Capitulo 1
- Bem vinda, Srta. – a mulher com um sorriso simpaticíssimo cumprimentou-me depois de conferir minha ficha naquele computador preto super moderno. – Aqui estão os seus horários de aula, o informativo com os horários e datas em que ocorrerão eventos sociais da escola, o manual de funcionamento dessa instituição e a chave do seu dormitório, que assim como sua família exigiu, é totalmente particular. Seus materiais didáticos e uniformes já estão nos seus aposentos e dentro de uma hora suas malas serão levadas até lá.
Ela disse tudo muito rápido me passando um livreto com a capa no mesmo tom de verde que eu via no uniforme dela, uma pilha de papéis e duas pequenas chaves presas por uma espécie de anel e com o número 225 escrito em letras pretas numa plaquinha também verde.
- Obrigada... – disse olhando a plaquinha no balcão – Arlene. – sorri e saí dali equilibrando aquela quantidade enorme de papéis, minha bolsa, um nécessaire e uma pequena mala de rodinhas com meus livros e CDs favoritos que eu fazia questão de manter comigo.
Saí do prédio da secretaria, onde também ficavam a diretoria, depósitos, salas de arquivo e outras salas de uso dos profissionais da escola, (incluindo alguns quartos ocupados pelos professores e outros funcionários). A Marcus Highmore ficava bastante afastada da civilização em algum lugar no sul da França - o que eu adorava, já que o clima no Sul da França é extremamente agradável.
Segui pelo caminho trilhado por pedrinhas que faz a ligação entre os oito prédios da propriedade em direção ao prédio dos dormitórios femininos. Era incrível a diversidade de pessoas daquele lugar. Pessoas de todos os tamanhos, etnias e formas. Isso, formas. Enquanto olhava para uma garota muito branca e com o cabelo de um preto brilhante e perfeitamente liso eu vi um garoto que exibia um dos braços transformados em uma grande asa cor de mel e a outra mão transformada em nadadeira enquanto dois garotos riam dele. Não percebi quando aquele sorriso tinha surgido no meu rosto e balancei a cabeça, não acreditando que eu não era a única pessoa diferente daquele lugar. Pela primeira vez desde que descobri minhas habilidades eu não me sentia uma aberração.
- Quer ajuda? – uma voz doce e melodiosa perguntou atrás de mim me tirando do meu momento – Você ta carregando bastante coisa, acho que não vai conseguir subir as escadas sem derrubar algo. – a garota sorriu e exibiu duas covinhas.
- Eu adoraria – sorri de volta e ela pegou a nécessaire da minha mão. – Sou .
- – ela apertou a mão, agora livre, que eu estendi a ela – não quer me dar alguns desses papéis?
- Ah, não precisa, eu consigo levar.
- Ok. Então, Laryssa, de onde você vem? Não, deixa que eu adivinhe. – ela disse com sua voz doce excitada com o novo desafio que ela própria impôs – Muito branca consideravelmente alta e tem esse sotaque sexy também. Deve ser de um desses países nórdicos. Suécia, talvez. – então ela me olhou com os olhos verde-esmeralda e com um sorriso sugestivo embaixo daquele nariz e bochechas salpicados de sardas.
- Quase. Sou dinamarquesa. – sorri do resmungo que ela deu na sua própria língua.
- Não sei como Liz faz isso. Ela é ótima com os ouvidos, sabe como é. – ela arqueou a sobrancelha bem feita. – é o dom dela.
Murmurei um “ah” de compreensão e então, olhando com o canto dos olhos enquanto subíamos as escadas me perguntei qual seria o dom dela. Não sei se podia perguntar, eu nunca tinha conversado com alguém como eu, talvez fosse rude. Ao contrario de alguns alunos que vi na caminhada até o prédio, não demonstrava nenhum sinal de sua mutação. Era uma garota aparentemente normal. Um pouco mais alta que eu, pele branca com algumas sardas no rosto, olhos verdes e cabelos de um castanho claro e bonito. Não era deslumbrante, mas era bonita, só não de um jeito exagerado. Assim como eu, não tinha nada que denunciava que ela não fosse exatamente normal.
- Você é muito calada, dinamarquesa. Odeio silêncio.
- Desculpe, eu me perco em pensamento às vezes, não é nada com você. De onde você é mesmo?
- Escócia. Estou aqui desde o ano passado. Sabe com quem vai dividir o quarto? – ela perguntou casualmente, só pra nos manter conversando.
- Ninguém, meus pais preferiram que eu ficasse sozinha, ao menos por enquanto.
- Então significa que você fica no último andar. – ela apontou pra cima e riu – é uma boa caminhada, você sabe, descer o prédio todo quando está atrasada não deve ser muito bom. Nem subir, na verdade.
- Oh, você não precisa subir comigo, eu posso muito bem ir sozinha se você não quiser ir...
- Não seja boba, . Eu subiria de qualquer jeito, quero ver se Sarah está por aqui. Ela fica no penúltimo andar, subir um andar a mais do que devia não vai me matar.
- Tem certeza?
- Claro que tenho, se quiser te levo pra conhecer Sarah. Ela divide o quarto com uma garota chilena, Rosa, que solta fogo pelas mãos e cozinha pra poder descarregar a energia. Ela sempre tem alguma coisa gostosa preparada, você vai amar.
Ficamos alguns segundos em silêncio e então eu soltei sem ao menos notar:
- Você é assim com todo mundo? Digo, você para as pessoas na porta do prédio e oferece ajuda e vai apresentando pra suas amigas assim? Quer dizer, você nem me conhece, eu poderia ser uma louca de pedra.
- Na verdade eu faço isso com os novatos. Eu sei como é difícil no começo então eu tento fazê-los se encaixarem. A maioria faz outras amizades e toma o próprio rumo. Mas eu gosto de saber que eu ajudei de alguma forma. – ela me olhou e sorriu – Qual deles é seu quarto?
Ela apontou pro corredor na nossa frente e só então me dei conta que não havia mais nenhum lance de escada a subir. era bem legal. Talvez com mais algumas horas com ela eu possa perguntar sobre suas habilidades. Segui em frente observando os números nas portas e parei em frente ao 225.
- É aqui – eu disse já destrancando a porta – Você espera eu tomar um banho? Prometo ser rápida. Você pode ouvir música se quiser. Meu iPod ta na bolsa e tem alguns CDs nessa mala.
- Ok. – ela sentou na cama e entrei no banheiro já me despindo – Você só ouve coisa que eu não conheço... – ouvi ela resmungar no quarto e liguei o chuveiro – ah, tem Green Day, finalmente uma coisa familiar – ri dela e alguns minutos depois eu já estava me secando e vestindo as roupas que tinha trazido pro banheiro: um short jeans, uma blusa cinza-claro com uma estampa de aparência detonada do Sex Pistols, além de roupa íntima. Saí do banheiro e calcei o meu all star branco de lona que estava usando antes.
- Pronto? – ela perguntou enquanto eu passava a mão pelos cabelos, saímos do quarto e descemos as escadas até o andar de baixo. bateu na primeira porta a direita da escada. - Tente não encarar a cauda, ela fica embaraçada. – aconselhou e eu apenas assenti com a cabeça pensando que tipo de forma Sarah teria.
- Sim? – uma garota com pele cor de amêndoa e cabelos pretos caídos em cachos pequenos por seus ombros perguntou assim que abriu a porta. – Ah, , é você! – A garota sorriu e deu espaço para que entrássemos.
- Rosa, essa é . , essa latina bonita que nos humilha é Rosa, a garota que cozinha bem que te falei.
- Ora, , não diga isso, vocês são lindas! – as duas riram e eu as acompanhei meio sem graça – Prazer em conhecê-la, . Vejo que a já abduziu você antes que tivesse qualquer escolha. Já disse que ela vai assustar as pessoas desse jeito – ela riu e veio me abraçar e segurou minha cabeça dando um beijo na minha bochecha – Eu fiz uma torta de frango, vocês querem um pedaço?
- Sim, nós queremos – tratou de aceitar por nós duas e perguntou em seguida – Sarah não está por aqui, está?
- Oh não. – Rosa falou com seu inglês formal e polido, como ela deve ter aprendido num curso – Eu não a vi desde que acordou – ela esclareceu e entregou um pedaço de torta em um lencinho para cada uma de nós e começou a servi-se em seguida – ela tomou banho e disse que ia passar o dia Jonah, como sempre faz aos sábados, você sabe.
- Ah, é verdade. Não vai ser hoje que você vai conhecer a cuspidora de pêlos, . Desde que ela começou com esse rolinho com o Jonah ela vem passando os sábados com ele, eu tinha esquecido. – ela disse colocando um pedaço gigante de torta na boca – Mas você conheceu Rosa. – ela disse ainda com a boca cheia e depois de engolir continuou. – Vou levá-la pra conhecer Liz daqui a pouco. Você sabe se está por aqui, Rosa?
- Não sei de ... Ah, ele disse que iria passar a manhã com aquele garoto, o , disse que precisava de ajuda com números, ninguém sabe mais sobre números do que aquele capachozinho da Amber, não é verdade? Não gosto nada, nada de andar com esse garoto.
- Não culpe o pobre garoto, Rosa, eles são irmãos, só porque a irmã dele é um pesadelo não quer dizer que seja má pessoa. Conversei com ele pela internet algumas vezes, ele parece ser um bom garoto.
- Estou perdida. – admiti e levantou-se e pegou o lencinho das minhas mãos e jogou os dois no lixo e decretou – Vamos atrás da Hanchovisky, te explico no caminho. – ela disse e abraçou Rosa.
- Obrigada pela torta, estava deliciosa. – agradeci e ela me abraçou pedindo que eu voltasse sempre. me apressou na porta e eu fui atrás dela descendo as escadas.
- Então , aqui tem essa menina, a Amber, e ela é a maior vaca existente. Sério, se você acha que a vaca da sua escola antiga era ruim, a vaca daqui tem uma voz hipnótica. A garota canta e os garotos no raio de 3 metros ficam loucos, é bizarro. Mas tudo bem, o problema é que ela usa de propósito, além de ser uma vadia manipuladora, vingativa e destruidora de namoros.
- Nossa, vejo que você a ama.
- Nem me fale. Ela tem o grupinho de seguidores e dentro disso tem o , um garoto que é um computador. Ele não tem forma de um, mas ele funciona como um, entende, como uma máquina, é incrível!
foi tagarelando sem parar em meio ao gramado e de vez em sempre reclamava que não conseguia achar Liz e como Sarah estava distante desde que começou o namoro com Jonah. Eu tentava prestar atenção, de verdade, mas minha mente parecia se recusar a ouvi-la e tentava memorizar cada coisa pelas quais meus olhos passavam. Eu estava maravilhada com a diversidade daquele lugar, tantas cores, línguas e sotaques me fascinavam e eu sentia uma incrível vontade de aprender tudo com cada um daquele lugar. Minha mente estava a mil por hora, mas ela congelou de súbito quando eu vi aqueles olhos. Olhos . Foscos. Olhos de um predador. E por algum motivo eu senti medo. Medo daqueles olhos. Daqueles olhos e daquele sorriso felino que ele esboçou com o canto dos lábios quando eu dei um passo pra trás.
- Você está bem? – parou e me olhou com uma cara estranha. Sua voz parecia longe e por mais que eu quisesse, eu não conseguia desviar do olhar daquele garoto – Caramba, , você está mais branca que o normal.
- Eu to bem, . Só achei... Não é nada. – balancei a cabeça e encarei os olhos verdes de – O que você estava falando mesmo? – Forcei um passo pra frente e deu de ombros antes de recomeçar a andar e a falar. Arrisquei outra olhada ao tal garoto, mas ele estava de costas e eu agradeci mentalmente por não ter que encarar aqueles de novo e ao mesmo tempo querendo isso.
- , quem é aquele garoto? – apontei com os olhos e deu uma risadinha.
- Ele se chama . É bem solitário. Eu não sei o que ele tem de especial e às vezes acho que não tem nada. Nunca vi e nem ouvi falar sobre suas habilidades. Dizem que é problema, mas eu não sei o porquê. A única pessoa que eu vi falar com ele uma vez ou outra foi e Amber certa vez, mas ela não pareceu muito contente com o que quer que ele tenha dito pra ela.
- Sei... – Encarei os cabelos propositalmente bagunçados e eles tinham uma aparência bastante fina, macia e opaca, como pelo de um animal muito bem tratado.
- Liz! – Ouvi gritar e acenar freneticamente. Olhei na mesma direção que ela olhava e vi a garota que tinha visto mais cedo, com a pele muito branca e os cabelos muito pretos. continuava a gritar feito maluca e quando a tal garota chegou mais perto, ela tapou os ouvidos e fez careta.
- Chega, ! É insuportável! – parou e se desculpou e então a garota olhou pra mim e sorriu arqueando as sobrancelhas muito pretas – Olá, você! Sou Lizandra, mas eu acho muito formal, pode me chamar de Liz.
- , mas você pode me chamar de . Então você é a garota com bons ouvidos? fala de você feito uma gralha. – fiz piada e Liz riu.
- É, sou eu sim.
- Vai Liz, diz de onde ela é! – guinchou batendo palmas. – Fale alguma coisa em inglês , vamos.
- Hãn, o rato roeu a roupa do rei de Roma? – elas riram e Liz parou um pouco pra pensar.
- Bem, inglês não é sua língua natal, você tem esse sotaque um tanto nórdico, mas é bastante sofisticado, eu diria até bom de ouvir. Dinamarca, talvez.
- Ah, Liz, como você é boa! Eu disse Suécia!
E então, passando quase imperceptível e rápido com um gato atrás de Liz, o garoto com olhos de caçador passou nos olhando com um sorrisinho no canto dos lábios e eu desejei saber o que ele estava pensando, mas ele já estava muito longe para que eu pudesse.
Capitulo 2
- , vamos logo, você vai nos atrasar! – Leslie batia sem parar na porta enquanto eu corria colocando tudo na bolsa: celular, iPod, meus dois fones, pastilhas, chicletes, band-aids, canetas, lápis, meu inseparável bloquinho preto com bolinhas brancas e peguei meu caderno, os livros das aulas abrindo a porta em seguida. Leslie parou com a boca aberta e o punho pronto pra bater na porta e começar outro escândalo. – Até que enfim! Nós temos 3 minutos pra descer essa escadaria gigante e chegar até a sala de aula. Você vai ter que carregar esses livros, não vai dar tempo de colocar no armário.
Ela saiu puxando a manga da minha camisa prédio a baixo e eu tive que fazer malabarismo pra equilibrar tudo sozinha já que nem pra me ajudar Leslie se ofereceu. Ela continuou me puxando até o prédio com as salas de aula e só parou quando tive que ficar na sala de história e ela teve que seguir para a de inglês.
Coloquei meus livros na primeira cadeira livre que eu vi e assim que sentei o sinal tocou. Os outros alunos foram para seus lugares lentamente enquanto uma mulher muito elegante entrava na sala. Ela era alta, corpo esguio, um vestido bem cortado e arrumado de um rosa opaco e sapatos de bico fino bege. Ela tinha a postura perfeita, o rosto fino, a pele branca, a expressão inatingível e óculos de grau com uma armação bonita na frente dos olhos cor de mel.
- Bem vindos a mais um ano escolar. Para os novatos, eu sou Collin Harris, professora de história. Também gostaria de avisar aos novos e reforçar aos antigos de que o uso de suas habilidades, quaisquer que sejam dentro de sala de aula não é permitido e nem por mim será tolerado. – Ela falou com seu sotaque britânico muito forte e a dicção perfeita. – Abram os livros no primeiro capítulo.
E então ela começou a aula. E como a aula dela era chata. Eu amo história, é uma das minhas matérias favoritas, mas essa mulher é um porre completo. Fiquei tentada a saber o motivo de tanta frieza, porem me contive e contentei-me em bater meu lápis no livro sem fazer barulho, encarando um ponto fixo ás costas da professora. Balançava o lápis freneticamente e sem querer ele escapuliu dos meus dedos e foi parar muito atrás da minha cadeira. Tentei me esticar, mas não conseguia alcançar o bendito lápis. Então a pessoa que sentava atrás de mim tocou levemente as costas da minha mão com as pontas dos dedos e pegou o lápis estendendo a outra ponta pra mim.
Ergui os olhos pro rosto da pessoa, pronta pra agradecer, e então vi os olhos azuis, foscos. O garoto que eu vira no outro dia no campus, que me intrigara tanto. E quando me dei conta já estava entrando naqueles olhos. E dentro deles eu vi tristeza, raiva e solidão, mas o mais forte de tudo era uma mágoa profunda misturada com arrependimento. Foi totalmente involuntário e quando percebi tratei de parar com aquilo e agradeci rapidamente deixando o garoto com o olhar perdido ainda abaixado com a mão estendida na minha direção.
Fechei os olhos, respirei fundo. Fui imprudente. Eu não sei do que esse garoto é capaz, se ele tivesse se dado conta...
- Algum problema, Jones? – a professora perguntou e eu congelei com medo da resposta.
- Nenhum, Srta. Harris. – A voz do garoto entrou como agulhas nos meus ouvidos. Eu podia senti-lo na defensiva. – Só tive uma sensação estranha.
Passei o resto da aula sem me mexer um milímetro, rígida na minha cadeira e assim que o sinal tocou saí logo daquela sala, não queira encarar o tal Jones outra vez. Ele sentiu. Talvez soubesse. Talvez tenha achado uma afronta.
Assim que me viu, Leslie perguntou o que eu tinha. “Você está muito pálida. Mais que normal, eu quero dizer.” Foi o que ela disse depois que eu a ignorei completamente e ela precisou chamar meu nome três vezes para que eu desse atenção. Inventei uma desculpa qualquer, “é só saudade, ainda não me adaptei ao lugar.” Eu não creio que ela tenha acreditado pelo fato dela me olhar muito desconfiada, mas Leslie não disse nada e nem tornou a perguntar sobre o assunto e eu agradeci internamente por isso.
Tive duas aulas seguidas de inglês com Liz, ela é uma ótima garota e eu estou feliz por ter tantas aulas com ela.
*
A hora do almoço finalmente havia chegado e eu estava no enorme e lotado refeitório do colégio, eu nunca estive em um lugar tão barulhento. Muitas pessoas se abraçando e contando histórias sobre suas férias e de como sentiam falta uns dos outros. Eu estava sentada em uma das cadeiras vermelhas ao redor da mesa redonda com Liz ao meu lado e Rosa ao lado dela.
- É só segunda e eu mal posso esperar pela sexta. – Leslie reclamou sentando-se conosco depois de pegar uma coca na máquina do outro lado do refeitório. – Alguém, por acaso, sabe o paradeiro da Davies?
- Estou aqui, Welch. – uma voz alta, porém doce falou atrás de mim. Virei-me e encarei a garota alta e magra como uma modelo que escancarava um sorriso pra mim – Olá! Sou Sarah – ela estendeu a mão após sentar ao meu lado.
- Sou , prazer – ela não disse mais nada, apenas assentiu cordialmente com a cabeça, estreitando ainda mais os olhos verdes. Seu rosto tinha traços bem desenhados e marcantes. O nariz longo e afilado, a testa espaçosa, os cabelos loiros e repicados caiam até metade do pescoço, exceto a franja, que cobria a testa até antes de chegar aos seus olhos de gato. Era isso, Sarah era como um gato, tanto nas feições quanto na elegância de seus movimentos.
- Como estão minhas gatinhas hoje? – virei o rosto pela segunda vez em menos de um minuto e olhei para trás o máximo que meu pescoço permitiu e vi um garoto muito bonito fazendo carinho no cabelo de Sarah, que deu um tapa na mão dele e eles riram. – Oi, você que eu não conheço! Sou . – Ele disse estendendo a mão e eu levantei para não parecer mal educada e apertei sua mão – Chegue mais perto, não vou morder! – ele deu uma risadinha e puxou um pouco minha mão fazendo com que eu me aproximasse e ele me deu um beijo na bochecha – Caramba, você cheira bem! – ele riu e eu corei.
- Está vendo, ? Você embaraçou a menina – o garoto que estava atrás de lhe deu um pedala – Eu sou . – ele sorriu e me deu um abraço. Eu fiquei sem reação no inicio mais depois enlacei meus braços em sua cintura – Ele está certo, você cheira bem!
- Parem com isso, meninos, a vai ficar constrangida - Liz ralhou e os meninos fingiram estar com medo, riram juntando-se a nós na mesa e começaram a conversar empolgadamente conosco, soltando uma ou outra piadinha fazendo com que todas nós ríssemos.
- Olá, eu sou Kristen. – uma garota com a pele azul escura e cabelos pretos até o meio das coxas sorriu mostrando os dentes muito brancos e afiados, falou fazendo com que todos parassem o que estavam fazendo para olhá-la. – Desculpe interromper, mas é que eu sou do comitê de boas vindas e estamos organizando uma festa pra começo de ano, e como é de costume, pedimos sugestões de temas e opiniões para podermos fazer a melhor festa possível para todos e conseguir voluntários. Alguém está interessado?
- EU! – Leslie disse alto largando a batata frita e sorrindo de orelha a orelha – eu quero ser voluntaria, adoro organização de festas! – Ela sorriu se levantando – Alguém vai se juntar a mim? – ela disse esperançosa olhando para todos na mesa. Os garotos abaixaram a cabeça, as meninas fingiram muito interesse em suas unhas. – Vocês são os piores amigos do mundo – ela resmungou – Vamos, ! – ela disse com uma voz arrastada – Vai ser divertido, você vai conhecer outras pessoas, e além de tudo eu não quero ir sozinha! Por favorzinho! – ela fez uma carinha tão linda que deu pena.
- Ok, Leslie, eu vou! – levantei e fui até Kristen, ela me estendeu uma caneta e eu assinei meu nome na folha onde havia escrito “Voluntários”. – Pronto.
Leslie bateu palminhas e tirou um lápis do bolso da camisa de farda.
- Tem que ser de canet... – Kristen tentou se opor, mas para surpresa dela e mais ainda a minha, ao invés do grafite de um lápis, foi a tinha preta de uma caneta que desenhou as letras redondas de Leslie. – Ah, sim, tinha esquecido que você pode fazer esse tipo de coisa. – Kristen sorriu e eu fiquei meio boba. – Alguém tem alguma sugestão?- então ela se direcionou a mesa.
- O tema da festa poderia ser baile de máscaras, ou mesmo um como um baile daqueles renascentistas, sabe? Eu acho lindo – Sarah sugeriu e depois botou o canudo do suco na boca.
- Ótima idéia, Davies! Vou anotá-la e discuti-la com a comissão. Obrigada, garotas. – Ela sorriu mais uma vez e virou e de costas fazendo com que os cabelos negros batessem no rosto de , que fez uma cara engraçada enquanto cuspia os fios da garota de dentro da sua boca.
- Ela realmente deveria ter cuidado com esse cabelo. Pelo menos cheira a morango. – ele sorriu e nós rimos.
- Então, Leslie, aquela é sua habilidade? – perguntei enquanto me sentava ao lado de Liz e ela sentava do outro lado de Sarah.
- É, eu consigo transformar quase tudo em qualquer outra coisa. Tem um monte de limitações, e eu ainda não entendi muito bem como funciona, quais são os limites... Por isso vim pra cá, onde eu posso treinar em paz e ninguém vai me julgar por isso. – ela sorriu sem mostrar os dentes e voltou a atacar suas batatas fritas.
- Sua habilidade é bem legal! E o que vocês fazem? – aproveitei o gancho para perguntar olhando as três pessoas que acabara de conhecer.
- Eu me locomovo de uma forma um tanto diferente – disse sorrindo – e o Fletcher aqui manipula sombras, é super bizarro. – ele riu e apenas rolou os olhos e apontou pra sombra da lata de coca de Leslie que dançava estranhamente sobre a mesa. Sorri maravilhada e engoliu o que tinha na boca e sorriu de volta.
- A minha habilidade é um tanto óbvia. – Sarah deu de ombros e encarou meus olhos, e eu vi suas pupilas virarem fendas e ela miou. MIOU! E então seus olhos voltaram ao normal e ela sorriu.
- E quanto a você, , o que faz? – Rosa perguntou interessada e todos os outros da mesa incentivaram.
- Eu meio que vejo emoções. Eu consigo senti-las assim como eu sinto o chão, ou o vento, e sei o que se passa na cabeça das pessoas a partir o que elas sentem naquele momento, mas descobri há pouco tempo, então ainda não sei controlar muito bem. – sorri sem graça.
- Finalmente temos uma psico conosco! – comemorou
- É verdade! Já tínhamos duas physico, um traveler, duas transmuter, e um manipulator, agora temos uma psico!
- O que isso quer dizer? – perguntei empolgada
- Como se tem vários tipos de habilidades, inventaram essa classificação. – Liz explicou – Você é psico, ou mental, que são pessoas cuja habilidade tem haver com a mente. Eu e Sarah somos physico, ou seja, nossa habilidade está literalmente em nosso corpo. é um traveler, acho que não precisa de explicação. – Ela olhou sugestiva para , que piscou incentivando-a a continuar. – Bem, é um manipulator, é o tipo mais raro de habilidade, eles controlam o incontrolável, a natureza em si. Leslie e Rosa são transmuter, a habilidade é transformar algo em outra coisa, Rosa transforma oxigênio em fogo sem precisar de nada, a Welch transforma quase tudo em quase tudo o que quer.
- Wow! Eu não sabia disso!
- Imaginei que não, já que você não convive com outros habilidosos – Rosa falou com seu inglês polido - Essa é a divisão básica, mas tem as subdivisões, por exemplo, eu sou uma transmuter e sou uma piro, pois minha habilidade é o fogo.
- To vendo que ainda tenho que aprender muito sobre esse mundo – falei tomando um grande gole do meu suco de laranja.
- Relaxa, , a gente ta aqui pra você – me deu uma piscadela e eu apenas sorri em resposta.
Capitulo 3
Enquanto devolvia aqueles cinco livros à prateleira da biblioteca, parei pra pensar nos dois dias que eu tive: conhecer Leslie, Rosa, os garotos e por último Sarah, as coisas novas que eu aprendi, viver num meio onde ninguém me olha torto e nem vai pro outro lado quando me vê. Eu sentia falta disso.
Sorri sozinha diante da escuridão que começava a se formar ao meu redor com as lâmpadas da biblioteca sendo apagadas e peguei minha bolsa antes de sair correndo dali. Odeio escuro. Assim que deixei o prédio senti o vento gostoso do sul da França acariciar meu rosto. Talvez até fosse meio frio por causa da noite, mas não chegava nem aos pés do vento cortante que soprava por toda a minha Dinamarca.
Observei as pessoas que ainda estavam no gramado enquanto caminhava. A maioria eram casais aproveitando pra namorar enquanto o toque de recolher não era soado à meia noite, já que eles só podiam fazer isso durante a noite e nas alas comuns, nada de namoro nos dormitórios. Mas também tinham grupinhos mistos só conversando, embaixo de uma grande árvore estavam duas garotas cantando enquanto um garoto tocava violão. E mesmo com toda aquela atmosfera gostosa eu sentia falta de algo. Alguém na verdade, e eu sabia muito bem que essa pessoa era Ethan. Eu só queria dividir com ele todo esse sentimento bom que eu conseguia captar daquelas pessoas.
Eu já estava perto do prédio do dormitório feminino quando senti uma coisa bater de leve na minha cabeça. Dei meia volta e ao olhar pra baixo vi uma bolinha de papel do tamanho do meu punho fechado, o que não é muita coisa. Levantei o olhar pra ver quem tinha jogado aquilo em mim e vi um garoto usando o moletom do time da escola, com o capuz levantado e mais duas bolinhas de papel na mão. Não podia ver seu rosto porque ele estava no escuro, mas pude ver quando ele jogou a cabeça para o lado num sinal mudo para que eu o seguisse.
Ponderei por alguns instantes se realmente deveria ir. Eu não sabia quem era e aquele lugar era cheio de pessoas com habilidades realmente perigosas, mas quando dei por mim já estava caminhando a passos rápidos porque ele acabara de entrar na lateral do prédio em que ficava dormitório masculino e eu fiquei com medo de perdê-lo de vista. Assim que virei para o mesmo lado que ele virara alguns instantes antes, bati com força contra seu peito fazendo com que as folhas da minha pesquisa recém feita voassem.
- Que droga! Agora uma noite de trabalho foi pelos ares! Literalmente! – resmunguei enquanto tentava salvar o que conseguia do meu trabalho e pegava meu caderno – Acabei de perder 15 por cento da minha nota de história, o que você que... – minha mente estancou no exato momento em que percebi com quem eu falava. Os olhos azuis me encaravam de maneira intensa, foscos como da primeira vez que eu os vi.
- Oi, . – ele disse assim que dei um passo pra trás me afastando o quanto pudesse de seus olhos. – Você já deve saber meu nome, mas deixe-me fazer uma apresentação correta. Sou . – ele estendeu a mão direita, mas eu não a apertei e ele recolheu a mão rindo baixo
- O que você quer?
- Nada demais, bonitinha, só quero saber se você, por acaso, viu algo que não deveria. – ele perguntou dando um passo em minha direção.
- Do que você está falando? – recuei mais um passo vendo-o encurtar outra vez a distancia que eu impus.
- Ora essa, , você não é estúpida. Na verdade você é muito inteligente, de acordo com seu arquivo.
- Como você teve acesso ao meu arquivo? – recuei outro passo e outra vez ele deu aquela risadinha baixa e me olhou com o sorriso enviesado nos lábios.
- Não importa. O que importa é o que você pode ter visto quando entrou na minha mente. – seu tom de voz ficou mais baixo, mais amedrontador, ele deu dois passos e eu comecei a recuar, mas senti a parede de tijolos contra minhas costas e um nó na garganta começou a se formar. – Vamos lá, é só dizer o que eu quero saber.
O vento que minutos atrás eu achava agradável, agora nos cercava de um jeito estranhamente frio, mas mesmo assim eu sentia meu corpo queimar de um modo quase doentio e meus sentidos ficarem dormentes. A atmosfera cada vez mais densa pesava cada vez mais sobre nós, e eu me sentia um coelhinho encurralado, e da mesma forma que eu queria que o predador se afastasse, eu queria mais perto, mas eu sabia que eu não devia querer, era perigoso e por mais que eu o desejasse naquele momento, quando ele se aproximou mais um pouco e eu senti sua respiração bater quente no meu rosto, eu me senti sufocada. Eu estava com medo dele.
- E-eu não vi nada, eu...
- Use sua habilidade agora pra saber o quanto eu não acredito nisso, . O que você viu? – sua voz tornou-se mais ríspida e ao contrario do que eu achava ser impossível, ficou mais rouca, quase gutural e eu só fiquei com mais medo.
- Eu não vi nada, , minha habilidade não funciona assim... – ele bufou e eu estremeci – é verdade, acredite... Agora se afaste – disse quase desesperada e ele apenas riu colando mais ainda o seu corpo no meu. Uma rajada de vento passou por nós, e um leve perfume almiscarado invadiu meus pulmões, fazendo minha mente entrar em êxtase. O cheiro era dele, e eu tive que me concentrar muito para não jogar meus braços em seu pescoço naquele momento. Aquilo era quase doença, eu estava com medo de um cara e tudo o que eu conseguia pensar era em beijar-lo – Por favor, , se afaste – disse a única coisa correta a se dizer naquela situação, espalmando as duas mãos em seu peito, torcendo para que ele atendesse, mas querendo que não. Encarei-o e vi diversão dançar em seus olhos. Ele riu de verdade e teve de se afastar pra rir mais.
- Você é engraçada. – ele disse enquanto se recuperava ainda me olhando de um jeito perigoso, mas com mais brilho por causa da risada.
- Não vi nada engraçado... – emburrei desencostando da parede e arrumando meus cabelos e já virando pra sair.
- Se fosse outra garota teria me beijado, você estava quase chorando! – ele disse um pouco mais alto enquanto eu começava a me afastar pelo mesmo caminho que vim.
- Vai se ferrar, . – falei alto com a voz mais rabugenta que consegui embora ainda estivesse tremendo por dentro.
- Meu sobrenome nunca soou tão sexy quanto ele soa com esse seu sotaque, sabia disso? – ouvi outra vez sua risada e minha vontade era de voltar e submeter aquele garoto a tanta dor quanto eu pudesse submetê-lo, em contrapartida a vontade de voltar lá e agarrá-lo era tão grande quanto. Minha cabeça estava uma bagunça. O que um garoto como o tem pra deixar uma pessoa tão sensata como eu descontrolada, confusa e em choque daquele jeito? Mais alguns minutos naquele jogo idiota... Eu ficaria louca. Maldito cheiro. Mas ele vai me pagar.
Entrei no meu quarto e fui direto à mini-geladeira e bebi quase um litro de água, um pouco mais calma, porém com as mãos levemente trêmulas, tirei meu uniforme e entrei no banheiro, tomando um banho quente pra tentar relaxar. Enrolei-me no roupão e sentei na cama, pegando minha pesquisa pra ver o tamanho do estrago. Nada menos do que as sete primeiras folhas.
- Ótimo. – resmunguei comigo mesma colocando de volta as seis páginas restantes dentro do caderno. – Agora vou ter que acordar mais cedo pra refazer essa porcaria.
Vesti um pijama confortável e liguei o computador. No segundo seguinte apareceu um aviso que alguém estava me chamando pra conversar. Cliquei no aviso e a imagem que seguiu fez com que meus olhos enchessem de lágrimas. Do outro lado da tela, sorrindo e acenando estava a pessoa que eu mais amava no mundo.
- Oi, !
- ETHAN! – guinchei alto, com um sorriso que mal cabia no meu rosto, o garoto do outro lado exibia literalmente o mesmo sorriso. Embora ele seja meu irmão gêmeo, a única coisa que temos parecido é o sorriso. – Que saudade de você e do papai!
- A gente também ta com saudade, skøre!¹ Como está indo na escola nova? Já fez alguma amiga?
- Eu fiz mais que uma amiga. Fiz quatro. E mais dois amigos. Eles são bem legais. Você gostaria de Sarah, é seu tipo de garota – ele fez uma cara safada e eu ri.
- Hum, qual a habilidade dela?
- Ela é uma gata, literalmente. Mas pena que ela ta de rolinho com um carinha daqui.
- Espere só até ela ver esses olhos, maninha
- Convencido! Arrumei outro apelido pra você me chamar: psyko². – Ethan é do tipo que gosta de apelidar. Qualquer coisa é motivo de um novo apelido pra ele.
- Que diabos é isso?
- Aprendi hoje que sou uma psico, é tipo uma classificação de habilidades, entendeu?
- Ah, sim! Gostei... psyko² – ele fez um gesto exagerado com as mãos e sorriu, mas ficou sério em seguida – , preciso te contar uma coisa, mas você vai prometer não contar nada ao papai e que vai deixar que eu conte, ok?
- O que você aprontou agora, sne?³ - chamo Ethan assim por ele ser bem mais branco que eu e ter os cabelos de um loiro muito claro – Você não engravidou ninguém, né?
- Deus me livre, ! – ele disse alto - É outra coisa. Na sexta, depois que você saiu daqui, eu...
- Você ta falando com a ? – ouvi a voz de meu pai interromper a do meu irmão e logo em seguida ele pôs a cabeça dentro do quarto e sorriu ao ver minha imagem – Oi, filha, que saudade de você, pequena! – papai se aproximou do computador e Ethan deu espaço pra ele, fazendo a conhecida expressão de “depois conversamos” – Como está a França? Estão todos tratando você bem?
- Sim, papai, estão todos me tratando super bem – nesse momento lembrei-me de , mas não iria dizer ao meu pai que senti vontade de agarrar um completo estranho enquanto ele me intimidava – O clima daqui é bem mais agradável do que o da Dinamarca.
- Ah, claro, sinto falta da minha França! Quando você vai poder vir pra casa?
- Daqui a três semanas, quando estiver mais perto eu aviso direitinho. Agora vou ter que sair, falta cinco pra meia-noite, e eles são pontuais com o toque de recolher.
- Tudo bem, meu amor, ?bon nuit?^4 - disse papai em sua língua natal
- ?Farvel?^5, .
Acenei e me desconectei, olhando o relógio, dois minutos para a meia-noite, ouvi uma batida leve á porta e olhei intrigada vendo algo deslizar por baixo dela. Levantei da cadeira e antes de pegar o que estava no chão, abri a porta a fim de ver quem quer que tenha deixado aquilo ali, mas o corredor estava vazio nas duas direções. Fechei a porta e apanhei os papeis do chão. Quando li as primeiras palavras tive certeza do que se tratava. Contei as folhas. Eram sete.
Não havia nenhum bilhete de identificação, um pedido de desculpa ou algo do tipo, só as folhas do meu trabalho que voaram mais cedo, e com a campainha do toque de recolher tocando ao fundo, eu agradeci mentalmente a , imaginando como diabos ele conseguira entrar ali.
¹: do dinamarquês, maluca. Ethan chama a irmã assim por sua habilidade mental.
²: do dinamarquês, psico.
³: do dinamarquês, neve.
?: do francês, boa noite.
?: do dinamarquês, adeus.
Continua
N/a:Olá! Como vocês estão, suas lindas? Cá estou eu com o capitulo 3, como prometido. O que acharam do Ethan, o irmão gêmeo da principal, huh? E DA PRESSÃO QUE O GUY DEU NA POBREZINHA? Isso não é coisa que se faça! Haha
Essa att veio rapidinha porque, na verdade, esse capítulo já estava escrito porque a fiction entrou bem antes em outro site e eu escrevi uma att dupla pra compensar a demora enoooorme e achei melhor dividir aqui no addiction pra esse capitulo entrar mais ou menos igual nos dois sites. E vocês me viram arrasando no dinamarquês? Que nada, tudo da internet rs Comentem o que vocês acharam do capítulo, adoro quando vocês interagem! Vocês falaram que a habilidade mais legal foi a do Guy das sombras. Vou confessar que depois da habilidade de um personagem futuro (hehe) essa das sombras é minha favorita também!
E por falar em comentários, eu amei loucamente cada comentário que vocês deixaram na att passada, sério, todos! Vocês não fazem ideia de como eu fico feliz vendo que tem gente que gosta e que espera mais da minha fiction. Isso é um baita incentivo pra qualquer autora continuar a escrever. Muito obrigada, de coração!
Agora vou calar os dedos senão a n/a fica maior que a att. RS
Farvel.
N/B: GZU é só o que tenho a dizer AHAH. Qualquer erro de português ou script mande email pra mim