã pequena, só amanhã!’ Ele riu.
‘Quero Coca !’ disse do nada e riu.
‘Você tá com uma na mão dude!’ reclamou.
‘Deixa de ser regulado!’
‘Acabou já!’ riu vitorioso e atirou a lata no lixo.
‘Mas que merda! Vem comprar uma comigo ?’
‘Ah não , meu pé ta doendo! O professor gostoso acabou comigo!’ Ela sorriu desanimada.
‘Fale isso em voz alta que ele perde o emprego!’ Tom disse malicioso e gargalhou. ‘Dude, vem comigo levar esses papéis lá pro diretor?’
‘Aham!’ disse de boca cheia.
‘Credo, deixa de ser nojento !’ riu e começou a persegui-la com a boca cheia. ‘Que nojo , sai daquiiii!’ Ela pulou do lado de enquanto tossia de tanto rir.
‘Ótimo, sabia que você viria comigo !’ a puxou pela mão e ela não teve outra alternativa a não ser acompanha-lo.

e voltavam da cantina rindo absurdamente alto. Ele tinha uma das mãos sobre o ombro dela, formando um abraço meio desajeitado a medida que os dois riam e e se estapeavam – na verdade o estapeava –enquanto ele insistia em tomar sua Coca.
‘Pára sua louca, vai derramar!’ Ele ria descontroladamente.
‘Mas isso é um absurdo !’ Ela tentava respirar.
‘Porque absurdo! Tá valendo muita grana, sabe?’
‘Tá, mas quem acha que a gente vai conseguir e quem acha que não?’
‘Bom, eu e a apostamos que vocês conseguem, não que eu acredite nisso, mas tudo bem...’ Ele riu.
‘Então porque apostou?’
‘Sabe como é né, nesse lance de apostas é sempre bom fugir do óbvio. É claro que todo mundo ia apostar que vocês vão se agarrar o mais rápido possível, mas vai por mim, é legal ser do contra...’ Ele ria. ‘Na verdade a acredita que vocês conseguem. Ingênua, tadinha...’ Ele gargalhou e foi estapeado. ‘Ai, que mão pesada dona ! Vou mandar o tomar cuidado com você!’ Ele riu malicioso.
‘Que pervertido você !’ Ela riu alto e virou pra trás.
‘Er. Hm. Acho que preciso de outra dessas...’ Ele falou rápido demais e ficou sem entender.
‘Que? Mas você não tomou nem um terço disso , deixa de ser exagerado! Vai ficar gorducho!’ Ela disse puxando-o pra frente.
‘Não, mas é que... Ah, acho que preciso de uma água e...’
, o que você tá tentando fazer?’ Ela perguntou e olhou pra trás.
conversava animadamente com Ally no final do corredor. Ela enrolava o cabelo com uma das mãos e tocava nele o tempo todo, sinal claro de alguém que quer agarrar alguém. Tom estava ao lado conversando sem muito calor com Sandy, que olhava para os cabelos perfeitamente lisos e loiros de Fletcher admirada.
‘Não quer dizer nada, só estão conversando, não é mesmo?’ disse meio sem graça, mas não pareceu ouvir. ‘ ?’
‘Hã?’ Ela disse com um olhar um pouco furioso, mas mantendo um tom de voz calmo.
‘Não fique brava, só estão conversando.’ Ele disse com um olhar piedoso.
‘Eu sei...’ Ela parecia responder o óbvio. ‘Anda , vamos pra sala!’ Ela disse puxando ele pela mão.
‘Mas... Ainda tem uns quinze minutos de intervalo !’
‘Faça como quiser!’ Ela soltou a mão dele. ‘Eu vou pra sala!’ Ela disse andando muito rapidamente por entre as pessoas.
‘Ok, ok!’ Ele correu atrás dela. ‘Eu vou com você!’
‘Não precisa se vir se não quiser baby!’ Ela disse com uma voz simpática mas sem olhar para trás.
‘Tudo bem, eu quero ir...’ Ele disse amigavelmente seguindo-a até o laboratório de Biologia.

saia do laboratório em direção ao banheiro quando viu Tom e se aproximando. Esqueceu por um minuto do que ia fazer e esperou os dois amigos encostado ao lado da porta.
‘Que foi , resolveu dar uma de bom aluno e veio cedo pra aula?’ Tom riu, mas não pareceu ouvir a pergunta e virou-se pra .
‘Dude, você tem problemas!’ Ele disse com um olhar meio preocupado.
‘O que aconteceu?’ perguntou coçando a cabeça.
‘A está brava com você...’ Ele disse baixo.
‘O que?’ perguntou franzindo a testa e já levando as mãos aos bolsos. ‘O que eu fiz dessa vez?’
‘Sei lá, ela é uma garota né cara? Garotas são estranhas. Ela não gostou NADA de ter visto você com a Anny.’
‘Anny? Quem é Anny?’ Tom olhou sem entender.
‘Ally!’ lembrou rápido e murchou.
‘Isso!’ assentiu.
‘Mas eu não estava fazendo nada!’
‘Eu sei, eu disse isso pra ela. Mas acho que ela vai querer ouvir isso de você...’ completou. ‘Bem, eu vou ao banheiro. Passei metade do intervalo tentando convencer sua garota a não ficar brava com você, isso não é algo que eu pretendia fazer...’ Ele sorriu breve.
‘Desculpe por isso dude. E valeu por avisar!’ respirou fundo.
‘Relaxa, eu estou brincando. Não foi nenhum sacrifício, só quero que fiquem bem...’ Ele disse antes de sumir no final do corredor.
Tom apenas de um aperto leve no ombro de quando os dois entraram na sala. estava sentada no lugar de costume, mas , que é sua companheira de laboratório, ainda não tinha chegado. Ela mexia distraída em algumas lâminas em sua frente. Fletcher sorriu para ela e foi para sua mesa, que estava vazia. Assim que a garota avistou , abaixou um pouco o olhar.
‘Ei linda, posso falar com você?’ Ele pediu humildemente sentando-se no banquinho vazio.
‘Acho que você já está falando...’ Ela conseguiu pronunciar as palavras ásperas em um tom até simpático – ou um pouco melancólico – de voz.
‘Não quer ir lá fora comigo?’ perguntou tirando uma das lâminas das mãos dela.
‘A aula já vai começar .’
‘Por favor. Cinco minutos.’ Ele pediu com um olhar um pouco entristecido. Odiava saber que podia ter estragado tudo de novo.
nada respondeu. Apenas levantou-se devagar e foi em direção a porta, seguida por e sob o olhar atento de Tom. Parou ali mesmo, ao lado da porta.
‘Pode falar.’ Disse simplesmente.
‘Vem aqui...’ Ele a puxou pela mão e a levou para o outro corredor, perto dos banheiros, onde o professor não os veria assim que chegasse na sala.
‘O me disse que você está brava comigo...’ Ele disse cabisbaixo e ela olhou para a parede.
‘Logo imaginei...’ Ela suspirou. ‘Ele está errado, eu não estou brava com você.’
‘Não é o que parece...’ Ele disse olhando nos olhos dela. ‘Me desculpe , eu não achei que tivesse algum mal em falar com a Ally e...’
‘Não tem problema nenhum.’ interrompeu.
‘Não entendo...’ Ele disse com as mãos nos bolsos e o silêncio pairou sobre os dois.
‘Escute, ... É sério, não tem problema em você falar com ela...’
‘Então qual o problema?’
suspirou fundo e mediu palavras. Não estava afim de dizer nada.
‘O problema é ELA.’ Admitiu por fim.
‘Está com ciúmes da Ally?’ perguntou olhando nos olhos da garota.
‘Não. Não sei. Provavelmente.’ Ela assumiu e ele sorriu.
‘Ei pequena...’ Ele disse pausadamente e ela sentiu um arrepio na espinha. ‘Não há porque ter ciúmes da Ally, ela não significa nada pra mim. Você, pelo contrário, é a única com quem eu me importo aqui.’
‘Eu sei . Mas é que...’
‘... Que?’
‘Quando eu cheguei aqui você estava com ela. Sei lá, ela foi até bem simpática no bar aquela vez. Mas mesmo assim, ela me faz lembrar coisas nada legais daquela noite... E ela é linda, não negue. Eu me sinto ameaçada...’
‘Não sinta...’ a puxou em um abraço enquanto o sinal tocava. ‘Ponha uma coisa na sua cabeça : Eu não a trocaria pela Ally ou por NENHUMA das garotas desse colégio. Você é mais bonita que qualquer uma delas, mas mais do que isso... é a única que eu quero aqui.’ Ele sorriu largamente e ela suspirou aliviada.
‘Eu te amo.’ deixou as palavras escaparem e sentiu que o coração ia pular pela boca, abrindo um enorme sorriso.
‘Se te incomoda tanto, eu vou parar de falar com a Ally.’ dizia e quando percebeu que ia negar, estalou um longo beijo em seus lábios sem que ninguém visse e seguiu: ‘Eu não preciso dela para ser feliz. E se te deixa segura que eu fique longe dela, é assim que vai ser, e não reclame!’ Ele disse meio autoritário e ela riu alto.
‘Sim senhor!’
‘Agora vai, entra logo na sala. Se chegarmos juntos não vai dar muito certo...’ Ele piscou e ela assentiu, caminhando pelo corredor.
‘Para de babar, dude!’ apareceu atrás dele e pulou.
‘Puta que pariu , vai assustar tua mãe!’ disse e os dois riram. ‘O que diabos você está fazendo aqui?’
‘Ah, eu vim ao banheiro, mas eu não podia sair enquanto vocês estivessem discutindo a relação né?’ Ele ergueu a sobrancelha. ‘Aliás, eu vou fingir que NÃO VI aquele selinho que você deu nela, pelo bem da minha aposta!’
‘Eu devia contar pra todo mundo, só por causa disso!’ ameaçou e mostrou o dedo.
‘Você não vai fazer isso! Agora anda, vamos logo pra aula!’

‘Ei, o que está ouvindo?’
tirou de um transe e a garota quase caiu da cama quando percebeu que ele estava ali, tirando dela um dos fones do Ipod e colocando em seu ouvido.

“Your voice is the soundtrack of my summer, Do you know you’re unlike any other? You’ll always be my thunder and I said: Your eyes are the brightest of all the colours, I don’t wanna ever love another, You’ll always be my thunder.”

sussurrou o refrão da música no ouvido de , que sentiu a nuca arrepiar tanto pelas palavras, quanto pela proximidade – ele estava apoiado em um dos braços e curvado em cima do de seu corpo.
‘Uh, não sabia que você ouvia Boys Like Girls...’ Ela disse meio desnorteada.
‘Eu gosto dessa música... Me lembra você!’
Ele disse próximo a boca de , que sentia sua respiração em seu rosto, enquanto segurava nos cabelos do garoto.
‘Sério, você é muito xavequeiro...’ Ela disse num riso baixo, mas ele não respondeu, quando ela puxava seu rosto para mais perto. ‘Mas você é ótimo nisso!’ Ela disse, fechando os olhos.
‘EI, PODE PARAR!’ gritou entrando no quarto e pulando na cama.
isso não é justo!’ bateu nele e tudo o que teve a capacidade de fazer foi estender o singelo dedo do meio para o amigo, que desatou a rir.
‘Você são impossíveis, sabiam?’ continuou enquanto entrava no quarto.
‘Eita, é festa na minha casa e ninguém avisa?’ sentou-se abraçando pelas costas.
‘A gente veio chamar vocês pra assistir nosso ensaio!’ disse, ainda abraçado.
‘Isso quer dizer que deu tudo certo com o Sr. Thompson?’ riu satisfeita quando afirmou com a cabeça.
‘Isso é o máximo, parabéns gatinho!’ Ela deu um beijo na bochecha supervisionado por .
‘Então, vamos?’ a puxou.
‘Aiiii, que preguiça!’ reclamou.
‘Vai dizer que você não vai baranga?’ perguntou e riu do jeito afetado dela.
‘Eu vou. Mas tem duas condições.’ disse sem pensar muito e arqueou a sobrancelha.
‘E quais seriam?’
‘Primeiro: Eu estou muito cansada, a aula de Ed. Física acabou comigo...’ Ela disse manhosa e a mordeu na bochecha. ‘Então, nada mais justo que você me dê uma carona nas suas costas até lá!’ Ela gargalhou e deu de ombros.
‘Depende do que você almoçou!’ Ele brincou.
‘Quer morrer ?’ riu.
‘Tá, eu te levo!’
‘MAS QUE FOLGADA!’ gritou e e riram.
‘A segunda seria o que folgadinha?’ indagou.
‘Bem, ontem a tarde eu vi aquele refrão de música no seu quarto... Eu queria que você tocasse.’ disse decidida e corou.
‘Que música?’ arregalou os olhos.
‘Mas linda, a música ainda não está pronta!’ rebateu.
‘Tudo bem, pelo menos o refrão...’ Ela disse e negou com a cabeça. ‘Por favor, vaaaaai gatinho...’ Ela fez bico e ele riu.
‘Esse negócio de biquinho funciona!’
‘Você não sabe o quanto!’ Ela concordou.
‘Faz assim, assim que estiver pronta você será a primeira a ouvir...’ Ele sorriu. ‘Não vai demorar. Não estrague a surpresa!’
‘Tá bom, vai. Mas você ainda vai me levar nas costas!’ sorriu marota. ‘Okay, quero saber mais dessa música dude, mas vambora antes que o Tom mate a gente pela demora!’ puxou os dois da cama em direção a escada.

‘Isso vai ser engraçado, cadê a câmera?’ ria alto junto com dois degraus acima de onde e estavam.
‘Um passo de cada vez amor, um de cada vez!’ ria muito nas costas do garoto que tentava descer a escada com ela em cima.
‘Você podia ter poupado o coitado da escada !’ disse do andar debaixo.
‘Ah, mas eu sou levinha né gatinho?’ Ela perguntou já beliscando o braço dele.
‘EU MEREÇO!’ Ele riu alto.
Os dois deram dois passos abaixo mas estava rindo muito e acabaram se desequilibrando, mas ainda assim conseguiram se manter em pé. Quando conseguiram se recuperar das risadas, perceberam que a mãe de observava os dois rindo baixo no outro andar.
‘Ei, mãe!’ disse um pouco sem graça descendo das costas de .
‘Olá Sra. !’ disse corado e reprimiu um riso que sairia alto demais.
‘Pra onde vão queridos?’ Ela disse olhando especificamente para e .
‘Até a casa do Tom mãe. Assistir ao ensaio do McFLY.’
‘Ah, sim.’ Ela sorriu. ‘Aliás, as meninas comentaram, parabéns pela banda meninos!’
‘Obrigada Sra. !’ e disseram em uníssono.
‘Um dia eu irei em algum show de vocês. , você terminou seu dever de casa?’
‘Sim mãe!’
‘E você ?’
‘Também!’ Ela sorriu.
‘Ótimo, não cheguem muito tarde, hoje vamos jantar com a mãe da , não é meu bem?’ Sra. perguntou olhando para , que assentiu com a cabeça. ‘Podem ir!’ Ela sorriu, mas antes que alguém pudesse se mexer, continuou: ‘E você ...’
‘Sim Sra. ?’ Ele disse meio gelado.
‘Tome conta da minha filha.’ Ela disse simplesmente, mas viu corar e riu um pouco mais alto. ‘Digo, para que não caiam dessa escada...’
‘Ah sim!’ Ele suspirou e os dois continuaram descendo, passando ao lado dela no fim da escada.
‘Tchau mãe!’ disse mandando beijo no ar.
‘Tchau meu amor!’ Ela disse para a filha e piscou pra , que saiu tímido, mas sorridente.

Capítulo 15:

‘Amore eu vou até a biblioteca ver se chegou aquele maldito livro que eu tenho que fazer a resenha!’ dizia rapidamente. ‘Vou em cinco minutos! Quero estar no pátio bem gata para quando os garotos chegarem e começarem a convidar para o baile!’ Ela sorriu e riu.
‘Tsc, tsc... PIRIGUETE!’
‘É tua vó!’ mostrou o dedo do meio rindo alto.
‘Olha o respeito menina!’ a acompanhou na risada.
‘Meu cabelo ficou bom assim?’ Ela mostrava o penteado que fizera inspirado em Jenny Humphrey de Gossip Girl.
‘Está linda perua! Agora vai logo, eu vou pro gramado e te espero lá!’
‘Ok!’
andou devagar pelo colégio ainda um pouco vazio, sem prestar atenção em nada. Avistou sentado embaixo de uma árvore e foi até lá.
‘Bom dia zinho do meu coração!’ Ela sentou-se sorridente e ele forçou um meio sorriso.
‘Bom dia!’
‘Ih, o que houve amore?’ Ela largou os livros de lado preocupada com o amigo.
‘Nada não , desencana.’ Ele sorriu levemente.
‘Você não me engana, pode falar!’
‘É estranho falar disso com você!’ Ele riu baixo.
?’
‘Quem mais seria?’
‘Ah, qual o problema dessa vez?’
‘Ela não fala mais direito comigo depois de ontem. Sei lá, eu não acho que tenha feito nada demais... Fiz?’ perguntou meio triste e sentiu o peito apertar.
‘Também acho que não.’ Disse simplesmente. ‘Ela disse que você nunca havia feito aquilo com ela antes...’
‘Eu faço isso com todo mundo!’ Ele rebateu.
‘Não com ela...’
‘É.’ concordou. ‘Como foi o jantar lá?’
‘Foi bom. Mas posso ser sincera com você?’
‘Claro.’
‘Jura que não conta pra ninguém?’
‘Juro. Fala logo cacete.’ Ele riu.
‘Aquele Vince é UM SACO. Pronto, falei.’ Ela riu. ‘Ele é tipo assim, muito, muito entediante. Você é dez vezes melhor que ele zinho, vai por mim.’ disse e ele ia abrir a boca pra falar, mas ela não deixou. ‘Eu sei que um dia vai dar certo pra você, e não digo pra te agradar, vai por mim. Você deveria aproveitar esse baile, ele não vem e...’
‘Já convidei outra garota.’ disse rapidamente.
‘LOSER!’ quase gritou.
‘Desculpe, mas é que eu achei que ele viesse e não queria ficar pra trás! Mas quer saber? FODA-SE. Eu cansei de correr atrás da . A Emma é linda, cara, linda mesmo. Eu vou me divertir nessa noite do baile, só pra variar um pouco. E se ele vier sozinha o problema É DELA.’
Ele disse um pouco rápido demais e arregalou os olhos de susto, tanto que não conseguiu dizer nada.
‘Desculpa, você não tem nada a ver com isso.’
‘Está tudo bem .’ Ela sorriu.
‘Muda de assunto que a ta chegando.’ Ele riu baixo. ‘Mas, super legal o baile né?’ virou os olhos rindo baixo da situação.
‘Ei amorzinhos, cheguei! meu amor, vai na Biblioteca renovar seu livro antes que a tia mate você!’
‘Puta merda, quase esqueci!’ bateu na testa e levantou. ‘Eu volto logo.’

chegou com Tom em cima da hora e o colégio estava em polvorosa. Algumas meninas gritavam enlouquecidas por terem sido convidadas para o baile. Outras ficavam encostadas na parede tristes por não terem sido notadas até o presente momento. Os garotos, de um modo geral, andavam exibidos pelos corredores. Hoje eles podiam tudo, afinal, qual garota quer ir ao baile sem par?
‘Nossa, ela é realmente muito sortuda!’ Uma um grupo de meninas passou comentando.
‘É verdade, ser convidada para ir ao baile por ninguém menos que Ashton Laurence... Nossa, meu sonho!’ Outra pulava.
‘Pelo jeito vai ficar para a próxima, afinal, NINGUÉM DIZ NÃO A ASHTON LAURENCE.’
‘Nossa!’ Tom arregalou os olhos. ‘Eu quero ser esse cara!’ Ele riu alto.
‘Quem é ele afinal?’ franziu a testa.
‘Capitão do time de futebol...’ Tom fez sinal de vômito e riu.
‘Você fica muito gay quando faz isso!’
‘Ouvi dizer que ela aceitou! Quem não aceitaria?’ Sandy dizia para Alicia.
‘Ela é que fez um bom negócio,aquela vadia!’ Alicia reclamou meio afetada.
‘Essa definitivamente tem sorte.’
arregalou os olhos e perdeu a fala. Era isso que Sandy havia dito. , com TODAS as letras. Tom estava igualmente paralisado e ainda parecia não ter acreditado naquilo.
‘Nem deve ser verdade, dude!’
‘Preciso falar com ela!’
disse simplesmente com raiva no olhar. Andou rapidamente por entre as meninas enlouquecidas, mas o colégio estava cheio demais. Avistou sua garota no canto do refeitório rindo levemente – parecia encantada – com o garoto musculoso em sua frente. Ashton Laurence. Era verdade.
‘Dude, fica calmo, isso não quer dizer nada!’ Tom tentava não acreditar no que via.
‘Claro que tem alguma coisa Tom! Não foi o que disseram? NINGUÉM diz não para esse cara, e parece que a está inclusa nisso!’ Ele andava na direção contrária com as mãos fechadas.
‘A não é ninguém . Eu tenho certeza que tem alguma explicação para isso!’ Fletcher tentava acalmar o amigo, sem muito sucesso.
‘Tom, olha pra mim, agora olha pra ele! É claro que ela vai com ele né? Eu já devia ter me acostumado com isso...’
‘Ela ama você!’
‘Aparentemente não o bastante! Agora me deixa em paz dude, vai arrumar alguma coisa pra fazer!’
disse asperamente e desapareceu entre as pessoas. Tom voltou correndo para o refeitório, mas nem nem Ashton estavam mais lá. Olhou ao redor desesperado, sem saber o que fazer.

‘Ei, !’
avistou a garota andando com duas meninas que ele não conhecia no final do corredor. As três riram de alguma coisa enquanto ele se aproximava, mas antes que chegasse perto o suficiente, as outras duas sumiram na multidão.
!’ sorriu largamente e ele estremeceu um pouco.
‘Tudo bem?’
‘Ótima, e você?’
‘Também...’ Ele disse e dois minutos de silêncio permaneceram entre os dois causando constrangimento para ambas as partes.
‘É, eu acho que a ta me chamando ali e...’ ia desconversando mas foi interrompida.
‘Quer ir ao baile comigo?’ atropelou as palavras e as disse tão rapidamente que ela quase não entendeu.
‘Er... ir ao baile?’ Ela arregalou os olhos.
‘Se você já não tiver companhia...’ disse tímido.
‘Na verdade eu fui convidada mas...’
‘... AH! Eu devia ter imaginado.’ Ele olhou para os pés.
‘Caramba , posso terminar de falar?’ Ela riu baixo e ele a olhou.
‘Como eu ia dizendo, eu fui convidada. Mas não aceitei. Digamos que eu estava esperando um idiota COMO VOCÊ me convidar, eu ficaria muito decepcionada se não viesse...’ Ela sorriu meio corada.
‘Você dispensou outro cara pra ir comigo?’ Ele arregalou os olhos.
‘Dois na verdade, mas não fique se achando...’ Ela riu.
‘Então será uma honra levar a ilustre senhorita ao baile!’ Ele sorriu e beijou a mão de , fazendo reverência. ‘Espero estar a altura!’
‘Sempre esteve!’ Ela piscou e ele sorriu largamente. Aquilo havia saído melhor do que esperava.

chegou junto com a professora de Álgebra para a segunda aula. Não haviam tido a primeira, devido ao grande tumulto que o baile causou nos arredores daquele colégio. Avistou na última carteira da sala, mas não havia nenhum lugar ao lado dele, então sorriu largamente, mas ele olhou pela janela ignorando-a, sem que ela entendesse. Sentou-se rapidamente ao lado de , único lugar vago por ali, e tentou prestar atenção no que a professora dizia.
‘Bom, eu preciso que vocês sentem em duplas e resolvam esta folha de exercícios valendo nota!’ A pequena senhora dizia num tom amigável em frente à lousa enquanto todos reclamavam. ‘Não tem A nem B meus queridos, quem não resolver levará zero, sinto muito.’
!’ falou um pouco alto devido a distância, mas ele não se preocupou em olhar. ‘ !’ Ela repetiu e ele olhou de canto.
‘O que é?’ Disse áspero.
‘Faz comigo?’ Ela sorriu.
‘Já tenho dupla!’ Ele disse indo para o lado de Tom, que tinha uma expressão indecifrável no rosto.
olhou para os pés e sentia os olhos arderem sem entender o porque. Devia haver algo errado. Jogou-se em seu lugar e juntou-se ao lado dela.
‘Acho que precisa de uma dupla...’ Ele sorriu.
‘É.’ Ela disse desanimada, mas ele não pareceu reparar.
‘Ei, eu consegui convidar a !’ disse super animado. ‘Você estava certa, ela aceitou!’
‘Isso é o máximo !’ Ela sorriu verdadeiramente, ainda que sem muita empolgação.
‘Ei, o que foi?’ arqueou a sobrancelha agora reparando nos olhos vermelhos de .
‘Acho que o está bravo comigo... Mas eu nem sei o que eu fiz!’ Ela disse com uma lágrima quase escapando, que segurou.
‘Ei... Não fique assim , não deve ser nada demais!’ Ele sorriu. ‘Eu nem falei com o hoje ainda, então não posso ajudar. Mas tenho certeza que não deve ser nada... Ele deve ter acordado de mau humor, talvez...’
‘Pode ser...Obrigada, .’ deu um meio sorriso.
‘Pode contar comigo sempre gata.’ Ele riu baixo. ‘Sou seu amigo, ok? Não sou o Tom, mas sempre vou ajudar!’
‘Ah, você precisaria de uma covinha pra ser o gordinho...’ riu. ‘Agora vamos fazer logo isso. Eu não sei nada de álgebra, espero que você seja menos pior que eu!’
‘Eu não confiaria tanto nisso!’ gargalhou e os dois iniciaram seus exercícios.
Alguns minutos depois levantou-se como um furacão e entregou a folha completa para a professora, que abriu passagem para que ele saísse para o intervalo. Tom saiu em passos lentos sem dizer uma palavra e virou para o sentido contrário. e se entreolharam e perceberam que também havia percebido algo errado, mas não falaram nada.
‘Alternativa C!’ assinalou e olhou para , que ainda olhava para a porta. ‘Vai lá, boa sorte!’ Disse simplesmente.
‘A professora não vai deixar que eu vá...’
‘A gente terminou!’ Ele sorriu mostrando a folha. ‘Aproveita que não tocou o sinal, vai ser mais fácil encontrar com ele.’
‘Você ajuda mais do que você pensa, .’ sorriu sincera e estalou um beijo na bochecha do garoto, correndo para fora da sala.

andou por todo o andar sem nem sinal de . Seus olhos estavam ardendo novamente – aquela sensação não era nada boa – então desceu correndo as escadas até o refeitório, onde avistou Tom.
‘GORDINHO!’ Ela gritou e ele olhou para trás, enquanto ela corria em sua direção.
‘Eu!’ Ele disse simplesmente, mordendo uma maçã.
‘Você viu o ?’
‘Não.’ Ele mentiu. Não gostava de mentir para , mas o amigo não estava bem o suficiente para vê-la naquela hora.
‘Não mente Thomas Fletcher.’ olhou para os pés com uma lágrima escorrendo e Tom sentiu o coração apertar.
‘Eu realmente não sei, .’
‘Mas que merda Tom!’ Ela quase gritou. ‘Eu não sei o que eu fiz de errado, está bem? Custa você me ajudar? Você nunca mentiu pra mim. Acho que você deveria falar o que pensa para que eu possa resolver as coisas!’ soltou as lágrimas e Fletcher apoiou a maçã na mesa, abraçando-a com força.
‘Não chora, por favor...’ Ele disse com os olhos marejados. ‘Eu não gosto de ver você chorando!’
‘Então me ajuda, porra!’ Ela disse meio engasgando.
‘Só me diz uma coisa... Você vai ao baile com Ashton Laurence?’ Tom foi direto e quase engasgou.
‘QUE?’ Dessa vez gritou. ‘Claro que não, você é louco?’
Tom respirou aliviado e sorriu.
‘Era o que eu precisava saber. está lá perto do Playground... Estão falando por aí que você aceitou ir ao baile com esse cara, eu ficaria muito decepcionado se fosse verdade, por sinal. Mas ele acreditou, vai lá falar com ele!’
‘MAS COMO É QUE É? Ah, não acredito nisso!’ resmungou alto. ‘Eu vou lá falar com ele!’ Ela disse e saiu correndo até aonde ficava o Playground.

!’ gritou vendo o garoto sentado no chão, abraçando os joelhos, vendo duas crianças brincarem no balanço.
‘Eu vou matar o Tom.’ sussurou sem que ela pudesse ouvir.
‘Preciso falar com você!’ Ela disse sentando-se em frente a ele.
‘Uh, sério?’ Ele fez pouco caso. ‘Eu não.’
quer parar de bancar o idiota e ouvir o que eu tenho a dizer?’ disse e ele permaneceu quieto. ‘Isso, ótimo!’
‘Deixa eu adivinhar...Você veio me informar que vai ao baile com aquele bombadinho do Ashton, mas veja bem, a notícia já está atrasada, EU JÁ SEI.’ disse levantando, sendo acompanhado rapidamente por . ‘Quer saber, eu não me importo.’ Ele mentiu.
‘O que?’ disse quase em um sussurro, em acreditar no que estava ouvindo.
‘É isso mesmo , EU NÃO ME IMPORTO.’ Ele gritou e as duas crianças saíram correndo. ‘É claro que você não ia dizer não a ele, não? Ninguém diz não a ele...’
...’ tentava interromper.
‘TUDO BEM !’ Ele fez sinal de positivo. ‘Você pensou que pudesse me fazer de idiota DE NOVO. Ótimo. Mas fique sabendo que eu não vou sozinho a esse baile!’
Ele gesticulava irritado e as lágrimas escorriam pelo rosto da garota em sua frente.
, por favor...’
‘Eu convidei a Ally para o baile!’ Ele disse num grito e saiu em passos largos pelo jardim do colégio.
‘VOCÊ O QUE?’ gritou agora muito irritada.
‘Isso mesmo!’ Ele disse sem virar para trás. ‘Allison Stummer! Ela aceitou ir comigo! Vai ser ótimo, não? Você com seu bombadinho e eu com a minha oxigenada!’
‘Cala a boca ! Você consegue ser mais idiota do que eu pensei!’
disse quase correndo pelo jardim deserto do colégio quando uma garoa fina começava a cair. segurava as mãos nos cabelos e chingava trinta palavrões por segundo sem se importar sobre onde estava. Quando já estava quase a perdendo de vista, correu o mais rápido que pode.
‘Por que eu sou idiota? Só você tem o direito de se divertir’ Ele gritou debochado quando os dois já estavam sob a cobertura que havia em frente às salas de informática.
virou-se bruscamente e encarou o garoto em sua frente. Ele tinha o rosto vermelho e lutava com todas as forças para segurar as lágrimas. Ela, que já nem se preocupava mais com a maquiagem que devia estar manchada, estava quase explodindo de tanta raiva.
‘Você é um idiota porque EU NÃO VOU A BAILE NENHUM.’ Ela gritou.
‘Como é que é?’
‘Ao que tudo indica você realmente se importa com o que dizem por aí, não é? Eu fui sim convidada pelo Ashton para ir ao baile, mas fui retardada o suficiente de negar por SUA causa! Eu queria ir ao baile com você, mas você consegue se superar , sempre!’ Ela gritava e chorava ao mesmo tempo. ‘Agora eu faço questão. Vá ao baile com quantas vadias você quiser, quem não se importa SOU EU!’
sentiu que o peito ia explodir. Nem ele mesmo conseguia acreditar na mancada que havia dado. Segurou no braço da garota antes que ela sumisse dali.
, desculpe, eu achei que...’
‘TIRA A MÃO DE MIM! E pouco me importa o que você achou. Você não confiou em mim , você é ridículo.’ disse sem olhar nos olhos dele, virando para trás.
‘Ah sim, quase me esqueci! Divirta-se no baile meu bem, acho que vou me divertir também. Talvez não seja tarde demais para aceita o convite do Ashton, não?’ Ela debochou. ‘Idiota.’
sumiu entre as pessoas e correu em direção ao banheiro. escorregou pela parede e sentou paralisado. Não conseguia nem chorar, sentia que talvez devesse apanhar de alguém para tomar vergonha na cara. Ele havia estragado tudo DE NOVO. Provavelmente agora não teria volta.

entrou na aula já iniciada da Mrs. Walsh sem pedir licença. Procurava por desesperadamente, mas sua carteira estava vazia, assim como a de Tom. Andou até o fundo da sala e sentou-se ao lado de .
!’
‘Fala, .’ A garota respondeu num sussuro.
‘Cadê a ?’
‘Não sei.’ respondeu baixo. ‘O que você fez pra ela?’
‘Estraguei tudo de novo...’ Ele disse com os olhos marejados.
‘Você é impossível !’ Ela reclamou um tanto alto e a professora olhou para trás. ‘Desculpe Mrs. Walsh!’
‘O que você fez?’ Ela sussurrou.
‘Eu não quero falar sobre isso...’
‘Fala que vai ao banheiro e procura ela lá fora... Ela saiu com o Tom, acho que iam cabular, mas não é muito fácil sair daqui. Anda logo!’ ordenou.
‘Mrs Walsh, posso ir ao banheiro?’
‘Certo , mas volte logo porque teremos atividade!’
‘Sim senhora!’

procurou por cada canto do colégio, mas nada encontrou. Ligava insistente mente para ambos os celulares, mas ninguém atendia. Estava cada vez mais convencido de que os dois tiveram uma ótima desculpa e conseguiram fugir dali. Não teriam pulado a janela, porque a sala era ocupada durante a manhã. Sentou-se no chão, escondido, e ficou esperando o sinal tocar para ir embora. Precisava resolver aquilo de qualquer maneira. Assim que o barulho ensurdecedor do aparelho começou a soar pelo colégio, saiu em disparada pela rua esquecendo as coisas na sala. Foi até a casa de , mas não havia ninguém, assim como na casa de Tom. Andou por alguns lugares conhecidos, sem muito sucesso, então resolveu ir para casa dar um tempo para que aparecessem. A única coisa que se repetia em sua mente era o quanto ele era idiota pelas coisas que havia feito. Estava muito mal, mas não a culpava. Porque tinha que ser tão difícil?

‘Gordinho, eu vou entrar...’ forçou um meio sorriso em frente a sua casa.
‘Tem certeza de que não precisa mais de mim?’ Tom disse preocupado.
‘Tenho! Você já fez demais, obrigada pelo almoço!’
‘Você não comeu nada!’
‘Valeu pela companhia, pelo menos... Preciso ficar um pouco sozinha, ok?’
‘Certo, mas já sabe!’
‘Sei, qualquer coisa eu ligo!’ Ela riu baixo e estalou um beijo na bochecha dele. ‘Te amo Tom Fletcher!’
‘Eu também te amo baixinha!’ Ele riu.
abriu a porta da casa quase correndo quando viu que os dois estavam lá.
‘Ainda bem!’ Ela sorriu. ‘Está melhor amiga? O que aconteceu afinal?’
‘Deixa isso quieto, .’ pediu. ‘Vou entrar.’ Ela disse e os dois assentiram.
...’ Tom sorriu tímido. ‘Com essa confusão toda eu até esqueci do baile!’
‘Não acredito nisso Tom!’ Ela riu. ‘Não deveria ter esquecido!’
‘Eu sei... Mas eu estava muito preocupado com a ... E com o ! Esses dois só me dão trabalho’ Ele riu.
‘Você não existe, Tom!’ riu.
‘Posso fazer uma pergunta bem idiota?’
‘Claro!’
‘Você já foi convidada por alguém, né?’ Tom disse absurdamente corado e gargalhou, achando aquilo absurdamente fofo.
‘Sim.’ Ela sorriu. ‘David Thompson, irmão da Carrie, filho do Sr. Thompson, dono da Storm Rock!’ Ela riu alto e ele ficou cabisbaixo.
‘Ah...’
‘Mas Tom, achei muito fofo você me convidar! Você é muito querido, tenho certeza que deve estar cheio de garotas solitárias esperando um convite! E a garota que for com você será muito sortuda!’ Ela piscou. ‘Agora eu vou entrar antes que meu miojo queime!’
‘Está bem! Te vejo depois, então!’ Fletcher sorriu forçado.
‘Claro!’ estalou um beijo na bochecha dele e entrou.

havia recusado o miojo que havia preparado e as lágrimas haviam dado lugar a raiva. Tinha milhares de coisas para fazer, trabalhos de colégio inclusive, mas não conseguia se concentrar em absolutamente nada. Tinha a sensação de que se visse em sua frente naquela hora e fosse forte suficiente para quebrar a cara dele, era isso que faria. Ligou o computador para digitar um trabalho de literatura e inevitavelmente abriu o Msn. Poucos minutos depois, a janela de subiu mostrando que ele estava online. Pensou em fechar o msn, mas era tarde demais.

I’m Sorry diz:
Hey. Preciso falar com vc pequena.

(não enche, fazendo trabalho) diz:

Qual a parte do “não enche” vc não entendeu ?

‘Não creio nisso!’ reclamava em frente ao computador.

I’m Sorry diz:
Outch! :( Desculpe, mas eu realmente preciso falar com vc.

(não enche, fazendo trabalho) diz:

Eu estou ocupada com o trabalho de literatura. Vc devia fazer o mesmo, dica.

I’m Sorry diz:

Eu não vou conseguir me concentrar em nada se vc não me escutar

(não enche, fazendo trabalho) diz:

Aí o problema já não é meu, queridinho. Vai falar com a Ally, ela deve estar online!

parece estar offline.

‘Merda!’ berrou em frente ao computador.

O telefone tocou insistentemente durante toda aquela tarde. estava sozinha em casa, então não se preocupou em atender. Sabia quem era. A janela do msn pipocou de mensagens offline, mas ela não queria ver. De repente, por cinco minutos, tudo ficou em silêncio. Nenhum sinal no msn. Nada de telefone tocando ou de celular vibrando. Calçou o tênis num pulo e saiu em direção a casa de .
‘Hoje não , hoje não!’ Ela murmurava no caminho.
Menos de dois minutos depois, vindo do lado oposto, chegou até a casa dela. Tocou a campanhia várias vezes, chingou alguns palavrões bem altos e foi para o ensaio na casa de Tom, mesmo sem humor nenhum para isso. Tudo o que ouvira naquele fim de tarde era sobre a idiotice que tinha cometido. Tom estava visivelmente bravo com a atitude do amigo – e ao que parecia, os outros dois também agiam com reprovação. Mas esperava por isso, tinha noção de que merecia isso. E prometeu a si mesmo que iria consertar aquilo, antes que a situação fugisse do controle. Terminaram o ensaio mais cedo e ele foi diretamente até a casa de , com flores em mãos.
‘Oi !’ atendeu a porta encarando as rosas vermelhas.
‘Preciso falar com a !’
‘Ela não está!’ respondeu prontamente.
‘Eu sei que está!’ levantou o tom de voz.
‘Não, ela não está aqui!’ Ela disse fechando a porta atrás de si. ‘E pára de escândalo, , a mãe da está com visitas!’
‘Desculpe...’ Ele murchou. ‘Fala a verdade pra mim, . É claro que eu não vou invadir a casa ou acampar no seu jardim. Eu só preciso saber se ela está aí!’
pensou por alguns segundos fitando o rosto de dor do amigo.
‘Ela está.’ Disse simplesmente. ‘Mas acho que rosas não são suficientes pra consertar seu erro, . Você foi longe demais dessa vez...’ Ela disse desanimada.
‘Eu sei... Mas ela tem que me ouvir!’
‘Mas ela não quer, está bem? , espera um pouco, deixa ela respirar. Não vai adiantar nada vocês se falarem agora, ela ainda está bem brava!’ disse pegando as rosas da mão dele. ‘Agora vai para sua casa, eu entrego isso pra ela. Se tiver algum progresso, eu te aviso.’ Ela piscou.
‘Promete uma coisa?’ pediu olhando para os pés.
‘Depende.’ foi sincera.
‘Dê um jeito dela falar comigo hoje, ou eu não vou conseguir dormir, . Por favor, eu preciso muito que você me ajude!’
‘Ok. Farei o possível.’ Ela sorriu. ‘Tente não aprontar mais, por favor. Está ficando difícil defender você por aqui!’
‘Não vou mais aprontar, obrigado !’ Ele sorriu desanimado e virou a caminho de casa.

Eram quase onze da noite e ainda tentava convencer a conversar com . As flores tinham ido imediatamente para o lixo, sem pensar duas vezes. estava quase pirando com a situação porque não sabia mais o que fazer.
‘Cacete , você fica muito chata brava!’
‘Porque não foi com você!’ murmurou sapeando os canais de TV.
linda do meu coração... faz isso. POR MIM.’ pediu com cara de ursinho e riu sem vontade.
‘Golpe baixo.’
‘Eu não estou pedindo pra você perdoar o . Estou pedindo pra você ligar pra ele e ouvir o que ele tem a dizer... Vai, por favor!’
olhava para em dúvida. Não queria falar com , estava realmente muito brava, mas sabia que se não cedesse, ele nunca iria a deixar em paz. Estendeu a mão e pegou o telefone de , que sorriu vitoriosa.
‘Não é pra sorrir. Eu não estou fazendo isso por ELE.’ disse áspera mas não ligou, e saiu sem fazer barulho.
‘Alô!’ atendeu o telefone desanimado.
‘Cinco minutos.’ disse áspera.
‘Obrigada por me ouvir.’ Ele suspirou aliviado com as mãos geladas.
‘Eu não estou fazendo isso por você. E você tem cinco minutos.’
respirou fundo e tentou rebater a dor que vinha junto com aquelas palavras.
‘Eu sei que isso é ridículo, mas me desculpe.’ Ele suspirou, mas ela nada respondeu.
‘Eu agi por impulso, . Eu estava realmente muito bravo. Quando eu ouvi que você ia com o Ashton, é claro que eu não acreditei. Mas fui te procurar e você estava sorrindo toda encantada com ele no refeitório...’
‘Encantada?’ Ela riu sarcástica. ‘Aquele garoto é uma anta. Mas se você diz...’
‘Enfim, eu não estava com raiva. Eu estava decepcionado, porque tudo parecia verdade, sabe?’ dizia num tom de voz quase inaudível.
‘Você devia ter me perguntado...’ disse no mesmo tom.
‘Eu sei... Você tem razão, eu sou um idiota.’ Ele suspirou em silêncio e involuntáriamente derrubou um lágrima.
‘Ainda bem que concorda.’ Ela disse tentando parecer forte.
‘Então a Ally veio me cumprimentar e eu perdi a cabeça, acabei convidando. Eu NUNCA quis ir ao baile com ela.’
‘Justo a Ally, ?’ dizia com a voz chorosa e já reparava do outro lado da linha. ‘Com qualquer outra garota já seria difícil, mas com ela é pior. Você prometeu...’
‘Eu sei. Me desculpe, mas não foi de propósito. Talvez tenha sido um pouco. Eu sabia que você ficaria brava por me ver com ela...’ Ele assumiu num tom de voz quase choroso.
‘Porque?’ Ela perguntou simplesmente.
‘O que?’
‘Por que tudo isso? Não precisava ser assim, !’ Agora já chorava e isso era altamente perceptível. ‘Estava dando tudo certo, poxa.’
‘Ei, não chore, por favor...’ enxugava as lágrimas que também caiam em seu rosto. ‘Eu sei que eu estraguei tudo, eu tenho sido muito mau para você. Não a culparia se você resolvesse dar o fim em tudo...’
‘Porque, . É só o que eu preciso saber.’ Agora ela soluçava enquanto ficavam em um silêncio longo.
‘Medo de te perder.’ Ele por fim admitiu num sussurro. ‘Você não sabe o quanto é difícil pra mim lidar com essa sensação de perda. Eu vivo achando que no dia seguinte você irá sumir, ou enjoar de mim, e eu sofrerei tudo de novo. Quando eu vi você no pátio com aquele cara, a sensação ficou mais forte do que nunca e...’
‘... Eu não vou a lugar algum, .’ interrompeu.
‘Mas é mais difícil perder você aqui. E ter que encarar você com outro cara, sabendo que devia estar comigo...’ Ele sussurrava muito tímido. ‘Eu sei que eu sou um idiota.’
‘Não é.’ Ela respirou fundo. ‘Eu nunca o trocaria por aquele cara. Ou por nenhum cara. Eu na verdade vivo trocando todos os caras do mundo POR VOCÊ, desde que nos conhecemos, é inevitável...’ Ela limpava as lágrimas num sorriso tímido.
‘É realmente bom ouvir isso...’ sorriu. ‘Mas eu sei o que eu mereço, e como eu disse...’
‘... Não diga, por favor. Eu vou te dar uma nova chance.’ sorriu.
‘Eu estou indo pra aí!’ disse finalmente mais alto e riu.
‘Você está louco? Minha mãe está aqui!’
‘Mas meus pais não estão...’ Ele riu maroto.
‘Ai meu Deus!’ o acompanhou na risada.
‘Bata três vezes quando chegar!’ disse num sorriso largo e desligou o telefone.

desligou o telefone rindo – uma mistura de alívio, por ter acertado as coisas com , felicidade, pelo mesmo motivo e desespero – não fazia a menor idéia de como iria conseguir driblar a mãe para sair aquela hora de casa. Abriu a janela rapidamente e encarou a rua vazia. ‘Propício’, ela pensou. Mas se é para fazer algo, que faça bem feito. Correu até a sala e certificou-se de que sua mãe realmente estava dormindo. estava no banho, então encostou na porta do banheiro e gritou boa noite, como costumava fazer. Correu até o quarto, colocou uma sapatilha e arrumou uns travesseiros embaixo do edredon, rezou um pai nosso meio desesperada e escalou a árvore para pular no gramado. Era baixo, então não teve problemas. Respirou fundo e desceu com calma a rua, até avistar a casa de , que tinha as luzes apagadas. Arrumou os cabelos com as mãos e tocou a campanhia, tomando um pouco de distância da porta.
‘Hey!’
Ele abriu a porta quase de imediato extremamente sorridente e ela sentiu que as pernas não obedeceriam muito fácil. usava uma calça de moletom xadrez meio surrada e uma regata branca, estava descalço e meio descabelado, mas com um perfume estonteante.
‘Achei que não viria mais... Você demorou!’ Ele disse.
‘Tenho que fazer bem feito, não?’ sorriu marota ainda em distância.
‘Não vai entrar?’ soltou uma risada sincera e suspirou.
‘Vou, afinal não se pode confiar nos irrigadores do seu jardim!’ Ela disse e os dois riram.
observou atentamente por alguns segundos. Estava lindo, muito mesmo. Não conseguiu segurar o impulso de correr silenciosamente até ele e pular em seu colo, cruzando as pernas pela cintura do garoto. Apesar de parecer surpreso, o sorriso dele só aumentou, enquanto fechava a porta atrás de si. Nenhum dos dois disse mais uma palavra. encostou com força contra a porta num beijo quente. Suas mãos deslizavam pela cintura e pelas costas dela, por baixo da blusa, enquanto ele tentava não perder o equilíbrio. Ela mantinha as mãos nos cabelos dele, bagunçando-os levemente. Os dois beijavam muito rapidamente e sentia o tempo todo que ia escorregar de costas pela porta lisa e gelada em que estava encostada, mas não parecia se importar com aquilo, a medida em que o beijo ficava cada vez mais rápido e urgente.
‘Você...você é... muito idiota!’ ria ofegante tentando não parar o beijo.
‘É por isso que você me ama!’ riu malicioso enquanto mordia o pescoço dela e andava de costas.
‘Pretencioso!’ Ela riu alto jogando a cabeça para trás.
‘Linda.’ disse puxando-a de volta num beijo rápido.
‘Idiota!’ Ela parecia se render aos beijos no pescoço.
‘Eu te amo.’
disse e os dois caíram para trás no sofá. Ele deu uma risada alta, mas ainda parecia paralisada, com seu corpo sob o dele. Encarava o rosto de a pouca luz vinda da TV, que estava quase muda.
‘Você disse...’ Ela sorriu verdadeiramente e ele assentiu.
‘... Disse que te amo.’ mexia nos cabelos dela enquanto olhava em seus olhos.
‘Verdade?’
‘Claro. É muito mais fácil quando é com você!’ Ele disse simplesmente.
‘Eu também te amo!’
sorriu realizado e virou seu corpo por cima do de suavemente. Ainda sorrindo, segurou o rosto da garota com uma das mãos e beijou lentamente. apenas suspirou alto com o fim do beijo, fazendo com que risse baixinho.
‘Vem cá!’ Ele disse puxando-a pela mão, subindo as escadas com a luz apagada.
‘Eu vou cair !’ riu um pouco alto tentando se equilibrar.
‘Eu não vou deixar você cair.’ O som leve do riso baixo de fez que se arrepiasse involuntariamente.
abriu com facilidade a porta de seu quarto e acendeu um abajur que ficava próximo ao computador. A luz era extremamente fraca, mas pelo menos agora podiam enxergar se estivessem perto um do outro. sorriu por longos segundos sem acreditar que ela realmente estava ali. Puxou-a pela cintura em um beijo suave, mas contados em segundos do relógio, o beijo foi se intensificando quando já estava sentada na mesa do computador, com as pernas ao redor do corpo de . tirou a regata branca o mais rápido que conseguiu para não parar o beijo. riu mentalmente e logo estava no chão caminhando em passos rápidos até a cama. Quando os dois caíram no colchão macio, a garota pode reparar o corpo perfeito que ele tinha – parecia ainda mais bonito com pouca luz. beijava o pescoço de e a respiração de ambos estava alta e ofegante demais enquanto ele tirava a blusa dela com uma das mãos.
‘Er... ...’ tentava falar mas a respiração fazia com que a voz falhasse.
‘Hm’ Ele respondeu sem parar o beijo.
‘Rápido... rápido demais!’
levantou o rosto e parou o beijo, arfando.
‘Desculpe...’ Ele parecia sem graça, mas sorria.
‘É que... Bem, eu nunca fiz isso antes.’
olhou rapidamente para o rosto corado de apoiado em uma das mãos. Ficou em silêncio por um minuto – talvez pensando no que dizer, ou tentando recuperar a respiração – antes de voltar-se para ela com um sorriso tímido, mexendo em seus cabelos.
‘Sério?’ Ele sorriu. ‘Desculpe de novo, acho que eu me empolguei.’
‘Eu também me empolguei.’ riu baixo. ‘Eu definitivamente quero fazer isso com você, mas não acho que esteja preparada agora...’ Disse sincera.
‘Tudo bem, linda.’ sorriu e deu um beijo suave em .
‘Me desculpe...’
‘Ei... Não tem porque se desculpar, pequena. Vamos fazer isso quando você estiver pronta, quando VOCÊ quiser. Vou esperar o tempo que for preciso.’ disse sincero e sorriu largamente. Aquele sorriso literalmente desmontava , fazendo-a sorrir mais ainda.
‘Às vezes eu nem acredito que você existe.’ riu baixo e também. ‘Eu te amo, .’
‘Eu também te amo !’ Ele disse a abraçando, mas ela começou a rir.
‘Cócegas?’ Ele franziu a testa.
‘Não, não. Eu lembro de quando você tinha dificuldade de dizer essas três palavras. Não parece mais um problema para você!’
‘Ah! Dizem que a segunda vez sempre é mais fácil, a terceira mais ainda e assim por diante...’ riu.
‘Eu lembro da primeira vez!’ virou de lado olhando nos olhos de . ‘Foi tão bonitinho!’ Ela vez menção de apertar as bochechas dele e os dois riram.
‘Nossa, eu estava tremendo aquele dia...’ Ele riu. ‘Mas no fim das contas foi bem fácil. Já disse, é fácil quando é com você. Se bem que eu quase tremi pra dizer aquela hora lá embaixo.’ Disse sincero e riu.
‘Você disse que depois da segunda vez fica fácil!’
‘Er... Mas aquela foi a segunda vez!’ corou e arregalou os olhos.
‘Como assim?’
‘Ah ...’ revirou os olhos porque não queria contar, mas não resistiu ao olhar que ela estava fazendo. Olhou para o teto perdido em pensamentos:
‘Bem... A primeira vez que eu disse que te amava foi a primeira de todas, como você já sabe.’ Ele riu sozinho e sorriu. ‘Mas no dia seguinte você foi embora, e eu nunca mais consegui dizer. Eu sempre achei que fosse tipo um trauma, sei lá. Perdi algumas namoradas por causa disso...’ Ele riu e ela corou.
‘Me desculpe...’
‘Não me interrompa!’ fingiu ser autoritário e ela gargalhou. ‘Enfim, mas hoje vejo que é outra coisa...’ Ele virou-se novamente para olhar em seus olhos. ‘Eu acho que nunca consegui dizer pra nenhuma outra garota, porque se dissesse, não seria verdade. Com você é muito simples, porque é realmente o que sinto. Eu poderia até gritar por aí que te amo.’ Ele riu. ‘Faz mais sentido pra mim agora. Eu te amo, e não acho que dizer isso será mais um problema... olha só, eu já repeti isso o que, umas três vezes desde que você chegou?’ perguntou com carinha de urso e simplesmente o puxou num beijo muito suave.
‘Eu devo estar sonhando...’ Ela riu. ‘Mas também não deve ser isso, porque nem nos meus sonhos você diria uma coisa dessas. , você é melhor do que os meus sonhos! Eu te amo, sabia?’
‘Sabia.’ Ele riu. ‘Mas é legal ouvir!’
‘Eu te amo.’
‘Eu também.’

...’
‘Eu...’
‘Estou com fome.’
e riram em conjunto depois de ficarem quase meia hora em silêncio, abraçados, apenas dando espaço para sentirem tudo o que precisavam sentir. Nem aquelas três palavras – nem aquelas – poderiam descrever aquele momento. Nenhum dos dois parecia estar preocupado com o mundo lá fora. Aquele momento seria um daqueles que poderia facilmente durar para sempre.
‘Que tal uma pizza requentada?’ riu fazendo careta.
‘Parece ótimo!’ levantou rápido e puxou pela mão.
Depois de comerem alguns pedaços de pizza com Coca rindo alto e falando besteiras, os dois subiram novamente para o quarto e ficaram deitados, conversando baixinho e trocando alguns beijos. Ninguém lembrou do relógio, mas devia ser tarde, afinal ambos estavam quase dormindo mesmo sem querer.
... Está dormindo?’ perguntou de olhos fechados.
‘Não.’ Ela sorriu cerrando os olhos para vê-lo. ‘O que foi, gatinho?’
‘Promete que vai estar aqui quando eu acordar?’ parecia estar quase sonhando.
suspirou alto e quase sem se mover, estalou um beijo nos lábios dele.
‘Prometo.’
então sorriu sem mostrar os dentes como que em um reflexo, suspirou levemente e depois não disse mais nada.

But when she said she'd give me one more chance (Mas quando ela me disse que me daria mais uma chance)
I said knock three times when you arrive (Eu disse bata três vezes quando chegar)
Baby’s coming back, Baby’s coming back… (Baby está voltando, Baby está voltando)

anotou mais alguns versos da música em um caderno e sorriu, com o violão em mãos. Tinha acordado há algum tempo e a presença de ali, juntamente com tudo o que havia acontecido naquela noite, o inspirava. Olhou mais uma vez para ela, mas dessa vez ela tinha os olhos abertos.
‘Hey!’ Ele deixou o violão de lado e foi até ela, que sentava devagar. ‘Me desculpe, te acordei?’
‘Não...’ Ela sorriu sincera. ‘Eu achei que a música fizesse parte do meu sonho, mas eu não seria tão esperta assim!’ riu baixo e a acompanhou.
‘Fiquei inspirado.’ Ele riu.
‘Percebi! Pelo que eu ouvi essa música vai ficar o máximo! Canta ela pra mim?’
‘Não está pronta...’ sorriu e estalou um selinho na garota.
‘Você sempre diz isso!’ Ela cruzou os braços, emburrada.
‘Ei...’ Ele segurou o riso. ‘Você foi a primeira a ouvir essa parte... Eu quero tocar essa música PARA VOCÊ no baile, mas se você souber a letra antes, não terá tanta graça...’
‘Ah. Mas eu queria e...’
interrompeu com um beijo rápido.
‘Tá, agora eu quero outro desse!’ Ela disse e ambos riram. ‘Há quanto tempo está acordado?’
‘Não sei...’ franziu a testa. ‘Você fica linda dormindo.’
‘Ai meu Deus...’ corou levemente. ‘Você também fica.’
‘Você não me viu dormindo!’
‘Você dormiu primeiro que eu!’ Ela riu.
‘É, faz sentido.’ mexia nos cabelos dela.
‘Que horas são?’
‘Sei lá.’
, vai ver as horas vai...’
‘Ah, tá bom!’ esticou o braço meio a contragosto e pegou o celular. ‘Putz!’
‘O que foi?’ arqueou a sobrancelha.
‘São seis e cinco.’
‘O QUE?’ berrou. ‘AI MEU DEUS, AI MEU DEUS! EU ESTOU FERRADA, AI MEU DEUS!’
corria pelo quarto tentando achar a blusa e os sapatos. teve um acesso de riso, mas assim que ela pareceu realmente irritada e preocupada, ele se conteve e ajudou.
‘Fique calma, eu vou te levar!’
‘Não precisa, você tem que se arrumar!’
‘Te deixo na outra esquina, de carro. Anda, vem logo!’ Ele a puxou pela mão.
Quando estacionou o carro na outra rua, estava desesperada para descer. Tinha ficado tempo demais, provavelmente havia sido descoberta. Estava em pânico, com as mãos geladas. segurou a mão dela rapidamente e puxou-a para um beijo na testa.
‘Está tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu te vejo daqui a pouco.’
‘Obrigada, gatinho.’
‘Porque?’
‘Por ser assim.’ Ela sorriu abrindo a porta. ‘Eu te amo, tá? Torça por mim!’
sorriu largamente quando a porta bateu.
‘Também te amo, linda.’ Ele disse, mas não tinha certeza de que ela havia escutado, pois já estava correndo.

viu a luz da cozinha acesa e quase teve um ataque. Tentou respirar normalmente ao escalar a árvore muito rapidamente – nunca teria conseguido fazer aquilo se não estivesse desesperada – estava se sentindo um macaco, e pensando assim ria de nervoso. Afastou mais a janela que estava entreaberta e pulou para dentro. Quando colocou os dois pés no chão, a porta abriu e a luz acendeu.
‘Puta que pariu, você é louca ?’ tentava gritar num sussuro e quase teve um ataque do coração.
‘Ainda bem que é você!’
‘Você tá louca? Onde você tava?’ estava prestes a responder quando ela continuou falando. ‘Eu acordei umas quatro vezes pra ver se você estava aqui, tive que trancar o banheiro por fora com o chuveiro ligado pra sua mãe pensar que você estava lá, ela saiu tem cinco minutos!’
‘Mas o carro dela...’
‘... Ela foi sem carro hoje.’
‘Me desculpe, . Eu não queria causar nenhum problema.’ disse sincera.
‘Você teria criado um problema para você mesma.’ Ela disse séria.
‘Me desculpe, sério.’
revirou os olhos e cruzou os braços, como quem considerava a possibilidade de perdoar – ou não – a amiga.
‘Não faça mais isso.’ Ela disse e assentiu. ‘Ou faça, mas faça direito.’ reprimiu o riso. ‘Agora fala logo perua, quero o relatório completo!’
‘Você é foda!’ riu alto e a acompanhou.
‘Foda é você meu bem, eu sou o orgasmo! Falando em orgasmo...’
sua pervertida!’ gargalhou muito alto.
‘Ah, para de ser chata e me conta logo tudo!’

Quando chegou ao colégio, uma das primeiras coisas que avistou foi em um banco do pátio, rindo com e . Suspirou aliviado e foi andando até eles.
‘Bom dia!’
‘Só se for pra você!’ retrucou e franziu a testa. ‘Você não podia se controlar mais dois dias, dude? Eu perdi minha aposta!’ parecia indignado e as meninas riam descontroladamente.
‘Não fui eu quem contei!’ levantou as mãos.
‘Tudo bem.’ riu. ‘Vem cá, deixa eu falar com você!’ Ele disse a puxando pela mão enquanto e faziam algumas palhaçadas por causa disso.
‘E aí, deu tudo certo, né?’
‘Aham. A ajudou E MUITO.’ Ela riu baixo.
‘Eu quero te beijar, pode?’ fazia cara de pidão e olhava o pátio em volta.
‘Aqui não, ...’ sorria mas sentia um arrepio na espinha.
‘Te vejo em cinco minutos atrás do prédio das crianças?’
‘Parece justo, me espere lá.’
riu baixo e sorriu abobalhada vendo quase correr entre as poucas pessoas que já estavam no colégio.

Aquela quinta feira passou rápido. Após o colégio, os garotos foram ensaiar para o show que teriam no Storm Rock Bar no dia seguinte. As garotas tiraram a tarde para saírem em busca dos vestidos que usariam no baile. , e fizeram também levar um, porque pretendiam de qualquer forma arrastá-la para a festa, mesmo que ela não quisesse. À noite, foi até a casa de para um suposto trabalho em dupla – ambos tinham certeza de que a mãe dela não havia acreditado nisso - e ele acabou jantando por lá e assistindo seriados com e . Antes de ir embora, desejou que tivesse sorte com Nathan, mas não resistiu em voltar no dia seguinte, antes de ir para a escola, só para dar um beijo nela. As aulas ficaram meio vazias, pelo menos para ele. Era estranho não tê-la algumas carteiras à frente. O dia passou devagar, ensaio geral e o show da Storm. conseguiu falar com os garotos alguns minutos antes de entrarem ao palco, mas não havia falado com Nathan ainda. Desejou a todos boa sorte e depois recebeu um SMS de dizendo que estavam arrasando. No sábado pela manhã finalmente conseguiu dizer o que pretendia para Nathan, que reagiu melhor do que o esperado. Aparentemente Nate já estava pensando em fazer isso, mas não pelos mesmos motivos. Ele achava que a distância atrapalhava os dois. perguntou a si mesma se ele realmente era perfeito, afinal, até numa hora dessas conseguia agir como um gentleman. Isso pouco importava, não era aquele cara que ela queria. Entrou animadíssima no carro do pai no horário combinado e a viagem de algumas horas teve início. A ansiedade era maior por conta da festa que estava por vir.

‘Puta merda!’ O pai de reclamou alto fazendo-a dar um pulo. Estava cochilando.
‘O que foi pai?’
Quando olhou para frente percebeu que havia um caminhão tombado em meio a estrada. A ÚNICA estrada, diga-se de passagem. Um desespero fora do normal tomou conta dela em questão de segundos. Faltavam duas horas para o baile, e pelo ritmo que as coisas andavam, não chegaria a tempo. Pegou o celular para ligar para , mas seu pai a impediu, dizendo que era melhor esperar um pouco antes de desesperar os amigos. Exatos vinte minutos depois, ela pegou o celular e discou sem olhar para o teclado.

O celular chamado está desligado ou encontra-se fora da área de cobertura.

‘Merda! Merda!’
, para com isso!’
‘Eu vou perder o baile pai!’
‘Fique calma, já estamos andando!’
‘A 5km por hora!’ Ela bufou.
‘Ficar nervosa não vai fazer o trânsito andar!’
Depois de tentar ligar para pelo menos umas mil e tantas vezes, entrou em desespero e começou a tentar outros celulares, mas ninguém parecia querer atender.

tocou a campainha da casa de com as mãos geladas. Estava ansioso por uma série de motivos: Primeiro porque ela devia estar linda e ele queria muito ver isso, segundo porque o pai dela estaria lá e terceiro porque iriam tocar, não necessariamente nessa mesma ordem. A mãe de demorou um pouco para atender, mas apareceu.
! Nossa, como você está bonito!’
Ela disse, olhando para o garoto que vestia um terno preto, camisa branca por fora da calça, uma gravata vermelha e All Star. Não era normal para ela os garotos se vestirem assim para festas, mas estava se acostumando. deu um sorriso sincero.
‘Obrigado Sra. ! A já está pronta?’ Ele perguntou animado.
‘Er... Entre querido! Sente-se aqui um pouquinho!’
‘Hm, vejo que ainda não!’ Ele riu.
‘Na verdade a ainda não chegou meu bem!’ Ela disse desanimada quando desceu as escadas.
! Caraca, você ta gatão!’ Ela riu e sorriu preocupado. ‘Relaxa, ela já deve estar quase chegando! Deve ter pego trânsito e tal...’
‘Tudo bem, eu espero!’ sorriu. ‘Mas uau, você está linda!’
‘Sério mesmo?’ deu um giro meio desconfiada.
Ela estava usando um vestido de alças finas meio rodado até um pouco acima dos joelhos, azul marinho. Tinha feito um coque no cabelo e enfeitado com uma borboleta de strass.
‘Juro! Linda mesmo, aquele cara lá tem sorte!’
‘Aquele cara lá chama-se David Thompson, e ele está atrasado, por sinal...’ Ela murchou.
‘Ah, então senta aí que a gente vai passando o tempo!’ riu e sorriu, sentando-se ao lado dele.

‘Eu liguei tem dois minutos !’ dizia enquanto ele andava impacientemente de um lado para o outro na sala.
‘Eu sei, mas liga de novo!’
ia discar quando o telefone começou a tocar em sua mão.
‘Deve ser ela!’ disse rapidamente.
‘Alô!’ antendeu.
‘Hey ! É o !’
‘Ah, oi ...’ Ela disse e murchou.
‘O tá aí? Eu ligo no celular dele e nada!’
‘Tá sim, ele esqueceu o celular em casa!’
‘Manda ele vir logo, tipo, AGORA. Daqui a pouco é a hora do show!’
‘Certo, até daqui a pouco , beijo!’
‘O que foi?’
‘Você precisa ir pro baile... Precisam de você, está quase na hora do show!’
‘Mas... E a ?’ Ele disse jogando o arranjo de flores para o lado.
‘Eu vou deixar um bilhete para ela! O David não aparece e eu não tenho muita certeza se combinei com ele lá, então eu vou com você!’
‘Okay!’ desanimou.
‘Relaxa, . Vai dar tudo certo!’

‘PAAAAI MEU CELULAR TÁ FORA DE ÁREA PAI, AI MEU DEUS!’
berrava fazendo com que o pai corresse na estrada. Já haviam se livrado do congestionamento, mas ainda estavam longe da cidade e ela estava desesperada.
‘Pára de gritar ! Estou fazendo o máximo que dá aqui!’
‘O máximo que dá ta ali!’ Ela apontava para a potência máxima do carro.
‘Se você não quiser parar a sete palmos do chão, pare de gritar na minha orelha!’
sentia os olhos marejarem e o rosto formigar em uma mistura de raiva e tristeza. Viu que o celular retomava seu sinal e tentou ligar em casa.
‘Alô, mãe?’
‘Onde você tá minha filha? Quer me matar do coração?’
‘Ai mãe, tá tudo errado!’ chorava. ‘O tá aí?’
‘Não filha, ele saiu com a tem uns quinze minutos. A banda já ia tocar e...’
‘AAAAH, AAAAAAAH!’ berrava e chorava. ‘Não acredito, eu vou perder!’
‘Fique calma meu anjo, o que está havendo?’
‘Nada mãe, tchau!’ Ela desligou irritada.
‘Isso é jeito de falar com sua mãe?’ O Sr. perguntou alarmado, mas fingiu não ouvir enquanto discava outro número.
?’ A voz saía chorosa.
‘O que aconteceu ?’ arregalou os olhos do outro lado da linha.
‘Eu estou fora da cidade, ainda! O foi embora pro baile, eles já devem estar tocando, tá tudo errado, me ajuda!’
ficou em silêncio por um minuto e concluiu.
‘Fica calma amiga! Não chora se não eu choro!’ Ela dizia. ‘Você está pronta pro baile já?’
‘Não, eu achei que fosse chegar bem antes, pra me arrumar em casa!’
‘Está bem! Eu vou colocar o meu vestido correndo, pego o meu carro, busco o seu na sua casa e trago pra cá. Minha casa é mais perto do colégio. Você vem direto aqui, eu te arrumo em cinco minutos e a gente corre pra lá! Quanto tempo você acha que vai demorar pra chegar?
‘Uma meia hora!’ tentava conter as lágrimas.
‘Vai dar tempo, eu prometo! Agora fica calma, a gente vai conseguir!’
‘Certo! Obrigada amiga, não sei o que faria sem você! Te amo!’
‘Eu também te amo, . Mas deixa eu desligar, beijo!’
importunou tanto o pai que eles conseguiram reduzir em dez minutos o tempo estimado pra chegar à cidade. Como o combinado, foi direto para a casa de , que já estava pronta esperando.

O McFLY já tocava e procurava com o olhar. Esperava que ela fosse chegar a qualquer instante, mas estava perdendo as esperanças, a medida que mais uma música era iniciada. Olhava para e na fileira da frente para ver se ela não havia se juntado a elas, como ele esperava que fizesse. Com o fim de I wanna Hold you, Tom olhou para e sentiu o desespero do amigo, mas não tinham mais para onde correr. Era hora da música nova, e não estava ali.
‘Vocês estão se divertindo?’ Tom gritou e sorriu ao ver um mar de pessoas gritando. ‘Ótimo, nós também! Bem, está na hora da nossa nova música, Baby’s Coming Back!’
Ele disse enquanto algumas garotas gritavam muito alto em sua frente. deu uma última olhada no salão, mas não viu ninguém, então teve que começar do mesmo jeito.

I knew that when I saw her (Eu sabia quando a vi)
That my life would soon move over from the fast lane (Que minha vida logo ia deixar de ser fácil)
Gone would be the days of all my drinking and my carrying on (Se vão todos os meus dias de bebedeiras e farras)
But when I settled down (Mas quando eu me acalmei)
The party king uncrowned (O rei da festa perdeu a coroa)
That stubborn memory hadn’t faded ( Essa memória teimosa não tinha desaparecido)
Too many dumb mistakes (Muitos erros bobos)
And all the grief it makes (E toda a tristeza que isso causa)
Left nothing else to be debated (Não deixou nada mais a ser debatido)

And if you say that you understand, than you’re lying (E se você disser que entende, então está mentindo)
But if you figured that I’m all right now I can’t deny it (Mas se você descobrir que eu estou bem agora não posso negar)

Baby’s coming back, Baby’s coming back (Baby está voltando, baby está voltando)

A medida que ia cantando a música e percebendo o quanto aquelas palavras significavam para ele, ia ficando mais triste, o que acabava sendo aparente para seus amigos. Quando estava quase nos últimos versos da música, seu pescoço virou-se quase involuntariamente até a porta do salão – havia feito isso tantas vezes naquela noite que mal percebia – foi quando avistou , e depois, em fração de segundos, aquela que fez seu coração quase pular pela boca. estava linda. Os cabelos soltos, o vestido tomara que caia rodado na altura dos joelhos, lilás, definitivamente, ou pelo menos para ele, a garota mais bonita daquele lugar. Tom acompanhou o olhar do amigo e sorriu contente.

Baby’s coming back (Baby está voltando)
So I’m on my best behavior (Então eu estou me comportando da melhor forma)
I can’t take it anymore (Eu não aguento mais)
I just woke up on the floor today (Eu simplesmente acordei no chão hoje)
Yeah, Yeah.

Baby’s coming back my darling (Baby está voltando minha querida)
Baby’s coming back this evening (Baby está voltando essa noite)
I’ve long run all of my last chances but she’s on her way (Eu já gastei todas as minhas últimas chances mas elas está voltando)

sorria admirada para o que ouvia, para a banda, ou só porque estava absurdamente lindo. Assim que o show terminou, ela e caminharam até onde estava com .
‘Perua, o que aconteceu? E Perua 2, você veio!’ ria.
‘Trânsito. Caminhão tombado. Não quero falar disso.’ respondeu.
‘Eu vim ajudar essa aqui...’ sorriu.
‘Ainda bem que você chegou, achei que o fosse surtar naquele palco sem você aqui...’ disse sorridente.
‘Não consegui ouvir a música inteira...’ murchou.
‘Relaxa amiga, depois ele canta no seu ouvidinho!’ disse e as quatro riram.
‘E você com o , hem?’ perguntou.
‘Ele está lindo, não está?’ suspirava e sacaneava a amiga. ‘Ele foi me buscar todo bonitão, perfumado. Ele está extremamente perfeito essa noite!’
‘Uau, que delícia! Já rolou alguma coisa?’ sorriu.
‘Erm... Um beijo de boa sorte!’ corou. ‘Mas nada demais. Nada perto do que eu espero pra essa noite!’ Ela gargalhou.
‘Eu só tenho amigas pervertidas, meu deus!’ riu.
‘Cadê o David, ?’ perguntou e fez um sinal meio estranho, como quem reprovava a pergunta.
‘Aquele VEADO não apareceu. Algum problema familiar, mas aposto que ele arrumou alguma vadiazinha e...’
‘Quanto ódio no coração!’
ouviu a voz de atrás de si e mostrou o dedo do meio. Ele riu alto e só quando já estava quase no meio da roda reparou que estava acompanhado. Emma Brown era uma garota bonita. Não era das mais populares, mas fazia um certo sucesso. Era baixinha e tinha a estrutura pequena, cabelos lisos, longos e de um preto surreal faziam contraste com a pele branca. Os olhos também muito escuros faziam qualquer um lembrar da branca de neve.
‘Ah, essa é a Emma!’ apresentou enquanto ele mesmo cumprimentava as amigas.
‘Oi.’ A garota disse tímida.
Quando foi cumprimentar , ela fechou a cara e literalmente saiu andando por entre as pessoas, muito rapidamente. Todas se olharam sem graça quando soltou a mão de Emma para ir atrás dela.
‘Emma, não é? Lindo vestido...’ tentava disfarçar.
‘Obrigada!’
‘Hey gata mais gata da noite, fala se eu não fui o gato mais gato do palco?’ chegou rebolando e todas riram.
‘Discordo!’ intrometeu.
‘Você fique quieta!’ Ele levantou o dedo e gargalhou.
‘É, tava dando pro gasto!’ Ela desdenhou e dele franziu a testa. ‘Você vai ficar mais gato se me levar pro meio da pista, eu adoro essa música!’ Ela sorriu.
‘Eu posso fazer esse esforço!’ riu e os dois saíram.
‘Uh, a é poderosa!’ riu. ‘Quero ser que nem ela um dia!’
Tom e se livraram de algumas garotas que queriam autógrafos e conseguiram chegar aonde queriam. Fletcher deu um beijinho na testa de .
‘Está linda!’
‘Você está muito gato, meu gordinho-covudinho preferido!’ Ela riu e ele fez careta, passando para falar com Emma e . chegou e os olhos de brilharam.
‘Definitivamente lindo!’
‘Definitivamente PERFEITA!’ Ele sorriu.
‘Me desculpe, amor. Tinha um caminhão tombado e...’
‘Shhh.’ colocou o dedo de leve nos lábios dela para que ela se calasse. ‘Está tudo bem agora, eu só quero aproveitar o resto da festa com você!’ Ele sorriu.
‘Me desculpe por não ter visto o show todo, .’
‘Não tem problema.’ Ele suspirou. ‘Eu só queria que você tivesse escutado a nova música inteira. Mas tudo bem.’
sentiu os olhos encherem de lágrimas.
‘Me desculpe, por favor!’
, por favor digo eu!’ riu baixinho. ‘Isso não é motivo para brigar, pra desculpar, nada. Passou. Você está linda, sabia?’ Ele sorriu largamente passando uma das mãos em seu rosto, enquanto a segurava pela cintura. ‘Será que eu posso ter a honra de dançar com a garota mais bonita desse lugar agora?’
‘Eu te amo. Não vou cansar de dizer isso.’ sorriu e hesitou em beijá-la. ‘Ei... agora pode!’ Ela riu.
sorriu grandiosamente e a beijou delicadamente enquanto tocava Iris, do Goo Goo Dolls. Abriram os olhos e sorriram em conjunto, indo para o meio da pista.

, você bebeu?’ a pegou pelo braço com um pouco de força a virando para frente. Ela tinha os olhos vermelhos.
‘Ainda não.’ Ela disse simplesmente. ‘Agora me larga, . Me deixa em paz.’
‘Não!’ Ele puxou novamente. ‘Você vai ter que explicar o que está acontecendo!’
‘Não está acontecendo nada!’ Ela revirou os olhos. ‘Agora corre, corre antes que sua Branca de Neve arrume outro anão!’ Ela disse como se fosse uma ofensa. (n/a: essa parte fica engraçada se for com o Dougie . Hahaha)
‘Você... Você está com CÍUMES!’ riu meio torto e ela soltou o braço.
‘HÁ-HÁ-HÁ! Bem que você queria, não é? Se enxerga, . Eu tenho um namorado que é realmente perfeito, então por favor arrume algo pra fazer!’
‘Tão perfeito que não está aqui com você.’ Ele provocou. ‘Realmente uma pena. Porque eu estava, mas você nunca pareceu perceber. Agora eu já não posso fazer mais nada.’
disse sério e caminhou até onde Emma estava. correu para o banheiro com as mãos no rosto chorando. Ele não olhou para trás.

‘Ei, posso saber o que está fazendo escondida aqui?’ Tom sentou-se ao lado de ao lado do palco.
‘Vendo a festa...’ Ela disse cabisbaixa.
‘Você não é do tipo que VÊ a festa, . Você deveria estar lá no meio, dançando...’
‘Não estou com vontade, Tom.’
‘Na verdade, nem eu.’ Ele sorriu. ‘Posso ficar aqui emburrado com você? Eu juro que não falo nada.’ Ele sorriu mostrando a covinha e ela riu baixo.
‘Porque você estaria emburrado?’
‘Primeiro porque eu vim desacompanhado para a festa, mas isso não me incomoda.’ Ele riu. ‘Segundo porque você está emburrada. Isso me deixa emburrado.’
sorriu verdadeiramente e Tom a acompanhou. Pela primeira vez reparara o quanto o garoto era bonito. Não, ela não era cega, sempre o achou lindo, mas isso nunca pareceu a perturbar. A simpatia dele ultrapassava qualquer beleza que tivesse, e era isso que ela sempre vira.
‘Então, eu posso ficar aqui com você?’
‘Na verdade, não.’ disse e ele murchou. ‘Eu acho que você me animou.’ Ela sorriu. ‘Se não se importar, eu quero que você seja meu par essa noite. Está muito tarde pra convidar?’ Ela corou e ele sorriu.
‘Nunca é tarde pra convidar!’ Ele pegou um enfeite de flor do bolso e colocou no pulso dela, como os garotos costumam fazer nesses bailes.
‘Você tinha um...’
‘É sempre bom estar prevenido!’ Ele riu, ajudando-a a levantar e dando um beijo na mão dela. ‘Venha meu novo par! Se eu pisar no seu pé, não diga que eu não avisei!’ Tom disse e os dois riram alto.

e estavam dançando quando chegou com Tom quase ao lado deles. olhou para Fletcher e sorriu largamente, e ele fez o mesmo, com uma piscadinha. Quando voltou o olhar por cima do ombro de , viu que Ally estava observando os dois, com Ewan Maverick ao lado.
‘Você falou com a Ally?’ Ela perguntou subitamente e olhou para trás.
‘Falei. Ela ficou brava.’ Ele riu. ‘Mas o que eu posso fazer, não é? Pelo jeito ela já até arrumou um par...’
‘Ela não parece muito feliz com ele.’ riu involuntariamente.
‘Mas eu estou feliz com o meu novo par!’ Ele disse maroto e mordeu a bochecha dele.
‘Eu mais ainda!’

havia saído com Tom para buscar bebidas para as garotas. se aproximara com e arrastou para o banheiro. estava indo junto, quando viu no outro bar com três garotos, rindo absurdamente alto e com um copo em mãos. Mudou de rumo e foi vê-la. Tinha certeza que não estava bem por causa de .
!’ aproximou-se. ‘Estava te procurando!’
‘Estava é? Achei que você estava dançando ali com o !’ riu alto e percebeu o quanto ela estava bêbada.
‘O que é isso?’ Ela pegou o copo da mão da amiga.
‘Toma um gole, é bom! É coca com alguma coisa alcoólica!’ parecia ter dificuldade de parar em cima das próprias pernas. ‘Ah, quase esqueci!’ Ela estapeou a própria testa. ‘ , esses são Nick, Paul e Jason!’
‘Olá, gata!’ Os três disseram em uníssono.
‘Oi!’ sorriu amarelo. ‘ , acho que você bebeu demais!’
‘Ah, me dá isso aqui!’ pegou o copo de volta. ‘Sabe, os três aqui estão na faculdade! São HOMENS, não PIRRALHOS!’ berrava com esperança de que “alguém” ouvisse do outro lado do salão.
‘Onde você arrumou isso?’
‘No bar!’
pegou o copo grande da mão da amiga e tomou o que seria o último gole.
‘Ótimo, agora acabou pra você!’
‘Chata, chata, chata!’
‘Vem logo !’
‘Eu não vou não, vai você! Vou ficar aqui batendo papo com os homens!’ Ela riu e os três também.
olhou para os três garotos bonitos e bem arrumados em sua frente e perguntou para o mais baixo deles – um garoto moreno dos olhos verdes, bem bonito.
‘Há quanto tempo ela está aqui com vocês?’
‘Não muito, ela chegou bêbada aqui. Acho que tomou um pé na bunda do garoto ali...’ Ele apontou.
‘Sei bem como é.’ suspirou. ‘ , eu já volto. Vou chamar as meninas rapidinho.’

andou pelo meio da multidão em direção ao banheiro feminino. Quando chegou lá não viu nenhuma das amigas então saiu cortando a pista bem pelo centro dela, na esperança de chegar no bar oposto, mas estava muito cheio. Quando parou exatamente sobre o globo de luz, sentiu uma leve tontura pelas luzes, a fumaça e talvez pela bebida. Nunca fora derrubada tão fácil, mas o estômago estava revirando. Olhou imediatamente para aonde estava e viu que ela estava quase caindo no ombro do garoto mais alto, que a arrastava. Então teve um estalo. Tentou correr em direção a eles, mas as pessoas atrapalhavam o caminho. Quando os três estavam se movimentando, ela chegou perto.
‘O que diabos vocês colocaram nessa bebida?’ Ela berrou. ‘Amiga, vem comigo!’ Ela puxou pela mão mas ela estava quase desmaiada.
‘Ela não vai pra lugar algum!’ O garoto mais alto e loiro voltou a segurá-la. ‘Quer dizer, ela vai com a gente!’
‘Vocês são loucos!’ berrava mas o garoto que até então não havia se manifestado segurou a boca dela.
‘A gente não pode largar a vadia aqui, ela vai entregar a gente.’ Ele disse para o mais alto.
‘Ela vem também então. Mas anda logo antes que o namorado dela veja!’
, num impulso, mordeu a mão do homem e tentou correr, mas estava levemente tonta e ele a impediu novamente.
‘Pense bem gatinha, pra que correr? Não vai adiantar nada. Eu acho justo você nos acompanhar, afinal sua amiga vem conosco, não é?’ Ele dizia calmamente e sentia uma lágrima escorrer pelo rosto.
‘Não chore, gatinha. A gente só vai passear. Agora anda do meu lado como se nada tivesse acontecido!’
olhou para quase desacordada, olhou em volta e não viu ninguém. O homem baixo a puxou pela mão para fora do salão em direção ao Audi preto que estava estacionado quase em frente à porta do salão. O loiro assumiu a direção e o mais forte deles foi entre e no banco de trás. O moreno dos olhos verdes foi no banco de carona. , em situação de total desespero, assim que o carro começara a andar, forçou a maçaneta da porta para abri-la, mas estava travada e os três riram.
‘E você acha mesmo que iríamos deixar destravado?’ O moreno dos olhos verdes disse. ‘Tão bonitinha, mas tão bobinha!’ Ele completou e os outros gargalharam.
‘Se prepara lindinha, essa noite PROMETE!’ O loiro disse antes de acelerar o carro ao máximo até que perdessem o colégio de vista.

Capítulo 16:

[Importante: Esse capítulo será narrado por você e por seu McGuy favorito intercaladamente, okay? Mas fiquem atentas, o narrador só muda quando esse sinal aparece: ---//--- ]

, acorda! VOCÊ PRECISA FICAR ACORDADA!’ Eu gritei sem muito sucesso dentro do carro, jogando meu corpo por cima do grandalhão. Ela estava perdendo a consciência, isso era evidente. O som estava alto – não absurdamente, não creio que eles quisessem chamar tanta atenção assim – e os vidros isulfilmados, completamente fechados. O grandalhão que ao que parecia atendia pelo nome de Paul me empurrou para o lado com um olhar estranho e murmurou coisas que eu não consegui entender.
‘Ela está passando mal, seu idiota!’ Eu disse a ele, fazendo-o rir.
‘E o que EU tenho a ver com isso?’ Paul disse simplesmente.
Quando eu estava prestes a responder vi ficando verde. Nick olhou rapidamente pelo retrovisor e baixou o vidro da janela ao lado dela até a metade, com um olhar de reprovação. Paul me pegou facilmente pelos braços e trocou de lugar comigo, quando viu o que estava prestes a vir. Eles sabiam que eu não teria a menor chance de fugir por ali, então esperaram, com olhares atentos, enquanto colocava a metade do que havia consumido naquela noite para fora. Eu não estava ajudando muito – minhas mãos estavam trêmulas e os olhos marejados, eu mal podia enchergar o que estava fazendo.
‘Amiga, respira. Você precisa ficar bem. Eu PRECISO que você fique consciente. ’ Repeti com a voz fraca, segurando-a pelo rosto.
‘Me... Me desculpe, .’ sussurou e eu pude ver uma lágrima escorrendo de um de seus olhos.
‘Está tudo bem. Nós vamos ficar bem.’ Menti. Não achava que sairíamos dali fácil. ‘Ela precisa de água!’
‘Ela pode esperar!’ Jason respondeu prontamente.
‘Não, ela não pode. Tem que ser AGORA.’
‘Eu não vou parar o carro só porque você quer, lindinha.’ Nick respondeu com uma calma anormal e aquilo retorceu meu estômago. ‘Agora pára de reclamar, eu não quero ter que mandar meu amigo Paul aí atrás calar você a força...’

---//---

‘Ela não está no banheiro, que estranho...’ disse chegando perto de mim e só então percebi que ela e estavam de mãos dadas. Sorri e ela corou.
‘A também sumiu!’ Tom disse um pouco afobado e eu senti um nó na garganta.
‘Como é?’ Perguntei.
‘Sei lá, eu girei essa pista toda e não vi nenhuma das duas...’ Tom parecia preocupado.
‘A estava bêbada!’ acrescentou rapidamente. ‘Talvez a tenha ido com ela pra casa...’
‘Ela me avisaria...’ Eu disse, quando o nó pareceu aumentar.
‘Fique calmo, . Elas devem estar por aqui, relaxa.’ disse e eu sorri forçado.
‘Já sei, vou até o palco chamá-las no microfone!’
Saí correndo, ainda com nossas bebidas, até o palco. ‘Hey galera!’ interrompi a música e todos me olharam. ‘Não, isso não é outro show do McFLY...’ – algumas meninas soltaram um “AAAAAH” coletivo e eu ri. Ally me olhou do outro bar. - ‘Eu só vim aqui porque perdi duas pessoas... e , estou esperando vocês aqui do lado do palco, ok? É só isso, boa festa pra vocês!’
Cinco minutos se passaram e nenhuma das duas apareceu. Eu andava de um lado para o outro impaciente, estava com uma sensação péssima de que algo poderia ter acontecido. Tom parecia compartilhar do mesmo sentimento, pois estava pálido. Foi quando eu vi murmurar alguns palavrões muito baixos e olhei para trás.
, posso falar com você?’ Ally perguntou sem sorrir. ainda me olhava com aquele olhar de reprovação.
‘Me desculpe, Ally. Acho que agora não dá e...’ Eu ia dizendo quando ela me interrompeu.
‘É sério. Eu acho que sei onde a está.’ Ally disse e meu coração acelerou. Ela não sorria. Havia algo muito errado ali.
‘Fala, o que houve?’ Eu atropelei as palavras e todos já estavam em nossa volta. chegou ali, e parecia perdido com a situação. Acho que estava do lado de fora da festa com Emma.
‘O que está acontecendo?’ perguntou.
‘Cala a boca .’ disse olhando para Ally e franziu a testa. ‘Fala logo loira, onde elas estão?’
‘Er... Eu prefiro falar só com o .’ Ally disse e gritou.
‘Mas é uma vadia mesmo!’
, fica quieta caralho!’ Gritei com ela sem querer e puxei Ally mais para o canto, enquanto todos ainda olhavam esperando por respostas. ‘Fala logo!’
‘A estava bêbada...’
‘... Eu sei. Pula essa parte.’ Interrompi sem querer. ‘Desculpe, continue.’
‘Bom, ela estava de papo com uns caras. Eles não são daqui, são da faculdade. Alicia os conhece bem, eles não são nada legais, . Estou te avisando isso porque realmente fiquei preocupada quando Sandy me disse que elas tinham saído com eles e que não parecia bem. Você vai ter que correr se quiser salvar sua namorada.’ Ela disse mais alto e arregalou os olhos perto de nós. Tive quase certeza que ele ouvira tudo.
‘Mas espera... Você está me dizendo isso, mas você odeia a ...’
‘... Eu não odeio a . Eu gosto de você, é diferente. Mas não vou deixar que ela se ferre por ser sua namorada.’
Senti minhas pernas tremerem e meus joelhos literalmente cederem. Me apoiei em que já estava ao meu lado. O olhar de preocupação de Ally só aumentou meu desespero. Esses caras deviam mesmo ser cruéis.
‘Eu vou pra lá agora!’ Disse andando por entre as pessoas e todos me seguiram dizendo que também iam. ‘Não, não dá pra ir todo mundo!’
‘Eu vou.’ disse simplesmente e vi que seus olhos estavam vermelhos. ‘A culpa é minha, eu não vou deixar você sozinho.’
‘A culpa não é sua, dude.’ Eu disse quando Tom e me interromperam em uníssono.
‘Nós também vamos!’
‘Não, isso não é certo. Vocês não podem ir em tantos pra lá, é perigoso. Tem que ficar gente aqui também.’ Ally berrou e estava chorando, mas eu nem vi como isso veio a acontecer.
‘Ally, eu preciso que você venha comigo.’ Implorei e ela arqueou a sobrancelha. ‘Você conhece os caras...’
‘Está tudo bem. Eu vou com vocês.’ Ela disse pegando a chave do carro.
, fique com a e a , por favor. Alguém tem que cuidar delas e...’ Eu disse e ele assentiu, a contragosto, pegando a chave da casa de Tom, onde ficariam.
‘Nos mantenham informados, por favor!’ gritou quando nós entramos no carro de Ally e tudo o que ela teve como resposta foi o barulho alto das quatro portas batendo com força e o acelerar frenético do carro em direção a estrada vazia.

---//---

‘Mas que porra, essa faculdade ainda tá assim?’ Nick reclamou vendo uma movimentação absurda no campus. Finquei as unhas no banco com força.
‘Festa de começo de ano, cara. Mas é até bom que seja assim, a gente vai pro nosso prédio e isso tá tão barulhento que ninguém vai reparar...’ Jason sorriu malicioso e os outros dois idiotas gargalharam.
‘Faz sentido!’ Nick concordou e começou a manobrar o carro.
O vidro de ainda estava fechado, mas o acionamento dele era feito automaticamente. Delicadamente pressionei o botão e a janela deslizou bastante rápido. Foi o tempo de Paul me olhar com os olhos arregalados e partir pra cima de mim com os braços fortes me segurando pelos braços com toda força do mundo.
‘SOCORRO, SOCORRO!’ Meu grito ecoou por dentro do carro e a janela estava se fechando na mesma velocidade em que tivera sido aberta. Vi que uma garota japonesa arregalou os olhos, por provavelmente ter visto a cena.
‘Vadia!’ Paul me jogou com força e eu bati minha testa no joelho de , que gemeu baixo.
Nick arrancou com o carro em meio aos outros e eu não consegui ver o que a garota tinha feito. Será que ela tinha percebido a minha situação? Uma lágrima escorreu pelo meu rosto quando vi a rua deserta ao lado do campus. Jason ainda berrava vários palavrões direcionados tanto a mim quanto a Paul, que quase colocara todo o plano de merda deles a perder. já estava quase desligada daquilo tudo. Bati na perna dela e ela cerrou os olhos, segurando minha mão.
‘Desce’ Nick disse abrindo a porta e puxando pra fora do carro.
‘Eu não vou a lugar algum’ Eu disse firme, embora minhas mãos tremessem.
‘Puta que pariu, tira essa vadia daí de dentro antes que eu perca a paciência!’ Ele gritou e Jason prontamente me puxou pelo braço, com tanta força que eu achei que fosse desmontar.
‘Vocês são nojentos!’ Eu gritei, mas nenhum deles parou pra ouvir, enquanto puxavam nós duas pra dentro do que seria o apartamento deles. ‘Não tem capacidade CONQUISTAR uma garota, tem que fazer coisas como isso e...’
‘Cala a boca! Eu não agüento mais a sua voz, fala mais alguma coisa que eu coloco uma mordaça e resolvo o problema!’ Paul disse como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Filho da puta.
‘Qual é o problema de vocês?’ Eu gritei quando Jason me jogou numa cama ao lado de . Eu realmente não teria mais nada a perder ali. Sabia que já ia perder mais do que eu esperava.
‘Qual é o SEU problema?’ Nick me puxou pelo pescoço e falou com o rosto quase colado no meu. ‘Você devia ter medo do que eu posso fazer com você...’ Ele completou com um sorriso torto e malicioso. Meus olhos ardiam e uma lágrima escapou. ‘Muito bem. Agora você tá pegando o espírito da coisa...’ Ele sorriu e me jogou pra trás.
...’ suspirava em uma voz fraca. Corri para o lado dela.
‘O que foi amiga?’ Eu segurei o rosto dela com uma das mãos e vi Paul se aproximando tomando um Red Label direto do gargalo.
‘Eu não to nada bem. Eu acho que...’ Ela tinha dificuldade pra falar.
‘...Que?’
‘Que vou morrer’
Gemi alto. Paul ouviu o que ela tinha dito e arregalou os olhos. Minhas mãos não me obedeciam mais e eu tremia vendo que ela fechava os olhos novamente. Tentei levanta-la em direção ao banheiro, mas o medo que tomava conta de mim mal me deixava comandar minhas próprias pernas. Paul arrastou-a com facilidade até o banheiro e eu coloquei a cabeça dela na pia, molhando com a água gelada. Paul e Nick discutiam e gesticulavam muito perto da cama, mas não tiravam os olhos de nós duas. Jason estava parado bem perto da porta. mal se movia e eu estava começando a chorar compulsivamente.
‘E se essa menina morrer? CARALHO!’ Paul gritava e Nick gesticulava falando calmamente em sua frente.
E se ela morresse? E se A MINHA AMIGA morresse? Deslizei e caí de lado com em meu colo no chão. Eu estava chorando muito e sabia que estava complicando tudo. Eu precisava salvar minha amiga, chorar não resolveria. Precisava me acalmar de qualquer maneira. Então minha mente fugiu para aquele rosto perfeito, dos olhos mais brilhantes e lindos e lembrou de cada gesto do único cara que fazia meu coração parar, e isso me deu forças para enxugar minhas próprias lágrimas e agir. Eu preferi não pensar no que estaria pensando naquele momento, só fixei o rosto sorridente dele em minha mente e me senti reconfortada. Ajoelhei e bati a porta com força na cara de Jason. Virei a chave tão rapidamente que ela caiu e fez um barulho alto no chão. Em menos de trinta segundos os três esmurravam com força a porta. Olhei para a janela gradeada e entrei em pânico, enquanto abria os olhos com dificuldade pelo barulho. Eu tinha que fazer alguma coisa.

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, vai mais rápido caralho!’
gritava no banco de carona. Eu estava tentando correr o máximo que dava, mas minhas mãos estavam suadas e trêmulas só de pensar no que podia estar acontecendo com a minha pequena. Eu nunca iria me perdoar se algo acontecesse com ela. Tom olhava apreensivo pela janela sem dizer nenhuma palavra. Ally estava ao lado dele.
‘O que vai fazer?’ perguntou vendo Ally pegando o celular.
‘Vou ligar pro meu irmão. Ele estuda na faculdade, se tivermos sorte ele conhece os caras...’ Ela disse rapidamente e todos nós ficamos atentos a sua ligação. ‘Droga!’ Ela gritou.
‘O que foi?’ Eu quase berrei. Ally suspirou alto.
‘Ele não atende! Mas que droga!’
‘Tenta de novo!’ Tom se pronunciou pela primeira vez. Sua voz era quase um sussurro.
‘Atende Jimmy, atende...’ Ally murmurava apreensiva enquanto eu pisava com mais força no acelerador. ‘ALÔ!’ Ela berrou e eu quase freei o carro.
‘Ele atendeu, ele atendeu!’ gritou.
‘Quem? O que? Eu não estou ouvindo nada, você não é meu irmão!’ Ally reclamava e eu senti meus olhos arderem. ‘Ah, oi Brandon. Cadê o Jimmy?’ Dois minutos de silêncio extremo no carro.
‘CARALHO, o que foi?’ Gritei e Ally fez sinal pra eu calar a boca.
‘Jimmy, graças a Deus!’ Ally suspirou e eu senti algo como uma vertigem. Estava ficando tonto, mas porque diabos essa faculdade não chega nunca? ‘Você conhece algum Nick, um loiro... Ele tem dois amigos, Jason e... ISSO! Você conhece?’
Mais um minuto de silêncio.
‘Jimmy, cala a boca e me escuta, eu preciso que...’
‘... Alô, Jimmy?’ Tom tomou o celular da mão de Ally tão rapidamente que eu não vi. ‘Escuta, esses caras que sua irmã falou estão com duas amigas nossas. Eles vão aprontar alguma coisa com elas. Liga pra polícia, chama a segurança, faça o que puder, nós estamos chegando aí e elas realmente correm perigo! Fique com o celular em mãos, a gente liga quando chegar!’ Tom disse e desligou o aparelho, entregando na mão de Ally, que não disse nada.
‘E aí, dude?’ perguntou antes que eu pudesse fazer isso.
‘Ele vai chamar a segurança e juntar uns amigos pra irem ao campus dos caras. Ele só não tem certeza de qual campus é...’ Tom desanimou e eu gelei.
‘Mas que droga, porque isso tinha que acontecer?’ Bati com as mãos no volante e acabei acionando a buzina.
, fica calmo. Vai dar tempo, a gente vai conseguir.’ Ally disse com a mão em meu ombro e eu suspirei alto. Ela tinha que estar certa.

---//---

‘ABRE ESSA PORTA PORRA!’
Sinceramente não sei quem estava gritando. Abaixei em frente a e ela me olhou pela primeira vez. Senti um certo alívio.
‘Amiga, trate de respirar. Eu prometo que vou tirar a gente daqui’
Eu disse com a voz confiante, até mesmo para mim. Ela forçou um meio sorriso e manteve os olhos abertos. Sorri de volta enquanto subia no vaso sanitário, inclinando meu corpo em direção à pequena janela. Tinha que ter alguém passando. Alguém precisava me ajudar. Ninguém. Senti os joelhos tremerem de novo com mais um berro e outra ameaça de arrombarem a porta. Foi quando minha vista embaçou e eu quase caí dali, mas mantive minhas mãos na grade, derrubando algum objeto que estava no parapeito pro lado de fora. Era baixo, estávamos no térreo. O tal objeto fez um barulho muito suave ao tocar o chão. E foi aí que eu ouvi o barulho das folhas secas sendo pisadas por alguém. Havia um casal atrás de uma das árvores, a garota puxava o parceiro pra longe dali, mas ele olhava. Tentei não berrar pra não estragar tudo.
‘Por favor, venham aqui.’ Pedi num tom de voz baixo, mas eles podiam me escutar. A garota deu de ombros. ‘Por favor...’ Supliquei. Os dois andaram até perto do muro.
‘Ficou presa no banheiro?’ O garoto de pele escura sorriu pra mim e eu me desesperei com o barulho que a porta fazia. Assim como ele e a namorada.
‘O que foi isso?’ A menina dos cabelos encaracolados perguntou.
‘Vocês precisam me ajudar. Eu tenho uma amiga dopada aqui dentro, três caras tentando fazer sabe-se lá o que com nós duas. Por favor!’ Minha voz atropelava as palavras e as lágrimas escorriam. A menina arregalou os olhos e discou para a polícia.
‘Fique calma, sua amiga está bem?’ O garoto perguntou num tom de voz suave.
‘Não tenho tanta certeza’ Olhei para trás e ela tinha os olhos abertos. Menos mal.
‘Liguei pra polícia. Tente travar alguma coisa atrás da porta, sei lá! Eu vou pedir ajuda’ A menina dizia visivelmente desesperada. Foi quando eu vi o celular nas mãos dela.
‘Não tem nada que dê pra fazer isso’ Eu disse. ‘Posso?’ Eu pedi, apontando para o celular. Ela assentiu e o namorado esticou a mão para que eu pegasse. Foi nesse meio tempo que ela sumiu, apenas ele estava ali.
Disquei o número tão rapidamente que achei que fosse afundar as teclas delicadas do aparelho. Nick berrou alguma coisa muito alto antes que eu conseguisse levar o celular até a orelha. Olhei para trás e vi a porta sendo aberta por três brutamontes furiosos. Joguei o celular pro lado de fora e corri para o lado de .

---//---

‘É AQUI!’ Ally gritou quando chegamos até a porta da faculdade. Parei o carro no meio da rua e apertei o botão pra trancar as portas. Tom já discava para Jimmy e estava logo atrás de mim. O lugar estava completamente lotado. Esbarrei em algumas pessoas e Tom chingou alguns palavrões altos, mas ninguém virou para ouvir.
‘O que foi, Tom?’ Ally perguntou.
‘Seu irmão tá vindo pra cá. Eles não descobriram o campus!’ Ele tremia.
‘Puta que pariu!’ Coloquei as mãos na cabeça sem saber pra onde ir. ‘Eu vou procurar!’
‘Não , viu o tamanho disso? A gente não pode se perder um do outro!’ me segurou pelo braço e eu vi um garoto loiro chegando com três amigos. Ally pulou no pescoço dele em um abraço rápido.
‘Me desculpem, perguntamos pra todo mundo, mas ninguém sabe o campus desse cara! Ele mudou de curso milhões de vezes e por isso ninguém sabe onde fica!’ Jimmy se desculpava e minhas mãos tremiam. Foi quando meu celular vibrou em meu bolso, com um número desconhecido. Tom e um dos amigos de Jimmy me olhavam atentamente.
‘ALÔ!’ Berrei, indo mais pro canto pra ouvir.
‘Quem é?’ Uma voz perguntou do outro lado.
‘Como quem é? Quer falar com quem?’ Gritei, no auge do meu desespero.
‘Eu não sei com quem. Tem uma garota presa aqui, ela ia discar pra esse número e...’ O garoto dizia rapidamente. Senti uma tontura absurda.
‘Aonde você está?’
‘É a , dude?’ perguntou e eu o empurrei pra trás.
‘Campus 8. É um dos últimos apartamentos, na parte de trás.’
‘Valeu, to indo praí!’ Desliguei o telefone e virei para Jimmy. ‘Onde é o campus 8? Parece que elas estão em um dos últimos apartamentos!’
Jimmy não me respondeu. Ele apenas puxou a irmã pela mão e todos nós o seguimos quase correndo no meio da multidão. Meus pensamentos voaram tão rápido na minha mente que eu achei que estivesse pirando. Demoramos uns cinco minutos pra chegar no tal prédio, onde um garoto esperava andando de um lado para o outro. Presumi que fosse ele que tinha me ligado.
‘Foi com você que eu falei?’
‘Foi, venham comigo’ Seguimos o cara até uma janela de banheiro.
‘Ela falou comigo dali. Minha namorada foi pedir ajuda, a gente já ligou pra polícia’ Ele disse e Tom sorriu pra ele.
‘Obrigado, mesmo.’
‘Venham por aqui, eu sei qual apartamento é!’
Um dos amigos de Jimmy disse e todos nós, incluindo o cara do telefonema, o seguimos. Paramos diante a uma porta e não havia barulho algum lá dentro, não que pudéssemos ouvir. Um dos amigos de Jimmy jogou-se contra a porta que abriu rapidamente. Todos nós corremos para dentro. Um cara loiro e sem camisa arregalou os olhos. Ele tinha uma cerveja em mãos.
‘É ele, ele tava na festa!’ Ally apontou e eu e Jimmy partimos pra cima dele.
‘Uou, calma aí pitboys...’ Ele riu sarcástico e deu um passo pra trás. ‘Eu não sei do que essa garota está falando. E se vocês derem mais um passo, eu ligo pra reitoria e reclamo que tem loucos invadindo meu quarto...’
Eu simplesmente não pensei. Jimmy estava parado do meu lado quando eu dei um soco direto no rosto do loiro, que tropeçou caindo na poltrona atrás dele. Tom correu em direção ao quarto junto com Ally. Olhei de relance para o loiro que tomava um soco vindo do outro lado. .
corre aqui!’ Tom gritou e eu e corremos para o quarto, deixando Jimmy e seus amigos se divertindo batendo no cara. Entrei no quarto com o coração saindo pela boca, esperando mais dois caras e ver o rosto da minha pequena. Mas só o que eu vi foi jogada na cama, chorando compulsivamente. Meu coração quase parou.
, olha pra mim por favor’
Tom pedia, mas ela escondia o rosto com as mãos. Me joguei ao lado dela e repeti o pedido, mas ela apenas chorava. Foi quando a segurou pela mão, fazendo-a sentar. Ele a abraçou com força, mas ela estava mole. Pude ver as lágrimas surgindo nos olhos de .
, me desculpe...’ Ele pedia ainda a abraçando. Foi quando ela apertou os braços em volta da cintura dele. Ally saiu do banheiro, mas também não havia ninguém lá. Minha garganta deu um nó.
‘Onde está a ?’ Eu berrei e chorou mais. Segurei a mão dela em pedido de desculpas.
, por favor. Você precisa nos dizer onde ela está’ pediu com calma enquanto acariciava os cabelos da menina. deu um grande suspiro.
‘Levaram... ela. Levaram!’ Ela começou a repetir e chorar.
Meus olhos encheram de lágrimas e eu corri até a sala. Já tinha muito mais gente ali do que eu havia visto. Passei por todos empurrando algumas pessoas e acertei mais um soco no olho já roxo do cara loiro.
‘AONDE ELA ESTÁ?’ Eu berrei, mas ele não respondeu. O soquei novamente. ‘AONDE ELA ESTÁ PORRA?’
Algumas garotas que chegaram ali fecharam os olhos. Uma delas gritou “Nick!” muito alto, e eu presumi que fosse o nome dele. Nicky cuspiu sangue. Olhou de volta pra mim.
‘Eu não sei onde aquela vadia está’
Fechei os pulsos mas Tom segurou minha mão no ar. Alguém o socou, mas eu não vi quem era. Eu mal conseguia respirar.
‘Você não pode matar ele, dude. A gente precisa que esse cara fale’ Tom disse baixo.
‘Eu NÃO SEI!’ Nick repetiu. ‘Eles saíram daqui porque aquela vadi...’ Ele olhou pra mim e parou. ‘Porque ela tava estragando tudo. Ouvi o Jason dizer que eles iam para aquele motel que fica perto da outra cidade, eles saíram tem 10 minutos’
Engoli seco. passou correndo na minha frente e começou a bater insistentemente no cara, até que Jimmy o segurasse. Os seguranças entraram no quarto e voltou pra junto de , que ainda chorava.
‘Eu vou nesse motel.’ Eu disse, andando em direção a porta.
‘Eu vou com você!’ Tom me seguiu.
‘Eu também vou. Fica com ela , os seguranças já tão dando conta daquele cara. Meu irmão também.’ Ela disse baixo.
Saímos quase correndo quando murmurou alguma coisa na cama. Olhei pra trás.
...’ Ela sussurou. Cheguei perto dela.
‘Fala amor’ Eu disse baixo.
‘Salva ela, por favor!’ Ela pediu e apertou minha mão com força. Dei um beijo leve na testa dela. Eu faria qualquer coisa pra salvar . Eu daria a minha vida, se pudesse. Mas meu estômago revirou de novo. Será que eu conseguiria?

---//---

‘EU NÃO VOU DESCER DE PORCARIA DE CARRO NENHUM!’
Berrei, em vão, quando Jason me puxou pelo cabelo pro lado de fora. Comecei a gritar absurdamente alto e ouvia minha voz ecoando na garagem do motel de quinta categoria que estávamos. Eu havia chorado o caminho inteiro. Não tanto por causa de mim, porque pelo menos eu estava consciente o suficiente para ver o que estavam fazendo comigo, mas por . Aquele Nick parecia ter alguma espécie de tesão particular por ela. Tanto que nem pensou quando Paul sugeriu que eu sumisse dali. No curto trajeto de carro, meus medos mudaram. Eu já não esperava as mesmas coisas daquela “viagem”. Esperava mais, muito mais. Talvez pelo fato de estar no fim do mundo com dois caras que podem me levantar com os dedos. Ou talvez pelo fato de Paul ter me ameaçado de morte umas duas vezes no caminho. Só de pensar nisso, via tudo embaçado. Será que aquela menina tinha chamado a polícia? Será que pelo menos minha amiga estaria salva? Eu queria muito
sumir dali. Eu queria acordar de um pesadelo. Eu queria um abraço de pra me fazer esquecer daquilo tudo. Por um segundo pensei que aquela noite teria sido a provável última vez que eu tinha visto o amor da minha vida. Chorei mais.
‘Pára de chorar, puta merda!’ Jason me arrastava pra dentro do quarto. Assim que abriram a porta, pude ver uma cama com um aspecto péssimo bem no centro do quarto, espelhos por todos os lados e bebidas. Ok, eu acho que vou ver minha morte de todos os ângulos, fato.
‘Sabe gatinha, você me irritou muito essa noite...’ Paul dizia entrelaçando seus dedos em meus cabelos, muito próximo a minha boca. ‘Podia ter sido tudo mais fácil, mas a culpa é sua. Agora eu estou com raiva, e adivinha de quem é a culpa?’ Ele perguntou retoricamente. Engoli seco. Ele segurou meu pescoço com força e me beijou. Eu descreveria a breve sensação como náusea profunda. Breve porque eu mordi a língua dele e cuspi logo em seguida.
‘Sua puta!’ Ele gritou me jogando pra trás e eu bati minha cabeça na cabeceira da cama. ‘Não vai dar, Jason, não vai dar. Dopa essa menina!’
‘NÃO, VOCÊ TÁ LOUCO?’ Gritei.
Jason soltou um olhar pevertido e colocou um pó estranho dentro de um copo de whisky. Nenhuma lágrima escapou dessa vez. Ele veio andando até mim e eu me distanciei, mas Paul me segurava com suas mãos de ferro. Ele tentava me fazer beber aquilo, mas eu me debatia e ele estava derrubando tudo em cima do meu vestido. Jason chingou todos os palavrões que podia e Paul segurou meu pescoço com muita força. Bebi o que seria equivalente a dois dedos do copo. Me jogaram na cama e eu comecei a chorar, sem saber o que fazer. Vi Paul tirando a camisa e vindo em minha direção. Apenas respirei fundo, com as lágrimas escorrendo. Eu estava enchergando muito mal, pelas lágrimas e pela bebida. Olhei a cabeceira da cama e como um impulso, peguei um vaso de vidro que estava nela e quebrei em mil pedaços na cabeça de Paul, que caiu sangrando na cama. Jason veio correndo do banheiro ver o que havia acontecido. Eu já estava de pé.
‘O QUE VOCÊ FEZ, SUA PUTA?’ Jason berrou e viu Paul tentando vencer suas vertigens e não desmaiar. Vi seus olhos verdes fulminarem numa raiva absurda. Sem pensar duas vezes, ele virou a mão em meu rosto com um tapa que me fez cair no chão em cima dos cacos de vidro. O pânico logo veio quando ele me puxou pelo pescoço e me jogou de novo no chão. Bati a cabeça com força e fechei os olhos, sendo consumida pela dor.

Flashback:

... Você confia em mim?’ estendeu a mão com um olhar piedoso. sorriu largamente segurando na mão dele.
‘Claro...’ ela disse simplesmente e o garoto não pode conter o sorriso.

‘Eu te amo.’
‘Você disse...’ Ela sorriu verdadeiramente e ele assentiu.
‘... Disse que te amo.’ mexia nos cabelos dela enquanto olhava em seus olhos.
‘Verdade?’
‘Claro. É muito mais fácil quando é com você!’ Ele disse simplesmente.
‘Eu também te amo!’

End Flashback

Minha mente disparava em imagens e vozes que me levavam a um lugar muito melhor que aquele. Um lugar de que eu dependia, alguém que sempre me faria a pessoa mais feliz do mundo. Eu não conseguia abrir os olhos, mas meu coração batia mais lentamente, acalmando-se com as imagens dele. , o homem da minha vida. Foi quando todas as minhas alucinações deram lugar a um barulho insuportável que eu não consegui identificar o que seria. Em dois segundos, vozes conhecidas tomaram conta do lugar e eu achei que ainda estivesse alucinando. Ouvi um barulho de soco e vi Jason despencar no chão não muito distante de mim.
, você está bem?’
Ally me segurava contra seu corpo e tentava estancar o sangue que escorria da minha testa com a própria blusa. Eu definitivamente estava sonhando. Ally nunca estaria ali, na realidade. Uma seqüência frenética de socos e o barulho que eles faziam começou a ecoar no quarto vazio. Jason gemia e eu chorava. Ally murmurava algumas coisas que eu não conseguia entender. Eu estava sendo vencida pelo meu próprio cansaço. Foi quando ela soltou um grito de pavor e eu abri os olhos vagamente. Vi Tom segurando que batia em Jason desmaiado. Meu estômago revirou.
, CHEGA!’ Tom gritava, mas ele não obedecia. Minhas lágrimas escorriam. ‘ !’ Tom gritou mais alto e ele finalmente se deu por vencido.
Paul tentava se levantar, mas apenas dois socos do gordinho foram suficientes pra ele voltar pra onde estava. Algumas pessoas apareceram na porta do quarto e Tom fez uma careta estranha indo falar com eles. Foi quando correu até onde eu estava. Ele me segurou com força e me abraçou quase me sufocando. Chorava que nem um bebê e eu estava chorando mais ainda por ver todo o desespero em que ele se encontrava.
‘Linda, você está bem? Me desculpe por não ter chegado mais cedo, me desculpe...’ Ele suplicava olhando em meus olhos e beijando meu rosto.
Só de estar sentindo seu perfume eu já estava melhor. Muito melhor. Foi quando Tom gritou pedindo que fosse até ele. Perdi o chão. Comecei a chorar e segurava com a pouca força que tinha minhas mãos ao redor do pescoço dele. Se aquilo realmente fosse um pesadelo, eu precisava dele para me salvar daquilo tudo.
‘Fique calma, pequena. Eu estou aqui com você, shhh...’ tentava me acalmar me abraçando. Tom veio correndo até nós e desabou em lágrimas me pegando no colo. Eu não deixei que levantasse. Fiquei ali, com meus dois amores, enquanto Ally se distanciava e falava com as pessoas.
‘Está tudo bem agora. Não foi nada, não foi nada...’ Tom repetia e me apertava. Sorri pra ele, mas eu estava apagando. Meus olhos simplesmente estavam fechando sem minha autorização.
‘Ei, você não pode dormir...’ segurou meu rosto entre suas mãos e me estalou um selinho. ‘A ambulância está chegando, você precisa ficar acordada, pequena.’ Ele dizia calmamente e eu suspirei. E de repente Tom não estava mais ali.
...’ Minha voz era fraca, o choro ainda grunhia em minha garganta.
‘O que foi, linda?’ Ele passou as mãos de leve em meu rosto e eu suspirei.
‘A ...’
‘Ela está bem, o ficou lá com ela. Está tudo bem, pode ficar calma. Acabou’ Ele disse e eu tentei sorrir.
...’ Sussurrei de novo.
‘Eu...’
‘Obrigada por tudo. Eu te amo’ Eu disse, e ele me apertou com força. Senti uma lágrima que caiu do rosto dele em meu ombro.
‘Eu te amo demais, .’ Ele disse e eu senti um calor inexplicável por dentro.
‘Eu não quero ficar aqui...’ Eu disse e ele franziu a testa. Eu estava enchergando muito mal. ‘Me tira daqui , por favor...’ Eu chorava muito mais agora e não sabia o porque.
‘Fique calma, linda. O médico vai ver você e...’
‘Eu não quero médico. Me tira daqui, me tira daqui...’ Eu repetia em voz baixa, como uma criança mimada.
‘Ei, olha pra mim’ Ele levantou meu queixo e me olhou nos olhos. ‘Eu nunca mais vou deixar que nada aconteça com você, nunca. Eu prometo. Você precisa de um curativo aqui, deixe que os médicos vejam você e eu prometo que nós vamos embora. Eu vou estar com você o tempo todo, linda.’ me deu um beijo na testa e eu suspirei alto. Não tinha mais forçar pra contrariá-lo. Ally veio até nós.
, o Tom não vai mais precisar chamar a ambulância. A filha do dono disso aqui é enfermeira, ela está vindo’ Ela disse e me olhou. Respirei mais calmamente pelo fato de que não precisaria entrar numa ambulância.
, essa é a Kate. Ela é enfermeira, precisamos que ela dê uma olhada em você.’ Olhei para a moça gordinha em minha frente e gemi.
‘Eu estou bem.’ Disse, com a voz muito fraca. Nenhum dos três pareceu ligar.
‘Hm, foi um corte leve aqui acima da sobrancelha... Outro aqui na mão... Está tudo bem, foram superficiais.’ Ela dizia e suspirou alto do meu lado. Ele estava o tempo todo tentando mostrar-se forte, mas eu podia sentir suas mãos trêmulas em minhas costas. Ela veio com uma agulha pequena e eu gemi. me segurou com mais força, enquanto Tom falava coisas pra me acalmar. Eu sempre tive pavor de agulhas.
‘Está tudo bem, linda. Eu estou com você...’ repetiu e eu fechei os olhos, enquanto Kate fazia seu trabalho. Foi relativamente rápido, porque eu me concentrei em sentir o perfume de e ouvir o que Tom me dizia. Em poucos minutos ela se distanciou e eu ainda lutava contra meus olhos pra me manter acordada.
, você prometeu...’ Eu disse e ele me olhou.
‘Eu sei. Eu vou tirar você daqui.’ Ele disse com a voz menos preocupada. ‘A polícia já está chegando, mas eu falei com o Tom e a Ally. Eles vão ficar aqui, ok?’
Concordei com a cabeça e ouvi ao longe Kate dizer que eu estava em estado de choque. Fazia total sentido, pensei. colocou seu paletó nas minhas costas e me levantou em seus braços. O gordinho me deu um beijo na testa quando passamos ao lado dele. Fechei os olhos e deixei que me carregasse até o carro. Ele me colocou delicadamente no banco ao seu lado e apertou o cinto.
‘Esse não é seu carro’ Eu disse de olhos fechados, mas pude perceber que ele me olhava.
‘É da Ally. Nós viemos com o carro dela.’
‘Porque ela está aqui?’ Perguntei e abri os olhos. Ele sorriu.
‘Foi ela quem nos disse onde você estava’ Ele parou e estalou um beijo na minha bochecha, sem largar minha mão. ‘Descanse, linda. Você precisa descansar.’
‘Eu não quero. Eles podem aparecer e...’ Meu coração acelerou e minhas mãos começaram a tremer. O barulho da chuva forte e cheia de trovões me estremeceu mais ainda.
‘Eles não vão voltar, nunca mais, fique calma’ sorriu sem mostrar os dentes mas mesmo assim me senti melhor. Se ele estava lá comigo, daria tudo certo.

‘Não tem mesmo como passar?’ perguntou com o vidro entreaberto e eu fiz força pra abrir os olhos. Uma blitz.
‘Sinto muito, senhor. Está tudo alagado pela chuva. Faça o retorno, tem um hotel ali em menos de cinco minutos, você verá a placa’ O policial simpático e encharcado respondeu e deu de ombros, obedecendo.
‘Me desculpe, . Não dá pra passar...’ acariciou meu rosto e eu sorri.
‘Tudo bem’ Eu disse simplesmente e ele sorriu de leve. Meu coração acelerou.
‘Está melhor?’ Ele perguntou com um olhar muito fofo. Tive que sorrir.
‘Eu acho que sim’ Eu disse e ele sorriu.
O pequeno hotel de madeira aproximou-se da minha visão rapidamente. Era um lugar bonito, tinha dois andares e uma decoração bem campestre, pelo que pude ver do lado de fora. estacionou o carro e me pegou no colo, correndo em direção a porta.
‘Eu estou bem, amor. Pode me colocar no chão’ Eu dizia, embora meus olhos ainda se fechassem involuntariamente. Ele riu baixo.
‘Boa noite, precisamos de um quarto!’ Ele disse sem me largar. A mulher atrás do balcão franziu a testa me olhando.
‘Ela está bem?’
‘Sim, estou bem.’ Respondi antes de , que rolou os olhos.
Em menos de dois minutos o problema fora resolvido e subia a escadaria ainda me carregando. Tive dó dele, eu devia estra no mínimo pesando. Mas ele não pareceu se importar. Abriu a porta sem muita dificuldade e acendeu a luz de um quarto simpático. Era aconchegante, algo como aqueles chalés antigos. Tudo era de madeira, tudo cheirava madeira. Ele me colocou delicadamente na cama e tirou minhas sandálias. Foi quando eu reparei em sua mão completamente arroxeada.
! Sua mão!’ Eu falei num tom de voz mais alto e ele flexionou os dedos, fazendo careta.
‘Está tudo bem’ Ele riu.
‘Deve estar doendo!’ Eu peguei sua mão de leve e ele sorriu.
‘Você não deve se preocupar comigo agora, mocinha. Trate de dormir. E fique calma, eu estou bem aqui do seu lado’ Ele disse deitando seu corpo do lado do meu, sem desviar o olhar. Aproximei meus lábios do dele e dei um beijo muito suave, rápido. Ele respirou fundo e sorriu.
‘Eu te amo’
‘Eu te amo mais.’ Sorri. ‘Boa noite, herói’ Fechei meus olhos enquanto ele acariciava meus cabelos delicadamente. Em questão de segundos, apaguei.

‘Eu vou matar essa vadia!’ (...) ‘Você devia ter medo de mim, vadia!’

‘NÃO!’
Berrei e me debati na cama. Estava suada. Senti a cama estremecer e vi que pulou ao meu lado, me abraçando.
‘Foi só um pesadelo, fique calma...’ Ele repetiu e eu me desvencilhei do abraço para olha-lo nos olhos. Os olhos perfeitos dele estavam completamente vermelhos, o rosto um pouco molhado.
‘Você estava chorando’ Eu disse simplesmente, e ele esfregou os olhos rapidamente.
‘Não estava não, linda. Impressão sua.’ Ele me abraçou novamente, mas tentei olhar pra ele outra vez. Meu coração ia pular pela boca. ‘Aconteceu algo com a , não é? Fala , não mente pra mim!’ As lágrimas logo vieram, mas ele as enxugou e me apertou com força contra seu corpo.
‘Não, não aconteceu nada. Ela está bem, eu falei com a no telefone não tem muito tempo. Eu juro’ Ele disse e eu sabia que era verdade. Respirei mais aliviada, acariciando o rosto dele.
‘Então o que foi?’ Perguntei.
‘Nada, já disse que não foi nada’ Ele manteve a voz doce e não me largou.
, por favor...’ Supliquei. Ele sentou-se em minha frente e abraçou os joelhos.
‘Besteira minha. Esquece isso, .’
‘Não é besteira. Eu sei que não é.’ Eu disse e ele segurou minha mão.
‘É que...’
‘... Que?’
‘Não sei, eu estava olhando você dormir agora. Eu não consegui pregar os olhos depois que você deitou. Eu sei que está tudo bem, que você está do meu lado e que nada mais vai acontecer. Mas as lembranças daquela hora em que estive longe de você, sem saber o que estava acontecendo com você, sabendo que eles podiam...’ Ele parou e respirou fundo. ‘Eu nunca me perdoaria.’
‘Amor, você me salvou daquilo tudo. Eu estou bem, não estou?’ Segurei seu rosto molhado.
‘Eu sei que está. Mas eu não quero nunca mais ter que passar por isso de novo. Eu não quero nem chegar perto de sentir aquele desespero novamente. Eu preciso de você, . Eu te amo como nunca amei ninguém. Eu nunca posso perder você, nunca’
Ele disse e tudo o que eu fiz foi, ainda que meio tonta, me pendurar em seu pescoço e beija-lo. suspirou ofegante e sorriu com o final do beijo. Acariciava meu rosto com uma delicadeza que só ele tinha. Era possível amar mais aquele garoto?
, quando eu estive lá, o tempo todo... Eu só conseguia pensar em você. Foi isso que me deu forças pra tentar lutar, mesmo que fosse meio óbvio que eu perderia deles. Seu sorriso e suas palavras em minha mente... Foi tudo o que eu precisei aquela hora, é tudo o que eu preciso sempre. Você é muito melhor do que pensa, . Você é o amor da minha vida. E eu nunca mais vou deixar você’
sorriu largamente e verdadeiramente pela primeira vez. Me tomou pelos braços e beijou suavemente minha boca. Meu coração parecia que ia parar, meus joelhos amoleceram. E depois do pior dia da minha vida, eu tive certeza que ele sempre estaria ali pra me salvar. Para me abraçar e pra cantar baixo para que eu dormisse. Pra dizer que me amava, pra me salvar dos meus próprios pesadelos. Ele sempre estaria ali. , desde sempre, e agora mais do que nunca, para sempre... O amor da minha vida.

Capítulo 17:

rolou na cama de casal e seu braço bateu bruscamente em um travesseiro vazio. Abriu os olhos com dificuldade e olhou para o quarto de hotel desconhecido. Sentou-se num pulo girando os olhos ao redor de si.
?’ Ela perguntou quase num sussurro, coçando os olhos. Mas ninguém respondeu. ‘!’
deu um berro mais alto e levantou-se da cama. Foi quase correndo até o banheiro, mas ele não estava lá. Chamava, quase sussurrando, por seu nome, mas ninguém respondia. Seus olhos já começavam a encher de lágrimas quando um toque suave na maçaneta da porta a fez dar um pulo