Always
Autor: Mariana Antunes
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Capítulo 1 - Viagem?

- , acorda! – minha mãe puxou meu cobertor de cima de mim – Temos que arrumar as coisas.
Meus olhos ainda estavam fechados, mas senti uma claridade, então ela devia ter aberto a cortina.
- Já vou, mãe! – abri os olhos e vi minha mãe tirando umas meias do chão e levando para fora. Levantei devagar, abri a mochila em cima da cama e virei para meu armário pegando uma pilha de blusas e, com todas as blusas no colo, me viro para colocá-las na mala, mas ela não estava mais lá.
! – gritei o nome do meu cachorro de estimação que estava com a mochila na boca, arrastando-a no chão do quarto – Devolve isso, ! – larguei as blusas na cama e corri atrás do meu cachorro.
- , para de fazer barulho! Você está em um apartamento! – minha mãe gritou da cozinha.
- Nossa, ela me manda ficar em silêncio gritando – sussurrei para meu cachorro enquanto tirava a mala da boca dele.
- Cachorro mau, cachorro mau! – falei para ele, que abaixou a cabeça como se estivesse triste – Aaah, ! – o abracei.
- Vamos, ! – minha mãe me chamou.
- Ih, mãe! Calma. – respondi.
Peguei as blusas e o resto das roupas e coloquei tudo na mochila, botei a mochila nas costas e fui para cozinha, abri a geladeira e peguei um doce, sentando à mesa.
- Está feliz por irmos ao Japão, filha? – minha mãe começou aqueles papinhos dela sentando-se a cadeira que estava na minha frente.
- É né? – respondi colocando uma garfada do doce na boca.
- “É, né?”. O que é “É, né?”.
- “É, né?” É “é, né?”, mãe. – coloquei outra garfada na boca.
E ela me ignorou e se levantou indo para sala.
- Vamos? – perguntou voltando com a sua mala na mão.
- Vamos né? – terminei o doce correndo e peguei a minha mochila.
- Para de falar “né?”.
- Ta, desculpa. – disse colocando a mala e o no carro.

Eu ai me mudar, pela milésima vez. Sempre me mudo, desde pequena, ia para todos os lugares: Itália, Inglaterra, México, Rússia, França, etc. Minha mãe, depois que meu pai morreu, passou a viajar por trabalho, mas também por diversão. Na minha opinião, ajuda a esquecer o sofrimento de perder um marido.
Meu pai morreu cedo, quando eu era bem pequena, então não o conheci bem.

- Filha, está tudo bem com o ? – minha mãe olhou pelo retrovisor do carro.
- Ta sim, mãe – olhei para deitado no meu colo – Ta quietinho, como sempre – sorri examinando os detalhes do pêlo dele.
O já estava acostumado a mudar de cidade toda hora, ele está sempre em um lugar novo, com a gente.

Chegamos ao aeroporto e pegamos o avião.
- Tchau, . – abracei meu cão que ia a uma parte separada do avião e entrei.
Foram 24 horas até o Japão. Eu, como já disse, to um pouco acostumada a isso, pois sempre estava de um lugar para o outro. Algumas pessoas acham isso muito legal, estar sempre em um lugar diferente, aprendendo coisas novas, vivendo vidas novas, mas, para mim não era uma experiência muito boa, pois é muito difícil encontrar amigos de verdade, você nunca pode se apegar a um local ou a alguém, porque você vai ter que viajar e não ver mais essa pessoa. Então, ultimamente o tem sido o meu melhor amigo, no qual eu estou sempre junto.
- Chegamos, filha! – minha mãe se animou quando o avião aterrissou no Japão.

Capítulo 2 - Não gosta do Brasil?

Peguei as malas e corri até minha mãe, que já estava descendo do avião.
O lugar era totalmente diferente do Brasil, fiquei encantada com o aeroporto e desci rapidamente as escadas.
- Vamos pegar o , né? – perguntei assim que me juntei a minha mãe.
- Óbvio! Ou quer deixar ele aqui? – minha mãe fez uma cara de quem teve a melhor ideia do mundo.
- Ai, que horrível, mãe! – gritei batendo nela de leve e rindo.

Pegamos o - sim, nós não o deixamos lá – e procuramos um hotel para ficarmos por uns dias. Eu e minha mãe sabíamos falar um pouco de japonês, mas errávamos de vez em quanto, claro.
- Hotel quando é? – minha mãe tentou se comunicar com a recepcionista e isso foi, mais ou menos, o que ela falou, traduzido em português.
- What? – a recepcionista tentou falar com ela em inglês, que era o forte da minha mãe então elas ficaram um bom tempo conversando.
Com as malas ainda na mão, sentei em um banco e esperei elas terminarem o papo, que parecia ser muito... Qual a palavra certa? Entediante. É, essa é a palavra.
Ouvi um barulho muito alto lá fora me levantei para ver, mas tinha muita gente na rua. Segurei o pela coleira e fui até a porta, deixando as malas perto do banco. Haviam várias pessoas vestidas de roupas de animes e mangás, personagens diferentes e coloridos.
Vendo várias fantasias coloridas, encontrei uma que conhecia, era muito fã. E o garoto que estava vestindo aquilo também chamou minha atenção. Ele não parecia ser muito japonês, tinha olho puxado, mas tinha algo de diferente nele, algo muito lindo.
- Pronto, filha. Aqui aceita a entrada de cães. – minha mãe pôs a mão no meu ombro. – Aqui é lindo, não é?
- É, é sim. – falei ainda olhando para o garoto diferente.

- Ah, que TV idiota! Não consigo entender tudo do que eles falam! – resmunguei mudando de canal.
- Para de se estressar e vamos comer alguma coisa lá fora. – ela apareceu no quarto pegando o casaco que estava em cima da cama.
- Vamos, né? Eu tenho escolha? – tirei o lençol de cima de mim e levantei da cama.
- Claro que não. Vamos, vamos! Eu estou com fome – minha mãe desligou a luz e saiu.

- Só tem esses troços japoneses? – perguntei para minha mãe olhando o cardápio.
- Você está no Japão. Quer comer o quê? – minha mãe pegou o Hashi. Sabe, aqueles palitinhos que os japoneses usam como talher, e ficou treinando com se segurava aquilo.
- O que você vai querer, mãe? – perguntei ainda olhando o cardápio.
- Lamen.
- Então vou comer isso também, mesmo não sabendo o que é.
- Dango são bolinhas de arroz colorido no espeto.
- Arroz... – parei para pensar – Tá, pode ser um Dango mesmo.

- Mãe! – agora estávamos no parque da cidade de Hokkaido - Tira uma foto dessa Sakura! – apontei para uma linda árvore japonesa que, no Brasil, é conhecida como cerejeira.
- É linda, não é, filha? – minha mãe pegava a câmera de dentro da bolsa.
- Sim, mas ainda sinto falta do Brasil – minha mãe riu do que eu falei, ligando a câmera.
- Não sei por que isso, você viaja comigo sempre. O que você viu de tão bom no Brasil?
- Mil coisas, mãe.

Eu sentia saudade das minhas amigas, do meu colégio, da vida que eu vivia lá e agora eu não tenho mais porque to aqui no Japão, olhando uma Sakura depois de ter comido Dango. É tão diferente do Brasil...
Não vou mais ver minhas amigas brasileiras de novo, assim como nunca mais vi as que eu tinha antes de ir para o Brasil. E agora, no Japão, não sei se vou conseguir uma, pois não falo japonês fluentemente, e com certeza não vou entender nada das aulas.

Passeamos mais um pouco no parque e voltamos para casa. Abri a gaveta do armário da minha mãe e peguei um livro que ensinava a falar japonês.

- Boa tarde, mãe. – falei em japonês para ela.
- Ér, boa... Boa tarde. – ela respondeu – Por que isso agora?
- Tenho que aprender a falar japonês. Vou ter aula amanhã – comecei a falar português mesmo.
- Você não vai aprender a falar japonês de um dia para o outro, filha.
- Me ensina – implorei a ela.
- Eu também não falo japonês fluentemente. Mas saiba de uma coisa: Você vai para um colégio que também dá aula de português, então você pode pedir ajuda pra professora.
- Sério? – perguntei feliz.
- Sim, mas ela não pode ficar o dia inteiro colada com você, né?
- E nem quero uma mulher ao meu lado traduzindo tudo! Eu aprendo a falar outras línguas rapidamente – sorri e fiz cara de me achando muito inteligente.
- Sim, sim. Agora vai estudar. – percebi que minha mãe não prestava mais atenção em mim. Estava ocupada demais brincando e alimentando o .

Acordei de manhã com o celular despertando a música que eu mais odeio, na verdade passei a odiá-la depois que a coloquei como som de despertador. Coloquei o uniforme do colégio, peguei uma bicicleta que minha mãe comprou para mim e fui, com o mapa do caminho até o colégio na mão.
- Meu deus, como os japoneses gostam de bicicleta! – falei olhando a grande quantidade de bicicleta nas ruas japonesas.

- Deeeeus! Queria que no Brasil o colégio público fosse assim! – quase gritei quando entrei no colégio e vi que era completamente limpo e arrumado. O primeiro tempo era de história japonesa e eu, obviamente, entendia muito pouco do que o professor falava.
A aula, que estava muito chata, continuava e eu estava escrevendo no meu caderno coisas nada a ver com a matéria, quando vi um movimento na cadeira que estava ao meu lado, me virei para olhar e vi um rosto familiar. O garoto de rosto meio japonês e ao mesmo tempo bonito, que se vestiu de cosplay no dia do hotel, estava sentado ao meu lado. O que é isso? Perseguição?
Ele continuou chamando minha atenção, parecia ser simpático. Queria puxar assunto com ele, então joguei a caneta no chão fingindo que foi por acidente e acho que encenei muito bem, mas ele pareceu tão concentrado em outra coisa que não pegou o lápis que estava chão, ao lado dele. Foi seu amigo, eu acho, que estava atrás dele. Ele, que também era bonito, pegou o lápis e entregou para mim.
- Seu? – perguntou em português.
- Você fala português! – sorri. Pelo menos um sabia a minha língua naquele lugar.
- Temos aula de português nesse colégio.
É, eu tinha esquecido isso.
- Mas fala fluentemente? – perguntei com medo dele não entender.
- Sim. Sempre achei essa língua fantástica.
Sorri. Estranho achar português uma língua fantástica, nem os brasileiros gostam dela!
O professor falou algo que não entendi para a gente e o garoto-do-português-fantástico respondeu rapidamente, virando para frente de novo.

Intervalo. Todos com os seus Bentous, que são “marmitas” que os japoneses geralmente comem no colégio.
Minha barriga roncou.
“Droga, por que minha mãe não faz um Bentou pra mim?“ Pensei.
- Quer um? – perguntou o garoto que falava português. É, ainda não sabia o nome dele.
- Não, obrigada – sorri – Qual seu nome?
- Nossa! É mesmo! Tinha esquecido de me apresentar. – ele mexeu no cabelo – , prazer.
- Oi, . O meu é .
- Oi, . – no momento que ele falou isso o garoto bonito - que tinha se vestido de cosplay - passou por trás dele. Meu olhar se fixou no garoto e o seguiu meu olhar.
- Interessada no ? – ele perguntou voltando o olhar para mim.
- ? Quem é?
- Aquele – ele apontou para o garoto bonito.
- Ah... – meu olhar estava preso no seu rosto. Ele era lindo.
- , vem cá! – chamou o menino.
- Fala, cara! Eai? – se aproximou e eu quase fiquei sem ar com o perfume doce que ele usava.
- Essa é a . A menina brasileira.
- Oi. – olhou para mim e sorriu. Eu quase cai no chão. Esse garoto é o sonho de consumo de qualquer garota!
- Oi – respondi a ele com uma cara de garota-idiota-que-se-encantou-por-um-garoto-lindo-que-nunca-vai-dar-chance-a-ela.
- Cara, não sei falar português direito. Odeio essa língua.
Bonito. Mas idiota. Como ele diz que odeia a língua que eu falo? Aposto que ele não ia gostar de ouvir eu dizer a mesma coisa! Isso! Boa ideia.
- É, odeio japonês – olhei fixamente nos olhos dele, com raiva.
- Legal. Então por que veio ao Japão?
- Não é escolha minha. Porque se fosse, pode ter certeza que não estaria aqui.
estava sem reação. Acho, que ele ficou espantado de ver duas pessoas brigando, sendo que elas se conhecem a segundos.
- Ótimo, mais uma garota brasileira retardada no Japão. – rolou os olhos e saiu.

- Que ódio desse japonesinho viado – desabafei para o , que riu da minha raiva.
- Ele é meio inconveniente, mesmo.
- Não. É viado mesmo.
riu.

Capítulo 3 - Eu preciso de uma amiga?

- , você tem irmã? – me aproximei dele.
- Não.
- Prima?
- Não.
- Tia?
- Não.
- Melhor amiga?
- Não.
- Amiga?
- Não.
- Como você não tem uma amiga? O que eu sou então, seu anta? – quase gritei indignada. Como assim! Passaram semanas, meses. Ok, meses não, só um mês. Mas mesmo assim! Eu já conheço ele o suficiente para ele me considerar uma amiga!
- Óbvio que eu tenho amiga, até outras além de você, mas hoje você tá irritante de mais, então tava vendo se você calava a boca, mas tá difícil.
- Aaah, seu porco chauvinista! Eu irritante? – me irritei com aquele japonês idiota.
- , quer conhecer uma amiga? – ele olhou sério pra mim.
- Por quê?
- Porque você tá precisando de uma amiga. Sabe, alguém para você fofocar, falar sobre garoto, roupa, alguém que fique ao seu lado quando você ficar chorando quando um cara te der um pé na bunda...
- Você quer se livrar de mim? – o interrompi.
- Não exatamente. – ele parou para pensar – Mas não é uma má ideia.
Sorri e levantei um certo dedo para ele.
- Ok, eu até aceito, mas não sei que amiga, porque desde que eu te conheci você não falo com mais nenhuma garota.
- Não sou anti-social com garotas, ok? Eu gosto delas, até mais que você.
- Jura? Pensei que você fosse gay! Com essa parada se só se comunicar com garotos e não ligar pras garotas.
- Por isso que você gosta do ? Porque ele só se comunica com mulher para beijá-las? Estranho, as mulheres sempre dizem que odeia gente assim, mas é dessas pessoas que as garotas se apaixonam. – realmente se estressou e eu fiquei com medo desse papo de eu me apaixonar pelo cara errado. Peraí, me apaixonar? Eu não to apaixonada por ninguém! Como assim?
- Que papo é esse, ? – perguntei confusa.
Ele pareceu perceber que falou algo que não era para falar.
- Nada, vou te apresentar a minha amiga.

Estávamos caminhando até alguém que eu não tinha a menor ideia de quem era e de repente vejo uma garota na minha frente.
- , essa é a – ele apontou para a garota.
- Oi – a tal falou em inglês. É, era o único que falava português naquele colégio. O resto só falava japonês e inglês. E como todos sabiam que eu não sabia nada de japonês, sempre falaram em inglês comigo.
Bom, mas eu espero que ela também não fale mal do Brasil, não to afim de brigar com mais ninguém.
- Você morava no Brasil? – ela perguntou simpática.
Cara, eu falei pra ela NÃO falar do Brasil! Se ela falar que não gosta do Brasil vou dar o soco na cara dela.
- Sim, morava sim.
- Que legal! E como é lá? Eu adoro Samba!
Ufa, ela não falou mal! Já tava com o punho fechado, pronta para jogar minha mão na cara dela. Vou ter que descontar a vontade agora em alguém. Acho que vou bater no .
- É um lugar lindo, . – sorri e ela sorriu de volta.
- Vocês parecem ter se dado bem, vou indo. – deu sinal de vida.
- , ! Vamos ao Show do Vocaloid? Escutar Just Be Friends! – quase pulou de alegria e também estava feliz, acho que eu era a única que não esta entendendo nada ali.
- Hey, que parada é essa de Vocaseilaoque? Quem é essa pessoa? Cara, tudo bem que esses nomes japoneses são esquisitos, mas Vocaloid é sacanagem! – libertei todas as coisas que estavam na minha cabeça e a única coisa que os dois fizeram foram rir. Fiquei sem ação.
- Vocaloid é uma banda de seres animados que tem aqui no Japão, é como anime sabe, só que é um show que acontece com luz. Os personagens do Vocaloid não existem, mas aparecem em shows, como hologramas, cantando músicas. – me explicou.
- Ah – só consegui falar isso.
Eles tem animes cantando e dançando pelos shows? Meu deus, acho que estou um pouco desatualizada com essas coisas de internet!
- Quer ir ao show com a gente? – perguntou – Você está precisando aprender mais coisas japonesas, Brasil deve ser chato. – ele disse com um sorriso maldoso.
- Se você falar mal do Brasil vou te dar um soco bem forte, fofinho – sorri para de um jeito sarcástico.
- Também te amo, linda – ele sorriu.

Chegou o dia do tal show. Já estava pronta para ver as bonecas de holograma cantar e dançar na minha frente. e apareceram.
- , queria te apresentar um amigo meu e do que vai com a gente ao show, ele é realmente legal e acho que vocês vão se dar super bem – falou empolgada, como sempre.
- Tá, tudo bem. – já estava ansiosa para saber quem era a pessoa super simpática.
- Ok. – ela virou de costa para mim e saiu do meu campo de visão. Esperei por um tempo, meu deus, por que ela demora tanto? Mas ela finalmente apareceu longe com um ser ao lado dela.
E o tal ser se aproximava cada vez mais, e cada vez mais ele era parecido com o , quando de repente eu percebo que era, ERA O !
Puta que pariu, ele é o garoto simpático? Aonde esse garoto é simpático? Na fuça dele, só se for! Ele fala mal do meu Brasil e me chama de retardada e depois se passa por legal? Cara, vou dar um tapa no meio dessa cara dele. Gay!
- Não acredito que a vai com a gente? Ela nem gosta dessas paradas de Japão. – se virou para a .
- E dai? Estou afim de me divertir com os meus amigos, se você está incomodado vá embora, . Com certeza o Show vai ser bem melhor sem você. – respondi o que aquele gay sedutor disse.
- Cala a boca, não dirigi a palavra à você – ele virou para mim furioso.
- Fooo... – ia xingar ele mesmo, eu hein. Carinha idiota. Mas impediu que eu terminasse a palavra.
- Chega vocês dois, nem se conhecem direito!
Tive um troca de olhares mortal com o , conseguindo sentir até o raio saindo dos nossos olhos, mas não falamos mais nada.

- Droga, sai de perto! – me empurrou para cima das pessoas no show.
- Isso está lotado, não dá para sair de perto, mas pode ter certeza que se eu conseguisse já estaria a quilômetros de distância, só para não precisar olhar na tua cara.
- Cala a boca, garota. Estou tentando ficar com aquela garota. – ele disse olhando para uma menina horrível.
- Desculpa, você não conseguir pegar nem o resfriado ela.
- Inveja? Só por que eu quero ela e não você? – ele perguntou virando para mim com um sorriso sarcástico.
- Eu agradeço todos os dias a Deus por você não me querer, .
- Por quê? – ele pareceu indignado, não devem falar isso a ele todos os dias.
- Acho você assexuado de mais. – disse do jeito mais simples do mundo.
- Assexuado? Como assim? – ele realmente pareceu surpreso. Me deu vontade de rir.
- Não sabe o significado disso? Não tem um sexo definido, não da para saber se é homem ou mulher.
- Sou muito mais homem que qualquer um aqui! – ele se irritou e eu estava gargalhando por dentro.
- Sério? Realmente não parece.- ainda rindo por dentro.
- Serio, eu posso provar. – ele sorriu de um jeito maldoso e me agarrou.
Nesta hora a minha gargalha interior foi interrompida.

Capítulo 4 – Meu deus, o que é isso?

O rosto de se aproximava cada vez mais do meu e a primeira coisa que fiz foi empurrá-lo, mas ele era muito mais forte que eu.
Ele me beijou e eu não conseguia afastá-lo de jeito nenhum, até porque ele beijava muito bem, então não podia fazer nada a não ser me entregar ao beijo, e foi o que eu fiz. Depois de um bom tempo ele me largou e finalmente pude ter meus pulmões completamente cheios de ar.
- Você é retardado ou o quê? – disse recuperando o fôlego e batendo nele, mesmo ele não sentindo tanta dor assim.
- Você disse que eu sou gay. Eu apenas provei que não. – ele disse rindo.
- Não mudou nada pra mim, você continua sendo o assexuado de minutos atrás – quase gritei isso a ele e ele parou de rir abrindo o mesmo sorriso que abriu antes de me beijar.
- Não mudei a sua opinião? – ele continuou com o sorriso.
- Que cara é essa, ? – me afastei. – Tá me dando medo.
- Se não mudei sua opinião vou ter que fazer melhor. – e lá foi ele me beijar de novo. Já tava começando a achar engraçado. Mas até que dessa vez ele beijou melhor do que a anterior, como ele consegue beijar tão bem?
- E agora? Mudei sua opinião? – ele riu.
- Morra, seu viado. – disse isso e sai antes que ele me beijasse outra vez.

- Ah, finalmente achei vocês! – disse me aproximando de e que haviam sumido de repente.
- Ah, a gente... – ficou vermelha e eu entendi o que ela queria dizer. Eles deviam ter sumido para ficarem juntos.
Aquilo fez crescer um ódio rápido da por algum motivo, mas a felicidade de ter beijado o garoto mais lindo daquele show também não me abandonava. Era algo estranho, um ódio por ver meu melhor amigo com outra e a felicidade de ter o que queria.
- ... – acho que entendeu o que eu estava pensando pelo meu rosto. – Acho que você entendeu algo errado.
- Não entendi não, . Entendi perfeitamente. Fiquem vocês dois aí que eu já volto.
- Não, . Espera. – me segurou pelo braço e uma imensa vontade de chorar me dominou.
saiu de perto e eu percebi que era algo sério.
- O que foi, ? Sua namorada está indo embora. – falei olhando para a .
- E seu namorado está beijando outra – ele olhou em direção ao meu lado e eu vi beijando a tal garota que ele queria ficar.
Aquilo também me deixou com vontade de chorar.
- Eu não beijei a . Saímos de perto porque vi você beijando o . – ele me olhou tristemente.
Meu deus, eu tinha mesmo entendido tudo errado! Mas por que o está triste? Ele não devia estar triste. Eu não devia estar triste.
Mas devia estar triste. Como ele beija outra depois de me beijar? Depois de tudo aquilo que aconteceu? estava certo, era o tipo de garoto que só se aproximava da garota para beijá-la. Não posso perder tempo com um garoto assim.

- Filha... – minha mãe levantou da cama, olhando para mim.
- Fala, baby – tirei o fone do ouvido.
- Como se fala boa noite em japonês? – ela disse acariciando o .
- Oyassumi – falei sem prestar muita atenção e percebendo que parecia fazer caretas para mim, o que me fez achar que minha mente não era totalmente normal.
- Está sabendo falar japonês bem, hein! – minha mãe falou orgulhosa. A olhei séria.
- Eu só falei boa noite – disse como se fosse o maior absurdo do mundo.
- E daí? Pelo menos sabe falar isso. – ela deu de ombros - Conversou com alguém em japonês hoje?
- Converso em inglês. Ainda não sei falar japonês muito bem. E você?
- Eu também. Já sabe ler e escrever?
- Não. Demora muito para aprender isso, os desenhos são super difíceis de fazer.
- Realmente – ela estremeceu.

Aula de português. Parecia que eu estava no jardim de infância. Tudo que a professora falava eu já sabia, para mim aquela aula era ridícula.
- Aonde você aprendeu a falar português tão bem, ? – me virei para ele que estava em uma cadeira ao meu lado.
- A família da minha mãe veio do Brasil, então eu tive que aprender a língua dela também.
- Que legal! – abri um grande sorriso. Meu amigo também tinha descendência de brasileiros! Uau!
Virei para minha mesa e vi um papel em cima do meu caderno.
“Ótimo” Pensei.
Abri o papel e havia algo escrito em japonês que eu não soube traduzir, porque não sei ler. EU NÃO SEI LER JAPONÊS, MERDA!
Olhei para os lados e vi que me olhava como se esperasse algo de mim.
- Foi você que escreveu? – mostrei o bilhete ao .
- Foi – ele sorriu.
- Idiota, eu não sei nem falar japonês, imagine ler! – falei como se fosse óbvio.
- Como assim? Vem pro Japão sem saber a língua? – ele ficou surpreso.
- Demora para aprender, seu burro. – entreguei o bilhete a ele e ele colocou a mão na testa como se eu fosse idiota.
- Morra, , morra – ele disse e virou para frente rasgando o bilhete.
- Hey, eu quero saber o que você escreveu! – disse virando ele para mim.
- Que pena, vai ficar curiosa.
- Gay! – virei para frente.

- O que achou de ontem? – falou no meu ouvido.
- Foi igual a beijar um cavalo – disse sem olhar para ele.
- Oi, égua.
- , – me virei para ele. – faz um favor? Vai tomar no...
- , não é só porque você veio do Brasil que você tem que distrair o . Ele está com conceito baixo em português. – a professora gritou me impedindo de terminar o xingamento.

Continua...

N/a: Ooooi, tudo bem?
Eai, gostaram do capítulo? Essas tecnologias do Japão são realmente de mais, né? MEU DEUS!
Gostaram do vídeo? Esse anime do vocaloid é super conhecido no Japão. Fazem milhares de cosplay deles. Até aqui no Brasil mesmo. Já fui a eventos de animes e vi vários cosplays deles *-*
Bom, não vou enrolar mais.
Espero que gostem, bjs.