Eu ainda amo você
Escrita por Priscilla Costa
Betada por Lucas Esteves




Chapter One

Ponto de vista por


Existe alguma coisa no mundo que não me lembre ela?
Se houver, eu ficarei surpreso. Tudo me lembra ela. Tudo é ela. Os filmes, os livros, as ruas, os programas, as músicas... Na minha cabeça, só há ela. Ela. Ela. Ela. Ela. Sempre foi, sempre é e sempre será ela.
Ela quem? Você deve ter ouvido falar.
. A bailarina da década, de acordo com o New York Times. A preciosa da Julliard e Broadway. Com um talento excepcional e com um sorisso sincero, conquistou o mundo com apenas duas apresentações em Londres.
Então você pensa: “O quê um cara qualquer tem a haver com ?! Logo a bailarina ?!”
E eu te digo: nós compartilhamos o passado - a melhor época da minha vida. Ela pode ter esquecido meu nome e o que tivemos, mas será eterno na minha memória. Eu gostaria de dizer que superei, que agora que Natalie é minha namorada eu estou completo e feliz, mas não posso. Não é a verdade.
Encarei-me no espelho, acabando de acordar. Lavei o rosto, e fui incapaz de conter as lembraças.

Flashback


Tínhamos acabado de nos conhecer na escola, e quando a mesma acabou, sugeri um passeio pela praia. aprovou no mesmo momento.
O sol estava brilhando no alto – afinal, era Malibu.
Ela começou a contar a sua vida. Seu sonho: Julliard. Claro, se ela tiver talento, legal. Mas quantas garotas do mundo são maravilhosas no balé e poderiam ultrapassar ? Quem garante que ela conseguirá?
- Você sempre sonha tão alto? – perguntei curioso, vendo fechar os olhos e sentir a brisa californiana. Ela estava linda á luz do sol, com o sorriso sem dentes.
- Se eu não sonhasse – respondeu ela -, quem sonharia por mim?
Olhei-a; ela continuava na mesma posição. é tão diferente das outras.
Depois de algum tempo em silêncio, eu me pronunciei.
- Qual o seu maior sonho?
Ela sentou, rindo, e abriu a bolsa. Tirou de lá um papel dobrado e um pouco amassado. Nele dizia 13 de seus sonhos. Para você ver: uma pessoa normal responderia. Ela apenas me deu um papel.
abriu a boca – provavelmente para pedir o papel de volta -, mas a fechou quando o toque de seu celular se fez presente. Ela murmurou ‘licença’ e foi atender.
Enquanto eu guardava furtivamente aquele papel no meu bolso.

Flashback off


- ! – uma voz feminina prolongou a última sílaba do meu apelido (o qual eu odeio).
Revirei os olhos. Natalie era doce, mas mimada. Extrovertida, mas estressada. Tudo nela parecia ser equilibrado - mas não era isso que eu queria. Eu queria minha doce bailarina sonhadora.
- Oi, Nat – respondi do banheiro, desgostoso por ser o causador da minha dor. É, ela mora comigo.
- Acordou, meu tabaco de tempeiro? – ela perguntou, me abraçando por trás.
Fechei os olhos e quem me abraçava era .
Isso é meio óbvio, pensei.
- É, acordei. Dormiu bem?
Natalie sorriu mostrando a fila de dentes perfeitos.
- Claro, com esse deus grego do meu lado, né?
- Pára com isso, Nat – falei revirando os olhos. Ela tinha uma pequena – pequena? – mania de me elogiar a cada... dois segundos.
- Eu não estou mentindo, fofo. Então... Se arruma que eu tenho uma surpresa para você, vai! Toma banho, coloca uma roupa super chique... Me encontra lá no pátio ás quatro horas. Vou no shopping, beijo te amo!
Não respondi. Apenas entrei no banheiro, tirando a roupa e voltando meus pensamentos para onde eles tinham parado.

Flashback


Dois meses se passaram depois daquele dia. O papel continuava comigo, e não se lembrou dele.
Já namorávamos. Ela era tão perfeita. me ouvia, dizia o que estava sentindo, me acompanhava nos treinos de futebol, íamos á praia quase todo dia, os pais dela me amavam, eu vi ela dançar... Eu não podia dizer que a amava, porque bom, isso não é verdade ainda.
Ainda. Pelo jeito, aquela garota iria me mudar completamente.
Estávamos em mais uma sessão de beijos na praia. Eu gostava dela demais. se separou de mim, para respirarmos, e passou a mão nos meus cabelos.
Bom, se eu soubesse que aquele seria nosso último beijo, eu não teria me separado dela para respirar. Se eu soubesse...
Seria tudo diferente.
sorriu para mim e eu derreti. É, eu sei, é muito gay dizer isso, mas é a verdade.
- Vou sentir sua falta quando eu for para Julliard – ela comentou, e percebi que ela falou quando e não se.
Coloquei meu nariz no seu pescoço, fazendo um carinho e vendo-a se arrepiar. Ri com isso e continuei com o carinho, agora usando também a boca.
- , qual seu maior sonho? – perguntou vendo as ondas “perfeitas” da praia desabarem depois de crescerem.
Tirei minha atenção do seu pescoço e a abracei, colocando a cabeça dela no meu peito.
Ri, sem humor.
- Se eu te disser que eu não tenho nenhum, você acredita?
olhou para mim.
- Vindo de você, eu acredito em qualquer coisa.
Fiquei mexendo nos cabelos dela. Era tão bom a sensação de tê-la em meus braços... Erámos um encaixe perfeito: o desolado e a sonhadora, o destruído e a doce, o ladrão e a mocinha, o estúpido popular e a perfeita, o cabeça nas nuvens e a pé no chão, o sem futuro e a talentosa. Eu queria fazer o tempo parar e ficar daquele jeito para sempre.
Mas eu não podia, e não fiz.

- – disse Rebecca perigosamente perto demais, com uma voz sedosa, sedutora e sexy.
- O-o qu-quê você quer, Rebecca? – perguntei hesitante. Olhei para os lados e não tinha ninguém para me tirar daquela. Merda! Rebecca era a garota mais... “linda”, da escola, se é que você me entende. Eu com certeza não iria negar nada que ela me oferecesse.
- Só abrir os seus olhos – respondeu ela viajando seu indicador pelo meu tórax, me arrepiando. Qual é, eu tenho namorada, mas não estou morto.
Eu caí na isca como um idiota.
- O quê você quer dizer? – perguntei louco para que acabasse logo. não merecia um namorado como eu.
Rebecca sorriu maliciosamente, agora esfregando suas – lindas – pernas nas minhas.
“Se controla, !”, pensei querendo me escutar. Mas não consegui.
- Todos da escola sabem que a sua namoradinha quer ser bailarina, todos viram ela no show de talentos. Ela não ganhou á toa. Ela é muito boa no que faz.
Rebecca elogiando outra pessoa que não fosse ela mesma? Isso está ficando estranho. Muito estranho.
- Só que há um porém, – Rebecca continuou a falar, mexendo comigo como podia e me deixando anestesiado. – se você se apegar a ela, sabe que vai começar a gostar dela de verdade. E quando ela for embora? Provavelmente vai ser feliz para sempre, na Julliard que sempre quis, esquecendo seu nome e quem é você, enquanto você fica aqui, sofrendo ás suas custas. É isso que você quer?
Agora as investidas de Rebecca não importavam. Quem estava na minha cabeça era a minha bailarina sorridente, e tudo que Rebecca disse então fez sentido. Seguiríamos caminhos diferentes algum dia. E eu não estava no caminho de . Ela é boa demais para mim.
Olhei para Rebecca, com sua roupa provocante e maquiagem pesada, e sabia que iria me arrepender do que eu fiz a seguir. Só não sabia o quanto.
Peguei Rebecca pela cintura, empurrando-a contra a parede, viajando minhas mãos pelo seu corpo. A única coisa que passava pela minha cabeça era que eu teria que esquecer de alguma forma. E se Rebecca estivesse na solução, eu não iria reclamar.
Rebecca gemeu meu apelido, e eu podia jurar que quem tinha feito era .
Anestesiado na minha confusão, tentei tirar esse pensamento da minha cabeça.

Flashback off


Ainda houve uma época em que eu não chorava por nada. Agora, por , eu me sentia mal de tanto fazê-lo.
Eu não sabia que ia me arrepender tanto de usar Rebecca como distração, ainda mais dar ouvidos á ela. A água gelada do chuveiro caía com força nas minhas costas, me dando vontade de render á ele e cair de joelhos no chão.
É estranho ver o quanto minha vida mudou. Meus amigos se dispersaram e sumiram. A única pessoa do passado que eu mantenho contato é Dave; nos conhecemos desde o jardim de infância, e ele sabe mais do que ninguém do meu amor pela . O problema é que ele é repórter do jornal mais importante de Londres – a minha cidade agora -, então ele está sempre viajando.
Apesar de tudo, consegui o meu futuro. Infelizmente, não há nele. Eu trabalho em uma editora de livros, que agora está fazendo muito sucesso devido ao último lançamento. Fui eu quem o aprovei, junto com a minha equipe. A história era narrada perfeitamente, com uma ótima medida entre adulta e adolescente. O nome desse livro é “Lugar para se viver”, escrito por Anabeth Kutchen. A história se passa no século XVII, na Itália, e conta a história de dois jovens que se odeiam desde a primeira vez que botam os olhos um no outro. Á medida que é contada, a história mostra o amor por trás do ódio, mas infelizmente eles se separam um pouco depois que descobrem esse sentimento, seguindo suas vidas. Alguns anos depois, se encontram quando a vida deles está reconstruída, mas mesmo assim lutam para ficarem juntos de novo.
Pena que isso não acontece na vida real.
Saí do box, me secando. Olhei para o espelho completamente embaçado pelo ar denso. Sem poder me controlar – isso é muito difícil de fazer, quando se trata dela – escrevi o nome da dona do meu coração no reflexo embaçado.
Não escrevi o nome de Natalie, ou o de Rebecca... Eu escrevi o nome da dona do meu coração por inteiro: .



Chapter Two

Ponto de vista por


- Demetria Smith! Só cala a boca! – eu disse entre risos tentando controlá-los, com as lágrimas descendo pelas minhas bochechas.
Mas, diferente de anos atrás, essas lágrimas eram de alegria.
- Ah, ! Deixa eu me divertir um pouco! – respondeu Demi, olhando para um cara na cafeteria e piscando para ele, enquanto o cara piscava de volta.
- Eu acho tão sexy essa piscadinha de volta – ela comentou, sorrindo para ele mas falando comigo.
Revirei os olhos, bebendo um gole da minha água gasificada saborizada – de abacaxi com limão –, morrendo de inveja do sundae da Demi.
Dieta de bailarina é um saco.
- Demetria, é o quarto cara que você paquera hoje! Meu Deus, se controla, garota!
Ela riu de novo, dessa vez olhando para mim e dando uma enorme colherada no sundae de morango, provavelmente para me provocar – uma das coisas que ela adora.
- Amiga, depois que você ficou noiva, é um saco sair com você. Você não deixa nem eu dar mole para uns carinhas – protestou Demi, colocando calda de morango no sundae do mesmo sabor (me provocando de novo).
- Demi, eu não estou impedindo nada. Vai lá no cara, então.
Demi fez uma careta.
- Não, ele tem barbicha. Odeio barbichas. Eu acho que já te disse isso, né, ?
Suspirei.
- Cinco vezes só hoje. – olhei no relógio. – E olha que são nove e meia da manhã.
Demi me pegou pelos ombros e me chacoalhou.
- Qual é, ! Sorria, se anime! Parece que alguém morreu, eu hein.
Ambas levantamos e pagamos a conta. Andando junto com Demi naquela cidade linda e gelada, não pude evitar de lembrar daquele dia.
Se você é de Malibu, eu sei que você sabe do que eu estou falando. Aquele dia. O dia em que tudo na minha vida mudou. O dia em que provavelmente parte do meu coração se desintregou no ar.
Você não é de Malibu? Então eu te conto sobre aquele dia.
O pior dia da minha vida.

Flashback


Era um dia normal - era o que eu pensava - até que me provaram o contrário.
Acordei no horário de sempre. Fui para a escola de sempre. Vi os amigos de sempre. Estudei as matérias de sempre. Ensaiei no meu estúdio de balé como sempre. Mas foi a partir daí que as coisas começaram a ficar estranhas.
E com estranhas eu quero dizer dolorosas.
Saí correndo do meu estúdio de balé, terminando de amarrar meu all star de couro branco, tentando correr contra o tempo. Se eu me apressasse mais um pouco, conseguiria chegar no final do segundo tempo do jogo de futebol de .
“Eu vou conseguir”. Era a frase que se repetia constantemente na minha cabeça. Eu tinha que conseguir. Esse jogo era importante para (eu simplesmente não consigo chamá-lo pelo apelido), e eu queria estar lá para apoiá-lo.
Quando eu cheguei no campo, não chequei o relógio, mas sabia que o jogo tinha acabado. Eu ouvia vozes masculinas distantes, provavelmente no vestiário dos ditos cujos.
E eu sabia que o jogo tinha acabado porque a quadra estava vazia. A não ser por duas pessoas nela: e Rebecca. E bom, eles não estavam conversando. Eles estavam se engolindo – seria gentileza dizer que eles estavam se beijando.
Uma fisgada puxou o meu coração.
Eu não gritei com ele, como queria gritar. Não comecei a brigar ou a me descabelar, muito menos me movi um milímetro.
Foi o minuto mais longo e doloroso de toda a minha vida. A imagem na minha frente estava levemente borrada. Agradeci silenciosamente por isso – eu não queria nada nítido para os meus pesadelos.
A única coisa que rondava na minha mente era: “Por quê?” Estávamos juntos. Geralmente as pessoas comprometidas não beijam outras pessoas.
Pelo menos em Londres, o lugar de onde vim, é assim.
Deixei as lágrimas rolarem, afinal, e Rebecca estavam ocupados de mais para me notar. Para se quer notar o meu coração machucado que eu deixei para trás ao correr - até que meus pulmões queimassem – para casa.
Quando eu cheguei lá, meus pais me olharam sugestivamente.
- Filha, você...? – começou a minha mãe, dando indícios que iria se levantar para vir até mim, e eu a interrompi.
- Mãe, eu prometo que te conto depois. – parei para soluçar. – Só me deixa sozinha.
Subi as escadas e cada degrau era uma pontada na minha ferida. Entrei no meu quarto, jogando a mochila do balé de qualquer jeito na parede, enquanto eu desabava na minha cama.
Flashes vinheram á minha cabeça, sendo impossíveis de controlar.
“Você é tão diferente das outras que chega até a assustar.” declarou passando a mão nos meus cabelos, logo depois que gritei animada ao ver Bob Esponja na tela da TV.
Hesitei. “Hã... E isso é bom?” Perguntei duvidosa.
riu e em seguida me beijou. “Isso é perfeito.”

Ri sem humor ao lembrar desse dia. Quando ele disse aquelas três palavras – “Isso é perfeito”, caso você não lembre -, meu estômago revirou e eu me senti flutuando no meio do nada. E isso era muito bom.
Vários outros momentos passaram na minha cabeça, mas apenas um decidiu se repetir: o beijo de e Rebecca.

Flashback off


Eu parecia ter voltado no tempo, mas provavelmente não havia passado nenhum minuto.
Demi continuava tagarelando, fazendo o que ela faz de melhor, enquanto eu observava o anel prata com um diamante no dedo anelar da minha mão esquerda.
É, eu iria me casar em quatro meses. Parecia surreal pensar nisso, mas na verdade quando eu estava com Chace – o melhor cara do mundo inteiro -, tudo ficava certo.
Ou quase tudo.
As pessoas me viam dançando – afinal, agora a minha carreira chegou aonde eu sempre quis que chegasse – e achavam que eu era inteiramente feliz. Eu não sou feliz. Só tenho momentos felizes.
Os momentos em que eu estava no palco eram alguns deles.
Era engraçado como ainda me assombrava. Ele estava na minha mente e não saía dela.
Foi pior ainda quando tentei me entender com ele. Ah meu Deus. Foi tão pior. Foi inesquecível, só que de um jeito ruim.

Flashback


- Alô? – a voz de atendeu do outro lado da linha. Meu coração amoleceu ao ouvi-la.
- . – fiz a voz mais fria que consegui, e infelizmente ela saiu meio trêmula. – Quero ver você agora, no meu estúdio.
- Tá – disse ele duvidoso. – Te vejo lá daqui á uns dez minutos.
- Espero que você apareça. – sem mais delongas, desliguei na cara dele. As lágrimas correram pelas minhas bochechas, eu estava respirando superficialmente.
- Você tem que conseguir – falei para mim mesma, limpei minhas lágrimas e fui ao encontro do único cara que teve meu coração e o partiu.


Eu sabia que ele tinha chegado – afinal, a sala era cheia de espelhos – mas não dirigi meu olhar á ele.
No som tocava música clássica, eu estava tão desorientada que nem sabia qual era. jogou a mochila do futebol no canto da sala. Eu continuei fazendo um adágio com a seqüência balancé seguido de um cambré e depois cinco deboulés.
que se pronunciou.
- E aí? – ele disse e em seguida sentou no canto da sala.
Olhei para ele mas continuei dançando.
- Tudo bem. E você?
- Bem. O quê você queria mesmo? – perguntou duvidoso.
Parei de dançar.
- Pergunta para a Rebecca.
Nos olhamos por um longo tempo. Meu cabelo loiro estava preso em um couque frouxo e meus olhos azuis estavam cheios de lágrimas. Meu colã não incomoda mais, não depois de quase catorze anos balé. Minha sapatilha poderia ser considerada como desgastada, mas ela era boa. Meus pés estavam inconscientemente na primeira posição.
. Ah, . Não há sequer um dia que eu o veja feio. Agora ele usava uma bermuda azul escura com uma camiseta branca com detalhes azuis que destacavam seus olhos também azuis. O tom de azul dos olhos dele eram mais escuros que os meus, mas eram lindos. Seu cabelo castanho eternamente bagunçado – de um jeito legal, bonito e despojado – me deixava sem fôlego. Nos pés, um all star preto surrado.
Qual é. O deve deixar a minha mãe sem fôlego.
- Você viu? – ele perguntou calmamente.
Ele nem tentou negar, meu Deus!
- Quem não viu, ?!
deu de ombros.
- Eu achei que você gostasse de mim – murmurei, fraquejando no quesito que tinha colocado para mim mesma: “seja fria”.
olhou para mim com olhos frios que congelaram minha alma.
- Você achou errado. Eu não sou exclusivo de você, garota.
- Mas... Parecia real – eu ainda falava como uma criança que escutava que felizes para sempre não existiam, com toda a descrença inocente.
tinha olhos desdenhosos. Eu não conseguia mais dançar. Não com aqueles olhos em cima de mim.
- Eu sou um bom ator – ele disse em alto e em bom tom, e aquilo era como vinte adagas no meu estômago: matava lenta e dolorosamente.
Mas aquilo foi um tapa na minha cara e ele fez eu acordar. Eu não iria ser a idiota chifruda. Não mais.
- Se era só fingimento, não há porque continuarmos – murmurei, achando que ele fraquejaria pelo menos um pouco.
Eu estava errada, e a indiferença dele me deixava louca.
- É, tem razão. Foi legalzinho enquanto durou.
“Legalzinho”?!
Não respondi. Voltei a dançar, enquanto ele ia embora da minha vida literalmente.

Flashback off

- ! ! ! – Demi gritava e me sacudia.
- Ah, que foi, Demi? – respondi depois do susto de ter voltado do passado de repente.
- “Ah, que foi, Demi?” – Demi tentou me imitar. – Você tava vianjando na maionese faz uns cinco minutos! Anda, acorda logo. Você que tem apresentação hoje.
Isso meio que me animou.
- Verdade. E aí, amiga, quer estourar nossos cartões em lojas legais?
Demi começou a se contorcer.
- Aaah, deixa eu fazer a dancinha da felicidade, deixa – ela implorava se segurando para não fazer a “dancinha”.
- Demi, você não mudou nada. Você tem vinte e cinco anos, acorda amiga!
Ela parou.
- É, tem razão. Por qual marca de sapatos a gente começa?
Sorri.
- Christian Loboutin.
Demi me abraçou e começou a beijar meu cabelo.
- Essa é a minha garota! Já te disse que te amo, amiga?
- Essa é a quinta vez hoje...
- E ainda são nove e meia da manhã – Demi completou, nos fazendo rir, enquanto eu colocava minha máscara e me preparava para mentir minha felicidade inexistente.
- Preparada, princesa? – Chace perguntou me abraçando para me beijar, mas coloquei minha mão na frente da boca dele.
- Já te disse, vai tirar minha maquiagem, amor – respondi enquanto ele bufava.
- Mas você tá tão linda – ele sussurrou com aquela voz rouca que eu amava. Eu ainda amo.
- Obrigada, amor – respondi sorrindo. Chace sempre sabe fazer você sorrir. Seja com atos ou palavras.
O que mais me deixa louca com isso tudo é: Chace é perfeito. Você com certeza iria querer ter ele como marido, namorado, ficante, irmão ou qualquer coisa. Só que meu coração não aceita. Parece que ele quer um cara que bom, ele ame. Mas eu deixo minha cabeça me levar.
Deixei meu coração me levar uma vez e olha o que me aconteceu!
Minha assistente de bastidores apareceu na janela do camarim e fez um gesto que indicava que eu entraria em cinco minutos. Chace sorriu, beijou minha cabeça, pegou o casaco dele - os teatros sempre tem um ar condicionado forte, para não deixar os atores e bailarinos suarem como porcos no palco – e saiu. Antes, claro, ele disse como sempre:
- Você vai arrasar, linda!
Mary, minha assistente sorriu enquanto me ajudava a fechar meu vestido.
- Ele é uma graça, senhorita .
Revirei os olhos por ela ter me chamado de “senhorita ”, mas ela não viu.
- Eu já disse, Mary. Pode me chamar de . E bom, obrigada. Chace é um amor mesmo.
Ela sorriu.
- A senhorita ama ele?
Fechei os olhos sorrindo tristemente.
- Eu só amei um cara a minha vida inteira.
Mary percebeu que eu não iria falar mais nada e me ajudou a me arrumar calada.
Perdi eu mesma em pensamentos, no dia que mais significou algo na minha vida inteira. Os outros fatos importantes seriam coadjuvantes em comparação. Onde eu estava? Onze de setembro.


Flashback

Uma e dez (da manhã). Não conseguia dormir.
Semana passada foi uma semana de fingimentos. Fingi estar feliz. Fingi estar bem. Fingi querer sorrir e o fazê-lo. Fingi odiar .
Mas era tudo apenas fingimento, afinal.
Nessa semana também, só esteve triste. Talvez porque a Rebecca tenha dado um fora nele, ou algo do tipo. É o que ele merece. Me fazer de brinquedo é inadimissível.
E o que eu mais odeio em tudo isso é que eu não consigo odiá-lo.
A melhor coisa dessa semana foi a aceitação da Julliard. Eles me darim uma bolsa, para que eu pudesse estudar lá até me formar. Então, eu poderia realizar meu sonho, só por mim mesma.
Nem isso conseguiu me animar cem por cento.
Fiquei encarando o teto até que eu ouvi um barulho. Ignorei, mas o barulho insistiu em se repetir. De novo e de novo. Olhei para a janela e percebi que o barulho vinha dali. Abri a mesma, e eu tenho certeza que eu jamais vou esquecer essa imagem.
estava lá embaixo.
estava lá embaixo de terno com gravata borboleta.
estava lá embaixo de terno com gravata borboleta segurando um buquê de rosas vermelhas.
estava lá embaixo de terno com gravata borboleta segurando um buquê de rosas vermelhas e um violão.
estava chorando.
Eu estava boquiaberta.
Antes que eu dissesse alguma coisa, ele colocou as rosas cuidadosamente no chão e começou a cantar uma das minhas músicas favoritas – eu achei que ele não estava escutando quando eu disse isso, em uma tarde de verão na praia.

Need You Now – Lady Antebellum

Picture perfect memories,
Scattered all around the floor.
Reaching for the phone cause, I can’t fight it any more.
And I wonder if I ever cross your mind.
For me it happens all the time.

It’s a quarter after one, I’m all alone and I need you now.
Said I wouldn’t come but I lost all control and I need you now.
And I don’t know how I can do without, I just need you now.

Another shot of whiskey, can’t stop looking at the door.
Wishing you’d come sweeping in the way you did before.
And I wonder if I ever cross your mind.
For me it happens all the time.

It’s a quarter after one, I’m a little drunk,
And I need you now.
Said I wouldn’t call but I lost all control and I need you now.
And I don’t know how I can do without, I just need you now.

Yes I’d rather hurt than feel nothing at all.
It’s a quarter after one, I’m all alone and I need you now.
And I said I wouldn’t call but I’m a little drunk and I need you now.
And I don’t know how I can do without, I just need you now.
I just need you now.
Oh baby I need you now.

Tradução:: Preciso de Você Agora

Lembranças como fotos perfeitas
Espalhadas por todo o chão
Procurando o telefone, porque eu não posso lutar mais
E eu imagino se pensou alguma vez em mim
Comigo isso acontece o tempo todo

São uma e quinze, eu estou totalmente sozinho e preciso de você agora
Disse que eu não viria, mas eu perdi todo o controle e eu preciso de você agora
E eu não sei o que eu posso fazer, eu só preciso de você agora

Outra dose de uísque, não consigo parar de olhar para a porta
Desejando que você venha mudando como você fez antes
E eu imagino se pensou alguma vez em mim
Comigo isso acontece o tempo todo

São uma e quinze, eu estou um pouco bêbado
E eu preciso de você agora
Disse que eu não iria ligar, mas eu perdi todo o controle e eu preciso de você agora
E eu não sei o que eu posso fazer, eu só preciso de você agora

Sim, eu prefiro sentir dor do que não sentir nada
São uma e quize, eu estou totalmente sozinho e preciso de você agora
E eu disse que não iria ligar, mas eu estou um pouco bêbado e eu preciso de você agora
E eu não sei como posso fazer sem, eu só preciso de você agora
Eu só preciso de você agora
Oh baby, eu preciso de você agora

Eu não esbocei nenhuma reação. ainda estava chorando.
Então é isso? Ele acha que com música e rosas eu volto para ele? não me conhece. Eu nunca vou esquecer aquelas palavras – “Eu sou um bom ator” – e nada no mundo vai apagá-las.
Antes de eu fechar a janela, eu pensei: “E a proposta da Julliard? Eu vou para lá amanhã. Eu não posso ir embora sem fazê-lo ouvir o que eu queria que ele ouvisse”.
E foi por isso que eu desci. Quem ligava para o fato de eu estar com meu pijama do Mickey? (Ele tem a calça preta com a carinha dele em branco e a blusa é branca.) Eu iria fazê-lo ouvir agora. E ele não podia escapar de mim.
Eu abri a porta e me encarava ansioso, com as lágrimas já secas. Quando eu estava á uns três metros de distância dele, começou a falar:
- Princesa, amor, razão da minha vida, ar que eu respiro, dona do meu coração, linda, eu queria te falar uma coisa. Eu passei a semana inteira pensando nesse discurso... Eu estou muito arrependido. Eu sei que o que eu fiz foi ridículo, mas nada no mundo importa mais que você. É por isso que eu estou aqui. – em um ato ridículo, aos meus olhos, ele se ajoelhou no chão. – Por favor, me desculpa. Eu prometo colocar o seu coração em uma redoma de vidro e que vou cuidar dela com todo o cuidado do mundo. Eu não consigo te tirar da cabeça. Sua voz foi a trilha sonora do meu verão. Você não sabe que é diferente das outras? – ele perguntou e ficamos em silêncio por um tempo. Eu não tinha resposta para essa pergunta. Ele ainda estava de joelhos. – Você sempre será o meu trovão. Seus olhos são os mais brilhantes de todas as cores. Eu não quero amar mais ninguém. Você sempre será meu trovão. Então traga a chuva e traga o trovão.* [*] trecho da música Thunder - Boys Like Girls
Ficamos em silêncio por um tempo. Quando eu recuperei minhas forças, eu falei devagar:
- Eu não sou uma princesa, isso não é um conto de fadas, eu não sou aquela que você quer agradar, conduzida pela escadaria. Isso não é Hollywood, esta é uma cidade pequena, eu era uma sonhadora antes de você chegar e me por para baixo. Agora é tarde demais pra você e seu cavalo branco aparecerem. Talvez eu fosse ingênua, me perdi nos seus olhos e nunca realmente tive chance... Eu tive tantos sonhos sobre você e eu, finais felizes, bem agora eu sei... E aí está você sobre seus joelhos, implorando por perdão, implorando por mim como eu sempre quis, mas eu sinto muito. . .
me olhava com os olhos cheio d’água. Completei:
- Isso não é um conto de fadas.** [**] trecho da música White Horse – Taylor Swift
Ele começou a chorar na minha frente. Mas não era um choro de macho: só lágrimas. Era um choro de dor. Ele não conseguia respirar o suficiente e soluçava.
Aquilo me lembrou de como eu chorei semana passada. E foi por isso que eu não me abalei.
- Como você acha que eu me senti semana passada? Agora é tarde, . Eu não quero te ver de novo. Nunca mais. Me esquece.
Virei-me para ir, mas a voz dele me impediu.
- ...
Olhei para ele, que já estava de pé, segurando o buquê.
- Rosas não vão me compr... – eu dizia até ser interrompida.
- Sabe o que rosas vermelhas simbolizam? Amor. Nem se eu te trouxesse todas as rosas vermelhas do mundo eu iria te mostrar o quanto eu te amo.
Aquilo foi um choque: nós nunca havíamos dito ‘eu te amo’ um para o outro. Foi lindo, e ao mesmo tempo triste.
Porque aquilo não fazia mais sentido.
Olhei para além de e avistei a caminhonete dele. Eu a odiava, agora.
- Afirme o óbvio, eu não consegui minha fantasia perfeita. Eu percebi que você ama a si mesmo mais do que jamais poderia me amar. Então vá e diga a seus amigos que eu sou obsessiva e louca. Quer saber? Está bem, eu direi aos meus que você é gay. E a propósito, eu odeio essa estúpida caminhonete velha que você nunca me deixa dirigir. Você é um grosseirão, destruidor de corações, que é realmente um péssimo mentiroso. Então me assista fazer um strike numa partida. Em todo meu tempo perdido, até onde eu percebi, você é apenas outro retrato pra queimar. *** [***] trecho da música Picture to Burn – Taylor Swift
apenas olhou para mim e disse com uma voz passiva e desesperançada:
- Quando você desceu... Eu achei que talvez pudéssemos ficar juntos de novo.
Era aquilo. Meu final feliz – ou nem tanto -, a chave da minha vitória, meu ponto final.
Então me assista fazer um strike numa partida.
- Pois é... Eu sou uma boa atriz – dei meu ultimato e entrei em casa.
Quando eu ouvi pneus cantando na rua, já na minha cama, eu senti a vitória.
A batalha havia acabado.
Adeus .


No outro dia, eu queria me desfazer de tudo que me lembrasse de .
Olhando-me no espelho, lembrei de uma coisa.
“Eu adoro cabelos longos” admitiu passeando os dedos pelo meu cabelo louro.
Sorri para o reflexo. Ele sorriu de volta.
Em seguida, eu peguei minha bolsa e desci as escadas gritando:
- Mãe! To indo cortar o cabelo!
Adeus .

Flashback off

As cortinas estavam fechadas. Eu estava pronta, eu estava confiante. Eu estava destemida, o palco era minha casa. Não tinha nada para temer. Os bailarinos iam para seus lugares, também.
Mason, meu parceiro de balé, segurou meu antebraço levemente, enquanto eu esticava a ponta do meu pé direito. Mase colocou a outra mão na minha cintura.
- Pronta? – ele sussurrou no meu ouvido. O teatro estava em silêncio, esperando as cortinas abrirem.
- Mais que pronta.
Mase sorriu, e em um timing perfeito, a cortina se abriu. A música e a magia começaram.
Nada se compara á esse momento.
Quantas pessoas há na platéia? Não importava. Esse era o meu momento, era ele que importava. Dei um salto – sodangé -, e recebi aplausos. Fiz dois saltos seguidos e recebi mais aplausos. Mase me segurou pela cintura e minhas pernas viajaram no alto.
Mais trinta minutos de apresentação se passaram, e quando eles acabaram eu estava nova em folha. Corri para o camarim assim que as cortinas se fecharam, tirei meu vestido da apresentação e coloquei um vestido de noite azul marinho. Tirei minha meia calça e minha sapatilha e coloquei um sapato perfeito Christian Loboutin, que comprei com Demi hoje, e fui para a mesa de autógrafos.
É, eu sei. Vida de bailarina não é fácil.
Uma fila estava sendo controlada pelos meus assistentes. Meus colegas de trabalho já estavam dando autógrafos. Era só eu que faltava. Flashes dispararam. Sorri, já estava acostumada.
Sentei na minha cadeira. Qualquer um estaria exausto, mas graças ao meu preparo físico, eu estava a mil por hora.
- Fomos bem, né ? – sibilou Mase baixo enquanto assinava um papel, provavelmente para a garota que aparentava ter uns 15 anos que estava na frente dele.
- Fomos, Mase – murmurei discretamente para ele enquanto assinava o folheto da nossa apresentação.
As pessoas se dispersaram com o tempo. Chace já havia chegado, me parabenizado com rosas – ele sempre faz isso, e eu amo! – e Demi já estava reclamando da demora, porque “tínhamos que comerar nas boates mais legais de Londres!” de acordo com ela.
E então ele estava na minha frente.
Ele.
Meu coração acelerou como não acelera há sete anos. estava ali, com olhos cheios de arrependimento, completamente lindo e gamante. Usava um terno preto. Uma gravata vermelha. O cabelo estava bagunçado, como anos atrás.
E ele não veio sozinho. Uma mulher estava pendurada no braço dele, com uma cara de que tinha acabado de ganhar na loteria.
Qualquer mulher ao lado de teria essa expressão.
- Ah meu Deus! É você! ! Meu Deus, eu assisti todas as suas apresentações. Prazer, meu nome é Natalie – disse a mulher com uma empolgação quase tocável de tão visível.
- Oi, o prazer é meu, Natalie – fui educada. Bom, eu mudei em sete anos.
- Ah, esse é o , meu namorado – apresentou Natalie, e aquilo foi – mais uma – pontada no meu coração.
Sorri, estendendo a mão para ele.
Máscara.
- Meu nome é , . Prazer.
pareceu achar que eu não tinha o reconhecido. Ótimo – se eu tivesse planejado não daria mais certo.
- Hm... Prazer – ele apertou minha mão, e isso me causou correntes elétricas dos pés a cabeça.
- Se não for incômodo, , poderíamos tirar fotos com você? – perguntou Natalie, com os olhos brilhando, e eu não neguei.
Natalie é um amor de pessoa. Foi ótimo conversar com ela. E sobre ... Era como ser adolescente de novo. As correntes elétricas, as borboletas no estômago, corar, gaguejar... Isso me deixa irritada! Já faz sete anos. Eu devia ter parado de amá-lo.
Mas quando eu vi ele ali, foi impossível não amar.
E eles foram embora. Foi isso. Um vislumbre do amor da minha vida – vamos admitir. Nunca mais o veria novamente.
Uma ironia do destino. Tudo o que eu mais queria era vê-lo... Mas o destino tirou ele de mim antes que eu o tivesse.
Com o coração desesperançado, fui comemorar minha conquista, que agora não tinha nenhum sentido diante da minha descrença.



Três semanas passaram correndo.
Minhas apresentações roubavam a maior parte do meu tempo. Demi estava na Dinamarca, aproveitando a vida – ou seja, “conhecendo Dinamarqueses lindos de tirar o fôlego”, de acordo com ela – e Chace estava sumido esses dias. Não que eu esteja tão presente assim. É que ele parou de me ligar... E isso é estranho, quando se trata dele.
Então eu liguei para ele.
E não gostei do que ouvi.
- Juliane? – ele perguntou excitado. Como assim, “Juliane”? Meu número é privado, então ele não sabia que era eu.
Depois de , eu virei muito ciumenta.
- Que vadia é essa, Chace? – perguntei calma mas nervosa.
Ouvi ele engolindo seco.
- Amor! Achei que fosse a minha secretária!
A secretária?
- Hm... Tudo bem com você? – perguntei com aquela voz ainda duvidosa.
- Tudo. – ele respondeu. – É só isso?
Com raiva, murmurei alguma coisa e desliguei na cara dele. Desejando, do fundo do meu coração, que aquela história não acontecesse de novo.



Chapter Three

Ponto de vista por


Que tipo de brincadeira idiota era aquela? Eu não entendo! Eu sonhei com aquilo todos esses anos. O dia em que eu a veria na minha frente e a faria minha.
Mas ela simplesmente apertou minha mão como se nunca o tivesse feito e disse que era um prazer me conhecer.
Foi como depois de onze de setembro. Excitação misturada com frustração, medo e esperança.

Flashback


Lembrar das palavras dela fazia meu coração fraquejar. Fazia eu querer ser imerso á ácido, depois...
- ! Desce aqui agora! – meu pai gritou do andar de baixo interrompendo meus pensamentos.
Revirei os olhos.
- Sim, senhor pai – falei irônico para mim mesmo. Me olhei no espelho e vi esperança nos meus olhos.
Se acha que eu desisti, ela não me conhece.
Desci as escadas com toda a calma do mundo, sabendo que aquilo irritaria meu pai.
- Não dá para andar mais depressa, ?


Continua...