Autor: Reysla Rocha
Beta-Reader: Jules




A vida é cheia de censura. Não posso cuspir no seu olho.
- Katharine Hepburn



Capítulo 1
Go for it. Be surprised.


Tentava pisar apenas nos quadrados pretos. Eu amava essas calçadas quadriculadas. Tinha certeza que meu fone de ouvido iria cair a qualquer momento. Eu ouvia Scouting For Girls e eu me sentia em um clipe. Parei com a bobagem e olhei para frente continuando meu caminho até chegar a minha casa.
- I don’t know, I don’t know, How we'll make it through this... – comecei a cantar baixo.
Cantar. Isso é facilmente o que eu mais gosto de fazer desde os meus seis anos de idade. Cansei de sonhar com as luzes, danças e pessoas me olhando em cima do palco. Eu gostaria de poder dizer que isso era algum sinal divino, mas infelizmente, só estou sonhando.
- Oi pai! – entrei em casa colocando meu casaco no sofá. Apenas dei um beijo na bochecha do meu pai e subi para o meu quarto. Liguei o notebook e olhei profundamente para a minha parede. Seria realmente estranho, mas nela havia pôsteres de talvez, um dos homens mais bonitos da galáxia. .
- Em parede! Venha conhecer! – fiz uma voz de locutor de rádio e levantei os braços fingindo uma expressão super feliz. Dei um suspiro alto e fui para o banheiro a fim de tomar um banho quente e acabar logo com o meu dia. Quando voltei ao meu quarto liguei a TV rapidamente me lembrando que iria aparecer no Music Festival Awards. Com certeza ele iria cantar alguma coisa. O programa já havia começado a uns 30min e eu comecei a rezar para que ele ainda não tenha aparecido. [Ryan Cabrera – True]
- E agora, o momento que todas as garotas esperavam! – revirei os olhos. Só de pensar que eu sou uma delas. – ! – o apresentador falou apontando para trás. Foi ai que meu coração começou a bater um pouco mais rápido. Sorri involuntariamente quando apareceu acenando para a platéia.
- Então , você preparou alguma coisa para hoje?
- Na verdade, sim. É meio que o meu tipo de música então, vou fazer um cover de True, Ryan Cabrera. – ele deu um sorriso de lado e naturalmente todas as garotas começaram a gritar descontroladamente.
Ele vai tocar? Oh, meu Deus! Ele vai!
Corri e peguei a escova que estava na mesa do meu notebook. Fechei a porta e começou a dedilhar as notas de violão da música.

I won't talk
(Não vou falar)
I won't breathe
(Não vou respirar)
I won't move till you finally see
(Não me moverei até que você finalmente veja)
That you belong with me
(Que você faz parte de mim)


Comecei a cantar junto com a TV, com os olhos fechados imaginando que eu estivesse realmente cantando com .

You might think
(Você poderia pensar)
I don't look
(Eu que não olho)
But deep inside in the corner of my mind
(Mas no fundo do meu coração no extremo da minha mente)
I'm attatched to you
(Estou ligado a você)


Sorri e olhei para o lado como se estivesse deixando cantar a parte dele. E eu sentia realmente que ele estava do meu lado, de algum modo.

I'm weak
(Eu sou fraco)
It's true
(É verdade)
Cause i'm afraid to know the answer
(Pois tenho medo de saber a resposta)
Do you want me too?
(Você também me quer? )
Cause my heart keeps falling faster
(Porque meu coração continua se apaixonando rapidamente)


Depois como se fosse uma dupla, cantei “junto” com ele. Subi na cama e me empolguei cantando a música até o final.

I've waited all my life to cross this line
(Esperei a vida toda para cruzar esta linha)
To the only thing thats true
(À única coisa que é verdadeira)
So i will not hide
(Então eu não esconderei)
I'ts time to try anything to be with you
(É hora de tentar qualquer coisa para estar com você)
All my life i've waited
(Toda minha vida esperei)
This is true
(Isso é verdade)


Respirei fundo e cai de joelhos na cama. E quando eu iria desligar a TV, o apresentador começou a falar:
- Muito bom muito bom. – aplausos e mais aplausos. já não estava mais no palco. – E não se esqueçam, semana que vem começam os testes para o novo programa Battle of Idols! Se você é um grande cantor e está disposto a mostrar seu talento, participe! – enruguei a testa e olhei para o notebook.
Battle of Idols? O que é isso? Perguntei a mim mesma e corri para a internet. Fui até o Google e digitei para encontrar informações sobre o tal programa. Encontrei o site oficial e comecei a ler a respeito.
“Battle of Idols será a porta para o paraíso. Você só precisa de três coisas: voz, jeito e coragem. Os escolhidos para o programa terá a chance de disputar seu talento com um cantor. Os quais não serão divulgados até o dia dos testes. Se prepare para batalhar e tentar ganhar do seu ídolo.”
Fiquei paralisada na frente do notebook sem saber o que fazer, falar ou pensar. Minha mãe entrou no quarto.
- Olá minha...
- BATTLE OF IDOLS! – gritei pulando da cadeira e olhando para minha mãe com um sorriso de orelha a orelha.
- – minha mãe arregalou os olhos – O quê?
- É como... – comecei a andar pelo quarto olhando pro chão e às vezes para a minha mãe – Como American Idol. Um programa onde você se inscreve para batalhar com um ídolo. – minha mãe ainda tinha uma expressão confusa no rosto.
- Entendo. E onde é isso? – detalhe. Cerrei os olhos e voltei para o notebook. Minha felicidade foi por água abaixo. – Los Angeles... – minha mãe deu uma gargalhada alta e eu apenas continuei triste.
- Sério mesmo filha? Você não pode simplesmente ir para L.A.. Eles não podem fazer esse programa aqui em OK? – respirei fundo e me virei para a minha mãe.
- Olha mãe, essa talvez possa ser a chance da minha vida. Eu posso estar perdendo a oportunidade de me tornar o que eu sempre quis. – minha voz vacilou e senti que em questão de segundos explodiria em lágrimas.
- Queria, é uma coisa difícil.
- Mas não impossível. – respondi rápido me olhando no espelho. – Eu nunca quis tanto uma coisa como quero isso. Eu preciso!
- Irei conversar com o seu pai, prometo. Você vai participar desse programa, custe o que custar.

Quando sua mãe diz: acredite. Eu digo isso e com certeza, se não eu não estaria em um avião ansiando minha chagada em Los Angeles. Já faz meia hora que eu estou sentada do lado de uma garota que não para de ler um livro que até agora não identifiquei. Cansei de mexer no meu notebook, então o guardei e pequei meu iPhone. Foi ai que eu apaguei.
- Hei... – ouvi uma voz longe e senti alguma coisa me cutucando. – Er... Oii – a voz continuou e eu consegui abrir meus olhos lentamente. Quem me cutucava era a garota que estava sentada do meu lado. Esfreguei meus olhos e me endireitei na poltrona.
- Oi – disse sonolenta.
- Já chegamos, é melhor pegar suas coisas. – a garota disse.
- Ah não, eu só tenho duas malas. – respondi simples.
- Só duas? Eu nem lembro quantas eu trouxe! – levantei uma sobrancelha e depois olhei para a janela.
- Que pena... – tirei meus fones de ouvido e a olhei fingindo interesse.
- Então, aqui vamos nós. Levanta! – ela me puxou e fomos caminhando atrás de umas pessoas.
Saímos do avião e eu rapidamente tirei meu casaco preto. Estava calor. E era muito mesmo.
- Você ainda não disse o seu nome. – devo mencionar que a garota da poltrona ainda estava me seguindo?
- , muito prazer. – dei um sorriso sincero e a olhei.
- Oh, ! – ela estendeu a mão e eu a apertei. – Por que veio para a grande L.A.?
- Battle of Idols. – mostrei o panfleto que eu havia imprimido antes de viajar.
- Não brinca! – pareceu surpresa e eu apenas a olhei tentando não rir.
- Não, não brinco. – ri e ela enlaçou seu braço no meu. Olhei para nossos braços e depois para . Ela parecia meio... Fora do normal.
- Sério, seremos tipo, RIVAIS! – ela deu um gritinho histérico e eu a olhei espantada.
- C-Como assim? – perguntei.
- Eu também estou indo fazer meu teste. Você já sabe quem vão ser os cantores? – eu neguei com a cabeça – Que pena, eu também não.
Minha mente estava a mil. Entramos no aeroporto e vimos tudo o que precisávamos para finalizar a viagem.
sugeriu que ficássemos no mesmo hotel e, eu não via outra opção. Alem do mais, não conhecia nada de Los Angeles. Os testes começariam às 12h, então saímos do hotel 11h já que o local não era tão longe. De longe parecia que todos eram zumbis e estavam tentando se alimentar de alguém. Eram muitas pessoas mesmo. me ajudou com a roupa que eu usaria para a audição. Escolhemos um short jeans preto, uma regata cinza simples e um casaco xadrez vermelho e preto. Peguei a minha bota favorita e coloquei meus óculos escuros. Eu estava pronta e acho que perfeita pra um simples teste.

- , segura o coração. Só mais dois e seremos as próximas. Tá pronta? – apertou meu braço e eu tive que parar minha conversa com as pessoas que estavam sentadas nos bancos atrás de mim.
- Hm? Ah, sim. Nasci pronta. – pisquei para e ela sorriu nervosa. Bebi mais um gole da água que eu carregava. Comecei a sentir o nervosismo me invadir. Por um segundo pensei que ficaria pior, mas então começaram a tocar violão e a cantar, eu simplesmente entrei na brincadeira. As pessoas saiam pelo outro lado da sala, sem saber se tinham conseguido ou não. O pior não era isso. O pior era que só seriam classificados 10. Todos receberiam os resultados no dia seguinte e isso estava me matando.
- Sou eu! – levantou da cadeira e se virou pra mim – Me deseje...
- Boa sorte. – sorri meiga e apertei a mão de para dar-lhe mais confiança.
Ouvi chamarem o meu nome e meu coração veio parar na minha garganta. Era agora. Me levantei e ouvi as pessoas gritando para mim. Apenas ri e continuei caminhando até a sala onde Kyle Oliver, futuro apresentador do programa, me esperava.
- Boa sorte, garota. – dei um sorriso largo e entrei na sala. O corredor começava escuro e mais para frente havia uma luz que iluminava o local.

POV on:

Eu estava atrás daquela parede há mais de uma hora e não consegui ouvir ninguém que me impressionasse. Iria ser legal batalhar com um cara, mas ganhar de uma garota iria ser muito mais fácil. Claro que eu não quero que nenhum metido a gostosão roube o meu brilho. Isso seria inaceitável. Eu tenho fãs, pessoas que comem na minha mão, uma imagem a zelar... E não posso simplesmente deixar que qualquer um chegue e acabe com o que eu construí em tão pouco tempo. Ouvi a porta se bater mais uma vez e revirei os olhos.
- Olá! – John deu aquele “oi” ensaiado e eu imaginei a cara dele. Porque ELE foi escolhido para ser um dos jurados e eu não? Qual é, só porque o cara era de uma banda?
- Você é linda! – Kris disse. Ah sim, como todas as outras que entraram ali. Kris era legal e eu gostava dele. Não era como o O’Callaghan que achava que mandava em tudo.
- Seu nome é , sim? – perguntou Tina. Aquilo estava me cansando, quando essa garota iria cantar?
- Er... Oi, obrigada e sim. . – respondeu ela com uma voz divertida. Peter, o câmera-man me olhou e fez sinal para que eu me acalmasse.
- Você irá cantar que música?
- Price Tag da Jessie J. – já a imaginei desafinando.
- Seems like everybody's got a price, I wonder how they sleep at night. When the sale comes first and the truth comes second. Just stop for a minute and… Smile. – O. Quê. É. Isso? Me levantei no pequeno sofá e inclinei minha cabeça para a outro lado podendo ver a garota. - It's not about the money, money, money. We don't need your money, money, money. We just wanna make the world dance, forget about the price tag. Ain't about the (ha) Cha-Ching Cha-Ching. Aint about the (yeah) Ba-Bling Ba-Bling, Wanna make the world dance, forget about the price tag. – Continuei a observando de cima a baixo. De costas ela parecia bem bonita e realmente cantava bem. Muito bem… Isso era, digamos assim, um problema. Parei de olhar e voltei para trás da parede. , você não pode deixar que ninguém fique acima de você.

POV off:

- Wow, wow, wow, wow! Vamos parar aqui! – John bagunçou seu cabelo e me olhou como se eu fosse a última coca no deserto. Fiquei com medo. – O que eu acabei de ver aqui foi... Demais! – me aliviei e dei um sorriso. Aliás, eu nem sabia muito que fazer. John O’Callaghan e Kris Allen estavam sendo meus jurados. Mas eu me senti confortável, de todo modo.
- Concordo plenamente com ele. Porque escolheu essa música? – Kris perguntou apoiando os cotovelos na mesa.
- Porque ela é uma das músicas do meu estilo. Eu não gosto muito de cantar músicas lentas, então... Price Tag também te diz alguma coisa. – joguei meu cabelo para trás e sorri.
- Perfeita... – Tina se pronunciou e suspirou alto me olhando com um sorriso enorme. – Espere até amanhã! – eu apenas alarguei meu sorriso e sai da sala com acenos e “obrigada”. Abri a porta olhando para o chão e o sorriso ainda estampado no meu rosto. Comecei a ouvir palmas. E eram na minha frente. Levantei a cabeça e meu coração parou por alguns segundos. Preciso de ar, ar, ar. estava ao vivo e a cores na minha frente, batendo palmas pra mim e ele não parava de me encarar. Quando recuperei o sentido, tentei parecer o menos maluca possível.
- Aquilo foi obviamente a melhor coisa que eu ouvi no dia. – deu mais um passo para frente e eu olhei para os lados para ver se alguém vinha me socorrer.
- E-Er... O-Obrigada. – minha boca tremia, todo o meu corpo tremia. chegou mais perto de mim, ficando a apenas centímetros dele. Isso é um sonho, só pode ser.
- Acho que você não entendeu... – ele olhou para cima com os olhos cerrados como se estivesse pensando em alguma coisa – . – engoli o seco ao ouvir meu sobrenome e ele continuou. – Se você continuar com isso e querer dar uma de Idol terá problemas. Isso é só um aviso. – ele se virou e continuou andando. Levantou a mão e ainda de costas disse:
- Ninguém brilha mais que ! – continuei estática no chão, os olhos arregalados e a boca seca. Só depois de um minuto, eu fui entender o que ele quis dizer com isso. Se ele acha que desiste tão fácil, está completamente enganado. Ele vai engolir o meu talento.
- Continuar com o quê? – gritei e se virou. Mais uma vez senti minhas pernas bambas. Deus, como ele consegue ser mais lindo ainda pessoalmente?
- Você já parou pra ouvir sua própria voz? – ele começou a caminhar até mim novamente.
- Não! Você pode dizer o que tem pra dizer daí, não precisa chegar mais perto. – me aprontei a dizer. pareceu surpreso com o que eu disse, e obedeceu. – E sim, já parei pra ouvir minha voz.
- Então você sabe que ela é boa demais pra essa batalha, não? – piscou para mim e assim saiu do meu campo de visão.
O que ele estava querendo dizer com isso? Aliás, o que , o cara dos meus pôsteres, o dono dos meus sonhos... Estava aprontando?

Capítulo 2
Just another name.


me deixou pensando em várias coisas. A principal foi como eu não desmaiei quando vi ele na minha frente. Será que eu encarnei alguma coisa naquela hora? Só me lembro de ter ficado parada sem dizer nada e com os olhos brilhando. Quando ele chegou mais perto do meu rosto, eu não sabia se meu coração estava batendo ou não. Saí dali meio tonta e encontrei com toda sorridente.
No hotel contei tudo o que havia acontecido e ela quase teve um infarto. O jeito de me fazia querer rir o tempo todo. Admito que o tempo que passei com ela hoje foi bem divertido e conheci muito ela. Assim como ela me conheceu.
- Eu ainda não entendo... – comeu mais uma pipoca e começou a avaliar a série que já tinha acabado. Estávamos jogadas na cama dela, já de pijamas e assistíamos séries de TV.
- O quê? O Stefan ficar com a Elena? Eu também não, prefiro o Damon. – disse tomando um gole do refrigerante.
- Não, isso não! – se sentou e ficou com as pernas cruzadas na cama. Eu me virei e apoiei minha cabeça na mão para poder olhar pra ela – Você percebeu que o “jurado” de Battle of Idols era o John Gostoso O’Callaghan, não?
- É claro que percebi! Aqueles olhos! – suspirei fazendo rir – O que tem ele?
- Se ele é um jurado, então ele não cantará com a gente não é mesmo? – colocou a mão no queixo e eu pensei um pouco.
- Provavelmente não... – cerrei os olhos e me lembrei de mais cedo – ...
- Fala...
- Você não achou estranho o estar lá hoje? – perguntei me sentando.
- Pode ser que ele seja um dos cantores. – disse sem interesse.
- Não brinca com isso, garota! Meu coração ainda está frágil! – coloquei a mão no meu coração. Começamos a gargalhar juntas.
- Ok, agora vá pra sua cama. Preciso me preparar psicologicamente pra amanhã. Vai ser a hora da verdade. – praticamente me jogou de sua cama. Eu andei até a minha rindo.
Com certeza, amanhã será um dia e tanto.

Meu celular começou a tocar alto demais. Xinguei alguma coisa e sem abrir os olhos o procurei na cama.
- Alô... – disse quase dormindo de novo.
- Bom dia flor do dia! É melhor acordar ou você perderá a oportunidade de cantar com ! – arregalei os olhos e vi com o celular no ouvido e um sorriso no rosto me olhando da porta do banheiro. Ela já estava arrumada e eu... E EU?
- SUA MALUCA, POR QUE NÃO ME ACORDOU? – gritei pulando da cama e correndo para o banheiro.
- Achei que isso iria causar um impacto maior... – disse inocente e eu lancei a ela um olhar de reprovação.
- Você vai ver o que vai causar um impacto maior. – ela levantou uma sobrancelha e colocou a mão na cintura.
- Huh! – riu e eu bati a porta entrando no banho rápido. Quando sai do banheiro procurei por qualquer roupa, então escolhi um vestido branco acima dos joelhos com mangas cumpridas até os cotovelos e uma bota marrom que peguei de .
- , não temos todo o tempo do mundo.
- Eu já estou na porta se você não percebeu! – levantou da cadeira correndo e trancou a porta do quarto.
Dessa vez o lugar era como um teatro, e era enorme. Incrivelmente couberam todos os inscritos ali. Depois de esperar por alguns minutos, John e Kris apareceram no palco, recebidos por aplausos. Percebi que havia câmeras como ontem. Todos se levantaram e ficaram em silencio.
- Hoje não será um dia fácil como vocês sabem... – Kris começou – Vocês são muitos, e infelizmente nem a metade poderá ser selecionada. – olhei para os lados e abaixei a cabeça. Entre tantas pessoas, era muito improvável que eu seria uma das escolhidas. estava quase chorando ao meu lado apertando minha mão.
- Serão apenas dez. Mas espero que todos fiquem tranquilos e bem, porque não haverá apenas esse ano! – todos aplaudiram e assoviaram John. Ele alargou o sorriso e pegou um envelope. – Aqui estão cindo nomes, em ordem aleatória.
- E aqui mais cinco. – Kris pegou outro.
- O primeiro selecionado para o Battle Of Idols é... – John fez suspense – ARON SMITH! – todos aplaudiram e um garoto de cabelos ruivos apareceu no meio da multidão jogando as mãos pra cima. Ele caminhou até o palco e ocupou seu espaço ao lado de John. – O segundo, ou melhor... Segunda, é... MORGAN COLLINS! – dessa vez uma loira. Senti minhas mãos começarem a soar frio – A terceira é... ! – deu um grito do meu lado e eu a abracei fechando meus olhos fortemente. Agora era certeza que eu não seria uma deles. correu para o palco e abraçou de lado os dois. – STEVE HOPE! E o quinto... BEN CROSBY!
Os aplausos só aumentavam junto com as batidas do meu coração. Já havia cinco adolescentes no palco e eu estava quase desistindo disso tudo... Até que ouvi a voz de Kris pronunciar o sexto nome.
- BECKY HASTINGS! CHAD WILLIANS! – a voz de Kris ficava cada vez mais baixa pra mim. Eu já ouvia abafado, e meus olhos abaixaram. Os outros participantes que seguravam minha mão, vibravam aos nomes e eu me sentia como se ali fosse o fim.
- BLUBLO BLEBI! – foi isso o que eu ouvi. Suspirei e segurei meu choro. As mãos que seguravam as minhas, a soltaram e foram para os meus ombros me chacoalhando e os apertando. Levantei meu rosto e olhei pros lados sem entender. Todos estavam sorrindo e fazendo sinal para eu andar. Olhei para todos os lados e não conseguia ouvir nada. Parecia que tudo estava em câmera lenta. Alguém me empurrava para o palco. Quando eu subia a pequena escada, olhei de relance para as primeiras cadeiras e ocupava uma delas. Ele me olhava sério e com os braços cruzados. Fiquei mais confusa ainda. me segurou pelo braço e começou a pular sorridente. Olhei para o outro lado e todos batiam palmas para mim.
- É VOCÊ ! – como num chute, eu voltei a enxergar normalmente e a ouvir os gritos e aplausos. Olhei para e ela me abraçou. – OLHE! – ela virou meu rosto para a platéia e eu abri um sorriso. Mas era um sorriso diferente de qualquer outro. Se eu estava ali era por que... Eu consegui.
- Eu... Eu consegui! O MEU DEUS, EU CONSEGUI! – gritei abraçando forte. Todos que estavam no palco se juntaram no abraço também. Senti meus olhos marejarem e os enxuguei.
Olhei para baixo e só consegui enxergar saindo por uma porta ao lado do palco. Não liguei e voltei a conversar com os outros escolhidos.
- Bom pessoal... Depois dessa votação, vejo que nem todos estão satisfeitos. – observei algumas pessoas e realmente, elas pareciam magoadas. Olhei para um amigo que eu tinha feito no dia anterior, o que começara a tocar violão na sala de espera. E ele estava com um sorriso no rosto, eu achei aquilo muito bonito. Fiz um coração com as mãos e ele retribuiu com uma risada. Ri junto com ele e olhei para John e Kris.
- Então é isso pessoal. O sonho ainda não acabou, temos o ano que vem. E não se esqueçam: nunca parem de acreditar. – todos começaram a aplaudir o Kris, inclusive eu que não aguentei segurar as lágrimas.
- Isso são lágrimas de felicidade, não? – perguntou Morgan, a garota loira de olhos azuis que estava no palco.
- Sim... – ri e respirei fundo. Essa é a sensação de realizar um sonho.
Todos nós, escolhidos, fomos mandados para outro lugar. No qual tivemos que entrar em uma van e andar alguns km. Quando chegamos, era um lugar onde se realizava shows, mas ao ar livre. Estavam 5 pessoas no palco e de cara reconheci uma quando cheguei mais perto.
- Nããão! – disse incrédula cobrindo minha boca – É o Adam, Adam Lambert? – arregalei os olhos apontando para o mesmo.
- Não acredito que não me viu lá! – Adam fez uma cara de ofendido e abriu os braços. Olhei para os lados e apontei pra mim mesma – É claro que é você! – andei insegura até ele. Adam me puxou num abraço apertado.
Minha. Nossa. Senhora. Do. Chuveiro. Elétrico.
Eu acabei de abraçar Adam Lambert? Desmaiando em: Um... Dois... Três...
- Ok... – me soltei dele olhando pra trás. estava ansiosa, e eu já imaginava o que ela iria fazer. Nem pensei direito quando estava pulando nos braços de . A careta que ele fez foi ótima.
- , acho melhor você não tentar matar ele! – disse Becky rindo. Ela parou imediatamente quando viu parado ao lado do Joe. – ... – ela se virou pra mim.
- Eu...
- Acho que vou ter um ataque. – Becky começou a respirar mais rápido. Eu a virei.
- Vai logo! – empurrei Becky e ela abraçou quase nos choros. Conheci Becky na fila do dia anterior e ela me dissera que era fanática pela banda de . E vou dizer agora... Parece que não existe a palavra feiúra no mundo dos famosos. Além deles, estava junto Joe Jonas. O qual também todas foram abraçar. Os garotos selecionados os cumprimentaram.
- Os únicos cantores vão ser vocês? – perguntou Chad apontando para eles.
- Não, falta o mais bonito. – ouvi uma voz familiar e me virei no mesmo segundo. , mais lindo do que nunca, subindo em cima do palco. Todos começaram a rir menos eu. Eu simplesmente não consegui emitir nenhuma emoção. cumprimentou os garotos e as garotas. Quando olhou pra mim, não fez exatamente nada. Isso me deixou furiosa.
- Quem disse que você é o mais bonito? – deu um soco em seu braço e gargalhou alto. Aquilo me fez derreter. Ele é perfeito!
- Fica na sua Old Boy. – disse e eu não pude deixar de rir com os outros.
- Sem apelidinhos , pelo menos não hoje! – disse Joe lançando um olhar mortal para .
- Concordo com ele. – disse se sentando em uma cadeira e pegando um dos violões que havia ali.
- São apenas homens? – perguntei interessada.
- Olhe para trás... - Adam sorriu e apontou pra cima do meu ombro. Todos olharam e particularmente eu não acreditava no que eu via.
Pixie Lott, Lea Michele, Cheryl Cole, Colbie Caillat e Rochelle Wiseman também estavam vindo em direção ao palco.
- Ok, eu posso morrer agora! – eu disse encostando as costas da minha mão na testa.
- Olá pessoal! – disseram simpáticas.
- Oi! – todos responderam em coro. Elas passaram por cada um de nós e nos cumprimentou. Quase tive um treco quando abracei a Lea.
- Então... Um de vocês vai batalhar comigo? – perguntou Cheryl com um sorriso.
- É... – disse Kris subindo no palco – Agora vou pedir pra que vocês dez sentem nas cadeiras lá em baixo. – ele apontou para o lugar e lá fui eu e todos os selecionados. Aquilo estava sendo uma loucura.
- Vocês fiquem no canto do palco... – Kris guiou os cantores e assim todos ficaram em seus lugares. – Eu queria fazer uma coisa como... Homens com mulheres, mas acho que não dará certo. Então quero fazer um teste aqui, agora, como se fosse um show particular. Como podem ver a banda já esta preparada e eles conhecem a maioria das músicas. – Kris disse tudo rápido demais.
- Começamos por quem? – perguntou Steve levantando o braço.
- Você mesmo! – Steve arregalou os olhos. Aron o empurrou e assim ele foi. – Agora, é só cantar.
Aron começou a cantar The Maine, que puxa saco. Mesmo que John não estivesse presente, achei que foi apenas para impressionar. Fiquei com os braços cruzados olhando para onde estava sentando. Ele observava atentamente Aron cantando, seu rosto estava com uma expressão leve. Diferente de antes, eu não gostava quando ele me olhava daquele jeito. Grosseiro. Ele virou o rosto para mim e eu não tive medo. Apenas continuei encarando-o. Parecia que ele queria arrancar um pedaço de mim. Levantei minha sobrancelha e mudou seu olhar para tedioso. Ele estava querendo jogar não é? Então vamos jogar.
Aron parou de cantar e recebeu aplausos. Mesmo que eu não tenha ouvido muito a música, parecia ter ido bem.
- Quem quer ser o próximo? – perguntou Kris esfregando as mãos.
- Eu! – me levantei e andei firme até o palco. Fui até a banda e sussurrei – Vocês conhecem Lifehouse?
- Claro! – todos me olharam.
- Manda a ver: Just Another Name . – fui pro centro do palco e esperei a introdução começar. Dei uma rápida olhada para e ele havia se inclinado para frente apoiando os braços nas pernas.

These clouds around you break your fall
( Estas nuvens ao seu redor amortecem sua queda)
As you came crashing to the ground
( Quando você vem a cair no chão)
Did you learn anything at all
( Você aprendeu algo? )
You climb back up to come back down
( Você sobe para cair)


Virei para onde estava e o olhando apontei para os outros cantores, depois para e os outros. Ele olhou pros lados, desconfortável, e depois continuou me olhando.

Everybody knows your name
(Todos sabem o seu nome)
But they don't know who you are
(Mas não sabem quem você é)
But to them it's just the same
(Mas para eles é tudo a mesma coisa)
Yeah you're just another name
(Sim você é a penas um outro nome)


Comecei a andar pelo palco, e sempre dava um jeito de olhar para . Ele mantinha a expressão séria se recostando na cadeira.

She said fame will bring you down
(Ela disse que a fama o destruirá)
At least that's what she used to say
(Pelo menos isso é o que ela dizia)
Then I handed her another crown
(Então eu lhe dei outra coroa)
She said it would never be this way
(Ela disse que nunca seria desta forma)


Lancei um olhar malicioso pra ele e continuei a música até o fim, até agitando todo mundo. Olhei para Kris e ele estava batendo palmas no ritmo da música como os outros.

Yesterday she was a little girl
(Ontem ela era uma garotinha)
Pretending she was queen yeah
(Fingindo ser uma rainha)
Didn't know it'd change the world
(Não sabia que isso mudaria o mundo)
Didn't know what this should mean
(Não sabia o que isso deveria ser)

Which mask will you wear today
(Qual mascara você usará hoje? )
How about the one with the pretty smile
(Que tal aquela com um sorriso bonito? )
To you it's just another day
(Pra você é apenas outro dia)
In a life you haven't lived in quite a while
(Em uma vida que você viveu o bastante por algum tempo)

Quando acabei a música todos levantaram batendo palmas. Sorri largamente e fiz um sinal de positivo para .
- ... Você só surpreende. – disse Kris colocando a mão no meu ombro.
- Uau! Da onde você tirou essa inspiração? – Lea me olhava encantada. Olhei para e levantei uma sobrancelha. Eu não conseguia decifrar o rosto dele, de jeito nenhum.
- Eu só penso bastante. – sorri e andei rápido para me sentar.
foi a próxima e cantou Mama Do da Pixie. Nem preciso dizer que no final todo mundo zoou ela com gritos do tipo “Puxa saco!”, “Olha a falsidade!”. Mas parece que as duas ignoraram completamente isso, porque Pixie adorou a música na voz de .
Depois de todos se apresentarem e Kris avaliar cada um, ele pediu para que nós subíssemos no palco.
- Eu já tenho a relação das duplas aqui. – estava ansiosa. Se eu cantasse com a Lea ou Adam, eu não iria querer mais nada.
- Kris... – levantou o braço.
- Sim?
- Tá mais do que na cara que a tem que fazer a dupla com o . – eu a olhei mortiferamente e cerrei os dentes.
- Não, , não! – disse apertando o braço de .
- Não precisa dizer isso, . Mesmo porque eu já tenho aqui quem vai ser a dupla da . – meus olhos brilharam quando olhei para Kris. Já fui caminhando até Lea e tive que para quando ouvi:
- E é o mesmo.
- O quê? – e eu dissemos juntos. Abri minha boca várias vezes sem conseguir dizer uma palavra.
- Perfeito! Eu adorei sua atuação . – olhei para tediosa. Ele deve ter percebido, por isso deu uma pequena risada.
- Becky e . Jullie e . Adam e Chad. Pixie e Aron. Morgan e Lea. Ben e Colbie. Cheryl e Brett. Joe e Steve. Dave e Rochelle – Kris acabou de falar as duplas e eu ainda estava pensando em um jeito de matar ele.
Olhei para e ele inclinou a cabeça para fora do palco. Eu não entendi de primeira, mas até que ele desceu do palco e fez sinal para eu seguir ele. Olhei para todos que estava conversando animadamente e não achei motivo para não ir.

Capítulo 3
Maybe it's time to stop trying...


Bastou eu virar para trás uma vez, e isso me custou perder de vista. Aquele lugar era enorme! Como eu iria achar ele? Parei por cinco segundos e tentei me lembrar por onde ele andava. Vi uma entrada para um jardim e andei até lá. Comecei a olhar pra todos os lados e senti alguém puxar meu braço. Virei o rosto imediatamente e me puxou pra mais perto. Arregalei meus olhos e senti meu corpo se eletrizar ao olhar para a sua mão que segurava meu braço com força.
- Outh! – reclamei de propósito e ele me soltou – O que você quer comigo?
- O que? O que você quer comigo? – ele deu ênfase no “você” e apontou pra mim.
- E-Eu? Eu não quero nada... – gaguejei. Cruzei meus braços e dei um pequeno passo para trás. se aproximou.
- Que diabos de música era aquela? – perguntou quase num sussurro.
- Lifehouse. Não conhece? – sussurrei também, só para deixá-lo nervoso. E foi isso o que aconteceu.
- Quero dizer: Por que cantou olhando pra mim? – fiz uma careta e olhei pro lado. Quando virei para ele novamente, dei uma gargalhada alta. Ele me olhou sem entender e eu comecei a bater palmas.
- Ai, ai. Me segura! – virei de costas pra ele e disse olhando pro céu.
- Dá pra você parar de se comportar igual uma criança? – quando ouvi aquilo parei de rir na mesma hora. Ainda de costas pra ele, apertei minhas mãos em punhos e senti uma raiva tremenda me invadir.
- Igual a que? – senti que estava se aproximando lentamente. Virei meu rosto e de canto de olho vi que estava mesmo.
- Cri-an-ça. – disse pausadamente perto do meu ouvido, fazendo eu me arrepiar e meu rosto esquentar rapidamente.
- Você me conhece? – me virei para ele e comecei a empurrá-lo devagar.
, você não sabe quem você é. Pare com isso, apenas vá embora!
- Er... – ele olhou para minhas mãos esparramadas em seu tórax e olhou para mim – Você é uma garota mimada que pensa que irá conseguir tudo o que quer. – segurou forte minhas mãos e deu um beijo na minha bochecha. Levei um susto e fiquei paralisada. Ele deu uma risadinha e soltou minhas mãos começando a andar.
- Você sempre vai acabar nossas “conversas” assim? Apenas virando as costas e saindo andando? – elevei meu tom de voz e ele se virou sorrindo. Que porra! O que ele estava fazendo? Era para ele estar bravo, furioso, vindo rápido na minha direção e me calando logo com um beijo! É isso o que acontece nos filmes. Não é?
- Você quer que acabe como? Eu indo até você e te calando com um beijo? – engoli o seco e tive dificuldade ao respirar. Ele lia mentes agora?
- Não coloque uma imagem repugnante como essa na minha cabeça. – disse firme e comecei a andar até ele – Vai ser divertido ser sua dupla. – esbarrei de propósito em seu ombro e sai dali o mais rápido possível. Eu não iria aguentar mais um minuto sequer perto daquele verme. Sinceramente.
Quando cheguei de encontro com os outros, todos estavam mais empolgados do que antes.
- O que foi? – perguntei abrindo os braços.
- Vamos fazer fotos! – Aron disse abrindo um sorriso.
- Sério? – perguntei surpresa, os olhos brilhando.
- Não é mágico? Vamos até ter figurinos! – começou a dar pulinhos ao lado de . Ele começou a rir junto com Kris e Adam.
- , menos. – ela fez uma cara triste e olhou para o chão. – Own! – fiquei com pena e corri para abraçá-la.
- Ok, agora vão se arrumar! Essas fotos serão importantes. – começou Kris empurrando todos para fora do palco.
- Eles também vão? – Steve perguntou apontando para os cantores.
- Mas é claro! Afinal, eles também são o programa. A dupla de vocês! – Kris pareceu entusiasmado.
- Então o precisa estar aqui não é? – perguntei olhando para trás procurando por ele.
- Já estou aqui! – veio correndo em nossa direção. Eu não disse e nem fiz nada. Apenas continuei de braços dados com e Becky. Andamos mais um pouco e entramos em um jardim maior do que aquele que eu e discutimos. Era enorme e perfeito. Um espaço estava todo equipado. Havia umas oito pessoas contando com o fotógrafo. Chegamos cumprimentando todos e depois fomos obrigados a colocar uma camisa branca básica, um Jens e tínhamos que ficar descalços. Eu adorei a idéia. Peguei um short curto e depois fui para as maquiadoras. Um cabeleireiro gay começou a mexer no meu cabelo.
- Ai, quero minha maquiagem bem bonita! – fez uma voz enjoada fazendo todos rirem.
- Calma gata, você é linda! – entrou na brincadeira fazendo Hi-5 com .
- Deus, a onde eu estou? – olhei para cima e riu junto comigo.
- Daqui a pouco, estará no mundo da fama. Esse é só o começo. – disse Lea parando atrás de mim e me olhando pelo espelho.
- Espero que seja um mundo legal. – sorri sem graça.
- É maravilhoso! – Cheryl alisou meu cabelo e Lea sorriu meiga.
- Amiga me ajuda aqui! – gritou atrás de nós fingindo não conseguir colocar a camisa. Pixie começou a rir desesperadamente e foi ajudar com a blusa.
- Hora das fotos! – a fotógrafa apareceu e todos nós levantamos a seguindo. Do outro lado de onde estávamos, havia um tipo de cortina enorme e branca. – Sintam-se em casa!
- Aêêê!! – gritou pulando em um sofá todo branco que havia ali. pulou em cima dele e os dois começaram a espernear. Por que me chamar de criança? estava sendo uma agora mesmo.
- Quero que vocês fiquem nos seus lugares, por favor. – todos foram para o centro da cortina e começou uma baderna. Eu via aquilo com um sorriso no rosto. Era tão inacreditável. Olha só com quem eu estava! Olha só com quem eu iria tirar foto e para que! Eram famosos e eu estava em um reality show.
- Vem logo ! – gritou Steve me puxando.
- Digam X!
- XXXX! – dissemos e depois da foto começamos todos a rir.
- Agora quero que façam caretas. – posso dizer que vi as caretas mais lindas e estranhas da minha vida. e eram os mais idiotas. Posso dizer isso porque eu estava exatamente entre os dois. Adam estava jogado no sofá e Chad – sua dupla – estava fingindo que o enforcava.
- Isso, sejam espontâneos! – a fotógrafa gritou tirando várias fotos. Nem percebi quando me pegou no colo.
- AAAAAAA, ME SOLTA! – gritei desesperada e todos riam. Me agarrei no pescoço dele para não cair.
- Vai, vai! – alguém chegou perto rindo e eu senti outras mãos me segurando também. Abri os olhos e vi com um sorriso torto nos lábios. Mãe, eu estava no paraíso...
- NÃAAO! CHEGA DISSO! – gritei mais ainda. não parava de rir junto com . se desequilibrou e caiu em cima do sofá me fazendo cair em cima dele. Adam nem estava mais lá, ele só olhava a cena rindo. Olhei nos olhos do e me passou a idéia de ficar ali mesmo. Ele começou a rir, tentei ficar séria, mas não aguentei. Comecei a rir afundando meu rosto no vão do pescoço de .
- Valeu casal ternura, temos mais fotos! – disse a fotógrafa rindo – Prometo que depois vocês vão ter essas fotos. – senti meu rosto queimar por inteiro. Num pulo eu sai de cima de .
- E agora? – perguntou Pixie se apoiando no ombro de Becky.
- Agora quero uma foto, dupla do lado de dupla! – todos começaram a correr para o lado de seu parceiro e eu continuei de pé ao lado de e .
- ... – me deu algumas cotoveladas e eu não sai do lugar.
- , colabore! – a fotografa olhou para que estava jogado no pequeno sofá.
- Eu não vou sair daqui. – respondeu ele simples se ajeitando no sofá, ficando meio sentado de lado.
- Então vá pra lá, .
- EU? – arregalei os olhos.
- Não, você quer tirar a foto? Ai eu vou no seu lugar! – todos riram e eu não tive escolha a não ser andar até o sofá.
- Vem neném. – mordeu o lábio inferior e eu empurrei seu ombro.
- Cala essa boca! – sentei com as penas cruzadas numa certa distância de .
- O que acha de você chegar mais perto? , a abrace por trás.
- Uh! – me puxou e me abraçou fazendo eu ficar na mesma posição que ele. Bufei.
- Pelo menos deixa eu ficar confortável, Shrek! – me arrumei e deixei que a mão de continuasse na minha barriga. Era só uma foto, eu não iria discutir. Sem contar que eu estava adorando aquilo. Só quero ver a cara das pessoas que eu odeio, quando virem essa foto.
- Perfeita! Agora quero uma foto de cada dupla, sozinhos. – todos foram saindo deixando que somente eu e ficássemos sentados no sofá.
- O que foi gente? Morgan e Lea voltem já pra cá! – fui me levantando, mas me puxou pelo braço fazendo eu cair de novo no sofá.
- , não deixa essa peste sair daí! – gritou Chad fazendo todos rirem. deu um risadinha e conseguiu me prender me segurando pela cintura.
- Ah pessoal, parem com isso... Todos tem que tirar a foto, por favor!
- Fica quieta garota! – bagunçou meu cabelo e eu comecei a espernear. Olhei para uma das câmeras que estavam ao nosso redor e apontei pra uma:
- Vocês ainda vão filmar eu matando ele! Arg! – reclamei e consegui me levantar – VEM LOGO! – puxei pela sua mão e ele se levantou revirando os olhos.
- Isso, agora façam uma pose digna de Battle of Idols. – fechei a cara e me virei de costas para , ele fez o mesmo e se encostou em mim. Cruzamos os braços e nós dois ao mesmo tempo olhamos de canto de olho um para o outro. Ouvi as risadas no fundo e não aguentei, comecei a rir também.
- Pronto. – disse ainda rindo e peguei um copo de água. Um homem com uma das câmeras veio atrás de mim e de – Colocaram alguma coisa nessa água... – eu disse rindo. O câmera deu uma risada com e foi seguir outra dupla.
- Você é muito anormal. Que pose era aquela, A Verdade Nua e Crua? – ouvi a voz de atrás de mim. Terminei de tomar a água e o olhei com um sorriso.
- Eu amo esse filme. – disse simples o deixando sozinho como ele fez mais cedo.
Na van de volta pro hotel, aquele meu humor tinha acabado. Todos ainda brincavam e riam. Enquanto eu apenas olhava as pessoas passando como borrões na rua. Morgan se sentou do meu lado e me perguntava a cada cinco segundos o que eu tinha. Será que eu não tenho mais meu direito de ficar calada? Eu só estava... Pensando no que tinha acontecido. Foi um dia tão animado e tão diferente de tudo o que eu já tinha passado. E mesmo sendo divertido, ainda me vem na cabeça a cena de mim e tendo aquela discussão ridícula sobre a musica que eu tinha cantando. E daí que foi pra ele? Ele tem mesmo é que se tocar. Nos meus pensamentos, ele era outro . Agora eu o vejo de verdade. Eu esperava ter mais tempo antes de descobrir isso. E isso não é nem a metade. Aqueles olhos e aquele sorriso torto e perfeito ainda estavam impregnados na minha mente. É difícil não pensar ne
le a cada segundo. - se anima! Você não vai poder ficar assim depois de amanhã! – Morgan mais uma vez rindo me sacudiu.
- Por que mesmo? – fiz uma cara de desinteressada e Morgan revirou os olhos.
- A festa! – todos deram um grito de felicidade e começaram a falar sobre a tal festa. Tinha me esquecido. Depois da sessão de fotos, John ligou para Kris dizendo que a festa de abertura do programa seria na sexta. Ou seja, depois de amanhã. Eu estava animada, claro. Mas ainda me lembrava de . Idiota. Ridículo.
- Pensando assim... É verdade. Vai ser a melhor festa de todas, e eu preciso estar assim igual vocês. – as garotas me abraçaram e Chad junto com Aron me estenderam as mãos:
- Toca aqui garota! – bati na mão deles e depois ri.
Se pensa que aquela musica foi a minha única arma, ele que se engana. Eu vou mostrar quem é , e vai ser nessa festa.

Capítulo 4
Underneath the surface there's so much you need to know.


Depois que o motorista da van deixou todos em seus respectivos lugares, descobrimos que Morgan também estava no mesmo hotel que e eu estávamos hospedadas. Quando chegamos, Morgan foi direto no seu quarto pegar sua bolsa e então nós três fomos para o shopping procurar pela roupa certa. Já tínhamos comprado sapatos e acessórios. A única coisa que faltava era o meu vestido. Eu não estava satisfeita com nenhum que via nas lojas. Eram simples, como qualquer outro. Eu não queria nada extravagante, mas algo que conseguisse fazer voltar sua atenção pra mim. Meus pensamentos estavam carregados pelo seu nome. Eu não sabia mais o que fazer. Aquele meu amor de fã já não era mais de fã, desde quando eu o vi pessoalmente pela primeira vez. Ele esta fazendo minha cabeça girar e girar. Eu não conseguia falar dele com muito menos com Morgan. Elas iriam me achar patética, com certeza. Gostar de alguém que não te dá a mínima e é completamente arrogante com você? Ah, clássico.
- , corre aqui! – me puxou pelo braço fazendo minha linha de pensamento se apagar – Achei uma loja! – Morgan correu atrás de nós duas e então entramos na tal loja. Era linda, preta e rosa.
- Meu Deus! – correu para um corredor que só havia vestidos. Morgan e eu nos olhamos e fomos atrás de . Comecei a ver um por um dos vestidos, e mais uma vez, nenhum me surpreendeu.
- Você acha que ele vai te notar não é? – ouvi a voz de Morgan do meu lado e a olhei confusa.
- Como é? – perguntei tentando disfarçar minha voz trêmula.
- ... Sei que está tentando chamar a atenção dele. – congelei. Eu não sabia o que fazer, a única coisa que passou minha na minha cabeça era “saia correndo”.
- O ? Ah, por favor. – debochei e continuei olhando os vestidos.
- Eu não queria te contar mais... Eu ouvi a conversa dos dois mais cedo e fiquei observando o comportamento de vocês dois quando fomos tirar as fotos. – olhei para o chão e depois para Morgan. Ela estava com a mão na cintura e me olhava de cima a baixo.
- Você está delirando...
- E aquela música? – Morgan chegou mais perto de mim e eu recuei – Tá na cara que foi pra ele. Você só o olhava.
- O que você quer? – me virei totalmente para ela já sem paciência – Cantei aquela música porque gosto dela.
- Sei... – Morgan suspirou – Já aconteceu comigo. Eu já tentei, várias garotas tentaram. Mas eu tenho que te avisar que só consegue enxergar seu próprio brilho e se afogar no próprio mar de arrogância. Não é você que vai conseguir fazer com que mude. Ele é tão frio quanto uma pedra. – disse Morgan por fim. Eu fiquei sem reação, quase chorando. Senti uma angustia enorme dentro de mim. Eu sabia que isso iria acontecer. Agora Morgan deve pensar que sou mais uma fã idiota que pensa em viver um amor lindo com seu ídolo.
Ótimo.
- Garotas. Venham. Aqui. – disse pausadamente olhando para um único lugar. Fomos até ela, Morgan me empurrando.
- Uau... – ouvi minha própria voz falha dizer num sussurro – Isso é um sonho? – olhei de cima a baixo para o vestido mais lindo que eu já tinha visto naquele dia. Ele era vermelho escuro, curto na frente e com uma calda longa atrás. No busto havia detalhes brilhantes e o interior do vestido era de onça. Perfeitamente perfeito.
- Você vai usar esse! Com certeza. – disse Morgan vidrada. Uma vendedora veio em nossa direção.
- Posso ajudá-las?
- Queremos esse vestido. – dissemos nós três em coro. A vendedora deu um pequeno sorriso e pegou um molho de chaves que estava em seu bolso. O vestido estava em uma vitrine, por isso tivemos que esperar a vendedora pegar.
- Quem irá prová-lo? – perguntou a moça apontando para o vestido.
- Ela. – e Morgan me empurraram para a frente. A mulher colocou o vestido com cuidado em minhas mãos.
- É, eu... – disse abobada.
- Vamos, vamos! – as garotas me empurraram para o provador rapidamente. Se sentaram em um dos sofás que havia no lugar e me esperaram. Coloquei o vestido sem me olhar no espelho. Quando terminei de fechá-lo me virei e vi meus olhos brilharem.
- Anda logo ! – ouvi gritar do outro lado. Respirei fundo e sai do provador com um sorriso enorme.
- E então? – dei um volta e vi Morgan e se levantarem e virem na minha direção.
- Linda.
- Maravilhosa! – Morgan me virou para um espelho enorme que estava na parede do fundo.
- Sabe aquilo que eu disse sobre o ?
- Sim... – meu sorriso se desmanchou e eu olhei para o chão. Morgan levantou minha cabeça e sorriu.
- Já não tenho tanta certeza... – dei uma pequena risada e a abracei de lado.
- Eu não sei do que se trata, mas deve ser verdade. – também me abraçou e nós três rimos alto.

Na sexta, duas horas antes da festa, convidou Morgan para o nosso quarto, para que ela se arrumasse junto com a gente. Primeiro fizemos a maquiagem e o cabelo. Ouvindo música e rindo de qualquer coisa que as três falavam.
- Me ajudem com o meu vestido. – fechou o zíper e Morgan arrumava a calda dele. Me olhei no espelho mais uma vez e senti orgulha de mim mesma. Se era como Morgan havia falado, nem ela sabia qual seria a reação de . Aquele pensamento me deixou mais feliz ainda. Olhei as duas já prontas e ouvi o telefone de tocar.
- Oh, já? Estamos descendo. – desligou o celular e me olhou esperançosa – A limusine está lá em baixo, vamos logo arrasar! – ri junto com Morgan e assim deixamos o quarto.
Quando chegamos ao lugar da festa senti meu coração palpitar cada vez mais forte e rápido. Na frente do lugar, havia um tapete vermelho que passava por vários jornalistas e fotógrafos. De dentro do carro vi e posando para uma foto abraçados. estava com um terno preto desabotoado, e a camisa social por baixo também deixando a mostra um colar que havia em seu pescoço. Mordi o meu lábio inferior e me imaginei do lado de . Vi Becky, Lea e Pixie. Era agora, e não tinha mais como escapar. Respirei fundo e coloquei uma perna para fora da limusine sentindo a sola do meu sapato bater contra o chão.

POV:
Desta vez meu sorriso não era falso. Eu gostava das lentes viradas para mim e os jornalistas quase se matando para ter minha atenção. Depois que se separou de mim, tirei uma foto com . Foi rápido, olhei para os lados e encontrei os outros cantores e os participantes escolhidos.
- Ei! ! Aqui! – ouvi uma voz me chamar e voltei minha atenção para a direção do som. Era um dos jornalistas, do seu lado havia um câmera. Os dois acenavam para eu me aproximar e foi o que eu fiz com um sorriso.
- Opa! – disse divertido cumprimentando os dois.
- Então , como você esta se sentindo? Este é o seu primeiro reality show! – o jornalista virou o microfone para mim.
- Estou muito empolgado, aliás, é a primeira vez que eu participo de um programa e não me apresento como um artista. – sorri e o jornalista continuou.
- Fiquei sabendo que Battle of Idols será diferente dos outros reality shows, vocês terão que cantar com uma pessoa que foi selecionada para o programa, sim? E a dupla terá que batalhar com outra... – perguntou o jornalista. Eu assenti:
- Exato.
- Muitas fãs estão querendo saber quem será a pessoa que cantara com você. Por acaso é uma dessas moças que estão aqui? – o jornalista apontou para Becky, Brett e que estavam posando juntas para as fotos. Me virei para ver quem ele mencionara.
- Não, na verdade ela... – não consegui terminar a frase. Enquanto estava a procurando, vi pisar no tapete vermelho com um aceno e um sorriso no rosto, olhando para todas as pessoas ao redor. A olhei de cima a baixo e não pude deixar de perceber o quanto ela estava bonita. Ela caminhava olhando para o chão até as outras garotas. Morgan vinha logo atrás dela então todas tiraram uma foto. Eu só a observava. viu e correu até ela a abraçando. O sorriso dela se abriu e ela abriu os braços. a abraçou forte e os dois começaram a rir. Desde quando os dois eram tão amiguinhos? Respirei fundo e senti alguém cutucar minhas costas.
- ? – o jornalista chamou a minha atenção. O olhei piscando os olhos várias vezes. – Quem é a pessoa?
- É ela. – apontei com a cabeça para onde estava.
- Olha só... Eu sabia que era uma garota! – o jornalista fez uma voz engraçada e me deu um soco de leve no ombro. Eu o olhei estranho e depois olhei para mais uma vez. – Qual é o nome dela?
- . – respondi seco.
- ! Aqui! Aqui! – O homem começou a chamá-la do mesmo jeito que fez comigo. Não fiz nada, só fiquei olhando vir em nossa direção com um sorriso.
- Olá! – o cumprimentou sem nem olhar para mim. Ela era mais baixa que eu, e veio para o meu lado sem a menor delicadeza.
- Então ! Você é uma das escolhidas para Battle of Idols, como você esta se sentindo? – suspirou e olhou para o chão, depois levantou a cabeça.
- Incrível, estou me sentindo incrível. – o jornalista abriu um sorriso para que retribuiu.
- Fiquei sabendo que irá cantar com o , o que acha disso? – finalmente me olhou. Sorri cínico e ela colocou a mão sobre o meu ombro.
- É como eu digo: - ela respirou fundo – Eu não tive escolhas. – levantei uma sobrancelha e a olhei incrédulo. Como assim “não tive escolhas”? É como se... Ah, tanto faz né, sé tem que ser ele, vai ser ele.
- Pode me explicar isso? – perguntei colocando a mão em sua cintura com o sorriso mais falso e forçado que eu consegui fazer. me olhou desafiadora e abriu a boca para dizer alguma coisa mas o jornalista foi mais rápido.
- Podem tirar uma foto?
- Várias. – eu disse me distanciando com . Ela arrumou o cabelo e sorriu. Tive que fazer o mesmo, o que a mídia iria dizer se eu não sorrisse?
- Você está muito bonito. – me olhou e eu fui obrigado a olhar para ela também.
- Não tente fugir do assunto. – me referi a “escolha”. Ela riu e eu apertei mais a sua cintura.
- Eu esperava um “você também está muito bonita, obrigada”. – ela tentou fazer uma voz masculina e deu um tapa na minha mão que a segurava.
- Engraçadinha.
- Ogro.
- Bêbada. – ela me olhou como se eu estivesse com um nariz de palhaço.
- Pareço bêbada pra você?
- Nesse momento sim. – disse simples.
- Só estou sendo superior a você . – sorriu cínica e saiu do meu lado. Olhei para trás e vi que ela havia parado para tirar fotos com os outros. E acabou cumprimentando vários famosos. Ela não estava sendo superior, estava sendo idiota. Não está acostumada com a fama, e nunca estará.

POV off:
A música que tocava era If I Never See Your Face Again. Becky me puxou para a pista de dança e estávamos dançando a muito tempo. Praticamente a festa toda dançava, era demais. Às vezes eu dava um jeito que caçar com os olhos, e todas as vezes que o fiz, consegui pegar olhando pra mim. Isso, era isso o que eu queria. Sei que no tapete vermelho ele me olhou de um jeito diferente. Quando aquele jornalista me chamou eu nem vi que estava conversando com ele, eu estava toda abobada só de olhar pra tantos flash e aquelas câmeras apontadas pra mim. Parecia um sonho mesmo. Eu não sei o que deu em mim quando eu disse que estava sendo superior a ele. Eu nunca diria aquilo ao , mas bem, ele estava pedindo. Me lembrei do que Morgan havia falado sobre . Ele era frio. E se ele era, eu ia mostrar o quão quente eu posso ser.
- Vou beber alguma coisa! – falei alto para Becky me ouvir e ela apenas assentiu. Andei no ritmo da música até o bar. Sentei em um dos bancos e comecei a olhar toda a decoração da festa. Havia jornalistas por todo o lado entrevistando as pessoas. Já tinham me entrevistado umas quatro vezes e tenho que admitir que aquilo estava me deixando maravilhada. – Por favor, quero qualquer coisa que seja muito forte.
- Assim não chegará em casa, superior... – olhei para o lado e vi com um copo de vodka. Mordi meu lado inferior quando vi ele mexendo no cabelo.
Oh senhor, ele só podia estar me testando.
O barman colocou um pequeno copo na minha frente e eu não hesitei, virei o líquido goela abaixo. Senti a bebida descer queimando.
- Uh! Mais um, por favor. – levantou um sobrancelha e ainda me olhando.
- Um pra mim aqui também. – disse pulando uma cadeira ao meu lado.
- O que você esta fazendo? – perguntei o olhando com uma bem fingida cara de nojo. chegou seu rosto perto do meu e deu um sorriso. Tive que prender a respiração por alguns segundos. , tenha calma.
- Só estou me divertindo. – ouvi o barulho dos pequenos copos baterem contra o balcão e olhei de canto de olho.
- Bom proveito. – peguei meu copo e o dele, nos olhamos rápido e levamos a bebida a boca na mesma hora.
- Nossa! – disse me fazendo gargalhar.
Não me lembro como cheguei à pista de dança. Ou pior, não me lembro como cheguei à pista com . A música estava longe e eu sentia tudo um pouco mais lento. estava colado em mim e eu apenas seguia seus passos. Quando ele sorria, eu sorria. Quando ele ria, eu também ria. Era um pouco estranho, mas eu não tinha forças pra mais nada. Senti minhas pernas bambas com a aproximação de . Mesmo com a cabeça rodando a mil, fui mais forte.
- Eu não me sinto muito bem... – disse me afastando um pouco de . Dei uma pequena risada e ele segurou meu braço.
- Não vou te deixar chegar ao hotel desse jeito. – quando ouvi falando aquilo a única coisa que consegui fazer foi gargalhar. O que?
- Ah, ok... Eu ainda consigo andar, obrigada. – me virei e minha visão foi até meio que engraçada. Ri sozinha e dei um passo a frente, mais um e tropecei nos meus próprios pés.
- Para de ser criança. – pegou meu braço e deu um jeito de me puxar e me pegar no colo.
- Ei! E dá pra parar de me chamar de criança? Eu odeio isso. – emburrei a cara e tentei sair dos braços de , mas ele começou a andar e eu fiquei com medo de cair. – Me larga! – fingiu que não me ouviu e chamou alguém que eu não reconheci nem pela voz.
- Chama o motorista dela, e diz pra ele parar a limusine na parte de trás. – ouvi dizer sério e bufei. Love You Like a Love Song, da Selena Gomez começou a tocar e eu abri meus olhos com um sorriso.
- Ouve a música! – me animei e comecei a cantar – You're beautiful, like a dream come alive, incredible... me olhou de canto de olho e revirou os olhos. Eu apenas ri mais ainda. Quando me dei conta, já estávamos do lado de fora da festa e a mesma limusine que me trouxe, estava parara na calçada.

POV on:
Bêbada. Agora era idiota e bêbada, tem coisa pior? Essa ainda irá me levar a falência ou a uma depressão. Sei que existem paparazzi e sei que devem ter uns cinco por perto agora. E esses cinco iriam acabar com a minha imagem a qualquer momento. Eu bebi, mas não tanto quanto ela. Sabia que iria dar em alguma coisa, ela estava muito animada pro meu gosto. Tentava não olhar para , mesmo do jeito que estava caída em meus braços, continua bonita. O que foi? Eu sou homem, não tem como não reparar nela.
- Precisa de uma ajuda senhor? – o motorista finalmente saiu do carro e eu o olhei com desdenho.
- O que ainda faz parado ai? – eu perguntei já apontando para a porta. O homem correu para o meu lado e abriu a porta da limusine. Não me preocupei em agradecer, apenas coloquei dentro do carro. Fiquei parado olhando para os lados. Será que devo ir, ou não? Que conseqüências isso trará? Respirei fundo e mais uma vez a olhei. agora está praticamente sob minha guarda. Se ela fizer alguma besteira, minha carreira será acabada. Quando ia entrar no carro ouvi aquela voz que tanto me irritava:
- A onde está indo ? – olhei para trás e vi Morgan com as mãos na cintura e o olhar matador.
- E desde quando eu devo dar satisfações para você? – bufei.
- Desde quando você está levando garotas bêbadas para hotéis, sem ao menos tomar o mínimo de cuidado? – Morgan deu um passo para frente e eu mais uma vez cruzei os braços. – Você tem noção de quantos paparazzi ficam atrás de você?
- Morgan, se me der licença. Ou melhor, tchau. – fui o mais grosso possível e entrei na limusine. Olhei pelo vidro escuro e vi Morgan bater os pés entrando novamente na festa.
Conheço Morgan há dois anos, ela foi/é a fã mais estranha que eu já vi em toda a minha vida. Por uma noite, tive a idéia de me divertir um pouco, como sempre. Mas infelizmente quem apareceu foi Morgan e eu me arrependo até hoje desse encosto. Fui tão duro com ela, que até hoje finjo que não a conheço. É isso, ou ter que ter uma namorada grudenta e chata como Morgan.
- Que frio... – ouvi a voz de murmurar e a olhei. Ela estava com os olhos fechados e encolhida. Antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, se virou para mim e me abraçou de lado colocando uma mão em meu ombro. Me endireitei e a olhei de canto de olho. O que eu iria fazer agora? Com certeza não iria discutir com uma bêbada.
- Aqui. – peguei meu terno e cobri tirando os cabelos dela do rosto. nem abriu os olhos e assim percebi que já estava dormindo.
Depois de um tempo chegamos ao hotel em que estava hospedada. Olhei em volta e vi que não tinha muito movimentação. Sai da limusine e com cuidado peguei no colo, como antes. Ela se remexeu e colocou os braços em volta do meu pescoço. Andei até o saguão e fui direto para a recepção.
- Senhorita, pode dizer qual é o quarto em que está hospedada? – perguntei para a moça de cabelos ruivos. Ela me olhou com surpresa e depois olhou para .
- Algum problema?
- Não, nenhum. Ela só bebeu um pouco mais do que devia. – sorri amarelo e a mulher deu de ombros.
- Quarto 605. – ela me respondeu ainda meio desconfiada. – Seja bem-vindo.
- Ah, claro. – respondi cínico e andei com até o elevador. Quando chegamos ao quarto, coloquei em uma das camas que havia ali e sentei na outra. Olhei pela janela e depois para . Ela parecia bem, mas ao mesmo tempo o pensamento de que ela faria alguma besteira veio na minha cabeça. Se pelo menos eu tivesse o contato daquela amiguinha dela... Droga. Ok , não crie pânico.
Acho que a única saída é ter que ficar aqui até aquela garota chegar ou a morte vir me buscar. Maldita dupla que foram me arrumar. Essa garota só podia estar de brincadeira.

Capítulo 5
Too tired for that. Too proud for that.


Acordei com minha cabeça latejando. Minha mente confusa. Olhei com dificuldade para o meu corpo e eu ainda estava com o vestido da noite... Passada. É isso? Droga, eu devo ter bebido demais. Fechei os olhos novamente e ouvi se mexer na cama do lado. Abri os olhos e virei meu rosto para ela.
- AAAAAA! – dei um pulo da cama. Ao invés de ser dormindo ali, era . ?!
- AAAAAAAA! – ele imitou o meu gesto com ainda mais desespero. – MERDA, !
- O QUE VOCÊ TA FAZENDO AQUI? – joguei uma almofada nele, procurando meus sapatos. Achei um par e também ataquei em .
- Dá pra se acalmar? – ele disse tentando se defender.
- COMO ME ACALMAR? – gritei mais uma vez. pulou a cama e segurou meus pulsos, me prendendo no colchão. Comecei a respirar mais rápido, o rosto de mais perto do meu. – Você tem que parar com isso. – eu disse com os dentes trincados.
- Não.Você tem que parar com isso. – ele lambeu os lábios e apontou para o meu rosto. – Para de agir como idiota.
- Repete. – tentei puxar seu cabelo, mas ele prendeu minha mão novamente. – URGH! – murmurei de raiva.
- Foi isso mesmo o que você ouviu. – saiu de cima de mim arrumando o terno preto. – Até mais tarde. – ele disse simples caminhando até a porta.
- Eu vou quebrar esses seus dentes! – joguei mais uma almofada na direção dele. riu.
- E não esquece de dar um jeito nessa cara. – ele me mandou um beijo no ar e fechou a porta. Bufei quase saindo correndo atrás dele. Mas me lembrei que agora eu tinha uma reputação a zelar. Pelo menos por enquanto.
Aquela briguinha só tinha deixado minha cabeça mais pesada ainda. Me levantei da cama indo direto para o banheiro. Quando me olhei no espelho quase dei um grito. Aquela não era eu. Meu Deus! Tirei rápido o meu vestido e entrei no banho. Demorei um bom tempo lá dentro, pensando em tudo. E tentando me lembrar do que acontecera na noite passada. Acho que pelo fato do estar na cama da e não na minha, não tenha acontecido nada. Ufa, fico até mais aliviada. Saí do banho e me enrolei na toalha, quando abri a porta, já estava em frente ao notebook com a cara pálida e a boca aberta. Eu levei um pequeno susto quando a vi.
- A onde você tava? – andei até minhas malas – E que cara é essa?
- Eu tive que dormir no quarto de Morgan, quando cheguei ontem, a porta estava... Trancada. – senti que a voz de ainda estava estranha.
- Ok, agora pode me dizer o que aconteceu pra você estar com essa cara?
- É melhor se trocar primeiro. – dei de ombros e coloquei uma roupa básica. Fui rápida e sentei na cama atrás de .
- Agora fala. – suspirei.
- Escuta só. Eu vou ler, e você tem que ficar calma...
- Anda logo! Eu estou calma.
- Parece que ontem a festa acabou mais cedo para e a nova participante do programa Battle Of Idols, . Paparazzis tiraram fotos e filmaram o momento em que os dois saiam por trás da festa de abertura do programa. O mais intrigante? não estava acordada e a carregava. E o que será agora? Nunca vimos em um momento tão íntimo com uma garota. Esse programa vai dar o que falar. Vejam as fotos!
Ouvi tudo com a mão na boca e os olhos arregalados. Não era possível! Não mesmo! Aquele idiota...
- DROGA! Cadê essas fotos? – eu gritei me levantando da cama e andando até o notebook. Eram muitas fotos, e todas nos mostravam nitidamente. Grande começo, . Coloquei as mãos em minha cabeça. – E agora , e agora? O que eu vou fazer? O que todo mundo deve estar pensando de mim?
- Você quer que eu te ajude? Pergunte o que fazer ao , ele que te meteu nessa. – também começou a ficar desesperada.
- Merda, as fãs dele. Entra em qualquer site social e vê o que elas estão falando. – disse rápido voltando a olhar para a tela. Ela começou a vasculhar e encontramos vários comentários. “Que fofos”, “Esses dois são suspeitos”, “Ela não merecia estar com ele”. E muito mais.
- , tenho que dar um jeito de falar com ele. – coloquei a mão na cintura.
- Ontem no término da festa, todos fomos avisados para arrumarmos nossas coisas. Parece que vamos para uma mansão, para juntar todos os participantes e os famosos. – se levantou.
- Você vai me ajudar nessa? – a olhei significante.
- Claro! – nós duas fizemos um Hi-5 e começamos a pegar tudo o que nos pertencia. Let’s Rock!
Mais uma surpresa. Quando saímos do hotel, eu e fomos pegas por vários flashs. Os homens que tentavam captar cada movimento nosso pareciam estar desesperados. Andei mais rápido até a van que nos esperava. Ela estava vazia, apenas o motorista estava no carro. Entramos rápido e eu soltei todo o ar dos meus pulmões.
- Tudo bem aí, garota? – O motorista se virou para me olhar e eu abri um sorriso.
- Tudo. Pode dirigir. – olhei para o lado e estava rindo. – Ei, está rindo de que? – perguntei incrécula.
- É que... Nossa, isso é surreal! Você só foi vista com ele uma vez e por muito pouco tempo e já está sendo perseguida por fotógrafos. Imagina daqui um tempo.
- Que tempo garota? Tá ficando maluca? Não vai acontecer nada desse tipo de novo. Nunca mais.
- É, eu sei. – deu um risada cínica e voltou a olhar pela janela. Eu revirei os olhos e me concentrei na estrada. Estava ansiosa para ver como seria essa “mansão” em que todos ficaríamos. A viagem não demorou muito e quando percebi, já estávamos na frente do portão. A van adentrou o enorme terreno e mais a frente eu avistei a casa. Parecia que não era somente eu que havia acabado de chegar. Todos os participantes e cantores estavam no jardim. E dessa vez John também estava junto. Era tudo tão estranho... Eu nunca me imaginaria do lado de John O’Callaghan, Lea Michele e até mesmo.. . Respirei fundo quando vi os câmeras ao redor de todos. Sai do carro junto com e acenei para a câmera com um sorriso enquanto todos comemoravam a nossa chegada.
- Então parece que todos estão aqui. – John se pronunciou lançando-me um sorriso. E que sorriso. Retribui e sem querer virei minha cabeça para o outro lado, o lado de . Ele me mandou um beijo no ar cinicamente. Tive que me segurar para não dar um tapa naquele rostinho bonito.
- Como dissemos ontem, essa casa será totalmente de vocês! – John apontou para a enorme mansão a nossa frente. Eu me virei para olhá-la mais uma vez e tive que respirar fundo. Eu estava no paraíso, era isso.
- E por favor, conhecemos vocês e... Tentem não fazer tantas besteiras. – disse Kris e todos riram. Vi fazendo um Hi-5 com . Tive que rir com isso.
- Cada um terá que dividir o seu quarto com outro. E esperamos que não tenha brigas por causa disso. – John olhou para todos fixamente. Todos murmuravam “não, que isso”. Como se fosse possível não ter brigas com aqui.
- Já sei com quem Chad quer dividir o quarto. – disse Aron rindo.
- Isso não importa agora. – Colbie foi rápida e sorriu.
- Ok, vocês já podem entrar. – Kris disse rindo – Só mais um aviso: Amanhã começamos a gravar o programa, então o pedido é que todos vocês encontrem a música certa para a sua primeira apresentação oficial. – todos deram gritos de felicidades e assim saíram correndo para dentro da casa. Tentei encontrar , Becky ou Morgan, mas todas já estavam correndo muito a frente de mim. Eu ri sozinha e quando também me preparei para correr, senti alguém segurar meu braço. Olhei para trás na hora e me surpreendi.
- Seja bem vinda. – John desceu sua mão até a minha e a pegou depositando um beijo nela. Soltei o ar de meus pulmões e sorri sem graça.
- Er... Hum... Obrigada. – disse soltando minha mão da dele. John abriu aquele sorriso perfeito que fazia qualquer uma ter um ataque. Mas eu fortemente me segurei. Ele colocou as mãos no bolso da calça e eu me virei correndo na mesma direção que os demais.
Quando entrei na casa meu queixo caiu. Eu estava na mansão do Bill Gates ou coisa assim? Tudo ali era moderno e sofisticado, o que com certeza eu nunca imaginaria ter. Olhei para os lados e vi alguns dos participantes na cozinha, outros na sala de TV e já alguns subindo as escadas. Não pensei duas vezes e corri escada acima. A última porta do corredor chamou minha atenção. As últimas portas sempre pareciam chamar meu nome. Corri até ela e a abri mordendo meu lábio inferior.
- UAU! – dei um gritinho eufórico quando olhei em volta. No quarto havia duas camas de solteiro, e pareciam deliciosas. Pulei em uma e pensei em ficar afundada no meio de tantos travesseiros pelo resto do dia. Olhei para a porta que havia no canto do quarto e como já presumia, era o banheiro. Sorri e pulei da cama abrindo a porta sem nenhum cuidado. Percebi isso quando senti que bati em alguma coisa. E não era pequena.
- Outch! – tomei um susto com a voz e quando coloquei minha cabeça pra dentro do lugar, não acreditei no que vi.
- Mas será que até aqui? – bufei quando se virou pra mim. Ele deu uma risada cínica se encostando à parede de azulejo.
- Ta me seguindo ?
- “Ta me seguindo ?” – repeti o que ele disse com a voz mais fina. – Claro que não! Arranja outro quarto, eu quero esse. – cruzei meus braços.
- Agora você que decide quem fica nos quartos? Não vou sair daqui, olha só, tem até um violão! – apontou para o quarto e olhei para trás.
- Como se não tivesse em outro quarto. Você tem que sair, sou mulher e você é homem. A lei é ficar separado. – levantou uma sobrancelha e cruzou os braços como eu.
- Desculpa, mas eu não ouvi essa regra.
- Exatamente, eu acabei de inventar. Fora! – puxei pelo seu casaco de couro preto e o arrastei para fora do quarto.
- Pessoal, vamos descer! Tem alguma coisa lá embaixo. – Steve nos chamou. correu e eu revirei os olhos andando logo atrás. Quando cheguei novamente no andar de baixo, todos estavam indo para uma sala. Segui os outros e lá dentro havia uma mesa farta e enorme com várias cadeiras. Isso era o que eu chamava de um café da manhã reforçado.
- Graças a Deus! Eu tava morrendo de fome. – Brett correu para se sentar e assim fez o resto. Sentei do lado de e Becky. Enquanto comíamos, existiam risadas e conversas bobas. E estavam sendo muito agradáveis.
- Então, todos já resolveram a questão dos quartos? – Adam se pronunciou.
- Sim.
- Não. – todos disseram juntos. E quando percebi, apenas eu e havíamos negado.
- Ah, fala sério. – Joe começou a rir.
- Alguém pode doar uma parte do quarto para o . – eu disse sorrindo.
- Não, não pode. Eu vou continuar lá. – disse com a boca cheia.
- Desculpem, mas agora só tem uma opção. E é vocês ficarem juntos. Talvez não seja tão mal assim. – deu de ombros. A olhei incrédula. Como assim? Minha própria amiga me jogando na jaula do inimigo?
- Resolvido. – Cheryl bateu o garfo na mesa e eu continuei sem acreditar. Olhei para e ele não mudava sua expressão. Apenas ria com os outros. Então seria assim. Levantei da mesa e percebi os olhares em cima de mim, mas não liguei. Andei até as escadas e subi para o meu quarto. Não tão meu assim. Quando fechei a porta atrás de mim olhei em volta. É, talvez não fosse tão ruim assim. Afinal, mesmo o sendo um completo idiota, não consigo enganar a mim mesma dizendo que não sinto mais nada por ele. era a paixão da minha vida, e essa nossa aproximação inesperada não resolve muita coisa. Pelo menos da parte dele.
- O que aconteceu? – eu já estava sentada em uma das camas segurando o violão que tinha no quarto. Olhei para a porta e vi com uma cara de interrogação.
- Não podemos perder tempo, temos que ver uma música para a apresentação. – disse séria e seca.
- Não deve ser tão difícil. – deu de ombros e se jogou na cama do lado. Bufei e comecei a dedilhar as cordas do violão. – Em que você tá pensando? – não olhei para ele. Continuei olhando para a janela e às vezes para o violão.
- Que tal... – fiz uma nota – Not Over You, Gavin DeGraw? – olhei para e ele levantou uma sobrancelha.
- E vai fazer sentido?
- Não precisa. Pelo menos não agora. Essa música só vai mostrar nossas escalas vocais, o que já é bom.
- Então precisamos ensaiar. – se sentou na cama e esfregou as mãos com um sorriso no rosto. Eu não estava entendo nada, mas pela primeira vez desde que cheguei aqui, me senti bem ao lado dele.

POV On:
Ok, eu não sei porque essa garota escolheu Not Over You. Mas o fato é que eu adoro Gavin DeGraw e essa música sempre esteve na ponta da minha língua. Era incrível como foi cuidadosa com as notas do violão e como separou a música para uma dupla. Não que eu esteja reparando nela. Porque não estou. Enquanto ensaiávamos, puxei o violão dela umas quatro vezes e isso causou pequenos gritos entre mim e ela. E eu até gostei, porque sempre quando ela ficava nervosa eu começo a rir. Sim, era engraçado ver como ela perdia a paciência rápido.
Agora estava do meu lado no backstage mexendo nervosamente no cabelo. Percebi o quanto ela estava nervosa e com medo. Respirei fundo e me virei para ela.
- Quer parar quieta? – riu.
- Não. Não dá pra ficar quieta.
- Olha, eu sei que você ta nervosa... – ela me interrompeu.
- Nervosa? To mais animada do que tudo ! – ela me olhou e eu dei um passo para trás. Agora sim, ela me parecia animada. E até demais. – Já viu o tanto de gente que tem lá fora? Vai ser lindo!
- É... Ok. – revirei os olhos.
- e são vocês. – um homem chegou e bateu no meu ombro. me lançou um sorriso e eu apenas assenti. Entramos no palco e ficamos nos nossos respectivos lugares ouvindo palmas e gritos.
A música (Gavin DeGraw – Not Over You) começou e já se preparou. O holofote foi em cima dela e...

Dreams
(Sonhos)
That's where I have to go
(É para lá que eu tenho que ir)
To see your beautiful face anymore
(Para ver seu lindo rosto ainda)
I stare at a picture of you
(Eu olho uma foto sua)
And listen to the radio
(E ouço o rádio)

Hope there's a conversation
(Espero que tenhamos uma conversa)
That we both admit we had it good
(Que a gente admita que foi bom)
But until then it's alienation I know
(Mas até lá, eu só conheço a alienação)
That much is understood
(Disso eu entendo)
And I realize...
(E eu percebo)

If you asked me how I'm doing
(Se você me perguntasse como eu estou)
I would say I'm doing just fine
(Eu diria que estou bem)
I would lie and say that you're not on my mind
(Eu iria mentir e dizer que não estou pensando em você)
But I'll go out and I'll sit down
(Mas eu vou sair e vou sentar)
At a table set for two
(À mesa posta para dois)
And finally I'm forced to face the truth
(E finalmente serei forçado a encontrar a verdade)
No matter what I say I'm not over you
(Não importa o que eu diga, eu não esqueci você)
Not over you
(Não esqueci você)


Eu a encarava e sentia cada palavra que ela cantava. terminou o trecho e me olhou, um olhar diferente. Então foi a minha vez de começar, e eu não tirei os olhos dela.

Damn, damn girl you do it well
(Droga, droga menina, você é boa nisso)
And I thought you were innocent
(E eu achava que você fosse inocente)
You took this heart and put it to hell
(Você pegou esse coração e o faz passar por um inferno)
But still you're magnificent
(Mas ainda assim eu te acho magnífica)

I'm a boomerang
(Eu sou como um bumerangue)
Doesn't matter how you throw me
(Não importa como você me lance)
I turn around and I'm back at the game
(Eu dou meia volta e volto pro jogo)
Even better than the old me
(Até melhor do que o velho eu)
But I'm not... without you
(Mas eu não estou... sem você)


Me levantei, caminhei até ela e comecei o refrão. abriu um meio sorriso e se juntou a mim. Depois comecei a outra parte.

And if I had a chance to renew
(E se eu tivesse chance de renovar)
You know that isn't a thing I wouldn't do
(Você sabe que isso não é uma coisa que eu não faria)
I could get back on the right track
(Eu iria voltar para o caminho)
But only if you'd be convinced
(Mas só se você se convencesse)
So until then
(Então até lá)

If you asked me how I'm doing
(Se você me perguntasse como eu estou)
I would say I'm doing just fine
(Eu diria que estou bem)
I would lie and say that you're not on my mind
(Eu iria mentir e dizer que não estou pensando em você)
But I'll go out and I'll sit down
(Mas eu vou sair e vou sentar)
At a table set for two
(À mesa posta para dois)
And finally I'm forced to face the truth
(E finalmente serei forçado a encontrar a verdade)
No matter what I say I'm not over you
(Não importa o que eu diga, eu não esqueci você)
Not over you...
(Não esqueci você... )


Terminamos de cantar e percebi que nós dois estávamos com a respiração acelerada. E eu ainda encarava os olhos de , mais nada. Ouvi aplausos e gritos altos e o sorriso de se abriu. Pisquei algumas vezes e só consegui dizer:
- Nunca mais. Faça isso.

Capítulo 6
Feels like I'm falling, better strap me in.


Não entendi o olhar de , e também não fiz questão. Mas esse “Nunca mais faça isso”? Fazer o que? Eu apenas... Cantei. Tudo bem que eu não tirava os meus olhos dele, que estava completamente lindo e perfeito, o que não vem ao caso. Mas ele também não parou de me olhar. Claro , você está tão bonita quanto ele. Pensei comigo mesma. Liguei-me quando Kyle, o apresentador do programa colocou a mão no meu ombro.
- Como vocês estão se sentindo? – Kyle perguntou com um sorriso enorme no rosto.
- Incríveis! – respondi no mesmo tom de voz, eu estava mais feliz do que nunca.
- Percebi que o disse alguma coisa pra você quando a música acabou, o que foi? – Kyle se fez de curioso e eu abri a boca várias vezes, mas não saia nenhuma palavra. Olhei para trás e respondeu rápido.
- Parabéns. – ele colocou a mão na minha cintura – Ela foi demais. – eu não sabia se isso era verdade, mas mesmo assim eu sorri. estava diferente...
- Vocês dois foram! Agora vamos ver os comentários dos nossos jurados. – todos batiam palmas e gritavam mais. Nos viramos para frente e Kris foi o primeiro a dizer.
- Perfeito. Eu nem sei o que dizer, parece que essa música conectou vocês dois. Alguém aqui sentiu isso? – Kris se virou para a platéia e todos gritaram. Olhei para e ele fez uma careta, e não era divertida. Fingi que aquilo não significou nada e voltei a sorrir. – Então é isso, se continuarem assim... – agradecemos e foi a vez de Tina.
- Kris, você disse o que eu estava pensando! – todos gritaram e tina bateu a mão na mesa – Olha só, vocês me arrepiaram! – Tina mostrou seu braço e eu ri junto com . – Foi lindo. Música linda e atuação perfeita. – pela primeira vez olhou pra mim depois da música. Não sorri, apenas correspondi seu olhar.
- tem razão, ela foi demais. – John me olhava com um sorriso nos lábios e eu olhei para o chão. Devo ter ficado vermelha, droga. – E você também. – disse John se referindo ao idiota do meu lado. Olhei para e ele sorriu cínico. Tentei segurar minha risada e não consegui. – Você merece, com certeza. Estou feliz por ter chegado até aqui. – sorri em agradecimento. Assim os aplausos e gritos foram audíveis mais uma vez. acenou para a platéia e me abraçou de lado me puxando para os bastidores. Fiquei confusa e me soltei de seu braço.
- Qual é o seu problema? – perguntei me afastando.
- Meu problema? Você não viu o jeito como aquele O’Callaghan te olhou? – se aproximou apontando pra mim.
- Não vi nada demais. Que merda é essa agora? – ri olhando pros lados.
- Você é a minha dupla, eu já não gosto do seu jeito, então não vamos dificultar as coisas. Lembra da festa? Eu tive que te tirar carregada de lá, acha que isso não afetou nada na minha reputação?
- Não! Então porque o fez? Por que me tirou da festa? Podia muito bem cuidar da sua aparência ao invés de se preocupar com essa coisa ambulante! – apontei pra mim mesma e senti as lágrimas querendo se manifestar. – Obrigada por me fazer sentir um lixo, . Ótimo show. – me virei e sai correndo de lá, correndo dele.

POV on:
Merda, merda, merda! O que foi que eu fiz? E agora aonde essa garota ia se meter? Andei até o camarim onde todos os participantes estavam e quando abri a porta todos batiam palmas e Adam junto com Joe se levantaram, vindo em minha direção.
- Parabéns , ótima apresentação! – Joe bateu nos meus ombros e sorriu. Eu apenas assenti.
- Alguém viu a ? – perguntei olhando pra todos.
- Ela não deveria estar com você? – Pixie fez uma cara confusa.
- Er... Deixa pra lá. E obrigado. – acenei para eles e sai correndo do camarim. Olhei para os lados e tentei achar a garota mais problemática da face da terra. Percebi que outra dupla já estava cantando, mas não liguei. Procurei por toda parte e não achei em lugar algum. Então resolvi ir para o lado de fora. O céu escuro escondia poucas estrelas, e estava frio. Me agarrei no casaco e respirei fundo. Dois segundos e eu ouvi o som de choro junto com soluços. Andei um pouco mais a minha direita e vi sentada em um banco com as mãos no rosto. Hesitei, mas tive que ir falar com ela.
- O que você quer de mim? – me olhou e eu não sabia o que falar. – Todos os dias eu tento ser mais do que eu mesma consigo, tento te agradar, tento fazer você gostar de mim. – ela dizia entre lágrimas, então se levantou e me empurrou com uma mão. – E quer saber ? Eu cansei. Eu sou o oposto de você, e tenho pena do que você vai se tornar daqui a um tempo. – disse por fim e saiu esbarrando de propósito no meu ombro. Olhei para trás e andava confiante até o interior do local. Mordi meu lábio inferior e passei a mão no meu queixo. Essa garota quer guerra. E quer guerra feia.
POV off

Não sei onde encontrei coragem pra dizer tudo aquilo. Ainda mais olhando nos olhos dele. Foi uma vitória, e pra ser sincera, eu adorei. Quando terminei de falar, minhas lágrimas já tinham secado. Meu ódio aumentado. E pela cara que estava, tenho certeza que ele viu a “criança” dentro de mim.
Entrei no camarim, renovada. Outra .
- Garota! Bate aqui! – correu em minha direção e me abraçou tão forte que quase cai no chão. – Espera, você tava chorando?
- O que houve? – Lea se levantou e andou até mim colocando a mão nas minhas costas.
- N-Nada, é que eu cocei os meus olhos... E ficaram vermelhos. – inventei qualquer coisa e pareceu funcionar. deu de ombros e voltou a se sentar em um dos sofás. Olhei ao meu redor e dei um meio sorriso. Eu estava vivendo um sonho, e estava deixando uma única pessoa transformá-lo num pesadelo. A que eu menos esperava, mas a vida é cheia de surpresas, não?
No tempo que passou, todas as duplas se apresentaram e tivemos que saber qual dupla iria sair de primeira. Foi realmente uma surpresa, e o pior era que duas duplas iriam ser eliminadas. Todos nós estávamos de mãos dadas no meio do palco, do meu lado claro. Eu teria que me controlar na frente dos outros. Ele parecia tenso, e mesmo assim a expressão séria não saia de seu rosto. Odiava o jeito como ele conseguia ser tão duro consigo mesmo. Mas para o meu alívio, nós não saímos do show. As duplas foram Ben e Colbie; Dave e Rochelle. Todos ficaram tristes com a despedida, mas eles pareceram normais. Quando acabou, duas vans esperavam na parte de trás do local. A mansão não era tão longe daqui.
- Acho que deveríamos comemorar. – Morgan deu de ombros olhando pra todos.
- Concordo com você. – Becky sorriu.
- E como vamos comemorar? – perguntei já mais interessada.
- Tenho meus contatos. Consigo achar uma pessoa que fornece as bebidas. – esfregou as mãos.
- Que horas são? – Lea perguntou mordendo os lábios.
- Quase 21h. – respondeu. – E já estamos chegando.
- Então a noite é nossa! – e fizeram um High-5 e todos demos um grito.
Assim que chegamos à mansão todos foram se aprontando. Tive que subir para o quarto com enquanto o resto do pessoal preparava a pequena festa. vinha atrás de mim e eu estava com um sorriso no rosto e fazendo uma dançinha qualquer.
- As pulgas atacaram? – perguntou seco e eu olhei para trás.
- Hoje você não pode fazer nada pra me deixar pra baixo . – mandei um beijo no ar e caminhei até a cômoda onde estavam as minhas roupas. entrou no banheiro e ouvi a porta se trancando.
- Hey! – corri até a porta e comecei a bater – Eu ia primeiro!
- Disse bem, “ia”. – gritou num tom brincalhão. Revirei os olhos e me encostei na porta.
- Não vai sair?
- Você pode vir junto se quiser. – ouvi rindo e eu sem querer soltei uma risada baixa. Fechei os olhos e mordi meu lábio me recuperando.
- O que? Você só pode ter problemas mentais, nojento! – dei um soco de leve na porta e desisti. Não iria e nem queria brigar por uma coisa dessas. Já com o meu vestido na mão me joguei de barriga na cama. Afundei meu rosto entre os travesseiros e lembrei de tudo o que havia acontecido no dia. A apresentação, o sorriso de John enquanto me ouvia cantar, todos aqueles gritos do público... Eu meio que estava tentando esquecer o que aconteceu entre mim e . Brigar com ele era o que eu menos gostava de fazer, mesmo não parecendo. Eu apenas estava cansada, cansada de verdade. Só queria viver o meu sonho, e não queria que ele virasse um pesadelo.
Não sei por quanto tempo fiquei ali deitada, acho que até cochilei porque ouvi :
- Já calou a boca? – abri meus olhos devagar com um “uuh”. Quando me apoiei nos meus braços e me ergui, olhei para trás e vi de costas, se olhando no espelho do quarto.
- Meu Deus! – deixei escapar. Eu, uma mera fã que conhecia as costas do meu ídolo perfeitamente. Ver isso ao vivo? Senti a faca entrando e o sangue saindo! levantou o rosto e me olhou pelo espelho dando uma risada.
- Sua vez. – ele disse com a voz meio rouca. Era como se ele quisesse me torturar de verdade. Ouvi uma música abafada vindo do andar de baixo, e tocava ‘Beautiful, Dirty, Rich’ da Lady Gaga. Me animei e dei um pulo da cama indo direto pro banheiro e fingindo ignorar um semi-nu na minha frente.
A música estava tão alta que dentro do chuveiro eu conseguia até cantar um pouco da música. Não demorei tanto quanto , mas fiz uma horinha no banheiro só me olhando no espelho. Procurei pela minha roupa, coloquei a calcinha e procurei pelo sutiã. Tirei meu vestido do lugar e não o encontrei.
- Droga! – disse entre os dentes. E agora, e agora, e agora? Andei um pouco e encostei o ouvido na porta tentando ouvir se continuava no quarto. Parecia quieto. – ...? – perguntei insegura. Ele demorou mas respondeu.
- O que foi agora? – revirei os olhos. Ele precisava sempre ser tão grosso com tudo?
- Preciso de um favor seu. – mordi meus lábios.
- Não, eu não vou tomar banho com você.
- CALA A BOCA! – gritei e abri um pouco a porta. – Eu esqueci meu sutiã, seu idiota. Tem como? – eu me escondia atrás de porta e só conseguia ver meus olhos, e quando eu apontei para a cama seguiu o olhar.
- Você quer ele? – levantou uma das sobrancelhas.
- Claro que não, pra facilitar meu strip-tease eu vou sem ele! – coloquei meu braço pra fora e deu outra risada pegando meu sutiã preto na mão. Ele veio em minha direção e quando estiquei mais o braço recuou com um sorriso malicioso. – Por que não bota ele aqui? – arregalei os olhos.
- , me dá logo isso e para de graça.
- Não ‘to de graça. – se virou e colocou o sutiã em seu ombro. Coloquei a mão na cabeça e fechei os olhos. Eu vou me matar, e vai ser hoje.
- Você não vai olhar, não vai se virar NEM UM SEGUNDO! – riu e eu bufei pegando meu vestido preto. Cobri meus seios por segurança e levei minha mão até o ombro de , ele ia olhando para o lado e eu delicadamente virei seu rosto de novo. Senti ele sorrindo e peguei meu sutiã. Me virei tão rápido quanto coloquei o sutiã. Vesti meu vestido e soltei meu cabelo.
- Pronto. – disse indo pro espelho. Vi se virando com os braços cruzados e percebi que ele me secou com os olhos de cima a baixo. – O que foi? – me virei e aproveitei que meu vestido tinha um leve decote. mordeu os lábios e foi rápido.
- Nada. Pronta? – ri e assenti. Nós dois descemos juntos um do lado do outro. A música que tocava agora era ‘Good Girls Go Bad’ e já estava quase no final. Abri um sorriso e deu um tapa no braço de . Quando chegamos ao primeiro andar, não acreditei no que vi. A mansão estava cheia! E eu reconhecia a maioria das pessoas. Luzes pra todos os lados da enorme sala e até um DJ eles conseguiram arrumar. Tudo tão rápido. veio em nossa direção com uma garrafa de vodka na mão.
- Uau, é uma miragem? – me abraçou de lado e me deu um beijo no rosto cheirando o meu cabelo.
- Só pode! – respondi alto pela altura da música.
- Me dá isso aqui. – pegou a garrafa da mão de e já deu um gole enorme. – Cuidado. – apontou pra mim e se virou indo para o meio de todas aquelas pessoas. Percebi que ele já havia agarrado na cintura de uma, falado alguma besteira no ouvido de outra... Respirei fundo e olhei para o lado onde estava , Beck e Morgan. Fui até lá com um sorriso.
- E ai sua gata? Gostou? – Beck apontou para a sala.
- Adorei, agora preciso de um desses. – peguei uma bebida qualquer que estava no balcão e bebi só de uma vez.
- Wow! Vai com calma! – arregalou os olhos. Peguei uma garrafa de Absolut e olhei para as três.
- Hoje não é dia de calma. – sorri e me virei indo direto para a pista.
Já estava dançando a um bom tempo e percebi que e Morgan estavam no pequeno palco improvisado com um pole-dance no meio. Algum dos caras se juntaram em volta e gritavam com a dança das garotas. Não pensei duas vezes, aliás... Não pensei! Andei rápido até o palco e estendi minha mão pedindo ajuda para subir. As duas garotas me subiram e os gritos aumentaram. Não sei de que baú tiraram, mas Clumsy da Fergie começou a tocar. Ainda de costas virei apenas o rosto procurando por a única pessoa que me interessava naquele momento, no meio de tanta gente. Não precisei de muito esforço, pois já estava sentado em um dos sofás com um olhar malicioso pra cima de mim. Ignorei as duas garotas que estavam nos braços dele, e comecei a cantar a música junto com as bêbadas do meu lado.

First time, that I saw your eyes
( A primeira vez que eu vi seus olhos)
Boy you looked right through me, humm humm
( Garoto, você olhou através de mim, hmm hmm)
Played it cool, but I knew you knew
( Fingi estar fria, mas eu sabia que você sabia)
That cupid hit me, hmm hmmm
( Que o cupido tinha me acertado, hmm hmm)


Enquanto eu cantava, fazia a dança mais sexy possível. E pela cara do – e dos outros caras ali – estava dando certo. E muito. Olhei pro lado e vi gritando com as mãos pra cima, não aguentei e tive que dar uma risada. Voltei para e enquanto ele olhava pra mim mordia o lábio inferior e assentia com qualquer coisa que as duas garotas diziam eu seu ouvido. O refrão era mais engraçado do que tudo, por isso todos cantavam comigo e as garotas. Até chegar a minha parte favorita. Levei meu dedo indicador até meus lábios e cantei olhando para :

You know, this ain't the first time this has happened to me
( Você sabe, essa não é a primeira vez que isso acontece comigo)
This love sick thing
( Essa coisa doente de amor)
I like serious relationships, and uh...
( Eu gosto de relacionamentos sérios e uh...)
A girl like me don't stay single for long
( Uma garota como eu não fica solteira por muito tempo)
'Cuz everytime a boyfriend and I break-up
( Porque toda vez que um namorado e eu terminamos)
My world is crushed and I'm all alone
( Meu mundo está partido e eu estou completamente sozinha)
The love bug comes right back up and bites me...
( O inseto do amor vem direto até mim e me pica...)
And I'm back!
( E eu estou de volta!)


Eu já estava rindo e nem deu tempo de terminar a música, quando senti mãos puxando meu corpo pra fora do palco.
- Uh! Ei, ei o que é isso?! – comecei a reagir e vi que o sujeito tinha me lavado para um quarto escuro deixando um pouco da porta aberta. Quando me pôs no chão, levantei o rosto e pela pouca luz sorri ao ver . Ele foi muito rápido quando me prensou na parede. avançou na minha direção, mas relutante virei o rosto. Dei uma risada apertando meus olhos. A bebida tinha um efeito impressionante em mim. Sentia a respiração acelerada de comtra meu pescoço.
- O que você está tentando fazer? – perguntei num sussurro.
- Eu? – a voz de estava rouca, senti queimar por dentro. Droga de homem bêbado perfeito! – Tem certeza de que eu ‘to tentando fazer alguma coisa?
- Bom, então você tem uma explicação muito boa pra me trazer pra cá. – sorri e levantou o rosto olhando para a minha boca.
- Você já deve saber a razão. – mais uma vez tentou me beijar, e fui mais forte ainda. Segurei o rosto dele com as duas mãos e dei um beijo em seu queixo.
- Foi só uma música, uma dança. – sorri de lado enquanto bagunçava os próprios cabelos. Abri a porta do cubículo escuro e sai de lá revigorante.
- Pra mim... – ouvi a voz de e olhei pra trás. Ele estava no vão da porta arrumando a camisa meio aberta. – Uma música e uma dança, pra mim. Levantei uma sobrancelha e virei meu rosto jogando os cabelos para o lado. Ao invés de voltar para a festa, achei melhor voltar para o quarto.

Capítulo 7
There’s no name for these feelings. Or perhaps.


POV on:

Eu tenho duas opções: a) Matar ela ou b) Ir atrás dela e agarrar ela naquele maldito quarto. Considerando meu estado, uma coisa muito estranha dentro de mim quer que eu escolha a segunda opção. Mas o que é que eu to falando? Não estou doente ou coisa do tipo. Comecei a andar até a ponta da escada e ainda vi subindo os últimos degraus com os saltos na mão. Mas que merda, por que ela tinha que estar tão... Sexy? Primeiro o vestido, ela na pista de dança – é eu fiquei reparando sim, algum problema? -, aqueles abraços e brincadeirinhas que fazia com , e depois aquela droga de música. Não sei o que deu em mim quando a tirei do palco, só sei que eu queria muito ela naquele momento.
- Amorzinho... – uma voz irritante cortou minha linha de pensamentos. Virei meu rosto e vi Morgan encostada na parede com um copo vazio na mão. Acho que ela estava pior que a . Revirei os olhos e forcei um sorriso. – Cadê a sua amiguinha?
- Você tá bêbada.
- Assim como você. – Morgan começou a andar até mim devagar e eu continuei no mesmo lugar. – Por que a gente não esquece tudo isso, e aproveita um pouco? – Morgan colocou os braços em volta do meu pescoço e eu não pude evitar olhar como ela também estava sexy e bonita. Coloquei minhas mãos na cintura dela.
- Acho que você está certa... – disse baixo e a puxei para o andar de cima. Algumas portas estavam entre abertas e vi vários casais se pegando em toda parte. Ri sozinho e encontrei um dos banheiros da casa. Adentrei um puxando Morgan comigo. Encostei a porta e dei um jeito de sentar Morgan na bancada da pia. Avancei em seus lábios sem querer saber de mais nada. O estranho foi que enquanto beijava Morgan, via em meus braços. Tentei afastar essa imagem de minha cabeça intensificando o beijo mais e mais.
- Mas que porra! – ouvi uma voz familiar e senti mãos me puxando bruscamente para fora do banheiro. Minha cabeça girava e eu parecia fraco pra protestar. Olhei para trás e fiquei mais confuso ainda. Quem me puxava era . Entramos no quarto e ela me jogou na cama e trancou a porta rapidamente. Já estava eufórico e curioso, quando se encostou na porta e começou a rir. Fiz uma cara de interrogação e soltei toda a respiração presa dentro de mim.
- Posso saber o motivo do riso? – perguntei incrédulo. se virou pra mim e deixou suas costas baterem na porta. Mordeu os lábios e continuou rindo.
- Não sei. Foi engraçado, quando vi aquela... Fusão entre vocês, não pude deixar de lado. – cerrei os olhos e olhou pra mim com os olhos arregalados. – Ah vá! Não foi engraçado? Você tá bêbado, se solta!
- Eu também achava que você estava bêbada, agora to vendo que é maluca. – me joguei na cama e passei as mãos no rosto. – Apaga essa luz, ela ta me matando. – me obedeceu e andou até a cama do lado se jogando da mesma forma que eu.
- Um pouco dos dois... – ela respondeu. – Então, o que você tem com a Morgan? – riu mais uma vez e eu revirei os olhos.
- Não quero falar sobre isso. – bocejei e vi se virando na cama. Olhei para o lado e ela me olhava com um biquinho e cara de cachorrinho que acabou de cair da mudança. – Ok... Tive um caso com ela há uns anos atrás. Fã obcecada, ela é um pé no saco. Mas continua sendo gostosa.
- Nojo. – fingiu vômito eu senti minha cabeça doer mais uma vez. Droga de álcool. Mesmo assim, não sei o que me deu, mas eu ri junto com ela.
- E você? – perguntei e a olhei.
- Eu o que? – se levantou da cama cambaleando. – Uh! – ri com o jeito dela andar até o guarda roupa.
- É outra fã maluca por mim? – levantei uma sobrancelha. abriu o armário e parou olhando para trás.
- Talvez. Ou pelo menos era...
- Como assim ‘era’? – perguntei confuso.
- Desculpa, mas você não é o que eu sonhava em conhecer. – O quê? Eu ouvi direito?
- O que quer dizer com isso? Sempre fui esse que está vendo na sua frente. – apontei pra mim mesmo e fui me levantando da cama.
- Então parece que a fama foi uma ótima máscara pra você. – se virou e fechou a porta do armário na mesma hora. A única luz que iluminava o quarto era a luz da lua, então não conseguia ver totalmente. Ela continuou ali parada, me encarando com uma peça de roupa na mão. E eu não tive outra reação a não ser tentar analisar a expressão de seu rosto. Ela soltou uma risada abafada e sem graça e olhou para o chão. – Só vamos... Parar por aqui. – sua voz mudou como se estivesse prestes a chorar. Dei um passo à frente e em menos de cinco segundos, correu para o banheiro. Senti meus olhos arderem e resolvi deixar de lado o drama feminino que essa garota conseguia passar. Tirei minha camisa social e me joguei na cama mais uma vez. Foi o dia mais cansativo da minha vida.

POV on:

Continuei deitada na cama, sem mexer um músculo. O céu estava clareando, e eu não conseguia tirar os olhos de . Dormindo ele parecia como um anjo. Tão gentil e tão inofensivo. Senti minha última gota das lágrimas escorregarem até o travesseiro. Seu rosto era sereno, e minha vontade era de poder tocar sua pele. Mas a pequena distância entre nossas camas me impedia de qualquer contato físico, assim como o meu orgulho. Ontem olhando nos olhos dele, e dizendo tudo aquilo... Me fez perceber que eu estava fraquejando. Cada palavra que saia dos meus lábios, atingia meu coração como uma farpa. Era a verdade, a verdade que eu me recusava a acreditar. Depois corri para o banheiro e chorei até toda aquela dor desaparecer. Sabia que não estava preocupado, ele nunca esteve. Quando tentou me beijar na festa, ele estava fora de si. Eu também, mas tive mais consciência. Não iria deixá-lo ganhar o que queria tão fácil. Iria contra todas as minhas promessas. Eu ainda odiava , por ser o que ele é. Eu não deixaria passar por qualquer caminho sem nenhuma luta. Ele iria descobrir sozinho o mal que faz para as pessoas. Para mim.
Me liguei quando o barulho do despertador começou. Levei um susto e ligeiramente me virei para o outro lado da cama, fechando meus olhos fortemente. Relaxei meu corpo e ouvi levantando devagar da cama e desligando o objeto barulhento.
- Ei... – senti um tapa no meu ombro e o xinguei mentalmente. – Acorda. – disse sonolento. Fingi o meu melhor e bocejei.
- Hã? – perguntei esfregando os olhos e olhando para ele. – Que horas são?
- Hora de levantar, só isso. – foi grosso e eu bufei. Podia pular e arrancar o pescoço dele agora produção? Levantei devagar e arrumei meu vestido que tinha subido mais do que o recomendável. Amarrei meu cabelo num rabo de cavalo e fui direto para o banheiro fazer minha higiene matinal. Demorei um tempo e quando saí bateu uma vez na porta e já a abriu. estava na varanda tomando alguma coisa e eu o deixei de lado.
- Pessoal, não se desesperem mais o O’Callaghan ta lá embaixo e o grupo de câmeras e todas aquelas coisas também. Se arrumem e desçam o mais rápido possível, a nova semana começa! – fechou a porta e eu olhei para no mesmo momento. Ele levantou uma sobrancelha e me olhou de cima a baixo. Droga, ele já estava perfeitamente arrumado. Como isso?! Corri para o armário e peguei um short jeans claro e uma camisa básica preta de gola ‘V’. Nem liguei para e me troquei ali mesmo, ele não estava olhando de qualquer jeito.
- Pronta? – voltou para o quarto e eu terminei de passar o perfume assentindo. Respirei fundo e segui . Eu estava de ressaca e sabia que a maioria da casa também. Quando chegamos ao andar de baixo, e dei de cara com John com um sorriso radiante no rosto. Sorri simpática e dei uma cotovelada em para ele tirar a cara de bunda do rosto e fazer o mesmo que eu. Ele me obedeceu cínico e foi para o lado dos outros participantes. O’Callaghan começou a falar:
- Agora que todos estão aqui, tenho a nova ‘lição de casa’ de vocês. Tenho certeza de que a maioria já sabia, mas semana sim/semana não, serão Duplas e Batalhas. O que eu quero dizer: Vocês irão competir com o seu parceiro. – cruzei os braços adorando o que ele dizia. Iria ser uma honra cantar contra . Ah se ia.
Continuei prestando atenção no que John falava, até meus olhos cruzarem com os de Morgan. A olhei por 3 segundos e percebi seu sorriso falso pra cima de mim. Uma raiva do além tomou conta da minha mente e eu nem ouvia mais o que John falava. Depois de ouvir a história que tinha me contado com Morgan, vi uma imagem completamente diferente dela. Agora a via como um problema, como uma rival. Eu não sabia o porquê, mas sentia que Morgan queria alguma coisa que de alguma forma pertencia a mim. A olhei novamente e seus olhos estavam pairados em . Acompanhei o trajeto e soltei um riso. Me lembrei da cena horrível da noite passada. Eu não tirei de lá por diversão, mas sim por puro ciúme! O pior é que ele sabia muito bem disso. É, ela queria uma coisa que me pertencia... se virou pra mim e eu acordei do meu transe.
- Se mexe. – disse e saiu batendo seu ombro no meu. Fui um pouco pra trás sem entender e vi todos indo para um lugar. Apenas uma pessoa havia ficado na minha frente, Morgan.
- Boa sorte. – disse Morgan e se virou.
- Por que não me disse antes? – perguntei fazendo-a parar.
- Disse o que? – ela se virou com as mãos no bolso.
- Sobre você e ...
- É claro que eu disse. Só não a história toda. Acho que não é uma coisa que você precise saber.
- Mas eu já sei. – levantei uma sobrancelha e mordi minha bochecha por dentro da boca. Morgan riu e andou lentamente até mim.
- Então agora deve saber que eu ainda não desisti. E vai ser uma coisa muito, muito fácil. – ela se virou jogando seu cabelo na minha cara e saiu rebolando. Olhei para o lado e me segurei pra não xingá-la ali mesmo. Apertei meus punhos e voei para o meu quarto. Sabia claramente que música seria a minha essa semana. E ela significava apenas uma coisa.

A semana se passou mais rápido do que o normal. Todos os dias cada um ia para os estúdios e ensaiavam sua música. Preferi passar mais tempo no local das apresentações, e ensaiava junto com Tina. Ela me dava conselhos e me ajudava como fazer tudo da melhor forma. Não via muito , apenas quando todos estavam na mansão. Quando jantávamos e íamos dormir. Ele fingia que não me conhecia todos os dias, e aquilo me deixava mais nervosa ainda. Eu não podia ver o ensaio dele, assim como ele também não podia ver o meu. E sim, eu estava muito ansiosa pra ver que música ele iria cantar. E pela primeira vez vou poder ver de tão perto... Quando será que vou deixar esses meus sentimentos de fã me atrapalharem?
Voltando ao presente. Aqui estou eu, nervosa como todas as outras vezes. Atrás do palco, ouvindo aquela multidão gritar alto e mais alto. Como será que eles iriam reagir a minha música? Será que eu fiz a escolha certa? Será que vai acertar meu verdadeiro objetivo? estava do meu lado, me apoiando desde o começo. Ela iria ser a próxima, e estava sentando nos lugares especiais para os participantes. Meu cabelo estava solto e alisei meu vestido pela última vez antes de ouvir meu nome sendo chamado. Respirei fundo, e subi as pequenas escadas que davam para o palco. Olhei para trás e Isa sorriu confiante. As enormes paredes se abriram e andei até o pedestal segurando o microfone com a música [Lindsay Lohan – First] já começando.

Is that someone you used to date?
( Aquela é alguém que você costumava sair?)
Why's she hanging around here, what's her story?
( Por que ela está andando por aqui, Qual a história dela?)
Doesn't she know that it's too late
( Ela não sabe que é tarde demais)
That the party is over and the car is for me
( Que a festa acabou e que foi por minha causa)
Why don't you tell her what's been going on
( Por que você não diz a ela o que está havendo)
'Cuz she seems to be dreamin' instead of just leaving
( Porque ela parece estar sonhando ao invés de só ir embora)
If you don't have the heart to fill her in
( Se você não tem coragem de deixá-la)
Then just step aside and let me lay it on the line
( Então só de um passo pro lado e me deixe ficar na linha)

'Cuz you're mine
(Porque você é meu)
And tonight you don't revolve around her
(E hoje você não vive pra ela)
You're mine
(Você é meu)
And this time I'm gonna scream a little louder
(E dessa vez eu vou gritar um pouco mais alto)

Don't wanna be like every other girls in the world
(Não quero ser como qualquer outra garota do mundo)
Like every other one who wants you
(Como qualquer outra que quer você)
'Cuz when I see you
(Porque quando eu te vejo)
Something inside me burns
(Alguma coisa dentro de mim queima)
And then I realize, I wanna come first
(E eu percebi que eu quero vir primeiro)
I wanna come first
(Eu quero vir primeiro)


Apontei para a platéia e na mesma horas a luz foi para eles. Olhei e comecei a cantar com mais vontade e confiança do que antes. Via no rosto de cada um a empolgação que eu estava transmitindo, e posso dizer que é a melhor sensação do mundo.

You look at me and I just die
(Você me olha e eu só morro)
It's like heaven arriving in my mind
(É como o céu chegando na minha mente)
And I can't believe all this jealousy
(Não acredito em todo esse ciúme)
I used to be a girl who would let a guy breathe
(Eu era o tipo de garota que podia deixar um cara respirar)

'Cuz you're mine
(Porque você é meu)
And tonight you revolve around me
(E hoje você vive pra mim)
You're mine
(Você é meu)
And this time I'm gonna scream a little louder
(E dessa vez eu vou gritar um pouco mais alto)


No segundo refrão andei até o meio do palco e comecei a dançar no ritmo da música. Meu dedo indicador encontrou Morgan com os braços cruzados no meio dos outros e vi seu olhar cheio de inveja e raiva.

Don't wanna be like every girl
(Não quero ser como qualquer outra garota)
Who's tried to get you
(Que tenta te ter)
I wanna be the one who's never sorry that she met you
(Eu quero ser aquela que nunca se arrependeu de te conhecer)
I wanna come first
(Eu quero vir primeiro)
I wanna come first...
(Eu quero vir primeiro... )


Quando olhei para ele estava sorrindo e tão agitado quanto , , Adam, Lea e o resto. John, Tina e Kris estavam do mesmo jeito. Terminei a música e percebi que todos já estavam de pé. A única coisa que aumentou foi o volume do barulho que a o público transmitia. Não consegui parar de sorrir nem por um segundo, e meu coração estava a mil. Vi cartazes enormes com o meu nome, e alguns com meu nome junto ao de . Joguei meu cabelo para trás e olhei para o lado vendo Kyle vindo em minha direção batendo palma.
- Incrível! – ri com o seu comentário – Parece que posso até ouvir fogos! O que os nossos jurados tem pra dizer? – olhei para frente e quem começou foi Tina.
- Realmente... – os gritos só aumentavam – Acho que você veio mais do que preparada! Toda essa sua confiança e energia, tudo parece tão normal pra você! Eu só... Eu adoro você, e adorei a performance. Perfeito! – agradeci e acenei para a platéia mais uma vez. O’Callaghan continuou:
- Onde você estava esse tempo todo? – John cobriu a boca com as mãos e me olhou pasmo. Eu só conseguia rir – Só uma coisa: Você sabe mesmo como dar um show. E todos concordamos com isso! – agradeci e Kris também disse quase as mesmas coisas. Não conseguia ouvir direito, minha mente estava ocupada com tantas coisas...
- Se você quer que e sua dupla continuem no programa, votem pelo número que aparece aqui em baixo ou vote no nosso site. Voltamos depois dos comerciais! – disse Kyle encerrando e me deu um forte abraço. Ele era demais. Sai do palco ainda elétrica e encontrei Isa, quando nos vimos ela pulou em cima de mim.
- VOCÊ FOI PERFEITA! – ela gritou e eu comecei a rir.
- EU SEI! AGORA É VOCÊ, VAI LÁ E ARASSA! – empurrei e ela riu indo para o mesmo lugar que eu estava antes. Estava indo em direção ao lugar dos participantes quando parou na minha frente.
- Corajosa. – levantou uma sobrancelha e eu fiz o mesmo com um sorriso.
- Prefiro: Impressionante. – dei um tapa de leve em seu rosto e fez um bico.
- Nãão, impressionante é que você vai ver daqui a pouco baixinha. – sorriu e saiu da minha frente. Olhei para trás e ri. É eu estava adorando isso.
Depois de cantar Rolling In The Deep e quase me fazer chorar, não demorou muito para ser anunciado. Esfreguei as mãos e mordi meus lábios inferiores. Eu sabia que iria dar um show, aliás, não era a toa que eu era louca por ele. A enorme tela mostrava a introdução de , todo o ensaio e ele falou bastante. Até que uma parte em especial me chamou atenção:
- “Trabalhar com a ... Eu não sei, é meio complicado. Você nunca sabe o que ela vai aprontar, ou o que ela ta pensando. Até ela começar a cantar. É ai que você descobre o que ela ta sentindo...” – quando ele terminou, não sabia que reação ter. Apenas escondi meu rosto soltando uma risada. Que imbecíl! Como falar isso de mim? Ele nunca sabe o que eu to sentindo, nunca. Tudo se apagou e no ritmo da bateria um show de luzes começou. apareceu e senti meu coração parar de bater por três segundos.
[N/a: Música < (The Maine – Pour Some Sugar on Me)]

Love is like a bomb, baby, c'mon get it on
(O amor é como uma bomba, baby, venha me excitar)
Livin' like a lover with a radar phone
(Vivendo como uma amante com um telefone radar)
Lookin' like a tramp, like a video vamp
(Parecendo uma tarada, como uma sedutora em vídeo)
Demolition woman, can I be your man?
(Mulher demolidora posso ser o seu homem? )
Razzle 'n' a dazzle 'n' a flash a little light
(Brincadeira excitante, um flash e um pouco de luz)
Television lover, baby, go all night
(Amante da TV baby, vai a noite toda)
Sometime, anytime, sugar me sweet
(Às vezes, qualquer hora, me adoce)
Little miss ah innocent sugar me, yeah
(Pequena dama, ah, inocente, me adoce)

Hey!
Take a bottle, shake it up
(Pegue uma garrafa, chacoalhe)
Break the bubble, break it up
(Quebre a bolha, quebre)

Pour some sugar on me
(Jogue um pouco de açúcar em mim)
Oh, in the name of love
(Oh, em nome do amor)
Pour some sugar on me
(Jogue um pouco de açúcar em mim)
C'mon fire me up
(Venha, me excite)
Pour your sugar on me
(Jogue um pouco de açúcar em mim)
Oh, I can't get enough
(Oh, eu não estou satisfeito o bastante)

I'm hot, sticky sweet
(Estou quente, doce grudado)
From my head to my feet yeah
(Da minha cabeça aos meus pés, yeah)


Eu não sabia que reação tomar. O jeito que ele cantava e se movia no palco, ia de um lado pro outro... As pessoas o olhavam com sorrisos enormes no rosto. E sem eu perceber todos já estavam de pé no ritmo de .

Red light, yellow light, green-a-light go!
(Luz vermelha, luz amarela, luz verde - vai! )
Crazy little woman in a one man show
(Mulherzinha louca em um show de um homem só)
Mirror queen, mannequin, rhythm of love
(Rainha do espelho, manequim, ritmo do amor)
Sweet dream, saccharine, loosen up.
(Doce sonho, sacarina, relaxe. )

You gotta squeeze a little, squeeze a little
(Você tem que apertar um pouco, apertar um pouco)
Tease a little more
(Provoque um pouco mais)
Crazy operator come a knockin' on my door
(Operador maluco bate a minha porta)
Sometime, anytime, sugar me sweet
(Às vezes, qualquer hora, me adoce)
Little miss innocent sugar me, yeah
(Pequena dama inocênte, me adoce)

Take a bottle, shake it up
(Peque uma garrafa, chacoalhe)
Break the bubble, break it up
(Quebre a bolha, quebre)

Pour some sugar on me
(Jogue um pouco de açúcar em mim)
Oh, in the name of love
(Oh, em nome do amor)
Pour some sugar on me
(Jogue um pouco de açúcar em mim)
C'mon fire me up
(Venha, me excite)
Pour your sugar on me
(Jogue um pouco de açúcar em mim)
Oh, I can't get enough
(Oh, eu não estou satisfeito o bastante)

I'm hot, sticky sweet
(Estou quente, doce grudado)
From my head to my feet yeah
(Da minha cabeça aos meus pés, yeah)


No solo, pegou uma guitarra e começou a tocar. Minha respiração se acelerou. Eu queria gritar, gritar, espernear. Meu espírito de fã não havia morrido em nenhum momento. Não sei como eu estava aguentando me segurar. A vontade de descer naquele palco e levar pra mim era tanta que tive que segurar o braço de . Olhei para o lado e ele ria cantando junto com a música.

Take a bottle, shake it up
(Peque uma garrafa, chacoalhe)
Break the bubble, break it up
(Quebre a bolha, quebre)


Foi a última parte e parou de tocar e cantar do jeito mais roqueiro que eu já tinha visto. jogou seu cabelo para o lado e sorriu abertamente para a platéia que gritava cada vez mais alto. Tive que bater palmas e quando abri meu sorriso, olhou na minha direção e piscou rindo. Levantei uma sobrancelha e me virei descendo até os bastidores. não deveria ter feito isso... Atiçou a euforia de uma fangil. Logo .

Capítulo 8
Sometimes the grass is greener...


Depois de ir para os bastidores, fiquei sozinha lá por um tempo até aos poucos o restante do pessoal chegar. Adam foi o primeiro, então ficamos conversando por um bom tempo. Pra mim era surreal, mas algumas vezes ele começava a rir da minha cara e me chacoalhava dizendo que era o mundo real. Depois , , Beck e chegaram. Sei que não colocaram nada naquele suco, mas todos nós estávamos rindo sem parar.
- E você , era muito fã de alguém daqui? – Aron perguntou se virando pra mim.
- Eu? Bom, sim. – meu sorriso se alargou e todos pareciam mais interessados. – Sou fã da Lea há muito tempo, quando te vi aqui quase tive um ataque do coração. – estendi minha mão para Lea e ela sorriu a segurando.
- E . – disse casualmente e eu o olhei ligeira. Assim como todos os outros.
- Como? – perguntei rindo.
- Você era fã dele também, fanática. Vi isso hoje. – olhou para as próprias mãos com um sorriso esperto nos lábios. Todos me olharam com sorrisos iguais e “uuuh”.
- Ta, ok. Tenho que admitir que...
- Me adora. – apareceu abrindo a porta e meu coração foi parar na boca. Num segundo todos começaram a gargalhar batendo palmas e eu cobri meu rosto morrendo de vergonha. Droga! – Qual o motivo do riso? – perguntou com uma cara de interrogação.
- É que-
- Nada. Nada. – descruzei minhas pernas e me levantei com os braços pra cima. Por um milagre um homem com um fone de ouvido chegou.
- Todos no palco. Hora de receber a notícia. – todos ficaram tensos e se levantaram indo em direção ao palco mais uma vez. Depois de alguns minutos, recebemos a notícia de que Cheryl e Brett foram a dupla eliminada. Não foi tanta cerimônia até todos nós nos abraçarmos e o programa acabar.
Todos saímos pelo lado de trás da Arena, e uma coisa impressionante aconteceu: Havia muitos fãs atrás de uma grades de segurança. E com seguranças! Arregalei meus olhos e abri meu sorriso. Garotas gritavam escandalosamente chamando pelo meu nome e os dos restantes. Involuntariamente corri até a grade e os gritos aumentaram. Vi que , e Beck fizeram o mesmo. Pelo menos a metade. veio do meu lado e eu sorri.
- Aqui!!!! Assina pra mim! – uma garota me entregou um pequeno caderno e eu comecei a assinar rindo. E ela começou a gritar quase chorando. Mas não era pra eu estar na pele dela? Comecei a assinar outros e tirar fotos com outras garotas.
- Eu amo você! Eu amo vocês dois juntos! AAAAA! – uma garota loira gritava olhando pra mim e pra .
- Uau! Obrigada! – respondi pegando a mão da garota.
- Também amamos vocês. – disse com um sorriso simpático e pegou meu braço. – Muito obrigada pelo apoio, temos que ir! – ele me puxou e eu acenei para as garotas. Entramos na van e todos nós estávamos eufóricos.
- MEU DEUS! QUE LOUCURA! – Beck gritou bagunçando os cabelos.
- NEM FALA! – gritei junto abraçando ela. – QUE DEMAIS! VOCÊS DEVEM AMAR ISSO! – olhei para e ele estava me encarando sorrindo.
- É, é sempre bom. – disse ele dando de ombros e olhando para que estava na nossa frente.
- Vocês ainda não viram nada. Daqui a pouco aquela mansão vai estar cheia de fãs malucos. – riu.
- E eu vou querer falar com todos! Nunca vou me cansar! – meu coração estava acelerado. Só de imaginar que minha vida poderia ser assim daqui em diante, fiquei mais feliz do que nunca! Eu mal tinha começado, e já tinha fãs. Com certeza iria ficar cada vez melhor.

POP on:

Sem nenhuma dificuldade abri meus olhos, o quarto já clareado. Eu me sentia bem, meu corpo estava relaxado. Me sentia diferente, diferente dos outros dias. Dos últimos anos. Era estranho, mas era bom. Quem não gosta de se sentir bem? Respirei fundo e me levantei esfregando meus olhos. Percebi que não estava mais em sua cama. Ouvi gritos e risadas vindo da parte de baixo. Mas vinha da varanda. Fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal, depois peguei uma camisa e desci as escadas. Ninguém na sala, cozinha ou qualquer outro cômodo. Fui para o lado de fora da casa e vi três ou quatro pessoas na piscina rindo, comecei a colocar a camisa até chegar à área de lazer e ver uma das coisas mais malucas da minha vida. com a parte de cima do biquíni e um short curto, estava subindo em uma árvore no jardim com a ajuda de , e . Ela ria sem parar e gritava junto com os outros. tinha seus braços agarrados à árvore e eu apenas cruzei os braços.
- Vai ! Sobe mais! – gritou para ela.
- Não! Eu não consigo ir mais, estou com medo! – fechou os olhos e começou a rir. Eu via a cena com um sorriso nos lábios. E acredite, eu não sei por quê. Mas alguma coisa me atraia naquela coisa toda. Nela. Essa coisa!
- Eu disse que não era pra ela subir! – Adam gritou da piscina.
- Então desce! – disse . olhou um pouco para baixo e negou.
- Não consigo... – começou a choramingar.
- Aaaah! Eu não vou te ajudar a descer. – e começaram a rir e se jogaram na piscina. – Olha quem acordou! – me viu e apontou pra mim – Vem brincar dude!
- Quantos anos vocês tem? 10? – perguntei rindo. levantou os braços em forma de redenção.
- Dá um tempo porque hoje é folga...
- ! – olhei em direção do som e fazia bico. – Menos conversa e mais ação, me ajuda! – levantei uma sobrancelha e me aproximei da árvore.
- Se você pedir com carinho... – sorri e respirou fundo.
- ... – ela começou a piscar os olhos e sorriu – Você pode me ajudar A DESCER DAQUI!? – todos começaram a rir e eu não aguentei.
- Tá bom. Pula! – estendi meus braços e arregalou os olhos, comecei a rir.
- O que? Não, não, não, não. Não! Definitivamente não! – abraçou a árvore mais uma vez e eu revirei os olhos.
- Não confia em mim ou o quê?
- Não confio em você e tenho medo.
- Eu te seguro. – me olhou com a cara amedrontada e se encolheu. – Eu juro. – disse desejando eu mesmo subir naquela árvore e a trazer pra baixo.
- Ok... No três. – se ajeitou devagar e comecei a contar:
- Um... Dois... Três! – todos gritaram e quando terminei gritando se jogou em meus braços. Fiz força pra conseguir segurá-la e senti se abraçar a mim. Arrumei seu corpo em meus braços e me lembrei da primeira vez que a carreguei em meus braços. Ela estava ainda mais bonita do que no outro dia. Natural, nem maquiagem ou vestido. Droga! Eu não podia conter. Mas essa simplicidade dela era o que a fazia mais atraente. Mas normalmente tudo nela estava me deixando... Eu não sei. Cada dia que passa eu gosto de ouvir sua risada, gosto de sentar do seu lado na mesa, gosto de ver ela se arrumando no fim do dia, do jeito que ela dança, canta, brinca e o pior: Adoro irritar ela. Sou um cara impulsivo e sei que faço tudo errado. Tudo errado.
- Pode abrir os olhos agora... – abriu um olho primeiro e eu comecei a rir. Ela pousou a mão no meu tórax e senti sua respiração quente bater no meu pescoço.
- Obrigada, . – a ouvi dizer e coloquei no chão. Ela abriu um sorriso e não contive em retribuir. se virou para a piscina e abriu os braços.
- ESTOU VIVA! – todos gritaram e começaram a rir. – Parece que alguém está muito seco. – vi ela se virar na minha direção e cocei um braço.
- O que? Ah não, não. – me olhou esperta e correu até mim fazendo com que nós dois caíssemos juntos na piscina. Abri meus olhos em baixo da água e tocou meu ombro sorrindo. Fui para cima e respirei. Ela começou a rir freneticamente e eu entrei na brincadeira – como havia falado.

Não sei por quanto tempo ficamos ali na piscina fazendo e rindo de coisas bobas. estava sentada na beira da piscina apenas com as pernas dentro da água conversando com animadamente. Às vezes me olhava e fazia uma careta, que me fazia rir.
- Olha o que eu trouxe! – Steve estava com um violão nas mãos e todos gritaram.
- Ah! Eu posso mostrar uma música que eu aprendi esses dias? – se levantou rápido e Steve entrou o violão a .
- Espera, espera! – Joe começou – E agora com vocês, a linda, a glamorosa, maravilhosa...
- FALA LOGO! – Pixie começou a rir.
- ! – andou até uma das espreguiçadeiras acenando para todos. As risadas foram audíveis e ela começou a dedilhar a música [Colbie Caillat – Bubbly] no violão.

I've been awake for a while now
( Eu estou acordada por um tempo agora)
You've got me feeling like a child now
( Você me fez sentir como uma criança agora)
'Cause every time I see your bubbly face
( Porque cada vez que eu vejo o seu rosto animado)
I get the tingles in a silly place
( Eu sinto arrepios num lugar bobo)

It starts in my toes
( Começa na ponta dos pés)
And I crinkle my nose
( E me faz enrugar o nariz)
Wherever it goes
( Onde ele vai)
I always know
( Eu sempre sei)

That you make me smile
( Que você me faz sorrir)
Please stay for a while now
( Por favor, fique por um tempo agora)
Just take your time
( Basta levar o seu tempo)
Wherever you go
( Onde quer que vá)


não cantou nem um minuto da música e mesmo assim me deixou paralisado. Deve ter sido a imagem mais doce que eu já vi em toda a minha vida. E ela cantava sorrindo, com tanto sentimento... Quando ela terminou, olhou pra mim. Era sempre assim, como se eu a aprovasse. Imagina se ela soubesse que toda vez que ela faz isso eu aprovo cada traço, cada palavra, cada nota? Eu estaria perdido, com certeza.
Todos começaram a gritar e bater palmas e ela abriu o sorriso mais ainda se levantando e se curvando em agradecimento.
- Cadê os jurados? – perguntou olhando pros lados.
- Ah não! Sem jurados! – Chad mergulhou na piscina e todos riram.
- Minha vez! – Aron gritou e a tarde continuou assim, até o final. Nunca me senti tão ligado com eles desse jeito. E já estava naquilo há semanas! Sempre senti que eles estavam lá, e eu aqui. Tenho certeza que era o meu ego enorme que me afastava dos outros. A única pessoa que realmente parecia se importava comigo era . E era a única pessoa que eu tratava como uma “qualquer”. E ela nunca mereceu, nunca pediu por isso.
Já estava anoitecendo e eu estava jogado no chão do quarto esperando sair do banho. Eu havia pensado muito o dia inteiro. Em várias coisas. Inclusive na noite em que disse que “A fama estava sendo uma ótima máscara pra mim”. Eu tinha entendido, mas fui egoísta demais pra ligar. E eu sabia que tinha que fazer uma coisa. Era isso, ou eu iria me condenar a vida toda. saiu do banheiro perfeitamente arrumada. Com um vestido florido acima de seus joelhos e os cabelos quase secos, soltos. Ela era a única da casa – incluindo – que andava descalça pela casa. Simplesmente não conseguia colocar nem um chinelo. Já tinha me acostumado com aquilo, e sinceramente? Eu gostava.
- Desistiu da carreira de cantor e virou tapete? – brincou e parou na minha frente.
- Um trabalho nada cansativo, ótimo. – nós dois rimos.
- Posso pisar? – deu um passo a frente e eu me movimentei rápido.
- Não, sem pisoteio. Na verdade... Tenho uma coisa pra te mostrar. – me levantei e fiquei frente a frente com ela.
- Só depois do casamento. – disse arregalando os olhos. Comecei a rir e ela bateu no meu ombro. – O que é?
- Vamos sair. – parou de rir no mesmo momento e olhou para trás, pro lado, pra todos os lados. Ela soltou um riso e piscou os olhos.
- Você ta me chamando pra sair? – ela apontou pra nós dois e eu assenti. – Andou bebendo, ?
- Só vamos a um lugar inocente. Não vou fazer nada de diabólico com você.
- Bom, eu chamo meus seguranças... Ok. – riu e correu para pegar um casaco pequeno e colocou uma sapatilha. – Prontíssima. – ri e assim saímos. Quando perguntaram aonde iríamos, dei qualquer desculpa e saí.
Eu não sou um monstro, e era hora de mostrar isso a ela. merecia.

POP on:

Estava no lado do passageiro no carro de . Era fim de tarde e lá estava eu, do lado do meu ídolo, com um amor reprimido dentro de mim, querendo saltar daquele carro. Por que diabos eu fui aceitar sair com ele, afinal? Eu sabia que ele queria alguma coisa, estava na cara. Há uma semana ele me tratava como lixo, e agora praticamente me sequestra? Acho que à tarde na piscina amoleceu meu coração de fangirl. E acredite, estou me condenando por isso. Mas ele parecia estar sendo tão sincero. De todas as formas. Seus sorrisos, risadas, as vezes que brincava comigo e com os outros. Toda vez que ele chegava perto de mim, meu corpo tremia e meu coração acelerava. Mais do que o normal. E foi ai que eu comecei a tratar ele como um amigo de anos. Só percebi agora que foi um erro.
- Chegamos. – disse depois de um bom tempo sem proferir uma palavra. Ele saiu do carro e rapidamente veio parar do meu lado abrindo a porta pra mim. Levantei uma sobrancelha e fiz uma cara surpresa. Ele riu e pegou minha mão.
- Não precisa de tudo isso. – disse sentindo minhas bochechas rosarem. tossiu e fechou a porta atrás de mim.
- Só to tentando. – ri com o que ele disse e olhei para cima para procurar alguma placa indicando o nome do lugar. Eu ouvia gritos altos e música. Meu coração se encheu quando vi que eu estava no Disney Adventure Park, era na Califórnia, mas mesmo assim eram ligações com a Disney World. Nunca iria ver isso em Oklahoma.
- Não. Acredito. – disse com a boca aberta. – NÃO ACREDITO! Você me trouxe aqui! Logo aqui! – comecei a pular e involuntariamente abracei . Senti que ele ficou meio sem reação e não sabia se me abraçava ou não. Então apenas me afastei. – Des-desculpa. – pedi olhando pra trás e xingando a mim mesma.
- Sem essa . Não precisa ficar sem graça, te trouxe aqui pra te ver sorrindo. – disse me empurrando para a entrada do local. Cerrei os olhos e não quis esboçar nenhuma reação, mas eu estava muito, muito fora de mim. disse alguma coisa e eu comecei a rir adentrando o parque. As luzes iluminavam o parque de tal jeito, que senti que estava sonhando. Meus olhos brilhavam sob a grande montanha russa a minha frente.
- Eu quero ir nela! – olhei para e ele riu assentindo. Não aguentei e sai correndo na frente dele. Sim, como uma criança. Tinha uma paixão por montanhas russas. Toda aquela adrenalina e aquela sensação de... Eu não sei qual é a sensação, na verdade. Mas é muito boa.
- Você quer ir nisso mesmo? – perguntou olhando para o carrinho que corria velozmente pelos trilos do brinquedo.
- O que é ? Sou mais corajosa do que imagina. – levantei meus ombros e o olhei divertida. abriu outra vez aquele sorriso lindo e esperamos mais alguns minutos na fila. Quando finalmente fomos liberados para entrar no carrinho, fui primeiro e sentou do meu lado. Meu sorriso aumentou e olhei para :
- Relaxa, eu ‘to aqui. Te dando forças. – zombei e começou a gargalhar.
- Por favor, . – foi a última coisa que ouvi antes de ouvir o “tchii” do carrinho e o brinquedo começar a subir. Eu e gritamos levantando nossas mãos. Emocionante, definitivamente. Em questão de segundos, já estava gritando e com os cabelos ao vento. Ouvindo os gritos de junto ao meu. Em certas partes eu fechava os olhos, pois depois de ver Premonição 3, tenho medo de loops. Mais três minutos e acabou. Sai do carrinho arrumando meu vestido e me sentindo uma pessoa realizada. Olhei para trás procurando por e ele continuava sentado no banco.
- Vamos de novo! – disse como um menino de cinco anos. Comecei a rir e estendi minha mão.
- Não! Ainda temos muito que ver. E eu quero ganhar um daqueles ursos enormes. Mesmo que tenha que ficar horas em uma dessas barracas. – insisti vendo saindo do carrinho.
- Acredito que não vamos ter tempo de ficar horas em uma barraca. – olhou para o relógio.
- Como assim? Não vamos embora tão cedo, vamos? – perguntei indignada.
- Não. É melhor que isso. – cruzei os braços, mas não aguentei por muito tempo. Todas aquelas coisas me chamavam. Na maior parte do tempo, fiquei arrastando para todos os brinquedos – os que permitiam nossa idade. E ele ria de todas as caras e coisas que eu fazia, assim como eu fazia com ele. Eu já estava com um algodão-doce nas mãos quando passamos por uma barraca de jogo de argolas. Mordi meu lábio inferior olhando vendo o seu cansaço nos ombros. Fiz bico e se rendeu me seguindo para a barraca.
- Ok, eu vou jogar três vezes. Espero que nas outras quatro você ganhe aquele panda pra mim. – o olhei com os olhos brilhando e levantou uma sobrancelha.
- Por que você não pode ganhar ele?
- Porque eu sei que não vou acertar nenhuma! Você é homem e me trouxe aqui, assuma o caso. – ri esperando minha vez depois de várias e várias pessoas. Tentei as primeiras três vezes e como o previsto, não cheguei nem perto. riu mais uma vez e se aprontou do meu lado. Ele parecia muito concentrado, tanto que acertou um. Mais um, três e quatro.
- UHU! – pulei de alegria e abracei . O homem que cuidava da barraca pegou “meu panda” e entregou para .
- Qual será o nome dele? – me perguntou afastando o urso de mim. Olhei para todos os lados e demorei alguns segundos até dizer:
- Bubbly. – sorri e peguei o urso de suas mãos.
- O nome de uma música? – perguntou confuso.
- Era esse ou Frantchesco.
- Ótimo nome. – concordou e eu comecei a rir. – Vem, tá na hora! – me puxou e me levou ao meio da multidão de gente que estava indo na mesma direção. As luzes do parque começaram a se apagar e meus olhos seguiam todas elas. parou em uma parte um pouco mais elevada que o chão do parque.
- ... Me diz que eu não vou ver o World of Color ao vivo e a cores. – meus olhos brilharam com minha pergunta e eu comecei a me emocionar.
- , apenas . – foi só o que ele disse e voltou a olhar para frente. Fiz o mesmo e respirei fundo, quando aquela música clássica começou a tocar.
- Walt Disney Presents... – e o show começou. Eu estava paralisada, perplexa e emocionada. Estava vivendo na terra dos sonhos. Estava vivendo um sonho... Uma gota de lágrima rolou em meu rosto e olhei para o lado, vendo sorrindo ao ver o espetáculo. Seu rosto iluminado pelas luzes, e toda aquela ternura que ele conseguia transmitir. Eu sabia que estava ainda mais apaixonada por . Agarrei seu braço e se virou pra mim. Ficamos nos olhando sem dizer uma palavra. Até que resolvi falar:
- , eu não sei o que você esta fazendo. Ou o que está tramando, mas você não devia. – fiquei na ponta dos pés e suavemente encostei meus lábios nos de . Fechei meus olhos e vi milhões de fogos de artifícios sendo queimados no céu. Toquei o rosto de e mais uma vez meu coração pareceu bater cem vezes mais rápido do que o normal quando fico ao lado dele. Me afastei e abri meus olhos lentamente, e vi fazendo o mesmo. Mas ao contrário do que eu esperava, ele somente ficou parado. Me encarando sem arriscar dizer uma palavra. Uma palavra que fosse. E vi ali que tinha me jogado ao mar de espinhos.
- Me-me desculpa! Eu não queria, na verdade, eu... ah! Eu sou uma burra, eu não devia ter feito isso. Eu não devia. Eu sei, eu sei! Eu juro que... – comecei a falar sem parar sentindo as lágrimas escorrendo sobre meu rosto. Abaixei a cabeça e me virei pensando em um jeito de me livrar dali. Mas senti meu braço sendo puxado com força, e assim apenas colou seus lábios nos meus, assim como nossos corpos. Senti sua mão pousando sobre minha pele e a outra que segurava meu braço, deslizou até minha cintura. Eu podia jurar que tudo aquilo estava me fazendo flutuar. pediu passagem para a língua e eu concedi. Nosso beijo era calmo, doce e amável. Até chegar ao momento em que parecia necessitado. Parecia que nós dois precisávamos disso, há muito tempo. Eu não sabia se estava viva ou morta naquele momento, mas a sensação de ter esse meu desejo de anos realizado, era melhor do que vencer qualquer reality show. Não sei quanto tempo durou, mas na minha mente, era a eternidade. Me afastei e abriu os olhos. Ele parecia analisar todos os traços do meu rosto e afagava meu cabelo.
Então uma montanha de pensamentos confusos caiu sobre a minha cabeça. O que eu estava fazendo? O que ele estava fazendo? O que nós estávamos fazendo? Da mesma rapidez que me senti flutuar, senti uma âncora presa em meus pés, me puxando para o solo novamente. Eu não queria que aquele momento acabasse, não mesmo. Mas e amanhã? E depois? não será o mesmo cavalheiro que foi hoje. Eu sei.
Irei acordar desse longo sonho e me deparar com a verdade nua e crua: Meu mundo não é um conto da Disney World.

Capítulo 9
You've got the Moves Like Jagger?


POV on:

Não, não, não. Eu não fiz isso.
Enquanto eu olhava a centímetros de distância, meu coração começou a acelerar. Cheguei a um ponto onde eu só conseguia ouvir meus batimentos cardíacos. Soltei de imediato levando minha mão direita até minha testa. Eu estava confuso, mais confuso do que tudo. Nunca me senti desse jeito antes, em toda a minha vida. Em toda a minha carreira. Nada me deixou tão desesperado como eu estava agora.
- Olha... – eu comecei com a voz trêmula. Virei meu corpo para o lado onde o espetáculo continuava e cobri minha boca. Voltei meu olhar para e respirei fundo. – Tem que ter uma boa explicação pra isso ter acontecido.
- Você ter me beijado? – deu um passo para trás e sua aparência não era muito diferente da minha.
- Hum... – hesitei tentando pensar em alguma coisa, mas nesse momento era inútil. – É. E foi você que me beijou!
- M-Mas... Eu ia fugir! Você me segurou! – percebi que tinha falado a primeira coisa que veio na sua cabeça. Eu não aguentei e soltei uma risada. Deus, ela era maluca.
- Fugir é mais fácil, né? – perguntei olhando para baixo.
- É, e eu to ficando sem graça já... É melhor a gente voltar, fingir que nada disso aconteceu. – olhou mais uma vez para o espetáculo e mordeu os lábios.
- Como eu vou fingir que isso nunca aconteceu? Você dorme do meu lado! – foi a primeira coisa que me veio a cabeça. se virou pra mim arregalando os olhos.
- Por que você tá tão desesperado? – e eu não sabia. Ah droga, por que eu to tão desesperado? Olhei-a mais uma vez soltando o ar dos meus pulmões.
- Eu não to desesperado... Afinal, isso acontece sempre. – ri com o meu comentário e percebi que ficou instantaneamente séria.
- É melhor irmos andando. Rápido. – ela disse passando por mim quase me levando junto. Confuso, eu corri para alcançá-la.
Já estávamos quase chegando e como o previsto, não falou um pio. Tentei me concentrar em qualquer outra coisa a não ser aquele maldito beijo. Lábios ridiculamente deliciosos, aliás. Já era a quarta vez que eu me forçava a olhar de canto de olho. Ela estava mexendo em seu celular, olhando para baixo. O cabelo escorregando delicadamente em sua pele, enquanto ela o colocava atrás da orelha e deixava seu pescoço à mostra. Tive que virar meu rosto um pouco apenas para observar aquela cena. Merda , você tá parecendo um pervertido. “E você não é um?” ouvi minha própria consciência perguntar e ri por dentro. Voltei minha atenção para a estrada e já conseguia ver as luzes da entrada da mansão. Andei com o carro até a garagem e o desliguei.
- Chega... – nem pude terminar a palavra e já estava saindo do carro com o urso em suas mãos. Saí do carro logo em seguida um tanto quanto desajeitado e comecei a andar um pouco rápido atrás dela. nem sequer desviou seu olhar na minha direção. Adentrou a mansão e já foi subindo as escadas. Olhei para os lados e ouvi vozes animadas vindo da sala de TV e da cozinha. Não liguei e continuei seguindo . Ela entrou no quarto e jogou o urso em sua cama tirando suas sapatilhas e indo direto para o espelho. Entrei no quarto e levantei os braços.
- O que você quis dizer com ‘Isso acontece sempre’? – tirou os brincos e começou a andar até mim.
- O quê? – perguntei fechando a porta atrás de mim.
- Você me disse isso, o que significa?
- Bom, eu já fiquei com uma fã. Aquilo não foi muito diferente. – levantei uma sobrancelha. abriu a boca e soltou um riso.
- Fã. Você já ficou com uma fã? Eu pareço como uma fã pra você? – apontou pra si mesma de cima a baixo e eu segui suas mãos. É claro.
- Sim, me parece. – voltei a olhar nos olhos dela e chegou mais perto.
- , eu nunca conheci uma pessoa tão orgulhosa e arrogante como você em toda a minha vida. – senti a respiração dela se acelerar.
- E você adora. Cada pedaço disso. – num segundo senti a mão quente de queimar no meu rosto, num tapa.
- NOJENTO! Você é nojento ! Cada pedaço de você! Eu te odeio! – começou a me empurrar e eu segurei os pulsos dela forte.
- Dá pra você calar a boca?!
- Vem calar! – disse por último. E foi ai que eu avancei em seus lábios pela segunda vez naquela noite. Sei que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Ela não parava de falar, e isso me deixava louco. Tudo nela me deixava louco, irritado, impaciente. tentava lutar contra mim e pra facilitar enlacei sua cintura toda com o meu braço. E com a outra mão segurei seu cabelo. Já era tempo de desistir e me dar passagem para a língua. Senti sua mão escorregar até a minha nuca puxando meu cabelo de leve e uma perna sua se enroscava na minha. Andei com ela até encostá-la na parede. partiu o beijo e me empurrou com força.
- Não! – disse ela limpando os lábios com as costas da mão. – Está errado, tudo errado. Isso não é você , e eu não sou eu. – estava com a respiração falha assim como a minha. Não liguei para as palavras dela e mais uma vez me aproximei. Ela me parou e olhou fundo nos meus olhos. – Não.
- Por que não? – perguntei quase numa suplica. Não consegui distinguir a expressão no rosto de . Ela fechou os olhos e sua cabeça caiu.
- Você não pode me ferir mais ainda . Eu não posso. – me endireitei e me afastei sozinho. Se eu estava confuso antes, imagine agora.
- Eu pensei que você gostava de mim. – levantei o rosto de e ela deu um meio sorriso.
- Eu sei que pensou. – pegou qualquer roupa na cômoda e seguiu para o banheiro, me deixando paralisado ali. Fechei meus olhos e baguncei meu cabelo me jogando na cama. Droga , Droga! Acorda.

POV on:

Entrei no banheiro e me encostei atrás da porta inspirando e expirando rápido o bastante pra escorregar até o chão. Ok, muitos acontecimentos. Muitas emoções se juntando. Um, dois, um, dois... Eu apenas beijei meu ídolo e aparentemente verdadeiro amor da minha vida em um parque de diversões, e agora nós nos agarramos no meu quarto. Ok. Tudo bem. NÃO! Eu queria gritar, queria espernear, queria entrar em uma rede social e falar disso até o assunto virar um spam. Queria abraçar meu travesseiro e gritar nele para abafar o som. Pular por essa casa inteira e... E eu estou agindo como uma fã maluca. Sim, eu sou uma fã maluca. Mas não preciso agir mais desse jeito, não. , o cara dos meus pôsteres está atrás dessa porta, provavelmente desmaiado na cama ou coisa do tipo e eu aqui quase tendo um ataque do coração. Eu tinha que falar com alguém, tinha que soltar tudo dentro de mim. Se não em questão de segundos eu iria explodir!
Tirei meu vestido, tomei um banho rápido e vesti um short branco de algodão e uma camisa da mesma cor. Não me preocupei em calçar nada e abri a porta respirando fundo. parecia morto em sua cama, incrível, ele sempre parecia estar com sono. Não muito diferente de mim. Na ponta dos pés andei até a porta a abrindo e a fechando lentamente. Todas as portas do corredor estavam fechadas e pelo que vi minutos mais cedo, todos estavam no andar de baixo se ocupando com alguma coisa.
Desci as escadas um tanto animada e andei até a cozinha. Lá estavam Pixie, Chad, Aron e Morgan.
- Alguém viu a por ai? – perguntei parando no batente da porta.
- Ela deve estar na sala de TV com os rapazes. – respondeu Aron acenando. Morgan não falara comigo desde a minha última apresentação. Parece que a carapuça serviu. A olhei com um sorriso cínico no rosto e me virei indo em direção à sala de TV. Adentrei o aposento e junto com , e Adam conversavam enquanto um filme qualquer passava na enorme telona. Bati na porta e todos voltaram suas atenções para mim.
- ! Vem aqui, estamos falando da vida do Adam. – comecei a rir com o comentário de e me aproximei, me inclinando no sofá.
- Emocionante. Mas tenho quase certeza de que já li a biografia de Adam Lambert inúmeras vezes no Wikipédia. – todos riram e Adam me abraçou de lado.
- Estamos falando de coisas pessoais, meu bem! – fez uma voz engraçada e eu peguei o braço de .
- Preciso falar com você. Urgente. – a olhei significante e deu um pulo do sofá me acompanhando.
- Não se preocupe, eu voltarei! – disse teatralmente, o que me fez rir. Desde que chegamos a casa, foi a minha melhor amiga. Ela é a única que sabe exatamente meus sentimentos por , sem restrições. Tudo o que acontece, ela sabe, ela está ali comigo. Fomos até a parte exterior da casa, onde dava uma grande área de lazer com o jardim mais lindo que eu tinha pisado em toda a minha vida.
- Ok, se prepara. – parei de andar e já estava eufórica. – Hoje, me levou para ver o World of Colors ao vivo.
- O QUE? – deu um grito e eu tapei a sua boca fazendo sinal de silêncio. Ela assentiu e eu descobri sua boca rindo. – Não acredito! Quem é que faz isso?! – disse sussurrando.
- Hum... ? – comecei a surtar e me controlei novamente. – E não para por ai. Eu beijei ele.
- Como é que é? – paralisou prendendo a respiração. Colocou a mão na minha testa e eu cerrei os olhos.
- Não! Eu não to doente! – tirei sua mão na minha testa num tapa e pareceu acordar.
- COMO É QUE É? – mais uma vez tive que cobrir a boca da garota a minha frente.
- Já disse pra não gritar! Alguém pode ouvir. Isso seria o fim. – respirei fundo antes de continuar – Mas então, me beijou de volta. E quando chegamos aqui, tivemos uma briga, que acabou em outro beijo.
- Ah meu Deus! Que tipo de reality show é esse? Será que além dos câmeras, existem outras escondidas? – arregalou os olhos.
- Do que você ta falando? – dei um tapa em seu braço e começou a rir.
- , minha ... Você beijou o seu ídolo! O cara do papel de parede do seu computador, o dono das músicas no seu Ipod. Você sabe o que isso significa?
- Sei! Eu sou burra pra caralho! – eu disse passando as mãos no meu cabelo e deu um pulo pra trás – Como eu vou conviver com isso sem surtar cada minuto do dia? Ele vai dormir, e amanhã o que nós conhecemos volta.
- , não pira. – me chacoalhou e eu a olhei. – Aposto que ele ficou hipnotizado com todo esse seu poder. Se ele te beijou, ele está praticamente na sua mão.
- Você bebeu o que?
- Nada. Agora ta na hora de mostrar que você também esta jogando esse jogo. Não só ele. Ataca , ataca.

Entrei no quarto e estava deitado na cama, mas mudando os canais da TV com o controle sem parar. Ele parou por um instante enquanto eu passava na frente da TV, e tentei ao máximo fingir indiferença. Parei na cômoda na minha frente e abri o zíper do meu short e comecei a deixar a peça escorregar na minha coxa.
- U-rru. – ouvi pigarrear. – O que você tá fazendo?
- Me preparando pra dormir. – respondi dando de ombros. Meu short caiu nos meus pés e eu os tirei totalmente ficando apenas de calcinha e a blusa.
- V-vai dormir... Assim? – ouvir gaguejar foi estranhamente novo. E satisfatório.
- Tem algum problema? – perguntei como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- Eu sou um homem, você vai dormir de calcinha e regata no mesmo quarto que eu durmo. – olhei por cima do meu ombro e levantei uma sobrancelha sorrindo. Minha vontade era de me jogar em cima de naquele mesmo momento, mas me forcei a apenas me virar e ser torturada pelo olhar de secando meu corpo.
- Eu sei que você é homem. Mas também sei que não vai fazer nada. – comecei a andar até minha cama e parei na frente de .
- Diz isso por mim ou por você? – jogou o controle longe e eu apoiei minha mão em minha cintura.
- Por nós dois. Você tem que se acostumar a não poder tocar tudo o que quer . A vida é meio injusta. – fiz bico e me joguei pra trás deitando na cama. Senti os olhos de passear por todo o meu corpo e voltar para o meu rosto.
- ... – hesitou e esfregou os olhos. – Você tomou seus remédios? – quando ouvi aquilo não aguentei. Gargalhei rolando na cama.
- Tomei. Eu só acho que assim fica mais confortável. Se não está gostando, tem muitos lugares onde dormir nessa casa. – dei de ombros e me virei para o lado oposto de . Puxei o edredom para me cobrir e continuei ouvindo a TV, mas nenhum som vindo de . Fechei meus olhos e respirei fundo. Não se passou nem um minuto, e senti a cama se afundar do meu lado. Arregalei meus olhos e olhei para trás. estava tentando se aconchegar no espaço do meu lado.
- O QUE É ISSO? – gritei não conseguindo me virar completamente. Foi assim que conseguiu me abraçar. Senti ele beijar meu pescoço e gritei mais uma vez.
- O que foi ? – subiu o beijo para a minha bochecha. – Achei que isso tudo fosse só mais um sinal.
- SINAL? QUE SINAL! SAI DAQUI SEU PSICOPATA! – comecei a me debater desesperadamente, fazendo com que caísse da cama.
- MALUCA! – gritou olhando fundo nos meus olhos. Minha respiração começou a ficar pesada e comecei a sentir o ódio se apossando do meu corpo. Eu poderia muito bem dar um soco no rostinho lindo dele, sem dó nem pena. Pensar pra que, afinal? Me joguei em cima dele no chão e fiz com que minhas pernas ficassem uma de cada lado do seu corpo. Apoiei minhas mãos no chão e cheguei mais perto do rosto de , falando baixo:
- Me escuta bem , porque eu acho que na sua idade eu não vou precisar desenhar. – não fez nenhum movimento. Apenas continuava me encarando com a respiração falha. – Eu não sei como você trata seus “relacionamentos”, mas aquele beijo foi um erro na minha vida. Se não o maior. A última coisa que eu estou pensando agora é repetir a dose. Eu não vou embora amanhã, vamos ter que passar muito tempo juntos. Por isso espero que você pense não uma, não duas, mas MIL vezes antes de querer se arrepender todos os dias. – sorri cínica e comecei a me levantar olhando de cima – Tanto quanto eu.
Ele não disse simplesmente nada. Não consegui ler o que os olhos dele diziam, uma mistura de raiva e confusão, talvez? E acredite, eu estava muito confusa. Mas dizer tudo aquilo me ajudou mais do que eu imaginava. Eu me sentia forte, muito mais do que antes.

Senti o ar gélido passar pelas minhas pernas descobertas. Espera. Descobertas? Dei um pulo na cama e vi que pela minha maneira de dormir, à noite não devo ter parado de me virar milhares de vezes. Uma perna estava por cima do edredom, e outra coberta só até a metade, e a parte de cima do meu corpo descoberta. Pelo menos não resolvi dormir só de sutiã. Coloquei a mão na minha testa e ri sozinha. Me sentei na cama jogando meus cabelos para trás e me espreguiçando.
- Bom dia. – Droga, às vezes me esqueço que não durmo sozinha nesse (milagroso) quarto. Olhei para o lado e vi deitado de barriga pra baixo, abraçado com o travesseiro.
- Você tava me olhando até agora? – cerrei os olhos e ele riu.
- Gosto do jeito que você acorda. – senti meu coração parar por dois segundos. Fiz uma cara de interrogação querendo que ele repetisse aquilo. – Porque, q-quer dizer... Sempre quis ver um leão acordando. – deu de ombros saindo da cama. Fechei a cara e respirei fundo.
- Depois a criança sou eu! – gritei quando ele entrou no banheiro batendo a porta. Ouvi a risada alta de e apenas não liguei. Revirei os olhos e caí de volta na cama me cobrindo com o edredom. Dois minutos e um baque na porta me fez saltar na cama. Quando olhei em direção a porta, Kyle vinha com mais um câmera man com toda a disposição estampada no seu enorme sorriso.
- Hora acordar raio de sol! – cerrei os olhos.
- O qu... – nem terminei de falar e Kyle abriu a cortina fazendo com o que a luz do dia invadisse o quarto. saiu do banheiro sem a camisa e com a escova de dente na boca.
- Mas o que? – estendeu os braços e olhou de Kyle para mim. Neguei com a cabeça e o câmera se virou pra mim me filmando.
- Ah, sério? Não deve ser nem sete da manhã! – deitei novamente abafando minha voz com o travesseiro.
- Estamos fazendo isso com todos da casa. Agradeçam pelo quarto de vocês ser o último do corredor. – Kyle riu e correu para o banheiro novamente. Kyle andou até mim e se sentou na ponta da minha cama. – parece mais cansada do que os outros dias. O que houve?
- Muito treino... – falei a primeira coisa que me veio a cabeça, tentando não lembrar da noite anterior. O beijo de , aquela briga provocativa... Mãe do céu!
- Então vocês terão que treinar mais ainda. – ele disse vendo voltar se sentando em sua cama. – Essa semana será uma semana especial... Vocês terão que cantar Maroon 5! – arregalei os olhos me virando para .
- JURA?! – gritei animada e quase abracei Kyle se não fosse pela minha roupa. – ALEX, MAROON 5! – parecia tão animado quanto eu.
- Quando começamos a ensaiar? – perguntou esfregando as mãos.
- Hoje mesmo. Se arrumem e desçam, temos mais uma pequena surpresa pra vocês. – Kyle saio do quarto com o câmera.
- Ah meu Deus! Tô tão elétrica, Maroon 5! – repeti mais uma vez saindo da minha cama correndo para o armário.
- Uou, uou. Se acalma pilhinha. – se levantou – Só tem uma coisa: Conheço toda a discografia do Maroon 5. Não vou conseguir decidir em uma única música. – me virei colocando uma saia jeans azul clara.
- Que bom. Por que realmente não vai ser só você que vai decidir. – levantei uma sobrancelha e me virei mais uma vez olhando meu cabelo no espelho. Voltei minha atenção para as roupas e acabei escolhendo uma regata da cor bege e um cinto preto na cintura. também se arrumava, mas não me importei em olhar pra ele. Quanto a ele olhando pra mim, bom, eu também não sabia. Coloquei uma bota preta e me olhei pela última vez no espelho.
- Pronta. – sorri satisfeita e olhei para . A porta já estava aberta e ele já tinha saído do quarto. – Urgh! – gemi de raiva e saí do quarto atrás de batendo os pés. – Será que pelo menos dá pra esperar? – corri até ele puxando seu braço.
- Aqui, não vamos aparecer juntos. Isso quer dizer, não quero você pendurada em mim. – empurrei seu braço e abri a boca em indignação. Depois pensei mais uma vez, e um sorriso se formou em meus lábios.
- Tenho pena de você . Qual a idiota que gostaria de ficar pendurada em você? – apoiei minhas mãos em seus ombros e deixei minha cabeça cair de lado. – Ah espera, eu já disse idiota. – ri e sai na frente de olhando pra trás só pra certificar de que ele estaria cuspindo fogo. Bingo!
Quando chegamos ao andar de baixo, a casa estava vazia. Então fomos até o jardim e lá estavam todos reunidos.
- Bom dia! – eu disse animada e todos sorriram. fez o mesmo. Os últimos a chegar foram Morgan e Steve. John, Tina e Kris também estavam na nossa frente. E Kyle começou a falar:
- Mais uma semana começa e temos mais uma surpresa pra vocês. Como vocês sabem, terão que fazer performances com as músicas do Maroon 5! – disse Kyle animado. e eu nos olhamos e fizemos um rápido Hi-5. – Mas o que não sabiam, era que acrescentamos mais uma jurado essa semana. Com vocês: ADAM LEVINE! – quando Kyle apontou para trás, Adam Levine em carne e osso com um sorriso de orelha a orelha, acenando para todos. Meu coração se acelerou apenas de ver ele. Fangirling, ah não.
- AH MEU DEUS! UOOOOH! – gritei apertando o braço de e ficando na ponta dos pés porque por algum motivo estava mesmo na minha frente tampando minha visão.
- Se acalma! – riu e me empurrou de leve pro lado. Comecei a rir também e tentei me controlar.
- E ai, pessoal? Parece que tá todo mundo bem animado e com muita energia. E vocês vão precisar, porque não vão cantar apenas uma música, e sim duas. Terão o direito de escolherem qualquer música de toda a discografia da banda e farão o melhor pra continuarem na competição. – disse Adam olhando atentamente pra cada um de nós. – Nós vamos trabalhar com cada dupla essa semana.
- Agora vocês irão pro estúdio e trabalharam lá em dois dias, e depois irão ensaiar no palco da Arena. É melhor prepararem suas músicas! Boa sorte. – Kyle sorriu e todos comemoraram. Haviam duas vans como sempre, paradas na frente da mansão. Já comentei que ainda não estou acostumada com câmeras me perseguindo? Então, é. bateu no meu ombro e nós dois viramos indo para a parte da piscina.
- Ok, quais vão ser as músicas? – perguntou cruzando os braços.
- Você acha que é assim? Bom, pelo menos você está me perguntando. Grande passo. – dei um sorriso cínico e fiz cara de pensativa. – Que tal... Wake Up Call? Poderia ser um dueto e tanto.
- Hum... Não. – fez bico. – Misery, todo mundo gosta de Misery.
- Já ta muito cantada e com certeza alguém vai escolher. – cruzei os braços e respirei fundo. – Já sei, Moves Like Jagger! Imagina... “I got the moves like Jagger” – fiz uma dança batendo meu quadril com o de e ele gargalhou.
- É, to imaginando... Moves Like Jagger. Agora a outra, EU ESCOLHO. – riu apontando pra mim. Esperei ele fazer aquela cara de sábio mais uma vez e soltei outra risada. – Harder To Breath.
- Por quê? – perguntei engolindo o seco.
- Combina com a gente. – deu de ombros e eu comecei a lembrar da letra da música. Droga.
- Só com uma condição. – levantei uma sobrancelha e fez o mesmo. – Você vai ter que atuar. Fazer uma performance mesmo.
- Como assim? – riu.
- Você vai ver nos ensaios. Agora vamos. – puxei pela mão e fomos correndo até uma das vans. Esperamos o resto chegar e assim fomos pro estúdio. Quando chegamos, os produtores Sam Phillips e Brian Eno nos esperavam. Descobrimos que ninguém havia escolhido as mesmas músicas que eu e , isso era ótimo. Depois de mais ou menos uma hora e meia esperando os outros, era a vez de e eu entrarmos pra gravarmos. Esfreguei as mãos e nós dois entramos juntos na sala, depois de termos conversado com os produtores.
- Vamos começar com Harder To Breath? – perguntei e concordou. Colocamos os fones de ouvido e Sam colocou a música instrumental e fez sinal para começarmos. limpou a garganta e começou.
- How dare you say that my behavior is unacceptable. So condescending unnecessarily critical... – eu podia jurar que ouvia meu coração batendo. a centímetros do meu rosto, sua voz rouca e sensual ao mesmo tempo, seus gestos com as mãos, tudo era completamente impossível de não prestar atenção. Aquela música não iria me fazer bem, com certeza. Eu cantaria o segundo verso da mesma forma que .
- Hoping somebody someday, will do you like I did?! – treinamos mais umas duas vezes e pulamos para Moves Like Jagger. Foi mais divertido do que eu imaginaria ser. Pensei que iria ser o contrário, mas aproveitei cada minuto. Parecia que tinha alguma coisa que o fazia mudar de repente. Ele acorda parecendo um gorila selvagem, e conforme o dia passa, ele vira o que eu sempre quis ver. Todo o tempo ele ria, brincava e não parava de fazer palhaçadas. Isso porque só apareceu uma vez pra encher o nosso saco. Sabia que isso seria só até a apresentação.

- You say I’m a kid, my ego is big… Para, para, espera! - cantava segurando a letra nas mãos. – Por que você não canta essa parte? – eu estava sentada em uma das poltronas da Arena. Já era o terceiro dia e os ensaios estavam rendendo.
- Por que combina mais com você. – falei simples e riu debochado fazendo uma careta.
- Pausa de cinco minutos descanse um pouco. – John se levantou da mesa dos jurados e estalou os dedos. se virou indo para o fundo do palco e eu me levantei da poltrona voltando para o palco. Antes de subir o primeiro degrau, senti alguém segurar meu braço e olhei para trás. John sorriu e eu retribui.
- Você ta maravilhosa. – olhei para todos os lados e sorri. – Cantando. Maravilhosa cantando...
- Obrigada. – dei um tapa de leve em seu braço. – Quem sabe nós não podemos fazer um dueto também? – ri e comecei a subir no palco cantarolando uma música do The Maine. – Cause she’s everything I ask for, everything I ask for... – olhei para trás e John alargou seu sorriso mais ainda.
- And so much more. – John completou e eu ri voltando minha atenção para . Andei até ele colocando uma mão em seu ombro. Ele me olhou de canto de olho e voltou a olhar as letras.
- Foi boa a conversa? – perguntou sério.
- Que conversa? Ata! Ele me chamou pra sair. – dei de ombros e de imediato levantou o rosto olhando pra mim.
- E o que você disse?
- Que eu tenho namorado.
- E você tem namorado ? – perguntou cínico e eu cruzei os braços.
- Primeiro: Se ele tivesse mesmo me chamado, eu não iria recusar. Segundo: Se eu tenho ou não um namorado, não é da sua conta. – ri e me virei pra tomar um pouco de água.
- Conheço O’Callaghan melhor do que você, . – olhei pra trás e não olhava pro meu rosto.
- Que bom, por que não passa o meu número pra ele? – fiz um telefone com a mão. – Espera... – me olhou sério e eu fui chegando mais perto. – Você ta com ciúme?
- Ciúme? Ah, por favor. Não tenho motivo pra isso. – riu e se virou de costas pra mim.
- E se eu disser que se fosse o John que tivesse me beijado, eu não teria tratado ele como um qualquer. – falei perto de seu ouvido e se virou rápido prendendo meu pulso e ficando a centímetros de mim.
- Mas não foi, foi? John não é homem o bastante nem pra fazer você se sentir como está agora. Sua respiração falha, você treme, ... Tem que aprender a esconder um pouco mais seus sentimentos. – me contorci pra sair de perto de . Eu queria matá-lo agora. Como uma pessoa pode ser tão cínica, arrogante e asquerosa como ele? Eu sou uma idiota, uma completa idiota por ainda gostar tanto assim dele. não devia me provocar assim, simplesmente não devia.

POV on:

Era agora. Eu entraria naquele palco, e faria ver com quem esta mexendo. Incluindo aquele John Idiota O’Callaghan. Não ia ficar vendo os dois de intimidades em baixo do meu nariz. entraria depois de mim, mas estava do meu lado. Aquela roupa ficava perfeita nela. O short de couro preto e curto, o cabelo solto e a maquiagem que nunca era forte demais. Tenho vontade de enfiar minha cabeça num buraco quando penso nisso, mas a verdade é que é realmente maravilhosa. Não tem o corpo de uma modelo de capa de revista, mas quem disse que precisa disso? Não tem a delicadeza de uma flor, mas eu nunca disse que não gostava disso. Mesmo com as nossas brigas, parecia estar feliz sempre. E isso não me deixava com raiva, me fazia bem. Talvez era disso mesmo que eu precisava na minha vida. Mas isso, o que?
- , é agora! – me cutucou e eu apertei peguei o microfone a olhando confiante. sorriu e olhou para frente, fiquei a olhando de canto de olho e a única coisa que veio na minha cabeça foi: Ela. Junto com O’Callaghan. Apertei o microfone e fiquei sério. A parede se abriu e o show de luzes começou com a música [Harder To Breath].

How dare you say that my behavior is unacceptable
(Como você ousa dizer que meu comportamento é inaceitável?)
So condescending unnecessarily critical
(Uma crítica tão condescendente e desnecessária.)
I have the tendency of getting very physical
(Eu tenho tendência a ficar muito violento,)
So watch your step cause if I do you'll need a miracle
(Então fique esperta porque se eu ficar, você vai precisar de um milagre!)


Enquanto eu cantava, atrás de mim, desceu a mão do meu ombro pelo meu peitoral e andou até a minha frente. Coloquei a mão em sua cintura e puxei como se estivesse a machucando.

You drain me dry and make me wonder why I'm even here
(Você me enlouquece e me faz perguntar porque ainda estou aqui.)
This Double Vision I was seeing is finally clear
(A visão dupla que eu estava vendo está, finalmente, clara.)
You want to stay but you know very well I want you gone
(Você quer ficar, mas sabe muito bem que eu quero que vá.)
Not fit to funkin' tread the ground I'm walking on
(Você não merece nem andar pelo chão em que pisei!)

When it gets cold outside and you got nobody to love
(Quando ficar frio lá fora e você não tiver ninguém para amar, )
You'll understand what I mean when I say
(Você vai entender o que eu quis dizer quando disse, )
There's no way we're gonna give up
(Que nós não íamos desistir de jeito nenhum. )
And like a little girl cries in the face
(Como uma garotinha chorando na frente, )
Of a monster that lives in her dreams
(Do monstro que habita os seus sonhos. )


começou a cantar comigo e depois sozinha. Até que começou a sua parte.

Is there anyone out there?
(Tem alguém aí? )
Cause it's getting harder and harder to breathe
(Porque está difícil e difícil de respirar)
Is there anyone out there?
(Tem alguém aí? )
Cause it's getting harder and harder to breathe
(Porque está difícil e difícil de respirar)

What you are doing is screwing things up inside my head
(O que você está fazendo está confundindo a minha cabeça)
You should know better
(Você deveria saber melhor que)
You never listened to a word I said
(Você nunca ouve uma palavra do que eu digo)
Clutching your pillow and writhing in a naked sweat
(Agarrando o travesseiro e se contorcendo em um suor frio)
Hoping somebody someday, will do you like I did?
(Esperando que alguém o possua, como eu um dia eu possui? )


Começamos a cantar o segundo refrão juntos e fomos para o meio do palco. Andei até a puxando pra perto e ela jogou a cabeça para trás fazendo seu cabelo dançar. me puxou pela camisa e olhou no fundo dos meus olhos.

Does it kill?
(Isso mata? )
Does it burn?
(Isso queima? )
Is it painful to learn
(É doloroso saber)
That it's me that has all the control?
(Que sou eu quem tem todo o controle? )


Ela se virou ficando de costas pra mim e eu a abracei por trás cantando a segunda parte.

Does it thrill?
(É excitante? )
Does it sting?
(É doloroso? )
When you feel what I bring
(Quando sente o que eu trago)
And you wish that you had me to hold
(E você deseja que me tivesse pra abraçar? )


Era o último refrão e eu nunca me senti tão vivo cantando com alguém, como estava me sentindo agora. me passava energia, raiva, sabia me provocar e deixava tudo cheirando a desafio. E eu adorava! Oh céus, como eu adorava. Nós éramos uma mistura de tudo e mais um pouco. Enquanto eu cantava, as imagens do beijo no parque, no quarto e na hora em que ela foi dormir vieram na minha cabeça. Eu não parava de olhar pra ela, mas no final, tive que terminar e olhar pra John. O que me deixou mais feliz, foi ver que nem eu conseguia distinguir a expressão dele. Olhei para o fundo, a platéia, e sorri largamente assim como . Todos gritavam de pé, assoviando e berrando nossos nomes. Puxei a mão de e nós dois agradecemos. O ‘plano’ era cantar a primeira música e sair do palco, esperar as outras duplas e cantar a segunda para ouvir os jurados. E só saberíamos os resultados do dia seguinte. correu para os bastidores e eu fui atrás.
- Meu Deus! Foi demais, eu to elétrica até agora! – esperneava e só percebeu que eu estava atrás dela quando olhou pra trás. – O que você achou?
- Fomos perfeitos. – abri os braços e ri. bateu na minha mão e fez um “Aú!” piscando um olho. Começou a andar dançando até o camarim e eu tive que segui-la.
- O QUE FOI AQUILO!? – correu para abraçar e ela fez um pose.
- Eu sei, fomos incríveis. Boa sorte pra vocês. – todos riram e deu mais um gritinho.
- Se ela ta assim agora, imagina depois de Moves Like Jagger? – Chad arregalou os olhos.
- Provavelmente ela vai agarrar o em cima do palco. – disse dando de ombros olhando para a TV. – que estava rindo parou na mesma hora e eu também.
- Por que eu faria isso? – não conseguiu ficar muito tempo séria e começou a rir de novo. – Por favor, né . – ela se jogou do lado dele no sofá.
- Ou o faz isso. – Joe levantou o dedo como se estivesse com o poder da razão.
- Que idéia é essa de vocês agora? – levantei os braços e me joguei do lado de . Ela se mexeu pra ficar confortável e eu acabei ficando com o braço em volta dos seus ombros.
- É que somos muito sexy juntos. Ai isso acontece. – disse se curvando pra pegar um doce que estava na mesa de centro e voltou a se sentar. Ela me olhou com um sorriso e eu não me segurei, tive que rir e balancei a cabeça negativamente olhando para o outro lado.
- Ah sim, somos. - Comecei a conversar com Joe e Pixie, mas continuei sentado no mesmo lugar com em baixo do meu braço e ... Brincando com ela? Bom, tentei não me focar muito nisso. Afinal, não era importante mesmo.

POV on:

Passaram mais ou menos 30 minutos e agora teríamos que trocar de roupa para a outra música. Acho que nunca me soltei tanto em cima de um palco igual agora. Harder To Breath foi mais do que eu esperava. Toda vez que eu e nos aproximávamos eu sentia que meu coração poderia explodir a qualquer momento. E ficava cada vez mais difícil. Por isso quando acabamos de cantar, no camarim eu fiquei tão aforada. A: Foi uma das melhores performances, B: Eu estava cantando com o , e C: Eu estava cantando com o ! Não conseguia ver ou imaginar outra coisa.
E agora era Moves Like Jagger, eu daria o meu melhor. O combinado era que eu começaria sentada na platéia, por isso não vi até agora. Eu estava do outro lado da Arena, com duas mulheres mexendo no meu cabelo e retocando minha maquiagem. Minha roupa era perfeita. A maquiadora, Janine, veio até mim e me ajudou a colocar o casaco.
- Sua roupa me lembra a cantora Miley Cyrus. Conhece? – ela disse e eu ri.
- Claro. I can’t be TAMED! – cantei com gestos e as duas que estavam comigo começam a rir.
- É agora, entra. – um dos seguranças chegou me empurrando para dentro da Arena. Fui andando animada e senti os olhares sobre mim.
- !!! ! – ouvi meu nome ser gritado várias vezes e eu apenas acenei com um sorriso aberto para as garotas da platéia. Sentei-me na poltrona que estava marcada e cumprimentei a mulher que estava do meu lado. O segurança me entregou um microfone e eu esperei até as luzes se apagarem. Percebi que já estava no palco e algumas dançarinas em volta dele. A introdução da música começou a tocar e as luzes começaram. estava com o rosto sério e ao mesmo tempo sedutor. Quando começou a cantar a música, eu já estava elétrica.

Just shoot for the stars if it feels right
(Somente cubra as estrelas se isso fizer bem.)
Then aim for my heart if you feel like
(Em seguida, mire meu coração, se você se sentir assim. )
Take me away and make it okay
(Leve-me embora e faça isso direito. )
I swear I'll behave
(Eu juro que vou me comportar)

You wanted control, so we waited
(Você queria o controle, então esperamos)
I put on a show, now I make it
(Eu incorporei um show, agora eu vou fazê-lo)
You say I'm a kid, my ego is big
(Você diz que eu sou uma criança, meu ego é grande)
I don't give a shit
(Eu não dou à mínima)

And it goes like this
(E vai assim)
Take me by the tongue and I'll know you
(Leve-me pela língua e eu saberei quem é você)
Kiss me 'til you're drunk and I'll show you
(Beije-me até que você tenha embriaguês e eu vou lhe mostrar)
All the moves like Jagger
(Todos os movimentos, como o Jagger)
I've got the moves like Jagger
(Eu tenho os movimentos, como o Jagger)
I've got the moves like Jagger
(Eu tenho os movimentos, como o Jagger)

I don't need to try to control you
(Não preciso tentar te controlar)
Look into my eyes and I'll own you
(Olhe em meus olhos, te conquistei)
With them moves like Jagger
(Eles se movem como o Jagger)
I've got the moves like Jagger
(Eu tenho os movimentos, como o Jagger)
I've got the moves like Jagger
(Eu tenho os movimentos como o Jagger)


O holofote veio até mim. Me levantei e comecei a andar até o palco olhando nos olhos de . Comecei a subir as escadas e passei em sua frente virando meu rosto para ele. segurou meu pulso e me puxou para perto dele.

You wanna know how to make me smile
(Você quer saber como me fazer sorrir)
Take control, own me just for the night
(Assuma o controle, me ganhe apenas esta noite)
And if I share my secret
(E se eu dividir meu segredo)
You're gonna have to keep it
(Você vai ter que mantê-lo)
Nobody else can see this
(Ninguém mais pode ver isto)

So watch and learn, I won't show you twice
(Então veja e aprenda, não vou te mostrar duas vezes)
Head to toe, ooh baby rub me right
(Da cabeça aos pés, ooh, meu bem, se esfregue bem em mim)
If I share my secret, you're gonna have to keep it
(E se eu dividir meu segredo, você vai ter que mantê-lo)
Nobody else can see this
(Ninguém mais pode ver isto)


Começamos a dançar no ritmo do refrão e nossas vozes fizeram a combinação perfeita. Nas duas vezes que olhei para Adam, ele estava com um sorriso enorme no rosto, e dançava um pouco sentado na cadeira. Toda vez ele conversava com Tina ou Kris. E John parecia atento a todos os movimentos, nem parecia piscar. O refrão acabou e eu e nos olhamos por último. Os gritos e aplausos começaram mais alto do que antes. Kyle veio dançando no meio do palco até nós.
- Wow, wow, wow! – eu e rimos olhando para a platéia mais uma vez. – Esses passos tiveram muito trabalho, ? – Kyle perguntou.
- Não. Foi ela que me ensinou. – apontou pra mim e eu comecei a rir.
- Ensinar ele foi difícil?
- É, ele não dança tão mal assim. Dá pro gasto. – empurrei e ele me abraçou de lado. Incrível como parecíamos duas pessoas que se amavam em cima do palco. O que essas pessoas não vêem...
- Muito bem. Agora vamos aos comentários dos jurados. Tina!
- EU AMEI! Simplesmente amei! Vocês dois foram perfeitos desde Harder To Breath, queria poder ver aquilo de novo. Apenas... Impecável. Parabéns. – todos aplaudiram e Kris levantou o braço.
- Olha, tenho que admitir que vocês quase me fizeram dançar. E a cada semana vocês vieram mais fortes, toda essa agitação que os dois conseguem trazer é impressionante. Vocês fazem mais do que pensam. Adorei as duas performances. – Kyle apontou para John e ele sorriu abertamente.
- Vocês querem um conselho? Nunca parem de fazer o que vocês fazem. , você tem uma marca incrível, e não pode ser desperdiçada. Faça tudo isso valer à pena. Foi incrível. – sorri em agradecimento e apertei a cintura de . Ele olhou pra mim e eu levantei meu rosto. Quando nossos olharem – tão próximos – se encontraram, senti a mistura de todos os sentimentos dentro de mim se atacarem uns com os outros.
- INCRÍVEL! – Adam gritou quase se levantando da cadeira. Todos riram e ele continuou. – Vocês conseguiram transmitir tudo nas músicas! Essa energia, essa emoção, tudo. Me diverti muito, foram uma das melhores apresentações, sem dúvidas. – os aplausos voltaram e nós dois agradecemos esperando Kyle dar as informações da competição. Saímos do palco e chegamos nos bastidores.
- UHU! – gritei mais comigo do que para os outros. A adrenalina estava apurada dentro de mim, e eu comecei a pular. começou a rir e eu olhei para trás. Não sei o que me deu, mas eu corri até seus braços e pulei em cima de dando um abraço apertado nele.
- ... – ele não disse mais nada e apenas retribuiu o abraço. Apertei seus ombros um pouco mais e fechei meus olhos. Talvez depois o choque da realidade não machucasse tanto.
- Me desculpa. – ele disse baixo perto do meu ouvido.
- Pelo que? – me afastei segurando seus braços e olhando em seus olhos.
- Por isso. – e foi então que me beijou pela terceira vez. O mundo está com certeza virado de cabeça pra baixo.

Capítulo 10
How did it come to this?


Abri meus olhos lentamente sentindo uma leve pontada no estômago. ali, tão perto e tão inacreditável. Eu estava confusa demais pra processar alguma coisa. E os braços dele continuavam em volta do meu corpo, me segurando com força. também me olhava e por um segundo vi um sorriso em seus lábios. Ouvi um grito agudo vindo atrás de mim e o mesmo ser parado bruscamente. Olhei para trás e vi estática com os olhos arregalados. Soltei-me de , olhei para os dois mais uma vez e a única coisa que me veio a cabeça foi fugir daquele lugar. As imagens de minutos antes, todas embaralhadas em minha mente, começaram a aparecer e eu senti alguma coisa me puxando cada vez mais longe da arena. Os corredores pareciam infinitos, lotados de rostos desconhecidos. Comecei a sentir que me faltava oxigênio e minha cabeça doía. O que estava acontecendo, afinal? apenas bateu minha cabeça mais uma vez em uma parede de concreto, era isso.
Enfim consegui achar a saída e ignorei todas as pessoas que esperavam do lado de fora. Corri para outro lado e vi cerca de três táxis no estacionamento. Abracei meu próprio corpo pela pequena brisa que passava e andei até um dos carros. O primeiro estava vazio, andei até o segundo e bati no vidro do veículo acordando um senhor de cabelos brancos.
- Oh, me desculpe! – disse o senhor assustado. Eu apenas balancei a cabeça e abri a porta do táxi adentrando o mesmo. – Para onde a senhorita deseja ir? – me lembrei de que não poderia falar exatamente o lugar da mansão, então me esforcei um pouco.
- Depois da rua 764, está ótimo. – o velho assentiu e deu partida no carro. – Eu estou com um pouco de pressa... – disse me inclinando para frente e depois jogando meu corpo para trás. A velocidade aumentou, assim como as batidas do meu coração ao lembrar-me de . Eu não queria pensar nele, no beijo, em nada! Mas minha mente não podia ficar um momento vazia, e já roubava minha linha de pensamentos. Era inevitável e eu sentia que não conseguiria sempre controlar isso. Ficava cada dia pior, cada vez mais difícil. Senti um nó se formar na minha garganta. Aquela vontade de chorar não era normal, e eu não fazia idéia do motivo das lágrimas quererem se manifestar. Eu estava me deixando levar, e eu não podia.
O carro parou e eu dei o pouco de dinheiro que estava no bolso da minha calça. Sai do táxi meio tonta, sentindo minha cabeça latejar. Respirei fundo e comecei a andar... A mansão não estava muito longe, mas eu preferia não ter que olhar para todas aquelas pessoas me encarando a cada passo que eu dava. Virei à esquina que já fazia o caminho para a mansão e vi as luzes do jardim ao fundo. Cheguei mais perto do portão e o caseiro me olhou meio estranho. Aposto que sua imaginação era “O que ela tá fazendo aqui há essa hora?”. Dane-se o programa, podem dizer que eu estava doente.
Apenas sorri e ele abriu o portão me cumprimentando. Andei até a grande porta da frente e entrei na casa tirando meu casado e o jogando na beirada da escada enquanto já subia os degraus. Era em momentos como esse que eu odiava o fato do meu quarto ser o último do corredor. Abri a porta do quarto e joguei meus sapatos na cama de sem a menor delicadeza. A porta do banheiro estava aberta e eu aproveitei ir já me despindo e ligando a ducha. Liguei o som do quarto e entrei no banho tentando fazer com que aquela energia gasta voltasse. Além dos problemas pessoais, ainda estava com as apresentações na cabeça. Foi tudo tão intenso e... Mágico! Nos ensaios não mostrou nem 50% do que fez no show. Eu fiquei extremamente satisfeita e feliz. Sei que era pra ficar mais ainda com o grand finale nos bastidores, mas alguma coisa me diz que não é certo. Desde o começo, como deixei isso chegar a esse ponto? Por que ele não podia continuar me odiando e eu odiando/amando ele? Tenho certeza de que seria mais fácil.
Sai de dentro do Box e me enrolei na toalha. Parei na frente do espelho passando minha mão no vidro e consegui ver meu próprio rosto. Meu cabelo molhado estava jogado para trás e minha pele corada pela água quente. Forcei um meio sorriso e observei meu peito subir e descer tranquilamente. Agora eu me sentia mais aliviada, talvez por que soubesse que quando saísse do banheiro, não encontraria em nenhum ponto do quarto ou nem pela casa. Sai do banheiro e abri a cômoda com as minhas roupas procurando uma coisa leve, escolhendo um vestido azul marinho acima dos joelhos. Usei o secador para arrumar meu cabelo e depois resolvi descer para a cozinha. Minha barriga já estava roncando desde que sai do táxi. A casa ainda estava vazia e por um segundo me senti arrependida de não ter ficado para o fim do programa. Entrei na cozinha e abri a geladeira procurando qualquer coisa doce. Achei um bolo de chocolate e peguei uma lata de coca-cola. Fim do dia. Comi tudo na maior tranqüilidade possível e lavei tudo o que sujei. Subi para o quarto e caí na real de que não tinha absolutamente nada pra fazer, ou com quem conversar. E olha que eu estava precisando desabafar de alguma forma. Olhei para o meu lado da cama e peguei a pasta em que eu guardava todos os rascunhos de letras de músicas e partituras de violão e piano.
- Céus, há quanto tempo não toco piano... – falei comigo mesma revirando as folhas. Aprendi a tocar piano muito antes de violão, e lembro que eu amava. Mas parei por um bom tempo e agora duvido que consiga fazer se quer uma nota. A última folha me chamou mais atenção. Pardon Me, He Is We . Comecei a ler a letra e meu estomago apertou. Joguei meus cabelos para trás e respirei fundo.
- ! – ouvi a voz longe e fraca, e depois ficou mais nítida – ! – reconheceria aquela voz de longe. Fui para a sacada do quarto e vi no meio do jardim com as mãos na cabeça. – Desce! Já! – dei de ombros e ainda com as folhas na mão desci correndo as escadas.
- O que foi? – perguntei vendo aparecer na porta da mansão.
- Ah, não me venha com essa. Sem enrolação, quero saber o que foi aquela... ‘Coisa’ que eu vi mais cedo. – chegou mais perto parecendo preocupada. Olhei para o chão e depois me rendi.
- Eu não sei . E qual o motivo do espanto? Você já sabia de tudo.
- É, mas não sabia que estava tão firme assim.
- Como assim, firme? – perguntei arregalando os olhos.
- , você e o estavam se beijando, vamos dizer apaixonadamente – tentei protestar, mas estendeu o dedo indicador – nos bastidores do programa, sem o menor cuidado ou preocupação. Você pensou na hipótese de qualquer pessoa passar por ali e ver a cena que eu vi? – colocou as mãos na cintura indignada.
- Não foi minha culpa, ok? Foi ele, sempre é. Eu estava feliz, mas não a ponto de agarrar ali mesmo. Aliás, eu nem pensava nisso. – cruzou os braços – Ta bom, até podia ter pensado. Mas foi um pensamento como outro qualquer. Eu não sei o que ele quer de mim. E seja lá o que for, tenho certeza de que a única pessoa que vai sair machucada nessa história vai ser a idiota aqui. – apontei pra mim mesma e recuperei o fôlego antes de terminar. – Eu já tinha problemas demais pensando num jeito de bloquear esse sentimento dentro de mim. E só aumentou a lista.
- ... Acho que não foi uma boa idéia você soltar tudo isso assim. – afagou meu braço e se aproximou me dando um abraço.
- Não foi mesmo. – senti as lágrimas querendo se manifestar, e minha voz já estava saindo falha. Mas me controlei. – Quero te mostrar uma coisa. – a puxei para a sala de ensaios. Era enorme e tinha uma parede de espelhos. No fundo da sala, vários instrumentos musicais, e o que eu precisaria era o piano. Me sentei e fiz uma pequena nota. Coloquei uma partitura em cima do piano e posicionei outra cópia na minha frente.
- É só me acompanhar e fazer a segunda voz ok? – assentiu e comecei a tocar a introdução.

POV on:
Demorou muito pra eu cair na real e sair correndo atrás de . Quando vi, já tinha ido atrás da amiga e eu ainda continuava ali parado. Agora no carro, me lembrava de ter me encostado na parede e escorregado até chegar ao chão. O que estava acontecendo comigo? Por que eu estava indo atrás dela? Por que eu queria ir atrás dela? Minha mente estava tão confusa. Quando a beijei, foi por impulso e eu não tinha nada em mente. Não pensei em consequências, razões... Apenas fiz. E isso me deixa pior do que antes. Não que seja surpresa eu fazer alguma coisa sem pensar. Surpresa é o que o meu corpo está tentando fazer mesmo contra a minha vontade. É como se eu sentisse que se eu parasse, alguma coisa sairia do lugar.
Minha respiração estava acelerada, eu estava em desespero. Céus, e qual o motivo dessas minhas atitudes? Seu idiota, o que você esta fazendo? Talvez eu precise de ajuda, e rápido. Cheguei à mansão e o caseiro abriu o portão e eu nem ao menos me dei ao trabalho de agradecer. Saí do carro e entrei na casa, nenhum barulho, mas eu sabia que havia voltado. Seu casaco estava jogado na escada e eu o agarrei. Fechei os olhos e uma música começou a tocar. Mas era da casa, de alguma sala. Comecei a seguir o som e percebi que vinha da sala de ensaio. Mais um passo e ouvi a voz de se juntar com o a música.

Pardon me for my lack of excitement,
(Me perdoe pela minha falta de entusiasmo)
But I’m not entirely thrilled.
(Mas não estou totalmente emocionada)
Stutter when I talk,
(Gaguejo quando falo)
Flail around as I walk,
(Balanço enquando ando)
Yeah the moment’s been killed.
(É, o momento foi acabado)

And I’m not good at this no, not all.
(E eu não sou boa nisso, de jeito nenhum)
I’m not good at this.
(Eu não sou boa nisso)

I’m a wreck and I know it,
(Eu sou um desastre, eu sei)
And I tend to show it every chance that I get.
(E tento mostrar isso toda vez que posso)
Butterflies in the skies, they just fly on by.
(Borboletas disfarçadas, elas só voam)
Yeah they’re making me sick.
(Estão me deixando enjoada)
They don’t flutter about, I’d do without.
(Elas não batem as asas, eu faria isso)
All they do is kick.
(Tudo o que elas fazem é chutar)


Como a porta estava meio aberta, dei mais um passo silencioso e olhei sala adentro vendo de costas para mim no piano e cantando junto com ela.

Mean it truly,
(Diga verdadeiramente)
Sincere heart.
(Do fundo do coração)
Why do you do this to me?
(Por que você faz isso comigo? )
Tear me apart.
(Me despedaça)

It’s my fault and I know it,
(É minha culpa e eu sei disso)
And I tend to blow it, no thanks to you.
(E tendo a estragar tudo não graças a você)
It’s like you sit and you watch me,
(É como se você sentasse e me assistisse)
You poke and you taunt me, it’s all that you do.
(Você me atiça e me insulta, é tudo o que você faz)
And I’m not fighting that no, not at all.
(E eu não vou lugar contra isso, não mesmo)
Just want to be something, a name you call.
(Só quero ser algo, um nome a que você chama)
The lips you taste just to fall, madly in love.
( (Os lábios que você prova só pra se apaixonar, loucamente)

Mean it truly,
(Diga verdadeiramente)
Sincere heart.
(Do fundo do coração)
Why do you do this to me?
(Por que você faz isso comigo?)
Tear me apart.
(Me despedaça)


Cada pedaço da música me fazia sentir estranho. Era como se realmente, ela cantasse pra mim. Eu estava entendo melhor do que ninguém, e não sabia se me sentia bem ou mal por isso.
levantou os olhos e me viu, ela não parou de cantar, mas começou a andar na minha direção fazendo sinal para que eu entrasse na sala enquanto ela saia. pareceu não perceber.

I got my eyes set on you,
(Tenho meus olhos em você)
My heart is burning red.
(Meu coração está queimando vermelho)v All of my words come out wrong,
(Todas as minhas palavras saem erradas)
Run circles in my head.
(Corro círculos em minha cabeça)
You had me and I melted,
(Você me teve e eu derreti)
In the palm of your hand.
(Na palma da sua mão)
You know it yes I felt it,
(Você sabe disso e eu senti)
You’ll never understand.
(Você nunca entenderá)


Seu tom de voz mudou. estava chorando. Senti meu coração apertar cada vez mais. Eu queria parar, mas eu não podia.

Mean it truly,
(Diga verdadeiramente)
Sincere heart.
(Do fundo do coração)
Why do you do this to me?
(Por que você faz isso comigo?)
Tear me apart.
(Me despedaça)

Mean it truly,
(Diga verdadeiramente)
Sincere heart.
(Do fundo do coração)
Why do you do this to me?
(Por que você faz isso comigo?)
Tear me apart.
(Me despedaça)


Aproximei-me e coloquei uma mão em seu ombro. virou seu rosto para mim e seus olhos estavam vermelhos e marejados. Agachei-me ao seu lado e passei a mão em seu rosto, enxugando a lágrima que escorregou de seus olhos. segurou meu braço e soluçou, um segundo e eu tinha a puxado para os meus braços. Apertei-a contra o meu corpo e afundei meu rosto em seus cabelos. Sentia que se eu a soltasse, quebraria. E eu não podia fazê-la quebrar. Não mais uma vez. Ela afagava minhas costas e em segundos, seu choro amenizava até seu corpo relaxar finalmente em meus braços. Afastei-me tirando os cabelos e segurei seu rosto com as duas mãos a olhando nos olhos.
- Não chora... Por favor, não chora. – implorei beijando seu rosto e seus olhos. Não me pergunte por quê. tentou sorrir e segurou minhas mãos tirando-as de seu rosto.
- Não precisa se preocupar. – ia se levantando, mas eu a segurei.
- O que eu fiz de errado? Me diz. – se virou passando as mãos em seu vestido e enxugando as lágrimas.
- Você acha que o beijo não foi errado?
- Não! – me aproximei e pareceu surpresa – E eu não sei por que, mas não achei errado. Foi bom.
- Hum, pelo menos não agora... – riu fraco olhando para o chão. Levantei seu rosto e sorri.
- Então por que eu sinto que amanhã vai ser um dia como todos os outros? – ela perguntou.
- Você esta errada. Porque não vai ser. Eu prometo.
- Ah não... Não prometa nada, . – já se afastou e meu sorriso se alargou.
- Você falou ... Ok, mas posso propor uma coisa? – perguntei segurando seu rosto novamente.
- Não vou casar agora. – ela brincou e não conseguiu conter o riso, assim como eu.
- Não vou te pedir em casamento – ainda. Continuei na minha cabeça. Droga, o que é isso? Afastei meus pensamentos e continuei: - Quero propor, paz. – riu e balançou a cabeça. – Pelo menos por enquanto. Quer que eu fale a verdade? Você me deixa cansado de tanto brigar.
- Eu sei. – sorriu convidativamente para que eu me aproximasse um pouco mais até encostar nossos lábios. Mas parece que o destino queria estragar um pouco o momento, fazendo abrir a porta gritando como um demente.
- HEEEY! Quem ta com fome? – me afastei de rapidamente e ela se encostou no piano. – Hum... Vocês dois sozinhos. – sorriu esperto me olhando e eu revirei os olhos. – Espero que até o fim desse programa não haja nenhuma morte. – não conseguiu segurar o riso. Olhei para trás e ri junto.
- Não vai ter nenhuma morte, pode ficar tranquilo. – disse e estendi minha mão para . – Vamos? – ao invés de segurar minha mão, enlaçou seu braço no meu e deu um meio sorriso pra mim. Eu já comentei o quanto ela era linda? Certeza que sim.

Quando chegamos à sala, todos estavam jogados pelos sofás e chão. A TV estava ligada e várias caixas de pizza com garrafas de cervejas estavam espalhadas pela mesa de centro. Típico.
- Os sumidos! – Lea levantou uma garrafa e todos riram.
- O que vocês estavam fazendo? – perguntou abraçado de lado com . Só eu que achava essa aproximação deles um pouco estranha?
- Talvez o mesmo que você e ontem a noite sozinhos no jardim. – andei até o meio da sala e dei uma grande mordida num pedaço de pizza. Voltei meu olhar para cima e o desconforto estava estampado na cara de e . Ouvi as risadas e um tapa no meu braço, vindo de .
- Hum, e o que eles estavam tramando? – se sentou no chão com uma garrafa de cerveja.
- Nem queira saber. – entrou na brincadeira e mostrou a língua para .
- Quanto tá o jogo? – perguntou mudando de assunto, por que eu sabia que como eu, ela já previa onde aquela história acabaria.
- Nem preciso dizer que são os Lakers, né? – Chad debochou e jogou uma almofada nele.
- Como se eles fossem os melhores... – Becky riu e fez cara de espantado.
- Você ainda se atreve a dizer uma barbaridade dessas?! – colocou a mão em seu peito e eu tive que gargalhar da cena.
- Ok, o jogo tá chato e eu acho que precisamos fazer alguma coisa mais útil. – Morgan pegou mais uma garrafa.
- Me obrigue. To morto de hoje... – Joe se esparramou no sofá e todos riram.
- É só uma brincadeira inocente.
- Que brincadeira? – perguntou Aron levantando uma sobrancelha. Morgan ergueu a garrafa e sorriu.
- O jogo da garrafa. – disse pausadamente. Lea, Pixie, , , Aron, Chad e eu já tínhamos gostado da idéia.
- Oh, muito inocente. – Becky brincou e se sentou no chão já se preparando.
- Vocês não vão? – perguntei olhando diretamente para e depois para os outros. respirou fundo e seu olhar já me disse tudo. Ela iria. se sentou no chão do meu lado e deu mais um último gole na segunda garrafa.
- Vai com calma. – murmurei em seu ouvido e ela apenas riu.
- Pode deixar. Hoje não vou fazer nada do que eu possa me arrepender depois. – levantei uma sobrancelha e se virou para a mesa. Colocaram a TV no mudo e ligaram o som, tocava In The Dark. Enquanto a música tocava e o jogo andava, todos dançavam e alguns já meios alterados pela quantidade de cerveja. Não entendi muito bem como aconteceu, mas teve que agarrar Becky, Joe teve que agarrar Morgan e Pixie, e assim o jogo continuou. Estava tentando ao máximo ficar sóbrio, ainda estava na minha terceira garrafa e pretendia acabar nela.
- Ok, minha vez! – Chad já muito alegre levantou a mão e virou a garrafa com gritos. A infeliz, infelizmente parou em mim. Chad arregalou os olhos e bateu palmas igual um retardado. – Colega, vou facilitar as coisas pra você. Sabe essa gata que tá do seu lado? Então, vamos ter que ver um beijo de cinema aqui na frente! – todos gritaram e eu ri indignado abaixando minha cabeça.
- Cara...
- Sem essa! , você ta bem com isso não está? Claro que está. É só uma brincadeira. Vai! – Chad se inclinou em cima da mesa e deu três tapas no meu ombro. Olhei para o lado e estava rindo ao lado de . E não, ela não estava bêbada. parou de rir e me olhou levantando uma sobrancelha. Umedeci meus lábios com a língua e me aproximei colocando a mão em seu rosto. fechou os olhos assim como eu, e em dois segundos nossos lábios estavam colados. Não posso dizer que o beijo foi calmo, mas também, nada na selvageria. Depois de sentir o beijo ficando mais intenso, não me importei mais com o tempo e nem com as pessoas ao nosso redor. Como se o mundo estivesse se apagando, os gritos ficaram mais fundos.
- EI... EI! – puxou pela cintura e eu a senti se afastando. Contra a minha vontade! Eu queria poder segurá-la e empurrar para trás. – Já to ficando com ciúmes. – ok, agora eu queria dar um soco em , mesmo. riu e se recuperou arrumando seu vestido.
- Bom pessoal, acho que vou parar por aqui. To morrendo de sono. Amanhã vai ser um longo dia. – se levantou com a minha ajuda e colocou a garrafa em cima da mesa. – Se importam se eu levar o comigo? – fiquei surpreso. Não, mais do que isso. Fiquei confuso.
- Hum, pra que? Terminar o que começou aqui? – deu uma risadinha e fez careta.
- E se for? É da sua conta? – todos fizeram um “uuh” e começaram a rir. – Mas não é. – fez sinal para que eu levantasse e eu a obedeci. – Boa noite viciados em álcool.
- Até por que você é a pessoa mais pura do universo, né? – gritou e continuou andando rindo.
- Ei, me espera! – andei rápido até ela. E saiu correndo escada a cima. – Só pode ser brincadeira... – ri e corri atrás dela. parou na ponta de escada com as mãos nos joelhos e se levantou fazendo uma pose.
- Me leva nas suas costas? – perguntou fazendo bico e eu sorri olhando para o outro lado. Essa garota ainda me mataria. Virei-me e subiu nas minhas costas e começou a rir. Quando ameacei cair, ela deu um gritinho histérico e apertou os braços a minha volta. Corri até o quarto e abri a porta. Sem aguentar mais, caí com tudo na cama e continuava nas minhas costas.
- Que. Maravilha. – disse devagar sentindo se remexer.
- Nem fala... Vamos dormir assim? – riu e eu dei um jeito de virar fazendo com que seu corpo ficasse por baixo e enlacei uma perna com a sua e a segurei pelos pulsos.
- Nada disso. Quero te ver dormir. – sorri e depositei um beijo em seu rosto. abriu um sorriso.
- Pra que? Ah é, você adora ver dinossauros acordando. – gargalhei alto e chegou a cara.
- Não sei o que dizer sobre isso.
- Eu sei. Diz que você é um idiota arrogante. – meu queixo caiu, mas depois de ver o sorriso brincalhão nos lábios de , não aguentei.
- Ta bom... Eu fui um idiota arrogante, muito sexy por sinal. – revirou os olhos e eu comecei a rir. Pois é, eu estava rindo sem parar e isso normalmente não acontece. Repetindo: Eu não estou bêbado.
- Eu realmente estou com sono. – começou a querer sair da cama mas eu a segurei.
- Ah ah, nada disso. Você vai dormir aqui hoje. – a abracei e o sorriso de aumentou. Ela se virou para mim e colocou sua mão sobre meu peito desenhando círculos na minha pele.
- Promete que isso não é só um sonho? – subiu seu olhar para o meu e eu a abracei mais ainda.
- Prometo. – beijei delicadamente seus lábios e esperei até vê-la pegar no sono. E foi como observar um anjo adormecendo.

Acordei, e ainda estava dormindo. A luz do sol incomodava meus olhos, mas a brisa da manhã deixava o quarto gelado. Olhei para o lado e dormia de um jeito tão angelical que era impossível não querer ficar ali a observando. Coloquei uma mexa do seu cabelo para trás e me inclinei para sentir o cheio do seu cabelo. Era indescritível. Seu vestido estava um pouco mais acima das coxas, devagar peguei o edredom e a cobri até a cintura.
O que estava acontecendo comigo? Essa pergunta rodava minha cabeça desde o dia anterior. Há dias atrás, eu queria essa garota fora da minha vida, e agora... Eu sinto que a preciso cada vez mais. Mas ainda sim continuava estranho. Eu precisava conversar com alguém, alguém que me entendesse muito bem. Saí da cama com toda a calma possível e entrei no banheiro só pra tomar uma ducha rápida. Não demorei muito até sair e pegar uma bermuda jeans e uma camisa branca. Procurei por um chinelo, mas não achei, isso me fez rir lembrando de . Não liguei e saí do quarto dando uma última olhada em . Era engraçado. Num dia estava me batendo e gritando por eu deitar no seu lado da cama. Hoje ela está na minha. Se fosse com qualquer outra, a noite seria um pouco mais acelerada. Mas era ela. Não me sinto capaz de fazer qualquer coisa que possa machucar , não mais. Todas as vezes que ela jogava uma verdade na minha cara, eu ficava pensando por horas naquelas palavras. Enquanto eu fingia que estava dormindo, ficava observando ela na varanda do quarto, olhando pro nada. Odiava cada minuto que eu não podia ler a mente dela.
Parei de pensar e continuei andando até a porta do quarto de . Sem bater, coloquei minha cabeça para dentro do quarto e o vi jogado em uma cama e em outra. Ri e abri a porta toda.
- VAMOS ACORDAR! OLHEM SÓ QUE BELO DIA! – bati palma até chegar à janela e abrir a cortina fazendo a luz do dia entrar no quarto cegando meus olhos.
- Vai se ferrar ! – jogou um travesseiro em mim e eu gargalhei.
- Ah não... – abriu os olhos e os fechou novamente se enrolando no edredom.
- Mas o... O quê? Vocês vão perder um dia desses? – perguntei indignado tentando empurrar da cama, sem sucesso.
- Acho que alguém teve uma noite muito boa... – riu abafado no travesseiro e eu tive que rir junto.
- É sobre isso que eu quero falar com vocês. – e viraram na hora, me assustando. se sentou na cama e passou as mãos no rosto.
- C-Como assim? Cara, ela tava bêbada! Explique-se.
- , ninguém tava bêbado. , pode gritar ou fazer qualquer outra coisa pra você tirar essa feição da sua cara.
- PUTA MERDA! – levantou vindo na minha direção e colocando as duas mãos em meus ombros. - Dude, obrigado. – arregalei os olhos e não entendi completamente nada.
- Ok, agora pode explicar! – gritou cruzando os braços.
- Eu explico lá em baixo, to morrendo de fome. – nós três descemos até a cozinha e eu peguei qualquer porcaria da geladeira e coloquei no balcão no meio da cozinha. e sentaram nas cadeiras do balcão e ficaram me encarando.
- Que? – perguntei com a boca cheia.
- Ta de brincadeira né? Vai falar ou não o que você tem com a ? – se estressou e eu arregalei os olhos.
- Cala essa boca! – riu e começou a comer também. – Bom... Eu vou falar, e depois vocês dizem o que acham. – disse pausadamente e fez gesto para que eu continuasse.
- Eu to sentindo uma coisa muito estranha, desde que a chegou.
- Ih... – olhei para e ele abaixou a cabeça. – Eu sabia.
- Do que você ta falando? – perguntei mais interessado.
- Olha, eu não sei o que vocês dois tem um com o outro. Mas ta na cara que a é louca por você, e depois de você falar isso? Hum, as coisas só ficam mais claras. Você ta gostando da .
- Quem está gostando da ? – olhamos para a entrada da cozinha e eu vi a imagem do diabo disfarçado em vocalista de bandinha. – Por falar nela, alguém pode chamar ela pra mim? – isso foi o fim da minha paciência. Eu não o odiava, mas também não era uma das minhas pessoas favoritas. Agora...
A única pessoa que eu pretendia socar com as minhas próprias mãos agora era ele.
John O’Callaghan.

Continua...

N/A: Meninas! Obrigada pelo carinho, desculpa pela demora. Eu já disse que amo os comentários? Sem brincadeira. Adoro quando vocês falam tão empolgadas e parecem que querem arrancar meu pescoço às vezes. Realmente, a fic ta boa... Vocês estão gostando? :x Continuem lendo, me façam feliz e semana que vem tem atualização. Ok? Vou tentar. Xo, coisas lindas!

N/B: Percebeu algum erro? Avisa aqui, por favor.