Autora e Beta-Reader: Bru Carmelli.


Prólogo.

- ! - Uma morena gritava enquanto corria pelo corredor da escola.
- Sai daqui! - Um garoto fugia da morena.
E foi mais ou menos assim que realmente começou essa história.

Capítulo um.

Sabe quando você está simplesmente morrendo de vontade de voltar à escola, porque sente muita falta dos professores, da comida do refeitório, das lições de casa, e até daquelas pessoas idiotas que você teve a infelicidade de conhecer, porque estão na mesma sala que você?
É, eu também não sei.
Mas minha mãe insistia em colocar esse espírito de felicidade em mim. Então fingi estar muito animada com a volta às aulas, para deixá-la feliz.
- Me ligue se precisar de algo! - Era o que ela sempre dizia ao parar o carro na frente da escola. Sempre mesmo, desde o primário.
- Tudo bem, mãe. - Era o que eu sempre respondia.
Então eu saí do carro, e fui em direção à minha sala de aula. Mas antes disso, é claro, tive que passar pelo corredor. Revi os armários que se estendiam pelas paredes, passei pelos banheiros, que, não sei sobre o masculino, mas o feminino era muito sujo e velho, passei pela sala de aula do novo primeiro ano do colegial, e me surpreendi em como eles pareciam tão novinhos.
Só de pensar que, no ano anterior, eu era quem estava dentro daquela sala, já foi estranho.
Finalmente, entrei na minha sala. Passei por e , que nunca sentavam no fundo da sala, mas também nunca prestavam atenção nas aulas e viviam fazendo piadinhas. Então por , namorada de , e , que amava e todos sabiam disso. Menos o , talvez.
Mas eu não era muito amiga deles. Então me dirigi ao meu lugar no fundo da sala, como já estava acostumada, e me sentei ali encostada na parede, só esperando a aula começar.
Acontece que eu não era tão solitária assim. No ano anterior, eu andava muito com os garotos do terceiro ano do colegial. Os que, agora, estavam na faculdade, ou em algum cursinho. E eu também tinha alguns amigos na minha sala: Luíza e Gustavo. Mas a Luíza teve que se mudar, o Gustavo repetiu de ano e saiu da escola.
A sorte não parecia estar do meu lado.
- Bom dia, crianças. - O professor de matemática entrou na sala. - Como vocês já sabem, eu sou quem vai dar as aulas de matemática para vocês. Então vamos começar logo.
E ainda era o primeiro dia de aula.
Depois de matemática, tivemos física. Ao final da aula, a coordenadora passou em nossa sala para nos dar o que ela chamou de “recado especial”.
- Para quem não me conhece, eu sou Helena, a coordenadora acadêmica. - Como se alguém ainda não soubesse, certo. - E como vocês já devem saber, semana que vem será carnaval. E, esse ano, resolvemos fazer uma viagem com todos os alunos do colegial. Então nós vamos para a praia!
Todos comemoraram.
- Vou entregar um papel com os detalhes da viagem, para vocês entregarem para os seus pais. O canhoto deve ser assinado e entregue na secretaria até quarta-feira, e saímos de viagem sexta-feira à tarde.
Ela passou pela sala entregando o papel, então saímos para o intervalo. Sem saber o que fazer, liguei para Luíza. Ficamos todos os vinte minutos do intervalo conversando, então eu tive que voltar para a aula.
E foi a mesma coisa de sempre, exceto que eu não tinha nem Luíza, e nem Gustavo para eu conversar.
e ficaram jogando bolinhas de papel um para o outro, ocasionalmente jogando algumas para os lados e depois caindo na gargalhada. A professora de química, como já sabíamos, não conseguia controlar uma sala com mais do que cinco pessoas. Por isso é que a nossa, de quase quarenta, era um problema para ela.
e riam histericamente de qualquer coisa que ou faziam ou falavam, como se os dois fossem as criaturas mais engraçadas do universo. O que não era verdade.
Ou quase.
Então teve mais uma aula de português, e finalmente pude ir para casa.
Mas não antes de ser abordada por , e, como sempre, junto com sua leal seguidora .
- Oi, ! - exclamou ao me ver. Olhei em volta, só para ter certeza que ela estava falando comigo mesmo, e não alguma outra por ali.
- Er, oi?
- Você vai à viagem da semana que vem? - perguntou animada.
- Eu... Ainda não sei, por quê?
- É que nós falamos com a coordenadora, e os quartos são de quatro pessoas cada. Só tem um de três.
- E...? - Não entendi onde elas queriam chegar.
- Ora, sua bobinha! Não é óbvio? Venha com a gente no quarto de três.
- Mas eu...
- Não aceitamos não como resposta. - cruzou os braços.
- Venha, ! Quem vê, pensa que nós não nos conhecemos desde a primeira série. - exclamou.
- É! Pelos velhos tempos... - murmurou e piscou para mim.
Certo, como se os velhos tempos significassem qualquer coisa para . Depois de ela ter o , nada mais significava.
Eu não sabia muito bem se queria ficar no quarto delas, mas sabia que, se eu negasse, elas iriam insistir mais e mais. Além disso, o quarto de três pessoas seria mais espaçoso, provavelmente.
- Está bem. - Dei de ombros.
- Então você vai ficar no nosso quarto?! - perguntou, animada como sempre.
- Claro.
Dito isso, as duas pularam em cima de mim e me abraçaram forte.

- Quem são suas novas amiguinhas? - Minha mãe perguntou assim que eu entrei no carro.
- Ninguém.
- Me conte, filha.
- São só duas garotas da minha sala, está bem?
- Eu disse que as coisas iriam melhorar, querida. Que você não iria morrer de saudades, como insistia que ia acontecer. - Ela apertou minha mão.
E quem foi que disse que dormir no quarto de e me impediria de ter saudades de Gustavo e Luíza?
- Mãe, eu posso ir a uma viagem da escola semana que vem?
- Para onde vocês vão?
- Não sei direito. Está tudo explicado em um papelzinho que a coordenadora entregou.
- Vamos ver. E precisamos perguntar para o seu pai também, você sabe.
- Ok. - Dei de ombros.

- Está pronta, ? - Meu pai perguntou.
- Um segundo.
Peguei a bolsa em cima de minha cama e corri escada abaixo.
- Sou eu quem vai te levar hoje.
- Achei que fosse a mamãe.
- Não, ela está vendo novela. - Ele resmungou.
Dei de ombros e o segui até o carro. Quinze minutos de trânsito silencioso - exceto as buzinas que eram ouvidas ocasionalmente -, e eu tinha chegado à academia.
Entrei e fui direto para o vestiário me trocar. Coloquei a meia calça, o colã e a saia. Prendi o cabelo num coque alto e prendi algumas mechas soltas com grampos. Por último, calcei a sapatilha, então fui para o salão.
- Atrasada de novo, Srta. Mendonça?
- Desculpe, Sra. Carter.
- Não quero que se repita.
- Sim, senhora.
Alonguei-me e comecei a treinar. Sim, eu fazia ballet. Dançava desde os sete anos, e, se dependesse de mim, não iria parar nunca. Meu sonho era virar bailarina, e eu não fazia nada que pudesse afetar isso. Mantinha uma dieta rigorosa e treinava todos os dias, com esperança de me tornar uma profissional.
- Muito bem, os testes para o papel principal da nossa apresentação vão começar, podem se preparar. - Sra. Carter informou a todas nós.
Todas sentamos ao redor da sala encostadas à parede, e assistíamos aos outros testes. Quando ela me chamou, fiz o melhor de mim para conseguir o papel principal - coisa que eu queria desde pequena.
Nunca pude pegá-lo, porque era muito nova, e ainda não usava sapatilha de ponta. Agora que a situação tinha mudado, eu tinha confiança de que conseguiria.
- Os resultados saem na sexta-feira. - A professora informou ao final da aula.
- Mas... Sra. Carter? - Chamei-a enquanto o resto da sala ia para o vestiário se trocar.
- Sim?
- Eu não vou poder vir na sexta.
O ônibus saía logo depois do almoço, quando os resultados saírem eu provavelmente já vou estar na praia.
- Sim?
- A senhora não poderia dar os resultados amanhã?
- Não.
- Mas...
- Srta. Mendonça, você se acha mais importante do que alguma outra bailarina aqui?
- O quê? Eu... Não.
- Ótimo que você saiba disso. Não vou abrir exceções para você, e nem para nenhuma outra. Além disso, quero mais de você. - Ela disse e saiu andando, em direção à sua sala.
O que aquilo queria dizer? Que eu não era boa o bastante? Ah, certo. Eu só estava treinando para tentar pegar aquele papel há oito anos, nada que fosse significar muito, não é?
Me troquei e liguei para minha mãe vir me buscar. Não sei de onde ela tirou a ideia de passarmos no supermercado e fazermos as compras do mês de uma vez. E, para isso, meu pai estava junto.
- Como foi a aula, querida? - Minha mãe perguntou.
- Boa.
- Os testes não eram hoje?
- Foram.
- Você conseguiu o papel que queria?
- Os resultados só saem sexta-feira.
- Viu? - Meu pai disse. - Eu disse que essa viagem só ia atrapalhar tudo, e...
- Quieto, Romeu. - Minha mãe resmungou.
Meu pai deu de ombros e pegou um saco de salgadinhos na prateleira.
- E deixe isso aí! Vocês dois têm de parar de comer tanta besteira.
- Mas eu não como besteira! - Reclamei.
- Eu pago. - Meu pai protestou.
Minha mãe olhou feio para ele, mas ele sorriu e colocou o saco no carrinho de compras. Às vezes eu me sentia a adulta da casa, sinceramente.
- Então você vai mesmo querer ir nessa viagem, querida? - Minha mãe perguntou.
- Sim, tudo bem por você?
- Não! - Meu pai exclamou.
- Romeu, ela perguntou para mim, e não para você.
- Mas eu tenho tanto direito nessa discussão quando você, Julieta.
Sim, eu sei, irônico. Meus pais se chamam Romeu e Julieta, e vivem brigando. No começo a ideia parece engraçada, mas depois você se convence que ela é apenas irritante.
- Por favor, pai? - Implorei.
Ele ficou sério por um momento.
- Certo, certo. Acho que está tudo bem. - Ele disse, mas ainda estava de cara feia.


Continua...

N/A/B: oooi leitoras lindas magavlhosas! :) Como vão? Bem, aqui está o comecinho de mais uma fic pra vocês... Hehe. Nossa, essa capa foi difícil de fazer, hein? Mas até que gostei dela, quando finalmente consegui terminar.
Ok, isso não vem ao caso. E aí, o que acharam dessa fic? Ah, comecei a escrever ela faz pouco tempo, então nem sei ainda se vou terminar ou não...
Críticas, sugestões, elogios, ideias, alguma coisa? Comentem, comentem, façam uma aspirante a escritora feliz. :D HAHA
Ah, outras fics minhas, se quiserem ler, hihi. (*-*)
- Os Novos Vizinhos (McFLY/Em Andamento)
- Fifteen (Outros/Finalizada)
E hei, acharam algum erro na fic? Avisa pra mim: brucarmelli@gmail.com. Beijocas. :D