por Scarlet Suelen
Beta-Reader: Lomah R.


Eu odeio amar você.
Ele tinha tudo o que eu odiava em alguém e também tinha todo o meu amor, simplesmente odiava amá-lo.

Capítulo Um: "A Festa".

- Eu te odeio - eu disse entrando na escola e deixando falando sozinho.
- Incrível compartilhamos do mesmo sentimento - ele gritou para mim.
Fui caminhando lentamente até a sala de aula, assim que cheguei sentei no meu lugar, sem falar com ninguém até me cutucar.
- - ela disse baixinho para não atrapalhar a aula.
- Oi - eu disse sentando de lado na cadeira para ouvi-la.
- Vai ter uma festinha e adivinhe quem são as convidadas VIP? - Ela disse sorrindo.
- As populares da escola? - Eu disse fazendo cara de nojo.
- Sim - ela piscou.
- Posso pensar sobre isso, mas aonde será? - perguntei me virando totalmente para trás e a fitei.
- Na casa do - ela disse abafando a voz.
- Na casa de quem? - perguntei sem entender.
- - ela disse rapidamente.
- QUE? - Eu aumentei a voz - De jeito nenhum - eu me apressei a responder, me virando para frente.
- É só uma festa , por favor - ela insistiu.
- Você pode ir, eu preciso mesmo de tempo para ler uns livros - eu disse fitando a lousa.
- Você é a popular mais nerd que existe - ela disse rindo.
- Talvez a única - eu a corrigi.
- Não brinca, você não vai mesmo? - ela perguntou cutucando minha perna por debaixo da carteira.
- Você sabe que eu odeio aquele idiota – me exaltei virando pra ela.
- , algum problema? - Srta. Cristina perguntou olhando em nossa direção e todos os alunos acompanharam seu olhar.
- Nenhum, professora - eu disse me virando para frente novamente.

A aula fluiu e não disse mais nenhuma palavra, assim que o sinal tocou peguei meu material abrindo espaço entre as pessoas e sai com logo atrás de mim.
- , meu amor - me abraçou assim que saímos da sala - Oi - ele sorriu pra ela.
- Oi - respondemos em coral e continuamos andando até chegar no pátio.
- Já sabe da festinha não sabe? - ele perguntou empolgado sentando no banco a nossa frente.
- Eu não irei - eu disse sentando ao lado dele.
- Porque não? - ele levantou uma sobrancelha.
- Você sabe, todos sabem - respondi seca.
- Tá eu sei que vocês dois não se gostam, mas ele te convidou talvez ele queira a paz entre vocês - ele disse pegando na minha mão - Hein?
- Ele fingindo ser unido e entrosado? Acho lindo - eu disse.
- Então você vai? - disse ainda em pé a nossa frente.
- Que dia será? eu perguntei sem interesse.
- Hoje mesmo - falou animado.
- Hoje? - perguntei – Cara, é muito em cima - eu disse surpresa.
- Seria na sexta, só que os pais do chegarão amanhã de viagem - disse me fitando.
- - a voz de cortou nossa conversa, ela se aproximou com logo atrás dela.
- Oi meus amores - eu disse levantando para abraçá-las, fez o mesmo. As duas infelizmente não eram da minha sala esse ano.
- Então , já a convenceu de ir a festa? - perguntou sorrindo.
- Não sei bem, eu já te convenci? - ele me perguntou sorrindo.
- Você sempre me convence, bonitinho – pisquei.
- Vocês ainda fazem um bonito casal - mudou o assunto me fazendo ficar vermelha, e olharam para ela com desdém.
- Um belo casal, sempre - ele sorriu se aproximando de mim, beijando minha testa.
- Um belo casal de amigos - eu completei beijando a testa dele também.

Assim que saímos da escola as meninas foram para a minha casa, se arrumar para a tal festa, elas conseguiam ficar empolgadas, mas eu simplesmente estava mal humorada com aquilo tudo.
- Eu vou ver o - disse colocando um vestido branco que realçou seus lindos traços.
- Você o vê todo dia - eu disse sorrindo.
- Mais hoje vai ser diferente - ela disse.
- Vai sim , hoje ele irá olhar esses seus lindos olhos verdes e se apaixonar - disse chegando perto da gente.
- E não vai conseguir dizer não – completei.
- E você, ? - perguntou me fitando.
- Eu o quê? – perguntei.
- Quando irá dá mais uma chance ao nosso querido ? - ela levantou uma sobrancelha.
- Eu dei a ele a chance de sermos amigos e espero que ele não estrague isso - eu disse colocando um vestido jeans.
- Eu acho que ele ama você - ela insistiu.
- Como eu queria dizer o mesmo - eu disse tristemente.
- Chega de tristeza aqui certo? Vamos antes que o senhor nos mate? - disse cortando aquele assunto desagradável.
estava parado na porta de casa há algum tempo nos esperando e assim que ficamos prontas fomos andando calmamente até o carro dele, me sentei no banco da frente enquanto as meninas se acomodavam nos bancos traseiros. começou um assunto qualquer, logo me senti entediada e encostei minha testa na janela, observava a rua passando por mim rapidamente. - Sou eu - pensei comigo mesma. Eu era exatamente aquilo, rápida. Enquanto todos dentro daquele carro estavam pensando em como seria a festa aquela noite, eu estava pensando em como seria minha vida na semana que vem ou talvez ano que vem. Eu estava vivendo o futuro incerto da minha cabeça deixando o agora passar por mim como um desconhecido, um desconhecido chato que não parava de me olhar sequer um minuto e eu apenas o ignorava.
- ? - a voz de ecoou no meio dos meus pensamentos.
- O que? - eu o fitei desnorteada.
- Chegamos, meu anjo - ele sorriu.
- Ah, claro - eu disse abrindo a porta e descendo, o som alto que vinha da casa chamou minha atenção, notei que a maioria das pessoas da escola estavam ali, espalhadas pelo jardim dançando e bebendo loucamente.
- Vamos lá - disse pegando no meu braço e me puxando junto com as meninas. Passamos pelo jardim onde todos nos olhavam atentamente. Entramos na casa onde tinha mais pessoas dançando e bebendo no centro da sala, e se aproximaram da gente.
- Minhas gatas chegaram - disse nos cumprimentando.
- Suas o quê? Elas são só minhas - o lembrou.
- Quem iludiu vocês? - nos abraçou.
- Ei, somos um pouco de cada um - disse afastando que agora a esmagava em um abraço apertado.
- Você está linda - disse chegando perto de mim.
- Obrigada – sorri meigamente pra ele.
- Vamos dançar? - nos chamou indo para a pista de dança que havia se formado ali.
- Vamos - sorriu.
- O jogo de luz ficou incrível - comentou seguindo os outros que foram dançar.
- Vamos? - pegou na minha mão.
- Vai indo que daqui a pouco eu vou - eu disse um pouco alto por causa do barulho.
- Não demora - ele sorriu me dando um selinho demorado e foi com os outros.
Então era isso, queria ficar comigo essa noite, eu não podia magoá-lo, mas o que eu poderia fazer? Enganá-lo?
Sai da sala à procura de um lugar menos barulhento onde eu pudesse pensar um pouco. Acabei entrando em um corredor branco onde havia vários quadros pendurados na parede, um em especial chamou minha atenção, era uma foto de com uma guitarra na mão e um sorriso encantador nos lábios. Desde quando ele tocava? E desde quando ele era bonito daquele jeito? Eu apenas sorri observando a foto.
- Gostou? - uma voz familiar perguntou.
- Já vi melhores - eu disse me virando pra ele e me encostando na parede.
- Vamos fazer um acordo? - ele pediu me olhando sério.
- Acordo com você? - perguntei em tom de deboche.
- Garota, hoje é dia de festa, eu não quero perder o meu tempo com briga boba contigo não. Já que veio até aqui tenta se divertir e não enche meu saco - ele disse grosseiramente me deixando com raiva.
- Você não me queria aqui, certo? - a minha voz saiu forte.
- Sem você não tem graça - ele disse irônico piscando pra mim.
- Como assim, ? - eu o fitei.
- É o que seus amigos dizem quando eu tento te excluir de algo – disse ele.
- Pode deixar que eu entendi o seu recado - eu disse me afastando dele.
- Espera - seu tom de voz antes grosso, agora estava doce.
- Você acabou de me expulsar, lembra? - eu o acusei.
- Bom tem vários cômodos nessa casa. Você pode ficar, desde que esteja em um cômodo diferente do meu.
- Eu tenho mesmo que ir, e bem sobre a foto eu menti, ela está linda – eu disse desviando meus olhos dele para a foto.
- É mesmo?- ele perguntou surpreso - Você também - ele sorriu fraco.
- Eu o quê? - perguntei sem entender.
- Está linda - ele disse chegando perto de mim, eu não esperava tal aproximação. Ele me encostou na parede passando a língua no meu ouvido. Eu queria bater nele e sair dali o mais rápido possível mais fiquei sem reação apenas deixando ele continuar. Ele roçou seu corpo contra o meu me fazendo arrepiar, nossos lábios se tocaram devagar e pouco a pouco nosso beijo foi ficando intenso. Grudei meus braços em sua volta mordendo devagar seu lábio inferior, ele passou a mão por cima dos meus seios e foi descendo colocando a mesma por dentro do meu vestido e acariciando minha parte intima por cima da calcinha. Suspirei apertando o membro dele por cima da calça, ele pausou nosso beijo e começou a dar mordidas de leve no meu pescoço, me deixando doida de desejo, apenas fechei os olhos e senti ele puxando minha calcinha para o lado e me penetrando com os dedos, devagar meus suspiros foram ficando mais intensos, conforme ele me penetrava com mais pressão.
- Pára - eu disse ofegante tirando as mãos dele de perto de mim.
- Eu te machuquei? - ele perguntou assustado.
- Não - eu disse rapidamente sem olhá-lo, sai correndo pelo corredor sentindo as lágrimas caírem pelo meu rosto. Eu podia ouvir a voz dele me chamando, mas o ignorei. Cheguei na sala onde todos ainda dançavam animadamente, tentei passar por eles e acabei esbarrando na maioria das pessoas, elas me olhavam curiosas talvez porque eu estivesse com os olhos marejados, cheguei ao jardim sem muita demora, andei rapidamente pra longe dali antes que ou algum dos meus amigos me vissem. A casa já estava um pouco distante, diminui meus passos e fui caminhando lentamente até chegar em casa.

Capítulo Dois: "Segredo".

Acordei pela manhã sentindo minha cabeça explodir, me olhei no espelho e estava com a maquiagem toda borrada. Fui tomar um banho para ir a escola, debaixo do chuveiro sentindo a água quente cair sobre meu ombro, as lembranças da noite passada me bateram na cara me fazendo chorar. Eu não podia ter me deixado levar por , é como senti prazer com um estuprador, não que eu seja louca em fazer essa comparação mais ficar com seu inimigo é o que? Loucura. Cheguei na escola e fui correndo para a minha sala, não queria correr o risco de encontrar com ele pelo corredor. A aula passou lentamente, eu tive a impressão de que todos os relógios haviam parado e todas as pessoas ali estavam vivendo aquele dia em câmera lenta, ainda tive que aturar me criticando por te indo embora da festa. Me segurei para não contar a ela o que eu tinha feito, mesmo sabendo que eu deveria contar afinal ela era minha melhor amiga, mas eu simplesmente não conseguia desabafar sobre isso. Logo o sinal bateu fui para o pátio seguida por .
- Hoje você está tão calada – ela disse jogando o cabelo para trás.
- Eu só quero ir pra casa - eu disse em um sussurro.
- Você não vai me contar, não é? - ela perguntou.
- Talvez um dia - eu sorri.
- Meninas - disse dando um beijo no meu rosto e um selinho em .
- O que eu perdi? - perguntei surpresa.
- Praticamente o melhor da festa - disse colocando o braço em volta do pescoço de , que apenas sorria. - Cadê os meninos? – perguntei.
- Estamos aqui - surgiu de repente com um e um sorridentes ao seu lado, eu não conseguia não olhá-lo, ele era tão bonito.
- Ei acorde, é o esqueceu? - minha parte sã me alertou.
- O que aconteceu com você ontem? - perguntou.
- Nada - eu disse fraca.
- Aí está você - uma voz irritante cortou nossa conversa, me virei para ver quem era e dei de cara com uma garota que eu não conhecia.
- Eu te procurei por toda a parte – ela disse indo em direção ao e o beijando loucamente, todos olharam sem entender e eu não podia acreditar no que eu estava vendo. Quem era aquela filha da puta? Se meu coração pudesse falar naquele momento ele diria: isso dói.
- Oi meninos - ela disse sorridente assim que se afastou dele, ele me olhou como se suplicasse desculpas.
Claro que noite passada não tinha significado nada pra ele, que idiota eu seria se tivesse achado que algo mudaria entre nos dois.
- Tenho que ir, amores - eu disse quase em um sussurro fitando o chão.
- Espera um pouco , eu quero falar com você - disse colocando os braços em minha volta e me puxando para um canto longe dos outros.
- Que foi, amor? - perguntei sem entender.
- , eu não aguento mais - ele disse desesperado.
- O quê? - eu disse passando a mão no rosto dele para acalmá-lo.
- eu amo você, eu sei que você não sente o mesmo mais juntos podemos tentar, novamente. Volte a ser minha? - ele disse rapidamente colocando a mão dele sobre a minha que repousava em seu rosto.
- Eu não sei - eu disse baixinho olhando nos olhos dele, aqueles olhos que me passavam tanta verdade.
- Eu te amo - ele sussurrou segurando meu rosto com as duas mãos e me beijando lentamente.
- Acho que podemos tentar novamente - eu disse confusa afastando nossos lábios, ele sorriu me abraçando.
- Eu não vou te decepcionar, eu prometo - ele disse pegando minha mão com cuidado e a beijando. Ficamos ali por um tempo até ele insistir para me levar em casa.
Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto e não sei porque, mas aquela linda e comovente vontade de chorar me dominou. O que era aquilo? Eu estava triste porque a pessoa que eu mais odiava estava com uma garota? Ou eu estava triste porque eu estava enganando e pior, enganando a mim mesmo?

’s P.O.V.
- Droga - eu disse me sentindo desconfortável, me olhou assustado.
- O que foi cara? - perguntou pausando o filme que estávamos assistindo.
- Nada - disse levantando do sofá.
- Tem certeza? - insistiu colocando o pé em cima da mesinha de centro.
- É complicado - eu disse voltando a sentar no sofá.
- Talvez com a minha inteligencia resolvemos - ele disse nos fazendo rir.
- É segredo e não sai daqui, certo? - os avisei.
- Olha o cara hein, desconfiando dos amigos, qual é irmão? - me deu um pedala.
- Fala ai - disse me olhando.
- Tá certo, vocês lembram daquela menina que me agarrou na saída da escola hoje? - perguntei eles apenas concordaram com a cabeça.
- O nome dela é . Eu fiquei com ela ontem na festa e ela acha que estamos namorando - respirei - Ela é um erro, eu nem a pedi em namoro - eu disse me alterando um pouco.
- Porque ela é um erro? - perguntou confuso.
- Eu estou gostando de outra garota - eu respondi sorrindo ao lembrar do rosto dela.
- Eita, ta todo apaixonadinho - brincou - Quem é a garota? - ele disse olhando para a porta que agora se abria - É você, seu bicha - disse ao que apareceu sorrindo.
- Quem mais poderia ser? - ele disse correndo até o sofá e pulando em cima da gente.
- Sai de cima de mim - a voz de saiu abafada.
- Cara, meu esôfago - resmungou empurrando ele que caiu deitado no chão, eu apenas me afastei rindo.
- Faltou você reclamar - disse enfiando o pé na minha cara.
- Que felicidade, hein - falei empurrando o pé dele pro chão.
- Vocês não vão acreditar - ele disse sentando no chão e nos olhando com um sorriso impagável no rosto.
- Vai sair de casa e vir morar aqui? - se empolgou pulando em cima do amigo.
- Também - respondeu sorrindo - Mais é outra coisa - ele disse empurrando pra longe dele.
- Fala logo então, meu – disse mostrando-se curioso.
- VOLTEI COM A - ele gritou rindo.
- VOCÊ O QUÊ? - gritei também todos os três me olharam assustados, disfarcei olhando pros lados.
- Voltei com a minha namorada ué - ele concluiu ainda me olhando.
- Que bom - eu disse estralando os dedos, e concordaram sorrindo pra ele.
- O amor está reinando por aqui não? Só falta nós dois, - falou se levantando do sofá com cuidado para não pisar nos dois jogados ao chão.
- Fale por você, eu estou muito bem com a minha - respondeu sorrindo ao lembrar da menina.
- Então só falta você e o - disse levantando a sobrancelha.
- tá fora, acho que sou o único solitário aqui - riu.
- É ele estava nos contando que está gostando de alguém - disse.
- E quem é a infeliz? - perguntou fazendo todos rirem menos eu.
- A , quem mais poderia ser? - eu disse rapidamente olhando para que fitava o tapete rindo, desviei meu olhar pro que me olhou sem entender.
- Parabéns, irmão - riu.
- Cara, tu chegou na hora que eu estava indo embora - eu disse levantando do sofá.
- Ah, fala sério? - ele perguntou triste.
- Eu não acredito que você vai mesmo vim morar aqui, - sorriu cortando nossa conversa - Só falta vocês dois - ele nos acusou, apontando pra mim e .
- Eu andei pensando e acho que você tem razão. Seria melhor se morássemos juntos - disse - Me mudo amanhã – completou.
- Sério? - levantou do chão mais empolgado - E você , pensou? - ele perguntou.
- Não sei, cara - eu disse revirando os olhos.
- É pro nosso plano entrar em ação – me incentivou.
- Vocês não vão me deixar em paz se eu não vir, né? - falei indo em direção a porta.
- De jeito nenhum - os três responderam em unissono.
- Virei amanhã com – eu disse abrindo a porta.
- Até amanhã, parceiro - disse ainda com o sorriso estampado no rosto.
- Até depois, gatinha - disse rindo, veio em minha direção.
- Você vai me contar essa história direitinho - ele sussurrou pra mim, eu apenas concordei e fui embora.
End of ’s P.O.V.

- Você voltou mesmo com o ? - me perguntou ainda sem acreditar.
- É - eu disse sem muita empolgação.
- Alunos - a voz do professor Cristiano chamou nossa atenção - Tenho uma novidade que a maioria de vocês irão gostar. Alguém chuta?
- Eu - levantou a mão.
- Diga, senhorita - ele sorriu gentilmente pra ela.
- Todos nós passaremos de ano sem o menor esforço, certo? - ela falou e todos riram.
- Não, mas eu espero que vocês passem com muito esforço - ele brincou.
- Então galerinha, a escola quer levar vocês para uma trilha. Os alunos que estiverem interessados, por favor, colocar o nome aqui na lista, a escola já providenciou um instrutor para dar uma palestra com umas dicas para quem quiser se arriscar nessa.
- Vamos, ? - eu perguntei animada.
- Andar? E no meio do mato? To fora - ela piscou.
- Ah, ta brincando né? – insisti.
- Não - ela disse fria.
- Bom, nessa caso ainda me sobrou a e a e aposto que os meninos irão, sabe? Tipo o - dei ênfase no nome.
- Você me convenceu - ela riu.
- Ótimo - eu sorri correndo para anotar nossos nomes na lista, depois da aula, foi procurar por e eu corri para o pátio procurando por que encontrei sem muito esforço.
- Oi - eu disse sorrindo.
- Oi amor - ele chegou perto de mim me beijando demoradamente, eu havia me esquecido o quanto ele era amável.
- Você ficou sabendo do parque florestal? – perguntei.
- Ah, não acredito vai me dizer que você... - ele fez suspense - Também quer ir - completou rindo.
- Ah seu bobo, você me assustou sabia? - fiz charme.
- Olha o drama, - ele riu.
- Você vai mesmo? – perguntei.
- Claro, todos nós colocamos o nome na lista - ele piscou.
- Todos quem? - levantei a sobrancelha.
- Todos os meninos e bom, a e a - ele respondeu.
- É um saco não ser da sala de vocês, sabia? - eu disse fazendo bico.
- Eu também acho, deveríamos processar essa escola, o que acha? - ele disse me fazendo rir - Tenho uma novidade - ele continuou.
- O quê? - perguntei curiosa.
- Me mudei pra casa do .
- Como? Quero dizer, por quê? - falei sem entender.
- É segredo amor, mas não foi só eu que me mudei, hoje o e o também irão pra lá.
- Se é segredo por que começou a me contar? - perguntei - Agora fiquei curiosa, deprimi mesmo - disse fitando o chão.
- Você não tem jeito - ele sorriu levantando meu rosto e cochichando no meu ouvido. Eu não acreditei no que ele me contava.
- SÉRIO? - gritei sorrindo.
- Claro, mas não esquece é segredo - ele me lembrou.
- Pode deixar, bebê - eu disse cruzando os dedos e beijando os mesmos - Não contarei a ninguém - prometi.

Capítulo Três: "Armação".

A maioria dos alunos se encontrava no auditório da escola, que parecia mais uma sala de cinema, com as cadeiras no tom vermelho sangue voltadas para um palco cor de madeira clara, todos estavam esperando a palestra sobre a trilha começar. Não demorou muito e um homem bonito de pele clara, não muito alto, com um corpo bem definido apareceu sorridente no centro do palco, o que fez algumas meninas soltarem suspiros e risinhos na direção dele. Ele iniciou a palestra, ignorando-as, e nos alertou sobre várias coisas importantes e, diga-se de passagem, eu não dei a mínima, em menos de 10 minutos ali dentro eu já estava entediada e com sono. Assim que a palestra terminou me convidou para ir em sua nova casa, que agora encontrava-se bem mais perto da minha, apenas um quarteirão de distância.
Fui andando até lá, calmamente, sem ter certeza se deveria ir ou não, afinal agora ele morava com todos os meninos, inclusive . Cheguei na porta da enorme casa branca e apertei a campainha, mas ninguém me atendeu. Certamente eles estavam jogando vídeo game feito loucos e "esqueceram de mim", como no filme, virei a maçaneta sem me importar com bons modos e entrei na casa. As paredes do lugar eram brancas o que realçava os sofás na cor preta e algumas almofadas nas cores roxa e laranja espalhadas pelo grande tapete branco que se estendia pela sala inteira. Nas paredes também haviam alguns quadros dos Beatles. Um pouco mais no fundo da sala havia uma escada de caracol cinza que dava para o segundo andar da casa, onde deveriam ser os quartos dos meninos, estava deitado no sofá assistindo alguma coisa na TV de plasma, embutida na parede a sua frente.

- – ele sorriu ao me ver, fazendo que estava sentado no tapete olhar em minha direção.
- Cadê todo mundo? - perguntei indo até que apenas sorria ao me ver.
- foi ... - ia dizendo quando uma voz familiar o interrompeu.
- Vocês viram meu shampoo? - apareceu na escada com apenas uma toalha amarrada em sua cintura, deixando exposto seus músculos e sua barriga definida.
- Tem uma garota presente, seu pervertido - riu tacando um almofada no amigo. Ele não disse nada, apenas segurou a almofada e a jogou de volta sem esperar alguma resposta sobre sua pergunta, simplesmente virou as costas e subiu.
- O que deu nele? - perguntou confuso sentando no sofá.
- - lamentou, me deixando desconfortável - Amor, acho que já passou da hora de vocês se acertarem, ele é meu amigo e você é minha garota. - ele respirou - Querendo ou não, um vai ter que aturar o outro.
- Tive uma ideia - cortou o que ele dizia e olhou para mim sorridente.
- O quê? - perguntei ainda em pé ao lado de .
- Você poderia ir até ele e pedir desculpas - ele disse fazendo parecer simples.
- De jeito nenhum - eu disse fingindo estar ofendida.
- Não é má ideia - sorriu pra mim.
- Claro que não é má, é péssima - eu disse sentando no sofá ao lado de - Porque eu tenho que pedir desculpas? - perguntei.
- Porque ele é muito cabeça dura e não vai aceitar vir falar com você - insistiu.
- O que você acha disso, ? - perguntei rezando para ele mudar de ideia.
- Subindo - ele apontou para a escada - O quarto dele é o ultimo.
- E bate na porta, ele odeia que entrem no quarto dele sem avisar - me alertou.
- É porque ele fica com umas revistas, você sabe como é - explicou tentando me fazer rir.
- Vocês querem mesmo que eu faça isso? - perguntei sem achar graça.
- Ele não vai sair daquele quarto enquanto você estiver aqui. Eu me sinto mal por isso - respondeu sinceramente.
- Então ta - eu disse indo em direção a escada, sentindo que me arrependeria disso depois, subi cada degrau me arrastando. Logo cheguei ao topo e me deparei com um estreito corredor de paredes claras cobertas com mais quadros dos Beatles, só que agora em preto e branco.

O chão de madeira maciça rangia a cada passo, caminhei por ele passando em frente a algumas portas fechadas, que deveria ser os quartos dos meninos, parei em frente a porta do último quarto sentindo meu coração bater mais forte. Eu estava prestes à pedir desculpas pelo o que mesmo? Pedir desculpas nunca foi um dos meus fortes e isso não havia mudado agora, respirei fundo e bati na porta, ninguém respondeu, insisti mais uma vez e pude ouvir algo cair lá dentro.

- Droga - a voz dele saiu abafada no corredor. Por impulso abri a porta rapidamente e entrei no quarto me deparando com ele caído ao chão, vestido em uma calça skinny preta, uma blusa branca e uma camisa xadrez azul e branca aberta por cima, assim que me viu levantou e me fitou surpreso, ficamos ali nos olhando por uns segundos até a voz fria dele interromper o momento.
- O que você está fazendo aqui? - ele perguntou.
- Eu-u é qu-e - gaguejei.
- Você? - ele insistiu.
- Vim te pedir desculpas - eu disse rapidamente.
- Pelo quê? - ele perguntou me lembrando que ele era o errado da historia e não eu.
- Eu não sei o que estou fazendo aqui - eu disse por fim indo em direção a porta do quarto.
- Espera - ele correu até mim e segurou meu braço.
- O que é? - perguntei olhando meu braço onde a mão dele repousava.
- Por que você fez isso? - ele disse levantando meu rosto me forçando a olhar em seus olhos.
- Fiz o quê? - perguntei confusa.
- Por que voltou com o ? - ele me perguntou de repente me deixando sem reação - Por que, ? - ele insistiu.
- Não é da sua conta – falei fitando o chão.
- Você queria me fazer ciúmes, não é? - ele riu de mim.
- Fazer ciúmes em você? - perguntei irônica, sem esperar uma resposta, virei rapidamente e abri a porta do quarto. Ele segurou meu braço novamente.
- Assume logo que você é louca por mim - ele me puxou, me grudando em seu corpo.
- Eu odeio você - eu disse olhando em seus olhos, sentindo o calor de sua respiração no meu rosto.
- Eu queria poder dizer o mesmo dessa vez - ele roçou seu rosto ao meu, passando umas das mãos em volta da minha cintura.
- - surgiu de repente me assustando, me separei rapidamente dele.
- É... é - eu tentei me explicar.
- Amor, você nem me ligou - ela me ignorou completamente e foi na direção dele o beijando de surpresa. Fiquei ali olhando aquele beijo por um longo segundo até minha dignidade me arrastar para fora do quarto. Por que eu estava deixando ele brincar comigo desse jeito? Se eu o odiava por que estava deixando me levar por esse desejo incontido de tocá-lo? Pude senti as lágrimas caírem uma a uma pelo meu rosto, por raiva de mim mesma.

Corri pelo corredor, desejando não ter que encontrar com lá em baixo, mas eu sabia que era impossível então, antes de descer as escadas, enxuguei as lágrimas e sorri para fingir que estava tudo bem.

's P.O.V.

- O que você está fazendo? - perguntei afastando de perto de mim. Eu não podia deixar essa historia ter continuidade sabendo desde o começo que jamais teria o final feliz.
- Beijando meu namorado - ela concluiu.
- - eu disse calmamente a puxando para a minha cama e a sentando na mesma - Temos que esclarecer uma coisa - respirei fundo e sentei ao lado dela.
- Está tudo bem, amor? - ela perguntou com uma expressão calma.
- Você deve estar pensando que estamos namorando - falei devagar para não magoá-la - Mas não estamos, espero que você entenda - a expressão dela antes calma agora demonstrava raiva.
- Entender o quê? - ela aumentou a voz - Que você é caidinho pela namorada do seu amigo? - ela levantou da cama, cruzando os braços esperando minha resposta.
- Do que você está falando? - perguntei incrédulo.
- Não se faça de idiota, garoto - ela revirou os olhos - Eu vi vocês dois juntos no dia da festa e agora a pouco também. Você quer que eu vá falar isso ao ? - ela perguntou descruzando os braços colocando os mesmos na cintura.
- Porque você está fazendo isso? - perguntei levantando da cama e segurando nos braços dela com força.
- Você está me machucando - ela reclamou se afastando de mim.
- Se você gosta de mim, não precisa me ameaçar - eu disse tentando achar um motivo para essa atitude tão vergonhosa que ela havia tomado.
- Claro que não imbecil, eu não amo você - ela riu de mim como se isso fosse óbvio - Quero estar ao seu lado, pois assim serei popular – ela riu imaginando a cena.
- Boa sorte, mas eu não vou te ajudar nisso - falei sério.
- Você é quem sabe - ela levantou uma sobrancelha e saiu correndo do quarto. Sai correndo atrás dela que descia a escada desesperadamente, corri o mais rápido que pude. Eu estava no meio da escada enquanto ela estava no último degrau.
- – ela chamou por ele, que estava abraçado a no sofá ao lado de , todos os três olharam para ela.
- Quê? - ele perguntou fazendo pouco caso.
- Não – gritei, a atenção de todos na sala se voltou para mim - Quero dizer, eu te amo - desci os degraus que restavam para chegar até ela e a segurei pela cintura encostando levemente em seus lábios.

End of 's P.O.V.

Capítulo Quatro: "Desavenças".

Eu estava sentada na primeira carteira em frente à mesa do professor de português, observando o excelente tempo lá fora, o sol estava fraco, refletindo pela janela da sala e batendo levemente em minha pele. estava atrás de mim, trocando mensagens com pelo celular, às vezes deixando escapar risos abafados fazendo com que o professor que passava um texto na lousa, olhasse em sua direção. Era uma terça feira calma e rotineira, até Saulo, o inspetor, interromper a aula e me convidar para ir até a diretoria. A última vez que estive lá foi quando taquei almôndegas recheadas em depois de uma discussão no refeitório, mas dessa vez eu não tinha culpa nenhuma no cartório. Saulo me guiou pelo enorme corredor branco com detalhes em vermelho da escola me deixando na porta da diretoria e seguindo para o seu trabalho. Bati na porta de madeira escura onde fora gravada delicadamente o símbolo da escola, uma águia seguida pelo nome Vancouver School e aguardei.

- Entre – a voz da diretora Rubin era calma e doce, diferente da mesma.

Entrei na sala observando calmamente cada detalhe, senhorita Rubin estava sentada em sua mesa de madeira escura, levemente decorada com um abajur na cor branca e alguns quadros espalhados pela sala com fotos dos antigos diretores, atrás dela havia uma prateleira de madeira, no mesmo tom da mesa, com livros sobre ela. As paredes eram brancas, o que dava um ar calmo ao lugar.

- A senhora me chamou? - perguntei indo em sua direção que sorria ao me ver. Algo não estava certo, ela nunca fora assim tão simpática.
- Sente-se – ela apontou para as duas cadeiras de madeira em frente à sua mesa, puxei uma delas cuidadosamente e me sentei. Alguém bateu na porta e ela também pediu que entrasse, virei de lado na cadeira para ver quem era.
- O que ele está fazendo aqui? - perguntei desviando meu olhar para senhora Rubin e voltando a porta. Vestido em uma camiseta preta com letras em grafite na cor vermelha, uma calça jeans comum e um All Star preto bem surrado nos pés, me olhava fixamente.
- Sente-se aqui, querido – ela sorriu apontando pra cadeira vazia ao meu lado. Ele não questionou caminhou até a cadeira e sentou-se.
- Eu chamei vocês aqui por um motivo especial – ela começou a falar olhando sorridente para nós dois, sentados a sua frente. Eu não estava entendendo nada, então prestei atenção no que ela dizia - Eu estive pensando e acho que deveríamos animar um pouco essa escola – ela continuou - E como vocês dois são os alunos do 3° ano que tem as melhores notas, os chamei para me ajudar nisso. Vocês dois poderiam trabalhar juntos para trazer novas ideias para a escola. O que me dizem? - ela perguntou colocando as mãos em cima da mesa, cruzando os dedos esperando nossa resposta.
- Nós dois? - perguntei abismada. Da onde ela havia tirado aquela ideia maluca de que eu trabalharia junto com em alguma coisa?
- Sim – ela concordou sorrindo.
- Me desculpe, mas não vai dar – eu disse levantando da cadeira para me retirar da sala.
- Ela tem razão, não vai dar – concordou, se levantando também.
- Eu tive uma ótima ideia, só me ouçam, se não gostarem eu deixo vocês irem – ela insistiu.
- Tudo bem – eu disse me sentando novamente na cadeira, fez o mesmo, ela sorriu.
- Eu estava pensando em montarmos uma rádio aqui na escola, temos uma que está fechada há muito tempo e eu gostaria muito de reabrí-la - ela disse nos olhando fixamente. A ideia da rádio era simplesmente perfeita e eu adoraria reabri-la novamente. Mas será que isso daria certo com ?
- Temos uma rádio aqui na escola? - ele perguntou surpreso.
- Sim, mas como eu disse está fechada - ela respondeu agora olhando pra ele.
- Isso é perfeito - ele disse, desviei meu olhar da diretora para ele, que estava sorridente ao meu lado.
- É – concordei ainda o fitando.
- Então vocês dois aceitam serem responsáveis pela rádio da escola? - ela perguntou. Eu não sabia se era realmente uma boa ideia trabalhar com ele, porque isso iria requerer uma certa aproximação da nossa parte e certamente isso não era boa coisa.
- Por mim tudo bem – ele disse cortando meus pensamentos - Se ela não aceitar não tem problema, eu posso fazer sozinho – ele disse se virando para mim pela primeira vez desde quando havia entrado na sala, me olhou como se suplicasse para que eu recusasse o convite.
- Eu aceito – eu disse levantando uma sobrancelha olhando ironicamente pra ele, que curvou a boca e respirou fundo.
- Ótimo – senhora Rubin disse sorridente levantando de sua cadeira, fizemos o mesmo, ela apertou nossas mãos em forma de agradecimento, logo depois abriu uma gaveta em sua mesa e tirou uma chave presa em um chaveiro em forma de águia.
- Aqui está – ela entregou a chave na mão de , que a pegou e enfiou no bolso de sua calça. Ele saiu da sala seguido por mim, eu não sabia o que dizer a ele e o segui calada, quando ele virou o corredor contrário de sua sala de aula, tive a certeza de que ele não iria voltar para aula e eu sabia muito bem onde ele iria.
- Sua sala é do outro lado – eu disse apresando o passo para andar ao lado dele.
- A sua também - respondeu olhando o corredor a frente.
- Você está indo até a rádio? - perguntei.
- Estou indo até o inspetor para saber onde é a rádio - ele respondeu devagar.
- Eu sei onde é – eu disse segurando em seu braço para que olhasse para mim, ele parou e me olhou abrindo um sorriso de canto de boca, me deixando envergonhada.
- É por aqui – eu disse por fim indo em direção da escadaria para o segundo andar. Subi as escadas com ele em meu alcance e entrei na biblioteca que estava vazia, exceto por Claire a bibliotecária que arrumava uns papeis em cima do balcão de madeira antiga, um pouco distante das prateleiras.

A biblioteca sempre fora muito bem organizada e de aspecto antigo, no meio de cada prateleira, e diga-se de passagem eram muitas, havia um corredor não muito estreito dando passagem para o fundo do lugar. O teto era como de um castelo, triangular, pintado detalhadamente com a imagem de deuses gregos o que tornava o lugar mágico, as paredes eram de tijolinhos pequenos numa cor clara, não tão branca e nem tão cinza, mais uma mistura das duas cores. Caminhei para o fundo da biblioteca e me seguiu até lá, no fundo do lugar havia uma porta de madeira sem detalhes, com um papel grudado na mesma, escrito: Sala de música.

- É aqui – eu disse baixinho
- Ótimo - ele disse pegando o chaveiro de águia do bolso e colocando a chave na maçaneta, abriu a porta e entrou, entrei logo após. O lugar estava limpo e bem organizado como na biblioteca, a parede lisa na cor branca realçou a mesa e as duas cadeiras na cor cinza brilhante, que ficavam encostadas na parede com dois computadores em cima embutidos em uma caixa de som preta que estava presa ao teto, dali o som rodaria toda a escola. Um enorme tapete vermelho cobria todo o chão, dando um aspecto luxuoso ao lugar. ficou encantado assim como eu.
- Você não deveria ter aceitado trabalhar comigo - ele disse de repente virando em minha direção com uma expressão calma no rosto.
- E deixar a diversão só pra você? Nem pensar – respondi seca. Ele olhou no relógio em seu pulso e sua expressão antes calma estava apavorada.
- Droga – ele disse passando por mim indo em direção a porta, o segui sem entender, ele parou e me fitou por um momento.
- Eu quero que você fique longe de mim, entendeu? - ele pediu olhando nos meus olhos. Eu não consegui entender por que ele pediu isso, ainda mais agora que trabalharíamos juntos. – Vamos trabalhar juntos, mas ninguém pode saber - ele continuou rapidamente.
- Eu não estou nem ai, sobre suas vergonhas em andar comigo – eu disse brava.
- Não é vergonha – ele respirou fundo – Minha namorada não vai gostar de saber disso – ele fitou o chão e logo depois saiu dando as costas pra mim, que fiquei sozinha na sala de rádio com cara de taxo.

Me senti triste ao ver que ele realmente a amava como ele havia gritado na escada na tarde passada, afinal, ele estava se importando com ela. Se ela iria gostar ou não disso. Mas uma pergunta fluiu em minha mente: Como reabriríamos a rádio da escola sem ninguém nos ver juntos?

Capítulo Cinco: "Meu tormento".

Eu estava no auditório da escola, vestida em uma saia de cigana na cor branca, na altura do joelho, a parte esquerda estava rasgada deixando a mostra boa parte da minha coxa. Um top vinho cobria meus seios e completava o look juntamente com uma rosa vermelha presa em meu cabelo. A luz amarela vinda do aparelho de iluminação repousava sobre mim me deixando sensual, conforme meus pés descalços encontravam levemente o palco a cada movimento. Eu estava dançando balé clássico olhando nos olhos dele que estava sentado em uma das cadeiras vermelhas do auditório, olhando fixamente para mim, lancei-lhe um sorriso provocador o fazendo levantar e vir em minha direção.
Subindo no palco elegantemente pelas escadas laterais ele vestia uma camisa fina de seda branca por dentro de uma calça afunilada na cor preta. Seu cabelo estava todo jogado para trás, em um leve topete, que o dava um ar mais adulto. Aproximou-se de mim sem tirar seus olhos profundos e ardentes de desejo dos meus, colocou uma das mãos em minhas costas, me grudando em seu corpo. Com a outra flexionou minha mão direita para cima, o seguindo coloquei minha mão livre em seu ombro, meu olhar desceu rapidamente para a sua boca que abriu um pequeno sorriso de lado me fazendo arrepiar. Voltei novamente a olhá-lo nos olhos, ficamos ali mantendo contato visual numa posição ereta até, entrar no ritmo do tango comigo.

- Acorda filha, ou vai perder a hora da escola – a voz fraca da minha mãe, Laura, me chamava. Entrou no meu subconsciente fazendo o palco onde eu dançava com desabar sobre meus pés. Apertei meus olhos fortemente tentando voltar ao sonho, mas foi em vão minha mente estava vazia. Abri meus olhos devagar a tempo de ver, Laura saindo apresada do meu quarto, certamente estava atrasada para o trabalho, como sempre. Virei sonolenta para a mesinha de cabeceira ao lado da minha cama a tempo de ver o relógio marcar 6h30.
- Não, não e não – reclamei para mim mesma, levantando rapidamente da cama e correndo em direção ao banheiro. Então mamãe não era a única atrasadinha essa manhã. Mas o que eu posso fazer? Se tiver um lugar no mundo que eu realmente goste, com certeza esse lugar é minha cama, quente e segura.
Depois da minha higiene matinal, desci as escadas do meu quarto que davam na sala, peguei meu material e corri para a porta o mais rápido que pude, para tentar não chegar atrasada na escola. Um Rapide Concept prata, estava parado na porta de casa, o reconheci na hora, era o carro de , me aproximei dele passando as mãos levemente sobre meus cabelos. Ele desceu do carro sorridente, me puxando para um beijo demorado, o dia estava começando razoavelmente bem, mesmo depois do sonho estranho com , o sonho que me parecia tão real e que se fosse, seria gostoso vivê-lo, quer dizer, que eu odiaria vivê-lo.
- Ótimo dia para me dar uma carana – eu disse sorridente entrando no carro, coloquei o cinto de segurança e joguei minha mochila no banco traseiro.
- Eu já imaginava que você iria dormir mais do que o previsto – ele riu entrando no carro e dando partida no mesmo.
- Está me chamando de dorminhoca? - perguntei fingindo estar ofendida.
- Claro que não – ele riu – Você não tem culpa de sua mãe colocar sonífero nas suas refeições – ele brincou me fazendo rir.
Olhando para ele ali sentado ao meu lado, com aquele olhar sério de quem está concentrado em algo, eu simplesmente via um anjo acolhedor e engraçado, que mesmo às seis e meia da manhã conseguia tirar um sorriso sincero do meu rosto. Queria que isso bastasse para meu pequeno coração surrado, queria que isso fosse o suficiente para me fazer ficar completamente apaixonada por ele, mas não, a droga do meu coração suburbano, apenas o guardava como amigo na esperança disso algum dia mudar.
- Engraçadinho, a deixa saber disso – eu disse pegando minha mochila no banco traseiro e saindo do carro assim que ele estacionou.
Entramos na escola de mãos dadas e logo avistamos conversando com e no corredor, nos juntamos a elas e ficamos ali jogando conversa fora por alguns minutos, até o sinal bater nos obrigando a ir para a sala de aula. despediu-se de mim, dando-me um selinho demorado enquanto e acenavam indo em direção a suas salas. me esperou para irmos juntas a nossa sala de aula, subimos as escadas lentamente.

- Já arrumou suas coisas para a trilha? - ela perguntou sem muita importância, me lembrando da trilha que faríamos com a escola.
- Meu Deus, esqueci completamente - respondi batendo a mão na testa.
- Você anda muito estranha ultimamente, dona . Não era você que estava empolgada em andar no meio do mato? - ela perguntou entrando na sala seguida por mim.
- Ainda estou – eu disse sinceramente.
- Só porque sou muito sua amiga, irei te ajudar – ela sorriu sentando-se em seu lugar, fiz o mesmo - Vou à sua casa essa tarde, para separamos suas coisas.
- Essa tarde? - perguntei tentando lembrar se eu tinha algum compromisso.
- Sim – ela respondeu cortando meus pensamentos - E se tiver algo para fazer, cancele, porque a trilha é daqui dois dias e amanhã eu não poderei te ajudar - ela concluiu.
- Tudo bem, te vejo essa tarde – sorri me virando para a lousa.

As três primeiras aulas antes do intervalo passaram em um passe de mágica, até porque eu estava distraída e não prestei atenção em nenhuma delas. O sinal mal havia tocado e já estava na porta da minha sala com , esperando a mim e para irmos juntos ao refeitório. Menti que estava com um mal estar passageiro e que iria ao banheiro lavar o rosto, quis ir comigo, mas consegui despista-lá também. Não gostava de mentir para e muito menos para minha melhor amiga, eles sempre foram tão sinceros comigo, mas agora isso era necessário. Corri rapidamente na direção da biblioteca e entrei na mesma, continuei correndo pelo corredor na direção da rádio e acabei esbarrando em Claire que arruma alguns livros na prateleira deixando cair os mesmos no chão.
- Me desculpe – eu disse atropelando as palavras. Eu não podia demorar, estava a minha espera juntamente com os outros no refeitório.
- Sem problemas, querida – ela gritou para mim, que já estava no fim do corredor.

Aproximei-me da sala e virei à maçaneta, o lugar era o mesmo exceto por dois microfones embutidos nos computadores que estavam ligados, estava sentando em uma das cadeiras de costas para mim, mexendo em alguma coisa no computador. Assim que sentiu minha presencia se virou calmamente para me fitar, aqueles olhos penetrantes encontraram os meus por uma fração de segundos, o que me fez parecer nua, era como se ele pudesse ver meu interior me olhando daquele jeito. E, mesmo não querendo admitir, ele estava lindo, sua pele clara, me parecia tão macia o olhando assim pela manhã, a maçã de seu rosto estava levemente avermelhada e sua boca estava em linha reta impedindo seu lindo sorriso de aparecer e comigo ali, eu tinha certeza que essa posição não mudaria tão cedo.
- O que você está fazendo? - perguntei indo até ele e sentando-me na cadeira vazia ao seu lado.
- Testando um programa – ele se virou para o computador.
- Que programa é esse? - perguntei interessada.
- É um programa de edição de voz – ele respondeu me olhando de rabo de olho.
- E pra que serve? – insisti.
- Para mudar a voz – ele respondeu rapidamente como se parecesse óbvio.
- E pra que você quer mudar a voz? – insisti mais uma vez.
No fundo eu sabia o porquê daquele programa e por algum motivo, que eu desconhecia, me deixava mais triste do que eu esperava ficar.
- Droga – ele se exaltou virando de frente para mim – Qual a parte de não sermos vistos juntos você não entendeu? - ele perguntou me olhando sério.
- Nenhuma delas – respondi.
- Esse programa irá mudar a nossa voz, assim ninguém saberá quem somos – ele me explicou voltando a fitar o computador.
- Se é tão importante pra você que ninguém saiba que estamos trabalhando juntos, por mim tudo bem – eu disse seca – Mas fique sabendo que eles irão tentar descobrir esse lugar a todo custo.
- Como assim? - ele perguntou fazendo uma cara engraçada de quem não havia entendido nada.
- Ninguém conhece esse lugar. Nem você conhecia lembra? - agora era eu quem explicava.
- E como você sabia exatamente onde era? - ele perguntou confuso. Lembranças passadas fizeram um acasalamento na minha mente, trazendo à tona uma lembrança que eu lutava para esquecer. Me encolhi na cadeira, enquanto minha mente repassava tudo o que havia acontecido naquele dia em que conheci a sala de música.

Capítulo Seis: "Lembranças".

- Lembro como se fosse hoje - respirei fundo fitando o chão, não disse nada, apenas me olhava atentamente, então prossegui.

Flashback ON

- Olá, seu nome é , não é? - um garoto pálido dos olhos verdes, cor de mar, perguntou chegando perto de mim, que estava encostada em uma das pilastras do pátio da escola esperando chegar.
- Sim - respondi, olhando cuidadosamente para ele - E o seu?
- Leandro, você namora com o , não é? - ele perguntou interessado. Seu cabelo castanho claro estava caído sobre seu rosto, tampando ligeiramente seus olhos chamativos.
- E você é muito bem informado, não? - brinquei.
- Só quero avisar que o vi hoje pela manhã. Ele estava completamente bêbado - ele disse devagar e continuou - Eu o chamei, iria levá-lo em casa antes de vim para cá, mas ele recusou - o garoto lamentou.
- Não pode ser - sussurrei para mim mesma. O que estava fazendo, à essa hora da manhã, bêbado? A raiva passou pelo meu corpo como se fosse sangue e entupiu minhas veias. Poderia até mudar a expressão rock na veia para raiva na veia.
- Obrigada, Leandro - eu disse dando-lhe um beijo na bochecha - Preciso ir.
Estava decidida a ir atrás de e lhe dar um belo esporro se aquilo que Leandro me falara fosse verdade. Me virei em direção a saída da escola. Meus olhos certamente haviam demonstrado o susto que levei, estava parado a alguns centímetros de mim. A minha vontade era de gritar com ele, de lhe falar boas verdades, mas eu não consegui. Estava espantada em vê-lo naquele estado, ele estava rígido, seus olhos estavam profundos e vermelhos, como eu jamais havia visto. Até um estranho notaria que ele estava completamente bêbado.
- Espantada em me ver? - ele perguntou cambaleando na direção de Leandro - Estava me traindo com ele, não é? - ele me acusou de infidelidade, sua voz estava rouca e firme ao mesmo tempo. Ele parou na frente do garoto dando-lhe um soco, que o mesmo não esperava e caiu ao chão.
- Você está maluco? - perguntei desesperada. começou a chutar o garoto caído enquanto o mesmo tentava levantar para se defender. Leandro se levantou, o canto de sua boca sangrava. O que me deixou apavorada. Ele se defendeu de dando-lhe um soco no estômago que ele pareceu não sentir. É, a bebida faz milagres.
- Larga ele - puxei o braço de , tentando conter a briga - Alguém me ajuda, por favor - implorei sentindo as lágrimas caírem pelo meu rosto. o largou e veio em minha direção - Amor, o que você está fazendo? - perguntei dando um passo para trás ao vê-lo sério vindo em minha direção.
- Eu não vou perdoar você - ele disse atropelando as palavras. Pegou no meu braço e o apertou forte.
- Você está me machucando - choraminguei enquanto ele olhava raivoso para mim. Seus olhos estavam cheios de raiva e algo me dizia, que ela seria descontada justamente em mim.
- Larga ela, cara - apareceu de repente empurrando o amigo para trás, que soltou meu braço e cambaleou quase caindo ao chão. foi para cima de , que entrou na minha frente pra me defender do meu próprio namorado.
- Você não quer machucá-la. Você não quer machucá-la - Ele gritava enquanto, tentava passar por ele para me alcançar.
- Corre, - gritou quando o empurrou e veio feroz em minha direção. O que ele estava pensando em fazer? Me machucar? Bom, eu não ficaria ali para saber, corri rapidamente pelo pátio, enquanto alguns alunos tentavam pegar , que corria atrás de mim. Subi as escadas sentindo as lágrimas caírem cada vez mais fortes sobre meu rosto, entrei na biblioteca e Claire me olhou assustada. Continuei correndo, não sabia se ele ainda estava atrás de mim e não iria olhar para ter certeza. Chegando ao final do corredor, me senti em uma emboscada, olhei para os lados desesperada e vi uma porta entreaberta. Na tentativa de me proteger, entrei na sala para me esconder.

Flashback OFF

- Foi assim que eu descobri onde ficava esse lugar - eu disse por fim.
- Ele não machucou você, não é? - perguntou rapidamente parecendo preocupado.
- Não, os meninos conseguiram segurar ele - respondi ainda fitando o chão.
- Quando foi isso? - ele insistiu.
- Foi há umas semanas antes de você entrar na escola - respondi lembrando-me que fora expulso por isso, e graças a mim, que conversei com a diretora Rubin e contei a ela sobre a sala que eu havia encontrado, ele continuou na escola. Foi uma troca de favores, sabe? Eu não contaria a ninguém sobre a rádio e ela mantinha na escola.
- Por isso você terminou com ele? - ele perguntou, eu podia sentir seus olhos sobre mim.
- Sim - respondi simplesmente levantando o rosto para fitá-lo.
- E porque agora, depois de dois anos, você aceitou a namorar com ele novamente? Depois de todo esse tempo, você ainda o ama? - ele perguntou desviando o olhar de mim para o computador a sua frente.
- Porque ele me ama e cuida de mim como nenhuma outra pessoa faz - respondi demostrando minha total confiança em . se remexeu na cadeira, parecendo desconfortável, ficamos em silêncio por algum tempo até seu celular começar a tocar, ele o tirou do bolso e olhou o visor.
- Tenho que ir - ele disse rapidamente com uma expressão preocupada no rosto. Levantou da cadeira e foi em direção a porta, saindo da sala e me deixando sozinha novamente. Algo me disse que estava virando mania dele me deixar sozinha e com cara de taxo naquele lugar.
O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo e me lembrando da mentira que eu havia contado para e para os outros sobre o meu suposto mal-estar. Levantei da cadeira rapidamente e sai da sala a trancando em seguida, passei por Claire em uma das prateleiras e segui para fora da biblioteca. Fui em direção à minha sala de aula um pouco aliviada, pelo menos teria tempo de pensar em alguma desculpa para dar a sobre o meu sumiço repentino. , que já estava na sala, assim que entrei fez questão de me informar que havia me procurado por toda a escola e inclusive em todos os banheiros. O que me fez rir imaginando a cena dele entrando nos banheiros femininos à minha procura.
No fim da manhã fui para casa apenas com o compromisso de passar a tarde com , nada como uma bela tarde de amigas para colocar meus ânimos no lugar.

Capítulo Sete: "Toque de Realidade".

As horas passaram lentamente, me deixando entediada, mas quando dei por mim já estava a minha frente me ajudando a terminar de separar minhas coisas para a trilha que faríamos com a escola. E que eu, cabeça de vento, havia me esquecido completamente.
- A senhorita não me convenceu nem um pouquinho, sobre sua suposta doença, hoje pela manhã - disse, fechando minha mochila de camping laranja e a jogando para mim.
- E por que me deixou ir sozinha? - perguntei pegando minha mochila e levantei para colocá-la em meu armário.
- Por que você estava desesperada para se livrar de nós? - ela perguntou e sorriu pra mim.
- Tenho que admitir, você me conhece muito bem - concordei - Acho que terminamos, obrigada - agradeci sentando na cama novamente.
- De nada, mas onde você estava? - ela perguntou mostrando-se curiosa.
- Estava no banheiro passando mal, como eu disse - sorri tentando disfarçar.
- Sabe o que eu acho, ? - ela já não estava mais sorrindo, apenas me olhava com uma expressão vazia.
- O quê? - perguntei.
- Você está fugindo do - ela me acusou.
- Claro que não - eu disse rapidamente me sentindo ofendida. De onde ela havia tirado essa ideia maluca? É claro que eu não estava fugindo do meu próprio namorado, eu apenas estava... Estava o que mesmo?
- Não minta para mim, não minta pra você - ela mordeu a boca e continuou - Quando a gente ama alguém, fazemos o possível para ficar ao lado dessa pessoa, e essa pessoa, por mais imperfeita que seja aos olhos dos outros, se torna perfeita aos nossos olhos - ela disse viajando em pensamentos, seus olhos brilhavam - Você acorda pensando nela e ao mesmo tempo fica bolando algum plano para impressioná-la. Tenta ser perfeita, mesmo sabendo que não é, mas você tem que tentar ser porque essa pessoa é perfeita pra você e não é justo essa desigualdade - ela suspirou - E quando você a vê, seus olhos brilham, você dá o seu melhor sorriso e sente que está tudo bem, porque ela está ali com você.
Enquanto ela dava seu discurso de mulher apaixonada, minha mente foi ficando vazia e vazia, apenas uma imagem se formava nela, o rosto de um garoto bonito, dos olhos profundos e sinceros e de um sorriso iluminado que só ele tinha. estava ali em meus pensamentos, espera ai, eu disse ? Pare a roda gigante que eu quero descer, estou completamente tonta.
- , ainda está ai? - a voz de era zombeteira.
- Estou - respondi baixinho sem muita certeza se estava mesmo.
- Então atende seu celular, menina - ela riu apontando para minha mesinha de cabeceira, onde meu celular vibrava. Levantei da cama e o peguei, olhando o visor antes de atender para ver quem era. O nome "Anjo" tirou minha dúvida.
- Oi, - falei devagar.
- Oi amor, está ocupada? - ele perguntou animado.
- Acho que não - respondi olhando para que me fitava curiosa.
- Pergunta se a está com ela - a voz preocupada de , cortou a nossa conversa.
- Fala pra ele que ela está aqui sim, antes que ele morra de paixão fulminante - brinquei.
- Essa foi péssima, - riu da minha tentativa de piada e continuou - Então as duas senhoritas desçam, por favor, que estamos esperando - ele disse ainda animado e desligou o telefone antes que eu pudesse responder alguma coisa. Fui até a janela do meu quarto afastando a cortina branca que a tampava e olhei para a rua, um Rapide Concept estava parado na porta de casa.
- O que foi? - perguntou chegando perto de mim.
- e estão nos esperando lá em baixo - respondi.
- Então vamos logo ué - ela respondeu sorridente, me puxando para fora do quarto. Em segundos pude ver em todo o amor que ela mesma descrevera. Abri a porta de casa e sai no jardim com ela em meu encalço. Andamos devagar até o carro de , que estava sentado no banco do motorista com ao seu lado. Assim que nos viram, abriram um sorriso de orelha a orelha, desceu do carro deixando a porta aberta para mim e foi para o banco traseiro seguido por , sentei no banco da frente e dei um beijo em .
- Você está linda - ele disse para mim que estava vestida em trapos, usava apenas uma camiseta quadriculada na cor azul e cinza aberta por cima de uma blusa fina na cor branca e uma saia jeans claro.
- E você está se tornando um grande mentiroso - sorri pra ele.
- Aonde vamos? - perguntou colocando os braços em volta do banco onde eu estava e olhou para que sorriu.
- Vamos passar a tarde juntos, talvez um cinema - ele respondeu dando partida no carro.
- De jeito nenhum - eu e falamos em uníssono.
- Por que não? - perguntou olhando para mim e depois para . levantou uma sobrancelha e continuou dirigindo.
- Olha como estamos, eu não vou sair desse carro vestida assim - disse apontando para seu vestido xadrez.
- Vocês estão lindas - disse balançando a cabeça.
- Não irei sair assim - eu disse finalmente.
- Certo, então vamos fazer o quê? - perguntou parecendo irritado.
- Alugar um filme e vamos assistir em casa - sugeriu.
- Por mim tudo bem - concordei.
- É, podemos assistir lá em casa - concordou.
- Vocês venceram - riu e começou a fazer cócegas em , que soltou meu banco e ria desesperadamente a cada toque do namorado.
- Você quer me matar - ela reclamou tentando pará-lo. estacionou o carro em frente a uma locadora e me fitou.
- Vamos lá escolher o filme? - ele perguntou pegando na minha mão.
- Claro - respondi timidamente.
Olhando para , notei o quanto eu era uma menina de sorte por ter um garoto como ele ao meu lado e o quanto eu não aproveitava isso.
- Vocês vão com a gente? - perguntei me virando para os bancos traseiros, fitando os dois que agora se beijavam.
- Ela não vai sair daqui de jeito nenhum - respondeu entre o beijo, apenas sorriu.
- Então tá né? - eu ri abrindo a porta do carro e desci do mesmo, já me esperava na calçada, entramos de mãos dadas na locadora.
- O que você quer assistir? - ele perguntou entrando na fileira de filmes de terror.
- Tudo menos... Terror - respondi, o fazendo rir.
- Vou estar sempre ao seu lado para te proteger - ele disse piscando para mim.
- Você não poderia ganhar de um cara louco e com uma serra elétrica em mãos - eu ri apontando para a capa de um dos filmes. O massacre da serra elétrica. - Com você ao meu lado, eu enfrentaria tudo - ele disse olhando nos meus olhos. Senti meu rosto corar e não me importei, decidi que se iria dá uma segunda chance a ele, deveria fazer isso direito. - Então você ganhará do mundo inteiro, porque eu vou estar sempre com você - eu disse chegando perto dele e o beijando devagar. me olhou surpreso, ele não estava acostumado com esse meu lado romântico, não agora quando eu simplesmente o amava só como amigo - Eu quero alugar Percy Jackson e o ladrão de raios - eu disse quebrando o clima, ele continuou sorrindo.
- Certo - ele disse me puxando para outra prateleira. Alugamos o filme e seguimos para casa de , que também era casa de , é demoraria um tempo para eu me acostumar com isso. Mas se existisse felicidade, certamente ela estava ali ente nós. Eu e meu namorado, minha melhor amiga e seu namorado que também era meu amigo, tudo perfeito, não? É, foi o que eu pensei até chegarmos na grande casa de .

Capítulo Oito: "Recaída".

Chegamos na casa de , nos deparando com e sentados no sofá. estava sentada um pouco afastada dele olhando fixamente para TV, sua expressão era feia, quero dizer, séria. Já parecia completamente desanimado. Assim que ouviram nossos passos viraram curiosos em nossa direção.
- Até que enfim alguém para animar essa casa - disse parecendo animado de repente - Estou me sentido como um mofo, eu e as paredes - ele concluiu.
- E a - o lembrou. Eu não sei o que me deu, mas tenho que confessar que o sorriso de , me hipnotizou por uns segundos, Que boca era aquela, meu Jesus? Não que eu esteja interessada no meu amigo, ok? Mas é porque eu tenho uma fixação por bocas e um sorriso perfeito como o dele consegue me desmontar facilmente.
- Ela e nada é a mesma coisa que... Nada - brincou levantando do sofá e vindo nos cumprimentar. Eu tinha que concordar com ele, não me descia e não era simplesmente porque ela namorava , mas sim porque ficar perto de uma pessoa que vive sempre mal humorada não é algo bom e que agrade a ninguém.
- Que estupidez, garoto - ela disse parecendo ofendida. Segurei o riso dentro de mim para não deixa-la mais desconfortável.
- Alugamos um filme - disse cortando o conflito que se iniciava. Pegou em minha cintura e me guiou até o sofá, e nos seguiram.
- Ótimo, qual é? - perguntou pegando a pequena sacola de minhas mãos e olhando a capa do filme. Ele contorceu a boca e depois abriu um pequeno sorriso, me deixando confusa sobre se ele havia gostado ou não da minha escolha. E pra que ele sorriu, hein?
- Eu jurava que o estava no quarto - Ele disse ainda sorrindo. Eu procurei achar a graça no que ele havia dito e, principalmente, no sentido da coisa, mas nada.
- Por quê? - perguntou prestes a acabar com sua dúvida e principalmente com a minha, pelo menos eu não era a única lerda da historia.
- Ele que gosta de filmes assim - ele explicou. Ótimo, eu tinha algo em comum com aquele garoto e isso realmente é algo de se alegrar, afinal ele não era tão ruim assim, tá, na verdade ele nem é ruim.
- Mas, esse foi a que escolheu - pegou o filme da mão do amigo e foi em direção ao DVD.
- Quem vai fazer a pipoca? - perguntou fechando as cortinas, deixando a sala em um clima de cinema. Delicia, hein? Pipoca e filme com os amigos, quem quer outra vida? Eu não.
- Eu estou com uma dor - disse pegando uma almofada no sofá e jogando-se ao tapete no chão. Garotos, vão morrer na preguiça.
- E eu fechei as cortinas - disse nos fazendo rir. Pronto, agora é só o que me faltava, fechar as cortinas agora é algo que cansa as pessoas. Ele não se importou com meu olhar de reprovação, afinal ele poderia ter uma desculpa melhor, não? Puxou para o chão e juntaram-se com .
- Por mim tudo bem, mas se soltarem o filme sem mim... - eu disse fazendo aquele voz maléfica de que se não me obedecessem a coisa ia ficar preta.
- Eu vou com você - disse passando o controle do DVD para .
- Negativo - eu disse rapidamente fazendo ele me lançar um olhar desconfiado - Parece que não conhece os amigos que tem - eu disse balançando a cabeça tentando ajeitar as coisas - Fica aqui, e não deixe eles soltarem o filme sem mim, ta? - falei indo até ele e dando um selinho rápido em seus lábios. Eu não queria me livrar dele assim, mas ele precisava me dar um tempo para respirar.
- Quer ajuda, querida? - disse em um tom totalmente irônico. Sua voz fina fez meus ouvidos desejarem ser surdos, se é que isso é possível, mas eu juro, eles desejaram. Mas o que estava acontecendo? Minutos atrás, ninguém queria fazer a pipoca, agora que eu havia me prontificado todo mundo queria me ajudar?
- Não, querida - falei no mesmo tom, piscando pra ela que permanecia sentada no sofá. Era muita sorte mesmo eu ter feito desistir do filme de terror, porque com ela ali, iria perder a graça, se é que me entendem. Fui em direção a cozinha, pronta para fazer a melhor pipoca que todos ali haviam comido na vida, mas assim que cruzei a porta, uma pergunta fluiu em minha mente: Onde eles guardavam o milho de pipoca?
- No armário - uma voz conhecida e calma respondeu minha pergunta. A pergunta que estava apenas em minha mente.
- Você por acaso lê mentes? - perguntei me virando para , que estava encostado na mesa de mármore, preta, que ficava apenas alguns passos de distância de mim. Como ele estava lindo e como eu estava biruta, desde quando eu prestava atenção nessa garoto? Oras , concentre-se.
- Se eu fosse o cara dos vampiros lá, eu poderia ler, mas não iria funcionar com você - ele disse se afastando da mesa e vindo em minha direção. Estava vestido em uma camiseta polo branca, com uma calça skinny preta e um tênis azul que se destacava em seus pés. Passou por mim e abriu o armário de vidro logo a frente.
- Por quê? - perguntei esperando ouvir "porque você é a Bella da minha historia".
- Porque você não tem uma - ele gargalhou tirando do armário um pacote de milho.
- Como? - perguntei surpresa. 'Qual é , vai dizer que você esperava isso mesmo desse mané?', minha parte sã perguntava novamente. Tudo bem, eu não esperava isso dele, mas também não esperava que ele me chamasse de sem cérebro assim descaradamente, garoto mal criado, filho da mãe.
- Aqui está o milho, mas tem que colocar na panela, viu? Não se come puro - ele continuou rindo. Passou o pacote para mim e se afastou um pouquinho. Meu Deus, eu só posso ter tocado fogo na cruz e, na hora, o senhor morreu queimado, porque não é possível.
- Eu pensei em levar puro, porque sua namorada adoraria comer assim - eu disse com toda ignorância possível, o que não me contentou, então, bati com o saco de milho em seus braços.
Ele puxou o saco das minhas mãos e o jogou em cima da mesa um pouco longe de nós, com o impacto o saco rasgou, e começou a cair milho por toda a cozinha.
- Está vendo o que você fez? - gritei o enchendo de tapas. A raiva estava presente dentro de mim e nem um exorcista a tiraria dali agora. Ele segurou meus braços me grudando contra seu corpo para se defender. Minha respiração estava agitada e foi diminuindo, assim que meus olhos encontraram os dele. Sua pele clara deixava visível o vermelho vívido da maçã de seu rosto, seu sorriso havia sumido e seu lábio estava contorcidos em linha reta. Sua respiração quente bateu levemente sobre meu rosto, fazendo a raiva dentro de mim evaporar como água fervente. Antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, nossos lábios se encontraram e suas mãos envolveram minha cintura apertando a mesma com certa força contra seu corpo. A sensação que tive era de estar beijando o vento, simplesmente sentindo uma brisa passar por todo meu corpo, fazendo-me arrepiar, mas mesmo assim querendo mais, muito mais.
- Eu vou matar você da próxima vez que fizer isso - eu disse o empurrando para longe de mim. Foi com muito custo que fiz isso, admito. Pois ao tocá-lo, eu me sentia viva e, por algum motivo, que eu não sei ou talvez não queira explicar, feliz.
- Então é bom preparar a coroa de flores - ele disse rindo e me puxou novamente para seu corpo, começando um novo beijo antes mesmo que eu pudesse ter alguma reação. Dessa vez foi um beijo calmo, porém intenso. Bati meus cotovelos contra seu ombro para nos afastar, mas logo me vi entregue aquele desejo enlouquecedor de tê-lo para mim e perto de mim. Aquela sensação segura que meu corpo sentia ao lado dele, fazendo minha mente esquecer tudo ao redor e só pensar em nós. Se o mundo acabasse ali eu não me importaria, pois estava sentindo aquele friozinho passar pelo meu corpo e tudo aquilo que me descrevera estava acontecendo justamente comigo.

Capítulo Nove: "Amor e Ódio".

Uns dizem que o amor acontece apenas uma vez na vida, outros acreditam que o amor não existe. Eu acredito que o amor é uma escolha, e que nós mesmos escolhemos quantas vezes devemos fazê-la.
- Acho que seus amigos terão muito trabalho essa semana - eu disse afastando nossos lábios com muito custo.
- Por quê? - ele perguntou desnorteado. Seus olhos estavam brilhando e sua expressão estava completamente mudada, como se ele tivesse ganho na loteria e eu era o prêmio.
- Porque eles terão um enterro para providenciar, seu idiota - eu disse tentando passar raiva em minhas palavras totalmente sem sucesso, ele riu.
- Ao invés de você ficar me ameaçando, é melhor pegar uma vassoura e limpar esse chão - ele disse beijando minha testa rapidamente e saindo da cozinha, me deixando perdida em pensamentos. Ora meu São José dos pecadores, o que foi que eu fiz? Peguei uma vassoura e recolhi todo o milho do chão em tempo recorde, depois voltei à sala com as mãos vazias.
- Cadê a pipoca? - que agora estava sentado no sofá ao lado de perguntou olhando para mim zombeteiro. Filho de uma mãe!
- Desculpe meninos, mas vocês esqueceram de comprar milho na última compra - eu disse indo até que estava no chão juntamente com os outros.
- Eu jurava que tinha um pacote no armário - me olhou desconfiado.
- Não tinha não, procurei em tudo - eu disse tentando disfarçar.
- Então vamos assistir ao filme, afinal já esperamos demais pra nada não é? - disse irônica. Qual era a dela contra a mim?
- Estava morrendo de saudade - sussurrou para mim assim que deitei no tapete encostando minha cabeça em seu peito. Era difícil olhá-lo depois de tudo que havia acontecido na cozinha entre mim e , mas eu tinha que tentar, ele não poderia desconfiar de nada ou jamais me perdoaria. Assistimos ao filme sem pipoca, mas ninguém pareceu realmente ligar pra isso. Fiquei feliz em ver que todos ali haviam gostado do filme e que estavam completamente vidrados nele. Olhei disfarçadamente para o sofá onde estava com , ela estava debruçada no braço do sofá prestando atenção no filme enquanto ele me fitava sem sequer disfarçar. Pude sentir que corei na hora, pois assim que encontrou meu olhar lançou-me um sorriso maroto. Bastou apenas um piscar de olhos da minha parte, e já estava em cima dele o beijando loucamente. Será que ela percebera algo entre nós? Bom, eu não ficaria ali para saber. Tirei minha cabeça do peito de e sussurrei em seu ouvido:
- Preciso ir, amor - ele me olhou sem entender.
- Já? - perguntou mostrando-se desapontado.
- Te vejo amanhã - respondi me levantando do chão.
- Eu levo você.
Todos na sala me fitaram e apenas uma pessoa parecia feliz com a minha partida, . me levou em casa, e enquanto ele dirigia meus pensamentos foram parar no meu beijo com , o que me fez sentir um arrepio e, consequentemente, abrir um sorriso fraco.
- Do que está rindo? - perguntou estacionando o carro na porta de casa.
- Do filme, super engraçado, não?
- Não - ele balançou a cabeça, se aproximou de mim curvando-se em seu banco para me beijar. Nossos lábios se tocaram em um beijo calmo, ele brincou com a minha língua, me fazendo grudar as mãos em seu rosto. Sua mão desceu pela minha bariga e parou sobre minhas coxas, as apertando. Deslizei uma das minhas mãos que repousavam em seu rosto para seu peito, subindo sua camiseta, ele riu.
- Preciso entrar - sussurrei.
- Quero ficar com você essa noite - ele disse baixinho em meu ouvido me fazendo arrepiar.
- Eu também - respondi nos afastando. - Mas não estou pronta essa noite - disse.
Isso sempre funcionava com , acho que nunca vou encontrar um garoto como ele. Que não tenta força a barra da namorada de jeito nenhum, se é que vocês me entendem.
- Tudo bem... Então, até amanha? - ele perguntou abrindo um sorriso para mim.
- Até amanhã - disse abrindo a porta do carro e descendo do mesmo.
- - ele me chamou.
- Sim - respondi colocando a cabeça para dentro do carro.
- Eu te amo - ele disse.
Abri um sorriso e pisquei em resposta, fechei a porta do carro e segui em direção a porta de casa. Ele ficou com o carro parado até eu entrar, e algo me dizia que eu deveria ter dito um "eu também". Por inúmeras razões: A primeira é porque eu o havia traído com um de seus amigos e ele jamais me perdoaria se descobrisse. A segunda é porque ele acabara de dizer que me amava e se uma pessoa te ama, isso já é motivo para amá-la também. E a terceira, e mais importante, é que eu também o amava, não como um namorado, mas como um amigo. Um melhor amigo, que sempre esteve comigo e que sempre me protegeu acima de tudo. Dei meia volta e abri a porta novamente, iria dizer a ele o quanto eu o amava, mas não havia mais ninguém lá, ele já havia partido. Pensei em ligar e dizer, mais ele entenderia como um arrependimento, e não iria mudar o fato de que eu não disse nada. Subi para o meu quarto e me joguei na cama. O banheiro me chamou para conversamos sobre um banho, mas me chamou tarde demais, pois eu já estava quase dormindo.

Acordei pela manhã, quer dizer, pela tarde, notando que Laura não havia me acordado para ir a escola e muito menos, havia me ligado para saber o motivo da minha falta. Ele deveria estar chateado comigo por ter sido tão fria noite passada. Peguei meu celular na mesinha de cabeceira e liguei para ele, a fim de me desculpar.
- Amor - eu disse devagar.
- Oi - ele respondeu fraco.
- Está tudo bem? - perguntei.
- Por que não estaria? - É eu estava certa, ele estava mesmo chateado comigo.
- Não sei, você não me ligou.
- Por que eu deveria?
- Porque eu não fui pra escola? - sugeri.
- Entendo, mas está tudo certo.
- Eu só queria dizer uma coisa.
- Então fala - ele pareceu impaciente.
- Eu te amo - A palavra saiu da minha boca por livre e espontânea vontade. Ele ficou em silêncio por uns minutos, mas quando conseguiu falar sua voz estava… Como posso dizer?!... Empolgada, isso mesmo, ele estava feliz e vê-lo feliz também me deixou feliz, livre de um sentimento de culpa que estava a me dominar.

Depois de ter me desculpado com ele, eu não tinha mais nada para fazer, fiquei apenas pensando em algumas coisas para a rádio da escola. Que também só poderia pôr em ação depois, pois amanhã seria um grande dia, ou pelo menos antes seria, mas o fato que importa é: O dia da trilha enfim havia chegado, e eu faria o máximo para aproveitá-lo e tentar esquecer todos os problemas a minha volta.

Capítulo Dez: "Perdidos".

O ônibus já estava a nossa espera na porta da escola assim que chegamos. foi a primeira a entrar, com logo após, e assim um por um dos alunos foi subindo e se acomodando nos lugares vazios.
- não larga do um minuto - reclamou ocupando o lugar vazio ao meu lado. Verdade seja dita, realmente não deixava em paz e isso parecia incomodá-lo. Agora o que eu poderia fazer? Nada, ele havia escolhido isso pra vida dele e eu só poderia aceitar, mesmo não aceitando, entende?
- Viva o amor - eu disse sorrindo, mas minha vontade era de tirá-la de perto dele. A viagem até o parque florestal durou mais ou menos umas duas horas e, como era de manhã, todos dormiram no ônibus, menos eu é claro. Meu corpo estava elétrico e minha mente agitada com pensamentos estranhos a respeito de , pensamentos que eu queria evitar, mas estava sendo difícil.
Subi no banco do ônibus onde eu estava sentada, sem fazer barulho algum para não acordar , que dormia profundamente ao meu lado. Olhei por todo o corredor e era incrível o silêncio que ali reinava, exceto pelos carros que passavam a toda velocidade do lado de fora na pista. Logo, meu olhar encontrou um garoto bonito que dormia feito um anjo a poucos centímetros de distância. Ele estava com uma expressão exausta e infeliz no rosto, o que, consequentemente, fez meu coração apertar dentro do peito. Seja lá o que estivesse acontecendo com , não era nada bom. começou a se mexer ao meu lado, me sentei novamente em meu lugar e esperei quieta até chegarmos ao nosso destino.
- Bom dia alunos, meu nome é Marcos - nosso guia se apresentou assim que descemos do ônibus - Estão todos com os seus equipamentos? - ele perguntou interessado.
- Sim - respondemos em coro.
- Muito bem, comigo vão 9 alunos - ele disse em um tom gentil - E os que restarem vão com Júlio, o outro guia - ele disse apontando para um rapaz magro um pouco a frente de nós.
- Nossa turma é essa - se apressou juntando todos nós.
- Quais os nomes de vocês? - Marcos perguntou olhando gentilmente para mim.
- Meu nome é - eu sorri - Aqueles são , , , , e - eu disse devagar enquanto ele anotava - E aqueles dois são: e - eu disse os últimos nomes com amargura.
- Certo, prestem atenção aqui um minuto - disse - O nosso objetivo, é percorrer um caminho através de uma trilha tendo como princípio básico, o contato direto com a natureza. Não se separem de mim em momento algum, ouviram? - apenas concordamos com a cabeça e entramos no parque o seguindo. Passamos por uma ponte de madeira cercada de árvores, e logo encontramos nossa trilha, ela era estreita cercada de mato por todos os lados.
- Que frio - eu disse me grudando na cintura de .
- Eu te esquento - ele sorriu malicioso.
- - chamei a garota abraçada a em minha frente. Eles pararam para me esperar e continuei - Cuida bem dele tá? - sorri.
- Pode deixar madame, apenas deixarei ele largado por aqui, temos que aproveitar que estamos no meio do mato - ela brincou. não disse nada apenas fez uma cara de assustado nos fazendo gargalhar.
- Olhem aquilo - gritou apontando para uma árvore e correndo em direção a mesma. Todos os seguiram curiosos. me largou e foi até o amigo para ver o que era, assim como e . Fiquei parada apenas olhando o quão curioso eles eram e sorri com isso. estava apenas alguns passos de distância de mim, olhando fixamente para o chão.
- O que foi? - perguntei chegando perto dele.
- Nada - ele disse ainda fitando a terra em seus pés.
- É serio, o que você tem? - perguntei preocupada. Não que eu me importe com ele, longe disso. Mas é que ver pessoas tristes acabam me deixando triste também, sei.
- Tá se importando comigo por quê? - ele me olhou com os olhos cheios de veneno. Eu me assustei com sua resposta, realmente eu não esperava por isso. Mesmo ele sendo o rei das piadinhas sem graças, e insuportavelmente folgado, jamais havia falado assim comigo, como se sentisse ódio de mim. E eu, a tonta da história, ainda estava perdendo meu tempo me preocupando com ele.
- Se mata garoto, por que você não some logo? - perguntei com raiva. Ele devia ter algum tipo de distúrbio, aposto em dupla personalidade.
- É isso mesmo que vou fazer - ele disse de repente me deixando sem entender, se afastou de mim e entrou na mata saindo da trilha em que estávamos.
- Pára com isso, não tem graça - eu disse indo até a entrada da mata atrás dele. Olhei para trás, mas ninguém nos olhavam, estavam todos empolgados olhando para alguma coisa na tal árvore.
Entrei na mata para tirá-lo de lá.

- , volta aqui - eu disse abrindo espaço para passar entre os galhos e mais galhos que se encontravam ali.
- Você não quer que eu suma? Então por que está vindo atrás de mim? - perguntou entrando ainda mais na mata. O que ele queria provar com isso? Que eu estava me impontando com ele? Bem, se era isso, ele que tirasse seu cavalinho da chuva, pois eu não estava nem aí.
Olhei para trás e vi a mata nos fechar, já não conseguindo mais ver a trilha.
- Dá pra parar de graça? - perguntei apertando o passo para acompanhá-lo e poder pará-lo.
- Água - ele disse pra si mesmo, me ignorando completamente.
- Quê? - perguntei sem entender.
Parei por um momento pensando seriamente em voltar, mas deixá-lo ali, sozinho, não era algo que eu queria fazer. Era como se ele fosse meu combustível, me mantendo viva estando perto de mim. E estava sendo tão estranho estar perto dele ultimamente, que eu estava até sentindo falta de nossas brigas bobas. Sem pensar, apertei o passo novamente passando por umas pedras, o seguindo. Ele estava logo a minha frente, parado, olhando um lago a sua frente. Seus cabelos voavam conforme o vento batia contra ele. Meu coração deu um salto olímpico dentro de mim, como ele estava bonito, Jesus.
- Que lindo - eu sussurrei parando ao seu lado.
- Não tem comparação - ele disse baixinho, tirando o olhar do lago e me lançando um olhar sedutor.
- Temos que voltar - o avisei envergonhada, olhando para trás, vendo a mata fechada nos cercar.
- Tá certo, vamos - ele disse olhando pela última vez o lago e se deixando sorrir levemente. Deu a volta e entrou na mata para encontrar a saída, apenas o segui. Não trocamos nenhuma palavra, eu que não me arriscaria a entender o estado de humor dele. Não sei ao certo o quanto andamos, só sei que foi bastante. Pois minhas pernas já não aguentavam mais o peso do meu corpo quando resolvi aceitar o fato.
- Estamos perdidos? - perguntei parando no meio da mata.
- Não, eu sei onde estamos - ele disse totalmente calmo e continuou andando. Eu sabia bem lá no fundo que ele estava sendo um ótimo ator ou um ótimo mentiroso, pois já havíamos andado muito e nada de encontramos a trilha.
- Não - gritei o fazendo parar a alguns passos a minha frente - Você não sabe onde estamos.
- Eu sei sim - ele insistiu voltando em minha direção para me puxar. Andamos pela mata novamente e, a cada minuto, ela parecia se fechar mais a nossa volta, tampando o caminho a nossa frente, nos impossibilitando de enxergar a um palmo de distância sequer, apenas verde e mais verde.
- É tudo culpa sua - eu disse desesperada o enchendo de tapas.
As lágrimas caíam sobre meu rosto e minhas pernas pareciam não aguentar mais o peso do meu corpo, o que me deu a sensação de que iria cair a qualquer momento.
- Pára com isso - ele disse tentando segurar meus braços - Precisamos sair daqui e você tem que confiar em mim - ele colocou os braços a minha volta, me acalmando temporariamente. Eu não sabia ao certo o que fazer, apenas sabia que estava com medo. Medo de não sair nunca mais daquele lugar, e meu medo só aumentou quando eu pude ver aquelas lindas árvores se tornarem assustadoras logo que escureceu.
- Eu não aguento mais andar - minha voz saiu por um fio.
- Não podemos ficar aqui - ele disse nervoso. Levantei o rosto e o fitei. Como eu estava sendo chorona, é claro que pra ele também estava sendo difícil e tão assustador quanto para mim.
- Eu não aguento mais - falei o abraçando forte e deixando as lágrimas saírem novamente, afundei meu rosto em seu peito e fiquei ali, tão vulnerável.
- Vamos, só mais um pouquinho, - ele me incentivou apertando um pouco mais os braços em minha volta. Mas eu não consegui me mover, já não sentia mais meus pés e estava tão cansada. também parecia estar, mas ele me arrastou dali. O medo me batia na cara a cada segundo, e não demorou muito para o frio começar a me incomodar também.
- Aqui - ele disse fraco me afastando de seus braços.
- Quê? - perguntei desnorteada.
- Podemos ficar aqui até amanhecer - ele disse apontando para um espaço no meio da mata cercado por pedras. Apenas concordei, balançando a cabeça, e sentei no chão encostando-me na minha mochila. sentou ao meu lado, me abraçando para me aquecer, adormeci.

Capítulo Onze: "Primeiro dia na mata".

Acordei pela manhã com o forte canto dos pássaros que ecoavam no lugar. Eu estava com a cabeça encostada na minha mochila de camping enquanto os braços de me envolviam por inteira. Ele dormia profundamente, parecendo um anjinho com a sua cabeça encostada em uma das pedras ao meu lado, tentei me soltar sem acordá-lo, mas logo ele arregalou os lindos olhos e me olhou assustado.
- Bom dia - ele disse relaxando ao ver me ver.
- Nem de longe é um - eu disse tentando parecer fria, me soltei de seus braços com certa violência, ele riu - Anda, precisamos sair daqui - falei pegando minha mochila e levantando rapidamente do chão. Me limpei, para tirar a terra do lugar, que havia grudado em minhas roupas na noite passada.
- Mal acordei e estou com fome, você acha que poderia esperar? - ele perguntou espreguiçando-se, eu não disse nada, apenas me afastei saindo do círculo de pedras que nos cercava.
- Por acaso você sabe onde está indo? - ele perguntou nas minhas costas.
- E você sabia aonde estava indo quando entrou na mata ontem, imbecil? - perguntei brava, me virando para fitá-lo.
- Calma aí, eu não mandei você vir atrás de mim - ele disse tentando se defender.
Levantou passando a mão em suas roupas que também estavam sujas de terra.
- É, eu não devia ter me preocupado com um idiota feito você - disse sentindo raiva de mim mesma. Mas uma coisa ele tinha razão, eu entrei na mata atrás dele porque eu quis, e não podia culpá-lo agora. Passei as duas mãos no rosto rapidamente para me acalmar, minha respiração estava acelerada demais para alguém que acabara de acordar. Eu tinha certeza que todo esse meu estresse não era exclusivamente por causa dele, mesmo que ele tenha a maior parte da culpa. Mas era o medo que me deixava assim, querendo culpar as pessoas pelas minhas fraquezas.
- Tenho que admitir - ele respirou e se aproximou de mim - Sem você aqui, nada teria graça - ele disse tirando minhas mãos do rosto para olhar através dos meus olhos. Logos após, sorriu como se pudesse ler algo dentro de mim. Eu sabia que meu rosto havia corado ligeiramente com essa aproximação repentina, mas fingi que nada aconteceu.
- Há alguma graça em ficar perdido, garoto? - perguntei devagar sentindo a respiração dele juntar-se com a minha. Era incrível o poder dele sobre mim, bastava uma aproximação, apenas um sorriso e eu me sentia completamente vulnerável.
- Com você tudo é mais engraçado - ele sorriu.
- Seu idiota - Me afastei. Eu sabia que ele não estava falando por mal, mas eu não poderia deixar ele continuar falando essas coisas, pois eu sabia muito bem onde iríamos parar novamente.
- O que eu fiz agora? - ele perguntou surpreso.
- Palhaça é a tua... - respirei fundo, ele riu.
- Eu não quis dizer que você é palhaça - ele se explicou. Não dei ouvidos e voltei a andar, não queria ficar ali perto dele. Ele balançou a cabeça como se negasse algo e me seguiu, andamos pela mata sem falarmos nada um com outro. O dia estava quente, mais ventava forte. O vento batia contra a minha pele, me fazendo arrepiar a cada segundo. Passamos por enormes árvores que tampavam o céu acima de nós, começou a comer uma barra de cereais pelo caminho, estava tão quieto ao meu lado que cheguei a esquecer que ele estava ali. Meus pensamentos foram parar em , certamente ele estaria muito preocupado comigo, o que não é justo, diga-se de passagem. Mas desde quando eu estava sendo justa com ele? Eu estava sendo egoísta isso sim, dando-lhe falsas esperanças.
- Por que você voltou com ele? - A pergunta de ecoou pelo ar. Eu estava tão concentrada nos meus passos acelerados que nem percebi de quem ele estava falando.
- Com ele quem? - perguntei distraída.
- Com o - a voz dele saiu baixa como se sentisse vergonha de sua própria pergunta.
- Você não cansa de pergunta isso? - perguntei lembrando-me que ele já havia me feito essa pergunta, em seu quarto.
- Até você responder, não - ele levantou uma sobrancelha.
- Porque ele é muito bom para mim - respondi sorrindo.
- Mas você não o ama - ele me acusou.
Uma acusação falsa e verdadeira ao mesmo tempo. É claro que eu amava , não da mesma forma que ele me amava, mas ainda sim o amava.
- Isso é da sua conta? - perguntei parando de andar para fitá-lo. Ele parou e me fitou também, meu olhar ficou preso ao dele por um bom tempo, até ele se aproximar de mim. Colocou umas das mãos em meu rosto e sorriu, se aproximando cada vez mais - O que pensa que está fazendo? - perguntei me afastando um pouco para trás.
- Vai dizer que você não quer me beijar? - ele soltou um sorriso de canto de boca me deixando desconcertada - Você me ama, assuma isso - ele concluiu olhando para mim com um sorriso ainda maior.
- Você é louco - eu disse exaltada, e voltei a andar.
- Se você me ama... - ele começou uma nova pergunta e eu o interrompi.
- Eu não amo você - eu disse firme. Na verdade, eu não sabia sequer se o amava mesmo, apenas sabia que a presença dela não me incomodava mais como costumava incomodar, e agora era tão bom tê-lo por perto.
- Eu pensei que aquela noite tinha tido algum significado pra você - ele disse me fazendo lembrar da noite do nosso primeiro beijo. Da festa que eu mal tive tempo de curtir, apertei o passo para me livrar das insinuações dele.
- Foi a pior noite da minha vida - Menti - E não precisa dizer que foi a sua também, porque eu já sei - completei.
- E quem disse que pra mim foi ruim? - ele me parou segurando em meus braços, me fazendo olhar em seus olhos.
- Fiquei sabendo - sorri forçada.
- Como? - ele insistiu.
- Você tem uma namorada - eu disse lembrando da garota esquisita que agora ele fazia questão de apresentar ao outros como sua namorada - Fui apenas um joguinho pra você, não é? - perguntei olhando nos olhos deles, à procura de verdade e encontrei surpresa em seu olhar.
- O que você tem na cabeça? - ele perguntou indignado - Você não foi um jogo para mim.
- Sei - eu disse irônica.
- Você queria o quê? - ele perguntou se alterando um pouco - Você me atiçou e depois me jogou fora... Digo, me largou sozinho naquele estado sem nem me explicar o porquê - ele disse todo atrapalhado - apareceu e eu não pude dizer não. Sou homem, droga.
- Sou homem, que desculpa mais manjada - bufei olhando para nossa frente tentando fugir de seu olhar penetrante - O que é aquilo? - perguntei confusa.

Capítulo Doze: "A Cabana".

Meu queixo caiu por inteiro assim que meus olhos repousaram sobre um tipo de cabana a nossa frente. Olhando assim, de longe, ela parecia mais uma casa de boneca, toda pequenininha, do que algo feito para pessoas ficarem.
- Vamos lá ver - disse desviando o olhar de mim para o lugar, apertou o passo e logo correu até lá. Então, nossa conversa teria que ficar para depois, o que não me incomodou nem um pouco, diga-se de passagem. Não é que eu não queira saber o que havia acontecido naquela noite para ele ter ser amarrado em , ou até mesmo saber se ele havia me usado ou não. Mas o fato de ter de falar com ele sobre sentimentos me deixava confusa, desde que eu mesma não sabia nada sobre os meus.
- Até que enfim - eu disse aliviada parando ao seu lado - Deve haver alguém aí que saiba nos guiar para fora desse lugar - eu disse na esperança de encontrar alguém que nos tirasse dali. Não que, estar perdida em uma mata com o , fosse o fim do mundo, eu até estava gostando de poder estar com ele, mas só Deus sabe quanto tempo eu aguentaria estar ali com ele, sem poder tomar um banho quente, sem poder dormir em uma cama macia, sem poder ver meus amigos, sem poder ver ...
- Vamos entrar - ele disse virando a maçaneta da porta de madeira.
- Ei, você não pode entrar assim na propriedade de alguém - eu disse colocando uma das minhas mão em cima da dele para pará-lo. Ele lançou um olhar carinhoso para nossas mãos agora juntas, e sorriu.
- , acorda! Quem é que morra no meio do mato? - perguntou desviando o olhar de nossas mãos e olhando para mim.
- Não sei - eu disse soltando a mão dele devagar.

Entramos na cabana e realmente não havia ninguém ali, minhas esperanças morreram em um só golpe. O lugar era pequeno, de apenas um cômodo, tudo ali era feito de madeira, desde uma cama improvisada que estava encostada na parede à uma mesa e duas cadeiras um pouco mais a frente. Tudo estava muito empoeirado, o que consequentemente me fez espirar.
- Acho que não vem ninguém aqui a muito tempo - ele disse passando o dedo na mesa empoeirada.
- Ótimo, se não há ninguém aqui vamos embora - disse sentindo o desespero passar por mim. Droga, será que era pedir muito que tivesse alguém naquele bendito lugar? Uma pessoa que nos levasse para casa antes que algo de ruim acontecesse a nós dois?
- Escuta , é perigoso passar a noite aí fora - ele me lembrou - Estou quebrado, só dormi 1 hora essa noite e preciso muito me deitar um pouco.
- Só dormiu uma hora por quê? - perguntei sem entender. Claro que não foi a melhor noite da minha vida, dormindo em um chão de terra, mas isso não me impediu de dormir a noite toda.
- Nada, esquece - ele balançou a cabeça.
- Por que, ? - insisti.
- Eu não dormi a noite passada apenas… Cuidando de você - ele sussurrou. Quando eu digo que o mundo dá voltas e, em cada giro leva algo ruim, eu não minto, e estava aí para provar. Eu jamais pensaria em ouvir algo desse tipo saindo de sua boca, mas foi então que me lembrei:
- ME DESCULPA - gritei. Como eu podia ter sido tão idiota? É claro que ele não havia dormido noite passada, simplesmente por causa dos inúmeros bichos que pode-se encontrar no meio do mato, e eu havia dormido sem nem me importar com isso, palmas para você , você é divina.
- Relaxa, está tudo bem - ele sorriu fazendo meu coração derreter feito manteiga.
- Bom… Obrigada de qualquer jeito - sorri timidamente.
- Então... Você dorme naquela cama - ele disse apontando para a cama de madeira a nossa frente. Como ele conseguia mudar de assunto assim?
- Negativo, você dorme na cama, eu durmo no chão, não tem problema - menti. Claro que tinha problemas, quem é que gosta de dormir no chão? Eu não, mas coitadinho, ele já havia feito muito por mim e eu só estava sendo mal criada como sempre.
- Você vai dormir na cama - ele mandou.
- Não vou - eu disse colocando minha mochila no chão e sentando em uma das cadeiras empoeiradas.
- Larga de ser teimosa? Eu não me incomodo de deitar no chão.
- Nem eu - espirrei.
- Ótimo, então nós dois dormiremos no chão - ele disse sentando-se no chão ao meu lado.
- VOCÊ DORME NA CAMA - gritei - Afinal, eu não vou dormir agora, dormi à noite, lembra? - sorri fraco.
- Está certo, eu durmo na cama, mas você dorme comigo - ele sugeriu fazendo uma cara sedutora, como se ele precisasse disso para seduzir alguém. Mas mesmo assim, pude sentir meu corpo arrepiar.
- Não tem outro jeito? - perguntei.
- Não - ele concluiu.
- Então tá, eu durmo no chão e você na cama - eu ri. Estava adorando encrencar com ele, e vê-lo tentando ser gentil comigo, também estava me deixando surpresa.
- Chega - ele disse bravo - Vou lá fora respirar, essa poeira e você estão me matando - ele disse destacando a palavra você, o que me fez rir ainda mais.
A sujeira também começou a me incomodar, abri minha mochila e peguei a blusa que eu menos gostava, para tentar dar um jeito naquilo. A passei por toda a cabana para me livrar da poeira. Quando terminei de limpar tudo, estava quase morrendo de tanto espirrar, além de estar suada, faminta e fedida. Sentei em uma das cadeiras para ver o que eu tinha para comer, e me deparei com besteira atrás de besteira. Quando eu comeria uma comida decente novamente? Isso me assustava. Quanto tempo eu ficaria ali? E se eu jamais saísse daquele lugar? Várias perguntas e somente a incerteza como resposta.

Capítulo Treze: "Cachoeira faz milagres".

À noite, nós dois dormimos no chão, um querendo poupar o outro. Afinal tentar entrar em acordo com " cabeça dura" é praticamente impossível, mas eu não poderia me dar por vencida, também me joguei ao chão, deixando a cama livre. Passar a noite ali foi terrível, umas das piores noites da minha vida, e o frio me ajudou bastante a chegar nessa conclusão. Quase morri de hipotermia e imagino que também, pois ele se encolhia cada vez mais durante a noite. Eu podia, e queria, abraçá-lo, calor humano, entende? Mas não o fiz, me afastei dele o máximo que pude para ele não poder sentir o maravilhoso cheiro que meu corpo exalava, com apenas uma fungada, ele morreria de intoxicação na hora, e isso não é uma piada.
Assim que amanheceu, ele saiu, cedo, me deixando sozinha por um longo tempo. Poderia ao menos me dar um bom dia, mas talvez pra ele fosse um péssimo dia, assim como era pra mim. Prometi que essa noite eu dormiria na cama, nem que fosse com ele ao meu lado, pois minhas costas estavam mais doloridas do que a desses caras que carregam sacos e sacos de açúcar em cais, não que eu já tenha carregado sacos de açúcar, mas...
- Encontrei um lugar - disse entrando na cabana de repente, o que me fez pular da cadeira.
- Que isso, garoto? Se você quiser me matar, é só me jogar na mata e, de preferência, com algumas cobras em cima de mim, mas não me assusta assim não - eu disse tentando me acalmar. Nossa, eu tinha acabado de dar a ele uma dica de como me matar. Nossa , parabéns, você realmente pensa. Não que eu ache que seja um louco, ou até mesmo que vai me matar, mas precaução é tudo.
- Vem logo aqui - ele sorriu e eu apenas o segui.

Saímos da cabana pegando um caminho estreito por trás da mesma, onde as árvores ficavam cada vez mais distantes uma das outras. Logo não vi mais árvores, apenas um espaço aberto onde eu pude ver o céu sem que nada tampasse a minha visão. O ar estava fresco e o vento batia contra minha pele, a sensação era boa. Olhei um pouco mais a frente e não podia acreditar no que estava vendo. Deus existe, acredite em mim. O som da água caindo sobre as pedras me deixou hipnotizada, eu não estava no deserto, mas acho que estava vendo miragem. Aquilo era mesmo uma cachoeira?
- AAAAAAAh - eu gritei de felicidade - Eu não acredito - apertei as bochechas dele e sai correndo loucamente em direção a cachoeira. Dei um pulo na água fria, que bateu contra meu corpo quente, me fazendo tremer. Não me importei com isso e logo comecei a jogar água pro ar. Não demorou muito, pulou na água também.
- Porque essa felicidade toda? - ele disse, jogando os cabelos, agora molhados, para trás.
- Era tudo que eu precisava, um banho - eu disse sorridente.
- Obrigada por ter limpado a cabana - ele agradeceu me olhando nos olhos.
- Na boa - pisquei - Por que a gente briga tanto? - a pergunta saiu do nada, passei minha mão trêmula sob a água para tentar disfarçar.
- Porque nós nos amamos - eu podia sentir o olhar dele sobre mim. Ele disse nós?
- Quê? - perguntei desconcertada, parando de brincar com a água e o fitei. Meus lábios tremiam mais do que qualquer outra parte do meu corpo e eu o mordi para tentar contê-lo.
- Preciso te confessar uma coisa - ele respirou fundo - Eu acho que estou apaixonado por você. Já faz um tempo que eu não consigo parar de pensar em você. Estou ficando louco tentando imaginar o que pensa e o que sente, aonde está, o que está fazendo. Eu não sei te dizer ao certo, mas depois daquela noite, você se tornou pra mim mais que um amor, mais que um simples sentimento. Eu acho que te amo, - ele parrou um momento e sorriu. Pelo amor de Deus, do que ele estava falando? Será a miragem novamente? Tapa na cara da miragem então - Ah sei lá, eu não sei o que pensar, porque eu não consigo imaginar o que pensa sobre mim - ele continuou cortando meus pensamentos - Eu sinto amor, não sei se você sente, mas eu sinto algo forte sim, porque... Sei lá, vão fazer dois anos? São dois anos que eu te conheci? E todo esse sentimento estava adormecido e por mais que você me trate com certa frieza, você chegou em um momento da minha vida em que meu coração te deixou entrar. Então eu te peço, não me magoe, aceite e aproveite essa chance que meu coração quer te dar, pois o amor que posso te dar em lugar algum vai achar, menina. Eu te amo e posso dizer que eu te amo mais que tudo neste mundo, eu posso sentir isso dentro de mim. Você conseguiu me fazer ser teu, então cuide de mim e me deixe cuidar de você - ele disse cada palavra sem tirar seu olhar do meu, minhas lágrimas começaram a cair, juntando-se com as águas da cachoeira.
Meu corpo tremia e agora era por dois motivos, o frio e nervoso.
- Sua boca está roxa, acho que não estou te esquentando direito - ele disse me fazendo rir.
- A sua também, acho que nós dois fracassamos.
- Acha que posso tentar de novo? - ele disse parando na minha frente. Faltava pouco para chegarmos a cabana, mas ele pareceu não ligar, segurou no meu rosto me roubando um beijo de tirar o fôlego. Minhas mãos também agarraram fortemente seu rosto molhado, fazendo seu corpo grudar ao meu. Suas mãos desceram um pouco, cada uma alisando um lado diferente do meu corpo. Uma apertava meus seios por baixo da minha blusa, enquanto a outra alisava minhas pernas. Ele roçou os lábios no meu pescoço, me fazendo soltar um leve suspiro. Meu corpo foi sendo levado ao chão calmamente por ele e, logo me vi deitada no meio do mato com seu corpo sobre o meu.
Levantei sua camisa molhada, a jogando para longe. Minha mente estava lá para me mandar parar, mas a ignorei, nada iria estragar esse momento, nada. Ele fez o mesmo, levantou minha blusa, me deixando apenas de sutiã. Com a outra mão, foi descendo minha calça devagar. Nos beijamos novamente, um beijo cheio de carícias. Eu suspirava a cada toque, enquanto ele em cima de mim parecia cheio de tesão, pude ver o volume por cima da sua calça subir assim que me revirei para ficar por cima, sorri o fazendo corar. Ele estava tão lindo ali sob meu poder, que eu não tinha dúvidas do que queria, eu o queria só para mim. Desabotoei sua calça, deixando sua boxer a mostra, ele segurou nos meus braços, me puxando para baixo de novo.

Capítulo Quatorze: "E seu coração quebrou, de novo".

- Bom dia - a voz de ecoou como música em meus ouvidos.
- Bom dia - eu sorri para ele, que estava sentando na cama ao meu lado.
- Eu estava te esperando para tomar café - ele sorriu com um pacote de bolacha e uma garrafa de água em mãos. Belo café da manhã, não? Mas, na verdade, eu não estava mais me importando com isso agora, eu o tinha só pra mim, e nada estragaria minha felicidade.
- Só temos besteiras pra comer né? - perguntei sorrindo toda boba.
- Infelizmente, sim. E também temos poucas coisas... Precisamos sair daqui - ele disse pensativo. E lá vem o mundo girando novamente, só que dessa vez trazendo coisas ruins. Logo agora, que eu não me incomodaria de ficar por ali, teria que ir embora?
- Vamos hoje? Tentar achar a trilha? - perguntei pegando o pacote de bolacha de suas mãos e o abrindo devagar.
- Eu vou - ele disse.
- Como assim? - perguntei percebendo o que ele queria fazer.
- Você não vai, eu vou encontrar a saída e volto para te buscar - ele piscou.
- Tá maluco? - perguntei largando o pacote de bolacha na cama - Eu não vou deixar você ir sozinho - levantei olhando pra ele.
- É perigoso - ele disse carinhoso - Aqui você vai estar segura, eu não vou me perdoar se acontecer algo com você, por minha culpa - ele disse triste.
- Ei, você não tem culpa de nada - segurei seu rosto com minhas mãos e o obriguei a olhar em meus olhos.
- Eu que entrei na mata, é por minha culpa que estamos aqui - ele continuou se culpando.
- Pára com isso, eu vou estar onde você estiver - falei alisando seu rosto, ele sorriu fraco.
- Eu queria mesmo que você estivesse comigo em todos os lugares - ele disse se afastando de mim. Pronto, o que ele queria dizer com "queria", afinal, se ele me amasse mesmo, ele deveria dizer que quer estar comigo, e claro que vamos estar juntos, sempre.
- Mas eu sempre vou estar com você, não vou? - perguntei indo atrás dele.
- Quando sairmos daqui, eu não sei o que vai acontecer e... Também tem a - ele enfim resolveu me lembrar da coisa estranha que ele chamava de namorada.
- O QUÊ? - gritei indo até sua frente - Então o que me disse ontem é tudo mentira? - perguntei sem acreditar no que estava ouvindo. Se ele estivesse brincando com meus sentimentos, eu o mataria, jamais se deve brincar com o sentimentos dos outros. Sentimentos não são brinquedos, e não estão à venda para que você possa comprar outro caso alguém estrague o seu.
- Claro que não - ele passou a mão levemente em meu rosto e eu a tirei rapidamente.
- Então por que não podemos ficar juntos?
- É complicado - ele disse indo até a porta da cabana e abrindo a mesma, fitou o verde lá fora ficando de costas para mim.
- Você a ama, não é? - perguntei segurando as lágrimas.
- Não - ele disse firme.
- Então por que vocês estão namorando? - perguntei colocando uma das minhas mão em seu ombro. Ele pareceu relaxar com meu toque, mas logo voltou a enrijecer-se.

’s P.O.V.
Eu sou um canalha, babacão mesmo. E agora só os porquês ficam martelando na minha cabeça. O porque eu disse a ela que a amava, porque eu a amo. Droga, essa história só parece complicar. Não queria de jeito nenhum fazê-la sofrer, ainda mais agora que ela parece tão vulnerável. Mas sei lá, vê-la tão feliz naquela cachoeira me deixou tão balançado. Aquele sorriso de moleca que só ela tem, e esse jeito grosso de quem acha que manda em tudo, e na verdade não sabe nem no que mandar. Mano, isso simplesmente me derrete. Isso é ridículo, eu sei, mas como posso estar assim tão bobo por uma garota e pior, não é uma garota qualquer, é logo ela: A namorada de um camarada meu, um irmão mesmo. Mas eu precisava dizer, ela tem todo o direito de saber que eu a amo. Sinto que ela está confusa com os seus sentimentos, e logo por mim, o cara que ela sempre achou ter o direito de odiar, mas mano, eu tenho total certeza dos meus e não vou mentir pra ela, não dessa vez.
- Eu não devia ter falado nada pra você - eu disse de costas pra ela, eu não podia e nem queria olhar aquele rostinho triste novamente.
- Por que vocês estão namorando, ? - ela insistiu e sua voz saiu falha, o que me revelou que ela estava chorando. Não podia falar pra ela sobre , ela iria se sentir pior em saber que eu estava namorando uma garota forçado para protegê-la, para que ela pudesse ficar com , o cara certo pra ela, mesmo que isso me doa muito.
- Me escuta - disse me virando de frente pra ela, segurei seu rosto em minhas mãos - Eu amo você - eu sorri tentando arrancar um sorriso de seus lábios novamente, mas as lágrimas não paravam de cair de seus olhos - Não quero te magoar, mas não podemos ficar juntos, não agora. é meu amigo, ele é um cara excepcional e ama você - eu parei por um momento - Eu sei que você não o ama, mas você deve ter um carinho muito forte por ele, não é? - perguntei ainda segurando em seu rosto. Ela confirmou com a cabeça e notei que não falaria nada, então continuei - Então, você quer perdê-lo? Porque, sinceramente, eu não quero magoar ninguém, logo ele que é meu irmão - eu soltei seu rosto, essa nossa proximidade não estava me fazendo bem, faltava bem pouco para eu deixar de pensar nos outros e começar a pensar em mim, em nós dois. Segui para a cama e me sentei nela, bem afastado de que parecia confusa parada na porta onde eu estava minutos atrás.
- Não valeu em nada o que você me disse ontem - ela disse fria - Eu amo você e acreditei que você me amava também.
Pronto, ela entendeu errado, será que ela não conseguia ver que eu estava tão mal com tudo isso quanto ela?
- Se você me amasse de verdade, lutaria por nos"so amor. As pessoas um dia entenderiam ou talvez nunca, mas pelo menos jamais teríamos desistido daquilo que sonhamos - ela disse e saiu da cabana, me deixando sozinho. Isso aí mangãozão, a garota, como sempre, tem razão.

Capítulo Quinze: "Até nós morrermos."

Eu sempre achei que a vida deveria ser vivida da forma mais correta possível, que deveríamos respeitar os sentimentos das pessoas e tentar ao máximo mostrar a elas um jeito novo de sorrir, nem que fosse de nós mesmos. Mas respeitar o sentimento das pessoas com sorrisos falsos, não vale de nada.
Fui caminhando devagar até a cachoeira, e nem minhas lágrimas queriam ficar dentro de mim, elas caíam e caíam, me deixando cada vez mais leve. Sentei em uma pedra a volta da cachoeira e fiquei ali observando a natureza. As lembranças da declaração de voltaram a rodar sobre meus pensamentos, me deixando mais confusa.
Por um momento, eu parei para pensar o que eu ganharia com o amor. Se valeria mesmo a pena magoar por esse sentimento. A resposta veio clara em minha cabeça: Eu poderia magoá-lo, mas não enganá-lo. Eu não poderia enganar nem a mim mesma com esse sentimento tão escasso.
Sem que eu mesma pudesse notar, o dia foi passando, o céu foi escurecendo cada vez mais. Eu me sentia sozinha ali, mas não queria voltar, não queria sofrer novamente.
- Não se mexa - Pude ouvir o sussurro de . Eu estava tão concentrada com o silêncio do lugar, que aquele sussurro me assustou profundamente, me fazendo pular. Pude sentir algo morder meu braço, o que doeu pra caramba, diga-se de passagem. Levantei rapidamente a tempo de ver uma cobra se afastar - Droga - eu disse correndo rapidamente para perto de que estava logo atrás de mim.
- Qual a parte do "não se mexa" você não entendeu? - ele perguntou mostrando-se desesperado. Ah claro, agora ele ia brigar comigo por ter me assustado. Como eu não ia me assustar, afinal, passei o dia inteirinho ali, sozinha, sem nem me alimentar e quando começa a escurecer, ele aparece? Se vê no direito de me procurar? Ah, desculpa querido, mas sua preocupação chegou tarde demais, em todos os sentidos - Está sangrando - ele disse levantando meu braço para ver melhor - Não acredito, você foi picada - ele me olhou assustado. Eu juro que se não tivesse escuro, eu até afirmaria que vi seus olhos saltarem para fora das órbitas - Vem, eu vou tirar você daqui - ele disse me pegando no colo. Pronto, agora eu também não sei andar?
- Está tudo bem - eu disse sentindo meu braço coçar.
- Não, não está tudo bem, aquela cobra pode ser venenosa - ele disse com a voz rasgada.
Me levou no colo até a cabana e pegou nossas coisas rapidamente enquanto meu braço estava começando a ficar vermelho.
- Pra onde você pensa que vai? - perguntei sentindo vontade de vomitar.
- Eu não vou deixar nada acontecer com você, eu prometo - ele beijou minha testa sem responder minha pergunta.
- Não podemos sair daqui agora, já está escuro - eu disse colocando meu rosto em seu ombro. Algo estranho acontecia com meu corpo, especialmente com meu braço, que parecia que iria cair a qualquer momento. Tudo parecia mais leve e dolorido, um clarão surgia a cada segundo de pontos que eu não conseguia identificar. Minhas pálpebras começaram a fechar, tentei lutar para manter-me acordada, mas a dor me consumia por inteira. Eu não queria esquecer nem um segundo o momento que eu estava vivendo, ali nos braços dele. Mas sem poder evitar, fechei meus olhos, me deixando levar para a escuridão dentro de mim.

’s P.O.V.
- Vai ficar tudo bem - eu sussurrei para , inconsciente em meus braços. Ela estava suando, e o calor de seu corpo parecia aumentar cada vez mais. Andei pela mata desesperado, eu tinha que tira-la dali o mais rápido possível, mas também tinha que andar devagar, com muito cuidado para não bater em nada que pudesse machucá-la. O medo de perdê-la era assustador demais para que eu pudesse lidar. Cortei meu rosto próximo ao olho esquerdo ao passar por algum espinho no caminho, o sangue começou a escorrer por todo meu rosto juntando-se com as minhas lágrimas e caindo sobre em meus braços. Estava tão escuro que me locomover com ela no colo se tornou impossível para mim, eu já não tinha mais forças para carregá-la. Meu corpo estava dolorido e minha mente confusa, sentei no chão, me encostei em uma árvore a ajeitando em meus braços - NÃO - gritei desesperado olhando para o céu - Por que ela, Deus? - perguntei abaixando a cabeça e a abracei fortemente - Te prometi que nada iria acontecer com você, eu sou um grande mentiroso - sussurrei, passando a mão sobre seu rosto sujo de sangue, sujo com meu sangue.
Latidos de cães me surpreenderam de repente, estavam cada vez mais perto.
- Eles estão aqui - a voz de um homem ecoou tão forte. Nada fazia sentido, apertei contra mim com o resto de força que me restava. Mas logo meu corpo não respondia por nenhuma ação, meus olhos foram se fechando pouco a pouco.

Capítulo Dezesseis: "E vai ficar tudo bem".

Só de pensar que um dia eu pensei em viver para sempre, mal sabia eu que não aguentaria nem o agora. Estava tudo escuro, eu olhava para todos os lados a procura de alguém que pudesse me ajudar, me tirar dali. Mas não via nada além de árvores e árvores ao meu redor.
- ? - eu gritei sentindo as lágrimas caírem pouco a pouco pelo meu rosto - Cadê você? ?
- Ei, calma, - uma voz calma e conhecida me fez abrir os olhos rapidamente, me tirando de um pesadelo perturbador.
Passei a fitar o quarto no qual eu me encontrava. As paredes brancas e o espaço vazio por quase todo o cômodo denunciava claramente aonde eu estava, em um hospital. Mas como foi que eu cheguei...?
- Você está bem? - cortou meus pensamentos, me fazendo olhar em seus olhos profundos à minha frente. Sua expressão abatida deixava claro que ele não dormia a um bom tempo.
- Como foi que eu cheguei aqui? - perguntei confusa.
- A equipe que estava a procura de vocês, os encontraram próximo a saída da mata, pelo que parece, o andou com você no colo até lá - Claro, o , como eu podia ter me esquecido dele? Um flash passou por mim, trazendo à tona tudo que havia acontecido, me senti atordoada.
- Como ele está? Onde ele está? - perguntei sentando-me na cama ligeiramente.
- Amor relaxa, está tudo bem - ele sorriu pra mim, passando um mão de leve sobre meu rosto. Minha aparência deveria estar ótima, mas eu não podia me importar com isso agora, eu precisava ver , tocá-lo, e ter certeza de que ele estava mesmo bem.
- Mas ele está bem? - insisti.
- Sim, ele chegou desidratado, o que é de se esperar, mas ele está melhor do que você - ele sorriu - Eu fiquei tão preocupado e--
- Ele está aqui no hospital? - o cortei. Claro que, pra ele, essa situação não deveria ser uma das melhores, mas eu não podia evitar minha preocupação com , apesar de tudo que... Senti meu coração se apertar, só de lembrar do que havia acontecido na nossa última manhã naquele lugar, ele havia desistido de mim, do nosso amor, ou pelo menos do meu amor.
- Está no quarto ao lado, todos estão lá com ele porque você estava dormindo... E nunca mais faça isso comigo, senti tanto medo de te perder - ele disse devagar.
- Desculpa - eu disse sorrindo fracamente pra ele, que acabara de sentar ao meu lado na cama. Levantei em um pulo no mesmo instante, eu queria ver , mas senti um enjôo fraco passar por mim na mesma hora.
- , você não pode levantar, amor - disse calmo, mas rapidamente já estava em pé ao meu lado, segurando em volta da minha cintura - Vou chamar o médico e dizer que você acordou, mas fica quietinha aqui.
- Não - eu disse afastando seus braços de mim, ele me olhou assustado, o ignorei e caminhei rapidamente em direção a porta do quarto sentindo o enjôo ficar cada vez mais forte.
Abri a porta com certa dificuldade e me apressei para o quarto ao lado, supostamente o quarto de . Abri a porta do quarto onde ele deveria estar, e senti a presença de alguém atrás de mim, olhei para trás e vi os olhos de refletirem preocupação, o ignorei novamente e entrei no quarto. Todos olharam para mim, mas eu só estava olhando para ele.
- - eu disse.
- - disse ele.
- O que você está fazendo aqui? - A voz de fez meus olhos desviarem dele rapidamente, mas logo voltei a fitá-lo. Ele tinha um pequeno curativo próximo ao olho esquerdo, mas sua aparência estava boa. É, não parecia mesmo ter acontecido nada com ele, graças a Deus. O enjôo apertou, o que me fez parar no meio do quarto, eu iria vomitar a qualquer momento. , que estava sentado na cama a minha frente, levantou quase correndo, no mesmo instante os braços de me envolveram.
- Deita-a aqui - a voz de soou preocupada, o fez, me guiou calmamente até a cama e me deitou na mesma.
- Não levanta daí, senhorita - disse me olhando carinhosa, mas suas palavras sairão quase desesperadas.
- Alguém chama o médico - disse, me fazendo o olhar em sua direção pela primeira vez desde que entrei ali.
- Não, eu estou bem, de verdade - eu disse sentindo o enjôo passar. Eles não sabiam o que fazer, se iam chamar o médico ou se vinham até mim, eu apenas sorri fraco por saber que eles se preocupam comigo.
- Tem certeza de que você está bem? - perguntou chegando perto de mim, meus olhos estavam tão voltados a que eu tinha deixado passar que todos eles estavam ali. me olhava carinhosa, abraçou , sem tirar os olhos de mim. Já se aproximou, pegando em minha mão, enquanto sentou na beirada da cama.
- Tenho sim, , obrigada - respondi.
- Estou tão feliz que não aconteceu nada com vocês - disse - E quero que continue não acontecendo nada, senhorita. Sua mãe está muito preocupada com você, só foi em casa agora tomar um banho porque nós praticamente obrigamos ela... Então, por favor , se comporte.
- Desculpa, eu só queria agradecer ao - eu disse olhando o garoto sentado a minha frente, ele fitava o chão, por algum motivo, que eu sabia muito bem qual, ele não me olhava.
- É verdade, se não fosse o te carregar até a saída, os guardas não teriam encontrado vocês a tempo de te dar um soro antiofídico - disse mostrando-se orgulhoso pelo amigo.
A porta do quarto se abriu novamente, olhei com medo de ser algum médico, mais um para chamar minha atenção. Mas não era um médico, era algo muito pior, .
- Eu não acredito, não acredito, não acredito - repeti pra mim mesma, fechando os olhos, na esperança de quando abrí-los não vê-la ali novamente.
- Vocês só podem estar brincando comigo, não é? - perguntou ela com a mesma voz nojenta de sempre, reabri os olhos sentindo minhas esperanças acabarem, ela estava mesmo ali. a fitou e colocou a mão na cabeça como se ficasse incomodado com a presença dela, coisa que nessa altura eu já estava duvidando. Afinal ele a amava, não é mesmo?
- Por que estaríamos brincando com você? - perguntou com o mesmo tom grosso da garota.
- Ninguém me avisou que haviam encontrado os dois, ou você se esqueceu que o é o meu namorado? - disse ela grifando a palavra, lançou seus olhos frios para mim e me fitou como se eu fosse um bicho, senti vontade de mandá-la para o inferno, mas não o fiz.
- Esquecemos completamente que você existe, afinal, esse tempo todo você não se mostrou nem um pouquinho preocupada com ele - continuou sendo grossa com a ela, essa era minha amiga.
- O que importa é que tudo isso acabou, não é? - disse levantando da cama e indo na direção de tentando acabar com a discussão que se formava, ela segurou em seu rosto e o beijou, virei a cabeça rapidamente e fitei o chão. Nunca pensei que doía tanto, que amar alguém precisava tanto de coragem.
- Você está bem? - sussurrou virando meu rosto para si.
- Estou sim, só quero ir pra casa - eu disse devagar.
- Acho que você vai ter que ficar aqui de observação, mas não se preocupe, vou ficar aqui com você - ele disse aproximando seu rosto do meu, seu hálito de hortelã invadiu minhas narinas, nossos lábios se tocaram lentamente.

’s P.O.V.
- Está maluca? Não faz isso - sussurrei afastando nossos lábios.
- Por que maluca? Que eu saiba, você é meu namorado - ela disse fria.
- Estamos em um hospital, isso não é certo - disse a primeira desculpa idiota que me veio a cabeça, olhei rapidamente para rezando para que ela não tivesse visto isso.
A raiva passou pelo meu corpo rapidamente, como um choque, ela estava ali, envolvida nos braços de , e ele a beijava demoradamente.
- Esquece o que eu disse - agarrei pela cintura e a beijei novamente.

Capítulo Dezessete: "Voltando a realidade".

O dia amanheceu rapidamente, abri os olhos com muito custo, eu queria me afogar em sono para não ter que aceitar que agora, definitivamente, eu o havia perdido. agora não lembraria nem que eu existo. Na noite anterior, depois de todos os beijos que ele deu com na minha frente, me deixou bem claro isso. Já estava dormindo, todo tordo, sentado na cadeira ao lado da minha cama, já que só havia levado alta, sorri ao ver o quanto ele se importava comigo. Alguém bateu levemente na porta do quarto o fazendo levantar todo desesperado.
- Calma amor, está tudo bem - eu disse tentando acalmá-lo, ele sorriu cheio de sono e foi abrir a porta.
- Bom dia - o doutor disse e eu me sentei na cama e sorri como resposta.
- Bom dia - respondeu .
- Bom, olhei seus exames e está tudo bem com a senhorita, sua mãe está assinando uns papéis lá fora, mas você já está liberada para ir pra casa.
- Sério, doutor? - eu disse abrindo um sorriso contagiante, ele concordou com a cabeça e se retirou.
Levantei da cama me sentindo renovada, prendi meu cabelo em um coque todo mal feito e abracei .
- Obrigada por passar a noite aqui comigo.
- Obrigada por ter voltado bem, me dando oportunidade de passar outras milhões de noite com você - me senti corar e o beijei levemente. Novamente alguém bateu na porta, virei o rosto para ver quem era.
- Estou atrapalhando algo? - mamãe disse entrando no quarto.
- De jeito nenhum - me afastei de e corri para abraçá-la.
- Você quase me matou do coração, - ela já foi logo me dando esporro.
- Eu sei mãe, desculpe.
- O que importa é que você e seu amigo estão bem - ela afagou meus cabelos - Bem, vamos pra casa? Carona, ?
- Não senhora, estou de carro. Mas, se não se incomodar, eu posso levá-la para casa.
- Não, tudo bem, mas não demorem, ela precisa descansar - ela beijou minha testa - Ah filha, uma carta do seu pai pra você - ela abriu a bolsa e retirou um envelope de lá, o peguei e sorri.
Assim que mamãe saiu, juntei todas as minhas coisas e as levou até o carro para mim. Alívio, era o que eu estava sentindo por estar indo para casa, depois de todo esse tempo longe. Peguei a carta que meu pai havia me mandado, me olhou de rabo de olho, mas continuou a dirigir. Ele sabia o quando eu sentia falta do meu pai, o quanto dois anos longe dele estava me afetando, o quanto a separação dos meus pais me machucava. Abri a carta para acabar logo com isso.

Novembro 9
,
Eu estou completamente preocupado com você, sua mãe me avisou o que aconteceu e eu não consegui pregar os olhos. Minha vontade é de viajar até ai, e te buscar para morar comigo, você iria adorar Washington. Fico feliz e aliviado em saber que você está bem, e seu amigo também... Grande garoto, e salvou sua vida, quero conhecê-lo. Mas diga a ele que sou eternamente grato por isso. Eu já estava com a passagem em mãos para ir te ver, desculpe não ter ido logo no dia em que você sumiu, eu tentei, mas você sabe como as coisas andam corridas. Só não esquece que eu te amo, e pense com carinho na minha proposta.
Beijos, papai.


Dobrei o papel e o guardei no bolso, olhei e ele continuava dirigindo como se nada tivesse acontecido, fitei a rua e o olhei novamente.
- Não vai me perguntar? - eu disse fazendo ele virar o rosto para mim.
- Se você quiser me contar, se não...
- Ele me chamou para morar com ele em Washington - eu disse. Sua expressão mudou completamente, ele encostou o carro e me fitou.
- E você? - ele me olhou como se suplicasse para que eu nem pensasse nisso, e foi o que eu fiz.
- Eu não cheguei nem a pensar nessa possibilidade, minha vida está aqui - eu disse passando a mão levemente sobre seu rosto, ele sorriu aliviado e me beijou.
- Bom, eu sei que eu tenho que te levar pra casa, mas quero te mostrar uma coisa - ele disse enrolando os dedos nas postas do meu cabelo, fazendo cachinhos nos mesmo.
- Não tem problema, sem pressa - sorri. Ele ligou a carro novamente e seguimos na direção de sua casa, ele estacionou o carro em frente a grande casa branca e abriu a porta para que eu descesse.
Caminhamos de mãos dadas até entramos na casa. abriu a porta para que eu pudesse entrar e me abraçou por trás assim que entrei no lugar.
- SURPRESA - todos gritaram em uníssono, eu teria caído de tanto susto se não fosse me segurar. A casa estava toda enfeitada, e um grande cartaz preso na sala dizia: Seja bem vinda. A mesa posta perto da escada estava cheia de doces, e logo uma música começou a tocar. , , e todos os garotos vieram me abraçar.
- Surpresa - sussurrou no meu ouvido.
- Amor, você devia ter me contado, olha meu estado - eu disse.
- Está linda, amiga - me abraçou novamente.
- Obrigada, isso que está lindo - eu disse contente com a surpresa. Sem poder evitar, lancei o olhar mais para dentro do lugar a procura de uma única pessoa, e ele estava ali, sentado no sofá com um copo em mãos, sua expressão estava vazia, e eu daria tudo para descobrir o que estava pensando.
- Então vamos beber - gritou me animando ainda mais - Menos você, é claro - ele me olhou e riu.
- Maldade isso, hein?! - retruquei e todos riram.
- Vou tomar banho, já desço, se cuida por mim - sorriu, dando-me um selinho antes de subir rapidamente. Sem que eu pudesse perceber, já estava indo na direção do sofá, eu não tinha tido tempo de falar com e, apesar de todas as minhas mágoas, eu queria agradecer a ele por te salvado a minha vida, mesmo que a mesma tenha acabado no mesmo dia pela manhã. Logo, eu que tinha tando medo de me machucar, cai na do amor.

Capítulo Dezoito: "Revelado".

Fitei o sofá onde estava sentado pela última vez, respirei fundo e caminhei até lá. Mil coisas se passaram pela minha cabeça, e todas elas diziam: Não vá. Mas eu fui. Sentei ao lado de calmamente, enquanto ele fazia questão de nem mover a cabeça para me fitar, ficou ali, imóvel, olhando para o chão.
– Oi – eu disse tentando controlar o nó que se formava em minha garganta. Não pensei que seria tão difícil e estranho falar com ele como estava sendo. Só me pergunto como é possível? Você tem emoção intensa com alguém e depois essa pessoa ignora até a sua existência?
– Oi – ele respondeu friamente.
– Tudo bem? – perguntei rapidamente me sentindo tola.
– Estou bem – ele disse.
– Eu vim aqui te agradecer por ter salvado a minha vida – eu disse firme, não queria mostrar a ele o quanto eu estava aos seus pés, eu deveria ser forte, mesmo estando sem forças por dentro.
– De nada – ele disse com o mesmo tom frio e insuportável. Eu queria levantar dali, olhar bem nos olhos dele e dizer tudo, mas tudo o que estava me deixando mal. Queria dizer a ele para parar de ser criança, porque isso estava o tornando um mostro. Um mostro que me botava medo. Mas, como sempre, fiquei calada, só ouvindo o som da nossa respiração.
– E a rádio da escola? O que vamos fazer? – perguntei me sentindo inconveniente.
– Você pode ficar com ela – ele disse ameaçando levantar, mas eu o prendi.
– Espera – o fitei rapidamente, meu coração deu um salto olímpico dentro do peito assim que nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Ele parecia assustado, mas voltou a se ajeitar no sofá. Sua pele clara parecia tão macia nessa pouca distância que mantínhamos que minha vontade era de abraçá-lo ali mesmo.
– O que foi? – ele me encarou como se pudesse ver meu interior, senti meu rosto corar e toda a minha posse de menina fria evaporar rapidamente.
– Poderíamos abrir a rádio da escola com a banda de vocês – eu disse tentando ser indiferente novamente. me lançou outro olhar, mas dessa vez foi um olhar de total surpresa. Ele abriu a boca pra falar alguma coisa, mas nada saiu.
O que foi que eu disse de mais? Me perguntei várias vezes, até a resposta vim clara em minha mente. A banda. Lembro-me da minha promessa de não contar nada pra ninguém, e esse ninguém incluía .

Flashback ON

- Oi - eu disse sorrindo.
- Oi amor - ele chegou perto de mim me beijando demoradamente, eu havia me esquecido do quanto ele era amável.
- Você ficou sabendo do parque florestal? – perguntei.
- Ah, não acredito, vai me dizer que você... - ele fez suspense - Também quer ir - completou rindo.
- Ah seu bobo, você me assustou sabia? - fiz charme.
- Olha o drama, - ele riu.
- Você vai mesmo? – perguntei.
- Claro, todos nós colocamos o nome na lista - ele piscou.
- Todos quem? - levantei a sobrancelha.
- Todos os meninos e, bom, a e a Camila - ele respondeu.
- É um saco não ser da sala de vocês, sabia? - eu disse fazendo bico.
- Eu também acho, deveríamos processar essa escola, o que acha? - ele disse me fazendo rir - Tenho uma novidade - ele continuou.
- O quê? - perguntei curiosa.
- Me mudei pra casa do .
- Como? Quero dizer, por quê? - falei sem entender.
- É segredo amor, mas não foi só eu que me mudei, hoje o e o também irão pra lá.
- Se é segredo por que começou a me contar? - perguntei - Agora fiquei curiosa, deprimi mesmo - disse fitando o chão.
- Você não tem jeito - ele sorriu levantando meu rosto e cochichando no meu ouvido. Eu não acreditei no que ele me contava.
- SÉRIO? - gritei sorrindo.
- Claro, mas não esquece, é segredo - ele me lembrou.
- Pode deixar, bebê - eu disse cruzando os dedos e beijando os mesmos - Não contarei a ninguém – prometi.

Flashback OFF

– Eu sabia que o ia dá com a língua nos dentes, eu sabia – ele respirou fundo.
– Eu não contei pra ninguém, ta legal?
– Isso não importa , era uma promessa entre amigos.
– Que medo é esse de alguém ficar sabendo da banda de vocês? São tão ruins assim? – eu disse irritada.
– Era uma questão de confiar, eu queria poder confiar nos meus amigos – disse desapontado.
– Não fala isso , todos os seus amigos estiveram com você sempre que você precisou.
– Eu disse confiar e não precisar deles.
– Você é um grosso – disse me levantando bruscamente do sofá, ele segurou em meu braço me fazendo sentar novamente.
– Mas eu gostei da idéia – ele disse de repente dando um sorriso maroto.
– Você anda se drogando? – perguntei.
– Hã? – ele pareceu confuso.
– Minutos atrás não olhava nem pra minha cara, e agora já está distribuindo sorrisos – tentei explicar.
– A questão ainda é a mesma, .
– Que questão?
– Ninguém pode saber que estamos trabalhando juntos – ele disse me fazendo pirar de raiva. Qual era o problema em trabalharmos juntos afinal?
– Que saber? Eu que não quero mais fazer parte disso com você – levantei do sofá bruscamente e caminhei em direção a porta, eu queria e precisava fugir dali antes que alguém me visse naquele estado, prestes a chorar. Abrir a porta e senti alguém segura-lá, me impedindo de sair.
– Onde você está indo? – A voz de me fez segurar as lágrimas.
– É que... Minha mãe me ligou e eu não queria te incomodar – eu disse a primeira desculpa esfarrapada que me passou pela cabeça. sorriu e me puxou para si.
– Amor, você nunca me incomoda, vou pegar a chave do carro e já te levo pra casa, ta certo?
– Obrigada – sorri. Ele virou as costas e seguiu a procura da chave, respirei fundo tentando afastar as lágrimas que ainda insistiam em querer sair. É tão estranho, nada mais funciona, nada mais agita, de repente tudo parou. O tempo anda tão fechado, o sol não existe mais. Tranquei-me. Mundo pela janela, sonhos espatifados pelo chão, não sei aonde chegar, vou culpar o amor. Vou culpar o , para sempre.

Capítulo Dezenove: "Aos trancos".

Acordei pela manhã assustada, noite passada eu havia pegado no sono sem ligar o despertador, mas relaxei ao ver que ainda eram 06h10 da manhã. Levantei calmamente da cama e segui em direção ao banheiro para fazer minha higiene matinal. Antes das seis e meia eu já estava pronta para ir à escola. Olhei-me no espelho pela última vez e respirei fundo, seria uma manhã e tanto, voltar às aulas do jeito que eu menos queria, com essa sensação absurda de ter sido enganada. Desci as escadas e fui em direção a porta, um carro muito conhecido estava a minha espera. Aproximei-me do carro de e sorri.
– Bom dia – eu disse sorridente.
– Bom dia, meu amor – disse saindo do carro e abrindo a porta do carona para mim.
estava louca atrás de você, quer saber o porquê de você não ter aproveitado a festa ontem – comentou.
– Eu estava me sentindo cansada – disse devagar.
– É de se esperar, afinal, você tinha acabado de sair do hospital não é?
é meio cabeçuda, mas ela vai entender – eu disse enquanto segurava minha mão e a beijava devagar. Seguimos o resto do caminho em silêncio, ele estacionou o carro na primeira vaga que achou no estacionamento da escola e desceu indo até o meu lado pra abrir a porta para mim.
– Eu até levaria você a sua sala, mas eu tenho uns livros para entregar na biblioteca, então te vejo no intervalo – disse roubando-me um selinho.
– Até o intervalo então – concordei. Ele se afastou indo em direção a biblioteca, e eu segui pelo estacionamento até entrar na escola. O corredor da estrada estava cheio, e a maioria das pessoas que se encontravam por ali me olhavam cuidadosamente. Não me importei com isso, apenas segui em direção a minha sala. Assim que passei pela porta, levantou correndo de seu lugar e veio me abraçar.
– Nós não tivemos muito tempo pra isso ontem, não é? – ela disse enquanto me apertava em seus braços.
– É eu estava me sentindo cansada e não fiquei muito tempo – eu disse correspondendo o seu abraço.
? – uma voz firme me fez desgrudar de rapidamente. Virei para fitar quem me chamava e fiquei surpresa, era Saulo, o inspetor.
– Sim?
– A diretora Rubin deseja falar com você.
– O que ela quer com você? – perguntou confusa.
– Deve ser a respeito do meu sumiço na trilha – respondi. Mas, conhecendo a diretora, eu sabia que nossa conversa não seria somente sobre isso.
– Bom , vou lá ver o que ela quer – sorri e segui o inspetor. Saulo me guiou mais uma vez pelo enorme corredor branco com detalhes em vermelho da escola e me deixou na porta da diretoria. E lá estava eu novamente olhando para o símbolo da escola, a águia seguida pelo nome Vancouver School, bati e esperei.
– Entre – a voz da diretora Rubin era calma. Entrei na sala que era exatamente a mesma da última vez em que eu estive ali. Ela estava sentada em sua mesa escura como sempre, e sorriu – Sente-se, .
Sentei-me sem questionar, até que alguém bateu na porta e foi convidado para entrar. Meu coração acelerou e eu sabia, mesmo sem olhar para trás, eu sabia quem é que estava ali.
– Sente-se aqui, querido – ela apontou para a cadeira vazia ao meu lado. se aproximou e eu pude sentir seu perfume me embriagar.
– Estou muito contente em ter meus dois alunos de volta, aquela trilha quase me matou do coração. E bom, vocês dois deveriam ter tido mais cuidado.
– Nos desculpe – eu disse tentando poupá-la de seu discurso "eu fiquei preocupada com vocês" quando, na verdade, eu sabia que era por causa da escola. Se acontecesse algo a nós dois, a escola seria a culpada.
– E eu também gostaria de saber mais sobre a rádio da escola – ela foi logo ao assunto.
– Então, diretora...
– A rádio está ótima, teremos uma banda de abertura – disse me cortando.
– Que maravilha, me conte mais, querido – ela disse empolgada.
– A banda foi idéia da , e será uma surpresa muito boa, não é ? – ele sorriu para mim.
– Aham – eu disse atordoada.
– Ótimo, eu estou contando com vocês – ela disse levantando para abrir a porta para nós.
Sai da sala e apertei o passo em direção a minha sala, sem olhar para trás. Eu disse que iria ignorar , e é isso que eu iria fazer.
– Ei, espera – gritou correndo para me alcançar.
– O que é? – eu disse fria. Ele segurou no meu braço me fazendo parar no meio do corredor.
– Dá pra parar de agir assim?
– Assim como? Da mesma forma que você vem agindo comigo?
– Mas você não é assim – ele disse desapontado.
– Por que, hein ? Por que eu devo sorrir pra você e fingir que está tudo bem, quando não está?
– Porque você é melhor do que eu.
– Mas eu sou tão humana quanto você, e eu sinto tudo o que você sente, só que em mim dói um pouco mais, não acha? – perguntei.
– Vem aqui – ele disse segurando em meu braço e me puxando para o lado oposto do corredor. Entramos na biblioteca e seguimos até o fim das prateleiras. Ele soltou meu braço e destrancou a porta da rádio dando espaço para eu passar. Entramos na rádio e ele encostou a porta, o fitei sem saber o que fazer.
– ele disse devagar.
– Eu não sei nem porque estou aqui com você, nem porque deixei você falar pra diretora que eu ainda estou na rádio, quando eu não quero nem estar aqui com você – eu disse o mais fria que consegui ser.
– Você tem todo o direito de me odiar, mas... – O celular dele começou a tocar, ele o tirou do bolso, olhou o visor e desligou o celular.
– Não vai atender sua namoradinha? – eu disse com plena certeza que era .
– Você tem todo o direito de me odiar, mas a diretora está contando com nós dois – ele disse ignorando minha pergunta.
– Que pena, vou desapontá-la.
– Você me ama.
– Eu odeio você, como sempre odiei, e como vou odiar para sempre – Eu disse possessiva, como ele podia estar tão ciente dos meus sentimentos? E como ele podia estar tão certo?
– Se me odiasse, você não ligaria em trabalhar na rádio comigo, e sim trabalharia só pelo prazer de me provocar que eu sei. Mas não, você está aí fugindo de mim.
– EU ODEIO VOCÊ – gritei. se aproximou de mim tão rápido que eu não pude evitar, quando dei por mim, nossos lábios já estavam colados. Ele me beijou calmamente, um beijo cheio de paixão. Suas mãos subiram até a minha nuca, o que me fez arrepiar. A porta da rádio se abriu rapidamente. se afastou de mim, eu abri os olhos devagar e me enrijeci. estava parado na porta olhando para nós dois.
E estava com ele.

Capítulo Vinte: "Acabou".

– eu disse devagar, olhou para mim assustado.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou boquiaberto. Meu coração acelerou como nunca, era como se tivessem injetado uma dose de angústia em minha corrente sanguínea. me odiaria, era só isso o que eu conseguia pensar.
– É... Que... – Tentei explicar, mas as palavras pareciam ter evaporado. O que eu poderia dizer?
– Eles estão tendo um caso. Ou você ainda não percebeu, idiota? – disse cheia de veneno.
– Cara, não é isso... – ia dizendo quando deu as costas e saiu praticamente voando da rádio. Não pensei duas vezes e o segui. Ele teria que me escutar, mas o que eu iria dizer, meu Deus, o quê?
, espera, por favor – eu disse sentindo as lágrimas caírem pelo meu rosto. Ele não olhou para trás, apenas apertou o passo ao sair da biblioteca e seguiu para a saída da escola. correu na minha frente para alcançar o amigo, enquanto gritava para ele esperar.
Sai no pátio da escola sem tirar os olhos dos dois e com ao meu alcance.
– Alguém gritou, fazendo-me olhar para trás. Uma menina baixinha, dos cabelos vermelhos olhava cheia de ódio para ela, que parou assustada no meio do pátio. Virei o rosto na procura de e e eles estavam iguais a mim, olhando a garota que acabara de gritar.
– Falei pra você parar com isso e você não me escutou – ela disse mostrando indignação.
– E eu falei pra você não se envolver – ela respondeu.
– Você está acabando com a vida deles, será que você não percebe? – ela disse partindo para cima da garota, que tentou se defender. Sem pensar duas vezes, entrei no meio da briga tentando apartar. Por mais que não me passasse na garganta, eu não deixaria essa briga acontecer.
– Parem já com isso – gritei tentando separá-las em vão. entrou no meio também e puxou a ruiva para longe enquanto eu segurava fortemente .
– Eu vou matar você – gritou tentando soltar-se dos meus braços.
– Você vai é calar a boca, valentona – eu disse firme.
– Olha quem fala, a garota infiel – ela retrucou para mim, que senti meu sangue ferver.
Fechei o punho e quando eu ia mostrar a ela quem era a infiel, alguém segurou meu braço.
– Não deve agredir alguém por dizer a verdade – disse soltando-me rapidamente – Agora dá pra alguém me dizer que porra é essa? – completou.
– a ruiva disse.
– Seja mais específica, por favor – ele disse frio. Seus olhos pareciam duas jabuticabas ao chão, escuros e vazios. Em nossa volta havia se formado uma enorme roda de pessoas, parecia que a escola inteira estava ali.
– Ela tem ameaçado o seu amigo – ela disse diretamente ao , que ainda parecia totalmente perdido – Meu Deus como vocês são ingênuos, olhem pra ela – ela disse apontando para que estava totalmente atordoada – Vocês acham mesmo que o ficaria com uma garota como ela? Quero dizer, não só por ela não ser bonita, mas por não ter caráter algum. Ela sempre foi ambiciosa e nós éramos amigas até eu descobrir isso. Tudo começou na festa da casa do , ela estava lá e viu quando vocês dois ficaram – ela disse olhando para mim e soltando-se de , que estava sério – Depois disso, ela começou a ameaçar o pra ficar com ela, disse a ele que contaria ao que vocês estavam ficando se ele não fingisse namorá-la. E pelo o que tudo mostra, ele fez o que ela pediu.
– Você estava ameaçando ele, sua vaca? – perguntei a sentindo a raiva tomar conta de mim – Então esse tempo todo você estava fingindo gostar dessa garota, ? – por um momento senti meu coração respirar.
– Vocês estavam ficando desde a festa? – me lançou um olhar que me fez desejar sumir. Como eu podia estar me sentindo aliviada enquanto ele estava ali, sofrendo? Seus olhos encheram-se de lágrimas.
eu posso explicar tudo, por favor – eu disse sentindo vontade de abraçá-lo até tudo passar.
– Meu melhor amigo e minha namorada – ele disse incrédulo e sumiu em meio às pessoas que estavam ali. o seguiu rapidamente me deixando sozinha em meio às duas garotas, e totalmente sem chão. Todos me olhavam cheio de atenção, aquele ali seria certamente o assunto do ano, a garota infiel, como disse . Meu mundo estava completamente perdido.
– gritei sentindo meu corpo cambalear.
– Está tudo bem, acabou , vem – apareceu de repente, puxando-me pelo braço.

’s P.O.V.
Amizade ou amor? Amizade ou amor? Minha cabeça estava uma confusão que só. Eu ainda não tinha parado pra pensar o quão escroto eu estava sendo comigo mesmo ao fazer isso com o meu melhor amigo. Mas agora ali, correndo atrás dele para explicar o que não tinha explicação estava sendo difícil demais.
– Cara, espera aí – eu disse firme, correndo para acompanhar seu passo. fingiu não me ouvir e abriu a porta do carro, abri a do passageiro e entrei rapidamente.
– Desce do meu carro agora – ele disse sem olhar para mim.
– Vamos conversar – pedi.
– Sobre como você pegou minha garota pelas minhas costas? Ah claro, vamos sim.
– Não é bem assim...
– Não é bem assim como, seu miserável? – ele desceu do carro, deu a volta até o passageiro e me puxou de lá – Como é então? – ele disse segurando na gola da minha camiseta.
– Me solta cara, violência não resolve nada.
– Mas ensina a canalha ter mais respeito – ele disse rouco me fitando com seus olhos vermelhos – Minha vontade é acabar com você, mas não vale a pena, sabe por quê? Porque você é um lixo. Você não serve nem pra arrumar mulher, tem que roubar a do amigo – ele me empurrou e entrou no carro dando partida no mesmo.
End of ’s P.O.V.

– A escola inteira deve estar falando sobre isso agora – comentou sentando na beirada da minha cama assim que saí do banheiro. Sentia-me totalmente sem chão, mas algo no fundo do meu peito estava calmo. não amava . E isso era realmente tudo o que eu me importaria no momento se não fosse por , que de certeza estava sofrendo por minha culpa. E a dor dele, era a minha dor, minha pior dor. Eu não queria e nem podia ter machucado ele dessa forma, eu o amava, ele era como se fosse meu irmão mais velho, um super protetor. Mas agora já estava feito, eu já tinha colocado tudo a perder.
– A escola pouco importa , o que me importa é o que o está pensando, o que ele está sentindo – eu disse sentindo vontade de chorar novamente.
– Não pensa nisso agora, vai ficar tudo bem, você vai ver – disse chegando perto de mim com algumas das minhas roupas em mão – Se vista, e depois você pensa no que vai fazer.
– Obrigada por estarem aqui comigo depois de tudo isso – sorri forçado, pegando minhas roupas e voltando ao banheiro para me vestir. havia me obrigado a tomar um banho quente para me acalmar, mas agora eu estava ali tensa novamente.
Vesti-me e sai do banheiro apresada.
– Vou atrás do – eu disse pegando minha bolsa em cima da cama.
– Você não acha que deve deixá-lo pensar um pouco? – perguntou.
– Ele não pode ficar só, ele vai achar que eu não ligo pra ele, eu quero estar lá tentando amenizar tudo isso – disse enquanto abria a porta do meu quarto.
– Concordo com você – disse.
Desci as escadas e fui direto para a rua, em direção a casa do rezando para o estar lá. Apertei os passos e não demorou muito para eu estar em frente à enorme casa branca, andei pelo jardim rapidamente e bati na porta.
– É você – disse desanimado ao me ver.
– Ele está ai? – perguntei.
– Ele não quer falar com ninguém. E acho que essa não é uma boa hora pra você ir lá encher mais a cabeça dele.
– Por favor – insisti. Estava claro que ele estava bravo comigo, eu havia traído todos eles. Como nos três mosqueteiros, um por todos e todos por um.
– Boa sorte – ele disse abrindo caminho para eu passar. Na sala estava , sentado no sofá com cara de enterro, ao me ver ele se levantou e foi direto a cozinha. Sem sombra de dúvida, ele também estava super magoado comigo, mas eu não podia me preocupar com isso agora. Subi as escadas e fui direto para o quarto de , não me privei de olhar para a última porta do corredor, será que... Deixa pra lá.
– eu disse batendo de leve na porta. Ele não respondeu – Me deixa falar com você – insisti. Virei a maçaneta da porta, mas estava trancada – Eu não vou sair daqui se você não abrir a porta. Me deixa explicar tudo – eu disse começando a chorar novamente.
– Sai daqui , sai daqui – a voz dele ecoou vazia.
– Você precisa saber de tudo, aquilo que foi dito na escola está errado, me deixa explicar. Eu te conheço e sei que você está aí se corroendo, mas você vai me deixar explicar porque você sabe que eu não vou mentir pra você. Não sabe? – como em um passe de mágica, ele destrancou a porta e se afastou – Obrigada – eu disse entrando em seu quarto.
Ele se sentou na cama, as lágrimas escorriam elos seus olhos. Não pude me conter ao vê-lo naquele estado e comecei a chorar mais forte. Meus sentidos a mil por hora me fizeram correr para abraçá-lo, mas ele me afastou.
– Fala – ele disse sem me olhar. Eu sabia que não teria outra chance igual aquela, eu sabia que eu era a única que poderia ajudar a não destruir a amizade dele com , então não pensei duas vezes em falar tudo sem mentir, e tentar de todas as formas livrar de qualquer coisa.
– Eu fiquei com o no dia da festa – eu disse sentindo meu coração apertar ao me lembrar daquela noite. As imagens daquele beijo voltaram como se tivessem acabado de acontecer. me lançou um olhar curioso na esperança de que eu continuasse logo, e foi o que eu fiz – Mas até então nós não estávamos namorando e não foi porque eu quis, sabe? – atropelei as palavras – Foi tão estranho, aconteceu sem que eu pudesse evitar e depois eu me senti muito mal por isso. Mas , naquela noite algo aconteceu, eu sei que isso pode te machucar agora, mas me desculpe – disse sentindo as lágrimas quentes descerem pelo meu rosto rapidamente – De alguma forma, eu gostei daquilo. E bem, depois disso, nós nos perdemos na ilha e foi tudo muito confuso. Eu iria terminar com você e evitar isso que está acontecendo agora, mas o não quis. Ele disse que não estava certo, e eu cheguei a pensar que era tudo por causa da . Cheguei a pensar que ele amava aquela garota. Mas não, e está tudo explicado agora, ele não quis ficar comigo por que ele queria proteger você. Ele estava sendo ameaçado e forçado a ficar com aquela garota só pra não te ver sofrer – eu disse tentando proteger de um julgamento que seria muito pior – Eu não quero te perder , amo ter você ao meu lado, mas como amigos. E também sei que não estou em condições de te pedir nada, mas eu te peço que, independente de tudo o que eu tenha feito, de ter te magoado e estar te fazendo sofrer assim, não deixe a amizade de vocês dois acabar – Eu não tinha mais palavras e se eu dissesse mais alguma coisa eu o machucaria ainda mais, então segui em direção a porta secando as lágrimas que insistiam em cair – Eu te amo tanto, e quisera eu que isso fosse além dessa amizade profunda que eu tenho por você, estou sofrendo muito por te feito isso, pode acreditar – disse fechando a porta atrás de mim.

Continua...

n/a:. Fala lindas, como estamos? Desculpem a att anterior, por eu ter parado daquele jeito, mas eu não resisti. Também sei que vocês querem uma att enorme, e como a fic já está chegando ao fim, na próxima att talvez eu mande tudo de uma vez a vocês. Quero mandar um beijo às gurias que me procuram no twitter só para pedirem att, isso de alguma forma me motiva. E também quero agradecer a todas vocês que estão sempre aqui, lendo e comentando. Então beijos a Regiane, Jéss, Kaah.x*, Anny Judd, Clarice, Giulia Vasconcelos, Yasmin, Layla Adam, enfim um beijo a todas vocês.  Esse mês fez um ano que minha fic está aqui no site, e sl, queria dividir isso com vocês. Também quero mandar varias mordidas, a dona Loma que vem me aturando esse tempo todo. Sem sombra de dúvidas ela é a melhor beta do site, e digo e repito isso o quanto precisar. Vocês TODAS são um amor.
Beijiiiiiiiiiitos nhac.
Scarlet