
01.
Poucos minutos se passaram, e nenhum movimento brusco, nenhuma palavra dita nem sequer algum gesto vindo de nenhuma das partes. Apenas o olhar descrente de minha mãe fixado em mim. Eu a esperei processar minhas ultimas palavras ditas há minutos atrás. Até que piscou duas vezes e disse como se tivesse escutado errado.
- O... que... você disse ? – eu suspirei e tentei falar com o máximo de autoridade possível.
- Você me ouviu mãe, eu estou indo embora, já comprei as passagens.
Aproximei-me de minha chorosa mãe, e me sentei ao lado dela no sofá.
- Mãe, eu não posso mais viver aqui. Já esperei demais. - eu dei uma pausa - está na hora de tocar a minha vida.
- Mas, mas porque filha? – ela começava a gaguejar.
- Ah mãe, não vem com essa! Você sabe que eu nunca suportei nenhum dos seus últimos três maridos, nem essa penca de irmãos que você me arranjou! E nesses últimos quatro anos, eu simplesmente não consigo mais viver aqui. Onde tudo ocorreu – baixei os olhos - Eu quero minha vida mãe. Eu sempre quis morar fora, e eu já arranjei tudo por lá. Eu preciso sair dessa casa, desse país e tentar esquecer o que aconteceu comigo. Preciso tentar seguir em frente. Não se preocupe ok? - eu não consegui segurar as lágrimas teimosas.
Abracei-a e lhe dei um papel com o telefone do apartamento que eu já tinha alugado.
- Eu vou ligar e te falar como estão as coisas ta? Só me prometa que vai se cuidar.
Minha mãe não falou nada, apenas pegou o papel com as mãos tremulas
- , filha, não faz isso... comigo - agora ela me implorava com os olhos.
- Não posso mais voltar atrás mãe, eu amo você. - peguei na sua mão – explique tudo pro papai, por favor, e diga pro canalha do Jhonny que é pra ele fazer algo de útil na vida e cuidar de você. Até um dia mãe, se cuida – depositei um beijo em sua e testa e me levantei do sofá. Pus em cima da mesa de centro meu colar de ouro branco em forma de coração, que no interior continha uma foto minha e dela de quando eu era pequena. Olhei mais uma vez o pequeno objeto e coloquei na mesa novamente.
- Pra quando der saudade – expliquei, e peguei minha grande mala que estava ao lado da porta, abri-a e lancei um ultimo olhar pra minha mãe, que continuava com os olhos baixos no papel em seu colo. Quando estava prestes a fechar a porta ouvi minha mãe gritar atrás de mim.
- , não! Pelo amor de deus, não vai embora filha! Eu te imploro, as coisas vão ser diferentes e... – fechei a porta e só consegui ouvir um choro alto, um choro de arrependimento. Apertei os olhos, só consegui sussurrar para que ela ficasse bem. Arrastei minhas malas para fora da casa, praticamente correndo para o taxi que me aguardava no meio fio. Senti-me uma fugitiva, o velho motorista me ajudou a colocar as coisas no porta-malas e indagou para onde eu ia.
- Para o aeroporto e, por favor, depressa – disse meu destino com os olhos em meus pés, e quando o carro arrancou, arrisquei olhar pra cima, vendo a imagem de minha mãe grudada no vidro da janela, as lágrimas correndo por seu rosto pálido. Eu prometi a mim mesma naquele instante que eu nunca mais voltaria a ver aquela casa novamente.
xx
Cheguei ao aeroporto apressada, eu não estava atrasada, mas como sempre, eu estava correndo. Fiz o check-in e teria que aguardar alguns minutos até ir para a sala de embarque. Resolvi tomar um café.
Sentei e logo a atendente veio perguntar o que eu queria. Pedi um descafeinado e um pão de queijo. Afinal não queria ficar com insônia nessa viagem de 13 horas. Não deu dois minutos e a atendente veio me trazer meu pedido. Agradeci e a paguei.
Enquanto degustava meu café e o pão de queijo, fiquei pensando no que estava prestes a fazer. Eu não acreditava que finalmente tinha conseguido. Meus pensamentos foram interrompidos pelo meu celular que tocava dentro da minha bolsa em cima da cadeira. Demorei a achá-lo, e li o visor: .
- Oi !
- Eai , onde você ta? – ela parecia animada, e ouvi umas vozes no fundo.
- Eu to aqui esperando entrar pra sala de embarque.
- Ah, e como foi com a sua mãe? – agora ela parecia preocupada.
- Nem me fala. Não foi nada fácil, mas eu sei que ela vai ficar bem.
- To torcendo por ela e por você. Ah, as meninas tão mandando boa viagem pra você.
- Brigada, manda beijos pra todo mundo – eu falei com saudades.
- Mandei, e o Brian ta dizendo pra ti passar o rodo lá! – ouvi risadas do outro lado.
- Haha, manda ele se fuder e... – nossa conversa foi interrompida.
Última chamada para o vôo 096 com destino ao aeroporto Heathrow de Londres
- Amiga, eu tenho que desligar, vou ir pra sala de embarque agora. Amo vocês – falei com ela pegando minha bolsa e indo em direção a entrada pra sala de embarque.
- Ta bom, todo mundo esta te desejando boa sorte! Você conseguiu , esse é o seu momento, aproveite tudo que tem lá. E nos espera hein, nós vamos viver isso tudo juntas – senti algumas lágrimas brotarem no canto de meus olhos.
- Eu amo vocês cara, eu vou esperar sim. Obrigada por tudo. Beijos.
- Tchau . Amo você – Fechei o telefone e joguei dentro da bolsa, chegando a sala de embarque.
Eu iria ter que esperar mais uns 10 minutos antes dos passageiros entrarem no avião, mas que raio de demora! Queria já estar lá, não aguentava mais um minuto nesse país. Fui ao banheiro checar o visual para ver se esses dez minutos passavam mais rápido. Cheguei ao local e encontrei outra garota falando ao celular com o namorado, ao que parecia. Passei novamente o lápis nos olhos e o pó. Ajeitei os cabelos e nem percebi que a garota já havia desligado o telefone e me perguntou:
- Você também vai pra Londres?
- Vou sim, estou ansiosa! – parei de passar o pó e a olhei.
- Eu também! É a primeira vez que vou viajar de avião! Estou super nervosa.
- Puxa, acho que você vai gostar. – guardei o pó na bolsa e a indaguei:
- Você esta indo pra sala de embarque?
- Sim, já esta quase na hora – ela olhou no relógio.
- É, nem acredito! – saímos juntas do banheiro e fomos conversando até as cadeiras.
- Você vai a trabalho pra lá? – ela me perguntou.
- Eu vou morar lá, trabalhar, estudar e pretendo nunca mais voltar pra cá!
- Ah. Eu estou indo obrigada, meu pai quer que eu estude lá. Tive que deixar meu namorado aqui, é tão difícil.
- Puxa, se ele ama você mesmo ele vai esperar, não se preocupe. – consolei a garota desconhecida.
- É, acho que ele me ama sim.
Chegamos as cadeiras, e vimos os passageiros já se dirigindo para embarcar no avião. Peguei minha bolsa e fomos até a entrada do local.
- Qual sua poltrona? – indaguei-a.
- C-45 e a sua?
- F-22. Que pena que não vamos ficar juntas.
- É, a minha é aqui. Te vejo em Londres – ela sentou-se na poltrona e acenou pra mim.
- Boa viagem – disse pra garota que nem perguntei o nome, e fui procurando a minha poltrona.
- F-19, F-20, F-21, F-22, - fui contando as poltronas em voz alta ate que achei a minha.
No corredor estava sentado um rapaz, aparentando uns 23 anos, moreno que sorriu quando eu pedi licença para passar pra poltrona da janela. Ele se levantou e eu passei, sentando-me finalmente.
Depois de alguns minutos o avião decolou, eu peguei meu ipod e a aeromoça veio trazer o jantar. Olhei no relógio, 20:30. Nunca iria jantar tão cedo.
- Arroz com carne ou Macarrão 4 queijos senhor? – ela sorria para o rapaz ao meu lado.
- Arroz com carne, por favor.
- E a senhorita?
- O macarrão, por favor – a aeromoça depositou o pequeno potinho em cima da minha bandeja. Abri-o e continha uma quantidade mínima de macarrão. Comecei a comer e logo parei. Era horrível. Bebi o suco de uva, e ao menos isso estava bom. Já o rapaz devorava seu jantar. Estava olhando a janela até que por minha surpresa ele se dirigiu a mim, ainda mastigando.
- Seu macarrão esta ruim ou você não esta com fome mesmo?
- Ahm, está horrível, diga-se de passagem. Devia ter pegado o arroz.
- É, o meu estava muito bom. Mas você ainda esta com fome?
- Estou. Mas acho que eles não dão outro jantar.
- Claro que dão! – nem deu tempo de eu responder, e ele já estava chamando a aeromoça.
- Moça, essa senhorita gostaria de um arroz com carne, por favor – a senhora olhou com uma cara de poucos amigos, e virou as costas.
- Ei, eles não gostam de dar, não precisava!
- Estamos pagando pra que mesmo? – rimos.
- Qual seu nome? – ele perguntou.
- , e o do senhor seria...
- Ruan, a seu dispor – trocamos um aperto de mão e eu ri. Nisso a aeromoça trouxe meu segundo jantar.
Comi, e realmente estava bom esse. Satisfeita, pedi para a aeromoça levar nossas coisas.
Pedi cobertor e travesseiro, e meu colega de poltrona fez o mesmo.
Me cobri, e baixei o volume do ipod, com a intenção de dormir. Virei pro lado da janela, estava trovejando muito forte. De minutos em minutos ocorriam turbulências, como eu conseguiria dormir? Ficava me virando de um lado pro outro e nada. Eu estava tentando dormir fazia uma hora, ate que me irritei com a situação. Virei pro lado afim de tentar conversar com Ruan para me distrair, mas o garoto não se encontrava ali. Será que ele também não conseguira dormir? Espichei o pescoço tentando olhar o avião, estava tudo escuro e as pessoas dormiam sossegadas, algumas com seus aparelhos eletrônicos, e poucas olhando televisão. Virei-me novamente para janela, e os raios e a chuva continuavam. Fechei a janela. Fiquei ali pensando no que faria, e me lembrei que meus comprimidos pra dormir haviam ficado na outra mala. E a bateria do ipod estava acabando.
- Maldita insônia, a vadia da garçonete deve ter me dado um café normal – resmunguei pra mim mesma, cruzando os braços. Não cheguei a nenhuma solução, então esperaria meu companheiro de poltrona chegar para conversar, se ele estivesse com insônia também.
Minutos se passavam, fiquei tamborilando os dedos em cima do braço da cadeira, e o rapaz não vinha. Será que tinha morrido? - Vou tomar água, não aguento mais ficar aqui. – falei pra mim mesma, deixando o ipod em cima da poltrona e nem ligando que estava de meias.
Caminhei lentamente ate o final do avião, observando as pessoas dormindo. Vi a garota que tinha conversado antes, ela estava em um sono profundo. Merda, pensei. Se ela estivesse acordada poderíamos conversar. Estava chegando ao final do avião, ate que entrei na salinha sem portas, onde continha o galão d’água e algumas cadeiras.
Cheguei lá e fiquei surpresa, Ruan estava de pé, ao lado do galão d’água com um copo na mão. Ele parecia pensativo.
Me aproximei do galão d’água e enchi meu copo.
- Hey, o que você esta fazendo aqui? – perguntei-o.
- Bem, eu acho que a mesma coisa que você. Insônia? – ele sorriu revelando os dentes brancos.
- Vidente? – fiz uma cara de assustada.
- Eu nunca consigo dormir em avião, principalmente em viagens longas.
- Eu tenho insônia, esqueci meus comprimidos na outra mala – me escorei na parede, do outro lado do galão.
- Indo fazer o que em Londres? Ou mora lá?
- Estou indo morar, e espero que pra sempre. – revirei os olhos – e você?
- Eu só vim visitar minha família, moro em Londres há dois anos. Acho que você vai gostar de lá, se você gosta de cidades de uma só cor e muita chuva.
- É, digamos que eu goste. O que você faz? – enchi outro copo d’água.
- Escrevo livros, sem muito sucesso. Mas meu ganha-pão é a agencia de publicidade.
- Que legal, sempre quis ser escritora. Não tenho criatividade pra isso.
- Eu também não tenho, acredite – ele riu e eu acompanhei-o. Ficamos alguns minutos em silencio até que ele o quebrou.
- Já esta com sono? – ele perguntou olhando-me com um pequeno sorriso.
- Não mesmo. Parece que a noite vai ser longa, e você? – encarei-o.
- Não estou também, acho que vamos acabar com toda a água. – rimos.
- Vamos ter que arranjar outra coisa pra fazer, ainda faltam 10 horas – agora confesso que eu estava me atirando. Mas ele estava provocando.
- Nossa, acho que só a gente está acordado. – agora ele me olhava com um sorrisinho maior. Meus labios ficaram separados com a minha respiração começando a acelerar por conta própria.
Não tinha mais o que falar. Duas pessoas desconhecidas, com insônia e tempo de sobra. Quando me dei conta, meu copo de água estava no chão e eu estava prensada na parede com o desconhecido me beijando. Não sei quem agarrou quem, mas isso não importa. O que importa era que eu previ que não iam só ser uns amassos. Nós estávamos ao lado do banheiro, e não demorou muito pra ele me arrastar pra uma cabine vazia, com as mãos em meus quadris. Adentramos o minúsculo banheiro sem desgrudar nossos lábios famintos. Trancamos a porta e não demorou muito e minha blusa já estava no chão do banheiro e eu sentada em cima da apertada pia. Nós riamos com aquela situação estranha, e cada vez mais sentia meus batimentos cardíacos acelerarem. Me lembrei de algo importante.
- Camisinha colega de poltrona? – perguntei procurando em seus bolsos
- Bolso de trás coleguinha – ele deu uma risadinha maliciosa. Eu pensei: Quem diabos carrega camisinhas pra uma vôo noturno?
Abri sua calça com pressa, tirando suas boxers, que, por sinal, eram minhas favoritas. Desci de cima da pia e comecei a acariciar lentamente seu membro já ereto. O rapaz moreno a minha frente mordeu o lábio inferior.
- Não provoca - ele deu uma risadinha. Comecei dando leves lambidas no mesmo, e depois voltei a seus lábios, descendo em seu pescoço e arranhando seu peitoral, que, por sinal, era definido. Num movimento rápido ele me pegou no colo e entrelaçou minhas pernas em sua cintura. Me escorou na parede do banheiro, fazendo um estrondoso barulho e eu bati a cabeça no espelho. Rimos juntos, afinal era engraçado e totalmente insano fazer sexo com um desconhecido na cabine de um avião, mas seria minha ultima insanidade neste país. Ele desceu minha saia lentamente, dando um passeio com as mãos pelo meu corpo semi-nu. Eu desabotoei meu sutiã, deixando Ruan livre.
- Você é linda – ele falou a frase carinhosamente, beijando meu pescoço e acariciando minhas pernas em sua cintura. Joguei minha calcinha em cima da pia e logo Ruan já estava me penetrando com força.
Ele fazia movimentos tão rápidos de vai-e-vêm que eu tive que me apoiar na pia do banheiro e logo estávamos ofegantes.
- Aguente... por favor – falei entre gemidos.
- Vou tentar – ele avisou em meu ouvido com a respiração acelerada e rapidamente sentou no vaso sanitário com a tampa abaixada e me puxou para ele. Continuamos o mesmo movimento. Agora eu estava sentada em seu colo ainda com as pernas entrelaçadas em sua cintura. Ele penetrou-me com mais força e eu mordi o lábio inferior para não fazer barulho e acordar o avião inteiro. Coloquei as mãos em sua nuca e joguei minha cabeça para cima. Arranhei suas costas, e beijei todo seu pescoço, não demorou muito e chegamos juntos ao clímax. Trocamos um olhar cúmplice, e eu lhe dei um selinho agradecendo. Sai de cima do mesmo, e comecei a vestir minha roupa novamente.
- Você acha que fizemos muito barulho? – perguntei a ele, subindo minha saia enquanto ele procurava as boxers ao meu lado.
- Se ouviram, o que vão fazer? Nos jogar pra fora do avião? – ele riu, abotoando a camisa.
- Espero que não. – o vi abotoar a camisa errado e fui ajudar.
Abotoei certo, e lhe beijei novamente. Ele passou os braços em minha cintura, me abraçando.
- Acho que estou cansado agora, quem sabe conseguimos dormir.
- É, vamos la. Só um minuto – me virei pro espelho a fim de ver em que estado me encontrava. Escabelada, e com a maquiagem borrada. Mas o que me chamou a atenção foi um risco rachado no espelho.
- Merda, rachamos o vidro do espelho! – eu não pude deixar de rir, e ele também. Arrumei o cabelo e queria retocar a maquiagem, mas como eu só tinha ido beber água, deixei na bolsa.
- Pronta? Você sai primeiro, depois eu vou.
- Ta bom, boa noite – rocei meus lábios nos seus, e lhe dei uma piscadinha, destrancando a porta e saindo, garanti que não tinha ninguém ali.
Tudo estava em silencio, parecia que não havia tido nenhuma testemunha. Caminhei devagar ate minha poltrona, rindo comigo mesma até uma aeromoça jovem cruzar meu caminho.
- Senhorita, onde estava a essa hora? Tem que ficar sentada no seu assento.
- Er, eu fui ao banheiro. Já estou indo dormir – falei da forma mais natural possível.
- Sua blusa esta do lado avesso senhorita – ela apontou, como se adivinhasse o que havia ocorrido no banheiro.
- Ah, obrigada por avisar – disse envergonhada e voltei aos banheiros. Entrei em outra cabine, desvirei minha blusa e voltei ao meu lugar. Ruan já estava la.
- Onde você estava mocinha? – ele bancava o serio.
- A aeromoça me avisou que eu estava com a blusa do lado avesso e voltei.
- Eu vi você saindo assim, achei engraçado – ele deu uma gargalhada.
- Seu idiota! – lhe dei um tapa no braço.
- Ai, desculpa. – ele não parava de rir.
- Algum problema aqui senhores? – a aeromoça velha veio ver o barulho.
- Não é nada, já estamos indo dormir.
- Viu? Vamos tentar dormir – me virei pro lado, me cobrindo novamente. Senti Ruan passar os braços ao meu redor, e foi bom, já que eu estava com frio. Ele começou a passar os dedos na minha nuca, fazendo arrepios. Aquele toque era bom, e me deixou com sono. Agora eu estava realmente cansada, e meus olhos foram fechando devagar.
“Última insanidade no Brasil...” adormeci com esse pensamento, brotando um pequeno sorriso em meu rosto.
02.
Eu tive um sonho engraçado. Sonhei que estava viajando para Londres, e no avião conheci um cara com o qual tive relações nada puras na cabine de um banheiro e...
- Que?! – falei em voz alta, despertando do meu sono bruscamente.
Olhei ao meu redor, vendo que ainda estava no avião e passei os dedos nos cabelos me lembrando do acontecido e que definitivamente não foi um sonho, porque em minha coxa direita se encontrava grudado um bilhete com os dizeres: “Foi um prazer conhecê-la , espero nos vermos em breve. Ruan”.
Ah cara... como eu pude? – pensei, descolando o bilhete abusado em minha coxa e colocando dentro da minha agenda que se encontrava na poltrona ao lado. Não me pergunte por que o guardei. Fiquei ali pensando onde estaria o garoto, e deduzi que ele tivesse parado em alguma escala. Me encolhi debaixo do cobertor e me perguntei se Londres se aproximava, devido ao frio. A jovem aeromoça que havia me avisado sobre minha blusa na noite anterior passou em minha frente com um carrinho lotado de comidas.
- Café da manhã senhorita? Sanduíche de atum ou biscoitos variados? – ela sorria.
- Biscoitos, por favor, e um pote de frutas – pensei em uma refeição mais leve.
- Aqui está – ela depositou a refeição na minha bandeja – café ou chá?
- Café preto, por favor. Moça, onde estamos?
- Em menos de uma hora aterrissaremos em Londres – ela sorriu e continuou andando com o carrinho.
Respirei fundo, sorrindo para mim mesma e senti a ansiedade me tomar. Olhei para a janela, estava um dia bem claro, com poucas nuvens. Comecei a comer as frutas, até que senti alguém cutucar meu ombro. Me virei e meu queixo caiu.
- Seu café da manhã está bom ou quer que eu peça outro? - Ruan me olhava radiante, não pude deixar de sorrir.
- Está bom sim, obrigada. – olhei pra ele e depois peguei um biscoito amanteigado.
- Por que o bilhete? Achei que você já estivesse desembarcado – perguntei meio indecisa ainda.
- Esqueceu que esse voo é direto, querida? Só coloquei pra você achar que estaria livre de mim – ele deu uma piscadinha e eu soltei uma risada baixa.- Isso parece bom – ele pegou um biscoito de chocolate no meu prato e o colocou inteiro na boca.
- Hey! Você não comeu não? – encarei-o.
- Comi, aham. – ele ficou com um olhar malicioso e eu demorei pra entender a indireta na afirmação dele.
- Idiota... – murmurei, sentindo minhas bochechas corarem.
Ruan esticou as pernas na poltrona, puxando a coberta para si. Continuei meu café em silencio, sem querer conversar sobre a aventura da noite passada. Era constrangedor.
- Ansiosa para conhecer Londres? – ele falou enquanto eu bebia os últimos goles de café.
- Demais, não vejo a hora – olhei pra ele, que tinha os braços na nuca.
- Aonde você vai ficar? – ele indagou-me.
- Ah, perto da zona 2, na Camden Town. Vou morar na City University.
- Lá é ótimo! Eu moro na zona 5, bem no subúrbio. – ele falou entristecido.
- Quem sabe um dia quando eu estiver estressada da correria em Londres, vá lá te visitar – revirei os olhos ironicamente e ele riu.
- O que você vai estudar na City? – ele perguntou curioso.
- Eu tranquei a faculdade de publicidade no Brasil e vou começar a de Design aqui, sempre foi o que eu quis, mas minha mãe não me apoiava.
- Nossa, que coragem hein. Mas é um emprego legal, se você souber bem o que quer e lutar .
- É sim... – baixei a cabeça, imersa em pensamentos.
Ouvimos sair dos auto-falantes do avião a mensagem que iríamos pousar no aeroporto de Heathrow em cerca de 20 minutos. Senti uma emoção repentina tomar conta de meu corpo, e comecei a juntar minhas tralhas espalhadas pelo banco e pelo chão do local.
- Calma menina – Ruan me encarava, rindo.
- Não é você que vai chegar em 20 minutos ao seu sonho – eu falei com a cabeça abaixada procurando pelos meus tênis.
Vi ele rabiscar algo em um papel.
- Toma, quando quiser conversar pode me ligar – ele me entregou um papel rasgado contendo seu numero de telefone.
- Obrigada, pode apostar que eu vou te ligar pra te perguntar como sobreviver – peguei o papel de sua mão e o enfiei dentro da bolsa. Com tudo guardado, eu peguei meu espelhinho dentro da bolsa e comecei a me maquiar e ajeitar os cabelos desgrenhados.
Não era assim que eu queria começar minha nova vida
Ruan me encarava, dando comentários engraçadinhos sobre o meu nervosismo com a situação.
Por fim, guardei os objetos e suspirei fortemente, sentada ereta na poltrona.
- Foi legal conhecer você – falei repentinamente, virando a cabeça pra direita.
- Também foi. Boa sorte lá , já sabe que pode contar com a minha ajuda.
- Obrigada. De novo.
Ficamos em silencio, apenas apreciando o momento do pouso do avião. Fechei meus olhos, e senti Ruan colocar sua mão sobre a minha. Não hesitei, sabendo que era um gesto de amizade pela minha pessoa. O avião foi parando lentamente, como se para aumentar ainda mais minha angustia e milhões de anos depois ele parou. Em solo britânico. Eu nem acreditava.
Eu e Ruan fomos caminhando atrás da fileira de pessoas que se dirigiam para a saída do avião, no caminho, fui checando mentalmente se tinha pegado tudo na poltrona. Por fim, descemos do local e a cada passo que eu dava dentro daquela sanfona que levaria a sala de desembarque, meu coração ia querendo pular mais para fora do meu peito.
- , você ta bem? – o garoto me olhava.
- To sim, não se preocupe. Nervosismo faz parte da minha existência – eu falei respirando profundamente quando passamos para o corredor de desembarque.
Por fim, pegamos nossas malas na esteira e a parte da imigração foi tudo ok, nada de confusões pela minha pessoa. Saímos pela porta giratória e eu simplesmente parei de andar quando me dei conta aonde estava. Eu fiquei observando os ingleses correndo com suas malas gigantes, falando em seus telefones, carregando Starbucks e parecia tudo tão... diferente do meu mundo.
- Sério , você tem algum distúrbio. – Ruan me encarava incrédulo.
Pisquei duas vezes, e senti meus olhos umedecerem.
– É, eu tenho mesmo. Vamos andando.
- Eu to esperando uma pessoa vir me buscar, você vai pegar um taxi? – ele colocou as mãos no bolso, e eu desconfiei quem seria a tal pessoa.
- Vou sim. – eu parei por um momento, não sabendo mais o que dizer.
- Até mais, boa sorte e já sabe pra quem ligar né – ele me deu um abraço, depois acariciou minha bochecha.
- Até. – simplesmente saí andando com minhas malas escandalosas. As pessoas que estavam correndo esbarravam em mim, e pediam desculpas. Incrível como eles eram educados. Foi fascinante. Cheguei ao ponto de taxi, lendo com dificuldade as plaquinhas.
Entrei em um taxi e dei ao motorista o papel contendo o endereço da universidade A viagem foi calma, eu observava com olhos atentos tudo que se passava. As pessoas, os pontos turísticos do centro de Londres, as lojas abrindo suas portas. Me lembrei de que teria que ligar para minha mãe e minhas amigas, mas meu celular estava sem bateria. A viagem demorou em torno de 20 minutos, vi o centro de Londres se distanciar e começar a Camden Town. Mais uma vez meus batimentos se aceleraram. Como seriam as pessoas? Como seria a universidade? Meus pensamentos foram interrompidos pelo taxista intrometido, que falava que nos havíamos chegado. Dei a ele os euros amassados que se encontravam no fundo da minha bolsa e desci do carro, com as pernas bambas, mas confiante. Notei que o taxista tinha me deixado uma quadra antes da universidade, e comecei a andar mais. Então começou a chover.
- Parece que eu estou mesmo em Londres – falei sorrindo.
Caminhei a quadra e olhei para cima, observando a gigante universidade. Eu estava ensopada, o cabelo escorria no meu rosto, então ninguém ia notar que eu estava chorando. Era realmente lindo, fora o dia nublado, a grama era verde e viva, algumas pessoas corriam apressadas para se abrigar da chuva. Ajeitei a postura e me dirigi à entrada do local.
Cheguei à recepção e botei meu inglês em pratica falando pra secretaria que eu tinha agendado tudo, que iria me hospedar na universidade e estudar design. Foi difícil ate ela entender, mas no fim ela me deu um monte de panfletos e polígrafos com regras, mapa dos quartos, salas e as minhas aulas. Fiquei tonta, mas enfiei tudo na bolsa e segui o porteiro, que carregava minhas malas para a minha futura morada. Eu estava radiante, devo admitir.
Depois de muitos corredores, ele indicou a porta que eu deveria entrar, me deu as chaves e depositou minhas malas ao meu lado, desejando-me boa sorte.
Peguei as chaves e finalmente adentrei o quarto, respirando fundo e sorrindo. Mas para minha surpresa, não foi tão especial a minha entrada ao quarto. Eu não imaginava ver um garoto sentado no meu sofá, com uma mão dentro das calças e a outra no controle remoto da televisão. Não é preciso falar que eu dei um berro e virei pra trás, fechando os olhos.
- Merda, o que diabos você esta... – o abusado se levantou do sofá rápido, tirando a mãos das calças e me olhando apavorado.
- Eu que te pergunto, o que você esta fazendo no meu quarto?! – eu continuava de costas - Este é o meu quarto, garota e – ele parou subitamente – você é brasileira! Me virei finalmente afim de encarar aquele ladrão de quartos.
- Escuta aqui, eu paguei por esse quarto três meses adiantado, e eles não me avisaram que eu teria que dividir com alguém – dei ênfase na ultima palavra.
- Olha, eu também tinha pagado e eles falaram que poderiam ocorrer mudanças, e que talvez eu tivesse que dividir com alguém. Eles não te disseram?
- Bem, talvez tenham dito e eu não entendi o inglês direito – baixei os olhos, tentando disfarçar meu ódio.
- Bem... sinto muito, mas os quartos estão lotados. Você vai voltar pro Brasil? – ele sentou-se no sofá, pegando o controle de novo.
- É obvio que não – eu não podia suportar minha própria raiva. Peguei minhas malas, fazendo força para tirá-las do chão. Incrível como as coisas ficam mais difíceis quando você quer sair de um determinado local.
- Quer ajuda? – ele me olhou, com um sorriso estampado.
- Não. – falei secamente, dando um puxão nas malas e por fim levando-as para a primeira porta entreaberta.
- Aí é o banheiro – ouvi o idiota gritar para mim, e depois que ele o fez eu notei que estava no banheiro.
- Mas que inferno... – sussurrei pra mim mesma, saindo do banheiro, mas me deparei com o garoto na porta.
- Devo avisar-lhe que só tem um quarto, é a primeira porta a esquerda. Tem duas camas de solteiro, mas você que escolhe. Ou dorme na sala, ou divide o quarto comigo. Como bons colegas de quarto – ele sorriu e eu fiquei com vontade de voar na cara daquele tratante.
- Saia do meu caminho, por favor – falei entre dentes. Ele saiu e eu me dirigi ao quarto, à esquerda. É obvio que eu não ia dividir o quarto com ele, mas ia deixar minhas malas ali. Cheguei ao minúsculo quarto, onde estava uma bagunça. Coloquei minhas malas em um canto e peguei meu celular com o carregador. Fui pra sala, e novamente entrei no banheiro por engano. Fechei os olhos, e me lembrei de onde estava. Não seria um garoto estúpido que me faria ficar de mau humor no meu primeiro dia em Londres.
Sentei no sofá e coloquei o carregador na tomada. O que não foi uma coisa muito esperta, pois deu uma faísca gigante e eu dei um berro.
- Brasil é 110, aqui é 220 – ouvi ele dizer, parecia vindo da pequena cozinha.
Eu não acreditava que isso estava acontecendo. Por fim, cedi a mim mesma.
- Olha, eu preciso mesmo ligar pra minha mãe. Você tem um celular que eu possa usar? – falei suplicante.
Ele me olhou com cara de vitoria e tirou do bolso um aparelho. Disquei o DDD e o código, como me lembrava e depois de uma vez chamar, minha mãe atendeu.
- Mãe! Eu cheguei! – falei pra ela que respondeu não muito contente.
- Que bom filha, como é ai?
- Bem, ate agora eu tive uns contratempos, mas vai dar tudo certo. Eu vou instalar meu note e te mando e-mails ok? Preciso desligar, amo você mãe.
-Tudo bem, divirta-se meu amor – o telefone ficou mudo
Depois mandei um sms pra , falando do garoto idiota.
- Obrigada – entreguei o aparelho a ele.
- As ordens – ele foi para o quarto, me deixando sozinha e pensativa.
Olhei para o relógio e ajustei o fuso horário de Londres. Agora eram duas e meia da tarde e senti meu estomago roncar.
Cedi novamente, e dei três batidinhas na porta do quarto entreaberta.
- Entra.
Entrei me sentindo humilhada por estar pedindo ajuda. - Olha, queria me desculpar por mais cedo. É que eu pretendia ficar sozinha, ou com uma menina. Eu sou meio nervosa. – olhei pra ele, que estava sentado na beirada da cama. Assim que eu falei, ele se levantou e veio ate a porta.
- Tudo bem, você pensou que eu era um pervertido invasor. – ele estendeu a mão, se apresentando.
- . – atendi ao cumprimento.
- Olha, eu sou nova e estou me sentindo um peixe fora da água, será que você podia me explicar como funcionam as coisas por aqui? – passei as mãos pelos cabelos timidamente.
- Claro. Mas devo avisar que cheguei aqui há apenas uma semana, então não sou tão expert. O bom é que as aulas começam só daqui a um mês e vamos ter tempo para nos adaptar, ou não. – eu ate ri.
- Bem, você pode cozinhar sua comida ou comprar nas lanchonetes do segundo andar. Eu ate agora, só faço uma gororoba pra não gastar muito, pois a comida aqui é bem cara e ruim. A camareira vem toda sexta feira fazer a faxina e você pode sair a hora que bem entender. - ele ficou pensativo, se lembrando de mais alguma recomendação para me oferecer - Acho que são só esses conhecimentos que eu posso lhe dar, qualquer coisa leia naqueles polígrafos, tem tudo. Mais alguma coisa?
- Sim, você já almoçou? – falei.
- Não, eu estava pensando eu ir comer a comida ruim e cara para não ser tão mão de vaca. Se quiser pode vir junto – ele passou a mão na nuca.
- Se você não se importar, estou com fome. – sorri timidamente e caminhei pra fora do pequeno quarto com o estranho ao meu lado.
03.
Passamos pelos corredores lotados de jovens e adultos de todas as idades, até chegarmos a uma lanchonete bem grande. Sentamos em uma mesa e eu pedi a mesma coisa que ele, algo como uma sopa e crótons. Era bom para o frio.
- Então, garoto pervertido, o que veio fazer aqui? – eu indaguei, enquanto colocava os cotovelos sobre a mesa encarando o garoto a minha frente.
- Bem, eu vim aqui estudar publicidade por conta, e você?
- Vim fazer design, e morar aqui. Odeio o Brasil.
- Somos dois – ele sorriu e a garçonete veio com nossos sucos.
Dei alguns goles e botei o canudinho de lado, perguntando-o:
– O que você já viu de Londres ate agora?
- Hm – esperei ele sugar o suco inteiro – já vi tudo do básico, você sabe como é, os pontos principais, as lojas e etc. É tudo muito legal, e essa cidade é bem acolhedora.
- Eu não vejo a hora de ir. E o metrô? É perto daqui?
- Sim, são duas quadras daqui. E ele te deixa bem no centro.
- Ótimo, e o que você fez aqui ate agora? Alem de... – eu ri me lembrando da cena.
- Bem, pra sua informação, eu estava com coceira e... – ele riu.
- Ta, ta, entendi – falei dando uma gargalhada com nojo.
- Ah, eu tirei muitas fotos. Encontrei alguns famosos, e fiz algumas amizades.
- Heey man! – um garoto estropiado chegou dando um pedala na cabeça de , e ele começou a falar inglês rapidamente e eu tive dificuldade em acompanhar. Mas ele falava algo de uma “mina” que ele tinha encontrado e que tava dando mole.
- , esse é o , ele fala português também – ele me apresentou o rapaz com o sorriso aberto ainda pela conversa sobre a garota.
- Olá , posso te chamar assim? Eu amo brasileiras, tanto que aprendi a falar português com elas aqui.
- Pode sim. Que bom que você gosta – dei uma risadinha e suguei novamente o conteúdo no canudinho. se sentou conosco, e eu fiquei envergonhada, pois ele me fazia milhares de perguntas sobre brasileiras. Dei graças a deus quando a garçonete trouxe nossas comidas. Comecei a comer, enquanto falava sem parar com em inglês, e realmente, o gosto daquela comida não era bom.
- , semana que vem vai ter uma “festinha” – ele fez aspas com as mãos – no quarto de uma garota, quer vir? O vem também.
- Bem... – eu olhei para o conteúdo dentro do meu copo e analisei a situação - acho que vai ser bom pra eu me socializar aqui, então eu vou pensar.
- Tudo bem, se resolver ir, o te fala o numero do quarto e a hora. Tenho que ir gente, adeus – ele falou rindo e saiu.
- Ele é bem... hiperativo – falei comendo os últimos crótons.
- É sim, mas é meu melhor amigo até agora.
Ficamos alguns momentos em silencio, ate que eu o quebrei.
- Ei, você vai fazer alguma coisa agora? – disse brincando com o guardanapo.
- Deixa eu pensar... eu ia assistir TV e me entediar, porque?
- Bem, se você estiver afim, podíamos dar uma voltinha no centro. Eu estou pirando pra conhecer a cidade e, além do mais, preciso mesmo comprar um carregador novo e um moden. E algumas roupas. E sapatos.
- Vamos nessa – ele revirou os olhos e eu sorri de canto
Andamos debaixo de guarda-chuvas e estava realmente frio. Tinha me esquecido que estava em fevereiro, inverno em Londres. Caminhamos as duas quadras e conversávamos livremente como se não tivéssemos nos conhecido de um modo estranho e eu desejasse matá-lo. Embora eu não quisesse mais.
xx
- Uaau, eu não pensava que era assim! – falei fascinada quando entramos no minúsculo quarto. – Londres é muito mais do que eu esperava.
- É sim, é mágico. – ele falou tirando o casaco e jogando em cima do sofá.
- Obrigada por me levar. Eu adorei mesmo – falei despejando as comprar no sofá também.
- Acabou a bateria da minha câmera, queria ver como ficaram as fotos! – falei entristecida, tirando o modem para o notebook da caixa.
- Você fica engraçada quando fala com os ingleses, parece bem nervosa – ele riu.
- É. Ainda não estou acostumada com esse inglês, mas eu chego lá viu.
Liguei o note e instalei o modem, enquanto foi tomar um banho. Ele cantava no banho. Era engraçado.
Finalmente consegui entrar na internet e comecei a mandar os e-mails histéricos:
From:
To:
Hey friend, estou em Londres! Aqui é tudo mágico e simplesmente perfeito. Quando eu cheguei, percebi que teria que dividir o quarto com alguém. Um alguém do sexo masculino! Tirando o fato que eu queria matá-lo e ele é bem sarcástico com a minha falta de experiência, ele é legal. E bonito. Não diga nada, estou aqui a estudos não é? (: Enfim, tenho que mandar essa msg para mais milhões de pessoas, então vou indo.
Beijos!
Depois de todo o ritual dos e-mails, coloquei meu celular para carregar e fui ao banheiro, onde já havia saído. Quando parei em frente ao banheiro, vi a porta entreaberta e observei de costas vestir uma camiseta pólo, ainda cantarolando alguma musica britânica. Afastei os pensamentos impróprios e adentrei o banheiro.
Fiquei nas pontas dos pés para acertar o botão de ‘winter’ no chuveiro , ou seja água fervendo, digna para quem estava congelando. Demorei bastante no banho e depois sai e olhei no relógio embaçado em cima da pia: oito e meia.
Vesti minhas calças compridas de pijama e coloquei um sutiã confortável. Quando estava passando o desodorante a porta se escancara e entra.
- !! – gritei puxando a blusa do pijama para cima de mim.
- Ai me desculpa, eu pensei que você estava no notebook, vim pegar as roupas que eu deixei ai e...
- Cai fora! - o interrompi, empurrando-o para fora e batendo a porta.
- Você sabia que se deve trancar a porta do banheiro? – ele falou do outro lado.
- Eu sei porra, mas eu esqueci! – berrei vestindo a blusa.
- Tudo bem, eu não vi nada e – ele falava rindo.
- , da licença, por favor? – dei um soco na porta.
Terminei de me vestir e sai, com as roupas sujas nas mãos. Passei pela sala e me perguntei aonde era a área de serviço.
estava na cozinha, cortando algo no balcão.
- Onde é o tanque? – indaguei para o garoto de costas.
- Aqui do lado – ele apontou com a cabeça.
Passei pela apertada cozinha e se virou quando tentei passar por trás dele, sem sucesso.
– desculpa, passa - Ele foi pro outro lado e eu fui pro mesmo que ele. Meu deus, isso era mais constrangedor do que a cena quando cheguei! Ficamos tão perto e esmagados naquela cozinha que eu dei um passo pra trás.
- Vai pro lado, por favor – falei ainda constrangida por esse estranho ter me visto sem roupa.
- Desculpa – ele se esticou no balcão e eu finalmente consegui passar.
Lavei minhas roupas no tanque, enquanto botava sua comida no fogão. Não falamos mais nada.
- Estou fazendo macarrão, quer?
- Não obrigada, não gosto. – falei e pendurei as roupas no varal minúsculo grudado na parede.
- Licença – pedi novamente, com os olhos em meus pés.
Ele se esticou novamente no balcão e eu saí, em direção a sala.
Sentei e respirei fundo. Zapeei pelos canais da televisão, mas nada que preste. veio e se sentou ao meu lado, com um prato de macarrão fumegante com um cheiro bom.
- Você não vai comer nada?
- Eu trouxe cup noodles, depois esquento – continuei com os olhos fixos na TV
- Não vai sobreviver – ele deu uma risadinha.
- Não vou comer sempre ok? Eu sei cozinhar – olhei pra ele o fuzilando.
- Sabe é? Eu duvido.
- Veremos, – voltei meus olhos a TV. Aquele cheiro de macarrão era bom mesmo. Comecei a ficar com fome.
Fui para o quarto e peguei um pote de cup noodles de galinha e levei para a cozinha, o esquentando no micro-ondas. Por fim me sentei na sala, e comecei a comer o conteúdo do potinho.
- Não quer nem provar? – meu deus, esse garoto era realmente persistente.
- Se isso vai te fazer me deixar em paz, sim eu provo - revirei os olhos e pus meu garfo em se prato, pegando um pouco de sua comida. Comi, mesmo não gostando de macarrão, era o melhor macarrão que eu já comi. Mas é claro que eu não ia dar o braço a torcer não é mesmo?
- É bom. Mas prefiro isso aqui
- É mesmo? – meteu seu garfo em meu pote e depois o levou a boca.- Credo , como você consegue comer isso? – ele fez cara de nojo
- Não, como você consegue comer isso.
- Gosto é gosto – falamos juntos. Algo nele me irritava profundamente, e eu não sabia dizer o que. Sempre fui de gênio forte, não é a toa que sai de casa por conta. E esse garoto parecia não bater com o meu gênio, isso eu já tinha notado.
- Se você me der licença, eu quero dormir – falei mesmo estando sem sono.
- Sinto lhe dizer isso, mas nós dois temos o mesmo direito. Eu quero olhar esse documentário interessante sobre, sobre a – ele olhou pra TV - a reprodução das focas.
Eu senti vontade de rir, mas bufei e peguei os cobertores e o travesseiro que eu tinha trazido. Deitei bruscamente no sofá pequeno e me cobri até a cabeça. Me encolhi o máximo que pude para não ter contato com ele. Mas meus pés ficavam em contato com o mesmo.
Estava um frio do cão, debaixo das cobertas eu fazia bafinho em minhas mãos.
- Com frio? Tem mais cobertores no meu quarto se quiser pegar – ele falou.
- Estou bem, obrigada – falei debaixo do cobertor.
Ouvi ele se levantar e ir para seu quarto. Pensei estar livre dele e estiquei minhas pernas, quando senti algo cair sobre mim. Não me movi, fiz parecer que estava dormindo. Ele havia colocado mais um cobertor em cima de mim.
Quando ele se retirou e eu ouvi a porta do quarto bater, olhei por cima do cobertor a porta fechada e enfiei novamente a cabeça para baixo.
xx
Acordei lentamente, com um cheirinho bom de café no ar. Espreguicei-me e esfreguei os olhos, olhando as horas: 10:45.
Sentei no sofá, passando as mãos pelos cabelos bagunçados. Levantei-me cambaleando e ouvi na cozinha, fazendo algo. Ele não notara que eu estava desperta então aproveitei pra ir ao banheiro. Fiz minhas higienes e prendi o cabelo em um rabo de cavalo baixo. Fui ate a cozinha e me escorei na entrada.
- Cheiro bom – falei tentando parecer agradável.
- Bom dia – ele sorriu. Incrível como ele não queria me matar.
- Obrigada por me cobrir noite passada, eu sou teimosa. – falei corando. Eram poucas as vezes em que eu admitia o erro.
- Tudo bem. Já estou me acostumando com seu jeito, ovos?
- Por favor. – O vi colocar os ovos em um prato e torradas junto e depois me entregar.
- Obrigada. Você é bem prendado hein, só falta o avental – observei.
- Diferente de você, sim; tem café no bule.
Eu ri e peguei uma xícara no balcão ao lado dele, servindo-me.
- Essa cozinha me agonia – falei.
- Eu também. Na verdade todo esse apartamento me agonia de tão minúsculo.
Pegamos nossos pratos e nos sentamos na sala, olhando a MTV.
- Esta realmente bom isso – falei comendo uma torrada.
- Melhor que seu cup noodles?
- Não, cup noodles é melhor. – eu ri.
- Sei. Teimosia sempre né.
Observei ele comendo, com os olhos fixos em um clipe de uma banda independente. Usava pijamas cinza e uma blusa regata branca.
xx
Já se passava uma semana que eu estava ali e nosso relacionamento não tinha mudado, eu ainda me irritava com seus modos, mas a gente se divertia. Era de manhã e nós estávamos sentados no sofá olhando um filme estrangeiro. Do nada, ouvimos fortes batidas na porta e eu dei um pulo do sofá.
- Acorda , seu prostituto! – ouvi alguém falar do lado de fora.
se levantou rindo e indo ate a porta. Abriu-a e um garoto entrou, não era . Ele estava perguntando se ia a tal festinha hoje à noite.
- Vou sim, cara – ele falava enquanto parou ao me ver.
- Heey , você não falou que já tinha traçado uma – eu o olhei incrédula.
- Merda , essa é a , ela é minha nova colega de quarto. – me olhou.
- Putz, desculpa . Eu não sabia que você – ele parou.
- Tudo bem. – falei sorrindo.
- Você vai à reuniãozinha hoje? – ele mudou de assunto.
- Vou – falei meio indecisa.
- Beleza, nos vemos então. Mais uma vez desculpa – ele falou saindo e dando um tapinha nas costas de .
Voltei a comer e se sentou ao meu lado novamente.
- Erm, desculpa por isso. Esse é o .
- Tudo bem , eu não sou nenhuma idiota.
Me levantei e fui lavar os pratos. depositou suas louças no mesmo local.
Enquanto eu lavava, vi se espremer atrás de mim para passar pro outro lado. Depois ele pegou um pano e começou a enxugar as louças
- Então, você vai hoje? – ele falou desconfiado.
- Aham, na verdade é mais pra estrear as roupas que comprei – falei sincera.
- Haha – ele riu ironicamente.
Terminamos a limpeza em silêncio. Guardei a esponja no balcão de baixo e tentou passar para guardar o pano. Como de costume, nos embolamos na cozinha e ficamos no mesmo lugar.
- Desculpa – falamos juntos e depois disso ficamos tão perto que eu fui obrigada a olhar pra ele.
- Ahm – tentei começar a falar pra ele ir pro lado, mas minha voz simplesmente sumiu como se minhas cordas vocais tivessem sido dilaceradas – – tentei de novo, sentindo meus lábios se entreabrirem com a minha respiração alterada sem eu mandar.
Minha respiração começou a acelerar ainda mais, e meu peito subia e descia compulsivamente. Eu não sabia o motivo daquilo.
Nós simplesmente estávamos nos olhando de um jeito estranho e tentador. As suas íris estavam intensas encarando as minhas com algo por trás das mesmas. Por instinto humano, nossos rostos foram se aproximando lentamente e eu pude ouvir que sua respiração estava no mesmo estado que a minha e eu inalei seu perfume. Baixei meus olhos para seus lábios levemente rosados, já sabendo o que viria a seguir. Gentilmente nossos lábios se encostaram devagar e eu senti a maciez dos seus em contato com os meus. Não era um beijo, até que ele se intensificou. Fechei meus olhos e apertei seus lábios com mais vontade e senti largar o pano de prato no chão e colocar seus braços na minha cintura com delicadeza. Passei minhas mãos em sua nuca e ele me escorou com delicadeza no balcão apertado da pia. Nosso beijo se intensificou ainda mais e nossas línguas se moviam com rapidez e uma urgência repentina que eu não sei explicar. Ele passou seus lábios para meu ouvido e sussurrou.
- Nunca achei que iria gostar de como essa cozinha é minúscula.
Sua voz me trouxe a realidade. Antes de eu falar algo ele selou nossos lábios de novo e eu subitamente o empurrei, ele me olhou espantado.
- Eu não posso – tentei passar, mas ele me prensou.
- Por quê? – ele me olhou segurando meu braço.
- ... me da licença – pus minhas mãos em seu peito, o empurrando pro lado.
Sai do quarto correndo, vendo as pessoas me olharem. Não sabia pra onde ir, mas simplesmente entrei no elevador e apertei o botão do térreo.
Caminhei mais e me sentei na loja da Starbucks, pedindo um mocca.
Enquanto meu pedido não vinha, fiquei pensando no acontecimento anterior. Era tão estranho. Ele era gentil comigo, mas eu não conseguia ser com ele. E agora um beijo? Todas essas perguntas me trouxerem fortes lembranças que eu lutava pra esquecer. Meu pedido veio e eu bebi o café com lentidão, já que estava fervendo. Olhei pro lado e vi ir em direção a saída. Virei o rosto pro outro lado para ele não me ver. Por fim decidi subir para o quarto, sabendo que ele não estaria ali. Quando entrei, tudo estava em silêncio. Entrei na cozinha e vi o pano de prato jogado no chão. O peguei e coloquei no lugar, sem saber o que fazer. Me veio algo na cabeça: eu estava em Londres. E novamente, esse garoto não vai estragar o meu bom humor. Ele é só mais um garoto, foi só um beijo, e nós vamos ser bons colegas de quarto. Respirei fundo e fui escolher minha roupa para a festinha. Isso não iria me abalar, sinto muito .
xx
Depois que escolhi minha roupa, deitei na cama ao lado da de e dormi a tarde inteira. Acordei às sete e meia com uns barulhos parecendo vir da cozinha. Me levantei e fui pé por pé ate lá para ele não ouvir minha presença. Olhei de canto e vi abrir uma cerveja e depois virando-se pra mim. Eu queria me enfiar num buraco. Nada me veio a mente, eu soltei a primeira coisa.
- Que quarto é?
- 1068 – ele falou passando por mim bruscamente.
Entrei no quarto a fim de me vestir e ele estava lá, tirando a camisa. Entrei sem olhar pra ele e revirei as sacolas do dia anterior procurando a roupa. Parecia que nós dois estávamos a fim de esquecer essa coisa toda.
Olhei de lado e vi as costas bem torneadas do garoto, seus ossos se movendo enquanto ele vestia uma camisa xadrez azul por cima de uma regata branca. Peguei a roupa e fui para o banheiro.
Tomei banho e depois vesti um short jeans escuro e rasgado, de cintura alta e uma blusa regata vermelha com uma rosa estampada, eu estava congelando. Subi a meia calça arrastão e pus um vans preto. Fiz chapinha no cabelo e pus alguns bobes para dar volume. Enquanto isso, fiz uma maquiagem fraquinha e coloquei um colar preto.
- , você morreu? Eu preciso entrar, droga – falava do outro lado da porta.
- Te acalma garoto – o ouvi sussurrar: mulheres...
Depois tirei os bobes e eu estava pronta. Abri a porta e dei de cara com um encostado na porta com uma cara de poucos amigos. Apesar disso ele me olhos dos pés a cabeça e depois se voltou a meus olhos.
- Você esta bonita – ele falou ainda mantendo a seriedade.
Passei por ele ignorando o comentário. Sentei no sofá e o ouvi cantarolar.
Varias coisas me passavam pela cabeça, até que fui ate a porta do banheiro.
- ? – falei encostada na porta e ele parou de cantarolar – vamos esquecer o que aconteceu na cozinha? Se a gente ficar de mau, eu vou morrer de fome! – falei.
Ele não falou nada, mas eu sabia que ele tinha ouvido. Percebi que ele estava esperando um porquê.
- Eu... Não quero ter alguma coisa agora, entende? Quero focar nos meus estudos – eu espero que ele não tenha percebido a mentira estampada na minha voz.
Por fim ele abriu a porta com um cheiro delicioso e me encarou.
Me deu um beijo na bochecha e falou no meu ouvido:
- Como quiser.
Aquilo me tonteou, mas eu estava satisfeita.
– Então, vamos? – perguntou.
Subimos com o elevador ate o décimo andar e, no local, um monitor perguntou por que estávamos vestidos daquela maneira.
Respondemos que éramos irmãos e iríamos tirar uma foto para mandar a família. O bom do décimo andar, é que era o ultimo. E a festinha ia ocorrer no apartamento com cobertura, da garota mais riquinha da universidade. Então não se escutava nada lá de baixo.
Por fim, passamos pelos corredores e varias pessoas já se dirigiam para o local. Entramos na porta aberta do apartamento e uma garota com cabelos longos e peitos visivelmente siliconados nos atendeu. Ela usava um vestido branco bem curto, com um decote provocante.
- Olá ! Quem é sua amiga? – ela me olhou sorrindo falsamente.
- Sou , prazer.
- – ela deu dois beijinhos em mim.
- Entrem, tem bebidas no freezer, a cobertura e piscina estão disponíveis. Boa diversão.
Adentramos ainda relevantes e eu vi algumas pessoas sentadas em sofás e outras escoradas no parapeito bebendo e conversando. Parecia agradável.
- Quer beber alguma coisa? – me perguntou.
- Sim, com certeza.
Fomos até a cozinha branca e gigante, bem diferente da nossa, diga-se de passagem, e pegou uma cerveja no congelador. Eu peguei um dos drinks prontos. Fomos pra sala, e sentamos em um sofá com algumas outras pessoas.
- Hey gente! – sentou conosco, junto com , visivelmente altos.
- Eai – e ele se cumprimentaram.
- Gostando da festa, brasileirinha? – me olhou e eu ri assentindo com a cabeça e brindando meu copo no seu.
- Vocês vão ficar aqui sentados? Qual é!
- Eu vou dançar com você , você vem ? – olhei pra ele.
- Vão indo, eu vou terminar minha cerveja.
Enquanto isso, se agarrava com uma qualquer.
Assentimos e fomos pra pequena pista improvisada, onde varias pessoas dançavam e se agarravam. era uma delas, onde dançava com um copo de Martini na mão e alguns garotos ao seu redor. Eu e começamos a dançar e ele ofereceu-me sua bebida quando a minha acabou. Aceitei e tomei tudo, sentindo o álcool fazer efeito. A música que tocava era muito rápida e boa; fechei os olhos e balancei meu corpo, sentindo a vibração da musica abafada e do álcool em minhas veias. Conversei mais com , que parecia super animado com a festa e bêbado.
- , vamos sentar um pouco? Minhas pernas estão doendo! – gritei em seu ouvido com as mãos nos joelhos. Depois sentamos em um sofá pequeno ao lado do banheiro.
- Vou pegar mais bebida, já volto – gritou.
Passei os olhos pelas pessoas procurando meu colega de quarto, até que o avistei, ele estava conversando com em um sofá. Apenas o fato dele estar conversando com aquela vadia falsa já era repugnante, mas eu baixei os olhos e vi sua mão pousada em sua coxa. Eu não o queria, não tinha nada com ele. Mas aquela garota? passou os dedos pelo cabelo de e beijou seu pescoço lentamente. Virei pro outro lado não querendo ter pesadelos à noite. veio e me entregou uma garrafinha de uma bebida que eu não sabia o que era, mas simplesmente a bebi inteira. E vi que era forte, quando queimou minha garganta, me deixando alta.
- Caramba, você é das minhas – ele me olhou rindo.
- Sou mesmo. – falei e me olhou com um sorrisinho debochado no rosto.
- Você acha que temos mais coisas em comum? – eu disse, passando um braço em sua nuca, acariciando os cabelos ali bagunçados.
Ele me olhou e logo passou sua mão pela minha cintura, logo em seguida nós estávamos aos beijos e eu não me importava com isso. Ele deixou sua garrafa no chão e acariciou a minha cintura. Me virei para ficar de frente pra ele e percorri minhas mãos pelo seu peito. baixou as mãos lentamente para minhas pernas, acariciando minhas coxas. Sentei-me mais perto dele, colando ainda mais nossos corpos ofegantes. Ele fazia um passeio com as mãos pelo meu corpo, desde meu colo a minha bunda e pernas. Vi ele passar a língua pelo meu pescoço e senti sua respiração abafada na minha pele arrepiada. Ele deu alguns beijos em meu colo e voltou para meus lábios. Pousei minha mão delicadamente entre suas pernas, e ouvi o garoto dar um gemido baixo.
Estava me sentindo uma vadia, eu sei. Mas em um país diferente, com pessoas diferentes, quem se importa?
Enquanto beijava meu pescoço, deitei minha cabeça em seu ombro e abri os olhos, surpresa ao ver parado me observando atrás de nós. Olhei pra ele e passei minha mão por cima da de , que se encontrava em minhas coxas, subindo a mesma. Beijei seu ombro, ainda com os olhos em , que me observava com uma expressão ilegível. Por mais que eu gostasse do que estava fazendo, senti uma pontada de dor. Eu adorava ver um homem sofrer. Adorava me sentir desejada e ver nos olhos de alguém esse desejo se esvairá. Vi chegar atrás de e beija-lo, cujo passou suas mãos pelo corpo da garota e meu sorriso murchou. Enquanto beijava calorosamente, ele abriu os olhos e me olhou como se tivesse fogo dentro deles. Eu sorri para ele com maldade, mordendo o lábio inferior e empurrei a cabeça de para meu colo. Acariciei seus cabelos enquanto o garoto distribuía beijos pelo local e olhei novamente pra . Vi ele sair de mãos dadas com , com uma das mãos em sua cintura. Quando foi, ele olhou pra trás com aquela expressão que eu não conseguia distinguir. E depois virou pra frente novamente. Eu fechei os olhos, sentindo me beijar intensamente.
Eu não sabia o que estava acontecendo. Eu sabia que não vim pra cá encontrar meu príncipe encantado e me apaixonar perdidamente. Eu sei que não vim pra cá apenas a estudos, apesar do que eu falo pra todo mundo. Eu vim por diversão. E era exatamente isso que eu estava fazendo. Mas parecia que algum sentimento estúpido estava tentando atrapalhar meus planos. Suspirei e me levantei em direção ao banheiro, chamando com o dedo indicador, que foi como um cachorrinho.
A diversão é um sentimento bom, te dá prazer, te dá poder. Mas junto com ela, vem a indecisão.
04.
Meus olhos foram se abrindo lentamente, parecia que eu não tinha dormido nem uma hora de tanto que eles pesavam. Demorei a processar as informações dentro de meu cérebro, de perceber onde estava e de quem era aquele braço por cima da minha cintura. Olhei discretamente pra trás e vi alguém dormir com a respiração pesada. Ah, me lembrei. Era . Olhei para cima, imersa em pensamentos. Por que eu e estávamos tão estranhos ontem à noite? Porque eu não conseguia distinguir sua expressão nem o sentimento estúpido dentro de mim na noite passada? Enquanto eu pensava comigo mesma, uma voz preguiçosa falou ao pé do meu ouvido.
- Volta a dormir princesa, ta cedo... – droga. Pensei.
Levantei-me, com uma dor de cabeça absurda, efeitos da noite anterior. Meu corpo todo parecia mole, eu só vestia um short branco de rendinhas e um sutiã. Olhei para o quarto, nunca havia estado nele. Devia ser o de . Procurei o banheiro e o adentrei, encontrando uma escabelada, com a maquiagem borrada e algumas marcas espalhadas. Varri o local com os olhos procurando algum sinal de minhas roupas, mas não encontrei nada. Voltei ao quarto e vi minhas roupas em cima de uma cadeira, junto com meus sapatos que estavam espalhados. dormia profundamente, agora abraçado ao travesseiro. Vesti-me e peguei um casaco que estava em cima da cadeira, não iria sair com aquelas roupas pela escola afora. Caminhei até a beirada da cama e depositei um beijo no rosto de , que abriu os olhos devagar, dando um sorriso. E voltou a dormir como um bebê. Pus os sapatos na mão, e abri a porta lentamente pra não fazer barulho. Não fazia idéia em que andar estava, mas caminhei ate o elevador e pressionei o botão do sétimo andar. entrou no elevador no nono andar e me olhou, parecia estar com uma expressão debochada.
- Eai , como foi sua noite?
- Engraçadinho... – apenas falei isso e logo cheguei ao sétimo andar, acenando para o garoto.
Algumas poucas pessoas passavam pelos corredores, e me observavam com os sapatos na mão. Cheguei ao meu quarto e hesitei. Lembrei-me que não estava com a chave, que provavelmente estaria com . Fiquei com medo de estar ali dentro, ou estar no quarto dela e eu ficar na rua sem chave. Depois de alguns segundos bati na porta três vezes e chamei pelo garoto baixinho.
Logo depois ele abriu a porta, com os olhos levemente abertos, cabelos bagunçados e aquele pijama que ele usava na outra noite. Olhei pra ele e entrei na sala, depositando meus sapatos na área de serviços.
- Você deveria levar chave quando não vai voltar pra dormir em casa – o ouvi dizer enquanto passava um pano nos calçados.
- Tudo bem... eu esqueci .
Fui para o quarto temendo o pior, e quando entrei, estava deitado novamente, mexendo no celular. Nenhum sinal de alguma garota. Respirei aliviada e peguei meu pijama na mala ao lado da minha cama. Vesti-me no banheiro e fiz minha higiene, voltando ao quarto. Eram uma e meia da tarde.
Hesitei novamente, pensando se iria deitar no sofá apertado ou deixaria o orgulho de lado e deitaria na cama de solteiro vazia. Por fim, decidi que não adiantava mais ser orgulhosa a essas alturas. Deitei-me e me cobri com o edredon que eu havia trazido. Parecia estar mais frio que quando cheguei. Encolhi-me, passando os braços pelos meus joelhos. virou-se pro outro lado, dando de cara comigo. Ele parecia surpreso a me ver ali. Mesmo assim, fechou os olhos. Parecia que nenhum de nós queria dar explicações sobre aqueles estranhos acontecimentos. Não consegui dormir novamente. Ele me tirava a concentração. Por fim, fui até a cozinha de pés descalços e me estiquei para pegar um pacote de biscoitos em cima do balcão. Voltei ao quarto, onde se encontrava na mesma posição. Sentei na minha cama, puxando o edredon novamente. Abri o pacote sem fazer barulho, mas mesmo assim ouviu e abriu os olhos.
- Quer? – perguntei sem interesse.
Ele fez que sim com a cabeça e esticou o braço para a minha direção, pegando o grande pacote. Ele endireitou-se na cama e começou a comer rapidamente.
- Vai deixar um pra mim? – após ouvir o som de sua risada, ouvi a porta da sala bater e uma vozinha esganiçada gritar melodicamente.
- , trouxe o caféee - logo adentrou o quarto, me encarando perplexa e eu paralisei.
- Er, poderia nos dar licença? Preciso perguntar algo pro meu colega de quarto – falei após alguns segundos sem ninguém dizer algo.
Ela não falou nada, apenas saiu do quarto, batendo a porta com força.
- , o que é isso? Vai trazer garotas pro nosso quarto? Você esqueceu que eu também moro aqui? Eu não quero ver garotas entrando e saindo da minha casa!
- Você estava com , que diferença faz? – ele me encarava.
- Faz diferença por que agora eu estou aqui! Por favor, não quero interromper, mas eu desejo ficar no meu quarto sem ter que ouvir essa vozinha irritante – falei e enfiei a mão bruscamente no pacote de biscoitos.
Ele me olhou com um ódio repentino, e levantou-se da cama andando bruscamente para a sala. Ele ficou lá por alguns minutos e eu ouvi ela bater a porta.
Após isso ele voltou ao quarto, me olhando. Não falei nada, eu estava com a razão no momento. Era só o que me faltava mesmo! deitou novamente, virando-se para o outro lado. Por cima do cobertor, vi seu corpo contrair rapidamente. Percebi que ele respirava com dificuldade. Terminei de comer os bicoitos e me virei ao lado contrario do dele, tentando adormecer mais uma vez.
xx
Havia se passado duas semanas. Depois de amanhã começaria as aulas, e eu estava mais atucanada do que nunca. Depois dos episódios da semana passada, e eu estávamos progredindo no nosso relacionamento como colegas de quarto. Ele estava me ensinando a cozinhar, combinamos de nunca trazer parceiros para o quarto, fazíamos as palavras cruzadas e nesses últimos dias estávamos ocupados em comprar o material para os estudos, roupas e afins. Neste momento estávamos voltando a pé para a universidade, depois de alguns passeios no centro de Londres. Obviamente estava chovendo, e mais obvio é que tínhamos esquecido o guarda chuva. e estavam conosco. Corríamos pela rua com os casacos tapando o rosto. Estava um frio do diabo, mas eu estava louca para ver quando nevasse. Por fim chegamos, molhando todo o tapete vermelho do saguão, entrando no elevador com as tantas sacolas. e falavam sobre o jogo de PS3 que compraram em conjunto. Depois e desceram em seus respectivos andares e e eu ficamos rindo ainda dos acontecimentos.
- Eu estou congelando – falei pra ele escorada na parede do elevador.
- Eu não, estou morrendo de calor – ele se abanou ironicamente.
- Eu vou tomar banho primeiro hein! – falei.
- Não se eu chegar antes que você – ele sorriu quando a porta do elevador abriu e o garoto saiu em disparada rumo ao nosso quarto.
- Droga , eu vou te bater! – gritei pra ele tentando acompanhar seu ritmo, mas ele já estava abrindo a porta com rapidez.
Entrei no quarto ofegante, e já havia entrado no banheiro, deixando suas sacolas e tênis espalhados pela sala.
- Filho da mãe... – resmunguei recolhendo as tralhas do chão.
Fui “tentar” fazer o jantar enquanto tomava seu banho. Bem, meu arroz estava ficando uma paçoca e a massa não queria desgrudar da porra da panela. Eu estava entrando em desespero com medo de causar um incêndio quando apareceu, com uma toalha azul na cintura e o cabelo pingando e posso dizer que estava extremamente sexy?
- Meu deus ! – ele falava e mexia o arroz rapidamente enquanto jogava a minha massa fora.
- Ei! O que você ta fazendo ? Minha massa! – protestei.
- Você ia mesmo comer aquilo? – ele me olhou rindo.
- Mexe o arroz aqui sem parar enquanto eu vou botar uma roupa – e saiu da cozinha.
Mexi o tal do arroz, que continuava uma paçoca e depois ele apareceu, com uma calça jeans e uma camiseta branca de mangas compridas.
- Pode deixar, eu cuido disso. Vai toma seu banho – ele me empurrou da cozinha.
- Vê se não queima meu arroz ta! – falei ironicamente e o ouvi rir.
Demorei mais do que o normal no banho, tentando conter o frio que se espalhava pelo meu corpo. Depois sai do banheiro, com uma toalha na cabeça e vi que o quarto estava em silencio total. Olhei meu celular em cima da bancada e tinha uma mensagem de dizendo o seguinte: “Estou no jardim, desça aqui em baixo o mais rapido possível”. Estranhei o chamado, mas botei uma roupa e me cobri com um casacão qualquer, saindo do apartamento. Caminhei apressadamente até o jardim da universidade, muito curiosa e com os braços cruzados no peito, pois estava um frio cortando o meu rosto como nunca. Por fim sai da área coberta e me deparei com a cena mais linda que já tinha visto em toda a minha curta vida. O céu estava limpo, uma gigantesca lua cheia marcava o céu escuro de Londres com poucas estrelas, mas o que me chamou a atenção foram os pequenos flocos de neve que caiam preguiçosamente pelo ar gelado. Um caiu na ponta do me nariz e eu pus a mão no local, fascinada. Olhei ao redor daquele cenário deslumbrante, as arvores e as flores do jardim estavam levemente cobertas pelos flocos que caiam. estava parado com as mãos nos bolsos, no meio do jardim, observando aquele momento único. Ele virou pra trás e me olhou, sorrindo.
Sorri também, e caminhei em direção a ele. Observei meus passos que ficavam marcados enquanto eu caminhava, deixando as marcas de meus pés pelo chão do local.
- Isso é a coisa mais linda que eu já vi – falei pra ele observando com cautela toda a extensão do jardim coberto pela neve – obrigada por me avisar – finalizei.
- Eu também. Sabia que você ia gostar – ele falou observando.
De repente ele se abaixou e arrancou uma das margaridas vermelhas do canteiro e assoprou os flocos de neve que a cobriam. Depois se virou pra mim e colocou a pequena flor atrás da minha orelha com cuidado, ajeitando meu cabelo.
- Você está linda – ele falou e eu senti uma onda de desespero, medo e desejo ao mesmo tempo. O fato de eu querer olhar para seus olhos o tempo inteiro me assustava tanto, que eu parecia fora da realidade que eu preciso encarar.
- Obrigada – abracei sua cintura e coloquei minha cabeça em seu peito de lado. Ele passou os braços pelas minhas costas e beijou o alto da minha cabeça. Ficamos ali por alguns minutos, apenas apreciando aqueles flocos caindo lentamente, nem mesmo o vento cortante me impedia de sair dali. Eu estava em paz. Quer dizer, em paz até agora. Porque ouvimos uma voz de dentro da universidade.
- Vocês! Já esta tarde pra ficarem na rua! Entrando agora! – o monitor nos chamava, quebrando completamente meu momento de paz. Olhei pra cima, observando e começamos a rir. Por fim voltamos pra dentro, sacudindo a neve de nossas cabeças. Eu dei uma ultima olhada para trás, para gravar na minha memória aquela cena pra sempre.
- Não se preocupe, amanhã ainda vai ter neve – ele falou lendo meus pensamentos.
Subimos para o nosso quarto em silencio. Entramos e eu me lembrei de algo.
- ? Você terminou o jantar? – olhei pra ele tirando o casacão.
- Merda! Eu vi a neve cair pela janela e corri la pra baixo. Deve estar frio!
Fomos pra cozinha, onde tudo estava lá, inacabado. Recomeçamos novamente o jantar e meu estomago já protestava.
- , você tem que aprender a mexer com calma isso aqui – segurava minha mão sobre a colher de molho – e não parar de mexer se não gruda no fundo.
Depois de alguns minutos nós finalmente comemos e lavamos a louça como de costume. Estava terminando de passar o pano sobre a pia úmida quando passou os braços pela minha cintura, encostando seu rosto na minha nuca. De inicio achei que era um gesto de amizade, mas depois eu comecei a estranhar aquilo.
- O que você esta fazendo? – perguntei continuando a passar o pano, com medo da resposta.
- Sentindo o seu perfume – ele falou cheirando meus cabelos me causando arrepios.
- Bem, eu estou usando o mesmo que uso todo o dia e... – ele me virou de frente, calando-me.
- Não muda de assunto – ele fixou os olhos nos meus e eu vacilei.
- ... eu não posso – comecei a me explicar em vão.
- Você já percebeu que esta usando a mesma desculpa da outra vez? - Ele balançava a cabeça de um lado para o outro negativamente – porque isso?
Pensei um pouco em minha resposta e cheguei a nenhuma conclusão.
- Você não entende . Simplesmente não pode entender – baixei a cabeça, olhando para meus pés.
- Olha pra mim – ele colocou os dedos no meu queixo levantando minha cabeça – o que você vê nos meus olhos? Pensei por alguns segundos observando aqueles olhos.
- Eu vejo o mesmo que os meus – congelei ao saber a resposta desde o inicio.
Delicadamente ele tocou seus lábios nos meus, apertando-os.
- Então por que negar o que nos dois sabemos – ele fechou os olhos falando.
- Eu... – suspirei – não consigo mais negar.
05.
A partir da minha confissão, o garoto juntou nossos lábios, que se selaram de uma maneira única, e eu soube que eu estava realmente fugindo do sentimento que estava se formando dentro de mim por aquele garoto. A neve caia lá fora, a janela estava aberta e um vento frio invadiu o cômodo, me arrepiando. Na hora em que ele estava parado em meio aquele cenário lindo da neve caindo, eu soube que tudo mudaria. Tudo que vinha dele me fazia fugir. As duvidas deram lugar a mais nada do meu cérebro. Ele simplesmente ficou vago, só vinha a minha mente. Decidi chutar o balde, e não pensar no futuro, nem no meu passado.
Ele estava sendo o meu presente, se ele seria meu futuro ou não, decidi deixar o destino decidir.
- – afastei seus lábios com o dedo – eu...
- Não fala nada – ele sussurrou – apenas sente o momento comigo – ele passou seus braços pela minha cintura e beijou meu pescoço até que eu entendi o que ele queria dizer.
Nossos corpos se colaram e ele me sentou em cima da pia e ficou entre minhas pernas me beijando ardentemente. passou seu nariz levemente gelado por meu pescoço, cheirando o local e depositando beijinhos por toda a extensão, fazendo com que minha pele se arrepiasse com aquele toque tão desejado. Emaranhei minhas mãos naqueles cabelos despenteados e puxei seu corpo para mais perto do meu, como se isso fosse possível.
- ... eu preciso de você – falei suplicante.
O garoto me olhou de repente, como se estivesse esperando para eu dar a carta branca. Gentilmente ele pegou meu corpo no colo e me tirou de cima da pia. Não seria uma surpresa se nós caíssemos ali de olhos fechados. Nosso beijo foi intensificando-se cada vez mais de uma forma absurda, e fomos cambaleando até a sala, onde ele me desceu do chão e me escorou na parede do local, colando seu corpo ainda mais ao meu. Suas mãos firmes percorriam meu corpo enquanto eu fazia o mesmo. Aos poucos, nós dois fomos conhecendo cada pequeno pedacinho de nossos corpos, detalhes que se passavam despercebidos. Comecei a ficar com pressa e abri lentamente os dois primeiros botões de sua camisa e depois o puxei pela gola em direção ao quarto. Fui de costas sendo guiada por ele até a primeira cama do quarto. Meu pé bateu no pé da cama e eu o virei, jogando-o e subindo por cima do mesmo, segurando seu rosto e o beijando. Eu estava nervosa com aquilo tudo, afinal sexo não é apenas sexo quando se faz com seu colega de quarto. Mas eu resisti. Levantei meu corpo e pus os cabelos pra trás, que alias estavam atrapalhando.
Nós dois ficamos de joelhos na cama, apenas trocando toques por nossos corpos. Eu não agüentei mais e tirei a minha blusa a jogando em algum canto. Passei minhas mãos carinhosamente pela barriga de puxando sua camisa junto. Eu sentia a vibração dentro do meu peito e nossas respirações alteradas. Nos abraçamos de um jeito como se fosse necessário aquilo, e eu senti que suas batidas cardíacas também estavam altas. Comecei a beijar seu pescoço perfumado com urgência e ele me deitou na cama, ficando sob o meu corpo. beijou meu colo e foi descendo sua língua até meu umbigo, dando beijinhos no local. Minha barriga se contraiu com seus lábios me tocando e sentindo sua respiração pesada no local. Respirei profundamente quando ele começou a desabotoar minha calça jeans, olhando pra mim de um jeito que eu nunca tinha visto naquele . Ali eu soube que não era só sexo, tinha sentimento ali, e muito. Mas eu ainda não identificara qual tipo de sentimento. Não era como um qualquer onde você só quer ter o principal e nunca mais o ver na vida, com eu me sentia diferente. Eu sentia um calor percorrer meu corpo, uma vontade de tê-lo como nunca. Ele tirou minhas calças com praticidade e segurou minha perna direita com a mão, depositando beijos por toda ela. Por fim, ele subiu os beijos lentamente pela minha barriga e, com os dentes, pegou o elástico da minha calcinha de rendinhas e a afastou um pouco para baixo. continuou com os beijos pela minha intimidade, acariciando-a com os dedos. Eu mordi o lábio inferior, enlouquecendo de um modo como nunca havia. começou a fazer movimentos circulares pelo local e beijando ao mesmo tempo. Depois ele retirou a mão e as passou por toda a extensão de minha cintura, lambendo minha barriga e eu me contorci com aquele gesto. Passou as mãos pelos meus seios e abriu o sutiã com facilidade. Novamente seus lábios estavam grudados aos meus, e ele fez pressão com seu corpo sob o meu para mostrar que já estava chegando lá. Sentir sua excitação perto de mim me pirou ainda mais. Empurrei-o para baixo de mim, trocando nossas posições e coloquei cada uma de minhas pernas em volta do seu quadril, espalmando minhas mãos em seu peito nu. Comecei a fazer movimentos para frente e para trás como se estivesse dançando. estremeceu com aquilo e eu sorri com prazer.
Baixei minhas mãos para o fecho de sua calça, mas não o abri. Passei uma de minhas mãos para o local, o massageando. colocou os braços em baixo da nuca, respirando com dificuldade. Para finalizar o sofrimento, tirei suas calças e o masturbei com uma mão. Depois, baixei minha cabeça e dei uma pequena lambidinha em seu membro.
- ... – ele gemeu piedoso.
Lambi toda a extensão de seu membro e o masturbei ao mesmo tempo. Em um movimento rápido trocou nossas posições novamente e ficou por cima de mim. Ele me olhou carinhosamente e beijou meus lábios. Afastou minhas pernas com as mãos e se pôs entre elas, dando a primeira investida dentro de mim. Ele foi com calma e delicadeza, mas eu não agüentava mais.
- , eu preciso de intensidade – falei segurando em seu rosto.
- Faço o que você pedir – ele falou com a cabeça em meu ombro e eu sorri.
O garoto fez movimentos muito rápidos de vai-e-vem e colocou todo seu membro dentro de mim, me fazendo gritar e revirar os olhos. Novamente ele deitou por baixo e me colocou sentada em cima dele, acariciando minha bunda com firmeza. Eu me movimentei lentamente com ele dentro de mim e coloquei meus braços na cabeça, fazendo movimentos circulares com o quadril vendo o garoto enlouquecer ainda mais. apertou ainda mais minha bunda, me fazendo sentir seu membro dentro de mim com tanta intensidade que eu não agüentei e nem ele. Chegamos ao clímax e ele me olhou com tanta ternura que eu não resisti.
Rolei pro lado da cama e me deitei junto com ele. Me deu um selinho na testa e eu suspirei. Após alguns minutos de pouca conversa, eu me sentia tão cansada que adormeci minutos depois.
xx
Senti umas cosquinhas durante o sono, e quando acordei, me deparei com um grande par de olhos me encarando. passava seus dedos pelas minhas costas nuas descobertas do lençol e me olhava.
- Bom dia – ele sussurrou.
- Hmm.. bom dia – me espreguicei e olhei pra ele.
- Dormiu bem?
- Muito bem... – falei rindo.
- Fiz o café – ele levantou-se vestindo apenas uma boxer preta e pôs uma bandeja ao meu lado.
- Obrigada... – me sentei na cama, puxando o lençol pra cima.
Em cima da bandeja estavam torradas, café preto e uns biscoitos.
Comemos a refeição preparada por e nos deitamos novamente.
- , o que rolou com você e a ? – perguntei aleatoriamente.
Ele pensou um pouco e depois falou:
– A mesma coisa entre você e o .
Eu suspirei, mas não falei nada, pois eu também tinha feito.
- Eu acho que preciso de um banho – falei preguiçosa.
Levantei-me, enrolada no lençol branco e quando estava indo pro banheiro desenrolou o pano em volta de mim, me fazendo quase cair.
- Devolve isso! – brinquei com ele, tentando puxar o lençol de volta.
- Ah não, esse lençol tampa a sua beleza! – ele falou e depois me pegou pelas pernas e me colocou de cabeça pra baixo em seu ombro.
- Me pôe no chão , eu vou cair! – dei socos em suas costas e me debati com as pernas, em vão obvio. Ele me pôs dentro da banheira, abrindo o chuveiro e deixando a água cair sobre mim. Me senti um bebe.
- Eu acho que você também precisa de um banho, queridinho – falei segurando sua perna fora da banheira.
- Você acha mesmo? – ele fez cara de pensativo.
- Eu não acho, eu tenho certeza – puxei suas pernas pra dentro da banheira, fazendo o garoto cair por cima de mim.
- Haha, espertinha! – ele falou pegando o chuveirinho e o abrindo, esguichando água na minha cara.
- Para! ! – falei bebendo litros de água.
Levantei-me da banheira e tentei agarrar o chuveirinho de sua mão, que se encontrava no alto, fora do meu alcance. apontou o negocio para mim, molhando eu e o banheiro inteiros. – Para! – disse em vão tentando parar o garoto.
Por fim peguei o shampoo e esguichei em , que começou a rir freneticamente.
- Ai ai, meu olho ! – ele parou de jogar água e colocou a mão no rosto.
- Ai, desculpa, ta doendo? – falei acariciando seu rosto, preocupada.
- Não, te peguei! – ele falou jogando mais água na minha cara.
- Filho da puta – tirei o lençol molhado que me envolvia e joguei em cima dele, subindo por cima. Por fim consegui pegar o chuveirinho e me vinguei dele.
- Ta bom, ta bom você venceu! – ele falou com as mãos no rosto.
Eu ri me sentando novamente na banheira, cansada.
- Você me faz bem sabia? – ele falou aleatoriamente.
Fiquei pensando por alguns segundos sobre aquela frase e conclui que eu podia dizer o mesmo, mas como gestos dizem mais do que palavras, cheguei para perto dele e lhe dei um beijo rápido, depois passando meus dedos por seu rosto molhado.
Ele beijou a minha cabeça e ficou acariciando meu braço em cima de sua perna carinhosamente. Ficamos por ali não sei quanto tempo, até que comecei a sentir frio por cima do lençol molhado.
- Eu vim pra tomar banho, me deixa tomar? – falei olhando pra cima.
- Claro, eu fecho os olhos – ele falou pondo as mãos sobre o rosto.
- Não precisa – falei tirando as suas mãos e sorrindo.
Desenrolei o lençol que me cobria e o joguei para ele, depois abri o chuveiro e fiz sinal com o dedo indicador pra ele vir tomar banho comigo. levantou-se rapidamente e foi pra de baixo da água comigo.
- Vai me deixar tomar banho contigo? – ele perguntou passando os braços pelo meu corpo.
- Só se você me der banho – falei entregando-lhe a esponja.
Começamos a rir.
Virei de costas pra ele e prendi meu cabelo em um coque mal feito, sabendo que o maior ponto fraco dele é a nuca. beijou meu pescoço delicadamente e depois pegou a esponja e a passou nas minhas costas devagar, causando arrepios em mim. Dei mais um passo para trás, encostando meu corpo no dele. Peguei suas mãos com a esponja e as trouxe para minha barriga, onde continuou a ensaboar-me.
- Esse cabelo ta sujo – falei rindo e esguichando shampoo na cabeça do garoto -Abaixa a cabeça – pedi ficando na ponta dos pés pra lavar o cabelo dele.
Tirei a camisa molhada que ele vestia e o ajudei a ensaboar inocentemente. Até parece.
Após isso, ligamos o chuveiro de novo e enquanto a água ia caindo sobre nós, íamos nos enxaguando. Cada local que o sabão ia escorrendo, beijava.
- Nunca tomei um banho tão bom – me virei pra ele, o encarando. Apenas rocei meus lábios nos seus, segurando em sua nuca. - Acho que acabamos com a água – ele falou desligando finalmente o chuveiro.
Nos secamos com as toalhas felpudas e eu fui de volta para a cama de solteiro, enrolada na mesma.
- – falei escolhendo as palavras – porque nós fizemos aqueles ciúmes na festa da ?
- Bem... – ele pensou sobre o assunto, passando as mãos nos cabelos – eu acho que naquele momento nós já sentíamos a necessidade de magoar um ao outro.
- Por que?
- Só Deus sabe, – ele falou sorrindo pra mim.
Minutos depois, o celular de tocou e ele levantou-se da cama indo pegar em cima do armário. Ele falou algumas poucas palavras e logo desligou.
- Quem era? – indaguei, vendo-o colocar uma camiseta.
- Nossos livros chegaram, vou lá em baixo pegar ok? – ele falou fechando o zíper das calças e indo ate mim.
- Não saia daí – ele me deu um selinho rápido e saiu do quarto.
- Não vou sair... – falei pra mim mesma.
Cobri-me com o edredon e os acontecimentos das ultimas 24hrs me vieram a tona na mente, me fazendo pensar a respeito daquilo tudo. Eu precisava conversar com alguém. Precisava de algumas respostas. Repentinamente me veio algo na cabeça, e eu corri em busca da minha bolsa, achando no fundo dela um papel amassado contendo um telefone. Disquei os números com rapidez e esperei atender.
- Alô, Ruan? Preciso conversar com você, é a – ele pensou por alguns segundos, e eu deduzi que ele estaria tentando se lembrar de quem eu era.
- Ah sim, oi querida! O que manda? - ele falou alegremente.
- Eu acho que estou apaixonada. Mas eu não quero estar. – suspirei.
06.
Ouvi a porta bater e rapidamente desliguei o celular na cara de Ruan e me joguei novamente em baixo do edredon, dando um sorriso amarelo quando ele entrou.
- Que foi? – ele arqueou uma sobrancelha.
- Nada – falei desfazendo o sorriso.
- Você estava falando com alguém? Parece que ouvi vozes – disse depositando os pesados livros em cima da bancada.
- Sim... – pensei um segundo – com a minha mãe – falei. Não queria que soubesse que eu estava discutindo minha relação com ele com um cara que fiz coisas nada puras no avião.
- Ah. Você já se deu conta de que amanhã começamos a faculdade? – ele mudou de assunto e eu me apavorei com o que ele dissera.
- Nossa. É mesmo. Ah, nós vamos ficar tãão separados – levantei-me da cama indo abraçar ele e fazendo beicinho.
- Pois é. Mas ainda somos colegas de quarto, temos as noites inteiras – ele falou com um sorrisinho nos lábios.
Eu ri e me separei dele, indo ver os nossos livros. Passei os olhos pelos meus livros de design, achando tudo lindo demais pra ser verdade. Folhei as paginas contendo escritas com tópicos e desenhos diversos de modelos, tecidos e tudo que eu sempre sonhei em fazer. Eram sete pesados livros, que eu teria que carregar pelos próximos anos, provavelmente causariam um problema na minha coluna.
- Os meus são só 5 – falou olhando os dele.
- Claro né, publicidade é mil vezes mais fácil – rolei os olhos.
Guardei os livros no armário e peguei minha escova de dente indo pro banheiro.
Fiz minha higiene e dei um jeito no meu cabelo, que estava uma merda. Liguei o secador e ouvi gritar que meu telefone estava tocando. Falei pra ele atender que eu já estava indo, e só depois de falar isso que eu notei a burrada que tinha acabado de fazer. Desliguei o aparelho rapidamente e entrei no quarto, dando de cara com falando no meu telefone.
- Me dá – falei indo na direção dele.
- Não, ela não esta. Quem é? – falava, me empurrando com uma mão.
- Ruan? Quem é você? – comecei a me desesperar por não conseguir alcançar o celular das mãos daquele idiota.
- Amigo? Da onde? – ele continuava perguntando pra Ruan, me deixando irritada
Por fim dei um pulo e peguei o celular da mão dele.
- Alô? Sou eu. Depois te ligo – falei pra ele e desliguei.
- Muito bem, quem é Ruan? – perguntou com os braços cruzados.
- Meu amigo, , não posso ter? – perguntei incrédula com a reação dele.
- Pode. Mas ele tinha sotaque britânico, ele estuda aqui por acaso?
- Não... Eu o conheci no avião – falei cuidadosamente.
- Hmm – analisou a minha resposta e depois deu de ombros.
- Por que essa reação? – falei pondo a mão na cintura.
- Nada... Não posso sentir ciúmes? – ele se aproximou de mim, me abraçando e passando seu nariz pelo meu pescoço.
- Bem... eu acho que – tentei ser firme, mas era impossível com aquele cheiro delicioso vindo dele me hipnotizando. - Eu acho que você não deve... – tentei ainda falar mas ele colocou o dedo indicador nos meus lábios, calando-me com um beijo. Como eu conseguiria ficar brava com ele?
Neste momento, ouvimos três batidas na porta da sala e nos olhamos imaginando quem seria.
- Eu atendo – falei me desfazendo de seu abraço.
Caminhei curiosa até a sala, e chegando lá, espiei pelo olho mágico para ver quem era e achei que estivesse sonhando quando olhei. Dei um grito e pus uma das mãos sobre a boca.
- Não pode ser... – falei sorrindo procurando a chave da porta. Encontrei-a e lutei para abrir, mas minhas mãos estavam com tanta pressa que acabei deixando cair no chão.
- Merda... – falei finalmente abrindo a porta e vendo a pessoa a minha frente. - Me belisca por favor? – falei boquiaberta. - ! – Senti a garota se jogar em meus braços, me esmagando com um abraço que eu senti tanta falta e daí eu soube que não estava sonhando.
- Meu deus, ! Como, como você...? – jorrei as palavras não acreditando que ela havia conseguido chegar até ali.
- Eu falei que vinha, não falei? – ela disse com um enorme sorriso – então, aqui estou eu.
- Eu sabia que você viria ... – me abracei a ela novamente.
- Quem é essa? – Ouvi a voz de atrás de mim e me virei, vendo-o com uma bolacha na mão e uma cara de curiosidade.
- ... Essa é a , minha amiga. Ela acabou de chegar a Londres – apresentei-os.
- , esse é o meu colega de quarto, – dei espaço para ela entrar no nosso apartamento.
- Muito prazer, eu ouvi falar muito de você – ela lhe cumprimentou com dois beijinhos, sorrindo e eu a fuzilei com os olhos. coçou a nuca, confuso.
- Ouviu é? – ele olhou pra mim.
- Er , por que você não vai dar uma voltinha, vai no , sei lá – falei empurrando ele pra fora do apartamento.
- Mas eu to de pijama e – ele falou e eu fechei a porta na cara dele, rindo.
- ... – ele falou melodicamente do outro lado da porta.
- Vai ! – falei e olhei pra ela.
- Vem , vamos guardar suas coisas – peguei uma das malas de suas mãos.
- Uau, aqui é realmente minúsculo – ela disse observando nosso quarto.
- Pois é, você nem imagina como eu sofri com isso – falei pondo suas malas no chão ao lado das camas.
- Já almoçou? – perguntei a ela.
- Não... não quis comer a comida do avião – ela falou tirando seu gorro cinza da cabeça.
- Eu também não, vamos comer algo lá em baixo e botar a conversa em dia? – falei indo até ela e a abraçando novamente.
- Senti sua falta, sua bitch! – falou apertando a minha mão.
- Eu também – falei e saímos do apartamento.
xx
- Então quer dizer, que você passou três semanas aqui e já conseguiu se apaixonar e ter relações com dois caras daqui? E um desconhecido no avião! – ela falou pondo a primeira garfada na boca.
- Não é bem assim... e eu não to apaixonada – falei revirando os olhos.
- Então como é?
- Bem, foi como eu te falei . Eu não queria estar sentindo isso pelo , porque jurei pra mim mesma que não me apaixonaria de novo – falei apertando os olhos com força – por isso que eu sou desse jeito agora.
- Ah ... – ela falou pondo sua mão sobre a minha.
- Ta tudo bem, é só mais uma paixãozinha boba – falei afastando os pensamentos.
- É, mas do jeito que você fala dele, parece que não é só isso.
- Bem... – respirei fundo – eu não sei exatamente o que é – confessei.
- Com o tempo você descobre – falou tomando um gole de seu suco.
- Mas e você? Como anda as coisas por lá?
- Ahh, tudo na mesma – ela falou entediada – as meninas estão na faculdade lá, eu fiquei fazendo nada nessas três semanas, um dia antes de vir pra cá passei na casa da sua mãe pra ver como ela estava e me despedir.
- Como ela esta? – engoli em seco.
- Bem... ela diz que sente sua falta e gostaria de nunca ter feito nada pra você sair de casa. Mas ela disse que é melhor pra você estar em um lugar melhor.
- Sinto falta dela também... – falei olhando pro meu prato sem nada ver.
- Mudando de assunto, como foi o lance com esse tal de ? – ela disse percebendo que aquele assunto me deixava constrangida.
- Ah, estupidez – falei tomando meu refrigerante.
- Por que?
- Porque o estava fazendo ciúmes pra mim e eu resolvi entrar no joguinho dele – falei e dei de ombros – e como eu não estava muito sóbria, acordei na cama dele e não me lembrava de muitas coisas.
- Nossa – me olhou com os olhos arregalados – você mudou mesmo - ela riu.
- Boa tarde! – chegou atrás de mim, me fazendo dar um pulo – pronta para começar as aulas?
- ... – falei sacudindo a cabeça e me olhou com um sorriso – estou pronta e você? – falei tentando parecer o mais normal possível.
- Nasci pronto – ele falou puxando uma cadeira e sentando-se conosco – se importa? – ele perguntou.
- Não, pode sentar – disse apontando pra mesa.
- Então... quem é sua amiga que eu nunca vi por aqui? – ele falou olhando pra .
- , esse é o , essa é a – falei apresentando-os.
- Muito prazer – ela falou simpática.
- O prazer é todo meu – ele falou fazendo uma cara estranha e eu ri.
- Vai cursar aqui? – ele perguntou e concordou com a cabeça – o que?
- Vou fazer design com a – ela disse e o garoto assentiu.
- Bem ladies, eu tenho que ir, prazer em conhecê-la – ele falou acenando pra nós duas e saiu cumprimentando uma garota loira.
- Ele é um galinha... – falei antes que fizesse algum comentário.
- E uma gracinha – ela complementou olhando o garoto se afastar.
- ! – falei e ela voltou seus olhos pra mim.
- Calma, não posso dar minha opinião? – ela disse e nós rimos.
- Então, onde você vai ficar? – indaguei-a.
- O diretor falou que por enquanto eu tenho que ficar com vocês, mas vai desocupar um quarto semana que vem e eu vou dividi-lo com uma garota chamada Amy.
- Ah , porque não vai ficar com a gente? – falei tristemente.
- Porque eu não quero dividir o quarto com um casal – falou como se fosse obvio.
- Nós não somos um casal! – falei agitada com o que ela disse.
- E por que você esta dormindo com ele? – ela falou pondo a mão no queixo.
- Porque... – pensei em uma resposta boa, mas nada me veio em mente – deixa pra lá, vamos subir – falei e ela riu, acompanhando-me até o elevador.
- , porque você ainda não pôs suas roupas no armário? – ela perguntou boquiaberta com a bagunça de nosso quarto - Porque eu achei que conseguiria mudar de quarto, mas não consegui – menti.
- Aham, sei – era incrível como aquela garota me conhecia mais que eu mesma.
- Vamos arrumar isso aqui ok? – ela perguntou pondo as mãos na cintura.
- Só porque eu te amo... – falei com preguiça.
Arrumamos as roupas no armário, separando as de também. Depois colocamos as maquiagens, perfumes e afins em cima da bancada onde estava uma bagunça.
- Esta melhor não esta? – perguntou terminando de colocar as meias na gaveta.
- Esta sim... – confessei e ouvi a porta da sala bater.
entrou no quarto olhando o local boquiaberto.
- Parece que uma mulher de verdade esteve aqui – ele falou rindo e eu fiz cara feia.
- , a não sabe ser essa mulher – ela falou entrando no banheiro e fechando a porta.
- Está bem melhor – ele falou colocando as chaves em cima da bancada.
- Também acho. Ah, a vai ficar com a gente essa semana tá? – falei.
- Tudo bem, ela parece ser uma menina legal – ele falou sentando-se na cama.
- Sabia que você gostaria dela – falei e sentei-me na cama junto dele.
- Estou cansada... – disse, me espreguiçando.
- Eu vou lá no saguão pegar o folheto das minhas aulas porque eu perdi ok – ele falou depositando um selinho rápido nos meus lábios.
- Ok, traz um mocca pra mim? – perguntei fazendo carinha de anjo.
- Claro... – ele falou revirando os olhos e saiu do quarto.
- Hmm, que clima romântico – falou saindo no banheiro e me pegando sorrindo sozinha com o travesseiro nos braços.
- Que mentira! – joguei o travesseiro na cara dela.
- Ta apaixonada, lalala – cantou, se atirando na cama junto a mim.
- Eu não quero isso – neguei com a cabeça enquanto cobria nós duas.
- Por quê? Ele parece ser um cara legal – ela disse se apoiando nos cotovelos e me encarando.
- Ele é... Mas você sabe , é difícil pra mim – falei me virando pra ela.
- Você nunca mais vai se apaixonar de novo? – ela falou seria.
- É exatamente isso que eu quero. O amor é uma merda.
- O amor é o que move o mundo – ela falou sorrindo.
- Não necessariamente – suspirei – vamos mudar de assunto.
- Você conseguiu a bolsa? – perguntei a ela depois de um segundo.
- Não... Eles alegaram que como eu demorei pra entrar na universidade, já tinham distribuído todas as bolsas – ela falou deitando-se novamente.
- Ah cara, que merda... Então não vamos estudar juntas sempre?
- Acho que não... vou fazer só duas cadeiras e você três né?
- Vou... – assenti com a cabeça e levantei-me para alcançar o folheto das aulas.
- Amanhã eu tenho aula as... – passei os olhos rapidamente pelo papel – seis da tarde até as dez da noite.
- Eu não tenho amanha, só terça. Vamos demorar pra nos acostumarmos com esse horário louco – ela falou amedrontada.
- É bem diferente da escola né ? – falei voltando pra cama.
- Você não sente medo ?
- Sinto... mas sinto mais vontade de começar logo – falei sorrindo.
- Sinto vontade de ir lá pra fora e ver essa neve linda e você? – ela falou olhando a janela que balançava fortemente com o vento.
- Nossa, a neve! Esqueci dela! Ainda acho que to naquele país tropical – falei levantando-me e indo até a janela.
A neve lá fora caia em grandes quantidades, e podia se ver toda a extensão da universidade coberta por aqueles flocos mágicos. Senti meus olhos brilharem, e me lembrei de meu pai, quando ele me levou pela primeira vez para ver o mar. Era exatamente a mesma sensação, e gostaria de estar vivendo isso com ele.
- ? – senti me cutucar.
- Oi? Vamos descer? – falei me recuperando.
- Estava tãão ansiosa pra usar as roupas quentinhas que comprei – ela falou revirando sua mala.
Vesti uma meia calça e uma calça jeans por cima, devido ao frio, e um monte de moletons quentes, finalizando com um casaco estilo esquimó que o tinha, com um capuz de pelinhos. Ainda acho que o frio não era tanto, mas pra quem morou toda vida em um inferno de quente, isso aqui parecia a Antártida.
ainda estava de sutiã e calcinha, decidindo qual meia calça botaria por baixo.
- , ninguém vai ver sua meia calça – falei rindo e sentando-me na cama.
- Como você sabe? – ela falou lançando-me um olhar malicioso.
- Haha, já ta entrando no clima e... – falei, mas uma pessoa chamada entrou bruscamente pela porta, adentrando o quarto. - , você viu o – ele chegou dizendo, mas parou quando viu se escondendo atrás da porta.
- o que é isso? – ele perguntou rindo.
- Porra , você acha que ta aonde? – falei levantando-me.
- Vocês deviam deixar a porta trancada! – ele disse olhando pra mim e .
- E você devia bater antes de invadir a propriedade de alguém! – falei dando um tapa em sua testa.
- Ok, ok, mas quem é essa? – ele perguntou pra , que só estava com a cabeça aparecendo atrás da porta.
- , essa é a , esse é o – falei monotonamente.
- Er, oi – ela falou corando e ele abriu um sorriso cumprimentando ela.
- O que você queria? – indaguei a ele.
- Ah sim, queria saber onde o estava.
- O que quer com ele?
- Iih, bancando a namoradinha ciumenta? – ele perguntou rindo.
- Cala boca ! – falei dando outro tapa na testa dele.
- To brincando, é de seu interesse também. Amanha a noite vai rolar uma festa tipo ‘boas vindas’ da universidade.
- Ah, mas eu tenho aula amanha de noite! Só o meu curso tem! – resmunguei.
- Vai começar as 23hrs , a sua termina as dez não é? Fala pro isso ta, porque eu tenho que ir – ele disse e saiu acenando pra nós duas.
saiu de trás da porta revirando os olhos e começou a se vestir.
- Vamos? – perguntei a ela.
- Mas é claro! Boas vindas não teriam graça sem uma festa – ela falou fechando o zíper do casaco.
07.
- Rápido , isso ta quente! – segurava meu copo de Starbucks enquanto eu tentava enfiar as moedas na maquina.
- Pronto – falei e peguei o copo de suas mãos, que estavam sem luvas.
- Merda! – dei um tapa em minha testa – esqueci que o ia me trazer um mocca. Tadinho.
- Bem, ele vai tomar. – falou enquanto caminhávamos pelos corredores do local, indo em direção ao jardim.
Chegamos ate lá, e tinha muitas pessoas no local, diferente do outro dia em que eu havia estado ali. Havia varias pessoas sentadas nos banquinhos, conversando e tomando bebidas quentes, já outras, brincando de guerrinha de neve e afins.
- Vamos sentar ali? – apontou pra um banco vago e eu assenti.
- Olá meninas, tudo bem?! – nosso caminho foi bloqueado por um garoto que usava aparelho nos dentes, e sorria pra nós com um papel na mão.
- Er, oi – dissemos sem entender a atitude do garoto.
- Meu nome é Colin, queria saber se vocês já botaram o nome de vocês na lista pra festa de amanha a noite?
- Na verdade não – falei e olhei para a folha nas mãos do garoto – mas nos vamos.
- Ótimo! Assinem seus nomes então – ele entrou-me a folha e uma caneta.
Assinei meu nome e vi que já havia posto o dele também, e também. Aquela vadia ignorante. pôs o dela também.
- Obrigada meninas, até amanha! – o garoto feliz sorriu e saiu abortando outras pessoas.
Eu e demos de ombros e fomos nos sentar no banco, mas agora ele estava ocupado por dois garotos.
- Olá ladrões de bancos – falei cumprimentando e .
- Opa, não vimos o nome de vocês aqui – levantou os braços e nós rimos.
- , posso saber por que você não tranca a porta quando sai?
- Eu esqueci, por quê? – ele me olhou confuso.
- Porque seus amigos adoram invadir nosso apartamento. Tipo o – falei rindo.
- Ah, vou cuidar disso – ele falou sorrindo pra mim – quer sentar?
- Não, tudo bem. – coloquei as mãos nos bolsos.
- Que dia lindo – comentou esfregando as mãos para esquentar.
- E frio também. – falei pegando as mãos dela e esquentando com minhas luvas. Senti meus dentes baterem uns nos outros involuntariamente.
- Preciso ir ao banheiro, vem comigo ? – perguntei a ela, que assentiu e acenamos pros garotos.
’s POV on
- Cara, que frio da porra – falei pra .
- Bem vindo a Londres, brasileirinho – ele riu.
- Mais uma brasileira agora – ele falou e eu deduzi que ele estava se referindo a .
- Ela é bem bonita – comentei dando de ombros.
- E gostosa – acrescentou dando um sorriso.
- Quem é gostosa? – chegou me assustando.
- A amiga da – eu e falamos juntos.
- Ahh, eu vi ela nua hoje – ele falou como se fosse normal e eu e arregalamos os olhos.
- Haha, deviam ver a cara de vocês! – ele falou sentando-se ao meu lado.
- Como assim ? – indagou curioso.
- To brincando cara, eu cheguei lá, meio que sem bater na porta – revirei os olhos – e ela estava se trocando, mas não deu pra ver muita coisa porque ela logo se escondeu atrás da porta, mas parecia ter um corpinho lindo – falou imaginando algo pervertido em mente.
- Ela é parecida com a em termos de beleza – falou e eu olhei pra ele.
- , eu me esqueci de te falar depois daquele dia da festa da , foi mal pela , mas eu estava bêbado e eu não tinha como negar uma garota como ela – falou pra mim, e eu pensei que ele nunca mais ia tocar nesse assunto.
- Ta tudo bem cara – falei dando um tapinha nas costas dele.
- Mas e vocês? Está sério? – perguntou.
- Sei lá, acho que não – dei de ombros fazendo pouco caso.
- Opa! Ela ta livre então? – se pronunciou.
- Dude, vai querer pegar ela quando ele ta dormindo com o ? É como se você estivesse transando com o também! – fez uma cara de nojo.
- Pior... – ele pareceu pensativo – mas ainda tem a !
- Hey, e eu fico como? – levantou os braços.
- Você pega as outras daqui, tipo aquele grupinho que não para de olhar pra cá – apontei pra umas meninas que estavam sentadas em um banco olhando e sorrindo pra nós.
- Wow, vou lá – levantou-se fazendo pose de machão, e eu não acreditei que ele fosse mesmo. E realmente ele não foi, pois passou reto e entrou na universidade virando-se e mandando um dedo do meio pra nós.
- Retardado... – murmurou.
- Merda! – alterou a voz – esqueci de ir pegar os livros na livraria, fudeu!
- Cara, como você esqueceu isso? Vai lá amanha de manhã, a sua aula é de noite né? – falei pro garoto desesperado.
- É... eles abrem de manhã – respirou fundo aliviado – mas eu tenho que arrumar umas coisas ainda, e droga, combinei de sair com uma garota e já são seis e meia! Vou indo , até – ele saiu correndo acenando pra mim.
Balancei a cabeça, vendo correr olhando desesperadamente o relógio.
Fiquei ali sentado no banco, sentindo minhas mãos congelarem sobre meu colo. Acendi um cigarro e dei a primeira tragada lentamente quando avistei uma garota com longos cabelos e um casaco rosa de pelinhos que ia ate os joelhos, calçando uma bota branca com um salto agulha. Merda. . Como eu queria que a terra se abrisse e me engolisse. A garota veio na minha direção, como eu previa, toda sorrisos para mim e se aproximou.
- Hey sumido – ela sentou ao meu lado.
- Eai – falei normalmente.
- Não me ligou mais, sumiu mesmo – ela falava me encarando, mas eu mantinha a cabeça abaixada em minhas mãos .
- Desculpa ... – eu não sabia mais o que dizer. - Tudo bem lindinho – ela disse enrolando uma mecha de cabelo nos dedos e mascando um chiclete, fazendo um barulho irritante. - Quando vamos repetir a dose? – ela sussurrou no meu ouvido.
- Ops, esqueci que você esta com aquela garotinha, qual o nome dela mesmo? – disse olhando pra frente e eu vi vindo em minha direção.
- – disse entre dentes.
- Eu já vou indo , mas me ligue ok – ela depositou um beijo na minha bochecha e saiu rebolando e mandando um “tchauzinho” amigável pra , que sentou-se ao meu lado e ficou em silencio.
- Eu sei que não é da minha conta – ela deu de ombros parecendo não se importar – mas o que você e a estavam conversando?
- Nada de mais... Ela ta dando em cima de mim de novo – falei naturalmente.
- Hmm... – ela murmurou.
- Que vadia... – ouvi ela sussurrar bem baixinho.
- O que? – indaguei rindo.
- Que fome! – ela falou pondo-se em pé e dando um sorriso amarelo.
- Você é engraçada – falei levantando-me.
- Haha, vamos entrar que eu to com frio – ela disse fazendo vaporzinho no ar.
- Sei um jeito de esquentar – disse e peguei-a no colo, a derrubando na neve e comecei a tacar bolas de neve em cima da garota, que ria freneticamente.
- Para idiota! – ela falou entre uma bolada e outra.
Ela tentou se levantar, mas eu a derrubei de novo e subi por cima dela.
- Tentar é em vão – falei pra ela ofegante e após alguns segundos de nossos olhos se encarando, uni nosso lábios gentilmente.
- Caiu direitinho – ela gritou vitoriosa e ficou em cima de mim, prendendo meus braços e logo fazendo um monte de neve em cima do meu corpo.
- ! Isso é frio! – falei comendo neve.
- Oh, coitadinho – ela fez beicinho.
Vi ela deitar-se ao meu lado na neve, pondo as duas mãos sobre a nuca e encarando o céu nublado.
- É tudo mais o que eu esperava – ela falou repentinamente.
- O que? – perguntei enquanto retirava a neve de cima do meu corpo.
- Tudo isso. Tudo o que fazia falta na minha vida medíocre – ela fechou os olhos.
- Também sinto isso. – falei cruzando os braços no peito.
- Obrigada por viver isso comigo – ela disse ainda de olhos fechados e entrelaçou sua mão gelada na minha. E ficamos ali por um tempo, observando o céu escurecer.
- Acho melhor a gente entrar antes que aquele monitor estraga-prazeres apareça de novo – falei sentando-me no chão.
- O que tu vai fazer pra comermos hoje ? – ela disse levantando-se e se espreguiçando.
- Porque hoje a gente não pede pizza pra comemorar o inicio das aulas? – sugeri.
- Sinto falta de pizza! – ela disse enquanto íamos caminhando ate a porta.
- Onde a ta? – falei lembrando-me da garota.
- Ela foi descansar, estava muito cansada do voo.
- ... – resolvi perguntar algo que estava martelando na minha cabeça, enquanto esperávamos o elevador.
- Oi? – ela perguntou, pressionando o botão do elevador novamente.
- O que aconteceu entre a gente, foi o que? – falei sorrindo, tentando ser o mais calmo possível. Não estava adiantando.
- Como assim? – ela não compreendeu, e nos adentramos o elevador vazio.
- A relação que nós estamos, como é? – perguntei meio confuso encostando-me na parede do elevador e cruzou os braços ficando pensativa.
- Eu gosto de você , você me faz rir, me faz me sentir melhor... – ela fez uma pausa – e para mim, é como uma amizade colorida.
- E pra você, o que é? – ela me surpreendeu, me fazendo passar as mãos pelos cabelos tentando achar uma resposta, não só pra ela, mas para mim.
- É, acho que somos amigos que precisam de uma diversão a mais – dei de ombros mentindo pelo sentimento que se formava dentro de mim, e a puxei pra perto de mim.
- Amigos... – sussurrei mais pra mim do que pra ela.
Eu sabia que ela não era uma garota que acreditava em contos de fadas. E eu nunca fui um garoto que sonhava com algo normal, como casamento, filhos, um emprego que pagasse nossas contas e uma cerca branquinha em frente ao gramado com um cachorro. Ela queria diversão, eu também. Qual o problema? Eu consigo manter uma amizade mais profunda com uma garota. Acontece que ela não era uma garota, ela era a garota. Isso tornava as coisas mais complicadas.
’s POV off.
- Então ele fez aquelas perguntas estranhas, eu senti uma pressão gigante e não consegui admitir nada. Só falei que era amizade – suspirei enquanto me ouvia atentamente.
- Nossa , o que tu ta sentindo afinal? – ela cruzou os braços.
- Eu já falei ! Eu realmente não sei. To confusa – enfiei a cabeça no travesseiro.
- Sabe, eu queria saber qual o problema das pessoas em querer saber tanto dos sentimentos que uma sente pela outra. Porque apenas não deixar rolar, uma coisa sem pressão? Por isso que eu odeio essa merda toda – falei revirando os olhos.
ficou em silencio, apenas com seus pensamentos.
- Eu também nunca senti algo muito forte por alguém, mas eu já senti aquele friozinho e aquela vontade de ter aquela pessoa sempre por perto. É legal você sentir isso, mas uma hora vai acabar. É esse o problema, as pessoas se iludem.
- Isso é tão confuso ! O que a gente faz? – perguntei desesperada.
- Quer saber? O que tiver de ser será! – ela disse dando de ombros e levantando-se da cama – a gente só vive uma vez ! E eu confio no destino. – ela pôs as duas mãos em meus ombros, olhando nos meus olhos.
- Você tem razão, pra que ficar se preocupando a toa? – falei levantando os braços e já me sentindo mais aliviada. A conseguia aliviar tudo.
- Vem , Londres não para por nossa causa – puxei ela pelo braço saindo do quarto e vendo decidir entre as pizzas do cardápio.
- Já escolheu coisa linda? – falei indo ver os sabores.
- Frango ou calabresa? – ele perguntou pra nós duas.
- Frango – falamos juntas e ouvimos umas batidas na porta.
- Esqueci de avisar, convidei o povo pra vir comer e comemorar com a gente.
Fui atender a porta, incrédula por ele nem nos contar que íamos receber visita e eu estava de camisola e o apartamento uma bagunça.
- Heeeeey – , e uma garota loira, meio baixinha entraram nos cumprimentando e depositando algumas garrafas em cima da mesa.
- Eu sou a Amy – a garota se apresentou.
- Ah, a que vai dividir o quarto com a ? – perguntei.
- Eu mesma! – nisso chegou e foi cumprimentar a garota.
- O que vocês trouxeram? – olhei as sacolas que eles haviam trazido.
- Bebida – e falaram rindo.
- Então, são três pizzas grandes e uma média – falava ao telefone.
- Como conhecem a Amy? – apontei pra menina na porta conversando animadamente com .
- O apê dela é do lado do nosso, a gente conversa e nos dois já pegamos ela – falou convencido e abrindo uma garrafinha de ice.
- Vocês estão tramando alguma coisa para esta noite – notei em seus sorrisos maliciosos.
- Que tal... – chegou em meu ouvido – strip poker?
- ! – falei boquiaberta.
- Qual é , isso aqui está muito monótono, diversão é sempre bom! – o garoto falou sorrindo e desempacotando as garrafas. - Diversão... é – falei lembrando-me do que eu e a combinamos no quarto.
- Que se foda – dei de ombros e abri uma ice – quem vai brincar? – falei rindo.
Ficamos esperando a pizza chegar, combinando as regras do jogo, já que todos concordaram e ficamos rindo e fazendo palhaçadas. Eu e colocamos um colchão no meio da sala, onde ficamos ali deitados ou no sofá. Já tinha ido metade da bebida que os meninos haviam trazido.
- Opa, o rango! – levantou-se e foi ate a porta quando ouvimos a batida.
Coloquei os pratos de plástico na mesa e os talheres.
- Alguém me ajuda aqui! – gritou, com as caixas de pizza empilhadas.
- Calma! – pegou as caixas e as pôs na mesa.
Nunca comi algo tão bom. Não sei se é porque eu estava morta de fome, ou se, devido ao álcool, eu já estava vendo tudo colorido e lindo. Enfim, comemos as três caixas de pizza, comeu uma inteira. Jogamos os lixos em algum canto da sala, e colocamos as bebidas em cima da mesa.
- Muito bem – falou colocando as fichas e cartas sobre a mesa – todo mundo aqui sabe jogar, mas vamos decidir as regras – ele deu um sorrisinho.
- A gente deve começar com a quantidade de roupas iguais – ele falou e nós começamos a nos olharmos pra ver se estávamos iguais. Por fim, eu e tiramos os casacos e ficamos com a blusa do pijama, calça e meias.
- As peças intimas valem mais pontos, cada vez que o jogador perder 50 fichas, tem que dar uma peça de roupa pelo oponente, dependendo da quantidade de fichas. Se o que teve que tirar a peça de roupa, recuperar as fichas do oponente, ele tem direito à peça de roupa dele. E se um jogador perder todas as fichas e roupas ainda na quinta rodada do jogo, terá que pagar algo ao seu oponente. O resto a gente inventa! – finalizou e foi distribuindo as cartas.
- Para deixar o jogo mais divertido, cada vez que uma pessoa perde as fichas ou roupas, terá que beber cinco goles dessa vodka pura, o que acham? – sugeriu.
- Ótimo dude! – falou e deixou a garrafa de lado.
Tomei o restinho da garrafa de Martini no bico e deixei em um canto, esfregando as mãos, e me preparando para o que viesse nesse jogo.
- Lembra , é só diversão. – cochichou em meu ouvido sorrindo.
Começamos a jogar, e eu fui ganhando algumas poucas fichas das pessoas, mas nada muito emocionante. Como qualquer jogo de cartas, o começo é entediante. Abri outra garrafa de Martini e eu, e Amy fomos tomando e roubando algumas cartas dos meninos.
- Merda! – gritou, depois de uns vinte minutos de jogo. Eu havia conseguido tirar 55 fichas dele.
- , o que eu posso tirar dele? – perguntei pensativa.
- São só 55, o cinto apenas – ele falou.
- Passa Jones – falei vitoriosa.
tirou o cinto das calças e passou pra mim, depois tomou cinco goles rápidos na vodka e eu depositei o cinto ao meu lado.
Depois de mais alguns minutos, Amy perdeu 200 fichas pra , que sorria.
- O que é com 200, ?
- Qualquer peça, menos a roupa intima.
- Passa a blusinha Amy – sorria.
A garota corou, mas quem sai na chuva é pra se molhar. Ela tirou a blusa regata azul que vestia, e a entregou pra . A garota era magra, vestia um sutiã da mesma cor da blusa e eu podia jurar que ela possuía silicone. Após isso ela bebeu os cinco goles na vodka e seguiu o jogo pra .
Passaram-se uma hora de jogo, e nós riamos completamente bêbados com a situação. Eu me encontrava sem meias, porem, estava de sutiã e calcinha apenas, para a felicidade dos meninos. já havia perdido as calças pra mim, e o cinto pra Amy. era o único que estava vestido ainda, apenas havia perdido as meias pra . era o único que estava apenas de cueca. Eu ria freneticamente pelo estado em que ele se encontrava. A maioria das roupas que consegui foram as de . Ele era burrinho.
- Há! – esbravejou e olhou pra mim, tremi.
- Menos 340 fichas linda – ele puxou as fichas pra si e olhou pra mim.
- Hora de tirar a blusinha – ele falou rindo.
Como o álcool em minhas veias pulsava mais que o normal, apenas retirei a blusa e entreguei para o garoto, deixando a mostra meu sutiã preto de bolinhas.
O jogo seguiu novamente sem muitas emoções, até que consegui arrancar a blusa de .
- Opa! Acho que consegui tirar 600 fichas de você , isso quer dizer que você vai perder todas as suas roupas – falou se embolando nas palavras e rindo.
- O que ele falou? – perguntou a mim, e eu não entendi direito também.
- Acho que você perdeu tudo ! – falei rindo mais que o normal.
- Oba! – ela exclamou – e agora? – indagou a .
- Você vai ter que me pagar em favores – ele levantou as sobrancelhas duas vezes seguidas.
- Hmm – ela fez uma carinha e levantou-se cambaleante da cadeira, a seguiu, apenas de cuecas e os dois entraram no banheiro.
- Gente – lutou com as palavras – vamos inventar o jogo agora? Já que quase todos nós estamos sem roupa mesmo.
Ele explicou cada carta que a pessoa perderia pra outra, teria que fazer um favor que escreveu na hora. Eu demorei a raciocinar, mas consegui.
O jogo seguiu, e nós ouvíamos certos sons vindos do banheiro. Prefiro não comentar. tirou uma carta que indicava que a oponente com menos peças de roupas, deveria pagar-lhe um oral. Era Amy.
A garota deu de ombros, me lembrei que eles já tinham ficado e ela lutou pra se ajoelhar onde estava sentado. Virei pro outro lado e fez o mesmo. Só ouvíamos os gemidos baixos de , incentivando a garota. Eu e nos olhamos rindo, sem o menor sentido, devido ao álcool. Nesse meio tempo, e voltaram. Não, ele não podia estar fazendo isso comigo.
estava enrolado com a minúscula toalha de rosto na cintura, e com o meu ropão. Ai que nojo, amanha eu matava aqueles dois. Eles se sentaram, e continuamos o jogo.
- O que aconteceu com a roupa de vocês? – Amy indagou limpando a boca.
- Rasgaram – respondeu calmamente e eu fiquei com medo de entrar no banheiro pela manhã.
Então veio a maldita ultima rodada, pegou a maldita carta. Eu iria perder o maldito jogo! Ele tentou ler após muitas tentativas, e dizia “voce escolhe o que fazer com a pessoa que tirou suas calças” ele olhou pra mim e eu mordi o lábio inferior.
pegou uma garrafa de vodka nas mãos, e me puxou pelo braço.
- ... eu não to me sentindo bem – falei pra ele pondo a mão sobre a testa.
- Não me engana com essa – ele riu.
Minha visão estava embaçada, e minhas pernas pareciam não me obedecer. cambaleava como eu, e nós entramos no quarto. Por mais que a bebida corresse ferozmente em nossas veias e cérebro, ainda possuíamos o calor e a mente pervertida de cada um.
me jogou na cama de solteiro, e tomou um grande gole de vodka. Eu apoiei os cotovelos na cama, para poder ver o que ele planejaria.
- Você escolhe o que fazer co-comigo? – gaguejei, apertando os olhos para enxergar melhor.
- Exatamente – ele disse e pousou seu corpo em cima do meu, selando nossos lábios. Eu entrelacei meus braços em sua nuca, passando minhas pernas por sua cintura. tirou meus braços de sua nuca e me olhou vitorioso.
- Nã-nã – ele balançou a cabeça e eu fiz beicinho.
- Que foi ? – perguntei não compreendendo.
- Eu que mando – ele disse passando a ponta do nariz no meu.
- Tudo bem. Vamos ver o que você sabe fazer sem a minha ajuda – cruzei os braços e dei uma risadinha.
apenas riu ironicamente e balançou a cabeça repetidas vezes.
- Como é? Quero ver – falei lambendo sua bochecha .
- Não brinca com o fogo – ele sussurrou no meu ouvido, passando as mãos pelo meu corpo.
- Eu quero que você seja uma menina boazinha e me obedeça ok? – ele disse.
- Ta bom. Quero ver mesmo – falei sorrindo.
falou mais algumas coisas safadas, mas eu parecia não escutar direito, minha visão continuava conturbada, mas meu corpo ainda sentia seu toque. segurava meus braços no alto da cama, beijando meu colo.
- É só isso que você sabe fazer ? – o desafiei.
- Shh – ele disse pondo o dedo indicador em meus lábios. Obedeci.
Vi esticar o braço e pegar a garrafa de vodka que ele havia trazido. Ele tirou a tampa e derramou o liquido gelado pelo meu corpo lentamente. Passou pelo meu colo, minha barriga e pernas. Depois ele deixou a garrafa de lado.
- Você é uma menina muito impaciente – ele falou prendendo meus braços novamente com as mãos.
abaixou sua cabeça em direção a minha barriga ainda segurando meus braços e começou a tomar a bebida em meu umbigo, lambendo toda a extensão da barriga onde o liquido frio estava despejado. Aquilo me causou imensos calafrios. percorreu todo o meu corpo com sua língua quente, não deixando nem uma gota. Eu estava ofegante.
- O que eu quiser – ele lembrou-me do jogo. desprendeu meus braços, permitindo que eles se entrelaçassem em sua nuca e nossos lábios se tocaram novamente. Ele começou a fazer movimentos com as mãos.
De repente, comecei a sentir um enjôo imenso dominar meu corpo, e uma tontura em minha cabeça e eu não via mais , apenas uma silhueta de seu corpo, muito fracamente. Eu comecei a suar frio, gotículas de suor formaram-se em minha testa e eu tentei falar, mas não adiantou. Eu me senti fina e transparente, como se eu estivesse sumindo e minha mente lutava para permanecer ali.
- ... – consegui sussurrar.
- , você esta bem? Você esta pálida! , fala comigo – só ouvia a voz dele, mais nada. Até que veio o breu completo, e a sua voz se calou. Foi a ultima coisa que eu me lembro.
08.
- Ela não ta reagindo! Corre , chama o monitor! – algumas frases aleatórias e gritos se passavam pela minha cabeça. Eu tentei abrir os olhos, mas parecia que eu estava em um sonho e, por esse motivo, não conseguia acordar.
- Eu não consigo checar o pulso! – parecia a voz de , mas estava como um eco.
- A ambulância chegou, me ajuda a pegar ela ! – as vozes pareceram ficar cada vez mais distantes, até eu não ouvir mais nada. Apenas um barulhinho como um pi-pi de um despertador.
Depois de certo esforço, minhas pálpebras se reabriram vagarosamente, e por esse movimento, minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento. Eu pisquei duas vezes e minha visão estava conturbada, mas eu parecia estar em um local todo branco.
- Ela acordou! – ouvi uma voz masculina gritar e mais outras depois.
- Rápido, chama a enfermeira!
Senti varias mãos tocarem meus braço e mãos. O que estava acontecendo afinal?
- , ? Você ta se sentindo bem? – alguém falou, mas eu apenas conseguia girar meus olhos de um lado para o outro tentando focalizar a visão.
Por fim eu tive a certeza que não estava ficando cega. apareceu na minha linha de visão, me encarando com um enorme sorriso no rosto e afagando minha mão. Olhei pra esquerda e me encarava com a mesmíssima expressão.
- O que... – tentei falar, mas minha cabeça protestou, fazendo-me calar a boca.
Nisso eu vi uma enfermeira gorda e ruiva se aproximar do meu leito sorrindo.
- Licença pessoal – ela disse empurrando meus amigos.
- Como está se sentindo Srta. ? – ela passou as costas da mão direita como minha mãe fazia para ver se eu estava com febre.
- Dói – foi o máximo que consegui pronunciar.
- Está tudo bem querida. São os efeitos da glicose. Seu medico já ira vir – ela sorriu e se afastou e logo as cinco pessoas estavam em volta de mim novamente.
- Consegue falar? – perguntou.
- Porra – gemi depois de um segundo para eles entenderem que eu estava com dores em cada centímetro do meu corpo que se triplicavam em minha cabeça.
Ouvi algumas risadas. Eu queria saber o que aconteceu, eu teria que perguntar em voz alta ou eles iriam me dizer? Em uma fração de segundo, eu senti minhas pálpebras se fecharem involuntariamente.
Não sabia ao certo quanto tempo eu passei dormindo, mas quando minhas malditas pálpebras resolveram abrir novamente, eu parecia melhor. Minha visão já estava em um estado normal, e a dor em minha cabeça havia diminuído um pouco. Quando o fiz, ouvi novos murmúrios de felicidade.
- Srta. , esta melhor? – uma voz grossa desconhecida me chamou.
Vi um senhor grisalho se aproximar do meu leito, e agora eu podia ver que eu estava em um hospital, claro agora tudo faz sentido. O que?! O que diabos eu estava fazendo em um hospital? Não faz sentido nenhum! Eu estava morrendo? Ai meu deus.
O homem escreveu algumas coisas em uma prancheta, olhando por cima de mim. Me senti um pouco mais recomposta para falar agora.
- O que... – pausa para minha cabeça protestar – aconteceu?
O homem parou de escrever, suspirou e falou:
- Bem, querida, o típico. Você bebeu demais, e entrou em coma alcoólico. – ele sorria. Porque ele estava sorrindo? Eu me senti uma criança que havia tomado um porre pela primeira vez na vida. Coma alcoólico? Isso não estava certo, ele estava mentindo pra mim para não falar que eu estava com câncer ou algo do tipo. ‘Não’ pensei.
- Não... Eu não bebi tanto – fechei os olhos, balançando a cabeça negativamente.
Ele escreveu mais algumas coisas na prancheta e voltou os olhos pra mim.
- Realmente não. Você bebeu a quantidade parecida com a de seus amigos, de acordo com a endoscopia que fizemos em você e seus amigos.
- Mas então o que... – falei não compreendendo.
- Na sua endoscopia, foi diagnosticado que a senhorita tem Duodenite Crônica, uma inflamação no seu intestino delgado, mais precisamente no duodeno. Isso quer dizer, que você tem freqüentes refluxos. E, obviamente o álcool em excesso provoca uma infecção na mucosa – eu ouvia aquelas coisas sem entender nadicas, mas entendia que eu tinha um problema. E combinado com álcool dava merda.
- Em conjunto com a bebedeira, você entrou em um coma mais severo. Pois, geralmente coma alcoólico não é tão grave. Devo lhe informar que a senhorita está tomando glicose na veia para se recuperar da hipoglicemia. – ele indicou com o dedo para o saquinho de soro dependurado ao meu lado, cujo ligava-se ao meu braço.
- Hmm... – murmurei – quando vou poder sair?
- Daqui mais algumas horinhas apenas e estará liberada. Mas como você tem duodenite, vai ter que tomar duas medicações por dia. – ele anotou na prancheta.
- Vejo você em breve – ele acenou com a cabeça e saiu.
- Que feio... – sorria ao meu lado. Revirei os olhos.
, , , e Amy me encaravam. Eu estava ficando constrangida.
- Minhas aulas... – me lembrei de algo importante – começam hoje.
- , você esta aqui a 19hrs e... – ele falou, mas eu o interrompi.
- Droga, já vai começar, rápido, me tira daqui! – eu lutei para me levantar, mas me senti tão fraca que meu corpo repousou novamente na cama. Ouvi o barulhinho da maquina, indicando que meus batimentos estavam acelerados.
- ... – me reprimiu continuando a falar – você olhou seus horários errados. Suas aulas começam amanha. – ele falou e eu me tranqüilizei.
- Que horas são?
- Oito horas da noite.
- E aquela festa? Vocês vão né gente? - falei preocupada.
- Não ! - eles falaram em coro. Por dentro, eu estava agradecida por me sentir amada por aquelas pessoas, mas queria mesmo que eles fossem.
- Sério gente, eu não quero estragar a festa de ninguém.
- , é só uma festa idiota de boas vindas. Vão ter festas todos os finais de semanas. - falou como se fosse óbvio.
- Mas... - fui interrompida por .
- Chega de “mas”. Você precisa descansar ok?
Neste momento, o meu doutor entrou, com a prancheta novamente.
- Com licença, eu me esqueci de colocar na sua ficha onde você estava e com quem quando ocorreu - pigarreou alto. Eu contive um riso e tossi colocando a mão sobre a boca, imitando o gesto do garoto. Eu havia me lembrado da ultima cena antes de apagar.
- Eu não me lembro - falei sorrindo, para se virar com aquilo.
- Nós estávamos... bem - mais um pigarro. Vi sorrir de canto.
- Nós estávamos... - começou a ficar vermelho e o doutor arqueou uma sobrancelha. - fazendo... - mais um pigarro - ah, você sabe doutor.
- Entendi - o doutor sorriu e eu queria poder apagar de novo neste momento.
Ele se aproximou de mim, me observou e depois apalpou o saquinho contendo a glicose.
- Já vou chamar a enfermeira para trazer seu jantar e repor a glicose - e saiu.
- E vocês - ele olhou para meus amigos - ela precisa descansar.
Todos saíram do quarto e eu fiquei sozinha, apenas ouvindo o barulhinho da maquina. Eu vestia uma... o que era aquela coisa? Parecia um saco de batatas. Era branco, cheio de bolinhas azuis. Eu precisava ir ao banheiro, ninguém me falou como eu faria isso. Como estava me sentindo mais forte, consegui me sentar na cama com um pouco de tontura. Notei que o saquinho que estava amarrado por uma agulha na minha aveia, tinha um suporte com rodinhas. ‘perfeito’ - pensei.
Levantei-me, totalmente cambaleante e senti um arrepio quando meus pés descobertos tocaram o chão gelado do local. Me apoiei na mesinha de canto, pondo a mão sobre a testa.
- Coma alcoólico... ridículo – pensei me amaldiçoando por estar passado por aquilo.
Por fim, achei que estivesse firme e puxei o suporte com rodinhas, arrastando meus pés lentamente em direção a pequena porta a minha frente. Fui tateando pelas paredes, em busca de apoio para não me debulhar no chão, se enroscar na agulha e morrer.
Por fim entrei no banheiro e olhei a minha figura tenebrosa no espelho. Cadê a minha maquiagem? Cadê a chapinha? – pus as mãos sobre meu busto – cadê meu sutiã? Meu deus. e todos meus amigos haviam me visto naquele estado. Eu sei que soou fútil, mas eu estava um horror. Mais pálida impossível, com grandes olheiras e o cabelo mal penteado. Enquanto escovava o cabelo, senti uma ânsia repentina e não tive duvida. Enfiei a cabeça no vaso, segurando com as mãos na lateral. Eu não havia comido nada, então eu provavelmente estava vomitando meus órgãos. Ouvi um baque cair, e deduzi que havia sido o suporte com meu soro, pois eu simplesmente me joguei no vaso, e o negocio veio por cima de mim.
- ? – ouvi a voz de surgir e eu queria matá-lo por não apenas me ver naquele estado antes, mas vomitando ainda. - Deixa que eu te ajudo – ele se aproximou e segurou meus cabelos.
Acabei quando achei que não havia mais nada para sair de dentro de mim e levantei-me. puxou o suporte junto comigo. Lavei a boca, e em seguida escovei os dentes rapidamente, me sentindo cansada.
- Como... como você entrou? – perguntei enxugando o rosto na toalha branca.
- Eu estava sentado ali na frente quando ouvi um barulho de algo caindo.
- Merda... – olhei pro meu braço, cujo escorria sangue, indicando que eu havia puxado o braço demais com a agulha.
- Eu vou chamar a enfermeira – ele disse e saiu apressadamente.
- Meu deus . – Falei em voz alta – como você consegue fazer tantos desastres em menos de 24hrs?
xx
- Eu não gosto disso ! Não quero! – cruzei os braços no peito.
- Mas você precisa comer, droga. Não quer ir pra casa? – ela falava com uma colher perto da minha boca, contendo uma sopa nojenta. Virei os olhos e abri a boca, a sentindo depositar a colher ali e eu engoli aquela coisa horrorosa. Que saudade dos meus cup noodles, que saudade da comida do .
- Viu? – ela sorria. – Mais uma hora e nós vamos pra casa.
Observei meu braço, com um grande curativo na dobradiça. A enfermeira gorda entrou sorridente.
- Vamos pra casa? – ela passou novamente a mão na minha testa – acho que você já esta recuperada.
- Finalmente! – esbravejei.
- Aqui estão as roupas que seu namorado trouxe. – ‘namorado?’ pensei.
- Vista-se e se quiser tome um banho, quando estiver pronta está liberada. Aqui está a receita dos remédios que a senhorita deve tomar. – ela depositou o papel em cima da mesinha de canto. – até mais – ela acenou e bateu a porta.
Terminei de comer e me vesti, não querendo mais passar um minuto ali.
- Vamos? – e me encaravam, como se eu fosse um bebê e iria cair a qualquer momento.
Caminhamos mais devagar do que o normal até o taxi que estava parado no meio fio, na saída das largas portas do hospital.
Adentramos e seguimos para a universidade. Só de estar perto de casa – eu já me sentia em casa agora – eu parecia estar melhor e mais forte.
- ... – sussurrei pra ele, que estava sentado ao meu lado – nós não temos sorte não é?
- Por quê? – ele se virou pra mim confuso.
- Porque foi bem broxante eu entrar em coma na hora da nossa brincadeira – baixei mais o tom de voz e o ouvi dar uma risadinha baixa.
- Quando você estiver melhor... – ele voltou a olhar a janela. - Stop here, please – cutucou o taxista no ombro, indicando uma farmácia. - Vou pegar seus remédios, já volto – e bateu a porta.
- , você ta bem mesmo? Você não sabe o susto que me deu! – ela pôs a mão no peito.
- To bem sim – falei tranqüilizando-a – como tudo aconteceu?
- Bem, o chamou a gente lá na sala dizendo que você tinha desmaiado e estava tendo um tipo de convulsão. Daí nós fomos te ver, eu não conseguia checar seu pulso e – ela deu uma pausa respirando pesadamente – aí nos chamamos a ambulância que não demorou nem 5 minutos. Foi bem apavorante.
- Nossa – me espantei.
- Mas foi engraçado chegar 6 pessoas bêbadas e semi-nuas no hospital as 4 da manhã com uma garota em coma. – ela riu lembrando-se. Gargalhei.
- Meu deus , eu queria estar acordada pra ver essa cena. - Não queira! O não parava de vomitar pelos cantos e o cantou uma enfermeira velha – ela virou os olhos.
- Pronto – entrou no veiculo enquanto eu gargalhava com .
- Parece melhor – ele passou o braço pelos meus ombros.
- A consegue essa façanha – olhei pra ela que sorria.
O taxi parou em frente à universidade e nós descemos. Eu não caminhava, arrastava meus pés. Mais um enjoo, mais um vomito dentro da lixeira do saguão. Eu nunca mais colocaria meus pés ali. Opa, eu moro ali. Merda. Agora e seguravam meus cabelos e davam tapinhas nas minhas costas. Limpei a boca com a toalha de papel que estava ao lado da lata de lixo. Elas eram espalhadas por todos os cantos. Subimos rapidamente para o quarto e eu logo me enfiei no banheiro pra tomar um banho descente e tirar aquela sujeira toda. Por fim, enxuguei os cabelos levemente com a toalha e coloquei uma camisola levinha de algodão e mangas compridas. Que saudade da minha casa. Senti um cheiro delicioso pairando no ar. estava cozinhando.
Sai do banheiro e me sentei ao lado de , que assistia algo na televisão.
- O que o tá fazendo? – perguntei repousando minha cabeça no colo dela.
- Arroz com salsicha. Vocês precisam fazer compras – ela passou as mãos pelos meus cabelos sorrindo. Eu suspirei.
- Nossa . Você chegou aqui ontem e já presenciou muitas coisas não é? – falei pensando nos últimos acontecimentos.
- É verdade. Isso é bom – ela sorriu.
- Ta pronto ladies – gritou da cozinha e eu e nos levantamos e fomos ate lá.
- Hmmm – falei abrindo a panela e sentindo o cheiro.
- O medico falou pra ti comer pouco . Controle-se. – ele falou sério.
- Ah, eu aposto que ta ruim mesmo – mostrei a língua pra ele.
Nós três servimos a comida nos pequenos pratos e sentamos na sala. Enquanto comia, reparei que a sala estava uma bagunça ainda da noite passada do strip poker. O colchão estava ali, totalmente sujo, caixas de pizza estavam amontoadas em um canto e, bem, junto com garrafas quebradas, roupas e tocos de cigarro.
- , que merda é essa? A faxineira não veio? – falei de boca cheia.
- Ela só vem amanha , eu não vou limpar, você vai? – ele riu e eu fiz uma cara de nojo negando com a cabeça.
- Isso esta um chiqueiro. Amanhã vai demorar – se desesperou.
- Calma, lá no quarto esta limpo eu acho. – disse.
- Dorme comigo em uma das camas , não tem problema – falei sorrindo.
- Ta bom. Ainda mais com esse frio! – nós rimos.
Ouvimos batidas na porta. Me levantei calmamente e fui atender.
- Oi meninos – falei sorrindo vendo e parados.
- Oi , a gente veio ver se você está melhor – disse sorrindo. Awn.
- To sim, só preciso tomar a medicação certinho. – sorri pra eles – querem entrar?
- Não, a gente só veio conferir mesmo, nós vamos ir naquela festa lá. É uma pena que você não possa ir – falou coçando a nuca.
- É. Eu também queria ir – me escorei na porta.
- Como eu te falei, vão ter outras – disse sorrindo. Apenas assenti.
- A gente vai indo, então, boa noite. – os dois falaram e acenaram pra e que passaram para a cozinha os abanando.
- Divirtam-se – falei pros dois garotos que sumiram da minha vista. Fechei a porta.
- Que frio – cruzei os braços no peito, desejando um café quentinho. Nós realmente precisávamos ir ao supermercado.
- – falei encostando-me na porta da cozinha – que horas eu tenho que tomar o remédio?
- Antes de dormir – ele disse enquanto mexia no celular.
- Então vou tomar, onde você pôs?
- Já? – ele subiu os olhos pra mim – ta em cima da bancada do quarto.
- To com dor de cabeça e ainda to me sentindo meio mal – falei vagarosamente.
- Ta bom. – ele chegou perto de mim e depositou um selinho em minha testa.
Virei-me e fui para o quarto.
Cobri-me com a maior quantidade de cobertas possíveis e mesmo assim eu estava tremendo. O vento lá fora e a neve estavam na minha linha de visão.
- Merda. O remédio – esqueci-me.
- , você tomou o seu – apareceu na porta.
- Remédio. Não, me alcança ai – sentei-me na cama.
Ela me deu o pequeno comprimido e eu o engoli, sem água mesmo.
- Esta melhor? – ela perguntou com a escova de dente na boca.
- Sim, sim. Já estou cansada de todo mundo perguntar isso – falei monotonamente.
- Ta melhor ? – veio ate o quarto e eu gargalhei.
- Que porra cara – falei deitando-me novamente.
- O que foi? – olhou pra mim e pra coçando a nuca.
- Nada. – falei olhando pra ele.
- Gente, eu to morrendo de frio. Vou ali em baixo pegar um café, alguém quer também? – perguntou vestindo um casacão por cima do pijama verde claro.
- Eu quero! – e eu falamos juntos.
- Já volto – ela mandou beijinhos.
Depois que ela saiu do quarto, observei vestir uma camiseta branca e uma calça de algodão xadrez, ele cantarolava alguma melodia baixinho, como se eu nem estivesse ali. Por fim ele se virou pra mim e me olhou. Depois puxou as cobertas, e se enfiou debaixo delas ao meu lado.
- Você não vai mesmo na festa com os meninos? – perguntei relutante.
- Não. To sem clima.
- Você devia ir.
- Por quê? – ele me puxou para si em um abraço.
- Não sei – pausei – apenas acho.
- Pois acha errado. – ele sorriu levemente.
ficou brincando com uma mecha do meu cabelo repousado no meu ombro direito, fazendo um carinho pelo local.
- O que é isso? – ele perguntou passando seus dedos pelo meu colar, com o pingente em forma de coração cujo era igual ao que eu deixara para minha mãe quando sai de casa – nunca tinha reparado que você usava colar.
- Apenas uma lembrança – falei baixando a cabeça e olhando o pequeno objeto.
abriu o coração e observou a foto minha e de minha mãe quando eu era pequena. A minha melhor lembrança dela.
- É sua mãe? – ele perguntou olhando pra mim serio. Eu assenti com a cabeça.
- Ela é linda. Assim como você – ele fechou o coração de ouro e acariciou meu rosto com a ponta do dedão. Depois tocou seus lábios levemente nos meus e passou seu braço pela minha cintura.
Intensifiquei o beijo, abraçando-me no garoto, sentindo uma necessidade imensa de tê-lo. Pela primeira vez, não era bem vinda. Mesmo com copos da Starbucks cheinhos e quentinhos. Eu preferia esse quentinho. Me desgrudei dele, e separei um pouco nossos corpos para minha amiga não se sentir desconfortável com a situação.
- Um mocca pra você, certo ? – ela me alcançou o copo fervendo e eu o coloquei entre minhas pernas sobre a coberta para não queimar as mãos.
- Pra você – ela alcançou pra e sentou-se na outra cama com seu copo em mãos.
- Nós precisamos comprar uma TV ou um radio pro quarto – falou.
- E comida – falei rindo.
- Eca – fez uma cara de nojo e eu vi ela olhando para um sutiã azul jogado do lado do armário – isso é da Amy. Tenho que devolver a ela.
- Isso me lembra de uma coisa, sobre o nosso joguinho da noite passada – falei virando-me pra ela com um sorriso nos lábios. - Hm – ela disfarçou – o que?
Olhei pra e ele entendeu a malicia que pairava no ar.
- – falei arqueando as sobrancelhas e soltou uma risada.
- Uff – bufou – eu estava bêbada , quando você transou com ele também estava.
- Ok ok, só queria comentar – levantei os braços em sinal de rendimento.
- Eu nem me lembro direito – ela falou dando de ombros e tomando mais um gole.
- Isso quer dizer que você vai ter que fazer de novo pra se lembrar? – disse venenoso.
- Não! – revirou os olhos rindo.
- Ah qual é, o é um pedaço de mau caminho , e você não pode negar que ficou olhando pra ele quando o viu pela primeira vez – falei e ela teve que entregar os pontos.
ficou calado apenas observando a discussão feminina.
- Bem... – ela segurou um sorriso – foda-se.
Eu soltei uma gargalhada alta. Mas logo parei quando senti passar sua mão firme pela minha coxa por debaixo da coberta. Reprimi um riso, para que não percebesse e se sentisse mal. Pus a mão por baixo e tirei a sua dali para que eu não perdesse o controle.
- Sabe , a gente deve fazer compras amanha – começou um assunto qualquer. Nenhum de nos estávamos com sono.
- Eu também acho , to precisando e – reprimi mais um riso e saiu um som estranho da minha boca, quando passou sua mão novamente por debaixo da minha camisola. – a gente pode ir – mais uma pausa, estava chegando a um local proibido e eu queria matá-lo.
- , você ta bem? – me olhou com uma cara curiosa. se manteve firme com um sorriso estampado.
- To sim, por quê? – falei normalmente tentando tirar a mão do garoto dali.
- Você ta estranha – ela sorriu vendo-me contorcer para fazer parar.
Ela começou a falar outro assunto qualquer sobre as botas lindas que ela viu perto da Camden e eu tentei conversar com ela enquanto o filho da puta do passava suas mãos livremente pelas minhas pernas.
- Quer parar? – sussurrei pra ele de canto, prestando atenção em – estou doente.
- Por quê? – ele disse radiante.
- Porque minha amiga ta aqui – eu quase falei alto.
Ele soltou um risinho baixo. Um risinho muito maléfico.
- Você duvidou de mim na noite passada – ele sussurrou e eu olhei pro lado e verifiquei olhando uma revista e falando sobre as tais botas.
- “É só isso que você sabe fazer ?” – ele imitou minha voz.
- Você disse alguma coisa ? – perguntou.
- Não, não – falei sorrindo. Eu realmente havia mexido com o fogo.
- “Vamos ver o que você sabe fazer sem a minha ajuda” – ele continuou imitando a minha voz, soltando um riso baixo, enquanto apertava ainda mais minhas coxas. Ele passou sua mão pela minha intimidade e eu me contorci novamente, tentando tirar sua mão e conversar com ao mesmo tempo.
- Para ! – falei entre dentes.
Resolvi entrar na brincadeirinha dele. Por um lado, era divertido ver até que ponto cada um agüentava.
- Quero ver você – sussurrei enquanto rocei meu pé descalço pela sua perna, subindo e descendo. Passei minhas mãos por debaixo de sua camiseta lentamente, para não perceber. O garoto sorriu vitorioso e eu deduzi que era ali que ele queria chegar com aquilo. Pousei minhas mãos sobre suas calças, sorrindo. Introduzi minha mão ali e vi que não esperava isso.
- Você não acha ? – perguntou e o garoto se surpreendeu.
- Err – ele se engasgou e eu reprimi o riso – claro que sim.
Tirei minha mão de onde estava e deitei-me um pouco mais suspirando.
- Gente, posso apagar a luz? - perguntou parando de falar e levantando-se.
- Pode sim, amanha o dia vai ser longo - disse me encolhendo mais debaixo das cobertas.
- Boa noite - ela bocejou e se deitou na cama ao lado da nossa.
- Boa noite - e eu falamos juntos.
Eu me senti totalmente cansada e a dor de cabeça estava voltando novamente. Que inferno. Me virei pro lado da janela e se encaixou em mim, passando seus braços por meu corpo.
- Você ta bem? - ele cochichou no meu ouvido baixinho para não acordar e eu me arrepiei com seu hálito em contato com a minha nuca.
- Claro, porque não estaria? - perguntei enquanto ele encostava seu nariz gelado no local.
- Nao sei - ele falou serenamente.
- ... - ele falou depois de um suspiro - eu tenho uma formatura pra ir, e você vai ser minha acompanhante.
- Serio? Que legal! De quem? - eu falei empolgada e torci um pouco meu pescoço para olhá-lo.
- É da... - ele baixou os olhos - – gelei.
- O que ? - alterei a voz e retirei seu braço de cima da minha cintura.
- Shh – ele pôs o dedo indicador na minha boca – quer acordar ?
- Como assim ? Você sabe que eu não gosto daquela garota! Como tem coragem de me convidar para ir junto? E porque ela convidou você porra? – baixei a voz indignada.
- A é minha prima - ele confessou e eu senti uma raiva imensa tomar meu corpo.
09.
- O que? – falei arregalando os olhos e levantando-me da cama em um ato repentino. Nem eu mesma sabia o porquê da minha raiva.
- Foi isso mesmo que você ouviu. Ela é filha da irmã da minha mãe e nós crescemos juntos.
- E por que vocês ficam? – falei ainda de pé o encarando – e porque ela dá em cima do próprio primo?
Ele ficou em silencio apenas olhando para suas próprias mãos.
- Hein? – tornei a pergunta anterior e ele me olhou.
- Quer saber, eu não pensei que você fosse reagir assim – ele disse levantando-se. - E por quê? – falei olhando para cima para encará-lo.
se mexeu na cama e grunhiu alguma coisa. Peguei pela mão e o levei para a sala. Cruzei os braços.
- Quando eu falei que ela tinha dado em cima de mim você nem deu bola, porque isso agora? – ele falou nervoso e eu pensei a respeito. Não falei nada.
- Você mesma falou que a gente não tinha nada a não ser uma “amizade colorida” – ele fez aspas com as mãos – e que não se importava com quem eu ficava ou deixava de ficar.
Não falei nada. Estava realmente me sentindo agredida com suas palavras que mais pareciam a verdade jogada no meio da minha cara. Eu não sabia a resposta nem pra mim mesma, o que falaria pra ele?
- Alguma coisa mudou em você? – ele perguntou chegando mais perto de mim e baixando novamente a voz - Você nunca me perguntou como eu me sentia – ele continuava com suas agressões e estava me deixando nervosa.
- Para ! – falei pondo as mãos na cabeça – por favor...
- O que foi? – ele perguntou alarmado.
- Eu não sei por que fiquei com raiva. Não tenho mesmo nada a ver com o fato de você transar com sua prima quase irmã! – jorrei as palavras e abri a porta, saindo para o corredor silencioso.
Caminhei com passos pesados sem nem mesmo saber o porquê da minha explosão. Eu me divertia com , ele se importava comigo e eu cuidava dele. Porque o bendito sentimento tem que se meter? Que inferno!
- ! – ouvi o garoto vir atrás de mim e apressei meus passos em direção a uma esquina do corredor mal iluminado, em vão, pois em segundos senti uma mão firme agarrar meu braço esquerdo.
- Me solta ! – esbravejei me virando para encará-lo.
- Me diz o que esta acontecendo e eu te solto – ele falou serio olhando diretamente no fundo dos meus olhos.
Baixei meus olhos me sentindo completamente tola e fraca. Mais uma vitima desse sentimento estúpido. Porque tudo tinha que voltar a tona? Porque esse garoto teve que aparecer na minha vida?
- Nós estávamos tão bem! Sem compromisso, apenas diversão e eu gosto mesmo de você! Você mesma falou que não queria nada serio, e eu te respeitei mesmo querendo ao contrario – ele segurou meu rosto com as duas mãos e baixou os olhos com a sua ultima confissão. - Eu desisto . Desisto de descobrir o que você quer, desisto de tentar entender o que se passa nessa sua cabeça – ele se afastou de mim, olhando pros próprios pés.
- Você não entende – sussurrei olhando pro vazio como se fosse uma derrotada.
- O que eu não entendo? Eu sinto que você tem algo que não quer me contar, algo que te impede de querer o mesmo que eu – ele voltou a olhar pra mim e agora o garoto parecia suplicante. Eu estava mortificada. - ... – ele suspirou pesadamente – me diz agora o que você quer. A gente não tem nada? Sou apenas mais um garoto na sua vida agitada? Apenas um amigo? Ou o que eu vejo nos seus olhos não é minha imaginação? O que eu realmente sou para você? Eu preciso saber – ele me olhou e parecia prestes a desabar com a resposta que eu daria.
- Eu... eu – tentei falar mas minhas pernas vacilaram e eu cai de joelhos no chão, sentindo meu rosto ficar quente com as lagrimas que o invadiam – não consigo – coloquei as duas mãos sobre meu rosto.
- Por que amor, por que você não consegue? – ele se ajoelhou junto a mim e me abraçou enquanto eu chorava. Escondi meu rosto em seu peito enquanto ele afagava meus cabelos.
- Me desculpa – falei entre soluços.
- Eu não vou mais te perguntar nada. Mas eu sei que você esconde algo de mim, eu vejo nos seus olhos – ele pegou meu rosto. - Eu apenas não estou pronta – finalizei secando as lagrimas de meu rosto.
- Esta tudo bem. – ele beijou minha testa - Vem, esse chão ta frio – ele me puxou do chão e me abraçou tão fortemente que eu podia escutar os batimentos de seu coração pulsando igualmente ao meu. Parecíamos como um só. Embora eu me detestasse por saber disso.
Voltamos para o apartamento sem falar nenhuma palavra mais. Fui para a cozinha a fim de me entupir de remédios para as imensas dores de cabeça que haviam se formado, quem sabe se eu me dopasse teria alguma chance de dormir depois desse acontecimento. Voltei para o quarto e encontrei debruçado na janela com um cigarro aceso entre seus dedos.
- Eu não sabia que você fumava – me aproximei dele observando a vista junto.
- Apenas quando estou nervoso – ele falou dando uma tragada sem me olhar.
- Eu também fumo quando estou nervosa. Pode me passar? – tentei dar um sorriso fraco olhando pra ele, que me passou o cigarro e eu dei uma tragada forte, soltando a fumaça lentamente para o ar gélido de Londres. Devolvi a ele e fiquei relutante se dormiria na cama com depois de dizer com todas as letras que não queria ter um relacionamento com ele. Achei mais compreensivo dormir com .
Me enfiei debaixo das cobertas e ela se mexeu, gemendo algo indecifrável e me virei pro lado da janela, ainda observando . Ele fechou a janela e olhou pra cama vazia por uma fração de segundo, depois me olhou na cama de e se deitou na outra. Virou pro lado contrario do meu e suspirou fraco. Senti meu coração se apertar e ficar pequenininho como se fosse estourar. Fechei meus olhos fortemente e logo senti os efeitos dos remédios me tomarem e logo eu estava inconsciente.
xx
- Eu odeio mentir pra ele – falei dentro do provador de roupas enquanto tentava me enfiar dentro de uma calça jeans obviamente um numero menor do que o meu, para que estava no provador ao lado.
- Ah , porque você simplesmente não conta a ele o que sente? – ela me disse do outro lado.
- Você sabe como é difícil. Eu odeio me sentir desse jeito – falei desistindo de por a calça jeans e experimentando a outra.
- Eu sei, mas... – ela parou por ai. - O que ele falou? – ela perguntou depois de um minuto.
- Ah, ele ta desconfiado falando que eu escondo alguma coisa. Eu não pude agüentar, foi horrível olhar dentro dos olhos dele e não conseguir dizer a verdade falei fechando os botões da calça.
- Esse garoto te conhece mesmo, não tem como negar.
- Eu sei. Às vezes eu penso que tenho que me afastar dele pra ninguém sair machucado – falei suspirando e me sentando no banquinho dentro do provador.
- Não fala isso! Agora você vai começar a fugir de tudo? Essa não é a garota forte que eu conheço! – ela enfiou a cabeça pela cortina me olhando severamente.
- Ai ... – lamentei olhando pra baixo.
- Não fica assim – ela se ajoelhou na minha frente, passando a mão pelos meus cabelos.
- Ta tudo bem – eu disse levantando-me.
- Você ta linda nessa blusa – disse tentando sorrir e mudar de assunto.
- Obrigada. Você também – ela disse me abraçando.
- Vem, eu vou levar essa calça – sai do provador com as roupas na mão.
Nós caminhávamos pelas ruas movimentadas do centro de Londres, olhando as vitrines animadas e depois entristecidas quando nos deparávamos com o preço das roupas.
- Que horas são? – perguntou enquanto comia batatas fritas em uma cumbuquinha.
- 14:45 – disse depois de conferir o horário.
- Vamos voltar? A aula começa as seis.
- Vamos sim, vamos procurar o metrô – falei lendo as placas contendo informações.
Depois de alguns minutos conseguimos pegar o metro das 15:00 e em 20 minutos estaríamos de volta a universidade. Estávamos sentadas perto de uma janela e eu olhava fixamente para a escuridão que passava em um jato ao meu lado.
- Você parece tão distante desde ontem – disse me olhando.
Virei-me pra ela e apenas dei de ombros.
- As coisas estão começando a ficar complicadas – falei voltando-me a olhar o nada.
Ela acariciou meu braço e segurou minha mão sem falar nada. Troquei a musica agitada que tocava em meu ipod e dei um dos fones a . Alguns minutos depois estávamos chegando ao apartamento. Eu não via desde de manhã quando saímos cedinho e ele continuava dormindo.
Abrimos a porta barulhentamente e despejamos as compras no sofá da sala.
- Parece que a faxineira veio – disse reparando na limpeza do local.
- É – ela disse olhando ao seu redor sorridente.
Peguei as sacolas e adentrei o quarto vazio. não estava em casa. Guardei as compras nos devidos lugares.
- Merda, sabia que havíamos esquecido algo – gritou da cozinha.
- O que? – falei indo até lá.
- Ir ao supermercado! – ela exclamou olhando as prateleiras vazias.
- Eu to com fome – falei.
- Vamos lá em baixo arrumar algo pra comer – ela disse e peguei a niqueleira com o dinheiro e descemos até a praça de alimentação.
- Não acredito que a coisa mais barata daqui é essa salada nojenta – falei comendo alfaces, repolhos e cenouras raladas.
- Também acho. – disse olhando pro prato idêntico ao meu.
- Precisamos de um emprego ou morreremos de fome! – falei me desesperando.
- Calma , o não vai deixar – a garota falou rindo.
Passei meus olhos pelo local e vi , , , Amy e outras garotas que eu não conhecia sentadas em uma mesa grande. Ele estava rindo bastante, parecia se divertir. ‘menos mal’ – pensei.
Terminamos de comer e já eram cinco horas da tarde. O grupinho já tinha saído do local e não notou minha presença ali.
Subimos para o apartamento discutindo sobre qual roupa deveríamos usar. Realmente fútil.
- Quando é a formatura da vadiazinha lá? – perguntou enquanto eu tomava uma importante decisão entre a blusa branca básica com alguns símbolos ou a preta estampada. O bom é que dentro da universidade tinha ar condicionado e não precisava colocar aqueles casacões pesados.
- Acho que falta uma semana – falei.
- Você vai mesmo ? – ela perguntou sentando na cama.
- Claro. Jamais perderia a chance de esfregar na cara da priminha dele isso – falei sorrindo e escolhendo a blusa preta. - Quando você decidiu isso? Pra mim você estava toda sentimental e não iria de jeito nenhum a essa formatura – ela falou calçando os tênis.
- Bem, eu mudei de opinião. – falei dando de ombros – vou dar a volta por cima e eu já consegui tantas vezes não me apegar a alguém e não vai ser diferente com o .
- Essa é a que eu conheço – a garota falou abrindo um sorriso e eu já me sentia recuperada da ultima recaída. Vesti a blusa preta, uma calça jeans e meu vans preto. Pus algumas poucas pulseiras e preenchi os três furos de minhas orelhas com brincos de argolinhas. Passei uma camada generosa de base e pó claro, lápis preto, delineador e rimel. Ah, um gloss cor da pele ficaria bem. Finalizei e acabava de se maquiar se espremendo junto a mim no espelho. Penteei os cabelos sem delongas, apenas para não perder o hábito.
- Estou pronta. – falei enquanto fazia uma trança frouxa em seus cabelos compridos.
Joguei todo o material que eu e havíamos comprados há algumas semanas antes dentro da bolsa e carreguei os pesados livros nas mãos. fez o mesmo.
- Pronta? – ela me perguntou sorridente e eu deduzi que ela se referia se eu estava pronta para começar nossa carreira. - Como diz o grande , nasci pronta – repeti as falas do garoto e nos abraçamos novamente.
Estávamos prestes a abrir a porta, quando a mesma se abriu e entrou com alguns livros nas mãos. Ele a abriu e pareceu surpreso, após isso me encarou por menos de um segundo e abriu um sorriso normalmente.
- Opa! Vão pra aula meninas? – ele disse sorrindo. Era ótimo saber que ele continuava o mesmo. Exatamente o mesmo.
- Vamos. E você, voltando da sua? – indagou observando os livros nas mãos do garoto.
- Pois é. Foi divertido! – ele falou entrando na sala.
- Nós estamos atrasadas , até depois – disse enquanto ele acenava para nós com uma mão.
- Boa sorte – ele disse e depois fechamos a porta...
Caminhamos apressadamente pelos gramados verdes da universidade até chegarmos ao prédio das aulas.
- Acho que é pra cá – indicava com o dedo um corredor.
- Não pode ser cara, é a sala 3011 – eu falava olhando pra todos os lados.
- Wow garotas, perdidas? – veio ate nós com livros nas mãos também.
- Sim! Onde é a sala 3011 ? – falei suplicante.
- É pra lá cara, depois virem à direita – ele apontou para o corredor que havia sugerido anteriormente.
- Brigada! – falei dando um beijo estalado na bochecha dele e corremos em direção ao tal corredor.
- Eu falei que era esse! – falava presunçosa enquanto olhávamos as placas indicando os números.
- Aqui! – falamos juntas e adentramos a gigantesca sala para mais de 300 pessoas, no mínimo. Metade dela estava preenchida por garotos e garotas que conversavam animadamente. Eu e sentamos em meio às pessoas e logo um homem de meia idade entrou no local depositando suas pranchetas e livros em cima da mesa em frente ao gigantesco quadro negro.
xx
(N/a: Para esta parte, sugiro que coloque para carregar esta música)
Parecia que as coisas estavam se aquietando um pouco. Sabe, o amor é um sentimento que é como se você fosse um alcoólatra. Você foge dele, tenta de todas as maneiras ficar longe e não pensar. Mas ele te persegue, ele te chama. Você fica em reabilitação, passa um bom tempo sem nem chegar perto. Mas você tem recaídas. Assim como eu tenho. Então você se reergue, e fala para si mesma: foi apenas uma recaída, eu vou conseguir superar. Mas você apenas mente para si próprio, você sabe que vai voltar a beber e eu sei que vou voltar a amar alguém. É simples. Mas nem por isso você desiste de se afastar.
Como eu disse, as coisas estavam se aquietando. Eu e estávamos voltando da aula as 22:15 da noite e eu estava tão feliz e empolgada com a aula que tivemos que nem me lembrava o fato da minha ultima recaída. Você sabe de quem eu estou falando, .
No meio da aula, um garoto aparentando uns 23 anos conversou comigo e com . Ele era irlandês e pareceu interessado em mim, diga-se de passagem. Quando minha amiga foi ao banheiro, ele ousadamente enfiou um papel no bolso da minha calça jeans e se aproximou do meu rosto e falou: “só olhe quando chegar em casa.” Então ele se virou pra frente e começou a prestar atenção na aula. Eu fiquei morta de curiosidade, mas não abri o bendito papel. Ele era simpático, e um garoto bonito.
- Ih , perai. Eu falei pra Amy que ia passar la no apê dela pra pegar uns negócios que deixei lá. Já volto okey – disse quando estávamos chegando a porta do nosso quarto.
- Ta bom – falei e a garota sumiu no corredor.
Destranquei a porta vagarosamente e depois a fechei, depositando minha bolsa no sofá com cuidado, pois achava que estaria dormindo e não queria acordá-lo.
Ao contrario disso, a porta de nosso quarto estava fechada e lá de dentro eu pude ouvir uma melodia baixinha sendo cantada e tocada por acordes de violão. Me aproximei na ponta dos pés e parei perto da porta, esticando o pescoço para tentar ouvir o que o garoto cantava. Não me parecia nada conhecido. Apoiei uma das mãos na porta e aproximei o ouvido da mesma.
I'm sittin' here all by myself
(Sentado aqui completamente sozinho)
just tryin' to think of something to do
(Apenas tentando pensar em algo para fazer)
Tryin' to think of something, anything
(Tentando pensar em alguma coisa, qualquer coisa)
Ele tocava as cordas do violão com lentidão, e a sua voz estava embargada e ele cantava como se fosse um apelo. Meu corpo inteiro gelou.
just to keep me from thinking of you
(Apenas para me impedir de pensar em você)
But you know it's not working out
(Mas você sabe que não está funcionando)
'cause you're all that's on my mind
(Porque você é tudo que está em minha mente)
One thought of you is all it takes
(Um pensamento sobre você é o suficiente)
to leave the rest of the world behind
(Para deixar o resto do mundo para trás)
Aquela musica era dele, tinha certeza. Eram as mais puras e verdadeiras palavras e eu sabia para quem eram elas. Isso só fez meu coração se apertar ainda mais. Era como se estivessem me dando uma pancada na cabeça, eu a ouvia querendo fugir dali.
Well I didn't mean for this to go as far as it did
(Bom, eu não pretendia que fosse tão longe como foi)
And I didn't mean to get so close and share what we did
(E eu não pretendia me aproximar tanto e dividir o que nós dividimos)
And I didn't mean to fall in love, but I did
(E eu não pretendia me apaixonar, mas me apaixonei)
And you didn't mean to love me back, but I know you did
(E você não pretendia corresponder, mas eu sei que correspondeu)
Ele cantou a ultima frase lentamente, e eu pude ouvir um suspiro forte vindo de dentro do quarto. Ele fez uma pausa breve e senti minhas pernas vacilarem. Escorreguei para o chão, e segurei meus joelhos com as duas mãos. Aquelas últimas palavras haviam me tocado e invadido minha mente com a maior brutalidade que eu lutava para esconder. Ele parecia saber exatamente o que eu pensava. Involuntariamente, lagrimas desceram em meu rosto.
- Essa musica pode não ser pra você. Pode ser pra outra garota – pensei para mim mesma ingênua. Era obvio que era pra mim. Para quem mais ele cantaria uma coisa dessas? Algo que definia completamente minha teimosia em não aceita-lo. Continuei ouvindo aquela musica deprimente, sendo cantada pela mais triste das vozes. Eu queria adentrar aquele quarto, me jogar em seus braços e falar que sim, eu havia correspondido. Queria ser fraca, queria assumir pra ele que eu não agüentava mais mentir pra mim mesma. Mas eu agüentei. E ele continuou cantando, jogando a verdade no meio da minha cara. Continuei a escutar, completamente incrédula.
I'm sittin' here tryin' to convince myself
(Estou Sentado aqui, tentando me convencer)
That you're not the one for me
(Que você não é a pessoa certa para mim)
But the more I think, the less I believe it
(Mas quanto mais eu penso, menos eu acredito)
And the more I want you here with me
(E mais eu quero você aqui comigo)
Chega. Aquilo era demais pra mim. Eu não continuaria me torturando. Levantei-me com um salto do chão frio e hesitei em frente a porta. Eu estava prestes a abri-la e me entregar totalmente a ele. Minha respiração se acelerou e eu pus a mão na maçaneta da porta tremendo. Um mar de flashbacks inundou minha cabeça, como se uma alerta pra não abrir aquela porra de porta. Me lembrei das decepções, dos medos, das noites em claro e de tudo que eu temia e vinha evitando desde 4 anos. E então como um baque, retirei minha mão da maçaneta e corri porta a fora. Corri não por medo, mas por indignação comigo mesma. Não me permitiria isso de novo.
Bati a porta fortemente e caminhei sem rumo pelos corredores vazios. Meus passos afundavam no chão, e parecia que um imã estava me fazendo querer voltar. Caminhei em longas passadas, com os punhos cerrados. Sequei as lagrimas de meu rosto com agressividade e odiando a mim mesma, enfiei a mão tremula em meu bolso e agarrei o papelzinho de lá. Segurei o papel perto de meu rosto e percebi que o mesmo tremia freneticamente em minhas mãos. Estava escrito: “Adam. Quarto 1022”.
Por um momento eu hesitei, sem saber o que fazer. Não sabia se corria e voltava para , não sabia se caminhava sem rumo por Londres, não sabia se continuaria chorando pelos cantos como uma idiota, ou marcharia para o quarto 1022.
Involuntariamente e com a mente vazia, entrei no elevador e pressionei o botão 10.
Me escorei no espelho do mesmo, sentindo meu rosto ficar quente e minhas pernas tremerem. Me virei para o mesmo e encarei o reflexo de meu rosto amedrontado por um minuto.
- O que você esta fazendo? – perguntei ao reflexo.
- Tentando tapar o buraco que se forma em meu peito. – respondi a mim mesma.
- Tentando dar um fim a tudo isso que eu estou sentindo – continuei falando com os olhos vidrados no reflexo.
A porta do elevador se abriu e eu sai do mesmo corajosamente.
Novamente os passos afundando no chão. Olhava para as plaquinhas desejando que o quarto 1022 não existisse e o garoto estivesse brincando comigo. Para minha decepção, ele existia. Parei na frente do mesmo sentindo uma angustia misturada com ansiedade. Hesitei novamente.
- Vamos, acabe logo com isso. – falei pra mim mesma.
Relutante, dei três batidas fracas na porta. Se ele não aparecesse em dez segundos eu fugiria dali agora mesmo.
10,9,8,7,6,5,4,3...
- Hey , você veio! – a porta se abriu e o tal Adam apareceu, com um cigarro na mão e a camisa aberta. Eu não acreditava mesmo que isso estava acontecendo. Por fim voltei a terra e consegui dar um sorriso amarelo ao garoto.
- Entra – ele disse gentilmente. - Aceita uma bebida? – ele perguntou enquanto eu entrava e ele fechava a porta.
- Estou bem obrigada. Mas se você tiver um cigarro eu aceitaria – falei.
O garoto pegou um em seu bolso e me entregou junto com o isqueiro.
- Obrigada – falei pegando o cigarro da sua mão e sorrindo falsamente.
- Senta – ele disse e eu o fiz, acendendo o cigarro e depositando o isqueiro na mesinha ao lado.
Eu nem mesma sabia o que teria ido fazer ali. Inalei a fumaça do cigarro fortemente, tentando me estabilizar e pensar em algo útil.
- Então, porque veio? – ele sentou-se ao meu lado e sorriu.
- Porque você me convidou oras – falei cruzando as pernas e apoiando a mão sobre elas. - Alias, porque você me convidou? – indaguei olhando para ele.
- Bem... – ele coçou a nuca – achei que a gente podia se divertir – ele sorriu sugestivamente.
Soltei um “hmm” fingindo desinteresse.
- Que tipo de diversão? – disse dando de ombros. Eu ainda podia sentir meu coração bater forte e minha voz embargada por causa do choro. O garoto parecia não notar e tudo o que eu mais queria era sair correndo dali.
- Depende. – ele disse e afagou algo em seus bolsos depois retirou de la um pequeno saquinho contendo um certo pó branco e o balançou no ar. Meu corpo gelou. Fazia mais de anos que eu não chegava perto de drogas, e eu só fazia quando precisava tomar coragem para fazer algo. Essa era uma situação que eu necessitava de coragem, não era? Eu já estava com a minha vida pessoal totalmente fodida, não faria diferença.
- Vamos nos divertir, Adam – falei com uma pontada de duvida e angustia em minha voz. Peguei o saquinho de sua mão ainda tremendo e enfiei meu dedo indicador no mesmo, fazendo com que grudasse o pó nele. Retirei-o e rapidamente inalei o pó entre as narinas, fungando após o feito. Passei o saquinho para o garoto e ele fez o mesmo que eu, só que eu quantidade bem maior.
O garoto puxou papo sobre de onde eu era e que tipo de musica eu gostava. Conversei com ele sem o menor interesse, pois eu e ele sabíamos aonde essa conversa ia dar, mesmo que eu não quisesse. Após uns 20 minutos eu comecei a sentir os efeitos da droga e já me sentia mais confiante. Sentia que não existia mais e que estava focada em apenas o garoto a minha frente.
Mas ainda podia sentir a pressão em meu peito. É algo indescritível.
Uma onda de adrenalina percorreu meu corpo e eu só tinha duas opções. Diversão ou felicidade.
- Chega de papo furado garoto – falei importunamente, e o garoto me olhou com os olhos arregalados e confusos.
Foi a coisa mais difícil que eu já fiz. Eu nunca cedi a um homem se eu não quisesse ter algo com ele. Mesmo que seja um qualquer em um pub, se eu estivesse de olho, não me importaria. Aquilo era diferente, eu não queria fazer isso. Mas parecia que algo vindo de mim insistia em dizer para eu correr riscos, me apoderar de alguém para não sentir essa dor devastadora dentro de mim.
- O que? – ele perguntou e eu não toleraria mais nada. Era agora ou nunca.
- Escuta aqui Adam – cheguei mais perto dele no sofá e logo subi em seu colo colocando cada uma de minhas pernas ao redor de sua cintura – eu vim aqui para apenas um motivo.
O garoto me olhava com admiração e espanto ao mesmo tempo. Me senti fútil e vadia.
- Então – continuei suspirando – se você não quiser, eu vou embora. Ou se você também me convidou pelo mesmo motivo, já vou avisando que não vou tolerar quaisquer provocações – falei confiante.
O garoto não pensou duas vezes e logo grudou nosso lábios. Eu o beijava sem o menor calor, sem paixão sem nada. Apenas por ódio. Este seria o sexo mais frio que eu já fizera. Mais sem compaixão. Seria apenas sexo.
- Eu sabia que você era das minhas – ele falou percorrendo por debaixo da minha blusa com as mãos. Simplesmente ignorei. Eu era apenas um corpo no momento. Não se passava nada em minha mente. O garoto me deitou no sofá e pressionou seu corpo sobre o meu cautelosamente, tirando minhas roupas agilmente. Eu apenas seguia seus movimentos para o garoto não me mandar embora e meu plano ir por água abaixo. Esse era o plano, quem sabe se com prazer ou até mesmo dor, eu esquecia, nem que fosse por alguns minutos como era .
- Quero sexo bruto Adam – falei com todas as letras cravando minhas unhas na pele dele com raiva. Tenho certeza que ele ficou com medo de mim.
Não queria rodeios, nem preliminares. O garoto beijou todo o meu corpo e eu apenas suspirava. Meu plano estava dando errado.
Eu via o rosto de na minha mente. Eu sentia sua pele contra a minha. Eu podia ouvi-lo sussurrar ao pé do meu ouvido. Uma lagrima desceu pelo meu rosto. Apenas uma. Uma cheia de arrependimento e desgosto. Virei meu rosto pro lado enquanto Adam escondia sua cabeça em meu peito e guiava minhas mãos pelo seu próprio corpo. Com um movimento rápido ele pegou minhas pernas e as encaixou em sua cintura, fazendo pressão sobre mim.
Soltei um gemido abafado não de prazer, mas de magoa. Eu era quem tinha vindo ali, era eu quem estava fugindo. Eu era a culpada de tudo, queria mesmo era sentir dor dentro de mim. Não que eu seja masoquista.
O garoto se encaixou em mim e me penetrou com muita força de uma vez só, e eu fechei os olhos apenas o ouvindo gemer em meu ouvido e respirar com dificuldade. O filho da puta do invadiu minha mente novamente. Empurrei com as mãos a bunda do garoto para mais dentro de mim, para tentar afastar esses pensamentos.
Não demorou muito e o garoto chegou ao seu ponto máximo, comigo não aconteceu absolutamente nada. Ele distribuiu mais beijos em meu colo e depois se deitou ao meu lado no sofá. Finalmente abri os olhos.
Eu estava paralisada, com os olhos fixos no teto. O que eu estava fazendo?
Eu desisto de me entender. Não sei mais o que eu faço. Não era pra ser assim, era pra eu estar me divertindo e vivendo minha vida de estudante! Não quero mais ter esse sentimento ridículo dentro de mim me impedindo de simplesmente querer respirar.
Uma hora ia acabar, eu sei.
- Você ta bem? – o garoto perguntou. Pobre Adam.
- To sim, eu preciso ir embora – falei levantando-me e pegando minhas roupas. Vesti-me e depois depositei um selinho de má vontade no garoto.
- A gente se vê por ai – falei pra ele e sai do quarto.
Quando eu sai daquela porta, eu não sabia mais que tipo de pessoa eu era nem que tipo de coração pulsava dentro do meu lado esquerdo.
10.
Eu não estava chorando. Por incrível que pareça eu estava firme. Talvez porque eu tenha aprendido que isso nunca vai mudar, talvez minha mente tenha aceitado. Apenas caminhava despreocupadamente pelos corredores silenciosos com meus cabelos desgrenhados e minha visão embaçada.
- ? O que você ta fazendo aqui desse jeito? – surgiu de uma esquina com umas sacolas na mão.
- Você esta...? – ela perguntou observando meus olhos.
- Talvez. Não sei – falei despreocupadamente.
- Ah , o que houve?
- Nada. – falei secamente.
- Eu sei o que é. Não precisa nem falar. Mas uma hora você tem que se abrir com as pessoas e encarar seu passado – ela falava andando ao meu lado enquanto entravamos no elevador.
Fiquei em silencio apenas digerindo.
Entramos no apartamento e estava no sofá com o controle na mão. Ou pelo menos eu achava que era ele.
- , onde você tava? – ouvi apenas o som de sua voz.
- Transando com Adam – falei e entrei no quarto.
- O que? Quem é Adam? – ouvi a voz atordoada do garoto atrás de mim.
- Não liga pra nada do que ela diz, esta drogada – disse.
Me atirei na cama de roupa mesmo e por lá fiquei. Meu dia tinha sido muito cansativo e eu necessitava da minha mente vazia pelo menos por algumas horas que fossem.
Os dias se passaram normalmente, e eu não dei satisfações pra ninguém sobre o meu estado emocional nem quem era Adam. Eles apenas aceitaram que eu precisava de um tempo.
xx
- Eu não quero ir. – falei enfiando a cara no travesseiro.
- Você vai sim. Chega de tantas lamentações cara – falava pra mim escolhendo meu vestido.
- Na real, ta tudo virado de cabeça pra baixo. Eu não sei o que eu sinto, quem eu sou, quem é , o que é a vida. – falei monotonamente as perguntas que martelavam todos os dias em minha cabeça.
- Você nunca se preocupou com isso.
- Eu sei, eu quero voltar a ser quem eu sou – falei sentando-me na cama.
- Você nunca mudou. Apenas está confusa. E tudo esta no seu subconsciente – ela falou e colocou o dedo na minha testa indicando.
Nesse momento invadiu o quarto.
- Afinal, você vai ou não? – ele perguntou olhando seriamente pra mim.
- Não tenho animo. – falei.
- Ops, ouvi alguém me chamar – falou e saiu do quarto.
- Nós já conversamos sobre isso – ele sentou-se ao meu lado.
- Eu sei, eu sei – falei revirando os olhos.
- Eu odeio essa vaca, não vou gostar de ficar a noite inteira dando sorrisinhos falsos e “Nossa , como você ta linda!” – falei revirando os olhos.
- Bem... – ele disse baixando os olhos – tudo tem uma vantagem.
- E qual é? – perguntei cruzando os braços.
- A gente pode se divertir, falar mal das pessoas, causar inveja em certas pessoas – ele enumerava a lista e eu abri um sorriso. Como ele conseguia me fazer sentir assim.
- Tudo bem, eu vou – falei mostrando a língua pra ele.
- Então se arrume – ele disse e deitou-se na cama com os braços cruzados na cabeça.
entrou no quarto e deduzi que ela estava escutando nossa conversa pelo outro lado da porta.
- Esse ou esse? – falei segurando em uma mão um vestido roxo até os pés tomara que caia com um cinto preto largo e na outra um preto um pouquinho mais curto que prendia no pescoço e deixava as costas à mostra.
- Hmm – ela analisou os dois – os prove.
- ... me da licença? – olhei pra ele.
- Qual é , você – ele falou rindo.
- Vai – falei entre dentes interrompendo-o.
Ele resmungou alguma coisa e foi pra sala. Ora, se nos não estamos mais transando porque diabos ele teria que me ver sem roupa?
Me enfiei no roxo e pedi a que subisse o fecho do mesmo. Eu estava esbelta e elegante como não via a muito tempo.
- Ficou lindo, prove o outro – ela falou e rapidamente baixou o fecho.
O preto tinha um decote mais ousado, mas me caia bem também.
- Puxa, os dois ficaram lindos. – ela falava pensativa.
- Qual você acha que fica melhor com aquele sapato... – eu falei colocando as mãos na cintura, mas a garota me interrompeu.
- Ah merda, falei pro que ia lá ajudar ele a escolher uma gravata, já volto ai , vê se escolhe um! – ela disse e saiu.
Fiquei lá sozinha, ainda em duvida.
- , vem aqui me ajudar – fale após alguns minutos sem nenhuma solução.
- O que foi... – ele parou quando me viu – uau, , você esta tão...
- Não sei qual dos dois – interrompi-o virando-me e segurando em uma das mãos o roxo.
- Os dois são lindos, e qualquer um fica bonito em você – ele disse observando.
- Mas o roxo é mais bonito – ele falou após alguns segundos.
- Então vai esse mesmo – falei dando de ombros.
- Da pra você se virar? – encarei-o.
O garoto se virou e ficou de costas pra mim resmungando.
Tirei o vestido preto por cima dos ombros e vi de canto dando olhadinhas discretamente.
Enfiei-me novamente no roxo e tentei em vão puxar o maldito fecho.
- Quer uma ajuda? – se virou e pôs as mãos sobre a minha em cima do fecho.
- Puxa pra cima – falei mordendo o lábio inferior.
Ele puxou o fecho lentamente subindo pelas minhas costas esguias e depois beijou delicadamente meu ombro.
- Você esta linda – ele falou sedutoramente fazendo-me arrepiar e se afastou de mim.
- Obrigada – falei desajeitadamente e nem tinha notado que ele vestia um smoking que lhe caia perfeitamente bem.
- Nossa, nem parece o mesmo – falei sorrindo pra ele.
O garoto riu e sentou-se na cama.
- Estou pronto, você vai demorar?
- Vou – falei voltando-me pro espelho e ele revirou os olhos.
Fiz a maquiagem um pouco mais forte e iria esperar chegar pra passar o delineador pra mim, pois eu iria borrar tudo.
Tinha certeza. Troquei os brincos de argolinha e coloquei alguns um pouco mais para a ocasião.
- Voltei, olha o vestido lindo que a Amy me emprestou – reapareceu rodopiando com um vestido lindíssimo azul marinho que prendia no pescoço.
- Nossa , que linda! – falei parando de passar o batom rosa claro.
- Ta linda mesmo – falou observando a garota.
- Ah , passa o delineador pra mim, por favor – falei sentando-me na cama.
Ela passou em meus olhos e depois ela fez a sua própria maquiagem enquanto eu calçava os sapatos pretos altíssimos.
Deixei os cabelos soltos mesmo e passei um pouco de fixador.
- Podemos ir – falou.
- Acho que a formatura ainda não acabou – falou levantando-se da cama com seu terno amassado.
- Estou pouco me fudendo também – falei passando minhas mãos pelo seu paletó tentando desamassar. Colocamos nossos casacos compridos de pele e mesmo assim eu tremia de frio.
Estávamos eu, , e no taxi. e Amy tiveram que pegar outro. O local da festa de era no subúrbio de Londres, mais precisamente na mansão de seu pai, sócio da universidade em que estudávamos. A formatura em si, era em um salão no centro.
Chegamos lá um pouco atrasados e as apresentações dos formandos já haviam começado e arranjamos alguns lugares em meio ao auditório lotado.
Tudo foi um tédio. Toda aquela chatice de agradecimento aos pais, dos oradores, dos professores e meu deus, eu queria ter ficado em casa. O discurso de foi uma merda, ela falou umas 2hrs sobre como ela era agradecida por todos por lhe ajudarem a se tornar essa pessoa que é hoje – uma puta vagabunda – eu diria.
Eu e brincávamos de pedra, tesoura ou papel enquanto os formandos jogavam os chapéus e todos aqueles clichês.
- Agora a gente vai beber? – perguntou enquanto nos levantávamos das cadeiras estofadas e nos dirigíamos à saída junto a toda a multidão de pais chorosos, amigos orgulhosos e pessoas entediadas que só estavam ali para comer e beber de graça, ou seja, nós.
Estávamos procurando um taxi quando um segurança nos informou que a formanda disponibilizaria limusines para seus convidados. Eu gargalhei.
Entramos na limusine preta reluzente e lá dentro sobrava espaço de sobra para nós seis. Os bancos eram brancos de couro e o carro estava enfeitado com fotos da garota por todos os lados. Meu deus, quanto dinheiro jogado fora. Champanhes e drinques estavam dentro de um freezer ao lado de uma mesinha.
- Caralho! – exclamou sentando-se no banco de couro e pegando um copo de champanhe.
- Pra você, pra você e pra você – dizia enquanto servia a bebida da garrafa em nossos copos.
- Podemos dar a partida senhores? – um senhor calvo apareceu da parte da frente do carro após o vidro preto ser abaixado.
- Claro! O que esta esperando? – disse rindo para o homem como se mandasse alguma coisa.
Brindamos e acabamos com todas as bebidas contidas ali após abrir outro champanhe e esguichar para todos os lados da limusine. Afinal, o carro não era nosso e o pai da tinha dinheiro saindo pelas orelhas. Eu gostaria de saber como a era tão rica, e um pé rapado.
Por fim chegamos à mansão, que se localizava no alto de um morro, e nenhuma outra casa habitava ali por perto. Subimos ate lá após certos esforços e lá de cima se via toda a cidade de Londres. Confesso que por isso já valia ter vindo a essa merda toda.
Lá dentro, a coisa não foi diferente. Seguiram-se mais alguns clichês. Eu estava em pé ao lado de Amy e e tomava alguns goles de champanhe. O local era enorme, e a decoração era bonita. se juntou a nós, alegando que estava cantando e ele não queria ficar lá pra ver isso de novo.
- Então, não esta tão ruim, esta? – ele me perguntou observando o local.
- Ate agora não – falei fazendo pouco caso.
Vi se aproximar com seu longo vestido vermelho que acompanhava uma echarpe da mesma cor que cobria seus ombros. O cabelo dela estava preso em um coque e alguns fios de seus cabelos caiam sobre o ombro. Por trás de toda a imagem de vadia, ela estava apresentável, tenho certeza que era apenas para transparecer a seus pais. Ela se aproximou sorrindo sarcasticamente.
- Estão se divertindo pessoal? – ela falou sorridente colocando um braço em meu ombro e o outro em .
- Muito – falamos em coro.
- Sua festa esta lindíssima – Amy falou falsamente.
- E você também – falei olhando-a dos pés a cabeça.
- Obrigada queridas, a casa é de vocês – após isso ela deslizou seu dedo no queixo de e saiu dando olhadinhas para nós quatro. Eu queria mesmo era voar na cara dela.
- Vadia falsa – Amy falou estreitando os olhos enquanto ela ia cumprimentar outras pessoas.
- Vadia gostosa – disse.
- Cale a boca ! – falei repreendendo-o e Amy o lançou um olhar furioso.
- Calma gatinhas! – ele disse rendendo-se.
se manteu em silencio.
Mais duas horas se passaram, nós jantamos e tornamos a beber. Era a única coisa boa nessa festa. Me sentia mais alegrinha e nem me importava muito que a musica que tocava era uma merda que combinava com . Meu vestido longo atrapalhava tudo, até para ir ao banheiro. Quando sai do mesmo, vi conversar algo com em algum lugar perto das caixas de som. Ela tinha uma expressão indecifrável no rosto e eu não conseguia saber do que se tratava, mas quando a vi alisar sua gravata e depois caminhar para outro lado, soube do que se tratava. Depois disso, olhou pra direção onde eu estava e rapidamente desviei o olhar e tornei a andar. Fingi que não me importava.
Ficamos perto do palco com nossos copos na mão e observando as pessoas dançando animadamente aquela musica horrível. e se juntaram a nós.
- Eu sei que você esta morrendo de curiosidade – ouvi-o dizer com as mãos nos bolsos das calças olhando pra frente que nem eu.
- Não estou mesmo, tratando-se da sua priminha eu imagino o que seja – falei despreocupadamente tomando mais um gole da minha bebida.
- Trata-se de você – ele disse olhando pros lados como se não se importasse.
Confesso que agora estava morrendo de curiosidade. Que merda!
- Não que eu queira saber, mas... sobre o que é? – falei tentando ser razoável ainda olhando pras pessoas a minha frente.
- Eu sabia – ele riu baixinho e eu revirei os olhos – quer mesmo saber?
- Fala logo porra – falei virando minha cabeça para encará-lo ferozmente.
- Ok ok. Bem, ela disse que... – ele fez uma pausa só para me atiçar e eu quis matá-lo – você não chega aos pés dela.
Eu abri minha boca não acreditando no que a filha da puta estava insinuando.
- E que você não é boa o bastante pra mim – ele terminou de falar e me olhou com um sorriso maroto nos lábios. Continuei boquiaberta.
- Só estou falando o que ela disse – ele falou tornando a olhar pra frente.
- Você concorda com ela? – falei mordendo a aba do meu copo.
- Não estou em posição de concordar ou não.
- Por quê?
- Porque, bem... – ele ficou pensando balançando seu corpo pra frente e pra trás.
- Porque isso te importa mesmo? - ele perguntou olhando pra mim.
- Você não respondeu minha pergunta – falei.
- Você também não – ele disse com um ar vitorioso.
- Foda-se então, eu não ligo pro que sua priminha pensa.
- Realmente não liga? Nem um pouquinho? – ele disse estreitando os olhos.
- O que você esta insinuando ?
- Nada – ele disse dando um pequeno sorriso. Eu entendi a malicia, mas não queria ter entendido.
- Olha , você se importa com ela? Sente algo?
- Não. Eu apenas não sei ser grosseiro – ele disse olhando-me fixamente.
- Porque você simplesmente não fala pra ela que não quer mais?
- Eu ia falar. Mas achei que você queria se divertir um pouco – ele deu um sorriso insinuante.
- Talvez essa festa valha alguma coisa – disse bebendo o ultimo gole de minha bebida
- O que você quer dizer? – ele se virou e ficou de frente pra mim enquanto eu começava a sacudir meu corpo levemente para os lados ao ritmo da musica.
- , vamos falar serio – falei pondo meus braços ao redor de sua nuca. - Você gosta dessa vadia? – disse como quem trata de negócios.
- Na verdade não – ele disse pausadamente enquanto movia seu corpo junto ao meu.
- Nem eu – falei chegando perto de seu rosto.
- Eu acho que ela gosta de você – falei em seu ouvido.
- Eu acho que ela sente inveja de você – ele disse e eu ri.
- Eu quero provar que sou melhor que ela – quase rosnei.
deu um pequeno sorriso e continuou dançando conforme a musica lenta segurando em minha cintura.
- Com licença , será que posso dançar com seu parceiro agora? – chegou olhando pra mim e sorrindo falsamente.
- Claro, a festa é sua, os convidados são seus – disse educadamente e me desgrudei de , cujo me lançou um olhar e depois tomou nos braços e os dois dançaram a valsa. Juntei-me a e Amy que observavam a dança ao lado do palco ainda.
- O que você esta fazendo? – me olhou.
- Apenas animando essa festa – falei.
- Depois não vá se lamentar pra mim – ela disse repreensiva.
- Vem , vamos pegar uma bebida – puxei-a junto com Amy.
Quando voltamos, a valsa já tinha acabado e estava subindo ao palco.
- Que comece a festa pessoal! – ela disse se sentindo muito foda e eu me aproximei novamente de antes que ela pudesse roubá-lo novamente.
- Ela falou mais alguma coisa? – indaguei.
- Apenas pra me encontrar no quarto dela a 01:30 – gelei, mas fingi que não me importava e que não estava tomada pelo ciúme. - Você vai? – perguntei inocentemente enquanto começava a dançar a musica mais rápida.
- Porque a gente não a surpreende no quarto? – ele disse com um ar misterioso que me fez rir e ele também.
- Agora sim você ta falando a minha língua – disse sorrindo.
- Senti sua falta sabia – ele disse cheirando meu pescoço enquanto dançávamos.
Meu corpo tremeu e minha mente ficou vaga com seu toque. Tentei me concentrar.
- Você não sentiu a minha? – ele falou ainda encostando seu nariz no meu pescoço.
- Eu apenas estou mantendo a minha reputação para provar pra ela quem manda aqui – falei me recuperando após certo tempo a sua pergunta.
- Eu sinto seu coração batendo forte – ele falou pausadamente fazendo meus pelos se eriçarem.
- Vamos parar por aqui . Se mantém no foco, – disse olhando em seus olhos por um minuto. Ouvi-o suspirar.
- Se é isso que você quer, vamos mostrar quem é que manda – ele disse.
A música ainda continuava horrível, era algo dançante, mas com um fundo lento. Tenebroso. Eu dançava chegando perto do seu corpo e nos olhávamos fixamente um no olho do outro.
- Consegue ver onde ela esta? – ele perguntou acariciando minha cintura.
Varri o local com os olhos até que avistei a garota na pista de dança com outras garotas fúteis, e vi que ela nos observava atentamente ate que me viu. Ela não parou de me olhar mesmo assim, parecia que ela queria que eu soubesse que ela tinha avisado. Pena que eu não tenho medo de cara feia.
- Você devia ver a cara dela – disse ainda fixando meus olhos nos dela lançando-lhe um pequeno sorrisinho. E não, eu não queria disputar homem com ela. Mas ela mexeu com o meu orgulho.
- Ah merda, eu quero ver – ele falava tentando virar a cabeça.
- Não. Deixa ela morrer de vontade – fale tocando meu dedo em seu queixo e aproximando nossos rostos.
- Você é má – ele disse sorrindo
- Shh – pus meu dedo indicador em seus lábios e logo depois juntei meus lábios aos seus.
Sentia saudade disso, por mais que eu não queira admitir. O garoto passou seus braços pelo meu corpo em um abraço confortador. Ele acariciou minhas costas descobertas pelo vestido enquanto eu passava meus dedos entre seus cabelos.
Desgrudei nosso lábios e ficamos dançando juntos e olhei na direção de , que parecia prestes a explodir. Ela tentava conversar normalmente com as amigas, mas eu a via arriscando um olhar em nossa direção.
- Aposto que ela mordeu a língua – falei com ódio enquanto acompanhava meus movimentos da dança.
Desgrudei um pouco dele, para poder dançar melhor e ele fez o mesmo, mas mantinha suas mãos na minha cintura. Joguei meus braços ao redor de minha cabeça e movimentei meu corpo perto do garoto.
- Vamos dar o fora daqui – falou após alguns minutos.
Sem eu responder, ele pegou na minha mão e me puxou.
- Calma , eu to de salto alto – falei tentando acompanhar seu ritmo acelerado segurando o vestido com uma das mãos para não pisar nele. O garoto diminuiu o passo, mas parecia ainda ansioso.
Nos afastamos das pessoas e da musica alta da festa, e adentramos alguns corredores silenciosos. Só dava pra ouvir o barulho de meus saltos batendo com força no assoalho fino da mansão.
- Uau, é enorme – falei observando a antiguidade dos moveis e dos retratos de provavelmente antepassadas famílias nas paredes.
- Essa casa me dá arrepios – falou sorrindo.
- Pra onde a gente ta indo? – indaguei vendo que o corredor era interminável.
- Não sei, vamos explorar essa casa.
- Onde você sempre quis transar? – ele me perguntou ainda segurando minha mão.
- Em um escritório – falei mordendo o lábio inferior.
- Vamos achar um então – ele disse sorrindo.
- Não sei se isso é certo .
- Você ta se importando com a casa da ?
- Não... – pausei – que se foda.
Chegamos a uma escada quilométrica, com vários lustres pendurados nas paredes, iluminando mal apenas o local. me olhou significativamente.
- Eu não consigo subir essa escada inteira com esses sapatos e esse vestido – falei sentindo-me totalmente impotente.
- Não faz mal – ele me pegou pelo quadril e me pôs em seu ombro. Reprimi um grito para não virem ver quem estava ali e pus a mão na boca.
- Droga , cuidado – sussurrei enquanto ele subia as escadas comigo.
- Calma , não vou te deixar cair – ele disse dando tapinhas na minha bunda.
Chegamos no topo da escada e ele me pôs no chão. Ajeitei meus cabelos e o vestido e seguimos explorando os corredores silenciosos. Agarrei a mão dele enquanto íamos observando as portas trancadas.
- Fechada, fechada, fechada – falava enquanto íamos tentando abrir as portas.
Adentramos um corredor menor que só tinha uma porta no final.
- Vem – me puxou pela mão.
Ele girou a maçaneta e para nossa surpresa, essa não estava destrancada. Ele espiou cautelosamente o local e depois entrou, me puxando após.
- Acho que achamos um escritório meio abandonado – ele disse, mas só tinha a luz da janela vindo, estava tudo meio embaçado.
Podia ver as cadeiras empoeiradas pretas, a grande mesa escura de madeira com vários objetos e papeis em cima. Continha duas janelas grandes, com cortinas brancas empoeiradas.
- Cadê a luz porra, to com medo – disse tateando com os dedos.
- Deixa a luz assim , confia em mim – o garoto sussurrou e me empurrou contra a porta. Eu não enxergava nada, mas podia sentir que ele estava perto pelo seu hálito quente próximo ao meu rosto. Meu coração parou por um segundo. Meu corpo encostou na madeira da porta, e o corpo de se encostou ao meu. Suas mãos estavam apoiadas na porta acima de minha cabeça. Nossas respirações abafadas estavam próximas e gentilmente ele encostou seus lábios nos meus sem pressa. Entrelacei minhas mãos em sua nuca. Cheirei seu pescoço enquanto ele escorregava as mãos.
- Sim, eu senti sua falta – falei pausadamente respirando fundo.
- A sua pele tem um gosto bom – ele sussurrou no meu ouvido enquanto distribuía mordidinhas pelo meu pescoço. - Vamos realizar sua fantasia – ele disse se abaixando e pegando-me no colo pelas pernas. Beijei o garoto com vontade, desarrumando seus cabelos e fomos andando cambaleante até bater em algo que caiu no chão.
- Merda – rimos juntos enquanto ele pisou em mais algo que deveria ter se quebrado.
- Cadê a mesa – falou entre um beijo e outro.
Por fim chegamos ao local e me pôs no chão. Era perto da janela, e eu podia vê-lo agora. Derrubei todo o conteúdo de cima da mesa no chão com agressividade, cadernos, canetas, xícaras, papeis e tudo que tinha direito. Depois sentei em cima da mesa, cruzei minhas pernas sensualmente e puxei o garoto pela gravata. Ele se pôs entre minhas pernas, acariciando as mesmas.
Tirei seu paletó rapidamente e afrouxei sua gravata. O garoto desabotoou a camisa branca e a jogou em algum canto, enquanto subia meu vestido e beijava meu colo. Arranhei suas costas descobertas com vontade, enquanto ele fazia pressão com seu corpo.
Por fim fomos subindo mais em cima da mesa de escritório, e nossos corpos se embolaram em cima da mesma. Sentei em cima do garoto, beijando seu peito nu. Ele puxou meus cabelos com delicadeza e levantou seu corpo para poder me pegar entre seus braços e entrelaçou minhas pernas a seu redor. Rapidamente tirei o cinto do garoto e ele tirou as próprias calças. Ele acariciou minhas pernas lentamente e depois abaixou minha calcinha, me penetrando com seus dedos, me fazendo soltar gemidos baixos e enfiar minha cabeça em seu ombro, mordendo o mesmo. Mordi e puxei seu lábio inferior com vontade quando ele investiu dentro de mim seu membro. Agarrei minhas mãos a suas costas e ele puxou meu corpo mais para si.
Ele deitou-se mais na mesa e eu fiquei sob seu corpo, pousando minhas mãos na mesa de madeira ao lado de sua cabeça, enquanto ele investia fortemente em mim. Nossos rostos ficaram próximos e nossas respirações se encontravam ofegantes. Minhas mãos continuavam buscando apoio na mesa escorregadia e nossos olhos se encaravam enquanto eu encostava meus lábios nos seus levemente.
- Meu deus – gemi enquanto jogava minha cabeça pra trás e ele segurava suas mãos em meu quadril, guiando meus movimentos.
Finalmente relaxamos e ele saiu de dentro de mim. Meu cabelo grudava em minhas costas e nossos corações pulsavam rapidamente.
Eu ainda estava em cima de seu corpo e nossos olhos estavam se encarando, e eu nem piscava. Como eu sentira falta desse olhar carinhoso. Beijei seu rosto delicadamente e sai de cima de seu colo, descendo de cima da mesa.
- Não acho a luz – falei tropeçando em algo.
Senti o garoto vir por trás de mim e abraçar meu corpo, ainda com o seu nu. Ele afastou os cabelos suados de minha nuca e beijou a mesma acariciando minha cintura.
- Aqui – ele disse e puxou uma cordinha de um abajur.
- Qual a segunda parte do plano ? – perguntei virando-me pra ele.
- Ir ao encontro de – ele disse acariciando meu quadril.
- Vamos lá então.
Me aproximei de um grande espelho e abaixei meu vestido, colocando o sutiã no lugar e arrumando os cabelos desajeitados. vestia seu smoking novamente e eu observei a bagunça que havíamos feito. Eu sentia pena da pessoa que iria trabalhar em cima daquela mesa. Aquele escritório antigo chamava realmente para uma transa proibida.
- Vamos? – ele perguntou ajeitando a gravata.
Saímos silenciosamente do local e andamos pelo corredor novamente.
- Você sabe onde é o quarto dela? – perguntei.
- Sei, é pra lá – ele indicou um outro corredor.
Adentramos o local e era nada muito surpreendente. Uma cama grande, com cortinas e ursinhos cor de rosa em volta. Um típico quarto de patricinha filhinha de papai. Examinei os armários, com roupas de vadia, que tenho certeza que o pai dela não gostaria de ver a filhinha dele usando elas.
- Vem. É só esperar ela agora – disse sentado a cama.
Subi em cima da cama da garota e logo estávamos nos agarrando novamente. Após alguns minutos, enquanto eu estava deitada e me beijava, ouvimos a porta abir e de lá entrar uma vestida com uma roupa intima um tanto provocativa. Eu tive vontade de rir. A lingerie era branca, cheia de rendinhas. Preciso contar a cara que ela fez quando viu e eu nos amassando na cama dela?
- O que... – ela pausou para me olhar ardentemente – significa isso?
- Ops , achei que você tinha dito as 02:30 – disse como quem se desculpava.
- Você é mesmo uma vadiazinha não é mesmo? – a garota se aproximou da cama com um olhar transmitindo tanto ódio que eu tremi.
- Parece que temos algo em comum – disse dando uma risadinha.
- , eu pensei que você fosse mais esperto – ela olhou pra ele. - Você não sabe aonde esta se metendo garota – ela disse ameaçadoramente.
- Olha , me ameace o quanto você quiser. Mas eu sei que não preciso implorar que nem você faz pra ele te dar bola.
Levantei-me da cama e a encarei.
- E quer saber? Eu não brigo por homem, eles que brigam por mim. Alias, pode ficar com ele – apontei pra – mas será que ele te quer? – fiz uma cara de pena. - Bela roupa – falei olhando-a dos pés a cabeça.
- Saiam da minha casa agora – ela rosnou.
- Claro, nos já transamos em todos os cômodos dela mesmo, você disse que a casa era nossa, não é mesmo? – disse e pensei que ela iria voar em mim.
- Você vem ? – perguntei a ele na porta.
o olhou ferozmente e eu reprimi um riso. O garoto levantou-se.
- Foi mau prima – ele disse e deu de ombros saindo porta afora comigo.
Ouvi os saltos da garota vindo atrás de nós.
- Você vai pagar muito caro – ela disse apontando o dedo em meu rosto.
- Tira esse dedo da minha cara vadia – empurrei seu dedo pra baixo. - Apenas aceita garota – falei e me virei de volta pro corredor com ao meu lado calado.
Ouvimos a porta do quarto se bater violentamente, viramos a esquina do corredor e eu não consegui segurar o riso.
- Você viu... – falava aos risos.
- Ah meu deus, acho que ela vai me matar – disse apoiando-me na porta tentando parar de rir.
- Não, mas eu acho bom você ficar de olho, você não tem noção do que essa garota é capaz – ele disse enquanto chegávamos a escada.
- Eu sou pior ainda – disse enquanto me apoiava no corrimão e segurava o vestido com uma das mãos.
- Mas pelo menos me livrei dela eu acho – o garoto falou.
- A festa valeu a pena mesmo.
- São aqueles dois ali, os quero fora! – ouvi gritar atrás de nós para um segurança grotesco, que se encontrava no final da escada.
- Calma , nós já estávamos indo – disse.
Chegamos ao fim da escada e um segurança pegou fortemente no meu braço e outro chegou e pegou .
- Tira as suas mãos de mim! – disse enquanto ele me arrastava.
- Não machuca ela, idiota! – disse.
- Esqueci de te falar, sim eu sou melhor que você! – gritei pra garota que descia a escada atrás de nós, enquanto o segurança me levava.
- Você não sabe o que esta falando! Você não chega aos meus pés sua escrota – ela disse e eu agarrei seus cabelos de tanto ódio. - Vadia, você vai pagar caro! – ela falou enquanto tentava me bater e o segurança tentava separar nós duas. Me debati nos braços do segurança gigante, e ficou me olhando ferozmente enquanto o segurança afastava eu e de lá.
Os dois nos levaram rapidamente, e eu tinha que lutar para não cair com a velocidade do segurança. Passamos pelas laterais do local onde os convidados dançavam e alguns ficaram nos olhando. Vi e nos olharem confusos e eu fiz um sinal dizendo que estava tudo bem.
Chegamos a grande porta de entrada e eles nos soltaram dizendo que nos tínhamos de nos retirar dali.
- Já sei, já sei – falei massageando meu braço.
- Ta tudo bem? – perguntou.
- Ta sim, vamos embora. Já cumprimos nossa missão – disse enquanto caminhávamos pelo gramado. - Como nós vamos embora? – indaguei.
- Não sei – disse observando a vista do alto do morro.
- Aqui é lindo – disse.
- Ali tem um taxi parado – apontou.
- Você tem dinheiro? – perguntei rindo.
- Só para a metade do caminho – ele falou enquanto um vento gelado soprava em nós. Cruzei os braços, aconchegando mais o casaco de pelos.
Fizemos a viajem, saindo do subúrbio e chegando ao centro. falou que não tinha mais dinheiro, e nós paramos por lá.
- E agora? – indaguei.
- Bem, temos que ir a pé – ele disse olhando pros lados.
- Merda, como eu vou conseguir com essa roupa? – me desesperei.
- Tire os sapatos – ele falou.
- Por que você não me leva nas costas? – falei dando um sorrisinho.
- Ta bom – ele revirou os olhos – mas só a metade do caminho.
Ele curvou o corpo e eu dei um impulso, subindo em suas costas. Ele pegou-me pelas pernas e eu vi varias pessoas que caminhavam apressadas nas ruas de Londres nos olhando. Passamos por todo o centro e começamos a nos afastar de toda a agitação.
- , to cansado – o garoto disse ofegante.
- Ta bom, coitadinho – disse descendo e apertando suas bochechas.
Me apoiei em uma parede e tirei os sapatos de meus pés. Um frio invadiu todo o meu corpo quando meus pés tocaram a calçada congelante. Segurei os dois sapatos em uma mão e voltei a andar ao lado de .
- Pensa pelo lado bom, ela não vai mais estudar lá – disse.
- É. Eu não ia agüentar bater nela todo dia – falei e nós rimos.
- Eu me diverti hoje – ele falou passando um braço em meu ombro amigavelmente.
- Eu também – falei olhando pra ele.
Começamos a rir por nada. A noite estava sem nuvens, apenas o brilho da lua nos iluminava na rua vazia. E o único som que ouvíamos era a nossa risada natural. Era simples assim, sem pressão. Era assim que deveria ser sempre.
11.
Eu ouvia uma melodia baixinho, mas era repetitiva. Eu estava dormindo e não conseguia ficar consciente. Apenas queria que o maldito barulho parasse. Por fim abri os olhos pesadamente e me liguei que era o meu celular tocando. Virei minha cabeça pro lado e dormia profundamente com a boca aberta. Suas pernas estavam emaranhadas nas minhas e sua maquiagem estava borrada. Tateei o bendito celular com os dedos, ainda de olhos fechados, por cima do criado mudo e o peguei, abrindo-o.
- A-alô? - falei, ainda de olhos fechados.
- , sou eu, seu pai! - ouvi a voz rouca de meu pai e fiquei surpresa.
- Pai... que bom falar com você - disse sentando-me na cama.
- Eai princesa, como você ta?
- Estou bem pai, mas não é um bom momento, posso te ligar mais tarde? - perguntei sentindo minha cabeça latejar.
- Tudo bem querida, até mais.
- Amo você pai - disse e joguei o aparelho em cima do criado mudo.
Deitei minha cabeça pesadamente no travesseiro e fechei os olhos novamente. respirava alto em meus ouvidos. Virei minha cabeça pro lado e vi dormindo na outra cama de barriga pra baixo e a cara amassada no travesseiro. Ele usava as calças da noite passada e estava sem camisa.
Levantei-me meio cambaleante e percebi que eu usava uma grande camisa branca, que tapava meus quadris descobertos.
Arrastei-me até o banheiro e lá encontrei uma escabelada, e totalmente horrenda. Fiz minha higiene, e por incrível que pareça estava com preguiça até de tomar banho. Entrei na sala, a fim de ir procurar algo pra comer, quando me deparei com um jogado no sofá, um jogado no colchão com uma amy deitada ao seu lado com o vestido da noite passada.
- Que porra é essa... - falei observando aquilo tudo. estava caindo do sofá, com a camisa social aberta e a gravata amarrada como uma faixa na cabeça. estava roncando. Porque sempre no nosso apartamento acontecem essas coisas?
Me arrastei pra cozinha e novamente encontrei os armários vazios. Dei pequenos pulinhos pra ver se tinha algo no ultimo armário e avistei uma caixa aberta de cereal. Foi como descobrir ouro. Fiquei me equilibrando na ponta dos pés tentando em vão pegar a caixa.
- Aqui - vi uma mão pegar a caixa e me alcançar.
- Obrigada - disse a , que estava com uma cara amassada.
- Você quer? - perguntei abrindo a geladeira e pegando um resto de leite.
- Por favor - ele disse apoiando-se no balcão.
- , me explica uma coisa - falei pegando duas tigelas – por que a bagunça sempre acontece aqui?
- Sei lá, eu nem sei como vim parar aqui - ele deu de ombros.
- Alias, porque tu e o foram expulsos de lá?
- Porque a tem ciúmes de mim e do - disse colocando leite nas duas tigelas e sorrindo.
- Ela é uma vadia mesmo - ele gargalhou.
- Toma - dei a tigela com o cereal e leite a ele e peguei a minha.
- Como vocês voltaram pra casa? - perguntei escorando-me no balcão a sua frente, depois de uma colherada de cereal.
- Com a limusine - ele fez um ar de obvio.
- Tava legal? - perguntei sem a mínima vontade de saber.
- Muito - ele mexeu as sobrancelha duas vezes maliciosamente.
- Iih, quem foi dessa vez? - perguntei lambendo a colher.
- Dessa vez nao, de novo - ele disse insinuante.
- Hmm - pensei por um minuto - ah meu deus! ? - fiquei boquiaberta.
- Eu só pego ela quando ela ta bêbada - ele abaixou o rosto olhando pro cereal.
- Nossa - falei juntando as finas sobrancelhas.
- Hmm - amy apareceu na porta, gemendo.
- Acordamos você? - perguntei enquanto começava a lavar minha tigela.
- Uhum - ela murmurou, enquanto depositava a sua na pia.
- Awn, mil desculpas - sequei minhas mãos no pano de prato e depois apertei suas bochechas rosadas.
- Eu não vou lavar sua louça queridinho - apontei o dedo pra e sai da cozinha ouvindo o garoto sussurrar alguma coisa maldosa.
continuava roncando com a boca aberta. Cheguei perto do mesmo e chequei em seu relógio de pulso as horas. 14:30 da tarde. Arrastei-me pro quarto novamente e continuava dormindo, mas a porta do banheiro estava fechada e não estava em sua cama.
- Acordaaa - joguei-me por cima dela, provavelmente quebrando alguma coisa nela com meus joelhos ossudos.
- O que? - ela arregalou os olhos, virando a cabeça pros dois lados como se o mundo fosse acabar. - Sua puta... - ela abaixou a cabeça novamente, agarrando um travesseiro e fechando os olhos.
- Qual é , chega de dormir - falei deitando-me ao seu lado.
- Não foi você que chegou às seis da manhã - ela disse ainda de olhos fechados.
saiu do banheiro, agora vestindo um short xadrez e bocejando.
- Como foi a noite de vocês? - ele perguntou jogando-se na cama ao nosso lado.
- Ótima - respondemos juntas.
- Falando nisso, porque vocês saíram da festa com dois seguranças? - perguntou virando-se de barriga pra cima.
- Porque a é uma puta - falei rindo.
me olhou com uma cara estranha e eu sabia que mais tarde esse assunto voltaria.
- , o me contou que... - comecei a falar.
- Ah cara, eu tava bêbada - ela corou.
- , vai pra lá ver se o ta vivo? – sugeri.
- Que merda, sempre eu... - ele saiu resmungando.
- Então... - dei um sorrisinho pra ela.
- Então o que? - ela falou naturalmente.
- Conta logo porra!
- Ah ... eu não tava sóbria, e eu to nem ai também. To curtindo - ela disse massageando o edredom em cima de nós.
- Ta bom - eu disse simplesmente. Afinal, era o que eu estava fazendo, não era?
- Somos duas pessoas que não acreditam em nada do que o amor traz - ela disse olhando pro teto.
- Amor não existe. É apenas ilusão - falei olhando pro mesmo ponto que ela estava olhando.
Nos olhamos e começamos a rir. Nós ainda estávamos bêbadas, chapadas ou algo do tipo? Ou era simplesmente vontade de rir.
- O papo ta bom, mas a gente precisa ir ao supermercado né? - abriu a porta, nos encarando.
- Ah é... - falou sentando-se na cama.
- - falei observando que ela estava apenas de sutiã e calcinha.
- O que?
- Você está indecente - falei pra ela e apontei para seu corpo e começou a rir.
- Merda, vai pra lá ! - ela falou .
- Nós vamos ao supermercado, vocês vao ficar ai? - perguntei aos tres que se encontravam na cozinha.
- Não, já estamos indo - amy respondeu.
Saímos os três, e deixamos as chaves com o . Passando pelo saguão da entrada, vi Adam, mas graças a deus ele não me viu. Pegamos o metrô, e em 15 minutos estávamos no centro.
- Este aqui parece ser mais barato os preços - disse, enquanto folheava um encarte.
- Mas esse aqui tem desconto a vista - falei lambendo a colherinha de plástico do meu sorvete.
- Voce é louca de comer sorvete nesse frio - falou, saindo fumacinha de sua boca.
- Sou mesmo - falei e passei sorvete na ponta do seu nariz.
- Ah, isso ta frio droga! - ele falou tentando limpar.
- Para de ser fresco - disse e passei meu dedo no sorvete em seu nariz depois lambi o dedo e lançou-me um sorrisinho zombador.
- Eca! - gemeu, nos encarando e eu comecei a rir.
- Vamos nesse primeiro ai - falei me recostando no banco.
Entramos no supermercado e eu logo peguei um carrinho médio.
- Não, eu quero esse! - brigava com entre uma barra de chocolate e outra.
- Droga, levem os dois, vamos embora logo - falou fingindo que olhava absorventes.
Pegamos os artigos de higiene, e os comes e bebes. Fomos pro caixa e eu temia que não tivéssemos dinheiro.
- Aqui, com mais dois e cinquenta - catava as moedas em seus bolsos e a caixa estava ficando impaciente.
- Mais isso aqui - falou depositando na mão da velha gorda.
- Deu? - perguntei a mulher que contava as moedas e notas amassadas.
- Ficaram devendo 25 centavos, mas esta tudo bem - ela falou com cara seria.
pegou as sacolas mais pesadas e eu e o resto. Pegamos o metrô e seguimos novamente pra universidade.
Enquanto estávamos sentados no banco do metrô, peguei meu celular a fim de retornar a ligação de meu pai. Disquei os números e na terceira chamada ele atendeu.
- Oi pai, sou eu... Desculpa não te dar atenção mais cedo, é que eu não estava me sentindo bem.
- Oi princesa, esta tudo bem. Eu só liguei pra perguntar se o presente que eu mandei já havia chegado.
- Que presente? Não chegou nada aqui - falei levantando as sobrancelhas.
- Bem, vai chegar. Espero que goste.
- Obrigada pai, amo você.
- Eu também querida, até mais - ele disse carinhosamente.
- Até - fechei o telefone e o joguei dentro da bolsa.
- Vai ganhar um presentinho? - perguntou curioso.
- Parece que sim - falei me sentindo curiosa também.
Chegamos ao saguão e eu disse a e indo subindo, porque eu ia perguntar se havia chegado alguma coisa pra mim.
- , certo? - a mulher perguntou teclando no computador e eu assenti com a cabeça.
- Chegou alguma coisa do Brasil sim, um momento, por favor.
Enquanto esperava, peguei uma balinha dentro de um potinho de vidro e fiquei tamborilando os dedos em cima do balcão até que a mulher reapareceu com uma caixa quadrada em mãos.
- Obrigada - agradeci e peguei o elevador, examinando a caixa.
Chegando ao nosso apartamento, vi e ainda parados lá.
- O que houve? – perguntei.
- A chave ficou com o , a não quer ir lá buscar porque não quer ver a cara dele e eu to cansado de carregar essas sacolas.
- Tudo bem, eu vou - revirei os olhos e voltei a pegar o elevador. Deixei a caixa ali com eles.
A porta se abriu no oitavo andar e eu caminhei até o apartamento dos garotos. Girei a maçaneta e ela estava aberta, entrei sem preocupação, pois fazia isso com a gente.
Encontrei um aos amassos com uma garota ruiva um tanto peculiar.
- Desculpa, eu... - virei-me e bati a porta.
- Calma ai - abriu-a de novo e saiu, fechando a porta.
- Eu não queria interromper, mas - fui falando, mas ele me interrompeu.
- Não, aquela garota é um pé no saco, você veio em boa hora - ele parecia aliviado. Observei que ele estava apenas de samba canção.
- Então, eu vim pedir a nossa chave, porque a gente foi no super e...
- Caralho - vi o garoto olhar por cima da minha cabeça com os olhos arregalados.
- O que foi garoto... - perguntei, mas ele pegou no meu braço e saiu correndo comigo atrás.
- ! O que é isso porra - falei enquanto ele apertava ainda mais minha mão e me arrastava junto.
Por fim ele virou a esquina de um corredor e se escondeu atrás de uma gigante maquina de refrigerantes da coca-cola. Se agachou e me puxou junto. Eu queria matá-lo. Estávamos ofegantes pela correria.
- , pode me explicar o que ta acontecendo, seu...
- Shh - ele colocou o dedo indicador nos meus lábios e agora sim eu queria arrancar seu dedo com os dentes.
Fiquei em silencio, apenas olhando com raiva para ele.
- Tava passando um garoto por ali, que eu to devendo pra ele - ele sussurrou quase inaudível, com o rosto muito próximo do meu.
Eu estava sentada no chão, segurando os joelhos e ele estava com o peito colado nos meus joelhos e eu podia ouvir sua respiração acelerada.
- Devendo? Devendo do que? – perguntei.
- Comprei um bagulho dele e não paguei - ele falou como se fosse normal.
- Droga , e você vai ficar fugindo que nem um condenado? - alterei a voz um pouco.
- Espera, to ouvindo os passos dele - ele colocou novamente o dedo em meus lábios e chegou mais perto de mim para não ser visto.
Ficamos em silencio por alguns minutos. Ele me encarou por alguns segundos.
- Que cheiro bom, o que você esta comendo? - ele perguntou chegando mais perto do meu rosto e baixando os olhos para meus lábios que estavam semi-abertos.
- Bala de framboesa - falei deixando a bala entre os dentes para ele ver.
Sem que eu pudesse impedir, ele tocou seus lábios nos meus e passou sua língua pela bala em meus dentes. E no segundo seguinte, eu o afastei, empurrando seu peito.
- Não - falei apenas.
- Porque não? - ele parecia frustrado.
- . E todas as vadias que você pega - falei com um pouco de raiva.
- Ah , qual é, tu sabe como eu sou - ele sorriu.
- E eu sei como você é. - ele me olhou maliciosamente - eu sei que você também quer – ele disse e passou as mãos pela minha cintura.
- , me deixa ir.
- Isso tem a ver com o ? Eu não sabia que você estava gostando dele.
- Não estou - falei entre dentes.
- Ta bom então - ele botou a cabeça pro lado, e espiou.
- Podemos ir - ele se levantou e estendeu uma mão para eu levantar.
Caminhamos em silencio os poucos metros até o apartamento.
- Espera ai - ele falou e entrou, encostando a porta.
Depois reapareceu, com a chave em mãos.
- Obrigada - falei e caminhei.
- , desculpa ta? - ele falou com a cabeça pra fora da porta. Eu acenei pra ele em resposta.
- Onde você tava? - perguntou levantando-se do chão.
- Ah, nada - falei e abri a porta.
Enquanto ia levando as compras pra cozinha eu sentei-me no sofá e abri o pacote do meu pai. Desembrulhei do papel e peguei em mãos a câmera Nikon d90 Profissional. A que eu sempre quis ter. Brotou um sorriso em meus lábios e eu quis abraçar meu pai naquele momento.
xx
- – saí de dentro do quarto e parei a sua frente na sala – da pra abaixar o volume da TV? Eu to tentando estudar.
- Foi mal – ele disse se ajeitando do sofá e diminuindo o volume.
- Obrigada.
- Porra, já é a terceira vez que eu falo – bati a porta com força, voltando a sentar-me em minha cama ao lado de Amy.
- Calma, se concentra de novo – ela falou abrindo o livro novamente. Amy estava cursando direito, por isso tinha mais facilidade em ajudar os outros a guardar na memória essas coisas. Eu estava estudando a historia da moda, e seus fundadores, toda essa coisa. Era um gigante livro só disso, e eu tinha minha primeira prova amanha. Parecia um inferno.
- Ok – respirei fundo.
- Vamos recapitular esta última parte – ela disse passando o dedo sobre um parágrafo.
Algumas horas a fio de estudo, eu já me sentia mais confiante e também cansada.
- Brigada por ser tão atenciosa – dei um longo abraço nela, sentindo o cheiro de morango em seus cabelos loiros.
- De nada, agora que tal brigadeiro?
- Ótimo!
Passamos pela sala e estava adormecido, e a TV estava sintonizada em um canal de pornografia.
- Droga – falei mudando de canal.
- O que? – ele abriu os olhos.
- Estou tendo um Dejavú – falei lembrando-me do nosso primeiro encontro e senti saudade de como as coisas eram diferentes e mais fáceis.
- Cheguei – escancarou a porta, voltando da sua ultima aula.
- Vamos fazer brigadeiro, quer?
- Claro! – ela disse pondo a bolsa em cima do sofá e se dirigindo a cozinha conosco.
- Mexe mais – Amy falava por cima do meu ombro para a panela contendo margarina e achocolatado.
- , amanhã eu vou me mudar pro quarto da Amy – falou se recostando no balcão.
- O que? – alterei a voz, largando a colher.
- É, eu te falei que seria por apenas algumas semanas. O diretor não permite mais de duas pessoas em um quarto.
- Ah não! Eu vou ficar sozinha com o ? – fiz beicinho e passei meus braços por seus ombros.
- Isso não me parece um problema, vocês não são apenas “amigos”? – Amy intrometeu-se, lambendo a colher.
- É, nós somos – abaixei a cabeça pensativa.
- Então não tem problema – falou.
- Mas é que eu vou sentir saudade de você.
- Qual é, eu vou viver aqui – ela falou sorrindo tentando me animar.
- O brigadeiro ta pronto – Amy disse sorrindo.
- Hey, ninguém trouxe uma colher pra mim? – falou quando nós três sentamos no sofá com nossas colheres e o pote de brigadeiro.
- Va pegar senhor pornografico – falou sorrindo pra ele e o garoto saiu em direção a cozinha resmungando.
xx
Amy foi para seu quarto. estava deitado em sua cama, mexendo em seu ipod e balançando os dedos dos pés. Eu estava pintando as unha de de um vermelho sangue. Estava acabando de retocar, quando meu celular começou a tocar em cima da bancada.
- , pega ali pra mim – falei.
- Pega você, vou estragar as unhas! – ela disse e assoprou as mesmas.
- Sua preguiçosa – falei levantando-me.
- Alô? – disse rindo enquanto me dava um tapa nas costas.
- Sua voz continua a mesma, doce e gentil – ouvi a voz masculina na outra linha sussurrar, como se estivesse abafando o telefone. No momento em que ele pronunciou a primeira silaba meu corpo gelou e eu engoli em seco, incapaz de dizer algo. Eu desejei que estivesse em um sonho, ou melhor, em um pesadelo.
- Você esta ai? Não esta feliz em ouvir a minha voz querida? Sinto sua falta – meus lábios se abriram e começaram a tremer. Minha mão começou a ficar úmida sobre o celular. Me dirigi ao banheiro após alguns minutos de total silencio, sentindo as pernas bambas como se fosse tombar a qualquer minuto.
– Me deixe em paz – falei com a voz embargada após certo minuto e meus olhos ficaram úmidos. Fechei o telefone e ainda podia ouvir a voz dele seguida pelo som da sua risada que machucava meus ouvidos. Escorreguei pela parede fria do banheiro até meus quadris tocarem o chão. Apoiei a cabeça nos mesmos e ainda sentia minha boca seca, com a respiração alterada.
Senti o celular vibrar novamente na minha mão e o medo percorreu meu corpo. Pressionei o botão ‘ignorar’ de imediato e em seguida desliguei o celular. O atirei para longe de mim no chão. Apenas fiquei ali sentada, absorvendo o ultimo acontecimento e sentindo minhas lágrimas molharem a minha camiseta.
- Pode ter sido engano, uma voz parecida com a dele – sussurrei pra mim mesma.
- É, foi isso aí que aconteceu – confirmei.
Sequei as lágrimas compulsivas, peguei o celular do chão e abri a porta do banheiro, tentando parecer normal.
- Quem era? – perguntou
- Engano – disse pegando minha camisola no armário.
Senti os olhos de em mim, mas ele não falou mais nada. Troquei de roupa rapidamente e deitei ao lado de na cama. levantou-se, apagou a luz e deitou-se na cama ao lado. Observei o vento batendo nos galhos das arvores lá fora, as folhas caindo e a neve diminuindo.
- Quem era? – falou baixinho, virando-se pra mim.
- Ninguém. Vou sentir sua falta aqui comigo – falei e deixei as lágrimas correrem.
- Não chora – ela falou e me abraçou, embora não soubesse o real motivo das minhas lagrimas.
12.
Não consegui dormir a maior parte da noite. Se dormi uma hora foi muito. Na maior parte, fiquei com os olhos arregalados, fitando o breu, em busca de certas respostas. Virava-me pra um lado, para o outro, ia tomar água, chorava mais um pouco, ia ao banheiro, voltava, fumava um cigarro e assim foi. Quando deram sete horas da manhã, levantei-me me sentindo cansada. Tomei um banho quente e coloquei um moletom velho azul marinho do ramones e uma calça jeans. Enrolei meu pescoço nu com um cachecol de lã. e dormiam como anjinhos, sem nenhuma preocupação atormentando suas mentes limpas. Sai de casa cuidadosamente e desci pelas escadas. Sim, desci os dez andares de escada. Estava cansada de elevador. Cheguei à cafeteria da universidade e pedi dois capuccinos pra levar e um mocca. Escolhi também alguns donuts do balcão e depois paguei. Bem, retiro o que disse sobre as escadas. Subi de volta com o elevador, dando alguns goles em meu mocca. Entrei no quarto e depositei a bandejinha com os cafés em cima do criado-mudo. Sentei-me na cama ao lado dos pés de e tomei meu café, fitando o nada.
mexeu-se na cama e resmungou alguma coisa e depois voltou a dormir.
As perguntas invadiram a minha mente, me deixando em um mar de duvidas, incluindo-se em minha mente totalmente perturbada por aquela ligação.
- ? – me chamou algumas vezes, mas eu não escutei.
- Oi? – virei minha cabeça para olhá-la.
- Você ta bem? – ela sentou-se na cama.
- To sim – falei tentando dar um sorriso.
- Cheiro de café – ela franziu o nariz.
- Ta ai do seu lado, trouxe rosquinhas também.
Ela pegou a embalagem descartável contendo o café, tomou alguns goles e abriu o pacote com as poucas rosquinhas. Ela pegou uma com cobertura de chocolate e me passou o saco.
acordou sentindo o cheiro do café e veio até nós, enquanto eu comia a rosquinha cor-de-rosa.
- Café da manha na cama – ele falou comendo junto conosco.
- Já que é o ultimo dia da aqui né – falei.
- Depois você tem que me ajudar a fazer as malas – ela disse e pegou outra rosquinha.
- Eu preciso de um emprego – falei fitando o nada.
- O que? – indagou devorando outra rosquinha.
- Preciso de um emprego – repeti a frase – ganhar dinheiro.
Precisava de alguma ocupação, as coisas já estavam ficando difíceis por aqui e agora que só teria eu e sustentando, ficariam ainda mais.
- Lá em baixo tem um setor com anúncios – falou enquanto limpava as mãos.
- Vou lá dar uma olhada – disse levantando-me.
Pus o copo no lixo e coloquei os tênis de novo.
- Já volto – falei pros dois que me olhavam com uma cara estranha e desci.
Fui procurando o setor de anúncios, lendo as placas com a cabeça erguida para as mesmas. Só me deparei que não olhava pra onde andava quando me bati com alguém mais alto e grande que eu. Dei um passo pra trás, me desculpando automaticamente e vi quem era.
- Erm, oi Adam – disse olhando pros lados involuntariamente.
- Como vai? Não nos falamos mais não é mesmo? – ele sorria.
- É, sabe como é, as provas – disse tentando ser natural.
- Bem, você sabe o numero do meu quarto – ele deu um passo pro lado e depois sussurrou no meu ouvido – pode me fazer uma visita quando quiser.
E saiu. Absorvi suas palavras por um momento e depois voltei a procurar o setor.
Por fim achei e adentrei a pequena salinha com cadeiras, revistas, jornais e um grande mural com anúncios. Me aproximei do mesmo, observando os letreiros contendo informações em letras minúsculas. Fiquei ali algum bom tempo, fazendo questão de ler vários. Até que li um que me chamou a atenção e me pareceu apropriado. Era uma empresa que organizava festas de aniversario, formaturas, casamentos e essas coisas. E tinha uma revista de noivas e decoração. Eles estavam admitindo fotógrafos com pouca experiência, para um estagio de seis meses. Para auxiliar nas filmagens e books nos eventos e para fotografar para a revista. Bem, eu tinha a câmera, sempre gostei de fotografar, mesmo com as humildes câmeras digitais, por isso sempre quis uma profissional. Li mais abaixo, e vi que eles disponibilizavam o material de trabalho, mas mesmo assim o presente de meu pai seria útil para eu treinar. Anotei o numero para agendar a entrevista em um papel em cima da mesinha e enfiei no bolso da calça.
xx
Eu estava escrevendo um e-mail pro meu pai, agradecendo o presente e falando do meu futuro emprego. Mandei um pequeno também pra minha mãe, mandando um oi e alguns pros amigos do Brasil. estava me azucrinando pra eu ir ajudar ela a arrumar as malas.
- Já vou cara – bufei e fechei o notebook.
- , não precisa estar tudo perfeitamente dobrado, quando você chegar lá vai desarrumar tudo de novo.
- Ate parece que você não me conhece – ela riu e voltou a dobrar os casacos.
- Vem, vai tirando essas roupas do armário – ela insistiu.
Ajudei-a dobrar as roupas e enfiar tudo dentro das três malas. Estávamos guardando os artigos de higiene.
- – ela falou baixinho.
- Hm?
- Você ta estranha desde ontem – ela parou de guardar os perfumes e eu continuei guardando.
- Ah, só estou meio cansada – disse me esforçando pra parecer neutra.
- Você esta nervosa, eu te conheço – ela pôs a mão sobre a minha que guardava os perfumes compulsivamente, quase quebrando os vidrinhos.
- Você sabe que eu sou sua amiga – ela falou com a voz amável e eu virei meu rosto pra ela, e senti as lagrimas voltarem novamente.
- Ele ligou pra mim – falei virando meu corpo pra ela, demonstrando a raiva que eu estava sentindo.
- Ele quem? – ela franziu a testa.
- O Freddy – falei trincando os dentes e seu rosto tomou uma nova expressão, uma mistura de espanto e angustia.
- O que? – perguntou demonstrando incredulidade na sua voz.
- Foi o que você ouviu – comecei a guardar os perfumes novamente, já não enxergando direito pela umidade dos olhos.
- perai, o que ele falou? – a garota sacudiu a cabeça negativamente.
- Ele so falou que tava sentindo minha falta, e essas coisas que ele diz ironicamente com aquela voz zombeteira – fechei meus olhos.
- Meu deus – ela baixou a cabeça, a sacudindo.
- Vem cá – ela me puxou para um abraço, e eu a apertei fortemente enquanto ela beijava o alto de minha cabeça.
- Ele só deve estar querendo brincar contigo.
- É, eu sei. Não é nada demais – disse me livrando de seu abraço e secando as lagrimas.
- Vamos arrumar suas coisas – falei voltando as malas. Ela ainda tinha a expressão preocupada no rosto.
- Bem, então é isso – disse enquanto colocava as malas no quarto arrumado de Amy.
- Cuida dela direitinho hein? – falei abraçando Amy.
- Vou cuidar – ela falou sorrindo.
- Te vejo depois – dei um beijo na bochecha de .
- Qualquer coisa sobre aquele assunto, tu sabe que pode vir aqui né – ela falou e eu concordei com a cabeça e sai do quarto das garotas.
xx
- , é aqui – falei observando o numero do local de minha entrevista de emprego.
- Vou esperar naquele banco ok? – ele apontou com o dedo e eu assenti.
- Boa sorte – ele beijou minha testa e eu adentrei ao local.
- Er, pra entrevista de emprego – disse a recepcionista. Ela assentiu e fez alguma ligação depois me mandou sentar nas cadeiras e esperar.
Não era meu primeiro emprego nem nada, mas era meu primeiro em Londres e por isso eu estava nervosa e chacoalhando os pés em baixo da cadeira.
- Srta. ? – um homem calvo me chamou e depois deu passagem pra eu entrar a pequena salinha.
- Sente-se, por favor – ele indicou a cadeira estofada e eu obedeci.
- Então, a senhorita é brasileira? – ele indagou, sentando-se em sua cadeira do outro lado da mesa enquanto eu observava os portas retratos da família do homem.
- Entraremos em contato – ele apertou minha mão e sorriu, após uns 20 minutos me entrevistando.
Caminhei lentamente ate o banco onde ouvia musica distraidamente com seus fones de ouvido.
- Que demora – ele retirou um dos fones e me olhou - Como foi?
- Tudo bem. Ele disse que vai me ligar se me derem a vaga – eu disse sentando-me ao seu lado.
- Você vai conseguir – ele passou seu braço pelos meus ombros e eu enrijeci.
- Agora somos só você e eu – disse me referindo ao quarto.
- Vou sentir falta da arrumando a casa – ele fez beicinho e eu ri.
- Temos que voltar, tenho aula – eu disse olhando em meu relógio de pulso.
xx
’s POV on
Eu estava quase dormindo na sala de aula, com a mão escorada no rosto e o cotovelo em cima da mesa. Eram dez horas da noite e faltava mais quinze minutos pra acabar. Eu tinha que bolar alguma propaganda pra uma marca de impressoras que o professor velho e barrigudo inventou e eu não conseguia pensar em nada.
Passados os quinze minutos, o sinal tocou e em enfiei tudo em minha mochila e sai da gigante sala. Cumprimentei e no caminho e depois segui pro quarto.
Adentrei a sala e joguei minha mochila no sofá. Ouvi uns barulhos da cozinha e pensei que não podia ser cozinhando.
- O que você ta fazendo? – perguntei na porta.
- Cup Noodles, quer? – ela me olhou sorrindo. A garota vestia um pequeno short jeans e um casaco preto.
- Não, já comi – eu disse e me dirigi ao quarto.
Troquei de roupa, vestindo meu pijama e me joguei na cama de bruços. Vi meu celular vibrar em cima do criado-mudo e me estiquei pra pegar. Eu não havia contado a , mas a estava me mandando sms desde aquela noite. Parecia que ela não desistia. Ignorei o sms da garota, o deletando como todos os outros.
- Como foi a aula – deitou em sua cama, com seu cup noodles.
- Chata – falei com a cara enfiada no travesseiro.
- Quer se sentir melhor? Come um pouco desse, é um novo sabor, eu adorei! – ela disse e levantou-se da cama, sentando na minha.
- Hm – gemi, fazendo cara de nojo.
- Vai , para de ser idiota! – ela me ofereceu uma colher.
Ainda meio relutante pela aparência, abri a boca e ela me deu uma colherada sorrindo vitoriosa, e devo confessar que não era tão ruim.
- Você tem razão, esse é bom – falei sentando um pouco na cama.
- Você tem que aprender a me ouvir – ela disse enquanto comia.
- Chega pra lá – a garota disse, enquanto depositava o copo no criado mudo.
Fui pro lado e ela se enfiou debaixo das cobertas ao meu lado. Senti seu corpo gelado em contato com o meu e tremi, tentando me controlar como sempre fazia.
- Não to com sono – ela falou baixinho observando a janela.
- Que você quer que eu faça – falei olhando pra ela e sorrindo.
- Sei lá, vamos brincar de alguma coisa.
- Tipo o que – disse e ela parecia pensativa.
- Vamos brincar de se conhecer melhor. Quem é ?
- Nossa, que brincadeira criativa .
- Fala logo! – ela me deu um tapa e eu ri.
- Bem, meu nome e , eu sou idiota – fiz uma pausa pensando - eu nunca tive um cobertor do homem aranha, eu brincava de Power rangers, meu ídolo é Homer Simpson, sou travesti e – parei de falar enquanto ela começava a rir.
- Eu já matei um peixe asfixiado, já fui metaleiro e só me vestia de preto, perdi a virgindade com dezesseis anos, quando tinha treze anos, fingia que me drogava com marca textos – abri a boca e arregalei os olhos.
- Eu também fingia! – falou e comecei a rir compulsivamente junto a ela e seu riso era como musica para meus ouvidos.
- Deixa eu ver o que mais... – olhei pro teto – meu relacionamento mais longo foi de cinco dias, eu fiz xixi na cama ate os dez anos e meu sonho era conhecer o Elvis, ate que eu soube que ele já tinha morrido e parei de sonhar. Eu nunca disse um ‘eu te amo’ pra ninguém, porque nunca amei ninguém a ponto de falar.
Parei de falar e ela me observou com os olhos intensos.
- E você, quem é? – perguntei a ela que desviou o olhar após alguns segundos.
- Meu nome é , eu acho graça em tudo, até em funerais, faço aniversario no mesmo dia que a minha vó morreu, passei a minha pré adolescência querendo ter o casamento perfeito, com um garoto perfeito, que viesse em um cavalo branco, meu primeiro beijo foi dentro de um banheiro químico, o primeiro livro que li foi ‘o pequeno principe’ eu já fiz uma tatuagem escondida, mas quando meu pai descobriu me obrigou a tirar e...
- Serio, o que? – falei rindo.
- Escrevi ‘fuck you’ um pouco abaixo da cintura, ai minha mãe descobriu e contou a meu pai, ai ele me obrigou a ir numa clinica e tirar – ela falou lembrando-se.
- Ainda ficou um pouco da marca olha – ela abaixou um pouco o short e eu vi que tinha uma leve marca no local. Confesso que achei sexy.
- Continuando – ela sacudiu a cabeça – meu sonho era ser filha única, na minha época rebelde, eu pintei o cabelo de roxo com tinta, mas ficou tão feio que tive que raspar a cabeça porque não conseguia mais pentear. A ultima vez que eu falei ‘eu te amo’ foi a quatro anos. E só.
Assenti com a cabeça sorrindo.
- Primeiro beijo em um banheiro químico? – comecei a rir.
- Ah, eu tinha só doze anos. Eu e meu amigo nunca tínhamos beijado, ai combinamos de dar um beijo só pra ver como era, e nós estávamos no parque de diversões, por isso o banheiro – ela sorria e revirou os olhos.
- O meu foi com uma menina ruiva, com sardas que usava aparelho nos dentes – eu disse, fazendo a garota rir. Fazia tempo que eu não conversava assim com alguém, alguém que me fazia tão bem quanto ela.
- E quando você perdeu a virgindade? – perguntei a ela e notei que o sorriso de se rosto desapareceu por algum motivo.
- Bem, foi com um namorado – ela falou e levantou-se da cama com uma expressão diferente no rosto.
- O que foi ? – indaguei vendo que ela estava desconfortável.
- Nada, agora eu to com sono. Boa noite – ela deitou-se em sua cama e virou pro lado contrario ao meu.
Algum dia eu descobriria o que essa garota esconde de mim. Mas eu tenho medo do que é, seja o que for, a deixa triste. E isso me corroi. Fiquei virando de um lado pro outro na cama e não consegui dormir imaginando o que seria. Por fim tomei a decisão e levantei-me, saindo do quarto escuro e caminhando pelo corredor silencioso. Dei três batidas fortes na porta do quarto e ninguém atendeu. Bati de novo, com mais força até que Amy abriu a porta, trajando uma camisola minúscula.
- , você sabe que horas são caralho? – reprovou-me.
- Sei, eu preciso muito falar com a , licença – entrei o quarto e fui ate a cama da garota que dormia profundamente.
- , – chamei ela, ajoelhando ao lado da cama.
- Hmm – ela gemeu ainda de olhos fechados.
- , acorda sou eu – a sacudi ate que ela abriu os olhos.
- , que merda é essa, eu to de sutiã – ela falou com um sobressalto e puxou a coberta pra si.
- Foi mal – disse tentando não olhar.
- O que foi? – ela parecia preocupada.
- Eu preciso que você me fale algo – disse determinado e ela arregalou os olhos.
- Eu sei que a esconde alguma coisa – falei lentamente. - Eu preciso que tu me fale o que aconteceu com ela, ou porque ela é tão estranha em relação a sentimentos – disse e a garota parecia nervosa com a minha pergunta.
- , você ta pirando – ela falou e se virou pro outro lado.
- Não to não, por favor , me fala o que é – disse a sacudindo.
- Escuta aqui – ela se virou seria – apenas seja seu amigo, a apoiei e não deixe ela ficar triste ok?
- Como posso se seu amigo sem entendê-la porra?
- Mas que merda, se ela quisesse te contar, já teria falado. Eu não vou falar nada!
Assenti e suspirei. Levantei-me e pus as mãos no bolso.
- – ela me chamou quando eu ia sair do quarto – você é muito importante pra ela, nunca se esqueça disso.
Sorri com o que ela disse e sai do quarto com os pensamentos a flor da pele.
Voltei ao quarto e continuava a dormir, respirando pesadamente. Sentei cuidadosamente ao seu lado na cama e passei minha mão pelo seu cabelo sedoso. Ela se aninhou mais no cobertor e continuou a dormir.
- Just to keep me from thinking of you, but you know it's not working out, cause you're all that's on my mind – cantarolei baixinho a musica que fiz, tirando a mecha de cabelo de seu rosto. Ela continuava a dormir. A observei dormindo por certo tempo, apenas escutando sua respiração lenta, o modo como ela inalava o ar e o soltava, afastando as pequenas narinas. - Eu queria saber o que se passa nessa sua cabeça – sussurrei.
A garota sonhava com alguma coisa, pois suas pálpebras se moviam e seus longos cílios batiam contra sua pele clara, parecia um sonho agitado. Passei meu polegar em sua bochecha, observando seu rosto esculpido, tentando memorizar todos os seus traços perfeitos para ficarem guardados para sempre na minha mente caso algo acontecesse.
Deitei em minha cama, esperando o sono chegar.
’s POV off
Eu era a única no pátio vazio e coberto de neve. Sentada em um banco congelante, com um gorro cinza e um casacão preto até os joelhos. E um cigarro entre os dedos. As arvores se remexiam com o vento, indo de um lado pro outro, despejando suas folhas secas pelo chão branco. Minhas bochechas estavam rosadas devido ao frio e meus cabelos batiam fortemente em meu próprio rosto. Era um sábado a tarde, não tinha ninguém ali. Apenas uma garota confusa e amedrontada. Após certo tempo, percebi que o cigarro se apagara em meus dedos e notei o celular vibrando no bolso do casaco. Enfiei a mão direita com luvas no mesmo e atendi.
- Srta. ? – uma voz masculina indagou.
- Sim, quem gostaria? – levantei-me do banco, caminhando lentamente.
- Aqui é o Sr. Evans, a senhorita fizeste uma entrevista na quarta-feira, certo?
- S-sim – gaguejei, entrando na universidade sorrindo.
- Pois bem, a senhorita ganhou a vaga e deverá aparecer na empresa na segunda feira às 09 da manhã ok? – ele disse calmamente e eu nem acreditei.
- C-claro, estarei lá. Muito obrigada senhor – falei quase pulando.
- Até mais – ele disse e desligou.
Subi correndo pra contar a novidade, mas não estava em casa. Passei no quarto dos garotos e eles disseram que estava na biblioteca. A biblioteca era em outro prédio, por isso atravessei toda a extensão da universidade com o sorriso de orelha a orelha e adentrei o prédio 18B, correndo pelos corredores pra contar a . Cheguei ate a biblioteca, mas a porta estava fechada com um bilhete de ‘já volto’ balançando no vidro. Suspirei. Estava me virando pra ir embora, quando notei que a fechadura da porta parecia quebrada. Girei a maçaneta e a porta estava aberta. Estranhei aquilo, mas afastei a porta e entrei relutante na gigante biblioteca. Estava tudo vazio e silencioso, caminhei lentamente, a procura de , varrendo o local com os olhos, os corredores, mas não vi nem sinal dele. Vi lá no fundo do local, a pequena salinha de estudos, e estava entreaberta. Aproximei-me e então pus a mão na porta para empurrá-la quando ouvi alguns sussurros.
- Vamos rápido, antes que a recepcionista volte – ouvi uma voz feminina, e paralisei na porta, e involuntariamente sem a minha permissão, meu coração acelerou, temendo o que meu cérebro processava.
Respirei fundo e com o maximo de cuidado, espiei com o canto do olho pela porta. Mas não deveria ter feito. Nos braços de , os braços em que tanto me acalentei, uma garota loira se encontrava com pouca parte das roupas. Pelo um segundo que meu olhar se pousou naquela cena, eu pude ver os dois de olhos fechados, em cima de uma mesa redonda aos amassos. Então eu corri com apenas uma coisa em mente.
13.
Então era assim sentir algo? Sentir que seu peito estava sendo esmagado? Sinto muito, mas eu não queria essa merda. Não de novo, por tudo que eu passei. Ora, quem eu estou enganando? Não adianta mais fugir de algo que esta estampado na minha cara. Eu preciso do . Essa é a verdade. Ele é meu amigo, ele é meu parceiro, mas nada disso importa. Porque o que eu sinto, é bem maior que isso e eu tenho vontade de arrancar meu coração fora pra não sentir isso. A meio minuto atrás, eu estava correndo pra contar pra ele sobre a minha maior realização que eu consegui aqui, e no momento seguinte eu estava correndo pra fugir de tudo. Eu queria agir da maneira correta, falando meus sentimentos. Agir com o coração não vale a pena, pois o coração se engana. Já agir com frieza te permite analisar as situações com indiferença. Eu sempre parti dessa afirmação para fugir de tudo. Eu não quero um conto de fadas. Então eu não iria ceder. Entrei em nosso quarto e tive vontade de quebrar todas as suas coisas e aquele violão estúpido com que ele compôs aquela musica estúpida, mas não o fiz. Pois ele não tinha culpa de nada no momento, eu era a culpada de ele estar saindo com outras pessoas, eu era a culpada de me esconder, de tudo. Fiquei deitada na cama por 15 minutos, apenas sendo masoquista e lembrando da cena, na esperança de que se meu coração partisse ao meio, ele se quebraria e eu não sentiria mais nada. Sentei-me na cama e olhei o vazio fixamente.
Levantei-me, caminhei ate meu armário e passei os dedos pelas roupas nos cabides com a expressão séria e indiferente. Peguei em mãos um vestido preto, que ia acima dos joelhos, amarrava no pescoço e as costas eram nuas. Observei a peça de roupa e acariciei o tecido. Tirei minha roupa e me enfiei no vestido, enquanto uma fina lagrima descia pelo meu rosto quente.
Observei minha imagem no espelho, com a lágrima esparramando em meu pescoço e mostrando meu corpo esguio no vestido. Tive vontade de quebrar o espelho, mas mantive-me centrada. Puxei a meia calça preta de lã em uma das pernas, e depois em outra. Calcei os sapatos fechados e me cobri com um casaco. Olhei seriamente para meu rosto no espelho e travei por um momento.
Após, passei um batom vermelho sangue nos lábios e só. Sai do apartamento sem levar chave, nem celular. Se eu não voltasse mais, não fazia diferença. Antes de o elevador fechar a porta, vi alguém pedindo para segurar a mesma e então entrou, me olhando dos pés a cabeça.
- Vai aonde gata desse jeito? – ele sorriu.
- Sair, dar uma volta.
- Porque não chamou o ou a pra ir junto?
- Porque o está bem ocupado agora – disse entoando a palavra ‘bem’- Onde você esta indo? – indaguei, olhando pros meus pés.
- Lugar nenhum, só precisava dar uma saída.
- Vem comigo – disse olhando pra ele – eu não sei nada de lugares por aqui.
- Tudo bem – ele deu de ombros.
Caminhamos em silencio pelas ruas movimentadas. Isso eu gostava no , ele sabia que eu não estava bem e não fazia perguntas sobre isso. O seu silencio era reconfortante.
Após algumas quadras ele apontou para um pequeno pub, com bastante movimento na frente. Eu concordei com a cabeça e nós dois entramos após pagar uma quantia um tanto cara para o segurança, que pediu nossas identidades para se certificar que nós éramos maior de idade.
Não estava muito cheio, nem muito vazio, mas dava pra caminhar por lá. Andei atrás de , segurando em sua mão.
- Vamos beber algo? – ele gritou pra mim e eu respondi que sim.
Ele guiou-me ate o bar e nós sentamos nos banquinhos altos. Puxei meu vestido mais pra baixo, notando que um cara ao meu lado fixava-se os olhos em mim.
- Vodca pura – disse pro barmen.
- Alguém esta querendo tomar um porre hoje – falou sorrindo e eu ri sem vontade.
- O mesmo pra mim – ele olhou pro barmen.
- Então, o que aconteceu? – ele virou o corpo na cadeira pra encarar-me.
- Nada, eu só precisava sair um pouco, entende? Esquecer um pouco de tudo – apoiei os cotovelos no balcão mentindo.
- Olha , seja o que for – ele falou pondo o dedo indicador no meu queixo e levantando o meu rosto – não se deixe abalar, você é muito jovem pra andar por ai com essa cara.
- Não vou deixar – sorri de canto pro garoto e aquelas palavras me pareciam sinceras demais, insinuativas demais.
O barman depositou os dois pequenos copinhos em nossas frentes.
- No três – falou pegando seu copo na mão e eu fiz o mesmo.
- Um – ele pausou – dois, três – no três, nós dois viramos o copo inteiro e eu senti o liquido gelado queimar minha garganta. Sim, o gelado queimou minha garganta, álcool é algo estranho. Depositamos os copos vazios no balcão e começamos a rir. pediu ao barman mais duas doses. O garoto puxou um assunto qualquer, e eu conversei com ele já me sentindo melhor.
- Vamos dançar? – perguntei tropeçando nas palavras após umas cinco doses de vodca e ele concordou.
Caminhamos por entre as pessoas e chegamos à pista apinhada de pessoas de todos os tipos. As pessoas daqui eram lindas e cheias de estilo. Tocava um pop punk animado de alguma banda desconhecida e eu e movimentamos nossos corpos no ritmo envolvente da musica.
- – gritei pro garoto que mantinha as mãos em minha cintura – eu to vendo três de você – falei já sentindo meu estado consciente abalado, eu só via vultos e mais vultos a minha frente.
Ele riu compulsivamente embora não seja nada engraçado. Eu sempre achei incrível o que o álcool faz com a sua mente. Nem que seja por poucas horas, ele te faz esquecer os problemas, te faz rir e não te deixa pensar em assuntos que você foge. Eu me sentia bem, não me lembrava de mais nada, nem de e meu sentimento estranho. Só queria dançar. Ah, esqueci de dizer, o álcool não te deixa pensar e você faz coisas idiotas. Sem pensar, eu dei um pequeno beijo em e depois me afastei rindo que nem uma louca. Ele olhou pra mim e riu, mas depois sua expressão tomou um outro sentimento, como se ele se lembrasse de algo.
- , o que foi isso? – ele indagou parando de dançar.
- Foi um beijiho, haha – eu disse chacoalhando meu corpo.
- Eu tenho que ir , a gente se vê depois – ele falou acenando e saiu rapidamente por entre a multidão.
Eu não conseguia raciocinar, mas meu cérebro me informou que eu havia acabado de levar um fora e eu queria saber o porquê.
Empurrei as pessoas do meu caminho, mas eu só via as luzes coloridas do pub e alguns borrões. Não via mais o garoto, então empurrei as portas do local e já não nevava mais, mas um frio cortante dilacerou minha pele e voou meus cabelos em meu rosto. Vi , ou alguém que deveria ser ele caminhando até o ponto de taxi e chamei por seu nome. Ele se virou.
- Onde você ta indo? – parei de caminhar.
- Embora, já ta tarde – ele falou ainda distante de mim.
Caminhei até ele, sentindo uma leve tontura invadir minha mente.
- Me diz o que aconteceu, você não queria? – indaguei próxima a ele, enrolando a língua.
- Não é isso, é que – ele pausou, pegando um cigarro em seu bolso – não é certo.
- Por quê?
- – ele se aproximou de mim e pegou em meus dois ombros – o é meu melhor amigo – após ele falar isso, eu senti meus batimentos se acelerarem. - E eu não posso beijar você, porque – ele parou olhando pra baixo ainda segurando em meus ombros – porque ele nunca me perdoaria por ficar com a garota que ele ta apaixonado.
Então ele me soltou e olhou pros lados, dando uma forte tragada. Eu senti meus lábios se separarem e meus olhos vagaram pelo chão sujo da rua.
- Isso, isso – balancei a cabeça – não é verdade, hoje eu vi ele – fechei os olhos lembrando-me da cena – com uma garota.
- Você não quer nada com ele, você acha que ele vai virar padre? Ele ta tentando te esquecer, porque já viu que nunca vai dar em nada, mas se eu ficasse com você, seria diferente – ele disse com as mãos nos bolsos.
Eu estava mortificada com suas palavras sobre o sentimento de por mim. Meus lábios continuavam entreabertos e eu estava sem nenhuma reação. voltou a caminhar pro ponto de taxi e depois se virou e gritou pra mim.
- Te vejo por ai – e entrou em um taxi.
Então era só eu, em uma rua escura e vazia, ouvindo um som alto, que se confundia com a musica que tocava dentro do pub, eram as batidas dentro do meu peito. O vento emaranhava meus cabelos, e o frio cortava a minha pele. Eu olhava pro nada, até que desisti. Deixei as lágrimas correrem por meu rosto gélido. Eu me sentia tão confusa, tão cheia de medos e sentimentos.
estranhos. Recapitulei as ultimas palavras de inúmeras vezes em minha mente, querendo reconfigurá-las
. - Você esta bem? – ouvi uma voz grossa atrás de mim que não era familiar. Virei-me e um garoto alto, com largos ombros me encarava um tanto curioso. - É que você esta parada na mesma posição a um bom tempo e – ele parou de falar quando eu levantei meu rosto – por que você esta chorando?
Então eu chorei ainda mais. O estranho se aproximou de mim e me envolveu em um abraço que eu não recusei. Enfiei minha cabeça em seu peito e molhei sua camiseta bege. Eu sabia que ele estava se aproveitando de uma garota que estava vulnerável, mas eu não me importei. Apenas estava feliz com seu ombro.
- Olha – ele olhou meu rosto – você é muito linda pra chorar assim – ele passou o dedão pelas lagrimas em minha bochecha e sorriu. Eu sorri também, com pouca força.
- As coisas estão estranhas ultimamente, só isso – eu disse limpando as lágrimas.
- Porque eu não te pago uma bebida e você desabafa? – ele indagou.
- Claro – eu assenti com a cabeça e segui o garoto pra dentro do pub novamente.
xx
- Então é isso, esse idiota e aquela garota e – eu falava compulsivamente, após algumas doses de álcool e mais lágrimas. O garoto apenas me encarava e concordava plenamente.
- Eu não conheço esse cara, mas ele parece gostar de você – ele disse confiante.
- Eu não acredito no amor, mas esse garoto esta me deixando louca – falei apoiando o rosto nos cotovelos. Eu me sentia aquelas viúvas, que iam pra um bar tomar um porre, falavam do marido pra um desconhecido e etc.
- Se isso te ajuda, eu também não acredito. Acho que as pessoas não deviam ligar tanto pra compromisso e curtir mais a vida. - Nossa, você me entende – eu falei observando seus olhos que me pareciam mostrar a verdade oculta neles. Aproximei meu rosto e olhei em seus olhos pra ver sua reação, ele não hesitou e deixou um selinho em meus lábios depois se afastou.
- Você me parece uma garota legal demais pra ficar sofrendo – ele disse me observando e eu senti que ele não estava apenas se aproveitando do meu momento sensível. Eu sorri com aquelas palavras e dei outro selinho nele, que depois se transformou em um beijo. O gosto de álcool se misturou em nossos hálitos e seus lábios eram macios e carnudos. Apoiei minha mão em seu joelho enquanto ele emaranhava suas mãos em meus cabelos. Afastei nossos lábios.
- Obrigada – disse com a testa encostada na sua e sentindo seu cheiro. Uma lagrima desceu pelo meu rosto, eu ainda não estava totalmente recomposta e as palavras de ainda ecoavam na minha mente.
- Quer dançar? – ele perguntou sorrindo gentilmente.
Assenti com a cabeça e ele pegou na minha mão, como se nós fossemos uma casal, levando-me pra pista. No caminho, pegamos mais duas cervejas e seguimos. Abri a tampa da garrafa com os dentes enquanto começava a dançar no ritmo da musica alta. Nos minutos seguintes, eu pensei a respeito. Pensei em com a loira nojenta, pensei que ele estava tentando me esquecer, assim como me informara. Então eu decidi que faria o mesmo e estava totalmente disposta a isso, custe o que custar. - Eu não sei o seu nome, estranho – gritei pra ele, tomando um gole da bebida.
- Dylan, e o seu.
- – gritei em seu ouvido.
- Muito prazer – ele me deu um aperto de mão e eu ri. - O prazer é todo meu – eu disse passando meus braços em seu pescoço. Ele sorriu e nós dançamos com nossos corpos colados, apenas fixei meus olhos nos seus, fazendo movimentos com o quadril que ele acompanhava. Ele me olhava com a mesma expressão. Virei-me de costas e balancei a cabeça, passando a mãos pelos cabelos. O garoto acariciou a minha cintura e eu rebolei meu quadril, dobrando os joelhos em direção ao chão. Ele passou as mãos pela lateral do meu corpo em movimento e eu ofeguei com seu toque. Ele começou a beijar o meu pescoço sensualmente e eu pus uma das mãos em sua nuca, virando a cabeça pro lado e deixando o pescoço vulnerável enquanto uma de minhas mãos se mantinha em minha cintura. Após alguns amassos e mais drinks, eu já me sentia bêbada demais e me lembrei da ultima vez que eu bebi tanto, parei em um hospital. Tomei outra decisão, mesmo que minha mente não raciocinasse mais bem.
- Eu moro aqui perto – disse em seu ouvido, acariciando seus cabelos.
xx
- Eu acabei a faculdade aqui ano passado – Dylan me informou enquanto nós caminhávamos pelas ruas geladas despreocupadamente.
- Sério? Quantos anos você tem? – perguntei.
- 26 – ele disse sorrindo e eu me espantei, ele parecia mais jovem – e você?
- Faço vinte mês que vem – falei sentindo meu rosto corar.
- Você parece mais velha – ele disse com um sorriso maroto.
Após algumas quadras, nós adentramos a silenciosa universidade. Passamos pelo saguão, onde a recepcionista dormia encostada em uma cadeira. Os sons dos saltos de meus sapatos ecoavam pelo fino piso do local.
- Aonde nós vamos? – o garoto indagou enquanto nosso lábios já estavam juntos novamente.
- Ainda não decidi – disse separando nosso lábios e pegando em sua mão. Saímos do prédio e caminhamos no jardim bem cuidado, e nos dirigimos ao prédio dos laboratórios. Nós riamos compulsivamente devido ao álcool e não havia ninguém pelo local.
Entramos no prédio escuro, e baixamos o tom de voz.
- O que você ta pensando garota – ele sussurrou e foi seguido com um ‘shh’ por minha parte.
Seguimos pelos corredores e ao chegar à sala dos professores, empurrei a porta e me abaixei no chão, à procura de uma chave.
- O que você ta fazendo? – Dylan perguntou confuso.
- O professor de anatomia do , meu amigo, deixou a chave do armário escondida em algum lugar aqui pro pegar a chave do laboratório. – eu disse lembrando-me o dia que o garoto me contou sobre a experiência que ele faria no local.
- Achei – falei alto quando vi debaixo do tapete.
Varri os armários com os olhos embaçados.
- Você ta vendo o número 39? – perguntei ao garoto, forçando a vista pra enxergar melhor.
- Acho que é esse aqui – ele apontou e eu girei a chave. La dentro, peguei o molho de chaves do laboratório e fechei o armário, depositando a chave novamente debaixo do tapete. Em sã consciência, eu nunca faria isso com o , porque sabia que eu e ele íamos nos fuder depois por causa disso.
- Porque o laboratório? – ele perguntou passando as mãos pela minha cintura.
- Porque lá nunca tem ninguém e porque é proibido – eu disse em seu ouvido, dando uma leve mordidinha em seu lóbulo – você não gosta do que é proibido?
- É por isso que eu gostei de você, garota – ele deu uma risadinha e nós saímos da sala. Pegamos o elevador, dando amassos lá dentro e eu falei que tinha câmeras ali, então o estranho mostrou o dedo do meio pra câmera e eu fiz o mesmo, não ligando pra mais nada.
- É aqui – eu disse quando chegamos próximo ao local.
Demoramos um bom tempo ate achar a chave correta e enfiá-la no bendito buraco. Quando conseguimos, entramos na sala e eu tranquei a porta. Tudo lá estava terrivelmente organizado e pronto pra ser destruído sem piedade por dois bêbados excitados. No armário de vidro, se encontravam as mais nojentas coisas que eu já vi, havia balcões de mármore e muitos, muitos vidrinhos e utensílios prateados que eu não fazia a mínima idéia pra que serviam. Começamos um beijo caloroso antes mesmo de eu trancar a porta e acender uma das luzes. O garoto acariciou toda a extensão da lateral do meu corpo e eu fiquei na ponta dos pés para passar meus braços pela sua nuca. Fomos andando rápido pelo local, esbarrando em diversas coisas, mas sem desgrudar os lábios. Era tamanha vontade, que meu coração parecia que ia saltar pra fora. Logo percebi que esse garoto mais velho era experiente e me deixaria louca. Ele espalmou suas mãos em minha bunda e levantou-me do chão enquanto eu agarrava seus cabelos e me segurava em seus ombros. Sentou-me em um dos balcões de mármore, ficando entre minhas pernas. O rapaz acariciou minhas coxas já sem a meia calça e pôs as mãos dentro do meu curto vestido, o subindo ao mesmo tempo. Ele parou de me beijar quando eu o afastei. Olhei pra ele e mordi o lábio inferior enquanto desabotoava lentamente os botões do vestido preto ate em baixo vendo-o acompanhar meu movimento com os olhos. Ele terminou de tirar o mesmo, e baixou os beijos para o meu colo.
- Já esta se sentindo melhor? – ele perguntou enquanto me envolvia em seus braços, me fazendo sentir sua excitação.
- Ainda não – falei mordendo seu lábio inferior e tirando sua camisa.
O garoto deitou-me no balcão e eu senti o forte cheiro de algum acido ali por perto. Franzi as narinas e Dylan começou a distribuir beijos pela minha barriga. Então ele se ajoelhou no chão, de modo que sua cabeça ficasse a altura do meu corpo deitado na mesa e puxou-me mais para perto, colocou minhas pernas em seus ombros e começou a dar leves beijinhos na parte interior da minha coxa e eu dei um pequeno gemido ofegante com seu toque. Ele desceu os beijos e mordiscou a barra da minha calcinha branca e eu sorri. Dylan retirou a calcinha e começou a dar beijos delicados no local e acariciar minhas coxas ao mesmo tempo. Quando ele começou a penetrar-me com sua língua eu mordi o lábio inferior com tanta força que senti o gosto salgado de sangue em minha boca. Arranhei a mesa em busca de apoio e mordi novamente o lábio machucado pra não gritar.
Enrosquei mais minhas pernas em torno de seu pescoço e depois o garoto levantou-me e sentou-me novamente no balcão. Eu já sentia-me cansada. Tornei a beijá-lo e baixei minha mão direita, apertando seu membro por cima da calça jeans. Achei injusto eu estar sem roupas e ele ainda de calças. Abri o zíper da sua calça e depois desci a mesma com a ponta dos pés. Após a peça de roupa estar no chão, ele sorriu e pegou-me no colo, beijando meus lábios. O garoto estava apenas de boxer e eu enrosquei minhas pernas em sua cintura e ele abriu um sorriso mostrando os dentes brancos e perfeitos. Ele jogou nossos corpos contra o armário de vidro, e as coisas lá dentro balançaram e fizeram um barulho estrondoso. Eu subi mais em seu colo e ele apertou seu corpo contra o meu, prensando-me e passando as mãos pelo meu quadril. O garoto roçou seu membro na minha intimidade e eu pensei que teria que implorar para tê-lo. Por fim, o senti penetrar-me com delicadeza e após alguns minutos aumentou a velocidade e os movimentos, me fazendo cravar as unhas em suas costas e dar um grito abafado em seu pescoço. Ele prensou-me mais no armário, fazendo meu corpo suado grudar no vidro enquanto eu pulava em seu colo freneticamente. As investidas se tornaram cada vez mais animalescas até que nossos corpos se cansaram e foram se acalmando. Por fim senti uma onda de prazer me invadir e nós dois relaxamos, visivelmente ofegantes.
- Agora estou melhor – sussurrei encarando seus olhos azuis.
- Que bom, essa era a intenção – ele beijou a minha testa e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Vestimos nossas roupas e antes de sair eu dei uma rápida olhada pelo estrago que fizemos no local. Bem, ninguém saberia que fui eu.
Voltamos à sala dos professores e eu repeti o processo das chaves, deixando tudo como estava.
- Se você quiser pode dormir aqui, eu vou dormir no quarto da minha amiga – falei pra ele enquanto nós caminhávamos novamente pelo jardim de mãos dadas. É estranho como eu pensava que o conhecia há mais tempo.
- Tudo bem, se não for incômoda – ele disse com as mãos nos bolsos.
Eu havia esquecido que a chave reserva do quarto das meninas estava em meu quarto. Pedi a Dylan esperar lá fora e entrei no quarto. Esperava não estar em casa, mas ele estava lá, dormindo lindamente em sua cama só de boxers. Andei pé por pé ate o criado mudo e abri a gaveta cuidadosamente, que rangeu e acordou.
- ? – ele perguntou olhando o breu.
- Shh – eu pus meu dedo em seus lábios – eu vou dormir na ok, volte a dormir – acaricie seus cabelos e ele deitou a cabeça novamente no travesseiro.
- Deita aqui comigo um pouco – ele pediu passando a mão pelo meu braço e eu senti meu coração se apertar novamente.
- Não , eu tenho que ir – disse procurando a chave na gaveta enquanto aquela voz me fazia querer ficar ali com ele.
- Onde você tava? – ele indagou com a voz rouca sexy.
- Numa festa, agora volta a dormir ta bom – falei quando achei a chave e levantei-me do chão onde eu estava ajoelhada.
- Boa noite – disse pra ele e sai do quarto, sentindo-me estranha. Ele e a loira, e agora estava todo meloso? As confissões de , Dylan, o desconhecido. Tudo girava em minha mente, junto com a quantia de álcool em meu cérebro.
- Pronto, vamos lá – falei pra Dylan.
- Ele estava ai, não estava? – ele perguntou enquanto nós andávamos pelo corredor.
- Estava.
Ele permaneceu em silencio ate chegarmos ao quarto das meninas. Enfiei a chave ainda com certa dificuldade e entramos cuidadosamente. O colchão que as meninas deixavam na sala estava ali com alguns travesseiros.
- Deita, eu vou buscar um cobertor.
estava em sua cama, mas Amy não, provavelmente estava na casa de algum garoto ou em uma festa. Peguei o cobertor enrolado na cama vazia da garota e voltei à sala. Deitei-me no colchão e Dylan deitou-se ao meu lado, cobrindo-nos.
- Obrigada por me fazer sentir-me melhor – sussurrei virada pra ele.
- Boa noite – ele deu um selinho em meus lábios e fechou os olhos. Fiz o mesmo, esperando os dias seguintes que não seriam uma maravilha.
14.
- O nome dele? Sei lá – retruquei, enquanto esquentava minhas mãos na xícara de café fumegante – algo com “D”.
- Ele é lindo – disse espiando pela porta da cozinha para o garoto deitado no colchão de sua sala.
- É, eu não me lembro de muita coisa, mas tem algo a ver com o laboratório, o e – eu matutei, forçando meu cérebro – Dylan! Esse é o nome dele.
- Laboratório, , Dylan? – a garota arregalou os olhos.
- Meu deus, será que eu fiz sexo com os dois e depois fiz uma experiência no laboratório com eles?
- É bem provável – gargalhei.
Enchi uma xícara com mais café e a levei a sala, sentando no colchão ao lado do loiro. Ele se remexeu um pouco e resmungou algo.
Alguns minutos depois ele se virou e me olhou sentada no colchão. Sorriu de lado e aos poucos se sentou, pegando a xícara que eu oferecia.
- Bom dia – eu disse, observando seus cabelos bagunçados.
- Bom dia, sou só eu que sinto minha cabeça esmagada?
- Não é só você, acredite – eu sorri, tomando mais um gole da bebida.
- Depois você podia me contar o que aconteceu noite passada, porque sinceramente eu não lembr...– comecei a falar rindo.
- , você viu a – entrou abrindo a porta bruscamente interrompendo o que eu falava e parando ao me ver sentada ao lado de Dylan.
- – ele terminou a frase pousando seus olhos em mim e depois no homem ao meu lado.
- Estou aqui – acenei pra ele.
- Ah sim, você esta ai – ele coçou a cabeça, exatamente o que ele faz quando está confuso ou irritado – que bom que você esta ai, eu estava – ele parou de falar – preocupado.
- Esta tudo bem , eu já sou grandinha – disse e sorri pra ele.
- Tudo bem, eu já vou indo – dito isso, o garoto fechou a porta e eu olhei pro lado.
- Eu disse que ele gosta de voce – Dylan falou bebendo seu café despreocupadamente, como se essa informação fosse algo pouco notável.
Pus a xícara ao meu lado e deitei minha cabeça pesadamente no travesseiro fofo. Ele devia estar preocupado em comer a oxigenada, droga, não em saber meu paradeiro. Dylan deitou-se e puxou mais a coberta para cima de nós. Minha cabeça parecia que ia explodir.
Aos poucos minha mente foi me recordado dos acontecimentos da noite anterior, as palavras de e tudo mais. Eu não conseguia esquecer o momento em que disse aquelas coisas e foi embora, enquanto eu permanecia paralisada na rua deserta e fria, apenas digerindo.
- Você foi a minha salvação – falei com os olhos no teto.
- O que? – ele disse desconcertado.
- Você foi a minha salvação. Você me fez sentir tão bem, esquecer de tudo isso.
- Eu não fiz nada, você que escreve a sua historia e faz jus a suas atitudes – o garoto levantou-se do colchão e estalou as costas, falando normalmente.
- Você é brilhante – tocou meus lábios e entrou no banheiro após.
Após alguns minutos, o garoto saiu do banheiro mais ajeitado, enquanto eu permanecia ainda no colchão pensando.
- Eu tenho que ir – ele disse.
- Eu te levo ate a saída – rapidamente levantei-me calçando os chinelos de e colocando o robe preto quase transparente por cima da camisola.
Caminhamos pelos corredores, enquanto Dylan se divertia contando-me o que fizemos de imprudente na noite anterior.
- Foi divertido – disse enquanto apertava o botão de térreo no elevador.
Então ele tirou uma caneta do bolso frontal da calça e pegou minha mão, virando a palma para cima e escrevendo números. - Quando precisar de salvação – acenou com a cabeça e saiu do elevador, e eu acenei de volta enquanto ele ia saindo pelo saguão. A porta fechou-se e eu observei a caligrafia robusta em minha palma.
- Voce vai ligar? – Amy perguntou ansiosa sentada ao meu lado no sofá.
- Não sei – dei de ombros – talvez outro dia.
- Eu acho que você deveria ligar – disse enquanto dobrava as cobertas.
- Ok, ok, mas não agora – retruquei.
- É o Brian – Amy disse ao sentir seu celular no bolso vibrar – nós vamos ao parque novo que abriu.
- Parque? – indaguei enquanto a garota calçava as botas apressadamente.
- É, é um novo, eu queria ir faz tempo.
- Eu ouvi falar – interferiu.
- Querem ir junto com a gente? – a garota loira perguntou parando de calçar as botas.
e eu nos olhamos. Silencio. Mais silencio.
- Porque não? – eu disse finalmente.
- Então se vistam logo, eu vou chamar os meninos – ela falou e saiu do apartamento.
- Merda, eu preciso de uma calça nova – resmunguei observando minha silhueta no espelho. A calça estava desbotada. Vesti uma blusa qualquer, um moletom preto com capuz e mais um casaco. Afinal, Londres é Londres. Pus mais um cachecol.
- Que frio – saiu do banheiro, trajando um pesado casacão, calça jeans escura rasgada e botas pretas com salto médio.
Do quarto, ouvimos algumas risadas e a porta se abrindo. Logo, entrou no quarto e me choquei ao ver o garoto caminhar até e lhe roubar um beijo de tirar o fôlego. Fiquei boquiaberta não apenas com o gesto dele, mas com o fato de que minha amiga não recusou e isso me levou a crer que eu não estava a par dos últimos acontecimentos.
- O que, o que, vocês dois e ? – gaguejei, piscando algumas vezes.
Os dois riram com o meu desconcerto.
- Você anda no mundo da lua ultimamente, – o garoto falou.
- Eu contei pra ela, mas provavelmente tem outra coisa nessa cabecinha que ela se esqueceu – falou passando os braços na nuca do garoto e logo iniciando outro beijo que me deixou mais chocada.
Pigarreei alto para os dois se tocarem.
- Vou retocar o make up e já volto – ela deu mais outros selinhos amorosos no garoto.
Alguma coisa estava muito errada. O galinha do ? Até parece.
- O que você ta fazendo? – indaguei quando fechou a porta do banheiro.
- Por quê? Eu gosto dela ok?
- Vocês parecem que estão bem.
- E estamos. Já que você só cedeu aos meus encantos uma vez, eu tenho que me entreter com outra – o garoto falou sentando ao meu lado na cama e sorrindo com aquele velho ar de garanhão.
- Você não presta – dei um tapa em seu braço.
- Ia ser legal nós três, o que você acha? – ele levantou as sobrancelhas duas vezes.
- ! – comecei a rir.
- O que? Porra, eu to falando serio.
- Só não magoa ela ok?
- Ta, mas você não respondeu a minha pergunta – fez cara de triste.
- A resposta é não seu retardado! – dei outro tapa nele.
- Adoro esse seu jeito braba, sabia? – ele disse piscando.
- ! Você ta com a minha amiga, caralho!
- Qual é , a não se prende também, você sabe como ela é melhor que eu – ele fez pouco caso, olhando para as unhas. - Quando você vai desistir? – suspirei quando ele começou a fazer círculos com o dedo na minha perna esquerda.
- Ah, sei lá – ele riu, levantando-se da cama - Você não é mais a mesma de quando chegou aqui – ele falou tirando uma carteira de cigarros do bolso .
- Claro que sou – falei roubando o cigarro do garoto e dando uma profunda tragada.
Fizemos silencio. Pude ouvir cantarolando no banheiro. Caminhamos até a janela do quarto e nos debruçamos no parapeito, sentindo o vento cortante.
- Você nem percebe que mudou, mas mudou – ele sorriu, e pela primeira vez eu nunca tinha visto aquele sincero. Eu não achava que tinha mudado, mas as pessoas achavam. Isso me desconcertava.
Dei um abraço nele e como a muito não fazia, me confortei no ombro de um amigo.
Soprei a ultima fumaça pela janela, apaguei o cigarro na água da chuva parada no parapeito e joguei pra fora. Fui calçar meu all star.
- As noivas já estão prontas? – meteu a cabeça na porta, olhando diretamente para e sorrindo.
- Estamos – o mesmo disse, passando e rebolando.
Depois de passar pela porta, olhou pra mim e sorriu, como se estivesse dizendo que estava tudo bem entre a gente. Aquilo me fez sentir-me um pouco melhor com a situação.
- Vamos? – convidou-me e eu levantei da cama indo junto com os outros.
Fomos a pé. Na rua movimentada, trocamos poucas palavras, a não ser , e que falavam compulsivamente sobre um jogo de futebol que eu não entendia porra nenhuma. e eu não nos falamos. Não havia necessidade mesmo, mas eu sentia que ele estava frio comigo. Não sei por que, ele parecia tão bem com a sua amiguinha e eu estava bem com meu amiguinho.
- , ooi? – Amy me encarava, estalando os dedos a frente do meu rosto.
- O que foi? – indaguei franzindo o cenho.
- Estamos conversando com você, onde ta essa sua cabeça? – riu.
- Desculpa gente, eu tava pensando em umas coisas.
- Pra variar no mundo da lua – Amy bufou – você precisa se distrair um pouco.
Pagamos as entradas do parque. O local era de tamanho médio, bem no centro de Londres. Nossos amigos pra variar pareciam crianças, achando tudo lindo e maravilhoso. Resolvi seguir o conselho de Amy e tentar me distrair também. Comprei algodão doce com e saímos comendo enquanto , e se divertiam em um tiro ao alvo. Amy e Brian foram pra sei lá onde, provavelmente fazer coisas impuras em algum lugar. Devo dizer que não foi uma boa idéia comer algodão doce e depois ficar 10 minutos girando de cabeça pra baixo em brinquedos macabros. Os garotos gritavam como menininhas enquanto eu e nos concentrávamos em manter a boca fechada para não causar transtorno.
- Caralho, porra – ofegou enquanto saiamos cambaleantes do ultimo brinquedo.
- Eu acho que ta acontecendo alguma coisa aqui no meu estomago, galera – passou a mão na barriga e eu comecei a rir , Amy e Brian se juntaram a nós. Eu acho que a pessoa escondida atrás de um imenso urso branco de pelúcia era o , quero dizer.
- , é você? – indaguei rindo.
- É pra você, eu ganhei o maior premio – ele empurrou o fofo urso pra mim.
- Obrigada – sorri pra ele, alisando o bichinho.
- Cadê o ? – Amy indagou.
Varremos o local com os olhos até que avistei o garoto escorado na parede dos banheiros conversando com um cara e mais uma garota.
- O que ele ta fazendo? – perguntou.
- Ele ta entregando o negocio pro – falou entendido do assunto.
- Ah, ele vai comprar e pegar a mina – falou também despreocupadamente.
As previsões estavam corretas. O homem alto entregou alguns comprimidos que eu sabia bem o que era a , e o mesmo engoliu e logo se atracou com a ruiva.
- Impressionante – falou enquanto todos observavam a cena.
Eu também estava afim de diversão. Todos não estavam falando que eu estava muito quieta ultimamente? Ta na hora de eu voltar à ativa.
Dei o fofo urso pra segurar e caminhei ate onde os três estavam, escutando atrás meus amigos me chamarem.
- Você tem mais? – cheguei e perguntei insegura ao alto homem que estava ao lado de e a garota ruiva. O homem me olhou da cabeça aos pés analisando-me.
- Você é amiga dele? – apontou com a cabeça pra e depois olhou pros lados pra garantir não haver nenhum espectador. Concordei com a cabeça.
- Quanto é? – mexi em meus bolsos.
- Pra você não é nada – ele falou passando as mãos pelos meus cabelos e os afastando do meu pescoço, alisando a pele descoberta. Me mantive parada, mesmo totalmente insegura. Entretanto, e a garota estavam drogados de mais pra interferirem ali. O rapaz cheirou meu pescoço e eu fechei os olhos. Ele se afastou e pegou um pequeno comprimido branco e entregou na palma da minha mão.
- Sai de perto dela – se pôs entre eu e o homem quando eu estava prestes a botar o comprimido na boca, jogando o mesmo no chão. Ele olhou furiosamente pro homem.
- , não se mete, eu já sou adulta! – tentei afastar ele, mas o garoto se pôs a minha frente, discutindo com o moreno. - Vamos embora, – ele me puxou pela mão bruscamente.
- Me solta, o que você pensa que é? – tentei me libertar, em vão.
- Tchau boneca – ouvi o homem falar quando a gente se afastou e logo se virou, mas eu o segurei.
- Qual é a sua? – gritei com raiva do intrometimento dele.
- Vem, droga – o garoto bufou, voltando a andar e me segurar pela mão como uma criança.
levou-me para o outro lado do parque enquanto eu me mantive de cara fechada. Entrou na fila da roda gigante junto comigo, me arrastando praticamente. Logo fomos os próximos. Atrás de nós, um casal entrou na outra cabine, enquanto se beijavam ao mesmo tempo.
Ele me fez sentar no frio banco e sentou-se a minha frente. Encarei-o.
- – fechei os olhos tentando controlar a raiva – por que você me trouxe aqui?
- É o único lugar aonde eu posso ter controle de você.
- Controle? – ri sarcasticamente – você é meu namorado por acaso?
- Não. – ele disse seco – não sou.
O brinquedo deu um solavanco e começou a andar vagarosamente.
- Então porque você se acha no direito de ter controle sobre mim? – cruzei os braços – porque você acha que eu não sei o que eu faço?
Silencio.
- Eu só te trouxe aqui pra te tirar de perto daquele aproveitador – ele fechou os olhos, tentando se controlar.
- Se eu fui até ali, eu não me importei com as conseqüências.
- Você não sabe o que faz – ele olhou pra imagem do parque se tornando cada vez mais alta. Pude avistar o Big Ben e o Palácio de Buckingham, Londres iluminada. Suspirei.
- Eu não me importo – disse segurando na barra de ferro vendo o chão cada vez mais distante de mim.
- Você tem idéia – ele gesticulou com as mãos – do que aquele cara podia fazer contigo drogada?
- Mas que merda , porque você não me deixa viver? Eu não sou que nem você, eu gosto de arriscar, de perder – pude sentir meus olhos marejarem – eu gosto de errar – finalizei.
- Você gosta de arriscar? – ele indagou olhando pros lados visivelmente irritado – então arrisque, fale o que eu sei que você quer falar pra mim.
Então eu pude sentir o chão se esvair. A roda gigante deu um solavanco forte, fazendo a cabine balançar.
- O que foi isso? – perguntei olhando pra baixo, vendo que nós éramos exatamente a cabine da parte mais alta da roda gigante.
Avistei alguns homens se aproximando da roda gigante e eu pude perceber que ela estava trancada.
- Calma – disse vendo meu estado.
Passaram-se cinco minutos e eu comecei a congelar lá no alto.
- Vamos, arrisque. Você falou que gosta. – voltou ao assunto, fazendo meu coração acelerar.
- Eu não sei do que você ta falando – disse olhando pros lados, vendo as luzes iluminadas de Londres aos nossos pés formando o cenário.
- Diga – ele falou e eu pude ver sua respiração alterada.
- Eu não quero arriscar isso – olhei diretamente em seus olhos.
- Eu não aguento mais – ele falou e eu pude sentir a lagrima finalmente desabando – se voce não fala, eu falo. ... – ele suspirou.
- Não diga essa frase – pedi suplicante.
- Eu te amo – acabou a frase.
Então eu prendi a respiração. Um frio cortante invadiu nossos corpos tão próximos um do outro, balançando a cabine. Eu podia sentir o calor do seu corpo perto do meu, me chamando. Era só nós dois no meio do céu, no ponto mais alto onde podia se ver a cidade inteira brilhando. O cenário era perfeito e o momento perfeito. Mas essas três palavras que eu não ouvia há cinco anos, tiveram tal efeito em minha mente, que eu não resisti. Eu teria que me libertar.
15.
Um minuto, uma hora, um dia, um ano. Eu não tinha noção de quanto tempo se passou após a informação que chegara a meus ouvidos.
- ... – enfiei a cabeça em meus joelhos, incapacitada de dizer algo.
- Porque você é assim? Porque você não simplesmente admite? – ouvi a voz dele.
- Eu – olhei pra ele, vendo seu rosto embaçado pelos meus olhos marejados – eu te amo desde a primeira vez que te vi, desde a primeira vez que vi você sorrir, desde a primeira vez que você me tocou, desde a primeira vez que nós brigamos, desde quando vi você no cenário perfeito no auge da minha vida – as palavras jorraram de minha boca totalmente sem controle.
- Mas... – ele parecia surpreso com a minha confissão, me olhando de um modo confuso – porque, então...
- Aos 15 anos de idade, eu fiz uma promessa pra mim mesma – interrompi-o - Eu prometi que nunca mais deixaria o amor e esse sentimento estúpido foder com a minha vida de novo. Eu virei uma pedra por dentro. Sabe, as pessoas sempre me diziam que eu deveria parar de sonhar tanto com meu príncipe, de andar sempre nas nuvens, de parar de chorar tanto. Falavam que eu deveria ser que nem todas as outras adolescentes, beber, fumar, fazer sexo sem amor, enfim curtir a vida. E foi isso que eu comecei a fazer. No começo foi difícil não sentir nada, mas eu consegui, deu certo. Eu não sentia mais absolutamente nada, como uma rocha. E isso estava funcionando, ate você aparecer no meu caminho.
As lágrimas já escorriam compulsivamente. observava as palavras jorrarem da minha boca com uma expressão indescritível.
- Entao, me desculpa se eu atrapalhei os seus planos, mas... – finalmente perguntou após alguns minutos – eu preciso saber, o que aconteceu com você, antes de fazer essa promessa?
Entao a roda gigante começou a andar novamente. Eu não queria voltar a falar do meu passado, precisava de um tempo sozinha pra digerir tudo isso.
- , fala comigo – o garoto sentou-se ao meu lado e segurou a minha mão.
Fiquei em silencio, apenas sentindo o toque da sua mão quente sobre a minha fria.
As portinholas da cabine se abriram e eu pulei rapidamente de lá e comecei a correr.
- , espera! – me chamava.
- Eu preciso de um tempo – virei minha cabeça e gritei, continuando a correr, sentindo o frio dilacerar meu rosto. Eu sabia exatamente para onde estava indo, para o meu lugar favorito no mundo. Bati em varias pessoas no caminho, pedindo desculpas rápidas. Me infiltrei na multidão, onde não me acharia mais. Passei pela entrada glamorosa da torre do big ben, esbarrando nos turistas com rostos alegres que observavam tudo atentamente. Cheguei aos elevadores, mas quando fui entrar um segurança carrancudo disse pra mim que já estavam fechando, em um sotaque esquisito. Como eu queria dar um soco na cara dele. Mas me controlei pra não fazer isso. Corri para as escadas, e o segurança me seguiu, berrando pra mim que era proibido subir. Entrei pela porta da escadaria, a empurrei com força e rapidamente peguei um pedaço de madeira que estava jogado em um canto, enfiando pelas maçanetas das portas, logo tornando impossível alguém abri-las. Logo ouvi o segurança estrangeiro bater na porta e gritar mais. Ignorei e comecei a subir os 15 andares.
- Só mais um, só mais um – ofeguei, falando pra mim mesma, no fim da escada.
Por fim empurrei a porta contra-fogo do terraço e senti o frio ainda mais cortante. Caminhei lentamente pelo local, ajeitando mais o cachecol em meu pescoço e observei a vista, sentindo o vento bater no meu rosto. Me aproximei do local onde eu sempre sentava. No parapeito do terraço, acima de onde estava o relógio do big ben. Sentei ali e balancei minhas pernas no ar, vendo as pessoas lá em baixo parecendo formiguinhas. Londres estava cheia delas, pra variar. Eu não tinha medo de altura, eu tinha medo de muitas outras coisas do que sentar ali. Os carros se cruzavam em velocidade, as pessoas apressadas cheias de sacolas de compras se misturavam com as diversas etnias que formavam a cidade. Eu me sentia finalmente segura. Acendi um cigarro para me confortar. Ali eu me sentia bem, era como se eu estivesse no topo do mundo, onde ninguém me encontraria. Mas eu sabia que uma hora teria que descer do meu pequeno paraíso secreto e enfrentar o mundo. Fiquei de pé no parapeito e aspirei profundamente o ar cinzento, abrindo os braços e me balançando despreocupadamente.
- ! – ouvi uma voz me chamar e levei um susto, desequilibrando-me de cima do parapeito. Então duas mãos seguraram meu corpo antes que eu desabasse.
- O que você acha que ta fazendo? – falou me olhando como se eu fosse uma louca. Se não fosse por ele, meu corpo estaria estatelado no chão lá em baixo.
- Nunca se chama alguém que esta em cima de um precipício! – reprimi-o, mesmo sabendo que a errada da historia era eu. - Desde daí – ele me puxou, contra a minha vontade.
- Como você me achou? – perguntei.
- Você me contou que esse era o seu lugar favorito no mundo, esqueceu? Eu imaginei que estaria aqui – ele disse segurando minha mão para me ajudar a descer. Eu realmente andava esquecida ultimamente.
- Ta, mas e como você conseguiu subir? Eu lacrei a porta e o segurança não deixava subir pelo elevador.
- Eu falei pra ele que se me deixasse subir, você desceria sem ser presa.
- Presa? – franzi a testa.
- Você invade uma área restrita, desobedece a um segurança e lacra a porta do lugar e acha que não ia ser presa?
- Eu – cruzei os braços no peito – apenas precisava ficar um pouco só.
- Eu vou descer, quando você resolver me contar o que ta acontecendo, me procura – então ele caminhou alguns passos com as mãos nos bolsos em direção a porta.
- Espera – falei e me aproximei.
Minha mente estava dividida. Dividida entre o certo e o errado, dividida entre o passado e o presente.
- Quer saber? Que se foda – gesticulei com as mãos e caminhei os passos que nos separavam e joguei meus braços ao seu redor, selando nossos lábios. Pela primeira vez ao beijar aquele garoto, eu senti que estava fazendo realmente o que eu queria, senti que estava na hora de seguir em frente. Foi o beijo mais verdadeiro que eu já compartilhei com alguém. apertou minha cintura, correspondendo ao meu beijo com a mesma intensidade que eu.
- Eu vou te contar tudo, ok? – disse encostando nossas testas. Ele concordou com a cabeça e beijou a minha testa. Abracei-o ainda mais, como se o mundo fosse desabar. Observei o sol timidamente indo embora, tornando ainda mais frio lá em cima. Era simplesmente... perfeito.
- Vem, ta frio aqui, vamos tomar um café e você me conta tudo, ta bom? – ele disse calmamente secando com o dedão a lágrima que escorria.
Concordei e abracei sua cintura enquanto saiamos do terraço.
xx
- Dois mocca – fez o pedido a garçonete enquanto nos acomodávamos na mesinha ao lado da janela.
- Quando você quiser me contar ok? – ele disse calmo alisando a fina pele da minha mão em cima da mesa.
Nossos cafés logo vieram e eu rapidamente despejei um saquinho de açúcar no copo e fez o mesmo. Tomei alguns goles pra limpar a garganta, respirei fundo e falei:
- Eu tinha 14 anos quando o conheci.
xx Flashback on
Sentada no chão daquela rua escura, os únicos sons que podiam ser ouvidos eram dos soluços de uma garotinha frustrada. O chão estava gelado, mas eu não me importava, só queria ficar a sós. Abracei mais forte meus joelhos e senti minhas lagrimas se misturarem com a chuva que me encharcava. Após alguns minutos, eu ouvi passos vindo e pisando nas poças d’água. Fiquei com medo, pois eu estava sozinha em uma rua escura e deserta, portando me encolhi mais no canto da parede e fiquei em silêncio. Mas os passos se tornavam mais audíveis.
Então alguém apareceu no beco onde eu me encontrava. Um rapaz com capa de chuva preta e um guarda chuva parou e observou a minha figura encolhida no chão.
- O que você esta fazendo aqui sozinha? – a estranha figura indagou e eu me mantive em silencio. - Esta chovendo bastante forte – ele falou olhando pro céu e depois pra mim – você pode pegar um resfriado assim.
- Eu não me importo – falei finalmente.
- Ora, parece que você esta tendo alguns problemas. Porque eu não te dou uma carona de guarda chuva e você me conta o que esta fazendo aqui? – ele estendeu a mão pra minha figura desamparada. Hesitei, sabendo que estava com frio e não estava nem um pouco a fim de ir pra casa. Então eu dei a mão ao estranho e ele ajudou-me a levantar. O que eu não sabia é que eu nunca devia ter feito aquilo.
xx
- Dois cafés bem quentes, por favor – o estranho pediu a garçonete do café que ele me levou, depois de ter colocado por cima de meus ombros seu casaco.
Eu estava muda. Eu sabia que não devia estar conversando e aceitando ajuda de um estranho, mas eu não queria ir pra nenhum lugar nem conversar com ninguém que me conhecesse.
- Então, posso saber o porquê de uma menina tão bonita estar chorando em um lugar tão feio?
Senti minhas bochechas corarem quando ele tirou o gorro e mostrou seu cabelo desgrenhado e me olhou com grandes olhos azuis.
- Q-quantos anos você tem? – gaguejei.
- 25, mas você não respondeu a minha pergunta – ele sorriu.
xx Flashback off
- Aquele cretino, daria um bom ator – falei pra mim mesma fitando o vazio. me encarava, tentando visualizar a cena. Sacudi a cabeça, quando aqueles primeiros momentos me vieram à mente.
- Continue – pediu.
xx Flashback on – 2 meses depois
- Freddy, eu queria que você conhecesse a minha mãe – falei enquanto ele desenhava círculos com o dedo em minha coxa esquerda.
- Nós já conversamos sobre isso, ainda é muito cedo – ele falou deitando na cama.
- Por que você acha? Já faz dois meses que você me “descobriu” – fiz aspas com as mãos rindo e ele sorriu.
- Ter passado por aquela rua deserta naquela noite foi a melhor coisa que me aconteceu.
Então ele me abraçou e acariciou meu cabelo, fazendo-me sumir em seus braços. O celular do homem começou a tocar pela milésima vez no mesmo dia e ele se livrou de mim, pegando o mesmo e indo pra sacada da cobertura atender. Ele falava com raiva ao aparelho, mas eu não conseguia identificar de que assunto se tratava.
- Quem era? – indaguei quando ele voltou a cama.
- Negócios – disse despreocupadamente.
- Quer se divertir um pouquinho, princesa? – Freddy balançou um saquinho plástico no ar e eu sorri.
xx Flashback off
- Foi aí que tudo começou – falei com os cotovelos apoiados na mesa já sentindo meus olhos marejarem.
- Pelo que você ta me contando, parecia que você era bem apaixonada por ele – falou sacudindo a cabeça.
- Eu estava tão cega, que não enxergava a pessoa real por baixo daquela mascara de príncipe encantado. Eu era tão nova, apenas 14 anos, ele onze anos mais velho. A partir daí ele me introduziu no mundo das drogas abusando da minha inocência.
Tomei mais alguns goles de café pra limpar a garganta e continuei:
- A minha vida finalmente era perfeita. Eu me sentia amada, ele me dava presentes caríssimos, eu vivia sempre na cobertura dele com piscina, tudo do bom e do melhor. Me dava drogas, me levava pra escolher vestidos. Eu era muito nova pra perceber que nenhum cara onze anos mais velho iria se apaixonar por uma garotinha bobinha como eu sem alguma coisa em troca.
- E a sua mãe? Não descobria seu romance secreto?
- A minha mãe estava ocupada demais sendo uma alcoólatra.
xx Flashback on
- Você não gostou dessa roupinha especial que eu comprei pra você, princesa? – Freddy fazia cara de cachorro sem dono, ainda olhando o corselet vermelho, as meias pretas arrastão que prendiam na calcinha fio dental.
- É lindo – falei observando a roupa – mas ainda não é a hora de usar, eu já te falei que não estou pronta ainda.
- Qual é , eu sei que você quer – ele beijou meu pescoço, fazendo um carinho no local e tentando abrir a minha blusa - Eu preciso ir – falei me desprendendo dele, mas o mesmo segurou meu braço.
- Eu acho que você já ta pronta – ele falou apertando o meu braço com força.
- Freddy, você ta me machucando – gemi o encarando.
Ele me soltou e virou as costas raivosamente. Eu fechei a porta e sai do prédio, atordoada demais por esse lado do meu príncipe que eu não conhecia.
xx Flashback off
- No outro dia ele me ligou implorando desculpas e falou que nunca mais ia me pressionar, e eu obviamente aceitei suas desculpas.
- Eu to com medo da onde essa historia vai parar – disse nervoso.
- Calma, já ta sendo bem difícil eu voltar a falar sobre isso.
- Ta bom, continua
- Uns dias depois, a minha mãe saiu da clinica de reabilitação curada. Fiquei feliz por ela, mas depois disso eu não conseguia mais esconder meus segredos. Ela perguntava onde eu passava as tardes, de onde eram as jóias, roupas caríssimas e flores. Eu fui inventando desculpas até que chegou a um ponto que eu não tive escolhas e contei tudo pra ela. Claro que ela não aprovou que eu tivesse um namorado a mais de 3 meses que era bem mais velho que eu sendo que eu era uma criança.
- O que ela fez? – perguntou ansioso pedindo a garçonete mais dois cafés.
- Ela tentou me proibir, mas eu era rebelde e nada me importava, eu só queria estar com ele. Ela me via chegando em casa drogada, tentava me prender no quarto, mas eu escapava pela janela, de todos os jeitos. Foi uma época difícil pra minha mãe, mas ela se culpava por ter passado tanto tempo alcoolizada e não cuidando de mim.
As lágrimas já escorriam pelo meu rosto. O passado sempre foi pesaroso pra mim.
me reconfortou, alisando a minha mão e eu continuei com minha trama.
- Eu tentei parar de usar drogas. Fiquei um bom tempo sem elas, mas eu o via, ele me oferecia e eu recaia novamente.
Estávamos juntos há nove meses, e pra mim, a minha vida estava perfeita, como eu sempre quis. Mas ele era um homem, e tinha certas necessidades. Eu sabia que ele me traia, mas eu era completamente apaixonada por aquele ser e não me importava isso. Até que uma tarde qualquer, eu abri a porta da cobertura dele, entrei na sala e ele estava sentado no sofá, e ao seu lado meu pai se encontrava.
- Seu pai? – interferiu chocado.
- É, eu fiquei com a mesma expressão que a sua.
xx Flashback on
- Pai?! O que, o que... – disse espantada.
- , já que em casa você não me obedece e não me escuta, resolvi vir até aqui conversar com o seu namorado. – meu pai levantou-se do sofá e pôs as mãos nos bolsos. Freddy se manteve calado.
- Não temos nada pra conversar pai, eu já te disse que eu amo ele, e não vai ser ninguém que vai me afastar disso! – exaltei-me visivelmente nervosa.
- Nem isso? – ele levantou no ar uma folha de papel.
- O que é isso? – indaguei pegando a folha da mão dele.
- 9 meses. 9 meses de dinheiro desviado da nossa conta pra dele! – meu pai apontou com o dedo o homem sentado no sofá.
- Ele é um golpista, que se aproveita de garotinhas tolas como você! É obvio que ele se faz de um príncipe, tira de você todas as informações necessárias em troca de um “conto de fadas” que você mesmo criou na sua imaginação! – meu pai cuspiu as palavras na minha cara, me deixando sem chão.
- Isso não é verdade – ri ironicamente e observei o papel na minha mão, sentindo minhas pernas bambas e minhas mãos começarem a suar.
- ! O que eu te ensinei desde quando você era pequena, nunca de atenção pra estranhos! Nem é esse o nome dele! – ele berrou e agitou os braços no ar.
- Mentiroso! Como se atreve? – joguei o papel no chão, sentindo meu rosto ser banhado pelas lagrimas.
- Mentiroso? – ele disse cínico – pergunte ao seu querido amor. – cruzou os braços.
Fiquei em silêncio. Por fora eu estava forte, mas por dentro, sabia que tinha um fundo de verdade nessa historia. Meus pais me falaram que nos últimos meses, as coisas estavam difíceis, que os impostos tinham aumentado, e que as jóias raras de minha mãe sumiram. As perguntas estranhas que ele me fazia, e eu respondia, confiando cegamente no amor da minha vida. As ligações ao telefone estranhas, que ele ia sempre pra longe de mim pra atender. O seu emprego, que ele sempre desviava do assunto. As coisas começaram a aparecer na minha cabeça, como um soco no meio da cara. Sentei-me na cadeira, sentindo a sala girar.
- Freddy... – chamei seu nome baixinho como um sussurro – me diz que isso não é verdade – olhei pra ele suplicante que me dissesse que tudo era um pesadelo.
- ... eu sinto muito – ele falou com a cabeça baixa.
- O que? – levantei do sofá atordoada demais pra permanecer quieta.
- A policia já esta chegando, filha – meu pai disse calmamente.
- Seu filho de uma puta! – aproximei-me dele e comecei a dar tapas em seu peito descontroladamente, com toda a minha força – como pode?!
- , eu já fiz o que tinha de ser feito – meu pai correu e agarrou meus braços com força, mas eu continuei me debatendo.
- Me solta! – berrei, sentindo as lágrimas correrem e molharem a minha camiseta.
- Eu te amo! Como voce pode fazer isso comigo! A gente escolheu o nome dos nossos filhos juntos! Fizemos planos pro futuro! Juramos amor eterno! – jorrei as palavras ainda me debatendo com meu pai segurando meus braços nas costas. Freddy não disse nada, apenas ficou calado, como se já tivesse presenciado essa cena antes.
- É tão fácil convencer uma garotinha burra a dar todas as informações que eu quero – ele se aproximou de mim ainda com os braços pra trás e pôs o dedo no meu queixo, sorrindo zombeteiro.
- Cretino! – cuspi em seu rosto.
- Pena que não deu tempo de eu te convencer a me dar outra coisa – ele disse limpando o rosto e meu pai largou meus braços e acertou o homem em cheio com um soco. Freddy cambaleou pra trás e passou a mão no nariz sangrando e sujando o chão branco. Livre dos braços do meu pai, corri ate onde aquele verme estava e dei-lhe um tapa que fez o rosto dele virar totalmente.
- Porque você fez isso comigo? – indaguei chorosa e ele riu.
- Você acreditou em todas as baboseiras que eu falava né linda?
Dei-lhe outro tapa raivosamente.
- É bom você parar de bancar a nervosinha, você sabe que eu tenho tudo o que preciso pra destruir a merda da sua vida. - , vem aqui – meu pai me segurou antes que eu começasse a bater nele de novo.
De repente a porta foi arrombada e policiais armadas cercaram o local, me deixando nervosa.
- Vincent Grigori, você esta preso por fraude, falsa identidade e desvio inapropriado de dinheiro! Tem o direito de permanecer calado. – dois policiais jogaram o suposto Freddy no chão, algemando suas mãos agressivamente.
- O senhor é o responsável da vitima? – o outro indagou a meu pai, que concordou.
- Venha comigo – ele disse.
Freddy me olhou e sorriu. Aquele sorriso dilacerou meu peito de tal forma que eu sabia que tinha fodido a minha vida quando aceitei aquela carona de guarda chuva.
Meus joelhos protestaram e eu desabei no chão, caindo em cima dos mesmos, sentindo que meu coração ia pular pra fora e a qualquer momento eu pararia de respirar. Senti-me sufocada.
- Você vai pagar por isso! – berrei alto e ele virou-se pra trás. Tudo parecia em câmera lenta, ele sendo levado pra fora da porta e meu pai com a expressão de desapontamento olhando pra minha figura devastada no chão. Meu pai sacudiu a cabeça negativamente como se tivesse vergonha de mim e tudo se transformou em silêncio. Eu fiquei sozinha no local onde tanto pensei que era feliz. Os milhares de momentos felizes que passei junto com meu príncipe, as coisas que fizemos juntos, tudo uma grande e cruel mentira que eu levaria pro resto da vida em meu peito. Gritei pra mim mesma, sentindo-me uma estúpida completa por achar que o amor existia. Enfiei minha cabeça entre as mãos e meus soluços se intercalavam com os gritos e lagrimas que desciam descontroladamente por meu rosto. A morte viria em boa hora.
xx Flashback off
- Meu deus – , que já estava sentado ao meu lado no banco estofado, disse enquanto beijava a minha testa e eu chorava. - Respira, – ele falou tirando o cabelo do meu rosto que estava encostado em seu ombro.
- Pode dizer que eu fui uma estúpida completa – falei secando as lagrimas e fungando.
- Não vamos falar disso, mas eu posso dizer que agora tudo acabou não é mesmo? – ele me olhou e passou o dedão nas minhas lagrimas.
- O que esse cara fez com você não se faz nem com um animal. Mas ele pagou na prisão, não pagou? – ele indagou e eu suspirei.
- Não, ele não pagou. E eu ainda não contei a pior parte.
16.
- Todo o luxo que ele possuía foi ganho com essas fraudes e desvios de dinheiro. Sempre o mesmo golpe. Em meninas desamparadas desesperadas pelo seu final feliz. Como eu era. – disse depois que me acalmei, olhando pras minhas mãos entrelaçadas em cima da mesinha.
- Isso é um absurdo. Como pode ficar pior que isso? – sacudiu a cabeça nervoso.
- Pois pode sim. Ficou bem pior – suspirei.
- Teve o julgamento dele e toda essa merda, foi mais de meses nessa função. Ele foi condenado a 18 anos de prisão. A minha família não conseguia nem olhar pra minha cara e eu tinha repugnância de mim mesma. Queimei todas as roupas, presentes, cartões e tudo que ele me dera– continuei.
- Cinco meses depois, as coisas estavam melhores. Voltei pra escola, e todos me encaravam com desdém. Eu e meus pais nunca mais tocamos no assunto e as coisas estavam voltando ao normal. Mas é como se dizem, você pode ter um ferimento e ele curar, mas nunca cicatrizar. Meus pais acabaram me perdoando. Então falaram que como eu estava longe das drogas a um bom tempo, eu merecia uma festinha de 15 anos, o que eu sonhava desde criança. – disse lembrando da cena e observando a janela ao meu lado - Eu disse que não queria nada, pois eu não sentia mais vontade dessas coisas. Mas eles insistiram, pois viram que eu não era mais a menina alegre que era. Enfim, eles organizaram tudo lindo e perfeito como eu sempre quis.
xx Flashback on
- Já se passou quase um ano – falou calmamente observando o longo vestido vermelho com preto todo rodado como o de uma princesa que eu vestia.
Eu olhava o vestido maravilhoso, mas não conseguia sentir-me feliz. E minha amiga notava isso em mim como ninguém mais.
- Você nunca vai saber o que eu passei. Mas não se preocupe, eu estou bem – virei-me pra ela e sorri.
- Eu acho que vou escolher este – falei dando mais uma volta em cima do banquinho.
- Ficou perfeito em você – ela me abraçou – tudo vai voltar a ser como era antes, você vai ver – então ela olhou nos meus olhos e eu quis acreditar nas suas palavras mais do que nunca.
xx Flashback off
- No dia da festa, eu já me sentia melhor. Meus amigos estavam lá, os que ainda restaram, minha família e todos que eu amava. Mas eu não conseguia parar de pensar em quantas vezes havia imaginado dançar a valsa com ele, aquele verme. Mas foi uma noite divertida. Por algumas horas eu esqueci os últimos meses da minha vida e tentei ser de novo a adolescente que eu era.
- No final da festa, eu estava quase entrando no carro com meu pai e a minha mãe pra ir embora quando notei que a minha coroa do cabelo não estava ali.
xx Flashback on
- Espera mãe, eu vou ver se deixei lá no salão, já volto – sai do carro e fechei a porta, agarrando meu vestido com as mãos pra subir a escadaria. Abri as portas novamente e adentrei o saguão. Quando cheguei ao salão principal meu coração parou de bater por alguns segundos indefinidos.
- Esqueceu alguma coisa? – Freddy segurava a delicada coroinha na palma da mão e me olhava com um sorriso, parado no meio do salão.
- O que você ta fazendo aqui? – indaguei com a voz tremula.
- Vim te desejar feliz aniversario, ué – ele deu alguns passos pra frente e eu recuei.
- Você devia estar preso – senti meu coração palpitar e tudo voltar a tona.
- Você acha mesmo que eu ia ficar por lá muito tempo? – e ele gargalhou.
- Fique longe de mim – falei entre dentes e recuei, começando a correr, mas logo ele me alcançou antes que eu abrisse as portas.
- Me deixa em paz! Você já conseguiu o que queria! – lágrimas já corriam de meus olhos e pela primeira vez eu percebi como um sentimento puro de amor poderia se transformar em um tal amedrontador como este que eu sentia.
Tentei gritar, mas ele me calou com um beijo cujo eu correspondi mordendo sua língua com força e senti o gosto do seu sangue. - Vadia – ele sussurrou limpando o sangue do lábio e agarrou meu braço novamente quando tentei recuar.
- Você não queria dançar a valsa comigo? – ele sorriu e jogou os cabelos do rosto pro lado esquerdo.
- Não, me deixa ir, eu quero recomeçar a minha vida! – implorei.
- Deixa de ser boba, vamos dançar – e me puxou pro meio do salão.
- Você é maluco – disse quando ele pôs uma das mãos na minha cintura e me fez dançar a valsa.
- Voce não precisa dessa maquiagem – o homem passou os dedos pela minha boca, borrando o meu batom vermelho – você já é linda.
- Me deixa ir, por favor – falei baixo.
- Ainda não meu bem – ele sussurrou no meu pescoço – você não sentiu a minha falta?
- Voce me dá nojo – disse rispidamente e sua expressão endureceu.
- Vêm – e me puxou bruscamente pela porta dos fundos do local.
- Me solta! – comecei a gritar, mas nós estávamos em uma rua deserta e pelo caminho que ele me arrastava, eu fiquei com medo da idéia que se formava em minha mente.
- De todas as garotas que eu dei o golpe, você foi a que eu mais me interessei. Você é linda, divertida e tudo mais. Mas você só era mais uma peça do jogo que logo seria descartada – ele cuspiu as palavras, dilacerando meu peito.
- Você destruiu a minha vida, e a das outras meninas! Você deveria apodrecer naquela cela que nem um animal! – gritei e ele apertou ainda mais meu braço, me levando pra rua que eu temia e evitava a quase um ano.
- Você ta me machucando!
- Foi aqui que isso começou – ele disse e parou em frente aquele beco – e é aqui que vai terminar.
- Terminar o que? Isso já acabou! – gritei desesperada sentindo que começava a chover fracamente.
- Não, ainda não acabou. Faltou uma coisa que eu deixei inacabada – então ele passou sua mão pelo meu rosto e a desceu. Meu sangue ferveu de ódio e tentei fugir, mas ele me jogou no chão.
- Me solta seu verme! Isso já acabou! – me debati contra o homem que subia em cima do meu corpo.
- Só acaba quando eu disser – ele disse perto do meu ouvido e começou a desabotoar o meu vestido enquanto eu me debatia em vão.
xx Flashback off
- O que? O que você ta querendo me dizer com isso – cerrou os punhos em cima da mesa e notei suas veias realçarem com o gesto.
- Depois ele me deixou jogada naquele beco escuro e frio, como se eu fosse um lixo. – falei olhando pras minhas mãos. me abraçou novamente e beijou o alto da minha cabeça e eu pude sentir seus lábios tremerem do ódio que eu imaginava ele estar sentindo.
- Eu perdi a virgindade no dia do meu aniversario em um estupro. Por ter sido burra e ido atrás de qualquer um – falei em seu peito.
- Não, você não era burra. Ele que foi um animal – ele pegou meu rosto em suas mãos e me beijou.
Fiquei mais algum tempo no calor do seu abraço, me sentindo protegida. As imagens varriam a minha mente e a respiração de estava acelerada.
- Ele sumiu depois disso. Meus pais deram queixa na policia e contrataram detetives, mas todos falaram que ele provavelmente já tinha mudado de face, nome, tudo. Mas nada mudava dentro de mim.
- Meses depois descobri que estava grávida. – disse finalmente sentindo as lagrimas queimarem novamente meu rosto.
- Grávida?! – me olhou e eu assenti.
- Dentro de mim crescia o filho de um monstro. – engoli em seco e parecia cada vez mais perturbado com os traumas do meu passado.
- , isso tudo que você ta me contando... – ele fez uma pausa fechando os olhos – é muito preocupante.
- Eu sei.
- Mas o que aconteceu? Com a criança?
- Eu tinha certeza que a minha vida estava definitivamente acabada.
xx Flashback on
Observei o volume que se formava em minha barriga no espelho e gordas lagrimas caiam sobre meu rosto. Passei as mãos na barriga, acariciando o lar do pequeno ser que crescia dentro de mim.
- Eu não vou conseguir – disse pra minha figura no espelho.
Procurei em todos os cantos do meu quarto a procura de qualquer droga que tivesse sido esquecida ali. Revirei o quarto inteiro como uma louca. Até que achei dentro de uma fronha do travesseiro, um saquinho contendo heroína e uma pequena injeção. Olhei aquilo e não tive duvidas. Enfiei a agulha sem ao menos achar a veia certa. Logo fui domada pela sensação de alivio e conforto. Por poucos minutos eu esqueceria de tudo isso.
- , o que você vai querer comer... – minha mãe entrou no quarto e se deparou com a minha figura deitada na cama com a injeção em mãos.
- O que é isso?! Você esta grávida! – ela começou a gritar, mas eu não a escutava, só ouvia ecos – onde você achou essa merda? – ela começou a me sacudir, mas não obteve resposta da minha parte. Eu estava em outro mundo. Um onde a minha vida de merda não existia.
xx Flashback off
me encarava completamente abismado.
- Minha mãe queria que eu abortasse porque eu era nova demais e ela não iria querer um neto filho de um monstro. Mas eu não queria.
- Depois daquele dia, comecei a usar as drogas de novo. E a criança crescia dentro de mim ingerindo todas as substancias tóxicas do meu organismo. Minha mãe e meu pai se separaram, pois não agüentavam mais brigar por minha causa.
- Quando eu estava com 6 meses, decidi fazer a vontade de minha mãe. Eu iria tirar a criança. O medico já havia me informado que não tinha mais chances de eu gerar uma criança normal com a quantidade de drogas que eu ingeria.
- Minha mãe me acompanhou até a ala cirúrgica. Eu estava deitada, com a roupa branca e uma touca na cabeça. Ela me olhava com medo e tristeza. Então ela segurou a minha mão e falou – fiz uma pausa e esperou me observando atentamente – “eu vou te ajudar a criar a criança, mas não faça nada com que vá se arrepender depois minha filha”.
- O que voce fez? O que? – o garoto indagou impaciente.
- O médico estava ao lado do meu frágil corpo com uma seringa na mão. Então eu disse que não queria matar meu filho, e tirei todos os aparelhos grudados em mim.
xx Flashback on
Eu estava a acariciar o tiptop cor-de-rosa macio em cima da minha cama. Observei as roupinhas dentro da gaveta, todas perfeitamente organizadas por minha mãe. Talvez agora eu teria uma razão pra viver novamente. Talvez eu conseguisse superar isso. Talvez eu me tornaria uma boa mãe, se conseguisse deixar as drogas.
Acendi um cigarro e continuei a observar as roupinhas e sapatinhos.
- Nem menos de um ano, eu era uma adolescente inocente com a vida inteira pela frente. – disse pra mim mesma com os olhos fixos na janela cuja fumaça saia – hoje sou quase uma mãe, viciada em drogas e com um furo no meio do peito.
Alguns minutos depois, senti uma dor imensa na barriga e notei que corria água de minhas pernas.
- Mãe! Mãe! - gritei desesperada, mas me lembrei que ela não estava em casa.
A dor aumentou e eu cai no chão, tentando pegar o celular em cima do criado-mudo. Me arrastei até lá segurando a barriga e consegui pegar o celular e discar o numero da emergência.
- Alô? Mande uma ambulância, minha bolsa estourou – falei e logo desmaiei no chão do meu quarto.
xx Flashback off
- Eu não cheguei a fazer o parto, pois quando cheguei ao hospital trazida pela ambulância, meu medico me viu e com a quantidade de sangue que saia do meu corpo, ele me informou que eu havia perdido a criança. – disse sentindo novamente os olhos marejarem lembrando.
- O que? Você perdeu o filho? – disse acariciando minha mão.
- Era uma menina. Ela ia se chamar Sophie.
- Meu Deus , eu sinto tanto.
- Não sinta. Eu a perdi porque durante toda a gestação fiquei sob uso de drogas. Não tinha como um ser tão pequeno agüentar. Eu fui a culpada.
- Você se lembra daquela marca de tatuagem que eu te mostrei? – olhei pra ele e o mesmo assentiu – não estava escrito fuck you. Estava escrito sophie. Eu tatuei logo depois que decidi não abortar. Ela ia ser a razão da minha superação.
- Porque você tirou?
- Minha mãe me obrigou a tirar, pois ela não agüentava ver tatuado em meu corpo o nome da sua neta que eu matei com meu vicio.
- Meu deus, isso tudo, é tão – passou as mãos nos cabelos visivelmente nervoso.
- Calma – acariciei sua mão e funguei – hoje eu superei.
- Como você se livrou do vicio? – ele indagou.
- Minha mãe me colocou em uma clinica de reabilitação. Fiquei lá 6 meses.
- Depois que eu saí de lá, percebi que o mundo não para pra você juntar os pedaços do seu coração. Decidi que iria pra outro país, recomeçar minha vida – sorri pela primeira vez nessa conversa. - Agora você entende? – olhei em seus olhos – você entendeu agora porque eu não estava pronta pra dizer eu te amo novamente?
- Eu tenho vontade de procurar esse maldito até o inferno e matar ele pelo que ele fez a uma garota especial como você – ele cerrou os punhos olhando pros lados.
- – passei os dedos em seu queixo fazendo-o olhar pra mim – isso já passou. Agora eu só quero que você entenda porque fugi tanto de você.
- Claro que eu entendo.
- O que esse cara fez, me deixou fria, como uma rocha por dentro. Ele apagou todo o meu brilho. Foi por isso que eu jurei que nunca mais me apaixonaria, que nunca mais deixaria me levar por esse sentimento novamente. Por isso eu passei os últimos anos saindo com caras sem compromisso, indo a festas todas as noites, fazendo o que eu não fiz na minha adolescência perdida. Até que você apareceu na minha vida – sorri e ele ainda parecia muito perturbado pelas confissões de meu passado sombrio.
Eu finalmente me sentia pronta pra recomeçar.
17.
- Eu preciso pegar um ar – falou logo se levantando e saindo porta afora da cafeteria. Resolvi dar-lhe um tempo.
Observei o garoto pela janela. Ele havia acendido um cigarro e tragava profundamente olhando os carros passando na avenida. Peguei minha bolsa e sai em direção a ele.
- – me aproximei dele – ta tudo bem?
- Eu – ele pausou pra tragar o cigarro – só preciso digerir tudo isso.
- Tem mais uma coisa que eu não te falei.
Ele me olhou e esperou com o olhar aflito.
- Ele andou me ligando há umas duas semanas atrás. Depois não ligou mais.
- O que? Que filho da mãe! – ele começou a caminhar de um lado pro outro.
- – peguei seu rosto em minhas mãos – eu passei o resto da minha vida ficando com ódio de tudo, me martirizando, vivendo no passado. E hoje eu estou aqui, superando. – sorri.
- O que você quer dizer? – uma brisa gelada passou por nós após sua fala e eu estremeci.
- Quer dizer que você tem que esquecer isso, pra me ajudar a esquecer também.
- , isso é meio difícil de esquecer. – ele disse balançando a cabeça.
- Eu sei – baixei a cabeça.
- Ei – ele levantou meu rosto – eu não estou ajudando nada nisso não é? Mas eu preciso saber, o que ele queria contigo?
- Eu não sei. Desliguei na cara dele.
- Vamos fazer assim, agora que você me contou tudo, vamos continuar vivendo normalmente, e eu vou fazer você esquecer isso ok? – ele me abraçou – e se ele te ligar de novo, eu resolvo isso.
- Não , mas – preocupei-me com o fato dele estar lidando com aquele cafajeste.
- , deixa comigo.
- Não, você não sabe do que ele é capaz!
- Shh – ele colocou o dedo indicador em meus lábios – você já agüentou demais.
Abracei ele tão forte que senti seus ossos em meu peito. Agarrei minhas mãos com força a seus ombros e enfiei minha cabeça na curva do seu pescoço, querendo permanecer ali pra sempre. O garoto passou seus dedos por entre os fios de meus cabelos e ficamos ali algum tempo.
- Vem, vamos pra casa – me puxou pela mão em direção ao metro. De certa forma, aquele convite me parecia tão acolhedor.
- Obrigada por me ouvir e entender – disse quando estávamos de pé no metro, com agarrado a um mastro de metal e eu me apoiando nele.
- Eu estou feliz por não haver mais segredos entre a gente.
Sorri com a idéia. Sem segredos. Vida nova.
xx . que eu me apaixonei automaticamente.
- Meu deus do céu, onde diabos vocês dois se meteram? – agitou os braços no ar quando abrimos a porta do apartamento. Ela não mora mais conosco, mas tem as chaves ainda, então.
- Nós tivemos uma conversa – sorri.
- Você – ela apertou os olhos desconfiada – você contou a ele?
- Contei tudo, sem mais segredos – disse por fim.
- Nossa – ela parecia surpresa.
- Obrigada por não contar nada quando te pedi , eu não ia acreditar em você – se dirigiu a minha amiga.
- É bom saber que posso confiar em você – me aproximei da garota e a abracei.
- , pode nos dar licença um minuto? – falei pra ele que ainda estava parado na porta.
- Claro, vou ir ao quarto dos caras – ele disse e saiu.
- Sabe , eu acho que to pronta pra viver de novo – finalmente disse sem aquele ar de duvida com o nó na garganta.
- Você já disse isso tantas vezes – pôs as mãos nos bolsos e estreitou os olhos.
- Mas dessa vez eu falo por mim – sentei no sofá e ela veio ate mim – Londres e essas pessoas me fizeram bem. Eu só precisava de um lugar novo. E percebi que não adianta nada eu ficar fugindo do amor. Nem todos são iguais, nem todos vão fazer o que ele fez comigo.
- Nossa – ela disse novamente com a expressão de surpresa no rosto – eu to tão feliz por ouvir você dizendo isso .
- Essa minha recuperação, em grande parte, devo a você – abracei ela.
- Fiz apenas o que qualquer amiga faria – pude perceber seus olhos marejarem e descobri como sou sortuda.
- Mas chega de drama – ela disse rapidamente passando os dedos nos olhos – vamos comemorar a sua nova vida.
- Acharam os dois? – escancarou a porta com a expressão preocupada.
- Acharam! – o garoto disse ao me ver sentada no sofá.
- O que aconteceu? – ele se aproximou junto a nós no sofá.
- Ah nada, nós só fomos embora mais cedo – disse sorrindo.
- O ta ai também? – ele indagou.
- Ele não tava com vocês? Ele me disse que ia ao quarto de vocês.
- Não, ele não passou por lá – franziu a testa e eu estranhei.
- Bom, vou dar uma volta e ver se encontro ele – disse e logo vi e se atracando. Ótima hora pra dar o fora.
Desci ate o primeiro andar e caminhei pelo saguão e no restaurante, mas nem sinal dele. Os estudantes estavam apressados com seus livros e apostilas em mãos, o que me lembrou que ultimamente eu estava desligada dos estudos com toda essa função. Fui pro pátio principal e sentei-me em um dos bancos vagos. Acendi um cigarro normalmente.
- Te encontrei – me assustei quando sentou ao meu lado.
- Eu que estava te procurando, você disse que ia ao quarto dos guris.
- Eu resolvi passar em um lugar – ele disse e notei que ele estava com as mãos pra trás.
- Que lugar, ? – sorri tragando.
- Eu queria, bem – ele pareceu tímido, algo nada comum para – te comprar algo.
- Comprou um presente pra mim? – apaguei o cigarro na grama e sorri.
- Não é bem um presente, mas achei que você gostaria – ele disse.
- Mostra logo! – disse curiosa.
Então ele trouxe as mãos pra frente e cabia exatamente nas duas mãos, um pequeno filhote de maltês branco.
- Se você não gostar, pode ir lá trocar – ele disse entregando o filhote medroso no meu colo.
- , que coisa mais fofa – disse abobalhada passando as mãos no pelo macio do filhote.
- Voce gostou mesmo? – ele indagou observando-me.
- Ta brincando? E o melhor presente que você podia ter me dado! – inclinei minha cabeça e toquei seus lábios.
- Obrigada – sorri.
- Qual vai ser o nome dela? – brinquei com o filhote, que agora estava com menos medo de mim.
- Ela tem cara de hanna – observei o pequeno cão que lambia minha mão e a de .
- Prefiro lolla – ele disse rindo.
- Lolla é mais bonito, você tem razão – sorri pra ele
- A Lolla precisa de coisas pra cachorro não é mesmo? Vamos comprar! – disse e coloquei-a desajeitadamente em meu colo e saímos.
xx
- Olha como ela é fofa dormindo – sussurrei observando meu mais novo passatempo que estava deitado em cima do sofá com as patinhas pra cima e respirando de leve.
- Ainda bem que você gostou. Achei que você precisava de algo pra se distrair um pouco e esquecer tudo isso – colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
- Obrigada – sorri e baixei os olhos novamente pro filhote cansado.
- Vamos dormir? – o garoto bocejou e esticou os braços.
Assenti com a cabeça e levantei do sofá, indo direto pro banheiro. Pus minha camiseta branca velha e um short curto que estavam pendurados atrás do gancho da porta do banheiro e escovei os dentes. Quando sai do mesmo, estava adormecido em sua cama de barriga pra baixo. Aproximei-me dele lentamente e sentei-me ao seu lado. Ele respirava pesadamente. Emaranhei minhas mãos em seus cabelos bagunçados e sorri.
- Obrigada por me trazer de volta – sussurrei em seu ouvido e ele continuou adormecido.
Peguei a coberta e pus sobre seu corpo, logo me deitando ao seu lado sabendo que aposentaria a minha cama de solteiro ao lado da dele. Passei meu braço pela sua cintura e a abracei, sentindo o cheiro da sua nuca. O garoto continuava a dormir com seu sono de pedra. O sono veio logo.
xx
Duas semanas depois...
- Merda! – berrei quando a agulha da maquina de costura furou meu dedo enquanto eu fazia um vestido de seda – eu nunca vou aprender!
Suspirei e fui pegar mais um algodão pra estancar o sangue do meu dedo indicador. Pressionei o mesmo e observei a peça que eu fazia. Era realmente bonito. Agora eu estava de volta aos estudos e a vontade de seguir com a minha carreira veio novamente. O estagio de fotografia estava indo bem até agora. Parecia que as coisas estavam indo bem novamente. ? Bem, eu não sei o que nós temos. Não posso dizer que estamos namorando, porque ele não fez um pedido formal, acredito que, porque ele sabe que eu não curto essas coisas românticas e clichês. Mas estamos juntos, como eu, inconscientemente, queria desde que o vi pela primeira vez.
- Ok , agora você consegue – disse pra mim mesma deixando os pensamentos de lado e voltando a maquina de costura.
Quando eu estava no acabamento superior do vestido, ouvi batidas na porta. Espiei pelo olho mágico e havia um homem que eu não reconhecia.
- Sim? – indaguei.
- Entrega para o Sr. – o homem barbudo disse e fez um sinal de chamado com a mão para alguém no corredor.
Logo quatro homens vieram carregando uma cama de casal e eu franzi a testa e eles quase passaram por cima de mim, até eu sair da frente.
- Eu não encomendei nenhuma cama – falei.
- Mas o Sr. sim – ele disse analisando a prancheta.
- Assine aqui, por favor – ele me entregou a prancheta e eu sem outra alternativa assinei. Logo os homens saíram do nosso apartamento e eu achei mesmo que era algum engano. Peguei meu celular e disquei o numero de , que estava na aula.
- , sou eu.
- Fala rápido que eu to na aula – ele disse e eu ri.
- Você comprou uma cama de casal por acaso?
- Achei que aquela cama de solteiro estava meio apertada pra nós dois.
- To sem palavras – sorri com o gesto.
- Ótimo, porque o professor ta chamando a minha atenção, te vejo depois – e desligou.
Fiquei abobalhada.
Chamei pra me ajudar a levar as camas de solteiro pra um setor da faculdade que doava pra entidades.
- Vão estrear a cama hoje, não é? – perguntou com uma cara de tarado enquanto levávamos a cama para o quarto.
- Cala boca se não deixo essa cama cair nos seus dedos – disse entre dentes e ele riu.
- Se você largar nos meus dedos, não vai conseguir levar sozinha.
- Ta bom, vamos logo que essa porra ta pesada.
xx
Comprei lençóis novos e edredons para casal que particularmente ficaram lindos e eu tenho um ótimo bom gosto.
Lolla estava dormindo em sua caminha do lado do guarda-roupas e eu estava sentada em cima da cama estudando pra prova do dia seguinte. Ouvi a porta bater e logo adentrar o quarto e observar o móvel.
- Você já comprou roupas de cama? – ele sorriu.
- Gostou?
- Fico lindo – ele se aproximou e me deu um rápido selinho, logo depois jogando seus cadernos em cima do criado mudo e se jogando na cama ao meu lado.
- É realmente macia – ele pôs os braços na nuca e fechou os olhos – eu to muito cansado.
- Eu também. Não aguento mais estudar pra prova – disse enfiando a cara nos livros novamente.
- Eu também tenho uma amanhã que não estudei nada – ele bateu a mão na testa.
- Então vamos estudar juntos, eu te ajudo – sorri e ele me olhou.
- Eu tinha outros planos pra hoje – ele disse sentando-se na cama.
- Que planos?
- Porque a gente não deixa esses livros de lado e – ele empurrou os mesmos pro chão, pegando meu rosto com as mãos e me beijando em seguida.
- Deixa os livros de lado e? – separei nossos lábios com dificuldade, observando-o.
- E eu acho que é uma pena não estrear essa cama agora – ele passou suas mãos por dentro da minha camiseta e eu mordi seu lábio inferior.
- – suspirei, fazendo um esforço enorme pra parar de beijá-lo – a gente realmente precisa estudar.
Ele fez uma cara tão triste que me deu vontade de morde-lo.
- Qual é – ele me abraçou com um olhar implorante.
- Hoje não. Se a gente estudar hoje, prometo que amanhã vai ser bem melhor.
- Ta bom – ele juntou os livros do chão e bufou.
- Você não vai se arrepender – mordi seu queixo.
- Vai lá pegar seus cadernos , temos a noite inteira.
xx
Saí do trabalho apressadamente pra não perder o metrô. Cheguei em casa, brinquei com a Lolla, a alimentei e fui deixá-la no quarto da .
- Claro, eu fico com ela, mas por que? – a garota indagou pegando o filhote no colo e logo sorrindo pra ela.
- Ah, nada.
- Alguém quer ficar sozinha hoje com o ? – ela logo entendeu a indireta. Bosta.
- É. Hoje to afim de algo especial – dei de ombros e ela fez uma cara de safada.
- Enfim, cuide bem da Lolla – abanei pra ela.
Cheguei ao quarto e desempacotei a lingerie que eu tinha comprado. Era de um tecido marfim quase branco muito macio. Era um corpete, que atrás era transado com fitas rosa claro e possuía uma calcinha da mesma cor, com babados e um topinho rosa. Era simples, mas sexy. Tomei um banho demorado e arrumei meus cabelos, já que eu nunca arrumava mesmo. Fiz alguns cachos soltos e passei uma maquiagem nude. Passei o perfume preferido dele e coloquei a lingerie por baixo de uma curta camisola transparente. Arrumei nossa cama apenas com os lençóis brancos e travesseiros. Enchi duas taças de vinho tinto e coloquei-as com cuidado em cima do criado-mudo. Deitei-me na cama e olhei o relógio. Ele devia estar chegando. Respirei fundo. Eu nunca pensei que faria algo assim um dia.
Passou-se meia hora e ele não apareceu. Já estava começando a ficar impaciente. Liguei pro seu celular, mas ele não atendeu. Uma hora depois meu celular tocou, atendi rapidamente, mas era .
- Eai, ele já chegou?
- Não – suspirei – eu não acredito nisso, que idiota!
- Calma , pode ser que aconteceu alguma coisa – ela disse lentamente.
- Vou esperar mais meia hora só – disse e ela assentiu, desligando.
Eu já havia tomado metade da garrafa de vinho sozinha quando ouvi a porta bater. Em vez de estar deitada em uma posição sexy como desejava, eu estava sentada na cama com as pernas pra fora e a a taça de vinho em mãos. entrou como de costume, mas quando me olhou, parecia que ele tinha ficado paralisado.
- O que aconteceu? – indaguei antes que ele tivesse um infarto.
- Eu... – ele pigarreou – tive que ficar mais pra ajudar o professor.
- Eu queria fazer algo especial, porque nós sempre tivemos só transas – disse levantando-me e enchendo outra taça de vinho pra ele.
- Eu nunca te vi tão linda – ele disse quando eu servia a bebida.
- Desculpa por te fazer esperar – ele aproximou-se de mim.
- Ta tudo bem, você não tinha como saber – sorri entregando-lhe a taça.
Encostamos nossas taças em um brinde e bebemos até o fim, depois depositamos as taças no criado mudo.
- Você parece cansado , que tal tirar essas roupas – sorri, abraçando-o e tirando seu casaco junto. Ele beijou-me enquanto eu fazia o movimento lentamente.
- Você gostou mesmo dessa roupa? – virei-me de costas pra ele, puxando os cabelos pra um lado e olhando pra ele de canto.
- Não poderia ficar melhor em você, mas... – ele disse passando suas mãos pela minha cintura – eu prefiro você sem ela.
tocou seus lábios em minha nuca e eu fechei os olhos. Acariciou minha barriga e puxou minha camisola pra cima. Levantei meus braços, ainda de costas, para que ele pudesse retirar a peça por completo.
- Que lingerie é essa , voce quer me matar? – ele disse no meu pescoço, encostando seu corpo quente no meu, fazendo-me sentir sua respiração alterada causando arrepios por meu corpo. Levei meus braços pro alto, emaranhando minhas mãos nos seus cabelos enquanto ele beijava meu pescoço delicadamente e acariciava minha cintura. Virei-me pra ele para que nossas bocas finalmente pudessem se encontrar com fervor. Fomos andando de ré até a cama e quando meu pé tocou a mesma logo caímos no colchão fofo, rindo.
- Como é bom ter bastante espaço – ele disse sobre o meu corpo, olhando em meus olhos.
- Voce ainda ta com muita roupa pro meu gosto – mordi seu lábio inferior e puxei com força, trocando nossas posições e ficando com uma perna para cada lado de sua cintura. Desabotoei sua camisa preta formal lentamente, beijando seu peitoral.
Ele logo se livrou da camisa e acariciou meu quadril com as duas mãos, puxando o elástico das minhas meias que iam até a coxa. logo foi abrindo o cinto das suas calças e tirando as mesmas rapidamente enquanto eu me concentrava em seus lábios e nada mais. Logo fui descendo minha boca por seu peitoral, arranhando o mesmo, algo que eu sabia que deixava maluco. Deslizei minha mão direita por dentro de suas boxers, sem quebrar o contato visual com o garoto. Comecei a masturbá-lo devagar e já se contorcia. Tirei suas boxers e pus meus lábios em seu membro, fazendo movimentos circulares na cabeça e rapidamente sugando-o. Segundos depois, ele trocou nossas posições com uma cara divertida no rosto.
- Sua vez de sofrer – falou no meu ouvido passando seus lábios por toda a extensão do meu pescoço, inalando meu cheiro ao mesmo tempo, me deixando louca. - Senti sua falta – ele disse ainda com a cabeça na curva do meu pescoço respirando profundamente. Ele levantou a cabeça e me olhou nos olhos. Toquei seu rosto com a mão direita e selei nossos lábios delicadamente.
- Eu também – sussurrei quando ele acariciou meu corpo.
Sentei na cama e virei de costas pra , ficando de joelhos na mesma. Ele fez o mesmo e quando puxei meus cabelos pra um lado, ele desfez o tope nas costas da lingerie e começou a desfazer as fitas em ‘x’ lentamente, beijando minhas costas com seus lábios macios. Tirou por completo a lingerie e puxou meu corpo ainda de costas pro seu, acariciando meus seios com as mãos. Pude sentir sua excitação nas minhas costas e sorri. Ainda de joelhos na cama, peguei uma de suas mãos e a trouxe pra minha intimidade. apertou um de meus seios com uma mão e a outra acariciou meu clitóris, cujo movimento me fez morder o lábio pra não gemer. Ele aumentou os movimentos cada vez mais, me deixando enlouquecida. Por fim acariciou minhas coxas e percorreu suas mãos por toda a extensão do meu corpo, parando em minha barriga. Ele me virou novamente de frente e eu sorri pro mesmo, beijando-o calorosamente, puxando seus cabelos enquanto ele tirava suas boxers ao mesmo tempo. Sentado na cama, puxou-me mais pra si e me posicionou sentada em seu colo e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura, sentindo seu membro em mim.
- Eu preciso... – gemi em seu ouvido, visivelmente ofegante – de voce, .
logo atendeu meu pedido, ou melhor, ordem, penetrando-me com força, impulsionando meu quadril para si. Entrelacei minhas mãos em seu pescoço para buscar apoio enquanto fazia-me rebolar em seu colo loucamente. Rapidamente deitamos na cama e ele ficou por cima de mim, continuando o movimento sem quebrar o contato visual. Ele puxou minhas mãos que estavam arranhando suas costas para o alto de minha cabeça, segurando firmemente em meus pulsos. Me senti presa, o que aumentou ainda mais minha excitação com no controle. Logo ele soltou minhas mãos para segurar minhas coxas mais pro alto, entrando mais dentro de mim, fazendo-me morder o lábio inferior e fechar os olhos. Agarrei os lençóis da cama enquanto passava suas mãos pelas minhas pernas e cintura e logo os movimentos foram ficando mais lentos. Cheguei ao orgasmo e logo depois ele também. O garoto caiu ao meu lado ofegante assim como eu.
- Isso foi... – falei entre suspiros.
- Eu sei – ele terminou rindo.
Segundos se passaram até que nossas respirações adquirissem o ritmo normal. me puxou para mais perto de si e eu me aninhei em seus braços. Ele beijou a minha testa e começou a acariciar meus cabelos.
- Eu queria ficar assim pra sempre – sussurrei com os olhos fechados.
- Fica com os olhos fechados – ele disse calmamente em meu ouvido – e faz como eu – ele pausou – memoriza esse momento pra sempre.
Sorri de olhos fechados e tentei guardar aquilo pra sempre.
- ? – indaguei baixinho e ele resmungou.- Eu amo você – falei com todas as letras, sentindo a confiança que tanto me faltou nesses últimos anos pra voltar a ter o que me tiraram: sentimento.
18.
Eu estava achando maravilhoso observá-lo dormir e ouvir sua respiração lenta e pausada. Era reconfortante saber que ele estava ali. Ao meu lado. Puxei o lençol mais para mim, tapando meu colo desnudo. O braço direito de ainda estava repousado em torno da minha cintura, então fiz poucos movimentos para ele não despertar. O mesmo resmungou alguma coisa e logo voltou a dormir, tirando o braço da minha volta e virando-se para o lado contrario ao meu. Virei-me de bruços, abraçando o travesseiro fofo. ainda estava se mexendo e deduzi que ele já estava desperto.
- Bom – ele bocejou virando novamente para mim – dia.
- Bom dia – sorri, ainda de bruços e ele me encarou.
- Voce parece ainda mais linda com essa cara de sono – ele disse com a voz rouca do amanhecer tão sexy que eu simplesmente amava.
- Sem maquiagem, cabelo bagunçado e com a cara amassada – ri – francamente .
- Eu não minto – ele deslizou seus dedos pelas minhas costas nuas.
- Não me diz que hoje é segunda feira – resmunguei ainda sentindo seu toque.
- É segunda feira. Mas eu estou feliz mesmo assim – ele sorriu, observando a linha tênue que fazia com os dedos de cima a baixo de minhas costas.
- Isso esta me dando mais sono – suspirei.
- Não durma – ele aproximou seu rosto do meu e me beijou devagar.
- Como dormir assim? – continuei de olhos fechados. Ambos estávamos com sono.
puxou-me e me aninhou em seus braços, me cobrindo com o lençol branco.
Após alguns minutos de beijos, ouvimos duas fracas batidas na porta.
- Eu vou, deve ser o – ele disse levantando-se apenas com as boxers preta. Rapidamente se enfiou em uma calça e vestiu uma camisa qualquer que estava jogada no chão ainda com o resto de nossas roupas da noite anterior.
Sentei na cama, puxando o lençol comigo e ajeitando levemente os cabelos com os dedos. Ouvi falar com alguém, mas não identifiquei o que.
Logo, ele reapareceu no quarto com a expressão confusa.
- Quem era? – indaguei levantando-me da cama enrolada no lençol.
- Era um monitor. O diretor quer conversar com a gente agora e esta esperando na secretaria.
- Que estranho – disse, pelo fato que o diretor da universidade nunca tem muito contato com os alunos.
Vesti rapidamente uma roupa qualquer e nós dois descemos pelo elevador. Dentro do mesmo, entrelaçou nossas mãos como um casal. Sorri de canto com o gesto. Mas ainda me preocupara o chamado do diretor.
Passamos pelos corredores silenciosos ate pararmos em frente a porta de madeira maciça e antiga. Demos leves batidas, seguidas por um “entre” vindo de dentro do escritório.
Entramos e sentado na poltrona estofado, um homem calvo de meia idade (que eu jurava já tê-lo visto em algum lugar) estava ocupando o lugar em que o diretor que eu conhecia costumava sentar-se.
- Phill? – franziu o cenho e eu estranhei. - O que esta fazendo aqui? – continuou e o homem deu um meio sorriso.
- Quem é ele? – disse baixinho.
- Sentem-se – ele indicou as duas cadeiras a sua frente - Srta. , sou Gerard Phill, o novo diretor da City University – ele estendeu a mão para o cumprimento e eu atendi.
- O que aconteceu com o antigo diretor? – indaguei.
- Cartman não estava mais dando conta de tamanha responsabilidade. Então meu ex cargo de presidente foi promovido para o diretor da instituição.
- , como voce conhece ele?
Silencio.
- é meu sobrinho – o homem sorriu maroto e continuava serio. Eu comecei a ligar os pontos. . me falara no dia da formatura dela, que seu pai era sócio da universidade ou coisa do tipo, e que ele e o tal Phill nunca se deram bem por causa que e são primos e, bem, primos não devem fazer sexo. Agora sei porque seu rosto era familiar. Ele estava na formatura dela.
- Ah, sim, claro – assenti.
- Porque nos chamou, Phill? – disse ainda duro em sua cadeira.
- Em primeiro lugar , neste ambiente não sou apenas seu tio, mas seu superior, portanto me chame de Sr. Phill – ele sorriu e congelou.
- Enfim – ele esfregou as mãos – gostaria de lhe passar estes papeis – ele abriu a gaveta da escrivaninha e de lá tirou dois papeis e entregou a cada um de nós. Logo depois entrelaçou as mãos em cima da mesa e esperou nossa reação.
- Que merda é essa?! – explodiu ao mesmo tempo que eu entendi do que se tratava o comunicado.
- Olha o palavreado – o careca advertiu.
- Carta de convite a se retirar da universidade?! – levantei-me da cadeira visivelmente alterada. Isso não podia estar acontecendo.
xx
- Escuta aqui Phill, isso não tem nada a ver com ela! – apontou pra mim – nossos problemas pessoais não podem interferir na universidade e nem envolver a ! – enfiou o dedo na cara do homem que parecia muito sereno.
- , meu caro – ele continuava com aquele sorrisinho maldito nos lábios – sente-se por favor e acalme-se.
- Não vou me acalmar ate que me explique que porra é essa.
- Voce acha mesmo que eu ainda ligo pra essa relaçãozinha que voce tem com a ? – ele disse acendendo um charuto.
- Eu não tenho mais nada com ela, voce sabe – ele disse nervoso olhando pra mim que cruzara os braços.
- Enfim – ele soltou a fumaça no ar – a questão não se trata de voce na vida da minha filha, mas eu aconselharia a vocês dois – ele olhou pra mim – a ler os motivos que causaram o convite.
- Não existe motivos nenhum – balançou o papel.
- Olha, vocês não estão mais no colegial onde são suspensos, expulsos e etc. Porém, os danos que vocês causaram a universidade não são mais toleráveis.
Baixei os olhos para meu papel e fez o mesmo. La em baixo dizia:
“Pelos motivos listados abaixo, a aluna esta convidada a se retirar da City University por causar danos psicológicos e de grande valor financeiro:
Uso de drogas ilícitas no interior da universidade; Alcoolismo constante, acarretando perda de provas e distúrbios aos alunos; Relações sexuais em laboratórios para fins de pesquisa, acarretando em danos materiais, como microscópios e compostos químicos.
Eu comecei a rir.
Não sei se era de como a situação havia chegado a tal ponto, ou se eu estava rindo para não chorar.
- O que diz no seu? – indaguei a que ainda estava imerso em pensamentos.
- Os mesmos que os seus praticamente – ele disse observando o meu – exceto sexo no laboratório – ele me olhou com uma careta. - Foi há umas duas semanas – disse vagamente.
- Com quem? – ele parecia nervoso.
- Eu não quero interromper a briga de casal, mas preciso da assinatura de vocês dois – ele sorriu.
- Me desculpe senhor, mas eu não vou assinar nenhuma droga sem provas de que eu cometi todas essas infrações – disse tentando parecer inocente. segurou um riso.
- Srta. , temos câmeras espalhadas por todos os cantos – ele disse calmo.
- Eu sei, mas desde que eu entrei pra universidade, fui informada de que o sistema de vigilância estava desativado ate o final do ano para fins técnicos. Como podem ter gravado? – pus as mãos na cintura.
Então a porta se escancarou e de lá surgiu a razão de eu estar completamente fudida.
- ! – e eu falamos juntos.
- , – ela sorriu com a boca de gloss rosa Pink – o que fazem por aqui?
Senti o sangue ferver em minhas veias.
- Sua cadela, eu deveria saber que isso tinha dedo seu – disse aproximando-me dela prestes a esmurrar aquela cara de Barbie.
- Do que voce esta falando, querida? – ela enrolou uma mecha de cabelo e isso me deu ainda mais raiva.
- Senhoras, vamos nos acalmar – o careca disse, fazendo-me sentar.
- Se acalma, vai dar tudo certo – disse a mim.
- Papi, voce recebeu aquelas imagens que eu te mandei ontem? – a recalcada sentou na mesa, cruzando as pernas.
- Recebi, . – ele olhou pra mim e sorriu.
A porta se escancarou novamente e a secretaria do Sr. Phill chamou ele, que nos pediu licença e disse que já voltava.
- Olha esse ângulo! Não ficou de mais, ? Aposto que as coisas estavam bem quentes neste momento! – ela disse passando as fotos de mim com (Dylan?) no laboratório. virou a cabeça enquanto olhava mais fotos minhas .
- Como voce pode? – levantei-me da cadeira.
- , calma – passou os braços em mim.
- Calma? A sua querida priminha fez nos dois perdermos tudo aqui! – explodi.
- Tudo o que esta naquela lista é verdade, – ela levantou da mesa, andando para perto de mim – eu só fiz com que fosse provado.
- Aliás, voce deveria olhar para os lados quando vai fazer sexo proibido com alguém – ela riu – voce estava tão animada com aquele qualquer que nem notou minha presença ali perto – ela se aproximou mais para eu poder ouvir suas palavras claramente – registrando todos os detalhes.
- – disse calmamente – voce não tem mais o que fazer da sua vida?
- A questão é que, quem esta ferrada aqui é voce e não eu.
- E eu? – finalmente se pronunciou – voce me filmou também, não filmou?
- , voce me humilhou – ela virou as costas, observando a estante do escritório – E o que eu apenas queria era que voce me amasse ainda.
- – ele disse bufando – voce é louca.
- Voce acha que venceu, mas no fundo sabe que é uma perdedora. – falei por fim.
- Os únicos sem casa, sem estudo, sem porra nenhuma aqui são vocês! – ela se virou com uma expressão angustiada.
- Eu não consigo acreditar que voce chegou ate esse ponto – balançou a cabeça nervoso – depois de tudo o que nos passamos juntos.
- As coisas mudam – ela se aproximou dele e eu estava prestes a voar em cima dela.
- Eu apenas dei o troco em vocês dois – ela olhou para as unhas.
- Pra voce é fácil falar isso, tem tudo – eu disse sentindo meus olhos marejarem – a gente não tem nada agora.
As lagrimas caíram quando as palavras da minha boca saíram.
- – se aproximou e me abraçou – a gente tem um ao outro – ele pegou meu rosto com as mãos e beijou minha testa.
Pude ver olhar aquela cena com uma angustia. Pude ver que ela trocava tudo o que tinha por o que eu tinha no momento.
- Quer saber? – disse secando as lagrimas – voce conseguiu .
Peguei o papel e assinei na linha pontilhada.
- Mas isso não importa mais. Porque ao contrario de voce, eu tenho alguém com que contar – abracei e o mesmo pegou o seu papel e também assinou.
- Retiro o que disse – joguei a caneta em cima da mesa – voce não tem nada. Voce só tem uma família ausente que não liga pra voce. Voce esta sozinha.
Puxei pra fora da sala e observei de canto a garota com a expressão de que ia começar a chorar a qualquer momento. Porque ela sabia que era mais pura verdade.
Fechamos a porta e nos olhamos. Estava tudo muito estranho.
O tio filho da puta do estava vindo.
- Deixamos os papeis assinados em cima da sua mesa – disse e o homem o olhou com incerteza.
- Eu não quero mais ter nenhum vinculo com essa família de merda – ele cuspiu as palavras com o rosto duro – voce nunca significou família pra mim de qualquer modo.
- Vamos – ele pegou na minha mão e fomos andando.
- , espera – ouvimos o tio dizer atrás de nós.
Nos viramos e ele se aproximou novamente.
- Aquele convite – ele baixou os olhos visivelmente perturbado – só diz que vocês não podem mais permanecer morando na universidade, mas podem continuar cursando a faculdade normalmente. E vocês tem três semanas pra achar um novo lugar pra morar.
Ficamos em silencio. Não parecia tão ruim.
- Tanto faz – disse e me puxou novamente. Pegamos o elevador.
- Respira – disse calmamente.
- Vamos deixar esse dia passar e amanhã pensamos com calma no assunto – ele me tranqüilizou, acariciando minha mão entrelaçada na sua.
- Vai ser divertido procurar apartamento! – disse rindo.
No terceiro andar, e entraram cada um visivelmente bêbado e vendo nós dois ali, de mãos dadas foi uma cena um tanto engraçada pela reação deles.
- Porra! Vocês tão namorando! – soltou, entrando no elevador junto com que tinha a mesma expressão de surpresa.
- Viu , eu te falei que a tava certa, eles tão juntos sim! – eles conversaram sem ao menos nos consultar.
- Quem disse que estamos namorando? – falou rindo.
- Ué, vocês estão de mãos dadas – deu de ombros.
- Isso não quer dizer nada – fingi indiferença, soltando a mão de , que começou a rir.
- Qual é , a gente sabe que tu é contra essas paradas românticas e clichês, mas todos aqui sabemos que voce ta esperando oficializar – disse sorrindo e fez um coraçãozinho com as mãos. ficou tenso. Comecei a rir.
- Eu acho que dentro de um elevador, com dois caras bêbados não é nada romântico e clichê não é? – disse olhando pra mim insinuantemente.
- Nem um pouco – sorri.
- Então é o momento perfeito – ele pegou minha mão de novo – não importa o lugar, nem a hora. O mais significativo ta com a gente. Acho que agora posso te chamar de – pausa – namorada?
- Acho que voce deve me chamar de namorada – entrelacei meus braços em seu pescoço e beijei seus lábios lentamente, ouvindo umas palmas e assovios.
- Finalmente! – gritou e começou a rir.
- , eu acho que a gente também tem que se acertar – eles começaram a rir, e desceram no seu devido andar.
Ficamos sozinhos no elevador, apenas sentindo o calor um do abraço do outro.
- Sabe o que eu tava pensando – olhei insinuamente para as câmeras do elevador, que no momento já estavam funcionando.
- O que? – ele sorriu lendo minha mente. - Já que vamos ter que nos “retirar da universidade” mesmo, e não adianta mais fazer nada, vamos deixar mais um videozinho pra nossa amiga – lambi sua bochecha – aposto que ela vai amar.
- ! Loser! – rebolei pra câmera, fazendo um L na testa. logo me agarrou por trás me beijando ardentemente.
- Temos que ser rápidos – falei enquanto desabotoava sua camisa – faltam só mais 8 andares!
19.
- Vira logo! – bateu com o punho na mesa do pub para , que tinha perdido a aposta e agora estava em mãos um copo cheio de oito bebidas fortes misturadas. Sem duvida ele iria morrer.
que eu ouvia na minha adolescência, aquela que eu lembro que era feliz, antes de toda aquela merda acontecer comigo. Essa Música simplesmente me trazia boas lembranças.
- , eu sabia que você era um viadinho! – ele riu e todos nós começamos a gritar pra ele beber logo.
- Ta bom, mas se eu morrer, digam a minha mãe que vocês foram os culpados e me obrigaram a beber isso – ele disse e em seguida virou o copo em cerca de 5 segundos e todos ficamos observando o garoto se contorcendo.
- Porra! – por fim ele bateu com o copo na mesa e sorriu.
- Eu sabia que você não ia me decepcionar – deu dois tapinhas nas costas do garoto que se contorcia com a ardência da bebida.
Estávamos os seis sentados na pequena mesinha do pub bebendo, enquanto a maioria das pessoas se jogava na pista de dança.
Amy estava ficando com , então, todos estávamos meio que casais, mas eu sabia que e Amy era só ficada, nada sério. E e estavam em um relacionamento aberto, ou seja, eles ficam, mas ficam com outras pessoas etc.
- Droga , tu me queimou! – passou a mão na perna coberta com a meia calça e deu um tapa em , que segurava um cigarro de maconha entre os dedos.
- Desculpa benzinho – ele fez beicinho e acariciou a perna da minha amiga.
- Eu resolvo isso – disse roubando o cigarro das mãos dele.
- Pronto – disse tragando – agora não tem mais perigo de você queimar a .
- Devolve aqui! – ele riu e eu neguei, o passando pra ao meu lado.
passou pra Amy e assim continuou até acabar.
- Cara, vocês acabaram com a minha felicidade! Essa merda foi cara! – ele choramingou enquanto todos riam.
- Isso é para você aprender, e pagar logo a divida que você tem com aqueles caras – o adverti.
- Eu vou pagar, só preciso de tempo – ele disse presunçoso.
- O que você acha de dar um tempo lá no banheiro? – sussurrou para ele e logo o tarado abriu um sorrisinho. Os dois sumiram na multidão.
- Vamos dançar? – Amy indagou e eu observei que a bebida tinha acabado.
Infiltramo-nos até a pista, onde começou a tocar uma (música).
- O que foi? – perguntou tirando-me do transe.
- Nada, essa música me lembra uma boa época – sorri enquanto Amy e estavam mais afastados curtindo também a música.
Ele me abraçou e entrou no embalo junto com a minha parte favorita da musica.
- Você ta linda hoje – ele disse segurando-me pela cintura.
- Botei qualquer roupa, isso é o efeito do álcool – torci a boca.
- Não to com efeito nenhum, você ta linda mesmo – ele me olhou da cabeça aos pés e eu sorri.
- Apenas dance – sussurrei em seu ouvido e o puxei mais para o meio da pista, sacudindo a cabeça.
Fechei os olhos e senti a musica, lembrando-me daqueles tempos enquanto acompanhava meus movimentos com as mãos firmes em minha cintura.
Abri os olhos e encostei meus lábios nos de levemente, acariciando sua nuca. Ele ajeitou meu cabelo e encostei-me a seu peito, ainda dançando a musica em sua parte mais lenta que eu amava.
- Tudo vai dar certo – ele disse calmamente – a gente vai sair dessa.
- Vamos arrumar um apartamento melhor que o nosso – olhei pra cima ainda com a cabeça encostada em seu peito e ele mordeu meu lábio inferior. - Com uma cozinha maior – eu ri.
- E um pátio pra Lola brincar – ele completou.
- Ah, ele ta sozinha em casa – fiz beicinho.
- Daqui a pouco o pub já vai fechar mesmo – ele olhou no relógio, mas creio que não viu nada.
- Gente, nós vamos indo, vocês também vão? – veio até nós com a blusa abotoada errada. Eu ri.
- Vamos indo também – concordei com e fomos procurar o resto de nossos amigos.
xx
- Tu acha que a e o vão durar? – indaguei enquanto tirava meus sapatos e o vestido e arrumava nossa cama para irmos dormir, e o sol já raiava.
- Sei lá, eles estão se divertindo por enquanto, não ta nada serio – ele deu de ombros.
- Lola, devolve o meu sapato! – fui atrás do filhote que pegou meu sapato e saiu correndo.
- Droga, vai estragar! – comecei a rir, era impossível ficar braba com aquela coisinha fofa.
Tirei o sutiã marfin e coloquei minha camisola levinha, e senti dois braços por trás.
- Eu amo cada dia mais o seu cheiro – disse em minha nuca, fazendo-me arrepiar.
Virei-me para ele e o beijei.
- E eu te amo cada dia mais – acariciei seu lábio com o dedo tirando um pequeno vestígio de batom rosa.
Lola cortou o momento mordendo meus pés.
- Vamos dormir, eu to morta – sorri, o chamando para a cama.
Nos cobrimos com as quatro cobertas e viramos um pro outro, entrelaçando nossas mãos.
Me aninhei no pescoço do garoto e logo adormeci com um sorriso nos lábios.
xx
- Calma , que bosta eu já to terminando! – disse passando pela milésima vez o rímel nos meus compridos cílios.
- , você ta há meia hora nesse banheiro! A gente marcou as 08:30 com o proprietário do apartamento, já são 08:25! – o ouvi gritando da sala.
- Eu quero estar apresentável – sorri me dirigindo até a sala.
- Ok, vamos! – ele abriu a porta e eu gelei por um segundo.
- Mãe? – a figura de minha mãe estava parada em frente à porta, ela estava prestes a batê-la. – O que a senhora ta fazendo aqui?
- Posso ganhar pelo menos um abraço? – ela engoliu em seco.
- É bom ver a senhora – a abracei, sentindo que ela estava mais magra que da ultima vez que a vi, há quase um ano atrás, quando sai de casa.
- Você esta diferente, seu cabelo cresceu – ela sorriu, pude ver que estava constrangida.
- Mãe, a senhora veio até aqui por quê? – indaguei curiosíssima.
- Eu precisava te ver – ela baixou a cabeça – o Jhonny me deixou há três meses, eu me sinto tão sozinha.
Então ela começou a chorar. Minha mãe desenvolveu depressão desde o que aconteceu comigo.
- Calma mãe, vamos entrar – a abracei e a puxei pra dentro do nosso apartamento, a levando até o sofá. observava tudo com olhos arregalados.
- Eu simplesmente peguei o primeiro voo e vim pra cá – ela disse chorosa – eu sempre quis vir, e precisava te ver – ela passou seus dedos gelados pelo meu rosto.
- Que ótimo mãe – sorri.
- A Lilian, minha amiga, você deve se lembrar dela, está morando aqui – ela secou as lagrimas com as mangas do casaco – vou ficar na casa dela alguns dias.
- Vai ser bom pra você, respirar novos ares – acariciei sua mão e levantei-me do sofá. - Eu vou fazer um chá – anunciei.
- Você não vai me apresentar seu amigo? – ela apontou pra , encostado na porta. Pude perceber que ela estava lutando para não demonstrar a tristeza, mudando de assunto.
- Ah, mãe, esse é o – o puxei para perto dela – meu – pausa dramática – namorado.
- Muito prazer Sra. – ele estendeu a mão para o cumprimento formal e minha mãe retribuiu me lançando um rápido olharzinho.
- O prazer é todo meu – ela sorriu.
- Eu lhe ajudo a fazer o chá, onde é a cozinha?
- Ah, é aqui – apontei – pode entrar.
Coloquei água para ferver e peguei dois saches de chá de maçã com canela.
- Ele é lindo – minha mãe falou observando a cozinha.
- É, ele é bom pra mim – sorri encostada no balcão.
- Desde – ela tossiu – o que aconteceu, você não tinha mais namorado ninguém – ela se aproximou.
- Parece que Londres me fez bem – assenti.
- Eu fico feliz em ver que você esta bem, pensei que nunca ia superar.
- Eu estou sim, pronta para recomeçar – desliguei a água e minha mãe tomou a liberdade de pegar duas xícaras no armário. Comecei a me perguntar quando seria a hora de contar que tinha que sair da universidade, e não estava a fim de contar os motivos.
- Para onde vocês dois estavam indo quando abriram a porta? – ela indagou e eu gelei.
- Ah – pausa para colocar o chá nas xícaras e pensar – dar uma caminhada, hoje está um dia lindo. Poucos dias tem sol aqui – sorri aliviada.
Pegamos as xícaras e fomos sentar na sala. havia saído.
- Então, como estão as aulas? – ela indagou bebericando o chá.
- Ótimas, é o que eu sempre quis – sorri.
- Vejo que tem praticado – ela apontou com os olhos para a minha maquina de costura em cima da mesa.
- Ah sim, eu tento, mas acho que meu perfil é marketing de moda mesmo.
Fez-se um silencio quando o assunto morreu.
- Estou trabalhando – disse cortando o silencio de alguns minutos – é um estagio, na verdade, de fotografa de eventos – sorri.
- Que ótimo, seu pai me falou que lhe mandou uma câmera – ela disse com desdém.
- Ah! – levantei-me – tem alguém que você deve conhecer.
- Abri a porta do nosso quarto e Lola saiu, indo direto nos pés de minha mãe, saltitante.
- Essa é a Lola, o me deu.
- Que amor! - minha mãe começou a brincar com ela. Olhei pra dentro do quarto e avistei alguns tocos de cigarros em um cinzeiro em cima do criado mudo. Fui como um relâmpago até lá para destruir as evidencias.
- Que bosta – sussurrei pegando o cinzeiro.
- Aqui é o quarto de vocês, então – a ouvi dizendo atrás de mim e gelei. Enfiei o cinzeiro dentro da gaveta discretamente e virei-me pra ela.
- É sim – sorri amarelo observando meus lingeries espalhados pelo chão.
- Não repara a bagunça - disse baixinho.
- Você sempre foi bagunceira – ela deu de ombros indo até a janela.
- Que vista linda! – observou o campus.
- Você deveria ver quando ainda estava nevando.
Mais um minuto de silencio.
- Então, você já tomou café da manhã, mãe?
- Não, você sabe como eu sou alérgica a comida do avião.
- Então vamos tomar juntas, depois eu posso te acompanhar até a casa da Lilian – a convidei pegando minha bolsa.
- Claro, vamos.
xx
- Adorei a comida daqui! – ela disse após sairmos da Starbucks da Camden e eu assenti.
- Vamos pegar um taxi, você sabe o endereço da casa da Lilian né?
- Sei sim, vamos – ela sorriu, mas eu ainda podia ver vestígios da tristeza que ela passou no ultimo ano em seus olhos.
Tomamos o taxi e logo paramos em frente a uma grande casa branca.
Saímos do taxi e ela pegou sua carteira.
- Aqui, para pagar a volta – ela me entregou.
- Não precisa mãe – recusei, mas ela insistiu.
- Por favor, é o máximo que posso fazer por você – ela disse com os olhos marejados novamente.
A abracei com força e peguei o dinheiro de sua mão.
- Venha me visitar novamente mãe, mas me ligue antes para saber se não tenho aula.
- Tudo bem, vou entrar – ela secou os olhos – se cuida, filha.
Assenti e acenei para ela, que entrava na casa. Entrei dentro daquele taxi com a cabeça mais pesada que nunca.
Quando o taxi arrancou, peguei meu celular e disquei os números.
- Onde você está? – perguntei a .
- No apartamento que a gente ia ver, vem pra cá.
- Tudo bem, eu sei onde fica – disse e desliguei, mudando o trajeto do taxi.
O taxi parou em frente ao prédio velho e estava sentado na escadaria da porta da frente.
- O que aconteceu? – indaguei e ele se levantou para me dar um selinho.
- O proprietário ainda não chegou – ele deu de ombros.
- Viu? E você estava me apressando – sorri.
- Como foi com a sua mãe? – ele indagou sentando-se novamente e eu fiz o mesmo.
- No mínimo estranho – olhei pra ele – parece que eu não a conheço mais.
- Vocês passaram por muita coisa – ele acariciou minha perna – mas eu vi o jeito que ela te olhava, parecia que ela estava arrependida.
- Ela ta mal, – peguei um cigarro do bolso da calça – a depressão dela deve ter subido alguns níveis depois que eu fui embora.
- Você não tem culpa, se continuasse lá ia acabar parando em um hospício – ele me emprestou um isqueiro.
- Parece que eu acabei superando, mas ela não – olhei pra ele, lhe passando o cigarro.
- Ela vai ficar bem – ele passou os braços ao meu redor – se Londres lhe fez bem, vai fazer a ela também.
Avistei um velho barrigudo e careca vindo em nossa direção. Sua camisa estava abotoada errada e parecia que ele tinha acabado de acordar.
- São vocês que vieram ver o apartamento 303? – ele perguntou a nós.
- Sim – respondemos.
- Me desculpem, mas eu tive alguns contratempos, vamos subir – ele abriu a porta enferrujada do prédio e nós entramos.
- Um contratempo com o sono – sussurrou e eu ri enquanto subíamos as escadas velhas atrás do homem.
Chegamos ao terceiro andar e seguimos o cara pelos corredores mal iluminados e com algumas teias de aranhas enfeitando o local. Que maravilha de lugar. Tudo cheirava a mofo.
O homem abriu a porta do apartamento com alguns solavancos, pois ela estava emperrada. Seguramos o riso e entramos no local. Torci o nariz.
- Bem, aqui é a sala – ele apresentou o lugar tremendamente sujo e com as paredes descascadas – e aqui é a cozinha.
Minúscula.
- Muito bonito – disse irônico e eu lhe cutuquei.
- E aqui é o dormitório – ele abriu a porta, revelando um quarto minúsculo com um colchão rasgado atirado ali no meio. As janelas da casa inteira davam para um lixão, se é que dava para enxergar direito com tamanha sujeira das mesmas.
- E aqui o banheiro – ele disse e meus olhos foram direto para o sanitário, cujo estava cheio de uma água suja.
- O vaso esta entupido, mas eu vou arrumar caso vocês se mudem – ele sorriu e eu queria vomitar.
- Ok! Já vimos o bastante – eu disse aflita – gostamos muitíssimo, entraremos em contato.
Puxei e acenamos para o velho barrigudo.
- Puta merda! – explodi descendo as escadas.
- Eu achei muito acolhedor – riu.
- Acolhedor para baratas – comecei a rir junto.
- Aquele colchão cheirava a sexo! – ele riu.
- Eca !
- Sério, o que diabos a gente vai fazer? – falei enquanto saiamos do prédio.
- Calma , foi só o primeiro “apartamento” que vimos.
- Mas aprendemos a primeira lição sobre procurar lugar pra morar – declarei – nunca acredite nos anúncios de jornal.
- “Bela vista para o centro de Londres, apartamento totalmente reformado e sem uso” – leu o anuncio do apartamento que acabamos de ver, com o jornal em mãos.
- Que merda – balancei a cabeça.
- Olha, eu circulei mais quatro anúncios aqui no jornal, vamos ver eles e depois iremos pra casa ok?
- Ta bom, mas primeiro eu quero almoçar em um lugar legal – abracei ele e fiz beicinho.
- Como não resistir assim – me beijou e voltamos a andar de mãos dadas procurando apartamentos.
xx
’s POV on
- Eu gostei do terceiro – disse entrando em casa e logo tirando o cachecol e as luvas.
- Mas é meio caro o aluguel – disse tirando o gorro.
- Também achei, mas eu posso pedir um aumento pro meu chefe e você também – disse fazendo carinho na Lola que ficara feliz com a nossa chegada.
- Ta bom, a gente pode tentar.
- Merda, eu tinha que ter pegado os livros novos na recepção que chegaram! – a garota bateu com a mão na testa – vou ver se ainda da pra pegar, já volto.
- Ok – disse e ela mandou um beijo com a mão, logo batendo a porta.
Entrei em nosso quarto observando a bagunça. Os lençóis estavam desarrumados e as roupas continuavam jogadas pelo chão.
Peguei a camisola de seda dela que eu tanto amava, pois a deixava muito sexy. Senti o cheiro da garota na peça de roupa e achei impossível querer amá-la ainda mais.
- Eu não acredito que você esta cheirando a roupa daquela piranha – ouvi uma vozinha atrás de mim e revirei os olhos.
- , que diabos você ta fazendo aqui? – balancei a cabeça.
- Sua queridinha deixou a porta aberta e eu resolvi fazer uma visitinha – ela se aproximou, batendo os saltos agulha no chão e eu recuei.
- , vai embora – fiz um gesto com a mão pra ela vazar.
- Qual é , eu sei que você sente falta das nossas brincadeirinhas de adolescentes – ela disse baixando o zíper da blusa que vestia – porque eu sinto todas as noites.
- – disse calmamente – se toca, eu amo a ! – disse com todas as letras para ela entender – e além do mais, olha o que você fez comigo!
- , não seja idiota – ela tirou a blusa e eu comecei a me irritar – comigo, você poderia morar na minha mansão e parar de procurar apartamentos de pobre que nem um mendigo – ela riu – comigo, você teria tudo do bom e do melhor.
- Você ta me seguindo agora? – me recusei a acreditar – você precisa de ajuda. E tem mais, com a eu sou feliz de verdade, ela é a mulher mais maravilhosa que eu já conheci e você não chega aos pés dela – cuspi as palavras, passando por ela para sair do quarto mas ela me puxou com força.
- Isso ainda não terminou – a louca me jogou na cama – você é meu, . Eu sinto falta desse corpo todos os dias – ela subiu em cima de mim, pegando minhas mãos e as colocando no seu quadril.
- , sai de cima de mim caralho, você é louca! – a joguei pro lado, mas ela subiu em cima de mim novamente e me beijou a força.
- Que merda é essa – ouvi a voz que eu mais temia que visse aquilo.
- Olá amor, espero que você não se importe, estava sentindo a minha falta – ela sorriu insanamente e eu queria arrancar a cabeça dela fora.
- Sai de cima de vim, vadia – a empurrei.
- , espera! – fui atrás da garota, que tinha saído porta a fora, mas não a vi mais.
’s POV off
20.
Eu não queria acreditar. No fundo eu sabia que havia uma explicação sensata, afinal, por que faria isso depois de tudo o que passamos? Mas se você visse seu namorado na sua cama com uma vadia, que já tem histórico com ele, aos beijos e seminua, não faria o mesmo? No mínimo ficaria irritada.
Entrei no elevador e apertei o botão do térreo, com a respiração acelerada. Escorei-me na parede. Eu precisava de um tempo pra esfriar a cabeça, e depois ouviria a historia dele. Pelo menos até que aquela cena saísse da minha mente.
entrou no quinto andar e me viu naquele estado.
- Credo, o que aconteceu? – ela indagou com uma sobrancelha levantada.
- – disse entre dentes.
- Mas que porra, o que ela fez dessa vez? Essa vadia merece uns tapas na cara.
- Eu a vi por cima do na nossa cama, sem roupas – olhei pro teto.
- ! Tu sabe como a é maluca, isso ta na cara que foi uma armadilha pra você cair, exatamente como agora – ela disse e aquilo pareceu aceitável. - Pelo amor de deus, aquele idiota do te ama! – a porta do elevador abriu e saímos andando sem rumo.
- Eu sei, mas as coisas não são assim, se você visse o nessa situação, não te abalaria nem um pouquinho?
- N-não – ela fez pouco caso – ate porque eu não amo ele.
- Haha, você ficaria sim – sorri – eu só preciso de um tempinho, depois falo com ele ta bom?
- Ok, eu tenho que ir pra aula, te vejo depois – ela depositou um beijo na minha bochecha.
Fui até a Starbucks do outro prédio e pedi um mocca pra levar. Vi aquele garoto, como era mesmo o nome dele? Adam. Sentado em uma mesa com umas garotas babando nele. Nem acredito que eu fiz aquela idiotice.
Peguei meu café e sai sem rumo. Hoje tinha sol, e não estava tão frio. Até sai sem casacão. Senti meu celular vibrar no bolso duas vezes. Olhei o visor e vi duas sms.
Primeira: Londres é lindo! Eu quero ficar aqui pra sempre , agora sei por que você queria tanto vir pra cá! Beijos, mãe.
Ok, depois eu respondia.
Segunda: Onde você ta??? , pelo amor de deus, eu to surtando! Voce sabe que a é maluca! .
Tomei meu café calmamente. A raiva já estava passando. No fundo eu sabia que era uma armadilha daquela puta. Depois de uma meia hora, fui para o nosso quarto, abri a porta calmamente e avistei os três garotos sentados no sofá.
- Finalmente! Esse bichinha já estava quase se atirando da janela, pensando que você não voltaria mais! – disse aliviado apontando pra .
- ! Por favor, a veio aqui e me atacou e eu não consegui fazer nada, eu disse pra ela que te amava e – ele começou a disparar as palavras e eu tive vontade de rir.
- Ta bom – coloquei meu dedo indicador em seus lábios – eu fiquei com raiva na hora, afinal quem não ficaria, mas eu sei que era uma armadilha.
- Vamos , missão cumprida, vamos ficar loucos agora – disse rindo sacudindo um saquinho com alguns comprimidos sortidos. Então os dois saíram.
- Me desculpa por te fazer passar por isso, essa garota ta sem controle! – ele disse suando – depois que você saiu, ela disse “missão cumprida” e saiu. Ela não queria nada comigo.
- Ela ta obcecada em te tirar de mim, só isso, mas não vai me abalar mais – sorri - Tu sabe onde ela esta?
- Ela disse que ia ao restaurante esperar o pai dela vir buscá-la.
- Vamos lá, essa vadia precisa de uns toques – puxei a mão do garoto e saímos.
Chegando ao restaurante, avistei nossos amigos sentados em uma mesa. O local estava cheio, era hora do jantar. Avistei meu alvo sentado em uma mesa, lixando as unhas como se nada tivesse acontecido.
- Pode ficar aqui – disse pra e fui em direção a ela, que logo me viu e se levantou.
- Ora ora, como esta seu coração partido? – ela disse mascando chiclete – eu sei que deve ser horrível ser trocada pelo primeiro amor do namorado.
- , eu vim aqui por que sinto pena de você – me aproximei dela – afinal, ninguém te quer. De que adianta esses enchimentos – enfiei as mãos na sua blusa decotada e tirei os moldes falsos de silicone, logo atraindo olhares e risos da lanchonete inteira. - Esse aplique falso – arranquei maços de cabelo atirando-os no chão e vendo a garota se enfurecer - De que adianta também essas coisas modeladoras pra ficar mais magra – levantei sua blusa, revelando sua barriga extremamente apertada naquele material, saindo alguns pneus pra fora. - Hein , de que adianta tudo isso – apontei pro seu corpo – se NINGUÉM te quer? Porque você é uma vadia louca, infantil, arrogante, enjoada pra caralho, e ninguém te suporta?
- Sua piranha, eu vou – vi seu rosto ficar cada vez mais vermelho.
- Vai fazer o que? Humilhar a si própria, querendo roubar meu namorado que te despreza? – comecei a rir, junto com as outras pessoas da lanchonete. - Acorda – disse bem perto do seu rosto – é meu, ele não te quer.
Virei às costas e a louca voou em cima de mim e nós caímos no chão.
- Eu vou ter matar! Você me humilhou! – ela começou a me dar tapas, que eu retribui logicamente, acertando em cheio suas bochechas rosa de blush.
- Você mesma que se humilhou! Eu já to cheia de você, garota – subi por cima dela, segurando seus braços no chão e ela começou a se contorcer.
Todos começaram a gritar “briga de mulher” e logo formou um bolinho curioso ao nosso redor.
- É, sua piranha, ninguém aqui gosta de você – se meteu - Estou certa? Você é só a filhinha do diretor mimada, que nem estuda mais aqui, mas mesmo assim vem aqui encher o saco de todo mundo!
- Isso não é verdade! – ela disse e eu ainda segurava seus braços.
- Ah é? Quem aqui gosta da levanta a mão – gritou loucamente e ninguém levantou a mão. Aquilo foi hilário.
- Isso aí, não é só porque você tem dinheiro e leva uma vida boa que você tem que ser a dona do mundo – Amy se meteu junto.
- Sai de cima de mim! – ela gritou e me jogou pro lado, pegando sua bolsa em cima da mesa furiosa.
- Vocês todos vão pagar! – ela apontou pra todos na lanchonete.
E saiu andando batendo seu salto 15 com força no chão. Então todos aplaudiram. Eu comecei a rir e as meninas me ajudaram a levantar do chão. Batemos nossas mãos no ar como um time.
- Duvido que agora ela apronte de novo – falou.
Eu tinha os melhores amigos do mundo. Eu sabia.
Fui até e o beijei. E a melhor pessoa ao meu lado.
- Foi demais – ele disse abraçando a minha cintura.
- Vamos pra casa – disse e subimos pro nosso quarto que logo não seria mais nosso.
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- Então pessoal, a arte esta ligada completamente com a moda! Elas andam juntas, presentes em nossa vida de todos os modos – o professor Colin falava encantadoramente. - Agora vou entregar as provas teóricas da semana passada – ele anunciou e eu tremi. Não havia estudado pra essa prova. Ele começou a chamar os nomes para as pessoas irem até sua mesa pegar as provas.
- ! – fui até lá tremendo e peguei a folha. Eu havia tirado 9, como isso era possível?
- Tens melhorado bastante, Srta. – ele sorriu – vejo você mais focada em minhas explicações, será uma grande profissional.
- Obrigada Sr. Colin – voltei ate minha mesa com o ego flutuando. Aquelas palavras fizeram o meu dia.
- Agora, turma, vamos para a sala das confecções – ele chamou e todos saíram da sala, indo em direção a outra.
Logo começamos a desenhar os projetos para a próxima tarefa pratica. Eu estava tentando fazer algo para o verão, que não é nada verão aqui em Londres. Mas algo mais leve e simples.
Comecei a traçar um vestido até o joelho e logo pensei em um tecido leve, mas meus pensamentos foram interrompidos.
- Está indo bem querida – o Sr. Colin estava passando nas mesas para ver como estavam ficando – só encurte mais isso, talvez uma bainha?
Assenti e fiz a sua sugestão. Ficou realmente melhor. O sinal tocou e comecei a guardar meus materiais e enfiar tudo na bolsa.
Sai apressada da sala e nem notei certa pessoa que estava me esperando. Só virei pra trás quando ouvi os ‘psiu, psiu’.
- Hey, que você ta fazendo aqui? – sorri para , que me puxou para um beijo demorado.
- Ganhei dispensa porque já tinha acabado mais cedo o trabalho e pensei em almoçarmos juntos – ele sorriu.
- Claro, vamos – entrelacei nossas mãos e andamos calmamente pelos corredores.
- Quero te levar em um restaurante que vi perto da london eye – ele me olhou, me abraçando pela cintura de lado.
- Tudo bem – sorri, mas eu sabia que tudo perto daquela área era realmente caro.
O taxi parou em frente a um restaurante chique, com garçons em smokings servindo champagne na entrada.
- , aqui é muito caro! – sussurrei enquanto íamos para lá.
- Eu te convidei, eu que vou pagar, portando não se preocupe – na entrada, aceitamos as taças de champagne e o garçom simpático nos levou até uma mesa vaga, na janela com vista para o rio Tamisa. Era uma vista linda. Beberiquei o champagne e o garçom nos trouxe os cardápios.
- , amor, olha esses preços – disse de canto.
Ele fechou o cardápio e sorriu.
- Ganhei uma promoção – ele anunciou radiante – e um extra.
- Serio? – me animei – parabéns! Isso é ótimo, mas não precisava me trazer ate aqui, podia gastar com uma coisa pra você.
- Eu queria te levar em um lugar legal, não posso?
- Pode – disse por fim e nós voltamos a olhar os cardápios. Confesso que a maioria dos pratos eu não reconhecia, ainda mais comida inglesa.
Pedi o mesmo que .
- Aqui é lindo – acariciei sua mão em cima da mesa – obrigada.
- Alguém vai fazer 20 aninhos daqui a uma semana né?– ele disse.
- Ah, eu não vou fazer nada, nunca gostei muito de festas depois de, você sabe – olhei pra janela.
- E a sua mãe? Ela vai estar aqui ainda pra te desejar feliz aniversario?
- Acho que sim, ela me mandou uma sms dizendo que esta adorando – sorri.
- Que bom, ela merecia se distrair né? – ele falou e eu assenti. O garçom trouxe o vinho que pediu e nos serviu delicadamente. Era realmente bom.
- Ainda temos um problema – falei.
- Eu achei mais alguns apartamentos pra gente olhar, podemos ir depois do almoço – ele disse e eu assenti. Eu não queria sair dali, eu gostava de morar ali, era perto das salas, dos nossos amigos. Tudo culpa da .
Logo nossos pratos vieram.
- Parece delicioso e eu nem faço idéia do que é – falei rindo e concordou.
- Hm, é bom mesmo – ele disse com a boca cheia.
- Nossa, é muito bom, o que será que é? – disse cortando a carne.
- Eu espero que não seja algo do tipo, rã, ou cachorro – ele riu.
- Agora que você falou em cachorro, eu pensei, a gente tem que treinar a Lola pra morder vadias. Se ela tivesse treinada, aquele dia que a entrou lá, não tinha acontecido tudo isso – eu ri com a hipótese.
- Mas ai vocês não teriam humilhado ela, o que foi muito foda – ele disse tomando o vinho – eu acho que ela vai se aquietar agora.
- Se não ela vai precisar ser internada.
Terminamos o almoço, pedimos sobremesa, pagamos a conta que eu nem quis ver de quantos dígitos eram e saímos.
O vento cortava nossos rostos enquanto caminhávamos pelo centro turístico para pegar o taxi, depois de vermos mais três apartamentos que não nos agradaram.
- O que você acha de alugarmos aquele que gostamos, mas o aluguel era meio caro? – indagou me passando seu cigarro.
- Acho que agora podemos pagar – traguei olhando para o rio, soltando a fumaça quente no vento frio.
- Então... vamos ficar com esse?
- Sim! – sorri – vamos ligar para o proprietário.
- Eu tenho o numero dele aqui na minha agenda – ele procurou em seu celular e logo fez a ligação.
- Alô? Proprietário do apartamento 403 na Camden?
- Sim, nos queríamos saber se ele ainda esta para alugar – escutei a conversa – está? Que ótimo!
- Sim, gostaríamos de alugar.
- Ok, nos mudamos em uma semana – ouvi ele falar para o cara e desligou o telefone.
- Adivinha só – ele sorriu – o preço baixou.
- Serio? Que bom!
- Só precisamos ir lá assinar os contratos e nos mudamos na semana que vem.
- O apartamento é ótimo, e assim estaremos mais perto do centro, vamos sobreviver! – eu ri e ele me abraçou.
- É, vamos sim – ele beijou minha testa e continuamos a caminhar.
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- , eu não sou criança porra – falei com os braços cruzados encostada na parede que vibrava com a alta musica.
- Eu sei, mas é que – ele olhou pra cima.
- Olha, eu mudei por você – suspirei – e eu não sou mais a pessoa que eu era, eu não sou mais uma viciada.
- Eu sei que não – ele me interrompeu e eu fiz ‘shh’.
- Eu não preciso mais das drogas pra esquecer os meus problemas e da vida de merda que eu tinha, agora eu só quero por diversão, assim que nem você, e nossos amigos. Não sou diferente de vocês, não uso todo dia excessivamente.
- Desculpa por tentar te controlar, mas é que eu tenho medo de te perder de novo – ele baixou a cabeça e chegou mais perto de mim para um casal fogoso passar e logo entrar em um dos quartos.
- , você não vai me perder – segurei sua cabeça em minhas mãos – nunca mais.
– Agora, anda, eu sei que você tem alguma coisa aí – revirei em seus bolsos a procura de comprimidos, aproveitando para dar uma de mão boba e ele riu. Então o garoto pegou em seu bolso traseiro dois comprimidos pequenos e brancos.
- Só um – ele advertiu e eu pus a língua pra fora e ele depositou ali a droga.
Engoli, peguei um de sua mão e coloquei na boca dele, logo passando meus lábios pelo seu queixo e ele me empurrou contra a parede que continuava tremendo.
- Agora essa festa vai ficar mais animada – sorri.
- Você não presta – ele mordeu meu lábio inferior.
Nós estávamos em uma mansão de uma garota riquinha da faculdade que sempre dava essas festas quando os pais iam viajar para o caribe. E ela sempre dava a desculpa que um terremoto passou por ali quando eles voltavam.
- Essa coisa não ta fazendo efeito , você não me deu comprimidos de farinha né? – entrelacei minhas mãos em seu pescoço sorrindo.
- Não meu amor, mesmo querendo. É que esses são fraquinhos.
- Percebi – fiz beicinho – eu só queria me divertir um pouquinho.
- E quem disse que nos precisamos dessas merdas pra se divertir? – o garoto agilmente me pegou no colo e esbarrou em uma porta fechada do corredor mal iluminado, revelando uma suíte tão organizada que me deu pena.
- A gente não pode fazer isso – falei e ele me pôs no chão, fechando a porta.
- E se for o quarto dos pais da menina? Que alias eu nem sei o nome dela. Tinha que ser coisa do – eu ri observando a linda decoração e a cama tão chamativa, com um lençol vermelho de seda e almofadas fofas.
- Ela faz isso toda hora , os pais dela estão nem ai, eles tem dinheiro pra comprar tudo de novo – ele se aproximou de mim que estava observando a vista da sacada e cheirou meu pescoço – nós não temos – senti sua risada na minha nuca .
- Depois sou eu quem não presto – continuei virada de costas para ele. Passou um ventinho frio ali e eu tremi. - Que se foda – disse por fim virando-me para meu namorado que já estava sem camisa. Como ele já tinha tirado?
- Já ta fazendo efeito? – ele me pegou no colo passando minhas pernas pelo seu quadril e me colocou no parapeito da sacada. - Acho que ta, um pouquinho – falei com os olhos fechados, sentindo seus lábios gelados percorrerem meu pescoço nu – agora sim.
As coisas se tornaram mais coloridas e tudo parecia lindo. Ainda mais com o homem que eu amava acariciando a minha cintura e massageando meus cabelos lentamente.
- Eu me esqueci de te dizer – ele falou colando mais seu corpo no meu e sussurrando no meu ouvido – você ta linda hoje.
- Eu te amo tanto – abracei-o. Logo ouvimos batidas na porta e começamos a rir.
- Ocupado! – gritou e as batidas pararam.
Ele me pegou novamente e me pôs no chão. Puxei-o para um beijo demorado e já me sentia muito alegrinha, logo estávamos rindo por nada. Fomos andando lentamente, de costas e seu pé tocou a quina da cama e eu caí por cima dele, ainda com as risadas sem sentido.
- Que cama maravilhosa – declarei abrindo o meu vestido bege pelos botõezinhos pequenos. me ajudou, o puxando para cima e acariciando a minha cintura. Logo voltei para seus lábios, encostando minha intimidade na dele e o garoto gemeu. Rapidamente tirou suas calças e abriu meu sutiã rosa com agilidade, se concentrando em meus seios.
- Hora de trocar – advertiu e logo me deixou por baixo, passando seus lábios pelo meu pescoço e eu cravei minhas unhas no lençol de seda com firmeza enquanto ele percorria sua língua pelo meu colo e barriga, fazendo-me arrepiar. Logo seu caminho chegou ao ponto final, e ele tirou minha calcinha, acariciando minhas coxas e dando leves beijinhos pelo local. Logo eu já estava mordendo os lábios para não gritar. E ele sabia o quanto isso me enlouquecia, pois continuava me torturando, e me olhando com uma cara maliciosa.
- Esta se divertido agora mocinha? – ele disse ainda continuando com os movimentos.
-Ainda não – me desprendi de suas mãos e troquei novamente nossas posições. - Fica sentado – apontei para a cabeceira da cama e ele obedeceu rapidamente sorrindo. Eu não agüentava mais, mas precisava fazer ele sofrer também. Um pouquinho de sofrimento por amor não é mal nenhum.
Fiquei de pé em cima da cama, notando que a única parte que sobrara em meu corpo era os sapatos de salto. Resolvi deixar mais interessante. Comecei a me mover lentamente no ritmo da musica que nós ouvíamos que vinha do andar de baixo. Era o comecinho de “my medicine”, The Pretty Reckless. Era perfeita para o momento. Virei-me de costas para ele e rebolei no ritmo da musica devagar, jogando os cabelos para um lado e pro outro, fazendo vento no rosto de . Olhei para ele por cima do ombro para ver sua reação e ele estava boquiaberto. Virei-me de frente para ele e comecei a acariciar meu corpo ainda dançando e ele pareceu adorar.
- Você ta me enlouquecendo – ele passou a mão no suor da testa, que também tinha na minha, mesmo estando frio.
- Agora sim estou me divertindo – sorri e me abaixei, sentando no colo do garoto, que continuava encostado na cabeceira e senti que ele estava gostando mesmo. A musica ficara mais rápida, e comecei a rebolar sem eu colo, jogando minha cabeça para trás. Ele segurou firmemente no meu quadril
- Chega – disse por fim e eu concordei. Logo senti ele me penetrando e segurei minhas mãos na cabeceira com força enquanto guiava meu quadril em seu membro em círculos e eu já estava gritando. Beijei-o e entrelacei minhas mãos em seu pescoço enquanto os movimentos começaram a cessar e nós chegamos ao clímax juntos e cansados. Caímos um ao lado do outro na cama ofegantes e ainda vendo tudo colorido. Pelo menos eu.
Após alguns minutos deixando nossas respirações voltarem ao normal nos olhamos e rimos.
Levantei-me e comecei a catar minhas roupas. Minha meia calça estava rasgada. Fechei os botões do vestido e estava fechando sua calça.
- Voce sabe como essas suas dancinhas me enlouquecem? – ele sorriu lindamente e eu cheguei perto dele e o beijei delicadamente.
- Essa é a intenção.
- Até que não fizemos tanto estrago – ele observou o local e eu assenti.
- Vamos descer? – perguntei e ele me puxou com a mão para fora do quarto.
Descemos as escadas com algumas pessoas caídas, eu ajeitando meu cabelo que estava totalmente bagunçado.
Chegamos até onde nossos amigos estavam. estava beijando uma garota e Amy ao mesmo tempo, ora vejam. estava sentada emburrada por alguma coisa que tinha feito e ele estava brigando com ela.
- , diz pra sua amiga que eu não estava olhando pra porra nenhuma de bunda – se desesperou.
- , o vai sempre estar olhando para bundas, ele é o . – falei pelo efeito da droga que não havia se tornado tão fraquinha assim.
- Bela ajuda – ele fez um sinal de legal com o polegar.
Nos sentamos junto aos cinco nos sofás.
- Eu podia estar que nem o – apontou pro garoto – mas não, eu preferi estar contigo.
- Ta bom, essa valeu – sorriu. No fundo ela sabia que isso não ia durar. Logo os dois se atracaram ferozmente e nós rimos.
A garota que estava com foi ao banheiro.
- Eai, vamos continuar lá em cima sem ela? – ele olhou com cara de tarado para Amy que começou a rir.
- Não – e ficou seria.
E começou a rir de novo.
- Amy, voce é muito má porra – ele fez cara de cachorro abandonado.
- Eu vou pegar umas bebidas e já volto – declarei e assentiu com a cabeça.
’s POV on
A garota logo sumiu entre as pessoas e eu fiz um sinal para eles se aproximarem.
- Ta legal, a festa surpresa dela mudou pra sexta feira – declarei quando e pararam com a putaria.
- Ok, só falta eu e a comprarmos algumas coisinhas decorativas – Amy disse.
- Ta bom, e falta a gente acertar com um bar que faça um desconto pra bebidas em quantidade.
- Deixa comigo – se pronunciou e eu ri.
- Não esquece seu merda, tem que me dizer até amanha – falei e ele fez que sim com a cabeça. Olhei pros lados pra ver se a não estava voltando.
- , tu tem certeza que ela vai gostar? – perguntou.
- Ela disse que não queria festa, mas não vai ser algo muito grande, só uma reuniãozinha com amigos, quem não gostaria?
- Ta legal, mas e se ela sair mais cedo do trabalho? Fudeu – disse.
- Eu vou ligar pro chefe dela e explicar, ai falo pra ele deixar ela trabalhando ate mais tarde – eu ri.
- Coitada! – Amy riu.
- É por uma boa causa – falei e avistei a garota vindo e fiz um sinal rápido para eles manterem suas posições despreocupadas.
- Aqui está pessoal – ela falou depositando as bebidas na mesinha. Isso que dá essas festas com bebida de graça.
Todos se serviram e nós brindamos. Eles se dividiram uns comprimidos e logo todos estávamos alegrinhos.
Conversamos e rimos e depois fomos dançar. Eram 5:43 da manhã quando decidimos ir pra casa. Estávamos andando, nos infiltrando entre as pessoas para a porta de saída quando parou e ficou com uma cara aflita.
Ela pareceu estar procurando alguém na multidão.
- Quem você ta procurando? – indaguei vendo que sua mão começou a tremer.
- Ah nada, eu pensei – ela engoliu em seco e olhou pra mim – ter visto alguém.
Ela olhou pro nada novamente, e virou pra trás.
- Vamos – ela disse finalmente muito pálida. - , vamos! – ela gritou e eu comecei a andar novamente.
Estávamos esperando o taxi e a garota continuava com a expressão de aflição naquele rostinho lindo. Eu estava preocupado.
- Eu vi ele – ela falou olhando pro nada – eu tenho certeza que era ele – disse por fim e me olhou com pavor.
’s POV off
Continua...
N/a: n/a: O que acharam desse capitulo, meninas? Muitas emoções, ao meu ver. Obrigada pelos comentários de vocês, e eu queria deixar claro aqui que a fic não foi REESCRITA, eu apenas mudei algumas frases, pouquíssima coisa, NADA do contexto da historia foi mudado ok, se relerem podem ver (:
Beijos a todos e até a próxima att @wearecorrupted
N/B: Fiquei arrepiada com esse final de capítulo, o que será que vai acontecer? Algum erro? Me mande um email ou um tweet.
xx Bella Marçal