Fic por: Meli (meli_stu@msn.com)
Tradução por: cecelitxa (cecelanobrega@gmail.com)
Outras fics da tradutora: When Dreams Come True
Capítulo 1
", estou indo!"
Eu estava sentada no sofá da sala de estar lendo uma revista quando ouvi meu irmão mais velho gritar da porta da frente. Eu me levantei e andei até onde ele estava colocando o casaco e pegando as chaves dele, se preparando para sair.
"Você está saindo…?", eu perguntei para ele com uma expressão confusa no rosto.
"Sim", ele falou, rolando seus olhos castanhos. "A audição, lembra?"
"Ah meu Deus, a audição!", eu disse, arregalando os olhos quando me lembrei.
Como eu pude ter esquecido? Ele estivera falando e falando sobre isso há séculos! Tom, meu irmão, é um músico. Nasceu para ser. Ele sempre sonhara em entrar na indústria musical, e agora era a chance dele para isso.
Algumas semanas antes ele tinha visto no jornal um anúncio de uma banda procurando por um último membro. A tal banda já tinha um empresário e estava bem perto de assinar com uma gravadora. Era uma oportunidade que ele não podia deixar passar, mesmo que tivesse que viajar para Londres para fazer a audição.
"Sim, a audição… E eu estou indo agora", Tom disse bem devagar, como se estivesse falando com uma criança de 3 anos.
Eu rolei meus olhos e me aproximei para abraçá-lo.
"Boa sorte!", eu disse, ainda abraçando-o. "Você vai se sair ótimo!"
"Valeu, ", ele disse enquanto me abraçava de volta. Nós nos soltamos e ele se inclinou para pegar sua guitarra e mochila.
"Seja boazinha, ok? Eu vou ligar assim que chegar lá."
Eu sorri e assenti. "Tchau", acenei enquanto ele saía e fechava a porta atrás de si.
Capítulo 2
Uma semana depois, Tom estava de volta... E fazendo as malas.
Não, não era o que você está pensando. Ele não entrou na banda. Tinha ido para as finais com um cara chamado Charlie, e no fim Charlie ganhou. É claro que ele tinha ficado arrasado, mas aparentemente o empresário, Fletch, tinha gostado dele e oferecido um emprego para entregar panfletos e filmando audições e shows. Soa como um emprego glamouroso, não?
Enfim, Tom aceitou o emprego sem pensar duas vezes. O que for preciso para ficar mais perto da indústria musical, certo? Quem sabe Fletch não o ajudasse a chegar a algum lugar... Além do mais, Tom e o vocalista da banda a que ele se candidatou, James Alguma Coisa, tinham se tornado bons amigos e iriam escrever algumas músicas juntos. Em Londres.
Eu estava parada na porta do (bagunçado) quarto de Tom, assistindo-o enquanto ele jogava várias coisas dentro de uma mala aberta em cima da cama. Para ser honesta, eu não estava pulando de felicidade com o fato de que ele ia embora. Ia sentir falta dele. Além do mais, com ele fora de novo, os nossos pais iam concentrar toda a atenção em mim, e isso não é bom. Que sorte a minha...
"Eu só vou ficar fora por umas duas semanas", a voz de Tom me trouxe de volta à Terra. Ele estava olhando para mim com um sorriso no rosto, a sua única covinha bem à mostra. Ele devia ter visto a minha expressão.
Eu forcei um sorriso."Eu vou sentir sua falta, é só", eu disse. "A mamãe e o papai vão me deixar louca sem você aqui!", acrescentei, após um momento de silêncio.
Eu fiz biquinho e Tom riu, sabendo que era verdade. Aquelas duas semanas seriam bem longas...
Capítulo 3
Já fazia uma semana desde que Tom tinha ido embora agora, e eu estava ao telefone com ele.
"... então eu estava lá, filmando a audição para uma boyband chamada V, e esse cara aparece com uma guitarra! Estou dizendo, ele era completamente errado para aquela banda! Quero dizer, ele obviamente não é um daqueles caras que fazem coreografias ensaidas, sabe? Aí Fletch e eu decidimos falar com ele depois do teste dele - que foi incrível, por falar nisso - mas nem um pouco no estilo que procuravam... Passamos o dia inteiro juntos, e ele é um cara bem legal – você gostaria dele - e agora nós estamos escrevendo juntos e planejamos começar a nossa própria banda! Não é incrível?!", Tom terminou de falar. Ele tinha dito aquilo tudo sem respirar uma única vez.
"Tom, claro, é ótimo!", eu disse, com um enorme sorriso. "Então, quando isso aconteceu?"
"Dois dias atrás. Ele vai ficar aqui pelo resto da semana, pra gente escrever alguma coisa juntos..."
"E onde exatamente vocês vão ficar?", eu perguntei, curiosa.
"Argh, Fletch alugou pra gente um quarto no terceiro andar de um hotelzinho aí..."
Capítulo 4
"Tom vai chegar aqui a qualquer segundo, . É hor você ir se trocar."
Eram 10 da manhã de um sábado, e a minha mãe e eu estávamos sentadas à mesa da cozinha tomando café da manhã. Eu tinha acabado de acordar, e meu pijama estava completamente amassado, meu cabelo cacheado estava todo bagunçado e eu estava de mau humor. Não sou uma pessoa matutina. Especialmente nos fins de semana.
Eu levantei o olhar do meu prato, que tinha uma torrada meio comida, para olhar para a minha mãe, que estava sentada na minha frente, tomando café e lendo um daqueles tablóides baratos que ela tanto amava.
"Eu estou bem assim", respondi, resmungando. Repito: não sou uma pessoa matutina.
Ela levantou os olhos do tablóide. "Mas Tom está vindo, e ele--"
"Ele está acostumado a me ver de pijama", eu a interrompi.
"Mas--"
"Mãããe!", eu a encarei. Ele não entendia que eu não queria me mover, e nem falar com alguém?
"Tudo bem, faça como quiser", ela estalou a língua, balançou a cabeça e voltou a ler.
"Eu farei", resmunguei e continuei mastigando a minha torrada, e olhando para o nada.
Eram 10:15 quando a campainha tocou. Tom estava de volta.
"Você atende. Vou limpar isso aqui", minha mãe disse, apontando para a louça do café da manhã enquanto se levantava. Ela tinha um pequeno sorriso no rosto.
"Ok", dei de ombros, deixei o resto da minha torrada no prato, me levantei e comecei a me arrastar lentamente na direção da porta da frente.
Eu abri a porta e estava para berrar um animado "bem vindo de volta!" e abraçar Tom, quando o vi parado perto da porta com mais alguém ao seu lado. Um outro alguém muito gostoso.
Ai.Meu.Deus.
Eu já mencionei que eu estava usando o meu pijama mais velho e que a minha cabeça provavelmente parecia com um ninho de passarinho? Fiquei lá parada, e então fechei a porta bem nas caras espantadas e divertidas deles.
"MÃE!", eu fui batendo os pés na direção da cozinha, onde ela estava, tentando não rir de mim. Eu lancei um olhar penetrante a ela. Ah, se ao menos olhar matasse...
"Eu tentei avisar", ela disse. "Mas nãããão...", ela levantou as mãos, e soltou uma risada ante o meu olhar de indignação.
"Argh!", eu gritei e corri escada acima para o meu quarto, para me trocar e ficar apresentável.
Ouvi a voz de Tom no andar debaixo, e a voz do outro cara também. A minha mãe tinha deixado eles entrarem, e eles estavam todos rindo. Provavelmente – não, definitivamente – de mim.
Ótimo. Tom nunca mais me deixa em paz depois dessa.
Capítulo 5
Eu ainda estava no meu quarto, sentada na cama e encarando a porta. Eu sabia que teria que descer em algum momento, mas ainda não estava pronta. Eu tinha me humilhado totalmente e estava com vergonha. Suspirei pela décima vez enquanto ouvia as risadas deles novamente. Devagar, me levantei, dei uma última olhada no espelho em cima da cômoda, saí do quarto e desci as escadas, com cuidado para evitar mais vexames.
Minha mãe, Tom e o amigo dele estavam na sala de estar, sentados no sofá conversando, suas costas viradas para mim. Eu estava parada no portal, decidindo se eu deveria me apresentar, quando vi a minha mãe se virar e me ver.
", o que você está fazendo aí? Vem aqui!" ela acenou para eu me juntar a eles no sofá.
O caminho até o sofa pareceu durar uma eternidade e eu podia sentir os olhos do Tom e do amigo dele me encarando. Mantive os meus direcionados para o chão.
Finalmente ergui a cabeça quando me sentei. "Oi", disse com vergonha, e podia sentir as minhas bochechas queimando.
Olhei para Tom e ele moveu os olhos para o amigo sentado ao seu lado. A minha mãe tinha ido pegar algo para beber assim que pusera os olhos em mim. Por que ela estava demorando tanto?
", este é Danny Jones", Tom bateu no ombro do tal Danny, "Eu falei sobre ele com você ao telefone, lembra?", eu assenti e sorri para Danny, enquanto Tom continuava as apresentações. "E Danny, essa é a minha irmã, . Aquela que bateu a porta na nossa cara mais cedo, lembra?" Tom terminou, tentando se manter sério, enquanto Danny segurava o riso.
Forcei um sorriso e tentei não socar Tom. "Errr, desculpe por aquilo. Eu não estava...ééé... esperando...você", eu falei para Danny. Que ridículo.
"Hey, sem problemas", Danny disse e piscou para mim.
Senti meu rosto começando a esquentar de novo. Meu Deus, ele era maravilhoso! Seu cabelo liso e castanho caía sobre um dos seus olhos... Seus olhos incrivelmente azuis. Ele era muito bonito, e tinha um sorriso incrível.
"Você está bem?", Tom acenou na frente do meu rosto. Eu devia estar encarando Danny.
"Ah, sim, desculpe! Eu-eu vou ajudar minha mãe com as bebidas...", me levantei, e comecei a me afastar rapidamente.
Enquanto saía da sala, ouvi Tom falando. "Desculpa por isso! Ela geralmente é mais... normal."
Capítulo 6
Durante os meses que se seguiram, Danny havia se tornado um visitante regular na casa dos Fletcher. O quarto de hóspedes ao lado do meu tinha praticamente se tornado dele. Ele vinha de Bolton todo fim de semana para que ele e Tom pudessem trabalhar nas músicas.
Eu tinha me acostumado a ter Danny por perto, e de fato sentia saudades quando ele voltava para casa. Ele era ótimo. Não tinha apenas uma boa aparência, mas também uma personalidade para combinar. Ele sempre era simpático, atencioso, engraçado e atrapalhado. Nem sempre tentava ser engraçado, mas às vezes falava as coisas mais idiotas, e o seu forte sotaque do norte geralmente as faziam soar mais idiotas ainda. Era difícil não rir, sério. E não só isso, mas cara, ele era talentoso! Tocava violão super bem, e tinha uma das vozes mais sexys que já ouvi. A voz dele mandava arrepios pela minha espinha toda vez que o ouvia cantar...
Você provavelmente deve estar pensando que eu tinha uma certa paixonite por ele, certo? Na verdade, “uma certa paixonite” é um enorme erro. Eu tinha uma enorme e gorda paixonite por ele. Só que eu era muito tímida para fazer algo. Além do mais, namorar um amigo do meu irmão? Não mesmo. E também eu não queria interferir com a música deles. Quero dizer, e se a gente não desse certo e depois as coisas ficassem estranhas?
Eu fui trazida de volta à realidade com o toque do telefone.
"Eu atendo!", gritei do meu quarto, apesar de que provavelmente ninguém ouvira. Tom e Danny estavam no andar de baixo tocando para a minha mãe e para o meu pai uma das músicas novas em que eles estiveram trabalhando. Me estiquei para alcançar o telefone preto na minha mesinha de cabeceira e encostei o fone na orelha. "Alô?"
Era a minha amiga Daniela. Os pais dela estavam fora da cidade e ela faria uma pequena reunião na casa dela, que ficava a apenas algumas quadras da minha.
"Ótimo, vejo você hoje à noite então! Tchau, hun", eu desliguei, me levantei da cama, e andei até o meu armário.
E agora, o que vestir?
Capítulo 7
Eram 4 da manhã e eu ainda estava na casa de Daniela. E estava bêbada. Muito bêbada. Sabe, eu quase nunca bebo, porque tenho pouquíssima tolerância a álcool, e eu tinha tomado algumas Margaritas a mais. Estava começando a ficar cansada e queria voltar para casa.
Eu e meus amigos estávamos esparramados no chão acarpetado da sala de estar. Me estiquei para pegar a minha bolsa em cima da mesinha de centro, que estava transbordando com copos e garrafas vazias, peguei o meu celular e disquei o número.
"Alô?", uma voz do outro lado da linha atendeu. Ele parecia estar com sono.
Eu soltei uma risadinha. Os meus amigos, ao meu lado, fizeram o mesmo, mesmo que eles não soubessem do que estavam rindo. E, para ser honesta, nem eu sabia.
"Alô?! Quem é?", agora ele parecia com sono e irritado.
"Danny..." eu balbuciei.
"?" Danny falou, e agora a irritação em sua voz for a substituída por preocupação. "Está tudo bem?".
Eu soltei outra risadinha. Parecia que eu estava rindo demais.
"Você está bêbada?"
"Não"
Silêncio.
"Talvez"
Silêncio.
"Sim, eu estou bêbada", eu enrolei a língua, abaixando a minha cabeça com vergonha, mesmo que ele não pudesse me ver.
"Certo", Danny parecia estar se divertindo.
"Danny?"
"Ahn?", parecia que ele estava tentando segurar um bocejo.
"Eu quero ir pra casa!", eu de repente comecei a chorar. Aparentemente, álcool também tinha esse efeito no meu humor. "E- E eu não sei como voltar!!"
", são apenas algumas quadras de distância...", ele disse, parecendo chocado pela minha súbita explosão.
"Mas eu não sei como voltar!", agora eu estava me lamuriando.
"Ok, , se acalma. Eu vou aí te pegar!", ele disse bem rápido.
"Ok", funguei bem alto. "Tchau"
Uns vinte minutos depois, a campainha tocou. Meus amigos foram tropeçando até a porta da frente e a abriram. Danny estava parado lá, usando a parte debaixo do pijama e uma camiseta lisa branca. O cabelo dele estava todo bagunçado.
"Danny!", eu gritei e pulei nele, abraçando-o. "Senti sua falta", a minha língua continuava enrolando.
"Vem, vamos pra casa", ele disse.
"Você vai me lever pra casa? Você é tão fofo", eu disse, sorrindo para ele que nem uma idiota.
"Aham, vamos, ...", ele parecia constrangido. Todos os meus amigos estavam encarando-o intensamente. Ele agarrou meu braço.
"Ok, tchau!", eu peguei a minha bolsa e acenei para os meus amigos, enquanto Danny e eu começávamos a andar de volta pra casa. Bem, ele estava andando, eu estava mais para cambaleando, e o fato de eu estar usando salto alto não ajudava.
"Então, você se divertiu, hein?", Danny perguntou enquanto andava. Ele virou a cabeça para me olhar, mas eu não estava mais lá. Ele parou e olhou em volta, até que me viu sentada no meio da calçada a alguns metros, sem saber que a minha saia tinha subido.
"O que você está fazendo aí? Anda, , levanta", Danny disse, olhando para mim e tentando manter o olhar no meu rosto.
"Não. Estou cansada", balancei a cabeça, me recusando a levantar.
Danny se inclinou e segurou o meu braço, tentando me erguer.
"Anda, !"
"Não, eu não quero! Já disse, eu estou--"
Mas antes que eu pudesse terminar de falar, ele tinha passado um dos seus braços pelas minhas pernas e o outro embaixo dos meus braços e costas. Ele se levantou, comigo no colo. Eu institivamente passei meus braços pelo pescoço dele.
Ele olhou para mim, sorrindo. "Esse é o único modo de eu te lever para casa, não é?", ele era muito mais forte do que parecia.
Eu apenas sorri, fechei os meus olhos e joguei a cabeça para trás, respirando fundo. Ele cheirava bem. Após um tempinho eu abri os olhos para olhar para ele de novo. Danny estava olhando para a frente, e parecia cansado. Estava escuro, mas eu podia ver o contorno do rosto dele. Seus olhos, seu nariz... Meus olhos fizeram uma pausa mais longa nos lábios dele. Comecei a brincar com o cabelo da nuca dele.
Danny olhou para mim. ", você--"
O quê? É ótima? Maravilhosa? Tudo o que eu sempre quis?
"--está babando", ele terminou, segurando o riso.
Ah.
Bem, pelo menos eu podia culpar o álcool por isso.
"Desculpa", eu disse, constrangida, limpando a minha boca com as costas da minha mão. Nojento.
Danny parou de andar. Nós estávamos na porta da frente da minha casa.
"Você tem a chave?", ele perguntou.
Eu assenti e revirei a minha bolsa até achá-la. Coloquei a chave na fechadura - após várias tentativas fracassadas, devo acrescentar – e destranquei a porta. Danny a empurrou com o pé até abri-la mais, e quando entramos ele a fechou com cuidado para não fazer barulho.
"Eu vou te deixar no sofa, tá?", ele sussurrou.
"Tá", sussurrei de volta, balançando a cabeça.
Danny me colocou no sofá. Os meus braços ainda estavam em volta do pescoço dele, então ele estava se inclinando sobre mim. Nós dois estávamos olhando diretamente nos olhos um do outro.
O rosto dele começou a se aproximar. Eu podia sentir seu hálito quente na minha pele. Eu abri um pouco os meus lábios e fechei meus olhos, apenas para sentir os lábios dele tocando gentilmente a minha... testa.
"Boa noite, ", ele sussurrou, e eu imediatamente o soltei. Meus olhos ainda estavam fechados. Eu o senti levantar e sair.
Eu me virei de lado, tentando dormir e ignorar o nó na minha garganta.
Capítulo 8
"Eu nunca mais vou beber", eu resmunguei, abrindo os olhos. Minha cabeça estava latejando. Sentei-me no sofá e coloquei os pés no chão. Ainda estava usando as minhas sandálias, então as tirei e me levantei lentamente.
A casa estava silenciosa, devia ser bem cedo de manhã.
Andei até o banheiro, lavei o rosto, escovei os denter e depois fui até a cozinha. Eu precisava de algo para a minha ressaca.
Liguei a cafeteria e me sentei à mesa. Eu gemi, encostando a minha cabeça no tampo da mesa. A superfície fria causava uma boa sensação contra o meu rosto. Alguns minutos deviam ter se passado quando ouvi alguém chegar. Não me mexi.
"Bom dia, raio de sol!"
Era Danny. Danny. A quem eu tinha acordado às quarto da manhã no dia anterior. Danny. Que tinha me carregado para casa. Danny.
Todas as lembranças voltaram de uma vez. Claro, os detalhes estavam meio borrados, mas eu tinha uma idéia geral do que acontecera na noite anterior. Esperava que eu não tivesse feito nada muito constrangedor na frente dele.
Eu levantei a minha cabeça para vê-lo olhando para mim. Ele ainda conseguia ficar bonito mesmo que só tivesse dormido poucas horas. Que injusto! Eu tinha perfeita conciência de que estava péssima.
"Bom dia", eu disse, olhando para ele.
"Como está a sua ressaca?", ele perguntou, sentando na cadeira à minha frente.
Eu gemi em resposta, e abaixei a minha cabeça de novo.
"Tão ruim, hein?", ele se levantou. "Eu sei de uma coisa que vai te ajudar", ele falou, indo até o freezer.
Eu levantei a minha cabeça e o segui com os olhos. Ele abriu a porta do freezer, pegou alguma coisa e então se virou para me mostrar um pote de sorvete de chocolate.
"Sorvete? Sério?", eu perguntei, erguendo as sobrancelhas.
"Yep"
Ele sorriu e foi até uma gaveta, pegando duas colheres. Voltou para a mesa e entregou-me uma das colheres enquanto se sentava e colocava o sorvete no meio da mesa.
"Funciona melhor do que café. Acredite, já passei várias vezes por isso", ele disse, abrindo o pote e mergulhando a colher no sorvete.
"Nisso eu acredito", eu disse sorrindo. Enfiei a minha colher no sorvete e a trouxe até a boca. Ah, tão melhor do que café!
"Escuta, Danny...", eu disse, depois de engolir o sorvete. "Sobre ontem à noite... Me desculpa... Eu não sei o que estava pensando, te ligando tão tarde e te fazendo --"
"Está tudo bem, ! Todo mundo faz coisas estúpidas quando está bêbado. Acredite em mim", ele deu uma risada. "Além disso, estou aqui para ajudar", ele passou os dedos dele na minha mão bem de leve sobre a mesa. Ela formigou.
Eu sorri para ele. "Certo", eu disse antes de comer outra colher de sorvete. "Só espero que eu não tenha feito nada muito constrangedor..."
"Nah, você não fez...", ele falou.
Eu suspirei, aliviada.
"... Além de ter babado em cima de mim..."
"O quê?! Não, eu não fiz isso!". Eu NÃO lembrava daquilo.
"Sim, você fez. Mas tudo bem. Você não pôde evitar..."
Eu abri a minha boca para falar, mas ele continuou, me ignorando.
"É porque eu sou tão gostoso..."
É verdade. Mas eu não ia admitir aquilo.
Eu bufei e rolei os meus olhos, "Claro, e tão modesto também..."
"... e sexy, também...", Danny mexeu as sobrancelhas, tentando parecer sedutor mas falhando miseravelmente.
Eu ri. "Sabe, estou surpresa que a sua cabeça consiga passar pela porta. Ela é tão grande!"
Danny olhou para mim, sorrindo "E essa não é a única coisa que é grande", ele disse e piscou.
A expressão no meu rosto deve ter sido engraçada, porque um segundo depois ele explodiu em risos.
"Danny!", eu exclamei, e joguei a minha colher vazia nele. Ela errou o meu alvo completamente, batendo na parede atrás dele.
"Ótima mira", ele disse, a voz dele carregada de sarcasmo. Ele tinha se virado para olhar o ponto onde a colher acertara a parede. "Você está bêbada de novo?! Eu só estou a uns 60 centímetros de distância!", ele disse, voltando a olhar para mim.
"Cala a boca!", eu disse, cruzando os meus braços e fazendo bico, tentando parecer ofendida pelo comentário. Mas isso só fez Danny rir mais ainda.
A minha cabeça ainda estava doendo muito, mas ele estava fazendo tudo ser muito melhor.
Capítulo 9
"Estou saindo pra pegar comida. Quer alguma coisa em especial?", Tom me perguntou enquanto descia a escada.
Os meus pais não estavam em casa, então só éramos eu, Tom e Danny.
Eu estava deitada no sofá, assistindo TV. Estava cansada, e não tinha dormido tanto assim na noite passada.
"Não, o que você trouxer está bom", respondi preguiçosamente, acenando de um modo vago. Estava passando a minha série preferida e eu queria prestar atenção.
"Ok", Tom respondeu, e com isso saiu.
Foi só nesse momento que ouvi Danny descendo a escada, falando sozinho, que percebi que nós estávamos completamente sozinhos. Só nós dois.
Meus olhos ainda estavam fixos na TV, mas eu estava seguindo cada movimento dele. Danny se jogou no sofá, ainda murmurando alguma coisa. Eu me arrumei no sofá. Não estava mais prestando atenção no seriado. Eu podia ouvir a respiração dele, sentir o calor que emanava do seu corpo, sentir seu perfume... Meu coração pulou quando ele se aproximou um pouquinho. Eu olhei rapidamente para ele e notei que ele segurava um caderno e uma caneta. Ficava escrevendo algumas coisas e então as riscava.
Eu me virei para encará-lo. "Trabalhando numa música nova?", indiquei o caderno com a cabeça.
"Sim, e já estou quase acabando, mas ainda estou lutando com esse último verso... ". Ele disse enquanto mastigava a tampa da caneta. "Quer me ajudar?"
"Eu posso tentar... ", eu respondi, e ele sorriu e me entregou o caderno. Eu olhei para a folha; a música se chamava ‘Met This Girl’.
"Estou tendo problemas com a parte logo depois de ‘when she walks in the room’", Danny falou, apontando o lugar com a ponta da caneta.
"Que tal... ‘When she walks in the room, my heart goes boom’?". Essa foi a primeira coisa que viera à minha cabeça. Era exatamente como eu me sentia toda vez que ele entrava em um lugar. Eu olhei para ele e me encolhi.
Danny estava sorrindo. "Isso é bom!", ele disse, pegando o caderno de volta e escrevendo esse verso. Ele olhou para mim de novo. "Sabe, isso de fato se encaixa muito bem... Olha, tem essa garota, e é mais ou menos assim que me sinto quando a vejo..."
"Ah?", eu disse, erguendo as sobrancelhas. "E quem é a sortuda? Eu a conheço?", perguntei, tentando soar interessada. Mas, se você escutasse com cuidado, conseguiria ouvir o som do meu coração se quebrando um pouquinho.
"Conhece".
Será que ele gostava de uma das minhas amigas? Será que ele estava para pedir para apresentá-los? Conhecendo a minha sorte, eu não ficaria surpresa...
"E como ela é?". Eu realmente não queria mais falar sobre aquilo, mas não podia simplesmente levantar e sair.
"Bem… ela é inteligente, engraçada, doce, carinhosa… E ela tem um rosto tão lindo e um nome tão adorável... " (N/T:She’s got a pretty face and such a lovely name). Ele disse, a voz saindo como um sussurro.
Era só eu ou o rosto dele estava se aproximando mais e mais do meu? E aquela era a mão dele na minha perna?!
Capítulo 10
Era só eu ou o rosto dele estava se aproximando mais e mais do meu? E aquela era a mão dele na minha perna?!
Meu coração começou a bater loucamente, e eu sentia que ele poderia pular do meu peito a qualquer momento.
Fechei os meus olhos no segundo em que Danny pressionou os lábios dele contra os meus. Eu aprofundei o beijo, levantando minhas mãos e colocando-as no peito dele. Danny levantou sua mão livre, colocando-a atrás da minha cabeça e me trazendo para mais perto dele... Eu sabia que não devia estar beijando-o, sabia que era errado, mas naquele momento nada importava... Era pura felicidade. Nada seria capaz de arruinar aquilo.
Exceto Tom.
"Querida, chegueeeeeei!". A porta da frente se abriu e Tom entrou. Ele sabia escolher o momento.
Eu imediatamente empurrei Danny para longe. Nós dois nos sentamos, tentando agir normalmente, como se nada tivesse acontecido.
"Trago comida e novidades", ele disse, olhando para Danny. Colocou dois sacos de papel na mesa de centro e sentou entre Danny e eu.
Danny pigarreou. "Novidades?", perguntou. Ele olhou rapidamente para mim antes de voltar a olhar para Tom.
"Fletch me ligou no celular enquanto eu estava esperando pela comida", ele apontou para os sacos e sorriu.
"E então, o que ele queria?", Danny perguntou ansiosamente.
"Ele quer que a gente vá a Londres para gravar algumas demos e mandá-las para algumas gravadoras! E ele já marcou horário com alguns produtores!", Tom praticamente gritou, mal se contendo.
"Isso é otimo!" Danny gritou e sorriu, radiante.
Tom balançou a cabeça. "E quando nós assinarmos, Fletch disse que podemos começar a fazer audições para achar o baixista e o baterista!", ele estava se controlando para não começar a pular no sofá.
"Então, quando nós vamos? Quando vamos começar a gravar?"
"Duas semanas. Nos mudamos em duas semanas".
Eu fiquei em silêncio.
Era um momento doce e amargo. Estava super feliz por Tom, que finalmente estava tendo o reconhecimento que merecia, mas ao mesmo tempo ele iria se mudar. E eu não queria que ele fosse embora.
"Bom, bom...", Danny disse, pensativo. "Isso nos dará bastante tempo para trabalhar em mais algumas músicas".
E Danny... Ele também iria se mudar. Isso significaria nada mais de visitas semanais. Eu sentiria saudades dele também.
Tom assentiu e afundou no sofá, suspirando. "Não acredito que está finalmente acontecendo. Eu esperei 21 anos por isso..."
"Vocês vão se sair super bem", eu disse, falando pela primeira vez desde que Tom chegara.
Tom e Danny se viraram para me olhar, como se tivessem esquecido que eu estava ali.
"Quero dizer, vocês são incríveis. Aposto que as gravadoras vão brigar por vocês!"
"Eu sei", Tom disse, sem um pingo de modéstia. Ele fechou os olhos e encostou a cabeça no sofá. Estava no mundinho dele agora.
Eu olhei para Danny. Ele estava olhando de volta para mim, com um sorriso enorme no rosto.
"Eu vou, erm, arrumar a mesa", eu disse, acenando com a cabeça na direção da cozinha, desviando o olhar dele. Me levantei, pegando os sacos de papel e comecei a andar até a cozinha.
"Eu te ajudo", Danny disse, se levantando e me seguindo, deixando Tom sozinho. Ele não pareceu se importar.
Eu coloquei as sacolas na mesa da cozinha, e fui até o armário para pegar os pratos. Estava perfeitamente conciente de que Danny estava bem atrás de mim.
E eu apenas fiquei lá, com as costas viradas para ele.
"... Sobre o que aconteceu ali... Eu--"
Eu me virei, respirando fundo. Eu iria me chutar mais tarde pelo que iria fazer, mas não tinha escolha.
"Eu não acho que é uma boa idéia..."
Danny piscou algumas vezes. "Quê?"
Eu suspirei. "A gente realmente não devia...", eu gesticulei na minha direção e depois na dele.
Ele lançou um rápido olhar para trás, para se certificar se Tom ainda estava na sala e deu um passo para perto de mim. "O que você quer dizer? Você está escondendo um namorado de mim ou algo assim?", ele soltou uma risada, tentando quebrar a tensão do momento, mas ainda parecendo confuso.
"Não", eu respondi, passando por ele para chegar à mesa. Arrumei os pratos e me virei para olhá-lo. "Você é o melhor amigo do Tom..."
Danny deu de ombros. "Tá, e daí?"
"E eu não quero-- Eu não deveria ficar no meio..."
Ele continuou olhando para mim. "Eu ainda não vejo como--"
"Se alguma coisa acontecesse entre a gente, e você fizesse alguma coisa para me machucar...", eu suspirei antes de continuar. "Tom é muito protetor e eu não iria querer ser a razão de vocês brigarem nem nada assim...", eu olhei para os meus pés, como se eles fossem as coisas mais fascinantes do mundo.
"Por que eu faria algo para te machucar?", ele andou na minha direção, colocando uma mão no meu ombro e outra sob o meu queixo, levantando o meu rosto. "Vai ..."
"Não daria certo, Danny...", eu disse, me afastando dele e voltando para o armário, para pegar 3 copos. "Você está longe na maior parte do tempo. Você vai estar morando em Londres em breve, e ficaria ocupado com a banda. Não daria certo".
Ele parecia desapontado. "Nós podemos tentar..."
"Não, acho melhor não... Desculpa, Danny..." eu levantei os meus olhos castanhos para encontrar os azuis dele. Pisquei algumas vezes, tentando lutar contra as lágrimas que se formavam sob os meus olhos.
Danny, parecendo derrotado, levantou a mão. "Está bem, eu-- eu entendo o que você quer dizer... Acho".
Eu senti o alívio correndo pelo meu corpo. Sorri fracamente e ele retribuiu. Ele não estava bravo. Aquilo me fez sentir melhor.
"Só amigos então, hein", ele disse, sorrindo, tentando quebrar o momento estranho. Ele abriu bem os braços, esperando um abraço.
Eu sorri e o abracei.
"Você beija bem, apesar disso", murmurei no ouvido dele, sorrindo e soltando uma risadinha.
Danny olhou para mim e piscou. "Eu sei!", ele riu enquanto eu rolava meus olhos.
Tom entrou na cozinha naquela hora, e nós ainda estávamos abraçados.
"Hey, tire as mãos da minha irmã, Jones!", Tom deu um tapa na parte de trás da cabeça de Danny e se sentou à mesa, pegando um dos sacos. "Estou faminto!"
Eu sorri. Tudo ficaria bem.
Capítulo 11
Tudo ficaria bem.
Na verdade, não ficaria.
Eu estava me sentindo para baixo desde que Danny voltara para Bolton uns dois dias antes; ele voltaria na próxima semana pela última vez, antes que ele e Tom se mudassem para Londres.
Eu tinha decidido ir para a casa de Daniela para bater um papo. Ela sempre conseguia me animar, e entenderia a situação pela qual eu estava passando, certo?
"Você deve estar brincando!", ela exclamou, arregalando os olhos. "Por favor, por favor, me diz que você está brincando!". Eu tinha acabado de contar a ela sobre o que havia acontecido entre Danny e eu. E aparentemente, não, ela não me entendia.
"Parece que eu estou brincando?", falei, olhando para ela rapidamente e depois voltando a olhar para as minhas mãos.
"Eu não acredito! Você é louca?! Quero dizer, você esteve obcecada por ele desde o momento em que ele apareceu na sua porta... E agora que você sabe que ele também gosta de você, o rejeita? E tudo por causa… do Tom?!", ela estava praticamente gritando.
Eu me sentia como se estivesse levando uma bronca da minha mãe. Continuei olhando para as minhas mãos.
", fala sério!", ela estava ficando frustrada comigo.
"O quê?! Eu já disse… Não quero ficar no meio!"
"MAS --"
Eu a interrompi antes que pudesse continuar. "Ele nem ao menos vive aqui ou aqui perto… Ele está longe a maior parte do tempo. Relacionamentos a longa distância nunca dão certo. E ele e Tom são --"
"Melhores amigos, eu sei… Eu sei , você já mencionou isso umas cem vezes!", ela suspirou. "Mas e daí? Ele não tem que se envolver em nada se as coisas entre você e Danny não derem certo..."
Eu abri a minha boca para falar, mas ela continuou bem rápido.
"Eu sei que você ama o Tom e quer que ele seja feliz. Afinal de contas, ele é o seu irmão.. Mas e quanto a você, ?", ela me cutucou no ombro. "E quanto à sua felicidade? E se esse relacionamento acabasse dando muito certo, hein? Você alguma vez já parou para pensar nisso? Se arrisque. Você não quer ter esse enorme ‘e se…?’ sobre a sua cabeça pelo resto da sua vida, quer? Então pare de inventar essas deculpas esfarrapas e --"
Eu franzi as sobrancelhas. Desculpas esfarrapadas?!
Eu olhei para ela com um pouco de raivar. "Eu já disse, eu não quero arricar nada!", eu sabia que estava sendo teimosa e estúpida.
"Você não quer se arriscar a se machucar de novo, esse é o seu problema. Mas às vezes você precisa se arriscar um pouco..."
Ela estava se referindo ao meu primeiro (e último) namorado, Mark. Eu o havia conhecido quando tinha 16 anos, três anos antes, e nós tínhamos namorado por mais ou menos um ano. Eu estava apaixonada por ele. Muito apaixonada. Isto é, até eu descobrir que aquele canalha estava me traindo havia meses. Meu mundo tinha se despedaçado naquele momento.
", eu sei que o Mark te magoou", Daniela disse, segurando a minha mão. "Mas, hun, isso foi há quase três anos. Está na hora de esquecer e seguir em frente. E agora, você tem o cara perfeito com quem seguir em frente. Não desperdice essa oportunidade..."
Eu olhei para ela, mordendo de leve o meu lábio inferior.
Talvez ela estivesse certa...
Capítulo 12
Era um sábado à tarde e eu estava sozinha em casa. Os meus pais tinham ido visitar a minha avó no fim de semana, e Tom e Danny tinham saído para algum lugar. Assim, eu estava sozinha. E entediada.
Eu estava passando pelo quarto de Tom quando vi o violão dele em cima da cama, no meio de uma pilha de roupas. Entrei, peguei o violão e o levei para o meu quarto. Sentei-me na minha cama, e com cuidado coloquei-o no meu colo.
Tom tinha tentado me ensinar a tocar várias vezes, mas sempre acabava desistindo. Não que ele fosse impaciente nem nada assim, mas sim porque eu era péssima nisso. Acho que Tom herdou todos os genes musicais da família, deixando nenhum para mim.
Mesmo assim, tentei tocar. Queria tocar uma música do Busted.
Busted – composto por James, Matt e Charlie – era a banda para a qual Tom tentara entrar. Eles tinham lançado o primeiro single deles, ‘What I Go to School For’, um mês atrás, e o álbum de estréia deles tinha saído apenas 2 semanas depois. Eles já eram bastante conhecidos; o álbum deles estreara no top 10. Daniela estava obcecada e definitivamente havia desenvolvido uma paixonite por James. Tenho que admitir, eles não eram nada ruins de se olhar, especialmente Matt, o baixista. Pelo que Tom e Danny haviam me falado sobre eles, pareciam caras bem legais.
Eu tentei tocar o começo de ‘What I Go to School For’.
E soou totalmente errado. Eu franzi a testa e tentei de novo. Não, soou ainda pior.
"Você está fazendo errado"
Não diga, Sherlock! Eu não tive de erguer o olhar para saber quem era.
"Eu sei", eu disse, ainda franzindo a testa e olhando para as cordas do violão.
Levantei o olhar para ver Danny parado à porta, apoiado no portal, com os braços cruzados. Há quanto tempo ele estava ali?
"Eu pensei que vocês fossem ficar fora por um tempo... ", falei, olhando para ele.
"Só eu voltei. Nós encontramos com uma garota, que estudou com Tom... É... Giovanna... Alguma-Coisa”, ele disse, fechando os olhos por um momento e tentando lembrar do sobrenome dela. "De qualquer modo, eu me senti deixado de lado, então peguei um táxi de volta". Ele sorriu para mim e eu retribuí. "Deixa eu te mostrar... ", ele apontou para o violão e entrou no quarto. Eu notei quando ele casualmente empurrou a porta com o pé, de modo que ela agora estava entreaberta. Fechada o bastante para que ninguém pudesse nos ver, mas aberta o bastante para que nós pudéssemos ouvir qualquer barulho vindo do andar de baixo. O perfeito resultado.
Eu estava esperando que Danny sentasse ao meu lado e pegasse o violão, mas ao invés disso ele subiu na cama e se sentou atrás de mim, separando as pernas de modo que eu ficasse sentada entre elas. Ele me envolveu com os braços, colocando as mãos sobre as minhas para me guiar, e então apoiou o queixo no meu ombro, para olhar para o violão.
O corpo dele estava pressionado contra o meu. O meu coração começou a bater mais rápido.
"Assim", ele disse no meu ouvido. Danny segurou as minhas mãos e as moveu, tocando nas cordas certas enquanto ele sussurrava de leve o que eu tinha que fazer. Eu podia sentir seu hálito quente no meu pescoço, e isso estava me deixando louca.
Eu engoli com força e assenti, mas não estava prestando a mínima atenção ao que ele dizia. A voz de Daniela estava na minha mente. Se arrisque.
Eu virei o meu rosto para o lado, olhando para ele. Nossos rostos estavam a poucos centímetros de distância. Ele virou o rosto para me olhar. Eu vi os olhos dele se moverem para os meus lábios e de volta para os meus olhos.
Eu respirei fundo. "Ah, que diabos?!". E então me inclinei, pressionando a minha boca na dele.
Danny parecia ter ficado surpreso por um segundo, mas então eu senti os braços dele me apertarem enquanto me beijava de volta.
Capítulo 13
Danny parecia ter ficado surpreso por um segundo, mas então eu senti os braços dele me apertarem enquanto me beijava de volta.
Eu estava transbordando de felicidade. Se a minha boca não estivesse ocupada com os lábios dele, eu teria gritado de alegria. Senti a língua de Danny nos meus lábios, e os separei de bom grado, deixando que ela entrasse. Ele tinha um gosto bom.
Após alguns minutos de amassos, ele se afastou e encostou a testa na minha. Nossos narizes estavam encostados e nós dois sorríamos.
"Mudou de idéia?", ele sussurrou, levantando uma sobrancelha.
"Sim, e você pode agradecer a Daniela por isso mais tarde", eu disse, e me inclinei para mordê-lo de leve nos lábios.
"Eu com certeza vou...", as mãos dele ainda estavam segurando as minhas, e eu senti os seus dedos apertando-as um pouco.
Eu virei o meu rosto, de modo que agora eu estava olhando para a frente de novo.
"Me ensina uma das suas músicas", eu pedi, me inclinando sobre ele. Podia sentir o peito dele subir e descer sob as minhas costas. Isso me relaxava.
"Ok, que tal 'Not Alone'? É bem simples..."
"Eu adoro essa música", eu murmurei enquanto fechava os olhos e apoiava a minha cabeça no ombro dele, sentindo seu cheiro, e tentando absorver cada pedaço dele com os meu sentidos.
"?", Danny chamou, parecendo se divertir.
"Ahn?"
"Bem, se você quiser aprender você vai ter que abrir os seus olhos e prestar atenção...", ele disse, rindo.
"Então só canta pra mim", eu disse, sem querer me mexer ou abrir os olhos. Aquilo era simplesmente perfeito. Eu tirei as minhas mãos do violão e as pousei em meu colo.
"Ok", ele beijou de leve a minha bochecha, limpou a garganta e começou a cantar.
Eu suspirei enquanto ouvia sua linda voz. Se ao menos eu pudesse ficar naquele momento para sempre.
Quando ele terminou de cantar, eu estava mole, e agradeci por estar sentada, pois meus joelhos estavam fracos.
Senti Danny tirar o violão do meu colo e colocá-lo ao nosso lado, na cama.
"Isso foi incrível", eu disse, a minha voz num sussurro. Meus olhos ainda estavam fechados e eu ainda estava me apoiando nele.
"Obrigado", ele disse, dando pequenos beijos no meu pescoço. Os lábios dele gentilmente começaram a subir. Ele sorriu contra a minha pele quando atingiu o ponto macio bem embaixo da minha orelha, e um gemido escapou dos meus lábios. Eu apenas sorri e joguei a cabeça para o lado, dando a ele mais acesso.
Foi só quando senti as mãos dele escorregarem sob a minha blusa que os meus olhos se abriram de uma vez, e a minha cabeça se afastou do ombro dele, fazendo seus lábios perderem contato com a minha pele.
Capítulo 14
Foi só quando senti as mãos dele escorregarem sob a minha blusa que os meus olhos se abriram de uma vez, e a minha cabeça se afastou do ombro dele, fazendo seus lábios perderem contato com a minha pele.
"Algo errado?", Danny perguntou assim que minha cabeça deixou seu ombro. As mãos dele estavam na minha cintura.
"É - eu - Não, nada", eu disse, relaxando de novo. "As suas mãos estão frias, é só..."
Era verdade, as mãos dele estavam frias, mas elas também haviam me pegado de surpresa. Eu não estava esperando que ele fosse tão rápido...
"Ah, desculpa", ele falou, tirando as mãos dele de debaixo da minha blusa e colocando os braços em volta de mim.
Nós apenas ficamos ali sentados em silência, aproveitando a companhia um do outro, quando ouvimos a porta do andar de baixo abrir.
"Tom está de volta", Danny disse, me soltando enquanto eu me levantava.
Danny também se levantou e nós dois descemos as escadas.
"Hey, Tom!", eu disse, enquanto o assistia tirar o casaco e pendurá-lo perto da porta. Eu estava bem nervosa; rezei para que ele não perguntasse o que eu e Danny estivemos fazendo.
"Hey", ele tinha um sorriso enorme no rosto. Andou até o sofá e se sentou. Danny e eu o seguimos.
"Então, o que aconteceu?", Danny perguntou quando Tom não disse nada.
"Nada aconteceu. Nós só tomamos café e conversamos", Tom disse, radiante.
"Então por que você ainda está sorrindo como um idiota?", Danny perguntou, rindo.
Eu ri também.
Tom fez um gesto mal-educado com a mão. "Porque... Nós vamos sair hoje à noite", ele disse, satisfeito consigo mesmo.
"Isso aí, cara!", Danny gritou, socando Tom de leve no braço.
"Isso é ótimo, Tom!", eu disse, sorrindo. "Eu me lembro que você era louco pela Giovanna".
Tom corou um pouco. "É... Ela não mudou nada... Linda como sempre... E o melhor de tudo, ela mora em Londres agora!", o sorriso dele se alargou. "O que significa que eu vou poder vê-la quando estivermos em Londres também!"
"Perfeito", Danny disse e eu assenti.
"Agora, se me dão licença... Eu tenho que ir tomar banho e ver o que vou vestir para o nosso encontro. Tenho que pegá-la em --", ele olhou para o relógio, "-- três horas e vinte e cinco minutos..."
Danny e eu nos entreolhamos, rolando os olhos e rindo, enquanto Tom subia as escadas.
"Ele é tão fresco às vezes!", exclamei, balançando a cabeça.
"Ei! Eu ouvi isso!", Tom gritou lá de cima.
Isso só nos fez rir mais ainda.
Capítulo 15
Três horas e vinte minutos depois, Danny e eu fomos deixados sozinhos de novo. Eu estava na cozinha preparando o jantar. Nós tínhamos decidido ter uma noite calma: jantar e um filme.
Danny entrou quando eu estava terminando de arrumar a mesa.
"Está cheirando muito bem!", ele disse, respirando fundo.
"Ah, muito obrigada", eu disse, fazendo um sotaque, enquanto fazia com que ele se sentasse. "É a minha especialidade", eu falei, enquanto carregava uma travessa coberta por uma tampa e a coloquei na mesa.
Danny se sentou e me olhou ansiosamente, como um filhote faminto.
"Pizza de microondas!", eu disse, sorrindo enquanto erguia a tampa com um floreio.
"Esse é o meu tipo favorito!", Danny exclamou. "Como você adivinhou?!", ele fingiu surpresa.
Eu ri e me sentei do outro lado da mesa.
Durante o jantar nós falamos sobre tudo e nada. Quando nós dois tínhamos terminado, fomos para o sofá da sala. Tínhamos decidido assistir 'Chicago', meu filme preferido.
Assistimos o filme em silêncio na maior parte do tempo. Danny tinha um braço em volta de mim, e a minha cabeça estava apoiada no ombro dele. Às vezes eu levantava o rosto para dar pequenos beijos no pescoço dele.
"Entããão...", eu ouvi Danny dizer de repente, na metade do filme.
Eu tirei os meus olhos da tela para olhá-lo. "Então?", eu repeti, erguendo as sobrancelhas.
"Então, quem vai contar pro Tom sobre, você sabe… Nós?"
Nós. Aquilo soava estranho.
"Eu estava pensando que talvez nós… não devêssemos?", eu disse, mordendo o lábio.
Agora foi a vez dele erguer as sobrancelhas.
Eu ainda estava me sentindo meio cética sobre a coisa toda. Não queria ter que lidar com todo mundo e não queria deixá-los animados e cheios de esperanças. E não queria me deixar cheia de esperanças.
"Talvez nós devêssemos esperar para contar a todo mundo sobre... nós", eu disse, sentindo o gosto da palavra. "Por um tempo?"
Danny sorriu para mim. "Tudo bem por mim", ele disse, beijando o topo da minha cabeça. "Quando você quiser está bom..."
Eu sorri para ele. "Vai ser o nosso pequeno segredo", eu sussurrei, começando a beijar o ombro dele, o pescoço e depois o queixo, parando antes de chegar à boca. Eu sorri contra a pele dele quando o ouvi gemer de desapontamento.
"Ah, você não vai escapar tão fácil!", ele disse, virando o corpo de modo que pudesse me encarar. Ele se inclinou para me beijar, mas eu joguei o corpo para trás, e ele não conseguia alcançar os meus lábios.
A próxima coisa que eu soube foi que Danny estava em cima de mim, me prendendo no sofá. Ele tinha os meus braços presos acima da minha cabeça, segurando os meus pulsos juntos com uma mão. Sua outra mão estava no ar, flutuando sobre a minha barriga.
"O que você está fazendo?!", eu perguntei, a minha voz soando chocada e divertida ao mesmo tempo.
Ele não respondeu, apenas sorriu.
Capítulo 16
A próxima coisa que eu soube foi que Danny estava em cima de mim, me prendendo no sofá. Ele tinha os meus braços presos acima da minha cabeça, segurando os meus pulsos juntos com uma mão. Sua outra mão estava no ar, flutuando sobre a minha barriga."O que você está fazendo?!", eu perguntei, a minha voz soando chocada e divertida ao mesmo tempo. Ele não respondeu, apenas sorriu.
A mão livre de Danny entrou em contato com a minha barriga, e ele começou a me fazer cócegas. No momento em que ele me tocou eu sabia que era um caso perdido. Comecei a gargalhar como uma lunática.
"Eu te disse que você não ia escapar fácil!", ele riu, ainda fazendo cócegas, as mãos se movendo para as laterais do meu corpo.
"Não! Pára!", eu gritei, sacudindo-me sob ele, tentando escapar, mas ele estava em cima de mim, me segurando, para não me deixar fugir.
Eu estava rindo tanto que tinha dificuldades para respirar. "Ai meu Deus - Danny - pára!", eu disse entre risos. Ele não parou. Parecia estar se divertindo demais.
Eu continuei rindo muito, tentando me livrar da armadilha. Tinha começado a chutar o ar para fugir, quando senti o meu joelho entrar em contato com a virilha dele. Ele me soltou imediatamente e parou de fazer cócegas. Gemeu de dor, levando as duas mãos ao local atingido.
"Ah meu Deus!", eu engasguei, cobrindo a boca com uma mão. Me sentei um pouco. “Me desculpa! Eu não queria -- você está bem?"
Danny apenas gemeu em resposta. Eu aceitei aquilo como um ‘não’.
"Você você quer que eu pegue gelo?", eu perguntei, olhando para a virilha dele. Quero dizer, o que eu deveria fazer? Massageá-lo até que melhorasse?
"Não. Eu só --", ele se afastou de mim e grunhiu. "--Preciso de tempo... ", ele sentou em outro sofá. Os olhos dele estavam fechados, a respiração estava rápida e as mãos ainda estavam em sua virilha.
Eu fiquei em silêncio.
Após alguns minutos, a respiração dele começou a voltar ao normal e ele abriu os olhos. "Apenas me lembre de nunca mais fazer cócegas em você. Nunca". Ele riu fracamente.
"Você -- ele está bem?", eu perguntei, olhando para o lugar pela centésima vez.
Danny riu da minha cara de preocupada. "Sim, estou bem, e ele vai ficar também... Espero", ele disse, olhando para baixo.
"Talvez você devesse se deitar?", eu disse, me levantando para tirar o filme do DVD.
"É, talvez...", ele disse, se levantando com dificuldade.
"Vamos, eu te ajudo a subir as escadas", falei, andando até ele e passando o meu braço pela sua cintura. Ele pôs o braço nos meus ombros.
Nós lentamente subimos as escadas e fomos até o quarto dele. Ele se sentou na cama. Olhei para o despertador na mesinha de cabeceira. Já passava da meia noite. "Eu devia ir para a cama, também... "
"Ok", ele disse, sorrindo.
Aposto que ele estava morrendo para se livrar de mim para dar uma olhada no dano que eu causara.
Eu dei um passo para mais perto e me abaixei, colocando as mãos nos joelhos dele de modo que os nossos rostos ficassem no mesmo nível.
"Boa noite", eu disse, beijando-o nos lábios. "Melhoras", pisquei para ele antes de sair.
Capítulo 17
As próximas semanas se passaram num borrão. A primeira delas tinha sido passada com Tom fazendo as malas e minha mãe chorando. Naquele fim de semana Tom partiu para Londres, deixando-me sozinha. Depois, nas outras duas semanas, eu ficava me lamentando pela casa.
"Oh, veja quem resolveu nos dar a graça de sua presença", meu pai disse enquanto eu entrava na cozinha, ainda de pijamas. Ele e minha mãe estavam sentados à mesa, esperando por mim para o jantar. "Ninguém mais ninguém menos que a Senhorita Mopey (N/T: ok, reconheço que não consegui achar uma tradução para isso que ficasse legal. 'To Mope' significa se lastimar, lamentar, certo?) Fletcher!!", ele falou, piscando para mim.
"Haha", eu disse, rolando os olhos e me sentando. "Eu não estou me lamentando", repliquei, embora fosse óbvio que eu estava.
"Honestamente, querida, eu sei que você sente falta do seu irmão – e fico feliz de ver que vocês dois são tão próximos – mas você tem que parar de ficar se lamentando por aí... "
Ah, se ao menos ela soubesse que não era de Tom que eu estava com saudades... Bem, eu sentia um pouco a falta dele… Mas sentia uma falta terrível de Danny!
"Por que você não --", minha mãe continuou, mas foi interrompida pelo toque do telefone.
"Eu atendo", eu falei, pulando da minha cadeira e indo até a sala.
Andei até o telephone, apanhando-o e encostando o fone na orelha. "Alô?"
"MCFLY!", a voz de Tom gritou do outro lado da linha. Eu afastei o fone. Ele estava tentando me deixar surda?!
"O quê?!", eu perguntei, sem idéia do que ele estava falando.
"McFLY", ele repetiu, parecendo animado. "O nome da nossa banda!!!"
Eu engasguei. "A sua ban-- Você quer dizer-- Vocês conseguiram--?", eu estava sem palavras.
"Sim!", Tom gritou. "Nós assinamos! E--e nós já achamos os outros dois membros!"
Eu fiz um barulho estranho com a boca e comecei a pular. "Ai meu Deus!"
"Eu sei!", ele disse, soando como se estivesse para explodir de felicidade.
"Ai meu Deus", eu repeti. "Então -- Então, com quem você assinaram?"
"Island Records, da Universal", ele respondeu orgulhosamente.
"Então... McFLY, hein?", eu disse, me acalmando um pouco e sentando no sofá.
"Aham, você gostou?", ele perguntou.
"Bem, soa como algo que eu pediria no McDonalds… ‘Quero um Big Mac e um McFly grande, por favor!’ ", eu falei a última parte com uma voz engraçada, como se eu estivesse fazendo um pedido.
"É de ‘De Volta pro Futuro’, duh!", ele disse, fazendo um barulho com o nariz e, mesmo que eu não pudesse vê-lo, soube que ele estava rolando os olhos.
"Ah", eu disse, ficando vermelha. "Legal"
"Você devia vir pra cá, . Você tem que conhecer Dougie e Harry, os caras novos, e você tem que vir--", eu ouvi outra voz ao fundo, interrompendo Tom. Ele se afastou do fone, mas eu pude ouvi-lo gritando "O que é, Danny?!". O meu sorriso se alargou assim que ouvi o nome dele sendo mencionado.
"Desculpa, é que o Danny está dizendo para você vir nos visitar... Como eu estava dizendo, você tem que vir nos ver no estúdio, também...", Tom completou.
"Eu adoraria ir ver vocês!", eu disse, já animada.
"Ótimo, então você devia -- Danny, que diabos você quer?", Tom disse de repente, parecendo irritado. ", o Danny quer falar com você..."
"Ok", eu respondi, tentando controlar a ansiedade na voz, o meu sorriso se alargando ainda mais.
"Oi !", eu ouvi a voz de Danny no outro lado. Não era a primeira vez que eu falava com ele ao telefone desde que ele fora embora, mas o meu coração sempre parecia querer pular do peito toda vez que ouvia a voz dele.
"Oi!", eu praticamente gritei. "Parabéns pelo contrato com a gravadora!", eu disse.
"Valeu", ele disse. "Então, você vai vir, né?", perguntou ansiosamente, indo direto ao ponto.
"É, acho que sim... Ainda tenho que conversar com os meus pais, mas acho que não será um problema... Eu acho que eles gostariam de se livrar de mim por uns dias", eu disse, rindo.
"Bom, bom --", Danny disse, e eu pude ouvi-lo se movimentando e uma porta sendo fechada. "--Porque estou com saudades"
O meu coração se derreteu. "Também estou", eu sussurrei, olhando rapidamente na direção da cozinha para me certificar de que meus pais não estavam escutando.
"Vai ser ótimo! Eu não sei se Tom contou antes que eu pegasse o telefone, mas nós todos estamos morando juntos numa casa enorme..."
"Não, ele não mencionou nada", eu me interessei.
"Ah, bem, agora você sabe! É demais!", ele disse, soando muito animado.
"Parece ótimo… Quatro caras vivendo juntos… Deve ser um chiqueiro", eu ri.
"Ei, por que você acha isso?", ele disse, com um tom de falsa ofensa na voz.
"Ah, por favor", eu disse, rolando os olhos e rindo. "Não sei quanto aos outros dois caras, mas você e Tom não são as pessoas mais limpas que existem..."
"Bem, tá...", Danny disse, parecendo derrotado. "De qualquer jeito, nós -- Espera um segundo", eu o ouvi andar e abrir a porta. Então, para o meu ligeiro desapontamento, a voz de Tom estava de volta no outro lado da linha.
"Oi", ele falou.
"Oi"
"Você pode passar pros nossos pais? Quero dar a eles a boa notícia"
"Tudo bem", eu disse, me levantando. "Então,eu ligo quando souber exatamente quando vou poder ir, tá?", eu falei enquanto andava para a cozinha.
"Ok, faça isso..."
Entrei na cozinha e andei até a mesa. "É o Tom", eu disse, estendendo o telefone sem fio. A minha mãe imediatamente arrancou o aparelho da minha mão, sem me dar a chance de me despedir. Eu franzi as sobrancelhas para ela, mas ela não parecia se importar.
Virei-me e saí de lá, subi as escadas e fui para o meu quarto. Eu estava abrindo a porta quando ouvi um grito vindo da cozinha. Sorri. Tom tinha contado a ela sobre o McFLY.
Capítulo 18
Menos de uma semana depois, eu estava a caminho de Londres. A princípio, meus pais não gostaram muito da idéia de eu passar uma semana inteira com Tom e mais três caras, mas no fim os convenci a me deixarem ir. Bem, na verdade, eu tive que ligar para Tom pedindo ajuda e então ele os convenceu. Mas quem quer saber dos detalhes? Eu estava indo para Londres visitar o meu quase-famoso-irmão e o meu... Danny. Não tinha visto nenhum deles há mais de um mês e mal podia esperar para revê-los.
Três barras de chocolate, duas revistas e duas horas depois, o trem finalmente parou. Eu havia chegado. Pendurei a minha bolsa no ombro, levantei-me e peguei a minha mala preta da Nike, onde eu havia colocado tudo o que precisaria nos dias que passaria lá, e saí.
Olhei ao redor da estação procurando por um rosto conhecido. Tom deveria ir me buscar. Continuei procurando, mas não o achava. Será que ele se esquecera de mim?
"Ele vai apanhar", eu resmunguei sombriamente, deixando a minha mala perto de mim no chão, e tirando o celular da bolsa. Eu estava começando a discar o número quando ouvi uma voz gritar atrás de mim.
", estou aqui!"
Virei-me para ver Tom correndo na minha direção. Ele parou na minha frente, apoiando as mãos nos joelhos, tentando recuperar a respiração.
"Desculpa o atraso, mas --"
Eu não o deixei terminar. Pulei sobre ele, dando-lhe um abraço apertado.
"Heeey", eu disse, sorrindo e me esquecendo do que dissera sobre dar uma porrada nele.
Ele riu e me abraçou de volta. "Hey pra você também, pequena", ele disse, bagunçando o meu cabelo como se eu fosse uma criança.
Eu apenas sorri mais ainda e o abracei mais apertado. Tinha sentido sua falta.
"Er, ?, ele disse, interrompendo o momento.
"Ahn?"
"Eu só paguei 15 minutos de estacionamento…"
"Ah", eu ri. "Então vamos! "
Meia hora depois, nós estávamos estacionando em frente a uma enorme casa branca.
"Uau", eu disse, olhando e admirando a construção de três andares.
Tom sorriu, orgulhoso. "Lar doce lar".
Eu saí do carro e andei até a porta da frente, esperando por Tom, que estava pegando a minha mala, vir e abri-la. Ele veio segundos depois e destrancou a porta, abrindo-a para que eu entrasse.
Quando entramos, ele fechou a porta e deixou a minha mala ali perto.
"Então, o que acha? ", ele olhou para mim, orgulhosamente.
"Bem, é…"
Como colocar aquilo de um jeito mais simpático?
"Ela fede", falei, decidindo ser honesta.
"Ah, vamos, não é tão ruim! ", ele disse, olhando em volta. "Você nem viu o resto da casa ainda!"
"Eu quis dizer literalmente… Está fedendo aqui! ", eu disse, franzindo o nariz e olhando em volta. O lugar era uma completa bagunça. Havia caixas de pizza em todos os lugares, garrafas de cerveja e papéis jogados no chão... Ah, a alegria de viver sem supervisão dos pais! Ou de uma faxineira, aliás.
"Se a mamãe visse esse lugar, ela teria um infarto!", eu falei.
"Eu sei", ele disse. "Mas levando em conta que você não é a mamãe, nós não nos incomodamos em limpar..."
"Obviamente", eu disse, segurando a respiração. "Onde está todo mundo, por falar nisso?", perguntei.
"Nós estávamos tocando um pouco antes de eu sair… Vem!", ele disse, e agarrou o meu braço, me guiando através da imensa sala de estar até uma porta. Nós a abrimos para ver seis diferentes pares de olhos me olhando.
Capítulo 19
Nós abrimos a porta para ver seis diferentes pares de olhos me olhando.
"Pessoal", Tom disse, me abraçando pelos ombros, "esta é a minha irmã caçula, "
"Er, oi!", eu disse timidamente, olhando para todos eles, os meus olhos parando um segundo a mais em Danny, que sorriu para mim. Não é todo dia que você tem seis caras maravilhosos olhando para você. Sem mencionar que três deles eram bem famosos.
", conheça Dougie, nosso baixista --", Tom disse, apontando para o cara loiro que parecia ser o mais novo do grupo. Se eu dissesse que ele ela bonitinho, não estaria fazendo juz a ele. Dougie murmurou um "oi" e acenou.
"--Aqui temos o Harry--" Tom continuou, apontando para o cara sentado ao lado de Dougie. Ele tinha o cabelo escuro, olhos muito azuis e uma barba rala. Ele acenou. Cara, o meu irmão realmente tinha amigos muito gatos!
"-- e Matt, James e Charlie", Tom terminou, apontando para cada um deles na ordem. "Eles são do --"
"Busted, eu sei", eu terminei a frase e sorri para eles. Eles eram mais bonitos pessoalmente do que nas fotos ou na TV. Todos eles disseram "oi" ao mesmo tempo.
"Certo", Tom riu, "e você já conhece o Danny, então eu não preciso apresentá-los... ", ele me soltou e andou na direção do grupo, sentando ao lado de Danny, que ainda estava olhando para mim com um sorriso no rosto. Eu sorri de volta e sentei ao seu outro lado, usando todo o meu poder para resistir à tentação de pular nele e o beijar como se o mundo estivesse acabando e essa fosse a última coisa que eu fosse fazer.
E após alguns minutos, os rapazes estavam tocando algumas músicas e zoando por aí.
Nós estávamos todos nos divertindo com os caras do Busted discutindo sobre uma música enquanto se batiam de brincadeira, quando senti Danny casualmente colocar o braço em volta de mim.
"Então, que tal eu te dar um tour pela casa?", ele falou no meu ouvido, para que eu pudesse ouvi-lo sobre os gritos de James e Matt e a risada de Charlie.
"Ok!", eu disse, um pouco ansiosa demais, assentindo e me levantando, enquanto Danny pulava do sofá também.
A sala silenciou, e todo mundo nos olhou.
"Onde você dois estão indo?", Tom perguntou, nos olhando.
"Eu ia mostrar a casa pra ...", Danny disse casualmente.
Eu apenas balancei a cabeça, nervosa.
"Ah, tudo bem", Tom disse, dando de ombros e olhando para Danny. "E enquanto faz isso, você pode lever as coisas dela pro quarto de hóspedes?"
Danny assentiu e olhou para mim, sorrindo. "Vamos!"
Assim que a porta se fechou atrás de mim e nós estávamos fora da sala, Danny segurou a minha mão e entrelaçou os dedos nos meus.
"A minha mala está perto da porta da frente", eu falei, apertando de leve a mão dele.
Nós fomos até lá, Danny pegou a mala com a mão livre e se virou para me olhar de novo.
"O que você acha de começarmos o tour no... meu quarto?", ele disse, com um sorriso safado.
"Eu adoraria!", eu disse, sorrindo.
Danny parecia surpreso. "Eu estava só brincando, sabe..."
Eu abri a minha boca para falar, mas ele continuou rapidamente.
"Mas se você realmente quer…", ele piscou, e me puxou pelas escadas até o segundo andar. Nós andamos pelo corridor, passando por alumas portas até pararmos na frente da dele.
Ele abriu a porta, fazendo um gesto para que eu entrasse primeiro. Soltei a mão dele e entrei, ouvindo-o fechar a porta logo atrás.
O quarto dele era realmente...vermelho. Olhei em volta. Ele tinha uma cama bem grande perto da parede, e um pequeno estúdio e um computador atrás desta. As paredes eram cobertas por fotos, camisetas e pôsteres. E o chão estava cheio de papéis, roupas, sapatos, e umas duas guitarras.
Eu senti Danny se aproximar de mim, me envolvendo pela cintura. Ele beijou o meu pescoço de leve e então me girou para que eu ficasse de frente para ele. Eu coloquei os meus braços em volta do pescoço dele e olhei para cima, um enorme sorriso no rosto.
"Hey", eu sussurrei, feliz por finalmente estarmos sozinhos.
"Hey", Danny falou, rindo baixinho e então me beijando na testa, no nariz e finalmente na boca.
Eu rapidamente aprofundei o beijo, puxando-o para mais perto pelo pescoço. Tinha sentido tanto a falta dele.
Capítulo 20
Depois do "tour" no quarto de Danny, ele decidiu me dar um tour de verdade pela casa.
A casa era boa e enorme, mas precisava de uma faxina urgentemente. Era difícil ver a sala de estar, já que esta estava coberta de papéis, garrafas de cerveja, caixas de pizza e lixo para ser retirado. Eu tinha até mesmo visto duas vasilhas de cereal meio comido no sofá, e podia jurar que havia coisas crescendo nelas. Os móveis e as paredes tinham manchas de tinta, que mais tarde eu descobri que haviam sido causadas por uma pequena partida de paintball na noite anterior.
A cozinha estava ainda pior. Havia uma pilha enorme de louça suja na pia, esperando para ser lavada. A lata de lixo estava transbordando e o lugar fedia a pizza estragada.
Nós estávamos agora indo para o quarto onde eu dormiria. Estava receosa, imaginando o estado do lugar, e estremeci ao pensar nas condições do banheiro.
"Este costumava ser o quarto do James... Ele morou com a gente por umas duas semanas", Danny comentou, olhando para mim.
"Ah", eu falei, ainda preocupada com o fato de que eu talvez tivesse que dormir em um chiqueiro.
O meu rosto devia ter mostrado a minha angústia e nojo, porque ele adicionou rapidamente, "Não se preocupe, nós trocamos os lençóis, limpamos o banheiro e escondemos toda a pornografia!", ele riu, se inclinando para me dar um beijo rápido na bochecha.
"Graças a Deus", eu disse, sentindo-me aliviada e fazendo Danny rir.
"Aqui estamos!", ele disse quando chegamos ao quarto. Ele abriu a porta e me deixou entrar primeiro. O quarto estava arrumado e limpo. "Bem ali fica o banheiro", Danny disse, apontando para uma porta do outro lado do quarto e colocando a minha mala sobre a cama que ficava no centro do aposento.
Eu assenti e me sentei na cama, olhando em volta.
"O quarto do Doug é bem aqui ao lado", Danny disse, "Mas eu não iria lá, é cheio de lagartos..."
"Lagartos?!", eu exclamei, arregalando os olhos e estremecendo. Eu iria dormir ao lado de um quarto cheio de lagartos?!
"É, mas não se preocupe, eles são inofensivos", ele falou rapidamente, percebendo o meu desconforto. "E ele os deixa dentro de tanques, então eles não conseguem sair sozinhos."
"Ah, tá, que bom...", eu disse, relaxando um pouco mas ainda meio apreensiva.
"Quer voltar lá pra baixo? Eles provavelmente já pararam de tocar…", Danny disse, indo para a porta.
"Claro", eu falei, me levantando e o seguindo para fora.
Nós achamos os garotos na sala, assistindo TV, comendo salgadinhos e bebendo cerveja.
Que saudável.
Sentei-me perto de Tom. Danny, porém, ainda estava em pé.
"Eu vou pegar uma cerveja pra mim, você quer alguma coisa?", ele me perguntou, apontando para a cozinha.
"Er, qualquer coisa não-alcoólica, e numa lata...", eu falei, lembrando-me da pilha de copos e canecas sujas.
"Em uma lata?", ele repetiu olhando confuso para mim e coçando a cabeça de um jeito fofo.
"É, por favor", eu falei, sem me incomodar em explicar.
Danny deu de ombros, virou-se e saiu.
Eu olhei para os seis rapazes sentados em volta de mim e sorri. "Então, quais são os planos pra hoje à noite?", perguntei, me inclinando para a mesinha de centro para pegar um punhado de salgadinhos do saco.
"Nós vamos te mostrar como é a festa ao estilo londrino!", Matt disse, olhando para mim e piscando.
Capítulo 21
Eu estava no meu quarto me aprontando para a noite. Não era todo dia que uma garota tinha a oportunidade de sair com uma das bandas mais famosas do Reino Unido e mais outros três caras lindos... e Tom.
Olhei-me no espelho pela centésima vez, certificando-me de que estava tudo bem. Estava usando um par de jeans escuros, uma blusa estilo “quimono” de seda e saltos stiletto pretos. Tinha arranjado o alisador de cabelo do Tom, e o meu cabelo normalmente cacheado e escuro estava agora caindo liso sobre os meus ombros. Eu sorri para o meu reflexo, passei os últimos toques de base e gloss, peguei a minha bolsa e saí.
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"Caras, vocês sabem o que eu amo sobre Londres?", Matt disse enquanto andávamos por uma rua.
" As garotas lindas?", James perguntou e sorriu na direção de um grupo de garotas que passava.
"Não", Matt respondeu. "Você pode achá-las em qualquer lugar..."
"Um bom time de futebol?", Danny sugeriu.
"É Danny, como você adivinhou?", Matt falou em um tom irônico, rolando os olhos. "Estou falando sobre as boates, cara! As que tinham na minha cidade nem se comparam às daqui!", ele falou, se referindo à cidade dele, Surrey.
"Bem, por que você não disse logo?!", perguntou Danny, rolando os olhos para Matt.
Nós chegamos na parte da frente de uma boate, onde algumas pessoas se acotovelavam para passar pelos seguranças na entrada.
"Incrível!", Charlie falou, olhando para a fila que quase bloqueava o trânsito da rua.
Charlie andou até o segurança de 2 metros de altura guardando a entrada. Ele tinha uma prancheta na mão.
"E aí, cara?!", Charlie disse animado, mas depois do olhar gelado do segurança, ele deixou de lado a atitude positiva. "Certo. Nós fizemos uma reserva."
"Nome". O homem perguntou, olhando desconfiado para Charlie.
"Charlie Simpson."
"Ah meu Deeeeeus! É o Charlie do Busted!", um grito de estourar os tímpanos veio do fim da fila.
"Isso, Simpson. Oito pessoas?", ele falou, apontando rapidamente para Matt e James – que estavam tentando esconder os rostos para não serem reconhecidos – Danny, Tom, Dougie, Harry, eu. "Eles todos estão comigo".
O segurança deu um passo para o lado para nos deixar entrar, e enquanto entrávamos ouvimos mais garotas gritando para o Busted.
"Cara, juro que eu estava pronto pra correr pela minha vida", James falou quando já estávamos dentro da boate escura e barulhenta. "Onde é a nossa mesa?", ele se virou para perguntar a Charlie.
"Quê?!", Charlie perguntou, se inclinando, porque ele não conseguia ouvir sobre a música alta.
"Onde - é – a nossa - mesa?!", James gritou no ouvido dele.
Charlie apontou para a seção VIP, que ficava no segundo andar.
Eu me senti uma completa estranha. Ali estava eu, com uma das bandas mais famosas do país e uma outra banda em-breve-famosa, em um dos lugares mais exclusivos de Londres.
Eu estava olhando em volta quando senti minha mão sendo puxada e colocada em volta do braço de alguém. Virei a minha cabeça, e me surpreendi quando vi Matt ali piscando para mim. Eu apenas sorri e lancei um olhar por cima dos meus ombros, para ver Danny examinando cada movimento de Matt. Eu sorri e pisquei para ele, tentando dizer que estava tudo bem. Ele sorriu fracamente de volta.
Chegamos na nossa mesa e nos sentamos nos enormes sofás de couro. Um garçom apareceu na nossa mesa um segundo depois.
"Boa noite", ele falou. "O que vocês gostariam de pedir?"
"Corona!", James disse imediatamente.
"Cara, deixa a dama pedir primeiro!", Matt falou, e eu ruborizei. Graças a Deus que estava escuro.
"Só uma Pepsi pra mim, por favor", eu pedi. Eu não queria me embebedar e fazer um papelão na frente deles.
"Mais uma Corona pra mim!", Danny falou.
"E mais outra", Matt, Dougie, Harry e Tom disseram em uníssono.
"Eu tenho um encontro com meu amigo Jack Danniels hoje!", Charlie falou, fazendo todos rirem.
Logo que alguns drinks foram consumidos, todos começaram a ir em direções diferentes. Tom tinha saído para ligar para Giovanna, James e Charlie estavam no bar conversando com algumas garotas, Danny tinha ido ao banheiro. E Matt, Harry e Dougie estavam em algum lugar da pista de dança.
Levantei-me da nossa mesa e fui ver como estava a festa lá embaixo enquanto esperava que Danny voltasse. Inclinei-me sobre a seção VIP e olhei para baixo.
Vi Danny em outra mesa, falando com alguns caras, provavelmente amigos deles, e então meu olhar caiu em Dougie e Harry, que estavam dançando com duas garotas... Bem, estava mais para tentando dançar.
"Que diabos…?!", eu gritei e pulei quando senti algo gelado deslizando pelas minhas costas. Virei-me para ver Matt ali sorrindo, segurando dois drinks. "Matt, isso está congelando!", gritei.
"Ah", ele disse numa voz infantil, "Eu só queria saber se você quer um drink?". Ele soltou um som estranho com a boca e estendeu uma garrafa de cerveja. "Ooops! Não, é essa aqui!", ele me entregou uma garrafa de Pepsi com a outra mão.
"Não, obrigada", eu disse, virando-me para olhar as pessoas lá embaixo. Meus olhos foram na direção de Danny, que ainda conversava com quem eu supunha que fossem seus amigos.
"Aquele é o Harry?!", Matt perguntou, inclinando-se sobre o parapeito.
Eu pressionei a minha mão contra o peito dele, empurrando-o de volta. "Calma aí, Matt!", ele estava bastante bêbado, e eu não queria que ele perdesse o equilíbrio e caísse de cabeça.
"E sim, aquele é o Harry!", eu ri, olhando para Harry, que dançava com uma ruiva.
Matt riu. "Não são seus melhores passos, hein?"
"Não mesmo, ele parece uma hiena levando um choque!", eu falei rindo de leve e fazendo Matt gargalhar, se mexendo para a frente e para trás. Segurei-o pelos ombros para evitar que ele caísse, e o guiei até os sofás.
"Por que você não está lá embaixo se divertindo até cair?", ele perguntou, olhando para mim e tomando um gole de cerveja.
"Eu não sou do tipo de garota super festeira...", falei.
Matt colocou um braço em volta de mim e me puxou para perto. "Não vou te deixar sozinha de novo", ele falou e, para a minha surpresa, me beijou na bochecha.
"Eu - er – tudo bem", falei como uma idiota. Não podia pensar no que dizer para ele. Ele estava bêbado e não sabia sobre Danny e eu. Ninguém sabia.
Capítulo 22
Matt colocou um braço em volta de mim e me puxou para perto. "Não vou te deixar sozinha de novo", ele falou e, para a minha surpresa, me beijou na bochecha.
"Eu - er – tudo bem", falei como uma idiota. Não podia pensar no que dizer para ele. Ele estava bêbado e não sabia sobre Danny e eu. Ninguém sabia.
"Ora ora ora... Eu me afasto por tipo meia hora e olha pra vocês dois, ficando juntinhos já!", Danny disse, se aproximando da nossa mesa. Ele estava olhando diretamente para mim. O que ele queria que eu dissesse? Movi meus ombros um pouco, tentando fazer com que Matt tirasse seu braço dali, mas ele continuou.
"Bem, você não pode me culpar né?", Matt falou, virando-se para piscar para mim.
"Acho que não...", Danny respondeu, seus olhos azuis ainda fixos em mim. Eu abri a minha boca, mas antes que pudesse dizer algo, ele falou. "Estou indo para o bar." E, sem outra palavra, virou-se e saiu.
Eu suspirei. "Matt, com licença. Preciso, er, ir ao banheiro...", eu disse e me levantei enquanto Matt me soltava.
Desci as escadas e fui em direção ao bar. Danny estava sentado ao balcão, bebendo uma cerveja e falando com uma garota. Eu franzi a testa. Cara, ele era rápido hein?
Eu andei na direção dele e o cutuquei no ombro. Talvez com um pouco mais de força do que pretendia.
Ele se virou e levantou as sobrancelhas para mim, tomando um gole de sua cerveja.
"Podemos conversar?", perguntei, e então virei a minha cabeça ao sentir que alguém olhava para mim. Era a garota com quem ele tinha estado conversando. Ela me parecia ligeiramente familiar.
" Fletcher?", ela falou, parecendo surpresa.
"Sim...", eu disse, franzindo a testa e tentando me lembrar dela.
"Oi! Eu sou a Giovanna, não sei se você--"
"Ah, oi!", eu falei, sorrindo e me sentindo aliviada que Danny não estava dando em cima dela. "Eu não reconheci você... Desculpe. Há quanto tempo!", exclamei, me inclinando para dar um rápido abraço nela.
Ela me abraçou de volta e sorriu. "Tom estava aqui há um segundo. Ele foi procurar você, na verdade..."
"Ah", eu assenti e me sentei no banco vazio entre ela e Danny, que agora estava olhando para a pista de dança. "Então, como você está?"
"Ótima! Você sabe, estudando, trabalhando… O de sempre", ela disse, bebendo um gole de seu drink. "E você? Algum namorado?"
Direto ao ponto, hein?
"Er... Não exatamente...", murmurei, incomodada.
"Sério?", ela levantou uma sobrancelha. "Danny aqui me disse o contrário... Ele mencionou algo sobre você e Matt...", ela sorriu e piscou.
Eu lancei um olhar rápido para Danny, que agora estava muito ocupado com sua cerveja.
"Não, nós--"
"Ah, aí está você!", Tom gritou, andando em nossa direção. "Eu estava procurando por você! Vejo que já se conheceram", ele falou, envolvendo Giovanna com um braço. Nós duas assentimos. "Na verdade, eu queria dizer que estou indo embora daqui a pouco..."
"Por que?", perguntei.
"Vou levar Giovanna pra casa dela… Ela tem que trabalhar amanhã de manhã, então..."
"Eu já disse, você não precisa vir comigo!", ela disse, olhando para ele.
"Está tudo bem. Eu não quero que você pegue um táxi sozinha a essa hora... ", Tom falou, se inclinando para beijá-la rapidamente nos lábios. "Você vai ficar bem com os caras, né?", ele perguntou, olhando para mim.
"Claro, claro...", eu sorri para eles. Eles formavam um casal tão fofo.
"Nós deveríamos ir, então...", Giovanna disse, ficando de pé e segurando a mão de Tom. "Foi bom ver você de novo, ! Você também, Danny..."
"Igualmente!", falei, acenando enquanto ela e Tom se afastavam. Virei-me para olhar Danny assim que saíram de vista. "Oi".
"Hey", ele respondeu, parecendo mau-humorado e sem olhar para mim.
"Você está bravo?", perguntei, apesar de a resposta ser bem óbvia.
"Bravo? Eu? Por que eu deveria estar bravo?", ele falou alto, derramando o resto de sua cerveja e batendo a garrafa vazia no balcão.
Suspirei. "Olha --", eu comecei, mas ele me cortou.
"Sabe de uma coisa? Acho que vou para casa", ele anunciou, levantando-se e oscilando um pouco. Ele estava bêbado.
Também me levantei. "Ok...", falei, incerta. "Mas e quanto a--?"
"Você pode dividir um táxi de volta com Matt. Tenho certeza de que ele não vai se importar...", ele me interrompeu de novo.
"Não seja estúpido!", eu ralhei, começando a ficar irritada.
"Tanto faz", ele falou, virando-se e saindo, me deixando lá sozinha.
Eu dei um suspiro frustrado e olhei em volta, tentando achar Dougie ou Harry.
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Era por volta de 4 da manhã quando voltamos para casa. Fui direto para o meu quarto, colocando o meu pijama – um short curto e um top preto minúsculo – e fui para a cama. Fiquei me revirando nela, sem conseguir dormir apesar de me sentir exausta. Após quinze minutos deitada na cama encarando o teto, levantei-me e saí do quarto. Andei em silêncio pelo corredor, e parei na frente da porta de Danny. Respirei fundo, agarrei a maçaneta e a girei, abrindo a porta lentamente. Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim.
Capítulo 23
Andei em silêncio pelo corredor, e parei na frente da porta de Danny. Respirei fundo, agarrei a maçaneta e a girei, abrindo a porta lentamente. Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim.
"? O que você está fazendo aqui?", a voz de Danny veio do escuro.
Eu me aproximei, e vi seu corpo se erguer um pouco na cama.
"Eu--sou sonâmbula?", falei, mordendo meu lábio e bricando com meus dedos.
Danny soltou uma risada abafada.
"Você ainda está bravo comigo?", perguntei, arregalando os meus olhos e fazendo biquinho.
Danny não disse nada, apenas suspirou e agarrou seu cobertor, levantando-o e batendo no lugar ao seu lado. Ele sorriu de leve.
Eu hesitei. E se ele estivesse... bem, pelado?
"Estou de boxers", ele riu, olhando para mim.
"Ah", falei, corando. "Bom", sorri e me deitei.
Fiquei deitada de lado, segurando minha cabeça com a mão. Danny fez a mesma coisa, de modo que agora nós dois estávamos nos encarando.
"Me desculpa", ele falou, após alguns minutos de silêncio. "Eu tinha bebido um pouco… E acho que exagerei na minha reação...", ele me agarrou pela cintura e me puxou para mais perto.
Sorri e me inclinei para beijá-lo. "Me desculpe também", falei, após me afastar. "Nada aconteceu... Mas você não me deixou explicar!", eu falei, dando um tapa no braço dele de brincadeira.
"Eu sei, desculpe. Fiquei com um pouco de ciúmes..."
Levantei minhas sobrancelhas. "Só um pouco?", falei, rindo.
"Shh", ele fez, deitando-se de costas e me puxando junto.
Eu me acomodei sobre ele, colocando minha cabeça sobre seu peito.
"Sabe, você não deveria estar aqui...", ele falou, acariciando o meu braço gentilmente. "Alguém poderia entrar".
"Eu sei, já vou embora, não se preocupe", falei, bocejando. "Eu vou apenas fechar os meus olhos por uns dois minutos...", sussurrei enquanto sentia minhas pálpebras se fechando, agora pesadas de sono.
"Ok", Danny falou, sonolento, sob mim. Ele continuava acariciando o meu braço, e isso estava me relaxando.
Nós provavelmente caímos no sono apenas alguns minutos depois, porque a próxima coisa que aconteceu foi eu ser acordada abruptamente pela porta se abrindo de repente e alguém gritando "SURPRESA!".
Meus olhos se abriram de uma vez para ver uma mulher e um homem parados à porta parecendo chocados.
"Ai meu--!", a mulher engasgou-se ao ver Danny comigo na cama.
"Ai meu Deus!", eu berrei, voltando a mim e tentando me cobrir com os lençóis. Entretanto, eu só consegui ficar toda embolada e cair no chão com um barulho abafado.
Fechei meus olhos, desejando que um buraco se abrisse ali no chão e me engolisse por inteiro. Eu estava perfeitamente consciente de que o que eu vestia mal me cobria.
"Mãe! Pai!", ouvi Danny dizer da cama, parecendo surpreso.
Eu e minha incrível sorte...
"Eu -- er -- nós -- o que vocês estão fazendo aqui?!", ouvi Danny se sentar e colocar os pés no chão ao meu lado.
"Nós, er, nós vamos esperar lá fora...", ouvi o pai dele dizer, fechando a porta.
"Você está bem?"
Abri meus olhos para ver Danny olhando para mim. Ele estava próximo, a mão estendida para me ajudar a levanter.
"Estou... envergonhada", falei enquanto me levantava com sua ajuda. Meu rosto estava quente, como se eu tivesse ficado sob o sol por horas.
"Eu não sabia que eles estavam vindo!", ele disse.
Eu o olhei fixamente. Sei que não era o momento mais apropriado, mas não pude evitar. Danny estava na minha frente, usando nada mais que uma boxer xadrez da Tesco.
Ele estragou o momento colocando uma camisa.
"Você não vai se vestir?", ele perguntou, olhando-me de cima a baixo. "Acho que você fica ótima assim, mas você sabe...", ele falou, apontando a porta com a cabeça, enquanto vestia uma calça jeans.
"Todas as minhas coisas estão no meu quarto", eu resmunguei e naquele exato momento a porta se abriu de novo.
"Cara, seus pais--"
Aquele dia estava ficando cada vez melhor...
"--que diabos?!", Tom gritou, olhando para mim, parada ao lado de Danny, seminua.
Capítulo 24
"--que diabos?!", Tom gritou, olhando para mim, parada ao lado de Danny, seminua.
Tom congelou-se perto da porta, sua mão ainda na maçaneta. Seus olhos iam de mim para Danny e devolta pra mim. Uns dois minutos se passaram sem ninguém dizer nada. Meu coração batia com tanta força que eu tinha certeza de que ele ia sair pela minha boca a qualquer segundo.
Tom entrou no quarto, batendo a porta atrás de si. "O que diabos está acontecendo aqui?", ele parecia bravo.
Eu cruzei meus braços e olhei para ele, sentindo-me corajosa de repente. "O que você acha que está acontecendo?", perguntei, erguendo minhas sobrancelhas, mas apesar de minha súbita coragem, ouvi minha voz falhar.
"É melhor que você não--não tenha ficado bêbada ontem à noite e -- e --", Tom falou, sacudindo os braços e gesticulando na minha direção, na de Danny e da cama.
"O quê? Não, cara! Nada assim aconteceu!", Danny falou alto, dando um passo para longe de mim como se isso provasse o que dissera.
Tom olhou para mim, como se esperasse que eu confirmasse o que Danny tinha acabado de dizer. Eu o encarei de volta, sem dizer nada.
"Não parece que 'nada assim aconteceu'", Tom falou, imitando o sotaque de Danny, quando eu não falei nada.
Acho que ele estava certo, afinal eu mal estava vestida e as calças de Danny ainda estavam no meio das pernas...
"Olha cara, estou te dizendo --", Danny começou, dando um passo para a frente, mas eu o interrompi.
"E não é como se nós fossemos te contar se algo tivesse", falei, sentindo-me irritada com Tom.
Danny me lançou um olhar 'você-está-piorando-as-coisas'.
"Danny, por que você não vai ver seus pais?", sugeri, virando-me para ele.
"Eu, er, ok", ele falou, olhando para mim e depois para Tom, que me encarava. Danny fechou o zipper de seus jeans, abriu a porta e saiu rapidamente, sem ousar olhar para trás.
Assim que Danny fechou a porta, eu explodi. "Qual é o seu problema?!"
"Meu problema é achar a minha irmãzinha quase pelada no quarto do meu amigo! Este é o problema!", Tom sibilou.
"Sua 'irmãzinha' tem vinte anos de idade!", bati meu pé. "E estou vestindo meu pijama, não estou pelada!", acrescentei sem muita convicção.
"Tanto faz. Eu não quero você--transando por aí com meus amigos, !"
'Transando por aí'? Ele não me conhecia?
"Você sabe que eu não faria isso, Tom", falei num tom magoado, olhando direto nos olhos dele, tentando lutar contra as lágrimas que tentavam escapar dos meus olhos.
"Eu--Eu sei, desculpe", ele suspirou, correndo uma mão pelo seu cabelo. "É que… Danny é meu amigo e tudo, mas eu -- eu simplesmente não confio nele com você..."
"Bem, você terá que confiar, porque eu confio".
"O quê, você dorme uma noite com ele já acha que o conhece?!", Tom voltou ao seu ‘modo estúpido’.
Eu franzi as sobrancelhas. "Ai meu Deus!", gritei, batendo o pé com força. "Eu não dormi com ele, Tom! Você apenas-- argh -- Não é da sua conta, de qualquer maneira!", gritei. Ele estava me deixando muito frustrada.
"É da minha conta sim. Eu te conheço, tá? Você se apega e então acaba se machucando. E Danny… Bem, ele não é um cara de compromissos,!", Tom falou, igualmente frustrado.
Eu suspirei e esfreguei minhas têmporas. "Diga-me, Danny esteve com alguma garota nos últimos, digamos, 2 meses?", levantei minhas sobrancelhas, desafiando-o a responder.
"Ele-- Não", Tom falou, parecendo surpreso com a própria resposta. "Isso é estranho…", balbuciou pra si mesmo.
"Não, não é", eu disse. "Porque nós estamos juntos… mais ou menos...", falei, hesitanto um pouco, já que a nossa relação consistia basicamente em telefonemas, mensagens de celular, e-mails e encontros escondidos nas poucas vezes em que nos víamos.
"Não, vocês não estão", Tom falou num tom de quem sabe da verdade, piscando algumas vezes.
Rolei os olhos. "Sim, estamos. Nós começamos lá em casa… Antes de vocês se mudarem pra cá", expliquei, tentando soar mais amigável.
"Bem, por que você não disse nada?", Tom parecia irritado e um pouco magoado ao mesmo tempo.
"Porque... Sei lá, parecia mais fácil assim, acho...", suspirei e olhei para baixo. "Desculpe", levantei meus olhos para encontrar os dele, sentindo-me culpada. "Mas eu realmente gosto dele, Tom".
Ele suspirou e passou a mão pelo cabelo, em seguida massageando a parte de trás do pescoço. "Eu vou ter que ter o 'papo do irmão mais velho' com ele, não vou?", ele falou, um sorriso surgindo no canto da boca.
Capítulo 25
Tom suspirou e passou a mão pelo cabelo, em seguida massageando a parte de trás do pescoço. "Eu vou ter que ter o 'papo do irmão mais velho' com ele, não vou?", ele falou, um sorriso surgindo no canto da boca.
Eu sorri, aliviada. "Sim, vai ter…", falei, balançando a cabeça e dando um passo à frente para abraçá-lo.
Ouvi-o suspirar enquanto me abraçava de volta. "Eu só -- me preocupo com você, sabe?"
"Eu sei...", levantei minha cabeça para olhá-lo. "E eu agradeço, juro. Mas você não precisa fazer isso, eu sei cuidar de mim".
"É, acho que sim", Tom falou, não parecendo convencido de modo algum. Ele se afastou. "Mas é bom que ele não--", ele balançou a cabeça. "Esquece. Vou guardar isso para quando tiver 'a conversa' com ele", ele falou, sério.
Rolei meus olhos.
"Agora, por que você não se veste e vai conhecer os sogrinhos, hein?"
"É, e-eu acho que devia...", gaguejei, sentindo-me nervosa. Afinal, eu não tinha causado uma boa primeira impressão.
"Estarei no meu quarto se precisar de mim", Tom disse, andando até a porta.
"Obrigada", assenti, e olhei em volta procurando por uma camiseta de Danny. Achei uma limpa, vesti-a sobre o meu top e andei até a porta, abrindo-a lentamente e colocando minha cabeça para fora para me certificar de que ninguém estava no corredor. Uma vez que tive certeza que a barra estava limpa, corri para o meu quarto e fechei a porta atrás de mim.
Vesti uma calça jeans e uma camiseta preta simples, e prendi meu cabelo – ainda liso – num rabo de cavalo. Depois que lavei meu rosto e escovei meus dentes, respirei fundo, tentando me acalmar, e fui para o andar de baixo.
Eu estava descendo as escadas quando vi Danny andando na minha direção. "Tudo bem?", ele perguntou, parando à minha frente. "Tom quer me matar?"
Eu ri. "Um pouco...", sorri, segurando as mãos dele. Dei um passo para mais perto dele. "Está tudo bem. Apenas se prepare para sentar e ouvir o 'papo do irmão mais velho'!", falei, brincando com as mãos dele. Aproximei-me mais ainda e fiquei na ponta dos pés, dando um beijo rápido nos lábios dele. Era bom poder fazer aquilo sem ter que ficar me escondendo.
"Obrigado pelo aviso!", Danny riu, beijando-me de volta. "Agora vem cá, quero que você conheça meus pais!", ele falou, me guiando pela mão até a sala de estar, onde seus pais estavam sentados no sofá. Os olhares deles estavam fixos em nós dois no momento em pusemos os pés ali.
"Mãe, Pai... Essa é a !", ele falou, parando na frente deles. "E , esta é a minha mãe, Kathy, e meu pai, Alan", ele sorriu para mim.
"Olá, prazer em conhecê-los!", falei timidamente, acenando a minha mão livre. Danny ainda segurava a outra.
"Bom ver como você é de pé!", o pai dele brincou, com os olhos brilhando.
Eu ruborizei e fingi uma risada.
"Alan!", Kathy exclamou, batendo de leve no braço do marido. "Prazer em conhecê-la, querida. Por que você não senta?", sugeriu, olhando para mim e dando tapinhas no lugar ao seu lado.
"Obrigada", sorri para ela.
Eu relutantemente soltei a mão de Danny e me sentei. Ele se sentou ao lado do pai.
"Finalmente te conhecemos! Ouvimos falar tanto de você!", Kathy disse, sorrindo para mim. Danny herdara o sorriso dela.
"Ouviram?", perguntei, genuinamente surpresa. Atirei um olhar para Danny. Ele estava vermelho?!
"Claro", ela afirmou, balançando a cabeça. "Mas não sabíamos que vocês dois estavam -- juntos… Até agora".
"Foi uma cena e tanto quando abrimos a porta!", Alan riu, olhando para mim.
Danny e eu ficamos vermelhos.
"De qualquer jeito", Kathy continuou, lançando um olhar ao marido, "Quando vocês dois se entenderam?", ela perguntou, dando tapinhas no meu joelho.
"Uns três meses atrás", Danny falou, pigarreando, e eu sorri.
"Tanto tempo, hein?", a mãe dele falou, parecendo surpresa.
Nós dois balançamos a cabeça.
"Então, er, por quanto tempo vocês vão ficar?", perguntei, tentando levar a conversa para algum lado menos íntimo.
"Oh, só esta noite!", Kathy respondeu. "Nós queríamos ver como o nosso bebê estava!", ela falou, esticando o braço para apertar a bochecha de Danny.
"E ele vai muito bem, pelo que vejo!", Alan falou, dando uns tapas nas costas de Danny. "Um contrato, uma boa casa… Uma boa namorada!", terminou, piscando para mim.
Eu sorri. Era a primeira vez que ouvia alguém se referir a mim como a namorada de Danny, e gostei daquilo!
Capítulo 26
Aquela tarde foi passada no estúdio. Depois que os rapazes nos deram um pequeno tour por lá e nos apresentaram ao Fletch, o empresário, eles foram cuidar do trabalho.
Se eu tinha pensado que eles eram incríveis quando Danny e Tom cantaram para mim lá em casa, agora que eles tinham um baterista e um baixista, eles estavam cem vezes melhores. Eram simplesmente brilhantes.
Eles usaram praticamente a tarde inteira para trabalhar em uma música, "Five Colours in Her Hair", que deveria ser lançada como seu primeiro single em uns 2 meses.
Mantive meus olhos em Tom e Danny o tempo inteiro, meu coração transbordando de alegria e orgulho. Não podia acreditar no quão longe eles tinham chegado, e tinha uma sensação de que eles seriam muito famosos...
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Depois do estúdio, nós todos saímos para jantar e depois voltamos para casa.
Eu estava deitada no sofá, minha cama para aquela noite, já que os pais de Danny estavam no meu quarto.
Fechei meus olhos e puxei o cobertor para mais perto de mim. Alguns minutos passaram em silêncio comigo tentando pegar no sono, quando senti alguém pulando em mim.
Meus olhos se abriram imediatamente, para verem o rosto sorridente de Danny olhando para mim. Mexi minhas pernas um pouco e o vi recuar um pouco. Ele deve ter se lembrado do que aconteceu da última vez que ele tinha feito alguma gracinha comigo. Mordi meu lábio para não rir alto.
"Hey", Danny sussurrou. "Pensei em descer pra te fazer companhia. Você parecia tão solitária..."
"Tão gentil da sua parte...", sorri fracamente para ele, e tirei meus braços de debaixo da coberta para poder puxá-lo pela camiseta.
Meus lábios encontraram os dele num beijo apaixonado, enquanto sentia uma mão dele afastando os cobertores e na lateral do meu corpo, e a outra bagunçando meu cabelo.
Após alguns minutos de amassos, Danny interrompeu o beijo, sua respiração falha, assim como a minha.
"Você quer ir lá pra cima?", ele sussurrou, ainda brincando com o meu cabelo, mas se levantando um pouco com a outra mão.
Eu não pensei, apenas assenti. Estava perdida nos olhos, no toque, nos beijos e na voz dele. Nada mais importava.
Danny levantou-se do sofá e me ajudou a fazer o mesmo, e ainda segurando a minha mão ele me guiou até o seu quarto no escuro, tentando não fazer barulho.
No momento em que a porta do quarto dele se fechou, ele já estava grudado em mim de novo; suas mãos explorando ansiosamente cada centímetro do meu corpo enquanto seus lábios brincavam com os meus.
As mãos dele pararam de se mover, passando para a minha cintura enquanto as minhas desalinhavam seu cabelo. Agora a boca dele estava em ação. Um gemido escapou dos meus lábios quando ele mordiscou minha orelha de leve. Isso pareceu encorajar Danny mais ainda, porque ele começou a andar de costas, em direção à cama. Quando a parte de trás dos joelhos dele tocaram esta, ele caiu de costas e me levou junto, de modo que agora eu estava em cima dele.
Movi minhas mãos pelo pescoço dele até o peito, até atingir a barra da camiseta. Meus dedos ficaram brincando ali por um tempo, e então eu escorreguei minhas mãos por baixo dela, acariciando sua pele enquanto meus lábios, famintos, procuravam os dele.
Senti uma das mãos de Danny escorregando por sob o meu top e começar a se mover para cima e para baixo nas minhas costas, enquanto a outra ia até os meus ombros, abaixando as alças.
Danny se mexeu debaixo de mim e de repente girou com um único movimento, trocando nossas posições. Agora ele estava em cima de mim de novo, seus lábios descendo pelo meu pescoço, ombros e agora perigosamente perto do meu peito.
Minhas mãos agora se moviam como se tivessem vida própria, eu não tinha controle sobre elas, e meus sentidos não faziam sentido algum. Elas tinham agarrado a camiseta de Danny e arrancado, e agora corriam pelo seu tronco nu e seus braços com sardas.
Eu só voltei a mim quando senti algo duro na minha perna, e quando as mãos de Danny foram para o short do meu pijama, tentando tirá-lo.
"D-Danny", eu ofeguei quando senti o short escorregando pelas minhas pernas, os dedos dele acariciando-as pelo caminho.
"Hmm?", ele fez em resposta, enquanto seus lábios estavam ocupados com o meu pescoço e suas mãos voltavam para cuidar do meu top.
"Danny", repeti, dessas vez mais firmemente. "Pára".
Capítulo 27
Danny imediatamente parou de me beijar, e sua mão parou de puxar o meu top. Ele olhou para mim, ainda sob ele, minhas mãos pressionadas contra seu peito, minhas bochechas coradas e meus lábios inchados.
"O que foi?", ele perguntou, com a voz rouca.
Eu engoli, nervosa. "Eu-eu nunca fiz…isso", gaguejei e mordi meu lábio inferior de leve.
"O que você quer dizer?", ele parecia confuso.
Rolei meus olhos. Ele podia ser bem lerdo às vezes.
"Eu sou virgem, Danny", falei, e me senti corar.
"Ah", ele saiu de cima de mim, e sentou na cama.
"É, 'ah'", resmunguei. Ainda estava seitada na cama, minha roupa de baixo exposta e meu top no meio da barriga. Também me sentei e olhei para ele.
"Desculpa. Eu devia ter dito antes, mas eu… Me envolvi", disse, me sentindo culpada por tê-lo deixado chegar até ali.
"Está tudo bem", ele olhou para mim e pôs a mão no meu joelho. "Acho que nós devíamos ir mais devagar, então… Não quero fazer nada de que você possa se arrepender depois", falou, dando tapinhas de leve no meu joelho.
"Obrigada", falei, me inclinando para beijá-lo. "Não que eu fosse me arrepender de fazer algo com você, mas acho que ainda não estou pronta… E eu prefiro fazer isso quando meu irmão e seus pais não estiverem a apenas alguns quartos de distância", falei, rolando os olhos.
Danny riu. "Verdade", ele disse. "Essas paredes não são tão grossas… Você consegue ouvir praticamente tudo", ele bateu na parede devagar.
"Tom ficaria furioso", eu falei e ri, imaginando seu rosto de ele pudesse nos ver agora. Nós dois, vestindo praticamente nada, sentados na cama de Danny, com a mão dele na minha perna.
"Ha, eu teria que correr pela minha vida...", ele riu, casualmente movendo sua mão do meu joelho para a minha cintura, massageando o local de leve com os dedos. "Eu te disse que ele me deu o ‘discurso do irmão mais velho’ hoje?"
"Não, você não disse!", falei, girando um pouco o corpo para ficar de frente pra ele. "O que ele disse?", perguntei, divertida.
"Ele me fez prometer que eu tomaria conta de você e te trataria bem – o que é moleza – e então ele ameaçou me bater se eu algum dia te magoar", ele falou, rolando os olhos na última parte.
Eu ri. "Ele disse o mesmo a M-- esquece", falei, arrependendo-me de ter aberto a boca.
"Quem?", Danny ergueu as sobrancelhas.
"Ninguém", evitei seu olhar.
"Você pode me dizer", ele falou, esfregando minha perna.
"Meu ex-namorado, Mark", eu cuspi o nome dele. "Ele me traiu", acrescentei antes que ele pudesse me perguntar o que acontecera.
"Ah, desculpe...", Danny disse, e eu dei de ombros. "E Tom bateu nele?", perguntou, tentando quebrar a tensão.
Eu ri de leve. "Não... Mas isso é porque Mark era bem maior do que ele", rolei os olhos. "Mas ele brigou com ele pelo telefone!"
Danny riu.
"Talvez eu devesse voltar lá pra baixo", falei, levantando-me depois de alguns minutos.
"Você pode ficar aqui se quiser", Danny falou, seus olhos passeando pelo meu corpo quase nu.
"Obrigada, mas não, eu devia voltar", falei, me inclinando para pegar meus shorts do pijama do chão. Podia sentir os olhos de Danny queimando um buraco na minha bunda.
"Nesse caso, acho que vou tomar um banho...", Danny falou, limpando a garganta.
Eu segurei o riso. "Ok, boa noite", falei, dando um rápido beijo em seus lábios e indo até a porta.
"... um banho bem frio...", ouvi Danny murmurar enquanto fechava a porta atrás de mim, sorrindo sozinha.
Capítulo 28
Na manhã seguinte, fui acordada pela luz do sol entrando através da janela e batendo diretamente no meu rosto. Eu gemi e puxei as cobertas até a cabeça.
Caramba, será que eles não podiam ao menos comprar umas cortinas baratas de nylon?
Eu cochilei mais um pouco, mas fui rudemente acordada novamente por alguém fazendo muito barulho na cozinha. Joguei os cobertores para longe, levantei e marchei até a cozinha, determinada a dar uma bronca na tal pessoa.
"Mas que diab--", comecei, mas parei imediatamente ao ver quem estava ali de costas, perto da pia. "Ah, bom dia, Sra. Jones."
"Olá, querida", ela falou, virando-se para me olhar. "Desculpe, eu te acordei?", ela perguntou, enquanto começava a lavar a louça suja que estava empilhada perto da pia.
"Er, não, não... Eu já tinha acordado", menti com os dentes cerrados e sorri.
"Ah, bom. Eu só queria limpar um pouco antes de ir embora. Porque Deus sabe que os meninos não farão isso…", ela balançou a cabeça.
"É verdade...", respondi meio distraída e sentei à mesa. "A senhora e o Sr. Jones tiveram uma boa noite de sono?", perguntei, tentando começar uma pequena conversa.
"Ah, sim, obrigada. E você? Aquele sofá não me parece muito confortável."
"Eu fiquei bem", encolhi os ombros e bocejei. Eu não tinha dormido muito de qualquer modo.
"Então, o que acha de fazermos café da manhã pros rapazes?", ela perguntou quando terminou de lavar um pouco da louça.
Nós?
"Ah, claro... Eu não cozinho, mas poderia fazer algumas torradas...", falei, levantando-me.
"Não se preocupe, nós só vamos fazer alguma coisa simples", ela disse, secando as mãos no avental branco que usava e indo até a geladeira."Ovos e torradas servem...", ela abriu a porta da geladeira e ficou parada lá por alguns segundos examinando seu interior.
"Algo errado?", perguntei, me aproximando.
Kathy abriu mais a porta, para que eu pudesse ver. A geladeira estava quase vazia.
Havia uma caixa de suco de laranja, um pouco de água e várias garrafas de cerveja, algumas latas de Pepsi, um pote de Marmite (N/T: é uma espécie de pasta de gosto bem forte, originária do Reino Unido e muito popular lá - Veja aqui), um prato com um pedaço meio-comido de pizza, três ovos, alguns limões suspeitos e um pedaço de pão mofado.
"Eca", foi a única coisa que consegui dizer. Tinha alguma coisa crescendo daqueles limões.
Kathy abriu a porta do freezer, esperando achar algo comestível lá. Sem sorte. Ela suspirou frustradamente quando a única coisa que achou foi mais pizza e um pote de sorvete.
"Como eles podem viver assim?!", Kathy falou, fechando a porta do freezer. "Vou ter que fazer compras ou eles vão morrer de fome!", completou, mudando para o modo mãe-superprotetora. Ela estava agora abrindo freneticamente as portas dos armários, que, em contraste com a geladeira, estavam cheios. De besterias, doces e cereais açucarados, isso sim.
"Eu não me incomodaria, mãe".
Virei-me para ver Danny entrar na cozinha, usando boxers e uma camiseta.
"Por quê?", Kathy perguntou, virando-se também. "Não há comida decente nessa casa--"
"Nós raramente comemos aqui, e quando o fazemos nós pedimos pizza ou alguma outra coisa... Nenhum de nós cozinha mesmo...", ele disse, andando até um dos armários e pegando um saco de crisps (N/T: Salgadinhos, também muito populares no Reino Unido - Veja aqui).
"Você não pode comer isso no café da manhã!", Kathy exclamou, apontando para o saco de crisps.
"Claro que posso", Danny disse, sentando-se à mesa e abrindo o saco.
"Eu vou comprar comida de verdade", ela tirou o avental e saiu da cozinha, deixando eu e Danny sozinhos.
"Isso faz mal pra você, sabia?", falei, andando até ele.
"Não, você faz mal pra mim!" Danny falou, agarrando meu braço e me puxando para o colo dele.
Eu ri, colocando meus braços ao redor do pescoço dele e me inclinando de modo que nossos lábios ficassem quase se tocando.
"Não sou", sussurrei antes de pressionar meus lábios contra os dele e os entreabrindo ao sentir a língua de Danny no meu lábio inferior.
"Ah, caralho, não na cozinha!"
Nós nos separamos para ver Tom entrando na cozinha, seu cabelo loiro apontando para todas as direções, e uma expressão mal-humorada no rosto. Harry e Doug entraram logo depois dele, os dois tinham sorrisinhos no rosto.
"Bom dia!", cumprimentei-os animadamente, sem fazer o mínimo esforço para sair de perto de Danny.
Dougie e Tom sentaram-se à mesa, Tom lançando um olhar perigoso a Danny, que Danny devolveu com um sorriso.
Harry foi até a geladeira, pegou a jarra de marmite e o pacote de pão mofado. Após pegar uma faca, se juntou a nós na mesa.
"Esse pão está estragado", falei, apontando.
"Não pode estar, acabamos de comprá-lo", Harry falou teimosamente, abrindo o pacote e tirando uma fatia. Ele a levou até o nariz para cheirá-la. "Parece bom para mim", deu de ombros.
"Se você gosta de bolor, vá em frente", eu falei, inclinando-me sobre a mesa para virar o pão, de modo que Harry pudesse ver o fungo crescendo.
"Droga" Harry resmungou, deixando o pedaço de pão na mesa e apanhando um saco de crisps.
"Precisamos fazer compras", Tom falou enquanto pegava um punhado de salgadinhos e os levava à boca.
"Não precisa", Danny disse. "Minha mãe está cuidando disso."
"Que Deus a abençoe", Harry falou, colocando um pouco de marmite sobre os salgadinhos e colocando-os na boca.
Todos nós o encaramos.
"'ê? 'ão bonf!", ele falou, mastigando e então abrindo a boca para nos mostrar o seu conteúdo pegajoso e nojento.
"Eca!", eu disse, fechando meus olhos enquanto os rapazes caíam na gargalhada.
Capítulo 29
Já fazia mais ou menos cinco meses desde a última vez que eu vira Danny, Tom e os outros caras. Claro, Danny e eu nos falávamos o tempo inteiro, mas eu sentia tanta saudade dele… Era estranho, quanto menos eu o via e o quanto mais nós conversávamos, mais eu me apaixonava por ele. Pensava nele o tempo todo, e não ajudava o fato de que agora ele estava em toda parte.
Os meninos - McFLY – tinham subido para os holofotes depois de lançarem seu primeiro single, 'Five Colours in Her Hair', que tinha ido direto pro number 1; e algumas semanas depois, seu primeiro album, Room on The Third Floor, também tinha subido como um foguete até o topo das paradas, tendo ficado lá por duas semanas.
De uma hora para outra eles estavam na TV, no rádio, em todas as capas de revistas, e até mesmo na parede do quarto de Daniela. E o melhor de tudo, eles fariam um tour com o Busted por alguns meses, o que era ótimo, porque os rapazes do Busted e eu mantínhamos certo contato e eu também sentia saudade deles.
Nem preciso dizer que eles estavam bem ocupados. Ocupados com a música, ocupados com tardes de autógrafos, ocupados com photoshoots, ocupados com sua legião de fãs enlouquecidas. Ocupados sendo famosos.
E quanto a mim? Bem, quando eu não estava ocupada só sentindo saudades e sonhando acordada com Danny, eu me ocupava com a Universidade e os meus amigos.
Na verdade, hoje é o aniversário de 20 anos da Daniela, e nós duas e nossa amiga Tracy vamos sair. Primeiro vamos jantar em um bom restaurante, e depois vamos a um pub. Esse ano, diferentemente dos anteriores, eu não tive um trabalho enorme para achar o presente perfeito para ela. Tom tinha mandado passes de backstage do tour que eles estavam fazendo com o Busted para os meus pais e eu, e ele tinha incluído dois ingressos e dois passes extras.
Já eram 8 da noite, e nós tínhamos combinado de nos encontrar às 8:30.
"Mãe, estou saindo!", gritei antes de sair pela porta da frente, verificando a minha bolsa para ver se tinha tudo que precisava.
"Tudo bem, divirta-se, querida", ela falou, saindo da cozinha. "A que horas estará de volta?"
"Er, na verdade não sei... Não muito tarde, acho", respondi, ainda revirando minha bolsa e tentando achar as chaves do meu carro. "A-há!", comemorei ao achá-las.
"Bem, ligue se precisar de algo..."
"Tudo bem, mãe!", andei até ela e a beijei na bochecha. "Até mais!", acenei enquanto apanhava minha jaqueta e saía.
Cheguei ao restaurante às 8:25 para ser recebida por Tracy acenando para mim de uma das mesas perto da janela.
"Hey Trace!", sorri, andando até ela e abraçando-a. "Chegou faz tempo?", perguntei enquanto me sentava.
"Não, não, acabei de chegar também", ela disse, enquanto passava os dedos pelo seu cabelo loiro-platina, que combinava com seus olhos verdes.
"Ah, bom", falei, olhando em volta. "A aniversariante ainda não está aqui, pelo que vejo", falei me referindo a Daniela.
"É, ainda não", ela balançou a cabeça. "Então, o que você comprou pra ela?", Tracy perguntou animada, esfregando as mãos.
"Você terá que esperar para ver", falei.
"Ah, vamos, o que há de mal? Você tem que surpreender Daniela, não eu!", ela fez biquinho.
"Nãão", balancei a cabeça.
"Deve ser algo grande...", ela disse, pensativa. "Você sequestrou James Bourne, e o deixou pelado preso em uma jaula em algum lugar com um enorme laço de presente em volta do pescoço?", ela perguntou, olhando em volta e tentando descobrir o esconderijo de James. Daniela era meio obcecada por ele.
Eu ri. "Não, nada de James pelado, infelizmente", disse, balançando a cabeça. "Mas chegou perto...", murmurei.
Tracy olhou para mim com as sobrancelhas levantadas. "É um dos outros membros da banda então?"
Rolei meus olhos e estava para perguntar sobre o presente dela quando vi Daniela entrar e vir até nós.
"Feliz Aniversário!", Tracy e eu gritamos em uníssono, enquanto pulávamos para abraçá-la.
"Aah, obrigada", ela sorriu, sentando-se entre Tracy e eu. "Sobre o que estavam falando?"
"Sobre os seus presentes, na verdade", pisquei para ela.
"Ooooh, presentes!", ela falou, batendo palmas e pulando na cadeira como se tivesse cinco anos de idade. "Eu quero!"
"Você primeiro, !", Tracy falou, cutucando minha perna de leve com seu pé sob a mesa.
Virei-me para apanhar minha bolsa, mas parei ao ver que o garçom estava chegando.
"Boa noite", ele falou, exibindo seu sorriso branquíssimo. "Meu nome é Will e eu serei seu garçom essa noite. Estão prontas para pedir?", ele nos olhou, o olhar demorando um pouco mais sobre Tracy, que sorriu para ele.
Daniela e eu nos entreolhamos, rolando os olhos. Já estávamos acostumadas com Tracy sendo o centro das atenções. A garota era deslumbrante – cabelo loiro, longo e liso, enormes olhos verdes, bronzeada, e tinha um corpo de matar – e ela sabia disso.
"Só precisamos de mais uns minutos, Will", Tracy disse, piscando para ele.
"Gostariam de pedir algo para beber por enquanto?", ele olhava diretamente para Tracy, sem se incomodar em fingir que sabia que havia outras pessoas ali.
Pigarreei, "Eu quero uma Pepsi diet por favor", falei enquanto apanhava o cardápio e começava a examiná-lo.
"Seven Up pra mim", Daniela pediu, fazendo o mesmo que eu.
"Vocês são tão entediantes!", Tracy falou. "Eu quero um martíni de maçã, por favor".
Will assentiu. "Já volto com os drinks de vocês", nos lançou mais um sorriso e saiu.
"Então, vai levar o garçom gostosão para casa hoje, Trace?", Daniela perguntou, olhando por cima do cardápio e rindo.
Tracy tossiu e levou a mão ao peito, fingindo estar ofendida, mas nos dando um sorriso brincalhão em seguida. "Bem, não sei se levá-lo pra casa hoje, mas eu certamente gostaria de um pedaço ‘daquilo’!", ela riu."Vou perguntar se ele quer nos encontrar no pub se estiver livre mais tarde..."
Daniela e eu rolamos os olhos novamente.
"Enfim, chega do garçom gostoso e eu... Presentes!" Tracy bateu palmas.
"Por que você está tão animada? É o meu aniversário", Daniela disse, olhando para Tracy e estirando a língua para ela.
Tracy deu de ombros, mostrou a língua de volta a Daniela e então me olhou, cheia de expectativa.
Peguei minha bolsa e tirei dela dois envelopes. Coloquei um no meu colo e entreguei o outro a Daniela.
"Feliz Aniversário", falei, enquanto ela o pegava.
"Obrigada", ela sorriu, abrindo-o. Olhei atentamente enquanto seus olhos castanhos caíam sobre os ingressos e passes VIPs para Wembley. Levou alguns segundos para sua reação vir. "Ah, meu Deus", ela engasgou, suas mãos cobrindo a boca. Olhou para mim e de volta para os ingressos. E então pulou no meu pescoço, me abraçando. "Ah, meu Deus! Muito obrigada!", exclamou.
"O quê? O que é? Eu quero ver!", Tracy disse, levantando-se da cadeira para tentar ver o que Daniela tinha em mãos.
"De nada", respondi, abraçando Daniela de volta.
Assim que Daniela voltou à sua cadeira, peguei o envelope do meu colo e entreguei a Tracy.
"Veja você mesma", falei.
Ela pegou o envelope com um olhar confuso. "Meu aniversário foi há dois meses e você já me deu presente...", ela falou, olhando para mim.
"Bem, considere isso como presente de Natal, então!", pisquei para ela.
Eu não esperava uma reação muito exagerada dela, já que ela não era tão fã como Daniela.
"Uau!", Tracy exclamou, olhando os ingressos. "Que ótimo! Obrigada!", ela se inclinou sobre a mesa para me abraçar.
"De nada", sorri.
"Aqueles caras são gostosos", ela sorriu. "Vai ser ótimo!"
Daniela riu. "Desde que você se mantenha longe de James...", ela disse.
"E Danny!", adicionei, só para me assegurar.
"Não se preocupem", ela disse, "Estou de olho no... qual é o nome dele mesmo? O baterista da banda do seu irmão!", falou, olhando para mim.
"Harry", eu ri. "Você tem bom gosto!"
"Tenho..." ela falou, mas seus olhos não estavam mais em mim. Segui seu olhar e vi Will, o garçom gostoso, se aproximando com nossas bebidas.
Ele mal tinha colocado os copos na mesa quando ouvi Tracy falar.
"Então, Will, o que você vai fazer hoje depois do trabalho?", perguntou, usando seu ‘sorriso sedutor’.
Olhei para Daniela para outra ‘sessão’ de rolar os olhos, mas ela estava muito ocupada examinando os ingressos, um sorriso enorme no rosto.
Capítulo 30
"Então, Wembley, hein?", Daniela me perguntou, gritando por causa da música alta.
Tínhamos terminado o jantar havia umas duas horas, e fomos para uma das boates da redondeza. Daniela e eu estávamos sentadas perto do bar, enquanto Tracy dançava com Will, o garçom gostosão, que tinha chegado havia alguns minutos.
"É", balancei a cabeça, tomando um gole da minha bebida. "As duas noites!"
"Onde nós vamos ficar hospedadas?", perguntou, seus olhos brilhando de animação.
"Onde os caras forem ficar", sorri.
Ela sorriu de volta. "Eu estou tão feliz por você ser irmã do Tom!"
"Nossa, obrigada. Bom saber que você gosta de mim por quem sou!", falei com sarcasmo, rolando os olhos.
Daniela riu, estirando a língua para mim. "Você sabe que te amo... De qualquer jeito, você falou--", Daniela começou, mas foi interrompida por um cara cutucando-a no ombro.
"Quer dançar?", ele perguntou, indo direto ao ponto. Ele era bonito.
"Desculpe, mas estou com a minha amiga, e--", ela falou, apontando para mim, mas eu a cortei rapidamente.
"Não, não se preocupe comigo! Vá dançar, divirta-se!", gesticulei com as mãos para que ela fosse logo.
"Tem certeza?", ela perguntou, mas mesmo assim se levantou.
"Sim, tenho certeza. Vá", falei, balancaçando a cabeça. Ela sorriu e foi para a pista de dança.
Bebi o que restava do meu drink e suspirei. Era em momentos como esse que eu queria ter Danny comigo. Pensando nisso, nós estivéramos ‘saindo’ por meses, mas mesmo assim nunca tínhamos dançado juntos ou mesmo tido um encontro de verdade... Eu me encolhi; relacionamentos a longa distância eram uma merda. Eu de repente ansiava por vê-lo logo, mas sabia que era impossível, então decidi ligar para ele ao invés disso. Desci do banco alto em que estava e saí do lugar barulhento.
Respirei fundo quando o ar fresco bateu no meu rosto. Peguei meu celular e disquei o número de Danny.
"Alô?", ele atendeu no outro lado da linha. Sua voz soava rouca de sono.
"Oi, Danny", sorri quando ouvi a voz dele. Seria muito estranho se eu começasse a fazer carinho no meu celular?
"? São 2 da manhã... Está tudo bem?"
"Er, sim, está tudo ótimo! Desculpa, não me toquei que era tão tarde…", falei, me sentindo uma completa idiota. "Volte a dormir..."
"Não, não, agora eu já acordei. Então, o que há?", ele perguntou, e eu o ouvi mexer na cama.
"Eu só sinto a sua falta", falei, sentindo um nó na minha garganta. Engoli em seco, sentindo-me besta. Eu não ia chorar!
"Ah, babe, estou com saudades também", Danny falou. "Mas nós vamos nos ver em breve", acrescentou, se referindo aos shows de Wembley, que estavam a apenas um mês de distância.
"É, eu sei... Eu só--", minha voz falhou. "Eu só queria que você estivesse aqui, ou eu aí com você".
Ouviu-o suspirar. "Eu sei... Apenas aguente mais um mês. Tenho algo especial planejado pra você!", ele disse, e eu podia perceber que estava sorrindo pela sua voz.
"Você tem?", sorri, inclinando a cabeça para o lado.
"Tenho", ele respondeu e em seguida bocejou. "Mas é surpresa, então nem pergunte", mais bocejo.
"Dan, eu vou deixar você voltar a dormir, você provavelmente tem que acordar cedo amanhã…", falei carinhosamente.
"É, tudo bem", ele falou rapidamente. "Te ligo mais tarde…E te vejo em breve!"
"Ok", falei, e engoli de novo. O nó idiota tinha voltado.
"Tchau, babe", ele falou e desligou.
"Eu te amo", murmurei enquanto fechava o celular.
Ainda não tinha coragem de dizer isso a ele. E se ele não sentisse o mesmo por mim? Afinal, sim, nós estávamos juntos havia alguns meses, mas mal nos víamos. Eu também estava com medo de que ele se assustasse e terminasse comigo ou algo assim. Não queria arriscar. Aquelas três pequenas palavras podiam esperar.
Estava guardando o celular na minha bolsa quando senti uma mão no meu ombro. Virei-me para ver um par familiar de olhos castanhos me encarando.
"?", o dono da mão disse.
"Mark?", eu falei, dando um passo para trás quando vi o rosto do meu ex. Claro, já tinham se passado tipo três anos, mas eu ainda poderia socar aquela carinha linda dele.
"Oi!", ele falou, alegremente, retirando sua mão do meu ombro e enfiando-a no bolso. "Eu não te vejo há mais ou menos--"
"Dois anos", terminei por ele, o olhar e a voz frios.
"Pois é", ele falou, correndo os dedos pelo cabelo loiro. "Você está ótima", sorriu, analisando meu corpo de cima a baixo com os olhos.
Ele estava ótimo também, mas eu não ia elogiá-lo de jeito nenhum. Cruzei meus braços e o encarei, sem falar nada.
"Posso te pagar um drink?", Mark pediu, acenando na direção da boate com a cabeça.
"Não, obrigada", respondi com frieza, virando-me e começando a fazer o caminho de volta.
"Ah, vamos!", ele falou, agarrando o meu braço e me fazendo girar. "Você não pode ainda estar brava comigo… Aquilo foi séculos atrás!"
"Bem, eu estou", falei, me livrando da mão dele. Eu podia ser rancorosa, especialmente se o cara me deixou no segundo plano durante toda a nossa relação de mais de um ano. "E um drink não me fará mudar de idéia", falei, e me virei novamente, entrando na boate e deixando Mark lá fora.
Não por muito tempo, porém. Ele estava ao meu lado de novo no segundo em que me sentei ao bar.
Daniela e Tracy ainda estavam na pista de dança, ficando bem “próximas” de seus parceiros.
"Nem mesmo um drink?", ele insistiu, sentando-se no banco ao lado.
"Vá embora", rolei os olhos.
"Vamos, um drink. Nós tivemos momentos tão bons juntos…", falou, olhando para mim e sorrindo.
Suspirei, frutrada. "Tudo bem, um drink", concordei, irritada porque ele não ia simplesmente embora. "Quero um Martini", falei e fiquei olhando em volta.
Ele sorriu. "Um Martini para a moça e uma Corona para mim, por favor", ele disse para o bartender, pondo o dinheiro sobre o balcão e recebendo as bebidas.
"Então, está saindo com alguém?", ele perguntou, tomando um gole da cerveja e olhando para mim, em seguida baixando os olhos para o meu decote.
"Meu rosto está aqui em cima", estalei os dedos perto do meu rosto. "E não que seja da sua conta, mas sim, estou saindo com alguém", falei, bebendo meu Martini.
"Ah", ele disse, levantando os olhos e parecendo desapontado. "Isso é muito ruim..."
Levantei as sobrancelhas. "Por quê? Porque se eu não estivesse, você achou que eu voltaria correndo para os seus braços?"
Ele abriu a boca para dizer algo, mas eu me levantei e continuei, sem deixá-lo começar. "Sabe de uma coisa, vou indo. Obrigada pelo drink!", agarrei a minha bolsa e andei até onde Daniela e Tracy estavam.
Sorri para mim mesma. Aquilo fizera eu me sentir bem. Não, bem não, brilhante!
Capítulo 31
"Eu vou desmaiar, é sério", Daniela falou, olhando para mim com uma expressão de medo, e depois olhando para fora pela janela do carro.
Tracy suspirou e rolou os olhos pela décima vez. Uma vez para cada uma que Daniela dissera que iria desmaiar.
"Você vai ficar bem", falei, dando tapinhas no ombro de Daniela. "Apenas acalme-se. Inspire e expire… Para dentro e para fora...", disse, inspirando longamente e expirando devagar. Sorri quando ela começou a fazer o mesmo.
Nós estávamos num táxi, a caminho da Wembley Arena para ver Busted e McFLY. Tínhamos chegado ao hotel mais ou menos 5 horas antes, e começamos a nos preparar.
"É que estou tão nervosa", Daniela gemeu, enquanto mexia na barra da saia jeans.
"Não fique", falei. "Eles são caras normais... E tenho certeza que todos vão te adorar", assegurei.
"É, caras normais, gostosos, ricos e famosos...", ela falou com sarcasmo. "Fácil pra você dizer. Um deles é seu irmão, o outro seu namorado, e você é amiga dos outros...", ela resmungou.
"Chegamos!", Tracy gritou quando o táxi diminuiu na frente da Wembley Arena.
Paguei o motorista e nós saímos do táxi. Estávamos mais ou menos uma hora e meia adiantadas, e mesmo assim havia uma fila imensa se formando.
"Tom disse pra gente entrar pela porta do backstage... Então nós teremos que andar por aí e procurar", eu disse, apontando mais ou menos na direção que devíamos seguir.
"Ah, ótimo", Tracy reclamou. "Essas botas não são feitas para andar!", ela apontou para suas botas de couro de salto alto.
"Então por que diabos você as está usando?", Daniela perguntou enquanto começávamos a andar.
"Porque elas são lindas", Tracy falou, como se fosse óbvio.
Daniela e eu rolamos os olhos e balançamos a cabeça.
"Bem, elas são mesmo!", Tracy exclamou. As botas ficavam mesmo ótimas nela, mas ela poderia vestir um saco de batatas e ainda assim ficar linda.
Nós andamos por mais ou menos quinze minutos até finalmente acharmos a entrada dos fundos. Havia dois homens enormes à frente da porta.
"O que estão fazendo aqui?", um deles perguntou de modo agressivo, dando um passo na nossa direção. "Nada de fãs nessa área!"
"Nós temos passes pro backstage", falei rapidamente, tirando o meu passe da bolsa e mostrando a ele. As garotas balançaram a cabeça e fizeram o mesmo.
"Mesmo assim vocês não podem entrar aqui. Terão que esperar na fila como as outras, e então poderão ir ao backstage", ele falou e começou a sinalizar com as mãos para que fôssemos embora.
Eu me encolhi."Tom nos disse para entrar por aqui", apontei as portas atrás dele.
Ele rolou os olhos. "E a minha mãe está tomando chá com a rainha nesse momento", falou com sarcasmo. "Agora vá antes que eu chame a segurança para arrastá-las até o outro lado".
"Tom é o irmão dela", Tracy falou, dando um passo à frente.
"Claro que é... Agora, não me façam chamar a segurança" , ele disse, dando outro passo na nossa direção.
"Idiota", resmunguei, virando e me afastando um pouco, com Daniela e Tracy bem atrás de mim.
Peguei o meu celular e disquei o número de Tom, apenas para ouvir a saudação da sua caixa de mensagens.
"Mas que droga!", bati o pé no chão.
"O que foi?", Tracy perguntou, mordendo seu lábio nervosamente e olhando por cima do ombro os seguranças. ", anda logo, ele está nos encarando".
"O celular do Tom está desligado", falei e disquei o número de Danny. "Vou tentar o do Dan", falei, dando uma olhada no segurança, que agora estava falando com o homem ao seu lado e apontando para nós. Bati o pé no chão com impaciência, esperando que Danny atendesse. Não dei sorte.
"Ele não atende?", Daniela perguntou, começando a roer suas unhas recém pintadas quando assenti. Ela sempre fazia aquilo quando ficava ansiosa ou estressada.
Tracy deu um tapa na mão de Daniela para que ela parasse com aquilo. "Pare com isso, está arruinando suas unhas", disse, e então olhou para mim. "Mais alguém pra quem você possa ligar?"
"Na verdade sim, espero que ele atenda", falei, começando a ficar nervosa. Disquei o número.
"Por favor atenda, por favor atenda...", eu murmurei, inquieta.
"Alô?! Matt falando", uma voz soou.
"Matt! Oi!", eu gritei, e sorri para Daniela e Tracy, cujos rostos tinham se iluminado. "É a ".
"Ah, oi! O que foi? Quando vão chegar aqui?", ele perguntou. Eu tinha dito a ele pelo MSN que iria.
"Nós já chegamos, mas o segurança não nos deixa entrar", falei, e comecei a andar de volta até o portão.
"Onde você está?", Matt perguntou.
"Na entrada dos fundos… Para o backstage".
"Ok, estarei aí em um segundo", ele falou e desligou.
"Acho que eu já tinha mandado vocês irem embora", o segurança disse enquanto nos aproximávamos de novo.
Cruzei meus braços e olhei para ele. "Faça-nos", falei, erguendo as sobrancelhas e sorrindo de modo desafiador para ele.
Ele tinha acabado de agarrar o meu braço de modo rude quanto os portões se abriram, revelando Matt do outro lado. Eu ouvi Daniela engasgar atrás de mim.
"Ei, ei!", ele gritou. "Solte ela, cara!", falou, andando até nós.
O segurança imediatamente me largou e olhou para Matt. "Fãs não são permitidas nesta área, sr. Willis".
"Ela é irmã do Tom Fletcher", Matt falou, ficando ao meu lado e pondo uma mão no meu ombro.
Olhei para o segurança com uma expressão de triunfo no rosto.
"Desculpe, não fui informado--", ele disse, constrangido.
"Bem, vamos entrar!", Matt disse, olhando para nós e colocando o braço em volta de mim, guiando-nos para dentro.
"Eu sou Matt, por falar nisso", ele olhou por cima do ombro para Tracy e Daniela, que estavam andando atrás de nós.
"Que falta de educação a minha", falei, parando e fazendo Matt parar também. "Matt, estas são minhas amigas, Daniela e Tracy", falei, apontando para cada uma.
Tracy sorriu e falou 'oi', e Daniela apenas o encarou, conseguindo apenas sorrir fracamente.
Nós recomeçamos a andar, parando apenas quando alcançamos uma porta com uma placa escrito "McFLY" pregada nela. Matt abriu a porta e entrou, e nós o seguimos. "Olhem quem eu achei!", gritou, apontando para nós.
"!", Tom gritou, pulando da cadeira e correndo para me dar um abraço.
"Oi", gaguejei enquanto ele me apertava e eu o abraçava de volta.
Assim que Tom me soltou para ir cumprimentar Daniela e Tracy, me encontrei sendo esmagada novamente, desta vez por um par de braços sardentos.
"Hey!", falei, meu rosto pressionado contra o peito dele, minhas mãos nas costas dele. Levantei minha cabeça para olhá-lo. Ele também me olhou, sorrindo, e então abaixou o rosto, me dando um beijo suave.
"Caham", Tom pigarreou, interrompendo o momento. Ele acenou com a cabeça na direção de Daniela e Tracy, que estavam ao lado dele, olhando para nós dois e sorrindo. Era a primeira vez que nos viam juntos.
"Certo", eu ri. Olhei para os outros caras - Harry e Dougie, que estavam sentados no sofá nos olhando com expressões curiosas no rosto.
"Oi gente!", falei, acenando para eles, que sorriram e acenaram de volta. "Essas são minhas amigas, Daniela e Tracy", apontei as garotas.
"Oi!", os dois falaram em uníssono, e notei que Tracy já estava checando Harry.
"Venham sentar com a gente!", Harry falou, dando tapinhas no lugar ao seu lado.
Capítulo 32
Tracy foi a primeira a se mexer. Ela rapidamente se sentou ao lado de Harry, virando-se para ele e sorrindo. "Olá!", ela disse, animada, estendendo a mão para apertar a de Harry.
Danny e eu nos sentamos em outro sofá, com Daniela ao nosso lado, parecendo bem nervosa. Tom tinha se sentado onde estivera antes, ao lado de Dougie, que observava Harry e Tracy trocarem cumprimentos.
"Para onde Matt foi?", perguntei, sentando-me no colo de Danny e pondo minha cabeça entre o ombro e o pescoço dele.
"Acho que ele foi procurar James e Charlie", Tom falou, pegando sua guitarra e começando a afiná-la. Assim que as palavras saíram de sua boca, a porta se abriu e Matt entrou, seguido por um James sorridente.
Ao meu lado, Daniela soltou um barulho estranho – algo entre um guincho, uma tosse e, surpreendentemente, um grito. Todos nós nos viramos para olhá-la, fazendo-a ficar muito vermelha.
"Oi James!", falei rapidamente, acenando para ele e tentando salvar Daniela de se humilhar ainda mais.
"Oi, !", ele sorriu, acenando de volta.
"Esta é Daniela", disse, colocando uma mão no ombro dela, "e aquela que está flertando com o Harry é a Tracy", falei, rindo ao ver que Harry e Tracy enrubesceram.
James riu, "Prazer em conhecê-las!", sorriu para elas.
"Você também", Tracy falou, e então voltou rapidamente sua atenção para Harry.
"Então, er, vocês estão nervosos?", perguntei, depois que Matt e James se sentaram. Eu esperava que Daniela falasse algo, mas ela estava apenas lá sentada, congelada ao meu lado. Especialmente agora que James estava sentado bem perto dela.
James deu de ombros, "Talvez um pouco...", falou, se inclinando para trás no sofá. "Mas quando nós subirmos no palco o nervosismo vai embora..."
"Cadê o Charlie?", Danny perguntou, ao perceber que estava faltando alguém.
"Ah, está com a família", Matt, sentado ao lado de Tom, respondeu.
"Que simpático", falei, sorrindo e fazendo carinho no pescoço de Danny.
Nós passamos a hora seguinte conversando sobre os shows e outras coisas aleatórias até que a cabeça de Fletch apareceu pela porta.
"McFLY, vocês entram em quinze minutes. Comecem a se aprontar!", Fletch disse e desapareceu novamente, com pressa.
Tom se levantou, respirando fundo, apanhando sua guitarra e andando até a porta. Harry, Dougie, James e Matt se levantaram em seguida.
"...", Danny falou, olhando para mim e então para a porta, já que eu ainda estava sentada no colo dele e não me mexi.
"Ah, certo", eu ri, beijando-o rapidamente na boca e me levantando. Ele se levantou também e segurou a minha mão, e então olhou para Tracy e Daniela. "Bem, vamos lá!"
Tom, Harry e Dougie estavam à frente do grupo; com Matt, James e Tracy no meio; e Danny, Daniela e eu no fim.
Eu agarrei o braço de Daniela com minha mão livre, já que a outra ainda segurava a de Danny, e a puxei para perto. "Você está bem?", perguntei. Ela não tinha dito uma palavra desde que chegamos.
"Claro, aham", ela disse, olhando para mim com um olhar vidrado e então rapidamente olhando para a bunda de James, andando bem na frente dela
Eu ri, soltando-a e deixando-a livre para apreciar a vista.
O grupo parou quando chegamos à lateral do palco. O barulho de garotas gritando do outro lado era ensurdecedor.
Harry e Dougie começaram a dar pulinhos nervosos, enquanto Tom andava para cima e para baixo. Daniela e Tracy espiavam a platéia.
Eu agarrei a outra mão de Danny e me virei para olhá-lo. "Está nervoso?", sorri para ele enquanto massageava de leve as costas de sua mão com meus polegares.
"Um pouco", ele falou, alternando o peso do corpo entre as pernas o tempo todo. "Especialmente agora que você vai estar assistindo...", ele mordeu o lábio de um jeito muito fofo.
Sorri. Era adorável o fato de ele estar nervoso por minha causa. "Você vai se sair ótimo", assegurei, soltando as mãos dele e colocando as minhas em volta da sua cintura para trazê-lo mais pra perto.
"Gente, vocês entram em cinco minutos! Peguem seus instrumentos e se aprontem!", alguém gritou atrás de nós.
"Boa sorte", falei, ficando na ponta dos pés para beijá-lo, e depois o soltei. Fui dar um abraço em Tom e depois desejar a Harry e Doug boa sorte.
E então eles entraram no palco. Daniela, Tracy e eu ficamos na lateral, asistindo a performance deles, cantando junto e dançando, ou parecendo malucas, melhor dizendo.
Mais ou menos na metade da apresentação deles, ouvimos risadas atrás de nós. Nos viramos para ver Matt e James encostados na parede e nos olhando.
Daniela ficou vermelha, e parou de se mexer imediatamente.
"Apreciando a vista?", Tracy falou, levantando uma sobrancelha.
Matt riu novamente."Vocês estavam arrasando, hein?!", ele disse, rebolando muito e imitando um dos nossos... er, ‘passos’.
Estirei minha língua para eles e virei-me para continuar assistindo a performance do McFLY. Eles estavam no meio de 'Saturday Night'.
Matt se aproximou e se pôs ao nosso lado. "Eles são bons, não são?", ele comentou, olhando para o palco e para Dougie pulando por aí com seu baixo verde.
"'Bons'? Você está brincando? Eles são incríveis!", falei cheia de orgulho, observando Tom por alguns segundos e depois Danny, quando o ouvi cantar a parte dele. De repente um flash disparou atrás de mim e eu me virei par aver Daniela ocupada tirando fotos deles.
"Hey, Daniela", falei, cutucando seu braço. "Me dê isso", estendi a mão para pegar a câmera.
"Por quê?", ela perguntou, me entregando relutantemente.
Não respondi, apenas virei-me. "James! Vem cá", gritei para ele, que ainda estava encostado na parede. "Foto grupal!"
Coloquei Matt, Tracy, Daniela e James juntos, me certificando de que James ficasse bem ao lado de Daniela. Sorri quando o vi colocar o braço em volta dela. "Diga ‘x’!", gritei sobre a música, tirando a foto.
"Ok, agora só Daniela e James", falei, acenando para que Matt e Tracy saíssem do caminho. Daniela sorriu para mim, e eu pisquei.
Tiramos várias outras fotos, e então voltamos a assistir o show quando Matt e James foram chamar Charlie e se aprontar.
"OBRIGADO, WEMBLEY!", eu vi e ouvi Tom berrar para a multidão, e alguns segundos depois todos eles se juntaram a nós atrás do palco, nos abraçando. Suando em cima da gente.
"Aquilo foi incrível!", exclamei, tentando ignorar o fato de que tinha suor de quarto outras pessoas em mim. Tracy e Daniela balançaram a cabeça, concordando.
Nós conversamos por alguns minutos até que chegou a vez do Busted subir no palco, e então enlouquecemos de novo. Daniela quase desmaiou quando James acenou para ela de seu lugar no palco.
A noite estava sendo ótima. Mal sabia eu que estava para ficar ainda melhor....
Capítulo 33
"Ah, bem melhor…", falei enquanto saía do banho e me enrolava numa toalha branca e muito macia.
Após o show de Wembley nós tínhamos voltado ao hotel, e Daniela e Tracy já estavam lá embaixo no bar do hotel com os rapazes.
Eu abri a porta e saí do banheiro com a intenção de me vestir o mais rápido possível e me juntar logo ao resto do grupo. Porém parei imediatemente quando vi Danny sentado na minha cama com um sorriso enorme e brincalhão no rosto.
"Danny", eu engasguei, apertando a toalha em volta do meu corpo e ficando vermelha quando os olhos azuis dele percorreram todo o meu corpo, desde a ponta dos meus dedos dos pés até a última mecha de cabelo molhado na minha cabeça.
"Como – Como você entrou aqui?", perguntei, ainda segurando minha toalha com força. De repente eu me sentia muito pequena, e estava com vergonha.
"Pedi a chave para Daniela...", ele deu de ombros, levantou-se e veio na minha direção.
Eu assenti. "Mas eu -- Eu estou pelada", falei idiotamente, olhando para ele. Ele não estava. Ele estava, na verdade, muito bem vestido: jeans escuros com uma camiseta branca e uma jaqueta esporte preta por cima.
Danny riu e parou bem à minha frente. "Isso dá para perceber", ele falou, passando um dedo delicadamente do meu ombro e descendo pelo meu braço, mandando arrepios pela minha espinha e fazendo borboletas aparecerem no meu estômago. Ele deu um passo para mais perto, de modo que os nosso corpos estavam quase se tocando, e eu podia sentir seu hálito quente no meu rosto. Era eu ou a temperatura do quarto de repente estava a uns cem graus?
"Lembra que eu disse que tinha uma supresa pra você?", Danny sussurrou, continuando o carinho.
"Lembro...", respondi, seguindo o dedo dele com o olhar. Engoli em seco, sentindo-me pronta para pular em cima dele a qualquer momento; o jeito que ele me tocava estava me deixando louca. Senti uma sensação quente na boca do estômago, e antes que Danny pudesse falar mais alguma coisa, eu tinha pressionado meu corpo contra o dele, segurado o rosto dele com minhas mãos e o beijando. Minha timidez havia desaparecido, sendo substituída por um forte desejo de me aproveitar dele.
Danny retribuiu o meu beijo com avidez, uma mão passando pelo lado do meu corpo até a minha bunda, enquanto a outra ia até a parte de trás da minha cabeça para aproximar mais ainda o meu rosto, aprofundando o beijo.
Eu comecei a andar de costas enquanto agarrava a camiseta de Danny para trazê-lo comigo, sem quebrar o beijo. Senti a parede nas minhas costas, e Danny pressionou seu corpo contra o meu, colocando uma mão em cada lado da minha cabeça, enquanto minhas mãos foram automaticamente para as calças dele. Eu estava pronta e o queria agora.
Danny se afastou quando sentiu minhas mãos lutando para abrir o cinto dele. ", espera...", ele disse, meio sem fôlego, agarrando minhas mãos e afastando-as da calça dele.
Eu o olhei, confusa e desapontada. "Alguma coisa errada?", perguntei, com a voz rouca. "Você não quer--"
Ele balançou a cabeça. "Não, não... Eu realmente quero, acredite! Adoraria terminar isso, mas -- mas, sabe a surpresa que eu estava falando?", eu assenti e ele continuou, brincando com as minhas mãos enquanto falava. "Nós devíamos estar lá em mais ou menos --", ele olhou o relógio de pulso, "-- quarenta e cinco minutos, e você ainda precisa se vestir...", ele falou, olhando para o meu corpo. Surpreendentemente, a toalha ainda estava lá.
"Ok", eu falei, sorrindo e tentando esconder meu desapontamento.
"Vou esperar você no lobby... Tente estar lá em meia hora, ok?", Danny me deu um beijo de leve nos lábios e foi até a porta, olhando para mim uma última vez e saindo.
Suspirei e andei até a minha cama, onde a minha mala estava. Vesti um par de calcinha preta e sutiã sem alça combinando, e então tirei da mala o vestido que queria usar. Era um vestido tomara-que-caia preto de cetim. Não muito chique, nem muito casual. Sentei-me na cama e calcei sandálias prateadas, e então fui ao banheiro para arrumar o cabelo e passar maquiagem. Prendi meu cabelo ondulado e ainda molhado, deixando algumas mechas soltas em volta do meu rosto; terminei a maquiagem em cinco minutes, já que só passei um pouco de base, sombra, rímel, blush e batom. Voltei até a cama, apanhei a minha bolsa e saí do quarto, agora começando a ficar animada para ver o que Danny planejara.
Ele já estava esperando por mim no lobby quando cheguei. Danny ficou apenas parado lá, olhando para mim com um sorriso no rosto, as mãos enterradas nos bolsos. "Você está incrível", ele falou enquanto eu me aproximava mais.
"Obrigada!", sorri. "Você também não está muito ruim", acrescentei com uma piscadela.
Ele sorriu. "Vamos indo então? Nosso carro nos espera lá fora", falou, segurando a minha mão.
"Espera, você já avisou--?"
"Já cuidei de tudo e todos, não se preocupe", ele falou rapidamente, levantando a minha mão na dele para beijá-la suavemente. Ele piscou e então nós saímos do hotel, indo até o carro preto que nos esperava ali na frente. Ele abriu a porta para mim e eu entrei.
"Você não apenas é lindo e talentoso, como tem boas maneiras também!", brinquei quando entramos.
"Aprende-se algo novo todos os dias!", ele riu, quando o carro começou a se mover.
"Ele sabe para onde estamos indo?", perguntei, acenando com a cabeça na direção do motorista quando percebi que Danny não tinha dito nenhum endereço a ele.
"Aham, eu disse antes de você descer... Não queria que você ouvisse", ele piscou.
"Então, o que nós vamos fazer?", perguntei ansiosamente, virando o corpo na direção dele.
Ele balançou a cabeça. "Não vou dizer nada".
"Me dê ao menos uma dica!", pedi.
Danny riu. "Não, você terá que esperar para ver", ele riu e acrescentou rapidamente, "na verdade, não veja, feche os olhos!", ele disse, pondo uma das mãos sobre os meus olhos, e alguns minutos depois eu senti o carro diminuir e parar. Danny agradeceu o motorista, pagou e então me ajudou a sair do carro, com os olhos ainda fechados.
"Mantenha-os assim", ele falou, enquanto me fazia subir alguns degraus, e então ouvi alguém abrir a porta para nós. Abri minha boca para protestar, mas Danny falou primeiro "Eu fiz, er, uma reserva… Danny Jones?", ouvi-o falar a alguém.
"Ah, sim, está tudo pronto. Aqui está", um homem com um sotaque muito chique respondeu, entregando algo a Danny. Onde diabos nós estávamos? Eu realmente queria abrir os meus olhos para descobrir.
"Posso--?", comecei, mas Danny não me deixou terminar.
"Não, ainda não! Eu te falo quando puder"
Ele estava tentando me irritar de propósito? Soltei um barulho zombeteiro com o nariz, mas mantive os olhos fechados.
"Não muito paciente, hein?", Danny riu enquanto me guiava para algum lugar. Ouvi uma porta automática se abrir.
"Estamos em um elevador?", perguntei, ignorando o comentário dele.
"Shh", ele falou, com uma mão nas minhas costas, quando ouvi um apito. É, nós definitivamente estávamos em um elevador.
O elevador parou, nós saímos e andamos um pouco, o tempo todo Danny me guiando.
"Pare aqui", ele falou, apertando o meu braço de leve. Ouvi barulho de chaves e uma porta se abrindo. Ele segurou a minha mão e me guiou para dentro. "Abra os olhos".
Eu lentamente abri os olhos, vendo uma cena de tirar o fôlego à minha frente.
Capítulo 34
Nós estávamos num quarto de hotel, encarando uma enorme porta de vidro que dava acesso a uma varanda. Havia uma mesa para dois no centro desta, iluminada apenas pela luz da lua e de velas colocadas em volta. Na mesa havia um balde de gelo com uma garrafa de champagne dentro, e duas bandejas de prata. Notei uma única rosa vermelha em uma das cadeiras.
Sem palavras, virei-me para olhar o resto do quarto. Assim como a varanda, estava iluminado por dúzias de velas. Meus olhos imediatamente foram para a cama king size no meio do quarto, coberta com pétalas de rosas. Ele tinha feito tudo aquilo pra mim?
"Danny...", comecei, com um tom impressionado na voz, virando-me para ele.
"Então, o que acha?", ele me perguntou, colocando as mãos na minha cintura e me puxando para peto.
"Acho... Que você está tentando 'se dar bem' hoje à noite", sorri para ele, e pisquei.
Ele riu. "E aí, está funcionando?"
"Talvez...", falei, esquecendo o fato de que há uma hora atrás eu estava prontinha para arrancar as roupas dele sem nenhum pudor. Beijei-o de leve. "Mas, sério, é lindo... Adorei. Obrigada".
Danny sorriu. "Então, o que me diz de irmos até a varanda para o jantar?", ele sugeriu, pegando a minha mão e indo até lá sem esperar resposta.
Apanhei a rosa da cadeira e me sentei, colocando-a no meu colo.
"Isso é por todos os encontros que não tivemos, e por todos os aniversários de meses de namoro que perdemos", ele explicou, sorrindo e abrindo a garrafa de champagne, servindo as taças de cristal sobre a mesa.
"Bem, este é o melhor primeiro encontro de todos", falei, apanhando a taça. "Mas, honestamente, você poderia ter me levado ao Burger King, e eu ainda teria amado... Contanto que eu esteja com você".
Danny riu. "Você é tão melosa!", ele falou, fazendo-me corar. Eu era melosa. "Mas fico feliz que tenha gostado", adicionou, sorrindo.
"Eu amei", falei, levantando a tampa da bandeja à minha frente para revelar um prato de massa que parecia delicioso. Minha comida preferida. "Não acredito que você planejou tudo isso… Nunca pensei que você fosse do tipo romântico!"
"É, bem...", ele deu de ombros, levando o garfo à boca. "Você merece", Danny disse depois de engolir a comida.
Sorri para ele, e toquei de leve a perna dele com o meu pé por baixo da mesa. "Obrigada".
O jantar foi gasto pondo em dia tudo o que acontecera desde a última vez em que tínhamos nos visto. Ele falou sobre a turnê e sobre ter que praticamente morar no ônibus da banda; e eu o entediei com algumas coisas sobre a faculdade.
"Danny?", chamei quando acabamos a sobremesa – morangos cobertos de chocolate.
"Sim?", ele segurou a minha mão, que estava em cima da mesa.
"Você quer dançar?"
"O quê?", ele riu, olhando para mim como se não tivesse ouvido direito.
Eu fiquei vermelha. "É, quero dizer, nós estivemos juntos por um bom tempo agora, e nunca dançamos juntos...", dei de ombros. "Mas se você não--"
"Não,vamos", ele sorriu e se levantou. Eu o imitei. Entramos no quarto e fomos até o centro deste, que estava iluminado pelas velas. Coloquei meus braços em volta do pescoço dele, e ele me envolveu pela cintura. Eu não me importava que não havia música. Não me importava que nós estávamos apenas em pé ali, parados – sem dançar. Eu estava encantada pelos seus olhos azuis e suas mãos massageando minhas costas de leve.
Danny abaixou a cabeça, murmurando no meu ouvido. "She's got a pretty face, and such a lovely name, I don't want my friends to see her, they might take her away from me. She's one I won't forget, for a long, long time. Now I really want the world to see that she is the one for me...", ele sussurrou a música no meu ouvido, enquanto começávamos a nos balançar ao seu ritmo.
Sorri, me lembrando que o nosso primeiro beijo tinha sido ao som dessa música. Os lábios de Danny tinham se afastado da minha orelha agora, e estavam brincando no meu pescoço. Sua língua tocando de leve a minha pele estava me deixando louca. Um gemido escapou dos meus lábios e senti sua boca morna sorrir contra a minha pele, fazendo uma trilha de beijos pelo meu pescoço, meu queixo e finalmente chegando à boca. Não era apenas a boca dele que estava me enlouquecendo, mas uma de suas mãos estava nas minhas costas e começava a abrir o zíper do meu vestido. Meu coração começou a bater rápido quando ele terminou, e minhas mãos tremeram quando o vestido deslizou pelo meu corpo.
A jaqueta, camiseta e calça de Danny foram retiradas em seguida, seus lábios em contato com os meus na maior parte do tempo. Ele pôs as mãos no meu quadril e começou a me empurrar de costas, em direção à cama. Minhas pernas tocaram esta e me deitei, trazendo Danny comigo. Em alguns minutos, nossas roupas de baixo haviam se juntado às outras no chão. Senti os olhos de Danny passearem por todo o meu corpo nu, e podia sentir cada parte queimar quando ele a olhava. Meu coração acelerava mais ainda quando ele tocava minha pele, subindo pelo meu corpo para acariciar meu rosto com carinho. Seus olhos estavam presos ao meus, e sem precisar falar ele me perguntou se eu estava pronta. Assenti quase imperceptivelmente, sentindo-me tão pronta como nunca estaria. Levei minhas mãos até o rosto dele, coloquei-as atrás do seu pescoço e trouxe seu rosto para baixo, nossos lábios se encontrando num beijo apaixonado.
Naquela noite, Danny conheceu cada centímetro do meu corpo, suas mãos e lábios memorizaram cada cantinho, cada sarda, cada defeito.
Capítulo 35
Eu abri meus olhos lentamente na manhã seguinte, para ter uma visão das costas nuas e sardentas de Danny. Um sorriso se formou na minha boca quando as lembranças da noite anterior voltaram em um flash. Beijei de leve seu ombro descoberto e me sentei na cama, os lençóis de seda escorregando pelas minhas costas. Fiz uma careta enquanto movia as minhas pernas e apoiava os pés no chão – ainda estava um pouco dolorida. Inclinei-me, apanhando minha calcinha no chão e vestindo-a, e então peguei a camisa de botões de Danny, vestindo-a.
Fui até a varanda e me apoiei na grade de proteção. O sol estava alto no céu, lançando seus raios sobre a linda cidade. Fiquei por não sei quanto tempo ali, apenas admirando a vista e aproveitando o ar fresco, até que senti um par de braços me envolver pela cintura por trás.
"Bom dia, linda", Danny disse, beijando meu ombro de leve.
Sorri e virei-me nos braços dele. "Bom dia", falei, envolvendo o pescoço dele e trazendo-o para mais perto para beijá-lo.
"Minha camisa fica melhor em você do que em mim", ele falou quando nos afastamos, mexendo na manga da camisa. "Mas você fica melhor ainda sem nada", ele sussurrou, e com um sorrisinho safado ele abaixou-se e enterrou o rosto no meu pescoço.
"Danny!", eu ri, batendo de leve no braço dele mas mesmo assim inclinando a minha cabeça para lhe dar mais acesso.
"Quê?", ele falou, levantando a cabeça e sorrindo, enquanto suas mãos passeavam pelo meu corpo.
"Você não pensa em outra coisa não?", eu ri. "Você acabou de acordar!"
"Bem, você não pode me culpar! Olhe pra você... O cabelo meio assanhado, usando nada além da minha camisa… que é meio transparente, devo acrescentar", Danny falou, uma de suas mãos se movendo para desabotoar a camisa.
"Danny!", falei de novo, dando um tapa na mão dele para afastá-la. "Nós estamos numa varanda… Alguém pode ver!", eu sussurrei, olhando em volta.
"Bem, vamos lá pra dentro então!", Danny disse, ansioso, pegando a minha mão e me arrastando para o quarto enquanto eu só ria.
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Danny e eu voltamos para o hotel, onde todos os outros estavam, um pouco depois de meio dia.
"Vejo você daqui a pouco pro almoço?", ele falou quando parou à frente da porta do quarto das garotas.
"Claro, eu só quero tirar esse vestido e colocar algo confortável…", disse, enquanto revirava a minha bolsa à procura das chaves.
"Ok", Danny disse, beijando minha bochecha. "Então até", falou, saindo para seu quarto.
Sorri, pegando a chave e destrancando a porta. Eu esperava achar o quarto vazio, já que já passava do meio dia, mas me surpreendi ao ver Tracy sentada na cama e parecendo meio adormecida, e Daniela ainda parecia dormir em sua cama. Eu podia ver apenas seu cabelo castanho claro saindo pelas cobertas.
"Olá!", falei feliz, sorrindo para Tracy enquanto fechava a porta atrás de mim. Eu estava com um sorriso na cara desde cedo, como se tivesse dormido com um cabide na boca.
"Oi", Tracy falou, rouca, levantando-se e esfregando os olhos. Notei que ela ainda usava as roupas da noite anterior.
Levantei minhas sobrancelhas. "Se divertiu ontem à noite?", perguntei, me abaixando para soltar as tiras da minha sandália.
"Você não tem idéia...", ela disse, alongando-se e bocejando. "Você perdeu uma-- Ai meu Deus", ela repentinamente falou, olhando para mim com os olhos verdes arregalados. "Como foi o seu encontro? Onde ele te levou?", ela andou até mim, agarrou o meu braço e me fez sentar na cama dela. "Quero saber tudo."
Eu ri. "Conto pra você depois que tirar esse vestido e Daniela acordar, pra eu não ter que ficar repetindo", falei, levantando-me novamente para abrir o zíper do vestido e tirá-lo.
"Ah, anda! Quero saber!", Tracy insistiu com uma voz infantil.
Ri e balancei a cabeça. "Mais tarde", sorri enquanto vestia uma calça jeans e uma blusa vermelha. Tracy me deu lingua e eu retribuí o gesto. "Conte-me sobre a sua noite", falei, ao sentar ao lado dela.
"Ah, você tinha que ter estado lá!", ela falou, soltando uma risada curta, e lançando um olhar rápido para a cama de Daniela. "O álcool realmente a fez se soltar!" Tracy disse, acenando com a cabeça na direção da forma adormecida de Daniela. "Ela estava o tempo todo em cima de James! E ele não parecia se importar, para falar a verdade", ela rolou os olhos.
Eu ri. "E você?", perguntei, olhando para ela."Você ainda está usando as roupas da noite passada, então também deve ter se divertido, hein?", eu a cutuquei.
"É, digamos que sim", ela piscou para mim e se levantou.
"Poderia elaborar mais essa resposta?", rolei os olhos.
"Eu conto pra você depois que tirar essas roupas e Daniela acordar, pra eu não ter que ficar repetindo", ela imitou o que eu tinha dito com uma voz pomposa e um sorriso travesso.
"Ei!", fiz biquinho.
"Eu sei jogar também, sabe...", ela riu. "Vou tomar uma ducha", falou, e com isso se virou e andou até o banheiro, fechando a porta atrás dela.
Balancei a cabeça, levantando e indo até a cama de Daniela. "Acorda, dorminhoca!", gritei, pulando na cama e puxando os cobertores.
"Por Deus, fique quieta!", Daniela grunhiu, puxando as cobertas de volta.
"'Deus'? Você pode me chamar só de !", falei, rindo idiotamente da minha piada sem graça. Continuei pulando.
"!", Daniela gritou por debaixo dos cobertores. "PÁRA!"
"Parar o quê?", ri enquanto pulava com mais força. Eu estava com um humor bom demais para me importar se estava agindo como se tivesse 5 anos de idade.
"ARGH!", ela gritou, agarrando um travesseiro e batendo-o com força nas minhas pernas, me fazendo perder o equilíbrio e cair da cama de bunda no chão acarpetado.
"Ai", gemi do chão, enquanto ouvia Daniela se matando de rir.
"Você está bem?", ela se sentou e olhou para mim, ainda rindo, e não parecendo realmente se importar se eu estava bem ou não.
Fiz uma careta para ele, levantando. "Minha bunda está doendo", falei, esfregando o local.
"Bem, você mereceu. Você estava enchendo o meu saco", ela falou, deitando e fechando os olhos.
"O que acha que está fazendo?", falei, agarrando as mãos dela e puxando-a. "Levanta!"
"Nãããão", ela gemeu, mas se sentou mesmo assim. "Cadê a Trace?", ela perguntou, olhando o quarto em volta e bocejando.
"No chuveiro", falei, sentando na ponta da cama dela. Sorri. "Então, vai me dizer ou não o que houve ontem à noite com você e James?"
Daniela corou. "Como você soube? Você não--", ela parou no meio da frase. "Espera, você acabou de chegar?!"
"Aham", assenti e corri para acrescentar, "mas falarei sobre isso mais tarde. Primeiro você!", sorri para ela.
"Tudo bem, mas quero todos os detalhes, ouviu?", ela disse, cutucando o meu ombro.
Rolei os olhos e balancei a cabeça, fazendo sinais com a mão para que ela continuasse.
Ela suspirou, com uma expressão sonhadora no rosto. "Eu bebi um pouco demais ontem à noite… e, bem, vamos apenas dizer que eu perdi a timidez que tinha na frente de James".
Eu ri, imaginando Daniela dançando em cima de uma mesa, enlouquecida.
"Nós dançamos um pouco--"
"'Dançaram'? Está brincando? O que vocês dois estavam fazendo na pista de dança deveria ser considerado ilegal... Ou impróprio para menores!", Tracy interrompeu, enquanto saía do banheiro enrolada numa toalha.
Eu ri quando Daniela ficou num tom engraçado de vermelho. "Fique quieta!", Daniela falou a Tracy. "Porque o jeito que você e Harry estavam não era considerado livre para menores também não!"
Tracy estirou a lingua para Daniela enquanto começava a se vestir.
"Vejo que vocês se divertiram ontem!", ri, olhando para elas.
"E pra onde vocês dois desapareceram depois, hein?", Daniela perguntou a Tracy.
"Pro quarto dele", Tracy disse de modo casual, sorrindo largamente.
"Aaaah", falei, levantando e abaixando as sobrancelhas e fazendo-as rir.
"Agora você, senhorita... Conte-nos tudo sobre a sua noite!", Tracy falou para mim ao se sentar ao meu lado na cama de Daniela. Daniela balançou a cabeça, concordando.
"Nós dormimos juntos", foi a primeira coisa que saiu da minha boca, não consegui me conter.
Houve um Segundo de silêncio, e então Tracy soltou um gritinho. "E como foi?", ela sorriu. Agora era a vez dela de mexer as sobrancelhas.
Eu ri, ficando meio vermelha. "Foi… Meio dolorido, mas bom, acho! Não tenho muito com o que comparar...", dei de ombros. "A segunda vez hoje de manhã foi melhor, pra falar a verdade!", ri baixinho.
Tracy riu e Daniela rolou os olhos. "É um pouco mais do que precisávamos saber..."
"Você disse que queria os detalhes!", exclamei, rindo.
"Não deste tipo!", ela rolou os olhos novamente. "Pra onde ele te levou?"
"Bem, deixe-me começar pelo princípio..."
Capítulo 36
Os meses após nossa visita a Wembley passaram em um flash, e antes que eu percebesse o fim do ano já estava ali.
"Quem vou beijar debaixo do ramo de azevinho?"
Os rapazes do McFLY estavam finalmente tendo um intervalo, e Danny iria para Bolton passar o Natal. Inclinei a cabeça para a direita e levantei o ombro, encaixando o telefone ali enquanto usava as duas mãos para decorar a árvore de Natal na sala de estar.
"E quanto a Daniela?", Danny disse do outro lado da linha, e mesmo que eu não pudesse vê-lo, sabia que ele devia ter um sorriso brincalhão enorme no rosto. A família de Daniela não celebrava o Natal, então era tradição ela passá-lo conosco.
"Ha, só nos seus sonhos, Jones", eu ri enquanto revirava uma caixa cheia de enfeites para a árvore. "Mas se é isso que precisa para fazer você vir pra cá...", falei devagar, sorrindo sozinha.
"Sério?!", Danny perguntou, ansioso.
Eu ri. "Não."
"Ah", ele disse, parecendo desapontado. "Então... O que está vestindo?", ele brincou.
Rolei os olhos e ri. Isso tinha se tornado algo comum nas nossas conversas.
"Um tapa-sexo e um chapéu de cowboy rosa... O que mais?", falei, tentando soar sexy e não cair na gargalhada enquanto olhava para o meu conjunto de moletom cinza que usava.
"Ótimo", Danny falou com uma voz pervertida e eu o imaginei mexedo as sobrancelhas. "Quer saber o que eu estou usando?"
"Sempre!", exclamei, enquanto pendurava mais uma bola de natal.
"Uma tanga de leopardo."
Soltei um barulho pelo nariz. "Sexy..."
"Foi o presente de Natal do Dougie", ele disse, e percebi que sorria.
"Ele te deu uma tanga? Não é um pouco estranho?", perguntei, enquanto via através da janela os meus pais estacionando o carro na frente de casa.
"Você não conheceu o Dougie? Ele é estranho", Danny riu.
"Certo, certo", eu também ri, enquanto começava a subir as escadas até o meu quarto.
"Então, quais são os seus planos pro Natal e Reveillon?", Danny perguntou, subitamente sério.
Suspirei. "Família no Natal... Não que eu não goste, só esperava que pudesse vê-lo...", abri a porta do meu quarto e entrei, fechando-a novamente atrás de mim. Eu sabia que estava sendo egoísta, querendo que ele viesse me ver quando ele não tinha ficado com a própria família por um bom tempo, mas não conseguia evitar.
"Eu sei. Mas nos veremos em breve, não se preocupe", ele falou, e rapidamente acrescentou antes que eu tivesse a chance de perguntar mais alguma coisa, "E quanto ao Ano Novo?"
"Trace, Daniela e eu vamos sair... Não sei pra onde, um lugar pra dançar provavelmente ", respondi sem entusiasmo enquanto sentava na cama.
"Parece divertido", Danny falou, tentando me animar.
"É...", falei num tom nada convincente. "Trace irá com Will, o namorado dela, e ele levará um amigo pra Daniela... e Tom e Giovanna provavelmente virão, também... Então serão três casais e eu. Que legal".
"Ah, vamos. Tenho certeza que você vai achar um cara legal pra dançar com você", Danny brincou.
"Claro, virar o ano com estranhos deve ser ótimo...", falei sarcasticamente. "Então, o que você vai fazer?"
"A mesma coisa. Vou a alguns pubs com uns amigos que não vejo há séculos... Vai ser incrível", ele falou com animação.
Sorri para ele, mesmo que não pudesse me ver. "Então, quando você vai pra Bolton?"
"Amanhã", Danny respondeu, parecendo aliviado.
"Vocês definitivamente merecem uma folga bem longa. Estão trabalhando demais...", falei. Era verdade, com todas as photoshoots, promoção dos singles, entrevistas no rádio e na televisão, e sessões de gravação no estúdio, eles mal tinham tido tempo livre nos últimos três meses depois do tour com o Busted.
"É, eu sei. Nós estamos muito cansados. Mal posso esperar para descansar um pouco. Temos até 10 de janeiro", ele falou, feliz.
"É, Tom me contou", balancei a cabeça.
"Ei, , tenho que ir... Fletch vai chegar em um minuto e eu tenho que tirar essa tanga e vestir alguma coisa... "
"Ai meu Deus! Você está realmente usando isso? Pensei que você estivesse brincando!", ri.
"O quê? Isso quer dizer que você não está usando o tal tapa-sexo e o chapéu de cowboy?", ele parecia desapontado de verdade.
Eu ri e balancei a cabeça. "Vai se vestir, Danny..."
Capítulo 37
E assim, o Natal veio e passou... Os presentes foram bons, como sempre, mas o melhor presente foi o que Tom deu aos meus pais. Deu a eles férias por conta dele no Caribe, para a qual eles saíram no dia 30 de dezembro pela manhã. O próprio Tom iria para Nova York com Giovanna no dia 1º de manhã. Isso significava que por duas semanas inteiras eu teria a casa só para mim! Sem pais, sem irmão, sem regras… Apenas eu, eu mesma e ... E um monte de livros que eu tinha que ler para as provas da faculdade.
Suspirei quando parei na frente do meu closet, com as portas abertas. Era a noite de Ano Novo, nós sairíamos em exatamente uma hora, e eu ainda não fazia idéia do que iria vestir. Eu estivera encarando as minhas roupas ali por no mínimo dez minutos quando uma batida na porta me tirou daquele transe.
"Entre", falei, enquanto arrumava o roupão que estava usando por cima da roupa de baixo, e me virei para ver quem era. A porta se abriu e revelou Giovanna ali, segurando dois vestidos diferentes.
"Oi", ela sorriu. "Preciso de ajuda para decidir o que usar", ela falou, mostrando os dois vestidos para mim.
"Junte-se ao clube!", eu ri, acenando para que ela entrasse. "Vamos ver o que temos aqui..."
Giovanna entrou no quarto e colocou ambos os vestidos sobre a minha cama, na colcha branca. "Qual deles prefere?", ela olhou para mim e então de volta para os vestidos, inclinando a cabeça. Havia um vestido preto simples, de decote em V, alças finas e à altura do joelho; e o outro era um vermelho tomara-que-caia com uma pequena fenda em uma das pernas.
"Hmm... Acho que o preto", falei, mordendo o lábio. "O vermelho é muito…" vulgar "... chique, não acha?"
"É, acho que sim!", ela falou, sorrindo. "E você, quer ajuda?"
"Seria ótimo...", eu disse, voltando ao meu closet. "Não tenho idéia do que usar..."
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"Ah, finalmente!", Tracy exclamou, quando Tom, Giovanna e eu nos aproximávamos dela, de Daniela, Will e seu amigo, que já estavam na fila para entrar no local da festa.
"Não olhe para mim!", Tom ergueu as mãos na defensiva. "Elas demoraram séculos para se arrumarem!", apontou para Giovanna e eu.
Rolei os olhos, e sorri para Will e seu amigo. "Oi, eu sou a ", falei, acenando.
"Ah, é", Tracy disse. "Galera, este é Nate, amigo de Will", ela pôs uma mão no ombro de Nate. Ele era bem bonito: alto, bronzaedo, olhos castanhos, cabelo cacheado castanho, dentes brancos perolados e se vestia muito bem. Olhei para Daniela e sorri, mostrando os dois dedões das mãos erguidos, que ela respondeu com outro sorriso.
"E esta é ; Tom, irmão da ; e a namorada dele, Giovanna...", Tracy continuava as apresentações.
Levou no mínimo vinte minutos para a fila andar e entrarmos. O lugar estava barulhento, escuro e cheio.
"Então, beber alguma coisa? Dançar?", Will gritou sobre a música depois que todos guardaram os casacos.
"DANÇAR!" Daniela, Tracy e Giovanna gritaram em uníssono, e então todo mundo se virou para mim. A pequena garota solitária e sozinha...
"Er, acho que vou beber algo antes", eu disse, cruzando os braços à altura do peito, sobre o vestido marrom-chocolate que Giovanna eu tínhamos escolhido.
"Tem certeza?", Daniela perguntou, olhando para mim e notando minha postura dura. "Quer que eu vá com você?"
"Não, não... Vão dançar, e eu encontro vocês daqui a pouco", falei, sorrindo para ela e olhando para o resto do pessoal. Era tudo o que Tracy e Giovanna precisavam ouvir, então arrastaram Will e Tom para a pista de dança imediatamente.
Daniela, porém, não se moveu. "Eu prometo", falei, sorrindo bastante. "Estou apenas com sede… Vai logo, Nate está te esperando!", falei, olhando por cima do ombro de Daniela para ele, que estava ali parado esperando.
"Ok", ela disse, "Mas se você não estiver dançando em dez minutos eu vou lá te buscar!", gritou por sobre o ombro enquanto andava até Nate.
Fui até o bar, pedi um drink e sentei em um dos poucos banquinhos altos disponíveis. Eu não queria estar ali... Para onde quer que olhasse, via casais, e lá estava eu, completamente só.
Bebi os últimos goles do meu drink e olhei o relógio. Já haviam se passado sete minutos. Eu decidi ir procurar Daniela ao invés de esperar que ela viesse e fizesse uma cena, me arrastando até a pista de dança. Ela podia ser bem dramática às vezes. Eu a vi dançando com Nate, com as costas pressionadas contra o corpo dele enquanto eles se moviam ao ritmo da música juntos. Andei até lá, me sentindo idiota por estar sozinha.
Daniela me viu ali e sorriu, esticando a mão para agarrar o meu braço e me puxar para perto dela. "Dance!", gritou, pegando as minhas mãos e tentando fazer eu me mexer.
Eu lentamente comecei a dançar, ainda me sentindo meio estranha e fora de lugar, mas logo a música me dominuou e eu esqueci tudo... Que estava sozinha, que queria ir para casa, que sentia saudades de Danny...
Daniela e eu estávamos fazendo palhaçadas na pista de dança, quando senti o corpo de alguém pressionar as minhas costas. Daniela sorriu, mas eu me encolhi e fui para o lado, esperando que quem quer que fosse entendesse a dica e me deixasse em paz. Eu não queria sentir a virilha de um estranho nas minhas costas, muito obrigada. Continuei dançando, mas não demorou muito até que o tal cara estivesse atrás de mim de novo. Respirei fundo, pronta para me afastar novamente, quando senti as mãos dele na minha cintura. Que diabos...? Ele não entendeu que eu não queria que ele ficasse se esfregando em mim?!
"Com licença!", virei-me para mandar o cara sumir. "Não entende que--"
Ai meu Deus!
Ali, parado na minha frente com um enorme sorriso bobo no rosto, estava a última pessoa que eu esperava ver naquele momento.
"Viu? Eu disse que você acharia um cara legal pra dançar!", Danny falou, abrindo os braços. "Surpresa!"
Capítulo 38
Eu soltei um grito e me joguei nos braços abertos dele. "O que você está fazendo aqui?", perguntei, olhando para seu rosto enquanto meus braços subiam e desciam pelas suas costas.
"Vim te ver", Danny disse, abaixando a cabeça para me dar um beijo. "Vamos pegar um drink?", ele sugeriu, ao se afastar.
Sorri. "Claro", assenti e sorri de novo quando ele segurou a minha mão, me guiando até o bar.
"O que você quer?", Danny perguntou, olhando para mim quando chegamos.
"Nada, já bebi, obrigada", falei, olhando em volta em busca de dois banquinhos livres. Tudo o que eu queria fazer era sentar e conversar com ele... Quase quatro meses haviam se passado desde a última vez em que o vira.
"Uma Corona pra mim", ele disse ao bartender. Esperei que ele pagasse a bebida e então rapidamente o guiei para dois lugares disponíveis ali perto.
"Então, você chegou agora?", perguntei, enquanto olhava o relógio, já querendo ir embora. Eram 11:30.
"Não, cheguei há umas duas horas, mas antes fui à sua casa para deixar as minhas coisas e então levei uma meia hora pra te achar...", ele falou, enquanto bebia um gole da cerveja.
"Como entrou na minha casa?", levantei uma sobrancelha.
"Tom me deu uma cópia da chave dele lá em Londres", ele sorriu.
Eu engasguei. "Ele sabia que você vinha?", perguntei, irritada por Tom não ter me contado.
"Sabia", ele riu, parecendo orgulhoso de si mesmo e Tom por terem conseguido manter as bocas fechadas.
Balancei a cabeça, e então sorri, decidida a mudar de assunto. "Então, adivinha?", falei, cutucando a perna dele com meu pé.
"O quê?", ele imitou o gesto.
"Depois de amanhã de manhã, nós temos toda a casa para nós", disse ansiosa, sorrindo. A casa e Danny só pra mim...
Danny sorriu de volta. "Ótimo", disse, cutucando minha perna de novo. "Agora, você adivinha", falou, bebendo o ultimo gole da garrafa de cerveja.
"O quê?"
"Eu trouxe minha tanga de leopardo", ele mexeu as sobrancelhas para mim.
Eu o encarei por alguns segundos e então explodi em risadas, a imagem dele andando pela minha casa usando uma tanga era demais para mim. Imaginei-me perseguindo-o usando o meu tapa-sexo e chapéu de cowboy rosa inexistentes.
"O quê?! Eu trouxe!", Danny gritou, surpreso com o meu acesso de risos.
"Ah, eu acredito, mas não estou certa se quero te ver numa tanguinha, obrigada", respondi, ainda rindo.
"Por que não? Eu fico gostoso", ele falou, esfregando os mamilos, o que causou outro ataque de risos de minha parte.
Quando consegui parar de rir, abri a boca para comentar seu gesto, quando vi Tracy se aproximar.
"Danny!", ela exclamou, surpresa."Eu não sabia que ele vinha!", completou, olhando para mim após cumprimentá-lo.
"Nem eu", falei, sorrindo para Danny. "E então, o que há?"
"Nada, por quê?", ela me olhou, confusa.
"Você veio até aqui!", ri, rolando os olhos.
"Ah, certo", ela riu. "Vim chamar você para a pista de dança… Faltam dez minutos pra meia-noite!", ela estava animada.
Danny e eu nos levantamos e seguimos Tracy para onde o nosso grupo estava, abrindo caminho entre as dúzias de pessoas que lotavam a pista de dança, tentando não levar nenhum pisão dos dançarinos entusiasmados. Agarrei a mão de Danny e sorri para ele. Apenas um segundo depois de alcançarmos o grupo e apresentarmos Danny a quem não o conhecia, uma música lenta saiu dos amplificadores, e alguém anunciou que eram cinco pra meia-noite. Olhei para Danny e sorri ao envolvê-lo pelo pescoço, e senti suas mãos me abraçarem a cintura. Nossos olhares pareciam presos enquanto nos movíamos ao ritmo da música lenta, as pessoas em volta desaparecendo… E eu mergulhada nos seus olhos azuis. Éramos apenas nós dois.
Capítulo 39
Danny e eu passamos os dias seguintes curtindo preguiça em casa. Eu estava sentada na ponta da minha cama, olhando pela janela do meu quarto, assistindo a neve cair e se acumular em cima do meu carro. Sorri. Tudo parecia melhor quando coberto com neve. Eu me levantei, alonguei-me e suspirei, indo até a escrivaninha no canto do meu quarto, onde uma pilha de livros esperava por mim. Devia começar as leituras para as provas, não? Danny estava tomando um banho no momento, então não precisava me preocupar com distrações por pelo menos vinte minutos...
Coloquei uma almofada apoiada na cabeceira da minha cama e sentei, encostando minhas costas nela. Levantei os joelhos e coloquei o livro sobre eles, quando ouvi Danny entrar e se jogar na cama, perto de mim.
"O que você está fazeeeeeendo?", ele falou, com uma vozinha de criança.
"Lendo um livro", falei sem tirar os meus olhos da página, tentando terminar ao menos o capítulo um. Sentia que ele não me deixaria continuar lendo por muito tempo. Não se passaram nem mesmo segundos quando ouvi sua voz de novo.
"E o livro é sobre o quêêêêê?", ele perguntou, cutucando minha barriga. Podia ouvir o sorriso em sua voz sem nem olhar para ele.
Fechei o livro e olhei para ele. Ele estava completamente pelado, a não ser pela toalha amarrada em sua cintura; seu cabelo estava pingando e cachos começavam a se formar. Estava deitado de lado, apoiando a cabeça com uma mão, e tinha um sorriso brincalhão no rosto.
"Por que não me deixa terminar de ler, e então eu posso dizer sobre o que é?", falei, meus olhos viajando rapidamente de cima a baixo e o trajeto de volta no corpo dele.
"É uma ótima idéia!", Danny disse, balançando a cabeça e tentando parecer sério, mas um sorriso escapou de seus lábios quando notou que eu estava dando uma checada nele.
Abri o livro de novo e tentei me concentrar no que tinha que ler. Mal eu tinha passado para a próxima página, quando Danny falou. "Terminou?"
"Não", rolei os olhos, e li a linha no topo da página.
"E agora?"
"Danny!", fechei o livro novamente e o encarei, sem saber se ria ou se ficava irritada com ele.
"O quê?", ele perguntou com uma cara inocente, parecendo se divertir.
"Pare com isso, seu idiota!", eu ri, batendo no braço dele de leve com o livro.
"Só quero um beijo", ele falou, fazendo biquinho.
Rolei os olhos. "Agora não", disse, e levantei o livro de modo que cobrisse o meu rosto.
"Ah, vamos", Danny reclamou.
Sorri por trás do livro, e balancei a cabeça. Eu adorava brincar de difícil-de-conseguir, mesmo que soubesse que não duraria muito.
"Só um beijinho...", ele pediu, passando um dedo pela minha perna descoberta. Eu estava usando apenas uma de suas camisetas.
Abaixei o livro. "Ok, só um", falei, tentando não sorrir muito. Seu toque suave estava mandando arrepios pela minha espinha. Como eu poderia resistir?
Danny sorriu e lentamente aproximou seu rosto do meu. Quando estávamos a poucos centímetros de distância, fechei meus olhos, apenas para sentir sua língua lamber meu rosto, deixando uma rastro de saliva.
Meus olhos se abriram imediatamente. "Ew, Danny!", gritei, enquanto ele gargalhava. "Que nojo!", falei, limpando o rosto com a camiseta que usava.
"Desculpe, não pude resistir", ele riu.
Fiz cara feia pra ele e abri novamente o livro, apenas para este ser tirado de mim rudemente. "Ei!", gritei.
"Um beijo", Danny sorriu, segurando o livro fora do meu alcance.
"Não, você vai lamber meu rosto de novo", falei, tentando pegar o livro de volta.
"Não vou, juro", ele afastou o livro ainda mais.
"Não", eu disse, ficando em pé na cama para tentar pegar o livro.
Provavelmente não era a coisa mais esperta a se fazer, já que Danny também se levantou e começou a pular. Era um milagre a sua toalha ainda estar no lugar.
"Danny!", eu gritei e ri ao mesmo tempo, tentando manter o equilíbrio.
"Vem cá!", Danny agarrou a minha camiseta e me puxou para baixo ao mesmo tempo em que ele caía na cama.
"EU juro, você parece ter cinco anos de idade!", ri, olhando para ele e sorrindo como uma idiota.
Danny pôs uma mão na minha nuca e me puxou para um beijo rápido. Eu me afastei, nossos rostos ficando a centímetros um do outro, e sorri. "Você vai me fazer tirar zero nas provas", sussurrei.
Danny sorriu. "Bem, pelo menos você terá uma boa desculpa", ele respondeu, esticando o braço para colocar uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
Eu fiz um barulho irônico com o nariz. "Ah, é, consigo ver agora...", disse, e limpei a garganta, "'Senhorita Fletcher, um F, o que houve?'", falei com voz grossa. "'Ah, meu namorado famoso veio me visitar e nós estávamos muito ocupados zoando por aí e nos amassando, então não tive tempo pra estudar...'", completei com a minha voz normal, batendo os cílios rapidamente enquanto Danny ria.
Eu sorri para ele, me inclinei e o beijei de leve, sorrindo enquanto sentia uma de suas mãos subir pela minha perna, enquanto a outra estava no meu pescoço. Envolvi o pescoço dele e me deitei na cama, trazendo-o comigo.
Provas? Bem, elas podiam esperar...
Capítulo 40
Nós dois voltamos do nosso mundinho com o som do telefone tocando, o que nos trouxe bruscamente de volta à Terra.
Eu resmunguei na boca de Danny e estiquei o braço, tateando a esmo a minha mesinha de cabeceira até sentir o telefone. Virei a minha cabeça, deixando Danny se ocupar com meu pescoço, e encostei o fone na orelha.
"Alô?", atendi, meio sem fôlego.
"Oi! , é a Titia Claire, docinho!". Ah, que ótimo.
Tia Claire era a irmã mais nova da minha mãe, que se mudara para os EUA quando eu tinha uns 10 anos. Ela era conhecida com a Rainha da Fofoca, e eu me lembro de odiar falar com ela, já que as conversas geralmente envolviam perguntas sobre meus namoros (ou, principalmente, a falta deles). Perguntas a que eu sempre respondia com um suspiro irritado e um mal-humorado 'Não, nada ainda', o que era bem mais educado do que o 'Cuide da sua própria vida, porra!' que eu tinha sempre na ponta da língua. Sério, quantas vezes uma pessoa pode agüentar ouvir a mesma pergunta?!
Entretanto, aquele dia era a primeira vez em mais ou menos 4 anos em que eu estava de fato feliz – bem, não exatamente feliz, mas não-irritada – em ouvir a voz dela do outro lado da linha. Esperava que ela não estivesse de bom humor pra conversar, porque eu estava, afinal de contas, no meio de algo.
"Ah, oi!", eu falei, mordendo o lábio para evitar gemer, já que Danny estava agora “trabalhando” na minha orelha. Como eu queria ter deixado o telefone tocar até ela desistir...
"Você está bem querida?, parece meio sem ar...", ela disse com seu estranho sotaque britânico/texano que ela adquirira nos últimos 10 anos.
"Eu-- er -- é! Eu -- er -- acabei de subir as escadas correndo...", sentei-me um pouco, tentando tirar Danny de cima de mim, mas ele não desistia.
"Ah, certo!", ela riu, "então, como você está, querida?"
"Estou ótima!", quem não estaria ótima se tivesse seu namorado seminu na cama te beijando inteira? Ainda assim, eu disparei um olhar para Danny, esperando que ele parasse ao menos um segundo. "E--e a senhooora?", eu gaguejei a última parte quando senti a língua de Danny na minha orelha.
"Ah, estou bem. Trabalho, trabalho, trabalho! Como sempre", ela reclamou. "Como vão os estudos?"
"Estão -- Pode esperar só um segundo?", segurei o fone o mais longe da minha boca possível. "Danny!", sibilei para ele. Sua mão estava passeando pela parte interna da minha cocha, enquanto seus lábios plantavam beijos no meu colo (N/T: Colo aqui quer dizer aquela parte entre o pescoço e o peito, ok?). É sério, ele estava tentando me fazer gemer – ou pior – enquanto eu estava no telefone com a minha tia?! E Deus sabe que ela não manteria a boca fechada sobre algo picante se ela descobrisse! "Pode parar um segundo? Estou tentando conversar, e você não está me deixando concentrar!". Segurei a mão dele para impedi-la de continuar subindo pela minha perna.
Danny sorriu para mim, os olhos brilhando agora que ele sabia que me estava me afetando. "Tudo bem", ele disse, apertando a minha perna, e deitou-se ao meu lado.
Eu suspirei e encostei o fone no ouvido de novo. "Voltei, desculpe por isso!"
"Sem problemas, querida. Então, os estudos estão indo bem?"
"Ah, sim, sim... Recomeço daqui a uma semana e terei umas provas, na verdade". Nos quais eu vou levar bomba se tudo o que fizer for... bem, Danny, ao inves de estudar.
"Ah, bom, bom... E como vão seus pais? Estão em casa?"
"Não, na verdade… Eles estão num cruzeiro pelo Caribe nesse momento!"
"Ah, não é adorável? Então, só estão você e Tom aí?"
"Não, só eu! Tom está em uma viagem a Nova York com a namorada..."
"Namorada?", ela repetiu, sua voz mais aguda.
"É, o nome dela é Giovanna", falei antes mesmo que ela perguntasse.
"Hmmm... E você? Algum namorado?"
Rolei os olhos. Ela nunca falhava em introduzir essa pergunta em qualquer conversa. Pra falar a verdade eu estava surpresa que tenha demorado tanto.
"Na verdade, sim!", falei com orgulho. Talvez isso calasse a boca dela.
"Bem, finalmente!", ela falou, animadamente.
Fiz uma careta. 'Finalmente'?! Ela podia falar muito mesmo... 43 anos e ainda solteira!
"Então, qual é o nome dele?"
"Danny", um sorriso escapou quando falei o nome dele. Danny virou a cabeça e ficou me olhando com as sobrancelhas erguidas.
"Como ele é?", ela perguntou, ansiosa. Vaca fofoqueira. Eu não me surpreenderia se ela estivesse tomando notas para depois dividir todos os detlahes com suas (igualmente fofoqueiras) amigas mais tarde.
"Como Danny é?", repeti a pergunta, olhando para Danny e rindo com ironia. "Ih, ele não é nada pra eu me gabar...", falei, abafando uma risada quando vi a cara de indignação de Danny. Ele fez um "Ei!" sem som com a boca e beliscou a minha perna. Afastei a mão dele.
"Oh, bem, nem tudo é aparência", Tia Claire disse rapidamente, mas ela soava bastante desapontada.
Eu ri. "Não, estou brincando! Ele é muito gato", falei, rolando os olhos para Danny, quando ele sorriu e ergueu os dois polegares. "Cabelo castanho, olhos azuis, nariz e lábios perfeitos... Alto, magro, sardento…", falei lentamente, descendo um dedo pelo braço de Danny.
"Nossa, ele soa como um sonho!", ela riu.
Eu a acompanhei na risada. "Ah, ele é...", pisquei para Danny.
"Bem, querida, foi ótimo falar com você... Infelizmente, tenho que ir".
"Ah", disse em um falso tom de desapontamento. "Foi ótimo falar com a senhora, também", tentei ao máximo não soar muito ansiosa para desligar, já que Danny voltara a acariciar a minha perna.
"Diga oi por mim a seus pais e Tom quando falar com eles!"
"Direi". Ok, já terminamos?
"E Danny", ela adicionou, maliciosamente.
"Ok!" Posso ir?
"Tchau, benzinho".
"TCHAU!"
Mal eu tinha desligado, Danny já havia voltado para cima de mim. "Então, onde estávamos?"
Capítulo 41
Danny e eu deitamos na cama, lado a lado, os dois tentando recuperar o fôlego, nossas mãos se tocando de leve. Virei minha cabeça para olhá-lo; ele estava com a barriga para cima, os olhos fechados e um sorriso de felicidade nos lábios. Suspirei, sentindo a minha própria boca se abrir em um sorriso. Nunca tinha me sentido tão feliz… Ninguém, nem mesmo Mark, tinha algum dia me feito sentir daquele modo. Quero dizer, só de olhar pra Danny eu já ficava feliz, como se nada mais no mundo tivesse importância...
Suspirei novamente e lentamente entrelacei meus dedos nos dele. Com os olhos ainda fechados, pude senti-lo apertar a minha mão de leve, o que fez o meu estômago dar saltos mortais.
Será que eu deveria dizer? Deveria dizer a ele como me sentia? Eu o amava. Já sabia daquilo fazia um bom tempo, mas… Por que ficava tão nervosa toda vez que pensava sobre isso? Já fazia mais de um ano, e mesmo assim algo estava me segurando. E se ele não sentisse o mesmo? Sentiria-me péssima se tudo o que recebesse de volta fosse um 'obrigado' constrangido.
Mas eu nunca saberia se não arriscasse, não é? Ele voltaria a Londres em alguns dias, e quem sabe quanto tempo ficaríamos sem nos ver novamente? Eu também não queria dizer aquilo ao telefone…
Ok, então agora seria o momento! Maldito nervosismo... Será que era assim que os homens se sentiam antes de propor casamento?
Respirei fundo. Certo, vamos lá! Não é tão difícil assim... Três palavrinhas: Eu-te-amo.
"Danny...?", chamei de leve, apertando a mão dele como para me sentir mais segura.
"Hmmm?", ele abriu os olhos e virou para mim. Seus olhos azuis brilhavam.
"Eu -- er --" Ai Deus... Eu não conseguiria! Parecia que o meu coração ia pular do peito. E se ele risse de mim? E se ele entrasse em pânico e me largasse? NÃO! Concentre-se, vamos, apenas diga: Eu--
"?"
Terra para !!! Ele está esperando você falar alguma coisa!
"Eu -- Eu estou morrendo de fome!", falei rápido e sentei. Era difícil me arriscar…
"Vamos sair então!", ele falou, sentando-se também.
"Não, vou fazer alguma coisa!", praticamente gritei, já me animando com uma ótima idéia. Talvez após um jantar romântico feito em casa eu conseguisse reunir coragem para contar. É… E seria melhor depois de um român…
Danny riu "Você vai cozinhar?", ele falou, erguendo as sobrancelhas.
"Sim!", eu disse, meio ofendida. Eu podia tentar, não é? Com certeza minha mãe tinha alguns livros de receita em algum lugar da casa...
"A única coisa que já te vi cozinhar foi pizza... E você só as tira da caixa e põe no forno!"
"Bem, ok, mas elas ficam perfeitas depois, não é?", falei séria. Como ele se atrevia a questionar minhas habilidades culinárias?
Danny riu novamente. "Você queimou duas um dia desses!"
Eu soltei uma exclamação chocada. "Isso foi sua culpa!", apontei para ele. "Você ficava me molestando!"
"'Molestando' você? Você gostou! Até me disse para não parar!", ele riu, cutucando a minha cintura, o que me fez rir também.
"Certo, certo… Então, eu queimei algumas pizzas, e nunca cozinhei nada... Mas posso tentar, certo? Quer dizer, quão difícil pode ser? Você vai embora em pouco tempo e quero cozinhar pra você". Eu não desistiria. Eu iria cozinhar um jantar romântico, e seria perfeito.
"Ok", Danny disse, derrotado, me dando um beijo rápido.
"Que tal comida indiana?", perguntei, enquanto me levantava e vestia minha roupa íntima. Acabara de lembrar que a minha mãe tinha um livro sobre comida Indiana, e sabia que ele estava guardado em um armário na cozinha.
"Parece ótimo!", Danny falou, recostando-se na cama e me observando enquanto me vestia.
Sorri para ele enquanto terminava de vestir uma camiseta dele por cima da calcinha e do sutiã. "Ótimo! Bem, vou começar!"
Saí do meu quarto e desci as escadas, animada com a perspectiva de cozinhar e provar que Danny estava errado. Eu podia cozinhar. Bem… Pelo menos assim esperava. Levei cinco minutos para achar o livro, e dez para decidir o que fazer. Escolhi um curry que parecia ser fácil: frango e cogumelos Balti. Comecei a juntar os ingredientes e vesti um avental, me sentindo bastante orgulhosa de mim mesma.
Porém, vinte minutos já tinham se passado e eu ainda estava moendo temperos, o que me fez sentir um tanto irritada e frustrada. Todos os pedaços dos temperos pareciam estar desaparecendo no moedor e se recusando a sair. Onde diabos eles se enfiaram? De acordo com o livro, essa mistura de de Balti massala deveria durar semanas!
"Ufa!", Danny falou, entrando na cozinha e respirando fundo.
"São temperos aromáticos", falei meio irritada, enquanto obervava as lâminas do moedor.
"Vai ficar pronto logo? Estou faminto!"
"Não sei", falei, dando um tapa no aparelho. "Se eu ao menos conseguisse tirar esses malditos temperos..."
"Precisa de ajuda?", Danny perguntou, se aproximando.
"Não", falei, batendo o moedor com força no balcão da cozinha e fazendo com que um pouco de poeira do tempero saísse. Mas que diabos? Era para aquilo durar semanas! Encarei o moedor com raiva, pensando que teria que continuar aquele trabalho.
Sementes de coentro, sementes de funcho, sementes de cominho, pimenta... (N/T:Ufa, traduzir ingredientes de culinária não é nada fácil!) Joguei tudo na panela, sem parar para medir nada. Cozinhar devia ser algo instintivo, não é? Voltei para checar o livro… O pão estava no forno, o arroz cozinhando… Qual era o próximo passo?
"Era pra esses temperos ficarem pretos?", Danny perguntou de repente, apontando para a panela sobre o fogão.
"Ai meu Deus!", gritei, correndo até lá e tirando a panela, olhando para as sementes meio queimadas. Merda de comida indiana. Honestamente, eu teria jogado aquilo tudo fora se não fosse pelo meu plano de declarar meu amor por Danny após o nosso ‘agradável’ jantar romântico.
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Só depois de mais uma hora é que eu finalmente consegui fazer tudo, e havia um maravilhoso curry borbulhando na panela. Cheirava muito bem e se parecia com a figura do livro. Sorri orgulhosa enquanto mexia com a colher. E eu nem mesmo tinha seguido a receita com muito cuidado! Isso só provava que eu tinha o dom para cozinhar… A noite seria ótima!
Depois que terminei o arroz e tirei o pão do forno, coloquei tudo em dois pratos e os levei até a sala de jantar, onde Danny me esperava com duas taças de vinho. Pus um prato na frente dele e me sentei.
"Uau! Isso parece estar ótimo!", ele disse, impressionado.
"Eu sei!", sorri, observando enquanto ele dava sua primeira garfada, e então eu fiz o mesmo.
"Mmmm, delicioso!", ele falou, mastigando. "Bem quente", ele adicionou após um tempo.
"Leva pimenta em pó e pimentas frescas. Mas não ficou bom?", falei como uma orgulhosa dona de casa.
"Está maravilhoso, !", Danny disse. Mas enquanto ele mastigava, uma expressão estranha começou a surgir em seu rosto. E não era só ele; eu estava começando a ficar sem fôlego, também... O curry estava MUITO apimentado!
Eu vi Danny abaixar o garfo e tomar um grande gole de vinho, as bochechas vermelhas.
"Você está bem?", perguntei, forçando um sorriso apesar da queimação na minha boca.
"Ótimo!", ele falou, sua voz mais alta que o normal, enquanto mordia um enorme pedaço do pão.
Olhei para o meu prato, e relutantemente (mas decidida) comi mais um pouco. Imediatamente, notei que o meu nariz estava começando a escorrer. Ai meu Deus! Podia ficar pior? Danny também estava fungando, mas quando encontrei seus olhos, ele sorriu largamente e levantou os dois dedões.
Oh céus! Aquilo era horrível! Minha boca estava queimando e meus olhos começavam a lacrimejar. Não era para ter ficado tão apimentado! Eu só tinha posto uma colher de chá de pimenta em pó… Ou teriam sido duas? Tinha posto o que parecia certo...
Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e eu funguei. Não era para a noite ser assim!
"Você está bem?", Danny perguntou, e notei que ele estava se segurando para não rir.
"Estou ótima!", eu disse, abaixando o garfo. "Só… Está um pouquinho picante, sabe", eu murmurei, embaraçada, enxugando minhas lágrimas com a parte de trás da mão.
As coisas podiam ficar piores? Eu queria uma refeição romântica, e tinha arruinado tudo! O que eu estava pensando ao tentar cozinhar?!
"Certo... Um pouquinho picante", Danny falou, e fez um barulho com o nariz, rindo.
Eu o olhei confusa, e vi que ele tinha lágrimas correndo pelo rosto, enquanto ele era sacudido pelas risadas. Eu fiz careta, irritada, mas logo comecei a rir também.
"Meu Deus -- !" Danny gritou, se dobrando em risadas. Após alguns minutos, ele conseguiu se controlar e olhou para mim. "Você é incrível... Porra, eu te amo!"
Minhas risadas pararam imediatamente, assim como as de Danny. Eu o encarei. Tinha ouvido certo?
"O quê?", eu perguntei, surpresa. Talvez todo o calor tivesse ido para a minha cabeça.
"E-eu -– Eu te amo", ele repetiu, mais seriamente agora, e sem o palavrão. Suas bochechas estavam vermelhas, e eu tinha certeza de que não era só por causa do curry.
Eu o encarei por um segundo e depois sorri largamente. "Eu também te amo".
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Se apenas eu soubesse que em algumas semanas eu estaria sentindo tudo, MENOS amor por ele…
Capítulo 42
Aquela semana se passou em um flash e, antes que eu percebesse, Danny tinha ido embora, meus pais estavam de volta e duas semanas depois eu estava de volta à faculdade. Eu já tinha feito minhas provas, e fora inesperadamente bem, apesar da minha falta de estudo para elas. As duas noites que eu passara sem dormir tentando recuperar o atraso definitivamente tinham ajudado...
Agora eu estava sentada em uma das minhas muitas aulas de psicologia, desenhando aleatoriamente no meu caderno. Meu humor estava tão bom que nem mesmo o meu entediante professor tagarelando sobre só-Deus-sabe-o-quê poderia me deixar pra baixo. Eu ainda estava flutuando nas nuvens pelos últimos dias que passara em casa com Danny. Suspirei e desenhei mais um pouco.
Apenas levantei a cabeça das minhas ‘anotações’ – que consistiam basicamente em flores e carinhas felizes – quando ouvi o professor dizendo que estávamos dispensados.
"Você não ouviu uma palavra do que ele disse, não é?", uma garota chamada Rachel perguntou. Nós normalmente sentávamos juntas naquela aula.
Será que a minha distração estivera assim tão óbvia?
"Er, na verdade não...", eu disse, rindo, fechando o meu caderno e guardando-o na minha bolsa.
"Teve um bom recesso?", ela perguntou casualmente, guardando suas coisas também.
"Incrível", eu sorri abobadamente, a imagem de Danny aparecendo na minha cabeça.
"O namorado veio visitar?", ela riu. Novamente: eu estava sendo tão óbvia assim? Tomara que eu não tenha babado nem nada assim! Já havia mencionado a ela que estava em um relacionamento a distância. Ela nunca tinha perguntado seu nome, então nunca lhe dissera...
"Aham", eu assenti, meu sorriso alargando-se.
"Que legal...", ela falou distraidamente, olhando o relógio de pulso. "Er, então, vou encontrar alguém agora, mas você quer saber o que perdeu ou...?"
"Ah, sim, por favor!", falei, sorrindo para ela enquanto recebia seu caderno de anotações. Não que eu estivesse realmente procupada, já que o professor normalmente só ficava falando e falando sobre nada... Mas quem sabe o que eu perdera enquanto sonhava acordada com Danny?
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E justamente quando eu achava que nada podia arruinar meu bom humor, descobri que não apenas eu tinha um ensaio de quinze páginas para dali a duas semanas, como um teste também! Que tipo de pessoa faz isso?! Quero dizer, é realmente cruel! Xinguei mentalmente o professor enquanto andava até a lanchonete para encontrar Daniela e Tracy para o almoço. Talvez elas pudessem me animar um pouco. Elas estavam sentadas à nossa mesa de sempre, ambas imersas na leitura do que parecia ser um tablóide. Enquanto me aproximava, notei que elas não pareciam muito felizes: as duas tinham as testas franzidas e estavam murmurando sombriamente entre si. Eu já estava chegando perto quando Tracy ergueu o olhar e me viu; ela rapidamente pegou o jornal de bem debaixo do nariz de Daniela e o guardou. Achei aquilo bem estranho, mas resolvi ignorar. Elas podiam ser bem estranhas às vezes.
"Oi meninas", eu falei, sentando-me.
"Oi", Daniela e Tracy falaram em uníssono, trocando um olhar e parecendo nervosas. Estranho.
"O que estavam lendo?", perguntei de modo casual enquanto tirava meu almoço da bolsa, tentando não soar muito curiosa.
"Nada", as duas disseram, um pouco rápido demais pro meu gosto, me fazendo suspeitar que não era ‘nada’.
Ergui minhas sobrancelhas para elas, mas decidi esquecer por aquele momento; eu as incomodaria depois. Naquele momento eu não tinha energia para discutir. Meu bom humor havia desaparecido.
"Como foi a aula?", Daniela perguntou, tirando o próprio almoço da bolsa também, e mordendo o sanduíche.
"Horrível", suspirei dramaticamente. "Eu tenho um teste e um ensaio enorme marcados para daqui a duas semanas!", disse, tomando um gole de água. "Estive planejando ir a Londres para ver Tom e Danny no próximo fim de semana, mas...", continuei, abanando a mão e suspirando de novo.
Daniela e Tracy trocaram mais um olhar nervoso. Estreitei meus olhos para elas. O que diabos estava acontecendo? E por que elas não me diziam logo?!
"Ok, o que está havendo?", perguntei, abaixando minha garrafa de água e olhando para as duas.
Outro olhar e nenhuma resposta. Ao invés de me animarem, como eu havia esperado, elas estavam me irritando.
"Vamos! O que é? O que vocês estavam lendo?". Irritada e intrigada, eu me levantei e me apoiei na mesa, tentando pegar o que quer que estivessem lendo, mas Tracy rapidamente mudou de cadeira e sentou em cima dele. "Trace!"
Tracy olhou para Daniela, que estava com a cabeça baixa, tentando fingir que nada estava acontecendo.
"O que vocês estavam lendo?!", perguntei de novo, levantando a voz, a mão nos quadris. Não me importava que as pessoas estavam comçando a olhar para a gente. "Era um tablóide?"
"Era..." Tracy falou, olhando para mim e mordendo o lábio. "Mas não acho que você devia--"
"O quê? Tem algo sobre o Tom aí?", perguntei, curiosa, esticando o braço. "Quero ver".
"Não é sobre o Tom...", Daniela sussurrou, olhando para cima e tirando o tablóide de Tracy. "Mas talvez você devesse se sentar-"
Eu arranquei o jornal das mãos dela, interrompendo-a. Que merda eles tinham escrito dessa vez?
Meu coração pareceu parar de bater, meu fôlego ficou preso na garganta, e tudo ao meu redor pareceu congelar quando os meus olhos pousaram no jornal que segurava nas minhas - agora trêmulas - mãos.
Capítulo 43
Meu coração pareceu parar de bater, meu fôlego ficou preso na garganta, e tudo ao meu redor pareceu congelar quando os meus olhos pousaram no jornal que segurava nas minhas - agora trêmulas - mãos.
Encarei o jornal, meus olhos caindo sobre a foto de uma loira peituda posando de modo provocador numa cama, e embaixo uma foto de Danny.
Topo das paradas, o bonitão Danny Jones é um verdadeiro Garoto McFLY
Por James Millbank
O vocalista de boyband, de 22 anos(foto abaixo), convenceu a bela adolescente Holly Di Angelo a fazer amor com ele com promessas de um relacionamento firme. Mas ele não apenas manteve as meias na cama – assim que obteve o que queria, ele a chutou.
"Ele realmente me convenceu que não seria coisa de uma só noite, e que me queria como sua namorada."
Holly, 19, conheceu o conquistador de Bolton em uma boate de Londres, e eles trocaram números de telefone. "Eu já estava começando a me apaixonar por ele...", ela admitiu.
O artigo continuava, mas eu simplesmente não conseguia ler mais nada, já que sentia meus olhos marejados de lágrimas. Isto é, até que eu vi uma pequena foto no canto inferior direito do artigo. Era uma foto minha e do Danny, do lado de fora da casa deles em Londres. A legenda embaixo dizia: "E se você achava que isso não poderia ficar pior para Danny... Ele já tem namorada!"
"?"
Eu continuei encarando a foto. Ela provavelmente tinha sido tirada da última vez em que estivera em Londres para vê-lo. Nós estávamos do lado de fora da casa, ao lado do carro dele, e eu podia ver a minha mala no chão, ao lado; Danny tinha seus braços ao meu redor e se inclinava para me beijar, enquanto eu o olhava e sorria.
"?"
Tirei meus olhos do jornal para ver Daniela e Tracy me observando com olhares preocupados. "Eu-- eu tenho que ir...", falei, tremendo e, sem esperar por resposta, virei-me e saí, ignorando os chamados de Tracy e Daniela para que voltasse.
Eu andei até o estacionamento - uma caminhada que pareceu eterna - e então praticamente corri até o meu carro. Entrei nele, jogando minha bolsa e o tablóide no banco do passageiro. Inspirei profundamente, ainda tremendo um pouco e, me controlando para não chorar, liguei o motor e dirigi para casa.
Quando cheguei em casa, não saí imediatamente do carro. Apenas fiquei lá sentada, encarando o nada como se estivesse entorpecida. Minhas mãos estavam no volante, e eu tentava me acalmar e não ter um chilique. Talvez, apenas talvez, não fosse verdade, eu disse a mim mesma. Danny me amava, e tablóides eram conhecidos por escreverem besteiras quase sempre. "Quase, mas não sempre", uma vozinha disse, no fundo da minha mente. Afinal, Danny e eu passávamos a maior parte do nosso tempo separados... Eu olhei para o jornal no banco do passageiro, e senti um nó enorme na minha garganta.
Será que eu deveria ligar para ele?
Meu dilema foi resolvido quando o meu celular começou a vibrar dentro da bolsa. Eu o tirei de lá rapidamente: a tela mostrava o nome de Danny. Inspirei profundamente, abri o celular e o encostei no ouvido, sem dizer uma palavra. Eu sabia que, se falasse, começaria a chorar.
", você está aí?", a voz rouca de Danny veio do outro lado da linha.
"Sim", falei rapidamente, tentando engolir aquele nó doloroso na minha garganta.
Danny suspirou e, após alguns minutos de silêncio por parte dele, comecei a sentir que a história não era uma besteira total. "Você-- você leu algum tablóide hoje?", ele perguntou, soando muito nervoso.
Eu não disse nada. Ele deve ter interpretado corretamente o meu silêncio como um ‘sim’, porque continuou, ", eu sinto muito, muito mesmo..."
Um pequeno, seco soluço escapou dos meus lábios; uma pequena parte do que eu estava me esforçando tanto para segurar.
", me deixe explicar", ele implorou. "Não é totalmente verdade--"
'Não é totalmente verdade'?
"Então, você dormiu com ela?", perguntei friamente, já sabendo a resposta, mas ainda esperando em vão que ele dissesse que não.
"Não, E-eu dormi, mas--"
"Não, eu não quero saber", cortei, enxugando uma lágrima da minha bochecha com a parte de trás da minha mão.
"Por favor, eu estava--"
"NÃO", repeti, e desliguei. Agarrei a minha bolsa e o tablóide e saí do carro.
Marchei até a porta da frente da minha casa, e a abri de supetão. Subi as escadas até o meu quarto correndo, ignorando os gritos da minha mãe de "!" vindos da sala. Eu só precisava ficar sozinha. Uma vez dentro do meu quarto, joguei-me na cama e finalmente me permiti liberar tudo. Lágrimas desciam pelo meu rosto, soluços sacudiam o meu corpo. O quarto não era grande o suficiente para conter a minha angústia. Nem a casa toda era grande o suficiente. Senti como se alguém tivesse me arrancado o coração e pisado nele. Bom, não apenas 'alguém’: Danny, para ser exata.
Ouvi minha porta se abrir e minha mãe entrar. ", querida...", ela falou suavemente. Olhando para ela através das minhas lágrimas, pude ver que ela tinha nas mãos o tablóide no qual a matéria tinha sido publicada; ela costumava lê-lo todo dia durante o café-da-manhã.
"Mãe", eu engasguei, incapaz de dizer algo a mais. Agora que ela estava ali, não queria mais que ela fosse embora.
"Ah, meu anjo", ela disse, sentando na cama ao meu lado, e acariciando as minhas costas. Nós ficamos daquele jeito por um bom tempo. Eu colocando o meu coração para fora, e ela tentando me consolar.
"Você já... falou com ele?", ela me perguntou quando eu parecia ter me acalmado um pouquinho."Porque talvez não seja--"
"Eu falei com ele", funguei, sentando-me um pouco e pegando um punhado de lencinhos da minha mesinha de cabeceira para assoar o meu nariz. Ela apenas assentiu, enquanto eu tentava me recompor antes de falar novamente. "Ele disse--", eu falei num fio de voz, enquanto sentia mais lágrimas vindo, "ele disse que s-sente m-muito", fechei meus olhos, deixando mais lágrimas caírem. "Mas ele disse que me a-amava...", suspirei, minha voz morrendo, e não demorou muito para eu ter outro ataque de soluços.
"Vem aqui", minha mãe me disse, gentilmente colocando seus braços ao meu redor, colocando minha cabeça em seu ombro e passando a mão no meu cabelo de leve. Inspirei o seu poderoso e único cheirinho de mãe, e derreti. Senti como se tivesse sido transportada para uns 3 ou 4 anos antes, quando terminara com Mark… Só que dessa vez era mil vezes pior.
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Naquela noite, adormeci ao som do meu próprio choro, além do barulho do celular vibrando...
[N/T: Bom, vou responder por aqui essa pergunta, que bastante gente anda fazendo... Galera, é o seguinte. Essa fic é postada originalmente, em inglês, em um fórum internacional e tal. Ele está fechado para novos membros há um booom tempo já, tipo 1 ano ou mais pelo que eu me lembro, e a administradora pelo jeito não vai reabri-lo tão cedo, então é inútil eu postar o link pra vocês :X Mas eu juro que, assim que a situação mudar, eu ponho o link aqui pra quem quiser.
Outra coisa: a tradução está no capítulo 43, e a original parou no 49. E ele foi postado no dia 8 de agosto de 2008 (reflitam! huauhauha), então a culpa não é minha se as atualizações começarem a demorar demais, ok? Lembrem-se disso ;D Se quiserem mandar email pra autora, EM INGLÊS CORRETO e sendo EDUCADAS, fiquem à vontade. Mas eu não tenho nada a ver com isso! HUAUHAUHAUH
• Atualização enviada para o email do fanficaddiction no dia 23/06/09
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