Does Love Exist?
Autora: Jo Dias
Beta-Reader: Bia Reis


- Certo, já chega de ensaio por hoje. Vamos pedir uma pizza e jogar conversa fora. - falou já pegando o telefone e discando o número da pizzaria.
- , acho melhor eu ir embora... - falei baixinho, só para ele ouvir.
- , isso não pode ficar assim para sempre. - sabia minha razão, embora não entendesse muito bem. - Você tem que fazer alguma coi... - ele foi interrompido por uma almofada batendo em sua cabeça. Era .
- Que proximidade é essa com a minha garota, rapaz? - ele falou, e eu senti meu rosto esquentar, mas ignorei isso.
- Ah, finalmente ela é sua garota? - perguntou, só agora prestando atenção à conversa.
- Não sou garota de ninguém, ok. , me deixa em paz. - falei, ríspida, e apenas ignorou a segunda parte do que eu falei.
- Ainda, . - ele disse, com um sorrisinho no rosto. Cara, ele não desiste.
- Gente, acho melhor eu ir embora, preciso me arrumar.
- Claro, . A gente se vê na casa da .
- Até mais tarde. E , vê se não esquece o presente, ou a vai ficar viúva. - ameacei, já que eu tive muito trabalho em ajudar ele a fazer um livro para ele dar a sua namorada.

É aniversário dela, e ele queria fazer algo especial. Então, além de comprar uma pulseira com um coração, que por sinal era linda, ele cismou em fazer um livro com a história deles, cheio de fotos e bom humor. E claro que sobrou para mim ajudar o pateta. Saí da casa de , onde eu tinha ido apenas levar a pulseira que ele esqueceu na minha casa ontem depois que chegamos da loja, e acabei ficando para ver um ensaio do McFLY. Quando destravei meu carro, ouvi alguém falando perto de mim.
- , vai nem me dar tchau?
- . - falei, me virando para olhar seu rosto perfeito – Tchau. - me virei novamente.
- E que tal um beijo de despedida?
- Não vai funcionar. - falei, ainda de costas. Ele segurou meu braço e me virou lentamente.
- O que eu preciso fazer pra você me dar uma chance? - ele perguntou, paciente.
- Só me deixa ir pra casa, tá bem? - respondi, abrindo a porta do carro e entrando.
- Até mais tarde.
Apenas acelerei e saí dali. Esse garoto não me deixa em paz. Meu Deus, se soubesse que ia ser assim, não teria ficado com ele. É, eu já fiquei com ele. Sabe, eu tenho vinte anos, estou na universidade. Ele tem uma banda famosa, tem qualquer garota que ele quiser. Eu fiquei com ele porque, não vou mentir, ele é muito lindo, divertido, e a gente se conhece há tanto tempo. Mas eu pensei que depois, cada um agiria como se nada tivesse acontecido. Afinal, somos amigos, ele sabe que eu não quero relacionamentos, e eu pensava o mesmo dele. E ainda penso. Ele é como todo homem. Só está nessa fixação por mim porque eu não ligo. Se eu me apaixonasse por ele, aposto que ele falaria um 'sinto muito' e seguiria para a próxima vadia. Como os namorados da minha mãe fizeram mil vezes, como os namorados das minhas amigas fizeram um milhão de vezes. E como eu tinha prometido a mim mesma que comigo ninguém faria. Por isso desde os dezesseis anos evito relacionamentos. Não homens, não sou santa, apenas não acredito que o amor exista, sabe. Então, o plano para minha vida é: terminar a universidade, trabalhar, ganhar meu dinheiro, ter um filho lá pelos trinta, produção independente. Não sinto falta de relacionamentos. Os que preciso tenho. Minha família, meu melhor amigo de infância, que é o bobo do , e os garotos da banda. No cargo de amigos. E só. Então, , não vai rolar. Nessa viagem pelos meus pensamentos, quando dei por mim, já estava na minha rua. Parei o carro, entrei em casa, e fui me arrumar para ir para a casa de , para uma comemoração entre amigos.

[...]

Cheguei em casa, subi para meu quarto correndo, me joguei na cama, tirei o sapato com os pés. Olhei para o teto, e comecei a pensar... Mas eu não queria pensar, então levantei num pulo e fui no banheiro, lavei o rosto, na esperança de que a água levasse meus pensamentos com a maquiagem. Não funcionou. Olhei no espelho a minha frente. E a garota que me olhou de volta estava com um sorrisinho no rosto. Um sorriso bobo, inconsciente. Fiz careta para ela, e ela mudou sua expressão. Assim está melhor. Tirei meu vestido roxo, joguei em qualquer canto no quarto e deitei novamente. Peguei um livro qualquer e comecei a ler, para manter minha cabeça ocupada. E funcionou.

A próxima coisa que me lembro é que eu estava na casa de , com os garotos, vendo-os ensaiar uma música, e eu chorava muito, mas nenhum deles percebia isso, exceto aquele que abria um sorriso cada vez maior quando me via tão deprimida. Logo, todos tinham saído, mas eu fiquei ali, com , e com a garota incrivelmente linda que o abraçava, enquanto ambos me ignoravam como se eu não existisse. Não seria exagero dizer que eu não estava ali, porque eu realmente não estava. Fechei os olhos com força, fazendo com que todas as lágrimas guardadas saíssem. Quando abri os olhos, estava em meu quarto, chorando na penumbra que se formava por causa da luz da lua que entrava pela janela. Foi só um sonho. Espera, que parte foi um sonho? A parte em que aquele garoto incrível me pediu em namoro, foi sonho?

[Flashback on]

- ! Parabéns, amiga!
- ! Obrigada, duplamente! já me contou quem o ajudou no presente mais lindo que já ganhei. - ela disse, e eu sorri satisfeita, enquanto piscava pra mim.
A casa tava cheia de gente, mas eu já esperava. tem muitos amigos para uma comemoração entre amigos. A noite passou, eu bebi um pouco, mas ainda fiquei sóbria, claro. Fiquei a noite toda com , e , já que estava com a namorada. E para meu alívio, me deixou em paz. Finalmente.
Quando eu estava indo embora, depois que me despedi de todos, inclusive do , já que voltaríamos ao normal como amigos, eu me sentei na escada da casa de . A lua estava enorme, e não é todo dia que a gente consegue vê-la assim. A porta atrás de mim se abriu, pessoas passaram, foram embora. Continuei ali, olhando o céu por alguns minutos, o álcool me deixa meio emotiva, acho que por isso pensei em . Ai, o que eu estou pensando? Ele é homem, ele é idiota, já não está nem aí pra mim, o que prova que ele cansou e desistiu, e isso aconteceria de qualquer forma, mesmo que eu tivesse ficado com ele de novo, e aí, eu sairia machucada. Só porque ele é lindo, e eu gosto tanto dele, na verdade eu o amo, não quer dizer que eu deva... Espera, o que? Ta maluca, ? Como amar se amor não existe? Aliás, que história é essa de amar? Balancei a cabeça, para afastar aqueles pensamentos. Cara, eu não bebo mais, sério. Já estou tendo alucinações. Amor? Aham, papai noel ama o coelhinho da páscoa. Ri imaginando a cena.
- Tá rindo de quê? - uma voz falou, me assustando, e essa voz era de .
- Nada. - fechei a cara. Que ótima hora para ele aparecer.
- Hora errada? - ele perguntou, sorrindo. O que, ele agora sabe ler mentes? Será que ele me ouviu pensando que o amo? Não, e para com essa de amar, garota idiota!
- Não, só estou olhando o céu um pouco. - eu ainda não tinha olhado para ele de verdade, vai que meus olhos entregam meus pensamentos estúpidos.
- É, muito lindo mesmo. - ele falou, e eu senti seu olhar em mim. - , você está bêbada?
- Claro que não, pareço bêbada? - finalmente olhei para ele, que estava ainda mais lindo hoje.
- Bem... – ele falou, olhando para os lados, como um ladrão numa loja – É que não quero que você possa dizer que isso foi graças ao álcool.
Antes que eu pudesse perguntar o que diabos ele quis dizer, ele já estava me beijando. Não, isso eu não poderia resistir. Então apenas beijei de volta, aproveitando cada sensação. Cara, como aquele beijo era incrível. Ele fez menção a se afastar, e eu segurei sua cabeça perto de mim. Como ele se atreve a querer interromper isso? Depois de um tempo, eu já estava sem fôlego, aí permiti que ele se afastasse. Ele apenas me encarou.
- Agora é a hora que você me pede desculpas. - eu disse, séria.
- Não vou me desculpar. Desculpas é para quem se arrepende, e não é meu caso. - sorri.
- Boa resposta.
- , eu não vou te fazer passar por tudo que você teme. Eu gosto de você. Eu vou cuidar de você. - ele sabe de meus medos, meus amigos sabem.
- , não é decisão sua. Você é homem.
- Sou homem, não bicho. Aqueles que não conseguem ser fiéis, agem por instinto. Mas eu tenho poder de escolha. E eu escolhi você. Somente você.
- Você apenas escolheu palavras bonitas. Mas eu não viveria de palavras.
- – ele falou, sua voz parecendo triste. - eu respeito seus medos. Não sei o que você sente por mim. Eu te amo, e não é de hoje. Pode perguntar ao . Mas não vou passar o resto da sua vida te perseguindo. Se você não for capaz, nem agora nem nunca, de me amar, me avisa. Mas se tiver algum pedacinho aí que me queira, eu não vou desistir. Só pensa nisso. – ele começou a se levantar, e eu me levantei junto – E amanhã, me diz se quer ser minha namorada. – ele falou, e apontou para dentro da casa de , por uma janela onde dava para ver e conversando, parecendo genuinamente felizes. É, talvez o amor exista. Aqueles dois são a prova viva disso. Mas eu não tenho a sorte de encontrar um de verdade. Olhei novamente para . Ele não concordaria com meus pensamentos.
- Até amanhã, . - falei, dando um beijo em sua bochecha. E saí em direção ao meu carro. Ele me acompanhou com os olhos.

[Flashback off]

Cara. Eu não quero pensar no que sinto. Tenho medo de descobrir que amo o . Claro, que se ele me amasse também, não seria tão horrível assim. Mas não há como saber. Ele vai dizer que sim. Mas pode estar mentindo. Ninguém chama galinha dizendo 'chô' . Metáfora horrível. Mas enfim. Ah, eu quero conversar sobre isso, mas não quero falar sobre isso. Que droga. Peguei o celular para olhar a hora. Tinha 57 mensagens de . Abri a primeira e não entendi nada. Que idioma ele acha que eu falo? Fui passando, sem abrir realmente, mas dava para ver o inicio. Todas bem curtas. Cheguei em uma que reconheci. “Ich Liebe Dich”. Quando fiz aulas de alemão, aprendi poucas coisas, mas entre elas essa frase sei o que é. Significa “Eu te amo”. É possível que todas essas mensagens signifiquem isso? Continuei baixando, e achei outras expressões familiares. “Je T'aime”, “Ti amo”... “Eu te amo”. Essa foi em português, era a segunda mensagem. Meu pai mora no Brasil, mas eu cresci aqui em Londres, com minha mãe. Mas às vezes vou lá visitá-lo. Minha mãe também é brasileira, ela me ensinou português. A mensagem seguinte estava em inglês, mas não era mais um eu te amo. “What language do I have to speak to make you understand that I love you?” (Que idioma tenho que falar para fazer você entender que eu te amo?).
Desse jeito ele vai acabar me convencendo. Preciso ter certeza logo.
- ? - É, eu liguei para ele, no meio da madrugada.
- ? - voz sonolenta – O que houve?
- , o me ama?
- , que horas são..? Por que você tá me ligando? - voz muito sonolenta.
- me ama?
- Ama.
- Obrigada , boa noite.
- Boa no... - eu desliguei antes que ele terminasse de falar. A conversa não se estenderia mesmo.
Levantei, já não estava com nem um pingo de sono. Tomei um banho, e fiquei na frente de casa, vendo o dia nascer. Cara, como as noites são lentas quando você quer que elas acabem. Mas finalmente, olhei o relógio e vi marcar seis e quarenta. Ótimo. Levantei, peguei meu carro e fui para a casa de . Quando parei o carro, uma voz na minha cabeça perguntou o que eu estava fazendo. Ignorei completamente. É, eu amava . Mas nunca tive coragem de assumir a mim mesma. Até agora. Desci do carro. Respirei fundo, já eram mais de sete da manhã, mas certamente ele ainda estava dormindo. Era domingo, sabe. Toquei a campainha. Ninguém. Toquei de novo. De novo. Fiquei com medo. O que eu ia dizer? Essa pergunta me fez virar e correr para entrar em meu carro, mas já era tarde. Quando apertei o botão para destravar, ouvi a voz de sono mais linda do mundo.
- ? O que houve? - me virei lentamente, caminhei até ele.
- Hmm... Posso entrar? - perguntei, olhando pela brecha entre seu corpo sem camisa e a porta.
- Pode, entra. - sua voz já parecia menos de sono. Acho que ele já estava entendendo o que eu fui fazer em sua casa. Sentei-me em seu sofá sem me importar em ser educada, sendo seguida por ele.
- ... - não falei mais nada.
- ..? - ele me olhava curioso, parecendo uma criança. Coloquei as mãos no rosto, olhar sua face linda não ajudava a me concentrar. - , eu já entendi. Eu disse que te deixaria em paz. Mas não tá meio cedo par...
- Você não entendeu. - interrompi o garoto - Eu te quero, . - um sorriso se formou em seu rosto. - Não sei se é o melhor a fazer, mas é o certo. , Ich Liebe Dich.
- Eu te amo, . - ele falou, em português. E beijou-me. Foi um beijo carinhoso, demorado. E mais uma vez ele estragou minha felicidade, separando-se de mim. - , você quer namorar comigo?
- Quero, . - respondi, em tom solene, como o dele anteriormente.
Ele me beijou novamente, agora com mais paixão. Passamos o dia em sua casa, juntos. Até que o telefone dele tocou.
- Fala, .
Não consegui ouvir o que tava falando. Tive que ficar com as respostas de .
- O que..? - tom de voz divertido. Pausa para falar. - Cara, essa foi a melhor coisa que você já fez para mim. - falou, olhando para mim. - É... , quer falar com ? - ouvi sua voz surpresa do outro lado.
- Oi, .
- ? - É, por quê? Você está acostumado a falar com outra garota pelo telefone do meu namorado?
- Namorado? , que ótimo! Então você desistiu daquela ideia maluca de envelhecer criando gatos? - Ri muito.
- É, pode-se dizer que sim.
- Finalmente. Ei, vamos sair para comemorar? Aliás, você me deve desculpas por ter me acordado, e obrigada por eu ter falado.
- Obrigada, sim. Mas desculpas não, porque não me arrependo de ter te acordado. - Vi sorrir ainda mais.
- Já serve. Vem pra minha casa às sete da noite, vamos comemorar.
- Claro, . Até mais.
Desliguei, e veio me beijar novamente, sorrindo bobo como criança. Com aquele olhar. Aquele, que faz qualquer um querer se apaixonar, para ser olhado assim. O olhar que eu amo, e que prova que o amor existe. E bem, se até eu que nem admitia sua existência encontrei o meu, é porque todos, um dia, também verão esse olhar voltado para si. E sentirão todo o amor que eu sinto agora.

FIM

Nota da Beta
Qualquer erro nessa fic fale comigo pelo gmail. Por favor, não falem sobre os erros na caixinha de comentário.