Autora: Patih Sampaio
Beta-Reader: Jules
Cap 01.

I'm staring out into the night,
Trying to hide the pain.
I'm going to the place where love
And feeling good don't ever cost a thing.
And the pain you feel's a different kind of pain.

Estou olhando pro nada na noite
Tentando esconder a dor
Estou indo para o lugar onde o amor
E o bem-estar não custam nada
E a dor que você sente é um tipo diferente de dor.

E nos meus sonhos tudo estava bem, tranquilo. Eu estava sobre o meu querido sol na Califórnia. As ondas do mar estavam tranquilas, batendo nos meus pés enquanto eu tentava ao máximo absolver o calor daquele lugar. A felicidade transbordava dentro do meu peito me aquecendo por completo. Mas por algum motivo o mar começou a ficar agitado e o céu se fechou em um tom negro que indicava tempestade. Não demorou para as gotas de chuva tocarem meu rosto, meu corpo. Eu não queria ficar na chuva, eu gostaria de poder correr para o mais longe possível, mas alguma coisa estava me impedindo eu não conseguia correr. Olhar desesperada para todos os lados da praia tentando de algum modo conseguir ajuda. Nada parecia funcionar, as minhas pernas estavam fraquejando e meus olhos inundados de lágrimas que já teimavam em escorrer pelo meu rosto. E a felicidade que estava me aquecendo começou a se transformar em agonia e desespero, eu não queria me sentir daquele jeito. Eu queria acordar de uma vez daquele sonho e me certificar que eu ainda estava na minha amada Califórnia, sobre o meu amado sol. Eu quero acordar, eu quero acordar. Ficar repetindo isso para mim mesma não fazia mais efeito. Eu tinha impressão que jamais acordaria.

- Senhorita - uma voz feminina e forte soou em meus ouvidos. Alguma coisa estava me balançando.
Abri meus olhos rapidamente em certo desespero, respirei fundo de uma maneira que pareceu que eu estava afogada. Aquilo tudo era estranho, eu me sentia estranha. Olhei para o lado e lá estava a minha salvadora, a aeromoça estava sorrindo para mim. - Nós já chegamos a Londres senhorita, todos os passageiros já desembarcaram - explicou ela.
Eu concordei silenciosamente, levantando da poltrona e passando pela aeromoça. Ela ainda sorria e me acompanhava pelo olhar. A pequena escadinha ainda estava na porta do avião. Desci e respirei fundo. Úmido demais. Mas eu já havia me despedido do sol da Califórnia, já havia me despedido das minhas roupas de verão, do calor acolhedor e de todo o tipo de calor californiano. Eu estava agora no Reino Unido, mas especificamente em Londres. Uma cidade em geral fria e úmida, totalmente instável. O vento frio do inverno londrino cortou meu rosto e com esse sinal eu recomecei a andar o mais rápido possível em direção ao aeroporto.
Não que eu não tivesse imagino recepção calorosa, mas também não imaginava que seria daquela maneira. De todos os meus amigos de lá, havia apenas uma garota me esperando com um sorriso enorme no rosto. , minha melhor amiga desde que me conheço por gente. Passamos a infância juntas, passamos a adolescência juntas até que eu resolvi ir embora. Mas isso nunca afetou nossa amizade, ela quase sempre ia passar as férias comigo já que eu me recusava veemente de vir para Londres. E cá estava eu agora. Ridículo.
parecia estar muito mais acostumada com o frio do que eu, já que ela estava bem menos agasalhada. Já eu era vergonhoso ver aquelas pessoas desfilando de shorts enquanto eu estava toda encasacada. Roupas aparte e frio também, sorria cada vez mais enquanto eu me aproximava.
- - ela deu um gritinho histérico vindo correndo na minha direção. sempre foi assim, ela gostava de demonstrar os sentimentos, adorava ficar abraçando as pessoas e dando gritinhos histéricos. Ela me abraçou com força e começou meio que pular.
- Hei - cumprimentei alegre. Ela estava praticamente me enforcando com aquele abraço, passei um braço por seus ombros e apertei de leve.
- Você demorou - ela acusou assim que me soltou de seu abraço de urso. E franziu um pouquinho o nariz que era sinal de certa preocupação.
- É acabei dormindo e não vi o avião pousar - confessei. Ela sorriu em resposta e ficamos em silêncio olhando uma para a outra. Eu geralmente não tinha dificuldade com as palavras, mas dessa vez eu não tinha o que falar. Ela poderia entender isso se olhasse dentro dos meus olhos, definitivamente não esperava uma recepção tão gelada.
- Você sabe o porquê disso - ela respondeu aos meus pensamentos. Era por isso que e eu éramos amigas, porque ela definitivamente me entendia por um simples gesto ou olhar.
- Talvez eu saiba - dei de ombros voltando a andar e sendo seguida por .
- É você sabe, porque você sinceramente não me engana - ela riu alto. Eu gostava do som da risada de , era de certa forma estranha, era como uma risada escrita “hihihehehaha" só que mais debilóide. Eu sempre me diverti tanto com ela e na maioria das vezes eu estaria feliz de poder estar com ela novamente. Mas era esse lugar, Londres nunca foi uma alternativa para mim. Só que eu não podia fugir de minhas frustrações e decepções para sempre. Parei em frente à esteira que passava as malas, a minha provavelmente já estava fazendo voltas ali há algum tempo. Quando ela apareceu peguei e puxei rapidamente.
- Vamos embora daqui de uma vez - pedi olhando ao redor. Eu tinha uma impressão que todos estavam olhando para mim. Só que o problema era, porque diabos eles estaria olhando para mim.
- Você quem manda capitã - ela fez uma espécie de reverencia e nós recomeçamos a andar direto para a saída do aeroporto.

Eu havia esquecido como eram as ruas de Londres, com toda aquela gente de todos os tipos pelas ruas. Com todos aqueles casais, aqueles parques e toda a sensação de que todos seus sonhos são possíveis. Londres é a cidade dos sonhos. Eu havia esquecido, acima de qualquer coisa, como eu sentia falta desse lugar. Talvez eu soubesse e quisesse me enganar. Como eu poderia sentir falta de um lugar que me fez sofrer tanto? Como eu sentia falta de um lugar aonde todos os meus sonhos foram ralo a baixo. Aquilo era ridículo, eu queria odiar aquele lugar. Mas não conseguia, em hipótese alguma.
Quando o taxi parou em algum sinal fechado na Rua do Hyde Park, foi como se fosse automático, em um minuto eu estava olhando pela janela do taxi e no outro eu estava viajando para longe, eu estava em um lugar proibido. Eu estava nas minhas lembranças.

FLASHBACK.

- Você não vai fugir de mim e você sabe disso - Dougie gritou enquanto eu corria desesperadamente para longe dele. Eu não podia deixar ele me alcançar, ia ser vergonhoso. Eu estava rindo descontroladamente ao mesmo tempo em que corria. Correr, rir e olhar para trás não eram uma coisa boa para se fazer ao mesmo tempo. Mesmo assim eu estava a alguns metros na frente dele, em uma longa vantagem.
- Eu sei? - gritei alto rindo da cara de cansado de Dougie - Não sei não Poynter, acho que não sei de nada - dei de ombros e comecei a correr de costas. Péssima ideia, . Péssima ideia, quando você corre de costas você não sabe o que tem no seu caminho e obviamente não tem como desviar. E foi isso mesmo que aconteci, eu acabei tropeçando em um banco e caindo no chão de costas. A única coisa que eu conseguia fazer era rir muito mais descontroladamente.
Dougie me alcançou em questão de segundos e se jogou por cima de mim, me fazendo rir muito mais. Ele ficou olhando nos meus olhos por alguns instantes até encostar seus lábios nos meus fazendo cessar meu riso. Eu gostava do toque dos lábios de Dougie nos meus. Eu gostava como ele era comigo. Eu amava aquele garoto acima de qualquer coisa. E lá estava eu com aquela maldita adrenalina correndo por meu corpo me fazendo ter sensações únicas. As borboletas no estômago era uma coisa clichê perto do que eu sentia, era como se gaviões estivessem voando dentro de mim. Meu coração disparava de uma maneira assustadora, às vezes eu podia imaginar que de longe alguém poderia escutar o compasso desregulado dele. Ele cessou o beijo e permaneceu assim, deitado sobre mim me olhando nos olhos. O contato com os olhos dele faziam com que um arrepio percorresse todo meu corpo. Aquele azul penetrando e iluminado, às vezes eu tinha impressão que ele podia ver através de mim. Através do físico, eu podia jurar que ele podia ver minha alma.
- Você está me deixando tonta Doug - eu sorri para ele passando a mão por seu rosto. Ele inclinou-o contra minha mão e respirou fundo.
- Você me deixa tonto a todo instante - ele riu baixinho e saiu de cima de mim. Eu finalmente consegui sentar e me controlar. Mas ele continuava a me olhar de uma maneira estranha.
- Porque está me olhando assim? - perguntei curiosa. Dougie segurava a minha mão e correntes elétricas passavam por ali. A cada toque de Dougie eu podia jurar que morreria, eu não sabia até onde meu corpo aguentava.
- Você é a garota mais linda que eu já conheci - ele segurou meu rosto com uma mão e acariciou o mesmo com o polegar - Eu amo a maneira como você sorri - ele sorriu ao falar isso - Eu amo o som do seu riso - continuou - gosto de sentir o seu coração entrar em transe quando eu te beijo - e gargalhou. Eu fiquei constrangida, eu sabia que ele podia escutar meu coração. Qualquer um poderia, eu tinha de dar um jeito nisso.
Aproximei-me o máximo que eu podia dele e sussurrei perto da sua boca - Eu te amo - e colei nossos lábios outra vez.


FLASHBACK OF.

Quando o carro arrancou novamente eu voltei à realidade. Meu coração estava disparado e meus olhos marejados. Mas eu havia prometido para mim mesma que não choraria ao menos não na frente de alguém. Encarei que estava me olhando estranho, quando ela viu que eu estava a encarando também ela sorriu constrangida e desviou o olhar rapidamente. Duas quadras a frente o carro parou. Eu desembarquei rapidamente o que eu mais queria agora era poder descansar, dormir ou tomar um banho. Alguma coisa que fizesse com que meus músculos relaxassem por um segundo um pouco. Pude ver pagar o motorista e receber o troco, ele retirou minha mala da porta malas e me entregou. Eu peguei e comecei a arrastá-la para longe da rua, em direção ao prédio. estava logo atrás de mim. Em silêncio, era ridículo tudo aquilo. Porque não estávamos conversando? Talvez. Pensei, talvez porque ela saiba que você não está tão animada assim.
Nós percorremos todo o hall de entrada do prédio e paramos na porta do elevador. Eu apertei o botão e fiquei ali parada esperando enquanto ele não chegava. Obviamente não demorou muito e ele finalmente chegou. Nós entramos e os espelhos refletindo nossas imagens em varias réplicas igual me deixou tonta. Eu me apoiei na porta e respirei fundo. Talvez não tenha notado porque ela estava batucando os pés e encarando os mesmos. E quando ela faz isso é porque tem alguma coisa errada eu sabia disso.
Foi quando a música me invadiu. Aquele som conhecido, aquela melodia, o jeito como soava e a letra me despertaram e eu pude entender o que porque de estar daquele jeito. Tudo começou a girar de uma maneira estranha. Nós estávamos dois andares abaixo e eu já podia ouvir. Eu sabia que a música já estava quase no fim, mas ao final daquela outras começariam.

Was I invading in on your secrets?
Eu estava invadindo seus segredos?
Was I too close for comfort?
Eu estava perigosamente perto?
You're pushing me out
Você está me afastando
When I wanted in
Quando eu quero entrar
What was I just about to discover?
O que eu estava a ponto de descobrir,
I got too close for comfort
Quando eu cheguei perigosamente perto?
Driving you home
Levando você para casa de carro
Guess I'll never know
Acho que nunca saberei

Estava tudo girando compulsivamente, meu estomago estava embrulhado e eu podia sentir o suor molhando a minha roupa. Encarei-me no espelho, meu rosto estava pálido ressaltando ainda mais as bolsas pretas embaixo de meus olhos. Eu sabia que musica era aquele e conhecia aquelas vozes. Eu tentei respirar fundo e me controlar. Sempre imaginei que isso um dia aconteceria, só não esperava que fosse assim tão, tão rapidamente.
O elevador deu uma balançadinha e as portas se abriram fazendo a música se intensificar.
parecia sem reação, ela levou a mão na minha direção, mas recuou. Eu achava que ia desmaiar a qualquer momento. Eu odiava todo aquele drama, eu odiava ter de ser assim. Tinha alguma coisa dentro de mim pronta para explodir, eu só esperava que não fosse meu coração. E pensando em meu coração, eu não o sentia mais de tão frenético que ele estava no meu peito.

All this time you've been telling me lies
Todo esse tempo você esteve me dizendo mentiras
Hidden in bags that are under your eyes
Escondidas em bolsas que estão debaixo dos seus olhos
And when I asked you I knew I was right
E quando eu te perguntei, eu sabia que estava certo.

Eu tinha de encarar isso, eu estava assustada comigo mesma. Geralmente eu não me deixava abalar tanto assim. Olhei para por um minuto e então contei até três e saí do elevador. Havia uma enorme porta dupla em frente à porta do apartamento de e estava aberta. Eu podia ver o pedaço de uma bateria e um garoto forte de cabelos castanhos concentrado tocando. Eu dei um passo e parei. Minhas pernas estavam fraquejando, mas eu era forte o suficiente para aquilo. A pior parte eu sabia que estava por vir. Fui dando passos aos poucos até finalmente chegar à porta do apartamento e me segurar ali antes que eu caísse. Eu pude ver todos eles. Tom, o garoto loiro de covas tocando guitarra concentrado. Danny o meio sardento e animado. Harry o sério, com os olhos fixos nos seus próprios movimentos. E lá estava ele, meu coração parou por um minuto. Tocando baixo e cantando a parte que eu mais detestava naquela musica.

But if you turn it back on me now
Mas se você descontar em mim agora,
When I need you most but you chose
Quando eu mais preciso de você
let me down, down, down
Mas você só me desaponta, desaponta.

Eu fraquejei me segurando mais firmemente na porta. Meus olhos que antes estavam marejados agora transbordavam lágrimas sem parar. Eu estava decepcionada comigo mesma, havia prometido que não choraria na frente de ninguém. E esse ninguém, incluía meus quatro ex-melhores amigos. Eu ia dar as costas e sair dali. Mas eu sabia que era tarde demais. Harry já tinha me visto e tinha parado de tocar a bateria por um momento. E esse segundo fez toda diferença, porque Tom olhou para a porta pra checar a distração de Harry. Os únicos que ainda não havia olhando eram Danny e o principal deles, o que eu definitivamente não estava pronta pra encarar... Dougie.

Won't you think about what you're about
Você não vai pensar sobre o que está prestes a fazer
To do to me and back down?
Pra me deixar pra baixo?
E então Danny notou que não havia mais som, que os únicos que ainda estavam tocando eram ele e Dougie e parou de cantar rapidamente e ao mesmo tempo de tocar. Virou seu rosto para a porta. Onde minha visão estava ficando escura. Eu não queria desmaiar, eu não podia. Eu estava me proibindo firmemente de fazer isso. Respire , lembre-se de respirar - pensei. E então ele me olhou, seus olhos azuis antes animados agora se transformando em olhos secos, raivosos e dolorosos. O azul tornou-se um pouco acinzentado e sua pupila dilatou. E todos permaneceram em silêncio me encarnado enquanto as lágrimas molhavam minha própria roupa. Eu senti uma mão tocar meu ombro e a voz de soou distante.
- Vamos para casa - e então eu estava em um torpor que eu jamais estive nesses últimos dois anos. Eu nunca havia me sentido daquela maneira, como se não houvesse chão para pisar e nem oxigênio para respirar. Ela me arrastou para longe daquela porta e o rosto daqueles cinco garotos assustados ficavam cada vez mais longe. Mais distante de tudo, mas distantes da realidade. E eu estava cansada, meu corpo pesava toneladas e meus olhos não aguentavam mais ficar abertos. Minhas pernas finalmente fraquejaram me fazendo cair e meus olhos se fecharam rapidamente.

Cap 02.

You took a hammer to these walls,
Dragged the memories down the hall,
Packed your bags and walked away.
There was nothing I could say.
And when you slammed the front door shut,
A lot of others opened up,
So did my eyes so I could see
That you never were the best for me


Você destruiu essas paredes,
Arrastou as memórias corredor a fora,
Pegou suas coisas e partiu...
Não havia nada que eu poderia dizer.
E quando você fechou a porta da frente,
Muitas outras se abriram,
Assim como meus olhos, então consegui enxergar,
Que você nunca foi o melhor pra mim!

Eu estava tocando meu baixo concentrado para não errar, porque o Tom me arrancaria o coro se eu errasse mais uma vez. Não gosto de tocar essa musica me traz muitas lembranças que eu já devia ter esquecido. É como reviver tudo novamente, no way, eu não gostava.
Mas eu tinha de ensaiar se eu me recusasse a tocar uma música da minha própria composição eu acho que eles - eu os digo, os guys - teriam um acesso de raiva e me lixariam vivo e no way, eu sou muito bonito e novo para morrer tão cedo. Convenhamos que eu seja o mais gostosão do grupo, o mais foda e o mais galã. Deixando uma coisa bem clara, eu sou a pessoa mais humilde e simples também. E era a minha parte, respirei fundo e me aproximei do microfone e cantei meu pedaço tranquilamente. Minha voz - eu tinha de admitir - que não era a mais bonita e charmosa da banda, mas eu cantava razoavelmente bem. Danny que estava quase dançando parado cantou um pedaço e parou de repente. Foi quando eu finalmente notei que todos tinham parado de tocar, só o imbecil aqui ainda estava tocando. Eu podia ter um acesso de raiva também, assim como o Tom sempre tem quando eu paro de tocar do nada. Ou quando eu cochilo, ou quando eu mexo demais nas suas coisas, ou quando eu falo uma besteira muito grande, ou como... Eu acho melhor eu parar por aqui, não quero que vocês achem que sou um panaca. Porque se vocês soubesse como eu sou sexy, vocês não achariam que eu sou um panaca. E eu estou me desviando demais do assunto principal, não é? Como eu ia dizendo, eles todos tinham parado de tocar e o panaca aqui... Estava tocando ainda. Eu parei de tocar no mesmo minuto e virei para supostamente ter um acesso de raiva e gritar feito uma bichinha de tpm. Foi quando eu a vi. Meu coração deu um pulo rápido e começou a acelerar.
Ela estava ali, o motivo de eu não gostar de tocar aquela e muitas outras musica o motivo por eu ter entrado em estado de alcoolismo - há algum tempo atrás, deixando isso claro -; Era ela . Seu rosto estava pálido, quase fantasmagórico e seus olhos vermelhos e inchados, havia grandes olheiras roxas em baixo deles e muita lagrima rolando pelos seus olhos. Parecia que ela não ia aguentar ficar em pé. Parecia que ela estava desmaiando.
E eu senti raiva por ela estar ali, raiva por ela ter voltado depois de três anos longe desse lugar. Raiva por ela estar me encarando naquele estado. E dor, havia dor em algum lugar do meu corpo. Dor física, dor emocional. Vocês sabem né, todo aquele papo... Garotos não choram por qualquer coisa, mas isso não quer dizer que eles não sofram e não sintam dor. Porque vocês acham que nós enchemos a cara com os amigos? É porque amamos alguma garota e não sabemos o que fazer com o sentimento. Mas o foco principal era que ela estava em um estado deplorável. Eu podia sentir a dor dela pelo seu olhar, mas não permaneci a encarando por muito tempo. Porque bem lá no fundo tinha um monstro lutando contra mim querendo ir correndo abraçá-la e dizer que tudo ficara bem. Mas isso seria uma mentira, uma grande mentira. As coisas não ficaram bem, independentes de qualquer coisa. Independente de ter um leão rugindo dentro de mim, exatamente como havia antigamente. Quando éramos felizes e nos amávamos. O sentimento ainda existe da minha parte, mas vai ficar muito bem trancado, porém, da parte dela não tenho certeza.
Ela foi a maior mentirosa que eu já conheci na minha vida. A mais linda e perfeita mentirosa, talvez por isso o seu veneno fosse tão forte. Como de uma cobra. Sem querer chamá-la de cobra é claro. apareceu por trás dela e falou alguma coisa como “vamos para casa". E então ela começou a recuar junto de , mas seu corpo todo tremia. E quando elas desapareceram de vista. gritou.
- ! - gritou ela com uma voz de desespero - Acorda vai, não faz isso comigo - ela parecia nervosa. Ela desmaiou é claro, quando ela se sente sobre pressão e muito nervosa ela sempre desmaia. Nunca foi forte para aguentar essas coisas.
Eu queria me mover, correr e ajudar só que eu simplesmente não conseguia. Não era falta de vontade eu estava em desespero por saber que ela estava naquele jeito, mas meu corpo não me obedecia. Ele ficou imóvel, feito uma estatua. E senti raiva, muita raiva de mim mesmo.
Eu olhei para o lado e vi que Tom e Danny não estavam mais lá, havia sobrado apenas Harry e eu. Eles haviam ido ajudar. Eu sabia o quanto os guys também estavam magoados e todo aquele papinho broxante que você deve saber. Mas eles ao menos conseguiram se mexer. Talvez eu precisasse sentir um pouco.

POV.

Eu ainda estava me sentindo tonta, mesmo de olhos fechados. E vozes estavam soando ali perto, fazendo tudo retumbar na minha cabeça. Eu só não lembrava que droga de dor de cabeça era aquela e porque eu estava dormindo? E uma voz se exaltou.
- VOCÊ PODIA TER AVISADO - Era Tom gritando. E eu lembrei rapidamente de tudo que aconteceu, a música, o apartamento, o olhar de cada um deles, tentando me ajudar, e a escuridão.
- Não precisa gritar - murmurei me sentando. Tudo girou por um momento e então se encaixou em seu perfeito lugar. - Não com ela pelo menos - completei. Eles tinham todo o direito de gritar com alguém, mas esse alguém não era . Eu não ia a deixar passar por isso, a culpa não era dela. Se eles iam gritar com alguém esse alguém ia ser eu.
Tom não respondeu e eu me levantei virando para encará-lo de frente. Ou melhor, corrigindo, encará-los de frente. Danny e Harry também estavam ali. Meu coração que estava estufado murchou rapidamente. É obvio que ele não ficaria ali para me ver, era claro que não. Mas mesmo assim eu tinha uma pitada de decepção dentro de mim.
- , não queremos outro desmaio! Fique sentada ao mesmo - veio até mim me empurrando contra o sofá. Eu queria contrariar, mas me sentia muito mais confortável no sofá.
- Arg. Eu também não sou uma criança - contrariei firmemente. Ela me olhou e sorriu, porque ela estava sorrindo? Talvez porque eu me sentisse uma criança querendo o colo da mãe. Mas eu ignorei aquele meu pensamento, retornando ao ponto principal.
- Acho que você nos deve alguma coisa - foi Danny que rompeu o silêncio do trio. Ele estava me olhando fixamente e então atravessou a sala e sentou na mesinha de centro a minha frente.
- Explicações - murmurei e abaixei a cabeça. É eu devia muitas explicações para eles, explicações que eu não queria dar. Eu não queria reviver tudo aquilo, mas se eu negasse o que aconteceria? Eu os perderia para sempre. Eu aguentei viver três anos sem eles, aguentaria viver mais? Talvez sim, talvez não. Mas eu não ia arriscar - Eu vou explicar - respirei fundo.
- Ótimo - ele continuou sério. Aquilo era estranho para mim. Ver Danny tão sério assim, ele que sempre me fazia rir até nos momentos mais tensos. Agora me olhava com magoa e eu sabia que era culpada. Por isto nunca quis um julgamento. Acho que talvez houvesse muito amor ali para salvar. Amor pelos meus melhores amigos.
- Nós também queremos escutar - Tom falou suspirando e se encaminhando para a poltrona perto do sofá e Harry ficou lá parado em silêncio.
- Vamos do começo - eu cruzei os dedos das mãos e fiquei brincando eles, sem poder levantar o olhar, porque eu sabia que se encarassem aqueles olhos que sempre foram alegres e agora estavam secos eu enfartaria.
- Não - interrompeu rapidamente me impedindo de falar. Todos olharam para ela fixamente - Eu acho que já chega de emoções para por hoje. Vocês querem uma explicação e ela vai dar a bendita explicação. Mas hoje não, outro dia - ela parecia autoritária, maternal. Era por isso que era minha melhor amiga, porque ela sempre me acolheu quando precisei sempre me ajudou nos momentos mais difíceis e sempre compartilhou os mais alegres. Eu nunca poderia pedir uma amiga melhor para Deus, ela foi a única que nunca me apontou o dedo pelo o que eu fiz.
- tem razão - Harry falou pela primeira vez - Vocês não podem pedir mais dela por hoje - e sorriu para mim. Ele era o primeiro que estava sorrindo para mim. Eu procurei seus olhos e eles estavam calmos. Eu tentei rapidamente retribuir o sorriso, mas meus lábios se negaram a isso.
- Tudo bem - Tom revirou os olhos e levantou - Você promete que vai explicar? - ele me olhou fixamente. Estava com o olhar mais calmo, mas ainda assim receoso.
- Prometo para vocês três que eu vou explicar. Nos mínimos detalhes - falei erguendo a mão no ar por puro instinto. Quando dei por mim, abaixei rapidamente ela e senti minhas bochechas corarem. Eu sempre fazia isso antigamente, mas hoje em dia eu não me sinto tão à vontade assim.
- Certo - Danny levantou e simplesmente me deu as costas saindo pela porta que estava aberta. Harry o encarou enquanto ele passava, mas não adiantou. Tom passou as mãos pelo cabelo e cruzou por mim e por . Voltando sorrindo maliciosamente e dando um selinho demorado em . Eu sabia que eles estavam juntos e tudo mais, mas eu nunca tinha visto aquele brilho no olhar de . Harry deu de ombros e revirou os olhos ainda sorrindo e foi o único que permaneceu ali. Ele fechou a porta assim que Tom passou e se virou para me encarar.
- Eles são uns babacas - foi a única coisa que ele disse. Porque diabos ele estava falando isso? Eles tinham razão de estar assim comigo. Nunca os culparia por nada.
- O que? - foi que mais uma vez interveio por mim, encarando Harry curioso.
- Eu acho melhor eu ir, outro dia agente conversa - ele falou rapidamente embaraçado e saiu rapidamente do apartamento. Sobrando somente e eu.
Ela me encarou por um minuto e então soltou um guincho - Oh ! - e se jogou em cima de mim em um abraço de urso. Eu precisava daquele abraço. Eu queria aquele abraço mais do que nunca, sentir que pelo menos eu tinha alguém do meu lado. O olhar de Dougie veio na minha mente me fazendo voltar a chorar. Estava me sentindo cansada daquele drama, então limpei as lágrimas rapidamente e forcei um sorriso fraco.
- Eu preciso de um banho - falei para que ainda estava abraçada em mim.
- Você vai tomar um banho, enquanto eu faço alguma coisa para comermos e preparo alguma coisa forte pra você tomar - ela piscou. Eu sabia que essa coisa forte que ela dizia era alguma bebida alcoólica. Alguma mistura de sua autoria e as misturas de eram sempre as melhores. Eu levantei e saí pelo corredor, eu conhecia esse apartamento com a palma de minhas mãos, sempre morei com quando vivia aqui em Londres. Eu ainda tinha um quarto ali. Minha mala estava lá em cima da cama. O quarto estava arrumado, mas ainda estava igual. Eu abri a mala e peguei uma peça de roupa qualquer e entrei no banheiro. Liguei o chuveiro em uma água quente e me despi.
Quando a água tocou meu corpo eu quase gemi de prazer, aquela sensação de alívio era maravilhosa. Eu me sentia tão leve ali. Talvez eu não quisesse mais sair dali.

DOUGIE POV.

Depois de todo aquele turbilhão de coisas que aconteceram ao mesmo tempo, eu decidi que era hora de ir para casa.
Os caras logo chegariam então eu fui direto para o quarto e me tranquei lá. Havia mil coisas se passando pela minha cabeça e a principal delas era: O que ela estava fazendo aqui?
Pensei que ela amasse a Califórnia e que ela ficaria lá para sempre talvez com algum surfista sarado. Hell, eu odiava pensar nisso e sentir ciúme de alguma forma.
Sentei na beira da cama e apoiei o braço na perna segurando a cabeça com as mãos. Eu tinha de organizar meus pensamentos, eu tinha de respirar fundo e me acalmar.
Porque tudo ao meu redor parecia estar quebrado? Era uma sensação estranha, eu olhei fixamente para a minha cômoda que estava de frente para mim. Havia uma porta retrato lá. Levantei e o peguei, encarei-o por um minuto e então joguei no chão com toda a minha força. O vidro se quebrou atrapalhando a visão da foto. Havia seis pessoas naquela foto. Todos os guys... e . Ele não sabia por que ainda tinha aquela foto lá. Talvez por estupidez. É, estupidez era a palavra certa. Joguei-me na cama com força e fiquei deitado de barriga para cima, encarando o teto branco e monótono do meu quarto.
E aquelas malditas lembranças vieram sem permissão e tomaram conta de mim.

- Dougie, Dougie - a voz dela soava tão doce e calma. Uma perfeita melodia para meus ouvidos. Principalmente quando você é acordado por essa linda melodia.
Eu relutei em abrir os olhos e apenas sorri. Pude ouvi-la bufar ao meu lado na cama. Aquilo era divertido, a maneira como ela se irritava quando eu ignorava o seu chamado.
- DOUGIE! - ela bateu no meu peito me fazendo soltar um riso rouco e baixo. Eu abri os olhos e me virei para encará-la. Tinha uma expressão séria como se estivesse com raiva ou magoada. Mas o brilho nos seus olhos não me enganava. - Você sabe o quanto eu odeio quando você não me responde, eu me sinto sozinha seu imbe... - e eu calei sua boca com um selinho demorado. O contato com os lábios dela despertavam aquele leão que existia dentro de mim e que estava prestes a sair. Meu coração sempre disparava de certo modo, muito mais controlado do que o dela. Eu podia sentir seu coração pulando frenético em seu peito. Aquilo era bom, ver o quanto efeito eu causava nela. Quando nossos lábios se soltaram um do outro ela sorriu. Provavelmente esquecendo que estava me xingando.
- Imbecil - ela deu ênfase e gargalhou saltando da cama. Ela vestia apenas um lingerie rosa bebê de renda. Era uma das suas favoritas, eu sabia disso. Seu corpo era tão perfeito, as curvas todas nos lugares certos e os volumes também. Eu sorri mais ainda encarando-a.
- Seu tarado - ela me jogou um travesseiro que estava no chão e sorriu - Levanta logo, nós temos que trabalhar seu folgado - ela deu a língua e entrou no banheiro.
Eu podia ficar ali com ela a minha vida inteira e não me sentiria entediado um minuto sequer. Mas ela tinha razão eu tinha de trabalhar ou Tom me mataria. Ele gostava de brigar comigo por algum motivo. Eu levantei e vesti minhas calças rapidamente.
Fui até o banheiro e me escorei na porta observando ela escovar os dentes. Até fazendo isso ela conseguia ser sexy e delicada ao mesmo tempo. Eu estava completamente apaixonado por ela.
Quando ela cuspiu a espuma causada pelo creme dental, enxaguando a boca logo em seguida, ela me olhou e riu.
- Porque você fica me olhando desse jeito? - perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Porque eu não consigo mais ficar sem olhar para você - respondi sinceramente dando de ombros. Aproximei-me dela e abracei-a por trás, depositei um beijo em seu pescoço e ela arrepiou.
- Não me provoque - ela murmurou e eu gargalhei apertando sua cintura. Ela virou para mim e me beijou calorosamente.


Eu estava viajando nas minhas lembranças proibidas. Bufei colocando um travesseiro sobre o rosto tentando tirar aquelas lembranças de dentro de mim. Ela havia destruído todas as paredes do meu coração, arrancou as melhores memórias lá de dentro. Ela simplesmente pegou suas coisas e partiu e a partir daquele momento eu não podia fazer mais nada. Fechou junto com ela todas as portas do meu coração, bloqueou a entrada nele. Eu agradecia isso de certa maneira. Mass junto com isso, as portas que estavam fechadas se abriram e eu pude ver pela primeira vez. Que ela nunca foi o melhor para mim.
Era isso que eu tentava colocar na minha cabeça, que ela nunca foi o meu melhor. Mas eu sabia que essa a minha mais cruel mentira.

Cap. 03

Is anybody out there?
Can anybody see?
Seems like everything's gone crazy
You're exactly what I wanted
And exactly what I need
Don't need anybody but my baby

Tem alguém aí?
Alguém pode entender?
Parece que tudo ficou uma loucura
Você é exatamente o que eu queria
E exatamente o que preciso
Não preciso de mais ninguém, a não ser você, baby.




Eu não lembrava quantos drinks havia feito para eu tomar ontem à noite, eu só me lembro de não recusar nenhum deles e depois cambalear até a cama e apagar.
Olhei ao redor procurando algum sinal de vida, mas obviamente eu não encontrei. Mas havia barulho no apartamento fazendo minha cabeça retumbar fortemente. Lembrete mental: Não aceitar os drinks de .
Levantei da cama e fui até o banheiro fazer minha higiene pessoal. Escovei meus dentes com calma sentada na pia. Quando terminei de enxaguar a boca eu sai do banheiro e fui direto para a cozinha.
Como eu havia dito estava lá, cozinhando enquanto dançava loucamente alguma musica que eu não podia escutar. Tive vontade de gargalhar, mas me segurei enquanto ela pegava a colher de pau e cantava como se fosse um microfone. E então ela gritou.
- III I’LL BE OK - e virou dando de cara para mim que não segurei a risada e acabei gargalhando. Ela fez cara feia e corou de vergonha. - Você podia ter avisado que estava olhando - ela voltou sua atenção para o que estava cozinhando.
- Desculpe - pedi sentando em uma cadeira da mesa. Eu gostava de observar enquanto cozinhava, ela gostava de cozinhar e eu gostava da sua comida. Nós ficamos em silêncio, até que eu finalmente resolvi quebrá-lo com as perguntas que estavam na minha cabeça desde que ela me contou que tinha começado o namoro com Tom.
- Você e o Tom - comecei lentamente, como quem não queria nada. Ela desligou o fogão e virou para me encarar com um sorriso enorme no rosto.
- Ah! O Tom é tão lindo - ela riu sozinha - Eu gosto tanto dele - suspirou. Apaixonada, era isso que ela estava. Eu lembrava como era ser estar assim, aquela sensação que nada é impossível e que tudo é eterno. Pensar nisso hoje em dia me parecia estranho, como se o amor não existisse mais. E o nosso momento de silêncio foi interrompido pela campainha.
se sobressaltou e sorriu bobamente e assim eu já podia adivinhar quem estava na porta. Ela correu até chegar à porta e abri-la rapidamente, mostrando um Tom sorrindo mostrando sua enorme cova.
- Amor - ele sussurrou e abraçou com força, ela o encarou e segurou seu rosto com as mãos dando-lhe um selinho demorado.
- Entra - ela puxou-o pela mão para dentro do apartamento. Ele me olhou e sorriu de um jeito meio frio.
Talvez eu não estivesse pronta para isso, ver todo o romantismo dele. Não estava pronta para o romantismo novamente. Mas seria muito indiscreto se eu saísse quando ele acabou de chegar. Eu sorri em resposta ao seu sorriso e continuei encarando a mesa, pensando em algum jeito de me livrar disso tudo.
- - ouvi a voz de Tom me chamar. Eu acabei me assustando e olhando mais rapidamente para ele que já estava ao meu lado, me encarando.
- Oi - respondi baixinho. Eu sentia minha garganta seca.
Levantei e fui até a pia, peguei um copo de vidro e enchi com água. Dei um grande gole e encarei Tom.
- Nós podemos conversar? - ele perguntou de um modo formal.
- Na verdade, agora não Tom - respondi séria, dando as costas para largar o copo na pia.
- O que? - ele perguntou sem entender. Eu simplesmente não queria falar sobre aquilo naquele momento.
- Eu estou de saída - respondi rapidamente. me olhou perplexa e eu sorri de lado para ela. Tom ficou em silêncio me encarando e então eu decidi sair de lá e deixar que desse um jeito na situação. Afinal de contas ela é a namorada dele.
Andei rapidamente até meu quarto e me sentei na cama. Tudo aquilo seria complicado, muito mais complicado do que eu imaginava. E era claro que não demoraria a que viesse atrás de mim para saber o que estava acontecendo, essa teoria foi confirmada pela leve batida na porta.
- Pode entrar - respondi baixinho. Eu sabia que ela podia ouvir e então ela entrou e fechou a porta ao passar. Andou em silêncio e sentou ao meu lado na cama.
- Tem alguma coisa errada - falou simplesmente, ela encarava a porta que acabou de passar. Sim havia realmente alguma coisa errada e ela sabia disso perfeitamente.
- É claro que tenho - concordei dando de ombros - Eu só não quero ter essa conversa agora - expliquei. respirou fundo ao meu lado de uma maneira pesada.
- Você sabe o que faz - começou ela - Eu só acho que a cada dia que você adiar isso, as coisas irão se complicar mais e chegará um dia que não haver solução - falando isso ela levantou e saiu pela mesma porta que tinha entrado.
Havia uma grande verdade naquilo tudo e como dizem que a verdade dói vocês podem estar imaginando como eu me sentia. Frustrada. Eu podia dar um jeito naquilo tudo só estava querendo fugir pra não me magoar mais, só que dessa forma eu estava magoando outras pessoas.
Respirei fundo e levantei da cama indo em direção da minha mala que eu ainda não havia colocado no lugar, peguei as primeiras peças de roupa que apareceram e as vesti. Não era nada demais, uma calça escura jeans simples e um moletom branco dos Beatles. Calcei uma sapatilha da mesma cor e entrei no banheiro. Passei uma leve maquiagem, nada de exagerado apenas para esconder as minhas olheiras e dar uma leve cor no rosto.
Eu sabia o que tinha de fazer e sabia exatamente a maneira como fazer. Olhei-me no espelho pela ultima vez e sai do banheiro passando reto pelo quarto e corredor.
- , você me empresta seu carro? - perguntei olhando para os lados a procura de Tom. Mas ele não estava mais ali, provavelmente foi embora.
- Claro - ela concordou indo até a porta chaves e pegando a chave para me entregar.
- Cadê o Tom? - perguntei curiosa. Ela sorriu fraca e andou na minha direção.
- Eles vão ensaiar aqui na frente - apontou com a cabeça o apartamento da frente, o qual eu já conhecia.
Sorri em agradecimento e dei as costas para assim que peguei a chave. Saí fechando a porta ao passar e nesse mesmo momento eu pude escutar a voz e a risada de Danny. Mas obviamente eu não pude ouvir o motivo das risadas. Tentei ao máximo ignorar aquilo enquanto esperava o elevador.
Ele finalmente chegou e eu entrei apertando o botão da garagem. Quatro andares abaixo as portas se abriram me dando liberdade para passar. Havia vários carros estacionados ali, mas eu podia reconhecer o Audi de de longe. Quem mais tinha um Audi q7 amarelo berrante? Quase ninguém. Eu desativei o alarme e embarquei, coloquei o cinto de segurança e dei partida no carro.
As ruas de Londres estavam razoavelmente calmas, eu estava contando com a minha sorte para encontrar quem eu queira em casa. Batuquei meus dedos no volante do carro enquanto aguardava o sinal abrir.
Percorri mais duas quadras e estacionei ao reconhecer a grande casa branca com marrom.
Desembarquei do carro ativando o alarme e andando lentamente em direção a casa, eu podia sentir o quão geladas estavam as minhas mãos.
Parei no batente da porta e respirei fundo tomando coragem e finalmente toquei a campainha. Eu pude ouvir algumas vozes dentro da casa e alguns barulhos que eu pude dizer que eram de alguém descendo as escadas. E finalmente o barulho de chave e a portar se abriu. Lá estava ela, ainda tinha o cabelo loiro e as feições de alguém arrogante.
E seu rosto demonstrou surpresa.
- Você! - falou impressionada. Ela saiu dando uma espiadinha e fechou a porta ao passar.
- Sou, eu mesma - respondi com ironia. Ela parecia assustada, como se tivesse visto um fantasma.
- Achei que tínhamos um trato - acusou ela olhando para os lados, provavelmente procurando alguma coisa.
- Não tínhamos um trato, VOCÊ tinha a sua chantagem - dei ênfase na parte que a tocava. Eu sentia raiva daquela garota, foi por sua culpa que eu perdi tudo que eu tinha.
- E eu permaneço com ela - falou rude - Você não devia estar aqui, espero que seja de passagem - ela sorriu falsamente.
- Não é de passagem, eu vim pra ficar. E você não vai me fazer ir embora novamente - encarei-a fixamente.
- Você quer que aquele vídeo vá parar na televisão? - ela arqueou uma sobrancelha irônica.
- Dane-se aquele vídeo - dei de ombros. - Só vim lhe avisar para você sair do meu caminho. Eu não vou mais ceder as suas chantagens - avisei. Ela ficou me olhando apavorada e dei as costas voltando para o carro. Embarquei e respirei fundo dando partida no carro e deixando uma Fox com os olhos arregalados e totalmente assustados.
Eu senti meus olhos queimarem, eu realmente não queria aquilo. Se ao menos tivesse um jeito de aquilo prejudicar somente e mim, mas aquilo envolvia muito mais pessoas.
Dirigi rapidamente de volta para o lugar que eu havia acabado de sair.
O trânsito estava mais calmo do que antes e consegui chegar à casa muito mais rapidamente. Entrei com o carro e deixei na garagem novamente.
Podia sentir as lágrimas escorrendo pelos meus olhos e molhando meu rosto. Peguei o elevador e esperei que ele chegasse.
Quando as portas se abriram novamente, pude escutar a voz dos guys alta e algumas risadas. A voz de vinha daquele apartamento também e a porta como sempre estava aberta.
Quando finalmente apareci na porta, todos estavam me olhando e foi a primeira a se afastar de Tom e vir com pressa na minha direção.
- ? O que aconteceu? - perguntou ela passando os braços pelos meus ombros. Eu a encarei e sorri fraco.
- Nada - neguei com a cabeça e voltei minha atenção aos garotos.
Dougie estava ali me olhando fixamente, aquela raiva toda que eu pude ver em seus olhos no dia passado não estava mais lá.
- Vocês querem saber a verdade, eu vou dar a verdade - falei. Eles se entreolharam e apenas assentiram. Eu entrei no apartamento sendo seguida por , que sentou em frente a Tom que a abraçou por trás e puxou para perto de si.
Danny e Harry sentaram próximos em alguns pufes que havia espalhados por ali e como eu esperava Dougie era o mais afastado. Sentei e respirei fundo, pronta para começar a história. Eles estavam atentos enquanto eu falava. Algumas vezes até tentavam interromper, mas lançava um olhar de repreensão e eles se calavam rapidamente.
Quando eu finalmente terminei toda a história ela foi a primeira a falar.
- Aquela vadia, eu vou acabar com a raça dela - falou com raiva. Eu sorri fraco para ela e esperei para ver as outras reações.
- Ela não podia estar lá - Tom negou com a cabeça, ele parecia revoltado - Ninguém viu ela lá, viu? - ele olhou ao redor, mas ninguém se pronunciou.
- É revoltante - Danny parecia não saber do que estava falando - Você não precisa ter ido embora pra nós safar. Nós fizemos aquilo, devíamos pagar - ele respirou fundo.
- Ninguém fez aquilo de propósito - neguei com a cabeça rapidamente - Foi um acidente, todos nós sabemos - passei a mão pelos cabelos.
- Eu não acredito nisso - sua voz fez meu coração pular e saltar pela boca, meu estomago embrulhou. - É ridículo demais, que chances tem de isso ser verdade? - ele não parecia acreditar em mim.
- Você não precisa acreditar - respondi olhando fixamente para seu rosto, mesmo que isso estivesse me machucando eu não desviaria o olhar.
- E não acredito - retrucou ele. Dougie tinha um sorriso irônico no rosto que me fazia ter vontade de batê-lo.
- Não seja estúpido, Dougie - Harry disse baixo o suficiente para somente Dougie escutar.
- Não estou sendo - ele deu de ombros e levantou-se para sair pela porta. Mas as coisas não ficariam assim.
- Você é um ingrato - gritei com raiva - Estúpido, ridículo! - me virei de frente para ele.
- É eu sou tudo isso - concordou ele - E você é a maior mentirosa que eu conheço - e então ele deu as costas. Aquelas nove palavras perfuraram meu coração e atravessaram a minha alma. Machucaram-me muito mais do que qualquer outra coisa.
- Idiota - sussurrei para mim mesma. Tom me olhou fixamente e então sorriu mostrando sua covinha, dessa vez era um sorriso verdadeiro.
- Sentimos sua falta pateta - ele riu alto e eu tive vontade de me jogar em cima dele e o apertá-lo até ele ficar roxo. Mas não era conveniente.
- Já está tudo bem então? - Danny olhou para Harry que riu baixinho - Já a perdoamos? - ele parecia realmente não entender.
- Já, Danny - respondeu rindo da cara do amigo. Ela abraçou Tom com força e lhe deu um selinho demorado.
- AAAAAAAAEEEEEE - Danny gritou se jogando em cima de mim e me abraçando com força - Senti sua falta pequena duende - ele gargalhou me fazendo rir junto.
- Senti a sua também gnomo - ri mais ainda ao lembrar que eu havia apelidado Danny de gnomo.
Mas mesmo fazendo as pazes com os guys eu não conseguia ficar totalmente feliz. Tinha alguma coisa ali que estava me incomodando. E eu sabia perfeitamente o que era. Eu só queria poder gritar se tinha alguém ali que pudesse me entender de verdade. Isso tudo tinha virado uma loucura e eu não sabia mais o que fazer com tudo isso. Eu queria alguma coisa, na verdade eu queria exatamente o que eu não podia ter. Eu queria Dougie eu queria que ele me abraçasse e dissesse que estava tudo bem, que as coisas ficariam bem.
Eu não precisava de mais nada, não precisava de mais ninguém, apenas dele. Apenas do meu Dougie.

Minha tarde tinha se resumido em assistir a maratona de Friends na televisão. Algo que definitivamente não era tão produtivo assim. havia saído com Tom para algum lugar que eu não consegui descobrir onde. E sinceramente não gostaria de descobrir.
Era o quinto episódio que eu iria assistir e a segunda barra de chocolate que iria devorar.
Chocolate era a melhor coisa do mundo, mesmo sendo a que mais engorda.
Eu não me importava com esse negocio de me manter sempre esbelta e tudo mais, nunca deixei de comer o que eu realmente gosto. Também nunca engordei, a maioria das pessoas ficavam pasmas com o meu tipo de alimentação e com o meu corpo. Realmente não combinavam um com o outro.
Mas alguma coisa, ou melhor, alguém resolveu me impedir de comer a segunda barra de chocolate. Meu celular estava tocando loucamente no meu quarto. Eu podia escutar a musica da sala. Bufei, lentando-me para ir buscar o telefone.
Meet me in California, I'll be there waiting for your call, I'll be there waiting for you...
Eu simplesmente tinha vontade de não atender o celular para ficar escutando a musica do meu toque. Encontre-me na Califórnia, Eu estarei lá esperando sua ligação, Eu estarei lá esperando você... Meet Me In Califórnia - Plain White T's. Era uma das minhas bandas favoritas e eu amava aquela música. Mas tudo que é bom dura pouco.
Olhei no visor aonde dizia claramente o nome de minha melhor amiga da Califórnia.
- ! - atendi dando um grito. Eu sabia que ela não gostava disso e exatamente por isso eu fazia.
' Quantas vezes vou ter de dizer que é falta de educação gritar no telefone? ' ela perguntou com uma voz super autoritária. Eu simplesmente ri.
- Quantas vezes forem preciso - respondi dando de ombros. Meus lábios estavam curvados em um sorriso de orelha a orelha. No sentido literal é claro.
' Não sou sua mãe não garota! ' ela bufou no telefone. Eu podia imaginar revirando os olhos de uma maneira mandona.
- O que posso fazer por você Surfe Babe? - dei ênfase no seu apelido. Surfe Babe era bem obvio bom era surfista e adorava o que fazia. Isso explica certo?
' Você pode me pegar no aeroporto ' respondeu ela rindo. Deixe-me analisar o que ela acabou de dizer - Você - no caso eu - pode me pegar - no sentido de buscar - no aeroporto - aonde os aviões pousam. Isso é bem idiota eu sei, mas ainda não tinha entendido.
- Você sabe que não estou mais na Califórnia, foi você que me levou ao aeroporto - falei como se ela tivesse dito a coisa mais ridícula do mundo.
' Alguém aqui falou em aeroporto na Califórnia? ' ela parecia uma idiota, isso era fato ' Eu estou falando pra você me tirar dessa merda de frio de Londres e me dar um teto quente e aconchegante, ok? ' ela provavelmente estava fazendo aquela cara de tédio que só ela conseguia fazer.
- VOCÊ ESTÁ EM LONDRES? - não pude evitar gritar. Com eu me sentia como se ainda estivesse na Califórnia, eu me sentia quente e alegre. De uma maneira ridícula.
' Se você gritar mais uma vez, eu juro por deus que vou costurar sua boca ' ela gritou de volta e respirou fundo ' É, vem logo! ' e então simplesmente desligou o telefone.
Quando finalmente acordei do transe já estava parada há três minutos, olhando fixamente para o nada. Peguei um casaco para colocar por cima do moletom, havia realmente esfriado em Londres. Surfe Babe devia estar realmente irritada, ela não gostava de frio. Por isso morava na Califórnia, mas eu me pergunto o que ela veio fazer em Londres.
Fechei a porta do meu quarto ao passar e percorri todo o corredor rapidamente.
Tranquei a porta do apartamento quando saí e chamei o elevador. Ele estava demorando, provavelmente estava preso em algum andar.
Finalmente ele chegou e revelou uma senhora realmente velha escorada em uma parede. Eu sorri simpaticamente para ela e entrei apertando o botão do térreo. O elevador deu uma balançadinha e começou a descer.
Dois andares abaixo o elevador parou e suas portas se abriram, eu saio do elevador rapidamente e andei por todo o hall de entrada sem olhar para os lados.
O problema era agora, eu conseguir um taxi. Você tinha de chamar mais de uma vez um para que eles pudessem realmente parar.
Mas parecia que a sorte estava comigo, a segunda vez que fiz sinal para um, ele parou. Eu embarquei e dei o endereço do aeroporto. O motorista assentiu em silêncio e o carro voltou a dirigir. Eu estava ansiosa para encontrar , faziam apenas dois dias, mas eu sentia a sua falta. Sempre fui uma pessoa muito apegada às outras, não que eu gostasse de demonstrar isso.
Demorei mais ou menos uns quinze minutos andando de taxi até finalmente chegar ao aeroporto. estava lá na frente olhando para todos os lados com uma cara emburrada e toda encolhida. Eu desembarquei gargalhando.
- - ela falou abrindo um sorriso enorme e vindo em minha direção. A abracei calorosamente e ela estremeceu de frio.
- A qual é Surfe Babe, não é tão frio - fiz uma cara irônica e ela sorriu mostrando o dedo do meio - Isso é obsceno, me nego a olhar - brinquei. Ela riu alta e começou a carregar suas duas malas em direção ao taxi.
- Então, você vai me dar abrigo, certo? - ela perguntou assim que embarcamos e eu pedi para o cara voltar a onde tínhamos saído.
- Vou claro - concordei feliz - Mas eu tenho de falar com a - arqueei uma sobrancelha e sorri.
- ... - foi interrompida pelo toque do meu celular. Ele estava vibrando e berrando ao mesmo tempo. Ela estava rindo e cantando a música junto com ele eu revirei os olhos, parecia uma criança.
- Hey! - atendi sem saber quem era. O numero não estava registrado, por algum motivo.
' ? É a linda ' ela gargalhou e continuou ' Onde você está? Cheguei a casa, e a televisão estava ligada, é claro, mas você não estava ' sua voz parecia preocupada.
- Esqueci-me de desligar a televisão - dei um tapinha de leve em que estava colocando a cabeça pra fora da janela.
' É certo, mas você não respondeu o essencial. Onde você está? ' voltou a perguntar.
- Advinha quem está na cidade? - perguntei tentando fazer mistério.
' , você sabe que eu não sou boa com esses jogos de advinha ' ela podia estar revirando os olhos debilmente como ela sempre fazia quando não sabia alguma coisa.
- Chata! - falei animada - ! - gritei sem querer. Larguei o telefone no meu colo e agarrei pela cintura puxando-a para trás. Eu não podia arriscar, ela estava com metade do corpo para fora do taxi. Poderia acontecer uma acidente. Era por isso que precisava tanto de mim, ela podia ser criança demais às vezes.
- A qual é - ela parecia seria e aborrecida - Eu só estava sentindo o vento - e então se balançou demonstrando o movimento do vento. Bem estilo surfista.
' Alguém pode falar comigo? ' gritou no celular seguido de varias exclamações desconhecidas.
- Desculpe - falei pegando o telefone novamente - É que estava tentando se jogar do carro em movimento - fiz uma careta olhando para ela.
' Certo. Então a Surfe Babe está na cidade? ' chamou-a pelo apelido. Todos conheciam por Surfe Babe.
Por quê? Pelo simples fato de ela ser de Londres, pelo simples fato de ela ter feito todo o colegial com a gente. O problema era que ela nunca gostou de Londres, sempre sonhou com a Califórnia. Até que no segundo ano do ensino médio ela conheceu um intercambista da Califórnia e fugiu com ele para a Los Angeles. Mas o verdadeiro problema disso tudo era que ela tinha um namorado e o namorado chamava-se Harry Judd.
Isso mesmo, eu sabia que Harry iria enfartar quando visse . Ele simplesmente a odiava desde a sua fuga. Nunca mais pode ouvir falar dela. Provavelmente era por isso que estava a chamando de Surfe Babe, ele não sabia desse apelido. Quem sabia era ela e eu.
O apelido pegou na Califórnia, não em Londres.
- Sim - concordei - Ela pode ficar com a gente, não pode? - perguntei torcendo os dedos.
' Pode sim. Só espero que o Harry não nos mate antes de qualquer coisa' ela riu.
- Concordo plenamente! - ri junto com .
Era incrível como eu me sentia aquecida, como eu costumava me sentir em L.A, era como eu me sentia pegando onda com . Ter uma parte da Califórnia comigo era bom, era como se eu nunca tivesse deixado aquele lugar mágico. era a minha pequena parte da Califórnia.
- HEY - gritou puxando o telefone da minha orelha - Eu estou chegando - o jeito como ela falou isso me lembrou de algum playboy malandro. Foi realmente estranho.
- Tudo bem. Agora vou desligar, ok? - peguei o telefone novamente - Te amamos. Kisses - e desliguei o telefone antes de ouvir a resposta de .
O taxista parou em frente ao prédio que havíamos saído e eu paguei desembarcando. Ele desceu para nos ajudar com as malas de . Ela pegou uma e eu peguei outra.
Eu estava torcendo para Harry não estar no apartamento agora, eu estava torcendo veemente para isso.
Quando nos pegamos o elevador, meu coração acelerou. Tudo que eu menos queria era arrumar encrenca com um dos guys tão rapidamente. Principalmente com ele que sempre esteve ao meu lado.
- Surf's up, school's out - começou a cantar baixinho enquanto esperava o elevador chegar - I got a criminal urge to twist and shout - ela batucou os dedos no espelho do elevador no ritmo da música.
não havia mudado nada, se bem que foram só dois dias. Mas eu quero dizer desde que saiu daqui, sempre esteve com a cabeça no mundo da lua. Seus cabelos loiros contrastavam com suas mechas roxas e rosas. Eles eram levemente ondulados.
Seus olhos eram de um verde transparente e suas bochechas naturalmente coradas.
As portas do elevador se abriram e ela saiu dançando no ritmo da música que ela continuava a cantar. Fui atrás dela carregando uma das suas malas.
O certo era eu simplesmente entrar primeiro, ver se a barra estava limpa para depois ela entrar. Mas o seu jeito impulsivo a fez abrir a porta e entrar toda feliz.
- CHEGUEI! - gritou ao entrar no apartamento. Breve pausa e dois gritos ao mesmo tempo.
- O QUE ESSA/ESSE GAROTA/GAROTO ESTÁ FAZENDO AQUI? - foi um coral. Harry Judd e se viram pela primeira vez. Eu respirei fundo, que a briga comece...



Cap 04.

I know that I love you
But let me just say
I don't wanna love you
In no kind of way, no, no

Eu sei que amo você
Mas me deixe dizer
Eu não quero amar você
Em nenhuma maneira, não, não.


- Tem certeza? - perguntou talvez pela milésima vez desde que concordei em fazer aquilo. Não seria tão ruim assim como ela pensava. O que de pior poderia acontecer? Eu ver o Dougie ficando com alguma bitch qualquer.
É claro que eu não gostava desse pensamento, mas o que de fato eu poderia fazer? Um dia ou outro isso iria acontecer de qualquer forma.
- Tenho - respondi dando de ombros pela milésima vez também - Eu vou ficar bem, ok? - encarei por cima do ombro e a observei sorrir.
Eu tinha de terminar a minha maquiagem, era o que faltava. Não que eu realmente gostasse de me maquiar, mas era uma coisa que eu definitivamente sabia fazer bem.
Terminei de passar o meu batom e me encarei no espelho. A maquiagem estava bem, meu cabelo é que não colaborava muito com tudo isso. Respirei fundo tentando arrumá-lo mais uma vez. Após algumas tentativas fracassadas eu desisti e acabei deixando-os em sua forma natural. Ondulado e meio rebelde.
Dei as costas para o espelho e voltei para o quarto aonde terminava de se vestir. Ela sorriu constrangida e veio até mim com o fecho do seu vestido aberto.
- Fecha, please? - ela me olhou e piscou os olhos de uma maneira meiga que me fez revirar os olhos. Fechei o zíper do seu vestido e ela ajustou-o no seu corpo dando uma longa analisada no espelho. Concordou silenciosamente e então calçou os sapatos.
- Que a festa comesse - entrou no quarto gritando. Bem estilo... . Bom, ela era assim, não podíamos fazer nada a respeito. Porque acima de qualquer coisa, ela era nossa amiga. estava pronta. Ela estava vestida bem estilo ela mesma. Deixe-me explicar melhor. Ela estava usando uma blusinha qualquer de alguma banda que pelo que eu conhecia de bandas e de camisetas de banda que gostava era provavelmente do Queen, na cor branca. E um short de couro cintura alta por cima da blusa. Ela usava uma meia calça bem vintage, preta transparente com algumas bolinhas da mesma cor. E uma ankle boot preta com algumas taxas. Seus cabelos estavam naturais e sua maquiagem bem leve. Estava parecendo ela mesma, era exatamente o tipo de roupa que eu esperava que ela usa-se.
- Trouxe um presentinho - ela balançou uma garrafa de whisky que tinha em mãos. E levantou a outra que estavam com dois copos e sorriu animada.
Eu gostava de , ela sempre sabia como fazer uma festa. Mas nesse caso, ela sabia como fazer a angustia e o nervosismo passar - Alguém quer? - perguntou ela sentando-se na cama ao meu lado.
- Estou dentro - falei voluntariamente erguendo uma mão no ar. me encarou e arqueou uma sobrancelha e então bufou e deu de ombros, como se dissesse 'eu não me importo'.
- É claro que está, garota - riu alto e serviu um copo da bebida para mim - Beba com moderação - tentou parecer séria e então sorriu irônica me entregando o copo.
- Pode deixar - empinei o mesmo e tomei todo o liquido de uma vez só. Minha garganta protestou e ardeu violentamente. Eu podia fazer cara feia, mas aquilo era costumeiro para mim quando eu estava na Califórnia.
Sorri tímida para que tomou o seu copo e ergueu os braços para cima em sinal de vitória. Eu ri baixinho para não perceber e ela encheu meu copo novamente.
Nos olhamos e contamos até três em silêncio. Um, dois, três... E bebemos todo o conteúdo de uma vez só, novamente.
- Como estou? - interrompeu nossa alegria com uma pergunta besta. Era claro que ela estava incrível e ela provavelmente sabia bem disso.
Ela estava usando um vestido cascata branco, que pelo que eu podia ver era feito de algum tecido muito parecido com tule. Tinha um cintinho de laço rosa forte marcando sua cintura e um pep-toe rosa com um grande laço no calcanhar da mesma cor do cinto. Tinha um ar vintage, bem retro. Eu gostava. Seus cabelos estavam lisos e sua maquiagem era de fraquinha.
- Linda, é claro - revirou os olhos e voltou sua atenção para a bebida. Eu empurrei meu copo na sua direção fazendo-a enchê-lo novamente.
- Deixando uma coisa bem clara - começou parando de frente para nos e colocando as mãos na cintura - Não vou cuidar de bêbados hoje, ok? - parecia determinada.
Nos sorrimos irônicas e ela simplesmente nos deu as costas. Eu tomei um grande gole da bebida e me levantei para me encarar no espelho pela ultima vez antes de sair daquele quarto. Eu estava usando uma blusa corset branca com detalhes em renda nas alcinhas e no decote. Uma saia de babadinhos cintura alta branca com Pet Poá preto e um cinto largo vermelho, juntando a saia com a blusa. E um sapato vermelho.
- Vamos logo antes que a enlouqueça - revirei os olhos em sinal de loucura e sorri. Dei as costas para o espelho e empinei o meu copo, terminando de tomar a minha bebida. Larguei o copo sobre o criado mudo e saí, sendo seguida por e sua garrafa.
- Você vai ficar bem não é? - me alcançou e seguiu comigo pelo corredor lado a lado. E essa era a última pergunta que eu precisava ouvir. Meu estômago embrulho.
- É claro que vou - menti. Eu iria ficar bem, de certa forma. Mas eu sabia que dependendo dos fatos que ocorreram nessa noite eu não ficaria bem. E isso era questão de tempo.
Eu sabia perfeitamente que não acreditava em mim, talvez pelo fato de ela tiver sido a única a realmente ver como fiquei depois de partir de Londres. Talvez nesse momento ela soubesse que eu precisava acreditar na minha própria mentira.
- Finalmente - levantou do sofá assim que chegamos à sala - Estamos atrasadas - ela falou sem nem nos olhar. Pegou suas chaves, pegou sua bolsa carteira e correu em direção à porta. Nós nos entreolhamos e sorrimos indo em direção a psicótica e atrasada .
Ela trancou a porta assim que passamos. Eu tinha a sensação que estava esquecendo algo realmente importante. Mas se eu falasse isso em voz alta talvez ela me matasse por estar nos atrasando mais ainda. Quando entramos no elevador, que por algum milagre estava no nosso andar os espelhos refletiram todas nós juntas e arrumadas. Aquilo me trazia boas lembranças, lembrança das inúmeras festas que costumávamos fazer no colegial. Eu sentia falta daquele tempo. Olhei para o lado e lá estava com a cabeça no mundo da lua como sempre. E do meu outro lado ansiosa e preocupada. Eu tive vontade de sorrir, mas me controlei.
O elevador deu uma leve balançadinha e então suas portas se abriram. foi a primeira a sair, eu sabia que ela tinha certa fobia por elevadores. Não que isso a tivesse impedido de andar em um alguma dia. Eu fui a segunda a sair e ficou por último. Ela andava despreocupadamente, sua postura correta e o olhar fixo a sua frente. Dava impressão de uma mulher confiante. Tudo o que eu definitivamente não era.
O Audi q7 de estava estacionado em frente ao prédio, ela deveria ter deixado ali propositalmente. Nós embarcamos em silêncio, aquilo de certo modo era constrangedor.
Ela hesitou em ligar o radio e acabou por não ligar. Percorrer aquelas ruas molhadas pela chuva que a pouco acabara de cair era nostálgico. A minha grande sorte era que o grande Royal National Theatre ficava no máximo a cinco minutos de a pé do Chelsea. E nós estávamos motorizadas, então em menos de três minutos, com ajuda dos sinais de transito, nós chegaríamos lá. Essa era uma vantagem de morar no Chelsea.
Exatamente como eu disse, em três minutos conseguiu chegar ao teatro.
Havia uma fila extensa de carros do lado de fora, uma multidão de fãs e muita imprensa. Então nós demoramos mais cinco minutos para finalmente conseguirmos estacionar o carro. O que de fato era pouco tempo comparado com a fila de carros. Quando finalmente coloquei o pé para fora do carro, flashes me cegaram. Aquilo era horrível, eu fiquei tonta com toda aquela luz ao mesmo tempo. Então eu respirei fundo e segui direto sem olhar para trás. Eu sabia que aquilo tudo era por eu vir acompanhada da namorada de um dos guys. Mas na verdade nunca esperei tanto assédio. Quando o segurança me barrou pedindo os ingressos eu tive que parar e esperar por , que no momento era quem tinha os mesmos.
- Eu odeio isso - chegou respirando fundo. vinha logo atrás dela o problema era que elas não foram tão seguidas pela impressa e isso me assustou.
- Os ingressos - o segurança voltou a pedir. Eu olhei para ele que me olhou e logo depois encarou .
- Ah! Sim... Os ingressos - ela parecia distraída com alguma coisa. Mexeu na sua bolsa carteira e tirou de lá três papeis em uma cor dourada e eles tinham certo brilho.
- Área Vip - ele leu nos ingressos - É por ali, Misses - ele apontou uma passagem que tinha algumas escadinhas. sorriu irônica para ele e passou na nossa frente seguindo o caminho que ele acabara de indicar. Eu tinha uma sensação estranha, eu não gostava dessa sensação, mas também não podia simplesmente ignorar. Fiz uma careta e entrei respirando fundo, seguindo enquanto ela subia as escadas. O lugar era todo luxuoso e bem moderno. Todas as cadeiras eram na cor vermelha. Era tudo realmente lindo.
No final das escadas ficava a platéia alta, que no momento era a área vip do show. já havia se acomodado em uma das cadeiras, sentei-me ao seu lado e permaneci em silêncio.
Não demorou muito para o show começar, a iluminação foi diminuída e as luzes no palco piscavam. As cortinas ainda estavam fechadas, isso era bom. Havia uma voz ao fundo anunciando a banda e os integrantes. E então um rufar de tambores começou e junto dele o meu coração disparou. Porque eu estava aqui? Para ouvir as pessoas que eu amo cantar músicas que me chamam de mentirosa e toda aquela hipocrisia que eu já conhecia? Eu não tinha mais tanta certeza sobre ter vindo. Esse pensamento foi embora junto das primeiras notas de uma das minhas musicas favoritas deles: One for the radio.

Here's another song for the radio - Então aqui está mais uma música para o rádio
Life isn't fair for the people who care - A vida não é justa para as pessoas que se importam
Stick your nose in the air and that's how you go far - Levante o seu nariz no ar, é assim que você vai longe.
So go tell your lovers, your fathers and brothers - Então vá dizer aos seus amores, seus pais e irmãos
Your sisters and mothers how lucky they are - Suas irmãs e mães o quanto sortudos eles são


Levantei assim como todas as outras pessoas que estavam no teatro. A música refletia bem em todos os lugares eu tinha certeza, mas aqueles gritos faziam parecer que não daria para escutar nada. O que de fato nunca aconteceria.
Eu podia notar o olhar de Tom passando pela platéia alta, procurando alguma coisa e eu sabia muito bem quem era essa coisa. E ela estava exatamente do meu lado esquerdo.
sorriu tímida ao perceber que Tom estava a encarando e acenou no ar. Talvez ele pudesse ver e talvez não. Danny olhou de relance para cima e sorriu, eu levantei a mão e acenei freneticamente enquanto murmurava a música para mim mesma. Harry eu sabia que não podia olhar, porque ele definitivamente tinha de se concentrar. Mas quem eu realmente queria que olhasse para cima e sorrisse não fez isso. É claro que não.
Meu estômago embrulho ao pensar na hipótese de ele um dia fazer isso para outra garota.

Light speed, out of my mind - Velocidade da luz, fora da minha mente
I'm hurt, but I'll be fine - Estou machucado, mas vou ficar bem
Put your fist in the air - Coloque seu pulso no ar
Raise your voice and declare - Erga a sua voz e declare
Singing "We don't care" - Cantando "A gente não se importa"
(We don't care!) - (A gente não se importa!)
We don't care - A gente não se importa
(We don't care!) - (A gente não se importa!)


Gritei a parte do "We don't care!" porque essa era a minha parte favorita da musica toda. E era fácil e cantar e realmente sentir aquilo, de simplesmente não se importar. Não naquele momento ao menos. Isso era exatamente o que eu gostaria de sentir naquele momento, nada. Não me importar com nada e ao som daquela música isso fazia sentido. Eu sabia que eu podia fazer isso. Enquanto aquela musica durasse eu tinha plena certeza disso.
Mas tudo que é bom dura pouco e esse é o ditado mais certo que eu conheço. Quando a música foi substituída por outra lenta que eu não fazia questão de prestar atenção, aquela sensação ruim voltou a habitar meu peito. E eu voltei a implorar veemente para que a noite acabasse de uma vez por todas. Sentei novamente e fiquei apenas tentando imaginar se aquilo acabaria logo. Tinha uma pequena voizinha baixa e irritante na minha cabeça que dizia que aquela era a minha tortura, porque iria demorar.
como sempre estava animada cantando todas as musicas e gritando sempre que podia. Já também não apresentava lá seus grandes entusiasmos, mas ela estava com toda certeza muito mais animada que eu. Ao menos se dava ao luxo de permanecer de pé, acompanhando .
Quando as primeiras notas de Lies, uma das musicas mais detestadas por mim começou a tocar e eu pude ouvir Tom começar a cantar "Better run for cover you're a hurricane full of lies" todas aquelas pessoas gritaram felizes, eu percebi que não precisava fazer aquilo. Aquele show seria literalmente a minha tortura pessoal, eu não precisava ficar aqui e me dilacerar por dentro. Levantei determinada e cutuquei que virou subitamente para mim.
- Não dá, ok? Eu estou indo embora - passei a mão pelos cabelos, tentando ignorar a letra da musica.
- Não - ela negou com a cabeça - Vamos até o banheiro, eu quero conversar com você - ela falou dando uma breve encarada para que assentiu e então ela me puxou pelo braço em direção ao banheiro.
O lugar estava vazio, para a minha sorte. Era iluminado e luxuoso como o restante do teatro.
Escorei-me na enorme pia e fiquei encarando-as. Eu sabia que estava prestes a levar um sermão.
- Porque você quer ir embora? - perguntou cruzando os braços na altura do peito e me olhando de uma forma autoritária.
- Você ... - a encarei incrédula e bufei - Você não sabe o que é escutar musicas que te chamam de mentirosa, falsa, vadia, sendo cantada pelas pessoas que você ama - abaixei a cabeça e respirei fundo.
- Não, eu realmente não sei - ela concordou - Mas se você não suporta isso, porque voltou? - perguntou me encarando friamente. Eu não podia responder aquela pergunta, porque no fundo eu não sabia a resposta. Eu não fazia ideia mais de porque eu tinha voltado.
- Isso dói - abaixei a cabeça novamente e senti meus olhos arderem compulsivamente - Ele não olha na minha direção – continuei. - É como se eu simplesmente não existisse mais para ele - senti uma lagrima solitária percorrer todo meu rosto e se acabar na minha boca. Tinha um gosto salgado e doce ao mesmo tempo. Eu já estava acostumada com isso.
- - se pronunciou pela primeira vez - Você tem de resolver isso - ela suspirou e veio para o meu lado - Onde está aquela garota que saiu da Califórnia com um sorriso trêmulo do rosto e com a certeza que ia dar um fim nisso tudo ? - ela segurou minha mão - Você precisa fazer isso - ela sorriu.
- A tem razão - respirou fundo - Eu sei como você pode resolver isso de uma vez por todas - ela sorriu - Nós só temos que esperar o show terminar - concluiu ela.
A encarei sem entender do que ela estava falando, o que eu poderia fazer quando o show acabasse? Eu não fazia ideia e por algum motivo tinha medo de descobrir.
- Agora respira fundo e vamos voltar para aquele show - segurou meu rosto passou o dedo por todo o caminho da minha lagrima solitária. - Você aguenta - ela murmurou baixinho e então me puxou pela mão.
Elas me tiraram do banheiro e me arrastaram para as cadeiras novamente, eu fiz o mesmo de antes. Sentei lá e fiquei apenas esperando aquele show acabar e saber qual era o plano mirabolante de . Em algumas músicas eu conseguia até me sentir animada, mas em outras eu simplesmente me sentia perdida.
De uma coisa eu tinha certeza, eu não podia viver a minha vida inteira fugindo daquelas músicas, até porque isso seria impossível. Mas ainda era difícil para mim, saber que elas falavam de mim. Eu vou superar isso - falei para mim mesma.
O show demorou mais do que eu podia imaginar que ele duraria, talvez não fosse muito para todas aquelas pessoas, mas para mim era como uma eternidade. Eu me sentia angustia, ansiosa e nervosa, por alguma motivo. Eu estava inquieta.
Quando eles estavam cantando a ultima música, virou-se para mim e estendeu a mão.
- Agora você vem comigo - falou sorrindo. Eu a encarei por um breve instante e então peguei sua mão. Sabia que isso provavelmente me colocaria em alguma encrenca, mas eu não ligava - Você também, vem logo - ela agarrou o braço de e saiu nos puxando entre as pessoas. Parecíamos três loucas prestes a cometer alguma loucura, o que de fato não era mentira.
nos levou para um corredor que eu sabia que iria dar no camarim dos garotos, o que não era bom. Na verdade não era nada bom. Um segurança a parou e então ela conversou alguma coisa com ele, que eu realmente não prestei atenção. Eu tinha coisas mais importantes para me preocupar... Como por exemplo o que ela queria no camarim deles.
- Ok - ela respirou fundo e virou-se de frente para mim e - Você - ela me apontou - Vem comigo - e sorriu - E você - ela sorriu mais ainda. Puxou para perto e sussurrou alguma coisa no seu ouvido. Eu estava começando a ficar preocupada - Let's go - ela voltou e me puxar pela braço, me fazendo tropeçar e quase cair.
Ela me puxou por todo aquele corredor parando em frente a uma porta que tinha uma plaquinha escrita 'McFly'. Aquele era o camarim.
- Você entra aí e espera - ela abriu a porta e me empurrou para dentro.
- , seja lá o que for que você está planejando não vai dar certo - revirei os olhos. Ela deu uma risadinha e então fechou a porta. Talvez ela fosse mais louca do que eu imaginava.
Respirei fundo e então parei realmente para olhar aquele lugar. Tinha muitas coisas ali. Algumas frutas e uns doces que eu realmente não conhecia, eles eram compridos e coloridos, mas eu sabia que aqueles eram os pedidos de Harry.
Havia salgadinhos de todos os tipos. Havia um frigobar que devia estar lotado de águas e cervejas, energéticos e todas as outras coisas que eles sempre pediam.
Ao lado das frutas tinha uma garrafa de vodka e para minha surpresa ela estava fechada. Mas eu sabia que ela era pedido de Danny. Ele gostava de beber alguma coisa antes de subir ao palco. Sempre foi assim.
Ouvi o barulho da porta se abrindo e se fechando logo em seguida. Meu coração disparou de uma maneira assustadora, era como se ele estivesse batendo contra minhas costelas com força, fazendo doer. Eu engoli em seco e então virei para encarar quem tinha acabado de entrar. Dougie estava lá, tinha os cabelos meio molhados de suor e o rosto úmido.
Ele estava secando o mesmo com uma toalhinha branca. Quando ele tirou a toalha do rosto e me encarou eu senti que podia desabar a qualquer momento. Mas eu me proibia de desabar. Minhas pernas tremiam. Eu sabia que tinha de falar alguma coisa. Mas não tinha certeza se conseguiria.
- Dougie - murmurei. Incrível como minha voz parecia rouca e fraca. Ele não respondeu, apenas me encarou. E então ele passou reto por mim e foi até o frigobar pegar uma água.
Ele me ignorou, como eu sabia que ele ia fazer. Mas eu não ia desistir até ele finalmente falar comigo.
- Dougie, por favor! Não finja que eu não estou falando com você - pedi em um murmuro. Ele me encarou fixamente de novo e deu de ombros. Porque ele estava fazendo isso comigo?
- Tudo bem - ele respondeu com a voz um pouco fria. Eu sorri, já era um começo ao menos ele se dirigiu a mim.
- Nós precisamos conversar - continuei com um sorriso bobo no rosto. Será que ele estava disposto a tanto? Eu não sabia.
- Não - ele negou com a cabeça e então se jogou no sofá - Nós não temos nada a conversar - ele me encarou de um jeito estranho.
Eu preferia aquele olhar de raiva que ele me olhava, aquele olhar doloroso que eu podia sentir, eu preferia qualquer reação dele a essa, como se ele não se importasse.
Aquele sorrisinho bobo que tinha no meu rosto pelo simples motivo dele ter me respondido era apenas uma sombra. Eu senti uma pontada no peito, forte. E então a raiva me invadiu.
- Não finja que não se importa - gritei - Não finja que não me ama mais - eu sabia que provavelmente não devia estar gritando. Mas eu não conseguia me importa com isso agora.
Ele sorriu e passou a mão pelos cabelos bagunçando os mesmos e voltou a me encarar, tomou outro gole da sua água e respirou fundo.
- Não estou fingindo - ele falou de uma forma irônica. Alguma coisa fervia dentro de mim, alguma coisa estava prestes a explodir e dessa vez eu sabia que não era forte o suficiente para lutar contra aquilo.
- Então diga - sussurrei sem forças - Diga que não me ama - aquilo pareceu o pegar de surpresa. Como se ele não esperasse por um pedido como esse. Como se aquilo o custasse alguma coisa. Mas eu talvez tenha me enganado, já que ele sorriu novamente.
- Eu não - ele desfez o sorriso por um minuto e então realmente me encarou - Não te amo - concluiu. Ele largou a garrafa de água na mesinha e levantou passando por mim indo em direção a porta. Ele a abriu e me olhou novamente.
- Desculpe - ele sussurrou. Desculpas naquele momento não eram bom o bastante para mim. Ele tinha acabado com o meu mundo e simplesmente pedia desculpas.
- Vá para o inferno - murmurei em resposta e então ele fechou a porta. Eu senti minhas pernas falharem. Eu sentia aquela dor emergindo na superfície. Eu podia sentir que ela ia tomar conta de mim novamente. Meu coração falhava, inconstante. Minha respiração estava falhada e acelerada ao mesmo tempo. Olhei para todos os lados procurando alguma salvação, uma solução para tudo isso. E eu encontrei, ao lado das frutas de Harry.
Olhei em direção a porta e andei lentamente até ela. Tranquei-a por dentro e sorri.
Peguei a garrafa de vodka de Danny e me encostei-me ao canto da parede. Foi nesse momento que tudo veio à tona, as lagrimas me inundaram e os gemidos começaram a sair da minha boca. Minhas pernas falharam lentamente, me fazendo escorregar até o chão. Coloquei a garrafa ao meu lado e abracei minhas pernas. Eu sabia que amava Dougie, mas não queria com toda a minha força amá-lo mais. Eu queria que aquilo tudo passasse, eu queria me sentir forte de novo. Eu queria ir embora daquele lugar, mas eu não tinha força pra isso.
Eu queria voltar para a Califórnia, aonde tudo era possível, aonde o sol me aquecia me enchendo de felicidade, aonde o mar era minha anestesia. Onde a brisa levemente úmida e quente fazia meu coração acelerar. E isso era tudo que eu não tinha no momento.
Coloquei toda minha força naquele abraço, minhas pernas protestaram nada que fosse realmente importante. Eu não sabia como os minutos passavam, mas eu me sentia quebrada. Inconsciente, despedaçada.
Quando aquilo comecei a entrar em um torpor anestésico, enfim abri a garrafa de e tomei um grande gole do liquido. Ele ardeu ao descer pela minha garganta, meu fígado protestou no mesmo momento. E eu sorri, eu gostava de sentir alguma coisa protestando dentro de mim. Tomei outro gole enorme e respirei satisfeita.
E assim foi, um gole atrás do outro, até as coisas começarem a girar forte e meu estomago embrulhar. Até eu saber que não conseguiria levantar por livre e espontânea vontade. Até eu saber que estava totalmente anestesiada pela bebida. Até a garrafa ficar vazia.
Mas as lágrimas não me abandonaram. Eu tinha uma companhia naquele momento.
Eu queria beber mais, porque a sensação era boa, mas não conseguia ir até o frigobar.
Minhas pálpebras pesavam toneladas, estava difícil de manter os olhos abertos. Eu queria dormir, eu queria finalmente descansar. Mas não queria ao mesmo tempo.
Alguém tentou abrir a porta, mas não conseguiu.
'' alguém chamou do lado de fora ao mesmo tempo em que batia na porta. Cada batida da mesma, retumbava e parecia machucar meus ouvidos. Era doloroso.
' abre a porta' eu não conseguia reconhecer aquela voz. Talvez fosse ou . É, devia ser uma delas.
' Tudo bem então ' essa pessoa suspirou alto e as batidas cessaram.
Encolhi mais ainda minhas pernas, firmando-as contra meu peito. Será que alguma coisa poderia aliviar aquela dor? Alguma coisa poderia cessar com aquele sofrimento. Eu esperava que sim. Eu finalmente percebi que não era tão forte quanto eu pensava, que quatro palavras acabaram com tudo que eu tinha dentro de mim, e eu acho que ninguém entenderia o quanto isso dói. Mas talvez todos pudessem ver as cicatrizes que ficariam em mim. Se ele soubesse o quão mal me fez nesse momento, será que ele teria realmente dito aquilo? Será que isso tudo era apenas um jogo para ele? Mas se era... Game over.
Porque eu não aguento chegar até o último nível, até a final. Eu não duraria tanto assim.
Talvez o amor não existisse mais para mim. Talvez ele tivesse abandonado o meu corpo, ou me largado de mão. Eu realmente esperava que sim.
Lá no fundo, enterrado embaixo de toda aquela dor tinha alguma coisa que me dizia que eu ia ficar bem, que no final eu ia me recompor e iria fingir um sorriso alegre, eu abandonaria novamente aquela cidade e tudo ficaria bem. Eu esperava que essa coisinha estivesse certa, que tudo ficasse bem.
- - alguém falou baixinho perto de mim. Então eu percebi que estava de olhos fechados, que eu estava adormecida, de certa forma. Eu queria sorrir para essa pessoa e dizer 'Eu estou bem', mas a única coisa que saiu de dentro de mim foi som estranho e lágrimas. Respirei fundo tentando me controlar, mas não consegui.
- Calma, calma - essa pessoa me abraçou e me puxo para junto de si. Eu queria agradecer, gostaria de dizer obrigada, mas não podia. E eu não erra burra o bastante para tentar falar de novo. Olhei para cima e sorri interiormente. Era Danny, ele estava ali comigo.
- Danny, a tira do chão - outra voz soou ali perto.
Eu não conseguia reconhecer as vozes ao meu redor, esse era o efeito da bebida em mim. O álcool às vezes te deixa mais perdida do que você já está. Então ele se movimentou me puxando junto com ele e no momento seguinte eu estava sendo segurada em pé por ele.
- Tudo bem - ele sussurrou no meu ouvido - Tudo vai ficar bem, eu estou aqui, ok? - e me abraçou com força.


Cap 05.

This time was different
Felt like I was just a victim
And it cut me like a knife
When you walked out of my life
Now I'm in this condition
And I've got all the symptoms
Of a girl with a broken heart
But no matter what
You'll never see me cry


Desta vez foi diferente
Senti como se eu fosse apenas uma vítima
E isto cortou-me como uma faca
Quando você saiu da minha vida
Agora eu estou nesta condição
E eu tenho todos os sintomas
De uma menina com o coração partido
Mas não importa o que
Você nunca vai me ver chorar


A claridade machucava meus olhos. Minha cabeça doía compulsivamente, ela latejava em um ritmo inacreditável. As memórias da noite anterior começaram a vir em minha mente isso machucava muito mais do que a luz. Aquilo machucava fundo, aquilo era sentido direto do coração. Abri meus olhos rapidamente tentando afastar tudo aquilo.
Tudo girou rapidamente e então se encaixou em seu lugar. Eu respirei fundo tentando me acalmar. Tentei levantar rapidamente, mas não achei que seria uma boa ideia. Não nesse momento, eu ia esperar meu organismo se acalmar e se acostumar um pouco.
Eu odiava a sensação de estar de ressaca, era horrível e acolhedora de certa forma.
Esperei alguns minutos deitada, até achar que conseguiria finalmente levantar e ir ao banheiro para tomar banho. Levantei com calma e fiquei sentada um pouco na cama pensando em coisas que não me faziam bem.
Levantei da cama e caminhei lentamente, um passo de cada vez em direção ao banheiro. Abri a porta e deixei-a aberta ao passar. Minha imagem refletiu no espelho fazendo com que eu me assustasse. A minha maquiagem estava totalmente escorrida, meus cabelos estavam parecendo um ninho de passarinhos e eu estava toda amassada. Ignorei minha imagem no espelho e me despi indo em direção ao chuveiro. Liguei-o no mais gelado que dava e tomei coragem para entrar embaixo. A água gelada despertou minha consciência, despertou por total meu cérebro me fazendo finalmente acordar de verdade. Talvez me deixando mais acordada do que eu gostaria. Demorei o máximo que pude no banheiro, mas eu definitivamente não podia morar no chuveiro. Desliguei-o e me enrolei em uma toalha qualquer que estava pendurada na argola de metal na parede.
Parei em frente a pia, evitando o espelho e me escovei lentamente. Eu não estava com pressa, com nenhum pouco de pressa, de nenhuma forma.
Enxaguei a boca rapidamente e larguei a escova no lugar. Sorri irônica ao observar o que estava sobre a minha pia. Havia um envelope de comprimidos para dor e um copo de vidro da cozinha. Revirei os olhos e peguei o envelope, descartei um comprimido e coloquei na boca. Enchi o copo com água do banheiro mesmo e engoli o mesmo com esforço. Eu odiava remédios, eu odiava qualquer tipo de remédio. Balancei a cabeça com náusea e sai do banheiro, voltando ao quarto.
Fui direto para o meu closet que estava aberto. Sequei-me e vesti a primeira langerri que apareceu na minha frente. Ela era simples, branca e básica. Peguei algumas peças de roupas e vesti apressada. Vesti a calça jeans e a regata branca, coloquei a camisa xadrez rosa com branco por cima. Calcei meu nick estilo all star rosa com branco também e dei toda minha ''produção'' por finalizada. Voltei ao banheiro para secar meus cabelos. Não demorou muito como de costume, eles eram rebeldes e não adiantava de nada ficar tentando dar um jeito neles. Usei todos os truques de maquiagem que conhecia para esconder as bolsas e as olheiras que haviam em meus olhos. Além de esconder o quão grande era minha ressaca. Quando terminei de passar um batom cor de boca a porta do meu quarto se abriu.
Virei rapidamente para ver quem era, dando de cara com nada mais, nada menos do que nossa querida Surfe Babe. Como eu iria olhar para a cara dela que era a pergunta chave de tudo. Respirei fundo e me desescorei da pia do banheiro indo em sua direção.
Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas a impedi.
- Não fale nada sobre ontem - adiantei. Ela me olhou e deu de ombros continuando a sua tentativa de falar.
- Você sabe da ? Ela simplesmente sumiu - falou ela. parecia preocupada, como se aquilo não fosse normal.
- Deve estar com Tom - respondi como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E realmente era uma coisa meio óbvia.
- Ela poderia ter avisado - parecia revoltada. Como sempre. Quando encontrarmos totalmente calma, será com toda certeza o dia em que o mundo vai acabar e olha que não acredito na lenda Maia.
- Provavelmente não quis nos acordar - argumentei dando de ombros. Não estava afim de discutir o porque de sair sem avisar aonde estava indo, afinal de contas ela era maior de idade e sabia o que fazia. Não que isso fosse rude demais, mas era um fato. Ninguém podia contestar isso.
- É provavelmente - concordou por fim . Ela ficou me encarando de uma forma estranha por um certo tempo até suspirar e dar as costas saindo do quarto novamente.
Eu estava me sentindo sozinha. Estava me sentindo novamente uma garota de coração quebrado, estava me sentindo pequena. Uma pessoa pequena que carregava uma dor maior do que sí própria. Isso era irônico.
Saí do quarto com pressa. Não queria ficar sozinha, não hoje, não nesse momento. Uma companhia, mesmo mal humorada me ajudaria de qualquer forma.
- Surfe Babe, espera - chamei tentando alcançar ela pelo corredor.
- Huh? - perguntou ela sem parar. se jogou no sofá da sala para calçar o seu sapatinho oxford na cor nude. E foi nesse momento que eu reparei que ela estava toda arrumadinha. Seus cabelos estavam arrumados em uma trança frouxa e desfiada, estava vestindo um vestido estampado no maior estilo Blair Waldorf. Na verdade aquele visual todo estava muito parecido com a mesma. Mas o que realmente importava era que isso significava que ela ia sair de casa e eu não gostava da ideia de ficar sozinha.
- Você vai sair? - perguntei com desdém. Como se eu realmente não me importasse, mas por dentro eu estava implorando para que ela não fosse sair. Para que ela dissesse que ia ficar em casa mesmo. Mas isso era uma pequena porcentagem de uma grande que era contra.
- Vou - ela respondeu suspirando - Visitar minha mãe, você sabe como é - ela levantou a cabeça para me olhar - Tenho de resolver assuntos pendentes - e sorriu fraco.
Eu sabia que sempre teve assunto pendentes com a família. Afinal de contas ela havia fugido de Londres com um intercambista qualquer. Mas não era só por isso, havia mais coisas que eu pensava saber, porém, tinha certeza que não sabia.
- Ah bom - respondi sentando no braço do sofá para ficar olhando ela terminar de se arrumar. Eu sabia também, que toda aquela produção era pra impressionar e agradar sua rigorosa mãe. Nunca entendi bem com quem era pior a relação de , com o pai ou com a mãe. Não sabia mesmo. Isso era um grande mistério para mim.
E eu também sabia que estava pensando essa bobagens pra evitar lembrar do que aconteceu anteriormente. Para evitar me debulhar em lagrimas novamente. Eu tinha de arrumar um jeito de me afastar disso.
- Você pode me dar uma carona? - perguntei. Ela me olhou irônica, como se eu tivesse acabado de falar uma besteira.
- Carona de uno? - ela riu estrondosamente - Uno atrás do outro é claro - e voltou a rir debochada. Havia me esquecido de que não tinha carro aqui.
Me senti muito mais idiota ao perceber isso. Fiz uma careta e ela sorriu.
terminou de se arrumar e virou-se para me encarar. Eu não gostava da expressão no seu rosto, era como se ela fosse brigar comigo a qualquer momento. Como se tivesse uma bomba prestes a explodir e isso era patético.
- Você não precisa mentir pra mim, sabe disso não é? - ela cruzou os braços na altura do peito e ficou me olhando, era queria uma resposta, mas eu simplesmente não a tinha.
- Mentir pra você? - levantei da guarda do sofá e dei as costas indo em direção a cozinha.
- Você sabe que não precisa ser forte assim - ela suspirou e veio atrás de mim.
me conhecia muito bem e isso era um problema. Ela sabia que lá no fundo eu queria apenas um abraço e poder deixar toda essa dor sair de dentro de mim de alguma forma. Mas uma coisa eu já havia colocado na minha cabeça, eu não choraria mais por amor e muito menos por Dougie Poynter. Não era como se eu precisasse realmente daquilo, de certa forma eu precisava, mas não era como se fosse uma coisa que eu não poderia viver sem. Eu sabia que podia ser forte, mais forte do que isso. Eu sabia que podia sorrir verdadeiramente e esquecer tudo que aconteceu. E eu sabia também que isso duraria até o momento que eu visse ele novamente.
- Eu estou bem - suspirei - De verdade, ok? - me apoiei na pia e virei para encará-la. Ela permaneceu em silêncio apenas me olhando como se eu estivesse ficando completamente louca. E de alguma forma eu estava ficando louca. Mas isso não era uma coisa que ela precisava saber.
- Ok - ela concordou com a cabeça - O que você vai fazer à tarde? - não era simples curiosidade na voz dela. Não me parecia isso ao menos.
- Por que ? - respondi com outra pergunta - Não vou cortas os pulsos ou algo do tipo se é isso que você está pensando - dei uma risadinha fraca.
Surfe Babe me olhou e revirou os olhos em sinal de descrença. Se não era isso que ela queria saber de verdade, provavelmente ela precisava de mim pra alguma coisa.
Ela pareceu pensar em alguma coisa antes de me responder, então deu de ombros e simplesmente virou e me deu as costas. Eu bufei com desdém e me virei para pegar um copo de água. Enchi metade de um copo com água, levei a boca, mas hesitei. Eu não estava com sede na verdade, não tinha porque tomar água. Respirei fundo e larguei o copo saindo da cozinha. Eu não podia ficar em casa sem ter nada pra fazer. Me apressei a pegar minha bolsa e sair do apartamento antes que mudasse de ideia. As coisas dentro de mim já não estavam muito boas, o meu coração estava entrando em conflito com meu cérebro a todo momento e por enquanto eu agradecia muito de meu cérebro estar vencendo. Mas eu tinha medo de que meu coração em apenas um golpe vencesse e me fizesse cair novamente.
Chamei o elevador e fiquei esperando. Ele não demorou para chegar e junto com ele veio a minha salvação. Quando as portas se abriram e revelaram um Danny concentrado no seu celular eu apenas sorri involuntariamente. Ele me encarou e sorriu guardando o telefone.
- Pensei que você ainda estaria dormindo - ele riu saindo do elevador todo atrapalhado.
- Não - discordei - Acordei faz algum tempo, estava indo te acordar - sorri fraco. Ele ficou parado me olhando um tempo até rir e chamar o elevador novamente.
- Então me acompanhe - ele fez um gesto em direção ao elevador que tinha aberto suas portas novamente. Eu fiz uma reverencia e entrei no elevador sorrindo.
Tinha alguma coisa ali dentro de mim que estava me cutucando, me incomodando. Eu realmente não sabia o que era, mas sabia que eu iria a qualquer lugar que me deixasse longe da realidade. Nem que pra isso eu tivesse de aguentar um dia inteiro de stress rotineiro com Danny.
- Aonde o Sr. Jones pretende me levar? - brinquei assim que entrei no elevador.
Ele me seguiu e apertou o botão do andar térreo, me olhou e sorriu brincalhão.
- Tenho uma surpresa pra você - respondeu ele ficando parcialmente sério.
- Você não vai me pedir em casamento ou algo do tipo não é? - arqueei uma sobrancelha irônica. Ele revirou os olhos e fez cara de drama.
- Droga, você descobriu - e suspirou teatralmente - Mas você casa comigo mesmo assim não é? - ele piscou seus olhos para mim me fazendo rir.
Eu estava rindo de verdade pela primeira vez dentro das talvez doze horas que haviam se passado, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos. Não sabia exatamente ao certo quanto tempo fazia que eu realmente sentia vontade de rir e simplesmente rir. Mas essa sensação passou rapidamente, foi a sensação mais rápida e boa que eu senti nos últimos dias.
- Uma vida inteira de escravidão? Na saúde e na doença ? Na riqueza e na pobreza? - coloquei a mão no queixo para fazer pose de pensadora - Acho que eu passo - concordei com a cabeça e ri novamente. E o sorriso permaneceu estampado no meu rosto.
Aquilo era bom, amenizava toda aquela batalha de sentimentos dentro de mim.
- Meu Deus! Acabo de levar o maior fora da minha vida - ele suspirou novamente e jogou os cabelos para trás. Como se nesse momento ele tivesse muito cabelo e lá estava eu rindo novamente. O elevador chegou e nós dois saímos ao mesmo tempo. Seguimos pelo hall de entrada do prédio que estava totalmente vazio, talvez pelo fato de ser domingo.
Nós seguimos até a rua lado a lado. O carro de Danny estava estacionado bem em frente ao prédio. Quem não poderia ver um porsche cayenne azul marinho metálico parado na rua.
Ele abriu a porta para mim e eu embarquei sem hesitar, não tinha porque hesitar de qualquer forma. Ele fez todo o contorno do carro e entrou no lado do motorista.
A primeira coisa que ele fez foi colocar o cinto de segurança e a segunda foi virar-se para me encarar.
- Você está bem? - porque todos faziam questão de me perguntar se eu estava bem. Será que estava tão na cara assim que eu realmente não estava bem? Isso era definitivamente ridículo. Eu iria me cansar de responder essa pergunta patética.
- Sim - respondi simplesmente me voltando à janela do carro. O vidro era filmado e isso me deixava mais animada, a sensação que ninguém do lado de fora poderia realmente me ver. Era assim que eu me sentia, eu era como um vidro filmado, ninguém podia ver a bagunça que estava dentro de mim. Eu pude sentir-lo suspirar e virar-se para o volante do carro e dar a partida finalmente. Não sabia aonde estávamos indo e não tinha intenção de perguntar. Eu apenas permaneci em silêncio. E isso estava me incomodando, era um silêncio constrangedor e doloroso para mim.
- I know a place that we can go to - Danny começou a cantarolar baixinho, mas não o suficiente para me impedir de ouvi-lo. Eu reconhecia aquela primeira parte da musica, só não sabia exatamente de qual musica se tratava.
- A place where no one knows you - continuou ele agora batucando no volante enquanto dirigia - They won't know who we are - ele riu de alguma coisa que eu não conseguia entender - A qual é! Vamos lá vai - ele me cutucou com um braço e permaneceu com o outro no volante. Eu me virei para encará-lo com a maior cara de desdém que eu podia. Ele riu e me empurrou com a mão livre.
- know a place that we can run to - prosseguiu ele com a música. É claro que eu sabia que música era aquela, afinal de contas era de uma das minhas bandas favoritas. Eu estava me controlando para não murmurar a musica. Até porque ela ficava muito mais bonita na voz de Danny e isso era um fato que ninguém podia contestar. Ele me olhou fazendo careta e me balançou com o braço, eu também sabia que ele só ia parar quando eu finalmente cantasse a música. Dei de ombros e respirei fundo.
- And do those things we want to - cantarolei baixinho, dei uma risada fraca e continuei a cantar junto com ele - They won't know who we are - cantamos junto.
- Let me take you there - cantei sozinha, ele estava fazendo alguma nota estendida ao final. Eu tive vontade me rir, mas prossegui com a musica - Let me take you there - estendi ao máximo a ultima palavra para dar uma entonação um pouco melhor, mas obviamente não funcionou.
- Chega, chega - gargalhei alto - Eu não nasci para essas coisas, você sabe - dei um tapa no ombro de Danny que riu de mim, mas não tirou os olhos do transito.
- Você não canta mal - protestou ele - Na verdade, você costumava cantar antigamente com a gente - ele fez um sinal de a gente, como se estivesse se referindo a ele e aos guys. Como eu entendi esse gesto sim era uma dúvida que passava na minha cabeça no momento, eu bufei rindo - Não ria - ele continuou protestando - Devia tentar seguir carreira - ele sorriu.
- Não zombe de minha inteligência Jones – ameacei - Eu sei quais são as minhas chances de subir em um palco para cantar - ironizei.
- E quais são as suas chances? - perguntou arqueando uma sobrancelha. Eu poderia parar e fazer as contas na minha cabeça, mas isso não era preciso, porque as chances de eu fazer isso eram as mesma de eu sair correndo no meio de uma tempestade. E isso significava que eu ia ter de superar a minha fobia a tempestades antes. Porque eu felizmente sou brontofóbica, ou seja, tenho o maior pavor de tempestades. Isso é uma coisa que nunca consegui superar, então as minhas chances eram realmente mínimas.
- Mais ou menos - criei uma ruginha na testa teatralmente - 0,0000000001 % de chances - revirei os olhos. Eu pude notar que ele se controlou para não rir, mas que infelizmente não conseguiu. Danny caiu na risada e ficou rindo por no mínimo uns três a quatro minutos. Quando ele finalmente se controlou, ele já havia estacionado o carro o que significava que havíamos chegado seja lá aonde ele estava me levando. Olhei pela janela e meu coração deu um pulo. Não conseguia acreditar que ele lembrava daquele lugar e nem que eu havia voltado aqui. Eu só conseguia lembrar das inúmeras vezes que eu vim aqui na minha infância. As inúmeras vezes que eu fugi pra cá na minha adolescência. E na maioria das vezes eu acabava na companhia de Danny, porque afinal de contas ele sempre foi o meu melhor amigo, desde que eu era uma pirralha. Até eu começar a namorar com Dougie, no segundo ano do colegial, depois disso as coisas nunca mais foram as mesma, nunca consegui entender direito isso. Ou talvez nunca tivesse me esforçado o suficiente para saber. Desembarquei do carro apressada e analisei cada canto verde daquele lugar.
Nada havia mudado, estava exatamente como eu lembrava. Repleto de árvores, as folhas amarelas caídas no chão pela estação do outono. A pequena passagem entre as arvores. O antigo banco de madeira coberto por folhas. Dei uma volta no mesmo lugar. Eu definitivamente não acreditava naquele lugar.
- Você lembra desse lugar - murmurei alto o suficiente para que Danny escutasse. Eu sabia que ele tinha desembarcado porque ouvi a porta do carro se fechando. Só não sabia se ele estava perto o suficiente para escutar.
- É claro que eu lembro - ele riu - Passei grande parte da minha vida aqui - explicou.
Eu podia sentir a nostalgia na voz dele, eu podia senti-la dentro de mim. Inalei lentamente o ar e soltei também lentamente. Fechei os olhos e tentei imaginar um lugar que eu gostaria de estar mais do que esse e não consegui. Abri os olhos novamente e dei as costas a Danny começando a andar em direção ao velho banco. Tinha medo de sentar e ele não aguentar por ser realmente tão velho. Mas arrisquei mesmo assim.
Sentei no banco e escorei as costas no apoio, eu tive vontade de rir alto. Passos ecoavam nas folhas secas no chão e então Danny estava sentado ao meu lado. Eu fechei os olhos novamente e permaneci em silêncio de olhos fechados. Eu ainda não conseguia acreditar naquilo. Há quanto tempo eu não vinha aqui.
Ele pegou minha mão e segurou junto da sua. A sua mão estava quente e eu podia sentir a minha mão gelada se aquecendo aos poucos. Ele a puxo em direção do banco e a pousou ali. Abri os olhos novamente e encarei minha mão. Tinha duas assinaturas entalhadas na madeira, uma única data. Eu soltei um riso espontâneo e alto demais. Podia sentir as lembranças me invadirem, mas dessa vez eu deixaria, porque de certa forma eram boas lembranças.

Flashback on.

- Anda logo Danny - gritei por cima do ombros. Me apressei ainda mais até finalmente chegar no lugar esperado. Ele ainda estava ali, no mesmo lugar, com o mesmo aspecto velho de sempre. Não existia lugar mais bonito no mundo, não para mim. Aquele era meu esconderijo, meu canto, meu lugar e ninguém podia dividir ele comigo. Ninguém é claro, a não ser o meu melhor amigo Danny. Ele é meio pateta demais às vezes, mas é gente boa. Moramos na mesma rua e nossas mães são vizinhas, ele me conhece desde a maternidade é quase impossível não sermos amigos.
- Pra que toda essa pressa? Qualquer dia meu coração não aguenta - ele reclamou assim que chegou logo depois de mim. Estava ofegando e com uma mão no coração e a outra segurando a barriga. Ele olhou para o céu até finalmente se acalmar.
- Não seja bichinha - brinquei - Seja homem, lembre-se disso - gargalhei alto. Ele me olhou com cara feia, mas acabou rindo junto comigo. Era por isso que éramos melhores amigos, ele sempre ria quando eu gargalhava, ele sempre sorria comigo e me entendia por um olhar. Dos garotos da sua idade ele era o mais legal e depois vinha o Tom um amigo dele e meu amigo também é claro. E depois do Tom vinha o Harry, ele era sério demais às vezes e se achava o lindão do grupo. Não que ele não fosse bonito, o que ele realmente era. O problema era que tinha dona e a dona dele era uma das minhas duas melhores amigas: . E o Tom o outro bonito do grupo era supostamente de . Eles não tinham nada, eram ''melhores amigos'' mas isso só porque ele não queria, porque ela, a isso ela queria, e se queria! E depois tinha o Dougie, ele era da minha idade e das garotas. Éramos os mais novos do grupo, mas de qualquer forma isso nunca importou muito.
- Porque você está corada? - Danny se aproximou e ficou me olhando com uma expressão engraçada. Como se eu fosse a pessoa mais idiota do mundo e essa expressão vinha de uma das pessoas mais idiotas e legais que eu conhecia.
- Não estou corada - menti rapidamente - É só que eu corri mais que você, então minha bochechas ficam rosadas - disfarcei virando um pouco o rosto para o lado.
- Huh - ele soprou pelo nariz - Preciso sentar logo - e andou até o velho banco de madeira que ficava em frente a um pequeno corredor de arvores que iam dar ao lago.
Danny praticamente se jogou no banco e esticou as penas, como se fosse ficar com todo o banco só para sí. Mas isso era algo que ele não ia fazer, porque eu tinha direito de metade desse banco.
- Pode ir se desesparramando daí Jones - briguei antes mesmo de chegar perto do banco - Quero sentar também - andei lentamente até o banco e sentei no canto que ele me deu.
- Sabe o que devíamos fazer - ele começou - Devíamos colocar nossos nomes nesse banco, assim se mais alguém vier aqui vai saber quem é dono desse lugar - e fez a maior cara de gênio que conseguia.
- Taí! - bati palmas, animada - Pegue uma tesoura na sua mochila, anda - dei um pequeno empurrão nele. Danny se apressou a revirar sua mochila de atrás de uma tesoura para riscarmos nosso nome no banco.
- Aqui - ele ergueu pra cima a tesoura como se fosse um grande troféu - assina primeiro vai - ele me entregou a mesma.
- Ok - concordei começando a riscar meu nome no meio do banco. Ele ficou olhando atentamente. Coloquei o sobrenome pra todos saberem de que se tratava.
Entreguei a tesoura de volta para Danny que começou a rabiscar seu nome ao lado do meu, separando apenas por um tracinho pequeno. Ele foi mais rápido, talvez por pratica do vandalismo nas classes da sala de aula.
- Coloca a data também, assim se um dia daqui alguns anos não podermos mais vir aqui, sempre saberemos que dia foi que isso aconteceu - aquilo me parecia ridículo. Quando que eu abandonaria aquele lugar. Nunca, pensei comigo mesma. Danny colocou abaixo dos nossos nomes o mês e o ano.
- Que dia é hoje mesmo? - ele coçou a cabeça e eu gargalhei.
- 12, é dia 12, seu besta - respondi dando risada. Ele riu e colocou a data antes do mês e do ano, como deve ser.
- Pronto, agora de alguma forma estaremos sempre aqui - ele sorriu me olhando.
Danny pegou a minha mão e ficou segurando firme. Sua mão era quente, perto da minha que era muito gelada. Ele gostava de ficar de mãos dadas e isso realmente nunca me incomodou.

Flashback of.

- Eu não acredito que isso ainda está aqui, como não sumiu com o tempo? - passei os dedos lentamente pelos rabiscos na madeira.
- Algumas coisas não somem com o tempo - ele respondeu simplesmente. Eu sentia que tinha alguma coisa implícita na sua voz, só não tinha como descobrir exatamente o que era.
- O lago ainda está... - antes mesmo de eu terminar a frase, ele respondeu em silêncio que sim, apenas com um gesto com a cabeça. Eu sorri fraco e levantei. A passagem entre as arvores parecia ter diminuído, ou talvez eu tivesse aumentado. Me encolhi toda para passar por entre os galhos. Andei um pouco nessa posição, até finalmente eu poder observar o pequeno lago, que, de longe, parecia negro. Mas eu sabia que se me aproximasse a água era de um tom de verde claro e neutro. Era perfeitamente limpa e muito gelada, sempre foi assim independente da estação, do clima, do tempo a água nunca ficava morna, ou até mesmo quente. Era sempre de um frio rigoroso, que machucava o corpo. E isso nunca nós importou de verdade. Costumávamos tomar banho aqui no verão. No auge do verão é claro. E quando eu estava realmente magoada ou decepcionada com alguma coisa, quando eu me sentia triste, entrava e ficava lá... Parada. Eu sempre tive a impressão que depois disso a dor que existia em mim ia embora. De alguma forma, ela sempre ia embora.
Hoje em dia eu sabia que isso não passava da mais pura bobagem, de uma fantasia criada pela mente de uma adolescente magoada que queria a todo custo arrumar um jeito de fazer as frustrações irem embora. E agora as coisas não eram como naquele tempo, as dores não eram pelos mesmos motivos e eu não era mais um adolescente machucada. Agora eu era uma adulta com o coração despedaçado. Porque dessa vez era diferente, eu era apenas uma vitima e isso perfurou meu coração. Eu sabia que isso aconteceria quando ele saísse da minha vida, só não esperava que fosse tão doloroso. E agora eu me encontrava assim, nessas condições, nas mesmas condições. E os sintomas jamais me enganariam, eu estava com o coração muito bem partido. Senti meus olhos arderem e uma única lágrima escorrer rapidamente pela minha bochecha. Nesse momento eu prometi a mim mesma que não deixaria ninguém mais me ver chorar. Eu não me sentiria mais fraca desse jeito.


Cap 06.

If anyone ask I'll tell them we both just moved on
When people all stare I pretend that I don't hear them talk
Whenever I see you,
I'll swallow my pride and bite my tongue
Pretend I'm okay with it all
Act like there's nothing wrong


Se alguém perguntar vou dizer que nós seguimos em frente,
Quando as pessoas comentarem vou fingir que não os ouço a falar,
Toda vez que eu te vir, vou engolir meu orgulho
E morder a minha língua
Fingir que estou bem com tudo isso
Agindo como se nada estivesse errado


Me trazer a este lugar foi a melhor ideia que Danny poderia ter tido em toda a sua vida. Eu estava me sentindo mais leve e muito mais animada. Tinha certeza que voltaria pra casa muito melhor. O problema era descobrir se ele estava realmente me levando para casa ou para outro lugar qualquer. Eu não sabia exatamente qual eram os planos dele para mim hoje, eu só sabia que estava gostando de cada detalhe do dia. Só que ele provavelmente não esperava que eu reconhecesse essa rua. Eu sabia que era a rua do antigo colégio que estudávamos. Mas eu sabia também que ele havia fechado algum tempo depois. Danny finalmente estacionou o carro no mesmo lugar em que costumava estacionar o seu antigo carro. Na mesma vaga do estacionamento. Lá no fundo tinha alguma coisa que pedia para simplesmente não desembarcar do carro. Permaneci para dentro do carro, mesmo tendo visto que ele já havia desembarcado. Danny esperou que eu descesse, mas quando não o fiz ele abriu a porta do carro.
- Vamos lá - ele estendeu a mão para que eu pegasse. Neguei com a cabeça e cruzei os braços com força na altura do peito. Aquilo parecia bem infantil, eu sabia. Mas não estávamos mais no colegial, quando invadíamos a escola à noite para fazer festas. Não éramos mais aqueles adolescentes que a policia pegava e simplesmente largava na porta de casa. Eu não queria fazer aquilo de novo, iria me sentir uma criminosa.
- Tudo bem - ele deu de ombros e fingiu ir dar as costas. Mas ele não deu as costas, ele voltou rapidamente, me pegou pela cintura e me jogou no seu ombro. Agora aquilo estava ficando patético. Ridiculamente patético. Parecia uma daquelas cenas de filmes em que o cara quer obrigar a garota a fazer uma coisa que ela não quer. Bati com força nas costas dele e dei um grito histérico. Aquele não era meu comportamento, mas também não era o dele. Danny me carregou pelo pátio da escola abandonada e me soltou em frente a uma enorme porta dupla que estava toda rebentada pelos vândalos como ele. Ele empurrou a porta e ela se abriu revelando um antigo corredor de armários.
Danny riu alto e entrou no corredor olhando para todos os lados, sorrindo. Como se estivesse tendo boas recordações. Eu tinha uma certa expectativa lá dentro de mim borbulhando, uma ansiedade curiosa implorando para que eu entrasse. Eu gostaria de me controlar melhor, mas como ainda não me controlo acabei entrando e correndo ao encontro de Danny. A escola tinha um jeito tanto quanto sinistro e eu me sentia desconfortável ali dentro. Agarrei seu braço com força e permaneci agarrada nele.
- Porque estamos aqui? - perguntei dando uma boa olhada naquele lugar. Eu não gostava de lá, eu não gostava das lembranças que eu tinha daquele lugar.
- Isso aqui era muito legal - ele riu alto parando em frente a um armário qualquer e dando uma olhada. Ele tentou abrir, mas não conseguiu.
- Legal? - gargalhei sem acreditar no que ele acabou de fazer - Você lembra de como éramos com as pessoas daqui? Você lembra como isso tudo acabou? - minha voz saiu muito mais rude do que eu realmente esperava. Danny parou o que estava fazendo e me olhou com certo arrependimento na voz.
- Eu não quis falar disso - ele hesitou por um momento e foi a minha deixa.
- Não teve nada de legal nisso aqui Jones, uma pessoa morreu aqui - senti um arrepio ao falar disso. Era um tabu eu sabia disso e tinha acabado de quebrar. Eu não devia estar falando disso. Me arrependi veemente do que tinha acabado de falar.
- Eu não estou falando disso - ele riu de uma maneira sarcástica - Estou falando de nós - ele se escorou no armário e ficou me encarando - Você era uma boa cheeleadear - sorriu.
Fiquei o encarando por algum tempo. Mas eu sabia que isso não me levaria a lugar algum, ficar brava com ele era a ultima coisa que eu precisava nesse momento.
- É, eu era - concordei com um sorriso. Abaixei a cabeça e encarei o chão por alguns instantes - E você era um bom jogador - comentei rindo.
- É, mas não era muito a minha área - ele riu e suspirou logo em seguida.
Eu só queria ir embora daquele lugar, não sabia por que ele havia me trazido ali para ser sincera. Danny se aproximou e me envolveu em seus braços, em um abraço apertado. Ele beijou o topo da minha cabeça e ficou parada por um tempo.
- Vamos embora daqui - ele me puxou pelos ombros. Danny não me liberou totalmente do abraço, um de seus braços permaneceu em meus ombros me puxando para fora daquele lugar o mais rápido que ele podia.
- Desculpe ter te trazido aqui - ele comentou assim que saímos de dentro do mesmo. Ele me acompanhou da mesma forma até a porta do carro, quando ele me soltou para abrir.
- Tudo bem - sorri fraco embarcando logo em seguida. Ele riu e fechou a porta do carro.
Fez toda a volta e embarcou no lado do motorista. Mas não deu partida no carro, ficou apenas encarando o volante. Em algum momento ele cansou disso e finalmente deu partida. Não gostava nenhum pouco daquela situação. Mas também não podia fazer nada.
E durante todo o caminho nos permanecemos em silêncio, aquilo era constrangedor. Eu gostaria de não ter falado nada ou ter complicado com alguma coisa. E então ele finalmente estacionou em frente a uma lanchonete que tinha um aspecto retro e meio antiquado. Mas eu lembrava daquele lugar.
- Caramba - murmurei olhando pela janela - Esse lugar ainda está de pé ? - eu lembrava do lugar, mas isso não significava que quando eu morava em Londres eu frequentasse o mesmo. Na verdade desde que terminei o colegial, nunca mais havia ido naquele lugar. Desde que comecei a namorar Dougie e isso ainda era no colegial. Eu me sentia como em de volta para o futuro, mas as coisas estavam invertidas, estava mais para de volta para o passado. Desembarquei do carro após perceber que Danny já o tinha feito. Ele estava entrando no lugar tranquilamente. Dei uma corridinha para alcançá-lo.
- Você lembra desse lugar ? - ele perguntou assim que o alcancei olhando em volta e respirando fundo, como se estivesse inalando o cheiro do lugar.
- Lembro - concordei sorrindo - Nós costumávamos vir aqui todo ano, no dia no seu aniversario - e então alguma coisa estralou na minha cabeça. A nossa rotina no dia do aniversario de Danny, era na sequência o nosso lugar, a escola e depois aquela lanchonete. Eu me senti meio zonza, como se aquilo de algum modo não fizesse sentido.
- Oh meu Deus! Danny - pulei no seu pescoço e abracei-o com toda força que eu tinha - Como pude me esquecer - bufei - Happy B-day Jones - gargalhei assim que o soltei.
- Achei que você não ia descobrir nunca - ele gargalhou alto também - Então, come on! Vamos sentar - ele riu e apontou uma mesa qualquer do lugar. Eu sorri em resposta e me aproximei da mesa mais próxima. Esperei Danny e então sentei em uma cadeira de frente para a dele.
- Eu ainda não acredito que me esqueci do seu aniversario - revirei os olhos e sorri vendo o garçom se aproximar.
Ele olhou para Danny e abriu um sorriso enorme, como se fossem conhecidos de anos. E eu realmente não podia duvidar disso, em momento algum.
- Danny! Feliz aniversario cara - eles se cumprimentaram com as mãos em um pequeno soquinho. Eu achava que talvez conhecesse aquele garoto, talvez dos tempos que eu vinha aqui. Mas não vinha nenhuma imagem dele na minha cabeça, então é provável que eu realmente não conheça.
- Hey! Valeu Adam - Danny agradeceu rindo - Sou o mesmo ainda não é? Nem uma ruga sequer - e gargalhou. Eu estava me sentindo envergonhada e encabulada, o que eu geralmente não era.
- Oh! Você é mesmo uma bicha, man - Adam gargalhou e então pegou seu pequeno bloco de anotações - O que vocês vão querer, dude? - ele me olhou e sorriu de uma maneira galanteadora. Ele não era de modo algum feio, mas eu achava aquilo desnecessário. Tinha a certeza que estava um pimentão agora.
- Que você pare de cantar a minha acompanhante com os olhos e o de sempre - Danny riu me olhando debochado.
- Ah, qual é - Adam riu e anotou alguma coisa no bloco - E você ? - ele me encarou por cima da franja que caia em seus olhos.
- Tanto faz... - eu não conhecia nenhum prato nem seja lá o que for daquele lugar, não lembrava disso pelo menos - O mesmo que o Danny, tá bom pra mim - eu sorri sem jeito.
- Tudo bem - ele anotou e então deu as costas voltando para o balcão de pedidos.
Danny ficou me olhando por um tempo, eu não sabia o que falar então simplesmente fiquei em silêncio. Talvez ele não tenha gostado muito já que fez uma careta antes de começar a falar.
- Hoje a noite tem a festa do meu aniversario - ele começou e então hesitou - Não que eu quisesse uma festa - e riu - mas já que estão fazendo, eu queria saber se você quer me acompanhar - e ficou em silêncio esperando uma resposta.
- Danny eu não sei... - comecei a me lembrar da ultima vez que resolvi sair de noite em um lugar onde todos os mcguys estavam e de alguma maneira eu podia sentir meu coração latejando, doendo dentro de mim. Eu não queria aquilo novamente.
- Olha... - ele respirou fundo antes de começar e então lançou a mão sobre a mesa em minha direção estendendo-a - Eu preciso de uma acompanhante e ainda não arrumei ninguém - ele fez uma cara de lesado que me fez sorrir. Estendi a mão e peguei na sua - Mas ... Eu não vou deixar isso acontecer com você. E você sabe do que eu estou falando - ele estava me olhando nos olhos. Seus olhos azuis brilhantes me lembravam os de outra pessoa. E mesmo assim eu não queria ir, mas não podia dizer não.
- Tudo bem - concordei sorrindo fraco - Vou ter de comprar uma roupa legal então - tentei desviar do assunto principal sem muito sucesso. Ele bufou e então riu fraco.
Eu sabia que eu tinha uma longa noite pela frente. E sabia que não estaria sozinha nessa. Encarei nossas mãos entrelaçadas sobre a mesa e sorri verdadeiramente.


Eu estava me sentindo uma criança desesperada. Não sabia se estava pronta para aquilo, mas sabia que eu tinha que estar. Por mim e pelo Danny. Me encarei no espelho alisando minha roupa. Estava usando um vestido bandage preto com uma mini jaqueta de couro amarela berrante. Uma meia calça também preta transparente e um sapato preto com amarelo todo trabalhado em lantejoulas que eu havia comprado hoje a tarde. Era um visiual um pouco chamativo, mas eu gostava do resultado final. Minha maquiagem estava um pouco pesada para as que normalmente eu uso. Meu cabelo estava todo em cachos largos e irregulares. E nervosismo era o que não me faltava. A campainha finalmente tocou. Eu sabia que era Danny, então me apressei em atender a porta. E lá estava ele sorrindo ao me encarar. Ele estava bem arrumado, uma camisa xadrez vermelha, preta e branca e uma jaqueta de couro. Calça jeans e tênis. Eu aprovava o visual, como se isso fosse realmente preciso. Dei espaço para ele entrar e então fechei a porta.
- Você está linda - ele me olhou de cima a baixo e riu ao perceber a minha cara de desagrado.
- Você também - concordei sorrindo - Então, você está pronto? - perguntei sentindo alguma coisa despertar dentro de mim. Eu sentia minhas mãos tremendo e suando o que era bem anormal. Respirei fundo tentar continuar com o sorriso ali, mas meus lábios estavam tremendo.
- A pergunta certa é se VOCÊ está bem - ele se aproximou de mim e estendeu a mão para que eu pudesse pega-la. E assim o fiz, agarrei sua mão e o puxei para um abraço.
- Na verdade, não - desabafei - Eu passei o dia todo fingindo estar tudo bem, mas sabe de uma coisa? Não está tudo bem - eu sentia meus olhos ardendo, mas eu não permitiria que as lágrimas saíssem deles - Porque eu simplesmente não sei se quero isso pra mim - respirei fundo. Era bom poder falar a verdade, fazia com que eu me sentisse livre.
- Eu sei que você não está bem - Danny sussurrou no meu ouvido pela proximidade que estávamos - Você não me enganou um minuto sequer hoje - e riu baixinho.
- É bom ter você de novo Danny - beijei seu pescoço em agradecimento e me afastei dele sorrindo - Agora talvez seja melhor nós irmos ou vão me culpar pelo seu atraso - passei a mão pelos cabelos.
- Ok, vamos lá - ele me puxou pelo braço em direção a porta me fazendo rir alto. Nós passamos pela porta e eu tranquei assim que o fizemos. Ele chamou o elevador e ficamos esperando. Demorou um pouco na verdade, mas ele finalmente chegou. Percorremos todo o hall de entrada rapidamente e então procurei pelo carro de Danny na rua, mas não encontrei. Nós iríamos de taxi então? Isso era realmente estranho.
- Onde está seu carro ? - perguntei olhando novamente ao redor procurando por ele, mas não encontrei. O encarei e ele estava sorrindo irônico.
- Está ali - ele apontou para um carro que estava estacionado bem em frente ao prédio. Mas eu não conseguia acreditar nisso. Meus lábios se entreabriram e eu sorri.
- Você está de brincadeira não é? - o encarei e ele negou com a cabeça - Um mercedes Sl 65 AMG? - esse era o tipo de carro que qualquer um sonha em ter. Não que eu realmente conhecesse de carro, mas esse é claro que eu conhecia. O carro era em um vermelho berrante e com os vidros totalmente pretos.
Danny riu e desativou o alarme fazendo os faróis traseiros e dianteiros do carro piscarem eu gargalhei e dei um pulinho indo rapidamente em sua direção. Depois de analisar o carro em seus mínimos detalhes eu finalmente embarquei. Nós fomos discutindo o caminho inteiro os prós e os contras do carro. E com certeza os prós estavam vencendo. Aquilo era fantástico. Eu lembro de Danny sonhar em comprar um carro assim logo depois de se tornar uma estrela do rock, o que praticamente ele já é então isso significava que todos os seus sonhos estavam se realizando e isso era bom. Pelo menos os sonhos de alguém estavam acontecendo. Quando chegamos, a rua de Danny estava lotada de carros caros e alguns simples. A frente da casa de Danny estava repleta de paparazzis o que não era uma boa coisa. Já que eles ficavam tirando fotos de cada pessoa que entrava. Conseguimos uma vaga e então ele estacionou o carro. Eu estava com medo de desembarcar.
- Ok é o seguinte - ele suspirou virando-se para me encarar - Esses caras são horriveis - ele riu apontando para os jornalistas - Eu desembarco primeiro e abro a porta pra você, ok? - ele estava esperando minha aprovação. Provavelmente ele sabia que eu não gostava desse tipo de cavalheirismo, eu era daquelas que pensava que tinha pernas e mãos para abrir as portas sozinhas. Mas hoje era o aniversario dele, eu daria uma chance.
- Ok - revirei os olhos empurrando-o contra a porta. Ele sorriu e então desembarcou. Foi uma erupção de flashes. Danny tinha certa dificuldade de andar entre aqueles caras o que não era complicado já que tinham muitas pessoas. A maioria era homem, mas ainda assim tinha algumas mulheres no meio disso. Eu não podia ouvir o som de nada de dentro do carro. As luzes da casa estavam apagadas porque foram substituídas por luzes coloridas que ficavam girando e piscando. Isso eu podia ver de dentro do carro. Respirei fundo esperando ele abrir a porta para mim o que não demorou muito e quando o fez eu pude finalmente escutar a música alta e os gritos. Desembarquei desajeitada e Danny me puxou pela mão em direção a casa. Enquanto alguns deles tentavam me fazer perguntas que eu não entendia já que não paramos de caminhar até entrar na casa.
Quando entramos fomos recebidos por um coro de feliz aniversario Danny. E então a música voltou a tocar e as pessoas a se dispersar pelos cômodos da casa. Eu me senti envergonhada de chegar com o aniversariante. Mas essas coisas aconteciam.
- , ali está a e a - Danny apontou uma rodinha de garotas aonde elas estavam - Vá até lá com elas, eu tenho de ir cumprimentar algumas pessoas - ele bufou e deu de ombros saindo em direção a multidão de pessoas. Eu me encolhi de certa forma pedindo para que ninguém importante me visse e andei apressada entre as pessoas até chegar as garotas.
- Finalmente você chegou - me puxou pela braço para junto dela na roda - Garotas essa é a ... - e ela foi interrompida.
- - uma garota ruiva com cara de arrogante falou com um pouco de desdém na voz. Eu conhecia ela, nunca iria me esquecer de seu rosto. Mandy era minha colega de torcida. Mas sempre tentou roubar meu lugar como líder e mesmo assim nunca conseguiu. Porque, na época, pelo menos, ela era uma bitch.
- Mandy - respondi com o mesmo tom de voz que ela - Muito tempo - fiz uma careta e virei para encarar - Não acredito que você está aqui com essa vaca - murmurrei em seu ouvido. Ela gargalhou alto de deu de ombros mostrando o seu copo de bebida. Agora eu entendia, devia fazer algum tempo que ela estava bebendo.
- a ex namorada de Dougie? - Uma delas perguntou. A garota era baixinha e tinha os cabelos pretos e usava uma maquiagem horrível.
- Não é como se ele não tivesse namoro outras garotas depois de mim - ri baixinho e dei de ombros. me encarou e negou com a cabeça me fazendo sentir vergonha - Oh certo, então é sou eu - suspirei.
- E o que aconteceu com vocês? - a mesma continuo a fazer perguntas desagradáveis, mas eu não podia ser mal educada não era da minha natureza ser mal educada com quem eu não conheço e não me fez nada.
- Seguimos em frente - menti. Eu não havia seguido em frente um dia sequer depois desses três anos. E tinha certeza que ele havia seguido em frente então parcialmente não era uma mentira. Talvez com essa resposta a garota se contentou e ficou em silêncio. Eu podia ouvir as outras garotas comentando alguma coisa, mas decidi que era melhor ignorar.
- Oh my god - Mandy falou arqueando uma sobrancelha e sorrindo vulgarmente - Doug está lindo - ela estava olhando em uma direção fixa. Eu senti vontade de espancá-la como antigamente, mas me controlei. Olhei na mesma direção que ela e tive de concordar ele estava lindo mesmo. Usava uma camisa de gola v branca com uma jaqueta de couro azul escuro e calça jeans. Ele estava olhando na nossa direção. Eu tive de morder minha língua e engolir o orgulho sorrindo e acenando como e fizeram. Ele respondeu com um aceno de cabeça e voltou a andar. Eu podia fingir que estava tudo bem.
- Preciso de uma bebida- agarrei o braço de e a puxei em direção a pista de dança.
Eu precisava de mais de uma bebida pra sedar aquelas sensações.


Cap 07.

I can't believe,
It's happened to me
I can't conceive of anymore misery
Ask me why, I'll say I love you
And I'm always thinking of you

Não posso acreditar,
Isso aconteceu comigo
Eu não posso suportar mais nenhuma desgraça
Me pergunte por que, e eu vou dizer eu te amo
E estou sempre pensando em você


Eu não aguentava mais aquela festa. Todas aquelas pessoas me olhando de uma forma estranha e todos os comentários sobre eu ser a garota que partiu o coração de Dougie Poynter. Aquilo era ridículo, eu havia, talvez, partido o seu coração, mas as pessoas só se importavam com o coração dele e o meu como ficava nessa história toda? De jeito algum, era como se realmente não importasse muito o que eu sentia. Ou talvez as pessoas pensassem que era um bom castigo eu estar com o coração partido outra vez. Na minha opinião, aquilo era ridículo. Todos os comentários e eu estar no quintal da casa dos guys acompanhada de uma garrafa de vodka pela metade. Eu provavelmente pegaria um ótimo resfriado por estar naquele frio do lado de fora. E sobre a bebida, não havia efeito ainda. Eu já tinha tomado metade da garrafa e ainda me sentia sóbria o suficiente para sentir medo. Não sabia quanto tempo eu estava lá fora, mas sabia que fazia algum. Eu não sabia aonde estava, porque depois do oitavo copo de vodka que ela tomou enquanto eu estava com ela simplesmente desapareceu. E também havia o fato de ela estar bebendo a muito tempo antes de eu tirá-la de perto de todas aquelas pessoas falsas que eu sabia que detestavam ela e a mim. estava provavelmente em algum quarto com o Tom. E também já havia tomado umas e outras, eu sabia também que teria que levá-las embora de alguma maneira. Respirei fundo pela décima vez aquela noite. O som alto estava me deixando com dor de cabeça e o cheiro de alguma coisa pegando fogo me dava náuseas.
- Finalmente te encontrei - uma voz conhecida soou bem perto de mim. Mas não me virei para encarar o dono daquela voz.
- Hey - falei simplesmente tomando mais um gole da minha bebida que ainda restava no copo.
Danny sentou ao meu lado e ficou me olhando em silêncio por um tempo. Ele estava desaprovando alguma coisa, talvez pela experiência que ele sabia que eu tinha com vodka.
- Não estou bêbada, ok? - virei para encará-lo e então sorri. Ele estava com uma ruginha no meio da testa e me olhava fixamente de uma forma séria e preocupada - Obrigada por se preocupar - abracei ele de leve e o soltei rapidamente. Ele bufou.
- Essa festa uma hora tem de acabar - e suspirou - Música boa agente vê por aqui - ele balançou a cabeça negativamente assim que uma música da Madonna começou a tocar.
- Admita que você gosta muito dessa música - parei para realmente escutá-la - Espera - coloquei a mão na boca dele antes que pudesse me responder - Eu gosto dessa música - me balancei no ritmo da música.
- Ótimo - ele respirou fundo e bagunçou o pouco de cabelos que ele tinha. Até hoje eu não havia entendido o porque de Danny ter cortado os seus lindos cachinhos. Eu gostava deles. Mas não podia falar nada, não agora que já estava feito. Eu parei para realmente encará-lo. O que tinha acontecido com ele que o fez ficar muito mais maduro do que ele realmente era quando eu parti. Eu podia encontrar essa resposta com uma simples pergunta, mas eu sabia que essa pergunta seria simples somente para mim. E não queria estragar mais as coisas. Elas já estavam ruins o bastante por uma noite só.
- Faz tempo que você está aqui fora? - ele perguntou com pouco interesse. Sabia que aquela pergunta era só pra cortar o silêncio entre nós. Para termos o que conversar, algo que não doesse em nenhum dos dois.
- Na verdade, sim - ri baixinho - Sabe, as pessoas conseguem ser bem más quando querem - me virei para ficar de frente para ele. Mesmo ele não estando de frente para mim.
- Yeah - ele riu e virou-se para mim - Elas podem, mas quem está sendo má ou mau com você? - seus olhos fixaram-se no meu rosto e eu sorri. Sempre tivemos essa ligação, era bom poder sentir que ela ainda estava ali, de alguma maneira intacta.
- Você sabe... Todas as pessoas, com seus comentários nada maldosos - dei de ombros e encarei as mãos. Os comentários não eram realmente maldosos o problema era que a verdade estava doendo. E isso sempre acontecerá enquanto eu não resolver de alguma forma isso. Era estranho sentir que seus planos não estavam funcionando.
- Você tem de simplesmente ignorar as pessoas - ele riu e abriu a boca para continuar com o conselho, mas alguém chegou ao quintal fazendo o maior escândalo. Porque tinha outras pessoas atrás dessa que estava passando mal. Virei para encarar quem eram as pessoas e tive de revirar os olhos. estava passando mal e estava atrás um pouco embriagada tentando ajudá-la de alguma forma. Harry e Tom estavam logo atrás. E era assim que eu não imaginava que a noite acabaria.
- Ok, vamos lá - pisquei de uma maneira irônica para Danny e levantei dando um leve corridinha para ajudar .
- - ela chamou assim que me focalizou com os olhos - Me ajuda, ok? - eu concordei com a cabeça e me abaixei até ela que estava literalmente atirada nos degraus da porta. Sentei ao seu lado e firmei seu corpo junto do meu com um braço e segurei seu cabelo com a outra mão livre, ela estava fazendo ânsias, mas ainda não havia vomitado. Nunca fui realmente nojenta para essas coisas e nem tinha como ser. Aquilo fazia parte da vida e eu também já havia passado por essa situação inúmeras vezes.
- Vamos lá, respira fundo - falei calmamente, passando a mão levemente pelo seu cabelo.
- Ela tá mal, ela vai morrer - gritou em um estado de desespero. Isso era algo para me fazer rir. Gargalhei sarcasticamente e virei a cabeça para encarar ela que estava sendo abraçada por um Tom divertido.
- Não, ela não vai morrer. Ela vai ficar bem, tá bom? - sorri para que concordou com a cabeça e afundou o rosto no peito de tom que riu baixinho e balançou a cabeça negativamente depositando no topo da sua cabeça um beijo. Eu sorri com aquilo. Era bom ver que tinha alguém para protegê-la e estar com ela mesmo nesses momentos, sem se importar.
Eu estava imersa em pensamentos quando fez ânsia mais uma vez e acabou vomitando. Obviamente eu não fiquei encarando ela enquanto isso acontecia. Firmei seu corpo com mais força e segurei também firme seu cabelo e foquei no horizonte.Tentei me concentrar na música e esperei até que aquilo passasse.
Quando aquilo passou seu corpo pesou e ficou mole. Ela estava dormindo e aquilo não podia acontecer. Não nesse momento. Eu não fazia ideia de quanto ela tinha bebido. Mas foi nesse momento que comecei a ficar preocupada. Sua respiração começou a ficar mais pesada e ela ficou pálida. Era tudo que nós não precisávamos.
- , acho melhor levarmos ela para o hospital - Danny falou colocando as mãos no bolso rapidamente. Eu não achava uma boa ideia ela ir para o hospital. E ela também não iria gostar nada disso quando acordasse.
- Não, vamos só levá-la para casa - tirei a bolsa que estava atravessada em seu corpo e entreguei para que estava olhando aquilo com lágrimas nos olhos. Eu balancei a cabeça negativamente e bufei - - bati de leve no seu rosto - , vamos lá garota! Não dorme, ok? Vamos embora? Você quer ir embora? - perguntei encarando-a. Seus olhos quase fechados se abriram um pouco mais e ela me encarou. Respirou fundo e sussurrou "Vamos." Eu concordei silenciosamente e tentei levantá-la.
- Alguém me ajuda? - pedi colocando um braço dela por cima do meu pescoço e tentando levantá-la sem que a machucasse. Danny deu alguns passos rapidamente ao mesmo tempo que Harry que chegou mais rápido e me ajudou a firmar ela em pé.
- Tem como sair pelo fundos? - perguntei baixinho para o Harry que concordou e me apontou com o dedo um pequeno corredor entre a casa e um muro que havia.
- Ok - sorri em agradecimento - Está cheio de fotógrafos lá em frente - murmurei para ele - É melhor algum desconhecido me ajudar - ele negou com a cabeça. Mas revirei os olhos e dei de ombros.
- você acha que consegue me ajudar a levar ela até o carro? - parei onde estávamos e fiquei esperando. Ela concordou com a cabeça, deu um selinho demorado em Tom. Pegou as duas bolsas, a dela e da nossa embriagada Surfe Baby e colocou de atravessado. Andou meio desnorteada até mim e tomou o lugar de Harry que ficou com uma cara feia. Eu tinha vontade de fazer um comentário do tipo de 'vou cuidar bem do seu amor', mas achei que não era a hora.
me ajudou a levar até o seu carro que estava estacionado na esquina. Os paparazzis tiraram algumas fotos é claro, para ter o que falar mal da festa. Mesmo tendo seguranças aos montes eu consegui ver um ou dois se infiltrarem para dentro. Tirei aquilo da cabeça e peguei as chaves da bolsa de com cuidado para não soltar . Desativei o alarme do carro e abri a porta de trás. Com um pouco de trabalho colocamos ela sentada lá dentro e embarcou com ela. Eu fechei a porta e pude ver abrir uma fresta da janela.
- Eu já volto - falei pela janela e me apressei em ir em direção a casa. Mais algumas fotos. Aqueles caras sabiam como ser inconvenientes. Aquilo era estressante. Fui lentamente até a porta, mas o segurança não me deixou entrar novamente. Tentei explicar o que tinha acontecido, mas ele disse que depois que eu saí não entraria novamente. Quase tive vontade de socá-lo com toda a minha força. Mas alguém chegou para me salvar.
- Deixe ela entrar - eu conhecia aquela voz. Meu coração disparou e senti minhas mãos começarem a soar frio. Olhei em direção da porta e lá estava ele. Lindo e com os olhos um pouco vermelhos o que era resultado das prováveis bebidas que ele havia tomado.
- Obrigada - agradeci assim que o segurança me deu passagem. Coloquei uma mexa de cabelo atrás da orelha e sorri. Porque eu estava tendo essa atitude ridícula, não sabia.
- Ela vai ficar bem? - ele perguntou me encarando fixamente. Ele sorriu e deu um passo na minha direção. Pude sentir o seu perfume. E isso se tornou uma tortura.
- Vai - respondi rapidamente - Agora eu tenho de encontrar os sapatos dela que não estão nos seus pés - as palavras saiam muito rapidamente da minha boca não era de se esperar que ele tivesse entendido alguma coisa. O silêncio entre nós dois predominou então respirei fundo e dei as costas passando pelas pessoas que estavam aglomeradas.
Finalmente cheguei à porta que dava para o quintal. Torci para que os guys ainda estivessem por lá para me ajudar com os sapatos. Abri a porta, mas somente Harry estava lá.
- Hey! - ele veio ao meu encontro - Como ela está? - parecia realmente preocupado. Eu tive de conter o sorriso debochado e prestar atenção no que eu realmente queria.
- Você por acaso não sabe onde estão os sapatos dela, sabe? - tinha uma certa ironia na minha pergunta. E tenho certeza que ele percebeu. Harry corou e concordou com a cabeça colocando a mão na nuca.
- No meu quarto, lá em cima - ele ficou mais vermelho ainda. E dessa vez não pude conter a risada que estava presa na minha garganta. Eu respirei fundo algumas vezes tentando me acalmar.
- Ok, você guarda os sapatos, então - pedi entre risadas - Vou voltar para lá, elas estão me esperando. Boa noite garanhão - e gargalhei novamente.
Dei as costas para Harry que ficou me xingando alto e voltei apressada para dentro da festa. Atravessei novamente aquela zona de pessoas dançando, bebendo e aglomeradas conversando. Pedi inúmeras desculpas quando esbarrava em alguém. Quando finalmente consegui ver a porta, respirei aliviada. Eu estava praticamente com a mão na fechadura quando alguém me puxou pelo braço. Foi tamanha a força que meu corpo se chocou contra o da outra pessoa. Ofeguei e levantei o olhar rapidamente e senti um arrepio percorrer minha espinha.
Ele segurou meu rosto com uma das mãos e com a outra firmou minha cintura. Aproximou nossos rostos de uma maneira perigosa, eu queria afastá-lo e mandar ele parar com aquilo. Mas meu corpo estava imóvel, totalmente travado.
E quando eu finalmente dei por mim, nossos lábios estavam selados de uma maneira nova, de um jeito diferente e mesmo assim me fazia ter espasmos de felicidade. Meu coração parecia que saltaria do meu peito a qualquer segundo. E então ele se afastou sem dizer uma única palavra.
- Dougie... - murmurei sem forças. Ainda estava zonza, desesperada, alucinada e decepcionada. Magoada e ferida mais do que nunca. Quem poderia entender o que ele estava pensando ou até mesmo o que sentia. Eu só sabia que ele não poderia ser mais cruel do que isso. Dizer que não me amava mais em um dia e no outro me beijava de uma maneira doce. Respirei fundo sentindo tudo rodar, contei mentalmente até dez e dei as costas para aquele lugar. Abri a porta e observei o segurança me olhar com uma cara rabugenta, no momento tive vontade de dar a língua e sair correndo. Apressei-me em direção ao carro. Eu tinha coisas mais importantes para resolver no momento, como a embriaguez da minha amiga.


As coisas estavam no lugar agora. já estava dormindo tranquilamente e sobrava apenas a mim acordada. Havia tantas coisas se passando pela minha cabeça que eu simplesmente não conseguia pregar os olhos e ao mesmo tempo a preocupação que ainda assim acontecesse alguma coisa com Surfe Babe. Então peguei um cobertor e fui sentar em uma poltrona que tinha no quarto de hospedes. Deixei apenas a luz do abajur ligada e tentei ler o meu livro favorito. Não havia como explicar a mágica que aquele livro passava para a pessoa, as lições que ele ensinava e a expectativa que ele deixava a cada página lida. Eu estou falando do meu livro predileto, Harry Potter. Para mim não existiu e nem existiria uma saga tão completa e maravilhosa quanto aquela. Mas isso era questão de ponto de vista. Minha mente se concentrou nas primeiras paginas repletas de solidão, do primeiro livro. Eu tinha certeza que em algum momento eu adormeceria, mas no momento não havia uma única partícula de sono em mim. A imagem de ver o rosto dele tão próximo do meu não saía da minha cabeça de maneira alguma. O toque dos seus lábios aos meus estavam impregnados em mim. Eu podia até mesmo sentir seu cheiro. Sorri involuntariamente e coloquei o cabelo para trás da orelha. Sabia que estava fazendo mal a mim mesma me martirizando com aquela lembrança. Mas eu simplesmente não conseguia controlar aquilo tudo. Era praticamente impossivel você ser beijada pelo cara que você ama e esquecer disso facilmente. Até porque, se você esquecer, pode ter certeza de que o que você sente não é amor. Não sabia que horas eram, só queria que o tempo passasse mais rápido e me desse liberdade para fazer alguma coisa.
Tentei voltar minha atenção para o livro, com sucesso. Mantive meus pensamentos fixos naquelas paginas e totalmente desligado do mundo real. No momento eu estava embarcando para uma alucinante aventura em Hogwarts. E isso poderia até soar ridículo, mas eu realmente sentia a emoção...

Meu corpo doía e minha cabeça estava latejando. A claridade irritava meus olhos e faziam com que os mesmos coçassem. Escutei um gemido alto e então pude supor que já havia acordado e estava sofrendo as consequencias da bebida. Eu sorri debochada e respirei fundo. Tinha certeza que ela estava observando. E a resposta para aquilo foi ela bufar. E bocejar gemendo.
- Não fale sobre isso - ela murmurou baixo o suficiente para que somente eu pudesse escutar. Sorri mais ainda e abri os olhos. Ela segura a cabeça com as mãos e ainda estava pálida. Gargalhei alto e com isso ela fez uma careta de dor.
- Tudo bem - concordei - Mas, você pode me contar porque suas coisas estavam no quarto de Harry? - e com isso, Surfe Babe sentou rapidamente na cama e me encarou com um certo pavor no rosto. Mas eu tive de rir baixinho, eu sabia que por trás daquele suposto pavor ela estava tentando lembrar os mínimos detalhes. Porque ela simplesmente não me enganava.
- Eu faço outra pergunta - se formou uma linha de desaprovação na sua testa - O que você estava fazendo que me deixou ir para o quarto com aquele idiota? - sua voz soava com um certo sarcasmo e eu não gostava muito daquilo.
- Ok - levantei deixando o cobertor escorregar para o chão - Você realmente é ingrata, sabe o que eu devia ter feito? Deixado você passando mal aos cuidados de que também estava bêbada, sei que ela tentou ajudar, ela não tem nada a ver com isso, de qualquer forma - e então eu me peguei quase gritando. Porque eu havia me alterado tanto eu não sabia.
- Dane-se - ela falou dando de ombros - Saia do meu quarto - e apontou para a porta. Eu não gostava de brigar com , nem um pouco na verdade. Sentia-me mal com aquilo, mas meu orgulho não me permitia pedir desculpas, não agora ao menos.
- Tudo bem - respondi calmamente. Agarrei o meu livro que estava sobre a poltrona e sai batendo os pés em direção a porta do quarto. Tive vontade de hesitar, porem não o fiz. Sai do quarto de indo diretamente para o meu. Escutei algumas vozes vindas da cozinha e então pude saber que estava acordada e tinha alguém fazendo companhia a ela. Joguei o livro sobre a minha cama e bati a porta do quarto. Andei diretamente para o banheiro. Encarei-me no espelho e bufei dando as costas. Despi-me rapidamente e entrei no chuveiro sem ao menos esperar a água esquentar. A água gelada me tomou antes de começar a esquentar, tive um arrepio de frio. Meu banho foi longo e sossegado. Varias coisas estavam passando na minha cabeça. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha saindo do banheiro apressada pelo frio. Entrei no closet e vesti a primeira langerri que apareceu. Coloquei uma calça jeans preta e uma blusa de manga comprida lisa, vesti uma camisa xadrez azul com branca e uma jaquetinha de couro preta simples. Calcei um sapatinho oxford da mesma cor da jaqueta e estava pronta. Eu precisava secar e ajeitar meus cabelos ainda. Voltei ao banheiro e abri a janela para que o vapor da água saísse. Escovei meu cabelo com cuidado e comecei a secar rapidamente. Meus cabelos não se ajeitavam então desisti quando eles estavam secos e rebeldes. Não queria passar maquiagem, eu deixaria minha pele tomar um ar dessa vez. Passei um hidratante e um protetor labial e dei as costas para o banheiro. Peguei minha bolsa no quarto e sai do mesmo fechando a porta ao passar.
Escutei risos vindo da sala enquanto passava pelo corredor. Quando finalmente cheguei à sala e vi abraçada a Tom enquanto viam alguma coisa na televisão. Eu sorri com aquela cena, era bom saber que tinha alguém acordado na casa que eu estava prestes a visitar.
- Bom dia - falei alegremente observando eles me encararem e sorrir. Eu sorri em resposta e andei lentamente em direção a porta.
- Vai demorar? - perguntou antes que eu chegasse a porta. Dei um risinho baixo e me virei para responder.
- Não sei - dei de ombros e abri a porta fechando ao passar. Chamei o elevador e fiquei esperando até ele finalmente chegar. Entrei e apertei o botão do térreo, me encarei nos espelhos do elevador, eu podia ver aquele brilho dentro dos meus olhos. Um brilho que poderia se acabar em duas palavras. Ou em uma reação. Eu estava com esperanças, mas ao mesmo tempo com um pouco de medo. O elevador chegou ao meu destino e eu saí caminhando pelo hall de entrada do prédio rapidamente. Parei um taxi qualquer na rua, eu estava ansiosa demais para perceber qualquer detalhe que fosse. Meu coração estava um pouco acelerado. E eu estava respirando pesadamente.
O taxista parou o carro em frente à casa esperada, eu sorri agradecendo e lhe entregando um pouco mais do que o pagamento correto. Desembarquei desajeitada e respirei fundo vendo o carro partir. Olhei em direção a casa e sorri. Andei lentamente, um pé de cada vez em direção a grande e convidativa porta vermelha.
Parei em frente da mesma e bati algumas vezes, fiquei ali, parada batucando os pés desconfortavelmente. Ninguém atendeu. Bati na porta novamente e fiquei esperando, mas mais uma vez não teve resultados. Tentei abrir a porta e ela facilmente se abriu. Isso era errado e se entrasse uma fã louca e psicopata e matasse todos eles a qualquer momento? A história de John Lennon estava ali para mostrar que qualquer coisa poderia se acontecer quando se menos esperava. Quando eu adentrei na casa meus ouvidos foram invadidos por uma música conhecida. American Idiot do Green Day. Sorri ao ouvir aquela música.
Tentei seguir o som e ver até onde ele me levaria. Passei por um corredor que terminava em uma pequena escadinha que dariam ao sótão da casa. Subi com cuidado para não fazer muito barulho e atrapalhar. Sobre o sótão, eu estava enganada. Ou então queria um sótão desses na minha casa. O fato era que não tinha sótão algum por ali, apenas um pequeno e muito bem equipado estúdio de gravação. E atrás daquela janela de vidro, na sala aonde a verdadeira coisa acontecia, estava Danny com seu violão tocando alguma coisa. Mas ele parou assim que me viu e abriu um sorriso enorme no rosto. Eu involuntariamente retribui o sorriso. Ele largou o violão em um canto da pequena salinha e veio até mim.
- Então apareceu pra me ver, hã? - ele riu - Sabia que não conseguiria ficar longe de mim - e fez a sua melhor cara de sexy. Eu gargalhei alto com aquela careta e revirei os olhos.
- Na verdade Sr. Eu Sou O Cara, não vim te ver - foi realmente engraçado ver a careta que ele fez. Eu tive de revirar os olhos mais uma vez.
- Veio ver o Dougie, então - aquilo não era uma pergunta, era uma afirmação. - Vi vocês dois ontem a noite - a sua cara demonstrava livremente a sua indignação e desaprovamento. Mas ele não precisava aprovar isso, ele nunca aprovou de qualquer modo. Eu sorri e me lancei em sua direção lhe dando um abraço apertado. Sentia-me bem sabendo que tinha alguém realmente preocupado comigo, alguém que eu sei que iria me proteger se precisasse.
- Eu vou ficar bem, ok? Eu prometo - levantei a cabeça para olhá-lo nos olhos. Ele sorriu fraco e concordou silenciosamente. Afundei minha cabeça no seu peito e senti seu perfume mais uma vez. Gostava do perfume dele, era amadeirado e cítrico ao mesmo tempo. Nós ficamos assim em silêncio por algum tempo. Tempo suficiente para que eu não quisesse que ele me soltasse. Mas o fez, ele se soltou do meu abraço e riu baixinho.
- Segunda porta a esquerda, subindo as escadas para o segundo andar - instruiu Danny. Tive vontade de mordê-lo de tão fofo que ele me parecia nesse momento. Mas, obviamente, eu não o fiz. Sorri agradecida mais uma vez e dei as costas deixando-o com seu estúdio. Desci as escadinhas rapidamente sem preocupações de barulhos e corri pelo corredor, voltando à sala principal, subi as escadas que levariam ao segundo andar e segui todas as instruções de Danny, as quais não eram tão difíceis. A porta estava fechada. É claro que estaria. Meu coração palpitou antes que eu tomasse uma decisão, bater na porta ou entrar de impulso. E definitivamente eu não queria bater na porta. Então a abri com rapidez e entrei no quarto ofegante de euforia. Ele estava lá. Deitado sobre a cama, encarando o teto, com os braços atrás da cabeça. Com uma calça jeans simples e uma camiseta lisa na cor preta. A camiseta era frouxa, mas mesmo assim eu conseguia ver perfeitamente as formas do seu corpo. Ele levantou a cabeça e me encarou seriamente por um breve tempo e então ele sorriu.
- Você demorou - foi a única coisa que ele disse. E eu me senti desapontada, eu esperava alguma coisa a mais, talvez até uma briga por eu invadir o seu quarto sem pedir. Mas a única coisa que eu ouvi da sua boca foi sobre a minha demora. Aquilo era ridículo. Pateticamente ridículo. O encarei desapontada e sorri fraquinho. Ele estava me esperando mesmo, isso já era um bom começo.
- Você não pode fazer isso comigo - soltei rapidamente, sem me dar conta - Primeiro você diz que não me ama mais e depois vem e me beija - bufei alto. Ele riu. Isso mesmo, foi a única coisa que ele fez, soltar uma risada daquelas que me causavam arrepios por todo o corpo. E levantou vindo lentamente na minha direção, ele se aproximou rapidamente - mesmo andando devagar - e quando dei por mim, nossos rostos estavam perigosamente perto. E ele mantinha a sombra da sua risada no rosto. Mas ao encarar seus olhos, eu não gostei muito do que vi. Havia duas coisas distintas naqueles olhos e em algum momento eu pude ver a felicidade brilhar rapidamente ali. Desviei do seu olhar rapidamente e encarei sua boca. Ela estava convidativa. Fazendo-me quase surtar, mas me controlaria. Isso não iria acontecer. Eu precisava conversar antes de qualquer coisa.
Esse pensamento se foi com a mesma rapidez que veio, se foi quando enfim os lábios dele estavam grudados aos meus. Foi um beijo calmo e doce. Diferente do da noite passada. Esse sim era o beijo que eu sentia tanta falta. Esse era o meu beijo. Esse era o meu Dougie. Não conseguia acreditar que isso estava acontecendo tão rapidamente. Mas estava acontecendo e lá estava eu, torcendo para que aquilo permanecesse daquela forma. Para que não ocorresse nenhuma outra tragédia na minha vida.
- Por que você voltou? - Dougie, encostou sua testa na minha e sua respiração estava fraca. Eu sorri com lágrimas nos olhos, não conseguia mais aguentar aquela felicidade dentro de mim. E o que ele me pergunta, a coisa mais obvia do mundo.
- Todas as vezes que você me perguntar, vai ser a mesma resposta - sorri sentindo as lágrimas encontrarem minha boca - Porquê eu te amo - e senti seus lábios se curvarem em um sorriso de alegria e um sorriso sombrio ao mesmo tempo.
- Porque você me ama? - ele sussurrou perto dos meus lábios me fazendo arrepiar.
- Por que estou sempre pensando em você - respondi.
E então ele mais uma vez selou nossos lábios com um beijo diferente, o mesmo da noite passada e no mesmo momento me senti desapontada.

Cap 08.

On our way home I realise
There's some kind of storm brewing in his eyes
Only veiled by a thin disguise

Em nosso caminho de casa eu percebo
Há algum tipo de tempestade nos olhos
Só velado por um disfarce


A tarde passou muito mais rapidamente do que eu esperava. Havia ficado ali deitada junto de Dougie, escutando parcialmente seu coração que batia desacelerado. E mesmo me sentindo completa tinha alguma coisa dentro de mim que incomodava furiosamente contra meu peito, afetando assim meu próprio coração. Nada poderia ficar realmente mais confuso do que já estava; Era praticamente impossível. Quando Dougie reclamou de fome e assim nós descemos para que ele comesse alguma e acabamos encontrando com Danny fazendo um lanche e resolvemos passar o restante da tarde lhe fazendo companhia enquanto ao mesmo tempo jogávamos motorstrom, um jogo realmente complicado de corrida. Consegui com muita dificuldade ganhar duas vezes de Danny que insistia em pedir revanche. E perder três vezes consecutivas de Dougie. Vi também ele perder para Danny duas vezes e ganhar uma. Depois como eles ainda se encontravam famintos e a tarde já havia nos deixado, ligaram para uma entrega de pizza e fizeram as encomendas. Mas o problema não era exatamente esse, o problema era como Dougie preferia manter certa distância de mim. Como ele preferia ficar mais calado na frente de Danny e em como ele me olhava diferente. Eu resolvi assim, dar um tempo para que ele se acostumasse e adaptasse com tudo que estava acontecendo. As coisas certamente não estavam fáceis para ele. E não seria eu que iria complicar mais ainda. Mesmo que isso nunca tenha me passado pela cabeça.
Foi quando pedi para que ele me levasse embora que percebi que não poderia realmente forçar a barra. Ele fez uma certa careta, mas acabou, por fim, concordando. Me despedi quase silenciosamente de Danny e esperei que ele subisse colocar uma roupa mais apropriada para sair de casa. Não demorou a fazer isso e lá estava ele descendo com uma camisa xadrez cinza e branca e com uma calça jeans normal. Não vestia casaco, mesmo ele provavelmente sabendo que estava frio o suficiente ali fora. Ele me guiou até a garagem e apontou um carro preto reluzente.
O carro era absolutamente lindo, mas a maneira como Dougie se movia ao meu lado me incomodava. Ele desativou o alarme e abriu a porta para que eu embarcasse e assim o fiz. Ele fechou a porta e fez todo o contorno do carro para embarcar no lado do motorista. Quando ele finalmente ia dar partida ao carro ele me olhou e sorriu. Eu retribui espontaneamente o sorriso e virei meu rosto para encarar a movimentação do lado de fora. O vidro extremamente filmado me deixava um pouco tonta, porém, isso não importava. Eu senti que tinha alguma coisa errada, mas não queria me precipitar com meus palpites incertos. Volta e meia eu dava uma encarada nele e percebia que havia uma onda de confusão, de tempestade nos seus olhos. E o meu pensamento subitamente seguiu um rumo que eu não gostava e iria ignorar completamente.
Forcei-me a pensar em alguma coisa mais importante no momento. A minha pequena discórdia com , principalmente sabendo como ela era complicada. Respirei fundo tentando engolir o orgulho e soltando o ar apressadamente. As ruas pareciam estar de prolongando durante todo o percurso. Estávamos demorando mais que habitualmente teria demorado para chegar até o grande e chamativo prédio em que eu me encontrava ''morando''. Esse já era outro problema que passava na minha cabeça, uma onda de confusão me invadia a cada rua que deixávamos para trás. Eu deveria enfim voltar para a Califórnia e concluir um processo de mudança ou deveria esperar mais algum tempo para ter certeza. Deveria procurar então, um apartamento para eu morar ao invés de estar desorganizando a vida de que estava habituada a morar sozinha.
Mas esse era o meu problema, morar sozinha. Nunca o fiz e não me imagino fazendo, sempre morei acompanhada de alguém. Primeiro meus pais, então eles se separaram. Depois somente com meu pai e isso durou um longo tempo até ele decidir morar na Suíça. Logo depois disso morei por exatos dois anos com e então eu fugi para a Califórnia, onde eu morei com os últimos três anos da minha vida. E agora aqui estava eu novamente, morando com as minhas melhores amigas. Isso não me incomodava, mas eu sabia que incomodava as outras duas pessoas e isso me importava.
Talvez eu devesse arrumar um lugar para ficar, mesmo que dure por pouco tempo. Mas não podia ficar incomodando mais do que já estava. O carro parou de repente me despertando de meus pensamentos. O grande prédio cinza se encontrava do outro lado da rua. Respirei fundo e virei para o lado para encarar Dougie que mantinha um sorriso um pouco apagado no rosto.
- Você não quer entrar? - perguntei. Havia um fio mínimo de esperança que ele respondesse com um lindo e sonoro sim. E também havia um grande e grosso fio de aço que esperava o sonoro e arrogante não. Aquilo parecia confuso até mesmo para mim.
- Hoje eu vou passar - ele riu de uma maneira fria que me fez desmontar o sorriso que eu tinha no rosto. Não estava gostando daquelas atitudes dele, mas estava convicta que era apenas questão de tempo e costumes.
- Tudo bem então - eu coloquei o sorriso novamente nos meus lábios - Boa noite - desejei me curvando para lhe dar um selinho demorado. Ele retribui o beijo com um pouco de entusiasmo - Te amo. - completei assim que nos separamos. Ele apenas sorriu em resposta e eu finalmente desembarquei do carro. Esperei alguns carros passarem para que pudesse atravessar a rua com facilidade. Encarei o carro preto partir do outro lado da rua e sorri acenando antes de me encolher e entrar apressada no prédio.
O hall de entrada estava completamente vazio, exceto por duas garotas que saiam do elevador apressadas e sorridentes. Eu senti toda minha felicidade de esvair assim que notei a expressão de . Tentei manter o sorriso no rosto, mas não obtive sucesso.
- - falou enquanto elas se aproximavam - Não te esperávamos tão cedo - e riu maliciosamente. Eu revirei os olhos para ela e dei de ombros fazendo a maior cara de desdém que eu podia.
- Aonde vocês vão? - perguntei curiosa. Isso era uma coisa que eu tinha de controlar, minha curiosidade às vezes era inconveniente, mas o caso era que no momento ela era uma simples e conveniente curiosidade.
- Estamos saindo para jantar - ela encarou o relógio de pulso e sorriu concordando com a cabeça. não havia dito uma única palavra desde então, ela podia colaborar um pouquinho também, não podia? Tinha certeza que sim - Você quer vir também? - tive certeza que evitou o olhar desaprovador de Surfe Babe, porque se tivesse captado o mesmo não teria me convidado.
- Não, eu estou bem - neguei rapidamente antes que arrumasse confusão para ela - Vou subir e me jogar na cama, você sabe como eu não dormi bem na noite passada - dei a maior ênfase de sarcasmo que podia nas ultimas palavras da frase e lancei um olhar irônico para .
- Olha aqui, eu não sei o que você quer dizer com isso, mas sabia que eu não te... - foi interrompida por um puxão de que parecia ansiosa ao seu lado. Mas eu pude notar pelo olhar que ela havia continuado me xingando mentalmente. Dei de ombros e acenei seguindo meu caminho até o elevador. Eu podia ouvir xingar alto e aquilo me incomodava. Eu realmente não queria ficar mal com Surfe Babe por causa de um desentendimento bobinho. Aquilo não fazia meu estilo e nem o dela. Peguei o elevador que estava no térreo e tentei ao máximo evitar aqueles espelhos que me deixavam enjoada. Não demorou e o mesmo parou dois andares a cima dando passagem para que eu pudesse sair e assim o fiz. Destranquei a porta e entrei fechando a mesma novamente. O apartamento estava escuro, não havia nenhuma luz acesa. Tateei pelo interruptor as escuras, chutei para longe alguma coisa até finalmente achar o mesmo e acender a luz.
Assim estava bem melhor. Joguei minha bolsa sobre o sofá e me atirei no mesmo com preguiça. Liguei a televisão e passei os canais até encontrar alguma coisa decente. Deixei em um canal que estava passando o filme Click. Não era dos mais novos e muito menos um lançamento do cinema, mas eu considerava um filme clássico e realmente bom. Talvez eu não tivesse um gosto muito bom para filmes, mas a maneira como aquele filme me comovia era inexplicável. Tirei os calçados e deitei no sofá escorando minha cabeça na almofada. Puxei uma manta de soft que estava dobrada sobre o sofá e me tapei. Fiquei ali deitada sem nenhum pensamento na cabeça olhando o filme em partes.
Não sabia como o tempo podia passar rápido algumas vezes. Quando o Adam Sandler em uma versão velha e doente saiu fugido do hospital na chuva atrás dos filhos e da ex-esposa, eu simplesmente senti meus olhos arderem e quando dei por mim já estava chorando ao vê-lo morrer ali naquele momento. Eu sabia que ele voltava depois disso e fazia as coisas diferentes, mas eu não podia deixar de me emocionar com aquela parte. Limpei as lágrimas me sentindo meio idiota e esperei pelo final feliz do filme e quando os créditos finais apareceram na tela, sentei e desliguei a televisão, talvez fosse hora de ir para a cama.

A luz estava mais radiante do que nunca e isso incomodava meus olhos. Virei-me na cama tentando voltar a dormir, mas desisti logo em seguida. Não tinha como dormir com aquela claridade irritando seus olhos, era quase uma missão impossível. Abri os mesmo e contemplei a beleza que o dia parecia estar na rua. Um raro dia ensolarado em Londres.
Levantei da cama e segui para o banheiro, fiz minha higiene matinal com muita lerdeza e sonolência. Tomei banho, que elegi o mais rápido da minha vida e fui direto para o closet. Vesti uma langerri preta simples e as roupas que eu havia pensado enquanto tomava banho. Uma calça jeans skinny preta, uma blusa de manga curta um pouco compridinha e o meu suéter favorito, ele tinha a estampada da bandeira do reino unido. Calcei uma sapatilha preta e voltei ao banheiro para dar um jeito nos meus cabelos. Eu estava sem muito ânimo para fazer alguma coisa que desse um jeito neles então simplesmente puxei para o lado e fiz uma trança frouxa. Fiz uma maquiagem leve, um pouco de corretivo aonde precisava, passei uma larga camada de rímel e resolvi dar um contraste com a boca em um tom de vermelho coral. Saí do banheiro passando direto pelo meu quarto e indo em direção a cozinha. Podia ouvir barulho vindo da mesma, então eu não era a única a estar acordada. estava na cozinha tomando café da manhã. Seu rosto estava iluminado, ela parecia estar com um ótimo humor.
- Bom dia - cumprimentei assim que entrei em seu campo de visão. Ela tomou o gole de café que tinha na boca e sorriu abertamente.
- Bom dia - respondeu animada - Pensei que ia ser a única a acordar hoje - e deu uma risada alegre. Então colocou um pedaço de bolo na boca e comeu em silêncio. Aquele bolo era comprado, eu tinha quase certeza.
- Posso saber o motivo de tanta felicidade a essa hora ? - sentei a mesa de frente para ela e preparei meu café em uma xícara preta comprida e com alguns desenhos abstratos. Era realmente bonitinha. Ela me olhou e então sorriu novamente.
- Não sei, acordei assim - deu de ombros e comeu outro pedaço de bolo. A encarei fixamente por alguns segundos tentando perceber algum sinal que me deixasse óbvio que aquilo era uma mentira, mas não havia sinais algum. Como uma pessoa podia acordar feliz eu realmente não sabia, era um mistério para mim.
- Por falar em acordar - mudei o rumo da conversa - Que horas são exatamente? - perguntei encarando o relógio de parede que estava na cozinha e percebendo que ele estava parado. puxou a manga da sua roupa e encarou o relógio de pulso.
- Nove horas - respondeu com desdém. Afoguei com o café assim que ela respondeu, como eu estava acordada às nove horas de um sábado? Senti-me uma idiota.
- Ótimo - bufei enquanto cortava um pedaço de bolo para mim, mas desisti assim que o fiz. Eu não estava com muita fome de qualquer maneira. Deixei a fatia de bolo no mesmo lugar e voltei minha atenção para o café.
- O que você vai fazer agora pela manhã? - ela tomou um longo gole de café e me encarou arqueando as sobrancelhas.
- Não sei - dei de ombros - Talvez eu ligue para o Dougie, porque? - parou o que estava fazendo e ficou me encarando com as sobrancelhas arqueadas como se eu tivesse acabado de revelar um segredo terrível. Eu sabia o que ela queria saber e então me lancei a narrar todos os acontecimentos desde a festa até o dia de ontem, contei os meus receios e como me sentia em relação a tudo. Respondi algumas perguntas curiosas dela e então ela suspirou impressionada. Eu gostava dela por isso, ela conseguia ser uma ótima ouvinte. Primeiro ouvia as coisas e depois fazia as perguntas, organizadamente.
- De qualquer maneira- começou ela - Eles vão passar a manhã na gravadora, então você não vai poder sair com ele - explicou ela. Eu sabia que aquela pequena entonação na sua voz significava alguma coisa.
- E você tem planos para essa manhã de qualquer forma não é? - gargalhei. Às vezes ela conseguia ser bem óbvia mesmo quando não tem intenção.
- Ok, você me descobriu - ela sorriu largando a xícara na mesa - Quer fazer compras comigo? - pediu ela piscando os olhos de uma maneira infantil para mim - Depois nós podemos encontras os guys para almoçar com eles - completou rapidamente. Como se aquilo fosse alterar minha resposta, o que ela tinha razão, aquilo realmente alterou minha resposta.
- Tudo bem - respondi revirando os olhos - Eu vou fazer compras com você - concordei rindo. Ela me olhou sorrindo mais ainda e bateu palminhas animada.
- Vou ver se quer vir com a gente - e a menção desse nome me fez baixar a cabeça e encarar a mesa. Eu sabia que teria de ir pedir desculpas para ela, afinal quem havia começado a briga tinha sido eu mesma. Mas eu não tinha criado coragem suficiente para fazer isso. E quando eu ia abrir a boca para responder alguém entrou na sala.
- O que tem eu? - era a própria. Ela estava com os cabelos presos em um nó frouxo e vestia um moletom preto, provavelmente de alguma banda e uma calça de moletom também preta. Sua cara de sono era cômica e ela não parecia estar de bom humor.
- Eu queria saber se você quer ir fazer compras com a gente! - dançou para o lado dela animada. Mas antes mesmo que ela dizer mais alguma coisa, se adiantou e negou com a cabeça.
- No way - respondeu rapidamente - Estou me sentindo muito estranha hoje - explicou - Ninguém vai conseguir me tirar desse apartamento - e dizendo isso ela se jogou no sofá e deitou ligando a televisão. me encarou com uma dúvida no olhar e eu dei de ombros negando com a cabeça. Não sabia o que tinha acontecido com ela, não ao ponto de querer ficar em casa olhando televisão em vez de sair com uma de nós ou com as duas.
- Você está sentindo-se bem? - andou lentamente até ela e colocou uma mão na sua testa - Está um pouco quente, sabe - ela falou isso mais para mim do que para . Eu me senti apreensiva, será que ela tinha pegado um resfriado ou estava com alguma coisa? Tirei essa hipótese da minha cabeça rapidamente.
- Eu estou bem - ela afastou a mão de que estava percorrendo seu corpo para sentir a temperatura - Se sentir alguma coisa eu tomo um remédio qualquer - deu de ombros.
- Nós vamos sair, qualquer coisa você, por favor - e lançou um olhar suplicante para Surfe Babe - Ligue para o meu celular, eu juro que atendo de primeira - ela sorriu.
- Tudo bem mamãe - ironizou rindo e voltando rapidamente sua atenção para a televisão que estava ligada em algum canal musical. ficou a olhando e então suspirou virando-se para me encarar.
- Vamos? - perguntou agarrando uma bolsa vermelha que estava sobre a poltrona e passou pelo braço. Foi então que eu notei a roupa que ela usava. Estava vestindo uma calça jeans rasgadinhas nas pernas toda "manchada" de mais claro, usava uma blusa branca listradinha de vermelha com alguns pequenos botões no decote e um casaquinho com os ombros inflados azul marinho. Calçava uma sapatilha da mesma cor. Concordei silenciosamente e andei até a mesma poltrona para pegar minha bolsa, a coloquei de atravessado no corpo e sorri para . Nós saímos juntas em direção a porta que estava apenas encostada, saímos pela mesma e esperamos o elevador em silêncio. Ele chegou e nós entramos e continuamos em silêncio até ele parar dois andares a baixo.
- O que você pretende comprar? - perguntei enquanto andávamos lado a lado no hall de entrada. Provavelmente ela compraria de tudo um pouco, mas mesmo assim não custava perguntar para ter certeza de o quanto teríamos de bater perna.
- Não sei - ela deu de ombros - Vou dar uma olhada nas coisas, você sabe como é - e sorriu animada para mim. É eu sabia muito bem como era bater perna com ela no shopping e isso não me animava muito.
- Vamos de táxi? - perguntei. Olhei ao redor na rua e não encontrei o carro dela por lá, então era meio óbvio que iríamos de taxi. Ela concordou silenciosamente e fez sinal para um taxi parar, mas ele passou reto. Eu ri baixinho e a ajudei fazendo sinal até um taxi livre parar. Nós embarcamos e ela deu o endereço do shopping.
- Sabe, fiquei preocupada com a Surfe Babe - ela suspirou encarando as ruas pela janela. A encarei e sorri. Eu também havia ficado um pouco preocupada, mas conhecendo como eu conhecia sabia que ela não deixaria qualquer uma de nós ajudar. Ela não pediria ajuda para uma coisa assim a não ser que fosse realmente grave.
- Ela vai ficar bem - suspirei me virando para a janela - Eu tenho certeza disso - completei.
O shopping não ficava muito longe do prédio em que morávamos, talvez umas quatro ou cinco quadras, poderíamos ter ido de a pé se quiséssemos. O taxista parou o carro em frente a entrada do grande e extenso prédio. lhe entregou uma nota de vinte ou alguma coisa assim e esperou pelo troco. Desembarquei rapidamente e fui para a calçada esperar por ela lá.
- Esses motoristas de taxi, todos são rabugentos - comentou indignada ao me encontrar - Às vezes eles chegam a ser irritantes - e fez uma careta feia. Ela parecia uma criança fazendo aquelas caretas, tinha vontade de gargalhar toda vez.
- Deixa os taxistas para lá - dei um leve empurrãozinho nela que sorriu e concordou silenciosamente - Então você tem de avisar os garotos que vamos encontrar com eles nesse shopping - e apontei com a cabeça o enorme prédio a minha frente. Ela arqueou uma sobrancelha e me lançou um olhar do tipo que diz 'danadinha', mas dei de ombros ignorando esse fato. Ela mexeu na bolsa compulsivamente até encontrar seu celular. Observei ela apertar duas vezes no botão send e levar o telefone ao ouvido e aguardar. Demorou um pouco para que pudesse escutar uma voz conhecida falar do outro lado da linha um sonoro "Oi amor".
- Bebê, vamos nos encontrar no horário de almoço? - ela fez uma voz definitivamente melosa ao chamar Tom de bebê, por algum motivo aquilo me deu uma pequena pontada rápida no peito, mas como eu citei, foi rápida. Talvez um milésimo de segundo e passou.
"Claro my little girl, onde? " ele respondeu apressado. Como eu estava escutando aquilo era algo a ser perguntado, talvez o volume do telefone de fosse alto demais ou talvez minha audição estivesse apurada, procurando um vestígio de uma voz que me deixaria mais alegre. Mas aquela voz não foi encontrada.
- Jamie’s Kitchen ao meio dia em ponto? - ela perguntou arqueando uma sobrancelha. A escolha dela provavelmente nos faria ter de pegar um taxi novamente. Ela gostava de reclamar sobre os taxistas, mas provavelmente não iria a pé. - Mas bebê, quando eu falo nos encontrar, eu quero dizer... você, eu, os guys e a - deu uma grande ênfase no meu apelido que chegou a gerar risadas do outro lado da linha. " Ok little girl, eu tenho de ir agora, eu te amo, beijos ". E foi assim que ela guardou o telefone novamente na bolsa e me olhou com um sorriso triunfante que reluziam em seus olhos.
- Prontinho - ela fez uma pequena reverencia como se fosse uma dama da corte. Revirei os olhos para ela e suspirei.
- Pensei que íamos nós encontrar com eles aqui - olhei para o shopping e depois para ela, novamente. fez uma cara de ironia e riu baixinho.
- Você queria uma multidão de fãs histéricas, correndo atrás de nos todos, por quadras e mais quadras? - ela riu - Mas você sabe, que mesmo assim não consigo odiar as fãs deles? - e fez a maior cara de ursinho de pelúcia possível. Eu a empurrei para frente e gargalhei maldosamente.
- Não faça mais essa cara, por favor - segurei a barriga com força tentando me acalmar. Ela me mostrou a língua e o dedo do meio ao mesmo tempo e seguiu a passos curtos em direção ao shopping. A acompanhei em meio a risadas e suspiros. Nós passamos pelas enormes portas de vidro do prédio e entramos em um ambiente um pouco mais calmo e mais quente com toda certeza. Havia inúmeras lojas que iam das mais comuns lojas de departamento ás mais caras e luxuosas grifes que você pode imaginar. Havia lojas de eletronicos, CD'S & DVD'S, lojas dedicadas a bandas. ignorou todas as lojas do primeiro andar seguindo direto para a escada rolante. Nunca gostei muito de escadas rolantes, eu achava que era uma coisa desnecessária quando se tinha um elevador, mas meus pensamentos nem sempre eram muito lógicos. Pegamos a escada rolante e paramos no segundo andar. Lá havia como eu disse as lojas mais variadas de grife. Conhecendo como eu conhecia era de se imaginar que ela se esbaldaria nessas mesmas. Mas eu não tinha paciência para essas lojas. Tinha certeza que lá em baixo em algum lugar tinha uma ótima loja de música que vendia vinil, aonde eu poderia comprar mais alguns discos para aumentar minha coleção. A acompanhei para dentro de uma loja sem prestar muito atenção no que ela falava com uma vendedora com cara de arrogante que veio nos atender. Eu estava mais empolgada pensando se eu conseguiria encontrar aqui em Londres o vinil que eu mais desejava, Please, Please Me - Beatles. Eu acha meio difícil, eram vinis raros aqueles. Primeiro lançamento deles, eu talvez tivesse um pouquinho de sorte e conseguiria.
Observei em silêncio ela separar varias roupas e se dirigir ao provador para experimentá-las. Eu a vi trocar de roupa pelo menos umas cinco vezes e então finalmente se decidir. Pagou pelas roupas escolhidas e saiu da loja com algumas sacolas. Quando saímos de dentro da loja que ela parou para decidir qual era a próxima que ela visitaria, achei a minha brecha.
- Seguinte, vou lá em baixo olhar as lojas de músicas e te encontro aqui, daqui a pouco - falei rapidamente e saí andando antes que ela me interrompesse e me arrastasse para outra loja que definitivamente não me agradava muito. Peguei a escada rolante novamente e desci para o primeiro andar e comecei a andar despreocupadamente olhando cada vitrine de lojas. Quando finalmente encontrei uma especializada em artigos mais clássicos entrei e fiquei analisando alguns vinis. Havia selecionado uns 6 discos para comprar até prestar atenção na discussão de uma adolescente com o balconista.
- Esse álbum é demais - a garota comentou analisando uma caixa de vinil - Sinceramente nunca conheci uma banda tão foda quando eles - e suspirou com certa admiração.
- Meu chefe conseguiu esse faz alguns dias, é realmente difícil de encontrar um desses, principalmente autografado por todos eles - o garoto ruivinho com um pouco de sardas na cara comentou analisando o disco também. A garota se vestia razoavelmente bem para alguém que gostava de rock, porque aquela loja era especializada em clássicos do rock. E o garoto era ridiculamente familiar.
- Ah! D.J, você não consegue um desconto para sua melhor amiga? - notei que ela se inclinou em sua direção - Fala com seu chefe - ela estava sorrindo.
- Sabe... um dia todo mundo vai querer ter um cd meu autografado, anote o que estou te dizendo - ele falou sonhador. Sabia porque aqueles dois me soavam tão familiares. Era como reviver uma época da minha vida. As inúmeras tardes que eu passava com Danny em seu primeiro emprego, em uma loja de discos. Era hilário o que o destino fazia com a gente.
- Não seja estúpido D.J - a garota ralhou - Não sonhe tão alto, sinceramente não boto muita fé nisso - ela deu de ombros. O garoto pareceu murchar com esse comentário. Peguei todos os discos que havia selecionado e me aproximei. A garota recuou um pouco e ele se prontificou a me atender.
- Vou levar esses - falei para ele sorrindo, passei pelo balcão os discos para ele e analisei o que estava solto ali por cima. O tal disco misterioso que eles analisavam. A sua capa havia varias pequenas fotos de quatro garotos fazendo caretas. E bem em cima dizia "The Beatles: A Hard Day's Night" e sobre a capa havia quatro assinaturas diferentes. Eu sorri e alcancei para o garoto.
- Vou levar esse também - avisei enquanto ele assentia. A garota suspirou de decepção ao lado e eu tive vontade de sorrir. O garoto colocou todos os discos em uma sacola com o slogan da loja e me entregou falando o valor total que dava. Segurei a sacola com uma mão e peguei minha carteira com outra, paguei para ele e voltei a guardar a carteira na bolsa. Virei para a garota que parecia meio triste e sorri.
- Toma - peguei o disco da sacola e entreguei em suas mãos. Ela me olhou apavorada, como se eu fosse uma louca ou algo assim.
- Mas você comprou - ela disse timidamente. O garoto prestava bastante atenção em nós duas agora.
- Eu sei - concordei - Já tenho esse na minha coleção - expliquei dando de ombros.
- Mas é autografado - argumentou ela analisando o disco que estava em suas mãos.
- Eu sei - gargalhei - O que eu tenho também é autografado, fique com ele - dei um pequeno empurrãozinho em suas mãos com o disco para perto de si mesma.
Sorri novamente e dei as costas para os dois que começaram a se falar animadamente. E então me lembrei de outra coisa. Virei para encará-los novamente e me pareceu que eles cogitaram a hipótese de eu ter mudado de ideia.
- Acredite nele garota, um dia algumas pessoas vão fazer de tudo pra ter um cd autografado dele - pisquei para ela sorri - Aliás garoto - virei para encará-lo - Ela te chamou de D.J, qual seu nome ? - perguntei curiosa.
- Dean Jackson - respondeu ele e corou logo em seguida. Eu concordei com a cabeça e gargalhei dando o fora da loja antes que ele pudesse achar que eu estava o cantando. Me senti de uma maneira muito mais leve, como se tivesse uma alma a mais com vaga garantida no céu. E eu sabia que essa alma seria a minha. Voltei ao segundo andar e encontrei se esbaldando em outra loja, mas dessa vez eu me sentia mais animada, então aproveitei e comprei algumas coisas nas lojas seguintes. Nem metade do que ela havia comprado, mas para mim aquilo era o suficiente. Passamos algumas horas assim, comprando roupas, sapatos, langerri, perfumes e comendo alguma bobagem. Quando ela avisou que eram quinze para o meio dia e que teríamos de ir para o restaurante. Meu coração deu um salto no peito e minhas mãos começaram a suar frio. Faltava quinze minutos para ver o meu amor.

Cap 09.

estava mais uma vez reclamando sobre o constante mau humor dos taxista. Estava argumentando veemente sobre o fato de que poderiam existir mulheres nessa profissão. Disse a ela que se realmente queria mulheres na profissão deveria começar uma associação a favor das taxistas. Obviamente falei ironicamente, mas ela realmente gostou da ideia. Gargalhei com os prováveis nomes que ela estava dando a entidade.
O restaurante que ela havia escolhido não estava muito cheio. Havia algumas pessoas almoçando, era um lugar simples, porém aconchegante. Ali sentados em uma mesa afastada e com alguns caras mal encarados por perto, estavam três garotos rindo de alguma coisa. Mas tinha alguma coisa errada, havia apenas três garotos, um loiro, um ruivo e outro moreno. Não havia dois loiros, estava faltando alguém. Senti uma pontada no peito, mas me encaminhei junto de para a mesa em questão.
- Qual é a graça? - ela perguntou encarando individualmente cada um dos três garotos com um sorriso besta no rosto.
- Danny estava contando uma piada muito ridícula e então... - Tom sorriu puxando para perto dele dando uma risada estranha.
- Cadê o Dougie? - interrompi a continuação da explicação de Tom, todos se entreolharam e Harry pigarreou baixinho virando para o lado. Danny sorriu abertamente.
- Teve de ficar na gravadora - explicou sorrindo. Tinha alguma coisa errada naquilo tudo, eu podia sentir que havia alguma coisa errada. Mas eu não estava com vontade de saber. Dei de ombros e sentei ao lado de Danny e respirei fundo.
- Então, qual era a piada mesmo? - me senti constrangida, todos estavam me encarando aquilo era mais estranho ainda. Porque parecia que apenas e eu não sabíamos de alguma coisa, talvez ela também tenha percebido já que lançou um olhar nada típico para Tom. Ele sorriu fraco ao perceber seu olhar e tentou rapidamente mudar de assunto contando a super piada, nada engraçada, que Danny havia contado. E assim emendaram uma conversa sobre as melhores e as piores piadas que cada um já tinha ouvido, interrompendo a mesma apenas para fazer os pedidos e retornando depois de feito.
Me senti deslocada, não conseguia participar da conversa, alguma coisa estava me bloqueando e eu não parecia ser a única a me sentir bloqueada. Danny estava em silêncio parecia um pouco pensativo e envergonhado ao mesmo tempo. Me perguntei porque daquilo, mas não ousei a pronunciar a pergunta em voz alta. Ele me olhou e sorriu voltando-se completamente para mim.
- Então, o que tem nessas sacolas? - ele encarou as sacolas que estavam no chão ao lado da cadeira. As encarei e dei de ombros.
- Discos - respondi com desdém, o encarei e suspirei - Discos, roupas e mais algumas coisas - completei a resposta sorrindo.
- Você ainda coleciona? - ele parecia impressionado - Caramba, achei que fosse uma mania de adolescente - e riu com o próprio comentário.
- Você tocava porque era uma mania de adolescente? - perguntei um pouco rude demais. Mas talvez ele não tenha percebido.
- Não - respondeu simplesmente dando de ombros - Só achei que...
- Então - interrompi mais rude do que pretendia. Ele me encarou por alguns segundos e então deu de ombros de uma maneira pesada.
- Eu não quis sabe... Desculpe - e então virou para prestar atenção na conversa animada dos outros componentes da mesa. Eu o encarei em silêncio um tempo, não conseguia deixar ele ficar chateado comigo, não novamente.
- Me desculpa, não devia ter descontado as coisas em você - falei rapidamente antes que perdesse a coragem de pedir desculpas. Era uma coisa difícil para mim, sempre foi. Ele me olhou de uma maneira muito estranha, como se estivesse tentando entender toda uma situação complexa. Como se quisesse me falar alguma coisa e estivesse se segurando, se repreendendo. Era definitivamente estranho e então assentiu voltando a virar-se. Não queria forçar as coisas com ele, não queria irritá-lo ou alguma coisa do tipo. Voltei minha atenção para a conversa animada dos guys e .
- Descolei umas entradas para a Maddox - Harry falou todo animado - Para este fim de semana, antes da turnê - explicou muito rapidamente, como se aquilo não tivesse realmente importância. Como se todos presentes soubessem da turnê.
- Turnê? - perguntei meio deslocada, provavelmente eu era a única a não saber que eles sairiam de turnê - Aonde? - complementei.
- É turné, pela Espanha - respondeu Danny dando de ombros como se não importasse muito. Assenti em silêncio e fiquei pensando, eu teria só mais três dias para aproveitar com Dougie, mais três dias para tê-lo perto de mim até ele voltar dos shows.
- Mas a Maddox não é muito cara e tal? - perguntou arqueando uma sobrancelha - Não sei se quero ir - ela ficou pensativa.
- Tenho certeza que vai pirar - dei uma risadinha baixa. Que ela realmente iria adorar ir a tal boate era verdade, até mesmo na Califórnia todos sabiam que a Maddox era uma boate exclusiva, que por exemplo, a Paris Hilton já frequentou e também o nosso amado príncipe Harry. Obviamente era a boate mais cara da região ou até mesmo do país.
- Então - Harry pigarreou alto assim que o assunto foi parar em - Todos vamos, certo? - ele sorriu abertamente parecendo realmente animado com a programação.
- Por mim tudo bem - Tom e Danny falaram ao mesmo tempo me fazendo sorrir.
- Tanto faz - dei de ombros encarando que ainda estava pensativa. Ela deu de ombros e sorriu concordando silenciosamente.
- Não sei se tenho roupa - falou em um tom meio preocupado. Gargalhadas despertaram o seu interesse e assim ela ficou encarando Tom com a cara fechada.
- E todas essas sacolas, pra que servem? - ele perguntou encarando as variadas sacolas de . Ela franziu o cenho e continuou a o encarar seriamente. Talvez ele tenha percebido que havia perigo por perto e então ficou em silêncio baixando a cabeça de uma maneira hilária.
- Thomas, querido - ela riu fraquinho - Me preocupo muito com a roupa, imagina se encontro o meu príncipe Harry por lá? Tenho de estar arrasando para conquistá-lo - seu sorrisinho de deboche era realmente sarcástico. Tom a encarou sério e então deu de ombros e revidou.
- Você tem razão, posso encontrar a Paris Hilton por lá ou quem sabe não dou sorte e não encontro a Emma Watson, né - seu tom de voz também era irônico e com um tanto de apreciação quando falou no nome da Emma. Era realmente incrível ver os dois brigando desse jeito. Não era bem uma briga, mas sim uma provocação de ciúmes. Danny tinha um sorriso divertido no rosto enquanto Harry revirava os olhos com desdém, como se aquilo fosse muito meloso e tudo mais.
- É verdade, Emma é melhor do que eu, na verdade não sei nem o que você faz ainda comigo - o sorriso desapareceu do rosto dela, agora a coisa estava se tornando pessoal.
- Digo o mesmo a respeito do seu príncipe - o sorriso de Tom também desapareceu rapidamente. Me senti perdida no meio daquela troca de olhares fuziladores.
- Seu grande idiota! O único príncipe que eu queria é você - ela falou brava. E então respirou fundo e virou-se para me encarar - Perdi o apetite se você quiser ficar ótimo, mas eu estou indo embora - antes mesmo de eu responder Tom levantou-se junto com ela.
- Você não vai embora - ele disse alto o suficiente para algumas pessoas escutarem, aquilo já estava me deixando encabulada.
- Porque eu não iria? - ela perguntou desafiadora.
- Porque eu te amo - ele respondeu simplesmente dando de ombros. Um sorriso iluminador apareceu no rosto dela e um buraco enorme no meu peito e estomago. E eu não era a única a parecer se sentir assim, Danny estava meio pálido e nervoso, como se aquilo também o afetasse. Balancei a cabeça disfarçadamente e respirei fundo para tirar aquela sensação completamente estranha de dentro de mim. Ele me olhou e sorriu fraco como se tivesse percebido a mesma coisa que eu. voltou a sentar-se e rapidamente o garçom chegou com nossos pedidos, aquilo realmente me salvou. Porque de certa forma isso impedia o casal de ficar em um momento romântico prolongado. Todos nós comemos em silêncio até Harry resolver quebrá-lo.
- Então, beleza! Nós vamos a Maddox - ele sorriu abertamente enquanto comia o que rendeu vários grunhidos de raiva e nojo. Deu de ombros e voltou a comer rapidamente.
Encarei meus raviólis e senti o estomago embrulhar. Não estava com fome, dei uma revirada no prato com o garfo e desisti tomando um longo gole do meu suco natural de laranja. Esperei que todos comessem para finalmente falar o que estava se passando por minha cabeça. - Será que vou incomodar se der uma passadinha pela gravadora? - perguntei sorrindo e encarando cada careta em cada rosto dos garotos. Eles não pareciam aprovar muito a ideia. Na verdade pareciam reprová-la.
- Não, eu acho melhor não. Nós estamos trabalhando lá - Danny falou apressado, tão apressado que foi realmente difícil entender o que ele tinha acabado de falar. Tom e Harry concordaram com a cabeça tomando sincronizadamente um gole de seus refrigerantes.
- É você pode desconcentrar o dude - Harry concordou com um sorriso. Eu encarei cada um deles cuidadosamente e muito desconfiada.
- Tudo bem - concordei. Se eles estavam falando que eu realmente não podia ir lá, algum motivo eles tinham. E se eles consideravam que a gravadora era um lugar apenas de trabalho, não seria eu que iria discordar. Aquele almoço já estava demorando demais. Minha cabeça latejava como se um sino tocasse dentro dela a cada cinco segundos. Eu realmente não estava me sentindo bem, agora se eu parassem para analisar todo meu corpo doía e aquela dor não parecia estar ali a algumas horas atrás. Quando finalmente terminamos de almoçar e se despediu muito carinhosamente de Tom, seguimos para casa assim que aleguei não estar me sentindo bem e os garotos para a gravadora.
ficou em silêncio, talvez por respeitar minha dor de cabeça ou porque estava pensando em alguma coisa que a estava incomodando. Ela me deixou em frente ao prédio e disse que já voltaria. Eu concordei em silêncio e entrei prédio adentro com um pouco de pressa para me jogar na minha cama. Dividi o elevador com uma velhinha que morava no quinto andar e a observei me encarar como se tivesse acabado de ver uma assombração. Ignorei os olhares e o meu reflexo no espelho. Assim que o elevador parou no meu andar e deu passagem eu saí apressada abrindo a porta do apartamento e me deparando com a televisão ligada e uma dormindo em cima do sofá. Não quis acordá-la então caminhei na ponta dos pés até chegar ao meu quarto. A cama estava bagunçada. Dei uma ajeitada rápida e tirei os tênis me jogando sobre ela e me tapando até esconder quase todo o rosto. Havia esfriado um pouco e eu não havia percebido. Tremi de frio até minhas cobertas finalmente esquentarem e me deixarem confortável. Meu corpo amoleceu e cai na escuridão do meu sono.

Eu estava me sentindo quente de uma maneira doentia. Alguma coisa gelada tocou meu rosto e então abri os olhos rapidamente para saber o que seria essa tal coisa. Um par de olhos azuis me encararam. Tinham um brilho, uma luminosidade que eu não conseguia decifrar. Mas não eram os olhos que eu gostaria de ver. Não eram aqueles que eu podia jurar que viam minha alma. Não era os olhos de Dougie, mas sim os de Danny.
- Hey - cumprimentei rouca. Nesse momento senti minha garganta arder um pouco e notei que minha voz estava mais fraca. Uma gripe ou resfriado era tudo que eu não precisava no momento. Ele me olhou e sorriu abertamente. O que ele estava fazendo aqui? Isso eu teria de descobrir com o próprio.
- Hey - ele respondeu de uma maneira suave e rouca. Soou como uma melodia, como se ele estivesse olhando para a coisa mais delicada do mundo, como se ele estivesse falando em um ambiente de cristais delicadíssimos. Eu me sentei na cama rapidamente e continuei o encarando fixamente. Vestia a mesma roupa de meio dia e tinha alguma coisa nos seus olhos que ele não queria que eu percebesse. Algo que ele estava me escondendo.
- Faz tempo que você está aí? - procurei ao meu redor algo que pudesse me indicar as horas. O relógio da cabeceira marcava sete horas e três minutos da noite. Mas aquilo era impossível, como eu havia dormido tanto? Me senti mais doente ainda.
- Uma hora, mais ou menos - ele deu de ombros como se aquilo não importasse muito.
- Uma hora? Porque você não me acordou Danny? - respirei fundo passando a mão pelo meu rosto suado. Definitivamente eu estava com um começo de resfriado. Tirei as cobertas de cima de mim e levantei indo em direção ao banheiro, mas aguardando a sua resposta.
- Você estava dormindo, parecia tão cansada. Não quis te acordar - ele respondeu.
Não pude ver sua reação ou maneira de falar, não pude notar sua expressão. Passei uma água gelada pelo meu rosto e nuca e sequei com a toalha fofa que estava ao lado da enorme pia de mármore. Me virei para encará-lo por entre a porta do banheiro. Ele estava atirado de costas na cama e encarando o teto. Dei de ombros e escovei meus dentes rapidamente para voltar ao quarto.
- Cadê o Dougie? - perguntei assim que passei pela porta do banheiro. Não senti o olhar de Danny sobre mim, mas senti seu peito falhar uma respiração por um momento e então voltar ao ritmo normal. Tinha alguma coisa errada. Ele e todos os outros guys estavam me escondendo alguma coisa e agora eu queria saber. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse, eu iria arrancar isso dele. Eu saberia o que estava incomodando a todos.
- Huh? Não escutei Danny - falei sarcástica me jogando na cama e cruzando as pernas em cima da mesma. Ele virou o rosto para mim e deu de ombros voltando a desviar o olhar.
- Daniel Alan David Jones - falei seu nome por completo. Agora talvez ele percebesse que teria de falar o que estava acontecendo de qualquer maneira.
- Ops, você falou todo meu nome. É melhor eu ir embora - ele me olhou preocupado e se sentou rapidamente na cama. Estava pronto para levantar, até que eu encostei no seu braço rapidamente o avisando que não era para dar mais nenhum passo.
- Fale logo, de uma vez - minhas palavras soaram lentas e um pouco rudes. Não queria realmente forçar ele a falar, mas se esse fosse o caso, eu o faria.
- Eu não tenho nada para te falar, não é comigo que você tem de discutir o sumiço do Poynter - duas coisas denunciaram Danny. Primeiro de tudo foi o fato do tom de voz dele ter saído muito mais rude do que ele usaria normalmente comigo. O segundo fato foi que ele chamou Dougie, melhor amigo de banda pelo sobrenome. Aquilo explicava muita coisa. Muita coisa que talvez eu não devesse ter ido atrás. Mas alguma coisa dentro de mim já deveria saber. Não conseguia sentir nada. Eu não estava sentindo nada além da mais pura raiva e decepção. Aquilo havia passado dos limites, desisti oficialmente daquilo.
- DANIEL JONES! - entrou gritando no meu quarto. Ela realmente conseguiu me assustar. Nunca em hipótese alguma você a veria pronunciar o nome e o sobrenome de uma pessoa na mesma frase a não ser que ela realmente a odiasse. Ou então estive realmente magoada ou decepcionada com a mesma.
- Se você não contar para ela, conto eu! - uma aura de raiva parecia sair de dentro dela. Como se tivesse uma barreira que mantinha qualquer um afastado. Era realmente aterrorizante. Danny me olhou pedindo um socorro explícito com o olhar, mas eu não podia fazer nada. Porque na verdade eu não sabia o que estava acontecendo.
- Você falou meu sobrenome - ele parecia mais assustado ainda, olhando de mim para ela consecutivamente - Eu não sei o que você está me mandando contar para ela - respondeu dando de ombros, mas de uma maneira encabulada. Como se estivesse pronto para ser espancado até a morte. Eu tive vontade de rir. Qualquer pessoa poderia perguntar como eu estava reagindo tão bem sabendo que Dougie tinha brincado comigo daquela forma. Eu tinha uma resposta simples: Você não pode sentir seu coração se quebrar, depois que ele não existe mais. Muito mais simples que isso impossível. Eu estava me sentindo fria e um tanto quanto vazia. Mas isso era tudo, não havia dor em mim, não no momento.
- Sobre o retardado do Poynter, você sabe muito bem do que estou falando - ela continuou assim que respirou fundo. Eu sorri debochada e a encarei.
- Está atrasada , esta história eu já conheço - dei de ombros me deitando na cama novamente e tapando toda minha cabeça. Era bom saber que ninguém estava me vendo, era bom saber que tudo não passou de uma brincadeira. Porque era isso que as pessoas costumavam fazer comigo, brincar. Como se eu realmente fosse um brinquedo estúpido. Porque isso sempre acontecia era realmente um mistério. Talvez eu atraísse esse tipo de coisas. Mas o que mais me deixava com raiva, era saber que foi ele que brincou comigo. Que foi ele que me fez perder os últimos vestígios de um coração. Agora eu sabia que só existia a sombra dele ali. Agora eu tinha colocado na minha mente que aquilo teria troco. Que de uma forma ou de outra, ele iria se arrepender disso. E havia apenas mais uma coisa que eu tinha certeza: Aquele não era mais o homem pelo qual eu me apaixonei.
Senti uma lágrima solitária percorrer meu rosto. O cômodo estava em silêncio, talvez eles estivessem na duvida entre falar alguma coisa e piorar as coisas ou me deixar em paz por algum tempo. Minutos depois a porta do quarto se abriu e fechou rapidamente e assim eu fiquei em paz. Outras lágrimas escorreram por meus olhos para fazer companhia a primeira.

Cap 10.

Danny POV

Quando eu terminei de falar, alguma coisa ficou errada na sua expressão. Tinha algo nos seus olhos que eu não gostava. Algo que diferenciava aquele olhar que eu sempre amei. Eu só conseguia me perguntar como um idiota conseguia ser tão idiota ao ponto de quebrar mais uma vez o coração dessa pequena garota. Dessa linda e amável pequena garota. Será que esse otário não se tocava do que fazia. Com ela e ao mesmo tempo comigo. Algumas coisas tinham de ser deixadas claras. Ele não foi o único imbecil que sofreu demasiadamente quando ela partiu, não foi o único que se sentiu totalmente vazio. Eu me sentia assim a anos, desde que ela entregou o seu coração para Dougie Poynter. Desde que ele começou a ser a parte mais importante da vida dela. Mas eu não era assim, nem por isso eu me vinguei ou fiz algo para magoá-la. Aguentei isso dentro de mim por anos. Eu até me sentia melhor quando a via feliz, mas dessa maneira? Totalmente despedaçada por ele? A minha única vontade era de quebrar cada pedacinho da cara dele. Mesmo ele sendo meu melhor amigo o que piora gradativamente as coisas. Mas no way, eu não ia a deixar sentir-se assim. me acompanhou até a sala aonde assistia televisão enrolada em um cobertor. Parecia com uma cara de doente e nos encarou quando adentramos na sala.
- Aquele idiota, o que ele pensa que está fazendo com a minha amiga? Vou quebrar ele quando o ver, ah! Vou sim - esbravejava de um jeito engraçado.
Mesmo assim não conseguia me concentrar nessa porra toda. A única coisa que eu conseguia concentrar e sentir era aquela raiva crescendo compulsivamente dentro de mim. Me joguei na poltrona e fiquei ali. Eu esperaria dias se fossem preciso, mas quando ela saísse do quarto eu estaria ali por ela. As coisas com Dougie eu podia resolver outra hora.
- O que aconteceu? Perdi algo? - falou me encarando. Me encarando, porque ela não poderia encarar , tenho certeza que ela gostaria muito de insultar mais um pouco o Poynter e eu não me importaria nenhum pouco com isso. Não estava muito afim de responder então apenas dei e ombros e a observei me lancar uma bela careta de desaprovação, provavelmente ela estava me insultando mentalmente. Então virou-se para que respirou fundo e explicou o que estava acontecendo. A chuva que tinha começado a cair a algum tempo atrás começou a se intensificar. O vento ricocheteava nas janelas fazendo um barulho estranho, os relâmpagos iluminando parcialmente a sala e o barulho da chuva e de momentos em momentos os trovões. Com o passar do tempo a chuva foi começando a ficar pior, os relâmpagos e trovões mais frequentes e o vento mais violento. Eu sabia que estava previsto uma tempestade para essa noite, havia visto alguém comentar isso lá na gravadora, só não conseguia lembrar quem. Mas de qualquer jeito, eu não me importava com a chuva, nenhum pouco. Mas por fim acabou faltando luz e ficamos no completo escuro. e se abraçaram e deram um gritinho de medo que me fez revirar os olhos. Medo, tinha alguma coisa que eu estava esquecendo sobre isso. Eu tinha de lembrar, eu tinha de conseguir lembrar. Se você esquece não é realmente importante, é o que dizem. Eu apenas sabia que isso era importante.
- Droga, eu odeio quando o tempo fica assim - murmurou para que concordou com um gemido. Essas palavras despertaram alguma coisa que estava perdida dentro de mim, alguma coisa que eu a muito tempo não deixava aflorar. Lembranças.

Flahsback on.
Já havia procurado por em todos os canto de sua casa. Ela não estava, mas o problema é que a porta estava aberta. As janelas pareciam que não iam resistir ao vento forte da tempestade. Aonde ela havia se metido, eu precisava falar com ela.
Então um gemido alto me despertou dos pensamentos que estava tendo. A porta do closet do seu quarto estava entreaberta. E eu podia ouvir os soluços de um choro. Empurrei rapidamente a porta e entrei acendendo a luz ao passar. estava lá, encolhida contra a parede, as roupas nos seus cabides a escondiam. Ela abraçava os joelhos com força e havia muitas lágrimas em seu rosto. Havia esquecido disso, seu pavor por tempestades. Seu desespero estava estampado no seu rosto. Me apressei a abraçá-la. Depositei um beijo no topo da sua cabeça e fiz um som para que ela se acalmasse.
- Calma, a chuva vai passar - murmurei no seu ouvido. Ela negou com a cabeça e soluçou.
- Eu odeio esse tempo - a sua voz parecia um sussurro sem forças. Fechei os olhos e fiquei sentindo-a perto de mim daquela forma. Eu odiava vê-la daquela forma, eu odiava saber que ela estava com medo e não sabia como acalmá-la.
- Don't you cry tonight - cantei baixinho para que só ela escutasse - I still love you baby, don't you cry tonight, don't you cry tonight, there's a heaven above you baby and don't you cry tonight* - não importava se minha voz estava soando bem ou não, eu queria apenas que ela se acalmasse. Os trovões continuavam soando alto lá fora, mas agora nesse momento as coisas pareciam mais calmas. Ela me olhou e sorriu de uma forma simples, então afundou seu rosto no meu peito e ficou ali quieta. Eu sorri e me acomodei no chão para ficar com ela até o seu medo passar.
* = Não chore esta noite, eu ainda amo você querida, não chore esta noite, não chore esta noite. Há um paraiso acima de você e não chore esta noite.

Flashback off.


Era isso, eu sabia o que havia esquecido. E realmente era importante. Levantei apressado e sai tropeçando pelo escuro. Tateei a primeira porta do lado esquerdo do corredor e a abri rapidamente. O quarto não estava totalmente escuro. Ela estava lá, agarrada em um travesseiro e com o rosto completamente molhado por lágrimas. Eu andei até ela e sentei na beira da cama a envolvendo em um abraço apertado.
- Hey, tudo bem! A chuva já vai passar - sussurrei em seu ouvido. Ela assentiu com a cabeça silenciosamente. Passei a mão por seu cabelo e respirei fundo o seu perfume. Alguma coisa estava me incomodando. O seu perfume me embriagava, a sua dor tomava conta de mim. Doía saber que ela nunca saberia o quanto a amo e o quanto eu a amaria para o resto da vida. Era terrível saber que o seu coração despedaçado ainda continuava a bater por alguém que a decepcionava tanto. Mas sempre foi assim, ele quebrava seu coração e eu ia lá tentar remendá-lo com o pouco do meu amor que ela aceitava receber. Eu sempre dei tudo de mim para ela e esperei pacientemente pelo pouco que ela podia me dar. Nunca reclamaria disso, ao mesmo eu poderia tê-la por perto novamente. O meu inferno particular foi quando ela sumiu e pediu para que ninguém fosse visitá-la ou entrasse em contato. Eu tentei, desobedeci a seu pedido e tentei varias vezes entrar em contato. Mas por um longo tempo ela não respondeu. E agora que ela estava de volta, eu me sentia um pouquinho mais vivo. Havia um pouco mais de felicidade para ser apreciada.
- Promete ficar comigo para sempre?- ela me assustou com essa pergunta. Eu sabia o que ela significava. Melhores amigos para todo o sempre. Eu me contentaria com isso. Eu definitivamente não ia pedir mais dela. Esse era o pouco que ela podia me dar então receberia de bom grado.
- Para sempre. - respondi respirando fundo no escuro. Eu esperava que ela não pudesse ver meus olhos perfeitamente, eu esperava que ela não notasse o quanto ele estava embargado de lágrimas. Sorri para mim mesmo. Ela olhou para cima ainda com lágrimas nos olhos e eu pude contemplar mais uma vez aqueles enormes olhos castanhos. Que mesmo com dor e indiferença, ainda eram meus olhos favoritos. Ainda conseguiam passar sinceridade e luminosidade para os outros. A luz voltou assim que a chuva acalmou, ela me olhou fazendo-me desviar o olhar rapidamente.
- Viu, eu disse que ia passar logo - sorri depositando um beijo no topo da sua cabeça.
- Obrigada - ela sorriu afundando o seu rosto mais ainda no meu peito. Ela puxou a coberta e só então percebi que seu rosto estava realmente quente e que seu rosto estava um pouco suado. Ela estava com febre.
- Você está quente - comentei baixinho só para ela. me olhou e sorriu mais ainda, como se tivesse alguma coisa de bonito no que acabei de falar - Espera aqui, eu já volto - me apressei a deixar o quarto. provavelmente deveria de ter algum termômetro ou algum medicamento. e ela estavam na sala conversando sobre alguma coisa, realmente entretidas.
- Hey ! - chamei ela em voz alta para que escutasse - Você tem termômetro ? - perguntei passando a mão pelos cabelos tentando bagunçá-los.
- Termômetro? - ela perguntou sem entender - Tenho, mas pra que você quer? - continuou com as perguntas. Eu suspirei.
- Acho que a está queimando em febre - expliquei. O olhar que ela me lançou foi do tipo "eu-já-sei-a-causa-da-febre" e então levantou me puxando pelo braço de volta para o corredor. Ela entrou em uma porta logo depois do quarto de , aonde era um banheiro. Procurou pelos armários até encontrar uma nécessaire com alguns medicamentos e coisas do tipo. Revirou a mesma e puxou o termômetro de dentro.
- Aqui - ela entregou para mim dando um sorriso de canto de boca. Eu concordei em silêncio e voltei ao quarto aonde estava dormindo novamente. Havia sido questão de um minuto no máximo para que ela adormecesse novamente. Havia brotado mais um pouco de suor em seu rosto. Me aproximei com calma e tentei colocar o medidor em seu braço sem fazer com que ela se acordasse. Ela se revirou na cama e começou a murmurar algumas coisas sem sentindo.
Ela repetia consecutivamente as mesmas palavras, eu sentia alguma coisa tomar conta de mim. Era uma coisa forte e que me machucava de dentro para fora. Ela continuava a repetir "eu preciso" e então logo em seguida ela falava "Dougie". Aquilo não era nada reconfortante, mas eu não me importava. Já havia me acostumado com aquilo. Tirei o termômetro com a certeza que ela não acordaria. Olhei para o mesmo que marcava trinta e nove graus de febre. Não era uma coisa realmente terrível, mas não era bom também. Fui acordado de meus pensamentos por uma voz familiar.
- Quanto? - perguntou. Ela estava escorada perto da porta me olhando de um jeito estranho, de um jeito que eu não conseguia decifrar. Não era raiva, não era simpatia, era compreensão. Não havia como ela me entender, às vezes eu pensava que ninguém entenderia. Olhei novamente para o medidor e respondi.
- 39 - minha voz soou fraca. Ela fez uma careta e respirou fundo - Talvez seja bom dar algum medicamento para ela - levantei da cama para buscar o que fosse preciso.
- Não - me impediu na porta colocando uma mão no meu peito - Vá embora Danny, você não pode aguentar a madrugada toda - o contato com os olhos dela me passavam paz. Talvez fosse isso que tivesse encantado Tom, talvez essa sua maneira de tentar compreender todas as pessoas, essa sua maneira que tenha o feito se apaixonar. Talvez por isso todo mundo que conhecia ela, não tinha como não gostar. Era estranho sentir aquela paz momentânea, mais do que estranho. Mas talvez aquilo fosse causado pela confusão de sentimentos que estava dentro de mim naquele momento. Parecia que a qualquer momento um deles ia me fazer explodir. Era muita coisa, em pouco tempo se passando dentro da minha cabeça. Eu me sentia mais doente do que talvez estivesse.
- Não posso, eu tenho de ficar com ela - respirei fundo, encarei por mais um momento então apenas assenti. Não sabia se seria bom para eu passar a noite com ela. Tinha certeza que no momento, não seria. Dei mais um passo e então olhei para trás e fiquei a olhando deitada naquela cama. Ainda estava vestida e também estava de tênis. Pressionei os olhos contra a cabeça e saí andando, esbarrei em no corredor e passei direto por todos os cômodos. Atravessei a sala em alguns passos e quando finalmente dei por mim, estava dentro do meu carro dirigindo para Deus sabe aonde. Mas não era para casa.

Danny Off.

Não sabia exatamente o que estava acontecendo, sabia apenas que havia alguma coisa errada. Eu não estava dormindo, mas me sentia como se estivesse. Conhecia aquela sensação estranha, sabia exatamente o que estava acontecendo. Mais uma crise nervosa, sabia também que eu podia "acordar" quando eu quisesse. Eu odiava com todas as minhas forças essas reações idiotas e patéticas que eu tinha. Se eu me sentisse muito nervosa eu desmaiava ou então tinha esses pequenos colapsos. Como podia existir uma pessoa tão vulnerável era a minha pergunta principal. Isso era muito pateticamente errado.
- Vamos lá - me balançou com força. Abri meus olhos lentamente e respirei fundo, estava frio e ao mesmo tempo calor. Não gostava daquela sensação. A chuva havia realmente parado. Isso realmente ajudava muito. A encarei e então tentei sorrir, mas não consegui. me olhou e retribuiu o sorriso passando a mão pelos meus cabelos que por algum motivo estavam molhados.
- Você precisa tomar um banho - ela falou baixinho para que somente eu escutasse. Concordei com a cabeça e me levantei sentindo dor em todo o meu corpo. Meus pés estavam doendo, então lembrei que não havia tirado os tênis quando deitei, porque eu era terrivelmente idiota. A primeira coisa que fiz foi arrancar aqueles calçados dos pés e então me levantei, sentindo-me um pouco zonza. estava escorada na pia do banheiro me encarando, ela sorriu e eu retribui com um sorriso fraco. Entrei no banheiro e ela passou me dando passagem e encostando a porta ao passar. Tirei toda minha roupa e liguei o chuveiro. A água provavelmente estava fria, já que não esperaria para que o mesmo esquentasse. Quando a água finalmente entrou em contato com meu corpo, pareci realmente despertar. Minha cabeça doía compulsivamente, como se tivesse um sino dentro dela. Minhas costas também doíam e parecia que meu corpo pesava uma tonelada. Tomei meu banho demoradamente, talvez o banho mais longo da minha vida. Aproveitei a água o máximo que pude, deixei todos os meus pensamentos escorrerem ralo abaixo. Deixei minha mente limpa, vazia, completamente adormecida. Então desliguei o chuveiro e me enrolei em uma toalha limpa. Saí do box do chuveiro e andei descalça até o enorme espelho na parede. Passei a mão pelo mesmo para desembaraçá-lo, minha imagem refletiu mais nitidamente me fazendo sentir-me pior ainda. Eu estava péssima, meus olhos estavam vermelhos e minha aparência estava cansada. Abri a primeira gaveta e peguei duas coisas. Algodão e removedor de maquiagem. Todo aquele rímel havia borrado com o choro e piorado com a água do chuveiro. Limpei minha pele rapidamente com o algodão molhado no produto e então saí do banheiro. e estavam trocando a minha cama. Elas colocaram lençóis limpos e estenderam as cobertas necessárias. Passei reto por elas indo direto para o closet. Peguei a primeira langerri que apareceu, ela era estampada de oncinha, rosa forte. Uma das minhas prediletas, ninguém iria realmente ver a minha langerri, mas isso não importava. Peguei um short de pijama e uma baby look velhinha que eu adorava para dormir. Ela era azul e tinha o desenho de um smurf na frente. Passei a toalha pelos cabelos em uma tentativa de secá-los. Eu ainda me sentia cansada, mas não havia sono. Voltei ao quarto e encarei as duas garotas que estavam sentadas na minha cama.
- Supernatural, com aquele gato do Jensen - riu baixinho. - Do Misha/Jared - eu e completamos juntas, cada um com seu favorito. Misha Collins era o homem mais gato do mundo ao meu ver. Aquele jeito dele me seduzia total. Era bom ter pensamentos leves assim, eu me sentia melhor de ter esses pensamentos, de parar de realmente pensar um pouco - Ou Friends? - ela perguntou abanando alguns DVD'S com as mão.
- Supernatural! - concordamos as três juntas. Não que Friends não fosse um ótimo seriado, eu realmente amava também, mas qualquer tipo de romance pelo ar não iria cair bem no momento. Então Supernatural era perfeito. Você não veria essas coisas e ainda poderia dar umas boas risadas ou então ficar tensa com o suspense. Provavelmente ficaria com medo, mas logo passaria.
- Vou só secar o cabelo - passei os dedos pelos mesmo tentando desfazer os nós. Andei até o banheiro novamente e peguei a escova de cabelos que estava sobre a pia. Penteei os cabelos e sequei mal e porcamente com o secador. Dei de ombros encarando o resultado final no espelho e dei as costas para o mesmo ignorando totalmente aquilo. Elas estavam atiradas sobre a minha cama (que era de casal) e segurava um copo de água junto com uma mão estendida aonde encontrava-se um comprimido comprido e branquinho.
- Pra que isso? - perguntei ao me sentar na cama. Ela arqueou uma sobrancelha e sorriu.
- Apenas pegue e tome - aquilo me soou como uma ordem. Dei de ombros mais uma vez e peguei os mesmo, coloquei o comprimido na boca e tomei um gole de água engolindo aquele remédio que deixou um pouco do gosto amargo. Tomei outro gole de água e deixei o copo sobre o criado mudo, me tapei e me ajeitei melhor. deu play com o controle remoto e então escutamos um "The road so far" (A estrada até aqui) seguidos de um rock antigo e algumas cenas de retrospectiva. Aquela era a quarta temporada do seriado, eu poderia reconhecer até mesmo a música de cada episodio. Eu era absolutamente fã da série. Me concentrei em cada detalhe do episodio.

"Estava ensolarado, era um dia raro e perfeito em Londres. Mas mesmo assim eu me sentia perdida. Levantei da cama e pude notar que eu estava vestida, caminhei pelo apartamento em busca de alguém que pudesse me explicar esse total silêncio. Não havia ninguém. Olhei pela janela a procura de algum motivo e não encontrei absolutamente nada. Não havia ninguém ou qualquer coisa que fosse na rua. Meu coração entrou em pânico. Corri para fora do apartamento, o elevador não estava funcionando. O desespero começou a aumentar. Fui pelas escadas, desci apressada, sem tempo para respirar direito. Corri novamente pelo hall de entrada do prédio e não havia nada. As ruas estavam desertas, sem carros, sem pessoas, sem lojas abertas, sem turistas e sem os típicos ônibus. Não havia nada. Caminhei lentamente pela calçada a procura de qualquer coisa que fosse, a procura de um sinal de vida. Continuei a caminhar e caminhar por quase toda a cidade. E não encontrava nada. Não havia nada para mim, nada além do silêncio absoluto e de algum tipo de dor tomando conta de mim. Mas com a dor eu já estava acostumada, de certo modo. Quando minhas pernas já estavam cansadas e eu sabia que não aguentava mais, simplesmente parei.
- ! - escutei ao longe alguém me chamar. Ao mesmo tempo em que minhas pernas pararam, meu coração pareceu fazer a mesma coisa. Havia esperanças afinal? Eu não sabia.
- Dougie - sussurrei me virando rapidamente. Lá estava ele, como sempre. Com seus cabelos bagunçados, com suas roupas favoritas. Com o meu sorriso favorito nos lábios, me olhando como antigamente. Como ele costumava me olhar antes de eu partir. Era simplesmente perfeito, era como ver a luz em meio a escuridão. Como achar um anjo em um mundo das trevas. Era tudo que eu mais queria, achá-lo. E sempre soube disso, desde que notei que não havia mais ninguém. Ele tinha de existir, porque o meu mundo não existiria sem ele.
- Pequena - ele começou a caminhar lentamente até mim - Eu te procurei por todos os cantos - parou na minha frente e colocou as mãos gélidas no meu rosto - Senti tanto a sua falta, mas tanto - acariciou o meu rosto, me deixou com aquele sorriso idiota na boca.
- Eu... - ele colocou o indicador nos meus lábios para me silenciar.
- Senti tanto a sua falta, por um longo tempo - ele riu - Mas agora? Não, eu não sinto mais a sua falta - aquilo não era mais um riso, era uma espécie de gargalhada. Quando olhei novamente para Dougie, não era mais o mesmo. O cabelo tinha mudado, as roupas haviam mudado e o olhar não era nem de longe o meu olhar predileto. Aquele era o Dougie de agora. E eu não gostava, nada daquilo. Não havia nada de bom no que ele havia se tornado.
- Dougie... - murmurei me afastando lentamente, dois ou três passos para trás e fiquei o encarando por um tempo. Ele continuava ali me olhando daquela maneira.
- Sabe - começou ele - Eu realmente te amava, mas agora? Não - e riu - Não mais - ele se aproximou, me fazendo recuar - Você me deixou, me quebrou em pedaços e eu nunca consegui me recuperar totalmente, porque fiquei cheio de cicatrizes - ele estava falando de uma maneira fria, fazendo meus olhos arderem - Porque sabe, a maneira como você voltou e achou que eu ia realmente voltar pra você assim facilmente, que eu ia correr para os seus braços - ele arqueou uma sobrancelha - Foi patético. Você é patética com todo esse seu amor, com toda essa dor dentro de você. Com toda essa culpa - quando ele falou em culpa, sabia perfeitamente do que estava falando e não queria que ele continuasse.
- Porque você sabe que aquilo foi sua culpa. Ela não merecia ou merecia ? - ele gargalhou novamente - Não, acho que a pobre da Wendy não merecia. Você sabe que não. Ela poderia estar aqui não é? Seus filhos a amariam e o seu marido também. Poderia ir aos domingos visitar a mãe na clínica. Poderia uma vez por mês ir ao cemitério ver o pai. Mas não. - eu não aguentava mais ouvir. Não queria mais ouvir nada, meu rosto estava ensopado de lágrimas que escorriam diretamente para minha boca. Avancei contra Dougie e o empurrei e quando o fiz, ele simplesmente desapareceu e reapareceu do outro lado da rua.
- Porque eu não te amo mais, eu não sinto sua falta - ele repetia rindo feito um doente. Aquilo estava me assustando. Me sentei no chão e puxei as pernas contra o peito. Tapei os ouvidos e comecei a implorar para acordar daquele sonho. Porque a essa altura eu sabia perfeitamente que aquilo era um sonho. Acorda, acorda, acorda, ACORDA!
"

- Acorda ! - era a voz de . Ela estava me balançando e chamando meu nome. Abri os olhos e respirei fundo como se não respirasse a algum tempo. Eu estava cansada daquilo, cansada de toda aquela patética dor. Sentei na cama e fiquei encarando por um tempo uma apavorada e uma preocupada. Respirei fundo e passei a mão pelo rosto, ele estava molhado, limpei as lágrimas e as encarei novamente.
- Você estava sonhando - falou como se aquilo fosse me acalmar - Sabe, foi só um sonho, nada é verdade - ela continuou. Mas uma falha a denunciou. Verdade, ela deveria ter dito que nada era real, mas verdade? Havia alguma coisa ali.
- Verdade? - perguntei com minha voz rouca. Elas se entreolharam, encarei e depois fixamente, até que ela respirou fundo e começou a falar.
- Você estava falando perfeitamente enquanto dormia, escutamos tudo - explicou com um pouco de receio. Arqueei uma sobrancelha e ela respirou fundo novamente e voltou a falar - É tudo sua culpa, você sabe! Wendy não merecia, estaria aqui com filhos, marido, mãe na clinica, pai morto e blá blá - Ela cruzou os braços para me encarar.
- Sabe que não é verdade não é? Não é sua culpa - se apressou a falar assim que terminou de contar o que elas ouviram. - Nada foi sua culpa. - ela repetiu com ênfase. Como se aquilo fosse realmente me convencer. Nada do que elas falassem me convenceria daquilo.
- Eu não aguento mais - coloquei as pernas para fora da cama. Levantei com cuidado e calcei a minha pantufa. Andei até o closet e vesti um casaco comprido por cima, saí de lá rapidamente. Eu estava decidida a fazer uma coisa e iria fazer, não importava a hora.
- Aonde você vai? - e repetiam diversas vezes. Eu não ia responder, dei as costas para as duas e saí andando pelo apartamento. Não iria pegar um táxi a essa hora, porque segundo o relógio da cozinha eram 3:45 da manhã. Agarrei a chave do carro de e saí fechando a porta com um pouco mais de força necessário. Não peguei o elevador, porque ele me faria mudar de ideia. Elevadores sempre me fazem mudar de ideia. Não sabia o motivo certo disso, mas era verdade. Desci apressada todos os lances de escadas até chegar ao hall de entrada. Corri ele e empurrei a porta com força deixando ela meio que bater depois. Então lembrei que não ia pegar um táxi e voltei apressada para dentro do hall, fui para a escadaria novamente e desci mais três lances de escadas para chegar ao andar subterrâneo, onde ficava a garagem. O carro de estava lá, em meio a tantos outros carros. Desativei o alarme e entrei apressada, fechei a porta e não coloquei o cinto. Dei partida no carro e acelerei. Quando finalmente cheguei a rua, aproveite o pouquíssimo trânsito e ultrapassei o limite de velocidade. Eu sabia que em menos de cinco minutos iria chegar aonde queria. Esse era meu objetivo. Havia muitas coisas se passando na minha cabeça. Tinha uma maldita voizinha dizendo que eu estava errada e que ia me arrepender. Mas eu não estava errada, eu estava cansada, o que era totalmente diferente. Estacionei o carro de qualquer jeito e desembarquei. Qualquer um que me olhasse pensaria que eu sou doida e eu também achava que estava doida. Então que se fudesse tudo. Mas eu queria dizer realmente TUDO. Caminhei, ou melhor dizendo, marchei em direção aquela conhecida casa. Toquei a campainha três vezes seguidas. Esperei alguns minutos até escutar um barulho estranho, como se alguém tivesse rolado escada a baixo, então vozes e enfim um aviso: Eu tenho um taco de baseball e acredite, não tenho medo de usar! Na verdade meu sonho é usá-lo. Não havia como não rir, na verdade eu gargalhei e então respirei fundo para responder.
- Guarde o taco, sou eu... a - e bati na porta novamente para apressá-los. Ouvi o barulho de várias fechaduras se abrindo e então eles finalmente abriram a porta. Tom estava lá com o taco de baseball nas mãos, acompanhado de Harry e Dougie. Danny por mais incrível que parecesse não estava ali, mas ele já deveria ter chegado em casa. A preocupação tomou conta de mim por alguns momentos, até meu olhar cair sobre Dougie. Eu não queria entrar na casa, apenas falar e ir embora. Esse era meu grande plano.
- - eles falaram em coro. Eu sorri sinceramente para todos eles e então concordei respirando fundo.
- Olha a coisa vai ser rápida - encarei o chão, aonde havia um tapete com a seguinte frase: "Home, damn sweet home." - Bonito tapete - brinquei. Eles riram e então eu respirei fundo mais uma vez - Dougie pode vim aqui fora falar comigo um minuto? - pedi sem encará-lo. Ouvi-se ruídos e então uma porta se fechando. Eu não queria encará-lo, de maneira nenhuma, aquilo só dificultaria as coisas.
- Apenas escute, ok? - pedi olhando para todos os lados, menos para ele - Eu não quero isso, entende? Não quero nós dois, não mais. Não desse jeito. Eu quero você, quero mesmo. Mas nós? Não sei se pode existir um nós, novamente. Eu não aguento essa dor sabe? É complicado, você não vai entender. Mas, mesmo assim... quando você puder se entregar por completo, quando você puder me amar por completo novamente. Você vai saber aonde me procurar. Eu vou estar lá, te esperando. Mas lembre-se, apenas quando for por completo. Não me machuque mais - enfim o encarei. Ele estava com os braços cruzados e me olhava daquele jeito que eu não gostava.
- Tudo bem - ele concordou com um aceno de cabeça e estão suspirou. Sua respiração ficou pairando pelo ar, densa e branca. Eu concordei silenciosamente e então senti uma única e solitária lagrima escorrer pelo meu rosto. A última lágrima que sairia de meus olhos, por algum tempo. Eu sorri ao dar as costas para ele andar lentamente em direção ao carro. Aquilo iria se terminar. Tudo estava acabado. Não haveria mais tanta dor. Não haveria mais coração partido, porque não teria como o meu coração se partir mais. Agora existiria apenas a existência. Agora eu sentiria apenas o sentir. Não haveria tantas emoções. Era uma promessa. Dei uma ultima olhada para ele, antes de embarcar no carro e dar partida. Não olharia para trás outra vez. Eu estava certa, ele não me amava mais.

Cap 11.

'Cause I used to be a shell
Yeah, I let him rule my world, my world
But I woke up and grew strong
And I can still go on
And no one can take my pearl

Porque eu costumava ser um concha
Sim, eu deixava ele dominar o meu mundo, meu mundo
Mas acordei e cresceu forte
E eu ainda posso seguir em frente
E ninguém pode tomar minha pérola

- Você está bem, mesmo? - era talvez a quarta ou quinta vez que fazia a mesma pergunta. Estava realmente cansada de respondê-la. Porque era tão difícil acreditar que eu realmente estava bem? Que não havia mais nada de preocupante dentro de mim. Talvez fosse um pouquinho difícil de acreditar, mas mesmo assim, eu estava bem.
- Juro por tudo que é mais sagrado, que se você perguntar isso novamente eu vou te dar um soco - respondi rude, tomando mais um gole do meu café. Ela respirou fundo e escorou os cotovelos na mesa, segurou o rosto com as mãos e ficou me encarando.
- Ah! Qual é, vai ficar me olhando desse jeito por quanto tempo? - larguei a minha xícara na mesa e a encarei da mesma maneira que ela. revirou os olhos e bufou.
- , eu me preocupo com você, ok? - ela respirou profundamente - Queria apenas que você fosse sincera comigo - explicou. Aquilo me afetou, eu estava aqui omitindo os fatos enquanto ela estava apenas preocupada comigo. Eu havia me esquecido que esse era o jeito de . A maneira como ela sempre estava preocupada com todo mundo.
- Eu não estou bem. É isso que você queria ouvir? - encarei a minha fatia de bolo ao invés de encará-la - Mas vou ficar, eu juro que vou ficar - mordi o lábio inferior e respirei fundo.
- Tudo bem - ela concordou com a cabeça e então se jogou para trás na cadeira - Beleza então, você vai sair comigo hoje à tarde - ela riu baixinho.
- Nada de compras? - era a primeira coisa que eu queria saber, porque se fosse compras Deus sabe que eu enlouqueceria, duas vezes seguidas eu não aguentava.
- Nada de compras - negou ela - É algo melhor - a expressão no rosto me lembrava alguma coisa, como se ela estivesse com planos de aprontar algo. E se fosse para sair da linha por algum tempo eu estava dentro.
- Tudo bem - concordei rapidamente e ri para mim mesma - Agora me responde, cadê a ? - perguntei olhando ao redor como se fosse achá-la, ou como se ela fosse aparecer feito mágica na minha frente. Pensamentos idiotas, era apenas isso que eu estava tendo.
- Saiu de manhã cedo, não falou aonde ia - deu de ombros e levantou da cadeira - Vou me arrumar, você termina o café e faz a mesma coisa - ela apontou o dedo para mim, deixando bem claro que aquilo era uma ordem.
- Já terminei - Levantei da cadeira e acompanhando-a. Andamos em silêncio pelo corredor até que entrei no meu quarto e ela seguiu para o seu. Encostei a porta assim que entrei. Meu quarto estava escuro, as cortinas estavam fechadas e assim como as janelas. Andei lentamente até a janela e abri, puxando a cortina o máximo que eu podia. Estava um raro dia ensolarado lá fora e eu queria absorver todo o calor que eu conseguisse. Respirei fundo sentindo o ar nada puro da cidade. Sorri sozinha e fui direto para o banheiro. Já havia tomado banho, assim que amanheceu foi a primeira coisa que eu fiz. Depois que voltei da casa dos dudes, simplesmente não consegui dormir. Então fiquei acordada esperando o tempo passar. E de alguma maneira ele passou extremamente rápido. Era como se o universo estivesse cooperando comigo, o que de fato seria um milagre. Escovei os dentes novamente e fiquei me encarando no espelho. Abri a segunda gaveta da pia e peguei minha nécessaire de maquiagens. Me maquiei basicamente: um pouco de corretivo, um pouco de blush para dar uma corzinha, bastante rimel, um pouco de lápis marrom nos cantos externos do olho. E eu estava pronta. Passei um batom nude nos lábios, só para hidratá-los e guardei as coisas no lugar. Lavei as mãos e saí do banheiro indo direto para o closet. Eu sabia exatamente que roupa colocar: era um vestido jeans de manga comprida. Justo nos braços e até um pouco em baixo do busto aonde havia uma faixa larga que terminava em um grande laço atrás, então ficava soltinho e rodadinho. Vesti uma meia calça cor da pele e calcei as sapatilhas azul marinho. Peguei minha bolsa marrom comprida e coloquei no ombro. Estava definitivamente pronta. Larguei a bolsa por um momento em cima da cama e fui até o closet novamente, procurei em uma maleta grande e pesada aonde eu guardava os meus acessórios. Procurei até achar o que eu queria, um relógio com a maquina redonda, dourado e todo em detalhes de strass. Coloquei no pulso e guardei novamente a maleta. Eu teria de esperar ficar pronta, ela era demasiadamente lerda para se arrumar. Sentei na cama onde estava pegando um pouco de sol e respirei fundo. Com aquele sol eu por alguns segundos, enquanto fechava os olhos conseguia imaginar a minha amada Califórnia. Era como sentir aquela brisa da praia tocando meu rosto, como sentir a areia sob meus pés. Fiquei ali imaginando a praia de L.A. por um bom tempo, até abrir a porta e me chamar em voz alta.
- Vamos? - ela perguntou me olhando. Abri os olhos e a encarei sorrindo, ela usava uma camisa xadrez rosa com cinza, ela era soltinha e comprida, mas com a cintura bem marcada por uma faixa atada nas costas. Uma calça jeans skinny preta e umas botas UGG rosa. Ela adorava aquelas botas, segundo ela "eram muito confortáveis" e eu concordava. Elas realmente eram confortáveis. Levantei pegando minha bolsa e voltando a colocá-la no ombros. Concordei silenciosamente e segui para fora do apartamento. Ela trancou a porta enquanto eu chamava o elevador. Ele estava um andar a cima, quando as portas se abriram nós entramos uma garotinha que morava do terceiro andar. Ou seja no andar de cima. Ela estava com seu cachorrinho no colo, sorriu para nós assim que entramos. Dois andares a baixo o elevador deu uma sacudidinha leve e as portas se abriram, a garotinha saiu saltitante com seu cãozinho no colo e as portas voltaram a se fechar. Um andar a baixo elas voltaram a abrir-se, dando passagem. saiu na frente e eu a segui de perto. Andamos até o seu carro, ela desativou o alarme e eu embarquei no lado do carona. embarcou no lado do motorista e assim que entrou colocou o cinto de segurança. Deu partida no carro, para não ficarmos no silêncio. Liguei o rádio e então ela me olhou de uma maneira estranha, geralmente eu não gostava de ligar o radio do carro. Mas estava abrindo uma exceção nesse momento. Sintonizei em uma estação qualquer e reconheci os primeiros acordes daquela música. Não era nova, na verdade era bem velhinha, mas eu simplesmente adorava. Comecei a cantarolar a música.
- We've been on the run, driving in the sun - cantarolei em voz alta. me encarou então sorriu e começou a cantar a musica comigo.

We've been on the run - Nós estivemos na correria
Driving in the sun - Dirigindo no sol
Looking out for number one - Buscando ser o número um
California here we come - Califórnia aqui vamos nós
Right back where we started from - Exatamente de onde começamos


Quando a música finalmente terminou, nos estávamos rindo feito duas loucas. Talvez as pessoas que passassem de carro por nós e escutasse nossos gritos chamados de "canto" teriam ficado assustados. Nós estávamos dentro do carro há quase cinco minutos e ainda não tínhamos chegado. Eu não queria perguntar aonde íamos, queria apenas ir. Não importava o lugar. Mas não demorou muito para parar o carro. Nós estávamos em um lugar muito conhecido. Era quase fora da cidade. No bairro aonde morávamos quando éramos crianças, havia um pequeno parque. Era completamente verde e florido. Simplesmente lindo, não sabia exatamente como ela lembrava daquele lugar. Desembarquei eufórica de dentro do carro e admirei cada pequeno detalhes. Tinha a praçinha de brinquedos ali, com o carrossel, os balanços, a gangorra e o escorregador. Flashbacks passavam em minha mente muito rapidamente, eu estava sorrindo feito uma verdadeira criança.
- Você lembra disso! - ofeguei assim que ela entrou em meu alcance de visão - Caramba - murmurei para mim mesma. Comecei a andar em direção ao parque, estava completamente vazio. Sentei no carrossel e fiquei ali sentada olhando para todos os cantos daquele lugar. Me traziam ótimas lembranças, de um tempo sem dor e que tudo era muito mais simples. caminhava lentamente em minha direção, com o mesmo sorriso nos lábios. Ela sentou-se um pouco afastada de mim no carrossel e ficou em silêncio, apenas admirando assim como eu. Ficamos ali em silêncio por alguns minutos, até respirar fundo e levantar.
- Sabe por que eu te trouxe aqui? - ela parou na minha frente e então sorriu como se estivesse prestes a me falar a melhor noticia do ano.
- Não, eu não sei - dei de ombros sem dar muita importância. Eu só queria absorver as lembranças daquele lugar, lentamente.
- Foi aqui que você me disse pela primeira vez que queria ser atriz - ela revirou os olhos como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. O que realmente deveria ser, para ela.
- Ta... e daí ? - não quis que aquilo soasse estúpido nem nada do tipo. Na verdade eu me arrependi assim que pronunciei as palavras, mas ela não pareceu se importar. Apenas riu baixinho e continuou a me encarar como se fosse muito importante e aquilo estava me irritando profundamente. Não gostava de suspenses, nunca gostei. Nem mesmo em filmes.
- Eu. consegui. um. teste. para. você! - ela soletrou cada palavra lentamente. Minha primeira reação foi sorrir idiotamente, como se tivesse acabado de cair em uma brincadeira. Minha segunda reação foi encarar para ver se ela estava falando sério. Terceira reação? Bom, ela estava falando sério então alguma coisa surgiu dentro de mim: Felicidade.
- Você está brincando comigo? - levantei meio zonza com a notícia. negou com a cabeça respondendo silenciosamente a minha pergunta. Respirar, respirar - eu tinha de lembrar de fazer os movimentos necessários para isso - Teste para? - era a primeira coisa que me veio a cabeça. Então seu sorriso desapareceu.
- Bom, talvez você não goste - ela franziu a testa em sinal de preocupação - É em um seriado Damn Scared, se você passar no teste será uma das atrizes principais - ela respirou fundo - Você faria o papel de Megan uma lider de torcida arrogante, estilo garota infernal - ela gargalhou. Cruzei os braços e continuei a encarando, queria mais detalhes e não piadinhas - Er... Megan é uma hipócrita arrogante, que mora junto de suas melhores amigas: Claire e Sarah. Você e seu grupinho de Miss mundo, tem um segredo muito obscuro, algo que vocês jamais comentam. Embora um tempo depois alguém aparece para estragar com tudo e publicar o segredo de você. Enfim... entra um garoto novo na escola, estranho, lindo e misterioso e você vai correndo pros seus braços. No final das contas você se apaixona pelo garoto. Então você vai ter de ler o script porque não sou um wikiserie.com - ela bufou e voltou a sentar no brinquedo.
- Caramba, isso fará sucesso - eu gargalhei alto - Qualquer adolescente vai ficar fascinado por essa história - gargalhei novamente e sentei ao seu lado - Quando eu faço o teste? - perguntei. Ela me olhou e sorriu.
- Amanhã - respondeu como se fosse a coisa mais simples do mundo, o que de fato não era. Eu precisava me preparar dias antes de fazer um teste, não sabia se seria tão fácil assim. Se bem que interpretar uma adolescente com um segredo talvez não fosse a coisa mais complicada no mundo, disso eu tinha plena certeza.
- Ok - respirei fundo tentando me acalmar - Eu vou conseguir... acho - eu estava naquela clima tenso enquanto me olhava com uma certa ironia, era ridículo. Me sentia uma adolescente preparando-se para a grande festa do ano. Aquilo era realmente ridículo.
- Vai dar tudo certo, ta bom? Acredite - ela estendeu a mão para que eu pudesse pegá-la. A encarei por um breve momento e então me peguei pensando na maldita sorte que eu tinha por tê-la como amiga. O que mais eu poderia pedir? Eu tinha ótimos amigos, tinha tudo para ser realmente feliz e aqui estava eu me sentindo completamente incapaz de ser feliz novamente, como algum dia eu fui. Peguei a mão de e apertei com pouca força.
- Obrigada - agradeci. Talvez ela não entendesse o motivo do agradecimento, talvez ela pensasse que foi pelo teste que ela conseguiu me arrumar. Mas eu estava agradecendo por cada minuto e cada segundo que ela passou junto comigo, me apoiando ou me dando forças para continuar - Por tudo, de verdade - completei.
- Você não precisa agradecer, amigas servem para isso. Não? - ela riu baixinho.
- Você é mais que uma amiga e sabe disso não é? - ela me encarou por alguns minutos, piscando estática e então se aproximou me dando um de seus famosos abraços de urso. Passei uma mão pela suas costas e apertei de leve por um momento, então me joguei em seus braços como uma criança e a abracei com toda a minha força.
- , você é muito melhor que isso - ela suspirou perto do meu ouvido - Melhor e mais forte que toda essa dor que existe dentro de você nesse momento. - aquilo que ela me afetou de uma forma que eu jamais poderia imaginar que afetaria. Foi mais ou menos, como levar um tapa na cara para acordar pro mundo.
- Não sei se tenho tanta força assim - dei de ombros me soltando do seu abraço. Me ajeitei no banco para ficar de frente para ela que tinha um sorriso bondoso no rosto, tipo maternal.
- Você não precisa ter toda a força. Como eu falei antes, pra isso existem os amigos - ela ergueu no ar nossas mãos que ainda estavam dadas. Eu sorri para ela e tive vontade de abraçá-la novamente. Mas ao invés disso eu lembrei de uma coisa que eu costumava fazer para cortar totalmente aqueles papos melosos.
- Vaca - respondi dando de ombros e gargalhando ao ver a cara que fez. Ela me olhou e então riu junto comigo e respondeu.
- Vadia - me deu um pequeno empurrão para longe e começou a fazer com que o brinquedo rodasse. Fiquei a encarando novamente e então desviei o olhar ajudando-a a fazer o brinquedo funcionar. Ele estava meio enferrujado, mas ainda funcionava e lá estávamos nós, rodando em um carrossel feito duas crianças malucas. Mas nosso barato foi totalmente cortado pelo telefone de que tocava no máximo volume, ela atendeu meio emburrada e então seu tom de voz mudou rapidamente de emburrada para alarmada.
"Tudo bem, estamos indo! Espere aí" ela falou rapidamente no telefone e então desligou e me olhou. Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido, só não sabia exatamente o que era.
- Vamos logo, te conto no caminho - ela levantou e saiu apressada em direção ao carro. A acompanhei com pressa também, embarquei e coloquei o cinto de segurança rapidamente. deu partida no carro assim que embarcou também, nós ficamos quase que em silêncio o caminho todo.
- convocou um 9-9-1 - ela falou pausadamente e com ênfase os números. Um 991 era na nossa linguagem um S.O.S urgente, quase nunca usávamos. A ultima vez que foi usado foi quando eu resolvi contar que estava indo embora para . Então era definitivamente alguma coisa grave. Nós voltamos a ficar em silêncio enquanto ela dirigia atentamente pelas ruas de Londres. Estacionou o carro em frente a um enorme restaurante de dois andares, sendo que o segundo andar era quase que completamente feito de vidro. Ela desembarcou e fiz o mesmo, ativou o alarme do carro e saiu andando em direção ao mesmo. Um cara a parou na porta, ela falou algumas coisas que não faziam sentindo para mim e então entramos no restaurante. Em uma mesa bem afastada de todas as outras, estava . Tinha um copo de whisky nas mãos e estava bebericando-o. Nos aproximamos e ela sorriu fraco ao nos ver.
- O que aconteceu? - perguntou baixinho ao sentar na mesa de frente para ela. Sentei ao lado dela e concordei com sua pergunta. Que diabos tinha acontecido? Era o que eu gostaria de saber.
- Minha mãe vai se casar novamente - o tom de voz de era de uma certa repugnância, como se aquilo fosse a coisa mais nojenta que poderia acontecer a ela no momento.
- Sua mãe o quê? - pareceu realmente apavorada com aquilo, eu dei de ombros.
- Tia Mary, não perde tempo - ri baixinho para não chamar atenção. As duas me fuzilaram com os olhos - Ok, desculpe - pedi rapidamente, aquele não era o momento para piadinhas.
- Faz o que? Um ano que ela separou do ultimo marido, não é isso? Nem eu sei mais - empinou o resto da bebida que tinha no seu copo. Não era meio cedo para ela começar a beber whisky? Se bem que se minha mãe fosse viva e tivesse tido exatamente seis casamentos oficiais, eu gostaria de começar a bebedeira logo pela manhã.
- Quem é o cara dessa vez? - perguntei curiosa. Ela geralmente tinha um bom gosto para caras, mesmo eu não concordando com as atitudes da mãe de .
- O nome dele é Robert e ele tem 39 anos - bufou ela ao responder - Exatamente 7 anos mais novo que ela - suspirou encarando seu copo.
- Quando é o casamento? - perguntou rapidamente.
- Daqui uma semana - respondeu. levantou a cabeça e sua expressão não era nada sadia, pelo contrario era até psicótica demais.
- , olha eu sei que isso deve ser realmente uma grande merda - dei ênfase na ultima palavra - Mas você sabe, sua mãe é assim. Você sabe também que não adianta nada ficar assim, agora é apenas aceitar e esperar - aquele com toda certeza não foi o conselho do ano, mas sim a mais pura verdade. Ela não podia fazer nada além de se conformar.
- Grande ajuda - ela levantou o pulso no ar fazendo um gesto irônico. Eu revirei os olhos e levantei.
- Preciso ir ao banheiro - falei rapidamente saindo em direção a um corredor que indicava ser onde ficavam os banheiros. Passei por algumas pessoas que pareciam ter perdido alguma coisa em mim e alguns cara que pareciam ter perdido alguma coisa nas minhas pernas. Ignorei todas essas pessoas e segui pelo pequeno e estreito corredor, entrei no banheiro feminino e fechei a porta. Não havia ninguém lá dentro, estava completamente vazio. Me encarei no espelho, estava tudo no lugar, escorei-me na pia de costas para o espelho e peguei meu celular de dentro da bolsa. Apertei em um botão qualquer e o visor se iluminou, não havia nenhuma mensagem. Afinal, nem eu sabia porque estava checando se havia alguma mensagem. Guardei novamente o telefone e dei as costas para o banheiro caminhando lentamente em direção a mesa. Resolvi passar no bar antes para pegar um bebida, caso o garçom já tivesse ido atender as garotas. Pedi para o garçom me levar uma dose de whisky para acompanhar . Havia uma adolescente sentada no bar me encarando de uma maneira realmente estranha, ela tinha uma revista nas suas mãos. Então bufou alto e virou o rosto, como se fosse uma espécie de deboche. Eu dei de ombros e dei uma bisbilhotada na revista que a garota estava segurando, porque eu não me surpreendi de ver Danny na capa dela? Meus olhos se estreitaram.
- Hey, garotinha! - chamei ela me aproximando rapidamente - Você já terminou de ler essa revista? - perguntei apontando a mesma. Ela me olhou de cima a baixo e bufou novamente.
- Não, não terminei. Por quê? - sua voz era rude e mal criada, revirei os olhos.
- Não importa. Quando você quer pela revista?
- Não vou te vender a minha revista - ela respondeu mais mal educada ainda.
- Te dou 10.
- Não vou te vender - repetiu ela um pouco mais alto.
- 20.
- Sem chances, você não entendeu? - arqueou uma sobrancelha para me encarar.
- 30, é minha ultima oferta.
- No way - ela riu.
- Dá essa revista de uma vez - puxei a revista de suas mãos e fiz uma careta debochada - Agora pegue o dinheiro e vá comprar outra - peguei dentro da bolsa duas notas de dez e larguei sobre o balcão do bar. Dei as costas e saí andando tranquilamente. Na capa da revista havia uma foto enorme de Danny com a roupa que ele estava ontem, só que ele estava em um estado deploravelmente bêbado. Aquilo não era normal, ele deixar ser pego assim ou até mesmo ficar daquele jeito. Havia uma manchete bem grande aonde dizia que ele havia se metido em uma briga numa boate qualquer e os seguranças tiveram de tirá-lo de dentro. Ridículo, era o que aquilo era na minha opinião. Mas mesmo assim eu não podia deixar de ficar zangada e querer tirar satisfações. Bufei alto e guardei a revista dentro da minha bolsa, fiz o contorno em uma mesa e comecei a andar em direção a saída do restaurante. Não me importei no momento de ir dar explicações para e , eu poderia explicar depois. Saí de dentro apressada e acenei para alguns taxis, até um finalmente parar. Embarquei e dei o endereço. Fiquei em silêncio olhando pela janela, vendo as ruas passarem rapidamente. Havia uma coisa que eu realmente odiava em andar de carro em silêncio: lembranças distantes sempre vinham a tona.

FLASHBACK ON.

Estava um raro e perfeito dia em Londres. A cidade parecia estar em harmonia com a natureza pelo menos uma vez no ano. Era simplesmente perfeito. Saí de casa toda animada para encontrar Danny na sua casa. Andei a rua inteira até chegar, ele estava me esperando em frente a casa. Ele sorriu ao me ver entrar em seu campo de visão, retribui o sorriso me aproximando.
- Hey Danny - cumprimentei ao ficar perto o suficiente. Sentei ao seu lado nos degraus da varanda da sua casa. Ele virou para me olhar e então sorriu mais ainda.
- Hey - respondeu. Ele nem bem abriu a boca para conversar comigo quando sua mãe saiu na varando falando com ele.
- Seu pai pediu para você lavar o carro - ela falou em um tom de ordem incontestável - Oi querida, como você tá? Ninguém te deu educação não Daniel? - ela balançou a cabeça negativamente - Vamos , vamos entrar. Depois que ele terminar, entra para te fazer companhia - ela sorriu meigamente.
- Não sra. Jones ! Eu vou ficar aqui com o Danny - sorri em agradecimento. Ela me olhou e então deu de ombros sorrindo.
- Como você quiser, querida - deu uma ultima olhadinha para o Danny e saiu em direção a casa entrando na mesma e fechando a porta.
- Porque ele não manda o carro para um lava rápido? - Ele bufou levantando-se e indo em direção a garagem para pegar as coisas necessárias. Minutos depois Danny voltou com um balde cheio de coisas dentro, uma esponja enorme, uma toalha velha e puxando a mangueira. Levantei e fui em sua direção - O que você tá fazendo ? - perguntou antes mesmo de chegar até ele - Nem pense nisso, quem vai lavar esse carro sou eu - ele puxou as coisas para longe de mim.
- Deixe de ser idiota Danny - cruzei os braços e bufei, revirando os olhos - Eu posso ajudar - falei.
- Pode - ele concordou - Mas não vai! - completou largando as coisas perto do carro que estava na entrada da garagem. Ele correu para dentro da mesma e voltou segundos depois, quando começou a sair água da mangueira. Não podia ficar ali parada perdendo toda a diversão, existia inúmeras brincadeiras que eu poderia fazer com Jones enquanto limpávamos o carro. Sorri maleficamente e agarrei a mangueira antes que ele o fizesse.
- Ah, qual é ? Vamos lá me devolve, eu preciso terminar isso antes das 5h - ele andou na minha direção para pegar a mangueira das minhas mãos. Sorri mais ainda e mirei nele, coloquei um dedo na saída da água, fazendo pressão e fazendo voar água na sua direção. Ele bufou e começou a vir atrás de mim com mais velocidade na medida que eu o molhava. Seus cabelos estavam completamente molhados assim como sua camiseta quando toda a extensão da mangueira se foi e eu não tinha como fugir mais. Ele arrancou a mesma das minhas mãos e mirou em mim me ensopando de água gelada. Gargalhei alto e o empurrei saindo correndo de perto da mesma. Peguei dentro do balde de suprimentos dele o sabão e comecei a jogar por cima do carro enquanto ele molhava. Entrei na garagem e desliguei a torneira, quando voltei ele já tinha a enorme esponja nas mãos e limpava o carro. Sentei sobre o capô, completamente molhada e fiquei o observando.
- Que foi? - ele pareceu notar que estava o observando e meio que corou, eu sorri mais ainda.
- Nada - dei de ombros com certo desdém. Ele me encarou novamente e revirou os olhos - Sabe Jones, você até que serve pra isso? - gargalhei maldosamente.
- Idiota - ele riu e me jogou um pouco de espuma no rosto. Eu cuspi a mesma, meus olhos começaram a arde em atrito com o sabão, esfreguei os mesmo e bufei alto.
- Seu retardado - desci do capô e comecei a andar batendo os pés para longe dele. Danny me olhou e então suspirou me puxando pela cintura para perto dele.
- Para com isso, vai... - ele pediu baixinho, lutei contra seus braços fazendo com que ele me puxasse com mais força contra ele. Nossos corpos entraram em atrito um com o outro e nossos rostos se aproximaram demais. Eu o encarei nos olhos, aqueles olhos azuis fascinantes - os olhos azuis de seu melhor amigo srta. . - lembrei a mim mesma. Nós ficamos nos encarando de perto por alguns segundos até eu finalmente me afastar dele.
- Não me jogue mais sabão - pedi voltando a me escorar no carro. Ele ficou me olhando enquanto fazia o serviço e eu fiquei desviando o olhar, minha atenção para coisas e assuntos banais.

FLASHBACK OFF.


O carro havia parado quando eu finalmente despertei de minhas lembranças. Paguei o taxista que parecia bem mal humorado para o meu gosto e desembarquei andando diretamente para a enorme casa branca com marrom. Subi os degraus da varanda e andei até a porta. Toquei a campainha duas vezes e fiquei esperando. Pude ouvir passos vindo em direção a porta, então um silêncio, provavelmente estavam olhando pelo "olho-mágico". As fechaduras da porta sendo aberta por um Jones cansado, sem camisa e usando apenas uma boxer. Peguei a revista dentro da minha bolsa e joguei contra ele.
- Pode me explicar - falei assim que ele aparou a revista, firmando contra sua barriga para ela não cair. Entrei na casa e esperei ele fechar a porta, virei para encará-lo de frente.
- Explicar o que? - ele perguntou sem entender, então olhou para a capa da revista e proferiu alguns xingamentos em um tom de voz baixíssimo - Não tem muita coisa a ser explicada - respondeu. O encarei com a sobrancelha arqueada, não havia o que ser explicado? Porque diabos ele havia se metido em uma briga era uma coisa a ser explicada e porque estava bêbado daquela forma era outra coisa. Então certamente havia coisas a serem explicadas.
- Danny, você estava bêbado e se meteu em uma briga. Tenho certeza que há o que ser explicado - suspirei pesadamente. Dei as costas para ele e fui me sentar no sofá. Ele ficou me encarando em silêncio por alguns minutos e então foi sentar-se no sofá também – lê-se: jogar-se no sofá.
- Eu resolvi sair para me divertir, bebi um pouco para mais e me irritei com um cara - explicou ele. E aquela explicação levaria o prêmio de melhor omissão de fatos do ano. Se ele não queria me contar tudo bem, não iria forçar a barra. Mas realmente gostaria de saber.
- Notei que você não tava em casa, ontem à noite quando vim aqui - comentei enquanto me ajeitava melhor no sofá. Ele levantou a cabeça e me encarou perplexo.
- O que você veio fazer aqui ontem a noite? Quando saí da sua casa, você estava com febre - Danny se acomodou melhor no sofá também e ficou em silêncio esperando uma resposta.
- Vim resolver as coisas, não iria conseguir dormir sem fazer isso - expliquei.
- Resolver as coisas? - seu tom de voz parecia muito irônico, eu não gostei daquilo.
- É, dizer para o Dougie que aquilo definitivamente não iria dar certo - espiei rapidamente por cima do ombro, por medo de estar falando alguma coisa que não devia na presença de quem não devia. Danny riu da minha atitude e deixou o sorriso animado pairando pelos seus lábios. Ele estava satisfeito com aquilo, como se eu tivesse feito a coisa mais sensata do mundo.
- É, então vocês...? - ele franziu a testa e riu baixinho - Vocês não estão mais juntos? Se é que estiveram realmente juntos - fez uma careta.
- É seu espertalhão - deu uma risada sarcástica, debochando da sua habilidade de entender as coisas. E o silêncio permaneceu entre nós. Não gostava daqui também, era estranho estar com Danny e não ter o que falar.
- Tá com fome? - ele perguntou de repente. O encarei sem entender porque daquela pergunta, mas foi então que eu percebi que estava com fome e que deveria estar almoçando com minhas amigas, sendo que uma delas estava em 991. Bati com a mão na testa de leve e bufei, mexi na bolsa até achar meu telefone, tinha oito chamadas perdidas. Respirei fundo e liguei para .
Dois toques depois, ela atendeu:
"Aonde diabos, você foi?" não parecia nada feliz comigo e eu não fiquei nada satisfeita também.
- Desculpa, eu devia ter avisado - mordi o lábio inferior temendo a briga que tinha por vir.
"É você devia! E porque não atendia o telefone?" perguntou.
- Está no silencioso, eu não percebi. Desculpa, mesmo. Ok? - soltei o ar pesadamente.
"Tá, tudo bem. Masaonde você está?" perguntou novamente.
- Aqui na casa dos guys. Ér... comprem a revista Satisfaction ela pode, digamos que explicar as coisas - dei uma olhadinha na direção de Danny e sorri - Como está ? - perguntei preocupada.
"Revoltada" riu do outro lado da linha "Ao ponto de dizer que vai ficar ruiva" dava para se notar a desaprovação dela pelo tom de voz.
- Ruiva? - gargalhei. Não conseguia imaginar ruiva, não que fosse ficar feio, pelo contrario poderia ficar muito bonito.
"É, falando nisso. Ela está pedindo para você passar o telefone para o guy que estiver mais próximo, que não seja o Harry" Eu poderia ver revirar os olhos e passar o telefone para . Eu sorri e joguei o telefone na direção do Danny, ele abaralhou o mesmo e colocou no ouvido para escutar.
- É o Danny, fala - ele começou, ficou em silêncio algum tempo então voltou a falar - Sim, posso. Claro, tá bom, vou esperar - e desligou o telefone jogando de volta para mim. Deixei ele cair sobre o sofá.
- Então, vamos pedir comida? - ele se espreguiçou e levantou. Foi então que eu reparei que ele estava sem camisa, que sua barriga era definida. Me deixei levar por um breve momento, tive vontade de sentir seu corpo contra o meu, mas então me lembrei que ele era o Danny - meu melhor amigo. Balancei a cabeça negativamente e o olhei novamente, por um momento eu pensei que ele tivesse visto a maneira que o encarei. Mas então ele desviou o olhar e eu respirei fundo. Óbvio que ele não havia percebido.
- Não, deixa eu ver o que vocês tem nessa cozinha - levantei e segui com Danny em meu encalço para a cozinha. Abri a geladeira e revirei os olhos, não havia praticamente nada e o que tinha estava provavelmente estragado. Fechei a geladeira e fui procurar alguma coisa nos armários. Havia alguns daqueles miojos que vinham em uma espécie de potinho, o que para mim já era o suficiente. Preparei um para cada, entreguei para ele o seu e sentei sobre a pia da cozinha.
- Vocês deviam abastecer essa geladeira - comentei enquanto comia tranquilamente o meu miojo. Não era a minha comida favorita, mas eu admito que sem o bendito miojo eu teria passado fome algumas vezes, por pura preguiça é claro. - Ele riu e concordou com a cabeça.
- Nós vamos ao mercado, mas acabamos comprando quase que só bobagem - ele engoliu mais um pouco do seu miojo e continuou - Então acabamos com todo o estoque em uma semana - riu novamente.
- Como vocês sobrevivem? - larguei o meu potinho sobre a pia, já havia acabado de comer.
- Restaurante, disk pizza - ele levantou da cadeira e veio em minha direção.
Danny ficou praticamente grudado em mim, seu corpo entre minhas pernas e seu rosto se aproximou do meu. Fiquei paralisada apenas o encarando, ele me olhou e sorriu. Sua barriga estava praticamente sobre minhas mãos. Encostei na sua cintura de leve, fazendo Danny sorrir mais ainda, então ele largou o seu potinho de miojo ao lado do meu e se afastou rapidamente. Aquilo provavelmente devia ter levado segundos, mas para mim pareceu minutos prolongados. Era definitivamente estranho sentir aquilo, não que eu nunca tivesse tido uma quedinha por ele, na verdade passei a metade da minha adolescência gostando dele, mas então chegou Dougie e as coisas mudaram completamente.


Danny POV.

A maneira que ela me tocou? No way, aquilo não era coisa de melhor amigo. Eu pude sentir pelo toque dos seus dedos contra a minha pele que não era. Mas também não era coisa da que eu conhecia, de maneira nenhuma. O que estava acontecendo com ela eu não sabia, mas pretendia descobrir.
- Então - ela falou e então pigarreou alto - O que a queria? - ela piscou pesadamente me encarando. Eu me escorei contra a mesa da cozinha e cruzei os braços.
- Perguntou se eu podia gravar um demo dela - dei de ombros - Ela sempre teve uma voz ótima, mas pensei que ela não gostasse dessas coisas. Nunca quis ir atrás disso - ri ironicamente. Ela revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente.
- está levando essa coisa de provocar sua mãe a sério demais - a sua voz não tinha nada de aprovadora, pelo contrario. Ela não estava gostando nenhum pouco disso.
-Provocar sua mãe? nunca foi contra nada do que sua mãe dizia ou pensava - ela concordou com uma careta e eu sorri - Mas de qualquer forma, vamos comigo lá - respirei fundo - Tenho de preparar as coisas - expliquei.
- Vou, mas você não pretende colocar uma roupa? - ela riu ao me encarar de cima a baixo. Eu me auto analisei e então acompanhei seu riso, tinha razão, eu tinha de me vestir.
- Verdade, vou subir tomar um banho e me trocar, fica a vontade aí - falei dando as costas e saindo em direção ao segundo andar da casa, mais especificamente meu quarto.

DANNY POV OFF.

Danny não havia demorado muito para voltar. Nós fomos para o estúdio deles e fiquei sentada o observando ajeitar tudo que era necessário. Ele mexia naquele equipamento com tanta facilidade que me deixava meio tonta. Logo e chegaram.
estava meio revoltada e apenas ria de tudo que ela falava. Ela e Danny conversaram por alguns minutos e então eles entraram em um acordo. Ela entrou na sala isolada e ficou em pé em frente ao microfone que estava preso ao teto. Colocou os enormes fones de ouvido e se preparou.
- Bobagem, na minha opinião - riu novamente sentando em uma cadeira ao meu lado. Ela colocou sua bolsa no colo e ficou apenas encarando o que os dois faziam.
- Concordo - concordei em voz alta, ela me olhou e sorriu. Então ficamos em silêncio, porque começou a tocar.

If I'm a bad person, you don't like me
Se eu sou uma pessoa má, e você não gosta de mim
I guess I'll make my own way
Eu acho que vou fazer do meu jeito
It's a circle
Isso é um circulo
I mean cycle
Um ciclo vicioso
I can't excite you anymore
Eu não consigo mais te animar
Where's your gavel? your jury?
Onde está seu martelo? Seu juri ?
What's my offense this time?
Qual é o meu delito dessa vez
You're not a judge but if you're gonna judge me
Você não é um juiz, mas se vai me julgar
Well sentence me to another life.
Bem, sentencie-me para outra vida


Don't wanna hear your sad songs
Não quero ouvir suas musicas melosas
I don't wanna feel your pain
Eu não quero sentir sua dor
When you swear it's all my fault
Quando você jura que tudo é culpa minha
Cause you know we're not the same
Porque você sabe que não somos iguais
Oh we're not the same
Oh, nós não somos iguais
Oh we're not the same
Oh, nós não somos iguais
The friends who stuck together
Amigos que eram unidos
We wrote our names in blood
Nos escrevemos nosso nome no sangue
But I guess you can't accept that the change is good
Mas você não pode aceitar que a mudança é boa
It's good
É boa
It's good
É boa


You treat me just like another stranger
Você me trata como um estranho
Well it's nice to meet you sir
Bem, é um prazer conhece-lo, senhor
I guess I'll go
Eu acho que eu já vou
I best be on my way out
É melhor que eu vá pelo meu caminho

You treat me just like another stranger
Você me trata como um estranho
Well it's nice to meet you sir
Bem, é um prazer conhece-lo, senhor
I guess I'll go
Eu acho que eu já vou
I best be on my way out
É melhor que eu vá pelo meu caminho

Ignorance is your new best friend
Ignorancia é sua nova melhor amiga
Ignorance is your new best friend
Ignorancia é sua nova melhor amiga


This is the best thing that could've happened
Está é a melhor coisa que poderia ter acontecido
Any longer and I wouldn't have made it
Um pouco mais e eu não teria aguentado
It's not a war no, it's not a rapture
Não é uma guerra não! Não é um arrebatamento
I'm just a person but you can't take it
Eu sou só uma pessoa, mas você não suporta isso
The same tricks that, that once fooled me
Os mesmo truques que já me enganaram
They won't get you anywhere
Eles não te levarão a lugar algum
I'm not the same kid from your memory
Eu não sou a mesma criança da sua memória
Now i can fend for myself
Agora eu posso me defender sozinha

Don't wanna hear your sad songs
Não quero ouvir suas musicas melosas
I don't wanna feel your pain
Eu não quero sentir sua dor
When you swear it's all my fault
Quando você jura que tudo é culpa minha
Cause you know we're not the same
Porque você sabe que não somos iguais
Oh we're not the same
Oh, nós não somos iguais
Oh we're not the same
Oh, nós não somos iguais
The friends who stuck together
Amigos que eram unidos
We wrote our names in blood
Nos escrevemos nosso nome no sangue
But I guess you can't accept that the change is good
Mas você não pode aceitar que a mudança é boa
It's good
É boa
It's good
É boa

You treat me just like another stranger
Você me trata como um estranho
Well it's nice to meet you sir
Bem, é um prazer conhece-lo, senhor
I guess I'll go
Eu acho que eu já vou
I best be on my way out
É melhor que eu vá pelo meu caminho

You treat me just like another stranger
Você me trata como um estranho
Well it's nice to meet you sir
Bem, é um prazer conhece-lo, senhor
I guess I'll go
Eu acho que eu já vou
I best be on my way out
É melhor que eu vá pelo meu caminho

Ignorance is your new best friend
Ignorancia é sua nova melhor amiga
Ignorance is your new best friend
Ignorancia é sua nova melhor amiga
Ignorance is your new best friend
Ignorancia é sua nova melhor amiga
Ignorance is your new best friend
Ignorancia é sua nova melhor amiga

You treat me just like another stranger
Você me trata como um estranho
Well it's nice to meet you sir
Bem, é um prazer conhece-lo, senhor
I guess I'll go
Eu acho que eu já vou
I best be on my way out
É melhor que eu vá pelo meu caminho

You treat me just like another stranger
Você me trata como um estranho
Well it's nice to meet you sir
Bem, é um prazer conhece-lo, senhor
I guess I'll go
Eu acho que eu já vou
I best be on my way out
É melhor que eu vá pelo meu caminho


e eu nos encaramos boquiabertas. Não sabíamos que a voz de era tão linda dessa maneira, isso que aquilo era apenas uma a capella, sem edição e nem nada.
- Retiro o que eu disse - falamos ao mesmo tempo. Danny virou para nos encarar com um sorriso estampado no rosto.
- Achei material de trabalho - ele gargalhou fazendo um positivo com o polegar para ela. sorriu para nós e puxou os fones para o pescoço.
- Então quer dizer que estamos presenciando a nova Hayley Willians? - Gargalhei com a minha própria piadinha sem graça e sem nexo.
- Praticamente - ele riu e continuou a mexer atenciosamente no equipamento. Levantei da cadeira e fui ficar ao seu lado para ficar observando atentamente o que ele estava fazendo.

Cap 12.

- Você não pode rir - eu gargalhei junto de Danny que estava rindo descontroladamente da minha cara. Eu dei um empurrão de leve nele e ele tentou se acalmar.
- Mas é engraçado - e riu novamente - Na verdade é idiota - ele controlou o riso fazendo uma careta. Estávamos passando as falas da cena que eu teria de interpretar logo pela manhã no teste que havia arrumado para mim. Ele tinha razão, eram algumas coisas bem ridículas, coisas que eu nunca falaria em sã consciência. Mas eu faria o papel de uma líder de torcida arrogante, então esse tipo de coisa era típico.
- Rindo, você não está me ajudando - revirei os olhos para encará-lo. Danny sorriu fraco e respirou fundo se acalmando e cessando totalmente com os risos. Fazia algumas horas que ele estava tentando me ajudar, mas sempre acabava rindo. Não conseguia entender, como aquilo não perdia a graça para ele. Era hilário, porque a cada vez que passávamos as falas ele ria por um motivo diferente.
- Tá, eu vou parar - respirou fundo - Juro - ele prometeu, beijando os dedos que faziam um ''x''. Eu concordei silenciosamente e encarei meus papeis novamente, li mais uma vez as falas e respirei fundo.
- Vamos lá, outra vez- pedi. Ele concordou e então deu uma olhada nos seus papeis. Nós nos encaramos e recomeçamos com a passagem das falas.
"O que faremos agora?" Danny leu as primeiras falas, imitando uma voz feminina. Eu ignorei totalmente esse fato e li o que teria de responder e com que intensidade.
"Nada, será um segredo nosso. E levaremos ele para o túmulo e além, entenderam?" imitei o tom de voz que teria de fazer na hora. Ele segurou um pouco o riso e então leu mais uma fala, aquilo era chato para ele, sabia disso. Mas não teria como agradecer, já que ninguém mais teve paciência para me ajudar com isso. Além de que estavam sendo as horas mais divertidas do meu dia. Danny tinha o dom de fazer isso, fazer com que cada momento que eu passasse com ele fosse maravilhoso. De certa forma. Ele estava me encarando e então soltou outra gargalhada.
- Ok, eu desisto - joguei as folhas nele e gargalhei junto - Você não toma jeito, não é Jones - revirei os olhos pela quinta vez essa noite. Ele deu de ombros e sorriu.
- Mas é ridículo. Para o túmulo e além? A-l-é-m? - ele soletrou a ultima palavra e riu novamente - Parece uma imitação daquele boneco do Toy Store, sabe? - arqueou uma sobrancelha e imitou - Ao infinito e além - e ergueu um braço para cima, parecendo imitar o superman. Eu gargalhei novamente com aquilo e me joguei para trás no sofá.
- Realmente, é meio estranho. Mas é só uma cena teste - falei com desdém - Provavelmente não gravarão realmente ela, você sabe... para o seriado - sorri sozinha imaginando a hipótese de gravar mesmo um seriado. Era fantástico, se eu conseguisse nunca poderia agradecer o suficiente para .
- Hey, você está com sede? - ele perguntou de repente se afastando de mim de uma maneira estranha. Foi então que notei que tinha me jogado sobre o colo de Danny e aquilo parecia deixá-lo desconfortável, talvez realmente fosse desconfortável. Sentei rapidamente e assenti em silêncio. Ele levantou e andou lentamente até a cozinha. Havíamos passado a tarde inteira constrangidos com pequenos toques, por algum motivo. Talvez tivesse sido aquele acontecido na cozinha, quando coloquei as mãos em sua cintura. Mas tinha sido em um tão breve intervalo de tempo, que pensei não poder influenciar em muita coisa. O contato físico com Danny não me incomodava, mas parecia que ele não pensava da mesma maneira. Um minuto depois, ele voltou da cozinha com duas garrafinhas de cerveja nas mãos. Ele estava bebericando uma das duas e me entregou a outra voltando a sentar ao meu lado no sofá. Eu ainda estava me sentindo constrangida pela reação de Danny, então puxei algum assunto aleatório.
- Então vocês vão sair em turnê? - tomei um longo gole de minha cerveja e o encarei. Ele ainda estava me olhando de uma maneira estranha, mas a maneira como ele me olhava não me incomodava. Nunca me incomodou. Não era como se ele estivesse me olhando pervertidamente, na verdade ele nunca me olhou dessa maneira. Mas sim de uma forma carinhosa e protetora, de uma forma que parecia ultrapassar todas as barreiras que eu impunha para as pessoas. E eu definitivamente gostava daquilo, me passava tranquilidade.
- Yep - ele concordou em meio a um gole e outro - Turnê pela Irlanda - deu de ombros como se fosse algo rotineiro.
- Você gostava de mentir que era irlandês, lembra? Por causa daquele seu tio que mora lá - comentei. Ele me olhou e sorriu concordando em silêncio, tomando outro gole da sua bebida - Quantos shows vocês vão fazer por lá? - perguntei.
- Cinco shows, mas você sabe tem os programas de televisão e algumas entrevistas - aquilo não parecia ser um assunto que ele gostaria de discutir comigo. Então apenas não forcei a barra, fiquei em silêncio apenas apreciando minha cerveja.
- Vamos parar de frescuras - Danny se pronunciou de repete largando a cerveja sobre a mesa do telefone e me puxando para um abraço apertado. Eu sorri mais do que nunca quando ele fez isso. Era como um pequena reconciliação, mesmo não havendo brigas. Retribui seu abraço e enterrei minha cabeça no seu peito, ele passou a mão pelos meus cabelos e beijou o topo da minha cabeça. Nós ficamos assim abraçados por alguns momentos, eu só precisava me entender. Até que comecei a sentir o corpo dele e foi nesse momento que resolvi acabar com o abraço. Já era tarde da noite e eu havia passado o dia todo na casa dos dudes. passou a tarde lá naquele estúdio com Danny, enquanto eu e viemos para a sala com Tom e Harry assistir a coleção de Harry Potter de estimação do Tom. Nós paramos no quarto filme, entitulado "O Calice de Fogo". Um dos meus favoritos. Foi então que os dois saíram daquele estúdio e se juntaram a nós. Ficamos na sala falando bobagens e não fazendo nada. Pedimos pizza e um tempo depois, e foram embora. Harry saiu de casa e não disse para aonde ia e Tom foi junto com as garotas. Ficamos eu e Danny, porém o que eu mais estranhei durante todo o dia foi a ausência de Dougie. Agora já deveria ser quase onze horas da noite e ele ainda não havia aparecido. E mesmo depois de tudo que aconteceu, ainda ansiava pelo momento em que ele entraria por aquela porta. Ansiava pelo momento em que ele pediria para conversar comigo, me pediria mil desculpas e uma nova chance. Mas aquilo era apenas fruto da minha fútil imaginação. Eu havia prometido para mim mesma e estava realmente afim de cumprir minha própria promessa de cessar com os sofrimentos por Dougie Poynter.
- Acho que é melhor eu ir embora - levantei rapidamente virando toda a bebida na minha própria roupa. Meu vestido ficou completamente encharcado. Praguejei alto e comecei a tentar limpá-lo, como se isso fosse deixá-lo seco.
- Hey, ... Hey! - Danny segurou meus braços com um pouco de força para me fazer parar quieta. O que diabos estava acontecendo comigo nesse dia? Era tudo que eu gostaria de entender - Calma, você só molhou sua roupa - ele passou a mão pelos cabelos assim que me largou - O que está acontecendo com você ? - perguntou confuso.
- Não sei - fechei os olhos e mordi o lábio inferior - Eu gostaria realmente de saber - passei as mãos pelos cabelos puxando-os para trás. E então mais uma vez Danny me puxou para um abraço, não se importando se eu poderia estar molhando a sua roupa, não se importando com nada além de me proteger. Havia lágrimas nos meus olhos, lágrimas que eu não deixaria escapar. Eu não choraria de novo, não pelo mesmo motivo. Não por ele.
- É melhor eu ir embora - murmurei contra o peito de Danny que suspirou e negou com a cabeça rapidamente.
- Não, não acho que seja melhor - discordou - Vou arrumar umas roupas para você vestir e depois eu te levo para casa - ele me afastou de si mesmo e deu as costas indo em direção ao segundo andar. Subiu as escadas e sumiu pelo corredor. Me sentei novamente no sofá e apoiei a cabeça com as mãos. Porque qualquer pensamento em direção a Dougie me deixavam naquele estado deplorável? Aquilo, um dia deveria acabar. Tinha de acabar.
Eu não poderia ficar uma vida inteira chorando a perda de alguém que não se importa mais, não poderia viver com aquela maldita esperança, com aquele maldito amor dentro de mim. Tudo que eu mais queria naquele momento era esquecer tudo, ter uma amnésia. Talvez nessas circunstâncias não fosse tão ruim. Talvez eu nunca devesse ter voltado para Londres, porque quando estou aqui, fico assim. Completamente instável. E eu não gostava de me sentir assim, eu preferia a mim mesma estável, com confiança em si mesma. Odiava me sentir indefesa e dessa maneira. Porque não havia uma descrição para a maneira como eu me sentia. Mesmo tentando esconder cada vez mais, talvez quanto mais escondesse mais as coisas piorariam.
- Pode subir e trocar de roupa - Danny gritou de algum lugar do segundo andar. Eu levantei um pouco tonta por ficar com a cabeça abaixada e subi as escadas me segurando no corrimão. Havia apenas duas portas abertas no corredor. A do banheiro e a do quarto dele. Passei direto pelo banheiro e entrei em seu quarto. Estava totalmente diferente do que eu me lembrava. Estava mais moderno, como se tivesse sido reformado. Assim como toda a casa parecia ter sido, de certa forma. Havia uma camiseta branca e uma boxer da mesma cor sobre a cama. A porta do banheiro no quarto estava aberta, mas não havia ninguém lá. Danny não estava no quarto. Peguei a muda de roupa e entrei no banheiro para me trocar. A cerveja havia deixado meu corpo grudento, prendi meus cabelos em um nó frouxo e tomei um banho rápido. Me sequei com uma toalha que estava no arco de metal, também conhecido como porta toalhas. Havia o cheiro de Danny naquela toalha, era um perfume amadeirado e forte. Eu gostava. Vesti minha langerri e a roupa que ele havia separado, ficou enorme. Mas eu não me importava. Me encarei no espelho e bufei alto.
- Está bufando porque? Ficou muito bom - Danny estava escorado na porta do banheiro com um sorriso debochado pairando sobre seus lábios.
- Sabe Danny, às vezes você é bem debochado - virei de frente para ele e me escorei na pia do banheiro, ficando de costas para o espelho. Ele riu baixinho.
- Eu sei - e então me encarou - Você está bem? - aquilo não era um pergunta no sentindo físico da coisa. Ele queria saber alguma coisa além disso, era um tanto quanto óbvio.
- É - concordei com um aceno de cabeça - Não totalmente, mas vou ficar - sorri passando a mão pelos cabelos, em um tentativa frustrada de arrumá-los.
- Você estava pensando nele - aquilo não era uma pergunta e sim uma afirmação – Antes... - completou. Era inacreditável como não conseguia esconder as coisas de Danny, eu poderia esconder de qualquer um. Até de mim mesma. Mas dele? Não. Isso me deixava confusa, constantemente. É como se ele me conhecesse melhor do que eu mesma.
- Estava - confessei dando de ombros e virando de frente para o espelho novamente. Abaixei o olhar para encarar a pia e completei rapidamente - Mas não quero falar sobre isso - Danny assentiu em silêncio e então eu dei as costas passando por ele rapidamente e me jogando sobre a cama.
- Então, já que vou ficar algum tempo aqui - olhei ao redor, observando cada detalhe do quarto - O que você tem de bom para assistirmos? - ele me olhou e riu.
- Algumas coisas que você não gosta e... - ele pareceu parar para pensar - É, algumas coisas que você não gosta - e sorriu. Eu dei a língua e peguei o controle da televisão que estava sobre o criado mudo, liguei a mesma e fiquei passando os canais até encontrar alguma coisa que valesse a pena olhar. Estava passando um seriado chamado "Skins", eu particularmente já havia olhado alguns episódios e era realmente bom. Danny se jogou ao meu lado na cama e nos escoramos um no outro para ficarmos assistindo televisão.

Danny POV.

encostou a sua cabeça no meu peito e ficou em silêncio assistindo a televisão. Nós meio que passamos nos evitando a tarde inteira. Era como se o toque dos nossos corpos estivesse diferente e aquilo me deixava um pouco receoso. Porque aquilo definitivamente nunca havia acontecido antes, essa segunda intenção. Não que eu realmente estivesse com segundas intenções, o que não estava. Mas ainda assim, era complicado. Parecia que ela queria estar ali comigo e ao mesmo tempo gostaria de estar sozinha. Que ela gostaria de falar alguma coisa, mas que não conseguia. Como se as palavras não saíssem de sua boca, como se os pensamentos não abandonassem sua mente. Eu simplesmente odiava vê-la daquela forma e não tinha ideia de o que faria para vê-la melhor. Mas de alguma maneira eu a faria ficar melhor, custasse o que custasse. Ela ficaria bem.
- Você quer realmente ficar deitada assistindo televisão? - perguntei passando a mão pelos seus cabelos. Eram tão macios, eu poderia fazer isso sempre que a visse, a todo momento.
- Deixa eu ver... - ela colocou a mão no queixo teatralmente - Eu estou deitada, com a televisão ligada - e suspirou ainda fazendo seu teatrinho - É obvio que quero assistir televisão - riu como se acabasse de responder algo realmente estúpido. Dei de ombros e voltei minha atenção para a tv que estava ligada, até agora não havia realmente notado o que estávamos supostamente assistindo. O silêncio predominou entre nós dois e tudo que eu conseguia sentir era sono, estava praticamente dormindo. O que seria realmente idiota da minha parte sendo que havia prometido que a levaria embora. Mas não era uma coisa com a qual poderia lutar. Meus olhos foram se fechando lentamente, até que tudo que eu sentia era o vazio. O mais tranquilo vazio.

Quando abri os olhos notei que não estava mais em Londres. Era um lugar novo, era um lindo lugar. Coberto por neve e o frio cortava meu rosto. Olhei para meu próprio corpo e me senti um pouco melhor, estava completamente agasalhado. Toca, blusão, cachecol e até mesmo luvas. Caminhei em direção a saída daquele lugar, porque diabos eu estava em um bosque era a pergunta que estava me deixando inquieto. Continuei a caminhar com dificuldade, a cada passo que dava meus pés afundavam na neve. Parecia que aquele lugar não tinha uma saída. Desisti finalmente de tentar encontrar a saída, estava cansado, minha respiração já falhava. Era como se tivesse andando quilômetros e mais quilômetros, quando na verdade não deveria ter andado muito. Escutei o barulho de alguns galhos quebrando, virei rapidamente para ver o que era o tal barulho e então me deparei com ela. Porque ela estava em um sonho tão ridículo como aquele? Obviamente aquilo era um sonho, porque eu não iria me meter no meio de um bosque que deveria ter km e km de distância, e muito menos com toda aquela neve. Havia duas coisas erradas com ela, a primeira é que ela estava completamente linda com aquela roupa. Não que ela não fosse linda, o que de fato ela era. Mas aquela beleza não era dela, era um tipo diferente de beleza. Sem imperfeições, como uma boneca de porcelana. E as imperfeições dela, como aquelas pequenas e quase impercebíveis sardinhas que ela tinha perto do nariz ou como aquela pinta que ela tinha no pescoço. estava com um casaco branco comprido até o meio da coxa e uma toca fofa também branca, que contrastava com seus cabelos. A segunda coisa que estava errada é que ela nunca iria para um lugar coberto de neve, ela odiava neve. E foi então que eu percebi a terceira e mais estranha coisa que havia de errado com ela. Seu casaco tinha uma elevação. Uma enorme elevação aonde era para ser sua barriga. Meu coração falhou e tive a certeza que estava sonhando, porque: ela estava grávida.
- Finalmente - ela respirou cansada - Porque você entrou nessa floresta? - perguntou olhando ao redor. E então ela me olhou novamente, esperando uma resposta.
- Eu... - gaguejei. Eu não sabia o que falar, não sabia se primeiro perguntava por que infernos ela estava grávida ou perguntava o que ela fazia em meio a neve. Mas aquilo iria soar estranho, muito mais do que parece. Mas era meio ridículo eu me preocupar com o que iria falar se tudo aquilo era um sonho.
- Daniel! - ela me chamou pelo nome estalando os dedos na minha frente. De alguma maneira ela estava parada na minha frente me encarando estranhamente - Você sabe que não pode me fazer andar demais, caramba! - esbravejou.
- Eu sei, desculpe - respondi aleatoriamente. Então ela sorriu e concordou passando a mão pela barriga. Era por isso daquela beleza extraordinária, porque ela ficava ainda mais linda grávida. suspirou e sua respiração ficou pairando no ar.
- É, ela fica agitada - e riu olhando para sua própria barriga, voltou a me olhar e se aproximou mais ainda. O suficiente para encostar seus lábios rapidamente nos meus. Meu coração falhou novamente. Seus olhos fecharam-se brevemente e então voltaram a se abrir para me encarar - Nossa pequeninha fica agitada - falou sorrindo, pegando minha mão e encostando sobre sua barriga. Agora meu coração começou a bater tão forte contra meu peito que pensei que ele explodiria. Ela continua a me olhar, mas de outra forma.
- Danny, você está bem? - ela perguntou pousando sua mão sobre meu rosto, como em uma tentativa de verificar se eu estava bem.
- Estou, só que... - hesitei - Você disse nossa pequeninha? - perguntei. Não havia como não perguntar, eu precisava saber o que significava esse "nossa".
- Nossa filha, Jones - agora ela estava irritada - O que você acha que é? Uma bola de futebol que apelidei de 'pequeninha' e carrego por aí embaixo das roupas? - continuou ela, respirou fundo - Às vezes você age como um idiota. - deu um passo para trás.
- Você quer dizer nossa filha... como um bebê? - aquela a pergunta mais idiota que eu poderia ter feito. Não Danny, ela estava grávida e não há bebê algum.
- É Jones, você sabe - ela conteve o riso - quando duas pessoas fazem sexo, uma delas solta os espermatozóides a outra recebe, fecunda e - ela tentou segurar o riso novamente - WOW! Um bebê - fez um gesto exagerado na direção de sua barriga. Então revirou os olhos e saiu andando para o bosque novamente. Involuntariamente eu comecei a caminhar em direção a ela até conseguir alcançá-la, o que não foi tão difícil já que ela andada demasiadamente lento. Segurei levemente seu braço e a puxei com cuidado para mim, abraçando-a.
- Ok - ela murmurrou contra meu peito - Agora eu estou com medo de você - e riu, retribuindo o abraço.


Danny Off.

Danny havia dormido rapidamente, ele parecia estar tendo bons sonhos. Ficava se mexendo de um lado para o outro. Eu não estava preocupada sobre como ir embora, poderia muito bem pegar um táxi. Abaixei o volume da televisão e foi nesse momento que escutei a porta da frente bater fortemente. Alguém havia chegado, meu coração disparou. Seria Dougie? Provavelmente não, deveria ser algum dos outros guys. Mas não custava levantar para ver quem era. Saí da cama com cuidado para não acorda Danny e segui para fora do seu quarto. O corredor estava vazio, mas havia alguns ruídos estranhos no primeiro andar. Quando parei sobre o topo das escadas, meu coração parou de bater. Ou pelo menos parecia não bater mais. Minha respiração falhou e eu me senti tonta. Me apoiei na parede e fiquei apenas observando. Dougie estava deitado no sofá sobre uma garota qualquer, ele a beijava com vontade, parecia que iriam se fundir ali mesmo. A garota dava umas risadinhas irritantes. Eu tinha vontade de descer aquela escada batendo os pés e expulsá-la daquela casa a baixo do tapa. Mas obviamente eu não faria isso. Dougie puxou a própria camisa e tirou-a e assim que o fez parou para me notar. Seu corpo ficou imóvel e sua respiração pareceu falhar. A garota notou e olhou para as escadas também, olhou de mim para ele e ficou parada apenas observando.
- E aí dude - uma voz soou logo atrás de mim, então alguma coisa pegou na minha cintura e se aproximou do meu ouvido - Apenas interprete, vou te falar o que fazer - ele suspirou - Sorria, agora - pediu Danny perto do meu ouvido. Eu não sabia exatamente o que ele queria pedindo para sorrir, mas assim o fiz. Dei o meu melhor sorriso teatral e o encarei. Ele estava sem camisa e suas calças estavam mais para baixo do que normalmente ele usava. Foi então que entendi o sentido de tudo, dei outro sorriso e me aproximei mais de Danny.
- Então , achou o que estava procurando ? - ele perguntou com uma voz maliciosa, que nunca vi Danny usar. Não comigo ao menos, neguei com a cabeça e me virei para ele.
- Não, Danny - falei com uma voz sexy, que definitivamente não era muito ''típica'' minha. Dei uma breve encarada em Dougie, que ainda estava parado no mesmo lugar, nos encarando. Então ele rapidamente se mexeu e puxou sua amiguinha junto consigo. Dougie estava de pé e carregando a vadia para o segundo andar, provavelmente para ir ao seu quarto terminar o que haviam começado. Voltei minha atenção para Danny e o puxei pela cintura para mais perto de mim, me aproximei do seu ouvido e murmurei baixinho - agora interprete você... - dei uma mordida na sua orelha de uma maneira que Dougie conseguisse ver.
- Não sabia que tinha alguém acordado ainda, desculpe atrapalhar, Danny - Dougie falou assim que parou sobre o topo das escadas. Estava agarrado pela cintura com sua vadia e sorriu torto para mim. Senti minhas pernas falharem e mais vontade de derrubar a garota escadas abaixo. Mas apenas respirei fundo e retribui o sorriso.
- Não dude, nós também não sabíamos que você tinha chegado - Danny passou a mão pelos cabelos e sorriu. Eu não sabia exatamente o que estava fazendo, sabia que apenas tinha de fazer isso. Me aproximei novamente de Danny, quando nossas bocas estavam praticamente grudadas murmurei em voz alta - Vamos logo Danny, terminar o que começamos - e então pressionei meus lábios contra os seus e comecei um beijo lento e ao mesmo tempo quente. Ele levou alguns segundos para perceber que o estava acontecendo, então apertou minha cintura pressionando levemente para trás em uma tentativa falha de me afastar. O beijo em si, para mim, não era de completo ruim. Danny ainda era lindo e... meu melhor amigo. Também não era mais o garoto pelo qual um dia já fui apaixonada e sim um homem pelo qual qualquer mulher poderia se apaixonar. Assim como havia tantas que dariam tudo por tê-lo ao seu lado ou até mesmo por beijá-lo, como estava fazendo agora. Terminei o beijo rapidamente e desviei o olhar de Danny. De duas coisas eu estava certa, a primeira delas é que Dougie devia realmente ter ficado puto da vida, porque ele fechou as mãos em punho e apenas puxou a vagabunda para a primeira porta que, por sorte deles era seu quarto. A segunda é que nunca devia ter beijado Danny. Aquilo não ia definitivamente acabar bem. Ele que ainda estava com as mãos em minha cintura começou a me puxar para algum lugar. Eu não sabia aonde ele estava me levando, mas quando me dei conta já estava sentada sobre a cama de Danny.
- Desculpe, desculpe - era tudo que eu conseguia pensar em dizer nesse momento - Não deveria ter te beijado, me desculpe - respirei fundo levantando o olhar para encará-lo.
- Você está pedindo desculpas por ter me beijado? - ele perguntou arqueando uma sobrancelha e me encarando. Apenas concordei silenciosamente e ele sorriu - Está pedindo desculpas pela coisa errada e para o cara errado - e riu de uma maneira dolorosa.
- Foi por causa dele, você sabe! Eu tinha de fazer alguma coisa para me vingar - falei apressada - E foi você que começou toda aquela ceninha! Isso não deveria ter importância para nenhum de nós - completei.
Danny passou a mão pelos cabelos e respirou fundo virando de costas para mim. Não havia muito sentido no que eu havia acabado de falar, estava me sentindo a mais idiota possível. Eu sabia que agora sim era hora de ir embora, mas simplesmente não conseguia me mexer na cama. Estava completamente paralisada. Havia uma sensação conhecida dentro de mim, crescendo lentamente e tomando conta. Apenas respirei profundamente e contei até dez, esperando isso passar. Danny passou por mim e foi para o banheiro fechando a porta assim que passou. Eu estava completamente sozinha e me sentindo a pior pessoa do mundo. Porque eu não podia ter um dia normal, sem nenhum drama, sem burradas, sem decepções? Porque as coisas simplesmente não podiam ser mais fáceis comigo? Eram perguntas que eu realmente gostaria de ter a resposta, mas infelizmente não tinha. Precisava ir embora, isso era um fato. Mas com aquelas roupas eu não iria muito longe, então lembrei que em algum lugar do quarto de Tom deveria ter alguma roupa esquecida de . Levantei e saí do quarto fechando a porta ao passar. Não lembrava exatamente qual das portas era o quarto de Tom. Abri a porta do quarto em frente ao de Danny e fechei rapidamente, era um quarto limpo e organizado demais e a porta do closet feita de espelho já deixava bem claro que não poderia ser o quarto do Fletcher. Sendo assim só sobrava o quarto do final do corredor, andei rapidamente até ele e abri com facilidade já que as portas não costumavam ficar fechadas. O quarto tinha o mesmo ar organizado que o quarto anterior, um pouco mais contemporâneo e mais sério ao mesmo tempo. Havia alguns posters colados na parede, alguns cd's espalhados na bancada do computador e o notebook ainda estava aberto sobre a cama. Ignorei qualquer outra coisa do quarto indo diretamente para o closet. Abri a porta e acendi a luz, era um tanto quanto organizado e ao mesmo tempo bagunçado. Havia algumas prateleiras praticamente vazias mais ao fundo do closet, que eram ocupadas apenas por três ou quatro pares de roupas. Provavelmente seriam roupas perdidas de .
Segui até lá e mexi nas roupas, estava completamente certa sobre isso. Eram algumas peças de roupas de . As peguei e saí do closet, fechando a porta e apagando a luz ao passar. Troquei de roupa ainda no quarto de Tom, vesti a calça jeans simples e o suéter vermelho que tinha pego. Juntei a camisa e boxer de Danny e saí do quarto deixando tudo da mesma maneira que estava. Entrei novamente no quarto dele e deixei as coisas sobre a cama, já que ele não havia saído do banheiro. Fechei a porta lentamente ao passar, para não fazer barulho. Desci as escadas rapidamente e peguei minha bolsa que estava sobre o sofá. Saí da casa fechando a porta com cuidado. A rua estava completamente vazia e eu não fazia ideia de como iria conseguir um taxi a essa hora. Simplesmente dei de ombros e comecei a andar, o prédio onde estava supostamente morando não era tão longe assim da casa dos guys. Continuei a andar, havia alguns bêbados parados na esquina da próxima quadra que me fizeram temer. Havia esquecido que podia ser realmente perigoso andar sozinha à noite. Apenas tentei me concentrar para ignorar qualquer piadinha que eles fariam e seguir a andar. Minha respiração ficava pairando sobre a noite fria. Alguns carros passavam de vez em quando, em velocidades pequenas. Tudo aquilo parecia uma confusão, minha vida estava um confusão a qual nem eu mesma conseguia entender. Era tudo complicado demais, dramático demais, errado demais. Quando dobrei a esquina e resumi que agora faltavam em média 7/8 quadras para finalmente chegar, um carro vermelho conhecido parou praticamente ao meu lado e a porta do passageiro se abriu revelando um Danny sério e diferente:
- Entra no carro - a sua voz deixava bem claro que era uma ordem e que eu realmente deveria fazer o que ele estava falando. E foi exatamente o que fiz, embarquei e fechei a porta em silêncio. Ele deu partida novamente e continuamos em silêncio absoluto. De carro as ruas passavam mais rápido e o tempo para chegar em "casa" não era tanto quanto imaginei. Não me parecia ter se passado quatro minutos quando ele voltou a parar o carro, sabia que tinha de desembarcar. Sabia que tinha de entrar antes que ele voltasse a se irritar. Mas não podia deixar as coisas assim.
Abri a boca para falar alguma coisa e então ele me olhou e negou com a cabeça.
- Hoje não, - ele falou sem me encarar. Concordei silenciosamente e desembarquei seguindo em direção ao prédio, sem olhar para trás. Havia feito a segunda pior coisa, sendo que a primeira já havia feito há algum tempo. Estava perdendo meu melhor amigo.
Meus olhos que já estavam ardendo e irritados desde que coloquei os pés na rua, recomeçaram a arder e ficar embaralhados. Olhei para cima e respirei fundo esperando passar, porém eu deveria imaginar que não passaria e assim as lágrimas começaram a escorrer por meu rosto. Por motivos diferentes, por uma pessoa diferente. Entrei no prédio usando a chave reserva que estava comigo e segui para o elevador, que por sorte estava no térreo. Entrei e apertei o botão. Me escorei na parede do mesmo e encarei meu reflexo nas portas. As lágrimas solitárias escorrendo por meu rosto lentamente. Passei a mão pelos cabelos, puxando-os com intenção de puxar junto deles os pensamentos. As portas voltaram a se abrir me dando passagem, saí do elevador e parei em frente a porta, limpei as lágrimas e destranquei a mesma. Tentei não fazer o máximo de barulho possível, andei na ponta dos pés até o meu quarto, mas quando eu ia finalmente fechar a porta apareceu com uma cara de sono.
- Hey - ela falou rouca e sonolenta, coçou os olhos e me olhou novamente - Você está chorando? - perguntou baixinho. Apenas concordei com a cabeça, era coisas as quais eu deveria comentar com ela - Hey, calma - ela veio até mim e passou os braços pelos meus ombros - Vem vamos para a sala e você me conta - ela me puxou pelos ombros em direção a sala.
acendeu a luz assim que chegamos na sala e me sentou no sofá. Eu não sentia nada, apenas as lágrimas molhando meu rosto e minha roupa. Assim que ela me largou foi direto para a cozinha preparar alguma coisa.
- O que aconteceu? - ela perguntou enquanto colocava água quente dentro de uma xícara, adicionou açúcar e mexeu rapidamente com uma colher, voltando a sala. me entregou a xícara e disse - Chá de camomila - e sentou ao meu lado. Tomei um longo gole do chá e respirei fundo sentindo um formigamento crescer dentro do meu peito. As lágrimas por algum motivo haviam parado de sair de meus olhos. Existia apenas aquele formigamento. Respirei fundo mais uma vez e me lancei a conta exatamente o que havia acontecido. Era tudo bem simples de ser explicado, apenas para ser explicado e não sentido.
- Você sabe que acabou de começar a 3º guerra mundial, não é?- aquela não era a voz de e nem de . Aquela era a voz de Tom que estava parado no batente da porta do corredor, escorado apenas de boxer. Os braços cruzados na altura do peito e uma expressão séria demais. Eu abaixei a cabeça. Dos guys, depois de Dougie, era Tom o único que ainda não havia me perdoado, não completamente.
- Thomas! - repreendeu rapidamente antes que aquilo viesse a ficar pior. Então me toquei do que ele havia acabado de falar.
- Guerra? Entre quem? Danny e eu? Dougie e eu? - perguntei sem entender do que ele estava falando. Tom apenas riu fraco e veio até a sala sentando-se na poltrona e me encarando. Então ele revirou os olhos e falou:
- Entre Danny e Dougie - sua voz soou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia e idiota do mundo. Só que até onde eu sabia, ele definitivamente estava enganado. Não havia motivos para Dougie e Danny brigarem, ou seja lá como for. Apenas neguei com a cabeça e ele deu de ombros e virou-se para - Vou voltar para casa, pelo ocorrido... evitar suicídios ou até mesmo assassinatos - brincou ele, então se levantou e voltou para o corredor sumindo de vista. Ignorei totalmente suas palavras e então me voltei para .
- Sabe, eu só não consigo entender exatamente porque ele ficou tão brabo - falei me referindo a Danny, não conseguia compreender porque daquela atitude. Eu fui estúpida, fui uma idiota. Mas ele já me perdoou por coisas piores, o que estava acontecendo agora?
- Nada que alguma de nós possa entender - estava omitindo alguma coisa, eu podia notar pelo seu tom de voz. Mas não queria forçar a barra - Acho que agora o melhor é você terminar seu chá e ir dormir - sorriu ela - Até porque, tem um teste para fazer e quero que dê o seu melhor - pediu. Eu concordei em silêncio, dando mais alguns goles no chá.
- Estou indo - Tom havia voltado completamente vestido e com as chaves do carro na mão - Se cuida, eu te amo - ele se inclinou para ela e depositou um selinho demorado em seus lábios. Ela sorriu em resposta e o abraçou.
- Eu te amo também e se cuida, tome cuidado - pediu ela dando-lhe outro selinho demorado. Estava me sentindo constrangida demais para olhar os dois ou falar alguma coisa, apenas dei outro longo gole na bebida e fiquei encarando a mesinha de centro.
Quando ele finalmente chegou a porta pareceu se lembrar de algo então virou-se para mim e falou em um tom calmo e preocupado - Fique bem , vai dar tudo certo.
Apenas sorri fracamente em resposta e então ele se foi e ficou encarando a porta como se ele fosse voltar e dar-lhe outro beijo, mas ele não o fez e então ela relaxou.
- Tudo bem, vamos dormir! - falou com preguiça. Tirou o chá de minhas mãos e levou até a pia voltando para me acompanhar até o quarto. Peguei a bolsa com as mãos e a segui pelo corredor apagando a luz ao passar. esperou que eu entrasse no quarto e então seguiu para o seu. Fechei a porta e joguei a bolsa sobre a escrivaninha. Troquei minha roupa pelo pijama e fui até o banheiro escovar os dentes. Quando terminei voltei ao quarto e me joguei sobre a cama, puxei as cobertas e pensei comigo mesma: Amanhã é outro dia, um dia melhor. Isso vai passar e Danny vai vir falar comigo. Amanhã é outro dia...


Meu despertador estava tocando em um volume que me fazia ter vontade de jogá-lo pela janela. Minha cabeça estava doendo e nem tinha aberto os olhos ainda. Respirei fundo e me levantei com muita preguiça, caminhei sonolenta até o banheiro e fiz toda a minha higiene, tomei um longo e demorado banho, retirando todos os pensamentos que estavam passando na velocidade da luz em minha mente. Me sequei e coloquei o roupão de algodão fofo que estava pendurado no banheiro. Penteei e sequei meus cabelos, não estava afim de fazer muitas coisa com eles. Deixe-os em seu natural, um ondulado mal resolvido. Fiz uma maquiagem um pouco mais pegada, deixei meus olhos um pouco pretos e o resto mais neutro. Saí do banheiro e fui diretamente para meu closet. Estava um péssimo humor então não parei para realmente escolher uma roupa, peguei literalmente as primeiras peças que apareceram. Era uma camiseta do Kansas e um shortinho jeans todo "rasgadinho". Calcei meus coturnos e os deixei meio abertos. Arrumei minha bolsa com tudo que eu realmente precisava e me encarei no espelho. O resultado não estava muito bom, mas eu não me importava. Meus cabelos estavam rebeldes demais, então peguei um boné qualquer e coloquei para disfarçar. Não voltei a me encarar no espelho para não achar outro defeito e acabar me atrasando. Peguei minha bolsa e transpassei no corpo e saí do quarto fechando a porta ao passar. Havia alguém acordado, mas definitivamente não estava fazendo muito barulho. Quando cheguei a sala, estava tomando seu café totalmente arrumada e sentada assistindo alguma coisa na televisão. Ela levantou as sobrancelhas para me encarar e sorriu dando outro gole no seu café.
- Pensei que ia ter de te apressar - ela riu e largou a xícara sobre a mesinha de centro levantando-se. estava vestindo uma calça jeans e uma blusa de manga fofa, uma sapatilha que era de longe seu calçado favorito - Vamos antes que você se atrase - ela jogou as chaves do carro para mim.
- É, é - concordei sem muita paciência abaratando as chaves e recomeçando a andar em direção a saída do apartamento. Minha paciência estava por um fio, mas eu tinha de me manter calma para poder fazer o bendito teste. Nós pegamos o elevador em completo silêncio, três andares abaixo descemos e fomos direto para o carro. embarcou no lado do passageiro e embarquei no lado do motorista. Larguei minha bolsa no banco de trás e coloquei o cinto. Dei partida com a chave e engatei a marcha, pisei no acelerador e continuei fazendo praticamente a mesma coisa até estarmos no transito. O silêncio era meio rude da minha parte, não queria falar alguma coisa e acabar arrumando alguma briga. Odiava amanhecer de mau humor, mas sabia perfeitamente porque estava assim. Eu respirei fundo batucando os dedos no volante do carro, quando parei em um sinal fechado.
me olhou e então deu de ombros ligando o rádio em algum programa, mas não estava dando músicas e sim notícias, era algum tipo de programa sensacionalista ou de fofoca. Ela ficou atenta apenas escutando, mas não havia nenhuma noticia. A viajem até a emissora de TV era definitivamente longa, demoramos uns vinte minutos até finalmente chegar. Estacionei o carro no próprio estacionamento enquanto dava um jeito nos "crachás" para a entrada na mesma. Eu desembarquei do carro e fui ao seu encontro na entrada do pavilhão.
- Aqui - ela me entregou o meu e deu as costas já entrando no prédio, acompanhei por todo o trajeto que eu definitivamente não conhecia, mas ela parecia conhecer perfeitamente. Quando entrou em um estúdio já organizado e com algumas pessoas, parecia conhecer a maioria. Aquilo era um tanto estranho. Os dois primeiros fatos que eu pude notar eram que as atrizes que estavam ali para fazer o teste eram de fato muito mais bonitas que eu e o segundo, tinha certeza de tê-las visto em algum programa famoso. O que diabos eu estava fazendo ali era uma pergunta que não queria calar. De qualquer forma tentei ao máximo ignorar aquilo e me sentei esperando a minha vez para o teste, mexi na minha bolsa e peguei o script para ler e tentar encarnar a personagem.
voltou para junto de mim e sentou-se ao meu lado e ficou mexendo no celular compulsivamente. Provavelmente twittando alguma coisa. Li e reli várias vezes a minha fala e tentei ao máximo lembrar-me de como era a personagem que eu iria fazer...
Megan.
Parecia horas que ficamos esperando até que cada uma das garotas que estavam na minha frente saíram lentamente e a única que havia sobrado era eu.
- - um homem com cara de ser assistente do direto chamou em voz alta. Eu levantei e apenas dei um breve sorriso para que ficou onde estava me esperando. Entrei na sala acompanhando o homem que pude ver no seu crachá que chamava-se "Robert".
- Você sabe o que fazer? - Robert me perguntou assim que entrei no cenário. Apenas assenti silenciosamente e respirei fundo tentando me manter calma - Vamos lá então. - ele voltou a falar - Esse é o Ricky, ele vai contracenar com você agora. Vamos gravar a cena 2 em 3,2,1... - e então as luzes da câmera se ligaram. Respirei fundo pela ultima vez e incorporei a personagem.

"- Eu sei o que aconteceu aquela noite - Ricky suspirou totalmente teatral, se aproximou um passo então parou e me encarou de uma forma rude.
- Você não sabe nem da metade - proferi cada palavra - E se realmente soubesse, não estaria me falando sobre isso - sorri irônica.
Ricky gargalhou.
- Não é como se eu tivesse medo de você, Megan - ele continuou com o sorriso no rosto, um sorriso que deveria me irritar. Me concentrei.
- Medo? Não... Porém eu acho que, bom senso não é a mesma coisa - dei uma breve pausa - E lhe cairia muito bem, digamos assim - pisquei sinicamente em sua direção. "

Repeti três vezes a mesma cena e repassei somente as falas, era o que tinha de ser feito. Mas minha falta de paciência estava realmente complicando aquilo. Não que estivesse impedindo meu desempenho, pelo contrario... Até me ajudava. Quando finalmente saí da pequena - que de pequena não tinha nada - sala, ainda estava me esperando sentada, com a maior cara de tédio que conseguia fazer. Eu dei uma pequena risadinha e então voltei a fazer silêncio. Ela me olhou e sorriu agradecida, levantou pegando minha bolsa e passando a sua pelo braço.
- Graças a Deus, achei que ia mofar aqui - resmungou enquanto me entregava a bolsa. Dei um pequeno sorriso. Não podia ficar respondendo tudo com pequenos sorrisos irônicos ou com palavras monossilábicas, até porque sabia que não gostava disso. Respirei fundo.
- Obrigada por esperar - agradeci, ela piscou algumas vezes apressada e sorriu - Vamos? - perguntei, querendo muito sair daquele lugar que estava me deixando mais rabugenta ainda. Ela concordou silenciosamente e seguimos pelos longos corredores repletos de portas com nomes e diversas salas de gravações. Chegamos ao estacionamento e nos direcionamos para o carro amarelo berrante de . Embarquei no lado do motorista e esperei que ela embarcasse no carona. Coloquei o cinto e dei partida no carro em silêncio.
Todo o caminho foi a mesma coisa, eu simplesmente não tinha o que falar, não tinha exatamente um assunto em mente para puxar. Estava sendo uma manhã complicada, mesmo não parecendo e superficialmente não tendo motivos. Mas eu tinha motivos, apenas parecia que ninguém poderia entender. Quando finalmente chegamos em frente ao prédio e eu estava prestes a estacionar o carro, se pronunciou.
- Você não vai almoçar, não? - ela me olhou de canto de olho e logo depois encarando o relógio de pulso. Encarei o mesmo que estava em seu pulso e marcava exatos 11:45. Droga, pensei. Não estava realmente com fome, mas não podia ficar com a barriga vazia.
- Claro, vou sim - respondi com um suspiro - Quer dizer, vamos? - corrigi. Ela me olhou e negou com a cabeça me surpreendendo - Não? - perguntei.
- Estaciona o carro - pediu rapidamente assim que percebeu que estávamos paradas no meio fio. Fiz o que ela pediu e estacionei o carro na primeira vaga que encontrei, me virando para encará-la. Ela me pergunta sobre o almoço e logo depois nega o meu convite.
- , olha eu sei que você está com problemas e tudo mais - ela suspirou - Mas sinceramente, seu mal humor está começando a me afetar - respondeu. Era uma das coisas que eu realmente não gostava em , as vezes ela era sincera até demais. Permaneci em silêncio, eu não tinha exatamente o que responder. Ela estava completamente certa, eu provavelmente estava insuportável. Sabia disso e sabia também que não podia fazer nada.
- Desculpa - respondi sinceramente, tirei o cinto que me prendia no banco do carro e peguei minha bolsa, abri a porta e desci, fechando novamente a porta. ficou apenas me olhando, ela não perguntou nada, me olhou e seu olhar dizia "Respire fundo" e era exatamente o que eu pretendia fazer.
Comecei a caminhar pelas movimentadas ruas londrinas sem nenhuma direção específica. Queria apenas andar e andar, até que meus pés começassem a doer no lugar do meu peito e de minha cabeça. Às vezes eu imaginava como seria ter uma vida completamente normal, e em como eu gostaria de ter uma. Mudei o rumo dos meus pensamentos, me preocupei com coisas aleatórias, com coisas que não me fizesse lembrar nem pensar nada. Parei na vitrine de uma loja de música, havia alguns discos de vinil na vitrine, uma parte deles eu já tinha e a outra não compraria nem que fossem os últimos da terra, porque a música deles era realmente ruim. Revirei os olhos ao ler os nomes das bandas e então dei de ombros seguindo caminho.
Atravessei a rua rapidamente e segui meu caminho desconhecido, apenas olhando algumas vitrines: Lojas de roupas, de animais, música e até mesmo de comida. Não resisti em uma das vitrines da loja de chocolate, entrei lá e comprei vários tipos diferentes de barras e bombons, trufas e coisas do gênero. Chocolate era um vicio bom, eu gostava de ser viciada em chocolate. Continuei a caminhar e então minha barriga pediu alimento, parei na primeira lanchonete que aparecer e para minha sorte era um McDonalt's. Fiz meu pedido e esperei até ele ficar pronto, peguei a bandeja e fui me sentar em uma mesa ao fundo. Tirei o hamburguer da pequena caixinha e desembrulhei, dando a primeira mordida. Eu não sabia se era o destino querendo realmente me fuder ou algum tipo de imã que atraia todas as coisas que eu queria parar de pensar. Danny e Dougie entraram juntos na lanchonete e pararam para fazer o pedido. Havia um ou dois fotógrafos do lado de fora, fotografando a lanchonete. Eles pareciam não ter me visto, abaixei a cabeça e arrumei o boné para tapar meu rosto. Fiquei olhando por cima da aba do mesmo, eles pagaram os pedidos e ficaram esperando. Dougie tirou uma foto com uma garota e deu um autógrafo para a outra. Logo depois Danny fez a mesma coisa para as mesmas garotas e foi nesse momento que ele pareceu me ver. Sua expressão mudou um pouco então voltou ao normal, ele cutucou Dougie com o cotovelo e o fez me olhar também. Muito bem , você é um imã para desgraças, lembre-se nunca conseguira um dia de paz - não nessa cidade. Eles andaram até mim e pararam na minha frente se olharam e então falaram meio que juntos.
- Hey.
Abri a boca para falar alguma coisa e saiu um som estranho, tomei ar e tentei outra vez.
- Hey - falei baixinho, encarei Danny por um momento e então encarei Dougie.
- Então... - Danny tentou puxar assunto - Você vai a Maddox, hoje?
- Er - pensei - É, talvez - dei de ombros, brincando com meu hamburguer. Eles se entreolharam mais uma vez e então Dougie me olhou.
- Bom te ver, mas acho que meu pedido tá pronto - ele apontou para o balcão - Então, tchau - e saiu apressado em direção ao balcão. Danny o olhou sair e me olhou novamente, mas com outra expressão. Por um momento ele não parecia estar bravo, mas foi ilusão pensar isso, porque rapidamente repôs a antiga expressão.
- A gente se vê de noite então - ele ia levantar a mão para fazer um aceno e sair. Mas fui um pouco mais rápida. Eu não queria vê-lo daquele jeito, a maneira como estava falando comigo, tão frio. Como se fosse um desconhecido, ele podia estar bravo, mas não podia me tratar assim. Ele definitivamente não tinha esse direito. De maneira alguma.
- Danny - chamei baixinho, ele desviou o olhar e respondeu com uma espécie de gemido. Eu o fitei rapidamente e então mudei de ideia, respirando fundo - Nada.
- Hm, ok - ele sorriu brevemente - Eu já vou, até de noite - e então deu as costas.
Meu estômago embrulhou e realmente perdi toda a fome. Empurrei a bandeja para longe e levantei apressada para sair daquele lugar o mais rápido possível. Passei quase esbarrando neles e empurrei a porta para sair. Um fotógrafo ficou na minha frente me fazendo dar-lhe um pequeno empurrão. Eu estava cansada de odiar essa situação, estava cansada também de ser a vitima da história. Naquele momento eu só queria um pouco de paz, de diversão. Mas parecia estar impossível, só que eu não deixaria que as coisas continuassem assim. Peguei o primeiro taxi que parou e dei o destino. Eu estava com lágrimas nos olhos, elas só não iriam cair. Danny estava exagerando demais, foi apenas um beijo. Um beijo não deveria mudar nada, não deveria significar nada. Mas eu querendo ou não admitir para mim mesma, aquele beijo mudava tudo, significa algo. Só que não deveria e não poderia. O taxista parou, eu paguei e saí apressada para dentro do lugar. Passei por várias pessoas até finalmente conseguir chegar aonde eu queria. Parei no balcão e a mulher que estava atrás dele me olhou e sorriu.
- Como posso ajudar? - ela perguntou toda atenciosa. Eu retribuí seu sorriso e olhei para os lados, por algum motivo parecia que tinha alguém ali, mas não tinha. Voltei a encará-la.
- Uma passagem para a Califórnia, para amanhã - pedi. Ela digitou alguma coisa no computador e me olhou.
- Temos três vôos para amanhã - respondeu, voltando a olhar o computador - Dois são de manhã e o outro é de noite - informou. Eu não queria pegar um avião de manhã, até porque já tinha outros planos. Engoli em seco.
- De noite é melhor pra mim - a respondi e então ela assentiu. Voltou a digitar e a me fazer as perguntas necessárias. Quando ela finalmente acabou lhe entreguei meu cartão de crédito e paguei a bendita passagem. Ela imprimiu a passagem e me entregou, agradeci e saí apressada daquele lugar. Era movimentado demais, eu não gostava. Até porque, minha cabeça estava muito ocupada para desviar das pessoas e suas malas. Estava ocupada, com meus amados pensamentos sobre a Califórnia, saber que eu já estaria voltando me dava uma ótima sensação, praticamente melhorava meu humor. Mas, havia essa coisa dentro de mim de querer e não querer voltar para casa. Só que a decisão já estava tomada.

Cap 13.

A tarde foi excepcionalmente melhor que a minha perturbada manhã. Resolvi ir ao cinema olhar um filme de terror qualquer e depois dar uma de e fazer algumas compras, entre elas mais alguns discos para minha coleção. Quando voltei para casa não havia ninguém, então fui fazer o que deveria fazer sem ninguém ver. Arrumar minhas malas novamente. Acho que sempre soube que não aguentaria muito tempo nessa cidade, acho que eu definitivamente sabia que teria de voltar ao meu ponto de paz. Nunca fui muito forte com minhas decisões, na maioria das vezes eu voltava atrás. Não dessa vez. Arrumei calmamente minhas malas enquanto escutava música no velho computador que tinha no meu quarto. Quando elas finalmente estavam prontas, as escondi no closet e dobrei as peças que havia separado. A para a bendita Maddox de hoje a noite e outra para vestir amanhã. Me joguei sobre a cama e fiquei cantarolando alguma música da melhor banda dos últimos séculos: Beatles. Minha barriga roncou anunciando que estava com fome, levantei e fui até a cozinha pegar alguma coisa para comer. Um pacote de chips ajudava. Sentei no sofá e liguei a Tv para assistir alguma coisa enquanto comia. Eu estava um pouco inquieta, não conseguia saber exatamente porque estava inquieta, apenas estava. Fiquei olhando ao meu redor até perceber que a luzinha da secretaria eletrônica do telefone estava piscando. Apertei o botão para ver os recados e então uma voz falou: Você tem 3 recados. Eram eles:

", eu sei que você está aí! Te vi no aeroporto hoje, está tentando fugir de mim? Você não me escutou te chamar? Bom, imagino que tenha ido para a casa da sua amiga , se não estiver ido peço desculpas para a Miss. . De qualquer forma, espero que não esteja tentando fugir de sua mãe, apareça para me fazer uma visita.
Até loguinho."


Me afoguei quando escutei as primeiras palavras do recado e fiquei totalmente apavorada quando ele terminou. Eu respirei fundo tentando me acalmar, ela não deveria ter me visto em Londres. Porque definitivamente não tinha planos de ir visitá-la. As coisas entre nós duas eram realmente complicadas, mas eu simplesmente ignoraria aquele recado. Já estava decidido desde o fim da primeira frase. Apaguei o recado e fiquei atenta para escutar o próximo.

, é a vice presidente de sua empresa em Paris. Quando puder, retorne a ligação. É realmente importante! Desculpe incomodar no seu telefone residencial, mas era necessário. Esperamos a sua ligação."


Devia ser realmente um problema, já que nunca havia visto ela receber ligações profissionais no telefone residencial. De qualquer maneira, assim que ela chegasse lhe mostraria o recado. Mas havia mais um, passei para o último dos recados:

"Bom só estou deixando esse recado, porque você ainda não confirmou a sua presença no meu casamento. Nem você, nem nenhum dos garotos. De qualquer forma, me avise o mais rápido possível. E mais uma coisinha, não tenho certeza do endereço de você poderia me passar? Sei que é atrasado, mas vou despachar alguns convites para uns parentes da Califórnia, já mando o dela junto. Então quando der me passe o endereço. Ah só pra lembrar, é a Jenny. Beijos."


Jenny Jimkley? A minha colega de laboratório do colegial? A estranha e meio feinha? Iria se casar? Caramba, isso era incrível. E o mais incrível ainda era ela estar convidando os antigos "amigos". Ela sempre se sentiu nossa amiga e de certa forma nós a sentíamos como amiga também. Mesmo às vezes ela sendo estranha demais. Até porque quem era um de nós para julgar uma pessoa sem realmente conhecê-la? De qualquer maneira, ela mandando ou não convite, minha presença já estava confirmadíssima. Nem que eu tenha de vir da California somente para o casamento e ir embora logo depois da festa.
- Eu ainda acho que você é doida - entrou em casa falando com alguém. E então logo atrás apareceu , totalmente mudada. Ela havia cortado e pintado seu cabelo. Concordava plenamente com o que tinha acabado de falar. Era doidera, tinha cortado os cabelos na altura dos ombros um pouquinho mais comprido e pintado seus cabelos e rosa bebê. E as pontas eram mais roxinhas. Não que tenha ficado realmente feio, de fato não ficou. Pelo contrario, caiu muito bem em seu rosto a cor. Eu gostei, mas ainda assim era doidera. Elas fecharam a porta e me olharam, paradas lado a lado.
- Sinceramente? Eu gostei - falei sem ninguém perguntar nada. fez uma cara de deboche para e sorriu para mim - Mas ainda assim é doidera demais - seu sorriso se desfez e outro apareceu em . jogou a bolsa na poltrona e sentou-se logo depois.
- Eu amei - ela falou dando língua para nós duas. Dei de ombros e largando o pacote de chips sobre a mesinha de centro - E o mais importante, minha mãe vai odiar - e riu.
- Você vai causar um enfarte nela, isso sim - riu ao sentar-se no meu lado. Me encarou estranho e então deu de ombros, como se estivesse desistindo de alguma coisa.
- Falando em enfarte - emendei o assunto - Te ligaram da sua empresa em Paris, disseram que você precisa retornar e que é urgente - comentei. Ela arqueou uma sobrancelha e então se esticou para pegar o telefone, discou alguns números e levantou-se sumindo pelo corredor. Nunca resolveu problemas profissionais na nossa frente, era uma mania dela.
- E o que isso tem a ver com enfarte? - virou-se para me encarar, confusa. Dei de ombros e sorri. Ela revirou os olhos e voltou sua atenção para a televisão que estava ligada.
Foi então que a campainha tocou duas vezes seguidas. me olhou e eu retribui o olhar, aquilo era uma disputa para saber quem iria atender a porta, ela sorriu marota e deu de ombros. Bufei alto e me levantei indo rapidamente até a porta e abrindo. Para a grande sorte de a visita era completamente inesperada.
- Eu sei que minha filha está aqui - começou a sra. que eu conhecia muito bem falou com seu tom arrogante - Chame ela agora! - ordenou. A encarei e sorri irônica, sem paciência.
- Olá tia Mary! Ah eu estou bem também, obrigada - falei sarcástica - Se você quer falar com , entre e a procure - revirei os olhos e saí parando de repente ao ver que já não estava mais na sala. Procurei por todos os cantos com o olhar, mas não a achei.
- Pois bem, sempre soube que você era uma má influencia para a minha filha. Sua mãe sabe do seu comportamento? Oh, minha irmã não deve ter a mínima ideia - bufou ela, ajeitando a bolsa no braço e entrando com cara de nojo ao apartamento. Ela olhou ao redor e voltou a me encarar. - Então, aonde ela se encontra? - perguntou.
- Não faço a mínima ideia - respondi sinceramente. Dei as costas para ela e fui até a cozinha pegar alguma coisa para tomar. Quando entrei na mesma tropecei na mesa e olhei para baixo, lá estava escondida em baixo da mesa feito uma criança. Dei uma risada breve e abri a geladeira pegando uma coca-cola e fechando logo em seguida. Voltei a sala e me joguei no sofá não dando a mínima para aquela mulher que eu tinha o desgosto de chamar de tia. Ela infelizmente era irmã de minha mãe e é como dizem, a fruta não cai longe do pé. Sangue não é água, elas eram praticamente iguais. Dois anos de diferença e o gênio das duas era idênticos. Sempre foram muito amigas e gostam muito de infernizar a minha vida e de também. Mesmo tia Mary sempre deixando claro que não gostava de mim, ela me intitulava "má companhia e mal educada". Nada que eu realmente me importasse.
- ! - ela chamou alto - - chamou novamente quando não obteve resposta. Então ela deu de ombros e olhou para a poltrona mais próxima, passou a mão pela mesma como se para limpá-la e sentou cruzando as pernas e pousando as mãos sobre as mesma. A encarei com a sobrancelha arqueada e bufei irônica. Voltando minha atenção para a televisão. Ela então começou a cantarolar uma música irritante e clássica. Tentei ao máximo não lhe dar atenção, mas era quase impossível. Aquela mulher era realmente uma praga, no sentindo literal. Aumentei o volume da televisão e ela cantarolou mais alto também. Quando finalmente apareceu para me ajudar. Eu sorri agradecida.
- Miss. - cumprimentou com um pequeno aceno de cabeça em sua direção - Quanto tempo - continuou educadamente.
- Ao menos alguém educada nesse... - ela pensou em um termo para chamar o apartamento de , que percebeu e não gostou - apartamento - completou com um tom diferente na voz. Ela me olhou logo em seguida, como se para me atingir - Sua mãe deve ter lhe dado educação, ao contrario de outras pessoas. Sinceramente? Isso deve ser culpa daquele homem. Sempre avisei a Meg que ele não passava de um vagabundo qualquer. Mesmo tendo dinheiro e todo o resto, você sabe - ela gesticulou e revirou os olhos. Se ela voltasse a falar de meu pai, não sabia exatamente o que iria fazer. Mas iria.
- Pois é - respondeu sem saber o que falar e então sentou ao meu lado no sofá e me encarou pedindo ajuda. Neguei com a cabeça e voltei minha atenção para a Tv.
- Esse tipo de cara não presta, você sabe - ela riu - Músicos e coisas do tipo, como o pai dessa aí - respirou fundo teatralmente.
- O que tem meu pai? - perdi toda a paciência e o pouco de educação que tinha. Ela não podia sair falando de meu pai como se ele fosse qualquer um, como se fosse um péssimo homem. O que ao contrario disso tudo, ele era um ótimo pai e acima de qualquer outra coisa um ótimo amigo. Se não fosse por ele, não fazia ideia de como teria sobrevivido com a mãe desnaturada que eu tinha. Porque ela sim, era tudo isso que essa mulher estava falando. Eu odiava que alguém falasse dele na minha frente, nunca permiti.
- Oh! Vamos lá, não se faça de desentendida - ela riu - Seu pai, você sabe muito bem que ele não presta - e alisou a saia. Minha cabeça estava latejando.
- Você não conhece meu pai, não abra a boca para falar dele - respondi rude, ela arregalou os olhos brevemente e então uma pequena ruginha se formou na sua testa.
- Se você tivesse sido criada somente por Meg, teria bons modos - tia Mary tinha o dom de me tirar a paciência e me deixar com raiva. Mas ela não merecia uma resposta - De qualquer forma, cadê minha filha? Não vou sair daqui sem falar com ela - mudou de assunto. Ouviu-se um suspiro alto e então um afastar de cadeiras e apareceu em pé na cozinha, eu sorri. Agora era veria o que uma ótima criação fazia, estava torcendo para ela ter um enfarte. andou lentamente até a sala e respirou fundo antes de falar.
- Estou aqui mamãe - falou seguindo seu caminho e parando em frente a Mary que engoliu em seco e pousou a mão no peito, como se estivesse realmente passando mal.
- ! - ela gritou e pôs-se em pé rapidamente arfando - O que você fez com seu cabelo? - perguntou apavorada. puxou uma mexa do cabelo e olhou debochada.
- O que tem ele? - perguntou dando uma de inocente. Ela bufou alto.
- Essa... Essa cor horrível - engoliu em seco - Você não pense que vai deixar os cabelos dessa cor, amanhã mesmo vamos ao meu cabeleireiro e ele vai dar um jeito nisso - concluiu.
- Não, nós não vamos - discordou rapidamente. Eu estava meio perdida no meio daquela conversa, assim como parecia estar - Você não manda em mim, já sou maior de idade. E se você pode se casar pela trigésima vez, eu posso fazer o que bem entender com os cabelos e dê graças a Deus por que não fugi e não casei com o primeiro mendigo da rua - gritou . Eu apenas encarava a expressão de uma para a outra.
- Não use esse tom de voz comigo - respondeu Mary com uma veia do pescoço parecendo que iria saltar do corpo - E não pense que isso vai ficar assim , cabelos rosas... O que as pessoas iriam pensar? Só me falta começar a cantar e tocar - riu debochada.
- Muito bem mamãe, está começando a adivinhar as coisas corretamente - sorriu .
- Você não vai virar uma vagabunda como o pai dessa aí - gritou tia Mary em resposta me apontando com a cabeça. Eu não aguentava mais, levantei em um pulo e gritei:
- MEU PAI NÃO ERA UM VAGABUNDO.
- O pai dela não era um vagabundo, ao contrario de seus vinte e poucos maridos - respondeu - E agora se a senhora faz o favor, vai embora - pediu com lágrimas nos olhos.
- Eu vou, mas como eu já disse - respirou fundo se acalmando - As coisas não vão ficar assim - arrumou a bolsa no braço e se dirigiu para a porta que ainda estava aberta, a seguiu e fechou a mesma quando ela passou. que estava quieta até agora se levantou e andou até a cozinha para pegar uma água, estranhamente.
- Sua mãe tem o dom de enlouquecer qualquer um - bufei alto voltando a me sentar no confortável sofá de couro. Respirei fundo me acalmando. voltou a se jogar na poltrona, me olhou e sorriu debochada.
- E eu não sei? Mas sua mãe não fica muito longe - ela riu e me jogou uma almofada.
- E eu não sei? - repeti teatralmente - O caso é que eu mantenho distância, há algum tempo - engoli isso a seco e desviei o olhar rapidamente. que estava meio estática na cozinha voltou a sala e sentou-se novamente - Que diabos você tem? - perguntei mudando de assunto e me virando para olhá-la de frente.
- Nada só alguns problemas que vou ter de resolver - ela suspirou e largou o copo sobre a mesinha. - Vamos pedir comida? - perguntou nos olhando. Concordamos silenciosamente e ela sorriu - Japonesa? - olhou para mim e eu sorri aprovando. Eu realmente adorava comida japonesa, era a minha favorita. Era um gosto estranho, mas eu gostava muito. Aprendi a gostar com meu pai, que era um grande fã do Japão. Mudei o rumo dos pensamentos mais uma vez e observei pedir as comidas por telefone e se jogar sobre mim para deitar no sofá. Joguei a cabeça para trás e relaxei todos os músculos por um minuto, eu estava tensa. Mas não fazia ideia de porque todo aquele pequeno estresse. Fechei os olhos e fiquei assim por um tempo, até quase adormecer. A campainha tocou novamente me despertando rapidamente, já seria a comida? Tão rápido? Provavelmente não.
- Quem será? - perguntou enquanto se levantava e ia em direção a porta.
- Se for a sua mãe novamente, vou chutá-la escadaria a baixo - avisei para que riu alto e me fez rir também.
abriu a porta e então ouvi-se as conhecidas vozes.
- Resolvemos vir para cá antes de irmos para a Maddox - Tom falou assim que apareceu na porta dando um selinho demorado em que retribuiu toda feliz. Foi meio que imediato eu pulei para o último acento do sofá e puxei para sentar ao meu lado, assim ninguém sentaria lá. Ela ficou reclamando porque assim o Harry podia sentar ao seu lado, mas acabou parando de reclamar. Os guys entraram e fecharam a porta ao passar.
- Hey - eles cumprimentaram geral recebendo breves sorrisos de nossa parte (minha e de , que de fato também não ficou muito satisfeita com a ideia). Mas não podíamos expulsá-los a ponta pé, seria muito mal educado da nossa parte.
Realmente mal educado.
- Nós estávamos em casa - começou Harry - Lembrando das nossas preparações antes das festas - e riu alto - Vocês lembram? - perguntou. Todos assentiram com sorrisos no rosto.
- Então trouxemos também a Vodka - Danny falou tirando de uma sacola, uma garrafa de vodka Absolut. E ergueu lá no alto como se fosse um troféu ou algo do tipo, eu sorri.
- Cadê o Dougie? - perguntou assim que percebeu que só havia três garotos, eles se entreolharam e deram de ombros desviando o olhar. Aquilo ainda era suspeito.
- Então qual vai ser o primeiro jogo? - Harry perguntou todo empolgado. Mas eu sinceramente não estava com paciência nem cabeça para aquele tipo de coisa.
- Não sei, mas vou passar - levantei e dei as costas para todos indo em direção ao meu quarto. Não aguentaria ficar ali sentindo a indiferença de Danny. Entrei no meu quarto e tranquei a porta ao passar. Eu iria a boate, mas para fazer Harry, Tom e as garotas felizes caso contrario eu não iria. Me joguei sobre a cama e coloquei o relógio a despertar. Bocejei e fechei os olhos para tirar uma soneca.


Tinha alguém batendo insistentemente na minha porta, me encarei pela ultima vez no espelho checando se estava tudo certo. Eu estava vestindo uma blusa branca toda rendada, um short preto cintura mais alta, estilo boyfriend com a barra desfiada, meia calça transparente preta, um casaco com manga fofa todo em paetê também preto. Um sapato de salto estilo oxford branco. Meus cabelos estava perfeitamente lisos e minha maquiagem também estava bem. Os olhos prata com preto nos cantos esfumaçado, muito rímel, delineador e lápis, uma corzinha nas bochechas e a boca um rosinha bebê. Respirei fundo e abri a porta dando de cara com uma completamente arrumada e linda. Ela estava com um vestido preto todo rendando em bordô, as mangas rendadas contrastando com sua pele extremamente branca, havia um decote V nas costas até abaixo da cintura. Um sapato preto básico. Seus cabelos caiam em ondulados perfeitos e sua maquiagem estava básica, o que chamava atenção era o batom vermelho sangue em sua boca. Ela estava linda.
- Achei que você não iria - ela riu e então me puxou pelo braço. Quando chegamos a sala e todos estavam ainda lá prontos, arrumados e nos esperando. estava vestindo um vestido preto super básico, umas meias 7/8 decoradas com alguns coraçõezinhos, um sapato todo trabalho com tachas pontiagudas. Seus cabelos estava lisos e arrumados, sua maquiagem pesada como sempre.
- Vamos logo então - Tom puxou pela cintura para o seu lado e sorriu - Vamos em dois carros, Danny foi buscar o seu já que viemos no meu - explicou.
- E cadê ele? - perguntou provavelmente torcendo para que Harry fosse em um carro que ela não estivesse. Mas aquilo era apenas fachada, no fundo ela queria ficar no mesmo.
- Está nos esperando lá em baixo - Tom falou já puxando pela mão em direção a porta do apartamento, sendo seguido por Harry e . Eu fiquei para trás, respirei fundo e observei a garrafa pela metade de vodka sobre a mesinha do fundo. A peguei e tomei um longo gole, minha garganta protestou e ardeu. Eu gostei e então a empinei novamente, não sabia a quantia que estava ingerindo, mas ela estava bem mais vazia agora. Balancei a cabeça para a tontura instantânea passar e segui atrás dos outros fechando a porta e trancando ao passar. Peguei o elevador e fui até eles, que estavam me esperando na frente do prédio, em frente a dois carros. estava do lado de fora me esperando.
- Nós vamos com Danny - ela avisou assim que me aproximei, dei de ombros. Ela sorriu e embarcou no banco de trás me fazendo bufar e entrar no da frente. Não olhei para o lado, apenas coloquei o cinto e fiquei olhando pela janela. Mas aquilo não me importava, não essa noite. As coisas sairiam como eu esperava, tinha certeza disso. Pela primeira vez em muito tempo, eu sabia que queria apenas diversão. Não queria amor ou algo do tipo, queria apenas voltar a ser aquela garota que adorava baladas e que de fato não perdia nenhuma.
Ou como costumavam me chamar no colegial, "Rainha das baladas". Era simples assim.
Estávamos indo demasiadamente lento, foi então que percebi que já estávamos na fila de carros para encontrar estacionamento na boate. Quando o carro finalmente parou, desci apressada e parei do lado de fora esperando que fizesse a mesma coisa, localizei com os olhos o resto do pessoal. Ela desceu do carro e me puxou pela mão indo diretamente para o mesmo lugar que eu iria, encontrar o restante dos guys e . Só havia um problema, Dougie também estava lá e com a sua baranga. Engoli em seco e apenas sorri ao me aproximar. Apenas diversão, lembrei a mim mesma.
- Hey pessoal! - ele falou assim que Danny finalmente chegou - Essa é a Hanna, ela vai ficou com a gente hoje - explicou. Todos cumprimentaram a garota educadamente, quando digo todos quero dizer os garotos. , e eu apenas sorrimos e falamos um sonoro 'Oi' em coral. Ela sorriu constrangida para nós e apertou a mão de Dougie.
- Vamos entrar de uma vez então? Aqui fora está frio - reclamou . Tom concordou com a cabeça e então Harry tomou a frente e simplesmente pulou toda a fila de espera, chegou diretamente para um segurança falou alguma e então foi liberada a entrada.
- Bem-vindos a Maddox - falou o segurança, entregando individualmente passes livres para todas as áreas da boate. Como Harry havia conseguido aquilo era uma ótima pergunta, mas do Judd se esperava de tudo. O lugar era incrível, havia um bar separado da pista de dança, em uma área mais calma, tinha algumas poltronas em couro espalhadas pelo ambiente. Havia então alguns degraus que levavam a pista de dança, havia outro bar lá, com barmen fazendo bebidas da sua forma exótica. Então havia no outro lado da pista, mais uma escadinha que daria acesso a área vip e quase restrita. Era simplesmente perfeita, uma boa explicação para ser também uma das boates mais caras e badaladas de Londres.
- Uau - olhou o lugar e sorriu fascinada - É incrível - comentou alegre.
- Concordo, mas sabe o que seria mais incrivel? - me virei para encará-la, ela deu de ombros desistindo e eu sorri abertamente - Se fossemos pegar alguma bebida - arqueei uma sobrancelha. riu do que havia acabado de falar e concordou silenciosamente, então no momento seguinte estávamos todos nós fazendo seus devidos pedidos para o barman.
- Whisky duplo, sem gelo - pedi assim que chegou minha vez, o rapaz concordou e então foi preparar rapidamente o meu pedido. Me entregou um copo, servido pela metade de um liquido âmbar. Beberiquei o mesmo me sentando em um banco perto do bar.
- Esse coquetel é incrível - falou assim que o copo saiu de sua boca e riu - Devem provar, é muito bom - completou dando outro gole.
- É verdade, eu geralmente peço quando venho aqui - a tal garota que se intitulava Hanna, falou tentando ser amigável. olhou para ela com uma cara estranha e sorriu.
- É mesmo? - respondeu contra vontade, apenas para não parecer muito mal educada.
- Hanna, eu já venho - Dougie falou e então depositou um beijo em seu pescoço e saiu. Aquilo me revirou o estomago, então apenas empinei o copo da minha bebida e sorri ao sentir a garganta protestando, enquanto o álcool descia queimando.
- Hm - se escorou do meu lado e me olhou - É impressão minha ou a garoto de hoje a noite é a nossa querida, Party Queen? - sorriu. Dei de ombros, pedindo mais um whisky para o rapaz do bar. Ele foi fazer assim que lhe pedi, me entregou o copo e imediatamente tomei outro gole. Comecei a analisar as pessoas ao meu redor, em um canto da boate estava Dougie conversando com um cara mal encarado e lhe pagando alguma coisa. Não conseguia entender ao certo o que significava aquilo, mas simplesmente não gostei. Levantei e peguei minha bebida, andei lentamente até onde eles estavam e então me intrometi no meio da conversa.
- Posso falar com você Dougie? - perguntei o puxando pelo braço, antes mesmo que ele respondesse - O que você está pagando para esse cara mal encarado? - falei assim que estávamos distantes o suficiente. Dougie arqueou a sobrancelha e me encarou.
- Cuide da sua vida - respondeu mal humorado - E mal encarado por mal encarado, acho que o Danny está ganhando essa - ele sorriu rudemente e então me deu as costas. Fiquei ali por alguns instantes até me tocar da sua resposta. Virei para olhar Danny e tinha de concordar com Dougie, ele estava realmente mal encarado. Revirei os olhos e empinei mais uma vez minha bebida voltando apressada para o bar.
- O que diabos você foi falar com ele? - perguntou brava. Ela provavelmente não queria saber de mais envolvimentos e dramas essa noite, sabia disso. Dei de ombros.
- Você não acha estranho - comecei - Dougie estar pagando alguma coisa para aquele cara no canto de uma boate?- perguntei. Ela me olhou como quem avisava que aquilo não era realmente da minha conta, mas nem por isso deixava de ser estranho.
- Deixa o dude, - Harry falou alto perto me mim, me fazendo virar para encará-lo. Ele piscou e saiu com sua cerveja nas mãos indo em direção a um grupo de garotas. revirou os olhos e empinou sua bebida.
- Harry tem razão - Tom concordou rapidamente, como se fosse para encerrar o assunto. E por hora eu concordava, o assunto estava encerrado por essa noite. Mas amanhã era outro dia - Hey amor, vou ali falar com um primo meu que acabei de ver - ele riu - Você vem comigo? - perguntou virando-se para que assentiu em silêncio.
- Deixe isso para lá e aproveite a noite - ela murmurou ao passar por mim de mãos dadas com Tom e então eles sumiram entre a multidão, assim como Harry. Hanna estava falando alguma coisa com Danny que estava respondendo com muito pouco entusiasmo. Ele me olhou e então desviou o olhar assim que viu que o estava encarando. Respirei fundo, longa noite. Virei para o bar e pedi uma cerveja dessa vez, minha garganta agradeceria.
- Vejo que Harold desapareceu rapidamente, não? - bufou ao meu lado. Sorri para ela e dei de ombros, ela sabia muito bem que as coisas eram assim, mas de qualquer maneira eu tinha de falar alguma coisa, para deixá-la tranquila. Era meu papel como amiga.
- Ele deve voltar, já - respondi dando um longo gole na cerveja. Danny se aproximou assim que a garota de Dougie foi encontrar com ele no canto da boate. Desviei o olhar dos dois quando Dougie me olhou rapidamente.
- , posso falar com você? - Danny roubou minha atenção assim que se pronunciou, meu coração pulou no peito. suspirou alto, pegou seu copo de bebida e sussurrou um 'pista de dança' assim que passou. Me virei para encarar Danny e então ele sentou-se de frente para mim. Fiz um aceno com a cabeça para que ele continuasse - Eu quero te pedir desculpa - ele parecia constrangido por falar sobre isso. Assenti ainda em silêncio - Espero que não esteja realmente brava comigo - e sorriu.
- Pensei que você estivesse com raiva de mim - respondi sinceramente. Ele me olhou incrédulo e então negou com a cabeça veemente.
- Não, eu estava com raiva de mim mesmo - falou rapidamente, então ele pareceu perceber o que tinha acabado de falar e desviou o olhar.
- Raiva de você mesmo? - não conseguia entender o que ele queria dizer com aquilo. Porque ele sentiria raiva de si mesmo? Quais os motivos, sendo que a estúpida da história havia sido eu. Aquilo parecia ser mais complicado que o normal.
- Longa história - ele riu. Sabia que toda vez que Danny falava que era uma longa história ele não queria contar, não no momento pelo menos. Concordei em silêncio, ainda havia aquele clima tenso entre nós que levaria algumas horas para voltar ao normal. Ele abriu a boca para falar novamente, mas foi interrompido por que corria em minha direção.
- Competição de tequila, - ela falou empolgada - Vamos lá, como nos velhos tempos - me puxou pelo braço. Eu encolhi os ombros para que ele entendesse que não tinha escolha. Danny apenas riu e concordou em silêncio e ficou me olhando desaparecer de vista.
Nós passamos por várias pessoas, atravessamos a pista de dança esbarrando em quase todo mundo e então chegamos a um lugar aonde havia duas mesas e vários copos de tequila. Eu sabia como aquilo funcionava, quem conseguisse virar todos os copos em menos tempo ganhava. Havia rodelas de limão e um pouco de sal também nas mesas.
- Aqui, ela vai competir comigo - falou para um cara que estava tomando conta das coisas. Ele assentiu e então nos posicionamos atrás das mesas e esperamos o sinal.
Quando o cara abaixou o braço começamos a virar os copos.
Primeiro - a garganta estava ardendo e a cabeça começando a doer pela mistura de bebidas.
Segundo - a cabeça continuava a doer e a visão a ficar levemente turva.
Terceiro - cabeça e visão piorando.
Quarto - Já estava completamente tonta.
Quinto - Não havia mais sensações.
Quando virei o último copo antes de comemorei rapidamente. O problema da tequila estava nisso, ela conseguia te apagar rapidamente. Esse era definitivamente um problema.

Danny POV.

havia desaparecido fazia exatamente meia hora, então eu finalmente desisti de esperá-la para conversar. Fui fazer o que faço de melhor, tentar falhamente esquecê-la. Havia uma garota que estava me encarando desde que cheguei à boate. Não era tão bonita quanto ela, não tinha o mesmo jeito, mas não importava. Ela se aproximou e quando finalmente ia beijá-la, avistei no meio da pista de dança quando a música finalmente trocou.


Another day - Outro dia
Another night - Outra Noite
And she's acting like she don't sleep - E ela está agindo como se ela não dormisse
She's a fight - Ela está numa luta
When she drinks - Quando ela bebe
But she's a deal when she's on top of me - Mas ela é um negocio quando ela está em cima de mim.


Ela começou a se movimentar no ritmo da música e eu simplesmente não conseguia tirar os olhos dela. A garota que estava ali comigo, estava beijando meu pescoço e tentando ao máximo conseguir minha atenção. Mas ela não podia e devia saber disso. Permaneci em silêncio apenas observando. estava de fato quase embriagada. O que não mudava nada porque não estava realmente bêbada. Ela estava linda naquela pista de dança.

She don't want love - Ela não quer amor.
She just wanna touch - Ela só quer tocar
She's a greedy girl to never get enough - Ela é uma garota gananciosa que nunca tem o suficiente.
She don't want love - Ela não quer amor
She just wanna touch - Ela só quer tocar
She's got all the moves - Ela tem todos os movimentos
To make you get it up - Para fazer você buscá-la


Seu corpo se movimentava de uma maneira que eu não conseguia explicar. Era envolvente, sedutora e estava deixando todos a sua volta doidos. Dougie estava em uma poltrona com Hanna consigo e ainda assim estava a olhando, assim como eu.
Aquilo, a maneira como ela mexia o corpo era enlouquecedora. Ela olhou para ele e apenas revirou os olhos continuando a dançar e então seu olhar encontrou com o meu. E ela apenas continuou a dançar.

She's a dirty dirty dancer - Ela é uma Obscena, dançarina obscena.
Dirty dirty dancer never ever lonely - Obscena, dançarina obscena, nunca solitária.
She's a dirty dirty dancer - Ela é uma Obscena, dançarina obscena.
Dirty dirty dancer you'll never be her only - Obscena, dançarina obscena, você nunca será o único dela


Ela começou a andar em meio a multidão de pessoas, esbarrando em algumas e empurrando outras. Mais especificamente alguns caras e continuou a andar dançando no ritmo da música, sem perder o ritmo. Meu coração começou a disparar, já nem sentia mais as tentativas da outra garota de me fazer beijá-la.
Não eram os lábios dela que estavam em minha mente, não era o corpo dela que estava me deixando louco. Sem nem tocar.

It's a game (ha!) - Isso é um jogo, (Há!)
That she plays - Que ela joga
She can win with her eyes closed - Ela pode vencer com os olhos fechados
It's insane - Isso é insano
How she tames - Como ela doma
She can turn you into an animal - Ela pode te transformar num animal


se aproximou o suficiente, empurrou a garota para longe falando alguma coisa que não prestei atenção. Se aproximou mais um pouco de mim e estendeu a mão para que eu pegasse, meu movimento foi involuntário. Segurei sua mão e a deixei me guiar pelo meio das pessoas, subi as escadas que dariam para a área vip e entrei. Estava praticamente vazia com exceção de dois casais. Ela virou-se para me encarar e então me despertou do transe.
- Nós podemos conversar melhor aqui, ninguém vai interromper - ela sorriu apontando para um longo sofá. Concordei silenciosamente e segui para o sofá indicado e sentei, esperando ela fazer o mesmo. sentou e virou-se para ficar de frente para mim - Porque você ficou com raiva de si mesmo? - ela perguntou decidida. Queria uma resposta.
- Porque esperei a minha vida toda por aquilo - respondi sinceramente - E quando aconteceu foi para uma vingança que eu não queria participar - dei de ombros. Ela piscou algumas vezes, provavelmente tentando entender minha resposta.
- Esperou a vida toda? - ela riu como se aquilo fosse uma pegadinha ou algo do tipo. O seu riso era tão lindo e como ela estava linda essa noite, assim como todos os dias. E como estava quase impossível resistir. Não sabia o que estava acontecendo comigo. Eu não respondi sua pergunta então ela suspirou e continuou - Vou embora amanhã Danny - era uma confissão que eu não gostaria de ouvir. Aquilo só piorou as coisas.
- Depois a gente conversa, vamos voltar, alguém pode estar nos procurando - falei em meio a um suspiro. Seus olhos levemente embriagados estavam com um brilho diferente, ela levantou e fui logo atrás dela. Quando ela abriu a porta e uma lufada de ar entrou carregando seu perfume, minha sanidade se foi. Fechei a porta rapidamente com uma mão e a empurrei contra a parede, ela parecia não entender nada. Me aproximei e pressionei o meu corpo contra o dela, rocei meu rosto no seu e então quando finalmente olhei em seus olhos, colei meus lábios nos seus. E para minha grande surpresa ela retribuiu o beijo, passou uma mão na minha nuca puxando levemente meu cabelo. Peguei na sua cintura e a puxei para mais perto ainda, se isso era possível. passou a mão nas minhas costas e desceu arranhando levemente, conseguindo enfim me deixar arrepiado.


Danny Off.


Não sabia distinguir qual dos dois estava mais surpreso, se era eu ou ele. Eu não podia imaginar que quando Danny selasse nossos lábios um desejo estranho tomaria conta de mim e acabaria correspondendo o seu beijo. Isso nunca havia acontecido antes, era completamente diferente de tudo que eu já havia sentido. Era quente, enlouquecedor e provavelmente errado. Mas isso não estava me importando pela primeira vez em muito tempo, eu sabia que queria aquilo e isso bastava para mim, parecia bastar para ele também. Terminamos o beijo com alguns selinhos demorados e então Danny encostou sua testa na minha e segurou meu rosto com uma mão, fazendo leves carinhos na minha bochecha com seu polegar.
- Isso foi errado, não foi? - ele perguntou ainda de olhos fechados. Sua respiração batendo em meu rosto, mais especificamente em minha boca.
- Foi, mas eu prometi a mim mesma que esta noite isso não importava - sorri ao responder. Ele abriu os olhos e me encarou fixamente, seus olhos em contato com os meus era diferente, parecia que ele podia ver tudo que estava se passando dentro de mim dessa forma. Derrubava todas as barreiras e atravessava o meu interior. Era mágico ou melhor dizendo, era o Danny. Ele sorriu e selou nossos lábios novamente, dessa vez de uma forma mais calma, mais delicada, mais apaixonada.
Passei a mão levemente pelos seus cabelos e o puxando para mais perto. Naquele momento eu consegui decifrar muita coisa. Uma delas em si era que Dougie era como o mar em meio a uma tempestade, era imenso e instável. Maravilhoso e aterrorizante. Representava o infinito, impossível. Meu amor conturbado, nunca poderia prever seus movimentos. Era indestrutível. Já Danny era o meu farol em meio ao mar tempestuoso, ele estava sempre lá para guiar, para me levar de volta à terra firme, de volta a salvação. Ele representava a estabilidade, uma coisa indestrutível também. Ele era a esperança em meio ao desespero, era a felicidade em meio a tanta tristeza, ele fazia a diferença. E foi então, naquele breve momento que me vi enlouquecendo.

Cap 14.

Enlouquecer era talvez um dos meus menores problemas nesse momento. Danny segurava minha mão e me encarava incontrolavelmente. Seus olhos dançavam entre a porta da area vip e a minha pessoa. E eu estava de fato morrendo lentamente, ali parado com todo o seu explendor estava Dougie. Suas mãos na cintura de sua garota, Hanna, me encarando boquiaberto. Havia duas coisas que eu tinha certeza, uma delas é que aquilo não acabaria bem a outra é que a culpa era sempre minha. Não devia ter me deixado levar, não deveria ter correspondido aquele beijo de Danny, mas os toques dos seus lábios eram quentes, doces, suaves e garota nenhuma conseguiria resistir. Me deixou flutuando de algum tipo de alegria ainda não reconhecido, mas obviamente que comigo as coisas não acontecem fáceis assim. Sempre haveria alguma coisa para atrapalhar o que fosse que me deixasse feliz, sempre foi assim, porque hoje seria diferente? Não seria, obviamente. Eu em duvida entre duas coisas, eu abria a minha boca e falava alguma coisa ou apenas esperava para ver no que ia dar.
Então Dougie sorriu de uma maneira bêbada e alguma coisa mais, seus olhos vermelhos e meio inchados estavam vagos, seu olhar não dizia nada, como se estivesse perdido.
- Dougie? - perguntei meio preocupada, aquela não era uma reação óbvia. Era na verdade um tanto quanto preocupante, havia alguma coisa errada eu tinha certeza disso.
- E aí - ele riu de alguma coisa que eu não consegui captar - Vocês não se importam, não é? - sua mão fez um sinal para apontar a área vip, agora ocupada por apenas mais um casal além de nós. Hanna o encarou e então desviou o olhar para mim e Danny sorrindo bobamente. Ela não me parecia ser uma péssima garota, na verdade parecia ser apenas mais uma diversão de Dougie. Como nos velhos tempos, era definitivamente a vítima. Respirei fundo tentando ao máximo controlar qualquer que fosse minha reação.
- Dude, posso ter uma palavrinha com você? - Danny perguntou em um tom de voz descontente. Essa era a prova que havia algo errado acontecendo ali e eu iria descobrir. Talvez não hoje, como já havia constatado antes, mas amanhã é outro dia. Dougie deu de ombros e então seguiu Danny para um canto mais afastado de nós duas, que apenas nos olhamos sem entender muito bem o que estava acontecendo. Eles pareciam estar discutindo alguma coisa, então Dougie gargalhou e sua expressão mudou. Foi como no primeiro dia em que voltei a Londres, a expressão fria no seu rosto. Isso me deixou um pouco mais alarmada, apenas me controlei para não andar até lá e exigir respostas.
- Não seja estúpido, Dougie, isso vai acabar com você - Danny gritou e mesmo com a música soando ali dentro, pode-se ouvir. E então Dougie continuou a argumentar sobre seja lá o que fosse que eles estivessem conversando, ou melhor dizendo, discutindo - Você é um grande idiota, sabia? - Danny voltou a gritar, me deixando um pouco assustada. Porque na verdade eles pareciam prontos para partir a ignorância e sair no soco. Eu não aguentava mais, iria acabar logo com aquilo. Marchei decidida até eles e me meti entre os dois.
- Não sei o que está acontecendo aqui, mas já chega - minha voz deixava transparecer que não estava de brincadeira. Dougie me olhou e então olhou Danny por um momento.
- É claro, já chega - ele sorriu marotamente, de uma forma nada agradável - Pode ficar com seu mais novo namorado - e então deu as costas e voltou a andar em direção a garota que ele ainda esperava, então pareceu lembrar-se de alguma coisa e virou de frente para nós - E assunto encerrado, Danny - com aquilo ele pegou na mão na garota e voltou a sair da área vip. Minha cabeça estava ainda zunindo pelo efeito da bebida e eu estava me sentindo cansada, queria apenas ir embora. A sanidade voltando lentamente em mim.
- Eu preciso ir embora - anunciei assim que tomei a decisão - Você pode me dar uma carona ou eu pego um táxi? - minha voz soou um pouco mais rude que o esperado. Danny concordou silenciosamente e então nos dirigirmos para fora daquele lugar o mais rápido possível. Avisamos no caminho que estávamos indo embora, então saímos e enfim pude respirar um ar digamos que ''puro''. Estava frio lá fora, como esperado. Cortou meu rosto e a minha respiração ficou pairando no ar. Então quando eu ia seguir em frente esbarrei em Danny que já estava na minha frente. Ele segurou meu rosto e o ergueu para poder encará-lo melhor. Eu apenas suspirei, mais uma vez.
- Não fode com a minha cabeça - ele falou e então voltou seus olhos para minha boca e novamente para meus olhos - O que aconteceu hoje? - era uma pergunta difícil, até demais.
- Danny, olha - respirei fundo para continuar - Tem muita coisa na minha cabeça, está tudo uma confusão - expliquei rapidamente - Não vamos complicar ainda mais as coisas, ok? - aquilo era mais que um pedido era uma súplica e estava bem claro, explícito em meu tom de voz. Ele largou meu rosto, mas ainda com a mesma expressão no seu rosto. Os olhos com um brilho irreconhecível e sua boca lutando entre o sorriso e as palavras. Então uma luz nos deixou zonzo me cegando rapidamente, aquele era o efeito da bebida. Olhamos para o lado e nos deparamos com alguns paparazzis tirando algumas fotos. Revirei os olhos e ele fez a mesma coisa, me puxando pela mão em direção ao seu carro que o manobrista já havia trazido. Eu embarquei e fechei a porta rapidamente, esperando Danny embarcar. Assim que ele o fez deu partida instantaneamente no carro e nos seguimos pelas vazias e solitárias ruas de Londres. Havia um silêncio ainda mais devastador entre mim e ele, havia essa pequena tensão sexual entre nós, mesmo não estando mais nos beijando. Ainda assim ele continuava sendo meu melhor amigo e eu não queria confundir as coisas. O amor que sentia por Danny era completamente e totalmente diferente do amor devastador que eu sentia por Dougie. Meu coração palpitou concordando rapidamente e meu cérebro constatou, apenas para contrariar: Mas isso não significa que você não possa amá-lo. Porque amor se constrói. Bobagem no meu ponto de vista, eu não queria estragar mais ainda as coisas entre nós dois. Havia muitos anos de amizade em jogo, era ainda mais difícil.
- Chegamos - Danny avisou assim que parou o carro no meio fio em frente ao prédio de , eu sorri agradecida e então antes de sair me virei para ele.
- Me prometa que eu não vou te perder, Danny? - era outra súplica. Eu tinha de ter essa certeza, que ele continuaria sendo meu melhor amigo. Precisa dele, precisava disso.
- Eu sempre vou estar lá , não importa o que aconteça no caminho - ele sorriu - Eu te prometo, nunca vou te abandonar - enfim a promessa havia sido feita. Sorri outra vez desviando o olhar, então involuntariamente o abracei de mal jeito, por causa dos bancos. Danny retribuiu o abraço e depositou um beijo no topo da minha cabeça afagando meus cabelos. Então eu saí e comecei a andar sem olhar para trás, mas o carro eu sabia que permanecia ali, parado esperando que eu entrasse. Quando assim o fiz, ele disparou novamente pelas ruas. Peguei o elevador e adentrei no apartamento, tranquei a porta ao passar e fui diretamente para meu quarto. Removi a maquiagem, tomei um rápido banho para tirar o suor do corpo. Escovei os dentes, coloquei o pijama e me joguei sobre a cama. O inconsciente do sono já estava me arrastando. E então eu finalmente apaguei.

Meu celular estava tocando em algum lugar do quarto, eu apenas não conseguia imaginar onde ele poderia estar. Levantei da cama e peguei minha bolsa, remexi lá dentro até finalmente pegar o telefone. Havia umas sete chamadas perdidas e um recado na secretaria eletrônica. As ligações eram de minha mãe e o recado provavelmente também seria. O melhor que eu fazia era evitá-la, mas aquilo duraria para sempre se eu bem a conhecia. Suspirei e levantei indo diretamente até o banheiro, fiz toda minha higiene pessoal e voltei ao quarto para trocar o pijama por uma roupa. Vesti a calça jeans e a blusa de manga comprida lisa que eu havia deixado separado. Calcei as minhas UGG marrom e atei o cabelo em um rabo de cavalo alto e firme. Não passei nenhuma maquiagem, apenas peguei minha bolsa e saí do quarto. Não havia ninguém acordado ainda e isso era bom, de certo modo. Peguei as chaves do carro de e deixei um bilhete dizendo que já voltaria, caso alguma delas acordasse e notasse a minha ausência. Saí do apartamento fechando a porta ao passar e peguei o elevador. Três andares a baixo as portas se abriram dando passagem, andei por entre os carros na garagem até chegar ao de . Embarquei e larguei minha bolsa no banco do passageiro, dei partida no carro e segui dirigindo pelas conhecidas ruas de Londres. Quando finalmente entrei no bairro onde minha querida mãe morava, não fiquei impressionada com as inúmeras mansões. Parei em frente da mais escandalosa, diga-se de passagem. A casa era simplesmente enorme, parecia ter três andares. Era em um cinza escuro com branco, o jardim estava perfeitamente cuidado. Estacionei o carro e desci ativando o alarme. Caminhei lentamente pela pequena ''estradinha'' de pedras que me levaria até a varanda e logo até a porta. Subi o pequeno lance de degraus e parei em frente à porta, toquei a campainha e fiquei aguardando. Não muito tempo depois, um homem em uma espécie estranha de terno abriu a porta e continuou com sua cara rabugenta. O encarei, devia ser o mordomo de minha mãe, eu odiava essas coisas.
- Meg está? - perguntei. Ele me olhou como se eu não devesse estar fazendo aquelas pergunta. Apenas revirei os olhos e esperei sua resposta.
- Quem gostaria? - ele perguntou, sua voz era grossa e elegante. Respirei fundo, minha mãe deveria ter sérios problemas mentais. Era a única explicação razoável.
- A filha dela - falei com toda a ironia que podia. Ele me olhou de cima a baixo e então sorriu.
- Por favor - fez um gesto para que eu entrasse, e assim o fiz - Só um momento, já irei chamá-la - falou enquanto fechava a porta e se dirigia para a enorme escadaria em forma de caracol que daria para o segundo e talvez terceiro andar. Observei o lugar, luxuoso demais. Me lembrava um pouco a minha infância, ela sempre gostou das coisas serem assim. Sempre gostou de deixar claro que ela tinha uma quantia de dinheiro um tanto quanto razoável, digamos assim. Me atirei no enorme sofá de couro e acabei me encarando na televisão 45''. Olhei para cima e observei o enorme lustre de cristal que ela tinha na sala. Aquilo me dava nos nervos só de olhar, ela estava demorando. Não gostava disso.
- Querida - sua voz soou um pouco distante. Eu respirei fundo e engoli em seco me virando para encará-la descer as escadas arrastando aquele enorme hobby de seda branca. As coisas realmente não mudavam com minha mãe, era incrível.
- Mãe - falei sem animação e então levantei, para esperá-la em pé. Minha mãe tinha os cabelos da mesma cor dos meus, compridos até os ombros em ondas bem definidas. Os olhos castanhos expressivos e o formato do rosto quase igual ao meu. Sorri para ela, sem muita vontade. Eu e ela não tínhamos uma das melhores relações, talvez nossa relação poderia entrar na lista das piores relações. Nunca nos demos bem, era meio estranho falar isso, sendo que éramos mãe e filha. Mas na maioria das vezes nós apenas nos odiávamos. Foi assim que as coisas ocorreram até que um certo dia, ela passou dos limites e desde então nunca mais a vi. Até agora, e isso não me parecia uma boa escolha.
- , minha filha - ela que agora estava na minha frente me abraçou levemente, sem encostar totalmente seu corpo. Coloquei de leve também uma mão em suas costas e então me afastei rapidamente voltando a sentar.
Ela sentou-se em uma poltrona também de couro e cruzou as pernas para me encarar- Pensei que você estivesse me evitando - ela falou como se não soubesse ao certo. Mas bem no fundo, ela sabia que eu realmente estava a evitando. Aquilo era, provavelmente, apenas preliminares para o que realmente estava por vir. Não sabia exatamente o que minha mãe estava querendo entrando em contato comigo, mas coisa boa realmente não deveria ser. De qualquer forma suspirei teatralmente. Interpretar era realmente comigo, quando não havia sentimentos conturbados envolvidos.
- Lhe evitando? - falei cordialmente, revirei os olhos - Não, é claro que não - neguei veemente. Ela me olhou com uma sobrancelha levantada e então sorriu.
- Que bom que não estamos nos evitando - e então respirou levemente - Pensei que você não voltaria mais a Londres - aquilo era um convite para me fazer falar sobre o que me fez voltar. Eu apenas não cairia nessa, não tinha porque explicar meus motivos para ela.
- Pois não é? Eu também pensei que não voltaria - suspirei - Mas aqui estou, não é? - dei de ombros. O papo não estava sendo muito direto e nenhum pouco promissor - Então mamãe, vamos ser um pouco mais diretas - falei, já cansada da sua presença - O que você quer comigo? - perguntei curiosa. Seus olhos se arregalaram de espanto, provavelmente pela minha falta de tato e educação. Mas ela era minha mãe, sabia que as coisas eram assim comigo, não deveria estar impressionada. Então ela pousou as mãos sobre os joelhos e desviou o olhar.
- Como está seu pai? Você se adaptou a sua nova família? - ela estava se referindo a Catie a nova mulher de meu pai e a minha irmãzinha, Belle. Eu sorri ao lembra-se deles, estava com tantas saudades que não conseguia nem mesmo descrever.
- Digamos que a - fiz aspas com os dedos - "nova" família, é bem melhor que a antiga. Posso te garantir - aquilo soou mais rude do que eu gostaria, minha mãe apenas abaixou o olhar - Ora, mamãe! Vamos logo com isso, eu tenho realmente mais o que fazer da minha vida - a paciência estava se esgotando. Era exatamente por isso que não nos dávamos bem, eu não tinha paciência e ela bom, ela tinha demais.
- Não fale assim comigo, ainda sou sua mãe - ela me repreendeu, como se tivesse alguma autoridade sobre mim. Eu apenas dei uma risadinha irônica e totalmente sarcástica.
- E não é? - admiti, ainda rindo - A mesma mãe que me abandonou quando eu tinha 6 anos, então voltou quando eu tinha 10, e digamos que assim sucessivamente - lembrei-a. Ela levantou-se provavelmente para dar um basta aquilo.
- Você sabe que fiz isso porque precisava - falou rudemente também - Não foi uma boa escolha, eu admito - seu tom de voz baixou.
- Mas não se arrepende não é? - sorri, com toda minha paciência esgotada, levantei e peguei minha bolsa - Vou perguntar pela ultima vez o que você queria comigo, se não me responder vou embora - ameacei.
- Preciso que você assine uns documentos para mim - ela falou rapidamente, com medo que eu cumprisse o que tinha falado. Concordei silenciosamente e voltei a largar a bolsa no sofá.
- Onde estão esses benditos documentos? - perguntei apressada. Ela me fez segui-la até o seu escritório. A sala era imensa, tinha uma mesa com alguns papeis e algumas canetas espalhadas sobre a mesma. Havia um enorme cadeira estofada atrás da mesa e um computador em cima dela. As paredes estavam cobertas por estantes repletas de livros. Ignorei todos aqueles detalhes e assinei os documentos que ela queria que eu assinasse. E assim ela se dirigiu comigo mais uma vez até a sala aonde peguei minha bolsa e simplesmente saí. Ela me acompanhou até a porta e ficou parada na mesma, então subitamente me chamou - !
Me virei um pouco equivocada e ela suspirou.
- Você sabe que eu não quis fazer aquilo - tinha alguma coisa de errada com ela - Você é minha única filha e eu amo você mais do que tudo - aquilo era mesmo uma lágrima escorrendo pelo rosto dela ? E então mais algumas e ela estava chorando.
- Tudo bem, mamãe - não podia falar nada além daquilo. Era tudo que eu podia fazer por ela naquele momento, as coisas não eram tão fáceis como pareciam. Não conseguia simplesmente perdoá-la de um momento para o outro, sendo que não havia conseguido isso em anos. Ela concordou silenciosamente e entrou na casa fechando a porta ao passar. Fiquei ali, parada encarando a enorme porta branca, onde segundos antes minha mãe estava chorando e dizendo que me amava. Respirei fundo me concentrando e dei as costas voltando ao carro de . Embarquei no mesmo e dei partida, pronta para voltar para o lugar que eu realmente poderia chamar de casa e simplesmente passar o resto do dia sentada no sofá assintindo tv. E depois quando fosse hora, pegaria um táxi e voltaria a Califórnia.

Dougie Pov.
Havia coisas que estavam mal entendidas, a primeira delas era o porquê do súbito arrependimento de naquela noite em que ela apareceu e simplesmente terminou comigo antes mesmo de nós termos começado. A segunda delas era aquele relacionamento espontâneo de Danny e ela, e a terceira e mais preocupante era os meus sentimentos. Quando ela partiu sem se importar com nada, nem mesmo comigo, aquilo foi torturante, demorei anos para me recuperar. Para catar todos os pedaços do meu coração e juntá-los, em uma remenda ainda mal feita. Ficou como uma ruptura mal curada. Ainda assim, não satisfeita com o estrago feito, ela voltou e agiu como se nada tivesse acontecido. Mas as coisas não eram tão fáceis assim, para ninguém. Apenas não conseguíamos admitir. Não resistindo em vê-la tão linda no aniversário do Jones, acabei fazendo o que uma parte de mim mais queria. E logo depois o arrependimento me tomou por inteiro, então ela estava parada na porta do meu quarto, ainda perfeitamente linda e me encarando como se tudo dependesse daquilo. Mais uma vez não resisti, é realmente difícil ver a mulher que você ama e amou por quase toda sua vida, parada na sua frente te encarando e não fazer nada. De qualquer forma, mais uma vez o arrependimento me tomou, assim que ela deixou meus braços. E não havia uma volta, eu não podia brincar com os seus sentimentos dessa forma, seria cruel. Levaria tempo, eu precisava apenas de tempo para me adaptar a tê-la novamente. Então lá estava ela novamente, parada em frente a minha casa acabando com aquilo antes mesmo de começar e no dia seguinte estava com Danny. Quando ela o beijou, quando os lábios que me fizeram arrepiar por anos, tocaram os dele. O restante de coração que havia dentro de mim, as sobras da sua partida se romperam em milhares de pedaços e então eu percebi que não haveria mais concerto. Que dessa vez não existiria a fase de conseguir seguir em frente. Empurrei a garota que estava comigo para o primeiro quarto e a deixei ali parada, enquanto me dirigia para o banheiro e me trancava lá dentro. Joguei todas as coisas que estavam sobre a bancada da pia no chão descontando toda a minha raiva. Molhei o rosto e me encarei no espelho, as sombras de quem algum dia eu fui. Voltei ao quarto e dei a pior desculpa possível para a garota e a deixei ir embora de qualquer jeito. Quando estava voltando para meu quarto a observei sair vestida do quarto de Tom e entrar rapidamente no do Jones e sair em direção a porta. Com os olhos repletos de lágrimas e com uma expressão fria. Um tempo depois ele foi atrás dela de carro. Isso me pareceu realmente estranho, mas eu não era nada naquele momento para falar alguma coisa. Então logo pela manhã do dia seguinte, Danny veio falar comigo.
- Dougie você tem um tempo? - ele perguntou assim que me viu circulando pela casa, antes de irmos para a gravadora, apenas concordei silenciosamente - Olha o que aconteceu ontem a noite, eu e ela... você sabe que não existe nada não é? Aquele beijo... Quero dizer, ela só fez aquilo para te provocar - de certo modo fazia sentido e de outro não. Apenas aceitei as desculpas de Danny, afinal ele ainda era meu melhor amigo. Saímos para trabalhar e as coisas aconteceram como normalmente, sem menções nela ou qualquer coisa do tipo. Então saímos para almoçar e lá estava ela novamente, fomos até ela cumprimentar. Mas não aguentei muito tempo, a maneira como ela estava diferente, mais submissa, mais frágil. Eu não suportava vê-la daquela forma, então dei uma desculpa qualquer e saí. Momentos depois Danny voltou e ela passou rapidamente por nós, esbarrando nele ao passar. E sumiu de vista. O restante do dia passou normalmente, até a noite. Ela mais uma vez estava lá, mais linda do que nunca, bebendo, parecendo enfim com a antiga , dançando como se nada mais importasse. Dançando de uma forma que estava pirando com a minha cabeça, com a minha e de vários outros homens. Então ela pegou Danny pela mão e o levou para a área vip. Tentei por minutos me segurar para não ir atrás, mas depois de mais ou menos dez minutos terem se passado, fui atrás sendo seguido por Hanna. Ela era a desculpa perfeita para ir à área vip, a peguei pela mão e entrei no lugar atrapalhando os dois. Eles estavam se beijando, então se separaram. Não sabia exatamente qual dos olhares era o pior, o dele que parecia zangado, preocupado, se desculpando ou o dela, alarmado, preocupado, assustado, realmente apavorado. O que ela não podia saber, até mesmo sonhar era que em todas as noites, todos os dias, desde que ela voltou era que junto com ela velhos hábitos também voltaram. E é difícil abandonar velhos hábitos, ainda mais quando eles te anestesiam por completo e as coisas parecem um pouco mais fáceis. Porque amá-la agora parecia mais difícil e extremamente errado. Era como o predador amar a sua presa, como uma mãe não amar seu filho, como morrer e continuar respirando. Extremamente errado...

Dougie Off.


Abri a porta do apartamento e fiquei estática ao perceber que estava ao telefone no viva voz, com Tom. Aquilo seria embaraçoso para ela se eu entrasse assim de repente. Fiquei parada junto a porta escutando.

"Eu falei que ela havia começado a 3º guerra mundial, raramente eles brigavam, discordavam ou até mesmo discutiam. Agora desde que acordaram e se enxergaram virou o inferno na terra, não podem se ver sem discutir. E desde o começo da viajem, teve duas vezes que quase saíram no soco. É patético vê-los assim... "

Então uma espécie de discussão começou a soar ao fundo da ligação

"- Você não tem nada a ver com a minha vida! - era Dougie gritando - Cuide da sua vida - continuou. Então Danny rebateu: - Você é um grande otário! É isso que você é - gruniu ele. - Realmente sou um otário, porque pensei que em algum momento você fosse meu amigo, seu idiota - e então ouve alguns ruídos indecifráveis - SOLTA! - Gritou Harry em meio a tudo aquilo - Você pode fazer o favor e não olhar mais para a minha cara Jones, eu vou me sentir bem melhor assim. - terminou Dougie. E então houve mais ruídos e Tom voltou a falar - Já chega vocês dois, se acontecer novamente quem vai sair distribuindo socos vai ser eu! - brandou ele."

Era o momento de entrar e estragar com tudo, não queria escutar mais nada. Eu estava destruindo a banda e havia sido exatamente esse o motivo de eu ter ido embora. Mais uma vez estava na corda bamba. Entrei fazendo o máximo de barulho possível e segui direto para a cozinha, larguei as chaves do carro e peguei um pote de sorvete. Voltei a sala e já havia encerrado a ligação.
- Aonde você foi? - perguntou preocupada enquanto passava os canais na televisão. Dei de ombros e me sentei abrindo o pote de sorvete e dando uma colherada.
- Ver a minha mãe - coloquei o sorvete na boca, saboreei e engoli - Ela precisava que eu assinasse uns papeis - expliquei antes que mais perguntas viessem. Então continuamos ali sentadas e assistindo televisão enquanto eu comia sorvete.
As duas horas seguidas, passaram enquanto eu pensava em uma maneira de falar a que havia acabado de voltar e já estava partindo novamente. Ela certamente entenderia, disso eu tinha certeza absoluta, o problema não era exatamente esse, na verdade o problema era o que ela ficaria pensando. Talvez que eu não seja tão forte assim e que aquela antiga garota que ela conhecia não existisse mais. Não aqui em Londres, ao menos. Mas para a minha enorme surpresa, ela sem falar nada foi até o seu quarto e voltou de lá carregando três enormes malas. Parou em minha frente e sorriu.
- Acho que esqueci de avisar - falou preocupada - Vou ter de viajar para Paris, não sei por quanto tempo - respirou fundo - Espero que você não se importe - completou.
- Me importar? - perguntei de certa forma feliz e triste, ao mesmo tempo - Não me importo, apenas não pensava que era realmente tão sério ao ponto de você ter de ir passar um tempo por lá - expliquei com o máximo de sinceridade que conseguia.
- Pois bem, nem eu - deu de ombros - Enfim, o apartamento é todo seu durante esse tempo - ela sorriu de uma maneira que deixava claro que tudo estava liberado, revirei os olhos e a ignorei. pegou as malas desajeitava então me ofereci para ajudar. Carreguei uma de suas malas até o táxi que chamamos e lhe desejei boa viagem. Assim que o táxi partiu, voltei ao apartamento um pouco mais leve. não demorou muito tempo e então voltou para casa. Parecia ter ido fazer alguma coisa que desgostasse sua mãe, pelo pouco que entendi de sua explicação. Passaram-se mais duas horas e já estava quase na hora do meu vôo. Me apressei até o quarto e peguei todas as minhas coisas voltando para a sala e recebendo um olhar de curiosidade de .
- Estou voltando para casa - expliquei assim que apareci com as malas - também foi viajar, então você tem o apartamento para você - respirei fundo largando minha bolsa sobre a mala. Ela parecia realmente indignada, abriu a boca e então fechou-a antes de falar.
- Você poderia ter avisado antes - ela falou assim que se contentou - Mas tudo bem, eu te entendo - suspirou - Também já estou com saudades de casa - e sorriu. Eu concordei silenciosamente e então pedi que ela me levasse ao aeroporto, para não precisar pegar um táxi, assim como . concordou, descemos para a garagem, guardamos a minha única mala e então partimos para o aeroporto rapidamente, antes que eu me atrasasse. Quando cheguei lá, já estava de fato meio atrasada, fiz o check-in apressada e segui para os portões de embarque. acenou de longe, já dando as costas e voltando para o apartamento. Então, finalmente consegui pegar o avião, me acomodar no meu lugar e descansar enquanto o mesmo partia lentamente e tomava velocidade em direção ao céu.

Cap 15.

O vôo foi de fato, totalmente tranquilo. Sem turbulências e nada do tipo, parecia que o destino ia a favor de mim naquele momento. Quando algumas horas cansativas depois, pousamos na minha amada Califórnia. Com o fuso horário de 8hrs de diferença, o sol ainda brilhava por lá. O calor ainda era acentuado e o ar era definitivamente mais saudável. Nada daquilo importava, eu queria apenas voltar para a minha casa. Agarrei minha mala na esteira, fiz o check-out e me dirigi para a saída do aeroporto, peguei um táxi e dei o endereço. Fiquei apenas fitando pela janela enquanto passávamos pelas ruas de L.A, como eu senti saudade daquele lugar em tão pouco tempo. De alguma forma eu me sentia de outra maneira ali, era um sensação agradável crescendo dentro de mim. Demoramos exatamente uma hora para chegar aonde deveríamos, já que eu não morava literalmente na cidade. Morava em uma casa, distante de tudo em um lugar aonde não se via muitas outras casas. A praia era completamente deserta naquele lugar, era o meu paraíso particular. Paguei o taxista e desembarquei para pegar a mala, assim que o fiz, parei para analisar a minha casa. Dois andares, com uma estrutura moderna. Podia se ver toda as escadas que levavam ao segundo andar, pelo detalhe em vidro, como uma enorme janela. Toda em uma cor de madeira, um marrom alegre. Segui em direção da mesma e simplesmente entrei, a porta obviamente estava aberta. Minha governanta é a mulher a qual não conseguia viver sem deveria estar por ali, fazendo alguma coisa. O interior da casa era também moderno, simples e mesmo assim elegante. Larguei a mala na sala e saí procurar por Kristen - a governanta -, mas ela não estava no andar de baixo, também não estava no quintal e nem na pequena casa da piscina. Voltei para dentro e subi as escadas em uma forma geométrica complicada de ser explicada.
- Kristen! - chamei alto, para que assim ela pudesse escutar de onde quer que esteja. Continuei a andar pelo pequeno corredor em direção ao meu quarto e então uma mulher quase da minha altura, de cabelos escuros e olhos extremamente claros apareceu. Ela havia acabado de sair do quarto de , provavelmente estava abrindo ou fechando as janelas, talvez trocando os lençóis para que continuassem sempre limpos.
- Criança - ela falou com sua voz que mais parecia sinos para os meus ouvidos - Você voltou, não avisou que iria voltar - apressou-se em me ralhar. Sorri travessa para ela e a abracei com toda minha força. Havia sentido falta de suas broncas também, Kris - como a chamavamos de vez em quando - retribuiu o abraço e parou para me encarar - Nada bem, nada bem - ela balançou a cabeça negativamente, me olhando de cima a baixo - Posso ver nos seus olhos, voltou com mais cicatrizes do que quando partiu - ela suspirou - Os machucados estão abertos novamente, não estão criança? - perguntou preocupada. Eu me contentei em apenas sorrir, então ela desistiu de tentar me entender e voltou a fazer seus afazeres. Passei por mais duas portas que seriam consecutivamente o banheiro de compartilhamento e um dos quartos de hospedes, sendo que tínhamos três ao total. Coisas de , apenas lembrando que quando vim para a Califórnia, ela já morava nessa casa. Entrei na ultima porta do corredor, a onde é o meu quarto. Ele estava exatamente da mesma maneira que o deixei alguns dias atrás. Em seus tons de lilás e rosa, a cama perfeitamente estendida, a escrivaninha com o enorme monitor do computador extremamente limpos e reluzentes. As portas do closet, quais eram de espelhos também ligeiramente limpas. Mas o que mais me fazia falta, era aquela vista. Assim como todos as peças do segundo andar do lado direito tinham uma parede totalmente feita de vidro, que dava de vista para a praia. A onde o mar batia fortemente contra algumas enormes rochas que haviam ali. Era a vista mais bela que eu conhecia, a minha favorita ao menos. Suspirei ao ver aquilo, uma sensação quente tomando conta de mim. Foi realmente difícil dar as costas para aquele lugar, mas eu estava exausta e o fuso horário não me ajudava, sendo que em poucos dias já havia me habituado com o horário inglês. Fui para o meu banheiro, que era todo decorado em um roxo forte e tomei um longo banho. Me sequei com uma toalha limpa que estava ali e voltei ao quarto, indo diretamente para meu verdadeiro closet. Ele era repleto de roupas, totalmente organizado. Vesti uma langerri comum em um tom de vermelho escuro e um dos meus micro shorts de estilo surf azul, uma regatinha simples e leve branca. E me joguei sobre a cama, ainda com os cabelos molhados, sentindo-me confortável para dormir como em dias não me sentia. Foi questão de realmente me jogar sobre a cama e apagar totalmente, sabendo que enfim eu estava protegida. Meu sono perdurou até que finalmente Kristen viesse me chamar para o jantar e dizer que já estava servindo a mesa. Quando lhe disse que estava completamente sem fome, insistiu e acabou por desistir assim que neguei pela quarta vez a comida. E assim voltei a dormir tranquilamente.

Quando finalmente abri os olhos, os senti arderem pelo excesso de claridade, mas aquilo não me incomodou, pelo contrario. Levantei da cama com uma extrema felicidade, faltava eu sair dando pulinhos, literalmente. Havia um cheiro bom de waffle, provavelmente o meu café da manhã. Fui até o meu banheiro, escovei meus dentes com a minha escova já que ela havia ido parar ali, provavelmente Kris desfez minha mala e guardou todas as coisas.
Tentei sem resultado dar um jeito nos meus cabelos, desistindo facilmente e fazendo uma trança para o lado. Estava um pouco mais frio do que o ontem aqui, então peguei um moletom branco do Snoop e o vesti por cima da regata. Calcei minhas havaianas e desci para comer alguma coisa, já que agora me sentia faminta. O cheiro bom realmente vinha da cozinha, mas me decepcionei em saber que não eram waffle e sim o almoço. Eu havia dormido toda a manhã, ainda voltaria a me acostumar rapidamente. Kristen estava parada em frente a pia quando entrei na cozinha e abracei por trás, dando-lhe um susto.
- Bom dia, Kris - falei alegre tascando um beijo na sua bochecha e a largando logo em seguida. Ela deu uma risadinha contente e se virou para me olhar com aqueles olhos verdes.
- Você dormiu muito - acusou ela - Mas tudo bem, vou deixar passar - sorriu maternalmente. Ela era de fato como uma mãe para mim - Seu pai ligou - mudou de assunto - Então, me dei ao direito de comunicar-lhe que você havia voltado - explicou.
- Tudo bem - concordei, sem ter realmente nada contra. Sentei sobre a pequena bancada aonde separava a ''real cozinha'' da mesa de refeições - Estou com saudades deles - falei no plural, já que esse eles significava minha madrasta e irmã, assim como meu próprio pai.
- Pediu para que lhe dissesse, que o fizesse uma visita assim que pudesse - comunicou ela, voltando ao seus afazeres na pia. Concordei em silêncio, o visitaria ainda hoje ou talvez amanhã. Respirei fundo e deixei a cozinha, para que Kris pudesse trabalhar sem nada para atrapalhar. Me joguei no sofá e liguei a televisão para assistir, foi um choque assim que o visor se iluminou e o som voltou a sair as primeiras palavras que soaram na sala: A banda Mcfly, atualmente em turnê na Irlanda... Mudei rapidamente de canal, procurei pela Cartoon Network e fiquei assistindo alguns desenhos animados até o almoço ficar completamente pronto e me juntar a Kristen para almoçar, sendo que ela sempre comia conosco. Comi também a sobremesa que ela havia preparado para mim, meu sorvete favorito com calda de chocolate. Dei um tempo assistindo tv novamente, para que a comida se - acentuasse - no meu estomago, tempo esse passado me levantei e subi para trocar o short por um jeans qualquer e o chinelo por um all star. Não peguei bolsa, nem celular, apenas a chave do meu carro e desci indo em direção a garagem. Avisei aonde estava indo e fechei a porta dando de cara com dois carros.
O de que era uma Nissan Frontier e o meu, uma mercedes glk branco. Desativei o alarme e embarquei, arrumei tudo da minha maneira e dei partida abrindo a porta da garagem com o controle. Passei pela mesma e voltei a fechar, então peguei o rumo da cidade, por aquelas ruas asfaltadas. Abri totalmente o vidro da minha janela e absorvi o máximo daquele vento. Iria demorar algum tempo para chegar até a casa de meu pai, mas mesmo assim não me preocupei em ligar o rádio. Eu queria apenas olhar e contemplar a cidade que eu senti tanta falta, em tão pouco tempo. O transito extremamente lento, a maioria das vezes dava vontade de simplesmente deixar o carro em casa e sair caminhando. Assim as coisas iriam mais rápidas. De qualquer modo, demorou um pouco, mas eu finalmente cheguei. A casa era completamente branca, parcialmente de vidro também. A fachada era praticamente toda de vidro, uma árvore havia sido preservada na varanda, aonde logo atrás havia a enorme porta também de vidro. Podia se ver o corredor do segundo andar e a sala de estar, pelas paredes de um vidro sórdido. A casa era daquela forma graças a Catie que era uma ótima arquiteta. De qualquer maneira, a casa estava vazia a primeira vista. Mas eu sabia que provavelmente eles estariam aproveitando esse tempo em algum outro lugar da casa. Não havia motivos para bater na porta ou tocar a campainha, eu sabia que estaria aberta. Empurrei-a para trás e entrei na casa, já sentindo o ar um pouco mais gelado, que era como Catie gostava, sempre com o ar condicionado ligado, mesmo no inverno. Larguei minha bolsa sobre o enorme e aconchegante sofá branco e segui pela casa procurando-os. Ouvi algumas risadas vindo do quintal, então segui diretamente para lá. Passei pela organizada cozinha, que assim como toda a casa era de certo modo luxuosa. Abri a porta que daria para o quintal e lá estavam eles. Charlie - meu pai -, e Belle brincando com o Sam, o cocker que ela tinha de estimação. Seu pelo reluzia literalmente e ele estava com sua língua para fora e latindo. Pendurado na sua coleira tinha uma espécie de medalhão, aonde tinha o seu nome gravado e atrás o endereço da casa, para caso ele se perdesse. Assim que Sam me viu ele latiu alto e saiu correndo em minha direção, me abaixei até ficar quase da sua altura e ele se jogou contra mim.
- Sam, garotão - falei animada, fazendo carinho no seu pescoço que era o lugar favorito - Quanto tempo, não é amigão? - perguntou apertando ele contra as mãos. Ele era tão fofo, que às vezes dava uma vontade de morder. Ele latiu e novamente colocou a língua pra fora, gargalhei pela sua atitude e levantei. Belle veio até mim e me abraçou com força. Eu estava com tantas saudades daquela pirralha. Ela tinha oito anos e às vezes parecia ser mais velha que eu.
- - ela falou sorrindo - Papai disse que você tinha voltado, mas não quis me levar para vê-la- fez um beicinho - Eu queria ter ido, ontem mesmo! Assim você podia me contar de Londres e nós passávamos a noite toda conversando - aquele era um plano assustador para mim. Belle tinha os cabelos escuros e com um ondulado muito bem definido, às vezes parecia que ela estava de baby-liss. Seus grandes e alegres olhos eram de um azul cristalino, sua pele era tão branca contrastando com sua boca que era extremamente vermelha. Como se ela usasse batom. Era praticamente igual a mãe, a única diferença era que seus cabelos não eram loiros como da tal. Eu sorri para ela que ainda continuava a falar o quão insistiu para o nosso pai levá-la ontem mesmo à minha casa e em como havia sido esses dias que passei longe.
- Eu pensei que você fosse ficar mais - falou ela - Mas que bom que você voltou, estava com saudades. - ela suspirou e então pareceu pensar um pouco - Já sei! Nós podíamos ir à Disney esse fim de semana, não podiamos? - aqueles enormes olhos azuis entraram em contato com o meu, e sua expressão era de um anjo. Como alguém podia negar alguma coisa para aquela garota? Ela daria problemas para o papai quando crescesse, isso era um grande fato.
- Belle! - repreendeu Charlie - Deixe sua irmã respirar um pouco, antes de atacá-la com seus grandes planos - ele riu, se aproximando de mim. Charlie era alto, moreno e com alguns poucos cabelos brancos, estava com a barba por fazer. Eu sempre disse que ele era algum tipo de social do Jeffrey Dean Morgan o famoso John Winchester do seriado Supernatural. Não era exatamente igual, mas lembrava muito bem o cara. Era até engraçado às vezes.
- Oi, pai - falei feliz, indo ao seu encontro e o abraçando - Deixa ela, eu adoraria ir a Disney esse fim de semana - dei ênfase no adoraria, para mostrar entusiasmo. Ela exclamou alguma coisa como 'Oba' e fez uma dançinha de comemoração.
- O problema não é ela te convidar - ele me olhou, piscou algumas vezes então virou-se para ela - Na verdade, o problema é que a mãe dela a colocou de castigo. Ela sabe muito bem disso - Charlie estava advertindo pelo olhar. Eu bufei teatralmente.
- Porque? - perguntei como se eu fosse a criança castigada e não soubesse o que tinha feito.
- Belle chamou sua avó de rabujenta, entre alguns outros insultos - ele parecia estar segurando o riso. Mas eu não tinha de passar moral nenhuma, então gargalhei imaginando a cara da vovó.
- Falou que ela é uma perua também? - me virei para perguntar diretamente para Belle, que estava com o rosto em um escarlate total. Ela negou com a cabeça parecendo arrependida.
- Mas ela me chamou de pirralha mal educada - bufou Belle - E tentou me beliscar! - aquilo soou com a maior indignação possível. Eu gargalhei novamente.
- É claro que ela fez isso, você chutou o gato dela Isabelle! - Charlie suspirou - E você tem de entender que sua vó já tem idade, você não pode ficar incomodando-a - explicou.
- O gato dela me arranhou - ela estava ficando realmente braba com aquilo tudo, então mostrou o braço aonde tinha a marca de um arranhão.
- Assunto encerrado! Você não vai a Disney - encerrou papai. Ele estava decidido a não deixá-la ir, mas nada que um pouco de persuassão não ajudasse.
- Tudo bem Belle, nós vamos outro dia - falei para ela - Eu te prometo - estendi o dedinho para ela, que cruzou com o seu próprio e balançou. Estava oficialmente prometido agora - E a Catie, cadê? - perguntei olhando ao redor. Papai fez uma cara de poucos amigos.
- Trabalhando, como sempre - ele bufou e então começou a andar em direção a casa, sendo seguido por nós três: Belle, Sam e eu. Entramos na casa e passamos novamente pela cozinha e fomos para a sala de estar. Me atirei sobre o confortável sofá e Belle fez o mesmo logo em seguida, ficando do meu lado.
- Você parece incomodado? - ele nunca havia soado dessa maneira quando dizia que ela estava trabalhando, não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas não era nada bom.
- Ela tem trabalhado um pouco demais - foi Belle que me respondeu sem dar uma atenção para isso - Passa quase o dia toda no escritório - agora sim ela parecia sentida, como se a mãe a estivesse abandonando por alguma coisa fútil. Eu sabia como ela devia se sentir, me criei praticamente sem a minha mãe e quando ela estava por perto, nunca me dava realmente atenção. Charlie estava desviando o assunto, porque não abriu a boca para se manifestar. Belle se lançou a me contar o quanto sua mãe estava trabalhando, enquanto papai ficava apenas ouvindo e corrigindo alguns pequenos detalhes.
- Mas esse é o trabalho dela - suspirei, os dois estavam com saudades de passar mais tempo com ela e simplesmente não queriam admitir. Muito parecidos de gênio, esses dois. Já papai, sempre disse que puxei totalmente a minha mãe, gênio um pouco mais fraco que o dele, graças a Deus. De qualquer forma, eu ia abrir a boca para protestar e a porta se abriu.
- Vi seu carro lá fora, - Catie entrou falando animada, vindo em minha direção. Com a bolsa em um ombro e uma pasta de trabalho na mão contraria - Como você está? - perguntou enquanto me abraçava levemente - Sentimos sua falta, sabia? - sorriu maternal.
- Foi o que eu disse à ela - Belle concordou sorrindo. Ela deu um abraço e um beijo na mãe, que os retribui com vontade. Elas eram tão parecidas que era até estranho vê-las juntas. Catie tinha o mesmo tipo de cabelo em um loiro claro, um pouco mais curto. Seus olhos eram do mesmo azul cristalino e seus lábios da mesma cor. Ela voltou-se para Charlie que a estava encarando carrancudo e lhe deu um selinho demorado. Belle e eu desviamos o olhar rapidamente, assim que percebemos que ele não correspondeu.
- Ah! Por favor Charlie! - exclamou Catie indignada - Você vai realmente ficar emburrado, porque eu tive de ir trabalhar? - ela o encarou séria. Charlie levantou o olhar e apenas deu de ombros. Ela bufou alto - Ótimo então, fique emburrado. Não me importo - deu as costas e largou a pasta e a bolsa sobre uma poltrona e sentou em outra, virando-se completamente para mim - E então, como estava Londres? - perguntou. Os encarei por alguns minutos e dei de ombros, sem dar muita importância.
- Úmida e instável - aquele instável servia para muitas coisas - Muito instável... - repeti em um murmúrio que ela conseguiu captar. Então mudou de assunto, mudando a direção.
- E ? Faz tempo que não a vejo - comentou - Ainda a mesma? - sorriu. e Catie sempre se deram muito bem, às vezes pareciam até parentes ou coisa do tipo.
- É você conhece a , sempre a mesma - concordei sorrindo.
E assim o assunto se prolongou, ela perguntou sobre ter ido para lá também logo em seguida. Perguntou se eu havia visto minha mãe - ela sempre se importou com nossa relação - e então me lancei a contar a ela o que de interressante eu havia feito em Londres, ou seja não muita coisa. Belle perguntando uma coisa ali e outra aqui, porque ela realmente não conhecia Londres. Nunca demonstrou realmente interesse em conhecer, eu sabia que ela preferia lugares mais animados. De qualquer maneira, assim passamos a tarde. Apenas conversando, sobre viagens, cidades e coisas do tipo. Lembrei-me que havia comprado alguns presentes e que havia esquecido em casa, prometi então trazê-los na minha próxima visita. Foi quando ela levantou-se e pediu licença, mas queria tomar um banho e relaxar um pouco. Sendo assim, passou-se alguns minutos e Charlie foi atrás dela, como prevíamos.
- Ah! Você não vai adivinhar o que eu ajudei a mamãe a fazer - Belle parecia realmente animada com seja lá o que elas duas tinham feito - Vem comigo - pegou na minha mão e me arrastou pela escadaria em direção ao sótão. Mas aonde deveria estar o sótão, com todas aquelas coisas empoeiradas e inúteis, havia um quarto organizado, simples e amável. A primeira coisa que notei - uma coisa a qual não poderia deixar de notar - era que havia uma parede inteira, de cima á baixo coberta por fotos.
- Oh! - foi a única coisa que consegui murmurar. Podia sentir aquela sensação, quente tomando conta de mim. Era inevitável me sentir assim, vendo aquilo tudo. Larguei a mão de Belle e me aproximei cuidadosamente, com medo de que aquilo fosse algum tipo de pegadinha. Quando estava próxima o bastante da parede, toquei algumas fotos. Meus dedos pareceram se dissolver ao fazer isso. E a sensação aumentando, me queimando por dentro. Eu estava explodindo emoções pelos ductos lacrimais, fechei os olhos me deixando levar pela sensação. A primeira foto que eu estava tocando, era de Danny e eu em um festival de rock. Eu deveria ter 15 anos mais ou menos.

' Eu tinha as mãos no alto, balançando de um lado para o outro. Os olhos fechados, apenas sentindo a vibração da música pesada vindo de algum lugar a frente. Eu podia jurar que estava flutuando, às vezes eu me sentia assim enquanto ouvia música. Balancei a cabeça no ritmo da música. Então abri os olhos animada e sorri abertamente. Pude sentir toda minha maquiagem preta borrando e me deixando com cara de zumbi. Eu sorri mais ainda.
- WOW! - Danny gritou ao meu lado, virei a cabeça para encará-lo. Ele estava pulando junto com a multidão, todo suado - sua camiseta preta colada no seu corpo, seus cabelos balançando. E naquele dia ele não havia feito a barba, então dava um charme. Suspirei.
- Vem cá - puxei-o pelo braço na minha direção. Ele veio sem hesitar, peguei a câmera profissional que estava pendurada no meu pescoço (havia ganhado recentemente a mesma). O abracei pela cintura e sorri fazendo a maior careta possível, Danny apontou a cerveja que tinha em mãos para a câmera e deu de língua fazendo uma careta hilária. O flash se destacou na multidão de pessoas. Não voltei a olhar a foto, apenas sorri ao roubar a garrafinha de cerveja de sua mão e bebericar feliz. Voltei minha total atenção para a música. '


Passei para a foto seguinte.

' - Você vai me DERRUBAR! - gritei meio apavorada, enquanto Tom corria comigo nas costas loucamente, desviando a multidão de pessoas que estavam passeando pelo parque. Não contive uma gargalhada estrondosa e ridícula quando passavam por uma senhora de um pouco mais de idade e ela soltou uma sessão de pragas para nós. Ele continuava a correr, até que de repente derrapou e nós literalmente quase caímos. Uma luz cegante veio em nossa direção. Me recuperei do quase tombo e encarei a origem da foto.
- Funciona - riu dando de ombros e me jogando a câmera. Abaralhei-a no ar e me desequilibrei, caindo de costas no chão e me agarrando a Tom para levá-lo comigo. Nós gargalhamos juntos, enquanto sentávamos. Peguei a câmera e coloquei em volta do pescoço, eu deveria ter saído ridícula naquela foto.
- Vamos logo! - chamou parecendo bem irritadinha para meu gosto, eu sabia que aquilo era puro e estúpido ciúmes. Revirei os olhos dando de ombros para Tom e o empurrando para frente quando ficamos de pé.
- Espera - ele chamou, mas ela o ignorou. Eu bufei e dei outro empurrão nele, sorrindo em seguida - Amoooooorzinhooo - ele prolongou a palavra. E nós todos gargalhamos, foi então que percebi estar acompanhada por toda a turma. Respirei feliz e preparei a câmera, conseguindo tirar a foto enquanto Tom tentava pegar pela cintura e ela metia a mão na sua cara empurrando-o para longe. Sorri satisfeita. '


Eu sorri abertamente e segui para a foto ao lado dessa.

' - Me sinto ridícula - esbravejei em direção a que sorriu ironicamente e deu de ombros para minha aflição. Respirei fundo e desci as escadas sem olhar para os lados.
Não queria olhar na expressão de todos os meus amigos a ridicularidade de tudo aquilo. Já bastava eu mesmo saber. Isso era para eu aprender a não fazer apostas com , primeiro porque ela realmente te faz cumpri-las e segundo porque ela quase sempre ganha. Mas quem imaginava que ela daria um beijo no novo professor de História, tudo bem que o cara era um gato e tanto recém formado, mas ainda assim era o nosso professor.
- Eu não acredito que você vai mesmo de pijama - Harold ou Harry como o chamo quando não estou com raiva, falou soltando uma gargalhada estrondosa. Eu senti vontade de socar-lhe o rosto, mas não o fiz. O pior de ir para uma festa com pijama, era ir para um festa que Dougie Poynter estaria, vestida de pijama. Bufei alto tentando ignorar esse fato. Nós saímos de casa no velho e "sucata" carro que Danny insistia em chamar de clássico. De qualquer forma aquilo era uma droga. Havia filas e filas de carro na rua da casa de Foxie Folton, eu estava com minhas bochechas pegando fogo antes mesmo de chegar a festa. Imagino como ficaria quando estivesse finalmente lá. Todos sem nenhuma exceção ficaram me encarando impressionados e alguns com vergonha alheia. Eu dei de ombros tentando não me importar e marchei para a cozinha pegar um copo de bebida. Assim que meu copo estava cheio o bastante resolvi circular pela festa, não havia muita coisa que me chamasse atenção. Talvez fosse só meu humor, talvez fosse realmente a festa. Revirei os olhos e segui de volta a cozinha saindo pela porta que daria aos fundos. Ninguém havia descoberto aquela área, me senti um pouco mais animada de pensar que ficaria sozinha, sem me expor ao ridículo. Respirei fundo quando o frio de Londres cortou meu rosto, fazendo minha respiração ficar pairando no ar, branca, condensada. Havia um enorme banco/balanço entre algumas arvores e ramos de flor, um pouco mais afastado da piscina. Andei lentamente até lá e me sentei, sentindo meu corpo arrepiar pelo atrito frio. Encolhi as pernas para cima e passei os braços pelas pernas, mantendo-as juntas do corpo. O copo de bebida ainda em mãos, fechei os olhos e escorei em um dos pilares o mantinha o balanço em pé, respirei fundo novamente. Algum tempo se passou, talvez minutos, talvez segundos ou milésimos de segundos, até que fui despertada de meus pensamentos por uma voz conhecida.
- Bela roupa - e logo em seguida riu roucamente e baixinho. Abri meus olhos assustada e senti meu rosto esquentar rapidamente. Lá estava ele Dougie Poynter em pé na minha frente. Seus cabelos loiros perfeitamente bagunçados, seus olhos azuis pairando sobre mim, suas mãos enfiadas no bolso da jaqueta de couro totalmente surrada - Posso? - perguntou ele apontando para o espaço vago ao meu lado. Eu não sabia se minha voz sairia perfeitamente ou se ela falharia me entregando. Dei de ombros e ele sorriu levando aquilo como um sim. Peguei o copo que tinha em mãos e beberiquei, sentindo seu olhar sobre mim. Fiquei encarando o liquido por vergonha de encará-lo.
- E então? - perguntou ele depois de um tempo em silêncio, me assustando.
- E então, o que? - respondi automaticamente e depois corei, porque diabos eu estava agindo assim era de fato uma duvida em minha mente. Uma duvida que poderia esperar.
- Geralmente as pessoas se apresentam ou tentam ser gentis, sabe como é - ele sorriu de uma maneira que me fez amolecer - Tentam se enturmar - concluiu. Ofeguei em contradição, soando como um Hunf e dei de ombros novamente.
- Não me importo em me enturmar - respondi sem realmente me importar. Aquilo estava me soando meio hipócrita da parte dele, querer que eu o puxasse saco. Ridículo, eu deveria esperar algo assim de um garoto popular.
- Que bom - ele riu alto - Eu não gosto muito que fiquem tentando se enturmar, como se realmente precisassem da minha aprovação - ele revirou os olhos.
- É - concordei monotonamente. Estava me preparando para levantar e ir embora, quando ele simplesmente tirou o casaco e pousou em meus braços. Aquilo me pegou desprevenida.
- O que você está fazendo? - perguntei.
Dougie deu de ombros - Você estava com frio - respondeu simplesmente.
- E daí?
- Olha se você não quer o casaco, beleza - ele me encarou seriamente - É só devolver e tentar não ser grossa - Mais uma vez me pegou desprevenida.
- Não é isso - falei automaticamente, piscando para ver se me sentia acordada - É que bom... Porque você se importaria se eu estou com frio ou não? - a pergunta saiu antes de eu realmente pensar sobre isso. Mas agora já estava dito, eu não podia voltar atrás.
- Eu gosto de você - ele riu baixinho. Aquilo me soou bem debochado, irônico até.
- Porque você gostaria de mim?
- Porque você não para de contestar tudo que eu digo?
- Porque você não responde exatamente o que quero saber, então porque você não para de me enrolar e me responde o que te perguntei. Porque você gosta de mim? - supirei.
- Porque eu não gostaria? - ele arqueou a sobrancelha e se virou para me encarar.
- Eu não sei... Posso pensar em vários motivos agora mesmo - confessei.
Seu olhar pareceu entusiasmado, curioso até.
- Então vamos ver os prós e os contras, que tal? Você me dá um motivo para não gostar de você e eu te dou um motivo que me faça gostar de você. - propôs ele entusiasmado.
Sorri abertamente assentindo em silêncio.
- Primeiro as damas.
- Ér... Hm... Eu não sou gostosa como as líderes de torcida e coisas assim - comecei.
- Isso não quer dizer que não seja gostosa, no meu ponto de vista - contrariou Dougie.
- Eu sou meio anti-social - sorri ao pensar o quão isso me parecia mentira.
- Você e suas amigas são as garotas mais populares do colégio, por razões boas - ele riu.
- Ok, hmm... Contesta essa : Eu ronco a noite - menti, me divertindo.
- Não posso saber, nunca dormi com você - ele deu de ombros.
- Você percebeu que até agora não me deu realmente os motivos que te fazem, sei lá, gostar de mim? - perguntei entre um suspiro de desaprovação.
- Você é bem humorada, desenha bem, é bonita, tem um sorriso lindo, os olhos mais expressivos que já vi, se irrita muito facilmente, tem mais amigos homens do que mulheres, gosta de vermelho, a blusa do seu pijama é do Gun's e você estava cantando Beatles esses dias com um amigo seu, o ruivinho, como ele chama? Enfim, estava cantando no recreio no colégio - ele respirou fundo, tomando fôlego. Eu estava atordoada, Dougie Poynter estava mesmo falando que eu era: Humorada, bonita, com um lindo sorriso, olhos legais, irritadiça e acima de qualquer outra coisa que eu tinha bom gosto musical.
Sorri deslumbrada, aquilo certamente parecia errado, mas era exatamente isso que me atraia. Suspirei logo em seguida, o que viria na sequência, um beijo talvez? Não as coisas não eram assim na vida real. O caro popular e bonitão não chegava assim do nada e dizia todas essas coisas para alguém que não o conhecia. Eu estava olhando bobamente para ele quando um flash nos cegou. E então eu percebi que tinha a minha câmera nas mãos e havia acabado de tirar um foto de mim com Dougie. Eu sorri mentalmente.
- Hey, os garotos arrumaram companhia e me deixaram sozinha. Além do mais, não estou gostando da festa. Vamos embora? Please - ela fez aquela carinha de anjo que só ela conseguia fazer.
Levantei rapidamente tirando o casaco de meus ombros e entregando para Dougie.
- Bom te conhecer Dougie Poynter - falei quando ele pegou o casaco das minhas mãos e ficou me olhando meio atordoado com a mudança repentina de situação. Girei nos calcanhares e saí em direção a que me esperava.'


Aquela era uma das minhas lembranças mais extensas, porque foi a primeira vez que Dougie falou comigo. Antes de fazer a audição para a banda e antes de se tornar amigo de Danny. Foi a primeira vez que eu senti aquela sensação boa dentro de mim, a sensação que carrego até hoje. Eu achei que aquilo já era o suficiente. Havia tantas fotos, uma com Harry me agarrando no colo e me colocando de ponta cabeça. Outra com as garotas, de biquíni na praia, em festas e uma delas acompanhadas de ninguém mais, ninguém menos que Paul Mcartney em um show que fomos. Eram tantas lembranças. Procurei ao redor do quarto por Belle para agradecer, mas ela não estava mais lá. No seu lugar estava Charlie escorado no batente da porta me encarando. Eu sorri e me sentei na beira da cama, dando incentivo para que ele também fosse sentar e assim o fez.
- Querida - disse ele começando um assunto - Você sabe que não posso curar seu coração, não é? Sabe que não pude impedir que ele se quebrasse, não pude impedir que você amasse incondicionalmente. Não pude controlar seu medo por tempestades. Nunca te pedi absolutamente nada, nunca nem mesmo por um momento te controlei ou te condenei - ele suspirou. Aquele parecia ser um assunto delicado - Assim como você sabe que nem por um momento consigo me imaginar sem você, querida - e então sorriu - Nunca, nem mesmo uma única vez, mencionei aquela dia. E você sabe de que dia estou falando, nunca te perguntei nada. Apenas confiei em você. Mas querida, seja lá o que tiver acontecido, o que tiver feito você mudar de idéia. Feito você ir embora de Londres... não vale a pena se condenar, você precisa se auto-perdoar por tudo. Por todas as coisas que você já fez de errado, por todos as brigas que já teve. E acima de tudo, perdoar as pessoas que te magoaram. Porque filha, se você não fizer isso... Vai acabar se auto destruindo. Você vai se perder - ele parecia não gostar muito dessa opção, então continuou - Eu preciso de você, intacta. Eu preciso da minha menina, lembre-se disso. E não se esqueça de pensar, sobre o que estou lhe falando - terminado isso, ele levantou e estava prestes a sair pela porta.
- Papai - chamei, minha voz parecendo mais fraca do que eu esperava - Você sabe que eu te amo, não sabe? - podia sentir meus olhos queimarem. As malditas lágrimas.
- Sei, assim como sei, que você sabe, que eu também lhe amo - ele sorriu abertamente, parecendo ainda mais jovem - Você, a Belle e a Catie, são as coisas mais importantes da minha vida - confessou. Então respirou fundo e fechou a porta ao passar.

Entrei em casa e larguei minhas chaves sobre a bancada da cozinha e subi apressada para o meu quarto, voltei a colocar meus chinelos e peguei meu Ipod. Coloquei os fones no ouvido e o liguei, voltando a descer e sair de casa em direção a praia. Iria assistir o pôr do sol, assim como fazia todo o santo dia. Estando frio ou calor, sempre descíamos a praia, nem que fosse para sentar na areia e ficar observando o mar, escutando seu barulho. Era a melhor sensação do mundo, a paz te dominava e te deixava de bem com tudo. Incrivelmente bem.
Sentei sobre a areia ao lado das enormes rochas e fiquei ali, esperando pelo momento mais lindo do dia, escutando a minhas músicas. E quando o sol começou a descer no horizonte a música trocou e eu me senti ainda melhor. Thank you for loving me - Bon Jovi, começou a tocar, a melodia conhecida. Aquela era a minha música e de Dougie, não havia como explicar porque não me fazia mal escutá-la. Havia uma resposta para tudo, o porque daquele lugar me fazer tão bem e o porque da música ser essencial. Esse era o meu ritual de todos do dias, escutar a mesma musica assistindo o por do sol. Porque tudo naquele lugar me lembrava o dia em que pela primeira vez Dougie se declarou. Estávamos também em uma casa de praia, mas em Brigton. Estava começando uma chuva típica de verão.

- Vamos entrar logo, você está encharcado - falei rindo, enquanto a lâmpada quebrado do poste piscava tentando funcionar. Ele concordou com um sorriso iluminador e assim entramos trancando a porta ao passar.
- Odeio essas chuvas inesperadas - ele comentou, balançando o cabelo molhado. Concordei indo até o banheiro pegar uma toalha para cada um. Voltei e ele estava atirado sobre o sofá molhando-o por inteiro.
- Tá molhando o sofá - adverti, jogando a toalha nele - Levanta logo! - pedi. Ele fez uma cara de poucos amigos, teatralmente, e se levantou e começou a se secar - Vamos subir trocar essas roupas - falei apontando para minhas próprias. Concordando silenciosamente e me olhando daquela forma que me deixava paralisada Dougie subiu junto de mim para o segundo andar trocar de roupa. Entrei no quarto o mais rápido que podia e troquei aquele short molhado e aquela regata, por outro short e um moletom velho do Sun - time de beiseboll - cinza. Deixei os cabelos molhados caírem por meus ombros, dando uma leve umedecida no moletom. Voltei lá para baixo em passos apressados, sequei o sofá aonde Dougie havia sentado e me atirei sobre o mesmo. Alguns minutos depois ele reapareceu, também de moletom e bermuda. Se atirando sobre mim e rindo, o encarei e acabei rindo também.


DOUGIE POV.
O som do riso dela, me fazia estremecer por dentro. Era uma das minhas melodias favoritas, se não a favorita. Nos ajeitamos no sofá e optei por ficar em silêncio, apenas a observando. Com os cabelos molhados, o olhar iluminador. Surreal, era como distinguia aquilo. Como uma garota podia ser tão perfeita para mim, o meu encaixe perfeito. Ela não costumava brigar comigo por causa de video-game, na verdade geralmente me dava uma surra nos meus jogos favoritos. Adorava todas as minhas músicas, sempre estava nas apresentações, estivéssemos brigados ou não. Ria verdadeiramente das minhas piadas e costumava me olhar dentro dos olhos e aquilo, ah! ... Não havia explicação para aquilo, era a melhor sensação do mundo. Ter aqueles grandes e expressivos olhos castanhos brilhantes encarando os meus, me fazia arrepiar, sentir alguma coisa despertando furiosa dentro me mim. Implorando para que nunca rompesse aquele contato. Olhar para seus lábios era uma tortura, era carnudos e vermelhos cor de cereja. Minha total perdição. Ela não costumava se importar com o que os outros iriam pensar, ela fazia o que gostava. Não se importava com roupas, mesmo se vestindo extremamente bem, ela simplesmente não se importava. E isso era uma das coisas que mais me encantava nela, além da sua coragem e força. Parecia ser indestrutível, mas ao fundo sabia que não passava me uma barreira que ela impunha para os outros. Gostava de como seu coração ficava descompassado quando estávamos muito perto, fica tão frenético no seu peito que podia-se ouvir a distancia. Gostava de saber que não era só o meu coração a não obedecer. Eu estava totalmente hipnotizado por aqueles olhos mais uma vez, então ela pareceu perceber alguma coisa, corou ligeiramente e desviou o olhar, me fazendo praguejar mentalmente. Levantou-se e ligou o rádio, já que pela manhã a televisão havia queimado. Estava tocando alguma musica qualquer, não precisávamos preencher aquele silêncio com palavras, ficamos apenas ali, sentados um perto do outro. Ela sorriu quando a música finalmente acabou dando lugar a outra, conhecida Thank for you loving me, Bon Jovi havia começado a tocar. Eu não conseguia mais aguentar aquilo dentro de mim...
- - murmurrei sem muita coragem, ela virou-se de frente para mim e voltou a me encarar. Quando meus olhos mais uma vez entraram em contato com os seus a coragem voltou subitamente ao meu corpo, aproximei meu rosto do seu lentamente. Segurei seu rosto com a mão com cuidado e ela entreabriu os lábios respirando ruidosamente. Ainda a olhando nos olhos, aproximei nossas bocas e selei nossos lábios em um beijo lento, quente e repleto de sentimentos que transbordavam de dentro de mim. Fechei os olhos e fiquei apenas sentindo o toque dos seus lábios nos meus. Quando ela finalmente cessou o beijo, eu respirei fundo e esperei alguns momentos até abrir os olhos e assim que o fiz, os delas ainda estavam fechados - Eu amo você - murmurei perto dos seus lábios. Ela abriu os olhos e sorriu, e nunca o seu sorriso e olhos brilharam mais ao me ouvir falar.
- Eu também amo você - ela falou em um sussurro e então me abraçou apertado, eu podia sentir nossos corações pularem frenéticos no mesmo compasso. Em momento algum de toda a minha vida, eu me senti mais completo e feliz. Ela era a minha garota agora, a garota que eu gostaria de casar e ter filhos. O que eu sentia por ela, nunca havia sentido por mais ninguém, em momento algum. Era apenas ela e eu sabia que seria para sempre ela.


Essa era a lembrança que me vinha a cabeça toda vez escutava aquela música. Sentado perto da janela do quarto de hotel, eu encarava o céu, perguntando para mim mesmo se em algum lugar ela podia estar lembrando da mesma coisa, se em algum momento que ela escutasse essa musica lembrava-se o quanto me fez feliz. Durante muito tempo e ainda não querendo admitir para mim mesmo, ainda fazia. Mesmo da pior maneira possível.

Dougie Off.

Cap 16.

Eu li em algum lugar, algo do tipo: O tempo passa, mesmo quando isso parece impossível.[...] Passa do modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim! Era exatamente como eu me sentia, era exatamente o que estava acontecendo. O tempo, mais uma vez meu inimigo estava passando. Mesmo isso me deixando cada dia mais machucada, cada dia mais repleta de saudades. Mais repleta de dor. Era como há anos atrás, quando eu vim para a Califórnia. Como tentar me recuperar da presença de Dougie mais uma vez, como tentar me livrar das lembranças. Era como estar completamente confusa, atordoada. Assim eu me sentia. Totalmente atordoada.
Esse mês que se passou, desde que voltei para a minha casa - foi insuportável. Eu estava parada lá novamente, sentada no chão da minha sala em um dia chuvoso, desenhando para tentar fazer o tempo passar mais rápido. Meu desenho era sobre as ondas do mar, ou talvez a imensidão do mar em si. Porque isso, de alguma forma, me lembrava dele. Mas eu não aguentava mais, aquela melancolia toda, aquela monotonia. Bufei alto, abandonando por completo meu desenho e passei a mão pelos cabelos. Respirei fundo e levantei, sem pensar duas vezes saí em disparada para fora daquela casa. Estava me sentindo claustrofóbica, presa, mal. A chuva tomou meu rosto antes de eu poder hesitar, cada pequena gota de uma forma mais gélida que a outra. Cada pequena partícula de água se esparramando por meu rosto, escorrendo e me molhando. Não era uma tempestade, não - nem perto disso. Era apenas uma chuva de verão. O céu em seu crepúsculo magnífico, aquele tom de lilás tomando conta de todo o horizonte. O sol se pondo ao fundo, era um cenário perfeito. Parei em frente a minha casa e fiquei paralisada, apenas admirando a estrada. O poste de luz se ligou e então piscou algumas vezes, levantei o olhar para encará-lo e sorri. Aquilo me lembrava alguma coisa, eu sabia muito bem o que era. Sorri sozinha.
- Odeio essas chuvas inesperadas - uma voz soou alta e clara ali perto. Meu corpo se arrepiou de cima a baixo, meus ombros se contraíram e minha respiração falhou.
Eu estava apavorada, estava chegando a loucura. Como isso era possível? Como uma pessoa conseguia enlouquecer em tão pouco tempo? Aquilo era ridículo, mas eu gostei da minha imaginação lembrar-me tão vividamente daquele dia. Sorri mais ainda, sem tirar os olhos do céu. Eu sabia era pedir demais, a presença dele ali. Mas era tudo o que eu queria.
- Você deveria falar algo do tipo: Tá molhando o sofá - aquela risada soou perto. Novamente meu coração pulou do peito e eu ofeguei. Agora me sentia amedrontada, eu não queria baixar o olhar e saber que tinha alguma coisa errada. Ou de baixar o olhar e ver a pessoa que eu mais queria ver nesse instante. Isso seria irônico demais. Minha vida geralmente não era assim. Eu apenas respirei fundo, contando até dez e fechando os olhos.
- É, na minha lembrança você definitivamente não me ignora - ele riu novamente. Foi quando eu abri os olhos e meu olhar o encontrou - Na verdade, isso meio que acaba com um beijo. Entende? - aquele era o meu sorriso. Aprofundado em seu rosto, abertamente tomando conta da sua expressão. Aquele cara que estava parado ali, era definitivamente o meu Dougie. O meu cara. Não sabia o que falar, não fazia ideia de o que fazer.
- Dougie? - perguntei. Quando dei por mim estava correndo na sua direção e o abraçando com toda a minha força - Dougie! - meu coração pulava frenético no meu peito.
- ! Hey - ele riu baixinho perto do meu pescoço. Fechei meus olhos novamente, sentindo a chuva cair sobre nós. Deixando aquilo perfeito. Perfeito demais. Havia alguma coisa errada eu sentia isso, apenas não queria admitir para mim mesma.
- Vamos entrar, estamos ficando ensopados - ri baixinho e observei as malas ao seu lado, jogadas de qualquer jeito no chão. Ele concordou silenciosamente e então pegou uma das malas e colocou no ombro, e segurou a outra com a mesma mão. Passou um dos braços pelos meus ombros, enquanto eu abraçava sua cintura. Como costumava ser. E assim andamos em direção a casa. Eu estava entorpecida de felicidade, totalmente entorpecida.
Nós entramos e ele largou as malas logo em seguida, ao lado da porta. Tirou o casaco e pendurou no cabideiro. Fiquei parada o olhando, observando atentamente todos os seus movimentos. A maneira como ele bagunçou os cabelos, como ele sorriu ao me olhar. Como ele levemente piscou os olhos e veio em minha direção, me despertando do transe.
Sentei no sofá meio atordoada com a repentina sequencia de acontecimentos.
- O que você está fazendo por aqui? - perguntei sem pensar, afastando os cabelos molhados do rosto. Dougie me olhou e sorriu abertamente, apenas sorriu.
- Sei lá - ele deu de ombros - Acho que resolvi passar alguns dias com você antes de ir para a Rehab - o seu sorriso se foi. Ele baixou o olhar e eu me senti perdida. Do que ele estava falando? Rehab? Porque ele iria para uma rehab? Aquilo me soava ridículo.
- Rehab? Do que você está falando? - me virei para encará-lo diretamente nos olhos. Eu queria saber exatamente o que ele estava querendo dizer, que ele deixasse as coisas mais claras possíveis. Isso realmente me ajudaria, talvez até o ajudaria.
- Na hora certa, eu vou te contar - ele sorriu fraco - Eu posso ficar aqui, não é? Porque se for incomodo, sei lá... Eu arrumo um hotel para ficar ou algo assim - suspirou, desviando o assunto. Ele não iria me falar nada agora, mas eu sabia que no momento certo - para ele - tudo estaria resolvido. Então simplesmente deixei passar, porque afinal de contas ele estava ali. Ele estava ali por mim, eu não conseguia imaginar um momento mais feliz.
- Tudo bem - eu sorri - É claro que não é incomodo! - gargalhei, estava sendo tão fácil ser feliz com ele ali, perto de mim - Se não ficasse aqui, eu com certeza te mataria - o empurrei de leve. Dougie ficou me encarando, apenas me olhando. Meticulosamente, me encarando, analisando cada traço do meu rosto. Eu conseguia sentir isso.
Então me abraçou repentinamente, sem se importar se estávamos molhados ou qualquer coisa que seja. E estar ali em seus braços, era a sensação mais incrível que poderia imaginar sentir. Era a melhor sensação do mundo inteiro, para mim. Eu senti meus olhos marejados de felicidade, mas me contive.
- Pensei que você me odiasse - sussurrei contra seu peito, surtando psicologicamente. Minha cabeça estava trabalhando como há meses ou até mesmo anos, não trabalhava. Quando me dei conta do que tinha acabado de falar, apenas mordi o lábio esperando uma resposta. Ele suspirou pesadamente ao me apertar contra seu corpo, seu peito, seu coração - que batia tão frenético quando o meu, isso me deixou um pouquinho mais alegre ainda. Se é que isso era possível. Em minha mente, isso definitivamente era possível.
- Eu também achava isso - ele riu sarcasticamente - Achava isso até me pegar comprando uma passagem para a Califórnia - e seu coração pulou - Até então, eu também pensava que te odiasse. Mas... - hesitou - Como eu pude ser tão idiota? Como eu conseguiria te odiar? Em que mundo eu vivia, um mundo a onde esse coração - ele pousou a mão ao lado do meu rosto, indicando o coração - Guardaria ódio de você. - suspirou novamente - Eu nunca conseguiria te odiar, realmente. Talvez me enganar de tal coisa. Mas acredite, eu nunca te odiaria de verdade - Dougie passou a mãos lentamente pelos meus cabelos.
Se em algum momento eu estava certa que não ia chorar, que todas aquelas lágrimas de felicidade ficariam guardadas dentro de mim, bom... Eu estava completamente enganada.
Acho que Dougie fazia aquilo parecer impossível, mas eu havia prometido nunca mais derramar uma lágrima por ele. Isso contava? Chorar de felicidade estava realmente incluído nessa promessa? Eu esperava com todas as minhas forças que não. Porque meus olhos já estavam transbordando. O apertei mais ainda em um abraço de urso e implorei aos céus que ele não me soltasse mais. Nunca mais. Só que isso não dependia da minha inútil vontade. Isso dependia de muitas outras coisas, de vários outros fatores.
- Obrigada - murmurei quase sem voz. Soou mais como um sopro leve de vento, um balbucio sem sentido. Ele sorriu, então eu sabia que havia sido entendido.
- Você está me agradecendo, porque mesmo? - perguntou arqueando uma sobrancelha. Oh, céus! Como ele ficava lindo me olhando dessa forma. Como ele era lindo, como aquele cara parecia perfeito. Perfeitamente, perfeito para mim. Eu senti tanta falta daquele olhar, daquele rosto. Respirei fundo me controlando, antes que acabasse o agarrando ali mesmo.
- Por você não me odiar - dei de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E fiz a maior força que podia para me soltar dos seus braços e manter uma distancia confortável.
Ele me encarou sem entender o porquê do afastamento, mas pareceu ignorar isso.
- Você está mesmo me agradecendo por não te odiar? - ele riu - Isso é muito você - acenou com a cabeça em concordância. E ficamos novamente em silêncio, nos encarando.
Foi então que um trovão forte me sobressaltou, me encolhi automaticamente ao ouvir aquele som. Essa maldita fobia, um dia ia acabar comigo. Ele pareceu desconfortável, como se ao mesmo tempo tivesse vindo na minha direção e hesitado no meio do caminho.
- Hm - ele começou, resmungando - Em vez de agradecer, você podia... por exemplo - me encarou, esperando uma reação e então soltou o ar - se desculpar - falou.
Aquilo me pegou de surpresa, não esperava que ele fosse falar isso. Sobre desculpas, não em um momento como esse. Aquilo era insano, a maneira como ele me olhava era insana.
- No momento certo - sorri, usando suas próprias palavras. Dougie riu baixinho e concordou em silêncio - Agora, o momento é de não ficar resfriados - brinquei. Me levantei do sofá com um pouco de dificuldade de manter maior distancia dele.
- Não - negou ele. Dougie levantou sorrindo e me segurou pelo braço - A chuva não está forte e nem tão fria... - então deixou isso no ar. Eu sabia o que ele estava pensando, só não sabia se devia concordar com uma idiotice dessas ou algo assim. Mas dane-se, ele estaria lá.
Eu iria até o fim do mundo para ter mais daqueles sorrisos, para sentir mais aquele olhar.
Não falei nada, apenas sorri brincalhona e o puxei pelo braço, sentindo os pequenos, finos e extremamente resistentes fios me prendendo a ele. Se amarrando lentamente a ele. Esse era o meu fim, quando ele fosse embora. Eu teria de cortar aqueles fios novamente e seria insuportavelmente difícil. Seria como sobreviver sem oxigênio, talvez eu não conseguisse.
Nós corremos feito duas crianças para o quintal e quando a chuva nos tomou novamente. Eu parei bem ao centro, perto da piscina e olhei para o céu. A chuva me molhando cada vez mais, porém, nada daquilo importava. Dougie segurou minha mão e então começamos a girar, como duas crianças que brincavam na chuva. Giramos até ficarmos completamente tontos e quase cairmos. Ele nos equilibrou e gargalhávamos em alto e bom som. Era tão bom sentir aquele vazio, aquele enorme peso indo embora. Era inacreditável.
Estávamos de frente um para o outro quando ele me olhou daquele jeito e então desviou o olhar para a piscina. Eu sabia que era minha deixa para correr. Mas não o fiz, então ele repetiu o olhar e eu gargalhei escandalosamente. Feito uma adolescente imatura.
- Não... - neguei com a cabeça dando pequenos passos para trás - Não, não, não - neguei alto e então tentei correr. Mas como sempre, era tarde demais, ele me agarrou pela cintura e me lançou em direção à piscina. Mergulhei sentindo cada parte do meu corpo que não estava molhada, se ensopar. Emergi na superfície e passei a mão nos cabelos jogando-os para trás - Idiota - murmurei brincando. Dougie riu alto, me deixando arrepiada. Eu amava o som daquela risada. Fiquei ali na piscina, parada o encarando rir.
Dougie me olhou e riu mais ainda ao correr na minha direção e se jogar na piscina, no maior estilo bala de canhão. Jogou água para todos os lados e me fez afundar novamente com ele.
Nós dois cuspimos a água que entrou na boca e ficamos rindo sem sentido nenhum.
Mas de repente Dougie ficou me encarando sério, em silêncio. Alguma coisa errada estava passando em sua cabeça, eu podia sentir isso. Eu sabia disso, como sei que 2+2 são 4.
- Sabe - ele começou parecendo bem hesitante sobre o que quer que fosse falar - Não posso culpá-lo por te amar - deu de ombros, como se enfim tivesse entendido algo.
- De quem você está falando? - perguntei automaticamente. Estava totalmente perdida.
- Danny - falou com desdém - Não posso culpá-lo por te amar. É praticamente impossível não te amar, de qualquer forma - e assim foi se aproximando, com dificuldade devido a água. Mas a cada passo que ele dava, meu coração pulava. - Porque eu também te amo - falou quando estava próximo o bastante para aproximar seu rosto lentamente do meu e selar nossos lábios, virei meu rosto com determinação.

Acordei um pouco desnorteada, o que tinha acabado de acontecer? Aquele foi o sonho mais verdadeiro que eu já havia tido em toda a minha vida. Era como se eu ainda pudesse sentir o cheiro de Dougie, como se eu ainda pudesse senti-lo. Sentia-me arrepiada.
Sentei na cama e passei a mão pelos cabelos, estava ficando louca. Eu sabia disso. Automaticamente peguei o telefone e disquei aqueles conhecidos números e torci mentalmente que ele me atendesse, eu precisava falar com ele agora. Tocou uma vez, duas vezes, três vezes. Seria encaminhada para a caixa de mensagem, eu sabia disso. Quando estava finalmente desistindo e tirando o telefone da orelha, uma voz soou por ali.
''Alô'' ele falou, quando estava prestes a desligar. Peguei o telefone novamente e respirei fundo antes de respondê-lo.
- Dougie - falei. Minha voz soou fraca, como um murmúrio ou talvez pior. Tentei pigarrear, mas minha garganta estava seca. Engoli em seco e esperei uma reação.
- - ele falou. Sua voz serena, como se por algum motivo esperasse aquilo. Talvez ele realmente esperasse, afinal... eu era previsível. Até demais, isso me assustava às vezes.
- Você me odeia? - toda a minha insegurança, meu medo, minha dor, minha saudade. Tudo estava transbordando naquela pergunta, me soou como uma suplica. Era como se eu estivesse implorando por ajuda, por perdão. De certa forma, estava mesmo.
Ele demorou a responder, demorou três vezes mais do que o costume. Demorou, e eu podia sentir o passar dos segundos, dos minutos. Eu podia senti-los doer dentro de mim. Eu podia senti-los me machucar, me dilacerar. Meus olhos, obviamente ardiam. Mas não havia lágrimas, apenas o fantasma delas. Encarei o relógio de cabeceira e esperei mais um pouco. Cinco minutos se passaram, eu podia ouvir a respiração dele do outro lado da linha.
- Sim - ele falou, sua voz soando fria. Foi naquele momento que meu coração parou, para mim ele não existia mais. Ele me odiava, o que mais eu queria? Eu esperava com toda a minha alma que aquilo não me arrebenta-se mais. Eu estava farta daquilo.
- Eu sinto muito - respondi em um suspiro. Realmente sentia. Sentia por todo aquele amor ter se transformado em ódio, por todas as lembranças estarem sendo esquecidas. Sentia por estar perdendo-o definitivamente e sentia mais ainda por ele estar me perdendo. Por estarmos NOS perdendo. Mas havia acabado, naquele momento. Tudo havia acabado.
- Eu também - ele respondeu, transbordando sinceridade. Ao menos, eu sabia agora que ele também sentia por estarmos nos perdendo. E aquilo... Aquilo sim machucava.
- Adeus, Dougie - mordi o lábio e tomei toda a minha coragem para desligar o telefone. Eu esperei pela dor, pela maldita dor insuportável. Mas ela não veio, não havia nada ali. Absolutamente nada, além de pesares. De lembranças e de certezas.
Eu fiquei ali parada, sabendo exatamente o que eu deveria fazer. Me dar mais uma chance, eu precisava daquilo. Precisava seguir em frente. Queria me dar uma chance e faria isso. Colocaria um sorriso falso no meu rosto e esperaria o dia em que ele se tornaria verdadeiro. Trancaria meu coração em um baú e colocaria esse baú dentro de vários outros e esperaria pelo dia em que alguém conseguisse a chave de todos eles, esperaria pelo dia que alguém o tocasse de novo. Eu esperaria pelo dia em que não haveria mais feridas dentro de mim. Eu apenas esperaria... Sorri ironicamente ao pensar nisso. Sorri para a ironia da vida e sorrindo voltei a pegar o telefone e discar outros conhecidos números. Mas eu não precisei esperar, na segunda chamada a voz esperada soou no outro lado da linha: Alô - disse ele.
- Você me odeia? - perguntei. Queria franqueza, queria saber de tudo. E essa era a hora.
- , você me liga no meu horário de almoço, para saber se eu te odeio? - ele riu.
- É - respondi sem dar muita importância para se era ou não horário de almoço dele - Você me odeia? - refiz a pergunta. Ele suspirou do outro lado da linha.
- É claro que eu não te odeio. Como você pode pensar uma coisa dessas? Nunca te odiaria, nem nos nossos piores momentos. Eu não consigo te odiar. E desculpe se essa não era a resposta que você queria escutar - ele voltou a rir tranquilamente.
- Eu não entendo - mordi o lábio e fiquei em silêncio, tentando entender aquilo. Ele também deveria me odiar, não é? Era assim que as coisas eram comigo. Nunca muito agradáveis.
Ele riu novamente - Eu amo você, como posso te odiar? Que tipo de pergunta é essa. - E então ficou em silêncio esperando uma resposta. Mas eu ainda estava em silêncio tentando pensar direito. - ? - chamou ele, sem obter resposta - ? ? Fala comigo - pediu. Eu tomei ar e gaguejei, ao menos dei sinal de vida.
- Eu ligo mais tarde - falei rapidamente e então desliguei o telefone.
Havia muitas coisas se passando em minha cabeça, eu precisava organizar todos os meus pensamentos. Colocar tudo em ordem. Levantei da cama e segui, de pijama pela casa. Desci as escadas e fui até o meu pequeno barzinho. Preparei um copo de wisky e comecei a andar pela casa. Liguei o rádio em uma estação qualquer então a música me invadiu. Sentei na beira do sofá e comecei a organizar meus pensamentos.

música
When will I see you again?
Quando eu vou vê-lo novamente?
You left with no goodbye, not a single word was said,
Você se foi sem adeus, nenhuma palavra foi dita
No final kiss to seal any seams,
Nem um beijo de despedida para selar nada
I had no idea of the state we were in,
Eu não sabia nada sobre o estado em que estávamos


Havia todo o tipo de lembranças vindo em minha cabeça. Todo o tipo de perguntas. Estava uma confusão. Então tomei um longo gole da minha bebida e comecei pelas lembranças.
Organizei todas elas por ordem de qual machucava mais e as que não me faziam sentir nada além de alegria. Classifiquei-as em boas e ruins e então comecei a apagá-las da memória lentamente. E a cada lembrança deletada, era como se minha mente ficasse mais leve.

I know I have a fickle heart and bitterness,
Eu sei que tenho um coração inconstante e amargurado,
And a wandering eye, and a heaviness in my head,
E o olhar errante, e um peso na minha cabeça.



Os pensamentos. Esses de fato eram os piores, talvez as lembranças fossem simples perto disso. Mas eles estavam lá e junto com eles as duvidas. Eu deveria ter ligado, minutos antes? Estava totalmente certa da atitude que tomei a seguir? Aquilo não podia ser um erro, podia? Tocar minha vida, seguir em frente? Eu esperava que não. Esperava também que a dor não voltasse, nunca mais. Queria que em vez da dor a felicidade voltasse a reinar completamente dentro de mim. Tantos pensamentos, tantas perguntas e nenhuma resposta. Não havia nenhum vestígio de respostas dentro de mim.

But don't you remember?
Mas você não se lembra?
Don't you remember?
Não se lembra?
The reason you loved me before,
A razão pela qual me amou?
Baby, please remember me once more,
Amor, por favor lembre de mim mais uma vez.


Respirei fundo e tomei outro longo gole da minha bebida. Eu havia perdido totalmente o sono, eram três da manhã e não havia nada que me faria dormir tranquilamente de novo.
Sentei na beira do sofá e fiquei encarando o meu reflexo pelo visor da televisão. Estava repugnante, era assim que eu me sentia. Uma pessoa repugnante que gerava ódio nas outras pessoas. E eu não podia fazer nada a respeito e na verdade nem queria.


When was the last time you thought of me?
Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Or have you completely erased me from your memory?
Ou você me apagou completamente da sua memória?
I often think about where I went wrong,
Muitas vezes penso sobre onde eu errei,
The more I do, the less I know,
Quanto mais eu penso, menos eu sei.


Eu me perguntava como ele conseguia me odiar. Como era tão simples para ele? Aquilo soava muito estúpido para mim... A hipótese de ódio, de realmente odiá-lo. Ridículo até, completamente impossível. Mesmo que passasse mil anos, eu o amaria. Independente dos ocorridos. Jamais pensaria nisso, odiá-lo. Hum, completamente incogitável.
Não conseguia mais ver, alguma coisa que me impedisse de pegar aquele telefone novamente e me dar uma chance. Uma única chance, eu podia fazer isso. Sabia perfeitamente que podia. Mas, ao mesmo tempo, não queria. Alguma coisa dentro de mim ainda insistia em dizer que aquilo seria um grande erro. Respirei fundo, talvez pela vigésima vez durante esse pouco tempo. Porque respirar fundo parecia simples, aliviava um pouco os sentimentos. Como se eles saíssem de dentro de mim e ficassem pairando no ar por alguns segundos. Peguei o telefone novamente e redisquei conhecidos números. Na primeira chamada já ouvi a voz que queria ouvir.
- Você está bem? - perguntou ele do outro lado da linha - É a segunda vez que me liga, tá me preocupando - ele suspirou. Eu sorri sozinha, como se ele pudesse ver o meu sorriso.
- Uma chance - falei, sem rodeios.

Cap 17.

Dê play quando aparecer a música. (Stay the night - James Blunt)

Eu estava completamente entretida com o meu mais novo desenho. Era uma sequencia, quadrinhos. O primeiro deles era de uma garota com o coração na mão, no segundo ela o deixa cair e no terceiro ela fica o encarando o coração totalmente quebrado. No quarto a garota tenta juntar os pedaços e o quinto é de um garoto se aproximando, e lhe entregando o seu coração. Uma espécie de tirinha, simples. Estava encarando o desenho pronto, quando fui despertada de pensamentos pelo toque do meu celular. Era Danny.
- Oi - falei meio sem graça. Ele riu e, Deus, eu estava começando a adorar o som daquela risada. Nós passamos mais tempo no telefone nesses últimos dois dias do que em todos os anos de nossa amizade. Eu gostava disso, acordar com o som da voz dele e dormir escutando-o cantar para mim. De alguma maneira, me dava uma tranquilidade. Fazia-me sentir melhor, bem melhor. Era tão fácil com ele, simples e adorável. Fascinante.
- Você poderia, por favor, me buscar no aeroporto? - perguntou ele em um tom de voz divertido. Primeiramente eu ri, esperando ele desmentir a brincadeira. Mas ele não o fez.
- Não brinque comigo - pedi meio cabisbaixa. Eu sabia que ele não podia e nem largaria tudo pra vir me ver. Ainda mais agora. Iria vê-lo apenas no fim de semana que vem, porque o casamento da mãe de havia sido adiado. Então eu chegaria lá na sexta e no sábado aconteceria o casamento, na segunda eu embarcaria para voltar embora. Mas nós daríamos um jeito de fazer isso tudo dar certo, tinha certeza que sim.
- Estou falando sério, venha antes que eu derreta aqui - e assim desligou o telefone. Mas ainda assim não conseguia acreditar, era quase impossível isso estar acontecendo. Ele tinha realmente largado tudo para vir me ver? Estava aqui, por mim? Inacreditável.
Eu estava sorrindo feito uma idiota, quando dei por mim estava pegando a chave do carro e indo apressada na direção da garagem. Acionei o controle do portão antes e então embarquei sem jeito no carro, dei partida e segui pela estrada. Liguei o rádio em uma estação qualquer para distrair durante do percurso, mantive a velocidade sempre médio, nunca muito baixa. A pressa realmente não deixava, tinha alguma coisa pulando dentro de mim. Não conseguia ficar parada no banco, eu praticamente quicava sentada. Segui a rodovia até chegar conseguir pegar a avenida principal de L.A, estava movimentada. Mas sem muito engarrafamento. Demorou mais alguns minutos, até que eu finalmente chegasse. Lá estava ele parado me esperando em frente ao aeroporto com uma mala preta ao seu lado. Parei o carro e abri o vidro, fiz um sinal sorrindo e esperei ele vir em minha direção. Danny me olhou e abriu um sorriso encantador, pegou sua mala e veio até mim. Colocou a mala no banco de trás e embarcou sem jeito. Ele se virou para mim no banco e veio ao meu encontro, me olhou nos olhos e depositou um selinho demorado nos meus lábios. Retribui o beijo e então rimos em sincronia.
- Oi - ele disse em seguida. O encarei com um sorriso de orelha a orelha, como ele estava lindo. Seus cabelos ruivos, os olhos verdes brilhando junto com seu sorriso. A camiseta de bola v, preta contrastando com sua pele. Acabei não resistindo, o puxei pela gola da camisa e o beijei. Depositei vários beijinhos até sua boca se entreabrir dando passagem para nossas línguas. O calor me inundou no mesmo momento. Nossas línguas em sincronia. Danny sorriu durante o beijo e o interrompeu com um longo selinho. Me olhou como se pedisse desculpas por fazê-lo e então suspirou.
- Acabaram de nos buzinar - comentou, olhando para trás. Eu não sabia ao certo se olhava para ele ou seguia com o carro. Então me dei conta que estava interrompendo o trânsito e segui com o carro em silêncio, encarando as ruas, deixando apenas o barulho do radio completar o ambiente. Passando alguns minutos, quando cheguei a rua principal novamente, senti que ele estava me encarando. Dei uma desviada no olhar e o encarei.
- O que você ta pensando? - perguntou ele, me olhando de uma forma estranha. Amorosa demais e isso me desarmou. Eu queria tanto retribuir completamente aquele amor... queria tanto. Mas ainda assim eu tinha fé que em algum momento ele me pegaria o encarando da mesma maneira. Eu transmitiria todo meu amor por um simples olhar. Respirei fundo.
- Só tentando raciocinar direito - ri baixinho - Você largou tudo para vir me ver, no meio da semana - comentei. Ele deu de ombros como se a resposta fosse obvia.
- Não aguentei de vontade de te ver - respondeu - Além do mais, é uma chance. Não é? - explicou. Sorrindo mais ainda, se isso era possível. Retribuí o sorriso e então voltei a minha atenção para o transito. Danny ficou encarando as ruas e as pessoas pela janela, eu sabia disso porque o conhecia perfeitamente. Ele riu sozinho - Posso entender porque você gosta tanto daqui - comentou encarando a janela. Direcionei minha visão para o que fosse que ele estivesse olhando, mas não encontrei nada demais. Apenas as pessoas e as mesmas ruas de sempre. Forcei mais o meu olhar, ainda assim não consegui encontrar absolutamente nada.
- Como assim? - perguntei sem entender. Ele me olhou e revirou os olhos.
- Esse calor, sei lá - deu de ombros - Você consegue sentir ele em cada pessoa apenas de olhar pra ela. E além do mais, não consigo imaginar uma pessoa que more aqui de mau humor. - riu do próprio comentário - E o mais importante, as pessoas realmente sentem vontade de entrar no mar aqui - gargalhou. Não consegui aguentar, tive de acabar gargalhando junto. Ele tinha razão, as pessoas sentiam necessidade de entrar no mar aqui, já lá na Inglaterra... as coisas eram diferentes, o clima não favorecia muito.
Enquanto eu apenas admirava a maneira como ele falava comigo, ou me olhava. A maneira como ele sorria, acabava me perguntando como não havia percebido isso antes. Como fui tão cega, por tanto tempo. Aquilo era uma tortura. Não conseguia me concentrar em o que exatamente ele estava falando, podia apenas escutar o som da sua voz ao fundo. Dividia minha visão entre Danny e o transito. Quando finalmente peguei a rodovia novamente, deixando a cidade minha audição ficou perfeita, assim como meu foco.
- ? Você ta me escutando? - perguntou arqueando uma sobrancelha. Estava curioso e desconfiado ao mesmo tempo, quando ele erguia a sobrancelha involuntariamente era porque ele se sentia assim. Apenas ri de leve e dei de ombros, sem muita importância.
- Não. Desculpa - respondi sinceramente - Eu estava mais ocupada admirando o meu namorado - completei. Ele sorriu e fez uma careta.
- Certo, estou com ciúmes agora. Quem é o sujeito? - brincou ele.
Gargalhei, entrando no clima da brincadeira - Ah! - sorri empolgada - É um cara aí... Ele tem um sorriso lindo - comecei - Olhos lindos também - ele riu e eu continuei - E, hm, estou tentada a estacionar o carro para beijá-lo - conclui. Danny gargalhou e soltou o ar em uma espécie de risada. Passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os e respondeu.
- Te entendo - ficou sério - A minha namorada também é muito tentadora - ele tirou o cinto de segurança e virou-se para mim. Sorri para ele e estacionei o carro em frente a casa. Havíamos acabado de chegar, ele olhou em direção da mesma e assoviou impressionado.
Desembarcou e andou lentamente em direção a casa. Fiquei o olhando, ele tinha um lindo corpo - eu tinha de admitir. Respirei fundo antes de desembarcar do carro e acompanhar Danny pela caminhada. Assim que me acalmei, desembarquei e segui pelo mesmo caminho que ele - que estava me esperando para entrar na casa. Danny me estendeu a mão e a peguei, nossos dedos automaticamente se cruzaram, encaixaram perfeitamente. E isso não me trouxe nenhum sentimento bom. Isso me lembrava dele e eu estava me proibindo de pensar nele. Contei até cinco mentalmente e recoloquei o sorriso no rosto. Abri a porta e puxei-o para dentro comigo. Quando a porta fechou-se atrás de nós, ele me puxou pela mão. Segurou na minha cintura com a outra e aproximou nossos rostos, terminando o ato com um beijo calmo. Que aos poucos foi tornando-se caloroso. Danny apertou minha cintura e me ergueu, subi em seus pés e o deixei me conduzir. Ele caminhou às cegas pela sala até esbarrarmos no sofá e cairmos em cima do mesmo. Sem interromper o beijo, ele passou a mão pelo meu torso. Eu sorri entre o beijo e o interrompi com alguns beijinhos.
- Bem vindo a minha casa - murmurei perto da sua boca. Ele riu e se levantou, endireitando-se. Olhou ao redor e sorriu abertamente, sentei e fiquei o olhando.
- Eu gosto daqui - ele comentou me fazendo rir. Danny me encarou e estendeu novamente a mão para me puxar para um abraço. Ficamos assim por algum tempo. Abraçados. Então ele beijou a minha testa e passou o rosto pelo meu cabelo, o apertei mais contra mim.
- Bom que goste, porque espero que você passe algum tempo aqui comigo - murmurei contra seu peito. Senti a sua risada silenciosa e sorri. Era bom estar nos braços dele, mas eu ainda não conseguia parar de pensar que era bom, mas não tão bom quanto estar nos braços de Dougie. Isso era hipócrita, absolutamente repugnante. Como eu podia pensar em uma coisa dessas agora? Eu sou um erro, isso está ficando cada vez mais certo.
Nosso momento foi interrompido pelo toque do meu celular, quebrando o silêncio entre nós. Bufei e me afastei de Danny para pegar o celular que vibrava em cima do sofá. Olhei no visor e atendi imediatamente. Ele me olhou e jogou-se no sofá, com preguiça.
- Alô - atendi, já sabendo mais ou menos o que esperar. Era , provavelmente ligando para ter noticias ou contar alguma coisa. Mas ela não respondeu instantaneamente como eu esperava que fizesse e quando respondeu não me parecia nem de longe muito animada.
- Oi - ela falou, cabisbaixa. parecia melancólica, algo que ela raramente ficava. Sua animação sempre era maior do que qualquer outra coisa, talvez um pouco menor que seu mau humor durante a tpm - mas isso era comum. Havia alguma coisa de estranho, porque segundo meus cálculos era mais ou menos 1h da manhã em Paris, porque aqui ainda era 4 da tarde. Definitivamente muito suspeito. Ela tinha algum problema, estava certa disso.
- O que houve? - perguntei indo direto ao assunto. Eu precisava que ela me contasse exatamente o que estava acontecendo, caso contrario entraria em agonia. Porque ela estava tão longe de mim e não podia abraçá-la ou fazer algo para ajudar. Esperei pela resposta. suspirou no outro lado da linha e fungou, denunciando seu choro silencioso. Ela estava chorando? Eu não gostava nada disso, odiava vê-la assim.
- Nada demais - murmurou ela, sua voz quase não saindo - Só uma briguinha boba com o Tom - tentou rir, mas seu riso pareceu mais um soluço. Eu respirei fundo. Briga com o Tom.
Isso não era bom e nem fácil, eles nunca brigavam assim. Aquilo me soou mais estranho ainda. Eu sabia que ela queria me contar o que houve, precisava apenas de um incentivo.
- O que aconteceu? Porque vocês brigaram? - perguntei realmente curiosa.
soltou o ar pesadamente e então engoliu em seco, pude escutar.
- Vou ter de passar mais tempo aqui do que o esperado - começou ela - Questão de mês ou um pouco mais, só que o Thomas não consegue compreender isso. - fungou - Mas deixa aquele idiota pra lá. Como você está? - mudou de assunto. Pensei antes de responder. Eu estava realmente bem e isso era estranho, me sentir tão bem assim. Não conseguia me acostumar com a forma que a presença de Danny me afetava. Pensando isso, o olhei atirado no meu sofá me olhando e sorri. Eu estava perfeitamente bem, sabia disso.
- Estou ótima - sorri novamente na direção de Danny, que entendeu e riu baixinho.
- Fico feliz de saber isso - ela riu de uma maneira falsa, eu suspirei - O Danny está aí, não é? - perguntou. Ela sabia que ele estava aqui, é claro que sabia Tom provavelmente tinha contado. Encolhi os ombros como se fosse responder que talvez, mas desisti.
- Sim, por quê? Quer falar com ele? - me joguei no sofá ao seu lado. Não esperei ela responder se queria ou não falar com ele, apenas entreguei o telefone. Danny me olhou curioso e o pegou, atendendo com um sonoro e meio rude 'Fala'. Pude ouvir outra fungada vindo de e era nesses momentos que eu queria socar a cara do Fletcher. Durante o colegial, essa vontade habitava várias vezes dentro de mim. Isso porque naquela época, era meio típico ver a assim por sua causa. Mas agora? As coisas eram diferentes.
- É, eu posso fazer isso - afirmou Danny. Ele murmurou mais algumas coisas e então desligou o telefone - Ela mandou um beijo e mandou dizer que te ama - passou o recado. Ele não me entregou o celular, em vez disso começou a discar algum numero que eu não conseguia ver. Então colocou no viva voz e esperou enquanto chamava.
- Alô - uma voz masculina falou. Meio rouca, como se não estivesse com paciência para telefonemas. Eu reconheci a voz imediatamente, Danny estava ligando para o Tom. Fiquei em silêncio ao seu lado, me encostei a seu ombro e comecei a passar a mão pelo seu cabelo. Danny riu no telefone antes de falar alguma coisa, me olhou e apertou seu corpo contra o meu, em aprovação ao meu carinho. Sorri para ele e continuei apenas escutando.
- Hey cara, que mau-humor é esse? - continuou Danny após acalmar sua risada.
Tom bufou do outro lado da linha, totalmente sem paciência.
- Não to com muita paciência - deixou explicito - Mas fala aí dude, o que você quer? - perguntou. Danny estava procurando as palavras, procurando uma maneira de falar alguma coisa. Não me meti, continuei apenas encostada nele, passando a mão lentamente em seu cabelo, esperando. Ele engoliu em seco e tomou a coragem necessária para o que fosse.
- É a , cara - começou ele - Porque vocês brigaram? - continuou, ele me olhou sorridente e colocou os pés sobre a mesinha de centro, sentindo-se em casa. Ignorei isso.
- Ah! - exclamou Tom - Já ta sabendo é? Ela já foi reclamar para o priminho? - grunhiu ele.
- Deixa de ser idiota - xingou Danny - Ela não reclamou de nada, dude. Eu só quero saber o que aconteceu, você pode ou não me contar? - ele estava ficando sem paciência. Danny ficava assim quando se tratava de , totalmente sem paciência. Ele quase pirou quando Tom e ela começaram a namorar. Foi realmente difícil ficar na presença dos três por um longo tempo, até ele se acostumar. Danny era primo de , eles foram praticamente criados juntos, quase na mesma casa. Moravam um no lado do outro, as janelas do quartos ficavam uma de frente para outra. Eu lembro que eles costumavam sentar na janela e amanhecer conversando. É realmente bonito a amizade que eles tem.
- Sei lá cara, as coisas andam meio confusas. Entende? - Tom suspirou - A anda meio estranha, surtando durante as turnês e agora vem com essa de passar alguns meses na França. Cara, não dá entende? Não consigo aprovar isso - contou.
Eu realmente não queria me meter, não tinha porque me meter na conversa dos dois. Mas aquilo me soava realmente hipócrita e egoísta da parte dele. Nunca ouvi reclamar do tempo que ele passava fora por trabalho, nunca ouvi nem mesmo um suspiro contra o trabalho dele. Ao contrario disso, sempre achou ótimo para ele o sucesso e tudo mais.
- Cara, sobre os surtos eu não to sabendo. Mas... - Danny hesitou - É meio hipócrita isso que você ta fazendo, tu sabe né? Olha o tempo que você passa fora, em turnê durante o ano, ela nunca reclamou. Você podia retribuir isso. Se toca Tom, você pode perder a mulher da sua vida por essa simples bobagem - aquilo era um conselho sábio, eu concordava com ele.
- É claro que você vai ficar do lado dela - brigou - É melhor você não se meter cara, de boa - ele respirou fundo. Danny se contraiu ao meu lado, passei o dedo levemente pelo seu pescoço para acalmá-lo, parece ter surgido efeito, porque ele respirou fundo e respondeu.
- Eu não vou me meter até isso afetá-la. Pensa bem cara. Vou desligar, nos falamos. Tchau - e desligou. Ele ficou em silêncio por algum tempo, tenso por algum motivo. O que será que tinha falado com ele? Eu estava curiosa, mas não perguntaria nada, se ele quisesse me contar faria de livre e espontânea vontade. Continuei passando o dedo levemente pelo seu pescoço, brincando com a sua orelha e passando a mão no seu cabelo. Ele virou-se para mim no sofá e sorriu de uma maneira safada. Eu ri baixinho.
- É maldade ficar me provocando, sabia? - ele se aproximou, me segurando pela cintura. Eu mordi o lábio inferior e neguei com a cabeça. Ainda com o sorriso maroto nos lábios, Danny se aproximou e me deu um selinho demorado, seguido de vários outros selinhos rápidos.
- O que - falei entre um selinho e outro - Você - outro selinho - Quer - selinho - Fazer? - finalmente conclui a frase, mesmo sendo interrompida. Ele deu de ombros e me deu outro selinho, mais demorado dessa vez. Agora quem estava provocando era ele. Depositou vários beijinhos na minha boca e então umedeceu meus lábios com sua língua, senti seu hálito bater em meu rosto. Automaticamente minha boca se entreabriu dando passagem para sua língua. Danny explorou cada pequeno canto da minha boca, sua língua em sincronia com a minha. O calor do seu corpo perto do meu e vice-versa. Era fantástico. Não podia negar que havia sensações melhores e eu me negava veemente de pensar nisso.
Estragando os prazeres, interrompi o beijo com um selinho rápido e continuei meu assunto.
- É o seu primeiro dia na California - comecei - E você não sabe o que quer fazer? - Mas ele não estava interessado no meu assunto, porque estava mais ocupado mordiscando meus lábios, mordendo levemente meu queixo, roçando seu rosto no meu e descendo depositando vários beijinhos, percorreu todo meu pescoço e chegou ao final do mesmo. Meu maior ponto fraco, ele beijou e deu uma mordiscada, todo meu corpo se arrepiou.
- Danny... - pedi. Eu não precisava falar mais nada, ele sabia do que se tratava. Odiava que não prestassem atenção em mim quando estou conversando com alguém.
- Eu não sei, daqui uma hora deve começar a anoitecer de qualquer forma - ele deu de ombros, continuando com as suas provocações. Mas eu sabia que não passaria disso.
- É isso... - conclui, com um sorriso de orelha a orelha - Eu sei onde te levar, você vem comigo? - perguntei, segurando seu rosto com as mãos e o obrigando a olhar nos meus olhos. Ele me encarou fixamente por um tempo e então seus ombros caíram. Havia ganhado.
- O que você me pede com esse sorriso no rosto que eu não faço? - ele riu.
- Ótimo! - exclamei animada, dando um leve sobressalto - Vamos - peguei sua mão e puxei junto comigo enquanto levantava.
- Hey, hey, hey - protestou ele rindo discretamente - Posso ao menos tomar um banho e trocar de roupa? - encarei a sua roupa e dei um desconto. Estava fazendo um calor e tanto lá fora, ele podia tirar os tênis e as calças. Suspirei desanimada, concordando silenciosamente. Voltei a me jogar no sofá e afundar nele. Danny roubou um beijo antes de levantar. Assim que ele passou pela porta para ir buscar a mala que havia deixado no carro, comecei a contar os minutos para ele ficar pronto. Eu o levaria a um lugar que fazia algum tempo que eu não visitava também, estava ansiosa para voltar lá.
Danny não demorou quase nada para buscar a mala, indiquei o quarto de hospedes e o deixei ir sozinho, porque estava realmente com preguiça de subir as escadas. Liguei a televisão para esperar o tempo passar, enquanto ele tomava banho e coisas do tipo.
Assisti alguns desenhos que estava passando pelo Cartoon, sem realmente prestar atenção.
Então depois de algum tempo, ele finalmente desceu novamente. Vestindo uma bermuda larga jeans com a barra dobrada e um pouco rasgada em baixo dos bolsos e nos joelhos, uma camiseta de gola v cinza com um bolso laranja e os tênis com o cano um pouco mais compridos parecendo estarem enormes em seus pés. Quando Danny usava camiseta de manga curta, suas tatuagens apareciam e eu amava isso. Ele estava extremamente lindo.
- Pensei que você fosse tirar os tênis - comentei, reprovando ele não ter feito isso.
- Não gosto muito de andar de chinelo - ele riu, vindo em minha direção. Estendeu a mão e me fez levantar. Estávamos prontos para sair. (Dê play)

Oh-oh-oh-oh...
Oh-oh-oh-oh...
Hey! It's 72 degrees
Hey! Está 72 graus.
Zero chance of rain
Zero chances de chuva
It's been a perfect day
Tem sido um dia perfeito


O calor estava realmente insuportável lá fora. Por isso os vidros do carro estavam completamente abertos. Podíamos sentir a brisa vindo do mar, era adorável. Danny parecia realmente confortável com o calor, olhava a paisagem um pouco admirado. Ele já esteve em L.A antes, mas não conhecia essa parte da praia - a parte privativa - era linda.
Nós estávamos conversando sobre besteiras qualquer. Implicando um com o outro. Sendo normais. Sendo melhores amigos. Eu adorava ficar ouvindo as suas piadas, era incrível como ele tinha facilidade para me fazer sorrir e gargalhar. Minha mente e coração estavam tranquilos, eu tinha feito a escolha certa. Danny era quase perfeito para curar meu coração.
Eu tinha certeza que ele nunca me magoaria, que não deixaria marcas dolorosas do seu amor impregnadas em mim. Seria completamente simples e inesquecível. Esperava isso com todas as minhas forças. Assim como eu esperava abrir a cortina e ver o sol pela manhã. Meu maior desejo. Porque eu havia prometido, eu ficaria perfeitamente bem.

We're all spinning on our heels
Estamos todos sem rumo
So far away from real
Tão longe do real
In Californ-i-a
Na Califórnia
We watched the sun set from my car
Assistimos o pôr do sol do meu carro
We all took it in
Todos celebravam
And by the time that it was dark
E já que estava quase anoitecendo
You and me had something, yeah
Tava rolando algo entre eu e você, yeah


Não conseguia parar de encará-lo sorrindo a todo momento ao meu lado. Eu fui a maior idiota do mundo, como pude fazer esse homem sofrer? Porque eu podia encher a boca para falar, Danny era um homem. Tinha atitudes de tal, não era como Dougie. Não havia comparação. Mas, ainda assim eu não conseguia amá-lo com mesma intensidade. E ainda me pegava lembrando que éramos melhores amigos e apenas isso. As coisas não eram mais assim. Mesmo que de certa forma, ainda éramos melhores amigos. Nossa amizade ainda estava em pé, com sua estrutura nada abalada. Que continuasse assim.
Estacionei o carro ao lado de vários outros que também estavam ali. Havia muitos grupos de amigos, casais e até pessoas sozinhas. Era a beira de um penhasco, todo cercado. Podia-se ver o mar perfeitamente dali e junto dele o pôr do sol. Era o meu lugar favorito em toda a Califórnia. Porque naquele lugar todos os seus sonhos pareciam possíveis. Parecia mais fácil respirar com aquela vista.
Ele não comentou nada, apenas desembarcou e andou até ficar em frente ao carro, escorou-se no capô e ficou admirando a paisagem. A hipótese de ele não ter gostado do lugar estava desconsiderada. Posicionei-me ao lado de Danny e segurei sua mão, sentando sobre o carro. Estiquei as pernas e me inclinei para absorver os últimos raios de sol daquele dia. Fechei os olhos e respirei lentamente, o cheiro da água salgada, misturado das arvores, areia. Uma mistura de fragrâncias e ainda assim o perfume de Danny era mais forte. Impregnou-se em meu nariz, só conseguia respirar o seu cheiro. Voltei a abrir os olhos e me deparei com ele sentado ao meu lado, em um completo silêncio. Nenhum dos dois queria quebrá-lo. Era assim que a maioria dos casais que estavam ali se encontravam, em silêncio.

And if this is what we've got
E se é isso que nós temos
Then what we've got is gold
Então o que temos é ouro
We're shining bright and

I want you, I want you to know
Eu quero você, eu quero que você saiba


Mas ainda assim o silêncio não predominou por muito tempo. Foi interrompido com muita dificuldade e hesitação. Danny hesitou tanto em formular uma frase, que pareceu que não queria realmente estragar o momento. Ou seja, alguma coisa poderia estragar o momento.
- Porque você me deu uma chance? - Ele perguntou. Toda a duvida e tensão que tinha em seu corpo fluindo nessa pergunta. Não queria responder, mas eu devia.
- Porque eu desisti - confessei, dando de ombros - Desisti de tentar colar e remendar o meu coração. - virei o meu rosto para que ele não pudesse encarar meus olhos - E você sempre cuidou de mim, somos melhores amigos. Você nunca me faria mal e é isso que eu quero agora, tudo que me faz bem. E você, Danny - voltei a encará-lo, seus olhos verdes nos meus - É a coisa que mais me faz bem no mundo inteiro ultimamente. - sorri sem graça.
Ele ficou em silêncio, digerindo a resposta. Seus olhos brilhavam, era como encarar um par de pérolas verdes. Seu brilho era surpreendente. Uma melhor comparação seria um par redondo de esmeraldas me encaravam. Eram assim que os olhos dele se encontravam, como lindas e fascinantes esmeraldas. Qualquer mulher se derreteria a esse olhar.
- Mas - hesitou ele, um pouco atordoado - Você pode vir a me amar? - questionou.
Eu suspirei pesadamente e revirei os olhos. Aquela era a maior idiotice que ele podia dizer.
- Eu já amo. Só tenho que vir a amar mais ainda - soltei um riso nasalado - E isso, Danny, é muito mais fácil do que você pensa - pisquei algumas vezes sentindo meus olhos arderem.
Aquela era a verdade, eu já amava Danny intensamente. Só tinha de juntar a paixão àquele amor e isso me parecia fácil. Extremamente fácil. O difícil era esquecer Dougie, mas eu nunca falaria isso em voz alta. Nunca machucaria ele daquela forma. Seria meu segredo.
Danny aproximou seu rosto do meu e começou um beijo calmo, apenas de lábios, sem língua. Um beijo extremamente carinhoso.

The morning's on its way
Já está amanhecendo
Our friends all said goodbye
Nossos amigos todos já se foram
There's nowhere else to go
Não há outro lugar para ir
I hope that you'll stay the night
Espero que você fique essa noite
Oh-oh-oh-oh, You'll stay the night
Oh-oh-oh-oh, você vai ficar essa noite
Oh-oh-oh-oh, yeah
Oh-oh-oh-oh, yeah


Eu pensava de uma maneira, simples até. Você podia imaginar o amor de várias maneiras. Podia ser aquele amor americano, típico de um lindo filme de comédia romântica. Você podia imaginar aquele amor eterno, que mesmo após a morte permanece. Podia também imaginar o amor impossível - como o de um melhor amigo com medo de perder a melhor amiga. Ele pode ser de várias maneiras, de várias formas e ainda assim ser lindo. Mas comigo as coisas nunca foram exatamente assim. Eu nunca imaginei o amor de nenhuma dessas formas. Sempre tive comigo que o amor seria o meu maior sofrimento, meu maior medo. Talvez até meu calcanhar de Aquiles. Pensei assim por muito tempo, até conhecer Dougie e então esse conceito mudou rapidamente. O amor passou a ser toda a minha existência e ao mesmo tempo meu maior inimigo. Com o passar do tempo o primeiro conceito foi parecendo mais árduo, mais convicto. E então todas as lembranças boas desse sentimento sumiram. Mas eu tinha um plano para aquilo: Engolir todas as dores, curar meu coração com o amor de Danny.
- Hey - chamei o moço que ficava por ali vendendo café batizado. Ele veio até mim e comprei dois copos dele que agradeceu e saiu. Entreguei um deles para Danny, que sorriu passando o braço sobre meus ombros me puxando para mais perto dele possível. Eu gostei.

We've been singing Billy Jean
Fomos cantando Billy Jean
Mixing Vodka with caffeine
Misturando vodka com cafeína
We've got strangers stopping by
Estranhos nos parando pelo caminho
And though you're out of tune
E embora você não esteja no clima
Girl you blow my mind you do
Garota, você me deixa louco
And all I'll say is
E tudo que eu vou dizer é que
I don't want to say goodnight
Eu não quero me despedir
If there's no quiet corner
Se não houver nenhum canto tranquilo


Fiquei encarando o céu ficar amarelo e então laranja, até lentamente ele ir ficando lilás. Alguém estava escutando música alta ali perto de nós. Reconheci imediatamente a música. Era James Blunt.
Ironia do destino, mas me parecia extremamente apropriada para aquele momento. Era calma e ainda assim animada. Podendo até ser completamente romântica, se você analisar. O coração de Danny batia um pouco mais acelerado que o normal contra suas costelas, eu podia sentir. Meu coração estava calmo, falhando de cansaço. Ignorando esse fato, eu estava adorando estar ali com ele.
Sentia-me protegido de qualquer mal que pudesse existir no mundo. Protegida de mim mesma.

To get to know each other
Para a gente se conhecer
Then there's no hurry
Então não há pressa
I'm a patiient man, as you'll discover
Eu sou um homem paciente, como você vai descobrir
Cos if this is what we've got
Porque se é isso que nós temos
Then what we've got is gold
Então o que temos é ouro
We're shining bright and
Estamos brilhando
I want you, I want you to know
Eu quero você, quero que você saiba


Continuamos abraçados e de mãos dadas até o céu ficar um pouco mais escuro. Terminei de tomar minha bebida exatamente no momento em que decidimos ir embora.
- Eu dirijo - Danny falou pulando do capô e estendendo a mão para me ajudar a descer.
Peguei sua mão e desci em silêncio, indo embarcar do lado do passageiro, aguardei ele embarcar e dar partida no carro. Assim que ele engatou a marcha, Danny puxou minha mão para a sua e a segurou ali por todo o caminho. O vento um pouco mais frio da noite tomando conta do carro, entrando pelos vidros. E eu não conseguia sentir frio, era como se sua mão - que ele tirava da minha apenas para engatar as marchas - me passasse o seu calor. Uma teoria meio ridícula, mas o calor não parava me de inundar. Virei-me no banco e fiquei o encarando. Porque eu perdi tanto tempo com a coisa errada? A coisa errada que você mais ama - acusou minha mente.

The morning's on its way
Já está amanhecendo
Our friends all said goodbye
Nossos amigos todos já se foram
There's nowhere else to go
Não há outro lugar para ir
I hope that you'll stay the night
Espero que você fique essa noite
Oh-oh-oh-oh, You'll stay the night
Oh-oh-oh-oh, você vai ficar essa noite
Oh-oh-oh-oh, yeah
Oh-oh-oh-oh, yeah



Mesmo com Danny ali ao meu lado, eu não conseguia parar de pensar subconscientemente o que Dougie estaria fazendo nesse momento ou com quem ele estaria. Aquilo era difícil.
Expulsei esse pensamento da minha cabeça assim que o carro parou e Danny largou a minha mão para desembarcar. Desci do carro com preguiça e segui para dentro de casa.
Meu braço foi puxado delicadamente me impedindo de andar, me virei para encará-lo ali parado ainda me encarando. Ele não cansava? Era como se pudesse ficar me olhando todos os minutos do seu dia. E eu podia admitir que adorava isso.
- Obrigado - ele agradeceu e então completou - Eu amo você - ele sorriu me abraçando.
Eu não respondi absolutamente nada, ainda não estava pronta para aquilo. Apenas sorri contra o seu peito, inalando mais do seu perfume. Soltei o ar e o puxei pela mão para dentro de casa. Eu queria descansar um pouco, deitar e olhar algum filme ou algo assim.

Just like the song on my radio said
Como disse a música no meu rádio
We'll share the shelter of my single bed
Nós dividiremos o abrigo da minha cama de solteiro
But it's a different tune that's stuck in my head
Mas tem uma música diferente colada na minha cabeça
And it go-o-oes...
E continua tocando...


A música que eu havia ouvido durante o pôr do sol, não saia da minha cabeça. Até que comecei a cantarolar baixinho. Fechei a porta ao passar e rumei direto para o sofá, me atirando lá. Danny sentou ao meu lado e deitou minha cabeça no seu colo. Ele acompanhou meu cantarolar e logo eu estava dormindo.

Cap 18.

Eu me sentia errada, como se alguma coisa estivesse completamente errada com o que eu estava encarando. Como se o meu reflexo no espelho, fosse de outra pessoa. Meus olhos, esses eram os mais errados em todo o conjunto. Estavam completamente frios, sem expressão, vidrados - exatamente como olhos de uma pessoa morta. E por mais ridículo que aquilo soasse, em meus pensamentos, eu me sentia morta. Mas, isso era apenas nesses breves momentos em que ficava distante de Danny. Era como se ele, fosse a única coisa que me deixava viva, a única coisa que fazia com que meu corpo continuasse aquecido de uma forma incrível, como se fizesse meu coração bater - mesmo eu não sentindo-o mais. Como se o meu oxigênio fosse ele e isso era o que me deixava mais preocupada. Já me senti dessa forma e confesso que realmente não gostei do resultado, não havia um final perfeito.
Percebi que Danny estava escorado no batente da porta e então fingi rapidamente estar analisando a minha roupa. Havia optado por uma camisa azul extremamente claro, quase branca, uma saia amarela curta por cima, com um cintinho marrom na cintura e um blaser feminino preto, compridinho, com as mangas dobradas. Alisei o casaco e ajeitei meus cabelos, que caiam natural pelos meus ombros parando quase na cintura. Minha maquiagem estava normal, um pouco de blush e rímel e um batom rosinha bebê. Virei-me e sorri ao vê-lo me encarando de uma maneira surpreendente. Andei até a beirada da cama e sentei para calçar os sapatos que estavam separados, sapatos simples, pretos de salto com a pontinha aberta. Peep Toe.
- Você ta linda - Danny comentou assim que levantei novamente e então sorriu abertamente – Aliás, você está sempre linda - riu ele, sozinho.
Sorri para agradecer o elogio, mas permaneci em silêncio. Fui até meu cabideiro e peguei a bolsa que eu havia separado, preta, pequena e quadrada. Coloquei tudo que era necessário ali dentro e então, peguei meus óculos ray ban. Dei uma ultima checada no espelho e então fui em direção a Danny que ainda estava parado no batente da porta, escorado, me esperando. Notei pela primeira vez sua roupa, ele usava uma camisa branca simples com gola v, uma camisa jeans aberta por cima, calça também jeans preta e seus inseparáveis tênis. Eu fiz uma careta de aprovação e então joguei meus braços no seu pescoço, automaticamente ele colocou as mãos na minha cintura.
- Meu namorado também está lindo - falei, dando de ombros e fazendo um leve bico.
Danny fez uma cara de afetado e sorriu audacioso, entrando na brincadeira.
- Já te falei, que eu tenho ciúmes desse seu namorado? - perguntou, irônico.
- Não - neguei com a cabeça - Mas é muito bom saber - sorri, dando fim a brincadeira.
Depositei um beijo rápido nos seus lábios e me soltei, antes que aquilo nos levasse a mais perda de tempo e estávamos realmente atrasados. Belle tinha ligado, logo pela manhã perguntando se nós queríamos sair com ela hoje de tarde, obviamente aceitei. Nunca consegui realmente dizer não para aquela pequena. De qualquer forma, ela já havia ligado outra vez perguntando se íamos demorar. O plano era ir ao cinema, depois comer alguma coisa e fazer sabe-se lá o que. Ela era imprevisível.
- Estamos muito atrasados? - ele fez uma careta, me puxando pela cintura. Fazendo-me voltar para seus braços. Eu dei uma risada baixinha e rouca.
- Bastante - respondi, automaticamente. Ele fez uma carinha de anjo e deu-me um selinho demorado - Um pouco... - sorri. Danny deu então uma mordida no meu queixo - Um pouquinho - continuei. Ele riu e beijou meu pescoço, senti um arrepio se formar em meu corpo - Ok, esquece! Não estamos mais atrasados - o puxei pela gola da camisa e iniciei um longo e caloroso beijo. Um tempinho depois, ele interrompeu o beijo e sorrindo disse - Não é melhor, irmos? - o encarei incrédula e soltei sua camisa. Ajeitei-a no seu devido lugar e sorri ao dar as costas e sair. Desci as escadas e esperei por ele em frente a porta da frente. Não demorou muito e Danny apareceu com seu óculos praticamente igual ao meu, em seu estilo todo lindo.
- Vamos, sr. apressadinho? - perguntei, arqueando uma sobrancelha. Ele riu e me roubou um beijo ao passar, eu ri sozinha e fechei a porta assim que ele passou.
O carro estava do lado de fora, havia tirado de manhã da garagem e não recoloquei. Nós embarcamos, ele no carona e eu no lado do motorista. Coloquei o cinto de segurança e liguei o rádio, antes de dar partida. Nós estávamos em completo silêncio, apenas escutando as musicas folks que tocavam na rádio a essa hora da tarde. Os vidros abaixados, absolvendo o máximo de umidade possível. Sim, porque o dia estava nublado, friozinho e úmido. Mas era ainda assim, uma umidade agradável.
Na metade do caminho, eu pude notar que Danny estava me olhando com intenção de falar alguma coisa, mas não sabia exatamente por onde começar. Permaneci em silêncio, apenas esperando o que quer que fosse. Ele se virou no banco na minha direção e respirou fundo.
- Aquele dia... - começou ele, hesitante - O dia em que cheguei - explicou e então recomeçou - Quando você dormiu lá no sofá, você falou enquanto dormia - falou.
A primeira coisa que pode vim em minha mente, era Dougie. Será que eu tinha o chamado ou algo assim? Eu esperava que não, torcia com todas as minhas forças para que não fosse isso. Podia ser qualquer outra coisa, algum sonho bobo, mas não podia ser sobre Dougie.
- E o que eu disse? - perguntei, curiosa e temerosa. Engoli em seco os medos e olhei-o rapidamente, voltando a atenção para a estrada, logo em seguida.
- Você falou: Wendy, foi minha culpa - nesse momento, eu perdi por alguns minutos o controle do carro, mas recuperei logo em seguida. Danny não deixou passar, ele percebeu - Isso ainda te atormenta, não é? - pressionou ele.
- Troca a estação do rádio, por favor? - pedi, tentando erraticamente mudar o assunto.
Como se aquilo fosse funcionar, ele suspirou e trocou a estação do rádio rapidamente.
- Você não vai falar sobre isso, vai? - perguntou, desistindo do assunto. E ele tinha absoluta razão, eu não iria falar sobre aquilo, nunca. Havia prometido para mim mesmo que aquele assunto ficaria apenas nos meus sonhos. E essa era uma promessa que eu não estava disposta a quebrar. Danny suspirou e voltou a encarar a janela, permanecendo em silêncio.
Nós já estávamos quase chegando, Belle daria um jeito nesse clima tenso, em um passe de mágica. Ela era assim, conseguia o que queria rapidamente.
Estacionei o carro e no mesmo momento ela apareceu correndo pela porta e ficou parada nos esperando. Danny riu com a ansiedade dela e desembarcou primeiro. Belle veio ao seu encontro, toda serelepe. Tirei o cinto de segurança e desembarquei também.
- Wow - ela disse assim que se aproximou o suficiente de Danny, sorrindo - Você é mesmo bonitão - riu fraquinho e corou logo em seguida. Ele gargalhou com o comentário.
- Você acha? - Danny se abaixou para ficar no mesmo tamanho que ela, que era praticamente uma anãzinha - Mas como podemos falar da minha beleza, com você aqui? - brincou ele. Belle sorriu abertamente e me lançou um olhar animado. Eu sorri em resposta.
- Ah - resmungou ela, então estendeu a mão para ele - Sou a Belle, a propósito - Belle fez toda sua pose charmosa e permaneceu com aquele sorriso sapeca no rosto.
Danny revirou os olhos em sinal de desdém e suspirou pesadamente, brincando.
- Sem apertos de mão - negou ele - Quero é um abraço bem apertado - dando ênfase no bem. Belle riu baixinho e se lançou em sua direção em um abraço de urso. Eu sorri mais ainda com aquela cena, eles pareciam dois irmãos ou coisa assim. Pigarreei alto.
- Bom, acho que vim a casa errada. Não estou vendo a minha irmãzinha em lugar nenhum - comentei, olhando para os lados, como se estivesse procurando alguma coisa.
Belle gargalhou alto e veio em minha direção, me abraçou pela cintura e riu novamente.
- Estou aqui, sua bobinha - falou ela, sorridente. Eu gargalhei e me abaixei para abraçá-la devidamente.
- Achei que ia ser trocada pelo Sr. Jones, sabia? - brinquei, apertando um lado da sua barriga. Ela se encolheu e riu, mais um vez. Belle revirou os olhos e puxou a longa trança para a frente.
- Nunca, você sabe que é a minha irmã favorita em tooodo o mundo - ela falou dando uma longa ênfase no -todo-, é claro que eu era. Também era a única. Sorri para ela.
- Sou sua única irmã, sua pirralha - brinquei dando um leve empurrãozinho nela.
- Por isso mesmo - deu de ombros e Danny gargalhou alto com a resposta. Bufei e me levantei. Olhei realmente para Belle, tentando entender se ela já estava pronta.
Belle vestia um macacão curto de um tecido levinho, petit poá branco com rosa. Um colete jeans por cima e sapatilhas também rosas. Seu cabelo estava puxado em uma longa trança que terminava amarrada em um laço. Mas, vaidosa do jeito que Belle era, não tinha certeza se ela estava realmente pronta. Olhei para dentro da casa, esperando ver Charlie por entre os vidros, mas nem sinal dele. Aquilo era realmente estranho.
- Você está pronta? - perguntei para Belle, ainda tentando encontrar papai com os olhos.
- Sim - ela concordou contente e então foi na direção de Danny - Hey - chamou ela, ao se aproximar dele - Você é mesmo famoso? - perguntou ela, desconfiada.
Danny gargalhou.
- É, acho que sim, porque pequena? - perguntou ele. Os olhinhos dela brilharam levemente quando ele a chamou de pequena. Essa seria como a irmã, se derreteria a pequena menção do apelido ''pequena''. Era jogo sujo, eu sabia disso.
- Hey você! - chamei-o com uma expressão séria no rosto - Pare de tentar conquistar a minha irmã - pedi. Ele revirou os olhos e deu de ombros sorrindo. Suspirei e dei-me por satisfeita, Belle estaria a mercê dos guys, em pouco tempo. Lamentável, era isso que era.
- Belle, Charlie não está em casa? - perguntei, me escorando na lateral do carro.
- Não, ele e a mamãe saíram logo cedo da tarde - respondeu ela, dando de ombros e então seu sorriso maldoso apareceu - Se ele te visse o chamando de Charlie, você estaria encrencada - riu perversamente. Fiz uma careta e mostrei a língua para ela que retribuiu o ato.
- Você estava em casa sozinha? - isso era muito pouco provavelmente, ela certamente estaria com a Meredith - governanta. Ou com algum outro empregado, talvez o jardineiro.
- Com a Mere, mas eu já avisei que vocês tinham chegado - Belle estava começando a se entediar com aquele papo. Eu dei de ombros e abri a porta do passageiro.
- Sinta-se a vontade de entrar então, irmãzinha - fiz um gesto na direção do banco e Belle fez uma careta e andou até o carro, embarcando. Ela colocou o cinto de segurança, como devia e ficou lá, impaciente. Fechei a porta e fiz a volta, embarcando no lado do motorista. Danny continuou parado do lado de fora, eu suspirei me estiquei no banco para falar por entre a janela - Você não vai vir, sedutor de pequenas irmãs? - brinquei, sorrindo.
Ele riu e então pareceu acordar de algum transe e embarcou no carro, colocando o cinto logo em seguida. Ele estava distraído com alguma coisa, parecia estar muito pensativo.
Ignorando aquilo, dei partida no carro e segui pelas movimentadas ruas de Los Angeles, em direção ao shopping central. Eu fiquei imaginando que tipo de filme iríamos assistir, durante todo o caminho. Provavelmente seria um daqueles filmes infantis da Disney, isso se tivesse algum desses filmes em cartaz, é claro. De qualquer forma, seria torturante.
Paguei o estacionamento do shopping e segui para procurar uma vaga, estava difícil. Na terceira volta, havia um carro saindo e então estacionei na mesma vaga. Belle foi a primeira a saltar do carro e sair andando, meio apressadinha. Revirei os olhos e desembarquei, sendo seguida por Danny, que andou até mim e passou o seu braço pelos meus ombros, deu-me um beijo estalado na bochecha e sorriu. Eu sorri para ele e ativei o alarme do carro, indo apressada em direção a Belle que daqui a pouco se perderia. Ele me acompanhou com o braço sempre ao redor do meu pescoço. Nós tínhamos uma sincronia para andar, eu conseguia permanecer ao seu lado, sem me sentir pequena demais. E eu queria dizer pequena em um sentido espiritual. De qualquer forma, entramos no shopping com Belle bem na nossa frente, parecíamos um casal e ela nossa filha. Passei por algumas lojas de músicas e parei na vitrine para olhar. Essa ultima loja, tinha uma longa coleção de vinil's para vender, obviamente me deixou interessada. Parei por minutos na vitrine.
- Você ainda coleciona vinil, mesmo? - ele perguntou sorrindo, perto do meu ouvido.
Concordei silenciosamente e suspirei, eu não ia comprar mais vinil's hoje, tinha de me controlar. Estava virando uma compulsão, queria poder me controlar. Apenas segui meu caminho. Mas Danny ficou para trás, olhando alguma coisa na vitrine. Quando ele finalmente desistiu do que quer que fosse, veio apressado em nossa direção, até nos alcançar nas escadas rolante. Ele se posicionou ao meu lado novamente enquanto subíamos. Belle estava agarrada ao corrimão, ela não era muito fã de escadas rolantes.
Quando chegamos ao próximo andar, pegamos outra escada rolante que daria no terceiro andar, a onde era o cinema. Havia uma fila de cartazes anunciando os filmes que estavam em cartaz, obviamente. Ela passou olhando de um em um, estava ficando realmente assustada quando ela parou em frente ao filme Era do Gelo 3. Eu não era uma grande fã de filmes em desenho animado, com algumas exceções. Madagascar era uma dos meus favoritos, com aquela música contagiante: Eu me remexo muito, eu me remexo muito. Depois desse, eu poderia certamente colocar na lista Shrek, Bambi, O Rei Leão, Monstros S.A, A Noiva Cadáver, Coraline e por aí acaba minha lista de filmes de animações. Esse tipo de filmes realmente não faziam muito o meu gosto, assim como filmes de romances também não. Mas cada um tem o seu gosto e pelo que pude ver Belle era uma adoradora de filmes de animação. Eu estava ali para olhar o que ela escolhesse, mas torcia mentalmente para não ser alguma coisa realmente melosa ou algo do tipo.
- Eu quero esse - concluiu ela por fim, parando em frente ao cartaz do filme Smurfs. Agora sim estávamos falando a mesma língua, eu gostava dos sumurfs, sempre assistia os desenhos dele quando era pequena. Concordei silenciosamente e sorri.
- Tudo bem, eu vou comprar os ingressos - falei, puxando a minha bolsa e dando um passo para trás. Foi quando Danny me puxou pelo braço e riu, soltando-me logo em seguida.
- Deixa que eu compro os ingressos - falou ele, e então completou - Compra as comidas.
Ele tinha toda a razão, nós dois comíamos demais assistindo filmes. Geralmente eram baldes e baldes de pipoca, mas o que mais comíamos era chocolate. Concordei com um aceno de cabeça e peguei Belle pela mão.
- Vamos comprar comida - anunciei, antes de puxá-la em direção ao balcão de comidas. Havia uma pequena fila lá e apenas três atendentes. Esperamos impacientes, até sermos atendidas. A garota que estava com o cabelo preso, mas ainda assim podia-se ver moreno.
- Pra vocês? - perguntou ela educadamente, com um sorriso no rosto.
- 2 potes de pipocas, 3 barras de chocolates e 2 cocas - pedi e então me virei para Belle que me olhava apavorada - Você vai querer o que, pequena ? - perguntei.
- Só um chocolate e uma coca - pediu ela olhando diretamente para a moça. Que assentiu e foi pegar o que pedimos. Belle virou-se para mim - Tem certeza que não quer mais nada? - perguntou irônica. Eu gargalhei e dei de ombros.
- Quem sabe, se me der fome depois eu volto aqui comprar - respondi, irônica também.
Enquanto a mulher ia colocando no balcão o que havíamos pedido, Danny apareceu com três ticket's para entrar no cinema. Olhou para toda a comida e sorriu.
- Tudo certo, por aqui? - perguntou ele, passando a mão levemente pelo cabelo de Belle.
- Claro, mas a pequeninha aí, achou que íamos comer todo o estoque - respondi em meio a uma risada, enquanto mexia na bolsa para pagar a comida.
- O que você está fazendo? - Ele perguntou me olhando, procurar alguma coisa na bolsa.
- Procurando a minha carteira, é claro - respondi com desdém, revirando os olhos.
Danny bufou e meteu a mão no bolso, tirando a carteira de lá de dentro e alcançando para a mulher algumas notas e dizendo para ela ficar com o troco. Ele pegou o chocolate e a coca de Belle e a entregou, pegou a sua pipoca, o seu chocolate, a coca e ficou me olhando.
Lancei o pior olhar que eu podia para ele e peguei a minha comida e saí batendo pé na direção que ele apontou para Belle, que já estava na fila para entrar. Danny percebeu, provavelmente que eu não havia gostado que ele pagasse tudo, então aproximou-se do meu ouvido e sussurrou algo do tipo: O jantar é por sua conta. E riu, passando na minha frente. Esperamos a nossa vez de entrar para a sala impacientes, eu odiava enfrentar filas. Quando chegou a nossa vez, Danny entregou os ingressos e entramos, o ambiente estava gelado, causado pelo ar condicionado que estava sempre ligado. Sentamos bem ao fundo, mas Belle pareceu não gostar dos nossos lugares, então pediu para sentar mais na frente.
- Tudo bem, mas não saia da sala antes de nos achar, tá bem? - perguntei baixinho para ela, que concordou silenciosamente. A puxei em um abraço e beijei o topo da sua cabeça. Ela fez uma careta e saiu apressada na sua direção. Os créditos iniciais do filme começaram.
- Não acredito que vou ver os Smurfs - Danny sussurrou baixinho do meu lado, para que apenas eu pudesse escutar. Segurei uma risada e concordei.
- Eu também não - falei, soltando um suspiro teatral - Mas admita, você está emocionado! - brinquei. Ele me lançou um olhar, do tipo: Você é louca? Mas esse olhar o entregou - VOCÊ ESTÁ EMOCIONADO! - eu tive de rir e já levei o primeiro xingamento, de um careca que estava sentado na nossa frente.
- Não estou emocionado - ele explicou, rindo sem som - Mas, admito que era fã deles quando pequeno - concluiu. Apontei para o meu peito e mexi os lábios formando a frase "Eu também". Então quando os personagens finalmente começaram a falar, nós ficamos em silêncio, prestando atenção no filme. Ou quase isso.


- Eu não acredito nisso! - Belle brigou, pela quinquagésima vez- Eu podia ouvir as risadas de você de onde eu estava sentada - suspirou ela.
Danny e eu nós olhamos e recomeçamos a rir, não tínhamos culpa se o careca que estava na nossa frente tinha dormido e roncava de uma maneira extremamente engraçada.
- E depois, EU que sou criança - ela bufou e saiu marchando a nossa frente para pegar um elevador que nos levaria a praça de alimentação. Sim, nós ainda estávamos com fome.
- Ela é igualzinha alguém que eu conheço - Danny falou, encarando Belle com o olhar.
- Quem? - perguntei, me fazendo de desentendida. Ele gargalhou novamente, me contagiando e mais uma vez voltamos a rir. - Ok, isso já está ficando estranho. Temos de nos controlar - ele falou, tentando fazer uma cara de sério. Mas por algum motivo, não conseguimos, nós continuamos rindo de qualquer coisa que tentássemos falar ou víssemos.
- T-tudo bem - falei sem fôlego, me virando para Belle dentro do elevador - O que você vai querer comer? - perguntei. Ela me olhou estranho e então suspirou.
- McDonald's, pode ser? - respondeu ela, seriamente. Foi então que eu percebi, que nosso comportamento estava realmente a incomodando. Engoli em seco toda a risada que eu tinha para dar ainda e respirei fundo me acalmando. Lancei um olhar suplicante para Danny que entendeu rapidamente, assentindo com a cabeça.
- Claro que pode, pequena. - concordei - E depois comemos sorvete de sobremesa - completei. Ela sorriu para mim e saiu, assim que elevador abriu as portas nos dando passagem. Danny pegou minha mão e assim nós saímos para a praça de alimentação.
Belle foi direto para a fila de pedidos do mc, então seguimos para lá também.
- Você vai querer o quê? - a moça perguntou para ela, que olhou para os brinquedos que estavam exposto ali, os brindes do mc lanche feliz e então deu de ombros.
- Eu quero um Big Mac - pediu ela e eu a encarei incrédula, duvidava que ela fosse comer um big mac inteiro. De qualquer forma, deixei-a pedir - Bebida, é coca mesmo - ela respondeu para a atendente. E então, Danny fez o pedido, pedindo a mesma coisa que ela. Era minha vez - Um quarteirão - pedi e então assim que a mulher entregou a nota, peguei e fui para o caixa, antes que Danny desse uma de cavalheiro e quisesse pagar novamente.
Eles ficaram esperando os pedidos ficarem prontos, enquanto eu enfrentava a fila do caixa para pagar, procurei minha carteira antes de chegar lá e esperei com ela na mão. Quando chegou a minha vez, entreguei a nota para a moça e logo em seguida o dinheiro. Ela me deu a nota fiscal e então eu voltei para junto deles.
- Precisamos achar uma mesa - informei, olhando ao redor a busca de alguma que estivesse vazia. Mas não consegui encontrar nenhuma, assim a primeira vista.
- Faz assim, vai você e a Belle procurar uma mesa, que eu pego as comidas e procuro vocês depois - sugeriu Danny. Belle pareceu aprovar a ideia, então concordei. Dei um selinho nele antes de sair e fui em direção a ela que já passava por entre as mesas, procurando alguma que estivesse vaga. Como aquela praça de alimentação podia estar tão cheia, era uma dúvida. Mas, certamente fosse pelo fato de ser fim de semana e o horário não ajudava.
Estava passando por uma mesa que estava transbordando de gente, as pessoas que estavam sentadas ali, riam escandalosamente de alguma coisa e isso me chamou atenção. Dei de ombros e segui meu caminho, antes que eu me perdesse. Foi quando uma voz, um pouco conhecida, me chamou alto.
- ? - era mais uma pergunta, como se a pessoa quisesse ter certeza que estava falando da pessoa certa. Me virei automaticamente a menção do meu apelido, as pessoas geralmente não me chamavam assim. Apenas quem realmente me conhecia e isso era estranho. Um cara alto, com os cabelos escuros, com o fisico em dia - completamente malhado -, levantou da mesa e me encarou. A primeira coisa que eu fiz? Foi olhar para o que ele estava vestindo, tentando decifrar quem era pelas roupas. Era uma coisa minha. Camisa xadrez e jeans, eu não fazia a minima idéia de quem poderia ser.
- Hey - falei, ainda sem entender muita coisa. O cara riu da minha cara e se aproximou mais ainda, ficando totalmente em frente a mim. Tapando um pouco a minha visão.
- Você não se lembra de mim - ele riu, falando isso como se fosse algo realmente trágico.
Concordei silenciosamente e dei de ombros, soltando uma risada logo em seguida.
- James - falou ele, tentando me fazer lembrar - O turista que derramou toda a sua bebida em você, na praia, você tinha sei lá, 16 anos? - lembrou-me ele. Pensei por alguns minutos, até finalmente lembrar. Foi no verão que fugiu e eu vim atrás dela a pedido da sua mãe tentar resgatá-la. Ou melhor dizendo, a pedido de Harry. Não que isso fosse uma memória relativamente importante para mim, porque de fato não era.
- JAMES! - eu gargalhei - Meu Deus! Como você mudou - brinquei dando um leve empurrãozinho em seu ombro. Ele realmente havia mudado, estava um pouco mais sarado, me parecia até um pouco mais alto. Como se isso fosse realmente possível.
- Não foi tanto assim - ele riu, ficando um pouco corado - Você não mudou nada - completou ele, rapidamente. Eu sorri em resposta àquilo, ele tinha razão - eu não havia mudado absolutamente nada e isso era patético. Então ele passou a mão pelos cabelos, meio constrangido e recomeçou - Hey, senta aqui com a gente - fez sinal para a mesa cheia de pessoas que estavam nos encarando nesse exato momento. Quando eu abri a boca para responder, fui drasticamente interrompida por Belle que apareceu e puxou minha mão.
- Eu achei a mesa, vamos - ela falou toda dengosa e então sorriu. Belle me encarou e então encarou James, sem entender o que estava acontecendo, ou quem ele era.
- Belle, querida, vai indo pra lá, que depois eu vou - falei passando levemente a mão pelo seu cabelo e ela me olhou com uma cara feia. Aquilo era um não, revirei os olhos.
James me olhou com curiosidade nos olhos e então olhou para Belle, e assim voltou a me olhar. Aquilo estava realmente estranho, porque ele estava me olhando daquela forma.
- Conseguiram a mesa? - Danny chegou com segurando duas bandejas repletas de comida. James olhou para ele, para mim e para Belle. Eu não pude me controlar, eu dei uma gargalhada. Agora eu havia entendido o que ele estava pensando, provavelmente achava que Belle era minha filha e Danny certamente meu marido. Aquilo era ridículo.
- Hey, espera - ele falou, olhando para Danny com uma cara apavorada - Você não é aquele carinha, que toca naquela banda? - perguntou. Danny riu e assentiu com a cabeça.
- É eu sou o carinha que toca na banda - concordou ele em meio a uma risada.
- Vamos logo - pediu Belle mais uma vez, puxando a minha mão. Eu a olhei e então suspirei concordando com ela, antes que resolvesse dar um ataque.
- Então... - comecei, sem saber muito bem como colocar fim naquela conversa - Foi bom te ver - dei um abraço rápido em James e sorri - A gente se vê - acenei com a mão.
Danny fez uma careta e me seguiu em direção a mesa que Belle tinha achado. James ficou nos encarando e então voltou a sentar a mesa, que agora estava cheia de sussurros. Dei de ombros e sentei.
- Quem é aquele cara? - perguntou Danny, largando as bandejas na mesa e sentando logo em seguida. Se virou para me encarar e ficou assim, me olhando.
Eu soltei um riso nasalado.
- Pra falar bem a verdade, nem eu sei direito - dei de ombros e passei a mão pelos cabelos - Eu conheci ele naquele verão que a fugiu - expliquei.
- Conheceu, é? - Danny concordou com a cabeça e começou a mexer na sua comida, sem me olhar. Eu revirei os olhos, não gostava de cenas de ciúmes, então permaneci em silêncio.
- Não vou comentar essa sua atitude - bufei, puxando a minha comida para mim e desembrulhando, sem voltar a encará-lo. Danny bufou também e não nos encaramos.
- Meu Deus! - Belle exclamou, revirando os olhos enquanto comia suas batatas fritas, então percebendo que não responderíamos ao seu comentário, deu de ombros e continuou a comer e assim passamos o restante do tempo, comendo e respondendo alguns comentários de Belle. Depois de uma meia hora ou talvez mais, levantamos e compramos os sorvetes para ir embora. Estávamos na escada rolante, Belle pulou alguns degraus e foi mais na frente. Danny e eu estávamos lado a lado, em completo silêncio. Eu sabia que aquilo era uma atitude meio infantil da nossa parte, mas ele sabia o quanto eu realmente não gostava daquele tipo de coisa. Nós descemos da escada e seguimos atrás da pequena, que estava indo de vitrine em vitrine olhando as coisas. Havia algumas lojas abertas ainda, foi em uma dessas que ela demorou mais na vitrine. Então andei lentamente até ela e parei para ver o que tanto encarava. Eu também passaria horas ali encarando aquela vitrine, era a coisa mais fofa que eu já havia visto. Era uma loja de animaizinhos, havia alguns filhotes na vitrine. A maioria estava dormindo, mas tinha um deles que estava acordado e pulava dentro da caixa. Eu sorri e estiquei a mão para fixar no vidro, o cachorrinho veio até minha mão e lambeu o vidro, a vontade de apertá-lo foi maior ainda.
- Coisa mais lindinha! - ofeguei, sentindo meus olhos brilhar. O reflexo da expressão de Belle tinha no rosto, estava em mim. Era realmente hilário.

DANNY POV.

Eu sabia que ela não gostava de demonstrações de ciúmes, mas como eu ia conseguir controlar? Vocês viram aquele cara? Ele era alto, musculoso e tava, todo, todo pra cima dela. Não consegui controlar o ciúmes, mas o pior é que ela não estava demonstrando sinais de que ia ceder naquela birra bobinha. Havia duas soluções para aquilo: Ou ela cedia, ou eu cedia. E as probabilidades apontavam mais para a segunda opção. Quando ela saiu do meu lado e foi até a vitrine com a Belle, senti uma vontade enorme de puxá-la pelo braço e beijá-la. Por que... beijá-la, era a melhor sensação do mundo. Tê-la nos meus braços, era inexplicável. Toda vez que nossos olhares se encontravam, meu coração falhava por um segundo e então voltava a funcionar aceleradamente. Quando nossas bocas se juntavam, todo aquele formigamento a muito adormecido em mim, vinha. Começava da ponta dos dedos do pé e iam subindo, passando por cada parte do meu corpo. E a turbulência no estomago não era algo que eu pudesse descrever. Não era como ter ''borboletas'', parecia... como se tivesse algo maior lá dentro, completamente inexplicável. Aquela garota era inexplicável. Mas, ainda assim, eu podia ver nos seus olhos, na sua expressão, na maneira como ela parecia voltar a realidade e se forçava a ficar ali... Eu podia ver quando ela estava pensando nele. Aquilo me incomodava, é claro que sim, mas eu jamais falaria alguma coisa ou cobraria algo dela. Eu daria tempo ao tempo. Tempo para ela se acostumar comigo, tempo para que ela pudesse me amar. E a esperança de que um dia ela pudesse me amar mais do que ama a ele, essa tomava conta de mim a cada segundo das suas distrações.
Eu estava lá, perdido em pensamentos quando me toquei que meu sorvete estava derretendo, eu sorri feito um debilóide e terminei do tomá-lo. Escorei-me na sacada do segundo andar e fiquei esperando elas saírem da frente daquela vitrine. Estava absurdamente estranho, a maneira como elas ficaram ali na frente e conversavam entre si, assim que terminei meu sorvete, larguei o copinho com a pazinha no lixo e me aproximei para ver o que elas olhavam de tão interessante. Quando me aproximei o bastante, pude entender. Elas estavam olhando a vitrine de uma loja de animais e havia filhotes de cachorro na vitrine. Eles eram lindos, a grande maioria dormia - alguns se arrastavam na caixa e então havia esse, que ficava pulando em encontro ao vidro. Ela me viu me aproximar e então desviou sua atenção chamando Belle para ir olhar a vitrine de alguns brinquedos, elas entraram na loja e sumiram por entre as pratileiras. Olhei para a vitrine novamente e uma idéia me ocorreu. Entrei na loja de animais e fui em direção ao senhor que estava sentado lendo o jornal atrás do balcão.
- Senhor, eu gostaria de comprar um daqueles filhotes - falei para o homem que se assustou com minha presença. Ele me deu uma olhada de cima a baixo e então se prontificou a me ajudar. Como se tivesse analisando se eu merecia bom atendimento. Ridículo.
- Claro, tem preferência por um deles? - perguntou o homem, levantando-se e indo ao encontro dos filhotes, parando em frente a caixa para que eu pudesse escolher.
- Esse aqui - apontei para o filhote que não parava quieto, ele me lançou um olhar penoso e então pegou o cachorro que não parava quieto - Que raça é? - perguntei voltando para o balcão com ele. O homem começou a preparar o cachorro para ser vendido.
- É um filhote de Samoieda - respondeu ele, eu nunca havia ouvido falar dessa raça, mas ele era um cachorro realmente lindo. Além do mais o nome me lembrava amoeba e isso não era muito legal. Enquanto o filhote era preparado para ser vendido, eu olhei algumas coisas pela loja, seria legal comprar tudo de uma vez não. Olhei uma bela caminha para ele e acabei optando pela mais simples, ela era branca toda almofadada. Quadrada e tinha uma espécie de cercado em volta. Comprei uma coleira azul marinha para ele e alguns brinquedos. O senhor me olhava um pouco mais animado, quando o filhote finalmente ficou pronto, com o pelo todo escovado e com a coleira já posta. Paguei o total para o homem e peguei o filhotinho que lambeu minha mão, coloquei ele na caminha e peguei a outra sacola passando no braço, peguei a caminha com as duas mãos e saí, cuidando para que ele não pulasse da cama, porque era realmente agitado. Eu ia esperar por elas no carro, peguei o elevador e desci até o térreo, saí e fui direto para o estacionamento, procurei pelo carro de até encontrá-lo, larguei a caminha em cima do teto e a sacola também, peguei o filhote no colo.
- Oi pequeno - segurei ele de frente para o meu rosto, ele deu um grunhido e balançava o rabo, não consegui me aguentar. Ele era realmente engraçadinho, mordeu minha mão com aquela boca quase sem dentes e eu sorri - Você não pode incomodar muito, tá bem? E tem mais uma coisa, você precisa fazer sua futura dona feliz. Essa é a sua missão, tá bem, filhote? - continuei conversando com ele, parecendo um louco - Você precisa cuidar, proteger e alegrar a , é só o que eu te peço - quando terminei de falar, talvez por pura impressão minha, mas imaginei que ele tivesse grunhido novamente e balançado a cabeça descontroladamente, me mordendo novamente. Eu estava ficando louco. Segurei o filhote com um braço e tirei o telefone do bolso do jeans, digitei 1 e coloquei a chamar. Ela estava na minha discagem automática, esperei enquanto ela não atendia.
- Oi - falou ela, meio amarga e então escutei uma risada de Belle um pouco ao longe.
- Ei, to esperando no carro, tá bem? Não demorem, tenho uma surpresa - falei rapidamente e desliguei antes que o ... Nós precisávamos de um nome para o cachorro, mas eu não conseguia imaginar nenhum para ele.

DANNY OFF.

Ele não precisava ter me deixado curiosa dessa maneira, eu odiava ficar curiosa. Uma surpresa, o que seria que ele tinha lá no carro? Assim que falei para Belle da surpresa, ela me arrastou para fora do shopping, nós demoramos um pouco para achar o carro até finalmente ver que ele estava lá, de costas para nós - de frente para o carro. Havia uma sacola e uma coisa estranha sobre o teto do mesmo. Apressamos o passo na sua direção.
- Danny - chamei, quando estávamos próximas o suficiente para ele ouvir. Danny esperou alguns segundos e então virou-se e a primeira coisa que eu notei, foi o sorriso no seu rosto e depois Belle exclamou alto. Ou melhor dizendo, deu um de seus gritinhos.
- AAAAAH - exclamou ela animada apontando para os braços de Danny, segui o seu olhar e dei de cara com aquele cachorrinho lindo da vitrine. Ele abanava o rabo loucamente e tinha a língua pra fora, parecia estar tão mais animado do que lá na caixa. Eu não estava entendendo então pisquei algumas vezes atordoada, porque ele estava com o filhote ali.
- Eu comprei pra você - Danny se pronunciou, vindo mais em nossa direção, aproximando o filhote de mim - Desculpa pelo ciúmes - ele riu tímido de estar pedindo desculpas.
O encarei perplexa e então entendi, ele comprou o filhote para mim como um pedido de desculpas e Deus, ele havia conseguido me derreter. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu sorri indo em sua direção, pousei uma mão em seu rosto e o beijei rapidamente.
- Ah ! Ele é lindo - Belle nos interrompeu e então baixei o olhar, o cachorrinho estava lambendo a sua mão enquanto ela fazia carinho. Sorri, tirando-o das mãos de Danny e o pegando no colo. Ele era lindo, todo gordinho com aquele pelo extremamente branco, seus olhos escuros e brilhantes, aquela linguinha rosada. Dava uma vontade subta de apertá-lo muito contra você. Mas ele era um filhote, eu não podia esmagá-lo. O abracei e o levantei até o meu rosto, ele lambeu meu pescoço e eu gargalhei.
- Ei, pequeno! Reconhecendo a mamãe? - brinquei e ele me lambeu novamente - Isso mesmo, sou a sua mamãe agora! Prometo cuidar bem de você, ok? - passei a mão pela sua cabeça, fazendo cafuné e então ele grunhiu e latiu. Eu sorri mais ainda e encarei Danny que estava me olhando, com um sorriso nos lábios - Obrigada, ele é lindo - agradeci e me aproximei de Danny novamente, o filhotinho latiu novamente e lambeu ele assim que pôde alcançar - Ei, tá reconhecendo o papai também? - brinquei, olhando para Danny e dando um selinho demorado. Belle bufou e se aproximou batendo pés.
- Posso pegar ele? - pediu, piscando aqueles enormes olhos para mim, eu sorri e concordei silenciosamente. Entreguei o cachorrinho para Belle brincar.
Joguei meus braços em volta do pescoço de Danny e aproximei meu corpo do dele, consecutivamente, ele segurou minha cintura e sorriu mais ainda, como se o contato comigo desse extrema alegria a ele. Aproximei meu rosto do dele e murmurei contra sua boca - Você é o melhor namorado do mundo - e sorri, ele riu e pude sentir seu hálito - Eu amo você - falei, dando um leve beijinho no canto da sua boca.
- Eu amo você também, muito mais - respondeu ele, segurando meu rosto com a mão e me dando um beijo calmo e carinhoso. Quando estávamos nos beijando eu conseguia esquecer o mundo, conseguia me concentrar apenas em Danny. Mas o latir alto do nosso filhote nos despertou.

Cap 19.

- Jackie, não! - ralhei pela quinta vez o meu mais novo animalzinho de estimação.
Danny gargalhou alto vendo a careta de cansada que fiz, quando pela terceira vez o filhote resolveu correr para a piscina e se jogar. Suspirei impaciente e andei rapidamente na direção da piscina, eu não acreditava que ia fazer isso, mas fechei os olhos e me joguei na piscina para socorrer o filhote que ainda não sabia nadar, o impacto da água foi devastador em meu corpo. O tempo estava frio hoje, totalmente nublado e com alguns chuviscos e lá estava eu, me atirando dentro da piscina, pela quinta vez nesses últimos três dias. Jackie era um cachorro totalmente hiperativo. O seu nome havia ficado como Jackie, porque um dia depois de ele vir para casa conosco - Danny e eu -, estávamos olhando o filme Piratas do Caribe na televisão, sem ter muito o que fazer. Ele estava junto com nós, por cima da extensa colcha de soft que nos cobria e então, ele resolveu ficar totalmente alucinado quando o Johnny Deep apareceu e desde então começou a atender como Jackie - vindo do personagem, Jack Sparrow.
Mas voltando ao afogamento do nosso filhote, cuspi a água que quase engoli sem querer e o peguei, largando-o na calçada novamente. Ele espirrou água algumas vezes e então se balançou seu rabo de um lado para outro e saiu dando dois pulos e começando a correr. Foi então, que escutei mais uma vez a gargalhada debochada de Jones. Ele estava realmente me irritando, porque não fazia nada para ajudar a tomar conta do pequeno J. Toda vez que o cachorro ficava parado perto na porta da cozinha, que iria dar no jardim ou seja, aonde havia uma piscina - ele ficava com pena e resolvia deixar o filhote passear um pouco e quem acabava na água, era sempre eu. Fiz uma careta, me apoiando na borda da piscina e sentando, para sair da água logo em seguida. Levantei desajeitada e completamente encharcada e o encarei incrédula, porque inacreditavelmente, ele estava com um sorriso irônico de orelha a orelha. Bufei alto e comecei a caminhar batendo os pés, em direção a casa. Quando passei rapidamente por ele, Danny me pegou pela cintura e me puxou para perto dele. Meu corpo se chocou com força contra o dele e eu bufei novamente.
- Linda - ele falou, me encarando nos olhos. Ele só podia estar de brincadeira comigo.
- Linda? - perguntei, mais incrédula ainda. Danny soltou mais uma gargalhada e tirou meu cabelo molhado do rosto, passou o polegar por toda a extensão da minha bochecha.
- É, linda - afirmou ele e então explicou - Você fica linda, fazendo birra - sorriu abertamente.
Como ele conseguia me arrancar sorriso tão facilmente? Eu nunca havia notado essa facilidade em corresponder ao sorriso de Danny. Era fácil, extremamente fácil.
- E você é um idiota - suspirei, pousando as mãos no seu peito, molhando sua camiseta.
- Talvez eu seja, mas não mais idiota que o Jackie - ele riu estrondosamente, apontando com a cabeça para a piscina novamente. Eu revirei os olhos, sabia que o pequeno J, havia se jogado mais um vez naquela droga de piscina. Engoli em seco e me virei pronta para ir salvar o meu bebê da imensidão daquela piscina, mas Danny me manteve firme em seus braços. Aproximou a boca da minha orelha e sussurrou - Observe bem ele - ele soltou o ar quente em minha orelha, me deixando completamente arrepiada. Fiz o que ele pediu e observei Jackie na piscina, ele estava... nadando. Não consegui aguentar, gargalhei alto.
Danny riu baixinho também e completou em um sussurro - É por isso que eu estava rindo, sua boba super protetora - depositou um leve beijinho na minha orelha e mordiscou-a.
Encolhi o ombro automaticamente e sorri abertamente, me virando de frente para Danny outra vez, aproximei minha boca da sua e murmurei contra seus lábios - Boba super protetora, é? - sorri com um pouco de malicia. E comecei a puxá-lo pela camisa, dando leves passos para trás. Danny parecia tão absorto em meus olhos, conciliando seus olhares para minha boca e olhos, dividido em instintos completamente diferentes que não percebeu para onde eu estava o levando. Me acompanhou, cada passo em sua vez até que eu não sei mais chão e quando dei por mim, estava mergulhando na água gelada da piscina outra vez. Só que dessa vez, eu havia trazido ele comigo. Emergi e gargalhei alto, vendo Danny apareceu na superfície cuspindo água e rindo. Ele estava completamente vestido, sua roupa toda encharcada, sua camiseta colada em seu corpo, seu rosto molhado.
- Você me paga - ele deu uma gargalhada maléfica e tirou os tênis, jogando-os para fora da piscina e começou a andar em minha direção. Ele ia me afogar.
Arregalei os olhos e comecei a dar passos para trás ao mesmo tempo que ele dava passos em minha direção. Eu podia apenas pedir para ele não fazer, suplicar. Mas não o fiz.
- Não, Danny... - comecei, fazendo a minha melhor voz de criança e piscando os olhos - Por favor, sai! - gritei, quando ele estava próximo demais e comecei a nadar para longe dele.
Claro, porque eu tinha uma ótima coordenação motora e nadava extremamente bem, irônico até. Ele agarrou meu pé e me puxou em sua direção, fazendo com que nossos corpos ficassem grudados novamente, mas ele não parou de andar paralelamente. Quando senti a própria piscina contra minhas costas, finalmente paramos. O sorriso ainda em seus lábios.
Mantive o olhar fixo nos olhos brilhantes de Danny e por algum motivo, eu me senti um pouco sem fôlego e tonta.
- Você está me deixando tonta, Danny - disse para ele, passando a mão por seu rosto. Quando Danny sentiu minha mão contra seu rosto, o inclinou para mim e respirou fundo.
- Acho realmente justo, você me deixa tonto e hipnotizado o tempo todo - ele riu baixo e se aproximou mais ainda. Eu consegui senti-lo completamente grudado em meu corpo, não havia controle em parte nenhuma de mim. Mas seus olhos, me mantinham completamente consciente. Como um imã, como se a gravidade me prendesse aqueles olhos.
- Porque você ta me olhando assim? - perguntei e nesse mesmo momento senti aquela sensação de dèjavu e não gostei dela. Ele sorriu mais ainda, se é que isso era possível.
- Não sei - ele deu de ombros - Acho que você é a garota mais linda que eu já vi - ele riu rouco - Ou melhor, a mais linda do mundo todo - completou e suspirou. Engoli em seco, mantenho minha mente naquele momento, me esforçando para não deixá-la voar em uma lembrança que quebraria totalmente o clima com Danny, me esforcei com o meu máximo.
- Eu amo o som do seu riso - ele sorriu, passando o dedo levemente pelos meus lábios. Respirei fundo tentando ficar lúcida. Fechei os olhos e me concentrei.
- Danny - murmurei contra seu dedo, tentando interrompe-lo. Não queria aquilo, não queria aquela comparação em minha mente, mas era impossível. Permaneci com os olhos fechados, e um flash passou rapidamente por mim.

- Você é a garota mais linda que eu já conheci - ele segurou meu rosto com uma mão e acariciou o mesmo com o polegar - Eu amo a maneira como você sorri - ele sorriu ao falar isso - Eu amo o som do seu riso - continuou - gosto de sentir o seu coração entrar em transe quando eu te beijo - e gargalhou. Eu fiquei constrangida, eu sabia que ele podia escutar meu coração. Qualquer um poderia, eu tinha de dar um jeito nisso.
Aproximei-me o máximo que eu podia dele e sussurrei perto da sua boca - Eu te amo - e colei nossos lábios outra vez.


Abri os olhos rapidamente e sem pensar duas vezes, puxei Danny pela camisa e grudei meus lábios nos deles. Um beijo com desejo, com medo e cheio de súplicas. Mas, por algum motivo Danny me afastou lentamente, com delicadeza. Deu espaço entre nossos corpos e saiu de perto de mim, se apoiou na borda na piscina e levantou - saindo da água.
Virei-me para encará-lo, mas ele parecia realmente atormentado com alguma coisa.
- Eu não gosto quando você me beija pensando nele - Danny falou com uma magoa em sua voz, que me machucou. Ele passou a mão pelos cabelos molhados e deu as costas, entrando na casa sem se importar com uma resposta. Meu corpo todo reagiu àquelas palavras, meu interior despertou com aquilo. Primeiramente eu senti raiva, muita raiva. Mas, aquela raiva não era de Danny e sim de mim mesma. Eu era estúpida, extremamente estúpida de pensar que ele não percebia quando eu o beijava pensando em Dougie. Logo depois que a raiva passou, eu me senti culpada e desprezada ao mesmo tempo. Ele nunca tinha negado um beijo meu, absolutamente nunca. Porém, a culpada dessa rejeição era eu mesma.
Inspirei o ar e soltei ele pesadamente, foi quando alguma coisa sem dentes me mordeu e me toquei que Jackie ainda estava brincando na piscina. Sorri para ele, porque me encarava como se pudesse entender que aquele era um momento de revolta ou tristeza.
- Eu sei, sou uma idiota, pequeno J - sorri fraco para ele que grunhiu na água e me fez rir baixinho. O peguei no colo e o coloquei em solo firme, saindo da água logo em seguida.
Jackie se balançou para a água sair de seus pelos e entrou pulando e correndo para dentro de casa. Seguindo Jackie, entrei em casa e procurei sinal de Danny - sem resultado. Ele não estava na sala, mas o rastro de água me indicava que ele tinha seguido para o segundo andar. Pequeno J ainda não conseguia subir as escadas, então ele choramingou sentadinho em frente a escada e revirei os olhos o pegando no colo e seguindo direto para o segundo andar. Eu não ia ir atrás de Danny, era melhor o deixar em paz por algum tempo. Entrei com o filhote em meu quarto e segui para o banheiro, eu iria dar banho nele. Preparei a banheira com um pouco de água e o ensaboei com um dos meus shampoo's de morango da victoria secret's. Ele não parava quieto, mas meus pensamentos não estavam ali. Eles vagavam em um tempo que eu não queria voltar - me recusava a voltar...

- Isso é patético, Doug - gargalhei intensamente e revirei os olhos ao mesmo tempo.
Aquilo era mesmo patético, pedir revanche pela quinta vez consecutiva sabendo que vai perder era quase humilhante. Mas, Dougie insistia em dizer que era apenas sorte de principiante - porque eu estava o ganhando no video game pela sexta vez, naquela tarde.
- Não vou perder para uma garota - ele riu e então completou - Muito menos para a minha namorada, é humilhante - fungou ele, imitando um choro.
- É humilhante você estar pedindo revanche para perde mais uma vez - ri novamente.
- Não é humilhante você fazer qualquer coisa para ver o sorriso da sua garota - falou ele, ficando levemente corado e sorrindo de canto. Meu coração falhou, como sempre que ele dava aquele sorriso tímido. Então era isso, ele estava me deixando ganhar.
- Você não está me deixando ganhar, está? - perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Se eu estivesse, estaria muito encrencado? - perguntou ele em resposta, me encarando fixamente. Eu não conseguia pensar direito, os malditos ''gaviões'' estavam voando dentro de mim, aquela maldita ansiedade me deixava insegura. Como podia ser assim? Todas as vezes que meus olhos encontravam os de Dougie aquilo acontecia. Era simples, era ótimo... era extremamente bom. Eu o amava, mais que qualquer coisa, porque sabia que ele havia colocado nosso amor acima de qualquer coisa. No topo, no topo de todo o seu mundo. Eu sabia disso, assim como ele sabia que o nosso amor ERA todo o meu mundo. Simples assim.
- Depende - respondi depois de um tempo em silêncio, ele sorriu novamente para o meu delírio. E então me aproximei dele delicadamente, tirei o controle do video-game de suas mãos e segurei seu rosto com as mãos. Meus olhos em contato com aqueles lindos olhos azuis penetrantes, aquela dor física me atravessando. Uma dor extremamente saborosa.
- Depende? - murmurou ele baixinho, para que apenas eu escutasse.
Eu sorri em resposta àquela pergunta e respondi baixinho - Depende de o quanto você me ama - brinquei e aproximei meus lábios dos deles. Dei alguns selinhos leves em sua boca, mordi e suguei a mesma delicadamente. Encaixei minhas pernas em volta da cintura de Dougie e aproximei nossos corpos. Ele suspirou prazerosamente e afastou seu rosto do meu brevemente e sorriu - Você me deixa fraco - ele suspirou novamente - Me deixa sem fôlego - brincou - Faz tudo ao meu redor girar rapidamente até se estabilizar e quando seu corpo está assim - ele gesticulou para nós - Eu me sinto o homem mais sortudo do mundo, porque eu tenho você. A garota mais linda do mundo - concluiu ele.
Sorri em resposta, porque não conseguia pronunciar nada além da verdade.
- Eu te amo - falei, voltando a aproximar nosso lábios e começar um beijo repleto de sentimentos, repleto de amor. Porque o beijo de Dougie era como uma dose de tequila pura, te deixava em fogo, te anestesiava na segunda e te apagava completamente na terceira.


Quando dei por mim novamente, estava jogada no chão do banheiro, encostada na parede. Meus olhos ardiam e havia lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu achava que aquilo já tinha passado, que aquilo não voltaria a acontecer novamente. Que não iria mais doer, mas eu era patética de pensar dessa forma. Porque aquilo era a coisa que mais doía. Era como se a cada vez a dor pudesse ficar pior e me dilacerar mais e mais. Soltei um gemido e passei as mãos cheiaa de espuma pelos cabelos. Abaixei a cabeça até os joelhos e os segurei com as mãos, nesse momento ouvi um choro alto de Jackie, mas nada daquilo conseguia me despertar. Absolutamente nada iria conseguir me ajudar naquele momento. As lembranças estavam ali, de uma forma completamente vívidas. Que recaída era essa que eu estava tendo? Eu não gostava daquilo, queria me concentrar e tentar me manter calma. Mas nada ajudava, era como se o rosto dele ficasse se repetindo em minha mente. Como se as palavras dele ficassem soando em meus ouvidos. Eu estava completamente louca ou podia jurar que sentia o gosto do seu beijo em meus lábios.

- Boa noite - Dougie deitou ao meu lado, virando-se para mim e me encarando nos olhos.
- Boa noite, bebê - respondi, um pouco sonolenta. Mas, ele não ia dormir ou pelo menos não parecia que ia. Dougie sorriu para mim, aproximando seu corpo do meu e ficando assim, parado, deitado de lado - de frente para mim. Era como se ele esperasse que eu dormisse para poder ficar me olhando. Não que eu não soubesse que ele fazia esse tipo de coisa, porque eu sabia que ele já havia feito várias vezes. Mas ainda assim era constrangedor.
Sorri para ele em resposta ao seu sorriso e levei a mão aos seus cabelos para brincar e fazer cafuné. Ter o corpo dele assim, tão pertinho do meu era incrível. Meu corpo todo formigava em contado do seu, só que eu já estava me acostumando com aquelas reações.
- É tão bom, sabia? - ele riu quase sem voz, depois de um dia cansativo de show em um bar local. Eu não fazia idéia do que ele estava falando, então apenas dei de ombros.
- Incrível estar aqui com você, eu não me acostumo com a sua beleza - sorriu ele.
Eu dei uma risada extremamente baixinha, porque o sono estava me tomando, me inclinei para ele e depositei um beijo rápido em seus lábios. Meus olhos insistiam em pesar, pesar, pesar... Até eu entrar em completa escuridão.


A minha situação estava ficando cada vez pior. A dor estava tornando-se real, física e eu sentia vontade de gemer. Levantei a cabeça dos joelhos para encarar o teto, mas meu olhar foi desviado. Porque, Danny estava parado no batente da porta do banheiro me encarando com agonia nos olhos. Ele se aproximou em passos largos e se abaixou até mim.
- Desculpa, desculpa - ele me abraçou e falou, apoiando o queixo no topo da minha cabeça. Danny me apertou contra ele com força e o contato com seu corpo me anestesiou. Ter os braços dele ao meu redor me deixava tranquila. Eu queria mais contato, queria mais. Queria aliviar aquela sensação completamente. O abracei com força também e procurei apressada pela sua boca, até que finalmente a encontrei. Danny não se negou a me beijar, ele retribuiu o beijo. Nossos lábios em sincronia, sentir sua língua em contato com a minha me deixava completamente bem. Tateei seu corpo às cegas - as imagens em minha cabeça não me deixavam em paz. Ele havia vestido um casaco de moletom, o abri apressada o puxei pelos seus braços. Quando Danny percebeu o que eu estava tentando fazer, colaborou - me ajudando a terminar de tirar o casaco e assim me segurou pela cintura, me levantando e nos deixando em pé. Eu não queria me importar com nada, eu só queria me sentir bem. Queria poder sentir Danny, queria poder esquecer aquelas imagens por algumas horas. Queria poder tirar Dougie da minha cabeça. Desci minha boca para seu pescoço e depositei vários beijos e mordidas por ali, voltando de encontro com sua boca. Ele me segurou contra seu corpo e me conduziu até meu quarto, me deitando lentamente na cama.
O olhar de Danny era torturante, então evitei olhar em seus olhos. Continuei o beijando e fazendo o máximo de esforço possível para despi-lo. Mas em resposta, ele não havia tentado tirar uma única peça de roupa. Irritada com aquilo, me arqueei na cama para tirar a minha blusa que estava completamente molhada ainda e voltei a beijá-lo com intensidade.
Meus lábios protestavam, mas eu não me importava com a dor. Aquilo era bom.
- ... - murmurou Danny, totalmente sem fôlego. Não queria que ele falasse nada, coloquei o dedo sobre seus lábios enquanto me divertia em seu pescoço. Puxei sua camiseta para cima e a tirei, descendo os beijos até a barriga. O corpo de Danny ficando completamente arrepiado, o volume em sua calça de moletom ficando cada vez maior e mais visível. Ele tentou me parar, mas eu não conseguia ceder. Abri o botão do meu shorts jeans e o tirei com um pouco de dificuldade. Danny engoliu em seco, enquanto tentava recobrir a consciência. O puxei pela nuca em direção a minha boca e deitei completamente na cama, abraçando-o contra mim. Senti seu volume contra minhas pernas e gemi entre o beijo. Danny fechou os olhos e deu um jeito de se livrar de sua calça. Ele vestia uma cueca box preta, discreta - mas me deixou mais alucinada do que eu já estava. O apertei contra mim, queria sentir mais o contato com sua pele. Queria tanto senti-lo completamente em mim. Engoli em seco, ao sentir ele levar a mão em minhas costas e encontrar o fecho do sutiã, abrindo-o rapidamente e tirando. Danny abriu os olhos, aquilo me deixou em mais agonia ainda. Porque seus olhos eram uma mescla de dor, agonia, medo, prazer, tesão e amor. Doeu mais ainda, então terminei com as cerimônias e puxei sua cueca para baixo, logo depois que tirei minha própria calcinha. Cravei as unhas em Danny e o abracei puxando-o para cima. Foi quando nos encaixamos, senti-lo completamente dentro de mim aliviou completamente minha dor sentimental. Esvaziou minha cabeça e eu pude realmente sentir o prazer. Ele começou com investidas lentas e gradativamente começou a aumentar a velocidade. Ele segurou os gemidos e soltava suspiros altos em meu rosto, me encarando nos olhos. Mas, eu automaticamente fechei os olhos e mordi o lábio inferior.
A imagem que tinha em minha cabeça, não era de Danny e sim de Dougie, não me importei. Eu queria que aquela imagem permanecesse em minha cabeça.
Soltei alguns gemidos altos, suspiros e mordia o lábio toda vez que um nome queria saltar de minha boca. Me segurei, me segurei... Mas não estava mais aguentando, tranquei a respiração por alguns segundos e soltei todo o ar de uma vez só.
- - Danny gemeu contra meu ouvido, mordiscando o mesmo.
Não consegui me controlar e gemi baixinho - Dougie...

Cap 20.

His Pov.

Ela ficava extremamente linda enquanto dormia. Todas as preocupações sumiam de seu rosto e ele voltava a ter aquela expressão angelical que só ela tinha. Sorri, mesmo involuntariamente - porque eu não queria sorrir para ela. Levantei da cama e segui para o meu quarto ou melhor dizendo, o quarto de hóspedes. Passei direto pelo mesmo seguindo para o banheiro, ignorei minha imagem no espelho e me despi para tomar banho. Liguei o chuveiro e regulei a água, quando a temperatura estava boa o suficiente, entrei. Nem mesmo isso conseguia me relaxar, meus músculos continuaram contraídos. Terminei o banho rapidamente e me enrolei em uma toalha, terminei de fazer a minha higiene pessoal e voltei ao quarto. Peguei algumas peças de roupas na minha mala e vesti - uma calça jeans e moletom. Calcei os meus tênis e saí do quarto, eu não aguentaria ficar naquela casa com toda aquela angustia habitando meu peito. Quando saí do quarto, Jackie apareceu todo tristonho com seu pelo mal arrumado e parecendo sujo. Eu não estava com paciência para dar banho nele nesse momento, me abaixei e fiz carinho nele.
- Agora não, J - falei baixinho para que apenas ele escutasse. Levantei-me e continuei meu caminho, desci as escadas e passei diretamente pela sala indo em direção à cozinha. Saí pela porta dos fundos e respirei fundo o ar úmido da praia. Tinha amanhecido frio, pela primeira vez desde que cheguei. Continuei caminhando, passei pelo quintal e saí pelo portão indo de encontro à praia. Segui caminhando até as enormes rochas que se encontravam um pouco distante da casa, andei até elas e me sentei. Uma leve garoa já havia começado a cair, coloquei o capuz do moletom e fiquei observando o mar que estava agitado. As ondas batiam nas rochas e espalhavam água para todo quanto é lado. Eu entendia porque ela gostava de ver o mar para pensar, conseguia entender porque aquele lugar a acalmava.
Respirei fundo. Minha cabeça estava perturbada, meus pensamentos conturbados. Tinha alguma coisa cutucando dentro do meu peito, alguma coisa pinicando e aquilo incomodava. Incomodava tanto que chegava doer. A sua voz ficava se repetindo em minha mente, soando sempre o nome errado: Dougie - murmurou ela, em forma de um gemido. Dougie e não Danny e isso era errado, porque não era o Dougie que estava com ela naquele momento. Não era Dougie dentro dela, não era Dougie que tinha os braços em volta da sua cintura. Não era ele sentindo o seu calor. Não era o sonho de Dougie se realizando naquele momento. Mas ainda assim, foi ele quem ela chamou. Aquilo estava me matando.
Eu não tinha certeza de mais nada. Tinha muitas duvidas se passando em minha cabeça. A principal delas era se aquilo estava certo. Alguma coisa dentro de mim gritava dizendo que não estava certo e outra murmurava "Deixa de ser estúpido, é claro que é certo. Você tem de perdoá-la". Não, eu não conseguia perdoá-la agora. Mesmo inconsciente ela o chamou, ela estava pensando nele e nada me garantia que aquela fosse a primeira vez. Digo, ela poderia me beijar sempre pensando nele, me abraçar pensando nele e eu não admitiria isso. Porque isso me machucaria.

Her Pov.

Eu vi quando ele levantou, senti a cama ao meu lado ficar mais leve. Porque eu poderia sentir quando ele partia, era inevitável. Respirei fundo pela quinquagésima vez desde que havia terminado de me vestir. Prendi meus cabelos em um coque frouxo e saí do quarto, Jackie apareceu em meus pés, parecendo tristonho. Abaixei-me para pega-lo no colo, ele estava com o pelo baixo e com aspecto sujo.
- Mamãe vai dar banho em você mais tarde, bebê - falei para ele, peguei-o no colo e continuei meu trajeto. Desci as escadas e senti o vazio da casa tomar conta de mim.
Larguei Jackie no chão e me joguei no sofá. Fechei os olhos e apoiei minha cabeça na guarda, o que eu faria agora? E se Danny me deixasse? Não haveria mais solução. Eu conseguia estragar todas as coisas maravilhosas que aconteciam na minha vida. Era como se tudo que eu tocasse ficasse podre, como se eu tivesse uma espécie de maldição. Não conseguia pensar em nada melhor que isso. O problema era e sempre seria, eu mesma.
Se Danny me deixasse, eu iria precisar de muitos anestésicos para conseguir suportar perder tudo que me restava. Precisaria de morfina, grandes doses de morfina e talvez, mesmo assim, eu não conseguisse me recuperar jamais. Não conseguiria entender que tudo que já tenho não terei mais, seria uma missão impossível. Eu cairia de joelhos em um abismo e tinha certeza que não recuperaria mais os movimentos do mesmo. Tinha de haver uma solução, eu tinha de fazê-lo ficar. Eu precisava pensar em alguma coisa. Droga! Porque o chamei de Dougie? Ele não era o Dougie e tinha plena consciência disso. Ele não investia contra mim como Dougie, não me abraçava como ele e nem mesmo beijava como ele.
Era como comparar água com vinho, bebidas completamente diferentes que requerem momentos diferentes da sua vida e que mesmo assim podem conviver juntas. Talvez, essa não fosse a melhor opção de escolha. Talvez, fosse como comparar Whisky com Vinho, bebidas absurdamente diferentes e que juntas te nocauteariam facilmente. Aquilo jamais poderia voltar a acontecer, porque eu jamais me perdoaria. Cometer dois erros no mesmo dia era demais para minha pobre mente. Pela primeira vez o beijei pensando em Dougie e quando ele me tocou, pensei em outro. Mas isso jamais aconteceria novamente, seria a primeira e ultima vez. Por que aquilo me machucou mais do que eu poderia imaginar e isso porque, aquilo machucava a ele também.

His Pov.

Eu deveria saber. Deveria ter reconhecido que ela era um problema desde a primeira vez que a vi - quando criança ainda. Tinha de ter visto isso. Mas, talvez, eu tenha percebido e ainda assim não tenha me importado porque ela me parece o meu tipo de problema favorito. Quando que um garoto de 8 anos de idade conseguiria ver algum problema naqueles enormes e expressivos olhos ou naquele contagiante sorriso. Impossível.
Não me importei com nada, sempre estive ao seu lado. Sempre cuidei dela, sempre a apoiei, sempre permaneci ali para quando as coisas ficassem complicadas. Sempre arranquei os risos mais generosos dela, os sorrisos mais sinceros e tudo que sempre pedi - sempre pedi - foi apenas uma parte do seu amor. Porque isso parece ser tão impossível para ela? Qual parte de que eu faria qualquer coisa por ela que ainda não entendeu? Ridículo.
- Ridículo? É você que está dizendo que faz qualquer coisa por ela e não consegue fazer nada além de acusá-la no primeiro tropeço. Isso sim é ridículo Jones - alguma voz gritou dentro da minha mente. Cale a boca! - respondi ressentido. Mas, mesmo assim aquilo ficou soando em meus pensamentos. Eu sabia desde sempre que ela estava em algum lugar perdida, um lugar que tinha nome, sobrenome, telefone e endereço. E esse lugar chamava-se Dougie Lee Poynter - meu melhor amigo. Mesmo assim, eu a quero de volta. Quero resgatá-la desse lugar, salvá-la. Isso me parece insano, todos que sabem disso dizem que é loucura e sempre foi. É apenas a minha meta, minha única meta. Porque ela era praticamente tudo que eu sempre tive. Apoiei os cotovelos nas minhas pernas e segurei a cabeça com a mãos, o barulho das ondas do mar me acalmando lentamente. A garoa fina caindo sobre mim me fazendo permanecer lúcido. O que mais poderia dar errado? Essa era a minha duvida naquele momento. Nada, essa era a resposta. Nada mais precisaria dar errado, a única coisa que eu precisava fazer era voltar para dentro daquela casa e deitar ao seu lado na cama, esperar que ela acordasse e lhe dizer que tudo ficaria bem e que ela não precisava se preocupar com nada. Que tudo já estava perdoado, que aquela noite seria completamente esquecida e então faria de tudo para arrancar um sorriso daqueles lábios. Mas eu não sabia como fazer isso, exatamente.

Her Pov.

Não conseguia mais ficar parada. Levantei e fui até a cozinha, olhei ao redor com esperança de que ele estivesse parado ali em silêncio esperando que eu adentrasse o cômodo para vir me abraçar e dizer que tudo ficaria bem e que aquilo seria esquecido. Mas, ao invés disso encontrei apenas mais um cômodo vazio. Engoli em seco e comecei a arrumar as coisas para preparar um café forte. Escorei-me na beirada do balcão para esperar a cafeteira fazer o meu café e foi então que eu percebi que a porta dos fundos tinha sido aberta. Ele está no pátio - pensei. Me apressei até a porta e a abri passando logo em seguida, olhei para todos os cantos do pátio e não encontrei vestígios de Danny. Observei a praia e então pude vê-lo ao longe, sentado nas rochas em baixo daquela garoa que estava ficando cada vez mais forte. Com o capuz na cabeça e encarando o mar que estava um pouco agitado. Respirei fundo, eu não iria até lá incomodá-lo. Era melhor esperar ele voltar por livre e espontânea vontade. Dei as costas e voltei para dentro de casa. Peguei duas canecas e o café. Coloquei um pouco em cada uma das canecas. O aroma do café fresco me invadiu, respirei fundo absorvendo aquele cheiro. Mordi o lábio e controlei as lágrimas que estavam ameaçando inundar meus olhos. Suspirei. Encarei a porta brevemente e desisti. Sentei sobre a pia e peguei a xícara com as mãos, senti o aroma e dei um breve gole do meu café. Eu esperaria ele voltar ali, sentada naquele lugar com um café em mãos para oferecer. Era a única coisa que podia lhe oferecer no momento, um café amargo ou bem doce. Mesmo eu preferindo estar lá fora, em baixo daquela garoa, ao seu lado o abraçando do que aqui. Mesmo preferindo ir atrás dele e o fazer voltar para dentro, eu não daria um passo naquela direção. Aquilo me parecia tão difícil, parecia que ele estava longe demais - em algum lugar que eu não pudesse chegar. Tomei outro longo gole do café e solucei, com a única lagrima que escorreria pelo meu rosto. Ela não teria companhia, seria única. Fechei os olhos e me acalmei.

His Pov.

Eu estava me sentindo um idiota. Tinha de parar com aquela basbaquice estúpida de um adolescente e voltar a ser um adulto. Porque as coisas não se resolviam assim. Não para mim. Olhei por cima do ombro, com esperança que ela estivesse vindo atrás de mim. Provavelmente ainda nem acordou e se acordou está me esperando - eu tinha certeza disso.
Mas o que diabos eu falaria para ela quando a visse? Oi, tudo legal com você? Isso era patético, eu não sabia como falar com a minha melhor amiga e namorada. Se bem que isso complicava realmente as coisas. Suspirei mais uma vez e levantei para voltar para a casa. Enquanto andava em direção a casa, tentava pensar em alguma coisa para falar. Nada me vinha em mente. Parei em frente à porta e respirei fundo antes de entrar.
Ela estava lá, sentada sobre a pia, segurando uma xícara com as duas mãos perto do rosto, seus olhos um pouco vermelhos e seu rosto virou rapidamente na minha direção. E assim nós ficamos, em silêncio encarando um ao outro. Eu me aproximei lentamente e sentei ao seu lado, continuamos nos encarando. Ela virou-se para o lado e com uma mão pegou um xícara de café e pairou-a na minha frente. Peguei a xícara automaticamente e tomei um gole, o café estava quente ainda e bom. Suspirei. Aproximei-me mais dela e passei um braço por cima dos seus ombros, me escorei na parede. se ajeitou em meu peito e encostou a cabeça no mesmo, respirando fundo. E assim nós ficamos por um longo tempo.

Her Pov.

Como ele conseguia? Como Danny conseguia ser esse cara tão perfeito. O que eu estava fazendo? Isso só fez com que eu me sentisse pior ainda. Eu era um monstro, não havia palavra melhor que essa para me descrever. Depois do que eu fiz, ele não falou uma palavra sequer, mas ainda assim lá estava ele, comigo em seus braços novamente como se nada tivesse acontecido. Mas, eu não conseguia falar nada. Absolutamente nada, naquelas horas que ficamos em silêncio, abraçados nada foi dito. Só que não podia permanecer assim.
- Tá com fome? – perguntei, minha voz soando um quarto mais baixo do que eu gostaria.
Danny se sobressaiu ao ouvir minha voz e então me encarou novamente.
- Claro - respondeu formalmente. Concordei em silêncio e pulei da pia e puxei as mangas para cima - O que você vai fazer? - ele perguntou divertido - Se pretende colocar fogo na casa, me avise antes. Para que eu possa me salvar - brincou ele.
Revirei os olhos e dei a língua - Seu idiota - xinguei, brincando. Fui até a geladeira e dei uma olhada no que tinha lá dentro que desse para cozinhar. Quando olhei um pedaço de pernil na geladeira, terminei de checar se tinha os ingredientes que eu queria e sorri. Eu tinha tudo que precisava para fazer a receita de pernil que minha mãe costumava a fazer quando eu era pequena, não que ela fosse o tipo de mulher que ficasse cozinhando. Mas às vezes ela fazia essa receita e era ótima, antes de ir embora ela me ensinou. De qualquer forma, eu sabia tudo de cor e ia fazer. Danny permaneceu sentado sobre a pia, me olhando trabalhar. Ignorei seus olhares e continuei fazendo o que tinha de fazer. Coloquei o pernil no forno e fiz o caldo para regá-lo de vez em quando, para não deixar secar. Depois de terminar larguei-o sobre a pia e lavei as mãos. Aproximei-me de Danny e lancei os braços no pescoço de Danny, que automaticamente ele colocou as mãos em minha cintura me puxando para mais perto dele. Eu suspirei, encostando minha testa na sua.
- Danny - comecei, sem saber ao certo o que falar. O que eu diria? Pediria desculpas? Isso não resolveria as coisas, mas eu não tinha nada melhor em mente - Me perdoa, por favor - pedi em um sussurro - Eu sei que isso não é suficiente, mas é complicado. Você tem de entender... - fui interrompida por um longo selinho inesperado de Danny.
Ele interrompeu o beijo - É assim entende? É assim que eu quero você, quero essa para mim - falou ele - Essa que não tem nada na cabeça, que faz o que dá na telha, que é carinhosa. Quero a minha melhor amiga ou o lado dela que consegue viver sem o Dougie - suspirou. Eu engoli em seco, meus olhos voltaram a marejar. Aquilo era golpe baixo, porque fazia meu coração apertar e logo em seguida quase saltar pela boca.
- Mas, não sei se você está preparado pra ter esse lado - suspirei - Porque mesmo esse lado, depende de alguém para existir - confessei. Ele me olhou sem entender, afastou os fios de cabelos que encaparam do coque e colocou atrás da minha orelha.
- Quem? - perguntou ele com certa careta. Eu segurei um sorriso e suspirei teatralmente. Ele me encarava impaciente esperando a minha resposta. Aproximei meu rosto do dele lentamente e quando nossas bocas estavam praticamente grudadas, respondi.
- É, esse lado também precisa de alguém para existir - murmurei - O lado positivo disso, é que esse alguém é você - sorri, antes de dar um selinho em Danny que sorriu também.
- É bom saber - ele riu roucamente - Mas, eu preciso perguntar novamente - começou ele, dando uma leve pausa - Você tem certeza que quer fazer isso? - perguntou ele, pegando em minha mão e encaixando nossos dedos, levantou ela brevemente e me encarou.
É claro que eu esperava por uma pergunta mais ou menos assim, não tão calma dessa maneira, mas ainda assim. Eu engoli em seco e segurei seu rosto, com a mão livre. Danny inclinou o mesmo na direção da minha mão e fechou os olhos brevemente.
- Eu sei que só faço burradas, que tenho essa mania de acabar machucando as pessoas. Então a pergunta não vai a mim, Danny - comecei - Vai a você, quer mesmo isso? Porque eu? Eu quero mais do que qualquer coisa nesse momento - confessei. Ele concordou em silêncio e então me abraçou forte. Coloquei meu rosto na volta do seu pescoço e fechei os olhos, sentindo o perfume de Danny me invadir por inteiro. Ficamos assim, por alguns minutos até que finalmente nos separamos. Ele continuou com uma mão na minha cintura.
- Preciso molhar a carne - falei dengosa. Danny riu e me soltou levemente, quando virei para ir até o forno ele me puxou e roubou um selinho novamente. Sorri sozinha e peguei o caldo para regar a carne.

- Eu ainda não acredito que foi você que cozinhou aquilo - Danny comentou pela quinta vez desde que havíamos acabado de comer. Revirei os olhos e levantei da mesa, pegando os pratos sujos e levando para a pia. Ele levantou e veio até mim, encostou a cabeça no meu ombro e soltou o ar perto do meu ouvido, me fazendo arrepiar.
- Se você ficar duvidando da minha capacidade de cozinhar, nunca mais vou fazer comida pra você - brinquei, virando o rosto em sua direção. Ele riu e me soltou, ficando ao meu lado se escorando na pia. Limpei os restos de comida dos pratos e coloquei tudo no lava louça, liguei e respirei fundo. Guardei toda a comida que sobrou e limpei a mesa rapidamente, enquanto Danny ficava me olhando. Quando finalmente terminei, Danny estendeu a mão e eu a peguei, entrelaçando nossos dedos. Ele me puxou para fora da cozinha e me arrastou até o sofá. Sentei e esperei que ele sentasse e me aproximei para poder ficar mais perto dele. Danny passou o braço pelos meus ombros e me apertou contra ele.
- Sabe o que você podia fazer? - ele falou, seu tom de voz baixo para que eu escutasse apenas. Virei meu rosto para ele e o encarei, dando a entender que era pra que ele continuasse - Me mostrar a cidade, vamos sair de casa! - ele sorriu - Depois de noite podemos comer uma pizza. Podemos ir à casa do seu pai também, quero ver a Belle de novo - pediu ele. Eu suspirei e dei de ombros, era melhor do que ficar em casa.
- Ok, você vai assim? - perguntei e ele riu negando com a cabeça.
- Vou me trocar, espera - falou ele, levantando e subindo as escadas apressado.
Fiquei sentada no sofá esperando que Danny voltasse para sairmos, liguei a televisão e comecei a zapear os canais, mas não tinha nada de interessante passando. O telefone tocou me fazendo pular no sofá, me estiquei e peguei para atender.
- Alô - falei, sem ter olhado na bina quem era. Uma fungada muito reconhecida soou do outro lado da linha - ? - perguntei. Outra fungada e então um suspiro.
- Oi... Oi, - ela falou roucamente, com voz de choro. Meu coração apertou.
- Porque você está chorando? - perguntei, indo direto ao ponto.
- Chorando? Eu - fungada - Eu, não estou chorando, é só uma gripezinha - mentiu ela, descaradamente. Suspirei, porque definitivamente já tínhamos passado dessa fase.
- Você vai me contar ou vou ter de insistir muito? - resmunguei.
- É o Tom - confessou - Estamos brigando muito, sabe? Mas... mas... - hesitou - Vai ficar tudo bem - ela parecia muito pouco confiante no que acabou de dizer - Só que eu não liguei para falar dos meus problemas com o Fletcher - ela destacou o sobrenome de Tom - Liguei porque estou com saudades - ela deu um risinho baixo. Eu suspirei novamente.
- Estou com saudades também - confessei. fazia muita falta, eu sentia isso todo dia.
- Então vem me visitar - pediu ela - Sério, vem! - insistiu.
- Mas, , tem o casamento da mãe da semana que vem - expliquei - Vamos nos ver lá, não é? - perguntei. bufou e pensou por alguns momentos.
- É vamos nos ver, você tem razão - concordou ela - Mas, falando em ... Você tem falado com ela? Porque ela não atende meus telefonemas e segundos, o... - ela engasgou e respirou fundo - os guys, ela tá meio sumida mesmo - concluiu.
- Não, agora que você falou - pensei por um momento - Você tem razão, ela realmente está sumida - concordei. Ela não havia dado noticias desde que havia voltado a LA.
- É, fiquei um pouco preocupada - comentou ela - Mas enfim, - suspirou ela - Eu tenho de desligar, nos falamos outro dia. Te amo, beijos. - e antes que eu pudesse responder ela desligou.
- ? - uma voz me assustou e acabei jogando telefone para cima e ofegando. Virei-me e encarei Danny vestido perfeitamente e me encarando. Fiz uma cara feia.
- É, era ela - respondi, ainda um pouco assustada - Falando nisso, você precisa ter um papo sério com o Tom - comuniquei, me levantando e estendendo a mão para Danny - Agora, vamos? - perguntei.
- Vamos.

Continua...

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